Alimentos para

Gado de Leite

Editores: Lúcio Carlos Gonçalves Iran Borges Pedro Dias Sales Ferreira

Lúcio Carlos Gonçalves Iran Borges Pedro Dias Sales Ferreira

ALIMENTOS PARA GADO DE LEITE

FEPMVZ-Editora Belo Horizonte
2009

A414

Alimentos para gado de leite / Editores: Lúcio Carlos Gonçalves, Iran Borges, Pedro Dias Sales Ferreira. – Belo Horizonte: FEPMVZ, 2009. 568 p. : il. Inclui bibliografia ISBN 978-85-87144-36-2 1. Bovino de leite – Alimentação e rações. 2. Bovino de leite - Nutrição. 3. Nutrição animal. I. Gonçalves, Lúcio Carlos. II. Borges, Iran. III. Ferreira, Pedro Dias Sales. CDD – 636.214 085 2

PREFÁCIO

A carência de uma obra que reunisse informações acerca do uso de alimentos para bovinos leiteiros motivou a elaboração deste livro. Considerandose a literatura internacional, nos últimos anos, tem sido grande a produção de conhecimento sobre alimentos para gado de leite, no entanto era necessário reunir estas informações para facilitar aos interessados o acesso a elas. Este livro visa atingir produtores rurais, alunos de graduação e pósgraduação e demais técnicos da área de produção de gado de leite. A obra traz informações sobre os alimentos volumosos mais comuns, alimentos concentrados proteicos e energéticos, o uso de resíduos, de ureia, de taninos e a qualidade de ingredientes para alimentação de bovinos leiteiros. Agradecemos especialmente a cada autor pelo afinco e dedicação com que trabalharam para tornar possível a elaboração deste livro

Os Editores

ÍNDICE
CAPÍTULO 1 CLASSIFICAÇÃO DOS ALIMENTOS. Lúcio Carlos Gonçalves, Iran Borges, Ana Luiza da Costa Cruz Borges, Pedro Dias Sales Ferreira CANA-DE-AÇÚCAR NA ALIMENTAÇÃO DE GADO DE LEITE. Mariana Magalhães Campos, Ana Luiza da Costa Cruz Borges, Lúcio Carlos Gonçalves SILAGEM DE GIRASSOL PARA BOVINOS LEITEIROS. Luiz Gustavo Ribeiro Pereira, Lúcio Carlos Gonçalves,Thierry Ribeiro Tomich, Alex Santos Lustosa de Aragão SILAGEM DE SORGO PARA GADO DE LEITE. Wilson Gonçalves de Faria Jr., Lúcio Carlos Gonçalves, Daniel Ananias de Assis Pires, José Avelino Santos Rodrigues, Matheus Anchieta Ramirez O MILHETO COMO OPÇÃO PARA GADO DE LEITE. Gabriel de Oliveira Ribeiro Júnior, Lúcio Carlos Gonçalves, Roberto Guimarães Júnior, Fernado Pimont Pôssas, Rogério Martins Maurício RESÍDUOS DE FRUTAS NA ALIMENTAÇÃO DE GADO DE LEITE. Marcos Cláudio Pinheiro Rogério, Gherman Garcia Leal de Araujo, Marcos José Alves, Jose Neuman Miranda Neiva, Helio Henrique Araújo Costa POLPA CÍTRICA NA ALIMENTAÇÃO DE BOVINOS DE LEITE. Alex de Matos Teixeira, Lúcio Carlos Gonçalves, Frederico Osório Velasco, Gabriel de Oliveira Ribeiro Júnior, Felipe Antunes Magalhães POLPA DE BETERRABA NA ALIMENTAÇÃO DE GADO DE LEITE. Isabela Rocha França Machado Veiga, Lúcio Carlos Gonçalves, Fernanda Samarini Machado, Gabriel de Oliveira Ribeiro Júnior RESÍDUO DE CERVEJARIA PARA GADO LEITEIRO. Frederico Osório Velasco, Lúcio Carlos Gonçalves, Alex de Matos Teixeira, Wilson Gonçalves de Faria Jr., Felipe Antunes Magalhães FIBRA NA ALIMENTAÇÃO DE GADO DE LEITE. Fernanda Samarini Machado, Lúcio Carlos Gonçalves, Marcelo Neves Ribas, Gabriel de Oliveira Ribeiro Júnior CASCA DE SOJA NA ALIMENTAÇÃO DE GADO DE LEITE. Gabriel de Oliveira Ribeiro Júnior, Lúcio Carlos Gonçalves, Flavia Cardoso Lacerda Lobato, Frederico Osório Velasco UREIA E AMÔNIA EM RESÍDUOS AGROINDUSTRIAIS PARA RUMINANTES. Wilson Gonçalves Faria Jr., Lúcio Carlos Gonçalves, Cristiano Gonzaga Jayme, Alex de Matos Teixeira HIDRÓXIDO DE SÓDIO EM RESÍDUOS AGROINDUSTRIAIS PARA RUMINANTES. Frederico Osório Velasco, Lúcio Carlos Gonçalves, Marcelo Neves Ribas, Wilson Gonçalves de Faria Jr.

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CAPÍTULO 2

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CAPÍTULO 3

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CAPÍTULO 4

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CAPÍTULO 5

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CAPÍTULO 6

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CAPÍTULO 7

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CAPÍTULO 8

132

CAPÍTULO 9

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CAPÍTULO 10

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CAPÍTULO 11

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CAPÍTULO 12

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CAPÍTULO 13

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CAPÍTULO 14

O MILHO NA ALIMENTAÇÃO DE GADO DE LEITE. Luiz Gustavo Ribeiro Pereira, Roberto Camargos Antunes, Lúcio Carlos Gonçalves, Wellyngton Tadeu Vilela Carvalho SILAGEM DE GRÃO ÚMIDO DE MILHO NA ALIMENTAÇÃO DE BOVINOS DE LEITE. Marcelo Neves Ribas, Lúcio Carlos Gonçalves, Fernanda Samarini Machado, Isabela Rocha França Machado Veiga, Marcelo Resende Sousa GRÃO DE SORGO NA ALIMENTAÇÃO DE GADO DE LEITE. Wilson Gonçalves de Faria Jr., Lúcio Carlos Gonçalves, Alex de Matos Teixeira, Wellyngton Tadeu Vilela Carvalho COPRODUTOS DA MANDIOCA NA ALIMENTAÇÃO DE GADO DE LEITE. Fernanda Samarini Machado, Lúcio Carlos Gonçalves, Wilson Gonçalves de Faria Jr., Marcelo Neves Ribas COPRODUTOS DO TRIGO E DO ARROZ NA ALIMENTAÇÃO DE GADO DE LEITE. Flávia Cardoso Lacerda Lobato, Lúcio Carlos Gonçalves, Isabela Rocha França Machado Veiga, Fernando Pimont Pôssas BATATA-DOCE NA ALIMENTAÇÃO DE GADO DE LEITE. Isabela Rocha França Machado Veiga, Lúcio Carlos Gonçalves, Flávia Cardoso Lacerda Lobato, Wilson Gonçalves de Faria Jr. CARBOIDRATOS NÃO FIBROSOS NA ALIMENTAÇÃO DE GADO DE LEITE. Eloísa de Oliveira Simões Saliba, Norberto Mario Rodriguez, Lúcio Carlos Gonçalves GRÃO DE SOJA NA ALIMENTAÇÃO DE GADO DE LEITE. Wilson Gonçalves de Faria Jr, Lúcio Carlos Gonçalves, Alex de Matos Teixeira, Flávia Cardoso Lacerda Lobato FARELO DE SOJA NA ALIMENTAÇÃO DE VACAS LEITEIRAS. Wilson Gonçalves de Faria Jr., Diogo Gonzaga Jayme, Lúcio Carlos Gonçalves, Pedro Dias Sales Ferreira CAROÇO DE ALGODÃO NA ALIMENTAÇÃO DE GADO DE LEITE. Flávia Cardoso Lacerda Lobato, Lúcio Carlos Gonçalves, Isabela Rocha França Machado Veiga, Fernando Pimont Pôssas FARELO DE ALGODÃO NA ALIMENTAÇÃO DE GADO LEITEIRO. Alex de Matos Teixeira, Lúcio Carlos Gonçalves, Frederico Osório Velasco, Gabriel de Oliveira Ribeiro Júnior SEMENTES, TORTA E FARELO DE GIRASSOL NA ALIMENTAÇÃO DE GADO DE LEITE. Wellyngton Tadeu Vilela Carvalho, Lúcio Carlos Gonçalves, Luiz Gustavo Ribeiro Pereira, Frederico Osório Velasco FARELO DE AMENDOIM NA ALIMENTAÇÃO DE GADO DE LEITE. Fernando Pimont Pôssas, Lúcio Carlos Gonçalves, Flávia Cardoso Lacerda Lobato, Fernanda Samarini Machado

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CAPÍTULO 15

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CAPÍTULO 16

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CAPÍTULO 17

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CAPÍTULO 18

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CAPÍTULO 19

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CAPÍTULO 20

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CAPÍTULO 21

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CAPÍTULO 22

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CAPÍTULO 23

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CAPÍTULO 24

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CAPÍTULO 25

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CAPÍTULO 26

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CAPÍTULO 27

TORTA DE MAMONA NA ALIMENTAÇÃO DE GADO DE LEITE. Marcelo Neves Ribas, Lúcio Carlos Gonçalves, Fernanda Samarini Machado, Isabela Rocha França Machado Veiga UREIA NA ALIMENTAÇÃO DE GADO DE LEITE. Roberto Guimarães Júnior, Lúcio Carlos Gonçalves, Luiz Gustavo Ribeiro Pereira, Thierry Ribeiro Tomich TANINOS NA ALIMENTAÇÃO DE RUMINANTES. Wellyngton Tadeu Vilela Carvalho, Lúcio Carlos Gonçales, Rogério Martins Maurício, Diego Soares Gonçalves Cruz, Matheus Anchieta Ramirez QUALIDADE DE INGREDIENTES PARA ALIMENTAÇÃO DE BOVINOS. Deborah Alves Ferreira, Lúcio Carlos Gonçalves, Wellyngton Tadeu Vilela Carvalho, Pedro Dias Sales Ferreira, Matheus Anchieta Ramirez

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CAPÍTULO 28

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CAPÍTULO 29

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CAPÍTULO 30

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CAPÍTULO 1 CLASSIFICAÇÃO DOS ALIMENTOS   
Lúcio Carlos Gonçalves1, Iran Borges2, Ana Luiza da Costa Cruz Borges3, Pedro Dias Sales Ferreira4

RESUMO Este capítulo visa apresentar uma classificação simplificada dos alimentos e enumerar os fatores que podem alterar-lhes a composição.

INTRODUÇÃO É importante que o nutricionista saiba classificar os alimentos para que possa utilizálos racional e adequadamente. Assim, ele poderá elaborar dietas nutricionalmente equilibradas que resultarão em desempenhos animais satisfatórios. Os alimentos são classificados de acordo com os seus conteúdos de fibra bruta e de outros nutrientes, em cinco grandes grupos:

1. ALIMENTOS VOLUMOSOS São os que contêm mais de 18% de fibra bruta (FB) na matéria seca e englobam forrageiras secas e grosseiras (fenos e palhas), pastagens cultivadas, pastos nativos, forrageiras verdes e silagens. Existem grandes diferenças entre os conteúdos de proteína bruta, fibra bruta, cálcio e fósforo entre as forrageiras tropicais. À medida que a planta forrageira envelhece, seu valor nutritivo piora pelo maior acúmulo de carboidratos estruturais e lignina e pela menor porcentagem de proteína bruta e fósforo, trazendo como consequência menor consumo e menor digestibilidade da matéria seca ingerida. É importante salientar que quanto melhor o valor nutritivo do volumoso, menor será o custo de produção da carne e do leite produzidos a partir desses alimentos.

Engenheiro Agrônomo, DSc., Prof. Associado Departamento de Zootecnia da Escola de Veterinária da UFMG, Caixa Postal 567, CEP 30.123-970, Belo Horizonte, MG. luciocg@vet.ufmg.br 2 Zootecnista, Dsc. Prof. Associado , Departamento de Zootecnia da Escola de Veterinária da UFMG, Caixa Postal 567, CEP 30.123-970, Belo Horizonte, MG. iranborges@superig.com.br 3 a Médica Veterinária, DSc. Prof . Associado Departamento de Zootecnia da Escola de Veterinária da UFMG, Caixa Postal 567, CEP 30.123-970, Belo Horizonte, MG. analuiza@vet.ufmg.br 4 Médico Veterinário, mestrando em Zootecnia, Escola de Veterinária da UFMG, Caixa Postal 567, CEP 30.123-970, Belo Horizonte, MG. Bolsista CNPq. ferreira.pds@gmail.com

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As diferenças entre a composição química de diferentes forrageiras e entre forrageiras em diferentes idades de corte podem ser observadas nas Tabelas 1 e 2.

Tabela 1. Composição bromatológica de forrageiras tropicais em diferentes idades em porcentagem de matéria seca. Forrageira Capimbraquiarão Capimdecumbens Capimelefante Capimtifton Idade (dias) 0 a 30 31 a 45 46 a 60 0 a 30 31 a 45 46 a 60 31 a 45 46 a 60 61 a 90 0 a 30 31 a 45 46 a 60 % MS* 14,46 21,47 21,49 21,21 30,23 27,34 14,35 19,94 19,77 17,89 16,59 20,78 % PB 11,04 10,65 10,61 12,32 7,78 9,06 14,34 9,20 9,70 11,88 9,22 7,42 % FDN 67,89 63,06 83,75 77,93 79,96 69,84 72,28 73,94 72,65 72,34 72,31 % FDA 33,29 31,19 43,55 37,55 40,04 38,94 42,43 41,95 38,57 37,81 37,29 % Ca 0,94 0,71 0,61 0,53 0,35 0,50 0,29 0,26 0,25 0,24 %P 0,47 0,47 0,42 0,30 0,35 0,27 0,54 0,29 0,26 0,21 0,20

* A matéria seca está em porcentagem da matéria natural. Matéria Seca (MS); proteína bruta (PB); fibra em detergente neutro (FDN); fibra em detergente ácido (FDA); cálcio (Ca); fósforo (P). Fonte: Valadares Filho et al. (2006).

Tabela 2. Composição bromatológica de silagens em porcentagem de matéria seca. Forrageira % MS* % PB % FDN % FDA % Ca %P % NDT Silagem de cana25,85 4,05 62,26 41,95 0,46 0,03 45,65 de-açúcar Silagem de 26,81 5,84 79,13 51,75 0,35 0,13 58,08 capim-elefante Silagem de 23,87 9,07 46,10 36,02 1,22 0,10 girassol Silagem de milho 30,92 7,26 55,41 30,63 0,30 0,19 64,27 Silagem de sorgo 30,82 6,69 61,41 35,77 0,30 0,18 57,23
* A matéria seca está em porcentagem da matéria natural. Matéria seca (MS); proteína bruta (PB); fibra em detergente neutro (FDN); fibra em detergente ácido (FDA); cálcio (Ca); fósforo (P); nutrientes digestíveis totais (NDT). Fonte: Valadares Filho et al. (2006).

No período da seca, em que ocorre redução do crescimento da maioria das forrageiras tropicais, é comum o fornecimento de volumoso no cocho. Existem alguns métodos de conservação de forragens, como a fenação e principalmente a ensilagem. Na Tabela 2, encontra-se a composição de silagens comumente utilizadas na suplementação de bovinos leiteiros.

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2. ALIMENTOS CONCENTRADOS São os que possuem menos de 18% de fibra bruta (FB) e podem ser divididos em: a) concentrados energéticos: contêm menos de 20% de proteína bruta (PB). Como exemplo, têm-se: milho, sorgo, trigo, aveia, cevada, frutas, nozes e algumas raízes; b) concentrados proteicos: contêm mais de 20% de PB e têm-se como exemplo os farelos de soja, de amendoim, de girassol, de algodão, glúten de milho e alguns subprodutos de origem animal, tais como a farinha de peixe.

3. SUPLEMENTOS MINERAIS São fontes de macronutrientes, como cálcio (Ca), fósforo (P), potássio (K), cloro (Cl), sódio (Na) e magnésio (Mg), que são expressos em percentagem, e de micronutrientes, como cobalto (Co), cobre (Cu), ferro (Fe), iodo (I) selênio (Se) e zinco (Zn), que são expressos em parte por milhão (ppm) ou miligrama por quilograma (mg/kg). As Tabelas 3 e 4 apresentam algumas fontes de macro e microminerais, respectivamente.

Tabela 3. Fontes de macrominerais (na matéria natural).
Fontes de fósforo Fosfato bicálcico Fosfato monocálcico Fosfato monobicálcico Fosfato monoamônio Fosfato diamônio Fosfato semidefluorizado Fosfato de rocha de Tapira Fosfato de rocha de Patos de Minas Fosfato de rocha de Araxá Fosfato de rocha de Jacupiranga Fosfato de rocha Goiasfértil Farinha de ossos calcinada Farinha de ossos autoclavada Fontes de cálcio Calcário Farinha de ostra Fontes de sódio Sal comum Bicarbonato de sódio Cálcio (%) 24,8 18,6 19,9 28,7 34,8 20,8 25,9 33,9 23,1 32,6 24,1 Cálcio (%) 38,4 36,7 Sódio (%) 39,7 27,0 Cloro (%) 59,6 0,0 P Total 18,5 20,5 18,5 24,0 23,1 16,7 14,9 10,6 11,6 13,0 16,0 16,3 9,3 Fósforo (%) Coef. Disp.* P Disponível 100 18,5 101 20,8 105 19,4 108 25,9 125 28,9 61 10,2 52 7,7 58 51 31 52 92 100 6,1 5,9 4,0 8,3 15,0 9,3 Flúor (%) 0,12 0,63 0,18 0,23 0,80 1,24 1,46 1,85 1,65 1,95 -

* Coeficiente de biodisponibilidade do fósforo em relação ao fosfato bicálcico (padrão com 100% de biodisponibilidade) determinado com aves. Fonte: Rostagno et al. (2000).

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0 20.1 Mn (%) 47.6 Zn (%) 52. ADITIVOS Os aditivos entram em pequenas quantidades nas rações e são compostos por antibióticos. (2000).0 34. Fontes de cobalto Carbonato de cobalto (CoCO3) Sulfato de cobalto (COSo4 H20) Sulfato de cobalto (COSo4 7 H20) Fontes de cobre Carbonato de cobre (CuCO3Cu(OH)2) Óxido de cobre (CuO) Sulfato de cobre (CuSO H2O) Sulfato de cobre (CuSO4 5 H2O) Fontes de ferro Carbonato de ferro (FeCO3) Sulfato ferroso (FeSO4 H2O) Sulfato ferroso (FeSO4 7 H2O) Fontes de iodo Iodato de cálcio (Ca(IO3)2) Iodeto de cobre (CuI2) Iodeto de potássio (KIO3) Iodeto de potássio (KI) Fontes de manganês Carbonato de manganês (MnCO3) Óxido de manganês (MnO) Sulfato de manganês (MnSO4 H2O) Sulfato de manganês (MnSO4 5 H2O) Fontes de selênio Selenato de sódio (Na2SeO4) Selenito de sódio (Na2SeO3) Fontes de zinco Carbonato de zinco (ZnCO3) Óxido de zinco (ZnO) Sulfato de zinco (ZnSO4 H2O) Sulfato de zinco (ZnSO4 7 H2O) Fonte: Rostagno et al.0 59.0 36. tampões e enzimas fibrolíticas. fungicidas. antioxidantes.0 Fe (%) 43.0 33.5 4. São pouco utilizados em rações de ruminantes no Brasil.0 31. corantes. Co (%) 45. hormônios.0 20. Fontes de micromineirais (na matéria natural).0 75. palatabilizantes.5 25.4 22.8 45. 5.Tabela 4. anabolizantes.1 Cu (%) 53. SUPLEMENTOS VITAMÍNICOS Constituem misturas de vitaminas que são adicionadas às rações para complementar as deficiências dos alimentos.1 I (%) 62.1 73.8 62.0 66. leveduras. 4 .5 22.3 76.0 30.7 Se (%) 41.

6.5. Alguns cultivares de mandioca podem ter sua toxidez alterada em função dos locais onde são cultivados. Condições do solo As forrageiras podem apresentar diferentes composições de oxalato de acordo com o local em que são plantadas. Armazenamento As condições de armazenamento podem modificar a composição dos alimentos.6. enquanto muitos não os possuem. Existem cultivares com e sem tanino. VARIAÇÕES NAS COMPOSIÇÕES DOS ALIMENTOS Podem ocorrer grandes variações nas composições dos alimentos devido a fatores. e a mandioca apresenta cultivares com e sem ácido cianídrico. O método de processamento pode alterar a concentração energética do farelo de algodão. que geralmente apresentam menores valores nutritivos. tais como do farelo de soja e farinhas de origem animal. (torta gorda versus torta em que o óleo foi extraído por solventes). Misturas minerais armazenadas sob condições inadequadas (exposição ao ar. à umidade) podem sofrer alterações nas suas composições pela ocorrência de reações químicas. a inclusão de cascas. outros com açúcares no colmo.1. ao sol. Condições de processamento As condições de processamento podem alterar a composição dos alimentos. 6. Teor de água A quantidade de água presente nos alimentos alterará a relação e a proporção entre os outros nutrientes. Da mesma maneira. dentre outros. Nos subprodutos de origem vegetal. 6. geralmente em níveis superiores aos permitidos pelo Ministério da Agricultura. As temperaturas de secagem e/ou de cocção podem danificar a lisina (aminoácido essencial) de muitos alimentos. o milho úmido tem menor concentração energética por unidade de peso que o mesmo milho seco. provoca grandes alterações na composição desses alimentos. 6.2. tais como: 6. Cultivares (variedades) Pode-se tomar a planta de sorgo como exemplo.4. Por exemplo.3. 5 . Fenos armazenados ao sol perdem mais β-caroteno que os armazenados em condições adequadas. a colza apresenta variedades com diferentes porcentagens de princípios goitrogênicos.

et al. sempre que possível. 239p. Tabelas brasileiras de composição de alimentos para bovinos.7. ROCHA Jr. S. 2000. V.L. mandar analisar os alimentos que serão utilizados no balanceamento. J. Dessa forma.R.A. as dietas apresentar-se-ão o mais próximo possível das necessidades da categoria animal em questão e refletirão em desempenhos satisfatórios.T.. DONZELE. 6 .F. H. Viçosa. L..S.. deve-se. 141p. Tabelas brasileiras para aves e suínos: Composição de alimentos e exigências nutricionais. MG: UFV.ed. VALADARES FILHO. MAGALHÃES K. ALBINO. MG: Editora UFV. Viçosa. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ROSTAGNO.. et al. CONSIDERAÇÕES FINAIS Para a formulação de dietas bem equilibradas. 2. 2006.C.

8%) na área plantada e de 996kg/ha (1.com. O fato de atingir o máximo valor nutritivo durante o período seco do ano. Associado Departamento de Zootecnia da Escola de Veterinária da UFMG. Caixa Postal 567. INTRODUÇÃO O Brasil é o maior produtor mundial de cana-de-açúcar (Saccharum officinarum). tem impulsionado sua divulgação como forrageira adequada para cultivo em fazendas que utilizam pastagens e que visam minimizar o uso de tempo e capital em práticas de ensilagem.391kg/ha. 610 Dom Bosco. analuiza@vet. Associado Departamento de Zootecnia da Escola de Veterinária da UFMG. a facilidade de compra e venda. que foi de 653. dentre elas: o alto teor de sacarose. a relativa resistência a pragas e doenças.4%) na produtividade média (Companhia Nacional do Abastecimento – CONAB. superior em 3.302 milhões de toneladas.br 3 Engenheiro Agrônomo. Juiz de Fora.br 1 7 . Rua Eugênio do Nascimento.ufmg. Caixa Postal 567. 2009). a escolha da variedade adequada. Embrapa Gado de Leite. A cana-de-açúcar tem várias características que justificam sua utilização na alimentação de ruminantes. Médica Veterinária.ufmg. DSc. MG. o desempenho animal e a utilização de cana-deaçúcar hidrolisada. Belo Horizonte.123-970. Ana Luiza da Costa Cruz Borges2. Prof. a simplicidade do cultivo agronômico. MG. além de ser uma cultura tradicional entre os produtores rurais brasileiros. O objetivo desse capítulo é apresentar as vantagens e as limitações do uso da cana-de-açúcar na alimentação de ruminantes. a alta produção de matéria seca por unidade de área mesmo com baixa frequência de cortes. o moderado teor de fibra insolúvel em detergente neutro (FDN). Ao longo do texto. A produtividade média está prevista para 70.CAPÍTULO 2 CANA-DE-AÇÚCAR NA ALIMENTAÇÃO DE GADO DE LEITE Mariana Magalhães Campos1.. CEP 30. A produção brasileira na safra 2009 está estimada em 674. o consumo voluntário. marimcampos@gmail. luciocg@vet. MG. são discutidos assuntos como a composição bromatológica da cana-de-açúcar. Belo Horizonte. DSc. Lúcio Carlos Gonçalves3 RESUMO Este capítulo aborda questões relacionadas à utilização da cana-de-açúcar na alimentação de ruminantes. CEP 36038-330..3% à da safra anterior.123-970. CEP 30. quando a disponibilidade de forragem é baixa. Prof . O respectivo crescimento ocorreu em função da expansão de 172 mil hectares (1. a digestibilidade. o caráter semiperene. DSc.779 milhões de toneladas.br 2 a Médica Veterinária.

74 Extrato etéreo 1. Os carboidratos estruturais da cana-de-açúcar são fonte potencial de energia de baixo custo para ruminantes. devido aos baixos teores de proteína.09 Nutrientes digestíveis totais 62. Tabela 1. 1988).10 Carboidratos totais 92.55 Matéria mineral 3.A cana-de-açúcar. minerais e ao alto teor de fibra de baixa degradação ruminal. Uma das principais limitações da cana-de-açúcar nos experimentos de desempenho animal é o baixo consumo de matéria seca e de nutrientes.68 Fibra em detergente ácido 34. Sendo assim. Fonte: Valadares Filho et al. Este fato está relacionado. 1.22 Celulose 26. em porcentagem da matéria seca. principalmente. Composição bromatológica da cana-de-açúcar (Saccharum officinarum).02 Hemicelulose 21. como alimento básico para ruminantes. a cana-deaçúcar tem sido correlacionada negativamente à ingestão de matéria seca não apenas pela fração indigestível da fibra mas também pela baixa taxa de digestão da fibra potencialmente degradável.76 Carboidratos solúveis 42.83 Fibra em detergente neutro 57. seu potencial como fonte de energia é limitado devido à sua baixa digestibilidade e taxa de degradação e consequente baixo consumo voluntário. como alimento básico para ruminantes.45* Proteína bruta 2. Nutrientes % Matéria seca 28.70 * Porcentagem na matéria natural. apresenta limitações de ordem nutricional. as quais apresentam elevado efeito de repleção ruminal. com a estrutura da parede celular que protege os nutrientes da digestão microbiana no rúmen. 8 . encontra-se a composição bromatológica da cana-de-açúcar.75 Extrativo não nitrogenado 69. apresenta limitações de ordem nutricional. COMPOSIÇÃO BROMATOLÓGICA A cana-de-açúcar. devido aos baixos teores de proteína. (2006). No entanto. minerais e ao alto teor de fibra de baixa degradação ruminal (Leng. Na Tabela 1. em porcentagem da matéria seca.44 Lignina 7.

sendo este último resultado do acúmulo de sacarose. supera esta queda. No entanto. enquanto o de outras gramíneas forrageiras atinge seus limites mínimos (Gooding. Figura 1. (2003). representado na Figura 1 pelo conteúdo celular. o valor nutritivo da cana-de-açúcar aumenta com a maturidade. Fonte: Pate (1977). conforme pode ser visto na Figura 1. o valor nutritivo das gramíneas diminui com o avançar do estádio de maturação. época em que seu valor energético é máximo. fazendo com que haja aumento na digestibilidade da matéria orgânica (MO) com o avanço da idade da planta. 1982). Ocorre queda na digestibilidade da FDN com o avanço da idade. verificaram que as diferenças nos teores de FDN e fibra insolúvel em detergente 9 . considerando intervalos de quatro meses entre cortes da cana. mas o aumento de CNF. Fernandes et al. ocorrem decréscimos nos teores de proteína bruta (PB) e aumento nos teores de matéria seca (MS) e de carboidratos não fibrosos (CNF). particularmente no período seco e frio do ano. Com o avançar da idade da cana-deaçúcar.De maneira geral. Composição e digestibilidade da cana-de-açúcar segundo a idade da planta. Essa característica resulta em importante vantagem para a alimentação animal.

avaliando 12 cultivares. Rodrigues et al. que faz parte da FDN.. Rodrigues et al. verificaram que a FDN nos colmos variou de 33. encontraram correlação de –0. (2005). avaliando 18 variedades. tem alta correlação negativa com a digestibilidade.6 a 47. 2003.ácido (FDA) foram relativamente pequenas. a maioria das propriedades rurais que utiliza a cana-de-açúcar na dieta dos animais não tem tido acesso às variedades melhoradas. Esta variável.1 a 48.9 a 4. (2001). Dietas que utilizam cana-de-açúcar como volumoso necessitam de maior inclusão de concentrados proteicos para suprir as exigências dos animais.90. 2001). Rodrigues et al.8% da MS. e o teor de CNF variou de 49. Carvalho (1992).7 e baixos teores de lignina.88. O baixo teor de fósforo da cana-de-açúcar é outra limitação dessa forrageira. as pesquisas com melhoramento genético da cana-de-açúcar colocaram no mercado mais de cinquenta variedades de expressivo potencial produtivo.4 a 61. o que evidencia a capacidade desse volumoso em manter constante o seu valor nutritivo ao longo do tempo. além de o aumento no teor de FDN 10 . pois a cana apresenta baixo teor de proteína (Corrêa. Entretanto. 2006). (2003). Considerando-se que é característica da espécie o baixo conteúdo nitrogenado.1% da MS. afetando seu desempenho. avaliando 10 variedades de cana-de-açúcar. devido à pouca disponibilidade desses materiais e. Considerando-se que a capacidade de ingestão total de fibra pelo animal é limitada. verificaram diferença acentuada nos teores de FDN. encontrou correlação entre a DIVMS e o teor de FDN de –0. As variedades mais promissoras para alimentação de bovinos são as que apresentam menores teores de FDN.3%. ESCOLHA DA VARIEDADE Nos últimos dez anos.. maiores valores de digestibilidade in vitro da matéria seca (DIVMS). que variou de 2. porque essas variedades ainda não foram introduzidas e testadas nesses locais (Macedo et al. relações FDN/Pol (Pol . uma variedade que apresenta teor de FDN elevado limitará a ingestão de cana-deaçúcar. 2006).teor de sacarose) menores que 2. 2005. e. contrariamente ao que ocorre com a maioria das espécies forrageiras tropicais. consequentemente. o consumo de energia poderá ser insuficiente para atender as exigências nutricionais do animal. e Rodrigues et al.0. sendo de fundamental importância uma suplementação mineral adequada para suprir as exigências nutricionais dos animais. o teor de PB não é critério para escolha de variedades (Costa et al.. (2006) encontraram diferença entre as variedades estudadas para o teor de lignina. principalmente. avaliando cinco variedades de cana-de-açúcar em cinco épocas de colheita. que variaram de 41. Costa et al.0%. 2. sendo que as canas com alto teor de FDN apresentavam baixa concentração de CNF (r = .96).

As variedades de cana-de-açúcar precoces apresentaram maiores teores de FDN e FDA do que as de ciclo intermediário. Azevêdo et al. Segundo o autor. A relação FDN/Pol pode servir de indicador para a escolha de variedades de cana-deaçúcar para alimentação de ruminantes. Canas de alta digestibilidade têm colmos mais curtos. além de baixa porcentagem de FDA. avaliando a divergência nutricional de 15 variedades de canade-açúcar. verificaram que os teores de hemicelulose. a porcentagem de colmos foi a de maior herdabilidade (h2=63. (2001) observaram que quanto menor a relação FDN/açúcares. culminando com mais rápido desenvolvimento das estruturas de sustentação.8% da variação total do banco de dados utilizados em seu estudo. Entretanto. entre as três características mais correlacionadas ao valor nutritivo. Rodrigues et al. de alta digestibilidade. pois permite maior eficiência no processo de 11 . devido à negativa relação entre os teores de FDN e de FDA dos alimentos e seu valor nutricional.5%. selecionar canas com colmos curtos para obter ganho em digestibilidade levaria à perda na produção de MS por hectare. o que faz pouco sentido. A segunda mais importante é o comprimento dos colmos. enquanto as folhas são ricas em fibra de baixa digestibilidade.na planta estar associado ao espessamento da parede celular. Os autores observaram que variedades com ciclo de produção intermediário apresentaram uma produção 8. uma vez que as primeiras atingem a maturidade mais cedo. Houve aumento linear do percentual dos nutrientes digestíveis totais (NDT) com o avanço na idade de corte. ou seja. uma vez que a sacarose. (2003) avaliaram variedades de cana-de-açúcar com diferentes ciclos de produção (precoce e intermediário) e três idades de corte. maior será a DIVMS. Teixeira (2004) procurou definir que características da planta seriam mais correlacionadas ao valor nutritivo da cana-de-açúcar. justificado pelo aumento linear do teor de MS e o aumento do teor de sólidos solúveis (brix). a característica mais importante na cana-de-açúcar de alto valor nutritivo é ter baixa porcentagem de fibra na MS. Ainda neste trabalho de Teixeira (2004). a porcentagem de fibra (FDN ou FDA) foi a mais correlacionada com a degradabilidade da MS. Dentre as características agronômicas e bromatológicas avaliadas. Fernandes et al.66% maior que as precoces. A terceira característica seria selecionar variedades com maior porcentagem de colmos. enquanto as características comprimento dos colmos e porcentagem de FDA apresentaram menor herdabilidade. está contida nos colmos. que são representadas pelos polissacarídeos da parede celular vegetal. de lignina e a taxa de degradação da fração potencialmente degradável da FDN explicaram 87. (2003).4 e 19. baixa proporção de palhas e folhas. o que reduz a área disponível ao ataque microbiano no rúmen. respectivamente. Este fato torna as variedades de maturação intermediária mais apropriadas ao consumo pelos animais. que foram de 41. Outra característica que deve ser avaliada para escolha das variedades é a maior capacidade de desfolha natural ou fácil.1%).

respectivamente) e uma dieta com silagem de milho na proporção de 60%. (2005) compararam o consumo de matéria seca (CMS) entre três dietas com cana-de-açúcar corrigida com 1% da mistura ureia e sulfato de amônio (9:1) como volumoso único. 50 e 40% de inclusão (V:C de 60:40. Magalhães et al. além de reduzir a oferta de material de baixo valor nutricional ao rebanho (Macêdo et al. 2006). da mesma forma.35% na quantidade de ureia mais sulfato de amônio adicionado à cana-de-açúcar em relação à recomendação tradicional de 1% e a modificação da relação V:C de 60:40 para 50:50 não foram suficientes para aumentar o consumo de dietas com cana-de-açúcar. quando expressa em g de FDN/h. O CMS do tratamento com 40% de inclusão de cana-deaçúcar foi semelhante ao obtido com a dieta à base de silagem de milho na proporção de 60%. (2006). intermediário no de 50% e maior no de 40%. Resultados semelhantes foram encontrados por Souza (2003) e Magalhães et al.35% do valor obtido para a dieta com 100% de silagem de milho.51% superior para a dieta contendo silagem de milho. 3. menor CMS. Mendonça et al. ter limitado a ingestão 12 . (2004b) avaliaram dietas com silagem de milho ou com cana-deaçúcar em vacas Holandesas e observaram consumo 21. trabalhando com cana-de-açúcar em substituição à silagem de milho em dietas para vacas em lactação. e a eficiência de ruminação. A baixa digestão da FDN da cana-de-açúcar pode ter apresentado efeito de repleção ruminal e. verificaram o aumento de 6. Costa et al. (2004a) avaliaram o comportamento ingestivo de vacas leiteiras recebendo dietas contendo silagem de milho (V:C de 60:40) ou cana-de-açúcar (V:C de 60:40 ou 50:50). moagem. As vacas alimentadas com dietas à base de cana-de-açúcar apresentaram maior tempo despendido em ócio. encontraram consumo 22. que observaram aumento de 15% no consumo em dietas à base de silagem de milho quando comparadas com aquelas baseadas em cana-de-açúcar.. (2002) não observaram diferenças no consumo de MS e PB com o aumento dos níveis de cana-de-açúcar nas dietas em substituição à silagem de milho. 40:60.corte. Mendonça et al.52%. O consumo foi menor no nível de inclusão de 60% de cana-de-açúcar. Valvasori et al. CONSUMO VOLUNTÁRIO Costa et al. ambas com relação V:C de 60:40. verificaram que a cana-de-açúcar apresentou elevada proporção de fibra indigestível em comparação à silagem de milho. uma vez que o coeficiente de digestibilidade da FDN para a dieta com 100% de cana-de-açúcar correspondeu a apenas 45. (2004). (2005). consequentemente. nas proporções 60. No entanto.2% maior para as dietas à base de silagem de milho. também foi menor. Os autores verificaram que a redução para 0. comparando tratamentos com a mesma relação volumoso:concentrado (V:C de 60:40) entre cana-de-açúcar e silagem de milho. Corrêa et al. 50:50. (2003).

quando comparou diferentes níveis de substituição de silagem de milho por cana-de-açúcar. por unidade percentual de cana-deaçúcar acrescentada às dietas. absorvido e utilizado pelo animal (Magalhães et al. As rações CAU e CMM foram as que apresentaram as quantidades de ureia mais elevadas (3.52 e 3. A sacarose da cana foi aparentemente mais digestível que o amido da silagem. sendo a baixa DFDN uma das limitações da cana-de-açúcar na dieta de ruminantes.. As dietas eram isoproteicas. 2004b). Houve decréscimo linear na digestibilidade da FDN com o incremento da inclusão de cana-de-açúcar na dieta. (2003) avaliaram diferentes suplementos para vacas mestiças em lactação alimentadas com cana-de-açúcar.00375 unidades para o TMRT. na digestibilidade aparente da proteína bruta (DAPB) e na digestibilidade aparente (DA) dos carboidratos totais (CHO). provavelmente provocado pelo maior tempo de retenção no rúmen. estão resumidos os resultados de diversos trabalhos mostrando digestibilidade da MS e da FDN de dietas com cana-de-açúcar como volumoso único. Resultado semelhante foi encontrado por Magalhães (2001). Segundo os autores. A baixa palatabilidade da ureia pode ter contribuído para obtenção de menores ingestões de MS nestes tratamentos. na digestibilidade aparente da matéria orgânica (DAMO). Na Tabela 2..59%). respectivamente).82%) e silagem de milho (67. estimando-se redução de 0. apresentaram maiores coeficientes de digestibilidade da fibra em detergente neutro (DFDN) e de digestibilidade dos carboidratos (DCHO). Provavelmente tal fato ocorreu em virtude do maior teor de lignina presente nas dietas à base de cana-de-açúcar (Mendonça et al. milho grão e ureia (CMM). que foram o de cana-de-açúcar mais ureia (CAU) e o de canade-açúcar. (2005) também não encontraram diferença na digestibilidade da matéria seca (DMS) e na DMO entre dietas com silagem de milho ou cana-de-açúcar. 4. não foi encontrada diferença significativa na digestibilidade da matéria orgânica (DMO) entre dietas com cana-de-açúcar (67.49%) foi compensada pela alta DMO da fração não fibrosa (87. Vilela et al.58%) desta. respectivamente.0057 unidades na TPR e aumento de 0.22% na MS. A taxa na qual a digesta se move ao longo do trato gastrintestinal (TGI). e os tratamentos com maior inclusão de ureia. DIGESTIBILIDADE Segundo Andrade (1999). 13 . a taxa de fermentação do alimento e a quantidade de MS consumida são os principais fatores que estabelecem a proporção em que determinado nutriente será digerido. Os autores também observaram que a taxa de passagem ruminal (TPR) decresceu enquanto o tempo médio de retenção total da digesta (TMRT) aumentou linearmente.de MS. A baixa digestibilidade da FDN nas dietas com cana-de-açúcar (22. pode ter aumentado a digestão dos nutrientes neste compartimento. 2006). o menor consumo nas dietas CAU e CMM. Costa et al. que também não encontrou diferenças na digestibilidade aparente da matéria seca (DAMS).

far. Segundo o autor.1997 Stacchini.6% 49. far.4% 22. 2003 Mendonça et al. é alternativa viável para a recria de animais Holandeses. soja. 2004b Costa et al. Novilhas leiteiras Andrade (1999) avaliou o fornecimento de dietas isoproteicas contendo 320g de FDN oriundas de cana-de-açúcar ou silagem de milho para novilhas Holandesas.0% 71. ureia Ureia.0% 62..9% 55. 2 = cana-de-açúcar variedade RB72454.4. 6. glúten milho. o menor desempenho animal com cana-de-açúcar foi resultado da menor ingestão diária de energia devido à queda no CMS.8% 66. far. algodão.6% 47..0% 36.. far. 1997 Hernandez et al.175g no tratamento com silagem de milho e 1.. algodão Ureia.1997 Hernandez et al. milho grão Ureia.6kg. Entretanto. respectivamente. 2003 Vilela et al. ureia.0% 53. far. soja. trigo. soja. 6.Tabela 2.1% 54. segundo o autor. soja Milho grão. far.. 1995 Ludovico e Mattos. (2002).0% 66.0% 35. O ganho de peso diário foi 1. O CMS caiu linearmente com a maior inclusão de cana-de-açúcar na dieta. Fonte: Hernandez et al. 70 ou 78% de cana-de-açúcar na MS.9% 67. soja Milho grão.. Costa et al. Gallo (2001). Corrêa (2001). trigo Milho grão.009g no tratamento com cana-de-açúcar. 5.9% 53. mesmo levando a um menor desempenho animal.4% 67. algodão. soja Far.9% 61. far..6% 46. milho grão. 2003 Vilela et al.9% 66.3% 69.0% 70. ureia DMS 77.. Valvasori et al. já que ganhos de peso em torno de 750g/dia seriam suficientes para obtenção de primeiro parto aos 24 meses de idade.. 7.0% 64. (2005). far.2% 31. Mendonça et al. (2004b). 2003 Vilela et al. Digestibilidade aparente da matéria seca (DMS) e da fibra em detergente neutro (DFDN) de dietas com cana-de-açúcar como volumoso único e diferentes suplementos.0% 66. soja1 Milho grão. 2002 Vilela et al. far.4% 37. soja Milho grão.8. 3 = Cana-de-açúcar variedade RB806043. ureia Ureia Ureia. Suplementos Milho grão.4% 70.9% 61.4% 73.. algodão.5% 65. 1998 Andrade. far. 1981 Manzano et al. a cana-de-açúcar.1997 Hernandez et al. 2001 Gallo. DESEMPENHO ANIMAL 5. far.2% 53.7% 40. algodão Milho grão.5% 23. ureia Milho grão. far. far. com peso vivo ao redor de 500 a 550kg..7% DFDN 37.. (2003). (1997). soja2 Milho grão. 2005 1 = cana-de-açúcar variedade CO413.8% 63. 1993 Aroeira et al.. glúten milho. soja3 Far.5% 65. 2001 Valvasori et al.3% 73. soja.7% 54. far. O consumo de concentrado foi de 3kg/animal/dia.1. far.0% Animal Vacas Garrotes Novilhas Vacas Vacas Garrotes Garrotes Garrotes Vacas Novilhas Vacas Novilhas Vacas Vacas Vacas Vacas Vacas Vacas Vacas Fonte Biondi et al. far. Não houve diferença nos ganhos de peso diários. que foram 14 . far. algodão Milho grão. As dietas eram isoproteicas e continham 62. 1999 Corrêa. Gallo (2001) conduziu experimento para determinar o teor máximo permitido de canade-açúcar na dieta de novilhas Holandesas que não deprimiria o ganho diário de peso. ureia Far. algodão Milho grão. Vilela et al. 1978 Pate.

respectivamente. independente do nível de ureia ou da relação V:C.5kg / cabeça / dia de concentrado e o tratamento 2 (T2) pelos mesmos ingredientes do T1 mais 4kg de cana-de-açúcar / dia com a adição de 4% de ureia. 347 dias). o que resulta em menor consumo de nutrientes.77kg menor que a dieta à base de silagem de milho. trabalhando com vacas Holandesas de alta produção.1.269 para T1 e 1.16 e –0. 956g/animal/dia). respectivamente. devem-se formular dietas que sejam consumidas em grandes quantidades e contenham elevados níveis de nutrientes utilizáveis. respectivamente. Os animais que consumiram dietas com 0. 2004). trabalhando com novilhas Holandês x Brahman. (2004b) também observaram que a produção de leite para as dietas à base de cana-de-açúcar como volumoso. a resposta ao uso da cana-de-açúcar para vacas leiteiras não está apenas na produção de leite. Após realizar a análise dos dados produtivos e a análise econômica. (2005). O tratamento 1 (T1) era composto de pasto mais 1. verificou que a produção decresceu linearmente com o aumento nos níveis de substituição da silagem de milho. Costa et al. É provável que as primíparas do T2 obtiveram maior produção de leite como consequência do maior ganho de peso desde o sétimo mês de gestação até o momento do parto (669 vs. o autor concluiu que o nível de 33% de substituição foi técnica e economicamente recomendável. A suplementação promoveu melhor condição corporal dos animais ao parto e diminuição do intervalo entre partos (454 vs. A menor produção de leite para as dietas com maior participação de cana-de-açúcar pode ser explicada pelo menor CMS. assegurando. com o aumento da inclusão da cana-deaçúcar.49. (2006). Magalhães (2001). PB e NDT. o que pode ser explicado pela redução nos consumos de MS. com produção por lactação superior em 28% (1. comparou dietas com silagem de milho ou cana-de-açúcar como volumoso único e encontrou produção diária de leite 2. foi 2. avaliando o efeito de quatro níveis de substituição (0. Corrêa (2001). Vacas em lactação Para se alcançar máxima receita sobre custos com alimentação.634 litros para T2) para os animais que receberam cana-de-açúcar.53kg/dia.. Segundo o autor. -0. assim. 979. avaliaram a suplementação ou não com cana-de-açúcar por três meses antes do parto. por sua vez. Mendonça et al. 66. 100%) da silagem de milho por cana-de-açúcar em dietas para vacas produzindo 24kg de leite por dia. Espinoza et al.6 e 100% de cana-de-açúcar como volumoso apresentaram variação de peso corporal de 0.002. 66. 15 .89. 5.5kg inferior no tratamento com cana-de-açúcar. produção e condição corporal satisfatórias (Magalhães et al. devendo-se observar também a condição corporal dos animais ao longo da lactação.79kg.2.3. encontraram redução de 2. 951g/dia. A média de produção de leite por animal foi de 6 e 8L/dia para T1 e T2. 0. 33. 33.

1kg/dia. não havendo diferença entre os demais tratamentos. Bovinos de corte Silva et al. milho moído (CMM). (2004b) e Costa et al. avaliaram diferentes níveis de inclusão de concentrado em dietas com cana-de-açúcar (V:C de 60:40. alimentadas com canade-açúcar. 40:60. (2005) avaliaram o desempenho produtivo de vacas leiteiras alimentadas com quatro tratamentos isoproteicos que utilizaram como volumoso cana-de-açúcar adicionada de farelo de soja ou 0. CMM e CFT. 20:80).6 e ganho de 0. Vilela et al. A produção de leite do tratamento CFT foi maior que do CAU. CMS. farelo de algodão (CFA) e farelo de trigo (CFT) para vacas mestiças em lactação. foi com farelo de trigo.8. (2003) avaliaram diferentes suplementos. com produção de leite média de 7kg por animal/dia. (2005) avaliaram a utilização de diferentes fontes proteicas e de volumosos (cana-de-açúcar.Rangel et al. Para os volumosos. (2005).2 e 0. Segundo os autores. 0. No entanto. 0. Os autores recomendaram o nível de 1. Magalhães et al. foi verificada perda de peso de 0. Não houve interação significativa entre volumoso e fontes proteicas e também não houve diferença entre as fontes proteicas para os parâmetros estudados. a suplementação que apresentou os melhores resultados. silagem de milho e pastagem de capim-brachiaria brizantha) em novilhos Holandês x Zebu na biometria da carcaça. os pesos.3. Souza (2003). (2006). além de proporcionar maior CMS e maior ganho em peso total. A eficiência alimentar foi superior para os tratamentos CAU e CMM em relação ao CFA. para os tratamentos CAU. (2004). Não houve diferença para a produção de leite. No entanto.4. do conteúdo estomacal e do conteúdo gastrintestinal. ureia (CAU).2% de mistura ureia e sulfato de amônio (9:1). CFA. aqueles que receberam 80% de concentrado apresentaram maior ganho em peso vivo total. peso de vísceras e de órgãos internos. respectivamente. Os animais que receberam 60% de concentrado na dieta total apresentaram maior CMS. 5. que foi em torno de 20kg por animal. Mendonça et al. ocorreu efeito linear crescente na produção de leite para o aumento dos níveis de ureia. Macitelli et al. Existe atualmente uma preocupação na avaliação dos alimentos para produção de maiores teores de sólidos do leite devido ao pagamento diferenciado já adotado por alguns laticínios brasileiros. foram 16 . quando se comparou farelo de soja com a ureia nos diferentes níveis. trabalhando com novilhos mestiços da raça Nelore confinados. O aumento da inclusão de concentrado na dieta promoveu incremento energético na MS.8. baseados na produção e composição do leite. 1. não encontraram diferenças na composição de leite. em trabalhos avaliando cana-de-açúcar em substituição à silagem de milho. Isso ocorreu devido às maiores perdas de peso nos tratamentos CAU e CMM. em porcentagem do peso do corpo vazio (%PCV). Neste estudo. digestibilidade dos nutrientes e eficiência alimentar. para vacas mestiças de baixo potencial de produção.2% da mistura ureia mais sulfato de amônio (9:1) para a correção nitrogenada da cana-de-açúcar.

espessura de gordura de cobertura. RB 72454 e CO 413 apresentaram teores de fibra bruta. área de Longissimus dorsi. devido à quebra das ligações com a lignina. o aumento na extensão da digestão da celulose e das hemiceluloses é.09. são rompidas ligações na fração fibrosa da cana. cor. de 14. a ingestão de nutrientes e a conversão alimentar em animais 1/2 Canchim/Nelore e 3/4 Canchim/Nelore utilizando três variedades de cana-de-açúcar. textura. Não houve diferença entre tratamentos para rendimento de carcaça fria. De acordo com Klopfenstein (1980). 23. respectivamente. Então. Os animais mantidos em pastagem não apresentaram diferença na avaliação de carcaça compacta em relação aos animais alimentados com os outros volumosos.52 e 8. 1994). Vaz e Restle (2005) estudaram as características de carcaça e da carne de novilhos Hereford terminados em confinamento. provavelmente.59% PCV. O fenômeno mais associado com o tratamento alcalino de volumosos é a solubilização parcial das hemiceluloses. lignina e sílica. 6. porcentagem de músculos e osso na carcaça. A dieta contendo a variedade RB 806043 proporcionou ganho de peso superior (1. maciez e quebra na cocção da carne. A justificativa para emprego de álcali reside no fato de a lignina das gramíneas ser particularmente susceptível ao ataque hidrolítico dessa base. Ou seja. UTILIZAÇÃO DE CANA-DE-AÇÚCAR HIDROLISADA Existem estudos que demonstram que o tratamento de materiais fibrosos com álcali. que levam ao aumento da sua digestibilidade. e a hidrólise dos ésteres dos ácidos urônico e acético.75 e 1. respectivamente). Hernandez et al. porcentagem de cortes comerciais da carcaça. conformação da carcaça.20kg MS/dia. quebra durante o resfriamento. sem 17 . As variedades RB 806043. que apresentaram ganhos de 1. força de cisalhamento.significativamente maiores para os animais alimentados com cana-de-açúcar (7. como a cal micropulverizada. nas ligações covalentes do tipo éster entre a lignina e a parede celular (Van Soest.81kg/cab/dia) em relação às demais rações. Os animais que receberam dieta com a variedade CO 413 apresentaram menor ingestão de matéria seca (7. respectivamente. o teor de lignina normalmente não é alterado pelo tratamento químico. alimentados com dietas isoproteicas contendo 33% de concentrado e 67% de cana-de-açúcar ou silagem de milho.94kg MS/dia) que os animais que receberam RB 806043 e RB 72454 (9. 19.71%. enquanto os alimentados com cana-de-açúcar tiveram carcaça menos compacta que os tratados com silagem de milho.17 e 9. aumenta sua digestibilidade. Não houve diferença entre as conversões alimentares. marmoreio.78.52kg/cab/dia para as dietas com as variedades RB 72454 e CO 413. O tratamento com álcali também pode levar à quebra de pontes de hidrogênio na celulose. respectivamente). (1996) avaliaram o ganho de peso.

Oliveira et al. disponibilizando mais energia para crescimento microbiano e elevando o aporte de proteína para o intestino. Balieiro Neto et al. os resultados de desempenho são semelhantes aos de dietas de melhor qualidade.5% de cal virgem ou de cal hidratada na cana-de-açúcar.48 para 49. 24 horas após aplicação do produto. utilizando 1% de cal virgem na cana-de-açúcar.atuar na sua remoção. os autores verificaram redução nos teores de FDN da cana-de-açúcar de 45% para 40. A hidrólise com cal não afetou o teor de FDA. (2007) estudaram a adição ou não de 0. observaram redução do teor de FDN de 55. proporciona melhor aproveitamento da fibra da dieta. solução ou pó. mostrou-se mais efetiva do ponto de vista da digestibilidade dos nutrientes estudados. O tratamento alcalino. (2006) avaliaram a composição bromatológica dos tratamentos. Houve aumento da digestibilidade in vitro da matéria seca (DIVMS) de 62 para 70%. (2006) verificaram que a hidrólise da cana-de-açúcar.5% de cal hidratada (72% de óxido de cálcio total) proporcionou aumento na digestibilidade in vitro da matéria seca. sendo que. (2006). Santos et al.5% de cal. 0.5% de CaO diluído em 40 litros/t de matéria verde (MV) ou aplicado a seco.5%. Porém. da FDN e da FDA da variedade IAC86-2480 de cana-de-açúcar com adição de zero e 0.55%. com o nível de 0.5% de cal. Independente da cal utilizada. não havendo efeito do modo de aplicação do produto. (2006) avaliaram a composição da fração fibrosa da cana-de-açúcar tratada com 0. durante três e seis horas e com duas formas de aplicação (solução ou pó). Não houve alteração nos teores de MS e de fibra em detergente ácido (FDA). e 1. a ação alcalinizante e ao mesmo tempo hidrolisante da cal foi observada reduzindo os teores de FDN e de hemiceluloses em comparação com a cana-de-açúcar não tratada. 1. (2006) determinaram a digestibilidade in vitro da matéria seca. Oliveira et al.. Entretanto.0. melhorando a digestibilidade da fibra pelo aumento na solubilidade das hemiceluloses e na disponibilidade da celulose e das hemiceluloses. Mota et al. Oliveira et al. Independente da forma de aplicação.30% e de FDA de 43. Isto é interessante para o produtor.5% de CaO sobre as hemiceluloses. na da FDN e na da FDA da canade-açúcar. que não precisa de equipamentos para a mistura da cal com a água. A cal foi efetiva em alterar a composição da parede celular. Os aumentos na digestibilidade de volumosos tratados com produtos alcalinos normalmente estão relacionados ao aumento de consumo e do desempenho dos animais. A hidrólise com 0. quando feita manualmente (Oliveira et al.5. 2006). 18 . às vezes.96 para 33. Os melhores resultados foram observados com a dose de 1. quando influencia positivamente a digestibilidade das frações fibrosas. os autores ressaltaram que a aplicação a seco em grandes quantidades de cana-de-açúcar picada torna-se limitada.

como a cal virgem e a cal hidratada. de fonte de energia. diminuição no teor de matéria orgânica (MO). É preciso avaliar a biodisponibilidade do cálcio. Mota et al. 0. avaliou-se o efeito da cana-de-açúcar com zero ou 1.5 e 1. que podem ter prejudicado a palatabilidade e limitado o consumo. com solubilidade menor que 1%..0% do peso vivo). os poucos resultados da literatura de ensaios com animais não vêm repetindo a mesma tendência. que não se alterou. porém a quantidade de fósforo é muito baixa. Uma limitação da utilização da cana-de-açúcar é a necessidade de corte diário. Ao se adicionar cal à cana-de-açúcar. deve-se esperar aumento no teor de matéria mineral e. 19 . Moraes et al. deve-se atentar para a formulação da ração a fim de se proporcionar uma dieta equilibrada em minerais. além dos requerimentos nutricionais. ocorre alteração imediata de coloração da cana. Em um trabalho com novilhas mestiças. 36 e 60h). Apesar dos bons resultados obtidos nas avaliações feitas por técnicas in vitro. Essa mudança imediata de coloração auxilia na verificação da homogeneização da cana-de-açúcar com a cal. o autor alertou para o fato de a cal virgem ser produto químico de reação lenta. 2007).0% de cal virgem na base da matéria natural (MN) com três níveis de oferta de concentrado (0. de acordo com a categoria e a espécie animal. Sendo assim.5% de cal na cana-deaçúcar e diferentes tempos de hidrólise (12. os autores concluíram que a adição de 0. Os autores não verificaram diferença nos teores de MS.5% de cal mantém as características bromatológicas por até 60 horas após o início do tratamento. (2007) avaliaram a adição de 0. No entanto. com exceção do consumo de FDN. (2007) verificaram que a adição de 1. A cana-de-açúcar apresenta quantidade considerável de cálcio. o que pode facilitar o manejo diário e de finais de semana. sendo necessário tempo maior de reação para apresentar os mesmos efeitos do NaOH. Os agentes alcalinizantes. especialmente em relação ao cálcio e ao fósforo. Quando se adiciona cal na cana-de-açúcar. que passa de esbranquiçada para uma coloração amarelada. consequentemente. FDN e FDA nos diferentes tempos de hidrólise. ou seja. também vêm sendo utilizados com o intuito de manter as qualidades nutritivas deste volumoso por alguns dias sem a necessidade de cortes diários. Os autores sugeriram que a queda no consumo de MS pode ser devido à alta temperatura da cana com cal virgem e ao pH alcalino. O ganho médio diário e o peso vivo final dos animais não foram aumentados pelo tratamento da cana-de-açúcar com cal virgem (Moraes et al.0% de cal virgem na cana-deaçúcar fornecida após 24h de armazenamento prejudicou o consumo dos nutrientes.Chaudhry (1998) avaliou a digestibilidade in vitro da MS da palha de trigo tratada com cal virgem ou hidróxido de sódio (NaOH) e observou incremento similar na DIVMS quando comparada com a palhada não tratada. Devido a este aspecto. assim como o próprio teor que a cana-de-açúcar apresenta na sua composição.

LOPES. 20 . Desempenho de novilhas Holandesas alimentadas com cana-deaçúcar como volumoso único. Para se avaliar quais as melhores condições para o tratamento da cana-de-açúcar com cal micropulverizada.. Esse fato já foi relatado por produtores rurais e recentemente foi observado em experimento desenvolvido pela Escola de Veterinária da UFMG em parceria com a Embrapa Gado de Leite (Campos.S. Para a tomada de decisão de quando utilizar as dietas com cana-de-açúcar. sobre a digestibilidade. observou aumento da temperatura de 25 para 40ºC e do pH de 5. v. CONSIDERAÇÕES FINAIS A cana-de-açúcar pode ser utilizada na nutrição de bovinos obtendo-se bons resultados de desempenho. degradação dos nutrientes. dados não publicados). digestibilidade dos nutrientes. M. desempenho dos animais.8. et al. forma de aplicação sobre o desempenho animal. Digestibilidade. eficiência alimentar e viabilidade econômica. variação de peso.6% de cal virgem na base da MN. avaliando dietas de cana-de-açúcar pura ou com 0. concentração de cal. degradabilidade e taxa de passagem da cana-de-açúcar mais ureia e do farelo de algodão em vacas mestiças Holandês x Zebu em lactação.. AROEIRA.4 para 6.F.Campos (2007). 1999. com diferentes níveis de inclusão de ureia em ovinos. Rev. F. são necessários mais estudos antes da indicação de uso em fazendas comerciais. taxa de passagem. p.M. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ANDRADE.A. na digestibilidade da MS e da FDN com a adição de cal virgem. categoria animal. 1995.24.F. Esse mesmo autor..1016-1026. MG.C.6% de cal virgem 24 horas após o tratamento. L. verificou que não houve diferença no consumo de MS. 7. consumo de matéria seca. taxa de passagem e consumo de matéria seca. Zootec. comparando a cana-de-açúcar pura e a cana-de-açúcar com adição de 0. Soc. Bras. como tempo de hidrólise. DAYRELL. M.J. Outra característica do tratamento com cal é a redução do número de abelhas na cana-de-açúcar. Lavras. é necessário avaliar produção de matéria seca por hectare. 56f Dissertação (Mestrado) – Universidade Federal de Lavras.

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a escolha dos materiais mais adequados. tropical e subtropical. A silagem de girassol pode ser utilizada para alimentação de rebanhos leiteiros desde que as dietas sejam balanceadas. Caixa Postal 567. Rua 21 de Setembro. O fornecimento de dietas contendo silagem de girassol pode ser uma alternativa para a produção de leite com características funcionais relacionadas aos teores de ácido linoleico conjugado. devido ao elevado teor de óleo. ou em locais onde a deficiência hídrica torna inviáveis culturas tradicionalmente utilizadas para esse propósito. A silagem de girassol é uma opção de volumoso suplementar. UFMG. Belo Horizonte. 1880. Alex Santos Lustosa de Aragão 4 RESUMO Será apresentado neste capítulo o potencial de utilização da cultura do girassol como opção para produção de silagem para alimentação de rebanhos leiteiros. Mestre em Ciência Animal e aluno do Curso de Doutorado em Zootecnia da Universidade Federal de Minas Gerais.) é uma dicotiledônea anual adaptada aos climas temperado. EMBRAPA Pantanal. DSc. luiz. MG.. Belo Horizonte. também possui alto valor energético. Em regra. 79320-900. Serão discutidos aspectos relacionados a especificidades da cultura.br 3 Médico Veterinário. Caixa Postal 109. o girassol produz silagens com fermentação apropriada à conservação da forragem estocada. As silagens são classificadas como de boa qualidade e destacam-se pelos teores de proteína e de lipídios. aslaragao@hotmail. quando comparada às silagens de milho e de sorgo. 1 Médico Veterinário. em período de safrinha. a fração fibrosa geralmente apresenta maior proporção de lignina e menor digestibilidade. Lúcio Carlos Gonçalves 2. envolvendo os tratos culturais. CEP 30123-970.. INTRODUÇÃO O girassol (Helianthus annuus L.com 26 . indica-se a semeadura do girassol para ensilagem após a colheita da cultura principal. MG.br 2 Engenheiro Agrônomo. MG. MS 4 Engenheiro Agrônomo. sendo indicado o plantio da cultura como safrinha ou para regiões que apresentem índices pluviométricos desfavoráveis. Quando a ensilagem é conduzida de forma adequada. Corumbá. Associado Departamento de Zootecnia da Escola de Veterinária da UFMG. Geralmente.CAPÍTULO 3 SILAGEM DE GIRASSOL PARA BOVINOS LEITEIROS Luiz Gustavo Ribeiro Pereira 1. o valor nutricional e o uso do girassol na forma de silagem para bovinos leiteiros. DSc.embrapa. DSc. Embrapa Gado de Leite. CEP 36038-330. a silagem de girassol contém alto teor proteico e. Thierry Ribeiro Tomich 3. CEP 30123-970. como milho e sorgo.gustavo@cnpgl. Prof.. Caixa Postal 567. 610 Dom Bosco. porém a fração fibrosa é de baixa digestibilidade. Juiz de Fora.ufmg. a qualidade. a capacidade em utilizar a água disponível no solo e a tolerância à ampla faixa de temperaturas são fatores que têm estimulado o cultivo do girassol para a produção de silagem. Rua Eugênio do Nascimento. O menor ciclo de produção. Contudo. luciocg@vet.

no Nordeste. todos os estados do Centro-Oeste. Por esse motivo. A época ideal é aquela que permite satisfazer as exigências climáticas da planta nas diferentes fases de desenvolvimento. Nos estados da Bahia. dessa forma. Atualmente. Existe grande carência por informações sobre a silagem de girassol. a redução do rendimento forrageiro. a melhor época para semeadura vai de meados de janeiro até fevereiro. Santa Catarina e parte do Paraná. Contudo. RENDIMENTO FORRAGEIRO Na maioria das situações. 2. Maranhão.características que podem restringir a aplicação da silagem de girassol para as categorias de animais mais exigentes. nacionais e internacionais. aumentando a capacidade de aproveitamento do terreno e da estrutura disponível para produção e armazenamento. 27 . deve-se levar em consideração o enquadramento da produção da silagem de girassol nos sistemas de rotação e de sucessão de culturas. Nos estados do Rio Grande do Sul. para a maioria das situações. LOCAL E ÉPOCA DE SEMEADURA PARA PRODUÇÃO DE SILAGEM DE GIRASSOL O local e a época de semeadura do girassol para ensilagem seguem as mesmas recomendações observadas para implantação da lavoura destinada à produção de grãos. Minas Gerais e São Paulo. as produtividades médias no período de safrinha são próximas a 30t/ha. Tocantins. Os tratos culturais no cultivo de girassol para produção de silagem são semelhantes aos adotados para a produção de grãos. Bahia. 1. Maranhão e Piauí. Existem relatos de produtividade de forragem verde de girassol que alcançaram 70t/ha. São Paulo. na região Sudeste. Mato Grosso. Goiás. reduzir os riscos de eventuais problemas com pragas e doenças e. a cultura do girassol é indicada para os estados da região Sul. Serão descritas neste capítulo as principais informações científicas. Além disso. promove elevação significativa no custo da silagem produzida com as culturas tradicionais. o período mais indicado para a semeadura vai de meados de julho ao final de agosto. Minas Gerais. a principal característica que vem motivando o cultivo do girassol para a produção de silagem é o seu bom desempenho produtivo sob baixa pluviosidade. A variabilidade genética e o estádio de desenvolvimento da planta são fatores que influenciam a produtividade e devem ser levados em consideração. no norte e noroeste do Paraná e no Distrito Federal. relacionadas à produção e à utilização da silagem dessa oleaginosa. que ocorre sob condições de estresse hídrico. assegurar uma boa colheita. Mato Grosso do Sul.

4AB 15.6t/ha a 7. 13.5t/ha. (2002). 2003b). a produção de matéria seca não foi significativamente afetada pelo avanço no estádio de maturação da planta. 17.6D 5.86.05). que se manteve entre 5.8E 26.0AB 5.8t/ha a 29.9CDE 24. Fonte: Adaptado de Tomich et al. notou a redução progressiva na produção média de matéria verde de 27.4ABC 6.5ABC 5.1t/ha e produtividades de matéria seca de 3.7t/ha. 44 e 51 dias após o florescimento. Produção de matéria verde e matéria seca de cultivares de girassol.407 plantas/ha. que apresentaram produtividade de 7.00 t/ha.Estudo conduzido na Escola de Veterinária da UFMG e na Embrapa Milho e Sorgo evidenciou efeito significativo do genótipo sobre o rendimento de forragem de 13 cultivares de girassol cultivados durante a safrinha (Tomich et al.7 3.9 Médias seguidas por letras iguais na coluna não diferem entre si pelo teste SNK (p<0. respectivamente.3 6. foram notadas produtividades de matéria verde variando entre 12. 7.7t/ha (Tabela 1). Produtividade (t/ha) Cultivar AS243 AS603 Cargill 11 Contiflor 3 Contilfor 7 DK180 M734 M737 M738 M742 Rumbosol 90 Rumbosol 91 V2000 Média Matéria verde 26.7ABC 15.1ABCD 29. Tabela 1. ao avaliar a produtividade de quatro cultivares de girassol.3 23.8ABC 4. em relação aos rendimentos obtidos aos 95 e 110 dias após a semeadura.9DE A 29.7ABC 5.7CD 6. respectivamente.2t/ha à medida que a colheita foi efetuada aos 30. (2003b). Quanto ao efeito da época de corte sobre a produtividade.8E 21.6DE CDE 19.21 e 6. Contudo. Pereira (2003).2B 22.8ABC 6.9ABC 12. Nesse trabalho. notaram redução na produção média de matéria seca para o corte efetuado aos 125 dias após a semeadura.2BCD A 7.6ABC 6. Rezende et al.12t/ha e 6.1A 17. Deve-se ressaltar que os autores consideraram que as produtividades alcançadas nesse estudo foram limitadas pela baixa média da população de plantas por ocasião da colheita.2 AB Matéria seca 7.08t/ha para as mesmas idades de corte (Figura 1). 37.0ABC BCD 5. avaliando dois híbridos e uma variedade de girassol.. que foi de 34.1 12.1t/ha até 9. 28 .

no entanto Cotte (1959) considera que o girassol pode ser ensilado no final da floração. 29 . e poucos são os estudos que realizaram a ensilagem em estádios mais avançados de maturação. Produção de forragem de girassol para cortes efetuados aos 30. Gonçalves et al. e atribuídos ao fato de a planta acumular muita umidade na haste e no receptáculo floral. PONTO DE ENSILAGEM DO GIRASSOL O baixo teor de matéria seca é considerado uma das desvantagens da cultura do girassol e tem sido um fator limitante na produção de sua silagem. Os dados nacionais sobre avaliações de silagens de girassol apresentam valores médios de 24. Tosi et al. abaixo dos 30-35% preconizados para produção de silagens de boa qualidade. Fonte: Adaptado de Pereira (2003). Morrison (1966) relatou a possibilidade de o girassol ser ensilado quando metade ou dois terços das plantas estiverem em florescimento. enquanto Schuster (1955) indicou a ensilagem durante toda a floração. (1975) encontraram bons resultados quando realizaram cortes com os capítulos apresentando coloração verde-amarela na face dorsal e com sementes diferenciadas e bem formadas. mesmo em estádios avançados de desenvolvimento. Várias épocas de ensilagem são indicadas. 44 e 51 dias após o florescimento. brácteas amarelas a castanhas e folhas murchas ou secas. 3. As recomendações de época de ensilagem da cultura do girassol são controversas.Figura 1. 37.1% de matéria seca. (2000) recomendam colheitas com a planta apresentando 100% dos grãos maduros.

conferindo uma preservação satisfatória do material originalmente ensilado. porém o avanço da idade causou aumento nos teores de fibra em detergente neutro (FDN) e redução nos valores de digestibilidade in vitro da matéria seca – DIVMS (95 dias = 62.6% a 56. Pereira (2003) observou bons perfis de fermentação durante o processo de ensilagem do girassol. 110 e 125 dias de idade e observaram que os genótipos só atingiram os teores de matéria seca (MS) recomendados para ensilagem (30%-35%) com idade de 125 dias. A ensilagem nesse estádio tem produzido silagens com teor de matéria seca próximo a 25%..7%. Por esse motivo. comprovando o potencial de conservação nessa forma. Em R9. 1991). relatou o aumento das frações fibrosas e a redução na digestibilidade e na cinética de degradação ruminal com o avançar do estádio de maturação das plantas. mostrando o potencial de conservação do girassol nestas condições.1%. e 125 dias = 49. o que prejudica a fermentação. (2002) avaliaram três genótipos de girassol ensilados com 95. avaliando as silagens de quatro genótipos de girassol colhidos com 90. mesmo em estádios precoces.0% para a primeira e a última semana de corte. 111 e 118 dias.6% e 19. Este mesmo autor. A definição do ponto ideal de colheita do girassol é fundamental para a produção de silagem com melhor valor nutritivo. respectivamente). as brácteas (folhas modificadas da parte externa do capítulo) estão com coloração amarelo-castanha e a maior parte das folhas presas ao caule já está seca. 97. quando é ensilado tardiamente. com baixo teor de MS. tem produzido 30 .4%). Apesar do baixo teor de matéria seca. cerca de 10% de proteína bruta e coeficiente de digestibilidade da matéria seca de 50%. Já os teores de FDN e FDA aumentaram e os valores de DIVMS diminuíram com o avanço da maturidade das plantas. ao avaliar quatro genótipos de girassol em diferentes épocas após a floração. Rezende et al. as perdas de efluentes de materiais com menos de 25% de MS devem ser consideradas (McDonald et al.Harper et al. o girassol contém alta quantidade de água. Freire (2001) e Porto (2002) encontraram bons perfis de fermentação das silagens de girassol. 104.9%.9% para a primeira e a última semana de corte. Quando a colheita é efetuada antes da maturação fisiológica dos aquênios. respectivamente) e redução significativa na digestibilidade (76. notando aumento no teor de fibra bruta (20. Por sua vez. 110 dias = 56. recomenda-se que a colheita do girassol seja realizada no período de maturação fisiológica dos aquênios (fase R9). as plantas do girassol apresentam a parte posterior dos capítulos amarelada. também observou que os teores de MS adequados para ensilagem só foram atingidos em estádios avançados de maturação (mais de 111 dias de idade). Edwards e McDonald (1978) avaliaram o girassol ensilado em 12 estádios de crescimento e concluíram que. respectivamente). o que sugere a ensilagem da cultura do girassol em estádios mais precoces. Souza (2002). foram obtidas silagens com fermentação predominantemente láctica.8% a 33. Porém. mesmo trabalhando com materiais com baixos teores de MS (23. quando as plantas apresentam teor de matéria seca apropriado a propiciar fermentação que possibilite boa conservação do material estocado. (1981) avaliaram a composição química e a digestibilidade in vitro da matéria orgânica da planta do girassol em 12 semanas consecutivas após a floração.

Em geral. Tomich et al. apresenta redução de pH adequada à conservação da forragem estocada. O baixo teor de matéria seca é considerado um problema para a produção da silagem de girassol.2 como adequado às silagens bem-conservadas. 31 .8 e 4. Todavia. indicando que as silagens mais úmidas apresentaram pH mais baixos. entre as variáveis utilizadas para avaliar a eficiência da fermentação de silagens. Tomich et al. 4. 1988a. (2003a). Em relação à qualidade da fermentação. De maneira geral. destacam-se o teor de matéria seca. b. mas deve ser associado ao teor de matéria seca da forragem. observaram que o valor de pH foi positivamente correlacionado com o teor de matéria seca. Por outro lado. Por esses motivos. QUALIDADE DA SILAGEM DE GIRASSOL A adequação de uma planta para a ensilagem está relacionada à sua eficiência de fermentação para conservar o valor nutritivo da silagem o mais próximo possível do valor da forragem verde. devido à dificuldade de compactação. a maior parte dos estudos tem revelado teores de nitrogênio amoniacal abaixo de 10% em silagens de girassol (Valdez et al. o pH apropriado para promover a eficiente conservação da forragem ensilada depende da quantidade de umidade da silagem. (2004) também revelou que o girassol. A conservação pela ensilagem baseia-se no processo de conservação em ácido. (2004). para a avaliação do processo fermentativo. Conforme Tomich et al. as silagens muito secas favorecem a ocorrência de danos por aquecimento e mofo. apresentam valores elevados de pH. em que o decréscimo do pH pela fermentação limita a ocorrência de processos que promovem a deterioração da forragem.. tem-se atribuído pH entre 3.. frequentemente notadas em silagens com baixo conteúdo de matéria seca. o pH não deve ser tomado isoladamente. o pH e os teores de nitrogênio amoniacal e de ácidos orgânicos. tem-se recomendado ensilar forragens que apresentam entre 30% e 35% de matéria seca. O teor de matéria seca é uma variável importante no processo da ensilagem porque está relacionado à ação de microrganismos deletérios à qualidade do material ensilado. considera-se que valores inferiores a 10% são adequados para silagens bem-conservadas. à produção de efluentes e à redução do consumo voluntário. O teor de nitrogênio amoniacal da silagem reflete a ação deletéria de enzimas da planta e de microrganismos sobre a fração proteica da forragem. As silagens de girassol. geralmente. avaliando as silagens de 13 cultivares. Entretanto. Portanto.silagens com altas proporções de componentes da parede celular e baixos coeficientes de digestibilidade. mas esse fato está relacionado principalmente à ensilagem em períodos precoces de desenvolvimento da planta. indicando a aptidão da planta para a ensilagem quanto à conservação da qualidade da fração proteica. O resultado obtido por Tomich et al. Como um dos aspectos positivos da silagem de girassol é o seu mais elevado valor proteico em relação às silagens de milho e de sorgo. 2004). geralmente.

Já o teor de ácido acético está relacionado a menores taxas de decréscimo e pH elevado das silagens. geralmente. Almeida et al. sem perdas significativas de matéria seca e de energia e com pequenas alterações da fração proteica da forragem conservada em relação à forragem verde (Tabela 2). O estudo realizado por Tomich et al.Quanto aos ácidos orgânicos. Pereira. 1975. as silagens de girassol apresentam as características de silagens bem-conservadas. Tomich et al. A presença de ácido butírico reflete a extensão da atividade clostridiana sobre a forragem ensilada e também está relacionada a menores taxas de decréscimo e elevado pH final das silagens. mas a quantidade necessária desse ácido para reduzir rapidamente o pH e inibir os processos que promovem a deterioração do material ensilado varia com a capacidade de tamponamento da forragem e com o teor de umidade da massa ensilada.. 1995. Considerando as variáveis expostas. foram observadas baixas concentrações (Sneddon et al. Alguns estudos mostraram que. Existem poucos trabalhos que avaliaram a concentração de ácido acético em silagem de girassol e. em média. (2004) com 13 cultivares revelou que. quando a ensilagem do girassol é conduzida de forma apropriada. pode-se avaliar que. 2004). Pereira. o ácido lático é frequentemente utilizado como indicador de qualidade da fermentação.. 2003.. 2004). 1975. 1988a.. Vários estudos mostraram baixos valores de ácido butírico em silagens de girassol (Tosi et al. são bem-conservadas. 2003. 1995. 32 ..1981. Valdez et al. Tomich et al. Também corresponde a perdas acentuadas de matéria seca e energia da forragem original durante a fermentação e. apontando que essa não é uma característica capaz de restringir a adequação da planta para a sua conservação na forma ensilada.. têm-se produzido silagens com fermentação adequada à conservação da forragem estocada. o ácido butírico é positivamente correlacionado à redução da palatabilidade e do consumo da forragem.. O teor desse ácido pode ser considerado um dos principais indicadores negativos da qualidade do processo fermentativo. indicando que as silagens de girassol.. embora a silagem de girassol apresente altas proporções de ácido lático (Tosi et al. 2004). Tomich et al. a capacidade de tamponamento da planta não permite redução do pH aos níveis frequentemente observados para as silagens de milho e de sorgo. de maneira geral.. com frequência. Almeida et al.

3 7.00 E 0. 5.0 55. pH e conteúdos de nitrogênio amoniacal com porcentagem do nitrogênio total (N-NH3/NT) e de ácidos orgânicos das silagens de 13 cultivares de girassol. Fonte: Adaptado de Tomich et al. Tabela 3.8AB 2. **Valdez et al. Composição química de silagens. em regra.9 0.00E 0.2A 23.5D 26.8BC 23. Cultivar AS243 AS603 Cargill 11 Contiflor 3 Contilfor 7 DK180 M734 M737 M738 M742 Rumbosol 90 Rumbosol 91 V2000 Média MS .5A 1. de minerais e de extrato etéreo (óleo).0B 8. quando comparadas às silagens de milho.7B 2.2B 4.5B 1.1 35.3BC F 19. de sorgo.0D 31.2A BC 26.56 0.9F 14.2B 4.00E DE 0.6D 9.23 0.5D 25. o seu mais alto teor proteico e mineral pode representar vantagem econômica.7 Composição expressa como porcentagem da matéria seca Extrato etéreo* FDN* FDA* Lignina* Cálcio** Fósforo** 13.00E 0.4C 5.5B AB 2. Teores de matéria seca (MS).19 2.7 47.9 5.06 Médias seguidas por letras iguais na coluna não diferem entre si pelo teste SNK (p<0.08CD 0.5A 1.1B 5.9AB 1.6A 8.05 E 0.8 7.4C 7. 33 .09C 0.9 6.0 7.% 21. (2001).3 0.1D 5.23B 0.4BC 2.5A 4.0C 5.0 7.5C 4.7 34.8C 25.05). (1988b).28A 0.5C 4.7AB 1.6 1.6 27.8E C 7.8C 9.5 4.5 1.0 26.0 5. embora as silagens de girassol apresentem menor teor de fibra em detergente neutro que as silagens tradicionais.38 0.Tabela 2.1CD 8. contêm alta proporção de fibra em detergente ácido e de lignina.1 4.0BC 10.00E 0.5 7.3 pH 4. elevados teores de proteína.5C D 4.2B 23.9 53.3D 7.7E 21.08 Fonte: *Valadares Filho et al. permitindo a redução da necessidade de suplementos minerais e proteicos.3CD E 6.8 76.0 1.00E 0.4C 5.0CDE 9. (2004).5C 5.9E 32.3AB B 1.00E 0.2 61.3DE CD 8. ou de capim-elefante (Tabela 3).1 4.3B C 4.1 2.9 0.30 0. Por outro lado.00 0.7 N-NH3/NT 10.9AB 1. Silagem Girassol Milho Sorgo Capim-elefante Proteína bruta* 9. VALOR NUTRITIVO DA SILAGEM DE GIRASSOL As silagens de girassol apresentam.5C 4.5DE 9.18 2.7 Ácidos orgânicos .29 3.6 9.0D 8.2AB 2.% MS Lático Acético Butírico 7.7 30.6 6. Quando usadas em dietas balanceadas.2BC 8.5D A 12.7B 5.4 0.

Composição química das silagens de girassóis confeiteiros ou selecionados para a produção de óleo Parâmetros* Proteína Bruta Extrato Etéreo FDN Lignina Confeiteiro** 9. A maior parte das sementes disponíveis no mercado nacional é de girassóis destinados à produção de óleo. bom valor 34 . uma vez que dietas contendo mais de 7% de extrato etéreo podem estar relacionadas às reduções da fermentação ruminal. 1980).7 7. Esse alto teor de óleo na silagem de girassol pode representar um fator limitante para o seu uso como volumoso único na dieta de bovinos leiteiros e indica a possível necessidade de associação com outros alimentos volumosos. quanto as variedades chamadas de confeiteiras (25%-30% de óleo no grão) têm sido utilizados para a produção de silagem. b. por esse motivo. Portanto. recomenda-se que as dietas contendo silagem de girassol sejam adequadamente balanceadas para se evitar perdas no aproveitamento dos alimentos e no desempenho dos animais.. Tomich et al. os genótipos mais apropriados para a ensilagem são aqueles que apresentam alta produtividade de forragem. sendo três híbridos confeiteiros e os demais destinados à produção de óleo. principalmente.9 47. **Mycogen 93338. as análises das silagens de girassol produzidas no país têm revelado alta proporção de extrato etéreo.9 48. Concluiu-se no estudo que os seis genótipos avaliados apresentavam potencial para serem utilizados na forma de silagem. No Brasil. Independente do tipo de girassol. Victoria 627 e Victoria 807. e. e as silagens obtidas com híbridos destinadas à produção de óleo apresentaram 2% a mais que as silagens dos materiais confeiteiros. na maioria das situações. M742 e IAC Uruguai.1 10.. Jayme (2003) avaliou as silagens de seis genótipos de girassol. fermentação conveniente para a conservação do material estocado e. Os teores de extrato etéreo para os dois tipos de silagens foram superiores a 10%. 2004). Fonte: Adaptado de Jayme (2003). FDN e lignina.8 * Valores médios de três genótipos.0 7.Tanto os girassóis selecionados para a produção de óleo. que geralmente apresentam entre 35% a 45% de óleo no grão.8 Produção de Óleo*** 8. Tabela 4. Dados americanos revelaram que as silagens das variedades confeiteiras apresentaram em média 3% de extrato etéreo (Schingoethe et al. *** V2000.8 12. As composições químicas médias das silagens encontram-se na Tabela 4.. 1988a. As silagens obtidas com os dois tipos de girassóis apresentaram valores próximos de proteína bruta. enquanto as silagens produzidas com girassóis de semente oleosa apresentam mais de 10% de extrato etéreo (Valdez et al. da digestibilidade da fibra e da taxa de passagem.

FDA = fibra em detergente ácido.3DEF 12.1AB 13. Fonte: Adaptado de Tomich et al.8A 9.7A 38. Outro fator que é capaz de influenciar significativamente alguns componentes bromatológicos e a digestibilidade das silagens de girassol é o estádio de desenvolvimento da planta.1AB 6.3 A 7.8BCDE 47.5AB 49. nos componentes da parede celular e no coeficiente de digestibilidade in vitro das silagens de 13 genótipos de girassol ensilados quando apresentavam mais de 90% de grãos maduros (Tabela 5).6CD 47.9CD 43.% 47.9CD 48.6B 9. Tabela 5.7 B 15.0ABC 19. 35 .4BC FDN = fibra em detergente neutro.7CD 7.1AB 6.nutritivo da forragem produzida. Rezende et al.5F 33.1E 46.4B 56.7F 52.2D 6.9AB 6.4A 8.9 C Composição expressa como porcentagem da matéria seca Proteína Extrato etéreo FDN FDA Lignina 18.7BC 51.5F 18.1 BCD 6.4BCD 51.4DE 39.1C 9. (2002) e Pereira (2003) observaram poucas alterações nos teores de proteína bruta das silagens com o avanço do estádio de desenvolvimento das plantas.4BC 6. Cultivar AS243 AS603 Cargill 11 Contiflor 3 Contilfor 7 DK180 M734 M737 M738 M742 Rumbosol 90 Rumbosol 91 V2000 Proteína bruta 8.9G 40.9CD 46.2A 13.4E 40. (2004).0CDE 7.2BC 5. Em relação ao valor nutritivo. Tomich et al.8A 51.1B 49.1EF 36.0AB 17. mas notaram aumento de fibra e redução da digestibilidade da matéria seca nas silagens de girassol produzidas com plantas em estádio avançado de desenvolvimento (Figura 2).6 DEF 43.9AB 5.2A 8.1A 39.4A 28.3ABC 35.7C 44.0CD 49.4A 11.2E 50.2D 9.9DE 31. (2004) observaram variações significativas nos teores de proteína. DIVMS = digestibilidade in vitro da matéria seca.6AB 37. Médias seguidas por letras iguais na coluna não diferem entre si pelo teste SNK (p<0.7CDEF 11.9D 49. no extrato etéreo.5BCD 10.4D 5.3A 9.8 CD 33.05). Composição química e digestibilidade das silagens de cultivares de girassol.3 BC 34.7E 41.1BCD 36.4 AB 6.5CDEF 10.7CD 46.2EF 14.9 AB 8.8AB 7.5A 9.0C 7.5B 48.8A 9. Vários estudos mostraram que essas características diferem entre cultivares.7A 49.0DE 37.1D 51.6 F DIVMS .

36 . apresentam fermentação aceitável. ao incremento do valor energético ou proteico e ao aumento da estabilidade aeróbica da silagem durante a fase de utilização. assim a tomada de decisão quanto à utilização ou não de aditivos deve levar em consideração a relação custo/benefício. Valle et al. Fonte: Adaptado de Pereira (2003). USO DE ADITIVOS NA ENSILAGEM DO GIRASSOL Aditivos têm sido recomendados com o objetivo de beneficiar os processos fermentativos. Esses mesmos autores verificaram que o uso de inoculante bacteriano não resultou em aumento significativo nos teores de ácido lático nas silagens de girassol. visando à melhoria da conservação. (2001a) não observaram alterações na digestibilidade da matéria seca devido à adição de ureia. carbonato de cálcio. associados ou não à silagem de girassol. Médias de conteúdos de proteína bruta (PB) e de fibra em detergente neutro (FDN) e coeficiente de digestibilidade da matéria seca (DIVMS) de silagens de quatro genótipos de girassol colhidos aos 30. As silagens de girassol. ureia + carbonato de cálcio ou inoculante bacteriano. aditivadas ou não. 44 e 51 dias após o florescimento (fase R5. 37.5). 6. Valle et al. promoveu queda nos teores de ácido lático e aumento nos teores de ácido butírico em dois de quatro cultivares avaliados. (2001b) observaram que a adição de ureia e de carbonato de cálcio.70 60 50 % MS ou % 40 30 20 10 0 23 30 37 Dias após floração 44 51 PB FDN DIVMS Figura 2. enquanto os teores de ácido acético foram pouco afetados pela adição.

de proteína e de extrato seco total do leite. A substituição completa afetou negativamente as produções de leite. enquanto Hubbel et al. Valdez et al. 2002). Ribeiro et al. (1988b) não observaram diferenças significativas no consumo de vacas Holandesas alimentadas com silagem de girassol (semente oleosa) ou de milho. em experimento com vacas Jersey. comparando silagens de girassol e de milho para vacas Jersey em lactação. pois não afetou significativamente as produções de leite. observaram que a produção de leite foi significativamente maior para as vacas alimentadas com silagem de girassol (2. concluindo que a silagem de girassol é uma forragem adequada para vacas no meio e no final de lactação. (1982) encontraram produções de leite equivalentes em dois grupos de vacas em lactação. concluíram que a inclusão parcial da silagem de girassol se mostrou viável. Hubbel et al. quando comparadas às vacas alimentadas com silagem de girassol. enquanto a substituição parcial (34% e 66%) não afetou o consumo.7. Valdez et al. quando o consumo de matéria seca das dietas contendo silagem de girassol é comparado ao de outros volumosos. (2004). DESEMPENHO DE BOVINOS LEITEIROS ALIMENTADOS COM SILAGEM DE GIRASSOL O consumo é um dos principais fatores na determinação do desempenho animal. redução de proteína e de sólidos totais no leite das vacas alimentadas com silagem de girassol. alimentadas com silagens de girassol e de alfafa. e a maioria dos estudos mostrou que o consumo das dietas contendo silagem de girassol é satisfatório (Bergamaschine et al. (1988b) observaram redução na porcentagem de gordura do leite dos animais que consumiram silagem de girassol. 37 . Silva et al. (1988b) observaram que vacas Holandesas alimentadas com silagem de girassol apresentaram maior ganho de peso e igual produção de leite que aquelas que receberam silagem de milho. ao avaliarem a produção e a composição do leite de vacas com média de 26kg/dia alimentadas com diferentes proporções de silagem de girassol em substituição à silagem de milho. McGuffey e Schingoethe (1980) verificaram que as vacas alimentadas com silagem de girassol (variedade confeiteira) consumiram 4. McGuffey e Schingoethe (1980) notaram aumento de gordura e de ácidos graxos poli-insaturados. obtiveram maior consumo de silagem de girassol em relação à silagem de milho. de proteína ou de gordura. Contudo. Alguns estudos mostraram modificações na composição do leite dos animais alimentados com silagem de girassol. (1985). Thomas et al. os dados de literatura não são conclusivos. (1982) e Valdez et al. 1999.. Leite (2002) observou que a substituição total da silagem de milho pela silagem de girassol na dieta de vacas em lactação promoveu redução significativa de 17% na ingestão de matéria seca. Thomas et al..0kg de matéria seca a menos que vacas alimentadas com silagem de milho. 2002.2kg a mais por dia). Ko. Vandersall e Lanari (1973) observaram maiores ganhos de peso e produções mais elevadas de leite para vacas alimentadas com silagem de milho. (1985).

Já para a ingestão de leite obtido das vacas alimentadas com silagem de milho. respectivamente.67 Silagem de Milho 25.19 3.9kg de leite por dia (corrigido para 4% de gordura). gordura. Tabela 6.3 e 59. sólidos totais e extrato seco desengordurado) entre as vacas alimentadas com silagem de girassol e milho. (2006) realizaram estudo de desempenho com vacas Holandesas alimentadas com silagens de girassol ou milho na Fazenda Experimental da Escola de Veterinária da Universidade Federal de Minas Gerais.4% para as dietas com silagem de girassol e milho. e as do tratamento com silagem de milho 22. 38 .30 2. Alguns dos resultados obtidos neste estudo encontram-se na Tabela 7. 17. Não foram observadas diferenças na produção e composição do leite (proteína. O consumo de 300mg de CLA/dia é tido como referência para os efeitos nutracêuticos do CLA.05). Segundo Leite (2007).52 23. depende de avaliações econômicas em relação aos custos dos suprimentos energéticos e da produtividade por hectare da silagem de girassol.Leite et al.5kg por dia para as dietas contendo silagem de girassol e milho. Os animais alimentados com silagem de girassol apresentaram maior consumo de matéria seca. A produção e a composição do leite foram semelhantes entre os dois tratamentos (P>0. ureia. ao ingerir um litro de leite de vacas alimentadas com silagem de girassol. para vacas leiteiras produzindo em média 25kg. Os dados deste ensaio encontram-se na Tabela 6.76 Leite (2007) comparou a silagem de girassol com a de milho como fonte volumosa para vacas leiteiras. O fornecimento de dietas contendo silagem de girassol aumentou os teores de C18:1Trans 11 e C18:2 Cis-9 trans-11. (2006). O autor estimou que o ser humano.85kg. respectivamente).05). Produção e composição do leite de vacas Holandesas alimentadas com dietas balanceadas utilizando silagem de girassol ou milho. lactose. Silagem de Girassol 25. o fornecimento da silagem de girassol. o consumo seria de 90mg/dia.28 3. Parâmetros Produção de leite (kg/dia) Produção de leite corrigido para gordura (kg/dia) % de gordura % de proteína % de lactose Fonte: Leite et al. a composição da gordura (perfil de ácidos graxos) diferiu entre os tratamentos. Apesar da composição do leite semelhante (P>0. A digestibilidade da matéria seca das dietas foi semelhante (61.02 22.84 4.4 e 15.52 2.96 4. estaria consumindo 365mg/dia de ácido linoleico conjugado (CLA). as vacas alimentadas com dietas contendo silagem de girassol produziram 23.

E.6 b C16:0 17.4ª 61.2ª a C18:2 Cis-9 trans-11 1. VON TIESENHAUSEN. porém a fração fibrosa é de baixa digestibilidade.9ª 33.9ª C20:0 0. digestibilidade da matéria seca (%).4ª 4.5 59. 1995.. Fonte: Leite (2007). p.V.9 b C14:1 Cis-9 0.3ª 3.4 b C6:0 1. A silagem de girassol pode ser utilizada para alimentação de rebanhos leiteiros desde que as dietas sejam balanceadas.1ª 0.6 b C10:0 1.0 C18:2 Cis-9 cis-12 4. O fornecimento de dietas contendo silagem de girassol aumenta os teores de C18:1Trans 11 e C18:2 Cis-9 trans-11.1 b C12:0 1.4ª 1.3 a 0.0 b C14:0 5. v.0 0. em dois estádios de corte. M. Ciênc..4ª 22.7ª C18:1 Trans-11 11.0 b C12:1 0.7ª C18:1 Cis-9 25.5ª Silagem de milho b 15.05). L. Prát.2 C18:0 14. et al.. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ALMEIDA.9ª 3.4 b C15:0 0.19. 8.9 Consumo de matéria seca (kg/dia) Digestibilidade da matéria seca (5) Produção de leite corrigido para gordura (kg/dia) % de gordura Concentração de ácidos graxos (mg/g de gordura) b C4:0 3.5ª 0.1ª a 11.H. produção e composição da gordura do leite de vacas Holandesas alimentadas com dietas balanceadas utilizando silagem de girassol ou milho.3ª 2. Consumo de matéria seca (kg/dia).2ª 0. As silagens são classificadas como de boa qualidade e destacam-se pelos teores de proteína e de lipídios.8 b C17:0 0. CONSIDERAÇÕES FINAIS O girassol é uma opção para produção de volumoso suplementar em plantios de safrinha ou para regiões que apresentem índices pluviométricos desfavoráveis. Composição química e consumo voluntário das silagens de sorgo.3ª 23. 39 .4 b C13:0 0.5ª Letras idênticas em uma mesma linha significam diferença estatística (P<0.3 b 0. I.9ª 3.315-321.6ª 0.3 b C17:1 0.Tabela 7. girassol e milho para ruminantes. Parâmetros Silagem de girassol 17.3 b C8:0 0.8ª 0.2 b C11:0 0.3ª 2.3ª b 10.5ª 1.F.0 a 1.1 b 18. AQUINO.M.3 b 1.3 b C16:1 Cis-9 0.1 b 2.

Produção e utilização de silagem de girassol. 105f. Comparison of corn silage and sunflower silage for lactating Jersey cows.BERGAMASCHINE. 2000. EDWARDS. 2001. KO.J. Escola de Veterinária.92. MG. 2006.. R. ISEPON. MG. Dissertação (Mestrado em Zootecnia) .29. Dissertação (Mestrado em Zootecnia) – Universidade Federal de Minas Gerais. PEREIRA. et al..A. 115p. Belo Horizonte.R.. Le tournesol .R. Padrão de fermentação das silagens de cinco híbridos de girassol. A. Porto Alegre: SBZ.. Belo Horizonte. Digestibilidade e degradação in situ da silagem de girassol confeccionada com diferentes teores de matéria seca e aditivo microbiano. 2002. A.A. Med. 40 . D. Belo Horizonte.203-236. Herb. et al.S. H. The potential of sunflower as a crop for ensilage and zero grazing in northern Britain. Agric. 2007..F. M734. E. 2002. Silagem de girassol e associações para vacas leiteiras em lactação. R. L. HARRISON. p.58. 44f. COTTE..G. K.C. L. v. A. v. 42f. Consumo voluntário e digestibilidade aparente das silagens de quatro (Rumbosol 91.fourrage. Bras. TOMICH. 66f: Dissertação (Mestrado em Zootecnia) – Universidade Federal de Minas Gerais.. C11. 1. In: REUNIÃO ANUAL SOCIEDADE BRASILEIRA DE ZOOTECNIA.Universidade Federal de Minas Gerais. 2003. P. D.B. SILVA. O. DANIELS. B.A. 1999.J.B.R. Qualidade das silagens de genótipos de girassol (Helianthus annuus) confeiteiros e produtores de óleo. p. 36. Belo Horizonte. Porto Alegre. p. In: SIMPÓSIO DE FORRAGICULTURA E PASTAGENS. Escola de Veterinária. GUATURA.O. S430) genótipos de girassol (Helianthus annuus). Anais. F.. 1999. LEITE. HENDERSON. Escola de Veterinária. Silagens de girassol e de milho em dietas de vacas leiteiras: consumo e digestibilidade aparente. 34. 1978. IA: West.. DONALDSON.. L. 1981. E. JAYME. n.F.. Des Moines..G.M. Belo Horizonte. A. MG. 1985. MG. Vet. Escola de Veterinária.. HARPER. L. Fermentation of silage: A review. J.. REIS.. 1. 2000. 1959. Dissertação (Mestrado em Zootecnia) – Universidade Federal de Minas Gerais. CD-ROM. v.96.1192-1198. et al. HUBBEL.F. Zootec. Arkansas Farm Research. 47f. FREIRE. et al. A. Lavras. T. Silagem de girassol e de milho em dietas de vacas leiteiras. Tese (Doutorado em Zootecnia) – Universidade Federal de Minas Gerais. Escola de Veterinária. L. Arq. LEITE. Anais. 7.. Sunflower for fodder.. McDONALD.45-53... L. GONÇALVES. MG: UFLA. LEITE. Abstract. Lavras.. p. Abstr. p. v. Sci.

V.Y. Escola de Veterinária.S.L. Tese (Doutorado em Ciência Animal) – Universidade Federal de Minas Gerais. v. HENDERSON..I.1623-1628. Zootec. v... 2. HERON.A..) Moench) para ovelhas em confinamento. ROFFER. p. São Paulo: PEREIRA. S. esp.750-756.. 160f.M.32.. MORRISON. L.529-625.B. v.1109-1113. Arq. 2002. 1966. THACKER.. D. Sci.G.A.53. milho (Zea mays L. J. E. et al.25.). L. Silagem de girassol (Helianthus annuus L.50. Belo Horizonte. v. W. E. P. 1982. Potencial forrageiro da cultura do girassol (Helianthus annuus) para produção de silagem. Escola de Veterinária. Sunflower silage in rations for laetantig Holsteins cows. M..P..M. Rural. 2002..) e sorgo (Sorghum bicolor (L. Alimentos Melhoramentos. 2002. Escola de Veterinária.R. [Sunflower. SNEDDON. McGUFFEY. Silagens de girassol e de milho em dietas de vacas leiteiras: produção e composição do leite.) com aditivos.L.).. SILVA. 1955. 2. 66f.M. p. p. THOMAS.K. 2004. Dissertação (Mestrado em Zootecnia) – Universidade Federal de Minas Gerais. M. J. 1980. Momento de colheita de quatro genótipos de girassol (Helianthus annuus l. Belo Horizonte.65. 41 .R. Belo Horizonte. Ciênc. et al. D. D.225. I. A. 2003. p. e alimentação dos animais. Anim. Feeding value of high oil variety of sunflowers as silage to lactating dairy cows. J.A. Agrotecnol. Vet. 1981.. S..267-270. v. Laboratory investigations of hidroxide-treatament sunflower or alfafa-grass silage. v. B. 892p.. et al.E. G. p.A.63. PORTO. Avaliação do potencial do girassol (Helianthus annuus L. MG. 1991. Herb. p. Marlow: Chalcombe Publications. et al.O. v. 2002.26... MIZUBUTI.) como planta forrageira para ensilagem na safrinha. Méd. REZENDE. P.. Abstract.McDONALD. Bras. an ideal fodder plant].1548-1553. THOMAS. em diferentes épocas de cortes. dried whey and sodium hydroxide..J. MURRAY. Perfil de fermentação das silagens de 3 genótipos de girassol (Helianthus annuus L.. R. Dairy Sci.W.E. 340p.R. G. V.R.. p. MG. 47f.56. D. SCHINGOETHE. J..J.J. EVANGELISTA. RIBEIRO. A.A. FERREIRA. SIQUEIRA. ed. A. Anim.ed. Sci. Dissertação (Mestrado em zootecnia) – Universidade Federal de Minas Gerais. Dairy Sci. B.P.. ROCHA. v. LEITE. ROOK. The biochemistry of silage. SCHINGOETHE. Abstr. et al.C. V. SOUZA. SCHUSTER. Ciênc. R.299-302. J. Chemical composition of sunflower silage as influenced by additions of urea. SKYBERG.ed. 1980. p..

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MG. 2002). Prof.1. Associado Departamento de Zootecnia da Escola de Veterinária da UFMG. José Avelino Santos Rodrigues4. Sendo assim. DSc. Sete Lagoas.. o valor nutritivo e o desempenho produtivo de vacas leiteiras. Caixa Postal 567. MSc. matheusarta@yahoo. Caixa Postal 567. Belo Horizonte.. pela menor exigência em umidade e especialmente pela qualidade fermentativa da silagem produzida. CEP 30123-970.CAPÍTULO 4 SILAGEM DE SORGO PARA GADO DE LEITE Wilson Gonçalves de Faria Jr. A necessidade de intensificação da produção animal no Brasil obriga o produtor a fornecer alimentos de qualidade durante todo o ano. ocorrendo sobra de alimento no período chuvoso e no período seco. CEP 35701-970. o uso de forragens conservadas se torna uma ferramenta de importância na pecuária moderna. piresdaa@gmail.. o sorgo tem se destacado por sua facilidade de cultivo (Neumann et al. MG. MG. com aumentos no potencial genético e na produtividade dos animais. luciocg@vet. Além disso. associada à necessidade de suplementação volumosa no período seco. EMBRAPA Milho e Sorgo. Bolsista CNPQ. Doutorando em Nutrição Animal. Lúcio Carlos Gonçalves 2. Devido a essa estacionalidade da produção de volumosos. CEP 30123-970. Nesse sentido. Para produção de silagem. Caixa Postal 567. Escola de Veterinária da UFMG. vem aumentado a demanda de produção de volumosos conservados para suplementação em sistemas confinados ou semiextensivos. avelino@cnpms. INTRODUÇÃO As forrageiras tropicais apresentam estacionalidade de produção. e pelo valor nutritivo semelhante à silagem de milho.br 1 43 . Belo Horizonte.com. essenciais para a fermentação lática sem necessidade de aditivos para estimular a fermentação (Zago. o menor custo e a semelhança ao valor nutritivo do milho tornam o sorgo uma opção de volumoso para o balanceamento de dietas de vacas de leite. Daniel Ananias de Assis Pires3.com 4 Engenheiro Agrônomo. Matheus Anchieta Ramirez5 RESUMO A intensificação dos sistemas de produção de leite. garantida pela adequada concentração de carboidratos solúveis. Belo Horizonte. DSc.com 2 Engenheiro Agrônomo. assim como a qualidade fermentativa.br 5 Médico Veterinário. principalmente em regiões com riscos de veranicos ou em sistemas de cultivo em safrinha. Doutorando em Nutrição Animal..embrapa. Nesse capítulo serão discutidos alguns aspectos relevantes da utilização da silagem de sorgo nas dietas de vacas de leite. DSc.br 3 Médico Veterinário.. Bolsista FAPEMIG. Professor do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade Estadual de Montes Claros. CEP 30123-970. 1991). muitos produtores optam pela conservação de forragem na forma de silagem. pelos altos rendimentos (Lima. Caixa Postal 285. o sorgo surge como opção em substituição ao milho. 2008). Escola de Veterinária da UFMG. Médico Veterinário. wilsonvet2002@gmail.ufmg.

o sorgo vem sendo amplamente utilizado para este propósito. a utilização de sorgo se torna uma vantagem para produção de silagem em regiões de climas áridos ou sujeitos à ocorrência de veranicos e em solos pobres onde o milho não se sobressai. Correa et al. melhor relação colmo/folha:panícula e resistência a doenças). A proporção das partes da planta é um importante fator determinante da produtividade e qualidade das silagens produzidas. possibilita a utilização na forma de pastejo ou corte verde. Cultivares de sorgo forrageiro em ótimas condições de clima e de fertilidade apresentam produtividades elevadas que geralmente superam as produtividades do milho. climáticas e de fertilidade do solo. às condições de manejo. Esses fatores são determinantes para o sucesso da cultura. são apresentados os resultados obtidos por Zago (1991) para proporções de colmo. De forma semelhante. Aliado a tais fatores. 2002. Pedreira et al. Ademais o fato de a cultura permitir o aproveitamento da rebrota. tem apresentado boa adaptação ao cultivo de safrinha (Demarchi et al. folha. o sorgo na forma de silagem mostra-se como alternativa de grande impacto na alimentação suplementar para os períodos de escassez de alimentos em rebanhos leiteiros de diferentes níveis produtivos (Cabral et al. 2003). PRODUTIVIDADE DA CULTURA DE SORGO Devido aos mais variados tipos de sorgos e à enorme diversidade de cultivares. O grande número de híbridos e a variedade de sorgo colocados em ensaios de avaliação e no mercado nacional demonstram a grande variabilidade genética desta espécie. o que reduz os riscos de perdas na cultura. Portanto. que se mostra uma cultura mais exigente em fertilidade e pluviosidade. Tal característica vem sendo explorada pela Embrapa. folha e panícula da planta de sorgo. 1995. Diante disso.. 1. Na Tabela 1.Em regiões áridas e semiáridas. seja por corte manual ou mecânico. em condições marginais de cultivo. O Brasil é destaque no cenário mundial no cultivo de sorgo. o sorgo é menos sujeito a roubos em culturas próximas a centros urbanos do que o milho. a literatura apresenta uma ampla variação nos dados de produção de matéria seca. já que seu sistema radicular permanece vivo após o corte. com o objetivo de selecionar híbridos com melhores características agronômicas (maior produtividade. 2007). em seu Programa de Melhoramento Genético de Milho e Sorgo. no Brasil.. 44 . o sorgo tem sido cultivado como primeira cultura. porte médio (AG-2004-E) e porte baixo (AG-2005-E). o estádio de crescimento afeta a produção de matéria seca por também alterar as proporções de colmo. a menor exigência quanto ao tipo e à fertilidade do solo bem como a capacidade de suportar extensos períodos de falta de água e rebrotar rapidamente depois da ocorrência de chuvas que umedecem suficientemente o solo destacam o sorgo em comparação ao milho. Assim. já em regiões de melhor distribuição de chuvas. fornecido diretamente ao cocho.. e melhor valor nutritivo (digestibilidade da fibra e grãos de textura macia). Por outro lado. panícula e produtividade da matéria seca em função do estádio de crescimento de plantas de sorgo de porte alto (AG-2002)..

Araújo et al. a produção de matéria seca de híbridos de duplo propósito e a de um híbrido forrageiro aumentaram com o avanço do estádio de maturação. As reduções nas frações fibrosas foram associadas ao aumento da participação dos grãos na composição da planta. disponibilidade de água. que foram acompanhados de reduções nas frações fibrosas e proteína com o avanço do estádio de maturação..2 15.. O aumento 45 . Porcentagem de colmos (%C).Tabela 1.05) nos teores médios de MS. Esses autores relataram aumentos nos teores de matéria seca (MS) e lignina.6 10.5 %C 49 35 34 35 AG-2005-E %F %P 27 24 21 44 17 49 16 50 PMS 10. (2006) avaliaram a qualidade e o valor nutricional das silagens de dois híbridos de sorgo de duplo propósito (AG 2006 e BR700) e um forrageiro (BR601) com a colheita das plantas em oito estádios de maturação dos grãos. Esses autores observaram aumentos (p<0.5 13. já nos híbridos forrageiros. 2000). devido à menor quantidade de grãos. 2. tipo de solo e variação quanto ao genótipo (variedade e/ou híbrido). com os grãos variando entre os estádios de grãos leitosos a grãos duros. mas sofre influência de fatores como temperatura. Alguns híbridos atingem o teor de matéria seca ideal no estádio de grão farináceo.2 %C 58 48 46 48 AG-2004-E %F %P 25 18 21 32 16 39 16 34 PMS 11. BR701 e Massa-3) em cinco épocas de corte da planta. mas não houve alteração no valor nutricional das silagens com o avanço da maturidade da planta. e outros no de grão leitoso para grão pastoso (Molina et al.8 Fonte: Adaptado de Zago (1991). folhas (%F) e panículas (%P) na matéria seca e produtividade de matéria seca (PMS) em toneladas por hectare em função da época de colheita. Já os valores de digestibilidade in vitro da matéria seca (DIVMS) mostraram comportamentos variáveis. A acumulação de nutrientes é peculiar de cada espécie. luminosidade. 2007). Estádio de colheita Grão leitoso Grão pastoso Grão farináceo Grão duro %C 67 64 63 69 AG-2002 %F %P 23 10 18 19 15 23 13 19 PMS 14. De modo semelhante.3 18.8 16.8 10. com redução nos teores para o híbrido forrageiro. Pires et al. De acordo com Corrêa (1996). A maturação das forrageiras eventualmente envolve declínio do valor nutritivo devido principalmente ao acúmulo de constituintes da parede celular.7 11. (2007) avaliaram três híbridos de sorgo de porte médio com boa produção de grãos (BR700. a redução na qualidade da fibra resulta em redução no valor nutritivo em estádios mais avançados de maturação. adubação.6 12. com os maiores valores observados nos estádios de grão pastoso e farináceo.2 14. MOMENTO DE ENSILAGEM A obtenção de uma silagem de alta qualidade depende principalmente da colheita da forrageira num momento ótimo do seu estádio de desenvolvimento (Araújo et al.

sorgos com porcentagens médias. Já Faria Jr. nos estádios de grão duro. (1995) recomendam que os sorgos com altas porcentagens de grãos sejam colhidos entre os estádios de grão leitoso e pastoso. principalmente em dietas de vacas de alta produção. a fim de garantir um teor de MS tido como ideal no momento da ensilagem (variando entre 27% e 37% de MS no material verde). O BRS-610 é um sorgo forrageiro de boa proporção de grãos. Teor de matéria seca O teor de matéria seca da planta é um importante fator determinante do tipo de fermentação no processo de ensilagem. (2008) avaliou o comportamento produtivo e nutricional do sorgo BRS-610 em oito estádios de maturação do grão. 1991). Por outro lado. Estas bactérias são indesejáveis por produzirem ácido butírico e degradarem a fração proteica com consequente redução do valor nutricional 46 . a relação nitrogênio amoniacal/nitrogênio total (N-NH3/NT) e os ácidos orgânicos. como o nível de carboidratos solúveis. de amido altamente digestível com o avanço do estádio de maturação dependendo da proporção no total de matéria seca da silagem é capaz de superar a redução no valor nutricional das frações de colmo e folhas com a maturidade da planta (Zago. 3. são utilizados para classificar as silagens quanto a sua qualidade fermentativa. Mas o aspecto nutricional. CONSERVAÇÃO DA SILAGEM Juntamente com o teor de matéria seca e pH. a ensilagem do sorgo com os grãos duros pode levar à perda destes nas fezes dos animais. segundo. apesar de terem ocorrido reduções nos níveis de proteína. pois. Silagens que apresentem umidade muito alta têm uma série de desvantagens: primeiro. entre os estádios pastoso e farináceo. silagens muito úmidas têm um custo de produção maior. 3.1. em estádios mais avançados. pois o transporte por quantidade de matéria seca fica mais caro. graças às reduções nos teores de fibra em detergente neutro (FDN) e fibra em detergente ácido (FDA). Esse autor observou aumento na produção de MS e na participação da panícula com a maturidade da planta do florescimento até o estádio de grãos farináceos. outros parâmetros. Demarchi et al. os ácidos acético. os valores de DIVMS não foram alterados. Houve aumento nos teores de MS e. ocorre perda na qualidade do material. e sorgos com baixa porcentagem de grãos. butírico e lático são os mais importantes. No que diz respeito aos ácidos orgânicos. resultantes da maior participação de amido do grão na matéria seca total. consequentemente. o pH de silagens muito úmidas tem que ser mais baixo para inibir o crescimento de Clostridia spp. decorrente da maior resistência de degradação do grão e maior taxa de passagem da digesta em animais de alto consumo.dos grãos e. que se destaca pelas excelentes características agronômicas de produtividade e pela resistência a pragas e doenças. O autor concluiu que os melhores momentos de ensilagem para esse híbrido estão compreendidos entre os estádios de grãos pastosos e farináceos.

e quarto. 10% e 8%. relataram teores de carboidratos solúveis em álcool de 18%. Nogueira. Borges et al.9%.2% a 29. Araújo. Já Pesce et al... (2000a) obtiveram para 20 genótipos de sorgo um teor médio de 25.. Existe uma estreita relação entre as taxas e as extensões de queda do pH e o teor de MS da forragem para que ocorra inibição do crescimento de microrganismos indesejáveis (Muck. Brito et al.4% e de 24. 35. 1991). os resultados da literatura indicam a possibilidade de produção de silagens de boa qualidade nutricional e bom padrão fermentativo com materiais ensilados com teores de matéria seca variando de 20% a 37% (Meeske et al. Araújo.. Os teores de MS do sorgo são correlacionados com o estádio de maturação e com a proporção entre as frações de colmo em relação às de folhas e panículas na planta (Gontijo Neto et al. no material original. Araújo et al.0%. baixo e médio. geralmente. ao ensilarem sorgos de porte alto.. Para silagens de sorgo. De modo geral. (Zago.. com valores entre 3. 2004). 3. 1997. ao analisarem sorgos de portes alto. 1997. pois reduz a proteólise e inibe o crescimento de microrganismos indesejáveis. et al. 31. respectivamente.da silagem. 1995. o consumo voluntário é diminuído. 2000b.8%... 2002). As maiores taxas de acúmulo de matéria seca das folhas e panículas em relação aos colmos indicam a importância dessas frações na elevação da MS da planta com o avanço da maturidade desta. et al. 1999b. Silva et al. Borges et al. 1992. 2006. 2002).. Borges (1995). mesmo que o nível de carboidratos solúveis seja o suficiente para promover fermentação lática. 28. 2008).7%) no momento da ensilagem. 1996. com consequente queda no pH (Borges et al. 1991.2.. Nogueira (1995) e Bernardino (1996). Brito et al. médio e baixo. Pereira et al. 1988). já nas primeiras 24 horas de fermentação.7%. 47 .3. respectivamente. 2000a. Potencial de hidrogênio (pH) A velocidade com que ocorre a queda do pH é tão importante quanto o valor de pH final para a preservação da qualidade da silagem...6 e 4. Carboidratos solúveis Teores mínimos de 8 a 10% de carboidratos solúveis na MS são requeridos para uma adequada fermentação. 2007. 37... terceiro. têm um nível de carboidratos solúveis suficiente para uma boa fermentação. silagens muito úmidas produzem efluentes que levam à perda de nutrientes de alta digestibilidade (McDonald et al.3%. 2000b). Pires et al.. Está bem definido que os sorgos utilizados no Brasil. Brito et al. Rocha Jr. Rocha Jr.. (1999a) encontraram teores de MS de 25. Corrêa. b. Faria Jr.7% MS (20. 2000a. apresentam valores de pH capazes de minimizar a atividade proteolítica das enzimas e bactérias e tendem a se estabilizar antes de 10 dias transcorridos da ensilagem (McDonald et al. 1997. as silagens de sorgo. 2000b. 1997. (1993) e Silva et al. 3.3. 1993. Bernardino et al..

sendo responsável pela redução do pH a valores inferiores a 4.2 a 8. os valores de nitrogênio amoniacal são inferiores a 10% do nitrogênio total. Ferreira (2005) (3. No entanto.79%) com o avanço da maturidade da planta. Os valores elevaram-se com o avanço do estádio de maturação da planta de florescimento a grãos duros. Silagens bem-conservadas apresentam valores de ácido lático próximos de 8-10% na MS. bem como das diferenças quanto aos processos de ensilagem (estádio de maturação da planta. as variações encontradas entre as silagens são decorrentes das diferenças intrínsecas aos híbridos com respeito aos conteúdos de MS.2 e.15 a 6.37 a 5. (2007) não relataram efeito do estádio de maturação sobre os níveis de nitrogênio amoniacal nas silagens de três híbridos de sorgo cujos valores variaram de 5. esses últimos autores afirmam ter obtido silagens de excelente a boa qualidade. O conteúdo de ácido butírico reflete a extensão da atividade clostridiana sobre a forragem ensilada e está relacionado a menores taxas de decréscimo. a degradação proteolítica envolve consumo de ácido lático e acético para produção de ácido butírico.3% da MS (Tomich et al. Por outro lado. Os teores de nitrogênio amoniacal em silagens de sorgo variam de 0. Araújo et al. resultando em aumento do pH da silagem. e da redução de nitratos pelas bactérias lácticas (Fairbairn et al. inibição de microrganismos indesejáveis. o ácido lático é o principal por apresentar maior constante de dissociação (Kd). superiores aos valores de Rocha Jr. consequentemente. butírico e de nitrogênio amoniacal. Contudo.. como resultado da ação prolongada de enterobactérias. e Araújo et al. de ácido acético inferiores a 2. 1987). Nitrogênio amoniacal Nas silagens consideradas com bom padrão de fermentação.5% na MS e de ácido butírico inferiores a 0. (2006) observaram reduções para esse parâmetro (6. maior valor final de pH e de nitrogênio amoniacal nas silagens. Os valores mínimos de ácido lático para garantir boa conservação da silagem são variáveis em função dos teores de MS.4. Pires et al. Assim. com baixos níveis de ácido acético.5.53 a 7.5%). et al. Faria Jr. Nessas silagens.57%) e Ibrahim (2007) (4. aos carboidratos e às relações das partes da planta.42% na MS. por clostrídios.12%.3. uso de aditivos).31%). velocidade de confecção da silagem e taxa de queda nos valores de pH. sendo a amônia derivada principalmente da deaminação de aminoácidos específicos. (2000b) (3. em menor porção. velocidade de ensilagem..30 a 15. Ácidos orgânicos Dentre os ácidos orgânicos. amidas.25 a 5.5 a 7. o que indica quebra excessiva da fração proteica. indicando processos fermentativos ineficientes (Fisher e Burns. no momento de ensilagem. 2003). (2007) citam valores de ácido lático variando de 6.99%. bactérias láticas heterofermentativas e. Em silagens de sorgo. (2008) encontrou valores de nitrogênio amoniacal na silagem variando de 1.8% do nitrogênio total. Os conteúdos de ácido acético estão relacionados às menores taxas de decréscimos e maiores valores finais de pH nas silagens. as silagens malconservadas e com evidências de fermentações indesejáveis (clostrídia e pseudomonas) apresentam teores de nitrogênio amoniacal acima de 15%. 1992). 3.03-7. 48 .

fibra em detergente ácido (FDA). Em híbridos de sorgo de porte médio ou baixo.59 4.6 27. (2007)1 Nascimento et al. (2003)1 Silva et al.5 23. épocas de cultivos e manejo de ensilagem. panículas e grãos na massa ensilada (Zago.8 32. 1991).6 a 64.5 3.8 7.9 7.3 28.1 a 36. (2000b)1 Fontanelli et al. COMPOSIÇÃO QUÍMICA E DIGESTIBILIDADE Observa-se uma grande variabilidade entre a composição de nutrientes nos diferentes híbridos de sorgo.5 55.4 38. (2000b) Rocha Jr.4 a 39.1 6.0 45.7 34. Diferenças entre regiões.6 27.61 55.0 60. lignina (LIG) e digestibilidade da matéria seca (DMS) da silagem de sorgo e milho de vários experimentos. (2006)1 Digestibilidade in vitro da MS.6 6.4 5.93 57.4 34.5 68.2 58.8 58. (2008)3 Valadares Filho et al.54 7.3 5.4.3 5.3 53.4 53.2 29.2 3.8 31.9 26.8 5. (2006)1 Araújo et al.7 36.4 a 50. folhas e panícula.1 27.8 35. são apresentadas a composição químicobromatológica e a digestibilidade in vitro de silagens de sorgo observadas na literatura. tendo o valor da composição da silagem de milho como referência. (2002)1 Restle et al.5 25.1 42.5 a 8. (2006)2 Pires et al.7 9.4 35.8 a 3.6 52.8 33.4 7.3 38.0 9. Teores de matéria seca (MS). 3NDT 49 .1 4.6 57. como altura de corte. Material 20 híbridos 7 híbridos Corte alto ou baixo 8 híbridos AG 2002 AG 2006 BR 601 BR 700 BR 700 BR 701 Massa 3 Granífero Sacarino Sorgo Milho 1 MS 30.6 56.9 3.2 5.0 53.5 11.7 3.71 Autor Aydin et al.1 a 3.1 57.6 7.5 a 30.9 54. 2digestibilidade aparente da MS.73 54.4 24. bem como às diferenças no valor nutritivo destas frações entre os híbridos. que proporcionariam alto desempenho animal semelhante ou superior aos obtidos com silagens de bons híbridos de milho.3 45.5 39.5 70.57 30.4 26.46 30.2 51.5 5.79 4.89 PB 6.0 a 29.3 33.0 6.3 57.6 57. Isso reflete a enorme variabilidade genética entre os genótipos e o potencial do melhoramento genético no desenvolvimento de híbridos modernos de alto valor nutritivo.6 34.8 45. normalmente os teores de proteína bruta têm se mostrado superiores aos de porte alto em função de maior participação das folhas.77 56.3 36.8 53. Estas variações devem-se principalmente a diferentes proporções entre colmo.9 32.4 63.89 56.5 6. proteína bruta (PB).6 5.8 8.6 35.1 6.20 Silagem de sorgo (%MS) FDN FDA LIG DMS 51.4 62.0 65.6 4.5 3.5 41.1 a 70. et al. Na Tabela 2. Tabela 2.5 28. Pesce et al.1 6.5 62. fibra em detergente neutro (FDN).3 34. (1999).9 a 9.4 47.6 69.7 9.2 a 61.9 42.85 31. são fatores que também influenciam nas diferentes respostas sobre a composição química entre as silagens de sorgo.1 20. (2002)1 Pedreira et al.1 5.

referentes ao fornecimento das respectivas silagens. Não foram observadas por estes autores diferenças no consumo de matéria seca. No entanto. de proteína digestível (4. de proteína bruta (7. respectivamente. Por outro lado. que. como pode ser verificado na Tabela 3. Lusk et al. analisando o valor nutricional de silagens de milho. segundo Resende et al. Nichols et al. DESEMPENHO ANIMAL Lusk et al. encontraram maiores valores de consumo de matéria seca (66.4 x 24.53 25. Bezerra et al. Silagem de milho Silagem de sorgo Consumo de MS (kg/dia) 25.16 3. à disposição no mercado. 50 . (1998). 5. devido à menor quantidade de grãos.10 Lactose (%) 5. por apresentar perdas de grãos nas fezes dos animais (Mello.07 3.4% e de 58. (1984) e Gomide et al.83 x 2.De modo geral. (2003). (1987) encontraram ingestões de matéria seca maiores para silagens de sorgo que para silagens de milho (1. milho consorciado com sorgo e rebrotas de sorgo.68 e 2. inferiores a 60cm. os resultados de pesquisa recente mostram que há.3 a 58. em alguns cultivares de sorgo.7 L/dia) e encontraram valores de digestibilidade aparente da matéria seca variando de 59.00% PV. corresponde a 84% da encontrada para a silagem de milho. refletindo em menor degradabilidade efetiva da matéria seca das silagens.56 36. os nutricionistas consideram que o valor nutricional da silagem de sorgo equivale entre 80 e 90% do valor nutritivo da silagem de milho.8%.8g/UTM) e de energia bruta (325. materiais de mesmo nível nutricional e que têm propiciado desempenhos animais semelhantes e com menores custos.4Kcal/UTM) para as silagens de rebrota de sorgo aos 98 dias. na produção e composição do leite. não observaram diferenças na produção de leite (24. produção e composição do leite de vacas de alta produção alimentadas com silagem de milho e silagem de sorgo. para milho e sorgo. (1993).8 a 61. 2004) e colmos de menor digestibilidade.23 Proteína (%) 3. Tabela 3. para milho e sorgo).86 Produção de leite (kg/dia) 36.unidade de tamanho metabólico). respectivamente.7g/UTM). O pastejo direto de rebrotas pode causar intoxicação por ácido cianídrico em plantas jovens.75 Fonte: Adaptado de Nichols et al.06 4. (1998) compararam o efeito da silagem de sorgo e silagem de milho na dieta de vacas Holandesas de alta produção. Consumo de matéria seca.64% do peso vivo (PV) e 1.7g/UTM. avaliando silagens de milho e sorgo.86 Gordura (%) 3. (1984).

A produção de leite e o leite corrigido para 4% de gordura (LCG) foram superiores para a silagem de milho em comparação à silagem de sorgo com o grão leitoso. Parâmetros Silagem (kg de MS/dia) Dieta total (kg de MS/dia) Produção de leite (kg/dia) Produção corrigida (4% de gordura) Gordura do leite (%) SM 4. produção de leite e teor de gordura do leite de vacas recebendo silagem de milho (SM).4a SSL 3. No entanto.20b 11. e o menor naquelas alimentadas com o uso de silagem de sorgo granífero (2.1a 3.39). 51 . Os teores de gordura do leite não diferiram quanto ao tipo de volumoso. rico em grãos. As produções de leite total e LCG foram superiores entre as vacas alimentadas com silagem de milho. e não diferiram entre as silagens de sorgo. ou sacarino. (2001) avaliaram o efeito do estádio vegetativo do sorgo em comparação à silagem de milho para vacas de leite.34) e silagem de sorgo granífero (1.69b 10.6a Tratamentos SSE 4.6b 3. foram comparadas à silagem de milho quanto a sua influência no desempenho de vacas leiteiras por Nascimento et al. Esses resultados indicam maior eficiência produtiva (LCG/IMS total) com o uso de silagem de milho (1. Já a silagem de sorgo no estádio de emborrachamento mostrou resultados intermediários e semelhantes ao milho. silagens de sorgo granífero.11). Deste modo. seguida pela silagem de sorgo sacarino (1. Já para porcentagem de proteína no leite. (2008). A porcentagem de gordura do leite das vacas alimentadas com silagem de sorgo sacarino foi superior (4. silagem de sorgo no estádio de emborrachamento (SSE) ou silagem de sorgo no estádio de grão leitoso (SSL).43b 14.56%) em comparação àquelas alimentadas com silagem de milho (4.Dias et al. Esses pesquisadores observaram que a silagem de milho proporcionou maior consumo de MS da silagem e da dieta total em relação às silagens de sorgo (Tabela 4). Consumos médios diários de matéria seca das silagens e da dieta total. com elevados teores de açúcares. as produções diárias de gordura e proteína foram semelhantes entre os sorgos e inferiores ao milho. Tabela 4.05) pelo teste Tukey.97%). os maiores valores (3.93a 12.25%) foram observados em vacas alimentadas com silagem de milho.66a 15. Fonte: Dias et al. na linha.2ab 3.3ab 13. e este resultou em menor consumo que silagens de milho (Tabela 5).68b 12. Esses autores observaram que os animais alimentados com silagem de sorgo granífero apresentaram maior consumo de silagem e de ração total em comparação àqueles alimentados com as silagens de milho ou de sorgo sacarino.6a Letras iguais. (2001).2a 14.6b 11. O tipo de sorgo influencia na composição química das silagens e pode ter reflexos no desempenho animal. respectivamente. o valor intermediário em vacas alimentadas com silagem de sorgo sacarino (3.05%).31%). não diferem entre si (P>0.39%) ou silagem de sorgo granífero (4.

Os resultados obtidos para proteína no leite foram semelhantes entre os tratamentos.14b 26.65a 1.22a 24. 3Silagem de sorgo sacarino (SS). 2Silagem de sorgo granífero (SG). 1 Silagem de milho (SM). Fonte: Nascimento et al. (2008). As digestibilidades da matéria seca das silagens de sorgo Bmr foram semelhantes à silagem de milho e superiores à silagem de sorgo normal. produção e composição do leite de vacas alimentadas com silagem de milho (SM).05) pelo teste Tukey.31b 2. Já as digestibilidades da FDN foram superiores para a silagem Bmr-6 e a silagem de milho.93b 28. e produção semelhante aos animais alimentados com silagem de milho.5% inferior aos alimentados com silagem de milho.10b 1.98a 4.09b 0. conferindo maior valor energético à silagem.28a 0. Ingestão.72b 4. Parâmetros Ingestão de silagem (kg MS/dia) Ingestão total (kg MS/dia) Ingestão média MS (100 kg PV corrigido) Produção de leite total (kg/dia) Produção corrigida 4% de gordura (LCG) Gordura no leite (kg/dia) Proteína no leite (kg/dia) Gordura (%) Proteína (%) SM1 17. silagem de sorgo granífero (SG) ou silagem de sorgo sacarino (SS). A eficiência produtiva foi semelhante entre as silagens de sorgo com nervura marrom e 52 .02b 21.Zago (1991) citou. No mesmo trabalho. porém as produções obtidas com os animais alimentados com a silagem de sorgo de nervura marrom foram semelhantes (P<0.05) e garantiram a mesma produção dos animais alimentados com silagem de milho. Nota-se que as vacas alimentadas com silagem de sorgo normal apresentaram menores produções de leite.25a SG2 17.43c 3. Oliver et al.05c 0.97c SS3 13. em sua revisão de literatura.64a 22. Tabela 5.63b 1. Não houve diferenças quanto à digestibilidade da proteína. que a produção dos animais alimentados com sorgo foi 11. As ingestões de matéria seca não diferiram entre as silagens.37c 24. LCG e menores teores de gordura que os animais alimentados com silagem de milho.39b 3.94a 4. A síntese dos resultados desse trabalho encontra-se na Tabela 6.81a 30.56a 3.69b 25. o que está associado à maior participação dos grãos na massa ensilada. porém a digestibilidade do amido foi semelhante entre as silagens de sorgo e inferior à silagem de milho.64c 19.95b 3. enquanto as silagens de sorgo mutante (Bmr-6 e Bmr-18) e a silagem de milho mostraram valores semelhantes.05b Médias seguidas de letras diferentes na mesma linha diferem entre si (P<0. foi relatado que vacas leiteiras alimentadas com sorgo de duplo propósito (porte médio) mostraram maior produção de leite em relação às vacas que receberam silagem de sorgo de porte alto. contudo as ingestões de FDN foram superiores para as silagens de sorgo normal. Por outro lado. gordura. (2004) avaliaram silagens de sorgo normal ou mutantes portadores de nervura marrom (bmr-6 e bmr-18) em comparação à silagem de milho para vacas leiteiras de alta produção.73b 4.

25b 1. Influência do tipo de silagem na ingestão e digestibilidade.91 0.3 30. exceto para a relação acetato:propionato que foi superior para silagens de sorgo normal e Bmr-6.5b 62.7 a 31.49 b 1 Silagem de sorgo de nervura marrom BMR-6. ácidos graxos voláteis totais (AGV).92 AGV totais 123. refletir em maior teor de gordura do leite para a silagem de sorgo normal.7 b 82.8 a LCG 4% (kg/d) 29. Fonte: Oliver et al.99 0.34a 1.2 24.77ab 3.3 59. entretanto.3 b 79.8 123.4 a 9.4 FDN 40.0 b 34.3 Propionato 26.81 Ingestão FDN (kg/dia) 10.43 b 1. (2004).7 b 91.3 a Gordura do leite % 3.22ab 1.88a kg/d 1.9 a Proteína bruta 51.8 26.37a 1.4 a 47.2 30.00 IMS/LCG 1. acetato e propionato.1 a 32. vem estudando o potencial dos híbridos de sorgo e milho portadores de nervura marrom sob condições brasileiras.7 a Produção de leite (kg/dia) 31.89 2.1 a Amido 85.89a 3. Diante dos resultados obtidos.32a Proteína do leite % 2. Sorgo Silagem de Sorgo Sorgo Parâmetros Bmr-182 milho normal Bmr-61 IMS (kg/dia) 23. Esses resultados estão de acordo com os dados obtidos por Aydin et al.2 ab 33.97 kg/d 0. observa-se o potencial dos híbridos portadores de nervura marrom na obtenção de silagens de melhor qualidade nutricional e com potencial de manter produtividades semelhantes às silagens de milho.9 ab 9. Tabela 6.96 1.89 2.0 b 9.9 a 69. A Embrapa Milho e Sorgo.0 b (% peso vivo) 1.9 124.0 118.62 a 1. sem. em parceria com o Departamento de Zootecnia da Escola de Veterinária da UFMG.67 3.44 b 2. sendo superior à silagem de sorgo normal.9 b 54. 2silagem de sorgo de nervura marrom BMR-18. (2007).2 25.1 73.as silagens de milho.2 51.11b 1.98 2.4 59.87 5.65 3.96 5.96 5.35a 1. no desempenho e nos parâmetros ruminais de vacas leiteiras.2 73.8 c 54.1b 33. 53 .38a pH ruminal 5.79 3.78 a 2.2 ab 33.57b 3.3 (% peso vivo) 3.53 ab 1.1 72.1 a 60.42 b Digestibilidade da dieta Matéria seca 52.77 a 2.7 Acetato 75.2 Acetato:Propionato 2.2 23. (1999) e Miron et al. As condições de metabolismo ruminal foram semelhantes entre as silagens quanto aos parâmetros de pH.

81a 3.11a 12. como pode ser observado na Tabela 7. matéria orgânica (MO).38 4. seguidos por letras diferentes. contudo a silagem de sorgo granífero proporcionou maior produção de leite em relação à silagem de canade-açúcar. respectivamente. em outro estudo.87a 12. os ganhos de peso e as conversões de MS e PB em ganhos de peso foram superiores para o tratamento com silagem de sorgo.83. fibra em detergente neutro. Os consumos de MS.64a 3. (1998b).78b 12. respectivamente.57 9. Wanderley et al.15%.84%.95 *valores na mesma coluna. em relação à silagem de cana-de-açúcar.98kg e 26. Valvasori et al. os valores obtidos de digestibilidade aparente da matéria seca. Já as silagens de sorgo garantiram produções diárias de leite e LCG de 24. Embora as ingestões totais de MS e PB tenham sido muito próximas. com uma conversão alimentar de 0.72a 11.56%. Na silagem de sorgo.Valvasori et al.V(%) Kg leite/vaca/dia 12.93a* 12. Tabela 7. 64. avaliaram o consumo e o desempenho de bezerros leiteiros alimentados com silagem de sorgo granífero ou silagem de cana-deaçúcar como único volumoso e suplementado com farelo de algodão. PB e NDT das dietas foram semelhantes. Esses autores observaram que a inclusão de 17% de palma forrageira foi o nível que resultou nos melhores valores de digestibilidades aparentes da matéria seca e carboidratos totais e maior valor de NDT 54 . O uso de silagens de sorgo associadas à palma forrageira para vacas Holandesas de produção mediana (27kg/leite/dia) tem sido uma alternativa de suplementação interessante em regiões semiáridas. (2002) avaliaram o consumo. 76. Produções de leite e taxas de gordura láctea em vacas alimentadas com silagem de sorgo granífero. (1998b) avaliaram a substituição da silagem de sorgo granífero por silagem de cana-de-açúcar em vacas no terço inicial da lactação.06% e 73. As vacas alimentadas com silagem de sorgo como único volumoso apresentaram consumo de MS de 20. carboidratos não fibrosos e teor de NDT foram de 73.59kg. a digestibilidade e o desempenho de vacas no terço inicial da lactação alimentadas com dietas à base de silagem de sorgo com níveis crescentes de palma forrageira e 43% de concentrado.59% do peso vivo (PV) e consumo de FDN de 8. as produções de LCG e os teores de gordura não diferiram entre os tratamentos. diferem entre si (p<0. 89. (1998a). Silagem Sorgo granífero Sorgo granífero e cana-de-açúcar Silagem de canade-açúcar Média geral C. (2002) e Andrade et al. Os ganhos de pesos.05) pelo teste SNK.20%.5% gordura 13.95kg/dia ou 3.68 13.25kg/dia ou 1.10 Kg leite/vaca/dia corrigido a 3.40% PV. Fonte: Valvasori et al.58a 3.59 Teor de gordura 3.34ab 11. silagem de sorgo granífero + silagem de cana-de-açúcar e silagem de cana-de-açúcar.

87. 1994). Esses autores concluíram que as dietas foram nutricionalmente equivalentes. para dietas com silagem de sorgo como volumoso único. A inclusão de xiquexique não comprometeu o consumo.6%. O aumento de carboidratos não estruturais na dieta proporcionado pela palma forrageira promoveu efeito associativo positivo na melhoria da digestibilidade da dieta. Silva et al. a dificuldade de se comparar de forma justa as silagens de sorgo com outros volumosos como a silagem de milho. pois existe uma correlação negativa entre os teores de 55 . Segundo Perez-Maldonado e Norton (1996). pois não se evidenciou mérito atribuído a silagens confeccionadas com uso do inoculante microbiano-enzimático.83% PV e 1. que apresentaram produções médias diárias de leite e LCG de 14. referente aos valores de pH e concentrações de amônia ruminal. (2005) avaliaram a substituição da silagem de sorgo por xiquexique (Pilosocereus gounellei) até níveis de 50% da dieta com 30% de concentrado. Os resultados da literatura mostram uma boa associação da palma forrageira e outras cactáceas a silagens de sorgo para suplementação de vacas em lactação de média produção no nordeste brasileiro. intestinal ou total entre as silagens. assim. a digestibilidade dos nutrientes da dieta ou o desempenho produtivo dos animais. 6. 45% dos taninos condensados ingeridos foram degradados no rúmen e 40% dos TC que chegaram ao abomaso e intestinos foram absorvidos. respectivamente. O ambiente ruminal. sendo capazes de formar ligações com proteínas e outras macromoléculas como os carboidratos.0% e 57. (2006). A seleção de sorgos utilizados para a produção de silagem é feita para os genótipos com baixos teores de taninos.das dietas. As diferenças observadas na literatura se devem às distintas condições experimentais e à grande variabilidade genética do sorgo. Os efeitos do uso de inoculante microbiano-enzimático em silagens de sorgo ou milho sobre o consumo e a digestibilidade dos componentes nutritivos das silagens foram avaliados por Silva et al. Esses compostos são classificados em dois grupos: os hidrolisáveis (carboidrato central com ligações de ácidos fenólicos carboxílicos) e os condensados (mistura de polímeros flavanoides) (Van Soest. a silagem de sorgo pode ser utilizada como fonte única de volumoso para vacas leiteiras. Esses autores relataram consumos e digestibilidades aparentes da MS e do FDN de 2. Conforme evidenciado.48% PV e 65. sem comprometer o consumo ou as produções de leite. bem como a taxa de passagem da digesta não foram influenciados pelas dietas. comprovando. Rabelo (1997) determinou que parte dos taninos do sorgo foram degradados no rúmen e que os taninos condensados (TC) desapareciam à medida que os tempos de incubação avançavam. TANINOS Os taninos são compostos fenólicos com alto peso molecular (500 a 3000). atingindo o máximo após 72 horas de incubação ruminal. refletindo em uma conversão alimentar média de 0.4kg.8kg e 13. Não houve diferenças quanto aos valores de consumo ou digestibilidade aparente ruminal.

Rodriguez et al. que concluíram que a presença de taninos em genótipos de sorgo ensilado no estádio de grão leitoso parece ter reduzido a extensão de degradação e a degradabilidade potencial para a matéria seca e a proteína bruta nas silagens de sorgo BR 700 e BR 701. as taxas de degradação da matéria seca e da proteína bruta das silagens (ou seja. Resultados semelhantes foram relatados por Molina et al.. FDN e FDA (Campos et al. Nyachoti et al. A degradabilidade da proteína também foi inferior para os genótipos com taninos. No entanto. os taninos apresentaram correlação negativa com a degradabilidade da matéria seca. processo que pode ser utilizado para aumentar o valor nutritivo do grão de sorgo. Segundo Campos et al. o processo de ensilagem reduz o teor de taninos. Esses autores verificaram correlação negativa (r=–0. Segundo Cummins (1971). Apesar da maior afinidade pelos compostos nitrogenados/proteicos. os autores relataram que a causa desta diminuição pela estocagem anaeróbica ainda não está completamente esclarecida. 1997. (2003a) avaliaram as silagens produzidas com os mesmos híbridos. Já Molina et al. e ressalta-se que teores mais elevados de fenóis totais podem não refletir em maiores concentrações de TC (Campos et al. 1991). (1997) afirmaram que a ensilagem é uma forma de reduzir os teores de taninos nos grãos de sorgo com alta umidade. (2002). os taninos não exerceram efeito depressivo sobre a média do desaparecimento da proteína bruta em nenhuma das silagens de sorgo testadas. O mesmo foi observado por Borges (1995).. (2003b). com os mesmos híbridos colhidos no estádio de grãos farináceos. 2003b).. 1999). (1999) verificaram melhor digestibilidade da frações de FDN e FDA em sorgos sem taninos. 1997.01) entre a presença de taninos e a digestibilidade da MS. Isso pode ser um fator que está associado aos maiores valores de FDA para os genótipos com taninos. os genótipos com taninos (CMS XS 210 e BR 701) apresentaram. os quais se ligam à fração nitrogenada. que estudou a influência do teor de taninos sobre a digestibilidade in vitro da matéria seca. que relatou uma redução significativa dos teores de taninos das silagens de sorgo com a fermentação. porém colhidos no estádio de grãos pastosos. podendo esse complexo tornar-se um componente do resíduo do FDA (Borges et al. Entretanto. 2003a).tanino e a digestibilidade da matéria seca (Zago. apesar de o BR 701 ter apresentado degradabilidade similar aos genótipos sem taninos. P<0. indicando que a qualidade da fibra tem importante função na resposta à presença de taninos sobre a degradabilidade da MS. Além dos componentes estruturais. menor degradabilidade efetiva da MS do que os sem taninos (BR 007 e CMX XS 214). Contudo.. parece existir uma concentração mínima de TC necessária para que os efeitos negativos se expressem. concluíram que os taninos não responderam 56 . a velocidade de degradação das silagens de sorgo) não foram influenciadas pela presença de taninos no grão. e concluíram que a presença de taninos nas silagens dos sorgos BR 700 e BR 701 foi capaz de inibir somente a degradabilidade potencial da MS. Entretanto. em média. O mesmo ocorreu com a degradabilidade potencial e com a taxa de degradação da proteína bruta. (2003a). Essa menor degradação da PB. em híbridos de sorgo granífero com altos e baixos teores..34. Molina et al. o que pode estar associado à melhor qualidade da fibra para esse híbrido. Rodriguez et al. provavelmente. deveu-se à presença de taninos. Borges et al.

de acordo com Zago (1992). Zootec. Bras. bainha e colmos) em relação às partes ricas.A. Rev.) Moench). Rodrigues. podendo causar anóxia histotóxica. pela afinidade por íons metálicos e o transporte de oxigênio pela combinação do cianeto com a hemoglobina (ciano-hemoglobina). devido à possibilidade de comprometimento do aproveitamento das silagens e consequente limitação do desempenho dos animais. incontinência urinária e morte fetal de bezerros (Zago. 7. 2002. O declínio do nível de HCN na maturação. v. p. sem comprometimento do desempenho de vacas em lactação e com possibilidade de redução de custos. M.K. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ANDRADE. produz ácido cianídrico (HCN). As silagens de sorgo têm potencial para substituir as silagens de milho como volumoso único. E aconselhável utilizar cultivares de sorgo sem taninos. Os níveis de HCN são reduzidos com o desenvolvimento das plantas.. Digestibilidade e absorção aparentes em vacas da raça Holandesa alimentadas com palma forrageira (Opuntia ficus-indica mill) em substituição à silagem de sorgo (Sorghum bicolor (L. 57 . Rodrigues. a durrina (C14H17O7N). que são as lâminas foliares.2088-2097. apresentando menores riscos de perdas. 2000). Isso sugere menor efeito dos taninos sobre a degradabilidade da matéria seca e da proteína das silagens com o avanço do estádio de maturação da planta. CONSIDERAÇÕES FINAIS Em regiões semiáridas ou com risco de ocorrências de veranicos. 1992. 1992. et al. não sendo indicada a utilização de plantas de sorgo com altura inferior a 60cm (Zago. A utilização da rebrota deve ser realizada quando a planta ultrapassar 60cm de altura. Demarchi et al.por nenhum efeito depressivo sobre os parâmetros estudados de degradação da matéria seca e da proteína bruta.C. D. principalmente animais jovens.S. está associado ao aumento proporcional das partes da planta pobres em HCN (nervura..31. VÈRAS. INTOXICAÇÃO COM REBROTA DO SORGO O sorgo possui um heteroglucosídeo cianogênico. FERREIRA. 1995. 8..B. na presença de β-glicosidases no rúmen. 2000). que. inibindo a ação de metaloenzimas. ademais é uma opção interessante em sistemas de cultivo de safrinha. a cultura do sorgo mostra-se como opção de produção de volumoso.. A.

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CEP 36301-160.br Engenheiro Agrônomo. Bolsista CNPQ. 2 65 . É uma planta de clima tropical. produtiva. São João Del-Rei. luciocg@vet. 1972). DF. Rogério Martins Maurício5 RESUMO O milheto é um cereal de grande importância mundial por ser adaptado às regiões semiáridas. fpimont@gmail. Dept. no Brasil. CEP 30123-970. na confecção de pães e derivados na Ásia e África. MG. DSc. e pode-se considerar 1 Médico Veterinário. Universidade Federal de São João Del-Rei. Planaltina. MG. onde normalmente culturas como o milho e o sorgo não se desenvolvem bem. Por essa característica e por apresentar teor de proteína superior ao milho. sorgo e trigo. Belo Horizonte. Caixa Postal 567.com. Caixa Postal 567.br 3 Médico Veterinário.Bairro Dom Bosco..Br. Roberto Guimarães Júnior3.br 4 Médico Veterinário. Prof. Escola de Veterinária da UFMG.com 5 Engenheiro Agrônomo. rogeriomauricio@ufsj. chegando a suprir de 80 a 90% da quantidade de calorias consumida pela população de algumas dessas regiões (Burton et al. No Brasil. Prof. Doutorando em Zootecnia. Escola de Veterinária da UFMG. gabrielorjúnior@yahoo. INTRODUÇÃO O milheto (Pennisetum glaucum (L) R. MG.. Praça Dom Helvécio. Esp.) é um cereal de grande importância no mundo por ser adaptado a regiões semiáridas.br. Apresenta-se como opção promissora para o Brasil por ser uma planta de clima tropical. Fernado Pimont Pôssas4. MSc. Lúcio Carlos Gonçalves2..embrapa. de Engenharia de Biossistemas. Além disso.. Belo Horizonte. CEP 30123-970.. a cultura do milheto passou a ter destaque nos cerrados no início dos anos 90. quando começou a ser utilizada no sistema de plantio direto.D.. Associado Departamento de Zootecnia da Escola de Veterinária da UFMG. onde normalmente culturas como o milho e o sorgo não se desenvolvem bem. com boa composição nutricional e que pode ser cultivada com sucesso no período de safrinha ou em regiões sujeitas a veranicos ou secas. DSc. não é utilizado na alimentação humana e possui pequena participação na alimentação de aves.edu. tem sido utilizado como alimento humano sob a forma de farinhas.CAPÍTULO 5 O MILHETO COMO OPÇÃO PARA GADO DE LEITE Gabriel de Oliveira Ribeiro Júnior1.. EMBRAPA Cerrados. Ph. produtiva. 74 . CEP 30123-970. suínos e peixes. Atualmente a cultura vem sendo utilizada para plantio direto. é um cereal que. Belo Horizonte.. Caixa Postal 567. MG. MSc. Doutorando em Nutrição Animal. implantação e recuperação de pastagens e para produção de silagem e grãos. que apresenta boa composição nutricional e pode ser cultivada com sucesso no período de safrinha ou em regiões sujeitas a veranicos ou secas.ufmg. produção de forragem para pastejo. guimaraes@cpac. MSc. Este capítulo fornecerá informações para a adequada utilização do milheto na alimentação de gado de leite.

geralmente. gênero Pennisetum (Brunken. é o mais antigo nome do milheto-pérola cultivado. 1985). Skerman e Riveros. boa capacidade de rebrota e boa qualidade como forragem. citados por Bonamigo. Atualmente a cultura vem sendo utilizada para plantio direto. de modo que. spiked millet. 1992. subtribo Panicinae. com uma temperatura ótima de crescimento de 28 a 30ºC (Perret e Scatena. não suportando temperaturas inferiores a 10ºC (Skerman e Riveros. 1977. apresenta uma variada história taxonômica. Br. É uma cultura influenciada pelo fotoperíodo. pasto italiano ou capim-charuto. e abrange cerca de 140 espécies. por volta de 10 a 12 semanas após o plantio. cattail millet. A sua utilização para pastejo pode ser feita entre quatro a seis semanas após a semeadura. A espécie africana Pennisetum glaucum (L) R. 1977). menos dias a planta levará da germinação ao florescimento. a partir dessa associação. Bonamigo.que. implantação e recuperação de pastagens e para produção de silagem e grãos. Br. tribo Paniceae. Kichel et al. 1997. O ciclo vegetativo é curto. Vulgarmente denominado pearl millet. tanto nos trópicos como nos subtrópicos. já que é cultivado na Índia. 1997. o sistema conseguiu se estender às demais regiões (Martins Netto e Durães. Lima. 1990). O gênero Pennisetum está distribuído em todo o mundo. entretanto a nomenclatura atualmente reconhecida como mais apropriada e autêntica é Pennisetum glaucum (L) R. (Andrews e Rajewski. CARACTERÍSTICAS AGRONÔMICAS O milheto é uma planta pertencente à família Poaceae (Gramineae). com baixas precipitações pluviométricas e pelo crescimento rápido. 1999). de ciclo curto..60 metros de profundidade (Skerman e Riveros. 1995. permitindo produção de forragem de qualidade em curto espaço de tempo (Bogdan. Estima-se que o milheto forrageiro utiliza 70% da água consumida pelo milho para produzir a mesma quantidade de matéria seca. que ocorre.) Stapf e Hubb. quanto mais tardiamente for realizado o plantio. produção de forragem para pastejo. 2005). subfamília Panicoideae. O milheto caracteriza-se por ser uma gramínea anual de verão. Barbosa.) Leeke ou P. onde a pluviosidade é de apenas 130 a 180mm por ano (Perret e Scatena. 2000). Inicialmente era conhecido como Pennisetum americanum (L. pois necessita de cerca 300 a 400 gramas de água para produzir um grama de matéria seca. 1990. bulrush millet. 1999). bajra. 66 . 1999).. e se destaca como forrageira por sua habilidade em desenvolver-se em estações chuvosas curtas. sendo capaz de vegetar em regiões com precipitações pluviométricas inferiores a 400mm anuais. 1. que pode alcançar 3. ou cerca de 30 dias após a sua emergência (Bogdan. variando de 60 a 90 dias para variedades precoces e de 100 a 150 dias para as tardias. e à sua eficiência na transformação de água em matéria seca. 1985). Lima et al. A grande tolerância desta cultura à seca deve-se ao seu sistema radicular agressivo. typhoides (L. 1977.

sendo que as sementes devem ser incorporadas levemente com grade niveladora. 1995. A qualidade das sementes é determinante no estabelecimento e na produção da cultura. De acordo com Freitas (1988). Bonamigo. No geral.. Quando semeado em sulco para a produção de sementes ou grãos. 2003). a profundidade de semeadura pode variar de 2 a 4cm (Pereira Filho et al. no caso de sobre semeadura em lavouras de soja. sorgo e arroz. 1977. Sendo assim. A semeadura pode ser realizada em linhas (18 a 20kg de sementes/ha) com espaçamento entre 20 e 30cm para utilização em pastejo ou com espaçamento de 40 a 60cm (12 a 15kg de sementes/ha) para produção de grãos. PLANTIO E SEMEADURA A lavoura do milheto é estabelecida por sementes. sem chuvas. crescimento e rebrota. É tolerante à baixa fertilidade do solo. para assegurar boas condições de estabelecimento. ajuda a semente a aderir ao solo e induzir ao processo de germinação. 1988.. o plantio deve ser em menor profundidade. Para que haja eficiente germinação das sementes. Em solo argiloso. baixo pH e alta salinidade. 2. enraizamento. tanto após a colheita da cultura de verão quanto na primavera (Bonamigo. sementes ou silagem. cerca de 30 a 35Kg de sementes/ha. pois esse tipo de solo retém mais água na superfície. recomendam-se 20% a mais de sementes/ha e. (1999) recomendam que a temperatura média do solo seja superior a 20ºC. deve-se levar em conta o tipo de solo. A profundidade de plantio também é um fator importante para a implantação da cultura do milheto devido ao pequeno tamanho da sua semente. 1999). onde seu sistema radicular é mais vigoroso (Bogdan. sendo de grande importância a determinação do valor cultural das sementes (% pureza x % germinação). porém a cultura não resiste a solos encharcados. para as condições de solos do Brasil. O plantio a lanço pode ser em área sem cultura instalada ou em área cultivada com cultura em estádio de colheita (sobre semeadura). a semeadura a lanço pode ser feita manualmente. Kichel et al. mas apresenta alta resposta de produção em solos férteis ou adubados. deve-se fazer uma compensação elevando-se a densidade de semeadura. a semente deve ser colocada um pouco mais profunda para ficar em contato com a umidade. 1998).. Kichel et al. desenvolvendo-se melhor em solos arenosos. Para semeadura a lanço. Nessas condições. 67 . com equipamento aplicador de calcário ou por avião (Pereira Filho et al. Freitas. além de garantir uma boa germinação (Scaléa. milho. 1999. recomenda-se aração. 1999). além de haver umidade suficiente para emergência das plântulas. 2003). Em solo arenoso. O uso de uma grade leve em área não cultivada. Segundo Maraschin (1979). seguida de gradagem e passagem de rolo compactador após a semeadura.Vai bem em solos com altas concentrações de alumínio. tem-se verificado baixa germinação das sementes disponíveis para plantio (cerca de 42%). jogadas a lanço ou plantadas em sulcos. Andrews e Rajewiski.

quando semeada em março. A variedade tem produção média de 45t de massa verde quando semeada em fevereiro e. BN-1: Essa variedade apresenta porte de 170 a 230cm. BN-1 e BN-2: Variedades originadas de um trabalho de seleção massal fenotípica. com aptidão para produção de forragem na mesorregião do agreste de Pernambuco (Tabosa et al. porte de 140 a 220cm. após a cultura de soja ou milho. estão listados abaixo: COMUM: De acordo com Bonamigo (1999). O seu plantio é recomendado para as regiões Sudeste. hábito ereto. os cultivares de maior destaque no país. boa capacidade de perfilhamento e tem mostrado boa recuperação na rebrota.60m). Centro-Oeste e Sul. tem desenvolvimento muito uniforme e panículas grandes . com o intuito de melhorar cultivares locais utilizados no Mato Grosso do Sul (Bonamigo. lançada em 1977. desenvolvimento desuniforme e espiguetas de tamanho variado (12 a 25cm).. (2003) e Martins Netto e Durães (2005). Ele é utilizado basicamente para cobertura do solo em áreas de plantio direto (Martins Netto. IPA-BULK 1: Variedade desenvolvida pela Empresa Pernambucana de Pesquisa Agropecuária e pela Universidade Federal de Pernambuco. Possui ciclo médio (floresce aos 50 dias). 1999). foi introduzido no início dos anos 60.Em plantio de safrinha. grande perfilhamento e boa tolerância à acidez de solo. 1999). 3. adaptada à produção de grãos no sertão de Pernambuco (Tabosa et al. BN-2: Apresenta ciclo tardio. Segundo Pereira Filho et al.5 t/ha). também desenvolvida pela Empresa Pernambucana de Pesquisa Agropecuária e pela Universidade Federal de Pernambuco. com produção bastante satisfatória no Brasil central. É sensível ao carvão. panícula grande (20 a 35cm). BRS 1501: Variedade lançada pela Embrapa Milho e Sorgo. SYNTHETIC-1: Variedade. Esse cultivar adapta-se a condições que oferecem riscos de déficit hídrico e apresenta bom potencial de produção de grãos (2. bem como as suas características.50cm ou mais. 1998). produz cerca de 37 toneladas (t) de matéria verde (MV) por hectare (ha). Apresenta porte médio (1 a 1. e seu pastejo ocorre aos 45-50 dias após a emergência. adaptada para produção de massa em sistemas de plantio direto. o milheto vem sendo cultivado apenas no resíduo de adubação dessas culturas. A BN-2 é um cultivar indicado para plantios tardios ou na safrinha. PRINCIPAIS CULTIVARES No Brasil.. conhecido também como pasto italiano. o número de cultivares de milheto é reduzido. 1999). boa produção de sementes. 68 .

ADR 300 e ADR 500: Cultivares de porte uniforme. 8. (1999) avaliaram as três culturas plantadas no final de fevereiro e encontraram valores para produção de matéria seca por hectare em kg/ha de 8.1tMS/ha e 810kg/ha de grãos na maturação fisiológica.ENA 1: Cultivar oriundo a partir de três cultivares de origem cuja seleção visou à produção de palha e de grãos em solos de baixo teor de matéria orgânica. 300.680.600kg/ha de grãos na maturação fisiológica. quando cultivado em safrinha. Em plantios efetuados na UFRRJ sem adubação e na estação das águas. Heringer e Moogen (2002) estudaram a resposta do milheto sob pastejo com aplicação de níveis crescentes de nitrogênio (0.100 e 5. sendo que a ADR 300 apresenta ciclo precoce (92 dias até a colheita) e a ADR 500 tem ciclo tardio (100 dias). época de semeadura. 150. fertilidade do solo.760. Bogdan (1977) cita produções variando de três a 20 toneladas (t) de matéria seca (MS) por hectare (ha). para milheto. 7tMS/ha e 2. o milheto pode produzir. sem adubação. Kichel et al. O aumento na produção de matéria seca em resposta aos níveis crescentes de N demonstra que o N do solo não atende ao potencial de crescimento da planta. 450 e 600kg de N/ha). A produção de matéria seca apresentou relação quadrática com os níveis de N. 4. que apresentam boa produção de grãos (1500 – 2300kg/ha) e de matéria verde (29 – 52t/MV/ha em três cortes) e maior resistência às doenças. assim. A eficiência de utilização do nitrogênio (kg 69 . nas mesmas condições. dependendo da época de plantio. respectivamente. citado por Scaléa (1998). respectivamente. produziu 11. 2. sendo que rendimentos de 7 a 10tMS/ha podem ser aceitos como valores médios em campos experimentais e/ou fazendas bem-manejadas. sem aplicação de fertilizantes e sem irrigação. solo. PRODUÇÃO A produção forrageira varia em função das condições climáticas. Os dois cultivares estão sendo recomendados para produção de massa e grãos. que possui alta taxa de crescimento e alta demanda por nitrogênio. milho e sorgo. com ganhos em produtividade. milho e sorgo no período de safrinha.3tMV/ha na floração. estádio de desenvolvimento e cultivar utilizado. produziu 32tMV/ha na floração. de 20 a 70t de matéria verde (MV) por hectare. Segundo Bonamigo (1993). A ENA 1 é sensível à ferrugem (Puccinia substriata). intervalo entre cortes. NPM-1 (Nebraska Population Millet): É uma população de polinização aberta oriunda do programa de melhoramento da Universidade do Nebraska – USA. principalmente à ferrugem. No plantio das secas. dependendo do clima. mostrando. adubação e cultivares. Para comparar a produção do milheto. CMS-3: É uma população de polinização aberta oriunda do programa de melhoramento da Embrapa Milho e Sorgo. variando de 8862 a 17403kg/ha para os níveis de 0 a 450kg de N. que o milheto pode substituir o milho e o sorgo.

27% de metionina. Burton (1972) também encontrou maiores quantidades de proteína e extrato etéreo para o milheto quando comparado com milho.de matéria seca/kg de N aplicado) apresentou relação linear negativa. (1995). e a globulina 20%. sendo. A proteína do milheto pode variar de 9 a 21% dependendo do cultivar. 300.49 (Rostagno et al. O extrato etéreo do grão de milheto é composto por 75% de ácidos graxos insaturados e 24% de saturados. a diferenças no solo e nos tratos culturais (adubação. sorgo e arroz. extrativo não nitrogenado e carboidratos não fibrosos. na Índia. Pode-se observar também (Tabela 1) que o milheto apresenta maiores teores de fibra em detergente neutro (FDN). 5. 60. os teores de proteína e extrato etéreo encontrados para o grão de milheto são maiores que o milho e o sorgo. fertilização nitrogenada. menores teores de amido que o milho. Das diferentes proteínas do milheto. O grão de milheto é considerado um concentrado energético por apresentar menos de 18% de fibra bruta e menos de 20% de proteína bruta.4 a 70. trigo. a energia metabolizável do grão de milheto para ruminantes é de 3. Andrews e Rajewski (1995) relatam que. celulose e lignina e menores teores de hemiceluloses. Apesar de apresentarem. A proteína do milheto possui 0. e 89% de digestibilidade. Jain e Bal (1997) relatam que. 450 e 600kg de N. data de plantio) e a condições ambientais (temperatura e disponibilidade de água).18% para lisina e metionina. De acordo com Hadimani et al. (1998).24 e 0. variedades tradicionais produzem de 300 a 500Kg/ha.37% de lisina e 0. em média. sob condições ótimas de cultivo. enquanto os híbridos alcançam produções entre 1300 e 2400Kg/ha. 20 e 14kg de MS/kg de nitrogênio para os níveis de 150. possuindo 8% a menos de energia quando comparado com o milho. A composição química dos grãos de milheto. (2006). respectivamente. De acordo com Terril et al. sendo este conjunto de fatores responsável por uma redução da energia do grão de milheto quando comparado com o milho e o sorgo. Para a produção de grãos. em média.02 Mcal/kg. valores superiores aos do milho. 2000). de acordo com Valadares Filho et al. Estas variações estão relacionadas ao cultivar utilizado. COMPOSIÇÃO QUÍMICA E VALOR NUTRITIVO O valor nutritivo do milheto para os ruminantes não é constante. Isto ocorre devido a variações da composição química. os valores foram 46. podendo ser considerada uma proteína de boa qualidade. que são 0. De acordo com a Tabela 1. o teor de amido do grão de milheto variou de 57. respectivamente. a produção de grãos pode saltar para 5000kg/ha. 23. milho e sorgo. estão apresentadas na Tabela 1. entretanto os cultivares mais utilizados atualmente estão por volta de 12%. fibra em detergente ácido (FDA). percebe-se que alguns cultivares apresentam teores 70 ..3%. a prolamina constitui 40%.

21 6.17 14.95 13. (2006).13 4.19 59.07 FDN (%) 15.08 9. quando comparado com o milho.23 0. O grão de milheto contém.25 Celulose 27.54 3.43 35.27 FDN (%) 60. óleo e fibra e menores teores de amido.73 Proteína bruta (%) 10. Como o grão é pequeno.47 Hemiceluloses (%) 7. Os teores de Ca e P são baixos e semelhantes aos encontrados no milho e sorgo. Tabela 1.04 0.96 1.90 9. 71 . Composição química do grão de milheto. em média.73 4.55 Lignina (%) 1.muito próximos ao do milho (70%).21 80.55 9. e o embrião forma uma proporção muito maior do grão total.08 Extrativo não nitrogenado (%) 68.86 74. 2Valadares Filho et al.10 64.25 Fonte: Valadares Filho et al.03 14.35 4. 17 de embrião e 8% de casca.50 9.20 Fonte: 1Guimarães Júnior (2003). Parâmetros 82 dias1 81 a 100 dias2 70 dias3 90 dias3 Matéria seca (%) 27.64 Proteina bruta (%) 13.03 P (%) 0. dessa forma muito ainda pode ser feito em relação ao melhoramento genético do milheto a fim de aumentar seu teor energético.47 FDA (%) 33.18 Lignina 4. Composição química da planta inteira de milheto em diferentes idades.31 Ca (%) 0.10 Carboidratos não fibrosos (%) 64. Não foi descrita a presença de taninos nos grãos de milheto em diferentes variedades analisadas (Kumar.55 1.58 35. Tabela 2.92 73. Parâmetros Milheto Milho Materia seca (%) 88. 3Amaral (2003). de milho e de sorgo. maiores teores de proteína. o grão de milheto apresenta.84 9.64 74.76 68. Sorgo 87.83 Hemicelulose 29. 75% de endosperma.93 13.30 71.11 Extrato etéreo (%) 5.37 87.62 3.41 Celulose (%) 4. 1999).75 22.13 0.95 35.00 4. (2006).35 3.98 FDA (%) 7.28 A composição química da planta inteira de milheto em diferentes idades está apresentada na Tabela 2. em média.16 NDT 76.47 87.33 Digestibilidade da MS 55.24 Energia bruta (Mcal/kg) 4.75 10.99 68.05 0.

Os híbridos BMR podem melhorar a qualidade da forragem.06 e 43. com as maiores intensidades de luz e temperatura e com maior fotoperíodo no verão – portanto. 70 e 80 dias de crescimento. respectivamente. Cherney et al. Guimarães Júnior (2003) encontrou valor médio de 33. Bonamigo (1999) também encontrou valores semelhantes de FDN em folhas (62. Com o intuito de melhorar essa característica e. Pereiral et al. (2004) encontraram valores de FDA que variaram de 35 a 45% com o avançar da idade da planta. (1999) relatam valores de 23. 50. A lignina limita a extensão da degradação da forragem nos ruminantes. Os valores de FDN descritos para planta de milheto. aumento de 4% na digestibilidade in vitro da matéria seca e aumento da ingestão de matéria seca comparando híbridos de milheto BMR e normal. muitos estudos têm sido realizados com híbridos mutantes portadores de nervura marrom (BMR). da primeira para a quarta época de semeadura.74%. avaliaram quatro épocas de semeadura (intervaladas de 20 dias). trabalhando com três diferentes cultivares de milheto plantados no período de safrinha em sucessão à cultura do feijão. Esse comportamento provavelmente decorre do fato de que. respectivamente. Os teores de FDN e FDA médios dos cultivares variaram de 70.5%.56% a 66. 72 .52% no teor de MS. menor concentração de ácido p-cumarico e/ou maior concentração de xilose. esta possui menor relação molar siringila/guaiacila. melhorar a digestibilidade da forragem.5 a 7.4 a 19. pois possuem menor concentração total de lignina. valores acima de 55-60% de FDN correlacionam-se negativamente com o consumo de matéria seca.13% na FDA. porém mais fibrosa. (1990) encontraram redução de 23% no teor de lignina. FDN e FDA.58% de FDA para planta de três diferentes genótipos de milheto aos 82 dias de idade. redução linear média diária de 0. Amaral (2003). Os teores de lignina na planta de milheto podem variar de 1. maior evapotranspiração –. (1993) encontraram 68% de FDN para a planta com idade de 64 a 84 dias.5%) e caules (67. Benedetti (1999) encontrou valores entre 8 e 9.9%). Além de menor teor de lignina. De acordo com Van Soest (1994). De acordo com Van Soest (1994). aumento linear médio diário de 0. os teores de FDA estão diretamente relacionados com a digestibilidade da forrageira.33% para o milheto aos 82 dias. há maior produção de MS. As variações nos teores de proteína encontrados estão relacionadas principalmente com o período fonológico da planta e com a adubação nitrogenada realizada. quando semeados tardiamente. (2000).03% na PB. 15. Maia et al.8%.19% na FDN e de 0. 13 e 11% de proteína bruta para a planta inteira de milheto colhida com 30. variam de 60 a 70%. SchefferBasso et al. sendo esta maior quanto menor for o teor de FDA.71 e 37. em média. Foi concluído que os cultivares de milheto apresentaram melhor valor nutritivo como planta forrageira.Kickel et al. com percentuais de MS que variaram de 15. encontrou aumento linear médio diário de 0. Guimarães Júnior (2003) encontrou valor médio de 4. trabalhando com três diferentes cultivares de milheto em diferentes idades de corte. assim. em função do menor teor de fibras.2% de PB para o milheto plantado no período de safrinha.

0%) e farelo de soja (6%). o milheto não contém taninos que interferem na digestibilidade (Kumar.Lam et al. o milheto BMR apresentou redução de 20% no teor de lignina e aumento de 10% na digestibilidade in vitro de matéria seca. 6.2% para dietas com milho. 88.2% para o milheto normal. Além da idade da planta. superior ao sorgo em teor e qualidade da proteína. Consequentemente. que são os principais monômeros envolvidos na ligação entre a lignina e as hemiceluloses.8%) e farelo de soja (2. Foi concluído que o grão de milheto apresentou maior teor proteico. citados por Kumar (1999).6 e 76. e a digestibilidade e o teor de proteína diminuem. eficiência relativa da proteína e níveis de energia metabolizável. melhor equilíbrio de aminoácidos essenciais e energia líquida 4% maior. (1984).3% para o milheto BMR e 61. após 24 horas de incubação.3.8%) e exclusivamente de milheto (79%). sorgo branco e sorgo vermelho. a degradação ruminal da matéria seca. Christensen et al. Dessa forma. pelo menos. Ao contrário do sorgo.0 e 69. as quais apresentavam em média 12% a mais de digestibilidade que as silagens americanas. UTILIZAÇÃO DE GRÃO DE MILHETO O milheto é. de um modo geral. menores concentrações de ácidos ferúlico e p-cumarico. realizaram estudos sobre o potencial do milheto nos Estados Unidos e demonstraram que novilhos alimentados com dietas à base de grão de milheto apresentaram ganhos semelhantes aos alimentados com sorgo. outro fator que influencia muito na qualidade do milheto como forragem é a época de plantio. 1999).9. (1996) encontraram digestibilidade in vitro da matéria seca de 73. para milheto. as alterações estruturais da planta ocorrerão mais rapidamente e seu valor nutritivo também reduzirá mais rapidamente. os teores de MS e fibra da planta aumentam. (1993). Os valores de NDT foram 73. sorgo (76. Com o avançar da idade da planta. milho e sorgo em dietas para bovinos. A digestibilidade da matéria seca e a da parede celular foram menores para a dieta com milheto. mas a digestibilidade da proteína e a do extrato etéreo foram superiores à dieta com sorgo e semelhantes à dieta com milho. Todas as dietas possuíam 20% de casca de amendoim como volumoso. sorgo e milheto. menor será seu ciclo produtivo. equivalente ao milho e. De acordo com Cherney et al. fato que foi comprovado por maior tempo de pastejo e maior desfolha deste. Foi concluído que o grão de 73 . As dietas foram milho (73. Cherney et al. Hill e Hanna (1990) realizaram um estudo para comparar grãos de milheto.9%. (1990) também observaram preferência dos animais em pastejar o milheto BMR. Van Soest (1994) concluiu que o gene BMR foi responsável por um significativo aumento no valor nutritivo das silagens de milho europeias. (1988). no milheto BMR. respectivamente. respectivamente. é essencial realizar a análise bromatológica da forragem para o correto balanceamento da dieta. 69. Estes autores também encontraram. De acordo com Kishore et al. pois quanto mais tardio for este plantio. foi 84.

02 3. com base no teor de amido.50 PLC 23. Foi concluído que o milheto pode substituir o milho no concentrado sem prejuízo na digestibilidade dos nutrientes e no desempenho (ganho de peso. 80.28 19. (1997) substituíram 0. Os níveis de milheto nas rações testadas foram 0.0. 25/75 e 0/100 da relação amido de milho/milheto. França et al. sobre o desempenho e os parâmetros ruminais de vacas Holandesas com 90 dias de lactação em média.79 23.8kg/d). foram semelhantes. 33. Ribeiro et al.4% de concentrado e 48. (2004). Leão (2002) testou diferentes níveis de substituição do grão de milho por milheto em dietas de novilhos confinados.08 3.18 25. 49. 50/50. Hill et al. 23.11 % de proteína 3.53 18.96 % de gordura 3. produção de leite (24.30 24.21 Fonte: Ribeiro et al.97 18.52 3.milheto pode substituir grão de milho e sorgo nas dietas. mas que estas devem ser formuladas para utilizar eficientemente a alta quantidade de proteína no milheto em substituição à proteína suplementar. consumo de matéria seca e conversão alimentar) de bovinos.61 24. Tabela 3.3% com base na matéria natural.34 3. Não foram encontradas diferenças no consumo de matéria seca. Em um estudo realizado em Goiás.41 3.0 e 96. 66 e 99% do milho por milheto na ração de cabras leiteiras.11 25.0.49 24. O teor e a produção de gordura e a produção de proteína do leite também não foram diferentes entre os tratamentos. (1996) determinaram que o valor energético do milheto estava entre 85 e 90% do milho. Não houve diferença entre os tratamentos na concentração de acetato. ocorrendo efeito linear negativo na concentração de N-NH3 com o aumento do teor de milheto. A substituição de milho por milheto não alterou o desempenho de vacas Holandesas em lactação (Tabela 3).22 23. Influência da inclusão de milheto sobre a produção e composição do leite.6% de volumoso. ácidos graxos voláteis totais e pH ruminal. Os tratamentos foram 100/0.6kg/d) e de leite corrigido para 3. A dieta das vacas foi composta de 52. propionato.89 18. 74 .0. nos diferentes tratamentos. Poucos estudos existem na literatura com a utilização de grão de milheto relacionada à produção de leite.5% de gordura (23.04 2.00 3. A produção de leite e o teor de gordura do leite dos animais. Itens 0% 25% 50% 75% 100% Consumo de MS 19. (2004) avaliaram o efeito da substituição do grão de milho pelo milheto.52 Produção de leite 24. 75/25.39 3.06 24.

fase em que a braquiária ainda se encontra com baixa produtividade. O milheto é cultivado após a colheita da cultura principal. Dessa forma. Na região Sul. 1988).. retirando os animais quando houver rebaixamento para 20 a 30cm do solo. principalmente para forrageiras do gênero Brachiaria.17 a 1. a pastagem estará formada ou recuperada (Kichel et al. obteve-se de 1400 a 2300kg NDT. No entanto. a pastagem deverá ser pastejada sempre que atingir 50 . MILHETO PARA PASTEJO No Brasil. do outono até o início do inverno. o que proporcionará um período de pastejo que poderá variar de 80 a 120 dias. No caso de pastejo rotativo. o milheto tem sido cultivado em duas épocas: após a cultura de verão e no final do inverno/início da primavera.7.. 1992). 75 . o milheto possibilita o uso da área de pastagem recuperada já a partir dos quarenta dias após o plantio. o milheto deveria ser utilizado em pastejo rotativo.36 kg). 1997).. podem-se atrasar as aberturas dos silos e aumentar a produtividade da propriedade. quantidades superiores à fornecida pelo sorgo e pelo capim-sudão (Andrews e Kumar. Moojen et al. Pode atingir uma produtividade de 2 a 5@ de carne/ha.decumbens (Kichel et al. Por ser uma planta de porte ereto. (1994) verificaram pesos superiores aos 213 dias (152. é necessário que se mantenha uma lotação capaz de consumir o crescimento da forragem e mantê-la numa altura entre 20-30cm.70cm de altura.71kg) para bezerros desmamados aos 101 dias e submetidos à pastagem de milheto (com 41 dias) quando comparados a bezerros mantidos ao pé da vaca em pastagens naturais do nascimento até a desmama com 213 dias (128. visando garantir pesos semelhantes aos de bezerros submetidos à desmama tradicional. Desde que se mantenha um controle da lotação. que permita disponibilidade de matéria seca de 2000kg/ha ao longo de toda estação de pastejo. Outra alternativa para a utilização do milheto seria para a implantação e recuperação de pastagens. quando ocorre a maior deficiência de forragem no Brasil central. associado à desmama precoce (90 a 100 dias de idade) de bezerros. podem-se atingir ganhos de peso diários de 0. Deve-se dar um período de descanso de 18 a 24 dias (Kichel et al. para ser utilizado em pastejo por um período de 40 a 60 dias. entre seis e oito meses de idade.brizantha e B. 1999). a grande plasticidade da planta faz com que apresente boa performance em pastejo contínuo. Faz-se a semeadura da braquiária consorciada com o milheto na primavera ou no início do período das águas. Devido ao seu crescimento rápido. tais como B. o milheto tem sido utilizado sob pastejo. 1999). Para que se obtenha um bom controle do pastejo.47kg/animal/dia (Hillesheim. Após o ciclo vegetativo do milheto. possibilitando a vedação de parte das pastagens perenes da propriedade para serem utilizadas de julho a setembro. Em pastoreio rotacionado.

A amostra de milheto apresentava 18.00kg de ganho de peso por dia com restrição ou não do concentrado. 259 e 9kg/ha. 4 . (2004) determinaram a degradabilidade in situ de algumas gramíneas sob pastejo continuo (Tabelas 4 e 5).175kg/dia) e coastcross-1 (0.Dorow e Quadros (1994) avaliaram o efeito de diferentes sistemas de alimentação pós-desmama (milheto. 76 . 11.012kg/dia).26% de PB e 61. sendo o mesmo comportamento observado para ganho de peso/hectare (344.14% de MS. Prado et al. Dactylis glomerata L. respectivamente).275kg/dia). Juntamente com a aveia preta. Foi observado também maior valor para a taxa de gradação (c) 3. a oferta de material disponível para consumo (folhas e caules tenros) era. Leeke) com 0. porém superiores aos de bezerras mantidas em pastagens nativas (0. Pode-se observar que a aveia preta e o milheto apresentaram as melhores degradações efetivas da matéria seca para as taxas de passagem de 5 e 8%/hora. pangola ou pastagem natural) sobre o desempenho de bezerros desmamados aos 90 dias.203 e 0. A disponibilidade (3190kg de MS/ha) e a qualidade (12. capim-elefante (0.5% de PB e 61. e a aveia preta a cada 14 dias. O milheto apresentou maior fração solúvel.Poa pratensis L.100kg/dia). capim-elefante e milheto comum) sobre o desempenho de bezerras submetidas à desmama precoce (94 dias e 84kg de peso vivo).187kg/dia) e pastagem natural (0.380kg/dia). em média. o milheto apresentou maior degradabilidade efetiva para a taxa de passagem de 8%. As amostras de milheto. coastcross-1. (1997) também avaliaram o efeito de pastagens de verão (pastagem nativa. 353.509 e 0.38% de FDN. Durante 96 dias de observação. 2 . entretanto. em 83 dias de experimentação.Pennisetum americanum L. Os ganhos médios diários das bezerras mantidas em pastagens de milheto (0.. capim-mombaça e estrela roxa foram colhidas a cada 28 dias. Leeke) e com dois níveis de concentrado (ad libitum e restrito a 1% do peso vivo). Os pesquisadores consideraram excelentes os resultados atingidos no pastejo de milheto mesmo com restrição do concentrado. maior taxa de degradação e maior degradabilidade efetiva da matéria seca e fibra em detergente neutro em relação à grama estrela roxa e capim-mombaça. Os melhores resultados para ambos os níveis de concentrado foram no pastejo de milheto (Pennisetum americanum L.controle . respectivamente.7%/hora.Trifoliurn repens L. O consumo de forragem não foi limitado pela disponibilidade. Trifoliurn repens L. enquanto nas outras se situou próxima de 50%. houve diferenças quanto à composição das pastagens. em quatro sistemas de pastejo com diferentes forrageiras (1. seguidos pelos mantidos em pastagens de pangola (0. 3 Festuca arundinacea Schreb. Nas pastagens de coastcross-1 e milheto.9% de digestibilidade in vitro da matéria orgânica) da forragem foram apontadas como fatores responsáveis pelo desempenho superior dos bezerros mantidos em pastagem de milheto. Muhelman et al. os animais pastejando milheto apresentaram os maiores ganhos diários (0.84 e 1.314kg/dia) foram semelhantes. Harvey e Burns (1988) avaliaram o desempenho de bezerras cruzadas. superior a 70%. com peso médio de 150kg.

39%).8c 14.Tabela 4.0a 41.1b 29. Foi observada uma redução na porcentagem molar de butirato no rúmen de vacas 77 .7d 15.1bc 24.7a 26.9 1.0a Mombaça 1. taxa de degradação (c) e degradação efetiva (DE) da fibra em detergente neutro (FDN) das gramíneas para taxas de passagem de 2.6a 23.3ab 18bc b (%) 58.9a Estrela roxa1 9.3a 2.2b 47. (1965) compararam o milheto. 1 Clark et al.7 1. 20 e 20kg/dia).9a 20.5b 3.5a 29.12 vacas/ha/dia) ou produção de leite por vaca (19.6a 31.3b 63.8b 66.2d 11. (2004).91%) em comparação com o capim-sudão e o híbrido de sorgo com capim-sudão (3.85.2a 32.7a 30.4d 18. (1969) também compararam o pastejo de milheto com o capim-sudão.8c DE (%) 5 (%/h) 52. 5 e 8%/hora. Bucholtz et al. Fonte: Prado et al.67 a 4. Médias na mesma coluna seguidas de letras diferentes diferem entre si pelo teste Tukey a 5% de probabilidade. Fração solúvel (a) e potencialmente degradável (b).1b 34.1d 38.2b 41.4a 55.22 a 4. DE (%) Gramíneas a (%) b (%) c (%/h) 2 (%/h) 5 (%/h) 8 (%/h) Aveia preta 16.6c 1.7a 39. Fonte: Prado et al.7a 13. Fração solúvel (a) e potencialmente degradável (b). Entretanto.7b 54.8b 2 Estrela roxa 5.8b 28.3b Milheto 8.7ab 59. 2Estrela roxa no verão (entre novembro e fevereiro).1c 3. ocorreu um menor teor de gordura no leite das vacas pastejando milheto (2. 2Estrela roxa no verão (entre novembro e fevereiro).5c 59. Não foram observadas diferenças nas produções de leite das vacas no pastejo de milheto (17. Médias na mesma coluna seguidas de letras diferentes diferem entre si pelo teste Tukey a 5% de probabilidade. capim-sudão e um híbrido de sorgo com capim-sudão em experimento de pastejo com vacas em lactação durante um período de três anos de avaliações.0d 16.9kg/dia). 5 e 8%/hora.9b 40.32%).2b 25.6b Estrela roxa no inverno (entre maio e outubro).5 2. (2004).0a 73.4 2 (%/h) 65.2b Estrela roxa no inverno (entre maio e outubro). avaliando a performance de vacas Holandesas.1a c (%/h) 2.30t de MS/ha).6ab 40.80%) quando comparado com capim-sudão (3.9b 44. Ocorreu um menor teor de gordura no leite dos animais pastejando milheto (2.4a 26.0b 41. Gramíneas Aveia preta Estrela roxa1 Estrela roxa2 Milheto Mombaça 1 a (%) 31.6a 49. Tabela 5.1ab 1. As pastagens não diferiram quanto à produção de matéria seca (2.7a 32.8kg/dia) e capim-sudão (17.3kg de concentrado/dia em média. Os animais foram suplementados com 6.7c 18.0b 8 (%/h) 46.9 3. taxa de degradação (c) e degradação efetiva (DE) da matéria seca das gramíneas para taxas de passagem de 2.5c 22. capacidade de suporte (6.

(2005) não observaram esse efeito.28% de fibra em detergente neutro (FDN). O pastejo do milheto ocorreu quando as plantas apresentavam 40cm de altura.1kg/dia) e os teores de gordura (3.95%) do leite foram semelhantes entre os animais pastejando milheto ou tífton 85. (1994) analisaram silagem de milheto feita com plantas colhidas acima de 12 semanas de idade e encontraram os seguintes valores: 29.4% para o milheto.92% de PB. já que esta tende a ser mais econômica que a baseada somente na suplementação. 1990). boa capacidade de rebrota. 78 . entretanto isso não ficou provado. o pastejo de milheto promoveu redução do teor de gordura no leite. Os valores de proteína bruta e digestibilidade in vitro da matéria orgânica encontrados foram 12. Kichel (1999) comparou silagens de milheto.46% de fibra em detergente ácido (FDA). o milheto pode substituir o milho e o sorgo com ganhos em produtividade e qualidade quando cultivado em safrinha ou tardiamente. Os animas em pastejo receberam em média 6kg de concentrado. O consumo de matéria seca (19kg). Alguns autores levantaram a hipótese de mudanças nas proporções de ácidos graxos voláteis no rúmen (aumentando o propionato e reduzindo o acetato).pastejando milheto. Além disso.0% para o sorgo. após a colheita da cultura principal (Andrade e Andrade. Segundo Kichel et al. Freitas (1988) sugere o aproveitamento do milheto para melhorar a oferta de forragem com maior qualidade. Pode-se perceber que. (2005). (1999). e os pastos de verão no país. milho e sorgo plantados em período de safrinha (final de fevereiro).. 1993).32% de FB.0% para o milho e 7. esta cultura possui características de estabelecimento fácil e rápido.21% de MS. 34. 8. 1982. Os animais em pastejo produziram 19% a menos de leite que os animais confinados. o milheto é uma alternativa interessante para produção de silagem em regiões com problemas de veranico ou seca ou em plantios de sucessão ou safrinha. mas com um custo de alimentação 50% menor. As proporções molares de acetato e propionato não diferiram entre os dois tratamentos. 25. Experimentos mais atuais com o de Fontaneli et al.0% e 53.65%) e proteína (2. Roy et al. 66. O milheto pode ser utilizado como uma fonte nutricional importante na pecuária de leite a pasto. de acordo com alguns experimentos realizados nas décadas de 60 e 70. são de baixa digestibilidade e valor energético.. A performance de vacas em dois sistemas de pastejo (milheto e tífton 85) ou confinadas foi avaliada por Fontaneli et al. Pereira et al. a produção de leite (25. 16. 7. para a produção de silagem.8% e 60. bem como boa palatabilidade (Khairwal et al.0% e 58. SILAGEM DE MILHETO Em função da sua rusticidade e adaptação a plantios de fim de verão e princípio de outono. ensilados em maio e analisados após 60 dias. como um todo.

(2001). Ward et al. O milheto e o sorgo forrageiro foram ensilados com 45 dias (antes do florescimento).01a 2.64%. A composição química das silagens pode ser observada na Tabela 6.04% de FDN. 32. avaliando três cultivares de milheto submetidos a duas idades de corte para produção de silagem.57%.carboidratos solúveis em % da MS. Foram utilizadas novilhas Holandesas com peso médio de 245kg. milheto e milho.28% de MS.02%).77b 34.06%. nitrogênio amoniacal em relação ao nitrogênio total de 8. Itens Matéria seca (%) Proteína bruta (%) FDN (%) FDA (%) CS (%) pH Sorgo forrageiro 21.22c 32. 1986).23% de NDT. Ainda neste trabalho. (2001) avaliaram a composição química e a digestibilidade das silagens de sorgo forrageiro.36%. Quanto à qualidade da silagem.90b 60.92kg de MS e 2.85%.96b 4. 23. FDA e digestibilidade in vitro da matéria seca (DIVMS) das silagens após 56 dias de fermentação foram. e o milho foi ensilado no estágio de metade da linha de leite (95 dias). encontrou teores de MS variando de 23.96b Médias seguidas por letras minúsculas distintas significam diferença estatística em uma mesma linha (p<0. As novilhas alimentadas com silagem de milheto consumiram 4.Para silagem de milheto.25% de FDA.53 a 34.94b 6. (1993) e Roy et al. Entretanto. 8.09b Milheto 26. (1994) encontraram pH de 4. Tabela 6. foram obtidos teores médios de pH de 3.34b 14. Guimarães Jr.83 a 2.3. CS .48a 8.78.47kg de matéria seca digestível. 10. respectivamente.25c 55. sendo este indicado como uma boa opção para produção de silagem no período de safrinha. milheto e milho. enquanto Bishnoi et al.83 a 38.. Fonte: Ward et al.44 %. 26. mas a ingestão de matéria seca digestível não variou para as diferentes silagens.75% e baixos valores de ácido acético (< 2%) e butírico (0. FDA de 37. FDN.49ª 3. PB de 8. (2003) avaliou a qualidade e o perfil de fermentação de silagens de três genótipos de milheto (CMS-1.67b 4.62. Amaral (2003).46%. A digestibilidade da silagem de milheto foi de 51.97c 12.43%. a silagem de milheto possui. PB.06% e 54. 73.58 a 3. BRS-1501 e BN-2) plantados na safrinha. 4.47 a 10.50a Milho 30. 38.95ab 1. para as silagens confeccionadas aos 70 e 90 dias. 1984. De acordo com a Tabela Brasileira de Composição de Alimentos para Bovinos (Valadares Filho et al. os valores médios de pH variaram de 3.53 até 5. Os teores médios de MS.36a 58.1.04% de PB. e nitrogênio amoniacal em porcentagem do nitrogênio total de 1. Machado Filho e Muhlbach (1986) encontraram valor de pH de 4. citados por Machado Filho e Muhlbach. em média. 54.68a 36. Composição química das silagens de sorgo forrageiro. Tal experimento demonstrou o bom valor nutritivo e a qualidade da silagem de milheto. 2006).29%.05).06%.26% de lignina e 60. foram relatados valores de pH de 3. 79 .58 a 75. As novilhas alimentadas com silagem de milheto consumiram mais matéria seca.91 (Figueiredo e Muhlbach.28% de extrato etéreo (EE). 3. FDN de 72. para silagem de plantas colhidas no estádio de grão pastoso.

51. CMS-3). 1993). 12% de PB.2 e 35.75%.3% e 8.5 e 38. o pesquisador encontrou valores médios de 45.0 e 61.92.2% de lignina.3 e 22.76 e 40. demonstrando a necessidade de maiores estudos relacionados ao momento de colheita para a produção de silagem. Os materiais foram ensilados com 100 dias de idade.2. A degradabilidade efetiva da matéria seca média das silagens para as taxas de passagem de 2.4 e 57. O milheto produziu uma vez e meia a duas vezes mais MS que o Sudax. A composição química das silagens pode ser observada na Tabela 7. As silagens foram realizadas quando as plantas possuíam 53 dias de idade.7 e 61.8% de MS.4. 15 e 16. No estágio farináceo. 48 e 96 horas. respectivamente.25% para as digestibilidades da PB. A silagem de milheto apresentou pH de 4. A PB contida no milheto foi significativamente menor no estágio de florescimento. respectivamente. 39. 68. Os resultados indicaram que a digestibilidade da MS não foi diferente para silagem de milheto e a dieta-controle. A composição química das silagens de milheto e sorgo foram 38. Quando se avaliaram a produção e a qualidade da forragem e da silagem do milheto em comparação a variedades de sorgo granífero.3% para a degradabilidade da matéria seca nos tempos de 24. FDN e FDA. Os consumos de matéria seca das silagens foram semelhantes (8. Grupos de seis vacas foram submetidos a uma das três dietas por um período experimental de 64 dias.6 e 6.8% de FDA e 6. respectivamente.5kg de MS/dia).4% de MS.5% de FDA. sorgo forrageiro e um híbrido de sorgo e capim-sudão (Sudax) colhidos em diferentes estágios de crescimento. 5 e 8%/hora. (1985) avaliaram o valor nutritivo das silagens de milheto e sorgo com novilhas Holandesas de 325kg de peso médio.4% de FDN. a produção de matéria seca foi maior. silagem de milheto ou alfafa mais silagem de milho (dietacontrole). 69. mas foi similar às outras culturas no estágio leitoso e farináceo. As silagens apresentaram valor médio de 57. Guimarães Júnior (2006) realizou uma avaliação nutricional das silagens de três genótipos de milheto (BRS-1505. Messman et al. Objetivando determinar os efeitos da substituição da silagem de ervilha/triticale ou silagem de milheto pela silagem de milho mais alfafa para vacas no meio da lactação.9% de PB. A silagem de milheto utilizada apresentava 23.1% para MS. Os 80 .7% para as taxas de passagem de 2. o sorgo granífero e o forrageiro. As silagens não diferiram quanto à digestibilidade aparente da matéria seca e apresentaram valor médio de 47. os resultados mostraram que o milheto produziu mais forragem e silagem que o Sudax. No experimento de degradabilidade in situ. e os sorgos granífero e forrageiro produziram também mais silagem e apresentaram maior concentração de cinzas que as outras culturas.9 e 61. NPM-1. respectivamente. 11.6% de FDN e 42. (1992) alimentaram 18 vacas Holandesas com dietas à base de silagem de ervilha/triticale.3 e 31.6.3 e 60.Jaster et al.5. 66. As degradabilidades das frações fibrosas foram baixas. e o milheto e o sorgo forrageiro produziram significativamente mais matéria seca que as outras culturas.1% para FDN e 65.0% para FDA. 39.5%.8 e 40. Os valores para pH indicaram que todas as silagens foram adequadamente fermentadas (Bishnoi et al.8%.. 40. Os valores de digestibilidade das silagens de milheto e sorgo foram 64. e a de sorgo 4. A degradabilidade efetiva da FDN e a da FDA média das silagens foram 24.2 e 18. 5 e 8%/hora foi de 47.

71 3.86 9. energia digestível e energia metabolizável (Kcal/kg). ou armazenado no campo em medas. sendo o material triturado e ensacado ou a granel.componentes fibrosos da silagem de milheto foram mais digestíveis que a dietacontrole.79 3.6 23.04 3855. quando a planta encontra-se totalmente seca.45 FDN (%) 70.70 39. Genótipos Parâmetros BRS-1501 NPM-1 CMS-3 MS (%) 21.99 PB (%) 11.83 10.8 3.75 NH3/NT (%) 11.24 9.73 11.02 FDA (%) 37.44 PLC 4% . o que contribuirá para redução das perdas por mofo ou apodrecimento.59 3. devido a sua menor lignificação.2 21. que é seca naturalmente a campo.84 31.4 Hemiceluloses (%) 32. ROLÃO Rolão é o nome que se dá à planta inteira de milho.2 24.produção de leite corrigida para 4% de gordura.78 37.21 Energia metabolizável (kcal/kg) 1254. Amaral (2003) não 81 . Tabela 7.77 1838.97 Energia bruta (kcal/kg) 3792.8 Produção de leite 25. Itens Ervilha+Triticale Controle Consumo de MS 22. Tabela 8.67 3.17 pH 3.28 22. energia bruta.1Kg/dia). cobertas por lâmina de polietileno (lona plástica).22 71. sorgo ou milheto.65 Lignina (%) 1.71 39.06 37.83 3825.97 8. e 22.1 % de gordura 4. expressas na matéria seca.51 31.25 Fonte: Guimarães Júnior (2006). Milheto 19.92 2.54 71. Fonte: Messman et al.36 3. Composição química (%). A época ideal para se preparar o rolão está entre 150 e 200 dias após o plantio.5 PLC 4% 27. A produção de leite corrigida para 4% de gordura (Tabela 8) foi semelhante entre a silagem de milheto e a dieta-controle (21.5 23.3 22. A composição química do rolão de milheto pode ser observada na Tabela 9. fornecendo mais uma alternativa para a alimentação do rebanho durante a seca.18 1608.35 % de proteína 3.29 1268.8.32 Energia digestível (kcal/kg) 1631. (1992).65 1. Também foi observado que o padrão de fermentação da silagem de milheto foi semelhante ao das silagens típicas de milho. O armazenamento pode ser feito em galpões. Performance de vacas alimentadas com diferentes silagens.58 1472.72 20. pH e NH3/NT (%) das silagens de três genótipos de milheto.37 Celulose (%) 35.

P. p. O milheto pode substituir o milho e o sorgo com ganhos em produtividade quando plantado no período de safrinha. Peal millet for food. KUMAR. desde que levados em consideração os níveis de energia.). Agron.recomenda a utilização do milheto na forma de rolão.54a FDA (%) 46. Adv.. pois garante pasto de qualidade até o final do outono. o que permite altos desempenhos e retarda a abertura dos silos.05). para animais de menores exigências nutricionais. K. and forage. uma vez que ele apresentou baixas disponibilidades da matéria seca e reduzido valor nutritivo. de custo mais baixo.30a Médias seguidas por letras minúsculas distintas significam diferença estatística em uma mesma linha (p<0.90-139. 10.Universidade Federal de Lavras.20b 49. Composição química do rolão de milheto submetido a duas idades de corte. ANDRADE.B. CONSIDERAÇÕES FINAIS O milheto grão pode ser utilizado em dietas substituindo totalmente o milho sem que haja perda de desempenho dos animais.48..N. Ind.67-73. esta pode ser uma opção. Fonte: Amaral (2003). 82 .71a FDN (%) 81. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS AMARAL. MG. a utilização do grão de milheto nas dietas pode reduzir os níveis de inclusão de concentrado proteico.A.39. Idade (dias) Itens 160 180 Matéria seca (%) 73. Dissertação (Mestrado em Zootecnia) . 1982. Schum. Produção de silagem de milheto (Pennisetum americanum (L. O milheto pode ser utilizado para pastejo. Anim.67b 85. J. Além disso. entretanto mais informações são necessárias a respeito do momento ideal de ensilagem. Silagem e rolão de milheto em diferentes idades de corte. 2003. 10% em média.) K. D.91b 78..13 Proteína bruta (%) 6. inferiores do milheto. p.. Tabela 9.J. Lavras. Pode-se produzir silagem de boa qualidade. v. 1992. ANDREWS. ANDRADE. Bol. 78f. Entretanto. v.C. por apresentar maior teor proteico que o milho e o sorgo. P. feed.35a 6.

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CEP 56302-970. que são capazes de transformar produtos vegetais em carne. Assim. por se tratar de tema no qual o estado da arte ainda é de prospecção. BR 428. ficou claro que o uso de subprodutos do processamento de frutas é interessante. marcosclaudio@gmail. TO. Entre essas alternativas. leite. na maioria das vezes. seja do ponto de vista ambiental. CE. entre as quais as espécies de ruminantes. Caixa Postal 132. Centro de Ciências Agrárias e Biológicas. Caixa Postal 23. já que a alimentação perfaz até 70% dos custos desta atividade. EMBRAPA Semiárido. Km 152. os estudos científicos são ainda escassos e. Sobral. PE ggla@cpatsa. Km 112. BR 428. As pesquisas têm Professor do Curso de Zootecnia. CEP 56302-970.CAPÍTULO 6 RESÍDUOS DE FRUTAS NA ALIMENTAÇÃO DE GADO DE LEITE Marcos Cláudio Pinheiro Rogério1. normalmente caros. Universidade Estadual Vale do Acaraú. Helio Henrique Araújo Costa5 RESUMO O presente capítulo apresenta dados sobre o valor nutritivo de vários subprodutos do processamento de frutas no Brasil. Universidade Estadual Vale do Acaraú. o setor primário gera toneladas de subprodutos que poderiam ser transformados em produtos (carne. são desenvolvidos apenas com pequenos ruminantes. Sobral. zona rural. CE. zona rural. especialmente nos períodos de estiagem. mesmo aqueles em que não se estudaram as respostas em bovinos de leite. PE 4 Professor Associado da Escola de Medicina Veterinária e Zootecnia. foram apresentados vários resultados.embrapa. Km 152. INTRODUÇÃO O Brasil apresenta grande potencialidade para a criação de diversas espécies animais. Os sistemas de criação de ruminantes normalmente se baseiam em sistemas de produção a pasto. CEP 62040-370. Caixa Postal 23. Rodovia 153.. Bolsista do CNPq. A utilização de diferentes alternativas de alimentos para suprir as deficiências do pasto é muito comum. Petrolina. Araguaína. O uso dos subprodutos do processamento de frutas. helioa. Gherman Garcia Leal de Araujo2. pode levar ao barateamento dos custos de produção de ruminantes. seja do ponto vista bioeconômico. DSc. Por outro lado. em sua maioria constituídos pela vegetação nativa ou de gramíneas. araguaia2007@gmail. destacam-se os grãos de cereais. leite. CEP 62040-370. a custos competitivos quando bem-manejadas.br 3 Zootecnista. especialmente dado o avanço das áreas destinadas à fruticultura no país e incrementos nos sistemas de irrigação. pele e lã. Nos trabalhos revisados. Embora o volume de subprodutos gerados seja considerável. CEP 77804-970.costa@gmail. Centro de Ciências Agrárias e Biológicas. Marcos José Alves3. pele e lã) pelos ruminantes. liberando parcela relevante de alimentos às populações humanas mais carentes. Jose Neuman Miranda Neiva4.com Pesquisador da EMBRAPA Semiárido.com 5 Zootecnista.com 2 1 88 . Petrolina.

aproximadamente 15% do total produzido. destinados ao consumo humano. surgem subprodutos de frutas de origem agrícola. pretende-se dar ênfase aos subprodutos do processamento de frutas disponíveis à alimentação de ruminantes. 1. o que pode vir a dificultar os processos de conservação e uso nas dietas de ruminantes.CNPq. com base em dados da safra 2002/2003. podem trazer benefícios para a composição de dietas de ruminantes. PRODUÇÃO E DISPONIBILIDADE DE SUBPRODUTOS DO PROCESSAMENTO DE FRUTAS O processamento de frutas inclui as etapas desde a produção no campo até o beneficiamento e a origem de produtos. garantindo. Dentre estes. 2005). e subprodutos agroindustriais propriamente ditos. esses subprodutos podem substituir os alimentos forrageiros e mesmo os alimentos concentrados tradicionais. como sucos. No presente trabalho. frutas. que estão sendo avaliados nas diferentes regiões do Brasil. Os subprodutos agroindustriais e os restos de culturas agrícolas são muito variáveis em sua composição. Serão apresentadas suas disponibilidades e potencialidades nas diversas formas de utilização em dietas para ruminantes. polpas. dentro de níveis apropriados. aponta para um desperdício de 32 milhões de toneladas da produção ao consumidor final. maior disponibilidade de alimentos e possível aumento da eficiência de produção. também caracterizados como restos de culturas agrícolas. por exemplo. em sua maioria. Estudos de avaliação e utilização de novas alternativas alimentares como os subprodutos do processamento de frutas. como o milho e o farelo de soja. o desperdício de alimentos ainda é crescente. não apresentam grandes retornos às agroindústrias e muitas vezes podem até representar problemas. Estes tipos de subprodutos. Uma destas estimativas. verifica-se que a magnitude dessas perdas é relevante. como os de ordem ambiental. de um modo ou de outro. ou seja. Do campo até a indústria. Apesar das diferenças existentes entre os números encontrados nas pesquisas para esse desperdício e as estimativas feitas como decorrência da diversidade de metodologias empregadas. em muitos casos. resultantes do beneficiamento industrial. alguns se destacam não só pela alta disponibilidade mas também por suas características bromatológicas muito diferentes a cada produção. doces e compotas. hortaliças e produtos de origem animal (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico . somando grãos. 89 . nas diferentes regiões do Brasil. Ao mesmo tempo em que se alcançam recordes sucessivos na produção agropecuária e o Brasil torna-se um dos maiores exportadores do setor.demonstrado que.

vitaminas e com alto teor de proteína bruta. apresenta produção expressiva no Nordeste e ocupa lugar de destaque entre as frutas tropicais. 1992). caules e raízes) considerado resíduo agrícola (Py et al. e o Brasil é um dos principais centros produtores da espécie. considerando a crescente comercialização da amêndoa e do LCC (líquido da castanha de caju). podendo ser utilizado na alimentação de ruminantes. Boa parte da planta (72%). Estes constituintes podem ser desidratados. beneficiando frutas e fazendo com que aumente a produção de subprodutos agroindustriais que podem ser aproveitados nas dietas de pequenos ruminantes. 2005). pode-se observar o cultivo de uma ampla variedade de espécies frutíferas tropicais. Além de usado ao natural.. o abacate. Do abacaxizeiro. o mamão. empregados na indústria de plásticos. com uma produção de 347. 2003). bastante presente nas regiões Norte. Merr. Em função da presença de tanino em sua constituição (média de 0. 81% estão representados pelo suco e 19% pelo bagaço úmido. tendo. além da polpa de onde se extrai o suco (Oliveira.) é uma das frutas tropicais mais populares do mundo. miolo e aparas.5 mil frutos no ano de 2007 (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística . destacando-se o abacaxi. 1984). é pouco aproveitada mesmo tendo boas características forrageiras (Vasconcelos et al. 1995). como a proximidade entre a localização dos rebanhos.. a manga. O pseudofruto é o pedúnculo hipertrofiado. 2002). carnoso e suculento. é comercializável. por sua vez. a acerola e a goiaba (Lousada Júnior et al. há um grande número de agroindústrias instaladas na região. caules e raízes. pois a película de revestimento é bastante fina e tem alta umidade (Lavezzo. rico em vitamina C. a utilização desses subprodutos na alimentação de ruminantes irá depender de uma série de fatores. na região Nordeste. apresentando um rendimento médio de 30 a 40%. constitui casca.45%. O abacaxi (Ananas comosus L. vernizes. apenas o fruto. o maracujá. Todavia. no estado de maturação comercial). originando o farelo de abacaxi. 2009). possui barreira física contra infecção de microrganismos. O resultado do processamento do fruto do abacaxi. as culturas e/ou agroindústrias. O pedúnculo de caju é um alimento energético.. isolantes e inseticidas. O bagaço oriundo da extração do suco pode ser usado na alimentação de ruminantes.No tocante aos volumes de produção de culturas agrícolas no Brasil. O caju. brotos. Do peso do fruto. A castanha é o verdadeiro fruto que contém no seu interior a amêndoa. mas não apresenta resistência à penetração deles. que compreende 38% da planta. gomos.. rico em ferro. o abacaxi pode ser industrializado (extração do suco. sendo o restante (folhas. os valores são elevados e dão origem também a um montante expressivo de subprodutos. o caju. Na região Nordeste. Nordeste e Sudeste. Como consequência. coroa. É altamente perecível. o estado da Paraíba como maior produtor. fruto em calda ou enlatado) e vários subprodutos podem ser obtidos. correspondente às folhas. A produção 90 . as características nutricionais e os custos de transporte ou preparo desses subprodutos (Carvalho.IBGE. contém ácido málico que lhe confere acidez.

brasileira da polpa de caju (Anacardium occidentale L. conforme Godoy et al. O abacateiro (Persea americana Mill) é uma planta nativa do México e da América do Sul. vem sendo utilizado para a formulação de ração animal. 2009). 0. exatamente no período de estiagem. Entretanto. consequência da extração do suco. 13. 9. A produção de mamão brasileira foi de 1. 1. pois. com 47. essa fruta constitui potencial alimento para as dietas de ruminantes.97% da produção nacional. O FCC é um alimento rico em energia (lipídios). 2009) e.78% de lipídios e 1.5 hectares cultivados (Food and Agriculture Organization FAO. (2009). O estado do Ceará é o maior produtor brasileiro. entretanto há poucos dados comprovando sua eficiência na melhoria da produtividade animal. 2008). forçando o produtor a recorrer ao mercado de rações. Rodrigues et al.32% de proteína bruta.88% de fósforo. 2009). já que o Brasil figura como o quarto maior produtor mundial com 169 mil toneladas colhidas em 11.) ocorre quase que totalmente na região Nordeste. oriundo das castanhas impróprias para o consumo humano.811. compostas principalmente por milho e soja. 91 .535 toneladas para o ano de 2007 (IBGE. o monitoramento das dietas deve ser criterioso.7 mil toneladas no ano de 2007 (IBGE. O farelo de castanha de caju (FCC). a vantagem da utilização de lipídios em dietas deve-se ao incremento da densidade calórica da dieta. produtos de alto custo na região. Saad et al.12% de MS. A cultura do abacateiro possui expressiva importância no cenário nacional. A composição centesimal do abacate sem a semente pode ser descrita como: 80% de umidade.59% de FB. Um dos principais problemas na produção de mamão são as perdas na fase pós-colheita. e. No estado de São Paulo. hoje extensivamente cultivado no Brasil. dados os altos valores de fibra encontrados. as quais chegam a atingir 40% do volume total produzido. conforme Scaloppi Júnior et al. tanto pode constituir um substituto forrageiro. além do fato de tal uso permitir aumento no consumo de energia e balanço mais adequado entre carboidratos estruturais e não estruturais para otimização do consumo de fibra e energia digestível. O estado da Bahia é o maior produtor nacional. usando dieta de ovinos composta por 70% de volumoso e 30% de concentrado contendo farelo de castanha de caju. 140. em virtude desse montante. quando diminui a disponibilidade de forragem na região. onde se registram 94% da produção mundial do abacate. Conforme Rogério (2005). o subproduto de caju. em razão do seu elevado valor energético.72% de cálcio e 0. representando 37.02% de PB. ou seja. (2008). encontra-se a maior produção. com 70 mil toneladas (IBGE.69% da produção. quanto pode contribuir com os valores de proteína bruta e energia dos suplementos concentrados. segundo Palmquist (1989). (2008) avaliaram a composição bromatológica do farelo de mamão desidratado e obtiveram valores de 93. (2003) verificaram efeito linear negativo no consumo de matéria seca. Trata-se de um recurso alimentar de elevado potencial para utilização como fonte energética em concentrados e para a redução dos custos de produção.

89% da produção nacional nesse ano.272.. o subproduto agroindustrial (casca e caroço). e o maracujá-doce (Passiflora alata Dryander) a apenas 5% do total. 0. O maracujá-amarelo (Passiflora edulis Sims) corresponde a cerca de 95% desses plantios. que qualificam o referido subproduto. haja 92 . destacando-se o Vale do Rio São Francisco. 2009). o nordeste brasileiro é tradicional produtor de mangas. 2008). conforme dados do IBGE (2009). porém a silagem pura do subproduto (casca e semente). compreendendo mais de 150 espécies da família Passifloracea utilizadas para o consumo humano. o excesso de gordura pode prejudicar o aproveitamento da fibra dietética (Devendra e Lewis. 1974). respectivamente. hemiceluloses e lignina. Os autores relataram também que a fibra é o componente mais abundante do farelo. é uma alternativa viável para alimentação de ruminantes.87% de PB. o que. (2001) informaram que. segundo esse autor. lipídios e proteínas sejam baixos. (2002). (2008) destacaram que a proporção de cascas e caroços da fruta varia de 20 a 30% e de 10 a 30%. 2009).11% de fósforo. e o extrato etéreo contém quantidades apreciáveis de ácidos graxos insaturados. De acordo com Neiva et al.A manga (Mangifera indica L. possuindo condições climáticas consideradas as melhores do mundo para o cultivo dessa fruta.36% de EE. (2009). não ultrapassaria o limite de 7% de extrato etéreo recomendado por (Devendra e Lewis.184 toneladas relativa ao ano de 2007 (IBGE.25% de FDN. a composição do farelo de sementes e cascas de manga se caracteriza por apresentar 92. após a extração do suco. é de 65 a 70% e apresenta vasto potencial para o aproveitamento nas dietas de pequenos ruminantes. foi utilizado na elaboração de silagem de capim-elefante para alimentação de bovinos. em associação com capimelefante. 3. O Brasil é o maior produtor mundial e apresenta uma produção de mais de 664 mil toneladas (IBGE. Ainda de acordo com Neiva et al. com uma produção de 1. 37. pois cascas e envoltórios da semente (epicarpo) são tecidos de revestimento e contêm elevados teores de celulose. como o oleico e o linoleico (Vieira et al.23% de MS. posicionando-se. o abacaxi e o abacate. a manga está disseminada em quase todo o território. No Brasil. O maracujazeiro é originário da América tropical. destacandose o estado da Bahia como o maior produtor. 21. Os estados da Bahia e do Ceará são os maiores produtores do Brasil. Duas características bromatológicas principais. Sob esse aspecto. o que representa uma boa fonte nutricional de baixo custo. Segundo estes autores. resultados de outros trabalhos demonstraram que a proteína do subproduto de manga é rica em lisina.) é considerada uma das mais importantes frutas tropicais cultivadas no mundo. e a outra a elevada concentração de lipídios nas sementes. desde Pirapora (MG) até Petrolina (PE). Reis et al. Para Vasconcelos et al. O rendimento médio da produção do subproduto. Embora os valores de minerais. (2009). perfazendo a produção de 229 e 116 mil toneladas no ano de 2007. deve ser dada melhor atenção ao uso de dietas contendo sementes. Em contrapartida.1974).84% de FDA. podem ser destacadas: uma é a presença de pectina na casca. com 49.18% de cálcio e 0. 4. Rogério (2005) recomendou a inclusão de até 30% do total das dietas para ovinos. nos locais de produção do fruto. Vieira et al. o bagaço é fornecido in natura. Essas características vêm beneficiar as dietas por contribuir com sua fração energética. logo após a banana. que corresponde de 40 a 60% da fruta.

destacam-se pela grande quantidade produzida. 18. Em termos de NIDA como porcentagem do nitrogênio total. caju e maracujá.91 7.53 72.47% de PB. Tabela 1.89 9.04 0. Apresenta um rendimento médio de subproduto de 15 a 41%.59 44.87 0.28 39.04 1. de importador de melão na década de 60.51 Proteína bruta (%) 9. assim descritos.95 Fonte: Rogério (2005). Na Tabela 1.36%.57 74.78 13.08 1.81 40. Os subprodutos de goiaba.67 Caju Maracujá 89. respectivamente.45% de FDN. são apresentados os dados de composição química dos subprodutos de abacaxi.22 46.18 59.10 88.05 Cinzas (%) 9.98 30.03 78. a composição bromatológica do subproduto de goiaba é a seguinte: 86.20% de celulose. sendo a região Nordeste responsável pela maior parte da produção 93 .91 Nitrogênio insolúvel em detergente ácido (%) 0.26 13.16 10. 2009).63 0.80% de hemiceluloses.90 14. Composição químico-bromatológica (%) dos acerola. sementes + purê.23 57. Componentes Abacaxi Matéria seca (%) 88.85 1.76 25. sementes + frutos descartados.14 68.36 11.50%.15% e 0.78 Extrato etéreo (%) 1.25 Proteína bruta verdadeiramente digestível (%) 4. 54.vista que dietas com altas concentrações de extrato etéreo podem inibir a digestibilidade das frações fibrosas. passou a exportador a partir dos anos 70.46 17. sucos e compotas gera a produção de sementes puras.34 Fibra em detergente neutro (%) 66. De acordo com Lousada Júnior et al.53 0. conforme ensaios experimentais de Rogério (2005). O Brasil. 37.78 6. Acerola 82. frutos descartados + sementes + purê.54 0. 32.64 12.69 2.89 O processamento da goiaba para a produção de doces. A digestibilidade in vitro da matéria seca é baixa. A acerola (Malpighia glabra L.20 Cálcio (%) 2. Malpighia punicifolia L. fácil manuseio e aceitabilidade pelos ruminantes.21 Nutrientes digestíveis totais (%) 55. (2006).41 Hemiceluloses (%) 31.22 Fósforo (%) 0.35 37. caju e maracujá.83 2.26 0.03 79.03%.) é cultivada principalmente nos estados do nordeste brasileiro.03 Carboidratos totais (%) 80. 73.74 Ligninas (%) 10. e os teores de cálcio e fósforo são de 0. da ordem de 18. sendo a produção nacional de 33 mil toneladas em área colhida de 11 mil hectares no ano de 1996 (IBGE.20%. acerola.85 2.65% de FDA. 8.. ou seja.28 40.46 2.97 79.20 56.03 47. o valor encontrado por estes autores foi alto.33% de MS.56 3. todavia apresenta elevado teor de lignina.73 Celulose (%) 37. representado por 21.14 Fibra em detergente ácido (%) 34. subprodutos de abacaxi.

FDA (22% em MS) e cerca de 84% de digestibilidade da matéria seca. (2000). Como foi observado na maioria dos subprodutos de frutas estudados por estes autores.60% de celulose. como casca. Os mesmos autores também citaram uma quantidade de 8 a 10% de frutos que são refugados da comercialização interna e externa e que podem ser usados na alimentação animal. as cascas. os subprodutos da vinificação caracterizam-se como sendo o bagaço (produto resultante da prensagem das massas vínicas compostas pelos engaços e pedúnculos das uvas).371.34% da produção nacional.53% de FDN e 27.0% em MS). 52. a composição do subproduto de melão é a seguinte: 84. 49. Para Ítavo et al. obtido pelo processamento de subprodutos sólidos e líquidos. De acordo com Silva (2009). PB (7.61% na matéria seca). oriundos da prensagem para extração do suco. De acordo com Goes et al. os valores de pH se elevaram e atingiram níveis que caracterizam silagens de baixa qualidade. no que diz respeito aos teores de NDT (83-88% em matéria seca).92% de hemiceluloses. o subproduto da produção da polpa do melão é composto basicamente de casca. 32. o resíduo de vinícola constitui 95. 10. 5. Dentre os subprodutos estudados por estes autores. (2002a). Com o incremento da indústria vitivinícola no Brasil. FDN (23% em MS). (2002) avaliaram a composição químico-bromatológica e fermentativa de silagens contendo 0.85% de PB.brasileira. com a adição do subproduto.18% de FDA. 1992). Entretanto. (2006). equivalendo a cerca de 50% do peso de cada laranja. porção menos nutritiva) e a borra (resíduo depositado nos recipientes que contenham vinho após a fermentação). De acordo com Lousada Júnior et al. conforme dados do IBGE (2009) relativos ao ano de 2007. com 82% de umidade (Scoton. o que resultou em um NIDA de 14. Conforme relataram Vasconcelos et al. sendo o estado do Rio Grande do Sul o responsável por 51.35%). Pompeu et al. 59. o subproduto de melão representou o maior teor de pectina (31. polpa e semente (Carvalho. 9. constituindo importante suplemento às 94 . Os autores observaram ainda que a adição de subproduto elevou os teores de proteína bruta das silagens. 7. os engaços (ricos em celulose e lignina. o teor de lignina também foi bastante elevado (16. o que permitiria uma boa condição para o processo fermentativo. Uma tonelada de suco concentrado.10% de FDN.26% de MS.555 toneladas.76% de FDA. obtido pela moagem de 12 toneladas de laranja. o bagaço da laranja representa 42% do total da fruta e tem composição bromatológica destacada.33% de PB. envolve a produção de 1. 15 e 20% do subproduto da produção de polpa de melão e observaram elevações nos teores de matéria seca.56% de MS. 17.76% em relação à porcentagem de nitrogênio total. A produção nacional de uva é da ordem de 1. (2008). pois. sementes e a polpa de laranja. sementes e bagaço. 2003). os subprodutos oriundos desse processamento agroindustrial representam cada vez maior interesse devido também ao aspecto ambiental resultante do montante que é produzido.2 tonelada de resíduo industrial composto de casca. os autores observaram que o processo fermentativo não ocorreu de forma satisfatória. A polpa cítrica é o produto final do suco de laranja.

0. O annatto (anato) é uma mistura de pigmentos de coloração amarelo-alaranjada em consequência da presença de vários carotenoides. recebe a denominação internacional de “annatto”. por exemplo. A composição bromatológica da semente de urucum é de 88. por causa disso. variedade genética e. a queima da polpa. corante natural largamente utilizado pela indústria alimentícia. pelo tipo de processamento a que foram submetidos. (urucum) pertence à família botânica Bixaceae. Por essa razão. componente indissociável de inúmeros pratos da culinária brasileira. caracterizam-no como um alimento intermediário entre volumoso e concentrado. é importante dar-se atenção para a relação cálcio e fósforo em formulações dietéticas de ruminantes. Internacionalmente conhecida como annatto. Pesquisas sobre a utilização deste subproduto na alimentação animal ainda são escassas.). descartado pela indústria em quantidades de aproximadamente 2600 toneladas ao ano (Pimentel. no caso de subprodutos. No Brasil. A Bixa orellana L. é considerado como concentrado energético. obtido por extração com solventes. um arbusto nativo do Brasil e de outras regiões tropicais do planeta. Este subproduto pode ser usado em rações em substituição aos alimentos proteicos. A polpa cítrica apresenta elevado teor de cálcio. 1995). o aumento da escala de 95 . Ainda segundo esta autora. pode influenciar o seu valor nutricional. (1995) destacaram que parâmetros de fermentação ruminal. a preparação comercial contendo 0. todavia Fegeros et al. devido ao excesso de calor durante a secagem.25% de bixina é conhecida como colorau. entre outros fatores. uma vez que a composição dos alimentos de origem vegetal é influenciada por fatores. Essa composição nutritiva pode variar devido às diferentes origens dos subprodutos avaliados.20-0. O corante extraído do pericarpo das sementes de urucum (Bixa orellana L. O uso de aditivos com a intenção de tornar os alimentos visualmente mais atraentes. com predominância absoluta de um atípico. O teor de minerais.73% de MS. obtidos experimentalmente em animais que receberam esse alimento em suas dietas. e. seja na indústria alimentícia ou no uso doméstico cotidiano.5% de fósforo. seguido de abrasão com fubá ou farinha de mandioca ou pela mistura destas com urucum em pó. O aumento do consumo mundial de corantes naturais tem impulsionado o plantio de urucum (Bixa orellana L. assim como o tempo de armazenamento. pode variar de 2 a 11% na matéria seca devido a erros durante o processamento ou pelo excesso de temperatura durante a secagem. previamente aquecidas a 70°C em óleo vegetal. é uma espécie nativa do Brasil e de outras regiões tropicais do planeta (Costa. o resíduo agroindustrial da semente de urucum é o subproduto da extração agroindustrial da bixina. conhecido como bixina. 16.38% de PB. chuva. Ainda segundo este autor. 2005). em regime de agricultura familiar no nordeste brasileiro. é bastante comum.29% de cálcio e 0.). Este é produzido a partir das sementes de urucum. O subproduto de semente de urucum é de baixo custo. sendo necessária a suplementação com fontes extras de fósforo para as devidas correções. como solo. além do amplo emprego na indústria.5% de FB. De acordo com Moraes (2007).dietas de ruminantes. 13.

este subproduto apresenta 14.7% de proteína bruta (PB). (2002). A polpa é obtida pelo processo via úmida. que atualmente são descartadas pela indústria. Na Tabela 2. a produção de biomassa por unidade de área (hectare) é elevada. O uso desses subprodutos vem sendo intensificado no Brasil. 1995). enquanto o pseudocaule representa 39% desse total. relativa à safra de 2007. As cascas de café representam 66% do peso total do grão e apresentam alto teor em lignina. 1992). A produção agrícola foi tomada como referência para as estimativas de disponibilidade dos subprodutos. obtêm-se diversos subprodutos. 96 . e seus subprodutos. combinados na mesma planta. e sua utilização acontece. sendo viável para produtores que dispõem desse recurso. Do beneficiamento do grão do café resultam como subprodutos a polpa e a casca. Segundo Foulkes et al. as folhas representam 25% do peso seco da planta. todavia. limitam a aceitação desses subprodutos por parte dos pecuaristas. observa-se a produção de frutas. apresentam-se relevantes à alimentação de ruminantes. (1978).5 a 14. já caracterizado quimicamente. o número de trabalhos sobre a utilização desse resíduo do beneficiamento do urucum é insatisfatório.8% de fibra em detergente neutro (FDN) e 20. vem sendo testado nutricionalmente de diversas maneiras para utilização na dieta animal. além da mucilagem e da casquinha (Carvalho. Recomenda-se sua inclusão na alimentação de ruminantes em até 30% do concentrado de vacas em lactação e em 40% do concentrado de novilhos confinados (Barcelos et al.. Do cultivo da bananeira. que foram calculadas de acordo com os valores de rendimentos em percentual descritos por Carvalho (1992). A palha contém também polpa. presente em todas as regiões do Brasil. principalmente. A oscilação na disponibilidade e a instabilidade do fornecimento desses constituintes. 36.extração agroindustrial da bixina resulta em 94 a 98% de sobras. e as frutas 37%. com as devidas adequações dietéticas. em conjunto. mais comum em outros países. no período seco do ano. por região do Brasil. Ademais. notadamente por possuírem a maioria dos nutrientes requeridos por esses animais. sendo esta última a mais comum dos subprodutos. citados por Lavezzo (1995). Atualmente. o coração ou mangará. Os subprodutos oriundos da cultura da banana. conforme o IBGE (2009). o que corresponde a um valor compreendido entre 19 e 51 toneladas de matéria seca por hectare (Lavezzo. em virtude do preparo do grão via seca realizado no Brasil. Segundo Utiyama et al. 2001). variando de 132 a 353 toneladas de massa verde. O pseudocaule.4% de fibra bruta (FB).2% de fibra em detergente ácido (FDA). as folhas e as frutas descartadas da bananeira podem ser usados como resíduos forrageiros. 12. Este resíduo.

por região do Brasil em 2007. O farelo de cacau é o subproduto da retirada do tegumento.296 0.3 837 2.13 Maracujá 247.5Sul P 15. pois menos de 8% do peso do fruto do cacaueiro. A proporção aproveitável de subprodutos do cacau é bastante alta.297 127. uma vez que representa cerca de 83% do cacau produzido no país.1% de MS.2 4. A industrialização do tomate gera cerca de 4.6 48 55 4. conforme informou Oliveira (2003). (2007a). e Rondônia.4 996.7 19.5 *Mil frutos. Fonte: IBGE (2009) A produção cacaueira no estado da Bahia constitui uma importante atividade agrícola brasileira. são usados pela indústria beneficiadora. e o NIDA como porcentagem do nitrogênio total é da ordem de 18.2 2 Centro-Oeste P E 101..118 233.7 348. Um fruto com peso médio de 500g é constituído de 80% de casca e 20% de semente (Freire et al.3 0.1 9.6 0. da fração fibrosa da polpa e da semente.6 11. É composto basicamente do fruto. De acordo com Campos et al. 97 .2 273.6 99.9% de EE.3 1.6%.4 11.368 2003.8 7.6 356.7 927. em mil toneladas e em mil frutos. 1990).1 701.818 0.5 1855 1493 108 138 673 281 5. da casca do fruto.2 1769.2 0. 50.6 138.5 149.105 E 8.2 0. com 5%. O montante de produção de subproduto agroindustrial do tomate representa um percentual de 40-50% do peso total do fruto (Manterola et al.8 920.9 53 3.308 32.6 66.5 de caju Laranja 2.4 474. 63.9 67.7 5.264 0.6 71.5 22..7 1.3 1.3 112.9%.8% de FDA.8 975.4 Sudeste P E 419. Esse fator antinutricional (lignina) pode comprometer o aproveitamento da proteína dietética pelos ruminantes.4 294. sendo encontrado no mercado com preços acessíveis.8 5 4. 20.7 25.6 421.0 48.6 59 106 32 6. 14.5 857.2 8094.7 0.4 213.0 128. PRODUTO Norte P E 488.5% do peso do fruto em resíduo. a composição bromatológica do subproduto de tomate pode ser representada por 22.068 Cacau 133 66 Café 157 78 Tomate 514 51 Abacate 8 Goiaba 136 Mamão 1093 Manga 970 388 Urucum 2.5 - *Abacaxi Banana Castanha 1018.8 3.9 507.4 197. em estado normal de maturação. em função dos percentuais de rendimentos (S).8 3.9 211.154 16. sendo 3% de peles e 1. 1992).4 32.5 284.5 81.2 97 552 28.1 7. todavia o teor de lignina chega a 17.224 Nordeste P E 689. 2003).5% de PB.09 Uva 0. Produção agrícola (P) e estimativa de disponibilidade de subprodutos para alimentação animal (E).2 0.9 0.Tabela 2.178 1. para produção de manteiga ou chocolate. com 10%.4 Melão 49.1 102.2 10.5% de semente.3 14. que citou diversas alternativas de elaboração de silagem para contornar o problema da alta umidade.1% de FDN. dependendo do processamento utilizado pelas indústrias (Oliveira.6 156.6 29.4 15565.9 27.498 0.2 14. seguido dos estados do Pará. antes da torrefação das sementes.1 83.

de soja e de algodão.. Para o subproduto de abacaxi. Abacaxi. conforme Starling et al. seguidos dos valores encontrados para os subprodutos de maracujá e abacaxi. se incluído em até 16% do total de dietas para ovinos. as dietas em que se incluiu o subproduto de abacaxi apresentaram valores semelhantes ao grão de soja (65%). Provavelmente os altos níveis de taninos existentes no subproduto de caju (Vasconcelos et al. geralmente com altos teores de umidade. foi constatado que. As dietas utilizadas foram constituídas de capim-elefante. serão feitos comentários sobre esses subprodutos de frutas que podem ser utilizados na alimentação de ruminantes. 237. A seguir.97%.84Mcal/kg de matéria seca consumida. trazendo. por subprodutos de pouca avaliação nutricional e de mercado não tão bem definido.44kg/dia. contribuições nutricionais significativas. proteína bruta e energia metabolizável foram 1. Vale ressaltar que o subproduto de maracujá compõe-se de casca e semente e que esta última apresenta teor de extrato etéreo em matéria seca de 31. A utilização desses subprodutos pode ser feita por meio da suplementação de animais criados a pasto ou na formulação de dietas para animais em confinamento. 2002b) foram responsáveis pela menor disponibilidade deste nutriente. acerola. acerola. 98 . RESULTADOS DE AVALIAÇÃO DO USO DE SUBPRODUTOS DE FRUTAS NA ALIMENTAÇÃO DE RUMINANTES Uma linha de pesquisa que tem crescido nos últimos anos é a de avaliação de subprodutos de frutas. A maioria dos trabalhos encontrados na literatura estuda a substituição de subprodutos de reconhecido valor nutricional e de mercado estabelecido. Isso provavelmente resultou nos maiores valores de NDT para estes últimos.2. 2. não há risco de limitação de consumo e digestibilidade dos nutrientes dietéticos. Rogério (2005) avaliou o consumo e a digestibilidade dos nutrientes em dietas para ovinos contendo os referidos subprodutos. A digestibilidade da matéria orgânica indicou uma excelente fração de NDT para as dietas que incluíram o subproduto de abacaxi em até 16%. goiaba. os consumos de matéria seca. foram bem próximos. inclusive. Considerando-se a digestibilidade da proteína bruta. caju e maracujá. à exceção do subproduto de caju. acerola. (1997). Alguns resultados de pesquisa mostram que esses subprodutos podem ser utilizados nas dietas de ruminantes sem prejuízos ao seu desempenho produtivo. caju. farelo de soja. Neste nível de inclusão. maracujá e melão Visando ao conhecimento sobre a real disponibilidade ruminal dos nutrientes dietéticos nos subprodutos de abacaxi. caju e maracujá.85g/dia e 2. torta de algodão.1. Destaque especial deve ser dado aos teores de proteína bruta e de proteína verdadeiramente digestível demonstrados na Tabela 3 os quais. a exemplo dos farelos de milho. Os valores de FDN foram bastante elevados para os subprodutos de caju e acerola principalmente. milho e sal mineral contendo macro e microminerais e níveis crescentes dos subprodutos de abacaxi.

Incluindo-se o subproduto de acerola em até 12% do total dietético.5b 591.8c 39.3 2. apesar dos balanços nitrogenados positivos. proteína bruta (CDPB). no máximo.ab 706.2b 75.7b 1.527. O valor médio das dietas que incluíram o subproduto de maracujá foi de 66.126.6b 293. o que possibilitou uma distribuição mais uniforme de energia entre as dietas experimentais.Tabela 3. proteína bruta (CPB).7c CV 9. (2005).5b 584. coeficientes de digestibilidade aparente da matéria seca (CDMS).7a 697. fibra em detergente ácido (CDFDA) e nutrientes digestíveis totais (NDT).2d Goiaba 30.0d 13.4a 129.7b 64.9a Maracujá 1.0a 54.0b Acerola 22.0d 56.5 kg/dia.5b 29.5ab 193.4a Maracujá 60.8c 8.5b 17.2d 8. 2.2 Médias seguidas de letras diferentes. em ovinos.3c 55.5b CV 2.157.3b Melão 1.5 13.7 11.3c Acerola 500.9ab 148. (2002).2 11.2 3.2a 65. de subprodutos da indústria de suco e polpa de frutas.4 Coeficientes de digestibilidade Subproduto CDMS CDPB CDFDN CDFDA NDT Abacaxi 47.7b 38.28% na matéria seca.5c 351.4ª 65. Fonte: Adaptado de Lousada Júnior et al. houve limitação de consumo da maior parte dos nutrientes quando o subproduto de maracujá foi a principal fonte fibrosa das dietas experimentais.4a Melão 47. Inclusões de subproduto de acerola em sistemas de produção de ovinos devem ser vistas com cautela. respectivamente. comparável àquele encontrado para o capim-tífton 85. O consumo de fibra em detergente neutro como porcentagem da matéria seca ingerida representou em média 49.30%). Consumo diário de matéria seca (CMS).8 11. fibra em detergente neutro (CFDN) e fibra em detergente ácido (CFDA). proteína bruta e energia metabolizável de 1.01) pelo teste Tukey. reduziu o consumo da maioria dos nutrientes dietéticos e deve ser incluído em.0b 50.0b 51. por sua vez. Consumo de nutrientes Subproduto CMS CPB CFDN CFDA Abacaxi 924.7c 38.200. somente sendo recomendadas em condições de melhor relação custo-benefício ou mesmo de escassez de alimentos tradicionais. expresso em gramas por dia. na mesma coluna. O aumento do 99 .8a 51.4a 842.1c 265. em se tratando de um subproduto. Entretanto.8c 33. por exemplo (66.15 g/dia.0c Goiaba 1.2b 16. O subproduto de acerola. O risco maior é o da queda de digestibilidade das partículas fibrosas e da proteína bruta dietética.3 2.79%.8a 38. fibra em detergente neutro (CDFDN). citado por Valadares Filho et al. em virtude principalmente dos altos teores de ligninas encontrados.3 Mcal/kg de matéria seca consumida. valor relativamente alto. 8% do total de dietas para ovinos.3c 670. foram encontrados valores de consumo de matéria seca. diferem entre si (P<0.7c 13. 214.

a inclusão do subproduto de caju em até 33% do total dietético. mesmo assim não ocorreu aumento proporcional do consumo de matéria seca diante da baixa digestibilidade desse nutriente. a inclusão deve ser de até 18% do total das dietas quando os consumos de matéria seca. Visando à quebra da parede celular presente no subproduto de caju com consequente melhoria da disponibilização de nutrientes solúveis bem como à avaliação dos riscos de acidose em dietas com subproduto de caju incluído de 11 a 33% em dietas de cordeiros em terminação. quando moído finamente. 2. em até 28%. e. quando praticamente chegou a zero na dieta que incluiu 52% de subproduto de caju. promovido a redução da retenção de nitrogênio. proteína bruta e energia metabolizável foram de 1. O subproduto de caju representou prejuízo quando incluído em níveis superiores a 19% do total dietético. Portanto. tais como taninos e ligninas.44kg/dia. maracujá e melão. goiaba. proteína bruta e energia metabolizável foram de 1. não representou riscos para a queda do pH do líquido ruminal. extrato etéreo e frações fibrosas dietéticas. e. Costa (2008) realizou a moagem do referido subproduto em 3mm (moído finamente) e 19mm (moído grosseiramente). (2005). e subsequentemente outros trabalhos com maior detalhamento de investigação foram desenvolvidos. (2005) utilizaram subprodutos da extração de suco e polpas de abacaxi. Os altos níveis de fibra existentes no subproduto de caju foram determinantes para o aumento dos consumos de FDN e FDA com a inclusão crescente de subproduto. extrato etéreo. se moído finamente. Deve-se considerar que houve queda brusca do balanço nitrogenado ao ser ultrapassado o percentual de 19%. Em 19% de inclusão do subproduto de caju. acerola. constam os valores de digestibilidade de nutrientes obtidos por Lousada Júnior et al. fibra em detergente ácido. em virtude da total falta de informações à época sobre o tema. matéria orgânica. 190 g/dia e 2. Mais uma vez. fibra em detergente neutro. O subproduto de abacaxi constituiu cascas e polpas 100 . os consumos de matéria seca. se moído grosseiramente. todavia.54 kg/dia. Conforme este autor.66 Mcal/kg de matéria seca. a presença de compostos polifenólicos. 196.3g/dia. Na Tabela 3. matéria orgânica. portanto. pode reduzir as digestibilidades da matéria seca. como alimentos exclusivos para ovinos. O trabalho foi apenas exploratório.consumo de fibra em detergente ácido como porcentagem da matéria seca ingerida também resultou no aumento da inclusão de ligninas. pode ter indisponibilizado a proteína dietética e. Lousada Júnior et al. considerando-se os graus de moagem de 3 a 19mm.3Mcal/kg de matéria seca consumida. assim. O subproduto de caju. principalmente no tocante ao aproveitamento das frações fibrosas e proteicas. respectivamente. o subproduto de caju pode ser utilizado em dietas para ovinos em terminação em níveis de até 33%. O autor constatou que o grau de moagem aplicado ao subproduto de caju utilizando-se peneiras de 3 e 19mm não afetou os consumos de matéria seca. proteína bruta. devidamente desidratados ao sol. hemiceluloses e celulose dietéticas.

pois não registraram sobras significativas. já a análise dessas variáveis relativas ao maracujá resultou nos maiores valores. este apresentou maior consumo de matéria seca. FDN e FDA dos subprodutos de acerola e goiaba foram os menores dentre os subprodutos estudados pelos referidos autores.. Já para os animais que receberam o subproduto de goiaba.prensadas.01).. Leite et al. O consumo de matéria seca do subproduto de goiaba foi superior (P<0. sementes e polpa macerada.01) ao verificado com o subproduto de abacaxi. 101 . os autores afirmaram que todas as dietas foram consumidas de forma similar. testaram cinco diferentes inclusões de farelo de pedúnculo de caju (40. os maiores valores foram para maracujá e melão (Tabela 3). reduzindo a digestibilidade e proporcionando aumento na taxa de passagem. durante a administração. Segundo os autores. o que pode ter afetado o desempenho de animais alimentados com maior proporção de farelo de pedúnculo de caju.05). enquanto os de acerola e goiaba apresentam limitações. Os maiores consumos de proteína bruta foram observados nos animais alimentados com subproduto de maracujá e melão em relação ao que foi observado nos animais que receberam abacaxi e acerola. consequentemente maior consumo. provavelmente. Entretanto. apesar de o subproduto de goiaba ter teores de FDN e lignina próximos aos da acerola. Considerando-se a digestibilidade da proteína bruta. em razão do rápido esvaziamento ruminal. que têm alta densidade específica. Baseando-se nessas informações experimentais. 2005). O menor consumo de matéria seca foi observado nos animais alimentados com o subproduto da acerola. reduzindo a digestibilidade desse nutriente. em função do elevado teor em lignina (Tabela 3). porém não diferiu (P>0. da goiaba. segundo os autores. Os subprodutos de acerola e goiaba apresentaram NDT semelhantes (P>0. foram observados os maiores consumos de FDN e FDA (Lousada Júnior et al. porém com valores inferiores aos demais (P<0. Observaram melhor desempenho para os animais alimentados com 50% de leucena e 50% de farelo de pedúnculo de caju desidratado. Somalis Brasileira x SRD) em confinamento. 50. 2005). 60 e 70%) em substituição ao feno de leucena (Tabela 4). em função dos baixos coeficientes de digestibilidade (Lousada Júnior et al. apesar das diferenças encontradas. Os valores de digestibilidade da MS.05). provavelmente como resultado do maior consumo de matéria seca. e do maracujá e melão. (2004). seguido do subproduto de abacaxi e melão. os quais foram semelhantes entre si (P>0. enquanto os piores desempenhos foram verificados com 70% de feno de leucena ou 70% de farelo de pedúnculo de caju.01). sementes com baixa porcentagem de frutos refugados. maracujá e melão podem ser utilizados na alimentação de ruminantes. cascas e sementes. Uma das possíveis explicações. seria devido aos taninos que se combinaram com as proteínas. com o objetivo de avaliar o desempenho de ovinos (Santa Inês x SRD. O subproduto do maracujá apresentou o maior valor de NDT (P<0. provavelmente em decorrência da alta quantidade de sementes.05) dos consumos relativos aos animais que receberam subprodutos de maracujá e melão em sua alimentação. da acerola. os autores concluíram que os subprodutos de abacaxi.

05). (2007c). avaliando dietas contendo ou não FCC fornecidas para três grupos genéticos de ovinos (½ sangue Dorper. em uma mesma coluna.3 20. não tendo sido evidenciado esse efeito sobre o grupo genético Santa Inês.9 27.1c 8.5 25. Entretanto. (2004). Fonte: Adaptado de Leite et al.4 25.7a 10. ½ Somalis e ½ Santa Inês) alimentados com dietas contendo ou não FCC. Complementarmente a essa informação.7 17. em Costa et al. Farelo de castanha de caju (FCC) Costa et al. em mensurações de concentrações de ureia sérica em ovinos de diferentes raças (½ Dorper. (2007b). Costa et al.1 18.3 27.3 29.1b 9.1 18. 102 . nos grupos genéticos ½ sangue Dorper e ½ sangue Somalis.8 19. respeitando-se o limite de 7% de extrato etéreo (teor de lipídios) na matéria seca.7a 10.4b 7. Tabela 4. Silva et al. Conforme Devendra e Lewis (1974). valores superiores a essa recomendação podem comprometer a ação dos microrganismos sobre a degradação da fibra dietética.2 18.7c Ganho diário (g/dia) 124c 116c 120c 140b 153a 153a 144b 134b 100d 124c Ganho médio (g/dia) 120c 130b 153b 139b 112c Médias seguidas por letras diferentes. o que pode denotar diferenças na disponibilização de compostos nitrogenados e carboidratos no processo fermentativo ruminal.9 29. (2007a) identificaram valores de proteínas totais séricas inferiores àqueles recomendados pela literatura.6 Ganho de peso (kg/dia) 8. perceberam que. de modo geral. diferem estatisticamente entre si pelo teste de Tukey (P<0.8b 10. foi verificado que a inclusão do FCC promoveu redução das concentrações de nitrogênio amoniacal no líquido ruminal.2 27.4c 9.9 Peso final (kg) 27. ½ sangue Somalis e ½ sangue Santa Inês).0 31.1 18.2. Esses resultados podem indicar que as dietas que incluíram o farelo de castanha de caju provavelmente tiveram seus compostos nitrogenados menos disponibilizados à degradação microbiana ruminal. não houve limitação da inclusão de FCC.4 19.1 18. Desempenho de borregos ½ Santa Inês (SI) x ½ SRD e Somalis Brasileira (SB) x ½ SRD. Esses autores não perceberam alteração do pH do líquido ruminal considerando-se a dieta que incluiu o farelo de castanha de caju em relação à dieta-controle.5 27. submetidos a dietas compostas por feno de leucena (L) e farelo do pedúnculo do caju (C).7c 8. encontraram que os níveis séricos de ureia foram elevados. Tratamentos 70%L:30%C 60%L:40%C 50%L:50%C 40%L:60%C 30%L:70%C SI x SRD SB x SRD SI x SRD SB x SRD SI x SRD SB x SRD SI x SRD SB x SRD SI x SRD SB x SRD Peso inicial (kg) 18.2.0d 8. (2007b).

(2007c). (2008c). Polpa cítrica A inclusão da polpa cítrica.05) com o aumento da porcentagem de polpa cítrica. avaliando rendimento de carcaça de ovinos em terminação de diferentes raças (½ Dorper.Fontenele et al. na alimentação de vacas leiteiras de alta produção permitiu aumentar o consumo de fibra. (2008b). 2007b). PB e EE (gramas/dia). MO. 80% de concentrado com níveis crescentes (0. Henrique et al. o que favoreceria o crescimento de populações celulolíticas no líquido ruminal e o aumento na relação acetato/propionato. (2007a). dada a redução no tempo despendido em ruminação. ou seja. 40 e 55%) de polpa cítrica na matéria seca em substituição ao milho em grão. Os autores relataram que esse aumento pode ter sido decorrente do melhor padrão de fermentação ruminal. considerando-se as digestibilidades da matéria seca. Silva et al. que a inclusão do FCC reduziu o tempo de ruminação com consequente incremento da eficiência de ruminação (Fontenele et al. matéria orgânica. (2008a) e Silva et al. em substituição ao milho. verificaram que a digestibilidade da MS foi inferior nos animais ½ sangue Santa Inês. 25. 2. por sua vez. (2003) não identificaram diferenças significativas considerando-se os tratamentos experimentais aplicados (Tabela 5). Verificaram que as ingestões de MS e NDT (Tabela 5) elevaram-se linearmente (P<0. verificaram que os consumos de matéria seca.. Já para os animais ½ sangue Santa Inês. houve melhoria da digestibilidade desse nutriente com o incremento da polpa cítrica dietética. Henrique et al. ½ Somalis e ½ Santa Inês). Em se tratando da digestibilidade da proteína bruta. proteína bruta e extrato etéreo. observaram que a inclusão de FCC promoveu a redução do peso vivo e da carcaça fria para o grupamento ½ sangue Santa Inês. que receberam 20% de silagem de milho. matéria orgânica. todavia isso não resultou em depreciação do rendimento de carcaça para esse grupamento. (2007a). observou-se o contrário. Esses dados sugerem uma menor adaptabilidade dos animais ½ sangue Santa Inês às dietas com FCC nas mesmas condições aplicadas a esses trabalhos. sendo que os animais ½ Santa Inês foram afetados negativamente quanto aos consumos de MS. observaram que a não inclusão do FCC na dieta dos animais ½ sangue Dorper proporcionou maior eficiência do processo digestivo.3. ou mesmo algum efeito de melhoria da palatabilidade. Quanto aos coeficientes de digestibilidade da matéria seca. alimentados com dietas contendo ou não FCC. Comportamento semelhante foi identificado com os coeficientes de digestibilidade da 103 . 2003). Silva et al. (2003) realizaram experimento objetivando avaliar a ingestão e os coeficientes de digestibilidade de nutrientes em ovinos. nas mesmas condições de Costa et al. devido à presença de pectina na polpa cítrica. sem prejudicar a digestibilidade total da dieta (Scoton. Outras hipóteses discutidas pelos autores seriam o efeito associativo positivo entre os ingredientes. houve efeito linear ascendente. proteína bruta e extrato etéreo em gramas/dia foram maiores para as dietas sem FCC. Silva et al.

fibra em detergente neutro (CDFDN).88 64. (2003).31 72.70 Fonte: Adaptado de Henrique et al.26 65. caprílico e cáprico. Níveis de substituição do farelo de milho Item (%) 0 25 40 55 Regressão R2 CV Consumo de nutrientes (g/dia) CMS 1.0034x 0.0977x 0. Tabela 5.74 60.747+0.28 70.064 1150 1244 1233 Y=1.60 CDPB CDEE 83. Consumo diário de matéria seca (CMS) e de nutrientes digestíveis totais (CNDT) expresso em gramas por dia. coeficientes de digestibilidade aparente da matéria seca (CDMS).97 66.87 45.39 NS 6. extrato etéreo (CDEE). Esses resultados refletem a qualidade proteica da polpa cítrica e podem indicar a qualidade também da FDA desse subproduto em termos de disponibilização da celulose existente.49 61.15 CDMO 72. caproico.89 76.37 68.45 73.14 71.85 74. Os ácidos graxos de cadeias longas não foram afetados com a adição deste subproduto. 2001). Entretanto. Avaliando o efeito da adição de polpa de citros em substituição à ração concentrada na dieta de ovelhas em lactação.89 CDFDA CDHCEL 75.66 NS 4.070+0. (1995) não encontraram efeito negativo sobre a produção de leite e composição de gordura. proteína e lactose do leite.778+0.348+0.64 CDFDN 64. em função da porcentagem de polpa cítrica em dietas para ovinos. Caprinos e ovinos aceitam bem a adição de polpa de citros no nível de até 30% das dietas.41 Coeficientes de digestibilidade (%) CDMS 71.95 69.61 Y=62. Fegeros et al.05 NS 11.83 9.22 73. houve uma redução no percentual de ácidos butírico. Quando adicionada à dieta numa concentração acima de 30% na MS.35 CNDT 775 826 906 886 Y=0.0023x 0.FDA.13 NS 3.29 72. proteína bruta (CDPB). não devendo ultrapassar este nível em função da elevada concentração de Ca e baixa de P.71 NS 3.5861x 0.48 Y= 28. Os autores relataram que a polpa de citros seca pode ser usada em rações concentradas para ovelhas em lactação numa proporção de até 10% da MS total.53 73. pode levar à redução ou mesmo suspensão do consumo pelo animal (Ezequiel.24 72.23 51. fibra em detergente ácido (CDFDA) e das hemiceluloses (CDHCEL).70 62. matéria orgânica (CDMO).88 5.75 75.94 27.90 9. 104 .99 11.20 61.

Quanto à digestibilidade aparente dos nutrientes.8a 876.5 19.48a 67.04 CDCF 54.84ab 84. 2005.62a 48.85ab 88.05) o consumo diário de matéria seca (Tabela 6).2.51a 67.85a 45.95a 81.07a 60. carboidratos totais (CDCHT).33a 22.92 CDCNF 80.63 CDFDN 53. 2005). estes autores observaram que os animais que receberam dietas contendo 30% de farelo de cacau reduziram (P<0.44a 40.23a 70.11a 66.17a 81.86a 66.132a 2.501b 2.9a 750. 105 .40 *Médias seguidas de mesma letra.59a 42. não houve efeito da substituição parcial do concentrado à base de milho moído e farelo de soja pelos subprodutos.06a 88. fibra em detergente neutro (CDFDN). possivelmente.01a 68. fibra em detergente ácido (CDFDA).24a 79.54 CDPB 66.209a 2.44 23.04a 44. coeficientes de digestibilidade aparente da matéria seca (CDMS).91a 59.30a 47.46a 66.60a 43.4.81 CFDN 722.44a 40. apresentou viabilidade de uso como alternativa na dieta de cabras em lactação.222a 2. carboidratos fibrosos (CDCF) e não fibrosos (CDCNF) em cabras leiteiras*.14 8. 15 e 30%) em substituição ao milho e farelo de soja no concentrado. extrato etéreo (CDEE).3a 787..64a 47.57a 68. excetuando-se a do extrato etéreo..01a 43. Os autores concluíram que a inclusão do farelo de cacau ou torta de dendê na dieta.6a 608.4a 757.37ab 92.73a 62. matéria orgânica (CDMO).71a 82. sobre o comportamento ingestivo de cinco cabras Saanen (Carvalho et al. proteína bruta (CDPB). Silva et al.25a 65.02 19. não diferem entre si pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade.52a 48.43a 43.40 19. Tabela 6.26a 66.25 7. Variáveis Controle Farelo de cacau Torta de dendê Média CV 15% 30% 15% 30% (%) Consumo de nutrientes1 (g/dia) CMS 2.31a 58.35a 63. 2004.33 7.00a 47.062 13. que foi maior para a dieta com 30% de torta de dendê em relação à dieta com 15% de farelo de cacau (Tabela 6).23 CDFDA 49.60a 61. em função de maior seleção atribuída à baixa aceitabilidade do farelo de cacau.27a 66.67 CDEE 86.27a 46. Consumo diário de matéria seca (CMS) e de fibra em detergente neutro (CFDN).59 4. em razão dos regulares valores de digestibilidade aparente.96 Coeficientes de digestibilidade2 (%) CDMS 69.84b 90.46a 65. 1 2 Fonte: Adaptado de Carvalho et al..47a 68.02 CDCHT 70.245a 1.03 8.07a 48.29a 49. Cacau Com o objetivo de avaliar os efeitos dos diferentes níveis de farelo de cacau e torta de dendê (0.17a 82. visto que o aumento da participação da torta de dendê não afetou o consumo.22 CDMO 71. na linha. 2004) e sobre a digestibilidade aparente de nutrientes (Silva et al.

(2008d) e Freire et al.2. Barroso et al. (2006) observaram que o tipo de concentrado energético associado ao resíduo de vitivinícolas influenciou (P<0. em observações de comportamento ingestivo de ovinos. com maiores respostas em ganho de peso para aqueles alimentados com dietas compostas pelo referido resíduo e grão de milho moído e resíduo e farelo de palma. Perceberam que. nas mesmas condições de alimentação. manga. sob as mesmas condições descritas por Silva et al. Costa et al. o que acarretou degradabilidade efetiva de 33. (2008c).05) da fonte energética da dieta (Tabela 7). para esses autores. (2008). (2008b) verificaram que não houve influência do uso do subproduto de urucum em dietas compostas por silagem de pasto nativo.05) o ganho de peso diário de ovinos aos 21. a diferença em gramas entre as dietas. tendo sido essas concentrações superiores ao mínimo recomendado para esses animais. que. Segundo esses autores. por sua vez. Para complementar estes dados. Porém. Urucum. Em outro trabalho. de bebida e de consumo de sal mineral). com maior eficiência para a combinação do resíduo com o grão de milho moído. que não foram significativamente diferentes. (2008d) compararam valores de pH do líquido ruminal de ovinos alimentados com dietas formuladas conforme o NRC (1985) e o NRC (2007) em diferentes proporções de consumo de proteína não degradável no rúmen. houve aumento da oferta desse composto químico.05) entre si (Tabela 7). banana. Relataram que não houve risco de queda acentuada do pH do líquido ruminal. tomate e café Silva et al. De acordo com Goes et al. Costa et al. (2008c) deram continuidade às avaliações feitas por Silva et al. pode representar redução no tempo de confinamento. (2008). uva. não diferiram (P>0. 42 e 63 dias.99%) e teor de FDN de 52. 106 . relataram que dietas contendo silagem de pasto nativo e subproduto de urucum parecem elevar o tempo de outras atividades (tempos de micção.2%/h. o resíduo vinícola apresenta alto teor de matéria mineral (10. A fração solúvel da PB do resíduo vinícola. contendo silagem de pasto nativo da zona norte do estado do Ceará e subproduto de urucum. (2008).61%. (2008a) avaliaram o consumo de proteína bruta no mesmo ensaio experimental e não observaram diferenças estatísticas entre os tratamentos. o resíduo vinícola apresenta média de degradação ruminal da ordem de 54.5. em valores numéricos. seguido pelo farelo de palma e raspa de mandioca. Costa et al. avaliando as concentrações de ureia sérica. restando em uma fração solúvel de apenas 19.53%.36%.82%. o que pode aumentar a parte indegradável.84%. o que poderia resultar em utilização para reciclagem de nitrogênio e/ou síntese proteica microbiana. de defecação. foi de 21. A conversão alimentar da MS sofreu efeito (P<0. com taxa de degradação média de 4. milho e farelo de soja fornecidas para ovinos sobre as concentrações séricas de proteínas totais. Freire et al.

5 GPVD21 (g/dia) 87 a 47 b 93 a 41.53 GPVT(kg) 7. em razão da redução do teor de FDN e FDA das dietas com a adição do subproduto de banana.1 PVF (kg) 31. As digestibilidades da PB. conforme Clementino (2008).87 GPVD42 (g/dia) 152 a 63 b 124 a 23. esses componentes bromatológicos não foram suficientes para alterar o consumo de MS.01 Médias seguidas de letras diferentes. %PV e em g/UTM.28 a 12. Há que se destacar também que. no referido experimento. Fonte: Adaptado de Barroso et al. na mesma linha.05). houve decréscimo das digestibilidades desses nutrientes. Clementino (2008) avaliou a adição de subproduto de banana às dietas de ovinos e observou que os consumos diários de MS.03 GPVD63 (g/dia) 117 a 71 b 132 a 26. à medida que se adicionou o subproduto de banana. expressos em gramas por dia (g/dia) aos 21 (GPVD21). no período de 63 dias de confinamento.77 c 11. embora o teor de PB das dietas tenha se elevado com a adição de subproduto de banana. de 52. todavia. Clementino (2008) destacou que o efeito verificado foi linear decrescente. embora o FDN dietético tenha reduzido e os teores de PB tenham aumentado com a inclusão crescente do subproduto de banana às dietas. pois os teores de NIDA se elevaram de 26.0 25. 63 (GPVD63). expressos de diferentes formas.30 b 13. (2006). reduziram (P<0. não foram influenciados (P>0.5% quando se comparou a dieta exclusiva de feno de capim-tífton com aquela contendo 80% de subproduto de banana. avaliando os componentes de carcaça em dietas contendo subproduto de banana (20% do total dietético). ou seja.40 CAMS 9. Para as digestibilidades da MS e da MO. Clementino (2008). Para esta autora. Pesos vivos médio inicial (PVI) e final (PVF).7 21.01) linearmente com os níveis de adição de subproduto de banana.4 24.37 4. médias e coeficiente de variação (CV) do ganho diário de peso vivo. diferem estatisticamente entre si a 5% de significância pelo teste de Duncan.59% para 59.45% para os níveis de adição de 0 a 80% de subproduto de banana. a disponibilidade de nitrogênio foi reduzida. expressos em g/dia.5 para 37. subproduto de manga (30% do total dietético) e subproduto de urucum (40%).47 8. provavelmente. relatou ainda que a maioria dos cortes 107 . Comportamentos similares também foram observados por esta autora para os coeficientes de digestibilidade aparente da FDA e CHO. O valor de NDT.8 32. Diferentemente do observado para os consumos de PB e EE. o consumo de FDN e o de FDA. quilogramas de ganho de peso vivo total (GPVT) e conversão alimentar da matéria seca (CAMS).Tabela 7. aumentou. 42 (GPVD42). EE e FDN não foram influenciadas pelo aumento da inclusão do subproduto de banana. 50% de resíduo + 50% de resíduo + 50% de resíduo Parâmetros 50% de grão de 50% de raspa de + 50% de farelo CV (%) milho moído mandioca de palma PVI (kg) 23.

Segundo os autores.3 e 35. avaliou-se o subproduto na forma de cascas e de sementes inteiras ou moídas. que provavelmente foi responsável pelas diferenças apresentadas na suculência da carne entre as dietas estudadas. como as dietas eram compostas basicamente por feno e pelo subproduto. sim. Isso também implicou redução da concentração de amônia ruminal. conforme a autora. fato que. (2007b) avaliaram a digestibilidade da proteína do subproduto de tomate em bovinos e observaram teores de proteína bruta de 20. A autora recomendou a inclusão de até 40% de inclusão do subproduto de manga em dietas para ovinos. o autor percebeu que houve efeito significativo para o grau de dureza. Oliveira et al. 108 . Já para o subproduto de manga. (2007a) avaliaram a degradabilidade ruminal da fibra de diferentes frações do subproduto agroindustrial do tomate. Concluíram que o subproduto de tomate pode constituir boa fonte de nutrientes para os microrganismos ruminais e para bovinos. No caso desse ensaio. sendo que os animais que receberam dietas contendo subproduto de banana apresentaram a maior maciez da carne. não houve redução do consumo com a inclusão de casca de café às dietas.5% e digestibilidade total da proteína de 72%. Avaliando os atributos sensoriais da carne dos ovinos alimentados com essas dietas. o que pode ter limitado o aporte de nitrogênio para o ambiente ruminal. o que elevou o teor de NIDA.9% de subproduto de manga a essas dietas. pois sementes inteiras apresentaram degradabilidades muito inferiores às das sementes moídas. Destacaram que. Campos et al. o fator dietético influenciou a deposição de gordura de marmoreio. Houve. embora os teores dietéticos de cafeína nas dietas tenham ultrapassado os níveis máximos toleráveis por ruminantes em crescimento (4. Acima desses níveis. conforme Oliveira et al. redução da digestibilidade da proteína como consequência dos altos níveis de lignina existente na casca de café. Os autores destacaram que o subproduto de tomate supre pequenas quantidades de proteína para o intestino delgado. De acordo com a autora. sendo a maior parte daquele composto degradado no rúmen. com subproduto de urucum. apesar de a FDN e a FDA do subproduto de tomate terem apresentado altas taxas de degradação. Vale ressaltar ainda que. por fim. seguido da carne dos animais que se alimentaram com subproduto de manga e. (2007b) avaliaram a substituição do milho por casca de café ou de soja em dietas para vacas leiteiras e verificaram que níveis de 25 ou 50% de substituição do milho pela casca de café ou pela casca de soja em dietas à base de cana-deaçúcar para vacas com produção de 20kg de leite/dia podem ser utilizados de acordo com a disponibilidade e conveniência econômica. houve redução do consumo. (2007a).5g de cafeína/100kg de PV). a adição de subproduto de manga favoreceu o decréscimo da proteína dietética. o potencial de degradação dessas frações depende do processamento.regionais e de suas porcentagens em relação ao peso da carcaça fria e área de olho lombo de cordeiros não diferiram entre as dietas padrão (feno de tífton e concentrado) e com subproduto de banana. que afirmaram. pode ter relação com os altos teores de taninos existentes no referido subproduto. Clementino (2008) verificou que a adição deste em níveis crescentes para ovinos resultou em maior consumo de matéria seca com a inclusão de 37. Campos et al.

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Felipe Antunes Magalhães5 RESUMO Neste capítulo. Dentre estes subprodutos. O objetivo deste material é discutir as potencialidades e limitações da polpa cítrica para bovinos de leite. felipeam. MSc. Escola de Veterinária da UFMG. MG. à produção e composição do leite. MG. Belo Horizonte. Caixa Postal 567. Prof.br 5 Médico Veterinário.123-970. Doutorando em Zootecnia. Caixa Postal 567. MG.CAPÍTULO 7 POLPA CÍTRICA NA ALIMENTAÇÃO DE BOVINOS DE LEITE Alex de Matos Teixeira1. MG.                                                              Médico Veterinário. Associado Departamento de Zootecnia da Escola de Veterinária da UFMG. CEP 30. Escola de Veterinária da UFMG. CEP 30.123-970. 2008).. Relatos históricos citam que a laranja foi levada da Ásia para a África e desta para a Europa. CEP 30. fredericovelasco@gmail.com. pode-se destacar a polpa cítrica peletizada.. 2002). MG. Escola de Veterinária da UFMG. MSc. Gabriel de Oliveira Ribeiro Júnior4.com. Caixa Postal 567.br 3 Médico Veterinário.. é nativa da Ásia. Frederico Osório Velasco3. A LARANJA NO BRASIL A laranjeira (Citrus sinensis). INTRODUÇÃO O Brasil possui grande quantidade de resíduos e subprodutos da agricultura e da agroindústria. devido ao grande volume de produção de laranjas no país.. o maior produtor mundial (Associação Brasileira dos Exportadores de Cítricos . luciocg@vet. Belo Horizonte. Considerando que estes subprodutos não são possíveis de serem utilizados na alimentação humana e são uma potencial fonte de poluição ambiental. Caixa Postal 567. sendo que a mais antiga descrição de cítrus aparece na literatura chinesa em 2000 a. o uso racional tem constituído uma alternativa de grande valia na redução dos custos da alimentação e manutenção dos níveis de produção na alimentação de bovinos (Rodrigues e Guimarães Júnior. Doutorando em Zootecnia.123970. Belo Horizonte. DSc. na década de 80. Belo Horizonte.123970.vet@gmail. CEP 30. 2005). 1.com 4 Médico Veterinário. CEP 30. assim como todas as plantas cítricas. com potencial de uso na alimentação de ruminantes. Doutorando em Zootecnia.123970. Belo Horizonte. MSc. Caixa Postal 567. Lúcio Carlos Gonçalves2.com 1 116   . MSc.ufmg. (Prado e Moreira. alexmteixeira@yahoo. Escola de Veterinária da UFMG. Doutorando em Zootecnia.br 2 Engenheiro Agrônomo..C. Com mais de 1 milhão de hectares de plantas cítricas. são discutidas informações sobre o valor nutricional da polpa cítrica bem como os efeitos de sua inclusão na dieta em relação ao desempenho.ABECITRUS. gabrielorjunior@yahoo. o Brasil se tornou.

Após um período de modernização e importação de tecnologias na citricultura. os mercados importadores se fecharam e provocaram abandono das culturas de laranja. estado responsável por 80% e 98% das produções nacionais de laranja in natura e suco.A introdução da laranja no Brasil ocorreu no período da colonização portuguesa. Entretanto. as exportações reduziram de 1.465. 2002).320. Posteriormente. Mesmo com a descoberta da origem da dioxina e solução do caso. a fonte fornecedora da cal contaminada eram indústrias produtoras de resina de plástico PVC (Andrade. a fazer parte dos ingredientes utilizados na ração de bovinos no país.736 Fonte:1 Rendimento de polpa cítrica: para cada 100Kg de laranja. a polpa cítrica peletizada passou. O Brasil é hoje o maior produtor mundial de laranja e líder na produção do suco. por volta de 1530/40.000 toneladas (safra 98/99) para 780. produzem-se 7.945 08/09 (t) 16. fez com que a exportação deste produto caísse drasticamente. as quais estão concentradas em São Paulo. a partir de 1939.832. desde então. Segundo a ABECITRUS (Associação Brasileira dos Exportadores de Cítricos). plástico. que somente foram controladas após a criação da Fundecitrus (Fundo Paulista de Defesa da Citricultura). lixo) e em processos naturais. antídoto do escorbuto que dizimava as tripulações naquela época. no início de 1998.000 836. Até meados de 1993. tornou-se um dos dez produtos mais importantes na exportação do país.000 (safra 00/01). devido ao excesso de dioxina (organoclorado) presente na polpa cítrica peletizada importada do Brasil. como a queima de florestas e vulcões ativos. Atualmente a maior parte da produção nacional de laranjas é destinada às indústrias processadoras de suco. adaptando-se facilmente devido às condições climáticas. solucionando o problema. United States Department of Agriculture – USDA (2003). a ABECITRUS identificou que a dioxina estava presente em uma partida de cal. Durante o século XIX. a laranja passou a fazer parte dos produtos destinados à exportação e. a importância do cultivo da laranja estava associada a um adequado abastecimento de vitamina C. com a II Guerra Mundial. 117   . Porém. Neste período. 1999).000 11. proporcionando o estabelecimento de pragas (algumas ainda desconhecidas). a laranja acompanhou a caminhada do café para o interior de São Paulo. respectivamente.000 863. a polpa cítrica peletizada era desconhecida no país.000 11.3Kg de polpa cítrica com 2 8% de umidade (Mejía. Safra Produção de laranja in natura2 Volume de laranja destinado ao processamento2 Rendimento de polpa cítrica1 07/08 (t) 16. porém ainda como uma cultura acessória. No Brasil. no início do século XX. As dioxinas são formadas pela queima de produtos clorados (pneus. já que praticamente toda a produção era exportada para a Europa.480.730. um episódio de intoxicação no rebanho leiteiro da Alemanha.

por meio de compressão. que provém da prensagem do resíduo úmido da laranja após extração do suco. período que coincide com a entressafra de grãos.A safra da laranja se inicia em maio e termina em janeiro. as frutas liberadas são submetidas a equipamentos que separam. PROCESSAMENTO DA LARANJA Após prévia seleção manual das laranjas amassadas. líquidos aromáticos e farelo de polpa cítrica peletizada. 2005. Os óleos essenciais são óleos voláteis retirados da casca. Fonte: Yamanaka. 2006). bagaço) e líquidos da produção do suco. porém há variação de período produtivo entre as diferentes variedades de laranja. entre elas solvente industrial e componente aromático para obtenção de sabores artificiais de menta e hortelã. atacadas por fungos e desintegradas. Além do suco (principal produto) e dos óleos essenciais. O processo de obtenção do farelo consiste em três etapas (Costa. 2. obtido da destilação do licor cítrico. outros subprodutos de interesse comercial são obtidos durante o processamento da fruta (Figura 1). semente. existindo variedades precoces (Hamlin). As aplicações deste produto são variadas. o suco e óleos essenciais da massa da fruta. com leve odor cítrico. que são utilizados para dar sabor aos alimentos (sorvete. Rendimento teórico de produtos e subprodutos da laranja a partir de 100Kg. O farelo de polpa cítrica peletizada ou farelo de casca de laranja é obtido por meio do processamento dos resíduos sólidos (casca. bebidas) e na fabricação de medicamentos e cosméticos. 2008): 118   . terpenos. de meia estação (Peras) e tardias (Natal e Valência) (Salvador. Figura 1. Estes subprodutos são o d'limonene. O d’limonene é um óleo incolor (fonte de terpeno monocíclico).

desidratação: por meio de prensagem e adição de hidróxido de cálcio para facilitar a retirada da água e promover um ajuste do pH.8 Kg) 7. 119   .9% umidade) Cura (adição de 0. 3. Os resíduos da extração do suco correspondem a aproximadamente 50% do peso de uma laranja e apresentam um teor de umidade em torno de 82%. O fluxograma do processo completo de obtenção do farelo de polpa cítrica é descrito na Figura 2.1 Kg de cascas.1. polpas e sementes (81.6% de CaOH₂) e prensagem 28 Kg de polpa prensada (76% de umidade) Líquido proveniente da prensa Evaporação (secador) Óleo destilado (0. 1999. peletização.3 a 0. Fluxograma do processamento da polpa cítrica peletizada Fonte: Adaptado de Mejía. sendo peletizado para facilitar o manuseio e a estocagem. o farelo tem sua umidade reduzida a valores entre 8 e 12%.041 Kg) Polpa cítrica seca sem melaço Melaço de citros (3. 2. Ao final do processamento. 100 Kg Laranjas Extração do suco 52.3 Kg polpa cítrica seca com melaço (8% umidade)   Figura 2. É determinante no teor de sacarose do farelo. adição de melaço: a quantidade é dependente da remoção realizada para padronização do suco (varia com o teor de açúcares da fruta).

5% 22. Composição química A polpa cítrica peletizada (PCP) é classificada como um concentrado (menos de 18% de fibra bruta) energético (menos de 20% de proteína bruta).3% 4.9% 0.2% NRC. em função de seus teores de FDN (fibra insolúvel em detergente neutro) e FDA (fibra insolúvel em detergente ácido) e das suas características de fermentação ruminal.5% 88.5% 3.1% 88. 2001).3. Composição química da polpa cítrica peletizada e outros concentrados energéticos.3% 0.30% Sarturi. 2001 FDA 15.3% NRC.04% 2. A composição química da polpa cítrica peletizada comparada a outros concentrados energéticos pode ser observada na Tabela 1. 2008 Lignina 3% 0. 2001 P 1. Polpa cítrica Farelo de Fonte Milho1 Nutriente peletizada trigo1 National Research Council Matéria seca 89. incluindo o fruto. Os teores de nutrientes na polpa cítrica peletizada podem ser influenciados por uma série de fatores. não sendo. ela se enquadra como um produto intermediário entre volumosos e concentrados (Rodrigues e Guimarães Júnior. 1996). 2001 FDN 42. 1999 DIVMS 88. que pode chegar a 3% da matéria seca.7% 0.5% 9. 1999 Pectina 19. 1999 6. 2008 22. 2001 71.2% 4.2% NRC. 2005 24. 2 Valadares (2000). porém. 2001 85. 2001 1 NRC (2001).9% NRC. 2001 0.13% 0.3% 0. a quantidade de sementes e o tipo do processamento (Rodrigues e Guimarães Júnior. no qual há adição de óxido ou hidróxido de cálcio.1% 85. De acordo com o modelo proposto por Hall (2000) (Figura 3). devido a uma das etapas do processamento da polpa.92% NRC. os carboidratos presentes nos alimentos podem ser fracionados em dois grandes grupos.87% Adaptado de Mejía.3 9. 2008 1. 1999 NDT (nutrientes 79.29%2 95. Tabela 1. Este alimento apresenta em torno de 85-90% do valor energético do milho.17% Adaptado de Mejía.02% Adaptado de Mejía.4% 6.NRC.1. VALOR NUTRITIVO 3. O primeiro 120   . 2001 Ca 0.4% 0.9% NRC.80% . assim como este.90% NRC. 2001 N-FND 2. 2001 N-FDA 1. 2005). associado ao baixo teor de fósforo (0.13% na MS. uma boa fonte proteica (NRC.7% digestíveis totais) 76.29% Sarturi.18% 0.12% NRC.4% NRC.65% Sarturi. 2001 Proteína bruta 17. NRC. 2005).30% Adaptado de Mejía.80% NRC.62% Pereira. Um aspecto importante é o alto teor de cálcio.8% 0.4% 17. 1999 Extrato etéreo 4.19% Adaptado de Mejía.

grupo. já que este monossacarídeo representa apenas 1. sendo que a polpa tem baixíssimo conteúdo de hemiceluloses. FDN Baseando-se no modelo anterior. Os PNA. dependendo da solubilidade de seus componentes. O segundo grupo. Fracionamento de carboidratos. 1997). 2003). fibra total. Observa-se um teor de FDN intermediário. • amido resistente: 2%. sendo quase totalmente (90- 121   . • fibra solúvel: 28%.4% do peso molecular total da pectina (Salvador. 2006). também pode ser chamado de polissacarídeos da parede celular ou não amiláceos. Carboidratos das plantas Conteúdo celular Ácidos Mono + Amido Frutanas orgânicos oligossacarídeos Parede celular Pectina Galactanos β-glucanos Hemiceluloses Celulose FDA FSDN PNA CSDN Figura 3. representa o amido disponível e os mono e oligossacarídeos. porém um alto teor de AS. Fonte: Adaptado de Hall (2000). denominado de carboidratos solúveis em detergente neutro (CSDN). A pectina (contida na fibra solúvel) é um carboidrato estrutural que não está covalentemente ligado às porções lignificadas. A PCP possui um teor muito baixo de amido. encontrando a seguinte composição: • amido solúvel: 12%. hemiceluloses insolúveis). A polpa cítrica peletizada apresenta em sua composição 25% da MS em pectina (Scoton. é rica em celulose e é de baixa lignificação (Salvador. hemiceluloses e substâncias pécticas (Choct.4 a 2.. Lima (2004) determinou o fracionamento dos carboidratos constituintes da polpa cítrica peletizada. lignina. • amido disponível: 0%. (PNA) e é composto por celulose.2% da MS. Miron et al. • FDN: 15%. principalmente glicose (16. 2006). podem ser classificados como solúvel (pectina e hemiceluloses solúveis) e insolúvel (celulose. • fibra total: 43%. que é majoritariamente originária do melaço adicionado à polpa seca antes da peletização. 2001).

424 Fenilalanina 0.25 0.21 0.17 0.186 Treonina 0. Segundo Van Soest (1994).11 0. 2004).333 Cistina 0. associadas ao alto teor de açúcares totais.535 Alanina 0. 3. 2008).069 Valina 0.349 Ácido aspártico 0. a pectina é o carboidrato complexo de mais rápida degradação ruminal.12 0.31 0.2 0.12 0. principalmente metionina (Ladeira. Em geral. são lipogênicos (Costa. Fermentação ruminal Apesar de apresentar potencial de produção de ácido lático pelo seu alto teor de carboidratos solúveis.603 Glicina 0. 1991. 1999).37 0. O principal constituinte deste polissacarídeo é o ácido galacturônico. a polpa cítrica peletizada apresenta tendência em manter o pH ruminal mais elevado e aumentar a produção de ácido acético.206 Prolina 0. Composição em aminoácidos de polpa cítrica peletizada seca de origem brasileira (matéria natural). A composição em aminoácidos encontra-se na Tabela 2.817 Fonte: 1Adaptado de Mejía (1999). Tabela 2.34 0.205 Histidina 0. Além do baixo teor de proteína bruta (influenciado pela quantidade de sementes). Stern e Zeimer. A proteína da PCP é considerada deficiente em alguns aminoácidos. a partir da pectina e fibra.41 1.264 Leucina 0. (1999) conduziram um ensaio para avaliar os efeitos da polpa cítrica e do milho em substituição à silagem de milho sobre a produção de ácidos graxos 122   . as altas temperaturas (entre 100 e 116⁰C).291 Metionina 0. enquanto. como o milho e o sorgo (Lima. resultam na formação de produtos de Maillard.08 0. os nutrientes metabolizáveis gerados a partir de açúcares e amido tendem a ser gliconeogênicos.63 0. reduzindo a digestibilidade do N-total (Mejía.12 0.1 0. 2003). 1993). que representa 75% da molécula (Costa.21 0.63 0. durante o processamento da PCP.49 0.26 0.23 0.579 Ácido glutâmico 0.2.100%) degradável no rúmen (Nocek e Tamminga.300 Isoleucina 0. 2008).19 0. 1 1 Mejía Empresa Brasileira de Fontes (2007) Aminoácido (1999) Pesquisa Agropecuária Milho comum Embrapa (1991) Lisina 0.425 Tirosina 0. Rocha Filho et al. em comparação aos alimentos energéticos tradicionais.

1975). a inclusão de fontes de pectina na dieta em substituição de parte dos carboidratos não estruturais (amidos e açúcares) traz benefícios à nutrição e à produção de ruminantes: a) a degradação ruminal da pectina não contribui para o abaixamento do pH porque não gera ácido láctico. sendo superior em degradação quando comparada ao milho laminado.6 e 70. sendo superiores ao farelo de soja (84. mantendo as propriedades nutricionais deste alimento em relação à efetividade da fibra (Rodrigues e Guimarães Júnior. 2005). respectivamente. a mastigação e a produção de saliva. Oliveira et al. (2008) observaram aumento da degradação efetiva e da taxa de degradação quando substituíram parcial e totalmente o milho moído pela PCP. resultando em perda de proteína e energia (Russel et al. Quando imersos no fluido ruminal. Segundo Van Soest (1994). Enquanto as produções totais de AGV foram semelhantes. Em dietas com alto teor de polpa cítrica peletizada.voláteis (AGV) no rúmen.3.8. 71.. sendo 3. Esses valores são superiores aos encontrados por Martins et al. demonstrando alto valor energético da PCP.1992. nas dietas de vacas não lactantes. há uma elevação das concentrações de NH3 no rúmen com consequente aumento da excreção de ureia. A dieta contendo polpa cítrica proporcionou maior produção de acetato e butirato em comparação àquela contendo milho. Schultz et al.7%) e milho (76. 59. estimulando a ruminação. Morrison e Mackie.1. b) a cadeia principal de ácido galacturônico da pectina proporciona potencial tamponante ruminal. 67. 5 e 8%/h. o que permite deduzir que houve maior retenção e. respectivamente. a polpa cítrica peletizada é um alimento interessante de ser utilizado em dietas com elevadas concentrações de proteína solúvel. 123   . e c) a fermentação da pectina gera elevada relação acetato/propionato (A/P). 3.3 e 63. consequentemente. 2005). a ureia sanguínea foi significativamente menor do que na dieta com milho. os pellets se expandem e voltam à sua forma original (Wing. 1996). (2004) encontraram valores de degradabilidade efetiva da MS para a polpa cítrica peletizada de 86.04 e 2. as relações acetato/proprionato ruminal foram diferentes estatisticamente.6 e 51%). Digestibilidade e degradabilidade Goes et al. (1993) estudaram a degradabilidade ruminal de diversos subprodutos por meio da técnica de degradação in situ e concluíram que a PCP é rápida e extensamente degradada no rúmen. Em função da sua rápida degradabilidade ruminal.5 e 61. contribuindo para um melhor aproveitamento da amônia produzida e reduzindo os seus efeitos tóxicos no rúmen (Rodrigues e Guimarães Júnior.1.7). Isso porque. quando a velocidade de síntese de amônia pelos microrganismos supera a sua utilização. favorecendo a produção de gordura do leite e de leite corrigido para gordura.2% a taxas de passagem de 2. 76.59 para as dietas com PCP e milho. De forma semelhante. (1999) para polpa cítrica peletizada desidratada (79. por meio da troca de cátions e ligação aos íons metálicos. Outro fator que contribui para a estabilidade da fermentação ruminal é que a moagem não é necessária para a fabricação da PCP.

2 52. após vários experimentos com carneiros. 2002). categoria animal. 150.utilização mais eficiente da proteína pelos animais que receberam PCP (Scoton. Fegeros et al. 2003). composição do leite. (2008). na ingestão de matéria seca. Tabela 3. sem que haja alterações no desempenho. respectivamente. nível de produção. 300. Schalch et al. Estes efeitos sobre as digestibilidades dos nutrientes da dieta também foram observados por Oliveira et al.6%. 225. o que pode ser explicado pelo alto teor de nitrogênio retido na fração fibrosa (N-FDA). Apesar de alguns autores questionarem a inclusão de polpa cítrica peletizada na dieta de bezerros antes dos 60 dias.0 93. 124   . 375 e 450g/dia). devido ao incremento na densidade energética da ração. Em experimento semelhante.2 83. proteína bruta (PB).1 total Fonte: Fegeros et al. DESEMPENHO ANIMAL O uso de polpa cítrica peletizada na dieta de bovinos está associado à substituição de grãos de cereais. extrato etéreo (EE). para a digestibilidade da MS (78 a 92%). da MO e da PB foram 78. na capacidade e no desenvolvimento ruminal. Coimbra (2002) também concluiu que a utilização de PCP em substituição ao milho no concentrado de bezerros até 90 dias de idade não provocou quedas no desempenho dos animais. Bruno Filho et al. por diferença entre as dietas. 87. Foram utilizados seis carneiros. da MO (83 a 96%) e da PB (40 a 65%) da polpa cítrica peletizada. 4. foram determinadas as digestibilidades dos nutrientes da PCP. onde.2% e 52. Nutriente MS MO PB EE FB ENN Digestibilidade 78. As dietas consistiam em 800g/dia de feno e quantidades crescentes de polpa (75. estando coerentes com os intervalos descritos por Wainman e Dewey (1988). além de ser vantajosa economicamente. (2001) avaliaram a utilização de PCP na desmama precoce de bezerros leiteiros e concluíram que ela pode substituir até 100% do milho em concentrados peletizados com adição de 5% de leite em pó desnatado. Digestibilidade aparente total da matéria seca (MS). fibra bruta (FB) e extrato não nitrogenado (ENN) da polpa cítrica peletizada. em um quadrado latino 6 X 6.7%. levando em consideração: preço dos insumos.7 82.6 87. (1995) avaliaram o consumo e a digestibilidade aparente total da polpa cítrica peletizada em carneiros e encontraram os valores descritos na Tabela 3. disponibilidade destes. porém reduz a digestibilidade da proteína bruta. matéria orgânica (MO). (1995). (2000) observaram que a inclusão de polpa cítrica peletizada nas dietas de bovinos aumenta a digestibilidade dos nutrientes. devido à sua palatabilidade (Coimbra. Os dados de digestibilidade aparente da MS.

pelo aumento no teor de FDN e FDA nas dietas que continham polpa. 2000. (2000). Solomon et al. a 125   .. Neste caso.. mesmo com ingestões de matéria seca mais baixas.. a substituição de até 50% do feno (ou 35% da MS da dieta) pela polpa cítrica para novilhas leiteiras aumenta a viabilidade econômica da atividade.. trabalhando com vacas de alta produção leiteira. Andrade (2002). dois deles (Leiva et al. Assis et al. Moreira et al. Broderick et al. (2008) observaram aumentos significativos no teor de gordura do leite quando a polpa cítrica peletizada substituiu o milho da dieta em 100%. trabalhando com vacas puras por cruza e mestiças (1/2 sangue Holandês/Gir) com produção de leite acima de 25Kg/dia. 2000. não detectaram efeito da substituição de milho por polpa sobre o teor de gordura no leite. 2004). A excreção de proteína no leite é dependente do fluxo de proteína no intestino delgado. no tipo e teor dietético do amido substituído por polpa e em fatores ligados à capacidade genética de produzir gordura e estádio de lactação das unidades experimentais (Salvador. 2006). em dois dos seis experimentos não foram observadas alterações (Assis et al. 16. A substituição de milho por polpa cítrica peletizada nas dietas de vacas de alta produção (acima de 30Kg/dia) reduziu a excreção diária de proteína. Entretanto... 2004. Hall e Herejk (2001) mensuraram a produção da proteína microbiana in vitro quando o substrato fermentativo foi pectina. 2002). e negativo sobre custo por quilograma de ganho de peso. Dentre seis experimentos avaliando a substituição do milho pela polpa cítrica peletizada na dieta de vacas em lactação. Para Leiva et al....6.. sacarose ou fibra. Tavares et al. Broderick et al. 2004. sendo que a principal fonte desta é a proteína microbiana (Salvador. assim como Leiva et al. 2004. as respostas encontradas nos experimentos não têm sido consistentes. Comparada ao amido. segundo o autor. Quanto à composição do leite. Moreira et al.. Apesar de ser esperado um maior teor de gordura no leite quando pectina e fibra de polpa substituem o milho no concentrado. concluindo que. em quatro trabalhos não ocorreu alteração da produção de leite (Solomon et al. 2005). (2000). 2000. Leiva et al. (2000) e Veiga et al.. resultando em menor teor de proteína no leite (Solomon et al. este fato pode ter sido resultado da diluição pelo maior volume diário de produção de leite na dieta com o milho. 2006). no tipo e tamanho de partículas de forragem utilizadas.3 e 50%) de substituição do feno de tífton pela polpa cítrica em novilhas leiteiras (grau de sangue variando de7/8 Holandês-Zebu a puro por cruza) com peso médio inicial de 184Kg. os consumos de FDN e FDA foram superiores nos animais que receberam dieta com polpa. o que pode ser explicado.Mendes Neto et al. Dos experimentos realizados com vacas de alta produção (Leiva et al. Broderick et al. (2000) e Broderick et al. 2002) apresentaram efeito negativo da substituição do milho pela PCP sobre a produção de leite. devido a diferenças no teor dietético. 33. amido. Solomon et al.. nas condições do experimento. observou que a substituição parcial (50%) ou total do milho por PCP em dietas com silagem de milho como fonte forrageira reduziu a ingestão de matéria seca. (2007) avaliaram os efeitos de quatro níveis (0. (2002). Os autores observaram efeito linear positivo sobre o consumo de matéria seca e o ganho de peso. 2000. 2002). 2000.

Chapman et al. secos e cobertos. INTOXICAÇÃO Sob o ponto de vista clínico. Entretanto. a via Entner-Doudoroff modificada.. 2002). o crescimento de fungos é favorecido e o material pode até mesmo entrar em combustão. utilizada pelas bactérias pectinolíticas. Portanto. Recomenda-se não armazenar a polpa cítrica peletizada por mais de 60 dias. sendo às vezes observados casos de pruridos na pele. ARMAZENAMENTO A polpa cítrica peletizada tem alto poder higroscópico. em desenvolver mercados para a polpa úmida (matéria seca entre 15 e 20%). 2000. 1995. 1988). Este menor potencial para produção de proteína microbiana apresentado pela pectina está associado ao fato de que a via glicolítica utilizada pelas bactérias pectinolítcas. 6. porém. Apesar de ser comercializada geralmente sob a forma peletizada seca. visto que o investimento em secadores pode chegar a 50% do investimento total de uma fábrica de processamento de suco (Carvalho. síndrome hemorrágica e até a morte de vacas em lactação alimentadas com este produto (Rodrigues e Guimarães Júnior. Enquanto a via Embden-Meyerhoff. já que o alto teor de umidade permite que pouca matéria seca seja disponibilizada ao produtor na compra deste produto.pectina proporcionou um crescimento microbiano mais rápido. Uma das dificuldades na utilização da forma in natura seria a necessidade de proximidade à indústria. alguns problemas dermatológicos são relatados na literatura. 2008). 2006). 2005). principalmente as pequenas. tendo a pectina produzido 88% do crescimento induzido pelo amido. citados por Sarturi. consequentemente. 2006). ela pode ser armazenada por períodos de até um ano (Andrade. devido à menor produção de propionato no rúmen e. 5. ruminais é menos eficiente. principal via glicolítica das bactérias ruminais (Hobson. a polpa cítrica peletizada deve ser armazenada em locais ventilados. torna-se indispensável a estocagem dela sob a forma de silagem (Sarturi. em boas condições. chegando a elevar seu peso em até 145% (Rodrigues e Guimarães Júnior. Em locais onde a umidade relativa do ar é superior a 14%. 2005). apresenta um saldo de dois ATP por mol de glicose. o amido foi o substrato que proporcionou a maior produção total de proteína microbiana. por micotoxinas. há interesse das empresas. um dos principais problemas relacionados à utilização da polpa cítrica peletizada é a sua contaminação por fungos (possivelmente Penicillium citrinum) e. menor substrato para a síntese de glicose (Salvador. Sendo assim. sempre acompanhados de histórico de má conservação da polpa cítrica 126   . apresenta um saldo de zero ou apenas um ATP (Salvador. consequentemente. atingindo o pico de crescimento mais precocemente. Caso contrário. 2008). Outra hipótese refere-se à maior mobilização de aminoácidos gliconeogênicos em dietas com polpa substituindo o milho.

1998). bem como a saúde animal. a polpa cítrica peletizada torna-se um alimento interessante para utilização no período da seca. 8. 7. NÍVEIS DE INCLUSÃO NA DIETA Para bovinos de leite adultos. também pode ocorrer contaminação. Altos níveis de inclusão de polpa cítrica peletizada na dieta passam a ter efeitos negativos sobre produção e/ou composição do leite e ingestão de matéria seca em animais de alta produção. Em um ensaio biológico. • REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ANDRADE. Lavras. A substituição do milho por polpa cítrica peletizada em dietas de vacas de baixa produção não interfere na produção e composição do leite.peletizada nas propriedades. A PCP é uma opção viável para formulação de concentrados para bezerros. CONSIDERAÇÕES FINAIS • • • • Em função das suas características. Dissertação (Mestrado) – Universidade Federal de Lavras. Atualmente todas as indústrias fornecedoras de cal para a produção de polpa cítrica peletizada fornecem apenas cal de mina (CaO) (Ministério da Agricultura. onde há contato do material com umidade. Oliveira (2001) avaliou os parâmetros clínicos e laboratoriais de bovinos adultos mestiços submetidos à alimentação com polpa cítrica peletizada comercial isenta de resíduos de pesticidas e de aflatoxinas durante 45 dias. são necessários para preservar o valor nutricional desse alimento. Cuidados no armazenamento. assim como vigilância na origem da PCP. Para níveis acima de 20% da MS total. Substituição do milho moído por polpa cítrica no desempenho de vacas em lactação. MG. 127   . o nível de inclusão da polpa cítrica peletizada deve ser de 20-30% da MS total da dieta ou até 4 Kg/animal/dia (Rodrigues e Guimarães Júnior. 2002. 151f. devido ao alto teor de cálcio da polpa. a produção de toxinas letais (Sarturi.A. A primeira é no cultivo da laranja. A segunda (e de menor incidência em virtude da fiscalização do Ministério da Agricultura sobre as empresas fornecedoras) é no processamento. recomenda-se verificar a relação cálcio/fósforo. Pecuária e do Abastecimento . não observando alterações clínicas nos animais. em que a aplicação de pesticidas sobre a lavoura pode deixar resíduos nos subprodutos. por consequência. sem que haja comprometimento do desempenho destes. devido à possibilidade de a cal utilizada conter altos níveis de dioxina (como ocorrido no passado).MAPA. Em outras duas etapas. 2008). proporcionando crescimento de fungos e. 2005). G.

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. 610. DSc... 1. Belo Horizonte. CEP 30123-970. gabrielorjunior@yahoo. Juiz de Fora. Seu uso se dá principalmente nas rações pet (cães e gatos) e. Belo Horizonte.com. Embrapa Gado de Leite.. sendo ambos os alimentos ricos em pectina.br 4 Médico Veterinário. principalmente de bovinos. não é muito comum encontrar o subproduto polpa de beterraba no país.br 2 Engenheiro Agrônomo. MSc. MG. No Brasil. para equinos. Fernanda Samarini Machado3. demonstrando a possibilidade de utilização na alimentação de vacas leiteiras. a disponibilidade da polpa de beterraba é pequena. INTRODUÇÃO A polpa de beterraba constitui um elemento de grande valor nutricional para a produção de carne e leite.CAPÍTULO 8 POLPA DE BETERRABA NA ALIMENTAÇÃO DE GADO DE LEITE Isabela Rocha França Machado Veiga1. Caixa Postal 567. DSc. MG. a indústria do açúcar utiliza como matéria-prima a cana-de-açúcar. já que a disponibilidade não é alta.br 3 Médica Veterinária. MSc. portanto. portanto. luciocg@vet. MG. Caixa Postal 567. Associado Departamento de Zootecnia da Escola de Veterinária da UFMG. em alguns casos. amplamente utilizada na alimentação de vacas leiteiras. CEP 30123-970. sendo assim um subproduto destinado às indústrias de alimentação animal. Prof. Escola de Veterinária da UFMG. A parte aérea (ramas) pode ser usada como fonte proteica. MG. Gabriel de Oliveira Ribeiro Júnior4 RESUMO A polpa de beterraba é um subproduto da indústria do açúcar muito utilizado na alimentação animal. O objetivo deste capítulo é descrever este alimento. para equinos devido ao baixo nível de inclusão e alto custo. Um subproduto com características similares à polpa de beterraba presente no Brasil é a polpa cítrica. e. No Brasil. Dom Bosco.com. a polpa de beterraba apresenta bom valor energético e pode ser utilizada em dietas de vacas leiteiras com resultados satisfatórios. Seu uso se dá principalmente nas rações pet (cães e gatos) e. doutorando em Zootecnia. Rua Eugênio do Nascimento.embrapa. Caixa Postal 567. em alguns casos. sendo uma das culturas mais importantes para a economia das explorações agrícolas na maioria dos países europeus. a indústria do açúcar utiliza como matéria-prima a cana-de-açúcar. CEP 36038-330. belaveiga@yahoo.ufmg. Por possuir uma fibra de alta digestibilidade. Escola de Veterinária da UFMG. doutoranda em Zootecnia. e. MSc. CEP 30123-970. Belo Horizonte. Médica Veterinária. fernanda@cnpgl. POLPA DE BETERRABA A beterraba sacarina (Beta vulgaris L) é uma planta da família Chenopodiaceae.br 1 132 . cuja raiz constitui a matéria-prima para a obtenção do açúcar. Lúcio Carlos Gonçalves2.

o milho é rico em amido. onde se eliminam pedras. no estado úmido (polpa prensada). Além disso. Enquanto a polpa seca e granulada pode ser armazenada e consumida durante um largo período de tempo. polpa cítrica e milho grão estão apresentados na Tabela 1. Ambos os alimentos são ricos em pectina. o conhecimento dos fatores que afetam essa variação é importante (Fadel et al. 2007). alternativamente. Os valores de composição química da polpa de beterraba. Um subproduto com características similares à polpa de beterraba presente no Brasil é a polpa cítrica. A polpa de beterraba é o subproduto primário que sobra após a extração do açúcar das raízes (Fadel.. A composição química dos subprodutos é muito variável. com um teor de matéria seca de aproximadamente 22%. sendo um dos principais componentes da parede celular das plantas e o principal componente da lamela média (Hall. portanto. deve-se levar em conta essa diferença. no balanceamento de dietas. Com relação ao milho grão. principalmente em virtude das diferenças no processamento. congelamento e ar). 2000). 1981). Os teores de pectina do grão de milho são muito baixos e normalmente não são considerados. assim como o teor de matéria mineral. A polpa de beterraba. a beterraba é cortada em tiras.A beterraba sacarina entra no processo de obtenção de açúcar através de canais com água. quando se extrai a sacarose por osmose a 72ºC e elimina-se a fibra em forma de polpa. A variação na composição química da polpa de beterraba em função desses três processamentos foi de pequena magnitude e pode não ter efeito 133 . arabinose e galactose (Sakamoto e Sakai. estão apresentados os dados de composição química da polpa de beterraba submetida à secagem por três processamentos diferentes (sol. ou. Os valores de pectina da polpa cítrica e da polpa de beterraba são próximos. ramnose. possui variação em sua fração fibrosa. 1995). um carboidrato não estrutural bastante degradável no rúmen e com perfil fermentativo diferente da pectina. que a transportam até uma instalação de lavagem. por isso é destinada às indústrias de alimentação animal. Em seguida.1999). Pode ser disponibilizada no estado seco ou granulada. como este alimento pode ser utilizado como fonte de fibra para vacas lactantes. entrando seguidamente no processo de difusão. a polpa prensada destina-se ao consumo imediato ou à ensilagem tendo em vista a sua utilização futura. Na Tabela 2. terras e outras matérias estranhas. devido ao método de secagem ou posterior adição de melaço. e. que é um polissacarídeo ramificado constituído principalmente de polímeros de ácido galacturônico. 2. sendo classificada como subproduto concentrado energético (Bath. em ambos os casos com um teor de matéria seca de aproximadamente 90%. o teor de FDN e o de FDA são bem superiores para as polpas. amplamente utilizada na alimentação de vacas leiteiras. mas os valores de FDN são bem distintos. VALOR NUTRICIONAL A polpa de beterraba é um alimento de grande valor nutricional para a produção de carne e leite.

biológico para o animal. * Dado extraído de Fadel et al.1 45.0 9.9 1. polpa cítrica e milho grão.6 Componentes (%) FDA* FDN* EE* 24.0 1. EE .7 28.7 17.2 80.proteína bruta.4 PB* 11. FDA= fibra em detergente ácido. Tabela 1. Fonte: Fadel et al.7 58.proteína bruta.fibra em detergente ácido.8 4.fibra bruta.3 54.1 29.2 4.2 FDA* 28.fibra total (Todos em % da matéria seca). FDN .fibra em detergente neutro.NRC (2001) Castro Neto (2004) Valadares Filho et al.5 Pectina 21. FDN . A silagem de polpa de beterraba é uma forma de conservação deste alimento úmido.0 21.1 2.3 5. (2006) * MS . Alimentos Polpa de beterraba Polpa cítrica Milho grão MS* 88.fibra em detergente neutro.4 0.0-22. (1965). MM= cinzas (Todos em % da MS).polissacarídeos não amiláceos. já que também são subprodutos da indústria do açúcar. Composição química da polpa de beterraba submetida a secagem por sol.7 21. NDT .3 * MM .extrato etéreo.6 EE* 0.6 PNA* 55. (2000).2 FDN* 62. FDA . congelamento ou ao ar. Ca= cálcio.fibra em detergente neutro. Alimentos Silagem de polpa 1 Folhas frescas 2 MS* 21. Composição química média da silagem de polpa de beterraba e das folhas de beterraba. FDA .1 20.0 2.2 3.cinzas.3 Fonte National Research Council .8 MM* 6.matéria seca. Vargas et al. sendo removidas antes de se iniciar o processo de extração da sacarose.7 4. MM .0 60.0 87. A composição química média da silagem de polpa de beterraba e das folhas frescas de beterraba está apresentada na Tabela 3.6 PB* 7. PB . mas as análises devem ser feitas todas as vezes que esse alimento for utilizado no balanceamento de dietas para bovinos.6 PB* 10.8 44. Método Sol Cong Ar MM* 3.96 P* 0.8 Pectina 22. PB . diminuindo as perdas. Tabela 3.4 * MS . FDN .1 7.1 Fibra* 82. Tabela 2.4 Ca* 1.6 3. PNA .proteína bruta.4 Lignina 4.5 7.7 66.4 7. As folhas de beterraba possuem um alto teor proteico e podem ser utilizadas na alimentação animal. (1999). PB .extrato etéreo.1 13.fibra em detergente ácido. (2000). EE . 1 2 Fonte: De Brabander et al. fibra .3 67. P= fósforo (Todos em % da matéria seca). 134 .9 FB* 14.5 0. FB .6* 19.3 85.5 NDT* 66.4 3.1 79.matéria seca.8 23.8 6.cinzas.0 7.9 14.1 Componentes (%) FDA* FDN* EE* MM* 23. Composição química da polpa de beterraba.nutrientes digestíveis totais. EE .3 54.extrato etéreo.

0001) (0. consumo ad libitum ou restrito (12 horas de pastejo). e diminuiu o número de bocados. A produção de leite foi superior para os animais suplementados sem diferença entre o tipo de concentrado. Noro et al. A polpa de beterraba tendeu a aumentar a eficiência de conversão do alimento em leite.02) para os animais recebendo o concentrado amiláceo à base de cevada (3. (2002) utilizaram 12 vacas Holandesas pluríparas com média de produção diária de 32 litros de leite para avaliar a suplementação com dois tipos de concentrado (polpa de beterraba e cereal) sobre o tempo de pastejo. (2006). além do consumo de pasto. A suplementação alterou o comportamento de pastejo.25mmol/L) quando comparados com o grupo de animais recebendo concentrado mais fibroso à base de polpa de beterraba (3. Balocchi et al. Com o aumento da inclusão da polpa de beterraba.3% em uma dieta com 60% de concentrado e 40% de forragem. POLPA DE BETERRABA NA ALIMENTAÇÃO DE VACAS LEITEIRAS Trabalhando com oito vacas Holandesas fistuladas no rúmen. sem diferença entre os concentrados. suplementados com concentrado amiláceo (cevada) ou fibroso (polpa de beterraba). O consumo de matéria seca total aumentou e o consumo de pasto diminuiu com a suplementação. tempo de ruminação e tempo para outras atividades.59mmol/L) nos animas recebendo o 135 . dependendo dos custos e do valor do leite produzido. Não houve diferença entre os tipos de concentrado. 6. Os pesquisadores verificaram que a concentração de glicose sanguínea se manteve dentro dos valores normais devido ao eficiente controle homeostático hormonal. Trabalhando com 12 e 27 vacas Holandesas pluríparas com produção de leite próxima a 30 litros por dia. avaliaram o perfil de indicadores do metabolismo de energia e proteína sanguíneos desses animais em pastejo. trabalhando com 27 vacas Holandesas pluríparas com produção de leite próxima a 30 litros por dia. mas este valor foi maior (P<0.1%. 12. O concentrado com 72% de polpa de beterraba (fibroso. A concentração de βhidróxido-butirato foi menor (P<0.09mmol/L).1% e 24. (2006) realizaram dois experimentos avaliando a influência do tipo de carboidrato do concentrado no consumo desses animais a pasto. além de aumentar a gordura do leite com maior valor observado no nível de 6% de substituição. esse alimento pode substituir parcialmente o milho grão úmido.pectina) não alterou o consumo total ou de pasto dos animais quando comparado com o concentrado com 79% de cevada (amido). diminuindo o pastejo total e diurno. Pulido et al. Portanto. aumentou a ruminação diurna e diminuiu a ruminação noturna. houve uma diminuição linear da ingestão de matéria seca. consumo total de matéria seca e produção de leite. Portanto. Voelker e Allen (2003) avaliaram a substituição de milho grão úmido por polpa de beterraba peletizada nos níveis 0%. As concentrações de insulina plasmática foram menores para os tratamentos com polpa de beterraba. o uso de polpa de beterraba e cereais foi equivalente. O comportamento de pastejo dos animais também não foi alterado. com diminuição da distensão ruminal. chegando a cerca de 2Kg no tratamento com 24% de substituição. Foram utilizados pastagem temperada e concentrado moderado com 28 a 30% da ingestão de matéria seca.3. que também apresentaram um menor ganho de condição corporal.

e o conteúdo de proteína do leite só aumentou com a suplementação de concentrados à base de cereais. consumo total. sem alteração no consumo de pasto. O ganho de peso aumentou com a suplementação de concentrado.concentrado amiláceo quando comparado com o concentrado fibroso (0. sem alteração no consumo e na produção de leite e com possibilidade de aumento na gordura do leite. Pulido et al. Não houve efeito da suplementação na gordura e na ureia do leite. (1999) realizaram um experimento para avaliar o efeito do uso e tipo de concentrado (polpa de beterraba ou cereais) sobre a resposta produtiva de 12 vacas leiteiras em pasto. CONSIDERAÇÕES FINAIS A polpa de beterraba é um alimento que pode substituir fontes amiláceas no concentrado ou na dieta de vacas de leite de médias produções em pequenas porcentagens. mas significativa nos dois experimentos.6mmol/L). A gordura do leite foi diferente somente no primeiro experimento. Para animais de produção de leite em pasto. Animais em pastejo normalmente possuem como nutriente limitante a energia. trabalhando com 12 e 27 vacas Holandesas pluríparas com produção de leite próxima a 30 litros por dia. Foram utilizados pastagem temperada e concentrado moderado com 28 a 30% da ingestão de matéria seca. sugerindo que esses animais tiveram melhor sincronismo entre a degradação ruminal da energia com a proteína da pastagem do que os animais recebendo polpa de beterraba. 4. Um aumento dos teores de proteína do leite foi verificado no experimento 2 com a utilização do concentrado amiláceo. As concentrações de ureia plasmática foram superiores nos animais suplementados com concentrado fibroso (8. principalmente gramíneas temperadas. a suplementação com a polpa de beterraba pode ser feita em substituição total de fontes amiláceas. indicando que os animais recebendo carboidrato rapidamente degradável em pastagens de alta qualidade tiveram um balanço energético mais favorável. (2007). produção e composição do leite. sendo maior nos animais recebendo concentrado fibroso à base de polpa de beterraba. A diferença na produção de leite observada foi pequena. mas diminuiu durante o experimento. sendo maior nos animais recebendo concentrado amiláceo à base de cevada. quando esta é aumentada pela ingestão de produtos mais rapidamente fermentáveis.82mmol/L). 136 . Pulido et al.8mmol/L) quando comparados com animais recebendo concentrado amiláceo (6. realizaram dois experimentos avaliando a influência do tipo de carboidrato do concentrado na produção e composição do leite desses animais a pasto. A produção de leite aumentou com a suplementação de concentrados. portanto. O concentrado à base de cereais foi equivalente ao concentrado à base de polpa de beterraba. existe um melhor sincronismo ruminal com melhor aproveitamento da proteína do pasto e maior produção de leite. como o amido da cevada. com correção para proteína.

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CEP 30. Para o período de 2007/2008 a 2017/2018. CEP 30123-970.92% ao ano nos próximos 10 anos.com.18% ao ano. Prof. Caixa Postal 567. O uso racional de coprodutos agrícolas e agroindustriais na alimentação animal tem constituído uma alternativa de grande valia na redução dos custos de produção. luciocg@vet.CAPÍTULO 9 RESÍDUO DE CERVEJARIA PARA GADO LEITEIRO Frederico Osório Velasco1.4. fredericovelasco@gmail. Escola de Veterinária da UFMG. com objetivo de reduzir custos. segundo a AGE. Escola de Veterinária da UFMG. Esse crescimento será devido ao aumento do consumo interno e ao avanço nas exportações. MSc. Caixa Postal 567. e com sua estacionalidade de produção. também terão um aumento de 6.1 bilhões de litros de leite. a uma produção em torno de 33.. CEP 30123-970. Belo Horizonte. MSc. um aumento da produção de cerca de 6. a produção de leite no Brasil deve crescer em uma taxa de 1.com 1 139 . é esperado um crescimento na produção de carne bovina no Brasil de 2.0% ao ano. que. MG.41 bilhões de litros de leite se comparada à produção do biênio 2006/2007 (MAPA.. assim como os efeitos causados por estes na alimentação de ruminantes. Associado Departamento de Zootecnia da Escola de Veterinária da UFMG. MG. Belo Horizonte. o consumo mundial de leite cresce de 3. MSc. DSc. com a diminuição das áreas de pastagem para o plantio de cana-de-açúcar e soja. MG.. CEP 30123-970. alexmteixeira@yahoo. segundo a AGE.123-970. Doutorando em Zootecnia. MG. MSc. CEP 30123-970. Alex de Matos Teixeira3. Escola de Veterinária da UFMG. Pecuária e Abastecimento (MAPA). wilsonvet2002@gmail..ufmg. CP 567.br 4 Médico Veterinário. Segundo a FAO (Food and Agriculture Organization). Doutorando em Zootecnia. Porém. Doutorando em Zootecnia. INTRODUÇÃO De acordo com a Assessoria de Gestão Estratégica (AGE) do Ministério da Agricultura. Wilson Gonçalves de Faria Jr.com 5 Médico Veterinário. chegando. MG. 2007). Lúcio Carlos Gonçalves 2.br 3 Médico Veterinário. um aumento de aproximadamente quatro milhões de toneladas. tornam-se escassos alguns recursos alimentares.com 2 Engenheiro Agrônomo. bem Médico Veterinário. A grande necessidade de produção de alimentos para ruminantes desafia a pesquisa a buscar novas alternativas de recursos alimentares. felipeam.5 a 4. Doutorando em Zootecnia. Escola de Veterinária da UFMG. ao final de 2018. facilitar o gerenciamento e aumentar a produtividade dos rebanhos (Geron. 2006). A mesma expectativa de crescimento é prevista para o mercado da pecuária de corte. refletindo em elevação do custo de produção. Caixa Postal 567. Belo Horizonte. Caixa Postal 567.5% ao ano. Felipe Antunes Magalhães5 RESUMO Este capítulo visa apresentar os métodos de conservação e utilização dos resíduos de cervejaria. Belo Horizonte.. O alto preço dos insumos leva a uma reorientação nos critérios e nos processos produtivos. Belo Horizonte.vet@gmail.

Muitas indústrias encaram os subprodutos como rejeitos industriais e. a região Sul por 14.5% da produção (aproximadamente 4.000 hectares. em sua maioria localizadas próximas aos grandes centros consumidores do país. tornando menores os riscos de poluição ambiental provocada pelo acúmulo de tais resíduos. sendo um dos principais cereais colhidos do mundo.3 bilhões de L/ano).3% (1.9% (0. Dentro do país.como tem permitido uma destinação mais apropriada desses coprodutos.34 bilhões de litros ao ano. a cevada cervejeira é a única produzida comercialmente no Brasil.500 toneladas do grão. principalmente na dos ruminantes. a produção de cevada no Brasil no ano de 2007 foi de 235. com uma produtividade média de 2. O não estabelecimento de parâmetros mínimos de qualidade limita o uso de alguns subprodutos devido à grande variabilidade da composição química. Durante o processo. seguido pelo Rio Grande do Sul. Uma vez que esses produtos não são possíveis de serem utilizados na alimentação humana. Desta forma. O maior estado produtor é o Paraná. a região Sudeste responde por cerca de 57. como o da polpa úmida de cervejaria. convencionalmente usados na formulação de rações (Geron. a região Nordeste por 17. 140 .7 bilhões de L/ano).6 bilhões de L/ano) e a região Norte por 2. também é gerado o resíduo seco conhecido como “varredura” (Zeoula et al.2 bilhões de L/ano).6 bilhões de L/ano). que produziu em 2007 cerca de 120. com uma produção de 105. Atualmente representa importante opção como cultura de inverno na região Sul e também no cerrado do Brasil central em cultivo irrigado. Os principais produtores são os estados do Sul.IBGE (2008). 1999). não têm controle sobre a qualidade desses alimentos. a região Centro-Oeste por 7.578 toneladas. Dentre os vários tipos de cevada explorados pelo homem. Esses produtos podem se apresentar indesejáveis na indústria cervejeira e podem ser utilizados como fonte alimentar para os animais. A cevada (Hordeum vulgare) é uma cultura milenar.4 bilhões de L/ano). 2006). são gerados diversos coprodutos. eles podem ser usados na alimentação dos animais domésticos. existem atualmente 47 fábricas. 1985). A inclusão de subprodutos da agroindústria na alimentação de bovinos leiteiros é economicamente justificável devido ao preço competitivo desses alimentos em relação a alimentos concentrados.. dessa forma.5% (0. em 2008 o Brasil foi o quarto maior produtor de cerveja do mundo. “bagaço de cevada” ou “cevada úmida” e a levedura. Durante o processo de preparação da cerveja. em uma área plantada de aproximadamente 100. conhecido popularmente como “cevada”.500. Segundo dados do Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja – SINDICERV (2009). ficando atrás apenas da China (35 bilhões de L/ano).8% (1.6 bilhões de L/ano) e Alemanha (10.5 toneladas por hectare. que produzem praticamente 100% da cevada cultivada no país. em geral de grande e médio porte. com uma média de 10. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia a Estatística . além da dificuldade para armazenamento e conservação (Cabral Filho. EUA (23.

O processo de fermentação dura de seis a nove dias. após ser purificado. levado para tratamento e estocagem. Este levedo é. 2005). A solução livre de impurezas e rica em açúcares resultante desse processo é.. é enviado para a etapa de carbonatação da cerveja. REVISÃO DE LITERATURA 1. podendo apresentar maiores concentrações de proteína e carboidratos do que as encontradas em seus cereais de origem (Clark et al. que consiste na conversão em álcool dos açúcares presentes em seus grãos. uma vez que a fermentação é um processo exotérmico. as dornas de fermentação devem ser resfriadas. convertendo os açúcares presentes no mosto em CO2 e álcool. e o restante é engarrafado como cerveja. e uma segunda. fase anaeróbia. A matéria-prima utilizada pelas indústrias de cerveja no Brasil é constituída por malte de cevada com a adição de mistura de cereais (principalmente o milho). separação do mosto e sua filtração). que. 1999). em que as leveduras se reproduzem. ao final dos quais obtém-se. De acordo com a CETESB (Santos. uma grande quantidade de CO2. dependendo de vários fatores. para cada 100 litros de cerveja produzidos são gerados 14Kg de bagaço de malte e 2 a 4Kg de levedura de cerveja adicional. e a parte sólida retida é denominada bagaço de malte ou dreche. enviada para a fermentação. em que as leveduras realizam a fermentação propriamente dita. maceração. O processo de fabricação do malte é chamado de maltagem e envolve o controle de umedecimento dos grãos. em seguida. é necessário que a temperatura se mantenha entre 8 e 15ºC. e este tendo sido clarificado e resfriado. dando origem ao álcool. O preparo do mosto consiste em cozinhar o malte e inclui etapas de preparo (como a moagem do malte. 1987). O mosto pode ser definido como uma solução aquosa de açúcares. já que estes se multiplicam durante o processo. A fermentação do mosto é dividida em duas etapas: uma primeira etapa. obtendo-se mudanças químicas e físicas com perdas mínimas de energia pelo processo de respiração (Cabral Filho. a cervejaria dá início ao processo de produção da cerveja propriamente dita. Após obter o malte. A fim de garantir um bom andamento ao processo de fermentação.1. Esta filtração é realizada por meio de peneiras que utilizam como elementos filtrantes as próprias cascas do malte presentes no mosto. denominada aeróbia. é filtrado para remoção do resíduo dos grãos de malte e adjunto. pode-se dar início à fermentação. também chamado de adjunto e maltose. O resíduo de cervejaria pode ser descrito como massa resultante da aglutinação da casca com resíduos do processo de mosturação. sendo uma parte reutilizada em novas bateladas de fermentação e uma outra vendida para a indústria de alimentos.1. obtém-se também um excesso de levedos. 141 . além do mosto fermentado. processo central da indústria cervejeira. aumentando de quantidade de duas a seis vezes. que serão os alimentos para as bactérias que realizam a fermentação. Processo de industrialização da cevada e os subprodutos gerados A cerveja é obtida pela fermentação da cevada (Hordeum vulgare). Após o preparo do mosto. Para isso. então. Ao final da fermentação. Filtra-se o líquido. então. cuja primeira etapa consiste em obter o mosto. Uma vez tendo sido preparado o mosto. este é resfriado de 80-100ºC até cerca de 75-78ºC em um trocador de calor e.

9 FDN 43.1 14. Torrent et al.2% a 30.. são também determinantes na composição química destes subprodutos. mostraram efeitos lineares negativos para o consumo de matéria seca à medida que as quantidades do resíduo aumentaram de 0 para 80% da matéria seca. Costa et al. A composição dos resíduos de cervejaria varia com o tipo de fabricação da cerveja e com os grãos de cevada utilizados no processo (Clark et al.5 5.9 Fonte: Aronovich (1999). resíduo de cervejaria prensado (RCP) e levedura de cerveja (LC). quando comparado ao feno de alfafa.6 FDA 21. O teor de matéria seca (MS) está inversamente relacionado ao seu teor de umidade. aveia e arroz. e esta é apontada como a maior limitação para o seu uso economicamente.2 12.0 48.5 20.7 PB 31.5 4. 1999).3 14. Os resíduos de cervejaria derivados do processamento da cevada são: resíduo de cervejaria úmido (RCU). Comparação entre a composição química do resíduo úmido de cervejaria. Teores de 9.0 27.0% de MS foram observados na literatura (Clark et al.9 14.9 25.NRC (1988). o resíduo de cervejaria é considerado um concentrado proteico por apresentar teores de fibra bruta menores do que 18% e teores de proteína maiores do que 20%.6 31.2. Tabela 1.0 44. (1997) encontraram diminuições no consumo voluntário em ovelhas alimentadas com o resíduo úmido. 1994.7 FB 15.0 33. O RCU apresenta baixos teores de matéria seca (MS).6 68.3 NDT 74.8 4.4 70. Fatores como a origem dos grãos de cevada e a inclusão ou não de outros cereais para a fermentação. De acordo com a classificação do National Research Council . Características nutricionais dos resíduos de cervejaria O valor nutricional do resíduo úmido de cervejaria (RUC) está diretamente relacionado ao tipo de fabricação da cerveja e ao processo utilizado pela fábrica (Tabela 1). Bovolenta et al. com teores de matéria seca (MS) de 9. respectivamente.8 26.0 69. Segundo Cabral Filho (1999).9 Lignina 3..1.5 47.8 18. Lima. que encontraram uma variação na composição do RCU e do RCP. para cada produto.6 9. a inclusão do resíduo em dietas exclusivas de gramínea 142 . estudando o resíduo desidratado em dietas de ovinos em crescimento.6 41. A influência do processo de secagem do RCU foi verificada por López e Pascual (1981).40% e 29. trigo (6 a 7%). (1998). Cabral Filho.8 N-FDN 56. As composições dos resíduos de cervejaria aparecem na Tabela 2.3 26.8 54. proveniente de diferentes indústrias. 1987). Indústria Nutriente (%) Brahma Kaiser Schincariol Skol MS 15. 1993. 1987. resíduo de cervejaria seco (RCS).. como milho (5%).90%.

83 4 FDN (%) 42 .86 89 Iodo 0. como as globulinas e as albuminas.1 46.6 NDT (%) 66 13. (1983).32 Magnésio 0.9 3.115 1.para ovinos limitou o consumo voluntário quando esta foi oferecida em quantidades superiores a 33% da MS da dieta.036 0. (1985) não observaram influência na ingestão de matéria seca em carneiros alimentados com resíduos de cervejaria.26 Potássio 0.33 0.38 Manganês 40 8.23 0.034 0.98 Zinco 30 6.83 41. (ppm) Cobalto 0.1 PB (%) 26 25.067 0.08 Cloro 0. Tabela 2.019 1. possuem maior solubilização no líquido ruminal e são rapidamente degradadas. A degradabilidade da proteína do alimento no rúmen está diretamente relacionada com a sua composição.54 Cobre 23 4. Já proteínas com alto peso molecular. que observaram redução da ingestão de matéria seca quando o teor de resíduo de cervejaria úmido chegava a 40% da dieta de vacas leiteiras. com grande número de pontes de dissulfeto.55 0. 1988.5 FDA (%) 23 .365 1.8 7.3 42 Fonte: NRC.019 0. tendo menor taxa de degradação ruminal.76 0.16 0.82 54 Cinzas (%) 4.4 .3 Ferro 266 55.32 0.3 .24 4.6 3070 ED (Kcal/Kg) 2780 2790 3480 EE (%) 6. Proteínas de menor peso molecular.27. resíduo de cervejaria seco (RCS) e levedura de cerveja (LC).1 FB (%) 14. Zeoula et al.13 3.15 Fósforo 0.86 79 E M (Kcal/Kg) 2330 . RCS RCU LC Composição MS (%) 93 21 93.2 Macromin.47 Enxofre 0.069 0. O resíduo de cervejaria possui em sua composição grande parte de proteínas de alto peso 143 . resultado semelhante ao de Davis et al.4 7 Selênio 0.17 0.81 Micromin. Porém.07 0.015 0.516. Composição química do resíduo de cervejaria úmido (RCU).46 8.09 0.5 1. (%) Cálcio 0. são menos solúveis.09 0.048 0.16 0.2490 489.47 Sódio 0.

para o resíduo de cervejaria úmido e para o resíduo de cervejaria fermentado. das bactérias ruminais e do farelo de soja (FSO) segundo o NRC (2001). 1993). O perfil de aminoácidos essenciais do RCF foi estudado por Geron (2006) e está demonstrado na Tabela 3. resíduo de cervejaria e resíduo de destilaria fornecem maiores quantidades de aminoácidos para o intestino do que o farelo de soja. respectivamente. do leite. De modo semelhante. Já Preston et al. respectivamente. com valores de NDT variando de 62 a 70% de acordo com pesquisa realizada por Scarlatelli (1995). medindo a fermentação ruminal. permitindo maior passagem de proteína dietética para o intestino.8%) em relação ao farelo de soja (4. Chiou et al. abaixo dos valores de 77. nota-se um maior volume do nitrogênio proteico contido nas frações A e B1: 35. Já a fração B3 foi maior nos resíduos de cervejaria úmido (26.2%. 144 . Geron (2006) comparou as frações nitrogenadas contidas no farelo de soja. Esta insolubilidade de parte da fração proteica de alguns alimentos é conhecida na nutrição de ruminantes como sobrepassante. o fluxo e a absorção de aminoácidos no intestino de vacas leiteiras. Valores de 17 a 35% de PB são encontrados na literatura.1% e 25.1%) e fermentado (24.4% da PB). Com isso. (1973). no resíduo de cervejaria úmido e no resíduo de cervejaria fermentado e observou que as frações A e B1 são maiores no farelo de soja. O RCU possui bom valor energético. compararam farelo de soja. a adição de resíduo de cervejaria na dieta de ruminantes reduziria a degradação ruminal da proteína. com a finalidade de comparação.3 e 1. assim como a fração B2.8% da proteína bruta para o farelo de soja.4Kcal/g. na matéria seca. mostrando certa variabilidade na composição bromatológica do resíduo de cervejaria (Lima. Santos et al. juntamente com os valores de aminoácidos essenciais (AAe) do tecido muscular.molecular. (2006). (1984). se comparados à dieta sem substituição do farelo de soja. seriam responsáveis por esse efeito.39% encontrados por Valadares et al. Segundo Geron (2006). (1998) avaliaram as características de ambiente ruminal de vacas leiteiras com dietas com substituição de 10% de farelo de soja por resíduo de cervejaria e observaram que havia uma queda acentuada de pH ruminal duas horas após a alimentação em animais que não recebiam resíduo de cervejaria na dieta se comparados aos que recebiam. encontraram valores de EM para mantença e ganho de peso de 2. ao se comparar o farelo de soja com o resíduo de cervejaria. Os autores concluíram que os maiores teores de fibra e a menor quantidade de carboidratos solúveis na dieta com resíduo de cervejaria. farelo de glúten de milho. resíduo de cervejaria e resíduo de destilaria e concluíram que dietas contendo farinha de glúten. 24. o que explicaria sua menor degradabilidade no rúmen. resultados indicativos de que 50% ou mais da proteína bruta escapem da degradação microbiana do rúmen e passem para o intestino delgado. (1987) encontraram. estudando o ganho de peso de bezerros alimentados com resíduo de cervejaria. ovelhas e carneiros. Clark et al. em seus experimentos com vacas em lactação.

do leite. Klopfensten et al.3 5.1 5. PB .1 10.1 4.9 45. reduzindo também a utilização de antibióticos nos animais pré-desmama. e sobre o seu desempenho.2 12. Vários trabalhos apresentaram bons valores de ganho de peso e de retenção do nitrogênio da dieta em animais alimentados com resíduo de cervejaria úmido (Conrad e Rigers. Perfil de aminoácidos essenciais (AAe) do resíduo de cervejaria fermentado (RCF).9 T.7 3 47.2 11.9 16.tecido muscular.9 10. os problemas digestivos. Porém.9 9. Vilela (1995) afirmou que.6 15.3 10.5 10 8.1 11. Fonte: Geron (2006).. 1978). causando consequentemente febre.2 29. 1977.1 11 8.4 12.4 11. 1977. que atuaram de forma benéfica.9 16.9 13. Concluiu-se que a utilização do levedo de cerveja reduziu a incidência de pneumonias e diarreias sobre esses animais. Adyanju.6 5.5 12.4 4.5 16 5. 145 . estimulando o crescimento da flora saprófita do intestino. assim.4 19. das bactérias ruminais e do farelo de soja (FSO) expressos como % do total de AAe. musc . como é um alimento rico em vitaminas e aminoácidos.1 17 16. Leite Bactérias essenciais RCF FSO % do total de Aae Arginina Isoleucina Leucina Lisina Metionina Fenilalanina Treonina Valina Histidina Triptofano AAe (%PB) PB% 16. para bezerros em aleitamento. deve-se evitar o uso de resíduos de cervejaria pela fermentação prejudicial que estes podem sofrer.4 10. do tecido muscular.7 24.Tabela 3.7 40 10.2 2.5 7.7 12.proteína bruta. UTILIZAÇÃO DO RESÍDUO DE CERVEJARIA NA ALIMENTAÇÃO DE RUMINANTES Seymour et al.6 5. porém não foi observado efeito sobre a taxa de crescimento destes animais. 2.3 2.5 3 10.6 49.1 8.2 5.4 7. reduzindo.musc.7 3. (1995) observaram o efeito da adição de 1% de levedo de cervejaria na alimentação de bezerros de 0 a 46 dias pré-desmama e de 47 a 90 dias pós-desmama sobre a incidência de pneumonias e diarreias. pode ser recomendado a animais que já passaram pela fase de desaleitamento. Alimentos Aminoácidos T. Os autores creditaram esses resultados à concentração de aminoácidos e vitaminas do levedo de cervejaria.8 17 13.1 6.8 7.6 10.

Segundo Clark et al.05) produção de leite.05) e queda na produção de leite de 5. o ácido linoleico possui alguns isômeros posicionais e geométricos denominados de ácido linoleico conjugado (CLA). Johnson et al. Observaram que as vacas que receberam resíduo de cervejaria durante o tratamento mantiveram níveis plasmáticos maiores de GH dos 42 aos 105 dias de lactação e possuíam menores níveis de insulina circulante. a produção de leite destes animais. (1988) avaliaram o efeito da energia no pré-parto e da fonte proteica no pós-parto sobre a concentração plasmática do hormônio do crescimento (GH) e insulinas em vacas leiteiras alimentadas com resíduo de cervejaria e farelo de soja. (1987) e Schwab et al. Geron (2006) avaliou o efeito de diferentes níveis de inclusão de resíduo de cervejaria fermentado nas rações de vacas leiteiras sobre produção e qualidade de leite e observou que os animais dos tratamentos com níveis de inclusão de RCF de até 15% apresentaram em média 13% de redução no teor de gordura de leite em relação aos animais sem resíduo. (1982). sem causar produção de amônia adicional.9% e 85.A inclusão de resíduo de cervejaria nas dietas de vacas de alta produção tem vantagens de poder complementar os teores de proteína bruta acima de 13%. assim. O autor conferiu essa redução do teor de gordura ao alto teor de ácido linoleico do RCF. Os autores sugeriram que esta redução no consumo de MS e na produção de leite deveu-se à fermentação natural do resíduo de cervejaria úmido. Segundo Corl et al. Seymour et al.80 vs 21. Belibasakis e Tsergogianni (1996) avaliaram a inclusão de 16% do RCU na alimentação de vacas leiteiras e observaram maior (P<0.05) produção de leite (24. os quais podem ser formados no rúmen pela bio-hidrogenação incompleta dos ácidos 146 . (1996). Os autores concluíram que a produção de leite. além de estes serem mais eficientes em mobilização de reservas corporais pelos menores níveis de insulina.9% de RCU no concentrado foi verificada por Cardoso et al.70kg/dia) para a ração com 16% de RCU em relação à ração controle (0% de RCU). além de este ter alto teor de PNDR (40% da PB). Seymour et al. pelo aumento do valor de nitrogênio insolúvel em detergente neutro (NIDN) e pela redução do N solúvel em água. a metionina e a lisina são os principais aminoácidos limitantes para a produção de leite. (1986) estudaram o efeito da relação entre densidade energética da dieta durante o pré-parto e a fonte proteica da dieta (farelo de soja e resíduo de cervejaria) durante o pós-parto afetando a produção de leite.6%. (1987) compararam o efeito da inclusão de 25% de resíduo de cervejaria úmido e resíduo de cervejaria fermentado na dieta de vacas leiteiras e observaram que os animais alimentados com resíduo de cervejaria fermentado tiveram redução da ingestão de matéria seca (P<0. o efeito benéfico do RCU sobre a produção de leite deve-se à melhor qualidade da fonte proteica com maior teor de metionina e lisina em relação ao farelo de soja (FSO). os quais demonstraram que os animais alimentados com o maior teor de RCU apresentaram maior (P<0. a ingestão de matéria seca e o peso corporal. (2001). Maior produção de leite poderia ser apresentada pelos animais consumindo resíduo de cervejaria pelo maior volume de GH circulante. Segundo os autores. beneficiando. A produção de leite de vacas alimentadas com silagem de sorgo e suplementadas com 42. a ingestão de matéria seca e a mudança da condição corporal não foram afetadas pela fonte proteica durante o pós-parto.

2001). 1987). 1999). (1995) sugerem que o material seja ensilado com aditivos como ácido propiônico ou polpa de beterraba. A razão de AG essenciais ω 6/ ω 3 mais próximo de 1. estudos em condições de aerobiose aconselham períodos de. 4. Schneider et al. CONSIDERAÇÕES FINAIS Devido à grande variação nas composições químicas dos resíduos de cervejaria. Também não houve alterações de células somáticas (CCS) no leite de vacas alimentadas com resíduo de cervejaria em trabalho realizado por Geron (2006). citado por Cabral Filho. recomenda-se analisá-los antes das formulações das dietas. O mesmo autor observou que a inclusão de 15% do RCF nas rações de vacas leiteiras elevou os teores dos ácidos linoleico e linolênico presentes na gordura do leite. no máximo. inflamatórias. que sugerem menores períodos de armazenamento. 2006). o que propiciou uma razão linoleico:linolênico mais próxima de 1. 1985). Segundo Cabral Filho (1999). O uso de ácido fórmico e de sulfato de potássio foi sugerido por Scarlatelli (1995). Casos de intoxicação por cobre são comuns em ovinos alimentados com níveis superiores a 10ppm em regiões tropicais (Conrad et al. Valores semelhantes para níveis de cobre foram encontrados pela compilação de dados realizada por Valadares et al. (1994) não observaram alterações na gordura do leite.graxos poli-insaturados. Baumgard et al. variando de 15 ± 5. A conservação deste material em propriedades rurais também é considerada uma limitação. O processo de secagem que facilitaria o transporte é caro. Nas condições dos Estados Unidos. Já Polan et al. está correlacionada com a prevenção de doenças cardiovasculares. 10 dias (Johnson et al.. A rápida biodegradação foi observada por Stern e Ziemer (1993). Allen et al. como dificuldade no transporte a longa distância e dificuldades no armazenamento para uso na alimentação de ruminantes. mas possivelmente promove uma diminuição na enzima-chave associada à síntese de AG “de novo” na glândula mamária (Geron.1ppm. 3. (1985) e West et al. 147 . Em casos de armazenamento por um período maior de tempo. O mecanismo de ação do CLA (C18:2t10c12) sobre a redução no teor de gordura do leite não está bem definido (Bauman. (2001) infundiram CLA no abomaso de vacas lactantes e observaram que todas as dosagens de CLA reduziram o teor de gordura do leite. (1975) citam os fungos e as leveduras como os principais microrganismos responsáveis pela degradação do resíduo em condições de aerobiose. o que pode inviabilizar o seu uso. pesquisadores acreditam que o resíduo só é econômico até um raio de aproximadamente 100km das indústrias (Eastridge. 1991. o resíduo de cervejaria pode apresentar altos níveis de cobre. 2002).. Muitos autores limitam a utilização deste subproduto a determinadas distâncias das indústrias. ARMAZENAMENTO E TOXIDEZ O alto teor de água no resíduo úmido pode resultar em alguns fatores limitantes. (2006). asmas e câncer colorretal e dos seios (Simopoulos. dos alimentos em geral.

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ajustes devem ser realizados de acordo com os ingredientes utilizados e o manejo adotado. MG. Marcelo Neves Ribas3. da saúde da vaca em lactação (Lopes et al.. todavia é necessária a padronização das técnicas laboratoriais. Belo Horizonte. as frações fibrosas. Dom Bosco. CEP 30123-970. INTRODUÇÃO No balanceamento de dietas para vacas leiteiras. Caixa Postal 567.. MG. CEP 36038-330. desempenham papel fundamental na manutenção da funcionalidade do rúmen e. CEP 30123-970.CAPÍTULO 10 FIBRA NA ALIMENTAÇÃO DE GADO DE LEITE Fernanda Samarini Machado1. Rua Eugênio do Nascimento..123-970. Doutorando em Zootecnia.. Mas. e outras propriedades que conferem efetividade ao FDN. gabrielorjunior@yahoo. Gabriel de Oliveira Ribeiro Júnior4 RESUMO A fibra representa a fração de carboidratos de digestão lenta ou indigestível e. CEP 30. Juiz de Fora. Caixa Postal 567. dependendo de sua concentração e digestibilidade. por estimular a mastigação e a produção de saliva tamponante.br 3 Médico Veterinário. além de quantitativamente importantes na composição do custo de produção de leite. Os conceitos de FDN efetiva e FDN fisicamente efetiva são relativamente recentes. Entretanto. Prof. os carboidratos geralmente constituem 70% ou mais da matéria seca das rações. Belo Horizonte. DSc. Caixa Postal 567. MG. impõe limitações ao consumo de matéria seca e energia. para a manutenção da funcionalidade ruminal. e diversas metodologias foram desenvolvidas para suas determinações.. Escola de Veterinária da UFMG. 2006). MG. 610.br 2 Engenheiro Agrônomo. DSc. Médica Veterinária. Doutorando em Zootecnia.com 4 Médico Veterinário. Associado Departamento de Zootecnia da Escola de Veterinária da UFMG. como o tamanho de partículas. visando ao estabelecimento de um banco de dados para uso na formulação de rações. luciocg@vet. Escola de Veterinária da UFMG. Dentre os métodos analíticos disponíveis para a determinação das frações fibrosas. Embrapa Gado de Leite. As dietas devem apresentar um teor mínimo de FDN.br 1 152 . fernanda@cnpgl.embrapa. por conseguinte. a fibra insolúvel em detergente neutro (FDN) representa a melhor opção para formulação de dietas para ruminantes.com. Tornam-se necessários o desenvolvimento de um método padrão e a identificação das propriedades dos alimentos que influenciam a efetividade da fibra. Lúcio Carlos Gonçalves 2. Os nutricionistas devem estar atentos às características físicas da fibra. os2ribas@hotmail. Por outro lado. Belo Horizonte. os carboidratos dietéticos e. de forma específica. MSc. MSc. a fibra é essencial para manutenção da saúde dos ruminantes. MSc.ufmg.

DEFINIÇÃO E METODOLOGIAS PARA DETERMINAÇÃO DE FIBRA A análise de fibra já faz parte da avaliação de alimentos há mais de 100 anos (Van Soest. e a fibra deveria separar a fração lentamente e não totalmente digerida daquela rapidamente ou quase totalmente digerida. Dentre estes. No entanto. consequentemente. como tamanho de partícula e densidade sobre a atividade de mastigação. a ingestão de matéria seca é reduzida e a produtividade animal tende a diminuir significativamente. Atualmente. a fibra é um agregado de compostos e não uma entidade química distinta. ainda. vários distúrbios metabólicos podem manifestar-se. Portanto. o objetivo de qualquer esquema rotineiro de análise de alimentos é detectar diferenças entre fontes de alimentos para fornecer informações úteis aos nutricionistas. 1994). que pode levar à morte do animal (Mertens. De acordo com Mertens (1992). com pequenas quantidades de lignina e hemiceluloses. a síntese de proteína microbiana e a produção de leite. principalmente para vacas de alta produção que consomem dietas com alta proporção de concentrados. quando níveis mínimos de fibra não são atendidos ou. Ao contrário. são inadequados quanto ao tamanho de partículas da forragem. a densidade energética torna-se baixa. não existe consenso entre nutricionistas em relação a uma definição uniforme para o termo (Weiss. e sua definição está vinculada ao método analítico empregado na sua determinação. vários são os procedimentos analíticos disponíveis para determinação da fração fibrosa dos alimentos. a formulação de rações que considera apenas a quantidade de fibra pode incorrer em desvios. 1993). 1997). sendo 153 . Quimicamente. fibra é um termo meramente nutricional. ainda hoje. Entretanto. a fibra em detergente neutro (FDN) e a fibra em detergente ácido (FDA). A FB continua sendo o método oficial de determinação da fibra. Quando excesso de fibra é incluído na ração. Desta forma.As diferenças nas quantidades e propriedades físicas da fibra podem afetar a utilização da dieta e. os nutricionistas devem considerar a importância das características físicas dos alimentos. portanto a composição química da fibra é dependente da sua fonte e da forma como foi medida. para maximizar a produção animal. fluxo de saliva. Desse modo. 1997). fermentação ruminal e composição do leite dos animais. as dietas devem ser balanceadas com uma concentração ótima de fibra que maximiza o consumo de energia. o desempenho animal. De modo geral.1. a fibra pode ser definida nutricionalmente como a fração lentamente digestível ou indigestível dos alimentos que ocupa espaço no trato gastrointestinal dos animais (Mertens. 1. 1. Fibra bruta Consiste principalmente de celulose. destacam-se como metodologias de aplicação rotineira a fibra bruta (FB). variando desde uma alteração no perfil de fermentação ruminal até uma acidose aguda.

contudo. sendo as hemiceluloses solubilizadas.2. 2002). o sistema passou por algumas modificações. Fibra em detergente ácido A FDA é constituída pela celulose e lignina. no caso de volumosos. 1998). A inclusão da lignina nos ENN resulta. 1. (1991) introduziram o uso de amilase termoestável para auxiliar na remoção do amido no resíduo em detergente neutro (RDN) e eliminaram o uso de sulfito de sódio. Este procedimento pode ser utilizado como uma etapa preparatória da determinação de lignina. gradativamente. o método de FB foi substituído pelo de detergentes neutro e ácido desenvolvido por Van Soest e Wine (1967). A solubilização da lignina. ignora as frações lignina e hemiceluloses. 2006). cinzas insolúveis em detergente ácido (CIDA).. quando os alimentos são submetidos ao aquecimento. 1985). 1. Este método. hemiceluloses e lignina. A partir do método de detergente neutro inicialmente proposto por Van Soest e Wine (1967). 1993. para reduzir a contaminação do FDN com proteína insolúvel. amido e proteína (Weiss. 154 . 1998). 1991). Ocorre também alguma contaminação por pectina. A lignina solubilizada torna-se parte dos extrativos não nitrogenados (ENN). e adição de amilase termoestável. sendo o resíduo de fibra obtido denominado de FDN tratado com amilase (aFDN) (Undersander et al. com variável contaminação por cinzas. que permanecem no resíduo em detergente ácido. por este remover compostos fenólicos. minerais e compostos nitrogenados (principalmente produtos da Reação de Maillard). Da mesma forma. em proporções variáveis. o uso de sulfito de sódio tornase essencial para remover a proteína desnaturada ou ligada a carboidratos (Reação de Maillard). Alterações mais recentes do método original incluem o uso de sulfito de sódio. em digestibilidades do ENN frequentemente menores do que a digestibilidade da FB.3. 1993). o uso da amilase é crucial para a determinação de FDN em grãos.. e não satisfaz a exigência de recuperação de componentes indigestíveis da fibra dietética (Nussio et al. os quais deveriam ser o componente mais digestível do alimento. Geralmente os valores de aFDN são diferentes dos obtidos por outros métodos de determinação de FDN. Desta forma. nitrogênio insolúvel em detergente ácido (NIDA).. solubilizadas pelo tratamento da amostra com soluções alcalina e ácida. Robertson e Van Soest (1981) e Van Soest et al. com implicações sobre estimativas de valor energético dos alimentos e formulação de rações (Mertens. quantitativamente.o seu registro obrigatório com níveis máximos nos ingredientes em rações. Embora as diferenças possam ser pequenas entre forragens. citados por Mertens. como resíduos de cervejaria e de destilaria (Tabela 1). sendo esta a principal causa de variações nos resultados de análises entre laboratórios (Mertens. para remover o amido. é uma séria limitação do método (Van Soest e Robertson. Fibra em detergente neutro O método FDN recupera. celulose. celulose e sílica (Van Soeste t al.

os termos PC e fibra não representam frações idênticas dos carboidratos.6 52. pectina.3 67. sem amilase (Van Soest e Wine. um carboidrato de alta digestibilidade (Mertens.Tabela 1.8 Fibra em detergente neutro: método original com sulfito.9 55. não representa uma medida acurada de fibra. Mertens (1996) ressalta que a classificação dos carboidratos em estruturais (CE) e não estruturais (CNE) refere-se unicamente à função desempenhada nas plantas e não deve ser confundida com o papel dos carboidratos na nutrição animal. as características físicas e cinéticas de digestão são características dos carboidratos que afetam o consumo de matéria seca..8 67.20 50. CF e FDN têm 155 .9 12. 1996) e. a Robertson (1984. citado por Mertens. Fonte: Adaptado de Mertens (2002).3 43. os CNF representam as frações degradadas mais rapidamente e incluem amido.9 86.7 91. Conceitualmente. Mertens (1992) menciona que.1 47.5 11.6 42. em termos nutricionais. Nesse caso. lignina.6 78.9 27. Nesta classificação.2 68. 1967).0 82. ocupam espaço no trato digestório e exigem mastigação para redução do tamanho de partículas e passagem através desse trato. os CE estão relacionados com a parede celular (PC) dos vegetais. 2.4 46.6 18. Desta forma. citado por Mertens.9 96. Resíduo em detergente neutro: sem sulfito.0 88.3 38. principalmente a celulose e as hemiceluloses.6 94.0 65. A PC pode conter pectina. que é composta por celulose. a classificação dos carboidratos em fibrosos (CF) e não fibrosos (CNF) parece mais apropriada porque é baseada em características nutritivas. compostos fenólicos e proteínas. ao invés da função exercida na planta.2 55. hemiceluloses. FRACIONAMENTO DOS CARBOIDRATOS A composição química.2 72. açúcares e pectina. Valores obtidos utilizando diferentes métodos para mensurar a FDN. com amilase (Robertson e Van Soest. enquanto os CNE estão localizados no conteúdo celular. portanto. 2002). tanto em definição quanto em composição (Figura 1). 3 Fibra em detergente neutro tratada com amilase: com sulfito e amilase (Undersander et al. a digestão e a utilização da dieta (Mertens. Já os CF. 1993. 1992).2 aFDN/RDN (%) 96. 2002).8 95.3 95.0 52.1 20. 1981). Alimentos Palha de trigoa Capim-timóteoa Feno de alfafaa Silagem de alfafa Silagem de milhoa Resíduo de cervejaria Resíduo de destilaria Farelo de soja Milho grão Polpa cítrica 1 2 FDN1 RDN2 aFDN3 (-------------------------% da MS -------------------------) 83.4 10. Embora inúmeras vezes usados como sinônimos.3 40.4 21.

A concentração de FDN no alimento ou na ração é negativamente correlacionada com a concentração energética. b inclui outras fibras solúveis. | -------------------------------------------------.Matéria Orgânica ---------------------------------------------------. c ligninas poliméricas e complexos de ácidos fenólicos (alguns dos quais podem ser solúveis.FB ----.FDAd------.| e | -----------------------.cinzas .| | Amidos | a ácidos orgânicos. determinados por análises. determinados pela diferença: 100 . portanto. é altamente correlacionada com o enchimento ruminal e o consumo de matéria seca. já que tais carboidratos contêm lignina. Fonte: Adaptado de Mertens (2002).Solúveis em Detergente Neutro --------------------.| | -----. representando a fração de digestão lenta e.| | ---. a fração solúvel em detergente neutro apresenta valor nutricional elevado por ser quase completamente digestível (95 – 98%).| | -------------------. Orgânicos | Pectinasb | Hemiceluloses | Ligninac | Celulose | | --------------.| | ------------------------.CNEg -------. principalmente em forragens. d alguns complexos fenólicos e ligninas com baixo peso molecular podem ser solubilizados pelo detergente ácido. g carboidratos não estruturais. 2002). Ácidos Orgânicosa e Polímeros Complexos -----------.o mesmo significado nutricional.proteína – FDN.Parede Celular --------------------| | ----------------. Van Soest (1994) menciona que a FDN é altamente correlacionada com a densidade volumétrica do alimento. podendo ainda diferenciar volumosos de melhor ou pior qualidade (Gomes et al.| | Açúcares| Amidos | Ác.| | Lipídios | Proteínas | ---------------.Carboidratos. pois representam a mesma fração de carboidratos dos alimentos. especialmente em gramíneas. Figura 1.| | -------. Mas isso não ocorre.Extrativo Não Nitrogenado -----------------------. ácidos fenólicos e hemiceluloses. incluindo os ácidos graxos voláteis nas silagens e em outros alimentos fermentado. pois sua digestibilidade varia com o teor de lignina e outros fatores.lipídios . como betaglucanas e frutanas. Embora a FDN não tenha um valor nutritivo fixo.CNF f---------------------.. 2007b). com a exceção de alguns tipos de amido que são lentamente digeridos (Mertens. e a composição 156 . A FDN mede o teor de fibra total e quantitativamente determina diferenças entre concentrado e volumoso.FDN ----------------. Fracionamento dos nutrientes. f carboidratos não fibrosos. e supunha-se que a fração “extrativo não nitrogenado” representava os carboidratos prontamente disponíveis dos alimentos.

Isso leva à diminuição do pH ruminal e às alterações nos padrões de fermentação deste órgão. segundo Mertens (1997). 2002). que é definir o limite superior da relação volumoso/concentrado (V:C). na síntese de gordura do leite (Mertens. A incidência de distúrbios metabólicos. como deslocamento de abomaso. Estas propriedades físicas podem influenciar a saúde e a longevidade das vacas. quando dietas com pouca fibra efetiva são formuladas e fornecidas para vacas em lactação. As propriedades físicas da fibra em rações de vacas leiteiras são afetadas pela razão V:C. inclui reduções na atividade de mastigação. Mertens (2001) sumarizou respostas fisiológicas típicas de vacas leiteiras. tipos de forragens e concentrados utilizados. tamanho de partícula e processamento dos ingredientes da dieta (Mertens. hemiceluloses e lignina) afeta a digestibilidade da fração FDN. 2001). dietas com concentrações similares de FDN não necessariamente terão concentrações de energia líquida para lactação (ELL) semelhantes. não leva em consideração as características físicas da fibra. Portanto. a fermentação ruminal. Na Tabela 2. embora atenda a um dos principais objetivos no balanceamento de dietas. que estão associadas à cinética de digestão e à taxa de passagem (Mertens. independentemente da quantidade e composição da FDN quimicamente mensurada. Entretanto. A cascata de eventos responsável por decréscimos no desempenho animal. proporção de fontes de fibra não forrageiras. 3. 1997). abscessos hepáticos e laminite crônica. FDN não é adequada para balancear dietas quando a forragem é finamente picada ou quando fontes de fibra não forrageira são utilizadas (Mertens. 1997). O estreitamento da relação acetato/propionato provoca modificações no metabolismo animal. o metabolismo animal e o teor de gordura no leite. os efeitos decorrentes 157 . A FDN pode ser utilizada eficientemente para definir o limite inferior da relação V:C quando a maior parte da fibra da dieta provém de forragens com partículas longas ou picadas grosseiramente. com consequente menor secreção de saliva tamponante. tem sido associada ao suprimento dietético inadequado de partículas longas de fibra (Buckmaster. decorrentes das variações nas proporções de forragem de fibra longa e das concentrações de fibra em detergente neutro (FDN) na dieta. Entretanto. RESPOSTAS FISIOLÓGICAS DE VACAS EM LACTAÇÃO ÀS CARACTERÍSTICAS FÍSICAS DA FIBRA A formulação de rações baseada no teor de FDN. que convergem para depressões de magnitude variada.química da FDN (proporções de celulose. 2000). paraqueratose ruminal.

NRC (2001) sugere que a concentração mínima de FDN seja de 25% da matéria seca da dieta.7 3.2 1.0 1. a atividade de mastigação e o teor de gordura no leite.080 1. Entretanto.3 2. manter o fluxo de saliva e um ambiente ruminal favorável ao desenvolvimento dos microrganismos responsáveis pela degradação de carboidratos fibrosos (Nussio et al. A partir de uma ração contendo 19% de FDNF e 25% de FDN total. EXIGÊNCIAS DE FIBRA PARA VACAS LEITEIRAS Vacas em lactação devem consumir diariamente quantidades mínimas de fibra para estimular a atividade de mastigação.8 5 85 95 105 115 125 135 70 66 61 55 48 40 15 18 22 27 33 40 4. Variável Fibra em detergente neutro (FDN) na dieta (%) Tempo de mastigação (min/dia) Secreção de saliva (L/dia) Bicarbonato salivar (kg/dia) pH ruminal Ácidos graxos voláteis no rúmen (mM) Acetato ruminal (% molar) Propionato ruminal (% molar) Relação acetato:propionato Gordura no leite (%) Fonte: 1 Adaptado de Mertens (2001).5 6. para cada 1% de redução no FDNF. podem ter impactos econômicos mais graves na produção leiteira..0 3.4 2.5 6.8 6.5 3. Respostas fisiológicas típicas de vacas leiteiras.5 2.040 970 820 520 320 200 196 189 174 143 123 2.4 1. têm metade da sua capacidade para manter o pH ruminal.7 2.0 1.7 6. com tamanho de partículas adequado. utilizados para substituir forragens. % de feno de gramínea com fibra longa na dieta de vacas leiteiras 100 80 60 40 20 0 70 59 48 36 25 14 1.8 1. Tabela 2.8 2. originando acidose subclínica. esses teores devem ser utilizados em condições específicas. O National Research Council .2 5. e grão de milho como fonte de amido. ou seja. A premissa dessa proposta é a de que subprodutos fibrosos. desde que 75% da FDN total seja oriunda da forragem (FDNF). decorrentes das variações nas proporções de forragem de fibra longa e das concentrações de fibra em detergente neutro (FDN) na dieta1. 2006).das dificuldades de detecção de alterações na fermentação ruminal.7 3.4 3. sendo a oferta de alimento na forma de ração completa.0 4. nas quais as vacas são alimentadas com dietas à base de silagem de milho ou alfafa.6 3. deve-se aumentar 2% no FDN total e reduzir 2% no CNF máximo (Tabela 3). 158 . 19% de FDNF.

De acordo com Allen (1995). 159 . o requisito mínimo de FDN para vacas leiteiras é em torno de 30% na MS da dieta. O teor de FDN deve ser elevado em quatro unidades para volumosos finamente picados. O teor de FDN deve ser reduzido em duas unidades percentuais quando a silagem contém mais de 15% das partículas acima de 19mm ou quando é fornecido feno longo. Nenhum ajuste é necessário nas dietas à base de silagem de milho. adotando-se como base uma dieta com 30% de FDN na MS. sem partículas longas. ou quando se utiliza fornecimento de dieta completa. Esse autor sugere algumas recomendações. milho como principal fonte de amido e rações fornecidas em mistura total.5 unidade quando o concentrado é fornecido quatro ou mais vezes por dia.5 unidade no teor de FDN quando o concentrado é fornecido duas vezes por dia ou menos. métodos de fornecimento da ração. Deve haver um incremento de duas unidades percentuais na FDN quando são utilizadas forragens com elevada digestibilidade da FDN. É necessário elevação de 1. Recomendações das concentrações mínimas de FDN total. como forragens imaturas ou silagens de milho de alta qualidade. tornam-se necessários ajustes na concentração de FDN. Fonte: NRC (2001). Deve-se aumentar o teor de FDN em duas unidades quando mais 80% do amido for degradado no rúmen. quando 5-10% das partículas são maiores do que 19mm. O teor de FDN da dieta deve ser reduzido em duas unidades percentuais se a digestibilidade ruminal for de 6575%. diante da grande diversidade de ingredientes disponíveis. O teor de FDN pode ser reduzido em 0. Degradabilidade ruminal do amido. FDN de forragem e FDA (% da MS) e concentrações máximas de CNF (% da MS) em rações de vacas em lactação1. • • • • • Tamanho de partícula das forragens. Digestibilidade da fibra. e aumentado em duas unidades percentuais quando a forragem apresenta pouca quantidade de partículas longas (menos de 5% das partículas acima de 19mm). Entretanto. Frequência de fornecimento do concentrado. O conteúdo de FDN deve ser reduzido em 1.5 a 1% na MS quando tamponantes são adicionados à dieta. Nenhum ajuste é necessário quando 7580% do amido é degradado no rúmen. frequência de alimentação e processamento de forragens.Tabela 3. Mínimo de FDN da Mínimo de FDN total Máximo de CNF Mínimo de FDA forragem 19 25 44 17 18 27 42 18 17 29 40 19 16 31 38 20 15 33 36 21 1 Considerando adequado tamanho de partícula da forragem. Uso de tampões.

1998). Nenhum ajuste é necessário se não houver inclusão de subprodutos na dieta. as rações de vacas em lactação devem conter teores máximos de 30% de FDN oriunda de forragem e 35 a 40% de FDN total. Quando há inclusão de 2-3% de gordura na MS da dieta. 160 . principalmente tamanho de partículas. que estimulam mastigação e estabelecem uma estratificação bifásica do conteúdo ruminal. na MS da dieta.• • Utilização de subprodutos. para evitar restrições no consumo de MS devido ao efeito de enchimento ruminal.8% do PV e de 1. CONCEITOS DE EFETIVIDADE DA FIBRA . 1992). 1997). e tentativas vêm sendo feitas para incorporar os conceitos de FDN efetiva e FDN fisicamente efetiva na formulação de rações. Já a quantidade máxima de FDN que pode ser incluída em rações é função das exigências de energia líquida de lactação (ELL) da vaca. embora a determinação da concentração de FDN possa ser considerada como de rotina.. A fibra proveniente dos subprodutos deve ser limitada a 30% da exigência de fibra total. 1997). a efetividade da fibra tem sido definida sob diferentes formas.FDN FISICAMENTE EFETIVA E FDN EFETIVA Mertens (1997) relatou que. denominadas de mat. de subprodutos com elevado teor de fibra e finamente picados. pode-se reduzir o teor de FDN em uma unidade percentual. sendo esses fatores críticos para estimulação da ruminação e motilidade do rúmen (Mertens. a redução no teor de FDN nunca deve exceder cinco unidades percentuais. 5. A fibra fisicamente efetiva (FDNfe) de um alimento corresponde às propriedades físicas de FDN. O Sistema de Carboidratos e Proteína Líquidos de Cornell (CNPS) para bovinos assume um consumo máximo de FDN ao parto de 0. 1998). (2004) avaliaram dados experimentais de vacas leiteiras publicados no Brasil e sugeriram que o teor de FDN total deve ser reduzido com o aumento da produção de leite. Em termos práticos. da quantidade de CNF necessária para boa fermentação ruminal e do efeito negativo que a fibra exerce sobre o consumo de matéria seca (NRC. Segundo Firkins (2002). O valor de FDNfe dos alimentos está relacionado à concentração de FDN e à variação no tamanho de partícula. respectivamente. Lana et al.. Adição de gordura. contribuindo para a formação de uma camada flutuante de partículas grandes. Em todos os contextos avaliados acima. é o produto do fator de efetividade física (fef) pela porcentagem de FDN obtida da análise química de um alimento (Armentano e Pereira. 2001). sendo o limite mínimo de FDN recomendado de 25% na MS (Varga et al. Aumentar a FDN em duas unidades percentuais quando forem utilizados mais de 10%. sobre um pool de líquido e partículas pequenas (Mertens. Teores de FDN em relação ao peso vivo (PV) também foram estabelecidos. variando de 50 a 33% da MS da ração para produções diárias de 18 a 24Kg de leite por vaca.2% do PV no período de 100 dias pós-parto a 160 dias de gestação (Fox et al.

161 . Por outro lado. trata-se de um conceito mais restrito que FDNe (Mertens. teores de proteínas solúveis e carboidratos e proporções molares e concentrações de ácidos graxos voláteis. além disso. contanto que a porcentagem de gordura do leite produzido por vacas consumindo tal dieta seja mantida. Os subprodutos utilizados com esse propósito constituem uma fonte de fibra não forrageira (FFNF). Por definição. o caroço de algodão. Como digestão e passagem são processos que competem entre si. 1997). fatores de efetividade (fe) para FDN podem variar de zero. 1997. Assim. quando um alimento não tem habilidade para manter o teor de gordura do leite. Portanto. a casca de algodão e a polpa cítrica. 1997). Mertens (2001) discutiu que os efeitos adicionais parcialmente incluídos na FDNe envolvem características dos alimentos associadas com a capacidade intrínseca de tamponamento. a digestão da fibra no trato gastrintestinal. FONTES DE FIBRA NÃO FORRAGEIRA O uso de subprodutos para atender as exigências de fibra torna-se uma opção importante para rações cujo balanceamento pode ser limitado pela quantidade ou qualidade das forragens disponíveis. a energia metabolizável da ração e o desempenho dos animais (Grant. a taxa de passagem. Mooney e Allen. quando um alimento mantém a porcentagem de gordura do leite mais efetivamente do que o faz a atividade de mastigação (Mertens. para valores maiores que um. os efeitos físicos da FDN sobre a atividade de mastigação e tamponamento ruminal são confundidos com os efeitos metabólicos causados por diferenças na composição química dos alimentos (Allen. 6.A fração FDN efetiva (FDNe) está relacionada ao somatório das habilidades totais de um alimento em substituir a forragem na ração. 1997). as FFNF devem ser retidas no rúmen para aumentar a digestibilidade ruminal de FDN. 1997). composição e concentração de gordura. A FDN de vários subprodutos é potencialmente mais digestível no rúmen do que a FDN oriunda de forragens (FDNF). 1998). destacando-se a casca de soja. quantidade e características físicas da forragem podem interagir com FFNF e influenciar o comportamento ingestivo. Fonte. em razão de a FDNfe estar relacionada a propriedades puramente físicas da fibra. a taxa de digestão da FDN de FFNF no rúmen é semelhante ou inferior a de forragens e. existe potencial para aumentar a digestibilidade ruminal e do trato total da FDN quando FFNF substituem forragens em dietas de vacas em lactação. Quando apenas o teor de gordura do leite é utilizado como a variável de resposta de mudança na efetividade. A combinação desses fatores contribui para taxa de passagem mais rápida dos subprodutos do que das forragens. FDNfe e FDNe diferem em conceito e valores estabelecidos para cada alimento e. estas fontes de fibra têm tamanho menor de partículas e gravidade específica maior (Firkins.

7. além de estimular a mastigação de forma mais eficiente. Este método exige a formulação de uma dieta basal com baixas concentrações de FDN total. torna-se interessante a utilização de forragem com maiores tamanhos de partícula. O inevitável impacto econômico para o produtor.. O coeficiente de inclinação obtido desta regressão fornece uma estimativa do aumento linear de unidades 162 . relacionando teores de gordura do leite versus os conteúdos dietéticos de FDN da forragem referência (Swain e Armentano. 1993. Mertens. com ou sem a inclusão de feno de alfafa picado grosseiramente.. em dietas com inclusão de grandes quantidades de subprodutos como fonte de fibra.A presença de fibra de volumosos no rúmen pode alterar a consistência do mat e aumentar a retenção da FFNF. Desse modo. baseia-se nas alterações observadas na porcentagem de gordura do leite. valores semelhantes aos de forragens longas. A partir destes níveis basais. Teor de gordura no leite A manutenção da porcentagem de gordura do leite tem sido o centro das atenções de muitas pesquisas e de aplicações do conceito de fibra efetiva por nutricionistas no campo. 1997). 1994). 1993) e/ou do emprego de métodos laboratoriais de avaliação da estratificação de partículas dos alimentos (Buckmaster et al. Sem a inclusão do feno.1. Fox et al. para estimativa de valores de FDNe para subprodutos fibrosos de origem vegetal (fontes de fibra não forrageira). 2006). Depies e Armentano. visando à obtenção de uma curva de respostapadrão. O NRC (2001) assume que a FDN de FFNF apresenta 50% da efetividade da FDN de forragens. 1997.0 e fef de 0. elevou o pH ruminal e aumentou o tempo de ruminação. são formuladas dietas com níveis crescentes de adição de FDN da forragem padrão. a casca de soja não apresentou a mesma efetividade. de ensaios biológicos (Clark e Armentano. MÉTODOS PARA QUANTIFICAR A EFETIVIDADE DA FIBRA A efetividade de FDN vem sendo avaliada por meio de métodos estatísticos (Mertens. Swain e Armentano. utilizado em experimentos de curta duração. quando a FDN de uma forragem considerada padrão (fe = 1.. do bem-estar e do desempenho animal são algumas das justificativas em que se baseia a eleição desta variável como indicativa dos efeitos da concentração dietética de FDNe (Lopes et al. que apresenta um fe de 1. O procedimento metodológico clássico. A inclusão de casca de soja e feno aumentou a consistência do mat. 1999).0) é substituída pela FDN daquele subproduto sob teste (Clark e Armentano. A exceção é o caroço de algodão. Weidner e Grant (1994) substituíram 40% de uma mistura de silagens de alfafa e de milho por casca de soja (25% da MS) em dietas de vacas em lactação. 1994.9. a facilidade pela qual pode ser mensurada e a expectativa de que possa ser um aceitável reflexo da saúde. 7. 1997. 1995).

2003). 1997). deve-se formular uma ração contendo um nível adicional de FDN oriunda do alimento a ser testado. e desconsidera-se que a porcentagem de gordura no leite pode ser afetada por outros fatores e não apenas pelo teor de FDN da forragem (Armentano e Pereira. 2006). Com base nas concentrações de FDN definidas na dieta basal. Valor elevado devido ao alto teor de lignina (20 % MS).27 .27 Sabugo de milho 90 80 72 Milho quebrado 9 60 5 Feno de gramínea maduro 72 100 72 1.8 (0. citado por Gomes et al. não são consideradas as diferenças que frequentemente ocorrem na qualidade ou efetividade da fibra da silagem alfafa (tamanho de partícula).2. a inclusão na ração de FDN de grãos de destilaria desidratados gerasse um coeficiente de regressão linear de 0.percentuais de gordura no leite para cada 1% de FDNe oriunda da forragem padrão.. Desta forma.653 .020/0. (2007a). tem-se uma estimativa do fe para o alimento teste em relação à forragem considerada padrão no experimento (Lopes et al. Nas Tabelas 4 e 5. o qual expressa o acréscimo linear de unidades percentuais de gordura no leite com a adição de 1% de FDNe oriunda do alimento teste. o valor calculado de efetividade dos grãos de destilaria seria de 0. este produto teria 80% da efetividade da silagem de alfafa (Lima. Tamanho de FDN FDNe (% FDNe Alimento partícula (cm) (%MS) FDN) (%MS)1 Milho grão moído 9 0 0 < 0. Da razão entre os dois coeficientes de regressão obtidos.653 Feno de gramínea maduro 72 73 53 Silagem de milho 41 61 25 Feno de gramínea maduro 72 88 63 Silagem de milho 41 71 29 0. Portanto. Tabela 4. um segundo coeficiente de regressão é obtido. Fonte: Adaptado do CNPS (dados não publicados). Alguns problemas deste método são: assume-se que a resposta do teor de gordura no leite ao aumento no teor de FDN da ração é linear.54) Milho grão inteiro 9 100 9 2 Palha de arroz 85 120 102 1 2 FDNe (%MS) = FDN (%MS) x FDNe (%MS). Por exemplo.025).020 e a silagem de alfafa um coeficiente de 0.025. se em uma avaliação com vacas em lactação.1.54 Sabugo de milho 90 100 90 Caroço de algodão 44 100 44 Feno de gramínea maduro 72 100 72 Pastagem de gramínea 50 41 21 Longo (>2. podem-se observar os teores de FDNe de alguns alimentos frequentemente utilizados na alimentação de vacas leiteiras. Teores de fibra em detergente neutro efetiva (FDNe) de alguns alimentos rotineiramente utilizados na alimentação de ruminantes. 163 .

Ingrediente FDNe (% FDN) Caroço de algodão 100 Grão de soja inteiro 100 Milho seco inteiro 100 Milho quebrado 60 Fubá de milho 48 Milho alta umidade 1 48 Farelo de algodão 36 Glúten de milho 36 Polpa cítrica 33 Farelo de soja 23 1 Moagem fina. Por este motivo.2. Fonte: Adaptado de Sniffen et al. Comportamento ingestivo O tempo de mastigação. composto pela ingestão e ruminação. Segundo o NRC (2001). 1991). sendo esse um dos mecanismos mais importantes de remoção de íons hidrogênio produzidos durante a fermentação ruminal dos alimentos. segundo Allen (1997). 2002). casos de laminite podem ser encontrados em rebanhos que não apresentam sinais de depressão no teor de gordura do leite. Vacas em lactação podem produzir até 308 litros de saliva por dia durante a mastigação (Cassida e Stokes. 2000).. o comportamento ingestivo pode ser usado para calcular os valores de efetividade física da fibra dos alimentos e compará-los entre si. O autor sugere que o pH ruminal seria uma resposta mais adequada na determinação da exigência de fibra efetiva para esta categoria animal. o processo de trituração dos alimentos. (1992). Kononoff. Teor de fibra em detergente neutro efetiva (FDNe. Portanto. tem sido uma das medidas mais estruturadas e utilizadas para avaliar a efetividade de FDN. O tempo de mastigação é afetado principalmente pelo consumo de matéria seca. Outra consideração a respeito da obtenção destas estimativas de fe está relacionada ao uso de vacas nos terços médio e final da lactação (Allen 1995. Embora o baixo teor de gordura no leite seja um indicador da formulação inadequada de rações. 164 . o consumo de matéria seca e a porcentagem de gordura no leite (Colenbrander et al. por afetar a secreção de saliva. a composição do leite destes animais é mais sensível a mudanças dietéticas. 7. a função ruminal (pH e perfil de AGV). pelo teor de FDN total e por características físicas da ração (tamanho de partícula).Tabela 5. %FDN) de alguns concentrados para bovinos. 1997. os valores de efetividade estimados com o auxílio desta metodologia não seriam aplicáveis a vacas no início da lactação. 1986). sugerindo que este não é um parâmetro adequado para avaliação da função ruminal e da saúde do rebanho (Mertens.

18mm. baseada na regressão de médias para tratamentos publicados na literatura. não evidenciando importância no estímulo à mastigação e ruminação (Poppi et al. 1997). 1985). Além disso. Outra suposição. baseados na atividade de mastigação que eles estimularam. embora Mertens (1997) tenha estimado valores tão altos quanto 0. 1991. Essa metodologia tem como premissa básica que partículas com tamanho inferior a 1.0). Métodos laboratoriais Um simplificado sistema para avaliação da FDNfe. Mertens (1997) propôs o conceito de FDN fisicamente efetivo (FDNfe) utilizando análises de regressão para designar fef para classes de alimentos. Esse método de avaliação da FDNfe assume que a resposta do tempo de mastigação em relação ao aumento do teor de FDN da ração é linear. como pode ser visto na Tabela 6. os tempos totais de mastigação foram divididos por 150min/Kg de FDN e efetuou-se a regressão dessa variável versus o consumo de FDN (Kg/dia) de cada alimento. foi proposto por Mertens (1997). pressupõe que a FDN é uniformemente distribuída nas frações do alimento contendo distintos tamanhos de partículas. embora existam evidências na literatura de que não haja linearidade desta resposta (Woodford e Murphy. obtendo-se o valor de FDNfe. foi que o tempo basal de mastigação seria de 355 minutos por dia para dietas com 0% de FDN. Os valores de efetividade física dos alimentos testados foram calculados dividindo-se o tempo de mastigação por unidade de FDN do alimento teste pelo tempo de mastigação por unidade de FDN da silagem de alfafa. as quais foram utilizadas para calcular a efetividade física da fibra da silagem de alfafa e do caroço de algodão. Mertens (1997) sumarizou dados de atividade de mastigação de 45 experimentos publicados e determinou o consumo de FDN para cada fonte dietética e forma física das 265 combinações de vacas e tratamentos. que a atividade de mastigação é igual para todas as 165 . Nesse método. foram estabelecidos coeficientes de regressão representando “minutos de mastigação/Kg de FDN” para cada fonte e forma física.Mooney e Allen (1997) desenvolveram uma série de equações. A princípio.. O feno de gramínea com fibra longa originou um coeficiente de regressão de 150min/Kg de FDN e foi escolhido como a forragem padrão (fef=1. Beauchemin. os autores consideraram os teores de FDN dos alimentos e o tempo de mastigação proporcionado por ingrediente da ração. A contribuição dos concentrados para mastigação foi assumida como sendo igual a zero. 7. que considera as características químicas e físicas dos alimentos. A concentração de FDN (% MS) do alimento é multiplicada pela porcentagem de partículas retidas em peneiras maiores do que 1. Para determinar os coeficientes de fef de vários alimentos. Grant. sugerindo que as vacas apresentavam um mecanismo adaptativo de aumento na eficiência de ruminação quando o consumo de FDN era limitado.94 para o milho triturado grosseiramente. 1988. Desse modo. Grant (1997) observou que a ruminação por unidade de FDNf consumida aumentou quando o teor de FDN da ração diminuiu.3. baseadas na concentração de FDN e no tempo de mastigação.18mm passam rapidamente pelo rúmen.

1996). Entretanto.5 Silagem de milho 51 0.7 Feno de leguminosa 50 0.8 mm (% MS)1 Padrão 100 1.98 63. 1 2 Silagem picada grosseiramente. Fonte: Mertens (1997). Recentemente uma nova peneira com abertura de malhas de 1. visando à caracterização adicional das partículas mais finas do alimento ou da dieta (Kononoff.18mm e a atividade de mastigação (Beauchemin et al..18mm. baseado na distribuição das partículas dos alimentos em três peneiras e na concentração de FDN de cada fração. partículas retidas em peneiras de 1. e que a fractabilidade (facilidade na redução do tamanho) é semelhante entre fontes de FDN (Mertens.82 41. utilizando-se análises químicas e físicas. 2002). (1997) também desenvolveram um método de avaliação do consumo de fibra efetiva. 2003). Segundo Buckmaster (2000).18 8. refletem a efetividade de cada tamanho de partícula em estimular a ruminação e em contribuir para a formação do mat ruminal.18mm foi incluída no Penn State Forage and TMR Separator (PSPS) e sua utilização foi validada. pois este índice não capta diferenças na efetividade de partículas de distintas fontes dietéticas. o autor alertou que ajustes baseados no tipo de alimento podem evidenciar-se necessários.2 Casca de soja 67 0. denominado Índice de Fibra Efetiva (IFE)..00 100. Um aspecto importante a ser considerado é que a metodologia de avaliação afeta a estimativa da efetividade física da FDN.92 46.67 33.partículas retidas na malha de 1.3 Milho moído 9 0. Nesse caso. Buckmaster et al. picada finamente.03 2. a distribuição das partículas por tamanho foi efetuada utilizandose o conjunto de peneiras (>19mm.23 3. ponderada pela respectiva efetividade relativa em cada uma dessas frações.48 4.0 Feno de gramínea 65 0. que foram determinados baseados em dados publicados na literatura. sendo que os valores de FDNfe foram consideravelmente menores quando avaliados por meio da PSPS.81 41.3 Farelo de soja 14 0. Tabela 6. 1997). 8 a 19mm e < 8mm) da Penn State Forage and TMR Separator (Lammers et al. os coeficientes de efetividade relativa. Também foi identificada correlação mais elevada entre os valores de FDNfe estimados pela metodologia de Mertens (1997). 3 Silagem 166 .5 Resíduo de cervejaria 46 0.0 3 Silagem de leguminosa 50 0.0 FDNfe = FDN (%MS) x fração retida na peneira (% MS). Fração retida (% de MS) retida FDN fe Alimentos FDN (% MS) em peneira de 1. Estimativas da fibra em detergente neutro fisicamente efetiva (FDNfe).0 2 Silagem de leguminosa 50 0.

(1999) para formulação de dietas em que fontes de fibra não forrageira são incluídas. tendo a atividade de ruminação (min/Kg de FDN) como variável de resposta animal.8. Allen e Grant (2000) concluíram que os índices de efetividade podem variar substancialmente em função da variável resposta e recomendaram uma posição mais conservadora no tocante ao uso do menor valor obtido. determinaram dois fatores de efetividade (fe). e 0. um efeito que não pode ser substituído pela FDN da maioria das fontes de fibra não forrageira. evitando possível acidose no rúmen. também obtiveram estimativas para fe e fef bastante diferentes quando utilizaram as respostas “porcentagem de gordura no leite” e “tempo de ruminação”. A outra metade da efetividade da FDN da silagem de alfafa e toda a efetividade da maioria das fontes de fibra não forrageira são decorrentes do efeito de diluição dos carboidratos não fibrosos da dieta. no momento. Depies e Armentano (1995). e tentativas vêm sendo feitas para incorporar este conceito na formulação de dietas para vacas em lactação. 0. a partir da concentração de gordura do leite e do pH ruminal.0) foi a silagem de alfafa. a identificação das vantagens e das deficiências inerentes às metodologias utilizadas na determinação dos fatores de efetividade dos alimentos torna-se necessária para orientar a busca por uma metodologia padrão que beneficie a aplicação prática do conceito de fibra efetiva. trabalhando com vacas nos terços iniciais de lactação. Esta estratégia também foi recomendada por Pereira et al. o sabugo e milho moído e o farelo de trigo.42 e 0.33. e o alimento teste foi o glúten úmido de milho. Os autores consideraram que as diferenças observadas nos índices de efetividade foram reflexo dos atributos químicos e físicos do glúten de milho. VALORES DE EFETIVIDADE DA FDN SEGUNDO A METODOLOGIA DE DETERMINAÇÃO Os conceitos de FDN fisicamente efetiva e FDN efetiva são relativamente recentes. respectivamente. Dessa forma. Allen e Grant (2000).13. Entretanto.11. que influenciam sua efetividade em manter a funcionalidade do rúmen e o bem-estar do animal.51 para ambos. Os respectivos fef da FDN (atividade de mastigação) para cada alimento foram 0. a FDN foi somente 11% tão efetiva quanto a FDN da silagem de alfafa em estimular a ruminação. Os índices de efetividade obtidos foram de 0. pH e atividade de mastigação. provocando decréscimos na produção de ácidos de fermentação. devido ao seu pequeno tamanho de partícula. que foi capaz de diluir carboidratos não fibrosos dietéticos. a falta de um método padrão e validado para medir fibra efetiva e estabelecer exigências limita a aplicação deste conceito.74. A forragem padrão (fef ou fe = 1. trabalhando com vacas no terço médio da lactação e silagem de alfafa como forragem-padrão. Segundo eles. evidencia-se como importante ferramenta para a otimização de dietas para vacas leiteiras. Os autores concluíram que metade da efetividade da FDN da silagem de alfafa refere-se ao seu tamanho de partículas. para porcentagem de gordura no leite. este alimento possui fibra altamente digestível. Os valores relatados para fe (porcentagem de gordura do leite) da FDN foram de 0. e um fator de efetividade física (fef). Mas. A determinação das características químicas e físicas dos alimentos. Mais pesquisas são necessárias para 167 .

Nesse contexto. nos quais é necessário um maior refinamento. da capacidade natural dos alimentos para o tamponamento do rúmen e da suplementação com tamponantes. D. O deslocamento em direção a um dos extremos depende de fatores que afetam a atividade de mastigação.0 no fluido ruminal. Assim.M.. do manejo. EXIGÊNCIAS DE FIBRA EFETIVA Atualmente. 168 . 1999) também estabeleceu recomendações mínimas de FDNfe na MS da dieta.4% seria de 19. Interactions between forage and wet corn gluten feed as sources of fiber in diets for lactating dairy cows. Mertens (2000) sugeriu que a formulação de dietas para vacas leiteiras deve conter. 21% de FDNfe.322-331. O balanceamento de dietas para vacas de alta produção exige a utilização dos limites inferiores da exigência de fibra.J. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ALLEN. 9. é necessário o teor de 22. Foi estabelecido que o teor mínimo de FDNfe necessário para manter o teor de gordura no leite em 3.. para manter um pH de 6.identificar as propriedades dos alimentos que influenciam a efetividade da fibra dietética. sendo o concentrado fornecido em ração total (TMR).83. 2000. Esse autor também avaliou o pH do líquido ruminal para estabelecer a exigência de FDNfe. Dairy Sci. a aplicação prática dos conceitos de efetividade garantirá a manutenção da funcionalidade do rúmen e da saúde e longevidade do animal. 10. da produção de ácidos no rúmen. das variações nas composições das rações. O sistema sugere um teor mínimo de 20% de FDNfe em rações que visam maximizar o uso de CNF e a produção de proteína microbiana. admitindo-se uma amplitude de 19 a 23% de FDNfe na MS.3% de FDNfe na MS da ração. considerando fatores relacionados ao manejo e à composição da ração. a partir de análises de regressão de dados da literatura. as exigências de FDN efetiva disponíveis para formulação de rações para vacas leiteiras foram estabelecidas por Mertens (1997).. R.7% na MS. O CNPS (Fox et al. CONSIDERAÇÕES FINAIS O conhecimento das propriedades químicas e físicas das forragens e dos subprodutos utilizados como fontes de fibra representa uma importante ferramenta para os nutricionistas. J. principalmente em sistemas de produção de leite especializados. v. no mínimo. Nesse caso. visando ao estabelecimento de um banco de dados para uso na formulação de rações. p. GRANT.

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o coproduto pode ser definido como aquele material que possui valor como alimento para animais.. Caixa Postal 567. Escola de Veterinária da UFMG. Flavia Cardoso Lacerda Lobato3. desempenhando papel fisiológico de fibra vegetal e funcionando como um grão de cereal em termos de energia. sendo obtido ao final da colheita de alguma cultura ou após o processamento agroindustrial de alguma commodity destinada à alimentação humana.. coproduto das indústrias de processamento da soja. é fisicamente o envoltório do grão (pericarpo) separado do embrião no processamento industrial. em Zootecnia. MG. Desta forma. CEP 30123-970.ufmg. Ela também pode. CEP 30123-970. Caixa Postal 567. Segundo Fadel (1999). CEP 30123-970.. contribuindo para a elevada ingestão de energia e prevenindo alterações da função ruminal. A casca de soja é uma fonte de energia. é fisicamente o envoltório do grão (pericarpo) separado do embrião no processamento industrial. devendo ser tostada a fim de destruir a atividade de uréase (Tambara et al. quando estas estão com baixa qualidade ou em pouca quantidade. MSc. MSc. podendo ser de origem animal ou vegetal. com sucesso. Belo Horizonte. composta de fibra que possui Médico Veterinário. semelhante ao que ocorre à polpa cítrica e ao resíduo de cervejaria. Belo Horizonte. Associado Departamento de Zootecnia da Escola de Veterinária da UFMG. Lúcio Carlos Gonçalves 2. 1995).br 3 Médica Veterinária.com. Além de ser uma alternativa para redução de custos. Caixa Postal 567. MG. Doutorando em Zootecnia.. 4 Médico Veterinário. a casca de soja pode substituir grãos de cereais na dieta de ruminantes.br 2 Engenheiro Agrônomo. Este capítulo fornecerá informações para a adequada utilização da casca de soja na dieta de vacas de leite. devendo ser tostada a fim de destruir a atividade de uréase. MG. Belo Horizonte. Escola de Veterinária da UFMG. fredericovelasco@gmail. luciocg@vet. Frederico Osório Velasco4 RESUMO A casca de soja. e muitos pesquisadores a classificam como produto intermediário entre concentrado e volumoso. gabrielorjunior@yahoo. a casca de soja é. Prof. substituir forragens. DSc. em sua maior parte.CAPÍTULO 11 CASCA DE SOJA NA ALIMENTAÇÃO DE GADO DE LEITE Gabriel de Oliveira Ribeiro Júnior 1.com 1 173 . coproduto das indústrias de processamento da soja. A casca de soja. MSc. INTRODUÇÃO Os coprodutos de indústrias de transformação de alimentos estão sendo cada vez mais utilizados como uma alternativa economicamente viável para redução dos custos dos sistemas de produção de ruminantes. como fonte de fibra.. Doutorando em Zootecnia.

o que tem proporcionado a retirada da casca. além de ser uma alternativa para redução de custos. substituir forragens. Assim. Muitos pesquisadores a classificam como produto intermediário entre concentrado e volumoso. 1959). desempenhando papel fisiológico de fibra vegetal e funcionando como um grão de cereal em termos de energia. resultou numa ascensão na sua utilização em dietas de ruminantes. normalmente há uma grande disponibilidade deste insumo a baixo custo. Assumindo-se que a casca da soja compõe 5% do peso total da soja (Blasi et al. como fonte de fibra. nas regiões produtoras de soja. Com o advento das exportações de farelo pelas indústrias. a casca de soja apresenta 2. plantas com materiais genéticos diferentes. semelhante ao que ocorre à polpa cítrica e ao resíduo de cervejaria. com a não separação completa da casca do endosperma. a safra de soja 2008/09 totalizará 58.pouco valor para a alimentação humana e utilização industrial. 174 . com sucesso. Tabela 1. 2000). que.. O valor nutritivo da casca de soja para os ruminantes pode variar devido às diferenças nas composições químicas encontradas. tem-se uma estimativa de produção de três milhões de toneladas. VALOR NUTRITIVO Segundo o National Research Council . pode substituir grãos de cereais na dieta de ruminantes.82 Mcal de energia digestível por kg de MS. De acordo com estimativas da Companhia Nacional de Abastecimento – CONAB (2009). diferenças nos tratos culturais (fertilização nitrogenada. estas têm que cumprir leis internacionais sobre um teor mínimo de proteína bruta neste produto. Ela também pode. Isto tem levado à maior disponibilidade deste subproduto no mercado. A composição química da casca de soja (CS) pode ser vista na Tabela 1. esta se torna uma excelente opção para alimentação de ruminantes por ser composta de uma fibra de alta digestibilidade que pode chegar a 90% (Quicke et al. que antes era incorporada ao farelo. somado a seus preços competitivos. Em contraste. 2003).NRC (1984). A casca de soja. quando estas estão com baixa qualidade ou em pouca quantidade (Ipharraguerre e Clark. contribuindo para a elevada ingestão de energia e prevenindo alterações da função ruminal. data de plantio). 1. e condições ambientais durante crescimento da cultura (temperatura e disponibilidade de água). Estas diferenças estão relacionadas a fatores como: falha no processamento.5 milhões de toneladas. falta de um rigoroso programa de controle de qualidade durante a produção e manipulação. sendo considerada uma fonte de energia. Composição química da casca de soja..

Fonte: NRC (2001).4 a 19.3% e 44.0 51.42 19.2%. que é uma fibra solúvel altamente digestível. (1988) encontraram valores de 73.1 77 Valadares Filho et al.2 15.4 0. (1988) encontraram valor de 9. Esse resultado sugere que a taxa de passagem da CS pelo rúmen é muito rápida para maximizar a digestão da fibra pelos microrganismos ruminais.6 52. (2006). A CS é rica em lisina e glicina (0.40% de FDN e 50. respectivamente). a pectina apresenta 98% de digestibilidade verdadeira.65 50. a fração fibrosa é composta de grande quantidade de celulose (43%) e hemicelulose (17. A CS tem função de proteção do endosperma.8 53. Quicke et al.4 3. quando se realizou a digestibilidade aparente em ovinos com CS como único alimento.7 1.60 6.16% na MS.4%. a adição de forragem grosseira (fibra longa) em dietas com CS aumentou os tempos de retenção da CS e. Segundo Ipharraguerre e Clark (2003).9 0.4% a 3.8. 1988). Os valores de proteína bruta encontrados variaram de 9.2 39. Aliado a isso. Essa variação parece estar diretamente relacionada à presença de farelo de soja nos produtos classificados como casca de soja.Nutriente (%) Proteína bruta FDA FDN Celulose Hemicelulose Lignina Extrato etéreo Amido NDT Ipharraguerre e Clark (2003) Mínimo Máximo 9.8%) pouco lignificada. respectivamente.1 50 67 46 2 2.6% de FDN e FDA. a composição da dieta parece afetar o valor 175 . FDN – Fibra em detergente neutro. em consequência.4 para a casca de soja limpa.77 PB – Proteína bruta. Esta variação parece estar relacionada com diferenças no processamento de extração do óleo de soja.9% (Tabela 1).8 4. sem presença de farelo de soja.8%.1 19.. De acordo com Valadares et al. Dessa forma. Ipharraguerre e Clark (2003). Apesar de a CS apresentar alto conteúdo de fibra.72 e 1. (1959) mediram a digestibilidade in vitro da celulose e fibra bruta da CS e encontraram valores de 96 e 97%..55%. O teor de extrato etéreo variou de 0. permitiu maior fermentação ruminal. Segundo Van Soest (1994).52 68.4 - NRC (2001) 12.7% de FDN e 50. respectivamente) (Valadares et al.8% de FDA para casca de soja limpa. Anderson et al. FDA – Fibra em detergente ácido. sendo em média 11. respectivamente.43 1. EE – Extrato etéreo.8 a 4.40 51. (2006) 11.4 73. por isso apresenta elevados teores de fibra.50 68. Os valores de lignina variaram de 1. Valadares Filho et al. quando comparada com o milho (0. 2006). já que Anderson et al. a CS contém 68.4 19. Entretanto.1 a 14.52% de FDA com base na matéria seca.24 e 0.54 3. (2006). A CS apresenta também altos teores de ácido urônico ou pectina.0 9. os coeficientes de digestibilidade da celulose e fibra bruta foram 54 e 57%. Estes valores parecem estar relacionados com a presença de farelo de soja. que são os principais monômeros envolvidos na ligação entre a lignina e a hemicelulose (Garleb et al. respectivamente. Já o NRC (2001) apresenta a CS com 60. a CS apresenta baixos teores de ácidos ferúlico e p-cumárico. 11.7 29.

respectivamente). CS peletizada e CS sem processamento. esta redução na digestibilidade não foi observada quando a CS foi moída a 3. resultando em um melhor ambiente de rúmen. gravidade específica elevada (após hidratação) e características da sua fração fibrosa. influencia o tempo de retenção ruminal. por sua vez.120Kg).8mm. Assim. quando estes foram alimentados com 2.1Kg por dia de ração contendo CS moída. a inclusão de casca de soja não limita a digestibilidade aparente da dieta no trato gastrintestinal total de ruminantes.5%/h para o tratamento com a casca de soja moída. A relativa elevada taxa de passagem da casca de soja pode ser explicada pelo seu tamanho de partícula pequeno. A taxa de digestibilidade da FDN in situ encontrada foi de 7.05Kg por dia de CS moída ou peletizada. De uma maneira geral. Essa redução pode ser explicada pelo menor tempo de retenção ruminal causado por maior taxa de passagem quando se aumentou a ingestão de MS. Foi observado que a moagem diminuiu a digestibilidade da FDN (56%) quando comparada com a CS peletizada (61%) e com a CS sem processamento (62%). Fahey e Berger (1993) citam que o principal fator que afeta a digestão dos carboidratos estruturais é a adição de carboidratos solúveis obtidos em alimentos concentrados. Foram utilizadas três formas físicas diferentes: CS moída (a 1. (1988).2 e 4. as quais apresentaram digestibilidades semelhantes.10/h. A CS. (1988) encontraram que a taxa de passagem pelo rúmen foi superior para a casca de soja moída (4. o pH se mantém em níveis mais elevados.8%/h).6%/h e que o desaparecimento dessa fração após 96 horas de incubação foi de 90%. De acordo com Ipharraguerre e Clark (2003). reduz os teores de amido da dieta. o resultado foi menores ganhos de peso (0. ou moída e peletizada. como taxa de digestão. que provocam alterações no meio ambiente do trato digestivo e na cinética do processo digestivo. peletizada. pH ruminal e natureza da população microbiana. criando um ambiente favorável às bactérias celulolíticas. Nakamura e Owen (1989) determinaram a taxa fracional de passagem (h-1) da casca de soja em vacas em lactação consumindo dietas contendo silagem de alfafa e concentrado (razão de 50:50 na MS) na qual a casca de soja substituiu o milho para fornecer 25 e 48% da MS da dieta.5mm). A CS normalmente é moída. Anderson et al. experimentos in situ demonstraram que a fração FDN da casca de soja foi fermentada a uma taxa média de 5. quando substitui grão de cereais. o que leva a uma melhor digestibilidade da forragem. Quando novilhos foram suplementados com 1.nutritivo da CS por modificar a consistência do mat ruminal. Porém. 176 . O efeito desses métodos de processamento físico na digestão e no valor nutritivo da CS de soja para carneiros e bovinos foi avaliado por Anderson et al. Entretanto. taxa de passagem das partículas. não diferindo dos valores encontrados para os outros tratamentos.093/h e 0.5%/h) comparada à casca inteira (2. que. Foi relatada uma taxa de passagem 8% superior para o tratamento com 48% frente ao tratamento com 25% de casca de soja (0. não foi observada diferença no ganho de peso.105Kg) em comparação com a ração contendo CS peletizada (0. para aumentar a densidade e reduzir os custos de transporte.

Restle et al. o pH do rúmen que a dieta suplementada com CS. O pH do rúmen dos novilhos suplementados com CS (25 e 50% da MS da dieta) foi sempre superior a 6. já o pH do rúmen dos novilhos suplementados com milho (25 e 50% da MS da dieta) foi inferior a 6. 50 e 75% em dietas de novilhas. principalmente do volumoso que contribuiu com 60% da matéria seca da dieta. Neste estudo. respectivamente. entretanto a suplementação com milho deprimiu.35 e 1. Este experimento permitiu concluir que a substituição parcial de milho moído por 70% de CS em dietas de novilhos não afetava o desempenho.89Kg/dia) não foram influenciados pelas dietas com milho moído e casca de soja. apresentando valores de 1.78 e 9. alimentadas com silagem de milho. próximo dos 14% estimados por Firkins (1997).17kg/dia) e a conversão alimentar (7. os valores de energia líquida aparente da CS e do milho nesta situação foram semelhantes. (1988) constataram que a CS foi igual ao milho em energia para sustentar o crescimento de bezerros.29Kg/dia para as dietas de milho moído e casca de soja. 30 e 40% na MS da dieta) em 177 . (2006) testaram a substituição parcial (70%) do milho moído pela CS em dietas contendo farelo de girassol. devido ao efeito associativo negativo sobre a forragem da dieta. Os níveis de CS na MS total da dieta foram de 20%. e observaram que a substituição de até 75% (30% na MS da dieta) não afetou o ganho de peso (1. PB (1. 25. levando a um melhor aproveitamento da fibra. o aumento médio observado na digestibildade da FDN do trato digestivo total para dietas com casca de soja em substituição ao milho moído foi de 11%. ureia e silagem de milho para novilhos.41 e 3. recebendo diferentes níveis de CS ( 0. 75. Esses resultados sugerem que o milho é mais digestível que a CS. Os consumos de MS (10.22Kg/dia) e FDN (3. (2002b).73Kg/dia).74kg MS ingerida/kg de ganho). UTILIZAÇÃO DA CASCA DE SOJA Anderson et al. Ipharraguerre et al. trabalhando com novilhos. O estudo da digestão mostrou maior digestibilidade da MS para a dieta de forragem suplementada com milho em comparação com a suplementada com CS. O maior nível de substituição testado (100%) correspondeu a 33% de CS na MS da dieta total. 25. Este efeito é mais evidente em dietas com 45% ou mais de carboidratos não fibrosos. 10. mais rápido e em maior extensão. comparando com a dieta-controle. Ezequiel et al. Esta melhor eficiência alimentar com a inclusão da CS pode ser explicada pela melhora no ambiente do rúmen.40 e 1. no entanto.De acordo com Ipharraguerre et al. (2004). 50. causado por um ambiente ruminal desfavorável. (2002a) estudaram o desempenho de vacas no terço médio de lactação. 2. respectivamente. foram observados um aumento no ganho de peso com a inclusão de CS e uma redução na conversão alimentar. 100%). O ganho de peso também não foi influenciado. testaram cinco níveis de substituição do grão de sorgo pela casca de soja (0. sem raça definida. Já Fisher e Muhlbach (1999) avaliaram a substituição do grão de milho pela casca de soja nos níveis de 0. 20.

não foram verificadas diferenças com relação à variação de peso corporal. Não houve diferença significativa para o consumo de MS.33Kg/vaca/dia). (2007) também trabalharam com vacas em terço médio de lactação. 23% de silagem de milho e 54% de concentrado com base na MS. ao final do experimento. (2004) avaliaram níveis crescentes de casca de soja (0. bem como para digestibilidade aparente da matéria orgânica no trato total (em torno de 25% no rúmen e 63% pósruminal).05) para consumo de matéria seca. Oliveira et al. em substituição ao fubá de milho no concentrado de vacas leiteiras com produção média de 30kg de leite por dia. quando comparado com o controle. Assis et al. Não foi observada diferença na produção de leite e no teor de gordura quando se substituiu parcialmente o milho do concentrado por 50% de CS com base na matéria seca. De acordo com os autores. Neste experimento. Ambos os grupos 178 . Ipharraguerre et al. Foi concluído que a cana-de-açúcar pode sustentar produções de 20Kg/dia em vacas no terço médio de lactação. relacionado à maior concentração destes na dieta. assim como no experimento anterior. (2004) avaliaram a performance de vacas alimentadas com péletes (36% da MS da dieta) formados por 50% de cevada ou 50% de CS.substituição ao milho no concentrado. 10% CS e 10% MM.3kg de leite por vaca por dia) no tratamento em que 40% de casca de soja foram adicionados à MS da dieta.2Kg/dia de leite para o tratamento com 40% de CS. porém. Miron et al. desde que a participação do concentrado seja de 60%. a casca de soja serve como um bom substituto do fubá de milho.5% de gordura também não foram afetadas. o consumo de MS e a composição do leite. tendo como volumosos silagem de milho (30% na MS da dieta) e feno de coastcross (10% na MS da dieta). (2002b) não observaram diferenças em relação ao consumo de matéria seca e matéria orgânica. Para todos os tratamentos. As dietas eram compostas de 23% de silagem de alfafa. Já Pedroso et al. houve uma diminuição numérica na produção de leite (-1. o nível de CS na MS da dieta foi de 20%. mostrando que as dietas supriram a alta produção de leite sem prejudicar o restabelecimento da condição corporal dos animais. produção e composição do leite. (2007) testaram a substituição do milho moído (MM) por CS na dieta de vacas no terço médio de lactação. Em experimento idêntico ao anterior.3Kg/dia) não variou para os tratamentos 0. com dieta à base de cana-de-açúcar (40% na MS) e concentrado (60% na MS da dieta). houve um aumento do consumo de FDN e FDA. Os animais avaliados foram divididos em três lotes de acordo com o período de lactação e. porém avaliando vacas no início e não no terço médio de lactação. 10. 20 e 30% de CS e apresentou uma tendência de produzir menos 1. não foram observadas diferenças (p>0. sem prejuízo ao desempenho produtivo de vacas leiteiras de alta produção. com média de 20Kg de leite/dia. A substituição do MM por CS de soja não alterou a produção de leite (em média 28. e que a substituição de 50% do milho por CS pode ser realizada de acordo com a disponibilidade e conveniência econômica. Os resultados deste experimento sugerem que a CS pode suprir até 30% da MS da dieta de vacas no terço médio da lactação sem deprimir a produção. As produções de leite e leite corrigido para 3. Foram avaliadas três dietas: 0% CS e 20% MM. 67 e 100%). Com o aumento dos níveis de CS na dieta. A adição de CS aumentou a porcentagem de gordura do leite e sólidos totais. A produção de leite (29. 33. e 20% CS e 0% MM com base na MS total da dieta.

a composição dos carboidratos estruturais. De acordo com Ipharraguerre e Clark (2003). Fatores como o conteúdo de lignina. mas o percentual de gordura do leite aumentou. a CS tem pequeno tamanho de partícula e alto peso específico que. (2004) realizaram um experimento com substituição da silagem de milho por CS (16.3Kg/dia para a dieta com CS e silagem de milho. Não foi observada diferença na ingestão de MS. comparado às forragens. na dieta com CS ocorreu uma redução da proteína do leite. Assim. substituiu 14% da dieta. A inclusão de CS em substituição à cevada em dietas de vacas de alta produção aumentou a ingestão e a digestibilidade da FDN. a CS tem uma proporção de FDN potencialmente degradável maior e pode ser degradada em uma taxa maior que a maioria das forragens. fornecida como silagem de alfafa. respectivamente. Diversos trabalhos têm demonstrado não haver alteração no consumo de MS quando o milho é substituído pela CS em níveis de 15 a 48% de MS total da dieta (Ipharraguerre e Clark. Quando mais de 30% da MS da dieta suprida pelo milho é substituída pela casca de soja.5% da MS total da dieta) sob condições de clima quente. Esse aumento no teor de gordura do leite foi explicado por um aumento na digestibilidade da fibra e uma melhora no ambiente ruminal. houve um maior consumo de FDN desta dieta. Além disso. 2003). por CS na dieta-controle que continha 52% de 179 . a taxa e a extensão da digestão da parede celular. quantidades de fibra e carboidratos não estruturais digeridos e ainda no sítio de digestão podem causar uma redução na fonte e/ou quantidade de energia requerida para produção máxima de leite para vacas leiteiras de alta produção (Ipharraguerre e Clark. sendo creditada essa redução a um menor aporte de carboidratos não fibrosos ao rúmen. Nesse experimento. em má qualidade ou quando se tem necessidade de aumentar a energia da dieta sem a inclusão de amido. respectivamente. Halachmi et al. A produção de leite não se alterou (40kg/dia). o tamanho e a densidade de partículas devem ser considerados para a avaliação do consumo de MS. favorecendo microrganismos celulolíticos. Essas observações evidenciam que a utilização do teor de FDN como preditor único do consumo de MS parece ser inadequada. a FDN da CS não afeta a ingestão de MS na mesma proporção que a FDN das forragens devido a sua cinética de digestão e características físicas. Foi observado um aumento na produção de leite. principalmente quando se utilizam diferentes fontes de FDN (Mertens. devido aos maiores teores de FDN da dieta com CS. poderia dobrar a taxa de passagem pelo rúmen. Stone (1996). Por outro lado. já a dieta com CS teve 31% da FDN total proveniente das forragens. Também foi observado um aumento na produção total de gordura e proteína para a dieta com CS.9% de FDN. diferenças na fonte de energia.9 e 38. Entretanto. As dietas controle e com CS apresentaram 35. a dieta-controle tinha 50% da FDN total proveniente das forragens. 2003). A CS também tem sido utilizada para substituir forragens quando esta ela em falta. citado por Ipharraguerre e Clark (2003). o que levou a uma menor produção de proteína microbiana.receberam uma mistura básica com 17% de FDN proveniente de forragem. 1997). 38.5 e 36.

Ocorreu um aumento de ingestão de MS (20.7 e 23. entretanto não houve diferença na produção de leite e na porcentagem de gordura do leite. (1993) testaram a substituição de 11 e 22% da MS da dieta fornecida como silagem de milho por CS. quando a forragem representa 50% ou mais da MS total da dieta e tem tamanho de partícula que garanta adequada efetividade física. A CS pode substituir a forragem quando o suprimento de fibra efetiva (FDNe). Com a substituição da forragem pela CS. A FDN proveniente das forragens em relação à FDN total passou de 86% na dieta-controle para 60% na dieta com CS. Já Weidner e Grant (1994) não encontraram diferença na produção de vacas quando se substituiu o volumoso (silagem de milho e alfafa em proporções iguais) por CS em 15% da MS na dieta. em vacas multíparas com média de 37Kg/dia de leite. a substituição de forragem por CS pode não afetar ou até aumentar a produção de leite (Ipharraguerre e Clark.7 e 45. Os teores de gordura do leite não foram alterados. se mantiver adequado após a inclusão da CS. do contrário. Nesse estudo. 2) substituições de milho grão por casca de soja em quantidades superiores a 25% da MS da dieta podem prejudicar a produção de proteína do leite. respectivamente. A dieta-controle continha 50% de forragem (10% silagem de alfafa e 40% de silagem de milho). Nos casos em que a forragem constitui 50% ou menos da MS da dieta total ou tiver partículas pequenas.forragem (silagem de alfafa e silagem de milho em proporções iguais).9Kg/dia) e produção de leite (40. a CS apresenta uma efetividade química que pode prevenir uma depressão da gordura do leite. que inclui a efetividade física e química da dieta. devido a uma menor ingestão de carboidratos não estruturais. Por meio de equações de regressão múltiplas. Ipharraguerre e Clark (2003) sumarizaram dados de diversos experimentos que avaliaram a inclusão de casca de soja em dietas de bovinos leiteiros. quando a CS aumentou na dieta (de 11 para 22%). estes autores concluíram que: 1) a inclusão de casca de soja em quantidades superiores a 30% da matéria seca em dietas com altas concentrações de grãos pode levar a uma diminuição na fibra fisicamente efetiva. 3) a substituição de volumosos por casca de soja só é conveniente quando a dieta é composta por 50% ou mais de forragens e estas apresentam um tamanho de partícula que garanta efetividade física. a inclusão deste subproduto resulta em diminuições no desempenho de vacas de leite. 2003). Cunningham et al. ocorre uma redução da efetividade física da dieta (medida pelo estimulo à mastigação). A FDN fornecida pela forragem em relação à FDN total da dieta diminuiu de 76% na dieta-controle para 58 e 40% nas dietas com 11 e 22% de CS. a ingestão de MS reduziu linearmente. O FDN proveniente das forragens passou de 71 para 47% em relação ao FDN total de dieta. A dieta-controle era composta de 60% de forragem. No entanto.9Kg/dia) com a substituição da silagem de alfafa por CS. elevando as concentrações de ácidos no rúmen e ocasionando uma diminuição na ingestão de matéria seca (IMS) destes animais. 180 . Por outro lado. a substituição por CS pode deprimir a produção de leite em consequência de um inadequado suprimento de fibra efetiva.

4. CAMPOS. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ANDERSON. J.. CONSIDERAÇÕES FINAIS A CS apresenta bom valor nutritivo para ruminantes por apresentar alta digestibilidade da fibra.K.C. Quarto levantamento.pdf. quando substitui grãos de cereais na dieta. DROUILLARD. e na menor capacidade de estimular a ruminação e a salivação. J. MERILL. 41.L.. A. Composition and feeding value for beef and dairy cattle.S. A CS. In: REUNIÃO ANUAL DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE ZOOTECNIA. Campo Grande. Campo Grande. Sci. BLASI. Níveis maiores podem ser utilizados. 2009. Casca de soja em dietas de vacas leiteiras.S.conab. J. para um adequado balanceamento da dieta. Soybean hulls.3. LIMITAÇÕES DE USO A limitação na inclusão da casca de soja em dietas de bovinos leiteiros está em função da diminuição nos níveis de energia da dieta total. variação de peso.S. v. D. 2000.2965-2976.CD-ROM. pode manter os níveis de produção animal por melhorar a digestibilidade da fibra da forragem. SBZ. e a análise química realizada previamente.J..gov. TITGEMEYER. OLIVEIRA.66.J. Desta forma.A. Ambos os parâmetros restringem o desenvolvimento de um potencial máximo de produção animal. produção e composição do leite. Manhattan. ASSIS. quando substitui alimentos volumosos. 1988. 181 . Consumo.br/conabweb/download/safra/3graos_08. Disponível em: http://www. p.. A. Acompanhamento da safra brasileira 2008/09. 2004... Anais. MCDONNELL... et al. os limites de inclusão na dieta devem ser respeitados.09. quando realizada uma adequada suplementação volumosa. Digestibility and utilization of mechanically processed soybean hulls by lambs and steers. COMPANHIA NACIONAL DE ABASTECIMENTO. et al. I. Acessado em: abr. A CS pode substituir forragens em até 22% da MS total da dieta. quando este alimento substitui grãos de cereais no concentrado. 2004. et al. S. desde que se tenha adequado suprimento de fibra efetiva. M. E. J. Anim..M.. KS: Kansas State University. (MF-2438). A CS pode substituir grãos de cereais em níveis de até 30% da MS da dieta.

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DSc.. Cristiano Gonzaga Jayme3. será abordado o efeito do tratamento com ureia ou amônia nos resíduos de culturas e da indústria sobre a composição química. de fenos provenientes de plantas colhidas no estádio de desenvolvimento avançado. luciocg@vet. O consumo voluntário é baixo. MG. O uso crescente de palhas e de outros resíduos acompanha o aumento de preço de alimentos de melhor qualidade.CAPÍTULO 12 UREIA E AMÔNIA EM RESÍDUOS AGROINDUSTRIAIS PARA RUMINANTES Wilson Gonçalves Faria Jr. sua produção energética como alimento para gado é baixa. CEP 30123-970.br 184 . Caixa Postal 567. 1993). MG. pois a maioria dos produtores não se prepara para suplementar os rebanhos no período de escassez de forragem de boa qualidade.1. ou mesmo daqueles que sofreram perdas de qualidade a campo. CEP 30123-970. Belo Horizonte. cgjayme@gmail. MSc. Assim. Alex de Matos Teixeira4 RESUMO O aproveitamento de palhas e resíduos de cultura ou fenos de baixa qualidade por ruminantes pode ser potencializado com a amonização desses materiais com o uso de ureia ou amônia anidra. Caixa Postal 567. Caixa Postal 567. ricos em fibra contendo pouca proteína e minerais. Doutorando em Zootecnia. Lúcio Carlos Gonçalves2.com 4 Médico Veterinário. O aproveitamento de resíduos de culturas anuais de verão e de inverno. segurança e as recomendações de uso serão abordadas no decorrer do texto. Escola de Veterinária da UFMG.ufmg. Associado Departamento de Zootecnia da Escola de Veterinária da UFMG. o aproveitamento de restos de culturas e subprodutos da agroindústria tem se mostrado interessante e viável na alimentação de animais de menores exigências (Cândido et al. Escola de Veterinária da UFMG. DSc. Prof. CEP 30123970. Belo Horizonte.. e a digestibilidade. alexmteixeira@yahoo.com 2 Engenheiro Agrônomo. bem como os reflexos sobre o desempenho animal. Escola Agrotécnica Federal de Machado. a produção estacional de forragem é um fato concreto que tem causado enormes prejuízos à pecuária nacional. INTRODUÇÃO Nas regiões tropicais do Brasil.. MG. wilsonvet2002@gmail. Neste capítulo.. Bolsista CNPQ. São essencialmente alimentos energéticos. Entre as opções existentes no momento. além do uso da forragem resultante da colheita de sementes de gramíneas forrageiras. MSc. constitui uma alternativa que pode atenuar a escassez de alimento durante a época de seca e melhorar a eficiência da exploração pecuária (Reis e Rodrigues. Doutorando em Nutrição Animal.com. Belo Horizonte. 1999). A digestibilidade da energia contida nas palhas e nos resíduos é de apenas 40-50%. As técnicas de tratamento.. de forma que o 1 Médico Veterinário.br 3 Médico Veterinário.

que contém quase a totalidade da celulose. que incluem as substâncias solúveis em água e a maioria dos lipídios e das proteínas. Inúmeros métodos químicos têm sido avaliados.). aumentar o consumo e a digestibilidade.consumo de energia digestível do gado em dietas de palhadas usualmente não é maior do que 100kcal/UTM (unidade de tamanho metabólico) por dia. pectina. compostos não glicosídicos (ligninas. ceras.0%) e de fibra em detergente ácido (FDA. Os autores consideram que esses alimentos podem ser utilizados eficientemente na nutrição de ruminantes. além de minerais e vitaminas. de minerais e de vitaminas. amônia líquida ou ureia tem sido uma das alternativas em razão de ser de fácil aplicação. A amonização de forragens utilizando a amônia anidra. físicos e químicos. não são economicamente compensadores em função dos custos. 1993). composta de três subcamadas de celulose e hemiceluloses (Duarte. abaixo de 6. com digestibilidade próxima a 100%. ASPECTOS QUÍMICOS DA COMPOSIÇÃO DA FIBRA A matéria seca das forragens é composta de duas frações: os conteúdos celulares. A lignificação inicia-se na parede primária. e sua utilização depende da digestão microbiana. A parede celular é composta por duas estruturas: a parede primária ou mais externa. 1991). pois apresentam alto conteúdo de parede celular (valores acima de 60. principalmente. Aspectos relativos à química da parede celular e à anatomia vegetal influenciam na digestibilidade das forragens pelos microrganismos ruminais (Akin. muitas vezes. desde que suplementados com fontes proteico-energéticas. além de conservar as forragens com alto teor de umidade (Rosa e Fadel. suberina. acima de 40. fornecer nitrogênio não proteico. A 185 . e a parede secundária. As ligninas interferem na digestibilidade dos carboidratos por diversos mecanismos. 1991). e a parede celular. Todavia. provocar decréscimo no conteúdo de fibra em detergente neutro (FDN). hemiceluloses e ligninas encontrada no vegetal. As informações de Reis e Rodrigues (1993) ressaltam a baixa qualidade desses volumosos. dentre os quais a incrustação e a formação de complexos ligno-polissacarídeos. favorecer a solubilização parcial das hemiceluloses.0%) e baixos teores de proteína bruta (PB. A eficiência de aproveitamento desses volumosos pode também ser aumentada por meio de tratamentos biológicos. visando à melhoria do valor nutritivo de volumosos de baixa qualidade (Reis e Rodrigues. o que é suficiente apenas para mantença (Jackson. na maior parte. que contém algumas microfibrilas desordenadas de celulose e.0%). não poluir o ambiente. 1. minerais etc. cutinas. 2001). 1977). estendendose dentro da parede secundária. A parede celular representa a fibra das forragens (Duarte. 1988). O espaço intercelular contém.

1989). situando-se o bagaço de cana como pior. o consumo voluntário e a digestibilidade utilizando-se ovinos (Tabela 2). nas gramíneas. Os baixos valores de digestibilidade de proteína são funções dos baixos valores de proteína bruta no material utilizado. tais como razões folha e caule na palha. que os coeficientes de digestibilidade são muito baixos. por essas características. entre todos os outros. podem ser devido a fatores genéticos e ambientais. Os dados de composição em nutrientes brutos dos resíduos indicam que. De fato. Observa-se. são de baixa qualidade nutritiva. como observado na Tabela 3. Os dados de composição e os coeficientes de digestibilidade baixos observados pelos autores indicam a baixa qualidade dos resíduos estudados.. 1991). pois sabe-se que o avanço no estádio de crescimento das plantas produz um decréscimo da digestibilidade de todos os constituintes. As ligninas das leguminosas contêm menores concentrações de compostos fenólicos álcali-lábeis do que as gramíneas. esses autores observaram diferenças nos conteúdos de matéria seca (MS). sílica e de degradabilidade entre as variedades e os componentes morfológicos das palhas. PB. 1982). não poderia fornecer os nutrientes necessários.composição química das ligninas parece ser mais importante do que a quantidade na digestibilidade dos carboidratos (Akin. a menos que a capacidade de consumo desses volumosos fosse ilimitada. Os ácidos p-cumárico e ferrúlico foram correlacionados negativamente com a digestibilidade das forragens (Chaves et al. salientando-se o bagaço de cana-de-açúcar. valores de digestibilidade in vitro da matéria seca de 38.33%. Bonjardim et al. No entanto. (1988). Sob o ponto de vista de composição química. 186 . Para tanto. segundo While et al. de uma maneira geral. oferecido como único alimento aos ruminantes. isso pode ser explicado pela formação de ligações tipo éter entre carboidratos e ácido p-cumárico. QUALIDADE NUTRICIONAL DE PALHAS E RESÍDUOS A composição química e a digestibilidade in vitro da matéria orgânica (DIVMO) de palhas de diferentes vegetais apresentam diferenças que. os resíduos de culturas ou da indústria apresentam baixos teores de proteína bruta e altos teores de parede celular. com o aumento da maturidade fisiológica. ou pelos efeitos tóxicos desse ácido na microflora do rúmen de forma generalizada. que apresentou menor valor em consequência do alto teor de sílica. qualquer um desses volumosos. (1992) observaram. Horn et al. verifica-se maior deposição de compostos fenólicos que nas leguminosas (Duarte. Os valores de energia bruta são pouco variáveis. Prates e Leboute (1980) realizaram um trabalho para determinar o valor nutritivo de alguns resíduos de cultivos e de indústrias comumente disponíveis. em geral. foram determinados a composição química (Tabela 1). exceto a palha de arroz. o que era de se esperar. Segundo Akin (1988). as diferenças nas proporções dos componentes morfológicos de plantas. 2.. em parte. FDN. para o feno de capim-estrela sem tratamento. influenciando o crescimento de plantas e. Como consequência. 1988.

1 ± 2.3 Consumo voluntário máximo trigo soja 37. 3Proteína Digestível.6 39. 1980.9 ± 1.36 4.9 ± 5.2 22.8 0.30 3.1 ± 1.8 48. 187 . FDN .2 44.37 4.Tabela 1.3 29.7 55.1 39. Resíduos de cultura Palha de arroz Palha de trigo Palha de soja Palha capim-de-rodes Bagaço de cana 1 Matéria seca 86.93 8.77 4.8 ± 10. Resíduo Palha de milho Palha de arroz Palha de trigo Palha de trigo Palha de trigo Palha de trigo 1 2 MS1 MO2 PB2 FDN2 FDA2 HEM2 CEL2 LIG2 DIG2 91.2 43.4 30.9 ± 7. 1991 Ferreira et al.5 35.0 32.8 ± 5.61 4.57 73.9 ± 0.5 1. Tabela 2.9 44.2 41.2 ± 3.3 47.2 ± 0.3 ± 10..2 ± 2.4 10.21 4. arroz e trigo revisados na literatura.39 88.7 ± 2. CEL .33 1.78 94.2 ± 5. 1990a.4 43.03 3.9 23. Unidade de Peso Tabela 3.1 98..9 ± 3.08 45. Fonte: Adaptado de Prates e Leboute.1 ± 3. Palhas de arroz MS1 MO2 Nitrogênio Energia g MS/UTM5 g PD3/UTM kcal ED4/UTM 1 47.2 ± 0.2 35. HEM .68 MO1(%) 80.9 - Autores Guimarães et al.2 73..54 86.11 94.5 ± 4.9 ± 0.1 0. DIG Digestibilidade in vitro da MS.0 23.1 54. Metabólico.4 ± 2.33 Expresso como % de matéria seca PB2(%) EB3(Kcal/g) PC4 (%) 5.Ligninas.4 53.0 43.7 ± 3. 1992 %.4 13.8 4 bagaço de cana 25.9 49.26 83. 1993 Singh e Makkar.9 79.Proteína Bruta..3 82.0 ± 4.3 8.9 ± 1.47 94.9 ± 4.MO .Matéria Orgânica.8 3.3 41.75 5.8 0.1 25.5 ± 3. 1992a Das et al.7 ± 0.1 ± 5.Matéria Seca.4 5 Matéria Seca. MS ..4 7.28 3.6 ± 3. 1980.16 86.7 47.17 98. 1992b Queiroz et al. 4Parede celular. 2Matéria Orgânica.0 7.3 76.10 34. 2Proteína Bruta. Digestibilidade e consumo voluntário em ovinos dos resíduos de cultivo e da indústria.2 28.27 Matéria Orgânica. LIG .4 83. Fonte: Adaptado de Prates e Leboute.9 ± 5.Hemiceluloses. (%MS).3 0.3 ± 2.8 54.Fibra Detergente Ácido.2 8.0 38.2 44.72 82.2 43. FDA .3 30. PB . b Queiroz et al.3 0.2 0.5 60.7 45.09 55. Composição química e digestibilidade de palhas de milho.Celuloses.62 80.5 ± 6.5 ± 1.6 26. Composição química dos resíduos de cultivos e de indústrias.1 41.8 ± 2.8 ± 9.Fibra Detergente Neutro.4 57. Energia Digestível.0 ± 3.09 82.08 87.7 ± 2.1 87. 3Energia Bruta.6 5.6 42.2 ± 4.1 10.6 56.6 ± 4.8 capim capim lanudo rodes Coeficiente de digestibilidade (%) 43.2 2.3 42.0 ± 2.8 35.0 8.9 9.3 ± 1.72 91.38 84.7 79.

assim. fica claro que nenhum dos resíduos fornecidos como alimento único permitirá ao animal atingir consumo suficiente de matéria seca. Contudo. Tal fato indica a necessidade de aplicação de práticas que melhorem o aproveitamento e a digestibilidade desses alimentos com o objetivo de aumentar o consumo e propiciar a utilização desses materiais de forma mais eficiente. (1993). resultando em elevação de digestibilidade in vitro. mas sim apresentar reação rápida com o volumoso. 3. não ser tóxico aos animais.340 Palha de arroz 3. Comparação entre os consumos de matéria seca. in vivo e in situ da matéria seca. 188 . 2Proteína Digestível. os efeitos da amonização estão relacionados com a solubilização de hemiceluloses e com o aumento nos teores de nitrogênio total. O produto químico a ser utilizado na amonização de volumosos deve apresentar as seguintes características desejáveis: ser de fácil disponibilidade no mercado. Os dados obtidos pelos autores indicam que a seleção de materiais pode ser feita no sentido de melhorar a qualidade das palhadas sem prejuízo na produção de grãos. Outros aspectos importantes correspondem ao efeito corrosivo das substâncias e ao risco de contaminação do solo e cursos d’água.11 62 6331 Palha de trigo 3. atende a todas essas especificações enumeradas. AMONIZAÇÃO A amonização pode promover alterações acentuadas na composição química das frações nitrogenada e fibrosa das forrageiras.68 135 5339 Palha de capim-lanudo 2. 3Energia Digestível.50 190 11. ter baixo custo para aquisição e aplicação. Tabela 4.Observando-se a Tabela 4. Consumo total 1 MS (Kg/dia) PD2 (g/dia) ED (kcal/dia) Exigências (300kg)* 4. Contudo.61 0 615 1 Matéria Seca. Fonte: Adaptado de Prates e Leboute. 1980. Tais alterações podem aumentar a digestibilidade e o consumo desses alimentos e.06 17 5714 Palha de soja 2. o estudo realizado por Silva e Guedes (1990) confirmou a grande variação que pode existir na composição química e digestibilidade de palhas em função de fatores como cultivar e ambiente. o desempenho dos animais. De acordo com Reis et al. preferencialmente ser um nutriente para o animal. no tratamento de volumosos de baixa qualidade. e não deveriam ser de manuseio perigoso.11 48 4021 Palha de capim-de-rodes 2. Reis e Rodrigues (1995) ressaltam que nenhum dos produtos químicos utilizados atualmente. proteína ou energia digestível para sua mantença.04 11 3303 Bagaço de cana 0. proteína digestível e energia digestível dos resíduos estudados e as exigências para mantença de um novilho de 300kg de peso vivo.

ou átomo de hidrogênio. existente entre as cadeias de hemicelulose e os grupos de carboidratos estruturais ou entre moléculas de carboidratos estruturais e a lignina.Amoniólise: A principal reação que ocorre entre a fração fibrosa e a NH3 é a amoniólise das ligações do tipo éster. Em estado gasoso. Reações químicas Durante o tratamento.Formação do hidróxido de amônio: A alta afinidade entre a NH3 e a água existente nos volumosos resulta na produção de hidróxido de amônio (NH4OH). A amônia anidra apresenta corrosividade a materiais constituídos pelos seguintes elementos químicos: cobre. 3. Dessa forma. 1994). melhorando a digestibilidade e o consumo das palhas (Van Soest. resultando na formação de amidas (Reis e Rodrigues.35°C. são também rompidas. ponto de solidificação a 760mm HG igual a 77. é incolor.1. O O ⎢⎢ ⎢⎢ R-C-O-R1 + NH3 R-C-NH2 + H-O-R1 R Carboidrato estrutural. 1993). e apresenta as seguintes características: peso molecular igual a 17. entre o ácido urônico das hemiceluloses e da celulose. o que equivale a 512. destacando-se o uso de amônia anidra (NH3). citado por Reis e Rodrigues (1993). prata e suas ligas. R1 Carboidrato estrutural. ou seja. pode ser usada como solvente. ou unidade fenilpropano de lignina. NH3 + H2O NH4OH 189 . a NH3 possui 82% de nitrogênio. Segundo os dados relatados no Manual de amônia. alguns sistemas de tratamento químico estão sendo pesquisados na Europa e nos Estados Unidos. zinco.03g/g mol. que é uma base fraca (Reis e Rodrigues.1. possui odor picante e fortemente penetrante. 2ª Reação . de hidróxido de amônio (NH4OH) e de ureia (Reis e Rodrigues.5% de proteína bruta. o que potencializa o ataque das frações fibrosas pelos microrganismos ruminais. publicado pelo Instituto Brasileiro do Petróleo. e as ligações intermoleculares do tipo éster.1. A ação da amônia anidra sobre a fração fibrosa de volumosos pode ser explicada. 1993). 1993). e não apresenta sensibilidade à luz.70°C e temperatura de autoignição igual a 850°C. Amônia anidra A amônia anidra é um composto químico que apresenta características próximas às da água. por meio das seguintes reações químicas: 1ª Reação . parte da lignina e da sílica pode ser dissolvida.3. Comitê de Amônia (1977). ponto de ebulição a 760mm Hg igual a 33.

É importante salientar que inúmeros fatores podem afetar a eficiência da liberação de amônia. ou átomo de hidrogênio ou unidade fenilpropano de lignina. É importante considerar que. o pH da forragem tratada com NH3 tende a se elevar em função da formação de NH4OH. por meio da hidrólise da ureia (Dolberg. possui cor branca e é cristalizada por meio do sistema prismático. Ureia e hidróxido de amônio A adoção de sistemas de tratamentos químicos de volumosos requer a avaliação criteriosa de aspectos referentes à relação custo-benefício. em condições hermeticamente fechadas e sob ação da uréase. A ureia é solúvel em água. que não são considerados tóxicos (Santos et al. devem-se considerar. Todavia. álcool. Uma alternativa viável para se proceder à amonização de volumosos de baixa qualidade é o sistema do qual se obtém a NH3.. 3. daí ser considerada um composto nitrogenado não proteico (NNP). O O ⎢⎢ ⎢⎢ + R-C-O-R1 + NH4OH R-C-O + NH4 + H-O-R1 R Carboidrato estrutural. R1 Carboidrato estrutural. A amônia proveniente da ureia reage com os componentes da fração fibrosa dos volumosos como descrito anteriormente. a hidrólise alcalina tem menor participação no processo de “amonização”. quando se usa NH3. NH2 O=C NH2 Uréase H2O CO2 + 2NH3 Esse sistema de tratamento baseia-se no fato de que.1. forrageira após o florescimento).Hidrólise alcalina: A partir do hidróxido de amônio. possui em sua composição pequena quantidade de ferro e chumbo. 2001). em primeiro plano. ocorre a liberação de NH3 a partir da ureia. a partir da hidrólise da ureia. pode ocorrer a hidrólise alcalina das ligações tipo éster existentes nos volumosos (Reis e Rodrigues. em função do baixo conteúdo de umidade dos volumosos a serem tratados (fenos. Quimicamente.3ª Reação . 1993). sendo 190 . a disponibilidade e o custo dos produtos químicos. é classificada como amida. resíduos de cultura.2. composto orgânico sólido. 1992). Nesse sentido.

seus únicos efeitos significativos foram sobre os valores de FDN e DIVMS.7%. que ocorrem durante a peletização. temperaturas superiores a 100°C à pressão atmosférica não potencializam a efetividade do álcali em aumentar a digestibilidade do volumoso. No entanto. pois o hidróxido de amônio possui 29.0%. Segundo Dolberg (1992).05) nos conteúdos de FDN e N total. mas não modificou os valores de DIVMS. com aumento de umidade para 40.0%. a temperatura não influenciou nem o grau de ureólise nem a DIVMS. A adição de uma fonte de uréase para facilitar o processo produz resultados que ainda são contraditórios e dependem da fonte de uréase. EFEITO DA TEMPERATURA. ou “água-amônia”. a amonização pode ser feita por meio do hidróxido de amônio. UMIDADE E USO DE UREASES Segundo Jackson (1977). ainda tem sido feito em pequena escala se comparado aos outros sistemas de tratamento. O aumento da umidade para 30. a maior eficiência do tratamento com ureia pode ser obtida quando o volumoso possui teor de umidade de 30. Em níveis de umidade baixos. A principal diferença está no grande volume de líquido utilizado comparado ao pequeno volume dos sistemas com NH3. Em resíduos de cultura de milho. O uso do hidróxido de amônio. a atividade de uréase dos volumosos.0% produziu uma resposta positiva na maioria dos parâmetros químicos analisados. (1993) não encontraram diferenças entre os aumentos nos teores de proteína bruta (PB) e digestibilidade in vitro da matéria seca (DIVMS) decorrentes do tratamento com amônia anidra de fenos de aveia contendo teores de umidade alto e baixo. Nos resultados obtidos por Munõz et al. O processo de amonização com o NH4OH é semelhante ao da amônia anidra.0 a 8. quando aplicados em palha de trigo. e. a adição de grãos de soja crus não teve efeito significativo quando aplicados em resíduos de milho. Segundo Hadjipanayiotou (1982). que foram similares aos obtidos com a aplicação de ureia com umidade nos níveis de 31. o período de tratamento e a quantidade de ureia aplicada.0% da matéria seca do volumoso. Além do sistema de tratamento com ureia. Sarmento et al. como fonte de uréase.0% de amônia anidra em sua composição. o aumento no conteúdo de umidade. (1991). 4. pode aumentar a eficiência do processo de alcalinização ao qual o material tratado é submetido. Ferreira et al. quando se aplicava amônia. As temperaturas usadas não foram limitantes e tiveram efeito significante (P<0. A combinação de altas temperatura e pressão.os mais importantes: o conteúdo de umidade dos volumosos. na 191 . As informações relativas à influência do teor de umidade e da temperatura na aplicação de amônia anidra e ureia são frequentemente contraditórias. os resultados foram menos homogêneos. reduziu o conteúdo de fibra em detergente neutro (FDN). e a ureia é aplicada na dosagem de 4. (2000) estudaram o efeito da soja crua. Aumentos maiores na digestibilidade são alcançados quando o material é cozido à pressão com soluções alcalinas. a adição de grãos de soja crus aumentou o grau de ureólise na palha de trigo.1% e 42.

próximo das instalações onde os animais receberão a forragem tratada. A seguir. não havendo diferenças nos valores de DIVMS dos fenos tratados. ou poço. na composição de fenos de B. Os silos trincheiras.0%) associados a maiores doses de amônia (3.5% de ureia (base da MS). 3. Os resultados obtidos no trabalho de Queiroz et al. se possível. O procedimento a seguir é uma possibilidade de aplicação proposta por Reis et al. (2006) sugerem que maiores teores de umidade (15. ou qualquer compartimento que possa ser hermeticamente fechado. foi influenciada pela duração dos tempos de amonização. (2005) não encontraram benefícios na adição suplementar de uréase.5% da MS) em bagaço amonizado com 7. TÉCNICAS PARA A AMONIZAÇÃO DE VOLUMOSO Como já mencionado anteriormente. ureia e também do hidróxido de amônio. 192 . Peninsetum purpureum ou Leucaena leucocephala. A escolha dependerá de fatores como: disponibilidade e material. (1992b). O teor de umidade apresentou pouca influência nos efeitos da ureia e das fontes de uréase. A área onde os volumosos ou fardos a serem tratados serão empilhados deverá ser forrada com plástico ou ter o piso cimentado. Os teores médios de PB e hemiceluloses não foram afetados pelos níveis crescentes de uréase. 5. (1991). com considerações bastante práticas. (1991): Escolher um local plano.5%).0% versus 5.0% de ureia. A perda de benefícios do tratamento com amônia anidra.0%) tratados com 5. a adição de fonte de uréase até 3.5%. a amonização pode ser realizada por meio da aplicação de amônia anidra. Aplicação de amônia anidra Existem muitos procedimentos para a aplicação da amônia anidra.0% versus 30. Por outro lado. em relação ao tempo de tratamento com amônia anidra. quantidade de forragem a ser amonizada.0% ou 30.1. como fonte de uréase. mostram que o tempo de duração da amonização não interferiu sobre os aumentos de PB e DIVMS. Pires et al. via fenos de B. serão descritas as técnicas recomendadas para a aplicação dos diferentes produtos químicos. após a retirada do plástico que protegia o material. Brizantha com dois níveis de umidade (15. podem também ser utilizados. podem causar decréscimos na DIVMS.75% (base MS) melhorou a DIVMS do bagaço de cana tratado com ureia. no entanto altos níveis de soja crua (7. bem drenado e.0% da MS) garantem maiores respostas na qualidade nutricional de fenos de B.amonização do bagaço de cana-de-açúcar por meio da ureia.2. decumbes. armazenados por um período de 96 dias. Já Bertipaglia et al. Utilizaram quatro níveis de fontes de uréase (0%. de acordo com Reis et al. entretanto o teor médio de FDN do bagaço diminuiu.0% da MS) promoveu benefícios somente em níveis mais elevados de ureia. durante 60 dias. condições de segurança etc. Brizantha. O uso de uréase (3.75% e 7. 5. os silos tipo cisterna.

deixando “de fora” apenas a ponta da mangueira que será conectada ao cilindro de amônia. cobrir com lona plástica (0. tem-se utilizado mangueira de alta pressão com diâmetro de 3/4 de polegada. deve-se colocar um registro de PVC. descobrir as pilhas e. Ao terminar a aplicação. A quantidade de amônia a ser aplicada é baseada no peso de matéria seca da forragem ou simplesmente no peso bruto. Geralmente. dessa forma. tendo os furos o diâmetro de um lápis (0. e a outra deverá possuir uma redução para permitir a conexão com a mangueira que será acoplada à válvula de saída do botijão de amônia. Para tanto. de modo a evitar vazamentos. duas polegadas. a tubulação ou vasilhame que receberá a amônia. Após 21 a 30 dias de tratamento. dois a três dias depois. inclinado ou mesmo de “ponta-cabeça” (válvula de saída para baixo) sobre uma balança. o peso total do material a ser tratado e a dosagem a ser aplicada. aproximadamente. A mangueira deve ser de alta pressão. Recomenda-se a adição de quantidades equivalentes a 2 a 4% do peso seco do volumoso a ser tratado. Após empilhar os fardos (retangulares ou redondos). Uma das extremidades do cano deverá ser tampada. O excesso da lona de cobertura deve ser cuidadosamente enrolado com a lona da base da pilha.8mm de espessura).Para a confecção das pilhas. bem como os possíveis pontos de vazamento de amônia. evitando.7cm). O cano de PVC deverá ser perfurado de 30 em 30cm. a seguir. Verificar a vedação da pilha e proceder à aplicação da amônia. deixando a lona folgada em todas as laterais e no topo da pilha. fechar o registro de PVC que foi colocado no ponto de conexão entre as mangueiras e inspecionar todas as laterais da pilha para verificar se existe algum orifício por onde esteja escapando a amônia. A tubulação deve ser de cano PVC de. No ponto de conexão entre a mangueira que sai do cilindro e a que está no interior da pilha. É conveniente manter as pilhas protegidas para evitar chuvas. 193 . perda de amônia no momento de desconectar as mangueiras. A abertura do registro do cilindro deve ser feita lentamente. verificando-se as conexões. pode-se aferir com precisão a quantidade de amônia aplicada. O cilindro de amônia deverá ser colocado na posição horizontal. calcula-se facilmente a quantidade total de amônia a ser aplicada. o número de fardos. colocar uma camada de fardos e. Sabendo-se o peso médio dos fardos. usar sacos com areia ou terra para evitar qualquer vazamento de amônia. apropriada para resistir à pressão exercida pela bomba. iniciar o fornecimento aos animais. Por meio da pesagem contínua. Fechar muito bem as laterais da lona em contato com o solo. Essa folga permitirá expansão do gás nas primeiras horas de tratamento. Colocar o cano sobre a primeira camada de fardos e continuar a construção da pilha até atingir a altura e a largura desejadas em função da lona de cobertura.6 ou 0.

irritação dos olhos e garganta. Próximo ao local de aplicação do produto. silos cilíndricos e compartimentos fechados. O teor de umidade adequado para o tratamento é no mínimo de 30%.0kg de ureia diluída em 28 litros de água e aplicada em 100kg de forragem. Em casos de irritação da garganta e cavidade nasal. Se a vitima puder engolir. A ureia deve ser aplicada na proporção de 4. a abertura da válvula do botijão e o reparo de quaisquer vazamentos. para garantir uniformidade na distribuição. o material deve ser empilhado sobre uma lona plástica e recoberto com outra lona. devem-se retirar com rapidez as roupas molhadas com amônia e lavar a área atingida com água e sabão em abundância. A solução de ureia deve ser aplicada na forragem antes de ser enfardada. Após o enfardamento.As seguintes medidas de segurança são imprescindíveis para o operador que efetuará o engate das mangueiras.30% de umidade). No caso de volumosos com alto conteúdo de matéria seca (90. Caso ocorra queimadura de pele. no mínimo. A ureia deve ser aplicada diluída em água para garantir melhor uniformidade de distribuição. recomenda-se a aplicação de ureia 4. 194 . deve-se molhar a parte afetada com bastante água. retirar a vítima para local arejado e realizar a lavagem dos olhos com água corrente durante 15 minutos. deve-se levar a vitima ao pronto-socorro para avaliação médica adequada. 5.0%). O operador deverá usar luvas de borracha. 1993). Os volumosos tratados devem permanecer em condições fechadas por duas a três semanas. Não deverá ser permitido o uso de tabaco durante a aplicação de amônia nas proximidades do local de tratamento. óculos de proteção e máscara de gás própria para trabalhar com amônia (Reis e Rodrigues. Aplicação da ureia Da mesma forma que para a amônia anidra. fornecer solução de ácido cítrico a 5. a fim de se evitar casos de queimadura. Após os primeiros socorros.0% do peso seco do volumoso. Após a abertura das pilhas de fardos. É aconselhável manter solução de ácido acético a 5%. existem outras possibilidades de métodos de aplicação cuja escolha dependerá dos mesmos fatores citados anteriormente. permitir a aeração por dois a três dias antes de iniciar o fornecimento aos animais. É conveniente manter a pilha coberta para evitar água das chuvas. pois a amônia é um produto cáustico.0% ou limonada. a quantidade de água dever ser diminuída.2. para auxiliar na inativação do hidróxido de amônio. Em volumosos mais úmidos (20 . Podem-se usar silos trincheira. sob risco de intoxicação. de tal forma que fique hermeticamente fechado.0 a 8. Em casos de irritação dos olhos. ou vinagre doméstico.0 a 8. deverá estar disponível banheiro com sabão para se prestar os primeiros socorros em casos de acidente e contato com a pele.

pois dependem do nível de aplicação. os volumosos devem permanecer sob lona plástica durante duas a três semanas. uma vez que o tratamento causou a perda de hemiceluloses e uma perda proporcionalmente maior de ácido do grupo ferrúlico que do p-cumárico das paredes. respectivamente.3.. 1978). Da mesma forma que nos sistemas descritos anteriormente. (1988) avaliaram diferentes variedades de palhas de arroz e observaram que o efeito do tratamento com amônia foi pronunciado em todas as variedades e frações botânicas (caule e folhas). sendo que as de arroz podem ser tratadas inteiras. O tratamento com amônia tem fornecido resultados similares em relação a consumo e digestibilidade da MS. e acrescenta N ao material normalmente deficiente. A análise desses estudos mostra aumento nos teores de FDA e de celulose dos volumosos tratados com NH3. 1992).7%. para a palha de milho mais sabugo. ambos tratados com doses de 1. Todavia. Seu uso também contorna o problema do acúmulo de sódio no solo.6 e 105. sendo o efeito maior nas variedades com menor valor nutritivo. A partir da volatilização da amônia da solução. tem-se o inconveniente das perdas de amônia por volatilização. a amônia é geralmente considerada mais aceitável do que outras substâncias. quando as descargas são usadas como fertilizantes. 1986). tais como hidróxido de sódio. 6. EFEITOS DA AMONIZAÇÃO NA QUALIDADE DO VOLUMOSO Resíduos de culturas de todos os tipos de cereais podem ser tratados com amônia.8 e 273.3%. Os dados de inúmeros estudos que pesquisaram os efeitos da amonização sobre os conteúdos de FDA..5 e 3. De acordo com Birkelo et al. Mason et al. para o capim-elefante (Pennisetum purpureum Schum). (1986). como as de trigo (Dolberg. Após a abertura das pilhas (dois a três dias).0% de amônia anidra. Sem dúvida. tem-se o contato da NH3 com a forragem. notadamente na fração fibrosa e no conteúdo de nitrogênio total.5. 195 . resultando em diminuição no conteúdo de FDN ou parede celular (Sundstol et al. iniciar o fornecimento aos animais. e 61. (1988) observaram que menos parede celular foi isolada de palhas tratadas do que não tratadas. de celulose e de ligninas são controversos (Brown et al. Aplicação de hidróxido de amônio A solução de hidróxido de amônio ou “água-amônia” pode ser aplicada por aspersão sobre o volumoso antes do enfardamento. embora se aconselhe picar as palhas oriundas de cereais de caules mais duros. do tempo de tratamento e da qualidade inicial do resíduo. uma das principais alterações na composição química da fração fibrosa de volumosos tratados com NH3 é a solubilização das hemiceluloses. Teixeira (1990) relata aumentos do teor de PB da ordem de 159. While et al. comparados aos seus controles. A aplicação de amônia promove alterações na composição química de volumosos de baixa qualidade. O método desenvolvido nos Estados Unidos consiste em montar pilhas de fardos hermeticamente fechadas. tendo no centro um reservatório que receberá a solução de amônia.

DIVMS . porém diferenças podem ocorrer por diferenças nos níveis de ureia utilizados.9 b 14. De modo geral. Estes efeitos.3 a 29.0% a 23.7 b 54. há diferenças nas composições químicas do feno não tratado.2 50.7 15.4 a 12.2 82.3 40. Todos os trabalhos evidenciam a melhoria no valor nutricional dos fenos.7 b 12.7 a 48.9 a 41. (2005).7 45.2 46.1 b HEM 32.9 b** 7.Fibra em detergente neutro.6 c 12. a amonização promove um aumento na DIVMS de 11.4 a 35.8 83.2 b 12. 1986).8 b 46.5 c 59. 1978. 196 .6 b 32. FDN .2 b 77.4% Brachiaria Controle brizantha4 Amônia 3% Ureia 5. de modo geral.9 44.4% PB= Proteína Bruta.5 a 46. Os efeitos no valor nutricional dos volumosos pelo uso de ureia ou amônia tendem a ser semelhantes.8 c 9. que.0 a** 7.7 c 63.1 b 77.8 18.8 b 41.2 b 77. (2002).6 45.8 b 42.. considerando-se que os resultados são expressos em termos percentuais.6 a 14.2 a 31. alguns trabalhos têm mostrado decréscimo no conteúdo de ligninas. decumbens.Digestibilidade in vitro da matéria seca.0 b 80.1 a FDN 82.3 a 0. Como pode ser observado para B.45 a* 7.4 b** 8.8 38.9 a 79.5 b* 7. % da MS Feno Brachiaria decumbens1 Brachiaria decumbens2 Tratamento PB 3.7 a 48.Nitrogênio ligado à FDA.0 b 66.7 a 80.5 a 47.6 b 26.4 b 82.0% para B.4% Hyparrhenia Controle rufa4 Amônia 3% Ureia 5. que influenciam na magnitude das respostas da amonização.Ligninas. brizantha e de 20.4 b 32.39 a* 10.34 a* 8.8 a 21.5 a 9.5 b 23.Tal fato pode ser explicado pela elevação proporcional nesses valores.6 a 54.7 a 49.6 43 42.Hemiceluloses.0 b CEL 39. de 35.1 b 52.3 42.6 a 54. 4Reis et al.3 a 31. Além dos efeitos na fração fibrosa.1 16.0 ab 0.2 b 14.5 a 59.4 b 9.0 a 51. via de regra. 2Fernandes et al.3 b 30.4 a Controle Ureia 5% Controle Amônia 3% Ureia 5% Brachiaria Controle decumbens3 Ureia 6% Brachiaria Controle decumbens4 Amônia 3% Ureia 5. a amonização eleva o conteúdo de nitrogênio não proteico (NNP) dos volumosos.8 b 58.0% para o capim-jaraguá.2 48.9 b** 7.1 b** 7.5 b 13.0 a 30.0 a 2. NIDN .4 a 56.8 b FDA 50.5 a 49.1 27.5 b 81.(2001).1 b** 8.1 a** 9.4 a 72. FDA .5 b 82. em função da solubilização das hemiceluloses.8 47.8 a 22. com a solubilização das hemiceluloses aumentando a disponibilidade de carboidratos prontamente fermentáveis para os microrganismos do rúmen.9 50. apresentam reduções nas frações fibrosas e aumento nos níveis de proteína bruta e digestibilidade da matéria seca. Efeito do tratamento com ureia ou amônia em fenos de gramíneas tropicais de baixa qualidade nutricional.7 a** 8.4 a 5. resultam em elevação significativa na digestibilidade da forragem tratada (Sundstol et al.5 a 38.0% para B.Fibra em detergente ácido.4 a 40.9 b 2.2 b 0.8 b NIDN* NIDA** 7.9 b 45.9 16.3 40.0 a 87.4 a 76. Fonte: Adaptado de 1Schmidt et al.(2003).0 a 5.2 c 61. NIDA .7 a 4. LIG . são apresentados os resultados de algumas pesquisas que avaliaram os efeitos da amonização de fenos de gramíneas tropicais de baixa qualidade nutricional com ureia ou amônia anidra.2 b 45.4 b 18. no tempo de tratamento e por características inerentes ao volumoso.2 b 38 35 36..8 a 78.8 a* 8.Celulose.6 17.2 b 54.6 b 55.3 c** LIG DIVMS 40. HEM .6 39.5 38. decumbens. 3Gobbi et al. Por outro lado.7 b 26. CEL .Nitrogênio ligado à FDN. Na Tabela 5. Brown et al.7 16.4 b 58.0 b 52. Tabela 5.5 b 38.6 46.

0% da MS) ou ureia (5. elevação na digestibilidade in vitro da matéria seca dos volumosos estudados.20b 53.1Ba 58. (1993). principalmente nas palhas de aveia e no triticale.5Aa 12. É importante salientar que os teores de umidade dos volumosos tratados com ureia estavam abaixo do recomendado por Dolberg (1992).4%MS).78 10.1Bb 16.16 Médias seguidas de letras distintas. entretanto.8Aa arroz Fonte: Adaptado de Grossi et al.Fibra em Detergente Ácido. Efeito dos níveis de amônia na composição química do feno de capimbraquiária.00c 64.0%) e de triticale (30.0% para 26.No trabalho de Grossi et al.0Ba 10.2Ac 13.0% MS 40.5Aa 58. não alterou os teores de FDN. FDA. MS .90a Hemiceluloses 63.11a FDN 59. (1993).00c 48.5% 3.96b 77. O aumento no nível de ureia potencializou esses efeitos. FDA . trabalhando com diferentes níveis de amônia em feno de capimbraquiária.5Ba 43.1Aa Casca de 3.14a Lignina 9. de FDA. na linha.30b 60. a amonização. Tabela 7.1Cab 20. os autores observaram diminuição no conteúdo de hemiceluloses do feno de coastcross (36. Esse fato pode justificar.4Aa 47.8Ab 14.05) pelo teste SNK. diferem entre si (p<0. porém proporcionou aumento nos teores de proteína bruta e.1Bc 11.0% para 30. consequentemente. como por ser visto na Tabela 6.Matéria Seca. PB(%MS) DIVMS(%MS) Controle Amônia Ureia Controle Amônia Ureia 7. o aumento no coeficiente de digestibilidade da FDN.5Cb 14.0Aa 30. das palhas de aveia e de triticale.07 11.38b 54. de triticale e da casca de arroz.9Ac 67. da palha de aveia. de celulose e de ligninas do feno de coastcross.70c 47. (1993). em parte.1Ba 46. (1993). FDN . hemiceluloses ou celulose.0Bb 13.0%).2Ab Triticale 2.7Aa 50.0% para 24.0%) com o uso de NH3.0% 1. como pode ser observado na Tabela 7.0%MS) ou com ureia (5.9Ba Coastcross Aveia 7.9Bc 10.2Bb 56. hemiceluloses e celulose.20b 67. observando. Reis et al. não observaram efeito do tratamento sobre os teores de FDA. da palha de aveia (27.34c 53.8Ab 17. Apesar de a fração fibrosa ter sido praticamente inalterada com o tratamento.4% da MS). tratados com amônia anidra (3. não tratados.00a FDA 42. 197 .58a Celulose 45.30c 70. Tabela 6. Fonte: Reis et al. Teores de proteína bruta (PB) e valores de digestibilidade in vitro da matéria seca (DIVMS) do feno de capim-coastcross. Componentes Níveis de NH3 0. com amônia anidra (3.Fibra em Detergente Neutro. redução nos teores de ligninas.

(1999) encontraram que a amonização via ureia proporcionou melhoria no valor nutritivo do bagaço de cana-de-açúcar. DIVMS .56 a 8. 198 .80 a 86.Proteína Bruta.85 a 40. Resíduo Casca de arroz Dias 0 10 20 30 0 10 20 30 0 10 20 30 PB 4.97 a 13. PB . Efeito do tempo do tratamento na composição química e digestibilidade de resíduos tratados com 5.81a 10.54 a 10.20 b 4. Como pode ser visto na Tabela 8. FDN . na amonização de fenos de B. a incubação com ureia aumentou o percentual de proteína bruta (Nx6.14 b 64.13 a 37. valores na mesma coluna seguidos da mesma letra não diferem Tukey (P>0.00 a 51.69 a 42.85 a 38.85 a 8.28 ab 11. foi de 3.0% de ureia. enquanto a proporção de hemiceluloses é menor.82 b 11.18 b Lignina 12.41 b 71.51 b 71.00 ab 9.86 a DIVMS 27.0% de ureia na MS. decumbens. visando à melhoria no seu valor nutritivo. 1999).0% (base da MS).61 a 11.0% a 10.0% inferior à da celulose.20 a 4.24 b 67. de 0.91 a 41.43 c FDN 78.86 a 73. 1977). (2005) avaliaram seis níveis de uso de ureia. considerando-se o nível mínimo de PB adequado para bom funcionamento do rúmen..78 c 5.06 b 44.25) dos resíduos estudados. pois proporcionaram os maiores valores de DIVMS.60 a 18.03 c 13.18 c 78.77 b 44.10 b 11.40 ab 12.23 ab 74.62 c 63. Além disso. Fonte: Nascimento et al. tanto antes quanto depois do tratamento (Jackson.Digestibilidade in vitro da Matéria Seca. e os maiores percentuais de aumento ocorreram nos primeiros 10 dias de incubação e nos materiais com menores teores proteicos (Nascimento et al. (1999).88 b 44.Fibra em Detergente Neutro.59 a 38.74 a Bagaço de carnaúba Bagaço de cana Para o mesmo resíduo. sendo as melhores respostas obtidas com 7.47a 45.87 a 51.12 a 74. essa mudança nas proporções também contribui para o aumento da digestibilidade após tratamento.32 a 86.Fibra em Detergente Ácido.46 b 2.05). comprovada pela elevação do teor de PB e DIVMS e pela redução no conteúdo de FDN. Cândido et al.36 a 18. Tabela 8. Verificaram que o nível mínimo de adição de ureia ao bagaço. FDA .77 a 38.05 a 43.28 c 86. e uma vez que a digestibilidade das hemiceluloses é cerca de 20. a proporção de celulose.14 a 18.20 b 50.18 a 71. O aumento da digestibilidade dos resíduos tratados está relacionado com o aumento da digestibilidade da celulose presente. nos resíduos tratados é maior que naqueles não tratados.02 a 31.0% da MS.19 a 86.43 b 7. e relataram que melhorias nos tratamentos resultaram em melhorias do valor nutritivo do feno.63 a 8.Gobbi et al.93 b 35.93 a 51.94 a FDA 56.11 b 17.02 a 76.

Os dois efeitos em conjunto favorecem o aumento das superfícies acessíveis aos microrganismos ruminais. contudo. Tabela 9.0% de ureia pode ser considerada suficiente para tratamento com teor de umidade de cerca de 30%. pelas formações de complexos da celulose com a amônia. ou seja. 1990b c b a Feno de aveia DIVMS 67.51c 44. apesar do menor valor 199 . Como pode ser observado na Tabela 9. uma dosagem de 3.. As fibras de celulose.A celulose sofre um aumento de volume em função do tratamento com álcali (Jackson. os resultados relativos são mais pronunciados.0 – 4. De forma geral. Joy et al. (1992) realizaram uma série de experimentos. promovendo maior fermentação.0% de amônia proporcionou aumentos de 39% nos valores de DIVMS da palha de arroz.03a Ferreira et al. Efeitos dos níveis de amônia anidra sobre a digestibilidade in vitro (DIVMS) da palha de arroz e feno de aveia de baixa umidade.49 Ferreira et al.. resultando em aumento de volume.85 77. resultando em maior ataque enzimático. e isso também ocorre de acordo com a literatura para tratamento com amônia. podem ser fisicamente restritas pelo aumento de volume. comparando tratamentos com amônia anidra e ureia em solução e observaram uma pequena superioridade do primeiro em concordância com a literatura. o tratamento com 4. Produto Componente Níveis de amônia anidra (% na MS) Autor (% na MS) 0 2 4 Palha de arroz DIVMS 34. os aumentos numéricos são maiores. o uso da amônia anidra proporcionou aumentos na DIVMS dos volumosos.99b 48. mas nem sempre significativos. A celulose após o aumento de volume deveria ser mais facilmente penetrada pelo fluido ruminal. O tratamento com amônia promove a redução da cristalinidade das moléculas de celulose. 1993 Quando se trata de palhas de qualidade muito baixa. dentro da matriz celular. 1996). e isso deveria contribuir para a maior digestibilidade da celulose. Os tratamentos com doses mais altas de ureia forneceram valores de digestibilidade da matéria orgânica e consumo ligeiramente maiores. maior taxa de passagem e potencializando o consumo (Goto e Yokor. 1977). em materiais de melhor qualidade nutricional. A qualidade nutricional inerente ao material influencia nas respostas aos tratamentos. e o tratamento alcalino provavelmente também remove essas barreiras em alguma extensão.22 69. após o tratamento. O álcali reduz a resistência das pontes de hidrogênio intermoleculares e promove quebras de ligações éster inter e intramolecular presentes nas moléculas de celulose e hemiceluloses que as mantêm unidas. Alguma quantidade tanto de lignina quanto de sílica é dissolvida. e ligações éster intermoleculares entre grupos ácido urônico de hemiceluloses e celulose são provavelmente hidrolisadas.

(2002) avaliaram o potencial da amônia anidra (1.0% ou 34. Fadel et al.23 g/UTM/dia. O tratamento da palha de arroz provocou efeito significativo (P<0. com redução dos níveis de FDN e aumento nos teores de PB e DIVMS. a solubilização de parte das hemiceluloses e de nitrogênio ligado à FDN bem como o aporte de nitrogênio suplementar aumentam a quantidade de carboidrato e nitrogênio prontamente fermentável e favorecem o aumento da DIVMS dos volumosos tratados. A amonização promoveu melhorias na qualidade nutricional dos fenos. (2004) encontraram efeito positivo (P<0. entretanto a amonização minimizou esse efeito.0% a 37. 8.66. porém foi ineficaz no controle de Paecilomyces.0% da MS) e dois níveis de ureia (0.0%). porém não significativa.0% de NH3 na MS. que se têm mostrado efetivos no controle de fungos (1. respectivamente. Já o uso da ureia foi pouco eficiente no controle dos fungos. fragilidade e solubilidade das forragens e pelo fato de essa mudança. esses níveis são baixos para promover melhorias na qualidade nutricional do volumoso. para a palha de arroz amonizada e não tratada.5 e 1. de 10 unidades percentuais na DIVMS para o feno tratado em comparação ao controle.8% da MS) na conservação de fenos de alfafa com teores de umidade mais elevados (24. Contudo.82 e 5. no feno de trigo.05) no consumo voluntário da MS. assim como da MS da palha de arroz com a amonização da palha de arroz. com efeitos positivos sobre as características da flexibilidade.0% de umidade).0% de NH3).0% e. resultando em deterioração dos materiais. com ou sem suplementação concentrada. o tratamento proporcionou aumentos relativos de 15. FDN e FDA da dieta. Esses autores concluíram que a ureia proporcionou o mesmo efeito da amônia e que o uso de uréase adicional não promoveu benefícios.5% da MS. Freitas et al. provavelmente. Segundo Reis et al. principalmente sob condições de maior umidade dos fenos. (Tabela 10).0% a 27.5% para 48.51.8% de ureia objetivaram alcançar teores equivalentes a 0. Houve tendência. Esses resultados podem ser explicados pelas alterações ocorridas nas propriedades físicas e químicas da palha tratada. 56. no entanto alguns produtores de toxinas foram controlados de forma satisfatória. contudo não houve redução nos teores de FDA e lignina. Vale ressaltar que os teores de 0. associado ou não com fonte de uréase) sobre a composição química.04 e 51. O uso de concentrados reduziu a digestibilidade da MS da palha de arroz. ter exercido papel favorável na colonização e degradação da fibra. (2001).05) da amonização com ureia sobre a digestibilidade aparente da dieta total. Esses autores observaram que a amônia foi eficiente no controle de fungos produtores de toxinas como Aspergillus e Penicillium. 200 . Os fenos de Brachiaria decumbens e Hyparrhenia rufa (capim-jaraguá) foram avaliados quanto ao efeito do tratamento com amônia anidra (3. porém. de aumento na digestibilidade aparente da PB. em termos absolutos.9 e 1. com valores observados de 61.0% da MS) ou ureia (4. da MO e da PB.9% e 1.60 e 47.numérico (34. o que está de acordo com a ausência de alteração na composição química dos fenos tratados relatada por esses pesquisadores.

sob os efeitos da amonização (Reis e Rodrigues. Embora.42b 62. DESEMPENHO ANIMAL Segundo Reis e Rodrigues (1994).55a 46.20 Médias seguidas de letras iguais. não diferem entre si pelo teste de Tukey (P<0. T3 .93b 59.Tabela 10. É importante considerar que. Digestibilidade aparente e consumo da dieta e palha de arroz(MSp) em ovinos.58 7.98a 45.Fibra em detergente ácido. A quantidade de N requerido pela microflora ruminal está relacionada ao conteúdo de energia potencialmente fermentável disponível.05). T4 . esse parece ser adequado devido à baixa fermentabilidade da MS. (%) 5.93 4.70b 5.44b T3 61.28b 60. na palha.Proteína Bruta.Fibra em detergente neutro. T1 palha de arroz não tratada+ureia (20 g/kg de MS).02a 8. há controvérsias sobre a eficiência de utilização do N proveniente da amonização.25c T3 62. (2004).04b 60.12b 59.02 4. a utilização do N incorporado durante o tratamento com amônia depende de fatores tais como: N total da palha. 201 . quantidade de energia disponível no rúmen e disponibilidade de proteína da dieta.V.palha de arroz tratada (4% de ureia com base na MS). além das alterações na composição química das frações fibrosa e nitrogenada.02 4.16a 65. As evidências disponíveis indicam que o N incorporado ao volumoso tem o mesmo efeito daquele de outras fontes de NNP para os microrganismos.41ab 69.58a 68.23ab T2 64.14b C. 1994). 7. Fonte: Fadel et al. velocidade de liberação do N. T2 .T1+ concentrado. (%) 2. tornando-os mais macios e flexíveis. Por outro lado.84a 68.18a C.40 Consumo voluntário (g/UTM/dia) Tratamentos MS dieta MS palha PB dieta Controle 51.48b 15.T3+concentrado. Coeficientes de digestibilidade aparente Tratamentos MS PB FDN FDA MSp T1 55.01 9. nas colunas.78a 68.55 6.85a 48. PB . bem como na digestibilidade.23d T2 68. influenciando positivamente o consumo voluntário.88a T4 70.55a 65. FDN . o conteúdo de N seja baixo.66c 47. a amonização acarreta alterações físicas nos volumosos. FDA .82c T4 67.V.66ab 60. Resultados de trabalhos de pesquisa mostram aumentos expressivos no consumo de matéria seca e no desempenho de animais alimentados com volumosos tratados com amônia. A digestibilidade dos volumosos tem sido aumentada consideravelmente.78a 55.19b 59.14b 11.66ab 62.16c 61.

O consumo voluntário aumentou com o tratamento em mais de 30%. sendo a sua principal limitação a deficiência em energia. Os resultados de Oji et al.. para manter a condição corporal das categorias animais menos exigentes do rebanho.A utilização de volumosos tratados com amônia e suplementados com fonte energética pode proporcionar aos animais ganhos de peso semelhantes aos obtidos com o fornecimento de suplementos proteico-energético adicionados aos volumosos não tratados. (1990) estudaram os efeitos do tratamento da palha de milho e do bagaço de cana-de-açúcar. melhorando a composição química. Também aumentou os teores de PB. (1985).0% NDT).0% no consumo de matéria seca pelos animais. Os novilhos alimentados com a palha amonizada tenderam a ter concentrações de NH3-H no rúmen mais altas.. 2002). 202 . enquanto em relação ao pH não foram encontradas diferenças.2kg/dia (Sundstol et al. A recuperação ou fixação do nitrogênio aplicado durante amonização que está disponível para os animais encontra-se entre 40% a 65% (Fernandes et al. Pereira et al. trabalhando com resíduos de cultura de milho. o que resulta em maiores ingestões de matéria seca e matéria orgânica. O aumento na performance de animais ocorre quando os volumosos tratados com amônia compõem mais de 50% da dieta. os volumosos tratados com NH3 podem ser usados em programas de engorda intensiva de bovinos. O valor nutritivo de volumosos tratados com amônia assemelha-se ao dos fenos de média qualidade (55. Os autores também concluíram que o tratamento com a amônia anidra foi mais vantajoso em termos de ganho de peso. Guimarães et al. e a taxa de diluição de sólidos também tendeu a ser mais rápida após amonização. DIVMS e digestibilidade aparente dos componentes da dieta.0% nos valores de digestibilidade e incremento de 20. De modo geral. (2007) endossam o potencial tanto da ureia quanto do hidróxido de amônio na melhoria da qualidade de resíduos de cultura do milho. juntamente com o fornecimento de 3 a 4kg de concentrado/dia. permitindo ganho de 1.0 a 30. A taxa de fluxo do fluido ruminal aumentou com a amonização.0 a 1. (1991). DIVMS e o desaparecimento in situ da MS e de constituintes de parede. De acordo com Zorrila-Rios et al. 1978). com ureia e amônia anidra sobre o consumo e ganho de peso de novilhos e concluíram que os tratamentos induziram a um aumento no teor de PB e a uma redução no teor de hemiceluloses. os resultados de pesquisas demonstram elevação de 10. concluíram que tanto a suplementação com ureia quanto o tratamento com hidróxido de amônio possibilitam o uso desse alimento sozinho durante o período de escassez de forragens. Ademais. o tratamento com amônia aumentou (p<0.01) a fragilidade da palha. consumo e conversão alimentar (Tabela 11).

RECOMENDAÇÕES DE USO Para o uso de amônia anidra ou hidróxido de amônio. ganho de peso e conversão alimentar.07b 0.unidade de tamanho metabólico = kg PB0. as dosagens variam de 5.68 54.90b 0.78a Letras iguais não diferem pelo teste de Newman-keuls. Todavia.05).Tabela 11.resíduo (g/UTM2) 40.75. Palha Palha + ureia Palha + amônia Consumo de MS (kg/animal/dia) 6. A técnica da amonização permite melhorar.34a 6.96a 82. bem como as implicações tecnológicas para a adoção do método. UTM 1.75. consideravelmente.28a Conversão alimentar (kg/MS/kg ganho) 55. recomendam-se as dosagens de 2. Efeito do tratamento da palha de milho e do bagaço de cana com ureia ou amônia anidra sobre o consumo. Já para o uso de ureia. em função do sistema de distribuição do produto e da falta de tradição no uso desse nas atividades agrícolas.27a 0.55 12.82c Consumo de PB (g/UTM2) 3. 8. Fonte: Pereira et al.29 7. a qualidade dos volumosos.25c Conversão alimentar (kg/MS/kg ganho) 8. a aplicação de amônia anidra nas condições brasileiras é difícil.11a 8.36a 8.04b 4.84a 79.15a (kg/animal/dia) Consumo de MS . é importante observar os custos do transporte. Além disso.61a 1.36a 0. da aplicação do reagente químico e o valor nutritivo do produto obtido.93 4. (p<0.75 Consumo de PB (g/UTM2) Ganho de peso 0.0c Consumo de PB (kg/animal/dia) 0.00b 19.84 Consumo de PB (kg/animal/dia) 0.55b 1 Consumo de MS (g/UTM ) 78. o período durante o qual os volumosos permanecem sob lona plástica em contato com a amônia deva ser de três a quatro semanas. deve-se ter em mente que o manuseio da 203 .95 Bagaço Bagaço + amônia Consumo de MS resíduo 3. 9. CONSIDERAÇÕES FINAIS Na utilização de tratamentos químicos de volumosos.03b 9. ou seja.0% do peso seco dos volumosos.87b Ganho de peso 0. Recomenda-se que o período de tratamento. (1990).08b 0.64b 0. para maior eficiência do tratamento químico.0% a 8.0 a 3. UTM 2.0% do peso seco dos volumosos.unidade de tamanho metabólico = kg pv0.

JOHNSON. MOORE. suppl.A. Rev.. considerando-se que esse produto vem sendo usado. WARD. pois o seu uso na pecuária nacional é amplamente difundido e a adoção dessa técnica não requer grandes investimentos.21..310. v..E.. v.. 1982.. Sci. et al. Sci. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS AKIN.2044-2052. uma vez que se trata de um produto potencialmente tóxico.32. et al.. Fazendo-se uma análise abrangente dos trabalhos consultados. Zootec. LUCA. 2005. PIMENTEL. D.E. pode-se afirmar que a amonização é um sistema eficiente para o tratamento de volumosos de baixo valor nutritivo. Finalmente... Avaliação do valor nutritivo do bagaço de cana-de-açúcar amonizado com ureia. v. D.. Technol..196-203. NEIVA J. como fertilizante. PHILLIPS. G. Anim. urea or cane molasses supplementation of rice straw. Zootec. G. p. R.M.M. Anim.P.28. Bras. 204 . Avaliação da qualidade dos fenos de gramíneas tropicais armazenados com diferentes níveis de umidade e tratados com amônia. Feed Sci.378-386.. Avaliação de fontes de uréase na amonização de fenos de Brachiaria brizantha com dois teores de umidade. Separation. L. p.34. J..A.R. Seria interessante que os trabalhos de pesquisa sobre o assunto determinassem a relação custo/benefício do tratamento químico.. Zootec..A. p.21.P.928935.63. 1999. BIRKELO.867-873. Anim. MOYE.M. p.C.M.295-310.F. v. Abstract. et al. C. J. a utilização de ureia como fonte de amônia para o tratamento de volumosos parece ser a alternativa mais adequada para o Brasil.D. MELO. L.A. JONES. v.. Biological struture of lignocellulose and its degradation in the rumen. identification and quantification of lignin saponification on products extrated from digtgrass and their relation to forrage quality.M. CHAVES. p.. C.N. Net energy value of ammoniated straw. J. J.amônia anidra deve ser feito por pessoas treinadas. J. J. Ammoniation.M. D. Anim.. M. S. S. A utilização de hidróxido de amônia se apresenta como uma alternativa adequada para o tratamento químico. Rev. 1986.63. Soc. CÂNDIDO. Bras. BERTIPAGLIA. 1986. rotineiramente. Rev. BONJARDIM. Sci. p. RODRIGUES. v. v.B.E. REIS. 1992.J. W. 1988.R. p. et al. BROWN. Bras. H. 1. sejam palhas ou resíduos agroindustriais.

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O valor nutricional das dietas disponíveis para os animais deve ser avaliado para que suas deficiências sejam suplementadas visando aprimorar o desempenho deste.br 3 Médico Veterinário. gerando uma enorme produção nas diferentes regiões do país.. Associado Departamento de Zootecnia da Escola de Veterinária da UFMG. MG. Porém.ufmg.. Escola de Veterinária da UFMG. que corresponde a 60-70% da capacidade total do aparelho digestivo. DSc. será abordado o efeito do hidróxido de sódio sobre a qualidade dos principais resíduos agroindustriais utilizados e seu efeito sobre o desempenho dos ruminantes. Belo Horizonte. CEP 30123-970. os produtos fibrosos das plantas e os subprodutos diversos que não teriam outra utilidade a não ser retornarem ao solo. por seu baixo valor nutritivo. Caixa Postal 567. Dentro deste contexto. CEP 30123-970. geralmente uma nutrição inadequada é o principal fator limitante (Kategile. Caixa Postal 567.CAPÍTULO 13 HIDRÓXIDO DE SÓDIO EM RESÍDUOS AGROINDUSTRIAIS PARA RUMINANTES Frederico Osório Velasco1. Escola de Veterinária da UFMG. 1997). 1984). MSc. possuindo um estômago composto e compartimentado. Prof. Marcelo Neves Ribas3. INTRODUÇÃO O avanço no modo de beneficiamento dos alimentos e a sua industrialização visando extrair as porções mais nobres deste para o consumo humano.com 4 Médico Veterinário. Na produção animal. Belo Horizonte. O processamento dos diversos produtos origina altas quantidades de resíduos. MSc. wilsonvet2002@gmail. 1982). DSc. reduzindo a contaminação ambiental e. uma vez que a alimentação corresponde de 60 a 70% destes custos (Dutra et al. Belo Horizonte. Belo Horizonte. luciocg@vet. que. fredericovelasco@gmail.com 1 209   . Lúcio Carlos Gonçalves 2. a partir de 1880. Neste capítulo. MSc. o qual lhe permite converter em alimento de alta qualidade os materiais grosseiros. Wilson Gonçalves de Faria Jr.. CEP 30123-970.                                                              Médico Veterinário. MG. os custos de produção animal. Doutorando em Zootecnia. CEP 30123-970. provocaram um aumento significativo da disponibilidade de resíduos vegetais de culturas e de subprodutos industrializados (Bose et al. vários tipos de tratamentos são utilizados visando melhorar sua qualidade nutricional. podem ser aproveitados para alimentação animal. na maioria das vezes.4 RESUMO Os resíduos agroindustriais apresentam grande utilidade na alimentação animal. Escola de Veterinária da UFMG. MG. Doutorando em Zootecnia. MG. principalmente para ruminantes. os2ribas@hotmail. ao mesmo tempo. Caixa Postal 567. o ruminante se destaca pelo seu aparelho digestivo peculiar.. Caixa Postal 567. O Brasil apresenta grande diversidade de cultura..com 2 Engenheiro Agrônomo.. aliados a um aumento da área cultivada e da produtividade. em Zootecnia.

A Tabela 1 apresenta a composição química de alguns resíduos agroindustriais utilizados na alimentação de ruminantes. Segundo Hawkins (1983). sendo o teor de cálcio muito variável (Bose et al. no entanto a disponibilidade dos constituintes da parede celular varia entre as diferentes forrageiras. hemiceluloses.45 a 9. os componentes das forrageiras podem ser divididos em dois grupos principais: o conteúdo celular e os constituintes da parede celular. lignina e sílica. fósforo. devido à lenta degradação da matéria seca. A baixa qualidade dos resíduos culturais. vitamina A.41kg por dia. Resultados promissores têm sido obtidos por meio do tratamento químico. sugere a necessidade de submetê-los a um tratamento prévio em todas as ocasiões em que a opção seja a sua utilização como fonte alimentar para os ruminantes. Composição química dos volumosos Analisando-se a composição química e a digestibilidade das diversas partes das plantas utilizadas como resíduos. limitando a digestibilidade e até mesmo o consumo voluntário destes alimentos pelos animais. O tratamento químico deve atender a pré-requisitos como facilidade de aplicação. associados aos baixos teores de proteína bruta e minerais. com adição de álcalis aos resíduos agroindustriais. verifica-se que a maioria necessita ser suplementada com energia. A maioria dos constituintes da parede celular encontra-se indisponível para a ação da microbiota ruminal devido basicamente a três fatores: 210 . dependendo da qualidade e da palatabilidade (em clima temperado). 1. Com base na disponibilidade de nutrientes para ruminantes. 1984). 1984). 1984). caracterizam a baixa qualidade nutritiva destes resíduos (Marques Neto e Ferreira. Em geral. e é altamente limitado pelo longo tempo de passagem pelo trato digestivo. Esta revisão.. Esses valores elevados. efetividade do tratamento. Embora de valor nutritivo inferior aos considerados nobres. sendo este último composto por celulose. esses alimentos constituem uma das alternativas práticas e até mesmo econômicas para a dieta dos animais. O conteúdo celular é totalmente digestível. os resíduos culturais apresentam valores elevados de parede celular. o consumo de resíduos de culturas em matéria seca varia de 5. composta principalmente de hemiceluloses. que enfoca os restos de cultura e os resíduos agroindustriais tratados com hidróxido de sódio (NaOH). REVISÃO DE LITERATURA 1. mostra a importância desses subprodutos como opção alimentar para os ruminantes. melhorando suas digestibilidade e qualidade (Marques Neto e Ferreira.1. lignina e sílica. celulose. proteína.Os restos de cultura têm sido frequentemente utilizados como volumosos na época da escassez de forragem e como forma de aproveitamento da grande disponibilidade destes nas ocasiões das colheitas das culturas. boa relação custo/benefício.

lignina.23 89.04 33.08 81.73 38. aos carboidratos estruturais. cálcio (Ca).65 59. devido à incrustação dos polímeros da parede celular.29 FB FDN 42. A lignina é um polímero fenólico que se associa à celulose e às hemiceluloses. Carboidratos como a celulose são as principais fontes energéticas para os ruminantes.25 21.97 0.26 45.06 0.07 85. propiônico e butírico.9 53.03 0.05 31.7 10.2 1.81 84.17 0.83 53. (FDA).93 PB 4.15 88. O teor de lignina de uma forrageira é o principal fator limitante da digestibilidade. Esses ácidos graxos são absorvidos pelas paredes do rúmen e servem como fonte de energia ao animal.48 13. cuja flora ruminal as transforma em ácidos graxos voláteis (AGVs).01 84. 1994).71 80.46 0.58 73.13 DMS 11.44 4.24 48. fibra em detergente ácido.9 9.67 82. e os polissacarídeos da parede celular.58 42. tornando-os indisponíveis à ação bacteriana.42 7.52 69.32 48.24 0. O processo de lignificação altera tanto a taxa quanto a extensão da digestão das forrageiras (Van Soest.09 40.05 0. durante a formação da parede celular.2 85.33 23.91 2.38 50.84 61. Tabela 1.32 31. porém a disponibilidade desse carboidrato em especial varia da total indigestibilidade à total digestibilidade.83 61.24 24. em porcentagem. lignina.67 41.05 NDT 49..66 62.12 88.48 77.05 44. fibra bruta (FB).22 3.49 60.62 17. Entretanto.4 47.53 Fonte: Valadares et al.49 27.54 11.21 12. 2006.58 0.03 57.25 Ca 0.07 18.09 50. Composição química da matéria seca.25 43. principalmente acético.43 76.8 36. fósforo (P) de alguns resíduos agroindustriais utilizados na alimentação de ruminantes em porcentagem da matéria seca de valores de nutrientes digestíveis totais (NDT).12 0.16 86.33 41.63 42. fibra em detergente neutro (FDN).38 2. são utilizadas pelos ruminantes.06 46.22 P 0.4 29. MS.28 36. proteína bruta (PB).24 0. As hemiceluloses (HCEL) e a celulose (CEL).85 1. quantidade de lignina presente na forragem. principais componentes da fibra bruta (FB).64 12. 1994).18 75. associação física e química entre compostos fenólicos.56 40.82 1.71 25.7 0.64 0. dependendo do grau de lignificação da forragem (Van Soest.09 18. 211   .17 39.49 52.89 30.2 0.07 89 FDA 64.96 63.64 4.76 Lignina 11.51 50.96 90.58 4. Alimento Algodão casca Arroz casca Café casca Cama de frango Cana -de açúcar bagaço Maravalha Milho resíduo de cultura Milho sabugo Soja grão Resíduo Soja palhada Sorgo resíduo de cultura Uva resíduo MS 88.grau de cristalização dos polímeros de celulose. dietas ricas em fibras são pobres em energia porque a fibra apresenta uma baixa densidade energética (baixo conteúdo energético por unidade de peso).2 47.

para tal finalidade. 1. o baixo teor proteico dos resíduos agroindustriais contribui para reduzir o consumo voluntário destes. Essas substâncias atuam como um agente degradador ou solubilizador. pois constitui a fração indigestível (Marques Neto e Ferreira. Por isso. o peróxido de hidrogênio e o dióxido de enxofre. Os hidrolíticos. que. os mais comumente usados.Embora não seja um carboidrato. as quantidades a serem usadas para atingir o objetivo desejado.2. além de influenciar negativamente a palatabilidade dos 212 . Os diversos produtos químicos utilizados para aumentar a digestibilidade dos volumosos de baixa qualidade são divididos em dois grupos principais. devem ser as menores possíveis (Marques Neto e Ferreira. ou seja. que a utilizará para a síntese de tecido e a produção de leite. A adição de álcalis ao resíduo cultural. de acordo com a reação que causam na degradação da parede celular. 1984). por sua vez. Tal nutriente mostra-se essencial para o ruminante. São classificados como hidrolíticos ou oxidantes. pois envolve produtos muitas vezes corrosivos e/ou tóxicos. 1984). esse produto deve ter algumas características necessárias para ser empregado: ser de baixa toxicidade. já que estes materiais apresentam níveis proteicos abaixo do recomendado para que haja uma boa atividade fermentativa no rúmen. aliada ao tratamento mecânico (fragmentação ou moagem). pois é fonte de aminoácidos e nitrogênio para a síntese de proteína microbiana. boa disponibilidade. e os oxidantes são o ozônio. aumentando a digestibilidade da fração fibrosa dos alimentos. Níveis mínimos de proteína bruta são necessários. trata-se de um dos parâmetros mais importantes nas determinações do valor nutritivo. mas deve ser avaliado com cautela. formando uma composição física com a celulose na parede celular. a qual acelera o desfolhamento da celulose. a digestibilidade do material e o consumo de matéria seca. Diversos trabalhos têm demonstrado a importância da suplementação nitrogenada sempre que os restos de cultura forem utilizados na alimentação dos ruminantes. são o hidróxido de sódio (NaOH). a lignina está presente na fibra bruta. melhora a digestibilidade e a qualidade do material (Marques Neto e Ferreira. fácil aplicação e armazenamento. O nitrogênio aumenta a população de bactérias no rúmen. baixo ou nenhum impacto ambiental.1984). será fonte de proteína para o ruminante. Para que a adição de produtos químicos com o intuito de melhorar a digestibilidade não afete a palatabilidade dos alimentos. a adição de nitrogênio aumenta o teor de proteína bruta. facilitando a ação dos microrganismos do rúmen. a deslignificação. Tratamento alcalino de volumosos Tratamento de volumosos com baixa qualidade nutricional com produtos químicos é um método comumente empregado. Segundo Marques Neto e Ferreira (1984). baixo custo de aplicação e de obtenção. Portanto. a amônia anidra e a ureia. de acordo com Church (1988). Portanto. o hidróxido de cálcio. A adição do álcali em concentrações elevadas. o hidróxido de potássio. estes níveis não devem ser inferiores a 7%. não ser corrosivo e ter ação rápida sobre o volumoso.

parte da fração de HCEL é tornada solúvel (Capper et al. Resultados de estudos sobre resíduos com tratamento alcalino têm sugerido que esse pode interferir na retenção normal de nitrogênio e sobre o balanço de nitrogênio (Moro. Entre as causas dessa variação. resultando em um aumento do grau de solubilidade em contato com a água e. citados por Homb. 1923. tempo de reação. O tratamento de resíduos de cultura com álcali para aumentar o consumo de energia digestível (ED) foi extensivamente pesquisado. além disso. A Figura 1 apresenta a relação entre coeficiente de digestibilidade da matéria orgânica em relação à quantidade de NaOH utilizado para o tratamento de palha (Fingerling et al. 1987). O aumento da digestibilidade. que concluíram que resíduos tratados com soda cáustica melhoraram o desempenho animal. citados por Moro. é acompanhado por aumento no consumo voluntário. fatores importantes que afetam o valor nutritivo dos volumosos tratados quimicamente são: natureza do volumoso. Entretanto. entre outros. 1987). natureza do reagente químico. homogeneização. frequentemente é utilizado para expressar a eficácia do tratamento alcalino. Digestibilidade da matéria orgânica em palha tratada pelo método Beckman com diferentes níveis de aplicação de NaOH (Fingerling et al. citados por Homb.alimentos. poderá causar prejuízo físico aos animais (Marques Neto e Ferreira... que. a magnitude da resposta animal. em 213   . 1984). como se vê nas revisões de Jackson (1977). Há grande variação na melhoria sobre o valor nutritivo das palhas de cereais tratadas com álcali. Klopfenstein (1978). 1984). 1977. estão o tipo de palha e a fonte e a quantidade de alimentos suplementares fornecidos aos animais (Ng'ambi e Campling. Segundo Kategile e Frederiksen (1979). temperatura e suplementação com nitrogênio.. O principal efeito do tratamento alcalino das forragens se deve à ocorrência de saponificação das ligações éster com a HCEL. 1991). na maior parte dos experimentos. Figura 1. 1984). 1923.

25% da MS inicial. não é muito usado em razão do seu elevado custo. e tais diferenças parecem ser maiores em dietas contendo mais de 3% de NaOH (Klopfenstein et al. Rexem e Kundsen (1984) relacionaram como restrições da técnica por via seca os inevitáveis resíduos de NaOH e de íons sódio resultantes da soda que reagiu com o material tratado. Wanapat et al. causar perdas de. sendo uma das causas da baixa aceitabilidade apresentada pelos alimentos tratados. 1978). 1972). Além da concentração necessária para resposta efetiva. Métodos de tratamento com NaOH De acordo com Barros et al. o que reflete na quantidade de íons sódio excedentes. aproximadamente. compararam vários métodos de tratamento químico de palhas e concluíram que o tratamento úmido da palha com NaOH foi a forma mais eficiente de melhorar a digestibilidade. De acordo com Rexen e Thonsem (1976). citados por Moss et al. a quantidade de álcali que reage é dependente da concentração de soda aplicada e do tipo do material tratado. com o desenvolvimento do método de Beckman. Esse método consiste na imersão do material em uma solução de 1. o sucesso do método depende da distribuição eficiente do álcali sobre o material. esse método dispensa a lavagem. a mudança na pressão osmótica e os resíduos de fenóis livres deprimem a 214 .3% de NaOH. (1985). tornando o processo mais simples e barato.3. Porém. além de sua difícil industrialização. por exemplo. 1991). seguida de lavagem para retirada do excesso de álcali. melhora sua aceitabilidade pelo animal. 1. borrifando-a com uma solução de NaOH a 4%. Além disto.. e alguns deles são estritamente relacionados ao resíduo de cultura que é obtido e submetido ao tratamento (Ciocca e Prates. teve início na Alemanha. quando comparado aos métodos com amônia e com tratamento seco com NaOH. O processo melhora a digestibilidade de uma palha. Jackson (1977).5% . O procedimento mais utilizado consiste em umedecer a palha. De 4% de NaOH aplicados em palhas. aproximadamente 1. além do fato de o álcali residual constituir um fator de poluição. mostrou que o método de Beckman. (1985). Segundo Saliba (1988). A persistência desses resíduos pode ser de um ano ou mais. a rápida elevação do pH. além disso. na alimentação de ruminantes. a utilização de NaOH como agente deslignificante.termos de digestibilidade. de 40 para 60-70% e.5% permaneceu após a reação. dados relativos à utilização de NaOH sugerem diferenças entre as respostas em ensaios realizados in vitro e in vivo (Klopfenstein. quando estes são a única fonte de volumoso. em uma revisão sobre palha tratada com álcalis. A lavagem apresenta os inconvenientes de ser trabalhosa. no princípio do século XX. é afetada por muitos fatores. apesar de aumentar a digestibilidade da palha de 40 para 70%. (1993). requerer grande quantidade de água (40 l/kg de material).

a toxicidade do sódio é baixa. no rúmen. entre eles Holzer et al. O requisito de sódio de vacas não lactantes é 0. assim. (1991) também concordam que os níveis de sódio acima dos requisitos. efeito cáustico aos animais. Barros et al. porém ocasiona perdas de MS da ordem de 20 a 25% de material original (Jackson. o tratamento das palhadas com NaOH pode ser realizado de duas maneiras: o primeiro processo consiste na pulverização do material previamente triturado. o que equivale a 12-15kg de NaOH/100kg de MS (Jackson. quando foi utilizado o método de aspersão. Esta é uma das justificativas para as diferenças encontradas entre os resultados que usam digestibilidade aparente ou in vitro. utilizando-se de um pulverizador com pressão. em carbonato ou bicarbonato. Os estudos de Kategile e Frederiksen (1979) concluíram que de 3 a 6% de NaOH na MS da palha foi a concentração ideal do álcali.NRC (1989). ou quando a inclusão desse na ração não ultrapassasse 215   . maior osmolaridade provoca diminuição da ruminação. Todos estes fatores contribuem e potencializam a redução na efetividade do tratamento por hidróxido de sódio. gastam-se 100 litros de solução para 100kg de matéria seca (MS). Esse método proporciona aumentos na digestibilidade da matéria orgânica de 20 a 30% e de 10 a 20% no consumo voluntário (Gonzalez Duarte. da salivação e na fermentação. 0. Segundo Jackson (1978). Os métodos por via úmida caracterizam-se por imersão da palha numa solução de 1. Em comparação ao tratamento por via úmida. 1991). desde que fosse praticada a neutralização com ácido no material tratado. consideraram factíveis maiores níveis de NaOH/kg de MS. mesmo em grandes quantidades. 1978). Holzer et al.2L/kg de MS (Kategile e Frederiksen. O volume de solução recomendado é 8-10 litros/kg de MS. Sem dúvida. consequentemente. não causam danos. diminuem o consumo voluntário e o tempo de fermentação da celulose devido à maior taxa de diluição. Por meio desse instrumento. (1985) afirmaram que o excesso de NaOH em palhas tratadas com esse álcali parece ser rapidamente convertido. 1977).5 . os baixos teores de nitrogênio nas palhadas são normalmente insuficientes para a manutenção da microbiota ruminal. 1979) e dispensar instalações especiais para o tratamento da palha.8g/kg de MS da dieta. Alguns autores.5% de NaOH por 18 a 20 horas e a posterior lavagem do álcali residual. Conjuntamente. Nesse caso. o volume de solução é de 200 litros para cada 100kg de MS. O segundo processo consiste na distribuição da solução alcalina com o uso de um regador sobre a palhada previamente triturada. mas o nível máximo de tolerância é de 52g/kg. mas é fato que um alto nível de sódio limita o crescimento dos animais criados em sistemas intensivos. o método de aspersão com NaOH apresenta a vantagem de utilizar menor volume de solução. de acordo com o National Research Council . (1991). não causando.ação de microrganismos ruminais e. Como consequência.

que o método exige. na sua morfologia natural (cristalina). 1. sendo que uma concentração alta de álcali pode modificar morfologicamente a celulose sem que haja perdas de resíduos de glicose. Este fato pode parecer. à primeira vista. 10 a 15%. Embora o tratamento por aspersão diminua as perdas de MS e seja mais econômico em relação ao método por via úmida. 1983). 1979). mas. em uma hora. a celulose pode ser prontamente degradada. vantajoso em relação à produção de leite. na hidrólise de ésteres dos ácidos urônico e acético e em uma expansão da celulose. os aumentos na digestibilidade da matéria orgânica são relativamente menores. As observações de Jackson (1977) e Klopfenstein (1978) são de que o tratamento alcalino com NaOH produz um grande número de mudanças na composição e organização da PC. Aspectos químicos do tratamento com NaOH De acordo com Marques Neto e Ferreira (1984). porém a urina juntamente com as sobras da forragem tratada e os efluentes resultantes dos tratamentos por via úmida resultam em grave fonte de poluição da água e de solo (Jackson. e a reação completa ocorre em 18 horas (Chandra e Jackson. 1977). aumentos da ordem de 30% na digestibilidade têm sido registrados por diversos autores. citados por Saliba. entretanto este método deve ser adotado com muito critério a fim de se evitar danos ao meio ambiente. o que pode ser explicado pela menor relação reagente:substrato (Kategile e Frederiksen. 1971. para evitar possíveis efeitos nocivos do sódio residual no desempenho animal.. 97-98%. Evidências demonstram que todo o sódio excedente é excretado na urina. 216 . 1988). Existe ainda outra restrição para ambos os grupos de tratamento (via úmida e via seca). contanto que seja acessível aos microrganismos do rúmen (Mora et al. A reação química do NaOH com palhas ocorre 93-95% nos primeiros cinco minutos. Há autores que sugerem ser a mudança da forma cristalina para uma forma amorfa o que torna a celulose mais digestível. lignina e sílica. Tais mudanças consistem na solubilização parcial das HCEL. Os autores mostraram que a extensão de solubilização do ácido p-cumárico produzida pelo NaOH tinha uma relação linear com a digestibilidade da celulose. A literatura comprova a eficácia do tratamento de resíduos com soda cáustica. quando tratam resíduos culturais com NaOH em solução. seja pelo uso exagerado de recursos hídricos. sem alterar seu conteúdo nas fezes ou no leite.50% do volumoso.4. seja pela contaminação com o excesso de sódio no alimento e nos líquidos de excreção dos ruminantes.

enquanto outras álcali-estáveis. o que parece ser devido a diferenças estruturais dos componentes da parede celular no resíduo da leguminosa. que só são hidrolisadas por meio de tratamento com ácido. tornando-a mais digestível. Então. com a mudança do volume aproximadamente equivalente ao volume de água absorvido. 1983. em alguns casos. o tratamento ácido é mais eficiente. melhorando a digestibilidade da fibra pelo aumento na solubilidade das hemiceluloses e na disponibilidade da celulose e das hemiceluloses (Klopfenstein. (1983). falta de ligações ésteres fracas entre a lignina e os carboidratos da parede celular. citados por Saliba. inchamento intracristalino: envolve a penetração de água nas regiões cristalinas e amorfas da celulose. com completa dissolução da celulose (Howsmon e Sisson. os autores afirmam ser possível que o tratamento alcalino cause alguma hidrólise da proteína associada à parede celular. algumas álcali-lábeis (ligações ésteres). Segundo Mora et al. portanto. sem atuar na sua remoção. citados por Mora et al. atingindo um máximo de 30%. devido à quebra das ligações com a lignina. Os componentes da fibra em detergente neutro (FDN) são reduzidos pelo tratamento alcalino. 1978). levando a novas modificações cristalinas e. Klopfenstein. porém não acontecem mudanças na fibra em detergente ácido. A remoção da água devolve a estrutura original. A lignina de leguminosas parece ser mais condensada e potencialmente menos reativa do que a lignina de gramíneas (Jung e Farey. 1983).. isto é. Nesse caso. permitindo maior penetração do líquido ruminal. Os mesmos autores sugeriram que o NaOH tem capacidade de saponificar as ligações ésteres entre o ácido ferrúlico (precursor da lignina) e as hemiceluloses. 1977. com decréscimo da cristalinidade. maior remoção de hemiceluloses. resultando no inchamento das suas fibras dentro da matriz da parede celular. 217   . Nem sempre esse tratamento mostra-se eficiente. O álcali parece reduzir a força de ligação intermolecular hidrogeniônica nas moléculas da celulose. o inchamento da celulose em água acontece de duas maneiras: inchamento intercristalino: envolve a entrada de água entre unidades cristalinas. ao inchamento ilimitado. 1954. Há diferentes tipos de ligações entre os carboidratos e a lignina. O tratamento alcalino com NaOH produz mudanças na composição química e na organização da parede celular (Jackson.O conteúdo de lignina geralmente não é reduzido pelo tratamento. Jackson (1977) mostrou que a celulose incha quando tratada com NaOH. 1978). 1988). o aumento na extensão da digestão da celulose e das hemiceluloses é. provavelmente. Por outro lado. pois notaram que o resíduo de soja ficou praticamente inalterado após o tratamento com NaOH. indicando.

porém apresenta as maiores porcentagens de fibra bruta e lignina (Jackson. com valores acima de 70%. Marques Neto. 1978. Palhadas de pequenos grãos apresentam baixo valor nutritivo.5. Em trabalho realizado por Chen et al. clima e condições de armazenamento.A associação físico-química entre a lignina. principalmente das celulases e das xilanases em relação à palhada não tratada. portanto. assim como há atividades das enzimas produzidas por esses organismos. Também há um aumento da população microbiana com ação celulolítica como o Ruminococcus flavefaciens e o Fibrobacter succinogenes. carboidratos de reserva e de minerais. Rexen e Thomsen (1976) 218 .1988). deve ser considerado o alto teor de sílica. sendo constituídas principalmente por parede celular. tipo e quantidade de fertilizante utilizado. a do trigo a de menor qualidade e a de cevada ligeiramente melhor. em decorrência da baixa taxa de fermentação que este alimento sofre no rúmen. Kategile e Frederiksen. Houve um aumento no total de ácidos graxos voláteis produzidos em relação à palhada não tratada. dependendo de fatores como espécie ou cultivar. com baixo conteúdo proteico. A palha de soja tem o mais baixo teor de parede celular. representam uma potencial fonte de energia. na atividade de enzimas com atividade celulolítica e sobre a população microbiana ruminal. Esse aumento é devido a um aumento da exposição e do ataque das ligações lignina-celulose. Palhadas em geral As palhadas geralmente apresentam baixo valor nutritivo. principalmente na concentração de propionato. sendo um potencial agente causador de lesões no trato gastrointestinal (Jackson. O processamento úmido ou a seco de grãos de cereais melhora a eficiência de utilização do amido por aumentar o acesso aos grânulos de amido por enzimas dos microrganismos do rúmen e/ou do trato digestivo do animal (Schlink. 1984). Seu consumo geralmente é limitado a 2% do peso vivo do bovino por dia. altamente lignificada e de baixa digestibilidade. sendo que a concentração ideal de NaOH varia de 3 a 5% da MS (Klopfenstein. Sua constituição química é bastante variada. (2008). estágio de maturação da planta. permitindo maior ataque bacteriano. os polissacarídeos da parede celular e o grau de cristalinidade dentro do polímero de celulose são os fatores mais importantes que influenciam o valor nutritivo (Flachowsky e Sundstol. 1977). Observaram que o perfil de fermentação da palhada com adição de hidróxido de sódio foi típico de alimento rico em forragem com altos teores de acetato. os autores estudaram o efeito do tratamento da palhada da arroz tratada com hidróxido de sódio nas características fermentativas. Volumosos 1. O consumo e a digestibilidade das palhas parecem melhorar por meio do tratamento com NaOH. sendo.1. geralmente. 1990). Nas palhadas de arroz. Normalmente o teor de lignina alto é a causa principal de seu baixo valor nutritivo. 1.5. 1978. 1979). As palhas contêm aproximadamente 80% de substâncias potencialmente digestíveis e.

Esse tratamento para dicotiledôneas (palha de soja. 9 e 12 horas. que os melhores coeficientes de digestibilidade em termos absolutos. Moss et al. Forragens de baixa qualidade Klopfenstein et al.sugeriram o tratamento químico a seco de palhas com NaOH. 3. não resultou em nenhum problema. 1. aumentaram também as médias de digestibilidade da matéria seca e da matéria orgânica. e os aumentos de digestibilidade correspondentes foram 36. considerando tempo. as quais ocorreram devido ao tratamento com 45kg de NaOH/t de matéria seca. Esse tratamento reduziu o conteúdo de hemiceluloses da matéria seca. trigo e feno de azevém e observaram que o tratamento da palhada com até 7% de NaOH (% da MS da palha) aumentou linearmente a digestibilidade enzimática. não houve diferença significativa entre os níveis de 3 e 5%.0% durante os tempos de embebição de 0. por meio da técnica dos sacos de náilon incubados no rúmen. palha. estudando os efeitos no consumo voluntário e na digestibilidade das palhadas de cevada. indicando que forragens de baixa qualidade podem ser tratadas com ambos os níveis. aveia. 0. 6. portanto.0. No entanto. em ensaio realizado com ovinos. respectivamente. Estes autores avaliaram palhas de cevada. estudaram as modificações na energia digestível (ED) e na digestibilidade in vivo de palhas de trigo. centeio. 13 e 24%. nas temperaturas ambiente. ensilaram o pé de milho com concentrações de 0.2. capim-elefante. Os tratamentos com 3 e 5% de NaOH aumentaram significativamente a digestibilidade da matéria orgânica em relação ao pé de milho não tratado. Flachowsky e Sundstol (1988) obtiveram um aumento na digestibilidade com níveis de 5 a 8% de álcali. à medida que foram sendo aumentadas a temperatura e as concentrações. o NaOH. 1. e isso resultou em um aumento de celulose e lignina na parede celular remanescente. Apesar de o processo omitir a lavagem do excesso de base do produto. (1972). que não reagiu. mas não acima.5. Utilizando os volumosos palha de arroz. Constatou. a disponibilidade líquida de nutrientes para o animal e aumentou o desaparecimento de matéria seca e celulose dos sacos de náilon suspensos no rúmen. A digestibilidade em ovinos aumentou na mesma proporção que o NaOH até os níveis de 4-5%. cevada e aveia. pé e sabugo de milho tratados com NaOH nos níveis 0. a digestibilidade in vitro e também a taxa de digestão. encontraram aumentos de consumo da ordem de 31% para palha de cevada. 1. Ao tratar subprodutos fibrosos de monocotiledôneas com NaOH.(1990). 100°C (estufa) e autoclavagem a 127°C. Rezende (1976) constatou que. aveia e trigo tratadas com NaOH para novilhos.5 e 2. Ng'ambi e Campling (1991). 9% para palha de aveia e 1% para palha de trigo. usando ovinos. os autores observaram que a retenção de palhas no rúmen afetou o consumo de matéria seca e. talos de algodão e cascas de sementes de girassol) foi menos eficaz. ainda. No trabalho de Shariff e Gupta (1989) sobre os efeitos de vários tratamentos alcalinos no desaparecimento da matéria seca e da celulose de palhas. 3 e 5% de NaOH. concentração de NaOH e temperatura foram: 219   .5.

Concluiu que a falta de suplementação deste feno com uma fonte de nitrogênio levou a esses resultados. da FDN e das hemiceluloses.5% de NaOH. observaram que o tratamento com NaOH proporcionou efeito linear decrescente nos teores de matéria seca. temperatura de autoclave. a hidrólise alcalina do capim aumentou significativamente (p<0.05) a retenção de nitrogênio e a digestibilidade aparente da MS. Segundo Owen e Jayasuriya (1989). o tratamento alcalino com NaOH utilizou grandes quantidades (180g de NaOH/kg de MS da palha em 26 litros de solução por 16h. Com o objetivo de estudar o efeito do NaOH a 6% nas folhas verdes e secas de canade-açúcar. não diferindo significativamente das palhas de trigo e de arroz. que foi significativamente maior (62. na concentração de 2.ocorreu efeito quadrático. apesar de não requerer alta tecnologia. houve um maior aumento da digestibilidade dos materiais com um maior conteúdo de lignina. seguido pela secagem). estudando o efeito do tratamento com hidróxido de sódio (NaOH) na fração fibrosa. palha de milho: 9 e 12h de embebição.8%). nas temperaturas ambiente e de autoclave. As Tabelas 2 e 3 do trabalho de Rexen (1979) mostram o efeito positivo do tratamento com NaOH sobre forragens de baixa qualidade. exceto para a palha de cevada.0% de NaOH. Dessa forma. O método de imersão em NaOH é uma técnica que melhora a qualidade e é a mais efetiva. Em estudo com feno de capim-jaraguá submetido ao tratamento com NaOH (4% da matéria natural). em experimento com ovinos. Pereira Filho et al. planta inteira: 9h de embebição. capim-elefante: 9h de embebição. temperatura de autoclave. Oliveira (1996) não observou efeito positivo sobre o consumo e no valor nutricional deste. para fibra em detergente neutro e fibra em detergente ácido. sabugo de milho: 3h de embebição. A digestibilidade de todos os resíduos tratados foi 56-58%. 220 . tais como o miolo do bagaço e as folhas secas da cana. O valor para as folhas verdes foi 37. no teor de tanino e na digestibilidade in vitro da matéria seca do feno de jurema-preta. Stuart (1988) constatou que a digestibilidade das folhas secas de cana foi 33%. enquanto. constatou que o capim-elefante maduro. e a digestibilidade in vitro da matéria seca (DIVMS) melhorou com o aumento da concentração de NaOH.0% de NaOH. é capaz de produzir forragem tratada de maior digestibilidade e conteúdo ótimo de nitrogênio e minerais.4%. e. na concentração de 2.0% de NaOH. na temperatura de autoclave.milho. na concentração de 2. trigo e arroz. quando tratado com NaOH. hemiceluloses e tanino. no miolo da cana e nas palhas de cevada. Além disso. (2003). Mendonça (1992). leva a um consumo voluntário de MS mais alto do que quando não tratado. na concentração de 1. A proteína bruta não foi afetada.

5 31.1 Tratada com 5% de NaOH 70.1 31 Azevém 46. CEL (celulose).5 7 49.6 42.5 Sabugo de milho não tratado 92. Tabela 3.5 73.3 4.4 7. 5.4 29.9 20.3 Tratada com 4% de NaOH 67.9 28. em todos os casos.7 16.4 30.7 25.1 74.6 18.4 6.5 e 10. 1.5 42.8 Palha de arroz 39.5.3 39.7 Palha de arroz não tratada 80.8 45.1 44.6 Palha de trigo não tratada 80.67.3 40.5 Fonte: Rexen (1979).2 42.9 31.2 Sorgo 41.1 72.Tabela 2.9 28.3 66.0.9 51.5 17.33. 221   .3 45. expresso em porcentagem da matéria orgânica (%/MO).2 7.0kg de NaOH/100kg de MS de sabugo. aumentos da digestibilidade da matéria seca. 2.1 6.6 49.6 19.3 Milho planta inteira 56. Aumento da digestibilidade in vitro de resíduos agroindustriais após o tratamento com NaOH (5% da MS).4 42 7.1 70.3.9 Tratada com 5% de NaOH 69. 7.9 6 49.2 39.5 43.1 13 Palha de centeio 46.1 68. HCEL (hemiceluloses). Digestibilidade in vitro (% da MO) Antes do Após o Alimento Aumento tratamento tratamento Palha de cevada 45.1 Palha de trigo 51.2 27.9 23.4 43.7 64.3 18.1 43.4 8. 1. Kategile e Frederiksen (1979) encontraram. Componentes da parede celular dos resíduos agroindustriais tratados: FDN (fibra em detergente neutro).6 48 Tratado com 5% de NaOH 74. expressos em porcentagem da matéria seca (%/MS).8 Tratado com 5% de NaOH 70 20.5 Tratado com 5% de NaOH 68.3 74.4 43.5 Rami não tratado 77. nos quais trataram sabugos de milho com concentrações de NaOH de 0.7 34.7 4.8 7.1 Fonte: Rexen (1979). matéria orgânica.1 49.9 Rami 49. Sabugo de milho Em três experimentos.8 Sabugo de milho 38.3 21 Palha de aveia 54.9 Sorgo não tratado 81. constituintes da parede celular. lignina e FDA (fibra em detergente neutro).1 64.8 44.2 41.7 72.6 6.4 31. 3.9 50.1 41. Porcentagem da matéria seca Produto FDN HCEL CEL lignina FDA Palha de cevada não tratada 79.4 49.5.

A digestibilidade in vivo da MS foi 5. Estudando as diferenças nas digestibilidades in vitro e in vivo. grandes aumentos na fibra potencialmente digestível com o tratamento com os níveis crescentes de NaOH. O tratamento da palha com NaOH aumentou a ingestão e a digestibilidade. Thiago e Kellaway (1981). após tratamento com 40g de NaOH/kg de palha. e na extensão de digestão da MS e da FDN. o volume de solução de NaOH. Dois experimentos com cordeiros foram conduzidos por Hunt et al. comparadas com dietas com palhas de maior TP. (1979) utilizaram concentrações de NaOH de 0.5. 7. que variou de 25 a 200 litros/100kg de matéria seca de sabugo.5 e 10% na matéria seca do sabugo para obter 0. também. Avaliaram. 2. Com NaOH. respectivamente. 222 . mas em menores digestibilidades de MS e FDN. houve maior mudança do sítio de digestão ruminal para pós-ruminal. para palha de 2. trabalhando com oito novilhas Holandesas. Detectaram. 4. composta por 80% de sabugo e 20% de suplemento. ainda.0. observaram ganho de peso de 23 g/cab/dia. possivelmente devido à diminuição do tempo de retenção ruminal e/ou diminuição da atividade celulolítica. 6 e 8% de NaOH.8 horas). e estabeleceram o volume mínimo de 50litros/100kg. (1984) para determinar os efeitos do tamanho da partícula (TP:2.energia e fibra bruta e concluíram que 5kg de NaOH/100kg de matéria seca foi a quantidade ótima tanto para a digestibilidade quanto para o consumo voluntário. relacionadas à digestão ruminal da fibra potencialmente digestível com tratamento com níveis crescentes de NaOH. Berger et al. A digestibilidade da matéria orgânica expressa na MS in vitro foi 38 e 53% para palhas não tratadas ou tratadas com soda cáustica. 2.5cm aumentou a taxa de passagem e a fermentação da FDN no trato digestivo posterior. Os processamentos físico e químico indicam que as forragens de baixa qualidade podem produzir uma mudança no sítio e na extensão da digestão. Entretanto. 12 e 5% menor do que a in vitro nos níveis de 4. algumas fibras escaparam da digestão microbiana no rúmen. respectivamente. Palhada de trigo Tratando quimicamente palha de trigo com NaOH a 3 ou 4%. que se encontravam em um piquete de resteva de trigo e recebiam palha de trigo enfardada. O tratamento com NaOH da palha de trigo com 2.5cm do que para a de 10cm.5.2 vs 39. enquanto o tratamento na palha com 10cm não teve efeito sobre a taxa de passagem e aumentou a fermentação de FDN no rúmen. As dietas com palhas de menor TP resultaram em um maior consumo de MS.5 vs 10cm) e do tratamento com NaOH (0 vs 4%) da palha de trigo no consumo de MS e no sítio. 1. 6 e 8% de NaOH na dieta completa. Lesoing e Klopfenstein (1981) obtiveram um aumento nas digestibilidades de CEL e HCEL. concluindo que 4% de NaOH foi o melhor nível para o tratamento.4. A palha tratada com NaOH teve um menor tempo de retenção ruminal comparada com a palha não tratada (32. 5.

além de ser também adequada para uso por pequenos proprietários rurais. (1989) imergiram pequenos fardos (69kg) de palha de cevada por 45 minutos em uma solução contendo 11g de NaOH/kg e 7g de ureia/kg e estocaram por três a seis dias. em caprinos e ovinos).3 e 6.5g de MS/kg0. além de ter elevado a retenção nitrogenada em relação à palha não tratada. A degradabilidade ruminal da MS da palha medida.5% de NaOH mostrou uma digestibilidade in vitro de 80. utilizandose sacos de náilon em caprinos fistulados. a palha imersa em soluções contendo 0. A palha foi tratada pela via semisseca. Wrathall et al. A aplicação de NaOH foi de 50g/kg de MS de palha. 1. Os autores concluíram que os tratamentos que utilizam hidróxido de sódio e vapor conjuntamente são uma boa opção para a melhoria de alimentos de baixa qualidade para a alimentação de ruminantes. Em um estudo que compara o comportamento alimentar e a ruminação em ovinos e caprinos. Verificou-se que o tratamento da palha com soda melhorou o nível de ingestão em caprinos (46% contra 30% para os ovinos).75/dia) e as digestibilidades da MS. Raj et al. O tratamento da palha com soda aumentou o consumo voluntário em 30 e 47%. o que representou uma taxa de soda incorporada de 4%.71 e 1. Com a palha tratada. O consumo de água foi mais baixo em caprinos em ambas as dietas (em média 5.5.6% para cada 1% de NaOH. respectivamente. que o tratamento de hidróxido de sódio mais vapor levava a uma quantidade maior de nitrogênio solúvel e ácidos graxos voláteis se comparado ao material que não sofreu tratamento.O tratamento alcalino da palha de trigo feito por Ciocca e Prates (1991) aumentou o consumo voluntário em relação à não tratada (55. O tempo de mastigação foi maior para ovinos do que para caprinos. 2 e 4% de NaOH por Flachowsky e Sundstol (1988).9 e 83%. a taxa de consumo cresceu mais em caprinos (58%) do que em ovinos (30%). quando amostras de palhada de trigo eram tratadas com hidróxido de sódio sob pressão. utilizando-se 12 litros de detergente de soda a 30% para 100kg de palha.1 vs 37. matéria orgânica e FDN. e a taxa de mastigação aumentou mais em caprinos (58%) do que em ovinos (18%). assim como para a melhoria dos padrões de fermentação ruminal e aproveitamento energético da palha de trigo. Palha de cevada A palha de cevada foi tratada com 0. mostrou que as palhas tratadas tiveram taxas de degradação comparáveis e maiores do que aquelas da palha não tratada.2mL/g de MS consumida. respectivamente. Concluíram que a imersão em uma solução de NaOH e ureia foi um método efetivo para otimizar a palha para caprinos. (1989) forneceram palha de cevada tratada e não tratada com soda. em caprinos e ovinos. que depois foram fornecidos sem picar. (1987) observaram que houve melhorias no consumo e na diminuição da quantidade de nitrogênio amoniacal disponível no ambiente ruminal. resultando em um aumento na degradabilidade da MS de 5. respectivamente. 223   . ainda. Comparada com a palha de cevada imersa em água pura (57.4%). Masson et al.5. Descreveram.

sem prejudicar o ganho de peso. (1990) alimentaram 141 vacas ad libitum com silagem de gramínea ou uma mistura contendo silagem de gramínea e 15. sobre a digestibilidade de vários nutrientes e sobre a retenção de nitrogênio em ruminantes. além também da MS digestível.7. proteína e lactose para os tratamentos com palha tratada foram maiores do que para palhas não tratadas. comparada à palha não tratada. O autor concluiu que a palha de feijão tratada com NaOH poderia substituir a silagem de milho nas rações de bovinos suplementados com concentrados.5. Não houve diferença estatística para a digestibilidade da matéria seca. principalmente das hemiceluloses. A palha tratada aumentou significativamente a ingestão de forragem e a produção de leite.5. com as diferenças entre ambos os tratamentos. Palha de feijão Gonzalez Duarte (1991) utilizou o tratamento com NaOH (5% da MS) da palha de feijão. fibra em detergente ácido e energia bruta entre os tratamentos. sendo não significativas. matéria orgânica. 1. de acordo com os coeficientes de digestibilidade da MS. hidróxido de cálcio e hidróxido de amônia) mais a ensilagem. mas a digestibilidade da proteína bruta (PB) foi maior com o uso do NaOH. fibra em detergente acido e energia bruta e com os conteúdos de energia metabólica medidos in vivo.5.8. 25 ou 40% de palha de cevada não tratada ou tratada com 4% de NaOH. Palha de girassol O consumo voluntário.6.5. O uso do NaOH foi efetivo para aumentar o valor nutritivo da palha de cevada. Também. a digestibilidade. Em adição. na maioria dos casos. 1. fibra em detergente neutro. o tratamento com álcali pode não ser um método prático para tornar a palha de soja uma forragem mais utilizável por ruminantes. nenhuma das palhas tratadas resultou em melhoras proporcionais de digestibilidade acima do controle que excedesse 0. O tratamento alcalino mostrou remoção dos componentes estruturais. Também causou maior ganho de peso vivo e aumentou o consumo de água. a ensilagem pareceu ser tão efetiva quanto os tratamentos com álcali em seus efeitos sobre a digestibilidade. Os resultados desse estudo não forneceram evidências convincentes de que os tratamentos com álcali por si só resultassem em melhoras significativas na digestibilidade da palha de soja. 1. As produções de gordura do leite. ao tratamento da palha com hidróxido de amônia (NH4OH) e à silagem de milho.Phipps et al. o balanço de nitrogênio e o valor energético de palha de girassol tratada com NaOH (40g/kg) foram determinados em caprinos por 224 . Palha de soja Felix et al. com os objetivos de avaliar o desempenho (ganho de peso) de novilhos alimentados com ração à base de palha de feijão e de determinar a digestibilidade e o consumo voluntário da ração oferecida e compará-la a um tratamento controle (palha sem NaOH). (1990) avaliaram os efeitos do tratamento da palha de soja com vários álcalis (NaOH. Em geral. Os dados de digestão tanto in vitro quanto em cordeiros não mostraram nenhuma melhora na digestão da fibra.

Quando a palha de arroz tornou-se mais potencialmente digestível pelo tratamento alcalino. Santos e Prates (1988) tiveram como objetivo avaliar os efeitos de vários tratamentos químicos: NaOH. 5. nos níveis de 0. sobre a composição química e digestibilidade in vitro da matéria orgânica da palha de arroz. seca e úmida. 1. Devido ao efeito sinérgico dos tratamentos. Mesmo no menor tempo de duração. (1988). no entanto a epiderme e as suas estruturas permaneceram intactas no material não tratado e no material tratado com NH4HCO3.9. resultando em valores aumentados dos conteúdos celulares. submetida a duas formas de conservação. a fim de se investigar os efeitos sobre as mudanças na histologia da palha de arroz antes e depois de ensaios de degradabilidade in situ por meio da microscopia eletrônica de varredura (MEV) e microscopia eletrônica de transmissão (MET).Boza et al. sendo que o seu custo excedeu seu efeito benéfico. CEL e sílica. cabendo ao NaOH a primazia de ser aquele que melhor incremento causou nessa digestibilidade. levaram a um aumento da degradabilidade ruminal da PB. a suplementação de nitrogênio aumentou o consumo da palha. 4 e 8% da MS. Esse tratamento aumentou significativamente a digestibilidade dos nutrientes da palha de arroz. Esses autores concluíram que o tratamento alcalino utilizado resultou em um volumoso de qualidade ainda baixa. estudaram os efeitos do tratamento da palha de arroz com NaOH. Wang et al. e reduziu a perda de nitrogênio urinário. KOH. Após experimento de degradação ruminal. mesmo após 48 horas de incubação. enquanto o mesmo comportamento não foi observado no tratamento com NH4HCO3. (2006) avaliaram a influência dos tratamentos com hidróxido de sódio (NaOH) e bicarbonato de amônia (NH4HCO3) sobre as estruturas da palha de arroz e na degradação ruminal. houve solubilização significativa de polissacarídeos estruturais. HCEL. inclusive a do nitrogênio. Os conteúdos de cinzas e lignina no material tratado também aumentaram. utilizando três ovinos. Diferentes concentrações de NaOH e NH4HCO3 foram aplicadas à palha de arroz. houve um grande aumento da digestibilidade dos componentes da fibra da palha de arroz. fornecida sozinha ou suplementada com 200g de farelo de soja/dia. (1989). Os álcalis testados foram efetivos em melhorar a digestibilidade in vitro da matéria orgânica.5. nas mudanças de composição da palha de arroz e digestibilidade dos componentes da fibra pelos microrganismos do rúmen. Liu et al. Liu et al. 9 e 12%) e pressão de vapor por uma ou duas horas. 7. usando uma solução de NaOH a 4% para tratar a palha de arroz. notaram que a epiderme e todas as suas estruturas foram degradadas pela ação do NaOH na palha tratada. Palha de arroz O trabalho de Rai e Mudgal (1987) demonstrou o efeito associativo dos tratamentos com diferentes níveis de NaOH (0. como PC. 3. Ca (OH)2 e cloreto de sódio (NaCl). FDA. Em outro trabalho. De acordo com 225   . (1987). Os autores observaram que o tratamento com NaOH 30g/kg de MS destruiu todas as estruturas anexas à camada cuticular da epiderme.

5% de ureia. A degradabilidade ruminal da MS. de componentes estruturais lignocelulósicos. com cinco níveis de NaOH (0. 7. o emprego do NaOH nem a adição de ureia. no caso da NH4HCO3. que é muito volumosa e. em função da alta eficiência de síntese de proteína microbiana e do balanço de nitrogênio. O tratamento químico da palha de milho pode aumentar a digestibilidade por causar aumento da solubilidade da lignina devido à diminuição do comprimento das ligações entre lignina e polissacarídeos (Van Soest. os resultados indicam que. O rolão de milho utilizado nesse experimento mostrou ser um alimento de bom valor nutritivo. Segundo Ramirez et al. 1987). a palha de milho é uma forragem de baixa qualidade. levando à não degradação desta e resultando em menor aproveitamento da palha de arroz na fermentação ruminal. rolão de milho tratado com 4% de NaOH e rolão de milho tratado com 4% de NaOH. HCEL. (1992). 2. Resíduo de cultura de milho Moro (1987) trabalhou com cinco ovinos adultos canulados no duodeno e íleo para estudar consumo. Ela consiste. 1978). O grau de lignificação dos polissacarídeos atua como uma barreira à sua degradação pelos microrganismos (Jackson. no caso do hidróxido de sódio. ou quebrar. causou efeitos negativos no balanço de nitrogênio e nos coeficientes de digestibilidade da matéria orgânica e do nitrogênio. portanto. essa camada.5. pelo método spray.os autores. por isso. Ao contrário. a epiderme do material tratado com NaOH pode ser degradada pela microbiota ruminal. pelo tratamento com NH4HCO3. não foi suficiente para permitir o acesso da microbiota à epiderme. FDA. acrescido de 0. Os locais de digestão foram afetados pelo tratamento. Com a dissolução da cutícula.5. uma tendência ao deslocamento do sítio de digestão para o rúmen. FDN. Esses autores trataram amostras de casca de arroz. O tratamento com NaOH não foi efetivo na melhoria do valor nutritivo do rolão de milho. quando comparada com o tratamento com NaOH. no sentido de anular os efeitos negativos do tratamento com NaOH. principalmente. impedindo o contato com o conteúdo celular e sua degradação. em consequência. no caso da palha de arroz. 1982). Os altos conteúdos de lignina e sílica na casca de arroz são os dois principais fatores responsáveis por suas baixas palatabilidade e digestibilidade (Singh e Gupta.5 e 10%). possui um alto custo para ser transportada e é difícil de ser estocada. CEL e lignina aumentou significativamente com níveis crescentes de NaOH usados. 1. 226 . A adição de ureia mostrou-se positiva. ocorrendo uma menor digestão no intestino grosso e. mas o tratamento químico da palhada pode dissolver. digestibilidade aparente e locais de digestão de matéria orgânica e nitrogênio do rolão de milho. 5. e este efeito aumentaria à medida que se aumenta a concentração do químico. no entanto a fissura criada na cutícula pela quebra deste. a camada de cutícula da epiderme é uma importante barreira para a microbiota ruminal.10. não justificando.

Palha de aveia O efeito do tratamento com hidróxido de sódio na composição química. causou maior digestibilidade da MS. sem afetar o consumo voluntário do material tratado. mas suplementado com ureia. apesar de a digestibilidade aumentar em 17%. permitindo. O tratamento com NaOH diminuiu a concentração de componentes estruturais (CEL. O tratamento da palha de aveia com NaOH. Com ovinos castrados. Esse tratamento resultou em um decréscimo de 12% no consumo voluntário. ambas as digestibilidades foram maiores do que as de FDN e FDA. esta deve ser acrescida de um suplemento proteico. alimentados com dietas contendo palha de milho não tratada ou tratada com uma solução de cinzas de madeira ou uma solução de NaOH (4g/100g de palha de milho). Os melhores resultados foram obtidos quando se utilizaram 5kg de NaOH em 100kg de MS. o qual resultou numa limitada atividade microbiana. maiores consumos de ED e de EM. Wilke (1992) tratou palha de milho com 5% de NaOH e a forneceu a cabras com idade entre 14 e 18 meses. e isso resultou em um aumento do conteúdo de CEL e lignina da PC remanescente. Ramirez et al. Foram utilizados carneiros implantados com cânulas no rúmen. (1992) concluíram que. apesar de não ter havido diferenças nas digestibilidades de FDN e FDA nos carneiros alimentados com dietas contendo palha de milho tratada com cinzas de madeira ou NaOH. O uso de NaOH aumentou o consumo de MS. Pareceu que o valor nutritivo inicial da palha não teve efeito no grau de resposta ao tratamento. com isso. aumentou o conteúdo de cinzas de 52 para 113g/kg de MS. aumentando o consumo e a digestibilidade aparente da MS.93 para 4. maiores consumos de ED e EM. limitando a utilização dos alimentos.29kg de matéria orgânica/dia. digestibilidade e conteúdo de energia digestível da palha de aveia foi avaliado por Moss et al.85 para 6. Esse tratamento aumentou o consumo voluntário de 5. O tratamento causou a redução do conteúdo de HCEL da MS. devido a um aumento do consumo voluntário de palha de 3. realizado por Ng’ambi e Campling (1991). o que pode ser explicado pelo baixo conteúdo de PB da palha de milho. HCEL e lignina) do resíduo de cultura de milho.30kg de matéria orgânica/dia. Os coeficientes de digestibilidade da matéria orgânica e da palha 227   . duodeno e íleo.11. Caprinos castrados foram alimentados com a mesma dieta e responderam de maneira semelhante aos carneiros. Os resultados dessa pesquisa indicaram que.5. nos ovinos controle. O objetivo de Saliba (1988) foi determinar o valor nutritivo do resíduo de cultura de milho tratado quimicamente com NaOH e suplementado com ureia.Kategile e Frederiksen (1979) estudaram os restos de uma cultura de milho com a finalidade de determinar a quantidade ótima de NaOH requerida para melhorar o coeficiente de digestibilidade. (1990). comparado com o resíduo de cultura de milho sem tratamento químico. para usar a palha tratada com NaOH como dieta de mantença para cabras leiteiras não lactantes. 1.

Foram utilizados quatro tratamentos. até atingir 85% de matéria seca). respectivamente. A presença de NaOH no silo inibiu o desenvolvimento de bactérias e fungos. Proporções de bagaço variando entre 30-35% na ração permitem a obtenção dos maiores valores de energia e proteína digestíveis. mesma variedade do tratamento CAN foi picada e hidrolisada com NaOH 50%) (1.75 para dietas contendo bagaço tratado com 0. (2005) tiveram como objetivo estudar o efeito do tratamento alcalino da cana-de-açúcar com hidróxido de sódio (1.5 a 50% de NaOH) sobre a digestibilidade total e o consumo de matéria seca das dietas experimentais e as taxas de passagem das canas-de-açúcar.7.1 Mcal/kg de MS de bagaço tratado. Porém. não é totalmente utilizado como fonte de combustível.7 e 2. 228 . podem ser considerados valores de 1. CH (cana-de-açúcar hidrolisada.56 para 0. 1.12. um efeito que foi. O bagaço. com peso médio de 700kg. (1983). sob o ponto de vista microbiológico.. FEN (canade-açúcar hidrolisada fenada. e SIL (cana-deaçúcar hidrolisada ensilada.5% PV) no momento em que a forragem era cortada pelas facas da picadeira hidrolisadora HIDROCANA. e há muitos estudos sobre o bagaço em dietas para ruminantes.aumentaram devido ao tratamento com NaOH. À medida que aumentou o teor de bagaço tratado na ração. o material foi compactado em silo tipo trincheira.6g/kg PV0.6 para o produto tratado com água. respectivamente. Avila (1989) avaliou o valor nutritivo do bagaço de cana tratado com NaOH em diferentes proporções na dieta de ovinos. após aplicação de vários níveis de NaOH sob a forma de spray.63 de matéria orgânica.7 e 40. mas o bagaço não processado usado para substituir fontes de forragem resultou num consumo pobre e numa produção animal abaixo do padrão (Abdalla et al. Bagaço de cana-de-açúcar O Brasil é um dos maiores produtores de cana-de-açúcar do mundo. 44. mostrou que a estabilidade do produto tratado.8% para o maior nível de álcali.5. Para efeito de formulação de rações. provavelmente. logo após o mesmo tratamento de hidrólise. logo após a hidrólise. 40 e 60g de álcali/kg de produto seco. A digestibilidade da matéria orgânica do bagaço de cana aumentou de 32. para 56. 34. 20. O consumo voluntário da matéria orgânica digestível da palha de aveia aumentou 26% devido ao referido tratamento.8. de EM e ED. o efeito mais evidente é sobre o consumo. Foram utilizados quatro bovinos mestiços (Zebu x Holandês). intensificado pelo reduzido conteúdo de carboidrato solúvel do substrato. sobre o valor nutritivo do bagaço de cana ensilado por 90 dias. 1990). Ezequiel et al. subproduto mais importante da indústria açucareira. o material ficou exposto ao sol por aproximadamente oito horas. Sua área cultivada é acima de três milhões de hectares. diminuíram a digestibilidade e o consumo dela. sendo eles: CAN (cana-deaçúcar in natura). providos de cânula ruminal. bem como maiores retenções de nitrogênio em função da energia consumida. durante o período de ensilagem ou quando exposto ao ar. O trabalho de Molina et al. que permaneceu fechado por 30 dias). foi bom. a digestibilidade da palha passou de 0. disposto em camada fina [máximo 1cm] em terreno cimentado. Os consumos médios diários foram 29. para ovinos.

observaram-se as menores taxas (1. FDA. O tratamento alcalino foi mais eficiente na fração fibra. O bagaço foi acondicionado em baldes plásticos com capacidade de 10 litros e permaneceu em câmara climática à temperatura constante de 25ºC.6%. O consumo de MS para animais alimentados com feno foi significativamente melhor (p<0. hidrolisadas e hidrolisadas fenadas.01). A solução de NaOH foi adicionada ao bagaço nas respectivas dosagens de 0. não sendo observadas alterações para essa variável em relação às doses crescentes de NaOH.4 horas).4%/h) e o maior tempo de retenção (71. o material foi armazenado nos baldes correspondentes a cada repetição. Pires et al. para ovinos. (1990) foi avaliar o consumo e a eficiência do bagaço de cana tratado com 5% de NaOH em uma dieta isoproteica. 2.5% na MS por meio de um pulverizador. Entretanto. Após a homogeneização. sendo uma alternativa para utilização como volumoso na alimentação de ruminantes.5% PV) e hidrolisadas fenadas (1. 229   . comprovado pela redução nos constituintes da parede celular e pelo aumento na DIVMS. sem afetar a taxa de passagem. O valor nutritivo do bagaço de cana é melhorado com a adição de NaOH. cinco e sete dias). Os valores estimados de taxa de passagem ruminal no ceco-cólon e o tempo de retenção em cada compartimento não diferiram entre as canas-de-açúcar in natura.recebendo dieta composta de volumoso e concentrado na relação 70:30 na matéria seca. para a cana-de-açúcar hidrolisada ensilada. A posterior ensilagem. A produção de lã e a mudança de peso vivo não diferiram entre as dietas experimentais. celulose (CEL). Os autores concluíram que não foi verificado efeito dos tratamentos (dose de NaOH e dias de tratamento) sobre os teores de PB. O consumo de MS. com o objetivo de maximizar o efeito das canas-de-açúcar. Concluiu-se que o tratamento alcalino com hidróxido de sódio.5. os quais permaneceram abertos nos respectivos períodos de tratamento (um. hemiceluloses (HEM) e lignina (LIG). reduzindo perdas na eficiência. com ou sem fenação. proporcionando aumentos de pelo menos 45% na digestibilidade. que apresentaram valor médio de 1.7% no consumo das dietas contendo as canas-de-açúcar hidrolisadas (1. O objetivo do trabalho de Abdalla et al. melhorou a digestão da fibra da cana-de-açúcar no trato digestivo total e proporcionou acréscimo do consumo de matéria seca da cana-de-açúcar hidrolisada. no entanto. mas não foi observado efeito do período de tratamento sobre essas variáveis. Os aumentos de 25. A MS aumentou com os dias de tratamento.5 e 7. a produção de lã e mudanças de peso foram anotados para cada animal. de mantença.4% PV) provavelmente foram influenciados pela maior digestibilidade da fibra. (2006) tiveram como objetivo avaliar a composição química e a digestibilidade in vitro da matéria seca (MS) do bagaço de cana-de-açúcar contendo 60% de MS submetido a doses crescentes de hidróxido de sódio (NaOH) em diferentes períodos de tratamento. pode não trazer esses benefícios. A digestibilidade in vitro da matéria seca (DIVMS) e o teor de sódio aumentaram quando o bagaço de cana foi submetido a doses crescentes de NaOH. três. 5 e 7. Foi observada redução das frações de FDN.0 e 16. Os resultados sugerem que o bagaço de cana tratado pode ser usado estrategicamente em uma dieta de mantença para ovinos durante períodos de baixa disponibilidade de forragem.

assim. utilizaram duas vacas fistuladas no rúmen. em blocos casualizados. sendo que cada uma destas representou um bloco. Para isso. dentro de um delineamento de blocos inteiramente casualizados. o mesmo ocorrendo para proteína bruta.9% a 66. Tratou-se a casca de café com 0%. Provavelmente. com quatro blocos e cinco tratamentos constituídos de 50% de feno de alfafa e 50% de casca de café tratada ou não. e com NaOH não provocou alterações na composição química. 24. Ambos apresentaram os mesmos resultados com a adição de 9% de NaOH em relação aos demais tratamentos. porém. Para a fração solúvel (FS). em virtude da solubilização de componentes da parede celular.1. O tratamento da casca de café com ureia proporcionou apenas aumento no teor de proteína bruta (PB). Os resultados percentuais dos componentes da parede celular variaram de 51. Diante desse efeito possível na cinética de degradação da casca de café no rúmen. observaram-se valores que foram crescentes de acordo com o aumento dos níveis de NaOH. os tratamentos T1 a T4. Os autores observaram que os valores de matéria seca não se alteraram significativamente entre os diferentes tratamentos. 48 e 72 horas. indicando efeito do tratamento químico sobre esta fração dos alimentos testados. (2008) tiveram como objetivo determinar a cinética de degradação ruminal da matéria seca da casca de café. Esse efeito ocorreu. Casca de café Leitão et al. por quatro rodadas sequenciais. o tratamento com 9% de NaOH alterou a composição da parede celular. consumo de energia digestível e digestibilidade aparente da proteína bruta. a adição desta base pode contribuir para o aumento do desempenho de ruminantes submetidos a dietas contendo este resíduo agrícola. Para isso. 3%.9% para a fibra em detergente ácido.5. provavelmente. 230 . Houve diferença entre os tratamentos quanto ao consumo de proteína digestível. Figueiredo et al. não havendo.5% NaOH + 5% ureia. promovendo redução dos teores de FDN e FDA. Não se observou diferença para o tempo de colonização (TC) entre os tratamentos. A casca tratada ou não provocou depressão do consumo. foram utilizados 20 carneiros.5% NaOH. constituindo. Considerando-se a composição bromatológica e a digestibilidade da casca de café tratada ou não. T5-100% feno de alfafa. deve-se fornecê-la junto a outro alimento com um melhor teor de energia. indicando que a adição de NaOH deve ter atuado na dependência dos níveis de NaOH usados e na quebra das estruturas lignificadas da parede celular da casca de café.13. Os autores concluíram que a adição de hidróxido de sódio na casca de café nos níveis de 3%. 6% e 9% de hidróxido de sódio (base seca).9% a 50. T2-feno e casca de café + 5% ureia. tratada com diferentes quantidades de hidróxido de sódio. T3-feno e casca de café + 1.3% para a fibra em detergente neutro e de 43. 6% e 9% aumenta linearmente os resultados de degradabilidade efetiva. Os valores de degradabilidade efetiva (DE) e degradabilidade potencial (DP) aumentaram de acordo com o incremento dos níveis de NaOH nos tratamentos. incubando-se as amostras em sacolas de náilon por 12. (2005) avaliaram o valor nutritivo da casca de café tratada ou não com hidróxido de sódio e/ou ureia. degradabilidade potencial e fração solúvel deste resíduo no rúmen. T4-feno e casca de café + 1. 36. efeito sobre o tempo de colonização ruminal desta. assim distribuídos: T1-feno de alfafa e casca de café pura.

Por outro lado. Avaliando-se a degradabilidade da proteína. para o trigo planta inteira. 231   . grande parte do amido. A maior parte do sódio consumido pelos animais foi excretado através da urina. Silagem No estudo de Tobino et al. Por meio de estudos de digestibilidade in situ e in vivo. (2005) avaliaram a performance zootécnica (ingestão de matéria seca. devido à ensilagem. obtiveram-se valores de 103. Não houve diferenças significativas nas qualidades visuais e químicas entre as silagens com e sem tratamento de NaOH. Porém. foram ensilados aveia. 20. produção de leite. (1990). UTILIZAÇÃO DE RESÍDUOS AGROINDUSTRIAIS TRATADOS COM HIDRÓXIDO DE SÓDIO PARA BOVINOS DE LEITE Haddad et al. tal procedimento pode ser de grande valia para a redução de casos de acidose ruminal. obteve-se o valor nutritivo dos tratamentos. sendo elas: trigo planta inteira. Sob aplicação de NaOH. Campeneere et al. ao avaliarem o efeito da palha de trigo tratada com NaOH e Ca(OH)2 em crescentes participações na dieta (0. se comparado ao tratamento com silagem pré-secada e com silagem de milho. trigo tratado com NaOH e silagem de trigo imaturo com aditivos. 2. O consumo do alimento tratado com NaOH foi significativamente maior que os demais tratamentos (23. as digestibilidades daqueles materiais foram consideravelmente aumentadas.5. Devido a este decréscimo na degradabilidade do amido nos tratamentos com NaOH. os animais reduziram a ingestão de matéria seca e perderam peso. O soro sanguíneo não apresentou nenhuma desordem funcional. (1998). quando comparado ao tratamento que continha a planta inteira de trigo. respectivamente. apesar da utilização de aditivos. trigo tratado com NaOH e o ensilado. desta forma. nos tratamentos com 30 e 40% de palha tratada. Os experimentos de digestibilidade in situ mostraram que os tratamentos com NaOH levaram a uma diminuição significativa da degradabilidade da proteína e do amido do trigo. perdendo. observaram que os álcalis não alteraram o ambiente ruminal. 30 e 40% da MS da dieta total) sobre os padrões ruminais e o desempenho de vacas Holandesas no meio da lactação. gordura de leite e proteína) de cinco dietas diferentes em vacas Holandesas. a planta imatura do trigo levou à maior produção de efluentes.14.5 vs. arroz e palha de arroz tratados com NaOH.1. 21. As silagens foram avaliadas em relação às digestibilidades e aos efeitos nos ganhos de peso vivo e no soro sanguíneo de bovinos. a digestão da FDN e a produção de leite em níveis de inclusão de até 20%. Os autores constataram que o material tratado com NaOH apresentou melhor performance com aumento da produção de leite e com maior concentração de gordura e proteína no leite corrigido. O experimento de digestibilidade com os animais indicou que os valores de energia dos tratamentos do trigo não foram diferentes estatisticamente.1Kg/dia para os outros dois grupos). 125 e 76g/kg. silagem de milho e silagem pré-secada.

Martinez e Aguilera (1991) estudaram o comportamento clínico-metabólico em vacas alimentadas com bagaço de cana pré-digerido com NaOH a 6%. recebendo palha de trigo tratada com 35g de NaOH/kg. nem hemoquímicos. produção de gordura (g/kg) e proteína (g/kg). Três diferentes tratamentos foram utilizados. O balanço mineral de bezerros. Os autores concluíram que os ovinos não foram capazes de se adaptarem a altos consumos de álcali por períodos superiores a 15 semanas. diarreia e alcalose metabólica. Devido à alteração da palatabilidade e aos altos níveis de sódio na palha tratada com NaOH. Não foram encontradas alterações nos indicadores hemáticos. 232 . feito por Trevor-Jones e Leibholz (1984). Indica-se a neutralização da palha com ácido clorídrico (HCl) para estabilizar o pH do fluido ruminal e aumentar o consumo de alimentos. não tratado) e T3 (caroço de algodão sem línter. (2005) estudaram o efeito do NaOH (4% da MS) sobre o valor nutritivo do caroço de algodão sem línter. PROBLEMAS ADVINDOS DO USO DE NAOH NA ALIMENTAÇÃO DE RUMINANTES As palhas tratadas com NaOH não são bem-aceitas pelos animais. foram utilizadas 18 vacas Holandesas no meio da lactação. A digestibilidade total da matéria seca. A digestibilidade da celulose e a da FND foram maiores no tratamento três. T2 (caroço de algodão sem línter. leite corrigido para 4% de gordura. torna-se necessário restringir a quantidade de palha tratada nas dietas de ruminantes (Stigsen. quando são fornecidas sozinhas. que aumentou significativamente. Atribui-se o desencadeamento dos mecanismos implicados a um excesso de NaOH. foram determinados alguns indicadores hematoquímicos e gasométricos. sendo eles: T1 (caroço de algodão com línter). Quando o valor do pH do fluido superior do rúmen vai acima de oito. A ingestão de matéria seca do tratamento com caroço de algodão tratado foi maior se comparado aos demais tratamentos. porém o tratamento com caroço de algodão tratado com NaOH apresentou maiores produções de leite. Observaram-se deterioração do estado físico. em vacas em lactação. As produções de leite foram semelhantes para os tratamentos 1 e 2. O fornecimento de palha de trigo tratada com NaOH a ovinos. 3. o que poderia causar problemas. citado por Rexen e Knudsen.Solomon et al. 1975. exceto no sódio. tratado com NaOH 4%). Para isso. Além do controle sanitário. 1984). Todas as dietas continham 18% de caroço de algodão. foi determinado por Holzer et al. da matéria orgânica e a da proteína bruta da dieta com caroço sem línter (T2 e T3) foram maiores se comparadas à dieta com caroço com línter. neutralizada com HCl e não neutralizada. o que acontece pouco tempo após a ingestão. resultou em alcalose metabólica primária demonstrada pelo pH sanguíneo aumentado. O tratamento do caroço de algodão com NaOH levou a um aumento da digestibilidade in vitro da matéria seca e da fibra em detergente neutro. o consumo de alimento para e só se inicia novamente quando o pH cai abaixo de sete. excesso de bicarbonato e de base.

C. Trop.. O balanço ácido-básico sanguíneo não foi significativamente afetado pelos tratamentos. S. Escola de Veterinária. Deve-se ressaltar a importância da adição de uma fonte nitrogenada. Treated sugarcane bagasse for sheep.C. p. 66f Dissertação (Mestrado em Zootecnia) – Universidade Federal de Minas Gerais. SILVA FILHO. MG. porcentagens mais altas de resíduos tratados com esse químico. 1989.67. deve ser investigada a ocorrência de interações entre os materiais tratados com soda e outros componentes dos alimentos.S. para ruminantes. a presença de bicarbonato e a pressão de CO2 dos animais indicaram alcalose branda. A alcalose não afetou o desempenho. que aumentará o teor de proteína bruta. nas dietas. Belo Horizonte. de forma que também seja possível a produção de alimentos altos em energia. torna-se necessário fazer um tratamento prévio desses materiais. Apesar de a digestibilidade ser melhorada pelo tratamento alcalino com hidróxido de sódio. será possível usar. Porém. v.M. objetivando o aumento do valor nutritivo dessas fontes. Além disso. devem-se utilizar metodologias que reduzam os efeitos negativos do sódio e do alto pH sobre a saúde animal. Agric. Bagaço de cana tratado com hidróxido de sódio. 500 e 700g/kg. na época seca. A concentração de amônia no líquido ruminal e a da ureia no sangue foram mais baixas nos animais que receberam palha de trigo tratada com álcali. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ABDALLA. Quando esse problema for solucionado. 233   .L.93-94. então. ou seja. Devem ser feitas pesquisas no sentido de otimizar o efeito desse tratamento. No entanto. o produto resultante ainda continuará sendo um alimento pouco energético. VITTI.(1991) em um experimento de digestibilidade no qual a palha de trigo foi oferecida nos níveis de inclusão de 300. visando aumentar a sua digestibilidade e proporcionar um melhor aproveitamento do seu valor nutricional pelos animais. 1990.S. a digestibilidade e o consumo. AVILA. D. A. Os valores de pH.. 4. CONSIDERAÇÕES FINAIS A utilização de resíduos agroindustriais na alimentação de ruminantes é viável. O hidróxido de sódio aparece. J.. A relação sódio e potássio retidos aumentou com o incremento da proporção de palha na dieta e foi menor nas dietas de palha neutralizada. como uma boa opção para tratamento de resíduos. A disponibilidade desses produtos é muito grande e ocorre no período de escassez de forragens verdes.

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Ciência e Tecnologia do Sudeste de Minas Gerais – Campus Barbacena. A área plantada com milho foi estimada em 14. Bloco A. ainda. MSc.CAPÍTULO 14 O MILHO NA ALIMENTAÇÃO DE GADO DE LEITE Luiz Gustavo Ribeiro Pereira1. Coordenador do Programa de Pesquisa em Agropecuária e Agronegócio. 2007). DSc. Caixa Postal 567.6 milhões de toneladas para a safra 2008/2009. O capítulo abordará também a silagem de milho como alimento para gado de leite detalhando as características que influenciam o valor nutritivo da silagem. luiz. Será também abordado o milho na alimentação de rebanhos leiteiros com detalhes quanto aos efeitos do local de digestão do amido e o metabolismo de vacas leiteiras. bem como a composição bromatológica em lipídios. Brasília. segundo o Acompanhamento da Safra Brasileira (Companhia Nacional de Abastecimento . contribui com aproximadamente 80% da produção nacional de grãos. 2009).2 milhões de hectares e em 21. atrás dos Estados Unidos (268 milhões de toneladas) e da China (143 milhões de toneladas).9 milhões de toneladas de milho e 58..6 milhões de hectares com a soja. Belo Horizonte.ufmg.br 4 Médico Veterinário. Associado Departamento de Zootecnia da Escola de Veterinária da UFMG. Prof.CONAB. CEP: 70750-501. 610 Dom Bosco. juntamente com a soja. Professor do Instituto Federal de Educação.br 1 240 .. estimada ao todo em 137. luciocg@vet. como a digestibilidade da fibra. Serão descritos. a textura dos grãos e o conteúdo de óleo. DF. CEP 30123-970. a classificação quanto ao tipo de grãos. o Brasil encontra-se na terceira colocação.edu. Lúcio Carlos Gonçalves3. Por fim. carboidratos e proteínas. Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico. camargos@cnpq. INTRODUÇÃO A produção de milho no Brasil.. será discutida a silagem de milho úmido para bovinos leiteiros. com produções de 51. wellyngton. Os dados estimados para a safra 2006/2007 apresentados pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos indicam o Brasil como o terceiro maior produtor de milho do mundo (produção de 46 milhões de toneladas). DSc.USDA. Serão descritas a estrutura e as propriedades físicas do milho.br 3 Engenheiro Agrônomo. MG.vilela@ifsudestemg. SEPN 509. Asa Norte.br 2 Médico Veterinário. CEP 36038-330. os principais coprodutos do processamento do milho. Rua Eugênio do Nascimento.gustavo@cnpgl. DSc. Médico Veterinário. Juiz de Fora. Roberto Camargos Antunes2. MG. Ed. Nazir I. Em termos da exportação.1 milhões de toneladas de soja. Sala 301. logo após os Estados Unidos e a Argentina (United States Department of Agriculture .embrapa. Wellyngton Tadeu Vilela Carvalho4 RESUMO Este capítulo tem como objetivo descrever a importância do milho na alimentação de bovinos leiteiros. Embrapa Gado de Leite.

pode garantir a maximização da produção. o milho é utilizado como fonte de amido. A avicultura demanda 60. com consequências negativas sobre o desempenho animal.. Neste sistema de produção. quando usados de forma racional. O objetivo deste capítulo é discutir a utilização racional do milho na alimentação dos rebanhos leiteiros.5 devido ao acúmulo indesejável de ácidos graxos voláteis (AGVs) e lactato no rúmen (Hall. 2001). pode ter impactos positivos na lucratividade da atividade. Owens et al.5%. já que a demanda de milho para rações é superior a 25 milhões de toneladas. restando 11. possibilitando uma melhor utilização dos carboidratos estruturais e o maior fluxo de proteína microbiana para o intestino. o milho pode acarretar problemas metabólicos como a acidose. tem influência direta na cadeia de produção de proteínas de origem animal no Brasil. 241 . dentre os quais os mais conhecidos são os resíduos úmidos e secos de destilaria que podem ser fonte de fibra. e o conhecimento da melhor forma de sua utilização é importante para o sucesso na suplementação. Na alimentação de bovinos leiteiros. a utilização de concentrados. geralmente o principal componente energético dos concentrados. muitos dos quais são coprodutos e podem ser utilizados como alimentos estratégicos para bovinos leiteiros. O milho como fonte de amido. correspondendo a mais de 50% do volume produzido. Já quando utilizado em excesso.0% a serem utilizados na alimentação de ruminantes e outras espécies (Lima. que exigem níveis elevados de energia na dieta. A presença de amido é fundamental na exploração de animais de alta produção. e a suinocultura 28. O amido apresenta disponibilidade energética superior à dos carboidratos estruturais presentes nas dietas de ruminantes. podendo ser listados mais de 500 derivados. principalmente para a produção de etanol nos Estados Unidos. energia (amido e óleo do milho) e proteína (protenose). consequentemente. O Brasil se destaca na produção de leite a pasto. sem a devida adaptação do ambiente ruminal. 1998. sendo esta a forma de exploração mais econômica e a base da produção nacional. quando o pH ruminal pode cair para níveis críticos abaixo de 5. O milho é considerado a base energética padrão nos concentrados comerciais. pode ser usado para melhorar as características de fermentação ruminal. A agroindústria apresenta grande diversidade de utilização do milho na alimentação humana e animal. A produção de etanol a partir do milho gerará uma grande quantidade de coprodutos (1/3 do total processado). na descrição das principais características químicas e físicas do grão do milho e na discussão dos principais coprodutos do milho utilizados nas dietas. 1998). Estes podem ser fontes de fibra de boa qualidade (farelo de milho). principalmente pela maior eficiência da utilização de fontes de nitrogênio não proteico. quando utilizado de forma correta. com ênfase na caracterização do amido.O aumento no preço do milho no mercado internacional ocasionado pela maior demanda do cereal. a melhoria dos índices reprodutivos e. energia e proteína.5% deste total.

em menor proporção. maiores e menos densos que os encontrados no endosperma córneo. Na Tabela 1.0 78.4 74. de 250 a 300mg. O amido da zona vítrea é menos disponível para a digestão devido à barreira física que a matriz proteica e os corpos proteicos formam sobre ele (Sullins e Rooney.6 2. Já a zona farinácea ou opaca do endosperma é caracterizada pela presença de células frouxamente empacotadas. O gérmen representa aproximadamente 11.0 0. vitaminas e minerais. nitrogênio e enxofre durante a germinação (Lopes e Larkins. Os corpos proteicos estão presentes. enquanto as proteínas de estocagem são fontes de energia. É o principal tecido de estocagem do grão (National Corn Growers Association .3 12.1 0. gérmen. que são esféricos. O endosperma vítreo apresenta matriz proteica densa.0 1.6 26.2 54. Porcentagens e composições dos constituintes do grão de milho.0% do grão de milho e concentra quase a totalidade (83.0%) do grão.0%) e açúcares (70. o grão de milho é formado por quatro principais estruturas físicas: endosperma.0 0.0 Fonte: Paes (2006).0 17.0%). com corpos proteicos estruturados. composto por amido.. pericarpo (casca) e ponta.8 0.0 Ponta 2. ESTRUTURA E PROPRIEDADES FÍSICAS DO GRÃO DE MILHO O peso individual do grão varia. É composto pelo embrião e por tecido de estocagem rico em ácidos graxos poli- 242 . Pequenos espaços de ar estão presentes entre grânulos de amido. 2006). os grânulos de amido são arredondados e estão dispersos. Conhecido botanicamente como uma cariopse. Na porção farinácea.3 82. O amido tem a função de fornecer ao embrião energia e esqueletos de carbono até que este seja fotossinteticamente competente. % Fração Amido Lipídios Proteínas Minerais Açúcares Fibras grão Endosperma 82. não havendo matriz proteica circundando esta estrutura (Paes. proteínas de estocagem e. que circundam os grânulos de amido de formato poligonal. 1974). Com base na distribuição dos grânulos de amido e da matriz de proteína.9 Gémen 11. Tabela 1. A diferença ultraestrutural mais importante entre os endospermas vítreo e farináceo é a menor concentração de matriz proteica no endosperma farináceo. não permitindo espaços entre estas estruturas. em média.1.9 1. além de conter quantidades importantes de proteínas (26. as quais diferem em composição química e também na organização dentro do grão. o que confere melhor acessibilidade às enzimas e maior digestibilidade (Hoseney et al.0 0. o endosperma é classificado como vítreo (ou córneo) ou farináceo (ou opaco).0%) dos lipídios (óleo e vitamina E) e dos minerais (78.0 15. por enzimas.6 1.9 1. Nutricionalmente o endosperma amiláceo é o componente mais importante do grão. 2007).3 2. mas em menor concentração que no endosperma córneo.9 28. 1993). encontram-se as porcentagens dos constituintes do grão de milho e respectivas composições.8 7.4 69.0 98.NCGA.0 Pericarpo 5. 1974).

O pericarpo representa. As camadas de células que compõem esta fração são constituídas de hemiceluloses (67. que representam a reserva nutritiva para o embrião. 5. sendo a única área não coberta pelo pericarpo. CLASSIFICAÇÃO DO MILHO QUANTO AO TIPO DE GRÃOS Existem cinco classes ou tipos de milho: dentado. já no Brasil. porém o endosperma é 243 . a maioria dos híbridos plantados é de grão do tipo duro (flint). aos insetos e aos microrganismos. caracterizando o milho como dentado. proteínas. Duro Pipoca Dentado Farináceo Doce Endosperma vítreo Endosperma farináceo Endosperma doce Gérmen Figura 1. em média. enzimas e minerais. O milho farináceo também apresenta indentação. O milho duro difere do farináceo e do dentado na relação de endosperma vítreo:farináceo.0%) e celulose (23. pipoca e doce. 2.0%). conforme visualizado na Figura 1. predominam os grãos do tipo dentado.0% do grão. duro. definidos pela estrutura do endosperma e o tamanho do gérmen. Os dentados apresentam o endosperma farináceo na região central do grão. É constituída essencialmente de material lignocelulósico.0%) e é a responsável pela conexão do grão ao sabugo.insaturados. A principal diferença entre os tipos de milho é a forma e o tamanho dos grãos. A ponta é a menor estrutura do grão de milho (2. conferindo proteção à umidade do ambiente. Em países de clima temperado. O encolhimento do endosperma farináceo na secagem do grão resulta na formação de uma indentação na parte superior do grão. farináceo. Tipos de milho e proporções do endosperma farináceo e vítreo.

A textura (strength) do endosperma de grãos foi definida como a habilidade do grão de resistir à compressão sem produzir fraturas. do solo e das condições climáticas. dependendo do genótipo. e a dureza (hardness) como a habilidade do grão de resistir à indentação. Apesar de diferentes. Na Tabela 2. fato provavelmente relacionado à utilização de genótipos diferentes e também às distintas condições de cultivo. A classificação do milho deve ser feita quando os grãos estão secos e ainda aderidos ao sabugo. 2001) e nacionais (Lima. porém esta é altamente digestível. As bases bioquímicas. tem elevado teor de energia por ser rico em extrativos não nitrogenados. são apresentados os dados de composição química média do grão de milho de acordo com dados americanos (National Research Council . a classificação deve ser baseada na predominância. 1984). os valores de proteína bruta e nutrientes digestíveis totais apontados pelo NRC (2001) são ligeiramente superiores. Atenção especial deve ser dada aos níveis de cálcio em rações com altas quantidades de milho. de acordo com Jastrzebski (1976).25%). é pobre em fibra.NRC. Comparados aos dados nacionais.0%. a composição proteica do grão e o arranjo ultraestrutural da matriz proteica nos endospermas vítreo e farináceo são os principais fatores determinantes (Chandrashekar e Mazhar. conhecido por vitreosidade (vitreousness) (Cagampang e Kirleis. Os conceitos de textura do endosperma encontrados na literatura são vagos e subjetivos e estão geralmente associados aos métodos de determinação da textura dos grãos. nesta situação. COMPOSIÇÃO BROMATOLÓGICA DO GRÃO DE MILHO A composição química proximal do grão de milho não é estática. o conceito de textura mais aceito se refere à proporção do endosperma vítreo (duro) em relação ao endosperma farináceo (macio) do grão. clima. apresenta aparência enrugada devido à não conversão dos açúcares em amido (Dickerson. fisiológicas e estruturais da textura do endosperma dos grãos de milho ainda não são bem compreendidas. As contaminações também podem alterar o valor nutritivo do milho.. além do pericarpo mais espesso e endosperma vítreo predominante. 1999). É pobre em cálcio (valor médio de 0. citado por Chandrashekar e Mazhar (1999). No entanto. os termos acima são utilizados de forma sinônima pela literatura. Já o milho duro possui volume contínuo de endosperma vítreo. 3. O padrão exigido para a utilização do milho na alimentação animal encontra-se na Tabela 3. O milho apresenta um valor médio de nutrientes digestíveis totais superior a 85. 2001. Quando colhido e armazenado em condições 244 . resultando em grãos arredondados e lisos. quando seco.completamente farináceo. solos e armazenamento. O grão de milho amarelo destinado ao consumo animal deve ser isento de sementes tóxicas e resíduos de pesticidas. O milho de pipoca é menor e possui formato arredondado. No entanto. Em uma mesma espiga.025%) e medianamente rico em fósforo (valor médio de 0. pode haver grãos com aparência de dois tipos. O milho doce. 2006). 2007). essencialmente amido. Valadares Filho et al.

Valadares Filho Parâmetros NRC (2001) Lima (2001) et al.5 Cálcio 0.5 Extrato etéreo 4.2 - Tabela 3. O amido é a principal fração dos carboidratos e pode representar de 66.0% do peso seco do grão (Zeoula e Caldas Neto.0 7.65 2.04 Fósforo 0. Padrão 14. Carboidratos do grão de milho Os principais carboidratos constituintes dos grãos são amido. (1998).5 14.83 Metionina (% da proteína bruta) 2.0 4.6 87. e o Fusarium moniliforme. (2006) Matéria seca (%) 88. Composições químicas médias de grãos de milho em porcentagem da matéria seca. COMPOSIÇÃO BIOQUÍMICA DO GRÃO DE MILHO 4.1. que produzem a aflatoxina.0 2.7 Proteína bruta 9. embora o maior problema seja para aves e suínos. sintetizado pelas plantas superiores com função de reserva energética nos períodos de dormência. Parâmetro Unidade Umidade (máximo) % Proteína bruta (mínimo) % Fibra bruta (máximo) % Extrato etéreo (mínimo) % Matéria mineral (máximo) % Xantofila (mínimo) ppm Aflatoxina (máximo) ppb Fonte: Compêndio.03 0. que pode estar presente sem que o mofo seja visível.4 9. quando da aquisição do milho..1 87.2 4. açúcares simples e pentosanas.1 87. como plantas do gênero Cassia (fedegoso).0 1. germinação 245 .5 10.47 Nutrientes digestíveis totais 88. É um polissacarídeo não estrutural de elevado peso molecular.99 2.1 8. que interferem no metabolismo da proteína.26 Lisina (% da proteína bruta) 2.5 1.1 Fibra bruta 2.4 4..3 Cinzas 1.0 Fibra em detergente ácido 3. celulose. Padrão exigido para a utilização na alimentação animal. Tabela 2. Sementes de ervas daninhas também podem interferir na qualidade do milho. destacando-se os do gênero Aspergillus.0 a 78.7 Fibra em detergente neutro 9.13 1.30 0.04 0.1 3. 2001).inadequadas. pode ocorrer o desenvolvimento de fungos.0 3.84 2.25 0.0 20. Verificar a presença de toxinas é uma boa medida.

As cadeias lineares de glicose. A porcentagem de amilose e de amilopectina varia com a origem botânica do amido. caules. 1973). 1997). Apresenta peso molecular entre 1 x 107 e 1 x 109 Da (Tester et al. 1998). Aproximadamente 99% dos resíduos de glicose estão unidos por ligações α-(1 → 4). 1998).0% de amilopectina (Wang et al. o amido é composto por 30. a amilose e a amilopectina (French. Essas cadeias são relativamente longas e podem conter de 200 a 700 resíduos de glicose.4 a 1. permitindo a entrada de água dentro dos grânulos (Hoover. A amilose e a amilopectina encontram-se empacotadas nas plantas na forma de pequenos grânulos..de grãos. ao tamanho da molécula e pelas propriedades químicas. Esse processo é denominado gelatinização e ocorre devido à quebra das pontes de hidrogênio entre as moléculas de amilose e amilopectina. Amidos denominados “cerosos” do milho. o que pode refletir as diferenças na composição 246 . lenticular. Wang et al. Rooney e Pflugfelder. 1998). e 1% por ligações α-(1 → 6). unidas por ligações α-(1 → 4). mas.0% de amilose e 70. A temperatura de gelatinização do amido varia com o tipo de grão. O aquecimento dos grãos na presença de água promove a solubilização parcial do amido. A molécula é composta de 324 a 4. na maioria das espécies. disposto em dupla hélice e que apresenta a capacidade de ligar-se ao iodo. 1973. 2001). A amilopectina é uma molécula maior que a da amilose. Por outro lado. O peso molecular varia de acordo com a origem botânica e encontra-se entre 1 x 105 e 1 x 106 Da. 1998). quando os grânulos de amido perdem a cristalinidade (French. 2004). 1997). amidos com mais de 40. sendo considerada uma das maiores moléculas conhecidas. sorgo..0% de amilose são denominados “ricos em amilose”. As plantas armazenam o amido nas raízes. 2004) e tem estrutura bastante ramificada.920 resíduos de glicose e pode ter de nove a 20 pontos de ramificação [ligações α-(1 → 6)] e de três a 11 cadeias retilíneas (Hoover. o amido é formado por dois polímeros de glicose. 1986). têm pontos de ramificação α-(1 → 6) a cada 20 a 25 resíduos de glicose (Chesson e Forsberg. crescimento e rebrota (Wang et al. Quimicamente.0% de amilopectina (Sullins e Rooney.. 2001.6g/cm3 (Rooney e Pflugfelder.. arroz e milheto apresentam de 85. Estima-se que 95% dos resíduos de glicose estejam unidos por ligações α-(1 → 4) e que os outros 5% por ligações α-(1 → 6) (French. podendo conter até 80% de seu peso seco em amido (Buléon et al. Segundo Ball et al. 1986). a complexa organização das ramificações α-(1 → 6) é responsável pelo empacotamento denso e semicristalino dos resíduos de glicose nos grânulos de amido. A amilose é o polímero longo e relativamente linear. Pode conter mais de 15 mil resíduos de glicose.. 1975. tubérculos e grãos. O milho tem grânulos simples. Tester et al. Os grãos são a principal fonte de amido na alimentação humana e animal. oval e/ou poligonal. formando composto azul ou violeta. (1998). Wang et al...0 a 100. Esses dois polímeros diferenciam-se entre si quanto ao tipo de estrutura química. e a densidade do amido varia de 1. cevada. com diâmetros variando de 1 a 200μm e nos formatos redondo. 1973.

Philippeau et al. à atividade enzimática. Duas áreas distintas são observadas no grânulo de amido. O complexo lipídio-amilose é insolúvel e pode se dissociar quando aquecido. a água se move livremente através desta região. 2001).. podendo acarretar diminuição na capacidade de expansão e na atividade enzimática. como o milho. Esse processo de reorganização dos grânulos é denominado retrogradação e tende a aumentar a proporção de amido resistente ao ataque das amilases dos alimentos previamente gelatinizados. O amido gelatinizado é instável e tende a se reorganizar parcialmente com as reduções da temperatura e do conteúdo de água do meio devido ao restabelecimento parcial das pontes de hidrogênio (Hoover. 247 . A importância do estudo da composição do amido dos grãos é evidenciada pela maior susceptibilidade da amilopectina à digestão enzimática (Zeoula e Caldas Neto. Rooney e Pflugfelder. respectivamente). A área cristalina apresenta maior resistência à entrada de água e. Em raízes como a mandioca. respectivamente) que a cevada e o trigo (65 e 62ºC. Nos cereais.1985. 1986). o que pode reduzir a digestibilidade ruminal e intestinal desses amidos (Asp et al. consequentemente. A amilose em cereais apresenta complexação com lipídios. consequentemente. é relativamente desorganizada. estando a amilose presente na região amorfa. 1996). da digestibilidade de fontes de amido com maior teor de amilose. a estrutura primária (nativa) dos grânulos de amido é definitivamente perdida (Rooney e Pflugfelder.bioquímica do amido e a interação desse com a matriz proteica. e a atividade hidrolítica das amilases se inicia nesta área (Rooney e Pflugfelder. Porém. 1986). formando estruturas helicoidais e acarretando menor estruturação da região cristalina e maior adesão entre as moléculas que compõem o grânulo. A região amorfa é rica em amilose e menos densa que a área cristalina. a região cristalina é composta apenas pela amilopectina. 2001). (1998) mostraram que o amido dos grãos de milho ricos em amilose foi mais rápida e extensamente degradado no rúmen que o amido dos grãos cerosos e de composição regular do amido em estudo in situ em bovinos. 2001). No entanto. Essa complexação diminui a capacidade de expansão e a solubilidade do amido (Swinkels. denominada região cristalina. devido à maior formação de pontes de hidrogênio (Zeoula e Caldas Neto. em grande parte. principal responsável pela organização desta área. a amilose também está presente na região cristalina. Assim. explicada pela textura mais macia do endosperma dos grãos de milho ricos em amilose. Uma organizada. e a segunda. A região cristalina é primeiramente composta de amilopectina. aumentando a quantidade de pontes de hidrogênio no interior do amido. conhecida como região amorfa. Malcolm e Kiesling (1993) encontraram resultados em que o milho e o sorgo apresentaram maiores temperaturas de gelatinização do amido (70 e 72ºC. Devido à menor densidade. As moléculas de amilose podem se inserir nas moléculas de amilopectina. maior proporção de amilose proporcionaria melhor atividade hidrolítica. sendo necessárias temperaturas acima de 125oC. 1986). porém ocorre uma diminuição na hidrólise do amido e. a maior degradabilidade foi.

0-62. (1993). Já nos trabalhos de Atwell et al. que compõem a matriz que envolve os grânulos de amido dentro do endosperma. a produção de leite e os conteúdos de proteína e gordura do leite em experimento realizado por Elliot et al.0-13.0%) e linoleico (55. Proteínas do grão de milho A maior parte das proteínas do grão de milho concentra-se no endosperma (74. 90.. Este tipo de milho vem sendo utilizado em alguns países na alimentação de monogástricos. independentemente da textura do endosperma. Para MichaletDoreau e Doreau (1999). substâncias lipídicas que conferem a cor ao grão de milho. estão presentes os carotenoides. 1995). Outra evidência de que as prolaminas estão envolvidas na determinação da textura é a de que a concentração dessas é maior no endosperma vítreo que no farináceo. assim a quantidade de lisina sobrepassante é baixa. Existem alguns híbridos de milho de alta qualidade proteica. Zeaxantina. globulinas e gluteínas. (1998) e LaCount et al. apresentando teores mais elevados de lisina e triptofano. as quantidades dos aminoácidos lisina e triptofano são maiores.0% de óleo. Neste material.0%). alfa e betacarotenos são os principais carotenoides do milho (Paes. São proteínas de reservas ricas nos aminoácidos metionina e cisteína.0% deste são triglicerídeos. luteína. conferindo qualidade nutricional superior. Dombrink-Kurtzman e Bietz (1993) encontraram. O gérmen contém quantidades importantes de proteínas do tipo albuminas..0%). Existem também ácidos graxos livres e fosfolípides (Weber. tornando a utilização desta pouco vantajosa.5 a 4. a extensão da degradação ruminal da fração nitrogenada do milho QPM é maior que a de um milho normal. oleico (24. com o intuito de aumentar a densidade energética das dietas. A substituição do milho normal pelo rico em óleo em dietas fornecidas ad libitum com 44. Estas são prolaminas. concentrações 3. (1995).0-32. 1983).0% de grão de milho para vacas leiteiras não modificou o consumo. Existem variedades de milho ricas em óleo que apresentam aproximadamente 7. Alguns estudos têm mostrado forte relação entre a concentração de prolaminas com a textura do endosperma (Pratt et al. que diferem significativamente em composição das encontradas no endosperma. concentrado principalmente no gérmen. A composição e a distribuição das frações proteicas nos grãos estão envolvidas diretamente na textura do endosperma. em média. Poucos trabalhos com milho rico em óleo foram realizados com bovinos leiteiros. 2001).0% de extrato etéreo. mas pobres em lisina e triptofano. observou-se aumento no consumo alimentar dos animais que receberam milho rico em óleo.0%). chamadas de zeínas. Lipídios do grão de milho Os grãos de milho geralmente contêm de 3. 4. resultado de melhoramento genético a partir do mutante opaco 2 (Molina et al.3. Na camada de aleurona e no endosperma vítreo do milho. os chamados QPM (Quality Protein Maize).3 vezes maiores de α-prolamina no 248 .4. Os principais ácidos graxos são o palmítico (8. 2006).2. betacriptoxantina.

resultando em melhor digestão enzimática. dentre outros distúrbios metabólicos.endosperma vítreo dos grãos de nove genótipos de milho. gelatinização.9%. laminação e floculação influenciam a extensão da digestão e do local onde esta ocorre. com acentuada redução do pH ruminal. embora as concentrações de γ-prolaminas tenham sido quase duas vezes maiores no endosperma farináceo. com a finalidade de observar suas influências sobre a digestão do amido no trato digestivo total.7%. mudando o local e a intensidade de digestão. Nos concentrados utilizados para bovinos leiteiros. floculação e laminação. No NRC (2001). paraqueratose.: milho quebrado com 84. O limite de inclusão é de aproximadamente 3. As alterações químicas são resultantes do tratamento dos grãos com pressão a vapor. A consequência destes eventos pode ser o aparecimento de acidose. diferenças nos valores de nutrientes digestíveis totais para as distintas formas de processamento dos grãos (ex.: fornecer 1% da ingestão da matéria seca da mistura de bicarbonato de sódio e óxido de magnésio. por exemplo. Esta influência ocorre por causa de alterações físicas e/ou químicas na estrutura do grão. O fornecimento de dieta completa (concentrado misturado ao volumoso). Segundo Mello Júnior (1991). As várias formas de processamento podem alterar-lhe o valor nutritivo. 5.0kg ao dia por unidade animal (UA). MILHO GRÃO NA ALIMENTAÇÃO DE REBANHOS LEITEIROS O milho é o alimento energético padrão. Alterações físicas são obtidas principalmente por diferentes graus de moagem. os processos de moagem. milho moído com 88. resultante da fermentação dos carboidratos solúveis. o milho fubá pode ser a base energética. são citadas.5% e milho floculado com 91. Quantidades superiores à indicada podem levar à redução da eficiência do aproveitamento energético do amido. Normalmente o grão de milho é usado na forma de fubá ou quirera (milho passado em peneira grossa).7%). o aumento na frequência de refeições e a utilização de agentes tamponantes e/ou alcalinizantes (ex. laminite. O processamento do grão de milho pode alterar o seu valor nutritivo pela moagem. produção excessiva de ácidos graxos voláteis. serão descritas as principais formas de processamento do grão de milho: 249 . que têm como efeito a redução no tempo de permanência do alimento no rúmen. Vários métodos de processamento de grãos têm sido utilizados. A seguir. quebra. Maiores quantidades podem ser agregadas por meio da manipulação ruminal. milho de alta umidade com 91. podendo levar o animal à morte. redução do tempo de mastigação (com redução na salivação) e ruminação. podendo alterar a eficiência da utilização da energia proveniente do amido. na relação de 3:1) podem permitir maiores inclusões e evitar os problemas metabólicos citados anteriormente. visando à gelatinização dos grânulos de amido que permite maior absorção de água.

A intensidade deste tipo de tratamento é que vai ditar a extensão da gelatinização. Laminação a vapor . encontraram maiores produções de leite e de proteína do leite para as vacas alimentadas com milho finamente moído. (2000). Já Reis et al. ajustados de forma a comprimirem ainda mais 250 . A umidade média do grão fica entre 17. a digestão da MS no trato digestivo total é maior (69.5 a 2.0°C. em relação à moagem. Posteriormente. Além dos rolos laminadores. 1973). localizados abaixo do condicionador. os grãos caem por gravidade nos rolos compressores. Quebra (laminação a seco) . comparativamente com o processo de laminação a vapor. pode ser pouco disponível por não sofrer gelatinização e ter reduzida superfície de exposição às amilases (Mello Júnior. O amido. 1991). e o tempo médio de permanência é de 15 a 20 minutos. inicia-se o processo de gelatinização do amido. Quando os grãos de milho são finamente moídos. ao avaliarem o efeito do grau de moagem sobre o desempenho de vacas leiteiras.0 e 24. (2001) não observaram efeito do grau de moagem para vacas leiteiras mantidas em pastagens. A escolha da moagem fina (fubá) ou grosseira (milho quirera) ainda é uma questão duvidosa para produtores e técnicos da pecuária leiteira. Em função do maior tamanho das partículas do grão laminado a vapor. O uso de concentrados contendo grãos submetidos a este tipo de processamento determina aumento na quantidade de amido que chega ao intestino delgado. aumentando-se a digestibilidade ruminal do amido. os grãos já laminados e parcialmente gelatinizados são encaminhados ao secador. os grãos passam por um segundo par de rolos. Por outro lado. há maior quantidade de amido gelatinizado que chega ao intestino delgado. que são responsáveis pela laminação. Devido ao aumento da umidade e da temperatura no interior do condicionador. Em seguida.3%) do que quando os grãos são inteiros (59.. o tempo de permanência no condicionador é maior (30 a 40 minutos).5% de concentrado. Em seguida estes grãos caem por gravidade nos rolos compressores. após passar por um rolo cujo ajuste estabelece a intensidade da quebra. rompendo o endosperma e aumentando a superfície de contato do amido às amilases.Moagem . neste tipo de processamento. Estudos com dietas para vacas de leite. A espessura do grão laminado é de aproximadamente 1.4mm.0 e 20. A temperatura chega a 90. Neste tipo de processamento. o amido dos grãos sofre modificação tanto na estrutura química (gelatinização) quanto na estrutura física (laminação).o grão inteiro é depositado por um tempo preestabelecido em condicionador abastecido por linha de vapor. o grão sofre modificação somente na estrutura física. compostas por 54.0%).os grãos também ficam no condicionador abastecido por uma linha de vapor. Floculação .0%. bem como a temperatura utilizada (90 a 105°C) e a umidade dos grãos (20.0 e 95.o grão inteiro é quebrado em pedaços menores. Como na moagem.modifica a estrutura física dos grãos inteiros. Consegue-se um aumento da digestibilidade ruminal em relação ao grão inteiro.1%) e ocorre a redução da eliminação de grãos nas fezes (Moe et al. San Emeterio et al. mas a recomendação mais aceita é a utilização da moagem fina. Entretanto. a digestibilidade ruminal é menor. evidenciaram que o tamanho das partículas dos grãos altera a taxa e a extensão da digestão do amido. embora de forma mais branda.

o suprimento extra de glicose (via absorção intestinal) é utilizado eficientemente no tecido adiposo e na retenção proteica. como os depósitos de gorduras mesentéricas e omentais. mas com pouco efeito no balanço energético. É considerada uma forma de processamento intensa e aumenta a degradabilidade ruminal do amido (Imaizumi.o aumento da temperatura do grão leva à expansão da umidade interna e. Pipoca . realizados principalmente nos Estado Unidos. mudando apenas a rota de aquisição desta glicose (fígado por meio da gliconeogênese ou absorção direta). O autor afirma ainda que a mudança no local de digestão do amido tem implicações na absorção de nutrientes pela veia porta. à explosão. mas os dados que sustentam estes dogmas são equivocados. 251 . Os estudos com a floculação do milho para alimentação de vacas leiteiras. sem afetar a saúde e a reprodução. principalmente em vacas no início da lactação. o que faz com que seja cada vez mais desafiante atender as exigências de animais de alto potencial genético. os grãos floculados passam pelo secador.os grãos. Reynolds (2006). Reynolds (2006) afirmou que.1mm. Porém. Na conclusão de sua revisão. Reynolds (2006) afirmou que parece existir capacidade considerável de digestão do amido no intestino delgado de vacas leiteiras. reprodução e saúde de vacas leiteiras. e da perda de proteína microbiana nas fezes. causando o rompimento do pericarpo. A suplementação com amido é uma opção muito utilizada para aumentar a densidade da dieta na tentativa de atender a demanda de carbono e glicose exigida por vacas de alta produção. EFEITOS DO LOCAL DE DIGESTÃO DO AMIDO NA PRODUÇÃO E NO METABOLISMO DE VACAS LEITEIRAS A possibilidade de alterar o local de digestão do amido do milho com o processamento pode ter implicações na produção. têm evidenciado o aumento da degradabilidade ruminal do amido e a melhora no desempenho de vacas leiteiras. há tempos. com aumento da fermentação no intestino grosso. Assim. Inúmeros trabalhos com aumento de amido sobrepassante e de infusão de glicose têm possibilitado aumentos na produção de leite e redução na gordura do leite.9 a 1. realizando a floculação e deixando-os com espessura próxima de 0. principalmente em vacas no início da lactação. mencionou que a produção média de sólidos do leite de vacas vem aumentando linearmente nos últimos 50 anos. acredita-se que o aumento da digestão do amido no intestino delgado e da absorção de glicose seja benéfico em termos de eficiência energética e na resposta em produção. 2005). O aumento de aporte de glicose via absorção intestinal é acompanhado pela maior utilização da glicose arterial pelos tecidos drenados pela veia porta. em artigo de revisão. podendo ainda ter impactos positivos na saúde e na eficiência reprodutiva. afetando muito pouco a produção de energia através do leite e alterando o status de insulina. o aumento da digestão de amido no intestino delgado aumenta o aporte de glicose. 6. consequentemente. Na sequência. mas o suprimento de glicose aumenta com o incremento de digestão no rúmen ou intestino. mas a expensas da síntese de proteína microbiana no rúmen.

este é comercializado como farelo de gérmen.Os avanços dos estudos sobre local de digestão do amido vêm possibilitando a indicação de diferentes formas de processamento ou genótipos de milho que possibilitem a alteração do local de digestão do amido. são descritos os principais coprodutos do milho passíveis de serem utilizados na alimentação de rebanhos leiteiros: Casca do grão de milho . por separador. visando à máxima produção. a fim de se separar as várias frações fibrosas do amido. Após a maceração. sofre evaporação. Essa massa passa. por processos hidráulicos e solventes e. extrai-se o óleo. Em seguida à separação do gérmen. amido e glúten. então. tegumentos e parte da porção amilácea da semente. produzindo um material em forma de polpa. Portanto. amolecendo-o e facilitando a moagem. Dependendo da umidade. à saúde dos animais e à eficiência reprodutiva. os grãos sofrem limpeza e são. mas contém mais fibra (Andrigueto et al. a principal indústria moageira de milho é do tipo “moagem seca”. assim. pode apresentar desenvolvimento de fungos. Farelo de milho . 7. é utilizada a “moagem úmida” (Paes. A maioria dos coprodutos é gerada pelo processamento por via úmida. 1990).é obtido da moagem a seco da mistura do gérmen (com ou sem a remoção do óleo). então. No Brasil. Esse procedimento.constitui subproduto do beneficiamento para obtenção do óleo e do amido. faz-se necessária sua secagem rápida ou a sua ensilagem. um subproduto que pode ser utilizado na alimentação animal. enquanto. As frações fibrosas são secadas e comercializadas como subprodutos para as indústrias de rações. porém é resultante da extração do amido. A composição química assemelha-se à do fubá.. película. contendo amido. 252 . COPRODUTOS DO PROCESSAMENTO DO MILHO São dois processos que dão origem aos coprodutos do milho: a moagem seca e a úmida. O liquor. que contém gérmen. que isola o gérmen do resto do material. Apresenta um pouco mais de proteína que o grão integral. removido a partir do processo. colocados em uma série de tanques com solução de água sulfitada. A seguir. e a umidade resultante é de aproximadamente 55%. Pode ser encontrado com ou sem óleo. tem por finalidade desintegrar a proteína aderente ao amido no interior do grão. que dura de 24 a 48 horas. Ao se iniciar o processo de industrialização propriamente dito. constituindo. Geralmente a maior parte desse resíduo é utilizada na produção do farelo proteinoso de milho. o material remanescente. na Europa e nos Estados Unidos. Do gérmen. o amido é degerminado por meio de moagem grosseira. após a secagem do resíduo. película e glúten. 2006). passa por uma série de peneiras.

que contém cerca de 11. boa palatabilidade e apresenta 11. que contém cerca de 11. Pode ser utilizado como fonte alternativa de energia e/ou proteína para ruminantes. podendo substituir totalmente as frações proteicas da dieta (Vieira. Da quantidade de milho que entra para ser processado. 5. e a segunda 60.é obtido no processamento por via úmida. o Refinazil pode ser considerado um fornecedor de energia em dietas para bovinos em substituição parcial da fonte energética. remanescente. É um subproduto muito utilizado para bovinos. produzida pela Cargill. 1984). Vieira (1991) citou resultados de produção de leite semelhantes para vacas leiteiras que receberam o Refinazil em substituição parcial da silagem de milho e do concentrado. Farelo e farinha de glúten (corn gluten meal) . do glúten e do gérmen. películas e glúten para formar a farinha de glúten e o farelo de glúten.0% de óleo (Velloso.0 a 6.subproduto da industrialização do milho por via seca. Este produto pode ser comercializado isoladamente ou junto com as cascas. Para vacas de alta produção. a forragem e concentrados proteicos e energéticos (Vieira. principalmente.0%. após a extração da maior parte do amido.0% de PB e 1. Farinha desengordurada do gérmen . A farinha de glúten de milho consiste.0% de PB e 5. é constituído de gérmen e de tegumentos que são removidos juntos com partículas amiláceas. faz-se a separação do gérmen. parcialmente e em níveis variáveis. Em relação ao nível energético.0% de PB e 5.Farelo de gérmen de milho . produzida pelas Refinações de Milho Brasil. o que lhe confere alto teor energético. 253 . Farelo proteinoso de milho . Possui proteína com alto teor de metionina.0% de nutrientes digestíveis totais (Vieira. 1991). necessitando de complementação com outras fontes.na primeira moagem dos grãos (“via úmida”).0%. Este subproduto do grão de milho consiste basicamente do gérmen. produzido pelas Refinações de Milho Brasil. e a Glutenose 60. No Brasil. 1991). 1984). Possui valor nutritivo inferior ao do milho. substituindo. Extraído o óleo.esse produto está disponível no Brasil com o nome de Refinazil. O teor de NDT é de 83.0% de proteína bruta e 70.a diferença entre o farelo e a farinha é que o primeiro contém 40. na extração do amido.0% de proteína. após separação do gérmen em moinhos de disco. a farinha de glúten tem como desvantagem a baixa qualidade da fração proteica (é deficiente em lisina). embora tenha havido aumento da ingestão de MS e tenha reduzido o teor de gordura do leite.5% são transformados em farinha de glúten (Henrique e Bose.0% de óleo. encontra-se comercialmente a farinha. logo após sua infusão em água e a retirada desta. É constituído pela parte externa do grão de milho. e de Promil. 1995).0 a 6. produzido pela Cargill. 1991). que contém 20. 1995). que recebe o nome comercial de Protenose. Tanto a farinha como o farelo de glúten são boas fontes de proteína não degradável no rúmen (Henrique e Bose. de glúten de milho separado pelo processo da moagem úmida.0% de óleo (Velloso. sobra um resíduo que recebe a denominação de farinha desengordurada de gérmen. Canjica de milho .

mas os dados de Firkins et al. Após a secagem. O domínio da tecnologia de utilização destes coprodutos é fundamental para a sustentabilidade da produção de energia de fontes renováveis.a produção de etanol a partir do grão de milho é a principal estratégia de geração de biocombustível nos Estados Unidos. esse produto tem a umidade reduzida para 55. dando origem ao grão seco de destilaria com solúveis. possuindo aproximadamente 6. contribui para a redução da chance de desenvolvimento de acidose ruminal (Klopfenstein.0% de FDN e 13. Os coprodutos da destilaria representam mais que uma fonte de nitrogênio (25.0% da dieta e. podem ainda ser acrescidos os solúveis. No processo de desidratação. já foram publicados 91 artigos relacionados de alguma forma à utilização de coprodutos do milho oriundos da produção de etanol (Corn Distillers Grains).é o subproduto resultante do processo de água sulfitada. constituído por porções não fermentadas do grão. visando fornecer proteína de fácil degradabilidade para bovinos. composto por água. chamado de grãos úmidos de destilaria (wet distillers grains). A decisão em utilizar 254 .0% de extrato etéreo. são poucas as diferenças na composição bromatológica. a fibra fermentável presente nestes coprodutos. em proporções de até 50. dos quais 35. como aditivo em rações peletizadas de aves. suínos e bovinos (Vieira.0 a 40. por ser mais lentamente degradável que o amido. 30.0%. Coprodutos da produção do etanol a partir do milho . O grande volume de dados publicados recentemente nas principais revistas científicas norte-americanas ilustra o esforço dos pesquisadores em estabelecer a melhor forma de utilização destes.0% consistem de proteínas. 2001). em média. tornando-se uma substância condensada de alto teor proteico. e o segundo.0% de sólidos. também.Liquor . produzindo etanol e dióxido de carbono. digestibilidade da fibra e eficiência na produção de leite de vacas alimentadas com inclusão de 15. Al-Suwaiegh et al. (2002) não encontraram diferenças na produção. No ano de 2007. disponíveis para a alimentação animal. a qual pode ser utilizada na alimentação de bovinos. Os grãos úmidos de destilaria podem ser desidratados e comercializados como grãos secos de destilaria (dry corn distillers grains). 1991). composição do leite.0% de proteína bruta). No processo de produção do etanol. que compreende substâncias que se acumulam na superfície. Comparando-se o coproduto de destilaria úmido com o desidratado. o milho limpo é fermentado. O crescimento da indústria de etanol naquele país vem sendo um estímulo econômico para a agricultura e propicia a geração de enormes quantidades de coprodutos do milho. leveduras. A utilização na alimentação de rebanhos leiteiros vem sendo sugerida como alternativa viável. (1985) indicaram maiores quantidades de proteína não degradável no rúmen para o coproduto desidratado comparado com o coproduto úmido. pequenas partículas e nutrientes solúveis (chamado de solúveis). Dois coprodutos são gerados: um sólido. Os grãos de destilaria apresentam. Tem sido utilizado como suplemento líquido.0% da ingestão de matéria seca de coprodutos desidratados ou úmidos. já que um terço do grão processado para este propósito é transformado em coproduto. até a edição de abril do Journal of Dairy Science.

o que demanda a seleção de genótipos de milho especificamente para a produção de silagem de alta qualidade nutritiva.0 a 35.0% de ácidos graxos. (2006) notaram que a utilização de grãos desidratados de destilaria reduziu a produção de proteína do leite devido ao desbalanceamento de aminoácidos (principalmente lisina). Como os grãos de destilaria apresentam aproximadamente 13. Porém. Um dos problemas da utilização dos coprodutos de destilaria é a falta de padronização na composição nutricional destes. por muito tempo. Pesquisas têm demonstrado aumento no consumo de matéria seca com adição de grãos de destilaria (Powers et al. 255 . 1988). porém a compra do resíduo úmido pode ser mais vantajosa se a distância entre a usina e a fazenda for pequena. (2005) não encontraram efeito da adição de grãos de destilaria até níveis de 15. Assim.0% de FDN e menos de 5.0%.0% de extrato etéreo.0%. A indicação dos níveis de inclusão de grãos de destilaria depende da composição e do preço. Porém. Leonardi et al. Knott et al. os híbridos graníferos podem apresentar características agronômicas indesejáveis para a produção de silagem.0%. 1995). o que não foi observado no trabalho de Leonardi et al. e este é um dos fatores de limitação de inclusão destes em dietas de vacas leiteiras. a utilização do milho na forma de silagem da planta inteira é crescente no mundo todo.8 a 1. mas geralmente esses níveis se encontram entre 15. 1999).0% da ração (base na matéria seca).0 a 12. 8. a pragas e aos estresses climáticos (Michalet-Doreau e Doreau. Cuidados especiais devem ser tomados nos níveis de lisina. e os de fósforo de 0. SILAGEM DE MILHO PARA GADO DE LEITE: CARACTERÍSTICAS QUE INFLUENCIAM O VALOR NUTRITIVO DA SILAGEM Os objetivos do melhoramento do milho (Zea mays L. limitados por critérios agronômicos. Algumas companhias de melhoramento genético do milho testaram seus híbridos graníferos quanto à aptidão para a produção de silagem antes de iniciar a seleção de genótipos específicos para a produção de silagem (Aseltine.. pois a umidade pode inviabilizar o transporte do resíduo úmido por longas distâncias e também dificultar o armazenamento. FDN. fibra efetiva e gordura quando os coprodutos da destilaria são incluídos na dieta de vacas leiteiras.0 e 20. níveis elevados podem interferir na síntese de gordura do leite. os de extrato etéreo de 10.o resíduo desidratado ou úmido deve ser baseada no custo-benefício. comprometendo o valor nutricional da silagem. (2005). resistências a doenças. como a produção de grãos por hectare. como o endurecimento precoce dos grãos e o conteúdo elevado dos constituintes da parede celular. Carvalho et al.) foram. a avaliação da composição bromatológica deve ser rotina para quem pretende utilizar estes coprodutos em dietas de rebanhos leiteiros.0% em dietas de vacas leiteiras e concluíram que este alimento é uma boa fonte de energia quando as dietas têm 28. (2004) demonstraram que os teores de proteína bruta podem variar de 25.

45%. Moreira (2000). (1971) mostraram pequena ou nenhuma vantagem das silagens de alto teor de grãos sobre o desempenho de vacas de leite. No estudo de Phipps e Weller (1979).0%. Hemken et al. A qualidade das silagens de milho é frequentemente associada à proporção de grãos na planta inteira. 1979).0% de grãos na matéria seca) contiveram menos fibra em detergente ácido (FDA). 8. o maior conteúdo de grãos e de amido e o menor de constituintes da parede celular não influenciaram a digestibilidade in vitro da matéria orgânica e a ingestão de matéria seca da silagem de milho (Hemken et al. Costa (2000) encontrou resultados em que as relações espiga:planta inteira de 12 genótipos de milho modernos comercializados no mercado brasileiro variaram de 39. o maior número de folhas acima da linha da espiga.29. Russel et al. trabalhando com genótipos de milho. A relação entre conteúdo de grãos nas silagens e produção de leite é controversa. Em virtude da falta de significância do teor de grãos sobre o desempenho das vacas.0% de grãos na matéria seca). há no mercado mundial alguns genótipos de milho desenvolvidos especificamente para a produção de silagem.7 a 55. na base da matéria seca) não influenciou a digestibilidade in vitro da planta fresca ou ensilada. Hemken et al.Atualmente.0 a 45. A influência do conteúdo de grãos sobre a composição química das silagens foi reportada por Phipps e Weller (1979). na matéria seca. 1979). na matéria seca. Porém. As silagens com alto conteúdo de grãos (50. os conteúdos de grãos na planta inteira variaram de 24. (1971) recomendaram o plantio de variedades de milho com base na produção de matéria seca/ha e não pelo conteúdo de grãos. características bioquímicas e físicas do grão mais adequadas para maximizar o aproveitamento do amido ou apresentar maior teor de óleo no grão. lignina e mais amido que as silagens com baixo conteúdo de grãos (26.1. Em um estudo de caracterização agronômica de vários genótipos de milho para a produção de silagem. Phipps e Weller. por meio da separação e da pesagem dos grãos de uma amostra significativa de plantas de milho antes da ensilagem e b) indireta. Tais recomendações devem ser interpretadas com cuidado porque estes autores trabalharam com vacas de 256 . Conteúdo de grãos e qualidade da silagem O conteúdo de grãos na silagem pode ser estimado por duas formas: a) direta. Estes híbridos podem apresentar como atributos especiais o aumento na digestibilidade da fibra..62%. (1992) mostraram que a diferença na relação espiga:parte vegetativa de genótipos de milho diferentes (0. as vacas produziram mais leite e com menor teor de gordura quando alimentadas com silagem com alto conteúdo de grãos. na matéria seca (Phipps e Weller. 1971. ambos na base da matéria seca.17 a 48. celulose.66 a 1. por meio do estudo da relação espiga:planta inteira. Moreira (2000) observou redução nos teores de FDN e de FDA e um aumento no teor de amido com o aumento da proporção de grãos nas silagens. relatou que os conteúdos de grãos variaram de 45.

1996). Os híbridos de milho que contêm menor concentração de lignina apresentam maior digestibilidade in vitro da matéria seca (Oba e Allen. Tovar-Gómez et al. é citado que fatores como a maturidade da planta de milho (Irlbeck et al. o conteúdo de grãos não é um fator decisivo sobre a qualidade da silagem de milho. porém sem a mutação BM-3) 257 . 2000) podem influenciar mais a qualidade nutricional da silagem que o teor de grãos em si. Portanto. 1993). Portanto. Os melhoristas genéticos de plantas desenvolveram genótipos mutantes de milho com a introdução dos genes BM (Brown Midrib ou genes da nervura marrom) no genoma do milho.. existe um limite prático na redução do teor de lignina e dos componentes da parede celular nos híbridos de milho. (1993) mostraram que a parte vegetativa da planta (planta inteira menos a espiga) representou a metade da matéria seca total da planta.. 1999). 1998). é muito provável que estas vacas tenham encontrado suas exigências de energia para a produção de leite mesmo quando alimentadas com silagens de baixo conteúdo de grãos. 8.. a digestibilidade da parte vegetativa tem uma grande influência sobre a qualidade nutricional da silagem.. Oba e Allen. Dos quatro genes BM testados (BM-1. BM-3 e BM4). 1993). 1999) e maiores degradabilidades da matéria seca e da FDN no rúmen (Bal et al. Contudo. eles devem melhorar o consumo de matéria seca da forragem e o desempenho de vacas de leite. 1996). tem sido o mais usado como modelo para o estudo da lignina sobre a digestibilidade da fibra do milho (Michallet-Doreau e Doreau. 1999). por isto. de forma que características agronômicas como as resistências ao acamamento e às doenças não sejam intensificadas nos genótipos de baixa lignina (Buxton et al. Desta forma. o BM-3 foi o que permitiu a maior diminuição no teor de lignina na planta e. Irlbeck et al. o que explicou a maior digestibilidade in vitro da matéria seca das hastes do híbrido BM-3. A mutação da nervura marrom BM-3 determinou a redução de 50% nos teores de lignina na planta de milho (Cone e Engels. hemicelulose e lignina) e não só de lignina.. (1997) encontraram resultados em que as hastes de híbridos de milho BM-3 apresentaram menores conteúdos de todos os constituintes da parede celular (celulose. a digestibilidade da fibra (Oba e Allen. Digestibilidade da fibra e qualidade da silagem Como discutido previamente. A diminuição nos constituintes da parede celular foi acompanhada do aumento no conteúdo de carboidratos rapidamente fermentáveis. 1999). o tamanho de partícula e o processamento da silagem (Bal et al. a textura do grão (endosperma duro ou farináceo) (Philippeau et al.2. Muitos estudos comprovam as vantagens nutricionais dos híbridos BM-3 em relação aos seus isogênicos (híbridos geneticamente idênticos.. mas reduções menores têm sido reportadas (Keith et al. BM-2. 2000) que os híbridos normais. os híbridos com alta produção de grãos sejam recomendados como os mais adequados para a produção de silagem (Buxton et al.média produção (16kg/dia). em relação aos híbridos normais. Na literatura. embora. 1979. É bem conhecido que esta mutação determina uma sensível diminuição nos teores de lignina na planta.. frequentemente.

(1998) encontraram teores de amido que variaram de 64. (1979) verificaram que o teor de lignina do híbrido BM-3 foi 24.. Philippeau et al. existem variedades que possuem a composição do amido bastante diversificada.1. eficiência alimentar. mas a produção de leite e de leite corrigido para gordura foi maior para o BM-3.0% para os híbridos ceroso. Este comparou desempenho de vacas alimentadas com silagens produzidas por híbridos de milho de endosperma ceroso em relação à silagem produzida por um híbrido comum. outros parâmetros de desempenho avaliados neste estudo. (1998) encontraram resultados em que os teores de amilose variaram com o genótipo. Entretanto. 8. em relação aos genótipos normais (Gallais et al. Moreira. Block et al. 2000).0 e 48. A ingestão de matéria seca por vacas no terço médio da lactação (g/unidade de tamanho metabólico) não foi influenciada pelo genótipo. Philippeau e Michalet-Doreau (1997) encontraram valores entre 61. 258 . 1999. Contudo.para vacas de leite (Keith et al. O melhor desempenho das vacas foi atribuído ao aumento da digestibilidade da parede celular no rúmen para o híbrido BM-3. normal e o de alta amilose. como quantidade de leite corrigida para 3.. respectivamente. Apesar das características nutricionais favoráveis.6% de amido nos grãos de milho de endosperma macio (dent) e entre 58. Um único estudo disponível foi conduzido por Moreira (2000) com vacas leiteiras de alta produção.3. o custo da semente é muito elevado. os genótipos mutantes BM-3 não são utilizados em larga escala para a produção de silagem porque apresentam importantes limitações agronômicas.4% para grãos de milho com o endosperma macio e com o endosperma duro..0 e 68. enquanto o amido dos genótipos de alta amilose (amylose-extender) é formado por quantidades iguais de amilose e amilopectina (Michalet-Doreau e Doreau. respectivamente.6 e 67. 1999). Os híbridos comuns contêm em torno de 25.0% de amilopectina no grão.. Porém. 1979. A composição bioquímica do amido do grão e a qualidade da silagem O teor de amido e a proporção amilose:amilopectina variam entre os diferentes genótipos de milho. A silagem do híbrido ceroso resultou em maior produção de leite em relação à silagem comum.0% de amilose e 75. o genótipo (flint ou dent) não influenciou o teor de amido do grão em outro estudo (Philippeau et al. foram semelhantes entre as silagens. As informações sobre a influência da composição bioquímica do amido do grão sobre o desempenho de vacas de leite são escassas.5% de gordura. 1980).0% menor em relação ao seu isogênico. 1999).3 a 74.9% para os grãos de endosperma duro (flint). Além disto. Phillipeau et al. 1981. Oba e Allen. como a maior susceptibilidade a doenças e ao acamamento e menor produção de matéria seca/ha. obtendo 5. produção de leite corrigida para o teor de sólidos e produção dos constituintes do leite. 27. O amido de genótipos cerosos (waxy) é formado integralmente por amilopectina. Keith et al.

silagem de milho e concentrado nas proporções de 25:25:50. 11. As α. As discrepâncias na extensão e na taxa da degradação se deveram à maior fração do amido rapidamente degradável nos grãos farináceos em relação aos grãos vítreos. Os resultados mostraram que as degradabilidades e as taxas de degradação dos grãos farináceos foram mais altas que as dos grãos duros (71. as α. As dietas foram arranjadas em esquema fatorial 2x2 (dois tipos de silagens: uma comum e outra feita com um híbrido de alto teor de óleo no grão.33% na matéria seca total. 259 . (1998). provavelmente porque o pequeno incremento no teor energético na dieta foi insuficiente para suportar níveis mais elevados de produção de leite e de seus constituintes. Philippeau et al. evidenciando a influência da matriz proteica na redução da degradabilidade do amido do grão no rúmen. o que. a fração rapidamente degradada do amido foi associada positivamente com as α.4. respectivamente). O conteúdo de óleo dos grãos e a qualidade da silagem Apesar de possuírem valores mais elevados de extrato etéreo no grão e na silagem em relação aos genótipos de milho comuns. (1998) compararam a degradabilidade dos grãos de milho de três genótipos vítreos e de três farináceos.8. para as dietas constituídas por milho grão mais silagem comuns e para aquela dieta constituída de milho grão e silagem de alto óleo. O experimento acima demonstrou pequenas diferenças na ingestão de matéria seca e na produção de leite e de seus constituintes para a dieta contendo milho de alto óleo.0%.. 1993). LaCount et al.27 a 3. os genótipos de alto óleo somente determinam ligeiro aumento no teor de extrato etéreo nas dietas totais típicas (Elliott et al. enquanto a fração lentamente degradada do amido o foi com as glutelinas verdadeiras.β.8 e 5.0% do concentrado. A dieta continha silagem pré-secada de alfafa.0 e 58.δ-zeínas. (1995) forneceram quatro dietas experimentais para 45 vacas de leite de alta produção a partir da quarta semana de lactação. em que o milho grão moído correspondeu a 54. 8. dois tipos de grãos no concentrado: um comum e outro de alto teor de óleo).δ-zeínas e as glutelinas verdadeiras. não compromete a degradabilidade da fibra no rúmen.5. As diferenças na extensão e na taxa de degradação do amido dos grãos de diferentes texturas também são relacionadas com a composição e a localização das principais proteínas do milho.8%/h. a despeito do elevado grau de insaturação dos ácidos graxos do milho. possivelmente. A textura dos grãos e a qualidade da silagem A textura do grão apresenta grande influência sobre a degradabilidade do amido no rúmen.δ-zeínas formam os corpos de estocagem de proteína no grão para o embrião.β. O pequeno incremento no extrato etéreo nas dietas também explicou a ausência de efeitos negativos sobre a digestibilidade da FDN.β. respectivamente. na matéria seca. No estudo de Philippeau et al. enquanto as glutelinas formam a matriz proteica que envolve os grânulos de amido. Os teores de extrato etéreo variaram de 2.

(1995). respectivamente). As folhas são caracterizadas pelos teores mais elevados de proteína bruta.5 e 3. mas a produção de leite e dos componentes não foi afetada. 1999).3 e 3.3 e 54. durante 48h de incubação in situ no rúmen. A digestibilidade da matéria seca foi adversamente afetada pelo aumento do teor de óleo. Phipps e Weller (1979) reportaram que a proporção de folhas variou de 11. os teores mais elevados de DIVMS e da FDN da silagem feita com o híbrido folhoso. (1995) mostraram que a taxa e a extensão de degradação das folhas foram superiores às das hastes (5. em que a silagem de milho de alto óleo não melhorou o desempenho de vacas de alta produção (Moreira. (1988). 260 . elas tiveram teores mais elevados de digestibilidade in vitro da matéria seca e da FDN. fibra em detergente neutro (FDN). porém a extensão de degradação das folhas foi muito inferior (69. Verbic et al.41 a 19.9%/h e 69.9%. Em um estudo de caracterização agronômica de vários híbridos de milho. Phipps e Weller (1979) reportaram que as folhas apresentaram teores mais elevados de FDA e teores variados de lignina em relação à planta inteira. A taxa de degradação das folhas foi semelhante à dos grãos (5.Estudos recentes corroboram os resultados obtidos por LaCount et al. em torno de 13. 2000.. a silagem produzida com híbrido folhoso apresentou teores de DIVMS e da FDN de 2. Verbic et al.0% da matéria seca da planta inteira. Kuehn et al.. Neste experimento. Porém. Embora as folhas dos híbridos folhosos tenham apresentado teores semelhantes de proteína bruta. não influenciaram o consumo de matéria seca.. de FDN e de FDA em relação às folhas dos híbridos graníferos. 2000) no estágio de maturidade. Outros autores reportaram menor proporção de folhas para híbridos de milho folhosos.0% da matéria seca da planta inteira (Moreira.3 e 94. 8.0 a 42.0%).3 e 5. No estudo de Atwell et al.29% para os híbridos granífero e folhoso. 1999). respectivamente. 1999). 2000).6.7%) devido aos conteúdos mais elevados de carboidratos estruturais e baixos em amido em comparação com os grãos. A proporção de folhas em relação à planta inteira e à qualidade da silagem Os híbridos de milho folhosos são comercializados no mercado como híbridos específicos para a produção de silagem da planta inteira. entretanto.7%/h).5% superiores em relação à silagem feita com o híbrido granífero (Kuehn et al. indicando que o óleo aumentou efetivamente a densidade energética da dieta. Estes são caracterizados pelo maior número de folhas acima da linha da espiga e pelos teores de umidade mais elevados nos grãos e na planta inteira em relação aos híbridos comuns (Bal et al. as vacas alimentadas com milho de alto óleo recuperaram o escore da condição corporal mais rapidamente que as vacas alimentadas com milho comum. foi verificado que as vacas consumiram em média 12% mais milho de alto óleo (grãos e silagem) que o milho comum. (1995) mostraram que a proporção de folhas na matéria seca da planta inteira variou de 13.. fibra em detergente ácido (FDA) e pelo teor mais baixo de digestibilidade in vitro da matéria seca (DIVMS) em relação à planta inteira do milho (Kuehn et al. Apesar da pequena participação das folhas na matéria seca da planta inteira (13.

261 . cisteína.9%.9 e 28. além do avanço nos parâmetros agronômicos. Neste experimento. (2000) compararam a composição química e as degradabilidades da matéria seca. Benefield et al.6%.8 e 29. Moreira (2000) não encontrou diferenças quanto à ingestão de matéria seca. São materiais com maior percentual de gérmen no grão. com maior conteúdo de óleo (1. além de possuir estes atributos. (2006) compararam estes dois híbridos com um convencional.0% a mais).0 a 2. respectivamente). apresenta maiores quantidades de folhas. 2006). As vacas alimentadas com estes híbridos apresentaram maior consumo e digestibilidade total do extrato etéreo. Bal et al. É emergente o lançamento de híbridos com qualidades nutricionais superiores visando à alimentação animal.8 e 27. 27.4. os demais parâmetros avaliados não foram afetados e sugerem que as diferenças encontradas não foram suficientes para influenciar o desempenho das vacas. respectivamente). de FDA e de amido foram semelhantes entre híbridos (46. O híbrido LeafyNutridense. treonina e triptofano) do que os híbridos convencionais.de matéria orgânica. na média dos dois híbridos) e mais elevadas para o amido do híbrido folhoso em relação ao híbrido granífero (84. produção de leite e de seus constituintes por vacas alimentadas com híbridos folhosos. da FDN e do amido das silagens produzidas por híbridos folhoso e granífero.0 e 45. As extensões de degradação da FDN e da FDA foram semelhantes entre híbridos (57. de alto óleo. metionina. de endosperma ceroso em relação à silagem do híbrido granífero controle. na forma de silagem e grão para vacas leiteiras com produção média de 36kg/dia.1.. eficiência alimentar. A silagem produzida pelo híbrido folhoso apresentou 3. As concentrações de proteína bruta.8%. Os autores sugeriram que a maior degradação do amido do híbrido folhoso foi relacionada à menor dureza do grão deste em relação à do híbrido granífero. fibra em detergente ácido e extrato etéreo do grão e silagem da planta inteira foram maiores para os híbridos Nutridense.4 e 35. fibra em detergente neutro.7 e 75.5 pontos percentuais a menos no teor de matéria seca em relação ao híbrido granífero (32.6%. 27. respectivamente). com o intuito de aumentar a concentração e a digestibilidade dos nutrientes supridos a vacas leiteiras por meio da silagem. para os híbridos folhoso e granífero. proteína (1. a melhoria da qualidade nutricional ou a combinação destes fatores. As concentrações de FDN. quando comparados com o híbrido convencional. consequentemente. as vacas alimentadas com o híbrido mutante BM-3 apresentaram os melhores desempenhos produtivos. de FDN e de FDA e nem a produção de leite ou de seus componentes em relação à silagem feita com o híbrido granífero. Um exemplo recente são os híbridos Nutridense e LeafyNutridense (Benefield et al. O enfoque dos programas de melhoramento tem contemplado.0% a mais) e aminoácidos (lisina.

7% do concentrado) para vacas leiteiras a pasto no final da lactação (22kg/dia de média de produção durante o período experimental). SILAGEM DE MILHO ÚMIDO PARA BOVINOS LEITEIROS A prática da ensilagem de grãos úmidos de milho foi introduzida no Brasil no início da década de 80.1105-1111. (1998) e San Emeterio et al. 1991). em função do ataque de insetos. 1996). v. p.J.C.3 a 3. porém não encontraram diferenças significativas na produção de leite de vacas de leite estabuladas. a silagem de grão úmido foi superior ao milho seco como suplemento para vacas a pasto. principalmente devido ao aumento na digestão do amido..80. A colheita do milho para ensilar proporciona antecipação na retirada da cultura da lavoura com grandes benefícios num esquema de rotação de culturas. (2000) também obtiveram resultados que evidenciaram o maior aproveitamento do amido do milho na forma de silagem de grão úmido quando comparado com o milho seco moído. A maior digestibilidade do amido dos grãos ensilados deve-se à fragilização da matriz proteica dos grânulos de amido (Demarquilly e Andrieu. metabolismo de ruminantes. Essa tecnologia pode contribuir para solucionar problemas de armazenagem de grãos. Utilization of distillers grains from the fermentation of sorghum or corn in diets for finishing beef and lactating dairy cattle. Wu et al. J. R. Knowlton et al. Sci.9. et al.7% do concentrado) e a silagem de grão úmido (74. 2002. 262 . A evolução nos conhecimentos em nutrição animal. (2001) compararam o milho quebrado a seco (74. K.4kg/dia a mais que as alimentadas com milho quebrado a seco. Os autores concluíram que. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Al-SUWAIEGH.7%). S. A produção de leite das vacas alimentadas com a silagem de grão úmido foi de 2. e da estrutura bioquímica e física do milho e coprodutos assim como o progresso genético da cultura do milho vêm permitindo que a utilização desta fonte alimentar seja otimizada na exploração dos rebanhos leiteiros..3 x 3. de microrganismos e de roedores. e a proteína maior (3. CONSIDERAÇÕES FINAIS O milho e coprodutos são fontes alimentares amplamente estudadas e utilizadas para bovinos leiteiros. A gordura do leite foi menor (3. no Paraná (Kramer e Voorsluys. 2001). devido à maior fermentabilidade e digestibilidade do amido. além de reduzir significativamente as perdas no campo (Jobim e Reis. Estudos com silagem de grãos úmidos de milho têm constatado que há aumento na digestibilidade da matéria orgânica. 10. FANNING.Anim. quando normalmente ocorrem perdas qualitativas e quantitativas.. GRANT.2%) para as vacas alimentadas com silagem de grão úmido.

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CAPÍTULO 15 SILAGEM DE GRÃO ÚMIDO DE MILHO NA ALIMENTAÇÃO DE BOVINOS DE LEITE Marcelo Neves Ribas1. tendo. MG. Doutoranda em Zootecnia. a fim de melhor atender os elevados requisitos nutricionais. Caixa Postal 567. Além disso. CEP 30123-970..ufmg.br 5 Médico Veterinário. Isabela Rocha França Machado Veiga4. DSc. Belo Horizonte. Escola de Veterinária da UFMG. pela importação de raças e linhagens mais precoces. o mercado consumidor. 610. Belo Horizonte. principalmente nas regiões onde as terras são mais valorizadas. fernanda@cnpgl. DSc. CEP 30123-970. vem mobilizando os produtores a adotarem medidas de controle de qualidade em todas as fases dos sistemas de criação. além de representarem riscos à saúde animal e humana. Marcelo Resende Sousa5 RESUMO A silagem de grão úmido de milho tem sido utilizada para solucionar os problemas de armazenamento de matérias-primas nas propriedades rurais. uma das tecnologias de maior expansão no setor produtivo devido a sua eficiência Médico Veterinário. Paralelamente ao melhoramento animal. luciocg@vet. MG. assim. Rua Eugênio do Nascimento. Prof.. Belo Horizonte. Caixa Postal 567. Associado Departamento de Tecnologia e Inspeção de Produtos de Origem Animal da Escola de Veterinária da UFMG. MSc. MSc. marceloresende@hotmail. Caixa Postal 567. Juiz de Fora. melhorando tanto o valor nutricional deste alimento quanto o grau de contaminação das dietas dos animais. a pecuária vem sofrendo profundas modificações com o objetivo de atingir índices zootécnicos mais eficientes. a conservação de grãos de cereais na forma úmida tem sido.. consistiu na principal modificação dos sistemas de criação. A utilização de animais mais produtivos. CEP 30123970. A contaminação de alimentos com fungos e a produção de micotoxinas causam perdas econômicas bastante significativas. Belo Horizonte.com 2 Engenheiro Agrônomo. condição de competir com outras atividades produtivas.com. MG. INTRODUÇÃO Devido à globalização do mercado. DSc.br 3 Médica Veterinária. DSc. MG. Associado Departamento de Zootecnia da Escola de Veterinária da UFMG.. exigiu-se um adequado manejo alimentar. Prof. Escola de Veterinária da UFMG. Este capítulo tem como objetivo descrever o processo de confecção de silagem de grão úmido de milho e comparar este alimento com o milho seco moído na alimentação animal. cada vez mais exigente.br 4 Médica Veterinária. CEP 30123-970. Fernanda Samarini Machado3. Neste contexto. belaveiga@yahoo. associada aos programas de seleção. Caixa Postal 567. os2ribas@hotmail.embrapa.com 1 270 . atualmente. CEP 36038-330. Lúcio Carlos Gonçalves2. Embrapa Gado de Leite. MG. Dom Bosco. em Zootecnia.

A ensilagem. A ensilagem de grãos inteiros de milho pode levar a maiores perdas... A colheita na silagem de grãos úmidos é realizada por colheitadeira de grãos e não por ensiladeira como na ensilagem de forragens. 1999). como forma de armazenagem de grãos.5 e 21.. 2001a).5% de umidade. baixo aproveitamento do amido na fermentação ruminal (Philippeau et al. principalmente durante a utilização da silagem. A princípio. em consequência. rápida e eficiente vedação para manutenção do meio anaeróbio. e posterior descarregamento do silo em fatias de 15 centímetros por dia. Goodrich et al. Segundo Paziani et al. Os grãos inteiros determinam menor densidade e. 1. Teores de umidade acima de 40% no momento da colheita favorecem as perdas de matéria seca (MS). 3..1. devem ser tomados os mesmos cuidados que são tomados na ensilagem de forrageiras.. e as perdas normalmente são elevadas. alteram o perfil de fermentação e promovem condições adequadas para o crescimento de microrganismos indesejáveis como fungos (Reis et al. (1999). a moagem dos grãos é um processamento simples e prático. o que pode proporcionar fermentações aeróbias indesejáveis quando uma fatia pequena é retirada a cada dia (Jobim et al. como: agilidade no transporte do campo ao silo. No Brasil. com umidade baixa. 27. com teores de umidade variando de 25 a 30% (Costa et al. ocorrendo variações na proporção da degradação ruminal e 271 . Logo após a colheita. tendo como objetivo aumentar a eficiência na alimentação de suínos (Kramer e Voorsluys. 1999). a fibra do pericarpo em torno dos grãos terá consistência endurecida. é utilizada há vários anos na América do Norte e em alguns países europeus. no Paraná. 2004). Quando seca em excesso. que pode ser aplicado para obtenção de diferentes tamanhos de partículas. a fermentação não é adequada para boa conservação do produto. PROCEDIMENTO DE ENSILAGEM A técnica de ensilagem de grãos úmidos consiste na conservação em meio anaeróbio de sementes ou grãos de cereais logo após a maturação fisiológica. maior porosidade. respectivamente. No entanto. ao redor de 18%.. a silagem de grãos de milho passou a ser empregada também na bovinocultura leiteira e de corte. o que acarreta maiores perdas na passagem dos grãos inteiros pelo trato digestivo.7% para grãos ensilados com 33. (1975) registraram perdas de MS nas silagens de grãos de milho úmido de 5. sua adoção data do início da década de 80. Posteriormente. recomenda-se moer os grãos em moinhos de martelo com peneira de 8mm. 2001). com a divulgação da técnica.tanto qualitativa quanto quantitativa de conservação de matérias-primas empregadas na alimentação animal (Costa et al. Para uso na alimentação.7 e 2. com a cultura do milho.6. 1991). os grãos devem ser quebrados ou laminados e devidamente compactados na área do silo (Tse et al. compactação para retirada de ar. 2002). consequentemente.

. Berndt et al. tanto agronômicas quanto zootécnicas. acelerando a queda do pH e aumentando o período de armazenamento (McDonald et al. Lima et al. mesmo quando triturados ou parcialmente quebrados. não influenciou a composição físico-química das silagens avaliadas. Chitarra et al. os inoculantes reduzem a perda de matéria seca e a concentração de nitrogênio amoniacal. A incorporação dos aditivos. 2002). porcentagem de nitrogênio amoniacal em relação ao nitrogênio total e porcentagem de perda de matéria seca durante o processo de ensilagem. historicamente. (2004) avaliaram o padrão de fermentação de silagens de grãos úmidos de milho e sorgo.digestão intestinal. Entretanto. bem como a combinação destes. da utilização da silagem de grãos úmidos de milho em substituição ao milho seco na alimentação animal (Biagi et al. principalmente devido ao aumento na digestão do amido.. a densidade do material ensilado é de 800 a 1000kg/m3. 1999. No processo de conservação na forma de silagem. Os grãos de milho. o qual é muito resistente à degradação microbiana e digestão enzimática no intestino delgado. os aditivos têm como principais propósitos influenciar o curso da fermentação e alterar a composição do material ensilado. 2. Em condições inadequadas de ensilagem. (2003) citaram que. Em um bom processo de compactação.. Nas condições estudadas. há produção de efluentes e perda de matéria seca por volatilização.98%.. Segundo os autores. 2006.0053% e 0. respectivamente. 1991). Os valores médios observados pelos autores para a silagem de grão úmido de milho sem aditivo foram 3.98. A mesma tendência foi observada por Domingues et al. VANTAGENS DO USO DE SILAGEM DE GRÃOS ÚMIDOS Diversos trabalhos têm destacado as vantagens.. para as análises de pH. Os estudos com silagem de grãos úmidos de milho têm constatado que há um aumento na digestibilidade da matéria orgânica. os aditivos são usados para melhorar o padrão fermentativo de silagens produzidas sob condições inadequadas. são protegidos pelo pericarpo. 1991). Jobim e Reis (2001). em sua revisão. (2006). o material deve ser compactado e rapidamente vedado para que o processo de fermentação realizado pelas bactérias homofermentativas seja adequado e promova a redução do pH e a manutenção da composição química do material ensilado (McDonald et al. promovendo melhor valor nutritivo. principal componente do grão (Costa et al. Ítavo et al. 0. Segundo Van Soest (1994). apresentaram algumas desvantagens da ensilagem de grãos de cereais. a adição dos inoculantes promove uma elevação no número inicial de bactérias homofermentativas produtoras de ácido lático.. Após a quebra dos grãos.. 2002). uma vez que 272 . a inoculação não trouxe efeito positivo sobre a qualidade das silagens. Domingues et al. porém a avaliação econômica deve ser levada em consideração antes da adoção da técnica. 1996. que avaliaram a utilização de aditivos microbiano e enzimático sobre o perfil de fermentação de silagens de grãos úmidos de milho.

a área estaria livre para o plantio de outras culturas ou a realização de safrinha de milho. o que otimiza a utilização da terra (Reis et al. a grande maioria das propriedades rurais não apresenta locais adequados para a armazenagem de insumos utilizados na alimentação animal. em consequência. evitar a contaminação de rações com micotoxinas. já que o grão é colhido com 35 a 40% de umidade. Após esta colheita antecipada. em condições de manejo adequado. 2. praticamente não existe uma avaliação precisa das perdas econômicas associadas à redução na produção animal (Jobim et al. 273 . comprometimento do sistema imunológico. 2001b).. a colheita antecipada do milho para a ensilagem contribui para a melhoria do valor nutricional por favorecer a susceptibilidade do amido ao ataque enzimático no rúmen. é altamente sensível à deterioração aeróbia e necessita de mistura diária dos ingredientes na dieta. Essas toxinas. De acordo com Phillippeau et al. 2001a). Segundo Penz Jr. roedores e aves. produtos do metabolismo secundário de fungos toxigênicos. com grande desperdício de grãos. (1997) realçaram que a colheita do milho para ensilar proporciona antecipação na retirada da cultura da lavoura com grandes benefícios em um esquema de rotação de culturas. além de diminuir a presença de fungos proporcionada por condições climáticas adversas. Ponto de colheita Com a armazenagem de grãos de milho na forma de silagem. 2001). com redução no desempenho. (1992). Jobim et al. a colheita é antecipada em três a quatro semanas. A ensilagem apresenta vantagens agroeconômicas em relação ao grão de milho seco. além de reduzir significativamente as perdas no campo. danos no fígado e aborto. São bastante conhecidos os problemas referentes às perdas devido ao ataque de insetos..2. podem causar perdas irreversíveis aos animais.1. hemorragia. devido à armazenagem inadequada (Reis et al. A armazenagem dos grãos na forma de silagem. (1999). como redução significativa das perdas nos períodos pré-colheita por acamamento de plantas e pelo ataque de insetos. roedores e fungos. Armazenagem No Brasil.o material ensilado não possui flexibilidade de comercialização. A maior degradabilidade desse nutriente pode ser justificada pela formação incompleta da matriz proteica no endosperma que envolve os grânulos de amido. 2. Apesar dos diversos trabalhos apontando os elevados prejuízos em termos de perdas qualitativas e quantitativas das matérias-primas por ataque de pragas no armazenamento. pode eliminar ou reduzir drasticamente o desenvolvimento de fungos e.. o principal problema da utilização do milho na alimentação animal são as toxinas produzidas por diferentes espécies de fungos que se desenvolvem nestes grãos durante a armazenagem.

3. não houve alteração no valor nutricional das silagens avaliadas. o processamento do grão de milho seco envolve custos adicionais com transporte. ocratoxina A e citrinina.. meio e fim). 32 (16. e estes são os mais sensíveis a seus efeitos (Pereira et al. Blanck et al.9%) amostras foram positivas. Além da segurança microbiológica. Segundo os autores. Sassahara et al. assim como de aflatoxinas. o alimento mais utilizado na formulação de dieta para animais. 2005).6%) foram positivas. As amostras foram coletadas de diferentes silos e de vários pontos do silo (começo. Foi encontrada maior contaminação por aflatoxinas em alimentos concentrados. correspondendo a aproximadamente 70% do volume de concentrados. bem como de suas micotoxinas nas silagens de grãos úmidos de milho utilizadas na fazenda experimental da Universidade Estadual de Maringá. a ensilagem de grãos de milho é tida como um sistema de armazenamento simples e econômico por não exigir silos especiais. Custo final do insumo O milho é.A aflatoxina M1 (AFM1) tem sido detectada em leite de animais alimentados com ração contaminada por aflatoxina B1 (AFB1). ausência de 274 . (2003) avaliaram a presença das micotoxinas aflatoxina e zearalenona em alimentos fornecidos a bovinos de exploração leiteira na região norte do estado do Paraná. o que pode tornar os sistemas de produção inviáveis (Silva et al. secagem e armazenamento. Das 272 amostras analisadas para aflatoxinas. não foi detectada a presença de “Fusarium” nem de zearalenona. (2004) avaliaram a presença de zearalenona e fungos do gênero “Fusarium”. indicando a qualidade sanitária do milho para alimentação animal quando armazenado com silagem de grão úmido. Os resultados apresentados neste trabalho mostram que devem ser criadas formas eficientes de controle da contaminação dos alimentos para serem utilizadas na alimentação animal desde o campo até a armazenagem. com várias vantagens em relação ao milho seco.. (1991) avaliaram a composição química e a qualidade de silagens de grãos úmidos de milho por períodos de armazenamento variando entre 56 e 365 dias. Das 189 amostras analisadas para zearalenona. sendo 20 (7. nas condições utilizadas. O uso do milho na forma de silagem de grãos úmidos em rações para suínos tem sido uma alternativa para a produção de rações. pois sua toxidez é preocupante quando os indivíduos mais jovens estão entre os maiores consumidores de leite. como: ausência de taxas e impostos sobre o produto. Mader et al. 2.3%) acima do limite de 20mg/Kg determinado pela ANVISA. enquanto por zearalenona ocorreu em alimentos volumosos. e a manutenção do valor nutritivo do alimento é por um período de tempo maior (Reis et al.. No entanto. e todas estavam acima do limite de 200mg/Kg recomendado pelos veterinários da região norte do Paraná. 37 (13. 2005). De acordo com os autores. o que demonstra a eficiência de preservação no processo de ensilagem. possuindo efeitos tóxicos e carcinogênicos muito próximos. Constitui um problema de saúde pública. 2001a). por suas características nutricionais e disponibilidade comercial.

resultando em maior solubilização dos nutrientes e em aumento da suscetibilidade do amido à hidrólise enzimática. é o maior teor de umidade do grão que favorece a fermentação no interior do silo. 2002).. afeta a eficiência de utilização metabólica por ruminantes. como é o caso dos grãos úmidos de milho. Disponibilidade de amido Os grãos de cereais são a principal fonte de energia das dietas de ruminantes. além da ruptura da matriz protéica. bem como na estrutura desses grânulos. 1998). 2005). 1997). a secagem continua sendo uma operação crítica nas etapas de pré-processamento de grãos que. observaram. 1999). Silva et al. sofre expansão irreversível até que a água represente aproximadamente 50% do peso total. a taxa e a extensão da fermentação ruminal variam significativamente de acordo com a fonte e o processamento do cereal. em muitos casos. avaliando silagens de grãos úmidos de milho na alimentação de suínos nas fases de crescimento e terminação..perdas econômicas com transporte. máquinas e equipamentos sofisticados.4. o local de digestão do amido tem implicações nos produtos finais da digestão. (2006). favorecendo a digestão e absorção do amido (Silva et al. Entretanto. e. portanto. a silagem de grãos úmidos de milho é até 11% mais econômica em relação aos grãos secos. podendo aumentar a susceptibilidade ao ataque enzimático durante a digestão (Lopes et al. chega a consumir cerca de 60% do total de energia utilizada na produção. Segundo Phillippeau et al. em média. por eliminar as etapas de limpeza e secagem do pré-processamento de grãos (Costa et al. Os ácidos orgânicos produzidos durante o processo fermentativo podem causar rupturas na matriz proteica que recobre os grânulos de amido. apesar da disponibilidade de sistemas. sendo o milho e o sorgo os mais utilizados no Brasil. (1999) também ressaltaram que o amido em contato com água. Além disso. desconto sobre a umidade e menor custo de armazenamento (Keplin. 1997). uma superioridade de 58kcal EM/kg para as silagens de grãos úmidos em comparação ao milho seco. No caso da conservação dos grãos de cereais para a alimentação animal. A maior disponibilidade nutricional da silagem em relação aos grãos secos pode ser explicada principalmente pelo seu menor valor de pH. esses grãos apresentam maior resistência ao ataque microbiano (Owens et al. causando melhora na eficiência alimentar dos animais (Simas. frete. Outro fator importante.. 2. como ácidos graxos voláteis no rúmen e glicose no intestino delgado. Costa et al. Este processo é denominado gelatinização do amido. por conterem uma matriz proteica bastante complexa ao redor do grânulo de amido. O melhor valor nutricional de dietas contendo silagem se deve às alterações físicas e químicas que ocorrem no endosperma e na superfície dos grânulos de amido durante o processo fermentativo. com consequente solubilização da matriz proteica. 275 .. (1999). De acordo com Silva (1997).

(1997) Seco Silagem Silagem Silagem Matéria seca (%) 87. por sua vez. 1997). Para alimentos conservados. 276 .5 3. devido à maior fermentação do amido. estão apresentadas as composições químicas de silagens de grãos úmidos em comparação ao milho seco. entre outros fatores (Jobim et al.. 2001).Entre os fatores que afetam o crescimento e a eficiência das bactérias ruminais. o consumo de MS é resultado de interações complexas que envolvem as características da planta antes do processo de ensilagem. o aumento da produção microbiana contribui muito para a qualidade da proteína que chega ao duodeno. como o pH e a taxa de passagem.7 67. Tabela 1.9 3. 1994). 2006).0 63. O uso de grãos úmidos ensilados garante grande quantidade de energia prontamente disponível. Reis et al. 3. que.2 2. das alterações no valor nutritivo durante o fornecimento aos animais e do processamento físico do alimento conservado (Reis et al.7 80. pois o perfil de aminoácidos essenciais das bactérias.1 15. sistema de alimentação.9 Proteína bruta (%) 10. qualidade e proporção do volumoso na dieta total.0 Amido (%) 88. dos fatores inerentes ao processo de conservação.7 10.3 EB (kcal/kg) 4640 4330 4474 4203 A ingestão e a digestibilidade da matéria seca (MS) são os principais fatores que afetam a performance animal.8 FDN (%) 13.6 70.2 7. contudo outros fatores contribuem para a fermentação ruminal. VALOR NUTRICIONAL A composição química da silagem de grãos úmidos de milho pode variar em função do teor de umidade no momento da ensilagem e da proporção de sabugo presente.5 Extrato etéreo (%) 3. tamanho de partícula. a energia e a proteína são os principais. já que são o ponto inicial para o ingresso de nutrientes.9 66.7 10. Na Tabela 1. tipo e processamento dos carboidratos dos alimentos (Van Soest. é preponderante para a máxima produção de leite e crescimento do animal. (2002) Jobim et al. (2002). principalmente de energia e proteína. De acordo com Passini et al. Composição química do milho na forma seca e silagem de grãos úmidos (Base matéria seca).7 4. (2001b) Santos et al. são determinados pelo nível de consumo.2 14. necessários para o atendimento das exigências de mantença e produção. o que acarreta aumento no fluxo de proteína microbiana para o duodeno (Jobim e Reis. principalmente lisina e metionina.1 FDA (%) 2.2 7..

em função do ataque de insetos. em fontes de amido de alta degradabilidade ruminal.33kg. mas há maior eficiência na conversão. Em estudos de desempenho de novilhos superprecoces alimentados com silagem de grãos úmidos de milho. Simas (1997) destaca que o aumento da produção e do ganho de peso em virtude do aumento da utilização de amido. sobre o desempenho e as características da carcaça de bovinos em terminação. Isso pode ser atribuído aos ácidos orgânicos que são produzidos durante o processo fermentativo no silo (Reis et al. para as dietas contendo silagem de grãos úmidos e milho seco.55% para os animais que receberam feno. Os valores médios para a eficiência alimentar obtidos com as dietas com a silagem de milho úmido e com milho seco foram de 0. em relação aos grãos de milho secos. o milho úmido não diferiu significativamente do milho seco quanto ao consumo de MS e ao ganho de peso corporal dos animais. apresentaram melhor desempenho em relação ao ganho de peso e conversão alimentar.. Esta melhoria na conversão alimentar proporcionou uma redução no custo de produção da arroba em 32. UTILIZAÇÃO NA ALIMENTAÇÃO ANIMAL Em razão de a dieta de vacas leiteiras de alta produção e de animais em confinamento ser constituída por 25 a 35% de amido. A tecnologia de ensilagem de grão de milho pode contribuir para solucionar os graves problemas de armazenagem de grãos nas fazendas. (2007) compararam os efeitos do fornecimento de silagem de grãos de milho úmidos em substituição ao milho seco. Henrique et al. roedores e fungos. fica evidente que a melhora na eficiência de utilização do amido representa real importância na produção de leite. respectivamente. ou seja.1681kg de ganho de peso corporal por quilograma de MS ingerida. De acordo com os autores. sendo que as características das carcaças dos animais não foram alteradas. CONSIDERAÇÕES FINAIS Tem-se constatado que a ensilagem de grãos úmidos é viável como forma de armazenagem de grãos a baixo custo para utilização na alimentação animal.43 e 6. mas foi significativamente superior quanto à eficiência alimentar. (1997) observaram aspectos relevantes do ponto de vista nutricional e econômico do emprego da silagem de grãos em substituição ao milho seco. comparados ao milho grão seco.88% para os animais que receberam silagem de milho como volumoso e 23.1844 e 0. associados à silagem de milho ou ao bagaço in natura de cana-de-açúcar. 277 . 5. Normalmente observa-se redução na ingestão de matéria seca por bovinos alimentados com silagem de grãos de milho úmidos.4. Costa et al. é provavelmente devido ao aumento da energia absorvida (AGV) e mais proteína microbiana disponível para absorção. onde normalmente ocorrem grandes perdas qualitativas e quantitativas.7% com a utilização da silagem de grãos de milho úmido. Os resultados obtidos revelaram que os animais alimentados com silagem de grãos úmidos. melhora de 9. 2001b). A conversão alimentar observada foi de 5.

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CAPÍTULO 16 GRÃO DE SORGO NA ALIMENTAÇÃO DE GADO DE LEITE
Wilson Gonçalves de Faria Jr.1, Lúcio Carlos Gonçalves 2, Alex de Matos Teixeira 3, Wellyngton Tadeu Vilela Carvalho 4

RESUMO A crescente disponibilidade de grãos de sorgo no mercado nacional está associada ao menor risco da cultura para plantio de safrinha ou em regiões de menor pluviosidade. Além disso, o menor custo e a semelhança ao valor nutritivo do milho tornam o sorgo uma opção de fonte energética para o balanceamento de dietas de vacas de leite. Nesse capítulo, serão discutidos alguns aspectos relevantes da utilização do sorgo grão nas dietas de vacas de leite, assim como a importância do processamento do grão, o valor nutritivo, o metabolismo ruminal e o desempenho produtivo de vacas leiteiras.

INTRODUÇÃO O sorgo [Sorghum bicolor (L.) Moench] é o quinto cereal em importância no mundo. Mais significante que esta posição é a grande variação de distribuição desta cultura no mundo, destacando-se as regiões semiáridas dos trópicos e subtrópicos. A produção brasileira na safra 2008 foi estimada em 1,96 milhões de toneladas, o que representa 3,3% da produção de milho (59,8 milhões de toneladas). A baixa produção está associada ao sistema de produção, que, na maioria das vezes, é feito como cultura de sucessão (safrinha), resultando em menor área plantada (811 mil x 14 milhões de hectares) e menor produtividade (2,4 x 4,0 t/ha) em comparação ao milho. O menor valor e a oportunidade de comércio, associados à maior resistência ao estresse hídrico, justificam o cultivo de safrinha. O Brasil encontra-se entre os 15 maiores produtores de sorgo do mundo. Os Estados Unidos da América lideram o ranking com uma produção de 12 milhões de toneladas e uma produtividade de 4,0t/ha,o que condiz com o manejo de cultura principal. Na América do Sul, a Argentina lidera a produção e as exportações de sorgo, sendo o México o principal importador mundial do grão, onde o sorgo é usado na alimentação humana e animal.

Médico Veterinário, MSc. Doutorando em Nutrição Animal, Escola de Veterinária da UFMG, Caixa Postal 567, CEP 30123-970, Belo Horizonte, MG. Bolsista CNPq. wilsonvet2002@gmail.com 2 Engenheiro Agrônomo, DSc., Prof. Associado Departamento de Zootecnia da Escola de Veterinária da UFMG, Caixa Postal 567, CEP 30123-970, Belo Horizonte, MG. luciocg@vet.ufmg.br 3 Médico Veterinário, MSc. Doutorando em Zootecnia, Escola de Veterinária da UFMG, Caixa Postal 567, CEP 30123-970, Belo Horizonte, MG. alexmteixeira@yahoo.com.br 4 Médico Veterinário, MSc, Professor do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Sudeste de Minas Gerais – Campus Barbacena. wellyngton.vilela@ifsudestemg.edu.br

1

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O sorgo é originário das regiões semiáridas tropicais da África e da Ásia e apresenta maior tolerância à seca que outras gramíneas produtoras de grãos, como milho, aveia, trigo e cevada. Além dessa importante característica, os trabalhos de seleção e de melhoramento genético do sorgo no Brasil, conduzidos principalmente pela Embrapa Milho e Sorgo, têm produzido materiais de alta produtividade de grãos, adaptados a várias condições de solo e clima e resistentes à maioria das pragas e doenças que acometiam essa planta no passado. Por isso, o cultivo do sorgo tem crescido expressivamente no Brasil como alternativa agronômica e econômica ao milho. Nos países em desenvolvimento, é uma das principais fontes de amido para a alimentação humana, porém, nos países industrializados, é utilizado principalmente na alimentação animal. Os grãos de sorgo têm sido utilizados com sucesso na alimentação de ruminantes em substituição principalmente ao milho, seja na forma de grãos úmidos ou secos, devido ao menor custo, ao valor nutritivo semelhante ao milho e ao aumento significativo da disponibilidade do grão no mercado interno nos últimos anos (Companhia Nacional de Abastecimento – CONAB, 2009). O grão do sorgo é composto por pericarpo, endosperma e gérmen. A composição química do grão de sorgo é considerada próxima à do milho. No entanto, o sorgo é uma planta única entre os cereais graníferos por ser capaz de produzir quantidades significativas de polifenóis, que protegem os grãos dos ataques de fungos, insetos e pássaros e ainda reduzem os riscos de germinação dos grãos na panícula (Silanikove et al., 1996). Entretanto, as vantagens agronômicas da presença dos taninos, principalmente dos taninos condensados, são acompanhadas de desvantagens nutricionais, como o comprometimento do valor proteico das dietas para animais (Duodu et al., 2003). O constante crescimento da utilização do sorgo na alimentação animal no país reforça a necessidade de mais estudos para que esse cereal possa ser utilizado com mais eficiência e mais lucratividade. No entanto, pouco se conhece sobre a variabilidade da composição bromatológica dos sorgos brasileiros. Os poucos dados a esse respeito acessíveis aos nutricionistas e pecuaristas, que subsidiam as formulações de dietas de mínimo custo para ruminantes, são encontrados em tabelas de composição de alimentos para ruminantes (Valadares Filho et al., 2006), produzidas e editadas na Universidade Federal de Viçosa. No Brasil, o sorgo é cultivado basicamente sob três sistemas de produção: no Rio Grande do Sul, planta-se o sorgo na primavera e colhe-se no outono; no Brasil central, a semeadura é feita em sucessão às culturas de verão, principalmente a soja; já no Nordeste, a cultura é plantada durante a estação chuvosa. Mais recentemente, tem sido observado o plantio de sorgo sob irrigação suplementar, tanto no Nordeste como no Centro-Oeste. Todo o sorgo produzido no Brasil é consumido na alimentação animal, sendo que a bovinocultura é a terceira em importância na demanda pelo grão de sorgo, superada pela suinocultura, e esta pela avicultura (Duarte, 2003; Ribas, 2003).

283

1. ESTRUTURA E PROPRIEDADES FÍSICAS DO GRÃO O grão de sorgo é denominado cariopse, no qual a parede do ovário seca e se adere firmemente ao óvulo maduro, ou seja, o pericarpo fica completamente fundido ao endosperma (Rooney e Miller, 1982). O grão é dividido em três principais componentes: o pericarpo, o endosperma e o gérmen, como pode ser visto na Figura 1. As proporções desses componentes variam entre genótipos, mas, em média, o pericarpo representa 6,0%, o endosperma 84,0% e o gérmen 10,0% do peso do grão (Rooney e Serna-Saldivar, 1991).

Figura 1. Estrutura esquemática de um grão de sorgo, evidenciando as principais estruturas.
Fonte: Chandrashekar e Mazhar (1999).

O pericarpo é o revestimento externo e fibroso que confere proteção ao grão (Evers e Millar, 2002), sendo composto por epicarpo, mesocarpo, endocarpo e testa. Esta última estrutura apresenta grande importância no valor nutritivo dos grãos de sorgo para ruminantes. Isso porque é o principal local de armazenamento dos pigmentos polifenólicos nos grãos de sorgo ricos em taninos. Os taninos condensados são responsáveis pela redução do valor nutritivo da dieta. O componente mais importante dos grãos de sorgo é o endosperma, que é o principal tecido de estocagem do grão (Sullins e Rooney, 1975). O endosperma é composto pela aleurona e pelo endosperma amiláceo. A aleurona é uma camada fina localizada imediatamente abaixo da testa e é rica em proteínas, lipídios, cinzas, vitaminas e

284

enzimas (Rooney e Miller, 1982; Evers e Millar, 2002). O endosperma amiláceo é composto por amido, proteínas de estocagem e, em menor proporção, por enzimas, vitaminas e minerais (Rooney et al., 1980). O endosperma amiláceo é dividido entre os endospermas córneo e farináceo. O primeiro está localizado perifericamente, e o segundo centralmente no endosperma do grão de sorgo (Hoseney et al., 1974). O endosperma córneo é composto por grânulos de amido poligonais e densos, incrustados por corpos proteicos e por matriz proteica contínua, espessa e de difícil digestão enzimática, o que confere grande dureza a essa região do grão (Sullins e Rooney, 1975; Rooney e Miller, 1982; Shull et al., 1990). Isso torna o amido menos digestível devido à barreira física que a matriz proteica e os corpos proteicos formam sobre ele (Sullins e Rooney, 1975). Portanto, os grânulos de amido devem ser expostos por processamentos químicos ou físicos para que sejam digeridos eficientemente pelas enzimas (Rooney e Miller, 1982). Já o endosperma farináceo é composto por grânulos de amido esféricos, maiores e menos densos que os encontrados no endosperma córneo. Além disto, a matriz proteica é descontínua, o que faz com que essa região do grão apresente textura macia (Shull et al., 1990). Por estas características, o amido do endosperma farináceo é mais susceptível ao ataque enzimático que o amido contido na região vítrea (Sullins e Rooney, 1975), por se encontrar mais disponível. Dessa forma, quanto maior a proporção de endosperma farináceo em relação ao córneo, mais macio é o grão e, consequentemente, maior será a sua digestibilidade. O gérmen é rico em lipídios poli-insaturados, proteínas de estocagem, enzimas e minerais e constitui uma pequena reserva nutritiva para o embrião (Rooney e SernaSaldivar, 1991).

2. TEXTURA DOS GRÃOS O conceito de textura mais aceito se refere à proporção do endosperma vítreo (duro) em relação ao endosperma farináceo (macio) do grão, conhecido por vitreosidade (vitreousness) (Cagampang e Kirleis, 1984). Segundo Maxson et al. (1971), a escala de vitreosidade dos grãos de sorgo varia de 1 a 5, em que o valor 1 é atribuído ao grão muito duro (com endosperma completamente vítreo) e o valor 5 é atribuído ao grão muito macio, passando pelas escalas intermediárias de textura 2, 3 e 4, para os grãos de textura meio dura, textura intermediária e textura meio macia, respectivamente. O grau de vitreosidade varia entre os genótipos e é uma característica associada à genética do grão, como pode ser observado na Tabela 1. A composição e a distribuição das frações proteicas nos grãos estão envolvidas diretamente na textura do endosperma. Vários autores (Rooney e Miller, 1982; Cagampang e Kirleis, 1984; Kumari e Chandrashekar, 1994; Chandrashekar e Mazhar,

285

1999) sugerem que a γ-prolamina é a fração que parece determinar a textura do endosperma dos grãos de sorgo, por encontrar-se em concentrações duas a quatro vezes maiores nos grãos vítreos em relação aos farináceos. Segundo esses autores, a γ-prolamina apresenta elevada capacidade de formação de pontes dissulfito entre moléculas, contribuindo para a rigidez do endosperma vítreo. Antunes (2005) evidencia a forte influência da textura sobre as características de moagem e sobre o valor nutritivo dos grãos de sorgo, pois quanto mais duros os grãos, menores as degradabilidades da matéria seca, da proteína bruta e do amido. A textura do grão, sem dúvida, será um fator determinante sobre o desempenho dos animais alimentados com sorgo e é uma característica controlada pela genética do sorgo. Os grãos de textura macia apresentaram produções acumulativas de gases superiores à dos genótipos de textura média ou dura nos tempos de 15 e 24h. As diferenças nas produções acumulativas de gases entre grãos de sorgo com diferentes texturas do endosperma nos tempos de 15 e 24 horas demonstraram a importância nutricional que a textura do endosperma possui como fator determinante da disponibilidade de nutrientes para os microrganismos ruminais. Esses são tempos considerados como limites de permanência de grãos no rúmen de animais em fase de lactação (taxa de passagem de 6,5% a 8,0%/h). Portanto, o menor tempo de colonização, a maior taxa de fermentação e a maior produção de gases nesse período para os grãos de textura macia poderiam ser extrapolados para a maior disponibilidade de energia fermentável no rúmen que, conciliada com uma adequada sincronização com fontes de proteína degradável no rúmen (Nocek e Russel, 1988), poderia resultar em aumento da produção de proteína microbiana, de ácidos graxos voláteis e de produção de leite em relação aos grãos de textura dura. Para que o amido da região vítrea dos grãos de sorgo torne-se disponível para a digestão, é necessária a degradação preliminar da parede celular e do arcabouço proteico que recobrem os grânulos de amido. A resistência à digestão microbiana das matrizes proteicas ajuda a explicar por que mais de 30,0% do amido do milho e do sorgo podem escapar da fermentação ruminal em animais de alto consumo e elevada taxa de passagem, enquanto menos de 10,0% do amido do trigo e da cevada chegam ao intestino delgado (Orskov, 1986). A taxa de degradação ruminal parece ser um bom parâmetro para indicar as diferenças de textura do endosperma dos grãos de sorgo. A textura do endosperma influencia negativamente na taxa de degradação da matéria seca e na degradabilidade efetiva da matéria seca dos grãos de sorgo dentro do rúmen. Os grãos de textura macia apresentaram taxas de degradação até 54,0% superiores aos grãos de textura dura (Antunes, 2005).

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3. COMPOSIÇÃO BROMATOLÓGICA A composição química do grão de sorgo é variável, dependendo do genótipo do solo e das condições climáticas (Gualtieri e Rapaccini, 1990; Antunes et al., 2007), mas é pouco alterada com o processamento e mostra-se próxima à composição química do milho, conforme pode ser observado nas Tabelas 1 e 2.

Tabela 1. Composição bromatológica, teor de fenóis totais e escore de vitreosidade de 33 genótipos de sorgo.
Genótipos Origem %MS %PB %amido %EE % cinzas FT
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Vitreosidade

MS - Matéria Seca; PB - Proteína Bruta; EE - Extrato Etéreo; FT - Fenóis Totais; BAG - Banco Ativo de Germoplasmas 1 da Embrapa Milho e Sorgo; CNPMS - Embrapa Milho e Sorgo; ND - não determinado. Valores expressos em equivalentes-catequinas.

Quando comparado ao milho, o sorgo apresenta menores teores de extrato etéreo e teores de proteína ligeiramente superiores, sendo as proteínas distribuídas no endosperma (80,0%), gérmen (16,0%) e pericarpo (3,0%). A maioria da fração fibrosa se encontra nas células do pericarpo e endosperma, apresentando pequenas quantidades de lignina.

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O processamento do grão, como moagem, laminação ou floculação, não altera significativamente a composição do sorgo, exceto quanto à disponibilidade de energia. O sorgo floculado apresenta maior teor de energia líquida que o laminado, e este superior ao do grão moído. As alterações físico-químicas que ocorrem no amido aumentam sua disponibilidade e digestibilidade total, resultando em maior energia líquida para produção. Segundo o National Research Council - NRC (2001), o valor de nutrientes digestíveis totais (NDT) do grão de sorgo laminado a seco aumenta de 80,6% para 89,4% quando ele é submetido à floculação a vapor. O principal componente do grão de sorgo é o amido (62,91%), composto por cerca de 70,0 a 80,0% de amilopectina e de 20,0% a 30,0% de amilose. Esses dois polímeros diferenciam-se entre si quanto ao tipo de estrutura química, ao tamanho da molécula e pelas propriedades químicas. Os grânulos íntegros de amido apresentam baixa capacidade de absorção de água por serem estabilizados por grande quantidade de pontes de hidrogênio tanto inter quanto entre moléculas de amilose e amilopectina. Além disso, a matriz proteica apresenta-se pouco permeável à água e à atividade enzimática, prejudicando a digestibilidade do amido (Kazama et al., 2002).

Tabela 2. Composição química do grão de sorgo submetido a diferentes tratamentos comparado com o milho. Sorgo Milho grão Nutriente com tanino sem tanino extrusado úmido seco úmido MS 86,17 86,73 89,23 65,41 90,00 67,83 PB 15,00 13,00 11,00 9,00 9,00 8,60 FDN1 13,16 13,16 10,90 24,22 11,61 8,10 FDA2 6,42 6,42 5,90 5,13 4,13 4,20 Lignina 1,34 1,34 1,10 1,10 EE 2,98 2,88 1,45 3,45 4,01 3,98 NDT3 78,43 78,43 89,40 77,67 85,65 78,54 Ca 0,07 0,03 0,07 0,02 0,03 0,03 P 0,28 0,14 0,35 0,20 0,25 0,23 Amido 62,91 62,91 60,57 44,10 66,25 43,72 DPB4 32,80 67,10 34,05 73,55 70,73 53,29
1

FDN - Fibra em Detergente Neutro; 2FDA - Fibra em Detergente Ácido; 3NDT - Nutrientes Digestíveis Totais; 4DPB - Digestibilidade da Proteína Bruta.

Fonte: NRC (2001); Valadares Filho et al. (2006).

As maiores diferenças entre o grão de milho e de sorgo residem na proporção e distribuição das proteínas do endosperma ao redor do amido (Rooney e Pflugfelder, 1986). O endosperma dos grãos de sorgo contém quatro tipos diferentes de proteínas. As albuminas e as globulinas estão localizadas no gérmen e na aleurona, já as glutelinas e as prolaminas no endosperma (Wall, 1964). As glutelinas e as prolaminas são proteínas estruturais que constituem a matriz proteica e os corpos proteicos. Elas formam o arcabouço proteico-estrutural do grão

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(Seckinger e Wolf, 1973; Adams et al., 1976), que possui importantes implicações na textura do endosperma (Chandrashekar e Mazhart, 1999).

4. PERFIL DE AMINOÁCIDOS Os dados presentes na literatura sobre o perfil aminoacídico do sorgo com ou sem tanino e segundo o tipo de processamento (moído, laminado, floculado ou extrusado) são muito escassos. Os poucos dados presentes indicam semelhança entre o perfil aminoacídico do sorgo com ou sem tanino e semelhantes ao milho (Tabela 3). Não foi encontrada referência quanto ao efeito do processamento no perfil de aminoácidos do sorgo. Contudo, tratamentos que envolvam calor podem resultar em menor disponibilidade de alguns aminoácidos para degradação ruminal e até mesmo para absorção intestinal. Tabela 3. Comparação entre o perfil de aminoácidos da caseína, milho e sorgo. % na base natural Caseína Milho Sorgo PB 84,21 8,26 8,94 Lys 6,94 0,24 0,20 Met 2,60 0,17 0,15 Lys+ Met 2,97 0,36 0,32 Trp 1,08 0,07 0,09 Thr 3,79 0,32 0,31 Arg 3,07 0,39 0,35 Gly+ Ser 6,31 0,73 0,71 Val 5,66 0,40 0,47 Ile 4,61 0,29 0,37 Leu 7,74 1,02 1,20 His 2,43 0,26 0,21 Phe 4,13 0,41 0,51 Fen+ Tyr 9,51 0,70 0,96
Fonte: Rostagno et al., 2005.

Streeter et al. (1993) compararam a degradabilidade e a digestibilidade intestinal dos aminoácidos de dois grupos de sorgo (normal ou seroso) com ou sem tanino. Os materiais com tanino apresentaram menor degradação ruminal e maior aporte de aminoácidos totais, essenciais e não essenciais para o duodeno, exceto para arginina, metionina e tirosina. Isso sugere que esses aminoácidos podem estar menos associados aos taninos. Entretanto, as digestibilidades intestinais dos aminoácidos essenciais e não essenciais presentes na proteína não degradada no rúmen (PNDR) foram inferiores para o sorgo com tanino. Assim, a digestibilidade total dos aminoácidos foi comprometida pela presença de tanino. Cultivares de sorgo com tanino, mesmo que possuam maior teor de proteína, resultando em maior ingestão de proteína e aminoácidos, podem não refletir em maior desempenho animal.

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5. PROCESSAMENTO DOS GRÃOS Diversos métodos de processamento são utilizados para se aumentar a eficiência de utilização dos nutrientes contidos no grão de sorgo pelos microrganismos do rúmen e pelo trato digestivo. O processamento pode melhorar significativamente o valor nutritivo de grãos de cereais para ruminantes, sendo a laminação e a moagem os mais comuns (NRC, 2001). O processamento do grão tem particular importância para o sorgo, devido ao menor tamanho deste grão, o que dificulta a sua quebra durante a mastigação e prejudica a sua degradação no rúmen. Como consequência, frequentemente se observa a presença de grãos de sorgo inteiros nas fezes de bovinos. A digestão microbiana no grão se dá de dentro para fora; desta forma, o rompimento da matriz proteica que recobre os grânulos de amido no endosperma facilita a ação microbiana e aumenta a degradação do amido. Outro fator que contribui para a melhoria da digestão dos grânulos de amido ocorre durante os processamentos que envolvem aplicação de calor e umidade, resultando num processo chamado gelatinização. Durante a gelatinização, os grânulos de amido absorvem água, incham e exsudam parte da amilose (fração do amido menos degradável), tornando-se mais susceptíveis à degradação enzimática (Van Soest, 1994). Os principais métodos utilizados no processamento de grãos de sorgo são: 5.1. Moagem A moagem modifica a estrutura física dos grãos de sorgo, rompendo o endosperma e aumentando a superfície de exposição do amido, melhorando a digestibilidade ruminal. A moagem promove ainda um aumento da taxa de passagem do concentrado, principalmente pelo aumento da densidade das partículas. Em condições tropicais, este é o processamento mais barato, e a moagem recomendada é a mais fina possível. 5.2. Laminação a seco Também conhecida como quebra ou esmagamento, este processo consiste em se passar o grão por um rolo compressor, o que promove sua quebra em pedaços menores. O efeito sobre o grão assemelha-se bastante ao da moagem, porém mais brando. 5.3. Laminação a vapor O grão inteiro fica um determinado tempo em um condicionador que é abastecido por uma linha de vapor. Devido ao aumento da temperatura e da umidade, inicia-se o processo de gelatinização do amido. Os grãos passam, então, por rolos compressores reguláveis. As modificações físicas e químicas que ocorrem favorecem a digestão intestinal do amido.

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5.4. Floculação Este processo é idêntico à laminação a vapor, diferindo no fato de os tratamentos serem mais drásticos. Assim, os grãos ficam de 30 a 40 minutos submetidos a uma temperatura entre 90 e 105oC, enquanto na laminação é usada uma temperatura entre 90 e 95oC por 15 a 20 minutos. Após passarem pelo tratamento a vapor e pelos rolos compressores, os grãos passam ainda por um segundo par de rolos, visando deixá-los com uma espessura entre 0,9 e 1,1mm. 5.5. Extrusão Assemelha-se à laminação a vapor, com duas diferenças básicas: os grãos são moídos antes do tratamento a vapor e passam por uma rosca sem fim, de onde são extrusados através de orifícios em forma de cones menores, onde o alimento vai se expandindo na direção em que ele é expelido. A expansão sofrida pelos grãos causa ruptura dos grânulos de amido. A qualidade dos processos de laminação, floculação e extrusão é avaliada por características visuais, conteúdo de umidade (18,0% a 20,0%), densidade especifica média das partículas e índices laboratoriais. O aumento da extensão dos tratamentos reduz a densidade específica das partículas, por exemplo: o grão de sorgo laminado a seco apresenta densidade específica entre 450-644g/L, o laminado úmido entre 438540g/L e, para o sorgo floculado, as melhores respostas produtivas são encontradas quando a densidade encontra-se entre 360-438g/L. A densidade das partículas é importante, pois influencia na taxa de passagem e no tempo de retenção das partículas no rúmen e, consequentemente, na digestibilidade do alimento. 5.6. Micronização Refere-se ao tratamento do grão por calor seco, através de micro-ondas. O grão é aquecido a 148oC, reduzido a 7,0% de umidade e laminado. 5.7. Grão úmido Envolve a colheita e o armazenamento, sob condições anaeróbicas, dos grãos de sorgo com umidade em torno de 30,0%. Estes devem estar moídos quando do fornecimento aos animais, sendo que tal processamento pode ser feito antes ou depois da armazenagem. Estes grãos não devem perfazer mais de 80,0% do total de grãos em dietas com mais de 75,0% de concentrados (Boin, 1999). Nos casos em que se tem tentado a adição de água ao grão seco, parece que a melhoria do aproveitamento dos nutrientes se deve mais ao processamento dos grãos do que à reconstituição em si. A ensilagem dos grãos úmidos é uma alternativa bastante interessante, em função das reduções nos custos de armazenamento e da possibilidade de antecipar a colheita em até quatro semanas, maximizando o uso da terra e minimizando as perdas provocadas por ataque de pássaros. Além do fator econômico, uma melhoria no valor nutricional pode ser verificada para os grãos

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úmidos ensilados. O maior conteúdo de umidade favorece a fermentação e a elevação da temperatura no interior do silo, causando gelatinização parcial do amido, aumentando a sua digestibilidade ruminal e intestinal. Além disso, ocorre a solubilização da matriz proteica ao redor dos grânulos de amido, facilitando o ataque enzimático microbiano (Galyean et al., 1981; Streeter et al., 1989). Peixoto et al. (2003), comparando o grão seco moído com a silagem de grão úmido de sorgo no desempenho de bezerras de diferentes grupos genéticos em confinamento, não verificaram diferenças no desempenho e na conversão alimentar dos animais. Para estes autores, a decisão entre qual fonte energética utilizar deve ser tomada em função de questões operacionais e econômicas, que são próprias de cada sistema de produção. Já Nikkhah et al. (2004) compararam o uso de sorgo seco moído ou floculado a vapor para vacas leiteiras no meio da lactação e constataram que a floculação a vapor garantiu maior produção de leite, leite corrigido para gordura, proteína e gordura do leite. Theurer et al. (1999a) sumarizaram os dados de vários experimentos comparando o efeito da utilização de grão de milho ou sorgo, bem como o seu processamento sobre o desempenho de vacas de alta produção. De acordo com estes autores, a floculação melhorou a produção e a eficiência de produção de leite em 5,0%, aumentou o teor e a produção de proteína do leite, bem como a digestibilidade aparente do amido em 16,0% comparado ao sorgo laminado a seco. Contudo, houve redução no teor de gordura do leite, mas sem comprometer a produção de gordura (g/dia). O melhor desempenho está associado à melhor qualidade nutricional promovida pelo processamento, já que o consumo de matéria seca e o teor de nitrogênio ureico do leite (NUL) não foram alterados. Estes trabalhos evidenciam a melhoria do valor energético do grão de sorgo com processamentos mais intensivos, no entanto os produtores devem considerar não só a melhoria no valor nutricional do grão e no desempenho produtivo dos animais, mas também os custos associados ao processamento. A utilização do nitrogênio dietético com maior síntese de proteína microbiana parece ser mais eficiente para o sorgo floculado em comparação ao laminado devido ao menor teor de NUL e ao aumento de caseína do leite.

6. SÍTIOS E EXTENSÃO DE DEGRADAÇÃO Segundo Poore et al. (1993), a floculação do sorgo comparada à laminação aumenta a degradação do amido no rúmen, reduzindo a quantidade de amido sobrepassante que atinge o duodeno, e aumenta a digestibilidade intestinal do amido, resultando, assim, em menores perdas fecais em dietas com volumosos de boa (feno de alfafa) ou baixa qualidade (palhada de trigo). Comportamento semelhante foi descrito para a degradabilidade e a digestibilidade da matéria orgânica da dieta, aumentando a síntese e o aporte de matéria orgânica microbiana para absorção intestinal. Contudo, o aumento da degradabilidade do amido pode comprometer a degradabilidade e a digestibilidade aparente total das frações fibrosas, principalmente da celulose, em situações de alta quantidade de concentrados ou fibra de baixa qualidade.

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0%/h da matéria seca ou proteína. Zeoula et al. A floculação garante maior reciclagem de ureia no rúmen e eleva em torno de 10. essas diferenças podem não refletir em maior desempenho animal.0 e 8. moído. c. e não observaram diferença entre eles quanto aos valores de fração solúvel. seguida pela moagem fina e quebra. possivelmente devido à ocorrência de reações de Maillard ou exposição de aminoácidos hidrofóbicos à superfície. 1999b). 5. 1999b. minimizando o tempo e os efeitos do balanço energético negativo no início da lactação (Theureu et al. A redução do tamanho da partícula aumentou a fração solúvel. (2002) avaliaram diferentes híbridos de sorgo (BR304. a mudança do sítio e a extensão de degradação do amido para o rúmen aumentam a utilização da energia líquida para lactação do grão de sorgo. A extrusão promove maior degradabilidade que a moagem fina devido à associação da ruptura da matriz proteica com a maior exposição dos grânulos de amido com a gelatinização. Apesar do aumento no aporte de amido fermentável no rúmen. o sorgo e a raspa de mandioca apresentam teor de amido de 79. silagem) e o tipo de grão (milho ou sorgo) sobre a degradação efetiva da matéria seca para todas as taxas de passagem estimadas (2. Já para o milho.O aumento da degradabilidade ruminal do amido em 40. relação volumoso:concentrado e qualidade do volumoso. (1999) compararam a solubilidade e a degradabilidade do amido de vários alimentos energéticos e concluíram que o milho.01) entre o processamento (quebra. d). de taxa de degradação ou de degradabilidade efetiva para as taxas de passagem de 2. As cinéticas de degradações ruminais de grãos de milho ou sorgo inteiros. BR306. IA98201.. a fração potencialmente degradada e a degradabilidade efetiva da matéria seca do sorgo e do milho.0%..0% o aporte de proteína microbiana para absorção intestinal. Para o sorgo. Contudo. Kazama et al. (2002b). Os resultados obtidos para o milho foram superiores aos descritos para o sorgo.6% em 30 minutos. Já Passini et al. (1999) em vacas não lactantes das raças Holandesa e Jersey.0%. Santos et al. quebrados. 1999c. cujas respostas são influenciadas por múltiplos fatores. de modo geral. a taxa de hidrólise do amido do sorgo laminado foi de 24. (2003) observaram interação (p<0.0% do pouco amido sobrepassante sustentam os melhores desempenhos produtivos observados nos animais suplementados com o sorgo floculado comparado ao laminado (Theurer et al. Segundo DelgadoElorduy et al. enquanto a do material floculado foi de 65. de fração potencialmente degradada. moídos. que não diferiram entre si. foram superiores para o milho. e a solubilidade do amido de 293 .0% e 91. como nível de inclusão do grão. 5 ou 8.6%. extrusados ou autoclavados foram avaliadas por Moron et al. 1981). as maiores degradabilidades foram observadas para a moagem fina (2mm) em relação à silagem (12mm) e quebra (5mm). os teores de digestibilidade da proteína e das frações fibrosas são pouco alterados (Santos et al.0.0%/h). as maiores degradabilidades foram obtidas pela silagem. Z822). nessa ordem de grandeza. Assim. O processamento térmico comprometeu a degradabilidade ruminal dos grãos. 2000)... BR701. diminuindo a solubilidade (Russel e Hespell.0% e o da digestibilidade intestinal em 20. as quais. 83.

A silagem de grão úmido de sorgo foi confeccionada com o grão moído.91mg/dL) no líquido ruminal foram semelhantes entre as dietas. obtido por meio de solução de bicarbonatofosfato (pH=6. o uso de silagem de sorgo reduziu a digestibilidade aparente (p<0.. assim.0%. a fração potencialmente degradável e a taxa de degradação do amido do sorgo foram inferiores às do milho. sem comprometimento dos padrões de fermentação. Esses resultados não refletiram em menor consumo de matéria seca por peso vivo ou peso metabólico. Já para o amido. degradabilidade ruminal e pouca diferença na digestibilidade das dietas.8%) ou floculados (76. Passini et al.8). houve tanto aumento da degradabilidade ruminal quanto da digestibilidade intestinal. respectivamente. (1991) avaliaram o efeito da ensilagem.0% e 14. os coeficientes de digestibilidade aparente da proteína. já a silagem de grão úmido de milho foi confeccionada com grão inteiro e 28% de umidade. fluxo de líquidos por dia e por kilo de matéria seca consumida) não foi alterada pelo tipo de grão.1%). contornando. com granulometria em torno de 12mm e 30% de umidade.13.0%).4% vs 52. 294 . A degradabilidade efetiva do amido corrigida para solubilidade foi baixa (39. A ensilagem e o tratamento com ureia aumentaram a degradabilidade ruminal. Além disso.25) e o nitrogênio amoniacal (6. a fração solúvel (a) do amido do sorgo foi muito superior à do milho (18.0%. 1999b).99). A moagem do grão de sorgo antes da ensilagem pode ter favorecido a gelatinização dos grânulos de amido do sorgo.05) dos nutrientes digestíveis totais (NDT) e do amido. do tratamento ácido associado ao formaldeído ou do tratamento com ureia sobre o sítio e a extensão de degradação no sorgo que sofreu reconstituição da umidade (28.6% a 89. do extrato etéreo e da FDN não diferiram entre as dietas. sugerindo a possibilidade de substituição total da silagem de grão úmido de milho por grão úmido de sorgo. a degradabilidade ruminal e a digestibilidade das dietas. Por outro lado.5%) para o sorgo moído em comparação ao milho (55. Porém. Esses autores não observaram diferença nos teores de ácidos graxos voláteis totais (AGV) ou nas porcentagens molares de ácidos acético. e muito inferior àquelas descritas para os sorgos laminados (66. o pH (6. taxa de passagem de líquidos. No entanto. A relação acetato:propionato (média de 1. sem alterar a digestibilidade intestinal da matéria seca. o que pode estar associado a perdas pelos poros do saco de náilon. os efeitos negativos da matriz proteica sobre a disponibilidade do amido no rúmen. Esses resultados sugerem o grande efeito desses tratamentos rompendo a matriz proteica que envolve os grânulos de amido do sorgo e tornando-os amplamente disponíveis para fermentação ruminal. Hill et al. as taxas de degradação e as degradabilidades efetivas da MS e da FDN da dieta não diferiram entre os grãos. No estudo in situ. 10.4%) (Theurer et al. (2002. propiônico ou butírico. 2003) avaliaram as silagens úmidas de milho ou sorgo sobre os parâmetros de fermentação ruminal. Isso refletiu em maior produção total de AGV e propionato nas primeiras quatro horas pós-alimentação em comparação ao grão úmido de milho.0% umidade). A dinâmica líquida ruminal (volume de líquido ruminal.

os animais que receberam sorgo floculado apresentaram menores perdas de escore corporal durante os primeiros 45 dias (p<0.. 295 . 1999a). (2002a. PB. O maior aporte de propionato ao fígado nas vacas que receberam sorgo floculado pode ter propiciado o aumento da gliconeogênese hepática com tendência de elevação nos níveis de glicose (p<0. Delgado-Elordy et al. 1993.05) e 90 dias (p<0. com exceção do teor de gordura. que foi superior para a dieta com sorgo laminado. Contudo. Theurer et al. contudo mais estudos nesse sentido necessitam ser conduzidos para o melhor entendimento das respostas produtivas observadas pela utilização de sorgo ou milho nas diferentes formas de processamento. METABOLISMO ANIMAL Santos et al. Os fluxos sanguíneos nas veias porta e hepática não alteraram com os tratamentos. mas a melhoria na condição energética das vacas que receberam sorgo floculado pode ter sido responsável pela maior área do corpo lúteo e maiores níveis de progesterona circulantes. Esses resultados sugerem que o tipo de processamento apresentou maior influência sobre o metabolismo animal que o tipo do grão.05) na ingestão de MS. amido e energia líquida de lactação entre os tratamentos. Não houve diferença nos níveis de nitrogênio ureico no plasma entre as dietas. Esses autores não observaram diferença (p<0. o sorgo propiciou menor absorção de nitrogênio aminoacídico e amônia. maior síntese microbiana e aumento no aporte de aminoácidos para a glândula mamária. o melhor aproveitamento do nitrogênio com o aumento da degradação do amido do sorgo no rúmen pode reduzir o teor de nitrogênio ureico no plasma (Oliveira et al. A floculação dos grãos propiciou aumento na reciclagem de ureia. sendo esta um problema comum em vacas de alta produção. As perdas de peso e o escore corporal das vacas durante os primeiros 45 dias ou 90 dias pós-parto não diferiram entre as dietas. Embora os escores de condição corporal das vacas não tenham diferido entre as dietas. b) avaliaram o efeito dos grãos (sorgo ou milho) e dos processamento (laminação ou floculação) no metabolismo esplênico e no metabolismo de nitrogênio na glândula mamária de vacas leiteiras com produção média de 28kg/dia e 86 dias em lactação. já que as concentrações de ácidos graxos não esterificados não diferiram entre as dietas. esses não foram suficientes para reduzir a lipólise. (2000) avaliaram as condições energéticas e as respostas reprodutivas de vacas Holandesas no início da lactação suplementadas com sorgo floculado ou milho laminado.7. que são imprescindíveis para manutenção da gestação e redução de morte embrionária.13) e insulina (p<0. Embora os animais suplementados com sorgo floculado apresentassem maiores níveis de glicose e insulina circulante. com tendência em aumentar o balanço energético das vacas (p<0.06) no sangue periférico.. Em contraste ao milho. A população de folículos não foi alterada pela dieta.06). A produção e a composição do leite bem como a eficiência alimentar e produtiva das vacas foram semelhantes. Isso responde em parte à tendência de maior teor de proteína no leite para dietas com milho ou sorgo floculado.11).

1995) e Santos et al. fato possivelmente relacionado a questões de palatabilidade. sem ônus no consumo. destinados à produção de vitelos. Contudo.8. Neste experimento. Segundo Chen et al. quando vacas. Theurer et al. (1994). resultando em produções e composições do leite semelhantes entre vacas suplementadas com milho ou sorgo. Almeida Júnior et al.5. sobre o desempenho de bezerros e bezerras leiteiras até oito semanas de idade. seja em confinamento ou em regime de pastejo. (1994) concluíram que o sorgo finamente moído pode substituir o milho moído ou laminado mantendo o mesmo nível de produção das vacas. o sorgo laminado ou floculado pode substituir totalmente o milho com o mesmo processamento. ou metabolitos plasmáticos e condições de fermentação ruminal entre tratamentos. Abdelgadir e Morril (1995) avaliaram o uso de sorgo moído.59) por kg de ganho de peso por bezerro com o uso de sorgo moído de baixo tanino em comparação ao milho. proteína. A sua utilização é verificada para todas as categorias animais. para o mesmo nível de processamento do grão (laminado ou floculado). A queda no desempenho quando o nível de concentrado aumentou de 0. nas digestibilidades de matéria seca (MS). DESEMPENHO ANIMAL O grão de sorgo tem sido comumente utilizado em dietas de bovinos de leite em substituição ao milho. crescimento corporal e ganho de peso.4 e 0. Verificou-se que o nível de suplemento energético influenciou significativamente o peso final das vacas até o nível de 0. 66. que não observaram diferenças na ingestão de MS (IMS).. com os respectivos graus de gelatinização do amido. tostado ou peletizado. proporcionando um efeito aditivo ao consumo de nutrientes na dieta destes animais. (1999a) e Mitzner et al.6mg de equivalente maltose/g de amido.4 para 0. sem comprometimento na composição do leite. (1993. como a base energética de concentrados. os 296 . Vacas de alta produção apresentam desempenho semelhante quando suplementadas com sorgo ou milho. 0.8% foi justificada por uma possível alteração ruminal. com média de 100 dias de lactação.4%. amido ou frações fibrosas da dieta. (2004) relataram que os custos de criação de bezerros Holandeses. na eficiência produtiva (IMS/LCG) ou nos teores de gordura e proteína do leite.5% de gordura (LCG).9 e 198. nos níveis de 0. exceto pelo menor consumo inicial para a forma de pélete. matéria orgânica (MO). O desempenho de vacas de descarte sob pastejo contínuo em pastagens de inverno foi avaliado mediante a suplementação com o grão de sorgo triturado. Resultados semelhantes foram descritos por Oliveira et al. desde bezerros a bovinos adultos. 28.8% do peso vivo. nas produções de leite e de leite corrigido para 3. (1999a). causando redução na digestibilidade da fração fibrosa e prejudicando o desempenho animal (Restle et al. 2001). apesar da menor digestibilidade do amido. há de se destacar o elevado valor nutricional das pastagens em que os animais foram mantidos. Esses autores não observaram diferenças no consumo. apresentaram o menor custo final (R$ 3. foram suplementadas com milho laminado ou sorgo laminado ou floculado. ao avaliarem as respostas à aplicação de somatotropina bovina (bST).

partículas com densidades entre 360g/L e 437g/L resultaram em produção e em composição de leite semelhantes ao sorgo laminado. sem alterar o consumo de alimento.. em melhoria da eficiência de produção de leite. a eficiência produtiva e os teores de proteína e gordura do leite não diferiram entre os animais suplementados com sorgo ou milho. suplementadas com sorgo floculado ou milho floculado ou laminado. a fonte principal de proteína da dieta foi proporcionada pelo uso de caroço de algodão com a inclusão de 10 a 13. a digestibilidade da dieta e alterar a produção e a composição do leite de vacas.5% da MS têm indicado diferenças nas digestibilidades das dietas. As respostas produtivas de vacas de alta (45kg) ou média (35kg) produção de leite suplementadas com sorgo floculado variam com a degradabilidade da proteína suplementar. na digestibilidade da FDN (Theurer et al. Chen et al. (1998) concluíram que a degradabilidade da fonte energética influenciava nas respostas de suplementação de distintas fontes proteicas de maior ou menor degradabilidade ruminal. Santos et al.. associada à alta disponibilidade de amido fermentável no rúmen. A ingestão de matéria seca. A densidade da partícula do sorgo laminado ou floculado pode afetar o consumo.8% da MS da dieta).. Em vacas de média produção. resultando. Em animais de alta produção. assim. Já em vacas de alta produção. Santos et al. proveniente do sorgo floculado. Em estudo anterior. Vacas alimentadas com sorgo ou milho floculado em combinação com PNDR produziram mais leite e proteína do leite em comparação àquelas suplementadas com milho laminado ou com farelo de soja. que apresenta cerca de 70.0% de proteína degradável no rúmen e 30. Santos et al. Partículas muito finas podem ter propiciado a excessiva fermentação ruminal com redução do pH. (1997 e 1998) comparando o tipo de processamento do sorgo (laminado ou floculado) com suplementação de diferentes tipos de gordura até 2. 1991. 1997b).0% da MS da dieta. Segundo Santos et al.. Para o sorgo floculado. da matéria seca e orgânica. as respostas são inversas. (1997a). há a necessidade de suplementação com PNDR.1999a). apesar da maximização da síntese proteica microbiana proporcionada pelo sorgo floculado. associados a uma fonte de proteína não degradável no rúmen. as produções de leite e LCG.0% de PNDR. 1993. Estudos desenvolvidos por Simas et al. e a maior produção de leite foi obtida com a suplementação com farelo de soja (6. 297 ..autores verificaram maiores produções de leite e de proteína do leite em animais suplementados com sorgo floculado (Santos et al. mesmo com redução no consumo da dieta. (1999b) avaliaram o desempenho de vacas Holandesas no início da lactação com produção média de 37kg de leite. garante maior consumo de alimento e síntese de proteína microbiana suficiente para proporcionar aumento na produção de leite. na produção de leite e no teor de gordura do leite. a redução da densidade do sorgo laminado de 437g/L para 283g/L resultou em decréscimo linear na ingestão de matéria seca (Oliveira et al. a suplementação com ureia (0. 1994). Nesse estudo.0%) ou farinha de peixe (5. principalmente quanto à digestibilidade do amido. já que a adição de 1% de bicarbonato de sódio tendeu a minimizar as reduções de produtividade.0%).

Micotoxinas A contaminação do grão de sorgo por fungos também é um fator que pode limitar o desempenho animal. 1985). em local inclinado. outros fungos podem contaminar esse alimento. sem alterações no metabolismo do animal ou no desempenho produtivo.1. estando presentes sem que o mofo seja visível (Marquadt. (1995) avaliaram o efeito dos taninos condensados na digestão ruminal do nitrogênio. Para minimizar as perdas em decorrência desta contaminação. FATORES ANTINUTRICIONAIS DO SORGO 9. com ventilação forçada (Price et al. transporte. O grau de saturação das fontes de gordura aparentemente tem pouco efeito na produção e na composição do leite quando incluídas até níveis de 2.com o tipo de processamento do grão. Taninos condensados A maior limitação da utilização de grãos de sorgo na alimentação animal se deve à presença de compostos fenólicos chamados taninos. 9. Os efeitos dos taninos condensados na alimentação de vacas leiteiras serão abordados em maior extensão em outro capitulo. CONSIDERAÇÕES FINAIS O grão de sorgo tem potencial para substituir o milho em dietas de ruminantes. No alimento estocado. sendo que a sua utilização dependerá da oferta e do preço. como o Fusarium moniliforme. 9. essas diferenças não têm refletido no desempenho produtivo e na composição do leite.2. 10.5% da matéria seca em dietas cuja base energética dos concentrados é o sorgo. esses compostos podem se ligar a proteínas e a enzimas no intestino delgado e reduzir a digestibilidade intestinal das proteínas. se possível. Contudo. é aconselhável estocar o alimento com menos de 10% de umidade. elevando a quantidade de proteína potencialmente disponível para a absorção no intestino delgado. causadora de câncer hepático. temperatura ambiente. aumentando as perdas fecais. 298 . Esta contaminação pode ocorrer em qualquer momento da produção. responsável pela produção da aflatoxina. protegido da chuva e. os fatores responsáveis ou predisponentes incluem integridade do grão. A contaminação ocorre principalmente pelo fungo Aspergillus flavus. Entretanto. e ainda pode proporcionar ganhos em termos econômicos. estocagem ou utilização. 1996). Esses pesquisadores encontraram menor proteólise e aumento no fluxo de proteína verdadeira para o abomaso.. Waghorn et al. com piso cimentado. disponibilidade de oxigênio e dióxido de carbono. composição e umidade dos grãos. No entanto.

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Dom Bosco. permitindo a integração da produção agrícola com a atividade pecuária. CEP 30123-970.ufmg. de feno.CAPÍTULO 17 COPRODUTOS DA MANDIOCA NA ALIMENTAÇÃO DE GADO DE LEITE Fernanda Samarini Machado1. Caixa Postal 567.. Tanto as raízes.. os2ribas@hotmail. CEP 30123-970.com 1 305 . Juiz de Fora. peletização ou fornecimento do material fresco. Prof. Wilson Gonçalves de Faria Jr. provavelmente da região Nordeste e central do Brasil. sendo espalhada pelo mundo por europeus colonizadores no século XVIII. fernanda@cnpgl. Escola de Veterinária da UFMG. wilsonvet2002@gmail. Doutorando em Nutrição Animal. Belo Horizonte.br 2 Engenheiro Agrônomo. ao contrário. bem como cuidados na escolha da variedade ou adoção de práticas de manejo que eliminem os riscos de intoxicação por ácido cianídrico. MSc. entre produção de silagem. DSc. Sua produção pode ser destinada à alimentação humana ou animal. MSc. INTRODUÇÃO A mandioca (Manihot esculenta Crantz). DSc. A produção africana não tem caráter comercial. segundo maior produtor mundial. Brasil e Tailândia são os países que dominam a produção mundial.br 3 Médico Veterinário. MG. A escolha da forma de utilização. 610. apresenta-se como de subsistência. também conhecida como aipim e macaxeira. Belo Horizonte. destinando-se a produção. Foi descrita pela primeira vez em 1573 por Magalhães Gandavo. em Zootecnia. Nigéria. A mandioca apresenta a peculiaridade de poder ser manejada com duplo propósito. Rua Eugênio do Nascimento. a mandioca é cultivada em várias regiões do mundo. Caixa Postal 567. entre outros. Sua inclusão na alimentação de vacas em lactação pressupõe a suplementação com nutrientes necessários ao balanceamento da dieta. Belo Horizonte. CEP 36038-330. o nível de tecnologia. Bolsista CNPq. ou ainda a processos industriais para obtenção de amido. podem ser utilizadas na alimentação de vacas leiteiras. Escola de Veterinária da UFMG. quanto a parte aérea. onde já era cultivada pelos índios. MSc. Por apresentar tolerância a diversos tipos de clima e solo. disseminada em diversas regiões do mundo devido à sua tolerância a condições marginais de cultivo. Lúcio Carlos Gonçalves 2. MG. é planta originária da América do Sul. Embrapa Gado de Leite. como as condições climáticas da região. No Brasil. MG. depende de fatores.. ricas em amido. DSc. MG.embrapa. luciocg@vet. Médica Veterinária. com elevadas concentrações de proteína. Marcelo Neves Ribas4 RESUMO A mandioca é uma espécie de origem latino-americana. Caixa Postal 567. coexistem a produção de subsistência e a comercial. bem como os subprodutos do processo de industrialização. a disponibilidade de mão de obra.3. Associado Departamento de Zootecnia da Escola de Veterinária da UFMG.com 4 Médico Veterinário. CEP 30123-970.

Os derivados de mandioca na indústria são: farinha. O Nordeste e o Norte foram responsáveis por 25. sobretudo nas regiões mais pobres do país (Tafur. Grande parte da produção brasileira de mandioca (50. obtendo-se um rendimento de 14. a raiz in natura serve para a elaboração de pratos. As exportações brasileiras. Recentemente. doces ou salgados. A mandioca apresenta a peculiaridade de poder ser manejada com duplo propósito de produção de amido. com uma produção estimada de 26.2%) é destinada à alimentação animal (Food and Agricultural Organization . 2007). Desta forma. A participação do Brasil no mercado internacional é praticamente desprezível. 2004). respectivamente. com predomínio de sistemas familiares que utilizam baixa tecnologia. 2002).6% da produção nacional.26t/ha. aos Estados Unidos. além de a parte aérea representar um suplemento proteico que pode ser utilizado durante todo o ano. 74. as exportações da África do Sul vêm assumindo posição de destaque (Alves e Vedovoto. ao mercado interno. Segundo dados do IBGE. Sendo assim.5% do plantio são efetuados em áreas inferiores a 10 hectares. 2003). A produção de mandioca é predominantemente realizada por agricultores familiares e camponeses. álcool. podem ser utilizadas as folhagens e a raiz. visando ao incremento dos níveis de produção dessa cultura. Já as regiões Sul. a área de mandioca plantada no Brasil em janeiro de 2009 foi de 1.majoritariamente. tornando o sistema sustentável. No entanto. 2005). A cultura da mandioca representa também um produto básico na alimentação humana (33. Para consumo humano. reduzindo gastos com alimentos concentrados. sua utilização na alimentação de vacas leiteiras apresenta vantagens. 8. Para alimentação animal.9% da produção nacional em 2008. maior adoção de tecnologias disponibilizadas pela pesquisa faz-se necessária.. Já a produção na Tailândia tem caráter comercial.9% da produção). a integração entre as atividades pecuárias e a produção agrícola na propriedade garante redução dos custos do produtor. presente em elevadas concentrações nas folhas.89 milhões de hectares. amido. historicamente baixos no Brasil (Lopes et al. é fonte geradora de emprego e de renda para agricultores e consumidores de baixo poder aquisitivo. entre outros (Camargo Filho e Alves.IBGE. Sudeste e Centro-Oeste apresentaram 22. respondendo esse país pela maior parte do que é exportado desse produto no mundo. apresentando um caráter produtivo mais industrial. em menor proporção.8 e 37. 306 . já que a raiz substitui alimentos energéticos de alto custo utilizados tradicionalmente na dieta de monogástricos. destinam-se aos países da América do Sul e.6 e 5.FAO. e de proteína.1. principal componente das raízes tuberosas. quando ocorrem.95 milhões de toneladas de raízes. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística .

variando de 10 a 35 toneladas por hectare de raízes e 8 a 30 toneladas por hectare de parte aérea (Carvalho.1. da fertilidade do solo e do cultivar plantado. na obtenção de produtos para alimentação humana ou destinados para fins industriais. mas também sua parte aérea. Porém.500mm anuais. Os resíduos originados do processamento das raízes. e lenhosas. exigindo precipitações entre 1. desidratadas (raspas). 40. fornecidas in natura (picadas). 2005). A planta integral da mandioca também é utilizada in natura ou ensilada. a produtividade da mandioca depende das condições climáticas. 2002). também podem ser utilizados na alimentação de ruminantes. Para fins práticos. A forma de utilização mais econômica a ser adotada dependerá da disponibilidade de mão de obra. e a opção mais adequada para eficiente conservação seria o processo de ensilagem. pecíolos e folhas) e parte subterrânea (raízes tuberosas). que permitirão maior ou menor facilidade para efetuar a secagem. FORMAS DE UTILIZAÇÃO DA MANDIOCA NA ALIMENTAÇÃO ANIMAL Podem constituir componentes da dieta dos ruminantes não somente as raízes tuberosas.. existem aquelas regiões mais áridas. infraestrutura e condições climáticas da região. Assim.200 espécies existentes. e altitudes até 800 metros. peletização ou ensilagem.0% de folhas (Gil e Buitrago. CARACTERÍSTICAS DA CULTURA A mandioca pertence à família das Euphorbiaceae. com altura variando de 1 a 5 metros (Carvalho. entre fornecimento ao natural. ou ainda conservada por procedimentos de fenação. 307 . 1983). A despeito das variações inerentes à variedade utilizada e às influências das condições de solo e ambiente no crescimento da cultura. A mandioca pode ser cultivada com ótima produtividade numa faixa que vai de 30º na latitude norte a 30º na latitude sul. onde ocorre condição climática favorável para desenvolver-se. Entretanto. arbustivas ou subarbustivas na maturidade. será determinado pelas condições climáticas do ecossistema (Lopes et al. peletizadas ou ensiladas. em que processos de desidratação natural seriam a forma mais econômica de processamento. entre as 1.5. ensilado ou na forma desidratada. a planta da mandioca pode ser dividida em parte aérea (hastes. com pH de 6. A temperatura ideal está entre 25 e 29ºC. o modo de utilização da mandioca. 1983). observam-se na planta madura aproximadamente 50% de raízes tuberosas. Dentre outros fatores. sendo cultivada em regiões semiáridas com 500 a 700mm de chuvas por ano. 2. As plantas são herbáceas quando novas.000 e 1. apresenta resistência à seca. Apresenta baixa exigência em fertilidade e desenvolve-se melhor em solos com textura franco-arenosa a argilo-arenosa. de modo geral. utilizada sob a forma de material verde picado. Existem regiões onde a produção de fenos da parte aérea e de raspa seca de mandioca torna-se antieconômica. sendo a Manihot esculenta Crantz a espécie de maior interesse agronômico.0% de hastes e pecíolos e 10.

1987). que é excretado do organismo via urina. 1988). um radical constituinte das moléculas da linamarina e lotaustralina. sendo necessário 1. determina-se a diferença entre as variedades de maior toxicidade. formando um composto não tóxico. chamado tiocianato. Na planta intacta. Essa conversão metabólica do HCN até tiocianato depende da presença de fatores nutricionais. O consumo de alimentos que contêm grande quantidade de glicosídeos cianogênicos não só tem resultado em morte ou efeitos neurológicos crônicos. muito tóxicas: mais de 100mg/kg de raízes frescas.2g de enxofre para destoxificar 1. para a liberação e volatilização do HCN. como deficiência dietética de nitrogênio. 2001). Com base nos níveis de glicosídeos cianogênicos e/ou de ácido cianídrico presentes na raiz. embora fatores agravantes. o HCN é detoxificado por uma enzima denominada rodanase.1. tóxicas: de 80 a 100mg/kg de raízes frescas. a linamarase está compartimentalizada na parede celular. Alguns trabalhos consideram um efeito benéfico de aumento da vida de prateleira do leite.0g de HCN (Sanda e Methu. 308 . pouco tóxicas: de 50 a 80mg/kg de raízes frescas. atribuído à presença nele do tiocianato (Wanapat. 1988). Caso ocorra ingestão do material antes da liberação do HCN na planta. deve-se fazer a trituração do material para que ocorram as reações químicas necessárias. a microflora presente no trato digestivo do animal também pode produzir betaglicosidase. Fatores antinutricionais A principal limitação no uso da mandioca como alimento para ruminantes refere-se ao problema da toxicidade do ácido cianídrico (HCN). glicosídeos cianogênicos da mandioca. Glicosídeos cianogênicos são compostos orgânicos sintetizados principalmente nas folhas e. LIMITAÇÕES DA MANDIOCA NA ALIMENTAÇÃO ANIMAL 3. mansas. Eventuais baixas performances de ruminantes alimentados com produtos à base de mandioca têm sido atribuídas à toxicidade crônica por HCN.3. na região cortical de raízes jovens e distribuídos para todas as partes da planta. O HCN é formado a partir do cianeto. Campos Neto e Bem (1995) recomendaram a seguinte classificação de acordo com o teor de HCN nas raízes dos diferentes cultivares: • • • • não tóxicas: menos de 50mg/kg de raízes frescas. e variedades menos tóxicas. Ao ser formado e absorvido. como ativação da betaglicosidase intracelular. A formação do HCN a partir da linamarina. mas também tem sido associado à ocorrência de bócio tireoidiano (Teles. glicosídeo cianogênico mais abundante. conhecidas como bravas. em menor proporção. Desta forma. ocorre pela ação da enzima linamarase. pudessem ser corresponsáveis (Sanda e Methu. e a linamarina nos vacúolos celulares. como os aminoácidos sulfurados e a vitamina B12. Existem evidências de que os ruminantes possam usar substâncias doadoras de enxofre e até mesmo o enxofre elementar (S) para destoxificar o HCN de origem dietética. capaz de hidrolisar o glicosídeo cianogênico.

podem ser utilizados diversos procedimentos. fisiológicos e patológicos (Kato e Souza. Observa-se uma localização diferencial dos compostos nitrogenados. vasos com látex e câmbio (Kato e Souza. a cocção em água ou a ensilagem.0% de umidade. fibras esclerenquimatosas. 1987). de aminoácidos. enquanto a polpa equivale a aproximadamente 80 a 85% (Buitrago. sendo resultado de danos mecânicos. consequentemente. 60 a 80% de amido na MS. 1987). ainda. distribuídos em forma de estrias. de extrato etéreo e de minerais e vitaminas. a toxicidade por HCN não deveria constituir limitação para o uso de produtos e subprodutos de mandioca em dietas de ruminantes.Para a eliminação total ou parcial do conteúdo de HCN da mandioca. na periferia. As raízes da mandioca apresentam aproximadamente 34. encontram-se vasos xilogêneos e fibra.2. estando sujeitos. A RAIZ DA MANDIOCA 4. em face do rápido processo de deterioração. A casca ou córtex representa 15. como a desidratação artificial ou por radiação solar. 1990). nas quais se encontram as células preenchidas com amido.0 a 38. 1988). efetivamente protegem os ruminantes da toxicidade por HCN (Sanda e Methu. a trituração provoca ruptura de tecidos. e. a deterioração das raízes faz com que os animais diminuam seu consumo. Transcorridos três dias após a colheita. 309 . que se encontram em maior concentração na casca do que na polpa. baixas concentrações de proteína (em torno de 2. à ocorrência de distúrbios digestivos (Buitrago. 4. maior liberação de ácido cianídrico por volatilização. podendo o produto ser consumido sem riscos ao metabolismo animal. facilitando um maior contato entre enzima (linamarase) e substrato (linamarina) e. fibra bruta e minerais. Dessa forma. 1990). o ácido cianídrico é volatilizado. Deterioração das raízes pós-colheita Outra limitação relacionada ao uso da mandioca na alimentação de vacas leiteiras refere-se às dificuldades relativas à conservação pós-colheita de suas raízes. em função do armazenamento de fécula (amido da raiz) na polpa ou parênquima. A polpa é constituída por vasos do xilema. localiza-se o córtex (ou casca). ao atingir um nível de 10.0 a 20.0 a 15. extrato etéreo. Quando o material é submetido à desidratação. que se manifesta com perda de qualidade e quantidade.0% do peso total da raiz de mandioca. Aspectos nutricionais A raiz da mandioca é um alimento essencialmente energético.0% de matéria seca (MS).1. constituído por capas sobrepostas de tecidos. haja vista que simples técnicas de processamento. 3. De acordo com Carvalho (1987). combinadas com fornecimento de adequados níveis dietéticos de enxofre. No centro da raiz.5% na MS).

cerca de 80. em média a cada 20 ou 25 resíduos de glicose. Esse processo. que apresenta 24. a amilose e a amilopectina.0% de amilose e cerca de 83..0% são referentes aos açúcares. e da batata. Contudo. Sua composição consiste de cadeias lineares de glicose ligadas por ligações glicosídicas α-(1 → 4).9% eram formados por ácidos graxos. A amilose é um polímero longo e relativamente linear de moléculas de D-glicose. o aquecimento na presença de água promove solubilização parcial e perda da cristalinidade dos grânulos de amido. com 20. Madsen et al. o amido é formado por dois polímeros de glicose. As moléculas de amilose e amilopectina do amido são mantidas juntas pela formação de pontes de hidrogênio entre os grupamentos hidroxila das unidades de glicose. insolubilidade em água fria. 1982). glicose e maltose.0 a 60. enquanto a concentração de cálcio é maior na parte aérea. O nível de fósforo é mais constante entre as diferentes partes da raiz. frutose.0%. e disposto em dupla hélice. denominado gelatinização. Normalmente a concentração de fósforo é maior na raiz. unidas por ligações α-(1 → 4). não ultrapassa os 3. teores estes diferentes do milho. Em geral. entre os quais sacarose (69% dos açúcares totais). nitritos e glicosídeos cianogênicos.A proteína na raiz da mandioca.0% (Hervas Moreno. e sua concentração é maior na casca que na polpa.0% de amilose e 80% de amilopectina (Ciacco e Cruz.14% da MS. Os conteúdos de cálcio apresentam maior variação. A amilopectina é um polímero maior do que a amilose e com estrutura bastante ramificada. Da proteína total. observa-se que a concentração de aminoácidos sulfurados é mais baixa na raiz de mandioca.0% de amilose e 76. dos quais apenas 47. que se encontram empacotados nas plantas em forma de grânulos.0% de amilopectina. 2005). assim. porém variações muito grandes são encontradas entre diferentes variedades.0% são representados por nitrogênio não proteico. determinaram uma concentração de extrato etéreo de 1.2. No comparativo entre raiz de mandioca desidratada e milho. o amido da mandioca apresenta 17. Deve ser lembrado que os valores das concentrações dos minerais podem apresentar resultados alterados devido à contaminação com solo durante o processo de colheita e processamento. Na fração carboidratos. ao avaliarem a composição nutricional da raiz de mandioca desidratada. Em valores médios. apresentando. quando expressa na base de matéria seca. incluindo nitratos. o conteúdo de microelementos na raiz da mandioca é mínimo. Particularidades do amido da mandioca Quimicamente. A celulose e as hemiceluloses não ultrapassam 7. (1990).0% correspondem ao amido e 20. e aminoácidos livres (Lopes et al.0% de amilopectina. apresentando ramificações por ligações α-(1→6). cerca de 40. ocorre devido à quebra das 310 . 4. 1982).

Deve- 311 . segundo Martins et al. devido à maior formação de pontes de hidrogênio.0 a 15.1. matriz proteica e. Os grânulos de amido de raízes e tubérculos apresentam maior capacidade de expansão na água que o amido dos cereais. Após retirar o barro aderido. permitindo a entrada de água e consequente dilatação (10. 10%/h para MS..7%/h para o amido. O amido da mandioca apresenta maior degradabilidade efetiva em relação ao do milho e do sorgo. 2008). diminuindo a quantidade de ponte de hidrogênio na molécula de amido e aumentando a capacidade de expansão do amido da mandioca em meio aquoso (Rangel et al. e com outras relativamente não organizadas ou amorfas.. consequentemente. as raízes deverão ser previamente lavadas. as raízes devem ser trituradas ou picadas para o fornecimento direto na forma fresca ou para conservação sob forma desidratada ou silagem. 1991. segundo Zeoula et al.7%. Os grânulos de amido são pseudocristais com áreas organizadas ou semicristalinas. 1999) e rápida (6. maior proporção de amilose na molécula de amido proporcionaria melhor atividade hidrolítica. 1999. onde. Contudo. endosperma córneo e periférico. a fim de se eliminar resíduos e partículas aderidas de solo. ou alimentos com elevada concentração de proteína rapidamente degradável no rúmen têm um grande potencial para inclusão em dietas baseadas no uso de raízes de mandioca. ocorre o início da rápida mobilização de todo o grânulo de amido pelas enzimas amilolíticas. Manejo e formas de utilização Qualquer que seja a forma de utilização.0% de aumento no diâmetro) dos grânulos. na digestibilidade de fontes de amido com maior teor de amilose. possivelmente. lavadas. como ureia. devido à inexistência de pericarpo.1999) degradação ruminal. segundo Zinn e DePeters. Segundo Chesson e Forsberg (1997). e 62. deve-se estar atento para a sincronização das taxas de degradação ruminal das frações constituídas pelos carboidratos e pelas proteínas dos alimentos integrantes da dieta.. aparentemente. Devido às características fermentativas do amido da mandioca. com elevada (91%. Raiz fresca As variedades de mandioca “mansa” (teor de HCN inferior a 50mg/Kg de polpa fresca) podem ser colhidas. o que ocorre na realidade é uma diminuição na hidrólise do amido e. devido a uma menor proporção de amilose e lipídios nos grânulos de amido.. compostas por amilopectina.pontes de hidrogênio. Desta forma. Fontes de nitrogênio não proteico.3. 4. segundo Zeoula et al. picadas e fornecidas imediatamente aos animais. 4. provavelmente. formadas por amilose. a penetração de água e das enzimas é mais rápida nas regiões amorfas dos grânulos.3. que poderiam comprometer a qualidade nutricional da raiz fresca e as condições para sua conservação.

Em terreiros de cimento ou sobre lona plástica. 2002). devendo ser previamente submetidas a processo de desidratação ou ensilagem (Carvalho. 1984). trituradas em picadeiras convencionais de forragens ou cortadas em pedaços de 5cm de comprimento por 1cm de largura com uso de equipamentos apropriados para obtenção de um produto de melhor qualidade (Côrrea e Kato.40 Mcal/Kg) (Gil e Buitrago. As variedades de mandioca “brava” (teor de HCN acima de 50mg/Kg de polpa) não devem ser fornecidas em estado fresco. as raízes tornam-se inadequadas para o consumo. para acelerar o processo de desidratação. ao ser riscado no piso cimentado.2. dois a três dias após a colheita. Desta forma. Adicionalmente. O término do processo de secagem. 1987). O tempo necessário para secagem depende das condições climáticas e do processo de reviramento do material.0 a 70. sendo um produto perecível. utilizando-se rastelos próprios (Vilela e Ferreira. Para obter uma secagem mais uniforme. 1987). 4. 1997). 312 . quando o material apresentar 14. 1983).0%). nesse processo ocorre eliminação da maior parte de HCN presente na raiz fresca. Chedly e Lee (1999) sugeriram que as raízes frescas de mandioca podem ser incluídas em dieta de vacas leiteiras à razão de 5 a 15Kg por dia. As raspas de mandioca são produzidas a partir das raízes recém-colhidas.se estar atento porque a raiz não se conserva bem sob a forma fresca. o que provoca um forte odor alcoólico (Carvalho. a 23ºC e a 70% de umidade relativa do ar. Calculase que. lavadas. pois o amido sofre rapidamente uma hidrólise.3. As limitações nutricionais mais relevantes quando do uso de raízes frescas de mandioca na alimentação animal são a elevada umidade (60.20 a 1. evitando problemas de intoxicação. Raiz desidratada ao sol (raspa ou farelo de raspa) As raízes de mandioca recém-colhidas possuem alto teor de umidade. ou de seis a oito vezes ao dia. a suplementação para cobrir as deficiências de proteína. posicionadas inclinadas e comportando 10 a 16Kg de raspas/m2. é atingido quando um pedaço de raspa. ou seja. 1983).0%) e o nível apenas mediano de energia metabolizável (1. a secagem da raiz facilita o armazenamento e a mistura com outros ingredientes da dieta. a baixa concentração de proteína (0.5 a 2. vitaminas e minerais. as raspas devem ser reviradas a intervalos de 2 horas. deixa marca como se fosse um giz escolar (Carvalho. A desidratação da raiz permite a conservação e concentração de suas características nutricionais.0% de umidade. O uso de raízes frescas de mandioca pressupõe. para um correto balanceamento da dieta. Podem-se utilizar bandejas de madeira com tela de arame. as raspas devem ser uniformemente espalhadas em camadas de 8-10Kg/m2 e submetidas à exposição ao sol. o material seque em um a dois dias (Carvalho. seguida de fermentação. Além de evitar a deterioração pós-colheita.

consequentemente. no escore corporal das vacas.0%) para vacas Holandês x Zebu no terço inicial de lactação. 33. pois influenciou negativamente o consumo e o desempenho animal.0. Ramalho (2005) avaliou níveis de 0.Verifica-se que a obtenção de raspa de mandioca constitui tecnologia acessível em sistemas de produção menos tecnificados. para vacas Holandesas nos dois meses inicias de lactação. Em outro estudo. estudando melaço desidratado e raspa de mandioca como substitutos parciais do milho em rações fornecidas para vacas em lactação.0 a 40.0. afetar a digestibilidade dos nutrientes. torna-se recomendável o tratamento do farelo de raspa com produtos à base de ácido propiônico ou outros compostos fúngicos (Buitrago. fundamentados em base familiar. há favorecimento para crescimento de fungos dos gêneros Aspergillus. Penicilium. (2003). na produção e nos teores de gordura . 1987). Ribeiro et al.0%) e silagem de sorgo (38.0% de raspa de mandioca. Já Scoton et al. Entretanto. A raspa e a ureia foram incluídas nas dietas experimentais nos níveis de 0. O autor concluiu que a mistura raspa de mandioca + ureia não substituiu o farelo de soja contido nas dietas de vacas mestiças em lactação. sem.0 a 3. A raspa de mandioca pode ser ensacada ou armazenada a granel em ambiente seco e arejado. normalmente. a raiz desidratada conserva seu valor nutritivo por mais ou menos um ano.0% de substituição do farelo de soja por raspa de mandioca corrigida com ureia em dietas baseadas em palma forrageira (44. Nesse caso. 50. 67. 75 e 100% de substituição do fubá de milho pela raspa de mandioca corrigida com ureia em dietas baseadas em palma forrageira (26%) e silagem de sorgo (26%). respectivamente. que. proteína e lactose e no teor de nitrogênio ureico no leite. de 30. concluíram que é possível incluir até 50. Outra opção para utilização das raspas de mandioca é a sua adição ao capim-elefante na confecção de silagem. avaliando a substituição do milho moído fino por polpa cítrica e raspa de mandioca (50:50) para vacas Holandesas no terço final de lactação.5% de gordura em relação à ingestão de matéria seca) foi reduzida com a elevação dos níveis de raspa de mandioca. Ramalho (2005) avaliou níveis de 0.0%.0% (Vilela e Ferreira.0 a 13. Em condições adequadas. favorecendo. em concentrações superiores a 20μg de aflatoxinas/Kg de farelo de mandioca. contudo. a raspa pode ser transformada em farelo por moagem e posteriormente utilizada na composição de rações.0 e 100.5% e 0. não observaram diferenças na produção de leite. 25.0% e temperatura ambiental acima de 25ºC. Rhizopus e Fusarium e. (1976). O rendimento das raspas secas em relação às frescas varia. para aumentar o teor de matéria seca. A eficiência alimentar (expressa em Kg de leite corrigido para 3. desta 313 . produção de micotoxinas. Para melhor uso. Nunes (1998) recomendou que o farelo de raspa de mandioca pode ser incluído em até 50% dos concentrados para bovinos de leite. em condições de umidade do substrato acima de 18. 1990). oferecem perigo à saúde dos animais.

característica importante quando se trabalha com variedades de mandioca “amarga” (Carvalho. 2002). o valor nutricional da silagem. assim. Já Dórea et al. por exigir maior investimento. no nível de 3. 2006).3. a adição de ureia na ensilagem da raiz de mandioca aumenta sua degradabilidade efetiva (Figueiredo et al. melhorando. é importante dar-lhe no topo uma forma abaulada e cobri-lo com uma lona plástica.0 e 30. 1997). picar. Dantas et al. inicialmente as raízes sadias e recém-colhidas devem ser lavadas e selecionadas. com níveis entre 7. na rapidez das operações de colher. Em seguida. 314 . Apresenta como limitações ao seu uso a baixa concentração de energia. a peletização aumenta a qualidade e a durabilidade do produto. ou com auxílio de trator. eliminando-se aquelas com coloração escura. Raiz peletizada A peletização da raiz de mandioca tem como objetivo a obtenção de um produto mais uniforme. O segredo da ensilagem está. aumentando o custo do produto. Entretanto. sobrepondo camadas de terra de 15cm. 4. e a retirada diária deve ser feita de maneira rápida para evitar exposição excessiva ao ar do material que permanece no silo (Carvalho. por meio do caminhar de homens ou de animais. No fechamento do silo.0% de raspa de mandioca ao capim-elefante reduz linearmente as perdas de efluentes e aumenta a recuperação de matéria seca. A abertura do silo só deve ser realizada após 30 dias de fermentação. (2007) observaram que a inclusão de 7. A inclusão da ureia. lavar. compactar e fechar o silo (Carvalho.3. aumenta o teor de proteína bruta e a estabilidade aeróbica do material ensilado após a abertura do silo. 2cm e colocadas no silo.3. o que facilita o transporte e o armazenamento. bem como a redução da pulverulência. Deve-se fazer canaleta para evitar entrada de águas pluviais.. Raiz ensilada Uma alternativa para prolongar a conservação da raiz destinada ao arraçoamento animal por período de tempo maior (até dois anos) é a sua ensilagem como forma de conservação de seus componentes nutricionais.forma. 1983). Para a obtenção de uma boa silagem. 15. Além disso.4.0%. às raízes de mandioca. (2007) concluíram que a inclusão da raspa de mandioca promove melhoria do perfil fermentativo de silagens de capim-elefante.0.0 e 15.0% de inclusão sendo suficientes para alcançar tais melhorias. pouca palatabilidade e dificuldade para mistura com outros ingredientes dietéticos (Gil e Buitrago. Neste processo. sendo ainda dependente do tempo de armazenamento no silo. A compactação deve ser feita a cada camada de 20 a 40cm. ocorre a redução das concentrações de HCN com o tempo de ensilagem. sobretudo. A silagem de raízes de mandioca apresenta umidade mais variável em relação ao observado nas raízes frescas. com menor volume. no máximo. Além disso. é um processo dificilmente realizado na fazenda. devem ser picadas em pedaços de. 4. a fermentação lática. 1987).

de 27. à falta de conhecimento dos produtores e técnicos acerca dos critérios para sua utilização (Carvalho. 70. Farelo de algodão foi incluído em níveis crescentes para corrigir a deficiência proteica da raiz da mandioca. especialmente cálcio e ferro. sob taxa de conversão de 33.44% de nitrogênio. Péletes de raiz de mandioca apresentam aproximadamente 12.38% de fibra em detergente neutro (FDN). Aproximadamente 2. Os autores concluíram que os péletes de raiz de mandioca substituíram com sucesso o grão de milho triturado.0% de proteína bruta.0 a 32.5% de amido. a produção de raiz de mandioca peletizada é realizada em indústrias. É um produto que possui teor de proteína superior à maioria das forrageiras tropicais.26% de cálcio e 0. especialmente vitaminas A. 2002). é necessária a viabilidade do seu uso em indústrias alimentícia. 82.1. 2006). bem como na produção de leite corrigida para 4.5 a 3. sendo que as folhas apresentam 28. Devido ao fato de grande quantidade de folhagem de mandioca encontrar-se desprezada no solo após a colheita da raiz. os teores de nitrogênio ureico no plasma e no leite não diferiram entre tratamentos. C e do complexo B.. Além disso. Isso foi atribuído. 6 e 12. dentre outras. 7.1% de proteína bruta. DePeters e Zinn (1992) avaliaram três níveis de inclusão (0.3Kg/dia. 315 .71% de extrato etéreo.44% de fibra em detergente ácido (FDA).1% de cinzas. 0. 1990).13% de matéria seca. seu aproveitamento como fonte de proteína de baixo custo para produção animal tem sido reduzido. que frequentemente adicionam óleos vegetais para aumentar a durabilidade dos péletes e reduzir a pulvurulência. e o conteúdo de minerais é relativamente alto.05) nos parâmetros de composição. 2.0%) de péletes de raiz de mandioca em substituição ao grão de milho triturado na dieta de vacas Holandesas com 14 semanas de lactação.37% de amido. 2002).1% de fibra bruta e 2. farmacêutica.0 a 40. Apesar de apresentar excelente qualidade nutricional e aceitabilidade pelos animais. principalmente. 0. com base na matéria seca (Thampan.5% de umidade. Os péletes avaliados eram produto comercial específico e apresentaram 89.08% de fósforo. e as hastes e talos 11. em média. sendo considerada um resíduo gerado na colheita das raízes. a parte aérea da mandioca é rica em vitaminas.0 toneladas de raízes frescas são necessárias para produzir 1.0% (Buitrago. Além disso.Desta forma.0 tonelada de péletes. 8. 5. assim como na alimentação humana e animal como fonte de alternativa proteica (Ferri. PARTE AÉREA DA MANDIOCA 5. 10. 1979).0% (Carvalho et al. Não houve diferença (p>0. Aspectos nutricionais A parte aérea da mandioca é constituída pelas hastes e folhas (pecíolo e limbo) em proporções variáveis. Contém três vezes mais ácidos graxos e o dobro de fibras que as raízes (Valencia. 0.0% de gordura. 1983).

41. 5. fertilidade do solo e condições climáticas.. A.23% nos 2/3 inferiores. 2001).0 a 12. os quais reduzem a digestibilidade de aminoácidos. e a cultura torna-se semiperene.0% de extrato etéreo (EE). Os valores bromatológicos encontrados por Modesto et al.7g/100g de PB). A parte aérea da mandioca apresenta como principal componente energético o amido. (2004) para matéria seca (MS). em intervalos de dois a três meses.5%. 4.2g/100g de PB).0 a 50. mas com baixa concentração de aminoácidos sulfurados.0% de extrativo não nitrogenado (ENN). para plantas colhidas 12 meses após o plantio (Carvalho. as raízes exercem função de reservas de nutrientes para a rebrota da parte aérea. . efeito esse atribuído à presença de taninos atuando como agentes anti-helmínticos (Netpana et al. A PB da parte aérea da mandioca é de boa qualidade. com alto teor de lisina (7.16 a 19. Com relação aos outros aminoácidos essenciais. 2005). Esta forma de manejo permite a obtenção de 4t/ha/ano de PB. 1984). 15. comparativamente. com concentração na MS de 4. proteína bruta (PB). 51. Manejo e formas de utilização Quando o cultivo da mandioca destina-se exclusivamente à produção da parte aérea. cujas concentrações encontram-se abaixo dos requerimentos nutricionais dos ruminantes (Lopes et al. xantofilas e pigmentos (Buitrago.0 a 20. As folhas apresentam nível relativamente alto de EE (5. os demais se apresentam em concentrações semelhantes ou superiores às verificadas em leguminosas (Buitrago.0% de proteína bruta (PB). variedade utilizada. 8. respectivamente. 18. a cerca de 50-70cm acima do solo.0%. 316 . a colheita pode ser realizada a partir de três meses. uma folhagem de mandioca de boa qualidade deve apresentar.0% de cinzas e 40. 19.0% na matéria seca). manejo adotado.71% no terço superior (rama) e 12.0% da MS).4%. correspondendo a 6 toneladas de proteína por hectare. 1990). produzindo por dois a três anos. Sob condições de adequada fertilização e irrigação. fibra em detergente neutro (FDN).A composição bromatológica da parte aérea da mandioca varia de acordo com a proporção entre hastes e folhas. 1990). Quando a máxima produção de proteína é objetivo principal.0 a 22. fibra em detergente ácido (FDA) e lignina foram de 25. em especial a metionina (Nelson et al.0 a 5. com quantidades relevantes de ácidos graxos essenciais..0% e 12. exceto arginina e leucina. como metionina (1.20%.0 a 6. Alguns trabalhos têm sugerido que vacas e búfalos alimentados com dietas à base de forragem da parte aérea da mandioca apresentaram.0 a 7..0% de fibra bruta (FB). época de colheita.73 a 9.2. Segundo Buitrago (1990). com base na matéria seca. menor contagem de ovos de nematódeos gastrointestinais. As folhas da mandioca também apresentam taninos (3. Montilla (1976) reportou uma produção de 34 toneladas de matéria seca ao ano. 1975).

5.2.0% de parte aérea da mandioca melhora sensivelmente o valor nutricional do material e os parâmetros de qualidade da silagem (Carvalho. pecíolos e hastes mais tenras. já que as hastes apresentam 18. e a introdução na dieta deve ser gradativa. Rodrigues e Campos (2000) recomendaram usar a fração da parte aérea constituída pelas folhas. 1983). Parte aérea fresca A utilização direta da parte aérea fresca constitui a maneira mais simples e econômica de se fornecer mandioca aos animais. o que. em se tratando de mandioca-brava. a produção de silagem e o preparo de feno. em termos práticos.2. 50. (2003c) avaliaram a composição bromatológica da silagem do terço superior da parte aérea da mandioca e encontraram 19. Dessa forma.2. por um período mínimo de 24 horas. o silo deverá ser aberto somente após 30 dias de fermentação. 5. Para efetivação desta prática. como vacas de alta produção. a parte aérea deve ser picada em partículas de 1 a 2cm.0% de carboidratos solúveis. A forragem assim obtida deve ser misturada com 50. Carvalho (1984) sugere a utilização os dois terços superiores da parte aérea. necessários para a rápida redução do pH e conservação do material.75% de FDN.46% de PB.Existem três formas práticas de realizar o manejo da parte aérea da mandioca como matéria-prima para alimentação de vacas leiteiras. representa o terço superior da planta. as categorias de bovinos que melhor respondem a um programa de alimentação à base de forragem de parte aérea da mandioca fornecida fresca são aquelas com maiores requerimentos nutricionais. já que os custos diminuem consideravelmente.0 a 22. após a picagem do material. que visa à conservação dos nutrientes da forragem e que evita a perda excessiva das folhas. 317 . da mesma forma. evitando-se as partes lenhosas da planta. basta picar e distribuir imediatamente nos cochos de alimentação. Os demais passos do processo de ensilagem são semelhantes aos recomendados para a raiz e. 1983). Modesto et al. Para variedades “mansas”. Entretanto. a mistura do capim-elefante com 25. Carvalho (1983) recomendou o aproveitamento de toda a parte aérea para produção de silagem. Parte aérea ensilada A ensilagem é um processo de armazenamento menos dependente das condições climáticas. envolvendo o fornecimento ao natural. No entanto. recomenda-se fazer uma murcha. colocada no silo e compactada a cada camada de 20cm. Segundo Buitrago (1990).1.0% de outros volumosos (Carvalho. A parte aérea da mandioca apresenta qualidade nutricional superior à maioria das gramíneas empregadas na ensilagem.

maior concentração de proteína. Segundo Wanapat (2001). duas vezes. as frações A+B1 (solúvel e de rápida degradação ruminal).40. 10. 1990). respectivamente. 1997). esse processo facilita a incorporação do produto final em rações balanceadas (Buitrago. 31. B3 (lenta degradação) e C (indigestível) foram de 37. 4. Os autores sugeriram que se podem utilizar até 60. 20. o feno da parte aérea da mandioca pode ser triturado e transformado em farelo. o que corresponde a 20% de inclusão de silagem da parte aérea da mandioca na dieta total. com níveis crescentes de substituição (0. Utilizando vacas Holandesas com 100 ± 20 dias em lactação. As médias observadas para consumo de MS e produção de leite corrigida para 4. Modesto et al. de 2. as frações A+B1.86% de FDA. para a produção de feno. 26. a parte aérea da mandioca deve ser cortada a 40cm do solo.03%.0% de concentrado.. Nessas condições. (2003a. o que facilita o manuseio.21%. O material deve ser picado em partículas de 2cm e espalhado (15Kg/m2) sobre terreiro cimentado ou lâmina de polietileno (lona plástica). 40.05) nos parâmetros avaliados.0% de volumoso e 50. No fracionamento das proteínas. respectivamente. o material pode ser ensacado e armazenado em local seco e arejado.0. deve ser dada atenção ao processo de preparo do feno para evitar esses problemas.48%. Dessa forma. B2 (degradação intermediária). a secagem ao sol eliminou acima de 90% do HCN presente na parte aérea fresca da mandioca e aumentou a palatabilidade e o tempo de armazenagem. a digestibilidade aparente. 12. consequentemente. podem prejudicar a qualidade do feno produzido (Carvalho. deve-se revirar a forragem picada em intervalos de duas horas e. Além disso. a conservação e a mistura com outros ingredientes da ração (Lopes et al. B2 e C foram de 25. Parte aérea desidratada ao sol (Feno) O procedimento de desidratação da parte aérea da mandioca visa à redução na umidade e à diminuição nas concentrações de HCN para níveis não tóxicos. b) avaliaram o consumo. Quanto ao fracionamento dos carboidratos.0 e 60. o que permite maior concentração de folhas e. Após completar a secagem (12% de umidade).0% de gordura foram.25% de EE e 7. No primeiro dia.01%.0%) da silagem de milho por silagem da parte aérea da mandioca.0. 2005). 5.42% de cinzas.95% e 43.37%.0% de substituição.43% de lignina.54Kg/vaca/dia.63% PV e 24. que facilmente desprendem-se quando secas. A ocorrência de chuva ou alta umidade relativa do ar e a perda de folhas. já que não foram observadas diferenças (p>0. Alternativamente.2. a produção e a composição do leite para dietas à base de 50. 318 . respectivamente.94% e 25. conserva seu valor nutritivo por cerca de um ano. no segundo dia. De acordo com Carvalho (1983).3.

0% de PB.0% de MS. mas no Brasil ainda é pouco difundido 319 . segundo a FAO (2003). 46. respectivamente) em relação ao feno de alfafa (17. a mistura dessas frações para a produção de péletes resulta em um alimento com excelente valor nutricional. é uma alternativa em potencial que pode oferecer redução de custos na produção animal.0%. o farelo de parte aérea da mandioca com alta proporção de folhas deve apresentar 90. 6. na estação seca do ano. visando à alimentação de vacas leiteiras.5% de FB.70Mcal/Kg de energia digestível (ruminantes). Wanapat (2002) sugeriu a suplementação com 1 a 2Kg/dia de feno de parte aérea de mandioca para vacas em lactação.5ppm). respectivamente). como vacas em lactação (Gil e Buitrago.0%.4%. podendo ser utilizado na preparação de suplementos proteicos para categorias de maior requerimento nutricional.9%. 2002). O fornecimento da planta integral fresca é o modo mais simples de preparo. 34. seguida por um pré-murchamento. e a segunda apresenta alto teor proteico.0% de NDT. De acordo com Wanapat et al. o farelo da parte aérea da mandioca pode compor até 35% do concentrado para vacas leiteiras. devido à maior concentração de tiocianato (19. Para a obtenção de uma silagem de elevada qualidade. com base na matéria natural. o que promove melhorias na produção e composição do leite. apresenta grande potencial para uso em pequenas propriedades. o feno da parte aérea da mandioca apresenta maior teor de PB e menores concentrações de FDN. Outra forma de utilização é a conservação da planta sob forma de silagem. FDA e lignina (24. 20. (2007). porque combina fonte energética (a raiz) com a fonte proteica (a parte aérea).8%. PLANTA INTEGRAL (RAÍZES E PARTE AÉREA) O aproveitamento integral da mandioca com uso simultâneo de raízes e da parte aérea. Outra opção de uso para o feno da parte aérea da mandioca é a sua adição à silagem de capim-elefante.30% de P.20% de Ca e 0. sendo necessária a trituração do material em picadeira.5%. 65. que. 1. a inclusão de 9. além de aumentar a vida de prateleira desse produto. A parte aérea e a raiz da mandioca apresentam características nutricionais que se complementam. 35. de feno da parte aérea da mandioca proporciona aumento no teor de MS e redução das perdas por efluentes. 2.Segundo Buitrago (1990). deve-se realizar um prévio emurchecimento da parte aérea e garantir um mistura mais homogênea possível entre a parte aérea e a raiz.0%. (1997). Segundo Amaral et al. 27. 18. O feno da parte aérea da mandioca apresenta maior concentração de nutrientes em relação à forragem fresca.0% e 3.0% e 9. Segundo a FAO (2003). Esse processo é realizado com êxito na Tailândia. por um período de 24 horas. porém pobre em proteína. já que a primeira é rica em energia. Dessa forma.

3. ou bagaço. casca e entrecasca. 7. entretanto exige investimentos incompatíveis com o nível de tecnologia de pequenas propriedades. contendo parte do amido que não foi possível extrair no processamento. a casca de mandioca e o bagaço de mandioca. 1983). 2000). RESÍDUOS DO PROCESSAMENTO INDUSTRIAL DA MANDIOCA O processamento industrial da mandioca está relacionado à fabricação de farinha e à extração de fécula (amido). Apresenta como limitações à inclusão na dieta de vacas leiteiras a umidade elevada. 2000). apresentando elevados teores de amido (80. Dentre vários subprodutos com potencial de inclusão em dietas de vacas leiteiras. Sendo assim. 7.2. da mandioca é composta pelo material fibroso da raiz.(Carvalho. o que dificulta o consumo.. constituída de ponta e raiz. torna-se fundamental a análise de sua composição bromatológica para um correto balanceamento da dieta.1. 7. destacamse a farinha de varredura.0%) e baixas concentrações de FDN e FDA. Sua composição química é muito semelhante à farinha de mandioca (Caldas Neto et al. permitir armazenamento por tempo mais prolongado e eliminar a maior parte do HCN presente na casca fresca. Casca de mandioca A casca de mandioca é um subproduto proveniente da pré-limpeza da mandioca na indústria. É gerada na etapa de 320 . formado por farinha e pó. possui altos teores de FDN e de FDA e baixa concentração de amido (Marques et al. 2000). 7. Os subprodutos residuais originados da transformação das raízes da mandioca apresentam composição nutricional muito variável. a provável contaminação por terra e o alto teor de compostos cianogênicos. Ifut (1988) sugeriu a secagem deste subproduto para facilitar a conservação. Apresenta como limitações ao uso a baixa palatabilidade e a alta pulvurulência. 2005). Farinha de varredura A farinha de varredura é obtida nas farinheiras durante a limpeza de todo o material perdido no chão.. Por ser formada..0%) e de MS (90. aumentar a concentração de suas propriedades nutricionais. Bagaço de mandioca A massa. devido aos diferentes processos utilizados na sua obtenção. A utilização desses resíduos na alimentação animal dependerá da disponibilidade deles no mercado e do custo competitivo em relação a outros alimentos com características nutricionais favoráveis e composição química homogênea (Lopes et al. Essa prática é promissora para o aproveitamento da mandioca na alimentação animal. chegando a apresentar 85% de umidade (Cereda. por elementos estruturais da raiz da mandioca. principalmente.

Jaboticabal.2099-2108.0 e 15. et al.. CALDAS NETO.V. 10. apresenta cerca de 75. Brasília. Ferreira et al. 2007. R. bem como seguir recomendações de manejo que garantam eliminação do risco de intoxicação.0% na dieta total sem trazer transtornos fisiológicos ou nutricionais aos animais. v..9% de FDN e 5.29. ANDRADE.. Apesar do alto nível de fibra e lignina (34. CD-ROM. 2007.V.L.0.. A indústria do amido da mandioca. 2000).. VEDOVOTO. Devido ao baixo teor de matéria seca.9% de lignina). deve-se estar atento à correção das deficiências nutricionais deste alimento. Jaboticabal: SBZ. representa uma alternativa para substituição de ingredientes de alto custo tradicionalmente utilizados em sistemas de produção de leite.A. o bagaço de mandioca não é adequado para produção de silagem. por estar embebida em água. La yuca en la alimentación animal. seu nível de glicosídeos cianogênicos é mínimo.. Por outro lado. Bras. p.J. Cali: CIAT. o bagaço geralmente contém uma quantidade considerável de amido (até 60. G. S. 5. Feno da parte aérea da mandioca na ensilagem de capim-elefante: perdas e teor de matéria seca.0% de umidade (Cereda. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ALVES. Zootec. Desta forma.O. In: REUNIÃO ANUAL DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE ZOOTECNIA. 2000). A.A. 446p.separação da fécula e. 8. (2007) obtiveram silagem com bons parâmetros de qualidade para o bagaço de mandioca pré-seco por cinco horas ao sol e enriquecido com 4. 321 . concluíram que esse subproduto pode ser incluído em até 15.0.F.S. Anais. BUITRAGO A. A. ZEOULA. Lima et al.1990. Rev. 44. 2000. AMARAL. R. PIRES. BRANCO.0%) de bagaço de mandioca à dieta de vacas mestiças com 100 a 150 dias em lactação. 2003. Mandioca e resíduos das farinheiras na alimentação de ruminantes: digestibilidade total e parcial. 201p. avaliando diferentes níveis de inclusão (0. (2008)..F.. L. CONSIDERAÇÕES FINAIS A mandioca apresenta ampla versatilidade quanto às formas de utilização na alimentação de bovinos. Para que as dietas baseadas em produtos e subprodutos da mandioca permitam bom desempenho dos animais.. J.M.0%).0% de farelo de trigo.. tornando-se necessária a pré-secagem do material a ser ensilado ou a inclusão de aditivos com alto teor de MS. DF: Embrapa Informação Tecnológica. uma vez que os processos de lavagem e extração eliminam quase totalmente esse princípio tóxico (Ramos et al. I..

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Caixa Postal 567. Durante o beneficiamento desses cereais. O leite está entre os seis primeiros produtos mais importantes da agropecuária brasileira. Escola de Veterinária da UFMG. Doutoranda em Zootecnia. ao serem processados. Prof. MSc. é necessário o estudo de alimentos alternativos para utilização em dietas de gado leiteiro. além de Médica Veterinária. alimentos tradicionalmente empregados nos sistemas de produção leiteira. MG. destacando-se o farelo de arroz e o farelo de trigo. MSc. Escola de Veterinária da UFMG.. Belo Horizonte. Dentre os diversos alimentos que compõem as rações animais.. CEP 30123-970. Associado Departamento de Zootecnia da Escola de Veterinária da UFMG. Tendo em vista a importância social. Belo Horizonte. A possibilidade do emprego desses alimentos garante ao produtor maior flexibilidade na formulação das dietas.br 4 Médico Veterinário.com 1 327 . Belo Horizonte. O agronegócio do leite e de seus derivados desempenha um papel relevante no suprimento de alimentos e na geração de emprego e renda para a população (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária . sendo que. MG. fpimont@gmail.com 2 Engenheiro Agrônomo. belaveiga@yahoo. Belo Horizonte. principalmente. Escola de Veterinária da UFMG. no âmbito nacional e mundial. MG. Isto é interessante principalmente em anos de preços elevados do milho e soja. nutricional e econômica do leite. Caixa Postal 567. DSc. 2003). ficando à frente de produtos tradicionais como café beneficiado e arroz. CEP 30123-970.ufmg. Isabela Rocha França Machado Veiga3. O aproveitamento racional desses coprodutos. deste efetivo. lobato.com. Fernando Pimont Pôssas4 RESUMO O arroz e o trigo são destinados. alimentos amplamente destinados ao consumo humano. com cerca de 170 milhões de cabeças.CAPÍTULO 18 COPRODUTOS DO TRIGO E DO ARROZ NA ALIMENTAÇÃO DE GADO DE LEITE Flávia Cardoso Lacerda Lobato1. Lúcio Carlos Gonçalves2. CEP 30123-970. O arroz e o trigo. MG. em Zootecnia.. são gerados coprodutos potencialmente utilizáveis na alimentação animal. 2007). além de avaliar o potencial de utilização do farelo de trigo e do farelo de arroz na alimentação de vacas leiteiras. CEP 30123-970. Caixa Postal 567. Objetivou-se neste capítulo caracterizar tais cereais e seus coprodutos.EMBRAPA.br 3 Médica Veterinária. ao consumo humano. Doutorando em Nutrição Animal. INTRODUÇÃO O Brasil possui o maior rebanho bovino comercial do mundo. Caixa Postal 567. cerca de 35 milhões são de animais destinados à produção de leite (ANUALPEC. geram coprodutos potencialmente utilizáveis na alimentação animal. MSc. os cereais ocupam posição de destaque. luciocg@vet.fafa@gmail.

0% da produção de trigo no Brasil estão concentradas na região Sul. Recentemente. O Triticum aestivum representa mais de 90% da produção mundial. uma vez que se trata de material sem padrão de qualidade.possibilitar uma redução de custos na alimentação. aspectos culturais. reduzindo os riscos de poluição ambiental. são largamente empregados na manufatura de dietas para alimentação animal. com resultados positivos para o sistema de produção.2% superior à safra 2007-2008. NORMAS PARA ALIMENTAÇÃO ANIMAL Dentre os produtos da limpeza e industrialização do trigo. Já os coprodutos obtidos do beneficiamento do trigo. alta palatabilidade. a variabilidade da qualidade observada nestes coprodutos pode ser de grande magnitude. Outras variáveis também influenciam o emprego desse cereal. 2. como o preço em comparação ao milho. entre outras.9% e da produtividade média nacional em 12. O estado do Paraná.5%. a produção na safra de 2008-2009 será 47. sendo a espécie genericamente cultivada no Brasil (Miranda. permite uma destinação mais adequada a eles. O aumento na produção poderá favorecer sua utilização na alimentação animal. Outro aspecto é a disponibilidade inconstante ao longo do ano. Numerosas espécies são encontradas. De acordo com estimativas feitas pela Conab. amplamente utilizado na alimentação humana. 1. entre outros. sujeito à adulteração e à contaminação. No entanto. o que pode ser justificado pela sua adaptação a uma grande variedade de solos e climas. Atualmente é o cereal mais produzido no mundo. como é o caso do triguilho. o farelinho de trigo e o triguilho. 1999). prejudicando as projeções futuras de utilização e compra de alimentos. mas somente três apresentam importância econômica: o trigo duro (Triticum durum). IMPORTÂNCIA ECONÔMICA DO TRIGO O trigo é uma gramínea de inverno do gênero Triticum. O grão integral normalmente só é destinado ao consumo animal quando possui classificação inferior. o uso deste recurso deve ser acompanhado de avaliação laboratorial criteriosa para se evitar problemas de ordem sanitária e econômica (Zardo e Lima. o valor nutricional. o trigo comum (Triticum aestivum) e o trigo compacto (Triticum compactum). o uso de coprodutos da agroindústria na alimentação animal tem se tornado prática comum. pode-se citar: o trigo grão. 2006). Portanto. seguido do Rio Grande do Sul lideram a produção nacional. como o farelo e o farelinho de trigo. a classificação. definidos como: 328 . Mais de 90. o farelo de trigo. devido à expansão da área plantada em 30.

Nos moinhos. Parâmetro Unidade Trigo. o farelo e o farelinho de trigo correm em bicas separadas. formando um produto único com o nome de farelo de trigo comercial (Campos et al. 1995).0 13.1. Triguilho Grãos pouco desenvolvidos.0 11.0 12. 2001). É formado por pericarpo. 329 . no mercado brasileiro.3. Trigo grão Grão inteiro.0 Fibra bruta (máximo) % 4.0 Aflatoxina (máximo) Ppb 20. mal granados ou chochos.0 Proteína bruta (mínimo) % 15. Deve ser isento de matérias estranhas à sua composição (Lima e Viola.0 Extrato etéreo (mínimo) % 1.2.0 1.0 1. (1998).0 6. A utilização desses alimentos na dieta animal deverá seguir algumas normas estabelecidas pelo Ministério da Agricultura.0 Impurezas ( máximo) % 1. 2.0 20. a rotina é o emprego dos dois.0 4. Padrão exigido para a utilização do trigo. consiste em um recurso alimentar renovável (Beaugrand et al. que deve ser isento de sementes tóxicas e resíduos de pesticidas (Lima e Viola. 2.. 2004). partículas finas de gérmen e das demais camadas internas dos grãos e outros resíduos resultantes do processamento industrial.0 14.5 13. farelo de trigo e triguilho na alimentação animal. 2001). composto de finas partículas do gérmen e do farelo. resultantes de lotes cujo peso específico é menor que o mínimo exigido na moagem. 2001). Tabela 1. ou resultante da classificação do trigo após a eliminação das impurezas (Lima e Viola. entretanto.0 3. Farelo de trigo Principal e mais abundante subproduto da moenda de grãos. demonstradas nas Tabelas 1 e 2.4. Apresenta maior conteúdo de gordura e proteína do que o farelo. farelo Triguilho Umidade (máximo) % 13.0 Fonte: Compêndio. 2..2. destinado à alimentação animal.0 6. grão Trigo.0 Matéria mineral (máximo) % 2... Farelinho de trigo Coproduto obtido da polidura do grão.0 20.

94). mas. ela faz parte do farelo. CLASSIFICAÇÃO DO GRÃO DE TRIGO A classificação do trigo pode ser realizada conforme a cor e a textura do grão.5 1. 330 . 4. 1985. nesessitando de um período de baixas temperaturas para o seu melhor desenvolvimento (Olentine. Já a semente é formada pelo endosperma e o gérmen. sendo formado por seis camadas: epiderme. Os principais polissacarídeos que formam as paredes do pericarpo são as arabinoxilanas (660g/Kg) e a celulose (320g/Kg).) (% máx) (% máx. quebrados Por insetos e/ou pragas Tipo hectolitro e impurezas ardidos e chochos germinados esverdeados (% máx.) (% máx. com paredes celulares não lignificadas.5 1.. Esses grãos são pequenos e apresentam uma textura rígida com glúten duro ou moderadamente duro.Tabela 2. O pericarpo possui parede celular altamente lignificada. hipoderme. recobre toda a semente. 2001). células intermediárias. Classificação do trigo (Portaria nº 167.0 0. (1998). camada hialina e aleurona.0 2.07. enquanto as células da camada de aleurona são grandes e possuem alta concentração de amido e proteína. estrutura mais externa. no processo de moagem. 3.0 Fonte: Compêndio..5 3 13.0 2. recobertos por três camadas: testa (onde se encontram os pigmentos que dão cor ao grão). células cruzadas e células tubulares.) (Kg/hl mín.5 1.) 1 13. 2001).0 75 1. enquanto a aleurona é formada por arabinoxilanas (650g/kg) e β-glucanas (310g/kg). remanescentes da parede celular ou células finas.0 78 1.0 5. Os principais constituintes botânicos do farelo de trigo são tecidos do pericarpo e aleurona. Aparentemente toda a lignina do grão está associada com as paredes do pericarpo (Lima e Viola. citado por Lima e Viola. do ponto de vista botânico. faz parte do endosperma.0 2. com baixo índice pluviométrico.0 2 13. O pericarpo. As variedades pertencentes a este tipo de trigo são semeadas no outono e apresentam grãos maiores do que as variedades duras. de 29. O trigo mole é produzido em climas mais amenos e com maior incidência de chuvas.) (% máx. A aleurona.0 70 2. As variedades de trigo duro normalmente são cultivadas em regiões de clima temperado.5 1. Grãos danificados Peso do Matérias estranhas Umidade Pelo calor mofados e Triguilhos. ESTRUTURA DO GRÃO DE TRIGO O grão de trigo se divide praticamente em duas partes: o pericarpo e a semente.

A amilose é uma cadeia linear de polímeros de glicose. enquanto o milho apresenta em torno de 4.0% da FDN do trigo é efetiva (adotandose a FDN da silagem de alfafa como referência . trigo grão.0% restantes são compostos por amilopectina. enquanto o ácido oleico apresenta concentração em torno de 11.0% de lipídios. treonina. que normalmente são deficientes em proteína degradável no rúmen (Martinez. metionina e valina. açúcares. a proteína do trigo é superior à do milho em concentração. Isto pode ser devido ao fato de o teor de fibra presente no trigo grão e no triguilho ser menor que do farelo de trigo. ou seja. celulose e hemicelulose. 57.0% do amido é composto por amilose. A composição química do trigo é muito variada e irá depender do cultivar e das condições edafoclimáticas. O trigo grão e o triguilho possuem teor de energia muito superior ao do farelo de trigo. De acordo com National Research Council . 331 .NRC (2001).0% ou mais do total de ácidos graxos do grão de trigo. segundo o NRC.0% nos cultivares com alto teor de óleo.3%. assim como do milho.0% deste total (Lima e Viola. porém mais alta do que a maioria das fibras dos alimentos concentrados.0 a 2. O principal componente energético do trigo é o amido.5. O ácido linoleico compreende 50. a proteína do farelo de trigo é altamente degradável no rúmen (79.0% do endosperma. em comparação ao milho. sendo encontrados abundantemente os ácidos oleico e linoleico. nos cultivares comuns e até 8. Geralmente. 2008). Cerca de 25. O trigo também é constituído por pentosanas.100. COMPOSIÇÃO QUÍMICA DO TRIGO A Tabela 3 mostra a composição química do milho.57. na sua maior parte. Os ácidos graxos são. enquanto a amilopectina é uma cadeia ramificada. Os aminoácidos limitantes em ordem de importância são: lisina. sendo utilizada com eficiência por ruminantes consumindo forragens de baixa qualidade. Em relação ao teor de proteína e gordura. mesmo que ainda continuem com energia inferior àquela observada para o milho. compararam a efetividade do farelo de trigo em relação à silagem de alfafa e chegaram ao coeficiente de 0.0%. insaturados. O trigo contém entre 1. o farelo de trigo apresenta níveis mais elevados em relação ao triguilho e trigo grão. Quando comparada à das forragens. os três alimentos são superiores em proteína e aminoácidos totais.0% do grão e 70. farelo de trigo e triguilho. a fibra do farelo de trigo tem efetividade mediana. 2001). dextrinas. enquanto os 75.0%). mas. 2001). citados por Martinez (2008). qualidade e composição de aminoácidos. que representa aproximadamente 60. (1991). Vaughan et al.

16 87.00 0.87 0.39 0. (2006) 87.94 0.76 0.43 0.75 0.77 2.72 0.58 9.20 4.66 0.48 0.55 18.01 16. Nutriente Matéria seca (%) Proteína bruta (%) Extrato etéreo (%) Matéria mineral (%) Fibra bruta (%) Fibra em detergente neutro (%) Fibra em detergente ácido (%) Lignina (%) NDT (%) Amido (%) Energia bruta cal/Kg Cálcio (%) Fósforo (%) Magnésio (%) Potássio (%) Sódio (%) Cobre mg/Kg Ferro g/Kg Manganês mg/Kg Zinco mg/Kg Lisina (%) Metionina (%) Cistina (%) Treonina (%) Triptofano (%) Fenilalanina (%) Leucina (%) Isoleucina (%) Valina (%) Histidina (%) Arginina (%) Tirosina (%) Alanina (%) Ácido aspártico (%) Ácido glutâmico (%) Glicina (%) Prolina (%) Serina (%) Milho grão Valadares Filho et al. (2006) 88.6 64.13 0.60 162.45 1.22 1.55 2.31 0.25 0.47 0.12 0.55 4.42 0.00 72.60 0.53 0.63 3.11 2.42 0.61 2.12 0.42 0.03 3.30 13.32 0.73 Triguilho Rostagno et al.47 0.02 0.28 9. trigo grão.38 0.37 0.31 0.07 0. (2005) 88.24 0.53 63.25 0.69 2.43 0. (2006) 87.43 Trigo grão Valadares Filho et al.17 13.31 4.35 0.54 15.88 12.27 0.Tabela 3.37 0.14 0.55 156.46 0.19 67.50 0.71 8.03 0.10 32.82 1.24 0.42 1.21 0.1 0.26 91.18 0.90 1.89 0.17 13.01 18.17 0.43 0.98 4.37 64.59 0.01 5.49 1.58 0.13 0.57 217.21 0.55 0.64 9. farelo de trigo e triguilho.24 73.84 0.32 1.65 0.11 4.27 0.43 0.35 0.63 1. Composição química do milho grão.23 3.02 21.8 156.85 3.42 0.07 1.32 0.31 0.06 1.35 0.60 0.30 0.61 1.76 6.33 0.09 0.67 - 332 .52 4.33 0.4 44.53 5.18 0.40 Farelo de trigo Valadares Filho et al.43 34.33 0.52 44.65 23.09 0.85 0.08 0.17 0.08 1.16 0.17 0.79 0.29 0.58 1.34 0.

33. a avaliação do consumo de matéria seca do farelo de trigo é relevante. (2001). Dentre as várias possibilidades. 2005).69% de farelo de trigo no concentrado.6.. que foi justificado pelo aumento do teor de FDN da ração à medida que se elevaram os níveis de farelo de trigo. incluído em 22. mesmo com características bastante diferentes. é o sorgo. que não se encontra disponível em muitas regiões. pelo menos em parte.0.00 e 43. Os autores verificaram que o consumo de MS expresso em kg/dia e em %PV (média de 16. a única alternativa para substituir o milho nas rações.. a quantidade de farelo de trigo na ração de vacas leiteiras tem sido limitada a 25.80 e 3. Soares et al. possam substituir os grãos de milho na formulação de dietas para rebanhos leiteiros. Segundo Waldern e Cedeno (1970). (1987) e Soares et al. com características semelhantes às do cereal. Acedo et al. pois é reconhecidamente a primeira aproximação na obtenção das estimativas dos parâmetros do valor nutritivo dos alimentos (Correa et al. que receberam silagem de milho e produziram.0%. De acordo com alguns autores.16. 2007). Resultados diferentes foram encontrados por Bernard e McNeill (1991). substituiu frações de milho grão.0% por farelo de trigo. De acordo com os autores. FARELO DE TRIGO NA ALIMENTAÇÃO DE VACAS LEITEIRAS 6.0 e 100. o farelo de trigo é mais uma alternativa interessante para substituir. A determinação da digestibilidade também é importante. em média. Consumo e digestibilidade aparente da matéria seca No Brasil. Entretanto. a um consumo deficiente de matéria seca.1. a redução na ingestão de matéria seca ocorreu devido às diferenças na palatabilidade e à extensão de degradação da matéria seca. silagem de milho e farelo de soja na dieta-controle de vacas Holandesas. o milho em grãos das dietas de vacas em lactação (Pedroso et al. respectivamente) não foi influenciado pelo aumento dos níveis de farelo de trigo das dietas. já que é ele considerado um dos principais determinantes do processo produtivo. (2004) substituíram o fubá de milho em 0. (2004) incluíram 60. 20Kg de leite. a peletização poderá amenizar os 333 . De acordo com Detmann et al. Os mesmos autores observaram um decréscimo linear da digestibilidade aparente da matéria seca. e não observaram redução no consumo de matéria seca pelos animais. em grande parte. que observaram uma redução no consumo da matéria seca quando o farelo de trigo. devido à perda de palatabilidade e ao menor desempenho dos animais quando esse alimento é incluído acima desse limite. no concentrado de vacas Holandesas.0% da matéria seca total. a baixa produção de bovinos nos trópicos deve-se. 67.0. Também se verificou uma diminuição na digestibilidade aparente da matéria seca com a inclusão do farelo. de forma que se faz necessário buscar alimentos que. Assim. Desta forma.

5% de gordura. em média. deve-se considerar que o farelo de trigo pode ser um excelente suplemento. De acordo com os autores. 6. 20kg de leite. (2004) substituíram o milho em 33. que normalmente são deficientes em proteína degradável no rúmen. Além disso. a decisão da inclusão de farelo de trigo na dieta de vacas em lactação dependeria apenas de fatores econômicos. a menor produção de leite poderia ter sido causada pelo menor teor de energia do farelo de trigo comparado ao milho (NRC.0 e 75. os teores de proteína e de gordura e os extratos secos totais e desengordurados não foram influenciados pelos níveis de farelo de trigo. A produção de leite corrigida ou não para 3. o farelo de trigo pode ser empregado como substituto da forragem.0% da matéria seca total da dieta de vacas holandesas.0% pelo farelo de trigo em rações concentradas em dietas à base de silagem de milho. que receberam silagem de milho e produziram. Neste sentido. No entanto. uma vez que apresenta proteína altamente degradável no rúmen. Além de ser utilizado em rações de vacas leiteiras.0. ou seja.0% da MS total da dieta de vacas multíparas em lactação. (1993).0. no concentrado padrão de vacas Holandesas.0% por farelo de trigo. observou uma redução nas produções de leite e de proteína e um aumento do teor de N-ureico quando o farelo de trigo substituiu 75.2. Já Wagner et al.0 e 100. avaliando a substituição da silagem de alfafa por farelo de trigo. 67. Segundo o autor.0% de milho no concentrado. 2001). Depies e Armentano (1995). a diversidade de rações em que ele é incluído dificulta o agrupamento para fins de revisão de literatura (Martinez. Produção e composição do leite O farelo de trigo é largamente empregado na alimentação de bovinos. incluído em 15. (2004). para vacas produzindo. Soares et al. no concentrado de vacas Holandesas.problemas relacionados à perda de palatabilidade em dietas com grande quantidade de farelo de trigo. 20Kg de leite . Diferente dos resultados encontrados por Soares et al. o fubá de milho poderá ser substituído em até 100. ainda são escassas na literatura informações sobre seus efeitos na produção e composição do leite de vacas. De acordo com os autores. substituindo o milho moído fino em 25. sendo utilizada com eficiência por ruminantes consumindo forragens de baixa qualidade. Já o maior teor de N-ureico no leite seria consequência da maior degradabilidade ruminal da proteína do farelo. esse aumento pode ter ocorrido devido ao menor tamanho de partícula e à taxa de passagem ruminal mais rápida de alguns coprodutos comparados às forragens. Também. incluído em 17. Martinez (2008). não observaram diferenças no consumo de matéria seca. em média. 50. 2008). 334 .0% por farelo de trigo. avaliando a substituição de parte da silagem de milho por farelo de trigo. observaram um aumento no consumo de matéria seca.

verificada também neste estudo. e. este efeito não seria esperado quando tal alimento fosse empregado em substituição a ingredientes menos energéticos. incluído em 17.0% do milho e do farelo de soja por uma dieta composta por casca de soja. (2004). facilita a acomodação e compactação do material ensilado (Zanine et al. a utilização de 60% do farelo para substituir alimentos de alto conteúdo energético resultaria em menor produção de leite. 335 . uma mistura de coprodutos fibrosos constitui-se uma alternativa para substituição de feno ou grãos.0 ou 60. Segundo os autores. os resultados obtidos por Martinez (2008) foram semelhantes aos observados por Soares et al. (1999).0 e 60.0 ou 40. No estudo com vacas mestiças (meio sangue Holandês/Jersey). (1987) realizaram dois experimentos em que foram utilizados 0. sendo que o farelo de trigo substituiu parte do milho.0.0.0 ou 50.0% de farelo de trigo na dieta de vacas em lactação.0% e 0. bem como para melhorar o valor nutritivo das forragens. 2006).3. Entretanto. Farelo de trigo associado a silagens de gramíneas tropicais Gramíneas tropicais apresentam um melhor valor nutritivo quando jovens.0% de farelo de trigo.0% de farelo de trigo tiveram uma queda na produção.0 e 40. apresenta-se como uma alternativa interessante para diminuir essas perdas. 40. que..0% do feno de alfafa e 25. O farelo de trigo. Já as que receberam a dieta com 60. Resultados semelhantes foram detectados por Mowrey et al. 20. A produção de leite das vacas que receberam a dieta-controle foi semelhante à das que receberam 20. que afetou negativamente a porcentagem de gordura do leite. exceto para a dieta com 60. Os tratamentos não afetaram a produção e a composição do leite. Acedo et al. Não foram constatadas diferenças na produção e composição do leite. portanto. substituída por coprodutos. avaliaram os efeitos da substituição de 30. a silagem de capim está sujeita a perdas por efluentes e gases. e não verificaram alterações na produção e composição do leite. e da menor disponibilidade de carboidrato fermentável no rúmen.0% na MS. reduzindo os custos da dieta sem afetar a produção. 6. porém os baixos conteúdos de matéria seca e de carboidratos solúveis podem inviabilizar a sua utilização na fabricação de silagens. De acordo com os autores.0% de feno de alfafa. Tal suposição foi confirmada por Depies e Armentano (1995). O teor de gordura no leite foi semelhante em todos os grupos. sorgo e farelo de algodão. que examinaram o efeito da substituição parcial do milho moído e da silagem de alfafa por farelo de trigo. farelo de glúten de milho e farelo de trigo. Devido ao alto teor de umidade. diferentemente do capim emurchecido. trabalhando com vacas Holandesas em lactação.

A utilização dos aditivos. elevando os teores de matéria seca e carboidratos não fibrosos. no trigo. elevou o índice de valor forrageiro. O valor estimado de nutrientes digestíveis totais e das frações energéticas também aumentou linearmente com a inclusão do farelo. havendo 336 . Ávila et al. A adição de farelo de trigo foi suficiente para reduzir as perdas por gases e efluentes. a viscosidade pode dificultar a difusão e o transporte da lipase. 8. Estas alterações são relatadas principalmente em monogástricos. devido ao aumento da viscosidade. Somando-se a isto. (2003) também trabalharam com silagem de capim-tanzânia. 20. sendo que. Fatores antinutricionais Os polissacarídeos não amídicos são elementos de alto peso molecular. (2008). Os autores concluíram que a inclusão de 20.0% de farelo de trigo na silagem de capim-mombaça.tanzânia. 6. Resultados semelhantes foram observados por Ribeiro et al. 16.0% ). 24. 6.0% de farelo é suficiente para atingir melhorias consideráveis na qualidade da silagem de capim-mombaça e.0 e 60. formados por unidades de monossacarídeos e classificados como solúveis e insolúveis. a viscosidade pode reduzir a intensidade de contato entre os nutrientes e as secreções digestivas e reduzir ou dificultar o transporte até a superfície do epitélio. polpa cítrica e fubá de milho) em quatro doses (3.0% de farelo de trigo na silagem de capim. assim como nos demais trabalhos. cortado aos 46 dias de idade. melhorou as características fermentativas das silagens de capimtanzânia. Esta diminuição proporcionou aumento dos valores estimados para digestibilidade e ingestão de matéria seca e.0%. Nos cereais.0 e 12. 9.0. as β. pode ser adotada. reduzir o pH.Zanine et al. com redução da fração fibrosa. que utilizaram 0.0. (2006) avaliaram o efeito da adição de 0. recuperar maior quantidade de matéria seca. predominaram as arabinoxilanas e as β-glicanas. de óleos e das micelas de sais biliares dentro do conteúdo do trato gastrointestinal. 40. Os autores avaliaram três tipos de aditivos (farelo de trigo. que apresentam capacidade de formar solução homogênea com a água. e 34. As atividades antinutricionais de tais elementos são atribuídas principalmente à presença dos polissacarídeos solúveis. As β-glicanas irão interferir na absorção de alguns nutrientes. considerando-se o aspecto econômico.0. promover elevação do teor proteico e reduzir a fração fibrosa da silagem. produzindo soluções viscosas. De acordo com Lima e Viola (2001). fato atribuído ao elevado valor nutricional deste alimento. Os autores concluíram que a adição de farelo de trigo melhorou os parâmetros químicos bromatológicos da silagem.0.0%.0%. consequentemente. que combina medidas de digestibilidade e ingestão de matéria seca.0%.4.glicanas estão em maior concentração.

composto pelo pericarpo. entre outros.1% superior à safra 2007-2008. Durante esse beneficiamento. Farelo de arroz desengordurado Coproduto obtido a partir da extração do óleo do farelo de arroz integral. IMPORTÂNCIA ECONÔMICA DO ARROZ O arroz (Oryza sativa) é um dos cereais mais produzidos e consumidos no mundo.0% da sua produção está concentrada na região Sul. destacando-se o estado do Rio Grande do Sul.0% da população total dos países em desenvolvimento e cerca de dois terços da população subnutrida mundial. De acordo com estimativas feitas pela Conab. É um dos mais importantes grãos em termos de valor econômico. onde vivem 70. O Brasil destaca-se como único país não asiático entre os 10 maiores produtores.1. 8. Cerca de 70. haverá uma demanda para atender ao dobro desta população (Alonço et al. até 2050. É alimento básico para cerca de 2. há o farelo de arroz integral. camada de aleurona e gérmen. 8. cujas definições serão mencionadas a seguir. 2005). É considerado o cultivo alimentar de maior importância em muitos países em desenvolvimento. 8. farelo de arroz parboilizado. 7. principalmente na Ásia e Oceania. tegumento. farelo desengordurado.4 bilhões de pessoas e. Esse cereal desempenha papel estratégico tanto no aspecto econômico quanto social. 337 .1%. Isto se deve à expansão da área plantada em 1.2. é destinada ao consumo humano.uma carência de informações sobre os efeitos dessas substâncias na dieta de ruminantes. principal produtor nacional. Farelo de arroz integral (FAI) Coproduto do beneficiamento do arroz. a produção de arroz na safra de 2008-2009 será 5. que passa por uma série de processos até a obtenção do grão amiláceo ou arroz branco. A maior parte do arroz. segundo estimativas. obtêm-se coprodutos que podem ser destinados à alimentação animal. brunido.. obtido após a descascagem do grão.9% e da produtividade média nacional em 3. COPRODUTOS DO BENEFICIAMENTO DO ARROZ Dentre os coprodutos do beneficiamento do arroz.

citados por Walter et al.0-8. COMPOSIÇÃO QUÍMICA A Tabela 4 demonstra a composição química dos diferentes coprodutos obtidos a partir do beneficiamento do arroz. a maioria do farelo de arroz comercializado no Brasil está misturada com o brunido. Sendo assim. A camada de aleurona apresenta duas estruturas de armazenamento proeminentes. 2008). A cariopse é formada por diferentes camadas. que representa 8. Por meio da descascagem. obtendo-se o arroz branco polido (arroz brunido). os grãos de aleurona (corpos proteicos) e os corpos lipídicos. Cerca de 20.0% da massa do arroz integral.0% do arroz integral. obtendo-se o arroz integral. quebrados grandes e quireras.5-14. 2005).8. que representam 5. o tegumento e a camada de aleurona. após a colheita. composta de duas folhas modificadas..0% do peso do grão.. é embebido em água quente durante um período preestabelecido e depois sofre um aquecimento brusco visando gelatinizar o amido contido no grão (Wascheck. a casca. corresponde a cerca de 20. Brunido Constituído pela parte amilácea interna e a camada de aleurona. Farelo de arroz parboilizado Arroz que. Este pode ser polido para remoção do farelo (pericarpo.0-94. não permite a separação eficaz entre o farelo e o brunido. é rico em proteínas e lipídios e representa 2. a falta de uniformidade na composição química do brunido. camada de aleurona e gérmen). que são removidas ao final do estágio de beneficiamento do grão. ESTRUTURA DO GRÃO DE ARROZ O grão de arroz consiste da cariopse e de uma camada protetora. a pálea e a lema. 9. devido principalmente a diferenciações no processo de beneficiamento. O embrião ou gérmen está localizado no lado ventral na base do grão. tegumento. 2008). separa-se a casca da cariopse. De acordo com Prates (1993).8% do arroz integral (Juliano e Bechtel. sendo as mais externas o pericarpo.4. A casca. 10. 338 . representados por quebrados médios. 1985.0% do arroz integral) e consiste de células ricas em grânulos de amido e com alguns corpos proteicos (Juliano e Bechtel. citados por Walter et al. 1985.0-3. 8.0% do arroz branco polido são constituídos de grãos quebrados. O endosperma forma a maior parte do grão (89.3.

97 Zinco (mg/Kg) 71.74 ácido (%) Lignina (%) 5.66 NDT (%) 83.03 452.54 0.01 114.47 0.66 454.23 24.31 9.82 Fonte: Adaptado de Valadares Filho et al.40 91.09 1.44 0.63 Histidina (%) 0.38 Ácido glutâmico (%) 1.44 Valina (%) 0.51 0.65 1. (2006).21 0.18 Tirosina (%) 0.04 Ácido aspártico (%) 1.71 Metionina (%) 0. Farelo de arroz Farelo de arroz Farelo de arroz Nutriente integral desengordurado parboilizado Matéria seca (%) 88.61 203. farelo de arroz desengordurado e farelo de arroz parboilizado.09 Magnésio (%) 0.82 Lisina (%) 0.06 0.25 Matéria mineral (%) 8.25 10.11 25.46 81.09 9.48 10.14 2.95 17.76 neutro (%) Fibra em detergente 14.05 0.42 Arginina (%) 0.45 0.03 Manganês (mg/Kg) 241.36 Cistina (%) 0.60 Energia bruta (cal/Kg) 4.27 19.10 Fósforo (%) 1.80 Fibra em detergente 24.70 Serina (%) 0.51 Glicina (%) 0.79 Potássio (%) 1.18 0.08 0.80 Prolina (%) 0.56 Triptofano (%) 0.82 1.39 0.80 4.61 1.63 0.45 0. 339 .20 Cálcio (%) 0.64 Amido (%) 17.20 Fenilalanina (%) 0.06 14.07 143.48 40.91 Sódio (%) 0.40 Leucina (%) 0.57 Isoleucina (%) 0.68 0.43 Alanina (%) 0.75 0.12 0.18 Proteína bruta (%) 13.26 Fibra bruta (%) 9.53 16.32 1.22 4.06 Treonina (%) 0.89 0.Tabela 4.24 Extrato etéreo (%) 16. Composição química do farelo de arroz integral.22 1.11 10.90 1.09 Cobre mg/Kg 16.88 Ferro (g/Kg) 82.49 0.75 1.71 89.

é recomendável a análise laboratorial dos alimentos. inviabilizando a sua aplicação em escala comercial.0%) e alto (25. 1993).0% de amilose). Este é o tipo de adulteração mais frequente. Enquanto o endosperma é composto principalmente por amido. O amido é um homopolissacarídeo composto por cadeias de amilose e amilopectina. contendo pequenas quantidades de outros carboidratos (Juliano.0-8. conteúdo de amilose muito baixo (2. E. 1993). sendo digerida em grande parte no intestino e no abomaso. sendo que a parte dessa energia advém dos altos conteúdos de gordura. O farelo de arroz integral é considerado um alimento energético. o farelo e o gérmen apresentam principalmente fibra. Outra forma de contornar o problema da rancificação seria a extração do óleo do farelo.0-33. intermediário (20. com menor concentração de albumina e globulina (15. globulina.0% das proteínas.0% da matéria seca do arroz polido.0-12. Ambos os farelos apresentam baixa degradabilidade ruminal da proteína. O teor proteico do FAD é superior ao do FAI em função da concentração dos nutrientes. já que não apresenta risco de rancificação. No farelo de arroz. Além do amido. Este processo compromete o valor nutritivo dos alimentos. metionina.0-25. ENERGIA E PROTEÍNA Os carboidratos são os principais constituintes do arroz. Portanto.02. As proporções em que estas cadeias aparecem diferem entre genótipos.0%). representa a parte dos carboidratos não estruturais.0%) (Juliano. provocada pela extração do óleo. Estes problemas podem ser resolvidos pela aplicação de calor com umidade seguida de secagem. biotina. responsável pela elevação dos teores de sílica. podendo-se classificar os grãos como ceroso (1. Já o farelo apresenta aproximadamente 340 . devido à destruição de compostos como vitamina A. As proteínas podem ser classificadas em albumina.0%).0%) e prolamina (5. especialmente dos coprodutos. componente de densidade energética que os carboidratos. antes da sua inclusão nas dietas dos animais. maior maior baixa maior O alto conteúdo de óleo pode ser um fator limitante para utilização do farelo de arroz integral. obtendo-se o produto conhecido como farelo de arroz desengordurado. lignina e fibra bruta e consequente comprometimento do valor nutritivo do farelo de arroz.0-20. que parece ter degradabilidade ruminal e está presente em baixas quantidades. que corresponde a aproximadamente 90. O amido. O farelo de arroz desengordurado (FAD) pode ser armazenado por mais tempo que o farelo de arroz integral (FAI). ocorrem grandes variações na composição química. geralmente relacionadas à adição de cascas. também estão presentes açúcares livres e fibra. devido aos riscos de rancificação oxidativa. tal técnica apresenta alto custo. baixo (12. prolamina e glutelina. No entanto. entre outros. correspondendo a aproximadamente 80.0%).11. a glutelina forma a principal fração. No endosperma.

enquanto os sais cálcicos de ácidos graxos (gordura protegida) apresentam efeitos mínimos sobre a fermentação ruminal. 47. os minerais também apresentam-se em maior concentração nas camadas externas do grão. A concentração é maior riboflavina. especialmente durante a fase inicial de lactação. 341 . Entretanto. constituindo aproximadamente 70. FARELO DE ARROZ NA ALIMENTAÇÃO DE VACAS LEITEIRAS O farelo de arroz integral pode ser utilizado como fonte de gordura na dieta de vacas em lactação.0%. fósforo e zinco. Apesar dos benefícios citados.0%. (2004). Cerca de 72. a adição de gordura deve ser limitada. o ácido fítico está relacionado à menor absorção de minerais como cálcio. 12. 13. Além da possibilidade de aumentar a produção de leite por vaca. O teor é maior nas camadas externas do grão (aproximadamente 88. presentes no farelo (Juliano. deve-se ficar atento aos conteúdos de ácido fítico que é uma forma de armazenamento de fósforo. seguido por prolamina e glutelina (27. D e C. comprometendo o desempenho animal. VITAMINAS E MINERAIS O arroz contém principalmente vitaminas do complexo B e com concentrações insignificantes das vitaminas A. o emprego de gordura protegida tem sido restrito em função de seu elevado preço. niacina e αrespectivamente. e o restante. 67.0% dos minerais encontram-se no farelo.0 e 95. resultando em balanço de aminoácidos mais completo (Juliano. no grão polido.0%). nas camadas externas do grão.0% de albumina.0%) e globulina (7. α-tocoferol (vitamina E). estando associado principalmente à camada de aleurona (Walter et al. Portanto. a composição em proteínas do endosperma difere do farelo. pois seu excesso poderá interferir na digestibilidade de alguns nutrientes. existe uma necessidade de aumentar a concentração energética da dieta. entre os cereais. o arroz apresenta a lisina como aminoácido limitante. No entanto. pois o consumo de matéria seca não é suficiente para atender às exigências de produção dos animais.60. aproximadamente 78. estão Da mesma forma. Nesta fase.0% do conteúdo desse mineral em sementes. Devido à sua capacidade quelante. especialmente da fibra. Em relação à composição mineral. sendo que.0. tocoferol. Portanto. uma fonte ideal de gordura para vacas em lactação seria aquela que não interferisse na digestibilidade dos demais nutrientes. Similar a outros cereais. segundo Nörnberg et al. A qualidade da proteína depende de seu conteúdo em aminoácidos. para tiamina. que se encontram em balanço energético negativo. 2008). 1993). De acordo com Palmquist (1991). a suplementação com gordura é interessante.0%) (Juliano. mas que apresentasse elevada digestibilidade intestinal.. 1993).0. 1993). 28. podendo provocar deficiência desses minerais. as gorduras insaturadas e os ácidos graxos de cadeia curta apresentam mais efeitos que as saturadas. o arroz apresenta uma das maiores concentrações de lisina.

0% de gordura. sem afetar a digestibilidade aparente da matéria seca. em função da maior disponibilidade desse nutriente e do maior desenvolvimento das micelas no intestino. devido à indução da resistência à insulina. matéria orgânica. Não foram verificadas alterações no consumo de matéria seca.0% de fubá de milho (FM). proteína bruta. seja para atingir o nível almejado de gordura na dieta seja para reduzir o seu grau de insaturação. Os autores concluíram que o farelo de arroz integral. matéria orgânica. ao mesmo tempo. apresentando elevada digestibilidade da fração lipídica.Nörnberg et al. Ao substituírem o milho por farelo de arroz parboilizado em até 79. Quando há substituição de carboidratos disponíveis no rúmen pelo lipídio.3% de arroz parboilizado (FA). De acordo com Palmquist e Moser (1981). proteína bruta. esse tem efeito tóxico sobre os microrganismos do rúmen. tem diminuído a porcentagem de proteína. Wascheck (2004) não observou efeito do tratamento sobre a produção de leite e de leite corrigido para 4. tanto associado a óleo quanto ao sebo..0% de gordura. mas. fibra em detergente neutro e fibra em detergente ácido.0% de gordura bruta em dietas de vacas leiteiras de alto mérito genético no início da lactação.7% de fubá de milho e 79. Outro fator a ser 342 . Tais tratamentos apresentaram maior digestibilidade do extrato etéreo quando comparados à dieta-controle (FM). hormônio responsável pela estimulação do transporte de aminoácidos para o interior da glândula mamária. a utilização de gordura suplementar reduz a síntese de proteína do leite. devido ao ligeiro aumento nas produções de leite corrigidas dos tratamentos MA e FA.3% na dieta de vacas leiteiras. os efeitos negativos do farelo de arroz poderiam ser atenuados ou mesmo neutralizados associando-se a gordura deste coproduto com outra fonte de gordura. totalizando 6. associado a óleo de arroz e a sebo bovino. trabalhando com vacas Jersey no início da lactação.0% de fubá de milho e 50. fibra em detergente neutro e de carboidratos não fibrosos da dieta. o farelo de arroz integral pode ser usado como fonte alternativa de gordura. Já a porcentagem de proteína do leite foi reduzida com a inclusão do farelo de arroz parboilizado. Os resultados deste estudo foram semelhantes aos encontrados por Wascheck et al. Os níveis de gordura na matéria seca total atingiram 7. 2001). (2008). com 4. Ainda segundo os autores.5% nos tratamentos em que foi empregado farelo de arroz parboilizado (MA e FA). Os autores justificaram esta maior digestibilidade devido ao aumento da proporcionalidade de bactérias lipolíticas no rúmen. (2004). De acordo com os autores. O uso de alguns tipos de gorduras suplementares tem aumentado a produção e a porcentagem de gordura do leite. não observaram alterações na digestibilidade da matéria seca. proteína bruta. acusou resultados semelhantes à gordura protegida. que trabalharam com vacas Holandesas com média de produção de 20kg e avaliaram três tipos de dietas: dieta com 100. mas.0% de farelo de arroz parboilizado (MA) e dieta com 20. matéria mineral e amido com a inclusão do coproduto. avaliaram a possibilidade de utilização do farelo de arroz integral como fonte de gordura. causando redução no crescimento microbiano e efeito sobre o transporte de aminoácidos na glândula mamária (Santos et al. a produção de proteína/Kg/dia não diferiu entre os tratamentos. dieta com 50.

arroz) tem se revelado como uma metodologia viável para aumentar a eficiência de utilização destes volumosos. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ACEDO. Apesar dos efeitos adversos. Cerca de 100 gramas adicionais de ganho diário foram obtidos para cada 100 gramas adicionais de FAI (aumento linear). v. BUSH.635-638. e equilibrariam os nutrientes essenciais para o animal. Deve-se ficar atento aos níveis de inclusão do farelo de arroz na alimentação de vacas leiteiras. 14. alguns experimentos foram desenvolvidos. Neste sentido. ADAMS. avaliando a adição de farelo de arroz em dietas com cana-de-açúcar aditivada com ureia. Isto pode ocorrer.D. o farelo de arroz é um coproduto de grande potencial na nutrição de ruminantes devido à possibilidade de fornecer proteína e amido sobrepassante. minerais e vitaminas proporcionou melhor desempenho em bovinos quando houve suplementação com FAI.J. A inclusão de farelo de trigo em silagens de gramíneas tropicais surge como alternativa na melhoria dos padrões fermentativos das silagens..70. A principal teoria para explicar tal resultado seria a capacidade do farelo em prover os precursores glucogênicos que parecem ser de muita importância como fatores limitantes em dietas de cana-de-açúcar (Prates. C. CONSIDERAÇÕES FINAIS A análise laboratorial dos coprodutos antes da incorporação à dieta é fundamental. p. pois microrganismos ruminais não utilizam gordura como fonte de energia. devido às possibilidades de grandes variações na composição química. O teor de lipídios na MS total deverá permanecer entre 5 e 7%. G. observaram que a cana-de-açúcar aditivada com ureia. soja. Estes suplementos teriam pouco efeito sobre a distensão ruminal. a suplementação estratégica de volumosos de baixa qualidade com subprodutos do beneficiamento de grãos (milho.. Responses of dairy cows to different amounts of wheat middlings in the concentrate mixture.. L. 1993). mantendo ou aumentando o consumo da dieta basal. O farelo de arroz e o farelo de trigo podem ser utilizados na alimentação de vacas leiteiras substituindo parte do volumoso ou do concentrado. Os limites de inclusão do farelo de trigo nas dietas de gado leiteiro ainda não estão bem definidos. Preston e Leng (1978).considerado é a possibilidade de comprometimento da síntese de proteína microbiana com a substituição de um alimento com alto conteúdo de carboidratos pela adição de gordura. 343 . 1987. citados por Prates (1993). Cereal Sci. o que é interessante em dietas compostas por volumosos de baixa qualidade. (1996). J. Segundo Ospina et al.

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que possui grande variedade de cultivares no país e um grande potencial de uso. cálcio e fósforo e ser rica em vitaminas A. Pode produzir mais energia comestível por hectare que o trigo. que é um tubérculo ou caule suculento. Com exceção do nome.CAPÍTULO 19 BATATA-DOCE NA ALIMENTAÇÃO DE GADO DE LEITE Isabela Rocha França Machado Veiga 1. Caixa Postal 567. wilsonvet2002@gmail. não muito comum no Brasil. B e C.ufmg. A parte aérea (ramas) pode ser utilizada como fonte proteica. Escola de Veterinária da UFMG. MG. MG. que também inclui tomates. Belo Horizonte. Prof.fafa@gmail. 4 RESUMO Apesar de sua grande importância social. farinha. onde se constitui uma das mais importantes fontes de alimento. além de conter ferro. MSc. INTRODUÇÃO A batata-doce (Ipomoea batatas Lam. Outro destino possível é a produção de biocombustível. Doutoranda em Zootecnia. ao seu valor nutricional e ao seu uso na alimentação animal. MSc. Flávia Cardoso Lacerda Lobato 3. CEP 30123-970.) não é um alimento muito estudado no Brasil. MSc. Esta é um membro da família Solanaceae. principalmente para as regiões menos desenvolvidas. Possui uma variedade de usos desde o consumo de raízes ou folhas frescas até alimentos processados como amido. demonstrando a possibilidade de utilização devido às suas características agronômicas e produtivas. Diferentemente da batata inglesa. Doutorando em Nutrição Animal. doces e álcool (CIP. Médica Veterinária. O objetivo deste capítulo é descrever esse alimento. Escola de Veterinária da UFMG. Lúcio Carlos Gonçalves 2. Destaca-se das demais culturas por apresentar alto rendimento por hectare e elevado valor energético. belaveiga@yahoo. arroz ou mandioca. possui bom valor energético e pode ser utilizada em dietas de vacas leiteiras com resultados satisfatórios. em Zootecnia. Por ser uma raiz tuberosa de armazenamento. Bolsista CNPQ.. Belo Horizonte. Escola de Veterinária da UFMG.br 2 Engenheiro Agrônomo. a batata-doce não tem relação com a batata inglesa. uma vez que são utilizadas outras matérias-primas mais econômicas (Momenté et al. a batata-doce (Ipomoea batatas Lam.com 1 347 . luciocg@vet. Wilson Gonçalves de Faria Jr. CEP 30123-970. Belo Horizonte. Caixa Postal 567.br 3 Médica Veterinária. a batatadoce é uma raiz tuberosa de armazenamento (Centro Internacional de la Papa .com 4 Médico Veterinário. CEP 30123-970. Caixa Postal 567.CIP.com. MG.) é um alimento de importância social e econômica. lobato.. Associado Departamento de Zootecnia da Escola de Veterinária da UFMG. 2004). Caixa Postal 567. Belo Horizonte. MG. 2009).. 2009). É uma cultura originária das Américas. DSc. CEP 30123-970. enquanto a batata-doce pertence à família Convolvulaceae..

no México. 2003). com destaque para regiões Sul e Nordeste (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística . a cultura se desenvolveu separadamente de seus ancestrais americanos. garantindo a fixação da mão de obra no campo (Miranda. encontrou uma produtividade de raízes variando de 5. O exato local do continente onde é originada a batata-doce ainda é indeterminado..FAO. e na África (Uganda: 2. Esta cultura está presente em todas as regiões brasileiras. como a batata-inglesa e a mandioca (CIP.3 (acesso UFT-10AL) a 26. Isto se deve principalmente à sua rusticidade. necessitando de poucos tratos culturais e dispensando o uso de tecnologia agrícola mais avançada. 2009). tolerância à seca e à baixa fertilidade do solo. o que torna o seu custo de produção inferior ao de outras culturas. 2005). mas no Nordeste assume alta importância social. 2007). A maior parte das evidências indica a faixa contida entre o México e o norte da América do Sul como a mais provável região de origem (Ritschel et al.FAO. Pode ser encontrada desde a Península de Yucatan. 2003).IBGE. 2009). sendo produzida principalmente na Ásia (China: 107. 2009). que pode atingir mais de 40 toneladas por hectare (Miranda et al. Massaroto (2008). é cultivada entre 40o de latitude Norte e 40o de latitude Sul. Devido a sua ampla adaptação. ORIGEM E PRODUTIVIDADE A batata-doce é uma espécie dicotiledônea pertencente à família botânica Convolvulaceae.176 mil toneladas – Food and Agriculture Organization . 1.. 2009). além de contribuir para a geração de emprego e renda. sendo somente a batata-doce de cultivo com expressão econômica (Miranda. onde quase a metade da produção é utilizada na alimentação animal.EMBRAPA.650 mil toneladas . o nível de tecnologia empregado pela maioria dos produtores é bem menor que o desejável. principalmente por constituir uma fonte de alimento energético. como Ásia e Papua Nova Guiné (CIP. Em outras regiões. Além disso. Alguns pesquisadores apontam a América Central e outros a América do Sul (CIP. 2007). O cultivo está presente em todo o Brasil. A baixa produtividade está muito aquém do real potencial da cultura. O Brasil é o décimo sétimo país no ranking de produção com 500 mil toneladas (FAO.6 toneladas por hectare (cultivar Palmas). que agrupa aproximadamente 50 gêneros e mais de 1000 espécies. EMBRAPA.2 toneladas por hectare está abaixo da produção média mundial de 15 toneladas por hectare. 2005). 2006). 1984. normalmente em caráter de subsistência. trabalhando com 20 acessos de batata-doce originários do programa de melhoramento genético vegetal do estado do Tocantins e cinco cultivares comerciais. onde é utilizada quase totalmente para alimentação humana (CIP. 2009). 2005). até a Colômbia (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária .É uma das culturas mais importantes no mundo. principalmente em regiões tropicais (CIP. A produtividade de matéria seca da 348 . A produtividade média brasileira de 11. 1998). Um dos motivos da baixa produtividade é a utilização de cultivares de baixo potencial produtivo e mais suscetíveis às pragas.

bem drenado. uma análise química do solo deve indicar ou não a necessidade de correção da acidez. O caule. o crescimento da planta é severamente retardado. com pH entre 4. mas a divisão entre a casca e a polpa nem sempre é nítida e facilmente separável.5 e 5. folhas largas. com ramificações de tamanho. com pH ligeiramente ácido e com alta fertilidade natural. solos muito ácidos. Solos ácidos. cor e recortes variáveis. flores hermafroditas e de fecundação cruzada.parte aérea variou de 0. Possui também a raiz absorvente. 2. A pele se destaca facilmente da casca.5% (acesso UFT-22) a 17. formada por poucas camadas de células: uma camada de aproximadamente 2mm denominada de casca. Entretanto. nos períodos da primavera e verão.8 (acesso UFT-58) a 7. devido à sua autoincompatibilidade.5% (acesso UFT-112). A cultura não suporta geada. do estádio vegetativo da planta e do tempo de armazenamento. a cultura deve ser implantada em locais com pluviosidade anual média de 750 a 1000mm. 349 . sem presença de alumínio tóxico. com uma variação de teor de matéria seca de 11. em temperaturas inferiores a 10ºC.5 resultam em menor ocorrência de sarna. quando a temperatura é elevada e a alta radiação solar favorece o desenvolvimento da cultura. mas pode ser cultivada em regiões temperadas. e a parte central denominada de polpa ou carne. geralmente. que deve ser realizada com calcário dolomítico.2 toneladas por hectare (acesso UFT48). responsável pela absorção de água e extração de nutrientes do solo. com formato. O principal produto comercial é a raiz tuberosa. o que é prejudicial ao desenvolvimento das plantas. que pode variar de três a cinco dias. permitindo o arranquio das batatas com menor índice de danos e menor esforço físico. Por isso. amplamente utilizada na alimentação humana. As raízes tuberosas são também denominadas de batatas e revestidas por uma pele fina. Quanto ao regime pluvial. pecíolo longo. dependendo da variedade. mais conhecido como rama. pode ser segmentado e utilizado como ramasemente para formação de lavoura. CARACTERÍSTICAS AGRONÔMICAS E CONDIÇÕES DE CULTIVO A batata-doce possui caule herbáceo de hábito prostrado. O solo deve ser preferencialmente arenoso. facilitam a colheita. A batata-doce se desenvolve melhor em locais ou épocas em que a temperatura média é superior a 24ºC. que é uma bacteriose causada por Streptomyces spp. frutos do tipo cápsula deiscente contendo duas. evitando a formação de batatas tortas ou dobradas. três ou quatro sementes com 6mm de diâmetro e cor castanho-clara (Edmond e Ammerman. Além disso. cor e pilosidade variáveis. 1971). sendo que cerca de 500mm são necessários durante a fase de crescimento. As ramas-semente têm capacidade de emitir raízes em tempo relativamente curto. têm níveis elevados de alumínio solúvel. Solos arenosos facilitam o crescimento lateral das raízes.

3. que devem ter aproximadamente 300g. em geral. Estas ocorrem com maior frequência e geralmente causam danos severos. como o teor de betacaroteno. Outra opção consiste em passar uma lâmina abaixo da zona de crescimento das raízes ou utilizar a colheitadeira de batatas (EMBRAPA. Curculionidae) e a broca-das-hastes (Megastes pusialis. 350 .. tendo à frente um disco vertical para cortar as ramas. a colheita pode se iniciar aos 90 dias. O enraizamento é mais rápido em condições de temperatura elevada e em ramas recentemente formadas. 2009). tem seu valor descrito na Tabela 4. mesmo quando algumas etapas são mecanizadas. que apresentam raízes muito ricas em vitamina A (Hagenimana et al. Para isso.. Pyralidae).4 a 29.0% de carboidratos. mas. 1998). Coleoptera. e seu valor nutritivo está descrito na Tabela 3. Apresenta cerca de 30. contendo em média 85. A antecipação geralmente corresponde a uma menor produtividade. Durante o armazenamento. além de se formarem raízes grandes e frequentemente mais defeituosas. A farinha de batata-doce. se não forem tomadas medidas de controle. As raízes de batata-doce desidratadas (chamadas de raspas) também são utilizadas na alimentação animal. O momento de colheita é definido pelo tamanho ou peso das raízes.8 a 7. A colheita pode ser antecipada ou retardada.0% de matéria seca na colheita. parte do amido se converte em açúcares solúveis.2% de amido e de 4. A prorrogação do ciclo pode implicar maiores danos por permitir maior número de ciclos das pragas. devido à colheita de raízes de menor tamanho. ocorre entre 120 e 150 dias. Lepidoptera. Contudo. 1995). pode superar em algumas características. A mecanização simples consiste em revolver a leira para expor as raízes. O valor nutricional das raízes da batata-doce (Tabelas 1 e 2) é semelhante ao da mandioca e da batata.8% de açúcares totais redutores (Miranda et al. em virtude de cultivares com coloração amarela ou alaranjada. VALOR NUTRICIONAL A batata-doce é um alimento principalmente energético. podem ser utilizados diversos equipamentos que executam o corte do solo ao lado das leiras ou abaixo delas. Não existe um ponto específico de colheita das raízes da batata-doce. As principais pragas são a broca-da-raiz (Euscepes postfasciatus. A colheita sempre envolve muita mão de obra. atingindo de 13.dependendo da temperatura e da idade do tecido. cujo componente principal é o amido. dependendo da oportunidade de comercialização e uso. Em condições ideais de cultivo. Geralmente são equipamentos semelhantes aos arados modificados para facilitar a separação do solo. mais utilizada na alimentação de monogástricos.

Tabela 2.0 Fósforo (mg) 39.8 Calorias (kcal) 102.9 4. (1947) Valadares Filho et al.4 2.0 2.0 Magnésio (mg) 10.39 4.03 Gordura (%) 0. Tabela 3.35 Zinco (mg) 0.0 Fonte: Woolfe (1992).5 1.1 32.55 – 1.0 Vitamina C – ácido ascórbico (mg) 30.1 Potássio (mg) 295.0 9.0 Manganês (mg) 0.8 Fibras digeríveis (g) 3.2 Vitamina A – retinol (mg) 300.9 28. Quantidade Componente Batata-doce Mandioca Batata Umidade (%) 70. (2000). (2002) Matéria seca (%) 85.0 141.0 41. Componente Quantidade Água (g) 72.15 Fibra (%) 1.4 18. Valadares Filho et al.70 89.78 – 81.0 Ferro (mg) 0.3 0.0 Glicídios (g) (Franco.1 Lipídios (g) 0.5 Proteína (g) 1.1 Cálcio (mg) 32. 2005) 27.0 39.06 Carboidratos totais (%) 92. (2002).0 Vitamina B5 – niacina (mg) 0.35 – 92.3 0. Composição química de 100g de raiz de batata-doce crua.55 Fonte: Rusoff et al.78 NDT (%) 71.1 Energia (kcal) 111. 351 .0 Fibras digeríveis (g) 1.0 Sódio (mg) 43. (1947).0 78.17 – 5.68 Proteína (%) 4.1 0.67 – 4.28 Cobre (mg) 0.0 63.Tabela 1.0 Vitamina B2 – riboflavina (mg) 55. Componente Rusoff et al.0 50.1 Carboidratos totais (g) 26.0 Vitamina B – tiamina (mg) 96.0 80. Composição média de 100g de matéria fresca de raízes de batata-doce e mandioca e tubérculo de batata. Composição química das raízes de batata-doce desidratadas.5 Fonte: Luengo et al.9 19.47 1.7 1.

2 18.875 As folhas são excelente fonte de glicídios.0 Fonte: Adaptado de Franco (2005). folhas secas de mandioca e feijão preto cru. Massaroto (2008). além de vitamina A e vitamina C (Xiaoding. encontrou as variações na composição química desse alimento apresentadas na Tabela 6. 1995).6 4. cálcio.8 a 4. as folhas de batata-doce superam até o feijão. (2000).0 1.0 Ferro (mg) 6. sendo um material rico em proteína bruta (15.2 7.7 Lipídios (g) 0.0 471.3 Proteína (g/100 cal) 9. Tabela 5. Composição média de 100g das folhas frescas de batata-doce.3 Cálcio (mg) 158. não exigindo.6 Glicídios (g) 10.58 3.44 1.0 91.43 4. trabalhando com silagens da parte aérea de 20 acessos oriundos do programa de melhoramento vegetal do estado do Tocantins e cinco cultivares comerciais de batata-doce. 352 .0 119.58%) (Valadares Filho et al. O uso de brotações de batatadoce como hortaliça verde tem sido também prioridade de pesquisa em países asiáticos (Xiaoding.. portanto. Quantidade Componente Batata-doce Mandioca Feijão preto Calorias 49. A rama de batata-doce é constituída das folhas e caules. detoxificação prévia antes do uso.Tabela 4. Quantidade 89. fósforo e ferro. 1995).5 (Tomich et al.3 62.7 6. Seu valor alimentício é semelhante ao das folhas de mandioca (Tabela 5).6 7.4 7.4 Proteína (g) 4. Composição química da farinha de batata-doce..11 2. uma das principais fontes proteicas utilizadas para consumo humano no Brasil.0 20. Os valores de pH determinados estão dentro dos valores padrões para silagem de boa a média qualidade de 3.0 343.0 145.0 303. 2003). 2002).0 Fósforo (mg) 84.2 1. Por unidade calórica. Componente Matéria seca (%) Proteína bruta (%) Gordura (%) Fibra (%) Energia bruta (Kcal/Kg) Fonte: Rostagno et al. mas com a vantagem de não possuir princípios tóxicos (compostos cianogênicos).

0 – 26.2 Matéria mineral (% da MS) 12.2 Fibra em detergente neutro (% da MS) 37. nos últimos 30 anos. 1976. ocorreu um aumento constante no uso de raízes e ramas de batata-doce na alimentação de suínos e outros animais (Dapeng e Xiu-Qing.3 a 4. constituída de raízes picadas e secas. 1980. 1991). Vietnã.Tabela 6. BATATA-DOCE NA ALIMENTAÇÃO ANIMAL A batata-doce pode ser utilizada para alimentação de várias espécies animais. 1989).6 – 13. Filipinas. Walter et al. Purcell et al. Papua Nova Guiné e Uganda (Peters et al.6 – 17. essa deficiência é corrigida pelos produtores por meio da suplementação da dieta com soja. 1984). Indonésia. Cerca de 43% da produção mundial de batata-doce (50 milhões de toneladas) são utilizadas para a alimentação animal (CIP. A utilização na alimentação animal é feita principalmente na China e na Tailândia por meio do uso das raspas. que reduzem a digestibilidade de proteínas em raízes não cozidas (Yeh e Bouwkamp. A raspa.. e as raízes deformadas ou com qualquer outro defeito que inviabilize a sua comercialização ou consumo pelo ser humano são destinadas aos animais. Em países como China (Scott.0%). 1976). 2005). Essa restrição se torna pior pela presença de inibidores de tripsina. de alguma forma ele é utilizado na alimentação animal (Scott. silagem. folhas de mandioca e da própria batata-doce ou outro produto rico em proteína. Variação da composição química das silagens da parte aérea de 20 acessos e cinco cultivares comerciais de batata-doce.0% na MS) (Li. bem como as ramas. sem qualquer tipo de tratamento. Diferentes níveis de atividade de inibidor de tripsina são descritos na literatura (Lin e Chen. tanto de ruminantes como não ruminantes. principalmente para os animais ruminantes. 2004). As raízes normalmente apresentam baixo teor de proteínas (em média de 1. Dickey et 353 .1 – 11.. 1985). Geralmente.3 Fonte: Massaroto (2008) 4. 1991). Pode ser integralmente aproveitada para este fim. Normalmente. ramas. 1998). e mais de 40% do nitrogênio total é nitrogênio não proteico (Purcell et al. Na China. Tanto as ramas quanto as raízes podem ser fornecidas frescas. no entanto a maioria dos países que pratica a utilização na alimentação animal aproveita as raízes com padrão comercial para consumo humano. Nutrientes Valores Proteína bruta (%da MS) 9. onde esse alimento é cultivado. ou mesmo crua. Folhas e brotos podem ser consumidos por aves e peixes (Silva et al. A grande limitação para este tipo de utilização é o alto teor de umidade contido na batata-doce fresca (70. o que pode tornar antieconômica a secagem artificial.9 – 58..2 Estrato etéreo (% da MS) 6. 1974. 2004). a utilização de batata-doce na alimentação de suínos e outros animais é uma prática comum. é um excelente complemento alimentar energético que pode ser adicionado à ração de animais...6 Matéria seca (%) 16. como suínos e bovinos (Barrera.

Apesar de o processo de cozimento das raízes eliminar esse fator indesejável. sendo esta pura. o processo consome elevado tempo e alto custo para o produtor. (2005) verificaram que a silagem de raízes de batata-doce não cozidas promoveu ganho de peso na alimentação de suínos igual ao ganho de peso promovido pelo fornecimento de raízes cozidas. com acréscimo de 15. ainda. Quando combinada com folhas da mandioca picadas. Verificaram. Peters et al.0% de raízes de batata-doce ou acréscimo de 13. sem afetar-lhe a palatabilidade.5% de raízes de batata-doce e 3. Ruiz et al. Em um dos 354 . 2005). o que leva muitos a não submeter as raízes a esse processamento. (1973).0% de melaço. sofrendo ataques de doenças e apodrecimento acelerado. Resultados do uso da batata-doce na alimentação de vacas leiteiras Trabalhando com farelo de batata-doce. (2004) observaram aumento dos teores de matéria seca e proteína no fornecimento de raízes e ramas de batata-doce na forma de silagem em relação ao fornecimento do material fresco a suínos.. se torna necessária a preparação de material fresco todos os dias.0% de batata-doce em sua composição. Zuohua et al. A ensilagem reduz o nível de inibidor de tripsina. coloração e textura adequadas. b) substituíram totalmente o milho no concentrado de vacas Jersey e Guernsey em lactação e não encontraram diferença significativa em produção de leite e gordura de leite e peso vivo. Frye et al. A silagem das ramas (caule e folhas) foi realizada em um experimento de Hall et al. além de permitir o armazenamento do material por até cinco meses em condições de anaerobiose. Dessa maneira. As mudanças na composição química do material durante a fermentação anaeróbica da silagem com produção de ácido lático e queda de pH ocorreram em todos os tratamentos com formação de um material de odor característico. dessa maneira. 4. Com o acréscimo de raízes e melaço. (1954). Resultados semelhantes foram encontrados por Sutoh et al. tornando trabalhosa a utilização da cultura para este fim (Peters et al. 1984). sua qualidade se torna superior. e não foi percebido nenhum efeito laxativo excessivo para os animais consumindo este alimento. Uma alternativa viável para aproveitar a batata-doce na alimentação animal sem consumir horas de trabalho ou capital do produtor é sua utilização como silagem. (1948a.. que a silagem produzida poderia apresentar proporções de até 60.al. O farelo de batata-doce foi tão palatável quanto o milho moído. houve maior produção de ácido lático. o desenvolvimento dos animais se torna menor.1. (1980) e Brown e Chavalimu (1985). Consequentemente. com a vantagem de eliminar o trabalho de cozimento das raízes tuberosas e. A baixa capacidade de armazenamento in natura. reduzindo o custo de produção da silagem de milho. exceto em um determinado período no qual as temperaturas se encontravam baixas. economizar mão de obra e capital do produtor. e o retorno econômico para o produtor decresce. é outro problema deste alimento. tornando-a inviável para a finalidade.

1985. Effects of ensiling or drying on five forage species in western Kenya: Zea mays (maize stover). A parte aérea (ramas) tem um teor proteico considerável e pode ser usada na dieta de vacas leiteiras associada à raiz.0% de gordura. Feed Sci. Anim. não é objeto de grande estudo científico.. BROWN.0% do valor do milho moído como fonte de carboidrato para vacas de leite. v.1-6. 355 . A raiz é muito energética e pode ser utilizada na forma fresca ou na forma de raspas. CHAVALIMU. 2004). a utilização da batata-doce na alimentação animal. Pennisetum purpureum (Pakistan napier grass). portanto pode ser usada em substituição. 91p. 5. No entanto. A variabilidade observada em diversos acessos da cultura torna possível o melhoramento vegetal da espécie visando à melhoria da qualidade nutricional para a alimentação animal (Dapeng e Xiu-Qing.. ou não. mesmo sendo um alimento considerado como concentrado. (1950) não encontraram diferenças para produção de leite corrigida para 4. Trabalhando com raiz de batata-doce desidratada em substituição à silagem de milho e soja. CONSIDERAÇÕES FINAIS A batata-doce é um alimento que pode ser usado na alimentação animal com resultados positivos. Technol. Batata-doce. P. principalmente de vacas leiteiras. (bana grass). foi avaliado o sabor do leite desses animais consumindo milho e farelo de batata-doce. 1989. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BARRERA. os autores concluíram que a batata-doce desidratada pode ser utilizada em substituição à silagem de milho e soja. 1948a). em substituição ao milho.. sendo cultivada em caráter de subsistência em grande parte das pequenas propriedades rurais do país. São Paulo: Ícone. com resultados satisfatórios na dieta de vacas leiteiras. Rusoff et al. com o mesmo consumo dos dois alimentos.13.ed. 1948). A silagem da parte aérea tem bom valor nutritivo e também é uma boa opção para utilização na dieta de ruminantes. L. suprindo a deficiência desse nutriente. mas deve-se lembrar de sua deficiência proteica. sem diferença entre eles (Frye et al. mas deve-se levar em consideração o menor teor proteico e de lipídios desse alimento para ajuste da dieta (Mather et al. Pennisetum sp. D. 2. Ipomoea batatas (sweetpotato vines) and Cajanus cajan (pigeon pea leaves). sua importância social é inegável. talvez por não ser considerada cultura de importância econômica relevante. A raiz da batata-doce desidratada possui aproximadamente 90. No Brasil.experimentos.L. p. Com esse resultado.

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Prof.br 1 359 . Belo Horizonte. Belo Horizonte. Prof. Caixa Postal 567. A caracterização dos carboidratos não fibrosos. Química. PhD. e o entendimento de seu metabolismo são importantes para que o nutricionista possa utilizá-los racional e adequadamente. Associado Departamento de Zootecnia da Escola de Veterinária da UFMG. Associado Departamento de Zootecnia da Escola de Veterinária da UFMG. DSc. MG.. glúcides. DSc.br 2 Bioquímico. Norberto Mario Rodriguez2. CEP 30123-970.. luciocg@vet. glicídios. glucídeos. Prof. MG. existe uma limitação destes pelo animal.ufmg. de função mista poliálcool-aldeído ou poliálcool-cetona. fazer um estudo do metabolismo dos principais carboidratos não fibrosos utilizados na alimentação de bovinos leiteiros e apresentar considerações sobre a acidose ruminal. conforme sua natureza química e utilização pelo animal. Belo Horizonte.ufmg.br 3 Engenheiro Agrônomo. Os sistemas de produção modernos estão baseados em altas concentrações de carboidratos rapidamente fermentáveis nas dietas. CEP 30123-970. Os carboidratos podem ser classificados em várias categorias. MG. Caixa Postal 567. Entretanto. INTRODUÇÃO O trato digestivo dos ruminantes está adaptado para digerir volumosos.ufmg. elaborando dietas nutricionalmente equilibradas que resultarão em desempenhos animais satisfatórios. CEP 30123-970. constituídas por carbono. norberto@vet. Caixa Postal 567. CARACTERIZAÇÃO DOS CARBOIDRATOS Carboidratos. saliba@vet. que é determinada pela habilidade dele em absorver os produtos da degradação desses açúcares rapidamente fermentáveis. 1. hidratos de carbono. sua quantificação na dieta. Lúcio Carlos Gonçalves3 RESUMO Este capítulo visa definir. pela grande quantidade de energia requerida pelos animais.CAPÍTULO 20 CARBOIDRATOS NÃO FIBROSOS NA ALIMENTAÇÃO DE GADO DE LEITE Eloísa de Oliveira Simões Saliba1.. oxigênio e hidrogênio nas proporções de 1:1:2.. sacarídios são substâncias biológicas sintetizadas pelos organismos vivos. caracterizar e descrever algumas técnicas analíticas. carbo-hidratos. Titular Departamento de Zootecnia da Escola de Veterinária da UFMG.

Classificação nutricional dos carboidratos. 2 . e o tetrassacarídeo estaquiose (frutose + glicose + 2 galactoses). O grupo dos carboidratos formados pelos açúcares. A Tabela 1 mostra essa classificação: Tabela 1. A pectina está presente na parede celular.As duas principais classes são: 1 . 1997). Porém. 1993. mas é também classificada como carboidrato não estrutural por ser totalmente solúvel em detergente neutro e ser rápida e extensamente degradável pelos microrganismos ruminais (Van Soest. Os carboidratos estruturais compõem a parede celular dos vegetais. de trissacarídeos rafinose (frutose + glicose + galactose). a pectina não pode ser digerida por nenhuma enzima animal. Chesson e Forsberg. a fibra que garante a resistência física. Classe química Monossacarídeos Carboidrato presente glicose frutose galactose Oligossacarídeos a) dissacarídeos b) trissacarídeos c) tetrassacarídeos Polissacarídeos a) reserva sacarose lactose maltose rafinose estaquiose amido dextrina Gomas substâncias pécticas b) estrutural hemiceluloses celulose lignina                                                                                                                             O amido bem como os açúcares compõem o grupo dos CNE e são assim classificados por estarem presentes no conteúdo celular das células vegetais. 1994). São fonte de energia prontamente disponível ou de reserva para a planta (de Visser. A disponibilidade dos carboidratos não fibrosos pode ser definida como a susceptibilidade a enzimas microbianas. diferentemente dos açúcares e amidos.carboidratos não estruturais ou não fibrosos(CNE). 1994). lactose (glicose + galactose) e maltose (2 moléculas de glicose ligadas α-1. o dissacarídeo sacarose (glicose + frutose). Estes incluem os monossacarídeos glicose e frutose.carboidratos estruturais ou fibrosos(CE). 360 . também sendo classificada como fibra solúvel (Hall. amido e pectina é também classificado como carboidratos não fibrosos (CNF).4).

que é a capacidade de girar as ondas unidirecionais da luz polarizada.32 para 0. e a eficiência de produção decresceu linearmente de 0. A Figura 1 apresenta a fórmula química de alguns açúcares presentes nos alimentos. a arabinose e a xilose. as hexoses sofrem uma interação intramolecular. Somente uma pequena parte dos carboidratos sintetizados pelas plantas durante a fotossíntese encontra-se na forma de monômeros livres. que. e 195mg) fermentados com 130mg da fibra em detergente neutro (FDN) de capim-bermuda. formando uma estrutura cíclica. 130. estruturas destrógiras ( D ) e levógiras ( L ). e a isomeria geométrica. ou como carreadores de energia. tubérculos e raízes. que são aldoses. esses são rapidamente utilizados pelas plantas como intermediários para a síntese de compostos complexos. Hall (1998) determinou o efeito de diferentes níveis de sacarose (65. A maioria dos carboidratos não estruturais dos alimentos para ruminantes é composta por moléculas de monossacarídeos de 5 a 6 átomos de carbono. A glicose e a galactose são aldoses. e a arabinose e a xilose fazem parte de polissacarídeos complexos da parede celular como a pectina. devido à 361 . também chamados de açúcares. As pentoses mais comumente encontradas são a ribose. A produção de proteína microbiana foi linearmente incrementada com o aumento da sacarose. como amido (composto de glicose ligada α1. As hexoses mais comuns são a glicose.4) e dextrina.23 (mg de proteína bruta microbiana/mg de sacarose). Os monossacarídeos podem converter-se em formas cíclicas. oligossacarídeos e polissacarídeos. enquanto a frutose é uma cetose. dissacarídeos e oligossacarídeos. possuindo. possuem a propriedade de serem solúveis em água. Em solução aquosa. A existência de carbonos assimétricos (carbonos com quatro substituintes diferentes) confere aos monossacarídeos a propriedade de isomerismo óptico. Em solução aquosa. combinam-se para formar Os monossacarídeos. como a sacarose da cana-de-açúcar e o amido dos grãos de cereais.Ainda incluem os polissacarídeos de reserva. dissacarídeos. sendo constituinte de compostos energéticos-chave na nutrição e alimentação de ruminantes. as formas cíclicas são frequentemente muito mais estáveis do que as formas lineares. carboidratos monoméricos. mediante o ataque do seu carbonilo por um dos seus grupos hidroxila. a galactose e a frutose. Devido à solubilidade em água e à reatividade. A ribose é também constituinte do ácido ribonucleico (RNA). A glicose é o monossacarídeo mais importante do grupo dos carboidratos não estruturais. a qual é parte da molécula do amido hidrolisada e a pectina. Os monossacarídeos. na forma de pentanel (furano) ou na forma de hexanel (pirano). Em um estudo in vitro. portanto.

Fonte: Tester et al. Figura 1. (2004). 362 . Fórmula química de açúcares.interação intramolecular das hidroxilas dos carbonos 1 e 2 dos monossacarídeos podem orientar-se espacialmente na configuração cis ( α )(+) ou trans ( β)(-).

Broderick et al. Segundo Ball et al. a partir da polimerização da glicose. A molécula é composta de 324 a 4. 2004) e tem estrutura bastante ramificada. o amido é formado por dois polímeros de glicose. em dois trabalhos em que substituíram a sacarose por amido da dieta de vacas em lactação. e os outros 5. O peso molecular varia de acordo com a origem botânica e encontra-se entre 1 x 105 e 1 x 106 Da. A substituição do açúcar pelo amido do milho alterou a fermentação ruminal e os produtos. disposto em dupla hélice. 1997). encontraram aumento no consumo de matéria seca e no conteúdo de gordura do leite. que foi aumentada e pôde explicar o aumento da gordura do leite. 1973).0 a 7. As cadeias lineares de glicose. A amilose (Figura 2) é um polímero longo e relativamente linear. (2000).0% dos resíduos de glicose unidos por ligações α-(1 → 4) e 1. Apresenta peso molecular entre 1 x 107 e 1 x 109 Da (Tester et al.. 2001. encontraram resultados em que a sacarose aumentava a produção de gordura no leite. Essas cadeias são relativamente longas e podem conter de 200 a 700 resíduos de glicose. como no caso do amido. mas os resultados eram bastante variados. ao tamanho da molécula e consequentemente pelas propriedades químicas. (1998). a complexa organização das ramificações α-(1 → 6) é responsável pelo empacotamento denso e semicristalino dos resíduos de glicose nos grânulos de amido. Esta denominação é importante para compreensão das ligações glicosídicas que dão origem aos carboidratos formados pela condensação de açúcares simples. Este possui aproximadamente 99.0% por ligações α-(1 → 6). Tester et al. Esses dois polímeros diferenciam-se entre si quanto ao tipo de estrutura química. A amilopectina ode conter mais de 15 mil resíduos de glicose. têm pontos de ramificação α-(1 → 6) a cada 20 a 25 resíduos de glicose (Chesson e Forsberg. O amido é sintetizado em estruturas vegetais denominadas plastídeos: cromoplastos das folhas e amiloplastos de órgãos de reserva. 363 . Estima-se que 95. Em dietas em que a sacarose foi substituída pelo amido do milho (0.5% da matéria seca da dieta). n moléculas de glicose ===> amido + água Quimicamente. unidas por ligações α-(1 → 4). resultante da fotossíntese.0% por ligações α-(1 → 6) (French. como a proporção molar de butirato.0% dos resíduos de glicose estejam unidos por ligações α-(1 → 4). sendo considerada uma das maiores moléculas conhecidas. forma-se a α-glicose furanósica (os grupos OH dos carbonos 1 e 2 estão em posição cis) ou a forma β-glicose furanósica (os grupos OH do carbono 1 e 2 estão em posição trans). a amilose e a amilopectina.920 resíduos de glicose e pode ter de nove a 20 pontos de ramificação [ligações α-(1 → 6)] e de 3 a 11 cadeias lineares (Hoover.. 2004).Quando a interação ocorre entre os carbonos 1 e 4. A amilopectina (Figura 3) é uma molécula maior que a amilose.

raízes e tubérculos (Chesson e Forsberg.. com pontos de ramificação α-(1 → 6). 364 . A amilose e a amilopectina encontram-se empacotadas nas plantas na forma de pequenos grânulos..0% de amilose e 70. sementes. (2004). 1998). A porcentagem de amilose e de amilopectina varia com a origem botânica do amido. oval e/ou poligonal.. Fonte: Tester et al. A molécula linear pode conter cadeias moderadamente longas ligadas por ligações α-(1 → 6). Saliba et al. n = 1000. 1996).0% de amilopectina (Wang et al. As cadeias externas (a) contêm de 12 a 23 resíduos de glicose. em 2009. enquanto os amidos dos cereais são pequenos e poligonais. Os amidos dos tubérculos (batatas) são grandes e geralmente redondos. mas. um α-(1 → 4)-glucano.Figura 2. Os grânulos de menor diâmetro são encontrados nos cloroplastos. Os tamanhos das cadeias a e b podem variar com a origem botânica do amido. o amido é composto por 30. com diâmetros variando de 1 a 200μm e nos formatos redondo. as internas (b) contêm de 20 a 30 resíduos. Figura 3. na maioria das espécies. Amilose. Amilopectina. (2004). enquanto os de maior são encontrados nas hastes. O trigo é o cereal que apresenta os maiores grânulos de amido e no formato oval (Asp et al. lenticular. estudando nove variedades de mandioca. Fonte: Tester et al. 1997). encontraram valores de diâmetro dos grânulos de amidos variando de 9 a 16μm.

As Figuras 4 e 5 demonstram a ultraestrutura dos grânulos do amido de milho. SEM do milho e sorgo. do sorgo e da mandioca.. BRS 610 sorgo BRASÍLIA CURVELINHA Figura 5. avaliados por meio da microscopia eletrônica de varredura (SEM). AG 9010 milho Figura 4. O amido é um polissacarídeo não estrutural de elevado peso molecular e sintetizado pelas plantas superiores com função de reserva energética nos períodos de dormência. germinação de grãos. SEM da fécula de duas variedades de mandioca brasília e curvelinha. crescimento e rebrota (Wang et al. As 365 . 1998).

dos principais alimentos ricos em amido utilizados na alimentação de ruminantes podem ser descritos como 75. podendo conter até 80% de seu peso seco em amido (Buléon et al. não é recuperada na fibra em detergente neutro (FDN) (Van Soest. Segundo Hatfield e Weimer (1995) e Voragen et al. Dessa forma. 2001). Os principais componentes das pectinas são o ácido galacturônico. caules.].. Os grãos são a principal fonte de amido na alimentação humana e animal. Valadares Filho et al. O amido resistente pode ocorrer naturalmente nos alimentos ou ser produzido durante o processamento deles quando o amido é aquecido e resfriado. em parte. 1996). A lamela média é a região localizada entre duas células vegetais contíguas. Está localizada na lamela média da parede celular vegetal e funciona como substância de adesão entre as células. e as ramnogalacturonanas (também conhecidas por ácido poligalacturônico). que tende a se reorganizar parcialmente com as reduções da temperatura e do conteúdo de água do meio devido ao restabelecimento parcial das pontes de hidrogênio. xilose e arabinose (Lewis.plantas armazenam o amido nas raízes. Isto acontece devido à instabilidade do amido gelatinizado.. As moléculas de pectina estão ligadas covalentemente com a celulose e as hemiceluloses. galactose e ramnose. 1989). Encontram-se ligadas entre si por meio de interações não covalentes 366 . tubérculos e grãos. (1993).3 na mandioca (Nocek e Tamminga. Diversos tipos de processamentos são aplicados aos grãos de cereais com a finalidade de romper as pontes de hidrogênio dentro dos grânulos de amido.. Portanto. 20021). A temperatura de gelatinização do amido varia com o tipo de grão. sendo não degradado no organismo animal. 1991). o amido tornase mais susceptível à digestão enzimática (Flint e Forsberg. o que pode refletir nas diferenças na composição bioquímica do amido e na interação desse com a matriz proteica. 70. melhorando a capacidade de hidratação desses. o que pode reduzir a digestibilidade ruminal e intestinal desses amidos (Asp et al.9 no sorgo. α-(1→2). que forma homopolímeros compostos por α-(1→4)-D-ácido galacturônico. 1993). processo denominado retrogradação (Hoover. 1994). 1975. Esse processo de reorganização dos grânulos tende a aumentar a proporção de amido resistente ao ataque das amilases dos alimentos previamente gelatinizados. Algum amido pode ser descrito como amido resistente. 19911. A pectina é uma substância amorfa parcialmente solúvel em água e é completamente solúvel em detergente neutro. β-(1→4) etc. Contudo.. Esse processo é denominado gelatinização. sendo. responsável pela rigidez dos tecidos vegetais (Devlin. 1991).7 a 79.. 1993. o que torna o estudo da estrutura tridimensional da molécula muito difícil.3 a 62.7 a 66. a constituição em açúcares das moléculas de pectina é variável (Voragen et al. 1997). as moléculas de pectina podem ser constituídas por glicose. Ben-Ghedalia et al. 71. Os grânulos íntegros apresentam baixa capacidade de absorção de água por serem estabilizados por grande quantidade de pontes de hidrogênio inter e intramoléculas de amilose e amilopectina.3 no milho. Salisbury e Ross. que são heteropolímeros constituídos por α-(1→2)-L-ramnose-α-(1→4)-D-ácido galacturônico (Salisbury e Ross. os diversos açúcares podem estar ligados entre si por até 20 tipos de ligações covalentes diferentes [α-(1→4). em porcentagem da matéria seca. Os teores de amido. 1995). Além do ácido galacturônico.

como a polpa de beterraba e de outros tubérculos (25. pode-se sugerir o melhor método de extração para os carboidratos.0 a 20. a frutose e a sacarose. e normalmente a amilopectina predomina. sendo que as folhas e hastes da alfafa. A quantidade de pectina varia entre as diferentes partes da planta.0% da parede celular como pectina.com os íons cálcio (Salisbury e Ross. A glicose e a frutose compreendem quase a totalidade de açúcares redutores livres. Segundo Van Soest (1994).1.0%). 25. 2.0% em 12h). métodos enzimáticos e cromatográficos ( HPLC). sem a necessidade de clivagem enzimática e pela rápida e extensa degradação ruminal (98. A glicose e a frutose são os principais monossacarídeos presentes nas forragens (1. Como se pode verificar na Tabela 2. polarimetria. 367 . respectivamente. em média.0% e 10.0 a 30. a ausência de ligação da pectina com a matriz lignificada pode ser comprovada pela fácil solubilidade desta em água e em detergente neutro.0 a 3. colorimetria. possuem.0%). Conteúdo de carboidratos não estruturais nas plantas. a rafinose e a estaquiose. o conteúdo de frutosanas nestas últimas é nulo. já a sacarose pode estar em níveis mais elevados (2. Determinação de açúcares livres Os açúcares livres presentes nas plantas forrageiras são a glicose. que ocorrem em pouca quantidade. Os métodos para analisar esta fração são gerais e descritos por método da diferença. em contraste. 1991). Tabela 2. Com base na solubilidade. a melobiose.0%) e polpa de maçã seca (19. Gramíneas Gramíneas Grãos de Componentes tropicais temperadas cereais Açúcares 5 10 traços Amido 1-5 1-6 80 Frutosanas 0 1-25 0 Fonte: Van Soest (1994).0% de pectina). a polpa cítrica é a fonte mais comum de pectina na dieta dos ruminantes no Brasil. segundo Hatfield e Weimer (1995).0%). muitas de origem tropical e leguminosas acumulam amido. Alguns subprodutos da agroindústria são particularmente ricos em pectina. Leguminosas 5-15 1-7 0 A solubilidade de alguns carboidratos está descrita na Tabela 3. Destes.0 a 8. polpa cítrica (25. 2. Outros açúcares livres são a maltose. refratometria. as gramíneas temperadas também acumulam certa quantidade de amido. FUNDAMENTOS DA METODOLOGIA ANALÍTICA As gramíneas de origem temperada acumulam frutosanas como principal carboidrato de reserva.

Refratometria É baseada na medida do índice de refração de uma solução preparada do alimento. Sol. Insol. + Sol. Insol. Sol. Sol. Sol. Insol.3. o feixe emergente vibra em somente um plano e é dito polarizado. + Insol.1. Insol. Insol. A refratometria não é um método específico (Galyean. na prática. Método da diferença A obtenção do conteúdo de carboidratos disponíveis é calculada pela estimativa de todas as outras frações pela análise proximal: % Carboidratos disponíveis = 100 . Sol. amilopectina Insol. os aparelhos são chamados sacarímetros.1. 2. sacarose Sol. Frutosanas levam (baixo PM) Sol. 2. Sol. Sol. e se o feixe de luz passar através de certos minerais.0% Açúcares livres glicose Sol. o polarímetro pode ser usado para determinar a quantidade de açúcar presente em solução. Quando a rotação específica de um açúcar é conhecida. + Insol. levam (alto PM) Sol. + Sol.1. 1997. Amido amilose Sol. O método é utilizado para medida rápida do conteúdo de açúcar em sucos. + Sol.Tabela 3. + Sol.2.(% umidade +% cinzas +% EE +%PB + %FB). Insol. Sol.1.0% 90. Fonte: Galyean. Solubilidade em água e etanol dos principais carboidratos. inulina (PM 5000) Sol. frutose Sol. Este procedimento usa aparelhos denominados polarímetros e é baseado no princípio de que açúcares são 368 . + Insol. 2. Sol. sabendo-se que o índice de refração é proporcional à concentração da solução. É dependente da concentração dos açúcares. Solubilidade Carboidrato Água Etanol 25ºC 60ºC 80. 1997). maltose Sol. A técnica utiliza instrumentos conhecidos como refratômetros. + Sol. + Insol. Polarimetria O princípio deste método é baseado no fato de que a onda de luz normalmente vibra transversalmente ao eixo de propagação e o feixe no plano em todas as direções. + Sol. Sol. + Sol.

opticamente ativos. 2. Métodos enzimáticos São utilizados na forma de kits testes. 2. e vários reagentes produzem cor.1. O procedimento geral estima a glicose.5. A quantidade de rotação do feixe é dependente da concentração de açúcares em solução em uma relação linear em que: α = rotação específica do açúcar a 20ºC.2. e = comprimento do caminho do açúcar em dm. A HPLC é uma cromatografia em que a fase móvel é inserida na coluna (local onde está presente a fase estacionária) com o auxílio de bombas. 2. uma de grande área superficial (fase estacionária). É um método utilizado para determinar lactose no leite (requer clarificação da solução antes da medição). A intensa cor azul do amido em presença de iodo é devido à amilase. A técnica. C = concentração do açúcar em solução em g/mL. Um grande número de reações químicas ocorre com os açúcares.1. alguns comprimentos de onda são absorvidos. A extensão da cor relata a concentração do açúcar. Colorimetria O princípio da colorimetria é baseado no fato de que. Cromatografia líquida de alto desempenho (HPLC) A técnica da cromatografia está baseada no princípio da separação dos constituintes da amostra a ser analisada entre duas fases. em que se utilizava apenas a força gravitacional.1.4. 369 .6. resultando na coloração da solução. isto é. a amilopectina tem coloração vermelha ou violeta. e outros não. quando uma luz passa através de uma solução. se torna mais rápida e eficiente em relação à cromatografia líquida clássica. eles podem girar a direção do feixe no plano da luz polarizada (luz de um comprimento de onda movendo em um plano). 2. Determinação de amido O amido pode ser fracionado em amilase e amilopectina pela gelatinização em água à temperatura e pressão elevadas. e outra que percorre a primeira (fase móvel). a frutose e a sacarose. que é relacionada com padrões. β = rotação observada. então. arrastando o constituinte que se deseja separar e quantificar.

O rúmen possui uma coleção muito concentrada e diversificada de microrganismos anaeróbicos. que pode ser determinada pela técnica química ou físico-química. que deve ser recebido em iodo (complexo I . Métodos de hidrólise A hidrólise ácida do amido produz glicose. determinando-se o teor de iodo por titulação ou colorimetria (Na2S2O4). O amido pode ser extraído e dispersado em solução coloidal. e a glicose é medida usando-se a glicose oxidase (amido quente gelatinizado dos produtos de trigo pode ser hidrolisado pela αamilase. vários métodos empregam a hidrólise ácida e enzimática. Portanto.2. pela polarometria. ou indireta. como metano. como acético.. 2. A quantificação do amido pode ser é gravimétrica. colorimetria. que por outro lado pode destruir a dextrose. 1999).amido). propiônico e butirico. e a degradação é um processo que compreende a etapa de digestão e fermentação. o amido pode ser determinado pela hidrólise com α-amilase e amiloglucosidase. METABOLISMO DOS CARBOIDRATOS NÃO ESTRUTURAIS A digestão é um processo que envolve solubilização.1. 3. O amido liberado é determinado colorimetricamente com solução de antrona. amônia e ácidos graxos de cadeia curta. O conteúdo de amido pode ser determinado por precipitação e gravimetria ou titulação de precipitado. (1990). posteriormente em álcali que decompõe o complexo. então. Após extração. protozoários e fungos (Tajima et al. procede-se à precipitação do amido com iodo. o extrato livre de açúcar deve ser tratado com HClO4 70% e. O método é baseado na extração do açúcar solúvel em etanol a 80. ou como glicose após hidrólise química ou enzimática. e depois pode ser separado.2. Os métodos que envolvem a hidrólise ácida estão sujeitos a erros causados pela hidrólise de polissacarídeos não amiláceos. Métodos de extração a) O ácido perclórico é um eficiente extrator do amido. De acordo com Herrera-Saldana et al. tem-se um extrato de amido.A determinação de amido em alimentos pode ser feita de diversas formas. por causa da sua predominância numérica e pela diversidade metabólica. As bactérias são responsáveis pela maior parte da digestão dos alimentos no rúmen. A fermentação é um processo que envolve reações com produtos finais. incluindo bactérias. Os protozoários 370 .2. hidrólise extracelular e transporte para o interior da célula das substâncias necessárias para o metabolismo animal. 2. e a hidrólise da dextrose é completada com amiloglucosidase). b) O amido pode também ser extraído a quente.0%. com solução concentrada de CaCl2.

Os fungos ruminais somente foram descobertos recentemente e atuam sobretudo na digestão da fibra. 1998).0% de concentrados à base de grãos de cereais devido possivelmente ao baixo valor de pH do rúmen.são os microrganismos ruminais de maior tamanho e podem contribuir com 40. Succinomonas amylolytica e Selenomonas ruminantium. 1990). reforçando a hipótese de seletividade das espécies de microrganismos aos diferentes tipos de substratos (McAllister et al. novas colônias fisiologicamente distintas são atraídas para completar a digestão dos componentes nutricionais nas superfícies dos alimentos. e suas enzimas digestivas hidrolisam os nutrientes solúveis dos alimentos. Lachnospira multiparus e Succinivibrio dextrinosolvens (Chesson e Monro. Russell e Rychlik. Butyrivibrio fibrisolvens.. pela parede celular e pela matriz proteica. Marounek e Dusková (1999) estabeleceram que o Butyrivibrio fibrisolvens 787 apresentou maior atividade pectinolítica in vitro que o Prevotella ruminicola AR29. Essa diferenciação é importante porque o amido é fornecido para os ruminantes na forma de grãos de cereais e está protegido do ataque microbiano pelo pericarpo. Butyrivibrio fibrisolvens. 2001). Prevotella ruminicola.0% da biomassa e com atividade enzimática total no rúmen (Santra e Jakhmola. A pectina é rápida e completamente degradada no rúmen pelas espécies de bactérias Prevotella ruminicola. Após a exaustão dos nutrientes digestíveis na superfície dos alimentos pelas primeiras colônias de bactérias. 1988.0 a 50. Portanto. Porém. Eubacterium ruminantium e Clostridium spp. baixa taxa de salivação e ao aumento da taxa de passagem (Franzolin e Dehority. Russell e Rychlik. 371 . pois a biomassa de fungos aumenta substancialmente em dietas ricas em volumosos e praticamente está ausente em dietas ricas em concentrados à base de grãos de cereais (Orpin e Joblin. 1997). (Cotta. Embora todas essas espécies de bactérias cultivadas em culturas puras in vitro possam digerir grânulos de amido isolados. 1982. 1996). As colônias primárias se multiplicam rapidamente. Ruminobacter amilophylus. individualmente são incapazes de produzir todas as enzimas digestivas necessárias para a digestão completa dos grãos dos cereais. a maioria das espécies e o número de protozoários por unidade de conteúdo ruminal podem ser muito reduzidos (ou mesmo exauridos) naqueles animais alimentados com dietas contendo mais de 75. O aumento progressivo de concentrados ricos em amido em dietas à base de forragem estimula o aumento da população de protozoários no rúmen devido ao aumento no suprimento de substratos energéticos rapidamente fermentáveis. o processo digestivo começa quando as bactérias amilolíticas do líquido ruminal são atraídas e se aderem à superfície dos grânulos de amido logo que o alimento adentra o rúmen. 2001). entre as principais: Streptococcus bovis. a habilidade de digerir o amido in vitro pode não se manifestar na mesma intensidade na digestão do amido dos grãos dos cereais no rúmen. Nos alimentos ricos em amido. Muitas espécies de bactérias são capazes de digerir açúcares e amido no rúmen.

0% do amido do milho e do sorgo podem escapar da fermentação ruminal. o que proporciona aos microrganismos dois moles de adenosina trifosfato (ATP) e dois moles de nicotinamida adenina dinucleotídeo reduzido (NADH2).0% nas dietas ricas em concentrados. 1990).. 1995).0% do amido do trigo e da cevada chegam ao intestino delgado (Orskov. 1994. A susceptibilidade das matrizes proteicas à digestão microbiana ajuda a explicar por que mais de 40. enquanto menos de 10. 372 . Porém. Os grãos de trigo. Mertens. O piruvato é a substância na qual todos os carboidratos são convertidos antes de serem transformados em ácidos graxos voláteis. 1986) e com o método e a intensidade do processamento (Theurer et al. A pectina não é degradada pelas enzimas animais (Van Soest et al. 1991. 1999).. porém a fermentação da pectina aumenta a produção de acetato e geralmente não determina a produção de ácido láctico durante a fermentação (Hatfield e Weimer. Ainda.0% dos ácidos graxos voláteis produzidos nas dietas ricas em volumosos e mais de 50.A taxa e a extensão da digestão do amido no rúmen diferem entre as fontes do amido (Rooney e Pflugfelder. A proporção molar de cada produto final depende das espécies de microrganismos envolvidas. 1996). O ATP gerado é a principal fonte de energia química prontamente disponível para o crescimento e a manutenção de todos os microrganismos. Hall et al. 1994). podendo representar até 75. 1990). Os ácidos graxos voláteis (AGV) são absorvidos através da parede ruminal e representam a maior fonte de energia para o ruminante (Bergman. do tipo de carboidrato fermentado e do ambiente ruminal durante a fermentação. em que a pectina das folhas frescas de gramíneas foi mais extensamente fermentada no rúmen que a pectina do feno de alfafa (Hall. a aveia e a cevada são mais rápida e extensamente fermentados no rúmen que o sorgo e o milho (Herrera-Saldana et al. aveia e trigo são facilmente digeridas no rúmen. 1986). 1997). A taxa e a extensão da degradação da pectina são similares aos carboidratos não estruturais. O acetato é o principal ácido graxo volátil produzido no rúmen pelos microrganismos ruminais.. enquanto aquelas da cevada. O processamento físico dos grãos geralmente aumenta a taxa e a extensão de fermentação do amido no rúmen com redução da quantidade de amido disponível para a digestão no intestino delgado (Mathison. As matrizes proteicas dos grãos de milho e de sorgo são extremamente resistentes à degradação. 1996). é extensa e rapidamente degradada pelos microrganismos no rúmen em contraste com as outras frações fibrosas dos alimentos (Hall. gás carbônico e metano. a extensão da fermentação pode ser diferente entre as diversas frações da planta.. sendo que estudos mostraram que a pectina isolada da folha da alfafa foi mais rapidamente degradada que a pectina da haste. A maioria dos microrganismos ruminais fermenta a glicose e outros monômeros resultantes da hidrólise dos carboidratos até o piruvato utilizando a via da glicólise (Ciclo de Embden-Meyerhof). Há também diferenças entre espécies.

A proporção molar dos ácidos graxos voláteis é principalmente influenciada pela relação volumoso:concentrado das dietas. O formato é convertido posteriormente a CO2 e H2 por outros microrganismos ruminais: Piruvato + CoASH → Acetil-CoA + HCOOPiruvato + CoASH + H+ → Acetil-CoA + CO2 + H2 O acetato é a fonte mais importante de energia metabolizável para o ruminante. 373 . o que permite o prosseguimento do processo fermentativo (Fahey Jr. a via do acrilato pode ser mais importante no rúmen de animais que estão consumindo dietas ricas em concentrados (Leng. 1995). 1970). Em geral. embora sem benefícios para as bactérias. por ser o principal AGV produzido no rúmen. A primeira via é a mais ativa na formação do propionato. que posteriormente é reduzido até o butirato pela via do crotonil-CoA (Leng. como o piruvato ou o glutamato. e a segunda envolve a conversão do piruvato a lactato e esse último a acrilato. 1993). A síntese do butirato a partir do acetato. no ruminante. a proporção acetato:propionato também diminui. 1970). Além disso. Têm sido descritas duas vias de síntese de butirato no rúmen. e Berger.. pois a absorção líquida de glicose pelo trato gastrointestinal é muito pequena. quando essa relação diminui. ocorre no tecido adiposo. ao contrário do que ocorre nos não ruminantes. consequentemente determinam os produtos finais gerados na fermentação. A síntese do butirato pode ocorrer no rúmen a partir do acetato ou de outros compostos que resultem em acetil-CoA. Reynolds. Existem duas vias conhecidas de conversão do piruvato até propionato. em que são utilizadas duas moléculas de acetato. O tipo de substrato fermentado e as condições do meio determinam as espécies de microrganismos ruminais que preferencialmente conseguirão proliferar. 1994. se ocorre (Reynolds et al. O propionato absorvido é o principal substrato gliconeogênico do ruminante. Porém. processo metabólico que ocorre no fígado e nos rins (Bergman. resulta na regeneração de cofatores oxidados. A primeira via envolve a formação do oxaloacetato e succinato. A via mais importante é o inverso da β-oxidação. A glicose pode suprir somente quantidades desprezíveis de acetil-CoA para a lipogênese nos ruminantes devido a baixos níveis da enzima ATP-citrato liase. 1990). o malonil-CoA se combina com o acetil-CoA. A gliconeogênese possui importância crítica para a manutenção dos níveis plasmáticos de glicose no ruminante.A principal via bioquímica de produção do acetato pelos microrganismos ruminais envolve a conversão do piruvato a formato e acetil-Coenzima A (Acetil-CoA) pelo sistema enzimático da piruvato liase. Na outra via. é o principal substrato utilizado para a lipogênese que.

Owens et al.. Quando o suprimento de carboidratos rapidamente fermentáveis aos animais é aumentado abruptamente. principalmente os açúcares e amido.7-4. Therion et al. Há aumento da população dos amilolíticos.. fosfato e ureia. pois tem pKa mais baixo (3. etanol e formato quando cultivado em pH acima de 6. Concomitantemente. Além disso. 1985. 374 .5 devido ao acúmulo indesejável de AGVs e lactato no rúmen (Hall.5. 1997). porque esses microrganismos são muito sensíveis ao pH menor que 6. As mudanças no ecossistema ruminal com o supercrescimento das bactérias produtoras de lactato são muito rápidas e podem ocorrer em menos de 24h (Dawson et al. Russell e Hino. Dawson et al. Dessa forma. há inibição da população de microrganismos consumidores de lactato como a Megasphera elsdenii e Selenomonas ruminantium (Nocek. metano e. quando os animais são alimentados com dietas ricas em concentrados.7. CONSIDERAÇÕES SOBRE ACIDOSE RUMINAL As dietas fornecidas aos ruminantes estão cada vez mais ricas em concentrados (ricas em grãos de cereais) para atender ao aumento das exigências nutricionais dos animais de alta produção. 2002).4.. que contém bicarbonato. essas espécies potencialmente contribuem para o progresso e a perpetuação da acidose ruminal por acelerar a queda do pH devido ao aumento da produção de lactato na acidose (Russell e Hino. 1997). que deixa de produzir acetato. a ácidos graxos voláteis. O Streptococus bovis e os Lactobacillus spp. os mecanismos tamponantes do rúmen (a saliva.9). Dessa forma. 1985. Os grãos de cereais são ricos em amido e representam as principais fontes de carboidratos não estruturais dessas dietas. Os microrganismos anaeróbicos ruminais fermentam rapidamente as fontes de carboidratos não estruturais. principalmente do Streptococcus bovis. tornando-se o principal microrganismo produtor de lactato no rúmen em acidose (Russell e Baldwin. 1998). há grande aumento da produção de ácidos graxos voláteis e de lactato. 1980. O acúmulo de lactato faz o pH cair mais rapidamente. também a lactato. resultando em acidose ruminal (Russell e Hino. CO2. Dessa forma. O aumento da disponibilidade de carboidratos não estruturais e a consequente queda do pH provocam intensas modificações do ecossistema ruminal. 1985). 1982). Há redução da população de microrganismos celulolíticos. H2. Asanuma e Hino. e a absorção dos AGVs) podem não conseguir manter o pH ruminal. 1998.0 (Russell e Dombrowski. 1979.0. o lactato pode se acumular a níveis não fisiológicos no líquido ruminal.9) que os ácidos graxos voláteis (4. são alguns dos microrganismos mais resistentes ao baixo pH do meio. 1997). 1982). levando-o para níveis críticos abaixo de 5. para produzir lactato como principal produto final da fermentação em pH menor que 5.. foi demonstrado por Russell e Dombrowski (1980) que a capacidade de produção de lactato pelos Streptococus bovis e Lactobacillus vitulinus aumentou quando o pH do meio foi reduzido para valores menores que 5. uma vez que esse ácido é mais forte que os ácidos graxos voláteis. com redução da degradação dos carboidratos estruturais. em algumas situações.. podendo proliferar em condições de acidez limitantes para a maioria dos microrganismos ruminais (Therion et al.

sendo assim classificado por estar presente no conteúdo celular e ser fonte de energia prontamente disponível ou de reserva para a planta.0% do lactato presente no rúmen. No entanto. em pH maior que 6. Entretanto. O L-lactato é rapidamente metabolizado pelas enzimas do ruminante. histamina. a acidez e a osmolaridade do líquido ruminal aumentam marcadamente com o acúmulo de lactato e de glicose livre.0. 1976). paraqueratose. O período de adaptação às dietas ricas em carboidratos não estruturais deve ser superior a 14 dias. o correto balanceamento dos carboidratos da dieta e o monitoramento do tamanho da partícula das forragens fornecidas. Essas medidas de manejo permitem que haja o equilíbrio no crescimento de microrganismos produtores e consumidores de lactato no rúmen e também possibilitam que a mucosa ruminal aumente a capacidade de absorção de AGVs (Dawson et al. outros produtos microbianos. queda do pH sanguíneo e morte do animal (Owens et al. por estimular a absorção dos ácidos graxos voláteis (Owens et al. Em adição ao D-lactato. abscessos hepáticos. metanol.. O uso de substâncias alcalinizantes (bicarbonato de sódio e óxido de magnésio) na dieta ou o de fontes de nitrogênio não proteico (ureia) também ajudam a reduzir a depressão do pH ruminal após o consumo de grandes quantidades de concentrados. que é um polissacarídeo amorfo contido na parede celular. 1998).Na acidose aguda. quando o pH cai para valores inferiores a 5.. como etanol. desidratação grave. 1998). enquanto o D-lactato necessita atravessar a membrana mitocondrial antes de ser oxidado pela enzima D-2-hidroxiácido desidrogenase. é também classificada como carboidrato não fibroso por ser totalmente solúvel em detergente neutro e ser rápida e extensamente degradável pelos microrganismos ruminais.0. 1976). CONSIDERAÇÕES FINAIS O grupo dos carboidratos não fibrosos é constituído pelos açúcares e amido. sendo metabolizado mais lentamente. localizadas principalmente no fígado e no coração. o que contribui para a disfunção fisiológica geral do animal em acidose (Dawson et al. a acidose crônica ou subaguda é um problema econômico mais grave porque resulta no declínio do consumo voluntário e no desempenho. 1997). 1997). Por isso. Podem ocorrer ulceração das mucosas ruminal e intestinal. tiramina e endotoxinas.. 5. Além disso. 375 . apesar de os animais não parecerem doentes (Slyter. A pectina. o D-lactato pode representar mais de 50. o D-lactato é considerado mais tóxico. são detectáveis no conteúdo ruminal na acidose e podem exercer efeitos sistêmicos adversos ao animal (Slyter. As estratégias para controlar a acidose ruminal constituem o controle do fornecimento de concentrados.. Ambos L e D isômeros do ácido láctico são produzidos pelos microrganismos ruminais na proporção de 4:1. permitem que o rúmen (microrganismos e mucosa) se adapte gradativamente ao aumento de concentrados na dieta.

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1993). a adição de gordura à dieta pode ser. considerando-se as extensas áreas aptas e disponíveis para o seu cultivo no país. que buscam tanto o grão quanto os subprodutos.br 3 Médico Veterinário.123-970.br 4 Médica Veterinária. Associado Departamento de Zootecnia da Escola de Veterinária da UFMG. Belo Horizonte. Escola de Veterinária da UFMG. Belo Horizonte. Neste capitulo. lobato. CEP 30. MG.com 1 381 . Doutorando em Nutrição Animal. wilsonvet2002@gmail. Médico Veterinário.com. A adição de lipídios à dieta surge como uma alternativa para elevar o nível energético da dieta. principalmente nos cerrados do meio oeste. INTRODUÇÃO O desenvolvimento da cultura de soja nas últimas quatro décadas foi espetacular. 1984). as influências dos processamentos físicos. Doutorando em Zootecnia. CEP 30.. Caixa Postal 567. MG. MSc. Assim.ufmg. Prof. térmicos e químicos sobre o valor nutritivo da soja. MG. uma maneira de aumentar a produção de leite (Chilliard. Alex de Matos Teixeira3. 2009). Escola de Veterinária da UFMG. Escola de Veterinária da UFMG. Caixa Postal 567. seja para extração de óleo para uso doméstico e produção de biodiesel ou para elaboração de rações animais.com 2 Engenheiro Agrônomo. MSc. Isso corresponde a cerca de 27% da produção mundial de 220.123-970. MG. luciocg@vet. Caixa Postal 567. o metabolismo ruminal e as respostas produtivas dos animais.123-970. CEP 30. destaca-a como opção de oleaginosa para suplementação de vacas de leite.123970. Caixa Postal 567. em Zootecnia. CEP 30. Belo Horizonte. sem aumentar a ingestão de carboidratos não estruturais ou diminuir a ingestão de fibra. para vacas leiteiras de alta produção. norte e nordeste. DSc. Flávia Cardoso Lacerda Lobato 4 RESUMO A grande disponibilidade de soja. com produção estimada de 60 milhões de toneladas no ano de 2008 (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística ..CAPÍTULO 21 GRÃO DE SOJA NA ALIMENTAÇÃO DE GADO DE LEITE Wilson Gonçalves de Faria Jr. Há crescente demanda pelo grão da oleaginosa nos mercados nacional e internacional. Lúcio Carlos Gonçalves2. assim como as alterações na composição química e no perfil de ácidos graxos do leite. serão discutidas as principais formas de utilização da soja integral. associada ao balanço favorável de energia e proteína. Bolsista CNPq. Belo Horizonte.1. ainda. alexmteixeira@yahoo. O Brasil é o segundo produtor mundial de soja. Todavia.fafa@gmail. a substituição de cereais por oleaginosas é um método de incrementar a densidade energética sem comprometer o conteúdo em fibra (Palmquist. O complexo agroindustrial da soja responde por cerca de 15% das exportações e tem vocação para crescer muito mais.IBGE.88 milhões. MSc.

com isso. como moagem. mas. 1. com a vantagem de poder ser produzida diretamente na propriedade. porque as respostas termorregulatórias do animal resultam em aumento das frequências respiratórias e cardíacas. o estresse calórico afeta adversamente a produção leiteira. podem determinar se o processamento resultará em respostas produtivas positivas ou não. o uso da soja integral pode reduzir o incremento calórico dos animais e a produção de metano. principalmente para vacas de alta produção. redução do consumo e da absorção de nutrientes. devido a sua composição. 1. o período de lactação. além da mudança no direcionamento do fluxo sanguíneo dos tecidos internos para os tecidos periféricos. O adensamento da dieta com o uso de soja integral mostra-se como alternativa para burlar a queda no consumo de energia e proteína que ocorre com a redução natural e fisiológica no consumo de alimento durante o período de transição (periparto e pós-parto) e em situações de estresse calórico no verão. no caso da soja integral crua. O processamento físico. pode aumentar a eficiência na digestão dos grãos no rúmen (Nussio et al. Contudo. é uma excelente fonte de energia e proteína para vacas em lactação. 382 .1. 1991) e. tem crescido o uso da soja grão nas dietas de vacas de alta produção para elevar a densidade energética das dietas (Palmquist. de modo a aumentar a eficiência de uso da energia dos alimentos para a produção. Em função do elevado valor energético. principalmente com relação ao amido. esses podem aumentar o tempo destinado à mastigação e à ruminação quando comparados aos triturados. 2006).A soja integral. Além disso. Processamento físico Os grãos inteiros podem ser deglutidos facilmente por não serem retidos na boca por tanto tempo como as forragens para salivação. O nível de inclusão de soja integral. pelo aumento da degradação da proteína no rúmen e maior influência dos lipídios no metabolismo ruminal. (1993) sugerem que os métodos de processamento da soja para alimentação de vacas de leite devem ser baseados em vários fatores. possibilitar um aumento da relação volumoso:concentrado na ração. PROCESSAMENTO DA SOJA INTEGRAL Tice et al. diminuindo os problemas metabólicos relacionados com ingestão excessiva de amido. Isso é desejável porque estimula a salivação e auxilia na manutenção do pH ruminal.. com a intenção de reduzir o período de balanço energético negativo das vacas no pósparto e propiciar condições para que o animal sofra menor perda de condição corporal e possa expressar o potencial leiteiro. bem como os ingredientes e o balanceamento dos nutrientes da dieta como um todo. pode levar a resultados negativos. o nível de produção. Segundo Shearer e Beed (1992).

exceto no início da lactação. a tostagem ou extrusão da soja poderá apresentar vantagens. outros autores. com relação à soja crua. têm sido usadas com sucesso para reduzir a degradação proteica no rúmen (Waltz e Stern. Grummer et al. Por outro lado. Hsu e Satter (1995). como Scott et al. (1995). b). pelo motivo citado anteriormente. quando o consumo for baixo (< 10 % soja na MS da dieta). quando o fluxo de aminoácidos essencias para o duodeno pode ser um fator necessário para a produção de leite. não encontraram nenhum benefício na performance produtiva. pois proporcionará um aumento na quantidade de proteína não degradável no rúmen. Processamento térmico Algumas técnicas. (1993). então o tratamento térmico torna-se necessário. (1997a. favorece a ocorrência de reações de Maillard. o processamento da soja pode não influenciar significativamente a performance das vacas lactantes. Chouinard et al. lisina. com mínimos efeitos sobre a digestibilidade da fibra e sem comprometimento na performance dos animais. com a formação de composto de amadori. (1994).2. principalmente. sugerindo o uso de soja crua em função do menor custo. 1. no entanto essa quantidade de formaldeído parece ser excessiva. extrusão. Hsu e Satter (1995) mostraram que. O lignossulfato de cálcio foi mais eficiente que a tostagem em transferir AG insaturados 383 . Batista et al. (1