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Alimentos Para Gado de Leite

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  • CAPÍTULO 30

Alimentos para

Gado de Leite

Editores: Lúcio Carlos Gonçalves Iran Borges Pedro Dias Sales Ferreira

Lúcio Carlos Gonçalves Iran Borges Pedro Dias Sales Ferreira

ALIMENTOS PARA GADO DE LEITE

FEPMVZ-Editora Belo Horizonte
2009

A414

Alimentos para gado de leite / Editores: Lúcio Carlos Gonçalves, Iran Borges, Pedro Dias Sales Ferreira. – Belo Horizonte: FEPMVZ, 2009. 568 p. : il. Inclui bibliografia ISBN 978-85-87144-36-2 1. Bovino de leite – Alimentação e rações. 2. Bovino de leite - Nutrição. 3. Nutrição animal. I. Gonçalves, Lúcio Carlos. II. Borges, Iran. III. Ferreira, Pedro Dias Sales. CDD – 636.214 085 2

PREFÁCIO

A carência de uma obra que reunisse informações acerca do uso de alimentos para bovinos leiteiros motivou a elaboração deste livro. Considerandose a literatura internacional, nos últimos anos, tem sido grande a produção de conhecimento sobre alimentos para gado de leite, no entanto era necessário reunir estas informações para facilitar aos interessados o acesso a elas. Este livro visa atingir produtores rurais, alunos de graduação e pósgraduação e demais técnicos da área de produção de gado de leite. A obra traz informações sobre os alimentos volumosos mais comuns, alimentos concentrados proteicos e energéticos, o uso de resíduos, de ureia, de taninos e a qualidade de ingredientes para alimentação de bovinos leiteiros. Agradecemos especialmente a cada autor pelo afinco e dedicação com que trabalharam para tornar possível a elaboração deste livro

Os Editores

ÍNDICE
CAPÍTULO 1 CLASSIFICAÇÃO DOS ALIMENTOS. Lúcio Carlos Gonçalves, Iran Borges, Ana Luiza da Costa Cruz Borges, Pedro Dias Sales Ferreira CANA-DE-AÇÚCAR NA ALIMENTAÇÃO DE GADO DE LEITE. Mariana Magalhães Campos, Ana Luiza da Costa Cruz Borges, Lúcio Carlos Gonçalves SILAGEM DE GIRASSOL PARA BOVINOS LEITEIROS. Luiz Gustavo Ribeiro Pereira, Lúcio Carlos Gonçalves,Thierry Ribeiro Tomich, Alex Santos Lustosa de Aragão SILAGEM DE SORGO PARA GADO DE LEITE. Wilson Gonçalves de Faria Jr., Lúcio Carlos Gonçalves, Daniel Ananias de Assis Pires, José Avelino Santos Rodrigues, Matheus Anchieta Ramirez O MILHETO COMO OPÇÃO PARA GADO DE LEITE. Gabriel de Oliveira Ribeiro Júnior, Lúcio Carlos Gonçalves, Roberto Guimarães Júnior, Fernado Pimont Pôssas, Rogério Martins Maurício RESÍDUOS DE FRUTAS NA ALIMENTAÇÃO DE GADO DE LEITE. Marcos Cláudio Pinheiro Rogério, Gherman Garcia Leal de Araujo, Marcos José Alves, Jose Neuman Miranda Neiva, Helio Henrique Araújo Costa POLPA CÍTRICA NA ALIMENTAÇÃO DE BOVINOS DE LEITE. Alex de Matos Teixeira, Lúcio Carlos Gonçalves, Frederico Osório Velasco, Gabriel de Oliveira Ribeiro Júnior, Felipe Antunes Magalhães POLPA DE BETERRABA NA ALIMENTAÇÃO DE GADO DE LEITE. Isabela Rocha França Machado Veiga, Lúcio Carlos Gonçalves, Fernanda Samarini Machado, Gabriel de Oliveira Ribeiro Júnior RESÍDUO DE CERVEJARIA PARA GADO LEITEIRO. Frederico Osório Velasco, Lúcio Carlos Gonçalves, Alex de Matos Teixeira, Wilson Gonçalves de Faria Jr., Felipe Antunes Magalhães FIBRA NA ALIMENTAÇÃO DE GADO DE LEITE. Fernanda Samarini Machado, Lúcio Carlos Gonçalves, Marcelo Neves Ribas, Gabriel de Oliveira Ribeiro Júnior CASCA DE SOJA NA ALIMENTAÇÃO DE GADO DE LEITE. Gabriel de Oliveira Ribeiro Júnior, Lúcio Carlos Gonçalves, Flavia Cardoso Lacerda Lobato, Frederico Osório Velasco UREIA E AMÔNIA EM RESÍDUOS AGROINDUSTRIAIS PARA RUMINANTES. Wilson Gonçalves Faria Jr., Lúcio Carlos Gonçalves, Cristiano Gonzaga Jayme, Alex de Matos Teixeira HIDRÓXIDO DE SÓDIO EM RESÍDUOS AGROINDUSTRIAIS PARA RUMINANTES. Frederico Osório Velasco, Lúcio Carlos Gonçalves, Marcelo Neves Ribas, Wilson Gonçalves de Faria Jr.

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CAPÍTULO 2

7

CAPÍTULO 3

26

CAPÍTULO 4

43

CAPÍTULO 5

65

CAPÍTULO 6

88

CAPÍTULO 7

116

CAPÍTULO 8

132

CAPÍTULO 9

139

CAPÍTULO 10

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CAPÍTULO 11

173

CAPÍTULO 12

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CAPÍTULO 13

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CAPÍTULO 14

O MILHO NA ALIMENTAÇÃO DE GADO DE LEITE. Luiz Gustavo Ribeiro Pereira, Roberto Camargos Antunes, Lúcio Carlos Gonçalves, Wellyngton Tadeu Vilela Carvalho SILAGEM DE GRÃO ÚMIDO DE MILHO NA ALIMENTAÇÃO DE BOVINOS DE LEITE. Marcelo Neves Ribas, Lúcio Carlos Gonçalves, Fernanda Samarini Machado, Isabela Rocha França Machado Veiga, Marcelo Resende Sousa GRÃO DE SORGO NA ALIMENTAÇÃO DE GADO DE LEITE. Wilson Gonçalves de Faria Jr., Lúcio Carlos Gonçalves, Alex de Matos Teixeira, Wellyngton Tadeu Vilela Carvalho COPRODUTOS DA MANDIOCA NA ALIMENTAÇÃO DE GADO DE LEITE. Fernanda Samarini Machado, Lúcio Carlos Gonçalves, Wilson Gonçalves de Faria Jr., Marcelo Neves Ribas COPRODUTOS DO TRIGO E DO ARROZ NA ALIMENTAÇÃO DE GADO DE LEITE. Flávia Cardoso Lacerda Lobato, Lúcio Carlos Gonçalves, Isabela Rocha França Machado Veiga, Fernando Pimont Pôssas BATATA-DOCE NA ALIMENTAÇÃO DE GADO DE LEITE. Isabela Rocha França Machado Veiga, Lúcio Carlos Gonçalves, Flávia Cardoso Lacerda Lobato, Wilson Gonçalves de Faria Jr. CARBOIDRATOS NÃO FIBROSOS NA ALIMENTAÇÃO DE GADO DE LEITE. Eloísa de Oliveira Simões Saliba, Norberto Mario Rodriguez, Lúcio Carlos Gonçalves GRÃO DE SOJA NA ALIMENTAÇÃO DE GADO DE LEITE. Wilson Gonçalves de Faria Jr, Lúcio Carlos Gonçalves, Alex de Matos Teixeira, Flávia Cardoso Lacerda Lobato FARELO DE SOJA NA ALIMENTAÇÃO DE VACAS LEITEIRAS. Wilson Gonçalves de Faria Jr., Diogo Gonzaga Jayme, Lúcio Carlos Gonçalves, Pedro Dias Sales Ferreira CAROÇO DE ALGODÃO NA ALIMENTAÇÃO DE GADO DE LEITE. Flávia Cardoso Lacerda Lobato, Lúcio Carlos Gonçalves, Isabela Rocha França Machado Veiga, Fernando Pimont Pôssas FARELO DE ALGODÃO NA ALIMENTAÇÃO DE GADO LEITEIRO. Alex de Matos Teixeira, Lúcio Carlos Gonçalves, Frederico Osório Velasco, Gabriel de Oliveira Ribeiro Júnior SEMENTES, TORTA E FARELO DE GIRASSOL NA ALIMENTAÇÃO DE GADO DE LEITE. Wellyngton Tadeu Vilela Carvalho, Lúcio Carlos Gonçalves, Luiz Gustavo Ribeiro Pereira, Frederico Osório Velasco FARELO DE AMENDOIM NA ALIMENTAÇÃO DE GADO DE LEITE. Fernando Pimont Pôssas, Lúcio Carlos Gonçalves, Flávia Cardoso Lacerda Lobato, Fernanda Samarini Machado

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CAPÍTULO 15

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CAPÍTULO 16

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CAPÍTULO 17

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CAPÍTULO 18

327

CAPÍTULO 19

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CAPÍTULO 20

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CAPÍTULO 21

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CAPÍTULO 22

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CAPÍTULO 23

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CAPÍTULO 24

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CAPÍTULO 25

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CAPÍTULO 26

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CAPÍTULO 27

TORTA DE MAMONA NA ALIMENTAÇÃO DE GADO DE LEITE. Marcelo Neves Ribas, Lúcio Carlos Gonçalves, Fernanda Samarini Machado, Isabela Rocha França Machado Veiga UREIA NA ALIMENTAÇÃO DE GADO DE LEITE. Roberto Guimarães Júnior, Lúcio Carlos Gonçalves, Luiz Gustavo Ribeiro Pereira, Thierry Ribeiro Tomich TANINOS NA ALIMENTAÇÃO DE RUMINANTES. Wellyngton Tadeu Vilela Carvalho, Lúcio Carlos Gonçales, Rogério Martins Maurício, Diego Soares Gonçalves Cruz, Matheus Anchieta Ramirez QUALIDADE DE INGREDIENTES PARA ALIMENTAÇÃO DE BOVINOS. Deborah Alves Ferreira, Lúcio Carlos Gonçalves, Wellyngton Tadeu Vilela Carvalho, Pedro Dias Sales Ferreira, Matheus Anchieta Ramirez

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CAPÍTULO 28

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CAPÍTULO 29

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CAPÍTULO 30

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CAPÍTULO 1 CLASSIFICAÇÃO DOS ALIMENTOS   
Lúcio Carlos Gonçalves1, Iran Borges2, Ana Luiza da Costa Cruz Borges3, Pedro Dias Sales Ferreira4

RESUMO Este capítulo visa apresentar uma classificação simplificada dos alimentos e enumerar os fatores que podem alterar-lhes a composição.

INTRODUÇÃO É importante que o nutricionista saiba classificar os alimentos para que possa utilizálos racional e adequadamente. Assim, ele poderá elaborar dietas nutricionalmente equilibradas que resultarão em desempenhos animais satisfatórios. Os alimentos são classificados de acordo com os seus conteúdos de fibra bruta e de outros nutrientes, em cinco grandes grupos:

1. ALIMENTOS VOLUMOSOS São os que contêm mais de 18% de fibra bruta (FB) na matéria seca e englobam forrageiras secas e grosseiras (fenos e palhas), pastagens cultivadas, pastos nativos, forrageiras verdes e silagens. Existem grandes diferenças entre os conteúdos de proteína bruta, fibra bruta, cálcio e fósforo entre as forrageiras tropicais. À medida que a planta forrageira envelhece, seu valor nutritivo piora pelo maior acúmulo de carboidratos estruturais e lignina e pela menor porcentagem de proteína bruta e fósforo, trazendo como consequência menor consumo e menor digestibilidade da matéria seca ingerida. É importante salientar que quanto melhor o valor nutritivo do volumoso, menor será o custo de produção da carne e do leite produzidos a partir desses alimentos.

Engenheiro Agrônomo, DSc., Prof. Associado Departamento de Zootecnia da Escola de Veterinária da UFMG, Caixa Postal 567, CEP 30.123-970, Belo Horizonte, MG. luciocg@vet.ufmg.br 2 Zootecnista, Dsc. Prof. Associado , Departamento de Zootecnia da Escola de Veterinária da UFMG, Caixa Postal 567, CEP 30.123-970, Belo Horizonte, MG. iranborges@superig.com.br 3 a Médica Veterinária, DSc. Prof . Associado Departamento de Zootecnia da Escola de Veterinária da UFMG, Caixa Postal 567, CEP 30.123-970, Belo Horizonte, MG. analuiza@vet.ufmg.br 4 Médico Veterinário, mestrando em Zootecnia, Escola de Veterinária da UFMG, Caixa Postal 567, CEP 30.123-970, Belo Horizonte, MG. Bolsista CNPq. ferreira.pds@gmail.com

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As diferenças entre a composição química de diferentes forrageiras e entre forrageiras em diferentes idades de corte podem ser observadas nas Tabelas 1 e 2.

Tabela 1. Composição bromatológica de forrageiras tropicais em diferentes idades em porcentagem de matéria seca. Forrageira Capimbraquiarão Capimdecumbens Capimelefante Capimtifton Idade (dias) 0 a 30 31 a 45 46 a 60 0 a 30 31 a 45 46 a 60 31 a 45 46 a 60 61 a 90 0 a 30 31 a 45 46 a 60 % MS* 14,46 21,47 21,49 21,21 30,23 27,34 14,35 19,94 19,77 17,89 16,59 20,78 % PB 11,04 10,65 10,61 12,32 7,78 9,06 14,34 9,20 9,70 11,88 9,22 7,42 % FDN 67,89 63,06 83,75 77,93 79,96 69,84 72,28 73,94 72,65 72,34 72,31 % FDA 33,29 31,19 43,55 37,55 40,04 38,94 42,43 41,95 38,57 37,81 37,29 % Ca 0,94 0,71 0,61 0,53 0,35 0,50 0,29 0,26 0,25 0,24 %P 0,47 0,47 0,42 0,30 0,35 0,27 0,54 0,29 0,26 0,21 0,20

* A matéria seca está em porcentagem da matéria natural. Matéria Seca (MS); proteína bruta (PB); fibra em detergente neutro (FDN); fibra em detergente ácido (FDA); cálcio (Ca); fósforo (P). Fonte: Valadares Filho et al. (2006).

Tabela 2. Composição bromatológica de silagens em porcentagem de matéria seca. Forrageira % MS* % PB % FDN % FDA % Ca %P % NDT Silagem de cana25,85 4,05 62,26 41,95 0,46 0,03 45,65 de-açúcar Silagem de 26,81 5,84 79,13 51,75 0,35 0,13 58,08 capim-elefante Silagem de 23,87 9,07 46,10 36,02 1,22 0,10 girassol Silagem de milho 30,92 7,26 55,41 30,63 0,30 0,19 64,27 Silagem de sorgo 30,82 6,69 61,41 35,77 0,30 0,18 57,23
* A matéria seca está em porcentagem da matéria natural. Matéria seca (MS); proteína bruta (PB); fibra em detergente neutro (FDN); fibra em detergente ácido (FDA); cálcio (Ca); fósforo (P); nutrientes digestíveis totais (NDT). Fonte: Valadares Filho et al. (2006).

No período da seca, em que ocorre redução do crescimento da maioria das forrageiras tropicais, é comum o fornecimento de volumoso no cocho. Existem alguns métodos de conservação de forragens, como a fenação e principalmente a ensilagem. Na Tabela 2, encontra-se a composição de silagens comumente utilizadas na suplementação de bovinos leiteiros.

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2. ALIMENTOS CONCENTRADOS São os que possuem menos de 18% de fibra bruta (FB) e podem ser divididos em: a) concentrados energéticos: contêm menos de 20% de proteína bruta (PB). Como exemplo, têm-se: milho, sorgo, trigo, aveia, cevada, frutas, nozes e algumas raízes; b) concentrados proteicos: contêm mais de 20% de PB e têm-se como exemplo os farelos de soja, de amendoim, de girassol, de algodão, glúten de milho e alguns subprodutos de origem animal, tais como a farinha de peixe.

3. SUPLEMENTOS MINERAIS São fontes de macronutrientes, como cálcio (Ca), fósforo (P), potássio (K), cloro (Cl), sódio (Na) e magnésio (Mg), que são expressos em percentagem, e de micronutrientes, como cobalto (Co), cobre (Cu), ferro (Fe), iodo (I) selênio (Se) e zinco (Zn), que são expressos em parte por milhão (ppm) ou miligrama por quilograma (mg/kg). As Tabelas 3 e 4 apresentam algumas fontes de macro e microminerais, respectivamente.

Tabela 3. Fontes de macrominerais (na matéria natural).
Fontes de fósforo Fosfato bicálcico Fosfato monocálcico Fosfato monobicálcico Fosfato monoamônio Fosfato diamônio Fosfato semidefluorizado Fosfato de rocha de Tapira Fosfato de rocha de Patos de Minas Fosfato de rocha de Araxá Fosfato de rocha de Jacupiranga Fosfato de rocha Goiasfértil Farinha de ossos calcinada Farinha de ossos autoclavada Fontes de cálcio Calcário Farinha de ostra Fontes de sódio Sal comum Bicarbonato de sódio Cálcio (%) 24,8 18,6 19,9 28,7 34,8 20,8 25,9 33,9 23,1 32,6 24,1 Cálcio (%) 38,4 36,7 Sódio (%) 39,7 27,0 Cloro (%) 59,6 0,0 P Total 18,5 20,5 18,5 24,0 23,1 16,7 14,9 10,6 11,6 13,0 16,0 16,3 9,3 Fósforo (%) Coef. Disp.* P Disponível 100 18,5 101 20,8 105 19,4 108 25,9 125 28,9 61 10,2 52 7,7 58 51 31 52 92 100 6,1 5,9 4,0 8,3 15,0 9,3 Flúor (%) 0,12 0,63 0,18 0,23 0,80 1,24 1,46 1,85 1,65 1,95 -

* Coeficiente de biodisponibilidade do fósforo em relação ao fosfato bicálcico (padrão com 100% de biodisponibilidade) determinado com aves. Fonte: Rostagno et al. (2000).

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5 4.0 34.1 Mn (%) 47. tampões e enzimas fibrolíticas.3 76. ADITIVOS Os aditivos entram em pequenas quantidades nas rações e são compostos por antibióticos.8 62. (2000). Co (%) 45. leveduras.0 31. anabolizantes.4 22.5 22. 5. hormônios.0 75.0 20. SUPLEMENTOS VITAMÍNICOS Constituem misturas de vitaminas que são adicionadas às rações para complementar as deficiências dos alimentos. palatabilizantes. São pouco utilizados em rações de ruminantes no Brasil.1 73. Fontes de micromineirais (na matéria natural).7 Se (%) 41.6 Zn (%) 52.0 33.0 Fe (%) 43. Fontes de cobalto Carbonato de cobalto (CoCO3) Sulfato de cobalto (COSo4 H20) Sulfato de cobalto (COSo4 7 H20) Fontes de cobre Carbonato de cobre (CuCO3Cu(OH)2) Óxido de cobre (CuO) Sulfato de cobre (CuSO H2O) Sulfato de cobre (CuSO4 5 H2O) Fontes de ferro Carbonato de ferro (FeCO3) Sulfato ferroso (FeSO4 H2O) Sulfato ferroso (FeSO4 7 H2O) Fontes de iodo Iodato de cálcio (Ca(IO3)2) Iodeto de cobre (CuI2) Iodeto de potássio (KIO3) Iodeto de potássio (KI) Fontes de manganês Carbonato de manganês (MnCO3) Óxido de manganês (MnO) Sulfato de manganês (MnSO4 H2O) Sulfato de manganês (MnSO4 5 H2O) Fontes de selênio Selenato de sódio (Na2SeO4) Selenito de sódio (Na2SeO3) Fontes de zinco Carbonato de zinco (ZnCO3) Óxido de zinco (ZnO) Sulfato de zinco (ZnSO4 H2O) Sulfato de zinco (ZnSO4 7 H2O) Fonte: Rostagno et al.8 45. fungicidas. 4 .5 25.0 59.0 30. antioxidantes.0 66.1 I (%) 62.Tabela 4. corantes.0 36.0 20.1 Cu (%) 53.

o milho úmido tem menor concentração energética por unidade de peso que o mesmo milho seco. Nos subprodutos de origem vegetal. tais como: 6. a colza apresenta variedades com diferentes porcentagens de princípios goitrogênicos. outros com açúcares no colmo. VARIAÇÕES NAS COMPOSIÇÕES DOS ALIMENTOS Podem ocorrer grandes variações nas composições dos alimentos devido a fatores. tais como do farelo de soja e farinhas de origem animal.5. Existem cultivares com e sem tanino. geralmente em níveis superiores aos permitidos pelo Ministério da Agricultura. a inclusão de cascas. Por exemplo.2. 6. Misturas minerais armazenadas sob condições inadequadas (exposição ao ar. O método de processamento pode alterar a concentração energética do farelo de algodão. Armazenamento As condições de armazenamento podem modificar a composição dos alimentos.3. Fenos armazenados ao sol perdem mais β-caroteno que os armazenados em condições adequadas. As temperaturas de secagem e/ou de cocção podem danificar a lisina (aminoácido essencial) de muitos alimentos. à umidade) podem sofrer alterações nas suas composições pela ocorrência de reações químicas.6. Condições de processamento As condições de processamento podem alterar a composição dos alimentos. que geralmente apresentam menores valores nutritivos. (torta gorda versus torta em que o óleo foi extraído por solventes). 6. Da mesma maneira. 6. Alguns cultivares de mandioca podem ter sua toxidez alterada em função dos locais onde são cultivados. 6. dentre outros. Teor de água A quantidade de água presente nos alimentos alterará a relação e a proporção entre os outros nutrientes. e a mandioca apresenta cultivares com e sem ácido cianídrico.4. 5 .1. provoca grandes alterações na composição desses alimentos. ao sol. enquanto muitos não os possuem. Condições do solo As forrageiras podem apresentar diferentes composições de oxalato de acordo com o local em que são plantadas. Cultivares (variedades) Pode-se tomar a planta de sorgo como exemplo.

ALBINO. ROCHA Jr. VALADARES FILHO.ed. as dietas apresentar-se-ão o mais próximo possível das necessidades da categoria animal em questão e refletirão em desempenhos satisfatórios. MG: UFV.R. et al.. Tabelas brasileiras para aves e suínos: Composição de alimentos e exigências nutricionais. mandar analisar os alimentos que serão utilizados no balanceamento. L. DONZELE. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ROSTAGNO. Viçosa.L. Dessa forma. Tabelas brasileiras de composição de alimentos para bovinos. J.F. V. sempre que possível. 141p. Viçosa. CONSIDERAÇÕES FINAIS Para a formulação de dietas bem equilibradas. deve-se.T.A. 239p. 2.. et al..C.S.7.. H. MAGALHÃES K. S. 6 . 2000. MG: Editora UFV. 2006.

MG. O objetivo desse capítulo é apresentar as vantagens e as limitações do uso da cana-de-açúcar na alimentação de ruminantes. a escolha da variedade adequada.br 3 Engenheiro Agrônomo. que foi de 653. superior em 3.123-970.8%) na área plantada e de 996kg/ha (1. analuiza@vet.ufmg..CAPÍTULO 2 CANA-DE-AÇÚCAR NA ALIMENTAÇÃO DE GADO DE LEITE Mariana Magalhães Campos1. DSc. Belo Horizonte.302 milhões de toneladas.. Rua Eugênio do Nascimento. A produtividade média está prevista para 70. INTRODUÇÃO O Brasil é o maior produtor mundial de cana-de-açúcar (Saccharum officinarum). o caráter semiperene.779 milhões de toneladas. 610 Dom Bosco. a alta produção de matéria seca por unidade de área mesmo com baixa frequência de cortes. A cana-de-açúcar tem várias características que justificam sua utilização na alimentação de ruminantes. além de ser uma cultura tradicional entre os produtores rurais brasileiros.br 1 7 . Juiz de Fora.ufmg.123-970. tem impulsionado sua divulgação como forrageira adequada para cultivo em fazendas que utilizam pastagens e que visam minimizar o uso de tempo e capital em práticas de ensilagem. Prof .com. a relativa resistência a pragas e doenças. o moderado teor de fibra insolúvel em detergente neutro (FDN). MG. MG. luciocg@vet. Ana Luiza da Costa Cruz Borges2. o consumo voluntário. a facilidade de compra e venda. são discutidos assuntos como a composição bromatológica da cana-de-açúcar. Belo Horizonte.br 2 a Médica Veterinária. A produção brasileira na safra 2009 está estimada em 674. CEP 30. quando a disponibilidade de forragem é baixa. CEP 30. CEP 36038-330. marimcampos@gmail. Caixa Postal 567. Associado Departamento de Zootecnia da Escola de Veterinária da UFMG. Associado Departamento de Zootecnia da Escola de Veterinária da UFMG. a digestibilidade. 2009).3% à da safra anterior. o desempenho animal e a utilização de cana-deaçúcar hidrolisada. Embrapa Gado de Leite.391kg/ha. dentre elas: o alto teor de sacarose. O fato de atingir o máximo valor nutritivo durante o período seco do ano. DSc. a simplicidade do cultivo agronômico. Médica Veterinária. DSc. Caixa Postal 567. Lúcio Carlos Gonçalves3 RESUMO Este capítulo aborda questões relacionadas à utilização da cana-de-açúcar na alimentação de ruminantes. O respectivo crescimento ocorreu em função da expansão de 172 mil hectares (1. Prof. Ao longo do texto.4%) na produtividade média (Companhia Nacional do Abastecimento – CONAB.

minerais e ao alto teor de fibra de baixa degradação ruminal. as quais apresentam elevado efeito de repleção ruminal. No entanto. 8 . Composição bromatológica da cana-de-açúcar (Saccharum officinarum). seu potencial como fonte de energia é limitado devido à sua baixa digestibilidade e taxa de degradação e consequente baixo consumo voluntário.22 Celulose 26. Na Tabela 1. devido aos baixos teores de proteína.83 Fibra em detergente neutro 57. Os carboidratos estruturais da cana-de-açúcar são fonte potencial de energia de baixo custo para ruminantes.55 Matéria mineral 3. 1988). devido aos baixos teores de proteína. com a estrutura da parede celular que protege os nutrientes da digestão microbiana no rúmen. Tabela 1. apresenta limitações de ordem nutricional. em porcentagem da matéria seca.44 Lignina 7. principalmente. Nutrientes % Matéria seca 28. Sendo assim. Este fato está relacionado. como alimento básico para ruminantes. apresenta limitações de ordem nutricional.A cana-de-açúcar.10 Carboidratos totais 92. minerais e ao alto teor de fibra de baixa degradação ruminal (Leng. encontra-se a composição bromatológica da cana-de-açúcar. em porcentagem da matéria seca.70 * Porcentagem na matéria natural.74 Extrato etéreo 1.68 Fibra em detergente ácido 34. (2006). Fonte: Valadares Filho et al. a cana-deaçúcar tem sido correlacionada negativamente à ingestão de matéria seca não apenas pela fração indigestível da fibra mas também pela baixa taxa de digestão da fibra potencialmente degradável.45* Proteína bruta 2.76 Carboidratos solúveis 42.09 Nutrientes digestíveis totais 62.02 Hemicelulose 21. como alimento básico para ruminantes. COMPOSIÇÃO BROMATOLÓGICA A cana-de-açúcar.75 Extrativo não nitrogenado 69. Uma das principais limitações da cana-de-açúcar nos experimentos de desempenho animal é o baixo consumo de matéria seca e de nutrientes. 1.

1982). particularmente no período seco e frio do ano.De maneira geral. Essa característica resulta em importante vantagem para a alimentação animal. época em que seu valor energético é máximo. supera esta queda. Figura 1. Composição e digestibilidade da cana-de-açúcar segundo a idade da planta. (2003). conforme pode ser visto na Figura 1. ocorrem decréscimos nos teores de proteína bruta (PB) e aumento nos teores de matéria seca (MS) e de carboidratos não fibrosos (CNF). verificaram que as diferenças nos teores de FDN e fibra insolúvel em detergente 9 . Fernandes et al. Ocorre queda na digestibilidade da FDN com o avanço da idade. o valor nutritivo das gramíneas diminui com o avançar do estádio de maturação. Fonte: Pate (1977). mas o aumento de CNF. enquanto o de outras gramíneas forrageiras atinge seus limites mínimos (Gooding. No entanto. o valor nutritivo da cana-de-açúcar aumenta com a maturidade. Com o avançar da idade da cana-deaçúcar. representado na Figura 1 pelo conteúdo celular. sendo este último resultado do acúmulo de sacarose. fazendo com que haja aumento na digestibilidade da matéria orgânica (MO) com o avanço da idade da planta. considerando intervalos de quatro meses entre cortes da cana.

Considerando-se que a capacidade de ingestão total de fibra pelo animal é limitada. Considerando-se que é característica da espécie o baixo conteúdo nitrogenado. avaliando 18 variedades. As variedades mais promissoras para alimentação de bovinos são as que apresentam menores teores de FDN. contrariamente ao que ocorre com a maioria das espécies forrageiras tropicais.6 a 47. (2001). (2005). devido à pouca disponibilidade desses materiais e. principalmente.. avaliando 10 variedades de cana-de-açúcar. tem alta correlação negativa com a digestibilidade. 2005. além de o aumento no teor de FDN 10 .teor de sacarose) menores que 2. avaliando cinco variedades de cana-de-açúcar em cinco épocas de colheita. o que evidencia a capacidade desse volumoso em manter constante o seu valor nutritivo ao longo do tempo. (2006) encontraram diferença entre as variedades estudadas para o teor de lignina.1% da MS.4 a 61. 2006). avaliando 12 cultivares. 2. uma variedade que apresenta teor de FDN elevado limitará a ingestão de cana-deaçúcar. Rodrigues et al. maiores valores de digestibilidade in vitro da matéria seca (DIVMS).90. porque essas variedades ainda não foram introduzidas e testadas nesses locais (Macedo et al. o teor de PB não é critério para escolha de variedades (Costa et al. e. encontraram correlação de –0. (2003). Dietas que utilizam cana-de-açúcar como volumoso necessitam de maior inclusão de concentrados proteicos para suprir as exigências dos animais. verificaram diferença acentuada nos teores de FDN.96).0%.8% da MS.9 a 4. encontrou correlação entre a DIVMS e o teor de FDN de –0. que faz parte da FDN. o consumo de energia poderá ser insuficiente para atender as exigências nutricionais do animal. 2001).7 e baixos teores de lignina. Esta variável. sendo de fundamental importância uma suplementação mineral adequada para suprir as exigências nutricionais dos animais.88. que variou de 2. Carvalho (1992). afetando seu desempenho..0.1 a 48. Entretanto. que variaram de 41. a maioria das propriedades rurais que utiliza a cana-de-açúcar na dieta dos animais não tem tido acesso às variedades melhoradas. relações FDN/Pol (Pol . 2003. pois a cana apresenta baixo teor de proteína (Corrêa. Rodrigues et al.ácido (FDA) foram relativamente pequenas. consequentemente. verificaram que a FDN nos colmos variou de 33. as pesquisas com melhoramento genético da cana-de-açúcar colocaram no mercado mais de cinquenta variedades de expressivo potencial produtivo. sendo que as canas com alto teor de FDN apresentavam baixa concentração de CNF (r = . e Rodrigues et al. Costa et al. O baixo teor de fósforo da cana-de-açúcar é outra limitação dessa forrageira.. 2006). e o teor de CNF variou de 49.3%. Rodrigues et al. ESCOLHA DA VARIEDADE Nos últimos dez anos.

selecionar canas com colmos curtos para obter ganho em digestibilidade levaria à perda na produção de MS por hectare. de alta digestibilidade. Outra característica que deve ser avaliada para escolha das variedades é a maior capacidade de desfolha natural ou fácil.1%). o que reduz a área disponível ao ataque microbiano no rúmen. Entretanto.5%. pois permite maior eficiência no processo de 11 . Dentre as características agronômicas e bromatológicas avaliadas. A terceira característica seria selecionar variedades com maior porcentagem de colmos. Teixeira (2004) procurou definir que características da planta seriam mais correlacionadas ao valor nutritivo da cana-de-açúcar. uma vez que as primeiras atingem a maturidade mais cedo. A relação FDN/Pol pode servir de indicador para a escolha de variedades de cana-deaçúcar para alimentação de ruminantes. uma vez que a sacarose. Canas de alta digestibilidade têm colmos mais curtos. o que faz pouco sentido. a porcentagem de fibra (FDN ou FDA) foi a mais correlacionada com a degradabilidade da MS. a porcentagem de colmos foi a de maior herdabilidade (h2=63. A segunda mais importante é o comprimento dos colmos. de lignina e a taxa de degradação da fração potencialmente degradável da FDN explicaram 87. Azevêdo et al. (2003). As variedades de cana-de-açúcar precoces apresentaram maiores teores de FDN e FDA do que as de ciclo intermediário.8% da variação total do banco de dados utilizados em seu estudo. entre as três características mais correlacionadas ao valor nutritivo. Ainda neste trabalho de Teixeira (2004). que são representadas pelos polissacarídeos da parede celular vegetal. enquanto as características comprimento dos colmos e porcentagem de FDA apresentaram menor herdabilidade.4 e 19. (2001) observaram que quanto menor a relação FDN/açúcares. enquanto as folhas são ricas em fibra de baixa digestibilidade. além de baixa porcentagem de FDA. Houve aumento linear do percentual dos nutrientes digestíveis totais (NDT) com o avanço na idade de corte. Os autores observaram que variedades com ciclo de produção intermediário apresentaram uma produção 8. verificaram que os teores de hemicelulose. baixa proporção de palhas e folhas. avaliando a divergência nutricional de 15 variedades de canade-açúcar. devido à negativa relação entre os teores de FDN e de FDA dos alimentos e seu valor nutricional. culminando com mais rápido desenvolvimento das estruturas de sustentação.66% maior que as precoces. ou seja. Rodrigues et al. Fernandes et al. está contida nos colmos. maior será a DIVMS. justificado pelo aumento linear do teor de MS e o aumento do teor de sólidos solúveis (brix).na planta estar associado ao espessamento da parede celular. a característica mais importante na cana-de-açúcar de alto valor nutritivo é ter baixa porcentagem de fibra na MS. Segundo o autor. respectivamente. (2003) avaliaram variedades de cana-de-açúcar com diferentes ciclos de produção (precoce e intermediário) e três idades de corte. Este fato torna as variedades de maturação intermediária mais apropriadas ao consumo pelos animais. que foram de 41.

da mesma forma. (2003). além de reduzir a oferta de material de baixo valor nutricional ao rebanho (Macêdo et al. e a eficiência de ruminação. Costa et al. (2002) não observaram diferenças no consumo de MS e PB com o aumento dos níveis de cana-de-açúcar nas dietas em substituição à silagem de milho. (2004). ambas com relação V:C de 60:40. uma vez que o coeficiente de digestibilidade da FDN para a dieta com 100% de cana-de-açúcar correspondeu a apenas 45. A baixa digestão da FDN da cana-de-açúcar pode ter apresentado efeito de repleção ruminal e. trabalhando com cana-de-açúcar em substituição à silagem de milho em dietas para vacas em lactação.2% maior para as dietas à base de silagem de milho. As vacas alimentadas com dietas à base de cana-de-açúcar apresentaram maior tempo despendido em ócio. 50 e 40% de inclusão (V:C de 60:40. Magalhães et al. consequentemente.. 3. CONSUMO VOLUNTÁRIO Costa et al. (2006).52%. 50:50. verificaram que a cana-de-açúcar apresentou elevada proporção de fibra indigestível em comparação à silagem de milho. No entanto. encontraram consumo 22. 2006).35% do valor obtido para a dieta com 100% de silagem de milho. O CMS do tratamento com 40% de inclusão de cana-deaçúcar foi semelhante ao obtido com a dieta à base de silagem de milho na proporção de 60%. intermediário no de 50% e maior no de 40%. O consumo foi menor no nível de inclusão de 60% de cana-de-açúcar.35% na quantidade de ureia mais sulfato de amônio adicionado à cana-de-açúcar em relação à recomendação tradicional de 1% e a modificação da relação V:C de 60:40 para 50:50 não foram suficientes para aumentar o consumo de dietas com cana-de-açúcar. (2005). quando expressa em g de FDN/h. verificaram o aumento de 6. nas proporções 60. (2004a) avaliaram o comportamento ingestivo de vacas leiteiras recebendo dietas contendo silagem de milho (V:C de 60:40) ou cana-de-açúcar (V:C de 60:40 ou 50:50). respectivamente) e uma dieta com silagem de milho na proporção de 60%.corte. Mendonça et al. moagem. 40:60. Mendonça et al. que observaram aumento de 15% no consumo em dietas à base de silagem de milho quando comparadas com aquelas baseadas em cana-de-açúcar. Valvasori et al.51% superior para a dieta contendo silagem de milho. também foi menor. menor CMS. (2005) compararam o consumo de matéria seca (CMS) entre três dietas com cana-de-açúcar corrigida com 1% da mistura ureia e sulfato de amônio (9:1) como volumoso único. Resultados semelhantes foram encontrados por Souza (2003) e Magalhães et al. Corrêa et al. ter limitado a ingestão 12 . Os autores verificaram que a redução para 0. comparando tratamentos com a mesma relação volumoso:concentrado (V:C de 60:40) entre cana-de-açúcar e silagem de milho. (2004b) avaliaram dietas com silagem de milho ou com cana-deaçúcar em vacas Holandesas e observaram consumo 21.

não foi encontrada diferença significativa na digestibilidade da matéria orgânica (DMO) entre dietas com cana-de-açúcar (67. sendo a baixa DFDN uma das limitações da cana-de-açúcar na dieta de ruminantes. Segundo os autores. estão resumidos os resultados de diversos trabalhos mostrando digestibilidade da MS e da FDN de dietas com cana-de-açúcar como volumoso único. pode ter aumentado a digestão dos nutrientes neste compartimento. Vilela et al. A baixa digestibilidade da FDN nas dietas com cana-de-açúcar (22. Na Tabela 2. (2005) também não encontraram diferença na digestibilidade da matéria seca (DMS) e na DMO entre dietas com silagem de milho ou cana-de-açúcar.22% na MS. As dietas eram isoproteicas. As rações CAU e CMM foram as que apresentaram as quantidades de ureia mais elevadas (3. o menor consumo nas dietas CAU e CMM. A baixa palatabilidade da ureia pode ter contribuído para obtenção de menores ingestões de MS nestes tratamentos.de MS.0057 unidades na TPR e aumento de 0. DIGESTIBILIDADE Segundo Andrade (1999). que também não encontrou diferenças na digestibilidade aparente da matéria seca (DAMS). Resultado semelhante foi encontrado por Magalhães (2001).49%) foi compensada pela alta DMO da fração não fibrosa (87. (2003) avaliaram diferentes suplementos para vacas mestiças em lactação alimentadas com cana-de-açúcar. que foram o de cana-de-açúcar mais ureia (CAU) e o de canade-açúcar. por unidade percentual de cana-deaçúcar acrescentada às dietas. respectivamente. absorvido e utilizado pelo animal (Magalhães et al. estimando-se redução de 0.00375 unidades para o TMRT. 4. apresentaram maiores coeficientes de digestibilidade da fibra em detergente neutro (DFDN) e de digestibilidade dos carboidratos (DCHO). Houve decréscimo linear na digestibilidade da FDN com o incremento da inclusão de cana-de-açúcar na dieta. provavelmente provocado pelo maior tempo de retenção no rúmen. 13 . Costa et al.52 e 3. Os autores também observaram que a taxa de passagem ruminal (TPR) decresceu enquanto o tempo médio de retenção total da digesta (TMRT) aumentou linearmente. respectivamente). e os tratamentos com maior inclusão de ureia. quando comparou diferentes níveis de substituição de silagem de milho por cana-de-açúcar.. A taxa na qual a digesta se move ao longo do trato gastrintestinal (TGI).58%) desta.82%) e silagem de milho (67.. milho grão e ureia (CMM). 2004b). 2006).59%). a taxa de fermentação do alimento e a quantidade de MS consumida são os principais fatores que estabelecem a proporção em que determinado nutriente será digerido. na digestibilidade aparente da proteína bruta (DAPB) e na digestibilidade aparente (DA) dos carboidratos totais (CHO). Provavelmente tal fato ocorreu em virtude do maior teor de lignina presente nas dietas à base de cana-de-açúcar (Mendonça et al. A sacarose da cana foi aparentemente mais digestível que o amido da silagem. na digestibilidade aparente da matéria orgânica (DAMO).

O ganho de peso diário foi 1.6% 46. far. (2002). Mendonça et al. far. Entretanto.0% 71. soja3 Far. far. já que ganhos de peso em torno de 750g/dia seriam suficientes para obtenção de primeiro parto aos 24 meses de idade. que foram 14 .9% 55.3% 69. 1999 Corrêa.4% 70.9% 53. far. far.0% 66. 1997 Hernandez et al. soja Milho grão. 2003 Vilela et al.6% 47. Digestibilidade aparente da matéria seca (DMS) e da fibra em detergente neutro (DFDN) de dietas com cana-de-açúcar como volumoso único e diferentes suplementos. far.9% 61. soja. 2004b Costa et al. soja Far. far. milho grão Ureia. O consumo de concentrado foi de 3kg/animal/dia. algodão.9% 67. far.1.8. a cana-de-açúcar. far.. soja2 Milho grão.4% 73. far. ureia Ureia Ureia. algodão. soja Milho grão. Corrêa (2001). 1978 Pate.Tabela 2.6kg. 2001 Gallo. 6.1997 Stacchini. far. soja. segundo o autor.0% 62. Segundo o autor.. Suplementos Milho grão. (2003). far. é alternativa viável para a recria de animais Holandeses. 1981 Manzano et al. As dietas eram isoproteicas e continham 62. far. respectivamente. 5.7% 54.. Vilela et al. 2001 Valvasori et al.0% 53.. 2002 Vilela et al.5% 23.175g no tratamento com silagem de milho e 1.0% 66.6% 49.009g no tratamento com cana-de-açúcar. trigo.. far.0% Animal Vacas Garrotes Novilhas Vacas Vacas Garrotes Garrotes Garrotes Vacas Novilhas Vacas Novilhas Vacas Vacas Vacas Vacas Vacas Vacas Vacas Fonte Biondi et al.0% 64. 70 ou 78% de cana-de-açúcar na MS. ureia Far. O CMS caiu linearmente com a maior inclusão de cana-de-açúcar na dieta.5% 65.0% 36. soja.2% 31. Fonte: Hernandez et al. 2003 Vilela et al. soja Milho grão. Novilhas leiteiras Andrade (1999) avaliou o fornecimento de dietas isoproteicas contendo 320g de FDN oriundas de cana-de-açúcar ou silagem de milho para novilhas Holandesas. mesmo levando a um menor desempenho animal. milho grão. glúten milho. Gallo (2001) conduziu experimento para determinar o teor máximo permitido de canade-açúcar na dieta de novilhas Holandesas que não deprimiria o ganho diário de peso. ureia.4% 37. 7.4% 67.8% 66.0% 70. algodão Milho grão. 1995 Ludovico e Mattos. (2005)....2% 53. Valvasori et al.9% 61.7% DFDN 37. trigo Milho grão. 2 = cana-de-açúcar variedade RB72454. o menor desempenho animal com cana-de-açúcar foi resultado da menor ingestão diária de energia devido à queda no CMS. 3 = Cana-de-açúcar variedade RB806043. soja. com peso vivo ao redor de 500 a 550kg. ureia DMS 77. algodão. 2003 Mendonça et al.8% 63. 1993 Aroeira et al. Gallo (2001). Não houve diferença nos ganhos de peso diários. soja1 Milho grão. 2003 Vilela et al. ureia Milho grão. 6. Costa et al.3% 73. ureia Ureia. far. glúten milho.1% 54... 1998 Andrade. (1997). algodão Milho grão..1997 Hernandez et al.. algodão Ureia. far. far.7% 40.4.1997 Hernandez et al. (2004b). algodão Milho grão. DESEMPENHO ANIMAL 5.5% 65.9% 66.4% 22.. 2005 1 = cana-de-açúcar variedade CO413.0% 35.

6 e 100% de cana-de-açúcar como volumoso apresentaram variação de peso corporal de 0.53kg/dia. (2006).2. respectivamente. 100%) da silagem de milho por cana-de-açúcar em dietas para vacas produzindo 24kg de leite por dia. comparou dietas com silagem de milho ou cana-de-açúcar como volumoso único e encontrou produção diária de leite 2.77kg menor que a dieta à base de silagem de milho. 33. Costa et al. Magalhães (2001). trabalhando com novilhas Holandês x Brahman. 956g/animal/dia). Corrêa (2001). independente do nível de ureia ou da relação V:C. a resposta ao uso da cana-de-açúcar para vacas leiteiras não está apenas na produção de leite. (2005). 2004). -0. verificou que a produção decresceu linearmente com o aumento nos níveis de substituição da silagem de milho. com o aumento da inclusão da cana-deaçúcar. O tratamento 1 (T1) era composto de pasto mais 1. Após realizar a análise dos dados produtivos e a análise econômica.16 e –0. 66.1. (2004b) também observaram que a produção de leite para as dietas à base de cana-de-açúcar como volumoso.002.89. com produção por lactação superior em 28% (1. avaliaram a suplementação ou não com cana-de-açúcar por três meses antes do parto. A média de produção de leite por animal foi de 6 e 8L/dia para T1 e T2. 5. devendo-se observar também a condição corporal dos animais ao longo da lactação.3. A suplementação promoveu melhor condição corporal dos animais ao parto e diminuição do intervalo entre partos (454 vs. Vacas em lactação Para se alcançar máxima receita sobre custos com alimentação.. A menor produção de leite para as dietas com maior participação de cana-de-açúcar pode ser explicada pelo menor CMS. Os animais que consumiram dietas com 0. PB e NDT. É provável que as primíparas do T2 obtiveram maior produção de leite como consequência do maior ganho de peso desde o sétimo mês de gestação até o momento do parto (669 vs.634 litros para T2) para os animais que receberam cana-de-açúcar. respectivamente. 951g/dia. o que pode ser explicado pela redução nos consumos de MS. assim.49. 66. devem-se formular dietas que sejam consumidas em grandes quantidades e contenham elevados níveis de nutrientes utilizáveis. Mendonça et al. 979. por sua vez. foi 2. 0. 15 . avaliando o efeito de quatro níveis de substituição (0. Segundo o autor. o que resulta em menor consumo de nutrientes. encontraram redução de 2. produção e condição corporal satisfatórias (Magalhães et al. assegurando. Espinoza et al. respectivamente. 33.5kg inferior no tratamento com cana-de-açúcar. trabalhando com vacas Holandesas de alta produção.5kg / cabeça / dia de concentrado e o tratamento 2 (T2) pelos mesmos ingredientes do T1 mais 4kg de cana-de-açúcar / dia com a adição de 4% de ureia.79kg.269 para T1 e 1. o autor concluiu que o nível de 33% de substituição foi técnica e economicamente recomendável. 347 dias).

silagem de milho e pastagem de capim-brachiaria brizantha) em novilhos Holandês x Zebu na biometria da carcaça. 0. farelo de algodão (CFA) e farelo de trigo (CFT) para vacas mestiças em lactação. CMS. baseados na produção e composição do leite. Não houve interação significativa entre volumoso e fontes proteicas e também não houve diferença entre as fontes proteicas para os parâmetros estudados. (2004b) e Costa et al. os pesos. para vacas mestiças de baixo potencial de produção. em porcentagem do peso do corpo vazio (%PCV). foram 16 . quando se comparou farelo de soja com a ureia nos diferentes níveis. em trabalhos avaliando cana-de-açúcar em substituição à silagem de milho. foi verificada perda de peso de 0.3. milho moído (CMM). Os animais que receberam 60% de concentrado na dieta total apresentaram maior CMS. aqueles que receberam 80% de concentrado apresentaram maior ganho em peso vivo total. (2005) avaliaram a utilização de diferentes fontes proteicas e de volumosos (cana-de-açúcar. digestibilidade dos nutrientes e eficiência alimentar.2% da mistura ureia mais sulfato de amônio (9:1) para a correção nitrogenada da cana-de-açúcar. 1.1kg/dia. peso de vísceras e de órgãos internos. CMM e CFT. Mendonça et al. (2004). Os autores recomendaram o nível de 1. Para os volumosos. Segundo os autores. não encontraram diferenças na composição de leite. (2005) avaliaram o desempenho produtivo de vacas leiteiras alimentadas com quatro tratamentos isoproteicos que utilizaram como volumoso cana-de-açúcar adicionada de farelo de soja ou 0. Macitelli et al. Souza (2003). Isso ocorreu devido às maiores perdas de peso nos tratamentos CAU e CMM. A eficiência alimentar foi superior para os tratamentos CAU e CMM em relação ao CFA. Existe atualmente uma preocupação na avaliação dos alimentos para produção de maiores teores de sólidos do leite devido ao pagamento diferenciado já adotado por alguns laticínios brasileiros. (2003) avaliaram diferentes suplementos.2% de mistura ureia e sulfato de amônio (9:1). No entanto. respectivamente. 0. CFA. com produção de leite média de 7kg por animal/dia. A produção de leite do tratamento CFT foi maior que do CAU. O aumento da inclusão de concentrado na dieta promoveu incremento energético na MS. Bovinos de corte Silva et al. Não houve diferença para a produção de leite. foi com farelo de trigo. Magalhães et al. ureia (CAU).4. 40:60.6 e ganho de 0.8. do conteúdo estomacal e do conteúdo gastrintestinal. No entanto.Rangel et al. alimentadas com canade-açúcar. (2006). (2005).8. trabalhando com novilhos mestiços da raça Nelore confinados. não havendo diferença entre os demais tratamentos. que foi em torno de 20kg por animal. a suplementação que apresentou os melhores resultados. Neste estudo. avaliaram diferentes níveis de inclusão de concentrado em dietas com cana-de-açúcar (V:C de 60:40. além de proporcionar maior CMS e maior ganho em peso total. 5. Vilela et al. 20:80). para os tratamentos CAU.2 e 0. ocorreu efeito linear crescente na produção de leite para o aumento dos níveis de ureia.

Vaz e Restle (2005) estudaram as características de carcaça e da carne de novilhos Hereford terminados em confinamento. O tratamento com álcali também pode levar à quebra de pontes de hidrogênio na celulose. 6. UTILIZAÇÃO DE CANA-DE-AÇÚCAR HIDROLISADA Existem estudos que demonstram que o tratamento de materiais fibrosos com álcali. O fenômeno mais associado com o tratamento alcalino de volumosos é a solubilização parcial das hemiceluloses.52kg/cab/dia para as dietas com as variedades RB 72454 e CO 413.significativamente maiores para os animais alimentados com cana-de-açúcar (7. que levam ao aumento da sua digestibilidade. porcentagem de músculos e osso na carcaça. sem 17 . Hernandez et al. 23. Não houve diferença entre as conversões alimentares. conformação da carcaça. alimentados com dietas isoproteicas contendo 33% de concentrado e 67% de cana-de-açúcar ou silagem de milho. Os animais que receberam dieta com a variedade CO 413 apresentaram menor ingestão de matéria seca (7. nas ligações covalentes do tipo éster entre a lignina e a parede celular (Van Soest. A justificativa para emprego de álcali reside no fato de a lignina das gramíneas ser particularmente susceptível ao ataque hidrolítico dessa base. Não houve diferença entre tratamentos para rendimento de carcaça fria.20kg MS/dia.17 e 9.59% PCV. força de cisalhamento.09.71%. área de Longissimus dorsi. textura. marmoreio. porcentagem de cortes comerciais da carcaça. respectivamente). a ingestão de nutrientes e a conversão alimentar em animais 1/2 Canchim/Nelore e 3/4 Canchim/Nelore utilizando três variedades de cana-de-açúcar. respectivamente). Ou seja. cor. maciez e quebra na cocção da carne. RB 72454 e CO 413 apresentaram teores de fibra bruta. 1994). que apresentaram ganhos de 1.81kg/cab/dia) em relação às demais rações. provavelmente. (1996) avaliaram o ganho de peso. respectivamente. o aumento na extensão da digestão da celulose e das hemiceluloses é. aumenta sua digestibilidade. são rompidas ligações na fração fibrosa da cana. Os animais mantidos em pastagem não apresentaram diferença na avaliação de carcaça compacta em relação aos animais alimentados com os outros volumosos. de 14. e a hidrólise dos ésteres dos ácidos urônico e acético. devido à quebra das ligações com a lignina. quebra durante o resfriamento. respectivamente. espessura de gordura de cobertura.78. 19. Então.94kg MS/dia) que os animais que receberam RB 806043 e RB 72454 (9. enquanto os alimentados com cana-de-açúcar tiveram carcaça menos compacta que os tratados com silagem de milho. As variedades RB 806043.52 e 8.75 e 1. o teor de lignina normalmente não é alterado pelo tratamento químico. lignina e sílica. como a cal micropulverizada. A dieta contendo a variedade RB 806043 proporcionou ganho de peso superior (1. De acordo com Klopfenstein (1980).

(2007) estudaram a adição ou não de 0. melhorando a digestibilidade da fibra pelo aumento na solubilidade das hemiceluloses e na disponibilidade da celulose e das hemiceluloses. A hidrólise com 0. Os melhores resultados foram observados com a dose de 1. disponibilizando mais energia para crescimento microbiano e elevando o aporte de proteína para o intestino. sendo que.5% de cal. (2006) avaliaram a composição da fração fibrosa da cana-de-açúcar tratada com 0. (2006).48 para 49. 18 . utilizando 1% de cal virgem na cana-de-açúcar. proporciona melhor aproveitamento da fibra da dieta..96 para 33. e 1.55%.5. Isto é interessante para o produtor. os autores ressaltaram que a aplicação a seco em grandes quantidades de cana-de-açúcar picada torna-se limitada. Os aumentos na digestibilidade de volumosos tratados com produtos alcalinos normalmente estão relacionados ao aumento de consumo e do desempenho dos animais. observaram redução do teor de FDN de 55. (2006) avaliaram a composição bromatológica dos tratamentos. com o nível de 0.5% de cal. O tratamento alcalino. Independente da cal utilizada. durante três e seis horas e com duas formas de aplicação (solução ou pó). não havendo efeito do modo de aplicação do produto. Santos et al. os autores verificaram redução nos teores de FDN da cana-de-açúcar de 45% para 40. que não precisa de equipamentos para a mistura da cal com a água. 1. Porém.atuar na sua remoção. (2006) verificaram que a hidrólise da cana-de-açúcar. às vezes. Não houve alteração nos teores de MS e de fibra em detergente ácido (FDA). quando influencia positivamente a digestibilidade das frações fibrosas. Oliveira et al.30% e de FDA de 43. 2006).0. A cal foi efetiva em alterar a composição da parede celular.5% de cal hidratada (72% de óxido de cálcio total) proporcionou aumento na digestibilidade in vitro da matéria seca.5% de CaO diluído em 40 litros/t de matéria verde (MV) ou aplicado a seco.5% de cal virgem ou de cal hidratada na cana-de-açúcar. (2006) determinaram a digestibilidade in vitro da matéria seca. A hidrólise com cal não afetou o teor de FDA. da FDN e da FDA da variedade IAC86-2480 de cana-de-açúcar com adição de zero e 0.5% de CaO sobre as hemiceluloses. a ação alcalinizante e ao mesmo tempo hidrolisante da cal foi observada reduzindo os teores de FDN e de hemiceluloses em comparação com a cana-de-açúcar não tratada. mostrou-se mais efetiva do ponto de vista da digestibilidade dos nutrientes estudados. na da FDN e na da FDA da canade-açúcar. Balieiro Neto et al. Independente da forma de aplicação. 0. Mota et al. quando feita manualmente (Oliveira et al. Oliveira et al. Entretanto. os resultados de desempenho são semelhantes aos de dietas de melhor qualidade.5%. 24 horas após aplicação do produto. solução ou pó. Houve aumento da digestibilidade in vitro da matéria seca (DIVMS) de 62 para 70%. Oliveira et al.

Em um trabalho com novilhas mestiças. É preciso avaliar a biodisponibilidade do cálcio. Apesar dos bons resultados obtidos nas avaliações feitas por técnicas in vitro. ou seja. 2007). Ao se adicionar cal à cana-de-açúcar.Chaudhry (1998) avaliou a digestibilidade in vitro da MS da palha de trigo tratada com cal virgem ou hidróxido de sódio (NaOH) e observou incremento similar na DIVMS quando comparada com a palhada não tratada. que podem ter prejudicado a palatabilidade e limitado o consumo. O ganho médio diário e o peso vivo final dos animais não foram aumentados pelo tratamento da cana-de-açúcar com cal virgem (Moraes et al. Sendo assim. o autor alertou para o fato de a cal virgem ser produto químico de reação lenta.5% de cal na cana-deaçúcar e diferentes tempos de hidrólise (12. porém a quantidade de fósforo é muito baixa. Essa mudança imediata de coloração auxilia na verificação da homogeneização da cana-de-açúcar com a cal. No entanto.0% de cal virgem na cana-deaçúcar fornecida após 24h de armazenamento prejudicou o consumo dos nutrientes. com solubilidade menor que 1%. 19 . sendo necessário tempo maior de reação para apresentar os mesmos efeitos do NaOH. (2007) verificaram que a adição de 1. (2007) avaliaram a adição de 0. 0. como a cal virgem e a cal hidratada. de acordo com a categoria e a espécie animal. que passa de esbranquiçada para uma coloração amarelada.5% de cal mantém as características bromatológicas por até 60 horas após o início do tratamento. com exceção do consumo de FDN. 36 e 60h). Devido a este aspecto. de fonte de energia. os autores concluíram que a adição de 0. o que pode facilitar o manejo diário e de finais de semana. avaliou-se o efeito da cana-de-açúcar com zero ou 1. Mota et al. Uma limitação da utilização da cana-de-açúcar é a necessidade de corte diário. os poucos resultados da literatura de ensaios com animais não vêm repetindo a mesma tendência. Os autores sugeriram que a queda no consumo de MS pode ser devido à alta temperatura da cana com cal virgem e ao pH alcalino. deve-se esperar aumento no teor de matéria mineral e.0% de cal virgem na base da matéria natural (MN) com três níveis de oferta de concentrado (0. também vêm sendo utilizados com o intuito de manter as qualidades nutritivas deste volumoso por alguns dias sem a necessidade de cortes diários.0% do peso vivo). deve-se atentar para a formulação da ração a fim de se proporcionar uma dieta equilibrada em minerais. que não se alterou.5 e 1.. FDN e FDA nos diferentes tempos de hidrólise. especialmente em relação ao cálcio e ao fósforo. Os autores não verificaram diferença nos teores de MS. Os agentes alcalinizantes. Quando se adiciona cal na cana-de-açúcar. consequentemente. assim como o próprio teor que a cana-de-açúcar apresenta na sua composição. ocorre alteração imediata de coloração da cana. além dos requerimentos nutricionais. A cana-de-açúcar apresenta quantidade considerável de cálcio. diminuição no teor de matéria orgânica (MO). Moraes et al.

6% de cal virgem na base da MN. Zootec.Campos (2007). dados não publicados). et al. Esse fato já foi relatado por produtores rurais e recentemente foi observado em experimento desenvolvido pela Escola de Veterinária da UFMG em parceria com a Embrapa Gado de Leite (Campos. 20 . F. verificou que não houve diferença no consumo de MS. Outra característica do tratamento com cal é a redução do número de abelhas na cana-de-açúcar. p. L. Esse mesmo autor.J. eficiência alimentar e viabilidade econômica. AROEIRA. com diferentes níveis de inclusão de ureia em ovinos. observou aumento da temperatura de 25 para 40ºC e do pH de 5. como tempo de hidrólise.C. v.M. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ANDRADE. CONSIDERAÇÕES FINAIS A cana-de-açúcar pode ser utilizada na nutrição de bovinos obtendo-se bons resultados de desempenho.4 para 6.. Soc. degradação dos nutrientes. LOPES.8.A. 7. M. 56f Dissertação (Mestrado) – Universidade Federal de Lavras. avaliando dietas de cana-de-açúcar pura ou com 0. forma de aplicação sobre o desempenho animal. Desempenho de novilhas Holandesas alimentadas com cana-deaçúcar como volumoso único.1016-1026. Lavras. MG. taxa de passagem.F.F. Rev.. concentração de cal. desempenho dos animais. variação de peso. digestibilidade dos nutrientes. sobre a digestibilidade. taxa de passagem e consumo de matéria seca. são necessários mais estudos antes da indicação de uso em fazendas comerciais.. Digestibilidade.S. Bras. Para a tomada de decisão de quando utilizar as dietas com cana-de-açúcar. degradabilidade e taxa de passagem da cana-de-açúcar mais ureia e do farelo de algodão em vacas mestiças Holandês x Zebu em lactação. categoria animal.6% de cal virgem 24 horas após o tratamento. na digestibilidade da MS e da FDN com a adição de cal virgem. M. DAYRELL. comparando a cana-de-açúcar pura e a cana-de-açúcar com adição de 0. é necessário avaliar produção de matéria seca por hectare. Para se avaliar quais as melhores condições para o tratamento da cana-de-açúcar com cal micropulverizada. 1995. consumo de matéria seca.24. 1999.

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A silagem de girassol é uma opção de volumoso suplementar. O fornecimento de dietas contendo silagem de girassol pode ser uma alternativa para a produção de leite com características funcionais relacionadas aos teores de ácido linoleico conjugado. MS 4 Engenheiro Agrônomo. Alex Santos Lustosa de Aragão 4 RESUMO Será apresentado neste capítulo o potencial de utilização da cultura do girassol como opção para produção de silagem para alimentação de rebanhos leiteiros. EMBRAPA Pantanal. MG.gustavo@cnpgl. Caixa Postal 109. envolvendo os tratos culturais.) é uma dicotiledônea anual adaptada aos climas temperado. Quando a ensilagem é conduzida de forma adequada. luiz.. sendo indicado o plantio da cultura como safrinha ou para regiões que apresentem índices pluviométricos desfavoráveis. a escolha dos materiais mais adequados.CAPÍTULO 3 SILAGEM DE GIRASSOL PARA BOVINOS LEITEIROS Luiz Gustavo Ribeiro Pereira 1. Embrapa Gado de Leite. Corumbá. em período de safrinha. 610 Dom Bosco.br 3 Médico Veterinário. Thierry Ribeiro Tomich 3. Em regra. tropical e subtropical. também possui alto valor energético. Mestre em Ciência Animal e aluno do Curso de Doutorado em Zootecnia da Universidade Federal de Minas Gerais. Prof. Contudo. INTRODUÇÃO O girassol (Helianthus annuus L. 1880. CEP 30123-970. Caixa Postal 567. DSc. Belo Horizonte. Associado Departamento de Zootecnia da Escola de Veterinária da UFMG.embrapa. devido ao elevado teor de óleo. A silagem de girassol pode ser utilizada para alimentação de rebanhos leiteiros desde que as dietas sejam balanceadas. luciocg@vet. 79320-900.br 2 Engenheiro Agrônomo. porém a fração fibrosa é de baixa digestibilidade. 1 Médico Veterinário. MG. indica-se a semeadura do girassol para ensilagem após a colheita da cultura principal. a capacidade em utilizar a água disponível no solo e a tolerância à ampla faixa de temperaturas são fatores que têm estimulado o cultivo do girassol para a produção de silagem. Rua 21 de Setembro.com 26 . Belo Horizonte.ufmg. Rua Eugênio do Nascimento.. As silagens são classificadas como de boa qualidade e destacam-se pelos teores de proteína e de lipídios. ou em locais onde a deficiência hídrica torna inviáveis culturas tradicionalmente utilizadas para esse propósito.. Juiz de Fora. CEP 36038-330. aslaragao@hotmail. CEP 30123-970. como milho e sorgo. o girassol produz silagens com fermentação apropriada à conservação da forragem estocada. a silagem de girassol contém alto teor proteico e. O menor ciclo de produção. DSc. Caixa Postal 567. o valor nutricional e o uso do girassol na forma de silagem para bovinos leiteiros. DSc. Geralmente. a qualidade. UFMG. Lúcio Carlos Gonçalves 2. MG. a fração fibrosa geralmente apresenta maior proporção de lignina e menor digestibilidade. quando comparada às silagens de milho e de sorgo. Serão discutidos aspectos relacionados a especificidades da cultura.

no Nordeste. Minas Gerais. Contudo. a melhor época para semeadura vai de meados de janeiro até fevereiro. relacionadas à produção e à utilização da silagem dessa oleaginosa. na região Sudeste. Goiás. Bahia. para a maioria das situações. LOCAL E ÉPOCA DE SEMEADURA PARA PRODUÇÃO DE SILAGEM DE GIRASSOL O local e a época de semeadura do girassol para ensilagem seguem as mesmas recomendações observadas para implantação da lavoura destinada à produção de grãos. Atualmente. a redução do rendimento forrageiro. A variabilidade genética e o estádio de desenvolvimento da planta são fatores que influenciam a produtividade e devem ser levados em consideração. 1. dessa forma. RENDIMENTO FORRAGEIRO Na maioria das situações. todos os estados do Centro-Oeste. São Paulo. 2. as produtividades médias no período de safrinha são próximas a 30t/ha. no norte e noroeste do Paraná e no Distrito Federal.características que podem restringir a aplicação da silagem de girassol para as categorias de animais mais exigentes. Serão descritas neste capítulo as principais informações científicas. promove elevação significativa no custo da silagem produzida com as culturas tradicionais. Maranhão e Piauí. Tocantins. Por esse motivo. Maranhão. Minas Gerais e São Paulo. que ocorre sob condições de estresse hídrico. Nos estados do Rio Grande do Sul. Mato Grosso. nacionais e internacionais. Existem relatos de produtividade de forragem verde de girassol que alcançaram 70t/ha. Santa Catarina e parte do Paraná. Os tratos culturais no cultivo de girassol para produção de silagem são semelhantes aos adotados para a produção de grãos. deve-se levar em consideração o enquadramento da produção da silagem de girassol nos sistemas de rotação e de sucessão de culturas. Nos estados da Bahia. a cultura do girassol é indicada para os estados da região Sul. 27 . aumentando a capacidade de aproveitamento do terreno e da estrutura disponível para produção e armazenamento. o período mais indicado para a semeadura vai de meados de julho ao final de agosto. reduzir os riscos de eventuais problemas com pragas e doenças e. A época ideal é aquela que permite satisfazer as exigências climáticas da planta nas diferentes fases de desenvolvimento. Mato Grosso do Sul. Existe grande carência por informações sobre a silagem de girassol. Além disso. a principal característica que vem motivando o cultivo do girassol para a produção de silagem é o seu bom desempenho produtivo sob baixa pluviosidade. assegurar uma boa colheita.

Contudo. 13.8E 26. 44 e 51 dias após o florescimento. (2002).1t/ha e produtividades de matéria seca de 3.8ABC 6. Nesse trabalho.0AB 5.8ABC 4. Pereira (2003).6t/ha a 7.2 AB Matéria seca 7. Tabela 1.21 e 6. que se manteve entre 5. 2003b).0ABC BCD 5. respectivamente. Quanto ao efeito da época de corte sobre a produtividade. Deve-se ressaltar que os autores consideraram que as produtividades alcançadas nesse estudo foram limitadas pela baixa média da população de plantas por ocasião da colheita. notaram redução na produção média de matéria seca para o corte efetuado aos 125 dias após a semeadura.9DE A 29.6ABC 6.9CDE 24.8t/ha a 29.1ABCD 29. (2003b).7 3.2BCD A 7. respectivamente. Produção de matéria verde e matéria seca de cultivares de girassol.407 plantas/ha. que foi de 34. ao avaliar a produtividade de quatro cultivares de girassol.8E 21.5t/ha.7ABC 5. notou a redução progressiva na produção média de matéria verde de 27.00 t/ha. a produção de matéria seca não foi significativamente afetada pelo avanço no estádio de maturação da planta.7t/ha (Tabela 1). 37. que apresentaram produtividade de 7.1A 17.4ABC 6.9ABC 12.12t/ha e 6.2t/ha à medida que a colheita foi efetuada aos 30.5ABC 5. Fonte: Adaptado de Tomich et al.1 12.2B 22.3 23. 7..7t/ha. Produtividade (t/ha) Cultivar AS243 AS603 Cargill 11 Contiflor 3 Contilfor 7 DK180 M734 M737 M738 M742 Rumbosol 90 Rumbosol 91 V2000 Média Matéria verde 26.9 Médias seguidas por letras iguais na coluna não diferem entre si pelo teste SNK (p<0.7CD 6.86.Estudo conduzido na Escola de Veterinária da UFMG e na Embrapa Milho e Sorgo evidenciou efeito significativo do genótipo sobre o rendimento de forragem de 13 cultivares de girassol cultivados durante a safrinha (Tomich et al. Rezende et al.08t/ha para as mesmas idades de corte (Figura 1).7ABC 15.4AB 15.1t/ha até 9. foram notadas produtividades de matéria verde variando entre 12.3 6.05).6DE CDE 19.6D 5. 17. em relação aos rendimentos obtidos aos 95 e 110 dias após a semeadura. 28 . avaliando dois híbridos e uma variedade de girassol.

Os dados nacionais sobre avaliações de silagens de girassol apresentam valores médios de 24. PONTO DE ENSILAGEM DO GIRASSOL O baixo teor de matéria seca é considerado uma das desvantagens da cultura do girassol e tem sido um fator limitante na produção de sua silagem. no entanto Cotte (1959) considera que o girassol pode ser ensilado no final da floração. mesmo em estádios avançados de desenvolvimento. e atribuídos ao fato de a planta acumular muita umidade na haste e no receptáculo floral. Fonte: Adaptado de Pereira (2003). (1975) encontraram bons resultados quando realizaram cortes com os capítulos apresentando coloração verde-amarela na face dorsal e com sementes diferenciadas e bem formadas. 29 . Várias épocas de ensilagem são indicadas. abaixo dos 30-35% preconizados para produção de silagens de boa qualidade. enquanto Schuster (1955) indicou a ensilagem durante toda a floração. 44 e 51 dias após o florescimento. Morrison (1966) relatou a possibilidade de o girassol ser ensilado quando metade ou dois terços das plantas estiverem em florescimento. (2000) recomendam colheitas com a planta apresentando 100% dos grãos maduros. brácteas amarelas a castanhas e folhas murchas ou secas.Figura 1.1% de matéria seca. Gonçalves et al. As recomendações de época de ensilagem da cultura do girassol são controversas. Produção de forragem de girassol para cortes efetuados aos 30. Tosi et al. 37. 3. e poucos são os estudos que realizaram a ensilagem em estádios mais avançados de maturação.

110 e 125 dias de idade e observaram que os genótipos só atingiram os teores de matéria seca (MS) recomendados para ensilagem (30%-35%) com idade de 125 dias. porém o avanço da idade causou aumento nos teores de fibra em detergente neutro (FDN) e redução nos valores de digestibilidade in vitro da matéria seca – DIVMS (95 dias = 62. Por esse motivo. conferindo uma preservação satisfatória do material originalmente ensilado.7%. Porém. 111 e 118 dias. respectivamente) e redução significativa na digestibilidade (76. Quando a colheita é efetuada antes da maturação fisiológica dos aquênios. as plantas do girassol apresentam a parte posterior dos capítulos amarelada. também observou que os teores de MS adequados para ensilagem só foram atingidos em estádios avançados de maturação (mais de 111 dias de idade). relatou o aumento das frações fibrosas e a redução na digestibilidade e na cinética de degradação ruminal com o avançar do estádio de maturação das plantas. A definição do ponto ideal de colheita do girassol é fundamental para a produção de silagem com melhor valor nutritivo. o que prejudica a fermentação.8% a 33. notando aumento no teor de fibra bruta (20. com baixo teor de MS. Pereira (2003) observou bons perfis de fermentação durante o processo de ensilagem do girassol. recomenda-se que a colheita do girassol seja realizada no período de maturação fisiológica dos aquênios (fase R9). 104. tem produzido 30 . quando as plantas apresentam teor de matéria seca apropriado a propiciar fermentação que possibilite boa conservação do material estocado. foram obtidas silagens com fermentação predominantemente láctica. (2002) avaliaram três genótipos de girassol ensilados com 95. cerca de 10% de proteína bruta e coeficiente de digestibilidade da matéria seca de 50%. avaliando as silagens de quatro genótipos de girassol colhidos com 90.0% para a primeira e a última semana de corte. e 125 dias = 49.9% para a primeira e a última semana de corte. Edwards e McDonald (1978) avaliaram o girassol ensilado em 12 estádios de crescimento e concluíram que. 110 dias = 56. Freire (2001) e Porto (2002) encontraram bons perfis de fermentação das silagens de girassol. A ensilagem nesse estádio tem produzido silagens com teor de matéria seca próximo a 25%. Rezende et al.Harper et al. Souza (2002). Em R9. mostrando o potencial de conservação do girassol nestas condições. mesmo trabalhando com materiais com baixos teores de MS (23. Apesar do baixo teor de matéria seca. 1991). Por sua vez. Já os teores de FDN e FDA aumentaram e os valores de DIVMS diminuíram com o avanço da maturidade das plantas. as brácteas (folhas modificadas da parte externa do capítulo) estão com coloração amarelo-castanha e a maior parte das folhas presas ao caule já está seca. o que sugere a ensilagem da cultura do girassol em estádios mais precoces.. comprovando o potencial de conservação nessa forma.9%. as perdas de efluentes de materiais com menos de 25% de MS devem ser consideradas (McDonald et al. Este mesmo autor. 97.6% e 19.6% a 56. mesmo em estádios precoces.1%. ao avaliar quatro genótipos de girassol em diferentes épocas após a floração. o girassol contém alta quantidade de água.4%). (1981) avaliaram a composição química e a digestibilidade in vitro da matéria orgânica da planta do girassol em 12 semanas consecutivas após a floração. respectivamente). quando é ensilado tardiamente. respectivamente).

O baixo teor de matéria seca é considerado um problema para a produção da silagem de girassol. Portanto. Por outro lado. A conservação pela ensilagem baseia-se no processo de conservação em ácido. apresenta redução de pH adequada à conservação da forragem estocada.. o pH e os teores de nitrogênio amoniacal e de ácidos orgânicos. Tomich et al. geralmente. avaliando as silagens de 13 cultivares.2 como adequado às silagens bem-conservadas. geralmente. O resultado obtido por Tomich et al. b. QUALIDADE DA SILAGEM DE GIRASSOL A adequação de uma planta para a ensilagem está relacionada à sua eficiência de fermentação para conservar o valor nutritivo da silagem o mais próximo possível do valor da forragem verde. O teor de nitrogênio amoniacal da silagem reflete a ação deletéria de enzimas da planta e de microrganismos sobre a fração proteica da forragem. entre as variáveis utilizadas para avaliar a eficiência da fermentação de silagens. 1988a. As silagens de girassol. 4. 2004). mas esse fato está relacionado principalmente à ensilagem em períodos precoces de desenvolvimento da planta. o pH não deve ser tomado isoladamente.silagens com altas proporções de componentes da parede celular e baixos coeficientes de digestibilidade. em que o decréscimo do pH pela fermentação limita a ocorrência de processos que promovem a deterioração da forragem. indicando que as silagens mais úmidas apresentaram pH mais baixos. indicando a aptidão da planta para a ensilagem quanto à conservação da qualidade da fração proteica. Todavia. para a avaliação do processo fermentativo. De maneira geral. Por esses motivos. a maior parte dos estudos tem revelado teores de nitrogênio amoniacal abaixo de 10% em silagens de girassol (Valdez et al. observaram que o valor de pH foi positivamente correlacionado com o teor de matéria seca. Conforme Tomich et al. 31 . Como um dos aspectos positivos da silagem de girassol é o seu mais elevado valor proteico em relação às silagens de milho e de sorgo. tem-se atribuído pH entre 3. as silagens muito secas favorecem a ocorrência de danos por aquecimento e mofo. frequentemente notadas em silagens com baixo conteúdo de matéria seca.8 e 4. mas deve ser associado ao teor de matéria seca da forragem. apresentam valores elevados de pH. Entretanto. Tomich et al. à produção de efluentes e à redução do consumo voluntário. Em relação à qualidade da fermentação. devido à dificuldade de compactação. o pH apropriado para promover a eficiente conservação da forragem ensilada depende da quantidade de umidade da silagem. (2004). considera-se que valores inferiores a 10% são adequados para silagens bem-conservadas. O teor de matéria seca é uma variável importante no processo da ensilagem porque está relacionado à ação de microrganismos deletérios à qualidade do material ensilado. (2004) também revelou que o girassol. destacam-se o teor de matéria seca. (2003a). tem-se recomendado ensilar forragens que apresentam entre 30% e 35% de matéria seca. Em geral..

1995. são bem-conservadas. de maneira geral. o ácido lático é frequentemente utilizado como indicador de qualidade da fermentação. 1988a.. Tomich et al. Tomich et al. Também corresponde a perdas acentuadas de matéria seca e energia da forragem original durante a fermentação e. geralmente. quando a ensilagem do girassol é conduzida de forma apropriada.. 2004). com frequência. 2003. embora a silagem de girassol apresente altas proporções de ácido lático (Tosi et al.. as silagens de girassol apresentam as características de silagens bem-conservadas.. Tomich et al. Almeida et al. A presença de ácido butírico reflete a extensão da atividade clostridiana sobre a forragem ensilada e também está relacionada a menores taxas de decréscimo e elevado pH final das silagens. Valdez et al. 1975. foram observadas baixas concentrações (Sneddon et al. Já o teor de ácido acético está relacionado a menores taxas de decréscimo e pH elevado das silagens. (2004) com 13 cultivares revelou que. em média. Alguns estudos mostraram que..Quanto aos ácidos orgânicos. 2004). mas a quantidade necessária desse ácido para reduzir rapidamente o pH e inibir os processos que promovem a deterioração do material ensilado varia com a capacidade de tamponamento da forragem e com o teor de umidade da massa ensilada. pode-se avaliar que. Vários estudos mostraram baixos valores de ácido butírico em silagens de girassol (Tosi et al. indicando que as silagens de girassol. têm-se produzido silagens com fermentação adequada à conservação da forragem estocada. Almeida et al. Considerando as variáveis expostas. 1995. Pereira. o ácido butírico é positivamente correlacionado à redução da palatabilidade e do consumo da forragem.1981. 32 ... 1975... 2004). a capacidade de tamponamento da planta não permite redução do pH aos níveis frequentemente observados para as silagens de milho e de sorgo. 2003. O estudo realizado por Tomich et al. O teor desse ácido pode ser considerado um dos principais indicadores negativos da qualidade do processo fermentativo. sem perdas significativas de matéria seca e de energia e com pequenas alterações da fração proteica da forragem conservada em relação à forragem verde (Tabela 2). Pereira. apontando que essa não é uma característica capaz de restringir a adequação da planta para a sua conservação na forma ensilada. Existem poucos trabalhos que avaliaram a concentração de ácido acético em silagem de girassol e.

6 27.5D 26.1D 5.1 4. em regra.6 9.5 7.0B 8.9F 14.0C 5. Composição química de silagens.6A 8.5C 4.5C D 4.5D A 12.2B 4.3DE CD 8. de sorgo.2A BC 26.00E 0.2AB 2.8E C 7.5 1.7B 5.9 6.% 21. elevados teores de proteína.7E 21.8C 9.0 7.06 Médias seguidas por letras iguais na coluna não diferem entre si pelo teste SNK (p<0. quando comparadas às silagens de milho.2A 23.38 0.1 2. (2004). permitindo a redução da necessidade de suplementos minerais e proteicos. de minerais e de extrato etéreo (óleo). Silagem Girassol Milho Sorgo Capim-elefante Proteína bruta* 9.23 0.5DE 9.08CD 0.9 0.8BC 23.8 76. contêm alta proporção de fibra em detergente ácido e de lignina.30 0.5A 1. Tabela 3. (2001).19 2.0CDE 9.9AB 1.7 Ácidos orgânicos .4C 5.09C 0.9E 32.5B 1.4 0. Fonte: Adaptado de Tomich et al.0 1.9 53.5D 25.00E 0.1B 5.3 0.56 0.3CD E 6.05 E 0.18 2.3 pH 4.2B 4.8AB 2. Por outro lado.0 7.05). pH e conteúdos de nitrogênio amoniacal com porcentagem do nitrogênio total (N-NH3/NT) e de ácidos orgânicos das silagens de 13 cultivares de girassol.4C 5.1 4.0D 8.00 0.00E 0.5C 4.7 Composição expressa como porcentagem da matéria seca Extrato etéreo* FDN* FDA* Lignina* Cálcio** Fósforo** 13. ou de capim-elefante (Tabela 3).2B 23.6 6.08 Fonte: *Valadares Filho et al.0BC 10.2BC 8.7 47.7AB 1.9AB 1.3AB B 1.% MS Lático Acético Butírico 7. embora as silagens de girassol apresentem menor teor de fibra em detergente neutro que as silagens tradicionais.5C 5.8C 25.7 N-NH3/NT 10.3D 7. **Valdez et al.7 30.3 7. Teores de matéria seca (MS).8 7. (1988b).00E 0.Tabela 2. 5.5A 1.4BC 2.3BC F 19.00 E 0. Quando usadas em dietas balanceadas.3B C 4.7B 2.0 55.5 4.6 1.29 3.23B 0.7 34.0 26.1 35.5B AB 2.28A 0. o seu mais alto teor proteico e mineral pode representar vantagem econômica. 33 .4C 7. Cultivar AS243 AS603 Cargill 11 Contiflor 3 Contilfor 7 DK180 M734 M737 M738 M742 Rumbosol 90 Rumbosol 91 V2000 Média MS .0 5.00E DE 0. VALOR NUTRITIVO DA SILAGEM DE GIRASSOL As silagens de girassol apresentam.0D 31.00E 0.9 5.9 0.5C 4.5A 4.2 61.6D 9.1CD 8.

os genótipos mais apropriados para a ensilagem são aqueles que apresentam alta produtividade de forragem. enquanto as silagens produzidas com girassóis de semente oleosa apresentam mais de 10% de extrato etéreo (Valdez et al. Jayme (2003) avaliou as silagens de seis genótipos de girassol. 1988a.8 Produção de Óleo*** 8. Victoria 627 e Victoria 807. *** V2000.9 48. As composições químicas médias das silagens encontram-se na Tabela 4. bom valor 34 . No Brasil. Tabela 4. Esse alto teor de óleo na silagem de girassol pode representar um fator limitante para o seu uso como volumoso único na dieta de bovinos leiteiros e indica a possível necessidade de associação com outros alimentos volumosos. **Mycogen 93338.Tanto os girassóis selecionados para a produção de óleo.9 47. que geralmente apresentam entre 35% a 45% de óleo no grão. e. e as silagens obtidas com híbridos destinadas à produção de óleo apresentaram 2% a mais que as silagens dos materiais confeiteiros. 2004). na maioria das situações. 1980). por esse motivo. b. Dados americanos revelaram que as silagens das variedades confeiteiras apresentaram em média 3% de extrato etéreo (Schingoethe et al.1 10.. Tomich et al. quanto as variedades chamadas de confeiteiras (25%-30% de óleo no grão) têm sido utilizados para a produção de silagem. recomenda-se que as dietas contendo silagem de girassol sejam adequadamente balanceadas para se evitar perdas no aproveitamento dos alimentos e no desempenho dos animais. Composição química das silagens de girassóis confeiteiros ou selecionados para a produção de óleo Parâmetros* Proteína Bruta Extrato Etéreo FDN Lignina Confeiteiro** 9. Os teores de extrato etéreo para os dois tipos de silagens foram superiores a 10%. principalmente. Portanto. sendo três híbridos confeiteiros e os demais destinados à produção de óleo. Fonte: Adaptado de Jayme (2003).7 7. M742 e IAC Uruguai.8 12. as análises das silagens de girassol produzidas no país têm revelado alta proporção de extrato etéreo. da digestibilidade da fibra e da taxa de passagem. As silagens obtidas com os dois tipos de girassóis apresentaram valores próximos de proteína bruta. fermentação conveniente para a conservação do material estocado e. uma vez que dietas contendo mais de 7% de extrato etéreo podem estar relacionadas às reduções da fermentação ruminal..8 * Valores médios de três genótipos. Concluiu-se no estudo que os seis genótipos avaliados apresentavam potencial para serem utilizados na forma de silagem.0 7. A maior parte das sementes disponíveis no mercado nacional é de girassóis destinados à produção de óleo. FDN e lignina. Independente do tipo de girassol..

Tabela 5.6AB 37.1D 51.7A 49.3ABC 35. (2004).5B 48.1C 9.1E 46.5A 9. Vários estudos mostraram que essas características diferem entre cultivares.7CDEF 11.7CD 7.7F 52.05).9 C Composição expressa como porcentagem da matéria seca Proteína Extrato etéreo FDN FDA Lignina 18. 35 .0CD 49.4B 56.4D 5.7A 38.4A 11.7CD 46.6B 9.1BCD 36.2E 50.6CD 47.3A 9.4 AB 6.4BCD 51. (2004) observaram variações significativas nos teores de proteína.8AB 7.9CD 48.6 F DIVMS .5CDEF 10.8A 9.4A 8.7C 44.1A 39.7E 41.9AB 5. DIVMS = digestibilidade in vitro da matéria seca.0AB 17.5F 18.9DE 31.1AB 6.1 BCD 6. (2002) e Pereira (2003) observaram poucas alterações nos teores de proteína bruta das silagens com o avanço do estádio de desenvolvimento das plantas.4E 40. nos componentes da parede celular e no coeficiente de digestibilidade in vitro das silagens de 13 genótipos de girassol ensilados quando apresentavam mais de 90% de grãos maduros (Tabela 5).8A 9.9CD 43.% 47.8A 51.8 CD 33.5BCD 10.1AB 13. FDA = fibra em detergente ácido.9G 40.5AB 49.2EF 14. Fonte: Adaptado de Tomich et al. Cultivar AS243 AS603 Cargill 11 Contiflor 3 Contilfor 7 DK180 M734 M737 M738 M742 Rumbosol 90 Rumbosol 91 V2000 Proteína bruta 8.2A 8.0CDE 7.8BCDE 47.2A 13. Rezende et al.1B 49.0ABC 19.4A 28. mas notaram aumento de fibra e redução da digestibilidade da matéria seca nas silagens de girassol produzidas com plantas em estádio avançado de desenvolvimento (Figura 2).4BC 6. Composição química e digestibilidade das silagens de cultivares de girassol.1AB 6.3DEF 12.0DE 37.0C 7. Tomich et al.2BC 5.3 BC 34.5F 33.3 A 7.9AB 6. Em relação ao valor nutritivo. Médias seguidas por letras iguais na coluna não diferem entre si pelo teste SNK (p<0.6 DEF 43.1EF 36.7 B 15.9D 49. Outro fator que é capaz de influenciar significativamente alguns componentes bromatológicos e a digestibilidade das silagens de girassol é o estádio de desenvolvimento da planta.nutritivo da forragem produzida.2D 9.2D 6.4BC FDN = fibra em detergente neutro.4DE 39. no extrato etéreo.7BC 51.9 AB 8.9CD 46.

(2001b) observaram que a adição de ureia e de carbonato de cálcio. 6. associados ou não à silagem de girassol. ao incremento do valor energético ou proteico e ao aumento da estabilidade aeróbica da silagem durante a fase de utilização. ureia + carbonato de cálcio ou inoculante bacteriano. (2001a) não observaram alterações na digestibilidade da matéria seca devido à adição de ureia. apresentam fermentação aceitável. As silagens de girassol. assim a tomada de decisão quanto à utilização ou não de aditivos deve levar em consideração a relação custo/benefício. aditivadas ou não. Médias de conteúdos de proteína bruta (PB) e de fibra em detergente neutro (FDN) e coeficiente de digestibilidade da matéria seca (DIVMS) de silagens de quatro genótipos de girassol colhidos aos 30. USO DE ADITIVOS NA ENSILAGEM DO GIRASSOL Aditivos têm sido recomendados com o objetivo de beneficiar os processos fermentativos. visando à melhoria da conservação. 44 e 51 dias após o florescimento (fase R5. Esses mesmos autores verificaram que o uso de inoculante bacteriano não resultou em aumento significativo nos teores de ácido lático nas silagens de girassol. Valle et al.5). Valle et al. 37. Fonte: Adaptado de Pereira (2003). 36 . carbonato de cálcio. enquanto os teores de ácido acético foram pouco afetados pela adição.70 60 50 % MS ou % 40 30 20 10 0 23 30 37 Dias após floração 44 51 PB FDN DIVMS Figura 2. promoveu queda nos teores de ácido lático e aumento nos teores de ácido butírico em dois de quatro cultivares avaliados.

(1988b) não observaram diferenças significativas no consumo de vacas Holandesas alimentadas com silagem de girassol (semente oleosa) ou de milho. Hubbel et al. alimentadas com silagens de girassol e de alfafa. os dados de literatura não são conclusivos. 2002. 2002). de proteína ou de gordura. DESEMPENHO DE BOVINOS LEITEIROS ALIMENTADOS COM SILAGEM DE GIRASSOL O consumo é um dos principais fatores na determinação do desempenho animal. de proteína e de extrato seco total do leite. concluindo que a silagem de girassol é uma forragem adequada para vacas no meio e no final de lactação. obtiveram maior consumo de silagem de girassol em relação à silagem de milho.. (2004).7. (1985).2kg a mais por dia).0kg de matéria seca a menos que vacas alimentadas com silagem de milho. Silva et al. 1999. e a maioria dos estudos mostrou que o consumo das dietas contendo silagem de girassol é satisfatório (Bergamaschine et al. (1988b) observaram que vacas Holandesas alimentadas com silagem de girassol apresentaram maior ganho de peso e igual produção de leite que aquelas que receberam silagem de milho. (1982) e Valdez et al. 37 . ao avaliarem a produção e a composição do leite de vacas com média de 26kg/dia alimentadas com diferentes proporções de silagem de girassol em substituição à silagem de milho. Valdez et al. McGuffey e Schingoethe (1980) notaram aumento de gordura e de ácidos graxos poli-insaturados. observaram que a produção de leite foi significativamente maior para as vacas alimentadas com silagem de girassol (2. pois não afetou significativamente as produções de leite. (1985). comparando silagens de girassol e de milho para vacas Jersey em lactação. Vandersall e Lanari (1973) observaram maiores ganhos de peso e produções mais elevadas de leite para vacas alimentadas com silagem de milho. quando o consumo de matéria seca das dietas contendo silagem de girassol é comparado ao de outros volumosos. A substituição completa afetou negativamente as produções de leite. Valdez et al. em experimento com vacas Jersey. quando comparadas às vacas alimentadas com silagem de girassol. Thomas et al. Contudo. enquanto Hubbel et al. (1982) encontraram produções de leite equivalentes em dois grupos de vacas em lactação.. (1988b) observaram redução na porcentagem de gordura do leite dos animais que consumiram silagem de girassol. concluíram que a inclusão parcial da silagem de girassol se mostrou viável. enquanto a substituição parcial (34% e 66%) não afetou o consumo. McGuffey e Schingoethe (1980) verificaram que as vacas alimentadas com silagem de girassol (variedade confeiteira) consumiram 4. redução de proteína e de sólidos totais no leite das vacas alimentadas com silagem de girassol. Leite (2002) observou que a substituição total da silagem de milho pela silagem de girassol na dieta de vacas em lactação promoveu redução significativa de 17% na ingestão de matéria seca. Thomas et al. Alguns estudos mostraram modificações na composição do leite dos animais alimentados com silagem de girassol. Ko. Ribeiro et al.

05). 17. respectivamente.3 e 59.02 22. as vacas alimentadas com dietas contendo silagem de girassol produziram 23. ao ingerir um litro de leite de vacas alimentadas com silagem de girassol.52 2.52 23. O consumo de 300mg de CLA/dia é tido como referência para os efeitos nutracêuticos do CLA. O autor estimou que o ser humano.84 4. respectivamente). o consumo seria de 90mg/dia.96 4. e as do tratamento com silagem de milho 22.19 3. depende de avaliações econômicas em relação aos custos dos suprimentos energéticos e da produtividade por hectare da silagem de girassol.5kg por dia para as dietas contendo silagem de girassol e milho. 38 .05). Apesar da composição do leite semelhante (P>0. Já para a ingestão de leite obtido das vacas alimentadas com silagem de milho. Os animais alimentados com silagem de girassol apresentaram maior consumo de matéria seca. O fornecimento de dietas contendo silagem de girassol aumentou os teores de C18:1Trans 11 e C18:2 Cis-9 trans-11. Silagem de Girassol 25. Segundo Leite (2007).85kg.28 3.30 2. Tabela 6. (2006).9kg de leite por dia (corrigido para 4% de gordura). Parâmetros Produção de leite (kg/dia) Produção de leite corrigido para gordura (kg/dia) % de gordura % de proteína % de lactose Fonte: Leite et al.Leite et al. sólidos totais e extrato seco desengordurado) entre as vacas alimentadas com silagem de girassol e milho. ureia. para vacas leiteiras produzindo em média 25kg. o fornecimento da silagem de girassol. A produção e a composição do leite foram semelhantes entre os dois tratamentos (P>0. Não foram observadas diferenças na produção e composição do leite (proteína. a composição da gordura (perfil de ácidos graxos) diferiu entre os tratamentos. Alguns dos resultados obtidos neste estudo encontram-se na Tabela 7.4 e 15. (2006) realizaram estudo de desempenho com vacas Holandesas alimentadas com silagens de girassol ou milho na Fazenda Experimental da Escola de Veterinária da Universidade Federal de Minas Gerais. gordura.76 Leite (2007) comparou a silagem de girassol com a de milho como fonte volumosa para vacas leiteiras. A digestibilidade da matéria seca das dietas foi semelhante (61.4% para as dietas com silagem de girassol e milho.67 Silagem de Milho 25. Produção e composição do leite de vacas Holandesas alimentadas com dietas balanceadas utilizando silagem de girassol ou milho. estaria consumindo 365mg/dia de ácido linoleico conjugado (CLA). Os dados deste ensaio encontram-se na Tabela 6. lactose.

39 .F. Composição química e consumo voluntário das silagens de sorgo. A silagem de girassol pode ser utilizada para alimentação de rebanhos leiteiros desde que as dietas sejam balanceadas.7ª C18:1 Trans-11 11. VON TIESENHAUSEN. O fornecimento de dietas contendo silagem de girassol aumenta os teores de C18:1Trans 11 e C18:2 Cis-9 trans-11. Consumo de matéria seca (kg/dia).9 Consumo de matéria seca (kg/dia) Digestibilidade da matéria seca (5) Produção de leite corrigido para gordura (kg/dia) % de gordura Concentração de ácidos graxos (mg/g de gordura) b C4:0 3. I. porém a fração fibrosa é de baixa digestibilidade.3 b C17:1 0. Ciênc.7ª C18:1 Cis-9 25.3 b C8:0 0.5ª Silagem de milho b 15.9 b C14:1 Cis-9 0.4ª 61. 1995. em dois estádios de corte.19.8ª 0.1ª a 11.4ª 1.6 b C16:0 17.2 b C11:0 0.1 b 2.8 b C17:0 0.4ª 22.3 b 1.05).5ª Letras idênticas em uma mesma linha significam diferença estatística (P<0.9ª 3.M.0 b C12:1 0. et al.5 59.2 C18:0 14.4 b C6:0 1.. digestibilidade da matéria seca (%). AQUINO.1 b 18.5ª 1. girassol e milho para ruminantes.3ª 2.0 a 1.9ª 33. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ALMEIDA.4 b C13:0 0.6 b C10:0 1.E. Fonte: Leite (2007).5ª 0. Parâmetros Silagem de girassol 17.0 C18:2 Cis-9 cis-12 4.6ª 0. Prát.Tabela 7.V. v.1ª 0.2ª a C18:2 Cis-9 trans-11 1. M. produção e composição da gordura do leite de vacas Holandesas alimentadas com dietas balanceadas utilizando silagem de girassol ou milho.9ª 3.2ª 0.3ª 3..4 b C15:0 0. CONSIDERAÇÕES FINAIS O girassol é uma opção para produção de volumoso suplementar em plantios de safrinha ou para regiões que apresentem índices pluviométricos desfavoráveis. p.0 0.3 a 0.1 b C12:0 1.0 b C14:0 5.H.9ª C20:0 0..3ª 23.3 b 0.315-321.4ª 4.3ª 2. As silagens são classificadas como de boa qualidade e destacam-se pelos teores de proteína e de lipídios. L. 8.3ª b 10.3 b C16:1 Cis-9 0.

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A necessidade de intensificação da produção animal no Brasil obriga o produtor a fornecer alimentos de qualidade durante todo o ano. essenciais para a fermentação lática sem necessidade de aditivos para estimular a fermentação (Zago. Belo Horizonte. Escola de Veterinária da UFMG.. avelino@cnpms. Além disso.. Sete Lagoas. Associado Departamento de Zootecnia da Escola de Veterinária da UFMG. Belo Horizonte. MG. CEP 30123-970.com 4 Engenheiro Agrônomo. 2008). Caixa Postal 285.embrapa.. pelos altos rendimentos (Lima. o sorgo surge como opção em substituição ao milho. 1991). assim como a qualidade fermentativa.1. Caixa Postal 567. muitos produtores optam pela conservação de forragem na forma de silagem. Nesse capítulo serão discutidos alguns aspectos relevantes da utilização da silagem de sorgo nas dietas de vacas de leite. INTRODUÇÃO As forrageiras tropicais apresentam estacionalidade de produção. matheusarta@yahoo. Bolsista CNPQ. e pelo valor nutritivo semelhante à silagem de milho. Nesse sentido.com 2 Engenheiro Agrônomo. o uso de forragens conservadas se torna uma ferramenta de importância na pecuária moderna. José Avelino Santos Rodrigues4. Professor do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade Estadual de Montes Claros. Bolsista FAPEMIG.com.. Daniel Ananias de Assis Pires3. com aumentos no potencial genético e na produtividade dos animais. DSc.ufmg. EMBRAPA Milho e Sorgo.br 5 Médico Veterinário. CEP 30123-970. o menor custo e a semelhança ao valor nutritivo do milho tornam o sorgo uma opção de volumoso para o balanceamento de dietas de vacas de leite. DSc. Caixa Postal 567. Escola de Veterinária da UFMG. luciocg@vet. associada à necessidade de suplementação volumosa no período seco. CEP 30123-970. wilsonvet2002@gmail. Matheus Anchieta Ramirez5 RESUMO A intensificação dos sistemas de produção de leite. Lúcio Carlos Gonçalves 2. Devido a essa estacionalidade da produção de volumosos. Sendo assim. Prof. MG. ocorrendo sobra de alimento no período chuvoso e no período seco.br 3 Médico Veterinário.. o valor nutritivo e o desempenho produtivo de vacas leiteiras. pela menor exigência em umidade e especialmente pela qualidade fermentativa da silagem produzida. 2002). Médico Veterinário. CEP 35701-970. Doutorando em Nutrição Animal.CAPÍTULO 4 SILAGEM DE SORGO PARA GADO DE LEITE Wilson Gonçalves de Faria Jr. principalmente em regiões com riscos de veranicos ou em sistemas de cultivo em safrinha. o sorgo tem se destacado por sua facilidade de cultivo (Neumann et al. MG. DSc. Belo Horizonte. Doutorando em Nutrição Animal.br 1 43 . garantida pela adequada concentração de carboidratos solúveis. Caixa Postal 567. vem aumentado a demanda de produção de volumosos conservados para suplementação em sistemas confinados ou semiextensivos. MSc. Para produção de silagem. piresdaa@gmail.

De forma semelhante. Correa et al. O Brasil é destaque no cenário mundial no cultivo de sorgo. O grande número de híbridos e a variedade de sorgo colocados em ensaios de avaliação e no mercado nacional demonstram a grande variabilidade genética desta espécie. a utilização de sorgo se torna uma vantagem para produção de silagem em regiões de climas áridos ou sujeitos à ocorrência de veranicos e em solos pobres onde o milho não se sobressai. 44 . tem apresentado boa adaptação ao cultivo de safrinha (Demarchi et al. panícula e produtividade da matéria seca em função do estádio de crescimento de plantas de sorgo de porte alto (AG-2002).. folha e panícula da planta de sorgo. o que reduz os riscos de perdas na cultura. 1. PRODUTIVIDADE DA CULTURA DE SORGO Devido aos mais variados tipos de sorgos e à enorme diversidade de cultivares. climáticas e de fertilidade do solo. Ademais o fato de a cultura permitir o aproveitamento da rebrota. 2007).. o sorgo é menos sujeito a roubos em culturas próximas a centros urbanos do que o milho. são apresentados os resultados obtidos por Zago (1991) para proporções de colmo. melhor relação colmo/folha:panícula e resistência a doenças). no Brasil. às condições de manejo. Assim. o sorgo vem sendo amplamente utilizado para este propósito. e melhor valor nutritivo (digestibilidade da fibra e grãos de textura macia). Cultivares de sorgo forrageiro em ótimas condições de clima e de fertilidade apresentam produtividades elevadas que geralmente superam as produtividades do milho. o sorgo na forma de silagem mostra-se como alternativa de grande impacto na alimentação suplementar para os períodos de escassez de alimentos em rebanhos leiteiros de diferentes níveis produtivos (Cabral et al. Por outro lado. que se mostra uma cultura mais exigente em fertilidade e pluviosidade. folha. em seu Programa de Melhoramento Genético de Milho e Sorgo. Esses fatores são determinantes para o sucesso da cultura. Aliado a tais fatores. Diante disso. 2003). com o objetivo de selecionar híbridos com melhores características agronômicas (maior produtividade. já em regiões de melhor distribuição de chuvas. Pedreira et al. seja por corte manual ou mecânico. porte médio (AG-2004-E) e porte baixo (AG-2005-E). possibilita a utilização na forma de pastejo ou corte verde. a menor exigência quanto ao tipo e à fertilidade do solo bem como a capacidade de suportar extensos períodos de falta de água e rebrotar rapidamente depois da ocorrência de chuvas que umedecem suficientemente o solo destacam o sorgo em comparação ao milho. Portanto. em condições marginais de cultivo.. A proporção das partes da planta é um importante fator determinante da produtividade e qualidade das silagens produzidas. a literatura apresenta uma ampla variação nos dados de produção de matéria seca.Em regiões áridas e semiáridas. 2002. Na Tabela 1. já que seu sistema radicular permanece vivo após o corte. o estádio de crescimento afeta a produção de matéria seca por também alterar as proporções de colmo. fornecido diretamente ao cocho. 1995. Tal característica vem sendo explorada pela Embrapa. o sorgo tem sido cultivado como primeira cultura..

e outros no de grão leitoso para grão pastoso (Molina et al. já nos híbridos forrageiros. com redução nos teores para o híbrido forrageiro.8 Fonte: Adaptado de Zago (1991).2 %C 58 48 46 48 AG-2004-E %F %P 25 18 21 32 16 39 16 34 PMS 11. De modo semelhante. mas sofre influência de fatores como temperatura. BR701 e Massa-3) em cinco épocas de corte da planta. tipo de solo e variação quanto ao genótipo (variedade e/ou híbrido). Estádio de colheita Grão leitoso Grão pastoso Grão farináceo Grão duro %C 67 64 63 69 AG-2002 %F %P 23 10 18 19 15 23 13 19 PMS 14. (2006) avaliaram a qualidade e o valor nutricional das silagens de dois híbridos de sorgo de duplo propósito (AG 2006 e BR700) e um forrageiro (BR601) com a colheita das plantas em oito estádios de maturação dos grãos. De acordo com Corrêa (1996). mas não houve alteração no valor nutricional das silagens com o avanço da maturidade da planta. com os maiores valores observados nos estádios de grão pastoso e farináceo. A maturação das forrageiras eventualmente envolve declínio do valor nutritivo devido principalmente ao acúmulo de constituintes da parede celular. As reduções nas frações fibrosas foram associadas ao aumento da participação dos grãos na composição da planta. Porcentagem de colmos (%C). a redução na qualidade da fibra resulta em redução no valor nutritivo em estádios mais avançados de maturação. O aumento 45 . Esses autores observaram aumentos (p<0. 2007).5 13.05) nos teores médios de MS.5 %C 49 35 34 35 AG-2005-E %F %P 27 24 21 44 17 49 16 50 PMS 10.6 12. Esses autores relataram aumentos nos teores de matéria seca (MS) e lignina.7 11. adubação.3 18. Pires et al.8 16. 2. (2007) avaliaram três híbridos de sorgo de porte médio com boa produção de grãos (BR700..2 14. luminosidade.Tabela 1.2 15. folhas (%F) e panículas (%P) na matéria seca e produtividade de matéria seca (PMS) em toneladas por hectare em função da época de colheita.. que foram acompanhados de reduções nas frações fibrosas e proteína com o avanço do estádio de maturação. disponibilidade de água. Alguns híbridos atingem o teor de matéria seca ideal no estádio de grão farináceo. A acumulação de nutrientes é peculiar de cada espécie.6 10. devido à menor quantidade de grãos. Araújo et al. MOMENTO DE ENSILAGEM A obtenção de uma silagem de alta qualidade depende principalmente da colheita da forrageira num momento ótimo do seu estádio de desenvolvimento (Araújo et al.8 10. Já os valores de digestibilidade in vitro da matéria seca (DIVMS) mostraram comportamentos variáveis. 2000). a produção de matéria seca de híbridos de duplo propósito e a de um híbrido forrageiro aumentaram com o avanço do estádio de maturação. com os grãos variando entre os estádios de grãos leitosos a grãos duros.

a ensilagem do sorgo com os grãos duros pode levar à perda destes nas fezes dos animais. (1995) recomendam que os sorgos com altas porcentagens de grãos sejam colhidos entre os estádios de grão leitoso e pastoso. os ácidos acético. como o nível de carboidratos solúveis. a fim de garantir um teor de MS tido como ideal no momento da ensilagem (variando entre 27% e 37% de MS no material verde). Por outro lado. segundo. Mas o aspecto nutricional. graças às reduções nos teores de fibra em detergente neutro (FDN) e fibra em detergente ácido (FDA). Teor de matéria seca O teor de matéria seca da planta é um importante fator determinante do tipo de fermentação no processo de ensilagem. No que diz respeito aos ácidos orgânicos. 3. 1991). os valores de DIVMS não foram alterados. Já Faria Jr. que se destaca pelas excelentes características agronômicas de produtividade e pela resistência a pragas e doenças. decorrente da maior resistência de degradação do grão e maior taxa de passagem da digesta em animais de alto consumo. e sorgos com baixa porcentagem de grãos. principalmente em dietas de vacas de alta produção. outros parâmetros. O BRS-610 é um sorgo forrageiro de boa proporção de grãos. ocorre perda na qualidade do material. (2008) avaliou o comportamento produtivo e nutricional do sorgo BRS-610 em oito estádios de maturação do grão. Demarchi et al. Esse autor observou aumento na produção de MS e na participação da panícula com a maturidade da planta do florescimento até o estádio de grãos farináceos. entre os estádios pastoso e farináceo. CONSERVAÇÃO DA SILAGEM Juntamente com o teor de matéria seca e pH. Silagens que apresentem umidade muito alta têm uma série de desvantagens: primeiro. Estas bactérias são indesejáveis por produzirem ácido butírico e degradarem a fração proteica com consequente redução do valor nutricional 46 . resultantes da maior participação de amido do grão na matéria seca total.dos grãos e. Houve aumento nos teores de MS e. O autor concluiu que os melhores momentos de ensilagem para esse híbrido estão compreendidos entre os estádios de grãos pastosos e farináceos. butírico e lático são os mais importantes. silagens muito úmidas têm um custo de produção maior. o pH de silagens muito úmidas tem que ser mais baixo para inibir o crescimento de Clostridia spp. são utilizados para classificar as silagens quanto a sua qualidade fermentativa. pois o transporte por quantidade de matéria seca fica mais caro. apesar de terem ocorrido reduções nos níveis de proteína. pois. 3. nos estádios de grão duro. a relação nitrogênio amoniacal/nitrogênio total (N-NH3/NT) e os ácidos orgânicos.1. sorgos com porcentagens médias. de amido altamente digestível com o avanço do estádio de maturação dependendo da proporção no total de matéria seca da silagem é capaz de superar a redução no valor nutricional das frações de colmo e folhas com a maturidade da planta (Zago. consequentemente. em estádios mais avançados.

3. as silagens de sorgo.3. terceiro. Existe uma estreita relação entre as taxas e as extensões de queda do pH e o teor de MS da forragem para que ocorra inibição do crescimento de microrganismos indesejáveis (Muck. 1991.. 1991). et al.7% MS (20. 2006. 2000b. Brito et al. ao ensilarem sorgos de porte alto. (1993) e Silva et al.. pois reduz a proteólise e inibe o crescimento de microrganismos indesejáveis.7%) no momento da ensilagem. 3. 2008). no material original.. Corrêa. 1997. mesmo que o nível de carboidratos solúveis seja o suficiente para promover fermentação lática. (1999a) encontraram teores de MS de 25. Brito et al. 1993. De modo geral. Pereira et al. Silva et al. Bernardino et al.. b. ao analisarem sorgos de portes alto. 31. 1997.. 2000a. respectivamente. com valores entre 3.. 1999b.4% e de 24.. et al.8%. Nogueira (1995) e Bernardino (1996). 1997. Para silagens de sorgo. Já Pesce et al. 28. 2002).9%. 1995. Araújo. 1988). 10% e 8%. Araújo.. 37. Faria Jr. respectivamente. relataram teores de carboidratos solúveis em álcool de 18%. 1992. 2004). silagens muito úmidas produzem efluentes que levam à perda de nutrientes de alta digestibilidade (McDonald et al.. e quarto. 2007. 2002). Rocha Jr.2% a 29. Rocha Jr. As maiores taxas de acúmulo de matéria seca das folhas e panículas em relação aos colmos indicam a importância dessas frações na elevação da MS da planta com o avanço da maturidade desta. Nogueira. Carboidratos solúveis Teores mínimos de 8 a 10% de carboidratos solúveis na MS são requeridos para uma adequada fermentação... 1996. Borges (1995). (Zago.. os resultados da literatura indicam a possibilidade de produção de silagens de boa qualidade nutricional e bom padrão fermentativo com materiais ensilados com teores de matéria seca variando de 20% a 37% (Meeske et al. 2000b).2.6 e 4. 47 .3%. 1997.. apresentam valores de pH capazes de minimizar a atividade proteolítica das enzimas e bactérias e tendem a se estabilizar antes de 10 dias transcorridos da ensilagem (McDonald et al.. Está bem definido que os sorgos utilizados no Brasil. 3.. têm um nível de carboidratos solúveis suficiente para uma boa fermentação. Potencial de hidrogênio (pH) A velocidade com que ocorre a queda do pH é tão importante quanto o valor de pH final para a preservação da qualidade da silagem.da silagem. Borges et al. já nas primeiras 24 horas de fermentação. com consequente queda no pH (Borges et al..0%. o consumo voluntário é diminuído. médio e baixo. geralmente. Borges et al. Brito et al. Araújo et al. 2000b. 2000a. Pires et al. (2000a) obtiveram para 20 genótipos de sorgo um teor médio de 25..7%. 35. Os teores de MS do sorgo são correlacionados com o estádio de maturação e com a proporção entre as frações de colmo em relação às de folhas e panículas na planta (Gontijo Neto et al. baixo e médio.

Os valores mínimos de ácido lático para garantir boa conservação da silagem são variáveis em função dos teores de MS.2 a 8.79%) com o avanço da maturidade da planta. e da redução de nitratos pelas bactérias lácticas (Fairbairn et al. 48 . 1987). Assim. no momento de ensilagem. (2008) encontrou valores de nitrogênio amoniacal na silagem variando de 1. Os conteúdos de ácido acético estão relacionados às menores taxas de decréscimos e maiores valores finais de pH nas silagens. (2000b) (3.. No entanto. consequentemente. Faria Jr. Em silagens de sorgo. velocidade de confecção da silagem e taxa de queda nos valores de pH. (2007) não relataram efeito do estádio de maturação sobre os níveis de nitrogênio amoniacal nas silagens de três híbridos de sorgo cujos valores variaram de 5. com baixos níveis de ácido acético.4. superiores aos valores de Rocha Jr. em menor porção. aos carboidratos e às relações das partes da planta.5. Pires et al. Por outro lado. (2007) citam valores de ácido lático variando de 6.30 a 15. amidas.12%.2 e.37 a 5. o ácido lático é o principal por apresentar maior constante de dissociação (Kd). sendo responsável pela redução do pH a valores inferiores a 4.5 a 7. (2006) observaram reduções para esse parâmetro (6. bactérias láticas heterofermentativas e.42% na MS.03-7. Contudo. uso de aditivos). como resultado da ação prolongada de enterobactérias. bem como das diferenças quanto aos processos de ensilagem (estádio de maturação da planta. Araújo et al.99%. Nessas silagens. Os valores elevaram-se com o avanço do estádio de maturação da planta de florescimento a grãos duros.15 a 6. as silagens malconservadas e com evidências de fermentações indesejáveis (clostrídia e pseudomonas) apresentam teores de nitrogênio amoniacal acima de 15%.5% na MS e de ácido butírico inferiores a 0.5%). 3. 1992). inibição de microrganismos indesejáveis. as variações encontradas entre as silagens são decorrentes das diferenças intrínsecas aos híbridos com respeito aos conteúdos de MS. 2003). o que indica quebra excessiva da fração proteica. velocidade de ensilagem. O conteúdo de ácido butírico reflete a extensão da atividade clostridiana sobre a forragem ensilada e está relacionado a menores taxas de decréscimo.57%) e Ibrahim (2007) (4.3.3% da MS (Tomich et al.53 a 7. butírico e de nitrogênio amoniacal. a degradação proteolítica envolve consumo de ácido lático e acético para produção de ácido butírico. esses últimos autores afirmam ter obtido silagens de excelente a boa qualidade. por clostrídios. Os teores de nitrogênio amoniacal em silagens de sorgo variam de 0. Silagens bem-conservadas apresentam valores de ácido lático próximos de 8-10% na MS. Nitrogênio amoniacal Nas silagens consideradas com bom padrão de fermentação. maior valor final de pH e de nitrogênio amoniacal nas silagens. de ácido acético inferiores a 2. sendo a amônia derivada principalmente da deaminação de aminoácidos específicos.31%).25 a 5. et al. e Araújo et al. resultando em aumento do pH da silagem. Ferreira (2005) (3. Ácidos orgânicos Dentre os ácidos orgânicos.8% do nitrogênio total. os valores de nitrogênio amoniacal são inferiores a 10% do nitrogênio total.. indicando processos fermentativos ineficientes (Fisher e Burns.

6 57.9 42.3 33.0 65.3 36.6 27.8 7.3 45. (2006)1 Digestibilidade in vitro da MS. et al.1 57.6 27.85 31.4 47.7 34.6 6.2 58.8 5. 3NDT 49 .0 9.9 7.3 28.2 3.8 58.6 5.5 62.3 5.61 55.9 32.2 29.3 38.73 54.6 a 64.5 41.6 7.0 6.71 Autor Aydin et al.7 3. (2000b) Rocha Jr.1 20.5 55. Material 20 híbridos 7 híbridos Corte alto ou baixo 8 híbridos AG 2002 AG 2006 BR 601 BR 700 BR 700 BR 701 Massa 3 Granífero Sacarino Sorgo Milho 1 MS 30. como altura de corte.89 PB 6. 1991).46 30.1 a 3.6 52.1 6. (2006)1 Araújo et al. (1999).2 51.6 56.1 6. 2digestibilidade aparente da MS. Teores de matéria seca (MS).1 a 36. Na Tabela 2.4.5 6. (2002)1 Restle et al.5 23. épocas de cultivos e manejo de ensilagem. proteína bruta (PB).8 31. (2002)1 Pedreira et al.7 9.89 56. Tabela 2.4 53.5 68.20 Silagem de sorgo (%MS) FDN FDA LIG DMS 51.9 54.4 35.8 53.3 57.4 5.7 9. COMPOSIÇÃO QUÍMICA E DIGESTIBILIDADE Observa-se uma grande variabilidade entre a composição de nutrientes nos diferentes híbridos de sorgo.0 45.9 26. (2007)1 Nascimento et al.9 3.6 35.0 53.9 a 9. (2008)3 Valadares Filho et al.4 38.3 34.8 8.1 4.5 3.8 45.6 57.4 34.8 35.6 4. Pesce et al. bem como às diferenças no valor nutritivo destas frações entre os híbridos.2 5.8 32.1 27.0 60. lignina (LIG) e digestibilidade da matéria seca (DMS) da silagem de sorgo e milho de vários experimentos.6 34.8 33.5 a 8.4 62.57 30.1 42.6 69. folhas e panícula.4 24. são apresentadas a composição químicobromatológica e a digestibilidade in vitro de silagens de sorgo observadas na literatura.5 5. normalmente os teores de proteína bruta têm se mostrado superiores aos de porte alto em função de maior participação das folhas.1 6.4 a 50.8 a 3.59 4.5 a 30. fibra em detergente ácido (FDA).1 5.5 25. são fatores que também influenciam nas diferentes respostas sobre a composição química entre as silagens de sorgo.4 63.4 7. (2000b)1 Fontanelli et al.2 a 61.54 7.5 3. tendo o valor da composição da silagem de milho como referência.0 a 29. Em híbridos de sorgo de porte médio ou baixo.5 28.79 4. panículas e grãos na massa ensilada (Zago.3 5.5 39. Isso reflete a enorme variabilidade genética entre os genótipos e o potencial do melhoramento genético no desenvolvimento de híbridos modernos de alto valor nutritivo.7 36. (2006)2 Pires et al.5 70. Estas variações devem-se principalmente a diferentes proporções entre colmo.93 57.5 11.3 53. que proporcionariam alto desempenho animal semelhante ou superior aos obtidos com silagens de bons híbridos de milho. (2003)1 Silva et al.4 26.77 56. Diferenças entre regiões. fibra em detergente neutro (FDN).4 a 39.1 a 70.

materiais de mesmo nível nutricional e que têm propiciado desempenhos animais semelhantes e com menores custos.8%. (1998) compararam o efeito da silagem de sorgo e silagem de milho na dieta de vacas Holandesas de alta produção.De modo geral.53 25. produção e composição do leite de vacas de alta produção alimentadas com silagem de milho e silagem de sorgo. (1984).06 4. 5. Lusk et al.00% PV. segundo Resende et al.7 L/dia) e encontraram valores de digestibilidade aparente da matéria seca variando de 59.83 x 2. Tabela 3. na produção e composição do leite. O pastejo direto de rebrotas pode causar intoxicação por ácido cianídrico em plantas jovens. devido à menor quantidade de grãos. No entanto. 50 . os resultados de pesquisa recente mostram que há.64% do peso vivo (PV) e 1.3 a 58.8 a 61. respectivamente. inferiores a 60cm.16 3. para milho e sorgo). em alguns cultivares de sorgo. avaliando silagens de milho e sorgo. como pode ser verificado na Tabela 3. os nutricionistas consideram que o valor nutricional da silagem de sorgo equivale entre 80 e 90% do valor nutritivo da silagem de milho.68 e 2. Nichols et al. não observaram diferenças na produção de leite (24. refletindo em menor degradabilidade efetiva da matéria seca das silagens.75 Fonte: Adaptado de Nichols et al. de proteína digestível (4.23 Proteína (%) 3. referentes ao fornecimento das respectivas silagens.07 3. Consumo de matéria seca. Não foram observadas por estes autores diferenças no consumo de matéria seca. milho consorciado com sorgo e rebrotas de sorgo. Bezerra et al.7g/UTM).86 Gordura (%) 3. Por outro lado.4 x 24.10 Lactose (%) 5. (1987) encontraram ingestões de matéria seca maiores para silagens de sorgo que para silagens de milho (1. DESEMPENHO ANIMAL Lusk et al.56 36. Silagem de milho Silagem de sorgo Consumo de MS (kg/dia) 25. (1984) e Gomide et al. que. (1998). (2003).4Kcal/UTM) para as silagens de rebrota de sorgo aos 98 dias. analisando o valor nutricional de silagens de milho. de proteína bruta (7. à disposição no mercado. por apresentar perdas de grãos nas fezes dos animais (Mello.4% e de 58. (1993).7g/UTM. para milho e sorgo.8g/UTM) e de energia bruta (325.86 Produção de leite (kg/dia) 36.unidade de tamanho metabólico). encontraram maiores valores de consumo de matéria seca (66. respectivamente. corresponde a 84% da encontrada para a silagem de milho. 2004) e colmos de menor digestibilidade.

31%). silagens de sorgo granífero. O tipo de sorgo influencia na composição química das silagens e pode ter reflexos no desempenho animal. silagem de sorgo no estádio de emborrachamento (SSE) ou silagem de sorgo no estádio de grão leitoso (SSL).6b 3.68b 12. (2001).43b 14. Esses resultados indicam maior eficiência produtiva (LCG/IMS total) com o uso de silagem de milho (1.6b 11. produção de leite e teor de gordura do leite de vacas recebendo silagem de milho (SM).69b 10. Esses autores observaram que os animais alimentados com silagem de sorgo granífero apresentaram maior consumo de silagem e de ração total em comparação àqueles alimentados com as silagens de milho ou de sorgo sacarino. As produções de leite total e LCG foram superiores entre as vacas alimentadas com silagem de milho.11). A produção de leite e o leite corrigido para 4% de gordura (LCG) foram superiores para a silagem de milho em comparação à silagem de sorgo com o grão leitoso. ou sacarino.56%) em comparação àquelas alimentadas com silagem de milho (4.25%) foram observados em vacas alimentadas com silagem de milho. seguida pela silagem de sorgo sacarino (1. (2008). Fonte: Dias et al.39). No entanto.2ab 3. as produções diárias de gordura e proteína foram semelhantes entre os sorgos e inferiores ao milho.05%). A porcentagem de gordura do leite das vacas alimentadas com silagem de sorgo sacarino foi superior (4. não diferem entre si (P>0.4a SSL 3. 51 . Deste modo. Esses pesquisadores observaram que a silagem de milho proporcionou maior consumo de MS da silagem e da dieta total em relação às silagens de sorgo (Tabela 4).Dias et al.97%). rico em grãos. Já para porcentagem de proteína no leite. o valor intermediário em vacas alimentadas com silagem de sorgo sacarino (3. Parâmetros Silagem (kg de MS/dia) Dieta total (kg de MS/dia) Produção de leite (kg/dia) Produção corrigida (4% de gordura) Gordura do leite (%) SM 4.3ab 13. e este resultou em menor consumo que silagens de milho (Tabela 5).39%) ou silagem de sorgo granífero (4. os maiores valores (3.1a 3. respectivamente.2a 14. Tabela 4.05) pelo teste Tukey. e não diferiram entre as silagens de sorgo. Os teores de gordura do leite não diferiram quanto ao tipo de volumoso. e o menor naquelas alimentadas com o uso de silagem de sorgo granífero (2. Já a silagem de sorgo no estádio de emborrachamento mostrou resultados intermediários e semelhantes ao milho. Consumos médios diários de matéria seca das silagens e da dieta total.34) e silagem de sorgo granífero (1.6a Letras iguais.93a 12. na linha.66a 15. foram comparadas à silagem de milho quanto a sua influência no desempenho de vacas leiteiras por Nascimento et al. com elevados teores de açúcares. (2001) avaliaram o efeito do estádio vegetativo do sorgo em comparação à silagem de milho para vacas de leite.20b 11.6a Tratamentos SSE 4.

5% inferior aos alimentados com silagem de milho. porém as produções obtidas com os animais alimentados com a silagem de sorgo de nervura marrom foram semelhantes (P<0.05b Médias seguidas de letras diferentes na mesma linha diferem entre si (P<0.05) pelo teste Tukey.14b 26. A síntese dos resultados desse trabalho encontra-se na Tabela 6.56a 3.22a 24. Fonte: Nascimento et al. LCG e menores teores de gordura que os animais alimentados com silagem de milho. Os resultados obtidos para proteína no leite foram semelhantes entre os tratamentos. silagem de sorgo granífero (SG) ou silagem de sorgo sacarino (SS). (2004) avaliaram silagens de sorgo normal ou mutantes portadores de nervura marrom (bmr-6 e bmr-18) em comparação à silagem de milho para vacas leiteiras de alta produção. 3Silagem de sorgo sacarino (SS). As ingestões de matéria seca não diferiram entre as silagens. Não houve diferenças quanto à digestibilidade da proteína. o que está associado à maior participação dos grãos na massa ensilada. enquanto as silagens de sorgo mutante (Bmr-6 e Bmr-18) e a silagem de milho mostraram valores semelhantes.05) e garantiram a mesma produção dos animais alimentados com silagem de milho.63b 1.95b 3.65a 1.09b 0.64a 22. 2Silagem de sorgo granífero (SG). As digestibilidades da matéria seca das silagens de sorgo Bmr foram semelhantes à silagem de milho e superiores à silagem de sorgo normal.37c 24. 1 Silagem de milho (SM). Nota-se que as vacas alimentadas com silagem de sorgo normal apresentaram menores produções de leite. em sua revisão de literatura.28a 0.25a SG2 17.05c 0.10b 1. produção e composição do leite de vacas alimentadas com silagem de milho (SM).81a 30.64c 19. No mesmo trabalho. que a produção dos animais alimentados com sorgo foi 11.69b 25. (2008). Já as digestibilidades da FDN foram superiores para a silagem Bmr-6 e a silagem de milho.43c 3. porém a digestibilidade do amido foi semelhante entre as silagens de sorgo e inferior à silagem de milho.72b 4.98a 4. Oliver et al. e produção semelhante aos animais alimentados com silagem de milho.Zago (1991) citou. foi relatado que vacas leiteiras alimentadas com sorgo de duplo propósito (porte médio) mostraram maior produção de leite em relação às vacas que receberam silagem de sorgo de porte alto. Parâmetros Ingestão de silagem (kg MS/dia) Ingestão total (kg MS/dia) Ingestão média MS (100 kg PV corrigido) Produção de leite total (kg/dia) Produção corrigida 4% de gordura (LCG) Gordura no leite (kg/dia) Proteína no leite (kg/dia) Gordura (%) Proteína (%) SM1 17. gordura.94a 4. conferindo maior valor energético à silagem.73b 4.39b 3.97c SS3 13. Por outro lado. A eficiência produtiva foi semelhante entre as silagens de sorgo com nervura marrom e 52 .93b 28.31b 2. Tabela 5. contudo as ingestões de FDN foram superiores para as silagens de sorgo normal. Ingestão.02b 21.

2 24. entretanto.8 a LCG 4% (kg/d) 29.1 a 60. Esses resultados estão de acordo com os dados obtidos por Aydin et al.2 ab 33.89 2.0 b 34.96 5.96 5.96 1.91 0.44 b 2.4 a 47.62 a 1.2 73.4 a 9.3 a Gordura do leite % 3.9 b 54.8 26.32a Proteína do leite % 2. refletir em maior teor de gordura do leite para a silagem de sorgo normal.79 3.89 2. sendo superior à silagem de sorgo normal.1 73.88a kg/d 1.3 Propionato 26. no desempenho e nos parâmetros ruminais de vacas leiteiras.0 118.78 a 2.0 b 9.35a 1.1 a 32. 2silagem de sorgo de nervura marrom BMR-18.1 a Amido 85.9 ab 9. Tabela 6. Fonte: Oliver et al.53 ab 1.2 ab 33.65 3.77 a 2. As condições de metabolismo ruminal foram semelhantes entre as silagens quanto aos parâmetros de pH. Influência do tipo de silagem na ingestão e digestibilidade. exceto para a relação acetato:propionato que foi superior para silagens de sorgo normal e Bmr-6.97 kg/d 0.2 30. Diante dos resultados obtidos.2 51. Sorgo Silagem de Sorgo Sorgo Parâmetros Bmr-182 milho normal Bmr-61 IMS (kg/dia) 23.98 2.7 b 91.1b 33.7 b 82.38a pH ruminal 5.42 b Digestibilidade da dieta Matéria seca 52.2 25. (1999) e Miron et al. acetato e propionato.81 Ingestão FDN (kg/dia) 10.67 3.57b 3. em parceria com o Departamento de Zootecnia da Escola de Veterinária da UFMG.9 a Proteína bruta 51.34a 1. 53 .25b 1.3 59.11b 1.2 Acetato:Propionato 2.87 5.9 a 69. ácidos graxos voláteis totais (AGV).8 123.9 124.00 IMS/LCG 1.3 (% peso vivo) 3.37a 1.89a 3.49 b 1 Silagem de sorgo de nervura marrom BMR-6.1 72.2 23.77ab 3.5b 62.99 0.0 b (% peso vivo) 1. (2007).43 b 1.3 30.as silagens de milho.4 59.7 a Produção de leite (kg/dia) 31.8 c 54.7 Acetato 75.7 a 31. observa-se o potencial dos híbridos portadores de nervura marrom na obtenção de silagens de melhor qualidade nutricional e com potencial de manter produtividades semelhantes às silagens de milho. sem.92 AGV totais 123. (2004).22ab 1. vem estudando o potencial dos híbridos de sorgo e milho portadores de nervura marrom sob condições brasileiras. A Embrapa Milho e Sorgo.4 FDN 40.3 b 79.

Valvasori et al.95 *valores na mesma coluna. (1998b) avaliaram a substituição da silagem de sorgo granífero por silagem de cana-de-açúcar em vacas no terço inicial da lactação. Silagem Sorgo granífero Sorgo granífero e cana-de-açúcar Silagem de canade-açúcar Média geral C. contudo a silagem de sorgo granífero proporcionou maior produção de leite em relação à silagem de canade-açúcar. Embora as ingestões totais de MS e PB tenham sido muito próximas.59kg. respectivamente.93a* 12.98kg e 26.59 Teor de gordura 3.56%. O uso de silagens de sorgo associadas à palma forrageira para vacas Holandesas de produção mediana (27kg/leite/dia) tem sido uma alternativa de suplementação interessante em regiões semiáridas.20%.V(%) Kg leite/vaca/dia 12. Fonte: Valvasori et al.05) pelo teste SNK. avaliaram o consumo e o desempenho de bezerros leiteiros alimentados com silagem de sorgo granífero ou silagem de cana-deaçúcar como único volumoso e suplementado com farelo de algodão. Valvasori et al. Já as silagens de sorgo garantiram produções diárias de leite e LCG de 24.78b 12.06% e 73. os valores obtidos de digestibilidade aparente da matéria seca. fibra em detergente neutro.87a 12.83. 64. (2002) avaliaram o consumo.11a 12.25kg/dia ou 1. silagem de sorgo granífero + silagem de cana-de-açúcar e silagem de cana-de-açúcar. como pode ser observado na Tabela 7. Wanderley et al. Produções de leite e taxas de gordura láctea em vacas alimentadas com silagem de sorgo granífero. em outro estudo. Esses autores observaram que a inclusão de 17% de palma forrageira foi o nível que resultou nos melhores valores de digestibilidades aparentes da matéria seca e carboidratos totais e maior valor de NDT 54 .40% PV.68 13.34ab 11.58a 3. (1998b). Os consumos de MS. diferem entre si (p<0. em relação à silagem de cana-de-açúcar.10 Kg leite/vaca/dia corrigido a 3.38 4.81a 3. as produções de LCG e os teores de gordura não diferiram entre os tratamentos. 89. PB e NDT das dietas foram semelhantes.72a 11. Na silagem de sorgo. matéria orgânica (MO). Os ganhos de pesos.59% do peso vivo (PV) e consumo de FDN de 8. os ganhos de peso e as conversões de MS e PB em ganhos de peso foram superiores para o tratamento com silagem de sorgo. com uma conversão alimentar de 0. 76.5% gordura 13. As vacas alimentadas com silagem de sorgo como único volumoso apresentaram consumo de MS de 20. (1998a). Tabela 7. carboidratos não fibrosos e teor de NDT foram de 73. seguidos por letras diferentes. a digestibilidade e o desempenho de vacas no terço inicial da lactação alimentadas com dietas à base de silagem de sorgo com níveis crescentes de palma forrageira e 43% de concentrado. (2002) e Andrade et al.95kg/dia ou 3.15%. respectivamente.64a 3.57 9.84%.

6. A inclusão de xiquexique não comprometeu o consumo.0% e 57. (2005) avaliaram a substituição da silagem de sorgo por xiquexique (Pilosocereus gounellei) até níveis de 50% da dieta com 30% de concentrado.83% PV e 1. 45% dos taninos condensados ingeridos foram degradados no rúmen e 40% dos TC que chegaram ao abomaso e intestinos foram absorvidos. As diferenças observadas na literatura se devem às distintas condições experimentais e à grande variabilidade genética do sorgo. respectivamente.4kg.6%.das dietas. Silva et al. Rabelo (1997) determinou que parte dos taninos do sorgo foram degradados no rúmen e que os taninos condensados (TC) desapareciam à medida que os tempos de incubação avançavam. a digestibilidade dos nutrientes da dieta ou o desempenho produtivo dos animais. refletindo em uma conversão alimentar média de 0.48% PV e 65. assim.8kg e 13. a silagem de sorgo pode ser utilizada como fonte única de volumoso para vacas leiteiras. (2006). Esses autores relataram consumos e digestibilidades aparentes da MS e do FDN de 2. Esses autores concluíram que as dietas foram nutricionalmente equivalentes. O aumento de carboidratos não estruturais na dieta proporcionado pela palma forrageira promoveu efeito associativo positivo na melhoria da digestibilidade da dieta. Os resultados da literatura mostram uma boa associação da palma forrageira e outras cactáceas a silagens de sorgo para suplementação de vacas em lactação de média produção no nordeste brasileiro. TANINOS Os taninos são compostos fenólicos com alto peso molecular (500 a 3000). Conforme evidenciado. referente aos valores de pH e concentrações de amônia ruminal. 1994). atingindo o máximo após 72 horas de incubação ruminal. pois existe uma correlação negativa entre os teores de 55 . intestinal ou total entre as silagens. O ambiente ruminal. Os efeitos do uso de inoculante microbiano-enzimático em silagens de sorgo ou milho sobre o consumo e a digestibilidade dos componentes nutritivos das silagens foram avaliados por Silva et al. Não houve diferenças quanto aos valores de consumo ou digestibilidade aparente ruminal. bem como a taxa de passagem da digesta não foram influenciados pelas dietas. para dietas com silagem de sorgo como volumoso único. Segundo Perez-Maldonado e Norton (1996). comprovando. a dificuldade de se comparar de forma justa as silagens de sorgo com outros volumosos como a silagem de milho. sem comprometer o consumo ou as produções de leite. que apresentaram produções médias diárias de leite e LCG de 14. Esses compostos são classificados em dois grupos: os hidrolisáveis (carboidrato central com ligações de ácidos fenólicos carboxílicos) e os condensados (mistura de polímeros flavanoides) (Van Soest.87. pois não se evidenciou mérito atribuído a silagens confeccionadas com uso do inoculante microbiano-enzimático. A seleção de sorgos utilizados para a produção de silagem é feita para os genótipos com baixos teores de taninos. sendo capazes de formar ligações com proteínas e outras macromoléculas como os carboidratos.

(1997) afirmaram que a ensilagem é uma forma de reduzir os teores de taninos nos grãos de sorgo com alta umidade. com os mesmos híbridos colhidos no estádio de grãos farináceos. os quais se ligam à fração nitrogenada. Já Molina et al. Além dos componentes estruturais. os taninos apresentaram correlação negativa com a degradabilidade da matéria seca. em híbridos de sorgo granífero com altos e baixos teores. 1991). concluíram que os taninos não responderam 56 . 1997. menor degradabilidade efetiva da MS do que os sem taninos (BR 007 e CMX XS 214). Borges et al. O mesmo ocorreu com a degradabilidade potencial e com a taxa de degradação da proteína bruta. Entretanto.. Esses autores verificaram correlação negativa (r=–0. processo que pode ser utilizado para aumentar o valor nutritivo do grão de sorgo.. (2003a) avaliaram as silagens produzidas com os mesmos híbridos. Essa menor degradação da PB.. (1999) verificaram melhor digestibilidade da frações de FDN e FDA em sorgos sem taninos.. O mesmo foi observado por Borges (1995).tanino e a digestibilidade da matéria seca (Zago.01) entre a presença de taninos e a digestibilidade da MS. Molina et al. Segundo Campos et al. 1999). os genótipos com taninos (CMS XS 210 e BR 701) apresentaram. que relatou uma redução significativa dos teores de taninos das silagens de sorgo com a fermentação. 2003a). (2002). Isso pode ser um fator que está associado aos maiores valores de FDA para os genótipos com taninos. as taxas de degradação da matéria seca e da proteína bruta das silagens (ou seja. Resultados semelhantes foram relatados por Molina et al. que concluíram que a presença de taninos em genótipos de sorgo ensilado no estádio de grão leitoso parece ter reduzido a extensão de degradação e a degradabilidade potencial para a matéria seca e a proteína bruta nas silagens de sorgo BR 700 e BR 701. deveu-se à presença de taninos. Entretanto. 1997. Contudo. Segundo Cummins (1971). em média. e concluíram que a presença de taninos nas silagens dos sorgos BR 700 e BR 701 foi capaz de inibir somente a degradabilidade potencial da MS. A degradabilidade da proteína também foi inferior para os genótipos com taninos. Nyachoti et al. (2003b). 2003b). o que pode estar associado à melhor qualidade da fibra para esse híbrido. indicando que a qualidade da fibra tem importante função na resposta à presença de taninos sobre a degradabilidade da MS. e ressalta-se que teores mais elevados de fenóis totais podem não refletir em maiores concentrações de TC (Campos et al. porém colhidos no estádio de grãos pastosos. No entanto. podendo esse complexo tornar-se um componente do resíduo do FDA (Borges et al. os autores relataram que a causa desta diminuição pela estocagem anaeróbica ainda não está completamente esclarecida. a velocidade de degradação das silagens de sorgo) não foram influenciadas pela presença de taninos no grão.. os taninos não exerceram efeito depressivo sobre a média do desaparecimento da proteína bruta em nenhuma das silagens de sorgo testadas. (2003a). P<0. Apesar da maior afinidade pelos compostos nitrogenados/proteicos. apesar de o BR 701 ter apresentado degradabilidade similar aos genótipos sem taninos. FDN e FDA (Campos et al. que estudou a influência do teor de taninos sobre a digestibilidade in vitro da matéria seca. o processo de ensilagem reduz o teor de taninos. parece existir uma concentração mínima de TC necessária para que os efeitos negativos se expressem. Rodriguez et al. Rodriguez et al. provavelmente.34.

Rodrigues. 8. et al. 57 . Digestibilidade e absorção aparentes em vacas da raça Holandesa alimentadas com palma forrageira (Opuntia ficus-indica mill) em substituição à silagem de sorgo (Sorghum bicolor (L.31. a durrina (C14H17O7N). bainha e colmos) em relação às partes ricas. principalmente animais jovens.K. na presença de β-glicosidases no rúmen. CONSIDERAÇÕES FINAIS Em regiões semiáridas ou com risco de ocorrências de veranicos.S..) Moench). v. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ANDRADE. 2002. 7. D. Zootec. que são as lâminas foliares. Bras. Rev. de acordo com Zago (1992). a cultura do sorgo mostra-se como opção de produção de volumoso.B. sem comprometimento do desempenho de vacas em lactação e com possibilidade de redução de custos. apresentando menores riscos de perdas. Rodrigues.. A. inibindo a ação de metaloenzimas. produz ácido cianídrico (HCN). está associado ao aumento proporcional das partes da planta pobres em HCN (nervura. p. 2000). 2000). não sendo indicada a utilização de plantas de sorgo com altura inferior a 60cm (Zago.por nenhum efeito depressivo sobre os parâmetros estudados de degradação da matéria seca e da proteína bruta. FERREIRA.. M. podendo causar anóxia histotóxica. As silagens de sorgo têm potencial para substituir as silagens de milho como volumoso único. 1995. Demarchi et al. O declínio do nível de HCN na maturação.A. que. devido à possibilidade de comprometimento do aproveitamento das silagens e consequente limitação do desempenho dos animais. 1992. pela afinidade por íons metálicos e o transporte de oxigênio pela combinação do cianeto com a hemoglobina (ciano-hemoglobina). VÈRAS. E aconselhável utilizar cultivares de sorgo sem taninos.2088-2097. Os níveis de HCN são reduzidos com o desenvolvimento das plantas. Isso sugere menor efeito dos taninos sobre a degradabilidade da matéria seca e da proteína das silagens com o avanço do estádio de maturação da planta. INTOXICAÇÃO COM REBROTA DO SORGO O sorgo possui um heteroglucosídeo cianogênico. A utilização da rebrota deve ser realizada quando a planta ultrapassar 60cm de altura.. incontinência urinária e morte fetal de bezerros (Zago. 1992. ademais é uma opção interessante em sistemas de cultivo de safrinha.C.

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B. 1994. 64 . F. Nutritional ecology of the ruminants..K. Palma forrageira (Opuntia ficus indica Mill) em substituição à silagem de sorgo (Sorghum bicolor (L. D. Cultura de sorgo para produção de silagem de alto valor nutritivo. 2002.139-142. C.. P. Capinópolis: Sementes Agroceres. Utilização do sorgo na alimentação de ruminantes. 34p. p. Anim. Sci. v. M. Zootec. v. Vet. VAN SOEST. Braz..35. 476p..S. E.) Moench) na alimentação de vacas leiteiras. et al.VALVASORI.J.P. PIRES. Rev. VALVASORI. p. Res.L. In: MANEJO cultural do sorgo para forragem.. Sete Lagoas. FERREIRA. p. W.. Bras.. Desempenho de bezerros recebendo silagens de sorgo ou de cana-de-açúcar como únicos alimentos volumosos. 17).35. E.273-281. 1991.L. NY: Cornell University Press. MG: EMBRAPA/CNPMS. ZAGO. Res. 1998b. Silagem de cana-de-açúcar em substituição à silagem de sorgo granífero para vacas leiteiras. C. PIRES. Braz.L. Vet.S. 2. 1992.ed. (Circular Técnica. C. J.9-26. et al. p. J. F.. ZAGO. Anim. LUCCI. WANDERLEY.31. LUCCI.229-232. 1998a. v. Ithaca..A. ANDRADE. C. Sci.P.

. na confecção de pães e derivados na Ásia e África. MG. Planaltina... produtiva.D.com. Caixa Postal 567. MG. Escola de Veterinária da UFMG. MSc. Belo Horizonte. e pode-se considerar 1 Médico Veterinário. Caixa Postal 567. rogeriomauricio@ufsj.. MG.ufmg.. São João Del-Rei.. CEP 30123-970. não é utilizado na alimentação humana e possui pequena participação na alimentação de aves.. Belo Horizonte. Prof. Escola de Veterinária da UFMG. no Brasil. CEP 36301-160.embrapa.com 5 Engenheiro Agrônomo. é um cereal que. MSc. Além disso. Por essa característica e por apresentar teor de proteína superior ao milho. produção de forragem para pastejo. Universidade Federal de São João Del-Rei. Rogério Martins Maurício5 RESUMO O milheto é um cereal de grande importância mundial por ser adaptado às regiões semiáridas. Belo Horizonte. chegando a suprir de 80 a 90% da quantidade de calorias consumida pela população de algumas dessas regiões (Burton et al. MSc.. Doutorando em Zootecnia. onde normalmente culturas como o milho e o sorgo não se desenvolvem bem. Prof. Dept. Bolsista CNPQ. Esp. Ph. Fernado Pimont Pôssas4. Este capítulo fornecerá informações para a adequada utilização do milheto na alimentação de gado de leite.br 4 Médico Veterinário. gabrielorjúnior@yahoo. DSc. Roberto Guimarães Júnior3. DF. Praça Dom Helvécio.Bairro Dom Bosco. Caixa Postal 567.CAPÍTULO 5 O MILHETO COMO OPÇÃO PARA GADO DE LEITE Gabriel de Oliveira Ribeiro Júnior1. onde normalmente culturas como o milho e o sorgo não se desenvolvem bem. quando começou a ser utilizada no sistema de plantio direto. EMBRAPA Cerrados. com boa composição nutricional e que pode ser cultivada com sucesso no período de safrinha ou em regiões sujeitas a veranicos ou secas. tem sido utilizado como alimento humano sob a forma de farinhas. suínos e peixes. que apresenta boa composição nutricional e pode ser cultivada com sucesso no período de safrinha ou em regiões sujeitas a veranicos ou secas. guimaraes@cpac. 2 65 . INTRODUÇÃO O milheto (Pennisetum glaucum (L) R. Apresenta-se como opção promissora para o Brasil por ser uma planta de clima tropical. de Engenharia de Biossistemas. implantação e recuperação de pastagens e para produção de silagem e grãos. sorgo e trigo. Lúcio Carlos Gonçalves2.br 3 Médico Veterinário.) é um cereal de grande importância no mundo por ser adaptado a regiões semiáridas. produtiva. 74 .edu. MG.Br.br. 1972). a cultura do milheto passou a ter destaque nos cerrados no início dos anos 90. CEP 30123-970. É uma planta de clima tropical. luciocg@vet. Associado Departamento de Zootecnia da Escola de Veterinária da UFMG. fpimont@gmail. DSc. Atualmente a cultura vem sendo utilizada para plantio direto. No Brasil. CEP 30123-970.br Engenheiro Agrônomo. Doutorando em Nutrição Animal.

Inicialmente era conhecido como Pennisetum americanum (L. variando de 60 a 90 dias para variedades precoces e de 100 a 150 dias para as tardias. 1999). menos dias a planta levará da germinação ao florescimento. 1977.que.. 1999). boa capacidade de rebrota e boa qualidade como forragem. sendo capaz de vegetar em regiões com precipitações pluviométricas inferiores a 400mm anuais. typhoides (L. gênero Pennisetum (Brunken. 66 . Bonamigo. É uma cultura influenciada pelo fotoperíodo. (Andrews e Rajewski. Vulgarmente denominado pearl millet. subfamília Panicoideae. 1997. 1990). Barbosa. não suportando temperaturas inferiores a 10ºC (Skerman e Riveros. tribo Paniceae. 1990. permitindo produção de forragem de qualidade em curto espaço de tempo (Bogdan. Kichel et al. O milheto caracteriza-se por ser uma gramínea anual de verão. ou cerca de 30 dias após a sua emergência (Bogdan. Br. 1985). é o mais antigo nome do milheto-pérola cultivado. a partir dessa associação. quanto mais tardiamente for realizado o plantio. tanto nos trópicos como nos subtrópicos. produção de forragem para pastejo. subtribo Panicinae. e se destaca como forrageira por sua habilidade em desenvolver-se em estações chuvosas curtas. 1999). 1985). cattail millet. O gênero Pennisetum está distribuído em todo o mundo.60 metros de profundidade (Skerman e Riveros. spiked millet. 2000). A grande tolerância desta cultura à seca deve-se ao seu sistema radicular agressivo. 1997. Skerman e Riveros. com baixas precipitações pluviométricas e pelo crescimento rápido. Atualmente a cultura vem sendo utilizada para plantio direto. bajra. por volta de 10 a 12 semanas após o plantio. Estima-se que o milheto forrageiro utiliza 70% da água consumida pelo milho para produzir a mesma quantidade de matéria seca. bulrush millet. 1977. com uma temperatura ótima de crescimento de 28 a 30ºC (Perret e Scatena. O ciclo vegetativo é curto. Lima et al. A sua utilização para pastejo pode ser feita entre quatro a seis semanas após a semeadura. que pode alcançar 3. geralmente. CARACTERÍSTICAS AGRONÔMICAS O milheto é uma planta pertencente à família Poaceae (Gramineae).) Leeke ou P. pasto italiano ou capim-charuto.. que ocorre. onde a pluviosidade é de apenas 130 a 180mm por ano (Perret e Scatena.) Stapf e Hubb. 2005). citados por Bonamigo. já que é cultivado na Índia. entretanto a nomenclatura atualmente reconhecida como mais apropriada e autêntica é Pennisetum glaucum (L) R. o sistema conseguiu se estender às demais regiões (Martins Netto e Durães. implantação e recuperação de pastagens e para produção de silagem e grãos. de ciclo curto. A espécie africana Pennisetum glaucum (L) R. de modo que. Lima. 1977). 1. e abrange cerca de 140 espécies. apresenta uma variada história taxonômica. e à sua eficiência na transformação de água em matéria seca. 1992. Br. pois necessita de cerca 300 a 400 gramas de água para produzir um grama de matéria seca. 1995.

para as condições de solos do Brasil. sendo que as sementes devem ser incorporadas levemente com grade niveladora. recomendam-se 20% a mais de sementes/ha e. 2. mas apresenta alta resposta de produção em solos férteis ou adubados. com equipamento aplicador de calcário ou por avião (Pereira Filho et al. 1995. pois esse tipo de solo retém mais água na superfície. o plantio deve ser em menor profundidade.. Sendo assim. além de garantir uma boa germinação (Scaléa. É tolerante à baixa fertilidade do solo. 1999). enraizamento. Em solo argiloso. sendo de grande importância a determinação do valor cultural das sementes (% pureza x % germinação).. O uso de uma grade leve em área não cultivada. deve-se levar em conta o tipo de solo. no caso de sobre semeadura em lavouras de soja. jogadas a lanço ou plantadas em sulcos. Para semeadura a lanço. desenvolvendo-se melhor em solos arenosos. a profundidade de semeadura pode variar de 2 a 4cm (Pereira Filho et al. onde seu sistema radicular é mais vigoroso (Bogdan. cerca de 30 a 35Kg de sementes/ha. recomenda-se aração. No geral. De acordo com Freitas (1988). deve-se fazer uma compensação elevando-se a densidade de semeadura. Freitas. 1999. 1988. 2003). A semeadura pode ser realizada em linhas (18 a 20kg de sementes/ha) com espaçamento entre 20 e 30cm para utilização em pastejo ou com espaçamento de 40 a 60cm (12 a 15kg de sementes/ha) para produção de grãos. a semeadura a lanço pode ser feita manualmente. 1999). 2003). tem-se verificado baixa germinação das sementes disponíveis para plantio (cerca de 42%). ajuda a semente a aderir ao solo e induzir ao processo de germinação. Kichel et al. 67 . a semente deve ser colocada um pouco mais profunda para ficar em contato com a umidade. sementes ou silagem. Em solo arenoso. Kichel et al. Quando semeado em sulco para a produção de sementes ou grãos. 1977. seguida de gradagem e passagem de rolo compactador após a semeadura. (1999) recomendam que a temperatura média do solo seja superior a 20ºC. 1998). A profundidade de plantio também é um fator importante para a implantação da cultura do milheto devido ao pequeno tamanho da sua semente. Nessas condições. Segundo Maraschin (1979). Andrews e Rajewiski. tanto após a colheita da cultura de verão quanto na primavera (Bonamigo. crescimento e rebrota. para assegurar boas condições de estabelecimento. sorgo e arroz. PLANTIO E SEMEADURA A lavoura do milheto é estabelecida por sementes. sem chuvas. além de haver umidade suficiente para emergência das plântulas. A qualidade das sementes é determinante no estabelecimento e na produção da cultura.. Para que haja eficiente germinação das sementes.Vai bem em solos com altas concentrações de alumínio. milho. Bonamigo. porém a cultura não resiste a solos encharcados. O plantio a lanço pode ser em área sem cultura instalada ou em área cultivada com cultura em estádio de colheita (sobre semeadura). baixo pH e alta salinidade.

com produção bastante satisfatória no Brasil central. BRS 1501: Variedade lançada pela Embrapa Milho e Sorgo. Centro-Oeste e Sul. produz cerca de 37 toneladas (t) de matéria verde (MV) por hectare (ha). Esse cultivar adapta-se a condições que oferecem riscos de déficit hídrico e apresenta bom potencial de produção de grãos (2. porte de 140 a 220cm. Possui ciclo médio (floresce aos 50 dias). O seu plantio é recomendado para as regiões Sudeste. conhecido também como pasto italiano. PRINCIPAIS CULTIVARES No Brasil. 1999). A variedade tem produção média de 45t de massa verde quando semeada em fevereiro e. grande perfilhamento e boa tolerância à acidez de solo. Ele é utilizado basicamente para cobertura do solo em áreas de plantio direto (Martins Netto. o número de cultivares de milheto é reduzido.. estão listados abaixo: COMUM: De acordo com Bonamigo (1999). boa capacidade de perfilhamento e tem mostrado boa recuperação na rebrota. tem desenvolvimento muito uniforme e panículas grandes . SYNTHETIC-1: Variedade. também desenvolvida pela Empresa Pernambucana de Pesquisa Agropecuária e pela Universidade Federal de Pernambuco. 68 . desenvolvimento desuniforme e espiguetas de tamanho variado (12 a 25cm). 3. com o intuito de melhorar cultivares locais utilizados no Mato Grosso do Sul (Bonamigo. adaptada à produção de grãos no sertão de Pernambuco (Tabosa et al. BN-1 e BN-2: Variedades originadas de um trabalho de seleção massal fenotípica. o milheto vem sendo cultivado apenas no resíduo de adubação dessas culturas. boa produção de sementes. lançada em 1977. quando semeada em março. Apresenta porte médio (1 a 1. foi introduzido no início dos anos 60. 1999). É sensível ao carvão. A BN-2 é um cultivar indicado para plantios tardios ou na safrinha.50cm ou mais. IPA-BULK 1: Variedade desenvolvida pela Empresa Pernambucana de Pesquisa Agropecuária e pela Universidade Federal de Pernambuco. com aptidão para produção de forragem na mesorregião do agreste de Pernambuco (Tabosa et al. os cultivares de maior destaque no país. BN-1: Essa variedade apresenta porte de 170 a 230cm. adaptada para produção de massa em sistemas de plantio direto.60m). após a cultura de soja ou milho. e seu pastejo ocorre aos 45-50 dias após a emergência. (2003) e Martins Netto e Durães (2005). bem como as suas características.Em plantio de safrinha. 1999). hábito ereto. 1998).5 t/ha). BN-2: Apresenta ciclo tardio.. Segundo Pereira Filho et al. panícula grande (20 a 35cm).

Para comparar a produção do milheto. ADR 300 e ADR 500: Cultivares de porte uniforme.600kg/ha de grãos na maturação fisiológica. Kichel et al. 7tMS/ha e 2. de 20 a 70t de matéria verde (MV) por hectare. NPM-1 (Nebraska Population Millet): É uma população de polinização aberta oriunda do programa de melhoramento da Universidade do Nebraska – USA. estádio de desenvolvimento e cultivar utilizado. Os dois cultivares estão sendo recomendados para produção de massa e grãos. citado por Scaléa (1998). assim. sem adubação. 4. 450 e 600kg de N/ha). 8. que apresentam boa produção de grãos (1500 – 2300kg/ha) e de matéria verde (29 – 52t/MV/ha em três cortes) e maior resistência às doenças. CMS-3: É uma população de polinização aberta oriunda do programa de melhoramento da Embrapa Milho e Sorgo. dependendo do clima. Segundo Bonamigo (1993). produziu 11.1tMS/ha e 810kg/ha de grãos na maturação fisiológica. PRODUÇÃO A produção forrageira varia em função das condições climáticas. dependendo da época de plantio. quando cultivado em safrinha. Heringer e Moogen (2002) estudaram a resposta do milheto sob pastejo com aplicação de níveis crescentes de nitrogênio (0. sendo que a ADR 300 apresenta ciclo precoce (92 dias até a colheita) e a ADR 500 tem ciclo tardio (100 dias). o milheto pode produzir. (1999) avaliaram as três culturas plantadas no final de fevereiro e encontraram valores para produção de matéria seca por hectare em kg/ha de 8. sendo que rendimentos de 7 a 10tMS/ha podem ser aceitos como valores médios em campos experimentais e/ou fazendas bem-manejadas. milho e sorgo no período de safrinha. 300. fertilidade do solo.3tMV/ha na floração.680. que o milheto pode substituir o milho e o sorgo. que possui alta taxa de crescimento e alta demanda por nitrogênio. principalmente à ferrugem. época de semeadura. A eficiência de utilização do nitrogênio (kg 69 . nas mesmas condições. intervalo entre cortes.ENA 1: Cultivar oriundo a partir de três cultivares de origem cuja seleção visou à produção de palha e de grãos em solos de baixo teor de matéria orgânica. mostrando. A ENA 1 é sensível à ferrugem (Puccinia substriata). Bogdan (1977) cita produções variando de três a 20 toneladas (t) de matéria seca (MS) por hectare (ha). A produção de matéria seca apresentou relação quadrática com os níveis de N. para milheto. O aumento na produção de matéria seca em resposta aos níveis crescentes de N demonstra que o N do solo não atende ao potencial de crescimento da planta.100 e 5. sem aplicação de fertilizantes e sem irrigação. No plantio das secas. respectivamente. 150. produziu 32tMV/ha na floração. adubação e cultivares. solo. milho e sorgo. respectivamente.760. Em plantios efetuados na UFRRJ sem adubação e na estação das águas. 2. com ganhos em produtividade. variando de 8862 a 17403kg/ha para os níveis de 0 a 450kg de N.

24 e 0. valores superiores aos do milho. possuindo 8% a menos de energia quando comparado com o milho. data de plantio) e a condições ambientais (temperatura e disponibilidade de água). entretanto os cultivares mais utilizados atualmente estão por volta de 12%. e a globulina 20%. 300. percebe-se que alguns cultivares apresentam teores 70 . Jain e Bal (1997) relatam que. enquanto os híbridos alcançam produções entre 1300 e 2400Kg/ha. Estas variações estão relacionadas ao cultivar utilizado. Burton (1972) também encontrou maiores quantidades de proteína e extrato etéreo para o milheto quando comparado com milho. celulose e lignina e menores teores de hemiceluloses. variedades tradicionais produzem de 300 a 500Kg/ha. fertilização nitrogenada. fibra em detergente ácido (FDA). milho e sorgo. De acordo com a Tabela 1.49 (Rostagno et al. em média. A proteína do milheto possui 0. COMPOSIÇÃO QUÍMICA E VALOR NUTRITIVO O valor nutritivo do milheto para os ruminantes não é constante. de acordo com Valadares Filho et al. Andrews e Rajewski (1995) relatam que. sorgo e arroz.. que são 0.27% de metionina. respectivamente. Apesar de apresentarem. 450 e 600kg de N. a prolamina constitui 40%.3%.02 Mcal/kg.37% de lisina e 0. sob condições ótimas de cultivo.4 a 70. sendo. estão apresentadas na Tabela 1. (1995). O extrato etéreo do grão de milheto é composto por 75% de ácidos graxos insaturados e 24% de saturados. os teores de proteína e extrato etéreo encontrados para o grão de milheto são maiores que o milho e o sorgo. a produção de grãos pode saltar para 5000kg/ha. 5. 60. o teor de amido do grão de milheto variou de 57. em média. (1998). O grão de milheto é considerado um concentrado energético por apresentar menos de 18% de fibra bruta e menos de 20% de proteína bruta. os valores foram 46. Das diferentes proteínas do milheto. a energia metabolizável do grão de milheto para ruminantes é de 3. Pode-se observar também (Tabela 1) que o milheto apresenta maiores teores de fibra em detergente neutro (FDN). sendo este conjunto de fatores responsável por uma redução da energia do grão de milheto quando comparado com o milho e o sorgo. extrativo não nitrogenado e carboidratos não fibrosos. trigo. menores teores de amido que o milho. A composição química dos grãos de milheto. Para a produção de grãos. (2006). De acordo com Hadimani et al. Isto ocorre devido a variações da composição química. respectivamente. 20 e 14kg de MS/kg de nitrogênio para os níveis de 150.de matéria seca/kg de N aplicado) apresentou relação linear negativa. 23.18% para lisina e metionina. A proteína do milheto pode variar de 9 a 21% dependendo do cultivar. podendo ser considerada uma proteína de boa qualidade. a diferenças no solo e nos tratos culturais (adubação. e 89% de digestibilidade. De acordo com Terril et al. na Índia. 2000).

47 Hemiceluloses (%) 7.20 Fonte: 1Guimarães Júnior (2003).54 3.24 Energia bruta (Mcal/kg) 4.28 A composição química da planta inteira de milheto em diferentes idades está apresentada na Tabela 2.84 9.11 Extrato etéreo (%) 5. O grão de milheto contém.95 35.07 FDN (%) 15. quando comparado com o milho. (2006).55 1.25 Celulose 27.18 Lignina 4.04 0.37 87. 1999). de milho e de sorgo.30 71.05 0.75 22.00 4.55 Lignina (%) 1. 3Amaral (2003). (2006).83 Hemicelulose 29.50 9. óleo e fibra e menores teores de amido.58 35.08 Extrativo não nitrogenado (%) 68. Sorgo 87. e o embrião forma uma proporção muito maior do grão total.17 14. Não foi descrita a presença de taninos nos grãos de milheto em diferentes variedades analisadas (Kumar.19 59.73 4.47 87.25 Fonte: Valadares Filho et al.23 0. Tabela 1.31 Ca (%) 0.99 68.03 14.16 NDT 76.35 3. Parâmetros 82 dias1 81 a 100 dias2 70 dias3 90 dias3 Matéria seca (%) 27.13 4.96 1. Composição química do grão de milheto.13 0. Os teores de Ca e P são baixos e semelhantes aos encontrados no milho e sorgo.86 74. Composição química da planta inteira de milheto em diferentes idades.93 13. 71 .90 9. Parâmetros Milheto Milho Materia seca (%) 88. Como o grão é pequeno.21 80.muito próximos ao do milho (70%).41 Celulose (%) 4.35 4.62 3.64 74.10 Carboidratos não fibrosos (%) 64. maiores teores de proteína. 2Valadares Filho et al.21 6.03 P (%) 0.98 FDA (%) 7. 17 de embrião e 8% de casca.73 Proteína bruta (%) 10.27 FDN (%) 60.33 Digestibilidade da MS 55.08 9. 75% de endosperma.92 73. dessa forma muito ainda pode ser feito em relação ao melhoramento genético do milheto a fim de aumentar seu teor energético.95 13.10 64.43 35.75 10.47 FDA (%) 33.64 Proteina bruta (%) 13. Tabela 2.55 9.76 68. em média. em média. o grão de milheto apresenta.

4 a 19.Kickel et al. Pereiral et al. Os híbridos BMR podem melhorar a qualidade da forragem. respectivamente. (1990) encontraram redução de 23% no teor de lignina.8%.74%. Além de menor teor de lignina. respectivamente. da primeira para a quarta época de semeadura. Os teores de lignina na planta de milheto podem variar de 1. 50.19% na FDN e de 0. (1999) relatam valores de 23. em função do menor teor de fibras. (1993) encontraram 68% de FDN para a planta com idade de 64 a 84 dias. Maia et al. FDN e FDA. (2004) encontraram valores de FDA que variaram de 35 a 45% com o avançar da idade da planta. Guimarães Júnior (2003) encontrou valor médio de 4. encontrou aumento linear médio diário de 0. Amaral (2003). Os valores de FDN descritos para planta de milheto. maior evapotranspiração –. De acordo com Van Soest (1994). As variações nos teores de proteína encontrados estão relacionadas principalmente com o período fonológico da planta e com a adubação nitrogenada realizada. Bonamigo (1999) também encontrou valores semelhantes de FDN em folhas (62. 70 e 80 dias de crescimento. Com o intuito de melhorar essa característica e. Guimarães Júnior (2003) encontrou valor médio de 33. De acordo com Van Soest (1994). com as maiores intensidades de luz e temperatura e com maior fotoperíodo no verão – portanto. Cherney et al.5%) e caules (67. 72 . variam de 60 a 70%.03% na PB. muitos estudos têm sido realizados com híbridos mutantes portadores de nervura marrom (BMR).56% a 66. porém mais fibrosa.5 a 7.9%). pois possuem menor concentração total de lignina. menor concentração de ácido p-cumarico e/ou maior concentração de xilose.33% para o milheto aos 82 dias. A lignina limita a extensão da degradação da forragem nos ruminantes.58% de FDA para planta de três diferentes genótipos de milheto aos 82 dias de idade.06 e 43. 15. quando semeados tardiamente.52% no teor de MS. trabalhando com três diferentes cultivares de milheto em diferentes idades de corte. aumento linear médio diário de 0. redução linear média diária de 0. aumento de 4% na digestibilidade in vitro da matéria seca e aumento da ingestão de matéria seca comparando híbridos de milheto BMR e normal. trabalhando com três diferentes cultivares de milheto plantados no período de safrinha em sucessão à cultura do feijão.13% na FDA. sendo esta maior quanto menor for o teor de FDA. Esse comportamento provavelmente decorre do fato de que. Foi concluído que os cultivares de milheto apresentaram melhor valor nutritivo como planta forrageira. (2000). melhorar a digestibilidade da forragem. Os teores de FDN e FDA médios dos cultivares variaram de 70. com percentuais de MS que variaram de 15. há maior produção de MS.5%. avaliaram quatro épocas de semeadura (intervaladas de 20 dias). Benedetti (1999) encontrou valores entre 8 e 9. os teores de FDA estão diretamente relacionados com a digestibilidade da forrageira.2% de PB para o milheto plantado no período de safrinha. SchefferBasso et al. 13 e 11% de proteína bruta para a planta inteira de milheto colhida com 30.71 e 37. esta possui menor relação molar siringila/guaiacila. valores acima de 55-60% de FDN correlacionam-se negativamente com o consumo de matéria seca. assim. em média.

0%) e farelo de soja (6%). De acordo com Cherney et al. (1996) encontraram digestibilidade in vitro da matéria seca de 73. 88.Lam et al. Foi concluído que o grão de milheto apresentou maior teor proteico. o milheto BMR apresentou redução de 20% no teor de lignina e aumento de 10% na digestibilidade in vitro de matéria seca. o milheto não contém taninos que interferem na digestibilidade (Kumar. equivalente ao milho e. fato que foi comprovado por maior tempo de pastejo e maior desfolha deste. é essencial realizar a análise bromatológica da forragem para o correto balanceamento da dieta.8%) e exclusivamente de milheto (79%). (1988). Consequentemente. superior ao sorgo em teor e qualidade da proteína. a degradação ruminal da matéria seca. (1984). no milheto BMR. respectivamente. foi 84. e a digestibilidade e o teor de proteína diminuem. as quais apresentavam em média 12% a mais de digestibilidade que as silagens americanas. Estes autores também encontraram. Ao contrário do sorgo.9. De acordo com Kishore et al.6 e 76. os teores de MS e fibra da planta aumentam. sorgo (76. UTILIZAÇÃO DE GRÃO DE MILHETO O milheto é. Com o avançar da idade da planta. (1993).0 e 69. outro fator que influencia muito na qualidade do milheto como forragem é a época de plantio. sorgo branco e sorgo vermelho. A digestibilidade da matéria seca e a da parede celular foram menores para a dieta com milheto. (1990) também observaram preferência dos animais em pastejar o milheto BMR. respectivamente. Christensen et al. menor será seu ciclo produtivo. As dietas foram milho (73. Hill e Hanna (1990) realizaram um estudo para comparar grãos de milheto. melhor equilíbrio de aminoácidos essenciais e energia líquida 4% maior. Todas as dietas possuíam 20% de casca de amendoim como volumoso. que são os principais monômeros envolvidos na ligação entre a lignina e as hemiceluloses. pois quanto mais tardio for este plantio. sorgo e milheto. Dessa forma. de um modo geral. realizaram estudos sobre o potencial do milheto nos Estados Unidos e demonstraram que novilhos alimentados com dietas à base de grão de milheto apresentaram ganhos semelhantes aos alimentados com sorgo. milho e sorgo em dietas para bovinos. 6. menores concentrações de ácidos ferúlico e p-cumarico.9%. citados por Kumar (1999). mas a digestibilidade da proteína e a do extrato etéreo foram superiores à dieta com sorgo e semelhantes à dieta com milho. Foi concluído que o grão de 73 . 69. Cherney et al.2% para o milheto normal. pelo menos. para milheto.2% para dietas com milho. após 24 horas de incubação. Além da idade da planta. 1999). Os valores de NDT foram 73.8%) e farelo de soja (2. Van Soest (1994) concluiu que o gene BMR foi responsável por um significativo aumento no valor nutritivo das silagens de milho europeias. eficiência relativa da proteína e níveis de energia metabolizável. as alterações estruturais da planta ocorrerão mais rapidamente e seu valor nutritivo também reduzirá mais rapidamente.3% para o milheto BMR e 61.3.

52 Produção de leite 24.50 PLC 23.11 % de proteína 3. ocorrendo efeito linear negativo na concentração de N-NH3 com o aumento do teor de milheto.53 18. Os níveis de milheto nas rações testadas foram 0. 25/75 e 0/100 da relação amido de milho/milheto. 80.4% de concentrado e 48.22 23. (2004).04 2. Não houve diferença entre os tratamentos na concentração de acetato. 49. Tabela 3. 75/25. 23. (1996) determinaram que o valor energético do milheto estava entre 85 e 90% do milho.5% de gordura (23.6kg/d) e de leite corrigido para 3. nos diferentes tratamentos.30 24. (2004) avaliaram o efeito da substituição do grão de milho pelo milheto. Poucos estudos existem na literatura com a utilização de grão de milheto relacionada à produção de leite. sobre o desempenho e os parâmetros ruminais de vacas Holandesas com 90 dias de lactação em média. 33.06 24.34 3.79 23. consumo de matéria seca e conversão alimentar) de bovinos.49 24.0.97 18. propionato. Influência da inclusão de milheto sobre a produção e composição do leite.39 3. 74 .61 24.0 e 96.41 3.02 3.0. Em um estudo realizado em Goiás.52 3.8kg/d).18 25. Foi concluído que o milheto pode substituir o milho no concentrado sem prejuízo na digestibilidade dos nutrientes e no desempenho (ganho de peso.96 % de gordura 3. Hill et al.3% com base na matéria natural. A produção de leite e o teor de gordura do leite dos animais. A dieta das vacas foi composta de 52. Leão (2002) testou diferentes níveis de substituição do grão de milho por milheto em dietas de novilhos confinados.21 Fonte: Ribeiro et al. O teor e a produção de gordura e a produção de proteína do leite também não foram diferentes entre os tratamentos.11 25. com base no teor de amido.0. Ribeiro et al.6% de volumoso.08 3.28 19. 50/50. ácidos graxos voláteis totais e pH ruminal. foram semelhantes. Não foram encontradas diferenças no consumo de matéria seca. 66 e 99% do milho por milheto na ração de cabras leiteiras.milheto pode substituir grão de milho e sorgo nas dietas. produção de leite (24. França et al. Os tratamentos foram 100/0. (1997) substituíram 0.00 3. Itens 0% 25% 50% 75% 100% Consumo de MS 19. A substituição de milho por milheto não alterou o desempenho de vacas Holandesas em lactação (Tabela 3).89 18. mas que estas devem ser formuladas para utilizar eficientemente a alta quantidade de proteína no milheto em substituição à proteína suplementar.

principalmente para forrageiras do gênero Brachiaria.70cm de altura. Após o ciclo vegetativo do milheto. possibilitando a vedação de parte das pastagens perenes da propriedade para serem utilizadas de julho a setembro. Na região Sul. Faz-se a semeadura da braquiária consorciada com o milheto na primavera ou no início do período das águas. 1997). Em pastoreio rotacionado. o milheto tem sido cultivado em duas épocas: após a cultura de verão e no final do inverno/início da primavera.decumbens (Kichel et al. Moojen et al. Por ser uma planta de porte ereto. Outra alternativa para a utilização do milheto seria para a implantação e recuperação de pastagens. O milheto é cultivado após a colheita da cultura principal.36 kg). quando ocorre a maior deficiência de forragem no Brasil central. quantidades superiores à fornecida pelo sorgo e pelo capim-sudão (Andrews e Kumar. o milheto deveria ser utilizado em pastejo rotativo. 1999). Devido ao seu crescimento rápido. podem-se atingir ganhos de peso diários de 0. Desde que se mantenha um controle da lotação.71kg) para bezerros desmamados aos 101 dias e submetidos à pastagem de milheto (com 41 dias) quando comparados a bezerros mantidos ao pé da vaca em pastagens naturais do nascimento até a desmama com 213 dias (128. 75 . a grande plasticidade da planta faz com que apresente boa performance em pastejo contínuo. Deve-se dar um período de descanso de 18 a 24 dias (Kichel et al. a pastagem estará formada ou recuperada (Kichel et al. o milheto tem sido utilizado sob pastejo.. obteve-se de 1400 a 2300kg NDT. é necessário que se mantenha uma lotação capaz de consumir o crescimento da forragem e mantê-la numa altura entre 20-30cm.. No caso de pastejo rotativo. para ser utilizado em pastejo por um período de 40 a 60 dias. a pastagem deverá ser pastejada sempre que atingir 50 . retirando os animais quando houver rebaixamento para 20 a 30cm do solo.47kg/animal/dia (Hillesheim. Para que se obtenha um bom controle do pastejo. entre seis e oito meses de idade. o milheto possibilita o uso da área de pastagem recuperada já a partir dos quarenta dias após o plantio.7. tais como B. associado à desmama precoce (90 a 100 dias de idade) de bezerros. (1994) verificaram pesos superiores aos 213 dias (152. No entanto.brizantha e B. do outono até o início do inverno. podem-se atrasar as aberturas dos silos e aumentar a produtividade da propriedade. visando garantir pesos semelhantes aos de bezerros submetidos à desmama tradicional.. 1992). 1988). o que proporcionará um período de pastejo que poderá variar de 80 a 120 dias. que permita disponibilidade de matéria seca de 2000kg/ha ao longo de toda estação de pastejo.17 a 1. Pode atingir uma produtividade de 2 a 5@ de carne/ha. Dessa forma. 1999). MILHETO PARA PASTEJO No Brasil. fase em que a braquiária ainda se encontra com baixa produtividade.

respectivamente).5% de PB e 61. em média. em quatro sistemas de pastejo com diferentes forrageiras (1.175kg/dia) e coastcross-1 (0. 259 e 9kg/ha.100kg/dia). superior a 70%. Leeke) e com dois níveis de concentrado (ad libitum e restrito a 1% do peso vivo). 4 . O milheto apresentou maior fração solúvel. 11. pangola ou pastagem natural) sobre o desempenho de bezerros desmamados aos 90 dias.203 e 0. 353. capim-elefante e milheto comum) sobre o desempenho de bezerras submetidas à desmama precoce (94 dias e 84kg de peso vivo). entretanto. A amostra de milheto apresentava 18. O consumo de forragem não foi limitado pela disponibilidade.84 e 1.7%/hora. Os pesquisadores consideraram excelentes os resultados atingidos no pastejo de milheto mesmo com restrição do concentrado.9% de digestibilidade in vitro da matéria orgânica) da forragem foram apontadas como fatores responsáveis pelo desempenho superior dos bezerros mantidos em pastagem de milheto. Os melhores resultados para ambos os níveis de concentrado foram no pastejo de milheto (Pennisetum americanum L. Juntamente com a aveia preta. capim-mombaça e estrela roxa foram colhidas a cada 28 dias. Pode-se observar que a aveia preta e o milheto apresentaram as melhores degradações efetivas da matéria seca para as taxas de passagem de 5 e 8%/hora.Trifoliurn repens L. Leeke) com 0. Dactylis glomerata L. (2004) determinaram a degradabilidade in situ de algumas gramíneas sob pastejo continuo (Tabelas 4 e 5). Os ganhos médios diários das bezerras mantidas em pastagens de milheto (0.14% de MS.314kg/dia) foram semelhantes. Harvey e Burns (1988) avaliaram o desempenho de bezerras cruzadas.012kg/dia).controle .. houve diferenças quanto à composição das pastagens. Durante 96 dias de observação. seguidos pelos mantidos em pastagens de pangola (0. Foi observado também maior valor para a taxa de gradação (c) 3. coastcross-1.Poa pratensis L. sendo o mesmo comportamento observado para ganho de peso/hectare (344. Muhelman et al. o milheto apresentou maior degradabilidade efetiva para a taxa de passagem de 8%. Nas pastagens de coastcross-1 e milheto. capim-elefante (0. 76 .26% de PB e 61. A disponibilidade (3190kg de MS/ha) e a qualidade (12. Trifoliurn repens L. 2 .38% de FDN. a oferta de material disponível para consumo (folhas e caules tenros) era.Pennisetum americanum L. Prado et al.275kg/dia). em 83 dias de experimentação. e a aveia preta a cada 14 dias. porém superiores aos de bezerras mantidas em pastagens nativas (0. As amostras de milheto.Dorow e Quadros (1994) avaliaram o efeito de diferentes sistemas de alimentação pós-desmama (milheto. os animais pastejando milheto apresentaram os maiores ganhos diários (0. com peso médio de 150kg. enquanto nas outras se situou próxima de 50%.380kg/dia). respectivamente. (1997) também avaliaram o efeito de pastagens de verão (pastagem nativa. maior taxa de degradação e maior degradabilidade efetiva da matéria seca e fibra em detergente neutro em relação à grama estrela roxa e capim-mombaça. 3 Festuca arundinacea Schreb.187kg/dia) e pastagem natural (0.00kg de ganho de peso por dia com restrição ou não do concentrado.509 e 0.

Bucholtz et al.22 a 4.1b 29.7a 39.7ab 59.1d 38.1a c (%/h) 2.8b 2 Estrela roxa 5.9a Estrela roxa1 9. 1 Clark et al.3b 63. Não foram observadas diferenças nas produções de leite das vacas no pastejo de milheto (17.4a 55.7d 15. Ocorreu um menor teor de gordura no leite dos animais pastejando milheto (2.8b 66. 2Estrela roxa no verão (entre novembro e fevereiro).30t de MS/ha).91%) em comparação com o capim-sudão e o híbrido de sorgo com capim-sudão (3.2a 32.80%) quando comparado com capim-sudão (3. Fração solúvel (a) e potencialmente degradável (b). 5 e 8%/hora.0a Mombaça 1.8b 28.3a 2.4a 26.7b 54.2d 11.0a 41.5c 59. Entretanto.6c 1.8c 14. ocorreu um menor teor de gordura no leite das vacas pastejando milheto (2.85.2b 25.6a 49.0d 16.3ab 18bc b (%) 58.1ab 1. taxa de degradação (c) e degradação efetiva (DE) da fibra em detergente neutro (FDN) das gramíneas para taxas de passagem de 2. avaliando a performance de vacas Holandesas.5b 3. Médias na mesma coluna seguidas de letras diferentes diferem entre si pelo teste Tukey a 5% de probabilidade.9a 20. DE (%) Gramíneas a (%) b (%) c (%/h) 2 (%/h) 5 (%/h) 8 (%/h) Aveia preta 16. (2004).5a 29.5c 22.6a 31.3kg de concentrado/dia em média. capim-sudão e um híbrido de sorgo com capim-sudão em experimento de pastejo com vacas em lactação durante um período de três anos de avaliações.0b 8 (%/h) 46. Médias na mesma coluna seguidas de letras diferentes diferem entre si pelo teste Tukey a 5% de probabilidade. 20 e 20kg/dia). 2Estrela roxa no verão (entre novembro e fevereiro). (1969) também compararam o pastejo de milheto com o capim-sudão.6ab 40. (1965) compararam o milheto. Os animais foram suplementados com 6.9b 40.67 a 4.7c 18. Tabela 5.12 vacas/ha/dia) ou produção de leite por vaca (19.8kg/dia) e capim-sudão (17.7a 32.2b 41.7 1.9 1.1c 3.8c DE (%) 5 (%/h) 52. Foi observada uma redução na porcentagem molar de butirato no rúmen de vacas 77 . Gramíneas Aveia preta Estrela roxa1 Estrela roxa2 Milheto Mombaça 1 a (%) 31. taxa de degradação (c) e degradação efetiva (DE) da matéria seca das gramíneas para taxas de passagem de 2.7a 30.4d 18.2b 47.2b Estrela roxa no inverno (entre maio e outubro).7a 13. Fonte: Prado et al.9kg/dia). (2004). capacidade de suporte (6.0a 73.39%).6a 23.Tabela 4.5 2.3b Milheto 8. Fonte: Prado et al.0b 41.7a 26. As pastagens não diferiram quanto à produção de matéria seca (2. Fração solúvel (a) e potencialmente degradável (b).4 2 (%/h) 65.1bc 24.32%). 5 e 8%/hora.9 3.6b Estrela roxa no inverno (entre maio e outubro).1b 34.9b 44.

são de baixa digestibilidade e valor energético. como um todo. SILAGEM DE MILHETO Em função da sua rusticidade e adaptação a plantios de fim de verão e princípio de outono. de acordo com alguns experimentos realizados nas décadas de 60 e 70. 7. Experimentos mais atuais com o de Fontaneli et al. Segundo Kichel et al. após a colheita da cultura principal (Andrade e Andrade. Alguns autores levantaram a hipótese de mudanças nas proporções de ácidos graxos voláteis no rúmen (aumentando o propionato e reduzindo o acetato). Pereira et al.95%) do leite foram semelhantes entre os animais pastejando milheto ou tífton 85. Os animais em pastejo produziram 19% a menos de leite que os animais confinados. a produção de leite (25. mas com um custo de alimentação 50% menor.0% para o milho e 7.4% para o milheto. 8.32% de FB. ensilados em maio e analisados após 60 dias.65%) e proteína (2. As proporções molares de acetato e propionato não diferiram entre os dois tratamentos. (1999).28% de fibra em detergente neutro (FDN). esta cultura possui características de estabelecimento fácil e rápido.. 1993). Kichel (1999) comparou silagens de milheto.0% e 53. o pastejo de milheto promoveu redução do teor de gordura no leite. Os valores de proteína bruta e digestibilidade in vitro da matéria orgânica encontrados foram 12. (2005) não observaram esse efeito.. já que esta tende a ser mais econômica que a baseada somente na suplementação. 34.0% para o sorgo. Freitas (1988) sugere o aproveitamento do milheto para melhorar a oferta de forragem com maior qualidade.0% e 58. Os animas em pastejo receberam em média 6kg de concentrado. (2005). 1990). milho e sorgo plantados em período de safrinha (final de fevereiro). para a produção de silagem. 66. e os pastos de verão no país. Além disso.21% de MS. boa capacidade de rebrota. O consumo de matéria seca (19kg). O pastejo do milheto ocorreu quando as plantas apresentavam 40cm de altura.1kg/dia) e os teores de gordura (3. 16. entretanto isso não ficou provado. 78 . bem como boa palatabilidade (Khairwal et al.pastejando milheto. (1994) analisaram silagem de milheto feita com plantas colhidas acima de 12 semanas de idade e encontraram os seguintes valores: 29. Roy et al.8% e 60.46% de fibra em detergente ácido (FDA). Pode-se perceber que. o milheto é uma alternativa interessante para produção de silagem em regiões com problemas de veranico ou seca ou em plantios de sucessão ou safrinha. A performance de vacas em dois sistemas de pastejo (milheto e tífton 85) ou confinadas foi avaliada por Fontaneli et al. 1982.92% de PB. 25. O milheto pode ser utilizado como uma fonte nutricional importante na pecuária de leite a pasto. o milheto pode substituir o milho e o sorgo com ganhos em produtividade e qualidade quando cultivado em safrinha ou tardiamente.

10.34b 14. os valores médios de pH variaram de 3. (1994) encontraram pH de 4. e nitrogênio amoniacal em porcentagem do nitrogênio total de 1. Os teores médios de MS.58 a 3. Itens Matéria seca (%) Proteína bruta (%) FDN (%) FDA (%) CS (%) pH Sorgo forrageiro 21. milheto e milho.68a 36.53 a 34.53 até 5. As novilhas alimentadas com silagem de milheto consumiram mais matéria seca.06%.25c 55. FDA e digestibilidade in vitro da matéria seca (DIVMS) das silagens após 56 dias de fermentação foram. FDA de 37.58 a 75. (2003) avaliou a qualidade e o perfil de fermentação de silagens de três genótipos de milheto (CMS-1. (1993) e Roy et al.50a Milho 30. Amaral (2003).64%. 73. sendo este indicado como uma boa opção para produção de silagem no período de safrinha. 26. Entretanto. 38. De acordo com a Tabela Brasileira de Composição de Alimentos para Bovinos (Valadares Filho et al.49ª 3. Composição química das silagens de sorgo forrageiro. 4. a silagem de milheto possui.carboidratos solúveis em % da MS.47 a 10. mas a ingestão de matéria seca digestível não variou para as diferentes silagens.36a 58.47kg de matéria seca digestível. Fonte: Ward et al.Para silagem de milheto. 2006). nitrogênio amoniacal em relação ao nitrogênio total de 8.3. Tabela 6. O milheto e o sorgo forrageiro foram ensilados com 45 dias (antes do florescimento). A digestibilidade da silagem de milheto foi de 51. e o milho foi ensilado no estágio de metade da linha de leite (95 dias).05).96b Médias seguidas por letras minúsculas distintas significam diferença estatística em uma mesma linha (p<0. foram relatados valores de pH de 3.29%. para as silagens confeccionadas aos 70 e 90 dias.26% de lignina e 60.23% de NDT. CS . (2001) avaliaram a composição química e a digestibilidade das silagens de sorgo forrageiro. A composição química das silagens pode ser observada na Tabela 6. 54.28% de MS.43%.97c 12. Tal experimento demonstrou o bom valor nutritivo e a qualidade da silagem de milheto.28% de extrato etéreo (EE)..62.92kg de MS e 2.06% e 54.22c 32. avaliando três cultivares de milheto submetidos a duas idades de corte para produção de silagem. As novilhas alimentadas com silagem de milheto consumiram 4. PB de 8. para silagem de plantas colhidas no estádio de grão pastoso.06%.01a 2.96b 4.04% de FDN. 8. 3.04% de PB.02%). 23. 32.09b Milheto 26.57%.46%.25% de FDA. respectivamente. 79 .44 %. 1984. citados por Machado Filho e Muhlbach. BRS-1501 e BN-2) plantados na safrinha.90b 60. FDN de 72.48a 8. Ainda neste trabalho. FDN. 1986).83 a 38.85%.36%. (2001).1.67b 4. enquanto Bishnoi et al.95ab 1. Machado Filho e Muhlbach (1986) encontraram valor de pH de 4. Quanto à qualidade da silagem. encontrou teores de MS variando de 23.78. PB. Ward et al. Foram utilizadas novilhas Holandesas com peso médio de 245kg.83 a 2.91 (Figueiredo e Muhlbach. milheto e milho.75% e baixos valores de ácido acético (< 2%) e butírico (0.77b 34. foram obtidos teores médios de pH de 3. em média. Guimarães Jr.94b 6.

1% para FDN e 65. FDN e FDA.92.3 e 60.7% para as taxas de passagem de 2.75%. Os valores para pH indicaram que todas as silagens foram adequadamente fermentadas (Bishnoi et al.3 e 22. 69. 12% de PB. 39.3% e 8. 15 e 16. sorgo forrageiro e um híbrido de sorgo e capim-sudão (Sudax) colhidos em diferentes estágios de crescimento. O milheto produziu uma vez e meia a duas vezes mais MS que o Sudax.6. 68.7 e 61. (1985) avaliaram o valor nutritivo das silagens de milheto e sorgo com novilhas Holandesas de 325kg de peso médio. Grupos de seis vacas foram submetidos a uma das três dietas por um período experimental de 64 dias. respectivamente.6% de FDN e 42.4% de FDN. e os sorgos granífero e forrageiro produziram também mais silagem e apresentaram maior concentração de cinzas que as outras culturas. No estágio farináceo. As silagens não diferiram quanto à digestibilidade aparente da matéria seca e apresentaram valor médio de 47. No experimento de degradabilidade in situ. 11. 39. 1993). respectivamente.3% para a degradabilidade da matéria seca nos tempos de 24.4% de MS. Quando se avaliaram a produção e a qualidade da forragem e da silagem do milheto em comparação a variedades de sorgo granífero. Guimarães Júnior (2006) realizou uma avaliação nutricional das silagens de três genótipos de milheto (BRS-1505. Os consumos de matéria seca das silagens foram semelhantes (8. os resultados mostraram que o milheto produziu mais forragem e silagem que o Sudax. Os valores de digestibilidade das silagens de milheto e sorgo foram 64.4.5%.2. 5 e 8%/hora. 66. demonstrando a necessidade de maiores estudos relacionados ao momento de colheita para a produção de silagem. As silagens apresentaram valor médio de 57. A silagem de milheto utilizada apresentava 23. o pesquisador encontrou valores médios de 45.5 e 38. o sorgo granífero e o forrageiro. mas foi similar às outras culturas no estágio leitoso e farináceo.8 e 40.8% de MS.9% de PB. Messman et al.0% para FDA. Os 80 . a produção de matéria seca foi maior. e a de sorgo 4. A degradabilidade efetiva da matéria seca média das silagens para as taxas de passagem de 2.25% para as digestibilidades da PB. Objetivando determinar os efeitos da substituição da silagem de ervilha/triticale ou silagem de milheto pela silagem de milho mais alfafa para vacas no meio da lactação.4 e 57. A silagem de milheto apresentou pH de 4.5% de FDA.5kg de MS/dia). A composição química das silagens pode ser observada na Tabela 7.3 e 31.8%.0 e 61. (1992) alimentaram 18 vacas Holandesas com dietas à base de silagem de ervilha/triticale.2% de lignina. respectivamente. 40.2 e 35. 5 e 8%/hora foi de 47. As degradabilidades das frações fibrosas foram baixas. As silagens foram realizadas quando as plantas possuíam 53 dias de idade.Jaster et al. 51.6 e 6.. silagem de milheto ou alfafa mais silagem de milho (dietacontrole). e o milheto e o sorgo forrageiro produziram significativamente mais matéria seca que as outras culturas. A PB contida no milheto foi significativamente menor no estágio de florescimento.8% de FDA e 6.1% para MS. NPM-1.76 e 40. respectivamente.5. 48 e 96 horas.2 e 18.9 e 61. A composição química das silagens de milheto e sorgo foram 38. Os materiais foram ensilados com 100 dias de idade. A degradabilidade efetiva da FDN e a da FDA média das silagens foram 24. CMS-3). Os resultados indicaram que a digestibilidade da MS não foi diferente para silagem de milheto e a dieta-controle.

78 37. devido a sua menor lignificação.79 3.8.77 1838. quando a planta encontra-se totalmente seca.32 Energia digestível (kcal/kg) 1631.componentes fibrosos da silagem de milheto foram mais digestíveis que a dietacontrole. Tabela 7. Amaral (2003) não 81 .3 22.71 3.25 Fonte: Guimarães Júnior (2006).65 Lignina (%) 1.72 20.1 % de gordura 4.17 pH 3.99 PB (%) 11.36 3.35 % de proteína 3. A produção de leite corrigida para 4% de gordura (Tabela 8) foi semelhante entre a silagem de milheto e a dieta-controle (21. Fonte: Messman et al.92 2.produção de leite corrigida para 4% de gordura.70 39. Composição química (%). O armazenamento pode ser feito em galpões.65 1.83 3825. que é seca naturalmente a campo.54 71.97 Energia bruta (kcal/kg) 3792.71 39.44 PLC 4% . Milheto 19.18 1608.06 37.51 31.24 9.73 11.02 FDA (%) 37.8 Produção de leite 25.45 FDN (%) 70.97 8.4 Hemiceluloses (%) 32. cobertas por lâmina de polietileno (lona plástica). e 22.2 24. (1992).29 1268.1Kg/dia). energia digestível e energia metabolizável (Kcal/kg). ou armazenado no campo em medas.75 NH3/NT (%) 11. sendo o material triturado e ensacado ou a granel. Também foi observado que o padrão de fermentação da silagem de milheto foi semelhante ao das silagens típicas de milho. sorgo ou milheto.58 1472. A época ideal para se preparar o rolão está entre 150 e 200 dias após o plantio.22 71.59 3. ROLÃO Rolão é o nome que se dá à planta inteira de milho.2 21. fornecendo mais uma alternativa para a alimentação do rebanho durante a seca. o que contribuirá para redução das perdas por mofo ou apodrecimento. Genótipos Parâmetros BRS-1501 NPM-1 CMS-3 MS (%) 21.37 Celulose (%) 35. Itens Ervilha+Triticale Controle Consumo de MS 22. pH e NH3/NT (%) das silagens de três genótipos de milheto.5 23. A composição química do rolão de milheto pode ser observada na Tabela 9.5 PLC 4% 27.6 23.84 31.83 10.67 3.04 3855. expressas na matéria seca.28 22. Tabela 8.8 3.86 9. Performance de vacas alimentadas com diferentes silagens.21 Energia metabolizável (kcal/kg) 1254. energia bruta.

feed.20b 49. O milheto pode substituir o milho e o sorgo com ganhos em produtividade quando plantado no período de safrinha. D. p. v. v. K. Fonte: Amaral (2003). pois garante pasto de qualidade até o final do outono. KUMAR.90-139. inferiores do milheto.). P.C.recomenda a utilização do milheto na forma de rolão. uma vez que ele apresentou baixas disponibilidades da matéria seca e reduzido valor nutritivo. 2003.B. de custo mais baixo.Universidade Federal de Lavras.05). CONSIDERAÇÕES FINAIS O milheto grão pode ser utilizado em dietas substituindo totalmente o milho sem que haja perda de desempenho dos animais. para animais de menores exigências nutricionais. Ind.A. Além disso... 1982. Schum. 82 . Lavras.48. Anim. Tabela 9.67b 85. por apresentar maior teor proteico que o milho e o sorgo. 10.39. ANDRADE.N.67-73. P. Produção de silagem de milheto (Pennisetum americanum (L. O milheto pode ser utilizado para pastejo. Pode-se produzir silagem de boa qualidade. Entretanto. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS AMARAL.30a Médias seguidas por letras minúsculas distintas significam diferença estatística em uma mesma linha (p<0. o que permite altos desempenhos e retarda a abertura dos silos. ANDRADE.35a 6. Adv. entretanto mais informações são necessárias a respeito do momento ideal de ensilagem. Silagem e rolão de milheto em diferentes idades de corte. 78f. 1992. Dissertação (Mestrado em Zootecnia) . and forage.J. a utilização do grão de milheto nas dietas pode reduzir os níveis de inclusão de concentrado proteico. Composição química do rolão de milheto submetido a duas idades de corte.91b 78. MG. 10% em média. ANDREWS.13 Proteína bruta (%) 6.54a FDA (%) 46. Peal millet for food. desde que levados em consideração os níveis de energia.) K. Bol. Idade (dias) Itens 160 180 Matéria seca (%) 73. p.. esta pode ser uma opção. J. Agron..71a FDN (%) 81.

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CE. Gherman Garcia Leal de Araujo2. Km 112. os estudos científicos são ainda escassos e. Entre essas alternativas. BR 428. normalmente caros. foram apresentados vários resultados. A utilização de diferentes alternativas de alimentos para suprir as deficiências do pasto é muito comum. CE. Marcos José Alves3.CAPÍTULO 6 RESÍDUOS DE FRUTAS NA ALIMENTAÇÃO DE GADO DE LEITE Marcos Cláudio Pinheiro Rogério1. seja do ponto vista bioeconômico. BR 428. Nos trabalhos revisados. entre as quais as espécies de ruminantes. em sua maioria constituídos pela vegetação nativa ou de gramíneas. Caixa Postal 132. liberando parcela relevante de alimentos às populações humanas mais carentes. Caixa Postal 23. Araguaína. TO.com 2 1 88 . CEP 77804-970. Os sistemas de criação de ruminantes normalmente se baseiam em sistemas de produção a pasto.com Pesquisador da EMBRAPA Semiárido. pele e lã) pelos ruminantes. CEP 56302-970.br 3 Zootecnista. PE ggla@cpatsa. são desenvolvidos apenas com pequenos ruminantes. Assim. Universidade Estadual Vale do Acaraú. Centro de Ciências Agrárias e Biológicas. CEP 56302-970.com 5 Zootecnista. Petrolina. Por outro lado. zona rural. DSc. destacam-se os grãos de cereais. INTRODUÇÃO O Brasil apresenta grande potencialidade para a criação de diversas espécies animais.. por se tratar de tema no qual o estado da arte ainda é de prospecção. Helio Henrique Araújo Costa5 RESUMO O presente capítulo apresenta dados sobre o valor nutritivo de vários subprodutos do processamento de frutas no Brasil. Caixa Postal 23. leite. helioa. O uso dos subprodutos do processamento de frutas. Universidade Estadual Vale do Acaraú. ficou claro que o uso de subprodutos do processamento de frutas é interessante. Km 152. Sobral. marcosclaudio@gmail. pele e lã. Km 152. já que a alimentação perfaz até 70% dos custos desta atividade. Embora o volume de subprodutos gerados seja considerável. especialmente nos períodos de estiagem.costa@gmail. araguaia2007@gmail. pode levar ao barateamento dos custos de produção de ruminantes. Sobral. EMBRAPA Semiárido. Jose Neuman Miranda Neiva4. que são capazes de transformar produtos vegetais em carne. zona rural. Rodovia 153. Petrolina. a custos competitivos quando bem-manejadas. especialmente dado o avanço das áreas destinadas à fruticultura no país e incrementos nos sistemas de irrigação. mesmo aqueles em que não se estudaram as respostas em bovinos de leite. o setor primário gera toneladas de subprodutos que poderiam ser transformados em produtos (carne. PE 4 Professor Associado da Escola de Medicina Veterinária e Zootecnia. leite. Centro de Ciências Agrárias e Biológicas. seja do ponto de vista ambiental. CEP 62040-370. As pesquisas têm Professor do Curso de Zootecnia. Bolsista do CNPq. CEP 62040-370.embrapa. na maioria das vezes.

de um modo ou de outro. hortaliças e produtos de origem animal (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico . não apresentam grandes retornos às agroindústrias e muitas vezes podem até representar problemas.CNPq. Do campo até a indústria. somando grãos. Estes tipos de subprodutos. Dentre estes. 2005). alguns se destacam não só pela alta disponibilidade mas também por suas características bromatológicas muito diferentes a cada produção. destinados ao consumo humano. Apesar das diferenças existentes entre os números encontrados nas pesquisas para esse desperdício e as estimativas feitas como decorrência da diversidade de metodologias empregadas. também caracterizados como restos de culturas agrícolas. por exemplo. em muitos casos. podem trazer benefícios para a composição de dietas de ruminantes. o desperdício de alimentos ainda é crescente. 89 . Uma destas estimativas.demonstrado que. verifica-se que a magnitude dessas perdas é relevante. como sucos. como o milho e o farelo de soja. maior disponibilidade de alimentos e possível aumento da eficiência de produção. em sua maioria. frutas. aproximadamente 15% do total produzido. Estudos de avaliação e utilização de novas alternativas alimentares como os subprodutos do processamento de frutas. doces e compotas. 1. aponta para um desperdício de 32 milhões de toneladas da produção ao consumidor final. o que pode vir a dificultar os processos de conservação e uso nas dietas de ruminantes. No presente trabalho. com base em dados da safra 2002/2003. polpas. resultantes do beneficiamento industrial. como os de ordem ambiental. PRODUÇÃO E DISPONIBILIDADE DE SUBPRODUTOS DO PROCESSAMENTO DE FRUTAS O processamento de frutas inclui as etapas desde a produção no campo até o beneficiamento e a origem de produtos. que estão sendo avaliados nas diferentes regiões do Brasil. nas diferentes regiões do Brasil. esses subprodutos podem substituir os alimentos forrageiros e mesmo os alimentos concentrados tradicionais. surgem subprodutos de frutas de origem agrícola. garantindo. Ao mesmo tempo em que se alcançam recordes sucessivos na produção agropecuária e o Brasil torna-se um dos maiores exportadores do setor. Serão apresentadas suas disponibilidades e potencialidades nas diversas formas de utilização em dietas para ruminantes. pretende-se dar ênfase aos subprodutos do processamento de frutas disponíveis à alimentação de ruminantes. e subprodutos agroindustriais propriamente ditos. dentro de níveis apropriados. Os subprodutos agroindustriais e os restos de culturas agrícolas são muito variáveis em sua composição. ou seja.

com uma produção de 347. destacando-se o abacaxi. O pedúnculo de caju é um alimento energético.) é uma das frutas tropicais mais populares do mundo. caules e raízes. Nordeste e Sudeste. 2003)..5 mil frutos no ano de 2007 (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística . apresenta produção expressiva no Nordeste e ocupa lugar de destaque entre as frutas tropicais. e o Brasil é um dos principais centros produtores da espécie. O resultado do processamento do fruto do abacaxi. 81% estão representados pelo suco e 19% pelo bagaço úmido. caules e raízes) considerado resíduo agrícola (Py et al. A produção 90 . as características nutricionais e os custos de transporte ou preparo desses subprodutos (Carvalho. Do peso do fruto. o estado da Paraíba como maior produtor. a manga.. o abacate. no estado de maturação comercial). Do abacaxizeiro. brotos. a utilização desses subprodutos na alimentação de ruminantes irá depender de uma série de fatores. beneficiando frutas e fazendo com que aumente a produção de subprodutos agroindustriais que podem ser aproveitados nas dietas de pequenos ruminantes. 1992). Merr. 1984). contém ácido málico que lhe confere acidez. o maracujá. Na região Nordeste. vitaminas e com alto teor de proteína bruta. coroa. 2005). isolantes e inseticidas. Boa parte da planta (72%). por sua vez. A castanha é o verdadeiro fruto que contém no seu interior a amêndoa. além da polpa de onde se extrai o suco (Oliveira. tendo. O bagaço oriundo da extração do suco pode ser usado na alimentação de ruminantes. apresentando um rendimento médio de 30 a 40%. 2002). considerando a crescente comercialização da amêndoa e do LCC (líquido da castanha de caju). o mamão. pois a película de revestimento é bastante fina e tem alta umidade (Lavezzo. mas não apresenta resistência à penetração deles.. os valores são elevados e dão origem também a um montante expressivo de subprodutos. apenas o fruto. carnoso e suculento. Além de usado ao natural.IBGE. correspondente às folhas. pode-se observar o cultivo de uma ampla variedade de espécies frutíferas tropicais. o caju. é comercializável. empregados na indústria de plásticos. a acerola e a goiaba (Lousada Júnior et al. vernizes. o abacaxi pode ser industrializado (extração do suco. há um grande número de agroindústrias instaladas na região. Todavia. podendo ser utilizado na alimentação de ruminantes. Em função da presença de tanino em sua constituição (média de 0.45%.. rico em vitamina C. como a proximidade entre a localização dos rebanhos. bastante presente nas regiões Norte. O caju. possui barreira física contra infecção de microrganismos. 1995). O abacaxi (Ananas comosus L. que compreende 38% da planta. rico em ferro. sendo o restante (folhas. Como consequência. as culturas e/ou agroindústrias. gomos. é pouco aproveitada mesmo tendo boas características forrageiras (Vasconcelos et al. originando o farelo de abacaxi. miolo e aparas. É altamente perecível. fruto em calda ou enlatado) e vários subprodutos podem ser obtidos. Estes constituintes podem ser desidratados. 2009). constitui casca. O pseudofruto é o pedúnculo hipertrofiado.No tocante aos volumes de produção de culturas agrícolas no Brasil. na região Nordeste.

Saad et al. 0. Entretanto. conforme Scaloppi Júnior et al. A produção de mamão brasileira foi de 1. (2009).811. em razão do seu elevado valor energético.97% da produção nacional. Rodrigues et al. tanto pode constituir um substituto forrageiro. já que o Brasil figura como o quarto maior produtor mundial com 169 mil toneladas colhidas em 11. Um dos principais problemas na produção de mamão são as perdas na fase pós-colheita.7 mil toneladas no ano de 2007 (IBGE. 2009). Conforme Rogério (2005).5 hectares cultivados (Food and Agriculture Organization FAO. 2009) e.brasileira da polpa de caju (Anacardium occidentale L.59% de FB. consequência da extração do suco. a vantagem da utilização de lipídios em dietas deve-se ao incremento da densidade calórica da dieta. ou seja. 1. pois.69% da produção.) ocorre quase que totalmente na região Nordeste. (2008) avaliaram a composição bromatológica do farelo de mamão desidratado e obtiveram valores de 93. A cultura do abacateiro possui expressiva importância no cenário nacional. usando dieta de ovinos composta por 70% de volumoso e 30% de concentrado contendo farelo de castanha de caju. com 70 mil toneladas (IBGE. onde se registram 94% da produção mundial do abacate. 9. Trata-se de um recurso alimentar de elevado potencial para utilização como fonte energética em concentrados e para a redução dos custos de produção. com 47. 91 . além do fato de tal uso permitir aumento no consumo de energia e balanço mais adequado entre carboidratos estruturais e não estruturais para otimização do consumo de fibra e energia digestível. o subproduto de caju. segundo Palmquist (1989). forçando o produtor a recorrer ao mercado de rações. quanto pode contribuir com os valores de proteína bruta e energia dos suplementos concentrados. A composição centesimal do abacate sem a semente pode ser descrita como: 80% de umidade. (2003) verificaram efeito linear negativo no consumo de matéria seca. 13.12% de MS. (2008). em virtude desse montante.32% de proteína bruta. exatamente no período de estiagem. 2009). 2008). oriundo das castanhas impróprias para o consumo humano. quando diminui a disponibilidade de forragem na região. dados os altos valores de fibra encontrados.535 toneladas para o ano de 2007 (IBGE. hoje extensivamente cultivado no Brasil. vem sendo utilizado para a formulação de ração animal. 140. o monitoramento das dietas deve ser criterioso. essa fruta constitui potencial alimento para as dietas de ruminantes. O farelo de castanha de caju (FCC). O estado do Ceará é o maior produtor brasileiro. O abacateiro (Persea americana Mill) é uma planta nativa do México e da América do Sul. e. encontra-se a maior produção. as quais chegam a atingir 40% do volume total produzido. representando 37.78% de lipídios e 1. O estado da Bahia é o maior produtor nacional.88% de fósforo. compostas principalmente por milho e soja. conforme Godoy et al. entretanto há poucos dados comprovando sua eficiência na melhoria da produtividade animal. No estado de São Paulo.72% de cálcio e 0. produtos de alto custo na região. O FCC é um alimento rico em energia (lipídios).02% de PB.

segundo esse autor.25% de FDN. que corresponde de 40 a 60% da fruta. nos locais de produção do fruto. desde Pirapora (MG) até Petrolina (PE).18% de cálcio e 0.11% de fósforo.A manga (Mangifera indica L. 2009). com 49. foi utilizado na elaboração de silagem de capim-elefante para alimentação de bovinos.36% de EE. o que. Ainda de acordo com Neiva et al. porém a silagem pura do subproduto (casca e semente). haja 92 . Os estados da Bahia e do Ceará são os maiores produtores do Brasil. O Brasil é o maior produtor mundial e apresenta uma produção de mais de 664 mil toneladas (IBGE. resultados de outros trabalhos demonstraram que a proteína do subproduto de manga é rica em lisina. destacandose o estado da Bahia como o maior produtor. como o oleico e o linoleico (Vieira et al. (2001) informaram que. (2009). e o extrato etéreo contém quantidades apreciáveis de ácidos graxos insaturados. o nordeste brasileiro é tradicional produtor de mangas. 0. 37. perfazendo a produção de 229 e 116 mil toneladas no ano de 2007. De acordo com Neiva et al. com uma produção de 1. 3. Duas características bromatológicas principais. O maracujá-amarelo (Passiflora edulis Sims) corresponde a cerca de 95% desses plantios. e a outra a elevada concentração de lipídios nas sementes. 2008). o que representa uma boa fonte nutricional de baixo custo. Segundo estes autores. após a extração do suco. o abacaxi e o abacate.84% de FDA. Essas características vêm beneficiar as dietas por contribuir com sua fração energética. é de 65 a 70% e apresenta vasto potencial para o aproveitamento nas dietas de pequenos ruminantes. No Brasil. Rogério (2005) recomendou a inclusão de até 30% do total das dietas para ovinos. Para Vasconcelos et al. e o maracujá-doce (Passiflora alata Dryander) a apenas 5% do total. conforme dados do IBGE (2009). (2008) destacaram que a proporção de cascas e caroços da fruta varia de 20 a 30% e de 10 a 30%. logo após a banana. Sob esse aspecto. hemiceluloses e lignina. (2002). O rendimento médio da produção do subproduto. possuindo condições climáticas consideradas as melhores do mundo para o cultivo dessa fruta.184 toneladas relativa ao ano de 2007 (IBGE. 21. destacando-se o Vale do Rio São Francisco. 2009). posicionando-se. Vieira et al. Embora os valores de minerais. Os autores relataram também que a fibra é o componente mais abundante do farelo. o bagaço é fornecido in natura.23% de MS. 4. (2009).87% de PB. Reis et al. que qualificam o referido subproduto. em associação com capimelefante.) é considerada uma das mais importantes frutas tropicais cultivadas no mundo. Em contrapartida. a manga está disseminada em quase todo o território. é uma alternativa viável para alimentação de ruminantes. não ultrapassaria o limite de 7% de extrato etéreo recomendado por (Devendra e Lewis. o subproduto agroindustrial (casca e caroço).89% da produção nacional nesse ano. lipídios e proteínas sejam baixos. 1974). compreendendo mais de 150 espécies da família Passifloracea utilizadas para o consumo humano. O maracujazeiro é originário da América tropical. respectivamente.1974). pois cascas e envoltórios da semente (epicarpo) são tecidos de revestimento e contêm elevados teores de celulose. a composição do farelo de sementes e cascas de manga se caracteriza por apresentar 92. deve ser dada melhor atenção ao uso de dietas contendo sementes. o excesso de gordura pode prejudicar o aproveitamento da fibra dietética (Devendra e Lewis.272.. podem ser destacadas: uma é a presença de pectina na casca.

74 Ligninas (%) 10.36%.04 0.65% de FDA. Tabela 1.26 0.03 47.64 12.78 6.80% de hemiceluloses.53 0. Os subprodutos de goiaba.28 39.22 46.20% de celulose.85 1.63 0.21 Nutrientes digestíveis totais (%) 55. Malpighia punicifolia L.95 Fonte: Rogério (2005). sendo a produção nacional de 33 mil toneladas em área colhida de 11 mil hectares no ano de 1996 (IBGE. 32.14 68.91 Nitrogênio insolúvel em detergente ácido (%) 0.20 Cálcio (%) 2. o valor encontrado por estes autores foi alto. sementes + frutos descartados. 2009).45% de FDN.57 74. 8. Na Tabela 1. 37.05 Cinzas (%) 9. todavia apresenta elevado teor de lignina.34 Fibra em detergente neutro (%) 66.90 14.47% de PB.) é cultivada principalmente nos estados do nordeste brasileiro.04 1.85 2. fácil manuseio e aceitabilidade pelos ruminantes. 18.33% de MS. O Brasil. sendo a região Nordeste responsável pela maior parte da produção 93 . de importador de melão na década de 60.98 30.35 37. subprodutos de abacaxi.89 O processamento da goiaba para a produção de doces.78 13. ou seja.81 40. A acerola (Malpighia glabra L.41 Hemiceluloses (%) 31.03 78.89 9. da ordem de 18.26 13. caju e maracujá. A digestibilidade in vitro da matéria seca é baixa. conforme ensaios experimentais de Rogério (2005)..10 88.28 40.16 10.vista que dietas com altas concentrações de extrato etéreo podem inibir a digestibilidade das frações fibrosas. sucos e compotas gera a produção de sementes puras.51 Proteína bruta (%) 9.46 2.76 25.97 79.20%.69 2. representado por 21.36 11. 54.03 Carboidratos totais (%) 80.87 0. frutos descartados + sementes + purê.18 59. destacam-se pela grande quantidade produzida. a composição bromatológica do subproduto de goiaba é a seguinte: 86. Composição químico-bromatológica (%) dos acerola.78 Extrato etéreo (%) 1. respectivamente.20 56.08 1.83 2.73 Celulose (%) 37.22 Fósforo (%) 0.23 57. passou a exportador a partir dos anos 70.15% e 0.56 3. (2006). De acordo com Lousada Júnior et al. são apresentados os dados de composição química dos subprodutos de abacaxi.67 Caju Maracujá 89.03 79. e os teores de cálcio e fósforo são de 0. Componentes Abacaxi Matéria seca (%) 88.50%.53 72.25 Proteína bruta verdadeiramente digestível (%) 4. acerola.03%.91 7. assim descritos.59 44. Acerola 82. sementes + purê.14 Fibra em detergente ácido (%) 34. Apresenta um rendimento médio de subproduto de 15 a 41%. Em termos de NIDA como porcentagem do nitrogênio total. 73. caju e maracujá.46 17.54 0.

brasileira. Para Ítavo et al. Com o incremento da indústria vitivinícola no Brasil. (2000).33% de PB. sementes e a polpa de laranja. o que resultou em um NIDA de 14. 7. o teor de lignina também foi bastante elevado (16. 17. FDA (22% em MS) e cerca de 84% de digestibilidade da matéria seca. 2003). A produção nacional de uva é da ordem de 1. sementes e bagaço. equivalendo a cerca de 50% do peso de cada laranja. conforme dados do IBGE (2009) relativos ao ano de 2007. (2006). envolve a produção de 1.0% em MS). 52. Os mesmos autores também citaram uma quantidade de 8 a 10% de frutos que são refugados da comercialização interna e externa e que podem ser usados na alimentação animal. De acordo com Lousada Júnior et al. como casca. com 82% de umidade (Scoton.10% de FDN. Os autores observaram ainda que a adição de subproduto elevou os teores de proteína bruta das silagens. 15 e 20% do subproduto da produção de polpa de melão e observaram elevações nos teores de matéria seca. Pompeu et al. Entretanto. os autores observaram que o processo fermentativo não ocorreu de forma satisfatória. o subproduto de melão representou o maior teor de pectina (31. o que permitiria uma boa condição para o processo fermentativo. FDN (23% em MS).76% de FDA. o subproduto da produção da polpa do melão é composto basicamente de casca. oriundos da prensagem para extração do suco.85% de PB.2 tonelada de resíduo industrial composto de casca. Conforme relataram Vasconcelos et al. PB (7. com a adição do subproduto. obtido pelo processamento de subprodutos sólidos e líquidos.371.26% de MS.61% na matéria seca). 59. 9. De acordo com Goes et al. polpa e semente (Carvalho.60% de celulose. o bagaço da laranja representa 42% do total da fruta e tem composição bromatológica destacada. 32. (2002a). porção menos nutritiva) e a borra (resíduo depositado nos recipientes que contenham vinho após a fermentação). o resíduo de vinícola constitui 95.35%). a composição do subproduto de melão é a seguinte: 84. 49. os subprodutos da vinificação caracterizam-se como sendo o bagaço (produto resultante da prensagem das massas vínicas compostas pelos engaços e pedúnculos das uvas). pois. os subprodutos oriundos desse processamento agroindustrial representam cada vez maior interesse devido também ao aspecto ambiental resultante do montante que é produzido. no que diz respeito aos teores de NDT (83-88% em matéria seca). A polpa cítrica é o produto final do suco de laranja.76% em relação à porcentagem de nitrogênio total. 1992).53% de FDN e 27. constituindo importante suplemento às 94 . Dentre os subprodutos estudados por estes autores. 10. (2008).92% de hemiceluloses. (2002) avaliaram a composição químico-bromatológica e fermentativa de silagens contendo 0. os valores de pH se elevaram e atingiram níveis que caracterizam silagens de baixa qualidade. Como foi observado na maioria dos subprodutos de frutas estudados por estes autores. 5.18% de FDA. obtido pela moagem de 12 toneladas de laranja. Uma tonelada de suco concentrado.34% da produção nacional.56% de MS. sendo o estado do Rio Grande do Sul o responsável por 51. as cascas. De acordo com Silva (2009). os engaços (ricos em celulose e lignina.555 toneladas.

e. sendo necessária a suplementação com fontes extras de fósforo para as devidas correções. todavia Fegeros et al. chuva. O teor de minerais. é considerado como concentrado energético. A composição bromatológica da semente de urucum é de 88. conhecido como bixina. além do amplo emprego na indústria. Este é produzido a partir das sementes de urucum. pode influenciar o seu valor nutricional. O aumento do consumo mundial de corantes naturais tem impulsionado o plantio de urucum (Bixa orellana L. com predominância absoluta de um atípico. o resíduo agroindustrial da semente de urucum é o subproduto da extração agroindustrial da bixina.73% de MS. Internacionalmente conhecida como annatto. 16. Ainda segundo esta autora. corante natural largamente utilizado pela indústria alimentícia. 0.). 1995). como solo. previamente aquecidas a 70°C em óleo vegetal. seja na indústria alimentícia ou no uso doméstico cotidiano. A polpa cítrica apresenta elevado teor de cálcio. (urucum) pertence à família botânica Bixaceae. a preparação comercial contendo 0. a queima da polpa. descartado pela indústria em quantidades de aproximadamente 2600 toneladas ao ano (Pimentel. é importante dar-se atenção para a relação cálcio e fósforo em formulações dietéticas de ruminantes. um arbusto nativo do Brasil e de outras regiões tropicais do planeta. Ainda segundo este autor.29% de cálcio e 0. recebe a denominação internacional de “annatto”. devido ao excesso de calor durante a secagem. o aumento da escala de 95 . De acordo com Moraes (2007). O corante extraído do pericarpo das sementes de urucum (Bixa orellana L.38% de PB. Pesquisas sobre a utilização deste subproduto na alimentação animal ainda são escassas. O subproduto de semente de urucum é de baixo custo. 2005). uma vez que a composição dos alimentos de origem vegetal é influenciada por fatores. pode variar de 2 a 11% na matéria seca devido a erros durante o processamento ou pelo excesso de temperatura durante a secagem.dietas de ruminantes. (1995) destacaram que parâmetros de fermentação ruminal.5% de fósforo. obtido por extração com solventes.). obtidos experimentalmente em animais que receberam esse alimento em suas dietas. variedade genética e.20-0. assim como o tempo de armazenamento. em regime de agricultura familiar no nordeste brasileiro. por causa disso. por exemplo. Essa composição nutritiva pode variar devido às diferentes origens dos subprodutos avaliados.5% de FB. 13. entre outros fatores. Este subproduto pode ser usado em rações em substituição aos alimentos proteicos. caracterizam-no como um alimento intermediário entre volumoso e concentrado. pelo tipo de processamento a que foram submetidos. é uma espécie nativa do Brasil e de outras regiões tropicais do planeta (Costa. O uso de aditivos com a intenção de tornar os alimentos visualmente mais atraentes. no caso de subprodutos. é bastante comum. seguido de abrasão com fubá ou farinha de mandioca ou pela mistura destas com urucum em pó. O annatto (anato) é uma mistura de pigmentos de coloração amarelo-alaranjada em consequência da presença de vários carotenoides. Por essa razão. No Brasil. A Bixa orellana L.25% de bixina é conhecida como colorau. componente indissociável de inúmeros pratos da culinária brasileira.

O uso desses subprodutos vem sendo intensificado no Brasil. combinados na mesma planta. Na Tabela 2. todavia. já caracterizado quimicamente. e as frutas 37%. 2001). 96 . presente em todas as regiões do Brasil. em conjunto. (2002).8% de fibra em detergente neutro (FDN) e 20. (1978). A polpa é obtida pelo processo via úmida. A oscilação na disponibilidade e a instabilidade do fornecimento desses constituintes. o coração ou mangará. A produção agrícola foi tomada como referência para as estimativas de disponibilidade dos subprodutos. o que corresponde a um valor compreendido entre 19 e 51 toneladas de matéria seca por hectare (Lavezzo. 12. por região do Brasil. o número de trabalhos sobre a utilização desse resíduo do beneficiamento do urucum é insatisfatório. conforme o IBGE (2009).4% de fibra bruta (FB)..2% de fibra em detergente ácido (FDA). principalmente. além da mucilagem e da casquinha (Carvalho. variando de 132 a 353 toneladas de massa verde. e sua utilização acontece. O pseudocaule. este subproduto apresenta 14. Este resíduo. com as devidas adequações dietéticas. no período seco do ano. Segundo Utiyama et al. as folhas representam 25% do peso seco da planta. que atualmente são descartadas pela indústria. vem sendo testado nutricionalmente de diversas maneiras para utilização na dieta animal. enquanto o pseudocaule representa 39% desse total. que foram calculadas de acordo com os valores de rendimentos em percentual descritos por Carvalho (1992). as folhas e as frutas descartadas da bananeira podem ser usados como resíduos forrageiros.7% de proteína bruta (PB). Do beneficiamento do grão do café resultam como subprodutos a polpa e a casca. sendo esta última a mais comum dos subprodutos.5 a 14. Ademais. citados por Lavezzo (1995). notadamente por possuírem a maioria dos nutrientes requeridos por esses animais. a produção de biomassa por unidade de área (hectare) é elevada. e seus subprodutos. observa-se a produção de frutas. 1992). As cascas de café representam 66% do peso total do grão e apresentam alto teor em lignina. Recomenda-se sua inclusão na alimentação de ruminantes em até 30% do concentrado de vacas em lactação e em 40% do concentrado de novilhos confinados (Barcelos et al. 1995). obtêm-se diversos subprodutos. apresentam-se relevantes à alimentação de ruminantes. Os subprodutos oriundos da cultura da banana. em virtude do preparo do grão via seca realizado no Brasil.extração agroindustrial da bixina resulta em 94 a 98% de sobras. Segundo Foulkes et al. relativa à safra de 2007. sendo viável para produtores que dispõem desse recurso. A palha contém também polpa. limitam a aceitação desses subprodutos por parte dos pecuaristas. Atualmente. 36. mais comum em outros países. Do cultivo da bananeira.

8 920.4 294.6 99.4 474. a composição bromatológica do subproduto de tomate pode ser representada por 22.5 - *Abacaxi Banana Castanha 1018.3 837 2.0 48.1 83.5 149.3 112.2 14.13 Maracujá 247.8 7.4 32.5 *Mil frutos.2 10. conforme informou Oliveira (2003). sendo 3% de peles e 1.7 19.296 0.9 507.105 E 8.297 127.6 0. A industrialização do tomate gera cerca de 4.3 1.8 5 4.2 273.9 67. e Rondônia. (2007a).6 71. da casca do fruto.4 Melão 49. O farelo de cacau é o subproduto da retirada do tegumento.7 348..2 0.368 2003.4 11.118 233.1 102.6%.6 29.6 156.8 3.5 de caju Laranja 2.1% de FDN.178 1.2 97 552 28.7 0.4 996. para produção de manteiga ou chocolate.3 14. da fração fibrosa da polpa e da semente. uma vez que representa cerca de 83% do cacau produzido no país.7 927.5 22. dependendo do processamento utilizado pelas indústrias (Oliveira.4 Sudeste P E 419.9 27.6 48 55 4.2 0. A proporção aproveitável de subprodutos do cacau é bastante alta. O montante de produção de subproduto agroindustrial do tomate representa um percentual de 40-50% do peso total do fruto (Manterola et al.2 8094.2 2 Centro-Oeste P E 101. Esse fator antinutricional (lignina) pode comprometer o aproveitamento da proteína dietética pelos ruminantes.5 857. pois menos de 8% do peso do fruto do cacaueiro. De acordo com Campos et al. com 10%.818 0. e o NIDA como porcentagem do nitrogênio total é da ordem de 18.6 356.498 0.9% de EE. em mil toneladas e em mil frutos.5 81.2 4.. Produção agrícola (P) e estimativa de disponibilidade de subprodutos para alimentação animal (E). 97 . 50.154 16. Fonte: IBGE (2009) A produção cacaueira no estado da Bahia constitui uma importante atividade agrícola brasileira.8 975. que citou diversas alternativas de elaboração de silagem para contornar o problema da alta umidade.6 421.7 5.8% de FDA.3 1.6 66.3 0. PRODUTO Norte P E 488. 2003). seguido dos estados do Pará.1 9.Tabela 2. todavia o teor de lignina chega a 17.6 138.5 1855 1493 108 138 673 281 5.1% de MS. em estado normal de maturação.8 3.068 Cacau 133 66 Café 157 78 Tomate 514 51 Abacate 8 Goiaba 136 Mamão 1093 Manga 970 388 Urucum 2. em função dos percentuais de rendimentos (S).6 11. com 5%.5Sul P 15. 14. são usados pela indústria beneficiadora. 63.264 0. antes da torrefação das sementes.5 284.0 128.6 59 106 32 6. Um fruto com peso médio de 500g é constituído de 80% de casca e 20% de semente (Freire et al.9 53 3.224 Nordeste P E 689.4 15565.7 25. É composto basicamente do fruto.4 213.9 0.5% do peso do fruto em resíduo.9 211.4 197.308 32. por região do Brasil em 2007.2 0.7 1. 1990). 20.5% de PB.2 1769. sendo encontrado no mercado com preços acessíveis.1 7. 1992).09 Uva 0.1 701.9%.5% de semente.

Abacaxi. acerola. maracujá e melão Visando ao conhecimento sobre a real disponibilidade ruminal dos nutrientes dietéticos nos subprodutos de abacaxi. Alguns resultados de pesquisa mostram que esses subprodutos podem ser utilizados nas dietas de ruminantes sem prejuízos ao seu desempenho produtivo. caju e maracujá. a exemplo dos farelos de milho.97%. acerola. milho e sal mineral contendo macro e microminerais e níveis crescentes dos subprodutos de abacaxi. caju. por subprodutos de pouca avaliação nutricional e de mercado não tão bem definido. os consumos de matéria seca. caju e maracujá. As dietas utilizadas foram constituídas de capim-elefante. de soja e de algodão. Os valores de FDN foram bastante elevados para os subprodutos de caju e acerola principalmente.85g/dia e 2. torta de algodão. Vale ressaltar que o subproduto de maracujá compõe-se de casca e semente e que esta última apresenta teor de extrato etéreo em matéria seca de 31. conforme Starling et al. à exceção do subproduto de caju.84Mcal/kg de matéria seca consumida. trazendo. se incluído em até 16% do total de dietas para ovinos. A seguir. foram bem próximos.44kg/dia. 98 . Para o subproduto de abacaxi. Considerando-se a digestibilidade da proteína bruta. Isso provavelmente resultou nos maiores valores de NDT para estes últimos. acerola. goiaba. Neste nível de inclusão. 2. geralmente com altos teores de umidade. RESULTADOS DE AVALIAÇÃO DO USO DE SUBPRODUTOS DE FRUTAS NA ALIMENTAÇÃO DE RUMINANTES Uma linha de pesquisa que tem crescido nos últimos anos é a de avaliação de subprodutos de frutas. as dietas em que se incluiu o subproduto de abacaxi apresentaram valores semelhantes ao grão de soja (65%).. A digestibilidade da matéria orgânica indicou uma excelente fração de NDT para as dietas que incluíram o subproduto de abacaxi em até 16%. Destaque especial deve ser dado aos teores de proteína bruta e de proteína verdadeiramente digestível demonstrados na Tabela 3 os quais. contribuições nutricionais significativas. A utilização desses subprodutos pode ser feita por meio da suplementação de animais criados a pasto ou na formulação de dietas para animais em confinamento. serão feitos comentários sobre esses subprodutos de frutas que podem ser utilizados na alimentação de ruminantes.2. Provavelmente os altos níveis de taninos existentes no subproduto de caju (Vasconcelos et al.1. inclusive. 2002b) foram responsáveis pela menor disponibilidade deste nutriente. farelo de soja. não há risco de limitação de consumo e digestibilidade dos nutrientes dietéticos. foi constatado que. A maioria dos trabalhos encontrados na literatura estuda a substituição de subprodutos de reconhecido valor nutricional e de mercado estabelecido. seguidos dos valores encontrados para os subprodutos de maracujá e abacaxi. proteína bruta e energia metabolizável foram 1. Rogério (2005) avaliou o consumo e a digestibilidade dos nutrientes em dietas para ovinos contendo os referidos subprodutos. (1997). 237.

8a 38. Consumo diário de matéria seca (CMS).7b 38. 2.0a 54.7a 697. (2002).5b 591. em se tratando de um subproduto.5c 351. comparável àquele encontrado para o capim-tífton 85.5b 17.2 3.3 2. em virtude principalmente dos altos teores de ligninas encontrados. proteína bruta e energia metabolizável de 1. apesar dos balanços nitrogenados positivos.5ab 193.4 Coeficientes de digestibilidade Subproduto CDMS CDPB CDFDN CDFDA NDT Abacaxi 47.157.2 Médias seguidas de letras diferentes. foram encontrados valores de consumo de matéria seca. O aumento do 99 .8c 39. de subprodutos da indústria de suco e polpa de frutas.3 2.4a 129. fibra em detergente neutro (CDFDN).3c 670.9a Maracujá 1.2b 75.4a 842.5 kg/dia.ab 706.01) pelo teste Tukey.0b 50. respectivamente. por sua vez.4ª 65. Incluindo-se o subproduto de acerola em até 12% do total dietético.2d Goiaba 30. 214.2b 16.5 13.200.5b 584.7b 1.2 11.4a Maracujá 60. no máximo.30%).126.0d 13. fibra em detergente neutro (CFDN) e fibra em detergente ácido (CFDA).Tabela 3.4a Melão 47.7c CV 9. O risco maior é o da queda de digestibilidade das partículas fibrosas e da proteína bruta dietética.0b Acerola 22.2a 65.1c 265.6b 293. em ovinos.7b 64. reduziu o consumo da maioria dos nutrientes dietéticos e deve ser incluído em. o que possibilitou uma distribuição mais uniforme de energia entre as dietas experimentais. citado por Valadares Filho et al. O consumo de fibra em detergente neutro como porcentagem da matéria seca ingerida representou em média 49. Entretanto.3b Melão 1.7c 13.8 11.5b 29. Consumo de nutrientes Subproduto CMS CPB CFDN CFDA Abacaxi 924. (2005).0b 51. 8% do total de dietas para ovinos.8c 33.527. proteína bruta (CPB). valor relativamente alto.15 g/dia.79%.28% na matéria seca. O valor médio das dietas que incluíram o subproduto de maracujá foi de 66.9ab 148. fibra em detergente ácido (CDFDA) e nutrientes digestíveis totais (NDT). O subproduto de acerola.8c 8. proteína bruta (CDPB).8a 51.7 11. Inclusões de subproduto de acerola em sistemas de produção de ovinos devem ser vistas com cautela.3c 55.5b CV 2. coeficientes de digestibilidade aparente da matéria seca (CDMS). diferem entre si (P<0.2d 8. houve limitação de consumo da maior parte dos nutrientes quando o subproduto de maracujá foi a principal fonte fibrosa das dietas experimentais. somente sendo recomendadas em condições de melhor relação custo-benefício ou mesmo de escassez de alimentos tradicionais. Fonte: Adaptado de Lousada Júnior et al.0c Goiaba 1. na mesma coluna.0d 56. expresso em gramas por dia.3 Mcal/kg de matéria seca consumida.7c 38.3c Acerola 500. por exemplo (66.

hemiceluloses e celulose dietéticas. e subsequentemente outros trabalhos com maior detalhamento de investigação foram desenvolvidos. constam os valores de digestibilidade de nutrientes obtidos por Lousada Júnior et al. o subproduto de caju pode ser utilizado em dietas para ovinos em terminação em níveis de até 33%. se moído grosseiramente. portanto. em até 28%. não representou riscos para a queda do pH do líquido ruminal. Os altos níveis de fibra existentes no subproduto de caju foram determinantes para o aumento dos consumos de FDN e FDA com a inclusão crescente de subproduto. Em 19% de inclusão do subproduto de caju. Costa (2008) realizou a moagem do referido subproduto em 3mm (moído finamente) e 19mm (moído grosseiramente). fibra em detergente ácido. 190 g/dia e 2. e. como alimentos exclusivos para ovinos.3g/dia. proteína bruta e energia metabolizável foram de 1. mesmo assim não ocorreu aumento proporcional do consumo de matéria seca diante da baixa digestibilidade desse nutriente. Deve-se considerar que houve queda brusca do balanço nitrogenado ao ser ultrapassado o percentual de 19%.66 Mcal/kg de matéria seca. a inclusão deve ser de até 18% do total das dietas quando os consumos de matéria seca.44kg/dia. assim. se moído finamente. quando moído finamente. promovido a redução da retenção de nitrogênio. Lousada Júnior et al. quando praticamente chegou a zero na dieta que incluiu 52% de subproduto de caju. e. (2005) utilizaram subprodutos da extração de suco e polpas de abacaxi. respectivamente. a inclusão do subproduto de caju em até 33% do total dietético. devidamente desidratados ao sol. Na Tabela 3. todavia. considerando-se os graus de moagem de 3 a 19mm. O subproduto de caju representou prejuízo quando incluído em níveis superiores a 19% do total dietético. proteína bruta e energia metabolizável foram de 1.3Mcal/kg de matéria seca consumida. extrato etéreo e frações fibrosas dietéticas. 2. Portanto. tais como taninos e ligninas.54 kg/dia. O subproduto de abacaxi constituiu cascas e polpas 100 . O autor constatou que o grau de moagem aplicado ao subproduto de caju utilizando-se peneiras de 3 e 19mm não afetou os consumos de matéria seca. pode ter indisponibilizado a proteína dietética e. goiaba. matéria orgânica. maracujá e melão. O subproduto de caju.consumo de fibra em detergente ácido como porcentagem da matéria seca ingerida também resultou no aumento da inclusão de ligninas. Visando à quebra da parede celular presente no subproduto de caju com consequente melhoria da disponibilização de nutrientes solúveis bem como à avaliação dos riscos de acidose em dietas com subproduto de caju incluído de 11 a 33% em dietas de cordeiros em terminação. acerola. em virtude da total falta de informações à época sobre o tema. 196. O trabalho foi apenas exploratório. a presença de compostos polifenólicos. fibra em detergente neutro. pode reduzir as digestibilidades da matéria seca. proteína bruta. Conforme este autor. os consumos de matéria seca. principalmente no tocante ao aproveitamento das frações fibrosas e proteicas. Mais uma vez. (2005). extrato etéreo. matéria orgânica.

(2004).05). com o objetivo de avaliar o desempenho de ovinos (Santa Inês x SRD. 101 . reduzindo a digestibilidade desse nutriente. apesar de o subproduto de goiaba ter teores de FDN e lignina próximos aos da acerola. maracujá e melão podem ser utilizados na alimentação de ruminantes. seria devido aos taninos que se combinaram com as proteínas. em função do elevado teor em lignina (Tabela 3). seguido do subproduto de abacaxi e melão. Baseando-se nessas informações experimentais. Os subprodutos de acerola e goiaba apresentaram NDT semelhantes (P>0. Uma das possíveis explicações. Entretanto. Considerando-se a digestibilidade da proteína bruta. os autores afirmaram que todas as dietas foram consumidas de forma similar. enquanto os de acerola e goiaba apresentam limitações. Já para os animais que receberam o subproduto de goiaba. foram observados os maiores consumos de FDN e FDA (Lousada Júnior et al. provavelmente. cascas e sementes. consequentemente maior consumo. durante a administração. da acerola.. Observaram melhor desempenho para os animais alimentados com 50% de leucena e 50% de farelo de pedúnculo de caju desidratado. reduzindo a digestibilidade e proporcionando aumento na taxa de passagem. testaram cinco diferentes inclusões de farelo de pedúnculo de caju (40. enquanto os piores desempenhos foram verificados com 70% de feno de leucena ou 70% de farelo de pedúnculo de caju. pois não registraram sobras significativas.01) ao verificado com o subproduto de abacaxi. O subproduto do maracujá apresentou o maior valor de NDT (P<0. Os valores de digestibilidade da MS. FDN e FDA dos subprodutos de acerola e goiaba foram os menores dentre os subprodutos estudados pelos referidos autores.01). os quais foram semelhantes entre si (P>0. O menor consumo de matéria seca foi observado nos animais alimentados com o subproduto da acerola. o que pode ter afetado o desempenho de animais alimentados com maior proporção de farelo de pedúnculo de caju. O consumo de matéria seca do subproduto de goiaba foi superior (P<0. Somalis Brasileira x SRD) em confinamento. Segundo os autores. porém não diferiu (P>0.05). apesar das diferenças encontradas. sementes com baixa porcentagem de frutos refugados. que têm alta densidade específica. os autores concluíram que os subprodutos de abacaxi. 50. já a análise dessas variáveis relativas ao maracujá resultou nos maiores valores. Os maiores consumos de proteína bruta foram observados nos animais alimentados com subproduto de maracujá e melão em relação ao que foi observado nos animais que receberam abacaxi e acerola. provavelmente como resultado do maior consumo de matéria seca. 60 e 70%) em substituição ao feno de leucena (Tabela 4). 2005). provavelmente em decorrência da alta quantidade de sementes. sementes e polpa macerada. em função dos baixos coeficientes de digestibilidade (Lousada Júnior et al. segundo os autores..prensadas. Leite et al.05) dos consumos relativos aos animais que receberam subprodutos de maracujá e melão em sua alimentação. este apresentou maior consumo de matéria seca. e do maracujá e melão. os maiores valores foram para maracujá e melão (Tabela 3). em razão do rápido esvaziamento ruminal. 2005). da goiaba. porém com valores inferiores aos demais (P<0.01).

5 27.3 20. submetidos a dietas compostas por feno de leucena (L) e farelo do pedúnculo do caju (C).2 27.9 27. em Costa et al.7c 8. (2007b). Esses autores não perceberam alteração do pH do líquido ruminal considerando-se a dieta que incluiu o farelo de castanha de caju em relação à dieta-controle.4c 9.4b 7. Costa et al. em mensurações de concentrações de ureia sérica em ovinos de diferentes raças (½ Dorper. (2007b).1 18. em uma mesma coluna.8b 10. não tendo sido evidenciado esse efeito sobre o grupo genético Santa Inês.2. não houve limitação da inclusão de FCC. (2007c). Conforme Devendra e Lewis (1974).4 25. (2004).7a 10. Desempenho de borregos ½ Santa Inês (SI) x ½ SRD e Somalis Brasileira (SB) x ½ SRD. perceberam que. foi verificado que a inclusão do FCC promoveu redução das concentrações de nitrogênio amoniacal no líquido ruminal. avaliando dietas contendo ou não FCC fornecidas para três grupos genéticos de ovinos (½ sangue Dorper. nos grupos genéticos ½ sangue Dorper e ½ sangue Somalis. diferem estatisticamente entre si pelo teste de Tukey (P<0. o que pode denotar diferenças na disponibilização de compostos nitrogenados e carboidratos no processo fermentativo ruminal.1 18.0d 8.9 29. de modo geral.0 31. Esses resultados podem indicar que as dietas que incluíram o farelo de castanha de caju provavelmente tiveram seus compostos nitrogenados menos disponibilizados à degradação microbiana ruminal.2. (2007a) identificaram valores de proteínas totais séricas inferiores àqueles recomendados pela literatura. Tabela 4. Entretanto.1c 8.1b 9. encontraram que os níveis séricos de ureia foram elevados.1 18. valores superiores a essa recomendação podem comprometer a ação dos microrganismos sobre a degradação da fibra dietética. Tratamentos 70%L:30%C 60%L:40%C 50%L:50%C 40%L:60%C 30%L:70%C SI x SRD SB x SRD SI x SRD SB x SRD SI x SRD SB x SRD SI x SRD SB x SRD SI x SRD SB x SRD Peso inicial (kg) 18.9 Peso final (kg) 27.7a 10. Complementarmente a essa informação. ½ sangue Somalis e ½ sangue Santa Inês).1 18.8 19.7c Ganho diário (g/dia) 124c 116c 120c 140b 153a 153a 144b 134b 100d 124c Ganho médio (g/dia) 120c 130b 153b 139b 112c Médias seguidas por letras diferentes. 102 .2 18.3 27.5 25.3 29.05).4 19.6 Ganho de peso (kg/dia) 8. Silva et al. Fonte: Adaptado de Leite et al. respeitando-se o limite de 7% de extrato etéreo (teor de lipídios) na matéria seca. ½ Somalis e ½ Santa Inês) alimentados com dietas contendo ou não FCC.7 17. Farelo de castanha de caju (FCC) Costa et al.

avaliando rendimento de carcaça de ovinos em terminação de diferentes raças (½ Dorper. na alimentação de vacas leiteiras de alta produção permitiu aumentar o consumo de fibra. Quanto aos coeficientes de digestibilidade da matéria seca. (2003) não identificaram diferenças significativas considerando-se os tratamentos experimentais aplicados (Tabela 5). Comportamento semelhante foi identificado com os coeficientes de digestibilidade da 103 .Fontenele et al. verificaram que a digestibilidade da MS foi inferior nos animais ½ sangue Santa Inês. dada a redução no tempo despendido em ruminação. PB e EE (gramas/dia). todavia isso não resultou em depreciação do rendimento de carcaça para esse grupamento. Outras hipóteses discutidas pelos autores seriam o efeito associativo positivo entre os ingredientes. houve efeito linear ascendente. alimentados com dietas contendo ou não FCC. (2007a). 25. devido à presença de pectina na polpa cítrica. que a inclusão do FCC reduziu o tempo de ruminação com consequente incremento da eficiência de ruminação (Fontenele et al. houve melhoria da digestibilidade desse nutriente com o incremento da polpa cítrica dietética. 80% de concentrado com níveis crescentes (0. (2007c). ½ Somalis e ½ Santa Inês). 2007b). 2003). sendo que os animais ½ Santa Inês foram afetados negativamente quanto aos consumos de MS. observou-se o contrário. Em se tratando da digestibilidade da proteína bruta. (2008a) e Silva et al. o que favoreceria o crescimento de populações celulolíticas no líquido ruminal e o aumento na relação acetato/propionato. 2. Henrique et al. sem prejudicar a digestibilidade total da dieta (Scoton. observaram que a não inclusão do FCC na dieta dos animais ½ sangue Dorper proporcionou maior eficiência do processo digestivo. ou mesmo algum efeito de melhoria da palatabilidade. Polpa cítrica A inclusão da polpa cítrica. matéria orgânica. considerando-se as digestibilidades da matéria seca. observaram que a inclusão de FCC promoveu a redução do peso vivo e da carcaça fria para o grupamento ½ sangue Santa Inês. 40 e 55%) de polpa cítrica na matéria seca em substituição ao milho em grão. Já para os animais ½ sangue Santa Inês. em substituição ao milho.. Esses dados sugerem uma menor adaptabilidade dos animais ½ sangue Santa Inês às dietas com FCC nas mesmas condições aplicadas a esses trabalhos.05) com o aumento da porcentagem de polpa cítrica. Silva et al. por sua vez. MO. Silva et al. que receberam 20% de silagem de milho. (2008b). proteína bruta e extrato etéreo em gramas/dia foram maiores para as dietas sem FCC. (2008c). verificaram que os consumos de matéria seca. Henrique et al. nas mesmas condições de Costa et al. ou seja. Silva et al. proteína bruta e extrato etéreo. (2007a). Os autores relataram que esse aumento pode ter sido decorrente do melhor padrão de fermentação ruminal. Verificaram que as ingestões de MS e NDT (Tabela 5) elevaram-se linearmente (P<0. matéria orgânica.3. (2003) realizaram experimento objetivando avaliar a ingestão e os coeficientes de digestibilidade de nutrientes em ovinos.

94 27. não devendo ultrapassar este nível em função da elevada concentração de Ca e baixa de P.60 CDPB CDEE 83. fibra em detergente ácido (CDFDA) e das hemiceluloses (CDHCEL).66 NS 4.064 1150 1244 1233 Y=1. Caprinos e ovinos aceitam bem a adição de polpa de citros no nível de até 30% das dietas. proteína e lactose do leite.26 65.64 CDFDN 64. (1995) não encontraram efeito negativo sobre a produção de leite e composição de gordura. caprílico e cáprico. fibra em detergente neutro (CDFDN). em função da porcentagem de polpa cítrica em dietas para ovinos.5861x 0.22 73.88 64.83 9.88 5.778+0.48 Y= 28.13 NS 3.31 72.89 76.23 51.39 NS 6. matéria orgânica (CDMO).37 68. Avaliando o efeito da adição de polpa de citros em substituição à ração concentrada na dieta de ovelhas em lactação. 2001).20 61. Entretanto.89 CDFDA CDHCEL 75.FDA.0023x 0.85 74.28 70. extrato etéreo (CDEE). (2003).05 NS 11.87 45.70 Fonte: Adaptado de Henrique et al.61 Y=62. Consumo diário de matéria seca (CMS) e de nutrientes digestíveis totais (CNDT) expresso em gramas por dia.41 Coeficientes de digestibilidade (%) CDMS 71.90 9.24 72.75 75.74 60.348+0. Níveis de substituição do farelo de milho Item (%) 0 25 40 55 Regressão R2 CV Consumo de nutrientes (g/dia) CMS 1.99 11.53 73. pode levar à redução ou mesmo suspensão do consumo pelo animal (Ezequiel. Os ácidos graxos de cadeias longas não foram afetados com a adição deste subproduto. Fegeros et al.15 CDMO 72. houve uma redução no percentual de ácidos butírico.35 CNDT 775 826 906 886 Y=0. caproico.49 61. Esses resultados refletem a qualidade proteica da polpa cítrica e podem indicar a qualidade também da FDA desse subproduto em termos de disponibilização da celulose existente. proteína bruta (CDPB).95 69.29 72. Quando adicionada à dieta numa concentração acima de 30% na MS.0977x 0.45 73. 104 .14 71.070+0.71 NS 3. Os autores relataram que a polpa de citros seca pode ser usada em rações concentradas para ovelhas em lactação numa proporção de até 10% da MS total.0034x 0.97 66. coeficientes de digestibilidade aparente da matéria seca (CDMS).747+0. Tabela 5.70 62.

25a 65.85a 45.85ab 88. 2005.02 CDCHT 70.17a 82.04a 44. que foi maior para a dieta com 30% de torta de dendê em relação à dieta com 15% de farelo de cacau (Tabela 6).64a 47.48a 67.23 CDFDA 49.14 8.2. carboidratos fibrosos (CDCF) e não fibrosos (CDCNF) em cabras leiteiras*. extrato etéreo (CDEE). Variáveis Controle Farelo de cacau Torta de dendê Média CV 15% 30% 15% 30% (%) Consumo de nutrientes1 (g/dia) CMS 2. não diferem entre si pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade.84b 90.40 *Médias seguidas de mesma letra.17a 81.8a 876.51a 67.44a 40.501b 2.00a 47. Consumo diário de matéria seca (CMS) e de fibra em detergente neutro (CFDN).132a 2.245a 1.222a 2.25 7. Tabela 6. na linha.07a 60.37ab 92.62a 48.062 13.29a 49. apresentou viabilidade de uso como alternativa na dieta de cabras em lactação. em função de maior seleção atribuída à baixa aceitabilidade do farelo de cacau.209a 2. proteína bruta (CDPB).07a 48.26a 66.04 CDCF 54.63 CDFDN 53.96 Coeficientes de digestibilidade2 (%) CDMS 69.27a 46.59a 42.33a 22.05) o consumo diário de matéria seca (Tabela 6).44a 40.40 19.35a 63.9a 750. 1 2 Fonte: Adaptado de Carvalho et al.71a 82.01a 68. em razão dos regulares valores de digestibilidade aparente. Os autores concluíram que a inclusão do farelo de cacau ou torta de dendê na dieta. carboidratos totais (CDCHT). fibra em detergente neutro (CDFDN).81 CFDN 722.60a 43.5 19. estes autores observaram que os animais que receberam dietas contendo 30% de farelo de cacau reduziram (P<0. coeficientes de digestibilidade aparente da matéria seca (CDMS). 105 . 2004) e sobre a digestibilidade aparente de nutrientes (Silva et al.54 CDPB 66. sobre o comportamento ingestivo de cinco cabras Saanen (Carvalho et al.86a 66.4.4a 757. 2004..60a 61..24a 79.46a 65.23a 70.6a 608. matéria orgânica (CDMO).01a 43.95a 81.57a 68.22 CDMO 71.91a 59.52a 48. Quanto à digestibilidade aparente dos nutrientes.03 8..30a 47.92 CDCNF 80.3a 787.11a 66. Cacau Com o objetivo de avaliar os efeitos dos diferentes níveis de farelo de cacau e torta de dendê (0.02 19.59 4. fibra em detergente ácido (CDFDA). visto que o aumento da participação da torta de dendê não afetou o consumo. 15 e 30%) em substituição ao milho e farelo de soja no concentrado.06a 88.43a 43.46a 66. possivelmente. não houve efeito da substituição parcial do concentrado à base de milho moído e farelo de soja pelos subprodutos.33 7. excetuando-se a do extrato etéreo.31a 58. Silva et al.27a 66. 2005).84ab 84.67 CDEE 86.44 23.73a 62.47a 68.

em observações de comportamento ingestivo de ovinos. De acordo com Goes et al. Perceberam que. o que acarretou degradabilidade efetiva de 33.5.61%. Porém. o que pode aumentar a parte indegradável. Segundo esses autores. Em outro trabalho. uva. o resíduo vinícola apresenta alto teor de matéria mineral (10.05) o ganho de peso diário de ovinos aos 21. manga. A conversão alimentar da MS sofreu efeito (P<0. (2008). por sua vez. (2008). não diferiram (P>0. relataram que dietas contendo silagem de pasto nativo e subproduto de urucum parecem elevar o tempo de outras atividades (tempos de micção. (2008d) e Freire et al. Para complementar estes dados.05) da fonte energética da dieta (Tabela 7).2%/h. 106 . (2008). que. (2008d) compararam valores de pH do líquido ruminal de ovinos alimentados com dietas formuladas conforme o NRC (1985) e o NRC (2007) em diferentes proporções de consumo de proteína não degradável no rúmen.84%. nas mesmas condições de alimentação.82%. pode representar redução no tempo de confinamento. para esses autores. (2006) observaram que o tipo de concentrado energético associado ao resíduo de vitivinícolas influenciou (P<0. a diferença em gramas entre as dietas. 42 e 63 dias. seguido pelo farelo de palma e raspa de mandioca. Relataram que não houve risco de queda acentuada do pH do líquido ruminal. A fração solúvel da PB do resíduo vinícola. Costa et al.2. milho e farelo de soja fornecidas para ovinos sobre as concentrações séricas de proteínas totais. tendo sido essas concentrações superiores ao mínimo recomendado para esses animais. de bebida e de consumo de sal mineral). foi de 21. com taxa de degradação média de 4. o resíduo vinícola apresenta média de degradação ruminal da ordem de 54. de defecação. restando em uma fração solúvel de apenas 19. o que poderia resultar em utilização para reciclagem de nitrogênio e/ou síntese proteica microbiana. Costa et al. contendo silagem de pasto nativo da zona norte do estado do Ceará e subproduto de urucum. Costa et al.99%) e teor de FDN de 52. tomate e café Silva et al. (2008c) deram continuidade às avaliações feitas por Silva et al. Barroso et al. que não foram significativamente diferentes. com maiores respostas em ganho de peso para aqueles alimentados com dietas compostas pelo referido resíduo e grão de milho moído e resíduo e farelo de palma.53%. banana.05) entre si (Tabela 7). (2008c). (2008b) verificaram que não houve influência do uso do subproduto de urucum em dietas compostas por silagem de pasto nativo. com maior eficiência para a combinação do resíduo com o grão de milho moído. houve aumento da oferta desse composto químico. em valores numéricos. (2008a) avaliaram o consumo de proteína bruta no mesmo ensaio experimental e não observaram diferenças estatísticas entre os tratamentos. sob as mesmas condições descritas por Silva et al. Urucum. Freire et al. avaliando as concentrações de ureia sérica.36%.

embora o teor de PB das dietas tenha se elevado com a adição de subproduto de banana. 42 (GPVD42). médias e coeficiente de variação (CV) do ganho diário de peso vivo. no período de 63 dias de confinamento. 50% de resíduo + 50% de resíduo + 50% de resíduo Parâmetros 50% de grão de 50% de raspa de + 50% de farelo CV (%) milho moído mandioca de palma PVI (kg) 23. no referido experimento. relatou ainda que a maioria dos cortes 107 . pois os teores de NIDA se elevaram de 26. As digestibilidades da PB.1 PVF (kg) 31. aumentou.05). de 52. o consumo de FDN e o de FDA.28 a 12.Tabela 7.01) linearmente com os níveis de adição de subproduto de banana. à medida que se adicionou o subproduto de banana.47 8. Clementino (2008). 63 (GPVD63).01 Médias seguidas de letras diferentes.8 32.5 GPVD21 (g/dia) 87 a 47 b 93 a 41. diferem estatisticamente entre si a 5% de significância pelo teste de Duncan. Pesos vivos médio inicial (PVI) e final (PVF).87 GPVD42 (g/dia) 152 a 63 b 124 a 23. Clementino (2008) destacou que o efeito verificado foi linear decrescente. Clementino (2008) avaliou a adição de subproduto de banana às dietas de ovinos e observou que os consumos diários de MS. não foram influenciados (P>0.59% para 59. reduziram (P<0. todavia. na mesma linha. em razão da redução do teor de FDN e FDA das dietas com a adição do subproduto de banana. expressos de diferentes formas.45% para os níveis de adição de 0 a 80% de subproduto de banana. Fonte: Adaptado de Barroso et al.77 c 11. Para esta autora. (2006).5 para 37.30 b 13.4 24. a disponibilidade de nitrogênio foi reduzida.0 25.7 21. EE e FDN não foram influenciadas pelo aumento da inclusão do subproduto de banana. quilogramas de ganho de peso vivo total (GPVT) e conversão alimentar da matéria seca (CAMS). expressos em gramas por dia (g/dia) aos 21 (GPVD21). provavelmente. %PV e em g/UTM. embora o FDN dietético tenha reduzido e os teores de PB tenham aumentado com a inclusão crescente do subproduto de banana às dietas. Para as digestibilidades da MS e da MO.40 CAMS 9. avaliando os componentes de carcaça em dietas contendo subproduto de banana (20% do total dietético). Há que se destacar também que. Comportamentos similares também foram observados por esta autora para os coeficientes de digestibilidade aparente da FDA e CHO. houve decréscimo das digestibilidades desses nutrientes. expressos em g/dia. subproduto de manga (30% do total dietético) e subproduto de urucum (40%).5% quando se comparou a dieta exclusiva de feno de capim-tífton com aquela contendo 80% de subproduto de banana. O valor de NDT. ou seja. esses componentes bromatológicos não foram suficientes para alterar o consumo de MS.53 GPVT(kg) 7. Diferentemente do observado para os consumos de PB e EE.03 GPVD63 (g/dia) 117 a 71 b 132 a 26. conforme Clementino (2008).37 4.

Oliveira et al. pode ter relação com os altos teores de taninos existentes no referido subproduto. Segundo os autores. Destacaram que. A autora recomendou a inclusão de até 40% de inclusão do subproduto de manga em dietas para ovinos. Os autores destacaram que o subproduto de tomate supre pequenas quantidades de proteína para o intestino delgado. sendo que os animais que receberam dietas contendo subproduto de banana apresentaram a maior maciez da carne. avaliou-se o subproduto na forma de cascas e de sementes inteiras ou moídas. Isso também implicou redução da concentração de amônia ruminal. conforme Oliveira et al. o potencial de degradação dessas frações depende do processamento. o que elevou o teor de NIDA.5% e digestibilidade total da proteína de 72%. por fim. seguido da carne dos animais que se alimentaram com subproduto de manga e. 108 . Já para o subproduto de manga. embora os teores dietéticos de cafeína nas dietas tenham ultrapassado os níveis máximos toleráveis por ruminantes em crescimento (4.5g de cafeína/100kg de PV). apesar de a FDN e a FDA do subproduto de tomate terem apresentado altas taxas de degradação. o que pode ter limitado o aporte de nitrogênio para o ambiente ruminal. que provavelmente foi responsável pelas diferenças apresentadas na suculência da carne entre as dietas estudadas. sendo a maior parte daquele composto degradado no rúmen. (2007b) avaliaram a digestibilidade da proteína do subproduto de tomate em bovinos e observaram teores de proteína bruta de 20.9% de subproduto de manga a essas dietas. No caso desse ensaio. como as dietas eram compostas basicamente por feno e pelo subproduto. Houve. sim. não houve redução do consumo com a inclusão de casca de café às dietas. conforme a autora. com subproduto de urucum. (2007a) avaliaram a degradabilidade ruminal da fibra de diferentes frações do subproduto agroindustrial do tomate. Avaliando os atributos sensoriais da carne dos ovinos alimentados com essas dietas.regionais e de suas porcentagens em relação ao peso da carcaça fria e área de olho lombo de cordeiros não diferiram entre as dietas padrão (feno de tífton e concentrado) e com subproduto de banana. fato que. Concluíram que o subproduto de tomate pode constituir boa fonte de nutrientes para os microrganismos ruminais e para bovinos. pois sementes inteiras apresentaram degradabilidades muito inferiores às das sementes moídas. a adição de subproduto de manga favoreceu o decréscimo da proteína dietética. (2007a). (2007b) avaliaram a substituição do milho por casca de café ou de soja em dietas para vacas leiteiras e verificaram que níveis de 25 ou 50% de substituição do milho pela casca de café ou pela casca de soja em dietas à base de cana-deaçúcar para vacas com produção de 20kg de leite/dia podem ser utilizados de acordo com a disponibilidade e conveniência econômica. Campos et al. Clementino (2008) verificou que a adição deste em níveis crescentes para ovinos resultou em maior consumo de matéria seca com a inclusão de 37. Acima desses níveis. redução da digestibilidade da proteína como consequência dos altos níveis de lignina existente na casca de café. o autor percebeu que houve efeito significativo para o grau de dureza. De acordo com a autora. o fator dietético influenciou a deposição de gordura de marmoreio. Campos et al.3 e 35. Vale ressaltar ainda que. houve redução do consumo. que afirmaram.

seja quanto aos seus valores nutricionais e antinutricionais. ensilado ou como aditivo).59.. D.1553-1557. v.C..S. em todas as regiões do Brasil. sem comprometer a eficiência de utilização dos compostos nitrogenados. Digestibilidade de proteína de alimentos utilizados na alimentação de ruminantes pelo método de três etapas.E.L. Entretanto. para que se possa garantir melhor eficiência produtiva dos seus diferentes sistemas de produção. Degradabilidade ruminal das frações do resíduo industrial de tomate. Rural. Rev. Zootec. Bras. p. Bras. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BARCELOS. 2001. W.C.C.189-195. Arq.E. p. Fatores antinutricionais da casca e da polpa desidratada de café (Coffea arábica L. P. et al. SILVA. ainda são poucas as informações disponíveis para a maioria destes subprodutos.M.L. G. W.S..30.) armazenada em diferentes períodos. Deve-se destacar que a utilização destas alternativas na alimentação de ruminantes pode constituir uma solução para algumas ameaças de poluição ambiental. Rev. D.D.295-302.. desidratado. et al. H. Bras.. Zootec.G.1325-1331. visto que a maioria destes são armazenados de forma errônea ou eliminados de maneira inadequada. Esforços devem ser feitos para que mais pesquisas possam ser geradas. PAIVA.L.F. ARAUJO. 2006.C.. Vet. a síntese de compostos nitrogenados microbianos ruminais e a eficiência microbiana ruminal de vacas leiteiras. et al.. BARROSO. e seus resultados disponibilizados o mais rápido possível aos produtores.B. Med. Desempenho de ovinos terminados em confinamento com resíduo desidratado de vitivinícolas associado a diferentes fontes energéticas. 109 .8. assim como a forma de utilização (in natura.. p. H.C.. A. BORGES. Saúde Prod Anim.. 2007a. v.A. CAMPOS. Rev. A. CONSIDERAÇÕES FINAIS O potencial de utilização dos diferentes subprodutos (resíduos) da agricultura ou da agroindústria na alimentação de ruminantes é alto. SATURNINO. seja quanto ao percentual de participação nas dietas e suas respostas nos aspectos biológicos e econômicos. que o milho pode ser substituído por casca de café em níveis de 25% ou 50%. v. Ciênc. v.36. 3. 2007b. CAMPOS. et al. p. PÉREZ.M. BORGES. A. V.ainda.. SATURNINO.

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Gabriel de Oliveira Ribeiro Júnior4. Doutorando em Zootecnia. fredericovelasco@gmail. 2008). Caixa Postal 567. Com mais de 1 milhão de hectares de plantas cítricas. Escola de Veterinária da UFMG. alexmteixeira@yahoo. luciocg@vet. MG.com 4 Médico Veterinário. MG.vet@gmail. MSc. (Prado e Moreira. Caixa Postal 567. 2002). 2005). felipeam. Belo Horizonte. devido ao grande volume de produção de laranjas no país. CEP 30. CEP 30. à produção e composição do leite. Escola de Veterinária da UFMG. são discutidas informações sobre o valor nutricional da polpa cítrica bem como os efeitos de sua inclusão na dieta em relação ao desempenho.CAPÍTULO 7 POLPA CÍTRICA NA ALIMENTAÇÃO DE BOVINOS DE LEITE Alex de Matos Teixeira1. sendo que a mais antiga descrição de cítrus aparece na literatura chinesa em 2000 a. MSc.ufmg. Caixa Postal 567. gabrielorjunior@yahoo. Escola de Veterinária da UFMG. Caixa Postal 567. Belo Horizonte. pode-se destacar a polpa cítrica peletizada.123970.ABECITRUS.br 2 Engenheiro Agrônomo. Caixa Postal 567. Belo Horizonte. o Brasil se tornou. Doutorando em Zootecnia.br 5 Médico Veterinário. MG. A LARANJA NO BRASIL A laranjeira (Citrus sinensis). CEP 30. Doutorando em Zootecnia. 1.. na década de 80.123970.C.com 1 116   ..                                                              Médico Veterinário.com. Dentre estes subprodutos. CEP 30.123-970. Belo Horizonte. MSc.123-970.123970. é nativa da Ásia. Belo Horizonte. Felipe Antunes Magalhães5 RESUMO Neste capítulo. Doutorando em Zootecnia. com potencial de uso na alimentação de ruminantes. Prof.br 3 Médico Veterinário. MG. MSc. Considerando que estes subprodutos não são possíveis de serem utilizados na alimentação humana e são uma potencial fonte de poluição ambiental.com. o maior produtor mundial (Associação Brasileira dos Exportadores de Cítricos .. INTRODUÇÃO O Brasil possui grande quantidade de resíduos e subprodutos da agricultura e da agroindústria. o uso racional tem constituído uma alternativa de grande valia na redução dos custos da alimentação e manutenção dos níveis de produção na alimentação de bovinos (Rodrigues e Guimarães Júnior. Escola de Veterinária da UFMG. Frederico Osório Velasco3. CEP 30... assim como todas as plantas cítricas. Lúcio Carlos Gonçalves2. MG. DSc. O objetivo deste material é discutir as potencialidades e limitações da polpa cítrica para bovinos de leite. Associado Departamento de Zootecnia da Escola de Veterinária da UFMG. Relatos históricos citam que a laranja foi levada da Ásia para a África e desta para a Europa.

000 toneladas (safra 98/99) para 780. estado responsável por 80% e 98% das produções nacionais de laranja in natura e suco. fez com que a exportação deste produto caísse drasticamente. Atualmente a maior parte da produção nacional de laranjas é destinada às indústrias processadoras de suco.320. devido ao excesso de dioxina (organoclorado) presente na polpa cítrica peletizada importada do Brasil.000 (safra 00/01). como a queima de florestas e vulcões ativos. adaptando-se facilmente devido às condições climáticas. no início do século XX.000 863. No Brasil. um episódio de intoxicação no rebanho leiteiro da Alemanha. que somente foram controladas após a criação da Fundecitrus (Fundo Paulista de Defesa da Citricultura). Porém. 2002). a laranja passou a fazer parte dos produtos destinados à exportação e. Mesmo com a descoberta da origem da dioxina e solução do caso.000 11. Durante o século XIX. United States Department of Agriculture – USDA (2003). As dioxinas são formadas pela queima de produtos clorados (pneus.000 11.730. produzem-se 7.832. Até meados de 1993. Após um período de modernização e importação de tecnologias na citricultura. proporcionando o estabelecimento de pragas (algumas ainda desconhecidas). Safra Produção de laranja in natura2 Volume de laranja destinado ao processamento2 Rendimento de polpa cítrica1 07/08 (t) 16. 1999). Neste período. desde então. 117   . tornou-se um dos dez produtos mais importantes na exportação do país. as exportações reduziram de 1. os mercados importadores se fecharam e provocaram abandono das culturas de laranja.945 08/09 (t) 16.480. Posteriormente.000 836. a partir de 1939. plástico. O Brasil é hoje o maior produtor mundial de laranja e líder na produção do suco. Entretanto. com a II Guerra Mundial. Segundo a ABECITRUS (Associação Brasileira dos Exportadores de Cítricos). por volta de 1530/40. a ABECITRUS identificou que a dioxina estava presente em uma partida de cal.465. já que praticamente toda a produção era exportada para a Europa.3Kg de polpa cítrica com 2 8% de umidade (Mejía.736 Fonte:1 Rendimento de polpa cítrica: para cada 100Kg de laranja. a importância do cultivo da laranja estava associada a um adequado abastecimento de vitamina C. as quais estão concentradas em São Paulo.A introdução da laranja no Brasil ocorreu no período da colonização portuguesa. respectivamente. solucionando o problema. porém ainda como uma cultura acessória. antídoto do escorbuto que dizimava as tripulações naquela época. lixo) e em processos naturais. a laranja acompanhou a caminhada do café para o interior de São Paulo. no início de 1998. a fazer parte dos ingredientes utilizados na ração de bovinos no país. a polpa cítrica peletizada era desconhecida no país. a polpa cítrica peletizada passou. a fonte fornecedora da cal contaminada eram indústrias produtoras de resina de plástico PVC (Andrade.

outros subprodutos de interesse comercial são obtidos durante o processamento da fruta (Figura 1). Fonte: Yamanaka. 2008): 118   . que são utilizados para dar sabor aos alimentos (sorvete. 2. que provém da prensagem do resíduo úmido da laranja após extração do suco. O d’limonene é um óleo incolor (fonte de terpeno monocíclico).A safra da laranja se inicia em maio e termina em janeiro. As aplicações deste produto são variadas. período que coincide com a entressafra de grãos. atacadas por fungos e desintegradas. as frutas liberadas são submetidas a equipamentos que separam. O processo de obtenção do farelo consiste em três etapas (Costa. terpenos. de meia estação (Peras) e tardias (Natal e Valência) (Salvador. existindo variedades precoces (Hamlin). bebidas) e na fabricação de medicamentos e cosméticos. obtido da destilação do licor cítrico. o suco e óleos essenciais da massa da fruta. porém há variação de período produtivo entre as diferentes variedades de laranja. bagaço) e líquidos da produção do suco. com leve odor cítrico. Estes subprodutos são o d'limonene. Rendimento teórico de produtos e subprodutos da laranja a partir de 100Kg. Além do suco (principal produto) e dos óleos essenciais. 2005. Figura 1. PROCESSAMENTO DA LARANJA Após prévia seleção manual das laranjas amassadas. por meio de compressão. Os óleos essenciais são óleos voláteis retirados da casca. 2006). semente. O farelo de polpa cítrica peletizada ou farelo de casca de laranja é obtido por meio do processamento dos resíduos sólidos (casca. líquidos aromáticos e farelo de polpa cítrica peletizada. entre elas solvente industrial e componente aromático para obtenção de sabores artificiais de menta e hortelã.

6% de CaOH₂) e prensagem 28 Kg de polpa prensada (76% de umidade) Líquido proveniente da prensa Evaporação (secador) Óleo destilado (0. polpas e sementes (81. Ao final do processamento. O fluxograma do processo completo de obtenção do farelo de polpa cítrica é descrito na Figura 2. peletização.8 Kg) 7. 3. o farelo tem sua umidade reduzida a valores entre 8 e 12%. 119   . desidratação: por meio de prensagem e adição de hidróxido de cálcio para facilitar a retirada da água e promover um ajuste do pH. sendo peletizado para facilitar o manuseio e a estocagem.041 Kg) Polpa cítrica seca sem melaço Melaço de citros (3.1.9% umidade) Cura (adição de 0. É determinante no teor de sacarose do farelo. 2. 1999. 100 Kg Laranjas Extração do suco 52.3 a 0. adição de melaço: a quantidade é dependente da remoção realizada para padronização do suco (varia com o teor de açúcares da fruta).3 Kg polpa cítrica seca com melaço (8% umidade)   Figura 2. Os resíduos da extração do suco correspondem a aproximadamente 50% do peso de uma laranja e apresentam um teor de umidade em torno de 82%. Fluxograma do processamento da polpa cítrica peletizada Fonte: Adaptado de Mejía.1 Kg de cascas.

04% 2.1% 85.13% 0.87% Adaptado de Mejía.4% 6. 2001 1 NRC (2001).3% NRC. Este alimento apresenta em torno de 85-90% do valor energético do milho. 2005).29% Sarturi. 1999 DIVMS 88.9% NRC.3% 4. 2005 24. 2001 P 1.5% 3. 2008 22. 2001 Proteína bruta 17.80% NRC.2% NRC. Composição química da polpa cítrica peletizada e outros concentrados energéticos. 2001). ela se enquadra como um produto intermediário entre volumosos e concentrados (Rodrigues e Guimarães Júnior. porém. 1999 NDT (nutrientes 79.5% 88. 2008 1. 2001 N-FND 2. 2001 FDA 15. devido a uma das etapas do processamento da polpa.4% 17. 1999 Pectina 19. 2001 N-FDA 1.2% 4.2% NRC. uma boa fonte proteica (NRC.12% NRC.29%2 95. A composição química da polpa cítrica peletizada comparada a outros concentrados energéticos pode ser observada na Tabela 1. Os teores de nutrientes na polpa cítrica peletizada podem ser influenciados por uma série de fatores. 2008 Lignina 3% 0.3% 0. em função de seus teores de FDN (fibra insolúvel em detergente neutro) e FDA (fibra insolúvel em detergente ácido) e das suas características de fermentação ruminal. 2 Valadares (2000).4% 0. a quantidade de sementes e o tipo do processamento (Rodrigues e Guimarães Júnior.17% Adaptado de Mejía.5% 9. que pode chegar a 3% da matéria seca. 1999 6.1% 88.7% 0.7% digestíveis totais) 76. 2001 0. Tabela 1.30% Sarturi.3% 0.19% Adaptado de Mejía.13% na MS.80% . não sendo. os carboidratos presentes nos alimentos podem ser fracionados em dois grandes grupos. assim como este.3 9.5% 22.18% 0. Um aspecto importante é o alto teor de cálcio.65% Sarturi.9% 0. 2005).30% Adaptado de Mejía.62% Pereira.1. 1999 Extrato etéreo 4. VALOR NUTRITIVO 3. no qual há adição de óxido ou hidróxido de cálcio. Composição química A polpa cítrica peletizada (PCP) é classificada como um concentrado (menos de 18% de fibra bruta) energético (menos de 20% de proteína bruta). associado ao baixo teor de fósforo (0. NRC.92% NRC. 2001 FDN 42. incluindo o fruto.3.NRC.02% Adaptado de Mejía.9% NRC. 1996).8% 0. Polpa cítrica Farelo de Fonte Milho1 Nutriente peletizada trigo1 National Research Council Matéria seca 89. O primeiro 120   . 2001 Ca 0. 2001 85.90% NRC.4% NRC. 2001 71. De acordo com o modelo proposto por Hall (2000) (Figura 3).

hemiceluloses e substâncias pécticas (Choct. • amido resistente: 2%. podem ser classificados como solúvel (pectina e hemiceluloses solúveis) e insolúvel (celulose. • fibra solúvel: 28%. A PCP possui um teor muito baixo de amido. dependendo da solubilidade de seus componentes. hemiceluloses insolúveis). porém um alto teor de AS. 1997). A pectina (contida na fibra solúvel) é um carboidrato estrutural que não está covalentemente ligado às porções lignificadas. Observa-se um teor de FDN intermediário. 2006).. também pode ser chamado de polissacarídeos da parede celular ou não amiláceos. Fonte: Adaptado de Hall (2000). já que este monossacarídeo representa apenas 1. que é majoritariamente originária do melaço adicionado à polpa seca antes da peletização. • FDN: 15%. principalmente glicose (16. Fracionamento de carboidratos. 2001). • amido disponível: 0%. 2006). sendo quase totalmente (90- 121   . encontrando a seguinte composição: • amido solúvel: 12%.2% da MS.4 a 2. Miron et al. é rica em celulose e é de baixa lignificação (Salvador.grupo. fibra total. lignina. Lima (2004) determinou o fracionamento dos carboidratos constituintes da polpa cítrica peletizada. FDN Baseando-se no modelo anterior. Carboidratos das plantas Conteúdo celular Ácidos Mono + Amido Frutanas orgânicos oligossacarídeos Parede celular Pectina Galactanos β-glucanos Hemiceluloses Celulose FDA FSDN PNA CSDN Figura 3. 2003). • fibra total: 43%. A polpa cítrica peletizada apresenta em sua composição 25% da MS em pectina (Scoton. Os PNA. O segundo grupo. sendo que a polpa tem baixíssimo conteúdo de hemiceluloses. representa o amido disponível e os mono e oligossacarídeos. denominado de carboidratos solúveis em detergente neutro (CSDN). (PNA) e é composto por celulose.4% do peso molecular total da pectina (Salvador.

Stern e Zeimer.23 0. A composição em aminoácidos encontra-se na Tabela 2.2.2 0. Rocha Filho et al. (1999) conduziram um ensaio para avaliar os efeitos da polpa cítrica e do milho em substituição à silagem de milho sobre a produção de ácidos graxos 122   . 2003).333 Cistina 0.49 0. enquanto. a pectina é o carboidrato complexo de mais rápida degradação ruminal.579 Ácido glutâmico 0. principalmente metionina (Ladeira. 1999). as altas temperaturas (entre 100 e 116⁰C). os nutrientes metabolizáveis gerados a partir de açúcares e amido tendem a ser gliconeogênicos.817 Fonte: 1Adaptado de Mejía (1999).206 Prolina 0.19 0.31 0.11 0. associadas ao alto teor de açúcares totais.424 Fenilalanina 0. a partir da pectina e fibra.535 Alanina 0.069 Valina 0.349 Ácido aspártico 0.21 0.100%) degradável no rúmen (Nocek e Tamminga. durante o processamento da PCP.63 0. reduzindo a digestibilidade do N-total (Mejía. que representa 75% da molécula (Costa. a polpa cítrica peletizada apresenta tendência em manter o pH ruminal mais elevado e aumentar a produção de ácido acético.264 Leucina 0.25 0.12 0. resultam na formação de produtos de Maillard. Fermentação ruminal Apesar de apresentar potencial de produção de ácido lático pelo seu alto teor de carboidratos solúveis. Tabela 2.205 Histidina 0.603 Glicina 0.63 0.186 Treonina 0. 1991.291 Metionina 0. Composição em aminoácidos de polpa cítrica peletizada seca de origem brasileira (matéria natural).41 1. como o milho e o sorgo (Lima.08 0. A proteína da PCP é considerada deficiente em alguns aminoácidos. Segundo Van Soest (1994).34 0. O principal constituinte deste polissacarídeo é o ácido galacturônico. Em geral. Além do baixo teor de proteína bruta (influenciado pela quantidade de sementes).425 Tirosina 0. em comparação aos alimentos energéticos tradicionais. 2008).26 0.37 0. 1993). são lipogênicos (Costa.12 0. 1 1 Mejía Empresa Brasileira de Fontes (2007) Aminoácido (1999) Pesquisa Agropecuária Milho comum Embrapa (1991) Lisina 0.1 0.300 Isoleucina 0.17 0. 3.21 0. 2004).12 0. 2008).

Esses valores são superiores aos encontrados por Martins et al.6 e 51%). há uma elevação das concentrações de NH3 no rúmen com consequente aumento da excreção de ureia.1. consequentemente. 1996). 1975). as relações acetato/proprionato ruminal foram diferentes estatisticamente.3 e 63. Quando imersos no fluido ruminal.7%) e milho (76. (1993) estudaram a degradabilidade ruminal de diversos subprodutos por meio da técnica de degradação in situ e concluíram que a PCP é rápida e extensamente degradada no rúmen.. 2005). resultando em perda de proteína e energia (Russel et al. Isso porque.04 e 2. De forma semelhante. estimulando a ruminação. Segundo Van Soest (1994). (1999) para polpa cítrica peletizada desidratada (79. demonstrando alto valor energético da PCP. a mastigação e a produção de saliva. Enquanto as produções totais de AGV foram semelhantes. (2004) encontraram valores de degradabilidade efetiva da MS para a polpa cítrica peletizada de 86. quando a velocidade de síntese de amônia pelos microrganismos supera a sua utilização. mantendo as propriedades nutricionais deste alimento em relação à efetividade da fibra (Rodrigues e Guimarães Júnior.voláteis (AGV) no rúmen. a inclusão de fontes de pectina na dieta em substituição de parte dos carboidratos não estruturais (amidos e açúcares) traz benefícios à nutrição e à produção de ruminantes: a) a degradação ruminal da pectina não contribui para o abaixamento do pH porque não gera ácido láctico. 71. contribuindo para um melhor aproveitamento da amônia produzida e reduzindo os seus efeitos tóxicos no rúmen (Rodrigues e Guimarães Júnior. Schultz et al. os pellets se expandem e voltam à sua forma original (Wing.1992. Digestibilidade e degradabilidade Goes et al. Outro fator que contribui para a estabilidade da fermentação ruminal é que a moagem não é necessária para a fabricação da PCP. o que permite deduzir que houve maior retenção e. A dieta contendo polpa cítrica proporcionou maior produção de acetato e butirato em comparação àquela contendo milho. Em dietas com alto teor de polpa cítrica peletizada. por meio da troca de cátions e ligação aos íons metálicos. respectivamente. Em função da sua rápida degradabilidade ruminal. sendo superiores ao farelo de soja (84. nas dietas de vacas não lactantes. 59.6 e 70. respectivamente. 123   . Morrison e Mackie. e c) a fermentação da pectina gera elevada relação acetato/propionato (A/P). sendo superior em degradação quando comparada ao milho laminado. a polpa cítrica peletizada é um alimento interessante de ser utilizado em dietas com elevadas concentrações de proteína solúvel. b) a cadeia principal de ácido galacturônico da pectina proporciona potencial tamponante ruminal.7). (2008) observaram aumento da degradação efetiva e da taxa de degradação quando substituíram parcial e totalmente o milho moído pela PCP. 67. 5 e 8%/h.1.8. 76. sendo 3. favorecendo a produção de gordura do leite e de leite corrigido para gordura.2% a taxas de passagem de 2. a ureia sanguínea foi significativamente menor do que na dieta com milho.3. 2005). Oliveira et al.59 para as dietas com PCP e milho.5 e 61. 3.

300. Apesar de alguns autores questionarem a inclusão de polpa cítrica peletizada na dieta de bezerros antes dos 60 dias. Schalch et al. para a digestibilidade da MS (78 a 92%).6 87. (1995) avaliaram o consumo e a digestibilidade aparente total da polpa cítrica peletizada em carneiros e encontraram os valores descritos na Tabela 3. disponibilidade destes. devido à sua palatabilidade (Coimbra. Digestibilidade aparente total da matéria seca (MS).6%. DESEMPENHO ANIMAL O uso de polpa cítrica peletizada na dieta de bovinos está associado à substituição de grãos de cereais. 375 e 450g/dia). porém reduz a digestibilidade da proteína bruta. (2000) observaram que a inclusão de polpa cítrica peletizada nas dietas de bovinos aumenta a digestibilidade dos nutrientes. da MO (83 a 96%) e da PB (40 a 65%) da polpa cítrica peletizada. Estes efeitos sobre as digestibilidades dos nutrientes da dieta também foram observados por Oliveira et al. extrato etéreo (EE). (2001) avaliaram a utilização de PCP na desmama precoce de bezerros leiteiros e concluíram que ela pode substituir até 100% do milho em concentrados peletizados com adição de 5% de leite em pó desnatado. 124   . (2008).7%. As dietas consistiam em 800g/dia de feno e quantidades crescentes de polpa (75. 87. estando coerentes com os intervalos descritos por Wainman e Dewey (1988). Tabela 3. categoria animal. por diferença entre as dietas. Fegeros et al. respectivamente. nível de produção.0 93. proteína bruta (PB). na capacidade e no desenvolvimento ruminal. da MO e da PB foram 78. composição do leite. (1995). em um quadrado latino 6 X 6. matéria orgânica (MO). 2002). 150. após vários experimentos com carneiros.utilização mais eficiente da proteína pelos animais que receberam PCP (Scoton. o que pode ser explicado pelo alto teor de nitrogênio retido na fração fibrosa (N-FDA). foram determinadas as digestibilidades dos nutrientes da PCP. 2003). sem que haja alterações no desempenho. fibra bruta (FB) e extrato não nitrogenado (ENN) da polpa cítrica peletizada. 225.1 total Fonte: Fegeros et al. na ingestão de matéria seca. Bruno Filho et al.2 83. Coimbra (2002) também concluiu que a utilização de PCP em substituição ao milho no concentrado de bezerros até 90 dias de idade não provocou quedas no desempenho dos animais. devido ao incremento na densidade energética da ração.2% e 52. levando em consideração: preço dos insumos.7 82.2 52. Em experimento semelhante. além de ser vantajosa economicamente. 4. onde. Os dados de digestibilidade aparente da MS. Nutriente MS MO PB EE FB ENN Digestibilidade 78. Foram utilizados seis carneiros.

.... A substituição de milho por polpa cítrica peletizada nas dietas de vacas de alta produção (acima de 30Kg/dia) reduziu a excreção diária de proteína. Dos experimentos realizados com vacas de alta produção (Leiva et al.. 2004). 2006). a 125   . pelo aumento no teor de FDN e FDA nas dietas que continham polpa. Andrade (2002). (2008) observaram aumentos significativos no teor de gordura do leite quando a polpa cítrica peletizada substituiu o milho da dieta em 100%. resultando em menor teor de proteína no leite (Solomon et al. amido. 2000. 2000. 2000. a substituição de até 50% do feno (ou 35% da MS da dieta) pela polpa cítrica para novilhas leiteiras aumenta a viabilidade econômica da atividade.. Quanto à composição do leite. nas condições do experimento. Solomon et al. Neste caso. Comparada ao amido. 16. no tipo e teor dietético do amido substituído por polpa e em fatores ligados à capacidade genética de produzir gordura e estádio de lactação das unidades experimentais (Salvador. 2006). este fato pode ter sido resultado da diluição pelo maior volume diário de produção de leite na dieta com o milho. 2002) apresentaram efeito negativo da substituição do milho pela PCP sobre a produção de leite.. segundo o autor. sendo que a principal fonte desta é a proteína microbiana (Salvador. Os autores observaram efeito linear positivo sobre o consumo de matéria seca e o ganho de peso.. dois deles (Leiva et al. não detectaram efeito da substituição de milho por polpa sobre o teor de gordura no leite. Apesar de ser esperado um maior teor de gordura no leite quando pectina e fibra de polpa substituem o milho no concentrado. 2004. 2004. 2002).. e negativo sobre custo por quilograma de ganho de peso. (2000) e Broderick et al. Solomon et al. Tavares et al. sacarose ou fibra. 2000. devido a diferenças no teor dietético. (2007) avaliaram os efeitos de quatro níveis (0. Entretanto. 2005). mesmo com ingestões de matéria seca mais baixas. Leiva et al. Para Leiva et al.6. assim como Leiva et al. 2000.. (2002). em quatro trabalhos não ocorreu alteração da produção de leite (Solomon et al. em dois dos seis experimentos não foram observadas alterações (Assis et al. Broderick et al. os consumos de FDN e FDA foram superiores nos animais que receberam dieta com polpa. Hall e Herejk (2001) mensuraram a produção da proteína microbiana in vitro quando o substrato fermentativo foi pectina. A excreção de proteína no leite é dependente do fluxo de proteína no intestino delgado. Moreira et al. 33. as respostas encontradas nos experimentos não têm sido consistentes. Broderick et al. Moreira et al. 2002). concluindo que. no tipo e tamanho de partículas de forragem utilizadas. observou que a substituição parcial (50%) ou total do milho por PCP em dietas com silagem de milho como fonte forrageira reduziu a ingestão de matéria seca.Mendes Neto et al. 2004.. Broderick et al. o que pode ser explicado. Dentre seis experimentos avaliando a substituição do milho pela polpa cítrica peletizada na dieta de vacas em lactação.. (2000) e Veiga et al. Assis et al. trabalhando com vacas de alta produção leiteira.. trabalhando com vacas puras por cruza e mestiças (1/2 sangue Holandês/Gir) com produção de leite acima de 25Kg/dia. (2000).3 e 50%) de substituição do feno de tífton pela polpa cítrica em novilhas leiteiras (grau de sangue variando de7/8 Holandês-Zebu a puro por cruza) com peso médio inicial de 184Kg. (2000).

um dos principais problemas relacionados à utilização da polpa cítrica peletizada é a sua contaminação por fungos (possivelmente Penicillium citrinum) e. menor substrato para a síntese de glicose (Salvador. Este menor potencial para produção de proteína microbiana apresentado pela pectina está associado ao fato de que a via glicolítica utilizada pelas bactérias pectinolítcas. em desenvolver mercados para a polpa úmida (matéria seca entre 15 e 20%).pectina proporcionou um crescimento microbiano mais rápido. citados por Sarturi. 2005). INTOXICAÇÃO Sob o ponto de vista clínico. 2005). 2000. já que o alto teor de umidade permite que pouca matéria seca seja disponibilizada ao produtor na compra deste produto. o amido foi o substrato que proporcionou a maior produção total de proteína microbiana. ela pode ser armazenada por períodos de até um ano (Andrade. Em locais onde a umidade relativa do ar é superior a 14%. Portanto. consequentemente. 2006). alguns problemas dermatológicos são relatados na literatura. sempre acompanhados de histórico de má conservação da polpa cítrica 126   . utilizada pelas bactérias pectinolíticas. principalmente as pequenas. tendo a pectina produzido 88% do crescimento induzido pelo amido. Sendo assim. apresenta um saldo de dois ATP por mol de glicose. porém. em boas condições. Entretanto. 2006). a via Entner-Doudoroff modificada. há interesse das empresas. Outra hipótese refere-se à maior mobilização de aminoácidos gliconeogênicos em dietas com polpa substituindo o milho. 6. Recomenda-se não armazenar a polpa cítrica peletizada por mais de 60 dias. chegando a elevar seu peso em até 145% (Rodrigues e Guimarães Júnior. Enquanto a via Embden-Meyerhoff. 1995. consequentemente. a polpa cítrica peletizada deve ser armazenada em locais ventilados. atingindo o pico de crescimento mais precocemente. ruminais é menos eficiente. sendo às vezes observados casos de pruridos na pele. Chapman et al. secos e cobertos.. 1988). Caso contrário. síndrome hemorrágica e até a morte de vacas em lactação alimentadas com este produto (Rodrigues e Guimarães Júnior. Apesar de ser comercializada geralmente sob a forma peletizada seca. 2008). 2008). ARMAZENAMENTO A polpa cítrica peletizada tem alto poder higroscópico. o crescimento de fungos é favorecido e o material pode até mesmo entrar em combustão. principal via glicolítica das bactérias ruminais (Hobson. por micotoxinas. 2002). torna-se indispensável a estocagem dela sob a forma de silagem (Sarturi. Uma das dificuldades na utilização da forma in natura seria a necessidade de proximidade à indústria. visto que o investimento em secadores pode chegar a 50% do investimento total de uma fábrica de processamento de suco (Carvalho. devido à menor produção de propionato no rúmen e. apresenta um saldo de zero ou apenas um ATP (Salvador. 5.

devido ao alto teor de cálcio da polpa. Em outras duas etapas. também pode ocorrer contaminação. sem que haja comprometimento do desempenho destes. bem como a saúde animal. CONSIDERAÇÕES FINAIS • • • • Em função das suas características. Em um ensaio biológico. não observando alterações clínicas nos animais. 2005). por consequência. proporcionando crescimento de fungos e. 2002. onde há contato do material com umidade. 7. recomenda-se verificar a relação cálcio/fósforo. A substituição do milho por polpa cítrica peletizada em dietas de vacas de baixa produção não interfere na produção e composição do leite. a polpa cítrica peletizada torna-se um alimento interessante para utilização no período da seca.MAPA. G. 8. são necessários para preservar o valor nutricional desse alimento. Atualmente todas as indústrias fornecedoras de cal para a produção de polpa cítrica peletizada fornecem apenas cal de mina (CaO) (Ministério da Agricultura. A PCP é uma opção viável para formulação de concentrados para bezerros. 151f. Cuidados no armazenamento. o nível de inclusão da polpa cítrica peletizada deve ser de 20-30% da MS total da dieta ou até 4 Kg/animal/dia (Rodrigues e Guimarães Júnior. Dissertação (Mestrado) – Universidade Federal de Lavras. em que a aplicação de pesticidas sobre a lavoura pode deixar resíduos nos subprodutos. Para níveis acima de 20% da MS total. • REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ANDRADE. A primeira é no cultivo da laranja. A segunda (e de menor incidência em virtude da fiscalização do Ministério da Agricultura sobre as empresas fornecedoras) é no processamento. devido à possibilidade de a cal utilizada conter altos níveis de dioxina (como ocorrido no passado).A. NÍVEIS DE INCLUSÃO NA DIETA Para bovinos de leite adultos. a produção de toxinas letais (Sarturi. Substituição do milho moído por polpa cítrica no desempenho de vacas em lactação. MG. Lavras. assim como vigilância na origem da PCP. Pecuária e do Abastecimento . Oliveira (2001) avaliou os parâmetros clínicos e laboratoriais de bovinos adultos mestiços submetidos à alimentação com polpa cítrica peletizada comercial isenta de resíduos de pesticidas e de aflatoxinas durante 45 dias.peletizada nas propriedades. 1998). 127   . Altos níveis de inclusão de polpa cítrica peletizada na dieta passam a ter efeitos negativos sobre produção e/ou composição do leite e ingestão de matéria seca em animais de alta produção. 2008).

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Embrapa Gado de Leite. INTRODUÇÃO A polpa de beterraba constitui um elemento de grande valor nutricional para a produção de carne e leite. amplamente utilizada na alimentação de vacas leiteiras. Belo Horizonte. Fernanda Samarini Machado3. portanto.embrapa. Médica Veterinária. CEP 36038-330. DSc. sendo uma das culturas mais importantes para a economia das explorações agrícolas na maioria dos países europeus. e.CAPÍTULO 8 POLPA DE BETERRABA NA ALIMENTAÇÃO DE GADO DE LEITE Isabela Rocha França Machado Veiga1. gabrielorjunior@yahoo. doutorando em Zootecnia. MSc. Rua Eugênio do Nascimento. 1. Caixa Postal 567. belaveiga@yahoo. portanto. Escola de Veterinária da UFMG. Por possuir uma fibra de alta digestibilidade.com. fernanda@cnpgl. Gabriel de Oliveira Ribeiro Júnior4 RESUMO A polpa de beterraba é um subproduto da indústria do açúcar muito utilizado na alimentação animal. Dom Bosco. Belo Horizonte. CEP 30123-970.. 610. em alguns casos. e. luciocg@vet. para equinos devido ao baixo nível de inclusão e alto custo. não é muito comum encontrar o subproduto polpa de beterraba no país. Juiz de Fora. Um subproduto com características similares à polpa de beterraba presente no Brasil é a polpa cítrica. demonstrando a possibilidade de utilização na alimentação de vacas leiteiras. No Brasil. a indústria do açúcar utiliza como matéria-prima a cana-de-açúcar. Caixa Postal 567. POLPA DE BETERRABA A beterraba sacarina (Beta vulgaris L) é uma planta da família Chenopodiaceae. Prof. a polpa de beterraba apresenta bom valor energético e pode ser utilizada em dietas de vacas leiteiras com resultados satisfatórios. sendo ambos os alimentos ricos em pectina.. CEP 30123-970. a indústria do açúcar utiliza como matéria-prima a cana-de-açúcar. Associado Departamento de Zootecnia da Escola de Veterinária da UFMG. MG. Seu uso se dá principalmente nas rações pet (cães e gatos) e.br 1 132 . para equinos. CEP 30123-970. Seu uso se dá principalmente nas rações pet (cães e gatos) e. MSc. já que a disponibilidade não é alta. MG. MSc. em alguns casos.. a disponibilidade da polpa de beterraba é pequena.br 2 Engenheiro Agrônomo. O objetivo deste capítulo é descrever este alimento. Lúcio Carlos Gonçalves2.com. doutoranda em Zootecnia. A parte aérea (ramas) pode ser usada como fonte proteica. MG.br 4 Médico Veterinário. MG. Caixa Postal 567. DSc.br 3 Médica Veterinária. cuja raiz constitui a matéria-prima para a obtenção do açúcar. sendo assim um subproduto destinado às indústrias de alimentação animal.. Belo Horizonte. No Brasil. principalmente de bovinos. Escola de Veterinária da UFMG.ufmg.

Com relação ao milho grão. arabinose e galactose (Sakamoto e Sakai. que a transportam até uma instalação de lavagem. e. o conhecimento dos fatores que afetam essa variação é importante (Fadel et al. devido ao método de secagem ou posterior adição de melaço. 2. terras e outras matérias estranhas. alternativamente. portanto. Enquanto a polpa seca e granulada pode ser armazenada e consumida durante um largo período de tempo. com um teor de matéria seca de aproximadamente 22%. Um subproduto com características similares à polpa de beterraba presente no Brasil é a polpa cítrica. no balanceamento de dietas. Pode ser disponibilizada no estado seco ou granulada.A beterraba sacarina entra no processo de obtenção de açúcar através de canais com água. o teor de FDN e o de FDA são bem superiores para as polpas. A polpa de beterraba. deve-se levar em conta essa diferença. ou. sendo classificada como subproduto concentrado energético (Bath. A composição química dos subprodutos é muito variável. onde se eliminam pedras. quando se extrai a sacarose por osmose a 72ºC e elimina-se a fibra em forma de polpa. VALOR NUTRICIONAL A polpa de beterraba é um alimento de grande valor nutricional para a produção de carne e leite.. amplamente utilizada na alimentação de vacas leiteiras. em ambos os casos com um teor de matéria seca de aproximadamente 90%. Os valores de pectina da polpa cítrica e da polpa de beterraba são próximos. 2000). principalmente em virtude das diferenças no processamento. entrando seguidamente no processo de difusão. A polpa de beterraba é o subproduto primário que sobra após a extração do açúcar das raízes (Fadel. que é um polissacarídeo ramificado constituído principalmente de polímeros de ácido galacturônico. a polpa prensada destina-se ao consumo imediato ou à ensilagem tendo em vista a sua utilização futura. Na Tabela 2. Os teores de pectina do grão de milho são muito baixos e normalmente não são considerados. um carboidrato não estrutural bastante degradável no rúmen e com perfil fermentativo diferente da pectina. 1995). congelamento e ar). a beterraba é cortada em tiras. Em seguida. 2007).1999). Além disso. no estado úmido (polpa prensada). como este alimento pode ser utilizado como fonte de fibra para vacas lactantes. 1981). o milho é rico em amido. possui variação em sua fração fibrosa. assim como o teor de matéria mineral. mas os valores de FDN são bem distintos. A variação na composição química da polpa de beterraba em função desses três processamentos foi de pequena magnitude e pode não ter efeito 133 . ramnose. Ambos os alimentos são ricos em pectina. polpa cítrica e milho grão estão apresentados na Tabela 1. sendo um dos principais componentes da parede celular das plantas e o principal componente da lamela média (Hall. por isso é destinada às indústrias de alimentação animal. Os valores de composição química da polpa de beterraba. estão apresentados os dados de composição química da polpa de beterraba submetida à secagem por três processamentos diferentes (sol.

P= fósforo (Todos em % da matéria seca).4 PB* 11.cinzas.extrato etéreo.0 87.matéria seca.8 MM* 6.4 Lignina 4. FDN .0 1. diminuindo as perdas. FDA .7 58.extrato etéreo.6 PNA* 55.8 Pectina 22.NRC (2001) Castro Neto (2004) Valadares Filho et al.3 54. FDA . Tabela 1.4 * MS .fibra em detergente ácido. Método Sol Cong Ar MM* 3. As folhas de beterraba possuem um alto teor proteico e podem ser utilizadas na alimentação animal. * Dado extraído de Fadel et al.6 EE* 0. A silagem de polpa de beterraba é uma forma de conservação deste alimento úmido.6 Componentes (%) FDA* FDN* EE* 24.3 85. (2006) * MS . 134 .fibra em detergente neutro.5 Pectina 21.3 5. EE .6 PB* 7. Composição química da polpa de beterraba.7 4.4 7. Fonte: Fadel et al.fibra em detergente neutro.8 6.proteína bruta.fibra em detergente ácido.2 4.fibra em detergente neutro.1 20. EE . FB .6 PB* 10. Alimentos Silagem de polpa 1 Folhas frescas 2 MS* 21.0 60.1 29. FDN .1 45.6* 19.1 2. Composição química da polpa de beterraba submetida a secagem por sol. (1965).4 0. FDN .7 28.1 Componentes (%) FDA* FDN* EE* MM* 23.cinzas. 1 2 Fonte: De Brabander et al.5 NDT* 66. Tabela 3.7 21. Alimentos Polpa de beterraba Polpa cítrica Milho grão MS* 88.4 3.1 Fibra* 82.2 3.9 FB* 14.nutrientes digestíveis totais.3 * MM . PNA . MM . congelamento ou ao ar.7 17.extrato etéreo. sendo removidas antes de se iniciar o processo de extração da sacarose.3 67. EE . FDA= fibra em detergente ácido.fibra bruta.0 21.matéria seca. Ca= cálcio.0 2. mas as análises devem ser feitas todas as vezes que esse alimento for utilizado no balanceamento de dietas para bovinos.0 7.0-22.6 3. Tabela 2. PB . MM= cinzas (Todos em % da MS).polissacarídeos não amiláceos.9 14.5 7. NDT .fibra total (Todos em % da matéria seca).2 FDN* 62.5 0. polpa cítrica e milho grão.8 4.proteína bruta.9 1. A composição química média da silagem de polpa de beterraba e das folhas frescas de beterraba está apresentada na Tabela 3. (2000). (1999).8 44. Composição química média da silagem de polpa de beterraba e das folhas de beterraba.2 80. já que também são subprodutos da indústria do açúcar.proteína bruta. PB .3 54. (2000). Vargas et al.1 79.2 FDA* 28.7 66.8 23.4 Ca* 1.1 7.0 9.1 13.96 P* 0.biológico para o animal. PB . fibra .3 Fonte National Research Council .

Os pesquisadores verificaram que a concentração de glicose sanguínea se manteve dentro dos valores normais devido ao eficiente controle homeostático hormonal. Voelker e Allen (2003) avaliaram a substituição de milho grão úmido por polpa de beterraba peletizada nos níveis 0%. suplementados com concentrado amiláceo (cevada) ou fibroso (polpa de beterraba). consumo ad libitum ou restrito (12 horas de pastejo).09mmol/L). 12. Portanto. Portanto.59mmol/L) nos animas recebendo o 135 . com diminuição da distensão ruminal. dependendo dos custos e do valor do leite produzido. (2006).1%. O concentrado com 72% de polpa de beterraba (fibroso. além de aumentar a gordura do leite com maior valor observado no nível de 6% de substituição. POLPA DE BETERRABA NA ALIMENTAÇÃO DE VACAS LEITEIRAS Trabalhando com oito vacas Holandesas fistuladas no rúmen.3% em uma dieta com 60% de concentrado e 40% de forragem. O comportamento de pastejo dos animais também não foi alterado. consumo total de matéria seca e produção de leite. o uso de polpa de beterraba e cereais foi equivalente.25mmol/L) quando comparados com o grupo de animais recebendo concentrado mais fibroso à base de polpa de beterraba (3. Balocchi et al. que também apresentaram um menor ganho de condição corporal.3. tempo de ruminação e tempo para outras atividades. A suplementação alterou o comportamento de pastejo. Não houve diferença entre os tipos de concentrado.1% e 24. Noro et al. aumentou a ruminação diurna e diminuiu a ruminação noturna. A produção de leite foi superior para os animais suplementados sem diferença entre o tipo de concentrado. Pulido et al. e diminuiu o número de bocados. (2006) realizaram dois experimentos avaliando a influência do tipo de carboidrato do concentrado no consumo desses animais a pasto. houve uma diminuição linear da ingestão de matéria seca.02) para os animais recebendo o concentrado amiláceo à base de cevada (3. além do consumo de pasto. esse alimento pode substituir parcialmente o milho grão úmido. chegando a cerca de 2Kg no tratamento com 24% de substituição. trabalhando com 27 vacas Holandesas pluríparas com produção de leite próxima a 30 litros por dia. 6.0001) (0. A polpa de beterraba tendeu a aumentar a eficiência de conversão do alimento em leite. Com o aumento da inclusão da polpa de beterraba. O consumo de matéria seca total aumentou e o consumo de pasto diminuiu com a suplementação. avaliaram o perfil de indicadores do metabolismo de energia e proteína sanguíneos desses animais em pastejo. Trabalhando com 12 e 27 vacas Holandesas pluríparas com produção de leite próxima a 30 litros por dia. mas este valor foi maior (P<0. Foram utilizados pastagem temperada e concentrado moderado com 28 a 30% da ingestão de matéria seca. As concentrações de insulina plasmática foram menores para os tratamentos com polpa de beterraba. A concentração de βhidróxido-butirato foi menor (P<0. sem diferença entre os concentrados.pectina) não alterou o consumo total ou de pasto dos animais quando comparado com o concentrado com 79% de cevada (amido). (2002) utilizaram 12 vacas Holandesas pluríparas com média de produção diária de 32 litros de leite para avaliar a suplementação com dois tipos de concentrado (polpa de beterraba e cereal) sobre o tempo de pastejo. diminuindo o pastejo total e diurno.

trabalhando com 12 e 27 vacas Holandesas pluríparas com produção de leite próxima a 30 litros por dia. Um aumento dos teores de proteína do leite foi verificado no experimento 2 com a utilização do concentrado amiláceo. Não houve efeito da suplementação na gordura e na ureia do leite. indicando que os animais recebendo carboidrato rapidamente degradável em pastagens de alta qualidade tiveram um balanço energético mais favorável. produção e composição do leite. existe um melhor sincronismo ruminal com melhor aproveitamento da proteína do pasto e maior produção de leite. sendo maior nos animais recebendo concentrado fibroso à base de polpa de beterraba. sem alteração no consumo de pasto. e o conteúdo de proteína do leite só aumentou com a suplementação de concentrados à base de cereais. mas diminuiu durante o experimento. com correção para proteína.8mmol/L) quando comparados com animais recebendo concentrado amiláceo (6. A diferença na produção de leite observada foi pequena. A produção de leite aumentou com a suplementação de concentrados. sugerindo que esses animais tiveram melhor sincronismo entre a degradação ruminal da energia com a proteína da pastagem do que os animais recebendo polpa de beterraba. Pulido et al.82mmol/L). CONSIDERAÇÕES FINAIS A polpa de beterraba é um alimento que pode substituir fontes amiláceas no concentrado ou na dieta de vacas de leite de médias produções em pequenas porcentagens. Pulido et al. sem alteração no consumo e na produção de leite e com possibilidade de aumento na gordura do leite. mas significativa nos dois experimentos. sendo maior nos animais recebendo concentrado amiláceo à base de cevada. principalmente gramíneas temperadas. portanto.6mmol/L). consumo total. como o amido da cevada. O ganho de peso aumentou com a suplementação de concentrado. 4. a suplementação com a polpa de beterraba pode ser feita em substituição total de fontes amiláceas. Foram utilizados pastagem temperada e concentrado moderado com 28 a 30% da ingestão de matéria seca. As concentrações de ureia plasmática foram superiores nos animais suplementados com concentrado fibroso (8. O concentrado à base de cereais foi equivalente ao concentrado à base de polpa de beterraba.concentrado amiláceo quando comparado com o concentrado fibroso (0. 136 . quando esta é aumentada pela ingestão de produtos mais rapidamente fermentáveis. (1999) realizaram um experimento para avaliar o efeito do uso e tipo de concentrado (polpa de beterraba ou cereais) sobre a resposta produtiva de 12 vacas leiteiras em pasto. (2007). realizaram dois experimentos avaliando a influência do tipo de carboidrato do concentrado na produção e composição do leite desses animais a pasto. Animais em pastejo normalmente possuem como nutriente limitante a energia. A gordura do leite foi diferente somente no primeiro experimento. Para animais de produção de leite em pasto.

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Escola de Veterinária da UFMG. CP 567. facilitar o gerenciamento e aumentar a produtividade dos rebanhos (Geron.ufmg. CEP 30123-970. a uma produção em torno de 33. Escola de Veterinária da UFMG. fredericovelasco@gmail. Wilson Gonçalves de Faria Jr. Felipe Antunes Magalhães5 RESUMO Este capítulo visa apresentar os métodos de conservação e utilização dos resíduos de cervejaria. CEP 30123-970. tornam-se escassos alguns recursos alimentares. com a diminuição das áreas de pastagem para o plantio de cana-de-açúcar e soja. Lúcio Carlos Gonçalves 2. Caixa Postal 567. Para o período de 2007/2008 a 2017/2018. Pecuária e Abastecimento (MAPA). também terão um aumento de 6. Escola de Veterinária da UFMG. O uso racional de coprodutos agrícolas e agroindustriais na alimentação animal tem constituído uma alternativa de grande valia na redução dos custos de produção. Alex de Matos Teixeira3. MG.5% ao ano. MG.5 a 4.. a produção de leite no Brasil deve crescer em uma taxa de 1. INTRODUÇÃO De acordo com a Assessoria de Gestão Estratégica (AGE) do Ministério da Agricultura. MG.. 2007). segundo a AGE. ao final de 2018. com objetivo de reduzir custos. Caixa Postal 567.0% ao ano.com 1 139 .com 2 Engenheiro Agrônomo.br 4 Médico Veterinário.4. O alto preço dos insumos leva a uma reorientação nos critérios e nos processos produtivos. MG. Escola de Veterinária da UFMG.CAPÍTULO 9 RESÍDUO DE CERVEJARIA PARA GADO LEITEIRO Frederico Osório Velasco1. Belo Horizonte. Segundo a FAO (Food and Agriculture Organization).. um aumento da produção de cerca de 6. Esse crescimento será devido ao aumento do consumo interno e ao avanço nas exportações. segundo a AGE. é esperado um crescimento na produção de carne bovina no Brasil de 2.1 bilhões de litros de leite. o consumo mundial de leite cresce de 3. MSc.com. wilsonvet2002@gmail. um aumento de aproximadamente quatro milhões de toneladas. Belo Horizonte.vet@gmail. Prof. bem Médico Veterinário.123-970. A grande necessidade de produção de alimentos para ruminantes desafia a pesquisa a buscar novas alternativas de recursos alimentares. felipeam. Porém. Belo Horizonte. refletindo em elevação do custo de produção. MSc. A mesma expectativa de crescimento é prevista para o mercado da pecuária de corte. 2006). Doutorando em Zootecnia. que. MSc. Doutorando em Zootecnia. luciocg@vet. Doutorando em Zootecnia.92% ao ano nos próximos 10 anos. CEP 30123-970.. CEP 30. MG.18% ao ano. assim como os efeitos causados por estes na alimentação de ruminantes. Doutorando em Zootecnia. MSc. DSc. Belo Horizonte.com 5 Médico Veterinário. CEP 30123-970. Associado Departamento de Zootecnia da Escola de Veterinária da UFMG..br 3 Médico Veterinário. alexmteixeira@yahoo. e com sua estacionalidade de produção.41 bilhões de litros de leite se comparada à produção do biênio 2006/2007 (MAPA. Caixa Postal 567. chegando. Caixa Postal 567. Belo Horizonte.

A cevada (Hordeum vulgare) é uma cultura milenar. em sua maioria localizadas próximas aos grandes centros consumidores do país. 140 . em 2008 o Brasil foi o quarto maior produtor de cerveja do mundo. sendo um dos principais cereais colhidos do mundo. Dentro do país.34 bilhões de litros ao ano.6 bilhões de L/ano) e Alemanha (10. conhecido popularmente como “cevada”. também é gerado o resíduo seco conhecido como “varredura” (Zeoula et al. a cevada cervejeira é a única produzida comercialmente no Brasil.500 toneladas do grão. 1999). além da dificuldade para armazenamento e conservação (Cabral Filho.2 bilhões de L/ano). são gerados diversos coprodutos. em uma área plantada de aproximadamente 100. como o da polpa úmida de cervejaria. Segundo dados do Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja – SINDICERV (2009). EUA (23. a produção de cevada no Brasil no ano de 2007 foi de 235. que produziu em 2007 cerca de 120.4 bilhões de L/ano). Dentre os vários tipos de cevada explorados pelo homem. eles podem ser usados na alimentação dos animais domésticos. Atualmente representa importante opção como cultura de inverno na região Sul e também no cerrado do Brasil central em cultivo irrigado. existem atualmente 47 fábricas.IBGE (2008). com uma produtividade média de 2. em geral de grande e médio porte.como tem permitido uma destinação mais apropriada desses coprodutos. Durante o processo.3 bilhões de L/ano). Desta forma. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia a Estatística ..578 toneladas.5% (0. não têm controle sobre a qualidade desses alimentos. a região Nordeste por 17. 2006).000 hectares. principalmente na dos ruminantes. que produzem praticamente 100% da cevada cultivada no país. Durante o processo de preparação da cerveja.7 bilhões de L/ano). seguido pelo Rio Grande do Sul. a região Sul por 14. A inclusão de subprodutos da agroindústria na alimentação de bovinos leiteiros é economicamente justificável devido ao preço competitivo desses alimentos em relação a alimentos concentrados.6 bilhões de L/ano) e a região Norte por 2. Muitas indústrias encaram os subprodutos como rejeitos industriais e.5% da produção (aproximadamente 4. convencionalmente usados na formulação de rações (Geron. O maior estado produtor é o Paraná.8% (1. Esses produtos podem se apresentar indesejáveis na indústria cervejeira e podem ser utilizados como fonte alimentar para os animais. O não estabelecimento de parâmetros mínimos de qualidade limita o uso de alguns subprodutos devido à grande variabilidade da composição química. dessa forma. ficando atrás apenas da China (35 bilhões de L/ano).3% (1. com uma produção de 105. Uma vez que esses produtos não são possíveis de serem utilizados na alimentação humana.500. Os principais produtores são os estados do Sul. a região Sudeste responde por cerca de 57. “bagaço de cevada” ou “cevada úmida” e a levedura.5 toneladas por hectare. com uma média de 10. tornando menores os riscos de poluição ambiental provocada pelo acúmulo de tais resíduos.9% (0.6 bilhões de L/ano). 1985). a região Centro-Oeste por 7.

De acordo com a CETESB (Santos. uma grande quantidade de CO2. Ao final da fermentação. 1987). O mosto pode ser definido como uma solução aquosa de açúcares. A matéria-prima utilizada pelas indústrias de cerveja no Brasil é constituída por malte de cevada com a adição de mistura de cereais (principalmente o milho). O processo de fabricação do malte é chamado de maltagem e envolve o controle de umedecimento dos grãos. Uma vez tendo sido preparado o mosto. em que as leveduras se reproduzem. processo central da indústria cervejeira. A fermentação do mosto é dividida em duas etapas: uma primeira etapa. REVISÃO DE LITERATURA 1. obtém-se também um excesso de levedos. e este tendo sido clarificado e resfriado. este é resfriado de 80-100ºC até cerca de 75-78ºC em um trocador de calor e. O preparo do mosto consiste em cozinhar o malte e inclui etapas de preparo (como a moagem do malte. e a parte sólida retida é denominada bagaço de malte ou dreche. 141 . além do mosto fermentado. Após obter o malte. então. dependendo de vários fatores. denominada aeróbia. Para isso. Filtra-se o líquido. levado para tratamento e estocagem.1. que consiste na conversão em álcool dos açúcares presentes em seus grãos. Processo de industrialização da cevada e os subprodutos gerados A cerveja é obtida pela fermentação da cevada (Hordeum vulgare). convertendo os açúcares presentes no mosto em CO2 e álcool. cuja primeira etapa consiste em obter o mosto. e o restante é engarrafado como cerveja. pode-se dar início à fermentação. Após o preparo do mosto. sendo uma parte reutilizada em novas bateladas de fermentação e uma outra vendida para a indústria de alimentos. para cada 100 litros de cerveja produzidos são gerados 14Kg de bagaço de malte e 2 a 4Kg de levedura de cerveja adicional. maceração. aumentando de quantidade de duas a seis vezes. é enviado para a etapa de carbonatação da cerveja. 1999). Este levedo é.1. A solução livre de impurezas e rica em açúcares resultante desse processo é. é necessário que a temperatura se mantenha entre 8 e 15ºC. 2005). A fim de garantir um bom andamento ao processo de fermentação. em seguida. que serão os alimentos para as bactérias que realizam a fermentação. fase anaeróbia. ao final dos quais obtém-se. obtendo-se mudanças químicas e físicas com perdas mínimas de energia pelo processo de respiração (Cabral Filho. enviada para a fermentação. que. a cervejaria dá início ao processo de produção da cerveja propriamente dita. dando origem ao álcool. as dornas de fermentação devem ser resfriadas. O processo de fermentação dura de seis a nove dias. já que estes se multiplicam durante o processo. e uma segunda.. separação do mosto e sua filtração). em que as leveduras realizam a fermentação propriamente dita. após ser purificado. é filtrado para remoção do resíduo dos grãos de malte e adjunto. então. O resíduo de cervejaria pode ser descrito como massa resultante da aglutinação da casca com resíduos do processo de mosturação. uma vez que a fermentação é um processo exotérmico. Esta filtração é realizada por meio de peneiras que utilizam como elementos filtrantes as próprias cascas do malte presentes no mosto. também chamado de adjunto e maltose. podendo apresentar maiores concentrações de proteína e carboidratos do que as encontradas em seus cereais de origem (Clark et al.

resíduo de cervejaria prensado (RCP) e levedura de cerveja (LC).. como milho (5%). mostraram efeitos lineares negativos para o consumo de matéria seca à medida que as quantidades do resíduo aumentaram de 0 para 80% da matéria seca.8 4. proveniente de diferentes indústrias.5 47. são também determinantes na composição química destes subprodutos. Segundo Cabral Filho (1999).0% de MS foram observados na literatura (Clark et al.4 70.0 33.0 27. resíduo de cervejaria seco (RCS).3 14. Costa et al. (1997) encontraram diminuições no consumo voluntário em ovelhas alimentadas com o resíduo úmido. Indústria Nutriente (%) Brahma Kaiser Schincariol Skol MS 15. O teor de matéria seca (MS) está inversamente relacionado ao seu teor de umidade. a inclusão do resíduo em dietas exclusivas de gramínea 142 . Características nutricionais dos resíduos de cervejaria O valor nutricional do resíduo úmido de cervejaria (RUC) está diretamente relacionado ao tipo de fabricação da cerveja e ao processo utilizado pela fábrica (Tabela 1). Torrent et al. Os resíduos de cervejaria derivados do processamento da cevada são: resíduo de cervejaria úmido (RCU). 1987).1 14. Cabral Filho.5 4. Lima. Teores de 9.9 FDN 43. 1987. A composição dos resíduos de cervejaria varia com o tipo de fabricação da cerveja e com os grãos de cevada utilizados no processo (Clark et al.6 9. 1999).7 PB 31. Bovolenta et al.40% e 29.8 54. (1998).8 N-FDN 56.9 Fonte: Aronovich (1999). trigo (6 a 7%). e esta é apontada como a maior limitação para o seu uso economicamente..2 12.0 69. respectivamente.3 26.0 48. 1993. estudando o resíduo desidratado em dietas de ovinos em crescimento.6 FDA 21.1.9 14.2% a 30. quando comparado ao feno de alfafa.5 20.6 68. para cada produto. o resíduo de cervejaria é considerado um concentrado proteico por apresentar teores de fibra bruta menores do que 18% e teores de proteína maiores do que 20%.8 18.7 FB 15. 1994.6 31. A influência do processo de secagem do RCU foi verificada por López e Pascual (1981).9 25. De acordo com a classificação do National Research Council .0 44. Comparação entre a composição química do resíduo úmido de cervejaria. aveia e arroz.9 Lignina 3.3 NDT 74.2. que encontraram uma variação na composição do RCU e do RCP.8 26.. O RCU apresenta baixos teores de matéria seca (MS).6 41.NRC (1988). Fatores como a origem dos grãos de cevada e a inclusão ou não de outros cereais para a fermentação. Tabela 1. As composições dos resíduos de cervejaria aparecem na Tabela 2.5 5. com teores de matéria seca (MS) de 9.90%.

16 0.034 0.115 1. Proteínas de menor peso molecular. (ppm) Cobalto 0. (%) Cálcio 0.26 Potássio 0. A degradabilidade da proteína do alimento no rúmen está diretamente relacionada com a sua composição.048 0.17 0.83 4 FDN (%) 42 .365 1.015 0. Já proteínas com alto peso molecular.27. (1983).46 8.4 .08 Cloro 0. que observaram redução da ingestão de matéria seca quando o teor de resíduo de cervejaria úmido chegava a 40% da dieta de vacas leiteiras.1 PB (%) 26 25.6 3070 ED (Kcal/Kg) 2780 2790 3480 EE (%) 6.3 . O resíduo de cervejaria possui em sua composição grande parte de proteínas de alto peso 143 .54 Cobre 23 4.8 7.33 0.83 41.2 Macromin.09 0.32 0.3 Ferro 266 55.55 0.23 0. (1985) não observaram influência na ingestão de matéria seca em carneiros alimentados com resíduos de cervejaria.9 3.07 0.1 46.5 1.15 Fósforo 0. são menos solúveis.6 NDT (%) 66 13. resíduo de cervejaria seco (RCS) e levedura de cerveja (LC).036 0. Porém.38 Manganês 40 8.067 0. 1988.81 Micromin.1 FB (%) 14. Zeoula et al.24 4.16 0.82 54 Cinzas (%) 4.4 7 Selênio 0.para ovinos limitou o consumo voluntário quando esta foi oferecida em quantidades superiores a 33% da MS da dieta.09 0.516.47 Enxofre 0.32 Magnésio 0.5 FDA (%) 23 .86 89 Iodo 0. resultado semelhante ao de Davis et al.019 0.069 0. tendo menor taxa de degradação ruminal.019 1. Composição química do resíduo de cervejaria úmido (RCU).3 42 Fonte: NRC. possuem maior solubilização no líquido ruminal e são rapidamente degradadas. com grande número de pontes de dissulfeto. Tabela 2.76 0.13 3.98 Zinco 30 6. como as globulinas e as albuminas. RCS RCU LC Composição MS (%) 93 21 93.2490 489.86 79 E M (Kcal/Kg) 2330 .47 Sódio 0.

(1973).39% encontrados por Valadares et al. Esta insolubilidade de parte da fração proteica de alguns alimentos é conhecida na nutrição de ruminantes como sobrepassante.1% e 25. (1998) avaliaram as características de ambiente ruminal de vacas leiteiras com dietas com substituição de 10% de farelo de soja por resíduo de cervejaria e observaram que havia uma queda acentuada de pH ruminal duas horas após a alimentação em animais que não recebiam resíduo de cervejaria na dieta se comparados aos que recebiam. o fluxo e a absorção de aminoácidos no intestino de vacas leiteiras.1%) e fermentado (24. do leite. resultados indicativos de que 50% ou mais da proteína bruta escapem da degradação microbiana do rúmen e passem para o intestino delgado. compararam farelo de soja.4% da PB). com valores de NDT variando de 62 a 70% de acordo com pesquisa realizada por Scarlatelli (1995). ao se comparar o farelo de soja com o resíduo de cervejaria. Clark et al. De modo semelhante. (1987) encontraram. para o resíduo de cervejaria úmido e para o resíduo de cervejaria fermentado. ovelhas e carneiros. Santos et al. juntamente com os valores de aminoácidos essenciais (AAe) do tecido muscular. Os autores concluíram que os maiores teores de fibra e a menor quantidade de carboidratos solúveis na dieta com resíduo de cervejaria. Já a fração B3 foi maior nos resíduos de cervejaria úmido (26. resíduo de cervejaria e resíduo de destilaria fornecem maiores quantidades de aminoácidos para o intestino do que o farelo de soja. a adição de resíduo de cervejaria na dieta de ruminantes reduziria a degradação ruminal da proteína. 144 . respectivamente. medindo a fermentação ruminal. mostrando certa variabilidade na composição bromatológica do resíduo de cervejaria (Lima. Já Preston et al. Com isso. Valores de 17 a 35% de PB são encontrados na literatura. respectivamente. nota-se um maior volume do nitrogênio proteico contido nas frações A e B1: 35. O RCU possui bom valor energético.8%) em relação ao farelo de soja (4.molecular. com a finalidade de comparação. encontraram valores de EM para mantença e ganho de peso de 2. permitindo maior passagem de proteína dietética para o intestino. 24. seriam responsáveis por esse efeito.4Kcal/g.3 e 1. no resíduo de cervejaria úmido e no resíduo de cervejaria fermentado e observou que as frações A e B1 são maiores no farelo de soja. resíduo de cervejaria e resíduo de destilaria e concluíram que dietas contendo farinha de glúten.2%. na matéria seca. das bactérias ruminais e do farelo de soja (FSO) segundo o NRC (2001). assim como a fração B2. o que explicaria sua menor degradabilidade no rúmen. farelo de glúten de milho. estudando o ganho de peso de bezerros alimentados com resíduo de cervejaria. O perfil de aminoácidos essenciais do RCF foi estudado por Geron (2006) e está demonstrado na Tabela 3. se comparados à dieta sem substituição do farelo de soja. em seus experimentos com vacas em lactação.8% da proteína bruta para o farelo de soja. 1993). (1984). (2006). Segundo Geron (2006). Chiou et al. Geron (2006) comparou as frações nitrogenadas contidas no farelo de soja. abaixo dos valores de 77.

6 15.1 8. os problemas digestivos.1 6.7 3 47. do tecido muscular.1 11 8.1 17 16. (1995) observaram o efeito da adição de 1% de levedo de cervejaria na alimentação de bezerros de 0 a 46 dias pré-desmama e de 47 a 90 dias pós-desmama sobre a incidência de pneumonias e diarreias..7 40 10.9 13.3 10.9 45.proteína bruta. que atuaram de forma benéfica. 1977. pode ser recomendado a animais que já passaram pela fase de desaleitamento. Concluiu-se que a utilização do levedo de cerveja reduziu a incidência de pneumonias e diarreias sobre esses animais.9 10.5 16 5.3 5. assim.4 11. porém não foi observado efeito sobre a taxa de crescimento destes animais.9 16.2 12.4 12. Vilela (1995) afirmou que.2 29. Os autores creditaram esses resultados à concentração de aminoácidos e vitaminas do levedo de cervejaria.7 24. PB . reduzindo.6 5.1 5.7 3.9 9. UTILIZAÇÃO DO RESÍDUO DE CERVEJARIA NA ALIMENTAÇÃO DE RUMINANTES Seymour et al.tecido muscular. Leite Bactérias essenciais RCF FSO % do total de Aae Arginina Isoleucina Leucina Lisina Metionina Fenilalanina Treonina Valina Histidina Triptofano AAe (%PB) PB% 16. 1978). das bactérias ruminais e do farelo de soja (FSO) expressos como % do total de AAe. reduzindo também a utilização de antibióticos nos animais pré-desmama. e sobre o seu desempenho.5 7. musc .9 T.2 5. como é um alimento rico em vitaminas e aminoácidos. Fonte: Geron (2006).1 11. Perfil de aminoácidos essenciais (AAe) do resíduo de cervejaria fermentado (RCF).musc.4 4.6 5.7 12.9 16.4 10. 145 . para bezerros em aleitamento.4 7. estimulando o crescimento da flora saprófita do intestino. causando consequentemente febre.2 2. 2.6 10.8 17 13.1 4. do leite. Porém.2 11.1 10. Vários trabalhos apresentaram bons valores de ganho de peso e de retenção do nitrogênio da dieta em animais alimentados com resíduo de cervejaria úmido (Conrad e Rigers.5 10 8.6 49. 1977. Adyanju.8 7.Tabela 3.4 19.3 2.5 3 10. Klopfensten et al. Alimentos Aminoácidos T. deve-se evitar o uso de resíduos de cervejaria pela fermentação prejudicial que estes podem sofrer.5 12.

Seymour et al.70kg/dia) para a ração com 16% de RCU em relação à ração controle (0% de RCU).9% de RCU no concentrado foi verificada por Cardoso et al. Segundo Clark et al. Seymour et al. Johnson et al. Observaram que as vacas que receberam resíduo de cervejaria durante o tratamento mantiveram níveis plasmáticos maiores de GH dos 42 aos 105 dias de lactação e possuíam menores níveis de insulina circulante. Os autores sugeriram que esta redução no consumo de MS e na produção de leite deveu-se à fermentação natural do resíduo de cervejaria úmido. beneficiando. a ingestão de matéria seca e o peso corporal. Belibasakis e Tsergogianni (1996) avaliaram a inclusão de 16% do RCU na alimentação de vacas leiteiras e observaram maior (P<0. os quais podem ser formados no rúmen pela bio-hidrogenação incompleta dos ácidos 146 . a produção de leite destes animais. além de este ter alto teor de PNDR (40% da PB). (1987) e Schwab et al. o efeito benéfico do RCU sobre a produção de leite deve-se à melhor qualidade da fonte proteica com maior teor de metionina e lisina em relação ao farelo de soja (FSO). assim. (1996). Geron (2006) avaliou o efeito de diferentes níveis de inclusão de resíduo de cervejaria fermentado nas rações de vacas leiteiras sobre produção e qualidade de leite e observou que os animais dos tratamentos com níveis de inclusão de RCF de até 15% apresentaram em média 13% de redução no teor de gordura de leite em relação aos animais sem resíduo. (1988) avaliaram o efeito da energia no pré-parto e da fonte proteica no pós-parto sobre a concentração plasmática do hormônio do crescimento (GH) e insulinas em vacas leiteiras alimentadas com resíduo de cervejaria e farelo de soja.A inclusão de resíduo de cervejaria nas dietas de vacas de alta produção tem vantagens de poder complementar os teores de proteína bruta acima de 13%. A produção de leite de vacas alimentadas com silagem de sorgo e suplementadas com 42. Segundo Corl et al.05) e queda na produção de leite de 5. a ingestão de matéria seca e a mudança da condição corporal não foram afetadas pela fonte proteica durante o pós-parto. os quais demonstraram que os animais alimentados com o maior teor de RCU apresentaram maior (P<0. Segundo os autores. a metionina e a lisina são os principais aminoácidos limitantes para a produção de leite.80 vs 21. além de estes serem mais eficientes em mobilização de reservas corporais pelos menores níveis de insulina. Maior produção de leite poderia ser apresentada pelos animais consumindo resíduo de cervejaria pelo maior volume de GH circulante. (2001).6%.9% e 85.05) produção de leite (24. (1986) estudaram o efeito da relação entre densidade energética da dieta durante o pré-parto e a fonte proteica da dieta (farelo de soja e resíduo de cervejaria) durante o pós-parto afetando a produção de leite. Os autores concluíram que a produção de leite.05) produção de leite. pelo aumento do valor de nitrogênio insolúvel em detergente neutro (NIDN) e pela redução do N solúvel em água. (1982). o ácido linoleico possui alguns isômeros posicionais e geométricos denominados de ácido linoleico conjugado (CLA). sem causar produção de amônia adicional. O autor conferiu essa redução do teor de gordura ao alto teor de ácido linoleico do RCF. (1987) compararam o efeito da inclusão de 25% de resíduo de cervejaria úmido e resíduo de cervejaria fermentado na dieta de vacas leiteiras e observaram que os animais alimentados com resíduo de cervejaria fermentado tiveram redução da ingestão de matéria seca (P<0.

2001). o resíduo de cervejaria pode apresentar altos níveis de cobre. recomenda-se analisá-los antes das formulações das dietas. O uso de ácido fórmico e de sulfato de potássio foi sugerido por Scarlatelli (1995). 1999). 147 . estudos em condições de aerobiose aconselham períodos de. O mecanismo de ação do CLA (C18:2t10c12) sobre a redução no teor de gordura do leite não está bem definido (Bauman. (1975) citam os fungos e as leveduras como os principais microrganismos responsáveis pela degradação do resíduo em condições de aerobiose. 1987). CONSIDERAÇÕES FINAIS Devido à grande variação nas composições químicas dos resíduos de cervejaria. O mesmo autor observou que a inclusão de 15% do RCF nas rações de vacas leiteiras elevou os teores dos ácidos linoleico e linolênico presentes na gordura do leite. o que pode inviabilizar o seu uso. Já Polan et al. citado por Cabral Filho. inflamatórias. como dificuldade no transporte a longa distância e dificuldades no armazenamento para uso na alimentação de ruminantes. no máximo. ARMAZENAMENTO E TOXIDEZ O alto teor de água no resíduo úmido pode resultar em alguns fatores limitantes.. Schneider et al. (1985) e West et al. Muitos autores limitam a utilização deste subproduto a determinadas distâncias das indústrias. A conservação deste material em propriedades rurais também é considerada uma limitação. variando de 15 ± 5. 1991. (1995) sugerem que o material seja ensilado com aditivos como ácido propiônico ou polpa de beterraba. 1985). que sugerem menores períodos de armazenamento.graxos poli-insaturados. Em casos de armazenamento por um período maior de tempo. A razão de AG essenciais ω 6/ ω 3 mais próximo de 1. o que propiciou uma razão linoleico:linolênico mais próxima de 1.1ppm. asmas e câncer colorretal e dos seios (Simopoulos.. Segundo Cabral Filho (1999). Baumgard et al. mas possivelmente promove uma diminuição na enzima-chave associada à síntese de AG “de novo” na glândula mamária (Geron. 3. (2006). Allen et al. 2002). está correlacionada com a prevenção de doenças cardiovasculares. Também não houve alterações de células somáticas (CCS) no leite de vacas alimentadas com resíduo de cervejaria em trabalho realizado por Geron (2006). Valores semelhantes para níveis de cobre foram encontrados pela compilação de dados realizada por Valadares et al. A rápida biodegradação foi observada por Stern e Ziemer (1993). (1994) não observaram alterações na gordura do leite. Nas condições dos Estados Unidos. dos alimentos em geral. Casos de intoxicação por cobre são comuns em ovinos alimentados com níveis superiores a 10ppm em regiões tropicais (Conrad et al. pesquisadores acreditam que o resíduo só é econômico até um raio de aproximadamente 100km das indústrias (Eastridge. 10 dias (Johnson et al. (2001) infundiram CLA no abomaso de vacas lactantes e observaram que todas as dosagens de CLA reduziram o teor de gordura do leite. O processo de secagem que facilitaria o transporte é caro. 4. 2006).

1978.131. p. E.55. p.24. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ADYANJU. O alto teor de umidade do resíduo de cervejaria úmido pode ser considerado limitante da sua utilização por aumentar os custos com transporte e apresentar dificuldades no processo de armazenagem. 1. Effects of wet brewers grains on milk yield. Lavras. v.A. BOVOLENTA. Dissertação (Mestrado em Zootecnia) – Universidade Federal de Lavras. Anim. TSIRGOGIANNI.. ARONOVICH.Os resíduos de cervejaria possuem bom valor nutritivo e podem ser considerados como boa fonte alternativa para alimentação de ruminantes.66. v. 1996.G. p. BUCHANAIN-SMITH. Conjugated linoleic acid and milk fat synthesis in dairy cows. C.. D. W. SANGSTER.609-618. v. et al.3. J. L. 1999. M. Replecent value of cane molasse for maize en dry season based on dried for beef cattl. Sci. Nutr.. D. p. Can.E. N. et al. ALLEN. 148 . Sci.1764-1769.57.K. Vacas leiteiras alimentadas com resíduo de cervejaria em níveis inferiores a 20% da MS da dieta apresentam aumento da produção de leite e maior eficiência na mobilização de gordura corporal. milk composition and blood components of dairy cows in hot weather. BAUMAN.. S. 1998. J. p. Proceedings … Alesund: Natural ASA. Devido aos teores médios de cobre apresentados pelos resíduos de cervejaria. 2001. J.R.175-181.R. Prod. 1975.135-147. p. 66f.. Alesund. Anim. D.E. 2001. Milk fat synthesis in dairy cows is progressively reduced by increasing supplemental amounts of trans-10. S.689-695. Os resíduos de cervejaria são fontes de proteína sobrepassante. Influence of aditive in shorter presevation of wet brewers grain stored in uncovered piles. PIASENTIER.. deve ser realizada a determinação deste elemento quando este produto for empregado na formulação de dietas de ovinos.Trop Anim.. Composição bromatológica e degradabilidade de silagens de resíduo úmido de cervejaria. v.. 2001. PERESSON. cis-12 conjugated linoléic acid (CLA). v.. J. Technol. The utilization of diets containing increasing levels of dried brewers’grains by growing lambs.. Anim.H. BELIBASAKIS... BAUMAN. BAUMGARD. In: INTERNATIONAL CONFERENCE ON CLA. K. MG. STEVENSON. Feed Sci.

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Rua Eugênio do Nascimento. Dom Bosco.com 4 Médico Veterinário. os2ribas@hotmail. MSc.ufmg. Escola de Veterinária da UFMG. Caixa Postal 567. os carboidratos dietéticos e. por conseguinte. Belo Horizonte. MG. dependendo de sua concentração e digestibilidade. além de quantitativamente importantes na composição do custo de produção de leite. DSc.br 1 152 . da saúde da vaca em lactação (Lopes et al. gabrielorjunior@yahoo. MSc. como o tamanho de partículas. As dietas devem apresentar um teor mínimo de FDN. Prof. MSc. desempenham papel fundamental na manutenção da funcionalidade do rúmen e. de forma específica.embrapa. por estimular a mastigação e a produção de saliva tamponante. a fibra insolúvel em detergente neutro (FDN) representa a melhor opção para formulação de dietas para ruminantes. MG. Doutorando em Zootecnia. CEP 30. MG. para a manutenção da funcionalidade ruminal. Caixa Postal 567. visando ao estabelecimento de um banco de dados para uso na formulação de rações. fernanda@cnpgl. Médica Veterinária.br 3 Médico Veterinário. MG. Gabriel de Oliveira Ribeiro Júnior4 RESUMO A fibra representa a fração de carboidratos de digestão lenta ou indigestível e. ajustes devem ser realizados de acordo com os ingredientes utilizados e o manejo adotado. 610. Entretanto. luciocg@vet.br 2 Engenheiro Agrônomo. os carboidratos geralmente constituem 70% ou mais da matéria seca das rações. INTRODUÇÃO No balanceamento de dietas para vacas leiteiras. Doutorando em Zootecnia.CAPÍTULO 10 FIBRA NA ALIMENTAÇÃO DE GADO DE LEITE Fernanda Samarini Machado1.. todavia é necessária a padronização das técnicas laboratoriais. Escola de Veterinária da UFMG. Marcelo Neves Ribas3. Belo Horizonte. Belo Horizonte. as frações fibrosas. Os conceitos de FDN efetiva e FDN fisicamente efetiva são relativamente recentes. Associado Departamento de Zootecnia da Escola de Veterinária da UFMG. Mas.123-970. Os nutricionistas devem estar atentos às características físicas da fibra.. Tornam-se necessários o desenvolvimento de um método padrão e a identificação das propriedades dos alimentos que influenciam a efetividade da fibra. Embrapa Gado de Leite... DSc. impõe limitações ao consumo de matéria seca e energia.com. CEP 36038-330. Caixa Postal 567. Juiz de Fora. Por outro lado.. Dentre os métodos analíticos disponíveis para a determinação das frações fibrosas. CEP 30123-970. Lúcio Carlos Gonçalves 2. a fibra é essencial para manutenção da saúde dos ruminantes. e diversas metodologias foram desenvolvidas para suas determinações. e outras propriedades que conferem efetividade ao FDN. CEP 30123-970. 2006).

e sua definição está vinculada ao método analítico empregado na sua determinação. De acordo com Mertens (1992). fibra é um termo meramente nutricional. 1993).As diferenças nas quantidades e propriedades físicas da fibra podem afetar a utilização da dieta e. e a fibra deveria separar a fração lentamente e não totalmente digerida daquela rapidamente ou quase totalmente digerida. A FB continua sendo o método oficial de determinação da fibra. ainda hoje. vários distúrbios metabólicos podem manifestar-se. ainda. sendo 153 . para maximizar a produção animal. Quimicamente. quando níveis mínimos de fibra não são atendidos ou. 1997). Atualmente. o desempenho animal.1. portanto a composição química da fibra é dependente da sua fonte e da forma como foi medida. a ingestão de matéria seca é reduzida e a produtividade animal tende a diminuir significativamente. a fibra pode ser definida nutricionalmente como a fração lentamente digestível ou indigestível dos alimentos que ocupa espaço no trato gastrointestinal dos animais (Mertens. Dentre estes. vários são os procedimentos analíticos disponíveis para determinação da fração fibrosa dos alimentos. Quando excesso de fibra é incluído na ração. a fibra é um agregado de compostos e não uma entidade química distinta. principalmente para vacas de alta produção que consomem dietas com alta proporção de concentrados. Ao contrário. Fibra bruta Consiste principalmente de celulose. No entanto. DEFINIÇÃO E METODOLOGIAS PARA DETERMINAÇÃO DE FIBRA A análise de fibra já faz parte da avaliação de alimentos há mais de 100 anos (Van Soest. o objetivo de qualquer esquema rotineiro de análise de alimentos é detectar diferenças entre fontes de alimentos para fornecer informações úteis aos nutricionistas. Entretanto. 1997). 1994). 1. a síntese de proteína microbiana e a produção de leite. a formulação de rações que considera apenas a quantidade de fibra pode incorrer em desvios. consequentemente. fermentação ruminal e composição do leite dos animais. as dietas devem ser balanceadas com uma concentração ótima de fibra que maximiza o consumo de energia. fluxo de saliva. variando desde uma alteração no perfil de fermentação ruminal até uma acidose aguda. não existe consenso entre nutricionistas em relação a uma definição uniforme para o termo (Weiss. destacam-se como metodologias de aplicação rotineira a fibra bruta (FB). Portanto. os nutricionistas devem considerar a importância das características físicas dos alimentos. a densidade energética torna-se baixa. são inadequados quanto ao tamanho de partículas da forragem. com pequenas quantidades de lignina e hemiceluloses. a fibra em detergente neutro (FDN) e a fibra em detergente ácido (FDA). Desta forma. como tamanho de partícula e densidade sobre a atividade de mastigação. Desse modo. De modo geral. que pode levar à morte do animal (Mertens. 1.

1993. sendo esta a principal causa de variações nos resultados de análises entre laboratórios (Mertens. e não satisfaz a exigência de recuperação de componentes indigestíveis da fibra dietética (Nussio et al. 2006). A solubilização da lignina.. o método de FB foi substituído pelo de detergentes neutro e ácido desenvolvido por Van Soest e Wine (1967).2. minerais e compostos nitrogenados (principalmente produtos da Reação de Maillard). amido e proteína (Weiss. como resíduos de cervejaria e de destilaria (Tabela 1). 1991). Este método. ignora as frações lignina e hemiceluloses. 1993). nitrogênio insolúvel em detergente ácido (NIDA). o sistema passou por algumas modificações. 1998). com variável contaminação por cinzas. em digestibilidades do ENN frequentemente menores do que a digestibilidade da FB. 1. (1991) introduziram o uso de amilase termoestável para auxiliar na remoção do amido no resíduo em detergente neutro (RDN) e eliminaram o uso de sulfito de sódio. quando os alimentos são submetidos ao aquecimento. 1985).o seu registro obrigatório com níveis máximos nos ingredientes em rações. A partir do método de detergente neutro inicialmente proposto por Van Soest e Wine (1967).. no caso de volumosos. gradativamente. o uso da amilase é crucial para a determinação de FDN em grãos. para reduzir a contaminação do FDN com proteína insolúvel. para remover o amido. Robertson e Van Soest (1981) e Van Soest et al. o uso de sulfito de sódio tornase essencial para remover a proteína desnaturada ou ligada a carboidratos (Reação de Maillard). sendo o resíduo de fibra obtido denominado de FDN tratado com amilase (aFDN) (Undersander et al. Geralmente os valores de aFDN são diferentes dos obtidos por outros métodos de determinação de FDN. é uma séria limitação do método (Van Soest e Robertson. A lignina solubilizada torna-se parte dos extrativos não nitrogenados (ENN). cinzas insolúveis em detergente ácido (CIDA). em proporções variáveis. Este procedimento pode ser utilizado como uma etapa preparatória da determinação de lignina. Alterações mais recentes do método original incluem o uso de sulfito de sódio. Fibra em detergente ácido A FDA é constituída pela celulose e lignina. A inclusão da lignina nos ENN resulta. quantitativamente. 2002). celulose e sílica (Van Soeste t al. Embora as diferenças possam ser pequenas entre forragens.3. 1998). e adição de amilase termoestável. Desta forma. solubilizadas pelo tratamento da amostra com soluções alcalina e ácida. Da mesma forma. citados por Mertens. hemiceluloses e lignina. os quais deveriam ser o componente mais digestível do alimento. Fibra em detergente neutro O método FDN recupera.. por este remover compostos fenólicos. Ocorre também alguma contaminação por pectina. 1. 154 . contudo. sendo as hemiceluloses solubilizadas. que permanecem no resíduo em detergente ácido. com implicações sobre estimativas de valor energético dos alimentos e formulação de rações (Mertens. celulose.

5 11.4 21. enquanto os CNE estão localizados no conteúdo celular.9 55. 3 Fibra em detergente neutro tratada com amilase: com sulfito e amilase (Undersander et al. Nesta classificação. Já os CF. 1981). a digestão e a utilização da dieta (Mertens.6 78.8 95. Alimentos Palha de trigoa Capim-timóteoa Feno de alfafaa Silagem de alfafa Silagem de milhoa Resíduo de cervejaria Resíduo de destilaria Farelo de soja Milho grão Polpa cítrica 1 2 FDN1 RDN2 aFDN3 (-------------------------% da MS -------------------------) 83. com amilase (Robertson e Van Soest. Embora inúmeras vezes usados como sinônimos. 1992). principalmente a celulose e as hemiceluloses. Conceitualmente.2 aFDN/RDN (%) 96.0 88.1 47.0 65. açúcares e pectina. Mertens (1992) menciona que. que é composta por celulose.20 50. a Robertson (1984.9 96.4 10. 1993. compostos fenólicos e proteínas. A PC pode conter pectina. em termos nutricionais. Mertens (1996) ressalta que a classificação dos carboidratos em estruturais (CE) e não estruturais (CNE) refere-se unicamente à função desempenhada nas plantas e não deve ser confundida com o papel dos carboidratos na nutrição animal.4 46.6 42. citado por Mertens.3 40.Tabela 1. CF e FDN têm 155 .6 94.9 27. os termos PC e fibra não representam frações idênticas dos carboidratos. Desta forma. Fonte: Adaptado de Mertens (2002).3 95. os CE estão relacionados com a parede celular (PC) dos vegetais.7 91. sem amilase (Van Soest e Wine. citado por Mertens.6 52.1 20.8 67. a classificação dos carboidratos em fibrosos (CF) e não fibrosos (CNF) parece mais apropriada porque é baseada em características nutritivas.2 72.9 12.0 82. os CNF representam as frações degradadas mais rapidamente e incluem amido.9 86. tanto em definição quanto em composição (Figura 1). 1967).2 55.2 68.6 18. ocupam espaço no trato digestório e exigem mastigação para redução do tamanho de partículas e passagem através desse trato. 1996) e. um carboidrato de alta digestibilidade (Mertens. hemiceluloses. ao invés da função exercida na planta.3 67.8 Fibra em detergente neutro: método original com sulfito. Resíduo em detergente neutro: sem sulfito.0 52.3 38.. não representa uma medida acurada de fibra. 2. Valores obtidos utilizando diferentes métodos para mensurar a FDN. lignina.3 43. FRACIONAMENTO DOS CARBOIDRATOS A composição química. 2002). 2002). as características físicas e cinéticas de digestão são características dos carboidratos que afetam o consumo de matéria seca. portanto. pectina. Nesse caso.

ácidos fenólicos e hemiceluloses.| | Amidos | a ácidos orgânicos. A concentração de FDN no alimento ou na ração é negativamente correlacionada com a concentração energética.| | -------------------. Van Soest (1994) menciona que a FDN é altamente correlacionada com a densidade volumétrica do alimento.| | Açúcares| Amidos | Ác. g carboidratos não estruturais. f carboidratos não fibrosos. é altamente correlacionada com o enchimento ruminal e o consumo de matéria seca. Orgânicos | Pectinasb | Hemiceluloses | Ligninac | Celulose | | --------------. determinados por análises.Matéria Orgânica ---------------------------------------------------. 2002). c ligninas poliméricas e complexos de ácidos fenólicos (alguns dos quais podem ser solúveis. já que tais carboidratos contêm lignina. incluindo os ácidos graxos voláteis nas silagens e em outros alimentos fermentado.cinzas . especialmente em gramíneas. Ácidos Orgânicosa e Polímeros Complexos -----------. como betaglucanas e frutanas. | -------------------------------------------------. Figura 1.CNF f---------------------.Carboidratos. podendo ainda diferenciar volumosos de melhor ou pior qualidade (Gomes et al.Extrativo Não Nitrogenado -----------------------. pois sua digestibilidade varia com o teor de lignina e outros fatores.| | Lipídios | Proteínas | ---------------. e supunha-se que a fração “extrativo não nitrogenado” representava os carboidratos prontamente disponíveis dos alimentos.| | -----.FDAd------. e a composição 156 . com a exceção de alguns tipos de amido que são lentamente digeridos (Mertens.FB ----.CNEg -------. Mas isso não ocorre. pois representam a mesma fração de carboidratos dos alimentos.Solúveis em Detergente Neutro --------------------. b inclui outras fibras solúveis.| | ------------------------. d alguns complexos fenólicos e ligninas com baixo peso molecular podem ser solubilizados pelo detergente ácido. Embora a FDN não tenha um valor nutritivo fixo.. representando a fração de digestão lenta e.FDN ----------------.| | -------. determinados pela diferença: 100 . principalmente em forragens. A FDN mede o teor de fibra total e quantitativamente determina diferenças entre concentrado e volumoso.| e | -----------------------.lipídios .Parede Celular --------------------| | ----------------. portanto. 2007b). Fonte: Adaptado de Mertens (2002).o mesmo significado nutricional.| | ---. a fração solúvel em detergente neutro apresenta valor nutricional elevado por ser quase completamente digestível (95 – 98%). Fracionamento dos nutrientes.proteína – FDN.

2000). decorrentes das variações nas proporções de forragem de fibra longa e das concentrações de fibra em detergente neutro (FDN) na dieta. os efeitos decorrentes 157 . 1997). 2002).química da FDN (proporções de celulose. como deslocamento de abomaso. abscessos hepáticos e laminite crônica. dietas com concentrações similares de FDN não necessariamente terão concentrações de energia líquida para lactação (ELL) semelhantes. na síntese de gordura do leite (Mertens. Isso leva à diminuição do pH ruminal e às alterações nos padrões de fermentação deste órgão. proporção de fontes de fibra não forrageiras. não leva em consideração as características físicas da fibra. paraqueratose ruminal. que estão associadas à cinética de digestão e à taxa de passagem (Mertens. Estas propriedades físicas podem influenciar a saúde e a longevidade das vacas. A FDN pode ser utilizada eficientemente para definir o limite inferior da relação V:C quando a maior parte da fibra da dieta provém de forragens com partículas longas ou picadas grosseiramente. Entretanto. quando dietas com pouca fibra efetiva são formuladas e fornecidas para vacas em lactação. As propriedades físicas da fibra em rações de vacas leiteiras são afetadas pela razão V:C. a fermentação ruminal. 2001). hemiceluloses e lignina) afeta a digestibilidade da fração FDN. o metabolismo animal e o teor de gordura no leite. embora atenda a um dos principais objetivos no balanceamento de dietas. tamanho de partícula e processamento dos ingredientes da dieta (Mertens. tipos de forragens e concentrados utilizados. 3. inclui reduções na atividade de mastigação. A cascata de eventos responsável por decréscimos no desempenho animal. Mertens (2001) sumarizou respostas fisiológicas típicas de vacas leiteiras. que é definir o limite superior da relação volumoso/concentrado (V:C). Entretanto. segundo Mertens (1997). FDN não é adequada para balancear dietas quando a forragem é finamente picada ou quando fontes de fibra não forrageira são utilizadas (Mertens. Na Tabela 2. Portanto. que convergem para depressões de magnitude variada. O estreitamento da relação acetato/propionato provoca modificações no metabolismo animal. 1997). A incidência de distúrbios metabólicos. tem sido associada ao suprimento dietético inadequado de partículas longas de fibra (Buckmaster. independentemente da quantidade e composição da FDN quimicamente mensurada. com consequente menor secreção de saliva tamponante. RESPOSTAS FISIOLÓGICAS DE VACAS EM LACTAÇÃO ÀS CARACTERÍSTICAS FÍSICAS DA FIBRA A formulação de rações baseada no teor de FDN.

decorrentes das variações nas proporções de forragem de fibra longa e das concentrações de fibra em detergente neutro (FDN) na dieta1.7 3.8 1. 19% de FDNF. 2006). com tamanho de partículas adequado. A partir de uma ração contendo 19% de FDNF e 25% de FDN total. têm metade da sua capacidade para manter o pH ruminal. Variável Fibra em detergente neutro (FDN) na dieta (%) Tempo de mastigação (min/dia) Secreção de saliva (L/dia) Bicarbonato salivar (kg/dia) pH ruminal Ácidos graxos voláteis no rúmen (mM) Acetato ruminal (% molar) Propionato ruminal (% molar) Relação acetato:propionato Gordura no leite (%) Fonte: 1 Adaptado de Mertens (2001). Tabela 2.080 1. a atividade de mastigação e o teor de gordura no leite.4 1.0 3.7 3. utilizados para substituir forragens.0 1.0 1.4 2.7 2.4 3.040 970 820 520 320 200 196 189 174 143 123 2.8 6. esses teores devem ser utilizados em condições específicas.8 2. desde que 75% da FDN total seja oriunda da forragem (FDNF). Entretanto. e grão de milho como fonte de amido.5 3. sendo a oferta de alimento na forma de ração completa.das dificuldades de detecção de alterações na fermentação ruminal.5 6. Respostas fisiológicas típicas de vacas leiteiras. EXIGÊNCIAS DE FIBRA PARA VACAS LEITEIRAS Vacas em lactação devem consumir diariamente quantidades mínimas de fibra para estimular a atividade de mastigação.3 2. 158 . % de feno de gramínea com fibra longa na dieta de vacas leiteiras 100 80 60 40 20 0 70 59 48 36 25 14 1. manter o fluxo de saliva e um ambiente ruminal favorável ao desenvolvimento dos microrganismos responsáveis pela degradação de carboidratos fibrosos (Nussio et al.5 6.NRC (2001) sugere que a concentração mínima de FDN seja de 25% da matéria seca da dieta.5 2. para cada 1% de redução no FDNF. O National Research Council .2 5. nas quais as vacas são alimentadas com dietas à base de silagem de milho ou alfafa.8 5 85 95 105 115 125 135 70 66 61 55 48 40 15 18 22 27 33 40 4. ou seja. deve-se aumentar 2% no FDN total e reduzir 2% no CNF máximo (Tabela 3).2 1. podem ter impactos econômicos mais graves na produção leiteira.7 6.0 4.6 3. originando acidose subclínica. A premissa dessa proposta é a de que subprodutos fibrosos..

ou quando se utiliza fornecimento de dieta completa. Entretanto. quando 5-10% das partículas são maiores do que 19mm. frequência de alimentação e processamento de forragens. É necessário elevação de 1. O teor de FDN pode ser reduzido em 0. O conteúdo de FDN deve ser reduzido em 1. O teor de FDN deve ser elevado em quatro unidades para volumosos finamente picados. Mínimo de FDN da Mínimo de FDN total Máximo de CNF Mínimo de FDA forragem 19 25 44 17 18 27 42 18 17 29 40 19 16 31 38 20 15 33 36 21 1 Considerando adequado tamanho de partícula da forragem. De acordo com Allen (1995). • • • • • Tamanho de partícula das forragens. o requisito mínimo de FDN para vacas leiteiras é em torno de 30% na MS da dieta. Nenhum ajuste é necessário nas dietas à base de silagem de milho. Frequência de fornecimento do concentrado. como forragens imaturas ou silagens de milho de alta qualidade.Tabela 3. Esse autor sugere algumas recomendações. Recomendações das concentrações mínimas de FDN total. e aumentado em duas unidades percentuais quando a forragem apresenta pouca quantidade de partículas longas (menos de 5% das partículas acima de 19mm). FDN de forragem e FDA (% da MS) e concentrações máximas de CNF (% da MS) em rações de vacas em lactação1. Deve haver um incremento de duas unidades percentuais na FDN quando são utilizadas forragens com elevada digestibilidade da FDN. Nenhum ajuste é necessário quando 7580% do amido é degradado no rúmen. tornam-se necessários ajustes na concentração de FDN. Degradabilidade ruminal do amido. Digestibilidade da fibra.5 a 1% na MS quando tamponantes são adicionados à dieta. 159 . Deve-se aumentar o teor de FDN em duas unidades quando mais 80% do amido for degradado no rúmen. Fonte: NRC (2001). O teor de FDN da dieta deve ser reduzido em duas unidades percentuais se a digestibilidade ruminal for de 6575%. milho como principal fonte de amido e rações fornecidas em mistura total. Uso de tampões. diante da grande diversidade de ingredientes disponíveis. métodos de fornecimento da ração.5 unidade quando o concentrado é fornecido quatro ou mais vezes por dia. adotando-se como base uma dieta com 30% de FDN na MS. sem partículas longas. O teor de FDN deve ser reduzido em duas unidades percentuais quando a silagem contém mais de 15% das partículas acima de 19mm ou quando é fornecido feno longo.5 unidade no teor de FDN quando o concentrado é fornecido duas vezes por dia ou menos.

8% do PV e de 1. Em todos os contextos avaliados acima. Nenhum ajuste é necessário se não houver inclusão de subprodutos na dieta. denominadas de mat.FDN FISICAMENTE EFETIVA E FDN EFETIVA Mertens (1997) relatou que..2% do PV no período de 100 dias pós-parto a 160 dias de gestação (Fox et al. é o produto do fator de efetividade física (fef) pela porcentagem de FDN obtida da análise química de um alimento (Armentano e Pereira.• • Utilização de subprodutos. a efetividade da fibra tem sido definida sob diferentes formas. 1998). a redução no teor de FDN nunca deve exceder cinco unidades percentuais. 1992). sendo o limite mínimo de FDN recomendado de 25% na MS (Varga et al. respectivamente. CONCEITOS DE EFETIVIDADE DA FIBRA . Adição de gordura. A fibra proveniente dos subprodutos deve ser limitada a 30% da exigência de fibra total. e tentativas vêm sendo feitas para incorporar os conceitos de FDN efetiva e FDN fisicamente efetiva na formulação de rações. O valor de FDNfe dos alimentos está relacionado à concentração de FDN e à variação no tamanho de partícula. (2004) avaliaram dados experimentais de vacas leiteiras publicados no Brasil e sugeriram que o teor de FDN total deve ser reduzido com o aumento da produção de leite. Aumentar a FDN em duas unidades percentuais quando forem utilizados mais de 10%. principalmente tamanho de partículas. Lana et al. sendo esses fatores críticos para estimulação da ruminação e motilidade do rúmen (Mertens. Quando há inclusão de 2-3% de gordura na MS da dieta. pode-se reduzir o teor de FDN em uma unidade percentual. que estimulam mastigação e estabelecem uma estratificação bifásica do conteúdo ruminal. para evitar restrições no consumo de MS devido ao efeito de enchimento ruminal. contribuindo para a formação de uma camada flutuante de partículas grandes. 1997). Segundo Firkins (2002). sobre um pool de líquido e partículas pequenas (Mertens. da quantidade de CNF necessária para boa fermentação ruminal e do efeito negativo que a fibra exerce sobre o consumo de matéria seca (NRC. as rações de vacas em lactação devem conter teores máximos de 30% de FDN oriunda de forragem e 35 a 40% de FDN total. 160 . O Sistema de Carboidratos e Proteína Líquidos de Cornell (CNPS) para bovinos assume um consumo máximo de FDN ao parto de 0. de subprodutos com elevado teor de fibra e finamente picados. embora a determinação da concentração de FDN possa ser considerada como de rotina. 1998). Em termos práticos. Teores de FDN em relação ao peso vivo (PV) também foram estabelecidos. Já a quantidade máxima de FDN que pode ser incluída em rações é função das exigências de energia líquida de lactação (ELL) da vaca. 5.. na MS da dieta. 2001). 1997). variando de 50 a 33% da MS da ração para produções diárias de 18 a 24Kg de leite por vaca. A fibra fisicamente efetiva (FDNfe) de um alimento corresponde às propriedades físicas de FDN.

trata-se de um conceito mais restrito que FDNe (Mertens. Por definição. 6. Assim. Como digestão e passagem são processos que competem entre si. os efeitos físicos da FDN sobre a atividade de mastigação e tamponamento ruminal são confundidos com os efeitos metabólicos causados por diferenças na composição química dos alimentos (Allen.A fração FDN efetiva (FDNe) está relacionada ao somatório das habilidades totais de um alimento em substituir a forragem na ração. para valores maiores que um. fatores de efetividade (fe) para FDN podem variar de zero. contanto que a porcentagem de gordura do leite produzido por vacas consumindo tal dieta seja mantida. composição e concentração de gordura. em razão de a FDNfe estar relacionada a propriedades puramente físicas da fibra. A combinação desses fatores contribui para taxa de passagem mais rápida dos subprodutos do que das forragens. Por outro lado. a energia metabolizável da ração e o desempenho dos animais (Grant. 1997). o caroço de algodão. Quando apenas o teor de gordura do leite é utilizado como a variável de resposta de mudança na efetividade. além disso. quando um alimento mantém a porcentagem de gordura do leite mais efetivamente do que o faz a atividade de mastigação (Mertens. FDNfe e FDNe diferem em conceito e valores estabelecidos para cada alimento e. a taxa de passagem. 161 . teores de proteínas solúveis e carboidratos e proporções molares e concentrações de ácidos graxos voláteis. 1998). A FDN de vários subprodutos é potencialmente mais digestível no rúmen do que a FDN oriunda de forragens (FDNF). 1997). 1997. 1997). quando um alimento não tem habilidade para manter o teor de gordura do leite. a digestão da fibra no trato gastrintestinal. Mertens (2001) discutiu que os efeitos adicionais parcialmente incluídos na FDNe envolvem características dos alimentos associadas com a capacidade intrínseca de tamponamento. Mooney e Allen. existe potencial para aumentar a digestibilidade ruminal e do trato total da FDN quando FFNF substituem forragens em dietas de vacas em lactação. destacando-se a casca de soja. a taxa de digestão da FDN de FFNF no rúmen é semelhante ou inferior a de forragens e. FONTES DE FIBRA NÃO FORRAGEIRA O uso de subprodutos para atender as exigências de fibra torna-se uma opção importante para rações cujo balanceamento pode ser limitado pela quantidade ou qualidade das forragens disponíveis. 1997). quantidade e características físicas da forragem podem interagir com FFNF e influenciar o comportamento ingestivo. as FFNF devem ser retidas no rúmen para aumentar a digestibilidade ruminal de FDN. Portanto. estas fontes de fibra têm tamanho menor de partículas e gravidade específica maior (Firkins. Os subprodutos utilizados com esse propósito constituem uma fonte de fibra não forrageira (FFNF). Fonte. a casca de algodão e a polpa cítrica.

2006).A presença de fibra de volumosos no rúmen pode alterar a consistência do mat e aumentar a retenção da FFNF. são formuladas dietas com níveis crescentes de adição de FDN da forragem padrão. que apresenta um fe de 1. valores semelhantes aos de forragens longas. elevou o pH ruminal e aumentou o tempo de ruminação.1. quando a FDN de uma forragem considerada padrão (fe = 1. 1999). O coeficiente de inclinação obtido desta regressão fornece uma estimativa do aumento linear de unidades 162 . Mertens. Weidner e Grant (1994) substituíram 40% de uma mistura de silagens de alfafa e de milho por casca de soja (25% da MS) em dietas de vacas em lactação. com ou sem a inclusão de feno de alfafa picado grosseiramente.0 e fef de 0. 1997. torna-se interessante a utilização de forragem com maiores tamanhos de partícula. Sem a inclusão do feno. 1994). Este método exige a formulação de uma dieta basal com baixas concentrações de FDN total.. a casca de soja não apresentou a mesma efetividade. visando à obtenção de uma curva de respostapadrão. 1995).. Swain e Armentano. a facilidade pela qual pode ser mensurada e a expectativa de que possa ser um aceitável reflexo da saúde. de ensaios biológicos (Clark e Armentano. utilizado em experimentos de curta duração.0) é substituída pela FDN daquele subproduto sob teste (Clark e Armentano. 1997). Fox et al. O procedimento metodológico clássico. A exceção é o caroço de algodão. A inclusão de casca de soja e feno aumentou a consistência do mat. baseia-se nas alterações observadas na porcentagem de gordura do leite. A partir destes níveis basais. para estimativa de valores de FDNe para subprodutos fibrosos de origem vegetal (fontes de fibra não forrageira). 7. 1997. em dietas com inclusão de grandes quantidades de subprodutos como fonte de fibra. Teor de gordura no leite A manutenção da porcentagem de gordura do leite tem sido o centro das atenções de muitas pesquisas e de aplicações do conceito de fibra efetiva por nutricionistas no campo. relacionando teores de gordura do leite versus os conteúdos dietéticos de FDN da forragem referência (Swain e Armentano. Depies e Armentano.9. Desse modo. do bem-estar e do desempenho animal são algumas das justificativas em que se baseia a eleição desta variável como indicativa dos efeitos da concentração dietética de FDNe (Lopes et al. além de estimular a mastigação de forma mais eficiente. O inevitável impacto econômico para o produtor. MÉTODOS PARA QUANTIFICAR A EFETIVIDADE DA FIBRA A efetividade de FDN vem sendo avaliada por meio de métodos estatísticos (Mertens.. 7. 1993. 1993) e/ou do emprego de métodos laboratoriais de avaliação da estratificação de partículas dos alimentos (Buckmaster et al. 1994. O NRC (2001) assume que a FDN de FFNF apresenta 50% da efetividade da FDN de forragens.

e desconsidera-se que a porcentagem de gordura no leite pode ser afetada por outros fatores e não apenas pelo teor de FDN da forragem (Armentano e Pereira.025. Valor elevado devido ao alto teor de lignina (20 % MS). Da razão entre os dois coeficientes de regressão obtidos. Fonte: Adaptado do CNPS (dados não publicados). 163 . Com base nas concentrações de FDN definidas na dieta basal.025).653 Feno de gramínea maduro 72 73 53 Silagem de milho 41 61 25 Feno de gramínea maduro 72 88 63 Silagem de milho 41 71 29 0.54 Sabugo de milho 90 100 90 Caroço de algodão 44 100 44 Feno de gramínea maduro 72 100 72 Pastagem de gramínea 50 41 21 Longo (>2.2.percentuais de gordura no leite para cada 1% de FDNe oriunda da forragem padrão. Teores de fibra em detergente neutro efetiva (FDNe) de alguns alimentos rotineiramente utilizados na alimentação de ruminantes.27 . não são consideradas as diferenças que frequentemente ocorrem na qualidade ou efetividade da fibra da silagem alfafa (tamanho de partícula).54) Milho grão inteiro 9 100 9 2 Palha de arroz 85 120 102 1 2 FDNe (%MS) = FDN (%MS) x FDNe (%MS). (2007a). podem-se observar os teores de FDNe de alguns alimentos frequentemente utilizados na alimentação de vacas leiteiras.020 e a silagem de alfafa um coeficiente de 0.653 . se em uma avaliação com vacas em lactação. um segundo coeficiente de regressão é obtido. Desta forma. Portanto. a inclusão na ração de FDN de grãos de destilaria desidratados gerasse um coeficiente de regressão linear de 0..020/0. Tabela 4. 2006). Por exemplo.27 Sabugo de milho 90 80 72 Milho quebrado 9 60 5 Feno de gramínea maduro 72 100 72 1. Tamanho de FDN FDNe (% FDNe Alimento partícula (cm) (%MS) FDN) (%MS)1 Milho grão moído 9 0 0 < 0. deve-se formular uma ração contendo um nível adicional de FDN oriunda do alimento a ser testado. citado por Gomes et al. este produto teria 80% da efetividade da silagem de alfafa (Lima. tem-se uma estimativa do fe para o alimento teste em relação à forragem considerada padrão no experimento (Lopes et al. 1997). Nas Tabelas 4 e 5. 2003).8 (0. o qual expressa o acréscimo linear de unidades percentuais de gordura no leite com a adição de 1% de FDNe oriunda do alimento teste. Alguns problemas deste método são: assume-se que a resposta do teor de gordura no leite ao aumento no teor de FDN da ração é linear. o valor calculado de efetividade dos grãos de destilaria seria de 0.1.

1997. Por este motivo. a função ruminal (pH e perfil de AGV). Ingrediente FDNe (% FDN) Caroço de algodão 100 Grão de soja inteiro 100 Milho seco inteiro 100 Milho quebrado 60 Fubá de milho 48 Milho alta umidade 1 48 Farelo de algodão 36 Glúten de milho 36 Polpa cítrica 33 Farelo de soja 23 1 Moagem fina. tem sido uma das medidas mais estruturadas e utilizadas para avaliar a efetividade de FDN. casos de laminite podem ser encontrados em rebanhos que não apresentam sinais de depressão no teor de gordura do leite. por afetar a secreção de saliva. 7. 164 .2. 1986). segundo Allen (1997). Kononoff. o comportamento ingestivo pode ser usado para calcular os valores de efetividade física da fibra dos alimentos e compará-los entre si. 2000). 1991). sugerindo que este não é um parâmetro adequado para avaliação da função ruminal e da saúde do rebanho (Mertens.Tabela 5. sendo esse um dos mecanismos mais importantes de remoção de íons hidrogênio produzidos durante a fermentação ruminal dos alimentos. o consumo de matéria seca e a porcentagem de gordura no leite (Colenbrander et al. O tempo de mastigação é afetado principalmente pelo consumo de matéria seca. Vacas em lactação podem produzir até 308 litros de saliva por dia durante a mastigação (Cassida e Stokes. o processo de trituração dos alimentos. Segundo o NRC (2001).. O autor sugere que o pH ruminal seria uma resposta mais adequada na determinação da exigência de fibra efetiva para esta categoria animal. pelo teor de FDN total e por características físicas da ração (tamanho de partícula). Teor de fibra em detergente neutro efetiva (FDNe. composto pela ingestão e ruminação. %FDN) de alguns concentrados para bovinos. (1992). Portanto. Outra consideração a respeito da obtenção destas estimativas de fe está relacionada ao uso de vacas nos terços médio e final da lactação (Allen 1995. a composição do leite destes animais é mais sensível a mudanças dietéticas. os valores de efetividade estimados com o auxílio desta metodologia não seriam aplicáveis a vacas no início da lactação. Comportamento ingestivo O tempo de mastigação. Embora o baixo teor de gordura no leite seja um indicador da formulação inadequada de rações. Fonte: Adaptado de Sniffen et al. 2002).

embora existam evidências na literatura de que não haja linearidade desta resposta (Woodford e Murphy. obtendo-se o valor de FDNfe. Essa metodologia tem como premissa básica que partículas com tamanho inferior a 1. 7. as quais foram utilizadas para calcular a efetividade física da fibra da silagem de alfafa e do caroço de algodão. Esse método de avaliação da FDNfe assume que a resposta do tempo de mastigação em relação ao aumento do teor de FDN da ração é linear. Nesse método. 1985). sugerindo que as vacas apresentavam um mecanismo adaptativo de aumento na eficiência de ruminação quando o consumo de FDN era limitado. os autores consideraram os teores de FDN dos alimentos e o tempo de mastigação proporcionado por ingrediente da ração. Grant. Mertens (1997) propôs o conceito de FDN fisicamente efetivo (FDNfe) utilizando análises de regressão para designar fef para classes de alimentos. que a atividade de mastigação é igual para todas as 165 . A concentração de FDN (% MS) do alimento é multiplicada pela porcentagem de partículas retidas em peneiras maiores do que 1. Os valores de efetividade física dos alimentos testados foram calculados dividindo-se o tempo de mastigação por unidade de FDN do alimento teste pelo tempo de mastigação por unidade de FDN da silagem de alfafa.0). Além disso. como pode ser visto na Tabela 6. Outra suposição. foi que o tempo basal de mastigação seria de 355 minutos por dia para dietas com 0% de FDN. A contribuição dos concentrados para mastigação foi assumida como sendo igual a zero.18mm passam rapidamente pelo rúmen.18mm. 1988. que considera as características químicas e físicas dos alimentos. não evidenciando importância no estímulo à mastigação e ruminação (Poppi et al. foi proposto por Mertens (1997). Para determinar os coeficientes de fef de vários alimentos. Grant (1997) observou que a ruminação por unidade de FDNf consumida aumentou quando o teor de FDN da ração diminuiu. baseados na atividade de mastigação que eles estimularam.3.94 para o milho triturado grosseiramente. A princípio. Métodos laboratoriais Um simplificado sistema para avaliação da FDNfe. 1991. Mertens (1997) sumarizou dados de atividade de mastigação de 45 experimentos publicados e determinou o consumo de FDN para cada fonte dietética e forma física das 265 combinações de vacas e tratamentos. baseadas na concentração de FDN e no tempo de mastigação. embora Mertens (1997) tenha estimado valores tão altos quanto 0.Mooney e Allen (1997) desenvolveram uma série de equações. 1997). Beauchemin. pressupõe que a FDN é uniformemente distribuída nas frações do alimento contendo distintos tamanhos de partículas. baseada na regressão de médias para tratamentos publicados na literatura. os tempos totais de mastigação foram divididos por 150min/Kg de FDN e efetuou-se a regressão dessa variável versus o consumo de FDN (Kg/dia) de cada alimento.. foram estabelecidos coeficientes de regressão representando “minutos de mastigação/Kg de FDN” para cada fonte e forma física. O feno de gramínea com fibra longa originou um coeficiente de regressão de 150min/Kg de FDN e foi escolhido como a forragem padrão (fef=1. Desse modo.

03 2. 1 2 Silagem picada grosseiramente. Nesse caso.0 Feno de gramínea 65 0.92 46. Estimativas da fibra em detergente neutro fisicamente efetiva (FDNfe). baseado na distribuição das partículas dos alimentos em três peneiras e na concentração de FDN de cada fração. Também foi identificada correlação mais elevada entre os valores de FDNfe estimados pela metodologia de Mertens (1997).. 8 a 19mm e < 8mm) da Penn State Forage and TMR Separator (Lammers et al.98 63.0 FDNfe = FDN (%MS) x fração retida na peneira (% MS).18mm e a atividade de mastigação (Beauchemin et al.82 41.5 Silagem de milho 51 0.7 Feno de leguminosa 50 0.81 41. visando à caracterização adicional das partículas mais finas do alimento ou da dieta (Kononoff. ponderada pela respectiva efetividade relativa em cada uma dessas frações.3 Farelo de soja 14 0. 1997).48 4. Fonte: Mertens (1997).18mm. Entretanto.18 8..partículas retidas na malha de 1. Tabela 6.5 Resíduo de cervejaria 46 0.0 2 Silagem de leguminosa 50 0. Fração retida (% de MS) retida FDN fe Alimentos FDN (% MS) em peneira de 1.3 Milho moído 9 0. a distribuição das partículas por tamanho foi efetuada utilizandose o conjunto de peneiras (>19mm. partículas retidas em peneiras de 1.67 33. 2002). pois este índice não capta diferenças na efetividade de partículas de distintas fontes dietéticas. 3 Silagem 166 . que foram determinados baseados em dados publicados na literatura. e que a fractabilidade (facilidade na redução do tamanho) é semelhante entre fontes de FDN (Mertens. picada finamente.2 Casca de soja 67 0. (1997) também desenvolveram um método de avaliação do consumo de fibra efetiva.23 3.00 100.0 3 Silagem de leguminosa 50 0. 2003). 1996).18mm foi incluída no Penn State Forage and TMR Separator (PSPS) e sua utilização foi validada. Recentemente uma nova peneira com abertura de malhas de 1. Um aspecto importante a ser considerado é que a metodologia de avaliação afeta a estimativa da efetividade física da FDN. utilizando-se análises químicas e físicas. refletem a efetividade de cada tamanho de partícula em estimular a ruminação e em contribuir para a formação do mat ruminal. os coeficientes de efetividade relativa. sendo que os valores de FDNfe foram consideravelmente menores quando avaliados por meio da PSPS. denominado Índice de Fibra Efetiva (IFE). Segundo Buckmaster (2000).8 mm (% MS)1 Padrão 100 1. o autor alertou que ajustes baseados no tipo de alimento podem evidenciar-se necessários. Buckmaster et al.

42 e 0. Segundo eles. a partir da concentração de gordura do leite e do pH ruminal. Os valores relatados para fe (porcentagem de gordura do leite) da FDN foram de 0. Allen e Grant (2000). e 0. e o alimento teste foi o glúten úmido de milho. Os autores consideraram que as diferenças observadas nos índices de efetividade foram reflexo dos atributos químicos e físicos do glúten de milho.8. Os índices de efetividade obtidos foram de 0. A forragem padrão (fef ou fe = 1.74. também obtiveram estimativas para fe e fef bastante diferentes quando utilizaram as respostas “porcentagem de gordura no leite” e “tempo de ruminação”. evitando possível acidose no rúmen. Depies e Armentano (1995).33. devido ao seu pequeno tamanho de partícula. que foi capaz de diluir carboidratos não fibrosos dietéticos. Mas. trabalhando com vacas no terço médio da lactação e silagem de alfafa como forragem-padrão. (1999) para formulação de dietas em que fontes de fibra não forrageira são incluídas. a falta de um método padrão e validado para medir fibra efetiva e estabelecer exigências limita a aplicação deste conceito. Mais pesquisas são necessárias para 167 . trabalhando com vacas nos terços iniciais de lactação. Os respectivos fef da FDN (atividade de mastigação) para cada alimento foram 0. Os autores concluíram que metade da efetividade da FDN da silagem de alfafa refere-se ao seu tamanho de partículas. e um fator de efetividade física (fef). tendo a atividade de ruminação (min/Kg de FDN) como variável de resposta animal.13. o sabugo e milho moído e o farelo de trigo. que influenciam sua efetividade em manter a funcionalidade do rúmen e o bem-estar do animal. Dessa forma. a FDN foi somente 11% tão efetiva quanto a FDN da silagem de alfafa em estimular a ruminação. no momento. respectivamente. para porcentagem de gordura no leite. Allen e Grant (2000) concluíram que os índices de efetividade podem variar substancialmente em função da variável resposta e recomendaram uma posição mais conservadora no tocante ao uso do menor valor obtido. evidencia-se como importante ferramenta para a otimização de dietas para vacas leiteiras. provocando decréscimos na produção de ácidos de fermentação. A determinação das características químicas e físicas dos alimentos. pH e atividade de mastigação. este alimento possui fibra altamente digestível. e tentativas vêm sendo feitas para incorporar este conceito na formulação de dietas para vacas em lactação.0) foi a silagem de alfafa. 0. A outra metade da efetividade da FDN da silagem de alfafa e toda a efetividade da maioria das fontes de fibra não forrageira são decorrentes do efeito de diluição dos carboidratos não fibrosos da dieta. um efeito que não pode ser substituído pela FDN da maioria das fontes de fibra não forrageira.51 para ambos. Esta estratégia também foi recomendada por Pereira et al. VALORES DE EFETIVIDADE DA FDN SEGUNDO A METODOLOGIA DE DETERMINAÇÃO Os conceitos de FDN fisicamente efetiva e FDN efetiva são relativamente recentes.11. determinaram dois fatores de efetividade (fe). a identificação das vantagens e das deficiências inerentes às metodologias utilizadas na determinação dos fatores de efetividade dos alimentos torna-se necessária para orientar a busca por uma metodologia padrão que beneficie a aplicação prática do conceito de fibra efetiva. Entretanto.

EXIGÊNCIAS DE FIBRA EFETIVA Atualmente. 9. a partir de análises de regressão de dados da literatura. R. sendo o concentrado fornecido em ração total (TMR). Assim. O deslocamento em direção a um dos extremos depende de fatores que afetam a atividade de mastigação..7% na MS. 168 . Interactions between forage and wet corn gluten feed as sources of fiber in diets for lactating dairy cows.83. v. Mertens (2000) sugeriu que a formulação de dietas para vacas leiteiras deve conter. 21% de FDNfe. para manter um pH de 6.J. D. visando ao estabelecimento de um banco de dados para uso na formulação de rações. Nesse caso. J. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ALLEN. 2000.M. Nesse contexto. da capacidade natural dos alimentos para o tamponamento do rúmen e da suplementação com tamponantes.4% seria de 19. principalmente em sistemas de produção de leite especializados. Dairy Sci. do manejo. O CNPS (Fox et al.322-331. as exigências de FDN efetiva disponíveis para formulação de rações para vacas leiteiras foram estabelecidas por Mertens (1997). considerando fatores relacionados ao manejo e à composição da ração. da produção de ácidos no rúmen. CONSIDERAÇÕES FINAIS O conhecimento das propriedades químicas e físicas das forragens e dos subprodutos utilizados como fontes de fibra representa uma importante ferramenta para os nutricionistas. no mínimo.identificar as propriedades dos alimentos que influenciam a efetividade da fibra dietética. O balanceamento de dietas para vacas de alta produção exige a utilização dos limites inferiores da exigência de fibra. é necessário o teor de 22. admitindo-se uma amplitude de 19 a 23% de FDNfe na MS.. O sistema sugere um teor mínimo de 20% de FDNfe em rações que visam maximizar o uso de CNF e a produção de proteína microbiana.. GRANT. 10. Esse autor também avaliou o pH do líquido ruminal para estabelecer a exigência de FDNfe. Foi estabelecido que o teor mínimo de FDNfe necessário para manter o teor de gordura no leite em 3. 1999) também estabeleceu recomendações mínimas de FDNfe na MS da dieta.3% de FDNfe na MS da ração. a aplicação prática dos conceitos de efetividade garantirá a manutenção da funcionalidade do rúmen e da saúde e longevidade do animal. nos quais é necessário um maior refinamento. p.0 no fluido ruminal. das variações nas composições das rações.

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. Desta forma. substituir forragens. gabrielorjunior@yahoo. Belo Horizonte.br 2 Engenheiro Agrônomo.com. Frederico Osório Velasco4 RESUMO A casca de soja. coproduto das indústrias de processamento da soja. Belo Horizonte. MSc.. Caixa Postal 567. 1995). CEP 30123-970. devendo ser tostada a fim de destruir a atividade de uréase. Escola de Veterinária da UFMG. Além de ser uma alternativa para redução de custos. Doutorando em Zootecnia. contribuindo para a elevada ingestão de energia e prevenindo alterações da função ruminal. Ela também pode. MSc. MG. Doutorando em Zootecnia.com 1 173 . Caixa Postal 567. MG. quando estas estão com baixa qualidade ou em pouca quantidade. DSc.CAPÍTULO 11 CASCA DE SOJA NA ALIMENTAÇÃO DE GADO DE LEITE Gabriel de Oliveira Ribeiro Júnior 1. com sucesso. INTRODUÇÃO Os coprodutos de indústrias de transformação de alimentos estão sendo cada vez mais utilizados como uma alternativa economicamente viável para redução dos custos dos sistemas de produção de ruminantes. em sua maior parte. a casca de soja é. sendo obtido ao final da colheita de alguma cultura ou após o processamento agroindustrial de alguma commodity destinada à alimentação humana. luciocg@vet.ufmg. Este capítulo fornecerá informações para a adequada utilização da casca de soja na dieta de vacas de leite. Associado Departamento de Zootecnia da Escola de Veterinária da UFMG. 4 Médico Veterinário. a casca de soja pode substituir grãos de cereais na dieta de ruminantes. fredericovelasco@gmail. em Zootecnia. MSc. devendo ser tostada a fim de destruir a atividade de uréase (Tambara et al. é fisicamente o envoltório do grão (pericarpo) separado do embrião no processamento industrial. podendo ser de origem animal ou vegetal. coproduto das indústrias de processamento da soja.. como fonte de fibra. Caixa Postal 567. composta de fibra que possui Médico Veterinário. A casca de soja é uma fonte de energia. Segundo Fadel (1999). semelhante ao que ocorre à polpa cítrica e ao resíduo de cervejaria. desempenhando papel fisiológico de fibra vegetal e funcionando como um grão de cereal em termos de energia. Belo Horizonte.. o coproduto pode ser definido como aquele material que possui valor como alimento para animais.. Flavia Cardoso Lacerda Lobato3. Lúcio Carlos Gonçalves 2. e muitos pesquisadores a classificam como produto intermediário entre concentrado e volumoso. Prof. CEP 30123-970. Escola de Veterinária da UFMG. MG. CEP 30123-970.br 3 Médica Veterinária. é fisicamente o envoltório do grão (pericarpo) separado do embrião no processamento industrial. A casca de soja.

1959). pode substituir grãos de cereais na dieta de ruminantes. Muitos pesquisadores a classificam como produto intermediário entre concentrado e volumoso. 2000). 1.82 Mcal de energia digestível por kg de MS. A casca de soja. Assim. e condições ambientais durante crescimento da cultura (temperatura e disponibilidade de água). que antes era incorporada ao farelo. plantas com materiais genéticos diferentes.. Composição química da casca de soja. somado a seus preços competitivos.NRC (1984). sendo considerada uma fonte de energia. data de plantio). esta se torna uma excelente opção para alimentação de ruminantes por ser composta de uma fibra de alta digestibilidade que pode chegar a 90% (Quicke et al. Isto tem levado à maior disponibilidade deste subproduto no mercado. A composição química da casca de soja (CS) pode ser vista na Tabela 1. o que tem proporcionado a retirada da casca. com sucesso.pouco valor para a alimentação humana e utilização industrial. De acordo com estimativas da Companhia Nacional de Abastecimento – CONAB (2009). 2003). desempenhando papel fisiológico de fibra vegetal e funcionando como um grão de cereal em termos de energia. Tabela 1. semelhante ao que ocorre à polpa cítrica e ao resíduo de cervejaria. além de ser uma alternativa para redução de custos. VALOR NUTRITIVO Segundo o National Research Council . resultou numa ascensão na sua utilização em dietas de ruminantes. com a não separação completa da casca do endosperma. normalmente há uma grande disponibilidade deste insumo a baixo custo. que. Assumindo-se que a casca da soja compõe 5% do peso total da soja (Blasi et al. Em contraste. falta de um rigoroso programa de controle de qualidade durante a produção e manipulação. Com o advento das exportações de farelo pelas indústrias. como fonte de fibra. 174 . contribuindo para a elevada ingestão de energia e prevenindo alterações da função ruminal. estas têm que cumprir leis internacionais sobre um teor mínimo de proteína bruta neste produto. nas regiões produtoras de soja. O valor nutritivo da casca de soja para os ruminantes pode variar devido às diferenças nas composições químicas encontradas. substituir forragens. diferenças nos tratos culturais (fertilização nitrogenada. a casca de soja apresenta 2. tem-se uma estimativa de produção de três milhões de toneladas.. Estas diferenças estão relacionadas a fatores como: falha no processamento. a safra de soja 2008/09 totalizará 58. quando estas estão com baixa qualidade ou em pouca quantidade (Ipharraguerre e Clark.5 milhões de toneladas. Ela também pode.

4% a 3.8 a 4. que é uma fibra solúvel altamente digestível. a fração fibrosa é composta de grande quantidade de celulose (43%) e hemicelulose (17. a adição de forragem grosseira (fibra longa) em dietas com CS aumentou os tempos de retenção da CS e. quando se realizou a digestibilidade aparente em ovinos com CS como único alimento.1 77 Valadares Filho et al. Esta variação parece estar relacionada com diferenças no processamento de extração do óleo de soja.77 PB – Proteína bruta. a pectina apresenta 98% de digestibilidade verdadeira.7 29.2%. O teor de extrato etéreo variou de 0. EE – Extrato etéreo. 11.2 39.3% e 44.8%) pouco lignificada. FDA – Fibra em detergente ácido.0 9.8% de FDA para casca de soja limpa.8 4. Dessa forma.2 15.1 a 14. (1959) mediram a digestibilidade in vitro da celulose e fibra bruta da CS e encontraram valores de 96 e 97%.55%.4 - NRC (2001) 12.9% (Tabela 1).24 e 0. em consequência.16% na MS.4 73. (1988) encontraram valores de 73. quando comparada com o milho (0. A CS apresenta também altos teores de ácido urônico ou pectina. respectivamente).50 68. (2006). permitiu maior fermentação ruminal. por isso apresenta elevados teores de fibra.. respectivamente. (2006) 11. Fonte: NRC (2001). (1988) encontraram valor de 9.4 19. Estes valores parecem estar relacionados com a presença de farelo de soja. a composição da dieta parece afetar o valor 175 . Quicke et al. Essa variação parece estar diretamente relacionada à presença de farelo de soja nos produtos classificados como casca de soja.4 para a casca de soja limpa. os coeficientes de digestibilidade da celulose e fibra bruta foram 54 e 57%.8.4 a 19. A CS tem função de proteção do endosperma. respectivamente. Ipharraguerre e Clark (2003).4%. Já o NRC (2001) apresenta a CS com 60.40 51.7% de FDN e 50. A CS é rica em lisina e glicina (0.1 19.72 e 1. respectivamente.4 3.40% de FDN e 50.9 0.65 50. Esse resultado sugere que a taxa de passagem da CS pelo rúmen é muito rápida para maximizar a digestão da fibra pelos microrganismos ruminais. (2006).60 6.54 3. FDN – Fibra em detergente neutro.6% de FDN e FDA.8%.52 68.1 50 67 46 2 2. Apesar de a CS apresentar alto conteúdo de fibra.Nutriente (%) Proteína bruta FDA FDN Celulose Hemicelulose Lignina Extrato etéreo Amido NDT Ipharraguerre e Clark (2003) Mínimo Máximo 9. Os valores de lignina variaram de 1. sem presença de farelo de soja. já que Anderson et al. Os valores de proteína bruta encontrados variaram de 9. Anderson et al. sendo em média 11. Segundo Van Soest (1994).8 53.0 51. Segundo Ipharraguerre e Clark (2003). 2006). que são os principais monômeros envolvidos na ligação entre a lignina e a hemicelulose (Garleb et al.4 0. 1988). a CS apresenta baixos teores de ácidos ferúlico e p-cumárico. Valadares Filho et al. Entretanto.7 1.43 1.6 52.42 19. respectivamente) (Valadares et al.. a CS contém 68.52% de FDA com base na matéria seca. Aliado a isso. De acordo com Valadares et al.

1Kg por dia de ração contendo CS moída. De acordo com Ipharraguerre e Clark (2003). esta redução na digestibilidade não foi observada quando a CS foi moída a 3. que. resultando em um melhor ambiente de rúmen. respectivamente). reduz os teores de amido da dieta.05Kg por dia de CS moída ou peletizada. Anderson et al.6%/h e que o desaparecimento dessa fração após 96 horas de incubação foi de 90%. o resultado foi menores ganhos de peso (0. o pH se mantém em níveis mais elevados.10/h. taxa de passagem das partículas. experimentos in situ demonstraram que a fração FDN da casca de soja foi fermentada a uma taxa média de 5. (1988) encontraram que a taxa de passagem pelo rúmen foi superior para a casca de soja moída (4. Porém. Assim. criando um ambiente favorável às bactérias celulolíticas. peletizada.8mm. gravidade específica elevada (após hidratação) e características da sua fração fibrosa.nutritivo da CS por modificar a consistência do mat ruminal. A CS normalmente é moída.5%/h) comparada à casca inteira (2.093/h e 0. 176 . não diferindo dos valores encontrados para os outros tratamentos. por sua vez.2 e 4. CS peletizada e CS sem processamento. Essa redução pode ser explicada pelo menor tempo de retenção ruminal causado por maior taxa de passagem quando se aumentou a ingestão de MS. como taxa de digestão. pH ruminal e natureza da população microbiana. que provocam alterações no meio ambiente do trato digestivo e na cinética do processo digestivo. A relativa elevada taxa de passagem da casca de soja pode ser explicada pelo seu tamanho de partícula pequeno. O efeito desses métodos de processamento físico na digestão e no valor nutritivo da CS de soja para carneiros e bovinos foi avaliado por Anderson et al. (1988). A taxa de digestibilidade da FDN in situ encontrada foi de 7. Nakamura e Owen (1989) determinaram a taxa fracional de passagem (h-1) da casca de soja em vacas em lactação consumindo dietas contendo silagem de alfafa e concentrado (razão de 50:50 na MS) na qual a casca de soja substituiu o milho para fornecer 25 e 48% da MS da dieta. Foi observado que a moagem diminuiu a digestibilidade da FDN (56%) quando comparada com a CS peletizada (61%) e com a CS sem processamento (62%). Foram utilizadas três formas físicas diferentes: CS moída (a 1. quando substitui grão de cereais. a inclusão de casca de soja não limita a digestibilidade aparente da dieta no trato gastrintestinal total de ruminantes. Entretanto.105Kg) em comparação com a ração contendo CS peletizada (0. influencia o tempo de retenção ruminal.5%/h para o tratamento com a casca de soja moída. não foi observada diferença no ganho de peso. De uma maneira geral. Quando novilhos foram suplementados com 1.8%/h). ou moída e peletizada. Fahey e Berger (1993) citam que o principal fator que afeta a digestão dos carboidratos estruturais é a adição de carboidratos solúveis obtidos em alimentos concentrados. o que leva a uma melhor digestibilidade da forragem. Foi relatada uma taxa de passagem 8% superior para o tratamento com 48% frente ao tratamento com 25% de casca de soja (0.5mm). as quais apresentaram digestibilidades semelhantes. para aumentar a densidade e reduzir os custos de transporte.120Kg). quando estes foram alimentados com 2. A CS.

100%). O ganho de peso também não foi influenciado. 25. 75. Esta melhor eficiência alimentar com a inclusão da CS pode ser explicada pela melhora no ambiente do rúmen.22Kg/dia) e FDN (3. e observaram que a substituição de até 75% (30% na MS da dieta) não afetou o ganho de peso (1. PB (1. causado por um ambiente ruminal desfavorável. 50 e 75% em dietas de novilhas.35 e 1. Ipharraguerre et al. o pH do rúmen que a dieta suplementada com CS.41 e 3. 25. devido ao efeito associativo negativo sobre a forragem da dieta.De acordo com Ipharraguerre et al. 20. apresentando valores de 1. alimentadas com silagem de milho. trabalhando com novilhos. (2002a) estudaram o desempenho de vacas no terço médio de lactação. 2. Já Fisher e Muhlbach (1999) avaliaram a substituição do grão de milho pela casca de soja nos níveis de 0. O estudo da digestão mostrou maior digestibilidade da MS para a dieta de forragem suplementada com milho em comparação com a suplementada com CS.40 e 1. principalmente do volumoso que contribuiu com 60% da matéria seca da dieta. O pH do rúmen dos novilhos suplementados com CS (25 e 50% da MS da dieta) foi sempre superior a 6. Ezequiel et al. O maior nível de substituição testado (100%) correspondeu a 33% de CS na MS da dieta total. Este experimento permitiu concluir que a substituição parcial de milho moído por 70% de CS em dietas de novilhos não afetava o desempenho. (2006) testaram a substituição parcial (70%) do milho moído pela CS em dietas contendo farelo de girassol. sem raça definida. Os níveis de CS na MS total da dieta foram de 20%.89Kg/dia) não foram influenciados pelas dietas com milho moído e casca de soja.73Kg/dia). Esses resultados sugerem que o milho é mais digestível que a CS. Este efeito é mais evidente em dietas com 45% ou mais de carboidratos não fibrosos. ureia e silagem de milho para novilhos.78 e 9. (2002b). levando a um melhor aproveitamento da fibra. os valores de energia líquida aparente da CS e do milho nesta situação foram semelhantes. já o pH do rúmen dos novilhos suplementados com milho (25 e 50% da MS da dieta) foi inferior a 6. mais rápido e em maior extensão. o aumento médio observado na digestibildade da FDN do trato digestivo total para dietas com casca de soja em substituição ao milho moído foi de 11%. Restle et al. 50. 10.74kg MS ingerida/kg de ganho). respectivamente. foram observados um aumento no ganho de peso com a inclusão de CS e uma redução na conversão alimentar. Neste estudo. recebendo diferentes níveis de CS ( 0. entretanto a suplementação com milho deprimiu. 30 e 40% na MS da dieta) em 177 . comparando com a dieta-controle.29Kg/dia para as dietas de milho moído e casca de soja. respectivamente. (2004). próximo dos 14% estimados por Firkins (1997). no entanto. UTILIZAÇÃO DA CASCA DE SOJA Anderson et al.17kg/dia) e a conversão alimentar (7. (1988) constataram que a CS foi igual ao milho em energia para sustentar o crescimento de bezerros. testaram cinco níveis de substituição do grão de sorgo pela casca de soja (0. Os consumos de MS (10.

23% de silagem de milho e 54% de concentrado com base na MS. o nível de CS na MS da dieta foi de 20%. bem como para digestibilidade aparente da matéria orgânica no trato total (em torno de 25% no rúmen e 63% pósruminal).05) para consumo de matéria seca. Os animais avaliados foram divididos em três lotes de acordo com o período de lactação e.5% de gordura também não foram afetadas. As dietas eram compostas de 23% de silagem de alfafa. A substituição do MM por CS de soja não alterou a produção de leite (em média 28. 20 e 30% de CS e apresentou uma tendência de produzir menos 1. Ambos os grupos 178 . com média de 20Kg de leite/dia. não foram verificadas diferenças com relação à variação de peso corporal. tendo como volumosos silagem de milho (30% na MS da dieta) e feno de coastcross (10% na MS da dieta).3Kg/dia) não variou para os tratamentos 0. não foram observadas diferenças (p>0.substituição ao milho no concentrado. Oliveira et al.3kg de leite por vaca por dia) no tratamento em que 40% de casca de soja foram adicionados à MS da dieta. 67 e 100%). De acordo com os autores. quando comparado com o controle. 10% CS e 10% MM. Com o aumento dos níveis de CS na dieta. As produções de leite e leite corrigido para 3. Ipharraguerre et al. A adição de CS aumentou a porcentagem de gordura do leite e sólidos totais. Neste experimento. o consumo de MS e a composição do leite. (2004) avaliaram a performance de vacas alimentadas com péletes (36% da MS da dieta) formados por 50% de cevada ou 50% de CS. porém avaliando vacas no início e não no terço médio de lactação. (2007) testaram a substituição do milho moído (MM) por CS na dieta de vacas no terço médio de lactação. Não foi observada diferença na produção de leite e no teor de gordura quando se substituiu parcialmente o milho do concentrado por 50% de CS com base na matéria seca. (2004) avaliaram níveis crescentes de casca de soja (0. Foram avaliadas três dietas: 0% CS e 20% MM. 10. relacionado à maior concentração destes na dieta. com dieta à base de cana-de-açúcar (40% na MS) e concentrado (60% na MS da dieta). porém. desde que a participação do concentrado seja de 60%. produção e composição do leite. (2007) também trabalharam com vacas em terço médio de lactação. Miron et al. Para todos os tratamentos. assim como no experimento anterior. Não houve diferença significativa para o consumo de MS. (2002b) não observaram diferenças em relação ao consumo de matéria seca e matéria orgânica.2Kg/dia de leite para o tratamento com 40% de CS. e 20% CS e 0% MM com base na MS total da dieta. Os resultados deste experimento sugerem que a CS pode suprir até 30% da MS da dieta de vacas no terço médio da lactação sem deprimir a produção. Foi concluído que a cana-de-açúcar pode sustentar produções de 20Kg/dia em vacas no terço médio de lactação. Já Pedroso et al. Assis et al. a casca de soja serve como um bom substituto do fubá de milho. ao final do experimento. A produção de leite (29.33Kg/vaca/dia). Em experimento idêntico ao anterior. houve uma diminuição numérica na produção de leite (-1. houve um aumento do consumo de FDN e FDA. sem prejuízo ao desempenho produtivo de vacas leiteiras de alta produção. em substituição ao fubá de milho no concentrado de vacas leiteiras com produção média de 30kg de leite por dia. e que a substituição de 50% do milho por CS pode ser realizada de acordo com a disponibilidade e conveniência econômica. 33. mostrando que as dietas supriram a alta produção de leite sem prejudicar o restabelecimento da condição corporal dos animais.

9 e 38. As dietas controle e com CS apresentaram 35. substituiu 14% da dieta. Esse aumento no teor de gordura do leite foi explicado por um aumento na digestibilidade da fibra e uma melhora no ambiente ruminal. poderia dobrar a taxa de passagem pelo rúmen. 2003). mas o percentual de gordura do leite aumentou. Além disso. respectivamente. devido aos maiores teores de FDN da dieta com CS. principalmente quando se utilizam diferentes fontes de FDN (Mertens. já a dieta com CS teve 31% da FDN total proveniente das forragens. Não foi observada diferença na ingestão de MS. o tamanho e a densidade de partículas devem ser considerados para a avaliação do consumo de MS. Quando mais de 30% da MS da dieta suprida pelo milho é substituída pela casca de soja. o que levou a uma menor produção de proteína microbiana.receberam uma mistura básica com 17% de FDN proveniente de forragem. A inclusão de CS em substituição à cevada em dietas de vacas de alta produção aumentou a ingestão e a digestibilidade da FDN. comparado às forragens.3Kg/dia para a dieta com CS e silagem de milho. 1997). favorecendo microrganismos celulolíticos.5 e 36.5% da MS total da dieta) sob condições de clima quente. a CS tem uma proporção de FDN potencialmente degradável maior e pode ser degradada em uma taxa maior que a maioria das forragens. Nesse experimento. Essas observações evidenciam que a utilização do teor de FDN como preditor único do consumo de MS parece ser inadequada. por CS na dieta-controle que continha 52% de 179 . na dieta com CS ocorreu uma redução da proteína do leite. quantidades de fibra e carboidratos não estruturais digeridos e ainda no sítio de digestão podem causar uma redução na fonte e/ou quantidade de energia requerida para produção máxima de leite para vacas leiteiras de alta produção (Ipharraguerre e Clark. a taxa e a extensão da digestão da parede celular. A CS também tem sido utilizada para substituir forragens quando esta ela em falta. Assim. a dieta-controle tinha 50% da FDN total proveniente das forragens. fornecida como silagem de alfafa. sendo creditada essa redução a um menor aporte de carboidratos não fibrosos ao rúmen. Diversos trabalhos têm demonstrado não haver alteração no consumo de MS quando o milho é substituído pela CS em níveis de 15 a 48% de MS total da dieta (Ipharraguerre e Clark. em má qualidade ou quando se tem necessidade de aumentar a energia da dieta sem a inclusão de amido. A produção de leite não se alterou (40kg/dia). Entretanto. respectivamente. Foi observado um aumento na produção de leite.9% de FDN. houve um maior consumo de FDN desta dieta. citado por Ipharraguerre e Clark (2003). Fatores como o conteúdo de lignina. a FDN da CS não afeta a ingestão de MS na mesma proporção que a FDN das forragens devido a sua cinética de digestão e características físicas. Halachmi et al. diferenças na fonte de energia. Também foi observado um aumento na produção total de gordura e proteína para a dieta com CS. a CS tem pequeno tamanho de partícula e alto peso específico que. Por outro lado. (2004) realizaram um experimento com substituição da silagem de milho por CS (16. 2003). 38. De acordo com Ipharraguerre e Clark (2003). a composição dos carboidratos estruturais. Stone (1996).

A dieta-controle era composta de 60% de forragem. 3) a substituição de volumosos por casca de soja só é conveniente quando a dieta é composta por 50% ou mais de forragens e estas apresentam um tamanho de partícula que garanta efetividade física. respectivamente. devido a uma menor ingestão de carboidratos não estruturais. em vacas multíparas com média de 37Kg/dia de leite. O FDN proveniente das forragens passou de 71 para 47% em relação ao FDN total de dieta.7 e 23. Ocorreu um aumento de ingestão de MS (20.7 e 45. a substituição de forragem por CS pode não afetar ou até aumentar a produção de leite (Ipharraguerre e Clark. Cunningham et al. a ingestão de MS reduziu linearmente. se mantiver adequado após a inclusão da CS. que inclui a efetividade física e química da dieta. quando a CS aumentou na dieta (de 11 para 22%). A CS pode substituir a forragem quando o suprimento de fibra efetiva (FDNe). A FDN proveniente das forragens em relação à FDN total passou de 86% na dieta-controle para 60% na dieta com CS. Nos casos em que a forragem constitui 50% ou menos da MS da dieta total ou tiver partículas pequenas. A dieta-controle continha 50% de forragem (10% silagem de alfafa e 40% de silagem de milho). Ipharraguerre e Clark (2003) sumarizaram dados de diversos experimentos que avaliaram a inclusão de casca de soja em dietas de bovinos leiteiros. A FDN fornecida pela forragem em relação à FDN total da dieta diminuiu de 76% na dieta-controle para 58 e 40% nas dietas com 11 e 22% de CS. 2003). estes autores concluíram que: 1) a inclusão de casca de soja em quantidades superiores a 30% da matéria seca em dietas com altas concentrações de grãos pode levar a uma diminuição na fibra fisicamente efetiva. entretanto não houve diferença na produção de leite e na porcentagem de gordura do leite. a CS apresenta uma efetividade química que pode prevenir uma depressão da gordura do leite. Nesse estudo. a substituição por CS pode deprimir a produção de leite em consequência de um inadequado suprimento de fibra efetiva. Os teores de gordura do leite não foram alterados. 2) substituições de milho grão por casca de soja em quantidades superiores a 25% da MS da dieta podem prejudicar a produção de proteína do leite. No entanto. ocorre uma redução da efetividade física da dieta (medida pelo estimulo à mastigação). elevando as concentrações de ácidos no rúmen e ocasionando uma diminuição na ingestão de matéria seca (IMS) destes animais. Já Weidner e Grant (1994) não encontraram diferença na produção de vacas quando se substituiu o volumoso (silagem de milho e alfafa em proporções iguais) por CS em 15% da MS na dieta. Com a substituição da forragem pela CS.9Kg/dia) e produção de leite (40. Por meio de equações de regressão múltiplas.forragem (silagem de alfafa e silagem de milho em proporções iguais). do contrário. a inclusão deste subproduto resulta em diminuições no desempenho de vacas de leite. 180 . quando a forragem representa 50% ou mais da MS total da dieta e tem tamanho de partícula que garanta adequada efetividade física.9Kg/dia) com a substituição da silagem de alfafa por CS. Por outro lado. (1993) testaram a substituição de 11 e 22% da MS da dieta fornecida como silagem de milho por CS.

J.J. A. Acompanhamento da safra brasileira 2008/09. M. Sci. desde que se tenha adequado suprimento de fibra efetiva. CONSIDERAÇÕES FINAIS A CS apresenta bom valor nutritivo para ruminantes por apresentar alta digestibilidade da fibra. OLIVEIRA. COMPANHIA NACIONAL DE ABASTECIMENTO. J.09. Desta forma. variação de peso. J. e na menor capacidade de estimular a ruminação e a salivação. (MF-2438).br/conabweb/download/safra/3graos_08.A. Disponível em: http://www. In: REUNIÃO ANUAL DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE ZOOTECNIA. 4. DROUILLARD.C. Consumo.S. et al. SBZ. 2009. I. v. 41.. BLASI. Digestibility and utilization of mechanically processed soybean hulls by lambs and steers. ASSIS. et al.. pode manter os níveis de produção animal por melhorar a digestibilidade da fibra da forragem. Ambos os parâmetros restringem o desenvolvimento de um potencial máximo de produção animal. Campo Grande. quando este alimento substitui grãos de cereais no concentrado.pdf. 2004.3. LIMITAÇÕES DE USO A limitação na inclusão da casca de soja em dietas de bovinos leiteiros está em função da diminuição nos níveis de energia da dieta total.66.S. quando realizada uma adequada suplementação volumosa. Quarto levantamento.gov. Níveis maiores podem ser utilizados. et al. e a análise química realizada previamente. S... A.CD-ROM. D. A CS. Soybean hulls. Manhattan.. Composition and feeding value for beef and dairy cattle.J. TITGEMEYER..M.S. A CS pode substituir grãos de cereais em níveis de até 30% da MS da dieta. Anais. 2000.. MCDONNELL. 2004. Casca de soja em dietas de vacas leiteiras.... p.L. Anim. quando substitui alimentos volumosos.K. CAMPOS. J. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ANDERSON. A CS pode substituir forragens em até 22% da MS total da dieta. quando substitui grãos de cereais na dieta. Acessado em: abr. 181 . MERILL. KS: Kansas State University. os limites de inclusão na dieta devem ser respeitados. Campo Grande.conab. para um adequado balanceamento da dieta. produção e composição do leite.2965-2976. 1988. E.

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constitui uma alternativa que pode atenuar a escassez de alimento durante a época de seca e melhorar a eficiência da exploração pecuária (Reis e Rodrigues. 1999). CEP 30123-970. além do uso da forragem resultante da colheita de sementes de gramíneas forrageiras. Lúcio Carlos Gonçalves2. CEP 30123-970. DSc. O uso crescente de palhas e de outros resíduos acompanha o aumento de preço de alimentos de melhor qualidade. A digestibilidade da energia contida nas palhas e nos resíduos é de apenas 40-50%. Escola de Veterinária da UFMG. CEP 30123970... Entre as opções existentes no momento. Bolsista CNPQ. luciocg@vet.br 184 . ou mesmo daqueles que sofreram perdas de qualidade a campo. INTRODUÇÃO Nas regiões tropicais do Brasil.1. sua produção energética como alimento para gado é baixa. a produção estacional de forragem é um fato concreto que tem causado enormes prejuízos à pecuária nacional. Caixa Postal 567. Neste capítulo. ricos em fibra contendo pouca proteína e minerais.com. wilsonvet2002@gmail. o aproveitamento de restos de culturas e subprodutos da agroindústria tem se mostrado interessante e viável na alimentação de animais de menores exigências (Cândido et al.. alexmteixeira@yahoo. MG. Escola Agrotécnica Federal de Machado. de forma que o 1 Médico Veterinário. Cristiano Gonzaga Jayme3. 1993). MG. Prof. Escola de Veterinária da UFMG.. Belo Horizonte. O aproveitamento de resíduos de culturas anuais de verão e de inverno. Doutorando em Nutrição Animal. Alex de Matos Teixeira4 RESUMO O aproveitamento de palhas e resíduos de cultura ou fenos de baixa qualidade por ruminantes pode ser potencializado com a amonização desses materiais com o uso de ureia ou amônia anidra. segurança e as recomendações de uso serão abordadas no decorrer do texto. Doutorando em Zootecnia. bem como os reflexos sobre o desempenho animal.br 3 Médico Veterinário. e a digestibilidade. pois a maioria dos produtores não se prepara para suplementar os rebanhos no período de escassez de forragem de boa qualidade. Caixa Postal 567. Caixa Postal 567.com 4 Médico Veterinário. MSc.CAPÍTULO 12 UREIA E AMÔNIA EM RESÍDUOS AGROINDUSTRIAIS PARA RUMINANTES Wilson Gonçalves Faria Jr. MSc. São essencialmente alimentos energéticos. DSc. Assim. será abordado o efeito do tratamento com ureia ou amônia nos resíduos de culturas e da indústria sobre a composição química. Belo Horizonte.ufmg. As técnicas de tratamento. cgjayme@gmail. MG. O consumo voluntário é baixo..com 2 Engenheiro Agrônomo. Belo Horizonte. de fenos provenientes de plantas colhidas no estádio de desenvolvimento avançado. Associado Departamento de Zootecnia da Escola de Veterinária da UFMG.

e a parede celular. principalmente. e sua utilização depende da digestão microbiana. 1991). compostos não glicosídicos (ligninas. não poluir o ambiente. estendendose dentro da parede secundária.). 1993). O espaço intercelular contém. na maior parte. pectina. hemiceluloses e ligninas encontrada no vegetal. A 185 . 1977). que contém quase a totalidade da celulose. muitas vezes.consumo de energia digestível do gado em dietas de palhadas usualmente não é maior do que 100kcal/UTM (unidade de tamanho metabólico) por dia. A parede celular é composta por duas estruturas: a parede primária ou mais externa. fornecer nitrogênio não proteico. Todavia. minerais etc. além de conservar as forragens com alto teor de umidade (Rosa e Fadel. composta de três subcamadas de celulose e hemiceluloses (Duarte. 2001).0%) e baixos teores de proteína bruta (PB. A parede celular representa a fibra das forragens (Duarte. A eficiência de aproveitamento desses volumosos pode também ser aumentada por meio de tratamentos biológicos.0%) e de fibra em detergente ácido (FDA. cutinas. não são economicamente compensadores em função dos custos. acima de 40. que contém algumas microfibrilas desordenadas de celulose e. suberina. físicos e químicos. 1988). A lignificação inicia-se na parede primária. As informações de Reis e Rodrigues (1993) ressaltam a baixa qualidade desses volumosos. que incluem as substâncias solúveis em água e a maioria dos lipídios e das proteínas. abaixo de 6. Inúmeros métodos químicos têm sido avaliados. 1991). de minerais e de vitaminas. com digestibilidade próxima a 100%. e a parede secundária. desde que suplementados com fontes proteico-energéticas. amônia líquida ou ureia tem sido uma das alternativas em razão de ser de fácil aplicação. provocar decréscimo no conteúdo de fibra em detergente neutro (FDN). ASPECTOS QUÍMICOS DA COMPOSIÇÃO DA FIBRA A matéria seca das forragens é composta de duas frações: os conteúdos celulares. ceras. A amonização de forragens utilizando a amônia anidra. visando à melhoria do valor nutritivo de volumosos de baixa qualidade (Reis e Rodrigues. As ligninas interferem na digestibilidade dos carboidratos por diversos mecanismos. Os autores consideram que esses alimentos podem ser utilizados eficientemente na nutrição de ruminantes. o que é suficiente apenas para mantença (Jackson. dentre os quais a incrustação e a formação de complexos ligno-polissacarídeos. Aspectos relativos à química da parede celular e à anatomia vegetal influenciam na digestibilidade das forragens pelos microrganismos ruminais (Akin.0%). 1. favorecer a solubilização parcial das hemiceluloses. aumentar o consumo e a digestibilidade. além de minerais e vitaminas. pois apresentam alto conteúdo de parede celular (valores acima de 60.

Para tanto. 186 . Segundo Akin (1988). Os baixos valores de digestibilidade de proteína são funções dos baixos valores de proteína bruta no material utilizado. 2. Bonjardim et al. em geral. tais como razões folha e caule na palha. Sob o ponto de vista de composição química. As ligninas das leguminosas contêm menores concentrações de compostos fenólicos álcali-lábeis do que as gramíneas. entre todos os outros. por essas características.33%. com o aumento da maturidade fisiológica. a menos que a capacidade de consumo desses volumosos fosse ilimitada. Observa-se. Os dados de composição em nutrientes brutos dos resíduos indicam que.. Os dados de composição e os coeficientes de digestibilidade baixos observados pelos autores indicam a baixa qualidade dos resíduos estudados. Como consequência. influenciando o crescimento de plantas e. verifica-se maior deposição de compostos fenólicos que nas leguminosas (Duarte. No entanto. valores de digestibilidade in vitro da matéria seca de 38. PB. para o feno de capim-estrela sem tratamento. as diferenças nas proporções dos componentes morfológicos de plantas. 1991). ou pelos efeitos tóxicos desse ácido na microflora do rúmen de forma generalizada. o consumo voluntário e a digestibilidade utilizando-se ovinos (Tabela 2). Os valores de energia bruta são pouco variáveis. Os ácidos p-cumárico e ferrúlico foram correlacionados negativamente com a digestibilidade das forragens (Chaves et al. Horn et al. salientando-se o bagaço de cana-de-açúcar. (1992) observaram. (1988). que os coeficientes de digestibilidade são muito baixos. pois sabe-se que o avanço no estádio de crescimento das plantas produz um decréscimo da digestibilidade de todos os constituintes. FDN. QUALIDADE NUTRICIONAL DE PALHAS E RESÍDUOS A composição química e a digestibilidade in vitro da matéria orgânica (DIVMO) de palhas de diferentes vegetais apresentam diferenças que. Prates e Leboute (1980) realizaram um trabalho para determinar o valor nutritivo de alguns resíduos de cultivos e de indústrias comumente disponíveis. 1988. segundo While et al. são de baixa qualidade nutritiva. que apresentou menor valor em consequência do alto teor de sílica. De fato.composição química das ligninas parece ser mais importante do que a quantidade na digestibilidade dos carboidratos (Akin. como observado na Tabela 3. situando-se o bagaço de cana como pior.. não poderia fornecer os nutrientes necessários. exceto a palha de arroz. os resíduos de culturas ou da indústria apresentam baixos teores de proteína bruta e altos teores de parede celular. nas gramíneas. esses autores observaram diferenças nos conteúdos de matéria seca (MS). foram determinados a composição química (Tabela 1). isso pode ser explicado pela formação de ligações tipo éter entre carboidratos e ácido p-cumárico. 1989). qualquer um desses volumosos. em parte. de uma maneira geral. 1982). o que era de se esperar. sílica e de degradabilidade entre as variedades e os componentes morfológicos das palhas. podem ser devido a fatores genéticos e ambientais. oferecido como único alimento aos ruminantes.

8 ± 2.2 0. HEM .Matéria Seca.9 ± 1. FDN .3 ± 10.8 ± 9.4 57.8 ± 5.2 73.8 3.2 ± 0.7 55.1 10. Fonte: Adaptado de Prates e Leboute.6 42.6 ± 4.47 94.2 ± 0.9 ± 0.62 80.08 45.2 22.0 ± 4.4 43. MS .26 83. FDA .1 ± 1.57 73.3 ± 1. Energia Digestível.3 ± 2.72 91..1 87..68 MO1(%) 80.93 8.5 60.0 8.2 35.33 Expresso como % de matéria seca PB2(%) EB3(Kcal/g) PC4 (%) 5.3 76.72 82.30 3. DIG Digestibilidade in vitro da MS.78 94. 1992b Queiroz et al.Proteína Bruta.9 49. Unidade de Peso Tabela 3.. 1980.6 5..6 39.9 ± 0.9 44.03 3.2 44. 187 .. 1992a Das et al. 1993 Singh e Makkar. Digestibilidade e consumo voluntário em ovinos dos resíduos de cultivo e da indústria. 1980.9 9.61 4.6 ± 3.1 98.0 ± 3.4 53.3 0.7 ± 3. 2Proteína Bruta.4 ± 2.21 4.6 56.9 ± 3. 1991 Ferreira et al.8 0.8 0.8 capim capim lanudo rodes Coeficiente de digestibilidade (%) 43.11 94.0 38.9 79.1 39.75 5.10 34.1 ± 2.4 5 Matéria Seca.9 ± 7.2 43.4 7.16 86.7 79.4 13. (%MS).2 ± 4.5 ± 6.9 ± 4.9 - Autores Guimarães et al.3 Consumo voluntário máximo trigo soja 37.Fibra Detergente Neutro.2 ± 2.4 10.38 84. Fonte: Adaptado de Prates e Leboute.7 ± 0.54 86.37 4.5 35. Tabela 2.1 41.3 8.6 26.8 54.1 0. Resíduo Palha de milho Palha de arroz Palha de trigo Palha de trigo Palha de trigo Palha de trigo 1 2 MS1 MO2 PB2 FDN2 FDA2 HEM2 CEL2 LIG2 DIG2 91.1 ± 3.5 1.Tabela 1. 1992 %.2 43.2 2.4 30. 3Energia Bruta.09 82. Metabólico.7 ± 2.MO .3 0.9 ± 5.1 54. b Queiroz et al.3 47.8 48. CEL .3 29.2 28.1 25.39 88.8 35.27 Matéria Orgânica.Ligninas.5 ± 4. 4Parede celular.7 45.2 44.0 ± 2.2 8.1 ± 5.7 47.Matéria Orgânica.09 55.8 ± 10.4 83.Hemiceluloses. Composição química dos resíduos de cultivos e de indústrias.2 ± 5. LIG .3 30.Celuloses.36 4. 3Proteína Digestível.0 32. Palhas de arroz MS1 MO2 Nitrogênio Energia g MS/UTM5 g PD3/UTM kcal ED4/UTM 1 47.9 ± 5.3 41.77 4.2 ± 3. Resíduos de cultura Palha de arroz Palha de trigo Palha de soja Palha capim-de-rodes Bagaço de cana 1 Matéria seca 86.17 98.3 82. Composição química e digestibilidade de palhas de milho.0 7.33 1. PB .9 ± 1.5 ± 3.8 4 bagaço de cana 25.2 41.3 42.7 ± 2.28 3. 2Matéria Orgânica.08 87. 1990a.0 23.5 ± 1.0 43. arroz e trigo revisados na literatura.Fibra Detergente Ácido.9 23.

Observando-se a Tabela 4. O produto químico a ser utilizado na amonização de volumosos deve apresentar as seguintes características desejáveis: ser de fácil disponibilidade no mercado. no tratamento de volumosos de baixa qualidade.06 17 5714 Palha de soja 2. assim. ter baixo custo para aquisição e aplicação. Consumo total 1 MS (Kg/dia) PD2 (g/dia) ED (kcal/dia) Exigências (300kg)* 4. o desempenho dos animais. AMONIZAÇÃO A amonização pode promover alterações acentuadas na composição química das frações nitrogenada e fibrosa das forrageiras. e não deveriam ser de manuseio perigoso. 188 . Os dados obtidos pelos autores indicam que a seleção de materiais pode ser feita no sentido de melhorar a qualidade das palhadas sem prejuízo na produção de grãos. De acordo com Reis et al. Tabela 4.61 0 615 1 Matéria Seca. Contudo. não ser tóxico aos animais. 3Energia Digestível. in vivo e in situ da matéria seca. proteína digestível e energia digestível dos resíduos estudados e as exigências para mantença de um novilho de 300kg de peso vivo. atende a todas essas especificações enumeradas. o estudo realizado por Silva e Guedes (1990) confirmou a grande variação que pode existir na composição química e digestibilidade de palhas em função de fatores como cultivar e ambiente. Outros aspectos importantes correspondem ao efeito corrosivo das substâncias e ao risco de contaminação do solo e cursos d’água. resultando em elevação de digestibilidade in vitro. Comparação entre os consumos de matéria seca. 2Proteína Digestível. Fonte: Adaptado de Prates e Leboute.68 135 5339 Palha de capim-lanudo 2. fica claro que nenhum dos resíduos fornecidos como alimento único permitirá ao animal atingir consumo suficiente de matéria seca. proteína ou energia digestível para sua mantença. preferencialmente ser um nutriente para o animal. 1980. Contudo. Reis e Rodrigues (1995) ressaltam que nenhum dos produtos químicos utilizados atualmente.11 48 4021 Palha de capim-de-rodes 2. (1993).50 190 11.04 11 3303 Bagaço de cana 0. 3.11 62 6331 Palha de trigo 3.340 Palha de arroz 3. os efeitos da amonização estão relacionados com a solubilização de hemiceluloses e com o aumento nos teores de nitrogênio total. Tal fato indica a necessidade de aplicação de práticas que melhorem o aproveitamento e a digestibilidade desses alimentos com o objetivo de aumentar o consumo e propiciar a utilização desses materiais de forma mais eficiente. Tais alterações podem aumentar a digestibilidade e o consumo desses alimentos e. mas sim apresentar reação rápida com o volumoso.

Comitê de Amônia (1977). o que equivale a 512. ponto de ebulição a 760mm Hg igual a 33. Segundo os dados relatados no Manual de amônia. Em estado gasoso.5% de proteína bruta.Amoniólise: A principal reação que ocorre entre a fração fibrosa e a NH3 é a amoniólise das ligações do tipo éster. Reações químicas Durante o tratamento. a NH3 possui 82% de nitrogênio. por meio das seguintes reações químicas: 1ª Reação .3. citado por Reis e Rodrigues (1993). ou unidade fenilpropano de lignina. parte da lignina e da sílica pode ser dissolvida. 2ª Reação .1. o que potencializa o ataque das frações fibrosas pelos microrganismos ruminais. resultando na formação de amidas (Reis e Rodrigues.Formação do hidróxido de amônio: A alta afinidade entre a NH3 e a água existente nos volumosos resulta na produção de hidróxido de amônio (NH4OH). 1994). e as ligações intermoleculares do tipo éster. e não apresenta sensibilidade à luz. de hidróxido de amônio (NH4OH) e de ureia (Reis e Rodrigues. destacando-se o uso de amônia anidra (NH3).1. Amônia anidra A amônia anidra é um composto químico que apresenta características próximas às da água. A ação da amônia anidra sobre a fração fibrosa de volumosos pode ser explicada. possui odor picante e fortemente penetrante. O O ⎢⎢ ⎢⎢ R-C-O-R1 + NH3 R-C-NH2 + H-O-R1 R Carboidrato estrutural. 1993). zinco.03g/g mol. R1 Carboidrato estrutural. ou átomo de hidrogênio.1.70°C e temperatura de autoignição igual a 850°C. Dessa forma. existente entre as cadeias de hemicelulose e os grupos de carboidratos estruturais ou entre moléculas de carboidratos estruturais e a lignina.35°C. e apresenta as seguintes características: peso molecular igual a 17. são também rompidas. 1993). 1993). melhorando a digestibilidade e o consumo das palhas (Van Soest. A amônia anidra apresenta corrosividade a materiais constituídos pelos seguintes elementos químicos: cobre. ou seja. 3. publicado pelo Instituto Brasileiro do Petróleo. prata e suas ligas. alguns sistemas de tratamento químico estão sendo pesquisados na Europa e nos Estados Unidos. que é uma base fraca (Reis e Rodrigues. pode ser usada como solvente. NH3 + H2O NH4OH 189 . ponto de solidificação a 760mm HG igual a 77. é incolor. entre o ácido urônico das hemiceluloses e da celulose.

É importante salientar que inúmeros fatores podem afetar a eficiência da liberação de amônia. quando se usa NH3.2. em condições hermeticamente fechadas e sob ação da uréase. NH2 O=C NH2 Uréase H2O CO2 + 2NH3 Esse sistema de tratamento baseia-se no fato de que. 2001). Quimicamente. o pH da forragem tratada com NH3 tende a se elevar em função da formação de NH4OH. a disponibilidade e o custo dos produtos químicos. Todavia. devem-se considerar. possui em sua composição pequena quantidade de ferro e chumbo. 1993). O O ⎢⎢ ⎢⎢ + R-C-O-R1 + NH4OH R-C-O + NH4 + H-O-R1 R Carboidrato estrutural. Uma alternativa viável para se proceder à amonização de volumosos de baixa qualidade é o sistema do qual se obtém a NH3. resíduos de cultura. 1992). daí ser considerada um composto nitrogenado não proteico (NNP). R1 Carboidrato estrutural. em primeiro plano. Nesse sentido. composto orgânico sólido. álcool. é classificada como amida. A ureia é solúvel em água. sendo 190 . ou átomo de hidrogênio ou unidade fenilpropano de lignina. por meio da hidrólise da ureia (Dolberg. possui cor branca e é cristalizada por meio do sistema prismático. que não são considerados tóxicos (Santos et al.. 3. Ureia e hidróxido de amônio A adoção de sistemas de tratamentos químicos de volumosos requer a avaliação criteriosa de aspectos referentes à relação custo-benefício. a partir da hidrólise da ureia. É importante considerar que. a hidrólise alcalina tem menor participação no processo de “amonização”. ocorre a liberação de NH3 a partir da ureia. forrageira após o florescimento). em função do baixo conteúdo de umidade dos volumosos a serem tratados (fenos.Hidrólise alcalina: A partir do hidróxido de amônio.1.3ª Reação . pode ocorrer a hidrólise alcalina das ligações tipo éster existentes nos volumosos (Reis e Rodrigues. A amônia proveniente da ureia reage com os componentes da fração fibrosa dos volumosos como descrito anteriormente.

As informações relativas à influência do teor de umidade e da temperatura na aplicação de amônia anidra e ureia são frequentemente contraditórias. que ocorrem durante a peletização. Em resíduos de cultura de milho. pois o hidróxido de amônio possui 29. (2000) estudaram o efeito da soja crua. Segundo Dolberg (1992).0%. A adição de uma fonte de uréase para facilitar o processo produz resultados que ainda são contraditórios e dependem da fonte de uréase. os resultados foram menos homogêneos. como fonte de uréase. Nos resultados obtidos por Munõz et al. e. seus únicos efeitos significativos foram sobre os valores de FDN e DIVMS.0% da matéria seca do volumoso.0%. No entanto. o período de tratamento e a quantidade de ureia aplicada. a adição de grãos de soja crus não teve efeito significativo quando aplicados em resíduos de milho. UMIDADE E USO DE UREASES Segundo Jackson (1977). mas não modificou os valores de DIVMS. a temperatura não influenciou nem o grau de ureólise nem a DIVMS. Ferreira et al. (1993) não encontraram diferenças entre os aumentos nos teores de proteína bruta (PB) e digestibilidade in vitro da matéria seca (DIVMS) decorrentes do tratamento com amônia anidra de fenos de aveia contendo teores de umidade alto e baixo. e a ureia é aplicada na dosagem de 4. Em níveis de umidade baixos.0% produziu uma resposta positiva na maioria dos parâmetros químicos analisados. (1991). a amonização pode ser feita por meio do hidróxido de amônio. ainda tem sido feito em pequena escala se comparado aos outros sistemas de tratamento. 4. que foram similares aos obtidos com a aplicação de ureia com umidade nos níveis de 31. na 191 . quando aplicados em palha de trigo. com aumento de umidade para 40. EFEITO DA TEMPERATURA. A principal diferença está no grande volume de líquido utilizado comparado ao pequeno volume dos sistemas com NH3. Sarmento et al. a maior eficiência do tratamento com ureia pode ser obtida quando o volumoso possui teor de umidade de 30.0 a 8. Segundo Hadjipanayiotou (1982). O processo de amonização com o NH4OH é semelhante ao da amônia anidra. temperaturas superiores a 100°C à pressão atmosférica não potencializam a efetividade do álcali em aumentar a digestibilidade do volumoso.os mais importantes: o conteúdo de umidade dos volumosos.1% e 42. a adição de grãos de soja crus aumentou o grau de ureólise na palha de trigo. a atividade de uréase dos volumosos. O aumento da umidade para 30. ou “água-amônia”.0% de amônia anidra em sua composição.05) nos conteúdos de FDN e N total. o aumento no conteúdo de umidade. Além do sistema de tratamento com ureia. pode aumentar a eficiência do processo de alcalinização ao qual o material tratado é submetido. A combinação de altas temperatura e pressão. quando se aplicava amônia. O uso do hidróxido de amônio. Aumentos maiores na digestibilidade são alcançados quando o material é cozido à pressão com soluções alcalinas.7%. reduziu o conteúdo de fibra em detergente neutro (FDN). As temperaturas usadas não foram limitantes e tiveram efeito significante (P<0.

Utilizaram quatro níveis de fontes de uréase (0%. ureia e também do hidróxido de amônio. quantidade de forragem a ser amonizada. TÉCNICAS PARA A AMONIZAÇÃO DE VOLUMOSO Como já mencionado anteriormente. Brizantha. (1991). Pires et al. O uso de uréase (3. a adição de fonte de uréase até 3. 3. A área onde os volumosos ou fardos a serem tratados serão empilhados deverá ser forrada com plástico ou ter o piso cimentado.5%).0% versus 5.2.0% versus 30. serão descritas as técnicas recomendadas para a aplicação dos diferentes produtos químicos.0%) associados a maiores doses de amônia (3.0% ou 30.75% e 7.0% da MS) garantem maiores respostas na qualidade nutricional de fenos de B. mostram que o tempo de duração da amonização não interferiu sobre os aumentos de PB e DIVMS.5% de ureia (base da MS). Brizantha com dois níveis de umidade (15.0% da MS) promoveu benefícios somente em níveis mais elevados de ureia. próximo das instalações onde os animais receberão a forragem tratada. Aplicação de amônia anidra Existem muitos procedimentos para a aplicação da amônia anidra. 192 . Os silos trincheiras. se possível. ou qualquer compartimento que possa ser hermeticamente fechado. 5. Os resultados obtidos no trabalho de Queiroz et al. entretanto o teor médio de FDN do bagaço diminuiu. podem também ser utilizados. de acordo com Reis et al. no entanto altos níveis de soja crua (7. em relação ao tempo de tratamento com amônia anidra. (2005) não encontraram benefícios na adição suplementar de uréase. na composição de fenos de B. Peninsetum purpureum ou Leucaena leucocephala. Os teores médios de PB e hemiceluloses não foram afetados pelos níveis crescentes de uréase. decumbes. condições de segurança etc. os silos tipo cisterna. A perda de benefícios do tratamento com amônia anidra. após a retirada do plástico que protegia o material. (1991): Escolher um local plano. A seguir. como fonte de uréase. Por outro lado. 5. ou poço. bem drenado e. durante 60 dias.5% da MS) em bagaço amonizado com 7.5%. Já Bertipaglia et al. via fenos de B.1.amonização do bagaço de cana-de-açúcar por meio da ureia.0% de ureia. não havendo diferenças nos valores de DIVMS dos fenos tratados.75% (base MS) melhorou a DIVMS do bagaço de cana tratado com ureia. (2006) sugerem que maiores teores de umidade (15. O procedimento a seguir é uma possibilidade de aplicação proposta por Reis et al. armazenados por um período de 96 dias. foi influenciada pela duração dos tempos de amonização.0%) tratados com 5. podem causar decréscimos na DIVMS. a amonização pode ser realizada por meio da aplicação de amônia anidra. O teor de umidade apresentou pouca influência nos efeitos da ureia e das fontes de uréase. com considerações bastante práticas. (1992b). A escolha dependerá de fatores como: disponibilidade e material.

dois a três dias depois. Colocar o cano sobre a primeira camada de fardos e continuar a construção da pilha até atingir a altura e a largura desejadas em função da lona de cobertura. deve-se colocar um registro de PVC. O excesso da lona de cobertura deve ser cuidadosamente enrolado com a lona da base da pilha. A mangueira deve ser de alta pressão. deixando “de fora” apenas a ponta da mangueira que será conectada ao cilindro de amônia. a tubulação ou vasilhame que receberá a amônia. Fechar muito bem as laterais da lona em contato com o solo. Por meio da pesagem contínua.6 ou 0. e a outra deverá possuir uma redução para permitir a conexão com a mangueira que será acoplada à válvula de saída do botijão de amônia. descobrir as pilhas e. perda de amônia no momento de desconectar as mangueiras. Essa folga permitirá expansão do gás nas primeiras horas de tratamento. inclinado ou mesmo de “ponta-cabeça” (válvula de saída para baixo) sobre uma balança. A tubulação deve ser de cano PVC de. O cano de PVC deverá ser perfurado de 30 em 30cm. bem como os possíveis pontos de vazamento de amônia. o número de fardos. No ponto de conexão entre a mangueira que sai do cilindro e a que está no interior da pilha. dessa forma. cobrir com lona plástica (0. Sabendo-se o peso médio dos fardos. Recomenda-se a adição de quantidades equivalentes a 2 a 4% do peso seco do volumoso a ser tratado. Geralmente. A abertura do registro do cilindro deve ser feita lentamente.Para a confecção das pilhas. pode-se aferir com precisão a quantidade de amônia aplicada.8mm de espessura). Após empilhar os fardos (retangulares ou redondos). Uma das extremidades do cano deverá ser tampada.7cm). A quantidade de amônia a ser aplicada é baseada no peso de matéria seca da forragem ou simplesmente no peso bruto. Para tanto. de modo a evitar vazamentos. o peso total do material a ser tratado e a dosagem a ser aplicada. tendo os furos o diâmetro de um lápis (0. aproximadamente. O cilindro de amônia deverá ser colocado na posição horizontal. duas polegadas. 193 . É conveniente manter as pilhas protegidas para evitar chuvas. colocar uma camada de fardos e. a seguir. iniciar o fornecimento aos animais. Ao terminar a aplicação. apropriada para resistir à pressão exercida pela bomba. tem-se utilizado mangueira de alta pressão com diâmetro de 3/4 de polegada. deixando a lona folgada em todas as laterais e no topo da pilha. calcula-se facilmente a quantidade total de amônia a ser aplicada. Verificar a vedação da pilha e proceder à aplicação da amônia. Após 21 a 30 dias de tratamento. usar sacos com areia ou terra para evitar qualquer vazamento de amônia. verificando-se as conexões. evitando. fechar o registro de PVC que foi colocado no ponto de conexão entre as mangueiras e inspecionar todas as laterais da pilha para verificar se existe algum orifício por onde esteja escapando a amônia.

irritação dos olhos e garganta. o material deve ser empilhado sobre uma lona plástica e recoberto com outra lona. Próximo ao local de aplicação do produto. a fim de se evitar casos de queimadura. A solução de ureia deve ser aplicada na forragem antes de ser enfardada. A ureia deve ser aplicada na proporção de 4. para garantir uniformidade na distribuição. Se a vitima puder engolir. É aconselhável manter solução de ácido acético a 5%. ou vinagre doméstico. recomenda-se a aplicação de ureia 4. Em casos de irritação dos olhos. deverá estar disponível banheiro com sabão para se prestar os primeiros socorros em casos de acidente e contato com a pele. Podem-se usar silos trincheira. silos cilíndricos e compartimentos fechados. No caso de volumosos com alto conteúdo de matéria seca (90.0 a 8. 194 . de tal forma que fique hermeticamente fechado. no mínimo. Após os primeiros socorros. A ureia deve ser aplicada diluída em água para garantir melhor uniformidade de distribuição.As seguintes medidas de segurança são imprescindíveis para o operador que efetuará o engate das mangueiras. fornecer solução de ácido cítrico a 5.2. Após o enfardamento.0% ou limonada. permitir a aeração por dois a três dias antes de iniciar o fornecimento aos animais. retirar a vítima para local arejado e realizar a lavagem dos olhos com água corrente durante 15 minutos. Não deverá ser permitido o uso de tabaco durante a aplicação de amônia nas proximidades do local de tratamento. pois a amônia é um produto cáustico.30% de umidade). É conveniente manter a pilha coberta para evitar água das chuvas. óculos de proteção e máscara de gás própria para trabalhar com amônia (Reis e Rodrigues. a quantidade de água dever ser diminuída.0%). sob risco de intoxicação. deve-se levar a vitima ao pronto-socorro para avaliação médica adequada. deve-se molhar a parte afetada com bastante água. Os volumosos tratados devem permanecer em condições fechadas por duas a três semanas. Aplicação da ureia Da mesma forma que para a amônia anidra.0% do peso seco do volumoso. existem outras possibilidades de métodos de aplicação cuja escolha dependerá dos mesmos fatores citados anteriormente. 1993). a abertura da válvula do botijão e o reparo de quaisquer vazamentos. para auxiliar na inativação do hidróxido de amônio. Em volumosos mais úmidos (20 . Após a abertura das pilhas de fardos. O teor de umidade adequado para o tratamento é no mínimo de 30%. devem-se retirar com rapidez as roupas molhadas com amônia e lavar a área atingida com água e sabão em abundância. Em casos de irritação da garganta e cavidade nasal.0 a 8.0kg de ureia diluída em 28 litros de água e aplicada em 100kg de forragem. O operador deverá usar luvas de borracha. 5. Caso ocorra queimadura de pele.

Da mesma forma que nos sistemas descritos anteriormente. ambos tratados com doses de 1. tem-se o inconveniente das perdas de amônia por volatilização. notadamente na fração fibrosa e no conteúdo de nitrogênio total. a amônia é geralmente considerada mais aceitável do que outras substâncias. de celulose e de ligninas são controversos (Brown et al. Mason et al. respectivamente. uma das principais alterações na composição química da fração fibrosa de volumosos tratados com NH3 é a solubilização das hemiceluloses. A partir da volatilização da amônia da solução... para o capim-elefante (Pennisetum purpureum Schum).5. 1986). e 61.7%. pois dependem do nível de aplicação. (1988) observaram que menos parede celular foi isolada de palhas tratadas do que não tratadas. e acrescenta N ao material normalmente deficiente. 1978). quando as descargas são usadas como fertilizantes. embora se aconselhe picar as palhas oriundas de cereais de caules mais duros.8 e 273. (1986). EFEITOS DA AMONIZAÇÃO NA QUALIDADE DO VOLUMOSO Resíduos de culturas de todos os tipos de cereais podem ser tratados com amônia. tem-se o contato da NH3 com a forragem. do tempo de tratamento e da qualidade inicial do resíduo.3. Após a abertura das pilhas (dois a três dias). 6. os volumosos devem permanecer sob lona plástica durante duas a três semanas. Os dados de inúmeros estudos que pesquisaram os efeitos da amonização sobre os conteúdos de FDA. 1992). tais como hidróxido de sódio. como as de trigo (Dolberg. Sem dúvida. A aplicação de amônia promove alterações na composição química de volumosos de baixa qualidade. De acordo com Birkelo et al. comparados aos seus controles. (1988) avaliaram diferentes variedades de palhas de arroz e observaram que o efeito do tratamento com amônia foi pronunciado em todas as variedades e frações botânicas (caule e folhas). iniciar o fornecimento aos animais.0% de amônia anidra. Todavia. uma vez que o tratamento causou a perda de hemiceluloses e uma perda proporcionalmente maior de ácido do grupo ferrúlico que do p-cumárico das paredes. 195 . sendo o efeito maior nas variedades com menor valor nutritivo. Seu uso também contorna o problema do acúmulo de sódio no solo. resultando em diminuição no conteúdo de FDN ou parede celular (Sundstol et al.6 e 105.5 e 3. While et al. O método desenvolvido nos Estados Unidos consiste em montar pilhas de fardos hermeticamente fechadas.3%. Aplicação de hidróxido de amônio A solução de hidróxido de amônio ou “água-amônia” pode ser aplicada por aspersão sobre o volumoso antes do enfardamento. tendo no centro um reservatório que receberá a solução de amônia. para a palha de milho mais sabugo. sendo que as de arroz podem ser tratadas inteiras. A análise desses estudos mostra aumento nos teores de FDA e de celulose dos volumosos tratados com NH3. O tratamento com amônia tem fornecido resultados similares em relação a consumo e digestibilidade da MS. Teixeira (1990) relata aumentos do teor de PB da ordem de 159.

8 b NIDN* NIDA** 7.1 16.0 a 30.0% para B.9 50. 3Gobbi et al.4% PB= Proteína Bruta. alguns trabalhos têm mostrado decréscimo no conteúdo de ligninas. de modo geral.9 44. Fonte: Adaptado de 1Schmidt et al.3 40..6 17.0 a 5.Tal fato pode ser explicado pela elevação proporcional nesses valores.6 a 54.7 a 4.5 a 38.5 a 49.8 18.4 a 40. Na Tabela 5.0 a 51.(2003). com a solubilização das hemiceluloses aumentando a disponibilidade de carboidratos prontamente fermentáveis para os microrganismos do rúmen.7 c 63.0 a** 7.5 b 13.9 a 79.5 38.3 c** LIG DIVMS 40. Como pode ser observado para B. no tempo de tratamento e por características inerentes ao volumoso.9 b 45.3 a 0.Hemiceluloses.9 b 14.6 b 55. decumbens.3 a 29. a amonização promove um aumento na DIVMS de 11. Efeito do tratamento com ureia ou amônia em fenos de gramíneas tropicais de baixa qualidade nutricional. Todos os trabalhos evidenciam a melhoria no valor nutricional dos fenos. são apresentados os resultados de algumas pesquisas que avaliaram os efeitos da amonização de fenos de gramíneas tropicais de baixa qualidade nutricional com ureia ou amônia anidra.5 b 38.5 b 82.7 b 26. CEL .7 45.6 a 54.5 a 59. FDA .4 a 56. que influenciam na magnitude das respostas da amonização.9 a 41.5 b 81. de 35. FDN .4 a 72.7 a 49. considerando-se que os resultados são expressos em termos percentuais.7 a 48.2 b 12.8 a 22. HEM .0% a 23. porém diferenças podem ocorrer por diferenças nos níveis de ureia utilizados. resultam em elevação significativa na digestibilidade da forragem tratada (Sundstol et al.2 82. a amonização eleva o conteúdo de nitrogênio não proteico (NNP) dos volumosos.0 a 87.4% Brachiaria Controle brizantha4 Amônia 3% Ureia 5. 196 .5 b 23.5 a 47.4 b 9.9 b 2. apresentam reduções nas frações fibrosas e aumento nos níveis de proteína bruta e digestibilidade da matéria seca.2 b 45.1 b HEM 32.34 a* 8.1 b** 8. Brown et al.6 a 14. NIDN .0% para B.2 a 31.7 16.4 b 82.5 a 46.39 a* 10.3 b 30.5 b* 7. Por outro lado.6 b 32.8 b 58. 1986). LIG .8 c 9.6 43 42.7 15.Fibra em detergente ácido.4 a Controle Ureia 5% Controle Amônia 3% Ureia 5% Brachiaria Controle decumbens3 Ureia 6% Brachiaria Controle decumbens4 Amônia 3% Ureia 5. Os efeitos no valor nutricional dos volumosos pelo uso de ureia ou amônia tendem a ser semelhantes.8 b FDA 50.6 b 26. DIVMS .9 b** 7..2 b 38 35 36.Fibra em detergente neutro. 2Fernandes et al.4 b** 8.Celulose.4 b 18.6 39.3 a 31. Além dos efeitos na fração fibrosa. via de regra.3 42.8 b 42.8 a 21.0 b 80.0 a 2.6 c 12.7 b 54.4 a 76.4% Hyparrhenia Controle rufa4 Amônia 3% Ureia 5.5 a 9.8 b 46.2 c 61.8 b 41.1 b** 7. (2005).4 a 12.5 c 59.0 b 52.1 a FDN 82. 1978. % da MS Feno Brachiaria decumbens1 Brachiaria decumbens2 Tratamento PB 3.7 a** 8.7 b 12.0 b 66.6 45.Nitrogênio ligado à FDA.2 b 77. que.1 b 52.0 ab 0. brizantha e de 20.3 40.1 a** 9.1 b 77.4 a 5. decumbens.8 83.2 b 14.6 46.4 b 32.4 a 35. Tabela 5.0% para o capim-jaraguá.1 27.2 48. 4Reis et al.8 a* 8. em função da solubilização das hemiceluloses.45 a* 7.2 50.8 38. Estes efeitos.0 b CEL 39.2 b 54.2 46.Nitrogênio ligado à FDN.Ligninas.7 a 48.8 47.2 b 77.2 b 0.7 a 80. (2002).(2001).8 a 78. NIDA .4 b 58.Digestibilidade in vitro da matéria seca. De modo geral.9 16. há diferenças nas composições químicas do feno não tratado.9 b** 7.

1Bc 11.5Aa 12.5% 3.20b 53.9Bc 10.00c 48.1Cab 20. como pode ser observado na Tabela 7.4Aa 47.1Bb 16. FDA .5Ba 43.9Ba Coastcross Aveia 7.9Ac 67.34c 53.4%MS). entretanto.07 11.0%) e de triticale (30. o aumento no coeficiente de digestibilidade da FDN. não tratados.2Ac 13. O aumento no nível de ureia potencializou esses efeitos. redução nos teores de ligninas.0% para 26. não alterou os teores de FDN. não observaram efeito do tratamento sobre os teores de FDA.0% para 24. de triticale e da casca de arroz. FDN .5Cb 14.0%) com o uso de NH3.20b 67. em parte. Fonte: Reis et al.Fibra em Detergente Neutro. FDA.58a Celulose 45. hemiceluloses e celulose. Reis et al.1Ba 46.0% para 30.Matéria Seca. como por ser visto na Tabela 6. consequentemente. Apesar de a fração fibrosa ter sido praticamente inalterada com o tratamento.00a FDA 42.1Ba 58.0%).2Ab Triticale 2. observando.78 10.2Bb 56. da palha de aveia (27. Tabela 6. na linha.14a Lignina 9.16 Médias seguidas de letras distintas.No trabalho de Grossi et al. (1993). É importante salientar que os teores de umidade dos volumosos tratados com ureia estavam abaixo do recomendado por Dolberg (1992). de celulose e de ligninas do feno de coastcross. MS . (1993).30b 60.8Ab 17. trabalhando com diferentes níveis de amônia em feno de capimbraquiária.38b 54. Componentes Níveis de NH3 0.0Bb 13.7Aa 50. principalmente nas palhas de aveia e no triticale. 197 . de FDA. porém proporcionou aumento nos teores de proteína bruta e.0% da MS) ou ureia (5. Tabela 7.5Aa 58.0Ba 10. PB(%MS) DIVMS(%MS) Controle Amônia Ureia Controle Amônia Ureia 7. a amonização. Teores de proteína bruta (PB) e valores de digestibilidade in vitro da matéria seca (DIVMS) do feno de capim-coastcross. os autores observaram diminuição no conteúdo de hemiceluloses do feno de coastcross (36. das palhas de aveia e de triticale.05) pelo teste SNK.96b 77. (1993).0% MS 40.0%MS) ou com ureia (5.90a Hemiceluloses 63.8Ab 14.11a FDN 59.Fibra em Detergente Ácido.0% 1. da palha de aveia. hemiceluloses ou celulose.0Aa 30.00c 64. tratados com amônia anidra (3. elevação na digestibilidade in vitro da matéria seca dos volumosos estudados.1Aa Casca de 3. Efeito dos níveis de amônia na composição química do feno de capimbraquiária.30c 70.8Aa arroz Fonte: Adaptado de Grossi et al. diferem entre si (p<0.70c 47.4% da MS). Esse fato pode justificar. com amônia anidra (3. (1993).

91 a 41.0% a 10.43 b 7.0% (base da MS).82 b 11. (1999) encontraram que a amonização via ureia proporcionou melhoria no valor nutritivo do bagaço de cana-de-açúcar.63 a 8. DIVMS .47a 45.Gobbi et al.40 ab 12.32 a 86.69 a 42. foi de 3.19 a 86.Proteína Bruta.0% de ureia na MS.18 a 71.85 a 40. Fonte: Nascimento et al. essa mudança nas proporções também contribui para o aumento da digestibilidade após tratamento.05 a 43.00 a 51. nos resíduos tratados é maior que naqueles não tratados.14 b 64.0% de ureia.11 b 17.0% inferior à da celulose. na amonização de fenos de B.60 a 18.28 c 86. decumbens.36 a 18.02 a 31.41 b 71. (2005) avaliaram seis níveis de uso de ureia.23 ab 74. tanto antes quanto depois do tratamento (Jackson.85 a 8.25) dos resíduos estudados.13 a 37.88 b 44. Cândido et al. Tabela 8.97 a 13. (1999). FDN .62 c 63. enquanto a proporção de hemiceluloses é menor.18 c 78.Fibra em Detergente Neutro.0% da MS.94 a FDA 56.14 a 18.77 a 38.93 b 35.02 a 76.77 b 44. PB .20 a 4. 198 . Resíduo Casca de arroz Dias 0 10 20 30 0 10 20 30 0 10 20 30 PB 4.43 c FDN 78.00 ab 9.86 a 73.28 ab 11.24 b 67.81a 10.18 b Lignina 12. Como pode ser visto na Tabela 8.46 b 2.59 a 38. pois proporcionaram os maiores valores de DIVMS. e uma vez que a digestibilidade das hemiceluloses é cerca de 20. FDA .20 b 50.06 b 44. Além disso.86 a DIVMS 27.87 a 51. e relataram que melhorias nos tratamentos resultaram em melhorias do valor nutritivo do feno. visando à melhoria no seu valor nutritivo.Digestibilidade in vitro da Matéria Seca. O aumento da digestibilidade dos resíduos tratados está relacionado com o aumento da digestibilidade da celulose presente.56 a 8.Fibra em Detergente Ácido.78 c 5.54 a 10. Efeito do tempo do tratamento na composição química e digestibilidade de resíduos tratados com 5. sendo as melhores respostas obtidas com 7.10 b 11. considerando-se o nível mínimo de PB adequado para bom funcionamento do rúmen. de 0.20 b 4. valores na mesma coluna seguidos da mesma letra não diferem Tukey (P>0.05).03 c 13.51 b 71.12 a 74.80 a 86. a proporção de celulose.85 a 38.93 a 51. 1977).61 a 11.74 a Bagaço de carnaúba Bagaço de cana Para o mesmo resíduo.. a incubação com ureia aumentou o percentual de proteína bruta (Nx6. e os maiores percentuais de aumento ocorreram nos primeiros 10 dias de incubação e nos materiais com menores teores proteicos (Nascimento et al. comprovada pela elevação do teor de PB e DIVMS e pela redução no conteúdo de FDN. Verificaram que o nível mínimo de adição de ureia ao bagaço. 1999).

em materiais de melhor qualidade nutricional. maior taxa de passagem e potencializando o consumo (Goto e Yokor. O tratamento com amônia promove a redução da cristalinidade das moléculas de celulose. As fibras de celulose. A qualidade nutricional inerente ao material influencia nas respostas aos tratamentos. apesar do menor valor 199 . O álcali reduz a resistência das pontes de hidrogênio intermoleculares e promove quebras de ligações éster inter e intramolecular presentes nas moléculas de celulose e hemiceluloses que as mantêm unidas. uma dosagem de 3. e isso também ocorre de acordo com a literatura para tratamento com amônia. e ligações éster intermoleculares entre grupos ácido urônico de hemiceluloses e celulose são provavelmente hidrolisadas. resultando em aumento de volume. e o tratamento alcalino provavelmente também remove essas barreiras em alguma extensão. Efeitos dos níveis de amônia anidra sobre a digestibilidade in vitro (DIVMS) da palha de arroz e feno de aveia de baixa umidade. Os tratamentos com doses mais altas de ureia forneceram valores de digestibilidade da matéria orgânica e consumo ligeiramente maiores. Joy et al. mas nem sempre significativos. os aumentos numéricos são maiores.0% de ureia pode ser considerada suficiente para tratamento com teor de umidade de cerca de 30%. 1996). 1993 Quando se trata de palhas de qualidade muito baixa. A celulose após o aumento de volume deveria ser mais facilmente penetrada pelo fluido ruminal. Alguma quantidade tanto de lignina quanto de sílica é dissolvida.0 – 4. Produto Componente Níveis de amônia anidra (% na MS) Autor (% na MS) 0 2 4 Palha de arroz DIVMS 34. Os dois efeitos em conjunto favorecem o aumento das superfícies acessíveis aos microrganismos ruminais. o uso da amônia anidra proporcionou aumentos na DIVMS dos volumosos. contudo.51c 44. podem ser fisicamente restritas pelo aumento de volume. Como pode ser observado na Tabela 9. 1977). De forma geral. promovendo maior fermentação. 1990b c b a Feno de aveia DIVMS 67.03a Ferreira et al. e isso deveria contribuir para a maior digestibilidade da celulose. Tabela 9.A celulose sofre um aumento de volume em função do tratamento com álcali (Jackson. ou seja. os resultados relativos são mais pronunciados. o tratamento com 4.. pelas formações de complexos da celulose com a amônia.. resultando em maior ataque enzimático.49 Ferreira et al.0% de amônia proporcionou aumentos de 39% nos valores de DIVMS da palha de arroz. comparando tratamentos com amônia anidra e ureia em solução e observaram uma pequena superioridade do primeiro em concordância com a literatura. após o tratamento.99b 48.85 77. (1992) realizaram uma série de experimentos. dentro da matriz celular.22 69.

A amonização promoveu melhorias na qualidade nutricional dos fenos. no entanto alguns produtores de toxinas foram controlados de forma satisfatória. 8. Esses resultados podem ser explicados pelas alterações ocorridas nas propriedades físicas e químicas da palha tratada. contudo não houve redução nos teores de FDA e lignina. respectivamente. a solubilização de parte das hemiceluloses e de nitrogênio ligado à FDN bem como o aporte de nitrogênio suplementar aumentam a quantidade de carboidrato e nitrogênio prontamente fermentável e favorecem o aumento da DIVMS dos volumosos tratados.0% a 27. assim como da MS da palha de arroz com a amonização da palha de arroz.05) no consumo voluntário da MS. porém não significativa. (Tabela 10). no feno de trigo. com redução dos níveis de FDN e aumento nos teores de PB e DIVMS.8% de ureia objetivaram alcançar teores equivalentes a 0.0%). (2001). resultando em deterioração dos materiais. O uso de concentrados reduziu a digestibilidade da MS da palha de arroz.60 e 47. com efeitos positivos sobre as características da flexibilidade.9 e 1. Houve tendência. Os fenos de Brachiaria decumbens e Hyparrhenia rufa (capim-jaraguá) foram avaliados quanto ao efeito do tratamento com amônia anidra (3. porém foi ineficaz no controle de Paecilomyces. o que está de acordo com a ausência de alteração na composição química dos fenos tratados relatada por esses pesquisadores. para a palha de arroz amonizada e não tratada. de aumento na digestibilidade aparente da PB.9% e 1. Já o uso da ureia foi pouco eficiente no controle dos fungos. (2004) encontraram efeito positivo (P<0. Segundo Reis et al.04 e 51. Esses autores concluíram que a ureia proporcionou o mesmo efeito da amônia e que o uso de uréase adicional não promoveu benefícios. Freitas et al. da MO e da PB. 56.0% ou 34.8% da MS) na conservação de fenos de alfafa com teores de umidade mais elevados (24.0% de NH3 na MS. entretanto a amonização minimizou esse efeito. que se têm mostrado efetivos no controle de fungos (1.66.0% e. Esses autores observaram que a amônia foi eficiente no controle de fungos produtores de toxinas como Aspergillus e Penicillium. principalmente sob condições de maior umidade dos fenos. 200 .0% de NH3). em termos absolutos. Vale ressaltar que os teores de 0.5 e 1.numérico (34. Fadel et al. esses níveis são baixos para promover melhorias na qualidade nutricional do volumoso.51. o tratamento proporcionou aumentos relativos de 15. porém.0% da MS) e dois níveis de ureia (0.0% de umidade).23 g/UTM/dia.0% a 37. com ou sem suplementação concentrada.0% da MS) ou ureia (4. Contudo. de 10 unidades percentuais na DIVMS para o feno tratado em comparação ao controle.05) da amonização com ureia sobre a digestibilidade aparente da dieta total.5% para 48.82 e 5. associado ou não com fonte de uréase) sobre a composição química. ter exercido papel favorável na colonização e degradação da fibra. fragilidade e solubilidade das forragens e pelo fato de essa mudança. O tratamento da palha de arroz provocou efeito significativo (P<0. FDN e FDA da dieta. provavelmente. (2002) avaliaram o potencial da amônia anidra (1. com valores observados de 61.5% da MS.

58a 68. FDA .48b 15. há controvérsias sobre a eficiência de utilização do N proveniente da amonização. É importante considerar que. bem como na digestibilidade. (%) 2. (%) 5. a utilização do N incorporado durante o tratamento com amônia depende de fatores tais como: N total da palha. influenciando positivamente o consumo voluntário.23ab T2 64.16c 61.55 6.82c T4 67.78a 55.55a 46. 1994).78a 68.Tabela 10.84a 68. quantidade de energia disponível no rúmen e disponibilidade de proteína da dieta. a amonização acarreta alterações físicas nos volumosos.88a T4 70.44b T3 61.14b 11. T1 palha de arroz não tratada+ureia (20 g/kg de MS). DESEMPENHO ANIMAL Segundo Reis e Rodrigues (1994). PB . não diferem entre si pelo teste de Tukey (P<0.19b 59. o conteúdo de N seja baixo. Coeficientes de digestibilidade aparente Tratamentos MS PB FDN FDA MSp T1 55.42b 62.85a 48.70b 5.66ab 62.98a 45.18a C.40 Consumo voluntário (g/UTM/dia) Tratamentos MS dieta MS palha PB dieta Controle 51.28b 60. tornando-os mais macios e flexíveis. 7.02 4.04b 60. Resultados de trabalhos de pesquisa mostram aumentos expressivos no consumo de matéria seca e no desempenho de animais alimentados com volumosos tratados com amônia. As evidências disponíveis indicam que o N incorporado ao volumoso tem o mesmo efeito daquele de outras fontes de NNP para os microrganismos.93b 59.93 4.12b 59. (2004). T2 .16a 65. velocidade de liberação do N. Por outro lado.20 Médias seguidas de letras iguais.Fibra em detergente ácido.Proteína Bruta. A digestibilidade dos volumosos tem sido aumentada consideravelmente. na palha. Embora. T3 . além das alterações na composição química das frações fibrosa e nitrogenada.02a 8.23d T2 68. T4 . A quantidade de N requerido pela microflora ruminal está relacionada ao conteúdo de energia potencialmente fermentável disponível.66c 47.V.41ab 69.25c T3 62. Digestibilidade aparente e consumo da dieta e palha de arroz(MSp) em ovinos.05).66ab 60.V. sob os efeitos da amonização (Reis e Rodrigues.14b C. nas colunas.02 4. 201 . Fonte: Fadel et al.Fibra em detergente neutro.58 7.T1+ concentrado. esse parece ser adequado devido à baixa fermentabilidade da MS.01 9.55a 65. FDN .T3+concentrado.palha de arroz tratada (4% de ureia com base na MS).

consumo e conversão alimentar (Tabela 11). (1990) estudaram os efeitos do tratamento da palha de milho e do bagaço de cana-de-açúcar.0 a 1. e a taxa de diluição de sólidos também tendeu a ser mais rápida após amonização.A utilização de volumosos tratados com amônia e suplementados com fonte energética pode proporcionar aos animais ganhos de peso semelhantes aos obtidos com o fornecimento de suplementos proteico-energético adicionados aos volumosos não tratados. Ademais. Os novilhos alimentados com a palha amonizada tenderam a ter concentrações de NH3-H no rúmen mais altas. A taxa de fluxo do fluido ruminal aumentou com a amonização. O valor nutritivo de volumosos tratados com amônia assemelha-se ao dos fenos de média qualidade (55.0% nos valores de digestibilidade e incremento de 20. De modo geral.0% no consumo de matéria seca pelos animais. 202 . (1985). permitindo ganho de 1. (1991). DIVMS e o desaparecimento in situ da MS e de constituintes de parede. os volumosos tratados com NH3 podem ser usados em programas de engorda intensiva de bovinos. (2007) endossam o potencial tanto da ureia quanto do hidróxido de amônio na melhoria da qualidade de resíduos de cultura do milho. o que resulta em maiores ingestões de matéria seca e matéria orgânica.. concluíram que tanto a suplementação com ureia quanto o tratamento com hidróxido de amônio possibilitam o uso desse alimento sozinho durante o período de escassez de forragens. Pereira et al. os resultados de pesquisas demonstram elevação de 10.2kg/dia (Sundstol et al. juntamente com o fornecimento de 3 a 4kg de concentrado/dia. melhorando a composição química.0% NDT). A recuperação ou fixação do nitrogênio aplicado durante amonização que está disponível para os animais encontra-se entre 40% a 65% (Fernandes et al. DIVMS e digestibilidade aparente dos componentes da dieta.. O aumento na performance de animais ocorre quando os volumosos tratados com amônia compõem mais de 50% da dieta. 1978). 2002). sendo a sua principal limitação a deficiência em energia. Os autores também concluíram que o tratamento com a amônia anidra foi mais vantajoso em termos de ganho de peso. enquanto em relação ao pH não foram encontradas diferenças.0 a 30. trabalhando com resíduos de cultura de milho. Também aumentou os teores de PB. Guimarães et al. De acordo com Zorrila-Rios et al. O consumo voluntário aumentou com o tratamento em mais de 30%.01) a fragilidade da palha. com ureia e amônia anidra sobre o consumo e ganho de peso de novilhos e concluíram que os tratamentos induziram a um aumento no teor de PB e a uma redução no teor de hemiceluloses. o tratamento com amônia aumentou (p<0. para manter a condição corporal das categorias animais menos exigentes do rebanho. Os resultados de Oji et al.

96a 82.28a Conversão alimentar (kg/MS/kg ganho) 55.82c Consumo de PB (g/UTM2) 3. a qualidade dos volumosos. CONSIDERAÇÕES FINAIS Na utilização de tratamentos químicos de volumosos. UTM 2. 8.15a (kg/animal/dia) Consumo de MS .0% do peso seco dos volumosos.75.78a Letras iguais não diferem pelo teste de Newman-keuls.61a 1.03b 9. ganho de peso e conversão alimentar. para maior eficiência do tratamento químico.90b 0. UTM 1.75 Consumo de PB (g/UTM2) Ganho de peso 0.93 4. (1990). (p<0.25c Conversão alimentar (kg/MS/kg ganho) 8.07b 0. Fonte: Pereira et al.95 Bagaço Bagaço + amônia Consumo de MS resíduo 3. Recomenda-se que o período de tratamento.0% a 8.84 Consumo de PB (kg/animal/dia) 0. a aplicação de amônia anidra nas condições brasileiras é difícil.29 7. A técnica da amonização permite melhorar.55 12. em função do sistema de distribuição do produto e da falta de tradição no uso desse nas atividades agrícolas.0 a 3. recomendam-se as dosagens de 2.75.08b 0.87b Ganho de peso 0.resíduo (g/UTM2) 40. RECOMENDAÇÕES DE USO Para o uso de amônia anidra ou hidróxido de amônio.05).36a 0.unidade de tamanho metabólico = kg PB0.00b 19.34a 6. 9.0% do peso seco dos volumosos.27a 0.0c Consumo de PB (kg/animal/dia) 0.04b 4.64b 0. da aplicação do reagente químico e o valor nutritivo do produto obtido. bem como as implicações tecnológicas para a adoção do método. Além disso. Já para o uso de ureia.36a 8.68 54.unidade de tamanho metabólico = kg pv0.11a 8.55b 1 Consumo de MS (g/UTM ) 78. Todavia. Palha Palha + ureia Palha + amônia Consumo de MS (kg/animal/dia) 6. as dosagens variam de 5. o período durante o qual os volumosos permanecem sob lona plástica em contato com a amônia deva ser de três a quatro semanas.Tabela 11. consideravelmente. ou seja. deve-se ter em mente que o manuseio da 203 . é importante observar os custos do transporte. Efeito do tratamento da palha de milho e do bagaço de cana com ureia ou amônia anidra sobre o consumo.84a 79.

J. p. Sci. Sci. 1. identification and quantification of lignin saponification on products extrated from digtgrass and their relation to forrage quality.C. Finalmente. BERTIPAGLIA. JONES. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS AKIN.B.M. Rev. CÂNDIDO.R.A. et al. Separation. Bras.. et al.. BIRKELO. Avaliação de fontes de uréase na amonização de fenos de Brachiaria brizantha com dois teores de umidade. rotineiramente. v. M. Avaliação do valor nutritivo do bagaço de cana-de-açúcar amonizado com ureia. Zootec.928935.867-873. Seria interessante que os trabalhos de pesquisa sobre o assunto determinassem a relação custo/benefício do tratamento químico. Zootec. p. v. Feed Sci.E.2044-2052. D. BONJARDIM. WARD. suppl. MELO..A. G. 2005. 1988. PIMENTEL.R. urea or cane molasses supplementation of rice straw.196-203. v.A. Avaliação da qualidade dos fenos de gramíneas tropicais armazenados com diferentes níveis de umidade e tratados com amônia.. MOORE. A utilização de hidróxido de amônia se apresenta como uma alternativa adequada para o tratamento químico.63. 1992. JOHNSON. Bras. Zootec.34.E. BROWN.21. Bras. Anim. S. L. 204 .D.. L. como fertilizante. C. Biological struture of lignocellulose and its degradation in the rumen.. D. 1999. CHAVES... REIS. v. S.. W. 1986....J.. G.63.. NEIVA J. D.M. considerando-se que esse produto vem sendo usado. Anim. et al. Ammoniation. Anim. p.. uma vez que se trata de um produto potencialmente tóxico.295-310. Soc. Anim. Fazendo-se uma análise abrangente dos trabalhos consultados.M.310. pois o seu uso na pecuária nacional é amplamente difundido e a adoção dessa técnica não requer grandes investimentos. MOYE. J.28.21.F. p.M.A. J. J..amônia anidra deve ser feito por pessoas treinadas.M. et al. p.M.. J. pode-se afirmar que a amonização é um sistema eficiente para o tratamento de volumosos de baixo valor nutritivo. Rev. PHILLIPS. Net energy value of ammoniated straw. Technol. 1986. C. Sci. v. a utilização de ureia como fonte de amônia para o tratamento de volumosos parece ser a alternativa mais adequada para o Brasil. v.378-386. p.. Abstract. sejam palhas ou resíduos agroindustriais. 1982. p. J. H.P. v.P.E.32. RODRIGUES.N. R. Rev. LUCA.

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a partir de 1880. 1982). podem ser aproveitados para alimentação animal.4 RESUMO Os resíduos agroindustriais apresentam grande utilidade na alimentação animal. 1984). vários tipos de tratamentos são utilizados visando melhorar sua qualidade nutricional. MSc. Prof. Escola de Veterinária da UFMG.. 1997). na maioria das vezes. Belo Horizonte. MSc. principalmente para ruminantes. luciocg@vet. Neste capítulo. Belo Horizonte. Wilson Gonçalves de Faria Jr.ufmg.. uma vez que a alimentação corresponde de 60 a 70% destes custos (Dutra et al. ao mesmo tempo. será abordado o efeito do hidróxido de sódio sobre a qualidade dos principais resíduos agroindustriais utilizados e seu efeito sobre o desempenho dos ruminantes. Marcelo Neves Ribas3. que. CEP 30123-970.. MG. em Zootecnia.br 3 Médico Veterinário. o qual lhe permite converter em alimento de alta qualidade os materiais grosseiros. O processamento dos diversos produtos origina altas quantidades de resíduos. Belo Horizonte. Belo Horizonte.                                                              Médico Veterinário. os custos de produção animal. Lúcio Carlos Gonçalves 2. DSc. O Brasil apresenta grande diversidade de cultura. MG. fredericovelasco@gmail. que corresponde a 60-70% da capacidade total do aparelho digestivo. Caixa Postal 567. os2ribas@hotmail. DSc. CEP 30123-970.com 4 Médico Veterinário.. Caixa Postal 567. CEP 30123-970.. Escola de Veterinária da UFMG. wilsonvet2002@gmail.CAPÍTULO 13 HIDRÓXIDO DE SÓDIO EM RESÍDUOS AGROINDUSTRIAIS PARA RUMINANTES Frederico Osório Velasco1. possuindo um estômago composto e compartimentado. Caixa Postal 567. Dentro deste contexto. MG. INTRODUÇÃO O avanço no modo de beneficiamento dos alimentos e a sua industrialização visando extrair as porções mais nobres deste para o consumo humano. Na produção animal. O valor nutricional das dietas disponíveis para os animais deve ser avaliado para que suas deficiências sejam suplementadas visando aprimorar o desempenho deste. provocaram um aumento significativo da disponibilidade de resíduos vegetais de culturas e de subprodutos industrializados (Bose et al. Doutorando em Zootecnia. Escola de Veterinária da UFMG. reduzindo a contaminação ambiental e. Doutorando em Zootecnia. Caixa Postal 567. geralmente uma nutrição inadequada é o principal fator limitante (Kategile. MG.com 1 209   . Associado Departamento de Zootecnia da Escola de Veterinária da UFMG.. aliados a um aumento da área cultivada e da produtividade. CEP 30123-970.com 2 Engenheiro Agrônomo. Porém. o ruminante se destaca pelo seu aparelho digestivo peculiar. por seu baixo valor nutritivo. gerando uma enorme produção nas diferentes regiões do país. os produtos fibrosos das plantas e os subprodutos diversos que não teriam outra utilidade a não ser retornarem ao solo. MSc.

A maioria dos constituintes da parede celular encontra-se indisponível para a ação da microbiota ruminal devido basicamente a três fatores: 210 .41kg por dia. o consumo de resíduos de culturas em matéria seca varia de 5.1. composta principalmente de hemiceluloses.Os restos de cultura têm sido frequentemente utilizados como volumosos na época da escassez de forragem e como forma de aproveitamento da grande disponibilidade destes nas ocasiões das colheitas das culturas. lignina e sílica. fósforo. hemiceluloses. Com base na disponibilidade de nutrientes para ruminantes. proteína. sendo o teor de cálcio muito variável (Bose et al. O tratamento químico deve atender a pré-requisitos como facilidade de aplicação. sugere a necessidade de submetê-los a um tratamento prévio em todas as ocasiões em que a opção seja a sua utilização como fonte alimentar para os ruminantes. Composição química dos volumosos Analisando-se a composição química e a digestibilidade das diversas partes das plantas utilizadas como resíduos. dependendo da qualidade e da palatabilidade (em clima temperado). limitando a digestibilidade e até mesmo o consumo voluntário destes alimentos pelos animais. A Tabela 1 apresenta a composição química de alguns resíduos agroindustriais utilizados na alimentação de ruminantes. que enfoca os restos de cultura e os resíduos agroindustriais tratados com hidróxido de sódio (NaOH). melhorando suas digestibilidade e qualidade (Marques Neto e Ferreira. e é altamente limitado pelo longo tempo de passagem pelo trato digestivo. celulose. 1. no entanto a disponibilidade dos constituintes da parede celular varia entre as diferentes forrageiras. 1984). devido à lenta degradação da matéria seca. verifica-se que a maioria necessita ser suplementada com energia. lignina e sílica. mostra a importância desses subprodutos como opção alimentar para os ruminantes. A baixa qualidade dos resíduos culturais. caracterizam a baixa qualidade nutritiva destes resíduos (Marques Neto e Ferreira. 1984). sendo este último composto por celulose. vitamina A. Esta revisão. os componentes das forrageiras podem ser divididos em dois grupos principais: o conteúdo celular e os constituintes da parede celular.45 a 9. esses alimentos constituem uma das alternativas práticas e até mesmo econômicas para a dieta dos animais. O conteúdo celular é totalmente digestível. boa relação custo/benefício. REVISÃO DE LITERATURA 1. os resíduos culturais apresentam valores elevados de parede celular. efetividade do tratamento. com adição de álcalis aos resíduos agroindustriais. Embora de valor nutritivo inferior aos considerados nobres. 1984).. Esses valores elevados. Em geral. associados aos baixos teores de proteína bruta e minerais. Resultados promissores têm sido obtidos por meio do tratamento químico. Segundo Hawkins (1983).

24 48. principalmente acético. quantidade de lignina presente na forragem.4 47.43 76.48 77.24 0. cálcio (Ca).05 44.03 57.84 61. lignina.44 4.58 4. O teor de lignina de uma forrageira é o principal fator limitante da digestibilidade.24 0. Alimento Algodão casca Arroz casca Café casca Cama de frango Cana -de açúcar bagaço Maravalha Milho resíduo de cultura Milho sabugo Soja grão Resíduo Soja palhada Sorgo resíduo de cultura Uva resíduo MS 88.76 Lignina 11.49 60.09 50.58 73.33 23.63 42.23 89. tornando-os indisponíveis à ação bacteriana.67 41.64 12.33 41.7 0.9 9. lignina.26 45.65 59.24 24.67 82.64 4.56 40.53 Fonte: Valadares et al.01 84.05 31.25 21.13 DMS 11. fibra em detergente ácido.42 7.12 0.2 85. durante a formação da parede celular.89 30.32 31.28 36. fibra bruta (FB). propiônico e butírico.2 1.51 50.85 1.07 89 FDA 64.4 29.2 47. são utilizadas pelos ruminantes.16 86.17 0.17 39.7 10. aos carboidratos estruturais.83 61.49 27. As hemiceluloses (HCEL) e a celulose (CEL). A lignina é um polímero fenólico que se associa à celulose e às hemiceluloses.38 50.05 0. fibra em detergente neutro (FDN). devido à incrustação dos polímeros da parede celular. (FDA).66 62. 2006.38 2.07 18. e os polissacarídeos da parede celular.73 38. 1994).8 36. Composição química da matéria seca.21 12.22 3.25 Ca 0.12 88. fósforo (P) de alguns resíduos agroindustriais utilizados na alimentação de ruminantes em porcentagem da matéria seca de valores de nutrientes digestíveis totais (NDT).46 0. porém a disponibilidade desse carboidrato em especial varia da total indigestibilidade à total digestibilidade.2 0.97 0.22 P 0. Carboidratos como a celulose são as principais fontes energéticas para os ruminantes. 211   .49 52. MS.82 1. Entretanto. Tabela 1.03 0. Esses ácidos graxos são absorvidos pelas paredes do rúmen e servem como fonte de energia ao animal.83 53.15 88. cuja flora ruminal as transforma em ácidos graxos voláteis (AGVs).04 33.18 75.58 0.54 11.58 42.09 40. em porcentagem. associação física e química entre compostos fenólicos.06 46. 1994).81 84.93 PB 4.71 80.48 13. principais componentes da fibra bruta (FB).05 NDT 49.62 17.52 69. dietas ricas em fibras são pobres em energia porque a fibra apresenta uma baixa densidade energética (baixo conteúdo energético por unidade de peso)..25 43.71 25. O processo de lignificação altera tanto a taxa quanto a extensão da digestão das forrageiras (Van Soest.09 18.07 85.64 0.96 63.91 2.08 81.grau de cristalização dos polímeros de celulose.32 48. dependendo do grau de lignificação da forragem (Van Soest.06 0. proteína bruta (PB).96 90.29 FB FDN 42.9 53.

são o hidróxido de sódio (NaOH). boa disponibilidade. pois envolve produtos muitas vezes corrosivos e/ou tóxicos. devem ser as menores possíveis (Marques Neto e Ferreira. 1984). estes níveis não devem ser inferiores a 7%. Tratamento alcalino de volumosos Tratamento de volumosos com baixa qualidade nutricional com produtos químicos é um método comumente empregado. baixo ou nenhum impacto ambiental. já que estes materiais apresentam níveis proteicos abaixo do recomendado para que haja uma boa atividade fermentativa no rúmen. melhora a digestibilidade e a qualidade do material (Marques Neto e Ferreira. mas deve ser avaliado com cautela. a adição de nitrogênio aumenta o teor de proteína bruta. Os hidrolíticos. Tal nutriente mostra-se essencial para o ruminante. o hidróxido de potássio. de acordo com Church (1988). a amônia anidra e a ureia. Níveis mínimos de proteína bruta são necessários. A adição do álcali em concentrações elevadas. pois é fonte de aminoácidos e nitrogênio para a síntese de proteína microbiana. além de influenciar negativamente a palatabilidade dos 212 . não ser corrosivo e ter ação rápida sobre o volumoso. Os diversos produtos químicos utilizados para aumentar a digestibilidade dos volumosos de baixa qualidade são divididos em dois grupos principais. as quantidades a serem usadas para atingir o objetivo desejado. o baixo teor proteico dos resíduos agroindustriais contribui para reduzir o consumo voluntário destes. fácil aplicação e armazenamento. a lignina está presente na fibra bruta. para tal finalidade. Por isso. São classificados como hidrolíticos ou oxidantes. que. Portanto. aliada ao tratamento mecânico (fragmentação ou moagem). Essas substâncias atuam como um agente degradador ou solubilizador. o peróxido de hidrogênio e o dióxido de enxofre.1984). o hidróxido de cálcio. e os oxidantes são o ozônio. facilitando a ação dos microrganismos do rúmen. por sua vez. trata-se de um dos parâmetros mais importantes nas determinações do valor nutritivo. que a utilizará para a síntese de tecido e a produção de leite. Para que a adição de produtos químicos com o intuito de melhorar a digestibilidade não afete a palatabilidade dos alimentos. A adição de álcalis ao resíduo cultural.Embora não seja um carboidrato. a digestibilidade do material e o consumo de matéria seca. será fonte de proteína para o ruminante. 1. Portanto. de acordo com a reação que causam na degradação da parede celular.2. aumentando a digestibilidade da fração fibrosa dos alimentos. os mais comumente usados. Segundo Marques Neto e Ferreira (1984). pois constitui a fração indigestível (Marques Neto e Ferreira. a deslignificação. esse produto deve ter algumas características necessárias para ser empregado: ser de baixa toxicidade. baixo custo de aplicação e de obtenção. ou seja. formando uma composição física com a celulose na parede celular. 1984). a qual acelera o desfolhamento da celulose. O nitrogênio aumenta a população de bactérias no rúmen. Diversos trabalhos têm demonstrado a importância da suplementação nitrogenada sempre que os restos de cultura forem utilizados na alimentação dos ruminantes.

Há grande variação na melhoria sobre o valor nutritivo das palhas de cereais tratadas com álcali. temperatura e suplementação com nitrogênio. tempo de reação. a magnitude da resposta animal. Figura 1. como se vê nas revisões de Jackson (1977). Resultados de estudos sobre resíduos com tratamento alcalino têm sugerido que esse pode interferir na retenção normal de nitrogênio e sobre o balanço de nitrogênio (Moro. que concluíram que resíduos tratados com soda cáustica melhoraram o desempenho animal. além disso. 1984). citados por Homb. Segundo Kategile e Frederiksen (1979). poderá causar prejuízo físico aos animais (Marques Neto e Ferreira. Entre as causas dessa variação. O aumento da digestibilidade. em 213   . homogeneização. fatores importantes que afetam o valor nutritivo dos volumosos tratados quimicamente são: natureza do volumoso. 1977. O tratamento de resíduos de cultura com álcali para aumentar o consumo de energia digestível (ED) foi extensivamente pesquisado. entre outros. O principal efeito do tratamento alcalino das forragens se deve à ocorrência de saponificação das ligações éster com a HCEL. citados por Moro.. 1984). na maior parte dos experimentos. natureza do reagente químico.alimentos. resultando em um aumento do grau de solubilidade em contato com a água e. 1984).. Digestibilidade da matéria orgânica em palha tratada pelo método Beckman com diferentes níveis de aplicação de NaOH (Fingerling et al. Klopfenstein (1978). que. parte da fração de HCEL é tornada solúvel (Capper et al. A Figura 1 apresenta a relação entre coeficiente de digestibilidade da matéria orgânica em relação à quantidade de NaOH utilizado para o tratamento de palha (Fingerling et al.. 1991). Entretanto. 1987). 1923. estão o tipo de palha e a fonte e a quantidade de alimentos suplementares fornecidos aos animais (Ng'ambi e Campling. 1923. citados por Homb. é acompanhado por aumento no consumo voluntário. frequentemente é utilizado para expressar a eficácia do tratamento alcalino. 1987).

aproximadamente 1. compararam vários métodos de tratamento químico de palhas e concluíram que o tratamento úmido da palha com NaOH foi a forma mais eficiente de melhorar a digestibilidade. melhora sua aceitabilidade pelo animal. de 40 para 60-70% e. Rexem e Kundsen (1984) relacionaram como restrições da técnica por via seca os inevitáveis resíduos de NaOH e de íons sódio resultantes da soda que reagiu com o material tratado.termos de digestibilidade. 1991). seguida de lavagem para retirada do excesso de álcali. é afetada por muitos fatores. tornando o processo mais simples e barato. esse método dispensa a lavagem. além disso. no princípio do século XX. 25% da MS inicial. o sucesso do método depende da distribuição eficiente do álcali sobre o material. na alimentação de ruminantes. com o desenvolvimento do método de Beckman.5% permaneceu após a reação. a quantidade de álcali que reage é dependente da concentração de soda aplicada e do tipo do material tratado. Métodos de tratamento com NaOH De acordo com Barros et al. De 4% de NaOH aplicados em palhas. quando estes são a única fonte de volumoso. por exemplo. Além disto. aproximadamente. em uma revisão sobre palha tratada com álcalis. além de sua difícil industrialização. Esse método consiste na imersão do material em uma solução de 1. e alguns deles são estritamente relacionados ao resíduo de cultura que é obtido e submetido ao tratamento (Ciocca e Prates. apesar de aumentar a digestibilidade da palha de 40 para 70%. Jackson (1977). Segundo Saliba (1988). a mudança na pressão osmótica e os resíduos de fenóis livres deprimem a 214 . A persistência desses resíduos pode ser de um ano ou mais. sendo uma das causas da baixa aceitabilidade apresentada pelos alimentos tratados. A lavagem apresenta os inconvenientes de ser trabalhosa. (1993). 1972). Além da concentração necessária para resposta efetiva. 1. citados por Moss et al. mostrou que o método de Beckman. quando comparado aos métodos com amônia e com tratamento seco com NaOH.3.3% de NaOH. a utilização de NaOH como agente deslignificante. borrifando-a com uma solução de NaOH a 4%. dados relativos à utilização de NaOH sugerem diferenças entre as respostas em ensaios realizados in vitro e in vivo (Klopfenstein. (1985). De acordo com Rexen e Thonsem (1976). além do fato de o álcali residual constituir um fator de poluição. O processo melhora a digestibilidade de uma palha. Porém. Wanapat et al. (1985). não é muito usado em razão do seu elevado custo. O procedimento mais utilizado consiste em umedecer a palha. causar perdas de.5% . o que reflete na quantidade de íons sódio excedentes. teve início na Alemanha.. requerer grande quantidade de água (40 l/kg de material). a rápida elevação do pH. e tais diferenças parecem ser maiores em dietas contendo mais de 3% de NaOH (Klopfenstein et al. 1978).

o que equivale a 12-15kg de NaOH/100kg de MS (Jackson. assim. Nesse caso. consequentemente. quando foi utilizado o método de aspersão. não causam danos. não causando. Segundo Jackson (1978). gastam-se 100 litros de solução para 100kg de matéria seca (MS).8g/kg de MS da dieta.5 . Em comparação ao tratamento por via úmida. porém ocasiona perdas de MS da ordem de 20 a 25% de material original (Jackson.2L/kg de MS (Kategile e Frederiksen. 1979) e dispensar instalações especiais para o tratamento da palha. Os estudos de Kategile e Frederiksen (1979) concluíram que de 3 a 6% de NaOH na MS da palha foi a concentração ideal do álcali. consideraram factíveis maiores níveis de NaOH/kg de MS. Esta é uma das justificativas para as diferenças encontradas entre os resultados que usam digestibilidade aparente ou in vitro.ação de microrganismos ruminais e. Barros et al. (1985) afirmaram que o excesso de NaOH em palhas tratadas com esse álcali parece ser rapidamente convertido. utilizando-se de um pulverizador com pressão. Como consequência. O segundo processo consiste na distribuição da solução alcalina com o uso de um regador sobre a palhada previamente triturada. Conjuntamente. O requisito de sódio de vacas não lactantes é 0. 0. mesmo em grandes quantidades. Alguns autores. os baixos teores de nitrogênio nas palhadas são normalmente insuficientes para a manutenção da microbiota ruminal. efeito cáustico aos animais. Sem dúvida.NRC (1989). mas é fato que um alto nível de sódio limita o crescimento dos animais criados em sistemas intensivos. no rúmen. 1978). Os métodos por via úmida caracterizam-se por imersão da palha numa solução de 1. (1991). O volume de solução recomendado é 8-10 litros/kg de MS. 1991). (1991) também concordam que os níveis de sódio acima dos requisitos. de acordo com o National Research Council . mas o nível máximo de tolerância é de 52g/kg. Todos estes fatores contribuem e potencializam a redução na efetividade do tratamento por hidróxido de sódio. maior osmolaridade provoca diminuição da ruminação. em carbonato ou bicarbonato. diminuem o consumo voluntário e o tempo de fermentação da celulose devido à maior taxa de diluição. desde que fosse praticada a neutralização com ácido no material tratado.5% de NaOH por 18 a 20 horas e a posterior lavagem do álcali residual. Holzer et al. o tratamento das palhadas com NaOH pode ser realizado de duas maneiras: o primeiro processo consiste na pulverização do material previamente triturado. Esse método proporciona aumentos na digestibilidade da matéria orgânica de 20 a 30% e de 10 a 20% no consumo voluntário (Gonzalez Duarte. 1977). o método de aspersão com NaOH apresenta a vantagem de utilizar menor volume de solução. a toxicidade do sódio é baixa. ou quando a inclusão desse na ração não ultrapassasse 215   . da salivação e na fermentação. entre eles Holzer et al. o volume de solução é de 200 litros para cada 100kg de MS. Por meio desse instrumento.

1979). Existe ainda outra restrição para ambos os grupos de tratamento (via úmida e via seca). 1. 1983). Este fato pode parecer. A literatura comprova a eficácia do tratamento de resíduos com soda cáustica. citados por Saliba.50% do volumoso. vantajoso em relação à produção de leite. quando tratam resíduos culturais com NaOH em solução. 1971. o que pode ser explicado pela menor relação reagente:substrato (Kategile e Frederiksen. e a reação completa ocorre em 18 horas (Chandra e Jackson. 97-98%.4. 1988). sem alterar seu conteúdo nas fezes ou no leite. porém a urina juntamente com as sobras da forragem tratada e os efluentes resultantes dos tratamentos por via úmida resultam em grave fonte de poluição da água e de solo (Jackson. para evitar possíveis efeitos nocivos do sódio residual no desempenho animal. lignina e sílica. seja pela contaminação com o excesso de sódio no alimento e nos líquidos de excreção dos ruminantes. que o método exige. Embora o tratamento por aspersão diminua as perdas de MS e seja mais econômico em relação ao método por via úmida. Aspectos químicos do tratamento com NaOH De acordo com Marques Neto e Ferreira (1984). seja pelo uso exagerado de recursos hídricos. As observações de Jackson (1977) e Klopfenstein (1978) são de que o tratamento alcalino com NaOH produz um grande número de mudanças na composição e organização da PC. Os autores mostraram que a extensão de solubilização do ácido p-cumárico produzida pelo NaOH tinha uma relação linear com a digestibilidade da celulose. 216 . 10 a 15%. mas. em uma hora. aumentos da ordem de 30% na digestibilidade têm sido registrados por diversos autores.. sendo que uma concentração alta de álcali pode modificar morfologicamente a celulose sem que haja perdas de resíduos de glicose. A reação química do NaOH com palhas ocorre 93-95% nos primeiros cinco minutos. Há autores que sugerem ser a mudança da forma cristalina para uma forma amorfa o que torna a celulose mais digestível. à primeira vista. na sua morfologia natural (cristalina). contanto que seja acessível aos microrganismos do rúmen (Mora et al. na hidrólise de ésteres dos ácidos urônico e acético e em uma expansão da celulose. os aumentos na digestibilidade da matéria orgânica são relativamente menores. entretanto este método deve ser adotado com muito critério a fim de se evitar danos ao meio ambiente. Tais mudanças consistem na solubilização parcial das HCEL. 1977). a celulose pode ser prontamente degradada. Evidências demonstram que todo o sódio excedente é excretado na urina.

em alguns casos. 1954.O conteúdo de lignina geralmente não é reduzido pelo tratamento. ao inchamento ilimitado. citados por Saliba. devido à quebra das ligações com a lignina. resultando no inchamento das suas fibras dentro da matriz da parede celular. o tratamento ácido é mais eficiente. o aumento na extensão da digestão da celulose e das hemiceluloses é. Então. que só são hidrolisadas por meio de tratamento com ácido. o inchamento da celulose em água acontece de duas maneiras: inchamento intercristalino: envolve a entrada de água entre unidades cristalinas. O álcali parece reduzir a força de ligação intermolecular hidrogeniônica nas moléculas da celulose. 1977. Há diferentes tipos de ligações entre os carboidratos e a lignina. Nesse caso. 1983). falta de ligações ésteres fracas entre a lignina e os carboidratos da parede celular. com a mudança do volume aproximadamente equivalente ao volume de água absorvido. melhorando a digestibilidade da fibra pelo aumento na solubilidade das hemiceluloses e na disponibilidade da celulose e das hemiceluloses (Klopfenstein. citados por Mora et al. A remoção da água devolve a estrutura original. levando a novas modificações cristalinas e. O tratamento alcalino com NaOH produz mudanças na composição química e na organização da parede celular (Jackson. 1988). sem atuar na sua remoção.. Os mesmos autores sugeriram que o NaOH tem capacidade de saponificar as ligações ésteres entre o ácido ferrúlico (precursor da lignina) e as hemiceluloses. permitindo maior penetração do líquido ruminal. o que parece ser devido a diferenças estruturais dos componentes da parede celular no resíduo da leguminosa. isto é. indicando. enquanto outras álcali-estáveis. porém não acontecem mudanças na fibra em detergente ácido. A lignina de leguminosas parece ser mais condensada e potencialmente menos reativa do que a lignina de gramíneas (Jung e Farey. tornando-a mais digestível. atingindo um máximo de 30%. Por outro lado. 1978). Segundo Mora et al. Klopfenstein. com decréscimo da cristalinidade. maior remoção de hemiceluloses. Jackson (1977) mostrou que a celulose incha quando tratada com NaOH. inchamento intracristalino: envolve a penetração de água nas regiões cristalinas e amorfas da celulose. os autores afirmam ser possível que o tratamento alcalino cause alguma hidrólise da proteína associada à parede celular. com completa dissolução da celulose (Howsmon e Sisson. 1978). algumas álcali-lábeis (ligações ésteres). provavelmente. Os componentes da fibra em detergente neutro (FDN) são reduzidos pelo tratamento alcalino. portanto. 217   . 1983. (1983). Nem sempre esse tratamento mostra-se eficiente. pois notaram que o resíduo de soja ficou praticamente inalterado após o tratamento com NaOH.

1978. portanto. (2008). deve ser considerado o alto teor de sílica. geralmente. Kategile e Frederiksen.A associação físico-química entre a lignina. Seu consumo geralmente é limitado a 2% do peso vivo do bovino por dia. As palhas contêm aproximadamente 80% de substâncias potencialmente digestíveis e.5. permitindo maior ataque bacteriano. A palha de soja tem o mais baixo teor de parede celular. sendo que a concentração ideal de NaOH varia de 3 a 5% da MS (Klopfenstein. representam uma potencial fonte de energia. 1984). principalmente das celulases e das xilanases em relação à palhada não tratada. Observaram que o perfil de fermentação da palhada com adição de hidróxido de sódio foi típico de alimento rico em forragem com altos teores de acetato. Palhadas em geral As palhadas geralmente apresentam baixo valor nutritivo.1988). Palhadas de pequenos grãos apresentam baixo valor nutritivo. 1. 1990). Em trabalho realizado por Chen et al. em decorrência da baixa taxa de fermentação que este alimento sofre no rúmen. com valores acima de 70%. dependendo de fatores como espécie ou cultivar. 1979). 1977). Marques Neto. O consumo e a digestibilidade das palhas parecem melhorar por meio do tratamento com NaOH. Rexen e Thomsen (1976) 218 . clima e condições de armazenamento. sendo constituídas principalmente por parede celular. porém apresenta as maiores porcentagens de fibra bruta e lignina (Jackson. Nas palhadas de arroz. Esse aumento é devido a um aumento da exposição e do ataque das ligações lignina-celulose. 1978. os autores estudaram o efeito do tratamento da palhada da arroz tratada com hidróxido de sódio nas características fermentativas. sendo. principalmente na concentração de propionato. tipo e quantidade de fertilizante utilizado. Também há um aumento da população microbiana com ação celulolítica como o Ruminococcus flavefaciens e o Fibrobacter succinogenes. assim como há atividades das enzimas produzidas por esses organismos. estágio de maturação da planta. O processamento úmido ou a seco de grãos de cereais melhora a eficiência de utilização do amido por aumentar o acesso aos grânulos de amido por enzimas dos microrganismos do rúmen e/ou do trato digestivo do animal (Schlink.5. sendo um potencial agente causador de lesões no trato gastrointestinal (Jackson. Normalmente o teor de lignina alto é a causa principal de seu baixo valor nutritivo. altamente lignificada e de baixa digestibilidade. na atividade de enzimas com atividade celulolítica e sobre a população microbiana ruminal. Sua constituição química é bastante variada. carboidratos de reserva e de minerais. Volumosos 1.1. os polissacarídeos da parede celular e o grau de cristalinidade dentro do polímero de celulose são os fatores mais importantes que influenciam o valor nutritivo (Flachowsky e Sundstol. a do trigo a de menor qualidade e a de cevada ligeiramente melhor. Houve um aumento no total de ácidos graxos voláteis produzidos em relação à palhada não tratada. com baixo conteúdo proteico.

1. talos de algodão e cascas de sementes de girassol) foi menos eficaz.0. Rezende (1976) constatou que. pé e sabugo de milho tratados com NaOH nos níveis 0. Ao tratar subprodutos fibrosos de monocotiledôneas com NaOH. No trabalho de Shariff e Gupta (1989) sobre os efeitos de vários tratamentos alcalinos no desaparecimento da matéria seca e da celulose de palhas. trigo e feno de azevém e observaram que o tratamento da palhada com até 7% de NaOH (% da MS da palha) aumentou linearmente a digestibilidade enzimática. encontraram aumentos de consumo da ordem de 31% para palha de cevada. Ng'ambi e Campling (1991). em ensaio realizado com ovinos. não houve diferença significativa entre os níveis de 3 e 5%. ensilaram o pé de milho com concentrações de 0. ainda. aumentaram também as médias de digestibilidade da matéria seca e da matéria orgânica. mas não acima. Moss et al.(1990). concentração de NaOH e temperatura foram: 219   . Esse tratamento reduziu o conteúdo de hemiceluloses da matéria seca. que não reagiu. estudando os efeitos no consumo voluntário e na digestibilidade das palhadas de cevada. Esse tratamento para dicotiledôneas (palha de soja. estudaram as modificações na energia digestível (ED) e na digestibilidade in vivo de palhas de trigo. usando ovinos. respectivamente. capim-elefante.2. e isso resultou em um aumento de celulose e lignina na parede celular remanescente. aveia. Utilizando os volumosos palha de arroz. palha. 0. Apesar de o processo omitir a lavagem do excesso de base do produto. (1972). os autores observaram que a retenção de palhas no rúmen afetou o consumo de matéria seca e. 3.sugeriram o tratamento químico a seco de palhas com NaOH. Estes autores avaliaram palhas de cevada.5. 3 e 5% de NaOH.5 e 2.0% durante os tempos de embebição de 0. 100°C (estufa) e autoclavagem a 127°C. 13 e 24%. 1. à medida que foram sendo aumentadas a temperatura e as concentrações. 9% para palha de aveia e 1% para palha de trigo. que os melhores coeficientes de digestibilidade em termos absolutos. e os aumentos de digestibilidade correspondentes foram 36. considerando tempo. aveia e trigo tratadas com NaOH para novilhos. a disponibilidade líquida de nutrientes para o animal e aumentou o desaparecimento de matéria seca e celulose dos sacos de náilon suspensos no rúmen. por meio da técnica dos sacos de náilon incubados no rúmen. Os tratamentos com 3 e 5% de NaOH aumentaram significativamente a digestibilidade da matéria orgânica em relação ao pé de milho não tratado. Flachowsky e Sundstol (1988) obtiveram um aumento na digestibilidade com níveis de 5 a 8% de álcali. 9 e 12 horas. centeio. indicando que forragens de baixa qualidade podem ser tratadas com ambos os níveis. 1. nas temperaturas ambiente. a digestibilidade in vitro e também a taxa de digestão.5. A digestibilidade em ovinos aumentou na mesma proporção que o NaOH até os níveis de 4-5%. No entanto. Constatou. portanto. o NaOH. Forragens de baixa qualidade Klopfenstein et al. não resultou em nenhum problema. cevada e aveia. as quais ocorreram devido ao tratamento com 45kg de NaOH/t de matéria seca. 6.

leva a um consumo voluntário de MS mais alto do que quando não tratado. temperatura de autoclave.milho. O método de imersão em NaOH é uma técnica que melhora a qualidade e é a mais efetiva. não diferindo significativamente das palhas de trigo e de arroz. Pereira Filho et al. hemiceluloses e tanino. em experimento com ovinos. Stuart (1988) constatou que a digestibilidade das folhas secas de cana foi 33%. é capaz de produzir forragem tratada de maior digestibilidade e conteúdo ótimo de nitrogênio e minerais. no miolo da cana e nas palhas de cevada. As Tabelas 2 e 3 do trabalho de Rexen (1979) mostram o efeito positivo do tratamento com NaOH sobre forragens de baixa qualidade. observaram que o tratamento com NaOH proporcionou efeito linear decrescente nos teores de matéria seca.5% de NaOH. na concentração de 1. capim-elefante: 9h de embebição. (2003). houve um maior aumento da digestibilidade dos materiais com um maior conteúdo de lignina. para fibra em detergente neutro e fibra em detergente ácido. Com o objetivo de estudar o efeito do NaOH a 6% nas folhas verdes e secas de canade-açúcar. Além disso. Segundo Owen e Jayasuriya (1989). no teor de tanino e na digestibilidade in vitro da matéria seca do feno de jurema-preta. e a digestibilidade in vitro da matéria seca (DIVMS) melhorou com o aumento da concentração de NaOH. exceto para a palha de cevada.05) a retenção de nitrogênio e a digestibilidade aparente da MS.4%. trigo e arroz. a hidrólise alcalina do capim aumentou significativamente (p<0. tais como o miolo do bagaço e as folhas secas da cana. enquanto. apesar de não requerer alta tecnologia. Mendonça (1992). palha de milho: 9 e 12h de embebição. Oliveira (1996) não observou efeito positivo sobre o consumo e no valor nutricional deste. estudando o efeito do tratamento com hidróxido de sódio (NaOH) na fração fibrosa. e. na concentração de 2. A digestibilidade de todos os resíduos tratados foi 56-58%. O valor para as folhas verdes foi 37. quando tratado com NaOH. o tratamento alcalino com NaOH utilizou grandes quantidades (180g de NaOH/kg de MS da palha em 26 litros de solução por 16h. Concluiu que a falta de suplementação deste feno com uma fonte de nitrogênio levou a esses resultados. na concentração de 2. que foi significativamente maior (62. nas temperaturas ambiente e de autoclave. seguido pela secagem). na concentração de 2.0% de NaOH. constatou que o capim-elefante maduro. da FDN e das hemiceluloses.0% de NaOH. A proteína bruta não foi afetada. sabugo de milho: 3h de embebição. Em estudo com feno de capim-jaraguá submetido ao tratamento com NaOH (4% da matéria natural). temperatura de autoclave. 220 . planta inteira: 9h de embebição. Dessa forma. na temperatura de autoclave.ocorreu efeito quadrático.0% de NaOH.8%).

1 41. 2.6 42.4 30. CEL (celulose).5 Fonte: Rexen (1979). expressos em porcentagem da matéria seca (%/MS).4 29.7 72.9 28.1 64.4 43.5 Sabugo de milho não tratado 92. Componentes da parede celular dos resíduos agroindustriais tratados: FDN (fibra em detergente neutro).5 e 10.1 44.4 42 7.2 27.7 64. HCEL (hemiceluloses).3 18. nos quais trataram sabugos de milho com concentrações de NaOH de 0.0.4 7.9 50.2 39.7 25.9 Rami 49.Tabela 2. matéria orgânica.4 31.6 49.8 Sabugo de milho 38.8 44.3 40. 1.3 45. Porcentagem da matéria seca Produto FDN HCEL CEL lignina FDA Palha de cevada não tratada 79.1 43. 3.5.9 31.6 18.1 70.0kg de NaOH/100kg de MS de sabugo.5 Tratado com 5% de NaOH 68.6 19.9 20.7 4.5 73. 1.1 31 Azevém 46.5 43.3 Milho planta inteira 56.2 Sorgo 41.9 Tratada com 5% de NaOH 69. lignina e FDA (fibra em detergente neutro). em todos os casos. 221   .1 74.5.8 Palha de arroz 39.5 42.7 Palha de arroz não tratada 80.3 66.9 51.8 Tratado com 5% de NaOH 70 20.3 Tratada com 4% de NaOH 67.3.1 68.1 72. 5.2 41. constituintes da parede celular.4 8.1 Fonte: Rexen (1979).1 Tratada com 5% de NaOH 70.9 28.5 17. 7.3 74. expresso em porcentagem da matéria orgânica (%/MO).4 43.3 21 Palha de aveia 54. Tabela 3.7 16.33.1 6.4 6. aumentos da digestibilidade da matéria seca.3 39.67.9 Sorgo não tratado 81.9 6 49.5 31.8 7.8 45.4 49.1 Palha de trigo 51.5 7 49. Digestibilidade in vitro (% da MO) Antes do Após o Alimento Aumento tratamento tratamento Palha de cevada 45.9 23.6 Palha de trigo não tratada 80.7 34. Sabugo de milho Em três experimentos.5 Rami não tratado 77.2 7. Kategile e Frederiksen (1979) encontraram.6 48 Tratado com 5% de NaOH 74.1 49. Aumento da digestibilidade in vitro de resíduos agroindustriais após o tratamento com NaOH (5% da MS).1 13 Palha de centeio 46.6 6.3 4.2 42.

1. As dietas com palhas de menor TP resultaram em um maior consumo de MS. o volume de solução de NaOH. (1984) para determinar os efeitos do tamanho da partícula (TP:2. A digestibilidade da matéria orgânica expressa na MS in vitro foi 38 e 53% para palhas não tratadas ou tratadas com soda cáustica. 6 e 8% de NaOH. concluindo que 4% de NaOH foi o melhor nível para o tratamento. (1979) utilizaram concentrações de NaOH de 0. que se encontravam em um piquete de resteva de trigo e recebiam palha de trigo enfardada. houve maior mudança do sítio de digestão ruminal para pós-ruminal.energia e fibra bruta e concluíram que 5kg de NaOH/100kg de matéria seca foi a quantidade ótima tanto para a digestibilidade quanto para o consumo voluntário. Detectaram. mas em menores digestibilidades de MS e FDN. também. enquanto o tratamento na palha com 10cm não teve efeito sobre a taxa de passagem e aumentou a fermentação de FDN no rúmen. Os processamentos físico e químico indicam que as forragens de baixa qualidade podem produzir uma mudança no sítio e na extensão da digestão. algumas fibras escaparam da digestão microbiana no rúmen. Estudando as diferenças nas digestibilidades in vitro e in vivo.5cm aumentou a taxa de passagem e a fermentação da FDN no trato digestivo posterior. 222 .5 vs 10cm) e do tratamento com NaOH (0 vs 4%) da palha de trigo no consumo de MS e no sítio. 7. que variou de 25 a 200 litros/100kg de matéria seca de sabugo. Entretanto. A palha tratada com NaOH teve um menor tempo de retenção ruminal comparada com a palha não tratada (32. observaram ganho de peso de 23 g/cab/dia. para palha de 2. possivelmente devido à diminuição do tempo de retenção ruminal e/ou diminuição da atividade celulolítica. respectivamente.5.5cm do que para a de 10cm. e na extensão de digestão da MS e da FDN.5. O tratamento com NaOH da palha de trigo com 2. 2. respectivamente. Thiago e Kellaway (1981). 12 e 5% menor do que a in vitro nos níveis de 4. Berger et al.8 horas). A digestibilidade in vivo da MS foi 5. composta por 80% de sabugo e 20% de suplemento. ainda.5 e 10% na matéria seca do sabugo para obter 0. trabalhando com oito novilhas Holandesas. Com NaOH. 6 e 8% de NaOH na dieta completa. O tratamento da palha com NaOH aumentou a ingestão e a digestibilidade. 5. comparadas com dietas com palhas de maior TP. grandes aumentos na fibra potencialmente digestível com o tratamento com os níveis crescentes de NaOH. Dois experimentos com cordeiros foram conduzidos por Hunt et al.0.4. e estabeleceram o volume mínimo de 50litros/100kg. relacionadas à digestão ruminal da fibra potencialmente digestível com tratamento com níveis crescentes de NaOH. Palhada de trigo Tratando quimicamente palha de trigo com NaOH a 3 ou 4%. após tratamento com 40g de NaOH/kg de palha. Lesoing e Klopfenstein (1981) obtiveram um aumento nas digestibilidades de CEL e HCEL. 4. 2. Avaliaram.2 vs 39.

Concluíram que a imersão em uma solução de NaOH e ureia foi um método efetivo para otimizar a palha para caprinos. além de ter elevado a retenção nitrogenada em relação à palha não tratada. a palha imersa em soluções contendo 0.71 e 1. Wrathall et al. A aplicação de NaOH foi de 50g/kg de MS de palha. quando amostras de palhada de trigo eram tratadas com hidróxido de sódio sob pressão. Descreveram. Comparada com a palha de cevada imersa em água pura (57. resultando em um aumento na degradabilidade da MS de 5.4%).1 vs 37.3 e 6. assim como para a melhoria dos padrões de fermentação ruminal e aproveitamento energético da palha de trigo. mostrou que as palhas tratadas tiveram taxas de degradação comparáveis e maiores do que aquelas da palha não tratada.75/dia) e as digestibilidades da MS. O tempo de mastigação foi maior para ovinos do que para caprinos.6% para cada 1% de NaOH. o que representou uma taxa de soda incorporada de 4%.5% de NaOH mostrou uma digestibilidade in vitro de 80. matéria orgânica e FDN.5. 2 e 4% de NaOH por Flachowsky e Sundstol (1988). que depois foram fornecidos sem picar. Verificou-se que o tratamento da palha com soda melhorou o nível de ingestão em caprinos (46% contra 30% para os ovinos). Em um estudo que compara o comportamento alimentar e a ruminação em ovinos e caprinos.5g de MS/kg0. Masson et al.O tratamento alcalino da palha de trigo feito por Ciocca e Prates (1991) aumentou o consumo voluntário em relação à não tratada (55.9 e 83%. A degradabilidade ruminal da MS da palha medida. respectivamente. além de ser também adequada para uso por pequenos proprietários rurais. O consumo de água foi mais baixo em caprinos em ambas as dietas (em média 5.2mL/g de MS consumida. utilizando-se 12 litros de detergente de soda a 30% para 100kg de palha. 1. Com a palha tratada. Os autores concluíram que os tratamentos que utilizam hidróxido de sódio e vapor conjuntamente são uma boa opção para a melhoria de alimentos de baixa qualidade para a alimentação de ruminantes. Raj et al. (1987) observaram que houve melhorias no consumo e na diminuição da quantidade de nitrogênio amoniacal disponível no ambiente ruminal. respectivamente. O tratamento da palha com soda aumentou o consumo voluntário em 30 e 47%. respectivamente. a taxa de consumo cresceu mais em caprinos (58%) do que em ovinos (30%). (1989) forneceram palha de cevada tratada e não tratada com soda.5. em caprinos e ovinos). ainda. utilizandose sacos de náilon em caprinos fistulados. (1989) imergiram pequenos fardos (69kg) de palha de cevada por 45 minutos em uma solução contendo 11g de NaOH/kg e 7g de ureia/kg e estocaram por três a seis dias. A palha foi tratada pela via semisseca. e a taxa de mastigação aumentou mais em caprinos (58%) do que em ovinos (18%). em caprinos e ovinos. que o tratamento de hidróxido de sódio mais vapor levava a uma quantidade maior de nitrogênio solúvel e ácidos graxos voláteis se comparado ao material que não sofreu tratamento. Palha de cevada A palha de cevada foi tratada com 0. 223   .

comparada à palha não tratada. mas a digestibilidade da proteína bruta (PB) foi maior com o uso do NaOH. 25 ou 40% de palha de cevada não tratada ou tratada com 4% de NaOH. Também.5.6. fibra em detergente ácido e energia bruta entre os tratamentos. Palha de girassol O consumo voluntário.Phipps et al. As produções de gordura do leite. de acordo com os coeficientes de digestibilidade da MS.5. O uso do NaOH foi efetivo para aumentar o valor nutritivo da palha de cevada. com os objetivos de avaliar o desempenho (ganho de peso) de novilhos alimentados com ração à base de palha de feijão e de determinar a digestibilidade e o consumo voluntário da ração oferecida e compará-la a um tratamento controle (palha sem NaOH). A palha tratada aumentou significativamente a ingestão de forragem e a produção de leite. Em adição. proteína e lactose para os tratamentos com palha tratada foram maiores do que para palhas não tratadas. o balanço de nitrogênio e o valor energético de palha de girassol tratada com NaOH (40g/kg) foram determinados em caprinos por 224 . Não houve diferença estatística para a digestibilidade da matéria seca. (1990) avaliaram os efeitos do tratamento da palha de soja com vários álcalis (NaOH.5.8. principalmente das hemiceluloses. fibra em detergente neutro. 1. matéria orgânica. O autor concluiu que a palha de feijão tratada com NaOH poderia substituir a silagem de milho nas rações de bovinos suplementados com concentrados. sobre a digestibilidade de vários nutrientes e sobre a retenção de nitrogênio em ruminantes. Também causou maior ganho de peso vivo e aumentou o consumo de água. sem prejudicar o ganho de peso. sendo não significativas. Os resultados desse estudo não forneceram evidências convincentes de que os tratamentos com álcali por si só resultassem em melhoras significativas na digestibilidade da palha de soja. a digestibilidade. hidróxido de cálcio e hidróxido de amônia) mais a ensilagem. a ensilagem pareceu ser tão efetiva quanto os tratamentos com álcali em seus efeitos sobre a digestibilidade. 1.5. (1990) alimentaram 141 vacas ad libitum com silagem de gramínea ou uma mistura contendo silagem de gramínea e 15. O tratamento alcalino mostrou remoção dos componentes estruturais. Em geral. Palha de soja Felix et al. fibra em detergente acido e energia bruta e com os conteúdos de energia metabólica medidos in vivo. com as diferenças entre ambos os tratamentos. ao tratamento da palha com hidróxido de amônia (NH4OH) e à silagem de milho. 1. o tratamento com álcali pode não ser um método prático para tornar a palha de soja uma forragem mais utilizável por ruminantes. Os dados de digestão tanto in vitro quanto em cordeiros não mostraram nenhuma melhora na digestão da fibra. Palha de feijão Gonzalez Duarte (1991) utilizou o tratamento com NaOH (5% da MS) da palha de feijão.7. na maioria dos casos. além também da MS digestível. nenhuma das palhas tratadas resultou em melhoras proporcionais de digestibilidade acima do controle que excedesse 0.

Esses autores concluíram que o tratamento alcalino utilizado resultou em um volumoso de qualidade ainda baixa. houve um grande aumento da digestibilidade dos componentes da fibra da palha de arroz. De acordo com 225   . Palha de arroz O trabalho de Rai e Mudgal (1987) demonstrou o efeito associativo dos tratamentos com diferentes níveis de NaOH (0. fornecida sozinha ou suplementada com 200g de farelo de soja/dia. 1. usando uma solução de NaOH a 4% para tratar a palha de arroz. Mesmo no menor tempo de duração. notaram que a epiderme e todas as suas estruturas foram degradadas pela ação do NaOH na palha tratada. nas mudanças de composição da palha de arroz e digestibilidade dos componentes da fibra pelos microrganismos do rúmen. Wang et al. KOH. 3. mesmo após 48 horas de incubação. a suplementação de nitrogênio aumentou o consumo da palha. utilizando três ovinos.5. HCEL. FDA. sobre a composição química e digestibilidade in vitro da matéria orgânica da palha de arroz.9. Esse tratamento aumentou significativamente a digestibilidade dos nutrientes da palha de arroz. submetida a duas formas de conservação. a fim de se investigar os efeitos sobre as mudanças na histologia da palha de arroz antes e depois de ensaios de degradabilidade in situ por meio da microscopia eletrônica de varredura (MEV) e microscopia eletrônica de transmissão (MET). seca e úmida. (1987). Diferentes concentrações de NaOH e NH4HCO3 foram aplicadas à palha de arroz. estudaram os efeitos do tratamento da palha de arroz com NaOH. Santos e Prates (1988) tiveram como objetivo avaliar os efeitos de vários tratamentos químicos: NaOH. Devido ao efeito sinérgico dos tratamentos. e reduziu a perda de nitrogênio urinário. 7. (1989).Boza et al. Após experimento de degradação ruminal. inclusive a do nitrogênio. Liu et al. levaram a um aumento da degradabilidade ruminal da PB. houve solubilização significativa de polissacarídeos estruturais. 9 e 12%) e pressão de vapor por uma ou duas horas. no entanto a epiderme e as suas estruturas permaneceram intactas no material não tratado e no material tratado com NH4HCO3. sendo que o seu custo excedeu seu efeito benéfico. Em outro trabalho. Os autores observaram que o tratamento com NaOH 30g/kg de MS destruiu todas as estruturas anexas à camada cuticular da epiderme. Os conteúdos de cinzas e lignina no material tratado também aumentaram. (2006) avaliaram a influência dos tratamentos com hidróxido de sódio (NaOH) e bicarbonato de amônia (NH4HCO3) sobre as estruturas da palha de arroz e na degradação ruminal. Ca (OH)2 e cloreto de sódio (NaCl). (1988). resultando em valores aumentados dos conteúdos celulares. CEL e sílica. 5. Liu et al. nos níveis de 0. Os álcalis testados foram efetivos em melhorar a digestibilidade in vitro da matéria orgânica. cabendo ao NaOH a primazia de ser aquele que melhor incremento causou nessa digestibilidade. enquanto o mesmo comportamento não foi observado no tratamento com NH4HCO3. 4 e 8% da MS. Quando a palha de arroz tornou-se mais potencialmente digestível pelo tratamento alcalino. como PC.

FDA.os autores. no caso da palha de arroz. em consequência. Os altos conteúdos de lignina e sílica na casca de arroz são os dois principais fatores responsáveis por suas baixas palatabilidade e digestibilidade (Singh e Gupta. 1978). acrescido de 0. no sentido de anular os efeitos negativos do tratamento com NaOH. causou efeitos negativos no balanço de nitrogênio e nos coeficientes de digestibilidade da matéria orgânica e do nitrogênio. por isso. ocorrendo uma menor digestão no intestino grosso e.5 e 10%).5. mas o tratamento químico da palhada pode dissolver. uma tendência ao deslocamento do sítio de digestão para o rúmen. O tratamento químico da palha de milho pode aumentar a digestibilidade por causar aumento da solubilidade da lignina devido à diminuição do comprimento das ligações entre lignina e polissacarídeos (Van Soest. A adição de ureia mostrou-se positiva. e este efeito aumentaria à medida que se aumenta a concentração do químico. (1992). 226 . 1987). O rolão de milho utilizado nesse experimento mostrou ser um alimento de bom valor nutritivo. 5. Ao contrário.5. CEL e lignina aumentou significativamente com níveis crescentes de NaOH usados. a camada de cutícula da epiderme é uma importante barreira para a microbiota ruminal. a epiderme do material tratado com NaOH pode ser degradada pela microbiota ruminal. não foi suficiente para permitir o acesso da microbiota à epiderme. impedindo o contato com o conteúdo celular e sua degradação. ou quebrar. no caso da NH4HCO3. 2. pelo método spray. HCEL. com cinco níveis de NaOH (0. no entanto a fissura criada na cutícula pela quebra deste. Com a dissolução da cutícula. a palha de milho é uma forragem de baixa qualidade. Segundo Ramirez et al.5% de ureia. A degradabilidade ruminal da MS. de componentes estruturais lignocelulósicos. em função da alta eficiência de síntese de proteína microbiana e do balanço de nitrogênio.10. principalmente. O tratamento com NaOH não foi efetivo na melhoria do valor nutritivo do rolão de milho. possui um alto custo para ser transportada e é difícil de ser estocada. rolão de milho tratado com 4% de NaOH e rolão de milho tratado com 4% de NaOH. FDN. O grau de lignificação dos polissacarídeos atua como uma barreira à sua degradação pelos microrganismos (Jackson. o emprego do NaOH nem a adição de ureia. digestibilidade aparente e locais de digestão de matéria orgânica e nitrogênio do rolão de milho. quando comparada com o tratamento com NaOH. no caso do hidróxido de sódio. 7. 1982). portanto. Ela consiste. pelo tratamento com NH4HCO3. levando à não degradação desta e resultando em menor aproveitamento da palha de arroz na fermentação ruminal. 1. essa camada. Resíduo de cultura de milho Moro (1987) trabalhou com cinco ovinos adultos canulados no duodeno e íleo para estudar consumo. os resultados indicam que. Os locais de digestão foram afetados pelo tratamento. Esses autores trataram amostras de casca de arroz. que é muito volumosa e. não justificando.

11. Esse tratamento resultou em um decréscimo de 12% no consumo voluntário. Wilke (1992) tratou palha de milho com 5% de NaOH e a forneceu a cabras com idade entre 14 e 18 meses. Pareceu que o valor nutritivo inicial da palha não teve efeito no grau de resposta ao tratamento.93 para 4. Caprinos castrados foram alimentados com a mesma dieta e responderam de maneira semelhante aos carneiros. Palha de aveia O efeito do tratamento com hidróxido de sódio na composição química. e isso resultou em um aumento do conteúdo de CEL e lignina da PC remanescente. causou maior digestibilidade da MS.29kg de matéria orgânica/dia. Os resultados dessa pesquisa indicaram que. (1990). O tratamento causou a redução do conteúdo de HCEL da MS. nos ovinos controle.85 para 6. limitando a utilização dos alimentos. sem afetar o consumo voluntário do material tratado. digestibilidade e conteúdo de energia digestível da palha de aveia foi avaliado por Moss et al. o qual resultou numa limitada atividade microbiana. maiores consumos de ED e de EM. HCEL e lignina) do resíduo de cultura de milho.Kategile e Frederiksen (1979) estudaram os restos de uma cultura de milho com a finalidade de determinar a quantidade ótima de NaOH requerida para melhorar o coeficiente de digestibilidade. Ramirez et al.30kg de matéria orgânica/dia. o que pode ser explicado pelo baixo conteúdo de PB da palha de milho. O uso de NaOH aumentou o consumo de MS. devido a um aumento do consumo voluntário de palha de 3. mas suplementado com ureia. alimentados com dietas contendo palha de milho não tratada ou tratada com uma solução de cinzas de madeira ou uma solução de NaOH (4g/100g de palha de milho). apesar de a digestibilidade aumentar em 17%. Os melhores resultados foram obtidos quando se utilizaram 5kg de NaOH em 100kg de MS. para usar a palha tratada com NaOH como dieta de mantença para cabras leiteiras não lactantes. aumentou o conteúdo de cinzas de 52 para 113g/kg de MS. Os coeficientes de digestibilidade da matéria orgânica e da palha 227   . O tratamento da palha de aveia com NaOH. comparado com o resíduo de cultura de milho sem tratamento químico. Esse tratamento aumentou o consumo voluntário de 5. O objetivo de Saliba (1988) foi determinar o valor nutritivo do resíduo de cultura de milho tratado quimicamente com NaOH e suplementado com ureia. O tratamento com NaOH diminuiu a concentração de componentes estruturais (CEL. Com ovinos castrados. realizado por Ng’ambi e Campling (1991). Foram utilizados carneiros implantados com cânulas no rúmen. ambas as digestibilidades foram maiores do que as de FDN e FDA.5. com isso. apesar de não ter havido diferenças nas digestibilidades de FDN e FDA nos carneiros alimentados com dietas contendo palha de milho tratada com cinzas de madeira ou NaOH. maiores consumos de ED e EM. esta deve ser acrescida de um suplemento proteico. aumentando o consumo e a digestibilidade aparente da MS. (1992) concluíram que. 1. permitindo. duodeno e íleo.

para ovinos. 20. 40 e 60g de álcali/kg de produto seco. o efeito mais evidente é sobre o consumo. não é totalmente utilizado como fonte de combustível. A presença de NaOH no silo inibiu o desenvolvimento de bactérias e fungos. 44. após aplicação de vários níveis de NaOH sob a forma de spray. Para efeito de formulação de rações. logo após o mesmo tratamento de hidrólise. mas o bagaço não processado usado para substituir fontes de forragem resultou num consumo pobre e numa produção animal abaixo do padrão (Abdalla et al.7 e 40. até atingir 85% de matéria seca). sobre o valor nutritivo do bagaço de cana ensilado por 90 dias. respectivamente. respectivamente.7.5.5 a 50% de NaOH) sobre a digestibilidade total e o consumo de matéria seca das dietas experimentais e as taxas de passagem das canas-de-açúcar. intensificado pelo reduzido conteúdo de carboidrato solúvel do substrato. O trabalho de Molina et al. sendo eles: CAN (cana-deaçúcar in natura). CH (cana-de-açúcar hidrolisada. que permaneceu fechado por 30 dias). Foram utilizados quatro tratamentos. a digestibilidade da palha passou de 0.. para 56. A digestibilidade da matéria orgânica do bagaço de cana aumentou de 32. 1. subproduto mais importante da indústria açucareira. foi bom.7 e 2. 228 . Avila (1989) avaliou o valor nutritivo do bagaço de cana tratado com NaOH em diferentes proporções na dieta de ovinos. (2005) tiveram como objetivo estudar o efeito do tratamento alcalino da cana-de-açúcar com hidróxido de sódio (1.5% PV) no momento em que a forragem era cortada pelas facas da picadeira hidrolisadora HIDROCANA. com peso médio de 700kg. logo após a hidrólise. Foram utilizados quatro bovinos mestiços (Zebu x Holandês). À medida que aumentou o teor de bagaço tratado na ração. providos de cânula ruminal. de EM e ED. provavelmente. FEN (canade-açúcar hidrolisada fenada.8.8% para o maior nível de álcali. Bagaço de cana-de-açúcar O Brasil é um dos maiores produtores de cana-de-açúcar do mundo. o material foi compactado em silo tipo trincheira. disposto em camada fina [máximo 1cm] em terreno cimentado. um efeito que foi.6g/kg PV0.aumentaram devido ao tratamento com NaOH.1 Mcal/kg de MS de bagaço tratado. Ezequiel et al. O bagaço. 1990).6 para o produto tratado com água. mostrou que a estabilidade do produto tratado. Porém. mesma variedade do tratamento CAN foi picada e hidrolisada com NaOH 50%) (1. (1983).63 de matéria orgânica.56 para 0. e há muitos estudos sobre o bagaço em dietas para ruminantes. O consumo voluntário da matéria orgânica digestível da palha de aveia aumentou 26% devido ao referido tratamento. podem ser considerados valores de 1. o material ficou exposto ao sol por aproximadamente oito horas. e SIL (cana-deaçúcar hidrolisada ensilada. durante o período de ensilagem ou quando exposto ao ar. 34. diminuíram a digestibilidade e o consumo dela. Sua área cultivada é acima de três milhões de hectares.75 para dietas contendo bagaço tratado com 0. Os consumos médios diários foram 29.12. Proporções de bagaço variando entre 30-35% na ração permitem a obtenção dos maiores valores de energia e proteína digestíveis. bem como maiores retenções de nitrogênio em função da energia consumida. sob o ponto de vista microbiológico.

A MS aumentou com os dias de tratamento. três. sem afetar a taxa de passagem. Pires et al. o material foi armazenado nos baldes correspondentes a cada repetição.4 horas). os quais permaneceram abertos nos respectivos períodos de tratamento (um.4%/h) e o maior tempo de retenção (71. FDA. Os aumentos de 25. mas não foi observado efeito do período de tratamento sobre essas variáveis. O tratamento alcalino foi mais eficiente na fração fibra. 2. proporcionando aumentos de pelo menos 45% na digestibilidade. A produção de lã e a mudança de peso vivo não diferiram entre as dietas experimentais. 229   . (1990) foi avaliar o consumo e a eficiência do bagaço de cana tratado com 5% de NaOH em uma dieta isoproteica. para ovinos.recebendo dieta composta de volumoso e concentrado na relação 70:30 na matéria seca. Após a homogeneização. A solução de NaOH foi adicionada ao bagaço nas respectivas dosagens de 0.5% PV) e hidrolisadas fenadas (1. Os valores estimados de taxa de passagem ruminal no ceco-cólon e o tempo de retenção em cada compartimento não diferiram entre as canas-de-açúcar in natura.5. celulose (CEL). no entanto. que apresentaram valor médio de 1. Concluiu-se que o tratamento alcalino com hidróxido de sódio. A posterior ensilagem.7% no consumo das dietas contendo as canas-de-açúcar hidrolisadas (1. comprovado pela redução nos constituintes da parede celular e pelo aumento na DIVMS.4% PV) provavelmente foram influenciados pela maior digestibilidade da fibra. observaram-se as menores taxas (1. hidrolisadas e hidrolisadas fenadas. para a cana-de-açúcar hidrolisada ensilada. O consumo de MS. cinco e sete dias). O valor nutritivo do bagaço de cana é melhorado com a adição de NaOH.5 e 7. O objetivo do trabalho de Abdalla et al. pode não trazer esses benefícios. O bagaço foi acondicionado em baldes plásticos com capacidade de 10 litros e permaneceu em câmara climática à temperatura constante de 25ºC. Entretanto. de mantença.0 e 16. 5 e 7.01). (2006) tiveram como objetivo avaliar a composição química e a digestibilidade in vitro da matéria seca (MS) do bagaço de cana-de-açúcar contendo 60% de MS submetido a doses crescentes de hidróxido de sódio (NaOH) em diferentes períodos de tratamento. O consumo de MS para animais alimentados com feno foi significativamente melhor (p<0. com o objetivo de maximizar o efeito das canas-de-açúcar.5% na MS por meio de um pulverizador. a produção de lã e mudanças de peso foram anotados para cada animal. sendo uma alternativa para utilização como volumoso na alimentação de ruminantes. hemiceluloses (HEM) e lignina (LIG). Os resultados sugerem que o bagaço de cana tratado pode ser usado estrategicamente em uma dieta de mantença para ovinos durante períodos de baixa disponibilidade de forragem. A digestibilidade in vitro da matéria seca (DIVMS) e o teor de sódio aumentaram quando o bagaço de cana foi submetido a doses crescentes de NaOH. Foi observada redução das frações de FDN.6%. reduzindo perdas na eficiência. Os autores concluíram que não foi verificado efeito dos tratamentos (dose de NaOH e dias de tratamento) sobre os teores de PB. melhorou a digestão da fibra da cana-de-açúcar no trato digestivo total e proporcionou acréscimo do consumo de matéria seca da cana-de-açúcar hidrolisada. não sendo observadas alterações para essa variável em relação às doses crescentes de NaOH. com ou sem fenação.

o tratamento com 9% de NaOH alterou a composição da parede celular. os tratamentos T1 a T4. utilizaram duas vacas fistuladas no rúmen. com quatro blocos e cinco tratamentos constituídos de 50% de feno de alfafa e 50% de casca de café tratada ou não. Ambos apresentaram os mesmos resultados com a adição de 9% de NaOH em relação aos demais tratamentos. sendo que cada uma destas representou um bloco.5. porém. deve-se fornecê-la junto a outro alimento com um melhor teor de energia. Não se observou diferença para o tempo de colonização (TC) entre os tratamentos. Provavelmente. constituindo. promovendo redução dos teores de FDN e FDA. não havendo. O tratamento da casca de café com ureia proporcionou apenas aumento no teor de proteína bruta (PB).1. assim. (2005) avaliaram o valor nutritivo da casca de café tratada ou não com hidróxido de sódio e/ou ureia. efeito sobre o tempo de colonização ruminal desta.5% NaOH. 3%. 230 . A casca tratada ou não provocou depressão do consumo. Diante desse efeito possível na cinética de degradação da casca de café no rúmen. assim distribuídos: T1-feno de alfafa e casca de café pura. em virtude da solubilização de componentes da parede celular. Os valores de degradabilidade efetiva (DE) e degradabilidade potencial (DP) aumentaram de acordo com o incremento dos níveis de NaOH nos tratamentos. a adição desta base pode contribuir para o aumento do desempenho de ruminantes submetidos a dietas contendo este resíduo agrícola. o mesmo ocorrendo para proteína bruta. em blocos casualizados.13. Figueiredo et al. Para isso. 6% e 9% de hidróxido de sódio (base seca). Esse efeito ocorreu. indicando que a adição de NaOH deve ter atuado na dependência dos níveis de NaOH usados e na quebra das estruturas lignificadas da parede celular da casca de café. Considerando-se a composição bromatológica e a digestibilidade da casca de café tratada ou não. dentro de um delineamento de blocos inteiramente casualizados. tratada com diferentes quantidades de hidróxido de sódio.9% para a fibra em detergente ácido. degradabilidade potencial e fração solúvel deste resíduo no rúmen.3% para a fibra em detergente neutro e de 43.9% a 50. e com NaOH não provocou alterações na composição química. indicando efeito do tratamento químico sobre esta fração dos alimentos testados. Os resultados percentuais dos componentes da parede celular variaram de 51. foram utilizados 20 carneiros. T2-feno e casca de café + 5% ureia. observaram-se valores que foram crescentes de acordo com o aumento dos níveis de NaOH. Os autores observaram que os valores de matéria seca não se alteraram significativamente entre os diferentes tratamentos. Tratou-se a casca de café com 0%. 6% e 9% aumenta linearmente os resultados de degradabilidade efetiva. 24.5% NaOH + 5% ureia. Casca de café Leitão et al. Para a fração solúvel (FS). por quatro rodadas sequenciais. T5-100% feno de alfafa. provavelmente. Para isso.9% a 66. (2008) tiveram como objetivo determinar a cinética de degradação ruminal da matéria seca da casca de café. incubando-se as amostras em sacolas de náilon por 12. consumo de energia digestível e digestibilidade aparente da proteína bruta. T3-feno e casca de café + 1. 48 e 72 horas. Os autores concluíram que a adição de hidróxido de sódio na casca de café nos níveis de 3%. Houve diferença entre os tratamentos quanto ao consumo de proteína digestível. T4-feno e casca de café + 1. 36.

(1998). Por meio de estudos de digestibilidade in situ e in vivo. trigo tratado com NaOH e o ensilado. Os autores constataram que o material tratado com NaOH apresentou melhor performance com aumento da produção de leite e com maior concentração de gordura e proteína no leite corrigido. grande parte do amido. tal procedimento pode ser de grande valia para a redução de casos de acidose ruminal. os animais reduziram a ingestão de matéria seca e perderam peso. observaram que os álcalis não alteraram o ambiente ruminal. desta forma. A maior parte do sódio consumido pelos animais foi excretado através da urina. UTILIZAÇÃO DE RESÍDUOS AGROINDUSTRIAIS TRATADOS COM HIDRÓXIDO DE SÓDIO PARA BOVINOS DE LEITE Haddad et al. Sob aplicação de NaOH. a planta imatura do trigo levou à maior produção de efluentes. gordura de leite e proteína) de cinco dietas diferentes em vacas Holandesas. silagem de milho e silagem pré-secada. Por outro lado. nos tratamentos com 30 e 40% de palha tratada.5. sendo elas: trigo planta inteira. Porém. a digestão da FDN e a produção de leite em níveis de inclusão de até 20%. 21. arroz e palha de arroz tratados com NaOH. Os experimentos de digestibilidade in situ mostraram que os tratamentos com NaOH levaram a uma diminuição significativa da degradabilidade da proteína e do amido do trigo.1. as digestibilidades daqueles materiais foram consideravelmente aumentadas. ao avaliarem o efeito da palha de trigo tratada com NaOH e Ca(OH)2 em crescentes participações na dieta (0. Avaliando-se a degradabilidade da proteína. para o trigo planta inteira. 30 e 40% da MS da dieta total) sobre os padrões ruminais e o desempenho de vacas Holandesas no meio da lactação. respectivamente. obtiveram-se valores de 103. Devido a este decréscimo na degradabilidade do amido nos tratamentos com NaOH. As silagens foram avaliadas em relação às digestibilidades e aos efeitos nos ganhos de peso vivo e no soro sanguíneo de bovinos. O soro sanguíneo não apresentou nenhuma desordem funcional. Silagem No estudo de Tobino et al. Não houve diferenças significativas nas qualidades visuais e químicas entre as silagens com e sem tratamento de NaOH. apesar da utilização de aditivos. 2. 125 e 76g/kg. (2005) avaliaram a performance zootécnica (ingestão de matéria seca.14. devido à ensilagem.1Kg/dia para os outros dois grupos). produção de leite. quando comparado ao tratamento que continha a planta inteira de trigo. O consumo do alimento tratado com NaOH foi significativamente maior que os demais tratamentos (23.5 vs. O experimento de digestibilidade com os animais indicou que os valores de energia dos tratamentos do trigo não foram diferentes estatisticamente. 231   . Campeneere et al. 20. obteve-se o valor nutritivo dos tratamentos. foram ensilados aveia. se comparado ao tratamento com silagem pré-secada e com silagem de milho. (1990). trigo tratado com NaOH e silagem de trigo imaturo com aditivos. perdendo.

Todas as dietas continham 18% de caroço de algodão. O balanço mineral de bezerros. o que poderia causar problemas. neutralizada com HCl e não neutralizada. exceto no sódio. Para isso. Além do controle sanitário. foram determinados alguns indicadores hematoquímicos e gasométricos. T2 (caroço de algodão sem línter. nem hemoquímicos. Observaram-se deterioração do estado físico. Atribui-se o desencadeamento dos mecanismos implicados a um excesso de NaOH. o consumo de alimento para e só se inicia novamente quando o pH cai abaixo de sete. torna-se necessário restringir a quantidade de palha tratada nas dietas de ruminantes (Stigsen. As produções de leite foram semelhantes para os tratamentos 1 e 2. Indica-se a neutralização da palha com ácido clorídrico (HCl) para estabilizar o pH do fluido ruminal e aumentar o consumo de alimentos. leite corrigido para 4% de gordura. O fornecimento de palha de trigo tratada com NaOH a ovinos. quando são fornecidas sozinhas. o que acontece pouco tempo após a ingestão.Solomon et al. (2005) estudaram o efeito do NaOH (4% da MS) sobre o valor nutritivo do caroço de algodão sem línter. A ingestão de matéria seca do tratamento com caroço de algodão tratado foi maior se comparado aos demais tratamentos. 3. recebendo palha de trigo tratada com 35g de NaOH/kg. produção de gordura (g/kg) e proteína (g/kg). diarreia e alcalose metabólica. feito por Trevor-Jones e Leibholz (1984). porém o tratamento com caroço de algodão tratado com NaOH apresentou maiores produções de leite. Martinez e Aguilera (1991) estudaram o comportamento clínico-metabólico em vacas alimentadas com bagaço de cana pré-digerido com NaOH a 6%. Devido à alteração da palatabilidade e aos altos níveis de sódio na palha tratada com NaOH. tratado com NaOH 4%). foram utilizadas 18 vacas Holandesas no meio da lactação. que aumentou significativamente. Os autores concluíram que os ovinos não foram capazes de se adaptarem a altos consumos de álcali por períodos superiores a 15 semanas. sendo eles: T1 (caroço de algodão com línter). Três diferentes tratamentos foram utilizados. citado por Rexen e Knudsen. da matéria orgânica e a da proteína bruta da dieta com caroço sem línter (T2 e T3) foram maiores se comparadas à dieta com caroço com línter. não tratado) e T3 (caroço de algodão sem línter. 232 . PROBLEMAS ADVINDOS DO USO DE NAOH NA ALIMENTAÇÃO DE RUMINANTES As palhas tratadas com NaOH não são bem-aceitas pelos animais. excesso de bicarbonato e de base. A digestibilidade da celulose e a da FND foram maiores no tratamento três. O tratamento do caroço de algodão com NaOH levou a um aumento da digestibilidade in vitro da matéria seca e da fibra em detergente neutro. 1975. Não foram encontradas alterações nos indicadores hemáticos. em vacas em lactação. A digestibilidade total da matéria seca. resultou em alcalose metabólica primária demonstrada pelo pH sanguíneo aumentado. Quando o valor do pH do fluido superior do rúmen vai acima de oito. foi determinado por Holzer et al. 1984).

Belo Horizonte. 66f Dissertação (Mestrado em Zootecnia) – Universidade Federal de Minas Gerais. então. S. A alcalose não afetou o desempenho. devem-se utilizar metodologias que reduzam os efeitos negativos do sódio e do alto pH sobre a saúde animal. O balanço ácido-básico sanguíneo não foi significativamente afetado pelos tratamentos. A relação sódio e potássio retidos aumentou com o incremento da proporção de palha na dieta e foi menor nas dietas de palha neutralizada. MG. No entanto. AVILA. Quando esse problema for solucionado. Agric..93-94. visando aumentar a sua digestibilidade e proporcionar um melhor aproveitamento do seu valor nutricional pelos animais. SILVA FILHO. na época seca. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ABDALLA. Os valores de pH. objetivando o aumento do valor nutritivo dessas fontes. torna-se necessário fazer um tratamento prévio desses materiais... nas dietas.S.M. 500 e 700g/kg. D. a presença de bicarbonato e a pressão de CO2 dos animais indicaram alcalose branda. deve ser investigada a ocorrência de interações entre os materiais tratados com soda e outros componentes dos alimentos. o produto resultante ainda continuará sendo um alimento pouco energético. Deve-se ressaltar a importância da adição de uma fonte nitrogenada. Bagaço de cana tratado com hidróxido de sódio.L. Trop. v. de forma que também seja possível a produção de alimentos altos em energia. ou seja.C.(1991) em um experimento de digestibilidade no qual a palha de trigo foi oferecida nos níveis de inclusão de 300. 233   . A concentração de amônia no líquido ruminal e a da ureia no sangue foram mais baixas nos animais que receberam palha de trigo tratada com álcali.C. A. 1990. 4. como uma boa opção para tratamento de resíduos. J. Devem ser feitas pesquisas no sentido de otimizar o efeito desse tratamento.S. a digestibilidade e o consumo. p. que aumentará o teor de proteína bruta. Treated sugarcane bagasse for sheep. porcentagens mais altas de resíduos tratados com esse químico. Porém. Apesar de a digestibilidade ser melhorada pelo tratamento alcalino com hidróxido de sódio. A disponibilidade desses produtos é muito grande e ocorre no período de escassez de forragens verdes. Escola de Veterinária. CONSIDERAÇÕES FINAIS A utilização de resíduos agroindustriais na alimentação de ruminantes é viável. será possível usar. para ruminantes.67. O hidróxido de sódio aparece. 1989. VITTI. Além disso.

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estimada ao todo em 137. Serão descritas a estrutura e as propriedades físicas do milho.. Rua Eugênio do Nascimento. Serão descritos. Asa Norte.2 milhões de hectares e em 21. com produções de 51. segundo o Acompanhamento da Safra Brasileira (Companhia Nacional de Abastecimento .9 milhões de toneladas de milho e 58.ufmg.6 milhões de hectares com a soja. 610 Dom Bosco. Brasília. CEP 36038-330.embrapa. Será também abordado o milho na alimentação de rebanhos leiteiros com detalhes quanto aos efeitos do local de digestão do amido e o metabolismo de vacas leiteiras. CEP: 70750-501. a textura dos grãos e o conteúdo de óleo. MSc. Nazir I. Associado Departamento de Zootecnia da Escola de Veterinária da UFMG. os principais coprodutos do processamento do milho. contribui com aproximadamente 80% da produção nacional de grãos.6 milhões de toneladas para a safra 2008/2009. o Brasil encontra-se na terceira colocação. Coordenador do Programa de Pesquisa em Agropecuária e Agronegócio. DSc. O capítulo abordará também a silagem de milho como alimento para gado de leite detalhando as características que influenciam o valor nutritivo da silagem.CAPÍTULO 14 O MILHO NA ALIMENTAÇÃO DE GADO DE LEITE Luiz Gustavo Ribeiro Pereira1. carboidratos e proteínas. Roberto Camargos Antunes2.. camargos@cnpq. luciocg@vet. MG.br 2 Médico Veterinário. DF. CEP 30123-970. wellyngton. Em termos da exportação. 2009). Caixa Postal 567. a classificação quanto ao tipo de grãos.br 1 240 .br 4 Médico Veterinário.edu.vilela@ifsudestemg. luiz. bem como a composição bromatológica em lipídios. atrás dos Estados Unidos (268 milhões de toneladas) e da China (143 milhões de toneladas). INTRODUÇÃO A produção de milho no Brasil. Prof. Médico Veterinário.1 milhões de toneladas de soja. Por fim. Os dados estimados para a safra 2006/2007 apresentados pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos indicam o Brasil como o terceiro maior produtor de milho do mundo (produção de 46 milhões de toneladas). DSc. Professor do Instituto Federal de Educação.USDA. será discutida a silagem de milho úmido para bovinos leiteiros. A área plantada com milho foi estimada em 14. Sala 301. Juiz de Fora. Belo Horizonte. Embrapa Gado de Leite. juntamente com a soja.CONAB.br 3 Engenheiro Agrônomo. logo após os Estados Unidos e a Argentina (United States Department of Agriculture . Ed.gustavo@cnpgl. ainda. SEPN 509. como a digestibilidade da fibra. Wellyngton Tadeu Vilela Carvalho4 RESUMO Este capítulo tem como objetivo descrever a importância do milho na alimentação de bovinos leiteiros.. DSc. Ciência e Tecnologia do Sudeste de Minas Gerais – Campus Barbacena. Bloco A. Lúcio Carlos Gonçalves3. Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico. 2007). MG.

com consequências negativas sobre o desempenho animal. O Brasil se destaca na produção de leite a pasto. com ênfase na caracterização do amido.O aumento no preço do milho no mercado internacional ocasionado pela maior demanda do cereal. que exigem níveis elevados de energia na dieta. pode ter impactos positivos na lucratividade da atividade. restando 11. muitos dos quais são coprodutos e podem ser utilizados como alimentos estratégicos para bovinos leiteiros.. A avicultura demanda 60. possibilitando uma melhor utilização dos carboidratos estruturais e o maior fluxo de proteína microbiana para o intestino. energia (amido e óleo do milho) e proteína (protenose). sem a devida adaptação do ambiente ruminal. e a suinocultura 28. sendo esta a forma de exploração mais econômica e a base da produção nacional. Owens et al. consequentemente. A agroindústria apresenta grande diversidade de utilização do milho na alimentação humana e animal. Já quando utilizado em excesso. Na alimentação de bovinos leiteiros. tem influência direta na cadeia de produção de proteínas de origem animal no Brasil. O amido apresenta disponibilidade energética superior à dos carboidratos estruturais presentes nas dietas de ruminantes. energia e proteína. a melhoria dos índices reprodutivos e. principalmente para a produção de etanol nos Estados Unidos. O milho é considerado a base energética padrão nos concentrados comerciais. principalmente pela maior eficiência da utilização de fontes de nitrogênio não proteico. quando utilizado de forma correta. Neste sistema de produção. O objetivo deste capítulo é discutir a utilização racional do milho na alimentação dos rebanhos leiteiros. A presença de amido é fundamental na exploração de animais de alta produção. quando o pH ruminal pode cair para níveis críticos abaixo de 5. quando usados de forma racional. podendo ser listados mais de 500 derivados.5% deste total. correspondendo a mais de 50% do volume produzido. o milho pode acarretar problemas metabólicos como a acidose. dentre os quais os mais conhecidos são os resíduos úmidos e secos de destilaria que podem ser fonte de fibra. pode ser usado para melhorar as características de fermentação ruminal. a utilização de concentrados. A produção de etanol a partir do milho gerará uma grande quantidade de coprodutos (1/3 do total processado). Estes podem ser fontes de fibra de boa qualidade (farelo de milho). geralmente o principal componente energético dos concentrados. já que a demanda de milho para rações é superior a 25 milhões de toneladas. 2001). o milho é utilizado como fonte de amido.5%.0% a serem utilizados na alimentação de ruminantes e outras espécies (Lima. pode garantir a maximização da produção. e o conhecimento da melhor forma de sua utilização é importante para o sucesso na suplementação. na descrição das principais características químicas e físicas do grão do milho e na discussão dos principais coprodutos do milho utilizados nas dietas. 1998. O milho como fonte de amido.5 devido ao acúmulo indesejável de ácidos graxos voláteis (AGVs) e lactato no rúmen (Hall. 241 . 1998).

que são esféricos. gérmen.0%) do grão.2 54. o endosperma é classificado como vítreo (ou córneo) ou farináceo (ou opaco).1. O gérmen representa aproximadamente 11.9 28. % Fração Amido Lipídios Proteínas Minerais Açúcares Fibras grão Endosperma 82. ESTRUTURA E PROPRIEDADES FÍSICAS DO GRÃO DE MILHO O peso individual do grão varia. em menor proporção.0%). os grânulos de amido são arredondados e estão dispersos. não permitindo espaços entre estas estruturas.0% do grão de milho e concentra quase a totalidade (83. vitaminas e minerais. Pequenos espaços de ar estão presentes entre grânulos de amido. Na Tabela 1. O amido da zona vítrea é menos disponível para a digestão devido à barreira física que a matriz proteica e os corpos proteicos formam sobre ele (Sullins e Rooney.0 1. Porcentagens e composições dos constituintes do grão de milho.3 2.6 1. maiores e menos densos que os encontrados no endosperma córneo. 2007). Na porção farinácea. as quais diferem em composição química e também na organização dentro do grão. A diferença ultraestrutural mais importante entre os endospermas vítreo e farináceo é a menor concentração de matriz proteica no endosperma farináceo.0 98. mas em menor concentração que no endosperma córneo. de 250 a 300mg. não havendo matriz proteica circundando esta estrutura (Paes.3 82.8 0.6 26. nitrogênio e enxofre durante a germinação (Lopes e Larkins. que circundam os grânulos de amido de formato poligonal. Tabela 1. proteínas de estocagem e. por enzimas.0 0.0 0. em média. Já a zona farinácea ou opaca do endosperma é caracterizada pela presença de células frouxamente empacotadas.9 Gémen 11.0 15. o que confere melhor acessibilidade às enzimas e maior digestibilidade (Hoseney et al.9 1.0%) dos lipídios (óleo e vitamina E) e dos minerais (78.0 17.4 74. É composto pelo embrião e por tecido de estocagem rico em ácidos graxos poli- 242 .0 0. 1993).6 2. O amido tem a função de fornecer ao embrião energia e esqueletos de carbono até que este seja fotossinteticamente competente.4 69..8 7.0 Ponta 2. 1974). com corpos proteicos estruturados.9 1. enquanto as proteínas de estocagem são fontes de energia.1 0.3 12. Conhecido botanicamente como uma cariopse. composto por amido. 2006). Os corpos proteicos estão presentes. 1974). É o principal tecido de estocagem do grão (National Corn Growers Association . pericarpo (casca) e ponta. além de conter quantidades importantes de proteínas (26. O endosperma vítreo apresenta matriz proteica densa.0%) e açúcares (70. o grão de milho é formado por quatro principais estruturas físicas: endosperma.0 Pericarpo 5. Nutricionalmente o endosperma amiláceo é o componente mais importante do grão. Com base na distribuição dos grânulos de amido e da matriz de proteína.0 Fonte: Paes (2006).0 78.NCGA. encontram-se as porcentagens dos constituintes do grão de milho e respectivas composições.

que representam a reserva nutritiva para o embrião. proteínas. sendo a única área não coberta pelo pericarpo.0% do grão. Tipos de milho e proporções do endosperma farináceo e vítreo. CLASSIFICAÇÃO DO MILHO QUANTO AO TIPO DE GRÃOS Existem cinco classes ou tipos de milho: dentado. Em países de clima temperado. duro. porém o endosperma é 243 . O milho duro difere do farináceo e do dentado na relação de endosperma vítreo:farináceo. As camadas de células que compõem esta fração são constituídas de hemiceluloses (67. 2. enzimas e minerais. O encolhimento do endosperma farináceo na secagem do grão resulta na formação de uma indentação na parte superior do grão. pipoca e doce. caracterizando o milho como dentado. já no Brasil.insaturados.0%) e celulose (23. conferindo proteção à umidade do ambiente. É constituída essencialmente de material lignocelulósico. Duro Pipoca Dentado Farináceo Doce Endosperma vítreo Endosperma farináceo Endosperma doce Gérmen Figura 1. conforme visualizado na Figura 1. A ponta é a menor estrutura do grão de milho (2.0%) e é a responsável pela conexão do grão ao sabugo. O pericarpo representa. predominam os grãos do tipo dentado. O milho farináceo também apresenta indentação. farináceo.0%). 5. a maioria dos híbridos plantados é de grão do tipo duro (flint). em média. aos insetos e aos microrganismos. A principal diferença entre os tipos de milho é a forma e o tamanho dos grãos. Os dentados apresentam o endosperma farináceo na região central do grão. definidos pela estrutura do endosperma e o tamanho do gérmen.

COMPOSIÇÃO BROMATOLÓGICA DO GRÃO DE MILHO A composição química proximal do grão de milho não é estática. de acordo com Jastrzebski (1976).. 3. citado por Chandrashekar e Mazhar (1999). 2001) e nacionais (Lima. resultando em grãos arredondados e lisos. fato provavelmente relacionado à utilização de genótipos diferentes e também às distintas condições de cultivo. A classificação do milho deve ser feita quando os grãos estão secos e ainda aderidos ao sabugo. 2001. Apesar de diferentes. O milho apresenta um valor médio de nutrientes digestíveis totais superior a 85. a composição proteica do grão e o arranjo ultraestrutural da matriz proteica nos endospermas vítreo e farináceo são os principais fatores determinantes (Chandrashekar e Mazhar. Quando colhido e armazenado em condições 244 . os valores de proteína bruta e nutrientes digestíveis totais apontados pelo NRC (2001) são ligeiramente superiores. tem elevado teor de energia por ser rico em extrativos não nitrogenados. Comparados aos dados nacionais. Na Tabela 2. nesta situação. quando seco. 1999). porém esta é altamente digestível.25%). clima. essencialmente amido. apresenta aparência enrugada devido à não conversão dos açúcares em amido (Dickerson. pode haver grãos com aparência de dois tipos. A textura (strength) do endosperma de grãos foi definida como a habilidade do grão de resistir à compressão sem produzir fraturas.completamente farináceo. a classificação deve ser baseada na predominância. dependendo do genótipo. é pobre em fibra. O grão de milho amarelo destinado ao consumo animal deve ser isento de sementes tóxicas e resíduos de pesticidas. Atenção especial deve ser dada aos níveis de cálcio em rações com altas quantidades de milho. os termos acima são utilizados de forma sinônima pela literatura. além do pericarpo mais espesso e endosperma vítreo predominante. 2007). e a dureza (hardness) como a habilidade do grão de resistir à indentação.NRC. são apresentados os dados de composição química média do grão de milho de acordo com dados americanos (National Research Council .0%. Já o milho duro possui volume contínuo de endosperma vítreo. O padrão exigido para a utilização do milho na alimentação animal encontra-se na Tabela 3. 1984). O milho doce. Valadares Filho et al.025%) e medianamente rico em fósforo (valor médio de 0. conhecido por vitreosidade (vitreousness) (Cagampang e Kirleis. fisiológicas e estruturais da textura do endosperma dos grãos de milho ainda não são bem compreendidas. solos e armazenamento. Os conceitos de textura do endosperma encontrados na literatura são vagos e subjetivos e estão geralmente associados aos métodos de determinação da textura dos grãos. o conceito de textura mais aceito se refere à proporção do endosperma vítreo (duro) em relação ao endosperma farináceo (macio) do grão. 2006). As bases bioquímicas. O milho de pipoca é menor e possui formato arredondado. É pobre em cálcio (valor médio de 0. Em uma mesma espiga. do solo e das condições climáticas. No entanto. As contaminações também podem alterar o valor nutritivo do milho. No entanto.

26 Lisina (% da proteína bruta) 2. embora o maior problema seja para aves e suínos.2 - Tabela 3.0 20. que interferem no metabolismo da proteína. que pode estar presente sem que o mofo seja visível. COMPOSIÇÃO BIOQUÍMICA DO GRÃO DE MILHO 4.30 0. quando da aquisição do milho.03 0.7 Fibra em detergente neutro 9. Tabela 2. Sementes de ervas daninhas também podem interferir na qualidade do milho. como plantas do gênero Cassia (fedegoso). sintetizado pelas plantas superiores com função de reserva energética nos períodos de dormência.6 87.5 Cálcio 0. Padrão 14. 2001). germinação 245 .84 2.0 4. e o Fusarium moniliforme.99 2.83 Metionina (% da proteína bruta) 2. destacando-se os do gênero Aspergillus.13 1.0 3.. O amido é a principal fração dos carboidratos e pode representar de 66. É um polissacarídeo não estrutural de elevado peso molecular. pode ocorrer o desenvolvimento de fungos.0% do peso seco do grão (Zeoula e Caldas Neto. Verificar a presença de toxinas é uma boa medida. (2006) Matéria seca (%) 88.0 7. Padrão exigido para a utilização na alimentação animal.0 Fibra em detergente ácido 3.65 2..1 Fibra bruta 2. Valadares Filho Parâmetros NRC (2001) Lima (2001) et al.1 8.04 Fósforo 0. (1998).47 Nutrientes digestíveis totais 88.25 0.5 14.inadequadas. Carboidratos do grão de milho Os principais carboidratos constituintes dos grãos são amido. que produzem a aflatoxina.7 Proteína bruta 9.04 0.2 4.0 a 78. Composições químicas médias de grãos de milho em porcentagem da matéria seca.1.1 87. Parâmetro Unidade Umidade (máximo) % Proteína bruta (mínimo) % Fibra bruta (máximo) % Extrato etéreo (mínimo) % Matéria mineral (máximo) % Xantofila (mínimo) ppm Aflatoxina (máximo) ppb Fonte: Compêndio.3 Cinzas 1.4 9.0 2.1 87. celulose.5 10.1 3.5 1.0 1. açúcares simples e pentosanas.4 4.5 Extrato etéreo 4.

mas. têm pontos de ramificação α-(1 → 6) a cada 20 a 25 resíduos de glicose (Chesson e Forsberg.0% de amilopectina (Sullins e Rooney. A amilose e a amilopectina encontram-se empacotadas nas plantas na forma de pequenos grânulos.de grãos.0 a 100. 1973. 1975. As plantas armazenam o amido nas raízes. A amilose é o polímero longo e relativamente linear. arroz e milheto apresentam de 85. 1986). sorgo. sendo considerada uma das maiores moléculas conhecidas. Esses dois polímeros diferenciam-se entre si quanto ao tipo de estrutura química. lenticular. O milho tem grânulos simples. 1997). a complexa organização das ramificações α-(1 → 6) é responsável pelo empacotamento denso e semicristalino dos resíduos de glicose nos grânulos de amido. 1998). 2004) e tem estrutura bastante ramificada.. 1998). crescimento e rebrota (Wang et al. As cadeias lineares de glicose.4 a 1..0% de amilopectina (Wang et al. tubérculos e grãos. permitindo a entrada de água dentro dos grânulos (Hoover. (1998). quando os grânulos de amido perdem a cristalinidade (French. A temperatura de gelatinização do amido varia com o tipo de grão. 2004).. oval e/ou poligonal. Tester et al. A porcentagem de amilose e de amilopectina varia com a origem botânica do amido. cevada. podendo conter até 80% de seu peso seco em amido (Buléon et al. 1973). 1997). disposto em dupla hélice e que apresenta a capacidade de ligar-se ao iodo. Wang et al.920 resíduos de glicose e pode ter de nove a 20 pontos de ramificação [ligações α-(1 → 6)] e de três a 11 cadeias retilíneas (Hoover. Amidos denominados “cerosos” do milho. Aproximadamente 99% dos resíduos de glicose estão unidos por ligações α-(1 → 4).0% de amilose são denominados “ricos em amilose”. Pode conter mais de 15 mil resíduos de glicose. amidos com mais de 40...6g/cm3 (Rooney e Pflugfelder. Essas cadeias são relativamente longas e podem conter de 200 a 700 resíduos de glicose. unidas por ligações α-(1 → 4). O aquecimento dos grãos na presença de água promove a solubilização parcial do amido. Segundo Ball et al. 1986). A molécula é composta de 324 a 4. o amido é composto por 30. 2001.0% de amilose e 70. o que pode refletir as diferenças na composição 246 . o amido é formado por dois polímeros de glicose. 1998). formando composto azul ou violeta. ao tamanho da molécula e pelas propriedades químicas. a amilose e a amilopectina (French. O peso molecular varia de acordo com a origem botânica e encontra-se entre 1 x 105 e 1 x 106 Da. 1973. Por outro lado. caules... Os grãos são a principal fonte de amido na alimentação humana e animal. e 1% por ligações α-(1 → 6). 2001). Wang et al. A amilopectina é uma molécula maior que a da amilose. Quimicamente. com diâmetros variando de 1 a 200μm e nos formatos redondo. Apresenta peso molecular entre 1 x 107 e 1 x 109 Da (Tester et al. 1998). Esse processo é denominado gelatinização e ocorre devido à quebra das pontes de hidrogênio entre as moléculas de amilose e amilopectina. Estima-se que 95% dos resíduos de glicose estejam unidos por ligações α-(1 → 4) e que os outros 5% por ligações α-(1 → 6) (French. e a densidade do amido varia de 1. Rooney e Pflugfelder. na maioria das espécies.

o que pode reduzir a digestibilidade ruminal e intestinal desses amidos (Asp et al. As moléculas de amilose podem se inserir nas moléculas de amilopectina. Assim. No entanto. a amilose também está presente na região cristalina. a região cristalina é composta apenas pela amilopectina.bioquímica do amido e a interação desse com a matriz proteica. A importância do estudo da composição do amido dos grãos é evidenciada pela maior susceptibilidade da amilopectina à digestão enzimática (Zeoula e Caldas Neto. Rooney e Pflugfelder. respectivamente) que a cevada e o trigo (65 e 62ºC. Porém. 2001). Philippeau et al. formando estruturas helicoidais e acarretando menor estruturação da região cristalina e maior adesão entre as moléculas que compõem o grânulo. conhecida como região amorfa. Esse processo de reorganização dos grânulos é denominado retrogradação e tende a aumentar a proporção de amido resistente ao ataque das amilases dos alimentos previamente gelatinizados. a maior degradabilidade foi. Devido à menor densidade. Duas áreas distintas são observadas no grânulo de amido. Nos cereais. (1998) mostraram que o amido dos grãos de milho ricos em amilose foi mais rápida e extensamente degradado no rúmen que o amido dos grãos cerosos e de composição regular do amido em estudo in situ em bovinos. 2001). Uma organizada. 1996). é relativamente desorganizada. 2001).. 1986). aumentando a quantidade de pontes de hidrogênio no interior do amido. O amido gelatinizado é instável e tende a se reorganizar parcialmente com as reduções da temperatura e do conteúdo de água do meio devido ao restabelecimento parcial das pontes de hidrogênio (Hoover. consequentemente. A região amorfa é rica em amilose e menos densa que a área cristalina. da digestibilidade de fontes de amido com maior teor de amilose. 247 . porém ocorre uma diminuição na hidrólise do amido e. A região cristalina é primeiramente composta de amilopectina. A amilose em cereais apresenta complexação com lipídios. em grande parte. respectivamente). maior proporção de amilose proporcionaria melhor atividade hidrolítica. Essa complexação diminui a capacidade de expansão e a solubilidade do amido (Swinkels. 1986). consequentemente. a estrutura primária (nativa) dos grânulos de amido é definitivamente perdida (Rooney e Pflugfelder. como o milho. O complexo lipídio-amilose é insolúvel e pode se dissociar quando aquecido. e a atividade hidrolítica das amilases se inicia nesta área (Rooney e Pflugfelder. principal responsável pela organização desta área. e a segunda. à atividade enzimática. Malcolm e Kiesling (1993) encontraram resultados em que o milho e o sorgo apresentaram maiores temperaturas de gelatinização do amido (70 e 72ºC. Em raízes como a mandioca. devido à maior formação de pontes de hidrogênio (Zeoula e Caldas Neto. estando a amilose presente na região amorfa. podendo acarretar diminuição na capacidade de expansão e na atividade enzimática. denominada região cristalina. explicada pela textura mais macia do endosperma dos grãos de milho ricos em amilose. sendo necessárias temperaturas acima de 125oC. a água se move livremente através desta região.1985. A área cristalina apresenta maior resistência à entrada de água e. 1986).

os chamados QPM (Quality Protein Maize). oleico (24. globulinas e gluteínas.0% de extrato etéreo. Para MichaletDoreau e Doreau (1999). que diferem significativamente em composição das encontradas no endosperma. conferindo qualidade nutricional superior. betacriptoxantina. alfa e betacarotenos são os principais carotenoides do milho (Paes. Dombrink-Kurtzman e Bietz (1993) encontraram. estão presentes os carotenoides.0-13. chamadas de zeínas. a extensão da degradação ruminal da fração nitrogenada do milho QPM é maior que a de um milho normal. independentemente da textura do endosperma. com o intuito de aumentar a densidade energética das dietas. 4. Já nos trabalhos de Atwell et al. A composição e a distribuição das frações proteicas nos grãos estão envolvidas diretamente na textura do endosperma. mas pobres em lisina e triptofano. a produção de leite e os conteúdos de proteína e gordura do leite em experimento realizado por Elliot et al. (1998) e LaCount et al. observou-se aumento no consumo alimentar dos animais que receberam milho rico em óleo. tornando a utilização desta pouco vantajosa. Existem também ácidos graxos livres e fosfolípides (Weber. Na camada de aleurona e no endosperma vítreo do milho.0%). Zeaxantina.5 a 4..4. assim a quantidade de lisina sobrepassante é baixa. Este tipo de milho vem sendo utilizado em alguns países na alimentação de monogástricos.0%). O gérmen contém quantidades importantes de proteínas do tipo albuminas. Alguns estudos têm mostrado forte relação entre a concentração de prolaminas com a textura do endosperma (Pratt et al.3 vezes maiores de α-prolamina no 248 .0-62. Estas são prolaminas. Poucos trabalhos com milho rico em óleo foram realizados com bovinos leiteiros.0%) e linoleico (55.3. 1983). luteína.0% deste são triglicerídeos. Os principais ácidos graxos são o palmítico (8. São proteínas de reservas ricas nos aminoácidos metionina e cisteína.0% de grão de milho para vacas leiteiras não modificou o consumo. em média. 2001). apresentando teores mais elevados de lisina e triptofano. Proteínas do grão de milho A maior parte das proteínas do grão de milho concentra-se no endosperma (74. A substituição do milho normal pelo rico em óleo em dietas fornecidas ad libitum com 44. substâncias lipídicas que conferem a cor ao grão de milho. concentrações 3. Outra evidência de que as prolaminas estão envolvidas na determinação da textura é a de que a concentração dessas é maior no endosperma vítreo que no farináceo. Lipídios do grão de milho Os grãos de milho geralmente contêm de 3.0% de óleo. concentrado principalmente no gérmen. 1995). as quantidades dos aminoácidos lisina e triptofano são maiores. 2006).2.. Existem alguns híbridos de milho de alta qualidade proteica. 90. (1993). que compõem a matriz que envolve os grânulos de amido dentro do endosperma.0%). resultado de melhoramento genético a partir do mutante opaco 2 (Molina et al.0-32. (1995). Neste material. Existem variedades de milho ricas em óleo que apresentam aproximadamente 7.

9%. Segundo Mello Júnior (1991). visando à gelatinização dos grânulos de amido que permite maior absorção de água. produção excessiva de ácidos graxos voláteis. diferenças nos valores de nutrientes digestíveis totais para as distintas formas de processamento dos grãos (ex. resultando em melhor digestão enzimática. os processos de moagem. são citadas. O processamento do grão de milho pode alterar o seu valor nutritivo pela moagem. milho moído com 88.7%. MILHO GRÃO NA ALIMENTAÇÃO DE REBANHOS LEITEIROS O milho é o alimento energético padrão. laminação e floculação influenciam a extensão da digestão e do local onde esta ocorre. A consequência destes eventos pode ser o aparecimento de acidose. A seguir. por exemplo. redução do tempo de mastigação (com redução na salivação) e ruminação. O limite de inclusão é de aproximadamente 3. o aumento na frequência de refeições e a utilização de agentes tamponantes e/ou alcalinizantes (ex. milho de alta umidade com 91. embora as concentrações de γ-prolaminas tenham sido quase duas vezes maiores no endosperma farináceo. Nos concentrados utilizados para bovinos leiteiros.: fornecer 1% da ingestão da matéria seca da mistura de bicarbonato de sódio e óxido de magnésio.5% e milho floculado com 91. laminite. Esta influência ocorre por causa de alterações físicas e/ou químicas na estrutura do grão. Alterações físicas são obtidas principalmente por diferentes graus de moagem. mudando o local e a intensidade de digestão. As várias formas de processamento podem alterar-lhe o valor nutritivo. com a finalidade de observar suas influências sobre a digestão do amido no trato digestivo total. quebra.7%). Maiores quantidades podem ser agregadas por meio da manipulação ruminal. O fornecimento de dieta completa (concentrado misturado ao volumoso).endosperma vítreo dos grãos de nove genótipos de milho. paraqueratose. serão descritas as principais formas de processamento do grão de milho: 249 . No NRC (2001). As alterações químicas são resultantes do tratamento dos grãos com pressão a vapor. Quantidades superiores à indicada podem levar à redução da eficiência do aproveitamento energético do amido. podendo levar o animal à morte. resultante da fermentação dos carboidratos solúveis. floculação e laminação.: milho quebrado com 84. gelatinização. dentre outros distúrbios metabólicos. com acentuada redução do pH ruminal. Normalmente o grão de milho é usado na forma de fubá ou quirera (milho passado em peneira grossa). podendo alterar a eficiência da utilização da energia proveniente do amido.0kg ao dia por unidade animal (UA). 5. Vários métodos de processamento de grãos têm sido utilizados. que têm como efeito a redução no tempo de permanência do alimento no rúmen. o milho fubá pode ser a base energética. na relação de 3:1) podem permitir maiores inclusões e evitar os problemas metabólicos citados anteriormente.

O amido. ao avaliarem o efeito do grau de moagem sobre o desempenho de vacas leiteiras. Por outro lado. Estudos com dietas para vacas de leite. o tempo de permanência no condicionador é maior (30 a 40 minutos). Além dos rolos laminadores.1%) e ocorre a redução da eliminação de grãos nas fezes (Moe et al.os grãos também ficam no condicionador abastecido por uma linha de vapor. Floculação . o grão sofre modificação somente na estrutura física. A temperatura chega a 90. e o tempo médio de permanência é de 15 a 20 minutos. Como na moagem. bem como a temperatura utilizada (90 a 105°C) e a umidade dos grãos (20. que são responsáveis pela laminação. ajustados de forma a comprimirem ainda mais 250 . aumentando-se a digestibilidade ruminal do amido. Laminação a vapor . compostas por 54. O uso de concentrados contendo grãos submetidos a este tipo de processamento determina aumento na quantidade de amido que chega ao intestino delgado. pode ser pouco disponível por não sofrer gelatinização e ter reduzida superfície de exposição às amilases (Mello Júnior.5% de concentrado. localizados abaixo do condicionador.4mm. Posteriormente. Em função do maior tamanho das partículas do grão laminado a vapor. Devido ao aumento da umidade e da temperatura no interior do condicionador. os grãos caem por gravidade nos rolos compressores. o amido dos grãos sofre modificação tanto na estrutura química (gelatinização) quanto na estrutura física (laminação). A espessura do grão laminado é de aproximadamente 1. os grãos passam por um segundo par de rolos. 1973). a digestão da MS no trato digestivo total é maior (69. há maior quantidade de amido gelatinizado que chega ao intestino delgado.5 a 2. neste tipo de processamento. A intensidade deste tipo de tratamento é que vai ditar a extensão da gelatinização. San Emeterio et al.0 e 95. comparativamente com o processo de laminação a vapor. em relação à moagem. embora de forma mais branda. mas a recomendação mais aceita é a utilização da moagem fina.o grão inteiro é quebrado em pedaços menores. A escolha da moagem fina (fubá) ou grosseira (milho quirera) ainda é uma questão duvidosa para produtores e técnicos da pecuária leiteira. Já Reis et al.o grão inteiro é depositado por um tempo preestabelecido em condicionador abastecido por linha de vapor. evidenciaram que o tamanho das partículas dos grãos altera a taxa e a extensão da digestão do amido. 1991). Quebra (laminação a seco) . Em seguida estes grãos caem por gravidade nos rolos compressores.0%). após passar por um rolo cujo ajuste estabelece a intensidade da quebra. (2001) não observaram efeito do grau de moagem para vacas leiteiras mantidas em pastagens.modifica a estrutura física dos grãos inteiros.3%) do que quando os grãos são inteiros (59.Moagem . Entretanto. rompendo o endosperma e aumentando a superfície de contato do amido às amilases.0%.0 e 24.0°C. inicia-se o processo de gelatinização do amido.. os grãos já laminados e parcialmente gelatinizados são encaminhados ao secador. Consegue-se um aumento da digestibilidade ruminal em relação ao grão inteiro.0 e 20. a digestibilidade ruminal é menor. encontraram maiores produções de leite e de proteína do leite para as vacas alimentadas com milho finamente moído. (2000). Neste tipo de processamento. Quando os grãos de milho são finamente moídos. Em seguida. A umidade média do grão fica entre 17.

podendo ainda ter impactos positivos na saúde e na eficiência reprodutiva. e da perda de proteína microbiana nas fezes. A suplementação com amido é uma opção muito utilizada para aumentar a densidade da dieta na tentativa de atender a demanda de carbono e glicose exigida por vacas de alta produção. o suprimento extra de glicose (via absorção intestinal) é utilizado eficientemente no tecido adiposo e na retenção proteica. Porém. 251 . Assim. em artigo de revisão.1mm. Pipoca . realizando a floculação e deixando-os com espessura próxima de 0. Na conclusão de sua revisão. mudando apenas a rota de aquisição desta glicose (fígado por meio da gliconeogênese ou absorção direta). mas a expensas da síntese de proteína microbiana no rúmen. mencionou que a produção média de sólidos do leite de vacas vem aumentando linearmente nos últimos 50 anos. há tempos. os grãos floculados passam pelo secador. 2005). Os estudos com a floculação do milho para alimentação de vacas leiteiras. realizados principalmente nos Estado Unidos. Reynolds (2006) afirmou que parece existir capacidade considerável de digestão do amido no intestino delgado de vacas leiteiras.os grãos. à explosão. Reynolds (2006) afirmou que. mas o suprimento de glicose aumenta com o incremento de digestão no rúmen ou intestino. o que faz com que seja cada vez mais desafiante atender as exigências de animais de alto potencial genético. É considerada uma forma de processamento intensa e aumenta a degradabilidade ruminal do amido (Imaizumi. causando o rompimento do pericarpo. Na sequência. principalmente em vacas no início da lactação. EFEITOS DO LOCAL DE DIGESTÃO DO AMIDO NA PRODUÇÃO E NO METABOLISMO DE VACAS LEITEIRAS A possibilidade de alterar o local de digestão do amido do milho com o processamento pode ter implicações na produção. consequentemente. O aumento de aporte de glicose via absorção intestinal é acompanhado pela maior utilização da glicose arterial pelos tecidos drenados pela veia porta.9 a 1.o aumento da temperatura do grão leva à expansão da umidade interna e. Reynolds (2006). O autor afirma ainda que a mudança no local de digestão do amido tem implicações na absorção de nutrientes pela veia porta. acredita-se que o aumento da digestão do amido no intestino delgado e da absorção de glicose seja benéfico em termos de eficiência energética e na resposta em produção. têm evidenciado o aumento da degradabilidade ruminal do amido e a melhora no desempenho de vacas leiteiras. o aumento da digestão de amido no intestino delgado aumenta o aporte de glicose. mas os dados que sustentam estes dogmas são equivocados. 6. com aumento da fermentação no intestino grosso. sem afetar a saúde e a reprodução. reprodução e saúde de vacas leiteiras. como os depósitos de gorduras mesentéricas e omentais. Inúmeros trabalhos com aumento de amido sobrepassante e de infusão de glicose têm possibilitado aumentos na produção de leite e redução na gordura do leite. principalmente em vacas no início da lactação. afetando muito pouco a produção de energia através do leite e alterando o status de insulina. mas com pouco efeito no balanço energético.

porém é resultante da extração do amido. A composição química assemelha-se à do fubá. extrai-se o óleo. visando à máxima produção. Ao se iniciar o processo de industrialização propriamente dito. são descritos os principais coprodutos do milho passíveis de serem utilizados na alimentação de rebanhos leiteiros: Casca do grão de milho . removido a partir do processo. por processos hidráulicos e solventes e. na Europa e nos Estados Unidos. a fim de se separar as várias frações fibrosas do amido. O liquor. após a secagem do resíduo. por separador. contendo amido. As frações fibrosas são secadas e comercializadas como subprodutos para as indústrias de rações. A seguir. é utilizada a “moagem úmida” (Paes. Apresenta um pouco mais de proteína que o grão integral. este é comercializado como farelo de gérmen.. Portanto. mas contém mais fibra (Andrigueto et al. Pode ser encontrado com ou sem óleo. passa por uma série de peneiras. o material remanescente. os grãos sofrem limpeza e são. e a umidade resultante é de aproximadamente 55%. que contém gérmen. película. 2006). que isola o gérmen do resto do material. à saúde dos animais e à eficiência reprodutiva. COPRODUTOS DO PROCESSAMENTO DO MILHO São dois processos que dão origem aos coprodutos do milho: a moagem seca e a úmida. o amido é degerminado por meio de moagem grosseira. faz-se necessária sua secagem rápida ou a sua ensilagem. a principal indústria moageira de milho é do tipo “moagem seca”. então. tegumentos e parte da porção amilácea da semente. tem por finalidade desintegrar a proteína aderente ao amido no interior do grão.constitui subproduto do beneficiamento para obtenção do óleo e do amido. Após a maceração. um subproduto que pode ser utilizado na alimentação animal. Em seguida à separação do gérmen. sofre evaporação. Geralmente a maior parte desse resíduo é utilizada na produção do farelo proteinoso de milho. que dura de 24 a 48 horas. constituindo. Farelo de milho . película e glúten.é obtido da moagem a seco da mistura do gérmen (com ou sem a remoção do óleo). Do gérmen. pode apresentar desenvolvimento de fungos. 7. Esse procedimento. A maioria dos coprodutos é gerada pelo processamento por via úmida. colocados em uma série de tanques com solução de água sulfitada.Os avanços dos estudos sobre local de digestão do amido vêm possibilitando a indicação de diferentes formas de processamento ou genótipos de milho que possibilitem a alteração do local de digestão do amido. assim. então. amolecendo-o e facilitando a moagem. amido e glúten. 1990). Essa massa passa. No Brasil. produzindo um material em forma de polpa. 252 . Dependendo da umidade. enquanto.

1984).0% de óleo. após separação do gérmen em moinhos de disco.a diferença entre o farelo e a farinha é que o primeiro contém 40. 5. podendo substituir totalmente as frações proteicas da dieta (Vieira. a farinha de glúten tem como desvantagem a baixa qualidade da fração proteica (é deficiente em lisina). Este produto pode ser comercializado isoladamente ou junto com as cascas. Vieira (1991) citou resultados de produção de leite semelhantes para vacas leiteiras que receberam o Refinazil em substituição parcial da silagem de milho e do concentrado.subproduto da industrialização do milho por via seca.0% de PB e 5.na primeira moagem dos grãos (“via úmida”). Farelo proteinoso de milho .Farelo de gérmen de milho . Pode ser utilizado como fonte alternativa de energia e/ou proteína para ruminantes. do glúten e do gérmen. logo após sua infusão em água e a retirada desta.0%. Tanto a farinha como o farelo de glúten são boas fontes de proteína não degradável no rúmen (Henrique e Bose. Em relação ao nível energético.0% de óleo (Velloso.0% de PB e 1. Farinha desengordurada do gérmen . o Refinazil pode ser considerado um fornecedor de energia em dietas para bovinos em substituição parcial da fonte energética. Canjica de milho .é obtido no processamento por via úmida. 1991). substituindo.0 a 6. a forragem e concentrados proteicos e energéticos (Vieira. que contém cerca de 11. encontra-se comercialmente a farinha. produzida pelas Refinações de Milho Brasil. que recebe o nome comercial de Protenose. produzida pela Cargill. Farelo e farinha de glúten (corn gluten meal) . 253 .5% são transformados em farinha de glúten (Henrique e Bose.esse produto está disponível no Brasil com o nome de Refinazil. É um subproduto muito utilizado para bovinos. 1984). 1991). e de Promil.0%. de glúten de milho separado pelo processo da moagem úmida. Este subproduto do grão de milho consiste basicamente do gérmen. Possui proteína com alto teor de metionina. que contém 20.0% de óleo (Velloso. películas e glúten para formar a farinha de glúten e o farelo de glúten. principalmente.0% de proteína bruta e 70. A farinha de glúten de milho consiste. embora tenha havido aumento da ingestão de MS e tenha reduzido o teor de gordura do leite. sobra um resíduo que recebe a denominação de farinha desengordurada de gérmen. necessitando de complementação com outras fontes. o que lhe confere alto teor energético. É constituído pela parte externa do grão de milho.0% de nutrientes digestíveis totais (Vieira. O teor de NDT é de 83.0% de proteína. parcialmente e em níveis variáveis. 1995). após a extração da maior parte do amido.0 a 6. produzido pelas Refinações de Milho Brasil. faz-se a separação do gérmen. Para vacas de alta produção. e a segunda 60. 1991). 1995). Da quantidade de milho que entra para ser processado. Possui valor nutritivo inferior ao do milho. na extração do amido. boa palatabilidade e apresenta 11.0% de PB e 5. Extraído o óleo. produzido pela Cargill. remanescente. é constituído de gérmen e de tegumentos que são removidos juntos com partículas amiláceas. que contém cerca de 11. No Brasil. e a Glutenose 60.

visando fornecer proteína de fácil degradabilidade para bovinos. e o segundo. 1991). leveduras. suínos e bovinos (Vieira. (1985) indicaram maiores quantidades de proteína não degradável no rúmen para o coproduto desidratado comparado com o coproduto úmido. são poucas as diferenças na composição bromatológica. em média. dos quais 35.Liquor .0% de proteína bruta). constituído por porções não fermentadas do grão. o milho limpo é fermentado.0% da ingestão de matéria seca de coprodutos desidratados ou úmidos. pequenas partículas e nutrientes solúveis (chamado de solúveis). já foram publicados 91 artigos relacionados de alguma forma à utilização de coprodutos do milho oriundos da produção de etanol (Corn Distillers Grains). Os grãos úmidos de destilaria podem ser desidratados e comercializados como grãos secos de destilaria (dry corn distillers grains). Dois coprodutos são gerados: um sólido. mas os dados de Firkins et al. também. O grande volume de dados publicados recentemente nas principais revistas científicas norte-americanas ilustra o esforço dos pesquisadores em estabelecer a melhor forma de utilização destes. Os coprodutos da destilaria representam mais que uma fonte de nitrogênio (25. que compreende substâncias que se acumulam na superfície. esse produto tem a umidade reduzida para 55. No processo de desidratação. tornando-se uma substância condensada de alto teor proteico. possuindo aproximadamente 6.0% de extrato etéreo. A utilização na alimentação de rebanhos leiteiros vem sendo sugerida como alternativa viável. O crescimento da indústria de etanol naquele país vem sendo um estímulo econômico para a agricultura e propicia a geração de enormes quantidades de coprodutos do milho. já que um terço do grão processado para este propósito é transformado em coproduto. digestibilidade da fibra e eficiência na produção de leite de vacas alimentadas com inclusão de 15.0% de FDN e 13. A decisão em utilizar 254 . No processo de produção do etanol. podem ainda ser acrescidos os solúveis. dando origem ao grão seco de destilaria com solúveis.0% de sólidos. Comparando-se o coproduto de destilaria úmido com o desidratado. chamado de grãos úmidos de destilaria (wet distillers grains).0% da dieta e. em proporções de até 50. Após a secagem. Coprodutos da produção do etanol a partir do milho . 30. composição do leite. No ano de 2007. composto por água.0 a 40. como aditivo em rações peletizadas de aves.é o subproduto resultante do processo de água sulfitada. O domínio da tecnologia de utilização destes coprodutos é fundamental para a sustentabilidade da produção de energia de fontes renováveis. produzindo etanol e dióxido de carbono. contribui para a redução da chance de desenvolvimento de acidose ruminal (Klopfenstein. até a edição de abril do Journal of Dairy Science. a fibra fermentável presente nestes coprodutos. por ser mais lentamente degradável que o amido.0% consistem de proteínas. (2002) não encontraram diferenças na produção. Os grãos de destilaria apresentam. disponíveis para a alimentação animal. a qual pode ser utilizada na alimentação de bovinos.0%. Al-Suwaiegh et al.a produção de etanol a partir do grão de milho é a principal estratégia de geração de biocombustível nos Estados Unidos. Tem sido utilizado como suplemento líquido. 2001).

limitados por critérios agronômicos. fibra efetiva e gordura quando os coprodutos da destilaria são incluídos na dieta de vacas leiteiras. Porém. os de extrato etéreo de 10.0 a 12. a utilização do milho na forma de silagem da planta inteira é crescente no mundo todo.0%. Um dos problemas da utilização dos coprodutos de destilaria é a falta de padronização na composição nutricional destes. e os de fósforo de 0. como a produção de grãos por hectare. a avaliação da composição bromatológica deve ser rotina para quem pretende utilizar estes coprodutos em dietas de rebanhos leiteiros. Pesquisas têm demonstrado aumento no consumo de matéria seca com adição de grãos de destilaria (Powers et al. 1988).8 a 1.o resíduo desidratado ou úmido deve ser baseada no custo-benefício.0 e 20. resistências a doenças. Porém. o que não foi observado no trabalho de Leonardi et al. níveis elevados podem interferir na síntese de gordura do leite.0% da ração (base na matéria seca). (2004) demonstraram que os teores de proteína bruta podem variar de 25.0% de FDN e menos de 5. mas geralmente esses níveis se encontram entre 15. os híbridos graníferos podem apresentar características agronômicas indesejáveis para a produção de silagem. Cuidados especiais devem ser tomados nos níveis de lisina. 1995). 1999). (2006) notaram que a utilização de grãos desidratados de destilaria reduziu a produção de proteína do leite devido ao desbalanceamento de aminoácidos (principalmente lisina). Algumas companhias de melhoramento genético do milho testaram seus híbridos graníferos quanto à aptidão para a produção de silagem antes de iniciar a seleção de genótipos específicos para a produção de silagem (Aseltine. por muito tempo. (2005) não encontraram efeito da adição de grãos de destilaria até níveis de 15.0% de ácidos graxos. Leonardi et al.) foram. comprometendo o valor nutricional da silagem. e este é um dos fatores de limitação de inclusão destes em dietas de vacas leiteiras.0%. porém a compra do resíduo úmido pode ser mais vantajosa se a distância entre a usina e a fazenda for pequena. o que demanda a seleção de genótipos de milho especificamente para a produção de silagem de alta qualidade nutritiva.0% em dietas de vacas leiteiras e concluíram que este alimento é uma boa fonte de energia quando as dietas têm 28. Como os grãos de destilaria apresentam aproximadamente 13. Carvalho et al. (2005). a pragas e aos estresses climáticos (Michalet-Doreau e Doreau.0% de extrato etéreo. Knott et al. 255 . Assim. SILAGEM DE MILHO PARA GADO DE LEITE: CARACTERÍSTICAS QUE INFLUENCIAM O VALOR NUTRITIVO DA SILAGEM Os objetivos do melhoramento do milho (Zea mays L. A indicação dos níveis de inclusão de grãos de destilaria depende da composição e do preço.0 a 35.. FDN. como o endurecimento precoce dos grãos e o conteúdo elevado dos constituintes da parede celular. pois a umidade pode inviabilizar o transporte do resíduo úmido por longas distâncias e também dificultar o armazenamento. 8.0%.

Hemken et al.1. Em virtude da falta de significância do teor de grãos sobre o desempenho das vacas. o maior número de folhas acima da linha da espiga. na matéria seca. Moreira (2000).0%. 1979). As silagens com alto conteúdo de grãos (50.7 a 55. Russel et al. Porém.62%. 8.29. lignina e mais amido que as silagens com baixo conteúdo de grãos (26. 1979). os conteúdos de grãos na planta inteira variaram de 24. características bioquímicas e físicas do grão mais adequadas para maximizar o aproveitamento do amido ou apresentar maior teor de óleo no grão. na matéria seca (Phipps e Weller. celulose. relatou que os conteúdos de grãos variaram de 45. Em um estudo de caracterização agronômica de vários genótipos de milho para a produção de silagem.17 a 48. trabalhando com genótipos de milho. Hemken et al. por meio da separação e da pesagem dos grãos de uma amostra significativa de plantas de milho antes da ensilagem e b) indireta. A qualidade das silagens de milho é frequentemente associada à proporção de grãos na planta inteira. o maior conteúdo de grãos e de amido e o menor de constituintes da parede celular não influenciaram a digestibilidade in vitro da matéria orgânica e a ingestão de matéria seca da silagem de milho (Hemken et al. ambos na base da matéria seca.0 a 45.45%. Costa (2000) encontrou resultados em que as relações espiga:planta inteira de 12 genótipos de milho modernos comercializados no mercado brasileiro variaram de 39. Estes híbridos podem apresentar como atributos especiais o aumento na digestibilidade da fibra. (1971) recomendaram o plantio de variedades de milho com base na produção de matéria seca/ha e não pelo conteúdo de grãos.Atualmente. A relação entre conteúdo de grãos nas silagens e produção de leite é controversa.66 a 1. Conteúdo de grãos e qualidade da silagem O conteúdo de grãos na silagem pode ser estimado por duas formas: a) direta. Phipps e Weller. por meio do estudo da relação espiga:planta inteira. na matéria seca. A influência do conteúdo de grãos sobre a composição química das silagens foi reportada por Phipps e Weller (1979). Tais recomendações devem ser interpretadas com cuidado porque estes autores trabalharam com vacas de 256 . No estudo de Phipps e Weller (1979). (1971) mostraram pequena ou nenhuma vantagem das silagens de alto teor de grãos sobre o desempenho de vacas de leite. na base da matéria seca) não influenciou a digestibilidade in vitro da planta fresca ou ensilada.0% de grãos na matéria seca) contiveram menos fibra em detergente ácido (FDA). (1992) mostraram que a diferença na relação espiga:parte vegetativa de genótipos de milho diferentes (0. as vacas produziram mais leite e com menor teor de gordura quando alimentadas com silagem com alto conteúdo de grãos. há no mercado mundial alguns genótipos de milho desenvolvidos especificamente para a produção de silagem. Moreira (2000) observou redução nos teores de FDN e de FDA e um aumento no teor de amido com o aumento da proporção de grãos nas silagens.0% de grãos na matéria seca). 1971..

Portanto. 8.. 1996). 1993). hemicelulose e lignina) e não só de lignina. frequentemente. 1996). 1993). é muito provável que estas vacas tenham encontrado suas exigências de energia para a produção de leite mesmo quando alimentadas com silagens de baixo conteúdo de grãos. Muitos estudos comprovam as vantagens nutricionais dos híbridos BM-3 em relação aos seus isogênicos (híbridos geneticamente idênticos. 2000) podem influenciar mais a qualidade nutricional da silagem que o teor de grãos em si. tem sido o mais usado como modelo para o estudo da lignina sobre a digestibilidade da fibra do milho (Michallet-Doreau e Doreau. A diminuição nos constituintes da parede celular foi acompanhada do aumento no conteúdo de carboidratos rapidamente fermentáveis. o que explicou a maior digestibilidade in vitro da matéria seca das hastes do híbrido BM-3.. Dos quatro genes BM testados (BM-1. o tamanho de partícula e o processamento da silagem (Bal et al. (1997) encontraram resultados em que as hastes de híbridos de milho BM-3 apresentaram menores conteúdos de todos os constituintes da parede celular (celulose.2. Irlbeck et al. o conteúdo de grãos não é um fator decisivo sobre a qualidade da silagem de milho.. a digestibilidade da fibra (Oba e Allen. 1999). em relação aos híbridos normais. Os melhoristas genéticos de plantas desenvolveram genótipos mutantes de milho com a introdução dos genes BM (Brown Midrib ou genes da nervura marrom) no genoma do milho. Na literatura. 1998). 2000) que os híbridos normais. Portanto. embora.. a digestibilidade da parte vegetativa tem uma grande influência sobre a qualidade nutricional da silagem. BM-2. BM-3 e BM4). é citado que fatores como a maturidade da planta de milho (Irlbeck et al.. Contudo. 1979. por isto. 1999). Tovar-Gómez et al. Digestibilidade da fibra e qualidade da silagem Como discutido previamente. os híbridos com alta produção de grãos sejam recomendados como os mais adequados para a produção de silagem (Buxton et al. 1999) e maiores degradabilidades da matéria seca e da FDN no rúmen (Bal et al. Os híbridos de milho que contêm menor concentração de lignina apresentam maior digestibilidade in vitro da matéria seca (Oba e Allen. porém sem a mutação BM-3) 257 . existe um limite prático na redução do teor de lignina e dos componentes da parede celular nos híbridos de milho. o BM-3 foi o que permitiu a maior diminuição no teor de lignina na planta e. mas reduções menores têm sido reportadas (Keith et al. 1999).média produção (16kg/dia). Desta forma. É bem conhecido que esta mutação determina uma sensível diminuição nos teores de lignina na planta. Oba e Allen. a textura do grão (endosperma duro ou farináceo) (Philippeau et al.. de forma que características agronômicas como as resistências ao acamamento e às doenças não sejam intensificadas nos genótipos de baixa lignina (Buxton et al. (1993) mostraram que a parte vegetativa da planta (planta inteira menos a espiga) representou a metade da matéria seca total da planta. A mutação da nervura marrom BM-3 determinou a redução de 50% nos teores de lignina na planta de milho (Cone e Engels. eles devem melhorar o consumo de matéria seca da forragem e o desempenho de vacas de leite..

1981.3 a 74.. (1998) encontraram teores de amido que variaram de 64. 8. eficiência alimentar. A silagem do híbrido ceroso resultou em maior produção de leite em relação à silagem comum. 258 . 2000). Um único estudo disponível foi conduzido por Moreira (2000) com vacas leiteiras de alta produção. mas a produção de leite e de leite corrigido para gordura foi maior para o BM-3. O amido de genótipos cerosos (waxy) é formado integralmente por amilopectina. Além disto. o custo da semente é muito elevado.1. Keith et al. Phillipeau et al. como quantidade de leite corrigida para 3. Moreira. A composição bioquímica do amido do grão e a qualidade da silagem O teor de amido e a proporção amilose:amilopectina variam entre os diferentes genótipos de milho... Oba e Allen.9% para os grãos de endosperma duro (flint). A ingestão de matéria seca por vacas no terço médio da lactação (g/unidade de tamanho metabólico) não foi influenciada pelo genótipo. Philippeau et al. 1999). em relação aos genótipos normais (Gallais et al.0 e 68. foram semelhantes entre as silagens. Porém. os genótipos mutantes BM-3 não são utilizados em larga escala para a produção de silagem porque apresentam importantes limitações agronômicas. 1999). Block et al.para vacas de leite (Keith et al. 1980).0% para os híbridos ceroso.0 e 48. (1998) encontraram resultados em que os teores de amilose variaram com o genótipo.. 1999. normal e o de alta amilose.4% para grãos de milho com o endosperma macio e com o endosperma duro. o genótipo (flint ou dent) não influenciou o teor de amido do grão em outro estudo (Philippeau et al. respectivamente.0% menor em relação ao seu isogênico. Philippeau e Michalet-Doreau (1997) encontraram valores entre 61. obtendo 5. 1979. 27. outros parâmetros de desempenho avaliados neste estudo. Contudo.0% de amilose e 75. existem variedades que possuem a composição do amido bastante diversificada. Este comparou desempenho de vacas alimentadas com silagens produzidas por híbridos de milho de endosperma ceroso em relação à silagem produzida por um híbrido comum. respectivamente. O melhor desempenho das vacas foi atribuído ao aumento da digestibilidade da parede celular no rúmen para o híbrido BM-3. como a maior susceptibilidade a doenças e ao acamamento e menor produção de matéria seca/ha.0% de amilopectina no grão.5% de gordura.6% de amido nos grãos de milho de endosperma macio (dent) e entre 58. (1979) verificaram que o teor de lignina do híbrido BM-3 foi 24. enquanto o amido dos genótipos de alta amilose (amylose-extender) é formado por quantidades iguais de amilose e amilopectina (Michalet-Doreau e Doreau. produção de leite corrigida para o teor de sólidos e produção dos constituintes do leite. Apesar das características nutricionais favoráveis. Os híbridos comuns contêm em torno de 25.3. Entretanto.6 e 67. As informações sobre a influência da composição bioquímica do amido do grão sobre o desempenho de vacas de leite são escassas.

4. (1998). silagem de milho e concentrado nas proporções de 25:25:50.β. As α.8%/h. possivelmente. 8. A textura dos grãos e a qualidade da silagem A textura do grão apresenta grande influência sobre a degradabilidade do amido no rúmen.δ-zeínas.5. o que. As diferenças na extensão e na taxa de degradação do amido dos grãos de diferentes texturas também são relacionadas com a composição e a localização das principais proteínas do milho. LaCount et al. No estudo de Philippeau et al. a fração rapidamente degradada do amido foi associada positivamente com as α.β. As dietas foram arranjadas em esquema fatorial 2x2 (dois tipos de silagens: uma comum e outra feita com um híbrido de alto teor de óleo no grão. enquanto a fração lentamente degradada do amido o foi com as glutelinas verdadeiras.8. O experimento acima demonstrou pequenas diferenças na ingestão de matéria seca e na produção de leite e de seus constituintes para a dieta contendo milho de alto óleo. (1995) forneceram quatro dietas experimentais para 45 vacas de leite de alta produção a partir da quarta semana de lactação. em que o milho grão moído correspondeu a 54. dois tipos de grãos no concentrado: um comum e outro de alto teor de óleo). provavelmente porque o pequeno incremento no teor energético na dieta foi insuficiente para suportar níveis mais elevados de produção de leite e de seus constituintes. respectivamente..0 e 58. as α. (1998) compararam a degradabilidade dos grãos de milho de três genótipos vítreos e de três farináceos. na matéria seca. Philippeau et al. 259 . enquanto as glutelinas formam a matriz proteica que envolve os grânulos de amido. não compromete a degradabilidade da fibra no rúmen. os genótipos de alto óleo somente determinam ligeiro aumento no teor de extrato etéreo nas dietas totais típicas (Elliott et al. para as dietas constituídas por milho grão mais silagem comuns e para aquela dieta constituída de milho grão e silagem de alto óleo.0%. 1993). Os teores de extrato etéreo variaram de 2.δ-zeínas e as glutelinas verdadeiras. A dieta continha silagem pré-secada de alfafa.β.33% na matéria seca total.0% do concentrado.27 a 3. a despeito do elevado grau de insaturação dos ácidos graxos do milho. respectivamente).8 e 5. Os resultados mostraram que as degradabilidades e as taxas de degradação dos grãos farináceos foram mais altas que as dos grãos duros (71. 11. evidenciando a influência da matriz proteica na redução da degradabilidade do amido do grão no rúmen.δ-zeínas formam os corpos de estocagem de proteína no grão para o embrião. O conteúdo de óleo dos grãos e a qualidade da silagem Apesar de possuírem valores mais elevados de extrato etéreo no grão e na silagem em relação aos genótipos de milho comuns. As discrepâncias na extensão e na taxa da degradação se deveram à maior fração do amido rapidamente degradável nos grãos farináceos em relação aos grãos vítreos. O pequeno incremento no extrato etéreo nas dietas também explicou a ausência de efeitos negativos sobre a digestibilidade da FDN.

9%/h e 69.9%.. 2000).3 e 5. porém a extensão de degradação das folhas foi muito inferior (69. entretanto. mas a produção de leite e dos componentes não foi afetada. 1999).3 e 3. fibra em detergente ácido (FDA) e pelo teor mais baixo de digestibilidade in vitro da matéria seca (DIVMS) em relação à planta inteira do milho (Kuehn et al. os teores mais elevados de DIVMS e da FDN da silagem feita com o híbrido folhoso. Verbic et al. foi verificado que as vacas consumiram em média 12% mais milho de alto óleo (grãos e silagem) que o milho comum. em que a silagem de milho de alto óleo não melhorou o desempenho de vacas de alta produção (Moreira. Em um estudo de caracterização agronômica de vários híbridos de milho. A proporção de folhas em relação à planta inteira e à qualidade da silagem Os híbridos de milho folhosos são comercializados no mercado como híbridos específicos para a produção de silagem da planta inteira. fibra em detergente neutro (FDN). não influenciaram o consumo de matéria seca. Embora as folhas dos híbridos folhosos tenham apresentado teores semelhantes de proteína bruta. A taxa de degradação das folhas foi semelhante à dos grãos (5.0%). respectivamente). 260 . Phipps e Weller (1979) reportaram que a proporção de folhas variou de 11. As folhas são caracterizadas pelos teores mais elevados de proteína bruta. (1988). Kuehn et al.Estudos recentes corroboram os resultados obtidos por LaCount et al.7%/h). (1995). em torno de 13. Outros autores reportaram menor proporção de folhas para híbridos de milho folhosos. 2000.41 a 19. respectivamente. indicando que o óleo aumentou efetivamente a densidade energética da dieta. A digestibilidade da matéria seca foi adversamente afetada pelo aumento do teor de óleo.0% da matéria seca da planta inteira.0% da matéria seca da planta inteira (Moreira. elas tiveram teores mais elevados de digestibilidade in vitro da matéria seca e da FDN. 2000) no estágio de maturidade.0 a 42..3 e 54. 8.6.3 e 94. de FDN e de FDA em relação às folhas dos híbridos graníferos. as vacas alimentadas com milho de alto óleo recuperaram o escore da condição corporal mais rapidamente que as vacas alimentadas com milho comum. No estudo de Atwell et al. Verbic et al..5% superiores em relação à silagem feita com o híbrido granífero (Kuehn et al. a silagem produzida com híbrido folhoso apresentou teores de DIVMS e da FDN de 2.5 e 3. (1995) mostraram que a taxa e a extensão de degradação das folhas foram superiores às das hastes (5. Porém. durante 48h de incubação in situ no rúmen.29% para os híbridos granífero e folhoso. Phipps e Weller (1979) reportaram que as folhas apresentaram teores mais elevados de FDA e teores variados de lignina em relação à planta inteira. Apesar da pequena participação das folhas na matéria seca da planta inteira (13. 1999). (1995) mostraram que a proporção de folhas na matéria seca da planta inteira variou de 13. 1999).7%) devido aos conteúdos mais elevados de carboidratos estruturais e baixos em amido em comparação com os grãos. Estes são caracterizados pelo maior número de folhas acima da linha da espiga e pelos teores de umidade mais elevados nos grãos e na planta inteira em relação aos híbridos comuns (Bal et al. Neste experimento..

8 e 27. As concentrações de FDN.6%.6%.1.4. proteína (1. apresenta maiores quantidades de folhas. de alto óleo. para os híbridos folhoso e granífero. além de possuir estes atributos. de FDN e de FDA e nem a produção de leite ou de seus componentes em relação à silagem feita com o híbrido granífero. na média dos dois híbridos) e mais elevadas para o amido do híbrido folhoso em relação ao híbrido granífero (84. de endosperma ceroso em relação à silagem do híbrido granífero controle. 27.de matéria orgânica. A silagem produzida pelo híbrido folhoso apresentou 3. Os autores sugeriram que a maior degradação do amido do híbrido folhoso foi relacionada à menor dureza do grão deste em relação à do híbrido granífero. cisteína.0% a mais). Benefield et al. São materiais com maior percentual de gérmen no grão. 27. produção de leite e de seus constituintes por vacas alimentadas com híbridos folhosos.9%.. 2006). da FDN e do amido das silagens produzidas por híbridos folhoso e granífero. as vacas alimentadas com o híbrido mutante BM-3 apresentaram os melhores desempenhos produtivos. As concentrações de proteína bruta.9 e 28. respectivamente). fibra em detergente ácido e extrato etéreo do grão e silagem da planta inteira foram maiores para os híbridos Nutridense.7 e 75. (2000) compararam a composição química e as degradabilidades da matéria seca.0% a mais) e aminoácidos (lisina. As extensões de degradação da FDN e da FDA foram semelhantes entre híbridos (57.5 pontos percentuais a menos no teor de matéria seca em relação ao híbrido granífero (32. consequentemente. metionina. a melhoria da qualidade nutricional ou a combinação destes fatores. Um exemplo recente são os híbridos Nutridense e LeafyNutridense (Benefield et al.0 e 45. O enfoque dos programas de melhoramento tem contemplado.8%.4 e 35. treonina e triptofano) do que os híbridos convencionais. O híbrido LeafyNutridense. 261 . Moreira (2000) não encontrou diferenças quanto à ingestão de matéria seca. fibra em detergente neutro. (2006) compararam estes dois híbridos com um convencional. eficiência alimentar. de FDA e de amido foram semelhantes entre híbridos (46.0 a 2. os demais parâmetros avaliados não foram afetados e sugerem que as diferenças encontradas não foram suficientes para influenciar o desempenho das vacas. respectivamente).8 e 29. É emergente o lançamento de híbridos com qualidades nutricionais superiores visando à alimentação animal. com o intuito de aumentar a concentração e a digestibilidade dos nutrientes supridos a vacas leiteiras por meio da silagem. Bal et al. na forma de silagem e grão para vacas leiteiras com produção média de 36kg/dia. além do avanço nos parâmetros agronômicos. com maior conteúdo de óleo (1. As vacas alimentadas com estes híbridos apresentaram maior consumo e digestibilidade total do extrato etéreo. respectivamente). quando comparados com o híbrido convencional. Neste experimento.

p.9. devido à maior fermentabilidade e digestibilidade do amido. Utilization of distillers grains from the fermentation of sorghum or corn in diets for finishing beef and lactating dairy cattle. (2000) também obtiveram resultados que evidenciaram o maior aproveitamento do amido do milho na forma de silagem de grão úmido quando comparado com o milho seco moído. FANNING. 10. A maior digestibilidade do amido dos grãos ensilados deve-se à fragilização da matriz proteica dos grânulos de amido (Demarquilly e Andrieu.4kg/dia a mais que as alimentadas com milho quebrado a seco. metabolismo de ruminantes.2%) para as vacas alimentadas com silagem de grão úmido. Estudos com silagem de grãos úmidos de milho têm constatado que há aumento na digestibilidade da matéria orgânica. et al.C.3 x 3. quando normalmente ocorrem perdas qualitativas e quantitativas. Knowlton et al. e da estrutura bioquímica e física do milho e coprodutos assim como o progresso genético da cultura do milho vêm permitindo que a utilização desta fonte alimentar seja otimizada na exploração dos rebanhos leiteiros. 1996). J. SILAGEM DE MILHO ÚMIDO PARA BOVINOS LEITEIROS A prática da ensilagem de grãos úmidos de milho foi introduzida no Brasil no início da década de 80. Essa tecnologia pode contribuir para solucionar problemas de armazenagem de grãos. S.7% do concentrado) para vacas leiteiras a pasto no final da lactação (22kg/dia de média de produção durante o período experimental). (1998) e San Emeterio et al. de microrganismos e de roedores. R. 2002. porém não encontraram diferenças significativas na produção de leite de vacas de leite estabuladas. K. principalmente devido ao aumento na digestão do amido...1105-1111. além de reduzir significativamente as perdas no campo (Jobim e Reis.7%). e a proteína maior (3. CONSIDERAÇÕES FINAIS O milho e coprodutos são fontes alimentares amplamente estudadas e utilizadas para bovinos leiteiros. A gordura do leite foi menor (3. 1991).7% do concentrado) e a silagem de grão úmido (74. Sci. no Paraná (Kramer e Voorsluys. 2001). A evolução nos conhecimentos em nutrição animal.3 a 3. A colheita do milho para ensilar proporciona antecipação na retirada da cultura da lavoura com grandes benefícios num esquema de rotação de culturas.J. Os autores concluíram que. Wu et al. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Al-SUWAIEGH.Anim.. v. em função do ataque de insetos.80. GRANT. 262 . A produção de leite das vacas alimentadas com a silagem de grão úmido foi de 2. a silagem de grão úmido foi superior ao milho seco como suplemento para vacas a pasto. (2001) compararam o milho quebrado a seco (74.

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Escola de Veterinária da UFMG. pela importação de raças e linhagens mais precoces. Lúcio Carlos Gonçalves2. Isabela Rocha França Machado Veiga4. assim.. DSc. uma das tecnologias de maior expansão no setor produtivo devido a sua eficiência Médico Veterinário. cada vez mais exigente. luciocg@vet. marceloresende@hotmail. atualmente. INTRODUÇÃO Devido à globalização do mercado.br 4 Médica Veterinária. a conservação de grãos de cereais na forma úmida tem sido. Prof.com 2 Engenheiro Agrônomo.br 3 Médica Veterinária. MG. vem mobilizando os produtores a adotarem medidas de controle de qualidade em todas as fases dos sistemas de criação.embrapa. Doutoranda em Zootecnia. a fim de melhor atender os elevados requisitos nutricionais. 610. Caixa Postal 567. os2ribas@hotmail. MG. MSc. DSc. DSc. condição de competir com outras atividades produtivas.CAPÍTULO 15 SILAGEM DE GRÃO ÚMIDO DE MILHO NA ALIMENTAÇÃO DE BOVINOS DE LEITE Marcelo Neves Ribas1. A contaminação de alimentos com fungos e a produção de micotoxinas causam perdas econômicas bastante significativas. Este capítulo tem como objetivo descrever o processo de confecção de silagem de grão úmido de milho e comparar este alimento com o milho seco moído na alimentação animal.com. fernanda@cnpgl. em Zootecnia. belaveiga@yahoo.br 5 Médico Veterinário. CEP 36038-330. Belo Horizonte. o mercado consumidor. Rua Eugênio do Nascimento. CEP 30123-970. Associado Departamento de Zootecnia da Escola de Veterinária da UFMG. principalmente nas regiões onde as terras são mais valorizadas. CEP 30123970. DSc. MG. tendo. A utilização de animais mais produtivos.. Caixa Postal 567. Caixa Postal 567. além de representarem riscos à saúde animal e humana. melhorando tanto o valor nutricional deste alimento quanto o grau de contaminação das dietas dos animais. Belo Horizonte. CEP 30123-970. consistiu na principal modificação dos sistemas de criação. MG. MG. associada aos programas de seleção. exigiu-se um adequado manejo alimentar. Dom Bosco. Prof.com 1 270 . Belo Horizonte. MSc.ufmg.. Escola de Veterinária da UFMG. Paralelamente ao melhoramento animal. Belo Horizonte.. CEP 30123-970. Caixa Postal 567. Marcelo Resende Sousa5 RESUMO A silagem de grão úmido de milho tem sido utilizada para solucionar os problemas de armazenamento de matérias-primas nas propriedades rurais. a pecuária vem sofrendo profundas modificações com o objetivo de atingir índices zootécnicos mais eficientes. Associado Departamento de Tecnologia e Inspeção de Produtos de Origem Animal da Escola de Veterinária da UFMG. Juiz de Fora. Neste contexto. Embrapa Gado de Leite. Além disso. Fernanda Samarini Machado3.

consequentemente. respectivamente. e as perdas normalmente são elevadas. maior porosidade. a silagem de grãos de milho passou a ser empregada também na bovinocultura leiteira e de corte. tendo como objetivo aumentar a eficiência na alimentação de suínos (Kramer e Voorsluys. e posterior descarregamento do silo em fatias de 15 centímetros por dia. que pode ser aplicado para obtenção de diferentes tamanhos de partículas. compactação para retirada de ar. o que acarreta maiores perdas na passagem dos grãos inteiros pelo trato digestivo. o que pode proporcionar fermentações aeróbias indesejáveis quando uma fatia pequena é retirada a cada dia (Jobim et al. a fermentação não é adequada para boa conservação do produto. com a cultura do milho. baixo aproveitamento do amido na fermentação ruminal (Philippeau et al. 27. Posteriormente... a fibra do pericarpo em torno dos grãos terá consistência endurecida. 1999). os grãos devem ser quebrados ou laminados e devidamente compactados na área do silo (Tse et al. Goodrich et al. A ensilagem. Logo após a colheita.7% para grãos ensilados com 33. recomenda-se moer os grãos em moinhos de martelo com peneira de 8mm. 2001).. devem ser tomados os mesmos cuidados que são tomados na ensilagem de forrageiras. 3. principalmente durante a utilização da silagem. Para uso na alimentação. Quando seca em excesso. com teores de umidade variando de 25 a 30% (Costa et al.. a moagem dos grãos é um processamento simples e prático. A princípio. (1999).. rápida e eficiente vedação para manutenção do meio anaeróbio.. (1975) registraram perdas de MS nas silagens de grãos de milho úmido de 5.5 e 21. com umidade baixa. Segundo Paziani et al. 2004). 1. A ensilagem de grãos inteiros de milho pode levar a maiores perdas. sua adoção data do início da década de 80. Teores de umidade acima de 40% no momento da colheita favorecem as perdas de matéria seca (MS).6. em consequência. A colheita na silagem de grãos úmidos é realizada por colheitadeira de grãos e não por ensiladeira como na ensilagem de forragens. ocorrendo variações na proporção da degradação ruminal e 271 . como: agilidade no transporte do campo ao silo. ao redor de 18%. 1999). PROCEDIMENTO DE ENSILAGEM A técnica de ensilagem de grãos úmidos consiste na conservação em meio anaeróbio de sementes ou grãos de cereais logo após a maturação fisiológica. 2002). alteram o perfil de fermentação e promovem condições adequadas para o crescimento de microrganismos indesejáveis como fungos (Reis et al. 2001a). como forma de armazenagem de grãos. No entanto. é utilizada há vários anos na América do Norte e em alguns países europeus. com a divulgação da técnica.7 e 2. Os grãos inteiros determinam menor densidade e.1. no Paraná.tanto qualitativa quanto quantitativa de conservação de matérias-primas empregadas na alimentação animal (Costa et al. 1991). No Brasil.5% de umidade.

principalmente devido ao aumento na digestão do amido. Em um bom processo de compactação.. a inoculação não trouxe efeito positivo sobre a qualidade das silagens..98. A incorporação dos aditivos. Os valores médios observados pelos autores para a silagem de grão úmido de milho sem aditivo foram 3. uma vez que 272 . Nas condições estudadas..0053% e 0. bem como a combinação destes. 2002). 1996.digestão intestinal. Entretanto. da utilização da silagem de grãos úmidos de milho em substituição ao milho seco na alimentação animal (Biagi et al. VANTAGENS DO USO DE SILAGEM DE GRÃOS ÚMIDOS Diversos trabalhos têm destacado as vantagens. principal componente do grão (Costa et al. a densidade do material ensilado é de 800 a 1000kg/m3. historicamente. os aditivos têm como principais propósitos influenciar o curso da fermentação e alterar a composição do material ensilado. o material deve ser compactado e rapidamente vedado para que o processo de fermentação realizado pelas bactérias homofermentativas seja adequado e promova a redução do pH e a manutenção da composição química do material ensilado (McDonald et al.. Segundo os autores. mesmo quando triturados ou parcialmente quebrados. 2006. há produção de efluentes e perda de matéria seca por volatilização. o qual é muito resistente à degradação microbiana e digestão enzimática no intestino delgado. em sua revisão.. porcentagem de nitrogênio amoniacal em relação ao nitrogênio total e porcentagem de perda de matéria seca durante o processo de ensilagem. Os estudos com silagem de grãos úmidos de milho têm constatado que há um aumento na digestibilidade da matéria orgânica. 2002). os inoculantes reduzem a perda de matéria seca e a concentração de nitrogênio amoniacal. tanto agronômicas quanto zootécnicas.98%. a adição dos inoculantes promove uma elevação no número inicial de bactérias homofermentativas produtoras de ácido lático.. 1999. Jobim e Reis (2001). promovendo melhor valor nutritivo. A mesma tendência foi observada por Domingues et al. No processo de conservação na forma de silagem. acelerando a queda do pH e aumentando o período de armazenamento (McDonald et al. são protegidos pelo pericarpo. Os grãos de milho. respectivamente. porém a avaliação econômica deve ser levada em consideração antes da adoção da técnica. os aditivos são usados para melhorar o padrão fermentativo de silagens produzidas sob condições inadequadas. 2. 1991). Berndt et al.. não influenciou a composição físico-química das silagens avaliadas. (2003) citaram que. para as análises de pH. Lima et al. Segundo Van Soest (1994). Após a quebra dos grãos. Domingues et al. Chitarra et al. (2004) avaliaram o padrão de fermentação de silagens de grãos úmidos de milho e sorgo. 1991). 0. que avaliaram a utilização de aditivos microbiano e enzimático sobre o perfil de fermentação de silagens de grãos úmidos de milho. Em condições inadequadas de ensilagem. Ítavo et al. apresentaram algumas desvantagens da ensilagem de grãos de cereais. (2006).

. 2001b). em condições de manejo adequado.. São bastante conhecidos os problemas referentes às perdas devido ao ataque de insetos. roedores e aves. com grande desperdício de grãos. 2001). produtos do metabolismo secundário de fungos toxigênicos. além de reduzir significativamente as perdas no campo. A ensilagem apresenta vantagens agroeconômicas em relação ao grão de milho seco. roedores e fungos. A maior degradabilidade desse nutriente pode ser justificada pela formação incompleta da matriz proteica no endosperma que envolve os grânulos de amido. pode eliminar ou reduzir drasticamente o desenvolvimento de fungos e.. praticamente não existe uma avaliação precisa das perdas econômicas associadas à redução na produção animal (Jobim et al. Apesar dos diversos trabalhos apontando os elevados prejuízos em termos de perdas qualitativas e quantitativas das matérias-primas por ataque de pragas no armazenamento. é altamente sensível à deterioração aeróbia e necessita de mistura diária dos ingredientes na dieta. já que o grão é colhido com 35 a 40% de umidade. 2. De acordo com Phillippeau et al. (1999). em consequência. como redução significativa das perdas nos períodos pré-colheita por acamamento de plantas e pelo ataque de insetos. Segundo Penz Jr.1. 2001a). hemorragia. evitar a contaminação de rações com micotoxinas. o que otimiza a utilização da terra (Reis et al. Após esta colheita antecipada. Ponto de colheita Com a armazenagem de grãos de milho na forma de silagem. podem causar perdas irreversíveis aos animais. Essas toxinas. devido à armazenagem inadequada (Reis et al. a colheita é antecipada em três a quatro semanas.o material ensilado não possui flexibilidade de comercialização. 2. (1997) realçaram que a colheita do milho para ensilar proporciona antecipação na retirada da cultura da lavoura com grandes benefícios em um esquema de rotação de culturas. 273 . Armazenagem No Brasil. (1992). A armazenagem dos grãos na forma de silagem. o principal problema da utilização do milho na alimentação animal são as toxinas produzidas por diferentes espécies de fungos que se desenvolvem nestes grãos durante a armazenagem.2. a área estaria livre para o plantio de outras culturas ou a realização de safrinha de milho. além de diminuir a presença de fungos proporcionada por condições climáticas adversas. a grande maioria das propriedades rurais não apresenta locais adequados para a armazenagem de insumos utilizados na alimentação animal. Jobim et al. com redução no desempenho. comprometimento do sistema imunológico. danos no fígado e aborto. a colheita antecipada do milho para a ensilagem contribui para a melhoria do valor nutricional por favorecer a susceptibilidade do amido ao ataque enzimático no rúmen.

(2003) avaliaram a presença das micotoxinas aflatoxina e zearalenona em alimentos fornecidos a bovinos de exploração leiteira na região norte do estado do Paraná.9%) amostras foram positivas. o que demonstra a eficiência de preservação no processo de ensilagem. nas condições utilizadas. (1991) avaliaram a composição química e a qualidade de silagens de grãos úmidos de milho por períodos de armazenamento variando entre 56 e 365 dias. Das 272 amostras analisadas para aflatoxinas. Foi encontrada maior contaminação por aflatoxinas em alimentos concentrados. o processamento do grão de milho seco envolve custos adicionais com transporte. pois sua toxidez é preocupante quando os indivíduos mais jovens estão entre os maiores consumidores de leite. 2005). possuindo efeitos tóxicos e carcinogênicos muito próximos. No entanto. o alimento mais utilizado na formulação de dieta para animais. assim como de aflatoxinas. Custo final do insumo O milho é.. ausência de 274 . 2001a). Os resultados apresentados neste trabalho mostram que devem ser criadas formas eficientes de controle da contaminação dos alimentos para serem utilizadas na alimentação animal desde o campo até a armazenagem. 2. e a manutenção do valor nutritivo do alimento é por um período de tempo maior (Reis et al. 37 (13. sendo 20 (7. com várias vantagens em relação ao milho seco. correspondendo a aproximadamente 70% do volume de concentrados. o que pode tornar os sistemas de produção inviáveis (Silva et al. por suas características nutricionais e disponibilidade comercial. Das 189 amostras analisadas para zearalenona. Além da segurança microbiológica. O uso do milho na forma de silagem de grãos úmidos em rações para suínos tem sido uma alternativa para a produção de rações.. bem como de suas micotoxinas nas silagens de grãos úmidos de milho utilizadas na fazenda experimental da Universidade Estadual de Maringá. e estes são os mais sensíveis a seus efeitos (Pereira et al. e todas estavam acima do limite de 200mg/Kg recomendado pelos veterinários da região norte do Paraná. Blanck et al. 2005)..A aflatoxina M1 (AFM1) tem sido detectada em leite de animais alimentados com ração contaminada por aflatoxina B1 (AFB1). 32 (16. não foi detectada a presença de “Fusarium” nem de zearalenona. indicando a qualidade sanitária do milho para alimentação animal quando armazenado com silagem de grão úmido. Segundo os autores.3%) acima do limite de 20mg/Kg determinado pela ANVISA.6%) foram positivas.3. ocratoxina A e citrinina. Mader et al. As amostras foram coletadas de diferentes silos e de vários pontos do silo (começo. Constitui um problema de saúde pública. meio e fim). enquanto por zearalenona ocorreu em alimentos volumosos. (2004) avaliaram a presença de zearalenona e fungos do gênero “Fusarium”. não houve alteração no valor nutricional das silagens avaliadas. como: ausência de taxas e impostos sobre o produto. secagem e armazenamento. De acordo com os autores. Sassahara et al. a ensilagem de grãos de milho é tida como um sistema de armazenamento simples e econômico por não exigir silos especiais.

podendo aumentar a susceptibilidade ao ataque enzimático durante a digestão (Lopes et al. por eliminar as etapas de limpeza e secagem do pré-processamento de grãos (Costa et al. como ácidos graxos voláteis no rúmen e glicose no intestino delgado. Este processo é denominado gelatinização do amido.. bem como na estrutura desses grânulos. O melhor valor nutricional de dietas contendo silagem se deve às alterações físicas e químicas que ocorrem no endosperma e na superfície dos grânulos de amido durante o processo fermentativo. (2006). Entretanto. (1999) também ressaltaram que o amido em contato com água. De acordo com Silva (1997).4. uma superioridade de 58kcal EM/kg para as silagens de grãos úmidos em comparação ao milho seco. No caso da conservação dos grãos de cereais para a alimentação animal. máquinas e equipamentos sofisticados. chega a consumir cerca de 60% do total de energia utilizada na produção. sofre expansão irreversível até que a água represente aproximadamente 50% do peso total. observaram. Costa et al. afeta a eficiência de utilização metabólica por ruminantes. frete. a silagem de grãos úmidos de milho é até 11% mais econômica em relação aos grãos secos.. como é o caso dos grãos úmidos de milho.. causando melhora na eficiência alimentar dos animais (Simas. sendo o milho e o sorgo os mais utilizados no Brasil. com consequente solubilização da matriz proteica. 2. (1999). 2002). favorecendo a digestão e absorção do amido (Silva et al. em média. Segundo Phillippeau et al. 1999). Silva et al. apesar da disponibilidade de sistemas. desconto sobre a umidade e menor custo de armazenamento (Keplin. 1997). resultando em maior solubilização dos nutrientes e em aumento da suscetibilidade do amido à hidrólise enzimática. avaliando silagens de grãos úmidos de milho na alimentação de suínos nas fases de crescimento e terminação. 275 .perdas econômicas com transporte. A maior disponibilidade nutricional da silagem em relação aos grãos secos pode ser explicada principalmente pelo seu menor valor de pH. Os ácidos orgânicos produzidos durante o processo fermentativo podem causar rupturas na matriz proteica que recobre os grânulos de amido. esses grãos apresentam maior resistência ao ataque microbiano (Owens et al. a secagem continua sendo uma operação crítica nas etapas de pré-processamento de grãos que. além da ruptura da matriz protéica. o local de digestão do amido tem implicações nos produtos finais da digestão. por conterem uma matriz proteica bastante complexa ao redor do grânulo de amido. Outro fator importante.. é o maior teor de umidade do grão que favorece a fermentação no interior do silo. 1997). a taxa e a extensão da fermentação ruminal variam significativamente de acordo com a fonte e o processamento do cereal. 2005). portanto. e. em muitos casos. Além disso. Disponibilidade de amido Os grãos de cereais são a principal fonte de energia das dietas de ruminantes. 1998).

por sua vez. VALOR NUTRICIONAL A composição química da silagem de grãos úmidos de milho pode variar em função do teor de umidade no momento da ensilagem e da proporção de sabugo presente. dos fatores inerentes ao processo de conservação.2 7.2 14.8 FDN (%) 13. necessários para o atendimento das exigências de mantença e produção.6 70. a energia e a proteína são os principais. 1994). tamanho de partícula. 2006).7 10.9 Proteína bruta (%) 10. (2002).3 EB (kcal/kg) 4640 4330 4474 4203 A ingestão e a digestibilidade da matéria seca (MS) são os principais fatores que afetam a performance animal. 3. devido à maior fermentação do amido.9 3. Tabela 1. principalmente lisina e metionina. 2001).7 4. é preponderante para a máxima produção de leite e crescimento do animal. principalmente de energia e proteína. que. como o pH e a taxa de passagem. o aumento da produção microbiana contribui muito para a qualidade da proteína que chega ao duodeno. (2001b) Santos et al.9 66. Na Tabela 1. (1997) Seco Silagem Silagem Silagem Matéria seca (%) 87.1 FDA (%) 2. das alterações no valor nutritivo durante o fornecimento aos animais e do processamento físico do alimento conservado (Reis et al. sistema de alimentação.2 2. Composição química do milho na forma seca e silagem de grãos úmidos (Base matéria seca). contudo outros fatores contribuem para a fermentação ruminal.0 63. O uso de grãos úmidos ensilados garante grande quantidade de energia prontamente disponível. Reis et al.2 7. entre outros fatores (Jobim et al.5 Extrato etéreo (%) 3.0 Amido (%) 88.7 67. tipo e processamento dos carboidratos dos alimentos (Van Soest. 276 . o consumo de MS é resultado de interações complexas que envolvem as características da planta antes do processo de ensilagem. pois o perfil de aminoácidos essenciais das bactérias.7 80. (2002) Jobim et al.Entre os fatores que afetam o crescimento e a eficiência das bactérias ruminais.7 10. 1997).. De acordo com Passini et al. estão apresentadas as composições químicas de silagens de grãos úmidos em comparação ao milho seco. Para alimentos conservados. já que são o ponto inicial para o ingresso de nutrientes.1 15. qualidade e proporção do volumoso na dieta total.. são determinados pelo nível de consumo.5 3. o que acarreta aumento no fluxo de proteína microbiana para o duodeno (Jobim e Reis.

(1997) observaram aspectos relevantes do ponto de vista nutricional e econômico do emprego da silagem de grãos em substituição ao milho seco. em relação aos grãos de milho secos. apresentaram melhor desempenho em relação ao ganho de peso e conversão alimentar. A conversão alimentar observada foi de 5. em função do ataque de insetos.7% com a utilização da silagem de grãos de milho úmido. mas foi significativamente superior quanto à eficiência alimentar. respectivamente. ou seja. é provavelmente devido ao aumento da energia absorvida (AGV) e mais proteína microbiana disponível para absorção. associados à silagem de milho ou ao bagaço in natura de cana-de-açúcar. sobre o desempenho e as características da carcaça de bovinos em terminação.. fica evidente que a melhora na eficiência de utilização do amido representa real importância na produção de leite.1844 e 0. De acordo com os autores. Esta melhoria na conversão alimentar proporcionou uma redução no custo de produção da arroba em 32. 2001b). roedores e fungos. melhora de 9. UTILIZAÇÃO NA ALIMENTAÇÃO ANIMAL Em razão de a dieta de vacas leiteiras de alta produção e de animais em confinamento ser constituída por 25 a 35% de amido. Os resultados obtidos revelaram que os animais alimentados com silagem de grãos úmidos. Costa et al. o milho úmido não diferiu significativamente do milho seco quanto ao consumo de MS e ao ganho de peso corporal dos animais. mas há maior eficiência na conversão. comparados ao milho grão seco. Simas (1997) destaca que o aumento da produção e do ganho de peso em virtude do aumento da utilização de amido. para as dietas contendo silagem de grãos úmidos e milho seco. sendo que as características das carcaças dos animais não foram alteradas.55% para os animais que receberam feno. (2007) compararam os efeitos do fornecimento de silagem de grãos de milho úmidos em substituição ao milho seco. Isso pode ser atribuído aos ácidos orgânicos que são produzidos durante o processo fermentativo no silo (Reis et al. CONSIDERAÇÕES FINAIS Tem-se constatado que a ensilagem de grãos úmidos é viável como forma de armazenagem de grãos a baixo custo para utilização na alimentação animal. Os valores médios para a eficiência alimentar obtidos com as dietas com a silagem de milho úmido e com milho seco foram de 0. Em estudos de desempenho de novilhos superprecoces alimentados com silagem de grãos úmidos de milho. Normalmente observa-se redução na ingestão de matéria seca por bovinos alimentados com silagem de grãos de milho úmidos.1681kg de ganho de peso corporal por quilograma de MS ingerida.4. A tecnologia de ensilagem de grão de milho pode contribuir para solucionar os graves problemas de armazenagem de grãos nas fazendas.88% para os animais que receberam silagem de milho como volumoso e 23.43 e 6. 277 . Henrique et al. onde normalmente ocorrem grandes perdas qualitativas e quantitativas.33kg. 5. em fontes de amido de alta degradabilidade ruminal.

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CAPÍTULO 16 GRÃO DE SORGO NA ALIMENTAÇÃO DE GADO DE LEITE
Wilson Gonçalves de Faria Jr.1, Lúcio Carlos Gonçalves 2, Alex de Matos Teixeira 3, Wellyngton Tadeu Vilela Carvalho 4

RESUMO A crescente disponibilidade de grãos de sorgo no mercado nacional está associada ao menor risco da cultura para plantio de safrinha ou em regiões de menor pluviosidade. Além disso, o menor custo e a semelhança ao valor nutritivo do milho tornam o sorgo uma opção de fonte energética para o balanceamento de dietas de vacas de leite. Nesse capítulo, serão discutidos alguns aspectos relevantes da utilização do sorgo grão nas dietas de vacas de leite, assim como a importância do processamento do grão, o valor nutritivo, o metabolismo ruminal e o desempenho produtivo de vacas leiteiras.

INTRODUÇÃO O sorgo [Sorghum bicolor (L.) Moench] é o quinto cereal em importância no mundo. Mais significante que esta posição é a grande variação de distribuição desta cultura no mundo, destacando-se as regiões semiáridas dos trópicos e subtrópicos. A produção brasileira na safra 2008 foi estimada em 1,96 milhões de toneladas, o que representa 3,3% da produção de milho (59,8 milhões de toneladas). A baixa produção está associada ao sistema de produção, que, na maioria das vezes, é feito como cultura de sucessão (safrinha), resultando em menor área plantada (811 mil x 14 milhões de hectares) e menor produtividade (2,4 x 4,0 t/ha) em comparação ao milho. O menor valor e a oportunidade de comércio, associados à maior resistência ao estresse hídrico, justificam o cultivo de safrinha. O Brasil encontra-se entre os 15 maiores produtores de sorgo do mundo. Os Estados Unidos da América lideram o ranking com uma produção de 12 milhões de toneladas e uma produtividade de 4,0t/ha,o que condiz com o manejo de cultura principal. Na América do Sul, a Argentina lidera a produção e as exportações de sorgo, sendo o México o principal importador mundial do grão, onde o sorgo é usado na alimentação humana e animal.

Médico Veterinário, MSc. Doutorando em Nutrição Animal, Escola de Veterinária da UFMG, Caixa Postal 567, CEP 30123-970, Belo Horizonte, MG. Bolsista CNPq. wilsonvet2002@gmail.com 2 Engenheiro Agrônomo, DSc., Prof. Associado Departamento de Zootecnia da Escola de Veterinária da UFMG, Caixa Postal 567, CEP 30123-970, Belo Horizonte, MG. luciocg@vet.ufmg.br 3 Médico Veterinário, MSc. Doutorando em Zootecnia, Escola de Veterinária da UFMG, Caixa Postal 567, CEP 30123-970, Belo Horizonte, MG. alexmteixeira@yahoo.com.br 4 Médico Veterinário, MSc, Professor do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Sudeste de Minas Gerais – Campus Barbacena. wellyngton.vilela@ifsudestemg.edu.br

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O sorgo é originário das regiões semiáridas tropicais da África e da Ásia e apresenta maior tolerância à seca que outras gramíneas produtoras de grãos, como milho, aveia, trigo e cevada. Além dessa importante característica, os trabalhos de seleção e de melhoramento genético do sorgo no Brasil, conduzidos principalmente pela Embrapa Milho e Sorgo, têm produzido materiais de alta produtividade de grãos, adaptados a várias condições de solo e clima e resistentes à maioria das pragas e doenças que acometiam essa planta no passado. Por isso, o cultivo do sorgo tem crescido expressivamente no Brasil como alternativa agronômica e econômica ao milho. Nos países em desenvolvimento, é uma das principais fontes de amido para a alimentação humana, porém, nos países industrializados, é utilizado principalmente na alimentação animal. Os grãos de sorgo têm sido utilizados com sucesso na alimentação de ruminantes em substituição principalmente ao milho, seja na forma de grãos úmidos ou secos, devido ao menor custo, ao valor nutritivo semelhante ao milho e ao aumento significativo da disponibilidade do grão no mercado interno nos últimos anos (Companhia Nacional de Abastecimento – CONAB, 2009). O grão do sorgo é composto por pericarpo, endosperma e gérmen. A composição química do grão de sorgo é considerada próxima à do milho. No entanto, o sorgo é uma planta única entre os cereais graníferos por ser capaz de produzir quantidades significativas de polifenóis, que protegem os grãos dos ataques de fungos, insetos e pássaros e ainda reduzem os riscos de germinação dos grãos na panícula (Silanikove et al., 1996). Entretanto, as vantagens agronômicas da presença dos taninos, principalmente dos taninos condensados, são acompanhadas de desvantagens nutricionais, como o comprometimento do valor proteico das dietas para animais (Duodu et al., 2003). O constante crescimento da utilização do sorgo na alimentação animal no país reforça a necessidade de mais estudos para que esse cereal possa ser utilizado com mais eficiência e mais lucratividade. No entanto, pouco se conhece sobre a variabilidade da composição bromatológica dos sorgos brasileiros. Os poucos dados a esse respeito acessíveis aos nutricionistas e pecuaristas, que subsidiam as formulações de dietas de mínimo custo para ruminantes, são encontrados em tabelas de composição de alimentos para ruminantes (Valadares Filho et al., 2006), produzidas e editadas na Universidade Federal de Viçosa. No Brasil, o sorgo é cultivado basicamente sob três sistemas de produção: no Rio Grande do Sul, planta-se o sorgo na primavera e colhe-se no outono; no Brasil central, a semeadura é feita em sucessão às culturas de verão, principalmente a soja; já no Nordeste, a cultura é plantada durante a estação chuvosa. Mais recentemente, tem sido observado o plantio de sorgo sob irrigação suplementar, tanto no Nordeste como no Centro-Oeste. Todo o sorgo produzido no Brasil é consumido na alimentação animal, sendo que a bovinocultura é a terceira em importância na demanda pelo grão de sorgo, superada pela suinocultura, e esta pela avicultura (Duarte, 2003; Ribas, 2003).

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1. ESTRUTURA E PROPRIEDADES FÍSICAS DO GRÃO O grão de sorgo é denominado cariopse, no qual a parede do ovário seca e se adere firmemente ao óvulo maduro, ou seja, o pericarpo fica completamente fundido ao endosperma (Rooney e Miller, 1982). O grão é dividido em três principais componentes: o pericarpo, o endosperma e o gérmen, como pode ser visto na Figura 1. As proporções desses componentes variam entre genótipos, mas, em média, o pericarpo representa 6,0%, o endosperma 84,0% e o gérmen 10,0% do peso do grão (Rooney e Serna-Saldivar, 1991).

Figura 1. Estrutura esquemática de um grão de sorgo, evidenciando as principais estruturas.
Fonte: Chandrashekar e Mazhar (1999).

O pericarpo é o revestimento externo e fibroso que confere proteção ao grão (Evers e Millar, 2002), sendo composto por epicarpo, mesocarpo, endocarpo e testa. Esta última estrutura apresenta grande importância no valor nutritivo dos grãos de sorgo para ruminantes. Isso porque é o principal local de armazenamento dos pigmentos polifenólicos nos grãos de sorgo ricos em taninos. Os taninos condensados são responsáveis pela redução do valor nutritivo da dieta. O componente mais importante dos grãos de sorgo é o endosperma, que é o principal tecido de estocagem do grão (Sullins e Rooney, 1975). O endosperma é composto pela aleurona e pelo endosperma amiláceo. A aleurona é uma camada fina localizada imediatamente abaixo da testa e é rica em proteínas, lipídios, cinzas, vitaminas e

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enzimas (Rooney e Miller, 1982; Evers e Millar, 2002). O endosperma amiláceo é composto por amido, proteínas de estocagem e, em menor proporção, por enzimas, vitaminas e minerais (Rooney et al., 1980). O endosperma amiláceo é dividido entre os endospermas córneo e farináceo. O primeiro está localizado perifericamente, e o segundo centralmente no endosperma do grão de sorgo (Hoseney et al., 1974). O endosperma córneo é composto por grânulos de amido poligonais e densos, incrustados por corpos proteicos e por matriz proteica contínua, espessa e de difícil digestão enzimática, o que confere grande dureza a essa região do grão (Sullins e Rooney, 1975; Rooney e Miller, 1982; Shull et al., 1990). Isso torna o amido menos digestível devido à barreira física que a matriz proteica e os corpos proteicos formam sobre ele (Sullins e Rooney, 1975). Portanto, os grânulos de amido devem ser expostos por processamentos químicos ou físicos para que sejam digeridos eficientemente pelas enzimas (Rooney e Miller, 1982). Já o endosperma farináceo é composto por grânulos de amido esféricos, maiores e menos densos que os encontrados no endosperma córneo. Além disto, a matriz proteica é descontínua, o que faz com que essa região do grão apresente textura macia (Shull et al., 1990). Por estas características, o amido do endosperma farináceo é mais susceptível ao ataque enzimático que o amido contido na região vítrea (Sullins e Rooney, 1975), por se encontrar mais disponível. Dessa forma, quanto maior a proporção de endosperma farináceo em relação ao córneo, mais macio é o grão e, consequentemente, maior será a sua digestibilidade. O gérmen é rico em lipídios poli-insaturados, proteínas de estocagem, enzimas e minerais e constitui uma pequena reserva nutritiva para o embrião (Rooney e SernaSaldivar, 1991).

2. TEXTURA DOS GRÃOS O conceito de textura mais aceito se refere à proporção do endosperma vítreo (duro) em relação ao endosperma farináceo (macio) do grão, conhecido por vitreosidade (vitreousness) (Cagampang e Kirleis, 1984). Segundo Maxson et al. (1971), a escala de vitreosidade dos grãos de sorgo varia de 1 a 5, em que o valor 1 é atribuído ao grão muito duro (com endosperma completamente vítreo) e o valor 5 é atribuído ao grão muito macio, passando pelas escalas intermediárias de textura 2, 3 e 4, para os grãos de textura meio dura, textura intermediária e textura meio macia, respectivamente. O grau de vitreosidade varia entre os genótipos e é uma característica associada à genética do grão, como pode ser observado na Tabela 1. A composição e a distribuição das frações proteicas nos grãos estão envolvidas diretamente na textura do endosperma. Vários autores (Rooney e Miller, 1982; Cagampang e Kirleis, 1984; Kumari e Chandrashekar, 1994; Chandrashekar e Mazhar,

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1999) sugerem que a γ-prolamina é a fração que parece determinar a textura do endosperma dos grãos de sorgo, por encontrar-se em concentrações duas a quatro vezes maiores nos grãos vítreos em relação aos farináceos. Segundo esses autores, a γ-prolamina apresenta elevada capacidade de formação de pontes dissulfito entre moléculas, contribuindo para a rigidez do endosperma vítreo. Antunes (2005) evidencia a forte influência da textura sobre as características de moagem e sobre o valor nutritivo dos grãos de sorgo, pois quanto mais duros os grãos, menores as degradabilidades da matéria seca, da proteína bruta e do amido. A textura do grão, sem dúvida, será um fator determinante sobre o desempenho dos animais alimentados com sorgo e é uma característica controlada pela genética do sorgo. Os grãos de textura macia apresentaram produções acumulativas de gases superiores à dos genótipos de textura média ou dura nos tempos de 15 e 24h. As diferenças nas produções acumulativas de gases entre grãos de sorgo com diferentes texturas do endosperma nos tempos de 15 e 24 horas demonstraram a importância nutricional que a textura do endosperma possui como fator determinante da disponibilidade de nutrientes para os microrganismos ruminais. Esses são tempos considerados como limites de permanência de grãos no rúmen de animais em fase de lactação (taxa de passagem de 6,5% a 8,0%/h). Portanto, o menor tempo de colonização, a maior taxa de fermentação e a maior produção de gases nesse período para os grãos de textura macia poderiam ser extrapolados para a maior disponibilidade de energia fermentável no rúmen que, conciliada com uma adequada sincronização com fontes de proteína degradável no rúmen (Nocek e Russel, 1988), poderia resultar em aumento da produção de proteína microbiana, de ácidos graxos voláteis e de produção de leite em relação aos grãos de textura dura. Para que o amido da região vítrea dos grãos de sorgo torne-se disponível para a digestão, é necessária a degradação preliminar da parede celular e do arcabouço proteico que recobrem os grânulos de amido. A resistência à digestão microbiana das matrizes proteicas ajuda a explicar por que mais de 30,0% do amido do milho e do sorgo podem escapar da fermentação ruminal em animais de alto consumo e elevada taxa de passagem, enquanto menos de 10,0% do amido do trigo e da cevada chegam ao intestino delgado (Orskov, 1986). A taxa de degradação ruminal parece ser um bom parâmetro para indicar as diferenças de textura do endosperma dos grãos de sorgo. A textura do endosperma influencia negativamente na taxa de degradação da matéria seca e na degradabilidade efetiva da matéria seca dos grãos de sorgo dentro do rúmen. Os grãos de textura macia apresentaram taxas de degradação até 54,0% superiores aos grãos de textura dura (Antunes, 2005).

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3. COMPOSIÇÃO BROMATOLÓGICA A composição química do grão de sorgo é variável, dependendo do genótipo do solo e das condições climáticas (Gualtieri e Rapaccini, 1990; Antunes et al., 2007), mas é pouco alterada com o processamento e mostra-se próxima à composição química do milho, conforme pode ser observado nas Tabelas 1 e 2.

Tabela 1. Composição bromatológica, teor de fenóis totais e escore de vitreosidade de 33 genótipos de sorgo.
Genótipos Origem %MS %PB %amido %EE % cinzas FT
1

Vitreosidade

MS - Matéria Seca; PB - Proteína Bruta; EE - Extrato Etéreo; FT - Fenóis Totais; BAG - Banco Ativo de Germoplasmas 1 da Embrapa Milho e Sorgo; CNPMS - Embrapa Milho e Sorgo; ND - não determinado. Valores expressos em equivalentes-catequinas.

Quando comparado ao milho, o sorgo apresenta menores teores de extrato etéreo e teores de proteína ligeiramente superiores, sendo as proteínas distribuídas no endosperma (80,0%), gérmen (16,0%) e pericarpo (3,0%). A maioria da fração fibrosa se encontra nas células do pericarpo e endosperma, apresentando pequenas quantidades de lignina.

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O processamento do grão, como moagem, laminação ou floculação, não altera significativamente a composição do sorgo, exceto quanto à disponibilidade de energia. O sorgo floculado apresenta maior teor de energia líquida que o laminado, e este superior ao do grão moído. As alterações físico-químicas que ocorrem no amido aumentam sua disponibilidade e digestibilidade total, resultando em maior energia líquida para produção. Segundo o National Research Council - NRC (2001), o valor de nutrientes digestíveis totais (NDT) do grão de sorgo laminado a seco aumenta de 80,6% para 89,4% quando ele é submetido à floculação a vapor. O principal componente do grão de sorgo é o amido (62,91%), composto por cerca de 70,0 a 80,0% de amilopectina e de 20,0% a 30,0% de amilose. Esses dois polímeros diferenciam-se entre si quanto ao tipo de estrutura química, ao tamanho da molécula e pelas propriedades químicas. Os grânulos íntegros de amido apresentam baixa capacidade de absorção de água por serem estabilizados por grande quantidade de pontes de hidrogênio tanto inter quanto entre moléculas de amilose e amilopectina. Além disso, a matriz proteica apresenta-se pouco permeável à água e à atividade enzimática, prejudicando a digestibilidade do amido (Kazama et al., 2002).

Tabela 2. Composição química do grão de sorgo submetido a diferentes tratamentos comparado com o milho. Sorgo Milho grão Nutriente com tanino sem tanino extrusado úmido seco úmido MS 86,17 86,73 89,23 65,41 90,00 67,83 PB 15,00 13,00 11,00 9,00 9,00 8,60 FDN1 13,16 13,16 10,90 24,22 11,61 8,10 FDA2 6,42 6,42 5,90 5,13 4,13 4,20 Lignina 1,34 1,34 1,10 1,10 EE 2,98 2,88 1,45 3,45 4,01 3,98 NDT3 78,43 78,43 89,40 77,67 85,65 78,54 Ca 0,07 0,03 0,07 0,02 0,03 0,03 P 0,28 0,14 0,35 0,20 0,25 0,23 Amido 62,91 62,91 60,57 44,10 66,25 43,72 DPB4 32,80 67,10 34,05 73,55 70,73 53,29
1

FDN - Fibra em Detergente Neutro; 2FDA - Fibra em Detergente Ácido; 3NDT - Nutrientes Digestíveis Totais; 4DPB - Digestibilidade da Proteína Bruta.

Fonte: NRC (2001); Valadares Filho et al. (2006).

As maiores diferenças entre o grão de milho e de sorgo residem na proporção e distribuição das proteínas do endosperma ao redor do amido (Rooney e Pflugfelder, 1986). O endosperma dos grãos de sorgo contém quatro tipos diferentes de proteínas. As albuminas e as globulinas estão localizadas no gérmen e na aleurona, já as glutelinas e as prolaminas no endosperma (Wall, 1964). As glutelinas e as prolaminas são proteínas estruturais que constituem a matriz proteica e os corpos proteicos. Elas formam o arcabouço proteico-estrutural do grão

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(Seckinger e Wolf, 1973; Adams et al., 1976), que possui importantes implicações na textura do endosperma (Chandrashekar e Mazhart, 1999).

4. PERFIL DE AMINOÁCIDOS Os dados presentes na literatura sobre o perfil aminoacídico do sorgo com ou sem tanino e segundo o tipo de processamento (moído, laminado, floculado ou extrusado) são muito escassos. Os poucos dados presentes indicam semelhança entre o perfil aminoacídico do sorgo com ou sem tanino e semelhantes ao milho (Tabela 3). Não foi encontrada referência quanto ao efeito do processamento no perfil de aminoácidos do sorgo. Contudo, tratamentos que envolvam calor podem resultar em menor disponibilidade de alguns aminoácidos para degradação ruminal e até mesmo para absorção intestinal. Tabela 3. Comparação entre o perfil de aminoácidos da caseína, milho e sorgo. % na base natural Caseína Milho Sorgo PB 84,21 8,26 8,94 Lys 6,94 0,24 0,20 Met 2,60 0,17 0,15 Lys+ Met 2,97 0,36 0,32 Trp 1,08 0,07 0,09 Thr 3,79 0,32 0,31 Arg 3,07 0,39 0,35 Gly+ Ser 6,31 0,73 0,71 Val 5,66 0,40 0,47 Ile 4,61 0,29 0,37 Leu 7,74 1,02 1,20 His 2,43 0,26 0,21 Phe 4,13 0,41 0,51 Fen+ Tyr 9,51 0,70 0,96
Fonte: Rostagno et al., 2005.

Streeter et al. (1993) compararam a degradabilidade e a digestibilidade intestinal dos aminoácidos de dois grupos de sorgo (normal ou seroso) com ou sem tanino. Os materiais com tanino apresentaram menor degradação ruminal e maior aporte de aminoácidos totais, essenciais e não essenciais para o duodeno, exceto para arginina, metionina e tirosina. Isso sugere que esses aminoácidos podem estar menos associados aos taninos. Entretanto, as digestibilidades intestinais dos aminoácidos essenciais e não essenciais presentes na proteína não degradada no rúmen (PNDR) foram inferiores para o sorgo com tanino. Assim, a digestibilidade total dos aminoácidos foi comprometida pela presença de tanino. Cultivares de sorgo com tanino, mesmo que possuam maior teor de proteína, resultando em maior ingestão de proteína e aminoácidos, podem não refletir em maior desempenho animal.

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5. PROCESSAMENTO DOS GRÃOS Diversos métodos de processamento são utilizados para se aumentar a eficiência de utilização dos nutrientes contidos no grão de sorgo pelos microrganismos do rúmen e pelo trato digestivo. O processamento pode melhorar significativamente o valor nutritivo de grãos de cereais para ruminantes, sendo a laminação e a moagem os mais comuns (NRC, 2001). O processamento do grão tem particular importância para o sorgo, devido ao menor tamanho deste grão, o que dificulta a sua quebra durante a mastigação e prejudica a sua degradação no rúmen. Como consequência, frequentemente se observa a presença de grãos de sorgo inteiros nas fezes de bovinos. A digestão microbiana no grão se dá de dentro para fora; desta forma, o rompimento da matriz proteica que recobre os grânulos de amido no endosperma facilita a ação microbiana e aumenta a degradação do amido. Outro fator que contribui para a melhoria da digestão dos grânulos de amido ocorre durante os processamentos que envolvem aplicação de calor e umidade, resultando num processo chamado gelatinização. Durante a gelatinização, os grânulos de amido absorvem água, incham e exsudam parte da amilose (fração do amido menos degradável), tornando-se mais susceptíveis à degradação enzimática (Van Soest, 1994). Os principais métodos utilizados no processamento de grãos de sorgo são: 5.1. Moagem A moagem modifica a estrutura física dos grãos de sorgo, rompendo o endosperma e aumentando a superfície de exposição do amido, melhorando a digestibilidade ruminal. A moagem promove ainda um aumento da taxa de passagem do concentrado, principalmente pelo aumento da densidade das partículas. Em condições tropicais, este é o processamento mais barato, e a moagem recomendada é a mais fina possível. 5.2. Laminação a seco Também conhecida como quebra ou esmagamento, este processo consiste em se passar o grão por um rolo compressor, o que promove sua quebra em pedaços menores. O efeito sobre o grão assemelha-se bastante ao da moagem, porém mais brando. 5.3. Laminação a vapor O grão inteiro fica um determinado tempo em um condicionador que é abastecido por uma linha de vapor. Devido ao aumento da temperatura e da umidade, inicia-se o processo de gelatinização do amido. Os grãos passam, então, por rolos compressores reguláveis. As modificações físicas e químicas que ocorrem favorecem a digestão intestinal do amido.

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5.4. Floculação Este processo é idêntico à laminação a vapor, diferindo no fato de os tratamentos serem mais drásticos. Assim, os grãos ficam de 30 a 40 minutos submetidos a uma temperatura entre 90 e 105oC, enquanto na laminação é usada uma temperatura entre 90 e 95oC por 15 a 20 minutos. Após passarem pelo tratamento a vapor e pelos rolos compressores, os grãos passam ainda por um segundo par de rolos, visando deixá-los com uma espessura entre 0,9 e 1,1mm. 5.5. Extrusão Assemelha-se à laminação a vapor, com duas diferenças básicas: os grãos são moídos antes do tratamento a vapor e passam por uma rosca sem fim, de onde são extrusados através de orifícios em forma de cones menores, onde o alimento vai se expandindo na direção em que ele é expelido. A expansão sofrida pelos grãos causa ruptura dos grânulos de amido. A qualidade dos processos de laminação, floculação e extrusão é avaliada por características visuais, conteúdo de umidade (18,0% a 20,0%), densidade especifica média das partículas e índices laboratoriais. O aumento da extensão dos tratamentos reduz a densidade específica das partículas, por exemplo: o grão de sorgo laminado a seco apresenta densidade específica entre 450-644g/L, o laminado úmido entre 438540g/L e, para o sorgo floculado, as melhores respostas produtivas são encontradas quando a densidade encontra-se entre 360-438g/L. A densidade das partículas é importante, pois influencia na taxa de passagem e no tempo de retenção das partículas no rúmen e, consequentemente, na digestibilidade do alimento. 5.6. Micronização Refere-se ao tratamento do grão por calor seco, através de micro-ondas. O grão é aquecido a 148oC, reduzido a 7,0% de umidade e laminado. 5.7. Grão úmido Envolve a colheita e o armazenamento, sob condições anaeróbicas, dos grãos de sorgo com umidade em torno de 30,0%. Estes devem estar moídos quando do fornecimento aos animais, sendo que tal processamento pode ser feito antes ou depois da armazenagem. Estes grãos não devem perfazer mais de 80,0% do total de grãos em dietas com mais de 75,0% de concentrados (Boin, 1999). Nos casos em que se tem tentado a adição de água ao grão seco, parece que a melhoria do aproveitamento dos nutrientes se deve mais ao processamento dos grãos do que à reconstituição em si. A ensilagem dos grãos úmidos é uma alternativa bastante interessante, em função das reduções nos custos de armazenamento e da possibilidade de antecipar a colheita em até quatro semanas, maximizando o uso da terra e minimizando as perdas provocadas por ataque de pássaros. Além do fator econômico, uma melhoria no valor nutricional pode ser verificada para os grãos

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úmidos ensilados. O maior conteúdo de umidade favorece a fermentação e a elevação da temperatura no interior do silo, causando gelatinização parcial do amido, aumentando a sua digestibilidade ruminal e intestinal. Além disso, ocorre a solubilização da matriz proteica ao redor dos grânulos de amido, facilitando o ataque enzimático microbiano (Galyean et al., 1981; Streeter et al., 1989). Peixoto et al. (2003), comparando o grão seco moído com a silagem de grão úmido de sorgo no desempenho de bezerras de diferentes grupos genéticos em confinamento, não verificaram diferenças no desempenho e na conversão alimentar dos animais. Para estes autores, a decisão entre qual fonte energética utilizar deve ser tomada em função de questões operacionais e econômicas, que são próprias de cada sistema de produção. Já Nikkhah et al. (2004) compararam o uso de sorgo seco moído ou floculado a vapor para vacas leiteiras no meio da lactação e constataram que a floculação a vapor garantiu maior produção de leite, leite corrigido para gordura, proteína e gordura do leite. Theurer et al. (1999a) sumarizaram os dados de vários experimentos comparando o efeito da utilização de grão de milho ou sorgo, bem como o seu processamento sobre o desempenho de vacas de alta produção. De acordo com estes autores, a floculação melhorou a produção e a eficiência de produção de leite em 5,0%, aumentou o teor e a produção de proteína do leite, bem como a digestibilidade aparente do amido em 16,0% comparado ao sorgo laminado a seco. Contudo, houve redução no teor de gordura do leite, mas sem comprometer a produção de gordura (g/dia). O melhor desempenho está associado à melhor qualidade nutricional promovida pelo processamento, já que o consumo de matéria seca e o teor de nitrogênio ureico do leite (NUL) não foram alterados. Estes trabalhos evidenciam a melhoria do valor energético do grão de sorgo com processamentos mais intensivos, no entanto os produtores devem considerar não só a melhoria no valor nutricional do grão e no desempenho produtivo dos animais, mas também os custos associados ao processamento. A utilização do nitrogênio dietético com maior síntese de proteína microbiana parece ser mais eficiente para o sorgo floculado em comparação ao laminado devido ao menor teor de NUL e ao aumento de caseína do leite.

6. SÍTIOS E EXTENSÃO DE DEGRADAÇÃO Segundo Poore et al. (1993), a floculação do sorgo comparada à laminação aumenta a degradação do amido no rúmen, reduzindo a quantidade de amido sobrepassante que atinge o duodeno, e aumenta a digestibilidade intestinal do amido, resultando, assim, em menores perdas fecais em dietas com volumosos de boa (feno de alfafa) ou baixa qualidade (palhada de trigo). Comportamento semelhante foi descrito para a degradabilidade e a digestibilidade da matéria orgânica da dieta, aumentando a síntese e o aporte de matéria orgânica microbiana para absorção intestinal. Contudo, o aumento da degradabilidade do amido pode comprometer a degradabilidade e a digestibilidade aparente total das frações fibrosas, principalmente da celulose, em situações de alta quantidade de concentrados ou fibra de baixa qualidade.

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Contudo. as quais. enquanto a do material floculado foi de 65. minimizando o tempo e os efeitos do balanço energético negativo no início da lactação (Theureu et al. de fração potencialmente degradada. 2000). seguida pela moagem fina e quebra. Apesar do aumento no aporte de amido fermentável no rúmen. IA98201. As cinéticas de degradações ruminais de grãos de milho ou sorgo inteiros. moídos.0 e 8. (2003) observaram interação (p<0.6%.0. d). silagem) e o tipo de grão (milho ou sorgo) sobre a degradação efetiva da matéria seca para todas as taxas de passagem estimadas (2. de taxa de degradação ou de degradabilidade efetiva para as taxas de passagem de 2.. 1999b. de modo geral. Kazama et al. Os resultados obtidos para o milho foram superiores aos descritos para o sorgo. e não observaram diferença entre eles quanto aos valores de fração solúvel. relação volumoso:concentrado e qualidade do volumoso. extrusados ou autoclavados foram avaliadas por Moron et al. as maiores degradabilidades foram observadas para a moagem fina (2mm) em relação à silagem (12mm) e quebra (5mm).6% em 30 minutos. Assim. (1999) em vacas não lactantes das raças Holandesa e Jersey. BR306.0%. como nível de inclusão do grão. os teores de digestibilidade da proteína e das frações fibrosas são pouco alterados (Santos et al. (2002b).01) entre o processamento (quebra. 83. c. possivelmente devido à ocorrência de reações de Maillard ou exposição de aminoácidos hidrofóbicos à superfície. Santos et al. as maiores degradabilidades foram obtidas pela silagem. BR701.. a mudança do sítio e a extensão de degradação do amido para o rúmen aumentam a utilização da energia líquida para lactação do grão de sorgo. 1999b). a taxa de hidrólise do amido do sorgo laminado foi de 24. diminuindo a solubilidade (Russel e Hespell.0%. a fração potencialmente degradada e a degradabilidade efetiva da matéria seca do sorgo e do milho.0%/h da matéria seca ou proteína.0% e 91. o sorgo e a raspa de mandioca apresentam teor de amido de 79.O aumento da degradabilidade ruminal do amido em 40. Zeoula et al. moído. e a solubilidade do amido de 293 . 1981).0% o aporte de proteína microbiana para absorção intestinal. foram superiores para o milho.0% do pouco amido sobrepassante sustentam os melhores desempenhos produtivos observados nos animais suplementados com o sorgo floculado comparado ao laminado (Theurer et al.. essas diferenças podem não refletir em maior desempenho animal. Para o sorgo. Z822).. A extrusão promove maior degradabilidade que a moagem fina devido à associação da ruptura da matriz proteica com a maior exposição dos grânulos de amido com a gelatinização. (1999) compararam a solubilidade e a degradabilidade do amido de vários alimentos energéticos e concluíram que o milho. Já para o milho. A floculação garante maior reciclagem de ureia no rúmen e eleva em torno de 10. nessa ordem de grandeza. cujas respostas são influenciadas por múltiplos fatores.0%/h). A redução do tamanho da partícula aumentou a fração solúvel. O processamento térmico comprometeu a degradabilidade ruminal dos grãos. que não diferiram entre si. (2002) avaliaram diferentes híbridos de sorgo (BR304. 1999c. 5. 5 ou 8.0% e o da digestibilidade intestinal em 20. Segundo DelgadoElorduy et al. quebrados. Já Passini et al.

05) dos nutrientes digestíveis totais (NDT) e do amido.8). os efeitos negativos da matriz proteica sobre a disponibilidade do amido no rúmen. A relação acetato:propionato (média de 1. do tratamento ácido associado ao formaldeído ou do tratamento com ureia sobre o sítio e a extensão de degradação no sorgo que sofreu reconstituição da umidade (28.91mg/dL) no líquido ruminal foram semelhantes entre as dietas. a fração solúvel (a) do amido do sorgo foi muito superior à do milho (18. No entanto. sem comprometimento dos padrões de fermentação. obtido por meio de solução de bicarbonatofosfato (pH=6. Esses autores não observaram diferença nos teores de ácidos graxos voláteis totais (AGV) ou nas porcentagens molares de ácidos acético. Esses resultados não refletiram em menor consumo de matéria seca por peso vivo ou peso metabólico. sugerindo a possibilidade de substituição total da silagem de grão úmido de milho por grão úmido de sorgo.0% e 14. a fração potencialmente degradável e a taxa de degradação do amido do sorgo foram inferiores às do milho. Já para o amido. A dinâmica líquida ruminal (volume de líquido ruminal. Esses resultados sugerem o grande efeito desses tratamentos rompendo a matriz proteica que envolve os grânulos de amido do sorgo e tornando-os amplamente disponíveis para fermentação ruminal. Porém. respectivamente. 2003) avaliaram as silagens úmidas de milho ou sorgo sobre os parâmetros de fermentação ruminal. 10. taxa de passagem de líquidos. o que pode estar associado a perdas pelos poros do saco de náilon.0% umidade). fluxo de líquidos por dia e por kilo de matéria seca consumida) não foi alterada pelo tipo de grão. (2002. assim..13. propiônico ou butírico.0%. e muito inferior àquelas descritas para os sorgos laminados (66. 1999b).0%.8%) ou floculados (76. No estudo in situ. com granulometria em torno de 12mm e 30% de umidade.6% a 89. houve tanto aumento da degradabilidade ruminal quanto da digestibilidade intestinal. Passini et al. sem alterar a digestibilidade intestinal da matéria seca. A moagem do grão de sorgo antes da ensilagem pode ter favorecido a gelatinização dos grânulos de amido do sorgo.4% vs 52. do extrato etéreo e da FDN não diferiram entre as dietas. já a silagem de grão úmido de milho foi confeccionada com grão inteiro e 28% de umidade. Isso refletiu em maior produção total de AGV e propionato nas primeiras quatro horas pós-alimentação em comparação ao grão úmido de milho.1%). o uso de silagem de sorgo reduziu a digestibilidade aparente (p<0. degradabilidade ruminal e pouca diferença na digestibilidade das dietas. a degradabilidade ruminal e a digestibilidade das dietas.99). A degradabilidade efetiva do amido corrigida para solubilidade foi baixa (39. contornando. (1991) avaliaram o efeito da ensilagem.0%). Por outro lado.25) e o nitrogênio amoniacal (6. as taxas de degradação e as degradabilidades efetivas da MS e da FDN da dieta não diferiram entre os grãos.4%) (Theurer et al. 294 . Além disso. A ensilagem e o tratamento com ureia aumentaram a degradabilidade ruminal. o pH (6.5%) para o sorgo moído em comparação ao milho (55. os coeficientes de digestibilidade aparente da proteína. Hill et al. A silagem de grão úmido de sorgo foi confeccionada com o grão moído.

Esses resultados sugerem que o tipo de processamento apresentou maior influência sobre o metabolismo animal que o tipo do grão. que são imprescindíveis para manutenção da gestação e redução de morte embrionária. As perdas de peso e o escore corporal das vacas durante os primeiros 45 dias ou 90 dias pós-parto não diferiram entre as dietas..06). maior síntese microbiana e aumento no aporte de aminoácidos para a glândula mamária. Isso responde em parte à tendência de maior teor de proteína no leite para dietas com milho ou sorgo floculado. Não houve diferença nos níveis de nitrogênio ureico no plasma entre as dietas. Embora os escores de condição corporal das vacas não tenham diferido entre as dietas. Theurer et al. (2000) avaliaram as condições energéticas e as respostas reprodutivas de vacas Holandesas no início da lactação suplementadas com sorgo floculado ou milho laminado. que foi superior para a dieta com sorgo laminado. 1993. Delgado-Elordy et al.05) e 90 dias (p<0. A floculação dos grãos propiciou aumento na reciclagem de ureia. A população de folículos não foi alterada pela dieta. b) avaliaram o efeito dos grãos (sorgo ou milho) e dos processamento (laminação ou floculação) no metabolismo esplênico e no metabolismo de nitrogênio na glândula mamária de vacas leiteiras com produção média de 28kg/dia e 86 dias em lactação. 1999a). Em contraste ao milho.13) e insulina (p<0. Esses autores não observaram diferença (p<0.. com tendência em aumentar o balanço energético das vacas (p<0. Embora os animais suplementados com sorgo floculado apresentassem maiores níveis de glicose e insulina circulante. contudo mais estudos nesse sentido necessitam ser conduzidos para o melhor entendimento das respostas produtivas observadas pela utilização de sorgo ou milho nas diferentes formas de processamento. os animais que receberam sorgo floculado apresentaram menores perdas de escore corporal durante os primeiros 45 dias (p<0. O maior aporte de propionato ao fígado nas vacas que receberam sorgo floculado pode ter propiciado o aumento da gliconeogênese hepática com tendência de elevação nos níveis de glicose (p<0. mas a melhoria na condição energética das vacas que receberam sorgo floculado pode ter sido responsável pela maior área do corpo lúteo e maiores níveis de progesterona circulantes. já que as concentrações de ácidos graxos não esterificados não diferiram entre as dietas.05) na ingestão de MS. esses não foram suficientes para reduzir a lipólise. o sorgo propiciou menor absorção de nitrogênio aminoacídico e amônia. Contudo.7. PB.11). amido e energia líquida de lactação entre os tratamentos. A produção e a composição do leite bem como a eficiência alimentar e produtiva das vacas foram semelhantes. METABOLISMO ANIMAL Santos et al. (2002a.06) no sangue periférico. o melhor aproveitamento do nitrogênio com o aumento da degradação do amido do sorgo no rúmen pode reduzir o teor de nitrogênio ureico no plasma (Oliveira et al. com exceção do teor de gordura. sendo esta um problema comum em vacas de alta produção. Os fluxos sanguíneos nas veias porta e hepática não alteraram com os tratamentos. 295 .

nos níveis de 0. os 296 . foram suplementadas com milho laminado ou sorgo laminado ou floculado. sobre o desempenho de bezerros e bezerras leiteiras até oito semanas de idade. tostado ou peletizado. Segundo Chen et al. Almeida Júnior et al. (1994) concluíram que o sorgo finamente moído pode substituir o milho moído ou laminado mantendo o mesmo nível de produção das vacas. Neste experimento. causando redução na digestibilidade da fração fibrosa e prejudicando o desempenho animal (Restle et al. apresentaram o menor custo final (R$ 3. na eficiência produtiva (IMS/LCG) ou nos teores de gordura e proteína do leite. Contudo. Abdelgadir e Morril (1995) avaliaram o uso de sorgo moído. desde bezerros a bovinos adultos. 28.59) por kg de ganho de peso por bezerro com o uso de sorgo moído de baixo tanino em comparação ao milho. amido ou frações fibrosas da dieta.4%. com média de 100 dias de lactação.4 para 0.8.8% do peso vivo. apesar da menor digestibilidade do amido.9 e 198.. crescimento corporal e ganho de peso. destinados à produção de vitelos. (1994). como a base energética de concentrados. fato possivelmente relacionado a questões de palatabilidade. resultando em produções e composições do leite semelhantes entre vacas suplementadas com milho ou sorgo. DESEMPENHO ANIMAL O grão de sorgo tem sido comumente utilizado em dietas de bovinos de leite em substituição ao milho. sem ônus no consumo. nas digestibilidades de matéria seca (MS). exceto pelo menor consumo inicial para a forma de pélete. 1995) e Santos et al. o sorgo laminado ou floculado pode substituir totalmente o milho com o mesmo processamento. sem comprometimento na composição do leite. quando vacas. (1993. que não observaram diferenças na ingestão de MS (IMS). para o mesmo nível de processamento do grão (laminado ou floculado). proteína. nas produções de leite e de leite corrigido para 3. proporcionando um efeito aditivo ao consumo de nutrientes na dieta destes animais. matéria orgânica (MO).6mg de equivalente maltose/g de amido. Vacas de alta produção apresentam desempenho semelhante quando suplementadas com sorgo ou milho. O desempenho de vacas de descarte sob pastejo contínuo em pastagens de inverno foi avaliado mediante a suplementação com o grão de sorgo triturado. 2001). (1999a) e Mitzner et al. (2004) relataram que os custos de criação de bezerros Holandeses. Verificou-se que o nível de suplemento energético influenciou significativamente o peso final das vacas até o nível de 0.5% de gordura (LCG). 66. Resultados semelhantes foram descritos por Oliveira et al. ou metabolitos plasmáticos e condições de fermentação ruminal entre tratamentos. ao avaliarem as respostas à aplicação de somatotropina bovina (bST).4 e 0. seja em confinamento ou em regime de pastejo. Esses autores não observaram diferenças no consumo. há de se destacar o elevado valor nutricional das pastagens em que os animais foram mantidos. Theurer et al.5. (1999a). A sua utilização é verificada para todas as categorias animais.8% foi justificada por uma possível alteração ruminal. 0. A queda no desempenho quando o nível de concentrado aumentou de 0. com os respectivos graus de gelatinização do amido.

(1997 e 1998) comparando o tipo de processamento do sorgo (laminado ou floculado) com suplementação de diferentes tipos de gordura até 2. já que a adição de 1% de bicarbonato de sódio tendeu a minimizar as reduções de produtividade. proveniente do sorgo floculado. sem alterar o consumo de alimento. Partículas muito finas podem ter propiciado a excessiva fermentação ruminal com redução do pH.. Estudos desenvolvidos por Simas et al. Já em vacas de alta produção. (1999b) avaliaram o desempenho de vacas Holandesas no início da lactação com produção média de 37kg de leite. resultando. A ingestão de matéria seca.0% de PNDR. Chen et al. Santos et al.. em melhoria da eficiência de produção de leite. Em animais de alta produção. (1997a).0%) ou farinha de peixe (5. Santos et al. e a maior produção de leite foi obtida com a suplementação com farelo de soja (6. Santos et al. da matéria seca e orgânica.0% de proteína degradável no rúmen e 30. as respostas são inversas. a fonte principal de proteína da dieta foi proporcionada pelo uso de caroço de algodão com a inclusão de 10 a 13. há a necessidade de suplementação com PNDR. Nesse estudo. As respostas produtivas de vacas de alta (45kg) ou média (35kg) produção de leite suplementadas com sorgo floculado variam com a degradabilidade da proteína suplementar. 1991.0% da MS da dieta. 297 . (1998) concluíram que a degradabilidade da fonte energética influenciava nas respostas de suplementação de distintas fontes proteicas de maior ou menor degradabilidade ruminal. suplementadas com sorgo floculado ou milho floculado ou laminado. apesar da maximização da síntese proteica microbiana proporcionada pelo sorgo floculado. a digestibilidade da dieta e alterar a produção e a composição do leite de vacas.. as produções de leite e LCG. Segundo Santos et al. assim. a suplementação com ureia (0.8% da MS da dieta). a eficiência produtiva e os teores de proteína e gordura do leite não diferiram entre os animais suplementados com sorgo ou milho. Vacas alimentadas com sorgo ou milho floculado em combinação com PNDR produziram mais leite e proteína do leite em comparação àquelas suplementadas com milho laminado ou com farelo de soja. partículas com densidades entre 360g/L e 437g/L resultaram em produção e em composição de leite semelhantes ao sorgo laminado.5% da MS têm indicado diferenças nas digestibilidades das dietas. Em estudo anterior. na produção de leite e no teor de gordura do leite. na digestibilidade da FDN (Theurer et al. que apresenta cerca de 70.. associada à alta disponibilidade de amido fermentável no rúmen.1999a). garante maior consumo de alimento e síntese de proteína microbiana suficiente para proporcionar aumento na produção de leite. a redução da densidade do sorgo laminado de 437g/L para 283g/L resultou em decréscimo linear na ingestão de matéria seca (Oliveira et al. 1993. 1994). mesmo com redução no consumo da dieta.autores verificaram maiores produções de leite e de proteína do leite em animais suplementados com sorgo floculado (Santos et al. 1997b). Em vacas de média produção.. Para o sorgo floculado. A densidade da partícula do sorgo laminado ou floculado pode afetar o consumo.0%). principalmente quanto à digestibilidade do amido. associados a uma fonte de proteína não degradável no rúmen.

temperatura ambiente. se possível. (1995) avaliaram o efeito dos taninos condensados na digestão ruminal do nitrogênio. 298 . disponibilidade de oxigênio e dióxido de carbono. esses compostos podem se ligar a proteínas e a enzimas no intestino delgado e reduzir a digestibilidade intestinal das proteínas.2. No entanto. sem alterações no metabolismo do animal ou no desempenho produtivo. 9.. essas diferenças não têm refletido no desempenho produtivo e na composição do leite. Para minimizar as perdas em decorrência desta contaminação. 1985). responsável pela produção da aflatoxina. protegido da chuva e. Esses pesquisadores encontraram menor proteólise e aumento no fluxo de proteína verdadeira para o abomaso. outros fungos podem contaminar esse alimento. Waghorn et al. causadora de câncer hepático. O grau de saturação das fontes de gordura aparentemente tem pouco efeito na produção e na composição do leite quando incluídas até níveis de 2.com o tipo de processamento do grão. No alimento estocado.5% da matéria seca em dietas cuja base energética dos concentrados é o sorgo. os fatores responsáveis ou predisponentes incluem integridade do grão. FATORES ANTINUTRICIONAIS DO SORGO 9. transporte. e ainda pode proporcionar ganhos em termos econômicos. 1996). Taninos condensados A maior limitação da utilização de grãos de sorgo na alimentação animal se deve à presença de compostos fenólicos chamados taninos. em local inclinado. como o Fusarium moniliforme. estocagem ou utilização. 10. composição e umidade dos grãos. Os efeitos dos taninos condensados na alimentação de vacas leiteiras serão abordados em maior extensão em outro capitulo. Contudo. A contaminação ocorre principalmente pelo fungo Aspergillus flavus. é aconselhável estocar o alimento com menos de 10% de umidade. 9. Entretanto. Esta contaminação pode ocorrer em qualquer momento da produção. Micotoxinas A contaminação do grão de sorgo por fungos também é um fator que pode limitar o desempenho animal. CONSIDERAÇÕES FINAIS O grão de sorgo tem potencial para substituir o milho em dietas de ruminantes.1. aumentando as perdas fecais. sendo que a sua utilização dependerá da oferta e do preço. com ventilação forçada (Price et al. com piso cimentado. elevando a quantidade de proteína potencialmente disponível para a absorção no intestino delgado. estando presentes sem que o mofo seja visível (Marquadt.

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Por apresentar tolerância a diversos tipos de clima e solo.. Nigéria. de feno. Wilson Gonçalves de Faria Jr. INTRODUÇÃO A mandioca (Manihot esculenta Crantz). A mandioca apresenta a peculiaridade de poder ser manejada com duplo propósito. ou ainda a processos industriais para obtenção de amido. Juiz de Fora. MSc. 610.. Escola de Veterinária da UFMG. onde já era cultivada pelos índios. No Brasil.3. Prof. wilsonvet2002@gmail. CEP 30123-970. A escolha da forma de utilização. Belo Horizonte. MSc. podem ser utilizadas na alimentação de vacas leiteiras. apresenta-se como de subsistência. Bolsista CNPq. CEP 30123-970.com 1 305 . provavelmente da região Nordeste e central do Brasil. disseminada em diversas regiões do mundo devido à sua tolerância a condições marginais de cultivo.com 4 Médico Veterinário. Embrapa Gado de Leite. Doutorando em Nutrição Animal. bem como cuidados na escolha da variedade ou adoção de práticas de manejo que eliminem os riscos de intoxicação por ácido cianídrico. MG. destinando-se a produção. CEP 36038-330. Foi descrita pela primeira vez em 1573 por Magalhães Gandavo. A produção africana não tem caráter comercial. MG. ricas em amido. fernanda@cnpgl. Brasil e Tailândia são os países que dominam a produção mundial. DSc. MG. a mandioca é cultivada em várias regiões do mundo. MSc.br 2 Engenheiro Agrônomo. DSc.. Associado Departamento de Zootecnia da Escola de Veterinária da UFMG. ao contrário. em Zootecnia.embrapa. quanto a parte aérea. depende de fatores. Marcelo Neves Ribas4 RESUMO A mandioca é uma espécie de origem latino-americana. CEP 30123-970. coexistem a produção de subsistência e a comercial. Médica Veterinária.CAPÍTULO 17 COPRODUTOS DA MANDIOCA NA ALIMENTAÇÃO DE GADO DE LEITE Fernanda Samarini Machado1. com elevadas concentrações de proteína. também conhecida como aipim e macaxeira. Escola de Veterinária da UFMG. como as condições climáticas da região. Belo Horizonte. Lúcio Carlos Gonçalves 2. bem como os subprodutos do processo de industrialização. MG. segundo maior produtor mundial. Tanto as raízes. Rua Eugênio do Nascimento. Sua inclusão na alimentação de vacas em lactação pressupõe a suplementação com nutrientes necessários ao balanceamento da dieta. Caixa Postal 567. os2ribas@hotmail. luciocg@vet.ufmg. DSc. o nível de tecnologia. é planta originária da América do Sul. Belo Horizonte. Dom Bosco. entre produção de silagem. Caixa Postal 567. Sua produção pode ser destinada à alimentação humana ou animal. sendo espalhada pelo mundo por europeus colonizadores no século XVIII. Caixa Postal 567. peletização ou fornecimento do material fresco. permitindo a integração da produção agrícola com a atividade pecuária. a disponibilidade de mão de obra. entre outros.br 3 Médico Veterinário.

é fonte geradora de emprego e de renda para agricultores e consumidores de baixo poder aquisitivo.2%) é destinada à alimentação animal (Food and Agricultural Organization . presente em elevadas concentrações nas folhas. ao mercado interno. A mandioca apresenta a peculiaridade de poder ser manejada com duplo propósito de produção de amido. álcool.26t/ha.majoritariamente. Sudeste e Centro-Oeste apresentaram 22. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística . A participação do Brasil no mercado internacional é praticamente desprezível. Os derivados de mandioca na indústria são: farinha. reduzindo gastos com alimentos concentrados. amido. doces ou salgados. respondendo esse país pela maior parte do que é exportado desse produto no mundo. Grande parte da produção brasileira de mandioca (50. a raiz in natura serve para a elaboração de pratos. visando ao incremento dos níveis de produção dessa cultura. podem ser utilizadas as folhagens e a raiz. No entanto. Recentemente. apresentando um caráter produtivo mais industrial. principal componente das raízes tuberosas. 2005). Para consumo humano.IBGE. respectivamente.6% da produção nacional. obtendo-se um rendimento de 14. entre outros (Camargo Filho e Alves. quando ocorrem.FAO. aos Estados Unidos. com uma produção estimada de 26.1. destinam-se aos países da América do Sul e. a integração entre as atividades pecuárias e a produção agrícola na propriedade garante redução dos custos do produtor. 2003). tornando o sistema sustentável.9% da produção nacional em 2008. 306 . O Nordeste e o Norte foram responsáveis por 25..5% do plantio são efetuados em áreas inferiores a 10 hectares.95 milhões de toneladas de raízes. A cultura da mandioca representa também um produto básico na alimentação humana (33. historicamente baixos no Brasil (Lopes et al. 2007). Já a produção na Tailândia tem caráter comercial. A produção de mandioca é predominantemente realizada por agricultores familiares e camponeses. com predomínio de sistemas familiares que utilizam baixa tecnologia. Já as regiões Sul. 8. As exportações brasileiras. além de a parte aérea representar um suplemento proteico que pode ser utilizado durante todo o ano. Sendo assim. Para alimentação animal.8 e 37. e de proteína. sua utilização na alimentação de vacas leiteiras apresenta vantagens. Segundo dados do IBGE. 2004).89 milhões de hectares. maior adoção de tecnologias disponibilizadas pela pesquisa faz-se necessária. as exportações da África do Sul vêm assumindo posição de destaque (Alves e Vedovoto. sobretudo nas regiões mais pobres do país (Tafur.6 e 5. já que a raiz substitui alimentos energéticos de alto custo utilizados tradicionalmente na dieta de monogástricos. em menor proporção. 74. Desta forma. a área de mandioca plantada no Brasil em janeiro de 2009 foi de 1. 2002).9% da produção).

. também podem ser utilizados na alimentação de ruminantes.500mm anuais.5. 2002). A despeito das variações inerentes à variedade utilizada e às influências das condições de solo e ambiente no crescimento da cultura. a produtividade da mandioca depende das condições climáticas. 1983). utilizada sob a forma de material verde picado. em que processos de desidratação natural seriam a forma mais econômica de processamento. que permitirão maior ou menor facilidade para efetuar a secagem. FORMAS DE UTILIZAÇÃO DA MANDIOCA NA ALIMENTAÇÃO ANIMAL Podem constituir componentes da dieta dos ruminantes não somente as raízes tuberosas. Existem regiões onde a produção de fenos da parte aérea e de raspa seca de mandioca torna-se antieconômica. sendo a Manihot esculenta Crantz a espécie de maior interesse agronômico. A planta integral da mandioca também é utilizada in natura ou ensilada. ensilado ou na forma desidratada. Apresenta baixa exigência em fertilidade e desenvolve-se melhor em solos com textura franco-arenosa a argilo-arenosa. Assim. apresenta resistência à seca. CARACTERÍSTICAS DA CULTURA A mandioca pertence à família das Euphorbiaceae. e lenhosas. e altitudes até 800 metros. Dentre outros fatores. de modo geral. observam-se na planta madura aproximadamente 50% de raízes tuberosas. e a opção mais adequada para eficiente conservação seria o processo de ensilagem. o modo de utilização da mandioca. onde ocorre condição climática favorável para desenvolver-se. 40. Entretanto.0% de hastes e pecíolos e 10. com altura variando de 1 a 5 metros (Carvalho. infraestrutura e condições climáticas da região. entre fornecimento ao natural. entre as 1. na obtenção de produtos para alimentação humana ou destinados para fins industriais. 307 .1. A mandioca pode ser cultivada com ótima produtividade numa faixa que vai de 30º na latitude norte a 30º na latitude sul. pecíolos e folhas) e parte subterrânea (raízes tuberosas). variando de 10 a 35 toneladas por hectare de raízes e 8 a 30 toneladas por hectare de parte aérea (Carvalho. exigindo precipitações entre 1. A temperatura ideal está entre 25 e 29ºC. a planta da mandioca pode ser dividida em parte aérea (hastes. peletização ou ensilagem. 1983). fornecidas in natura (picadas). peletizadas ou ensiladas. A forma de utilização mais econômica a ser adotada dependerá da disponibilidade de mão de obra.000 e 1. As plantas são herbáceas quando novas. existem aquelas regiões mais áridas. Para fins práticos. ou ainda conservada por procedimentos de fenação. 2005). Os resíduos originados do processamento das raízes. Porém. sendo cultivada em regiões semiáridas com 500 a 700mm de chuvas por ano. 2. da fertilidade do solo e do cultivar plantado. mas também sua parte aérea.0% de folhas (Gil e Buitrago. arbustivas ou subarbustivas na maturidade.200 espécies existentes. será determinado pelas condições climáticas do ecossistema (Lopes et al. desidratadas (raspas). com pH de 6.

sendo necessário 1. 1988).1. capaz de hidrolisar o glicosídeo cianogênico. para a liberação e volatilização do HCN. Glicosídeos cianogênicos são compostos orgânicos sintetizados principalmente nas folhas e. 1988).0g de HCN (Sanda e Methu. e variedades menos tóxicas. determina-se a diferença entre as variedades de maior toxicidade. Fatores antinutricionais A principal limitação no uso da mandioca como alimento para ruminantes refere-se ao problema da toxicidade do ácido cianídrico (HCN). o HCN é detoxificado por uma enzima denominada rodanase. Existem evidências de que os ruminantes possam usar substâncias doadoras de enxofre e até mesmo o enxofre elementar (S) para destoxificar o HCN de origem dietética.2g de enxofre para destoxificar 1. mansas. pouco tóxicas: de 50 a 80mg/kg de raízes frescas. O consumo de alimentos que contêm grande quantidade de glicosídeos cianogênicos não só tem resultado em morte ou efeitos neurológicos crônicos. LIMITAÇÕES DA MANDIOCA NA ALIMENTAÇÃO ANIMAL 3. Eventuais baixas performances de ruminantes alimentados com produtos à base de mandioca têm sido atribuídas à toxicidade crônica por HCN. em menor proporção. glicosídeos cianogênicos da mandioca. Essa conversão metabólica do HCN até tiocianato depende da presença de fatores nutricionais.3. A formação do HCN a partir da linamarina. conhecidas como bravas. ocorre pela ação da enzima linamarase. Com base nos níveis de glicosídeos cianogênicos e/ou de ácido cianídrico presentes na raiz. Caso ocorra ingestão do material antes da liberação do HCN na planta. Campos Neto e Bem (1995) recomendaram a seguinte classificação de acordo com o teor de HCN nas raízes dos diferentes cultivares: • • • • não tóxicas: menos de 50mg/kg de raízes frescas. que é excretado do organismo via urina. pudessem ser corresponsáveis (Sanda e Methu. embora fatores agravantes. atribuído à presença nele do tiocianato (Wanapat. O HCN é formado a partir do cianeto. na região cortical de raízes jovens e distribuídos para todas as partes da planta. Ao ser formado e absorvido. a microflora presente no trato digestivo do animal também pode produzir betaglicosidase. Alguns trabalhos consideram um efeito benéfico de aumento da vida de prateleira do leite. como deficiência dietética de nitrogênio. muito tóxicas: mais de 100mg/kg de raízes frescas. chamado tiocianato. formando um composto não tóxico. Desta forma. 1987). tóxicas: de 80 a 100mg/kg de raízes frescas. como os aminoácidos sulfurados e a vitamina B12. a linamarase está compartimentalizada na parede celular. Na planta intacta. e a linamarina nos vacúolos celulares. mas também tem sido associado à ocorrência de bócio tireoidiano (Teles. deve-se fazer a trituração do material para que ocorram as reações químicas necessárias. 308 . um radical constituinte das moléculas da linamarina e lotaustralina. 2001). como ativação da betaglicosidase intracelular. glicosídeo cianogênico mais abundante.

constituído por capas sobrepostas de tecidos. à ocorrência de distúrbios digestivos (Buitrago. 309 . fibra bruta e minerais.2. enquanto a polpa equivale a aproximadamente 80 a 85% (Buitrago. No centro da raiz. localiza-se o córtex (ou casca). facilitando um maior contato entre enzima (linamarase) e substrato (linamarina) e.0 a 15.0% do peso total da raiz de mandioca.0 a 20. podem ser utilizados diversos procedimentos. 3. extrato etéreo. fibras esclerenquimatosas. 1987). a trituração provoca ruptura de tecidos. sendo resultado de danos mecânicos. De acordo com Carvalho (1987). combinadas com fornecimento de adequados níveis dietéticos de enxofre. vasos com látex e câmbio (Kato e Souza. 60 a 80% de amido na MS. ao atingir um nível de 10. na periferia. A RAIZ DA MANDIOCA 4. Transcorridos três dias após a colheita. e. que se encontram em maior concentração na casca do que na polpa. a cocção em água ou a ensilagem. distribuídos em forma de estrias. ainda. de aminoácidos. consequentemente. em função do armazenamento de fécula (amido da raiz) na polpa ou parênquima. a deterioração das raízes faz com que os animais diminuam seu consumo.0% de umidade. efetivamente protegem os ruminantes da toxicidade por HCN (Sanda e Methu. Aspectos nutricionais A raiz da mandioca é um alimento essencialmente energético. 1990). Dessa forma. Quando o material é submetido à desidratação.0 a 38. 1987).Para a eliminação total ou parcial do conteúdo de HCN da mandioca. 4. 1988).5% na MS).1. o ácido cianídrico é volatilizado. A polpa é constituída por vasos do xilema. haja vista que simples técnicas de processamento. de extrato etéreo e de minerais e vitaminas. em face do rápido processo de deterioração. nas quais se encontram as células preenchidas com amido. estando sujeitos. Deterioração das raízes pós-colheita Outra limitação relacionada ao uso da mandioca na alimentação de vacas leiteiras refere-se às dificuldades relativas à conservação pós-colheita de suas raízes. Observa-se uma localização diferencial dos compostos nitrogenados. 1990). a toxicidade por HCN não deveria constituir limitação para o uso de produtos e subprodutos de mandioca em dietas de ruminantes. podendo o produto ser consumido sem riscos ao metabolismo animal. A casca ou córtex representa 15. baixas concentrações de proteína (em torno de 2. como a desidratação artificial ou por radiação solar. maior liberação de ácido cianídrico por volatilização. As raízes da mandioca apresentam aproximadamente 34.0% de matéria seca (MS). que se manifesta com perda de qualidade e quantidade. encontram-se vasos xilogêneos e fibra. fisiológicos e patológicos (Kato e Souza.

em média a cada 20 ou 25 resíduos de glicose. A celulose e as hemiceluloses não ultrapassam 7.9% eram formados por ácidos graxos. incluindo nitratos. A amilose é um polímero longo e relativamente linear de moléculas de D-glicose. Normalmente a concentração de fósforo é maior na raiz. assim. e disposto em dupla hélice. porém variações muito grandes são encontradas entre diferentes variedades.0% (Hervas Moreno. No comparativo entre raiz de mandioca desidratada e milho. glicose e maltose. Deve ser lembrado que os valores das concentrações dos minerais podem apresentar resultados alterados devido à contaminação com solo durante o processo de colheita e processamento. insolubilidade em água fria. o amido é formado por dois polímeros de glicose. apresentando. não ultrapassa os 3.A proteína na raiz da mandioca.0% de amilose e 76.0% de amilose e 80% de amilopectina (Ciacco e Cruz. 1982). ao avaliarem a composição nutricional da raiz de mandioca desidratada. quando expressa na base de matéria seca.0% de amilose e cerca de 83. Madsen et al. ocorre devido à quebra das 310 . Particularidades do amido da mandioca Quimicamente.. que apresenta 24. e sua concentração é maior na casca que na polpa.2. cerca de 40. enquanto a concentração de cálcio é maior na parte aérea. Sua composição consiste de cadeias lineares de glicose ligadas por ligações glicosídicas α-(1 → 4). O nível de fósforo é mais constante entre as diferentes partes da raiz. (1990). o aquecimento na presença de água promove solubilização parcial e perda da cristalinidade dos grânulos de amido.0% de amilopectina. entre os quais sacarose (69% dos açúcares totais). 4. teores estes diferentes do milho. A amilopectina é um polímero maior do que a amilose e com estrutura bastante ramificada. e da batata. Da proteína total. denominado gelatinização.14% da MS. 2005). apresentando ramificações por ligações α-(1→6). o amido da mandioca apresenta 17. frutose. Esse processo. Contudo. Em geral. 1982). determinaram uma concentração de extrato etéreo de 1. As moléculas de amilose e amilopectina do amido são mantidas juntas pela formação de pontes de hidrogênio entre os grupamentos hidroxila das unidades de glicose. dos quais apenas 47. e aminoácidos livres (Lopes et al. observa-se que a concentração de aminoácidos sulfurados é mais baixa na raiz de mandioca. o conteúdo de microelementos na raiz da mandioca é mínimo.0% correspondem ao amido e 20. Na fração carboidratos. com 20. unidas por ligações α-(1 → 4). Os conteúdos de cálcio apresentam maior variação. Em valores médios. cerca de 80. nitritos e glicosídeos cianogênicos.0%.0% são representados por nitrogênio não proteico. que se encontram empacotados nas plantas em forma de grânulos.0% são referentes aos açúcares.0 a 60. a amilose e a amilopectina.0% de amilopectina.

Contudo.3. devido à inexistência de pericarpo. consequentemente. Fontes de nitrogênio não proteico.. as raízes deverão ser previamente lavadas. maior proporção de amilose na molécula de amido proporcionaria melhor atividade hidrolítica.0 a 15.0% de aumento no diâmetro) dos grânulos. compostas por amilopectina. a penetração de água e das enzimas é mais rápida nas regiões amorfas dos grânulos. aparentemente. 2008). provavelmente. possivelmente.1.7%. Após retirar o barro aderido. deve-se estar atento para a sincronização das taxas de degradação ruminal das frações constituídas pelos carboidratos e pelas proteínas dos alimentos integrantes da dieta. na digestibilidade de fontes de amido com maior teor de amilose. e 62. segundo Zinn e DePeters. Os grânulos de amido são pseudocristais com áreas organizadas ou semicristalinas. 4. segundo Martins et al. como ureia. onde.. matriz proteica e. devido à maior formação de pontes de hidrogênio. formadas por amilose. Os grânulos de amido de raízes e tubérculos apresentam maior capacidade de expansão na água que o amido dos cereais. segundo Zeoula et al. as raízes devem ser trituradas ou picadas para o fornecimento direto na forma fresca ou para conservação sob forma desidratada ou silagem. O amido da mandioca apresenta maior degradabilidade efetiva em relação ao do milho e do sorgo. o que ocorre na realidade é uma diminuição na hidrólise do amido e. 4.3. ou alimentos com elevada concentração de proteína rapidamente degradável no rúmen têm um grande potencial para inclusão em dietas baseadas no uso de raízes de mandioca. permitindo a entrada de água e consequente dilatação (10.. 1991. Manejo e formas de utilização Qualquer que seja a forma de utilização. lavadas. a fim de se eliminar resíduos e partículas aderidas de solo.. devido a uma menor proporção de amilose e lipídios nos grânulos de amido. Raiz fresca As variedades de mandioca “mansa” (teor de HCN inferior a 50mg/Kg de polpa fresca) podem ser colhidas.pontes de hidrogênio. segundo Zeoula et al. Devido às características fermentativas do amido da mandioca. que poderiam comprometer a qualidade nutricional da raiz fresca e as condições para sua conservação. Deve- 311 . 1999.7%/h para o amido. Segundo Chesson e Forsberg (1997). 1999) e rápida (6. ocorre o início da rápida mobilização de todo o grânulo de amido pelas enzimas amilolíticas. com elevada (91%. e com outras relativamente não organizadas ou amorfas.1999) degradação ruminal. endosperma córneo e periférico. 10%/h para MS. picadas e fornecidas imediatamente aos animais. Desta forma. diminuindo a quantidade de ponte de hidrogênio na molécula de amido e aumentando a capacidade de expansão do amido da mandioca em meio aquoso (Rangel et al.

ao ser riscado no piso cimentado. as raspas devem ser reviradas a intervalos de 2 horas. Podem-se utilizar bandejas de madeira com tela de arame. 4. 2002). 312 . o material seque em um a dois dias (Carvalho. deixa marca como se fosse um giz escolar (Carvalho. a suplementação para cobrir as deficiências de proteína.0% de umidade.se estar atento porque a raiz não se conserva bem sob a forma fresca. Em terreiros de cimento ou sobre lona plástica. quando o material apresentar 14. as raízes tornam-se inadequadas para o consumo. Além de evitar a deterioração pós-colheita.0%) e o nível apenas mediano de energia metabolizável (1.5 a 2. trituradas em picadeiras convencionais de forragens ou cortadas em pedaços de 5cm de comprimento por 1cm de largura com uso de equipamentos apropriados para obtenção de um produto de melhor qualidade (Côrrea e Kato. seguida de fermentação. As limitações nutricionais mais relevantes quando do uso de raízes frescas de mandioca na alimentação animal são a elevada umidade (60. nesse processo ocorre eliminação da maior parte de HCN presente na raiz fresca. Calculase que. vitaminas e minerais. a baixa concentração de proteína (0. para acelerar o processo de desidratação. O uso de raízes frescas de mandioca pressupõe. 1987). para um correto balanceamento da dieta. Para obter uma secagem mais uniforme. pois o amido sofre rapidamente uma hidrólise. sendo um produto perecível. utilizando-se rastelos próprios (Vilela e Ferreira. é atingido quando um pedaço de raspa. as raspas devem ser uniformemente espalhadas em camadas de 8-10Kg/m2 e submetidas à exposição ao sol. As raspas de mandioca são produzidas a partir das raízes recém-colhidas. O término do processo de secagem. posicionadas inclinadas e comportando 10 a 16Kg de raspas/m2.3. Adicionalmente. 1997). 1983).0%). a 23ºC e a 70% de umidade relativa do ar. As variedades de mandioca “brava” (teor de HCN acima de 50mg/Kg de polpa) não devem ser fornecidas em estado fresco. devendo ser previamente submetidas a processo de desidratação ou ensilagem (Carvalho. o que provoca um forte odor alcoólico (Carvalho. ou de seis a oito vezes ao dia. a secagem da raiz facilita o armazenamento e a mistura com outros ingredientes da dieta. Raiz desidratada ao sol (raspa ou farelo de raspa) As raízes de mandioca recém-colhidas possuem alto teor de umidade. 1983). O tempo necessário para secagem depende das condições climáticas e do processo de reviramento do material.2. Chedly e Lee (1999) sugeriram que as raízes frescas de mandioca podem ser incluídas em dieta de vacas leiteiras à razão de 5 a 15Kg por dia.40 Mcal/Kg) (Gil e Buitrago. lavadas. evitando problemas de intoxicação. 1987). ou seja. dois a três dias após a colheita. Desta forma. A desidratação da raiz permite a conservação e concentração de suas características nutricionais.20 a 1.0 a 70. 1984).

favorecendo. 1987). Penicilium.0% de raspa de mandioca. desta 313 . sem. Ramalho (2005) avaliou níveis de 0.0% de substituição do farelo de soja por raspa de mandioca corrigida com ureia em dietas baseadas em palma forrageira (44. Já Scoton et al. Nunes (1998) recomendou que o farelo de raspa de mandioca pode ser incluído em até 50% dos concentrados para bovinos de leite.0%. de 30. no escore corporal das vacas. concluíram que é possível incluir até 50. A raspa e a ureia foram incluídas nas dietas experimentais nos níveis de 0. pois influenciou negativamente o consumo e o desempenho animal. avaliando a substituição do milho moído fino por polpa cítrica e raspa de mandioca (50:50) para vacas Holandesas no terço final de lactação. (2003). consequentemente. Ramalho (2005) avaliou níveis de 0. fundamentados em base familiar. para aumentar o teor de matéria seca. há favorecimento para crescimento de fungos dos gêneros Aspergillus. em concentrações superiores a 20μg de aflatoxinas/Kg de farelo de mandioca.0% e temperatura ambiental acima de 25ºC. A raspa de mandioca pode ser ensacada ou armazenada a granel em ambiente seco e arejado. Nesse caso. a raiz desidratada conserva seu valor nutritivo por mais ou menos um ano. A eficiência alimentar (expressa em Kg de leite corrigido para 3.5% e 0.0. proteína e lactose e no teor de nitrogênio ureico no leite. estudando melaço desidratado e raspa de mandioca como substitutos parciais do milho em rações fornecidas para vacas em lactação. Para melhor uso. 1990). respectivamente. em condições de umidade do substrato acima de 18. não observaram diferenças na produção de leite. Ribeiro et al. O rendimento das raspas secas em relação às frescas varia. normalmente. afetar a digestibilidade dos nutrientes.0 e 100. Outra opção para utilização das raspas de mandioca é a sua adição ao capim-elefante na confecção de silagem. O autor concluiu que a mistura raspa de mandioca + ureia não substituiu o farelo de soja contido nas dietas de vacas mestiças em lactação. 67. produção de micotoxinas. 33.0 a 40. 75 e 100% de substituição do fubá de milho pela raspa de mandioca corrigida com ureia em dietas baseadas em palma forrageira (26%) e silagem de sorgo (26%). Em condições adequadas. na produção e nos teores de gordura .0 a 13. que.Verifica-se que a obtenção de raspa de mandioca constitui tecnologia acessível em sistemas de produção menos tecnificados. (1976). para vacas Holandesas nos dois meses inicias de lactação. contudo. 25.0%) para vacas Holandês x Zebu no terço inicial de lactação.0% (Vilela e Ferreira.0.0 a 3.5% de gordura em relação à ingestão de matéria seca) foi reduzida com a elevação dos níveis de raspa de mandioca. Em outro estudo.0%) e silagem de sorgo (38. oferecem perigo à saúde dos animais. Entretanto. Rhizopus e Fusarium e. a raspa pode ser transformada em farelo por moagem e posteriormente utilizada na composição de rações. 50. torna-se recomendável o tratamento do farelo de raspa com produtos à base de ácido propiônico ou outros compostos fúngicos (Buitrago.

aumenta o teor de proteína bruta e a estabilidade aeróbica do material ensilado após a abertura do silo. sobretudo. melhorando. (2007) concluíram que a inclusão da raspa de mandioca promove melhoria do perfil fermentativo de silagens de capim-elefante. A abertura do silo só deve ser realizada após 30 dias de fermentação. a peletização aumenta a qualidade e a durabilidade do produto. 1987). Entretanto. a fermentação lática. na rapidez das operações de colher.3. 314 . 4. Apresenta como limitações ao seu uso a baixa concentração de energia. às raízes de mandioca. com níveis entre 7. compactar e fechar o silo (Carvalho. 15.0 e 30. por exigir maior investimento. com menor volume. 2cm e colocadas no silo. assim. devem ser picadas em pedaços de. a adição de ureia na ensilagem da raiz de mandioca aumenta sua degradabilidade efetiva (Figueiredo et al. e a retirada diária deve ser feita de maneira rápida para evitar exposição excessiva ao ar do material que permanece no silo (Carvalho. sendo ainda dependente do tempo de armazenamento no silo. Raiz ensilada Uma alternativa para prolongar a conservação da raiz destinada ao arraçoamento animal por período de tempo maior (até dois anos) é a sua ensilagem como forma de conservação de seus componentes nutricionais. 1997). (2007) observaram que a inclusão de 7..0% de inclusão sendo suficientes para alcançar tais melhorias.0 e 15. picar. sobrepondo camadas de terra de 15cm.3. Para a obtenção de uma boa silagem.0%.0. característica importante quando se trabalha com variedades de mandioca “amarga” (Carvalho. Em seguida.4. ocorre a redução das concentrações de HCN com o tempo de ensilagem. Neste processo. A compactação deve ser feita a cada camada de 20 a 40cm. inicialmente as raízes sadias e recém-colhidas devem ser lavadas e selecionadas. Já Dórea et al.3.0% de raspa de mandioca ao capim-elefante reduz linearmente as perdas de efluentes e aumenta a recuperação de matéria seca. no máximo. No fechamento do silo. pouca palatabilidade e dificuldade para mistura com outros ingredientes dietéticos (Gil e Buitrago. ou com auxílio de trator. aumentando o custo do produto. Além disso. 2002). O segredo da ensilagem está. A inclusão da ureia. A silagem de raízes de mandioca apresenta umidade mais variável em relação ao observado nas raízes frescas. 1983). Deve-se fazer canaleta para evitar entrada de águas pluviais. Além disso. é importante dar-lhe no topo uma forma abaulada e cobri-lo com uma lona plástica. o valor nutricional da silagem. por meio do caminhar de homens ou de animais. Dantas et al. no nível de 3. 4.forma. 2006). lavar. bem como a redução da pulverulência. o que facilita o transporte e o armazenamento. Raiz peletizada A peletização da raiz de mandioca tem como objetivo a obtenção de um produto mais uniforme. é um processo dificilmente realizado na fazenda. eliminando-se aquelas com coloração escura.

que frequentemente adicionam óleos vegetais para aumentar a durabilidade dos péletes e reduzir a pulvurulência. Os péletes avaliados eram produto comercial específico e apresentaram 89. 1979). Não houve diferença (p>0.1% de fibra bruta e 2.0%) de péletes de raiz de mandioca em substituição ao grão de milho triturado na dieta de vacas Holandesas com 14 semanas de lactação. C e do complexo B. Além disso. especialmente vitaminas A. Além disso.5% de umidade. PARTE AÉREA DA MANDIOCA 5.0% (Carvalho et al. assim como na alimentação humana e animal como fonte de alternativa proteica (Ferri. Contém três vezes mais ácidos graxos e o dobro de fibras que as raízes (Valencia. 0.44% de nitrogênio. principalmente. Isso foi atribuído. 0.1% de cinzas.05) nos parâmetros de composição. 70. DePeters e Zinn (1992) avaliaram três níveis de inclusão (0. sendo considerada um resíduo gerado na colheita das raízes. 7. 2006).0% (Buitrago. Péletes de raiz de mandioca apresentam aproximadamente 12. é necessária a viabilidade do seu uso em indústrias alimentícia.5% de amido. sob taxa de conversão de 33. a parte aérea da mandioca é rica em vitaminas.0% de proteína bruta. Os autores concluíram que os péletes de raiz de mandioca substituíram com sucesso o grão de milho triturado. bem como na produção de leite corrigida para 4.44% de fibra em detergente ácido (FDA).0 a 32. farmacêutica.0 toneladas de raízes frescas são necessárias para produzir 1.5 a 3. 1990). seu aproveitamento como fonte de proteína de baixo custo para produção animal tem sido reduzido. 2. 8. e as hastes e talos 11. Farelo de algodão foi incluído em níveis crescentes para corrigir a deficiência proteica da raiz da mandioca. Aproximadamente 2. à falta de conhecimento dos produtores e técnicos acerca dos critérios para sua utilização (Carvalho.. 2002).38% de fibra em detergente neutro (FDN). em média.08% de fósforo. a produção de raiz de mandioca peletizada é realizada em indústrias. Apesar de apresentar excelente qualidade nutricional e aceitabilidade pelos animais. 315 .71% de extrato etéreo.0 a 40.1. Aspectos nutricionais A parte aérea da mandioca é constituída pelas hastes e folhas (pecíolo e limbo) em proporções variáveis. Devido ao fato de grande quantidade de folhagem de mandioca encontrar-se desprezada no solo após a colheita da raiz. 0. de 27. 1983).37% de amido.0 tonelada de péletes. sendo que as folhas apresentam 28. 6 e 12.26% de cálcio e 0. e o conteúdo de minerais é relativamente alto.Desta forma.0% de gordura. 5. 82. com base na matéria seca (Thampan.1% de proteína bruta. especialmente cálcio e ferro. 2002). É um produto que possui teor de proteína superior à maioria das forrageiras tropicais. 10.3Kg/dia. dentre outras.13% de matéria seca. os teores de nitrogênio ureico no plasma e no leite não diferiram entre tratamentos.

2005). Quando a máxima produção de proteína é objetivo principal.0 a 22. fibra em detergente ácido (FDA) e lignina foram de 25.0 a 6. os quais reduzem a digestibilidade de aminoácidos. a colheita pode ser realizada a partir de três meses.0% na matéria seca). a cerca de 50-70cm acima do solo.0% de extrativo não nitrogenado (ENN). exceto arginina e leucina. Manejo e formas de utilização Quando o cultivo da mandioca destina-se exclusivamente à produção da parte aérea. em especial a metionina (Nelson et al. 1984). as raízes exercem função de reservas de nutrientes para a rebrota da parte aérea. época de colheita. como metionina (1. 51.0% de fibra bruta (FB). As folhas apresentam nível relativamente alto de EE (5.0% e 12. 4. Sob condições de adequada fertilização e irrigação.0%. mas com baixa concentração de aminoácidos sulfurados. 15. os demais se apresentam em concentrações semelhantes ou superiores às verificadas em leguminosas (Buitrago. para plantas colhidas 12 meses após o plantio (Carvalho. xantofilas e pigmentos (Buitrago.A composição bromatológica da parte aérea da mandioca varia de acordo com a proporção entre hastes e folhas.0% de cinzas e 40. correspondendo a 6 toneladas de proteína por hectare. uma folhagem de mandioca de boa qualidade deve apresentar.0% de extrato etéreo (EE). menor contagem de ovos de nematódeos gastrointestinais. fertilidade do solo e condições climáticas.7g/100g de PB).23% nos 2/3 inferiores.2. Segundo Buitrago (1990). 1990).0% de proteína bruta (PB).16 a 19. em intervalos de dois a três meses. 8. com quantidades relevantes de ácidos graxos essenciais.0 a 50.71% no terço superior (rama) e 12. 19. manejo adotado. A PB da parte aérea da mandioca é de boa qualidade. 5. Os valores bromatológicos encontrados por Modesto et al.. cujas concentrações encontram-se abaixo dos requerimentos nutricionais dos ruminantes (Lopes et al.. 41. e a cultura torna-se semiperene.0 a 5. com base na matéria seca. Montilla (1976) reportou uma produção de 34 toneladas de matéria seca ao ano. fibra em detergente neutro (FDN). 1975). A. Alguns trabalhos têm sugerido que vacas e búfalos alimentados com dietas à base de forragem da parte aérea da mandioca apresentaram. comparativamente. A parte aérea da mandioca apresenta como principal componente energético o amido. As folhas da mandioca também apresentam taninos (3. 2001). respectivamente. proteína bruta (PB). 316 . 18..20%.0 a 7. 1990).0 a 20. Com relação aos outros aminoácidos essenciais. efeito esse atribuído à presença de taninos atuando como agentes anti-helmínticos (Netpana et al. variedade utilizada.0 a 12.0% da MS). com alto teor de lisina (7. produzindo por dois a três anos.73 a 9.2g/100g de PB).4%. Esta forma de manejo permite a obtenção de 4t/ha/ano de PB.5%. com concentração na MS de 4. (2004) para matéria seca (MS). .

0% de carboidratos solúveis. representa o terço superior da planta.1. a mistura do capim-elefante com 25. o que. em termos práticos. Entretanto. Os demais passos do processo de ensilagem são semelhantes aos recomendados para a raiz e. Parte aérea fresca A utilização direta da parte aérea fresca constitui a maneira mais simples e econômica de se fornecer mandioca aos animais. No entanto. 50. 5.0% de parte aérea da mandioca melhora sensivelmente o valor nutricional do material e os parâmetros de qualidade da silagem (Carvalho. em se tratando de mandioca-brava. 317 . envolvendo o fornecimento ao natural. a produção de silagem e o preparo de feno.75% de FDN. o silo deverá ser aberto somente após 30 dias de fermentação. Parte aérea ensilada A ensilagem é um processo de armazenamento menos dependente das condições climáticas. Modesto et al. por um período mínimo de 24 horas. após a picagem do material. evitando-se as partes lenhosas da planta. as categorias de bovinos que melhor respondem a um programa de alimentação à base de forragem de parte aérea da mandioca fornecida fresca são aquelas com maiores requerimentos nutricionais.Existem três formas práticas de realizar o manejo da parte aérea da mandioca como matéria-prima para alimentação de vacas leiteiras.2. Dessa forma. Segundo Buitrago (1990). e a introdução na dieta deve ser gradativa. já que os custos diminuem consideravelmente. a parte aérea deve ser picada em partículas de 1 a 2cm. que visa à conservação dos nutrientes da forragem e que evita a perda excessiva das folhas. necessários para a rápida redução do pH e conservação do material.0% de outros volumosos (Carvalho. 1983). pecíolos e hastes mais tenras. Para efetivação desta prática. A forragem assim obtida deve ser misturada com 50. como vacas de alta produção. da mesma forma. basta picar e distribuir imediatamente nos cochos de alimentação.46% de PB. colocada no silo e compactada a cada camada de 20cm. já que as hastes apresentam 18.2.2. 1983). Carvalho (1984) sugere a utilização os dois terços superiores da parte aérea. Para variedades “mansas”. Carvalho (1983) recomendou o aproveitamento de toda a parte aérea para produção de silagem. A parte aérea da mandioca apresenta qualidade nutricional superior à maioria das gramíneas empregadas na ensilagem. 5. (2003c) avaliaram a composição bromatológica da silagem do terço superior da parte aérea da mandioca e encontraram 19. recomenda-se fazer uma murcha. Rodrigues e Campos (2000) recomendaram usar a fração da parte aérea constituída pelas folhas.0 a 22.

05) nos parâmetros avaliados. Nessas condições. respectivamente. O material deve ser picado em partículas de 2cm e espalhado (15Kg/m2) sobre terreiro cimentado ou lâmina de polietileno (lona plástica).0.0% de gordura foram. maior concentração de proteína. 10.3. o que corresponde a 20% de inclusão de silagem da parte aérea da mandioca na dieta total. as frações A+B1.0% de concentrado. B2 e C foram de 25. 318 . deve ser dada atenção ao processo de preparo do feno para evitar esses problemas. Segundo Wanapat (2001). Modesto et al. Dessa forma. para a produção de feno. a digestibilidade aparente.42% de cinzas. já que não foram observadas diferenças (p>0. B3 (lenta degradação) e C (indigestível) foram de 37.0% de volumoso e 50. A ocorrência de chuva ou alta umidade relativa do ar e a perda de folhas. 5. 26. De acordo com Carvalho (1983). B2 (degradação intermediária).01%.25% de EE e 7.2.43% de lignina. consequentemente.63% PV e 24. No primeiro dia. 1990). o feno da parte aérea da mandioca pode ser triturado e transformado em farelo.40. no segundo dia. 31.95% e 43. b) avaliaram o consumo. No fracionamento das proteínas.21%. a secagem ao sol eliminou acima de 90% do HCN presente na parte aérea fresca da mandioca e aumentou a palatabilidade e o tempo de armazenagem.03%. duas vezes. o material pode ser ensacado e armazenado em local seco e arejado.0 e 60. esse processo facilita a incorporação do produto final em rações balanceadas (Buitrago. Quanto ao fracionamento dos carboidratos. 40. respectivamente. a parte aérea da mandioca deve ser cortada a 40cm do solo. Utilizando vacas Holandesas com 100 ± 20 dias em lactação. respectivamente. 1997).. 20. a conservação e a mistura com outros ingredientes da ração (Lopes et al. Os autores sugeriram que se podem utilizar até 60. que facilmente desprendem-se quando secas. 4. (2003a. o que permite maior concentração de folhas e. deve-se revirar a forragem picada em intervalos de duas horas e. Parte aérea desidratada ao sol (Feno) O procedimento de desidratação da parte aérea da mandioca visa à redução na umidade e à diminuição nas concentrações de HCN para níveis não tóxicos. com níveis crescentes de substituição (0. 2005). 12. a produção e a composição do leite para dietas à base de 50.48%. Após completar a secagem (12% de umidade). podem prejudicar a qualidade do feno produzido (Carvalho. conserva seu valor nutritivo por cerca de um ano.54Kg/vaca/dia. o que facilita o manuseio.0.0% de substituição.37%.86% de FDA.94% e 25.0%) da silagem de milho por silagem da parte aérea da mandioca. Alternativamente. As médias observadas para consumo de MS e produção de leite corrigida para 4. de 2. as frações A+B1 (solúvel e de rápida degradação ruminal). Além disso.

mas no Brasil ainda é pouco difundido 319 . devido à maior concentração de tiocianato (19. 34. 18.5% de FB. porque combina fonte energética (a raiz) com a fonte proteica (a parte aérea). e a segunda apresenta alto teor proteico. (1997). que. (2007). de feno da parte aérea da mandioca proporciona aumento no teor de MS e redução das perdas por efluentes.5ppm).0% de NDT.70Mcal/Kg de energia digestível (ruminantes). 20. 2002).0% de MS. Outra forma de utilização é a conservação da planta sob forma de silagem.0% e 9. PLANTA INTEGRAL (RAÍZES E PARTE AÉREA) O aproveitamento integral da mandioca com uso simultâneo de raízes e da parte aérea. 35. já que a primeira é rica em energia.9%. Segundo Amaral et al. Dessa forma. sendo necessária a trituração do material em picadeira. na estação seca do ano. seguida por um pré-murchamento.0%. porém pobre em proteína. é uma alternativa em potencial que pode oferecer redução de custos na produção animal. podendo ser utilizado na preparação de suplementos proteicos para categorias de maior requerimento nutricional. 2. De acordo com Wanapat et al. respectivamente). Para a obtenção de uma silagem de elevada qualidade. 65.4%. o que promove melhorias na produção e composição do leite.0%.5%. O feno da parte aérea da mandioca apresenta maior concentração de nutrientes em relação à forragem fresca. visando à alimentação de vacas leiteiras. Outra opção de uso para o feno da parte aérea da mandioca é a sua adição à silagem de capim-elefante. 1.8%. o farelo da parte aérea da mandioca pode compor até 35% do concentrado para vacas leiteiras. Wanapat (2002) sugeriu a suplementação com 1 a 2Kg/dia de feno de parte aérea de mandioca para vacas em lactação. como vacas em lactação (Gil e Buitrago. respectivamente) em relação ao feno de alfafa (17. a inclusão de 9.20% de Ca e 0. apresenta grande potencial para uso em pequenas propriedades. 27.30% de P. segundo a FAO (2003). 46. 6. O fornecimento da planta integral fresca é o modo mais simples de preparo. Esse processo é realizado com êxito na Tailândia. Segundo a FAO (2003). por um período de 24 horas.0% de PB. com base na matéria natural. o farelo de parte aérea da mandioca com alta proporção de folhas deve apresentar 90. a mistura dessas frações para a produção de péletes resulta em um alimento com excelente valor nutricional.Segundo Buitrago (1990).0%. A parte aérea e a raiz da mandioca apresentam características nutricionais que se complementam. FDA e lignina (24. deve-se realizar um prévio emurchecimento da parte aérea e garantir um mistura mais homogênea possível entre a parte aérea e a raiz. além de aumentar a vida de prateleira desse produto. o feno da parte aérea da mandioca apresenta maior teor de PB e menores concentrações de FDN.0% e 3.

7. destacamse a farinha de varredura.2. Dentre vários subprodutos com potencial de inclusão em dietas de vacas leiteiras. Apresenta como limitações ao uso a baixa palatabilidade e a alta pulvurulência. Ifut (1988) sugeriu a secagem deste subproduto para facilitar a conservação. A utilização desses resíduos na alimentação animal dependerá da disponibilidade deles no mercado e do custo competitivo em relação a outros alimentos com características nutricionais favoráveis e composição química homogênea (Lopes et al. casca e entrecasca. Sendo assim. principalmente. a provável contaminação por terra e o alto teor de compostos cianogênicos. ou bagaço. 2000). 7.0%) e de MS (90. 7. devido aos diferentes processos utilizados na sua obtenção. 2000). Casca de mandioca A casca de mandioca é um subproduto proveniente da pré-limpeza da mandioca na indústria. contendo parte do amido que não foi possível extrair no processamento.. Bagaço de mandioca A massa.1. possui altos teores de FDN e de FDA e baixa concentração de amido (Marques et al. da mandioca é composta pelo material fibroso da raiz. Os subprodutos residuais originados da transformação das raízes da mandioca apresentam composição nutricional muito variável. 2005). Apresenta como limitações à inclusão na dieta de vacas leiteiras a umidade elevada. Sua composição química é muito semelhante à farinha de mandioca (Caldas Neto et al. chegando a apresentar 85% de umidade (Cereda. formado por farinha e pó. aumentar a concentração de suas propriedades nutricionais. 2000). permitir armazenamento por tempo mais prolongado e eliminar a maior parte do HCN presente na casca fresca. 1983). por elementos estruturais da raiz da mandioca. a casca de mandioca e o bagaço de mandioca. entretanto exige investimentos incompatíveis com o nível de tecnologia de pequenas propriedades.3.. Farinha de varredura A farinha de varredura é obtida nas farinheiras durante a limpeza de todo o material perdido no chão. Essa prática é promissora para o aproveitamento da mandioca na alimentação animal. Por ser formada. apresentando elevados teores de amido (80. o que dificulta o consumo. constituída de ponta e raiz. RESÍDUOS DO PROCESSAMENTO INDUSTRIAL DA MANDIOCA O processamento industrial da mandioca está relacionado à fabricação de farinha e à extração de fécula (amido). É gerada na etapa de 320 . 7.(Carvalho. torna-se fundamental a análise de sua composição bromatológica para um correto balanceamento da dieta.0%) e baixas concentrações de FDN e FDA..

DF: Embrapa Informação Tecnológica. Zootec. Devido ao baixo teor de matéria seca. Mandioca e resíduos das farinheiras na alimentação de ruminantes: digestibilidade total e parcial. PIRES. Jaboticabal: SBZ. Lima et al.0 e 15. ZEOULA. deve-se estar atento à correção das deficiências nutricionais deste alimento.29. VEDOVOTO. CALDAS NETO. 2003.9% de FDN e 5. v.. Jaboticabal. 321 .. 446p. o bagaço geralmente contém uma quantidade considerável de amido (até 60.O. Rev. (2008). BUITRAGO A. L.0% de farelo de trigo. apresenta cerca de 75.L.1990.. AMARAL. A. 2000)... I. Por outro lado.. La yuca en la alimentación animal. Apesar do alto nível de fibra e lignina (34. Bras.A. 2000).M. por estar embebida em água. 2007.A.V. p..0% de umidade (Cereda. 8. concluíram que esse subproduto pode ser incluído em até 15..0%) de bagaço de mandioca à dieta de vacas mestiças com 100 a 150 dias em lactação. 201p..S. In: REUNIÃO ANUAL DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE ZOOTECNIA.F. 2007. R. S. Desta forma.. seu nível de glicosídeos cianogênicos é mínimo. Cali: CIAT. Feno da parte aérea da mandioca na ensilagem de capim-elefante: perdas e teor de matéria seca. 44.separação da fécula e. tornando-se necessária a pré-secagem do material a ser ensilado ou a inclusão de aditivos com alto teor de MS. 5. G. A. BRANCO. representa uma alternativa para substituição de ingredientes de alto custo tradicionalmente utilizados em sistemas de produção de leite. 2000. CONSIDERAÇÕES FINAIS A mandioca apresenta ampla versatilidade quanto às formas de utilização na alimentação de bovinos. Anais.F.2099-2108. Brasília. CD-ROM.J. uma vez que os processos de lavagem e extração eliminam quase totalmente esse princípio tóxico (Ramos et al.9% de lignina). (2007) obtiveram silagem com bons parâmetros de qualidade para o bagaço de mandioca pré-seco por cinco horas ao sol e enriquecido com 4. 10.V. avaliando diferentes níveis de inclusão (0.0.0%). bem como seguir recomendações de manejo que garantam eliminação do risco de intoxicação.0. ANDRADE. R. Ferreira et al. o bagaço de mandioca não é adequado para produção de silagem. J. Para que as dietas baseadas em produtos e subprodutos da mandioca permitam bom desempenho dos animais. A indústria do amido da mandioca. et al. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ALVES.0% na dieta total sem trazer transtornos fisiológicos ou nutricionais aos animais..

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MSc. ao serem processados. DSc. sendo que.CAPÍTULO 18 COPRODUTOS DO TRIGO E DO ARROZ NA ALIMENTAÇÃO DE GADO DE LEITE Flávia Cardoso Lacerda Lobato1. Doutoranda em Zootecnia. A possibilidade do emprego desses alimentos garante ao produtor maior flexibilidade na formulação das dietas.com 1 327 . no âmbito nacional e mundial. CEP 30123-970.com. são gerados coprodutos potencialmente utilizáveis na alimentação animal. Durante o beneficiamento desses cereais. MG. além de avaliar o potencial de utilização do farelo de trigo e do farelo de arroz na alimentação de vacas leiteiras.br 4 Médico Veterinário. MG. MSc. O agronegócio do leite e de seus derivados desempenha um papel relevante no suprimento de alimentos e na geração de emprego e renda para a população (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária . O arroz e o trigo. 2007). Isto é interessante principalmente em anos de preços elevados do milho e soja.ufmg.. INTRODUÇÃO O Brasil possui o maior rebanho bovino comercial do mundo.br 3 Médica Veterinária. ao consumo humano. os cereais ocupam posição de destaque. Isabela Rocha França Machado Veiga3. Caixa Postal 567. com cerca de 170 milhões de cabeças. nutricional e econômica do leite. luciocg@vet. Belo Horizonte. belaveiga@yahoo. Escola de Veterinária da UFMG. fpimont@gmail. Belo Horizonte. Caixa Postal 567. Belo Horizonte. MSc. destacando-se o farelo de arroz e o farelo de trigo. além de Médica Veterinária. Doutorando em Nutrição Animal.fafa@gmail. deste efetivo. Tendo em vista a importância social. Fernando Pimont Pôssas4 RESUMO O arroz e o trigo são destinados. Escola de Veterinária da UFMG. Dentre os diversos alimentos que compõem as rações animais. lobato. Caixa Postal 567. O leite está entre os seis primeiros produtos mais importantes da agropecuária brasileira.EMBRAPA. Prof. MG..com 2 Engenheiro Agrônomo. CEP 30123-970. O aproveitamento racional desses coprodutos. CEP 30123-970. Belo Horizonte. em Zootecnia. alimentos tradicionalmente empregados nos sistemas de produção leiteira. é necessário o estudo de alimentos alternativos para utilização em dietas de gado leiteiro. Escola de Veterinária da UFMG. alimentos amplamente destinados ao consumo humano. Caixa Postal 567. Associado Departamento de Zootecnia da Escola de Veterinária da UFMG. cerca de 35 milhões são de animais destinados à produção de leite (ANUALPEC.. ficando à frente de produtos tradicionais como café beneficiado e arroz. principalmente. Lúcio Carlos Gonçalves2. 2003). MG. Objetivou-se neste capítulo caracterizar tais cereais e seus coprodutos. CEP 30123-970. geram coprodutos potencialmente utilizáveis na alimentação animal.

são largamente empregados na manufatura de dietas para alimentação animal. Outro aspecto é a disponibilidade inconstante ao longo do ano. pode-se citar: o trigo grão. reduzindo os riscos de poluição ambiental. O aumento na produção poderá favorecer sua utilização na alimentação animal. Numerosas espécies são encontradas. No entanto. como o preço em comparação ao milho. 1. como é o caso do triguilho. Portanto. o uso deste recurso deve ser acompanhado de avaliação laboratorial criteriosa para se evitar problemas de ordem sanitária e econômica (Zardo e Lima. alta palatabilidade. O estado do Paraná. sujeito à adulteração e à contaminação. entre outros. Mais de 90. a classificação. permite uma destinação mais adequada a eles. 1999). como o farelo e o farelinho de trigo. o trigo comum (Triticum aestivum) e o trigo compacto (Triticum compactum). entre outras. com resultados positivos para o sistema de produção.9% e da produtividade média nacional em 12. Já os coprodutos obtidos do beneficiamento do trigo. o valor nutricional. o farelinho de trigo e o triguilho. Atualmente é o cereal mais produzido no mundo. a produção na safra de 2008-2009 será 47. O Triticum aestivum representa mais de 90% da produção mundial. o farelo de trigo. definidos como: 328 . Outras variáveis também influenciam o emprego desse cereal. seguido do Rio Grande do Sul lideram a produção nacional. prejudicando as projeções futuras de utilização e compra de alimentos.possibilitar uma redução de custos na alimentação. O grão integral normalmente só é destinado ao consumo animal quando possui classificação inferior. o que pode ser justificado pela sua adaptação a uma grande variedade de solos e climas. o uso de coprodutos da agroindústria na alimentação animal tem se tornado prática comum. 2006). a variabilidade da qualidade observada nestes coprodutos pode ser de grande magnitude. De acordo com estimativas feitas pela Conab.5%. amplamente utilizado na alimentação humana. IMPORTÂNCIA ECONÔMICA DO TRIGO O trigo é uma gramínea de inverno do gênero Triticum. sendo a espécie genericamente cultivada no Brasil (Miranda. devido à expansão da área plantada em 30. Recentemente. 2. NORMAS PARA ALIMENTAÇÃO ANIMAL Dentre os produtos da limpeza e industrialização do trigo. aspectos culturais.0% da produção de trigo no Brasil estão concentradas na região Sul. uma vez que se trata de material sem padrão de qualidade. mas somente três apresentam importância econômica: o trigo duro (Triticum durum).2% superior à safra 2007-2008.

0 6.0 Fibra bruta (máximo) % 4. 2001).0 4. Farelo de trigo Principal e mais abundante subproduto da moenda de grãos.. farelo de trigo e triguilho na alimentação animal.0 Aflatoxina (máximo) Ppb 20.0 Extrato etéreo (mínimo) % 1.4.2.0 20. 2001). (1998).0 1.0 3. a rotina é o emprego dos dois. 2. Parâmetro Unidade Trigo.. Tabela 1. Nos moinhos.0 Matéria mineral (máximo) % 2. Padrão exigido para a utilização do trigo.0 12.5 13. É formado por pericarpo.0 1.0 14.. grão Trigo. Deve ser isento de matérias estranhas à sua composição (Lima e Viola.1.0 11.0 6. A utilização desses alimentos na dieta animal deverá seguir algumas normas estabelecidas pelo Ministério da Agricultura. demonstradas nas Tabelas 1 e 2. Triguilho Grãos pouco desenvolvidos. Trigo grão Grão inteiro. destinado à alimentação animal.0 13. o farelo e o farelinho de trigo correm em bicas separadas. formando um produto único com o nome de farelo de trigo comercial (Campos et al. no mercado brasileiro. composto de finas partículas do gérmen e do farelo. partículas finas de gérmen e das demais camadas internas dos grãos e outros resíduos resultantes do processamento industrial. 2004). 2.0 Proteína bruta (mínimo) % 15.0 Fonte: Compêndio. consiste em um recurso alimentar renovável (Beaugrand et al. 2.0 20.2. ou resultante da classificação do trigo após a eliminação das impurezas (Lima e Viola. entretanto. farelo Triguilho Umidade (máximo) % 13. 2001).3.. 1995). que deve ser isento de sementes tóxicas e resíduos de pesticidas (Lima e Viola. Apresenta maior conteúdo de gordura e proteína do que o farelo. resultantes de lotes cujo peso específico é menor que o mínimo exigido na moagem.0 Impurezas ( máximo) % 1. mal granados ou chochos. 329 . Farelinho de trigo Coproduto obtido da polidura do grão.

) (% máx) (% máx. Aparentemente toda a lignina do grão está associada com as paredes do pericarpo (Lima e Viola. Os principais polissacarídeos que formam as paredes do pericarpo são as arabinoxilanas (660g/Kg) e a celulose (320g/Kg). mas. enquanto a aleurona é formada por arabinoxilanas (650g/kg) e β-glucanas (310g/kg). camada hialina e aleurona.0 Fonte: Compêndio. Os principais constituintes botânicos do farelo de trigo são tecidos do pericarpo e aleurona. no processo de moagem.. 1985. 2001). As variedades pertencentes a este tipo de trigo são semeadas no outono e apresentam grãos maiores do que as variedades duras. As variedades de trigo duro normalmente são cultivadas em regiões de clima temperado.) (% máx. CLASSIFICAÇÃO DO GRÃO DE TRIGO A classificação do trigo pode ser realizada conforme a cor e a textura do grão. células intermediárias. células cruzadas e células tubulares.Tabela 2. estrutura mais externa. ela faz parte do farelo.) 1 13.0 2.. ESTRUTURA DO GRÃO DE TRIGO O grão de trigo se divide praticamente em duas partes: o pericarpo e a semente.5 1. quebrados Por insetos e/ou pragas Tipo hectolitro e impurezas ardidos e chochos germinados esverdeados (% máx.0 75 1.5 1. de 29. recobertos por três camadas: testa (onde se encontram os pigmentos que dão cor ao grão). remanescentes da parede celular ou células finas. (1998).) (% máx. com paredes celulares não lignificadas.0 0. nesessitando de um período de baixas temperaturas para o seu melhor desenvolvimento (Olentine. com baixo índice pluviométrico. hipoderme.5 3 13.07. citado por Lima e Viola. Já a semente é formada pelo endosperma e o gérmen. 2001).) (Kg/hl mín. Esses grãos são pequenos e apresentam uma textura rígida com glúten duro ou moderadamente duro. 4. A aleurona. O pericarpo possui parede celular altamente lignificada.0 70 2. Grãos danificados Peso do Matérias estranhas Umidade Pelo calor mofados e Triguilhos.5 1.0 2 13.0 2.0 5.0 2. 3. do ponto de vista botânico. O pericarpo. O trigo mole é produzido em climas mais amenos e com maior incidência de chuvas. sendo formado por seis camadas: epiderme.94). Classificação do trigo (Portaria nº 167. enquanto as células da camada de aleurona são grandes e possuem alta concentração de amido e proteína.5 1. faz parte do endosperma. 330 .0 78 1. recobre toda a semente.

57. 2008).0% nos cultivares com alto teor de óleo. na sua maior parte. dextrinas.0% ou mais do total de ácidos graxos do grão de trigo. 57. mas. qualidade e composição de aminoácidos. Geralmente. A composição química do trigo é muito variada e irá depender do cultivar e das condições edafoclimáticas.NRC (2001). 331 .0% de lipídios. Quando comparada à das forragens. farelo de trigo e triguilho. O trigo também é constituído por pentosanas.0% restantes são compostos por amilopectina. que normalmente são deficientes em proteína degradável no rúmen (Martinez. O ácido linoleico compreende 50. 2001). Cerca de 25.0% da FDN do trigo é efetiva (adotandose a FDN da silagem de alfafa como referência . porém mais alta do que a maioria das fibras dos alimentos concentrados. a fibra do farelo de trigo tem efetividade mediana. O trigo contém entre 1. a proteína do trigo é superior à do milho em concentração. celulose e hemicelulose. ou seja. açúcares. (1991). Os ácidos graxos são.0% do amido é composto por amilose. Os aminoácidos limitantes em ordem de importância são: lisina. trigo grão. em comparação ao milho. 2001). treonina. sendo encontrados abundantemente os ácidos oleico e linoleico. Vaughan et al.0% do grão e 70.100. a proteína do farelo de trigo é altamente degradável no rúmen (79. Em relação ao teor de proteína e gordura. os três alimentos são superiores em proteína e aminoácidos totais. A amilose é uma cadeia linear de polímeros de glicose. o farelo de trigo apresenta níveis mais elevados em relação ao triguilho e trigo grão.5. assim como do milho. que representa aproximadamente 60.0% do endosperma. citados por Martinez (2008). enquanto os 75.3%. insaturados. COMPOSIÇÃO QUÍMICA DO TRIGO A Tabela 3 mostra a composição química do milho. enquanto a amilopectina é uma cadeia ramificada. enquanto o ácido oleico apresenta concentração em torno de 11. mesmo que ainda continuem com energia inferior àquela observada para o milho. nos cultivares comuns e até 8. Isto pode ser devido ao fato de o teor de fibra presente no trigo grão e no triguilho ser menor que do farelo de trigo.0%). De acordo com National Research Council . segundo o NRC. compararam a efetividade do farelo de trigo em relação à silagem de alfafa e chegaram ao coeficiente de 0. O principal componente energético do trigo é o amido.0 a 2.0%.0% deste total (Lima e Viola. enquanto o milho apresenta em torno de 4. O trigo grão e o triguilho possuem teor de energia muito superior ao do farelo de trigo. sendo utilizada com eficiência por ruminantes consumindo forragens de baixa qualidade. metionina e valina.

Composição química do milho grão.58 9.59 0.11 4.12 0.33 0.8 156.43 0.12 0.71 8.60 162.25 0.65 0.58 0.63 3.43 0.35 0. (2006) 88.75 0.10 32.79 0.98 4.84 0.73 Triguilho Rostagno et al.13 0.63 1.87 0.6 64.01 5.42 0.00 0.32 1.08 1.26 91.53 0.18 0.60 0.08 0.22 1.09 0. trigo grão.85 3.53 63.90 1.47 0.48 0. (2006) 87.43 0.34 0.03 0.47 0.46 0.42 0.55 4.55 0. (2005) 88.37 0.25 0. farelo de trigo e triguilho.42 0.89 0.31 0.31 4.1 0.4 44.28 9.24 73.88 12.76 6.69 2.17 13.57 217.45 1.50 0.23 3.40 Farelo de trigo Valadares Filho et al.17 13.76 0.03 3.66 0.27 0.38 0.19 67.17 0.35 0. (2006) 87.37 64.65 23.61 2.30 13.43 0.85 0.82 1.43 Trigo grão Valadares Filho et al.61 1.55 2.43 34.35 0.53 5.13 0.67 - 332 .06 1.17 0.24 0.07 1.29 0. Nutriente Matéria seca (%) Proteína bruta (%) Extrato etéreo (%) Matéria mineral (%) Fibra bruta (%) Fibra em detergente neutro (%) Fibra em detergente ácido (%) Lignina (%) NDT (%) Amido (%) Energia bruta cal/Kg Cálcio (%) Fósforo (%) Magnésio (%) Potássio (%) Sódio (%) Cobre mg/Kg Ferro g/Kg Manganês mg/Kg Zinco mg/Kg Lisina (%) Metionina (%) Cistina (%) Treonina (%) Triptofano (%) Fenilalanina (%) Leucina (%) Isoleucina (%) Valina (%) Histidina (%) Arginina (%) Tirosina (%) Alanina (%) Ácido aspártico (%) Ácido glutâmico (%) Glicina (%) Prolina (%) Serina (%) Milho grão Valadares Filho et al.52 4.72 0.21 0.64 9.27 0.02 0.94 0.31 0.31 0.21 0.49 1.16 0.14 0.58 1.Tabela 3.37 0.17 0.16 87.07 0.00 72.55 18.33 0.02 21.52 44.30 0.01 18.42 0.42 1.54 15.39 0.24 0.11 2.09 0.32 0.32 0.55 156.77 2.60 0.01 16.18 0.20 4.33 0.

pois é reconhecidamente a primeira aproximação na obtenção das estimativas dos parâmetros do valor nutritivo dos alimentos (Correa et al. a redução na ingestão de matéria seca ocorreu devido às diferenças na palatabilidade e à extensão de degradação da matéria seca. 2007). a baixa produção de bovinos nos trópicos deve-se. (1987) e Soares et al. que foi justificado pelo aumento do teor de FDN da ração à medida que se elevaram os níveis de farelo de trigo.0.. A determinação da digestibilidade também é importante. Entretanto. possam substituir os grãos de milho na formulação de dietas para rebanhos leiteiros. Dentre as várias possibilidades. 2005). Soares et al. devido à perda de palatabilidade e ao menor desempenho dos animais quando esse alimento é incluído acima desse limite. o milho em grãos das dietas de vacas em lactação (Pedroso et al.0% da matéria seca total. a avaliação do consumo de matéria seca do farelo de trigo é relevante. Assim.1.69% de farelo de trigo no concentrado. Consumo e digestibilidade aparente da matéria seca No Brasil.. Desta forma. a única alternativa para substituir o milho nas rações. De acordo com Detmann et al. (2004) incluíram 60. com características semelhantes às do cereal. 20Kg de leite. 67. respectivamente) não foi influenciado pelo aumento dos níveis de farelo de trigo das dietas. em média. (2004) substituíram o fubá de milho em 0. Segundo Waldern e Cedeno (1970).0. Resultados diferentes foram encontrados por Bernard e McNeill (1991). De acordo com os autores.6. de forma que se faz necessário buscar alimentos que. é o sorgo. (2001). Os mesmos autores observaram um decréscimo linear da digestibilidade aparente da matéria seca. mesmo com características bastante diferentes. FARELO DE TRIGO NA ALIMENTAÇÃO DE VACAS LEITEIRAS 6. silagem de milho e farelo de soja na dieta-controle de vacas Holandesas. já que é ele considerado um dos principais determinantes do processo produtivo. o farelo de trigo é mais uma alternativa interessante para substituir.0 e 100. 33. a peletização poderá amenizar os 333 . a quantidade de farelo de trigo na ração de vacas leiteiras tem sido limitada a 25. que não se encontra disponível em muitas regiões. Acedo et al. Os autores verificaram que o consumo de MS expresso em kg/dia e em %PV (média de 16.0% por farelo de trigo. De acordo com alguns autores. pelo menos em parte.16. que observaram uma redução no consumo da matéria seca quando o farelo de trigo.00 e 43. substituiu frações de milho grão. Também se verificou uma diminuição na digestibilidade aparente da matéria seca com a inclusão do farelo. incluído em 22. a um consumo deficiente de matéria seca. em grande parte. e não observaram redução no consumo de matéria seca pelos animais.80 e 3. no concentrado de vacas Holandesas.0%. que receberam silagem de milho e produziram.

A produção de leite corrigida ou não para 3. a menor produção de leite poderia ter sido causada pelo menor teor de energia do farelo de trigo comparado ao milho (NRC.0% por farelo de trigo. que receberam silagem de milho e produziram. Além de ser utilizado em rações de vacas leiteiras. substituindo o milho moído fino em 25. incluído em 17. observou uma redução nas produções de leite e de proteína e um aumento do teor de N-ureico quando o farelo de trigo substituiu 75. os teores de proteína e de gordura e os extratos secos totais e desengordurados não foram influenciados pelos níveis de farelo de trigo.0. ainda são escassas na literatura informações sobre seus efeitos na produção e composição do leite de vacas. 6. em média. ou seja. 2001).5% de gordura. a decisão da inclusão de farelo de trigo na dieta de vacas em lactação dependeria apenas de fatores econômicos.0% da matéria seca total da dieta de vacas holandesas. no concentrado padrão de vacas Holandesas.0 e 100. Neste sentido.0% de milho no concentrado. 20Kg de leite . Além disso. incluído em 15. Já o maior teor de N-ureico no leite seria consequência da maior degradabilidade ruminal da proteína do farelo. 2008).0% pelo farelo de trigo em rações concentradas em dietas à base de silagem de milho. No entanto. Martinez (2008). deve-se considerar que o farelo de trigo pode ser um excelente suplemento. que normalmente são deficientes em proteína degradável no rúmen. para vacas produzindo. o farelo de trigo pode ser empregado como substituto da forragem. esse aumento pode ter ocorrido devido ao menor tamanho de partícula e à taxa de passagem ruminal mais rápida de alguns coprodutos comparados às forragens. De acordo com os autores.0. De acordo com os autores. observaram um aumento no consumo de matéria seca. uma vez que apresenta proteína altamente degradável no rúmen. no concentrado de vacas Holandesas. em média. (2004). a diversidade de rações em que ele é incluído dificulta o agrupamento para fins de revisão de literatura (Martinez. Segundo o autor. avaliando a substituição da silagem de alfafa por farelo de trigo. 20kg de leite.0 e 75. 50. Diferente dos resultados encontrados por Soares et al. 334 . o fubá de milho poderá ser substituído em até 100. sendo utilizada com eficiência por ruminantes consumindo forragens de baixa qualidade.2. (1993). avaliando a substituição de parte da silagem de milho por farelo de trigo. Já Wagner et al. Também. 67. (2004) substituíram o milho em 33.0% da MS total da dieta de vacas multíparas em lactação.problemas relacionados à perda de palatabilidade em dietas com grande quantidade de farelo de trigo. não observaram diferenças no consumo de matéria seca. Soares et al. Depies e Armentano (1995).0% por farelo de trigo. Produção e composição do leite O farelo de trigo é largamente empregado na alimentação de bovinos.

verificada também neste estudo.0. (2004). e não verificaram alterações na produção e composição do leite. e. Devido ao alto teor de umidade.0% de farelo de trigo na dieta de vacas em lactação. e da menor disponibilidade de carboidrato fermentável no rúmen.0 ou 60.0. exceto para a dieta com 60. portanto. O teor de gordura no leite foi semelhante em todos os grupos. avaliaram os efeitos da substituição de 30.0% de feno de alfafa. Já as que receberam a dieta com 60. 40. 20.0% do milho e do farelo de soja por uma dieta composta por casca de soja. este efeito não seria esperado quando tal alimento fosse empregado em substituição a ingredientes menos energéticos. Acedo et al. diferentemente do capim emurchecido. a utilização de 60% do farelo para substituir alimentos de alto conteúdo energético resultaria em menor produção de leite. facilita a acomodação e compactação do material ensilado (Zanine et al.0 e 40. apresenta-se como uma alternativa interessante para diminuir essas perdas. Tal suposição foi confirmada por Depies e Armentano (1995).0 ou 50.0% do feno de alfafa e 25. incluído em 17. A produção de leite das vacas que receberam a dieta-controle foi semelhante à das que receberam 20. 2006). trabalhando com vacas Holandesas em lactação. bem como para melhorar o valor nutritivo das forragens. De acordo com os autores. sorgo e farelo de algodão. sendo que o farelo de trigo substituiu parte do milho. reduzindo os custos da dieta sem afetar a produção. que. substituída por coprodutos. Segundo os autores.0 ou 40. Os tratamentos não afetaram a produção e a composição do leite.0 e 60. Farelo de trigo associado a silagens de gramíneas tropicais Gramíneas tropicais apresentam um melhor valor nutritivo quando jovens. Resultados semelhantes foram detectados por Mowrey et al. 335 .0% de farelo de trigo tiveram uma queda na produção.3. farelo de glúten de milho e farelo de trigo.0% de farelo de trigo. que examinaram o efeito da substituição parcial do milho moído e da silagem de alfafa por farelo de trigo. porém os baixos conteúdos de matéria seca e de carboidratos solúveis podem inviabilizar a sua utilização na fabricação de silagens. O farelo de trigo. Não foram constatadas diferenças na produção e composição do leite.0% na MS.0% e 0. 6. No estudo com vacas mestiças (meio sangue Holandês/Jersey). os resultados obtidos por Martinez (2008) foram semelhantes aos observados por Soares et al. Entretanto. (1999). a silagem de capim está sujeita a perdas por efluentes e gases. uma mistura de coprodutos fibrosos constitui-se uma alternativa para substituição de feno ou grãos. que afetou negativamente a porcentagem de gordura do leite. (1987) realizaram dois experimentos em que foram utilizados 0..

0%. a viscosidade pode dificultar a difusão e o transporte da lipase. Ávila et al. Os autores concluíram que a inclusão de 20.0% ). Somando-se a isto. as β. 16. fato atribuído ao elevado valor nutricional deste alimento. Esta diminuição proporcionou aumento dos valores estimados para digestibilidade e ingestão de matéria seca e. elevou o índice de valor forrageiro. a viscosidade pode reduzir a intensidade de contato entre os nutrientes e as secreções digestivas e reduzir ou dificultar o transporte até a superfície do epitélio. cortado aos 46 dias de idade. promover elevação do teor proteico e reduzir a fração fibrosa da silagem. 6. produzindo soluções viscosas. predominaram as arabinoxilanas e as β-glicanas. Os autores avaliaram três tipos de aditivos (farelo de trigo. (2008). assim como nos demais trabalhos.0% de farelo de trigo na silagem de capim-mombaça. Estas alterações são relatadas principalmente em monogástricos. De acordo com Lima e Viola (2001). reduzir o pH.Zanine et al. formados por unidades de monossacarídeos e classificados como solúveis e insolúveis. O valor estimado de nutrientes digestíveis totais e das frações energéticas também aumentou linearmente com a inclusão do farelo. que combina medidas de digestibilidade e ingestão de matéria seca. (2003) também trabalharam com silagem de capim-tanzânia. elevando os teores de matéria seca e carboidratos não fibrosos. com redução da fração fibrosa. Fatores antinutricionais Os polissacarídeos não amídicos são elementos de alto peso molecular.0%. Os autores concluíram que a adição de farelo de trigo melhorou os parâmetros químicos bromatológicos da silagem. e 34.0. havendo 336 .0. considerando-se o aspecto econômico. 20. no trigo. As β-glicanas irão interferir na absorção de alguns nutrientes.0.0 e 60. Nos cereais. 8.tanzânia. devido ao aumento da viscosidade. 9.0% de farelo é suficiente para atingir melhorias consideráveis na qualidade da silagem de capim-mombaça e.4. polpa cítrica e fubá de milho) em quatro doses (3.0%. que utilizaram 0.0.glicanas estão em maior concentração. consequentemente. A utilização dos aditivos. 24. (2006) avaliaram o efeito da adição de 0. pode ser adotada. de óleos e das micelas de sais biliares dentro do conteúdo do trato gastrointestinal. 40.0% de farelo de trigo na silagem de capim. melhorou as características fermentativas das silagens de capimtanzânia. 6.0 e 12. sendo que. As atividades antinutricionais de tais elementos são atribuídas principalmente à presença dos polissacarídeos solúveis. Resultados semelhantes foram observados por Ribeiro et al. recuperar maior quantidade de matéria seca.0%. A adição de farelo de trigo foi suficiente para reduzir as perdas por gases e efluentes. que apresentam capacidade de formar solução homogênea com a água.

uma carência de informações sobre os efeitos dessas substâncias na dieta de ruminantes. a produção de arroz na safra de 2008-2009 será 5.0% da população total dos países em desenvolvimento e cerca de dois terços da população subnutrida mundial.2. 8. composto pelo pericarpo. 8. 8. que passa por uma série de processos até a obtenção do grão amiláceo ou arroz branco. destacando-se o estado do Rio Grande do Sul. Isto se deve à expansão da área plantada em 1. obtido após a descascagem do grão. entre outros.0% da sua produção está concentrada na região Sul. obtêm-se coprodutos que podem ser destinados à alimentação animal. 7. Farelo de arroz desengordurado Coproduto obtido a partir da extração do óleo do farelo de arroz integral. 2005). É um dos mais importantes grãos em termos de valor econômico.4 bilhões de pessoas e. É alimento básico para cerca de 2.1. camada de aleurona e gérmen. principalmente na Ásia e Oceania. é destinada ao consumo humano. É considerado o cultivo alimentar de maior importância em muitos países em desenvolvimento. 337 . cujas definições serão mencionadas a seguir.1% superior à safra 2007-2008.9% e da produtividade média nacional em 3. Durante esse beneficiamento. tegumento. segundo estimativas. Farelo de arroz integral (FAI) Coproduto do beneficiamento do arroz. brunido. principal produtor nacional.1%. haverá uma demanda para atender ao dobro desta população (Alonço et al. IMPORTÂNCIA ECONÔMICA DO ARROZ O arroz (Oryza sativa) é um dos cereais mais produzidos e consumidos no mundo. O Brasil destaca-se como único país não asiático entre os 10 maiores produtores. Esse cereal desempenha papel estratégico tanto no aspecto econômico quanto social. COPRODUTOS DO BENEFICIAMENTO DO ARROZ Dentre os coprodutos do beneficiamento do arroz. De acordo com estimativas feitas pela Conab. Cerca de 70. farelo desengordurado.. farelo de arroz parboilizado. A maior parte do arroz. até 2050. onde vivem 70. há o farelo de arroz integral.

2008).8. Este pode ser polido para remoção do farelo (pericarpo.0% do peso do grão. a casca. Cerca de 20. após a colheita.0% do arroz branco polido são constituídos de grãos quebrados. o tegumento e a camada de aleurona. obtendo-se o arroz integral. 10. De acordo com Prates (1993). é embebido em água quente durante um período preestabelecido e depois sofre um aquecimento brusco visando gelatinizar o amido contido no grão (Wascheck. devido principalmente a diferenciações no processo de beneficiamento.. tegumento. Brunido Constituído pela parte amilácea interna e a camada de aleurona.0-94. A camada de aleurona apresenta duas estruturas de armazenamento proeminentes.5-14. Por meio da descascagem. 9. quebrados grandes e quireras. A cariopse é formada por diferentes camadas. os grãos de aleurona (corpos proteicos) e os corpos lipídicos. obtendo-se o arroz branco polido (arroz brunido). COMPOSIÇÃO QUÍMICA A Tabela 4 demonstra a composição química dos diferentes coprodutos obtidos a partir do beneficiamento do arroz. a pálea e a lema. Farelo de arroz parboilizado Arroz que. separa-se a casca da cariopse.0-8. O endosperma forma a maior parte do grão (89. 1985. composta de duas folhas modificadas. 338 .0% da massa do arroz integral.0% do arroz integral. que são removidas ao final do estágio de beneficiamento do grão.4. a falta de uniformidade na composição química do brunido. A casca. 1985. Sendo assim. citados por Walter et al. que representa 8. é rico em proteínas e lipídios e representa 2. ESTRUTURA DO GRÃO DE ARROZ O grão de arroz consiste da cariopse e de uma camada protetora. 8. citados por Walter et al. que representam 5.3..8% do arroz integral (Juliano e Bechtel. corresponde a cerca de 20. não permite a separação eficaz entre o farelo e o brunido. a maioria do farelo de arroz comercializado no Brasil está misturada com o brunido. camada de aleurona e gérmen). sendo as mais externas o pericarpo.0% do arroz integral) e consiste de células ricas em grânulos de amido e com alguns corpos proteicos (Juliano e Bechtel. 2008). 2005). representados por quebrados médios. O embrião ou gérmen está localizado no lado ventral na base do grão.0-3.

80 4.01 114.08 0.27 19.36 Cistina (%) 0.26 Fibra bruta (%) 9.39 0.18 Proteína bruta (%) 13.61 203.88 Ferro (g/Kg) 82.46 81.06 14.11 10.63 0.95 17.57 Isoleucina (%) 0.53 16.12 0.65 1.10 Fósforo (%) 1. (2006).05 0.82 Lisina (%) 0.89 0.71 Metionina (%) 0.82 1.74 ácido (%) Lignina (%) 5.32 1. Farelo de arroz Farelo de arroz Farelo de arroz Nutriente integral desengordurado parboilizado Matéria seca (%) 88.20 Cálcio (%) 0.03 452.18 0.06 Treonina (%) 0. Composição química do farelo de arroz integral.80 Fibra em detergente 24.91 Sódio (%) 0.31 9.97 Zinco (mg/Kg) 71.22 1.22 4.70 Serina (%) 0.03 Manganês (mg/Kg) 241.66 NDT (%) 83. 339 .45 0.68 0.11 25.56 Triptofano (%) 0.51 Glicina (%) 0. farelo de arroz desengordurado e farelo de arroz parboilizado.66 454.60 Energia bruta (cal/Kg) 4.20 Fenilalanina (%) 0.44 Valina (%) 0.40 Leucina (%) 0.21 0.80 Prolina (%) 0.64 Amido (%) 17.40 91.79 Potássio (%) 1.09 9.75 1.07 143.Tabela 4.06 0.25 Matéria mineral (%) 8.48 40.23 24.75 0.38 Ácido glutâmico (%) 1.45 0.09 Cobre mg/Kg 16.63 Histidina (%) 0.76 neutro (%) Fibra em detergente 14.47 0.14 2.09 Magnésio (%) 0.54 0.09 1.43 Alanina (%) 0.48 10.42 Arginina (%) 0.90 1.82 Fonte: Adaptado de Valadares Filho et al.51 0.04 Ácido aspártico (%) 1.24 Extrato etéreo (%) 16.18 Tirosina (%) 0.49 0.61 1.44 0.25 10.71 89.

componente de densidade energética que os carboidratos.0%).0% das proteínas.0-25. 1993). O farelo de arroz desengordurado (FAD) pode ser armazenado por mais tempo que o farelo de arroz integral (FAI). baixo (12. O farelo de arroz integral é considerado um alimento energético. provocada pela extração do óleo. já que não apresenta risco de rancificação. tal técnica apresenta alto custo. prolamina e glutelina. sendo digerida em grande parte no intestino e no abomaso.0% de amilose). representa a parte dos carboidratos não estruturais. sendo que a parte dessa energia advém dos altos conteúdos de gordura. devido aos riscos de rancificação oxidativa.0%) e prolamina (5. Enquanto o endosperma é composto principalmente por amido.11. podendo-se classificar os grãos como ceroso (1.0-12. a glutelina forma a principal fração.0%) (Juliano. globulina. 1993).0-33. que parece ter degradabilidade ruminal e está presente em baixas quantidades.0%) e alto (25. Ambos os farelos apresentam baixa degradabilidade ruminal da proteína. obtendo-se o produto conhecido como farelo de arroz desengordurado. com menor concentração de albumina e globulina (15. que corresponde a aproximadamente 90. inviabilizando a sua aplicação em escala comercial. ocorrem grandes variações na composição química. As proporções em que estas cadeias aparecem diferem entre genótipos. maior maior baixa maior O alto conteúdo de óleo pode ser um fator limitante para utilização do farelo de arroz integral.0%). Outra forma de contornar o problema da rancificação seria a extração do óleo do farelo. metionina. antes da sua inclusão nas dietas dos animais. Este processo compromete o valor nutritivo dos alimentos.0%). responsável pela elevação dos teores de sílica. Já o farelo apresenta aproximadamente 340 . ENERGIA E PROTEÍNA Os carboidratos são os principais constituintes do arroz.0-20. o farelo e o gérmen apresentam principalmente fibra. conteúdo de amilose muito baixo (2. No farelo de arroz. Este é o tipo de adulteração mais frequente.0-8. devido à destruição de compostos como vitamina A. também estão presentes açúcares livres e fibra. correspondendo a aproximadamente 80. geralmente relacionadas à adição de cascas. contendo pequenas quantidades de outros carboidratos (Juliano. No entanto. biotina. especialmente dos coprodutos.02.0% da matéria seca do arroz polido. Além do amido. intermediário (20. Estes problemas podem ser resolvidos pela aplicação de calor com umidade seguida de secagem. O amido. O amido é um homopolissacarídeo composto por cadeias de amilose e amilopectina. No endosperma. lignina e fibra bruta e consequente comprometimento do valor nutritivo do farelo de arroz. O teor proteico do FAD é superior ao do FAI em função da concentração dos nutrientes. Portanto. E. entre outros. As proteínas podem ser classificadas em albumina. é recomendável a análise laboratorial dos alimentos.

tocoferol. o arroz apresenta uma das maiores concentrações de lisina. 1993). especialmente da fibra. estão Da mesma forma. Devido à sua capacidade quelante.0% dos minerais encontram-se no farelo. 1993). seguido por prolamina e glutelina (27. Cerca de 72. 341 . para tiamina.0. mas que apresentasse elevada digestibilidade intestinal. Similar a outros cereais. 2008). α-tocoferol (vitamina E). fósforo e zinco.0%) e globulina (7. Portanto. estando associado principalmente à camada de aleurona (Walter et al. enquanto os sais cálcicos de ácidos graxos (gordura protegida) apresentam efeitos mínimos sobre a fermentação ruminal. o emprego de gordura protegida tem sido restrito em função de seu elevado preço. a suplementação com gordura é interessante. FARELO DE ARROZ NA ALIMENTAÇÃO DE VACAS LEITEIRAS O farelo de arroz integral pode ser utilizado como fonte de gordura na dieta de vacas em lactação. existe uma necessidade de aumentar a concentração energética da dieta.0%) (Juliano. A qualidade da proteína depende de seu conteúdo em aminoácidos. O teor é maior nas camadas externas do grão (aproximadamente 88. 28. 13. No entanto. sendo que.0. (2004). 67. a composição em proteínas do endosperma difere do farelo. Em relação à composição mineral. De acordo com Palmquist (1991). as gorduras insaturadas e os ácidos graxos de cadeia curta apresentam mais efeitos que as saturadas. presentes no farelo (Juliano. especialmente durante a fase inicial de lactação.0%. deve-se ficar atento aos conteúdos de ácido fítico que é uma forma de armazenamento de fósforo. resultando em balanço de aminoácidos mais completo (Juliano.0% do conteúdo desse mineral em sementes.. segundo Nörnberg et al. comprometendo o desempenho animal. A concentração é maior riboflavina. e o restante. uma fonte ideal de gordura para vacas em lactação seria aquela que não interferisse na digestibilidade dos demais nutrientes. no grão polido. podendo provocar deficiência desses minerais. pois seu excesso poderá interferir na digestibilidade de alguns nutrientes.0% de albumina. Nesta fase. aproximadamente 78. 47. nas camadas externas do grão. D e C. entre os cereais.0%. o ácido fítico está relacionado à menor absorção de minerais como cálcio. VITAMINAS E MINERAIS O arroz contém principalmente vitaminas do complexo B e com concentrações insignificantes das vitaminas A. pois o consumo de matéria seca não é suficiente para atender às exigências de produção dos animais. niacina e αrespectivamente. Portanto. constituindo aproximadamente 70. Apesar dos benefícios citados. que se encontram em balanço energético negativo. 1993).60. Entretanto. a adição de gordura deve ser limitada. 12. os minerais também apresentam-se em maior concentração nas camadas externas do grão.0%). Além da possibilidade de aumentar a produção de leite por vaca. o arroz apresenta a lisina como aminoácido limitante.0 e 95.

O uso de alguns tipos de gorduras suplementares tem aumentado a produção e a porcentagem de gordura do leite. Tais tratamentos apresentaram maior digestibilidade do extrato etéreo quando comparados à dieta-controle (FM). os efeitos negativos do farelo de arroz poderiam ser atenuados ou mesmo neutralizados associando-se a gordura deste coproduto com outra fonte de gordura. fibra em detergente neutro e fibra em detergente ácido. Os autores justificaram esta maior digestibilidade devido ao aumento da proporcionalidade de bactérias lipolíticas no rúmen.0% de gordura bruta em dietas de vacas leiteiras de alto mérito genético no início da lactação. totalizando 6. fibra em detergente neutro e de carboidratos não fibrosos da dieta. não observaram alterações na digestibilidade da matéria seca. acusou resultados semelhantes à gordura protegida. causando redução no crescimento microbiano e efeito sobre o transporte de aminoácidos na glândula mamária (Santos et al. Já a porcentagem de proteína do leite foi reduzida com a inclusão do farelo de arroz parboilizado. devido à indução da resistência à insulina.7% de fubá de milho e 79.0% de fubá de milho e 50. matéria mineral e amido com a inclusão do coproduto. associado a óleo de arroz e a sebo bovino. mas. trabalhando com vacas Jersey no início da lactação. ao mesmo tempo. o farelo de arroz integral pode ser usado como fonte alternativa de gordura. matéria orgânica. com 4. dieta com 50. seja para atingir o nível almejado de gordura na dieta seja para reduzir o seu grau de insaturação. em função da maior disponibilidade desse nutriente e do maior desenvolvimento das micelas no intestino. De acordo com os autores. proteína bruta.5% nos tratamentos em que foi empregado farelo de arroz parboilizado (MA e FA). que trabalharam com vacas Holandesas com média de produção de 20kg e avaliaram três tipos de dietas: dieta com 100. esse tem efeito tóxico sobre os microrganismos do rúmen. proteína bruta. De acordo com Palmquist e Moser (1981).. Ainda segundo os autores.0% de gordura. tanto associado a óleo quanto ao sebo.3% na dieta de vacas leiteiras. proteína bruta. apresentando elevada digestibilidade da fração lipídica. (2008). Os autores concluíram que o farelo de arroz integral. a produção de proteína/Kg/dia não diferiu entre os tratamentos. tem diminuído a porcentagem de proteína. Outro fator a ser 342 . Não foram verificadas alterações no consumo de matéria seca.0% de gordura.0% de farelo de arroz parboilizado (MA) e dieta com 20. mas. Quando há substituição de carboidratos disponíveis no rúmen pelo lipídio. hormônio responsável pela estimulação do transporte de aminoácidos para o interior da glândula mamária. devido ao ligeiro aumento nas produções de leite corrigidas dos tratamentos MA e FA. avaliaram a possibilidade de utilização do farelo de arroz integral como fonte de gordura. Os resultados deste estudo foram semelhantes aos encontrados por Wascheck et al. Ao substituírem o milho por farelo de arroz parboilizado em até 79. Os níveis de gordura na matéria seca total atingiram 7. 2001). a utilização de gordura suplementar reduz a síntese de proteína do leite. matéria orgânica. Wascheck (2004) não observou efeito do tratamento sobre a produção de leite e de leite corrigido para 4.0% de fubá de milho (FM). sem afetar a digestibilidade aparente da matéria seca. (2004).Nörnberg et al.3% de arroz parboilizado (FA).

BUSH. Deve-se ficar atento aos níveis de inclusão do farelo de arroz na alimentação de vacas leiteiras. alguns experimentos foram desenvolvidos. avaliando a adição de farelo de arroz em dietas com cana-de-açúcar aditivada com ureia. Cereal Sci. v.D. CONSIDERAÇÕES FINAIS A análise laboratorial dos coprodutos antes da incorporação à dieta é fundamental. p. minerais e vitaminas proporcionou melhor desempenho em bovinos quando houve suplementação com FAI. G. O farelo de arroz e o farelo de trigo podem ser utilizados na alimentação de vacas leiteiras substituindo parte do volumoso ou do concentrado.635-638. O teor de lipídios na MS total deverá permanecer entre 5 e 7%.70. 1993). (1996). Estes suplementos teriam pouco efeito sobre a distensão ruminal.. devido às possibilidades de grandes variações na composição química. soja.. 343 .considerado é a possibilidade de comprometimento da síntese de proteína microbiana com a substituição de um alimento com alto conteúdo de carboidratos pela adição de gordura. J. Neste sentido. o que é interessante em dietas compostas por volumosos de baixa qualidade. arroz) tem se revelado como uma metodologia viável para aumentar a eficiência de utilização destes volumosos. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ACEDO. Cerca de 100 gramas adicionais de ganho diário foram obtidos para cada 100 gramas adicionais de FAI (aumento linear). a suplementação estratégica de volumosos de baixa qualidade com subprodutos do beneficiamento de grãos (milho. Responses of dairy cows to different amounts of wheat middlings in the concentrate mixture. Isto pode ocorrer. observaram que a cana-de-açúcar aditivada com ureia. Preston e Leng (1978). e equilibrariam os nutrientes essenciais para o animal. A inclusão de farelo de trigo em silagens de gramíneas tropicais surge como alternativa na melhoria dos padrões fermentativos das silagens. 14.J. A principal teoria para explicar tal resultado seria a capacidade do farelo em prover os precursores glucogênicos que parecem ser de muita importância como fatores limitantes em dietas de cana-de-açúcar (Prates. 1987. Apesar dos efeitos adversos. Segundo Ospina et al.. citados por Prates (1993). ADAMS. C. L. o farelo de arroz é um coproduto de grande potencial na nutrição de ruminantes devido à possibilidade de fornecer proteína e amido sobrepassante. Os limites de inclusão do farelo de trigo nas dietas de gado leiteiro ainda não estão bem definidos. pois microrganismos ruminais não utilizam gordura como fonte de energia. mantendo ou aumentando o consumo da dieta basal.

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wilsonvet2002@gmail. não muito comum no Brasil. que possui grande variedade de cultivares no país e um grande potencial de uso. Flávia Cardoso Lacerda Lobato 3. MSc.CAPÍTULO 19 BATATA-DOCE NA ALIMENTAÇÃO DE GADO DE LEITE Isabela Rocha França Machado Veiga 1.CIP.. 2004).) é um alimento de importância social e econômica. Escola de Veterinária da UFMG. cálcio e fósforo e ser rica em vitaminas A. CEP 30123-970.com 4 Médico Veterinário. CEP 30123-970. que também inclui tomates. DSc. em Zootecnia. Outro destino possível é a produção de biocombustível. a batata-doce (Ipomoea batatas Lam. Esta é um membro da família Solanaceae.com 1 347 ..) não é um alimento muito estudado no Brasil. Escola de Veterinária da UFMG. A parte aérea (ramas) pode ser utilizada como fonte proteica.com. Prof. B e C. MG. a batatadoce é uma raiz tuberosa de armazenamento (Centro Internacional de la Papa . Pode produzir mais energia comestível por hectare que o trigo. Associado Departamento de Zootecnia da Escola de Veterinária da UFMG. 2009). onde se constitui uma das mais importantes fontes de alimento.ufmg. doces e álcool (CIP. Lúcio Carlos Gonçalves 2. MSc. Belo Horizonte. Possui uma variedade de usos desde o consumo de raízes ou folhas frescas até alimentos processados como amido. que é um tubérculo ou caule suculento.br 2 Engenheiro Agrônomo. Escola de Veterinária da UFMG. luciocg@vet.fafa@gmail. possui bom valor energético e pode ser utilizada em dietas de vacas leiteiras com resultados satisfatórios. Wilson Gonçalves de Faria Jr. Belo Horizonte. Belo Horizonte. demonstrando a possibilidade de utilização devido às suas características agronômicas e produtivas. Bolsista CNPQ.br 3 Médica Veterinária. Por ser uma raiz tuberosa de armazenamento. Diferentemente da batata inglesa. MG. Caixa Postal 567. lobato. farinha.. uma vez que são utilizadas outras matérias-primas mais econômicas (Momenté et al. arroz ou mandioca. ao seu valor nutricional e ao seu uso na alimentação animal. Caixa Postal 567. CEP 30123-970. Com exceção do nome. INTRODUÇÃO A batata-doce (Ipomoea batatas Lam. 2009). MG. MSc. a batata-doce não tem relação com a batata inglesa. CEP 30123-970. MG. Destaca-se das demais culturas por apresentar alto rendimento por hectare e elevado valor energético. Doutoranda em Zootecnia. É uma cultura originária das Américas. Médica Veterinária. 4 RESUMO Apesar de sua grande importância social. enquanto a batata-doce pertence à família Convolvulaceae. Caixa Postal 567. Belo Horizonte.. O objetivo deste capítulo é descrever esse alimento. belaveiga@yahoo. principalmente para as regiões menos desenvolvidas. além de conter ferro. Doutorando em Nutrição Animal. Caixa Postal 567.

176 mil toneladas – Food and Agriculture Organization . A baixa produtividade está muito aquém do real potencial da cultura. Esta cultura está presente em todas as regiões brasileiras. 1. Devido a sua ampla adaptação. principalmente em regiões tropicais (CIP..IBGE. o que torna o seu custo de produção inferior ao de outras culturas.FAO. no México. sendo produzida principalmente na Ásia (China: 107. 2009).2 toneladas por hectare está abaixo da produção média mundial de 15 toneladas por hectare. A maior parte das evidências indica a faixa contida entre o México e o norte da América do Sul como a mais provável região de origem (Ritschel et al. 2005).FAO. 2009). 2009). a cultura se desenvolveu separadamente de seus ancestrais americanos. como a batata-inglesa e a mandioca (CIP. que pode atingir mais de 40 toneladas por hectare (Miranda et al. 1998). como Ásia e Papua Nova Guiné (CIP. e na África (Uganda: 2. A produtividade média brasileira de 11. que agrupa aproximadamente 50 gêneros e mais de 1000 espécies. Em outras regiões.EMBRAPA. Pode ser encontrada desde a Península de Yucatan. onde quase a metade da produção é utilizada na alimentação animal. Além disso. O exato local do continente onde é originada a batata-doce ainda é indeterminado. mas no Nordeste assume alta importância social. 2003). 1984.3 (acesso UFT-10AL) a 26. encontrou uma produtividade de raízes variando de 5. é cultivada entre 40o de latitude Norte e 40o de latitude Sul. 2007). ORIGEM E PRODUTIVIDADE A batata-doce é uma espécie dicotiledônea pertencente à família botânica Convolvulaceae.650 mil toneladas . principalmente por constituir uma fonte de alimento energético. 2005). O Brasil é o décimo sétimo país no ranking de produção com 500 mil toneladas (FAO. trabalhando com 20 acessos de batata-doce originários do programa de melhoramento genético vegetal do estado do Tocantins e cinco cultivares comerciais. Um dos motivos da baixa produtividade é a utilização de cultivares de baixo potencial produtivo e mais suscetíveis às pragas. Massaroto (2008). além de contribuir para a geração de emprego e renda. tolerância à seca e à baixa fertilidade do solo. o nível de tecnologia empregado pela maioria dos produtores é bem menor que o desejável. garantindo a fixação da mão de obra no campo (Miranda. 2009). 2007). até a Colômbia (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária .. Alguns pesquisadores apontam a América Central e outros a América do Sul (CIP. O cultivo está presente em todo o Brasil. 2003). necessitando de poucos tratos culturais e dispensando o uso de tecnologia agrícola mais avançada.É uma das culturas mais importantes no mundo. com destaque para regiões Sul e Nordeste (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística . onde é utilizada quase totalmente para alimentação humana (CIP. Isto se deve principalmente à sua rusticidade. 2005). normalmente em caráter de subsistência. 2006). 2009).6 toneladas por hectare (cultivar Palmas). EMBRAPA. sendo somente a batata-doce de cultivo com expressão econômica (Miranda. A produtividade de matéria seca da 348 .

O principal produto comercial é a raiz tuberosa. As raízes tuberosas são também denominadas de batatas e revestidas por uma pele fina. O caule. geralmente.5% (acesso UFT-22) a 17. A batata-doce se desenvolve melhor em locais ou épocas em que a temperatura média é superior a 24ºC. nos períodos da primavera e verão. e a parte central denominada de polpa ou carne. responsável pela absorção de água e extração de nutrientes do solo. que é uma bacteriose causada por Streptomyces spp. uma análise química do solo deve indicar ou não a necessidade de correção da acidez. pecíolo longo. com formato. formada por poucas camadas de células: uma camada de aproximadamente 2mm denominada de casca. Por isso.8 (acesso UFT-58) a 7.parte aérea variou de 0. CARACTERÍSTICAS AGRONÔMICAS E CONDIÇÕES DE CULTIVO A batata-doce possui caule herbáceo de hábito prostrado. facilitam a colheita. cor e pilosidade variáveis.5 resultam em menor ocorrência de sarna. As ramas-semente têm capacidade de emitir raízes em tempo relativamente curto. cor e recortes variáveis. têm níveis elevados de alumínio solúvel. mas pode ser cultivada em regiões temperadas. pode ser segmentado e utilizado como ramasemente para formação de lavoura. o que é prejudicial ao desenvolvimento das plantas.5% (acesso UFT-112). 2. permitindo o arranquio das batatas com menor índice de danos e menor esforço físico. Quanto ao regime pluvial.2 toneladas por hectare (acesso UFT48). dependendo da variedade. com pH ligeiramente ácido e com alta fertilidade natural. Solos arenosos facilitam o crescimento lateral das raízes. Além disso. mais conhecido como rama. com uma variação de teor de matéria seca de 11. bem drenado. A cultura não suporta geada. com pH entre 4. 1971). sem presença de alumínio tóxico. A pele se destaca facilmente da casca. O solo deve ser preferencialmente arenoso. três ou quatro sementes com 6mm de diâmetro e cor castanho-clara (Edmond e Ammerman. o crescimento da planta é severamente retardado. Possui também a raiz absorvente. devido à sua autoincompatibilidade. frutos do tipo cápsula deiscente contendo duas. mas a divisão entre a casca e a polpa nem sempre é nítida e facilmente separável. flores hermafroditas e de fecundação cruzada. quando a temperatura é elevada e a alta radiação solar favorece o desenvolvimento da cultura. solos muito ácidos. que deve ser realizada com calcário dolomítico. Entretanto. a cultura deve ser implantada em locais com pluviosidade anual média de 750 a 1000mm. 349 . com ramificações de tamanho. em temperaturas inferiores a 10ºC. folhas largas. amplamente utilizada na alimentação humana. evitando a formação de batatas tortas ou dobradas. do estádio vegetativo da planta e do tempo de armazenamento.5 e 5. sendo que cerca de 500mm são necessários durante a fase de crescimento. que pode variar de três a cinco dias. Solos ácidos.

em geral. que apresentam raízes muito ricas em vitamina A (Hagenimana et al. Estas ocorrem com maior frequência e geralmente causam danos severos. As principais pragas são a broca-da-raiz (Euscepes postfasciatus. Em condições ideais de cultivo. Pyralidae). 350 . que devem ter aproximadamente 300g.dependendo da temperatura e da idade do tecido. 3. Geralmente são equipamentos semelhantes aos arados modificados para facilitar a separação do solo.2% de amido e de 4. Apresenta cerca de 30. 1998). tem seu valor descrito na Tabela 4. ocorre entre 120 e 150 dias. a colheita pode se iniciar aos 90 dias. Curculionidae) e a broca-das-hastes (Megastes pusialis. A colheita pode ser antecipada ou retardada. A prorrogação do ciclo pode implicar maiores danos por permitir maior número de ciclos das pragas. mesmo quando algumas etapas são mecanizadas. tendo à frente um disco vertical para cortar as ramas. Para isso. atingindo de 13. 1995).8% de açúcares totais redutores (Miranda et al. podem ser utilizados diversos equipamentos que executam o corte do solo ao lado das leiras ou abaixo delas. VALOR NUTRICIONAL A batata-doce é um alimento principalmente energético. A antecipação geralmente corresponde a uma menor produtividade. parte do amido se converte em açúcares solúveis.0% de matéria seca na colheita. A mecanização simples consiste em revolver a leira para expor as raízes.. Contudo. O enraizamento é mais rápido em condições de temperatura elevada e em ramas recentemente formadas. se não forem tomadas medidas de controle. devido à colheita de raízes de menor tamanho. A colheita sempre envolve muita mão de obra. pode superar em algumas características. Lepidoptera. Coleoptera. contendo em média 85. O momento de colheita é definido pelo tamanho ou peso das raízes.8 a 7. O valor nutricional das raízes da batata-doce (Tabelas 1 e 2) é semelhante ao da mandioca e da batata..4 a 29.0% de carboidratos. 2009). mas. Não existe um ponto específico de colheita das raízes da batata-doce. dependendo da oportunidade de comercialização e uso. cujo componente principal é o amido. mais utilizada na alimentação de monogástricos. As raízes de batata-doce desidratadas (chamadas de raspas) também são utilizadas na alimentação animal. Outra opção consiste em passar uma lâmina abaixo da zona de crescimento das raízes ou utilizar a colheitadeira de batatas (EMBRAPA. e seu valor nutritivo está descrito na Tabela 3. além de se formarem raízes grandes e frequentemente mais defeituosas. em virtude de cultivares com coloração amarela ou alaranjada. A farinha de batata-doce. como o teor de betacaroteno. Durante o armazenamento.

(2000).0 39. (2002) Matéria seca (%) 85.35 Zinco (mg) 0. Composição química de 100g de raiz de batata-doce crua. Tabela 3.0 Vitamina B – tiamina (mg) 96.5 1. Componente Quantidade Água (g) 72. (2002).0 Vitamina B2 – riboflavina (mg) 55.1 32.0 Glicídios (g) (Franco.1 Lipídios (g) 0.1 0.0 Sódio (mg) 43.4 18.0 Vitamina B5 – niacina (mg) 0. Quantidade Componente Batata-doce Mandioca Batata Umidade (%) 70.0 Ferro (mg) 0. 351 .17 – 5.55 Fonte: Rusoff et al.0 63.0 Fibras digeríveis (g) 1. (1947).5 Fonte: Luengo et al.0 Fonte: Woolfe (1992).8 Fibras digeríveis (g) 3.3 0. 2005) 27.03 Gordura (%) 0.67 – 4.3 0.39 4.0 Manganês (mg) 0.55 – 1.70 89.1 Energia (kcal) 111.1 Carboidratos totais (g) 26.0 9.8 Calorias (kcal) 102.06 Carboidratos totais (%) 92.15 Fibra (%) 1.4 2.0 78.0 80.78 NDT (%) 71.68 Proteína (%) 4.35 – 92.5 Proteína (g) 1.1 Cálcio (mg) 32. Composição química das raízes de batata-doce desidratadas.47 1.0 50.Tabela 1.9 4. Composição média de 100g de matéria fresca de raízes de batata-doce e mandioca e tubérculo de batata. Valadares Filho et al.0 Vitamina C – ácido ascórbico (mg) 30. Componente Rusoff et al.9 28. (1947) Valadares Filho et al.78 – 81.0 141.0 Magnésio (mg) 10.9 19.2 Vitamina A – retinol (mg) 300.28 Cobre (mg) 0.0 2. Tabela 2.0 Fósforo (mg) 39.1 Potássio (mg) 295.0 41.7 1.

11 2. 2002).0 Fonte: Adaptado de Franco (2005). Os valores de pH determinados estão dentro dos valores padrões para silagem de boa a média qualidade de 3. Por unidade calórica.0 145. 352 . fósforo e ferro.4 Proteína (g) 4. além de vitamina A e vitamina C (Xiaoding.0 119.6 4.0 Fósforo (mg) 84. Quantidade Componente Batata-doce Mandioca Feijão preto Calorias 49. sendo um material rico em proteína bruta (15.5 (Tomich et al. O uso de brotações de batatadoce como hortaliça verde tem sido também prioridade de pesquisa em países asiáticos (Xiaoding.0 303.2 1. 1995).6 7. 2003).0 Ferro (mg) 6.6 Glicídios (g) 10.2 18..3 62.Tabela 4.. detoxificação prévia antes do uso. Componente Matéria seca (%) Proteína bruta (%) Gordura (%) Fibra (%) Energia bruta (Kcal/Kg) Fonte: Rostagno et al. trabalhando com silagens da parte aérea de 20 acessos oriundos do programa de melhoramento vegetal do estado do Tocantins e cinco cultivares comerciais de batata-doce.44 1. (2000). Composição química da farinha de batata-doce. Tabela 5. 1995).58%) (Valadares Filho et al.0 20.0 343.58 3. mas com a vantagem de não possuir princípios tóxicos (compostos cianogênicos). portanto.0 1. encontrou as variações na composição química desse alimento apresentadas na Tabela 6.2 7.7 6. Massaroto (2008).0 471. as folhas de batata-doce superam até o feijão.43 4.875 As folhas são excelente fonte de glicídios. uma das principais fontes proteicas utilizadas para consumo humano no Brasil.4 7. Quantidade 89. folhas secas de mandioca e feijão preto cru. Composição média de 100g das folhas frescas de batata-doce. A rama de batata-doce é constituída das folhas e caules.7 Lipídios (g) 0.3 Proteína (g/100 cal) 9. cálcio. não exigindo.8 a 4.3 Cálcio (mg) 158.0 91. Seu valor alimentício é semelhante ao das folhas de mandioca (Tabela 5).

sem qualquer tipo de tratamento. no entanto a maioria dos países que pratica a utilização na alimentação animal aproveita as raízes com padrão comercial para consumo humano. Variação da composição química das silagens da parte aérea de 20 acessos e cinco cultivares comerciais de batata-doce.1 – 11. 1991). 1980. As raízes normalmente apresentam baixo teor de proteínas (em média de 1. folhas de mandioca e da própria batata-doce ou outro produto rico em proteína.2 Matéria mineral (% da MS) 12.Tabela 6. ramas.2 Estrato etéreo (% da MS) 6.0%).9 – 58. Em países como China (Scott.. Papua Nova Guiné e Uganda (Peters et al. Nutrientes Valores Proteína bruta (%da MS) 9. 2005). 1976. Pode ser integralmente aproveitada para este fim. o que pode tornar antieconômica a secagem artificial. Dickey et 353 .. Geralmente. 1998). Walter et al. Cerca de 43% da produção mundial de batata-doce (50 milhões de toneladas) são utilizadas para a alimentação animal (CIP. essa deficiência é corrigida pelos produtores por meio da suplementação da dieta com soja. Indonésia. e mais de 40% do nitrogênio total é nitrogênio não proteico (Purcell et al. BATATA-DOCE NA ALIMENTAÇÃO ANIMAL A batata-doce pode ser utilizada para alimentação de várias espécies animais. onde esse alimento é cultivado.6 Matéria seca (%) 16. A raspa. é um excelente complemento alimentar energético que pode ser adicionado à ração de animais. 2004). constituída de raízes picadas e secas.. 1974.6 – 17. Na China. Filipinas. 1989). a utilização de batata-doce na alimentação de suínos e outros animais é uma prática comum. Essa restrição se torna pior pela presença de inibidores de tripsina. Vietnã. Tanto as ramas quanto as raízes podem ser fornecidas frescas.3 a 4. ou mesmo crua.. tanto de ruminantes como não ruminantes. 1991).3 Fonte: Massaroto (2008) 4. 2004). 1985). 1976).0% na MS) (Li. ocorreu um aumento constante no uso de raízes e ramas de batata-doce na alimentação de suínos e outros animais (Dapeng e Xiu-Qing. Normalmente. Diferentes níveis de atividade de inibidor de tripsina são descritos na literatura (Lin e Chen.6 – 13. A utilização na alimentação animal é feita principalmente na China e na Tailândia por meio do uso das raspas. Folhas e brotos podem ser consumidos por aves e peixes (Silva et al. e as raízes deformadas ou com qualquer outro defeito que inviabilize a sua comercialização ou consumo pelo ser humano são destinadas aos animais. como suínos e bovinos (Barrera. de alguma forma ele é utilizado na alimentação animal (Scott. que reduzem a digestibilidade de proteínas em raízes não cozidas (Yeh e Bouwkamp.0 – 26.2 Fibra em detergente neutro (% da MS) 37. silagem. Purcell et al. principalmente para os animais ruminantes. bem como as ramas. 1984). nos últimos 30 anos.. A grande limitação para este tipo de utilização é o alto teor de umidade contido na batata-doce fresca (70.

A baixa capacidade de armazenamento in natura. exceto em um determinado período no qual as temperaturas se encontravam baixas. Resultados do uso da batata-doce na alimentação de vacas leiteiras Trabalhando com farelo de batata-doce. b) substituíram totalmente o milho no concentrado de vacas Jersey e Guernsey em lactação e não encontraram diferença significativa em produção de leite e gordura de leite e peso vivo. Zuohua et al. o que leva muitos a não submeter as raízes a esse processamento. Consequentemente. sem afetar-lhe a palatabilidade.al.0% de melaço. Apesar de o processo de cozimento das raízes eliminar esse fator indesejável. 1984). A silagem das ramas (caule e folhas) foi realizada em um experimento de Hall et al.0% de batata-doce em sua composição.0% de raízes de batata-doce ou acréscimo de 13.. coloração e textura adequadas. com acréscimo de 15. o processo consome elevado tempo e alto custo para o produtor. Frye et al. Ruiz et al. ainda. Peters et al. As mudanças na composição química do material durante a fermentação anaeróbica da silagem com produção de ácido lático e queda de pH ocorreram em todos os tratamentos com formação de um material de odor característico. com a vantagem de eliminar o trabalho de cozimento das raízes tuberosas e. 2005). sofrendo ataques de doenças e apodrecimento acelerado. Em um dos 354 . (1973). O farelo de batata-doce foi tão palatável quanto o milho moído. o desenvolvimento dos animais se torna menor. Quando combinada com folhas da mandioca picadas. 4. se torna necessária a preparação de material fresco todos os dias.1. economizar mão de obra e capital do produtor. além de permitir o armazenamento do material por até cinco meses em condições de anaerobiose. e o retorno econômico para o produtor decresce. é outro problema deste alimento. (2005) verificaram que a silagem de raízes de batata-doce não cozidas promoveu ganho de peso na alimentação de suínos igual ao ganho de peso promovido pelo fornecimento de raízes cozidas. tornando trabalhosa a utilização da cultura para este fim (Peters et al. sendo esta pura. sua qualidade se torna superior.. tornando-a inviável para a finalidade. houve maior produção de ácido lático. que a silagem produzida poderia apresentar proporções de até 60.5% de raízes de batata-doce e 3. (2004) observaram aumento dos teores de matéria seca e proteína no fornecimento de raízes e ramas de batata-doce na forma de silagem em relação ao fornecimento do material fresco a suínos. (1948a. e não foi percebido nenhum efeito laxativo excessivo para os animais consumindo este alimento. Verificaram. Resultados semelhantes foram encontrados por Sutoh et al. (1980) e Brown e Chavalimu (1985). Uma alternativa viável para aproveitar a batata-doce na alimentação animal sem consumir horas de trabalho ou capital do produtor é sua utilização como silagem. (1954). dessa maneira. Dessa maneira. Com o acréscimo de raízes e melaço. reduzindo o custo de produção da silagem de milho. A ensilagem reduz o nível de inibidor de tripsina.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BARRERA. Ipomoea batatas (sweetpotato vines) and Cajanus cajan (pigeon pea leaves). ou não.L. mas deve-se levar em consideração o menor teor proteico e de lipídios desse alimento para ajuste da dieta (Mather et al. mesmo sendo um alimento considerado como concentrado. 1948). Pennisetum sp. 5.0% de gordura. A silagem da parte aérea tem bom valor nutritivo e também é uma boa opção para utilização na dieta de ruminantes. Feed Sci. P. 2004). em substituição ao milho.experimentos. Pennisetum purpureum (Pakistan napier grass). D. L.. talvez por não ser considerada cultura de importância econômica relevante. os autores concluíram que a batata-doce desidratada pode ser utilizada em substituição à silagem de milho e soja. No Brasil.0% do valor do milho moído como fonte de carboidrato para vacas de leite. v. Com esse resultado. São Paulo: Ícone.. sendo cultivada em caráter de subsistência em grande parte das pequenas propriedades rurais do país.13. 2. a utilização da batata-doce na alimentação animal.. BROWN. sua importância social é inegável. 91p. mas deve-se lembrar de sua deficiência proteica. Rusoff et al. CHAVALIMU. sem diferença entre eles (Frye et al. (1950) não encontraram diferenças para produção de leite corrigida para 4. p. No entanto. com resultados satisfatórios na dieta de vacas leiteiras. foi avaliado o sabor do leite desses animais consumindo milho e farelo de batata-doce. 1985. Effects of ensiling or drying on five forage species in western Kenya: Zea mays (maize stover). Trabalhando com raiz de batata-doce desidratada em substituição à silagem de milho e soja. 1989. 355 .1-6. Batata-doce. A parte aérea (ramas) tem um teor proteico considerável e pode ser usada na dieta de vacas leiteiras associada à raiz. Anim. Technol. A raiz da batata-doce desidratada possui aproximadamente 90. (bana grass). não é objeto de grande estudo científico. A raiz é muito energética e pode ser utilizada na forma fresca ou na forma de raspas. A variabilidade observada em diversos acessos da cultura torna possível o melhoramento vegetal da espécie visando à melhoria da qualidade nutricional para a alimentação animal (Dapeng e Xiu-Qing. principalmente de vacas leiteiras. suprindo a deficiência desse nutriente.ed. com o mesmo consumo dos dois alimentos. portanto pode ser usada em substituição. CONSIDERAÇÕES FINAIS A batata-doce é um alimento que pode ser usado na alimentação animal com resultados positivos. 1948a).

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fazer um estudo do metabolismo dos principais carboidratos não fibrosos utilizados na alimentação de bovinos leiteiros e apresentar considerações sobre a acidose ruminal. CARACTERIZAÇÃO DOS CARBOIDRATOS Carboidratos. 1. sua quantificação na dieta.ufmg. glucídeos. Prof. Entretanto. CEP 30123-970.CAPÍTULO 20 CARBOIDRATOS NÃO FIBROSOS NA ALIMENTAÇÃO DE GADO DE LEITE Eloísa de Oliveira Simões Saliba1. e o entendimento de seu metabolismo são importantes para que o nutricionista possa utilizá-los racional e adequadamente.br 1 359 . Caixa Postal 567. A caracterização dos carboidratos não fibrosos. Prof. Caixa Postal 567.. DSc. pela grande quantidade de energia requerida pelos animais.br 2 Bioquímico. Belo Horizonte. DSc. saliba@vet. conforme sua natureza química e utilização pelo animal. caracterizar e descrever algumas técnicas analíticas. luciocg@vet. glúcides. constituídas por carbono. glicídios. INTRODUÇÃO O trato digestivo dos ruminantes está adaptado para digerir volumosos. CEP 30123-970.ufmg. de função mista poliálcool-aldeído ou poliálcool-cetona. Química. elaborando dietas nutricionalmente equilibradas que resultarão em desempenhos animais satisfatórios.. Caixa Postal 567.ufmg.. PhD. existe uma limitação destes pelo animal. Os carboidratos podem ser classificados em várias categorias. Associado Departamento de Zootecnia da Escola de Veterinária da UFMG. Belo Horizonte. oxigênio e hidrogênio nas proporções de 1:1:2. sacarídios são substâncias biológicas sintetizadas pelos organismos vivos. Titular Departamento de Zootecnia da Escola de Veterinária da UFMG.. Lúcio Carlos Gonçalves3 RESUMO Este capítulo visa definir. Norberto Mario Rodriguez2. CEP 30123-970. carbo-hidratos. Prof. MG. que é determinada pela habilidade dele em absorver os produtos da degradação desses açúcares rapidamente fermentáveis. Belo Horizonte. MG.br 3 Engenheiro Agrônomo. MG. norberto@vet. hidratos de carbono. Os sistemas de produção modernos estão baseados em altas concentrações de carboidratos rapidamente fermentáveis nas dietas. Associado Departamento de Zootecnia da Escola de Veterinária da UFMG.

O grupo dos carboidratos formados pelos açúcares. amido e pectina é também classificado como carboidratos não fibrosos (CNF). e o tetrassacarídeo estaquiose (frutose + glicose + 2 galactoses). Classe química Monossacarídeos Carboidrato presente glicose frutose galactose Oligossacarídeos a) dissacarídeos b) trissacarídeos c) tetrassacarídeos Polissacarídeos a) reserva sacarose lactose maltose rafinose estaquiose amido dextrina Gomas substâncias pécticas b) estrutural hemiceluloses celulose lignina                                                                                                                             O amido bem como os açúcares compõem o grupo dos CNE e são assim classificados por estarem presentes no conteúdo celular das células vegetais. mas é também classificada como carboidrato não estrutural por ser totalmente solúvel em detergente neutro e ser rápida e extensamente degradável pelos microrganismos ruminais (Van Soest. de trissacarídeos rafinose (frutose + glicose + galactose). A Tabela 1 mostra essa classificação: Tabela 1. A pectina está presente na parede celular. Estes incluem os monossacarídeos glicose e frutose. também sendo classificada como fibra solúvel (Hall.carboidratos não estruturais ou não fibrosos(CNE). a pectina não pode ser digerida por nenhuma enzima animal. lactose (glicose + galactose) e maltose (2 moléculas de glicose ligadas α-1. 1994). 2 . Os carboidratos estruturais compõem a parede celular dos vegetais.4).As duas principais classes são: 1 . o dissacarídeo sacarose (glicose + frutose). diferentemente dos açúcares e amidos. Chesson e Forsberg. 1993. 1994). Classificação nutricional dos carboidratos.carboidratos estruturais ou fibrosos(CE). 360 . a fibra que garante a resistência física. Porém. A disponibilidade dos carboidratos não fibrosos pode ser definida como a susceptibilidade a enzimas microbianas. 1997). São fonte de energia prontamente disponível ou de reserva para a planta (de Visser.

as formas cíclicas são frequentemente muito mais estáveis do que as formas lineares. dissacarídeos e oligossacarídeos. Em um estudo in vitro. possuem a propriedade de serem solúveis em água.32 para 0. Somente uma pequena parte dos carboidratos sintetizados pelas plantas durante a fotossíntese encontra-se na forma de monômeros livres. as hexoses sofrem uma interação intramolecular. formando uma estrutura cíclica. na forma de pentanel (furano) ou na forma de hexanel (pirano). mediante o ataque do seu carbonilo por um dos seus grupos hidroxila. que são aldoses. estruturas destrógiras ( D ) e levógiras ( L ). A produção de proteína microbiana foi linearmente incrementada com o aumento da sacarose. A glicose é o monossacarídeo mais importante do grupo dos carboidratos não estruturais. As hexoses mais comuns são a glicose.4) e dextrina. Em solução aquosa. Hall (1998) determinou o efeito de diferentes níveis de sacarose (65. A Figura 1 apresenta a fórmula química de alguns açúcares presentes nos alimentos. 130. que é a capacidade de girar as ondas unidirecionais da luz polarizada. Os monossacarídeos podem converter-se em formas cíclicas.23 (mg de proteína bruta microbiana/mg de sacarose).Ainda incluem os polissacarídeos de reserva. e a eficiência de produção decresceu linearmente de 0. como amido (composto de glicose ligada α1. enquanto a frutose é uma cetose. também chamados de açúcares. Devido à solubilidade em água e à reatividade. combinam-se para formar Os monossacarídeos. A existência de carbonos assimétricos (carbonos com quatro substituintes diferentes) confere aos monossacarídeos a propriedade de isomerismo óptico. a galactose e a frutose. carboidratos monoméricos. A ribose é também constituinte do ácido ribonucleico (RNA). e a arabinose e a xilose fazem parte de polissacarídeos complexos da parede celular como a pectina. a arabinose e a xilose. Os monossacarídeos. dissacarídeos. A glicose e a galactose são aldoses. a qual é parte da molécula do amido hidrolisada e a pectina. portanto. devido à 361 . esses são rapidamente utilizados pelas plantas como intermediários para a síntese de compostos complexos. As pentoses mais comumente encontradas são a ribose. como a sacarose da cana-de-açúcar e o amido dos grãos de cereais. ou como carreadores de energia. possuindo. oligossacarídeos e polissacarídeos. Em solução aquosa. que. sendo constituinte de compostos energéticos-chave na nutrição e alimentação de ruminantes. e 195mg) fermentados com 130mg da fibra em detergente neutro (FDN) de capim-bermuda. e a isomeria geométrica. A maioria dos carboidratos não estruturais dos alimentos para ruminantes é composta por moléculas de monossacarídeos de 5 a 6 átomos de carbono. tubérculos e raízes.

Figura 1. Fonte: Tester et al.interação intramolecular das hidroxilas dos carbonos 1 e 2 dos monossacarídeos podem orientar-se espacialmente na configuração cis ( α )(+) ou trans ( β)(-). Fórmula química de açúcares. 362 . (2004).

(2000). A amilopectina (Figura 3) é uma molécula maior que a amilose.0% por ligações α-(1 → 6) (French. 363 .. a partir da polimerização da glicose. (1998). Tester et al.920 resíduos de glicose e pode ter de nove a 20 pontos de ramificação [ligações α-(1 → 6)] e de 3 a 11 cadeias lineares (Hoover. mas os resultados eram bastante variados. o amido é formado por dois polímeros de glicose. Apresenta peso molecular entre 1 x 107 e 1 x 109 Da (Tester et al. O amido é sintetizado em estruturas vegetais denominadas plastídeos: cromoplastos das folhas e amiloplastos de órgãos de reserva. Esta denominação é importante para compreensão das ligações glicosídicas que dão origem aos carboidratos formados pela condensação de açúcares simples. 2001. encontraram resultados em que a sacarose aumentava a produção de gordura no leite. a amilose e a amilopectina. a complexa organização das ramificações α-(1 → 6) é responsável pelo empacotamento denso e semicristalino dos resíduos de glicose nos grânulos de amido.0% por ligações α-(1 → 6)..0% dos resíduos de glicose estejam unidos por ligações α-(1 → 4). encontraram aumento no consumo de matéria seca e no conteúdo de gordura do leite. A molécula é composta de 324 a 4. A amilopectina ode conter mais de 15 mil resíduos de glicose. Este possui aproximadamente 99.0 a 7.0% dos resíduos de glicose unidos por ligações α-(1 → 4) e 1. sendo considerada uma das maiores moléculas conhecidas. que foi aumentada e pôde explicar o aumento da gordura do leite. ao tamanho da molécula e consequentemente pelas propriedades químicas.Quando a interação ocorre entre os carbonos 1 e 4. 1997). As cadeias lineares de glicose. resultante da fotossíntese. A substituição do açúcar pelo amido do milho alterou a fermentação ruminal e os produtos. Esses dois polímeros diferenciam-se entre si quanto ao tipo de estrutura química. unidas por ligações α-(1 → 4). forma-se a α-glicose furanósica (os grupos OH dos carbonos 1 e 2 estão em posição cis) ou a forma β-glicose furanósica (os grupos OH do carbono 1 e 2 estão em posição trans). Segundo Ball et al. Em dietas em que a sacarose foi substituída pelo amido do milho (0. 2004) e tem estrutura bastante ramificada. como a proporção molar de butirato. têm pontos de ramificação α-(1 → 6) a cada 20 a 25 resíduos de glicose (Chesson e Forsberg. O peso molecular varia de acordo com a origem botânica e encontra-se entre 1 x 105 e 1 x 106 Da. em dois trabalhos em que substituíram a sacarose por amido da dieta de vacas em lactação. A amilose (Figura 2) é um polímero longo e relativamente linear. Estima-se que 95. n moléculas de glicose ===> amido + água Quimicamente. como no caso do amido. 2004). Broderick et al. e os outros 5. disposto em dupla hélice.5% da matéria seca da dieta). 1973). Essas cadeias são relativamente longas e podem conter de 200 a 700 resíduos de glicose.

Amilose. n = 1000. encontraram valores de diâmetro dos grânulos de amidos variando de 9 a 16μm. na maioria das espécies. com pontos de ramificação α-(1 → 6). (2004). A molécula linear pode conter cadeias moderadamente longas ligadas por ligações α-(1 → 6).0% de amilose e 70. as internas (b) contêm de 20 a 30 resíduos. enquanto os de maior são encontrados nas hastes. um α-(1 → 4)-glucano. Os grânulos de menor diâmetro são encontrados nos cloroplastos. O trigo é o cereal que apresenta os maiores grânulos de amido e no formato oval (Asp et al. A porcentagem de amilose e de amilopectina varia com a origem botânica do amido. 1997). o amido é composto por 30. Figura 3. em 2009. 1996). mas. Os amidos dos tubérculos (batatas) são grandes e geralmente redondos. Os tamanhos das cadeias a e b podem variar com a origem botânica do amido. Fonte: Tester et al. A amilose e a amilopectina encontram-se empacotadas nas plantas na forma de pequenos grânulos. enquanto os amidos dos cereais são pequenos e poligonais. estudando nove variedades de mandioca.. (2004).Figura 2. Fonte: Tester et al. 1998). As cadeias externas (a) contêm de 12 a 23 resíduos de glicose. 364 .0% de amilopectina (Wang et al... com diâmetros variando de 1 a 200μm e nos formatos redondo. lenticular. Amilopectina. raízes e tubérculos (Chesson e Forsberg. oval e/ou poligonal. sementes. Saliba et al.

crescimento e rebrota (Wang et al. SEM do milho e sorgo. 1998). As 365 .. AG 9010 milho Figura 4. O amido é um polissacarídeo não estrutural de elevado peso molecular e sintetizado pelas plantas superiores com função de reserva energética nos períodos de dormência. avaliados por meio da microscopia eletrônica de varredura (SEM). do sorgo e da mandioca. BRS 610 sorgo BRASÍLIA CURVELINHA Figura 5.As Figuras 4 e 5 demonstram a ultraestrutura dos grânulos do amido de milho. germinação de grãos. SEM da fécula de duas variedades de mandioca brasília e curvelinha.

2001). 1994). Além do ácido galacturônico. O amido resistente pode ocorrer naturalmente nos alimentos ou ser produzido durante o processamento deles quando o amido é aquecido e resfriado. que tende a se reorganizar parcialmente com as reduções da temperatura e do conteúdo de água do meio devido ao restabelecimento parcial das pontes de hidrogênio. 19911.. Diversos tipos de processamentos são aplicados aos grãos de cereais com a finalidade de romper as pontes de hidrogênio dentro dos grânulos de amido. Esse processo é denominado gelatinização.7 a 79. Contudo. responsável pela rigidez dos tecidos vegetais (Devlin. sendo não degradado no organismo animal.. Salisbury e Ross. que são heteropolímeros constituídos por α-(1→2)-L-ramnose-α-(1→4)-D-ácido galacturônico (Salisbury e Ross. Isto acontece devido à instabilidade do amido gelatinizado.. β-(1→4) etc. dos principais alimentos ricos em amido utilizados na alimentação de ruminantes podem ser descritos como 75. Algum amido pode ser descrito como amido resistente. 1991). o que pode refletir nas diferenças na composição bioquímica do amido e na interação desse com a matriz proteica. Segundo Hatfield e Weimer (1995) e Voragen et al. e as ramnogalacturonanas (também conhecidas por ácido poligalacturônico). Está localizada na lamela média da parede celular vegetal e funciona como substância de adesão entre as células. em porcentagem da matéria seca. o amido tornase mais susceptível à digestão enzimática (Flint e Forsberg. as moléculas de pectina podem ser constituídas por glicose. 1996). o que torna o estudo da estrutura tridimensional da molécula muito difícil. A pectina é uma substância amorfa parcialmente solúvel em água e é completamente solúvel em detergente neutro. Os grãos são a principal fonte de amido na alimentação humana e animal. podendo conter até 80% de seu peso seco em amido (Buléon et al. α-(1→2). 71. 1997). As moléculas de pectina estão ligadas covalentemente com a celulose e as hemiceluloses. 1993). sendo..plantas armazenam o amido nas raízes. 1991). 1975.3 a 62.9 no sorgo.]. Os teores de amido. Dessa forma. 1989). Valadares Filho et al.. os diversos açúcares podem estar ligados entre si por até 20 tipos de ligações covalentes diferentes [α-(1→4). 70. caules. o que pode reduzir a digestibilidade ruminal e intestinal desses amidos (Asp et al. 20021). galactose e ramnose. (1993). A lamela média é a região localizada entre duas células vegetais contíguas. 1993. Os grânulos íntegros apresentam baixa capacidade de absorção de água por serem estabilizados por grande quantidade de pontes de hidrogênio inter e intramoléculas de amilose e amilopectina. não é recuperada na fibra em detergente neutro (FDN) (Van Soest. xilose e arabinose (Lewis. a constituição em açúcares das moléculas de pectina é variável (Voragen et al.3 na mandioca (Nocek e Tamminga. Portanto.7 a 66. tubérculos e grãos. melhorando a capacidade de hidratação desses. que forma homopolímeros compostos por α-(1→4)-D-ácido galacturônico. 1995). processo denominado retrogradação (Hoover. em parte.3 no milho. Esse processo de reorganização dos grânulos tende a aumentar a proporção de amido resistente ao ataque das amilases dos alimentos previamente gelatinizados. A temperatura de gelatinização do amido varia com o tipo de grão. Ben-Ghedalia et al. Os principais componentes das pectinas são o ácido galacturônico. Encontram-se ligadas entre si por meio de interações não covalentes 366 .

0%). FUNDAMENTOS DA METODOLOGIA ANALÍTICA As gramíneas de origem temperada acumulam frutosanas como principal carboidrato de reserva. Segundo Van Soest (1994). a polpa cítrica é a fonte mais comum de pectina na dieta dos ruminantes no Brasil.0%). sendo que as folhas e hastes da alfafa. Destes. o conteúdo de frutosanas nestas últimas é nulo. Leguminosas 5-15 1-7 0 A solubilidade de alguns carboidratos está descrita na Tabela 3. Gramíneas Gramíneas Grãos de Componentes tropicais temperadas cereais Açúcares 5 10 traços Amido 1-5 1-6 80 Frutosanas 0 1-25 0 Fonte: Van Soest (1994). segundo Hatfield e Weimer (1995). Conteúdo de carboidratos não estruturais nas plantas. que ocorrem em pouca quantidade.0 a 30. métodos enzimáticos e cromatográficos ( HPLC). 367 . a rafinose e a estaquiose. as gramíneas temperadas também acumulam certa quantidade de amido.com os íons cálcio (Salisbury e Ross.0%) e polpa de maçã seca (19. A glicose e a frutose compreendem quase a totalidade de açúcares redutores livres. pode-se sugerir o melhor método de extração para os carboidratos.0%). Outros açúcares livres são a maltose. A quantidade de pectina varia entre as diferentes partes da planta. Com base na solubilidade. já a sacarose pode estar em níveis mais elevados (2.0% em 12h).0% da parede celular como pectina. em contraste. possuem. 2.0 a 20.0 a 3. e normalmente a amilopectina predomina. Tabela 2. polarimetria. Determinação de açúcares livres Os açúcares livres presentes nas plantas forrageiras são a glicose.0 a 8. Como se pode verificar na Tabela 2. a ausência de ligação da pectina com a matriz lignificada pode ser comprovada pela fácil solubilidade desta em água e em detergente neutro. Os métodos para analisar esta fração são gerais e descritos por método da diferença. refratometria.0% e 10. a melobiose. colorimetria. respectivamente. 2.0% de pectina). 1991). 25.1. Alguns subprodutos da agroindústria são particularmente ricos em pectina. como a polpa de beterraba e de outros tubérculos (25. A glicose e a frutose são os principais monossacarídeos presentes nas forragens (1. polpa cítrica (25. sem a necessidade de clivagem enzimática e pela rápida e extensa degradação ruminal (98. a frutose e a sacarose. em média. muitas de origem tropical e leguminosas acumulam amido.

+ Sol. Fonte: Galyean. levam (alto PM) Sol. + Sol. 2. Insol. Sol.Tabela 3. 2. Insol. A técnica utiliza instrumentos conhecidos como refratômetros. + Insol. o polarímetro pode ser usado para determinar a quantidade de açúcar presente em solução. Solubilidade em água e etanol dos principais carboidratos. Sol.(% umidade +% cinzas +% EE +%PB + %FB). na prática. + Insol. Sol. Polarimetria O princípio deste método é baseado no fato de que a onda de luz normalmente vibra transversalmente ao eixo de propagação e o feixe no plano em todas as direções. + Sol. Frutosanas levam (baixo PM) Sol. + Sol.3. 2. O método é utilizado para medida rápida do conteúdo de açúcar em sucos. amilopectina Insol.0% 90. Insol. sacarose Sol.1. + Insol. Sol. inulina (PM 5000) Sol.1.2. A refratometria não é um método específico (Galyean. maltose Sol. Quando a rotação específica de um açúcar é conhecida. Sol.1. Sol. Sol.1. Refratometria É baseada na medida do índice de refração de uma solução preparada do alimento. e se o feixe de luz passar através de certos minerais. Insol. + Insol.0% Açúcares livres glicose Sol. É dependente da concentração dos açúcares. 1997). Sol. Solubilidade Carboidrato Água Etanol 25ºC 60ºC 80. Insol. frutose Sol. Amido amilose Sol. sabendo-se que o índice de refração é proporcional à concentração da solução. Sol. Este procedimento usa aparelhos denominados polarímetros e é baseado no princípio de que açúcares são 368 . + Sol. Insol. os aparelhos são chamados sacarímetros. Método da diferença A obtenção do conteúdo de carboidratos disponíveis é calculada pela estimativa de todas as outras frações pela análise proximal: % Carboidratos disponíveis = 100 . + Sol. + Sol. 1997. o feixe emergente vibra em somente um plano e é dito polarizado. Sol.

1. se torna mais rápida e eficiente em relação à cromatografia líquida clássica. e vários reagentes produzem cor. Um grande número de reações químicas ocorre com os açúcares. isto é. e outros não.1. 2. A HPLC é uma cromatografia em que a fase móvel é inserida na coluna (local onde está presente a fase estacionária) com o auxílio de bombas.opticamente ativos. A técnica. A intensa cor azul do amido em presença de iodo é devido à amilase. Cromatografia líquida de alto desempenho (HPLC) A técnica da cromatografia está baseada no princípio da separação dos constituintes da amostra a ser analisada entre duas fases. a frutose e a sacarose. a amilopectina tem coloração vermelha ou violeta.2. quando uma luz passa através de uma solução. Determinação de amido O amido pode ser fracionado em amilase e amilopectina pela gelatinização em água à temperatura e pressão elevadas. e = comprimento do caminho do açúcar em dm.6. 2.1. arrastando o constituinte que se deseja separar e quantificar. Colorimetria O princípio da colorimetria é baseado no fato de que. 369 . A quantidade de rotação do feixe é dependente da concentração de açúcares em solução em uma relação linear em que: α = rotação específica do açúcar a 20ºC. Métodos enzimáticos São utilizados na forma de kits testes. É um método utilizado para determinar lactose no leite (requer clarificação da solução antes da medição). 2. então. eles podem girar a direção do feixe no plano da luz polarizada (luz de um comprimento de onda movendo em um plano).5.4. uma de grande área superficial (fase estacionária). β = rotação observada. 2. resultando na coloração da solução. em que se utilizava apenas a força gravitacional. que é relacionada com padrões. C = concentração do açúcar em solução em g/mL. A extensão da cor relata a concentração do açúcar. e outra que percorre a primeira (fase móvel). alguns comprimentos de onda são absorvidos. O procedimento geral estima a glicose.

O método é baseado na extração do açúcar solúvel em etanol a 80. A quantificação do amido pode ser é gravimétrica. que pode ser determinada pela técnica química ou físico-química. (1990). posteriormente em álcali que decompõe o complexo.2. colorimetria. e a glicose é medida usando-se a glicose oxidase (amido quente gelatinizado dos produtos de trigo pode ser hidrolisado pela αamilase.amido). De acordo com Herrera-Saldana et al. que por outro lado pode destruir a dextrose. determinando-se o teor de iodo por titulação ou colorimetria (Na2S2O4). O conteúdo de amido pode ser determinado por precipitação e gravimetria ou titulação de precipitado. 2. então. As bactérias são responsáveis pela maior parte da digestão dos alimentos no rúmen. que deve ser recebido em iodo (complexo I .2.2. 3. Os protozoários 370 . amônia e ácidos graxos de cadeia curta. Após extração. incluindo bactérias. b) O amido pode também ser extraído a quente. por causa da sua predominância numérica e pela diversidade metabólica. hidrólise extracelular e transporte para o interior da célula das substâncias necessárias para o metabolismo animal. e a degradação é um processo que compreende a etapa de digestão e fermentação. e depois pode ser separado. propiônico e butirico. como metano. Portanto. O amido pode ser extraído e dispersado em solução coloidal. tem-se um extrato de amido. A fermentação é um processo que envolve reações com produtos finais. 2. Métodos de hidrólise A hidrólise ácida do amido produz glicose. 1999). o amido pode ser determinado pela hidrólise com α-amilase e amiloglucosidase. METABOLISMO DOS CARBOIDRATOS NÃO ESTRUTURAIS A digestão é um processo que envolve solubilização. Os métodos que envolvem a hidrólise ácida estão sujeitos a erros causados pela hidrólise de polissacarídeos não amiláceos. ou como glicose após hidrólise química ou enzimática. O rúmen possui uma coleção muito concentrada e diversificada de microrganismos anaeróbicos. e a hidrólise da dextrose é completada com amiloglucosidase).1. O amido liberado é determinado colorimetricamente com solução de antrona.A determinação de amido em alimentos pode ser feita de diversas formas. protozoários e fungos (Tajima et al. procede-se à precipitação do amido com iodo.0%. o extrato livre de açúcar deve ser tratado com HClO4 70% e.. pela polarometria. Métodos de extração a) O ácido perclórico é um eficiente extrator do amido. vários métodos empregam a hidrólise ácida e enzimática. como acético. ou indireta. com solução concentrada de CaCl2.

1988. a habilidade de digerir o amido in vitro pode não se manifestar na mesma intensidade na digestão do amido dos grãos dos cereais no rúmen. Russell e Rychlik. e suas enzimas digestivas hidrolisam os nutrientes solúveis dos alimentos. Russell e Rychlik.são os microrganismos ruminais de maior tamanho e podem contribuir com 40. As colônias primárias se multiplicam rapidamente. novas colônias fisiologicamente distintas são atraídas para completar a digestão dos componentes nutricionais nas superfícies dos alimentos. a maioria das espécies e o número de protozoários por unidade de conteúdo ruminal podem ser muito reduzidos (ou mesmo exauridos) naqueles animais alimentados com dietas contendo mais de 75. Após a exaustão dos nutrientes digestíveis na superfície dos alimentos pelas primeiras colônias de bactérias. baixa taxa de salivação e ao aumento da taxa de passagem (Franzolin e Dehority. Porém.0% de concentrados à base de grãos de cereais devido possivelmente ao baixo valor de pH do rúmen. 2001).. Muitas espécies de bactérias são capazes de digerir açúcares e amido no rúmen. Portanto.0% da biomassa e com atividade enzimática total no rúmen (Santra e Jakhmola. 371 . Os fungos ruminais somente foram descobertos recentemente e atuam sobretudo na digestão da fibra. 1996). pela parede celular e pela matriz proteica. Ruminobacter amilophylus. individualmente são incapazes de produzir todas as enzimas digestivas necessárias para a digestão completa dos grãos dos cereais. O aumento progressivo de concentrados ricos em amido em dietas à base de forragem estimula o aumento da população de protozoários no rúmen devido ao aumento no suprimento de substratos energéticos rapidamente fermentáveis.0 a 50. Marounek e Dusková (1999) estabeleceram que o Butyrivibrio fibrisolvens 787 apresentou maior atividade pectinolítica in vitro que o Prevotella ruminicola AR29. Nos alimentos ricos em amido. Prevotella ruminicola. Essa diferenciação é importante porque o amido é fornecido para os ruminantes na forma de grãos de cereais e está protegido do ataque microbiano pelo pericarpo. Butyrivibrio fibrisolvens. entre as principais: Streptococcus bovis. Embora todas essas espécies de bactérias cultivadas em culturas puras in vitro possam digerir grânulos de amido isolados. Lachnospira multiparus e Succinivibrio dextrinosolvens (Chesson e Monro. A pectina é rápida e completamente degradada no rúmen pelas espécies de bactérias Prevotella ruminicola. reforçando a hipótese de seletividade das espécies de microrganismos aos diferentes tipos de substratos (McAllister et al. 1997). o processo digestivo começa quando as bactérias amilolíticas do líquido ruminal são atraídas e se aderem à superfície dos grânulos de amido logo que o alimento adentra o rúmen. Butyrivibrio fibrisolvens. 1990). Eubacterium ruminantium e Clostridium spp. (Cotta. 2001). 1998). pois a biomassa de fungos aumenta substancialmente em dietas ricas em volumosos e praticamente está ausente em dietas ricas em concentrados à base de grãos de cereais (Orpin e Joblin. Succinomonas amylolytica e Selenomonas ruminantium. 1982.

1994. O processamento físico dos grãos geralmente aumenta a taxa e a extensão de fermentação do amido no rúmen com redução da quantidade de amido disponível para a digestão no intestino delgado (Mathison. 1996). As matrizes proteicas dos grãos de milho e de sorgo são extremamente resistentes à degradação. Os ácidos graxos voláteis (AGV) são absorvidos através da parede ruminal e representam a maior fonte de energia para o ruminante (Bergman. Mertens.A taxa e a extensão da digestão do amido no rúmen diferem entre as fontes do amido (Rooney e Pflugfelder. a aveia e a cevada são mais rápida e extensamente fermentados no rúmen que o sorgo e o milho (Herrera-Saldana et al. 372 . a extensão da fermentação pode ser diferente entre as diversas frações da planta. A taxa e a extensão da degradação da pectina são similares aos carboidratos não estruturais.. enquanto menos de 10. 1990). A pectina não é degradada pelas enzimas animais (Van Soest et al. Porém.0% do amido do trigo e da cevada chegam ao intestino delgado (Orskov.0% do amido do milho e do sorgo podem escapar da fermentação ruminal. gás carbônico e metano. 1990). 1996). A maioria dos microrganismos ruminais fermenta a glicose e outros monômeros resultantes da hidrólise dos carboidratos até o piruvato utilizando a via da glicólise (Ciclo de Embden-Meyerhof). é extensa e rapidamente degradada pelos microrganismos no rúmen em contraste com as outras frações fibrosas dos alimentos (Hall. A proporção molar de cada produto final depende das espécies de microrganismos envolvidas. o que proporciona aos microrganismos dois moles de adenosina trifosfato (ATP) e dois moles de nicotinamida adenina dinucleotídeo reduzido (NADH2). aveia e trigo são facilmente digeridas no rúmen..0% nas dietas ricas em concentrados. 1999). do tipo de carboidrato fermentado e do ambiente ruminal durante a fermentação. Ainda. Hall et al. Os grãos de trigo.. 1986) e com o método e a intensidade do processamento (Theurer et al. podendo representar até 75. enquanto aquelas da cevada.. O acetato é o principal ácido graxo volátil produzido no rúmen pelos microrganismos ruminais.0% dos ácidos graxos voláteis produzidos nas dietas ricas em volumosos e mais de 50. A susceptibilidade das matrizes proteicas à digestão microbiana ajuda a explicar por que mais de 40. em que a pectina das folhas frescas de gramíneas foi mais extensamente fermentada no rúmen que a pectina do feno de alfafa (Hall. 1994). porém a fermentação da pectina aumenta a produção de acetato e geralmente não determina a produção de ácido láctico durante a fermentação (Hatfield e Weimer. 1995). 1997). O ATP gerado é a principal fonte de energia química prontamente disponível para o crescimento e a manutenção de todos os microrganismos. sendo que estudos mostraram que a pectina isolada da folha da alfafa foi mais rapidamente degradada que a pectina da haste. 1991. Há também diferenças entre espécies. 1986). O piruvato é a substância na qual todos os carboidratos são convertidos antes de serem transformados em ácidos graxos voláteis.

1994. e Berger. Têm sido descritas duas vias de síntese de butirato no rúmen. 1993). se ocorre (Reynolds et al. O propionato absorvido é o principal substrato gliconeogênico do ruminante. Porém. no ruminante. é o principal substrato utilizado para a lipogênese que. ocorre no tecido adiposo. em que são utilizadas duas moléculas de acetato. o malonil-CoA se combina com o acetil-CoA. A síntese do butirato pode ocorrer no rúmen a partir do acetato ou de outros compostos que resultem em acetil-CoA. quando essa relação diminui. 1990). que posteriormente é reduzido até o butirato pela via do crotonil-CoA (Leng. A primeira via envolve a formação do oxaloacetato e succinato. A síntese do butirato a partir do acetato. A primeira via é a mais ativa na formação do propionato. a via do acrilato pode ser mais importante no rúmen de animais que estão consumindo dietas ricas em concentrados (Leng. Além disso. A via mais importante é o inverso da β-oxidação. processo metabólico que ocorre no fígado e nos rins (Bergman. Na outra via. embora sem benefícios para as bactérias. e a segunda envolve a conversão do piruvato a lactato e esse último a acrilato. A glicose pode suprir somente quantidades desprezíveis de acetil-CoA para a lipogênese nos ruminantes devido a baixos níveis da enzima ATP-citrato liase. resulta na regeneração de cofatores oxidados.. ao contrário do que ocorre nos não ruminantes. O formato é convertido posteriormente a CO2 e H2 por outros microrganismos ruminais: Piruvato + CoASH → Acetil-CoA + HCOOPiruvato + CoASH + H+ → Acetil-CoA + CO2 + H2 O acetato é a fonte mais importante de energia metabolizável para o ruminante. Reynolds. O tipo de substrato fermentado e as condições do meio determinam as espécies de microrganismos ruminais que preferencialmente conseguirão proliferar. a proporção acetato:propionato também diminui. como o piruvato ou o glutamato. por ser o principal AGV produzido no rúmen. A gliconeogênese possui importância crítica para a manutenção dos níveis plasmáticos de glicose no ruminante. consequentemente determinam os produtos finais gerados na fermentação. 373 .A principal via bioquímica de produção do acetato pelos microrganismos ruminais envolve a conversão do piruvato a formato e acetil-Coenzima A (Acetil-CoA) pelo sistema enzimático da piruvato liase. 1970). Em geral. o que permite o prosseguimento do processo fermentativo (Fahey Jr. A proporção molar dos ácidos graxos voláteis é principalmente influenciada pela relação volumoso:concentrado das dietas. Existem duas vias conhecidas de conversão do piruvato até propionato. pois a absorção líquida de glicose pelo trato gastrointestinal é muito pequena. 1995). 1970).

com redução da degradação dos carboidratos estruturais. Há aumento da população dos amilolíticos. pois tem pKa mais baixo (3. tornando-se o principal microrganismo produtor de lactato no rúmen em acidose (Russell e Baldwin.. que contém bicarbonato. Dessa forma. 1998).7. 1998.7-4. Owens et al. há inibição da população de microrganismos consumidores de lactato como a Megasphera elsdenii e Selenomonas ruminantium (Nocek. H2. 1997).5 devido ao acúmulo indesejável de AGVs e lactato no rúmen (Hall. etanol e formato quando cultivado em pH acima de 6. 1979. 2002).9).4. os mecanismos tamponantes do rúmen (a saliva. que deixa de produzir acetato. também a lactato. Quando o suprimento de carboidratos rapidamente fermentáveis aos animais é aumentado abruptamente. Dessa forma.9) que os ácidos graxos voláteis (4. metano e. Concomitantemente. 374 . Asanuma e Hino. são alguns dos microrganismos mais resistentes ao baixo pH do meio. Além disso. Therion et al. 1985). 1997). Dessa forma.5. foi demonstrado por Russell e Dombrowski (1980) que a capacidade de produção de lactato pelos Streptococus bovis e Lactobacillus vitulinus aumentou quando o pH do meio foi reduzido para valores menores que 5. principalmente do Streptococcus bovis.. O acúmulo de lactato faz o pH cair mais rapidamente. a ácidos graxos voláteis. em algumas situações. porque esses microrganismos são muito sensíveis ao pH menor que 6. para produzir lactato como principal produto final da fermentação em pH menor que 5.. fosfato e ureia. essas espécies potencialmente contribuem para o progresso e a perpetuação da acidose ruminal por acelerar a queda do pH devido ao aumento da produção de lactato na acidose (Russell e Hino. 1982). resultando em acidose ruminal (Russell e Hino. 1980. quando os animais são alimentados com dietas ricas em concentrados. CO2. Russell e Hino.0. uma vez que esse ácido é mais forte que os ácidos graxos voláteis. 1985. Dawson et al. 1997).. principalmente os açúcares e amido. 1985. o lactato pode se acumular a níveis não fisiológicos no líquido ruminal. podendo proliferar em condições de acidez limitantes para a maioria dos microrganismos ruminais (Therion et al. O Streptococus bovis e os Lactobacillus spp. O aumento da disponibilidade de carboidratos não estruturais e a consequente queda do pH provocam intensas modificações do ecossistema ruminal. Há redução da população de microrganismos celulolíticos. As mudanças no ecossistema ruminal com o supercrescimento das bactérias produtoras de lactato são muito rápidas e podem ocorrer em menos de 24h (Dawson et al. 1982).. Os microrganismos anaeróbicos ruminais fermentam rapidamente as fontes de carboidratos não estruturais. e a absorção dos AGVs) podem não conseguir manter o pH ruminal. CONSIDERAÇÕES SOBRE ACIDOSE RUMINAL As dietas fornecidas aos ruminantes estão cada vez mais ricas em concentrados (ricas em grãos de cereais) para atender ao aumento das exigências nutricionais dos animais de alta produção. há grande aumento da produção de ácidos graxos voláteis e de lactato.0 (Russell e Dombrowski. Os grãos de cereais são ricos em amido e representam as principais fontes de carboidratos não estruturais dessas dietas. levando-o para níveis críticos abaixo de 5.

desidratação grave. Entretanto. No entanto. o que contribui para a disfunção fisiológica geral do animal em acidose (Dawson et al. permitem que o rúmen (microrganismos e mucosa) se adapte gradativamente ao aumento de concentrados na dieta. 1976).. 5. metanol. localizadas principalmente no fígado e no coração. 1998). A pectina. a acidose crônica ou subaguda é um problema econômico mais grave porque resulta no declínio do consumo voluntário e no desempenho. Podem ocorrer ulceração das mucosas ruminal e intestinal. O L-lactato é rapidamente metabolizado pelas enzimas do ruminante. 1976). outros produtos microbianos. apesar de os animais não parecerem doentes (Slyter. que é um polissacarídeo amorfo contido na parede celular. Em adição ao D-lactato.0% do lactato presente no rúmen. CONSIDERAÇÕES FINAIS O grupo dos carboidratos não fibrosos é constituído pelos açúcares e amido. 375 . O uso de substâncias alcalinizantes (bicarbonato de sódio e óxido de magnésio) na dieta ou o de fontes de nitrogênio não proteico (ureia) também ajudam a reduzir a depressão do pH ruminal após o consumo de grandes quantidades de concentrados. tiramina e endotoxinas. Ambos L e D isômeros do ácido láctico são produzidos pelos microrganismos ruminais na proporção de 4:1. paraqueratose. o correto balanceamento dos carboidratos da dieta e o monitoramento do tamanho da partícula das forragens fornecidas. 1998). por estimular a absorção dos ácidos graxos voláteis (Owens et al. Essas medidas de manejo permitem que haja o equilíbrio no crescimento de microrganismos produtores e consumidores de lactato no rúmen e também possibilitam que a mucosa ruminal aumente a capacidade de absorção de AGVs (Dawson et al. histamina. 1997).. Por isso.0. enquanto o D-lactato necessita atravessar a membrana mitocondrial antes de ser oxidado pela enzima D-2-hidroxiácido desidrogenase. 1997). queda do pH sanguíneo e morte do animal (Owens et al. o D-lactato pode representar mais de 50. Além disso. como etanol. quando o pH cai para valores inferiores a 5.Na acidose aguda. em pH maior que 6. a acidez e a osmolaridade do líquido ruminal aumentam marcadamente com o acúmulo de lactato e de glicose livre. sendo assim classificado por estar presente no conteúdo celular e ser fonte de energia prontamente disponível ou de reserva para a planta. As estratégias para controlar a acidose ruminal constituem o controle do fornecimento de concentrados. sendo metabolizado mais lentamente. são detectáveis no conteúdo ruminal na acidose e podem exercer efeitos sistêmicos adversos ao animal (Slyter. é também classificada como carboidrato não fibroso por ser totalmente solúvel em detergente neutro e ser rápida e extensamente degradável pelos microrganismos ruminais.. abscessos hepáticos. o D-lactato é considerado mais tóxico. O período de adaptação às dietas ricas em carboidratos não estruturais deve ser superior a 14 dias..0.

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CEP 30. luciocg@vet. Belo Horizonte.fafa@gmail. Assim.CAPÍTULO 21 GRÃO DE SOJA NA ALIMENTAÇÃO DE GADO DE LEITE Wilson Gonçalves de Faria Jr. Caixa Postal 567. o metabolismo ruminal e as respostas produtivas dos animais.1. norte e nordeste.br 3 Médico Veterinário.123970. Médico Veterinário. Caixa Postal 567. wilsonvet2002@gmail. A adição de lipídios à dieta surge como uma alternativa para elevar o nível energético da dieta. com produção estimada de 60 milhões de toneladas no ano de 2008 (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística . Escola de Veterinária da UFMG. associada ao balanço favorável de energia e proteína. sem aumentar a ingestão de carboidratos não estruturais ou diminuir a ingestão de fibra. MG. as influências dos processamentos físicos.123-970. Caixa Postal 567. MG. considerando-se as extensas áreas aptas e disponíveis para o seu cultivo no país.123-970.123-970.ufmg. 1984). 2009).com 2 Engenheiro Agrônomo. O complexo agroindustrial da soja responde por cerca de 15% das exportações e tem vocação para crescer muito mais.. CEP 30. MSc. MSc. Neste capitulo. Belo Horizonte. Flávia Cardoso Lacerda Lobato 4 RESUMO A grande disponibilidade de soja. ainda. para vacas leiteiras de alta produção. MG. alexmteixeira@yahoo. Prof. destaca-a como opção de oleaginosa para suplementação de vacas de leite. assim como as alterações na composição química e no perfil de ácidos graxos do leite. Associado Departamento de Zootecnia da Escola de Veterinária da UFMG. principalmente nos cerrados do meio oeste. Belo Horizonte. Caixa Postal 567. uma maneira de aumentar a produção de leite (Chilliard. em Zootecnia. que buscam tanto o grão quanto os subprodutos. Isso corresponde a cerca de 27% da produção mundial de 220. Doutorando em Nutrição Animal. a substituição de cereais por oleaginosas é um método de incrementar a densidade energética sem comprometer o conteúdo em fibra (Palmquist.br 4 Médica Veterinária.IBGE.com 1 381 . Todavia. Belo Horizonte. O Brasil é o segundo produtor mundial de soja. Alex de Matos Teixeira3.88 milhões. 1993). térmicos e químicos sobre o valor nutritivo da soja. CEP 30. MSc. Escola de Veterinária da UFMG. CEP 30. Há crescente demanda pelo grão da oleaginosa nos mercados nacional e internacional. DSc. serão discutidas as principais formas de utilização da soja integral. MG. Escola de Veterinária da UFMG. lobato. a adição de gordura à dieta pode ser. Lúcio Carlos Gonçalves2.com. Bolsista CNPq. INTRODUÇÃO O desenvolvimento da cultura de soja nas últimas quatro décadas foi espetacular.. seja para extração de óleo para uso doméstico e produção de biodiesel ou para elaboração de rações animais. Doutorando em Zootecnia.

principalmente com relação ao amido. principalmente para vacas de alta produção. o uso da soja integral pode reduzir o incremento calórico dos animais e a produção de metano. é uma excelente fonte de energia e proteína para vacas em lactação. mas. 1991) e. diminuindo os problemas metabólicos relacionados com ingestão excessiva de amido. pode aumentar a eficiência na digestão dos grãos no rúmen (Nussio et al.1. com a intenção de reduzir o período de balanço energético negativo das vacas no pósparto e propiciar condições para que o animal sofra menor perda de condição corporal e possa expressar o potencial leiteiro. O