Alimentos para

Gado de Leite

Editores: Lúcio Carlos Gonçalves Iran Borges Pedro Dias Sales Ferreira

Lúcio Carlos Gonçalves Iran Borges Pedro Dias Sales Ferreira

ALIMENTOS PARA GADO DE LEITE

FEPMVZ-Editora Belo Horizonte
2009

A414

Alimentos para gado de leite / Editores: Lúcio Carlos Gonçalves, Iran Borges, Pedro Dias Sales Ferreira. – Belo Horizonte: FEPMVZ, 2009. 568 p. : il. Inclui bibliografia ISBN 978-85-87144-36-2 1. Bovino de leite – Alimentação e rações. 2. Bovino de leite - Nutrição. 3. Nutrição animal. I. Gonçalves, Lúcio Carlos. II. Borges, Iran. III. Ferreira, Pedro Dias Sales. CDD – 636.214 085 2

PREFÁCIO

A carência de uma obra que reunisse informações acerca do uso de alimentos para bovinos leiteiros motivou a elaboração deste livro. Considerandose a literatura internacional, nos últimos anos, tem sido grande a produção de conhecimento sobre alimentos para gado de leite, no entanto era necessário reunir estas informações para facilitar aos interessados o acesso a elas. Este livro visa atingir produtores rurais, alunos de graduação e pósgraduação e demais técnicos da área de produção de gado de leite. A obra traz informações sobre os alimentos volumosos mais comuns, alimentos concentrados proteicos e energéticos, o uso de resíduos, de ureia, de taninos e a qualidade de ingredientes para alimentação de bovinos leiteiros. Agradecemos especialmente a cada autor pelo afinco e dedicação com que trabalharam para tornar possível a elaboração deste livro

Os Editores

ÍNDICE
CAPÍTULO 1 CLASSIFICAÇÃO DOS ALIMENTOS. Lúcio Carlos Gonçalves, Iran Borges, Ana Luiza da Costa Cruz Borges, Pedro Dias Sales Ferreira CANA-DE-AÇÚCAR NA ALIMENTAÇÃO DE GADO DE LEITE. Mariana Magalhães Campos, Ana Luiza da Costa Cruz Borges, Lúcio Carlos Gonçalves SILAGEM DE GIRASSOL PARA BOVINOS LEITEIROS. Luiz Gustavo Ribeiro Pereira, Lúcio Carlos Gonçalves,Thierry Ribeiro Tomich, Alex Santos Lustosa de Aragão SILAGEM DE SORGO PARA GADO DE LEITE. Wilson Gonçalves de Faria Jr., Lúcio Carlos Gonçalves, Daniel Ananias de Assis Pires, José Avelino Santos Rodrigues, Matheus Anchieta Ramirez O MILHETO COMO OPÇÃO PARA GADO DE LEITE. Gabriel de Oliveira Ribeiro Júnior, Lúcio Carlos Gonçalves, Roberto Guimarães Júnior, Fernado Pimont Pôssas, Rogério Martins Maurício RESÍDUOS DE FRUTAS NA ALIMENTAÇÃO DE GADO DE LEITE. Marcos Cláudio Pinheiro Rogério, Gherman Garcia Leal de Araujo, Marcos José Alves, Jose Neuman Miranda Neiva, Helio Henrique Araújo Costa POLPA CÍTRICA NA ALIMENTAÇÃO DE BOVINOS DE LEITE. Alex de Matos Teixeira, Lúcio Carlos Gonçalves, Frederico Osório Velasco, Gabriel de Oliveira Ribeiro Júnior, Felipe Antunes Magalhães POLPA DE BETERRABA NA ALIMENTAÇÃO DE GADO DE LEITE. Isabela Rocha França Machado Veiga, Lúcio Carlos Gonçalves, Fernanda Samarini Machado, Gabriel de Oliveira Ribeiro Júnior RESÍDUO DE CERVEJARIA PARA GADO LEITEIRO. Frederico Osório Velasco, Lúcio Carlos Gonçalves, Alex de Matos Teixeira, Wilson Gonçalves de Faria Jr., Felipe Antunes Magalhães FIBRA NA ALIMENTAÇÃO DE GADO DE LEITE. Fernanda Samarini Machado, Lúcio Carlos Gonçalves, Marcelo Neves Ribas, Gabriel de Oliveira Ribeiro Júnior CASCA DE SOJA NA ALIMENTAÇÃO DE GADO DE LEITE. Gabriel de Oliveira Ribeiro Júnior, Lúcio Carlos Gonçalves, Flavia Cardoso Lacerda Lobato, Frederico Osório Velasco UREIA E AMÔNIA EM RESÍDUOS AGROINDUSTRIAIS PARA RUMINANTES. Wilson Gonçalves Faria Jr., Lúcio Carlos Gonçalves, Cristiano Gonzaga Jayme, Alex de Matos Teixeira HIDRÓXIDO DE SÓDIO EM RESÍDUOS AGROINDUSTRIAIS PARA RUMINANTES. Frederico Osório Velasco, Lúcio Carlos Gonçalves, Marcelo Neves Ribas, Wilson Gonçalves de Faria Jr.

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CAPÍTULO 2

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CAPÍTULO 3

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CAPÍTULO 4

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CAPÍTULO 5

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CAPÍTULO 6

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CAPÍTULO 7

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CAPÍTULO 8

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CAPÍTULO 9

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CAPÍTULO 10

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CAPÍTULO 11

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CAPÍTULO 12

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CAPÍTULO 13

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CAPÍTULO 14

O MILHO NA ALIMENTAÇÃO DE GADO DE LEITE. Luiz Gustavo Ribeiro Pereira, Roberto Camargos Antunes, Lúcio Carlos Gonçalves, Wellyngton Tadeu Vilela Carvalho SILAGEM DE GRÃO ÚMIDO DE MILHO NA ALIMENTAÇÃO DE BOVINOS DE LEITE. Marcelo Neves Ribas, Lúcio Carlos Gonçalves, Fernanda Samarini Machado, Isabela Rocha França Machado Veiga, Marcelo Resende Sousa GRÃO DE SORGO NA ALIMENTAÇÃO DE GADO DE LEITE. Wilson Gonçalves de Faria Jr., Lúcio Carlos Gonçalves, Alex de Matos Teixeira, Wellyngton Tadeu Vilela Carvalho COPRODUTOS DA MANDIOCA NA ALIMENTAÇÃO DE GADO DE LEITE. Fernanda Samarini Machado, Lúcio Carlos Gonçalves, Wilson Gonçalves de Faria Jr., Marcelo Neves Ribas COPRODUTOS DO TRIGO E DO ARROZ NA ALIMENTAÇÃO DE GADO DE LEITE. Flávia Cardoso Lacerda Lobato, Lúcio Carlos Gonçalves, Isabela Rocha França Machado Veiga, Fernando Pimont Pôssas BATATA-DOCE NA ALIMENTAÇÃO DE GADO DE LEITE. Isabela Rocha França Machado Veiga, Lúcio Carlos Gonçalves, Flávia Cardoso Lacerda Lobato, Wilson Gonçalves de Faria Jr. CARBOIDRATOS NÃO FIBROSOS NA ALIMENTAÇÃO DE GADO DE LEITE. Eloísa de Oliveira Simões Saliba, Norberto Mario Rodriguez, Lúcio Carlos Gonçalves GRÃO DE SOJA NA ALIMENTAÇÃO DE GADO DE LEITE. Wilson Gonçalves de Faria Jr, Lúcio Carlos Gonçalves, Alex de Matos Teixeira, Flávia Cardoso Lacerda Lobato FARELO DE SOJA NA ALIMENTAÇÃO DE VACAS LEITEIRAS. Wilson Gonçalves de Faria Jr., Diogo Gonzaga Jayme, Lúcio Carlos Gonçalves, Pedro Dias Sales Ferreira CAROÇO DE ALGODÃO NA ALIMENTAÇÃO DE GADO DE LEITE. Flávia Cardoso Lacerda Lobato, Lúcio Carlos Gonçalves, Isabela Rocha França Machado Veiga, Fernando Pimont Pôssas FARELO DE ALGODÃO NA ALIMENTAÇÃO DE GADO LEITEIRO. Alex de Matos Teixeira, Lúcio Carlos Gonçalves, Frederico Osório Velasco, Gabriel de Oliveira Ribeiro Júnior SEMENTES, TORTA E FARELO DE GIRASSOL NA ALIMENTAÇÃO DE GADO DE LEITE. Wellyngton Tadeu Vilela Carvalho, Lúcio Carlos Gonçalves, Luiz Gustavo Ribeiro Pereira, Frederico Osório Velasco FARELO DE AMENDOIM NA ALIMENTAÇÃO DE GADO DE LEITE. Fernando Pimont Pôssas, Lúcio Carlos Gonçalves, Flávia Cardoso Lacerda Lobato, Fernanda Samarini Machado

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CAPÍTULO 27

TORTA DE MAMONA NA ALIMENTAÇÃO DE GADO DE LEITE. Marcelo Neves Ribas, Lúcio Carlos Gonçalves, Fernanda Samarini Machado, Isabela Rocha França Machado Veiga UREIA NA ALIMENTAÇÃO DE GADO DE LEITE. Roberto Guimarães Júnior, Lúcio Carlos Gonçalves, Luiz Gustavo Ribeiro Pereira, Thierry Ribeiro Tomich TANINOS NA ALIMENTAÇÃO DE RUMINANTES. Wellyngton Tadeu Vilela Carvalho, Lúcio Carlos Gonçales, Rogério Martins Maurício, Diego Soares Gonçalves Cruz, Matheus Anchieta Ramirez QUALIDADE DE INGREDIENTES PARA ALIMENTAÇÃO DE BOVINOS. Deborah Alves Ferreira, Lúcio Carlos Gonçalves, Wellyngton Tadeu Vilela Carvalho, Pedro Dias Sales Ferreira, Matheus Anchieta Ramirez

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CAPÍTULO 28

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CAPÍTULO 29

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CAPÍTULO 30

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CAPÍTULO 1 CLASSIFICAÇÃO DOS ALIMENTOS   
Lúcio Carlos Gonçalves1, Iran Borges2, Ana Luiza da Costa Cruz Borges3, Pedro Dias Sales Ferreira4

RESUMO Este capítulo visa apresentar uma classificação simplificada dos alimentos e enumerar os fatores que podem alterar-lhes a composição.

INTRODUÇÃO É importante que o nutricionista saiba classificar os alimentos para que possa utilizálos racional e adequadamente. Assim, ele poderá elaborar dietas nutricionalmente equilibradas que resultarão em desempenhos animais satisfatórios. Os alimentos são classificados de acordo com os seus conteúdos de fibra bruta e de outros nutrientes, em cinco grandes grupos:

1. ALIMENTOS VOLUMOSOS São os que contêm mais de 18% de fibra bruta (FB) na matéria seca e englobam forrageiras secas e grosseiras (fenos e palhas), pastagens cultivadas, pastos nativos, forrageiras verdes e silagens. Existem grandes diferenças entre os conteúdos de proteína bruta, fibra bruta, cálcio e fósforo entre as forrageiras tropicais. À medida que a planta forrageira envelhece, seu valor nutritivo piora pelo maior acúmulo de carboidratos estruturais e lignina e pela menor porcentagem de proteína bruta e fósforo, trazendo como consequência menor consumo e menor digestibilidade da matéria seca ingerida. É importante salientar que quanto melhor o valor nutritivo do volumoso, menor será o custo de produção da carne e do leite produzidos a partir desses alimentos.

Engenheiro Agrônomo, DSc., Prof. Associado Departamento de Zootecnia da Escola de Veterinária da UFMG, Caixa Postal 567, CEP 30.123-970, Belo Horizonte, MG. luciocg@vet.ufmg.br 2 Zootecnista, Dsc. Prof. Associado , Departamento de Zootecnia da Escola de Veterinária da UFMG, Caixa Postal 567, CEP 30.123-970, Belo Horizonte, MG. iranborges@superig.com.br 3 a Médica Veterinária, DSc. Prof . Associado Departamento de Zootecnia da Escola de Veterinária da UFMG, Caixa Postal 567, CEP 30.123-970, Belo Horizonte, MG. analuiza@vet.ufmg.br 4 Médico Veterinário, mestrando em Zootecnia, Escola de Veterinária da UFMG, Caixa Postal 567, CEP 30.123-970, Belo Horizonte, MG. Bolsista CNPq. ferreira.pds@gmail.com

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As diferenças entre a composição química de diferentes forrageiras e entre forrageiras em diferentes idades de corte podem ser observadas nas Tabelas 1 e 2.

Tabela 1. Composição bromatológica de forrageiras tropicais em diferentes idades em porcentagem de matéria seca. Forrageira Capimbraquiarão Capimdecumbens Capimelefante Capimtifton Idade (dias) 0 a 30 31 a 45 46 a 60 0 a 30 31 a 45 46 a 60 31 a 45 46 a 60 61 a 90 0 a 30 31 a 45 46 a 60 % MS* 14,46 21,47 21,49 21,21 30,23 27,34 14,35 19,94 19,77 17,89 16,59 20,78 % PB 11,04 10,65 10,61 12,32 7,78 9,06 14,34 9,20 9,70 11,88 9,22 7,42 % FDN 67,89 63,06 83,75 77,93 79,96 69,84 72,28 73,94 72,65 72,34 72,31 % FDA 33,29 31,19 43,55 37,55 40,04 38,94 42,43 41,95 38,57 37,81 37,29 % Ca 0,94 0,71 0,61 0,53 0,35 0,50 0,29 0,26 0,25 0,24 %P 0,47 0,47 0,42 0,30 0,35 0,27 0,54 0,29 0,26 0,21 0,20

* A matéria seca está em porcentagem da matéria natural. Matéria Seca (MS); proteína bruta (PB); fibra em detergente neutro (FDN); fibra em detergente ácido (FDA); cálcio (Ca); fósforo (P). Fonte: Valadares Filho et al. (2006).

Tabela 2. Composição bromatológica de silagens em porcentagem de matéria seca. Forrageira % MS* % PB % FDN % FDA % Ca %P % NDT Silagem de cana25,85 4,05 62,26 41,95 0,46 0,03 45,65 de-açúcar Silagem de 26,81 5,84 79,13 51,75 0,35 0,13 58,08 capim-elefante Silagem de 23,87 9,07 46,10 36,02 1,22 0,10 girassol Silagem de milho 30,92 7,26 55,41 30,63 0,30 0,19 64,27 Silagem de sorgo 30,82 6,69 61,41 35,77 0,30 0,18 57,23
* A matéria seca está em porcentagem da matéria natural. Matéria seca (MS); proteína bruta (PB); fibra em detergente neutro (FDN); fibra em detergente ácido (FDA); cálcio (Ca); fósforo (P); nutrientes digestíveis totais (NDT). Fonte: Valadares Filho et al. (2006).

No período da seca, em que ocorre redução do crescimento da maioria das forrageiras tropicais, é comum o fornecimento de volumoso no cocho. Existem alguns métodos de conservação de forragens, como a fenação e principalmente a ensilagem. Na Tabela 2, encontra-se a composição de silagens comumente utilizadas na suplementação de bovinos leiteiros.

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2. ALIMENTOS CONCENTRADOS São os que possuem menos de 18% de fibra bruta (FB) e podem ser divididos em: a) concentrados energéticos: contêm menos de 20% de proteína bruta (PB). Como exemplo, têm-se: milho, sorgo, trigo, aveia, cevada, frutas, nozes e algumas raízes; b) concentrados proteicos: contêm mais de 20% de PB e têm-se como exemplo os farelos de soja, de amendoim, de girassol, de algodão, glúten de milho e alguns subprodutos de origem animal, tais como a farinha de peixe.

3. SUPLEMENTOS MINERAIS São fontes de macronutrientes, como cálcio (Ca), fósforo (P), potássio (K), cloro (Cl), sódio (Na) e magnésio (Mg), que são expressos em percentagem, e de micronutrientes, como cobalto (Co), cobre (Cu), ferro (Fe), iodo (I) selênio (Se) e zinco (Zn), que são expressos em parte por milhão (ppm) ou miligrama por quilograma (mg/kg). As Tabelas 3 e 4 apresentam algumas fontes de macro e microminerais, respectivamente.

Tabela 3. Fontes de macrominerais (na matéria natural).
Fontes de fósforo Fosfato bicálcico Fosfato monocálcico Fosfato monobicálcico Fosfato monoamônio Fosfato diamônio Fosfato semidefluorizado Fosfato de rocha de Tapira Fosfato de rocha de Patos de Minas Fosfato de rocha de Araxá Fosfato de rocha de Jacupiranga Fosfato de rocha Goiasfértil Farinha de ossos calcinada Farinha de ossos autoclavada Fontes de cálcio Calcário Farinha de ostra Fontes de sódio Sal comum Bicarbonato de sódio Cálcio (%) 24,8 18,6 19,9 28,7 34,8 20,8 25,9 33,9 23,1 32,6 24,1 Cálcio (%) 38,4 36,7 Sódio (%) 39,7 27,0 Cloro (%) 59,6 0,0 P Total 18,5 20,5 18,5 24,0 23,1 16,7 14,9 10,6 11,6 13,0 16,0 16,3 9,3 Fósforo (%) Coef. Disp.* P Disponível 100 18,5 101 20,8 105 19,4 108 25,9 125 28,9 61 10,2 52 7,7 58 51 31 52 92 100 6,1 5,9 4,0 8,3 15,0 9,3 Flúor (%) 0,12 0,63 0,18 0,23 0,80 1,24 1,46 1,85 1,65 1,95 -

* Coeficiente de biodisponibilidade do fósforo em relação ao fosfato bicálcico (padrão com 100% de biodisponibilidade) determinado com aves. Fonte: Rostagno et al. (2000).

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5 22. 4 .0 30. anabolizantes.4 22. fungicidas.1 Mn (%) 47. Fontes de micromineirais (na matéria natural).0 34.1 I (%) 62.3 76. tampões e enzimas fibrolíticas. SUPLEMENTOS VITAMÍNICOS Constituem misturas de vitaminas que são adicionadas às rações para complementar as deficiências dos alimentos.0 31.0 59.Tabela 4.8 45.0 33. leveduras. Co (%) 45.0 36.5 4.0 66.0 Fe (%) 43. corantes.7 Se (%) 41. São pouco utilizados em rações de ruminantes no Brasil. antioxidantes.1 73. Fontes de cobalto Carbonato de cobalto (CoCO3) Sulfato de cobalto (COSo4 H20) Sulfato de cobalto (COSo4 7 H20) Fontes de cobre Carbonato de cobre (CuCO3Cu(OH)2) Óxido de cobre (CuO) Sulfato de cobre (CuSO H2O) Sulfato de cobre (CuSO4 5 H2O) Fontes de ferro Carbonato de ferro (FeCO3) Sulfato ferroso (FeSO4 H2O) Sulfato ferroso (FeSO4 7 H2O) Fontes de iodo Iodato de cálcio (Ca(IO3)2) Iodeto de cobre (CuI2) Iodeto de potássio (KIO3) Iodeto de potássio (KI) Fontes de manganês Carbonato de manganês (MnCO3) Óxido de manganês (MnO) Sulfato de manganês (MnSO4 H2O) Sulfato de manganês (MnSO4 5 H2O) Fontes de selênio Selenato de sódio (Na2SeO4) Selenito de sódio (Na2SeO3) Fontes de zinco Carbonato de zinco (ZnCO3) Óxido de zinco (ZnO) Sulfato de zinco (ZnSO4 H2O) Sulfato de zinco (ZnSO4 7 H2O) Fonte: Rostagno et al. (2000).1 Cu (%) 53. 5.0 75. ADITIVOS Os aditivos entram em pequenas quantidades nas rações e são compostos por antibióticos.6 Zn (%) 52.5 25.8 62.0 20.0 20. hormônios. palatabilizantes.

2. Misturas minerais armazenadas sob condições inadequadas (exposição ao ar.1. a inclusão de cascas. tais como do farelo de soja e farinhas de origem animal. e a mandioca apresenta cultivares com e sem ácido cianídrico. 5 . 6.6. Por exemplo. Armazenamento As condições de armazenamento podem modificar a composição dos alimentos. (torta gorda versus torta em que o óleo foi extraído por solventes). Alguns cultivares de mandioca podem ter sua toxidez alterada em função dos locais onde são cultivados. provoca grandes alterações na composição desses alimentos. Condições do solo As forrageiras podem apresentar diferentes composições de oxalato de acordo com o local em que são plantadas. a colza apresenta variedades com diferentes porcentagens de princípios goitrogênicos. geralmente em níveis superiores aos permitidos pelo Ministério da Agricultura.4. ao sol.5. outros com açúcares no colmo. As temperaturas de secagem e/ou de cocção podem danificar a lisina (aminoácido essencial) de muitos alimentos. Fenos armazenados ao sol perdem mais β-caroteno que os armazenados em condições adequadas. tais como: 6. Cultivares (variedades) Pode-se tomar a planta de sorgo como exemplo. Existem cultivares com e sem tanino. VARIAÇÕES NAS COMPOSIÇÕES DOS ALIMENTOS Podem ocorrer grandes variações nas composições dos alimentos devido a fatores. o milho úmido tem menor concentração energética por unidade de peso que o mesmo milho seco. enquanto muitos não os possuem. 6. O método de processamento pode alterar a concentração energética do farelo de algodão. dentre outros. Nos subprodutos de origem vegetal.3. 6. 6. à umidade) podem sofrer alterações nas suas composições pela ocorrência de reações químicas. que geralmente apresentam menores valores nutritivos. Teor de água A quantidade de água presente nos alimentos alterará a relação e a proporção entre os outros nutrientes. Condições de processamento As condições de processamento podem alterar a composição dos alimentos. Da mesma maneira.

Viçosa. S. ROCHA Jr. 2006. et al. Tabelas brasileiras de composição de alimentos para bovinos. MG: UFV. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ROSTAGNO. VALADARES FILHO.ed. 6 . et al. 2000. deve-se. Tabelas brasileiras para aves e suínos: Composição de alimentos e exigências nutricionais. Viçosa.F. J. 141p.A. V...S. DONZELE. L.T. 239p.R. ALBINO.L.. mandar analisar os alimentos que serão utilizados no balanceamento. MG: Editora UFV. CONSIDERAÇÕES FINAIS Para a formulação de dietas bem equilibradas. as dietas apresentar-se-ão o mais próximo possível das necessidades da categoria animal em questão e refletirão em desempenhos satisfatórios. Dessa forma.C.7. MAGALHÃES K. sempre que possível. 2.. H.

123-970.br 3 Engenheiro Agrônomo. o moderado teor de fibra insolúvel em detergente neutro (FDN). Prof. MG.. CEP 36038-330. marimcampos@gmail. DSc.391kg/ha. INTRODUÇÃO O Brasil é o maior produtor mundial de cana-de-açúcar (Saccharum officinarum). 2009). Associado Departamento de Zootecnia da Escola de Veterinária da UFMG. O objetivo desse capítulo é apresentar as vantagens e as limitações do uso da cana-de-açúcar na alimentação de ruminantes. Ana Luiza da Costa Cruz Borges2. a relativa resistência a pragas e doenças. a digestibilidade. Lúcio Carlos Gonçalves3 RESUMO Este capítulo aborda questões relacionadas à utilização da cana-de-açúcar na alimentação de ruminantes.br 1 7 . Associado Departamento de Zootecnia da Escola de Veterinária da UFMG. MG.4%) na produtividade média (Companhia Nacional do Abastecimento – CONAB.ufmg. MG. Belo Horizonte. Prof . Rua Eugênio do Nascimento.br 2 a Médica Veterinária. que foi de 653. Embrapa Gado de Leite.ufmg. luciocg@vet. CEP 30. DSc. são discutidos assuntos como a composição bromatológica da cana-de-açúcar. quando a disponibilidade de forragem é baixa.302 milhões de toneladas.com. o caráter semiperene. Ao longo do texto. A produtividade média está prevista para 70. a simplicidade do cultivo agronômico. Juiz de Fora. Caixa Postal 567. Médica Veterinária.8%) na área plantada e de 996kg/ha (1.779 milhões de toneladas. CEP 30. Belo Horizonte..3% à da safra anterior. A cana-de-açúcar tem várias características que justificam sua utilização na alimentação de ruminantes. a alta produção de matéria seca por unidade de área mesmo com baixa frequência de cortes. analuiza@vet. além de ser uma cultura tradicional entre os produtores rurais brasileiros.CAPÍTULO 2 CANA-DE-AÇÚCAR NA ALIMENTAÇÃO DE GADO DE LEITE Mariana Magalhães Campos1. 610 Dom Bosco. Caixa Postal 567. DSc. superior em 3. a facilidade de compra e venda. tem impulsionado sua divulgação como forrageira adequada para cultivo em fazendas que utilizam pastagens e que visam minimizar o uso de tempo e capital em práticas de ensilagem. A produção brasileira na safra 2009 está estimada em 674. o consumo voluntário. a escolha da variedade adequada.123-970. O fato de atingir o máximo valor nutritivo durante o período seco do ano. O respectivo crescimento ocorreu em função da expansão de 172 mil hectares (1. o desempenho animal e a utilização de cana-deaçúcar hidrolisada. dentre elas: o alto teor de sacarose.

76 Carboidratos solúveis 42.70 * Porcentagem na matéria natural.75 Extrativo não nitrogenado 69.A cana-de-açúcar. 8 . em porcentagem da matéria seca.10 Carboidratos totais 92.02 Hemicelulose 21.55 Matéria mineral 3. Composição bromatológica da cana-de-açúcar (Saccharum officinarum). COMPOSIÇÃO BROMATOLÓGICA A cana-de-açúcar. Tabela 1.68 Fibra em detergente ácido 34. 1988). No entanto. (2006). como alimento básico para ruminantes. principalmente.44 Lignina 7. como alimento básico para ruminantes. encontra-se a composição bromatológica da cana-de-açúcar. apresenta limitações de ordem nutricional. devido aos baixos teores de proteína. em porcentagem da matéria seca. Este fato está relacionado. com a estrutura da parede celular que protege os nutrientes da digestão microbiana no rúmen. Nutrientes % Matéria seca 28.09 Nutrientes digestíveis totais 62. a cana-deaçúcar tem sido correlacionada negativamente à ingestão de matéria seca não apenas pela fração indigestível da fibra mas também pela baixa taxa de digestão da fibra potencialmente degradável. seu potencial como fonte de energia é limitado devido à sua baixa digestibilidade e taxa de degradação e consequente baixo consumo voluntário.22 Celulose 26. as quais apresentam elevado efeito de repleção ruminal.83 Fibra em detergente neutro 57. Fonte: Valadares Filho et al.74 Extrato etéreo 1. minerais e ao alto teor de fibra de baixa degradação ruminal. devido aos baixos teores de proteína. Uma das principais limitações da cana-de-açúcar nos experimentos de desempenho animal é o baixo consumo de matéria seca e de nutrientes. minerais e ao alto teor de fibra de baixa degradação ruminal (Leng.45* Proteína bruta 2. Os carboidratos estruturais da cana-de-açúcar são fonte potencial de energia de baixo custo para ruminantes. Na Tabela 1. Sendo assim. 1. apresenta limitações de ordem nutricional.

Fernandes et al. particularmente no período seco e frio do ano. Essa característica resulta em importante vantagem para a alimentação animal. fazendo com que haja aumento na digestibilidade da matéria orgânica (MO) com o avanço da idade da planta. sendo este último resultado do acúmulo de sacarose. Ocorre queda na digestibilidade da FDN com o avanço da idade. representado na Figura 1 pelo conteúdo celular. supera esta queda. (2003). enquanto o de outras gramíneas forrageiras atinge seus limites mínimos (Gooding. verificaram que as diferenças nos teores de FDN e fibra insolúvel em detergente 9 . considerando intervalos de quatro meses entre cortes da cana. Figura 1. época em que seu valor energético é máximo. Fonte: Pate (1977). Com o avançar da idade da cana-deaçúcar. Composição e digestibilidade da cana-de-açúcar segundo a idade da planta. o valor nutritivo das gramíneas diminui com o avançar do estádio de maturação.De maneira geral. 1982). mas o aumento de CNF. ocorrem decréscimos nos teores de proteína bruta (PB) e aumento nos teores de matéria seca (MS) e de carboidratos não fibrosos (CNF). o valor nutritivo da cana-de-açúcar aumenta com a maturidade. conforme pode ser visto na Figura 1. No entanto.

O baixo teor de fósforo da cana-de-açúcar é outra limitação dessa forrageira. (2001). relações FDN/Pol (Pol . 2005. Costa et al.0. 2003. Considerando-se que a capacidade de ingestão total de fibra pelo animal é limitada.1% da MS. ESCOLHA DA VARIEDADE Nos últimos dez anos.1 a 48. maiores valores de digestibilidade in vitro da matéria seca (DIVMS). e o teor de CNF variou de 49. (2003).9 a 4. além de o aumento no teor de FDN 10 .3%. o consumo de energia poderá ser insuficiente para atender as exigências nutricionais do animal. Esta variável.. devido à pouca disponibilidade desses materiais e.. Rodrigues et al. avaliando 18 variedades. 2.6 a 47. as pesquisas com melhoramento genético da cana-de-açúcar colocaram no mercado mais de cinquenta variedades de expressivo potencial produtivo.8% da MS. e Rodrigues et al. principalmente.ácido (FDA) foram relativamente pequenas. uma variedade que apresenta teor de FDN elevado limitará a ingestão de cana-deaçúcar. sendo de fundamental importância uma suplementação mineral adequada para suprir as exigências nutricionais dos animais. contrariamente ao que ocorre com a maioria das espécies forrageiras tropicais. que faz parte da FDN. pois a cana apresenta baixo teor de proteína (Corrêa. tem alta correlação negativa com a digestibilidade.4 a 61. encontraram correlação de –0. Entretanto. sendo que as canas com alto teor de FDN apresentavam baixa concentração de CNF (r = . Considerando-se que é característica da espécie o baixo conteúdo nitrogenado. que variaram de 41. verificaram diferença acentuada nos teores de FDN. 2006).teor de sacarose) menores que 2. afetando seu desempenho. avaliando 12 cultivares. Dietas que utilizam cana-de-açúcar como volumoso necessitam de maior inclusão de concentrados proteicos para suprir as exigências dos animais. o teor de PB não é critério para escolha de variedades (Costa et al. e. avaliando 10 variedades de cana-de-açúcar. (2005). 2006)..96).0%. consequentemente. Rodrigues et al. encontrou correlação entre a DIVMS e o teor de FDN de –0. 2001).88. a maioria das propriedades rurais que utiliza a cana-de-açúcar na dieta dos animais não tem tido acesso às variedades melhoradas. As variedades mais promissoras para alimentação de bovinos são as que apresentam menores teores de FDN. avaliando cinco variedades de cana-de-açúcar em cinco épocas de colheita. (2006) encontraram diferença entre as variedades estudadas para o teor de lignina. Rodrigues et al.90. verificaram que a FDN nos colmos variou de 33. porque essas variedades ainda não foram introduzidas e testadas nesses locais (Macedo et al.7 e baixos teores de lignina. que variou de 2. o que evidencia a capacidade desse volumoso em manter constante o seu valor nutritivo ao longo do tempo. Carvalho (1992).

uma vez que a sacarose. que são representadas pelos polissacarídeos da parede celular vegetal. uma vez que as primeiras atingem a maturidade mais cedo. Teixeira (2004) procurou definir que características da planta seriam mais correlacionadas ao valor nutritivo da cana-de-açúcar. Rodrigues et al. (2003) avaliaram variedades de cana-de-açúcar com diferentes ciclos de produção (precoce e intermediário) e três idades de corte. A terceira característica seria selecionar variedades com maior porcentagem de colmos.1%).4 e 19. maior será a DIVMS. Segundo o autor. entre as três características mais correlacionadas ao valor nutritivo. Fernandes et al. Entretanto.na planta estar associado ao espessamento da parede celular. enquanto as características comprimento dos colmos e porcentagem de FDA apresentaram menor herdabilidade. culminando com mais rápido desenvolvimento das estruturas de sustentação. o que faz pouco sentido. de alta digestibilidade. Outra característica que deve ser avaliada para escolha das variedades é a maior capacidade de desfolha natural ou fácil. Houve aumento linear do percentual dos nutrientes digestíveis totais (NDT) com o avanço na idade de corte. Os autores observaram que variedades com ciclo de produção intermediário apresentaram uma produção 8. Este fato torna as variedades de maturação intermediária mais apropriadas ao consumo pelos animais. Canas de alta digestibilidade têm colmos mais curtos. Azevêdo et al. de lignina e a taxa de degradação da fração potencialmente degradável da FDN explicaram 87. enquanto as folhas são ricas em fibra de baixa digestibilidade. justificado pelo aumento linear do teor de MS e o aumento do teor de sólidos solúveis (brix). selecionar canas com colmos curtos para obter ganho em digestibilidade levaria à perda na produção de MS por hectare. o que reduz a área disponível ao ataque microbiano no rúmen. a característica mais importante na cana-de-açúcar de alto valor nutritivo é ter baixa porcentagem de fibra na MS. As variedades de cana-de-açúcar precoces apresentaram maiores teores de FDN e FDA do que as de ciclo intermediário. que foram de 41. Ainda neste trabalho de Teixeira (2004). A segunda mais importante é o comprimento dos colmos. pois permite maior eficiência no processo de 11 . respectivamente. (2001) observaram que quanto menor a relação FDN/açúcares. verificaram que os teores de hemicelulose. ou seja. a porcentagem de fibra (FDN ou FDA) foi a mais correlacionada com a degradabilidade da MS. devido à negativa relação entre os teores de FDN e de FDA dos alimentos e seu valor nutricional. a porcentagem de colmos foi a de maior herdabilidade (h2=63. baixa proporção de palhas e folhas. A relação FDN/Pol pode servir de indicador para a escolha de variedades de cana-deaçúcar para alimentação de ruminantes. está contida nos colmos. avaliando a divergência nutricional de 15 variedades de canade-açúcar.8% da variação total do banco de dados utilizados em seu estudo. Dentre as características agronômicas e bromatológicas avaliadas. além de baixa porcentagem de FDA. (2003).5%.66% maior que as precoces.

A baixa digestão da FDN da cana-de-açúcar pode ter apresentado efeito de repleção ruminal e. ambas com relação V:C de 60:40. (2002) não observaram diferenças no consumo de MS e PB com o aumento dos níveis de cana-de-açúcar nas dietas em substituição à silagem de milho. trabalhando com cana-de-açúcar em substituição à silagem de milho em dietas para vacas em lactação. comparando tratamentos com a mesma relação volumoso:concentrado (V:C de 60:40) entre cana-de-açúcar e silagem de milho. Resultados semelhantes foram encontrados por Souza (2003) e Magalhães et al. (2003). Os autores verificaram que a redução para 0. 3. Magalhães et al.corte.. Corrêa et al. (2004b) avaliaram dietas com silagem de milho ou com cana-deaçúcar em vacas Holandesas e observaram consumo 21. Costa et al. quando expressa em g de FDN/h. e a eficiência de ruminação. respectivamente) e uma dieta com silagem de milho na proporção de 60%. CONSUMO VOLUNTÁRIO Costa et al. que observaram aumento de 15% no consumo em dietas à base de silagem de milho quando comparadas com aquelas baseadas em cana-de-açúcar. Mendonça et al. 50 e 40% de inclusão (V:C de 60:40. O CMS do tratamento com 40% de inclusão de cana-deaçúcar foi semelhante ao obtido com a dieta à base de silagem de milho na proporção de 60%.52%. verificaram o aumento de 6. nas proporções 60. O consumo foi menor no nível de inclusão de 60% de cana-de-açúcar. 40:60. da mesma forma. 2006). também foi menor.35% do valor obtido para a dieta com 100% de silagem de milho. Mendonça et al. encontraram consumo 22. (2005) compararam o consumo de matéria seca (CMS) entre três dietas com cana-de-açúcar corrigida com 1% da mistura ureia e sulfato de amônio (9:1) como volumoso único. No entanto. (2005).51% superior para a dieta contendo silagem de milho.35% na quantidade de ureia mais sulfato de amônio adicionado à cana-de-açúcar em relação à recomendação tradicional de 1% e a modificação da relação V:C de 60:40 para 50:50 não foram suficientes para aumentar o consumo de dietas com cana-de-açúcar. As vacas alimentadas com dietas à base de cana-de-açúcar apresentaram maior tempo despendido em ócio. (2006).2% maior para as dietas à base de silagem de milho. ter limitado a ingestão 12 . 50:50. consequentemente. uma vez que o coeficiente de digestibilidade da FDN para a dieta com 100% de cana-de-açúcar correspondeu a apenas 45. menor CMS. intermediário no de 50% e maior no de 40%. verificaram que a cana-de-açúcar apresentou elevada proporção de fibra indigestível em comparação à silagem de milho. (2004). Valvasori et al. além de reduzir a oferta de material de baixo valor nutricional ao rebanho (Macêdo et al. (2004a) avaliaram o comportamento ingestivo de vacas leiteiras recebendo dietas contendo silagem de milho (V:C de 60:40) ou cana-de-açúcar (V:C de 60:40 ou 50:50). moagem.

na digestibilidade aparente da matéria orgânica (DAMO). sendo a baixa DFDN uma das limitações da cana-de-açúcar na dieta de ruminantes. As dietas eram isoproteicas.22% na MS. pode ter aumentado a digestão dos nutrientes neste compartimento. 2006). a taxa de fermentação do alimento e a quantidade de MS consumida são os principais fatores que estabelecem a proporção em que determinado nutriente será digerido.00375 unidades para o TMRT. Resultado semelhante foi encontrado por Magalhães (2001). Provavelmente tal fato ocorreu em virtude do maior teor de lignina presente nas dietas à base de cana-de-açúcar (Mendonça et al. Costa et al. 13 . 2004b). A baixa palatabilidade da ureia pode ter contribuído para obtenção de menores ingestões de MS nestes tratamentos. o menor consumo nas dietas CAU e CMM. A sacarose da cana foi aparentemente mais digestível que o amido da silagem. As rações CAU e CMM foram as que apresentaram as quantidades de ureia mais elevadas (3. quando comparou diferentes níveis de substituição de silagem de milho por cana-de-açúcar. que foram o de cana-de-açúcar mais ureia (CAU) e o de canade-açúcar. Na Tabela 2. apresentaram maiores coeficientes de digestibilidade da fibra em detergente neutro (DFDN) e de digestibilidade dos carboidratos (DCHO). Os autores também observaram que a taxa de passagem ruminal (TPR) decresceu enquanto o tempo médio de retenção total da digesta (TMRT) aumentou linearmente. absorvido e utilizado pelo animal (Magalhães et al.de MS. respectivamente).52 e 3. e os tratamentos com maior inclusão de ureia.49%) foi compensada pela alta DMO da fração não fibrosa (87. provavelmente provocado pelo maior tempo de retenção no rúmen. Segundo os autores. por unidade percentual de cana-deaçúcar acrescentada às dietas.82%) e silagem de milho (67. respectivamente. não foi encontrada diferença significativa na digestibilidade da matéria orgânica (DMO) entre dietas com cana-de-açúcar (67.58%) desta. A taxa na qual a digesta se move ao longo do trato gastrintestinal (TGI).. 4. na digestibilidade aparente da proteína bruta (DAPB) e na digestibilidade aparente (DA) dos carboidratos totais (CHO).59%). DIGESTIBILIDADE Segundo Andrade (1999).. estimando-se redução de 0. Houve decréscimo linear na digestibilidade da FDN com o incremento da inclusão de cana-de-açúcar na dieta. (2005) também não encontraram diferença na digestibilidade da matéria seca (DMS) e na DMO entre dietas com silagem de milho ou cana-de-açúcar.0057 unidades na TPR e aumento de 0. Vilela et al. que também não encontrou diferenças na digestibilidade aparente da matéria seca (DAMS). (2003) avaliaram diferentes suplementos para vacas mestiças em lactação alimentadas com cana-de-açúcar. A baixa digestibilidade da FDN nas dietas com cana-de-açúcar (22. estão resumidos os resultados de diversos trabalhos mostrando digestibilidade da MS e da FDN de dietas com cana-de-açúcar como volumoso único. milho grão e ureia (CMM).

algodão Milho grão.9% 53. Fonte: Hernandez et al. 6.9% 67. Suplementos Milho grão. soja Milho grão.3% 69. 2002 Vilela et al. algodão Milho grão.5% 65. 2001 Valvasori et al. (2003).1% 54.. ureia Ureia Ureia. Costa et al.7% DFDN 37.0% 71. soja Far.4% 70. far.1997 Stacchini. 1993 Aroeira et al. ureia Far. com peso vivo ao redor de 500 a 550kg. glúten milho. 1997 Hernandez et al.3% 73.6kg.9% 61. O consumo de concentrado foi de 3kg/animal/dia.6% 47. far. ureia Milho grão. algodão Ureia.. Gallo (2001). ureia Ureia. glúten milho.9% 61. Entretanto. soja2 Milho grão. ureia DMS 77. Novilhas leiteiras Andrade (1999) avaliou o fornecimento de dietas isoproteicas contendo 320g de FDN oriundas de cana-de-açúcar ou silagem de milho para novilhas Holandesas. far. 2004b Costa et al.4.0% 66.0% 64. 2005 1 = cana-de-açúcar variedade CO413. soja Milho grão. é alternativa viável para a recria de animais Holandeses.. 1995 Ludovico e Mattos. (2002).. 3 = Cana-de-açúcar variedade RB806043. Vilela et al. 1999 Corrêa. O CMS caiu linearmente com a maior inclusão de cana-de-açúcar na dieta. O ganho de peso diário foi 1. Corrêa (2001).9% 66. respectivamente.5% 23. (2004b).0% 62. far. Segundo o autor.8% 63. que foram 14 .. far. far. 1978 Pate.Tabela 2.6% 49. far. far.. Não houve diferença nos ganhos de peso diários. Gallo (2001) conduziu experimento para determinar o teor máximo permitido de canade-açúcar na dieta de novilhas Holandesas que não deprimiria o ganho diário de peso.. 7.. As dietas eram isoproteicas e continham 62. soja.9% 55. far. mesmo levando a um menor desempenho animal.6% 46. ureia. já que ganhos de peso em torno de 750g/dia seriam suficientes para obtenção de primeiro parto aos 24 meses de idade. far.175g no tratamento com silagem de milho e 1.8. 2003 Vilela et al. soja1 Milho grão.4% 22. milho grão.4% 67. far.0% Animal Vacas Garrotes Novilhas Vacas Vacas Garrotes Garrotes Garrotes Vacas Novilhas Vacas Novilhas Vacas Vacas Vacas Vacas Vacas Vacas Vacas Fonte Biondi et al. far..1997 Hernandez et al.2% 53.8% 66. 2003 Vilela et al. 1981 Manzano et al.5% 65. Mendonça et al. far. soja.0% 70. far. (2005). 2003 Mendonça et al. 2 = cana-de-açúcar variedade RB72454. algodão.1. trigo Milho grão. segundo o autor. soja. soja. far.0% 36. o menor desempenho animal com cana-de-açúcar foi resultado da menor ingestão diária de energia devido à queda no CMS.1997 Hernandez et al. milho grão Ureia. soja Milho grão.0% 53. a cana-de-açúcar.. (1997). 2003 Vilela et al.. far. Valvasori et al.2% 31. 70 ou 78% de cana-de-açúcar na MS.0% 66. DESEMPENHO ANIMAL 5.0% 35. trigo. 1998 Andrade. far.4% 37... 6. 2001 Gallo. 5. algodão. algodão Milho grão.7% 40. soja3 Far.4% 73.7% 54. Digestibilidade aparente da matéria seca (DMS) e da fibra em detergente neutro (DFDN) de dietas com cana-de-açúcar como volumoso único e diferentes suplementos.009g no tratamento com cana-de-açúcar. algodão.

É provável que as primíparas do T2 obtiveram maior produção de leite como consequência do maior ganho de peso desde o sétimo mês de gestação até o momento do parto (669 vs. Magalhães (2001).5kg inferior no tratamento com cana-de-açúcar.5kg / cabeça / dia de concentrado e o tratamento 2 (T2) pelos mesmos ingredientes do T1 mais 4kg de cana-de-açúcar / dia com a adição de 4% de ureia. com produção por lactação superior em 28% (1. Mendonça et al. 33. Segundo o autor. verificou que a produção decresceu linearmente com o aumento nos níveis de substituição da silagem de milho. avaliaram a suplementação ou não com cana-de-açúcar por três meses antes do parto.53kg/dia. A suplementação promoveu melhor condição corporal dos animais ao parto e diminuição do intervalo entre partos (454 vs.3. PB e NDT.269 para T1 e 1. foi 2. assim. 0. trabalhando com novilhas Holandês x Brahman. 100%) da silagem de milho por cana-de-açúcar em dietas para vacas produzindo 24kg de leite por dia.1. trabalhando com vacas Holandesas de alta produção. assegurando. 66.. o autor concluiu que o nível de 33% de substituição foi técnica e economicamente recomendável. devendo-se observar também a condição corporal dos animais ao longo da lactação.634 litros para T2) para os animais que receberam cana-de-açúcar. respectivamente. A média de produção de leite por animal foi de 6 e 8L/dia para T1 e T2. com o aumento da inclusão da cana-deaçúcar. 951g/dia. o que resulta em menor consumo de nutrientes. Após realizar a análise dos dados produtivos e a análise econômica. 15 . a resposta ao uso da cana-de-açúcar para vacas leiteiras não está apenas na produção de leite. 2004). 956g/animal/dia). independente do nível de ureia ou da relação V:C.49. -0. respectivamente. Vacas em lactação Para se alcançar máxima receita sobre custos com alimentação.89. A menor produção de leite para as dietas com maior participação de cana-de-açúcar pode ser explicada pelo menor CMS. comparou dietas com silagem de milho ou cana-de-açúcar como volumoso único e encontrou produção diária de leite 2.2. (2005). 33. 979. produção e condição corporal satisfatórias (Magalhães et al. Espinoza et al. 347 dias).77kg menor que a dieta à base de silagem de milho. Costa et al. devem-se formular dietas que sejam consumidas em grandes quantidades e contenham elevados níveis de nutrientes utilizáveis. Os animais que consumiram dietas com 0.002. (2004b) também observaram que a produção de leite para as dietas à base de cana-de-açúcar como volumoso. Corrêa (2001). 66. O tratamento 1 (T1) era composto de pasto mais 1.79kg. o que pode ser explicado pela redução nos consumos de MS. encontraram redução de 2. avaliando o efeito de quatro níveis de substituição (0.6 e 100% de cana-de-açúcar como volumoso apresentaram variação de peso corporal de 0. (2006).16 e –0. respectivamente. 5. por sua vez.

não encontraram diferenças na composição de leite.1kg/dia. Os animais que receberam 60% de concentrado na dieta total apresentaram maior CMS. (2003) avaliaram diferentes suplementos. Magalhães et al. 5.8. CMS. (2005) avaliaram a utilização de diferentes fontes proteicas e de volumosos (cana-de-açúcar. silagem de milho e pastagem de capim-brachiaria brizantha) em novilhos Holandês x Zebu na biometria da carcaça. Vilela et al. Não houve diferença para a produção de leite. (2005) avaliaram o desempenho produtivo de vacas leiteiras alimentadas com quatro tratamentos isoproteicos que utilizaram como volumoso cana-de-açúcar adicionada de farelo de soja ou 0. Segundo os autores.8. milho moído (CMM). com produção de leite média de 7kg por animal/dia. aqueles que receberam 80% de concentrado apresentaram maior ganho em peso vivo total. Macitelli et al. avaliaram diferentes níveis de inclusão de concentrado em dietas com cana-de-açúcar (V:C de 60:40. a suplementação que apresentou os melhores resultados. Souza (2003). 40:60. foram 16 . (2004b) e Costa et al. (2006). para vacas mestiças de baixo potencial de produção. respectivamente. 0. peso de vísceras e de órgãos internos.3.4. Não houve interação significativa entre volumoso e fontes proteicas e também não houve diferença entre as fontes proteicas para os parâmetros estudados. CMM e CFT. O aumento da inclusão de concentrado na dieta promoveu incremento energético na MS. A produção de leite do tratamento CFT foi maior que do CAU. Mendonça et al. 20:80). foi verificada perda de peso de 0. que foi em torno de 20kg por animal.6 e ganho de 0. No entanto. (2005).2% da mistura ureia mais sulfato de amônio (9:1) para a correção nitrogenada da cana-de-açúcar. farelo de algodão (CFA) e farelo de trigo (CFT) para vacas mestiças em lactação. Bovinos de corte Silva et al. baseados na produção e composição do leite.2% de mistura ureia e sulfato de amônio (9:1). quando se comparou farelo de soja com a ureia nos diferentes níveis. do conteúdo estomacal e do conteúdo gastrintestinal. Isso ocorreu devido às maiores perdas de peso nos tratamentos CAU e CMM. para os tratamentos CAU. não havendo diferença entre os demais tratamentos. Neste estudo. em porcentagem do peso do corpo vazio (%PCV). CFA. trabalhando com novilhos mestiços da raça Nelore confinados. (2004). ocorreu efeito linear crescente na produção de leite para o aumento dos níveis de ureia. além de proporcionar maior CMS e maior ganho em peso total. em trabalhos avaliando cana-de-açúcar em substituição à silagem de milho. os pesos. Para os volumosos. 1. ureia (CAU). No entanto. Existe atualmente uma preocupação na avaliação dos alimentos para produção de maiores teores de sólidos do leite devido ao pagamento diferenciado já adotado por alguns laticínios brasileiros. 0. A eficiência alimentar foi superior para os tratamentos CAU e CMM em relação ao CFA. Os autores recomendaram o nível de 1. foi com farelo de trigo.Rangel et al.2 e 0. digestibilidade dos nutrientes e eficiência alimentar. alimentadas com canade-açúcar.

maciez e quebra na cocção da carne. respectivamente). Ou seja. As variedades RB 806043. nas ligações covalentes do tipo éster entre a lignina e a parede celular (Van Soest.20kg MS/dia. RB 72454 e CO 413 apresentaram teores de fibra bruta. como a cal micropulverizada.81kg/cab/dia) em relação às demais rações. Os animais que receberam dieta com a variedade CO 413 apresentaram menor ingestão de matéria seca (7. porcentagem de cortes comerciais da carcaça. respectivamente. cor. respectivamente). UTILIZAÇÃO DE CANA-DE-AÇÚCAR HIDROLISADA Existem estudos que demonstram que o tratamento de materiais fibrosos com álcali. o aumento na extensão da digestão da celulose e das hemiceluloses é. marmoreio. provavelmente. alimentados com dietas isoproteicas contendo 33% de concentrado e 67% de cana-de-açúcar ou silagem de milho.09. sem 17 . De acordo com Klopfenstein (1980). devido à quebra das ligações com a lignina. o teor de lignina normalmente não é alterado pelo tratamento químico. textura. lignina e sílica. e a hidrólise dos ésteres dos ácidos urônico e acético. força de cisalhamento. O tratamento com álcali também pode levar à quebra de pontes de hidrogênio na celulose. que apresentaram ganhos de 1.75 e 1.94kg MS/dia) que os animais que receberam RB 806043 e RB 72454 (9.17 e 9.52 e 8. 19. porcentagem de músculos e osso na carcaça.71%. A dieta contendo a variedade RB 806043 proporcionou ganho de peso superior (1. área de Longissimus dorsi. 23. quebra durante o resfriamento. aumenta sua digestibilidade. respectivamente. Então. 6. de 14. (1996) avaliaram o ganho de peso. Vaz e Restle (2005) estudaram as características de carcaça e da carne de novilhos Hereford terminados em confinamento. enquanto os alimentados com cana-de-açúcar tiveram carcaça menos compacta que os tratados com silagem de milho. Não houve diferença entre as conversões alimentares. a ingestão de nutrientes e a conversão alimentar em animais 1/2 Canchim/Nelore e 3/4 Canchim/Nelore utilizando três variedades de cana-de-açúcar.78. Os animais mantidos em pastagem não apresentaram diferença na avaliação de carcaça compacta em relação aos animais alimentados com os outros volumosos. A justificativa para emprego de álcali reside no fato de a lignina das gramíneas ser particularmente susceptível ao ataque hidrolítico dessa base. espessura de gordura de cobertura.significativamente maiores para os animais alimentados com cana-de-açúcar (7. que levam ao aumento da sua digestibilidade. são rompidas ligações na fração fibrosa da cana. O fenômeno mais associado com o tratamento alcalino de volumosos é a solubilização parcial das hemiceluloses. Não houve diferença entre tratamentos para rendimento de carcaça fria. conformação da carcaça. Hernandez et al.52kg/cab/dia para as dietas com as variedades RB 72454 e CO 413. 1994).59% PCV.

Não houve alteração nos teores de MS e de fibra em detergente ácido (FDA). (2006) determinaram a digestibilidade in vitro da matéria seca. 18 . 24 horas após aplicação do produto.30% e de FDA de 43. 2006). observaram redução do teor de FDN de 55. solução ou pó.5% de cal virgem ou de cal hidratada na cana-de-açúcar. utilizando 1% de cal virgem na cana-de-açúcar.96 para 33. Oliveira et al. Os aumentos na digestibilidade de volumosos tratados com produtos alcalinos normalmente estão relacionados ao aumento de consumo e do desempenho dos animais. Entretanto. A hidrólise com cal não afetou o teor de FDA. (2006). com o nível de 0. 1. O tratamento alcalino. da FDN e da FDA da variedade IAC86-2480 de cana-de-açúcar com adição de zero e 0. (2006) verificaram que a hidrólise da cana-de-açúcar. A cal foi efetiva em alterar a composição da parede celular. às vezes. quando influencia positivamente a digestibilidade das frações fibrosas. Independente da cal utilizada.55%. na da FDN e na da FDA da canade-açúcar. os autores verificaram redução nos teores de FDN da cana-de-açúcar de 45% para 40. (2006) avaliaram a composição bromatológica dos tratamentos. Isto é interessante para o produtor. Oliveira et al.atuar na sua remoção. quando feita manualmente (Oliveira et al. os autores ressaltaram que a aplicação a seco em grandes quantidades de cana-de-açúcar picada torna-se limitada.5% de CaO diluído em 40 litros/t de matéria verde (MV) ou aplicado a seco. mostrou-se mais efetiva do ponto de vista da digestibilidade dos nutrientes estudados. Independente da forma de aplicação. Oliveira et al. disponibilizando mais energia para crescimento microbiano e elevando o aporte de proteína para o intestino. Balieiro Neto et al.0.. e 1.5% de cal. sendo que. (2006) avaliaram a composição da fração fibrosa da cana-de-açúcar tratada com 0. não havendo efeito do modo de aplicação do produto. Santos et al. Houve aumento da digestibilidade in vitro da matéria seca (DIVMS) de 62 para 70%.5% de CaO sobre as hemiceluloses. Os melhores resultados foram observados com a dose de 1. Porém. Mota et al. os resultados de desempenho são semelhantes aos de dietas de melhor qualidade.5%. proporciona melhor aproveitamento da fibra da dieta. (2007) estudaram a adição ou não de 0. A hidrólise com 0. que não precisa de equipamentos para a mistura da cal com a água.5% de cal. durante três e seis horas e com duas formas de aplicação (solução ou pó). a ação alcalinizante e ao mesmo tempo hidrolisante da cal foi observada reduzindo os teores de FDN e de hemiceluloses em comparação com a cana-de-açúcar não tratada. melhorando a digestibilidade da fibra pelo aumento na solubilidade das hemiceluloses e na disponibilidade da celulose e das hemiceluloses.5% de cal hidratada (72% de óxido de cálcio total) proporcionou aumento na digestibilidade in vitro da matéria seca. 0.48 para 49.5.

com solubilidade menor que 1%. ocorre alteração imediata de coloração da cana. sendo necessário tempo maior de reação para apresentar os mesmos efeitos do NaOH. 0. que podem ter prejudicado a palatabilidade e limitado o consumo. Os autores sugeriram que a queda no consumo de MS pode ser devido à alta temperatura da cana com cal virgem e ao pH alcalino. Mota et al.0% de cal virgem na cana-deaçúcar fornecida após 24h de armazenamento prejudicou o consumo dos nutrientes. deve-se esperar aumento no teor de matéria mineral e. Apesar dos bons resultados obtidos nas avaliações feitas por técnicas in vitro. No entanto.5% de cal na cana-deaçúcar e diferentes tempos de hidrólise (12. Ao se adicionar cal à cana-de-açúcar.. o autor alertou para o fato de a cal virgem ser produto químico de reação lenta. deve-se atentar para a formulação da ração a fim de se proporcionar uma dieta equilibrada em minerais. diminuição no teor de matéria orgânica (MO). (2007) verificaram que a adição de 1. porém a quantidade de fósforo é muito baixa. com exceção do consumo de FDN. consequentemente. Essa mudança imediata de coloração auxilia na verificação da homogeneização da cana-de-açúcar com a cal.0% de cal virgem na base da matéria natural (MN) com três níveis de oferta de concentrado (0. como a cal virgem e a cal hidratada. Em um trabalho com novilhas mestiças. 2007). o que pode facilitar o manejo diário e de finais de semana. 36 e 60h). Moraes et al. os poucos resultados da literatura de ensaios com animais não vêm repetindo a mesma tendência. Quando se adiciona cal na cana-de-açúcar. A cana-de-açúcar apresenta quantidade considerável de cálcio.Chaudhry (1998) avaliou a digestibilidade in vitro da MS da palha de trigo tratada com cal virgem ou hidróxido de sódio (NaOH) e observou incremento similar na DIVMS quando comparada com a palhada não tratada. os autores concluíram que a adição de 0.0% do peso vivo).5% de cal mantém as características bromatológicas por até 60 horas após o início do tratamento. que passa de esbranquiçada para uma coloração amarelada. também vêm sendo utilizados com o intuito de manter as qualidades nutritivas deste volumoso por alguns dias sem a necessidade de cortes diários. especialmente em relação ao cálcio e ao fósforo. Uma limitação da utilização da cana-de-açúcar é a necessidade de corte diário. (2007) avaliaram a adição de 0. assim como o próprio teor que a cana-de-açúcar apresenta na sua composição. Os autores não verificaram diferença nos teores de MS. além dos requerimentos nutricionais. avaliou-se o efeito da cana-de-açúcar com zero ou 1. que não se alterou. É preciso avaliar a biodisponibilidade do cálcio.5 e 1. ou seja. O ganho médio diário e o peso vivo final dos animais não foram aumentados pelo tratamento da cana-de-açúcar com cal virgem (Moraes et al. de fonte de energia. 19 . Devido a este aspecto. Sendo assim. de acordo com a categoria e a espécie animal. Os agentes alcalinizantes. FDN e FDA nos diferentes tempos de hidrólise.

como tempo de hidrólise. Para se avaliar quais as melhores condições para o tratamento da cana-de-açúcar com cal micropulverizada. 1995. M. LOPES.F. Rev.. verificou que não houve diferença no consumo de MS. Soc. DAYRELL. avaliando dietas de cana-de-açúcar pura ou com 0. p. Lavras.4 para 6. Para a tomada de decisão de quando utilizar as dietas com cana-de-açúcar. CONSIDERAÇÕES FINAIS A cana-de-açúcar pode ser utilizada na nutrição de bovinos obtendo-se bons resultados de desempenho. Digestibilidade. degradabilidade e taxa de passagem da cana-de-açúcar mais ureia e do farelo de algodão em vacas mestiças Holandês x Zebu em lactação. digestibilidade dos nutrientes. 20 . REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ANDRADE. 56f Dissertação (Mestrado) – Universidade Federal de Lavras. concentração de cal.F.M.6% de cal virgem na base da MN.6% de cal virgem 24 horas após o tratamento. 1999. na digestibilidade da MS e da FDN com a adição de cal virgem.C. et al. são necessários mais estudos antes da indicação de uso em fazendas comerciais. taxa de passagem e consumo de matéria seca. observou aumento da temperatura de 25 para 40ºC e do pH de 5. 7. eficiência alimentar e viabilidade econômica. F. variação de peso.S..J. MG. comparando a cana-de-açúcar pura e a cana-de-açúcar com adição de 0. com diferentes níveis de inclusão de ureia em ovinos. desempenho dos animais. dados não publicados). degradação dos nutrientes. AROEIRA. M.Campos (2007). Zootec. L. categoria animal.8. Esse mesmo autor.1016-1026. forma de aplicação sobre o desempenho animal.24. consumo de matéria seca. Desempenho de novilhas Holandesas alimentadas com cana-deaçúcar como volumoso único. Bras. Esse fato já foi relatado por produtores rurais e recentemente foi observado em experimento desenvolvido pela Escola de Veterinária da UFMG em parceria com a Embrapa Gado de Leite (Campos. é necessário avaliar produção de matéria seca por hectare. sobre a digestibilidade. Outra característica do tratamento com cal é a redução do número de abelhas na cana-de-açúcar.A. taxa de passagem.. v.

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devido ao elevado teor de óleo. MS 4 Engenheiro Agrônomo. indica-se a semeadura do girassol para ensilagem após a colheita da cultura principal. Quando a ensilagem é conduzida de forma adequada. ou em locais onde a deficiência hídrica torna inviáveis culturas tradicionalmente utilizadas para esse propósito. Belo Horizonte. a escolha dos materiais mais adequados. A silagem de girassol pode ser utilizada para alimentação de rebanhos leiteiros desde que as dietas sejam balanceadas. luciocg@vet. também possui alto valor energético. como milho e sorgo. Alex Santos Lustosa de Aragão 4 RESUMO Será apresentado neste capítulo o potencial de utilização da cultura do girassol como opção para produção de silagem para alimentação de rebanhos leiteiros. CEP 36038-330. o girassol produz silagens com fermentação apropriada à conservação da forragem estocada. Lúcio Carlos Gonçalves 2.. tropical e subtropical. a silagem de girassol contém alto teor proteico e. Embrapa Gado de Leite. a qualidade.gustavo@cnpgl. Em regra. sendo indicado o plantio da cultura como safrinha ou para regiões que apresentem índices pluviométricos desfavoráveis. O fornecimento de dietas contendo silagem de girassol pode ser uma alternativa para a produção de leite com características funcionais relacionadas aos teores de ácido linoleico conjugado. 610 Dom Bosco. As silagens são classificadas como de boa qualidade e destacam-se pelos teores de proteína e de lipídios.embrapa. MG. UFMG. A silagem de girassol é uma opção de volumoso suplementar.br 2 Engenheiro Agrônomo. Serão discutidos aspectos relacionados a especificidades da cultura. 1880. a capacidade em utilizar a água disponível no solo e a tolerância à ampla faixa de temperaturas são fatores que têm estimulado o cultivo do girassol para a produção de silagem. CEP 30123-970.. a fração fibrosa geralmente apresenta maior proporção de lignina e menor digestibilidade.br 3 Médico Veterinário. Caixa Postal 109. Caixa Postal 567.ufmg.) é uma dicotiledônea anual adaptada aos climas temperado. Corumbá. CEP 30123-970. DSc. Caixa Postal 567. luiz. EMBRAPA Pantanal. Thierry Ribeiro Tomich 3. Mestre em Ciência Animal e aluno do Curso de Doutorado em Zootecnia da Universidade Federal de Minas Gerais. MG. 79320-900. porém a fração fibrosa é de baixa digestibilidade.. Geralmente. Belo Horizonte. Juiz de Fora. MG.com 26 . envolvendo os tratos culturais. Associado Departamento de Zootecnia da Escola de Veterinária da UFMG. INTRODUÇÃO O girassol (Helianthus annuus L. Contudo. Prof. o valor nutricional e o uso do girassol na forma de silagem para bovinos leiteiros.CAPÍTULO 3 SILAGEM DE GIRASSOL PARA BOVINOS LEITEIROS Luiz Gustavo Ribeiro Pereira 1. Rua 21 de Setembro. O menor ciclo de produção. Rua Eugênio do Nascimento. DSc. DSc. quando comparada às silagens de milho e de sorgo. aslaragao@hotmail. 1 Médico Veterinário. em período de safrinha.

São Paulo. as produtividades médias no período de safrinha são próximas a 30t/ha. Bahia. Minas Gerais e São Paulo. 2. dessa forma. que ocorre sob condições de estresse hídrico. Nos estados do Rio Grande do Sul. 1. no norte e noroeste do Paraná e no Distrito Federal. a melhor época para semeadura vai de meados de janeiro até fevereiro. 27 . RENDIMENTO FORRAGEIRO Na maioria das situações. a principal característica que vem motivando o cultivo do girassol para a produção de silagem é o seu bom desempenho produtivo sob baixa pluviosidade. relacionadas à produção e à utilização da silagem dessa oleaginosa. a redução do rendimento forrageiro. a cultura do girassol é indicada para os estados da região Sul. aumentando a capacidade de aproveitamento do terreno e da estrutura disponível para produção e armazenamento. Por esse motivo. Existem relatos de produtividade de forragem verde de girassol que alcançaram 70t/ha. Nos estados da Bahia. Santa Catarina e parte do Paraná. Maranhão e Piauí. Atualmente. para a maioria das situações. assegurar uma boa colheita. o período mais indicado para a semeadura vai de meados de julho ao final de agosto. Contudo. deve-se levar em consideração o enquadramento da produção da silagem de girassol nos sistemas de rotação e de sucessão de culturas. LOCAL E ÉPOCA DE SEMEADURA PARA PRODUÇÃO DE SILAGEM DE GIRASSOL O local e a época de semeadura do girassol para ensilagem seguem as mesmas recomendações observadas para implantação da lavoura destinada à produção de grãos.características que podem restringir a aplicação da silagem de girassol para as categorias de animais mais exigentes. Mato Grosso do Sul. Minas Gerais. Goiás. Serão descritas neste capítulo as principais informações científicas. Mato Grosso. todos os estados do Centro-Oeste. Além disso. nacionais e internacionais. A variabilidade genética e o estádio de desenvolvimento da planta são fatores que influenciam a produtividade e devem ser levados em consideração. no Nordeste. Maranhão. Existe grande carência por informações sobre a silagem de girassol. Os tratos culturais no cultivo de girassol para produção de silagem são semelhantes aos adotados para a produção de grãos. na região Sudeste. reduzir os riscos de eventuais problemas com pragas e doenças e. Tocantins. promove elevação significativa no custo da silagem produzida com as culturas tradicionais. A época ideal é aquela que permite satisfazer as exigências climáticas da planta nas diferentes fases de desenvolvimento.

Rezende et al.1ABCD 29.6DE CDE 19.1t/ha até 9.9CDE 24.5ABC 5.8E 21. Quanto ao efeito da época de corte sobre a produtividade.12t/ha e 6.7 3.1A 17. ao avaliar a produtividade de quatro cultivares de girassol.08t/ha para as mesmas idades de corte (Figura 1).8ABC 6. Pereira (2003).7ABC 15. 28 .4AB 15.9DE A 29. a produção de matéria seca não foi significativamente afetada pelo avanço no estádio de maturação da planta.1t/ha e produtividades de matéria seca de 3. em relação aos rendimentos obtidos aos 95 e 110 dias após a semeadura. 2003b). Tabela 1.7ABC 5.0ABC BCD 5. (2003b).00 t/ha. (2002).2t/ha à medida que a colheita foi efetuada aos 30.6t/ha a 7. notaram redução na produção média de matéria seca para o corte efetuado aos 125 dias após a semeadura. Produtividade (t/ha) Cultivar AS243 AS603 Cargill 11 Contiflor 3 Contilfor 7 DK180 M734 M737 M738 M742 Rumbosol 90 Rumbosol 91 V2000 Média Matéria verde 26.8E 26..3 23.86. 7. foram notadas produtividades de matéria verde variando entre 12. 13.7t/ha.9ABC 12. avaliando dois híbridos e uma variedade de girassol. Nesse trabalho. notou a redução progressiva na produção média de matéria verde de 27. Produção de matéria verde e matéria seca de cultivares de girassol.7CD 6.6D 5. Contudo. Deve-se ressaltar que os autores consideraram que as produtividades alcançadas nesse estudo foram limitadas pela baixa média da população de plantas por ocasião da colheita.6ABC 6.5t/ha.0AB 5.21 e 6.8t/ha a 29. 44 e 51 dias após o florescimento. respectivamente.4ABC 6. que apresentaram produtividade de 7. 17.9 Médias seguidas por letras iguais na coluna não diferem entre si pelo teste SNK (p<0. Fonte: Adaptado de Tomich et al.1 12.05).407 plantas/ha.7t/ha (Tabela 1). 37. respectivamente.Estudo conduzido na Escola de Veterinária da UFMG e na Embrapa Milho e Sorgo evidenciou efeito significativo do genótipo sobre o rendimento de forragem de 13 cultivares de girassol cultivados durante a safrinha (Tomich et al. que foi de 34.3 6.8ABC 4.2 AB Matéria seca 7.2BCD A 7. que se manteve entre 5.2B 22.

(2000) recomendam colheitas com a planta apresentando 100% dos grãos maduros. abaixo dos 30-35% preconizados para produção de silagens de boa qualidade. 29 . As recomendações de época de ensilagem da cultura do girassol são controversas. 37. Tosi et al. Morrison (1966) relatou a possibilidade de o girassol ser ensilado quando metade ou dois terços das plantas estiverem em florescimento. Os dados nacionais sobre avaliações de silagens de girassol apresentam valores médios de 24.Figura 1. e atribuídos ao fato de a planta acumular muita umidade na haste e no receptáculo floral. Várias épocas de ensilagem são indicadas. no entanto Cotte (1959) considera que o girassol pode ser ensilado no final da floração.1% de matéria seca. Gonçalves et al. (1975) encontraram bons resultados quando realizaram cortes com os capítulos apresentando coloração verde-amarela na face dorsal e com sementes diferenciadas e bem formadas. 3. enquanto Schuster (1955) indicou a ensilagem durante toda a floração. brácteas amarelas a castanhas e folhas murchas ou secas. 44 e 51 dias após o florescimento. Fonte: Adaptado de Pereira (2003). PONTO DE ENSILAGEM DO GIRASSOL O baixo teor de matéria seca é considerado uma das desvantagens da cultura do girassol e tem sido um fator limitante na produção de sua silagem. Produção de forragem de girassol para cortes efetuados aos 30. e poucos são os estudos que realizaram a ensilagem em estádios mais avançados de maturação. mesmo em estádios avançados de desenvolvimento.

as perdas de efluentes de materiais com menos de 25% de MS devem ser consideradas (McDonald et al.. (1981) avaliaram a composição química e a digestibilidade in vitro da matéria orgânica da planta do girassol em 12 semanas consecutivas após a floração. conferindo uma preservação satisfatória do material originalmente ensilado. Edwards e McDonald (1978) avaliaram o girassol ensilado em 12 estádios de crescimento e concluíram que.6% e 19.8% a 33.4%). 110 e 125 dias de idade e observaram que os genótipos só atingiram os teores de matéria seca (MS) recomendados para ensilagem (30%-35%) com idade de 125 dias. as brácteas (folhas modificadas da parte externa do capítulo) estão com coloração amarelo-castanha e a maior parte das folhas presas ao caule já está seca. Porém. Em R9.9% para a primeira e a última semana de corte.Harper et al. 104.6% a 56. o girassol contém alta quantidade de água. ao avaliar quatro genótipos de girassol em diferentes épocas após a floração. avaliando as silagens de quatro genótipos de girassol colhidos com 90. A ensilagem nesse estádio tem produzido silagens com teor de matéria seca próximo a 25%.1%. Por esse motivo.0% para a primeira e a última semana de corte. também observou que os teores de MS adequados para ensilagem só foram atingidos em estádios avançados de maturação (mais de 111 dias de idade). recomenda-se que a colheita do girassol seja realizada no período de maturação fisiológica dos aquênios (fase R9). quando as plantas apresentam teor de matéria seca apropriado a propiciar fermentação que possibilite boa conservação do material estocado. com baixo teor de MS. Souza (2002). porém o avanço da idade causou aumento nos teores de fibra em detergente neutro (FDN) e redução nos valores de digestibilidade in vitro da matéria seca – DIVMS (95 dias = 62. A definição do ponto ideal de colheita do girassol é fundamental para a produção de silagem com melhor valor nutritivo. Quando a colheita é efetuada antes da maturação fisiológica dos aquênios. tem produzido 30 . quando é ensilado tardiamente. o que prejudica a fermentação. Apesar do baixo teor de matéria seca. mesmo em estádios precoces. Pereira (2003) observou bons perfis de fermentação durante o processo de ensilagem do girassol. respectivamente). mostrando o potencial de conservação do girassol nestas condições. 111 e 118 dias. relatou o aumento das frações fibrosas e a redução na digestibilidade e na cinética de degradação ruminal com o avançar do estádio de maturação das plantas. 97. notando aumento no teor de fibra bruta (20. mesmo trabalhando com materiais com baixos teores de MS (23. Rezende et al. Por sua vez. 110 dias = 56. Este mesmo autor. respectivamente). e 125 dias = 49.9%. as plantas do girassol apresentam a parte posterior dos capítulos amarelada.7%. foram obtidas silagens com fermentação predominantemente láctica. Já os teores de FDN e FDA aumentaram e os valores de DIVMS diminuíram com o avanço da maturidade das plantas. Freire (2001) e Porto (2002) encontraram bons perfis de fermentação das silagens de girassol. 1991). respectivamente) e redução significativa na digestibilidade (76. (2002) avaliaram três genótipos de girassol ensilados com 95. cerca de 10% de proteína bruta e coeficiente de digestibilidade da matéria seca de 50%. comprovando o potencial de conservação nessa forma. o que sugere a ensilagem da cultura do girassol em estádios mais precoces.

2 como adequado às silagens bem-conservadas. destacam-se o teor de matéria seca. As silagens de girassol. o pH apropriado para promover a eficiente conservação da forragem ensilada depende da quantidade de umidade da silagem. (2004) também revelou que o girassol. Tomich et al. b. apresentam valores elevados de pH. as silagens muito secas favorecem a ocorrência de danos por aquecimento e mofo. Por outro lado. Por esses motivos. mas esse fato está relacionado principalmente à ensilagem em períodos precoces de desenvolvimento da planta. (2004). Portanto. Entretanto. avaliando as silagens de 13 cultivares. O baixo teor de matéria seca é considerado um problema para a produção da silagem de girassol. Conforme Tomich et al. Tomich et al. devido à dificuldade de compactação. O teor de nitrogênio amoniacal da silagem reflete a ação deletéria de enzimas da planta e de microrganismos sobre a fração proteica da forragem. 4. tem-se atribuído pH entre 3. Em relação à qualidade da fermentação. para a avaliação do processo fermentativo. A conservação pela ensilagem baseia-se no processo de conservação em ácido. considera-se que valores inferiores a 10% são adequados para silagens bem-conservadas. o pH não deve ser tomado isoladamente. De maneira geral. (2003a). frequentemente notadas em silagens com baixo conteúdo de matéria seca. mas deve ser associado ao teor de matéria seca da forragem. indicando a aptidão da planta para a ensilagem quanto à conservação da qualidade da fração proteica.. entre as variáveis utilizadas para avaliar a eficiência da fermentação de silagens. a maior parte dos estudos tem revelado teores de nitrogênio amoniacal abaixo de 10% em silagens de girassol (Valdez et al. O resultado obtido por Tomich et al. apresenta redução de pH adequada à conservação da forragem estocada. Em geral. geralmente. o pH e os teores de nitrogênio amoniacal e de ácidos orgânicos. QUALIDADE DA SILAGEM DE GIRASSOL A adequação de uma planta para a ensilagem está relacionada à sua eficiência de fermentação para conservar o valor nutritivo da silagem o mais próximo possível do valor da forragem verde. 2004). 31 . observaram que o valor de pH foi positivamente correlacionado com o teor de matéria seca. Como um dos aspectos positivos da silagem de girassol é o seu mais elevado valor proteico em relação às silagens de milho e de sorgo.silagens com altas proporções de componentes da parede celular e baixos coeficientes de digestibilidade.. Todavia. geralmente. em que o decréscimo do pH pela fermentação limita a ocorrência de processos que promovem a deterioração da forragem. indicando que as silagens mais úmidas apresentaram pH mais baixos. 1988a. O teor de matéria seca é uma variável importante no processo da ensilagem porque está relacionado à ação de microrganismos deletérios à qualidade do material ensilado.8 e 4. à produção de efluentes e à redução do consumo voluntário. tem-se recomendado ensilar forragens que apresentam entre 30% e 35% de matéria seca.

quando a ensilagem do girassol é conduzida de forma apropriada. 2003.. Já o teor de ácido acético está relacionado a menores taxas de decréscimo e pH elevado das silagens. Considerando as variáveis expostas. 2004). Também corresponde a perdas acentuadas de matéria seca e energia da forragem original durante a fermentação e.. Almeida et al. Alguns estudos mostraram que. têm-se produzido silagens com fermentação adequada à conservação da forragem estocada. (2004) com 13 cultivares revelou que. são bem-conservadas. sem perdas significativas de matéria seca e de energia e com pequenas alterações da fração proteica da forragem conservada em relação à forragem verde (Tabela 2). geralmente... o ácido lático é frequentemente utilizado como indicador de qualidade da fermentação.. O teor desse ácido pode ser considerado um dos principais indicadores negativos da qualidade do processo fermentativo.Quanto aos ácidos orgânicos. a capacidade de tamponamento da planta não permite redução do pH aos níveis frequentemente observados para as silagens de milho e de sorgo. A presença de ácido butírico reflete a extensão da atividade clostridiana sobre a forragem ensilada e também está relacionada a menores taxas de decréscimo e elevado pH final das silagens. 2003. Almeida et al. 1995.. Pereira. apontando que essa não é uma característica capaz de restringir a adequação da planta para a sua conservação na forma ensilada.. Tomich et al. pode-se avaliar que.1981. em média. 1995. Vários estudos mostraram baixos valores de ácido butírico em silagens de girassol (Tosi et al. 2004). 32 . Pereira. Valdez et al. as silagens de girassol apresentam as características de silagens bem-conservadas... Existem poucos trabalhos que avaliaram a concentração de ácido acético em silagem de girassol e. mas a quantidade necessária desse ácido para reduzir rapidamente o pH e inibir os processos que promovem a deterioração do material ensilado varia com a capacidade de tamponamento da forragem e com o teor de umidade da massa ensilada. foram observadas baixas concentrações (Sneddon et al. o ácido butírico é positivamente correlacionado à redução da palatabilidade e do consumo da forragem. O estudo realizado por Tomich et al. embora a silagem de girassol apresente altas proporções de ácido lático (Tosi et al. 1988a. Tomich et al. 1975. Tomich et al. 1975. de maneira geral. 2004). indicando que as silagens de girassol. com frequência.

0B 8. (2004).1D 5.1 2.1 4.3 pH 4.1 35.0 7.30 0. Silagem Girassol Milho Sorgo Capim-elefante Proteína bruta* 9.5A 1. (1988b).7 Composição expressa como porcentagem da matéria seca Extrato etéreo* FDN* FDA* Lignina* Cálcio** Fósforo** 13.00E 0.0 7.Tabela 2.9 5.8C 25.8 7.5D 26.1CD 8.7E 21.5DE 9.5C 4.18 2.8 76. Teores de matéria seca (MS).9E 32. permitindo a redução da necessidade de suplementos minerais e proteicos.0C 5.0D 31.7B 2.5C 4.8E C 7.09C 0. de sorgo.2B 4.7AB 1. (2001). Por outro lado.2BC 8.5 7.1 4. de minerais e de extrato etéreo (óleo). o seu mais alto teor proteico e mineral pode representar vantagem econômica.7B 5.9 0. embora as silagens de girassol apresentem menor teor de fibra em detergente neutro que as silagens tradicionais. em regra.9F 14.% 21. elevados teores de proteína.56 0.6 6. Cultivar AS243 AS603 Cargill 11 Contiflor 3 Contilfor 7 DK180 M734 M737 M738 M742 Rumbosol 90 Rumbosol 91 V2000 Média MS .5B 1.8BC 23.2B 4.4BC 2.7 34.5A 1.23B 0.3DE CD 8.00E DE 0.0D 8.05 E 0.23 0. 5. Composição química de silagens.06 Médias seguidas por letras iguais na coluna não diferem entre si pelo teste SNK (p<0.6 1. quando comparadas às silagens de milho.5 4.4C 5.38 0.4 0.9 53.9 6. ou de capim-elefante (Tabela 3).08 Fonte: *Valadares Filho et al.0BC 10.2B 23.% MS Lático Acético Butírico 7.0 55.28A 0.5A 4.1B 5.29 3.0CDE 9.4C 7.3BC F 19.5B AB 2.6D 9.05).5C 5. Fonte: Adaptado de Tomich et al.9AB 1.3B C 4.4C 5. VALOR NUTRITIVO DA SILAGEM DE GIRASSOL As silagens de girassol apresentam.9AB 1.0 5.9 0.5 1.6 27.5C 4.00E 0.2 61.3AB B 1.2A BC 26.08CD 0. Quando usadas em dietas balanceadas.0 26.0 1.5C D 4.8C 9.19 2. contêm alta proporção de fibra em detergente ácido e de lignina. **Valdez et al.00 E 0.6A 8.3D 7.7 30.5D A 12.7 Ácidos orgânicos .00 0.00E 0.7 47. Tabela 3.2A 23.00E 0. pH e conteúdos de nitrogênio amoniacal com porcentagem do nitrogênio total (N-NH3/NT) e de ácidos orgânicos das silagens de 13 cultivares de girassol.6 9.7 N-NH3/NT 10.2AB 2.5D 25.3CD E 6.8AB 2.3 0.3 7.00E 0. 33 .

na maioria das situações. Composição química das silagens de girassóis confeiteiros ou selecionados para a produção de óleo Parâmetros* Proteína Bruta Extrato Etéreo FDN Lignina Confeiteiro** 9. Fonte: Adaptado de Jayme (2003).Tanto os girassóis selecionados para a produção de óleo. As composições químicas médias das silagens encontram-se na Tabela 4.8 * Valores médios de três genótipos.. as análises das silagens de girassol produzidas no país têm revelado alta proporção de extrato etéreo. Concluiu-se no estudo que os seis genótipos avaliados apresentavam potencial para serem utilizados na forma de silagem. e as silagens obtidas com híbridos destinadas à produção de óleo apresentaram 2% a mais que as silagens dos materiais confeiteiros. e. 1988a. 1980).. enquanto as silagens produzidas com girassóis de semente oleosa apresentam mais de 10% de extrato etéreo (Valdez et al. Independente do tipo de girassol. Victoria 627 e Victoria 807. **Mycogen 93338.8 Produção de Óleo*** 8. os genótipos mais apropriados para a ensilagem são aqueles que apresentam alta produtividade de forragem.0 7.1 10. Jayme (2003) avaliou as silagens de seis genótipos de girassol. No Brasil. recomenda-se que as dietas contendo silagem de girassol sejam adequadamente balanceadas para se evitar perdas no aproveitamento dos alimentos e no desempenho dos animais.8 12. As silagens obtidas com os dois tipos de girassóis apresentaram valores próximos de proteína bruta. FDN e lignina. bom valor 34 . Os teores de extrato etéreo para os dois tipos de silagens foram superiores a 10%. da digestibilidade da fibra e da taxa de passagem. *** V2000.9 48. Tomich et al. M742 e IAC Uruguai. que geralmente apresentam entre 35% a 45% de óleo no grão.. quanto as variedades chamadas de confeiteiras (25%-30% de óleo no grão) têm sido utilizados para a produção de silagem. por esse motivo. b. fermentação conveniente para a conservação do material estocado e. principalmente. Tabela 4. 2004). Portanto. Esse alto teor de óleo na silagem de girassol pode representar um fator limitante para o seu uso como volumoso único na dieta de bovinos leiteiros e indica a possível necessidade de associação com outros alimentos volumosos. uma vez que dietas contendo mais de 7% de extrato etéreo podem estar relacionadas às reduções da fermentação ruminal. sendo três híbridos confeiteiros e os demais destinados à produção de óleo.7 7.9 47. Dados americanos revelaram que as silagens das variedades confeiteiras apresentaram em média 3% de extrato etéreo (Schingoethe et al. A maior parte das sementes disponíveis no mercado nacional é de girassóis destinados à produção de óleo.

4D 5.8BCDE 47.7 B 15.5CDEF 10.4A 11.6AB 37.4A 28.8 CD 33.8AB 7. Médias seguidas por letras iguais na coluna não diferem entre si pelo teste SNK (p<0.2A 8. (2002) e Pereira (2003) observaram poucas alterações nos teores de proteína bruta das silagens com o avanço do estádio de desenvolvimento das plantas.7CD 46. (2004).6 F DIVMS .2E 50.0DE 37. Rezende et al.9G 40.1EF 36.7E 41.3DEF 12.05).9D 49.4DE 39.4BCD 51.4A 8. Composição química e digestibilidade das silagens de cultivares de girassol.6 DEF 43.7F 52.1E 46. Tomich et al.7A 38.1AB 6.6B 9.9CD 48.1 BCD 6.5A 9.7CDEF 11.7BC 51.9 AB 8.8A 9. Em relação ao valor nutritivo.2BC 5.7C 44.5F 18.1B 49.8A 51.% 47.1AB 13.8A 9. Fonte: Adaptado de Tomich et al. Outro fator que é capaz de influenciar significativamente alguns componentes bromatológicos e a digestibilidade das silagens de girassol é o estádio de desenvolvimento da planta.3A 9.1C 9.4B 56.3 A 7.9AB 5.5BCD 10.9AB 6. Vários estudos mostraram que essas características diferem entre cultivares.6CD 47.0CDE 7.4BC FDN = fibra em detergente neutro.2D 6.4BC 6.7CD 7. FDA = fibra em detergente ácido.5F 33.7A 49.0ABC 19.1A 39.5B 48.4E 40.1BCD 36. no extrato etéreo. Cultivar AS243 AS603 Cargill 11 Contiflor 3 Contilfor 7 DK180 M734 M737 M738 M742 Rumbosol 90 Rumbosol 91 V2000 Proteína bruta 8.5AB 49. mas notaram aumento de fibra e redução da digestibilidade da matéria seca nas silagens de girassol produzidas com plantas em estádio avançado de desenvolvimento (Figura 2).3ABC 35.2EF 14.3 BC 34.4 AB 6.0AB 17.1D 51.nutritivo da forragem produzida. DIVMS = digestibilidade in vitro da matéria seca.9 C Composição expressa como porcentagem da matéria seca Proteína Extrato etéreo FDN FDA Lignina 18.9CD 46.9CD 43. 35 . nos componentes da parede celular e no coeficiente de digestibilidade in vitro das silagens de 13 genótipos de girassol ensilados quando apresentavam mais de 90% de grãos maduros (Tabela 5).9DE 31.2A 13. Tabela 5.2D 9. (2004) observaram variações significativas nos teores de proteína.0CD 49.1AB 6.0C 7.

aditivadas ou não. assim a tomada de decisão quanto à utilização ou não de aditivos deve levar em consideração a relação custo/benefício. carbonato de cálcio. (2001a) não observaram alterações na digestibilidade da matéria seca devido à adição de ureia. 44 e 51 dias após o florescimento (fase R5. Valle et al. associados ou não à silagem de girassol. (2001b) observaram que a adição de ureia e de carbonato de cálcio. 6. Fonte: Adaptado de Pereira (2003). 36 . Esses mesmos autores verificaram que o uso de inoculante bacteriano não resultou em aumento significativo nos teores de ácido lático nas silagens de girassol. ao incremento do valor energético ou proteico e ao aumento da estabilidade aeróbica da silagem durante a fase de utilização. Valle et al. ureia + carbonato de cálcio ou inoculante bacteriano. visando à melhoria da conservação. As silagens de girassol. USO DE ADITIVOS NA ENSILAGEM DO GIRASSOL Aditivos têm sido recomendados com o objetivo de beneficiar os processos fermentativos. apresentam fermentação aceitável. promoveu queda nos teores de ácido lático e aumento nos teores de ácido butírico em dois de quatro cultivares avaliados. enquanto os teores de ácido acético foram pouco afetados pela adição.70 60 50 % MS ou % 40 30 20 10 0 23 30 37 Dias após floração 44 51 PB FDN DIVMS Figura 2.5). 37. Médias de conteúdos de proteína bruta (PB) e de fibra em detergente neutro (FDN) e coeficiente de digestibilidade da matéria seca (DIVMS) de silagens de quatro genótipos de girassol colhidos aos 30.

(1988b) não observaram diferenças significativas no consumo de vacas Holandesas alimentadas com silagem de girassol (semente oleosa) ou de milho. quando o consumo de matéria seca das dietas contendo silagem de girassol é comparado ao de outros volumosos. DESEMPENHO DE BOVINOS LEITEIROS ALIMENTADOS COM SILAGEM DE GIRASSOL O consumo é um dos principais fatores na determinação do desempenho animal. (1982) e Valdez et al. e a maioria dos estudos mostrou que o consumo das dietas contendo silagem de girassol é satisfatório (Bergamaschine et al. ao avaliarem a produção e a composição do leite de vacas com média de 26kg/dia alimentadas com diferentes proporções de silagem de girassol em substituição à silagem de milho. Alguns estudos mostraram modificações na composição do leite dos animais alimentados com silagem de girassol. comparando silagens de girassol e de milho para vacas Jersey em lactação. McGuffey e Schingoethe (1980) notaram aumento de gordura e de ácidos graxos poli-insaturados. Thomas et al. obtiveram maior consumo de silagem de girassol em relação à silagem de milho. Contudo. concluindo que a silagem de girassol é uma forragem adequada para vacas no meio e no final de lactação. Hubbel et al. 2002). 2002. (1985). (2004). A substituição completa afetou negativamente as produções de leite. Valdez et al. quando comparadas às vacas alimentadas com silagem de girassol. (1985). enquanto Hubbel et al. Vandersall e Lanari (1973) observaram maiores ganhos de peso e produções mais elevadas de leite para vacas alimentadas com silagem de milho. os dados de literatura não são conclusivos. de proteína ou de gordura. Ribeiro et al. observaram que a produção de leite foi significativamente maior para as vacas alimentadas com silagem de girassol (2. alimentadas com silagens de girassol e de alfafa. 37 .0kg de matéria seca a menos que vacas alimentadas com silagem de milho.. (1988b) observaram que vacas Holandesas alimentadas com silagem de girassol apresentaram maior ganho de peso e igual produção de leite que aquelas que receberam silagem de milho. enquanto a substituição parcial (34% e 66%) não afetou o consumo.7. redução de proteína e de sólidos totais no leite das vacas alimentadas com silagem de girassol. de proteína e de extrato seco total do leite. McGuffey e Schingoethe (1980) verificaram que as vacas alimentadas com silagem de girassol (variedade confeiteira) consumiram 4.. Thomas et al.2kg a mais por dia). 1999. Ko. concluíram que a inclusão parcial da silagem de girassol se mostrou viável. Valdez et al. (1982) encontraram produções de leite equivalentes em dois grupos de vacas em lactação. em experimento com vacas Jersey. pois não afetou significativamente as produções de leite. Leite (2002) observou que a substituição total da silagem de milho pela silagem de girassol na dieta de vacas em lactação promoveu redução significativa de 17% na ingestão de matéria seca. Silva et al. (1988b) observaram redução na porcentagem de gordura do leite dos animais que consumiram silagem de girassol.

38 .76 Leite (2007) comparou a silagem de girassol com a de milho como fonte volumosa para vacas leiteiras. a composição da gordura (perfil de ácidos graxos) diferiu entre os tratamentos.84 4. Os animais alimentados com silagem de girassol apresentaram maior consumo de matéria seca. A produção e a composição do leite foram semelhantes entre os dois tratamentos (P>0. Tabela 6.19 3. Os dados deste ensaio encontram-se na Tabela 6.67 Silagem de Milho 25. ao ingerir um litro de leite de vacas alimentadas com silagem de girassol.5kg por dia para as dietas contendo silagem de girassol e milho. o fornecimento da silagem de girassol. O consumo de 300mg de CLA/dia é tido como referência para os efeitos nutracêuticos do CLA. depende de avaliações econômicas em relação aos custos dos suprimentos energéticos e da produtividade por hectare da silagem de girassol. lactose. (2006) realizaram estudo de desempenho com vacas Holandesas alimentadas com silagens de girassol ou milho na Fazenda Experimental da Escola de Veterinária da Universidade Federal de Minas Gerais.3 e 59. e as do tratamento com silagem de milho 22. Alguns dos resultados obtidos neste estudo encontram-se na Tabela 7.30 2.02 22. respectivamente). sólidos totais e extrato seco desengordurado) entre as vacas alimentadas com silagem de girassol e milho.9kg de leite por dia (corrigido para 4% de gordura). (2006).05). O autor estimou que o ser humano. Apesar da composição do leite semelhante (P>0.96 4. Não foram observadas diferenças na produção e composição do leite (proteína. Silagem de Girassol 25.28 3.4% para as dietas com silagem de girassol e milho.52 23.85kg. Segundo Leite (2007). A digestibilidade da matéria seca das dietas foi semelhante (61. 17. ureia. respectivamente. Parâmetros Produção de leite (kg/dia) Produção de leite corrigido para gordura (kg/dia) % de gordura % de proteína % de lactose Fonte: Leite et al. Produção e composição do leite de vacas Holandesas alimentadas com dietas balanceadas utilizando silagem de girassol ou milho. Já para a ingestão de leite obtido das vacas alimentadas com silagem de milho.52 2.4 e 15.Leite et al.05). estaria consumindo 365mg/dia de ácido linoleico conjugado (CLA). para vacas leiteiras produzindo em média 25kg. O fornecimento de dietas contendo silagem de girassol aumentou os teores de C18:1Trans 11 e C18:2 Cis-9 trans-11. as vacas alimentadas com dietas contendo silagem de girassol produziram 23. o consumo seria de 90mg/dia. gordura.

CONSIDERAÇÕES FINAIS O girassol é uma opção para produção de volumoso suplementar em plantios de safrinha ou para regiões que apresentem índices pluviométricos desfavoráveis.. produção e composição da gordura do leite de vacas Holandesas alimentadas com dietas balanceadas utilizando silagem de girassol ou milho..0 b C12:1 0.6 b C10:0 1.5ª 1. v. et al.5 59. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ALMEIDA.0 b C14:0 5.3 b 0.9ª C20:0 0.3ª 3. L.M. As silagens são classificadas como de boa qualidade e destacam-se pelos teores de proteína e de lipídios.E. Parâmetros Silagem de girassol 17. M.1 b 2.9 b C14:1 Cis-9 0. AQUINO.4 b C6:0 1.0 C18:2 Cis-9 cis-12 4. O fornecimento de dietas contendo silagem de girassol aumenta os teores de C18:1Trans 11 e C18:2 Cis-9 trans-11.9ª 3.8 b C17:0 0. Consumo de matéria seca (kg/dia).315-321. Composição química e consumo voluntário das silagens de sorgo.0 0. Prát.6ª 0.3 b 1.7ª C18:1 Trans-11 11.2 C18:0 14.1 b 18. A silagem de girassol pode ser utilizada para alimentação de rebanhos leiteiros desde que as dietas sejam balanceadas. em dois estádios de corte. digestibilidade da matéria seca (%).05).1 b C12:0 1. porém a fração fibrosa é de baixa digestibilidade. p.V.4ª 61.5ª Silagem de milho b 15.4ª 4.3 b C17:1 0.6 b C16:0 17.Tabela 7. girassol e milho para ruminantes.19. 39 .0 a 1..9ª 33.3 b C16:1 Cis-9 0.5ª 0.3ª 2.H.1ª 0.4ª 22.2ª 0.1ª a 11.3 b C8:0 0.3ª b 10.9 Consumo de matéria seca (kg/dia) Digestibilidade da matéria seca (5) Produção de leite corrigido para gordura (kg/dia) % de gordura Concentração de ácidos graxos (mg/g de gordura) b C4:0 3. 8.5ª Letras idênticas em uma mesma linha significam diferença estatística (P<0.2 b C11:0 0.8ª 0. I.9ª 3. Ciênc.7ª C18:1 Cis-9 25.2ª a C18:2 Cis-9 trans-11 1. 1995.3ª 2.3ª 23. Fonte: Leite (2007).F.3 a 0. VON TIESENHAUSEN.4 b C15:0 0.4ª 1.4 b C13:0 0.

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L.R.G. I.R. GONÇALVES. ROCHA Jr.S. Rev.39-48.. p. 2001. Anais. Dairy Sci. Piracicaba.C. VIEIRA. SP: SBZ... Abstract. 1988b.71.H. Soc.G. L. J. Piracicaba. Vet. SP.33. I.A.F.71. RODRIGUES. 42 .H. Efeito do uso de aditivos nos teores de carboidratos solúveis e de ácidos orgânicos de silagens de quatro genótipos de girassol (Helianthus annuus L. 2004. H.. VANDERSALL. et al. D. et al. S.. T. Effect of feeding sunflower silage on milk prodution. SP: SBZ.C.R.TOMICH... Tabelas brasileiras de composição de alimentos para bovinos. v.. A. 57). 1975.P. R.. E.. L.. MS: Embrapa Pantanal. et al. Potencial forrageiro de cultivares de girassol produzidos na safrinha para ensilagem.. 1973.756-762. VALDEZ. p. p.. TOMICH. FARIA. VALLE. p. In vivo digestibility of corn and sunflower intercropped as a silage crop. et al.1. MG: UFV.R. S. Méd. V.F. 2003b. T.. 2003a.A. Corumbá. LANARI. 2001. Dairy Sci. 2001. et al. Bras. Zootec. TOMICH. FRASEN. C. GONÇALVES. TOMICH. VALADARES FILHO. SILVEIRA. V. HARRISON.) In: REUNIÃO ANUAL SOCIEDADE BRASILEIRA DE ZOOTECNIA. GONÇALVES. Bras.A. 1988a.4. Piracicaba.C.. p. J.. Arq. v. CD-ROM. (Documentos. milk composition. HARRISON. J.. 38. PEREIRA.C. Viçosa.A. Características químicas e digestibilidade in vitro de silagens de girassol.C. Dairy Sci.56.P. BORGES.. Zootec. C.R. v. VIEIRA. Sunflower versus corn silage at two grain ratios fed to cows.R. supl. 20p. 297p. F. D. Avaliação do girassol (Helianthus annuus) como planta para a ensilagem. J.1384. F.55. Rev.C. CAPPELLE. Características químicas para avaliação do processo fermentativo de silagens: uma proposta para qualificação da fermentação..H. SP. DEETZ. CD-ROM. F.) In: REUNIÃO ANUAL SOCIEDADE BRASILEIRA DE ZOOTECNIA.. extrato etéreo e frações fibrosas de silagens de quatro genótipos de girassol (Helianthus annuus L. 2001a.. Zootec. Anais.R. VALLE..2462-2469. Efeito do uso de aditivos na digestibilidade in vitro da matéria seca... 38.R.. 2001b. v.. BORGES. v. L.16721682. J. Bras. F.1860-1867. v.. J. T. Piracicaba. TOSI. et al. et al.. J. and rumen fermentation of lactating dairy cows. p..A. VALDEZ.A.

Caixa Postal 567. Escola de Veterinária da UFMG. José Avelino Santos Rodrigues4. 1991). Belo Horizonte. o sorgo surge como opção em substituição ao milho. matheusarta@yahoo. principalmente em regiões com riscos de veranicos ou em sistemas de cultivo em safrinha.. Belo Horizonte. Doutorando em Nutrição Animal. essenciais para a fermentação lática sem necessidade de aditivos para estimular a fermentação (Zago.com.com 2 Engenheiro Agrônomo. MSc. DSc. 2002). Caixa Postal 285. com aumentos no potencial genético e na produtividade dos animais. associada à necessidade de suplementação volumosa no período seco. Nesse capítulo serão discutidos alguns aspectos relevantes da utilização da silagem de sorgo nas dietas de vacas de leite. Médico Veterinário. vem aumentado a demanda de produção de volumosos conservados para suplementação em sistemas confinados ou semiextensivos. ocorrendo sobra de alimento no período chuvoso e no período seco. Associado Departamento de Zootecnia da Escola de Veterinária da UFMG. luciocg@vet.ufmg. Lúcio Carlos Gonçalves 2. EMBRAPA Milho e Sorgo. Para produção de silagem. pelos altos rendimentos (Lima. Devido a essa estacionalidade da produção de volumosos.com 4 Engenheiro Agrônomo. Bolsista CNPQ. piresdaa@gmail. Bolsista FAPEMIG. DSc. MG. assim como a qualidade fermentativa. Sete Lagoas. Caixa Postal 567. Daniel Ananias de Assis Pires3.br 5 Médico Veterinário.1. o uso de forragens conservadas se torna uma ferramenta de importância na pecuária moderna. Nesse sentido. Matheus Anchieta Ramirez5 RESUMO A intensificação dos sistemas de produção de leite. CEP 30123-970. Prof. CEP 35701-970.embrapa.br 1 43 . muitos produtores optam pela conservação de forragem na forma de silagem. Belo Horizonte. garantida pela adequada concentração de carboidratos solúveis. Além disso. A necessidade de intensificação da produção animal no Brasil obriga o produtor a fornecer alimentos de qualidade durante todo o ano.. Caixa Postal 567. 2008). CEP 30123-970.br 3 Médico Veterinário.CAPÍTULO 4 SILAGEM DE SORGO PARA GADO DE LEITE Wilson Gonçalves de Faria Jr. o sorgo tem se destacado por sua facilidade de cultivo (Neumann et al. CEP 30123-970.. e pelo valor nutritivo semelhante à silagem de milho. Sendo assim. MG. wilsonvet2002@gmail. pela menor exigência em umidade e especialmente pela qualidade fermentativa da silagem produzida. INTRODUÇÃO As forrageiras tropicais apresentam estacionalidade de produção. Professor do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade Estadual de Montes Claros. MG.. Doutorando em Nutrição Animal. avelino@cnpms. DSc. o valor nutritivo e o desempenho produtivo de vacas leiteiras. Escola de Veterinária da UFMG.. o menor custo e a semelhança ao valor nutritivo do milho tornam o sorgo uma opção de volumoso para o balanceamento de dietas de vacas de leite.

Ademais o fato de a cultura permitir o aproveitamento da rebrota. o sorgo vem sendo amplamente utilizado para este propósito. Por outro lado. 1995. Assim. possibilita a utilização na forma de pastejo ou corte verde. em condições marginais de cultivo. no Brasil. 2002. Diante disso. com o objetivo de selecionar híbridos com melhores características agronômicas (maior produtividade. são apresentados os resultados obtidos por Zago (1991) para proporções de colmo. que se mostra uma cultura mais exigente em fertilidade e pluviosidade.. climáticas e de fertilidade do solo. a menor exigência quanto ao tipo e à fertilidade do solo bem como a capacidade de suportar extensos períodos de falta de água e rebrotar rapidamente depois da ocorrência de chuvas que umedecem suficientemente o solo destacam o sorgo em comparação ao milho. o estádio de crescimento afeta a produção de matéria seca por também alterar as proporções de colmo. tem apresentado boa adaptação ao cultivo de safrinha (Demarchi et al. porte médio (AG-2004-E) e porte baixo (AG-2005-E). De forma semelhante. 44 . já que seu sistema radicular permanece vivo após o corte. o sorgo tem sido cultivado como primeira cultura. Correa et al. a utilização de sorgo se torna uma vantagem para produção de silagem em regiões de climas áridos ou sujeitos à ocorrência de veranicos e em solos pobres onde o milho não se sobressai. 2007). Aliado a tais fatores. Portanto. Na Tabela 1. Cultivares de sorgo forrageiro em ótimas condições de clima e de fertilidade apresentam produtividades elevadas que geralmente superam as produtividades do milho. seja por corte manual ou mecânico. folha e panícula da planta de sorgo. o sorgo é menos sujeito a roubos em culturas próximas a centros urbanos do que o milho. fornecido diretamente ao cocho. o sorgo na forma de silagem mostra-se como alternativa de grande impacto na alimentação suplementar para os períodos de escassez de alimentos em rebanhos leiteiros de diferentes níveis produtivos (Cabral et al. Esses fatores são determinantes para o sucesso da cultura. O grande número de híbridos e a variedade de sorgo colocados em ensaios de avaliação e no mercado nacional demonstram a grande variabilidade genética desta espécie.Em regiões áridas e semiáridas. folha. em seu Programa de Melhoramento Genético de Milho e Sorgo. a literatura apresenta uma ampla variação nos dados de produção de matéria seca. PRODUTIVIDADE DA CULTURA DE SORGO Devido aos mais variados tipos de sorgos e à enorme diversidade de cultivares.. 1. panícula e produtividade da matéria seca em função do estádio de crescimento de plantas de sorgo de porte alto (AG-2002).. Pedreira et al. A proporção das partes da planta é um importante fator determinante da produtividade e qualidade das silagens produzidas. 2003). O Brasil é destaque no cenário mundial no cultivo de sorgo. Tal característica vem sendo explorada pela Embrapa. melhor relação colmo/folha:panícula e resistência a doenças). o que reduz os riscos de perdas na cultura.. já em regiões de melhor distribuição de chuvas. às condições de manejo. e melhor valor nutritivo (digestibilidade da fibra e grãos de textura macia).

2. a redução na qualidade da fibra resulta em redução no valor nutritivo em estádios mais avançados de maturação. tipo de solo e variação quanto ao genótipo (variedade e/ou híbrido). Esses autores relataram aumentos nos teores de matéria seca (MS) e lignina. BR701 e Massa-3) em cinco épocas de corte da planta.. A maturação das forrageiras eventualmente envolve declínio do valor nutritivo devido principalmente ao acúmulo de constituintes da parede celular.6 12. MOMENTO DE ENSILAGEM A obtenção de uma silagem de alta qualidade depende principalmente da colheita da forrageira num momento ótimo do seu estádio de desenvolvimento (Araújo et al. devido à menor quantidade de grãos. A acumulação de nutrientes é peculiar de cada espécie.8 16. com os grãos variando entre os estádios de grãos leitosos a grãos duros. adubação. e outros no de grão leitoso para grão pastoso (Molina et al. com redução nos teores para o híbrido forrageiro. a produção de matéria seca de híbridos de duplo propósito e a de um híbrido forrageiro aumentaram com o avanço do estádio de maturação. Esses autores observaram aumentos (p<0.5 13. Já os valores de digestibilidade in vitro da matéria seca (DIVMS) mostraram comportamentos variáveis.2 15.Tabela 1.6 10. (2006) avaliaram a qualidade e o valor nutricional das silagens de dois híbridos de sorgo de duplo propósito (AG 2006 e BR700) e um forrageiro (BR601) com a colheita das plantas em oito estádios de maturação dos grãos. disponibilidade de água. De modo semelhante. já nos híbridos forrageiros.2 14.2 %C 58 48 46 48 AG-2004-E %F %P 25 18 21 32 16 39 16 34 PMS 11. De acordo com Corrêa (1996). Araújo et al.05) nos teores médios de MS. As reduções nas frações fibrosas foram associadas ao aumento da participação dos grãos na composição da planta. 2007). (2007) avaliaram três híbridos de sorgo de porte médio com boa produção de grãos (BR700. com os maiores valores observados nos estádios de grão pastoso e farináceo. Porcentagem de colmos (%C). mas não houve alteração no valor nutricional das silagens com o avanço da maturidade da planta. Pires et al..3 18. folhas (%F) e panículas (%P) na matéria seca e produtividade de matéria seca (PMS) em toneladas por hectare em função da época de colheita.8 Fonte: Adaptado de Zago (1991). luminosidade. O aumento 45 .5 %C 49 35 34 35 AG-2005-E %F %P 27 24 21 44 17 49 16 50 PMS 10. Estádio de colheita Grão leitoso Grão pastoso Grão farináceo Grão duro %C 67 64 63 69 AG-2002 %F %P 23 10 18 19 15 23 13 19 PMS 14.8 10.7 11. mas sofre influência de fatores como temperatura. que foram acompanhados de reduções nas frações fibrosas e proteína com o avanço do estádio de maturação. 2000). Alguns híbridos atingem o teor de matéria seca ideal no estádio de grão farináceo.

Por outro lado. sorgos com porcentagens médias. consequentemente. os valores de DIVMS não foram alterados. Houve aumento nos teores de MS e. Estas bactérias são indesejáveis por produzirem ácido butírico e degradarem a fração proteica com consequente redução do valor nutricional 46 . de amido altamente digestível com o avanço do estádio de maturação dependendo da proporção no total de matéria seca da silagem é capaz de superar a redução no valor nutricional das frações de colmo e folhas com a maturidade da planta (Zago. pois. são utilizados para classificar as silagens quanto a sua qualidade fermentativa. a fim de garantir um teor de MS tido como ideal no momento da ensilagem (variando entre 27% e 37% de MS no material verde). decorrente da maior resistência de degradação do grão e maior taxa de passagem da digesta em animais de alto consumo.1. Silagens que apresentem umidade muito alta têm uma série de desvantagens: primeiro. como o nível de carboidratos solúveis. a ensilagem do sorgo com os grãos duros pode levar à perda destes nas fezes dos animais. O autor concluiu que os melhores momentos de ensilagem para esse híbrido estão compreendidos entre os estádios de grãos pastosos e farináceos. (1995) recomendam que os sorgos com altas porcentagens de grãos sejam colhidos entre os estádios de grão leitoso e pastoso. Teor de matéria seca O teor de matéria seca da planta é um importante fator determinante do tipo de fermentação no processo de ensilagem. que se destaca pelas excelentes características agronômicas de produtividade e pela resistência a pragas e doenças. segundo. outros parâmetros. apesar de terem ocorrido reduções nos níveis de proteína. Esse autor observou aumento na produção de MS e na participação da panícula com a maturidade da planta do florescimento até o estádio de grãos farináceos. 1991). O BRS-610 é um sorgo forrageiro de boa proporção de grãos. (2008) avaliou o comportamento produtivo e nutricional do sorgo BRS-610 em oito estádios de maturação do grão. Mas o aspecto nutricional. entre os estádios pastoso e farináceo. 3. a relação nitrogênio amoniacal/nitrogênio total (N-NH3/NT) e os ácidos orgânicos. ocorre perda na qualidade do material. em estádios mais avançados. o pH de silagens muito úmidas tem que ser mais baixo para inibir o crescimento de Clostridia spp. pois o transporte por quantidade de matéria seca fica mais caro. nos estádios de grão duro.dos grãos e. No que diz respeito aos ácidos orgânicos. graças às reduções nos teores de fibra em detergente neutro (FDN) e fibra em detergente ácido (FDA). 3. Demarchi et al. Já Faria Jr. principalmente em dietas de vacas de alta produção. e sorgos com baixa porcentagem de grãos. CONSERVAÇÃO DA SILAGEM Juntamente com o teor de matéria seca e pH. resultantes da maior participação de amido do grão na matéria seca total. butírico e lático são os mais importantes. silagens muito úmidas têm um custo de produção maior. os ácidos acético.

1997. 2000a.. Os teores de MS do sorgo são correlacionados com o estádio de maturação e com a proporção entre as frações de colmo em relação às de folhas e panículas na planta (Gontijo Neto et al. 10% e 8%.. têm um nível de carboidratos solúveis suficiente para uma boa fermentação. Carboidratos solúveis Teores mínimos de 8 a 10% de carboidratos solúveis na MS são requeridos para uma adequada fermentação. 47 . 1988). os resultados da literatura indicam a possibilidade de produção de silagens de boa qualidade nutricional e bom padrão fermentativo com materiais ensilados com teores de matéria seca variando de 20% a 37% (Meeske et al. 2002).9%. et al. As maiores taxas de acúmulo de matéria seca das folhas e panículas em relação aos colmos indicam a importância dessas frações na elevação da MS da planta com o avanço da maturidade desta. 1991. Pires et al... 1992. et al. 37. 1997. 2008). o consumo voluntário é diminuído. Rocha Jr. 1993. Nogueira (1995) e Bernardino (1996). 35.2. Existe uma estreita relação entre as taxas e as extensões de queda do pH e o teor de MS da forragem para que ocorra inibição do crescimento de microrganismos indesejáveis (Muck. 3. baixo e médio. respectivamente.4% e de 24.. Potencial de hidrogênio (pH) A velocidade com que ocorre a queda do pH é tão importante quanto o valor de pH final para a preservação da qualidade da silagem. Brito et al. 31. Borges et al.. ao analisarem sorgos de portes alto.. 2002).3. (Zago.. Silva et al. geralmente. Brito et al. 28. com consequente queda no pH (Borges et al. (1999a) encontraram teores de MS de 25. Borges (1995). 1995.7% MS (20. 2000a. terceiro.. 1999b. Corrêa. Está bem definido que os sorgos utilizados no Brasil. 1997.6 e 4. Já Pesce et al. Araújo.. ao ensilarem sorgos de porte alto. apresentam valores de pH capazes de minimizar a atividade proteolítica das enzimas e bactérias e tendem a se estabilizar antes de 10 dias transcorridos da ensilagem (McDonald et al. Araújo et al. (2000a) obtiveram para 20 genótipos de sorgo um teor médio de 25. e quarto.2% a 29. médio e baixo.. 1997. Borges et al. com valores entre 3.. Bernardino et al. já nas primeiras 24 horas de fermentação. Rocha Jr. 3.da silagem... respectivamente. 1991). 2000b... pois reduz a proteólise e inibe o crescimento de microrganismos indesejáveis. 2000b). Faria Jr. relataram teores de carboidratos solúveis em álcool de 18%. Araújo.3%. Pereira et al. silagens muito úmidas produzem efluentes que levam à perda de nutrientes de alta digestibilidade (McDonald et al. b. 2007. (1993) e Silva et al.8%. no material original.. De modo geral. Brito et al.7%) no momento da ensilagem. 1996. mesmo que o nível de carboidratos solúveis seja o suficiente para promover fermentação lática. Para silagens de sorgo.0%.7%. 2004). 2006. 2000b.3. Nogueira. as silagens de sorgo.

31%).30 a 15. Silagens bem-conservadas apresentam valores de ácido lático próximos de 8-10% na MS. amidas. 3.12%.3% da MS (Tomich et al.37 a 5. maior valor final de pH e de nitrogênio amoniacal nas silagens.25 a 5. Em silagens de sorgo.3. (2000b) (3.5%). resultando em aumento do pH da silagem.99%. no momento de ensilagem. inibição de microrganismos indesejáveis. sendo responsável pela redução do pH a valores inferiores a 4. e Araújo et al. em menor porção. por clostrídios. Os conteúdos de ácido acético estão relacionados às menores taxas de decréscimos e maiores valores finais de pH nas silagens.8% do nitrogênio total. 2003). butírico e de nitrogênio amoniacal. Assim. 48 .5 a 7. esses últimos autores afirmam ter obtido silagens de excelente a boa qualidade.53 a 7. as variações encontradas entre as silagens são decorrentes das diferenças intrínsecas aos híbridos com respeito aos conteúdos de MS. Os valores mínimos de ácido lático para garantir boa conservação da silagem são variáveis em função dos teores de MS. No entanto. as silagens malconservadas e com evidências de fermentações indesejáveis (clostrídia e pseudomonas) apresentam teores de nitrogênio amoniacal acima de 15%. como resultado da ação prolongada de enterobactérias. 1987). Pires et al.03-7.2 e. Nessas silagens. uso de aditivos). a degradação proteolítica envolve consumo de ácido lático e acético para produção de ácido butírico. (2006) observaram reduções para esse parâmetro (6. com baixos níveis de ácido acético. os valores de nitrogênio amoniacal são inferiores a 10% do nitrogênio total.42% na MS. (2007) citam valores de ácido lático variando de 6. velocidade de confecção da silagem e taxa de queda nos valores de pH.79%) com o avanço da maturidade da planta. bem como das diferenças quanto aos processos de ensilagem (estádio de maturação da planta.. e da redução de nitratos pelas bactérias lácticas (Fairbairn et al. superiores aos valores de Rocha Jr. Os teores de nitrogênio amoniacal em silagens de sorgo variam de 0.15 a 6. Contudo.4.5% na MS e de ácido butírico inferiores a 0. aos carboidratos e às relações das partes da planta. consequentemente. Ácidos orgânicos Dentre os ácidos orgânicos. Faria Jr. (2007) não relataram efeito do estádio de maturação sobre os níveis de nitrogênio amoniacal nas silagens de três híbridos de sorgo cujos valores variaram de 5.5.57%) e Ibrahim (2007) (4. bactérias láticas heterofermentativas e.2 a 8. 1992). velocidade de ensilagem. Nitrogênio amoniacal Nas silagens consideradas com bom padrão de fermentação. Por outro lado. et al. (2008) encontrou valores de nitrogênio amoniacal na silagem variando de 1. indicando processos fermentativos ineficientes (Fisher e Burns. Ferreira (2005) (3. o que indica quebra excessiva da fração proteica. Os valores elevaram-se com o avanço do estádio de maturação da planta de florescimento a grãos duros. sendo a amônia derivada principalmente da deaminação de aminoácidos específicos. o ácido lático é o principal por apresentar maior constante de dissociação (Kd). Araújo et al.. O conteúdo de ácido butírico reflete a extensão da atividade clostridiana sobre a forragem ensilada e está relacionado a menores taxas de decréscimo. de ácido acético inferiores a 2.

8 a 3.5 70.1 a 70.7 9.1 6.6 52.1 6.3 34.6 35.6 69.3 57.4 a 50.54 7. são fatores que também influenciam nas diferentes respostas sobre a composição química entre as silagens de sorgo. Tabela 2.2 3.6 4.3 45. bem como às diferenças no valor nutritivo destas frações entre os híbridos.4 62.9 3.93 57.3 5. tendo o valor da composição da silagem de milho como referência.5 3.1 a 3.3 33. (2007)1 Nascimento et al. (2000b)1 Fontanelli et al. folhas e panícula.4 24. (1999).6 34.9 a 9. (2008)3 Valadares Filho et al.89 56.9 54.20 Silagem de sorgo (%MS) FDN FDA LIG DMS 51. épocas de cultivos e manejo de ensilagem.8 5.59 4.8 33. proteína bruta (PB).0 65.5 39. que proporcionariam alto desempenho animal semelhante ou superior aos obtidos com silagens de bons híbridos de milho. (2006)1 Digestibilidade in vitro da MS.2 51.0 a 29.6 7.1 a 36.6 27. lignina (LIG) e digestibilidade da matéria seca (DMS) da silagem de sorgo e milho de vários experimentos.1 5.9 26.0 45.8 53.5 6.2 a 61. (2003)1 Silva et al.7 36. como altura de corte.5 3. 3NDT 49 . (2002)1 Restle et al.5 25. Material 20 híbridos 7 híbridos Corte alto ou baixo 8 híbridos AG 2002 AG 2006 BR 601 BR 700 BR 700 BR 701 Massa 3 Granífero Sacarino Sorgo Milho 1 MS 30.8 7.5 23.46 30. fibra em detergente ácido (FDA).0 9.3 5. Em híbridos de sorgo de porte médio ou baixo.4 53.8 35.1 6.1 42.8 58.77 56.4 7. Pesce et al.3 28. et al. 1991).4 5.8 8. Isso reflete a enorme variabilidade genética entre os genótipos e o potencial do melhoramento genético no desenvolvimento de híbridos modernos de alto valor nutritivo. 2digestibilidade aparente da MS.5 28.0 6.5 11.8 32. são apresentadas a composição químicobromatológica e a digestibilidade in vitro de silagens de sorgo observadas na literatura.4 38.1 20.4 35.5 41. Na Tabela 2. Diferenças entre regiões.4 63.2 5.5 5.2 29.57 30. (2006)1 Araújo et al. Estas variações devem-se principalmente a diferentes proporções entre colmo.5 55. (2000b) Rocha Jr.5 a 8. (2006)2 Pires et al.4 26.4 a 39. panículas e grãos na massa ensilada (Zago.89 PB 6.6 56.8 45.5 a 30.6 57.3 38.6 6.1 57.7 9.1 4. Teores de matéria seca (MS).9 32.0 53.4 34.7 34.71 Autor Aydin et al.3 36.5 62.6 a 64.3 53.9 7. COMPOSIÇÃO QUÍMICA E DIGESTIBILIDADE Observa-se uma grande variabilidade entre a composição de nutrientes nos diferentes híbridos de sorgo.79 4.61 55.6 57.5 68.4 47. fibra em detergente neutro (FDN).2 58.8 31.6 5.0 60. normalmente os teores de proteína bruta têm se mostrado superiores aos de porte alto em função de maior participação das folhas.4.6 27.7 3.1 27. (2002)1 Pedreira et al.9 42.73 54.85 31.

corresponde a 84% da encontrada para a silagem de milho. (1993). refletindo em menor degradabilidade efetiva da matéria seca das silagens. os nutricionistas consideram que o valor nutricional da silagem de sorgo equivale entre 80 e 90% do valor nutritivo da silagem de milho. 50 . materiais de mesmo nível nutricional e que têm propiciado desempenhos animais semelhantes e com menores custos. Silagem de milho Silagem de sorgo Consumo de MS (kg/dia) 25. não observaram diferenças na produção de leite (24.68 e 2.7g/UTM. produção e composição do leite de vacas de alta produção alimentadas com silagem de milho e silagem de sorgo. milho consorciado com sorgo e rebrotas de sorgo. à disposição no mercado. Consumo de matéria seca.8%. de proteína bruta (7. (1984). Tabela 3. inferiores a 60cm.83 x 2. 5. encontraram maiores valores de consumo de matéria seca (66.unidade de tamanho metabólico). Lusk et al.64% do peso vivo (PV) e 1. de proteína digestível (4. os resultados de pesquisa recente mostram que há.53 25.86 Produção de leite (kg/dia) 36.07 3. referentes ao fornecimento das respectivas silagens.7 L/dia) e encontraram valores de digestibilidade aparente da matéria seca variando de 59. 2004) e colmos de menor digestibilidade. em alguns cultivares de sorgo. como pode ser verificado na Tabela 3. DESEMPENHO ANIMAL Lusk et al. (2003).10 Lactose (%) 5.86 Gordura (%) 3.De modo geral.8g/UTM) e de energia bruta (325.16 3. devido à menor quantidade de grãos. que. para milho e sorgo.8 a 61.4% e de 58. para milho e sorgo). por apresentar perdas de grãos nas fezes dos animais (Mello.75 Fonte: Adaptado de Nichols et al.56 36.3 a 58.00% PV. Bezerra et al. analisando o valor nutricional de silagens de milho. Por outro lado. O pastejo direto de rebrotas pode causar intoxicação por ácido cianídrico em plantas jovens. Não foram observadas por estes autores diferenças no consumo de matéria seca. segundo Resende et al.4 x 24. respectivamente. respectivamente. No entanto. (1998) compararam o efeito da silagem de sorgo e silagem de milho na dieta de vacas Holandesas de alta produção.4Kcal/UTM) para as silagens de rebrota de sorgo aos 98 dias. (1998).7g/UTM).23 Proteína (%) 3. na produção e composição do leite.06 4. avaliando silagens de milho e sorgo. (1987) encontraram ingestões de matéria seca maiores para silagens de sorgo que para silagens de milho (1. (1984) e Gomide et al. Nichols et al.

05) pelo teste Tukey. Tabela 4. não diferem entre si (P>0.97%). A porcentagem de gordura do leite das vacas alimentadas com silagem de sorgo sacarino foi superior (4. (2001). os maiores valores (3. Parâmetros Silagem (kg de MS/dia) Dieta total (kg de MS/dia) Produção de leite (kg/dia) Produção corrigida (4% de gordura) Gordura do leite (%) SM 4. na linha. as produções diárias de gordura e proteína foram semelhantes entre os sorgos e inferiores ao milho.4a SSL 3. respectivamente. As produções de leite total e LCG foram superiores entre as vacas alimentadas com silagem de milho.34) e silagem de sorgo granífero (1. e o menor naquelas alimentadas com o uso de silagem de sorgo granífero (2.68b 12. O tipo de sorgo influencia na composição química das silagens e pode ter reflexos no desempenho animal.93a 12.Dias et al. (2001) avaliaram o efeito do estádio vegetativo do sorgo em comparação à silagem de milho para vacas de leite. Já a silagem de sorgo no estádio de emborrachamento mostrou resultados intermediários e semelhantes ao milho. (2008).69b 10. seguida pela silagem de sorgo sacarino (1.11). rico em grãos. e este resultou em menor consumo que silagens de milho (Tabela 5). e não diferiram entre as silagens de sorgo.3ab 13.56%) em comparação àquelas alimentadas com silagem de milho (4. Esses resultados indicam maior eficiência produtiva (LCG/IMS total) com o uso de silagem de milho (1.1a 3. silagem de sorgo no estádio de emborrachamento (SSE) ou silagem de sorgo no estádio de grão leitoso (SSL).20b 11.6b 3.39). A produção de leite e o leite corrigido para 4% de gordura (LCG) foram superiores para a silagem de milho em comparação à silagem de sorgo com o grão leitoso.31%). Esses pesquisadores observaram que a silagem de milho proporcionou maior consumo de MS da silagem e da dieta total em relação às silagens de sorgo (Tabela 4). com elevados teores de açúcares. foram comparadas à silagem de milho quanto a sua influência no desempenho de vacas leiteiras por Nascimento et al. o valor intermediário em vacas alimentadas com silagem de sorgo sacarino (3. Deste modo.43b 14. No entanto.6a Letras iguais. 51 .39%) ou silagem de sorgo granífero (4. Fonte: Dias et al.6a Tratamentos SSE 4. Já para porcentagem de proteína no leite. Esses autores observaram que os animais alimentados com silagem de sorgo granífero apresentaram maior consumo de silagem e de ração total em comparação àqueles alimentados com as silagens de milho ou de sorgo sacarino. Consumos médios diários de matéria seca das silagens e da dieta total. ou sacarino.2a 14.25%) foram observados em vacas alimentadas com silagem de milho.6b 11.05%).66a 15. Os teores de gordura do leite não diferiram quanto ao tipo de volumoso.2ab 3. silagens de sorgo granífero. produção de leite e teor de gordura do leite de vacas recebendo silagem de milho (SM).

56a 3. Ingestão.02b 21.94a 4. Não houve diferenças quanto à digestibilidade da proteína.73b 4.31b 2.22a 24.25a SG2 17.93b 28. Por outro lado. 1 Silagem de milho (SM).05) e garantiram a mesma produção dos animais alimentados com silagem de milho.97c SS3 13. 2Silagem de sorgo granífero (SG). Já as digestibilidades da FDN foram superiores para a silagem Bmr-6 e a silagem de milho. o que está associado à maior participação dos grãos na massa ensilada. silagem de sorgo granífero (SG) ou silagem de sorgo sacarino (SS).05c 0. Fonte: Nascimento et al. (2004) avaliaram silagens de sorgo normal ou mutantes portadores de nervura marrom (bmr-6 e bmr-18) em comparação à silagem de milho para vacas leiteiras de alta produção. As digestibilidades da matéria seca das silagens de sorgo Bmr foram semelhantes à silagem de milho e superiores à silagem de sorgo normal.65a 1. produção e composição do leite de vacas alimentadas com silagem de milho (SM).5% inferior aos alimentados com silagem de milho. 3Silagem de sorgo sacarino (SS). Os resultados obtidos para proteína no leite foram semelhantes entre os tratamentos. LCG e menores teores de gordura que os animais alimentados com silagem de milho. Tabela 5.69b 25. enquanto as silagens de sorgo mutante (Bmr-6 e Bmr-18) e a silagem de milho mostraram valores semelhantes. Nota-se que as vacas alimentadas com silagem de sorgo normal apresentaram menores produções de leite.05b Médias seguidas de letras diferentes na mesma linha diferem entre si (P<0. No mesmo trabalho.28a 0. e produção semelhante aos animais alimentados com silagem de milho.43c 3.72b 4.64a 22. porém as produções obtidas com os animais alimentados com a silagem de sorgo de nervura marrom foram semelhantes (P<0. gordura.39b 3.05) pelo teste Tukey.64c 19.81a 30.95b 3. A síntese dos resultados desse trabalho encontra-se na Tabela 6. que a produção dos animais alimentados com sorgo foi 11.09b 0.37c 24. (2008).63b 1. Parâmetros Ingestão de silagem (kg MS/dia) Ingestão total (kg MS/dia) Ingestão média MS (100 kg PV corrigido) Produção de leite total (kg/dia) Produção corrigida 4% de gordura (LCG) Gordura no leite (kg/dia) Proteína no leite (kg/dia) Gordura (%) Proteína (%) SM1 17. As ingestões de matéria seca não diferiram entre as silagens.98a 4. conferindo maior valor energético à silagem. foi relatado que vacas leiteiras alimentadas com sorgo de duplo propósito (porte médio) mostraram maior produção de leite em relação às vacas que receberam silagem de sorgo de porte alto.Zago (1991) citou. contudo as ingestões de FDN foram superiores para as silagens de sorgo normal.10b 1. em sua revisão de literatura.14b 26. A eficiência produtiva foi semelhante entre as silagens de sorgo com nervura marrom e 52 . Oliver et al. porém a digestibilidade do amido foi semelhante entre as silagens de sorgo e inferior à silagem de milho.

3 (% peso vivo) 3. 53 .0 b (% peso vivo) 1.98 2.as silagens de milho.4 a 9. (1999) e Miron et al.0 118.1b 33. 2silagem de sorgo de nervura marrom BMR-18.2 23.2 Acetato:Propionato 2.89a 3.88a kg/d 1.3 b 79. vem estudando o potencial dos híbridos de sorgo e milho portadores de nervura marrom sob condições brasileiras.99 0.81 Ingestão FDN (kg/dia) 10. refletir em maior teor de gordura do leite para a silagem de sorgo normal. acetato e propionato. Sorgo Silagem de Sorgo Sorgo Parâmetros Bmr-182 milho normal Bmr-61 IMS (kg/dia) 23.9 b 54.3 30.49 b 1 Silagem de sorgo de nervura marrom BMR-6.3 59.1 72.7 b 91. (2007).38a pH ruminal 5.35a 1.8 123.77ab 3.8 c 54.62 a 1.89 2.87 5.96 5. As condições de metabolismo ruminal foram semelhantes entre as silagens quanto aos parâmetros de pH.1 a 60.78 a 2.92 AGV totais 123. Fonte: Oliver et al.43 b 1.2 73.32a Proteína do leite % 2. Tabela 6.7 b 82.79 3.2 24.9 a 69.65 3. ácidos graxos voláteis totais (AGV).89 2. exceto para a relação acetato:propionato que foi superior para silagens de sorgo normal e Bmr-6. entretanto. Diante dos resultados obtidos. em parceria com o Departamento de Zootecnia da Escola de Veterinária da UFMG.57b 3.53 ab 1.4 FDN 40.2 25.0 b 9.34a 1.96 1. sendo superior à silagem de sorgo normal.96 5.0 b 34.1 a 32. (2004).77 a 2.4 a 47.9 a Proteína bruta 51.44 b 2.2 ab 33.42 b Digestibilidade da dieta Matéria seca 52. sem.22ab 1.3 Propionato 26.7 a Produção de leite (kg/dia) 31. observa-se o potencial dos híbridos portadores de nervura marrom na obtenção de silagens de melhor qualidade nutricional e com potencial de manter produtividades semelhantes às silagens de milho.37a 1.1 a Amido 85.8 a LCG 4% (kg/d) 29.7 Acetato 75.9 ab 9.00 IMS/LCG 1.7 a 31.97 kg/d 0.25b 1.11b 1. no desempenho e nos parâmetros ruminais de vacas leiteiras. A Embrapa Milho e Sorgo.5b 62.1 73.91 0.9 124.4 59.2 51.2 ab 33. Esses resultados estão de acordo com os dados obtidos por Aydin et al. Influência do tipo de silagem na ingestão e digestibilidade.2 30.3 a Gordura do leite % 3.8 26.67 3.

10 Kg leite/vaca/dia corrigido a 3. em outro estudo.15%.25kg/dia ou 1.57 9. Os consumos de MS. Produções de leite e taxas de gordura láctea em vacas alimentadas com silagem de sorgo granífero.59kg. com uma conversão alimentar de 0. Esses autores observaram que a inclusão de 17% de palma forrageira foi o nível que resultou nos melhores valores de digestibilidades aparentes da matéria seca e carboidratos totais e maior valor de NDT 54 . (2002) e Andrade et al. Embora as ingestões totais de MS e PB tenham sido muito próximas. (1998a).98kg e 26. As vacas alimentadas com silagem de sorgo como único volumoso apresentaram consumo de MS de 20.05) pelo teste SNK.59 Teor de gordura 3. Na silagem de sorgo. os valores obtidos de digestibilidade aparente da matéria seca. Fonte: Valvasori et al. carboidratos não fibrosos e teor de NDT foram de 73. como pode ser observado na Tabela 7. Já as silagens de sorgo garantiram produções diárias de leite e LCG de 24.78b 12. Wanderley et al.95 *valores na mesma coluna.87a 12. 89. Tabela 7. em relação à silagem de cana-de-açúcar.5% gordura 13. (1998b). (1998b) avaliaram a substituição da silagem de sorgo granífero por silagem de cana-de-açúcar em vacas no terço inicial da lactação.83. contudo a silagem de sorgo granífero proporcionou maior produção de leite em relação à silagem de canade-açúcar.59% do peso vivo (PV) e consumo de FDN de 8.40% PV.11a 12.34ab 11.20%. (2002) avaliaram o consumo. Valvasori et al.06% e 73. respectivamente. diferem entre si (p<0. O uso de silagens de sorgo associadas à palma forrageira para vacas Holandesas de produção mediana (27kg/leite/dia) tem sido uma alternativa de suplementação interessante em regiões semiáridas.Valvasori et al. PB e NDT das dietas foram semelhantes.64a 3. as produções de LCG e os teores de gordura não diferiram entre os tratamentos.72a 11. 64. Os ganhos de pesos.38 4. 76. a digestibilidade e o desempenho de vacas no terço inicial da lactação alimentadas com dietas à base de silagem de sorgo com níveis crescentes de palma forrageira e 43% de concentrado.56%. matéria orgânica (MO). avaliaram o consumo e o desempenho de bezerros leiteiros alimentados com silagem de sorgo granífero ou silagem de cana-deaçúcar como único volumoso e suplementado com farelo de algodão.84%. os ganhos de peso e as conversões de MS e PB em ganhos de peso foram superiores para o tratamento com silagem de sorgo.95kg/dia ou 3.V(%) Kg leite/vaca/dia 12.68 13.81a 3. Silagem Sorgo granífero Sorgo granífero e cana-de-açúcar Silagem de canade-açúcar Média geral C. respectivamente.93a* 12. fibra em detergente neutro.58a 3. seguidos por letras diferentes. silagem de sorgo granífero + silagem de cana-de-açúcar e silagem de cana-de-açúcar.

que apresentaram produções médias diárias de leite e LCG de 14. Conforme evidenciado.8kg e 13. 45% dos taninos condensados ingeridos foram degradados no rúmen e 40% dos TC que chegaram ao abomaso e intestinos foram absorvidos.0% e 57. Segundo Perez-Maldonado e Norton (1996). TANINOS Os taninos são compostos fenólicos com alto peso molecular (500 a 3000). Os efeitos do uso de inoculante microbiano-enzimático em silagens de sorgo ou milho sobre o consumo e a digestibilidade dos componentes nutritivos das silagens foram avaliados por Silva et al. O aumento de carboidratos não estruturais na dieta proporcionado pela palma forrageira promoveu efeito associativo positivo na melhoria da digestibilidade da dieta. bem como a taxa de passagem da digesta não foram influenciados pelas dietas. a silagem de sorgo pode ser utilizada como fonte única de volumoso para vacas leiteiras. sendo capazes de formar ligações com proteínas e outras macromoléculas como os carboidratos. refletindo em uma conversão alimentar média de 0. para dietas com silagem de sorgo como volumoso único. A seleção de sorgos utilizados para a produção de silagem é feita para os genótipos com baixos teores de taninos.87. pois existe uma correlação negativa entre os teores de 55 . A inclusão de xiquexique não comprometeu o consumo. a dificuldade de se comparar de forma justa as silagens de sorgo com outros volumosos como a silagem de milho.das dietas. Rabelo (1997) determinou que parte dos taninos do sorgo foram degradados no rúmen e que os taninos condensados (TC) desapareciam à medida que os tempos de incubação avançavam.83% PV e 1.48% PV e 65.6%. referente aos valores de pH e concentrações de amônia ruminal. pois não se evidenciou mérito atribuído a silagens confeccionadas com uso do inoculante microbiano-enzimático. Silva et al. Esses autores concluíram que as dietas foram nutricionalmente equivalentes. (2005) avaliaram a substituição da silagem de sorgo por xiquexique (Pilosocereus gounellei) até níveis de 50% da dieta com 30% de concentrado. sem comprometer o consumo ou as produções de leite. (2006). As diferenças observadas na literatura se devem às distintas condições experimentais e à grande variabilidade genética do sorgo. O ambiente ruminal. intestinal ou total entre as silagens.4kg. comprovando. Esses autores relataram consumos e digestibilidades aparentes da MS e do FDN de 2. 6. atingindo o máximo após 72 horas de incubação ruminal. Os resultados da literatura mostram uma boa associação da palma forrageira e outras cactáceas a silagens de sorgo para suplementação de vacas em lactação de média produção no nordeste brasileiro. Esses compostos são classificados em dois grupos: os hidrolisáveis (carboidrato central com ligações de ácidos fenólicos carboxílicos) e os condensados (mistura de polímeros flavanoides) (Van Soest. respectivamente. a digestibilidade dos nutrientes da dieta ou o desempenho produtivo dos animais. assim. 1994). Não houve diferenças quanto aos valores de consumo ou digestibilidade aparente ruminal.

01) entre a presença de taninos e a digestibilidade da MS. Isso pode ser um fator que está associado aos maiores valores de FDA para os genótipos com taninos.tanino e a digestibilidade da matéria seca (Zago. Rodriguez et al. Além dos componentes estruturais. e ressalta-se que teores mais elevados de fenóis totais podem não refletir em maiores concentrações de TC (Campos et al. apesar de o BR 701 ter apresentado degradabilidade similar aos genótipos sem taninos.. O mesmo foi observado por Borges (1995). O mesmo ocorreu com a degradabilidade potencial e com a taxa de degradação da proteína bruta. a velocidade de degradação das silagens de sorgo) não foram influenciadas pela presença de taninos no grão. (2003b). (2003a) avaliaram as silagens produzidas com os mesmos híbridos. Entretanto. Nyachoti et al. Segundo Cummins (1971). Segundo Campos et al. 2003b). Molina et al. o processo de ensilagem reduz o teor de taninos. (2002). A degradabilidade da proteína também foi inferior para os genótipos com taninos. o que pode estar associado à melhor qualidade da fibra para esse híbrido. provavelmente. deveu-se à presença de taninos. podendo esse complexo tornar-se um componente do resíduo do FDA (Borges et al. menor degradabilidade efetiva da MS do que os sem taninos (BR 007 e CMX XS 214). que concluíram que a presença de taninos em genótipos de sorgo ensilado no estádio de grão leitoso parece ter reduzido a extensão de degradação e a degradabilidade potencial para a matéria seca e a proteína bruta nas silagens de sorgo BR 700 e BR 701. Rodriguez et al. Esses autores verificaram correlação negativa (r=–0. parece existir uma concentração mínima de TC necessária para que os efeitos negativos se expressem.34. os taninos não exerceram efeito depressivo sobre a média do desaparecimento da proteína bruta em nenhuma das silagens de sorgo testadas. Entretanto. Já Molina et al. (1997) afirmaram que a ensilagem é uma forma de reduzir os teores de taninos nos grãos de sorgo com alta umidade. 1999).. Borges et al.. os genótipos com taninos (CMS XS 210 e BR 701) apresentaram. (2003a).. porém colhidos no estádio de grãos pastosos. Apesar da maior afinidade pelos compostos nitrogenados/proteicos. os autores relataram que a causa desta diminuição pela estocagem anaeróbica ainda não está completamente esclarecida. 1997. as taxas de degradação da matéria seca e da proteína bruta das silagens (ou seja. P<0. processo que pode ser utilizado para aumentar o valor nutritivo do grão de sorgo. que relatou uma redução significativa dos teores de taninos das silagens de sorgo com a fermentação. No entanto. 2003a). e concluíram que a presença de taninos nas silagens dos sorgos BR 700 e BR 701 foi capaz de inibir somente a degradabilidade potencial da MS. com os mesmos híbridos colhidos no estádio de grãos farináceos. Essa menor degradação da PB. os taninos apresentaram correlação negativa com a degradabilidade da matéria seca. Resultados semelhantes foram relatados por Molina et al. os quais se ligam à fração nitrogenada.. 1997. FDN e FDA (Campos et al. em híbridos de sorgo granífero com altos e baixos teores. indicando que a qualidade da fibra tem importante função na resposta à presença de taninos sobre a degradabilidade da MS. 1991). (1999) verificaram melhor digestibilidade da frações de FDN e FDA em sorgos sem taninos. que estudou a influência do teor de taninos sobre a digestibilidade in vitro da matéria seca. em média. concluíram que os taninos não responderam 56 . Contudo.

A utilização da rebrota deve ser realizada quando a planta ultrapassar 60cm de altura. Isso sugere menor efeito dos taninos sobre a degradabilidade da matéria seca e da proteína das silagens com o avanço do estádio de maturação da planta. a durrina (C14H17O7N). podendo causar anóxia histotóxica. que são as lâminas foliares. Rodrigues. Os níveis de HCN são reduzidos com o desenvolvimento das plantas.por nenhum efeito depressivo sobre os parâmetros estudados de degradação da matéria seca e da proteína bruta. que. sem comprometimento do desempenho de vacas em lactação e com possibilidade de redução de custos.. 1995. 1992. ademais é uma opção interessante em sistemas de cultivo de safrinha. FERREIRA. a cultura do sorgo mostra-se como opção de produção de volumoso. 7. Zootec. principalmente animais jovens. produz ácido cianídrico (HCN). Bras.. 8. na presença de β-glicosidases no rúmen. está associado ao aumento proporcional das partes da planta pobres em HCN (nervura. et al.B.31. INTOXICAÇÃO COM REBROTA DO SORGO O sorgo possui um heteroglucosídeo cianogênico. devido à possibilidade de comprometimento do aproveitamento das silagens e consequente limitação do desempenho dos animais. Digestibilidade e absorção aparentes em vacas da raça Holandesa alimentadas com palma forrageira (Opuntia ficus-indica mill) em substituição à silagem de sorgo (Sorghum bicolor (L. O declínio do nível de HCN na maturação. VÈRAS. incontinência urinária e morte fetal de bezerros (Zago.. CONSIDERAÇÕES FINAIS Em regiões semiáridas ou com risco de ocorrências de veranicos. D. v. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ANDRADE.2088-2097. de acordo com Zago (1992). Rev. As silagens de sorgo têm potencial para substituir as silagens de milho como volumoso único. Rodrigues. bainha e colmos) em relação às partes ricas. 2002.A. M. inibindo a ação de metaloenzimas. 2000). E aconselhável utilizar cultivares de sorgo sem taninos. Demarchi et al.C.) Moench).S. 1992. não sendo indicada a utilização de plantas de sorgo com altura inferior a 60cm (Zago. 2000).K. 57 . p.. pela afinidade por íons metálicos e o transporte de oxigênio pela combinação do cianeto com a hemoglobina (ciano-hemoglobina). apresentando menores riscos de perdas. A.

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MSc. São João Del-Rei.Br. produtiva. Rogério Martins Maurício5 RESUMO O milheto é um cereal de grande importância mundial por ser adaptado às regiões semiáridas.br Engenheiro Agrônomo. MG. Caixa Postal 567. Fernado Pimont Pôssas4. Além disso. Belo Horizonte. CEP 30123-970. chegando a suprir de 80 a 90% da quantidade de calorias consumida pela população de algumas dessas regiões (Burton et al.. Praça Dom Helvécio... sorgo e trigo. DSc.) é um cereal de grande importância no mundo por ser adaptado a regiões semiáridas. MG. Roberto Guimarães Júnior3. No Brasil. Caixa Postal 567.br 3 Médico Veterinário. MG.. com boa composição nutricional e que pode ser cultivada com sucesso no período de safrinha ou em regiões sujeitas a veranicos ou secas.embrapa. Doutorando em Nutrição Animal. tem sido utilizado como alimento humano sob a forma de farinhas. CEP 30123-970.Bairro Dom Bosco. Prof.ufmg. Caixa Postal 567. fpimont@gmail. Belo Horizonte.com 5 Engenheiro Agrônomo. 2 65 .edu. de Engenharia de Biossistemas.br. e pode-se considerar 1 Médico Veterinário. onde normalmente culturas como o milho e o sorgo não se desenvolvem bem. onde normalmente culturas como o milho e o sorgo não se desenvolvem bem. Apresenta-se como opção promissora para o Brasil por ser uma planta de clima tropical. luciocg@vet. na confecção de pães e derivados na Ásia e África. a cultura do milheto passou a ter destaque nos cerrados no início dos anos 90. Associado Departamento de Zootecnia da Escola de Veterinária da UFMG. EMBRAPA Cerrados. Prof.. Doutorando em Zootecnia. implantação e recuperação de pastagens e para produção de silagem e grãos. Ph. INTRODUÇÃO O milheto (Pennisetum glaucum (L) R. Universidade Federal de São João Del-Rei. É uma planta de clima tropical. produtiva. quando começou a ser utilizada no sistema de plantio direto.com. Belo Horizonte. Escola de Veterinária da UFMG. gabrielorjúnior@yahoo. guimaraes@cpac.CAPÍTULO 5 O MILHETO COMO OPÇÃO PARA GADO DE LEITE Gabriel de Oliveira Ribeiro Júnior1. Escola de Veterinária da UFMG. CEP 30123-970.. que apresenta boa composição nutricional e pode ser cultivada com sucesso no período de safrinha ou em regiões sujeitas a veranicos ou secas. DF.br 4 Médico Veterinário. Lúcio Carlos Gonçalves2. Por essa característica e por apresentar teor de proteína superior ao milho. no Brasil. MG.D.. suínos e peixes. Atualmente a cultura vem sendo utilizada para plantio direto. MSc. não é utilizado na alimentação humana e possui pequena participação na alimentação de aves. DSc. 1972). Este capítulo fornecerá informações para a adequada utilização do milheto na alimentação de gado de leite. Dept. produção de forragem para pastejo. 74 . Planaltina. Esp. CEP 36301-160. Bolsista CNPQ. rogeriomauricio@ufsj.. é um cereal que. MSc.

o sistema conseguiu se estender às demais regiões (Martins Netto e Durães. geralmente.que. 1977. 1977. subfamília Panicoideae. 1977). entretanto a nomenclatura atualmente reconhecida como mais apropriada e autêntica é Pennisetum glaucum (L) R. A sua utilização para pastejo pode ser feita entre quatro a seis semanas após a semeadura. pois necessita de cerca 300 a 400 gramas de água para produzir um grama de matéria seca. 1985). variando de 60 a 90 dias para variedades precoces e de 100 a 150 dias para as tardias. boa capacidade de rebrota e boa qualidade como forragem. é o mais antigo nome do milheto-pérola cultivado. 1990). 66 . com baixas precipitações pluviométricas e pelo crescimento rápido.. 1999). Lima.60 metros de profundidade (Skerman e Riveros. 1985). bulrush millet. de modo que. 2000). por volta de 10 a 12 semanas após o plantio. Inicialmente era conhecido como Pennisetum americanum (L. A grande tolerância desta cultura à seca deve-se ao seu sistema radicular agressivo. Br. typhoides (L. permitindo produção de forragem de qualidade em curto espaço de tempo (Bogdan. 1995. Estima-se que o milheto forrageiro utiliza 70% da água consumida pelo milho para produzir a mesma quantidade de matéria seca. É uma cultura influenciada pelo fotoperíodo. apresenta uma variada história taxonômica. ou cerca de 30 dias após a sua emergência (Bogdan. de ciclo curto. Barbosa. e se destaca como forrageira por sua habilidade em desenvolver-se em estações chuvosas curtas. O milheto caracteriza-se por ser uma gramínea anual de verão. A espécie africana Pennisetum glaucum (L) R. implantação e recuperação de pastagens e para produção de silagem e grãos. 1. produção de forragem para pastejo. tribo Paniceae. com uma temperatura ótima de crescimento de 28 a 30ºC (Perret e Scatena.. 1997. sendo capaz de vegetar em regiões com precipitações pluviométricas inferiores a 400mm anuais. (Andrews e Rajewski. Kichel et al. onde a pluviosidade é de apenas 130 a 180mm por ano (Perret e Scatena. spiked millet. que ocorre. quanto mais tardiamente for realizado o plantio. CARACTERÍSTICAS AGRONÔMICAS O milheto é uma planta pertencente à família Poaceae (Gramineae). 1992. não suportando temperaturas inferiores a 10ºC (Skerman e Riveros. menos dias a planta levará da germinação ao florescimento. O ciclo vegetativo é curto. que pode alcançar 3. Bonamigo. 1990. 1997. e abrange cerca de 140 espécies. 2005). Lima et al.) Stapf e Hubb. 1999). tanto nos trópicos como nos subtrópicos. gênero Pennisetum (Brunken. bajra. já que é cultivado na Índia. Br. citados por Bonamigo. Atualmente a cultura vem sendo utilizada para plantio direto. a partir dessa associação. Skerman e Riveros. subtribo Panicinae.) Leeke ou P. e à sua eficiência na transformação de água em matéria seca. Vulgarmente denominado pearl millet. pasto italiano ou capim-charuto. 1999). cattail millet. O gênero Pennisetum está distribuído em todo o mundo.

A semeadura pode ser realizada em linhas (18 a 20kg de sementes/ha) com espaçamento entre 20 e 30cm para utilização em pastejo ou com espaçamento de 40 a 60cm (12 a 15kg de sementes/ha) para produção de grãos.. desenvolvendo-se melhor em solos arenosos. 1999. deve-se fazer uma compensação elevando-se a densidade de semeadura. Andrews e Rajewiski.Vai bem em solos com altas concentrações de alumínio. PLANTIO E SEMEADURA A lavoura do milheto é estabelecida por sementes. O uso de uma grade leve em área não cultivada. Segundo Maraschin (1979). 1999).. A profundidade de plantio também é um fator importante para a implantação da cultura do milheto devido ao pequeno tamanho da sua semente. jogadas a lanço ou plantadas em sulcos. enraizamento. onde seu sistema radicular é mais vigoroso (Bogdan. Freitas. 2003). mas apresenta alta resposta de produção em solos férteis ou adubados. ajuda a semente a aderir ao solo e induzir ao processo de germinação. no caso de sobre semeadura em lavouras de soja. Nessas condições. 1995. De acordo com Freitas (1988). pois esse tipo de solo retém mais água na superfície. deve-se levar em conta o tipo de solo. 2. para as condições de solos do Brasil. sendo de grande importância a determinação do valor cultural das sementes (% pureza x % germinação). (1999) recomendam que a temperatura média do solo seja superior a 20ºC. além de haver umidade suficiente para emergência das plântulas. seguida de gradagem e passagem de rolo compactador após a semeadura. 2003). recomendam-se 20% a mais de sementes/ha e. 67 . além de garantir uma boa germinação (Scaléa. tem-se verificado baixa germinação das sementes disponíveis para plantio (cerca de 42%).. Em solo argiloso. É tolerante à baixa fertilidade do solo. No geral. tanto após a colheita da cultura de verão quanto na primavera (Bonamigo. 1977. Para semeadura a lanço. baixo pH e alta salinidade. milho. a semente deve ser colocada um pouco mais profunda para ficar em contato com a umidade. Bonamigo. 1988. sorgo e arroz. com equipamento aplicador de calcário ou por avião (Pereira Filho et al. recomenda-se aração. 1999). crescimento e rebrota. a semeadura a lanço pode ser feita manualmente. Para que haja eficiente germinação das sementes. Em solo arenoso. sementes ou silagem. O plantio a lanço pode ser em área sem cultura instalada ou em área cultivada com cultura em estádio de colheita (sobre semeadura). 1998). para assegurar boas condições de estabelecimento. sendo que as sementes devem ser incorporadas levemente com grade niveladora. Quando semeado em sulco para a produção de sementes ou grãos. Kichel et al. o plantio deve ser em menor profundidade. Kichel et al. Sendo assim. a profundidade de semeadura pode variar de 2 a 4cm (Pereira Filho et al. porém a cultura não resiste a solos encharcados. sem chuvas. cerca de 30 a 35Kg de sementes/ha. A qualidade das sementes é determinante no estabelecimento e na produção da cultura.

60m). com o intuito de melhorar cultivares locais utilizados no Mato Grosso do Sul (Bonamigo. com aptidão para produção de forragem na mesorregião do agreste de Pernambuco (Tabosa et al. boa produção de sementes. com produção bastante satisfatória no Brasil central. os cultivares de maior destaque no país.Em plantio de safrinha. BN-1 e BN-2: Variedades originadas de um trabalho de seleção massal fenotípica. 1999). A variedade tem produção média de 45t de massa verde quando semeada em fevereiro e. o milheto vem sendo cultivado apenas no resíduo de adubação dessas culturas. produz cerca de 37 toneladas (t) de matéria verde (MV) por hectare (ha). 3.50cm ou mais. É sensível ao carvão. O seu plantio é recomendado para as regiões Sudeste.. também desenvolvida pela Empresa Pernambucana de Pesquisa Agropecuária e pela Universidade Federal de Pernambuco. SYNTHETIC-1: Variedade. Ele é utilizado basicamente para cobertura do solo em áreas de plantio direto (Martins Netto. lançada em 1977. 1999). 68 . IPA-BULK 1: Variedade desenvolvida pela Empresa Pernambucana de Pesquisa Agropecuária e pela Universidade Federal de Pernambuco. Apresenta porte médio (1 a 1. grande perfilhamento e boa tolerância à acidez de solo. BRS 1501: Variedade lançada pela Embrapa Milho e Sorgo. o número de cultivares de milheto é reduzido. 1999). quando semeada em março. Centro-Oeste e Sul. adaptada à produção de grãos no sertão de Pernambuco (Tabosa et al. (2003) e Martins Netto e Durães (2005). conhecido também como pasto italiano. após a cultura de soja ou milho. panícula grande (20 a 35cm). Segundo Pereira Filho et al. desenvolvimento desuniforme e espiguetas de tamanho variado (12 a 25cm). 1998). Possui ciclo médio (floresce aos 50 dias). tem desenvolvimento muito uniforme e panículas grandes . e seu pastejo ocorre aos 45-50 dias após a emergência. bem como as suas características. foi introduzido no início dos anos 60.. BN-1: Essa variedade apresenta porte de 170 a 230cm. boa capacidade de perfilhamento e tem mostrado boa recuperação na rebrota. BN-2: Apresenta ciclo tardio. Esse cultivar adapta-se a condições que oferecem riscos de déficit hídrico e apresenta bom potencial de produção de grãos (2. PRINCIPAIS CULTIVARES No Brasil. hábito ereto. porte de 140 a 220cm.5 t/ha). A BN-2 é um cultivar indicado para plantios tardios ou na safrinha. adaptada para produção de massa em sistemas de plantio direto. estão listados abaixo: COMUM: De acordo com Bonamigo (1999).

150. NPM-1 (Nebraska Population Millet): É uma população de polinização aberta oriunda do programa de melhoramento da Universidade do Nebraska – USA. o milheto pode produzir. ADR 300 e ADR 500: Cultivares de porte uniforme. para milheto. sem adubação. (1999) avaliaram as três culturas plantadas no final de fevereiro e encontraram valores para produção de matéria seca por hectare em kg/ha de 8.3tMV/ha na floração. milho e sorgo no período de safrinha. solo. produziu 11. Kichel et al. A ENA 1 é sensível à ferrugem (Puccinia substriata). fertilidade do solo. mostrando.ENA 1: Cultivar oriundo a partir de três cultivares de origem cuja seleção visou à produção de palha e de grãos em solos de baixo teor de matéria orgânica. respectivamente. CMS-3: É uma população de polinização aberta oriunda do programa de melhoramento da Embrapa Milho e Sorgo. com ganhos em produtividade. intervalo entre cortes. 300. de 20 a 70t de matéria verde (MV) por hectare. respectivamente. A produção de matéria seca apresentou relação quadrática com os níveis de N. sendo que a ADR 300 apresenta ciclo precoce (92 dias até a colheita) e a ADR 500 tem ciclo tardio (100 dias). sendo que rendimentos de 7 a 10tMS/ha podem ser aceitos como valores médios em campos experimentais e/ou fazendas bem-manejadas. sem aplicação de fertilizantes e sem irrigação. que o milheto pode substituir o milho e o sorgo. que possui alta taxa de crescimento e alta demanda por nitrogênio. assim. Para comparar a produção do milheto. O aumento na produção de matéria seca em resposta aos níveis crescentes de N demonstra que o N do solo não atende ao potencial de crescimento da planta. 4. principalmente à ferrugem. quando cultivado em safrinha. 8.680. variando de 8862 a 17403kg/ha para os níveis de 0 a 450kg de N. Os dois cultivares estão sendo recomendados para produção de massa e grãos. Heringer e Moogen (2002) estudaram a resposta do milheto sob pastejo com aplicação de níveis crescentes de nitrogênio (0.600kg/ha de grãos na maturação fisiológica.100 e 5. Em plantios efetuados na UFRRJ sem adubação e na estação das águas. dependendo da época de plantio. nas mesmas condições.760. PRODUÇÃO A produção forrageira varia em função das condições climáticas.1tMS/ha e 810kg/ha de grãos na maturação fisiológica. dependendo do clima. Bogdan (1977) cita produções variando de três a 20 toneladas (t) de matéria seca (MS) por hectare (ha). que apresentam boa produção de grãos (1500 – 2300kg/ha) e de matéria verde (29 – 52t/MV/ha em três cortes) e maior resistência às doenças. citado por Scaléa (1998). 7tMS/ha e 2. 2. 450 e 600kg de N/ha). milho e sorgo. produziu 32tMV/ha na floração. Segundo Bonamigo (1993). estádio de desenvolvimento e cultivar utilizado. No plantio das secas. A eficiência de utilização do nitrogênio (kg 69 . época de semeadura. adubação e cultivares.

de matéria seca/kg de N aplicado) apresentou relação linear negativa. De acordo com Hadimani et al. respectivamente. COMPOSIÇÃO QUÍMICA E VALOR NUTRITIVO O valor nutritivo do milheto para os ruminantes não é constante. a prolamina constitui 40%. os teores de proteína e extrato etéreo encontrados para o grão de milheto são maiores que o milho e o sorgo. o teor de amido do grão de milheto variou de 57. 2000). respectivamente. A proteína do milheto pode variar de 9 a 21% dependendo do cultivar.02 Mcal/kg.4 a 70. A composição química dos grãos de milheto. na Índia. percebe-se que alguns cultivares apresentam teores 70 . que são 0. milho e sorgo.49 (Rostagno et al.. trigo. Jain e Bal (1997) relatam que. menores teores de amido que o milho. Pode-se observar também (Tabela 1) que o milheto apresenta maiores teores de fibra em detergente neutro (FDN). O grão de milheto é considerado um concentrado energético por apresentar menos de 18% de fibra bruta e menos de 20% de proteína bruta. 450 e 600kg de N. De acordo com Terril et al. em média. A proteína do milheto possui 0. sob condições ótimas de cultivo. fibra em detergente ácido (FDA). entretanto os cultivares mais utilizados atualmente estão por volta de 12%. extrativo não nitrogenado e carboidratos não fibrosos. data de plantio) e a condições ambientais (temperatura e disponibilidade de água).27% de metionina. possuindo 8% a menos de energia quando comparado com o milho. Andrews e Rajewski (1995) relatam que. estão apresentadas na Tabela 1. Para a produção de grãos. 23. e 89% de digestibilidade.37% de lisina e 0. Estas variações estão relacionadas ao cultivar utilizado. 5. (2006). sorgo e arroz. sendo. enquanto os híbridos alcançam produções entre 1300 e 2400Kg/ha.3%. a produção de grãos pode saltar para 5000kg/ha. (1998). Burton (1972) também encontrou maiores quantidades de proteína e extrato etéreo para o milheto quando comparado com milho. O extrato etéreo do grão de milheto é composto por 75% de ácidos graxos insaturados e 24% de saturados. podendo ser considerada uma proteína de boa qualidade. 300.24 e 0. a diferenças no solo e nos tratos culturais (adubação. celulose e lignina e menores teores de hemiceluloses. Isto ocorre devido a variações da composição química. valores superiores aos do milho.18% para lisina e metionina. variedades tradicionais produzem de 300 a 500Kg/ha. Apesar de apresentarem. De acordo com a Tabela 1. sendo este conjunto de fatores responsável por uma redução da energia do grão de milheto quando comparado com o milho e o sorgo. e a globulina 20%. em média. (1995). 20 e 14kg de MS/kg de nitrogênio para os níveis de 150. Das diferentes proteínas do milheto. de acordo com Valadares Filho et al. 60. a energia metabolizável do grão de milheto para ruminantes é de 3. fertilização nitrogenada. os valores foram 46.

30 71.92 73.64 Proteina bruta (%) 13.16 NDT 76.21 80.50 9.86 74.27 FDN (%) 60.07 FDN (%) 15.muito próximos ao do milho (70%).21 6.00 4. Composição química do grão de milheto.93 13. (2006). 75% de endosperma. maiores teores de proteína.17 14. Não foi descrita a presença de taninos nos grãos de milheto em diferentes variedades analisadas (Kumar.37 87.19 59.64 74.58 35.62 3.13 4.33 Digestibilidade da MS 55. quando comparado com o milho. em média.31 Ca (%) 0. Composição química da planta inteira de milheto em diferentes idades.25 Fonte: Valadares Filho et al. e o embrião forma uma proporção muito maior do grão total.54 3.05 0.41 Celulose (%) 4.35 4.98 FDA (%) 7. 3Amaral (2003). Tabela 2. (2006).11 Extrato etéreo (%) 5.95 13.47 87. O grão de milheto contém. Os teores de Ca e P são baixos e semelhantes aos encontrados no milho e sorgo.28 A composição química da planta inteira de milheto em diferentes idades está apresentada na Tabela 2.75 22.55 Lignina (%) 1.95 35.20 Fonte: 1Guimarães Júnior (2003).83 Hemicelulose 29. dessa forma muito ainda pode ser feito em relação ao melhoramento genético do milheto a fim de aumentar seu teor energético.73 4.99 68. 1999).35 3. Parâmetros Milheto Milho Materia seca (%) 88. 17 de embrião e 8% de casca.08 9.24 Energia bruta (Mcal/kg) 4.18 Lignina 4. óleo e fibra e menores teores de amido.96 1. 2Valadares Filho et al. Sorgo 87. o grão de milheto apresenta.04 0.10 64.13 0.23 0.73 Proteína bruta (%) 10. 71 .25 Celulose 27. Como o grão é pequeno.43 35.76 68. em média.75 10.10 Carboidratos não fibrosos (%) 64. Parâmetros 82 dias1 81 a 100 dias2 70 dias3 90 dias3 Matéria seca (%) 27.03 14.55 9.90 9. de milho e de sorgo.55 1.03 P (%) 0.08 Extrativo não nitrogenado (%) 68.47 FDA (%) 33. Tabela 1.84 9.47 Hemiceluloses (%) 7.

em função do menor teor de fibras. respectivamente. os teores de FDA estão diretamente relacionados com a digestibilidade da forrageira. muitos estudos têm sido realizados com híbridos mutantes portadores de nervura marrom (BMR). respectivamente. As variações nos teores de proteína encontrados estão relacionadas principalmente com o período fonológico da planta e com a adubação nitrogenada realizada.74%. aumento de 4% na digestibilidade in vitro da matéria seca e aumento da ingestão de matéria seca comparando híbridos de milheto BMR e normal. Guimarães Júnior (2003) encontrou valor médio de 4. em média. maior evapotranspiração –.52% no teor de MS.4 a 19. 72 . SchefferBasso et al. 13 e 11% de proteína bruta para a planta inteira de milheto colhida com 30.71 e 37. com as maiores intensidades de luz e temperatura e com maior fotoperíodo no verão – portanto. (1993) encontraram 68% de FDN para a planta com idade de 64 a 84 dias. (1990) encontraram redução de 23% no teor de lignina. Maia et al.58% de FDA para planta de três diferentes genótipos de milheto aos 82 dias de idade. Esse comportamento provavelmente decorre do fato de que.Kickel et al. 70 e 80 dias de crescimento.56% a 66.9%). quando semeados tardiamente. De acordo com Van Soest (1994). Cherney et al.06 e 43. redução linear média diária de 0. porém mais fibrosa. sendo esta maior quanto menor for o teor de FDA. Foi concluído que os cultivares de milheto apresentaram melhor valor nutritivo como planta forrageira. assim. Com o intuito de melhorar essa característica e. com percentuais de MS que variaram de 15. menor concentração de ácido p-cumarico e/ou maior concentração de xilose. esta possui menor relação molar siringila/guaiacila.19% na FDN e de 0.2% de PB para o milheto plantado no período de safrinha. De acordo com Van Soest (1994). 15.8%. Os teores de lignina na planta de milheto podem variar de 1. melhorar a digestibilidade da forragem. Bonamigo (1999) também encontrou valores semelhantes de FDN em folhas (62. avaliaram quatro épocas de semeadura (intervaladas de 20 dias). trabalhando com três diferentes cultivares de milheto em diferentes idades de corte. Os teores de FDN e FDA médios dos cultivares variaram de 70. Guimarães Júnior (2003) encontrou valor médio de 33. (2000). Amaral (2003). (2004) encontraram valores de FDA que variaram de 35 a 45% com o avançar da idade da planta. Benedetti (1999) encontrou valores entre 8 e 9. (1999) relatam valores de 23.5%. Além de menor teor de lignina. pois possuem menor concentração total de lignina.33% para o milheto aos 82 dias. Pereiral et al. FDN e FDA. Os híbridos BMR podem melhorar a qualidade da forragem.5%) e caules (67. encontrou aumento linear médio diário de 0.03% na PB. aumento linear médio diário de 0. trabalhando com três diferentes cultivares de milheto plantados no período de safrinha em sucessão à cultura do feijão. 50. A lignina limita a extensão da degradação da forragem nos ruminantes.5 a 7. Os valores de FDN descritos para planta de milheto. da primeira para a quarta época de semeadura. variam de 60 a 70%.13% na FDA. valores acima de 55-60% de FDN correlacionam-se negativamente com o consumo de matéria seca. há maior produção de MS.

menor será seu ciclo produtivo. o milheto BMR apresentou redução de 20% no teor de lignina e aumento de 10% na digestibilidade in vitro de matéria seca. milho e sorgo em dietas para bovinos. Ao contrário do sorgo. os teores de MS e fibra da planta aumentam.0 e 69. 88. Foi concluído que o grão de milheto apresentou maior teor proteico. As dietas foram milho (73. que são os principais monômeros envolvidos na ligação entre a lignina e as hemiceluloses. realizaram estudos sobre o potencial do milheto nos Estados Unidos e demonstraram que novilhos alimentados com dietas à base de grão de milheto apresentaram ganhos semelhantes aos alimentados com sorgo. A digestibilidade da matéria seca e a da parede celular foram menores para a dieta com milheto. 69. (1993). respectivamente.8%) e farelo de soja (2.Lam et al.3% para o milheto BMR e 61. Os valores de NDT foram 73. no milheto BMR. menores concentrações de ácidos ferúlico e p-cumarico. pelo menos. respectivamente. Cherney et al. outro fator que influencia muito na qualidade do milheto como forragem é a época de plantio. Dessa forma. é essencial realizar a análise bromatológica da forragem para o correto balanceamento da dieta. (1990) também observaram preferência dos animais em pastejar o milheto BMR. 6. sorgo e milheto. as alterações estruturais da planta ocorrerão mais rapidamente e seu valor nutritivo também reduzirá mais rapidamente. De acordo com Kishore et al.2% para dietas com milho. sorgo branco e sorgo vermelho. foi 84.9%. Van Soest (1994) concluiu que o gene BMR foi responsável por um significativo aumento no valor nutritivo das silagens de milho europeias. Além da idade da planta.0%) e farelo de soja (6%). melhor equilíbrio de aminoácidos essenciais e energia líquida 4% maior. Hill e Hanna (1990) realizaram um estudo para comparar grãos de milheto. a degradação ruminal da matéria seca. e a digestibilidade e o teor de proteína diminuem. (1996) encontraram digestibilidade in vitro da matéria seca de 73.8%) e exclusivamente de milheto (79%). Christensen et al. as quais apresentavam em média 12% a mais de digestibilidade que as silagens americanas.9. sorgo (76. o milheto não contém taninos que interferem na digestibilidade (Kumar.3.2% para o milheto normal. Consequentemente. Foi concluído que o grão de 73 .6 e 76. eficiência relativa da proteína e níveis de energia metabolizável. para milheto. (1984). De acordo com Cherney et al. Com o avançar da idade da planta. equivalente ao milho e. mas a digestibilidade da proteína e a do extrato etéreo foram superiores à dieta com sorgo e semelhantes à dieta com milho. pois quanto mais tardio for este plantio. de um modo geral. Estes autores também encontraram. superior ao sorgo em teor e qualidade da proteína. (1988). Todas as dietas possuíam 20% de casca de amendoim como volumoso. 1999). UTILIZAÇÃO DE GRÃO DE MILHETO O milheto é. fato que foi comprovado por maior tempo de pastejo e maior desfolha deste. após 24 horas de incubação. citados por Kumar (1999).

66 e 99% do milho por milheto na ração de cabras leiteiras. 33.08 3.0. propionato. 49.18 25. França et al.79 23.0.52 Produção de leite 24.04 2. Poucos estudos existem na literatura com a utilização de grão de milheto relacionada à produção de leite.34 3.6kg/d) e de leite corrigido para 3.30 24.49 24.0. 50/50. Foi concluído que o milheto pode substituir o milho no concentrado sem prejuízo na digestibilidade dos nutrientes e no desempenho (ganho de peso.41 3.21 Fonte: Ribeiro et al.89 18.5% de gordura (23.00 3. ácidos graxos voláteis totais e pH ruminal. (2004) avaliaram o efeito da substituição do grão de milho pelo milheto. O teor e a produção de gordura e a produção de proteína do leite também não foram diferentes entre os tratamentos. A substituição de milho por milheto não alterou o desempenho de vacas Holandesas em lactação (Tabela 3).61 24. Hill et al. 75/25. A dieta das vacas foi composta de 52. produção de leite (24.0 e 96.53 18. Não foram encontradas diferenças no consumo de matéria seca. Tabela 3. (1996) determinaram que o valor energético do milheto estava entre 85 e 90% do milho. (2004). ocorrendo efeito linear negativo na concentração de N-NH3 com o aumento do teor de milheto. foram semelhantes. Os tratamentos foram 100/0.96 % de gordura 3.06 24.02 3.4% de concentrado e 48.milheto pode substituir grão de milho e sorgo nas dietas.52 3.11 25. 23.3% com base na matéria natural. 74 . Influência da inclusão de milheto sobre a produção e composição do leite. Ribeiro et al.6% de volumoso. Não houve diferença entre os tratamentos na concentração de acetato.39 3. sobre o desempenho e os parâmetros ruminais de vacas Holandesas com 90 dias de lactação em média. com base no teor de amido.11 % de proteína 3. consumo de matéria seca e conversão alimentar) de bovinos. 25/75 e 0/100 da relação amido de milho/milheto. mas que estas devem ser formuladas para utilizar eficientemente a alta quantidade de proteína no milheto em substituição à proteína suplementar. Em um estudo realizado em Goiás. Itens 0% 25% 50% 75% 100% Consumo de MS 19. Leão (2002) testou diferentes níveis de substituição do grão de milho por milheto em dietas de novilhos confinados. (1997) substituíram 0.8kg/d).28 19.22 23. Os níveis de milheto nas rações testadas foram 0. 80.50 PLC 23. nos diferentes tratamentos. A produção de leite e o teor de gordura do leite dos animais.97 18.

(1994) verificaram pesos superiores aos 213 dias (152. 1988). 1999). 1997).71kg) para bezerros desmamados aos 101 dias e submetidos à pastagem de milheto (com 41 dias) quando comparados a bezerros mantidos ao pé da vaca em pastagens naturais do nascimento até a desmama com 213 dias (128. principalmente para forrageiras do gênero Brachiaria. é necessário que se mantenha uma lotação capaz de consumir o crescimento da forragem e mantê-la numa altura entre 20-30cm. 75 . Devido ao seu crescimento rápido. Desde que se mantenha um controle da lotação. No entanto. o que proporcionará um período de pastejo que poderá variar de 80 a 120 dias. a grande plasticidade da planta faz com que apresente boa performance em pastejo contínuo. Dessa forma. o milheto possibilita o uso da área de pastagem recuperada já a partir dos quarenta dias após o plantio. a pastagem deverá ser pastejada sempre que atingir 50 . Para que se obtenha um bom controle do pastejo. podem-se atrasar as aberturas dos silos e aumentar a produtividade da propriedade. Após o ciclo vegetativo do milheto. podem-se atingir ganhos de peso diários de 0. Por ser uma planta de porte ereto. Na região Sul. visando garantir pesos semelhantes aos de bezerros submetidos à desmama tradicional.47kg/animal/dia (Hillesheim. O milheto é cultivado após a colheita da cultura principal.. obteve-se de 1400 a 2300kg NDT. Em pastoreio rotacionado.17 a 1.70cm de altura. a pastagem estará formada ou recuperada (Kichel et al. que permita disponibilidade de matéria seca de 2000kg/ha ao longo de toda estação de pastejo. entre seis e oito meses de idade. quando ocorre a maior deficiência de forragem no Brasil central. o milheto tem sido utilizado sob pastejo. tais como B. Deve-se dar um período de descanso de 18 a 24 dias (Kichel et al. o milheto deveria ser utilizado em pastejo rotativo. 1999). Outra alternativa para a utilização do milheto seria para a implantação e recuperação de pastagens. o milheto tem sido cultivado em duas épocas: após a cultura de verão e no final do inverno/início da primavera. Pode atingir uma produtividade de 2 a 5@ de carne/ha. retirando os animais quando houver rebaixamento para 20 a 30cm do solo. Moojen et al.brizantha e B. fase em que a braquiária ainda se encontra com baixa produtividade. Faz-se a semeadura da braquiária consorciada com o milheto na primavera ou no início do período das águas. para ser utilizado em pastejo por um período de 40 a 60 dias.36 kg). MILHETO PARA PASTEJO No Brasil. associado à desmama precoce (90 a 100 dias de idade) de bezerros. quantidades superiores à fornecida pelo sorgo e pelo capim-sudão (Andrews e Kumar. 1992).. No caso de pastejo rotativo.7. possibilitando a vedação de parte das pastagens perenes da propriedade para serem utilizadas de julho a setembro. do outono até o início do inverno.decumbens (Kichel et al..

Juntamente com a aveia preta.509 e 0.Dorow e Quadros (1994) avaliaram o efeito de diferentes sistemas de alimentação pós-desmama (milheto.5% de PB e 61. Harvey e Burns (1988) avaliaram o desempenho de bezerras cruzadas. entretanto. a oferta de material disponível para consumo (folhas e caules tenros) era. e a aveia preta a cada 14 dias..187kg/dia) e pastagem natural (0. Pode-se observar que a aveia preta e o milheto apresentaram as melhores degradações efetivas da matéria seca para as taxas de passagem de 5 e 8%/hora. em quatro sistemas de pastejo com diferentes forrageiras (1.100kg/dia). 11. Os ganhos médios diários das bezerras mantidas em pastagens de milheto (0. seguidos pelos mantidos em pastagens de pangola (0. capim-elefante e milheto comum) sobre o desempenho de bezerras submetidas à desmama precoce (94 dias e 84kg de peso vivo). Os pesquisadores consideraram excelentes os resultados atingidos no pastejo de milheto mesmo com restrição do concentrado. 353. A amostra de milheto apresentava 18. Durante 96 dias de observação. Trifoliurn repens L.controle . Dactylis glomerata L.203 e 0. Muhelman et al.00kg de ganho de peso por dia com restrição ou não do concentrado.Poa pratensis L.Pennisetum americanum L. houve diferenças quanto à composição das pastagens. O consumo de forragem não foi limitado pela disponibilidade.84 e 1. Nas pastagens de coastcross-1 e milheto. Foi observado também maior valor para a taxa de gradação (c) 3. (1997) também avaliaram o efeito de pastagens de verão (pastagem nativa. o milheto apresentou maior degradabilidade efetiva para a taxa de passagem de 8%.38% de FDN. 259 e 9kg/ha. os animais pastejando milheto apresentaram os maiores ganhos diários (0.175kg/dia) e coastcross-1 (0. capim-elefante (0. Leeke) e com dois níveis de concentrado (ad libitum e restrito a 1% do peso vivo). (2004) determinaram a degradabilidade in situ de algumas gramíneas sob pastejo continuo (Tabelas 4 e 5). A disponibilidade (3190kg de MS/ha) e a qualidade (12.314kg/dia) foram semelhantes. 3 Festuca arundinacea Schreb.380kg/dia). 76 .14% de MS. Leeke) com 0. 2 . capim-mombaça e estrela roxa foram colhidas a cada 28 dias. enquanto nas outras se situou próxima de 50%.012kg/dia).9% de digestibilidade in vitro da matéria orgânica) da forragem foram apontadas como fatores responsáveis pelo desempenho superior dos bezerros mantidos em pastagem de milheto. Prado et al. superior a 70%. maior taxa de degradação e maior degradabilidade efetiva da matéria seca e fibra em detergente neutro em relação à grama estrela roxa e capim-mombaça. coastcross-1.26% de PB e 61. porém superiores aos de bezerras mantidas em pastagens nativas (0. 4 .Trifoliurn repens L.275kg/dia). respectivamente). Os melhores resultados para ambos os níveis de concentrado foram no pastejo de milheto (Pennisetum americanum L. sendo o mesmo comportamento observado para ganho de peso/hectare (344. As amostras de milheto.7%/hora. em 83 dias de experimentação. pangola ou pastagem natural) sobre o desempenho de bezerros desmamados aos 90 dias. com peso médio de 150kg. em média. respectivamente. O milheto apresentou maior fração solúvel.

0a 41. 5 e 8%/hora.9a Estrela roxa1 9.3b Milheto 8.6ab 40. Não foram observadas diferenças nas produções de leite das vacas no pastejo de milheto (17.0d 16. taxa de degradação (c) e degradação efetiva (DE) da matéria seca das gramíneas para taxas de passagem de 2.6a 49.1a c (%/h) 2.91%) em comparação com o capim-sudão e o híbrido de sorgo com capim-sudão (3.3b 63. 1 Clark et al. Fonte: Prado et al.0b 8 (%/h) 46.7ab 59. (2004).7a 39. Gramíneas Aveia preta Estrela roxa1 Estrela roxa2 Milheto Mombaça 1 a (%) 31.1ab 1. ocorreu um menor teor de gordura no leite das vacas pastejando milheto (2.1b 29.39%).9kg/dia).1bc 24. taxa de degradação (c) e degradação efetiva (DE) da fibra em detergente neutro (FDN) das gramíneas para taxas de passagem de 2. capim-sudão e um híbrido de sorgo com capim-sudão em experimento de pastejo com vacas em lactação durante um período de três anos de avaliações.67 a 4.5c 22. (1965) compararam o milheto. (2004).9b 40.1d 38.0b 41.7a 32. As pastagens não diferiram quanto à produção de matéria seca (2.80%) quando comparado com capim-sudão (3. Os animais foram suplementados com 6.7a 30.8b 66. Fonte: Prado et al.9 3.5a 29.7c 18.3ab 18bc b (%) 58.4 2 (%/h) 65.8c DE (%) 5 (%/h) 52.4d 18.7a 13. Bucholtz et al.5 2. Tabela 5.3kg de concentrado/dia em média.6a 31. (1969) também compararam o pastejo de milheto com o capim-sudão.8kg/dia) e capim-sudão (17.4a 26.6a 23.5c 59.9 1.30t de MS/ha).85. Ocorreu um menor teor de gordura no leite dos animais pastejando milheto (2. capacidade de suporte (6.9a 20.7d 15.3a 2.5b 3.7b 54.4a 55.32%).2b 25.2b Estrela roxa no inverno (entre maio e outubro).6c 1.2d 11.8c 14.7 1.0a Mombaça 1. Fração solúvel (a) e potencialmente degradável (b). Entretanto.22 a 4.Tabela 4. 5 e 8%/hora. 2Estrela roxa no verão (entre novembro e fevereiro). Foi observada uma redução na porcentagem molar de butirato no rúmen de vacas 77 . Médias na mesma coluna seguidas de letras diferentes diferem entre si pelo teste Tukey a 5% de probabilidade.12 vacas/ha/dia) ou produção de leite por vaca (19. Fração solúvel (a) e potencialmente degradável (b).8b 2 Estrela roxa 5. DE (%) Gramíneas a (%) b (%) c (%/h) 2 (%/h) 5 (%/h) 8 (%/h) Aveia preta 16.7a 26.1c 3.2b 41.6b Estrela roxa no inverno (entre maio e outubro).2a 32.1b 34.2b 47.0a 73. 2Estrela roxa no verão (entre novembro e fevereiro).9b 44. avaliando a performance de vacas Holandesas. Médias na mesma coluna seguidas de letras diferentes diferem entre si pelo teste Tukey a 5% de probabilidade. 20 e 20kg/dia).8b 28.

Os valores de proteína bruta e digestibilidade in vitro da matéria orgânica encontrados foram 12. o milheto pode substituir o milho e o sorgo com ganhos em produtividade e qualidade quando cultivado em safrinha ou tardiamente. (2005) não observaram esse efeito.0% e 58. o milheto é uma alternativa interessante para produção de silagem em regiões com problemas de veranico ou seca ou em plantios de sucessão ou safrinha. ensilados em maio e analisados após 60 dias. Pode-se perceber que.32% de FB. Os animais em pastejo produziram 19% a menos de leite que os animais confinados. SILAGEM DE MILHETO Em função da sua rusticidade e adaptação a plantios de fim de verão e princípio de outono. Os animas em pastejo receberam em média 6kg de concentrado.4% para o milheto. 25. 1990). já que esta tende a ser mais econômica que a baseada somente na suplementação. como um todo. 66.95%) do leite foram semelhantes entre os animais pastejando milheto ou tífton 85. Kichel (1999) comparou silagens de milheto. entretanto isso não ficou provado. O consumo de matéria seca (19kg). são de baixa digestibilidade e valor energético..46% de fibra em detergente ácido (FDA). O pastejo do milheto ocorreu quando as plantas apresentavam 40cm de altura. o pastejo de milheto promoveu redução do teor de gordura no leite. bem como boa palatabilidade (Khairwal et al.1kg/dia) e os teores de gordura (3. As proporções molares de acetato e propionato não diferiram entre os dois tratamentos. A performance de vacas em dois sistemas de pastejo (milheto e tífton 85) ou confinadas foi avaliada por Fontaneli et al.0% para o milho e 7. O milheto pode ser utilizado como uma fonte nutricional importante na pecuária de leite a pasto.28% de fibra em detergente neutro (FDN)..92% de PB. de acordo com alguns experimentos realizados nas décadas de 60 e 70.0% e 53. Pereira et al. mas com um custo de alimentação 50% menor.0% para o sorgo. 78 . 8. 16.21% de MS. 1993). Além disso.65%) e proteína (2. e os pastos de verão no país. (1994) analisaram silagem de milheto feita com plantas colhidas acima de 12 semanas de idade e encontraram os seguintes valores: 29. boa capacidade de rebrota. (2005). para a produção de silagem. 1982. a produção de leite (25. (1999). Freitas (1988) sugere o aproveitamento do milheto para melhorar a oferta de forragem com maior qualidade. Segundo Kichel et al. esta cultura possui características de estabelecimento fácil e rápido. Roy et al. Alguns autores levantaram a hipótese de mudanças nas proporções de ácidos graxos voláteis no rúmen (aumentando o propionato e reduzindo o acetato). 34.8% e 60. após a colheita da cultura principal (Andrade e Andrade. 7.pastejando milheto. Experimentos mais atuais com o de Fontaneli et al. milho e sorgo plantados em período de safrinha (final de fevereiro).

BRS-1501 e BN-2) plantados na safrinha.85%. Itens Matéria seca (%) Proteína bruta (%) FDN (%) FDA (%) CS (%) pH Sorgo forrageiro 21. (2001) avaliaram a composição química e a digestibilidade das silagens de sorgo forrageiro. Entretanto.92kg de MS e 2.23% de NDT.47 a 10. 38. foram relatados valores de pH de 3. 73.83 a 2.28% de MS.95ab 1. em média. (1993) e Roy et al.28% de extrato etéreo (EE). mas a ingestão de matéria seca digestível não variou para as diferentes silagens. Ainda neste trabalho. avaliando três cultivares de milheto submetidos a duas idades de corte para produção de silagem. foram obtidos teores médios de pH de 3. FDN.57%. (2003) avaliou a qualidade e o perfil de fermentação de silagens de três genótipos de milheto (CMS-1. para silagem de plantas colhidas no estádio de grão pastoso.Para silagem de milheto.46%. 1984.carboidratos solúveis em % da MS.47kg de matéria seca digestível.04% de PB. nitrogênio amoniacal em relação ao nitrogênio total de 8.68a 36. FDN de 72. Tabela 6. A composição química das silagens pode ser observada na Tabela 6. 79 .90b 60.58 a 3.50a Milho 30.36%. 8.26% de lignina e 60. 3. sendo este indicado como uma boa opção para produção de silagem no período de safrinha.01a 2. 32. FDA e digestibilidade in vitro da matéria seca (DIVMS) das silagens após 56 dias de fermentação foram. 26. citados por Machado Filho e Muhlbach. os valores médios de pH variaram de 3..77b 34.29%.67b 4. 10. As novilhas alimentadas com silagem de milheto consumiram 4.25c 55.04% de FDN. (1994) encontraram pH de 4. 2006). De acordo com a Tabela Brasileira de Composição de Alimentos para Bovinos (Valadares Filho et al. para as silagens confeccionadas aos 70 e 90 dias. PB de 8. respectivamente.53 a 34.96b Médias seguidas por letras minúsculas distintas significam diferença estatística em uma mesma linha (p<0.75% e baixos valores de ácido acético (< 2%) e butírico (0.62.05).53 até 5. FDA de 37. Machado Filho e Muhlbach (1986) encontraram valor de pH de 4. 54.96b 4.58 a 75. CS . a silagem de milheto possui. enquanto Bishnoi et al.22c 32.78. milheto e milho. encontrou teores de MS variando de 23.1.36a 58.06%.02%).34b 14.97c 12. Fonte: Ward et al. Guimarães Jr.06% e 54.09b Milheto 26. As novilhas alimentadas com silagem de milheto consumiram mais matéria seca. Foram utilizadas novilhas Holandesas com peso médio de 245kg.94b 6. PB.43%. O milheto e o sorgo forrageiro foram ensilados com 45 dias (antes do florescimento). Quanto à qualidade da silagem.25% de FDA.49ª 3. 1986).83 a 38. Os teores médios de MS. e nitrogênio amoniacal em porcentagem do nitrogênio total de 1.91 (Figueiredo e Muhlbach.44 %. e o milho foi ensilado no estágio de metade da linha de leite (95 dias). Ward et al. Tal experimento demonstrou o bom valor nutritivo e a qualidade da silagem de milheto.06%. milheto e milho. 23. Composição química das silagens de sorgo forrageiro. Amaral (2003).64%. A digestibilidade da silagem de milheto foi de 51. (2001).3.48a 8. 4.

0% para FDA. Guimarães Júnior (2006) realizou uma avaliação nutricional das silagens de três genótipos de milheto (BRS-1505.5 e 38. A silagem de milheto apresentou pH de 4.1% para MS. A PB contida no milheto foi significativamente menor no estágio de florescimento.0 e 61. Grupos de seis vacas foram submetidos a uma das três dietas por um período experimental de 64 dias.8% de FDA e 6. Os consumos de matéria seca das silagens foram semelhantes (8.9 e 61.4% de FDN.1% para FDN e 65. mas foi similar às outras culturas no estágio leitoso e farináceo. 51. respectivamente. Os resultados indicaram que a digestibilidade da MS não foi diferente para silagem de milheto e a dieta-controle. o sorgo granífero e o forrageiro. respectivamente.9% de PB. A composição química das silagens de milheto e sorgo foram 38. demonstrando a necessidade de maiores estudos relacionados ao momento de colheita para a produção de silagem.3% e 8.5% de FDA. 15 e 16. 69.8 e 40.7 e 61. respectivamente.25% para as digestibilidades da PB.2% de lignina.6% de FDN e 42.4 e 57.8%.3 e 60. 66. As silagens não diferiram quanto à digestibilidade aparente da matéria seca e apresentaram valor médio de 47. e a de sorgo 4. 39. e os sorgos granífero e forrageiro produziram também mais silagem e apresentaram maior concentração de cinzas que as outras culturas.4.4% de MS.92.2 e 18. respectivamente. (1992) alimentaram 18 vacas Holandesas com dietas à base de silagem de ervilha/triticale.7% para as taxas de passagem de 2. 11. A silagem de milheto utilizada apresentava 23. No estágio farináceo. e o milheto e o sorgo forrageiro produziram significativamente mais matéria seca que as outras culturas. 12% de PB. os resultados mostraram que o milheto produziu mais forragem e silagem que o Sudax. Quando se avaliaram a produção e a qualidade da forragem e da silagem do milheto em comparação a variedades de sorgo granífero. 5 e 8%/hora foi de 47. 40.76 e 40. 5 e 8%/hora. 1993). sorgo forrageiro e um híbrido de sorgo e capim-sudão (Sudax) colhidos em diferentes estágios de crescimento.75%.. A degradabilidade efetiva da FDN e a da FDA média das silagens foram 24. As degradabilidades das frações fibrosas foram baixas. FDN e FDA.8% de MS. silagem de milheto ou alfafa mais silagem de milho (dietacontrole). o pesquisador encontrou valores médios de 45. CMS-3). NPM-1. Os materiais foram ensilados com 100 dias de idade. 68. O milheto produziu uma vez e meia a duas vezes mais MS que o Sudax.5%.6. No experimento de degradabilidade in situ. Os valores de digestibilidade das silagens de milheto e sorgo foram 64.Jaster et al.5. Os valores para pH indicaram que todas as silagens foram adequadamente fermentadas (Bishnoi et al. As silagens foram realizadas quando as plantas possuíam 53 dias de idade.3% para a degradabilidade da matéria seca nos tempos de 24.6 e 6. Os 80 . (1985) avaliaram o valor nutritivo das silagens de milheto e sorgo com novilhas Holandesas de 325kg de peso médio. A composição química das silagens pode ser observada na Tabela 7. Objetivando determinar os efeitos da substituição da silagem de ervilha/triticale ou silagem de milheto pela silagem de milho mais alfafa para vacas no meio da lactação.3 e 31. 48 e 96 horas. A degradabilidade efetiva da matéria seca média das silagens para as taxas de passagem de 2. As silagens apresentaram valor médio de 57. a produção de matéria seca foi maior. Messman et al.5kg de MS/dia).2.2 e 35. 39.3 e 22.

1Kg/dia).37 Celulose (%) 35.1 % de gordura 4.54 71. energia digestível e energia metabolizável (Kcal/kg).86 9.84 31. pH e NH3/NT (%) das silagens de três genótipos de milheto. Fonte: Messman et al.65 Lignina (%) 1. quando a planta encontra-se totalmente seca.83 10.24 9. Tabela 8.72 20.25 Fonte: Guimarães Júnior (2006). Tabela 7.44 PLC 4% . (1992).6 23.06 37.65 1. Itens Ervilha+Triticale Controle Consumo de MS 22. que é seca naturalmente a campo.35 % de proteína 3. energia bruta.58 1472.5 23.99 PB (%) 11. fornecendo mais uma alternativa para a alimentação do rebanho durante a seca. Também foi observado que o padrão de fermentação da silagem de milheto foi semelhante ao das silagens típicas de milho. Performance de vacas alimentadas com diferentes silagens.22 71.8 3. o que contribuirá para redução das perdas por mofo ou apodrecimento.02 FDA (%) 37. cobertas por lâmina de polietileno (lona plástica). A produção de leite corrigida para 4% de gordura (Tabela 8) foi semelhante entre a silagem de milheto e a dieta-controle (21.45 FDN (%) 70.75 NH3/NT (%) 11.8 Produção de leite 25.97 8. ROLÃO Rolão é o nome que se dá à planta inteira de milho.36 3.04 3855.70 39. expressas na matéria seca. Milheto 19.produção de leite corrigida para 4% de gordura.18 1608.71 3.5 PLC 4% 27. A composição química do rolão de milheto pode ser observada na Tabela 9. e 22.2 24.componentes fibrosos da silagem de milheto foram mais digestíveis que a dietacontrole. sendo o material triturado e ensacado ou a granel.4 Hemiceluloses (%) 32. devido a sua menor lignificação. Genótipos Parâmetros BRS-1501 NPM-1 CMS-3 MS (%) 21.3 22.83 3825.79 3.29 1268.17 pH 3.8.51 31.32 Energia digestível (kcal/kg) 1631. A época ideal para se preparar o rolão está entre 150 e 200 dias após o plantio. sorgo ou milheto.97 Energia bruta (kcal/kg) 3792.71 39.28 22.77 1838.78 37. Amaral (2003) não 81 . Composição química (%).92 2.67 3.73 11.21 Energia metabolizável (kcal/kg) 1254. ou armazenado no campo em medas.2 21.59 3. O armazenamento pode ser feito em galpões.

pois garante pasto de qualidade até o final do outono. Peal millet for food.. Lavras.67-73.39. Idade (dias) Itens 160 180 Matéria seca (%) 73.90-139. ANDREWS.). Bol.71a FDN (%) 81. O milheto pode ser utilizado para pastejo.recomenda a utilização do milheto na forma de rolão. 2003.) K. CONSIDERAÇÕES FINAIS O milheto grão pode ser utilizado em dietas substituindo totalmente o milho sem que haja perda de desempenho dos animais.C. Agron. MG. J.91b 78.J. Fonte: Amaral (2003). entretanto mais informações são necessárias a respeito do momento ideal de ensilagem. Adv.13 Proteína bruta (%) 6. P.. Ind. 78f. KUMAR. Schum. esta pode ser uma opção. de custo mais baixo. and forage. D.. Composição química do rolão de milheto submetido a duas idades de corte. p. Produção de silagem de milheto (Pennisetum americanum (L. P. 10. 82 . Entretanto.20b 49. ANDRADE. ANDRADE.48. inferiores do milheto.Universidade Federal de Lavras.N. v. Silagem e rolão de milheto em diferentes idades de corte. Dissertação (Mestrado em Zootecnia) . v. para animais de menores exigências nutricionais. 1982. o que permite altos desempenhos e retarda a abertura dos silos.B.05). REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS AMARAL.67b 85. O milheto pode substituir o milho e o sorgo com ganhos em produtividade quando plantado no período de safrinha. 1992.54a FDA (%) 46.A. 10% em média. Além disso.. feed. uma vez que ele apresentou baixas disponibilidades da matéria seca e reduzido valor nutritivo.35a 6. desde que levados em consideração os níveis de energia. Pode-se produzir silagem de boa qualidade. Tabela 9.30a Médias seguidas por letras minúsculas distintas significam diferença estatística em uma mesma linha (p<0. Anim. a utilização do grão de milheto nas dietas pode reduzir os níveis de inclusão de concentrado proteico. K. por apresentar maior teor proteico que o milho e o sorgo. p.

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normalmente caros. Caixa Postal 132. Gherman Garcia Leal de Araujo2. em sua maioria constituídos pela vegetação nativa ou de gramíneas. CE. Por outro lado. INTRODUÇÃO O Brasil apresenta grande potencialidade para a criação de diversas espécies animais. CE. Km 112. Petrolina. As pesquisas têm Professor do Curso de Zootecnia. PE 4 Professor Associado da Escola de Medicina Veterinária e Zootecnia. seja do ponto vista bioeconômico. pele e lã) pelos ruminantes. foram apresentados vários resultados. Petrolina. A utilização de diferentes alternativas de alimentos para suprir as deficiências do pasto é muito comum. Marcos José Alves3. PE ggla@cpatsa. especialmente nos períodos de estiagem. CEP 62040-370. Universidade Estadual Vale do Acaraú. entre as quais as espécies de ruminantes. já que a alimentação perfaz até 70% dos custos desta atividade. O uso dos subprodutos do processamento de frutas. Bolsista do CNPq. Entre essas alternativas. pode levar ao barateamento dos custos de produção de ruminantes. o setor primário gera toneladas de subprodutos que poderiam ser transformados em produtos (carne. Assim. liberando parcela relevante de alimentos às populações humanas mais carentes. CEP 77804-970. TO.com 2 1 88 . pele e lã. zona rural. Sobral. CEP 56302-970.com Pesquisador da EMBRAPA Semiárido. Sobral. Caixa Postal 23. por se tratar de tema no qual o estado da arte ainda é de prospecção. araguaia2007@gmail. helioa. Km 152. Araguaína. Universidade Estadual Vale do Acaraú.costa@gmail. que são capazes de transformar produtos vegetais em carne. são desenvolvidos apenas com pequenos ruminantes. Km 152. DSc. Os sistemas de criação de ruminantes normalmente se baseiam em sistemas de produção a pasto. BR 428. destacam-se os grãos de cereais.br 3 Zootecnista. Caixa Postal 23. especialmente dado o avanço das áreas destinadas à fruticultura no país e incrementos nos sistemas de irrigação. Jose Neuman Miranda Neiva4.CAPÍTULO 6 RESÍDUOS DE FRUTAS NA ALIMENTAÇÃO DE GADO DE LEITE Marcos Cláudio Pinheiro Rogério1. marcosclaudio@gmail. BR 428. a custos competitivos quando bem-manejadas.com 5 Zootecnista. seja do ponto de vista ambiental. Rodovia 153. leite. Centro de Ciências Agrárias e Biológicas. Embora o volume de subprodutos gerados seja considerável. os estudos científicos são ainda escassos e. zona rural. EMBRAPA Semiárido.embrapa. ficou claro que o uso de subprodutos do processamento de frutas é interessante. leite. na maioria das vezes.. Helio Henrique Araújo Costa5 RESUMO O presente capítulo apresenta dados sobre o valor nutritivo de vários subprodutos do processamento de frutas no Brasil. mesmo aqueles em que não se estudaram as respostas em bovinos de leite. CEP 62040-370. Nos trabalhos revisados. CEP 56302-970. Centro de Ciências Agrárias e Biológicas.

aproximadamente 15% do total produzido. pretende-se dar ênfase aos subprodutos do processamento de frutas disponíveis à alimentação de ruminantes. 1. PRODUÇÃO E DISPONIBILIDADE DE SUBPRODUTOS DO PROCESSAMENTO DE FRUTAS O processamento de frutas inclui as etapas desde a produção no campo até o beneficiamento e a origem de produtos. o desperdício de alimentos ainda é crescente. ou seja. como o milho e o farelo de soja. dentro de níveis apropriados. Uma destas estimativas. como sucos. Os subprodutos agroindustriais e os restos de culturas agrícolas são muito variáveis em sua composição.CNPq. 89 . em muitos casos. alguns se destacam não só pela alta disponibilidade mas também por suas características bromatológicas muito diferentes a cada produção. Estes tipos de subprodutos. aponta para um desperdício de 32 milhões de toneladas da produção ao consumidor final. No presente trabalho. Serão apresentadas suas disponibilidades e potencialidades nas diversas formas de utilização em dietas para ruminantes. verifica-se que a magnitude dessas perdas é relevante. que estão sendo avaliados nas diferentes regiões do Brasil. o que pode vir a dificultar os processos de conservação e uso nas dietas de ruminantes. frutas. somando grãos. polpas. e subprodutos agroindustriais propriamente ditos. Ao mesmo tempo em que se alcançam recordes sucessivos na produção agropecuária e o Brasil torna-se um dos maiores exportadores do setor. esses subprodutos podem substituir os alimentos forrageiros e mesmo os alimentos concentrados tradicionais. resultantes do beneficiamento industrial. não apresentam grandes retornos às agroindústrias e muitas vezes podem até representar problemas. surgem subprodutos de frutas de origem agrícola. como os de ordem ambiental. doces e compotas. Estudos de avaliação e utilização de novas alternativas alimentares como os subprodutos do processamento de frutas. de um modo ou de outro. em sua maioria. Dentre estes.demonstrado que. por exemplo. nas diferentes regiões do Brasil. também caracterizados como restos de culturas agrícolas. destinados ao consumo humano. 2005). Apesar das diferenças existentes entre os números encontrados nas pesquisas para esse desperdício e as estimativas feitas como decorrência da diversidade de metodologias empregadas. hortaliças e produtos de origem animal (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico . maior disponibilidade de alimentos e possível aumento da eficiência de produção. Do campo até a indústria. podem trazer benefícios para a composição de dietas de ruminantes. garantindo. com base em dados da safra 2002/2003.

o abacaxi pode ser industrializado (extração do suco. coroa. a manga. apenas o fruto. o maracujá. 2005). A produção 90 . O abacaxi (Ananas comosus L. gomos. e o Brasil é um dos principais centros produtores da espécie. 2003). contém ácido málico que lhe confere acidez. os valores são elevados e dão origem também a um montante expressivo de subprodutos.. o caju. correspondente às folhas. podendo ser utilizado na alimentação de ruminantes. 1984). O resultado do processamento do fruto do abacaxi.45%. a utilização desses subprodutos na alimentação de ruminantes irá depender de uma série de fatores. caules e raízes) considerado resíduo agrícola (Py et al. pode-se observar o cultivo de uma ampla variedade de espécies frutíferas tropicais. além da polpa de onde se extrai o suco (Oliveira. Nordeste e Sudeste.. 1992). fruto em calda ou enlatado) e vários subprodutos podem ser obtidos. isolantes e inseticidas.IBGE. mas não apresenta resistência à penetração deles. com uma produção de 347. o estado da Paraíba como maior produtor. Todavia. Do peso do fruto. vernizes. apresenta produção expressiva no Nordeste e ocupa lugar de destaque entre as frutas tropicais. que compreende 38% da planta. 2009). Em função da presença de tanino em sua constituição (média de 0. Do abacaxizeiro. O pedúnculo de caju é um alimento energético. Estes constituintes podem ser desidratados. o abacate. considerando a crescente comercialização da amêndoa e do LCC (líquido da castanha de caju). originando o farelo de abacaxi. brotos. é pouco aproveitada mesmo tendo boas características forrageiras (Vasconcelos et al. há um grande número de agroindústrias instaladas na região. É altamente perecível. 1995). bastante presente nas regiões Norte.. 2002). é comercializável. carnoso e suculento. beneficiando frutas e fazendo com que aumente a produção de subprodutos agroindustriais que podem ser aproveitados nas dietas de pequenos ruminantes. pois a película de revestimento é bastante fina e tem alta umidade (Lavezzo. tendo.. constitui casca. Além de usado ao natural. Merr. o mamão. rico em vitamina C. no estado de maturação comercial). miolo e aparas. na região Nordeste. Na região Nordeste. por sua vez. apresentando um rendimento médio de 30 a 40%. O bagaço oriundo da extração do suco pode ser usado na alimentação de ruminantes. 81% estão representados pelo suco e 19% pelo bagaço úmido.5 mil frutos no ano de 2007 (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística . Boa parte da planta (72%). rico em ferro. caules e raízes. a acerola e a goiaba (Lousada Júnior et al.No tocante aos volumes de produção de culturas agrícolas no Brasil. como a proximidade entre a localização dos rebanhos. as características nutricionais e os custos de transporte ou preparo desses subprodutos (Carvalho. empregados na indústria de plásticos.) é uma das frutas tropicais mais populares do mundo. O caju. O pseudofruto é o pedúnculo hipertrofiado. as culturas e/ou agroindústrias. sendo o restante (folhas. possui barreira física contra infecção de microrganismos. vitaminas e com alto teor de proteína bruta. destacando-se o abacaxi. Como consequência. A castanha é o verdadeiro fruto que contém no seu interior a amêndoa.

13. Conforme Rogério (2005). Um dos principais problemas na produção de mamão são as perdas na fase pós-colheita. A cultura do abacateiro possui expressiva importância no cenário nacional. 1. e. 9. compostas principalmente por milho e soja.88% de fósforo.59% de FB. quanto pode contribuir com os valores de proteína bruta e energia dos suplementos concentrados. Entretanto. as quais chegam a atingir 40% do volume total produzido. exatamente no período de estiagem. a vantagem da utilização de lipídios em dietas deve-se ao incremento da densidade calórica da dieta. conforme Scaloppi Júnior et al. (2003) verificaram efeito linear negativo no consumo de matéria seca. 2008). onde se registram 94% da produção mundial do abacate.12% de MS.69% da produção. representando 37.02% de PB. com 47. entretanto há poucos dados comprovando sua eficiência na melhoria da produtividade animal. (2009). (2008) avaliaram a composição bromatológica do farelo de mamão desidratado e obtiveram valores de 93.32% de proteína bruta.brasileira da polpa de caju (Anacardium occidentale L. tanto pode constituir um substituto forrageiro. encontra-se a maior produção. 2009) e. já que o Brasil figura como o quarto maior produtor mundial com 169 mil toneladas colhidas em 11. conforme Godoy et al. 0. Saad et al. 2009). 2009). O farelo de castanha de caju (FCC). O FCC é um alimento rico em energia (lipídios).78% de lipídios e 1. com 70 mil toneladas (IBGE. 91 . segundo Palmquist (1989). A composição centesimal do abacate sem a semente pode ser descrita como: 80% de umidade. essa fruta constitui potencial alimento para as dietas de ruminantes. Rodrigues et al.5 hectares cultivados (Food and Agriculture Organization FAO. 140. oriundo das castanhas impróprias para o consumo humano. vem sendo utilizado para a formulação de ração animal. o monitoramento das dietas deve ser criterioso. No estado de São Paulo. O estado da Bahia é o maior produtor nacional.535 toneladas para o ano de 2007 (IBGE. o subproduto de caju. dados os altos valores de fibra encontrados. em virtude desse montante.) ocorre quase que totalmente na região Nordeste. consequência da extração do suco. usando dieta de ovinos composta por 70% de volumoso e 30% de concentrado contendo farelo de castanha de caju. produtos de alto custo na região. além do fato de tal uso permitir aumento no consumo de energia e balanço mais adequado entre carboidratos estruturais e não estruturais para otimização do consumo de fibra e energia digestível. hoje extensivamente cultivado no Brasil. Trata-se de um recurso alimentar de elevado potencial para utilização como fonte energética em concentrados e para a redução dos custos de produção.72% de cálcio e 0. A produção de mamão brasileira foi de 1. em razão do seu elevado valor energético.811. forçando o produtor a recorrer ao mercado de rações. (2008). pois. quando diminui a disponibilidade de forragem na região. O abacateiro (Persea americana Mill) é uma planta nativa do México e da América do Sul. ou seja.97% da produção nacional.7 mil toneladas no ano de 2007 (IBGE. O estado do Ceará é o maior produtor brasileiro.

21. segundo esse autor.36% de EE. a manga está disseminada em quase todo o território. com 49. o subproduto agroindustrial (casca e caroço). Vieira et al. que corresponde de 40 a 60% da fruta. foi utilizado na elaboração de silagem de capim-elefante para alimentação de bovinos. compreendendo mais de 150 espécies da família Passifloracea utilizadas para o consumo humano. posicionando-se. Sob esse aspecto.25% de FDN. deve ser dada melhor atenção ao uso de dietas contendo sementes. Em contrapartida. 37. lipídios e proteínas sejam baixos. e o extrato etéreo contém quantidades apreciáveis de ácidos graxos insaturados.A manga (Mangifera indica L. conforme dados do IBGE (2009). após a extração do suco. perfazendo a produção de 229 e 116 mil toneladas no ano de 2007. como o oleico e o linoleico (Vieira et al.184 toneladas relativa ao ano de 2007 (IBGE. 0. O maracujazeiro é originário da América tropical. é uma alternativa viável para alimentação de ruminantes. (2008) destacaram que a proporção de cascas e caroços da fruta varia de 20 a 30% e de 10 a 30%. 2009). O maracujá-amarelo (Passiflora edulis Sims) corresponde a cerca de 95% desses plantios. (2001) informaram que. com uma produção de 1.87% de PB. resultados de outros trabalhos demonstraram que a proteína do subproduto de manga é rica em lisina. O Brasil é o maior produtor mundial e apresenta uma produção de mais de 664 mil toneladas (IBGE. em associação com capimelefante. Essas características vêm beneficiar as dietas por contribuir com sua fração energética. 2009). De acordo com Neiva et al.89% da produção nacional nesse ano. 3. pois cascas e envoltórios da semente (epicarpo) são tecidos de revestimento e contêm elevados teores de celulose. logo após a banana. e a outra a elevada concentração de lipídios nas sementes.) é considerada uma das mais importantes frutas tropicais cultivadas no mundo. respectivamente. hemiceluloses e lignina.1974). o abacaxi e o abacate. Para Vasconcelos et al. 2008). o que representa uma boa fonte nutricional de baixo custo.23% de MS. destacando-se o Vale do Rio São Francisco. destacandose o estado da Bahia como o maior produtor. 4. Duas características bromatológicas principais. Os estados da Bahia e do Ceará são os maiores produtores do Brasil. Segundo estes autores. é de 65 a 70% e apresenta vasto potencial para o aproveitamento nas dietas de pequenos ruminantes. No Brasil. que qualificam o referido subproduto. 1974). (2002). nos locais de produção do fruto. possuindo condições climáticas consideradas as melhores do mundo para o cultivo dessa fruta.18% de cálcio e 0. a composição do farelo de sementes e cascas de manga se caracteriza por apresentar 92. O rendimento médio da produção do subproduto. (2009). Embora os valores de minerais. podem ser destacadas: uma é a presença de pectina na casca. (2009). o que.11% de fósforo.272. Reis et al. Rogério (2005) recomendou a inclusão de até 30% do total das dietas para ovinos.84% de FDA. desde Pirapora (MG) até Petrolina (PE). e o maracujá-doce (Passiflora alata Dryander) a apenas 5% do total. não ultrapassaria o limite de 7% de extrato etéreo recomendado por (Devendra e Lewis. haja 92 . o excesso de gordura pode prejudicar o aproveitamento da fibra dietética (Devendra e Lewis. porém a silagem pura do subproduto (casca e semente).. o bagaço é fornecido in natura. Os autores relataram também que a fibra é o componente mais abundante do farelo. o nordeste brasileiro é tradicional produtor de mangas. Ainda de acordo com Neiva et al.

04 0. 32. são apresentados os dados de composição química dos subprodutos de abacaxi.10 88.33% de MS.65% de FDA.20% de celulose.78 Extrato etéreo (%) 1.03%. Em termos de NIDA como porcentagem do nitrogênio total.08 1.45% de FDN. Componentes Abacaxi Matéria seca (%) 88. 2009). sucos e compotas gera a produção de sementes puras.46 17. o valor encontrado por estes autores foi alto.50%.28 39.63 0.51 Proteína bruta (%) 9.85 2. Apresenta um rendimento médio de subproduto de 15 a 41%.90 14. De acordo com Lousada Júnior et al. passou a exportador a partir dos anos 70.85 1.25 Proteína bruta verdadeiramente digestível (%) 4. subprodutos de abacaxi.36%. a composição bromatológica do subproduto de goiaba é a seguinte: 86. Acerola 82. Composição químico-bromatológica (%) dos acerola.80% de hemiceluloses. destacam-se pela grande quantidade produzida.21 Nutrientes digestíveis totais (%) 55. representado por 21.78 13.83 2.89 O processamento da goiaba para a produção de doces.vista que dietas com altas concentrações de extrato etéreo podem inibir a digestibilidade das frações fibrosas.98 30. conforme ensaios experimentais de Rogério (2005).20 56. Na Tabela 1. 8.22 46.41 Hemiceluloses (%) 31.89 9. O Brasil.28 40. A acerola (Malpighia glabra L.14 68.34 Fibra em detergente neutro (%) 66. 73.69 2.53 72. caju e maracujá. respectivamente.57 74.05 Cinzas (%) 9.16 10. Malpighia punicifolia L.53 0. A digestibilidade in vitro da matéria seca é baixa. sendo a produção nacional de 33 mil toneladas em área colhida de 11 mil hectares no ano de 1996 (IBGE.) é cultivada principalmente nos estados do nordeste brasileiro.22 Fósforo (%) 0. 37.97 79.15% e 0. 18. 54. caju e maracujá. fácil manuseio e aceitabilidade pelos ruminantes..56 3.36 11.04 1. sementes + frutos descartados.95 Fonte: Rogério (2005).03 79.03 Carboidratos totais (%) 80.81 40. de importador de melão na década de 60. Os subprodutos de goiaba.74 Ligninas (%) 10.67 Caju Maracujá 89.91 7.91 Nitrogênio insolúvel em detergente ácido (%) 0. e os teores de cálcio e fósforo são de 0.14 Fibra em detergente ácido (%) 34. (2006).20 Cálcio (%) 2.18 59.87 0.20%.54 0. ou seja.78 6. acerola. assim descritos.76 25.59 44.23 57. da ordem de 18.26 0.03 78.26 13. Tabela 1. todavia apresenta elevado teor de lignina.35 37.03 47. sementes + purê. sendo a região Nordeste responsável pela maior parte da produção 93 .46 2.47% de PB. frutos descartados + sementes + purê.64 12.73 Celulose (%) 37.

o subproduto de melão representou o maior teor de pectina (31. (2002a). sementes e a polpa de laranja. 2003). 9.brasileira. Com o incremento da indústria vitivinícola no Brasil. conforme dados do IBGE (2009) relativos ao ano de 2007. 15 e 20% do subproduto da produção de polpa de melão e observaram elevações nos teores de matéria seca.92% de hemiceluloses. Pompeu et al. obtido pelo processamento de subprodutos sólidos e líquidos. o teor de lignina também foi bastante elevado (16. Os autores observaram ainda que a adição de subproduto elevou os teores de proteína bruta das silagens. com a adição do subproduto. De acordo com Lousada Júnior et al. 59.76% em relação à porcentagem de nitrogênio total. (2006).61% na matéria seca). A produção nacional de uva é da ordem de 1. Como foi observado na maioria dos subprodutos de frutas estudados por estes autores. sendo o estado do Rio Grande do Sul o responsável por 51. envolve a produção de 1. com 82% de umidade (Scoton. os engaços (ricos em celulose e lignina. (2000).53% de FDN e 27.371. polpa e semente (Carvalho.0% em MS). Uma tonelada de suco concentrado.76% de FDA.10% de FDN. 17. 5. no que diz respeito aos teores de NDT (83-88% em matéria seca). os subprodutos da vinificação caracterizam-se como sendo o bagaço (produto resultante da prensagem das massas vínicas compostas pelos engaços e pedúnculos das uvas).35%). (2002) avaliaram a composição químico-bromatológica e fermentativa de silagens contendo 0. (2008). as cascas. Entretanto. o bagaço da laranja representa 42% do total da fruta e tem composição bromatológica destacada. o que permitiria uma boa condição para o processo fermentativo. 52. 7. o subproduto da produção da polpa do melão é composto basicamente de casca.2 tonelada de resíduo industrial composto de casca. os subprodutos oriundos desse processamento agroindustrial representam cada vez maior interesse devido também ao aspecto ambiental resultante do montante que é produzido. Para Ítavo et al.56% de MS. oriundos da prensagem para extração do suco. PB (7. 32. 10. obtido pela moagem de 12 toneladas de laranja. o que resultou em um NIDA de 14. como casca.26% de MS. 49. A polpa cítrica é o produto final do suco de laranja. a composição do subproduto de melão é a seguinte: 84.555 toneladas. o resíduo de vinícola constitui 95. equivalendo a cerca de 50% do peso de cada laranja. Os mesmos autores também citaram uma quantidade de 8 a 10% de frutos que são refugados da comercialização interna e externa e que podem ser usados na alimentação animal. Dentre os subprodutos estudados por estes autores. os valores de pH se elevaram e atingiram níveis que caracterizam silagens de baixa qualidade. os autores observaram que o processo fermentativo não ocorreu de forma satisfatória. Conforme relataram Vasconcelos et al.60% de celulose. 1992).33% de PB. constituindo importante suplemento às 94 .34% da produção nacional. FDN (23% em MS). De acordo com Goes et al. De acordo com Silva (2009).85% de PB. sementes e bagaço. pois.18% de FDA. porção menos nutritiva) e a borra (resíduo depositado nos recipientes que contenham vinho após a fermentação). FDA (22% em MS) e cerca de 84% de digestibilidade da matéria seca.

obtidos experimentalmente em animais que receberam esse alimento em suas dietas.38% de PB. O teor de minerais. e. componente indissociável de inúmeros pratos da culinária brasileira. caracterizam-no como um alimento intermediário entre volumoso e concentrado. além do amplo emprego na indústria. obtido por extração com solventes. 1995). O uso de aditivos com a intenção de tornar os alimentos visualmente mais atraentes. chuva. Ainda segundo esta autora. seja na indústria alimentícia ou no uso doméstico cotidiano. Essa composição nutritiva pode variar devido às diferentes origens dos subprodutos avaliados.). variedade genética e. uma vez que a composição dos alimentos de origem vegetal é influenciada por fatores.25% de bixina é conhecida como colorau. assim como o tempo de armazenamento. (urucum) pertence à família botânica Bixaceae. Internacionalmente conhecida como annatto. O corante extraído do pericarpo das sementes de urucum (Bixa orellana L. Este é produzido a partir das sementes de urucum. seguido de abrasão com fubá ou farinha de mandioca ou pela mistura destas com urucum em pó. (1995) destacaram que parâmetros de fermentação ruminal. pode influenciar o seu valor nutricional. 16.5% de FB. sendo necessária a suplementação com fontes extras de fósforo para as devidas correções. O subproduto de semente de urucum é de baixo custo. um arbusto nativo do Brasil e de outras regiões tropicais do planeta. por causa disso.73% de MS. todavia Fegeros et al. recebe a denominação internacional de “annatto”. Ainda segundo este autor. corante natural largamente utilizado pela indústria alimentícia. No Brasil. pelo tipo de processamento a que foram submetidos. com predominância absoluta de um atípico. 2005). A polpa cítrica apresenta elevado teor de cálcio. é importante dar-se atenção para a relação cálcio e fósforo em formulações dietéticas de ruminantes. Por essa razão. A composição bromatológica da semente de urucum é de 88. o resíduo agroindustrial da semente de urucum é o subproduto da extração agroindustrial da bixina.). no caso de subprodutos. A Bixa orellana L. previamente aquecidas a 70°C em óleo vegetal. entre outros fatores. 13. é considerado como concentrado energético. pode variar de 2 a 11% na matéria seca devido a erros durante o processamento ou pelo excesso de temperatura durante a secagem. descartado pela indústria em quantidades de aproximadamente 2600 toneladas ao ano (Pimentel. O aumento do consumo mundial de corantes naturais tem impulsionado o plantio de urucum (Bixa orellana L. a queima da polpa. a preparação comercial contendo 0. por exemplo. é uma espécie nativa do Brasil e de outras regiões tropicais do planeta (Costa.dietas de ruminantes. conhecido como bixina. em regime de agricultura familiar no nordeste brasileiro. De acordo com Moraes (2007). Pesquisas sobre a utilização deste subproduto na alimentação animal ainda são escassas. é bastante comum. Este subproduto pode ser usado em rações em substituição aos alimentos proteicos. o aumento da escala de 95 . como solo. 0. devido ao excesso de calor durante a secagem. O annatto (anato) é uma mistura de pigmentos de coloração amarelo-alaranjada em consequência da presença de vários carotenoides.20-0.5% de fósforo.29% de cálcio e 0.

este subproduto apresenta 14.7% de proteína bruta (PB). 36. (1978). apresentam-se relevantes à alimentação de ruminantes. e seus subprodutos. 1992). o que corresponde a um valor compreendido entre 19 e 51 toneladas de matéria seca por hectare (Lavezzo. sendo esta última a mais comum dos subprodutos. presente em todas as regiões do Brasil. já caracterizado quimicamente. Ademais. A produção agrícola foi tomada como referência para as estimativas de disponibilidade dos subprodutos. Segundo Utiyama et al.4% de fibra bruta (FB). Recomenda-se sua inclusão na alimentação de ruminantes em até 30% do concentrado de vacas em lactação e em 40% do concentrado de novilhos confinados (Barcelos et al. 12. (2002). 96 . Os subprodutos oriundos da cultura da banana. observa-se a produção de frutas. O uso desses subprodutos vem sendo intensificado no Brasil. o coração ou mangará. Segundo Foulkes et al.. todavia. principalmente. Do beneficiamento do grão do café resultam como subprodutos a polpa e a casca. limitam a aceitação desses subprodutos por parte dos pecuaristas. em virtude do preparo do grão via seca realizado no Brasil. Este resíduo. que foram calculadas de acordo com os valores de rendimentos em percentual descritos por Carvalho (1992). no período seco do ano. 2001). A palha contém também polpa. o número de trabalhos sobre a utilização desse resíduo do beneficiamento do urucum é insatisfatório. Na Tabela 2. A oscilação na disponibilidade e a instabilidade do fornecimento desses constituintes. 1995). mais comum em outros países. sendo viável para produtores que dispõem desse recurso. conforme o IBGE (2009). as folhas representam 25% do peso seco da planta. as folhas e as frutas descartadas da bananeira podem ser usados como resíduos forrageiros. com as devidas adequações dietéticas.8% de fibra em detergente neutro (FDN) e 20. e as frutas 37%.extração agroindustrial da bixina resulta em 94 a 98% de sobras. relativa à safra de 2007. enquanto o pseudocaule representa 39% desse total. As cascas de café representam 66% do peso total do grão e apresentam alto teor em lignina. citados por Lavezzo (1995). combinados na mesma planta.2% de fibra em detergente ácido (FDA). variando de 132 a 353 toneladas de massa verde. e sua utilização acontece. vem sendo testado nutricionalmente de diversas maneiras para utilização na dieta animal. O pseudocaule. notadamente por possuírem a maioria dos nutrientes requeridos por esses animais. A polpa é obtida pelo processo via úmida. em conjunto. a produção de biomassa por unidade de área (hectare) é elevada. que atualmente são descartadas pela indústria. além da mucilagem e da casquinha (Carvalho. Do cultivo da bananeira. obtêm-se diversos subprodutos. Atualmente.5 a 14. por região do Brasil.

1992).3 14. pois menos de 8% do peso do fruto do cacaueiro.2 273.308 32.5 284.6 356.5% de semente. seguido dos estados do Pará.118 233.5 *Mil frutos.7 1. 1990).2 4.6%.105 E 8.6 11. A industrialização do tomate gera cerca de 4.7 5.6 99.2 97 552 28.3 837 2.1% de MS. da fração fibrosa da polpa e da semente. (2007a).068 Cacau 133 66 Café 157 78 Tomate 514 51 Abacate 8 Goiaba 136 Mamão 1093 Manga 970 388 Urucum 2.368 2003.154 16.4 474.3 1. com 5%.264 0. 50.1% de FDN.09 Uva 0. todavia o teor de lignina chega a 17.5 22.2 14.8 5 4.8 975.3 112.0 128.1 701.7 927.498 0. PRODUTO Norte P E 488. 97 .5 - *Abacaxi Banana Castanha 1018.3 1.5 81. 14.1 7. e Rondônia.178 1.6 421.6 138.9 0.7 0.7 348.4 15565. em mil toneladas e em mil frutos.13 Maracujá 247. A proporção aproveitável de subprodutos do cacau é bastante alta.8% de FDA. por região do Brasil em 2007.. Esse fator antinutricional (lignina) pode comprometer o aproveitamento da proteína dietética pelos ruminantes. são usados pela indústria beneficiadora.5 857.6 59 106 32 6. É composto basicamente do fruto.4 11.9% de EE. Fonte: IBGE (2009) A produção cacaueira no estado da Bahia constitui uma importante atividade agrícola brasileira.6 48 55 4.8 3. em estado normal de maturação.6 156.9 27..4 996. O montante de produção de subproduto agroindustrial do tomate representa um percentual de 40-50% do peso total do fruto (Manterola et al. em função dos percentuais de rendimentos (S).6 29.6 0.1 102. com 10%.2 10.297 127.6 71.4 197.818 0. antes da torrefação das sementes.8 7.8 920.Tabela 2.5% do peso do fruto em resíduo.5 de caju Laranja 2.9 53 3. dependendo do processamento utilizado pelas indústrias (Oliveira.6 66.1 83.9 211. a composição bromatológica do subproduto de tomate pode ser representada por 22. da casca do fruto.2 8094.9%.5Sul P 15.5% de PB.3 0.1 9.224 Nordeste P E 689. e o NIDA como porcentagem do nitrogênio total é da ordem de 18.2 2 Centro-Oeste P E 101. uma vez que representa cerca de 83% do cacau produzido no país.4 213. O farelo de cacau é o subproduto da retirada do tegumento. 63.2 0.0 48.296 0.2 0. 20.2 0.4 294.4 Sudeste P E 419.4 32. conforme informou Oliveira (2003). 2003). De acordo com Campos et al.4 Melão 49.7 25.2 1769.9 507.5 1855 1493 108 138 673 281 5. sendo 3% de peles e 1.8 3. que citou diversas alternativas de elaboração de silagem para contornar o problema da alta umidade.9 67.5 149. Um fruto com peso médio de 500g é constituído de 80% de casca e 20% de semente (Freire et al. sendo encontrado no mercado com preços acessíveis.7 19. para produção de manteiga ou chocolate. Produção agrícola (P) e estimativa de disponibilidade de subprodutos para alimentação animal (E).

A maioria dos trabalhos encontrados na literatura estuda a substituição de subprodutos de reconhecido valor nutricional e de mercado estabelecido. foi constatado que. caju e maracujá.1. Os valores de FDN foram bastante elevados para os subprodutos de caju e acerola principalmente. 2. Vale ressaltar que o subproduto de maracujá compõe-se de casca e semente e que esta última apresenta teor de extrato etéreo em matéria seca de 31. milho e sal mineral contendo macro e microminerais e níveis crescentes dos subprodutos de abacaxi. inclusive. RESULTADOS DE AVALIAÇÃO DO USO DE SUBPRODUTOS DE FRUTAS NA ALIMENTAÇÃO DE RUMINANTES Uma linha de pesquisa que tem crescido nos últimos anos é a de avaliação de subprodutos de frutas. à exceção do subproduto de caju. Considerando-se a digestibilidade da proteína bruta. goiaba. as dietas em que se incluiu o subproduto de abacaxi apresentaram valores semelhantes ao grão de soja (65%). Destaque especial deve ser dado aos teores de proteína bruta e de proteína verdadeiramente digestível demonstrados na Tabela 3 os quais. torta de algodão.. acerola.2. A digestibilidade da matéria orgânica indicou uma excelente fração de NDT para as dietas que incluíram o subproduto de abacaxi em até 16%. serão feitos comentários sobre esses subprodutos de frutas que podem ser utilizados na alimentação de ruminantes. Abacaxi. caju. foram bem próximos. proteína bruta e energia metabolizável foram 1. Para o subproduto de abacaxi. Neste nível de inclusão. a exemplo dos farelos de milho. acerola.85g/dia e 2. por subprodutos de pouca avaliação nutricional e de mercado não tão bem definido. A seguir.84Mcal/kg de matéria seca consumida. As dietas utilizadas foram constituídas de capim-elefante. os consumos de matéria seca. se incluído em até 16% do total de dietas para ovinos.97%. 98 . de soja e de algodão. trazendo. A utilização desses subprodutos pode ser feita por meio da suplementação de animais criados a pasto ou na formulação de dietas para animais em confinamento. acerola. caju e maracujá. Rogério (2005) avaliou o consumo e a digestibilidade dos nutrientes em dietas para ovinos contendo os referidos subprodutos. não há risco de limitação de consumo e digestibilidade dos nutrientes dietéticos. maracujá e melão Visando ao conhecimento sobre a real disponibilidade ruminal dos nutrientes dietéticos nos subprodutos de abacaxi.44kg/dia. seguidos dos valores encontrados para os subprodutos de maracujá e abacaxi. 2002b) foram responsáveis pela menor disponibilidade deste nutriente. geralmente com altos teores de umidade. Isso provavelmente resultou nos maiores valores de NDT para estes últimos. contribuições nutricionais significativas. Alguns resultados de pesquisa mostram que esses subprodutos podem ser utilizados nas dietas de ruminantes sem prejuízos ao seu desempenho produtivo. conforme Starling et al. Provavelmente os altos níveis de taninos existentes no subproduto de caju (Vasconcelos et al. 237. farelo de soja. (1997).

diferem entre si (P<0. fibra em detergente ácido (CDFDA) e nutrientes digestíveis totais (NDT).9a Maracujá 1.7b 64. (2002).0a 54. valor relativamente alto. O risco maior é o da queda de digestibilidade das partículas fibrosas e da proteína bruta dietética.3c 55. no máximo.4a Melão 47.4a Maracujá 60.4 Coeficientes de digestibilidade Subproduto CDMS CDPB CDFDN CDFDA NDT Abacaxi 47. expresso em gramas por dia.1c 265.527. fibra em detergente neutro (CFDN) e fibra em detergente ácido (CFDA).3c Acerola 500.5b 29. 8% do total de dietas para ovinos.79%.0c Goiaba 1. reduziu o consumo da maioria dos nutrientes dietéticos e deve ser incluído em.5ab 193. na mesma coluna.200. Fonte: Adaptado de Lousada Júnior et al. 2.7b 38.3 2. proteína bruta e energia metabolizável de 1. Entretanto. Incluindo-se o subproduto de acerola em até 12% do total dietético.5b 591.8c 8.8a 38.8a 51.2d 8. Consumo diário de matéria seca (CMS).8 11.0d 56.Tabela 3. citado por Valadares Filho et al.4a 129.2d Goiaba 30. O consumo de fibra em detergente neutro como porcentagem da matéria seca ingerida representou em média 49.5b 17.0b Acerola 22.3 2.3c 670. o que possibilitou uma distribuição mais uniforme de energia entre as dietas experimentais. em virtude principalmente dos altos teores de ligninas encontrados. por exemplo (66.7b 1.6b 293. 214.ab 706.2b 16.8c 33. apesar dos balanços nitrogenados positivos. por sua vez.7a 697.4a 842. de subprodutos da indústria de suco e polpa de frutas.2b 75.126.2a 65.4ª 65. O valor médio das dietas que incluíram o subproduto de maracujá foi de 66. Consumo de nutrientes Subproduto CMS CPB CFDN CFDA Abacaxi 924.3b Melão 1.5b 584. Inclusões de subproduto de acerola em sistemas de produção de ovinos devem ser vistas com cautela.9ab 148. proteína bruta (CPB). O aumento do 99 .28% na matéria seca.2 11. proteína bruta (CDPB). coeficientes de digestibilidade aparente da matéria seca (CDMS).7c CV 9. foram encontrados valores de consumo de matéria seca.5c 351.5 13. somente sendo recomendadas em condições de melhor relação custo-benefício ou mesmo de escassez de alimentos tradicionais.30%).15 g/dia.2 3. respectivamente. (2005).7c 13. comparável àquele encontrado para o capim-tífton 85.3 Mcal/kg de matéria seca consumida.7 11.5 kg/dia.0d 13. em se tratando de um subproduto.8c 39.0b 50.5b CV 2. O subproduto de acerola.0b 51. fibra em detergente neutro (CDFDN).7c 38.157. houve limitação de consumo da maior parte dos nutrientes quando o subproduto de maracujá foi a principal fonte fibrosa das dietas experimentais. em ovinos.2 Médias seguidas de letras diferentes.01) pelo teste Tukey.

hemiceluloses e celulose dietéticas. O autor constatou que o grau de moagem aplicado ao subproduto de caju utilizando-se peneiras de 3 e 19mm não afetou os consumos de matéria seca. Deve-se considerar que houve queda brusca do balanço nitrogenado ao ser ultrapassado o percentual de 19%. todavia. considerando-se os graus de moagem de 3 a 19mm. Portanto. Lousada Júnior et al. proteína bruta e energia metabolizável foram de 1. Costa (2008) realizou a moagem do referido subproduto em 3mm (moído finamente) e 19mm (moído grosseiramente). promovido a redução da retenção de nitrogênio. quando moído finamente. 196. maracujá e melão. e. O trabalho foi apenas exploratório. se moído grosseiramente. não representou riscos para a queda do pH do líquido ruminal. os consumos de matéria seca. proteína bruta. (2005) utilizaram subprodutos da extração de suco e polpas de abacaxi. O subproduto de abacaxi constituiu cascas e polpas 100 .3g/dia. e subsequentemente outros trabalhos com maior detalhamento de investigação foram desenvolvidos. respectivamente. em virtude da total falta de informações à época sobre o tema. 2.44kg/dia. O subproduto de caju. Na Tabela 3. devidamente desidratados ao sol.66 Mcal/kg de matéria seca.54 kg/dia. pode ter indisponibilizado a proteína dietética e. 190 g/dia e 2. em até 28%. Visando à quebra da parede celular presente no subproduto de caju com consequente melhoria da disponibilização de nutrientes solúveis bem como à avaliação dos riscos de acidose em dietas com subproduto de caju incluído de 11 a 33% em dietas de cordeiros em terminação. se moído finamente. pode reduzir as digestibilidades da matéria seca. extrato etéreo e frações fibrosas dietéticas. goiaba. a inclusão do subproduto de caju em até 33% do total dietético. proteína bruta e energia metabolizável foram de 1. matéria orgânica. a inclusão deve ser de até 18% do total das dietas quando os consumos de matéria seca. fibra em detergente ácido. matéria orgânica. mesmo assim não ocorreu aumento proporcional do consumo de matéria seca diante da baixa digestibilidade desse nutriente. Mais uma vez. o subproduto de caju pode ser utilizado em dietas para ovinos em terminação em níveis de até 33%. extrato etéreo. acerola. como alimentos exclusivos para ovinos. principalmente no tocante ao aproveitamento das frações fibrosas e proteicas. e. (2005). Os altos níveis de fibra existentes no subproduto de caju foram determinantes para o aumento dos consumos de FDN e FDA com a inclusão crescente de subproduto. quando praticamente chegou a zero na dieta que incluiu 52% de subproduto de caju. O subproduto de caju representou prejuízo quando incluído em níveis superiores a 19% do total dietético.consumo de fibra em detergente ácido como porcentagem da matéria seca ingerida também resultou no aumento da inclusão de ligninas.3Mcal/kg de matéria seca consumida. a presença de compostos polifenólicos. Conforme este autor. tais como taninos e ligninas. constam os valores de digestibilidade de nutrientes obtidos por Lousada Júnior et al. fibra em detergente neutro. Em 19% de inclusão do subproduto de caju. portanto. assim.

Já para os animais que receberam o subproduto de goiaba. porém com valores inferiores aos demais (P<0. em função dos baixos coeficientes de digestibilidade (Lousada Júnior et al. 50. este apresentou maior consumo de matéria seca. Os subprodutos de acerola e goiaba apresentaram NDT semelhantes (P>0. os autores concluíram que os subprodutos de abacaxi. seria devido aos taninos que se combinaram com as proteínas.. apesar das diferenças encontradas. sementes com baixa porcentagem de frutos refugados. da acerola. (2004). Entretanto. provavelmente em decorrência da alta quantidade de sementes. FDN e FDA dos subprodutos de acerola e goiaba foram os menores dentre os subprodutos estudados pelos referidos autores. 101 . enquanto os de acerola e goiaba apresentam limitações. reduzindo a digestibilidade e proporcionando aumento na taxa de passagem.05). e do maracujá e melão. Leite et al. os quais foram semelhantes entre si (P>0. Somalis Brasileira x SRD) em confinamento. enquanto os piores desempenhos foram verificados com 70% de feno de leucena ou 70% de farelo de pedúnculo de caju. maracujá e melão podem ser utilizados na alimentação de ruminantes. reduzindo a digestibilidade desse nutriente. em função do elevado teor em lignina (Tabela 3). Segundo os autores. O subproduto do maracujá apresentou o maior valor de NDT (P<0. provavelmente. que têm alta densidade específica. com o objetivo de avaliar o desempenho de ovinos (Santa Inês x SRD. consequentemente maior consumo. cascas e sementes. durante a administração. provavelmente como resultado do maior consumo de matéria seca. sementes e polpa macerada. Considerando-se a digestibilidade da proteína bruta. Observaram melhor desempenho para os animais alimentados com 50% de leucena e 50% de farelo de pedúnculo de caju desidratado. os maiores valores foram para maracujá e melão (Tabela 3). testaram cinco diferentes inclusões de farelo de pedúnculo de caju (40.01). Os maiores consumos de proteína bruta foram observados nos animais alimentados com subproduto de maracujá e melão em relação ao que foi observado nos animais que receberam abacaxi e acerola. 2005). porém não diferiu (P>0. já a análise dessas variáveis relativas ao maracujá resultou nos maiores valores. O consumo de matéria seca do subproduto de goiaba foi superior (P<0.. Uma das possíveis explicações. pois não registraram sobras significativas. da goiaba. Os valores de digestibilidade da MS.05) dos consumos relativos aos animais que receberam subprodutos de maracujá e melão em sua alimentação. os autores afirmaram que todas as dietas foram consumidas de forma similar. segundo os autores. o que pode ter afetado o desempenho de animais alimentados com maior proporção de farelo de pedúnculo de caju. O menor consumo de matéria seca foi observado nos animais alimentados com o subproduto da acerola.05). 60 e 70%) em substituição ao feno de leucena (Tabela 4).01). foram observados os maiores consumos de FDN e FDA (Lousada Júnior et al. Baseando-se nessas informações experimentais.prensadas. seguido do subproduto de abacaxi e melão. em razão do rápido esvaziamento ruminal.01) ao verificado com o subproduto de abacaxi. 2005). apesar de o subproduto de goiaba ter teores de FDN e lignina próximos aos da acerola.

em Costa et al.0 31. em uma mesma coluna.1 18. não tendo sido evidenciado esse efeito sobre o grupo genético Santa Inês.0d 8. perceberam que. de modo geral.9 27.4b 7. (2004). ½ Somalis e ½ Santa Inês) alimentados com dietas contendo ou não FCC.7 17.9 29. (2007c). Conforme Devendra e Lewis (1974). respeitando-se o limite de 7% de extrato etéreo (teor de lipídios) na matéria seca. Costa et al.1c 8. Tratamentos 70%L:30%C 60%L:40%C 50%L:50%C 40%L:60%C 30%L:70%C SI x SRD SB x SRD SI x SRD SB x SRD SI x SRD SB x SRD SI x SRD SB x SRD SI x SRD SB x SRD Peso inicial (kg) 18.5 25. (2007b). Esses resultados podem indicar que as dietas que incluíram o farelo de castanha de caju provavelmente tiveram seus compostos nitrogenados menos disponibilizados à degradação microbiana ruminal. em mensurações de concentrações de ureia sérica em ovinos de diferentes raças (½ Dorper. o que pode denotar diferenças na disponibilização de compostos nitrogenados e carboidratos no processo fermentativo ruminal.8b 10. avaliando dietas contendo ou não FCC fornecidas para três grupos genéticos de ovinos (½ sangue Dorper.1b 9. diferem estatisticamente entre si pelo teste de Tukey (P<0. nos grupos genéticos ½ sangue Dorper e ½ sangue Somalis. Farelo de castanha de caju (FCC) Costa et al. Desempenho de borregos ½ Santa Inês (SI) x ½ SRD e Somalis Brasileira (SB) x ½ SRD.3 27.3 20.8 19. (2007a) identificaram valores de proteínas totais séricas inferiores àqueles recomendados pela literatura. encontraram que os níveis séricos de ureia foram elevados.5 27.7a 10. valores superiores a essa recomendação podem comprometer a ação dos microrganismos sobre a degradação da fibra dietética.7c Ganho diário (g/dia) 124c 116c 120c 140b 153a 153a 144b 134b 100d 124c Ganho médio (g/dia) 120c 130b 153b 139b 112c Médias seguidas por letras diferentes.05). ½ sangue Somalis e ½ sangue Santa Inês).2 27.7a 10.4 25.2.4c 9. 102 .9 Peso final (kg) 27. Tabela 4.3 29. (2007b). não houve limitação da inclusão de FCC. Entretanto.7c 8. foi verificado que a inclusão do FCC promoveu redução das concentrações de nitrogênio amoniacal no líquido ruminal.6 Ganho de peso (kg/dia) 8. Complementarmente a essa informação.1 18. Fonte: Adaptado de Leite et al. Esses autores não perceberam alteração do pH do líquido ruminal considerando-se a dieta que incluiu o farelo de castanha de caju em relação à dieta-controle.4 19. submetidos a dietas compostas por feno de leucena (L) e farelo do pedúnculo do caju (C). Silva et al.1 18.2 18.2.1 18.

½ Somalis e ½ Santa Inês). na alimentação de vacas leiteiras de alta produção permitiu aumentar o consumo de fibra. avaliando rendimento de carcaça de ovinos em terminação de diferentes raças (½ Dorper. observaram que a não inclusão do FCC na dieta dos animais ½ sangue Dorper proporcionou maior eficiência do processo digestivo. o que favoreceria o crescimento de populações celulolíticas no líquido ruminal e o aumento na relação acetato/propionato. proteína bruta e extrato etéreo. verificaram que a digestibilidade da MS foi inferior nos animais ½ sangue Santa Inês. (2003) realizaram experimento objetivando avaliar a ingestão e os coeficientes de digestibilidade de nutrientes em ovinos. que a inclusão do FCC reduziu o tempo de ruminação com consequente incremento da eficiência de ruminação (Fontenele et al. sem prejudicar a digestibilidade total da dieta (Scoton. 2003). Silva et al. devido à presença de pectina na polpa cítrica. (2007a). verificaram que os consumos de matéria seca. (2003) não identificaram diferenças significativas considerando-se os tratamentos experimentais aplicados (Tabela 5). sendo que os animais ½ Santa Inês foram afetados negativamente quanto aos consumos de MS. nas mesmas condições de Costa et al.3. por sua vez.Fontenele et al. dada a redução no tempo despendido em ruminação.. houve melhoria da digestibilidade desse nutriente com o incremento da polpa cítrica dietética. MO. Já para os animais ½ sangue Santa Inês. Esses dados sugerem uma menor adaptabilidade dos animais ½ sangue Santa Inês às dietas com FCC nas mesmas condições aplicadas a esses trabalhos. 2007b). 25. Em se tratando da digestibilidade da proteína bruta. Outras hipóteses discutidas pelos autores seriam o efeito associativo positivo entre os ingredientes. Polpa cítrica A inclusão da polpa cítrica. matéria orgânica. PB e EE (gramas/dia). (2007a). proteína bruta e extrato etéreo em gramas/dia foram maiores para as dietas sem FCC. em substituição ao milho. houve efeito linear ascendente. matéria orgânica. alimentados com dietas contendo ou não FCC. 40 e 55%) de polpa cítrica na matéria seca em substituição ao milho em grão. Comportamento semelhante foi identificado com os coeficientes de digestibilidade da 103 . (2008a) e Silva et al. ou mesmo algum efeito de melhoria da palatabilidade. 80% de concentrado com níveis crescentes (0. considerando-se as digestibilidades da matéria seca. todavia isso não resultou em depreciação do rendimento de carcaça para esse grupamento. (2008c). Verificaram que as ingestões de MS e NDT (Tabela 5) elevaram-se linearmente (P<0. (2008b). Os autores relataram que esse aumento pode ter sido decorrente do melhor padrão de fermentação ruminal. que receberam 20% de silagem de milho. Silva et al. observaram que a inclusão de FCC promoveu a redução do peso vivo e da carcaça fria para o grupamento ½ sangue Santa Inês. Quanto aos coeficientes de digestibilidade da matéria seca. Henrique et al.05) com o aumento da porcentagem de polpa cítrica. ou seja. observou-se o contrário. (2007c). 2. Henrique et al. Silva et al.

fibra em detergente ácido (CDFDA) e das hemiceluloses (CDHCEL).31 72. fibra em detergente neutro (CDFDN).45 73.75 75.99 11.41 Coeficientes de digestibilidade (%) CDMS 71.070+0.35 CNDT 775 826 906 886 Y=0.064 1150 1244 1233 Y=1.37 68. (2003). Consumo diário de matéria seca (CMS) e de nutrientes digestíveis totais (CNDT) expresso em gramas por dia. caproico.747+0.5861x 0.29 72.71 NS 3.14 71. Níveis de substituição do farelo de milho Item (%) 0 25 40 55 Regressão R2 CV Consumo de nutrientes (g/dia) CMS 1.348+0.94 27.53 73.26 65.66 NS 4.60 CDPB CDEE 83. (1995) não encontraram efeito negativo sobre a produção de leite e composição de gordura.70 62. coeficientes de digestibilidade aparente da matéria seca (CDMS).0977x 0.22 73. Tabela 5.97 66.74 60.05 NS 11.0023x 0. caprílico e cáprico. 2001). não devendo ultrapassar este nível em função da elevada concentração de Ca e baixa de P.39 NS 6.49 61. em função da porcentagem de polpa cítrica em dietas para ovinos.64 CDFDN 64.89 76.28 70.48 Y= 28. 104 .0034x 0.778+0. Entretanto. Caprinos e ovinos aceitam bem a adição de polpa de citros no nível de até 30% das dietas. Os ácidos graxos de cadeias longas não foram afetados com a adição deste subproduto. proteína bruta (CDPB).13 NS 3. Fegeros et al.95 69.15 CDMO 72. proteína e lactose do leite. Avaliando o efeito da adição de polpa de citros em substituição à ração concentrada na dieta de ovelhas em lactação.85 74.90 9. extrato etéreo (CDEE).24 72.23 51.70 Fonte: Adaptado de Henrique et al.87 45.FDA.88 5.61 Y=62.88 64. pode levar à redução ou mesmo suspensão do consumo pelo animal (Ezequiel.83 9. Quando adicionada à dieta numa concentração acima de 30% na MS.20 61. Os autores relataram que a polpa de citros seca pode ser usada em rações concentradas para ovelhas em lactação numa proporção de até 10% da MS total. Esses resultados refletem a qualidade proteica da polpa cítrica e podem indicar a qualidade também da FDA desse subproduto em termos de disponibilização da celulose existente.89 CDFDA CDHCEL 75. houve uma redução no percentual de ácidos butírico. matéria orgânica (CDMO).

60a 43.43a 43.06a 88.222a 2. carboidratos totais (CDCHT).57a 68.6a 608. Variáveis Controle Farelo de cacau Torta de dendê Média CV 15% 30% 15% 30% (%) Consumo de nutrientes1 (g/dia) CMS 2.9a 750. 2005).5 19. matéria orgânica (CDMO).63 CDFDN 53.27a 46.81 CFDN 722. Silva et al. 15 e 30%) em substituição ao milho e farelo de soja no concentrado. estes autores observaram que os animais que receberam dietas contendo 30% de farelo de cacau reduziram (P<0. possivelmente.67 CDEE 86. sobre o comportamento ingestivo de cinco cabras Saanen (Carvalho et al.44a 40.25a 65.01a 68.501b 2.24a 79.062 13.8a 876.245a 1.33 7.54 CDPB 66. proteína bruta (CDPB).22 CDMO 71. em razão dos regulares valores de digestibilidade aparente.31a 58.25 7.40 *Médias seguidas de mesma letra..17a 82. carboidratos fibrosos (CDCF) e não fibrosos (CDCNF) em cabras leiteiras*. 105 . Consumo diário de matéria seca (CMS) e de fibra em detergente neutro (CFDN). não diferem entre si pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade.85ab 88.91a 59.27a 66.03 8.46a 65. excetuando-se a do extrato etéreo. na linha. 2004) e sobre a digestibilidade aparente de nutrientes (Silva et al.44 23.60a 61.30a 47.44a 40. visto que o aumento da participação da torta de dendê não afetou o consumo.64a 47. não houve efeito da substituição parcial do concentrado à base de milho moído e farelo de soja pelos subprodutos.23a 70. Tabela 6.62a 48.23 CDFDA 49. Quanto à digestibilidade aparente dos nutrientes.05) o consumo diário de matéria seca (Tabela 6).3a 787.4a 757.209a 2.29a 49.11a 66. coeficientes de digestibilidade aparente da matéria seca (CDMS). fibra em detergente ácido (CDFDA).59 4.40 19. em função de maior seleção atribuída à baixa aceitabilidade do farelo de cacau.07a 60. Os autores concluíram que a inclusão do farelo de cacau ou torta de dendê na dieta.00a 47.96 Coeficientes de digestibilidade2 (%) CDMS 69.47a 68.84b 90.51a 67.48a 67. apresentou viabilidade de uso como alternativa na dieta de cabras em lactação..04a 44.02 CDCHT 70. 2004.33a 22. que foi maior para a dieta com 30% de torta de dendê em relação à dieta com 15% de farelo de cacau (Tabela 6). 2005.86a 66.71a 82.46a 66.95a 81. fibra em detergente neutro (CDFDN).17a 81.59a 42.01a 43. 1 2 Fonte: Adaptado de Carvalho et al.04 CDCF 54.14 8.37ab 92.85a 45. Cacau Com o objetivo de avaliar os efeitos dos diferentes níveis de farelo de cacau e torta de dendê (0.26a 66.02 19.4.84ab 84.52a 48.73a 62.92 CDCNF 80. extrato etéreo (CDEE).2.35a 63.07a 48.132a 2..

(2008a) avaliaram o consumo de proteína bruta no mesmo ensaio experimental e não observaram diferenças estatísticas entre os tratamentos. a diferença em gramas entre as dietas. (2008c). sob as mesmas condições descritas por Silva et al. que não foram significativamente diferentes. para esses autores. (2008).53%. em valores numéricos.5. Relataram que não houve risco de queda acentuada do pH do líquido ruminal. que. tendo sido essas concentrações superiores ao mínimo recomendado para esses animais. (2008). o resíduo vinícola apresenta alto teor de matéria mineral (10. Costa et al. o que acarretou degradabilidade efetiva de 33. por sua vez.84%. o que pode aumentar a parte indegradável.2.05) da fonte energética da dieta (Tabela 7). tomate e café Silva et al.99%) e teor de FDN de 52. (2008d) e Freire et al. manga. seguido pelo farelo de palma e raspa de mandioca. banana. (2008). foi de 21.2%/h. Perceberam que. o resíduo vinícola apresenta média de degradação ruminal da ordem de 54. em observações de comportamento ingestivo de ovinos. o que poderia resultar em utilização para reciclagem de nitrogênio e/ou síntese proteica microbiana. Urucum. de defecação. pode representar redução no tempo de confinamento. contendo silagem de pasto nativo da zona norte do estado do Ceará e subproduto de urucum. Em outro trabalho. 106 . com taxa de degradação média de 4. A fração solúvel da PB do resíduo vinícola. milho e farelo de soja fornecidas para ovinos sobre as concentrações séricas de proteínas totais. de bebida e de consumo de sal mineral). houve aumento da oferta desse composto químico.36%. avaliando as concentrações de ureia sérica. não diferiram (P>0.05) o ganho de peso diário de ovinos aos 21. De acordo com Goes et al. com maiores respostas em ganho de peso para aqueles alimentados com dietas compostas pelo referido resíduo e grão de milho moído e resíduo e farelo de palma. Para complementar estes dados. Costa et al.05) entre si (Tabela 7). restando em uma fração solúvel de apenas 19.82%. (2006) observaram que o tipo de concentrado energético associado ao resíduo de vitivinícolas influenciou (P<0. Barroso et al. Porém. (2008d) compararam valores de pH do líquido ruminal de ovinos alimentados com dietas formuladas conforme o NRC (1985) e o NRC (2007) em diferentes proporções de consumo de proteína não degradável no rúmen. Costa et al. (2008b) verificaram que não houve influência do uso do subproduto de urucum em dietas compostas por silagem de pasto nativo. A conversão alimentar da MS sofreu efeito (P<0. uva. Freire et al. 42 e 63 dias. Segundo esses autores. (2008c) deram continuidade às avaliações feitas por Silva et al. nas mesmas condições de alimentação. relataram que dietas contendo silagem de pasto nativo e subproduto de urucum parecem elevar o tempo de outras atividades (tempos de micção. com maior eficiência para a combinação do resíduo com o grão de milho moído.61%.

à medida que se adicionou o subproduto de banana. 63 (GPVD63). a disponibilidade de nitrogênio foi reduzida.5% quando se comparou a dieta exclusiva de feno de capim-tífton com aquela contendo 80% de subproduto de banana.30 b 13. Há que se destacar também que. na mesma linha. embora o teor de PB das dietas tenha se elevado com a adição de subproduto de banana. reduziram (P<0. EE e FDN não foram influenciadas pelo aumento da inclusão do subproduto de banana.7 21.0 25. Pesos vivos médio inicial (PVI) e final (PVF). Fonte: Adaptado de Barroso et al. esses componentes bromatológicos não foram suficientes para alterar o consumo de MS. relatou ainda que a maioria dos cortes 107 . expressos em gramas por dia (g/dia) aos 21 (GPVD21).5 GPVD21 (g/dia) 87 a 47 b 93 a 41.53 GPVT(kg) 7. O valor de NDT. no referido experimento. Clementino (2008) avaliou a adição de subproduto de banana às dietas de ovinos e observou que os consumos diários de MS.77 c 11. As digestibilidades da PB. 42 (GPVD42).47 8.5 para 37.8 32.01) linearmente com os níveis de adição de subproduto de banana. %PV e em g/UTM. avaliando os componentes de carcaça em dietas contendo subproduto de banana (20% do total dietético). no período de 63 dias de confinamento.05).37 4. de 52. Comportamentos similares também foram observados por esta autora para os coeficientes de digestibilidade aparente da FDA e CHO.4 24. conforme Clementino (2008).87 GPVD42 (g/dia) 152 a 63 b 124 a 23. expressos de diferentes formas. o consumo de FDN e o de FDA. todavia. ou seja.59% para 59. diferem estatisticamente entre si a 5% de significância pelo teste de Duncan. (2006). Para as digestibilidades da MS e da MO. 50% de resíduo + 50% de resíduo + 50% de resíduo Parâmetros 50% de grão de 50% de raspa de + 50% de farelo CV (%) milho moído mandioca de palma PVI (kg) 23. aumentou.45% para os níveis de adição de 0 a 80% de subproduto de banana.03 GPVD63 (g/dia) 117 a 71 b 132 a 26. Diferentemente do observado para os consumos de PB e EE. médias e coeficiente de variação (CV) do ganho diário de peso vivo. Para esta autora. embora o FDN dietético tenha reduzido e os teores de PB tenham aumentado com a inclusão crescente do subproduto de banana às dietas. Clementino (2008) destacou que o efeito verificado foi linear decrescente.01 Médias seguidas de letras diferentes.40 CAMS 9. provavelmente. não foram influenciados (P>0. quilogramas de ganho de peso vivo total (GPVT) e conversão alimentar da matéria seca (CAMS). subproduto de manga (30% do total dietético) e subproduto de urucum (40%).Tabela 7. Clementino (2008).1 PVF (kg) 31. pois os teores de NIDA se elevaram de 26.28 a 12. houve decréscimo das digestibilidades desses nutrientes. expressos em g/dia. em razão da redução do teor de FDN e FDA das dietas com a adição do subproduto de banana.

Clementino (2008) verificou que a adição deste em níveis crescentes para ovinos resultou em maior consumo de matéria seca com a inclusão de 37. o autor percebeu que houve efeito significativo para o grau de dureza. (2007b) avaliaram a digestibilidade da proteína do subproduto de tomate em bovinos e observaram teores de proteína bruta de 20. conforme a autora. com subproduto de urucum.3 e 35. (2007a). o fator dietético influenciou a deposição de gordura de marmoreio. pois sementes inteiras apresentaram degradabilidades muito inferiores às das sementes moídas.5% e digestibilidade total da proteína de 72%. 108 . a adição de subproduto de manga favoreceu o decréscimo da proteína dietética. Já para o subproduto de manga. seguido da carne dos animais que se alimentaram com subproduto de manga e. Houve. apesar de a FDN e a FDA do subproduto de tomate terem apresentado altas taxas de degradação. sendo a maior parte daquele composto degradado no rúmen. por fim. o que elevou o teor de NIDA. sendo que os animais que receberam dietas contendo subproduto de banana apresentaram a maior maciez da carne. embora os teores dietéticos de cafeína nas dietas tenham ultrapassado os níveis máximos toleráveis por ruminantes em crescimento (4. como as dietas eram compostas basicamente por feno e pelo subproduto. que provavelmente foi responsável pelas diferenças apresentadas na suculência da carne entre as dietas estudadas. Concluíram que o subproduto de tomate pode constituir boa fonte de nutrientes para os microrganismos ruminais e para bovinos. Acima desses níveis. De acordo com a autora. conforme Oliveira et al. pode ter relação com os altos teores de taninos existentes no referido subproduto. Os autores destacaram que o subproduto de tomate supre pequenas quantidades de proteína para o intestino delgado. que afirmaram. Oliveira et al. sim. Avaliando os atributos sensoriais da carne dos ovinos alimentados com essas dietas. (2007a) avaliaram a degradabilidade ruminal da fibra de diferentes frações do subproduto agroindustrial do tomate. (2007b) avaliaram a substituição do milho por casca de café ou de soja em dietas para vacas leiteiras e verificaram que níveis de 25 ou 50% de substituição do milho pela casca de café ou pela casca de soja em dietas à base de cana-deaçúcar para vacas com produção de 20kg de leite/dia podem ser utilizados de acordo com a disponibilidade e conveniência econômica.regionais e de suas porcentagens em relação ao peso da carcaça fria e área de olho lombo de cordeiros não diferiram entre as dietas padrão (feno de tífton e concentrado) e com subproduto de banana.9% de subproduto de manga a essas dietas. A autora recomendou a inclusão de até 40% de inclusão do subproduto de manga em dietas para ovinos. Campos et al. redução da digestibilidade da proteína como consequência dos altos níveis de lignina existente na casca de café. Destacaram que. Campos et al. o potencial de degradação dessas frações depende do processamento. Vale ressaltar ainda que. não houve redução do consumo com a inclusão de casca de café às dietas. Isso também implicou redução da concentração de amônia ruminal. houve redução do consumo. No caso desse ensaio.5g de cafeína/100kg de PV). o que pode ter limitado o aporte de nitrogênio para o ambiente ruminal. avaliou-se o subproduto na forma de cascas e de sementes inteiras ou moídas. Segundo os autores. fato que.

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vet@gmail. MG. 2002). Caixa Postal 567. MSc. Gabriel de Oliveira Ribeiro Júnior4. luciocg@vet. MSc. Escola de Veterinária da UFMG. sendo que a mais antiga descrição de cítrus aparece na literatura chinesa em 2000 a. pode-se destacar a polpa cítrica peletizada. Belo Horizonte. Lúcio Carlos Gonçalves2.ABECITRUS. Escola de Veterinária da UFMG. MG. Escola de Veterinária da UFMG. DSc. Caixa Postal 567. Belo Horizonte.ufmg. Doutorando em Zootecnia. fredericovelasco@gmail. A LARANJA NO BRASIL A laranjeira (Citrus sinensis). alexmteixeira@yahoo..123970.com.com 4 Médico Veterinário. O objetivo deste material é discutir as potencialidades e limitações da polpa cítrica para bovinos de leite. Belo Horizonte.com 1 116   . MG. Belo Horizonte.C. CEP 30. MSc. Considerando que estes subprodutos não são possíveis de serem utilizados na alimentação humana e são uma potencial fonte de poluição ambiental. Dentre estes subprodutos. MG. o uso racional tem constituído uma alternativa de grande valia na redução dos custos da alimentação e manutenção dos níveis de produção na alimentação de bovinos (Rodrigues e Guimarães Júnior. CEP 30. Belo Horizonte.                                                              Médico Veterinário. à produção e composição do leite. Doutorando em Zootecnia.123970. (Prado e Moreira. felipeam. Doutorando em Zootecnia. Associado Departamento de Zootecnia da Escola de Veterinária da UFMG. Caixa Postal 567. 1. são discutidas informações sobre o valor nutricional da polpa cítrica bem como os efeitos de sua inclusão na dieta em relação ao desempenho. Com mais de 1 milhão de hectares de plantas cítricas. gabrielorjunior@yahoo. é nativa da Ásia. MSc.123-970. 2005). Felipe Antunes Magalhães5 RESUMO Neste capítulo.. Relatos históricos citam que a laranja foi levada da Ásia para a África e desta para a Europa... com potencial de uso na alimentação de ruminantes.com.br 3 Médico Veterinário. Prof.br 2 Engenheiro Agrônomo. INTRODUÇÃO O Brasil possui grande quantidade de resíduos e subprodutos da agricultura e da agroindústria. Frederico Osório Velasco3. Escola de Veterinária da UFMG. o maior produtor mundial (Associação Brasileira dos Exportadores de Cítricos . 2008).123970. assim como todas as plantas cítricas. MG.CAPÍTULO 7 POLPA CÍTRICA NA ALIMENTAÇÃO DE BOVINOS DE LEITE Alex de Matos Teixeira1. Caixa Postal 567. na década de 80. devido ao grande volume de produção de laranjas no país.br 5 Médico Veterinário. CEP 30. Doutorando em Zootecnia.123-970. CEP 30. Caixa Postal 567. o Brasil se tornou. CEP 30..

fez com que a exportação deste produto caísse drasticamente. Porém. as quais estão concentradas em São Paulo.945 08/09 (t) 16.000 836. porém ainda como uma cultura acessória. as exportações reduziram de 1. respectivamente. 117   . a ABECITRUS identificou que a dioxina estava presente em uma partida de cal. Neste período. como a queima de florestas e vulcões ativos.465. O Brasil é hoje o maior produtor mundial de laranja e líder na produção do suco. solucionando o problema.832. produzem-se 7.000 toneladas (safra 98/99) para 780. Segundo a ABECITRUS (Associação Brasileira dos Exportadores de Cítricos). no início de 1998. a laranja passou a fazer parte dos produtos destinados à exportação e. desde então.000 863. Após um período de modernização e importação de tecnologias na citricultura. os mercados importadores se fecharam e provocaram abandono das culturas de laranja. antídoto do escorbuto que dizimava as tripulações naquela época. no início do século XX. um episódio de intoxicação no rebanho leiteiro da Alemanha. Durante o século XIX. plástico.736 Fonte:1 Rendimento de polpa cítrica: para cada 100Kg de laranja. Mesmo com a descoberta da origem da dioxina e solução do caso. a polpa cítrica peletizada era desconhecida no país. 2002).480. devido ao excesso de dioxina (organoclorado) presente na polpa cítrica peletizada importada do Brasil.3Kg de polpa cítrica com 2 8% de umidade (Mejía. No Brasil. As dioxinas são formadas pela queima de produtos clorados (pneus.000 11. tornou-se um dos dez produtos mais importantes na exportação do país. Posteriormente. a polpa cítrica peletizada passou. Até meados de 1993. proporcionando o estabelecimento de pragas (algumas ainda desconhecidas). estado responsável por 80% e 98% das produções nacionais de laranja in natura e suco. 1999).000 11. Safra Produção de laranja in natura2 Volume de laranja destinado ao processamento2 Rendimento de polpa cítrica1 07/08 (t) 16. Entretanto.730. a partir de 1939. lixo) e em processos naturais. Atualmente a maior parte da produção nacional de laranjas é destinada às indústrias processadoras de suco. a importância do cultivo da laranja estava associada a um adequado abastecimento de vitamina C.000 (safra 00/01). adaptando-se facilmente devido às condições climáticas. já que praticamente toda a produção era exportada para a Europa.320. com a II Guerra Mundial. a fazer parte dos ingredientes utilizados na ração de bovinos no país. que somente foram controladas após a criação da Fundecitrus (Fundo Paulista de Defesa da Citricultura).A introdução da laranja no Brasil ocorreu no período da colonização portuguesa. a fonte fornecedora da cal contaminada eram indústrias produtoras de resina de plástico PVC (Andrade. United States Department of Agriculture – USDA (2003). a laranja acompanhou a caminhada do café para o interior de São Paulo. por volta de 1530/40.

Rendimento teórico de produtos e subprodutos da laranja a partir de 100Kg. As aplicações deste produto são variadas. 2008): 118   . obtido da destilação do licor cítrico. bebidas) e na fabricação de medicamentos e cosméticos. Fonte: Yamanaka. terpenos.A safra da laranja se inicia em maio e termina em janeiro. bagaço) e líquidos da produção do suco. líquidos aromáticos e farelo de polpa cítrica peletizada. entre elas solvente industrial e componente aromático para obtenção de sabores artificiais de menta e hortelã. Estes subprodutos são o d'limonene. O processo de obtenção do farelo consiste em três etapas (Costa. período que coincide com a entressafra de grãos. de meia estação (Peras) e tardias (Natal e Valência) (Salvador. Além do suco (principal produto) e dos óleos essenciais. porém há variação de período produtivo entre as diferentes variedades de laranja. Figura 1. atacadas por fungos e desintegradas. o suco e óleos essenciais da massa da fruta. 2. outros subprodutos de interesse comercial são obtidos durante o processamento da fruta (Figura 1). por meio de compressão. com leve odor cítrico. semente. existindo variedades precoces (Hamlin). que provém da prensagem do resíduo úmido da laranja após extração do suco. O farelo de polpa cítrica peletizada ou farelo de casca de laranja é obtido por meio do processamento dos resíduos sólidos (casca. PROCESSAMENTO DA LARANJA Após prévia seleção manual das laranjas amassadas. O d’limonene é um óleo incolor (fonte de terpeno monocíclico). 2005. 2006). que são utilizados para dar sabor aos alimentos (sorvete. as frutas liberadas são submetidas a equipamentos que separam. Os óleos essenciais são óleos voláteis retirados da casca.

Ao final do processamento.1 Kg de cascas.3 Kg polpa cítrica seca com melaço (8% umidade)   Figura 2.1. 119   . peletização. É determinante no teor de sacarose do farelo. polpas e sementes (81. o farelo tem sua umidade reduzida a valores entre 8 e 12%. 1999. Os resíduos da extração do suco correspondem a aproximadamente 50% do peso de uma laranja e apresentam um teor de umidade em torno de 82%. O fluxograma do processo completo de obtenção do farelo de polpa cítrica é descrito na Figura 2. 3. adição de melaço: a quantidade é dependente da remoção realizada para padronização do suco (varia com o teor de açúcares da fruta).3 a 0. 100 Kg Laranjas Extração do suco 52.041 Kg) Polpa cítrica seca sem melaço Melaço de citros (3.9% umidade) Cura (adição de 0. 2.6% de CaOH₂) e prensagem 28 Kg de polpa prensada (76% de umidade) Líquido proveniente da prensa Evaporação (secador) Óleo destilado (0. desidratação: por meio de prensagem e adição de hidróxido de cálcio para facilitar a retirada da água e promover um ajuste do pH. Fluxograma do processamento da polpa cítrica peletizada Fonte: Adaptado de Mejía. sendo peletizado para facilitar o manuseio e a estocagem.8 Kg) 7.

87% Adaptado de Mejía.65% Sarturi. Composição química da polpa cítrica peletizada e outros concentrados energéticos.9% NRC.29% Sarturi. que pode chegar a 3% da matéria seca. 2001 0. ela se enquadra como um produto intermediário entre volumosos e concentrados (Rodrigues e Guimarães Júnior. 1996).5% 88.02% Adaptado de Mejía.3.2% NRC.13% na MS. a quantidade de sementes e o tipo do processamento (Rodrigues e Guimarães Júnior.4% 0.7% digestíveis totais) 76.1% 88. 2001 FDA 15. Polpa cítrica Farelo de Fonte Milho1 Nutriente peletizada trigo1 National Research Council Matéria seca 89. 1999 Pectina 19.29%2 95. Composição química A polpa cítrica peletizada (PCP) é classificada como um concentrado (menos de 18% de fibra bruta) energético (menos de 20% de proteína bruta).30% Adaptado de Mejía.3% 0.17% Adaptado de Mejía. assim como este. A composição química da polpa cítrica peletizada comparada a outros concentrados energéticos pode ser observada na Tabela 1. 2001 N-FND 2.5% 3. VALOR NUTRITIVO 3.4% NRC.8% 0.80% NRC. 2001 P 1. Tabela 1.4% 6.80% . 2005).3% NRC. 2008 1.62% Pereira. 2008 22. 2001 FDN 42. Os teores de nutrientes na polpa cítrica peletizada podem ser influenciados por uma série de fatores.04% 2.2% 4. Um aspecto importante é o alto teor de cálcio.12% NRC.30% Sarturi. 1999 6. 1999 DIVMS 88. 1999 NDT (nutrientes 79. 2001 71. devido a uma das etapas do processamento da polpa.NRC. NRC.92% NRC.9% NRC.18% 0.3% 4. 2001 N-FDA 1. 1999 Extrato etéreo 4. 2005 24.13% 0. os carboidratos presentes nos alimentos podem ser fracionados em dois grandes grupos. não sendo. 2005). no qual há adição de óxido ou hidróxido de cálcio.1. associado ao baixo teor de fósforo (0.3 9. 2001 85. incluindo o fruto. 2008 Lignina 3% 0. O primeiro 120   .3% 0. 2001 Ca 0. De acordo com o modelo proposto por Hall (2000) (Figura 3). 2001). 2001 Proteína bruta 17. uma boa fonte proteica (NRC. 2 Valadares (2000). 2001 1 NRC (2001).7% 0.4% 17.19% Adaptado de Mejía.1% 85. Este alimento apresenta em torno de 85-90% do valor energético do milho.2% NRC.5% 22. em função de seus teores de FDN (fibra insolúvel em detergente neutro) e FDA (fibra insolúvel em detergente ácido) e das suas características de fermentação ruminal. porém.9% 0.5% 9.90% NRC.

já que este monossacarídeo representa apenas 1. é rica em celulose e é de baixa lignificação (Salvador. • amido disponível: 0%. sendo quase totalmente (90- 121   .2% da MS. • fibra total: 43%. também pode ser chamado de polissacarídeos da parede celular ou não amiláceos. que é majoritariamente originária do melaço adicionado à polpa seca antes da peletização. A polpa cítrica peletizada apresenta em sua composição 25% da MS em pectina (Scoton. hemiceluloses insolúveis).grupo. podem ser classificados como solúvel (pectina e hemiceluloses solúveis) e insolúvel (celulose. (PNA) e é composto por celulose. • fibra solúvel: 28%.4 a 2. 1997). Fracionamento de carboidratos. dependendo da solubilidade de seus componentes. Observa-se um teor de FDN intermediário. principalmente glicose (16. Miron et al. 2006). Fonte: Adaptado de Hall (2000). • FDN: 15%. FDN Baseando-se no modelo anterior.4% do peso molecular total da pectina (Salvador. A pectina (contida na fibra solúvel) é um carboidrato estrutural que não está covalentemente ligado às porções lignificadas. Os PNA. lignina. sendo que a polpa tem baixíssimo conteúdo de hemiceluloses. 2006). Carboidratos das plantas Conteúdo celular Ácidos Mono + Amido Frutanas orgânicos oligossacarídeos Parede celular Pectina Galactanos β-glucanos Hemiceluloses Celulose FDA FSDN PNA CSDN Figura 3. • amido resistente: 2%. 2001). hemiceluloses e substâncias pécticas (Choct. O segundo grupo. 2003). porém um alto teor de AS. encontrando a seguinte composição: • amido solúvel: 12%. fibra total. A PCP possui um teor muito baixo de amido. denominado de carboidratos solúveis em detergente neutro (CSDN). Lima (2004) determinou o fracionamento dos carboidratos constituintes da polpa cítrica peletizada. representa o amido disponível e os mono e oligossacarídeos..

A proteína da PCP é considerada deficiente em alguns aminoácidos.21 0. que representa 75% da molécula (Costa.817 Fonte: 1Adaptado de Mejía (1999). associadas ao alto teor de açúcares totais. 1993).186 Treonina 0.31 0. 2008). a polpa cítrica peletizada apresenta tendência em manter o pH ruminal mais elevado e aumentar a produção de ácido acético. durante o processamento da PCP.25 0.579 Ácido glutâmico 0.19 0.291 Metionina 0.37 0. 3. como o milho e o sorgo (Lima. principalmente metionina (Ladeira.535 Alanina 0.17 0.63 0. Em geral. são lipogênicos (Costa.23 0. 1 1 Mejía Empresa Brasileira de Fontes (2007) Aminoácido (1999) Pesquisa Agropecuária Milho comum Embrapa (1991) Lisina 0.300 Isoleucina 0. Além do baixo teor de proteína bruta (influenciado pela quantidade de sementes). Segundo Van Soest (1994).1 0. O principal constituinte deste polissacarídeo é o ácido galacturônico. (1999) conduziram um ensaio para avaliar os efeitos da polpa cítrica e do milho em substituição à silagem de milho sobre a produção de ácidos graxos 122   . enquanto. a pectina é o carboidrato complexo de mais rápida degradação ruminal.49 0. Rocha Filho et al. Stern e Zeimer. 1991. as altas temperaturas (entre 100 e 116⁰C).2 0.205 Histidina 0.333 Cistina 0.100%) degradável no rúmen (Nocek e Tamminga. a partir da pectina e fibra. 2008).12 0. Tabela 2. Fermentação ruminal Apesar de apresentar potencial de produção de ácido lático pelo seu alto teor de carboidratos solúveis.34 0.2.069 Valina 0. os nutrientes metabolizáveis gerados a partir de açúcares e amido tendem a ser gliconeogênicos. reduzindo a digestibilidade do N-total (Mejía.12 0.63 0. 1999).11 0.41 1.425 Tirosina 0.424 Fenilalanina 0. resultam na formação de produtos de Maillard.206 Prolina 0. 2004). Composição em aminoácidos de polpa cítrica peletizada seca de origem brasileira (matéria natural). em comparação aos alimentos energéticos tradicionais.264 Leucina 0.21 0.12 0.603 Glicina 0. 2003).26 0. A composição em aminoácidos encontra-se na Tabela 2.08 0.349 Ácido aspártico 0.

nas dietas de vacas não lactantes.59 para as dietas com PCP e milho. a polpa cítrica peletizada é um alimento interessante de ser utilizado em dietas com elevadas concentrações de proteína solúvel. as relações acetato/proprionato ruminal foram diferentes estatisticamente. Em função da sua rápida degradabilidade ruminal. 71.voláteis (AGV) no rúmen. 67. resultando em perda de proteína e energia (Russel et al.2% a taxas de passagem de 2. Segundo Van Soest (1994). 1975). estimulando a ruminação. o que permite deduzir que houve maior retenção e. consequentemente. De forma semelhante.7). a inclusão de fontes de pectina na dieta em substituição de parte dos carboidratos não estruturais (amidos e açúcares) traz benefícios à nutrição e à produção de ruminantes: a) a degradação ruminal da pectina não contribui para o abaixamento do pH porque não gera ácido láctico. sendo superiores ao farelo de soja (84.1992. 5 e 8%/h. 3.1. Oliveira et al. Isso porque.8.1. Morrison e Mackie. A dieta contendo polpa cítrica proporcionou maior produção de acetato e butirato em comparação àquela contendo milho. e c) a fermentação da pectina gera elevada relação acetato/propionato (A/P). (1999) para polpa cítrica peletizada desidratada (79.6 e 51%).3. Outro fator que contribui para a estabilidade da fermentação ruminal é que a moagem não é necessária para a fabricação da PCP. Esses valores são superiores aos encontrados por Martins et al. respectivamente.3 e 63. Em dietas com alto teor de polpa cítrica peletizada. (2004) encontraram valores de degradabilidade efetiva da MS para a polpa cítrica peletizada de 86. sendo superior em degradação quando comparada ao milho laminado. (2008) observaram aumento da degradação efetiva e da taxa de degradação quando substituíram parcial e totalmente o milho moído pela PCP. demonstrando alto valor energético da PCP. os pellets se expandem e voltam à sua forma original (Wing. 59.5 e 61. Digestibilidade e degradabilidade Goes et al. a mastigação e a produção de saliva. respectivamente. (1993) estudaram a degradabilidade ruminal de diversos subprodutos por meio da técnica de degradação in situ e concluíram que a PCP é rápida e extensamente degradada no rúmen. por meio da troca de cátions e ligação aos íons metálicos. quando a velocidade de síntese de amônia pelos microrganismos supera a sua utilização. Schultz et al.6 e 70.7%) e milho (76. b) a cadeia principal de ácido galacturônico da pectina proporciona potencial tamponante ruminal. 1996). 2005). 76. há uma elevação das concentrações de NH3 no rúmen com consequente aumento da excreção de ureia. favorecendo a produção de gordura do leite e de leite corrigido para gordura.04 e 2. contribuindo para um melhor aproveitamento da amônia produzida e reduzindo os seus efeitos tóxicos no rúmen (Rodrigues e Guimarães Júnior. sendo 3. Quando imersos no fluido ruminal.. Enquanto as produções totais de AGV foram semelhantes. mantendo as propriedades nutricionais deste alimento em relação à efetividade da fibra (Rodrigues e Guimarães Júnior. a ureia sanguínea foi significativamente menor do que na dieta com milho. 123   . 2005).

225. Tabela 3.1 total Fonte: Fegeros et al. para a digestibilidade da MS (78 a 92%).7%.6 87.2% e 52. o que pode ser explicado pelo alto teor de nitrogênio retido na fração fibrosa (N-FDA).6%. (1995). Estes efeitos sobre as digestibilidades dos nutrientes da dieta também foram observados por Oliveira et al. 150. composição do leite.0 93. levando em consideração: preço dos insumos. devido à sua palatabilidade (Coimbra. 375 e 450g/dia). 2002). (1995) avaliaram o consumo e a digestibilidade aparente total da polpa cítrica peletizada em carneiros e encontraram os valores descritos na Tabela 3. onde. As dietas consistiam em 800g/dia de feno e quantidades crescentes de polpa (75. 87. respectivamente. devido ao incremento na densidade energética da ração. após vários experimentos com carneiros. 4. Digestibilidade aparente total da matéria seca (MS).2 83. na ingestão de matéria seca. 300. matéria orgânica (MO). foram determinadas as digestibilidades dos nutrientes da PCP. DESEMPENHO ANIMAL O uso de polpa cítrica peletizada na dieta de bovinos está associado à substituição de grãos de cereais. nível de produção. 2003).utilização mais eficiente da proteína pelos animais que receberam PCP (Scoton. da MO (83 a 96%) e da PB (40 a 65%) da polpa cítrica peletizada. estando coerentes com os intervalos descritos por Wainman e Dewey (1988). Foram utilizados seis carneiros. em um quadrado latino 6 X 6. fibra bruta (FB) e extrato não nitrogenado (ENN) da polpa cítrica peletizada. porém reduz a digestibilidade da proteína bruta. Fegeros et al. categoria animal. (2008). extrato etéreo (EE). da MO e da PB foram 78. Os dados de digestibilidade aparente da MS. Bruno Filho et al. proteína bruta (PB). (2000) observaram que a inclusão de polpa cítrica peletizada nas dietas de bovinos aumenta a digestibilidade dos nutrientes. além de ser vantajosa economicamente. por diferença entre as dietas.2 52. Coimbra (2002) também concluiu que a utilização de PCP em substituição ao milho no concentrado de bezerros até 90 dias de idade não provocou quedas no desempenho dos animais. na capacidade e no desenvolvimento ruminal. Schalch et al. Apesar de alguns autores questionarem a inclusão de polpa cítrica peletizada na dieta de bezerros antes dos 60 dias. sem que haja alterações no desempenho. 124   . disponibilidade destes. Em experimento semelhante.7 82. (2001) avaliaram a utilização de PCP na desmama precoce de bezerros leiteiros e concluíram que ela pode substituir até 100% do milho em concentrados peletizados com adição de 5% de leite em pó desnatado. Nutriente MS MO PB EE FB ENN Digestibilidade 78.

(2002). 2004).3 e 50%) de substituição do feno de tífton pela polpa cítrica em novilhas leiteiras (grau de sangue variando de7/8 Holandês-Zebu a puro por cruza) com peso médio inicial de 184Kg. 2005). Solomon et al. (2008) observaram aumentos significativos no teor de gordura do leite quando a polpa cítrica peletizada substituiu o milho da dieta em 100%. 2004. assim como Leiva et al. Moreira et al.. (2007) avaliaram os efeitos de quatro níveis (0. este fato pode ter sido resultado da diluição pelo maior volume diário de produção de leite na dieta com o milho. em quatro trabalhos não ocorreu alteração da produção de leite (Solomon et al. 2002). Os autores observaram efeito linear positivo sobre o consumo de matéria seca e o ganho de peso. segundo o autor. (2000) e Broderick et al. 2002) apresentaram efeito negativo da substituição do milho pela PCP sobre a produção de leite. Assis et al.. Comparada ao amido.. a substituição de até 50% do feno (ou 35% da MS da dieta) pela polpa cítrica para novilhas leiteiras aumenta a viabilidade econômica da atividade. Apesar de ser esperado um maior teor de gordura no leite quando pectina e fibra de polpa substituem o milho no concentrado. A substituição de milho por polpa cítrica peletizada nas dietas de vacas de alta produção (acima de 30Kg/dia) reduziu a excreção diária de proteína. 2000..6.. 33.Mendes Neto et al. Andrade (2002).. 2006). 2004. Tavares et al... observou que a substituição parcial (50%) ou total do milho por PCP em dietas com silagem de milho como fonte forrageira reduziu a ingestão de matéria seca. Para Leiva et al. 2002).. Moreira et al. pelo aumento no teor de FDN e FDA nas dietas que continham polpa. 2004. Entretanto. 2000. mesmo com ingestões de matéria seca mais baixas. o que pode ser explicado. (2000). Neste caso. sacarose ou fibra. 16.. trabalhando com vacas puras por cruza e mestiças (1/2 sangue Holandês/Gir) com produção de leite acima de 25Kg/dia. 2000. A excreção de proteína no leite é dependente do fluxo de proteína no intestino delgado.. e negativo sobre custo por quilograma de ganho de peso. resultando em menor teor de proteína no leite (Solomon et al. (2000) e Veiga et al. Broderick et al. não detectaram efeito da substituição de milho por polpa sobre o teor de gordura no leite. devido a diferenças no teor dietético. nas condições do experimento. em dois dos seis experimentos não foram observadas alterações (Assis et al. 2006).. as respostas encontradas nos experimentos não têm sido consistentes. Broderick et al. concluindo que. Hall e Herejk (2001) mensuraram a produção da proteína microbiana in vitro quando o substrato fermentativo foi pectina. 2000. 2000.. (2000). Broderick et al. dois deles (Leiva et al. sendo que a principal fonte desta é a proteína microbiana (Salvador. trabalhando com vacas de alta produção leiteira. Solomon et al. no tipo e teor dietético do amido substituído por polpa e em fatores ligados à capacidade genética de produzir gordura e estádio de lactação das unidades experimentais (Salvador. amido. no tipo e tamanho de partículas de forragem utilizadas. Dos experimentos realizados com vacas de alta produção (Leiva et al. Leiva et al. a 125   . Quanto à composição do leite. os consumos de FDN e FDA foram superiores nos animais que receberam dieta com polpa. Dentre seis experimentos avaliando a substituição do milho pela polpa cítrica peletizada na dieta de vacas em lactação.

consequentemente. Enquanto a via Embden-Meyerhoff. principalmente as pequenas. atingindo o pico de crescimento mais precocemente. Entretanto. 1995. Outra hipótese refere-se à maior mobilização de aminoácidos gliconeogênicos em dietas com polpa substituindo o milho. devido à menor produção de propionato no rúmen e. INTOXICAÇÃO Sob o ponto de vista clínico. consequentemente. 2008). Apesar de ser comercializada geralmente sob a forma peletizada seca. Uma das dificuldades na utilização da forma in natura seria a necessidade de proximidade à indústria.pectina proporcionou um crescimento microbiano mais rápido. 2008). ela pode ser armazenada por períodos de até um ano (Andrade. 5. 6. principal via glicolítica das bactérias ruminais (Hobson. 2005). Sendo assim. 2002). chegando a elevar seu peso em até 145% (Rodrigues e Guimarães Júnior. visto que o investimento em secadores pode chegar a 50% do investimento total de uma fábrica de processamento de suco (Carvalho. apresenta um saldo de dois ATP por mol de glicose. ruminais é menos eficiente. secos e cobertos. alguns problemas dermatológicos são relatados na literatura. Em locais onde a umidade relativa do ar é superior a 14%. Recomenda-se não armazenar a polpa cítrica peletizada por mais de 60 dias. sempre acompanhados de histórico de má conservação da polpa cítrica 126   . apresenta um saldo de zero ou apenas um ATP (Salvador. 2000. já que o alto teor de umidade permite que pouca matéria seca seja disponibilizada ao produtor na compra deste produto. Chapman et al. 2006). a via Entner-Doudoroff modificada. Este menor potencial para produção de proteína microbiana apresentado pela pectina está associado ao fato de que a via glicolítica utilizada pelas bactérias pectinolítcas. sendo às vezes observados casos de pruridos na pele. Caso contrário. em desenvolver mercados para a polpa úmida (matéria seca entre 15 e 20%). síndrome hemorrágica e até a morte de vacas em lactação alimentadas com este produto (Rodrigues e Guimarães Júnior. citados por Sarturi. 2005). ARMAZENAMENTO A polpa cítrica peletizada tem alto poder higroscópico. 2006).. a polpa cítrica peletizada deve ser armazenada em locais ventilados. em boas condições. Portanto. utilizada pelas bactérias pectinolíticas. o crescimento de fungos é favorecido e o material pode até mesmo entrar em combustão. torna-se indispensável a estocagem dela sob a forma de silagem (Sarturi. tendo a pectina produzido 88% do crescimento induzido pelo amido. um dos principais problemas relacionados à utilização da polpa cítrica peletizada é a sua contaminação por fungos (possivelmente Penicillium citrinum) e. por micotoxinas. 1988). há interesse das empresas. menor substrato para a síntese de glicose (Salvador. o amido foi o substrato que proporcionou a maior produção total de proteína microbiana. porém.

a polpa cítrica peletizada torna-se um alimento interessante para utilização no período da seca. devido ao alto teor de cálcio da polpa. em que a aplicação de pesticidas sobre a lavoura pode deixar resíduos nos subprodutos. a produção de toxinas letais (Sarturi. Altos níveis de inclusão de polpa cítrica peletizada na dieta passam a ter efeitos negativos sobre produção e/ou composição do leite e ingestão de matéria seca em animais de alta produção. 2008). 2005). Oliveira (2001) avaliou os parâmetros clínicos e laboratoriais de bovinos adultos mestiços submetidos à alimentação com polpa cítrica peletizada comercial isenta de resíduos de pesticidas e de aflatoxinas durante 45 dias. 7. por consequência. NÍVEIS DE INCLUSÃO NA DIETA Para bovinos de leite adultos. • REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ANDRADE. Cuidados no armazenamento. Em um ensaio biológico. MG. 8. 127   . 151f. Para níveis acima de 20% da MS total. Substituição do milho moído por polpa cítrica no desempenho de vacas em lactação. CONSIDERAÇÕES FINAIS • • • • Em função das suas características. também pode ocorrer contaminação. sem que haja comprometimento do desempenho destes. assim como vigilância na origem da PCP. Atualmente todas as indústrias fornecedoras de cal para a produção de polpa cítrica peletizada fornecem apenas cal de mina (CaO) (Ministério da Agricultura. G. onde há contato do material com umidade. A primeira é no cultivo da laranja. Lavras. são necessários para preservar o valor nutricional desse alimento. proporcionando crescimento de fungos e. A segunda (e de menor incidência em virtude da fiscalização do Ministério da Agricultura sobre as empresas fornecedoras) é no processamento. não observando alterações clínicas nos animais.peletizada nas propriedades. Pecuária e do Abastecimento . A substituição do milho por polpa cítrica peletizada em dietas de vacas de baixa produção não interfere na produção e composição do leite. recomenda-se verificar a relação cálcio/fósforo. Em outras duas etapas. A PCP é uma opção viável para formulação de concentrados para bezerros. 2002.A.MAPA. 1998). devido à possibilidade de a cal utilizada conter altos níveis de dioxina (como ocorrido no passado). Dissertação (Mestrado) – Universidade Federal de Lavras. o nível de inclusão da polpa cítrica peletizada deve ser de 20-30% da MS total da dieta ou até 4 Kg/animal/dia (Rodrigues e Guimarães Júnior. bem como a saúde animal.

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e.com. MG. MG.. Prof. em alguns casos.com. Médica Veterinária. Embrapa Gado de Leite.. Caixa Postal 567. doutoranda em Zootecnia. MSc.br 1 132 . principalmente de bovinos. MG.ufmg. Caixa Postal 567. CEP 30123-970. a disponibilidade da polpa de beterraba é pequena. O objetivo deste capítulo é descrever este alimento.. Por possuir uma fibra de alta digestibilidade. Um subproduto com características similares à polpa de beterraba presente no Brasil é a polpa cítrica. Escola de Veterinária da UFMG. e. CEP 30123-970. sendo ambos os alimentos ricos em pectina. fernanda@cnpgl. a indústria do açúcar utiliza como matéria-prima a cana-de-açúcar. a polpa de beterraba apresenta bom valor energético e pode ser utilizada em dietas de vacas leiteiras com resultados satisfatórios. Belo Horizonte. sendo assim um subproduto destinado às indústrias de alimentação animal. MSc. belaveiga@yahoo. para equinos devido ao baixo nível de inclusão e alto custo. doutorando em Zootecnia. Gabriel de Oliveira Ribeiro Júnior4 RESUMO A polpa de beterraba é um subproduto da indústria do açúcar muito utilizado na alimentação animal. luciocg@vet. amplamente utilizada na alimentação de vacas leiteiras. Seu uso se dá principalmente nas rações pet (cães e gatos) e. No Brasil. INTRODUÇÃO A polpa de beterraba constitui um elemento de grande valor nutricional para a produção de carne e leite. demonstrando a possibilidade de utilização na alimentação de vacas leiteiras. DSc. CEP 36038-330. Belo Horizonte.br 3 Médica Veterinária. A parte aérea (ramas) pode ser usada como fonte proteica. CEP 30123-970. Seu uso se dá principalmente nas rações pet (cães e gatos) e. DSc. Escola de Veterinária da UFMG. Lúcio Carlos Gonçalves2. Associado Departamento de Zootecnia da Escola de Veterinária da UFMG. Belo Horizonte. Dom Bosco. Juiz de Fora. Rua Eugênio do Nascimento. No Brasil. já que a disponibilidade não é alta. cuja raiz constitui a matéria-prima para a obtenção do açúcar. MG. Fernanda Samarini Machado3. gabrielorjunior@yahoo. 610. a indústria do açúcar utiliza como matéria-prima a cana-de-açúcar. 1. não é muito comum encontrar o subproduto polpa de beterraba no país. portanto. para equinos. sendo uma das culturas mais importantes para a economia das explorações agrícolas na maioria dos países europeus.br 2 Engenheiro Agrônomo. em alguns casos.embrapa.CAPÍTULO 8 POLPA DE BETERRABA NA ALIMENTAÇÃO DE GADO DE LEITE Isabela Rocha França Machado Veiga1.. portanto. Caixa Postal 567. POLPA DE BETERRABA A beterraba sacarina (Beta vulgaris L) é uma planta da família Chenopodiaceae.br 4 Médico Veterinário. MSc.

Os valores de composição química da polpa de beterraba. que a transportam até uma instalação de lavagem. arabinose e galactose (Sakamoto e Sakai. no estado úmido (polpa prensada). sendo classificada como subproduto concentrado energético (Bath. a beterraba é cortada em tiras. Ambos os alimentos são ricos em pectina. congelamento e ar). que é um polissacarídeo ramificado constituído principalmente de polímeros de ácido galacturônico. Enquanto a polpa seca e granulada pode ser armazenada e consumida durante um largo período de tempo.A beterraba sacarina entra no processo de obtenção de açúcar através de canais com água. alternativamente. Os teores de pectina do grão de milho são muito baixos e normalmente não são considerados. 2007). no balanceamento de dietas. sendo um dos principais componentes da parede celular das plantas e o principal componente da lamela média (Hall. 1981). ramnose. A variação na composição química da polpa de beterraba em função desses três processamentos foi de pequena magnitude e pode não ter efeito 133 . Em seguida. ou. o milho é rico em amido. principalmente em virtude das diferenças no processamento. assim como o teor de matéria mineral. Além disso. VALOR NUTRICIONAL A polpa de beterraba é um alimento de grande valor nutricional para a produção de carne e leite. com um teor de matéria seca de aproximadamente 22%. Pode ser disponibilizada no estado seco ou granulada. a polpa prensada destina-se ao consumo imediato ou à ensilagem tendo em vista a sua utilização futura. amplamente utilizada na alimentação de vacas leiteiras. Os valores de pectina da polpa cítrica e da polpa de beterraba são próximos. possui variação em sua fração fibrosa. quando se extrai a sacarose por osmose a 72ºC e elimina-se a fibra em forma de polpa. em ambos os casos com um teor de matéria seca de aproximadamente 90%. Com relação ao milho grão. 1995). A polpa de beterraba. portanto. como este alimento pode ser utilizado como fonte de fibra para vacas lactantes. terras e outras matérias estranhas. A composição química dos subprodutos é muito variável. Um subproduto com características similares à polpa de beterraba presente no Brasil é a polpa cítrica. o teor de FDN e o de FDA são bem superiores para as polpas. polpa cítrica e milho grão estão apresentados na Tabela 1. onde se eliminam pedras. devido ao método de secagem ou posterior adição de melaço.. Na Tabela 2. por isso é destinada às indústrias de alimentação animal. 2000). mas os valores de FDN são bem distintos. estão apresentados os dados de composição química da polpa de beterraba submetida à secagem por três processamentos diferentes (sol. A polpa de beterraba é o subproduto primário que sobra após a extração do açúcar das raízes (Fadel. um carboidrato não estrutural bastante degradável no rúmen e com perfil fermentativo diferente da pectina. 2.1999). o conhecimento dos fatores que afetam essa variação é importante (Fadel et al. deve-se levar em conta essa diferença. entrando seguidamente no processo de difusão. e.

0 7. Método Sol Cong Ar MM* 3.1 45.0 9.matéria seca.4 7.fibra total (Todos em % da matéria seca).NRC (2001) Castro Neto (2004) Valadares Filho et al. mas as análises devem ser feitas todas as vezes que esse alimento for utilizado no balanceamento de dietas para bovinos.6 Componentes (%) FDA* FDN* EE* 24. 134 .extrato etéreo.4 * MS .extrato etéreo.2 FDA* 28. FDN .6 PB* 7. P= fósforo (Todos em % da matéria seca).9 FB* 14. FDA .7 4.biológico para o animal. Tabela 1.8 23.3 54. * Dado extraído de Fadel et al.1 Fibra* 82.6 3.1 29. PB . congelamento ou ao ar.5 0.1 13.8 44. As folhas de beterraba possuem um alto teor proteico e podem ser utilizadas na alimentação animal. sendo removidas antes de se iniciar o processo de extração da sacarose.3 54. EE . polpa cítrica e milho grão. EE .extrato etéreo.0 21.2 FDN* 62.2 80.0 60.5 7. (2000).9 14.0-22.96 P* 0.2 3.7 28.1 20.fibra bruta. A composição química média da silagem de polpa de beterraba e das folhas frescas de beterraba está apresentada na Tabela 3. FDN . (2000).8 Pectina 22.fibra em detergente ácido. Fonte: Fadel et al.4 0.fibra em detergente ácido. NDT .0 1. FB .4 Lignina 4. MM . FDA= fibra em detergente ácido. EE .9 1. PB .polissacarídeos não amiláceos.4 Ca* 1. Vargas et al. Composição química média da silagem de polpa de beterraba e das folhas de beterraba.fibra em detergente neutro. (2006) * MS .2 4.3 * MM .proteína bruta.8 6.7 58. já que também são subprodutos da indústria do açúcar.7 66.1 Componentes (%) FDA* FDN* EE* MM* 23.5 Pectina 21.4 PB* 11.3 85. Alimentos Polpa de beterraba Polpa cítrica Milho grão MS* 88. (1965). A silagem de polpa de beterraba é uma forma de conservação deste alimento úmido. fibra . MM= cinzas (Todos em % da MS).4 3.3 Fonte National Research Council .cinzas. Ca= cálcio. (1999).nutrientes digestíveis totais.proteína bruta.0 87.6* 19. PNA . Tabela 3. Composição química da polpa de beterraba.3 67.7 21. FDN .fibra em detergente neutro. Alimentos Silagem de polpa 1 Folhas frescas 2 MS* 21.6 PB* 10.matéria seca.proteína bruta.6 PNA* 55.8 MM* 6.3 5.fibra em detergente neutro. diminuindo as perdas. 1 2 Fonte: De Brabander et al.1 7. FDA .1 2.8 4.1 79. PB .5 NDT* 66.0 2.7 17. Tabela 2.6 EE* 0.cinzas. Composição química da polpa de beterraba submetida a secagem por sol.

esse alimento pode substituir parcialmente o milho grão úmido.1%. 6. Os pesquisadores verificaram que a concentração de glicose sanguínea se manteve dentro dos valores normais devido ao eficiente controle homeostático hormonal. com diminuição da distensão ruminal. O consumo de matéria seca total aumentou e o consumo de pasto diminuiu com a suplementação. Com o aumento da inclusão da polpa de beterraba.pectina) não alterou o consumo total ou de pasto dos animais quando comparado com o concentrado com 79% de cevada (amido).0001) (0. além de aumentar a gordura do leite com maior valor observado no nível de 6% de substituição. que também apresentaram um menor ganho de condição corporal. Pulido et al. Noro et al. o uso de polpa de beterraba e cereais foi equivalente. e diminuiu o número de bocados. consumo total de matéria seca e produção de leite. A concentração de βhidróxido-butirato foi menor (P<0. Voelker e Allen (2003) avaliaram a substituição de milho grão úmido por polpa de beterraba peletizada nos níveis 0%. diminuindo o pastejo total e diurno. O concentrado com 72% de polpa de beterraba (fibroso. avaliaram o perfil de indicadores do metabolismo de energia e proteína sanguíneos desses animais em pastejo. POLPA DE BETERRABA NA ALIMENTAÇÃO DE VACAS LEITEIRAS Trabalhando com oito vacas Holandesas fistuladas no rúmen. trabalhando com 27 vacas Holandesas pluríparas com produção de leite próxima a 30 litros por dia.25mmol/L) quando comparados com o grupo de animais recebendo concentrado mais fibroso à base de polpa de beterraba (3. (2002) utilizaram 12 vacas Holandesas pluríparas com média de produção diária de 32 litros de leite para avaliar a suplementação com dois tipos de concentrado (polpa de beterraba e cereal) sobre o tempo de pastejo. (2006). tempo de ruminação e tempo para outras atividades.09mmol/L). aumentou a ruminação diurna e diminuiu a ruminação noturna. Portanto.3% em uma dieta com 60% de concentrado e 40% de forragem. sem diferença entre os concentrados. O comportamento de pastejo dos animais também não foi alterado. Balocchi et al. A suplementação alterou o comportamento de pastejo. dependendo dos custos e do valor do leite produzido. Portanto. consumo ad libitum ou restrito (12 horas de pastejo). 12.59mmol/L) nos animas recebendo o 135 . chegando a cerca de 2Kg no tratamento com 24% de substituição. (2006) realizaram dois experimentos avaliando a influência do tipo de carboidrato do concentrado no consumo desses animais a pasto.1% e 24. Foram utilizados pastagem temperada e concentrado moderado com 28 a 30% da ingestão de matéria seca. além do consumo de pasto. mas este valor foi maior (P<0. A polpa de beterraba tendeu a aumentar a eficiência de conversão do alimento em leite.3. A produção de leite foi superior para os animais suplementados sem diferença entre o tipo de concentrado. houve uma diminuição linear da ingestão de matéria seca. Trabalhando com 12 e 27 vacas Holandesas pluríparas com produção de leite próxima a 30 litros por dia. Não houve diferença entre os tipos de concentrado. suplementados com concentrado amiláceo (cevada) ou fibroso (polpa de beterraba). As concentrações de insulina plasmática foram menores para os tratamentos com polpa de beterraba.02) para os animais recebendo o concentrado amiláceo à base de cevada (3.

sendo maior nos animais recebendo concentrado amiláceo à base de cevada. Um aumento dos teores de proteína do leite foi verificado no experimento 2 com a utilização do concentrado amiláceo. sugerindo que esses animais tiveram melhor sincronismo entre a degradação ruminal da energia com a proteína da pastagem do que os animais recebendo polpa de beterraba. Para animais de produção de leite em pasto.82mmol/L). A gordura do leite foi diferente somente no primeiro experimento. (1999) realizaram um experimento para avaliar o efeito do uso e tipo de concentrado (polpa de beterraba ou cereais) sobre a resposta produtiva de 12 vacas leiteiras em pasto. sem alteração no consumo e na produção de leite e com possibilidade de aumento na gordura do leite. com correção para proteína. Animais em pastejo normalmente possuem como nutriente limitante a energia. A produção de leite aumentou com a suplementação de concentrados. indicando que os animais recebendo carboidrato rapidamente degradável em pastagens de alta qualidade tiveram um balanço energético mais favorável. Pulido et al. O concentrado à base de cereais foi equivalente ao concentrado à base de polpa de beterraba. quando esta é aumentada pela ingestão de produtos mais rapidamente fermentáveis. realizaram dois experimentos avaliando a influência do tipo de carboidrato do concentrado na produção e composição do leite desses animais a pasto.8mmol/L) quando comparados com animais recebendo concentrado amiláceo (6. existe um melhor sincronismo ruminal com melhor aproveitamento da proteína do pasto e maior produção de leite. mas significativa nos dois experimentos. Pulido et al. mas diminuiu durante o experimento. 136 . sem alteração no consumo de pasto. Foram utilizados pastagem temperada e concentrado moderado com 28 a 30% da ingestão de matéria seca. como o amido da cevada. portanto. As concentrações de ureia plasmática foram superiores nos animais suplementados com concentrado fibroso (8.6mmol/L).concentrado amiláceo quando comparado com o concentrado fibroso (0. Não houve efeito da suplementação na gordura e na ureia do leite. CONSIDERAÇÕES FINAIS A polpa de beterraba é um alimento que pode substituir fontes amiláceas no concentrado ou na dieta de vacas de leite de médias produções em pequenas porcentagens. sendo maior nos animais recebendo concentrado fibroso à base de polpa de beterraba. a suplementação com a polpa de beterraba pode ser feita em substituição total de fontes amiláceas. 4. (2007). consumo total. O ganho de peso aumentou com a suplementação de concentrado. principalmente gramíneas temperadas. e o conteúdo de proteína do leite só aumentou com a suplementação de concentrados à base de cereais. A diferença na produção de leite observada foi pequena. produção e composição do leite. trabalhando com 12 e 27 vacas Holandesas pluríparas com produção de leite próxima a 30 litros por dia.

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2007). com a diminuição das áreas de pastagem para o plantio de cana-de-açúcar e soja. CEP 30123-970.1 bilhões de litros de leite.com 5 Médico Veterinário.0% ao ano. A mesma expectativa de crescimento é prevista para o mercado da pecuária de corte. O uso racional de coprodutos agrícolas e agroindustriais na alimentação animal tem constituído uma alternativa de grande valia na redução dos custos de produção. Felipe Antunes Magalhães5 RESUMO Este capítulo visa apresentar os métodos de conservação e utilização dos resíduos de cervejaria. refletindo em elevação do custo de produção. também terão um aumento de 6. MSc. Doutorando em Zootecnia. Caixa Postal 567. MSc. Caixa Postal 567.vet@gmail. Doutorando em Zootecnia. e com sua estacionalidade de produção. CEP 30123-970. Doutorando em Zootecnia. Associado Departamento de Zootecnia da Escola de Veterinária da UFMG. ao final de 2018. tornam-se escassos alguns recursos alimentares. com objetivo de reduzir custos. segundo a AGE. um aumento da produção de cerca de 6. Pecuária e Abastecimento (MAPA). Caixa Postal 567. segundo a AGE. INTRODUÇÃO De acordo com a Assessoria de Gestão Estratégica (AGE) do Ministério da Agricultura. Alex de Matos Teixeira3. MG. CEP 30. felipeam.. Prof. DSc.. CEP 30123-970. CEP 30123-970. 2006). Wilson Gonçalves de Faria Jr. bem Médico Veterinário. chegando.18% ao ano. Segundo a FAO (Food and Agriculture Organization). Para o período de 2007/2008 a 2017/2018. alexmteixeira@yahoo. CP 567. MG.123-970. A grande necessidade de produção de alimentos para ruminantes desafia a pesquisa a buscar novas alternativas de recursos alimentares. luciocg@vet. Esse crescimento será devido ao aumento do consumo interno e ao avanço nas exportações. Doutorando em Zootecnia. Lúcio Carlos Gonçalves 2. que.5 a 4. Escola de Veterinária da UFMG. Belo Horizonte. assim como os efeitos causados por estes na alimentação de ruminantes.92% ao ano nos próximos 10 anos. a uma produção em torno de 33. wilsonvet2002@gmail. fredericovelasco@gmail. MSc.ufmg. O alto preço dos insumos leva a uma reorientação nos critérios e nos processos produtivos.. MSc.com 1 139 .5% ao ano.CAPÍTULO 9 RESÍDUO DE CERVEJARIA PARA GADO LEITEIRO Frederico Osório Velasco1.br 3 Médico Veterinário..com.br 4 Médico Veterinário. o consumo mundial de leite cresce de 3. Belo Horizonte. Belo Horizonte. é esperado um crescimento na produção de carne bovina no Brasil de 2. Escola de Veterinária da UFMG. facilitar o gerenciamento e aumentar a produtividade dos rebanhos (Geron.4. Caixa Postal 567. Porém.com 2 Engenheiro Agrônomo.41 bilhões de litros de leite se comparada à produção do biênio 2006/2007 (MAPA. Escola de Veterinária da UFMG. Belo Horizonte. a produção de leite no Brasil deve crescer em uma taxa de 1.. um aumento de aproximadamente quatro milhões de toneladas. Escola de Veterinária da UFMG. MG. MG. Belo Horizonte. MG.

5 toneladas por hectare. além da dificuldade para armazenamento e conservação (Cabral Filho. conhecido popularmente como “cevada”. a cevada cervejeira é a única produzida comercialmente no Brasil. que produzem praticamente 100% da cevada cultivada no país. a região Centro-Oeste por 7. 1985). em 2008 o Brasil foi o quarto maior produtor de cerveja do mundo. existem atualmente 47 fábricas. Atualmente representa importante opção como cultura de inverno na região Sul e também no cerrado do Brasil central em cultivo irrigado.7 bilhões de L/ano).3 bilhões de L/ano). em geral de grande e médio porte.9% (0.4 bilhões de L/ano). também é gerado o resíduo seco conhecido como “varredura” (Zeoula et al. A cevada (Hordeum vulgare) é uma cultura milenar.2 bilhões de L/ano). Durante o processo. a região Nordeste por 17.6 bilhões de L/ano). em sua maioria localizadas próximas aos grandes centros consumidores do país.3% (1. não têm controle sobre a qualidade desses alimentos..6 bilhões de L/ano) e a região Norte por 2. Uma vez que esses produtos não são possíveis de serem utilizados na alimentação humana. tornando menores os riscos de poluição ambiental provocada pelo acúmulo de tais resíduos.8% (1. O maior estado produtor é o Paraná. sendo um dos principais cereais colhidos do mundo. 1999). em uma área plantada de aproximadamente 100. a região Sudeste responde por cerca de 57. com uma média de 10. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia a Estatística . com uma produção de 105. são gerados diversos coprodutos. seguido pelo Rio Grande do Sul. a região Sul por 14. como o da polpa úmida de cervejaria. a produção de cevada no Brasil no ano de 2007 foi de 235. que produziu em 2007 cerca de 120. 2006).5% da produção (aproximadamente 4. eles podem ser usados na alimentação dos animais domésticos.500 toneladas do grão. Os principais produtores são os estados do Sul. A inclusão de subprodutos da agroindústria na alimentação de bovinos leiteiros é economicamente justificável devido ao preço competitivo desses alimentos em relação a alimentos concentrados. convencionalmente usados na formulação de rações (Geron. O não estabelecimento de parâmetros mínimos de qualidade limita o uso de alguns subprodutos devido à grande variabilidade da composição química. Esses produtos podem se apresentar indesejáveis na indústria cervejeira e podem ser utilizados como fonte alimentar para os animais. dessa forma.500.578 toneladas. Durante o processo de preparação da cerveja. Desta forma.000 hectares. Dentre os vários tipos de cevada explorados pelo homem.IBGE (2008).como tem permitido uma destinação mais apropriada desses coprodutos. principalmente na dos ruminantes.6 bilhões de L/ano) e Alemanha (10. Muitas indústrias encaram os subprodutos como rejeitos industriais e. 140 . ficando atrás apenas da China (35 bilhões de L/ano).34 bilhões de litros ao ano. Dentro do país. Segundo dados do Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja – SINDICERV (2009).5% (0. “bagaço de cevada” ou “cevada úmida” e a levedura. com uma produtividade média de 2. EUA (23.

obtém-se também um excesso de levedos. e a parte sólida retida é denominada bagaço de malte ou dreche.. cuja primeira etapa consiste em obter o mosto. que serão os alimentos para as bactérias que realizam a fermentação.1. A matéria-prima utilizada pelas indústrias de cerveja no Brasil é constituída por malte de cevada com a adição de mistura de cereais (principalmente o milho). obtendo-se mudanças químicas e físicas com perdas mínimas de energia pelo processo de respiração (Cabral Filho. REVISÃO DE LITERATURA 1. a cervejaria dá início ao processo de produção da cerveja propriamente dita. e este tendo sido clarificado e resfriado. Para isso. então. em que as leveduras se reproduzem. 141 . é necessário que a temperatura se mantenha entre 8 e 15ºC. em que as leveduras realizam a fermentação propriamente dita. A fermentação do mosto é dividida em duas etapas: uma primeira etapa. pode-se dar início à fermentação. já que estes se multiplicam durante o processo. então. Processo de industrialização da cevada e os subprodutos gerados A cerveja é obtida pela fermentação da cevada (Hordeum vulgare). as dornas de fermentação devem ser resfriadas. Após obter o malte. aumentando de quantidade de duas a seis vezes. em seguida. que. O resíduo de cervejaria pode ser descrito como massa resultante da aglutinação da casca com resíduos do processo de mosturação. convertendo os açúcares presentes no mosto em CO2 e álcool. dando origem ao álcool. Uma vez tendo sido preparado o mosto. uma vez que a fermentação é um processo exotérmico. após ser purificado. enviada para a fermentação. O processo de fermentação dura de seis a nove dias. separação do mosto e sua filtração). fase anaeróbia. De acordo com a CETESB (Santos. sendo uma parte reutilizada em novas bateladas de fermentação e uma outra vendida para a indústria de alimentos. Ao final da fermentação. Esta filtração é realizada por meio de peneiras que utilizam como elementos filtrantes as próprias cascas do malte presentes no mosto. podendo apresentar maiores concentrações de proteína e carboidratos do que as encontradas em seus cereais de origem (Clark et al. ao final dos quais obtém-se. também chamado de adjunto e maltose. processo central da indústria cervejeira. denominada aeróbia. este é resfriado de 80-100ºC até cerca de 75-78ºC em um trocador de calor e. uma grande quantidade de CO2. 1987). é enviado para a etapa de carbonatação da cerveja. que consiste na conversão em álcool dos açúcares presentes em seus grãos. A fim de garantir um bom andamento ao processo de fermentação. levado para tratamento e estocagem. O processo de fabricação do malte é chamado de maltagem e envolve o controle de umedecimento dos grãos. é filtrado para remoção do resíduo dos grãos de malte e adjunto. e uma segunda. maceração. para cada 100 litros de cerveja produzidos são gerados 14Kg de bagaço de malte e 2 a 4Kg de levedura de cerveja adicional. dependendo de vários fatores. O preparo do mosto consiste em cozinhar o malte e inclui etapas de preparo (como a moagem do malte. Filtra-se o líquido.1. 1999). 2005). e o restante é engarrafado como cerveja. O mosto pode ser definido como uma solução aquosa de açúcares. Após o preparo do mosto. A solução livre de impurezas e rica em açúcares resultante desse processo é. Este levedo é. além do mosto fermentado.

estudando o resíduo desidratado em dietas de ovinos em crescimento.. (1998).2 12.8 54. resíduo de cervejaria prensado (RCP) e levedura de cerveja (LC).5 5.6 FDA 21.0 69. Segundo Cabral Filho (1999).7 PB 31. quando comparado ao feno de alfafa. A influência do processo de secagem do RCU foi verificada por López e Pascual (1981). Fatores como a origem dos grãos de cevada e a inclusão ou não de outros cereais para a fermentação.1.40% e 29.2. 1987).9 Lignina 3.8 18. aveia e arroz.6 41..8 26.7 FB 15. mostraram efeitos lineares negativos para o consumo de matéria seca à medida que as quantidades do resíduo aumentaram de 0 para 80% da matéria seca.6 68.9 FDN 43.5 47.90%.6 31. com teores de matéria seca (MS) de 9.NRC (1988). Os resíduos de cervejaria derivados do processamento da cevada são: resíduo de cervejaria úmido (RCU).0 48. De acordo com a classificação do National Research Council . As composições dos resíduos de cervejaria aparecem na Tabela 2. A composição dos resíduos de cervejaria varia com o tipo de fabricação da cerveja e com os grãos de cevada utilizados no processo (Clark et al.3 26. são também determinantes na composição química destes subprodutos.4 70. Cabral Filho. Teores de 9. Tabela 1. 1987.3 14.0 33. Comparação entre a composição química do resíduo úmido de cervejaria.0 27.5 4.2% a 30. o resíduo de cervejaria é considerado um concentrado proteico por apresentar teores de fibra bruta menores do que 18% e teores de proteína maiores do que 20%. para cada produto. Bovolenta et al. (1997) encontraram diminuições no consumo voluntário em ovelhas alimentadas com o resíduo úmido.9 14. 1993. O teor de matéria seca (MS) está inversamente relacionado ao seu teor de umidade. O RCU apresenta baixos teores de matéria seca (MS).0% de MS foram observados na literatura (Clark et al. Torrent et al. Costa et al.5 20. resíduo de cervejaria seco (RCS).. 1999). Lima. respectivamente.9 25. trigo (6 a 7%). como milho (5%).3 NDT 74.1 14.6 9.9 Fonte: Aronovich (1999). Indústria Nutriente (%) Brahma Kaiser Schincariol Skol MS 15. proveniente de diferentes indústrias.8 4. a inclusão do resíduo em dietas exclusivas de gramínea 142 . Características nutricionais dos resíduos de cervejaria O valor nutricional do resíduo úmido de cervejaria (RUC) está diretamente relacionado ao tipo de fabricação da cerveja e ao processo utilizado pela fábrica (Tabela 1). e esta é apontada como a maior limitação para o seu uso economicamente. que encontraram uma variação na composição do RCU e do RCP. 1994.0 44.8 N-FDN 56.

5 FDA (%) 23 . Zeoula et al.019 1.036 0.47 Sódio 0.516.26 Potássio 0. como as globulinas e as albuminas.38 Manganês 40 8. (ppm) Cobalto 0.76 0.32 0. tendo menor taxa de degradação ruminal. resultado semelhante ao de Davis et al.1 46. O resíduo de cervejaria possui em sua composição grande parte de proteínas de alto peso 143 . com grande número de pontes de dissulfeto. resíduo de cervejaria seco (RCS) e levedura de cerveja (LC). Já proteínas com alto peso molecular.16 0.15 Fósforo 0.24 4.47 Enxofre 0.1 FB (%) 14.86 79 E M (Kcal/Kg) 2330 .17 0.13 3. A degradabilidade da proteína do alimento no rúmen está diretamente relacionada com a sua composição. possuem maior solubilização no líquido ruminal e são rapidamente degradadas.08 Cloro 0. são menos solúveis.2 Macromin. Proteínas de menor peso molecular.33 0.83 4 FDN (%) 42 .81 Micromin.1 PB (%) 26 25. 1988.069 0. RCS RCU LC Composição MS (%) 93 21 93.365 1.3 42 Fonte: NRC.09 0.2490 489. (%) Cálcio 0.4 7 Selênio 0. Porém.23 0.9 3.82 54 Cinzas (%) 4. (1983).46 8.54 Cobre 23 4.048 0.015 0.86 89 Iodo 0.3 Ferro 266 55. Tabela 2.3 .6 NDT (%) 66 13.para ovinos limitou o consumo voluntário quando esta foi oferecida em quantidades superiores a 33% da MS da dieta.83 41.09 0.019 0.5 1.16 0. (1985) não observaram influência na ingestão de matéria seca em carneiros alimentados com resíduos de cervejaria.034 0. Composição química do resíduo de cervejaria úmido (RCU).067 0.27.32 Magnésio 0.07 0.55 0.4 .115 1.6 3070 ED (Kcal/Kg) 2780 2790 3480 EE (%) 6.98 Zinco 30 6.8 7. que observaram redução da ingestão de matéria seca quando o teor de resíduo de cervejaria úmido chegava a 40% da dieta de vacas leiteiras.

3 e 1.4Kcal/g. respectivamente. o que explicaria sua menor degradabilidade no rúmen.8% da proteína bruta para o farelo de soja. Esta insolubilidade de parte da fração proteica de alguns alimentos é conhecida na nutrição de ruminantes como sobrepassante.39% encontrados por Valadares et al. farelo de glúten de milho. Segundo Geron (2006). Santos et al. se comparados à dieta sem substituição do farelo de soja. (1998) avaliaram as características de ambiente ruminal de vacas leiteiras com dietas com substituição de 10% de farelo de soja por resíduo de cervejaria e observaram que havia uma queda acentuada de pH ruminal duas horas após a alimentação em animais que não recebiam resíduo de cervejaria na dieta se comparados aos que recebiam. resultados indicativos de que 50% ou mais da proteína bruta escapem da degradação microbiana do rúmen e passem para o intestino delgado. Já Preston et al.1%) e fermentado (24. o fluxo e a absorção de aminoácidos no intestino de vacas leiteiras. De modo semelhante. resíduo de cervejaria e resíduo de destilaria e concluíram que dietas contendo farinha de glúten. abaixo dos valores de 77. Com isso. 24. do leite. com valores de NDT variando de 62 a 70% de acordo com pesquisa realizada por Scarlatelli (1995). resíduo de cervejaria e resíduo de destilaria fornecem maiores quantidades de aminoácidos para o intestino do que o farelo de soja.1% e 25. seriam responsáveis por esse efeito. Valores de 17 a 35% de PB são encontrados na literatura. no resíduo de cervejaria úmido e no resíduo de cervejaria fermentado e observou que as frações A e B1 são maiores no farelo de soja. (1987) encontraram. juntamente com os valores de aminoácidos essenciais (AAe) do tecido muscular. mostrando certa variabilidade na composição bromatológica do resíduo de cervejaria (Lima. na matéria seca. Geron (2006) comparou as frações nitrogenadas contidas no farelo de soja. O perfil de aminoácidos essenciais do RCF foi estudado por Geron (2006) e está demonstrado na Tabela 3.8%) em relação ao farelo de soja (4. em seus experimentos com vacas em lactação. com a finalidade de comparação. estudando o ganho de peso de bezerros alimentados com resíduo de cervejaria. nota-se um maior volume do nitrogênio proteico contido nas frações A e B1: 35. Clark et al. O RCU possui bom valor energético. respectivamente. para o resíduo de cervejaria úmido e para o resíduo de cervejaria fermentado. (1984). assim como a fração B2. compararam farelo de soja. (2006). encontraram valores de EM para mantença e ganho de peso de 2. Os autores concluíram que os maiores teores de fibra e a menor quantidade de carboidratos solúveis na dieta com resíduo de cervejaria. 144 . a adição de resíduo de cervejaria na dieta de ruminantes reduziria a degradação ruminal da proteína.molecular. permitindo maior passagem de proteína dietética para o intestino. ovelhas e carneiros. Chiou et al.4% da PB). medindo a fermentação ruminal. (1973).2%. Já a fração B3 foi maior nos resíduos de cervejaria úmido (26. ao se comparar o farelo de soja com o resíduo de cervejaria. das bactérias ruminais e do farelo de soja (FSO) segundo o NRC (2001). 1993).

1977.Tabela 3.2 2. do leite. Concluiu-se que a utilização do levedo de cerveja reduziu a incidência de pneumonias e diarreias sobre esses animais. deve-se evitar o uso de resíduos de cervejaria pela fermentação prejudicial que estes podem sofrer. PB .1 6. 1977.4 4.4 12.2 12.4 7. 145 .6 5.5 12.4 11..6 15.3 5.1 8. pode ser recomendado a animais que já passaram pela fase de desaleitamento.7 3.3 2. musc . Alimentos Aminoácidos T. das bactérias ruminais e do farelo de soja (FSO) expressos como % do total de AAe. Klopfensten et al.8 7.9 13. os problemas digestivos.musc. como é um alimento rico em vitaminas e aminoácidos.4 19.2 11. Vários trabalhos apresentaram bons valores de ganho de peso e de retenção do nitrogênio da dieta em animais alimentados com resíduo de cervejaria úmido (Conrad e Rigers.2 5.9 T. causando consequentemente febre. estimulando o crescimento da flora saprófita do intestino. Perfil de aminoácidos essenciais (AAe) do resíduo de cervejaria fermentado (RCF).9 9.7 12. Os autores creditaram esses resultados à concentração de aminoácidos e vitaminas do levedo de cervejaria. (1995) observaram o efeito da adição de 1% de levedo de cervejaria na alimentação de bezerros de 0 a 46 dias pré-desmama e de 47 a 90 dias pós-desmama sobre a incidência de pneumonias e diarreias.1 10. reduzindo também a utilização de antibióticos nos animais pré-desmama.6 49. Fonte: Geron (2006).9 10.tecido muscular. assim.9 16. do tecido muscular. Vilela (1995) afirmou que.7 40 10.1 5.1 11 8. para bezerros em aleitamento.5 10 8. que atuaram de forma benéfica.6 10.6 5.7 24.1 4. Leite Bactérias essenciais RCF FSO % do total de Aae Arginina Isoleucina Leucina Lisina Metionina Fenilalanina Treonina Valina Histidina Triptofano AAe (%PB) PB% 16. 2. Porém.1 17 16. 1978).5 3 10. Adyanju. reduzindo.5 16 5.9 16.5 7.2 29.proteína bruta. porém não foi observado efeito sobre a taxa de crescimento destes animais.3 10. e sobre o seu desempenho.4 10.8 17 13.1 11. UTILIZAÇÃO DO RESÍDUO DE CERVEJARIA NA ALIMENTAÇÃO DE RUMINANTES Seymour et al.9 45.7 3 47.

a produção de leite destes animais. os quais podem ser formados no rúmen pela bio-hidrogenação incompleta dos ácidos 146 . (2001). Seymour et al. A produção de leite de vacas alimentadas com silagem de sorgo e suplementadas com 42. Segundo Clark et al. Segundo os autores.05) produção de leite (24. Segundo Corl et al. (1987) e Schwab et al.A inclusão de resíduo de cervejaria nas dietas de vacas de alta produção tem vantagens de poder complementar os teores de proteína bruta acima de 13%. (1982).05) e queda na produção de leite de 5. sem causar produção de amônia adicional.05) produção de leite. o efeito benéfico do RCU sobre a produção de leite deve-se à melhor qualidade da fonte proteica com maior teor de metionina e lisina em relação ao farelo de soja (FSO). Johnson et al. beneficiando. Maior produção de leite poderia ser apresentada pelos animais consumindo resíduo de cervejaria pelo maior volume de GH circulante. o ácido linoleico possui alguns isômeros posicionais e geométricos denominados de ácido linoleico conjugado (CLA). Os autores sugeriram que esta redução no consumo de MS e na produção de leite deveu-se à fermentação natural do resíduo de cervejaria úmido. Belibasakis e Tsergogianni (1996) avaliaram a inclusão de 16% do RCU na alimentação de vacas leiteiras e observaram maior (P<0.6%. os quais demonstraram que os animais alimentados com o maior teor de RCU apresentaram maior (P<0. (1996). Observaram que as vacas que receberam resíduo de cervejaria durante o tratamento mantiveram níveis plasmáticos maiores de GH dos 42 aos 105 dias de lactação e possuíam menores níveis de insulina circulante. Os autores concluíram que a produção de leite.70kg/dia) para a ração com 16% de RCU em relação à ração controle (0% de RCU). O autor conferiu essa redução do teor de gordura ao alto teor de ácido linoleico do RCF.9% de RCU no concentrado foi verificada por Cardoso et al. além de estes serem mais eficientes em mobilização de reservas corporais pelos menores níveis de insulina. (1986) estudaram o efeito da relação entre densidade energética da dieta durante o pré-parto e a fonte proteica da dieta (farelo de soja e resíduo de cervejaria) durante o pós-parto afetando a produção de leite. Geron (2006) avaliou o efeito de diferentes níveis de inclusão de resíduo de cervejaria fermentado nas rações de vacas leiteiras sobre produção e qualidade de leite e observou que os animais dos tratamentos com níveis de inclusão de RCF de até 15% apresentaram em média 13% de redução no teor de gordura de leite em relação aos animais sem resíduo.80 vs 21. a ingestão de matéria seca e o peso corporal.9% e 85. a metionina e a lisina são os principais aminoácidos limitantes para a produção de leite. (1987) compararam o efeito da inclusão de 25% de resíduo de cervejaria úmido e resíduo de cervejaria fermentado na dieta de vacas leiteiras e observaram que os animais alimentados com resíduo de cervejaria fermentado tiveram redução da ingestão de matéria seca (P<0. pelo aumento do valor de nitrogênio insolúvel em detergente neutro (NIDN) e pela redução do N solúvel em água. além de este ter alto teor de PNDR (40% da PB). (1988) avaliaram o efeito da energia no pré-parto e da fonte proteica no pós-parto sobre a concentração plasmática do hormônio do crescimento (GH) e insulinas em vacas leiteiras alimentadas com resíduo de cervejaria e farelo de soja. assim. Seymour et al. a ingestão de matéria seca e a mudança da condição corporal não foram afetadas pela fonte proteica durante o pós-parto.

A rápida biodegradação foi observada por Stern e Ziemer (1993).. Schneider et al. como dificuldade no transporte a longa distância e dificuldades no armazenamento para uso na alimentação de ruminantes. ARMAZENAMENTO E TOXIDEZ O alto teor de água no resíduo úmido pode resultar em alguns fatores limitantes. 1985). (1985) e West et al. 4. Valores semelhantes para níveis de cobre foram encontrados pela compilação de dados realizada por Valadares et al. (1975) citam os fungos e as leveduras como os principais microrganismos responsáveis pela degradação do resíduo em condições de aerobiose. Muitos autores limitam a utilização deste subproduto a determinadas distâncias das indústrias. Casos de intoxicação por cobre são comuns em ovinos alimentados com níveis superiores a 10ppm em regiões tropicais (Conrad et al. Já Polan et al. está correlacionada com a prevenção de doenças cardiovasculares. 3. que sugerem menores períodos de armazenamento. 2001). no máximo. Nas condições dos Estados Unidos. pesquisadores acreditam que o resíduo só é econômico até um raio de aproximadamente 100km das indústrias (Eastridge. (2006). 1999). o que pode inviabilizar o seu uso. 1987). Segundo Cabral Filho (1999). (1994) não observaram alterações na gordura do leite. asmas e câncer colorretal e dos seios (Simopoulos. variando de 15 ± 5. inflamatórias. recomenda-se analisá-los antes das formulações das dietas. (1995) sugerem que o material seja ensilado com aditivos como ácido propiônico ou polpa de beterraba. Em casos de armazenamento por um período maior de tempo. dos alimentos em geral. o resíduo de cervejaria pode apresentar altos níveis de cobre. 2002).1ppm. 2006).. (2001) infundiram CLA no abomaso de vacas lactantes e observaram que todas as dosagens de CLA reduziram o teor de gordura do leite. mas possivelmente promove uma diminuição na enzima-chave associada à síntese de AG “de novo” na glândula mamária (Geron. Baumgard et al. 1991. A conservação deste material em propriedades rurais também é considerada uma limitação. O mesmo autor observou que a inclusão de 15% do RCF nas rações de vacas leiteiras elevou os teores dos ácidos linoleico e linolênico presentes na gordura do leite. O uso de ácido fórmico e de sulfato de potássio foi sugerido por Scarlatelli (1995). o que propiciou uma razão linoleico:linolênico mais próxima de 1. A razão de AG essenciais ω 6/ ω 3 mais próximo de 1. O processo de secagem que facilitaria o transporte é caro. estudos em condições de aerobiose aconselham períodos de. Também não houve alterações de células somáticas (CCS) no leite de vacas alimentadas com resíduo de cervejaria em trabalho realizado por Geron (2006). CONSIDERAÇÕES FINAIS Devido à grande variação nas composições químicas dos resíduos de cervejaria.graxos poli-insaturados. citado por Cabral Filho. Allen et al. 10 dias (Johnson et al. O mecanismo de ação do CLA (C18:2t10c12) sobre a redução no teor de gordura do leite não está bem definido (Bauman. 147 .

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luciocg@vet.. Rua Eugênio do Nascimento. por conseguinte. visando ao estabelecimento de um banco de dados para uso na formulação de rações. Caixa Postal 567. da saúde da vaca em lactação (Lopes et al. Embrapa Gado de Leite. CEP 36038-330. Caixa Postal 567. 2006). os carboidratos dietéticos e. MSc. fernanda@cnpgl. todavia é necessária a padronização das técnicas laboratoriais. Médica Veterinária. os carboidratos geralmente constituem 70% ou mais da matéria seca das rações. além de quantitativamente importantes na composição do custo de produção de leite.. DSc. dependendo de sua concentração e digestibilidade. por estimular a mastigação e a produção de saliva tamponante. Belo Horizonte. CEP 30123-970. como o tamanho de partículas. ajustes devem ser realizados de acordo com os ingredientes utilizados e o manejo adotado. MG. Marcelo Neves Ribas3. Os nutricionistas devem estar atentos às características físicas da fibra. Dom Bosco. Dentre os métodos analíticos disponíveis para a determinação das frações fibrosas. Belo Horizonte. 610. Lúcio Carlos Gonçalves 2. Gabriel de Oliveira Ribeiro Júnior4 RESUMO A fibra representa a fração de carboidratos de digestão lenta ou indigestível e.com 4 Médico Veterinário. Associado Departamento de Zootecnia da Escola de Veterinária da UFMG. INTRODUÇÃO No balanceamento de dietas para vacas leiteiras. os2ribas@hotmail. de forma específica. Os conceitos de FDN efetiva e FDN fisicamente efetiva são relativamente recentes.br 1 152 .embrapa. as frações fibrosas... Por outro lado. MG. Prof.com. Belo Horizonte.br 3 Médico Veterinário. Escola de Veterinária da UFMG. CEP 30. Caixa Postal 567. desempenham papel fundamental na manutenção da funcionalidade do rúmen e.CAPÍTULO 10 FIBRA NA ALIMENTAÇÃO DE GADO DE LEITE Fernanda Samarini Machado1. Escola de Veterinária da UFMG. MSc.123-970. MG. As dietas devem apresentar um teor mínimo de FDN. a fibra é essencial para manutenção da saúde dos ruminantes. para a manutenção da funcionalidade ruminal. impõe limitações ao consumo de matéria seca e energia. Mas. MSc. e outras propriedades que conferem efetividade ao FDN. Doutorando em Zootecnia.br 2 Engenheiro Agrônomo. Entretanto.ufmg. CEP 30123-970. Tornam-se necessários o desenvolvimento de um método padrão e a identificação das propriedades dos alimentos que influenciam a efetividade da fibra. DSc.. a fibra insolúvel em detergente neutro (FDN) representa a melhor opção para formulação de dietas para ruminantes. Juiz de Fora. e diversas metodologias foram desenvolvidas para suas determinações. Doutorando em Zootecnia. gabrielorjunior@yahoo. MG.

Entretanto. Atualmente. 1993). fibra é um termo meramente nutricional. 1994). a ingestão de matéria seca é reduzida e a produtividade animal tende a diminuir significativamente. a fibra em detergente neutro (FDN) e a fibra em detergente ácido (FDA). a formulação de rações que considera apenas a quantidade de fibra pode incorrer em desvios. Quando excesso de fibra é incluído na ração. portanto a composição química da fibra é dependente da sua fonte e da forma como foi medida. fluxo de saliva. De modo geral. vários são os procedimentos analíticos disponíveis para determinação da fração fibrosa dos alimentos. De acordo com Mertens (1992). não existe consenso entre nutricionistas em relação a uma definição uniforme para o termo (Weiss. a fibra pode ser definida nutricionalmente como a fração lentamente digestível ou indigestível dos alimentos que ocupa espaço no trato gastrointestinal dos animais (Mertens. A FB continua sendo o método oficial de determinação da fibra. os nutricionistas devem considerar a importância das características físicas dos alimentos. o desempenho animal. DEFINIÇÃO E METODOLOGIAS PARA DETERMINAÇÃO DE FIBRA A análise de fibra já faz parte da avaliação de alimentos há mais de 100 anos (Van Soest. Desse modo. Portanto. 1. com pequenas quantidades de lignina e hemiceluloses.As diferenças nas quantidades e propriedades físicas da fibra podem afetar a utilização da dieta e. 1997). No entanto. que pode levar à morte do animal (Mertens. vários distúrbios metabólicos podem manifestar-se. principalmente para vacas de alta produção que consomem dietas com alta proporção de concentrados. a densidade energética torna-se baixa. para maximizar a produção animal. Dentre estes. Desta forma. sendo 153 . as dietas devem ser balanceadas com uma concentração ótima de fibra que maximiza o consumo de energia. 1997). destacam-se como metodologias de aplicação rotineira a fibra bruta (FB). 1. ainda. Fibra bruta Consiste principalmente de celulose. Quimicamente. e sua definição está vinculada ao método analítico empregado na sua determinação. o objetivo de qualquer esquema rotineiro de análise de alimentos é detectar diferenças entre fontes de alimentos para fornecer informações úteis aos nutricionistas. ainda hoje.1. consequentemente. fermentação ruminal e composição do leite dos animais. a fibra é um agregado de compostos e não uma entidade química distinta. a síntese de proteína microbiana e a produção de leite. Ao contrário. quando níveis mínimos de fibra não são atendidos ou. são inadequados quanto ao tamanho de partículas da forragem. como tamanho de partícula e densidade sobre a atividade de mastigação. variando desde uma alteração no perfil de fermentação ruminal até uma acidose aguda. e a fibra deveria separar a fração lentamente e não totalmente digerida daquela rapidamente ou quase totalmente digerida.

1. 2002). o uso de sulfito de sódio tornase essencial para remover a proteína desnaturada ou ligada a carboidratos (Reação de Maillard). 1993. em proporções variáveis. e adição de amilase termoestável. em digestibilidades do ENN frequentemente menores do que a digestibilidade da FB.2. A solubilização da lignina. e não satisfaz a exigência de recuperação de componentes indigestíveis da fibra dietética (Nussio et al. 1991). 154 . gradativamente. Geralmente os valores de aFDN são diferentes dos obtidos por outros métodos de determinação de FDN. solubilizadas pelo tratamento da amostra com soluções alcalina e ácida. Alterações mais recentes do método original incluem o uso de sulfito de sódio. Fibra em detergente neutro O método FDN recupera. os quais deveriam ser o componente mais digestível do alimento. para remover o amido.. A partir do método de detergente neutro inicialmente proposto por Van Soest e Wine (1967). 1998). Este procedimento pode ser utilizado como uma etapa preparatória da determinação de lignina. cinzas insolúveis em detergente ácido (CIDA).o seu registro obrigatório com níveis máximos nos ingredientes em rações. celulose. Embora as diferenças possam ser pequenas entre forragens. citados por Mertens. o sistema passou por algumas modificações.3. com implicações sobre estimativas de valor energético dos alimentos e formulação de rações (Mertens. minerais e compostos nitrogenados (principalmente produtos da Reação de Maillard). Da mesma forma. ignora as frações lignina e hemiceluloses. A inclusão da lignina nos ENN resulta. o uso da amilase é crucial para a determinação de FDN em grãos. Desta forma. (1991) introduziram o uso de amilase termoestável para auxiliar na remoção do amido no resíduo em detergente neutro (RDN) e eliminaram o uso de sulfito de sódio. celulose e sílica (Van Soeste t al. Ocorre também alguma contaminação por pectina. com variável contaminação por cinzas. nitrogênio insolúvel em detergente ácido (NIDA).. contudo. para reduzir a contaminação do FDN com proteína insolúvel. Fibra em detergente ácido A FDA é constituída pela celulose e lignina. hemiceluloses e lignina.. é uma séria limitação do método (Van Soest e Robertson. no caso de volumosos. sendo esta a principal causa de variações nos resultados de análises entre laboratórios (Mertens. 1998). 2006). quando os alimentos são submetidos ao aquecimento. 1993). sendo as hemiceluloses solubilizadas. A lignina solubilizada torna-se parte dos extrativos não nitrogenados (ENN). que permanecem no resíduo em detergente ácido. amido e proteína (Weiss. por este remover compostos fenólicos. sendo o resíduo de fibra obtido denominado de FDN tratado com amilase (aFDN) (Undersander et al. o método de FB foi substituído pelo de detergentes neutro e ácido desenvolvido por Van Soest e Wine (1967). Este método. 1. como resíduos de cervejaria e de destilaria (Tabela 1). Robertson e Van Soest (1981) e Van Soest et al. 1985). quantitativamente.

um carboidrato de alta digestibilidade (Mertens. a classificação dos carboidratos em fibrosos (CF) e não fibrosos (CNF) parece mais apropriada porque é baseada em características nutritivas. que é composta por celulose.5 11. 2.9 55. A PC pode conter pectina. as características físicas e cinéticas de digestão são características dos carboidratos que afetam o consumo de matéria seca. enquanto os CNE estão localizados no conteúdo celular.2 aFDN/RDN (%) 96.9 86. ocupam espaço no trato digestório e exigem mastigação para redução do tamanho de partículas e passagem através desse trato.3 38.0 88.Tabela 1. 1996) e. pectina.1 20.7 91. açúcares e pectina.2 72. sem amilase (Van Soest e Wine.8 95.0 65.8 67.9 96.8 Fibra em detergente neutro: método original com sulfito. 1967). lignina. citado por Mertens. 2002). Fonte: Adaptado de Mertens (2002). não representa uma medida acurada de fibra. 1981). compostos fenólicos e proteínas. CF e FDN têm 155 . 3 Fibra em detergente neutro tratada com amilase: com sulfito e amilase (Undersander et al. os CNF representam as frações degradadas mais rapidamente e incluem amido. com amilase (Robertson e Van Soest.6 18. Mertens (1996) ressalta que a classificação dos carboidratos em estruturais (CE) e não estruturais (CNE) refere-se unicamente à função desempenhada nas plantas e não deve ser confundida com o papel dos carboidratos na nutrição animal. 1993.9 12. Desta forma. a Robertson (1984. tanto em definição quanto em composição (Figura 1). em termos nutricionais. ao invés da função exercida na planta.0 82.9 27. a digestão e a utilização da dieta (Mertens.3 43.4 46. Nesse caso.4 21. Nesta classificação. Resíduo em detergente neutro: sem sulfito. Mertens (1992) menciona que.4 10.6 78. 2002). Já os CF. FRACIONAMENTO DOS CARBOIDRATOS A composição química. hemiceluloses.20 50.6 52.2 68. Alimentos Palha de trigoa Capim-timóteoa Feno de alfafaa Silagem de alfafa Silagem de milhoa Resíduo de cervejaria Resíduo de destilaria Farelo de soja Milho grão Polpa cítrica 1 2 FDN1 RDN2 aFDN3 (-------------------------% da MS -------------------------) 83.3 95. citado por Mertens.. os CE estão relacionados com a parede celular (PC) dos vegetais. os termos PC e fibra não representam frações idênticas dos carboidratos.2 55.6 94. 1992).3 67. Conceitualmente.1 47. portanto.0 52. Valores obtidos utilizando diferentes métodos para mensurar a FDN.6 42. principalmente a celulose e as hemiceluloses.3 40. Embora inúmeras vezes usados como sinônimos.

portanto.| | ------------------------. Orgânicos | Pectinasb | Hemiceluloses | Ligninac | Celulose | | --------------. determinados pela diferença: 100 . d alguns complexos fenólicos e ligninas com baixo peso molecular podem ser solubilizados pelo detergente ácido.CNF f---------------------. Figura 1. Van Soest (1994) menciona que a FDN é altamente correlacionada com a densidade volumétrica do alimento. representando a fração de digestão lenta e.. determinados por análises. com a exceção de alguns tipos de amido que são lentamente digeridos (Mertens. ácidos fenólicos e hemiceluloses.| e | -----------------------. como betaglucanas e frutanas. Fracionamento dos nutrientes. já que tais carboidratos contêm lignina. pois representam a mesma fração de carboidratos dos alimentos.Solúveis em Detergente Neutro --------------------. g carboidratos não estruturais.cinzas . b inclui outras fibras solúveis.| | -----. Ácidos Orgânicosa e Polímeros Complexos -----------.CNEg -------.Carboidratos.FB ----. Fonte: Adaptado de Mertens (2002).Matéria Orgânica ---------------------------------------------------. 2002). pois sua digestibilidade varia com o teor de lignina e outros fatores. Mas isso não ocorre. c ligninas poliméricas e complexos de ácidos fenólicos (alguns dos quais podem ser solúveis.FDN ----------------.| | ---.| | Lipídios | Proteínas | ---------------. | -------------------------------------------------.Extrativo Não Nitrogenado -----------------------.o mesmo significado nutricional. f carboidratos não fibrosos.proteína – FDN.FDAd------. principalmente em forragens. A concentração de FDN no alimento ou na ração é negativamente correlacionada com a concentração energética. especialmente em gramíneas. é altamente correlacionada com o enchimento ruminal e o consumo de matéria seca. 2007b). podendo ainda diferenciar volumosos de melhor ou pior qualidade (Gomes et al. A FDN mede o teor de fibra total e quantitativamente determina diferenças entre concentrado e volumoso. e supunha-se que a fração “extrativo não nitrogenado” representava os carboidratos prontamente disponíveis dos alimentos.| | Açúcares| Amidos | Ác. Embora a FDN não tenha um valor nutritivo fixo. a fração solúvel em detergente neutro apresenta valor nutricional elevado por ser quase completamente digestível (95 – 98%).| | Amidos | a ácidos orgânicos.| | -------. e a composição 156 . incluindo os ácidos graxos voláteis nas silagens e em outros alimentos fermentado.| | -------------------.lipídios .Parede Celular --------------------| | ----------------.

O estreitamento da relação acetato/propionato provoca modificações no metabolismo animal. 3. 2001). proporção de fontes de fibra não forrageiras. embora atenda a um dos principais objetivos no balanceamento de dietas. abscessos hepáticos e laminite crônica. 1997). a fermentação ruminal. Entretanto. As propriedades físicas da fibra em rações de vacas leiteiras são afetadas pela razão V:C. dietas com concentrações similares de FDN não necessariamente terão concentrações de energia líquida para lactação (ELL) semelhantes. quando dietas com pouca fibra efetiva são formuladas e fornecidas para vacas em lactação. como deslocamento de abomaso. na síntese de gordura do leite (Mertens. que estão associadas à cinética de digestão e à taxa de passagem (Mertens. tipos de forragens e concentrados utilizados. FDN não é adequada para balancear dietas quando a forragem é finamente picada ou quando fontes de fibra não forrageira são utilizadas (Mertens. segundo Mertens (1997). não leva em consideração as características físicas da fibra. decorrentes das variações nas proporções de forragem de fibra longa e das concentrações de fibra em detergente neutro (FDN) na dieta. paraqueratose ruminal. tem sido associada ao suprimento dietético inadequado de partículas longas de fibra (Buckmaster. 1997). Mertens (2001) sumarizou respostas fisiológicas típicas de vacas leiteiras. inclui reduções na atividade de mastigação. o metabolismo animal e o teor de gordura no leite. os efeitos decorrentes 157 . Isso leva à diminuição do pH ruminal e às alterações nos padrões de fermentação deste órgão.química da FDN (proporções de celulose. tamanho de partícula e processamento dos ingredientes da dieta (Mertens. A incidência de distúrbios metabólicos. Entretanto. 2002). RESPOSTAS FISIOLÓGICAS DE VACAS EM LACTAÇÃO ÀS CARACTERÍSTICAS FÍSICAS DA FIBRA A formulação de rações baseada no teor de FDN. com consequente menor secreção de saliva tamponante. A cascata de eventos responsável por decréscimos no desempenho animal. que é definir o limite superior da relação volumoso/concentrado (V:C). A FDN pode ser utilizada eficientemente para definir o limite inferior da relação V:C quando a maior parte da fibra da dieta provém de forragens com partículas longas ou picadas grosseiramente. Estas propriedades físicas podem influenciar a saúde e a longevidade das vacas. Portanto. 2000). que convergem para depressões de magnitude variada. independentemente da quantidade e composição da FDN quimicamente mensurada. hemiceluloses e lignina) afeta a digestibilidade da fração FDN. Na Tabela 2.

080 1. manter o fluxo de saliva e um ambiente ruminal favorável ao desenvolvimento dos microrganismos responsáveis pela degradação de carboidratos fibrosos (Nussio et al.das dificuldades de detecção de alterações na fermentação ruminal.2 1. A partir de uma ração contendo 19% de FDNF e 25% de FDN total. para cada 1% de redução no FDNF. Variável Fibra em detergente neutro (FDN) na dieta (%) Tempo de mastigação (min/dia) Secreção de saliva (L/dia) Bicarbonato salivar (kg/dia) pH ruminal Ácidos graxos voláteis no rúmen (mM) Acetato ruminal (% molar) Propionato ruminal (% molar) Relação acetato:propionato Gordura no leite (%) Fonte: 1 Adaptado de Mertens (2001).0 3.7 3. podem ter impactos econômicos mais graves na produção leiteira. e grão de milho como fonte de amido.6 3. sendo a oferta de alimento na forma de ração completa.2 5.3 2. a atividade de mastigação e o teor de gordura no leite. EXIGÊNCIAS DE FIBRA PARA VACAS LEITEIRAS Vacas em lactação devem consumir diariamente quantidades mínimas de fibra para estimular a atividade de mastigação.5 3.0 1. ou seja.8 5 85 95 105 115 125 135 70 66 61 55 48 40 15 18 22 27 33 40 4.8 6.5 6. O National Research Council .4 3. originando acidose subclínica. têm metade da sua capacidade para manter o pH ruminal. decorrentes das variações nas proporções de forragem de fibra longa e das concentrações de fibra em detergente neutro (FDN) na dieta1.4 1.8 1. nas quais as vacas são alimentadas com dietas à base de silagem de milho ou alfafa.7 2. esses teores devem ser utilizados em condições específicas.5 6.5 2. A premissa dessa proposta é a de que subprodutos fibrosos. 2006). Respostas fisiológicas típicas de vacas leiteiras.NRC (2001) sugere que a concentração mínima de FDN seja de 25% da matéria seca da dieta. 158 .0 1. deve-se aumentar 2% no FDN total e reduzir 2% no CNF máximo (Tabela 3).4 2. Entretanto. 19% de FDNF. desde que 75% da FDN total seja oriunda da forragem (FDNF).. % de feno de gramínea com fibra longa na dieta de vacas leiteiras 100 80 60 40 20 0 70 59 48 36 25 14 1. Tabela 2.040 970 820 520 320 200 196 189 174 143 123 2. com tamanho de partículas adequado.0 4.7 3. utilizados para substituir forragens.7 6.8 2.

ou quando se utiliza fornecimento de dieta completa. O teor de FDN deve ser elevado em quatro unidades para volumosos finamente picados. Nenhum ajuste é necessário nas dietas à base de silagem de milho.5 a 1% na MS quando tamponantes são adicionados à dieta. sem partículas longas. métodos de fornecimento da ração. e aumentado em duas unidades percentuais quando a forragem apresenta pouca quantidade de partículas longas (menos de 5% das partículas acima de 19mm). Frequência de fornecimento do concentrado. De acordo com Allen (1995). É necessário elevação de 1. • • • • • Tamanho de partícula das forragens. Mínimo de FDN da Mínimo de FDN total Máximo de CNF Mínimo de FDA forragem 19 25 44 17 18 27 42 18 17 29 40 19 16 31 38 20 15 33 36 21 1 Considerando adequado tamanho de partícula da forragem. O conteúdo de FDN deve ser reduzido em 1. quando 5-10% das partículas são maiores do que 19mm. o requisito mínimo de FDN para vacas leiteiras é em torno de 30% na MS da dieta. 159 . Uso de tampões. FDN de forragem e FDA (% da MS) e concentrações máximas de CNF (% da MS) em rações de vacas em lactação1. Nenhum ajuste é necessário quando 7580% do amido é degradado no rúmen.Tabela 3.5 unidade no teor de FDN quando o concentrado é fornecido duas vezes por dia ou menos. adotando-se como base uma dieta com 30% de FDN na MS. Entretanto. Deve haver um incremento de duas unidades percentuais na FDN quando são utilizadas forragens com elevada digestibilidade da FDN. O teor de FDN pode ser reduzido em 0. como forragens imaturas ou silagens de milho de alta qualidade. diante da grande diversidade de ingredientes disponíveis. Esse autor sugere algumas recomendações. Fonte: NRC (2001). tornam-se necessários ajustes na concentração de FDN.5 unidade quando o concentrado é fornecido quatro ou mais vezes por dia. milho como principal fonte de amido e rações fornecidas em mistura total. O teor de FDN deve ser reduzido em duas unidades percentuais quando a silagem contém mais de 15% das partículas acima de 19mm ou quando é fornecido feno longo. Recomendações das concentrações mínimas de FDN total. Digestibilidade da fibra. O teor de FDN da dieta deve ser reduzido em duas unidades percentuais se a digestibilidade ruminal for de 6575%. Deve-se aumentar o teor de FDN em duas unidades quando mais 80% do amido for degradado no rúmen. Degradabilidade ruminal do amido. frequência de alimentação e processamento de forragens.

de subprodutos com elevado teor de fibra e finamente picados. a redução no teor de FDN nunca deve exceder cinco unidades percentuais.FDN FISICAMENTE EFETIVA E FDN EFETIVA Mertens (1997) relatou que. as rações de vacas em lactação devem conter teores máximos de 30% de FDN oriunda de forragem e 35 a 40% de FDN total. 1997). Quando há inclusão de 2-3% de gordura na MS da dieta. Adição de gordura. respectivamente. para evitar restrições no consumo de MS devido ao efeito de enchimento ruminal. Aumentar a FDN em duas unidades percentuais quando forem utilizados mais de 10%.8% do PV e de 1. é o produto do fator de efetividade física (fef) pela porcentagem de FDN obtida da análise química de um alimento (Armentano e Pereira. 5.. pode-se reduzir o teor de FDN em uma unidade percentual. 1998). na MS da dieta. 160 . A fibra proveniente dos subprodutos deve ser limitada a 30% da exigência de fibra total. (2004) avaliaram dados experimentais de vacas leiteiras publicados no Brasil e sugeriram que o teor de FDN total deve ser reduzido com o aumento da produção de leite. contribuindo para a formação de uma camada flutuante de partículas grandes. e tentativas vêm sendo feitas para incorporar os conceitos de FDN efetiva e FDN fisicamente efetiva na formulação de rações. 2001). Nenhum ajuste é necessário se não houver inclusão de subprodutos na dieta. que estimulam mastigação e estabelecem uma estratificação bifásica do conteúdo ruminal. variando de 50 a 33% da MS da ração para produções diárias de 18 a 24Kg de leite por vaca. Em termos práticos. 1998). Segundo Firkins (2002). denominadas de mat. sobre um pool de líquido e partículas pequenas (Mertens. a efetividade da fibra tem sido definida sob diferentes formas. O Sistema de Carboidratos e Proteína Líquidos de Cornell (CNPS) para bovinos assume um consumo máximo de FDN ao parto de 0. Já a quantidade máxima de FDN que pode ser incluída em rações é função das exigências de energia líquida de lactação (ELL) da vaca. O valor de FDNfe dos alimentos está relacionado à concentração de FDN e à variação no tamanho de partícula. sendo esses fatores críticos para estimulação da ruminação e motilidade do rúmen (Mertens. Lana et al. CONCEITOS DE EFETIVIDADE DA FIBRA .2% do PV no período de 100 dias pós-parto a 160 dias de gestação (Fox et al. principalmente tamanho de partículas. 1997). Teores de FDN em relação ao peso vivo (PV) também foram estabelecidos. Em todos os contextos avaliados acima. 1992).• • Utilização de subprodutos. A fibra fisicamente efetiva (FDNfe) de um alimento corresponde às propriedades físicas de FDN. da quantidade de CNF necessária para boa fermentação ruminal e do efeito negativo que a fibra exerce sobre o consumo de matéria seca (NRC.. embora a determinação da concentração de FDN possa ser considerada como de rotina. sendo o limite mínimo de FDN recomendado de 25% na MS (Varga et al.

Como digestão e passagem são processos que competem entre si. Mooney e Allen. Assim. FONTES DE FIBRA NÃO FORRAGEIRA O uso de subprodutos para atender as exigências de fibra torna-se uma opção importante para rações cujo balanceamento pode ser limitado pela quantidade ou qualidade das forragens disponíveis. as FFNF devem ser retidas no rúmen para aumentar a digestibilidade ruminal de FDN. Por outro lado. 161 . 1997). teores de proteínas solúveis e carboidratos e proporções molares e concentrações de ácidos graxos voláteis. existe potencial para aumentar a digestibilidade ruminal e do trato total da FDN quando FFNF substituem forragens em dietas de vacas em lactação. contanto que a porcentagem de gordura do leite produzido por vacas consumindo tal dieta seja mantida. Fonte. a casca de algodão e a polpa cítrica. a taxa de passagem. Os subprodutos utilizados com esse propósito constituem uma fonte de fibra não forrageira (FFNF). a taxa de digestão da FDN de FFNF no rúmen é semelhante ou inferior a de forragens e. Mertens (2001) discutiu que os efeitos adicionais parcialmente incluídos na FDNe envolvem características dos alimentos associadas com a capacidade intrínseca de tamponamento. fatores de efetividade (fe) para FDN podem variar de zero. Por definição. a digestão da fibra no trato gastrintestinal. A combinação desses fatores contribui para taxa de passagem mais rápida dos subprodutos do que das forragens. destacando-se a casca de soja. 6. trata-se de um conceito mais restrito que FDNe (Mertens. além disso. FDNfe e FDNe diferem em conceito e valores estabelecidos para cada alimento e.A fração FDN efetiva (FDNe) está relacionada ao somatório das habilidades totais de um alimento em substituir a forragem na ração. quantidade e características físicas da forragem podem interagir com FFNF e influenciar o comportamento ingestivo. estas fontes de fibra têm tamanho menor de partículas e gravidade específica maior (Firkins. A FDN de vários subprodutos é potencialmente mais digestível no rúmen do que a FDN oriunda de forragens (FDNF). composição e concentração de gordura. o caroço de algodão. Quando apenas o teor de gordura do leite é utilizado como a variável de resposta de mudança na efetividade. 1997). 1997). quando um alimento mantém a porcentagem de gordura do leite mais efetivamente do que o faz a atividade de mastigação (Mertens. para valores maiores que um. 1997. 1998). quando um alimento não tem habilidade para manter o teor de gordura do leite. a energia metabolizável da ração e o desempenho dos animais (Grant. os efeitos físicos da FDN sobre a atividade de mastigação e tamponamento ruminal são confundidos com os efeitos metabólicos causados por diferenças na composição química dos alimentos (Allen. 1997). em razão de a FDNfe estar relacionada a propriedades puramente físicas da fibra. Portanto.

Swain e Armentano. O procedimento metodológico clássico. O NRC (2001) assume que a FDN de FFNF apresenta 50% da efetividade da FDN de forragens.0 e fef de 0. 1993) e/ou do emprego de métodos laboratoriais de avaliação da estratificação de partículas dos alimentos (Buckmaster et al. 7. Sem a inclusão do feno. além de estimular a mastigação de forma mais eficiente.. Teor de gordura no leite A manutenção da porcentagem de gordura do leite tem sido o centro das atenções de muitas pesquisas e de aplicações do conceito de fibra efetiva por nutricionistas no campo. 1997. visando à obtenção de uma curva de respostapadrão. elevou o pH ruminal e aumentou o tempo de ruminação. 1999). são formuladas dietas com níveis crescentes de adição de FDN da forragem padrão. A partir destes níveis basais. valores semelhantes aos de forragens longas. em dietas com inclusão de grandes quantidades de subprodutos como fonte de fibra. utilizado em experimentos de curta duração. 1993. para estimativa de valores de FDNe para subprodutos fibrosos de origem vegetal (fontes de fibra não forrageira). Fox et al.. 1995). A exceção é o caroço de algodão. Mertens. quando a FDN de uma forragem considerada padrão (fe = 1.A presença de fibra de volumosos no rúmen pode alterar a consistência do mat e aumentar a retenção da FFNF. 1994). relacionando teores de gordura do leite versus os conteúdos dietéticos de FDN da forragem referência (Swain e Armentano.0) é substituída pela FDN daquele subproduto sob teste (Clark e Armentano. com ou sem a inclusão de feno de alfafa picado grosseiramente.9. 1997). O inevitável impacto econômico para o produtor.1. torna-se interessante a utilização de forragem com maiores tamanhos de partícula. Desse modo. O coeficiente de inclinação obtido desta regressão fornece uma estimativa do aumento linear de unidades 162 . 1997. a facilidade pela qual pode ser mensurada e a expectativa de que possa ser um aceitável reflexo da saúde. baseia-se nas alterações observadas na porcentagem de gordura do leite. 2006). A inclusão de casca de soja e feno aumentou a consistência do mat. de ensaios biológicos (Clark e Armentano. Depies e Armentano.. 1994. Este método exige a formulação de uma dieta basal com baixas concentrações de FDN total. MÉTODOS PARA QUANTIFICAR A EFETIVIDADE DA FIBRA A efetividade de FDN vem sendo avaliada por meio de métodos estatísticos (Mertens. do bem-estar e do desempenho animal são algumas das justificativas em que se baseia a eleição desta variável como indicativa dos efeitos da concentração dietética de FDNe (Lopes et al. a casca de soja não apresentou a mesma efetividade. 7. que apresenta um fe de 1. Weidner e Grant (1994) substituíram 40% de uma mistura de silagens de alfafa e de milho por casca de soja (25% da MS) em dietas de vacas em lactação.

2003). o qual expressa o acréscimo linear de unidades percentuais de gordura no leite com a adição de 1% de FDNe oriunda do alimento teste. e desconsidera-se que a porcentagem de gordura no leite pode ser afetada por outros fatores e não apenas pelo teor de FDN da forragem (Armentano e Pereira.8 (0. a inclusão na ração de FDN de grãos de destilaria desidratados gerasse um coeficiente de regressão linear de 0.020 e a silagem de alfafa um coeficiente de 0. este produto teria 80% da efetividade da silagem de alfafa (Lima. tem-se uma estimativa do fe para o alimento teste em relação à forragem considerada padrão no experimento (Lopes et al. (2007a). Por exemplo.025).percentuais de gordura no leite para cada 1% de FDNe oriunda da forragem padrão. Fonte: Adaptado do CNPS (dados não publicados). não são consideradas as diferenças que frequentemente ocorrem na qualidade ou efetividade da fibra da silagem alfafa (tamanho de partícula).020/0.54) Milho grão inteiro 9 100 9 2 Palha de arroz 85 120 102 1 2 FDNe (%MS) = FDN (%MS) x FDNe (%MS). 2006).. Desta forma. Valor elevado devido ao alto teor de lignina (20 % MS). o valor calculado de efetividade dos grãos de destilaria seria de 0. podem-se observar os teores de FDNe de alguns alimentos frequentemente utilizados na alimentação de vacas leiteiras. deve-se formular uma ração contendo um nível adicional de FDN oriunda do alimento a ser testado.025.27 Sabugo de milho 90 80 72 Milho quebrado 9 60 5 Feno de gramínea maduro 72 100 72 1. Tamanho de FDN FDNe (% FDNe Alimento partícula (cm) (%MS) FDN) (%MS)1 Milho grão moído 9 0 0 < 0.2.653 . citado por Gomes et al.54 Sabugo de milho 90 100 90 Caroço de algodão 44 100 44 Feno de gramínea maduro 72 100 72 Pastagem de gramínea 50 41 21 Longo (>2. Da razão entre os dois coeficientes de regressão obtidos. Teores de fibra em detergente neutro efetiva (FDNe) de alguns alimentos rotineiramente utilizados na alimentação de ruminantes. 163 . Portanto. Tabela 4.27 . 1997). Alguns problemas deste método são: assume-se que a resposta do teor de gordura no leite ao aumento no teor de FDN da ração é linear. Nas Tabelas 4 e 5. se em uma avaliação com vacas em lactação. Com base nas concentrações de FDN definidas na dieta basal. um segundo coeficiente de regressão é obtido.653 Feno de gramínea maduro 72 73 53 Silagem de milho 41 61 25 Feno de gramínea maduro 72 88 63 Silagem de milho 41 71 29 0.1.

%FDN) de alguns concentrados para bovinos. O tempo de mastigação é afetado principalmente pelo consumo de matéria seca. 2000). Segundo o NRC (2001). os valores de efetividade estimados com o auxílio desta metodologia não seriam aplicáveis a vacas no início da lactação. o consumo de matéria seca e a porcentagem de gordura no leite (Colenbrander et al.2. a função ruminal (pH e perfil de AGV). Embora o baixo teor de gordura no leite seja um indicador da formulação inadequada de rações. Comportamento ingestivo O tempo de mastigação. 164 . o processo de trituração dos alimentos. Por este motivo. Ingrediente FDNe (% FDN) Caroço de algodão 100 Grão de soja inteiro 100 Milho seco inteiro 100 Milho quebrado 60 Fubá de milho 48 Milho alta umidade 1 48 Farelo de algodão 36 Glúten de milho 36 Polpa cítrica 33 Farelo de soja 23 1 Moagem fina. o comportamento ingestivo pode ser usado para calcular os valores de efetividade física da fibra dos alimentos e compará-los entre si. a composição do leite destes animais é mais sensível a mudanças dietéticas. composto pela ingestão e ruminação. 1991). 1997.. por afetar a secreção de saliva. sugerindo que este não é um parâmetro adequado para avaliação da função ruminal e da saúde do rebanho (Mertens. Fonte: Adaptado de Sniffen et al. Kononoff. pelo teor de FDN total e por características físicas da ração (tamanho de partícula). sendo esse um dos mecanismos mais importantes de remoção de íons hidrogênio produzidos durante a fermentação ruminal dos alimentos. (1992). 2002). Outra consideração a respeito da obtenção destas estimativas de fe está relacionada ao uso de vacas nos terços médio e final da lactação (Allen 1995. Teor de fibra em detergente neutro efetiva (FDNe. 1986). Portanto. casos de laminite podem ser encontrados em rebanhos que não apresentam sinais de depressão no teor de gordura do leite. O autor sugere que o pH ruminal seria uma resposta mais adequada na determinação da exigência de fibra efetiva para esta categoria animal. segundo Allen (1997). tem sido uma das medidas mais estruturadas e utilizadas para avaliar a efetividade de FDN. Vacas em lactação podem produzir até 308 litros de saliva por dia durante a mastigação (Cassida e Stokes.Tabela 5. 7.

Para determinar os coeficientes de fef de vários alimentos. obtendo-se o valor de FDNfe. foi que o tempo basal de mastigação seria de 355 minutos por dia para dietas com 0% de FDN. baseados na atividade de mastigação que eles estimularam. Beauchemin. pressupõe que a FDN é uniformemente distribuída nas frações do alimento contendo distintos tamanhos de partículas. Nesse método. Além disso. Essa metodologia tem como premissa básica que partículas com tamanho inferior a 1. O feno de gramínea com fibra longa originou um coeficiente de regressão de 150min/Kg de FDN e foi escolhido como a forragem padrão (fef=1. que a atividade de mastigação é igual para todas as 165 .3. foram estabelecidos coeficientes de regressão representando “minutos de mastigação/Kg de FDN” para cada fonte e forma física. embora existam evidências na literatura de que não haja linearidade desta resposta (Woodford e Murphy. 7. sugerindo que as vacas apresentavam um mecanismo adaptativo de aumento na eficiência de ruminação quando o consumo de FDN era limitado.Mooney e Allen (1997) desenvolveram uma série de equações. Desse modo. 1985). Esse método de avaliação da FDNfe assume que a resposta do tempo de mastigação em relação ao aumento do teor de FDN da ração é linear. foi proposto por Mertens (1997).94 para o milho triturado grosseiramente. Mertens (1997) propôs o conceito de FDN fisicamente efetivo (FDNfe) utilizando análises de regressão para designar fef para classes de alimentos. Grant (1997) observou que a ruminação por unidade de FDNf consumida aumentou quando o teor de FDN da ração diminuiu. 1991.0). não evidenciando importância no estímulo à mastigação e ruminação (Poppi et al.. baseadas na concentração de FDN e no tempo de mastigação. embora Mertens (1997) tenha estimado valores tão altos quanto 0. Outra suposição. que considera as características químicas e físicas dos alimentos. A contribuição dos concentrados para mastigação foi assumida como sendo igual a zero. A concentração de FDN (% MS) do alimento é multiplicada pela porcentagem de partículas retidas em peneiras maiores do que 1. baseada na regressão de médias para tratamentos publicados na literatura.18mm passam rapidamente pelo rúmen. A princípio. 1997).18mm. Grant. os autores consideraram os teores de FDN dos alimentos e o tempo de mastigação proporcionado por ingrediente da ração. os tempos totais de mastigação foram divididos por 150min/Kg de FDN e efetuou-se a regressão dessa variável versus o consumo de FDN (Kg/dia) de cada alimento. Métodos laboratoriais Um simplificado sistema para avaliação da FDNfe. as quais foram utilizadas para calcular a efetividade física da fibra da silagem de alfafa e do caroço de algodão. 1988. Os valores de efetividade física dos alimentos testados foram calculados dividindo-se o tempo de mastigação por unidade de FDN do alimento teste pelo tempo de mastigação por unidade de FDN da silagem de alfafa. como pode ser visto na Tabela 6. Mertens (1997) sumarizou dados de atividade de mastigação de 45 experimentos publicados e determinou o consumo de FDN para cada fonte dietética e forma física das 265 combinações de vacas e tratamentos.

82 41. Entretanto. Estimativas da fibra em detergente neutro fisicamente efetiva (FDNfe). e que a fractabilidade (facilidade na redução do tamanho) é semelhante entre fontes de FDN (Mertens. utilizando-se análises químicas e físicas. 1996).0 Feno de gramínea 65 0. 8 a 19mm e < 8mm) da Penn State Forage and TMR Separator (Lammers et al. Também foi identificada correlação mais elevada entre os valores de FDNfe estimados pela metodologia de Mertens (1997). Um aspecto importante a ser considerado é que a metodologia de avaliação afeta a estimativa da efetividade física da FDN.0 FDNfe = FDN (%MS) x fração retida na peneira (% MS).00 100. Nesse caso. baseado na distribuição das partículas dos alimentos em três peneiras e na concentração de FDN de cada fração.5 Silagem de milho 51 0.81 41. picada finamente. a distribuição das partículas por tamanho foi efetuada utilizandose o conjunto de peneiras (>19mm.18mm.0 3 Silagem de leguminosa 50 0.3 Milho moído 9 0. denominado Índice de Fibra Efetiva (IFE).18mm foi incluída no Penn State Forage and TMR Separator (PSPS) e sua utilização foi validada.18mm e a atividade de mastigação (Beauchemin et al.7 Feno de leguminosa 50 0.03 2. partículas retidas em peneiras de 1. Buckmaster et al.partículas retidas na malha de 1. refletem a efetividade de cada tamanho de partícula em estimular a ruminação e em contribuir para a formação do mat ruminal. 2003)..23 3. sendo que os valores de FDNfe foram consideravelmente menores quando avaliados por meio da PSPS.48 4. 3 Silagem 166 .3 Farelo de soja 14 0. visando à caracterização adicional das partículas mais finas do alimento ou da dieta (Kononoff.18 8. Fonte: Mertens (1997).92 46.2 Casca de soja 67 0. 2002). Segundo Buckmaster (2000). 1 2 Silagem picada grosseiramente. Fração retida (% de MS) retida FDN fe Alimentos FDN (% MS) em peneira de 1. ponderada pela respectiva efetividade relativa em cada uma dessas frações.8 mm (% MS)1 Padrão 100 1.5 Resíduo de cervejaria 46 0. (1997) também desenvolveram um método de avaliação do consumo de fibra efetiva. Tabela 6.0 2 Silagem de leguminosa 50 0. que foram determinados baseados em dados publicados na literatura. 1997). o autor alertou que ajustes baseados no tipo de alimento podem evidenciar-se necessários.98 63. Recentemente uma nova peneira com abertura de malhas de 1. pois este índice não capta diferenças na efetividade de partículas de distintas fontes dietéticas. os coeficientes de efetividade relativa..67 33.

que foi capaz de diluir carboidratos não fibrosos dietéticos. tendo a atividade de ruminação (min/Kg de FDN) como variável de resposta animal. o sabugo e milho moído e o farelo de trigo. Entretanto. Os valores relatados para fe (porcentagem de gordura do leite) da FDN foram de 0. e um fator de efetividade física (fef). Os autores consideraram que as diferenças observadas nos índices de efetividade foram reflexo dos atributos químicos e físicos do glúten de milho. evidencia-se como importante ferramenta para a otimização de dietas para vacas leiteiras. evitando possível acidose no rúmen. provocando decréscimos na produção de ácidos de fermentação. também obtiveram estimativas para fe e fef bastante diferentes quando utilizaram as respostas “porcentagem de gordura no leite” e “tempo de ruminação”.13. Os índices de efetividade obtidos foram de 0.8.51 para ambos. Mais pesquisas são necessárias para 167 . Allen e Grant (2000) concluíram que os índices de efetividade podem variar substancialmente em função da variável resposta e recomendaram uma posição mais conservadora no tocante ao uso do menor valor obtido. Segundo eles. a FDN foi somente 11% tão efetiva quanto a FDN da silagem de alfafa em estimular a ruminação. este alimento possui fibra altamente digestível. pH e atividade de mastigação. Esta estratégia também foi recomendada por Pereira et al. Allen e Grant (2000). que influenciam sua efetividade em manter a funcionalidade do rúmen e o bem-estar do animal. Mas. devido ao seu pequeno tamanho de partícula.74. Dessa forma.0) foi a silagem de alfafa.11. trabalhando com vacas no terço médio da lactação e silagem de alfafa como forragem-padrão. 0. para porcentagem de gordura no leite. A determinação das características químicas e físicas dos alimentos. respectivamente. a falta de um método padrão e validado para medir fibra efetiva e estabelecer exigências limita a aplicação deste conceito. Os autores concluíram que metade da efetividade da FDN da silagem de alfafa refere-se ao seu tamanho de partículas. (1999) para formulação de dietas em que fontes de fibra não forrageira são incluídas. A outra metade da efetividade da FDN da silagem de alfafa e toda a efetividade da maioria das fontes de fibra não forrageira são decorrentes do efeito de diluição dos carboidratos não fibrosos da dieta. e o alimento teste foi o glúten úmido de milho. a identificação das vantagens e das deficiências inerentes às metodologias utilizadas na determinação dos fatores de efetividade dos alimentos torna-se necessária para orientar a busca por uma metodologia padrão que beneficie a aplicação prática do conceito de fibra efetiva. e tentativas vêm sendo feitas para incorporar este conceito na formulação de dietas para vacas em lactação. no momento. trabalhando com vacas nos terços iniciais de lactação. e 0. Os respectivos fef da FDN (atividade de mastigação) para cada alimento foram 0. a partir da concentração de gordura do leite e do pH ruminal. VALORES DE EFETIVIDADE DA FDN SEGUNDO A METODOLOGIA DE DETERMINAÇÃO Os conceitos de FDN fisicamente efetiva e FDN efetiva são relativamente recentes. determinaram dois fatores de efetividade (fe). Depies e Armentano (1995). A forragem padrão (fef ou fe = 1. um efeito que não pode ser substituído pela FDN da maioria das fontes de fibra não forrageira.33.42 e 0.

Nesse contexto.. 9. EXIGÊNCIAS DE FIBRA EFETIVA Atualmente.. principalmente em sistemas de produção de leite especializados.M. visando ao estabelecimento de um banco de dados para uso na formulação de rações. p. 168 . Dairy Sci. da produção de ácidos no rúmen. considerando fatores relacionados ao manejo e à composição da ração. 10. para manter um pH de 6. O CNPS (Fox et al.83. Interactions between forage and wet corn gluten feed as sources of fiber in diets for lactating dairy cows. D. admitindo-se uma amplitude de 19 a 23% de FDNfe na MS. Nesse caso. da capacidade natural dos alimentos para o tamponamento do rúmen e da suplementação com tamponantes. GRANT. J.3% de FDNfe na MS da ração. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ALLEN.J. do manejo. R.0 no fluido ruminal. Foi estabelecido que o teor mínimo de FDNfe necessário para manter o teor de gordura no leite em 3. 2000. CONSIDERAÇÕES FINAIS O conhecimento das propriedades químicas e físicas das forragens e dos subprodutos utilizados como fontes de fibra representa uma importante ferramenta para os nutricionistas. Assim. v. 21% de FDNfe. das variações nas composições das rações.322-331. Mertens (2000) sugeriu que a formulação de dietas para vacas leiteiras deve conter.7% na MS. 1999) também estabeleceu recomendações mínimas de FDNfe na MS da dieta. as exigências de FDN efetiva disponíveis para formulação de rações para vacas leiteiras foram estabelecidas por Mertens (1997).identificar as propriedades dos alimentos que influenciam a efetividade da fibra dietética. sendo o concentrado fornecido em ração total (TMR).4% seria de 19. O deslocamento em direção a um dos extremos depende de fatores que afetam a atividade de mastigação. O balanceamento de dietas para vacas de alta produção exige a utilização dos limites inferiores da exigência de fibra. a aplicação prática dos conceitos de efetividade garantirá a manutenção da funcionalidade do rúmen e da saúde e longevidade do animal. nos quais é necessário um maior refinamento. no mínimo.. Esse autor também avaliou o pH do líquido ruminal para estabelecer a exigência de FDNfe. a partir de análises de regressão de dados da literatura. O sistema sugere um teor mínimo de 20% de FDNfe em rações que visam maximizar o uso de CNF e a produção de proteína microbiana. é necessário o teor de 22.

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é fisicamente o envoltório do grão (pericarpo) separado do embrião no processamento industrial. CEP 30123-970. MSc.com 1 173 . Prof. gabrielorjunior@yahoo. Escola de Veterinária da UFMG.. luciocg@vet. Doutorando em Zootecnia. Lúcio Carlos Gonçalves 2. composta de fibra que possui Médico Veterinário. MG. desempenhando papel fisiológico de fibra vegetal e funcionando como um grão de cereal em termos de energia.ufmg. CEP 30123-970. Caixa Postal 567. coproduto das indústrias de processamento da soja. devendo ser tostada a fim de destruir a atividade de uréase.CAPÍTULO 11 CASCA DE SOJA NA ALIMENTAÇÃO DE GADO DE LEITE Gabriel de Oliveira Ribeiro Júnior 1. MG. como fonte de fibra. o coproduto pode ser definido como aquele material que possui valor como alimento para animais. coproduto das indústrias de processamento da soja. em sua maior parte. com sucesso. substituir forragens.. Este capítulo fornecerá informações para a adequada utilização da casca de soja na dieta de vacas de leite. INTRODUÇÃO Os coprodutos de indústrias de transformação de alimentos estão sendo cada vez mais utilizados como uma alternativa economicamente viável para redução dos custos dos sistemas de produção de ruminantes. CEP 30123-970. a casca de soja é.. MSc. Frederico Osório Velasco4 RESUMO A casca de soja. MG. Caixa Postal 567. Flavia Cardoso Lacerda Lobato3. a casca de soja pode substituir grãos de cereais na dieta de ruminantes.br 3 Médica Veterinária. A casca de soja é uma fonte de energia. Segundo Fadel (1999). Belo Horizonte. fredericovelasco@gmail. Ela também pode.. e muitos pesquisadores a classificam como produto intermediário entre concentrado e volumoso. podendo ser de origem animal ou vegetal. Belo Horizonte. Além de ser uma alternativa para redução de custos. 1995). DSc. devendo ser tostada a fim de destruir a atividade de uréase (Tambara et al. Desta forma. em Zootecnia. Associado Departamento de Zootecnia da Escola de Veterinária da UFMG. Escola de Veterinária da UFMG. quando estas estão com baixa qualidade ou em pouca quantidade. Caixa Postal 567. Belo Horizonte. MSc. semelhante ao que ocorre à polpa cítrica e ao resíduo de cervejaria. Doutorando em Zootecnia. sendo obtido ao final da colheita de alguma cultura ou após o processamento agroindustrial de alguma commodity destinada à alimentação humana.br 2 Engenheiro Agrônomo. 4 Médico Veterinário. é fisicamente o envoltório do grão (pericarpo) separado do embrião no processamento industrial.com. contribuindo para a elevada ingestão de energia e prevenindo alterações da função ruminal. A casca de soja..

que. Composição química da casca de soja. Tabela 1.. com sucesso. 2003). Isto tem levado à maior disponibilidade deste subproduto no mercado. substituir forragens. falta de um rigoroso programa de controle de qualidade durante a produção e manipulação. o que tem proporcionado a retirada da casca. data de plantio). A composição química da casca de soja (CS) pode ser vista na Tabela 1.pouco valor para a alimentação humana e utilização industrial. Com o advento das exportações de farelo pelas indústrias. Em contraste. Estas diferenças estão relacionadas a fatores como: falha no processamento. VALOR NUTRITIVO Segundo o National Research Council . esta se torna uma excelente opção para alimentação de ruminantes por ser composta de uma fibra de alta digestibilidade que pode chegar a 90% (Quicke et al. a safra de soja 2008/09 totalizará 58. somado a seus preços competitivos. O valor nutritivo da casca de soja para os ruminantes pode variar devido às diferenças nas composições químicas encontradas. 2000). a casca de soja apresenta 2. e condições ambientais durante crescimento da cultura (temperatura e disponibilidade de água). De acordo com estimativas da Companhia Nacional de Abastecimento – CONAB (2009). Muitos pesquisadores a classificam como produto intermediário entre concentrado e volumoso. desempenhando papel fisiológico de fibra vegetal e funcionando como um grão de cereal em termos de energia.NRC (1984). pode substituir grãos de cereais na dieta de ruminantes. que antes era incorporada ao farelo. normalmente há uma grande disponibilidade deste insumo a baixo custo. A casca de soja. plantas com materiais genéticos diferentes. como fonte de fibra. 1. tem-se uma estimativa de produção de três milhões de toneladas. contribuindo para a elevada ingestão de energia e prevenindo alterações da função ruminal. semelhante ao que ocorre à polpa cítrica e ao resíduo de cervejaria.5 milhões de toneladas. diferenças nos tratos culturais (fertilização nitrogenada. 1959). resultou numa ascensão na sua utilização em dietas de ruminantes. nas regiões produtoras de soja. sendo considerada uma fonte de energia. 174 . Ela também pode. estas têm que cumprir leis internacionais sobre um teor mínimo de proteína bruta neste produto. Assumindo-se que a casca da soja compõe 5% do peso total da soja (Blasi et al. quando estas estão com baixa qualidade ou em pouca quantidade (Ipharraguerre e Clark.. além de ser uma alternativa para redução de custos. com a não separação completa da casca do endosperma.82 Mcal de energia digestível por kg de MS. Assim.

O teor de extrato etéreo variou de 0.4 0.8% de FDA para casca de soja limpa. 1988).8 a 4.4% a 3. quando comparada com o milho (0. a CS apresenta baixos teores de ácidos ferúlico e p-cumárico.4 73. respectivamente. A CS apresenta também altos teores de ácido urônico ou pectina. De acordo com Valadares et al. Já o NRC (2001) apresenta a CS com 60. Segundo Van Soest (1994).8%) pouco lignificada. em consequência. Os valores de proteína bruta encontrados variaram de 9. respectivamente) (Valadares et al. Segundo Ipharraguerre e Clark (2003). Ipharraguerre e Clark (2003).52 68.2 39.42 19.7 29. A CS é rica em lisina e glicina (0. Dessa forma. respectivamente.40% de FDN e 50. Essa variação parece estar diretamente relacionada à presença de farelo de soja nos produtos classificados como casca de soja. que é uma fibra solúvel altamente digestível. Entretanto. quando se realizou a digestibilidade aparente em ovinos com CS como único alimento. respectivamente). Estes valores parecem estar relacionados com a presença de farelo de soja. permitiu maior fermentação ruminal.1 19.. a CS contém 68. (1959) mediram a digestibilidade in vitro da celulose e fibra bruta da CS e encontraram valores de 96 e 97%.54 3. que são os principais monômeros envolvidos na ligação entre a lignina e a hemicelulose (Garleb et al. Os valores de lignina variaram de 1. 2006).2 15. Anderson et al.1 77 Valadares Filho et al.4%. (2006) 11.9 0. Esse resultado sugere que a taxa de passagem da CS pelo rúmen é muito rápida para maximizar a digestão da fibra pelos microrganismos ruminais. (2006).24 e 0. EE – Extrato etéreo.7 1.9% (Tabela 1).8 53. os coeficientes de digestibilidade da celulose e fibra bruta foram 54 e 57%.40 51. a composição da dieta parece afetar o valor 175 .4 3.6 52.65 50.1 50 67 46 2 2. sem presença de farelo de soja.60 6. Fonte: NRC (2001).77 PB – Proteína bruta.8 4. Esta variação parece estar relacionada com diferenças no processamento de extração do óleo de soja.2%. a fração fibrosa é composta de grande quantidade de celulose (43%) e hemicelulose (17.6% de FDN e FDA.4 para a casca de soja limpa.4 a 19. A CS tem função de proteção do endosperma.52% de FDA com base na matéria seca.7% de FDN e 50.0 51. respectivamente. por isso apresenta elevados teores de fibra. a pectina apresenta 98% de digestibilidade verdadeira.4 - NRC (2001) 12.. a adição de forragem grosseira (fibra longa) em dietas com CS aumentou os tempos de retenção da CS e. (1988) encontraram valor de 9.8.8%.4 19.16% na MS.50 68.3% e 44. Aliado a isso. (1988) encontraram valores de 73. (2006). FDA – Fibra em detergente ácido.43 1. 11.72 e 1. Apesar de a CS apresentar alto conteúdo de fibra. FDN – Fibra em detergente neutro.55%. Valadares Filho et al. já que Anderson et al. sendo em média 11.Nutriente (%) Proteína bruta FDA FDN Celulose Hemicelulose Lignina Extrato etéreo Amido NDT Ipharraguerre e Clark (2003) Mínimo Máximo 9.0 9.1 a 14. Quicke et al.

Anderson et al.5%/h para o tratamento com a casca de soja moída. esta redução na digestibilidade não foi observada quando a CS foi moída a 3. A CS normalmente é moída.10/h. A relativa elevada taxa de passagem da casca de soja pode ser explicada pelo seu tamanho de partícula pequeno. De acordo com Ipharraguerre e Clark (2003). as quais apresentaram digestibilidades semelhantes. o pH se mantém em níveis mais elevados. A CS.2 e 4. Essa redução pode ser explicada pelo menor tempo de retenção ruminal causado por maior taxa de passagem quando se aumentou a ingestão de MS.8%/h). não foi observada diferença no ganho de peso.5%/h) comparada à casca inteira (2.120Kg).8mm. peletizada. pH ruminal e natureza da população microbiana. resultando em um melhor ambiente de rúmen. Fahey e Berger (1993) citam que o principal fator que afeta a digestão dos carboidratos estruturais é a adição de carboidratos solúveis obtidos em alimentos concentrados. Foi relatada uma taxa de passagem 8% superior para o tratamento com 48% frente ao tratamento com 25% de casca de soja (0. Entretanto. A taxa de digestibilidade da FDN in situ encontrada foi de 7. Porém. a inclusão de casca de soja não limita a digestibilidade aparente da dieta no trato gastrintestinal total de ruminantes. Foi observado que a moagem diminuiu a digestibilidade da FDN (56%) quando comparada com a CS peletizada (61%) e com a CS sem processamento (62%). De uma maneira geral. que provocam alterações no meio ambiente do trato digestivo e na cinética do processo digestivo. o resultado foi menores ganhos de peso (0. criando um ambiente favorável às bactérias celulolíticas. que.nutritivo da CS por modificar a consistência do mat ruminal. para aumentar a densidade e reduzir os custos de transporte. reduz os teores de amido da dieta.6%/h e que o desaparecimento dessa fração após 96 horas de incubação foi de 90%.1Kg por dia de ração contendo CS moída. (1988). como taxa de digestão. respectivamente). experimentos in situ demonstraram que a fração FDN da casca de soja foi fermentada a uma taxa média de 5. quando estes foram alimentados com 2. O efeito desses métodos de processamento físico na digestão e no valor nutritivo da CS de soja para carneiros e bovinos foi avaliado por Anderson et al.05Kg por dia de CS moída ou peletizada.5mm). por sua vez.093/h e 0. não diferindo dos valores encontrados para os outros tratamentos.105Kg) em comparação com a ração contendo CS peletizada (0. gravidade específica elevada (após hidratação) e características da sua fração fibrosa. CS peletizada e CS sem processamento. Foram utilizadas três formas físicas diferentes: CS moída (a 1. influencia o tempo de retenção ruminal. 176 . quando substitui grão de cereais. (1988) encontraram que a taxa de passagem pelo rúmen foi superior para a casca de soja moída (4. Quando novilhos foram suplementados com 1. taxa de passagem das partículas. Nakamura e Owen (1989) determinaram a taxa fracional de passagem (h-1) da casca de soja em vacas em lactação consumindo dietas contendo silagem de alfafa e concentrado (razão de 50:50 na MS) na qual a casca de soja substituiu o milho para fornecer 25 e 48% da MS da dieta. o que leva a uma melhor digestibilidade da forragem. ou moída e peletizada. Assim.

Este experimento permitiu concluir que a substituição parcial de milho moído por 70% de CS em dietas de novilhos não afetava o desempenho.35 e 1. trabalhando com novilhos. (2006) testaram a substituição parcial (70%) do milho moído pela CS em dietas contendo farelo de girassol. Os níveis de CS na MS total da dieta foram de 20%. Este efeito é mais evidente em dietas com 45% ou mais de carboidratos não fibrosos.89Kg/dia) não foram influenciados pelas dietas com milho moído e casca de soja. Ipharraguerre et al. 2. respectivamente. e observaram que a substituição de até 75% (30% na MS da dieta) não afetou o ganho de peso (1. O maior nível de substituição testado (100%) correspondeu a 33% de CS na MS da dieta total. recebendo diferentes níveis de CS ( 0.41 e 3. próximo dos 14% estimados por Firkins (1997).74kg MS ingerida/kg de ganho).De acordo com Ipharraguerre et al.73Kg/dia). Restle et al. 20. Neste estudo. alimentadas com silagem de milho. 75. (2004). no entanto. UTILIZAÇÃO DA CASCA DE SOJA Anderson et al. (2002b). 50. ureia e silagem de milho para novilhos. comparando com a dieta-controle.29Kg/dia para as dietas de milho moído e casca de soja. o aumento médio observado na digestibildade da FDN do trato digestivo total para dietas com casca de soja em substituição ao milho moído foi de 11%. Já Fisher e Muhlbach (1999) avaliaram a substituição do grão de milho pela casca de soja nos níveis de 0. causado por um ambiente ruminal desfavorável. 25. já o pH do rúmen dos novilhos suplementados com milho (25 e 50% da MS da dieta) foi inferior a 6. apresentando valores de 1. O estudo da digestão mostrou maior digestibilidade da MS para a dieta de forragem suplementada com milho em comparação com a suplementada com CS. (1988) constataram que a CS foi igual ao milho em energia para sustentar o crescimento de bezerros. devido ao efeito associativo negativo sobre a forragem da dieta.17kg/dia) e a conversão alimentar (7.40 e 1. 10. 30 e 40% na MS da dieta) em 177 . Ezequiel et al. O ganho de peso também não foi influenciado. 50 e 75% em dietas de novilhas.78 e 9. O pH do rúmen dos novilhos suplementados com CS (25 e 50% da MS da dieta) foi sempre superior a 6. 100%). PB (1. 25.22Kg/dia) e FDN (3. Esta melhor eficiência alimentar com a inclusão da CS pode ser explicada pela melhora no ambiente do rúmen. Esses resultados sugerem que o milho é mais digestível que a CS. entretanto a suplementação com milho deprimiu. respectivamente. os valores de energia líquida aparente da CS e do milho nesta situação foram semelhantes. levando a um melhor aproveitamento da fibra. testaram cinco níveis de substituição do grão de sorgo pela casca de soja (0. foram observados um aumento no ganho de peso com a inclusão de CS e uma redução na conversão alimentar. (2002a) estudaram o desempenho de vacas no terço médio de lactação. principalmente do volumoso que contribuiu com 60% da matéria seca da dieta. sem raça definida. o pH do rúmen que a dieta suplementada com CS. Os consumos de MS (10. mais rápido e em maior extensão.

desde que a participação do concentrado seja de 60%. 10. Miron et al. com dieta à base de cana-de-açúcar (40% na MS) e concentrado (60% na MS da dieta). Em experimento idêntico ao anterior. As dietas eram compostas de 23% de silagem de alfafa. produção e composição do leite. 10% CS e 10% MM. não foram verificadas diferenças com relação à variação de peso corporal. Com o aumento dos níveis de CS na dieta. a casca de soja serve como um bom substituto do fubá de milho. assim como no experimento anterior. De acordo com os autores. 20 e 30% de CS e apresentou uma tendência de produzir menos 1. Neste experimento. Para todos os tratamentos. houve uma diminuição numérica na produção de leite (-1. Assis et al. Não foi observada diferença na produção de leite e no teor de gordura quando se substituiu parcialmente o milho do concentrado por 50% de CS com base na matéria seca.33Kg/vaca/dia). Ipharraguerre et al. bem como para digestibilidade aparente da matéria orgânica no trato total (em torno de 25% no rúmen e 63% pósruminal). Já Pedroso et al.05) para consumo de matéria seca.3Kg/dia) não variou para os tratamentos 0. Não houve diferença significativa para o consumo de MS. (2002b) não observaram diferenças em relação ao consumo de matéria seca e matéria orgânica. Ambos os grupos 178 . o consumo de MS e a composição do leite.3kg de leite por vaca por dia) no tratamento em que 40% de casca de soja foram adicionados à MS da dieta. sem prejuízo ao desempenho produtivo de vacas leiteiras de alta produção. A substituição do MM por CS de soja não alterou a produção de leite (em média 28. Os resultados deste experimento sugerem que a CS pode suprir até 30% da MS da dieta de vacas no terço médio da lactação sem deprimir a produção. tendo como volumosos silagem de milho (30% na MS da dieta) e feno de coastcross (10% na MS da dieta). (2004) avaliaram a performance de vacas alimentadas com péletes (36% da MS da dieta) formados por 50% de cevada ou 50% de CS. (2004) avaliaram níveis crescentes de casca de soja (0.substituição ao milho no concentrado. 23% de silagem de milho e 54% de concentrado com base na MS.2Kg/dia de leite para o tratamento com 40% de CS. (2007) testaram a substituição do milho moído (MM) por CS na dieta de vacas no terço médio de lactação. e 20% CS e 0% MM com base na MS total da dieta. A adição de CS aumentou a porcentagem de gordura do leite e sólidos totais. As produções de leite e leite corrigido para 3. o nível de CS na MS da dieta foi de 20%. 67 e 100%). em substituição ao fubá de milho no concentrado de vacas leiteiras com produção média de 30kg de leite por dia. Foi concluído que a cana-de-açúcar pode sustentar produções de 20Kg/dia em vacas no terço médio de lactação. com média de 20Kg de leite/dia. (2007) também trabalharam com vacas em terço médio de lactação. quando comparado com o controle. houve um aumento do consumo de FDN e FDA. não foram observadas diferenças (p>0. 33. Os animais avaliados foram divididos em três lotes de acordo com o período de lactação e. e que a substituição de 50% do milho por CS pode ser realizada de acordo com a disponibilidade e conveniência econômica.5% de gordura também não foram afetadas. porém avaliando vacas no início e não no terço médio de lactação. relacionado à maior concentração destes na dieta. Foram avaliadas três dietas: 0% CS e 20% MM. mostrando que as dietas supriram a alta produção de leite sem prejudicar o restabelecimento da condição corporal dos animais. ao final do experimento. porém. Oliveira et al. A produção de leite (29.

De acordo com Ipharraguerre e Clark (2003). principalmente quando se utilizam diferentes fontes de FDN (Mertens. 2003). Por outro lado. respectivamente. Não foi observada diferença na ingestão de MS.9 e 38. Stone (1996). já a dieta com CS teve 31% da FDN total proveniente das forragens. Assim. a CS tem pequeno tamanho de partícula e alto peso específico que. Fatores como o conteúdo de lignina. mas o percentual de gordura do leite aumentou.receberam uma mistura básica com 17% de FDN proveniente de forragem. Esse aumento no teor de gordura do leite foi explicado por um aumento na digestibilidade da fibra e uma melhora no ambiente ruminal.3Kg/dia para a dieta com CS e silagem de milho.5% da MS total da dieta) sob condições de clima quente.9% de FDN. (2004) realizaram um experimento com substituição da silagem de milho por CS (16. 2003). em má qualidade ou quando se tem necessidade de aumentar a energia da dieta sem a inclusão de amido. Entretanto. A inclusão de CS em substituição à cevada em dietas de vacas de alta produção aumentou a ingestão e a digestibilidade da FDN. fornecida como silagem de alfafa. a FDN da CS não afeta a ingestão de MS na mesma proporção que a FDN das forragens devido a sua cinética de digestão e características físicas. Halachmi et al. quantidades de fibra e carboidratos não estruturais digeridos e ainda no sítio de digestão podem causar uma redução na fonte e/ou quantidade de energia requerida para produção máxima de leite para vacas leiteiras de alta produção (Ipharraguerre e Clark. Diversos trabalhos têm demonstrado não haver alteração no consumo de MS quando o milho é substituído pela CS em níveis de 15 a 48% de MS total da dieta (Ipharraguerre e Clark. As dietas controle e com CS apresentaram 35. poderia dobrar a taxa de passagem pelo rúmen. 38. o que levou a uma menor produção de proteína microbiana. A produção de leite não se alterou (40kg/dia). a dieta-controle tinha 50% da FDN total proveniente das forragens. respectivamente. citado por Ipharraguerre e Clark (2003). diferenças na fonte de energia. Essas observações evidenciam que a utilização do teor de FDN como preditor único do consumo de MS parece ser inadequada. por CS na dieta-controle que continha 52% de 179 . a CS tem uma proporção de FDN potencialmente degradável maior e pode ser degradada em uma taxa maior que a maioria das forragens. Quando mais de 30% da MS da dieta suprida pelo milho é substituída pela casca de soja. Nesse experimento. a taxa e a extensão da digestão da parede celular. o tamanho e a densidade de partículas devem ser considerados para a avaliação do consumo de MS. 1997). na dieta com CS ocorreu uma redução da proteína do leite. substituiu 14% da dieta. A CS também tem sido utilizada para substituir forragens quando esta ela em falta. Foi observado um aumento na produção de leite. favorecendo microrganismos celulolíticos. Além disso. sendo creditada essa redução a um menor aporte de carboidratos não fibrosos ao rúmen. devido aos maiores teores de FDN da dieta com CS. houve um maior consumo de FDN desta dieta. Também foi observado um aumento na produção total de gordura e proteína para a dieta com CS.5 e 36. comparado às forragens. a composição dos carboidratos estruturais.

Os teores de gordura do leite não foram alterados. quando a CS aumentou na dieta (de 11 para 22%). quando a forragem representa 50% ou mais da MS total da dieta e tem tamanho de partícula que garanta adequada efetividade física. se mantiver adequado após a inclusão da CS. ocorre uma redução da efetividade física da dieta (medida pelo estimulo à mastigação). elevando as concentrações de ácidos no rúmen e ocasionando uma diminuição na ingestão de matéria seca (IMS) destes animais.9Kg/dia) com a substituição da silagem de alfafa por CS.7 e 23. Por meio de equações de regressão múltiplas. 2) substituições de milho grão por casca de soja em quantidades superiores a 25% da MS da dieta podem prejudicar a produção de proteína do leite. Ipharraguerre e Clark (2003) sumarizaram dados de diversos experimentos que avaliaram a inclusão de casca de soja em dietas de bovinos leiteiros. Cunningham et al. (1993) testaram a substituição de 11 e 22% da MS da dieta fornecida como silagem de milho por CS. Por outro lado.7 e 45. entretanto não houve diferença na produção de leite e na porcentagem de gordura do leite. Já Weidner e Grant (1994) não encontraram diferença na produção de vacas quando se substituiu o volumoso (silagem de milho e alfafa em proporções iguais) por CS em 15% da MS na dieta. a CS apresenta uma efetividade química que pode prevenir uma depressão da gordura do leite. Ocorreu um aumento de ingestão de MS (20. A FDN proveniente das forragens em relação à FDN total passou de 86% na dieta-controle para 60% na dieta com CS. devido a uma menor ingestão de carboidratos não estruturais. A FDN fornecida pela forragem em relação à FDN total da dieta diminuiu de 76% na dieta-controle para 58 e 40% nas dietas com 11 e 22% de CS. O FDN proveniente das forragens passou de 71 para 47% em relação ao FDN total de dieta. Com a substituição da forragem pela CS. que inclui a efetividade física e química da dieta. do contrário. estes autores concluíram que: 1) a inclusão de casca de soja em quantidades superiores a 30% da matéria seca em dietas com altas concentrações de grãos pode levar a uma diminuição na fibra fisicamente efetiva. A dieta-controle era composta de 60% de forragem. A dieta-controle continha 50% de forragem (10% silagem de alfafa e 40% de silagem de milho). Nos casos em que a forragem constitui 50% ou menos da MS da dieta total ou tiver partículas pequenas. a substituição por CS pode deprimir a produção de leite em consequência de um inadequado suprimento de fibra efetiva.forragem (silagem de alfafa e silagem de milho em proporções iguais).9Kg/dia) e produção de leite (40. a inclusão deste subproduto resulta em diminuições no desempenho de vacas de leite. a substituição de forragem por CS pode não afetar ou até aumentar a produção de leite (Ipharraguerre e Clark. 180 . 3) a substituição de volumosos por casca de soja só é conveniente quando a dieta é composta por 50% ou mais de forragens e estas apresentam um tamanho de partícula que garanta efetividade física. A CS pode substituir a forragem quando o suprimento de fibra efetiva (FDNe). 2003). No entanto. respectivamente. em vacas multíparas com média de 37Kg/dia de leite. Nesse estudo. a ingestão de MS reduziu linearmente.

e na menor capacidade de estimular a ruminação e a salivação.. OLIVEIRA.. Acessado em: abr.J. Ambos os parâmetros restringem o desenvolvimento de um potencial máximo de produção animal.S. J. quando realizada uma adequada suplementação volumosa. COMPANHIA NACIONAL DE ABASTECIMENTO. D.. M..3. DROUILLARD. S.J. In: REUNIÃO ANUAL DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE ZOOTECNIA. (MF-2438). Consumo. MCDONNELL.C. p. et al. SBZ.2965-2976.M. Quarto levantamento.gov. MERILL. 2004. Campo Grande. J. Disponível em: http://www.. J. ASSIS. quando este alimento substitui grãos de cereais no concentrado. CAMPOS. TITGEMEYER. 1988. et al. E. A CS pode substituir forragens em até 22% da MS total da dieta.br/conabweb/download/safra/3graos_08. I. para um adequado balanceamento da dieta. KS: Kansas State University.. 2009. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ANDERSON.. A CS pode substituir grãos de cereais em níveis de até 30% da MS da dieta.L. A.S.conab. quando substitui grãos de cereais na dieta. Desta forma. Acompanhamento da safra brasileira 2008/09. variação de peso. v.K. CONSIDERAÇÕES FINAIS A CS apresenta bom valor nutritivo para ruminantes por apresentar alta digestibilidade da fibra.09. desde que se tenha adequado suprimento de fibra efetiva. Anais. Casca de soja em dietas de vacas leiteiras. 4. Digestibility and utilization of mechanically processed soybean hulls by lambs and steers. Manhattan. et al. pode manter os níveis de produção animal por melhorar a digestibilidade da fibra da forragem.pdf. produção e composição do leite. LIMITAÇÕES DE USO A limitação na inclusão da casca de soja em dietas de bovinos leiteiros está em função da diminuição nos níveis de energia da dieta total. 41. Anim.66. Campo Grande.. J. 181 . 2000. A. os limites de inclusão na dieta devem ser respeitados.S. A CS. Soybean hulls.. quando substitui alimentos volumosos.. BLASI. e a análise química realizada previamente. 2004.A. Composition and feeding value for beef and dairy cattle. Sci.CD-ROM. Níveis maiores podem ser utilizados.

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Escola de Veterinária da UFMG. o aproveitamento de restos de culturas e subprodutos da agroindústria tem se mostrado interessante e viável na alimentação de animais de menores exigências (Cândido et al. MSc.. será abordado o efeito do tratamento com ureia ou amônia nos resíduos de culturas e da indústria sobre a composição química. Bolsista CNPQ.ufmg. Escola Agrotécnica Federal de Machado. MG.1. DSc. Belo Horizonte. INTRODUÇÃO Nas regiões tropicais do Brasil. wilsonvet2002@gmail. A digestibilidade da energia contida nas palhas e nos resíduos é de apenas 40-50%.com. Prof. alexmteixeira@yahoo. cgjayme@gmail. Caixa Postal 567. luciocg@vet. de forma que o 1 Médico Veterinário. Lúcio Carlos Gonçalves2. bem como os reflexos sobre o desempenho animal.com 2 Engenheiro Agrônomo. segurança e as recomendações de uso serão abordadas no decorrer do texto. CEP 30123-970. Belo Horizonte.com 4 Médico Veterinário. e a digestibilidade. Entre as opções existentes no momento. 1999). Associado Departamento de Zootecnia da Escola de Veterinária da UFMG. de fenos provenientes de plantas colhidas no estádio de desenvolvimento avançado.br 3 Médico Veterinário.CAPÍTULO 12 UREIA E AMÔNIA EM RESÍDUOS AGROINDUSTRIAIS PARA RUMINANTES Wilson Gonçalves Faria Jr. 1993). Belo Horizonte. MG. As técnicas de tratamento.br 184 . Neste capítulo. Assim. sua produção energética como alimento para gado é baixa. Cristiano Gonzaga Jayme3. MG.. CEP 30123970. DSc.. além do uso da forragem resultante da colheita de sementes de gramíneas forrageiras. Doutorando em Zootecnia. Doutorando em Nutrição Animal. ricos em fibra contendo pouca proteína e minerais. Escola de Veterinária da UFMG. a produção estacional de forragem é um fato concreto que tem causado enormes prejuízos à pecuária nacional. Caixa Postal 567. Alex de Matos Teixeira4 RESUMO O aproveitamento de palhas e resíduos de cultura ou fenos de baixa qualidade por ruminantes pode ser potencializado com a amonização desses materiais com o uso de ureia ou amônia anidra. CEP 30123-970. constitui uma alternativa que pode atenuar a escassez de alimento durante a época de seca e melhorar a eficiência da exploração pecuária (Reis e Rodrigues. O uso crescente de palhas e de outros resíduos acompanha o aumento de preço de alimentos de melhor qualidade.. O aproveitamento de resíduos de culturas anuais de verão e de inverno. ou mesmo daqueles que sofreram perdas de qualidade a campo. São essencialmente alimentos energéticos. MSc. pois a maioria dos produtores não se prepara para suplementar os rebanhos no período de escassez de forragem de boa qualidade. O consumo voluntário é baixo. Caixa Postal 567..

com digestibilidade próxima a 100%. e a parede secundária. favorecer a solubilização parcial das hemiceluloses. composta de três subcamadas de celulose e hemiceluloses (Duarte. A eficiência de aproveitamento desses volumosos pode também ser aumentada por meio de tratamentos biológicos. A 185 . 1991). A amonização de forragens utilizando a amônia anidra. Aspectos relativos à química da parede celular e à anatomia vegetal influenciam na digestibilidade das forragens pelos microrganismos ruminais (Akin. visando à melhoria do valor nutritivo de volumosos de baixa qualidade (Reis e Rodrigues. principalmente.0%) e de fibra em detergente ácido (FDA. As informações de Reis e Rodrigues (1993) ressaltam a baixa qualidade desses volumosos. que contém algumas microfibrilas desordenadas de celulose e.consumo de energia digestível do gado em dietas de palhadas usualmente não é maior do que 100kcal/UTM (unidade de tamanho metabólico) por dia. não poluir o ambiente. pois apresentam alto conteúdo de parede celular (valores acima de 60. 1977). 1991). compostos não glicosídicos (ligninas. fornecer nitrogênio não proteico. que contém quase a totalidade da celulose. estendendose dentro da parede secundária. além de minerais e vitaminas.). e a parede celular. e sua utilização depende da digestão microbiana. Inúmeros métodos químicos têm sido avaliados. 2001). 1988). muitas vezes. ceras. na maior parte. cutinas. A parede celular é composta por duas estruturas: a parede primária ou mais externa. provocar decréscimo no conteúdo de fibra em detergente neutro (FDN). As ligninas interferem na digestibilidade dos carboidratos por diversos mecanismos.0%). A parede celular representa a fibra das forragens (Duarte. aumentar o consumo e a digestibilidade. físicos e químicos.0%) e baixos teores de proteína bruta (PB. 1. O espaço intercelular contém. A lignificação inicia-se na parede primária. Os autores consideram que esses alimentos podem ser utilizados eficientemente na nutrição de ruminantes. ASPECTOS QUÍMICOS DA COMPOSIÇÃO DA FIBRA A matéria seca das forragens é composta de duas frações: os conteúdos celulares. acima de 40. minerais etc. desde que suplementados com fontes proteico-energéticas. amônia líquida ou ureia tem sido uma das alternativas em razão de ser de fácil aplicação. de minerais e de vitaminas. hemiceluloses e ligninas encontrada no vegetal. 1993). não são economicamente compensadores em função dos custos. além de conservar as forragens com alto teor de umidade (Rosa e Fadel. abaixo de 6. o que é suficiente apenas para mantença (Jackson. suberina. Todavia. dentre os quais a incrustação e a formação de complexos ligno-polissacarídeos. pectina. que incluem as substâncias solúveis em água e a maioria dos lipídios e das proteínas.

Os dados de composição e os coeficientes de digestibilidade baixos observados pelos autores indicam a baixa qualidade dos resíduos estudados. 1991). 1988. o que era de se esperar. (1988). tais como razões folha e caule na palha. Os baixos valores de digestibilidade de proteína são funções dos baixos valores de proteína bruta no material utilizado. como observado na Tabela 3. 1982). QUALIDADE NUTRICIONAL DE PALHAS E RESÍDUOS A composição química e a digestibilidade in vitro da matéria orgânica (DIVMO) de palhas de diferentes vegetais apresentam diferenças que. Bonjardim et al. Sob o ponto de vista de composição química. salientando-se o bagaço de cana-de-açúcar.. exceto a palha de arroz. De fato. com o aumento da maturidade fisiológica. No entanto. os resíduos de culturas ou da indústria apresentam baixos teores de proteína bruta e altos teores de parede celular. FDN. Horn et al. isso pode ser explicado pela formação de ligações tipo éter entre carboidratos e ácido p-cumárico. segundo While et al. influenciando o crescimento de plantas e. verifica-se maior deposição de compostos fenólicos que nas leguminosas (Duarte. Os valores de energia bruta são pouco variáveis. podem ser devido a fatores genéticos e ambientais. são de baixa qualidade nutritiva.composição química das ligninas parece ser mais importante do que a quantidade na digestibilidade dos carboidratos (Akin. esses autores observaram diferenças nos conteúdos de matéria seca (MS). As ligninas das leguminosas contêm menores concentrações de compostos fenólicos álcali-lábeis do que as gramíneas. Como consequência.. em parte. para o feno de capim-estrela sem tratamento. entre todos os outros. (1992) observaram. foram determinados a composição química (Tabela 1). situando-se o bagaço de cana como pior. ou pelos efeitos tóxicos desse ácido na microflora do rúmen de forma generalizada. as diferenças nas proporções dos componentes morfológicos de plantas.33%. valores de digestibilidade in vitro da matéria seca de 38. que os coeficientes de digestibilidade são muito baixos. pois sabe-se que o avanço no estádio de crescimento das plantas produz um decréscimo da digestibilidade de todos os constituintes. em geral. PB. Os dados de composição em nutrientes brutos dos resíduos indicam que. nas gramíneas. que apresentou menor valor em consequência do alto teor de sílica. a menos que a capacidade de consumo desses volumosos fosse ilimitada. Prates e Leboute (1980) realizaram um trabalho para determinar o valor nutritivo de alguns resíduos de cultivos e de indústrias comumente disponíveis. não poderia fornecer os nutrientes necessários. 186 . por essas características. 2. Os ácidos p-cumárico e ferrúlico foram correlacionados negativamente com a digestibilidade das forragens (Chaves et al. sílica e de degradabilidade entre as variedades e os componentes morfológicos das palhas. qualquer um desses volumosos. o consumo voluntário e a digestibilidade utilizando-se ovinos (Tabela 2). Segundo Akin (1988). de uma maneira geral. Para tanto. 1989). Observa-se. oferecido como único alimento aos ruminantes.

Resíduos de cultura Palha de arroz Palha de trigo Palha de soja Palha capim-de-rodes Bagaço de cana 1 Matéria seca 86.2 2.9 ± 0.1 39.0 43.5 1.28 3. 1992b Queiroz et al.5 ± 4. Composição química dos resíduos de cultivos e de indústrias.1 10.7 ± 2.8 48.17 98.2 43. PB .3 41. (%MS).10 34. b Queiroz et al.1 0.9 ± 5.7 ± 3.93 8.8 ± 5. 1992 %.3 ± 10.2 ± 5. HEM .5 ± 6. Energia Digestível.2 35.0 23.8 ± 2.9 44.1 ± 5.2 8.68 MO1(%) 80.3 42.75 5. FDN .33 1. arroz e trigo revisados na literatura.2 28.61 4. FDA .1 ± 3.1 87.3 82.3 8.8 capim capim lanudo rodes Coeficiente de digestibilidade (%) 43.3 30.3 0.7 55.8 0.2 44.5 35.5 ± 3.4 7.39 88.6 ± 3.1 41.8 ± 10.2 41.1 54.Fibra Detergente Neutro.4 43.2 ± 0.4 10.8 ± 9.Fibra Detergente Ácido.9 ± 4.0 38. DIG Digestibilidade in vitro da MS.4 83.6 26. 1990a.30 3.2 44. Metabólico. CEL .5 60.6 39. 1992a Das et al. Composição química e digestibilidade de palhas de milho.9 ± 0.2 22.26 83. 3Energia Bruta..4 ± 2. 2Matéria Orgânica.0 ± 3. 2Proteína Bruta. 187 .0 7.9 ± 1.1 25.0 8.7 45.9 23.2 0.4 30.4 13.3 Consumo voluntário máximo trigo soja 37.33 Expresso como % de matéria seca PB2(%) EB3(Kcal/g) PC4 (%) 5. Resíduo Palha de milho Palha de arroz Palha de trigo Palha de trigo Palha de trigo Palha de trigo 1 2 MS1 MO2 PB2 FDN2 FDA2 HEM2 CEL2 LIG2 DIG2 91.3 ± 2.4 53.2 ± 2.36 4.Celuloses. Fonte: Adaptado de Prates e Leboute.. MS .7 47.2 ± 3. Digestibilidade e consumo voluntário em ovinos dos resíduos de cultivo e da indústria.9 9.78 94.Matéria Seca.9 ± 7.77 4.09 82. Palhas de arroz MS1 MO2 Nitrogênio Energia g MS/UTM5 g PD3/UTM kcal ED4/UTM 1 47.57 73.21 4.08 45.9 79.7 ± 0.1 98.37 4.6 56.3 29.2 73.08 87.0 32.1 ± 1. 1980.0 ± 4.9 49.8 3.Matéria Orgânica. LIG .7 ± 2. Unidade de Peso Tabela 3.8 54.3 47.5 ± 1..0 ± 2.6 ± 4. Fonte: Adaptado de Prates e Leboute. Tabela 2.6 5.2 ± 4.Proteína Bruta.09 55.47 94..9 ± 1.03 3.72 91.1 ± 2.MO .9 ± 3.Tabela 1.6 42. 1991 Ferreira et al.2 43.Ligninas.54 86.16 86. 4Parede celular.9 - Autores Guimarães et al.62 80.8 35. 3Proteína Digestível.7 79.4 5 Matéria Seca.8 4 bagaço de cana 25.2 ± 0.38 84.3 ± 1.27 Matéria Orgânica..9 ± 5.4 57.11 94.72 82. 1993 Singh e Makkar.8 0.3 0.3 76. 1980.Hemiceluloses.

fica claro que nenhum dos resíduos fornecidos como alimento único permitirá ao animal atingir consumo suficiente de matéria seca. e não deveriam ser de manuseio perigoso.04 11 3303 Bagaço de cana 0. Comparação entre os consumos de matéria seca. in vivo e in situ da matéria seca.68 135 5339 Palha de capim-lanudo 2.50 190 11. 188 . preferencialmente ser um nutriente para o animal.06 17 5714 Palha de soja 2. Outros aspectos importantes correspondem ao efeito corrosivo das substâncias e ao risco de contaminação do solo e cursos d’água.11 48 4021 Palha de capim-de-rodes 2. proteína ou energia digestível para sua mantença. Os dados obtidos pelos autores indicam que a seleção de materiais pode ser feita no sentido de melhorar a qualidade das palhadas sem prejuízo na produção de grãos. o estudo realizado por Silva e Guedes (1990) confirmou a grande variação que pode existir na composição química e digestibilidade de palhas em função de fatores como cultivar e ambiente. ter baixo custo para aquisição e aplicação. assim.Observando-se a Tabela 4. 3Energia Digestível. não ser tóxico aos animais. (1993). 3.11 62 6331 Palha de trigo 3. De acordo com Reis et al. mas sim apresentar reação rápida com o volumoso. Contudo. proteína digestível e energia digestível dos resíduos estudados e as exigências para mantença de um novilho de 300kg de peso vivo. Reis e Rodrigues (1995) ressaltam que nenhum dos produtos químicos utilizados atualmente. os efeitos da amonização estão relacionados com a solubilização de hemiceluloses e com o aumento nos teores de nitrogênio total. o desempenho dos animais.61 0 615 1 Matéria Seca. O produto químico a ser utilizado na amonização de volumosos deve apresentar as seguintes características desejáveis: ser de fácil disponibilidade no mercado. atende a todas essas especificações enumeradas. Consumo total 1 MS (Kg/dia) PD2 (g/dia) ED (kcal/dia) Exigências (300kg)* 4. Tabela 4. resultando em elevação de digestibilidade in vitro. Tais alterações podem aumentar a digestibilidade e o consumo desses alimentos e.340 Palha de arroz 3. Tal fato indica a necessidade de aplicação de práticas que melhorem o aproveitamento e a digestibilidade desses alimentos com o objetivo de aumentar o consumo e propiciar a utilização desses materiais de forma mais eficiente. AMONIZAÇÃO A amonização pode promover alterações acentuadas na composição química das frações nitrogenada e fibrosa das forrageiras. Contudo. Fonte: Adaptado de Prates e Leboute. no tratamento de volumosos de baixa qualidade. 1980. 2Proteína Digestível.

R1 Carboidrato estrutural. Amônia anidra A amônia anidra é um composto químico que apresenta características próximas às da água. 1993). possui odor picante e fortemente penetrante. 2ª Reação . e apresenta as seguintes características: peso molecular igual a 17. ou átomo de hidrogênio.1. NH3 + H2O NH4OH 189 . ou seja. parte da lignina e da sílica pode ser dissolvida. que é uma base fraca (Reis e Rodrigues.35°C.3. resultando na formação de amidas (Reis e Rodrigues.1. 1993).Amoniólise: A principal reação que ocorre entre a fração fibrosa e a NH3 é a amoniólise das ligações do tipo éster. 3. Em estado gasoso.Formação do hidróxido de amônio: A alta afinidade entre a NH3 e a água existente nos volumosos resulta na produção de hidróxido de amônio (NH4OH). Segundo os dados relatados no Manual de amônia. O O ⎢⎢ ⎢⎢ R-C-O-R1 + NH3 R-C-NH2 + H-O-R1 R Carboidrato estrutural. o que equivale a 512. de hidróxido de amônio (NH4OH) e de ureia (Reis e Rodrigues. Comitê de Amônia (1977). A ação da amônia anidra sobre a fração fibrosa de volumosos pode ser explicada. Dessa forma. Reações químicas Durante o tratamento. existente entre as cadeias de hemicelulose e os grupos de carboidratos estruturais ou entre moléculas de carboidratos estruturais e a lignina. melhorando a digestibilidade e o consumo das palhas (Van Soest. e as ligações intermoleculares do tipo éster. e não apresenta sensibilidade à luz.03g/g mol. o que potencializa o ataque das frações fibrosas pelos microrganismos ruminais. ponto de ebulição a 760mm Hg igual a 33. ou unidade fenilpropano de lignina. 1994). pode ser usada como solvente. A amônia anidra apresenta corrosividade a materiais constituídos pelos seguintes elementos químicos: cobre. citado por Reis e Rodrigues (1993).1. destacando-se o uso de amônia anidra (NH3). por meio das seguintes reações químicas: 1ª Reação .5% de proteína bruta. ponto de solidificação a 760mm HG igual a 77. entre o ácido urônico das hemiceluloses e da celulose. publicado pelo Instituto Brasileiro do Petróleo. é incolor. a NH3 possui 82% de nitrogênio. zinco. 1993). prata e suas ligas. são também rompidas. alguns sistemas de tratamento químico estão sendo pesquisados na Europa e nos Estados Unidos.70°C e temperatura de autoignição igual a 850°C.

2. a partir da hidrólise da ureia. 2001). em primeiro plano. pode ocorrer a hidrólise alcalina das ligações tipo éster existentes nos volumosos (Reis e Rodrigues. em função do baixo conteúdo de umidade dos volumosos a serem tratados (fenos. Quimicamente. que não são considerados tóxicos (Santos et al. ocorre a liberação de NH3 a partir da ureia. sendo 190 . quando se usa NH3. Uma alternativa viável para se proceder à amonização de volumosos de baixa qualidade é o sistema do qual se obtém a NH3. 1993).1.. É importante considerar que. Todavia. resíduos de cultura. o pH da forragem tratada com NH3 tende a se elevar em função da formação de NH4OH. possui em sua composição pequena quantidade de ferro e chumbo.Hidrólise alcalina: A partir do hidróxido de amônio. é classificada como amida. forrageira após o florescimento). em condições hermeticamente fechadas e sob ação da uréase. por meio da hidrólise da ureia (Dolberg. 3. Nesse sentido. Ureia e hidróxido de amônio A adoção de sistemas de tratamentos químicos de volumosos requer a avaliação criteriosa de aspectos referentes à relação custo-benefício. álcool. R1 Carboidrato estrutural. possui cor branca e é cristalizada por meio do sistema prismático. NH2 O=C NH2 Uréase H2O CO2 + 2NH3 Esse sistema de tratamento baseia-se no fato de que. A amônia proveniente da ureia reage com os componentes da fração fibrosa dos volumosos como descrito anteriormente. ou átomo de hidrogênio ou unidade fenilpropano de lignina. devem-se considerar. composto orgânico sólido. a disponibilidade e o custo dos produtos químicos. O O ⎢⎢ ⎢⎢ + R-C-O-R1 + NH4OH R-C-O + NH4 + H-O-R1 R Carboidrato estrutural. daí ser considerada um composto nitrogenado não proteico (NNP). É importante salientar que inúmeros fatores podem afetar a eficiência da liberação de amônia.3ª Reação . A ureia é solúvel em água. 1992). a hidrólise alcalina tem menor participação no processo de “amonização”.

ainda tem sido feito em pequena escala se comparado aos outros sistemas de tratamento. UMIDADE E USO DE UREASES Segundo Jackson (1977).0%. O aumento da umidade para 30. 4. Em resíduos de cultura de milho. Sarmento et al.os mais importantes: o conteúdo de umidade dos volumosos. na 191 .0% da matéria seca do volumoso. a adição de grãos de soja crus não teve efeito significativo quando aplicados em resíduos de milho. Segundo Hadjipanayiotou (1982). seus únicos efeitos significativos foram sobre os valores de FDN e DIVMS. e. os resultados foram menos homogêneos. (2000) estudaram o efeito da soja crua. Ferreira et al. No entanto. Segundo Dolberg (1992). O uso do hidróxido de amônio. temperaturas superiores a 100°C à pressão atmosférica não potencializam a efetividade do álcali em aumentar a digestibilidade do volumoso.0% de amônia anidra em sua composição. a adição de grãos de soja crus aumentou o grau de ureólise na palha de trigo. Nos resultados obtidos por Munõz et al. o aumento no conteúdo de umidade. A combinação de altas temperatura e pressão. como fonte de uréase. A principal diferença está no grande volume de líquido utilizado comparado ao pequeno volume dos sistemas com NH3. a maior eficiência do tratamento com ureia pode ser obtida quando o volumoso possui teor de umidade de 30. que ocorrem durante a peletização. reduziu o conteúdo de fibra em detergente neutro (FDN). Em níveis de umidade baixos. a temperatura não influenciou nem o grau de ureólise nem a DIVMS.1% e 42. pode aumentar a eficiência do processo de alcalinização ao qual o material tratado é submetido. Além do sistema de tratamento com ureia.7%. (1991). quando aplicados em palha de trigo. que foram similares aos obtidos com a aplicação de ureia com umidade nos níveis de 31. pois o hidróxido de amônio possui 29. ou “água-amônia”. EFEITO DA TEMPERATURA. quando se aplicava amônia. a atividade de uréase dos volumosos. O processo de amonização com o NH4OH é semelhante ao da amônia anidra. A adição de uma fonte de uréase para facilitar o processo produz resultados que ainda são contraditórios e dependem da fonte de uréase.0%.0 a 8. com aumento de umidade para 40. o período de tratamento e a quantidade de ureia aplicada. As temperaturas usadas não foram limitantes e tiveram efeito significante (P<0. Aumentos maiores na digestibilidade são alcançados quando o material é cozido à pressão com soluções alcalinas. e a ureia é aplicada na dosagem de 4.0% produziu uma resposta positiva na maioria dos parâmetros químicos analisados. As informações relativas à influência do teor de umidade e da temperatura na aplicação de amônia anidra e ureia são frequentemente contraditórias. a amonização pode ser feita por meio do hidróxido de amônio.05) nos conteúdos de FDN e N total. mas não modificou os valores de DIVMS. (1993) não encontraram diferenças entre os aumentos nos teores de proteína bruta (PB) e digestibilidade in vitro da matéria seca (DIVMS) decorrentes do tratamento com amônia anidra de fenos de aveia contendo teores de umidade alto e baixo.

Já Bertipaglia et al. Os silos trincheiras.0% versus 5.5% da MS) em bagaço amonizado com 7.5% de ureia (base da MS). não havendo diferenças nos valores de DIVMS dos fenos tratados. de acordo com Reis et al.75% (base MS) melhorou a DIVMS do bagaço de cana tratado com ureia. TÉCNICAS PARA A AMONIZAÇÃO DE VOLUMOSO Como já mencionado anteriormente. armazenados por um período de 96 dias. em relação ao tempo de tratamento com amônia anidra. (2006) sugerem que maiores teores de umidade (15.1. a adição de fonte de uréase até 3. Os teores médios de PB e hemiceluloses não foram afetados pelos níveis crescentes de uréase. condições de segurança etc. Aplicação de amônia anidra Existem muitos procedimentos para a aplicação da amônia anidra.0%) tratados com 5. se possível. decumbes.0% ou 30. serão descritas as técnicas recomendadas para a aplicação dos diferentes produtos químicos. (2005) não encontraram benefícios na adição suplementar de uréase.amonização do bagaço de cana-de-açúcar por meio da ureia. no entanto altos níveis de soja crua (7. quantidade de forragem a ser amonizada. Peninsetum purpureum ou Leucaena leucocephala. podem causar decréscimos na DIVMS. A seguir. durante 60 dias. O uso de uréase (3.0% de ureia.0% versus 30. podem também ser utilizados. Utilizaram quatro níveis de fontes de uréase (0%. ureia e também do hidróxido de amônio.0% da MS) garantem maiores respostas na qualidade nutricional de fenos de B. na composição de fenos de B. Brizantha. A área onde os volumosos ou fardos a serem tratados serão empilhados deverá ser forrada com plástico ou ter o piso cimentado.0% da MS) promoveu benefícios somente em níveis mais elevados de ureia. foi influenciada pela duração dos tempos de amonização. os silos tipo cisterna. A escolha dependerá de fatores como: disponibilidade e material. com considerações bastante práticas. Pires et al. 3. 5. entretanto o teor médio de FDN do bagaço diminuiu. Por outro lado. (1991): Escolher um local plano. via fenos de B. bem drenado e.75% e 7. (1991). (1992b).0%) associados a maiores doses de amônia (3. O procedimento a seguir é uma possibilidade de aplicação proposta por Reis et al.5%).2. A perda de benefícios do tratamento com amônia anidra. após a retirada do plástico que protegia o material. 192 . O teor de umidade apresentou pouca influência nos efeitos da ureia e das fontes de uréase. próximo das instalações onde os animais receberão a forragem tratada. ou poço. mostram que o tempo de duração da amonização não interferiu sobre os aumentos de PB e DIVMS. como fonte de uréase. Os resultados obtidos no trabalho de Queiroz et al. 5. ou qualquer compartimento que possa ser hermeticamente fechado. a amonização pode ser realizada por meio da aplicação de amônia anidra. Brizantha com dois níveis de umidade (15.5%.

tem-se utilizado mangueira de alta pressão com diâmetro de 3/4 de polegada. Recomenda-se a adição de quantidades equivalentes a 2 a 4% do peso seco do volumoso a ser tratado. No ponto de conexão entre a mangueira que sai do cilindro e a que está no interior da pilha. a seguir. a tubulação ou vasilhame que receberá a amônia. A abertura do registro do cilindro deve ser feita lentamente. inclinado ou mesmo de “ponta-cabeça” (válvula de saída para baixo) sobre uma balança. Verificar a vedação da pilha e proceder à aplicação da amônia. calcula-se facilmente a quantidade total de amônia a ser aplicada. iniciar o fornecimento aos animais. de modo a evitar vazamentos. deixando a lona folgada em todas as laterais e no topo da pilha. descobrir as pilhas e. perda de amônia no momento de desconectar as mangueiras. Colocar o cano sobre a primeira camada de fardos e continuar a construção da pilha até atingir a altura e a largura desejadas em função da lona de cobertura. Após empilhar os fardos (retangulares ou redondos). e a outra deverá possuir uma redução para permitir a conexão com a mangueira que será acoplada à válvula de saída do botijão de amônia. o número de fardos. deve-se colocar um registro de PVC. É conveniente manter as pilhas protegidas para evitar chuvas. 193 . bem como os possíveis pontos de vazamento de amônia. dessa forma.8mm de espessura). Para tanto. deixando “de fora” apenas a ponta da mangueira que será conectada ao cilindro de amônia. colocar uma camada de fardos e.7cm). verificando-se as conexões. Uma das extremidades do cano deverá ser tampada. Fechar muito bem as laterais da lona em contato com o solo. evitando. usar sacos com areia ou terra para evitar qualquer vazamento de amônia. A tubulação deve ser de cano PVC de. cobrir com lona plástica (0. A quantidade de amônia a ser aplicada é baseada no peso de matéria seca da forragem ou simplesmente no peso bruto. Essa folga permitirá expansão do gás nas primeiras horas de tratamento. A mangueira deve ser de alta pressão. apropriada para resistir à pressão exercida pela bomba. O cano de PVC deverá ser perfurado de 30 em 30cm.6 ou 0. O cilindro de amônia deverá ser colocado na posição horizontal. Geralmente.Para a confecção das pilhas. O excesso da lona de cobertura deve ser cuidadosamente enrolado com a lona da base da pilha. Ao terminar a aplicação. duas polegadas. fechar o registro de PVC que foi colocado no ponto de conexão entre as mangueiras e inspecionar todas as laterais da pilha para verificar se existe algum orifício por onde esteja escapando a amônia. o peso total do material a ser tratado e a dosagem a ser aplicada. Sabendo-se o peso médio dos fardos. Após 21 a 30 dias de tratamento. aproximadamente. tendo os furos o diâmetro de um lápis (0. Por meio da pesagem contínua. pode-se aferir com precisão a quantidade de amônia aplicada. dois a três dias depois.

Caso ocorra queimadura de pele.30% de umidade). O teor de umidade adequado para o tratamento é no mínimo de 30%. de tal forma que fique hermeticamente fechado. A solução de ureia deve ser aplicada na forragem antes de ser enfardada. deve-se molhar a parte afetada com bastante água. 1993). deverá estar disponível banheiro com sabão para se prestar os primeiros socorros em casos de acidente e contato com a pele. retirar a vítima para local arejado e realizar a lavagem dos olhos com água corrente durante 15 minutos. irritação dos olhos e garganta. sob risco de intoxicação. A ureia deve ser aplicada diluída em água para garantir melhor uniformidade de distribuição.As seguintes medidas de segurança são imprescindíveis para o operador que efetuará o engate das mangueiras. existem outras possibilidades de métodos de aplicação cuja escolha dependerá dos mesmos fatores citados anteriormente. o material deve ser empilhado sobre uma lona plástica e recoberto com outra lona. devem-se retirar com rapidez as roupas molhadas com amônia e lavar a área atingida com água e sabão em abundância. Aplicação da ureia Da mesma forma que para a amônia anidra.2.0 a 8. silos cilíndricos e compartimentos fechados. fornecer solução de ácido cítrico a 5. Podem-se usar silos trincheira. É conveniente manter a pilha coberta para evitar água das chuvas. 194 . Os volumosos tratados devem permanecer em condições fechadas por duas a três semanas. para auxiliar na inativação do hidróxido de amônio. Se a vitima puder engolir. 5. Não deverá ser permitido o uso de tabaco durante a aplicação de amônia nas proximidades do local de tratamento. permitir a aeração por dois a três dias antes de iniciar o fornecimento aos animais.0%). a quantidade de água dever ser diminuída. ou vinagre doméstico. No caso de volumosos com alto conteúdo de matéria seca (90. Em volumosos mais úmidos (20 . Após o enfardamento.0 a 8. no mínimo. a fim de se evitar casos de queimadura. A ureia deve ser aplicada na proporção de 4. É aconselhável manter solução de ácido acético a 5%. recomenda-se a aplicação de ureia 4.0% do peso seco do volumoso.0kg de ureia diluída em 28 litros de água e aplicada em 100kg de forragem. para garantir uniformidade na distribuição. O operador deverá usar luvas de borracha. Em casos de irritação da garganta e cavidade nasal. deve-se levar a vitima ao pronto-socorro para avaliação médica adequada. Após a abertura das pilhas de fardos. Próximo ao local de aplicação do produto. Em casos de irritação dos olhos. a abertura da válvula do botijão e o reparo de quaisquer vazamentos. óculos de proteção e máscara de gás própria para trabalhar com amônia (Reis e Rodrigues. pois a amônia é um produto cáustico. Após os primeiros socorros.0% ou limonada.

embora se aconselhe picar as palhas oriundas de cereais de caules mais duros. como as de trigo (Dolberg.. (1986). 6. 1986). comparados aos seus controles. quando as descargas são usadas como fertilizantes. de celulose e de ligninas são controversos (Brown et al. O método desenvolvido nos Estados Unidos consiste em montar pilhas de fardos hermeticamente fechadas. iniciar o fornecimento aos animais. uma das principais alterações na composição química da fração fibrosa de volumosos tratados com NH3 é a solubilização das hemiceluloses. Teixeira (1990) relata aumentos do teor de PB da ordem de 159. notadamente na fração fibrosa e no conteúdo de nitrogênio total. Sem dúvida. (1988) observaram que menos parede celular foi isolada de palhas tratadas do que não tratadas. While et al.5 e 3. os volumosos devem permanecer sob lona plástica durante duas a três semanas. Da mesma forma que nos sistemas descritos anteriormente. A partir da volatilização da amônia da solução. uma vez que o tratamento causou a perda de hemiceluloses e uma perda proporcionalmente maior de ácido do grupo ferrúlico que do p-cumárico das paredes. O tratamento com amônia tem fornecido resultados similares em relação a consumo e digestibilidade da MS. para a palha de milho mais sabugo. (1988) avaliaram diferentes variedades de palhas de arroz e observaram que o efeito do tratamento com amônia foi pronunciado em todas as variedades e frações botânicas (caule e folhas). pois dependem do nível de aplicação. tem-se o inconveniente das perdas de amônia por volatilização. Os dados de inúmeros estudos que pesquisaram os efeitos da amonização sobre os conteúdos de FDA. 1992). 195 . De acordo com Birkelo et al. Mason et al. EFEITOS DA AMONIZAÇÃO NA QUALIDADE DO VOLUMOSO Resíduos de culturas de todos os tipos de cereais podem ser tratados com amônia. A análise desses estudos mostra aumento nos teores de FDA e de celulose dos volumosos tratados com NH3. do tempo de tratamento e da qualidade inicial do resíduo. A aplicação de amônia promove alterações na composição química de volumosos de baixa qualidade. 1978).3. Todavia. Seu uso também contorna o problema do acúmulo de sódio no solo. Após a abertura das pilhas (dois a três dias). e 61. tais como hidróxido de sódio. para o capim-elefante (Pennisetum purpureum Schum). a amônia é geralmente considerada mais aceitável do que outras substâncias.3%.7%. Aplicação de hidróxido de amônio A solução de hidróxido de amônio ou “água-amônia” pode ser aplicada por aspersão sobre o volumoso antes do enfardamento. respectivamente.. sendo o efeito maior nas variedades com menor valor nutritivo.0% de amônia anidra.5.6 e 105. tendo no centro um reservatório que receberá a solução de amônia. ambos tratados com doses de 1. e acrescenta N ao material normalmente deficiente. tem-se o contato da NH3 com a forragem. sendo que as de arroz podem ser tratadas inteiras. resultando em diminuição no conteúdo de FDN ou parede celular (Sundstol et al.8 e 273.

9 44.0% a 23.7 16. de 35.4 b 32. Todos os trabalhos evidenciam a melhoria no valor nutricional dos fenos.0 ab 0.6 c 12.6 a 54.7 45.1 a FDN 82.0 a 2. que influenciam na magnitude das respostas da amonização.1 a** 9.8 a 78.9 a 41.Nitrogênio ligado à FDN.8 c 9.7 a 80.6 46.0 a 5.2 50.2 46. 2Fernandes et al. 1986).8 b 41. Tabela 5. de modo geral.8 b 58.2 b 45.5 a 49.4 a 35.8 a* 8.4 b 58.7 a 48. (2002). alguns trabalhos têm mostrado decréscimo no conteúdo de ligninas. Efeito do tratamento com ureia ou amônia em fenos de gramíneas tropicais de baixa qualidade nutricional.0 a 87.3 a 29.1 27.0 a 30. LIG .5 38.8 38.(2003). brizantha e de 20.4 a 76.5 b 82.0 a** 7.3 a 31.7 a** 8.1 b HEM 32.5 b 81.5 a 59.8 a 21.0 b 80.Tal fato pode ser explicado pela elevação proporcional nesses valores. Na Tabela 5.2 c 61.2 48.7 15.4 a 56.9 50.0 b 66.8 18.8 83. no tempo de tratamento e por características inerentes ao volumoso.6 a 14.8 b 46.2 b 77.5 b 38.4 a Controle Ureia 5% Controle Amônia 3% Ureia 5% Brachiaria Controle decumbens3 Ureia 6% Brachiaria Controle decumbens4 Amônia 3% Ureia 5.Hemiceluloses.9 b 2.6 45. que.4 b 82.0 b CEL 39. com a solubilização das hemiceluloses aumentando a disponibilidade de carboidratos prontamente fermentáveis para os microrganismos do rúmen. Brown et al.4% Hyparrhenia Controle rufa4 Amônia 3% Ureia 5.2 b 77.4 a 72.3 40. considerando-se que os resultados são expressos em termos percentuais. CEL .4 a 12.5 c 59. Como pode ser observado para B. NIDN . decumbens.2 b 14. FDA . 4Reis et al.9 b 14.9 b** 7. Estes efeitos.4 a 5.39 a* 10.45 a* 7.5 a 9.1 b** 8. são apresentados os resultados de algumas pesquisas que avaliaram os efeitos da amonização de fenos de gramíneas tropicais de baixa qualidade nutricional com ureia ou amônia anidra.6 39.2 82.7 b 26.2 b 54.5 b 23.Fibra em detergente neutro. apresentam reduções nas frações fibrosas e aumento nos níveis de proteína bruta e digestibilidade da matéria seca.4 b 9.0 b 52.1 b** 7.2 b 38 35 36. resultam em elevação significativa na digestibilidade da forragem tratada (Sundstol et al. FDN . há diferenças nas composições químicas do feno não tratado.6 17.1 16.3 b 30. Fonte: Adaptado de 1Schmidt et al.5 b 13.8 b 42.7 b 12. % da MS Feno Brachiaria decumbens1 Brachiaria decumbens2 Tratamento PB 3.5 b* 7..5 a 47.1 b 77.0% para B.8 a 22.5 a 46. porém diferenças podem ocorrer por diferenças nos níveis de ureia utilizados.6 a 54.5 a 38. a amonização eleva o conteúdo de nitrogênio não proteico (NNP) dos volumosos.1 b 52.9 b 45.7 a 49.7 a 4.6 43 42.4 b 18.9 16.Fibra em detergente ácido. (2005). decumbens.7 b 54.0% para B.4 b** 8.Digestibilidade in vitro da matéria seca.9 b** 7.2 b 12. 3Gobbi et al.8 47. Os efeitos no valor nutricional dos volumosos pelo uso de ureia ou amônia tendem a ser semelhantes.7 a 48.Celulose.8 b NIDN* NIDA** 7. Por outro lado.3 40.Ligninas. via de regra.0% para o capim-jaraguá. em função da solubilização das hemiceluloses.9 a 79. NIDA .34 a* 8. 196 .4% Brachiaria Controle brizantha4 Amônia 3% Ureia 5.0 a 51. a amonização promove um aumento na DIVMS de 11.6 b 55.3 c** LIG DIVMS 40.8 b FDA 50. DIVMS .2 a 31.Nitrogênio ligado à FDA.2 b 0. De modo geral.3 42. HEM .(2001).3 a 0. 1978.4% PB= Proteína Bruta.4 a 40.6 b 26.6 b 32.. Além dos efeitos na fração fibrosa.7 c 63.

de celulose e de ligninas do feno de coastcross. Reis et al. na linha. FDA . (1993). porém proporcionou aumento nos teores de proteína bruta e.58a Celulose 45.0% para 26.11a FDN 59.1Ba 58.No trabalho de Grossi et al.5Ba 43.2Ac 13.5% 3. (1993).5Aa 58. Tabela 7.96b 77. MS .00a FDA 42.0% da MS) ou ureia (5.0%). FDN . de FDA. observando.34c 53.1Aa Casca de 3.78 10. com amônia anidra (3.9Ac 67. não tratados.30b 60. hemiceluloses e celulose.70c 47.0%) e de triticale (30. redução nos teores de ligninas.7Aa 50.4Aa 47. entretanto.0Aa 30. não alterou os teores de FDN.05) pelo teste SNK.0% 1.00c 48. PB(%MS) DIVMS(%MS) Controle Amônia Ureia Controle Amônia Ureia 7.1Bb 16.20b 67. da palha de aveia (27.9Ba Coastcross Aveia 7.07 11.0Bb 13. o aumento no coeficiente de digestibilidade da FDN.38b 54. Apesar de a fração fibrosa ter sido praticamente inalterada com o tratamento.4%MS).8Ab 14.5Cb 14.5Aa 12. É importante salientar que os teores de umidade dos volumosos tratados com ureia estavam abaixo do recomendado por Dolberg (1992). consequentemente. trabalhando com diferentes níveis de amônia em feno de capimbraquiária. das palhas de aveia e de triticale.0% para 30. FDA. (1993). principalmente nas palhas de aveia e no triticale. a amonização. elevação na digestibilidade in vitro da matéria seca dos volumosos estudados.90a Hemiceluloses 63.0%MS) ou com ureia (5. Componentes Níveis de NH3 0.0%) com o uso de NH3. não observaram efeito do tratamento sobre os teores de FDA. Efeito dos níveis de amônia na composição química do feno de capimbraquiária.Matéria Seca.2Bb 56. tratados com amônia anidra (3.1Bc 11. diferem entre si (p<0. de triticale e da casca de arroz.2Ab Triticale 2. como pode ser observado na Tabela 7. em parte.00c 64.20b 53. como por ser visto na Tabela 6.0% para 24. Esse fato pode justificar.8Ab 17.30c 70.9Bc 10. Fonte: Reis et al. os autores observaram diminuição no conteúdo de hemiceluloses do feno de coastcross (36. Tabela 6. 197 .4% da MS). O aumento no nível de ureia potencializou esses efeitos.0% MS 40.16 Médias seguidas de letras distintas.14a Lignina 9.Fibra em Detergente Ácido. da palha de aveia.1Cab 20.0Ba 10.1Ba 46.8Aa arroz Fonte: Adaptado de Grossi et al. Teores de proteína bruta (PB) e valores de digestibilidade in vitro da matéria seca (DIVMS) do feno de capim-coastcross. hemiceluloses ou celulose. (1993).Fibra em Detergente Neutro.

28 c 86. foi de 3.11 b 17. 198 .40 ab 12.43 c FDN 78.19 a 86.0% a 10.Gobbi et al. FDA . tanto antes quanto depois do tratamento (Jackson.20 b 50.56 a 8.74 a Bagaço de carnaúba Bagaço de cana Para o mesmo resíduo.77 b 44.18 c 78.93 a 51. Cândido et al.. nos resíduos tratados é maior que naqueles não tratados.Fibra em Detergente Ácido. decumbens. FDN .25) dos resíduos estudados. sendo as melhores respostas obtidas com 7.20 a 4.02 a 76. de 0.43 b 7.0% (base da MS). na amonização de fenos de B.59 a 38. e relataram que melhorias nos tratamentos resultaram em melhorias do valor nutritivo do feno.Fibra em Detergente Neutro.85 a 40. visando à melhoria no seu valor nutritivo.87 a 51. Efeito do tempo do tratamento na composição química e digestibilidade de resíduos tratados com 5. (1999) encontraram que a amonização via ureia proporcionou melhoria no valor nutritivo do bagaço de cana-de-açúcar. enquanto a proporção de hemiceluloses é menor.85 a 8. PB .Digestibilidade in vitro da Matéria Seca. 1977). Fonte: Nascimento et al.81a 10.36 a 18.69 a 42. Tabela 8.62 c 63.24 b 67.88 b 44.06 b 44. a incubação com ureia aumentou o percentual de proteína bruta (Nx6.03 c 13.77 a 38.91 a 41.28 ab 11.0% da MS. (2005) avaliaram seis níveis de uso de ureia.0% de ureia.46 b 2.93 b 35.0% inferior à da celulose.51 b 71. Como pode ser visto na Tabela 8.02 a 31.23 ab 74.61 a 11.85 a 38.00 a 51. (1999). Verificaram que o nível mínimo de adição de ureia ao bagaço. O aumento da digestibilidade dos resíduos tratados está relacionado com o aumento da digestibilidade da celulose presente.97 a 13.20 b 4.47a 45. valores na mesma coluna seguidos da mesma letra não diferem Tukey (P>0.80 a 86.0% de ureia na MS. comprovada pela elevação do teor de PB e DIVMS e pela redução no conteúdo de FDN.12 a 74.13 a 37.82 b 11. e os maiores percentuais de aumento ocorreram nos primeiros 10 dias de incubação e nos materiais com menores teores proteicos (Nascimento et al.94 a FDA 56.18 a 71.54 a 10.10 b 11. pois proporcionaram os maiores valores de DIVMS.60 a 18. DIVMS . 1999). essa mudança nas proporções também contribui para o aumento da digestibilidade após tratamento.05 a 43.05).14 a 18. Além disso.Proteína Bruta. a proporção de celulose.14 b 64. Resíduo Casca de arroz Dias 0 10 20 30 0 10 20 30 0 10 20 30 PB 4.18 b Lignina 12.41 b 71.63 a 8.00 ab 9.86 a DIVMS 27.32 a 86.86 a 73. considerando-se o nível mínimo de PB adequado para bom funcionamento do rúmen.78 c 5. e uma vez que a digestibilidade das hemiceluloses é cerca de 20.

uma dosagem de 3. dentro da matriz celular. O tratamento com amônia promove a redução da cristalinidade das moléculas de celulose.03a Ferreira et al. A celulose após o aumento de volume deveria ser mais facilmente penetrada pelo fluido ruminal. promovendo maior fermentação. Alguma quantidade tanto de lignina quanto de sílica é dissolvida. e isso também ocorre de acordo com a literatura para tratamento com amônia. Efeitos dos níveis de amônia anidra sobre a digestibilidade in vitro (DIVMS) da palha de arroz e feno de aveia de baixa umidade. 1996)..49 Ferreira et al. contudo. mas nem sempre significativos. A qualidade nutricional inerente ao material influencia nas respostas aos tratamentos. Joy et al. podem ser fisicamente restritas pelo aumento de volume. (1992) realizaram uma série de experimentos. o tratamento com 4. O álcali reduz a resistência das pontes de hidrogênio intermoleculares e promove quebras de ligações éster inter e intramolecular presentes nas moléculas de celulose e hemiceluloses que as mantêm unidas. e ligações éster intermoleculares entre grupos ácido urônico de hemiceluloses e celulose são provavelmente hidrolisadas.99b 48. após o tratamento. e isso deveria contribuir para a maior digestibilidade da celulose.A celulose sofre um aumento de volume em função do tratamento com álcali (Jackson. Como pode ser observado na Tabela 9.22 69. e o tratamento alcalino provavelmente também remove essas barreiras em alguma extensão. As fibras de celulose. 1993 Quando se trata de palhas de qualidade muito baixa.0% de ureia pode ser considerada suficiente para tratamento com teor de umidade de cerca de 30%. os resultados relativos são mais pronunciados. Tabela 9. 1977).0 – 4. De forma geral. em materiais de melhor qualidade nutricional. maior taxa de passagem e potencializando o consumo (Goto e Yokor. os aumentos numéricos são maiores. resultando em maior ataque enzimático. ou seja. Produto Componente Níveis de amônia anidra (% na MS) Autor (% na MS) 0 2 4 Palha de arroz DIVMS 34. resultando em aumento de volume.0% de amônia proporcionou aumentos de 39% nos valores de DIVMS da palha de arroz..51c 44. Os dois efeitos em conjunto favorecem o aumento das superfícies acessíveis aos microrganismos ruminais. apesar do menor valor 199 . Os tratamentos com doses mais altas de ureia forneceram valores de digestibilidade da matéria orgânica e consumo ligeiramente maiores. 1990b c b a Feno de aveia DIVMS 67. o uso da amônia anidra proporcionou aumentos na DIVMS dos volumosos. pelas formações de complexos da celulose com a amônia. comparando tratamentos com amônia anidra e ureia em solução e observaram uma pequena superioridade do primeiro em concordância com a literatura.85 77.

da MO e da PB.05) no consumo voluntário da MS.60 e 47. porém foi ineficaz no controle de Paecilomyces.0% da MS) ou ureia (4. Vale ressaltar que os teores de 0.numérico (34.8% de ureia objetivaram alcançar teores equivalentes a 0. (2004) encontraram efeito positivo (P<0. Os fenos de Brachiaria decumbens e Hyparrhenia rufa (capim-jaraguá) foram avaliados quanto ao efeito do tratamento com amônia anidra (3.0% a 37.66.5% para 48.5% da MS. Contudo.0%). Esses resultados podem ser explicados pelas alterações ocorridas nas propriedades físicas e químicas da palha tratada. com valores observados de 61. assim como da MS da palha de arroz com a amonização da palha de arroz.0% de NH3). 56. respectivamente.0% ou 34.9% e 1. principalmente sob condições de maior umidade dos fenos. A amonização promoveu melhorias na qualidade nutricional dos fenos.5 e 1. Segundo Reis et al. (2001).0% de NH3 na MS. de aumento na digestibilidade aparente da PB. 200 . que se têm mostrado efetivos no controle de fungos (1. provavelmente.0% da MS) e dois níveis de ureia (0. porém não significativa. no entanto alguns produtores de toxinas foram controlados de forma satisfatória. esses níveis são baixos para promover melhorias na qualidade nutricional do volumoso. o tratamento proporcionou aumentos relativos de 15. Houve tendência. entretanto a amonização minimizou esse efeito. porém.51. contudo não houve redução nos teores de FDA e lignina. O uso de concentrados reduziu a digestibilidade da MS da palha de arroz. com efeitos positivos sobre as características da flexibilidade. O tratamento da palha de arroz provocou efeito significativo (P<0.0% a 27. ter exercido papel favorável na colonização e degradação da fibra. a solubilização de parte das hemiceluloses e de nitrogênio ligado à FDN bem como o aporte de nitrogênio suplementar aumentam a quantidade de carboidrato e nitrogênio prontamente fermentável e favorecem o aumento da DIVMS dos volumosos tratados. resultando em deterioração dos materiais. com ou sem suplementação concentrada. de 10 unidades percentuais na DIVMS para o feno tratado em comparação ao controle. Já o uso da ureia foi pouco eficiente no controle dos fungos.0% e. Fadel et al. (Tabela 10). Esses autores observaram que a amônia foi eficiente no controle de fungos produtores de toxinas como Aspergillus e Penicillium. para a palha de arroz amonizada e não tratada. associado ou não com fonte de uréase) sobre a composição química.23 g/UTM/dia. com redução dos níveis de FDN e aumento nos teores de PB e DIVMS. no feno de trigo. o que está de acordo com a ausência de alteração na composição química dos fenos tratados relatada por esses pesquisadores.9 e 1. FDN e FDA da dieta.8% da MS) na conservação de fenos de alfafa com teores de umidade mais elevados (24.82 e 5. 8.05) da amonização com ureia sobre a digestibilidade aparente da dieta total.04 e 51. em termos absolutos. Freitas et al. (2002) avaliaram o potencial da amônia anidra (1. Esses autores concluíram que a ureia proporcionou o mesmo efeito da amônia e que o uso de uréase adicional não promoveu benefícios. fragilidade e solubilidade das forragens e pelo fato de essa mudança.0% de umidade).

Resultados de trabalhos de pesquisa mostram aumentos expressivos no consumo de matéria seca e no desempenho de animais alimentados com volumosos tratados com amônia.palha de arroz tratada (4% de ureia com base na MS).V.16a 65. Por outro lado.23d T2 68. há controvérsias sobre a eficiência de utilização do N proveniente da amonização. A digestibilidade dos volumosos tem sido aumentada consideravelmente. Digestibilidade aparente e consumo da dieta e palha de arroz(MSp) em ovinos.T3+concentrado.T1+ concentrado.40 Consumo voluntário (g/UTM/dia) Tratamentos MS dieta MS palha PB dieta Controle 51.58 7. sob os efeitos da amonização (Reis e Rodrigues. DESEMPENHO ANIMAL Segundo Reis e Rodrigues (1994).25c T3 62.Proteína Bruta.Fibra em detergente ácido.55a 65.04b 60.93 4.55a 46.82c T4 67. T3 . Embora.58a 68.02 4.02 4. influenciando positivamente o consumo voluntário. T4 . 1994).44b T3 61. bem como na digestibilidade. não diferem entre si pelo teste de Tukey (P<0. A quantidade de N requerido pela microflora ruminal está relacionada ao conteúdo de energia potencialmente fermentável disponível. (%) 5.16c 61. Fonte: Fadel et al.05). 7. o conteúdo de N seja baixo. nas colunas. É importante considerar que. quantidade de energia disponível no rúmen e disponibilidade de proteína da dieta.93b 59.12b 59. tornando-os mais macios e flexíveis. Coeficientes de digestibilidade aparente Tratamentos MS PB FDN FDA MSp T1 55.Tabela 10. velocidade de liberação do N. PB .48b 15. 201 .V. na palha. As evidências disponíveis indicam que o N incorporado ao volumoso tem o mesmo efeito daquele de outras fontes de NNP para os microrganismos.19b 59.55 6.85a 48.66ab 60.98a 45.66ab 62. (%) 2.01 9. (2004).18a C.42b 62.20 Médias seguidas de letras iguais. T2 .14b C.02a 8.88a T4 70.70b 5.66c 47. a utilização do N incorporado durante o tratamento com amônia depende de fatores tais como: N total da palha.14b 11.84a 68. FDN . esse parece ser adequado devido à baixa fermentabilidade da MS. a amonização acarreta alterações físicas nos volumosos. além das alterações na composição química das frações fibrosa e nitrogenada. FDA .23ab T2 64.78a 68.78a 55. T1 palha de arroz não tratada+ureia (20 g/kg de MS).Fibra em detergente neutro.41ab 69.28b 60.

com ureia e amônia anidra sobre o consumo e ganho de peso de novilhos e concluíram que os tratamentos induziram a um aumento no teor de PB e a uma redução no teor de hemiceluloses. Pereira et al. De acordo com Zorrila-Rios et al. (1990) estudaram os efeitos do tratamento da palha de milho e do bagaço de cana-de-açúcar.0 a 30.. o que resulta em maiores ingestões de matéria seca e matéria orgânica.0% nos valores de digestibilidade e incremento de 20. (1985). O consumo voluntário aumentou com o tratamento em mais de 30%. De modo geral. A recuperação ou fixação do nitrogênio aplicado durante amonização que está disponível para os animais encontra-se entre 40% a 65% (Fernandes et al. juntamente com o fornecimento de 3 a 4kg de concentrado/dia. e a taxa de diluição de sólidos também tendeu a ser mais rápida após amonização. Também aumentou os teores de PB.0 a 1. DIVMS e digestibilidade aparente dos componentes da dieta. Guimarães et al. (1991). O aumento na performance de animais ocorre quando os volumosos tratados com amônia compõem mais de 50% da dieta. O valor nutritivo de volumosos tratados com amônia assemelha-se ao dos fenos de média qualidade (55.0% no consumo de matéria seca pelos animais. consumo e conversão alimentar (Tabela 11). permitindo ganho de 1. concluíram que tanto a suplementação com ureia quanto o tratamento com hidróxido de amônio possibilitam o uso desse alimento sozinho durante o período de escassez de forragens. A taxa de fluxo do fluido ruminal aumentou com a amonização.0% NDT).01) a fragilidade da palha.2kg/dia (Sundstol et al. enquanto em relação ao pH não foram encontradas diferenças. (2007) endossam o potencial tanto da ureia quanto do hidróxido de amônio na melhoria da qualidade de resíduos de cultura do milho..A utilização de volumosos tratados com amônia e suplementados com fonte energética pode proporcionar aos animais ganhos de peso semelhantes aos obtidos com o fornecimento de suplementos proteico-energético adicionados aos volumosos não tratados. o tratamento com amônia aumentou (p<0. sendo a sua principal limitação a deficiência em energia. 1978). Os novilhos alimentados com a palha amonizada tenderam a ter concentrações de NH3-H no rúmen mais altas. Ademais. os volumosos tratados com NH3 podem ser usados em programas de engorda intensiva de bovinos. Os resultados de Oji et al. para manter a condição corporal das categorias animais menos exigentes do rebanho. Os autores também concluíram que o tratamento com a amônia anidra foi mais vantajoso em termos de ganho de peso. 2002). melhorando a composição química. 202 . os resultados de pesquisas demonstram elevação de 10. trabalhando com resíduos de cultura de milho. DIVMS e o desaparecimento in situ da MS e de constituintes de parede.

28a Conversão alimentar (kg/MS/kg ganho) 55. da aplicação do reagente químico e o valor nutritivo do produto obtido.75. (p<0. Além disso.29 7. UTM 1.Tabela 11.27a 0.87b Ganho de peso 0.resíduo (g/UTM2) 40.96a 82. o período durante o qual os volumosos permanecem sob lona plástica em contato com a amônia deva ser de três a quatro semanas.0c Consumo de PB (kg/animal/dia) 0. Todavia.64b 0. é importante observar os custos do transporte.0 a 3.36a 0.90b 0.36a 8.0% a 8. Palha Palha + ureia Palha + amônia Consumo de MS (kg/animal/dia) 6.unidade de tamanho metabólico = kg pv0.55b 1 Consumo de MS (g/UTM ) 78.93 4.84 Consumo de PB (kg/animal/dia) 0.68 54. UTM 2.unidade de tamanho metabólico = kg PB0. CONSIDERAÇÕES FINAIS Na utilização de tratamentos químicos de volumosos. em função do sistema de distribuição do produto e da falta de tradição no uso desse nas atividades agrícolas.03b 9. deve-se ter em mente que o manuseio da 203 . bem como as implicações tecnológicas para a adoção do método.95 Bagaço Bagaço + amônia Consumo de MS resíduo 3. (1990). consideravelmente.05).00b 19.34a 6. Fonte: Pereira et al. recomendam-se as dosagens de 2.84a 79.78a Letras iguais não diferem pelo teste de Newman-keuls. ganho de peso e conversão alimentar. ou seja.61a 1.25c Conversão alimentar (kg/MS/kg ganho) 8. a qualidade dos volumosos. 9.08b 0.75. A técnica da amonização permite melhorar.04b 4.75 Consumo de PB (g/UTM2) Ganho de peso 0. Já para o uso de ureia. para maior eficiência do tratamento químico.82c Consumo de PB (g/UTM2) 3.15a (kg/animal/dia) Consumo de MS .55 12. 8.0% do peso seco dos volumosos. a aplicação de amônia anidra nas condições brasileiras é difícil. Recomenda-se que o período de tratamento. RECOMENDAÇÕES DE USO Para o uso de amônia anidra ou hidróxido de amônio.07b 0.11a 8.0% do peso seco dos volumosos. as dosagens variam de 5. Efeito do tratamento da palha de milho e do bagaço de cana com ureia ou amônia anidra sobre o consumo.

D. v. v. et al. Bras. C.378-386. LUCA.A.A..28.928935. Zootec. BERTIPAGLIA. L. J.. D. v.B. uma vez que se trata de um produto potencialmente tóxico.. et al. v.amônia anidra deve ser feito por pessoas treinadas. Anim. 204 . considerando-se que esse produto vem sendo usado.M.. CÂNDIDO.E. H.. Abstract.F. Seria interessante que os trabalhos de pesquisa sobre o assunto determinassem a relação custo/benefício do tratamento químico. Zootec. Bras. Avaliação da qualidade dos fenos de gramíneas tropicais armazenados com diferentes níveis de umidade e tratados com amônia.21. G. BROWN.63. p. Avaliação do valor nutritivo do bagaço de cana-de-açúcar amonizado com ureia. urea or cane molasses supplementation of rice straw. 1986. NEIVA J. v. identification and quantification of lignin saponification on products extrated from digtgrass and their relation to forrage quality. JOHNSON.. Rev. Biological struture of lignocellulose and its degradation in the rumen. REIS. J. et al.867-873. v. BIRKELO.. M. G.M.34. MOYE.N. PHILLIPS. WARD..P. JONES. Avaliação de fontes de uréase na amonização de fenos de Brachiaria brizantha com dois teores de umidade.M.. Net energy value of ammoniated straw. J. p. D. Finalmente. MELO.. 1982. S. Fazendo-se uma análise abrangente dos trabalhos consultados. RODRIGUES. pois o seu uso na pecuária nacional é amplamente difundido e a adoção dessa técnica não requer grandes investimentos.R. a utilização de ureia como fonte de amônia para o tratamento de volumosos parece ser a alternativa mais adequada para o Brasil. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS AKIN. p.J..196-203.. CHAVES.M. BONJARDIM.2044-2052.. et al. MOORE. p. Zootec. 1.21. J. 1992. rotineiramente..M. Ammoniation. 1999. Technol. PIMENTEL.A..E.. p. Sci. S. 2005. A utilização de hidróxido de amônia se apresenta como uma alternativa adequada para o tratamento químico. como fertilizante.63. J. suppl. Feed Sci. L. Anim. J.D.A. Separation. Anim. Bras. p. Sci.E. C.32. Rev..C. Sci.310. Rev.295-310.P. Anim. W. 1988. p. pode-se afirmar que a amonização é um sistema eficiente para o tratamento de volumosos de baixo valor nutritivo. 1986.R.M. Soc. sejam palhas ou resíduos agroindustriais. v. R..

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Anim.28. Efeito da amônia anidra no valor nutritivo da palha de milho mais sabugo e do capim-elefante (Pennisetum purpureum Schum cv. v. TEIXEIRA. n. MOWAT. 97f. p.. 2. A..V. Effect of ammoniation of wheat straw on performance and digestion kinetics in cattle. et al..M. ZORRILA-RIOS. Dissertação (Mestrado em Zootecnia) – Universidade Federal de Viçosa. Wechsler. B.1321.N. OWENS. 1978... Ithaca. WHILE L. p. SINGH. Botanical fractions of two rice straw varieties and effects of ammonia treatment. C. Technol.S.M. p. Effect of rumem liquor uréase (rumen microbes). 1992. Feed. v. Variability in the nutritive value of straw cultivars of wheat. COXWORTH. D. G. p. p.N.W. GUEDES. Patrícia SILVA. F. Nutritional ecology of the ruminants.P. HORN.63.. Anim. J.. HARIMAN. J. Cameroon fornecidas a novilhos Nelores em confinamento.R.Schmidt.26. temperature and treatment time on chemical properties of fibre and in sacco digestibility of ammoniated wheat straw. MG.. et al. VAN SOEST. 1990. 1988. NY: Cornell University Press. and triticale and response to urea treatment. 1990.. MAKKAR.347-353.J. Anim.. E. Prod. P.W. J. SUNDSTOL. World Anim Rev. J. Sci.266-269. 208 . v.814-821.60. 1985.79-89.. Patrick. Improving the value of straw and other low quality roughages by treatment with ammonia. H. G.D. anda de. Indian J. F. Francisco Stefano.P. Viçosa.ed.A. BERGMAN..N. Sci. rye. v.C. Anim. 476p.46. Sci. 1994.. Rossi.

possuindo um estômago composto e compartimentado. Associado Departamento de Zootecnia da Escola de Veterinária da UFMG. Doutorando em Zootecnia. Prof. O processamento dos diversos produtos origina altas quantidades de resíduos. Caixa Postal 567.. Doutorando em Zootecnia. MG.                                                              Médico Veterinário. O Brasil apresenta grande diversidade de cultura. MSc. Lúcio Carlos Gonçalves 2. MSc. Caixa Postal 567. wilsonvet2002@gmail. MG. CEP 30123-970. uma vez que a alimentação corresponde de 60 a 70% destes custos (Dutra et al. luciocg@vet. na maioria das vezes. CEP 30123-970. MG.. o qual lhe permite converter em alimento de alta qualidade os materiais grosseiros.ufmg. 1982). MSc. reduzindo a contaminação ambiental e. Escola de Veterinária da UFMG. será abordado o efeito do hidróxido de sódio sobre a qualidade dos principais resíduos agroindustriais utilizados e seu efeito sobre o desempenho dos ruminantes. por seu baixo valor nutritivo. os2ribas@hotmail. que corresponde a 60-70% da capacidade total do aparelho digestivo. CEP 30123-970. Escola de Veterinária da UFMG. Belo Horizonte. principalmente para ruminantes.. os custos de produção animal. Escola de Veterinária da UFMG. vários tipos de tratamentos são utilizados visando melhorar sua qualidade nutricional. a partir de 1880. em Zootecnia. O valor nutricional das dietas disponíveis para os animais deve ser avaliado para que suas deficiências sejam suplementadas visando aprimorar o desempenho deste. CEP 30123-970. Porém. Caixa Postal 567. Neste capítulo.br 3 Médico Veterinário.. Belo Horizonte. o ruminante se destaca pelo seu aparelho digestivo peculiar. INTRODUÇÃO O avanço no modo de beneficiamento dos alimentos e a sua industrialização visando extrair as porções mais nobres deste para o consumo humano.. DSc. fredericovelasco@gmail. os produtos fibrosos das plantas e os subprodutos diversos que não teriam outra utilidade a não ser retornarem ao solo.com 4 Médico Veterinário. aliados a um aumento da área cultivada e da produtividade. Dentro deste contexto. ao mesmo tempo.CAPÍTULO 13 HIDRÓXIDO DE SÓDIO EM RESÍDUOS AGROINDUSTRIAIS PARA RUMINANTES Frederico Osório Velasco1. Belo Horizonte. 1997). Belo Horizonte.4 RESUMO Os resíduos agroindustriais apresentam grande utilidade na alimentação animal. que.com 2 Engenheiro Agrônomo. MG. gerando uma enorme produção nas diferentes regiões do país. podem ser aproveitados para alimentação animal. Marcelo Neves Ribas3.com 1 209   . Wilson Gonçalves de Faria Jr. provocaram um aumento significativo da disponibilidade de resíduos vegetais de culturas e de subprodutos industrializados (Bose et al. Na produção animal.. 1984). Caixa Postal 567. geralmente uma nutrição inadequada é o principal fator limitante (Kategile. DSc.

. os resíduos culturais apresentam valores elevados de parede celular. 1984). devido à lenta degradação da matéria seca. Esses valores elevados. A Tabela 1 apresenta a composição química de alguns resíduos agroindustriais utilizados na alimentação de ruminantes. O conteúdo celular é totalmente digestível. caracterizam a baixa qualidade nutritiva destes resíduos (Marques Neto e Ferreira. boa relação custo/benefício.Os restos de cultura têm sido frequentemente utilizados como volumosos na época da escassez de forragem e como forma de aproveitamento da grande disponibilidade destes nas ocasiões das colheitas das culturas. Esta revisão. 1984). com adição de álcalis aos resíduos agroindustriais. Composição química dos volumosos Analisando-se a composição química e a digestibilidade das diversas partes das plantas utilizadas como resíduos. mostra a importância desses subprodutos como opção alimentar para os ruminantes. proteína. fósforo. lignina e sílica. sendo o teor de cálcio muito variável (Bose et al. O tratamento químico deve atender a pré-requisitos como facilidade de aplicação. e é altamente limitado pelo longo tempo de passagem pelo trato digestivo. Embora de valor nutritivo inferior aos considerados nobres. Em geral. A maioria dos constituintes da parede celular encontra-se indisponível para a ação da microbiota ruminal devido basicamente a três fatores: 210 .41kg por dia. os componentes das forrageiras podem ser divididos em dois grupos principais: o conteúdo celular e os constituintes da parede celular. A baixa qualidade dos resíduos culturais. que enfoca os restos de cultura e os resíduos agroindustriais tratados com hidróxido de sódio (NaOH). verifica-se que a maioria necessita ser suplementada com energia. sendo este último composto por celulose. Com base na disponibilidade de nutrientes para ruminantes. associados aos baixos teores de proteína bruta e minerais. sugere a necessidade de submetê-los a um tratamento prévio em todas as ocasiões em que a opção seja a sua utilização como fonte alimentar para os ruminantes.45 a 9. REVISÃO DE LITERATURA 1. vitamina A. Resultados promissores têm sido obtidos por meio do tratamento químico. hemiceluloses. 1984). efetividade do tratamento. no entanto a disponibilidade dos constituintes da parede celular varia entre as diferentes forrageiras. Segundo Hawkins (1983). esses alimentos constituem uma das alternativas práticas e até mesmo econômicas para a dieta dos animais. o consumo de resíduos de culturas em matéria seca varia de 5. dependendo da qualidade e da palatabilidade (em clima temperado). composta principalmente de hemiceluloses. lignina e sílica. melhorando suas digestibilidade e qualidade (Marques Neto e Ferreira. limitando a digestibilidade e até mesmo o consumo voluntário destes alimentos pelos animais.1. celulose. 1.

82 1.58 0.4 29.84 61.76 Lignina 11.85 1.17 39.56 40.22 P 0.24 0. 1994).64 0.2 85.64 4. As hemiceluloses (HCEL) e a celulose (CEL).83 53. aos carboidratos estruturais.51 50.8 36. (FDA).7 10. Carboidratos como a celulose são as principais fontes energéticas para os ruminantes.05 31.07 18.71 25. em porcentagem.12 88. dependendo do grau de lignificação da forragem (Van Soest. Alimento Algodão casca Arroz casca Café casca Cama de frango Cana -de açúcar bagaço Maravalha Milho resíduo de cultura Milho sabugo Soja grão Resíduo Soja palhada Sorgo resíduo de cultura Uva resíduo MS 88.21 12.73 38.17 0.2 1.4 47. principalmente acético. dietas ricas em fibras são pobres em energia porque a fibra apresenta uma baixa densidade energética (baixo conteúdo energético por unidade de peso). Entretanto.grau de cristalização dos polímeros de celulose. fósforo (P) de alguns resíduos agroindustriais utilizados na alimentação de ruminantes em porcentagem da matéria seca de valores de nutrientes digestíveis totais (NDT).06 46.24 24.54 11.33 23. fibra em detergente neutro (FDN).33 41.49 60.29 FB FDN 42.71 80. e os polissacarídeos da parede celular.89 30.12 0.53 Fonte: Valadares et al.83 61.2 0.64 12. fibra em detergente ácido.23 89.81 84.07 85. 1994)..9 9.09 50.58 42.7 0. fibra bruta (FB). são utilizadas pelos ruminantes. proteína bruta (PB).52 69.04 33. devido à incrustação dos polímeros da parede celular.05 NDT 49. porém a disponibilidade desse carboidrato em especial varia da total indigestibilidade à total digestibilidade. A lignina é um polímero fenólico que se associa à celulose e às hemiceluloses.32 48.28 36.07 89 FDA 64. quantidade de lignina presente na forragem. lignina. associação física e química entre compostos fenólicos.38 50. cálcio (Ca).24 0.42 7. cuja flora ruminal as transforma em ácidos graxos voláteis (AGVs).96 63. Esses ácidos graxos são absorvidos pelas paredes do rúmen e servem como fonte de energia ao animal.03 57.97 0. O processo de lignificação altera tanto a taxa quanto a extensão da digestão das forrageiras (Van Soest.25 21. durante a formação da parede celular. Tabela 1.62 17.58 4. Composição química da matéria seca.15 88.09 40.96 90.22 3.38 2.18 75. tornando-os indisponíveis à ação bacteriana. 2006.06 0. 211   .67 82.16 86.66 62.01 84.93 PB 4.44 4.9 53.25 43.48 77.49 27.63 42.05 0.05 44.67 41.26 45.13 DMS 11. MS.08 81.91 2.46 0. lignina. O teor de lignina de uma forrageira é o principal fator limitante da digestibilidade.24 48.03 0.65 59.58 73.25 Ca 0. propiônico e butírico.48 13.32 31. principais componentes da fibra bruta (FB).09 18.2 47.43 76.49 52.

e os oxidantes são o ozônio. aumentando a digestibilidade da fração fibrosa dos alimentos. ou seja. estes níveis não devem ser inferiores a 7%. são o hidróxido de sódio (NaOH). as quantidades a serem usadas para atingir o objetivo desejado. Os hidrolíticos. A adição do álcali em concentrações elevadas. Portanto. Diversos trabalhos têm demonstrado a importância da suplementação nitrogenada sempre que os restos de cultura forem utilizados na alimentação dos ruminantes. a adição de nitrogênio aumenta o teor de proteína bruta. Segundo Marques Neto e Ferreira (1984). esse produto deve ter algumas características necessárias para ser empregado: ser de baixa toxicidade. Por isso. de acordo com a reação que causam na degradação da parede celular. A adição de álcalis ao resíduo cultural. pois é fonte de aminoácidos e nitrogênio para a síntese de proteína microbiana. pois envolve produtos muitas vezes corrosivos e/ou tóxicos. por sua vez. 1. o baixo teor proteico dos resíduos agroindustriais contribui para reduzir o consumo voluntário destes. 1984). O nitrogênio aumenta a população de bactérias no rúmen. São classificados como hidrolíticos ou oxidantes. aliada ao tratamento mecânico (fragmentação ou moagem). fácil aplicação e armazenamento.Embora não seja um carboidrato. Tal nutriente mostra-se essencial para o ruminante. que. os mais comumente usados. pois constitui a fração indigestível (Marques Neto e Ferreira. trata-se de um dos parâmetros mais importantes nas determinações do valor nutritivo. a amônia anidra e a ureia. não ser corrosivo e ter ação rápida sobre o volumoso. mas deve ser avaliado com cautela. para tal finalidade. devem ser as menores possíveis (Marques Neto e Ferreira. além de influenciar negativamente a palatabilidade dos 212 . o peróxido de hidrogênio e o dióxido de enxofre. formando uma composição física com a celulose na parede celular. baixo ou nenhum impacto ambiental. Níveis mínimos de proteína bruta são necessários. já que estes materiais apresentam níveis proteicos abaixo do recomendado para que haja uma boa atividade fermentativa no rúmen. 1984). Essas substâncias atuam como um agente degradador ou solubilizador. melhora a digestibilidade e a qualidade do material (Marques Neto e Ferreira. a lignina está presente na fibra bruta. Tratamento alcalino de volumosos Tratamento de volumosos com baixa qualidade nutricional com produtos químicos é um método comumente empregado.2. a digestibilidade do material e o consumo de matéria seca. facilitando a ação dos microrganismos do rúmen. o hidróxido de cálcio. Para que a adição de produtos químicos com o intuito de melhorar a digestibilidade não afete a palatabilidade dos alimentos. que a utilizará para a síntese de tecido e a produção de leite. baixo custo de aplicação e de obtenção. Os diversos produtos químicos utilizados para aumentar a digestibilidade dos volumosos de baixa qualidade são divididos em dois grupos principais. a deslignificação. Portanto.1984). o hidróxido de potássio. de acordo com Church (1988). boa disponibilidade. será fonte de proteína para o ruminante. a qual acelera o desfolhamento da celulose.

Segundo Kategile e Frederiksen (1979). fatores importantes que afetam o valor nutritivo dos volumosos tratados quimicamente são: natureza do volumoso. A Figura 1 apresenta a relação entre coeficiente de digestibilidade da matéria orgânica em relação à quantidade de NaOH utilizado para o tratamento de palha (Fingerling et al. O aumento da digestibilidade. além disso. tempo de reação. na maior parte dos experimentos. frequentemente é utilizado para expressar a eficácia do tratamento alcalino.alimentos. natureza do reagente químico. homogeneização. 1987). poderá causar prejuízo físico aos animais (Marques Neto e Ferreira.. 1977. 1991). estão o tipo de palha e a fonte e a quantidade de alimentos suplementares fornecidos aos animais (Ng'ambi e Campling. Entre as causas dessa variação. 1984). 1987). Klopfenstein (1978). O tratamento de resíduos de cultura com álcali para aumentar o consumo de energia digestível (ED) foi extensivamente pesquisado. 1923. que concluíram que resíduos tratados com soda cáustica melhoraram o desempenho animal. temperatura e suplementação com nitrogênio. Resultados de estudos sobre resíduos com tratamento alcalino têm sugerido que esse pode interferir na retenção normal de nitrogênio e sobre o balanço de nitrogênio (Moro. 1984). citados por Homb. é acompanhado por aumento no consumo voluntário. O principal efeito do tratamento alcalino das forragens se deve à ocorrência de saponificação das ligações éster com a HCEL.. 1923. Digestibilidade da matéria orgânica em palha tratada pelo método Beckman com diferentes níveis de aplicação de NaOH (Fingerling et al.. como se vê nas revisões de Jackson (1977). Entretanto. 1984). entre outros. em 213   . parte da fração de HCEL é tornada solúvel (Capper et al. Há grande variação na melhoria sobre o valor nutritivo das palhas de cereais tratadas com álcali. a magnitude da resposta animal. citados por Moro. Figura 1. citados por Homb. resultando em um aumento do grau de solubilidade em contato com a água e. que.

Além da concentração necessária para resposta efetiva. (1985). dados relativos à utilização de NaOH sugerem diferenças entre as respostas em ensaios realizados in vitro e in vivo (Klopfenstein. requerer grande quantidade de água (40 l/kg de material). De acordo com Rexen e Thonsem (1976). 1991). teve início na Alemanha.3. Wanapat et al. tornando o processo mais simples e barato. a utilização de NaOH como agente deslignificante. causar perdas de. Segundo Saliba (1988). melhora sua aceitabilidade pelo animal. além de sua difícil industrialização. e tais diferenças parecem ser maiores em dietas contendo mais de 3% de NaOH (Klopfenstein et al. de 40 para 60-70% e. 1972). aproximadamente 1. esse método dispensa a lavagem. o que reflete na quantidade de íons sódio excedentes. em uma revisão sobre palha tratada com álcalis. Além disto. (1993). seguida de lavagem para retirada do excesso de álcali. Jackson (1977). e alguns deles são estritamente relacionados ao resíduo de cultura que é obtido e submetido ao tratamento (Ciocca e Prates. Porém.3% de NaOH. Rexem e Kundsen (1984) relacionaram como restrições da técnica por via seca os inevitáveis resíduos de NaOH e de íons sódio resultantes da soda que reagiu com o material tratado.5% . no princípio do século XX. a mudança na pressão osmótica e os resíduos de fenóis livres deprimem a 214 . Métodos de tratamento com NaOH De acordo com Barros et al. 25% da MS inicial.. a rápida elevação do pH. o sucesso do método depende da distribuição eficiente do álcali sobre o material. borrifando-a com uma solução de NaOH a 4%. não é muito usado em razão do seu elevado custo. 1. apesar de aumentar a digestibilidade da palha de 40 para 70%. além do fato de o álcali residual constituir um fator de poluição. A lavagem apresenta os inconvenientes de ser trabalhosa. aproximadamente. A persistência desses resíduos pode ser de um ano ou mais. 1978). além disso. sendo uma das causas da baixa aceitabilidade apresentada pelos alimentos tratados. por exemplo. quando estes são a única fonte de volumoso. mostrou que o método de Beckman. é afetada por muitos fatores.5% permaneceu após a reação. O procedimento mais utilizado consiste em umedecer a palha. Esse método consiste na imersão do material em uma solução de 1. a quantidade de álcali que reage é dependente da concentração de soda aplicada e do tipo do material tratado. com o desenvolvimento do método de Beckman. O processo melhora a digestibilidade de uma palha.termos de digestibilidade. compararam vários métodos de tratamento químico de palhas e concluíram que o tratamento úmido da palha com NaOH foi a forma mais eficiente de melhorar a digestibilidade. quando comparado aos métodos com amônia e com tratamento seco com NaOH. na alimentação de ruminantes. citados por Moss et al. De 4% de NaOH aplicados em palhas. (1985).

Por meio desse instrumento. no rúmen. consequentemente. Como consequência.ação de microrganismos ruminais e. entre eles Holzer et al. desde que fosse praticada a neutralização com ácido no material tratado. assim. diminuem o consumo voluntário e o tempo de fermentação da celulose devido à maior taxa de diluição. efeito cáustico aos animais. não causando. utilizando-se de um pulverizador com pressão. da salivação e na fermentação. Esta é uma das justificativas para as diferenças encontradas entre os resultados que usam digestibilidade aparente ou in vitro. o que equivale a 12-15kg de NaOH/100kg de MS (Jackson. Holzer et al.NRC (1989).5% de NaOH por 18 a 20 horas e a posterior lavagem do álcali residual. O requisito de sódio de vacas não lactantes é 0. não causam danos. mas o nível máximo de tolerância é de 52g/kg. maior osmolaridade provoca diminuição da ruminação. (1991). os baixos teores de nitrogênio nas palhadas são normalmente insuficientes para a manutenção da microbiota ruminal. 1977). Esse método proporciona aumentos na digestibilidade da matéria orgânica de 20 a 30% e de 10 a 20% no consumo voluntário (Gonzalez Duarte. mas é fato que um alto nível de sódio limita o crescimento dos animais criados em sistemas intensivos. Em comparação ao tratamento por via úmida.5 . o volume de solução é de 200 litros para cada 100kg de MS. Nesse caso. Conjuntamente. de acordo com o National Research Council .8g/kg de MS da dieta. mesmo em grandes quantidades. Barros et al. a toxicidade do sódio é baixa. consideraram factíveis maiores níveis de NaOH/kg de MS. porém ocasiona perdas de MS da ordem de 20 a 25% de material original (Jackson. Segundo Jackson (1978). O volume de solução recomendado é 8-10 litros/kg de MS. O segundo processo consiste na distribuição da solução alcalina com o uso de um regador sobre a palhada previamente triturada. o tratamento das palhadas com NaOH pode ser realizado de duas maneiras: o primeiro processo consiste na pulverização do material previamente triturado. Todos estes fatores contribuem e potencializam a redução na efetividade do tratamento por hidróxido de sódio. (1985) afirmaram que o excesso de NaOH em palhas tratadas com esse álcali parece ser rapidamente convertido. Sem dúvida. 1979) e dispensar instalações especiais para o tratamento da palha. Os métodos por via úmida caracterizam-se por imersão da palha numa solução de 1. 0. 1991). gastam-se 100 litros de solução para 100kg de matéria seca (MS). o método de aspersão com NaOH apresenta a vantagem de utilizar menor volume de solução.2L/kg de MS (Kategile e Frederiksen. Alguns autores. Os estudos de Kategile e Frederiksen (1979) concluíram que de 3 a 6% de NaOH na MS da palha foi a concentração ideal do álcali. 1978). quando foi utilizado o método de aspersão. (1991) também concordam que os níveis de sódio acima dos requisitos. ou quando a inclusão desse na ração não ultrapassasse 215   . em carbonato ou bicarbonato.

Existe ainda outra restrição para ambos os grupos de tratamento (via úmida e via seca). sem alterar seu conteúdo nas fezes ou no leite. 97-98%. 1971. 1979). A literatura comprova a eficácia do tratamento de resíduos com soda cáustica. 216 . e a reação completa ocorre em 18 horas (Chandra e Jackson. Embora o tratamento por aspersão diminua as perdas de MS e seja mais econômico em relação ao método por via úmida. sendo que uma concentração alta de álcali pode modificar morfologicamente a celulose sem que haja perdas de resíduos de glicose. seja pela contaminação com o excesso de sódio no alimento e nos líquidos de excreção dos ruminantes. para evitar possíveis efeitos nocivos do sódio residual no desempenho animal. lignina e sílica. na hidrólise de ésteres dos ácidos urônico e acético e em uma expansão da celulose. a celulose pode ser prontamente degradada. entretanto este método deve ser adotado com muito critério a fim de se evitar danos ao meio ambiente. citados por Saliba. Aspectos químicos do tratamento com NaOH De acordo com Marques Neto e Ferreira (1984). Os autores mostraram que a extensão de solubilização do ácido p-cumárico produzida pelo NaOH tinha uma relação linear com a digestibilidade da celulose. seja pelo uso exagerado de recursos hídricos. Este fato pode parecer. 1988). à primeira vista. quando tratam resíduos culturais com NaOH em solução. 1983). porém a urina juntamente com as sobras da forragem tratada e os efluentes resultantes dos tratamentos por via úmida resultam em grave fonte de poluição da água e de solo (Jackson. 1. vantajoso em relação à produção de leite.. na sua morfologia natural (cristalina).50% do volumoso. As observações de Jackson (1977) e Klopfenstein (1978) são de que o tratamento alcalino com NaOH produz um grande número de mudanças na composição e organização da PC. em uma hora.4. o que pode ser explicado pela menor relação reagente:substrato (Kategile e Frederiksen. contanto que seja acessível aos microrganismos do rúmen (Mora et al. aumentos da ordem de 30% na digestibilidade têm sido registrados por diversos autores. 10 a 15%. A reação química do NaOH com palhas ocorre 93-95% nos primeiros cinco minutos. Evidências demonstram que todo o sódio excedente é excretado na urina. os aumentos na digestibilidade da matéria orgânica são relativamente menores. Há autores que sugerem ser a mudança da forma cristalina para uma forma amorfa o que torna a celulose mais digestível. Tais mudanças consistem na solubilização parcial das HCEL. que o método exige. 1977). mas.

1978). 1983. levando a novas modificações cristalinas e. A remoção da água devolve a estrutura original. com completa dissolução da celulose (Howsmon e Sisson. pois notaram que o resíduo de soja ficou praticamente inalterado após o tratamento com NaOH. citados por Mora et al. 1977. sem atuar na sua remoção. Por outro lado. O tratamento alcalino com NaOH produz mudanças na composição química e na organização da parede celular (Jackson. falta de ligações ésteres fracas entre a lignina e os carboidratos da parede celular. com decréscimo da cristalinidade. citados por Saliba. Os mesmos autores sugeriram que o NaOH tem capacidade de saponificar as ligações ésteres entre o ácido ferrúlico (precursor da lignina) e as hemiceluloses. Então. 1954. os autores afirmam ser possível que o tratamento alcalino cause alguma hidrólise da proteína associada à parede celular. maior remoção de hemiceluloses. ao inchamento ilimitado. permitindo maior penetração do líquido ruminal. isto é.O conteúdo de lignina geralmente não é reduzido pelo tratamento. devido à quebra das ligações com a lignina. A lignina de leguminosas parece ser mais condensada e potencialmente menos reativa do que a lignina de gramíneas (Jung e Farey. Nem sempre esse tratamento mostra-se eficiente. 217   . indicando. atingindo um máximo de 30%. em alguns casos. o inchamento da celulose em água acontece de duas maneiras: inchamento intercristalino: envolve a entrada de água entre unidades cristalinas. Segundo Mora et al. provavelmente. 1978). resultando no inchamento das suas fibras dentro da matriz da parede celular. o tratamento ácido é mais eficiente. o que parece ser devido a diferenças estruturais dos componentes da parede celular no resíduo da leguminosa. com a mudança do volume aproximadamente equivalente ao volume de água absorvido. o aumento na extensão da digestão da celulose e das hemiceluloses é. inchamento intracristalino: envolve a penetração de água nas regiões cristalinas e amorfas da celulose. porém não acontecem mudanças na fibra em detergente ácido. Nesse caso. portanto. enquanto outras álcali-estáveis. O álcali parece reduzir a força de ligação intermolecular hidrogeniônica nas moléculas da celulose.. (1983). 1988). algumas álcali-lábeis (ligações ésteres). tornando-a mais digestível. Klopfenstein. melhorando a digestibilidade da fibra pelo aumento na solubilidade das hemiceluloses e na disponibilidade da celulose e das hemiceluloses (Klopfenstein. que só são hidrolisadas por meio de tratamento com ácido. Os componentes da fibra em detergente neutro (FDN) são reduzidos pelo tratamento alcalino. 1983). Jackson (1977) mostrou que a celulose incha quando tratada com NaOH. Há diferentes tipos de ligações entre os carboidratos e a lignina.

Observaram que o perfil de fermentação da palhada com adição de hidróxido de sódio foi típico de alimento rico em forragem com altos teores de acetato. na atividade de enzimas com atividade celulolítica e sobre a população microbiana ruminal. Esse aumento é devido a um aumento da exposição e do ataque das ligações lignina-celulose. Kategile e Frederiksen. carboidratos de reserva e de minerais. Marques Neto. O processamento úmido ou a seco de grãos de cereais melhora a eficiência de utilização do amido por aumentar o acesso aos grânulos de amido por enzimas dos microrganismos do rúmen e/ou do trato digestivo do animal (Schlink. principalmente na concentração de propionato. 1978. Rexen e Thomsen (1976) 218 . deve ser considerado o alto teor de sílica. Em trabalho realizado por Chen et al. estágio de maturação da planta. Normalmente o teor de lignina alto é a causa principal de seu baixo valor nutritivo. sendo. representam uma potencial fonte de energia. 1984).A associação físico-química entre a lignina. a do trigo a de menor qualidade e a de cevada ligeiramente melhor. As palhas contêm aproximadamente 80% de substâncias potencialmente digestíveis e. Volumosos 1. altamente lignificada e de baixa digestibilidade. 1979). Também há um aumento da população microbiana com ação celulolítica como o Ruminococcus flavefaciens e o Fibrobacter succinogenes. O consumo e a digestibilidade das palhas parecem melhorar por meio do tratamento com NaOH. Seu consumo geralmente é limitado a 2% do peso vivo do bovino por dia.1. Houve um aumento no total de ácidos graxos voláteis produzidos em relação à palhada não tratada. clima e condições de armazenamento. 1990). sendo constituídas principalmente por parede celular. Nas palhadas de arroz.5.5. os autores estudaram o efeito do tratamento da palhada da arroz tratada com hidróxido de sódio nas características fermentativas. porém apresenta as maiores porcentagens de fibra bruta e lignina (Jackson. Palhadas de pequenos grãos apresentam baixo valor nutritivo. com baixo conteúdo proteico. (2008). com valores acima de 70%. Sua constituição química é bastante variada. Palhadas em geral As palhadas geralmente apresentam baixo valor nutritivo. tipo e quantidade de fertilizante utilizado. 1. permitindo maior ataque bacteriano. sendo um potencial agente causador de lesões no trato gastrointestinal (Jackson. 1978. principalmente das celulases e das xilanases em relação à palhada não tratada. sendo que a concentração ideal de NaOH varia de 3 a 5% da MS (Klopfenstein. 1977). os polissacarídeos da parede celular e o grau de cristalinidade dentro do polímero de celulose são os fatores mais importantes que influenciam o valor nutritivo (Flachowsky e Sundstol.1988). em decorrência da baixa taxa de fermentação que este alimento sofre no rúmen. dependendo de fatores como espécie ou cultivar. A palha de soja tem o mais baixo teor de parede celular. portanto. assim como há atividades das enzimas produzidas por esses organismos. geralmente.

as quais ocorreram devido ao tratamento com 45kg de NaOH/t de matéria seca. capim-elefante. aveia. a digestibilidade in vitro e também a taxa de digestão. Ao tratar subprodutos fibrosos de monocotiledôneas com NaOH. Forragens de baixa qualidade Klopfenstein et al. usando ovinos.0.sugeriram o tratamento químico a seco de palhas com NaOH. os autores observaram que a retenção de palhas no rúmen afetou o consumo de matéria seca e. 9 e 12 horas. portanto. ainda. concentração de NaOH e temperatura foram: 219   .5 e 2. 1. (1972). em ensaio realizado com ovinos. à medida que foram sendo aumentadas a temperatura e as concentrações. 1.2. por meio da técnica dos sacos de náilon incubados no rúmen. nas temperaturas ambiente. 0. Apesar de o processo omitir a lavagem do excesso de base do produto. estudaram as modificações na energia digestível (ED) e na digestibilidade in vivo de palhas de trigo. 1. Rezende (1976) constatou que. e os aumentos de digestibilidade correspondentes foram 36. 3 e 5% de NaOH. estudando os efeitos no consumo voluntário e na digestibilidade das palhadas de cevada. indicando que forragens de baixa qualidade podem ser tratadas com ambos os níveis. No trabalho de Shariff e Gupta (1989) sobre os efeitos de vários tratamentos alcalinos no desaparecimento da matéria seca e da celulose de palhas. e isso resultou em um aumento de celulose e lignina na parede celular remanescente. trigo e feno de azevém e observaram que o tratamento da palhada com até 7% de NaOH (% da MS da palha) aumentou linearmente a digestibilidade enzimática. 3. que não reagiu. 9% para palha de aveia e 1% para palha de trigo. aveia e trigo tratadas com NaOH para novilhos. 100°C (estufa) e autoclavagem a 127°C. palha. centeio. Ng'ambi e Campling (1991). Esse tratamento reduziu o conteúdo de hemiceluloses da matéria seca. Utilizando os volumosos palha de arroz.(1990). ensilaram o pé de milho com concentrações de 0. mas não acima. aumentaram também as médias de digestibilidade da matéria seca e da matéria orgânica. considerando tempo. que os melhores coeficientes de digestibilidade em termos absolutos. Flachowsky e Sundstol (1988) obtiveram um aumento na digestibilidade com níveis de 5 a 8% de álcali.5. No entanto. Estes autores avaliaram palhas de cevada. A digestibilidade em ovinos aumentou na mesma proporção que o NaOH até os níveis de 4-5%. não resultou em nenhum problema. cevada e aveia. Os tratamentos com 3 e 5% de NaOH aumentaram significativamente a digestibilidade da matéria orgânica em relação ao pé de milho não tratado. encontraram aumentos de consumo da ordem de 31% para palha de cevada. pé e sabugo de milho tratados com NaOH nos níveis 0. respectivamente. Moss et al. Constatou. talos de algodão e cascas de sementes de girassol) foi menos eficaz. não houve diferença significativa entre os níveis de 3 e 5%. 6. 13 e 24%. Esse tratamento para dicotiledôneas (palha de soja. o NaOH.0% durante os tempos de embebição de 0. a disponibilidade líquida de nutrientes para o animal e aumentou o desaparecimento de matéria seca e celulose dos sacos de náilon suspensos no rúmen.5.

na concentração de 2. que foi significativamente maior (62. é capaz de produzir forragem tratada de maior digestibilidade e conteúdo ótimo de nitrogênio e minerais. Além disso. no miolo da cana e nas palhas de cevada. palha de milho: 9 e 12h de embebição. A digestibilidade de todos os resíduos tratados foi 56-58%. estudando o efeito do tratamento com hidróxido de sódio (NaOH) na fração fibrosa. exceto para a palha de cevada. na concentração de 2. capim-elefante: 9h de embebição. enquanto.8%). hemiceluloses e tanino. a hidrólise alcalina do capim aumentou significativamente (p<0. Segundo Owen e Jayasuriya (1989). constatou que o capim-elefante maduro. Oliveira (1996) não observou efeito positivo sobre o consumo e no valor nutricional deste. o tratamento alcalino com NaOH utilizou grandes quantidades (180g de NaOH/kg de MS da palha em 26 litros de solução por 16h. Com o objetivo de estudar o efeito do NaOH a 6% nas folhas verdes e secas de canade-açúcar.milho. As Tabelas 2 e 3 do trabalho de Rexen (1979) mostram o efeito positivo do tratamento com NaOH sobre forragens de baixa qualidade. nas temperaturas ambiente e de autoclave. para fibra em detergente neutro e fibra em detergente ácido. no teor de tanino e na digestibilidade in vitro da matéria seca do feno de jurema-preta. A proteína bruta não foi afetada. O valor para as folhas verdes foi 37. sabugo de milho: 3h de embebição. observaram que o tratamento com NaOH proporcionou efeito linear decrescente nos teores de matéria seca.ocorreu efeito quadrático. temperatura de autoclave. tais como o miolo do bagaço e as folhas secas da cana. na concentração de 1. não diferindo significativamente das palhas de trigo e de arroz. planta inteira: 9h de embebição. leva a um consumo voluntário de MS mais alto do que quando não tratado. trigo e arroz.0% de NaOH. Concluiu que a falta de suplementação deste feno com uma fonte de nitrogênio levou a esses resultados. seguido pela secagem). Dessa forma. e. Stuart (1988) constatou que a digestibilidade das folhas secas de cana foi 33%. (2003). Em estudo com feno de capim-jaraguá submetido ao tratamento com NaOH (4% da matéria natural). houve um maior aumento da digestibilidade dos materiais com um maior conteúdo de lignina. 220 .0% de NaOH. em experimento com ovinos.05) a retenção de nitrogênio e a digestibilidade aparente da MS.4%. na temperatura de autoclave. Mendonça (1992). na concentração de 2. temperatura de autoclave. apesar de não requerer alta tecnologia. Pereira Filho et al. O método de imersão em NaOH é uma técnica que melhora a qualidade e é a mais efetiva. e a digestibilidade in vitro da matéria seca (DIVMS) melhorou com o aumento da concentração de NaOH. da FDN e das hemiceluloses.5% de NaOH. quando tratado com NaOH.0% de NaOH.

5 73. lignina e FDA (fibra em detergente neutro). expresso em porcentagem da matéria orgânica (%/MO).7 16.5 17. Digestibilidade in vitro (% da MO) Antes do Após o Alimento Aumento tratamento tratamento Palha de cevada 45.5 31.3 66. Tabela 3.5 e 10.4 49.5.2 Sorgo 41.3 40.3 39.67.4 29.9 Tratada com 5% de NaOH 69.Tabela 2.3.9 6 49.7 Palha de arroz não tratada 80.4 6.6 Palha de trigo não tratada 80.1 72.33.7 64.6 49. HCEL (hemiceluloses).0kg de NaOH/100kg de MS de sabugo.1 43.8 Tratado com 5% de NaOH 70 20. nos quais trataram sabugos de milho com concentrações de NaOH de 0.1 44.1 6.4 7.9 50. 5.9 28.6 18.1 49.6 42.1 68.3 21 Palha de aveia 54.1 Palha de trigo 51. Sabugo de milho Em três experimentos.4 42 7.7 34.5 Rami não tratado 77.5 Sabugo de milho não tratado 92.9 28. 1.3 Tratada com 4% de NaOH 67.3 45.0.8 Sabugo de milho 38.4 30.3 18.3 4.1 74.1 Tratada com 5% de NaOH 70.5 Tratado com 5% de NaOH 68.9 20. 3. matéria orgânica.6 19.9 Rami 49.6 6. Aumento da digestibilidade in vitro de resíduos agroindustriais após o tratamento com NaOH (5% da MS). em todos os casos.1 31 Azevém 46.5 42.7 25.7 72.1 Fonte: Rexen (1979).5.7 4.4 31.2 42.8 44.1 13 Palha de centeio 46.9 23. 7.2 7.5 7 49.1 70.4 43.3 74. CEL (celulose).1 64.2 39. constituintes da parede celular. 2. expressos em porcentagem da matéria seca (%/MS).8 7.8 Palha de arroz 39.4 43.9 Sorgo não tratado 81.9 51.5 Fonte: Rexen (1979). Porcentagem da matéria seca Produto FDN HCEL CEL lignina FDA Palha de cevada não tratada 79. Kategile e Frederiksen (1979) encontraram. Componentes da parede celular dos resíduos agroindustriais tratados: FDN (fibra em detergente neutro). aumentos da digestibilidade da matéria seca. 221   .8 45.6 48 Tratado com 5% de NaOH 74.3 Milho planta inteira 56.5 43.2 27.2 41.4 8.9 31.1 41. 1.

Avaliaram. Dois experimentos com cordeiros foram conduzidos por Hunt et al.5cm do que para a de 10cm. O tratamento com NaOH da palha de trigo com 2.4. respectivamente. Lesoing e Klopfenstein (1981) obtiveram um aumento nas digestibilidades de CEL e HCEL. 4. Estudando as diferenças nas digestibilidades in vitro e in vivo. comparadas com dietas com palhas de maior TP. que se encontravam em um piquete de resteva de trigo e recebiam palha de trigo enfardada. trabalhando com oito novilhas Holandesas. A digestibilidade da matéria orgânica expressa na MS in vitro foi 38 e 53% para palhas não tratadas ou tratadas com soda cáustica. também.5 vs 10cm) e do tratamento com NaOH (0 vs 4%) da palha de trigo no consumo de MS e no sítio. mas em menores digestibilidades de MS e FDN. As dietas com palhas de menor TP resultaram em um maior consumo de MS. o volume de solução de NaOH.energia e fibra bruta e concluíram que 5kg de NaOH/100kg de matéria seca foi a quantidade ótima tanto para a digestibilidade quanto para o consumo voluntário.0. (1984) para determinar os efeitos do tamanho da partícula (TP:2. Entretanto. A palha tratada com NaOH teve um menor tempo de retenção ruminal comparada com a palha não tratada (32. 6 e 8% de NaOH na dieta completa. observaram ganho de peso de 23 g/cab/dia. Palhada de trigo Tratando quimicamente palha de trigo com NaOH a 3 ou 4%. 5. grandes aumentos na fibra potencialmente digestível com o tratamento com os níveis crescentes de NaOH. relacionadas à digestão ruminal da fibra potencialmente digestível com tratamento com níveis crescentes de NaOH.5. que variou de 25 a 200 litros/100kg de matéria seca de sabugo. Detectaram. 7. 2. ainda. algumas fibras escaparam da digestão microbiana no rúmen. 6 e 8% de NaOH. A digestibilidade in vivo da MS foi 5. Com NaOH. para palha de 2. enquanto o tratamento na palha com 10cm não teve efeito sobre a taxa de passagem e aumentou a fermentação de FDN no rúmen.5.5 e 10% na matéria seca do sabugo para obter 0. 2. 12 e 5% menor do que a in vitro nos níveis de 4.2 vs 39. 222 . e estabeleceram o volume mínimo de 50litros/100kg.8 horas).5cm aumentou a taxa de passagem e a fermentação da FDN no trato digestivo posterior. Os processamentos físico e químico indicam que as forragens de baixa qualidade podem produzir uma mudança no sítio e na extensão da digestão. houve maior mudança do sítio de digestão ruminal para pós-ruminal. (1979) utilizaram concentrações de NaOH de 0. O tratamento da palha com NaOH aumentou a ingestão e a digestibilidade. e na extensão de digestão da MS e da FDN. concluindo que 4% de NaOH foi o melhor nível para o tratamento. Thiago e Kellaway (1981). composta por 80% de sabugo e 20% de suplemento. possivelmente devido à diminuição do tempo de retenção ruminal e/ou diminuição da atividade celulolítica. respectivamente. Berger et al. após tratamento com 40g de NaOH/kg de palha. 1.

2 e 4% de NaOH por Flachowsky e Sundstol (1988). Masson et al. mostrou que as palhas tratadas tiveram taxas de degradação comparáveis e maiores do que aquelas da palha não tratada. Comparada com a palha de cevada imersa em água pura (57.5g de MS/kg0. em caprinos e ovinos.9 e 83%. a taxa de consumo cresceu mais em caprinos (58%) do que em ovinos (30%). Com a palha tratada.2mL/g de MS consumida. (1989) forneceram palha de cevada tratada e não tratada com soda.1 vs 37. Concluíram que a imersão em uma solução de NaOH e ureia foi um método efetivo para otimizar a palha para caprinos. Descreveram. Palha de cevada A palha de cevada foi tratada com 0.75/dia) e as digestibilidades da MS. Raj et al. (1989) imergiram pequenos fardos (69kg) de palha de cevada por 45 minutos em uma solução contendo 11g de NaOH/kg e 7g de ureia/kg e estocaram por três a seis dias. Em um estudo que compara o comportamento alimentar e a ruminação em ovinos e caprinos. resultando em um aumento na degradabilidade da MS de 5. A aplicação de NaOH foi de 50g/kg de MS de palha. O tempo de mastigação foi maior para ovinos do que para caprinos. (1987) observaram que houve melhorias no consumo e na diminuição da quantidade de nitrogênio amoniacal disponível no ambiente ruminal. assim como para a melhoria dos padrões de fermentação ruminal e aproveitamento energético da palha de trigo. matéria orgânica e FDN. O consumo de água foi mais baixo em caprinos em ambas as dietas (em média 5. 1. Verificou-se que o tratamento da palha com soda melhorou o nível de ingestão em caprinos (46% contra 30% para os ovinos). o que representou uma taxa de soda incorporada de 4%.6% para cada 1% de NaOH.3 e 6.71 e 1. e a taxa de mastigação aumentou mais em caprinos (58%) do que em ovinos (18%). além de ser também adequada para uso por pequenos proprietários rurais. além de ter elevado a retenção nitrogenada em relação à palha não tratada. A palha foi tratada pela via semisseca. O tratamento da palha com soda aumentou o consumo voluntário em 30 e 47%. utilizandose sacos de náilon em caprinos fistulados. que depois foram fornecidos sem picar. ainda. que o tratamento de hidróxido de sódio mais vapor levava a uma quantidade maior de nitrogênio solúvel e ácidos graxos voláteis se comparado ao material que não sofreu tratamento. utilizando-se 12 litros de detergente de soda a 30% para 100kg de palha.5. 223   . em caprinos e ovinos). a palha imersa em soluções contendo 0. A degradabilidade ruminal da MS da palha medida. Wrathall et al.5% de NaOH mostrou uma digestibilidade in vitro de 80. Os autores concluíram que os tratamentos que utilizam hidróxido de sódio e vapor conjuntamente são uma boa opção para a melhoria de alimentos de baixa qualidade para a alimentação de ruminantes.5.4%). respectivamente. respectivamente.O tratamento alcalino da palha de trigo feito por Ciocca e Prates (1991) aumentou o consumo voluntário em relação à não tratada (55. respectivamente. quando amostras de palhada de trigo eram tratadas com hidróxido de sódio sob pressão.

1.8. Em geral. As produções de gordura do leite. O uso do NaOH foi efetivo para aumentar o valor nutritivo da palha de cevada. nenhuma das palhas tratadas resultou em melhoras proporcionais de digestibilidade acima do controle que excedesse 0.5.6. a digestibilidade. fibra em detergente acido e energia bruta e com os conteúdos de energia metabólica medidos in vivo. sendo não significativas. a ensilagem pareceu ser tão efetiva quanto os tratamentos com álcali em seus efeitos sobre a digestibilidade. hidróxido de cálcio e hidróxido de amônia) mais a ensilagem. O tratamento alcalino mostrou remoção dos componentes estruturais.5. de acordo com os coeficientes de digestibilidade da MS.7. fibra em detergente neutro. (1990) alimentaram 141 vacas ad libitum com silagem de gramínea ou uma mistura contendo silagem de gramínea e 15. com os objetivos de avaliar o desempenho (ganho de peso) de novilhos alimentados com ração à base de palha de feijão e de determinar a digestibilidade e o consumo voluntário da ração oferecida e compará-la a um tratamento controle (palha sem NaOH). fibra em detergente ácido e energia bruta entre os tratamentos. Também. mas a digestibilidade da proteína bruta (PB) foi maior com o uso do NaOH. Também causou maior ganho de peso vivo e aumentou o consumo de água.5. Palha de soja Felix et al. (1990) avaliaram os efeitos do tratamento da palha de soja com vários álcalis (NaOH. comparada à palha não tratada.5. Os dados de digestão tanto in vitro quanto em cordeiros não mostraram nenhuma melhora na digestão da fibra. 1. matéria orgânica. Não houve diferença estatística para a digestibilidade da matéria seca. Palha de girassol O consumo voluntário. além também da MS digestível. o tratamento com álcali pode não ser um método prático para tornar a palha de soja uma forragem mais utilizável por ruminantes. sem prejudicar o ganho de peso.Phipps et al. A palha tratada aumentou significativamente a ingestão de forragem e a produção de leite. Os resultados desse estudo não forneceram evidências convincentes de que os tratamentos com álcali por si só resultassem em melhoras significativas na digestibilidade da palha de soja. Palha de feijão Gonzalez Duarte (1991) utilizou o tratamento com NaOH (5% da MS) da palha de feijão. 25 ou 40% de palha de cevada não tratada ou tratada com 4% de NaOH. ao tratamento da palha com hidróxido de amônia (NH4OH) e à silagem de milho. 1. O autor concluiu que a palha de feijão tratada com NaOH poderia substituir a silagem de milho nas rações de bovinos suplementados com concentrados. na maioria dos casos. principalmente das hemiceluloses. o balanço de nitrogênio e o valor energético de palha de girassol tratada com NaOH (40g/kg) foram determinados em caprinos por 224 . proteína e lactose para os tratamentos com palha tratada foram maiores do que para palhas não tratadas. Em adição. com as diferenças entre ambos os tratamentos. sobre a digestibilidade de vários nutrientes e sobre a retenção de nitrogênio em ruminantes.

como PC. Wang et al. 5. Os conteúdos de cinzas e lignina no material tratado também aumentaram. FDA. Santos e Prates (1988) tiveram como objetivo avaliar os efeitos de vários tratamentos químicos: NaOH. Esses autores concluíram que o tratamento alcalino utilizado resultou em um volumoso de qualidade ainda baixa. cabendo ao NaOH a primazia de ser aquele que melhor incremento causou nessa digestibilidade. sendo que o seu custo excedeu seu efeito benéfico. no entanto a epiderme e as suas estruturas permaneceram intactas no material não tratado e no material tratado com NH4HCO3. 1. mesmo após 48 horas de incubação. Os autores observaram que o tratamento com NaOH 30g/kg de MS destruiu todas as estruturas anexas à camada cuticular da epiderme.5. 4 e 8% da MS. HCEL. 9 e 12%) e pressão de vapor por uma ou duas horas. nos níveis de 0. nas mudanças de composição da palha de arroz e digestibilidade dos componentes da fibra pelos microrganismos do rúmen. inclusive a do nitrogênio. a fim de se investigar os efeitos sobre as mudanças na histologia da palha de arroz antes e depois de ensaios de degradabilidade in situ por meio da microscopia eletrônica de varredura (MEV) e microscopia eletrônica de transmissão (MET). Liu et al. fornecida sozinha ou suplementada com 200g de farelo de soja/dia. Ca (OH)2 e cloreto de sódio (NaCl). resultando em valores aumentados dos conteúdos celulares. houve um grande aumento da digestibilidade dos componentes da fibra da palha de arroz. Diferentes concentrações de NaOH e NH4HCO3 foram aplicadas à palha de arroz. Liu et al. CEL e sílica. houve solubilização significativa de polissacarídeos estruturais. Os álcalis testados foram efetivos em melhorar a digestibilidade in vitro da matéria orgânica. estudaram os efeitos do tratamento da palha de arroz com NaOH. 7. KOH. Após experimento de degradação ruminal. Mesmo no menor tempo de duração. 3. Quando a palha de arroz tornou-se mais potencialmente digestível pelo tratamento alcalino. seca e úmida. usando uma solução de NaOH a 4% para tratar a palha de arroz. (1987). notaram que a epiderme e todas as suas estruturas foram degradadas pela ação do NaOH na palha tratada. (1989). (1988).Boza et al. enquanto o mesmo comportamento não foi observado no tratamento com NH4HCO3. levaram a um aumento da degradabilidade ruminal da PB. sobre a composição química e digestibilidade in vitro da matéria orgânica da palha de arroz. Devido ao efeito sinérgico dos tratamentos. Em outro trabalho. e reduziu a perda de nitrogênio urinário. a suplementação de nitrogênio aumentou o consumo da palha. Palha de arroz O trabalho de Rai e Mudgal (1987) demonstrou o efeito associativo dos tratamentos com diferentes níveis de NaOH (0. submetida a duas formas de conservação. utilizando três ovinos.9. De acordo com 225   . (2006) avaliaram a influência dos tratamentos com hidróxido de sódio (NaOH) e bicarbonato de amônia (NH4HCO3) sobre as estruturas da palha de arroz e na degradação ruminal. Esse tratamento aumentou significativamente a digestibilidade dos nutrientes da palha de arroz.

1. de componentes estruturais lignocelulósicos.5. CEL e lignina aumentou significativamente com níveis crescentes de NaOH usados. ocorrendo uma menor digestão no intestino grosso e. Os altos conteúdos de lignina e sílica na casca de arroz são os dois principais fatores responsáveis por suas baixas palatabilidade e digestibilidade (Singh e Gupta. a palha de milho é uma forragem de baixa qualidade. Esses autores trataram amostras de casca de arroz. no sentido de anular os efeitos negativos do tratamento com NaOH. os resultados indicam que. no caso da NH4HCO3. causou efeitos negativos no balanço de nitrogênio e nos coeficientes de digestibilidade da matéria orgânica e do nitrogênio. digestibilidade aparente e locais de digestão de matéria orgânica e nitrogênio do rolão de milho. no caso do hidróxido de sódio. a camada de cutícula da epiderme é uma importante barreira para a microbiota ruminal. no caso da palha de arroz.5 e 10%). 226 . O rolão de milho utilizado nesse experimento mostrou ser um alimento de bom valor nutritivo. A adição de ureia mostrou-se positiva. essa camada. FDN. 1982). FDA. principalmente. 1978). Ela consiste. em consequência. impedindo o contato com o conteúdo celular e sua degradação. 7. portanto. A degradabilidade ruminal da MS. HCEL.5% de ureia. mas o tratamento químico da palhada pode dissolver. Resíduo de cultura de milho Moro (1987) trabalhou com cinco ovinos adultos canulados no duodeno e íleo para estudar consumo. o emprego do NaOH nem a adição de ureia. com cinco níveis de NaOH (0.os autores.5. O tratamento com NaOH não foi efetivo na melhoria do valor nutritivo do rolão de milho. no entanto a fissura criada na cutícula pela quebra deste. levando à não degradação desta e resultando em menor aproveitamento da palha de arroz na fermentação ruminal. O grau de lignificação dos polissacarídeos atua como uma barreira à sua degradação pelos microrganismos (Jackson. Segundo Ramirez et al. 2. pelo método spray. quando comparada com o tratamento com NaOH. Com a dissolução da cutícula.10. e este efeito aumentaria à medida que se aumenta a concentração do químico. acrescido de 0. 5. que é muito volumosa e. pelo tratamento com NH4HCO3. O tratamento químico da palha de milho pode aumentar a digestibilidade por causar aumento da solubilidade da lignina devido à diminuição do comprimento das ligações entre lignina e polissacarídeos (Van Soest. Ao contrário. rolão de milho tratado com 4% de NaOH e rolão de milho tratado com 4% de NaOH. Os locais de digestão foram afetados pelo tratamento. não justificando. não foi suficiente para permitir o acesso da microbiota à epiderme. a epiderme do material tratado com NaOH pode ser degradada pela microbiota ruminal. ou quebrar. 1987). possui um alto custo para ser transportada e é difícil de ser estocada. (1992). por isso. uma tendência ao deslocamento do sítio de digestão para o rúmen. em função da alta eficiência de síntese de proteína microbiana e do balanço de nitrogênio.

limitando a utilização dos alimentos. para usar a palha tratada com NaOH como dieta de mantença para cabras leiteiras não lactantes. O uso de NaOH aumentou o consumo de MS. maiores consumos de ED e de EM. apesar de a digestibilidade aumentar em 17%. O tratamento causou a redução do conteúdo de HCEL da MS. digestibilidade e conteúdo de energia digestível da palha de aveia foi avaliado por Moss et al.29kg de matéria orgânica/dia. Palha de aveia O efeito do tratamento com hidróxido de sódio na composição química. Os melhores resultados foram obtidos quando se utilizaram 5kg de NaOH em 100kg de MS. Ramirez et al. Com ovinos castrados. Caprinos castrados foram alimentados com a mesma dieta e responderam de maneira semelhante aos carneiros. realizado por Ng’ambi e Campling (1991). mas suplementado com ureia. Os coeficientes de digestibilidade da matéria orgânica e da palha 227   . O tratamento da palha de aveia com NaOH. 1. O objetivo de Saliba (1988) foi determinar o valor nutritivo do resíduo de cultura de milho tratado quimicamente com NaOH e suplementado com ureia. aumentou o conteúdo de cinzas de 52 para 113g/kg de MS. o qual resultou numa limitada atividade microbiana. aumentando o consumo e a digestibilidade aparente da MS. apesar de não ter havido diferenças nas digestibilidades de FDN e FDA nos carneiros alimentados com dietas contendo palha de milho tratada com cinzas de madeira ou NaOH. Wilke (1992) tratou palha de milho com 5% de NaOH e a forneceu a cabras com idade entre 14 e 18 meses. com isso. HCEL e lignina) do resíduo de cultura de milho.93 para 4. e isso resultou em um aumento do conteúdo de CEL e lignina da PC remanescente.30kg de matéria orgânica/dia. Os resultados dessa pesquisa indicaram que. maiores consumos de ED e EM. (1990). permitindo. Pareceu que o valor nutritivo inicial da palha não teve efeito no grau de resposta ao tratamento. (1992) concluíram que. nos ovinos controle.11.Kategile e Frederiksen (1979) estudaram os restos de uma cultura de milho com a finalidade de determinar a quantidade ótima de NaOH requerida para melhorar o coeficiente de digestibilidade. O tratamento com NaOH diminuiu a concentração de componentes estruturais (CEL. sem afetar o consumo voluntário do material tratado. esta deve ser acrescida de um suplemento proteico. Esse tratamento resultou em um decréscimo de 12% no consumo voluntário. causou maior digestibilidade da MS. Esse tratamento aumentou o consumo voluntário de 5. alimentados com dietas contendo palha de milho não tratada ou tratada com uma solução de cinzas de madeira ou uma solução de NaOH (4g/100g de palha de milho). comparado com o resíduo de cultura de milho sem tratamento químico.85 para 6. ambas as digestibilidades foram maiores do que as de FDN e FDA.5. devido a um aumento do consumo voluntário de palha de 3. o que pode ser explicado pelo baixo conteúdo de PB da palha de milho. Foram utilizados carneiros implantados com cânulas no rúmen. duodeno e íleo.

Os consumos médios diários foram 29. sendo eles: CAN (cana-deaçúcar in natura).5 a 50% de NaOH) sobre a digestibilidade total e o consumo de matéria seca das dietas experimentais e as taxas de passagem das canas-de-açúcar.. durante o período de ensilagem ou quando exposto ao ar. após aplicação de vários níveis de NaOH sob a forma de spray. o material ficou exposto ao sol por aproximadamente oito horas. 20. logo após o mesmo tratamento de hidrólise. o efeito mais evidente é sobre o consumo. e SIL (cana-deaçúcar hidrolisada ensilada. logo após a hidrólise. para ovinos. A digestibilidade da matéria orgânica do bagaço de cana aumentou de 32. mostrou que a estabilidade do produto tratado. mesma variedade do tratamento CAN foi picada e hidrolisada com NaOH 50%) (1. 44. Sua área cultivada é acima de três milhões de hectares. Bagaço de cana-de-açúcar O Brasil é um dos maiores produtores de cana-de-açúcar do mundo. respectivamente.aumentaram devido ao tratamento com NaOH. sob o ponto de vista microbiológico.6 para o produto tratado com água. mas o bagaço não processado usado para substituir fontes de forragem resultou num consumo pobre e numa produção animal abaixo do padrão (Abdalla et al. Foram utilizados quatro bovinos mestiços (Zebu x Holandês). O consumo voluntário da matéria orgânica digestível da palha de aveia aumentou 26% devido ao referido tratamento. 34. Porém. provavelmente. respectivamente. À medida que aumentou o teor de bagaço tratado na ração.1 Mcal/kg de MS de bagaço tratado. o material foi compactado em silo tipo trincheira. sobre o valor nutritivo do bagaço de cana ensilado por 90 dias. 1990). O trabalho de Molina et al. podem ser considerados valores de 1. para 56. Foram utilizados quatro tratamentos.75 para dietas contendo bagaço tratado com 0.7 e 2. de EM e ED. até atingir 85% de matéria seca).5. não é totalmente utilizado como fonte de combustível. (2005) tiveram como objetivo estudar o efeito do tratamento alcalino da cana-de-açúcar com hidróxido de sódio (1. FEN (canade-açúcar hidrolisada fenada. diminuíram a digestibilidade e o consumo dela. subproduto mais importante da indústria açucareira. O bagaço. foi bom. com peso médio de 700kg.56 para 0. e há muitos estudos sobre o bagaço em dietas para ruminantes. providos de cânula ruminal. que permaneceu fechado por 30 dias). A presença de NaOH no silo inibiu o desenvolvimento de bactérias e fungos. Avila (1989) avaliou o valor nutritivo do bagaço de cana tratado com NaOH em diferentes proporções na dieta de ovinos. 228 . (1983). disposto em camada fina [máximo 1cm] em terreno cimentado. bem como maiores retenções de nitrogênio em função da energia consumida. um efeito que foi. intensificado pelo reduzido conteúdo de carboidrato solúvel do substrato.7 e 40.63 de matéria orgânica.8.5% PV) no momento em que a forragem era cortada pelas facas da picadeira hidrolisadora HIDROCANA.12.6g/kg PV0. 40 e 60g de álcali/kg de produto seco. Proporções de bagaço variando entre 30-35% na ração permitem a obtenção dos maiores valores de energia e proteína digestíveis. Para efeito de formulação de rações.7.8% para o maior nível de álcali. 1. CH (cana-de-açúcar hidrolisada. Ezequiel et al. a digestibilidade da palha passou de 0.

com o objetivo de maximizar o efeito das canas-de-açúcar. Os aumentos de 25. para ovinos. comprovado pela redução nos constituintes da parede celular e pelo aumento na DIVMS. Os resultados sugerem que o bagaço de cana tratado pode ser usado estrategicamente em uma dieta de mantença para ovinos durante períodos de baixa disponibilidade de forragem. 2. Após a homogeneização. O consumo de MS. O objetivo do trabalho de Abdalla et al. celulose (CEL). não sendo observadas alterações para essa variável em relação às doses crescentes de NaOH. O valor nutritivo do bagaço de cana é melhorado com a adição de NaOH.recebendo dieta composta de volumoso e concentrado na relação 70:30 na matéria seca. Entretanto. reduzindo perdas na eficiência. hidrolisadas e hidrolisadas fenadas.4 horas). cinco e sete dias).4%/h) e o maior tempo de retenção (71. A digestibilidade in vitro da matéria seca (DIVMS) e o teor de sódio aumentaram quando o bagaço de cana foi submetido a doses crescentes de NaOH. três. 5 e 7. Pires et al.5% PV) e hidrolisadas fenadas (1. Os autores concluíram que não foi verificado efeito dos tratamentos (dose de NaOH e dias de tratamento) sobre os teores de PB. o material foi armazenado nos baldes correspondentes a cada repetição.5% na MS por meio de um pulverizador. Concluiu-se que o tratamento alcalino com hidróxido de sódio. pode não trazer esses benefícios. observaram-se as menores taxas (1. melhorou a digestão da fibra da cana-de-açúcar no trato digestivo total e proporcionou acréscimo do consumo de matéria seca da cana-de-açúcar hidrolisada. (2006) tiveram como objetivo avaliar a composição química e a digestibilidade in vitro da matéria seca (MS) do bagaço de cana-de-açúcar contendo 60% de MS submetido a doses crescentes de hidróxido de sódio (NaOH) em diferentes períodos de tratamento. O consumo de MS para animais alimentados com feno foi significativamente melhor (p<0. O tratamento alcalino foi mais eficiente na fração fibra. A MS aumentou com os dias de tratamento. com ou sem fenação. para a cana-de-açúcar hidrolisada ensilada. proporcionando aumentos de pelo menos 45% na digestibilidade. Os valores estimados de taxa de passagem ruminal no ceco-cólon e o tempo de retenção em cada compartimento não diferiram entre as canas-de-açúcar in natura. no entanto.7% no consumo das dietas contendo as canas-de-açúcar hidrolisadas (1. que apresentaram valor médio de 1. A solução de NaOH foi adicionada ao bagaço nas respectivas dosagens de 0.6%. A produção de lã e a mudança de peso vivo não diferiram entre as dietas experimentais.5 e 7.5. 229   . a produção de lã e mudanças de peso foram anotados para cada animal.01). Foi observada redução das frações de FDN. FDA. O bagaço foi acondicionado em baldes plásticos com capacidade de 10 litros e permaneceu em câmara climática à temperatura constante de 25ºC. de mantença. A posterior ensilagem. sendo uma alternativa para utilização como volumoso na alimentação de ruminantes. hemiceluloses (HEM) e lignina (LIG).4% PV) provavelmente foram influenciados pela maior digestibilidade da fibra. os quais permaneceram abertos nos respectivos períodos de tratamento (um. mas não foi observado efeito do período de tratamento sobre essas variáveis. sem afetar a taxa de passagem. (1990) foi avaliar o consumo e a eficiência do bagaço de cana tratado com 5% de NaOH em uma dieta isoproteica.0 e 16.

Os resultados percentuais dos componentes da parede celular variaram de 51. 3%. tratada com diferentes quantidades de hidróxido de sódio. T5-100% feno de alfafa. Os valores de degradabilidade efetiva (DE) e degradabilidade potencial (DP) aumentaram de acordo com o incremento dos níveis de NaOH nos tratamentos. por quatro rodadas sequenciais. T2-feno e casca de café + 5% ureia. (2008) tiveram como objetivo determinar a cinética de degradação ruminal da matéria seca da casca de café. Os autores observaram que os valores de matéria seca não se alteraram significativamente entre os diferentes tratamentos.3% para a fibra em detergente neutro e de 43. em virtude da solubilização de componentes da parede celular. Figueiredo et al. Os autores concluíram que a adição de hidróxido de sódio na casca de café nos níveis de 3%. porém. (2005) avaliaram o valor nutritivo da casca de café tratada ou não com hidróxido de sódio e/ou ureia. a adição desta base pode contribuir para o aumento do desempenho de ruminantes submetidos a dietas contendo este resíduo agrícola. 36.9% para a fibra em detergente ácido. Para isso. dentro de um delineamento de blocos inteiramente casualizados. 6% e 9% aumenta linearmente os resultados de degradabilidade efetiva. sendo que cada uma destas representou um bloco. utilizaram duas vacas fistuladas no rúmen. os tratamentos T1 a T4.5. Para isso. 48 e 72 horas. efeito sobre o tempo de colonização ruminal desta.1.5% NaOH. e com NaOH não provocou alterações na composição química. degradabilidade potencial e fração solúvel deste resíduo no rúmen. observaram-se valores que foram crescentes de acordo com o aumento dos níveis de NaOH.5% NaOH + 5% ureia. Considerando-se a composição bromatológica e a digestibilidade da casca de café tratada ou não. consumo de energia digestível e digestibilidade aparente da proteína bruta.13. indicando efeito do tratamento químico sobre esta fração dos alimentos testados. constituindo. provavelmente. assim distribuídos: T1-feno de alfafa e casca de café pura. T4-feno e casca de café + 1. A casca tratada ou não provocou depressão do consumo. Esse efeito ocorreu. incubando-se as amostras em sacolas de náilon por 12. em blocos casualizados. assim. não havendo. o mesmo ocorrendo para proteína bruta. 6% e 9% de hidróxido de sódio (base seca). Casca de café Leitão et al. deve-se fornecê-la junto a outro alimento com um melhor teor de energia. Houve diferença entre os tratamentos quanto ao consumo de proteína digestível. Tratou-se a casca de café com 0%. O tratamento da casca de café com ureia proporcionou apenas aumento no teor de proteína bruta (PB). Provavelmente.9% a 50. o tratamento com 9% de NaOH alterou a composição da parede celular. Para a fração solúvel (FS). 24. promovendo redução dos teores de FDN e FDA. foram utilizados 20 carneiros.9% a 66. Ambos apresentaram os mesmos resultados com a adição de 9% de NaOH em relação aos demais tratamentos. Não se observou diferença para o tempo de colonização (TC) entre os tratamentos. com quatro blocos e cinco tratamentos constituídos de 50% de feno de alfafa e 50% de casca de café tratada ou não. Diante desse efeito possível na cinética de degradação da casca de café no rúmen. T3-feno e casca de café + 1. indicando que a adição de NaOH deve ter atuado na dependência dos níveis de NaOH usados e na quebra das estruturas lignificadas da parede celular da casca de café. 230 .

Não houve diferenças significativas nas qualidades visuais e químicas entre as silagens com e sem tratamento de NaOH. As silagens foram avaliadas em relação às digestibilidades e aos efeitos nos ganhos de peso vivo e no soro sanguíneo de bovinos. 20. trigo tratado com NaOH e o ensilado. respectivamente. Avaliando-se a degradabilidade da proteína. O consumo do alimento tratado com NaOH foi significativamente maior que os demais tratamentos (23. as digestibilidades daqueles materiais foram consideravelmente aumentadas. sendo elas: trigo planta inteira. perdendo. devido à ensilagem. ao avaliarem o efeito da palha de trigo tratada com NaOH e Ca(OH)2 em crescentes participações na dieta (0. produção de leite.5. 125 e 76g/kg. (1990). a planta imatura do trigo levou à maior produção de efluentes. 30 e 40% da MS da dieta total) sobre os padrões ruminais e o desempenho de vacas Holandesas no meio da lactação. obtiveram-se valores de 103. Campeneere et al. Os experimentos de digestibilidade in situ mostraram que os tratamentos com NaOH levaram a uma diminuição significativa da degradabilidade da proteína e do amido do trigo. apesar da utilização de aditivos. (1998). Os autores constataram que o material tratado com NaOH apresentou melhor performance com aumento da produção de leite e com maior concentração de gordura e proteína no leite corrigido. Por meio de estudos de digestibilidade in situ e in vivo. a digestão da FDN e a produção de leite em níveis de inclusão de até 20%.5 vs. para o trigo planta inteira. O soro sanguíneo não apresentou nenhuma desordem funcional. 2. (2005) avaliaram a performance zootécnica (ingestão de matéria seca. grande parte do amido. foram ensilados aveia.14. observaram que os álcalis não alteraram o ambiente ruminal. quando comparado ao tratamento que continha a planta inteira de trigo. se comparado ao tratamento com silagem pré-secada e com silagem de milho. desta forma. A maior parte do sódio consumido pelos animais foi excretado através da urina. obteve-se o valor nutritivo dos tratamentos.1Kg/dia para os outros dois grupos). tal procedimento pode ser de grande valia para a redução de casos de acidose ruminal. Silagem No estudo de Tobino et al. Devido a este decréscimo na degradabilidade do amido nos tratamentos com NaOH. gordura de leite e proteína) de cinco dietas diferentes em vacas Holandesas. Porém. UTILIZAÇÃO DE RESÍDUOS AGROINDUSTRIAIS TRATADOS COM HIDRÓXIDO DE SÓDIO PARA BOVINOS DE LEITE Haddad et al. 21. Por outro lado. os animais reduziram a ingestão de matéria seca e perderam peso. Sob aplicação de NaOH. trigo tratado com NaOH e silagem de trigo imaturo com aditivos. O experimento de digestibilidade com os animais indicou que os valores de energia dos tratamentos do trigo não foram diferentes estatisticamente. silagem de milho e silagem pré-secada. nos tratamentos com 30 e 40% de palha tratada. 231   . arroz e palha de arroz tratados com NaOH.1.

A ingestão de matéria seca do tratamento com caroço de algodão tratado foi maior se comparado aos demais tratamentos. T2 (caroço de algodão sem línter. Quando o valor do pH do fluido superior do rúmen vai acima de oito. o que poderia causar problemas. Para isso. O fornecimento de palha de trigo tratada com NaOH a ovinos. Devido à alteração da palatabilidade e aos altos níveis de sódio na palha tratada com NaOH. PROBLEMAS ADVINDOS DO USO DE NAOH NA ALIMENTAÇÃO DE RUMINANTES As palhas tratadas com NaOH não são bem-aceitas pelos animais. recebendo palha de trigo tratada com 35g de NaOH/kg. A digestibilidade total da matéria seca. porém o tratamento com caroço de algodão tratado com NaOH apresentou maiores produções de leite. torna-se necessário restringir a quantidade de palha tratada nas dietas de ruminantes (Stigsen. 1975.Solomon et al. O balanço mineral de bezerros. Os autores concluíram que os ovinos não foram capazes de se adaptarem a altos consumos de álcali por períodos superiores a 15 semanas. Observaram-se deterioração do estado físico. Três diferentes tratamentos foram utilizados. 232 . nem hemoquímicos. 3. tratado com NaOH 4%). neutralizada com HCl e não neutralizada. leite corrigido para 4% de gordura. foi determinado por Holzer et al. Indica-se a neutralização da palha com ácido clorídrico (HCl) para estabilizar o pH do fluido ruminal e aumentar o consumo de alimentos. Não foram encontradas alterações nos indicadores hemáticos. foram determinados alguns indicadores hematoquímicos e gasométricos. citado por Rexen e Knudsen. em vacas em lactação. não tratado) e T3 (caroço de algodão sem línter. excesso de bicarbonato e de base. Martinez e Aguilera (1991) estudaram o comportamento clínico-metabólico em vacas alimentadas com bagaço de cana pré-digerido com NaOH a 6%. As produções de leite foram semelhantes para os tratamentos 1 e 2. diarreia e alcalose metabólica. Além do controle sanitário. 1984). Todas as dietas continham 18% de caroço de algodão. Atribui-se o desencadeamento dos mecanismos implicados a um excesso de NaOH. que aumentou significativamente. da matéria orgânica e a da proteína bruta da dieta com caroço sem línter (T2 e T3) foram maiores se comparadas à dieta com caroço com línter. produção de gordura (g/kg) e proteína (g/kg). O tratamento do caroço de algodão com NaOH levou a um aumento da digestibilidade in vitro da matéria seca e da fibra em detergente neutro. exceto no sódio. o consumo de alimento para e só se inicia novamente quando o pH cai abaixo de sete. sendo eles: T1 (caroço de algodão com línter). o que acontece pouco tempo após a ingestão. (2005) estudaram o efeito do NaOH (4% da MS) sobre o valor nutritivo do caroço de algodão sem línter. A digestibilidade da celulose e a da FND foram maiores no tratamento três. quando são fornecidas sozinhas. feito por Trevor-Jones e Leibholz (1984). resultou em alcalose metabólica primária demonstrada pelo pH sanguíneo aumentado. foram utilizadas 18 vacas Holandesas no meio da lactação.

S. torna-se necessário fazer um tratamento prévio desses materiais.C. A alcalose não afetou o desempenho. porcentagens mais altas de resíduos tratados com esse químico.67.. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ABDALLA. p. será possível usar. AVILA. que aumentará o teor de proteína bruta. v. VITTI. Trop. a digestibilidade e o consumo.L. Belo Horizonte. Porém. O hidróxido de sódio aparece. nas dietas. A relação sódio e potássio retidos aumentou com o incremento da proporção de palha na dieta e foi menor nas dietas de palha neutralizada. Apesar de a digestibilidade ser melhorada pelo tratamento alcalino com hidróxido de sódio. objetivando o aumento do valor nutritivo dessas fontes. D. J. A concentração de amônia no líquido ruminal e a da ureia no sangue foram mais baixas nos animais que receberam palha de trigo tratada com álcali. 66f Dissertação (Mestrado em Zootecnia) – Universidade Federal de Minas Gerais.M. Os valores de pH. então. na época seca. Quando esse problema for solucionado. 500 e 700g/kg.C.93-94. Deve-se ressaltar a importância da adição de uma fonte nitrogenada. 233   . 4. visando aumentar a sua digestibilidade e proporcionar um melhor aproveitamento do seu valor nutricional pelos animais. S. Bagaço de cana tratado com hidróxido de sódio. 1990. de forma que também seja possível a produção de alimentos altos em energia.. devem-se utilizar metodologias que reduzam os efeitos negativos do sódio e do alto pH sobre a saúde animal. o produto resultante ainda continuará sendo um alimento pouco energético.S. Escola de Veterinária. Agric. A disponibilidade desses produtos é muito grande e ocorre no período de escassez de forragens verdes. como uma boa opção para tratamento de resíduos.. MG. Devem ser feitas pesquisas no sentido de otimizar o efeito desse tratamento. 1989. O balanço ácido-básico sanguíneo não foi significativamente afetado pelos tratamentos. para ruminantes. ou seja. a presença de bicarbonato e a pressão de CO2 dos animais indicaram alcalose branda. A. Além disso.(1991) em um experimento de digestibilidade no qual a palha de trigo foi oferecida nos níveis de inclusão de 300. deve ser investigada a ocorrência de interações entre os materiais tratados com soda e outros componentes dos alimentos. Treated sugarcane bagasse for sheep. No entanto. SILVA FILHO. CONSIDERAÇÕES FINAIS A utilização de resíduos agroindustriais na alimentação de ruminantes é viável.

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br 3 Engenheiro Agrônomo. 2009). Associado Departamento de Zootecnia da Escola de Veterinária da UFMG. bem como a composição bromatológica em lipídios. CEP: 70750-501. Em termos da exportação. Sala 301.9 milhões de toneladas de milho e 58. 2007). carboidratos e proteínas. com produções de 51. Nazir I.br 4 Médico Veterinário.CAPÍTULO 14 O MILHO NA ALIMENTAÇÃO DE GADO DE LEITE Luiz Gustavo Ribeiro Pereira1. a textura dos grãos e o conteúdo de óleo. Serão descritos. Ciência e Tecnologia do Sudeste de Minas Gerais – Campus Barbacena. SEPN 509. juntamente com a soja. Juiz de Fora. CEP 36038-330. logo após os Estados Unidos e a Argentina (United States Department of Agriculture . Prof.. os principais coprodutos do processamento do milho. Será também abordado o milho na alimentação de rebanhos leiteiros com detalhes quanto aos efeitos do local de digestão do amido e o metabolismo de vacas leiteiras.1 milhões de toneladas de soja. Caixa Postal 567. atrás dos Estados Unidos (268 milhões de toneladas) e da China (143 milhões de toneladas). como a digestibilidade da fibra. Lúcio Carlos Gonçalves3. luiz. a classificação quanto ao tipo de grãos. luciocg@vet.edu. contribui com aproximadamente 80% da produção nacional de grãos. o Brasil encontra-se na terceira colocação. Coordenador do Programa de Pesquisa em Agropecuária e Agronegócio. Rua Eugênio do Nascimento. estimada ao todo em 137. MG.USDA. Wellyngton Tadeu Vilela Carvalho4 RESUMO Este capítulo tem como objetivo descrever a importância do milho na alimentação de bovinos leiteiros. DSc. DSc. MSc. ainda.vilela@ifsudestemg. MG. Embrapa Gado de Leite. camargos@cnpq. Asa Norte. O capítulo abordará também a silagem de milho como alimento para gado de leite detalhando as características que influenciam o valor nutritivo da silagem.CONAB. Por fim.. 610 Dom Bosco.ufmg.6 milhões de hectares com a soja. Ed. Médico Veterinário. Serão descritas a estrutura e as propriedades físicas do milho. será discutida a silagem de milho úmido para bovinos leiteiros. A área plantada com milho foi estimada em 14.br 2 Médico Veterinário.gustavo@cnpgl. DSc. Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico. Os dados estimados para a safra 2006/2007 apresentados pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos indicam o Brasil como o terceiro maior produtor de milho do mundo (produção de 46 milhões de toneladas). Bloco A.6 milhões de toneladas para a safra 2008/2009. DF. segundo o Acompanhamento da Safra Brasileira (Companhia Nacional de Abastecimento . Belo Horizonte.. INTRODUÇÃO A produção de milho no Brasil. Roberto Camargos Antunes2. Brasília. Professor do Instituto Federal de Educação.br 1 240 .embrapa.2 milhões de hectares e em 21. wellyngton. CEP 30123-970.

e o conhecimento da melhor forma de sua utilização é importante para o sucesso na suplementação. 2001). geralmente o principal componente energético dos concentrados. Na alimentação de bovinos leiteiros. 1998. a utilização de concentrados. quando usados de forma racional. com ênfase na caracterização do amido.. A agroindústria apresenta grande diversidade de utilização do milho na alimentação humana e animal. consequentemente. A presença de amido é fundamental na exploração de animais de alta produção. sem a devida adaptação do ambiente ruminal. já que a demanda de milho para rações é superior a 25 milhões de toneladas. dentre os quais os mais conhecidos são os resíduos úmidos e secos de destilaria que podem ser fonte de fibra. 241 . 1998). O Brasil se destaca na produção de leite a pasto. Já quando utilizado em excesso. possibilitando uma melhor utilização dos carboidratos estruturais e o maior fluxo de proteína microbiana para o intestino.0% a serem utilizados na alimentação de ruminantes e outras espécies (Lima. o milho pode acarretar problemas metabólicos como a acidose. Neste sistema de produção. na descrição das principais características químicas e físicas do grão do milho e na discussão dos principais coprodutos do milho utilizados nas dietas. Owens et al. principalmente pela maior eficiência da utilização de fontes de nitrogênio não proteico. O amido apresenta disponibilidade energética superior à dos carboidratos estruturais presentes nas dietas de ruminantes.5 devido ao acúmulo indesejável de ácidos graxos voláteis (AGVs) e lactato no rúmen (Hall. A produção de etanol a partir do milho gerará uma grande quantidade de coprodutos (1/3 do total processado). que exigem níveis elevados de energia na dieta. energia e proteína. tem influência direta na cadeia de produção de proteínas de origem animal no Brasil. podendo ser listados mais de 500 derivados. pode garantir a maximização da produção. sendo esta a forma de exploração mais econômica e a base da produção nacional. O objetivo deste capítulo é discutir a utilização racional do milho na alimentação dos rebanhos leiteiros. o milho é utilizado como fonte de amido. restando 11.O aumento no preço do milho no mercado internacional ocasionado pela maior demanda do cereal. com consequências negativas sobre o desempenho animal. e a suinocultura 28. O milho é considerado a base energética padrão nos concentrados comerciais. principalmente para a produção de etanol nos Estados Unidos. O milho como fonte de amido. energia (amido e óleo do milho) e proteína (protenose). correspondendo a mais de 50% do volume produzido. quando o pH ruminal pode cair para níveis críticos abaixo de 5. A avicultura demanda 60. quando utilizado de forma correta. pode ser usado para melhorar as características de fermentação ruminal. Estes podem ser fontes de fibra de boa qualidade (farelo de milho). pode ter impactos positivos na lucratividade da atividade. a melhoria dos índices reprodutivos e. muitos dos quais são coprodutos e podem ser utilizados como alimentos estratégicos para bovinos leiteiros.5% deste total.5%.

o endosperma é classificado como vítreo (ou córneo) ou farináceo (ou opaco). os grânulos de amido são arredondados e estão dispersos. Com base na distribuição dos grânulos de amido e da matriz de proteína.8 7.9 28.0 78.0% do grão de milho e concentra quase a totalidade (83.0%).2 54. que circundam os grânulos de amido de formato poligonal.0 1. além de conter quantidades importantes de proteínas (26. enquanto as proteínas de estocagem são fontes de energia. Pequenos espaços de ar estão presentes entre grânulos de amido.0 98.0%) dos lipídios (óleo e vitamina E) e dos minerais (78. o que confere melhor acessibilidade às enzimas e maior digestibilidade (Hoseney et al.4 69.0%) e açúcares (70. 1974).3 82. 1974).9 Gémen 11. proteínas de estocagem e. o grão de milho é formado por quatro principais estruturas físicas: endosperma.0 17.1. vitaminas e minerais. encontram-se as porcentagens dos constituintes do grão de milho e respectivas composições.9 1. O amido tem a função de fornecer ao embrião energia e esqueletos de carbono até que este seja fotossinteticamente competente. as quais diferem em composição química e também na organização dentro do grão. composto por amido.0 0.1 0. de 250 a 300mg.6 2. Na porção farinácea. gérmen. Na Tabela 1. 2006).0 Fonte: Paes (2006). nitrogênio e enxofre durante a germinação (Lopes e Larkins. não permitindo espaços entre estas estruturas. não havendo matriz proteica circundando esta estrutura (Paes. por enzimas. maiores e menos densos que os encontrados no endosperma córneo. O endosperma vítreo apresenta matriz proteica densa. 1993).0 Ponta 2. Conhecido botanicamente como uma cariopse.6 1. Nutricionalmente o endosperma amiláceo é o componente mais importante do grão. que são esféricos.3 2.9 1.4 74.. 2007). em média.8 0. É composto pelo embrião e por tecido de estocagem rico em ácidos graxos poli- 242 . Já a zona farinácea ou opaca do endosperma é caracterizada pela presença de células frouxamente empacotadas. Os corpos proteicos estão presentes. A diferença ultraestrutural mais importante entre os endospermas vítreo e farináceo é a menor concentração de matriz proteica no endosperma farináceo.NCGA.0 Pericarpo 5. Tabela 1.0%) do grão.0 0. % Fração Amido Lipídios Proteínas Minerais Açúcares Fibras grão Endosperma 82. pericarpo (casca) e ponta. ESTRUTURA E PROPRIEDADES FÍSICAS DO GRÃO DE MILHO O peso individual do grão varia. mas em menor concentração que no endosperma córneo.3 12. O amido da zona vítrea é menos disponível para a digestão devido à barreira física que a matriz proteica e os corpos proteicos formam sobre ele (Sullins e Rooney. Porcentagens e composições dos constituintes do grão de milho.0 0.0 15. em menor proporção.6 26. É o principal tecido de estocagem do grão (National Corn Growers Association . com corpos proteicos estruturados. O gérmen representa aproximadamente 11.

duro. Em países de clima temperado. O milho duro difere do farináceo e do dentado na relação de endosperma vítreo:farináceo.0%) e celulose (23. Duro Pipoca Dentado Farináceo Doce Endosperma vítreo Endosperma farináceo Endosperma doce Gérmen Figura 1. Os dentados apresentam o endosperma farináceo na região central do grão. pipoca e doce.0%) e é a responsável pela conexão do grão ao sabugo. CLASSIFICAÇÃO DO MILHO QUANTO AO TIPO DE GRÃOS Existem cinco classes ou tipos de milho: dentado.insaturados. conforme visualizado na Figura 1. sendo a única área não coberta pelo pericarpo. predominam os grãos do tipo dentado. proteínas. a maioria dos híbridos plantados é de grão do tipo duro (flint). em média. enzimas e minerais. que representam a reserva nutritiva para o embrião. É constituída essencialmente de material lignocelulósico. O encolhimento do endosperma farináceo na secagem do grão resulta na formação de uma indentação na parte superior do grão. 5. porém o endosperma é 243 . caracterizando o milho como dentado. O milho farináceo também apresenta indentação. Tipos de milho e proporções do endosperma farináceo e vítreo. A principal diferença entre os tipos de milho é a forma e o tamanho dos grãos. aos insetos e aos microrganismos. As camadas de células que compõem esta fração são constituídas de hemiceluloses (67. farináceo. conferindo proteção à umidade do ambiente. A ponta é a menor estrutura do grão de milho (2. 2. já no Brasil. definidos pela estrutura do endosperma e o tamanho do gérmen. O pericarpo representa.0%).0% do grão.

As contaminações também podem alterar o valor nutritivo do milho. 2001) e nacionais (Lima. citado por Chandrashekar e Mazhar (1999). Comparados aos dados nacionais. a composição proteica do grão e o arranjo ultraestrutural da matriz proteica nos endospermas vítreo e farináceo são os principais fatores determinantes (Chandrashekar e Mazhar. Valadares Filho et al. 1984). 3. porém esta é altamente digestível. solos e armazenamento. tem elevado teor de energia por ser rico em extrativos não nitrogenados. Já o milho duro possui volume contínuo de endosperma vítreo. são apresentados os dados de composição química média do grão de milho de acordo com dados americanos (National Research Council . essencialmente amido. do solo e das condições climáticas.025%) e medianamente rico em fósforo (valor médio de 0. A textura (strength) do endosperma de grãos foi definida como a habilidade do grão de resistir à compressão sem produzir fraturas. O milho de pipoca é menor e possui formato arredondado.completamente farináceo.. A classificação do milho deve ser feita quando os grãos estão secos e ainda aderidos ao sabugo. 2001. de acordo com Jastrzebski (1976). quando seco. O grão de milho amarelo destinado ao consumo animal deve ser isento de sementes tóxicas e resíduos de pesticidas. Apesar de diferentes. Os conceitos de textura do endosperma encontrados na literatura são vagos e subjetivos e estão geralmente associados aos métodos de determinação da textura dos grãos. 2007). dependendo do genótipo. fato provavelmente relacionado à utilização de genótipos diferentes e também às distintas condições de cultivo. COMPOSIÇÃO BROMATOLÓGICA DO GRÃO DE MILHO A composição química proximal do grão de milho não é estática. As bases bioquímicas.NRC. além do pericarpo mais espesso e endosperma vítreo predominante. e a dureza (hardness) como a habilidade do grão de resistir à indentação. apresenta aparência enrugada devido à não conversão dos açúcares em amido (Dickerson. Atenção especial deve ser dada aos níveis de cálcio em rações com altas quantidades de milho. pode haver grãos com aparência de dois tipos. nesta situação. O padrão exigido para a utilização do milho na alimentação animal encontra-se na Tabela 3.0%. 2006). 1999). fisiológicas e estruturais da textura do endosperma dos grãos de milho ainda não são bem compreendidas. Na Tabela 2. O milho doce. o conceito de textura mais aceito se refere à proporção do endosperma vítreo (duro) em relação ao endosperma farináceo (macio) do grão. é pobre em fibra. Quando colhido e armazenado em condições 244 . É pobre em cálcio (valor médio de 0. clima. resultando em grãos arredondados e lisos. Em uma mesma espiga. No entanto. a classificação deve ser baseada na predominância. conhecido por vitreosidade (vitreousness) (Cagampang e Kirleis. os valores de proteína bruta e nutrientes digestíveis totais apontados pelo NRC (2001) são ligeiramente superiores. No entanto. os termos acima são utilizados de forma sinônima pela literatura. O milho apresenta um valor médio de nutrientes digestíveis totais superior a 85.25%).

2001).5 1. Parâmetro Unidade Umidade (máximo) % Proteína bruta (mínimo) % Fibra bruta (máximo) % Extrato etéreo (mínimo) % Matéria mineral (máximo) % Xantofila (mínimo) ppm Aflatoxina (máximo) ppb Fonte: Compêndio.26 Lisina (% da proteína bruta) 2.25 0.2 4.1 Fibra bruta 2.0% do peso seco do grão (Zeoula e Caldas Neto. Verificar a presença de toxinas é uma boa medida.5 Extrato etéreo 4. Tabela 2.5 10. quando da aquisição do milho. que interferem no metabolismo da proteína. açúcares simples e pentosanas. (1998).5 14.03 0.84 2.99 2.0 2.47 Nutrientes digestíveis totais 88.1.0 Fibra em detergente ácido 3. Padrão exigido para a utilização na alimentação animal. e o Fusarium moniliforme. O amido é a principal fração dos carboidratos e pode representar de 66.0 1.1 87. que pode estar presente sem que o mofo seja visível. destacando-se os do gênero Aspergillus.7 Proteína bruta 9. Composições químicas médias de grãos de milho em porcentagem da matéria seca.1 87.2 - Tabela 3. como plantas do gênero Cassia (fedegoso). (2006) Matéria seca (%) 88...65 2. Padrão 14.5 Cálcio 0. germinação 245 .1 3.30 0.13 1. embora o maior problema seja para aves e suínos. pode ocorrer o desenvolvimento de fungos.0 20.3 Cinzas 1.6 87.0 3. sintetizado pelas plantas superiores com função de reserva energética nos períodos de dormência.7 Fibra em detergente neutro 9.inadequadas.1 8. Valadares Filho Parâmetros NRC (2001) Lima (2001) et al. COMPOSIÇÃO BIOQUÍMICA DO GRÃO DE MILHO 4.83 Metionina (% da proteína bruta) 2.04 Fósforo 0.4 4.0 4. celulose.04 0.4 9. que produzem a aflatoxina. É um polissacarídeo não estrutural de elevado peso molecular.0 7.0 a 78. Sementes de ervas daninhas também podem interferir na qualidade do milho. Carboidratos do grão de milho Os principais carboidratos constituintes dos grãos são amido.

ao tamanho da molécula e pelas propriedades químicas. quando os grânulos de amido perdem a cristalinidade (French. 1986). 2001. mas. a complexa organização das ramificações α-(1 → 6) é responsável pelo empacotamento denso e semicristalino dos resíduos de glicose nos grânulos de amido. 1998). crescimento e rebrota (Wang et al. Wang et al. Pode conter mais de 15 mil resíduos de glicose. 1998). na maioria das espécies.0% de amilose são denominados “ricos em amilose”. 1986). A amilose é o polímero longo e relativamente linear. As cadeias lineares de glicose. sorgo. permitindo a entrada de água dentro dos grânulos (Hoover. têm pontos de ramificação α-(1 → 6) a cada 20 a 25 resíduos de glicose (Chesson e Forsberg. Esses dois polímeros diferenciam-se entre si quanto ao tipo de estrutura química.. A amilopectina é uma molécula maior que a da amilose. com diâmetros variando de 1 a 200μm e nos formatos redondo. 2004).de grãos.0% de amilose e 70.. Amidos denominados “cerosos” do milho. e 1% por ligações α-(1 → 6). 1975. lenticular. Quimicamente.920 resíduos de glicose e pode ter de nove a 20 pontos de ramificação [ligações α-(1 → 6)] e de três a 11 cadeias retilíneas (Hoover. arroz e milheto apresentam de 85. cevada. Segundo Ball et al. 1973.0% de amilopectina (Sullins e Rooney. Essas cadeias são relativamente longas e podem conter de 200 a 700 resíduos de glicose. Apresenta peso molecular entre 1 x 107 e 1 x 109 Da (Tester et al. Aproximadamente 99% dos resíduos de glicose estão unidos por ligações α-(1 → 4). A porcentagem de amilose e de amilopectina varia com a origem botânica do amido... Wang et al. Esse processo é denominado gelatinização e ocorre devido à quebra das pontes de hidrogênio entre as moléculas de amilose e amilopectina. disposto em dupla hélice e que apresenta a capacidade de ligar-se ao iodo. unidas por ligações α-(1 → 4). A amilose e a amilopectina encontram-se empacotadas nas plantas na forma de pequenos grânulos. formando composto azul ou violeta. e a densidade do amido varia de 1. O milho tem grânulos simples. O peso molecular varia de acordo com a origem botânica e encontra-se entre 1 x 105 e 1 x 106 Da. amidos com mais de 40. 1997). 2001). Tester et al. Rooney e Pflugfelder. (1998).. o que pode refletir as diferenças na composição 246 . A temperatura de gelatinização do amido varia com o tipo de grão. Os grãos são a principal fonte de amido na alimentação humana e animal.0% de amilopectina (Wang et al. podendo conter até 80% de seu peso seco em amido (Buléon et al. o amido é composto por 30.6g/cm3 (Rooney e Pflugfelder. 1998).. 1998). As plantas armazenam o amido nas raízes.4 a 1. 1973.. 2004) e tem estrutura bastante ramificada. sendo considerada uma das maiores moléculas conhecidas. a amilose e a amilopectina (French. caules. 1973). tubérculos e grãos. A molécula é composta de 324 a 4. Estima-se que 95% dos resíduos de glicose estejam unidos por ligações α-(1 → 4) e que os outros 5% por ligações α-(1 → 6) (French. 1997). O aquecimento dos grãos na presença de água promove a solubilização parcial do amido.0 a 100. o amido é formado por dois polímeros de glicose. oval e/ou poligonal. Por outro lado.

Porém. 1986). Philippeau et al. Uma organizada. é relativamente desorganizada. e a segunda. respectivamente). 2001).. a maior degradabilidade foi. A amilose em cereais apresenta complexação com lipídios. consequentemente. 2001). 1996). (1998) mostraram que o amido dos grãos de milho ricos em amilose foi mais rápida e extensamente degradado no rúmen que o amido dos grãos cerosos e de composição regular do amido em estudo in situ em bovinos. A área cristalina apresenta maior resistência à entrada de água e. A importância do estudo da composição do amido dos grãos é evidenciada pela maior susceptibilidade da amilopectina à digestão enzimática (Zeoula e Caldas Neto. podendo acarretar diminuição na capacidade de expansão e na atividade enzimática. O complexo lipídio-amilose é insolúvel e pode se dissociar quando aquecido. à atividade enzimática. porém ocorre uma diminuição na hidrólise do amido e. Duas áreas distintas são observadas no grânulo de amido. denominada região cristalina. a estrutura primária (nativa) dos grânulos de amido é definitivamente perdida (Rooney e Pflugfelder. As moléculas de amilose podem se inserir nas moléculas de amilopectina. Esse processo de reorganização dos grânulos é denominado retrogradação e tende a aumentar a proporção de amido resistente ao ataque das amilases dos alimentos previamente gelatinizados. o que pode reduzir a digestibilidade ruminal e intestinal desses amidos (Asp et al. principal responsável pela organização desta área. Nos cereais. em grande parte. sendo necessárias temperaturas acima de 125oC. O amido gelatinizado é instável e tende a se reorganizar parcialmente com as reduções da temperatura e do conteúdo de água do meio devido ao restabelecimento parcial das pontes de hidrogênio (Hoover. Rooney e Pflugfelder. 1986). Assim. No entanto. e a atividade hidrolítica das amilases se inicia nesta área (Rooney e Pflugfelder. Em raízes como a mandioca. A região cristalina é primeiramente composta de amilopectina. a água se move livremente através desta região. estando a amilose presente na região amorfa. consequentemente. 1986). maior proporção de amilose proporcionaria melhor atividade hidrolítica. 247 . explicada pela textura mais macia do endosperma dos grãos de milho ricos em amilose. respectivamente) que a cevada e o trigo (65 e 62ºC. a região cristalina é composta apenas pela amilopectina. Malcolm e Kiesling (1993) encontraram resultados em que o milho e o sorgo apresentaram maiores temperaturas de gelatinização do amido (70 e 72ºC. aumentando a quantidade de pontes de hidrogênio no interior do amido. a amilose também está presente na região cristalina. formando estruturas helicoidais e acarretando menor estruturação da região cristalina e maior adesão entre as moléculas que compõem o grânulo. como o milho.bioquímica do amido e a interação desse com a matriz proteica. Essa complexação diminui a capacidade de expansão e a solubilidade do amido (Swinkels. A região amorfa é rica em amilose e menos densa que a área cristalina. conhecida como região amorfa. da digestibilidade de fontes de amido com maior teor de amilose. 2001). Devido à menor densidade. devido à maior formação de pontes de hidrogênio (Zeoula e Caldas Neto.1985.

assim a quantidade de lisina sobrepassante é baixa.3. substâncias lipídicas que conferem a cor ao grão de milho. A substituição do milho normal pelo rico em óleo em dietas fornecidas ad libitum com 44.2. 90.0-13. O gérmen contém quantidades importantes de proteínas do tipo albuminas. estão presentes os carotenoides.0%). alfa e betacarotenos são os principais carotenoides do milho (Paes.0-62. concentrado principalmente no gérmen. Existem alguns híbridos de milho de alta qualidade proteica. luteína. com o intuito de aumentar a densidade energética das dietas. apresentando teores mais elevados de lisina e triptofano. que diferem significativamente em composição das encontradas no endosperma.0% deste são triglicerídeos.5 a 4.. a produção de leite e os conteúdos de proteína e gordura do leite em experimento realizado por Elliot et al. Proteínas do grão de milho A maior parte das proteínas do grão de milho concentra-se no endosperma (74. Os principais ácidos graxos são o palmítico (8. Dombrink-Kurtzman e Bietz (1993) encontraram. os chamados QPM (Quality Protein Maize). resultado de melhoramento genético a partir do mutante opaco 2 (Molina et al.3 vezes maiores de α-prolamina no 248 . as quantidades dos aminoácidos lisina e triptofano são maiores. betacriptoxantina. oleico (24. Já nos trabalhos de Atwell et al. tornando a utilização desta pouco vantajosa.0%) e linoleico (55. Poucos trabalhos com milho rico em óleo foram realizados com bovinos leiteiros.0%). Na camada de aleurona e no endosperma vítreo do milho. Este tipo de milho vem sendo utilizado em alguns países na alimentação de monogástricos. Existem também ácidos graxos livres e fosfolípides (Weber. conferindo qualidade nutricional superior. São proteínas de reservas ricas nos aminoácidos metionina e cisteína. 4. Alguns estudos têm mostrado forte relação entre a concentração de prolaminas com a textura do endosperma (Pratt et al.0% de extrato etéreo. (1998) e LaCount et al. concentrações 3.4. Zeaxantina. (1993). Lipídios do grão de milho Os grãos de milho geralmente contêm de 3. 2006). observou-se aumento no consumo alimentar dos animais que receberam milho rico em óleo. chamadas de zeínas. independentemente da textura do endosperma. 2001).. Neste material. Para MichaletDoreau e Doreau (1999). que compõem a matriz que envolve os grânulos de amido dentro do endosperma. 1995). 1983). mas pobres em lisina e triptofano.0% de grão de milho para vacas leiteiras não modificou o consumo. a extensão da degradação ruminal da fração nitrogenada do milho QPM é maior que a de um milho normal. em média.0% de óleo. A composição e a distribuição das frações proteicas nos grãos estão envolvidas diretamente na textura do endosperma. Estas são prolaminas. Outra evidência de que as prolaminas estão envolvidas na determinação da textura é a de que a concentração dessas é maior no endosperma vítreo que no farináceo. globulinas e gluteínas.0%). Existem variedades de milho ricas em óleo que apresentam aproximadamente 7.0-32. (1995).

Esta influência ocorre por causa de alterações físicas e/ou químicas na estrutura do grão. Segundo Mello Júnior (1991). laminação e floculação influenciam a extensão da digestão e do local onde esta ocorre. A seguir. mudando o local e a intensidade de digestão. milho de alta umidade com 91. com acentuada redução do pH ruminal. dentre outros distúrbios metabólicos. milho moído com 88.9%. resultante da fermentação dos carboidratos solúveis.endosperma vítreo dos grãos de nove genótipos de milho. podendo levar o animal à morte. Alterações físicas são obtidas principalmente por diferentes graus de moagem. 5. serão descritas as principais formas de processamento do grão de milho: 249 . floculação e laminação. Maiores quantidades podem ser agregadas por meio da manipulação ruminal. O fornecimento de dieta completa (concentrado misturado ao volumoso). o milho fubá pode ser a base energética. redução do tempo de mastigação (com redução na salivação) e ruminação. produção excessiva de ácidos graxos voláteis. O processamento do grão de milho pode alterar o seu valor nutritivo pela moagem. No NRC (2001). na relação de 3:1) podem permitir maiores inclusões e evitar os problemas metabólicos citados anteriormente. que têm como efeito a redução no tempo de permanência do alimento no rúmen. são citadas. os processos de moagem. A consequência destes eventos pode ser o aparecimento de acidose. As várias formas de processamento podem alterar-lhe o valor nutritivo. MILHO GRÃO NA ALIMENTAÇÃO DE REBANHOS LEITEIROS O milho é o alimento energético padrão.: milho quebrado com 84. Quantidades superiores à indicada podem levar à redução da eficiência do aproveitamento energético do amido. Nos concentrados utilizados para bovinos leiteiros. Vários métodos de processamento de grãos têm sido utilizados.7%). por exemplo. quebra. podendo alterar a eficiência da utilização da energia proveniente do amido. laminite. gelatinização. visando à gelatinização dos grânulos de amido que permite maior absorção de água. O limite de inclusão é de aproximadamente 3.: fornecer 1% da ingestão da matéria seca da mistura de bicarbonato de sódio e óxido de magnésio. As alterações químicas são resultantes do tratamento dos grãos com pressão a vapor.5% e milho floculado com 91. com a finalidade de observar suas influências sobre a digestão do amido no trato digestivo total.7%. embora as concentrações de γ-prolaminas tenham sido quase duas vezes maiores no endosperma farináceo. resultando em melhor digestão enzimática. diferenças nos valores de nutrientes digestíveis totais para as distintas formas de processamento dos grãos (ex.0kg ao dia por unidade animal (UA). o aumento na frequência de refeições e a utilização de agentes tamponantes e/ou alcalinizantes (ex. Normalmente o grão de milho é usado na forma de fubá ou quirera (milho passado em peneira grossa). paraqueratose.

1973). evidenciaram que o tamanho das partículas dos grãos altera a taxa e a extensão da digestão do amido. comparativamente com o processo de laminação a vapor. aumentando-se a digestibilidade ruminal do amido. inicia-se o processo de gelatinização do amido. os grãos já laminados e parcialmente gelatinizados são encaminhados ao secador. Quando os grãos de milho são finamente moídos. encontraram maiores produções de leite e de proteína do leite para as vacas alimentadas com milho finamente moído. o tempo de permanência no condicionador é maior (30 a 40 minutos).modifica a estrutura física dos grãos inteiros. Entretanto. Neste tipo de processamento. os grãos passam por um segundo par de rolos. a digestibilidade ruminal é menor. A intensidade deste tipo de tratamento é que vai ditar a extensão da gelatinização. Quebra (laminação a seco) .0 e 20. mas a recomendação mais aceita é a utilização da moagem fina.0%). Devido ao aumento da umidade e da temperatura no interior do condicionador. a digestão da MS no trato digestivo total é maior (69.0 e 24. (2000). Já Reis et al.0 e 95. o amido dos grãos sofre modificação tanto na estrutura química (gelatinização) quanto na estrutura física (laminação). A escolha da moagem fina (fubá) ou grosseira (milho quirera) ainda é uma questão duvidosa para produtores e técnicos da pecuária leiteira.4mm. Além dos rolos laminadores. 1991). Como na moagem. ajustados de forma a comprimirem ainda mais 250 .3%) do que quando os grãos são inteiros (59. Floculação . Laminação a vapor . o grão sofre modificação somente na estrutura física. (2001) não observaram efeito do grau de moagem para vacas leiteiras mantidas em pastagens. O amido. em relação à moagem. bem como a temperatura utilizada (90 a 105°C) e a umidade dos grãos (20.0%. Estudos com dietas para vacas de leite.. pode ser pouco disponível por não sofrer gelatinização e ter reduzida superfície de exposição às amilases (Mello Júnior.o grão inteiro é quebrado em pedaços menores. neste tipo de processamento. Por outro lado. O uso de concentrados contendo grãos submetidos a este tipo de processamento determina aumento na quantidade de amido que chega ao intestino delgado. os grãos caem por gravidade nos rolos compressores. San Emeterio et al.1%) e ocorre a redução da eliminação de grãos nas fezes (Moe et al. A temperatura chega a 90. há maior quantidade de amido gelatinizado que chega ao intestino delgado. rompendo o endosperma e aumentando a superfície de contato do amido às amilases. A umidade média do grão fica entre 17. que são responsáveis pela laminação. compostas por 54. embora de forma mais branda. Em seguida estes grãos caem por gravidade nos rolos compressores. e o tempo médio de permanência é de 15 a 20 minutos. após passar por um rolo cujo ajuste estabelece a intensidade da quebra.5% de concentrado.5 a 2. Posteriormente.o grão inteiro é depositado por um tempo preestabelecido em condicionador abastecido por linha de vapor. A espessura do grão laminado é de aproximadamente 1. localizados abaixo do condicionador. Em função do maior tamanho das partículas do grão laminado a vapor.os grãos também ficam no condicionador abastecido por uma linha de vapor.0°C. ao avaliarem o efeito do grau de moagem sobre o desempenho de vacas leiteiras.Moagem . Em seguida. Consegue-se um aumento da digestibilidade ruminal em relação ao grão inteiro.

os grãos floculados passam pelo secador. Pipoca . É considerada uma forma de processamento intensa e aumenta a degradabilidade ruminal do amido (Imaizumi. Reynolds (2006). EFEITOS DO LOCAL DE DIGESTÃO DO AMIDO NA PRODUÇÃO E NO METABOLISMO DE VACAS LEITEIRAS A possibilidade de alterar o local de digestão do amido do milho com o processamento pode ter implicações na produção. à explosão. principalmente em vacas no início da lactação. A suplementação com amido é uma opção muito utilizada para aumentar a densidade da dieta na tentativa de atender a demanda de carbono e glicose exigida por vacas de alta produção. O aumento de aporte de glicose via absorção intestinal é acompanhado pela maior utilização da glicose arterial pelos tecidos drenados pela veia porta. Na sequência. 251 . mas a expensas da síntese de proteína microbiana no rúmen. o suprimento extra de glicose (via absorção intestinal) é utilizado eficientemente no tecido adiposo e na retenção proteica. Assim.os grãos. Reynolds (2006) afirmou que parece existir capacidade considerável de digestão do amido no intestino delgado de vacas leiteiras. mas o suprimento de glicose aumenta com o incremento de digestão no rúmen ou intestino.9 a 1. Porém. realizando a floculação e deixando-os com espessura próxima de 0. afetando muito pouco a produção de energia através do leite e alterando o status de insulina. mas com pouco efeito no balanço energético. 2005). 6. Inúmeros trabalhos com aumento de amido sobrepassante e de infusão de glicose têm possibilitado aumentos na produção de leite e redução na gordura do leite. Na conclusão de sua revisão. mencionou que a produção média de sólidos do leite de vacas vem aumentando linearmente nos últimos 50 anos. podendo ainda ter impactos positivos na saúde e na eficiência reprodutiva.o aumento da temperatura do grão leva à expansão da umidade interna e. reprodução e saúde de vacas leiteiras. O autor afirma ainda que a mudança no local de digestão do amido tem implicações na absorção de nutrientes pela veia porta. o que faz com que seja cada vez mais desafiante atender as exigências de animais de alto potencial genético. mudando apenas a rota de aquisição desta glicose (fígado por meio da gliconeogênese ou absorção direta).1mm. consequentemente. com aumento da fermentação no intestino grosso. Reynolds (2006) afirmou que. causando o rompimento do pericarpo. acredita-se que o aumento da digestão do amido no intestino delgado e da absorção de glicose seja benéfico em termos de eficiência energética e na resposta em produção. como os depósitos de gorduras mesentéricas e omentais. o aumento da digestão de amido no intestino delgado aumenta o aporte de glicose. e da perda de proteína microbiana nas fezes. mas os dados que sustentam estes dogmas são equivocados. em artigo de revisão. há tempos. têm evidenciado o aumento da degradabilidade ruminal do amido e a melhora no desempenho de vacas leiteiras. sem afetar a saúde e a reprodução. realizados principalmente nos Estado Unidos. principalmente em vacas no início da lactação. Os estudos com a floculação do milho para alimentação de vacas leiteiras.

contendo amido. 1990). tem por finalidade desintegrar a proteína aderente ao amido no interior do grão. No Brasil. Dependendo da umidade. o material remanescente. na Europa e nos Estados Unidos. são descritos os principais coprodutos do milho passíveis de serem utilizados na alimentação de rebanhos leiteiros: Casca do grão de milho . A seguir. faz-se necessária sua secagem rápida ou a sua ensilagem.é obtido da moagem a seco da mistura do gérmen (com ou sem a remoção do óleo). e a umidade resultante é de aproximadamente 55%. após a secagem do resíduo.constitui subproduto do beneficiamento para obtenção do óleo e do amido. visando à máxima produção. Essa massa passa. a fim de se separar as várias frações fibrosas do amido. um subproduto que pode ser utilizado na alimentação animal. 252 . Após a maceração. Farelo de milho . película. então. que isola o gérmen do resto do material. à saúde dos animais e à eficiência reprodutiva. Ao se iniciar o processo de industrialização propriamente dito. assim. Em seguida à separação do gérmen. Portanto. amido e glúten. produzindo um material em forma de polpa. COPRODUTOS DO PROCESSAMENTO DO MILHO São dois processos que dão origem aos coprodutos do milho: a moagem seca e a úmida. 7. porém é resultante da extração do amido. Apresenta um pouco mais de proteína que o grão integral. O liquor. passa por uma série de peneiras. que contém gérmen. extrai-se o óleo. que dura de 24 a 48 horas. este é comercializado como farelo de gérmen. película e glúten. Geralmente a maior parte desse resíduo é utilizada na produção do farelo proteinoso de milho. amolecendo-o e facilitando a moagem. As frações fibrosas são secadas e comercializadas como subprodutos para as indústrias de rações. tegumentos e parte da porção amilácea da semente. A maioria dos coprodutos é gerada pelo processamento por via úmida. sofre evaporação. colocados em uma série de tanques com solução de água sulfitada.Os avanços dos estudos sobre local de digestão do amido vêm possibilitando a indicação de diferentes formas de processamento ou genótipos de milho que possibilitem a alteração do local de digestão do amido. Esse procedimento.. os grãos sofrem limpeza e são. enquanto. mas contém mais fibra (Andrigueto et al. removido a partir do processo. Pode ser encontrado com ou sem óleo. a principal indústria moageira de milho é do tipo “moagem seca”. 2006). o amido é degerminado por meio de moagem grosseira. é utilizada a “moagem úmida” (Paes. então. pode apresentar desenvolvimento de fungos. por separador. por processos hidráulicos e solventes e. Do gérmen. A composição química assemelha-se à do fubá. constituindo.

Pode ser utilizado como fonte alternativa de energia e/ou proteína para ruminantes. É constituído pela parte externa do grão de milho. a farinha de glúten tem como desvantagem a baixa qualidade da fração proteica (é deficiente em lisina).na primeira moagem dos grãos (“via úmida”). 1995).a diferença entre o farelo e a farinha é que o primeiro contém 40.0% de nutrientes digestíveis totais (Vieira. do glúten e do gérmen. de glúten de milho separado pelo processo da moagem úmida. Em relação ao nível energético.é obtido no processamento por via úmida. 1995). após a extração da maior parte do amido. produzida pela Cargill. 1984). 1991). encontra-se comercialmente a farinha.0%.0% de proteína. No Brasil. Vieira (1991) citou resultados de produção de leite semelhantes para vacas leiteiras que receberam o Refinazil em substituição parcial da silagem de milho e do concentrado. Este produto pode ser comercializado isoladamente ou junto com as cascas. Canjica de milho . produzida pelas Refinações de Milho Brasil. películas e glúten para formar a farinha de glúten e o farelo de glúten.0% de óleo (Velloso. podendo substituir totalmente as frações proteicas da dieta (Vieira. que recebe o nome comercial de Protenose. é constituído de gérmen e de tegumentos que são removidos juntos com partículas amiláceas.0 a 6. 5. boa palatabilidade e apresenta 11. sobra um resíduo que recebe a denominação de farinha desengordurada de gérmen. e de Promil. o que lhe confere alto teor energético. faz-se a separação do gérmen. o Refinazil pode ser considerado um fornecedor de energia em dietas para bovinos em substituição parcial da fonte energética. Farinha desengordurada do gérmen . que contém cerca de 11.0% de óleo.0% de proteína bruta e 70. logo após sua infusão em água e a retirada desta. a forragem e concentrados proteicos e energéticos (Vieira.esse produto está disponível no Brasil com o nome de Refinazil. produzido pelas Refinações de Milho Brasil. na extração do amido. Farelo proteinoso de milho . O teor de NDT é de 83.0% de óleo (Velloso. Farelo e farinha de glúten (corn gluten meal) . embora tenha havido aumento da ingestão de MS e tenha reduzido o teor de gordura do leite. que contém 20. É um subproduto muito utilizado para bovinos. produzido pela Cargill. Possui valor nutritivo inferior ao do milho. que contém cerca de 11. Este subproduto do grão de milho consiste basicamente do gérmen. remanescente.subproduto da industrialização do milho por via seca. 253 . principalmente. 1991). substituindo. Extraído o óleo. 1991). necessitando de complementação com outras fontes.0% de PB e 1.Farelo de gérmen de milho . A farinha de glúten de milho consiste.0 a 6. Tanto a farinha como o farelo de glúten são boas fontes de proteína não degradável no rúmen (Henrique e Bose.5% são transformados em farinha de glúten (Henrique e Bose. parcialmente e em níveis variáveis.0%. e a Glutenose 60. após separação do gérmen em moinhos de disco. 1984).0% de PB e 5. Para vacas de alta produção. e a segunda 60.0% de PB e 5. Da quantidade de milho que entra para ser processado. Possui proteína com alto teor de metionina.

Tem sido utilizado como suplemento líquido.a produção de etanol a partir do grão de milho é a principal estratégia de geração de biocombustível nos Estados Unidos. em proporções de até 50.0% de extrato etéreo. Coprodutos da produção do etanol a partir do milho . dando origem ao grão seco de destilaria com solúveis. esse produto tem a umidade reduzida para 55. 1991).0% da ingestão de matéria seca de coprodutos desidratados ou úmidos. possuindo aproximadamente 6.0% de FDN e 13. até a edição de abril do Journal of Dairy Science. chamado de grãos úmidos de destilaria (wet distillers grains). Al-Suwaiegh et al. dos quais 35. (2002) não encontraram diferenças na produção. como aditivo em rações peletizadas de aves. 30. A utilização na alimentação de rebanhos leiteiros vem sendo sugerida como alternativa viável. contribui para a redução da chance de desenvolvimento de acidose ruminal (Klopfenstein.é o subproduto resultante do processo de água sulfitada. a qual pode ser utilizada na alimentação de bovinos. o milho limpo é fermentado. já foram publicados 91 artigos relacionados de alguma forma à utilização de coprodutos do milho oriundos da produção de etanol (Corn Distillers Grains). O crescimento da indústria de etanol naquele país vem sendo um estímulo econômico para a agricultura e propicia a geração de enormes quantidades de coprodutos do milho. composto por água. constituído por porções não fermentadas do grão. Os grãos de destilaria apresentam. No processo de desidratação. a fibra fermentável presente nestes coprodutos. mas os dados de Firkins et al. No ano de 2007.0 a 40. Os coprodutos da destilaria representam mais que uma fonte de nitrogênio (25.0%. leveduras.Liquor . disponíveis para a alimentação animal. visando fornecer proteína de fácil degradabilidade para bovinos. suínos e bovinos (Vieira. digestibilidade da fibra e eficiência na produção de leite de vacas alimentadas com inclusão de 15. tornando-se uma substância condensada de alto teor proteico. No processo de produção do etanol. composição do leite.0% de proteína bruta). O domínio da tecnologia de utilização destes coprodutos é fundamental para a sustentabilidade da produção de energia de fontes renováveis.0% consistem de proteínas. já que um terço do grão processado para este propósito é transformado em coproduto. (1985) indicaram maiores quantidades de proteína não degradável no rúmen para o coproduto desidratado comparado com o coproduto úmido. Dois coprodutos são gerados: um sólido. e o segundo. A decisão em utilizar 254 . produzindo etanol e dióxido de carbono.0% da dieta e. O grande volume de dados publicados recentemente nas principais revistas científicas norte-americanas ilustra o esforço dos pesquisadores em estabelecer a melhor forma de utilização destes. Os grãos úmidos de destilaria podem ser desidratados e comercializados como grãos secos de destilaria (dry corn distillers grains). são poucas as diferenças na composição bromatológica. que compreende substâncias que se acumulam na superfície. pequenas partículas e nutrientes solúveis (chamado de solúveis). podem ainda ser acrescidos os solúveis. por ser mais lentamente degradável que o amido.0% de sólidos. Comparando-se o coproduto de destilaria úmido com o desidratado. também. 2001). em média. Após a secagem.

(2006) notaram que a utilização de grãos desidratados de destilaria reduziu a produção de proteína do leite devido ao desbalanceamento de aminoácidos (principalmente lisina).) foram.0 a 35.0% de ácidos graxos. Knott et al.0%.8 a 1. comprometendo o valor nutricional da silagem.o resíduo desidratado ou úmido deve ser baseada no custo-benefício..0% em dietas de vacas leiteiras e concluíram que este alimento é uma boa fonte de energia quando as dietas têm 28. por muito tempo. a utilização do milho na forma de silagem da planta inteira é crescente no mundo todo. os híbridos graníferos podem apresentar características agronômicas indesejáveis para a produção de silagem. Leonardi et al. como a produção de grãos por hectare. Cuidados especiais devem ser tomados nos níveis de lisina. SILAGEM DE MILHO PARA GADO DE LEITE: CARACTERÍSTICAS QUE INFLUENCIAM O VALOR NUTRITIVO DA SILAGEM Os objetivos do melhoramento do milho (Zea mays L.0 a 12. e este é um dos fatores de limitação de inclusão destes em dietas de vacas leiteiras.0% de extrato etéreo.0%. a avaliação da composição bromatológica deve ser rotina para quem pretende utilizar estes coprodutos em dietas de rebanhos leiteiros.0% da ração (base na matéria seca). porém a compra do resíduo úmido pode ser mais vantajosa se a distância entre a usina e a fazenda for pequena. 1988). pois a umidade pode inviabilizar o transporte do resíduo úmido por longas distâncias e também dificultar o armazenamento. 8.0% de FDN e menos de 5. (2005). níveis elevados podem interferir na síntese de gordura do leite. (2004) demonstraram que os teores de proteína bruta podem variar de 25. a pragas e aos estresses climáticos (Michalet-Doreau e Doreau. Carvalho et al. resistências a doenças. como o endurecimento precoce dos grãos e o conteúdo elevado dos constituintes da parede celular.0 e 20. (2005) não encontraram efeito da adição de grãos de destilaria até níveis de 15. 255 . e os de fósforo de 0. Pesquisas têm demonstrado aumento no consumo de matéria seca com adição de grãos de destilaria (Powers et al. fibra efetiva e gordura quando os coprodutos da destilaria são incluídos na dieta de vacas leiteiras.0%. limitados por critérios agronômicos. os de extrato etéreo de 10. Algumas companhias de melhoramento genético do milho testaram seus híbridos graníferos quanto à aptidão para a produção de silagem antes de iniciar a seleção de genótipos específicos para a produção de silagem (Aseltine. A indicação dos níveis de inclusão de grãos de destilaria depende da composição e do preço. Porém. Assim. 1995). mas geralmente esses níveis se encontram entre 15. Como os grãos de destilaria apresentam aproximadamente 13. Porém. o que não foi observado no trabalho de Leonardi et al. 1999). FDN. o que demanda a seleção de genótipos de milho especificamente para a produção de silagem de alta qualidade nutritiva. Um dos problemas da utilização dos coprodutos de destilaria é a falta de padronização na composição nutricional destes.

celulose. A qualidade das silagens de milho é frequentemente associada à proporção de grãos na planta inteira.17 a 48. ambos na base da matéria seca. No estudo de Phipps e Weller (1979). Moreira (2000). (1971) mostraram pequena ou nenhuma vantagem das silagens de alto teor de grãos sobre o desempenho de vacas de leite. Estes híbridos podem apresentar como atributos especiais o aumento na digestibilidade da fibra.66 a 1.0% de grãos na matéria seca).1. Russel et al. (1992) mostraram que a diferença na relação espiga:parte vegetativa de genótipos de milho diferentes (0.0% de grãos na matéria seca) contiveram menos fibra em detergente ácido (FDA). as vacas produziram mais leite e com menor teor de gordura quando alimentadas com silagem com alto conteúdo de grãos. Phipps e Weller. os conteúdos de grãos na planta inteira variaram de 24. há no mercado mundial alguns genótipos de milho desenvolvidos especificamente para a produção de silagem. na base da matéria seca) não influenciou a digestibilidade in vitro da planta fresca ou ensilada.. Porém. lignina e mais amido que as silagens com baixo conteúdo de grãos (26. por meio do estudo da relação espiga:planta inteira. Hemken et al. 1979). 1979). por meio da separação e da pesagem dos grãos de uma amostra significativa de plantas de milho antes da ensilagem e b) indireta. relatou que os conteúdos de grãos variaram de 45. A influência do conteúdo de grãos sobre a composição química das silagens foi reportada por Phipps e Weller (1979).7 a 55.45%. o maior conteúdo de grãos e de amido e o menor de constituintes da parede celular não influenciaram a digestibilidade in vitro da matéria orgânica e a ingestão de matéria seca da silagem de milho (Hemken et al. Tais recomendações devem ser interpretadas com cuidado porque estes autores trabalharam com vacas de 256 .0 a 45. Em virtude da falta de significância do teor de grãos sobre o desempenho das vacas. 1971. Moreira (2000) observou redução nos teores de FDN e de FDA e um aumento no teor de amido com o aumento da proporção de grãos nas silagens.0%. Conteúdo de grãos e qualidade da silagem O conteúdo de grãos na silagem pode ser estimado por duas formas: a) direta.62%.29. trabalhando com genótipos de milho. na matéria seca. na matéria seca (Phipps e Weller. (1971) recomendaram o plantio de variedades de milho com base na produção de matéria seca/ha e não pelo conteúdo de grãos. Costa (2000) encontrou resultados em que as relações espiga:planta inteira de 12 genótipos de milho modernos comercializados no mercado brasileiro variaram de 39.Atualmente. As silagens com alto conteúdo de grãos (50. Em um estudo de caracterização agronômica de vários genótipos de milho para a produção de silagem. na matéria seca. o maior número de folhas acima da linha da espiga. Hemken et al. 8. A relação entre conteúdo de grãos nas silagens e produção de leite é controversa. características bioquímicas e físicas do grão mais adequadas para maximizar o aproveitamento do amido ou apresentar maior teor de óleo no grão.

porém sem a mutação BM-3) 257 . 1999). É bem conhecido que esta mutação determina uma sensível diminuição nos teores de lignina na planta. 8. 2000) que os híbridos normais. (1993) mostraram que a parte vegetativa da planta (planta inteira menos a espiga) representou a metade da matéria seca total da planta. 1996). a textura do grão (endosperma duro ou farináceo) (Philippeau et al. frequentemente.. embora. o tamanho de partícula e o processamento da silagem (Bal et al. Oba e Allen. o conteúdo de grãos não é um fator decisivo sobre a qualidade da silagem de milho.. BM-3 e BM4). Na literatura. 1993). Portanto. é citado que fatores como a maturidade da planta de milho (Irlbeck et al. existe um limite prático na redução do teor de lignina e dos componentes da parede celular nos híbridos de milho. em relação aos híbridos normais. mas reduções menores têm sido reportadas (Keith et al. 1979. 1996).média produção (16kg/dia). 1999) e maiores degradabilidades da matéria seca e da FDN no rúmen (Bal et al. 1999).. Dos quatro genes BM testados (BM-1.. 1993). a digestibilidade da parte vegetativa tem uma grande influência sobre a qualidade nutricional da silagem. Digestibilidade da fibra e qualidade da silagem Como discutido previamente. Os híbridos de milho que contêm menor concentração de lignina apresentam maior digestibilidade in vitro da matéria seca (Oba e Allen. o que explicou a maior digestibilidade in vitro da matéria seca das hastes do híbrido BM-3. (1997) encontraram resultados em que as hastes de híbridos de milho BM-3 apresentaram menores conteúdos de todos os constituintes da parede celular (celulose. 1999). por isto. A mutação da nervura marrom BM-3 determinou a redução de 50% nos teores de lignina na planta de milho (Cone e Engels.2.. eles devem melhorar o consumo de matéria seca da forragem e o desempenho de vacas de leite. Irlbeck et al. 1998). Muitos estudos comprovam as vantagens nutricionais dos híbridos BM-3 em relação aos seus isogênicos (híbridos geneticamente idênticos. BM-2. 2000) podem influenciar mais a qualidade nutricional da silagem que o teor de grãos em si. de forma que características agronômicas como as resistências ao acamamento e às doenças não sejam intensificadas nos genótipos de baixa lignina (Buxton et al.. A diminuição nos constituintes da parede celular foi acompanhada do aumento no conteúdo de carboidratos rapidamente fermentáveis. Portanto. os híbridos com alta produção de grãos sejam recomendados como os mais adequados para a produção de silagem (Buxton et al. tem sido o mais usado como modelo para o estudo da lignina sobre a digestibilidade da fibra do milho (Michallet-Doreau e Doreau. é muito provável que estas vacas tenham encontrado suas exigências de energia para a produção de leite mesmo quando alimentadas com silagens de baixo conteúdo de grãos. Contudo. Tovar-Gómez et al.. Desta forma. Os melhoristas genéticos de plantas desenvolveram genótipos mutantes de milho com a introdução dos genes BM (Brown Midrib ou genes da nervura marrom) no genoma do milho. hemicelulose e lignina) e não só de lignina. o BM-3 foi o que permitiu a maior diminuição no teor de lignina na planta e. a digestibilidade da fibra (Oba e Allen.

A ingestão de matéria seca por vacas no terço médio da lactação (g/unidade de tamanho metabólico) não foi influenciada pelo genótipo.0% menor em relação ao seu isogênico. Keith et al. mas a produção de leite e de leite corrigido para gordura foi maior para o BM-3.6 e 67.9% para os grãos de endosperma duro (flint). existem variedades que possuem a composição do amido bastante diversificada.. (1998) encontraram teores de amido que variaram de 64. respectivamente. como a maior susceptibilidade a doenças e ao acamamento e menor produção de matéria seca/ha.0 e 48. como quantidade de leite corrigida para 3.0% de amilose e 75. Este comparou desempenho de vacas alimentadas com silagens produzidas por híbridos de milho de endosperma ceroso em relação à silagem produzida por um híbrido comum. Philippeau e Michalet-Doreau (1997) encontraram valores entre 61. Moreira. Contudo. Os híbridos comuns contêm em torno de 25.1. 8. 1999). 1999). Além disto. Porém.3 a 74. em relação aos genótipos normais (Gallais et al. respectivamente.. enquanto o amido dos genótipos de alta amilose (amylose-extender) é formado por quantidades iguais de amilose e amilopectina (Michalet-Doreau e Doreau. o custo da semente é muito elevado.6% de amido nos grãos de milho de endosperma macio (dent) e entre 58.0 e 68. 1980). os genótipos mutantes BM-3 não são utilizados em larga escala para a produção de silagem porque apresentam importantes limitações agronômicas. 2000). (1979) verificaram que o teor de lignina do híbrido BM-3 foi 24. outros parâmetros de desempenho avaliados neste estudo.4% para grãos de milho com o endosperma macio e com o endosperma duro. Phillipeau et al. 1981.3. (1998) encontraram resultados em que os teores de amilose variaram com o genótipo. Block et al. Um único estudo disponível foi conduzido por Moreira (2000) com vacas leiteiras de alta produção.para vacas de leite (Keith et al. As informações sobre a influência da composição bioquímica do amido do grão sobre o desempenho de vacas de leite são escassas. obtendo 5. Apesar das características nutricionais favoráveis. 27. O amido de genótipos cerosos (waxy) é formado integralmente por amilopectina. foram semelhantes entre as silagens. A composição bioquímica do amido do grão e a qualidade da silagem O teor de amido e a proporção amilose:amilopectina variam entre os diferentes genótipos de milho. produção de leite corrigida para o teor de sólidos e produção dos constituintes do leite. Oba e Allen. A silagem do híbrido ceroso resultou em maior produção de leite em relação à silagem comum. O melhor desempenho das vacas foi atribuído ao aumento da digestibilidade da parede celular no rúmen para o híbrido BM-3. 258 . 1979. 1999. normal e o de alta amilose.. o genótipo (flint ou dent) não influenciou o teor de amido do grão em outro estudo (Philippeau et al.0% de amilopectina no grão.. eficiência alimentar.5% de gordura. Entretanto.0% para os híbridos ceroso. Philippeau et al.

respectivamente. a despeito do elevado grau de insaturação dos ácidos graxos do milho.δ-zeínas formam os corpos de estocagem de proteína no grão para o embrião. 8. evidenciando a influência da matriz proteica na redução da degradabilidade do amido do grão no rúmen. 1993). não compromete a degradabilidade da fibra no rúmen. o que. enquanto as glutelinas formam a matriz proteica que envolve os grânulos de amido.δ-zeínas e as glutelinas verdadeiras. na matéria seca.5. dois tipos de grãos no concentrado: um comum e outro de alto teor de óleo). O pequeno incremento no extrato etéreo nas dietas também explicou a ausência de efeitos negativos sobre a digestibilidade da FDN. As diferenças na extensão e na taxa de degradação do amido dos grãos de diferentes texturas também são relacionadas com a composição e a localização das principais proteínas do milho. A dieta continha silagem pré-secada de alfafa.27 a 3. (1998). O conteúdo de óleo dos grãos e a qualidade da silagem Apesar de possuírem valores mais elevados de extrato etéreo no grão e na silagem em relação aos genótipos de milho comuns. As α. (1995) forneceram quatro dietas experimentais para 45 vacas de leite de alta produção a partir da quarta semana de lactação.8%/h. As discrepâncias na extensão e na taxa da degradação se deveram à maior fração do amido rapidamente degradável nos grãos farináceos em relação aos grãos vítreos. 11. as α. Philippeau et al.8 e 5. provavelmente porque o pequeno incremento no teor energético na dieta foi insuficiente para suportar níveis mais elevados de produção de leite e de seus constituintes.0 e 58. A textura dos grãos e a qualidade da silagem A textura do grão apresenta grande influência sobre a degradabilidade do amido no rúmen.0%. No estudo de Philippeau et al.4.. em que o milho grão moído correspondeu a 54. possivelmente. As dietas foram arranjadas em esquema fatorial 2x2 (dois tipos de silagens: uma comum e outra feita com um híbrido de alto teor de óleo no grão. para as dietas constituídas por milho grão mais silagem comuns e para aquela dieta constituída de milho grão e silagem de alto óleo.β.δ-zeínas. os genótipos de alto óleo somente determinam ligeiro aumento no teor de extrato etéreo nas dietas totais típicas (Elliott et al. a fração rapidamente degradada do amido foi associada positivamente com as α.β.β. respectivamente). O experimento acima demonstrou pequenas diferenças na ingestão de matéria seca e na produção de leite e de seus constituintes para a dieta contendo milho de alto óleo. enquanto a fração lentamente degradada do amido o foi com as glutelinas verdadeiras.8. LaCount et al. 259 . (1998) compararam a degradabilidade dos grãos de milho de três genótipos vítreos e de três farináceos.0% do concentrado.33% na matéria seca total. silagem de milho e concentrado nas proporções de 25:25:50. Os resultados mostraram que as degradabilidades e as taxas de degradação dos grãos farináceos foram mais altas que as dos grãos duros (71. Os teores de extrato etéreo variaram de 2.

(1995) mostraram que a proporção de folhas na matéria seca da planta inteira variou de 13. 2000). fibra em detergente ácido (FDA) e pelo teor mais baixo de digestibilidade in vitro da matéria seca (DIVMS) em relação à planta inteira do milho (Kuehn et al. 1999). 260 .Estudos recentes corroboram os resultados obtidos por LaCount et al. elas tiveram teores mais elevados de digestibilidade in vitro da matéria seca e da FDN. entretanto.3 e 5.0% da matéria seca da planta inteira (Moreira. Estes são caracterizados pelo maior número de folhas acima da linha da espiga e pelos teores de umidade mais elevados nos grãos e na planta inteira em relação aos híbridos comuns (Bal et al. Apesar da pequena participação das folhas na matéria seca da planta inteira (13. A proporção de folhas em relação à planta inteira e à qualidade da silagem Os híbridos de milho folhosos são comercializados no mercado como híbridos específicos para a produção de silagem da planta inteira.. porém a extensão de degradação das folhas foi muito inferior (69. (1988). respectivamente. em torno de 13.5 e 3. a silagem produzida com híbrido folhoso apresentou teores de DIVMS e da FDN de 2. 2000. 8. No estudo de Atwell et al. Phipps e Weller (1979) reportaram que as folhas apresentaram teores mais elevados de FDA e teores variados de lignina em relação à planta inteira. Porém. A taxa de degradação das folhas foi semelhante à dos grãos (5. 1999).7%/h).3 e 94. de FDN e de FDA em relação às folhas dos híbridos graníferos.6.5% superiores em relação à silagem feita com o híbrido granífero (Kuehn et al. Verbic et al.0%). foi verificado que as vacas consumiram em média 12% mais milho de alto óleo (grãos e silagem) que o milho comum. não influenciaram o consumo de matéria seca. Em um estudo de caracterização agronômica de vários híbridos de milho. Verbic et al. Embora as folhas dos híbridos folhosos tenham apresentado teores semelhantes de proteína bruta. durante 48h de incubação in situ no rúmen. Outros autores reportaram menor proporção de folhas para híbridos de milho folhosos.29% para os híbridos granífero e folhoso. Phipps e Weller (1979) reportaram que a proporção de folhas variou de 11.. Neste experimento. (1995). (1995) mostraram que a taxa e a extensão de degradação das folhas foram superiores às das hastes (5. mas a produção de leite e dos componentes não foi afetada. 1999)..3 e 3. os teores mais elevados de DIVMS e da FDN da silagem feita com o híbrido folhoso.7%) devido aos conteúdos mais elevados de carboidratos estruturais e baixos em amido em comparação com os grãos. respectivamente). fibra em detergente neutro (FDN). As folhas são caracterizadas pelos teores mais elevados de proteína bruta.9%/h e 69.3 e 54. Kuehn et al. 2000) no estágio de maturidade..41 a 19. indicando que o óleo aumentou efetivamente a densidade energética da dieta.0 a 42. em que a silagem de milho de alto óleo não melhorou o desempenho de vacas de alta produção (Moreira.0% da matéria seca da planta inteira.9%. as vacas alimentadas com milho de alto óleo recuperaram o escore da condição corporal mais rapidamente que as vacas alimentadas com milho comum. A digestibilidade da matéria seca foi adversamente afetada pelo aumento do teor de óleo.

Os autores sugeriram que a maior degradação do amido do híbrido folhoso foi relacionada à menor dureza do grão deste em relação à do híbrido granífero.6%. Bal et al. respectivamente)..4.de matéria orgânica. A silagem produzida pelo híbrido folhoso apresentou 3. 27. metionina. de FDN e de FDA e nem a produção de leite ou de seus componentes em relação à silagem feita com o híbrido granífero. quando comparados com o híbrido convencional. de endosperma ceroso em relação à silagem do híbrido granífero controle. eficiência alimentar. São materiais com maior percentual de gérmen no grão. a melhoria da qualidade nutricional ou a combinação destes fatores.8%.0% a mais) e aminoácidos (lisina. na forma de silagem e grão para vacas leiteiras com produção média de 36kg/dia.8 e 29.7 e 75. além de possuir estes atributos. respectivamente). É emergente o lançamento de híbridos com qualidades nutricionais superiores visando à alimentação animal. treonina e triptofano) do que os híbridos convencionais. As extensões de degradação da FDN e da FDA foram semelhantes entre híbridos (57. consequentemente. As vacas alimentadas com estes híbridos apresentaram maior consumo e digestibilidade total do extrato etéreo. 27. na média dos dois híbridos) e mais elevadas para o amido do híbrido folhoso em relação ao híbrido granífero (84.6%. 2006). As concentrações de proteína bruta. com maior conteúdo de óleo (1. os demais parâmetros avaliados não foram afetados e sugerem que as diferenças encontradas não foram suficientes para influenciar o desempenho das vacas.9%. com o intuito de aumentar a concentração e a digestibilidade dos nutrientes supridos a vacas leiteiras por meio da silagem. as vacas alimentadas com o híbrido mutante BM-3 apresentaram os melhores desempenhos produtivos. respectivamente).4 e 35. além do avanço nos parâmetros agronômicos.9 e 28. (2006) compararam estes dois híbridos com um convencional. Benefield et al. fibra em detergente ácido e extrato etéreo do grão e silagem da planta inteira foram maiores para os híbridos Nutridense.1. para os híbridos folhoso e granífero.0 e 45. Neste experimento. 261 . produção de leite e de seus constituintes por vacas alimentadas com híbridos folhosos.5 pontos percentuais a menos no teor de matéria seca em relação ao híbrido granífero (32. de FDA e de amido foram semelhantes entre híbridos (46. (2000) compararam a composição química e as degradabilidades da matéria seca. As concentrações de FDN.0% a mais). apresenta maiores quantidades de folhas. O enfoque dos programas de melhoramento tem contemplado. proteína (1.8 e 27. da FDN e do amido das silagens produzidas por híbridos folhoso e granífero. cisteína. Moreira (2000) não encontrou diferenças quanto à ingestão de matéria seca.0 a 2. Um exemplo recente são os híbridos Nutridense e LeafyNutridense (Benefield et al. de alto óleo. fibra em detergente neutro. O híbrido LeafyNutridense.

K. Os autores concluíram que. devido à maior fermentabilidade e digestibilidade do amido. de microrganismos e de roedores. porém não encontraram diferenças significativas na produção de leite de vacas de leite estabuladas.2%) para as vacas alimentadas com silagem de grão úmido. FANNING. A evolução nos conhecimentos em nutrição animal. A gordura do leite foi menor (3.. v. et al.C. S. em função do ataque de insetos. A produção de leite das vacas alimentadas com a silagem de grão úmido foi de 2. 1991).. a silagem de grão úmido foi superior ao milho seco como suplemento para vacas a pasto. metabolismo de ruminantes. e a proteína maior (3. SILAGEM DE MILHO ÚMIDO PARA BOVINOS LEITEIROS A prática da ensilagem de grãos úmidos de milho foi introduzida no Brasil no início da década de 80.80.3 x 3. J.J. 2002. (2001) compararam o milho quebrado a seco (74. GRANT. CONSIDERAÇÕES FINAIS O milho e coprodutos são fontes alimentares amplamente estudadas e utilizadas para bovinos leiteiros. principalmente devido ao aumento na digestão do amido.4kg/dia a mais que as alimentadas com milho quebrado a seco. quando normalmente ocorrem perdas qualitativas e quantitativas. Wu et al. além de reduzir significativamente as perdas no campo (Jobim e Reis. Sci. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Al-SUWAIEGH.7% do concentrado) e a silagem de grão úmido (74.7%).Anim. 1996). A colheita do milho para ensilar proporciona antecipação na retirada da cultura da lavoura com grandes benefícios num esquema de rotação de culturas.. R. (2000) também obtiveram resultados que evidenciaram o maior aproveitamento do amido do milho na forma de silagem de grão úmido quando comparado com o milho seco moído. Utilization of distillers grains from the fermentation of sorghum or corn in diets for finishing beef and lactating dairy cattle. Estudos com silagem de grãos úmidos de milho têm constatado que há aumento na digestibilidade da matéria orgânica. (1998) e San Emeterio et al.3 a 3. Knowlton et al.9.1105-1111. 2001). e da estrutura bioquímica e física do milho e coprodutos assim como o progresso genético da cultura do milho vêm permitindo que a utilização desta fonte alimentar seja otimizada na exploração dos rebanhos leiteiros.7% do concentrado) para vacas leiteiras a pasto no final da lactação (22kg/dia de média de produção durante o período experimental). p. A maior digestibilidade do amido dos grãos ensilados deve-se à fragilização da matriz proteica dos grânulos de amido (Demarquilly e Andrieu. 10. Essa tecnologia pode contribuir para solucionar problemas de armazenagem de grãos. 262 . no Paraná (Kramer e Voorsluys.

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marceloresende@hotmail. 610... a conservação de grãos de cereais na forma úmida tem sido. atualmente. A utilização de animais mais produtivos. Associado Departamento de Tecnologia e Inspeção de Produtos de Origem Animal da Escola de Veterinária da UFMG. Associado Departamento de Zootecnia da Escola de Veterinária da UFMG. CEP 30123-970. DSc. CEP 30123-970. MSc. MG. Prof. DSc. luciocg@vet. Belo Horizonte. associada aos programas de seleção. condição de competir com outras atividades produtivas. Marcelo Resende Sousa5 RESUMO A silagem de grão úmido de milho tem sido utilizada para solucionar os problemas de armazenamento de matérias-primas nas propriedades rurais.com. Dom Bosco. Embrapa Gado de Leite. MG. Doutoranda em Zootecnia. Além disso. Neste contexto. CEP 30123970. vem mobilizando os produtores a adotarem medidas de controle de qualidade em todas as fases dos sistemas de criação. MG. Fernanda Samarini Machado3. a pecuária vem sofrendo profundas modificações com o objetivo de atingir índices zootécnicos mais eficientes. Lúcio Carlos Gonçalves2. Belo Horizonte. principalmente nas regiões onde as terras são mais valorizadas. Caixa Postal 567. MG. Paralelamente ao melhoramento animal.. Belo Horizonte.ufmg. Caixa Postal 567. Isabela Rocha França Machado Veiga4.com 2 Engenheiro Agrônomo.br 5 Médico Veterinário.CAPÍTULO 15 SILAGEM DE GRÃO ÚMIDO DE MILHO NA ALIMENTAÇÃO DE BOVINOS DE LEITE Marcelo Neves Ribas1. Rua Eugênio do Nascimento. Escola de Veterinária da UFMG. fernanda@cnpgl. o mercado consumidor. A contaminação de alimentos com fungos e a produção de micotoxinas causam perdas econômicas bastante significativas. CEP 36038-330. os2ribas@hotmail. Juiz de Fora. exigiu-se um adequado manejo alimentar. pela importação de raças e linhagens mais precoces. Belo Horizonte. tendo. Caixa Postal 567. melhorando tanto o valor nutricional deste alimento quanto o grau de contaminação das dietas dos animais. belaveiga@yahoo. DSc. MSc. em Zootecnia. CEP 30123-970.com 1 270 .. cada vez mais exigente. Escola de Veterinária da UFMG. consistiu na principal modificação dos sistemas de criação. assim. uma das tecnologias de maior expansão no setor produtivo devido a sua eficiência Médico Veterinário. Caixa Postal 567. Este capítulo tem como objetivo descrever o processo de confecção de silagem de grão úmido de milho e comparar este alimento com o milho seco moído na alimentação animal.embrapa. a fim de melhor atender os elevados requisitos nutricionais. INTRODUÇÃO Devido à globalização do mercado. DSc.br 3 Médica Veterinária.br 4 Médica Veterinária. além de representarem riscos à saúde animal e humana. Prof. MG.

. ocorrendo variações na proporção da degradação ruminal e 271 .. com umidade baixa. os grãos devem ser quebrados ou laminados e devidamente compactados na área do silo (Tse et al. baixo aproveitamento do amido na fermentação ruminal (Philippeau et al. 1. 1991). com teores de umidade variando de 25 a 30% (Costa et al. PROCEDIMENTO DE ENSILAGEM A técnica de ensilagem de grãos úmidos consiste na conservação em meio anaeróbio de sementes ou grãos de cereais logo após a maturação fisiológica.1. Goodrich et al.. recomenda-se moer os grãos em moinhos de martelo com peneira de 8mm. como forma de armazenagem de grãos. rápida e eficiente vedação para manutenção do meio anaeróbio. alteram o perfil de fermentação e promovem condições adequadas para o crescimento de microrganismos indesejáveis como fungos (Reis et al. No Brasil. ao redor de 18%. com a cultura do milho. (1999). 2001a). em consequência. A ensilagem de grãos inteiros de milho pode levar a maiores perdas. com a divulgação da técnica. principalmente durante a utilização da silagem. a silagem de grãos de milho passou a ser empregada também na bovinocultura leiteira e de corte. a fibra do pericarpo em torno dos grãos terá consistência endurecida. (1975) registraram perdas de MS nas silagens de grãos de milho úmido de 5. 27. consequentemente. maior porosidade.tanto qualitativa quanto quantitativa de conservação de matérias-primas empregadas na alimentação animal (Costa et al.7 e 2. é utilizada há vários anos na América do Norte e em alguns países europeus. no Paraná.. o que pode proporcionar fermentações aeróbias indesejáveis quando uma fatia pequena é retirada a cada dia (Jobim et al. a fermentação não é adequada para boa conservação do produto. A princípio. e as perdas normalmente são elevadas.7% para grãos ensilados com 33. e posterior descarregamento do silo em fatias de 15 centímetros por dia.. 3. como: agilidade no transporte do campo ao silo. 2001). Teores de umidade acima de 40% no momento da colheita favorecem as perdas de matéria seca (MS). A ensilagem. tendo como objetivo aumentar a eficiência na alimentação de suínos (Kramer e Voorsluys.6. compactação para retirada de ar. Quando seca em excesso. Posteriormente. o que acarreta maiores perdas na passagem dos grãos inteiros pelo trato digestivo. A colheita na silagem de grãos úmidos é realizada por colheitadeira de grãos e não por ensiladeira como na ensilagem de forragens. 1999). devem ser tomados os mesmos cuidados que são tomados na ensilagem de forrageiras. Os grãos inteiros determinam menor densidade e. 1999). 2002).5 e 21. que pode ser aplicado para obtenção de diferentes tamanhos de partículas. Logo após a colheita. respectivamente. sua adoção data do início da década de 80. No entanto.. 2004).5% de umidade. a moagem dos grãos é um processamento simples e prático. Para uso na alimentação. Segundo Paziani et al.

(2004) avaliaram o padrão de fermentação de silagens de grãos úmidos de milho e sorgo.98. Os estudos com silagem de grãos úmidos de milho têm constatado que há um aumento na digestibilidade da matéria orgânica. que avaliaram a utilização de aditivos microbiano e enzimático sobre o perfil de fermentação de silagens de grãos úmidos de milho. (2003) citaram que. A mesma tendência foi observada por Domingues et al. principal componente do grão (Costa et al.. Entretanto.digestão intestinal..98%. a inoculação não trouxe efeito positivo sobre a qualidade das silagens. principalmente devido ao aumento na digestão do amido. não influenciou a composição físico-química das silagens avaliadas.0053% e 0. são protegidos pelo pericarpo.. porém a avaliação econômica deve ser levada em consideração antes da adoção da técnica. historicamente. para as análises de pH.. 2006. Ítavo et al. os aditivos são usados para melhorar o padrão fermentativo de silagens produzidas sob condições inadequadas. Segundo Van Soest (1994).. o material deve ser compactado e rapidamente vedado para que o processo de fermentação realizado pelas bactérias homofermentativas seja adequado e promova a redução do pH e a manutenção da composição química do material ensilado (McDonald et al. o qual é muito resistente à degradação microbiana e digestão enzimática no intestino delgado. respectivamente. Jobim e Reis (2001). os inoculantes reduzem a perda de matéria seca e a concentração de nitrogênio amoniacal. a adição dos inoculantes promove uma elevação no número inicial de bactérias homofermentativas produtoras de ácido lático. A incorporação dos aditivos. apresentaram algumas desvantagens da ensilagem de grãos de cereais. os aditivos têm como principais propósitos influenciar o curso da fermentação e alterar a composição do material ensilado. Em condições inadequadas de ensilagem. No processo de conservação na forma de silagem. Os valores médios observados pelos autores para a silagem de grão úmido de milho sem aditivo foram 3. 1991). Após a quebra dos grãos. tanto agronômicas quanto zootécnicas. da utilização da silagem de grãos úmidos de milho em substituição ao milho seco na alimentação animal (Biagi et al. porcentagem de nitrogênio amoniacal em relação ao nitrogênio total e porcentagem de perda de matéria seca durante o processo de ensilagem. 2. (2006). Em um bom processo de compactação. 1996. Segundo os autores. Os grãos de milho. Domingues et al.. 2002). 1999. 1991). uma vez que 272 . a densidade do material ensilado é de 800 a 1000kg/m3. 2002). 0. mesmo quando triturados ou parcialmente quebrados. em sua revisão. Berndt et al. acelerando a queda do pH e aumentando o período de armazenamento (McDonald et al. promovendo melhor valor nutritivo. Chitarra et al. VANTAGENS DO USO DE SILAGEM DE GRÃOS ÚMIDOS Diversos trabalhos têm destacado as vantagens. Lima et al. há produção de efluentes e perda de matéria seca por volatilização.. Nas condições estudadas. bem como a combinação destes.

como redução significativa das perdas nos períodos pré-colheita por acamamento de plantas e pelo ataque de insetos. 2001). 2. (1992). 2001b). A maior degradabilidade desse nutriente pode ser justificada pela formação incompleta da matriz proteica no endosperma que envolve os grânulos de amido.. é altamente sensível à deterioração aeróbia e necessita de mistura diária dos ingredientes na dieta. 2001a). em condições de manejo adequado.o material ensilado não possui flexibilidade de comercialização. roedores e fungos. Armazenagem No Brasil. danos no fígado e aborto. a colheita é antecipada em três a quatro semanas. comprometimento do sistema imunológico. De acordo com Phillippeau et al. o que otimiza a utilização da terra (Reis et al.2.. já que o grão é colhido com 35 a 40% de umidade.. Jobim et al. praticamente não existe uma avaliação precisa das perdas econômicas associadas à redução na produção animal (Jobim et al. evitar a contaminação de rações com micotoxinas. (1997) realçaram que a colheita do milho para ensilar proporciona antecipação na retirada da cultura da lavoura com grandes benefícios em um esquema de rotação de culturas. a grande maioria das propriedades rurais não apresenta locais adequados para a armazenagem de insumos utilizados na alimentação animal. Apesar dos diversos trabalhos apontando os elevados prejuízos em termos de perdas qualitativas e quantitativas das matérias-primas por ataque de pragas no armazenamento. São bastante conhecidos os problemas referentes às perdas devido ao ataque de insetos. Após esta colheita antecipada. produtos do metabolismo secundário de fungos toxigênicos. em consequência. A ensilagem apresenta vantagens agroeconômicas em relação ao grão de milho seco. o principal problema da utilização do milho na alimentação animal são as toxinas produzidas por diferentes espécies de fungos que se desenvolvem nestes grãos durante a armazenagem. 273 .1. hemorragia. a área estaria livre para o plantio de outras culturas ou a realização de safrinha de milho. (1999). além de reduzir significativamente as perdas no campo. podem causar perdas irreversíveis aos animais. Segundo Penz Jr. além de diminuir a presença de fungos proporcionada por condições climáticas adversas. 2. A armazenagem dos grãos na forma de silagem. devido à armazenagem inadequada (Reis et al. com grande desperdício de grãos. com redução no desempenho. Ponto de colheita Com a armazenagem de grãos de milho na forma de silagem. pode eliminar ou reduzir drasticamente o desenvolvimento de fungos e. Essas toxinas. a colheita antecipada do milho para a ensilagem contribui para a melhoria do valor nutricional por favorecer a susceptibilidade do amido ao ataque enzimático no rúmen. roedores e aves.

indicando a qualidade sanitária do milho para alimentação animal quando armazenado com silagem de grão úmido. não foi detectada a presença de “Fusarium” nem de zearalenona. Os resultados apresentados neste trabalho mostram que devem ser criadas formas eficientes de controle da contaminação dos alimentos para serem utilizadas na alimentação animal desde o campo até a armazenagem.. Mader et al. Foi encontrada maior contaminação por aflatoxinas em alimentos concentrados. Segundo os autores. 2. Das 272 amostras analisadas para aflatoxinas.. assim como de aflatoxinas. bem como de suas micotoxinas nas silagens de grãos úmidos de milho utilizadas na fazenda experimental da Universidade Estadual de Maringá. e a manutenção do valor nutritivo do alimento é por um período de tempo maior (Reis et al. enquanto por zearalenona ocorreu em alimentos volumosos. o processamento do grão de milho seco envolve custos adicionais com transporte. possuindo efeitos tóxicos e carcinogênicos muito próximos. 32 (16. Blanck et al. e todas estavam acima do limite de 200mg/Kg recomendado pelos veterinários da região norte do Paraná. o que pode tornar os sistemas de produção inviáveis (Silva et al. (2003) avaliaram a presença das micotoxinas aflatoxina e zearalenona em alimentos fornecidos a bovinos de exploração leiteira na região norte do estado do Paraná. Das 189 amostras analisadas para zearalenona. Sassahara et al.3. 2005). o alimento mais utilizado na formulação de dieta para animais. (2004) avaliaram a presença de zearalenona e fungos do gênero “Fusarium”. Além da segurança microbiológica. Constitui um problema de saúde pública. Custo final do insumo O milho é. De acordo com os autores. ausência de 274 . O uso do milho na forma de silagem de grãos úmidos em rações para suínos tem sido uma alternativa para a produção de rações. e estes são os mais sensíveis a seus efeitos (Pereira et al. (1991) avaliaram a composição química e a qualidade de silagens de grãos úmidos de milho por períodos de armazenamento variando entre 56 e 365 dias. o que demonstra a eficiência de preservação no processo de ensilagem. por suas características nutricionais e disponibilidade comercial. sendo 20 (7.9%) amostras foram positivas. ocratoxina A e citrinina. não houve alteração no valor nutricional das silagens avaliadas.6%) foram positivas. 2005). a ensilagem de grãos de milho é tida como um sistema de armazenamento simples e econômico por não exigir silos especiais. secagem e armazenamento. correspondendo a aproximadamente 70% do volume de concentrados. com várias vantagens em relação ao milho seco. No entanto. nas condições utilizadas..3%) acima do limite de 20mg/Kg determinado pela ANVISA. meio e fim). 37 (13. 2001a). As amostras foram coletadas de diferentes silos e de vários pontos do silo (começo. pois sua toxidez é preocupante quando os indivíduos mais jovens estão entre os maiores consumidores de leite. como: ausência de taxas e impostos sobre o produto.A aflatoxina M1 (AFM1) tem sido detectada em leite de animais alimentados com ração contaminada por aflatoxina B1 (AFB1).

uma superioridade de 58kcal EM/kg para as silagens de grãos úmidos em comparação ao milho seco. frete. em média. De acordo com Silva (1997). sofre expansão irreversível até que a água represente aproximadamente 50% do peso total. favorecendo a digestão e absorção do amido (Silva et al. em muitos casos. observaram. Outro fator importante. a silagem de grãos úmidos de milho é até 11% mais econômica em relação aos grãos secos. (1999). e. (1999) também ressaltaram que o amido em contato com água. Este processo é denominado gelatinização do amido. 1997). a secagem continua sendo uma operação crítica nas etapas de pré-processamento de grãos que. como é o caso dos grãos úmidos de milho. é o maior teor de umidade do grão que favorece a fermentação no interior do silo. Silva et al. Segundo Phillippeau et al. causando melhora na eficiência alimentar dos animais (Simas. como ácidos graxos voláteis no rúmen e glicose no intestino delgado. com consequente solubilização da matriz proteica. 1997). afeta a eficiência de utilização metabólica por ruminantes. O melhor valor nutricional de dietas contendo silagem se deve às alterações físicas e químicas que ocorrem no endosperma e na superfície dos grânulos de amido durante o processo fermentativo. sendo o milho e o sorgo os mais utilizados no Brasil. apesar da disponibilidade de sistemas. avaliando silagens de grãos úmidos de milho na alimentação de suínos nas fases de crescimento e terminação. No caso da conservação dos grãos de cereais para a alimentação animal. 2002). chega a consumir cerca de 60% do total de energia utilizada na produção. 1998). a taxa e a extensão da fermentação ruminal variam significativamente de acordo com a fonte e o processamento do cereal. esses grãos apresentam maior resistência ao ataque microbiano (Owens et al.. A maior disponibilidade nutricional da silagem em relação aos grãos secos pode ser explicada principalmente pelo seu menor valor de pH.4. o local de digestão do amido tem implicações nos produtos finais da digestão. portanto. bem como na estrutura desses grânulos. 275 . resultando em maior solubilização dos nutrientes e em aumento da suscetibilidade do amido à hidrólise enzimática. por eliminar as etapas de limpeza e secagem do pré-processamento de grãos (Costa et al. 1999).. por conterem uma matriz proteica bastante complexa ao redor do grânulo de amido. Entretanto. Os ácidos orgânicos produzidos durante o processo fermentativo podem causar rupturas na matriz proteica que recobre os grânulos de amido. além da ruptura da matriz protéica. 2.. Costa et al. máquinas e equipamentos sofisticados. Além disso. podendo aumentar a susceptibilidade ao ataque enzimático durante a digestão (Lopes et al. Disponibilidade de amido Os grãos de cereais são a principal fonte de energia das dietas de ruminantes. 2005).perdas econômicas com transporte. desconto sobre a umidade e menor custo de armazenamento (Keplin.. (2006).

7 67. contudo outros fatores contribuem para a fermentação ruminal.1 FDA (%) 2. por sua vez. entre outros fatores (Jobim et al. Composição química do milho na forma seca e silagem de grãos úmidos (Base matéria seca). é preponderante para a máxima produção de leite e crescimento do animal. Tabela 1. necessários para o atendimento das exigências de mantença e produção.7 80.5 3. o que acarreta aumento no fluxo de proteína microbiana para o duodeno (Jobim e Reis. VALOR NUTRICIONAL A composição química da silagem de grãos úmidos de milho pode variar em função do teor de umidade no momento da ensilagem e da proporção de sabugo presente. De acordo com Passini et al. devido à maior fermentação do amido. que. tipo e processamento dos carboidratos dos alimentos (Van Soest.2 7.0 Amido (%) 88. principalmente de energia e proteína. dos fatores inerentes ao processo de conservação.9 66.8 FDN (%) 13. o aumento da produção microbiana contribui muito para a qualidade da proteína que chega ao duodeno.Entre os fatores que afetam o crescimento e a eficiência das bactérias ruminais. 1997).7 10. sistema de alimentação. das alterações no valor nutritivo durante o fornecimento aos animais e do processamento físico do alimento conservado (Reis et al. (2001b) Santos et al.9 Proteína bruta (%) 10. (2002). (1997) Seco Silagem Silagem Silagem Matéria seca (%) 87.0 63. são determinados pelo nível de consumo. principalmente lisina e metionina.2 7.5 Extrato etéreo (%) 3. o consumo de MS é resultado de interações complexas que envolvem as características da planta antes do processo de ensilagem.1 15.. qualidade e proporção do volumoso na dieta total.6 70. a energia e a proteína são os principais. pois o perfil de aminoácidos essenciais das bactérias.7 4. Para alimentos conservados.2 2. tamanho de partícula.2 14. 2001). 276 .. 2006). já que são o ponto inicial para o ingresso de nutrientes.7 10. (2002) Jobim et al. 3. Na Tabela 1. como o pH e a taxa de passagem. 1994). estão apresentadas as composições químicas de silagens de grãos úmidos em comparação ao milho seco. O uso de grãos úmidos ensilados garante grande quantidade de energia prontamente disponível.9 3.3 EB (kcal/kg) 4640 4330 4474 4203 A ingestão e a digestibilidade da matéria seca (MS) são os principais fatores que afetam a performance animal. Reis et al.

Henrique et al. Isso pode ser atribuído aos ácidos orgânicos que são produzidos durante o processo fermentativo no silo (Reis et al. em fontes de amido de alta degradabilidade ruminal. sobre o desempenho e as características da carcaça de bovinos em terminação. 5. melhora de 9. respectivamente. ou seja. 277 .4.. o milho úmido não diferiu significativamente do milho seco quanto ao consumo de MS e ao ganho de peso corporal dos animais. mas foi significativamente superior quanto à eficiência alimentar. associados à silagem de milho ou ao bagaço in natura de cana-de-açúcar. Em estudos de desempenho de novilhos superprecoces alimentados com silagem de grãos úmidos de milho. Normalmente observa-se redução na ingestão de matéria seca por bovinos alimentados com silagem de grãos de milho úmidos. Simas (1997) destaca que o aumento da produção e do ganho de peso em virtude do aumento da utilização de amido. (2007) compararam os efeitos do fornecimento de silagem de grãos de milho úmidos em substituição ao milho seco.7% com a utilização da silagem de grãos de milho úmido. 2001b). Costa et al. De acordo com os autores.33kg. UTILIZAÇÃO NA ALIMENTAÇÃO ANIMAL Em razão de a dieta de vacas leiteiras de alta produção e de animais em confinamento ser constituída por 25 a 35% de amido. apresentaram melhor desempenho em relação ao ganho de peso e conversão alimentar. onde normalmente ocorrem grandes perdas qualitativas e quantitativas. sendo que as características das carcaças dos animais não foram alteradas.88% para os animais que receberam silagem de milho como volumoso e 23. fica evidente que a melhora na eficiência de utilização do amido representa real importância na produção de leite. A conversão alimentar observada foi de 5.55% para os animais que receberam feno. comparados ao milho grão seco.43 e 6.1844 e 0. Esta melhoria na conversão alimentar proporcionou uma redução no custo de produção da arroba em 32. Os resultados obtidos revelaram que os animais alimentados com silagem de grãos úmidos.1681kg de ganho de peso corporal por quilograma de MS ingerida. roedores e fungos. CONSIDERAÇÕES FINAIS Tem-se constatado que a ensilagem de grãos úmidos é viável como forma de armazenagem de grãos a baixo custo para utilização na alimentação animal. para as dietas contendo silagem de grãos úmidos e milho seco. é provavelmente devido ao aumento da energia absorvida (AGV) e mais proteína microbiana disponível para absorção. (1997) observaram aspectos relevantes do ponto de vista nutricional e econômico do emprego da silagem de grãos em substituição ao milho seco. Os valores médios para a eficiência alimentar obtidos com as dietas com a silagem de milho úmido e com milho seco foram de 0. em relação aos grãos de milho secos. A tecnologia de ensilagem de grão de milho pode contribuir para solucionar os graves problemas de armazenagem de grãos nas fazendas. em função do ataque de insetos. mas há maior eficiência na conversão.

o valor nutricional do milho a ser utilizado na alimentação de ruminantes. F. 1999. Campo Grande: SBZ. Perfil de fermentação da silagem de grão úmido tratada com inoculantes bacterianos. COSTA. M. Criad. Zootec.D..br/agencia/congressovirtual/pdf/portugues/03pt06. DOMINGUES.. Anais.C. REIS. 11. 1999. C.. Anais eletrônicos . C... et al. D. M. SILVEIRA.2105-2112. Piracicaba: FEALQ. 2003.D. 1996. W. C. João Pessoa.D. C. 2006.P.31. 2002. J. MARTINS. Milho úmido. Disponível em: <http://www.D. ARRIGONI.51. CHITARRA. CD-ROM.. 1997. M..D..C.pdf>.. 1..334-35.B. v.. João Pessoa. Custos: Silagem de grãos úmidos de milho. P. COSTA.. ARRIGONI.R. 2002.21-45. CD-ROM.C. 41. Anais... A.cpap.. Avaliação de zearalenona e “Fusarium” em silagem de grãos úmidos de milho. p. Corumbá MS. BIAGI.N. p. bagaço de cana e silagem de milho em dietas de alto teor de concentrado.. p. consequentemente.B. M. et al. Bol. A. A. Campinas: CBNA. PB: SBZ. SP. Importância da qualidade dos grãos na alimentação animal.S. 1996.. 2002. L. Microbiol. Leite. M. In: SIMPÓSIO LATINO-AMERICANO DE NUTRIÇÃO ANIMAL E SEMINÁRIO SOBRE TECNOLOGIA DA PRODUÇÃO DE RAÇÕES. SILVA. Bras. J. SILVEIRA.2... ARROTEIA. Conservação de grãos úmidos de cereais para alimentação animal.C.69-88. A.17. 278 .B.... SP..O. COSTA.5.. An antifungal compound produced by Bacillus subtilis YM 10–20 inhibits germination of Penicillium roqueforti conidiospores. ARRIGONI. p. BLANCK. 2004. MS: Embrapa Pantanal. 2.C. p... v.. 1998. Silagem de grãos úmidos. Silagem de grãos úmidos de milho. ARRIGONI.R.A. et al. R. MS. In: SIMPÓSIO SOBRE NUTRIÇÃO DE BOVINOS. In: CONFERÊNCIA VIRTUAL GLOBAL SOBRE PRODUÇÃO ORGÂNICA DE BOVINOS DE CORTE. Campo Grande. JOBIM.C. HENRIQUE. NOUT. PB. Rev.J.B. Piracicaba. COSTA. Anais . SILVEIRA.As alterações físicas e químicas que ocorrem no endosperma e na superfície dos grânulos de amido durante o processo fermentativo aumentam a susceptibilidade deste nutriente ao ataque enzimático durante a digestão e. Campinas.. et al. LANNA... C. Anais. R. 43. G.. Rev. v.94.embrapa. A..D. SILVEIRA. In: REUNIÃO ANUAL DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE ZOOTECNIA. p.159-166. SIQUEIRA.. 2006. G. C. Composição corporal e taxas de deposição dos tecidos. BREEUWER. et al. Appl.V. n. v..R. 2004. In: REUNIÃO ANUAL DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE ZOOTECNIA. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BERNDT.. Corumbá. D.N.

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CAPÍTULO 16 GRÃO DE SORGO NA ALIMENTAÇÃO DE GADO DE LEITE
Wilson Gonçalves de Faria Jr.1, Lúcio Carlos Gonçalves 2, Alex de Matos Teixeira 3, Wellyngton Tadeu Vilela Carvalho 4

RESUMO A crescente disponibilidade de grãos de sorgo no mercado nacional está associada ao menor risco da cultura para plantio de safrinha ou em regiões de menor pluviosidade. Além disso, o menor custo e a semelhança ao valor nutritivo do milho tornam o sorgo uma opção de fonte energética para o balanceamento de dietas de vacas de leite. Nesse capítulo, serão discutidos alguns aspectos relevantes da utilização do sorgo grão nas dietas de vacas de leite, assim como a importância do processamento do grão, o valor nutritivo, o metabolismo ruminal e o desempenho produtivo de vacas leiteiras.

INTRODUÇÃO O sorgo [Sorghum bicolor (L.) Moench] é o quinto cereal em importância no mundo. Mais significante que esta posição é a grande variação de distribuição desta cultura no mundo, destacando-se as regiões semiáridas dos trópicos e subtrópicos. A produção brasileira na safra 2008 foi estimada em 1,96 milhões de toneladas, o que representa 3,3% da produção de milho (59,8 milhões de toneladas). A baixa produção está associada ao sistema de produção, que, na maioria das vezes, é feito como cultura de sucessão (safrinha), resultando em menor área plantada (811 mil x 14 milhões de hectares) e menor produtividade (2,4 x 4,0 t/ha) em comparação ao milho. O menor valor e a oportunidade de comércio, associados à maior resistência ao estresse hídrico, justificam o cultivo de safrinha. O Brasil encontra-se entre os 15 maiores produtores de sorgo do mundo. Os Estados Unidos da América lideram o ranking com uma produção de 12 milhões de toneladas e uma produtividade de 4,0t/ha,o que condiz com o manejo de cultura principal. Na América do Sul, a Argentina lidera a produção e as exportações de sorgo, sendo o México o principal importador mundial do grão, onde o sorgo é usado na alimentação humana e animal.

Médico Veterinário, MSc. Doutorando em Nutrição Animal, Escola de Veterinária da UFMG, Caixa Postal 567, CEP 30123-970, Belo Horizonte, MG. Bolsista CNPq. wilsonvet2002@gmail.com 2 Engenheiro Agrônomo, DSc., Prof. Associado Departamento de Zootecnia da Escola de Veterinária da UFMG, Caixa Postal 567, CEP 30123-970, Belo Horizonte, MG. luciocg@vet.ufmg.br 3 Médico Veterinário, MSc. Doutorando em Zootecnia, Escola de Veterinária da UFMG, Caixa Postal 567, CEP 30123-970, Belo Horizonte, MG. alexmteixeira@yahoo.com.br 4 Médico Veterinário, MSc, Professor do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Sudeste de Minas Gerais – Campus Barbacena. wellyngton.vilela@ifsudestemg.edu.br

1

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O sorgo é originário das regiões semiáridas tropicais da África e da Ásia e apresenta maior tolerância à seca que outras gramíneas produtoras de grãos, como milho, aveia, trigo e cevada. Além dessa importante característica, os trabalhos de seleção e de melhoramento genético do sorgo no Brasil, conduzidos principalmente pela Embrapa Milho e Sorgo, têm produzido materiais de alta produtividade de grãos, adaptados a várias condições de solo e clima e resistentes à maioria das pragas e doenças que acometiam essa planta no passado. Por isso, o cultivo do sorgo tem crescido expressivamente no Brasil como alternativa agronômica e econômica ao milho. Nos países em desenvolvimento, é uma das principais fontes de amido para a alimentação humana, porém, nos países industrializados, é utilizado principalmente na alimentação animal. Os grãos de sorgo têm sido utilizados com sucesso na alimentação de ruminantes em substituição principalmente ao milho, seja na forma de grãos úmidos ou secos, devido ao menor custo, ao valor nutritivo semelhante ao milho e ao aumento significativo da disponibilidade do grão no mercado interno nos últimos anos (Companhia Nacional de Abastecimento – CONAB, 2009). O grão do sorgo é composto por pericarpo, endosperma e gérmen. A composição química do grão de sorgo é considerada próxima à do milho. No entanto, o sorgo é uma planta única entre os cereais graníferos por ser capaz de produzir quantidades significativas de polifenóis, que protegem os grãos dos ataques de fungos, insetos e pássaros e ainda reduzem os riscos de germinação dos grãos na panícula (Silanikove et al., 1996). Entretanto, as vantagens agronômicas da presença dos taninos, principalmente dos taninos condensados, são acompanhadas de desvantagens nutricionais, como o comprometimento do valor proteico das dietas para animais (Duodu et al., 2003). O constante crescimento da utilização do sorgo na alimentação animal no país reforça a necessidade de mais estudos para que esse cereal possa ser utilizado com mais eficiência e mais lucratividade. No entanto, pouco se conhece sobre a variabilidade da composição bromatológica dos sorgos brasileiros. Os poucos dados a esse respeito acessíveis aos nutricionistas e pecuaristas, que subsidiam as formulações de dietas de mínimo custo para ruminantes, são encontrados em tabelas de composição de alimentos para ruminantes (Valadares Filho et al., 2006), produzidas e editadas na Universidade Federal de Viçosa. No Brasil, o sorgo é cultivado basicamente sob três sistemas de produção: no Rio Grande do Sul, planta-se o sorgo na primavera e colhe-se no outono; no Brasil central, a semeadura é feita em sucessão às culturas de verão, principalmente a soja; já no Nordeste, a cultura é plantada durante a estação chuvosa. Mais recentemente, tem sido observado o plantio de sorgo sob irrigação suplementar, tanto no Nordeste como no Centro-Oeste. Todo o sorgo produzido no Brasil é consumido na alimentação animal, sendo que a bovinocultura é a terceira em importância na demanda pelo grão de sorgo, superada pela suinocultura, e esta pela avicultura (Duarte, 2003; Ribas, 2003).

283

1. ESTRUTURA E PROPRIEDADES FÍSICAS DO GRÃO O grão de sorgo é denominado cariopse, no qual a parede do ovário seca e se adere firmemente ao óvulo maduro, ou seja, o pericarpo fica completamente fundido ao endosperma (Rooney e Miller, 1982). O grão é dividido em três principais componentes: o pericarpo, o endosperma e o gérmen, como pode ser visto na Figura 1. As proporções desses componentes variam entre genótipos, mas, em média, o pericarpo representa 6,0%, o endosperma 84,0% e o gérmen 10,0% do peso do grão (Rooney e Serna-Saldivar, 1991).

Figura 1. Estrutura esquemática de um grão de sorgo, evidenciando as principais estruturas.
Fonte: Chandrashekar e Mazhar (1999).

O pericarpo é o revestimento externo e fibroso que confere proteção ao grão (Evers e Millar, 2002), sendo composto por epicarpo, mesocarpo, endocarpo e testa. Esta última estrutura apresenta grande importância no valor nutritivo dos grãos de sorgo para ruminantes. Isso porque é o principal local de armazenamento dos pigmentos polifenólicos nos grãos de sorgo ricos em taninos. Os taninos condensados são responsáveis pela redução do valor nutritivo da dieta. O componente mais importante dos grãos de sorgo é o endosperma, que é o principal tecido de estocagem do grão (Sullins e Rooney, 1975). O endosperma é composto pela aleurona e pelo endosperma amiláceo. A aleurona é uma camada fina localizada imediatamente abaixo da testa e é rica em proteínas, lipídios, cinzas, vitaminas e

284

enzimas (Rooney e Miller, 1982; Evers e Millar, 2002). O endosperma amiláceo é composto por amido, proteínas de estocagem e, em menor proporção, por enzimas, vitaminas e minerais (Rooney et al., 1980). O endosperma amiláceo é dividido entre os endospermas córneo e farináceo. O primeiro está localizado perifericamente, e o segundo centralmente no endosperma do grão de sorgo (Hoseney et al., 1974). O endosperma córneo é composto por grânulos de amido poligonais e densos, incrustados por corpos proteicos e por matriz proteica contínua, espessa e de difícil digestão enzimática, o que confere grande dureza a essa região do grão (Sullins e Rooney, 1975; Rooney e Miller, 1982; Shull et al., 1990). Isso torna o amido menos digestível devido à barreira física que a matriz proteica e os corpos proteicos formam sobre ele (Sullins e Rooney, 1975). Portanto, os grânulos de amido devem ser expostos por processamentos químicos ou físicos para que sejam digeridos eficientemente pelas enzimas (Rooney e Miller, 1982). Já o endosperma farináceo é composto por grânulos de amido esféricos, maiores e menos densos que os encontrados no endosperma córneo. Além disto, a matriz proteica é descontínua, o que faz com que essa região do grão apresente textura macia (Shull et al., 1990). Por estas características, o amido do endosperma farináceo é mais susceptível ao ataque enzimático que o amido contido na região vítrea (Sullins e Rooney, 1975), por se encontrar mais disponível. Dessa forma, quanto maior a proporção de endosperma farináceo em relação ao córneo, mais macio é o grão e, consequentemente, maior será a sua digestibilidade. O gérmen é rico em lipídios poli-insaturados, proteínas de estocagem, enzimas e minerais e constitui uma pequena reserva nutritiva para o embrião (Rooney e SernaSaldivar, 1991).

2. TEXTURA DOS GRÃOS O conceito de textura mais aceito se refere à proporção do endosperma vítreo (duro) em relação ao endosperma farináceo (macio) do grão, conhecido por vitreosidade (vitreousness) (Cagampang e Kirleis, 1984). Segundo Maxson et al. (1971), a escala de vitreosidade dos grãos de sorgo varia de 1 a 5, em que o valor 1 é atribuído ao grão muito duro (com endosperma completamente vítreo) e o valor 5 é atribuído ao grão muito macio, passando pelas escalas intermediárias de textura 2, 3 e 4, para os grãos de textura meio dura, textura intermediária e textura meio macia, respectivamente. O grau de vitreosidade varia entre os genótipos e é uma característica associada à genética do grão, como pode ser observado na Tabela 1. A composição e a distribuição das frações proteicas nos grãos estão envolvidas diretamente na textura do endosperma. Vários autores (Rooney e Miller, 1982; Cagampang e Kirleis, 1984; Kumari e Chandrashekar, 1994; Chandrashekar e Mazhar,

285

1999) sugerem que a γ-prolamina é a fração que parece determinar a textura do endosperma dos grãos de sorgo, por encontrar-se em concentrações duas a quatro vezes maiores nos grãos vítreos em relação aos farináceos. Segundo esses autores, a γ-prolamina apresenta elevada capacidade de formação de pontes dissulfito entre moléculas, contribuindo para a rigidez do endosperma vítreo. Antunes (2005) evidencia a forte influência da textura sobre as características de moagem e sobre o valor nutritivo dos grãos de sorgo, pois quanto mais duros os grãos, menores as degradabilidades da matéria seca, da proteína bruta e do amido. A textura do grão, sem dúvida, será um fator determinante sobre o desempenho dos animais alimentados com sorgo e é uma característica controlada pela genética do sorgo. Os grãos de textura macia apresentaram produções acumulativas de gases superiores à dos genótipos de textura média ou dura nos tempos de 15 e 24h. As diferenças nas produções acumulativas de gases entre grãos de sorgo com diferentes texturas do endosperma nos tempos de 15 e 24 horas demonstraram a importância nutricional que a textura do endosperma possui como fator determinante da disponibilidade de nutrientes para os microrganismos ruminais. Esses são tempos considerados como limites de permanência de grãos no rúmen de animais em fase de lactação (taxa de passagem de 6,5% a 8,0%/h). Portanto, o menor tempo de colonização, a maior taxa de fermentação e a maior produção de gases nesse período para os grãos de textura macia poderiam ser extrapolados para a maior disponibilidade de energia fermentável no rúmen que, conciliada com uma adequada sincronização com fontes de proteína degradável no rúmen (Nocek e Russel, 1988), poderia resultar em aumento da produção de proteína microbiana, de ácidos graxos voláteis e de produção de leite em relação aos grãos de textura dura. Para que o amido da região vítrea dos grãos de sorgo torne-se disponível para a digestão, é necessária a degradação preliminar da parede celular e do arcabouço proteico que recobrem os grânulos de amido. A resistência à digestão microbiana das matrizes proteicas ajuda a explicar por que mais de 30,0% do amido do milho e do sorgo podem escapar da fermentação ruminal em animais de alto consumo e elevada taxa de passagem, enquanto menos de 10,0% do amido do trigo e da cevada chegam ao intestino delgado (Orskov, 1986). A taxa de degradação ruminal parece ser um bom parâmetro para indicar as diferenças de textura do endosperma dos grãos de sorgo. A textura do endosperma influencia negativamente na taxa de degradação da matéria seca e na degradabilidade efetiva da matéria seca dos grãos de sorgo dentro do rúmen. Os grãos de textura macia apresentaram taxas de degradação até 54,0% superiores aos grãos de textura dura (Antunes, 2005).

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3. COMPOSIÇÃO BROMATOLÓGICA A composição química do grão de sorgo é variável, dependendo do genótipo do solo e das condições climáticas (Gualtieri e Rapaccini, 1990; Antunes et al., 2007), mas é pouco alterada com o processamento e mostra-se próxima à composição química do milho, conforme pode ser observado nas Tabelas 1 e 2.

Tabela 1. Composição bromatológica, teor de fenóis totais e escore de vitreosidade de 33 genótipos de sorgo.
Genótipos Origem %MS %PB %amido %EE % cinzas FT
1

Vitreosidade

MS - Matéria Seca; PB - Proteína Bruta; EE - Extrato Etéreo; FT - Fenóis Totais; BAG - Banco Ativo de Germoplasmas 1 da Embrapa Milho e Sorgo; CNPMS - Embrapa Milho e Sorgo; ND - não determinado. Valores expressos em equivalentes-catequinas.

Quando comparado ao milho, o sorgo apresenta menores teores de extrato etéreo e teores de proteína ligeiramente superiores, sendo as proteínas distribuídas no endosperma (80,0%), gérmen (16,0%) e pericarpo (3,0%). A maioria da fração fibrosa se encontra nas células do pericarpo e endosperma, apresentando pequenas quantidades de lignina.

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O processamento do grão, como moagem, laminação ou floculação, não altera significativamente a composição do sorgo, exceto quanto à disponibilidade de energia. O sorgo floculado apresenta maior teor de energia líquida que o laminado, e este superior ao do grão moído. As alterações físico-químicas que ocorrem no amido aumentam sua disponibilidade e digestibilidade total, resultando em maior energia líquida para produção. Segundo o National Research Council - NRC (2001), o valor de nutrientes digestíveis totais (NDT) do grão de sorgo laminado a seco aumenta de 80,6% para 89,4% quando ele é submetido à floculação a vapor. O principal componente do grão de sorgo é o amido (62,91%), composto por cerca de 70,0 a 80,0% de amilopectina e de 20,0% a 30,0% de amilose. Esses dois polímeros diferenciam-se entre si quanto ao tipo de estrutura química, ao tamanho da molécula e pelas propriedades químicas. Os grânulos íntegros de amido apresentam baixa capacidade de absorção de água por serem estabilizados por grande quantidade de pontes de hidrogênio tanto inter quanto entre moléculas de amilose e amilopectina. Além disso, a matriz proteica apresenta-se pouco permeável à água e à atividade enzimática, prejudicando a digestibilidade do amido (Kazama et al., 2002).

Tabela 2. Composição química do grão de sorgo submetido a diferentes tratamentos comparado com o milho. Sorgo Milho grão Nutriente com tanino sem tanino extrusado úmido seco úmido MS 86,17 86,73 89,23 65,41 90,00 67,83 PB 15,00 13,00 11,00 9,00 9,00 8,60 FDN1 13,16 13,16 10,90 24,22 11,61 8,10 FDA2 6,42 6,42 5,90 5,13 4,13 4,20 Lignina 1,34 1,34 1,10 1,10 EE 2,98 2,88 1,45 3,45 4,01 3,98 NDT3 78,43 78,43 89,40 77,67 85,65 78,54 Ca 0,07 0,03 0,07 0,02 0,03 0,03 P 0,28 0,14 0,35 0,20 0,25 0,23 Amido 62,91 62,91 60,57 44,10 66,25 43,72 DPB4 32,80 67,10 34,05 73,55 70,73 53,29
1

FDN - Fibra em Detergente Neutro; 2FDA - Fibra em Detergente Ácido; 3NDT - Nutrientes Digestíveis Totais; 4DPB - Digestibilidade da Proteína Bruta.

Fonte: NRC (2001); Valadares Filho et al. (2006).

As maiores diferenças entre o grão de milho e de sorgo residem na proporção e distribuição das proteínas do endosperma ao redor do amido (Rooney e Pflugfelder, 1986). O endosperma dos grãos de sorgo contém quatro tipos diferentes de proteínas. As albuminas e as globulinas estão localizadas no gérmen e na aleurona, já as glutelinas e as prolaminas no endosperma (Wall, 1964). As glutelinas e as prolaminas são proteínas estruturais que constituem a matriz proteica e os corpos proteicos. Elas formam o arcabouço proteico-estrutural do grão

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(Seckinger e Wolf, 1973; Adams et al., 1976), que possui importantes implicações na textura do endosperma (Chandrashekar e Mazhart, 1999).

4. PERFIL DE AMINOÁCIDOS Os dados presentes na literatura sobre o perfil aminoacídico do sorgo com ou sem tanino e segundo o tipo de processamento (moído, laminado, floculado ou extrusado) são muito escassos. Os poucos dados presentes indicam semelhança entre o perfil aminoacídico do sorgo com ou sem tanino e semelhantes ao milho (Tabela 3). Não foi encontrada referência quanto ao efeito do processamento no perfil de aminoácidos do sorgo. Contudo, tratamentos que envolvam calor podem resultar em menor disponibilidade de alguns aminoácidos para degradação ruminal e até mesmo para absorção intestinal. Tabela 3. Comparação entre o perfil de aminoácidos da caseína, milho e sorgo. % na base natural Caseína Milho Sorgo PB 84,21 8,26 8,94 Lys 6,94 0,24 0,20 Met 2,60 0,17 0,15 Lys+ Met 2,97 0,36 0,32 Trp 1,08 0,07 0,09 Thr 3,79 0,32 0,31 Arg 3,07 0,39 0,35 Gly+ Ser 6,31 0,73 0,71 Val 5,66 0,40 0,47 Ile 4,61 0,29 0,37 Leu 7,74 1,02 1,20 His 2,43 0,26 0,21 Phe 4,13 0,41 0,51 Fen+ Tyr 9,51 0,70 0,96
Fonte: Rostagno et al., 2005.

Streeter et al. (1993) compararam a degradabilidade e a digestibilidade intestinal dos aminoácidos de dois grupos de sorgo (normal ou seroso) com ou sem tanino. Os materiais com tanino apresentaram menor degradação ruminal e maior aporte de aminoácidos totais, essenciais e não essenciais para o duodeno, exceto para arginina, metionina e tirosina. Isso sugere que esses aminoácidos podem estar menos associados aos taninos. Entretanto, as digestibilidades intestinais dos aminoácidos essenciais e não essenciais presentes na proteína não degradada no rúmen (PNDR) foram inferiores para o sorgo com tanino. Assim, a digestibilidade total dos aminoácidos foi comprometida pela presença de tanino. Cultivares de sorgo com tanino, mesmo que possuam maior teor de proteína, resultando em maior ingestão de proteína e aminoácidos, podem não refletir em maior desempenho animal.

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5. PROCESSAMENTO DOS GRÃOS Diversos métodos de processamento são utilizados para se aumentar a eficiência de utilização dos nutrientes contidos no grão de sorgo pelos microrganismos do rúmen e pelo trato digestivo. O processamento pode melhorar significativamente o valor nutritivo de grãos de cereais para ruminantes, sendo a laminação e a moagem os mais comuns (NRC, 2001). O processamento do grão tem particular importância para o sorgo, devido ao menor tamanho deste grão, o que dificulta a sua quebra durante a mastigação e prejudica a sua degradação no rúmen. Como consequência, frequentemente se observa a presença de grãos de sorgo inteiros nas fezes de bovinos. A digestão microbiana no grão se dá de dentro para fora; desta forma, o rompimento da matriz proteica que recobre os grânulos de amido no endosperma facilita a ação microbiana e aumenta a degradação do amido. Outro fator que contribui para a melhoria da digestão dos grânulos de amido ocorre durante os processamentos que envolvem aplicação de calor e umidade, resultando num processo chamado gelatinização. Durante a gelatinização, os grânulos de amido absorvem água, incham e exsudam parte da amilose (fração do amido menos degradável), tornando-se mais susceptíveis à degradação enzimática (Van Soest, 1994). Os principais métodos utilizados no processamento de grãos de sorgo são: 5.1. Moagem A moagem modifica a estrutura física dos grãos de sorgo, rompendo o endosperma e aumentando a superfície de exposição do amido, melhorando a digestibilidade ruminal. A moagem promove ainda um aumento da taxa de passagem do concentrado, principalmente pelo aumento da densidade das partículas. Em condições tropicais, este é o processamento mais barato, e a moagem recomendada é a mais fina possível. 5.2. Laminação a seco Também conhecida como quebra ou esmagamento, este processo consiste em se passar o grão por um rolo compressor, o que promove sua quebra em pedaços menores. O efeito sobre o grão assemelha-se bastante ao da moagem, porém mais brando. 5.3. Laminação a vapor O grão inteiro fica um determinado tempo em um condicionador que é abastecido por uma linha de vapor. Devido ao aumento da temperatura e da umidade, inicia-se o processo de gelatinização do amido. Os grãos passam, então, por rolos compressores reguláveis. As modificações físicas e químicas que ocorrem favorecem a digestão intestinal do amido.

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5.4. Floculação Este processo é idêntico à laminação a vapor, diferindo no fato de os tratamentos serem mais drásticos. Assim, os grãos ficam de 30 a 40 minutos submetidos a uma temperatura entre 90 e 105oC, enquanto na laminação é usada uma temperatura entre 90 e 95oC por 15 a 20 minutos. Após passarem pelo tratamento a vapor e pelos rolos compressores, os grãos passam ainda por um segundo par de rolos, visando deixá-los com uma espessura entre 0,9 e 1,1mm. 5.5. Extrusão Assemelha-se à laminação a vapor, com duas diferenças básicas: os grãos são moídos antes do tratamento a vapor e passam por uma rosca sem fim, de onde são extrusados através de orifícios em forma de cones menores, onde o alimento vai se expandindo na direção em que ele é expelido. A expansão sofrida pelos grãos causa ruptura dos grânulos de amido. A qualidade dos processos de laminação, floculação e extrusão é avaliada por características visuais, conteúdo de umidade (18,0% a 20,0%), densidade especifica média das partículas e índices laboratoriais. O aumento da extensão dos tratamentos reduz a densidade específica das partículas, por exemplo: o grão de sorgo laminado a seco apresenta densidade específica entre 450-644g/L, o laminado úmido entre 438540g/L e, para o sorgo floculado, as melhores respostas produtivas são encontradas quando a densidade encontra-se entre 360-438g/L. A densidade das partículas é importante, pois influencia na taxa de passagem e no tempo de retenção das partículas no rúmen e, consequentemente, na digestibilidade do alimento. 5.6. Micronização Refere-se ao tratamento do grão por calor seco, através de micro-ondas. O grão é aquecido a 148oC, reduzido a 7,0% de umidade e laminado. 5.7. Grão úmido Envolve a colheita e o armazenamento, sob condições anaeróbicas, dos grãos de sorgo com umidade em torno de 30,0%. Estes devem estar moídos quando do fornecimento aos animais, sendo que tal processamento pode ser feito antes ou depois da armazenagem. Estes grãos não devem perfazer mais de 80,0% do total de grãos em dietas com mais de 75,0% de concentrados (Boin, 1999). Nos casos em que se tem tentado a adição de água ao grão seco, parece que a melhoria do aproveitamento dos nutrientes se deve mais ao processamento dos grãos do que à reconstituição em si. A ensilagem dos grãos úmidos é uma alternativa bastante interessante, em função das reduções nos custos de armazenamento e da possibilidade de antecipar a colheita em até quatro semanas, maximizando o uso da terra e minimizando as perdas provocadas por ataque de pássaros. Além do fator econômico, uma melhoria no valor nutricional pode ser verificada para os grãos

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úmidos ensilados. O maior conteúdo de umidade favorece a fermentação e a elevação da temperatura no interior do silo, causando gelatinização parcial do amido, aumentando a sua digestibilidade ruminal e intestinal. Além disso, ocorre a solubilização da matriz proteica ao redor dos grânulos de amido, facilitando o ataque enzimático microbiano (Galyean et al., 1981; Streeter et al., 1989). Peixoto et al. (2003), comparando o grão seco moído com a silagem de grão úmido de sorgo no desempenho de bezerras de diferentes grupos genéticos em confinamento, não verificaram diferenças no desempenho e na conversão alimentar dos animais. Para estes autores, a decisão entre qual fonte energética utilizar deve ser tomada em função de questões operacionais e econômicas, que são próprias de cada sistema de produção. Já Nikkhah et al. (2004) compararam o uso de sorgo seco moído ou floculado a vapor para vacas leiteiras no meio da lactação e constataram que a floculação a vapor garantiu maior produção de leite, leite corrigido para gordura, proteína e gordura do leite. Theurer et al. (1999a) sumarizaram os dados de vários experimentos comparando o efeito da utilização de grão de milho ou sorgo, bem como o seu processamento sobre o desempenho de vacas de alta produção. De acordo com estes autores, a floculação melhorou a produção e a eficiência de produção de leite em 5,0%, aumentou o teor e a produção de proteína do leite, bem como a digestibilidade aparente do amido em 16,0% comparado ao sorgo laminado a seco. Contudo, houve redução no teor de gordura do leite, mas sem comprometer a produção de gordura (g/dia). O melhor desempenho está associado à melhor qualidade nutricional promovida pelo processamento, já que o consumo de matéria seca e o teor de nitrogênio ureico do leite (NUL) não foram alterados. Estes trabalhos evidenciam a melhoria do valor energético do grão de sorgo com processamentos mais intensivos, no entanto os produtores devem considerar não só a melhoria no valor nutricional do grão e no desempenho produtivo dos animais, mas também os custos associados ao processamento. A utilização do nitrogênio dietético com maior síntese de proteína microbiana parece ser mais eficiente para o sorgo floculado em comparação ao laminado devido ao menor teor de NUL e ao aumento de caseína do leite.

6. SÍTIOS E EXTENSÃO DE DEGRADAÇÃO Segundo Poore et al. (1993), a floculação do sorgo comparada à laminação aumenta a degradação do amido no rúmen, reduzindo a quantidade de amido sobrepassante que atinge o duodeno, e aumenta a digestibilidade intestinal do amido, resultando, assim, em menores perdas fecais em dietas com volumosos de boa (feno de alfafa) ou baixa qualidade (palhada de trigo). Comportamento semelhante foi descrito para a degradabilidade e a digestibilidade da matéria orgânica da dieta, aumentando a síntese e o aporte de matéria orgânica microbiana para absorção intestinal. Contudo, o aumento da degradabilidade do amido pode comprometer a degradabilidade e a digestibilidade aparente total das frações fibrosas, principalmente da celulose, em situações de alta quantidade de concentrados ou fibra de baixa qualidade.

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83. Já Passini et al. de taxa de degradação ou de degradabilidade efetiva para as taxas de passagem de 2. Segundo DelgadoElorduy et al. Kazama et al. e a solubilidade do amido de 293 . e não observaram diferença entre eles quanto aos valores de fração solúvel. O processamento térmico comprometeu a degradabilidade ruminal dos grãos.. as quais. 5. 5 ou 8. (2003) observaram interação (p<0.. as maiores degradabilidades foram observadas para a moagem fina (2mm) em relação à silagem (12mm) e quebra (5mm). a fração potencialmente degradada e a degradabilidade efetiva da matéria seca do sorgo e do milho.0% e 91. 1981). a mudança do sítio e a extensão de degradação do amido para o rúmen aumentam a utilização da energia líquida para lactação do grão de sorgo.0%. o sorgo e a raspa de mandioca apresentam teor de amido de 79.01) entre o processamento (quebra. Os resultados obtidos para o milho foram superiores aos descritos para o sorgo. As cinéticas de degradações ruminais de grãos de milho ou sorgo inteiros. BR306. extrusados ou autoclavados foram avaliadas por Moron et al. diminuindo a solubilidade (Russel e Hespell. d).0%. Zeoula et al. (1999) compararam a solubilidade e a degradabilidade do amido de vários alimentos energéticos e concluíram que o milho. moídos. (2002) avaliaram diferentes híbridos de sorgo (BR304. Apesar do aumento no aporte de amido fermentável no rúmen. cujas respostas são influenciadas por múltiplos fatores. seguida pela moagem fina e quebra. A redução do tamanho da partícula aumentou a fração solúvel. silagem) e o tipo de grão (milho ou sorgo) sobre a degradação efetiva da matéria seca para todas as taxas de passagem estimadas (2.0%/h da matéria seca ou proteína. Santos et al. A extrusão promove maior degradabilidade que a moagem fina devido à associação da ruptura da matriz proteica com a maior exposição dos grânulos de amido com a gelatinização. nessa ordem de grandeza.0% e o da digestibilidade intestinal em 20. moído. a taxa de hidrólise do amido do sorgo laminado foi de 24. relação volumoso:concentrado e qualidade do volumoso. minimizando o tempo e os efeitos do balanço energético negativo no início da lactação (Theureu et al. foram superiores para o milho. c. 1999b). Já para o milho. quebrados.0% o aporte de proteína microbiana para absorção intestinal. de fração potencialmente degradada.6%. BR701. as maiores degradabilidades foram obtidas pela silagem.0% do pouco amido sobrepassante sustentam os melhores desempenhos produtivos observados nos animais suplementados com o sorgo floculado comparado ao laminado (Theurer et al.0 e 8.O aumento da degradabilidade ruminal do amido em 40. como nível de inclusão do grão.0%/h).. Assim.0. A floculação garante maior reciclagem de ureia no rúmen e eleva em torno de 10.6% em 30 minutos. Contudo. 2000).. (1999) em vacas não lactantes das raças Holandesa e Jersey. de modo geral. enquanto a do material floculado foi de 65. possivelmente devido à ocorrência de reações de Maillard ou exposição de aminoácidos hidrofóbicos à superfície. os teores de digestibilidade da proteína e das frações fibrosas são pouco alterados (Santos et al. essas diferenças podem não refletir em maior desempenho animal. que não diferiram entre si. 1999b. 1999c. Z822). (2002b). IA98201. Para o sorgo.

A dinâmica líquida ruminal (volume de líquido ruminal. Passini et al.4% vs 52. houve tanto aumento da degradabilidade ruminal quanto da digestibilidade intestinal. do tratamento ácido associado ao formaldeído ou do tratamento com ureia sobre o sítio e a extensão de degradação no sorgo que sofreu reconstituição da umidade (28. obtido por meio de solução de bicarbonatofosfato (pH=6. (1991) avaliaram o efeito da ensilagem. a fração solúvel (a) do amido do sorgo foi muito superior à do milho (18. assim. a fração potencialmente degradável e a taxa de degradação do amido do sorgo foram inferiores às do milho. Hill et al.99). já a silagem de grão úmido de milho foi confeccionada com grão inteiro e 28% de umidade.05) dos nutrientes digestíveis totais (NDT) e do amido. Esses resultados não refletiram em menor consumo de matéria seca por peso vivo ou peso metabólico. propiônico ou butírico.13. A silagem de grão úmido de sorgo foi confeccionada com o grão moído. A relação acetato:propionato (média de 1. sem alterar a digestibilidade intestinal da matéria seca. contornando.25) e o nitrogênio amoniacal (6. taxa de passagem de líquidos. 294 . os efeitos negativos da matriz proteica sobre a disponibilidade do amido no rúmen. Isso refletiu em maior produção total de AGV e propionato nas primeiras quatro horas pós-alimentação em comparação ao grão úmido de milho. e muito inferior àquelas descritas para os sorgos laminados (66. (2002. A ensilagem e o tratamento com ureia aumentaram a degradabilidade ruminal. sugerindo a possibilidade de substituição total da silagem de grão úmido de milho por grão úmido de sorgo. respectivamente.91mg/dL) no líquido ruminal foram semelhantes entre as dietas. A degradabilidade efetiva do amido corrigida para solubilidade foi baixa (39. 2003) avaliaram as silagens úmidas de milho ou sorgo sobre os parâmetros de fermentação ruminal.0%. Já para o amido.6% a 89. No estudo in situ.0%). as taxas de degradação e as degradabilidades efetivas da MS e da FDN da dieta não diferiram entre os grãos. o que pode estar associado a perdas pelos poros do saco de náilon. Porém. do extrato etéreo e da FDN não diferiram entre as dietas. 10. Esses autores não observaram diferença nos teores de ácidos graxos voláteis totais (AGV) ou nas porcentagens molares de ácidos acético.5%) para o sorgo moído em comparação ao milho (55. o uso de silagem de sorgo reduziu a digestibilidade aparente (p<0. o pH (6. Esses resultados sugerem o grande efeito desses tratamentos rompendo a matriz proteica que envolve os grânulos de amido do sorgo e tornando-os amplamente disponíveis para fermentação ruminal. Por outro lado. os coeficientes de digestibilidade aparente da proteína.4%) (Theurer et al.8%) ou floculados (76.0% e 14.0% umidade). sem comprometimento dos padrões de fermentação. a degradabilidade ruminal e a digestibilidade das dietas. No entanto.. 1999b). fluxo de líquidos por dia e por kilo de matéria seca consumida) não foi alterada pelo tipo de grão.8).1%). Além disso. com granulometria em torno de 12mm e 30% de umidade. degradabilidade ruminal e pouca diferença na digestibilidade das dietas.0%. A moagem do grão de sorgo antes da ensilagem pode ter favorecido a gelatinização dos grânulos de amido do sorgo.

com tendência em aumentar o balanço energético das vacas (p<0.. Esses resultados sugerem que o tipo de processamento apresentou maior influência sobre o metabolismo animal que o tipo do grão. já que as concentrações de ácidos graxos não esterificados não diferiram entre as dietas. Contudo. esses não foram suficientes para reduzir a lipólise. METABOLISMO ANIMAL Santos et al. maior síntese microbiana e aumento no aporte de aminoácidos para a glândula mamária. (2002a.05) e 90 dias (p<0. Embora os escores de condição corporal das vacas não tenham diferido entre as dietas. Theurer et al. (2000) avaliaram as condições energéticas e as respostas reprodutivas de vacas Holandesas no início da lactação suplementadas com sorgo floculado ou milho laminado. b) avaliaram o efeito dos grãos (sorgo ou milho) e dos processamento (laminação ou floculação) no metabolismo esplênico e no metabolismo de nitrogênio na glândula mamária de vacas leiteiras com produção média de 28kg/dia e 86 dias em lactação. que foi superior para a dieta com sorgo laminado.11). Esses autores não observaram diferença (p<0. amido e energia líquida de lactação entre os tratamentos. As perdas de peso e o escore corporal das vacas durante os primeiros 45 dias ou 90 dias pós-parto não diferiram entre as dietas. A produção e a composição do leite bem como a eficiência alimentar e produtiva das vacas foram semelhantes. que são imprescindíveis para manutenção da gestação e redução de morte embrionária. Embora os animais suplementados com sorgo floculado apresentassem maiores níveis de glicose e insulina circulante.05) na ingestão de MS. A população de folículos não foi alterada pela dieta. contudo mais estudos nesse sentido necessitam ser conduzidos para o melhor entendimento das respostas produtivas observadas pela utilização de sorgo ou milho nas diferentes formas de processamento. com exceção do teor de gordura. Isso responde em parte à tendência de maior teor de proteína no leite para dietas com milho ou sorgo floculado. 1999a). mas a melhoria na condição energética das vacas que receberam sorgo floculado pode ter sido responsável pela maior área do corpo lúteo e maiores níveis de progesterona circulantes. 295 . o sorgo propiciou menor absorção de nitrogênio aminoacídico e amônia. Os fluxos sanguíneos nas veias porta e hepática não alteraram com os tratamentos. o melhor aproveitamento do nitrogênio com o aumento da degradação do amido do sorgo no rúmen pode reduzir o teor de nitrogênio ureico no plasma (Oliveira et al.7. A floculação dos grãos propiciou aumento na reciclagem de ureia.06) no sangue periférico.13) e insulina (p<0.06). PB. 1993. Em contraste ao milho.. sendo esta um problema comum em vacas de alta produção. Não houve diferença nos níveis de nitrogênio ureico no plasma entre as dietas. Delgado-Elordy et al. os animais que receberam sorgo floculado apresentaram menores perdas de escore corporal durante os primeiros 45 dias (p<0. O maior aporte de propionato ao fígado nas vacas que receberam sorgo floculado pode ter propiciado o aumento da gliconeogênese hepática com tendência de elevação nos níveis de glicose (p<0.

A sua utilização é verificada para todas as categorias animais. crescimento corporal e ganho de peso. tostado ou peletizado. para o mesmo nível de processamento do grão (laminado ou floculado).4 e 0. Vacas de alta produção apresentam desempenho semelhante quando suplementadas com sorgo ou milho. (1994).4%. com os respectivos graus de gelatinização do amido. seja em confinamento ou em regime de pastejo. Contudo. proteína. como a base energética de concentrados. Verificou-se que o nível de suplemento energético influenciou significativamente o peso final das vacas até o nível de 0.6mg de equivalente maltose/g de amido. os 296 . foram suplementadas com milho laminado ou sorgo laminado ou floculado. (1999a) e Mitzner et al.5% de gordura (LCG). (1999a). sobre o desempenho de bezerros e bezerras leiteiras até oito semanas de idade. 0. desde bezerros a bovinos adultos. (1994) concluíram que o sorgo finamente moído pode substituir o milho moído ou laminado mantendo o mesmo nível de produção das vacas. (2004) relataram que os custos de criação de bezerros Holandeses. apresentaram o menor custo final (R$ 3. nos níveis de 0. ou metabolitos plasmáticos e condições de fermentação ruminal entre tratamentos. ao avaliarem as respostas à aplicação de somatotropina bovina (bST).59) por kg de ganho de peso por bezerro com o uso de sorgo moído de baixo tanino em comparação ao milho. 2001). Resultados semelhantes foram descritos por Oliveira et al. 66. exceto pelo menor consumo inicial para a forma de pélete. amido ou frações fibrosas da dieta. há de se destacar o elevado valor nutricional das pastagens em que os animais foram mantidos. quando vacas. apesar da menor digestibilidade do amido. O desempenho de vacas de descarte sob pastejo contínuo em pastagens de inverno foi avaliado mediante a suplementação com o grão de sorgo triturado.5. A queda no desempenho quando o nível de concentrado aumentou de 0. Esses autores não observaram diferenças no consumo.8. Theurer et al. destinados à produção de vitelos.4 para 0. DESEMPENHO ANIMAL O grão de sorgo tem sido comumente utilizado em dietas de bovinos de leite em substituição ao milho. 1995) e Santos et al. sem comprometimento na composição do leite.9 e 198. Abdelgadir e Morril (1995) avaliaram o uso de sorgo moído.. Segundo Chen et al. proporcionando um efeito aditivo ao consumo de nutrientes na dieta destes animais. o sorgo laminado ou floculado pode substituir totalmente o milho com o mesmo processamento. que não observaram diferenças na ingestão de MS (IMS). (1993. causando redução na digestibilidade da fração fibrosa e prejudicando o desempenho animal (Restle et al. resultando em produções e composições do leite semelhantes entre vacas suplementadas com milho ou sorgo. nas digestibilidades de matéria seca (MS). com média de 100 dias de lactação.8% foi justificada por uma possível alteração ruminal. Neste experimento. nas produções de leite e de leite corrigido para 3. fato possivelmente relacionado a questões de palatabilidade. na eficiência produtiva (IMS/LCG) ou nos teores de gordura e proteína do leite.8% do peso vivo. 28. sem ônus no consumo. matéria orgânica (MO). Almeida Júnior et al.

0%) ou farinha de peixe (5.0% da MS da dieta. A ingestão de matéria seca. principalmente quanto à digestibilidade do amido. Estudos desenvolvidos por Simas et al. Para o sorgo floculado. suplementadas com sorgo floculado ou milho floculado ou laminado. a suplementação com ureia (0. mesmo com redução no consumo da dieta.0% de proteína degradável no rúmen e 30.autores verificaram maiores produções de leite e de proteína do leite em animais suplementados com sorgo floculado (Santos et al. Santos et al. Segundo Santos et al.8% da MS da dieta)..5% da MS têm indicado diferenças nas digestibilidades das dietas. apesar da maximização da síntese proteica microbiana proporcionada pelo sorgo floculado.. as produções de leite e LCG. proveniente do sorgo floculado. Santos et al. que apresenta cerca de 70. na produção de leite e no teor de gordura do leite. 1991. há a necessidade de suplementação com PNDR. Nesse estudo. resultando. já que a adição de 1% de bicarbonato de sódio tendeu a minimizar as reduções de produtividade. e a maior produção de leite foi obtida com a suplementação com farelo de soja (6. Chen et al. (1998) concluíram que a degradabilidade da fonte energética influenciava nas respostas de suplementação de distintas fontes proteicas de maior ou menor degradabilidade ruminal. Em animais de alta produção. associados a uma fonte de proteína não degradável no rúmen.0% de PNDR.. (1997 e 1998) comparando o tipo de processamento do sorgo (laminado ou floculado) com suplementação de diferentes tipos de gordura até 2. na digestibilidade da FDN (Theurer et al. 1997b). A densidade da partícula do sorgo laminado ou floculado pode afetar o consumo.0%). Em estudo anterior. (1997a).1999a). (1999b) avaliaram o desempenho de vacas Holandesas no início da lactação com produção média de 37kg de leite. Em vacas de média produção. 1994). em melhoria da eficiência de produção de leite. Santos et al. sem alterar o consumo de alimento. As respostas produtivas de vacas de alta (45kg) ou média (35kg) produção de leite suplementadas com sorgo floculado variam com a degradabilidade da proteína suplementar.. a fonte principal de proteína da dieta foi proporcionada pelo uso de caroço de algodão com a inclusão de 10 a 13. garante maior consumo de alimento e síntese de proteína microbiana suficiente para proporcionar aumento na produção de leite. Vacas alimentadas com sorgo ou milho floculado em combinação com PNDR produziram mais leite e proteína do leite em comparação àquelas suplementadas com milho laminado ou com farelo de soja. as respostas são inversas. da matéria seca e orgânica. partículas com densidades entre 360g/L e 437g/L resultaram em produção e em composição de leite semelhantes ao sorgo laminado. Já em vacas de alta produção. associada à alta disponibilidade de amido fermentável no rúmen.. Partículas muito finas podem ter propiciado a excessiva fermentação ruminal com redução do pH. a digestibilidade da dieta e alterar a produção e a composição do leite de vacas. 1993. 297 . a eficiência produtiva e os teores de proteína e gordura do leite não diferiram entre os animais suplementados com sorgo ou milho. a redução da densidade do sorgo laminado de 437g/L para 283g/L resultou em decréscimo linear na ingestão de matéria seca (Oliveira et al. assim.

com ventilação forçada (Price et al. Contudo. esses compostos podem se ligar a proteínas e a enzimas no intestino delgado e reduzir a digestibilidade intestinal das proteínas. 1985). Esses pesquisadores encontraram menor proteólise e aumento no fluxo de proteína verdadeira para o abomaso. 1996). No alimento estocado.com o tipo de processamento do grão. 9. Micotoxinas A contaminação do grão de sorgo por fungos também é um fator que pode limitar o desempenho animal. Os efeitos dos taninos condensados na alimentação de vacas leiteiras serão abordados em maior extensão em outro capitulo. se possível. aumentando as perdas fecais. Esta contaminação pode ocorrer em qualquer momento da produção. elevando a quantidade de proteína potencialmente disponível para a absorção no intestino delgado. como o Fusarium moniliforme. e ainda pode proporcionar ganhos em termos econômicos. 9.1. sendo que a sua utilização dependerá da oferta e do preço.. Entretanto. os fatores responsáveis ou predisponentes incluem integridade do grão. composição e umidade dos grãos. (1995) avaliaram o efeito dos taninos condensados na digestão ruminal do nitrogênio. 10.2. Para minimizar as perdas em decorrência desta contaminação. estando presentes sem que o mofo seja visível (Marquadt. estocagem ou utilização. Waghorn et al. CONSIDERAÇÕES FINAIS O grão de sorgo tem potencial para substituir o milho em dietas de ruminantes. protegido da chuva e. responsável pela produção da aflatoxina. 298 . temperatura ambiente. sem alterações no metabolismo do animal ou no desempenho produtivo. No entanto. disponibilidade de oxigênio e dióxido de carbono. transporte. FATORES ANTINUTRICIONAIS DO SORGO 9. em local inclinado. essas diferenças não têm refletido no desempenho produtivo e na composição do leite. O grau de saturação das fontes de gordura aparentemente tem pouco efeito na produção e na composição do leite quando incluídas até níveis de 2. é aconselhável estocar o alimento com menos de 10% de umidade. Taninos condensados A maior limitação da utilização de grãos de sorgo na alimentação animal se deve à presença de compostos fenólicos chamados taninos. A contaminação ocorre principalmente pelo fungo Aspergillus flavus. com piso cimentado. outros fungos podem contaminar esse alimento.5% da matéria seca em dietas cuja base energética dos concentrados é o sorgo. causadora de câncer hepático.

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como as condições climáticas da região. segundo maior produtor mundial. Sua inclusão na alimentação de vacas em lactação pressupõe a suplementação com nutrientes necessários ao balanceamento da dieta. Juiz de Fora. luciocg@vet. MSc. bem como cuidados na escolha da variedade ou adoção de práticas de manejo que eliminem os riscos de intoxicação por ácido cianídrico. CEP 30123-970. MG.embrapa. Escola de Veterinária da UFMG. A mandioca apresenta a peculiaridade de poder ser manejada com duplo propósito. coexistem a produção de subsistência e a comercial. Rua Eugênio do Nascimento. em Zootecnia. A produção africana não tem caráter comercial.CAPÍTULO 17 COPRODUTOS DA MANDIOCA NA ALIMENTAÇÃO DE GADO DE LEITE Fernanda Samarini Machado1. onde já era cultivada pelos índios. 610. Wilson Gonçalves de Faria Jr. INTRODUÇÃO A mandioca (Manihot esculenta Crantz). MG. MG.ufmg. Belo Horizonte. ao contrário. depende de fatores. Caixa Postal 567. de feno. DSc. MSc. Bolsista CNPq. wilsonvet2002@gmail.br 2 Engenheiro Agrônomo. Embrapa Gado de Leite. CEP 30123-970. Médica Veterinária.com 4 Médico Veterinário. Belo Horizonte.. os2ribas@hotmail. Doutorando em Nutrição Animal.com 1 305 .. entre outros. destinando-se a produção. peletização ou fornecimento do material fresco. podem ser utilizadas na alimentação de vacas leiteiras. Caixa Postal 567. DSc. No Brasil. entre produção de silagem. provavelmente da região Nordeste e central do Brasil. é planta originária da América do Sul. ricas em amido. Brasil e Tailândia são os países que dominam a produção mundial. Escola de Veterinária da UFMG. Por apresentar tolerância a diversos tipos de clima e solo. a mandioca é cultivada em várias regiões do mundo. A escolha da forma de utilização. sendo espalhada pelo mundo por europeus colonizadores no século XVIII. Lúcio Carlos Gonçalves 2. Foi descrita pela primeira vez em 1573 por Magalhães Gandavo. a disponibilidade de mão de obra.. MSc. MG. bem como os subprodutos do processo de industrialização. Caixa Postal 567. Associado Departamento de Zootecnia da Escola de Veterinária da UFMG. com elevadas concentrações de proteína. Belo Horizonte. quanto a parte aérea. ou ainda a processos industriais para obtenção de amido. CEP 30123-970. também conhecida como aipim e macaxeira. CEP 36038-330. disseminada em diversas regiões do mundo devido à sua tolerância a condições marginais de cultivo. Nigéria. Marcelo Neves Ribas4 RESUMO A mandioca é uma espécie de origem latino-americana. Sua produção pode ser destinada à alimentação humana ou animal. Prof. Dom Bosco. Tanto as raízes. DSc.br 3 Médico Veterinário. apresenta-se como de subsistência.3. o nível de tecnologia. fernanda@cnpgl. permitindo a integração da produção agrícola com a atividade pecuária.

1. Para consumo humano. maior adoção de tecnologias disponibilizadas pela pesquisa faz-se necessária.26t/ha. obtendo-se um rendimento de 14. 8. destinam-se aos países da América do Sul e.2%) é destinada à alimentação animal (Food and Agricultural Organization .majoritariamente. Grande parte da produção brasileira de mandioca (50. a integração entre as atividades pecuárias e a produção agrícola na propriedade garante redução dos custos do produtor. reduzindo gastos com alimentos concentrados. historicamente baixos no Brasil (Lopes et al.. presente em elevadas concentrações nas folhas. Já as regiões Sul. 2007). respondendo esse país pela maior parte do que é exportado desse produto no mundo. Sudeste e Centro-Oeste apresentaram 22.8 e 37. doces ou salgados. já que a raiz substitui alimentos energéticos de alto custo utilizados tradicionalmente na dieta de monogástricos. No entanto.6 e 5. 306 . Sendo assim. Os derivados de mandioca na indústria são: farinha. respectivamente. com uma produção estimada de 26. aos Estados Unidos. A participação do Brasil no mercado internacional é praticamente desprezível.9% da produção). quando ocorrem. Já a produção na Tailândia tem caráter comercial. Para alimentação animal.9% da produção nacional em 2008. principal componente das raízes tuberosas. além de a parte aérea representar um suplemento proteico que pode ser utilizado durante todo o ano. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística . entre outros (Camargo Filho e Alves. em menor proporção. Recentemente. A produção de mandioca é predominantemente realizada por agricultores familiares e camponeses. sua utilização na alimentação de vacas leiteiras apresenta vantagens.95 milhões de toneladas de raízes.6% da produção nacional. Segundo dados do IBGE. ao mercado interno. Desta forma. amido. é fonte geradora de emprego e de renda para agricultores e consumidores de baixo poder aquisitivo. As exportações brasileiras.FAO. O Nordeste e o Norte foram responsáveis por 25. álcool. A cultura da mandioca representa também um produto básico na alimentação humana (33. visando ao incremento dos níveis de produção dessa cultura. apresentando um caráter produtivo mais industrial.89 milhões de hectares. sobretudo nas regiões mais pobres do país (Tafur. a raiz in natura serve para a elaboração de pratos. 74. com predomínio de sistemas familiares que utilizam baixa tecnologia. tornando o sistema sustentável. 2003).IBGE. a área de mandioca plantada no Brasil em janeiro de 2009 foi de 1. 2002).5% do plantio são efetuados em áreas inferiores a 10 hectares. e de proteína. 2004). 2005). podem ser utilizadas as folhagens e a raiz. as exportações da África do Sul vêm assumindo posição de destaque (Alves e Vedovoto. A mandioca apresenta a peculiaridade de poder ser manejada com duplo propósito de produção de amido.

5. entre as 1. 1983). sendo cultivada em regiões semiáridas com 500 a 700mm de chuvas por ano.0% de folhas (Gil e Buitrago. ensilado ou na forma desidratada. ou ainda conservada por procedimentos de fenação. utilizada sob a forma de material verde picado.. As plantas são herbáceas quando novas. e lenhosas. fornecidas in natura (picadas). entre fornecimento ao natural. apresenta resistência à seca. exigindo precipitações entre 1. FORMAS DE UTILIZAÇÃO DA MANDIOCA NA ALIMENTAÇÃO ANIMAL Podem constituir componentes da dieta dos ruminantes não somente as raízes tuberosas. da fertilidade do solo e do cultivar plantado. CARACTERÍSTICAS DA CULTURA A mandioca pertence à família das Euphorbiaceae. Para fins práticos. na obtenção de produtos para alimentação humana ou destinados para fins industriais. com altura variando de 1 a 5 metros (Carvalho. e a opção mais adequada para eficiente conservação seria o processo de ensilagem.500mm anuais. Apresenta baixa exigência em fertilidade e desenvolve-se melhor em solos com textura franco-arenosa a argilo-arenosa. Existem regiões onde a produção de fenos da parte aérea e de raspa seca de mandioca torna-se antieconômica. também podem ser utilizados na alimentação de ruminantes. pecíolos e folhas) e parte subterrânea (raízes tuberosas). desidratadas (raspas). 2002).0% de hastes e pecíolos e 10. Porém. e altitudes até 800 metros. 2005). em que processos de desidratação natural seriam a forma mais econômica de processamento. será determinado pelas condições climáticas do ecossistema (Lopes et al. de modo geral. observam-se na planta madura aproximadamente 50% de raízes tuberosas. 2. Os resíduos originados do processamento das raízes. peletização ou ensilagem. mas também sua parte aérea. Assim. variando de 10 a 35 toneladas por hectare de raízes e 8 a 30 toneladas por hectare de parte aérea (Carvalho. que permitirão maior ou menor facilidade para efetuar a secagem. A mandioca pode ser cultivada com ótima produtividade numa faixa que vai de 30º na latitude norte a 30º na latitude sul. a produtividade da mandioca depende das condições climáticas. a planta da mandioca pode ser dividida em parte aérea (hastes. Entretanto. A planta integral da mandioca também é utilizada in natura ou ensilada. A forma de utilização mais econômica a ser adotada dependerá da disponibilidade de mão de obra. A despeito das variações inerentes à variedade utilizada e às influências das condições de solo e ambiente no crescimento da cultura. peletizadas ou ensiladas. 307 . onde ocorre condição climática favorável para desenvolver-se.1. A temperatura ideal está entre 25 e 29ºC. 1983). sendo a Manihot esculenta Crantz a espécie de maior interesse agronômico. o modo de utilização da mandioca. existem aquelas regiões mais áridas. com pH de 6. Dentre outros fatores.200 espécies existentes. 40.000 e 1. arbustivas ou subarbustivas na maturidade. infraestrutura e condições climáticas da região.

mas também tem sido associado à ocorrência de bócio tireoidiano (Teles. O HCN é formado a partir do cianeto. como os aminoácidos sulfurados e a vitamina B12. capaz de hidrolisar o glicosídeo cianogênico. e variedades menos tóxicas. A formação do HCN a partir da linamarina. tóxicas: de 80 a 100mg/kg de raízes frescas. glicosídeos cianogênicos da mandioca. 1987). embora fatores agravantes. Desta forma. 308 . como ativação da betaglicosidase intracelular. atribuído à presença nele do tiocianato (Wanapat. Ao ser formado e absorvido. formando um composto não tóxico. Glicosídeos cianogênicos são compostos orgânicos sintetizados principalmente nas folhas e. muito tóxicas: mais de 100mg/kg de raízes frescas. em menor proporção. deve-se fazer a trituração do material para que ocorram as reações químicas necessárias. Caso ocorra ingestão do material antes da liberação do HCN na planta. Na planta intacta. Eventuais baixas performances de ruminantes alimentados com produtos à base de mandioca têm sido atribuídas à toxicidade crônica por HCN. LIMITAÇÕES DA MANDIOCA NA ALIMENTAÇÃO ANIMAL 3. 1988). Alguns trabalhos consideram um efeito benéfico de aumento da vida de prateleira do leite. na região cortical de raízes jovens e distribuídos para todas as partes da planta. a microflora presente no trato digestivo do animal também pode produzir betaglicosidase. pouco tóxicas: de 50 a 80mg/kg de raízes frescas. Com base nos níveis de glicosídeos cianogênicos e/ou de ácido cianídrico presentes na raiz. Fatores antinutricionais A principal limitação no uso da mandioca como alimento para ruminantes refere-se ao problema da toxicidade do ácido cianídrico (HCN). 1988). e a linamarina nos vacúolos celulares. 2001). determina-se a diferença entre as variedades de maior toxicidade. para a liberação e volatilização do HCN. sendo necessário 1. Campos Neto e Bem (1995) recomendaram a seguinte classificação de acordo com o teor de HCN nas raízes dos diferentes cultivares: • • • • não tóxicas: menos de 50mg/kg de raízes frescas. pudessem ser corresponsáveis (Sanda e Methu. que é excretado do organismo via urina. glicosídeo cianogênico mais abundante. Essa conversão metabólica do HCN até tiocianato depende da presença de fatores nutricionais. chamado tiocianato. Existem evidências de que os ruminantes possam usar substâncias doadoras de enxofre e até mesmo o enxofre elementar (S) para destoxificar o HCN de origem dietética. como deficiência dietética de nitrogênio. um radical constituinte das moléculas da linamarina e lotaustralina. a linamarase está compartimentalizada na parede celular.0g de HCN (Sanda e Methu.2g de enxofre para destoxificar 1. mansas. O consumo de alimentos que contêm grande quantidade de glicosídeos cianogênicos não só tem resultado em morte ou efeitos neurológicos crônicos. conhecidas como bravas. ocorre pela ação da enzima linamarase. o HCN é detoxificado por uma enzima denominada rodanase.1.3.

Deterioração das raízes pós-colheita Outra limitação relacionada ao uso da mandioca na alimentação de vacas leiteiras refere-se às dificuldades relativas à conservação pós-colheita de suas raízes. 1988). fisiológicos e patológicos (Kato e Souza. ao atingir um nível de 10. a toxicidade por HCN não deveria constituir limitação para o uso de produtos e subprodutos de mandioca em dietas de ruminantes. 4. maior liberação de ácido cianídrico por volatilização. como a desidratação artificial ou por radiação solar. podem ser utilizados diversos procedimentos. a trituração provoca ruptura de tecidos. fibras esclerenquimatosas. 1990). em função do armazenamento de fécula (amido da raiz) na polpa ou parênquima. A casca ou córtex representa 15. A polpa é constituída por vasos do xilema. A RAIZ DA MANDIOCA 4. 1987). extrato etéreo. 1987). na periferia. Dessa forma.5% na MS). em face do rápido processo de deterioração. de extrato etéreo e de minerais e vitaminas. podendo o produto ser consumido sem riscos ao metabolismo animal. Observa-se uma localização diferencial dos compostos nitrogenados. fibra bruta e minerais. o ácido cianídrico é volatilizado. e. enquanto a polpa equivale a aproximadamente 80 a 85% (Buitrago.0% do peso total da raiz de mandioca. distribuídos em forma de estrias. ainda. que se manifesta com perda de qualidade e quantidade. a cocção em água ou a ensilagem. sendo resultado de danos mecânicos. encontram-se vasos xilogêneos e fibra. consequentemente. a deterioração das raízes faz com que os animais diminuam seu consumo. De acordo com Carvalho (1987). localiza-se o córtex (ou casca).0% de umidade.0 a 15. 3.0% de matéria seca (MS). 1990). No centro da raiz. combinadas com fornecimento de adequados níveis dietéticos de enxofre. estando sujeitos. de aminoácidos. haja vista que simples técnicas de processamento. constituído por capas sobrepostas de tecidos. baixas concentrações de proteína (em torno de 2. que se encontram em maior concentração na casca do que na polpa. nas quais se encontram as células preenchidas com amido.2. 60 a 80% de amido na MS. Transcorridos três dias após a colheita. vasos com látex e câmbio (Kato e Souza.0 a 38. Quando o material é submetido à desidratação.0 a 20. As raízes da mandioca apresentam aproximadamente 34. efetivamente protegem os ruminantes da toxicidade por HCN (Sanda e Methu. facilitando um maior contato entre enzima (linamarase) e substrato (linamarina) e.Para a eliminação total ou parcial do conteúdo de HCN da mandioca.1. 309 . à ocorrência de distúrbios digestivos (Buitrago. Aspectos nutricionais A raiz da mandioca é um alimento essencialmente energético.

1982). ocorre devido à quebra das 310 . unidas por ligações α-(1 → 4). em média a cada 20 ou 25 resíduos de glicose. Normalmente a concentração de fósforo é maior na raiz.2.0% de amilose e cerca de 83. Da proteína total. Sua composição consiste de cadeias lineares de glicose ligadas por ligações glicosídicas α-(1 → 4). o amido da mandioca apresenta 17. o aquecimento na presença de água promove solubilização parcial e perda da cristalinidade dos grânulos de amido. 2005). que se encontram empacotados nas plantas em forma de grânulos.0% de amilopectina.. a amilose e a amilopectina. O nível de fósforo é mais constante entre as diferentes partes da raiz. As moléculas de amilose e amilopectina do amido são mantidas juntas pela formação de pontes de hidrogênio entre os grupamentos hidroxila das unidades de glicose. incluindo nitratos. frutose. enquanto a concentração de cálcio é maior na parte aérea.0 a 60. cerca de 40. 1982). (1990). assim. denominado gelatinização.0% são representados por nitrogênio não proteico. e sua concentração é maior na casca que na polpa. cerca de 80. que apresenta 24. Em geral.9% eram formados por ácidos graxos.0% são referentes aos açúcares. entre os quais sacarose (69% dos açúcares totais). Deve ser lembrado que os valores das concentrações dos minerais podem apresentar resultados alterados devido à contaminação com solo durante o processo de colheita e processamento. e aminoácidos livres (Lopes et al.0% correspondem ao amido e 20. porém variações muito grandes são encontradas entre diferentes variedades. dos quais apenas 47. ao avaliarem a composição nutricional da raiz de mandioca desidratada.14% da MS.0% de amilopectina. A amilopectina é um polímero maior do que a amilose e com estrutura bastante ramificada.0% de amilose e 80% de amilopectina (Ciacco e Cruz. No comparativo entre raiz de mandioca desidratada e milho.0% de amilose e 76. o amido é formado por dois polímeros de glicose. e disposto em dupla hélice. não ultrapassa os 3.A proteína na raiz da mandioca. Contudo. o conteúdo de microelementos na raiz da mandioca é mínimo. determinaram uma concentração de extrato etéreo de 1. nitritos e glicosídeos cianogênicos. e da batata. Esse processo. observa-se que a concentração de aminoácidos sulfurados é mais baixa na raiz de mandioca. glicose e maltose. apresentando ramificações por ligações α-(1→6). insolubilidade em água fria. Madsen et al. Na fração carboidratos. apresentando.0% (Hervas Moreno. A celulose e as hemiceluloses não ultrapassam 7.0%. Em valores médios. quando expressa na base de matéria seca. 4. com 20. Particularidades do amido da mandioca Quimicamente. teores estes diferentes do milho. Os conteúdos de cálcio apresentam maior variação. A amilose é um polímero longo e relativamente linear de moléculas de D-glicose.

onde. Manejo e formas de utilização Qualquer que seja a forma de utilização. 10%/h para MS. maior proporção de amilose na molécula de amido proporcionaria melhor atividade hidrolítica. 4. endosperma córneo e periférico. que poderiam comprometer a qualidade nutricional da raiz fresca e as condições para sua conservação. Os grânulos de amido são pseudocristais com áreas organizadas ou semicristalinas. consequentemente. Contudo.. as raízes devem ser trituradas ou picadas para o fornecimento direto na forma fresca ou para conservação sob forma desidratada ou silagem. diminuindo a quantidade de ponte de hidrogênio na molécula de amido e aumentando a capacidade de expansão do amido da mandioca em meio aquoso (Rangel et al.7%/h para o amido.0% de aumento no diâmetro) dos grânulos.. como ureia.. ocorre o início da rápida mobilização de todo o grânulo de amido pelas enzimas amilolíticas. Devido às características fermentativas do amido da mandioca. 1999) e rápida (6.1999) degradação ruminal. compostas por amilopectina. permitindo a entrada de água e consequente dilatação (10.0 a 15. 2008).. lavadas. Desta forma. deve-se estar atento para a sincronização das taxas de degradação ruminal das frações constituídas pelos carboidratos e pelas proteínas dos alimentos integrantes da dieta. na digestibilidade de fontes de amido com maior teor de amilose. devido à inexistência de pericarpo. e com outras relativamente não organizadas ou amorfas. e 62. com elevada (91%. devido a uma menor proporção de amilose e lipídios nos grânulos de amido. Após retirar o barro aderido. formadas por amilose. O amido da mandioca apresenta maior degradabilidade efetiva em relação ao do milho e do sorgo.pontes de hidrogênio. 1999. aparentemente. Fontes de nitrogênio não proteico. Segundo Chesson e Forsberg (1997). as raízes deverão ser previamente lavadas. a penetração de água e das enzimas é mais rápida nas regiões amorfas dos grânulos.3. a fim de se eliminar resíduos e partículas aderidas de solo. segundo Zeoula et al.3. Os grânulos de amido de raízes e tubérculos apresentam maior capacidade de expansão na água que o amido dos cereais. possivelmente. picadas e fornecidas imediatamente aos animais. segundo Zeoula et al. segundo Martins et al. segundo Zinn e DePeters. provavelmente. ou alimentos com elevada concentração de proteína rapidamente degradável no rúmen têm um grande potencial para inclusão em dietas baseadas no uso de raízes de mandioca. 1991. Raiz fresca As variedades de mandioca “mansa” (teor de HCN inferior a 50mg/Kg de polpa fresca) podem ser colhidas. 4. o que ocorre na realidade é uma diminuição na hidrólise do amido e. Deve- 311 .1.7%. matriz proteica e. devido à maior formação de pontes de hidrogênio.

Chedly e Lee (1999) sugeriram que as raízes frescas de mandioca podem ser incluídas em dieta de vacas leiteiras à razão de 5 a 15Kg por dia. ao ser riscado no piso cimentado.0%) e o nível apenas mediano de energia metabolizável (1. 1987). Raiz desidratada ao sol (raspa ou farelo de raspa) As raízes de mandioca recém-colhidas possuem alto teor de umidade. 312 . posicionadas inclinadas e comportando 10 a 16Kg de raspas/m2. a secagem da raiz facilita o armazenamento e a mistura com outros ingredientes da dieta. Podem-se utilizar bandejas de madeira com tela de arame. 4. 1987). deixa marca como se fosse um giz escolar (Carvalho. o material seque em um a dois dias (Carvalho. evitando problemas de intoxicação. a suplementação para cobrir as deficiências de proteína. utilizando-se rastelos próprios (Vilela e Ferreira.40 Mcal/Kg) (Gil e Buitrago. Desta forma. Além de evitar a deterioração pós-colheita.5 a 2. as raspas devem ser reviradas a intervalos de 2 horas. 1997).0%). O término do processo de secagem. quando o material apresentar 14. trituradas em picadeiras convencionais de forragens ou cortadas em pedaços de 5cm de comprimento por 1cm de largura com uso de equipamentos apropriados para obtenção de um produto de melhor qualidade (Côrrea e Kato. Em terreiros de cimento ou sobre lona plástica. lavadas. 1983). a baixa concentração de proteína (0. para acelerar o processo de desidratação. A desidratação da raiz permite a conservação e concentração de suas características nutricionais. 1983). Calculase que. sendo um produto perecível.2. devendo ser previamente submetidas a processo de desidratação ou ensilagem (Carvalho. nesse processo ocorre eliminação da maior parte de HCN presente na raiz fresca. o que provoca um forte odor alcoólico (Carvalho. O tempo necessário para secagem depende das condições climáticas e do processo de reviramento do material. seguida de fermentação. vitaminas e minerais.0% de umidade. é atingido quando um pedaço de raspa. 1984). para um correto balanceamento da dieta. ou de seis a oito vezes ao dia.20 a 1. As limitações nutricionais mais relevantes quando do uso de raízes frescas de mandioca na alimentação animal são a elevada umidade (60. As variedades de mandioca “brava” (teor de HCN acima de 50mg/Kg de polpa) não devem ser fornecidas em estado fresco. a 23ºC e a 70% de umidade relativa do ar. 2002). dois a três dias após a colheita.3. Para obter uma secagem mais uniforme. as raspas devem ser uniformemente espalhadas em camadas de 8-10Kg/m2 e submetidas à exposição ao sol.se estar atento porque a raiz não se conserva bem sob a forma fresca. As raspas de mandioca são produzidas a partir das raízes recém-colhidas. O uso de raízes frescas de mandioca pressupõe. Adicionalmente. pois o amido sofre rapidamente uma hidrólise. as raízes tornam-se inadequadas para o consumo. ou seja.0 a 70.

Verifica-se que a obtenção de raspa de mandioca constitui tecnologia acessível em sistemas de produção menos tecnificados. em concentrações superiores a 20μg de aflatoxinas/Kg de farelo de mandioca.5% de gordura em relação à ingestão de matéria seca) foi reduzida com a elevação dos níveis de raspa de mandioca. não observaram diferenças na produção de leite. para vacas Holandesas nos dois meses inicias de lactação. 75 e 100% de substituição do fubá de milho pela raspa de mandioca corrigida com ureia em dietas baseadas em palma forrageira (26%) e silagem de sorgo (26%). oferecem perigo à saúde dos animais. desta 313 . A raspa de mandioca pode ser ensacada ou armazenada a granel em ambiente seco e arejado. de 30.0 a 13. A raspa e a ureia foram incluídas nas dietas experimentais nos níveis de 0. normalmente. sem. produção de micotoxinas. 67. A eficiência alimentar (expressa em Kg de leite corrigido para 3. respectivamente.0% e temperatura ambiental acima de 25ºC. para aumentar o teor de matéria seca. consequentemente. fundamentados em base familiar.0 a 3. 25.0%) e silagem de sorgo (38. proteína e lactose e no teor de nitrogênio ureico no leite.0 e 100. Para melhor uso. Em outro estudo. avaliando a substituição do milho moído fino por polpa cítrica e raspa de mandioca (50:50) para vacas Holandesas no terço final de lactação. torna-se recomendável o tratamento do farelo de raspa com produtos à base de ácido propiônico ou outros compostos fúngicos (Buitrago.0% (Vilela e Ferreira. 1987). pois influenciou negativamente o consumo e o desempenho animal.0%. O rendimento das raspas secas em relação às frescas varia. Ramalho (2005) avaliou níveis de 0.5% e 0. no escore corporal das vacas.0.0 a 40. em condições de umidade do substrato acima de 18. Ribeiro et al. Já Scoton et al. Nunes (1998) recomendou que o farelo de raspa de mandioca pode ser incluído em até 50% dos concentrados para bovinos de leite. 33. afetar a digestibilidade dos nutrientes. contudo. Nesse caso. Ramalho (2005) avaliou níveis de 0.0. Entretanto.0%) para vacas Holandês x Zebu no terço inicial de lactação. Penicilium. Outra opção para utilização das raspas de mandioca é a sua adição ao capim-elefante na confecção de silagem. estudando melaço desidratado e raspa de mandioca como substitutos parciais do milho em rações fornecidas para vacas em lactação. O autor concluiu que a mistura raspa de mandioca + ureia não substituiu o farelo de soja contido nas dietas de vacas mestiças em lactação. na produção e nos teores de gordura . (1976). Em condições adequadas. favorecendo. (2003). Rhizopus e Fusarium e. concluíram que é possível incluir até 50. há favorecimento para crescimento de fungos dos gêneros Aspergillus. a raiz desidratada conserva seu valor nutritivo por mais ou menos um ano. 1990). a raspa pode ser transformada em farelo por moagem e posteriormente utilizada na composição de rações. 50.0% de substituição do farelo de soja por raspa de mandioca corrigida com ureia em dietas baseadas em palma forrageira (44. que.0% de raspa de mandioca.

0% de raspa de mandioca ao capim-elefante reduz linearmente as perdas de efluentes e aumenta a recuperação de matéria seca. A compactação deve ser feita a cada camada de 20 a 40cm. A abertura do silo só deve ser realizada após 30 dias de fermentação. picar. A inclusão da ureia.0% de inclusão sendo suficientes para alcançar tais melhorias. 1997). 4. (2007) concluíram que a inclusão da raspa de mandioca promove melhoria do perfil fermentativo de silagens de capim-elefante.0. Deve-se fazer canaleta para evitar entrada de águas pluviais. com menor volume. 4. No fechamento do silo. e a retirada diária deve ser feita de maneira rápida para evitar exposição excessiva ao ar do material que permanece no silo (Carvalho. Já Dórea et al. assim. o valor nutricional da silagem.. no máximo. ou com auxílio de trator. Raiz ensilada Uma alternativa para prolongar a conservação da raiz destinada ao arraçoamento animal por período de tempo maior (até dois anos) é a sua ensilagem como forma de conservação de seus componentes nutricionais. melhorando. Dantas et al. pouca palatabilidade e dificuldade para mistura com outros ingredientes dietéticos (Gil e Buitrago. aumenta o teor de proteína bruta e a estabilidade aeróbica do material ensilado após a abertura do silo. é importante dar-lhe no topo uma forma abaulada e cobri-lo com uma lona plástica. 1983). Raiz peletizada A peletização da raiz de mandioca tem como objetivo a obtenção de um produto mais uniforme. O segredo da ensilagem está. devem ser picadas em pedaços de. aumentando o custo do produto. às raízes de mandioca. na rapidez das operações de colher. Além disso. 314 . é um processo dificilmente realizado na fazenda.0 e 15.0 e 30. ocorre a redução das concentrações de HCN com o tempo de ensilagem.3. a adição de ureia na ensilagem da raiz de mandioca aumenta sua degradabilidade efetiva (Figueiredo et al. eliminando-se aquelas com coloração escura. bem como a redução da pulverulência. 2002). Para a obtenção de uma boa silagem.3. 2006). A silagem de raízes de mandioca apresenta umidade mais variável em relação ao observado nas raízes frescas. Apresenta como limitações ao seu uso a baixa concentração de energia. (2007) observaram que a inclusão de 7.3.0%.forma.4. sobretudo. no nível de 3. por exigir maior investimento. Entretanto. lavar. por meio do caminhar de homens ou de animais. 15. a peletização aumenta a qualidade e a durabilidade do produto. sobrepondo camadas de terra de 15cm. sendo ainda dependente do tempo de armazenamento no silo. 2cm e colocadas no silo. compactar e fechar o silo (Carvalho. inicialmente as raízes sadias e recém-colhidas devem ser lavadas e selecionadas. a fermentação lática. com níveis entre 7. 1987). Além disso. Neste processo. Em seguida. o que facilita o transporte e o armazenamento. característica importante quando se trabalha com variedades de mandioca “amarga” (Carvalho.

10.0 tonelada de péletes. 0. Devido ao fato de grande quantidade de folhagem de mandioca encontrar-se desprezada no solo após a colheita da raiz. à falta de conhecimento dos produtores e técnicos acerca dos critérios para sua utilização (Carvalho. 82.26% de cálcio e 0. C e do complexo B.3Kg/dia. Os péletes avaliados eram produto comercial específico e apresentaram 89. PARTE AÉREA DA MANDIOCA 5.0% de gordura. Além disso. 8. Aspectos nutricionais A parte aérea da mandioca é constituída pelas hastes e folhas (pecíolo e limbo) em proporções variáveis. 2. Além disso. sob taxa de conversão de 33. a produção de raiz de mandioca peletizada é realizada em indústrias.1% de cinzas. especialmente cálcio e ferro.0%) de péletes de raiz de mandioca em substituição ao grão de milho triturado na dieta de vacas Holandesas com 14 semanas de lactação. 315 . Os autores concluíram que os péletes de raiz de mandioca substituíram com sucesso o grão de milho triturado. principalmente.0 toneladas de raízes frescas são necessárias para produzir 1. 1983). É um produto que possui teor de proteína superior à maioria das forrageiras tropicais. farmacêutica.5% de umidade.0 a 40.05) nos parâmetros de composição. Contém três vezes mais ácidos graxos e o dobro de fibras que as raízes (Valencia.44% de fibra em detergente ácido (FDA).5 a 3. Apesar de apresentar excelente qualidade nutricional e aceitabilidade pelos animais.71% de extrato etéreo.0 a 32.38% de fibra em detergente neutro (FDN). 1979). 2006). 5. 7. 2002). Aproximadamente 2. 0. é necessária a viabilidade do seu uso em indústrias alimentícia. Isso foi atribuído. bem como na produção de leite corrigida para 4. Não houve diferença (p>0.5% de amido. 1990). sendo considerada um resíduo gerado na colheita das raízes.1. que frequentemente adicionam óleos vegetais para aumentar a durabilidade dos péletes e reduzir a pulvurulência.08% de fósforo. a parte aérea da mandioca é rica em vitaminas.13% de matéria seca. especialmente vitaminas A. com base na matéria seca (Thampan. DePeters e Zinn (1992) avaliaram três níveis de inclusão (0.1% de proteína bruta. em média. 2002). seu aproveitamento como fonte de proteína de baixo custo para produção animal tem sido reduzido. Péletes de raiz de mandioca apresentam aproximadamente 12. e as hastes e talos 11. sendo que as folhas apresentam 28. Farelo de algodão foi incluído em níveis crescentes para corrigir a deficiência proteica da raiz da mandioca.0% (Buitrago. dentre outras.. e o conteúdo de minerais é relativamente alto.1% de fibra bruta e 2.0% de proteína bruta. 70. 0. os teores de nitrogênio ureico no plasma e no leite não diferiram entre tratamentos. de 27.44% de nitrogênio.37% de amido. 6 e 12.0% (Carvalho et al. assim como na alimentação humana e animal como fonte de alternativa proteica (Ferri.Desta forma.

Manejo e formas de utilização Quando o cultivo da mandioca destina-se exclusivamente à produção da parte aérea. efeito esse atribuído à presença de taninos atuando como agentes anti-helmínticos (Netpana et al.0 a 5.16 a 19. a colheita pode ser realizada a partir de três meses. correspondendo a 6 toneladas de proteína por hectare. 1984).0% na matéria seca). para plantas colhidas 12 meses após o plantio (Carvalho.0 a 12. fertilidade do solo e condições climáticas. Quando a máxima produção de proteína é objetivo principal. variedade utilizada. 18. 2005). uma folhagem de mandioca de boa qualidade deve apresentar. 2001). Os valores bromatológicos encontrados por Modesto et al. com alto teor de lisina (7. respectivamente.71% no terço superior (rama) e 12.2. Segundo Buitrago (1990).0 a 22. 8.0 a 6. xantofilas e pigmentos (Buitrago. A PB da parte aérea da mandioca é de boa qualidade.4%. Esta forma de manejo permite a obtenção de 4t/ha/ano de PB. as raízes exercem função de reservas de nutrientes para a rebrota da parte aérea. em intervalos de dois a três meses. 51..20%. As folhas da mandioca também apresentam taninos (3. manejo adotado. a cerca de 50-70cm acima do solo. época de colheita. 1990). 15.. exceto arginina e leucina. cujas concentrações encontram-se abaixo dos requerimentos nutricionais dos ruminantes (Lopes et al. comparativamente. 19. Com relação aos outros aminoácidos essenciais. Alguns trabalhos têm sugerido que vacas e búfalos alimentados com dietas à base de forragem da parte aérea da mandioca apresentaram.A composição bromatológica da parte aérea da mandioca varia de acordo com a proporção entre hastes e folhas. com quantidades relevantes de ácidos graxos essenciais.5%.0% de extrato etéreo (EE).0% e 12. em especial a metionina (Nelson et al. As folhas apresentam nível relativamente alto de EE (5.0% de fibra bruta (FB). 1975). (2004) para matéria seca (MS). A. Sob condições de adequada fertilização e irrigação. fibra em detergente ácido (FDA) e lignina foram de 25. . 4. os demais se apresentam em concentrações semelhantes ou superiores às verificadas em leguminosas (Buitrago. proteína bruta (PB).7g/100g de PB). com concentração na MS de 4. menor contagem de ovos de nematódeos gastrointestinais.0% de proteína bruta (PB).0% de extrativo não nitrogenado (ENN). A parte aérea da mandioca apresenta como principal componente energético o amido. produzindo por dois a três anos. 316 .0 a 7. como metionina (1. 41. 5. Montilla (1976) reportou uma produção de 34 toneladas de matéria seca ao ano.0% da MS).0%.0 a 50.. e a cultura torna-se semiperene.0% de cinzas e 40. fibra em detergente neutro (FDN). 1990).23% nos 2/3 inferiores.0 a 20. com base na matéria seca.2g/100g de PB). mas com baixa concentração de aminoácidos sulfurados. os quais reduzem a digestibilidade de aminoácidos.73 a 9.

Existem três formas práticas de realizar o manejo da parte aérea da mandioca como matéria-prima para alimentação de vacas leiteiras. 317 .46% de PB. recomenda-se fazer uma murcha. 50. Para efetivação desta prática. já que as hastes apresentam 18. basta picar e distribuir imediatamente nos cochos de alimentação. 5. da mesma forma. o silo deverá ser aberto somente após 30 dias de fermentação. evitando-se as partes lenhosas da planta. 5. e a introdução na dieta deve ser gradativa. Os demais passos do processo de ensilagem são semelhantes aos recomendados para a raiz e. colocada no silo e compactada a cada camada de 20cm. No entanto. representa o terço superior da planta. pecíolos e hastes mais tenras. que visa à conservação dos nutrientes da forragem e que evita a perda excessiva das folhas. A forragem assim obtida deve ser misturada com 50. por um período mínimo de 24 horas. já que os custos diminuem consideravelmente.0 a 22.2. Carvalho (1984) sugere a utilização os dois terços superiores da parte aérea. em termos práticos. Rodrigues e Campos (2000) recomendaram usar a fração da parte aérea constituída pelas folhas.2. Segundo Buitrago (1990). necessários para a rápida redução do pH e conservação do material.0% de carboidratos solúveis.75% de FDN.2. Parte aérea fresca A utilização direta da parte aérea fresca constitui a maneira mais simples e econômica de se fornecer mandioca aos animais. a produção de silagem e o preparo de feno. 1983). Modesto et al. Parte aérea ensilada A ensilagem é um processo de armazenamento menos dependente das condições climáticas.0% de parte aérea da mandioca melhora sensivelmente o valor nutricional do material e os parâmetros de qualidade da silagem (Carvalho. em se tratando de mandioca-brava. A parte aérea da mandioca apresenta qualidade nutricional superior à maioria das gramíneas empregadas na ensilagem. como vacas de alta produção. 1983).0% de outros volumosos (Carvalho.1. a mistura do capim-elefante com 25. Entretanto. Dessa forma. as categorias de bovinos que melhor respondem a um programa de alimentação à base de forragem de parte aérea da mandioca fornecida fresca são aquelas com maiores requerimentos nutricionais. envolvendo o fornecimento ao natural. Para variedades “mansas”. Carvalho (1983) recomendou o aproveitamento de toda a parte aérea para produção de silagem. a parte aérea deve ser picada em partículas de 1 a 2cm. após a picagem do material. (2003c) avaliaram a composição bromatológica da silagem do terço superior da parte aérea da mandioca e encontraram 19. o que.

12. a secagem ao sol eliminou acima de 90% do HCN presente na parte aérea fresca da mandioca e aumentou a palatabilidade e o tempo de armazenagem. deve ser dada atenção ao processo de preparo do feno para evitar esses problemas. para a produção de feno. respectivamente. o material pode ser ensacado e armazenado em local seco e arejado.0 e 60. Quanto ao fracionamento dos carboidratos.37%.42% de cinzas. que facilmente desprendem-se quando secas. 31. Modesto et al.48%. 1990). 1997). 26.25% de EE e 7. A ocorrência de chuva ou alta umidade relativa do ar e a perda de folhas. 10.. De acordo com Carvalho (1983). No fracionamento das proteínas. a produção e a composição do leite para dietas à base de 50. Nessas condições. de 2. 4. podem prejudicar a qualidade do feno produzido (Carvalho.63% PV e 24. b) avaliaram o consumo.2. consequentemente. B2 e C foram de 25. a conservação e a mistura com outros ingredientes da ração (Lopes et al. respectivamente.95% e 43.0% de gordura foram. conserva seu valor nutritivo por cerca de um ano. esse processo facilita a incorporação do produto final em rações balanceadas (Buitrago.0% de concentrado.05) nos parâmetros avaliados.86% de FDA.54Kg/vaca/dia. O material deve ser picado em partículas de 2cm e espalhado (15Kg/m2) sobre terreiro cimentado ou lâmina de polietileno (lona plástica).0%) da silagem de milho por silagem da parte aérea da mandioca. deve-se revirar a forragem picada em intervalos de duas horas e. Além disso.03%. respectivamente.94% e 25. o que corresponde a 20% de inclusão de silagem da parte aérea da mandioca na dieta total. duas vezes.3. com níveis crescentes de substituição (0.43% de lignina. 40.21%. 5. as frações A+B1. (2003a. Após completar a secagem (12% de umidade). já que não foram observadas diferenças (p>0. Parte aérea desidratada ao sol (Feno) O procedimento de desidratação da parte aérea da mandioca visa à redução na umidade e à diminuição nas concentrações de HCN para níveis não tóxicos.0.0% de substituição. o que permite maior concentração de folhas e. 2005).01%. Dessa forma. B2 (degradação intermediária). Utilizando vacas Holandesas com 100 ± 20 dias em lactação. o feno da parte aérea da mandioca pode ser triturado e transformado em farelo. B3 (lenta degradação) e C (indigestível) foram de 37. maior concentração de proteína. Segundo Wanapat (2001). no segundo dia.40. 318 . No primeiro dia. Alternativamente. 20. a digestibilidade aparente. Os autores sugeriram que se podem utilizar até 60.0% de volumoso e 50. As médias observadas para consumo de MS e produção de leite corrigida para 4. o que facilita o manuseio. as frações A+B1 (solúvel e de rápida degradação ruminal). a parte aérea da mandioca deve ser cortada a 40cm do solo.0.

Esse processo é realizado com êxito na Tailândia.0% de NDT. seguida por um pré-murchamento. O feno da parte aérea da mandioca apresenta maior concentração de nutrientes em relação à forragem fresca. por um período de 24 horas. 46. Segundo Amaral et al. A parte aérea e a raiz da mandioca apresentam características nutricionais que se complementam. (1997). de feno da parte aérea da mandioca proporciona aumento no teor de MS e redução das perdas por efluentes.8%. 6. visando à alimentação de vacas leiteiras. 2002). 2. e a segunda apresenta alto teor proteico. O fornecimento da planta integral fresca é o modo mais simples de preparo.0%. 1. o feno da parte aérea da mandioca apresenta maior teor de PB e menores concentrações de FDN. deve-se realizar um prévio emurchecimento da parte aérea e garantir um mistura mais homogênea possível entre a parte aérea e a raiz. Para a obtenção de uma silagem de elevada qualidade.0% e 9. (2007).5ppm). é uma alternativa em potencial que pode oferecer redução de custos na produção animal. apresenta grande potencial para uso em pequenas propriedades. respectivamente). já que a primeira é rica em energia. com base na matéria natural. De acordo com Wanapat et al.9%.30% de P. segundo a FAO (2003).0%. porém pobre em proteína. Outra forma de utilização é a conservação da planta sob forma de silagem. como vacas em lactação (Gil e Buitrago. 35. 20. PLANTA INTEGRAL (RAÍZES E PARTE AÉREA) O aproveitamento integral da mandioca com uso simultâneo de raízes e da parte aérea.70Mcal/Kg de energia digestível (ruminantes). devido à maior concentração de tiocianato (19. mas no Brasil ainda é pouco difundido 319 .0%. a inclusão de 9. Outra opção de uso para o feno da parte aérea da mandioca é a sua adição à silagem de capim-elefante.5%. Segundo a FAO (2003). respectivamente) em relação ao feno de alfafa (17. porque combina fonte energética (a raiz) com a fonte proteica (a parte aérea). o que promove melhorias na produção e composição do leite. 34. na estação seca do ano. 18.4%.20% de Ca e 0.5% de FB. Dessa forma.0% de PB.0% e 3. 27. o farelo de parte aérea da mandioca com alta proporção de folhas deve apresentar 90. sendo necessária a trituração do material em picadeira.Segundo Buitrago (1990). Wanapat (2002) sugeriu a suplementação com 1 a 2Kg/dia de feno de parte aérea de mandioca para vacas em lactação. além de aumentar a vida de prateleira desse produto. 65. a mistura dessas frações para a produção de péletes resulta em um alimento com excelente valor nutricional. FDA e lignina (24.0% de MS. que. podendo ser utilizado na preparação de suplementos proteicos para categorias de maior requerimento nutricional. o farelo da parte aérea da mandioca pode compor até 35% do concentrado para vacas leiteiras.

Sendo assim. torna-se fundamental a análise de sua composição bromatológica para um correto balanceamento da dieta.0%) e baixas concentrações de FDN e FDA. a casca de mandioca e o bagaço de mandioca. É gerada na etapa de 320 . Por ser formada. Casca de mandioca A casca de mandioca é um subproduto proveniente da pré-limpeza da mandioca na indústria. por elementos estruturais da raiz da mandioca. Bagaço de mandioca A massa. destacamse a farinha de varredura. apresentando elevados teores de amido (80.(Carvalho. 2000). 7.. Os subprodutos residuais originados da transformação das raízes da mandioca apresentam composição nutricional muito variável. permitir armazenamento por tempo mais prolongado e eliminar a maior parte do HCN presente na casca fresca. 7. 1983). Apresenta como limitações ao uso a baixa palatabilidade e a alta pulvurulência. possui altos teores de FDN e de FDA e baixa concentração de amido (Marques et al. 2000). Sua composição química é muito semelhante à farinha de mandioca (Caldas Neto et al. 7. Farinha de varredura A farinha de varredura é obtida nas farinheiras durante a limpeza de todo o material perdido no chão. o que dificulta o consumo. casca e entrecasca.. A utilização desses resíduos na alimentação animal dependerá da disponibilidade deles no mercado e do custo competitivo em relação a outros alimentos com características nutricionais favoráveis e composição química homogênea (Lopes et al.2. chegando a apresentar 85% de umidade (Cereda.. 7. contendo parte do amido que não foi possível extrair no processamento. Apresenta como limitações à inclusão na dieta de vacas leiteiras a umidade elevada. aumentar a concentração de suas propriedades nutricionais. a provável contaminação por terra e o alto teor de compostos cianogênicos. RESÍDUOS DO PROCESSAMENTO INDUSTRIAL DA MANDIOCA O processamento industrial da mandioca está relacionado à fabricação de farinha e à extração de fécula (amido). devido aos diferentes processos utilizados na sua obtenção.3. principalmente. constituída de ponta e raiz. entretanto exige investimentos incompatíveis com o nível de tecnologia de pequenas propriedades. Dentre vários subprodutos com potencial de inclusão em dietas de vacas leiteiras. da mandioca é composta pelo material fibroso da raiz.1. 2000). ou bagaço. 2005). Ifut (1988) sugeriu a secagem deste subproduto para facilitar a conservação. Essa prática é promissora para o aproveitamento da mandioca na alimentação animal.0%) e de MS (90. formado por farinha e pó.

0. seu nível de glicosídeos cianogênicos é mínimo. A.J. Rev.2099-2108. 44.. 446p. ANDRADE. 2007.M. deve-se estar atento à correção das deficiências nutricionais deste alimento.. AMARAL. o bagaço geralmente contém uma quantidade considerável de amido (até 60. CONSIDERAÇÕES FINAIS A mandioca apresenta ampla versatilidade quanto às formas de utilização na alimentação de bovinos.. BUITRAGO A. 8. representa uma alternativa para substituição de ingredientes de alto custo tradicionalmente utilizados em sistemas de produção de leite. 2007. por estar embebida em água. R. Feno da parte aérea da mandioca na ensilagem de capim-elefante: perdas e teor de matéria seca. (2007) obtiveram silagem com bons parâmetros de qualidade para o bagaço de mandioca pré-seco por cinco horas ao sol e enriquecido com 4.V. DF: Embrapa Informação Tecnológica. apresenta cerca de 75. J. In: REUNIÃO ANUAL DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE ZOOTECNIA.0% de farelo de trigo. BRANCO. v.. CALDAS NETO.9% de lignina). REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ALVES. Apesar do alto nível de fibra e lignina (34. PIRES.F.A... La yuca en la alimentación animal. Ferreira et al. R. p.0% de umidade (Cereda.0. Brasília.V. Para que as dietas baseadas em produtos e subprodutos da mandioca permitam bom desempenho dos animais. concluíram que esse subproduto pode ser incluído em até 15. 10.. o bagaço de mandioca não é adequado para produção de silagem. Jaboticabal. ZEOULA. Por outro lado. CD-ROM..0% na dieta total sem trazer transtornos fisiológicos ou nutricionais aos animais.L. tornando-se necessária a pré-secagem do material a ser ensilado ou a inclusão de aditivos com alto teor de MS. A indústria do amido da mandioca. Desta forma. Lima et al. Anais. uma vez que os processos de lavagem e extração eliminam quase totalmente esse princípio tóxico (Ramos et al.S. S. VEDOVOTO.29. Bras. G. 2000). Cali: CIAT. A. L..O. avaliando diferentes níveis de inclusão (0. 5.separação da fécula e..0 e 15.0%) de bagaço de mandioca à dieta de vacas mestiças com 100 a 150 dias em lactação. Jaboticabal: SBZ. Mandioca e resíduos das farinheiras na alimentação de ruminantes: digestibilidade total e parcial. (2008).1990. Devido ao baixo teor de matéria seca. bem como seguir recomendações de manejo que garantam eliminação do risco de intoxicação. 2000. 2000).. 201p. 2003.A. 321 . et al.F.0%). Zootec. I.9% de FDN e 5.

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fafa@gmail. sendo que.. Isabela Rocha França Machado Veiga3.com. ficando à frente de produtos tradicionais como café beneficiado e arroz. MSc. Caixa Postal 567. MG. 2007). nutricional e econômica do leite.br 4 Médico Veterinário. belaveiga@yahoo. MSc. O agronegócio do leite e de seus derivados desempenha um papel relevante no suprimento de alimentos e na geração de emprego e renda para a população (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária . Caixa Postal 567. além de avaliar o potencial de utilização do farelo de trigo e do farelo de arroz na alimentação de vacas leiteiras.. MSc. CEP 30123-970.com 1 327 .CAPÍTULO 18 COPRODUTOS DO TRIGO E DO ARROZ NA ALIMENTAÇÃO DE GADO DE LEITE Flávia Cardoso Lacerda Lobato1. Dentre os diversos alimentos que compõem as rações animais. Prof. O aproveitamento racional desses coprodutos. são gerados coprodutos potencialmente utilizáveis na alimentação animal. Objetivou-se neste capítulo caracterizar tais cereais e seus coprodutos. O leite está entre os seis primeiros produtos mais importantes da agropecuária brasileira.br 3 Médica Veterinária. Doutorando em Nutrição Animal. Escola de Veterinária da UFMG. Lúcio Carlos Gonçalves2. ao consumo humano. Belo Horizonte. Escola de Veterinária da UFMG. no âmbito nacional e mundial. Isto é interessante principalmente em anos de preços elevados do milho e soja. luciocg@vet.EMBRAPA. Escola de Veterinária da UFMG. Caixa Postal 567. Tendo em vista a importância social. fpimont@gmail. O arroz e o trigo. INTRODUÇÃO O Brasil possui o maior rebanho bovino comercial do mundo. ao serem processados.com 2 Engenheiro Agrônomo. CEP 30123-970. geram coprodutos potencialmente utilizáveis na alimentação animal. MG. em Zootecnia. MG. Caixa Postal 567. lobato. Belo Horizonte. principalmente. MG. Associado Departamento de Zootecnia da Escola de Veterinária da UFMG. 2003). Durante o beneficiamento desses cereais. Fernando Pimont Pôssas4 RESUMO O arroz e o trigo são destinados. com cerca de 170 milhões de cabeças. além de Médica Veterinária. alimentos amplamente destinados ao consumo humano. é necessário o estudo de alimentos alternativos para utilização em dietas de gado leiteiro. Doutoranda em Zootecnia. destacando-se o farelo de arroz e o farelo de trigo. deste efetivo. Belo Horizonte. A possibilidade do emprego desses alimentos garante ao produtor maior flexibilidade na formulação das dietas.ufmg. os cereais ocupam posição de destaque. CEP 30123-970. DSc. alimentos tradicionalmente empregados nos sistemas de produção leiteira. Belo Horizonte.. CEP 30123-970. cerca de 35 milhões são de animais destinados à produção de leite (ANUALPEC.

0% da produção de trigo no Brasil estão concentradas na região Sul. No entanto. Já os coprodutos obtidos do beneficiamento do trigo. o uso deste recurso deve ser acompanhado de avaliação laboratorial criteriosa para se evitar problemas de ordem sanitária e econômica (Zardo e Lima. sendo a espécie genericamente cultivada no Brasil (Miranda. Mais de 90.5%. sujeito à adulteração e à contaminação. a classificação. a produção na safra de 2008-2009 será 47. NORMAS PARA ALIMENTAÇÃO ANIMAL Dentre os produtos da limpeza e industrialização do trigo. como o preço em comparação ao milho. uma vez que se trata de material sem padrão de qualidade. entre outras. Numerosas espécies são encontradas. o farelo de trigo. devido à expansão da área plantada em 30. mas somente três apresentam importância econômica: o trigo duro (Triticum durum). seguido do Rio Grande do Sul lideram a produção nacional. alta palatabilidade. são largamente empregados na manufatura de dietas para alimentação animal. como é o caso do triguilho. 2006).possibilitar uma redução de custos na alimentação. Recentemente. pode-se citar: o trigo grão. Outras variáveis também influenciam o emprego desse cereal. O grão integral normalmente só é destinado ao consumo animal quando possui classificação inferior. o uso de coprodutos da agroindústria na alimentação animal tem se tornado prática comum. Atualmente é o cereal mais produzido no mundo. O aumento na produção poderá favorecer sua utilização na alimentação animal.9% e da produtividade média nacional em 12. o trigo comum (Triticum aestivum) e o trigo compacto (Triticum compactum). 1999). o que pode ser justificado pela sua adaptação a uma grande variedade de solos e climas. reduzindo os riscos de poluição ambiental. O estado do Paraná. o valor nutricional.2% superior à safra 2007-2008. prejudicando as projeções futuras de utilização e compra de alimentos. permite uma destinação mais adequada a eles. O Triticum aestivum representa mais de 90% da produção mundial. amplamente utilizado na alimentação humana. como o farelo e o farelinho de trigo. a variabilidade da qualidade observada nestes coprodutos pode ser de grande magnitude. com resultados positivos para o sistema de produção. 1. IMPORTÂNCIA ECONÔMICA DO TRIGO O trigo é uma gramínea de inverno do gênero Triticum. De acordo com estimativas feitas pela Conab. entre outros. aspectos culturais. definidos como: 328 . Outro aspecto é a disponibilidade inconstante ao longo do ano. o farelinho de trigo e o triguilho. 2. Portanto.

0 12. a rotina é o emprego dos dois.2. resultantes de lotes cujo peso específico é menor que o mínimo exigido na moagem. que deve ser isento de sementes tóxicas e resíduos de pesticidas (Lima e Viola.0 Impurezas ( máximo) % 1. 1995). (1998). destinado à alimentação animal..3. entretanto.0 13.0 4. Apresenta maior conteúdo de gordura e proteína do que o farelo.0 Fonte: Compêndio.. Triguilho Grãos pouco desenvolvidos.0 11. composto de finas partículas do gérmen e do farelo.0 Fibra bruta (máximo) % 4. mal granados ou chochos. Padrão exigido para a utilização do trigo.5 13. farelo de trigo e triguilho na alimentação animal. Deve ser isento de matérias estranhas à sua composição (Lima e Viola. Farelinho de trigo Coproduto obtido da polidura do grão. 2001). 2001). 2.0 14.0 1.0 Proteína bruta (mínimo) % 15. farelo Triguilho Umidade (máximo) % 13.0 20.0 Aflatoxina (máximo) Ppb 20. A utilização desses alimentos na dieta animal deverá seguir algumas normas estabelecidas pelo Ministério da Agricultura. formando um produto único com o nome de farelo de trigo comercial (Campos et al. É formado por pericarpo. 2.0 Matéria mineral (máximo) % 2. Nos moinhos.0 1. partículas finas de gérmen e das demais camadas internas dos grãos e outros resíduos resultantes do processamento industrial..2. 2001).4. demonstradas nas Tabelas 1 e 2. 329 . 2. ou resultante da classificação do trigo após a eliminação das impurezas (Lima e Viola. Farelo de trigo Principal e mais abundante subproduto da moenda de grãos. 2004).0 6. o farelo e o farelinho de trigo correm em bicas separadas.0 6. grão Trigo. Parâmetro Unidade Trigo. no mercado brasileiro. Trigo grão Grão inteiro. Tabela 1.0 20.0 3.. consiste em um recurso alimentar renovável (Beaugrand et al.0 Extrato etéreo (mínimo) % 1.1.

com paredes celulares não lignificadas. enquanto a aleurona é formada por arabinoxilanas (650g/kg) e β-glucanas (310g/kg). O pericarpo possui parede celular altamente lignificada. mas.0 2. 330 . estrutura mais externa.) (Kg/hl mín. Os principais constituintes botânicos do farelo de trigo são tecidos do pericarpo e aleurona. 1985. no processo de moagem.) (% máx. O pericarpo. 2001). remanescentes da parede celular ou células finas. 3..07. As variedades de trigo duro normalmente são cultivadas em regiões de clima temperado. Aparentemente toda a lignina do grão está associada com as paredes do pericarpo (Lima e Viola.) 1 13.0 2. A aleurona.5 1. enquanto as células da camada de aleurona são grandes e possuem alta concentração de amido e proteína.0 2 13.0 78 1. 4. células intermediárias. faz parte do endosperma.0 Fonte: Compêndio..5 1.0 0. Grãos danificados Peso do Matérias estranhas Umidade Pelo calor mofados e Triguilhos. células cruzadas e células tubulares.Tabela 2.94).5 1.5 3 13. citado por Lima e Viola. Classificação do trigo (Portaria nº 167.0 2. CLASSIFICAÇÃO DO GRÃO DE TRIGO A classificação do trigo pode ser realizada conforme a cor e a textura do grão.0 5.0 75 1. Esses grãos são pequenos e apresentam uma textura rígida com glúten duro ou moderadamente duro. quebrados Por insetos e/ou pragas Tipo hectolitro e impurezas ardidos e chochos germinados esverdeados (% máx. recobre toda a semente. ela faz parte do farelo.) (% máx. camada hialina e aleurona.5 1. do ponto de vista botânico. 2001). de 29.) (% máx) (% máx. Os principais polissacarídeos que formam as paredes do pericarpo são as arabinoxilanas (660g/Kg) e a celulose (320g/Kg).0 70 2. (1998). ESTRUTURA DO GRÃO DE TRIGO O grão de trigo se divide praticamente em duas partes: o pericarpo e a semente. Já a semente é formada pelo endosperma e o gérmen. As variedades pertencentes a este tipo de trigo são semeadas no outono e apresentam grãos maiores do que as variedades duras. O trigo mole é produzido em climas mais amenos e com maior incidência de chuvas. hipoderme. com baixo índice pluviométrico. nesessitando de um período de baixas temperaturas para o seu melhor desenvolvimento (Olentine. sendo formado por seis camadas: epiderme. recobertos por três camadas: testa (onde se encontram os pigmentos que dão cor ao grão).

a proteína do farelo de trigo é altamente degradável no rúmen (79.0% restantes são compostos por amilopectina.0% do grão e 70. O principal componente energético do trigo é o amido. O ácido linoleico compreende 50. compararam a efetividade do farelo de trigo em relação à silagem de alfafa e chegaram ao coeficiente de 0. Geralmente. segundo o NRC. em comparação ao milho. A composição química do trigo é muito variada e irá depender do cultivar e das condições edafoclimáticas. 2001).3%.5. qualidade e composição de aminoácidos. citados por Martinez (2008). celulose e hemicelulose.0% do amido é composto por amilose. dextrinas. De acordo com National Research Council . farelo de trigo e triguilho.100. Quando comparada à das forragens.0% de lipídios. os três alimentos são superiores em proteína e aminoácidos totais. o farelo de trigo apresenta níveis mais elevados em relação ao triguilho e trigo grão. porém mais alta do que a maioria das fibras dos alimentos concentrados. (1991).57.0%).0% da FDN do trigo é efetiva (adotandose a FDN da silagem de alfafa como referência . na sua maior parte.0%.NRC (2001). 2001). O trigo também é constituído por pentosanas.0% deste total (Lima e Viola. Cerca de 25. 2008). enquanto o ácido oleico apresenta concentração em torno de 11. Em relação ao teor de proteína e gordura. COMPOSIÇÃO QUÍMICA DO TRIGO A Tabela 3 mostra a composição química do milho. Os aminoácidos limitantes em ordem de importância são: lisina. açúcares.0% ou mais do total de ácidos graxos do grão de trigo. insaturados. metionina e valina. mesmo que ainda continuem com energia inferior àquela observada para o milho. O trigo grão e o triguilho possuem teor de energia muito superior ao do farelo de trigo.0 a 2. sendo encontrados abundantemente os ácidos oleico e linoleico.0% do endosperma. nos cultivares comuns e até 8. trigo grão. que representa aproximadamente 60. treonina. Isto pode ser devido ao fato de o teor de fibra presente no trigo grão e no triguilho ser menor que do farelo de trigo. sendo utilizada com eficiência por ruminantes consumindo forragens de baixa qualidade. enquanto os 75. a proteína do trigo é superior à do milho em concentração. enquanto o milho apresenta em torno de 4. O trigo contém entre 1. A amilose é uma cadeia linear de polímeros de glicose. Vaughan et al.0% nos cultivares com alto teor de óleo. 57. Os ácidos graxos são. mas. 331 . que normalmente são deficientes em proteína degradável no rúmen (Martinez. assim como do milho. enquanto a amilopectina é uma cadeia ramificada. ou seja. a fibra do farelo de trigo tem efetividade mediana.

33 0.18 0.42 0.17 0.76 0.76 6.07 1.30 13.47 0.59 0.48 0.54 15.6 64.11 2.43 0.73 Triguilho Rostagno et al.23 3.60 0.63 3.37 0.12 0.01 5.60 162.32 0.10 32.90 1.06 1.71 8.03 3.22 1.02 21.52 44.17 13.43 0.31 4.38 0.20 4.16 0.43 Trigo grão Valadares Filho et al.12 0.64 9.02 0.37 64.27 0.55 4.13 0.21 0.33 0.24 0. (2005) 88.40 Farelo de trigo Valadares Filho et al.52 4.4 44.63 1.50 0. trigo grão.17 0.82 1.47 0. (2006) 87.58 9.87 0.60 0.24 73.28 9.Tabela 3.55 18.32 1.32 0.53 63.8 156.08 1.21 0.85 0.08 0.01 16.25 0.75 0.11 4.57 217.17 0. farelo de trigo e triguilho.24 0.35 0.35 0. (2006) 88.13 0.98 4.45 1.43 0.46 0.65 0.1 0.61 1.43 34.88 12.09 0.55 156.31 0.66 0.19 67.61 2.27 0.53 0.94 0.53 5.16 87.09 0.79 0.34 0.72 0.31 0.42 0.89 0.67 - 332 .25 0.31 0.42 0.65 23.49 1.29 0.14 0.18 0.42 1.77 2.00 72.85 3. Nutriente Matéria seca (%) Proteína bruta (%) Extrato etéreo (%) Matéria mineral (%) Fibra bruta (%) Fibra em detergente neutro (%) Fibra em detergente ácido (%) Lignina (%) NDT (%) Amido (%) Energia bruta cal/Kg Cálcio (%) Fósforo (%) Magnésio (%) Potássio (%) Sódio (%) Cobre mg/Kg Ferro g/Kg Manganês mg/Kg Zinco mg/Kg Lisina (%) Metionina (%) Cistina (%) Treonina (%) Triptofano (%) Fenilalanina (%) Leucina (%) Isoleucina (%) Valina (%) Histidina (%) Arginina (%) Tirosina (%) Alanina (%) Ácido aspártico (%) Ácido glutâmico (%) Glicina (%) Prolina (%) Serina (%) Milho grão Valadares Filho et al.39 0.07 0. (2006) 87.55 2.03 0. Composição química do milho grão.17 13.00 0.43 0.37 0.35 0.58 0.30 0.42 0.69 2.55 0.33 0.01 18.84 0.58 1.26 91.

De acordo com Detmann et al. a avaliação do consumo de matéria seca do farelo de trigo é relevante.16. que observaram uma redução no consumo da matéria seca quando o farelo de trigo. com características semelhantes às do cereal. 2007). a redução na ingestão de matéria seca ocorreu devido às diferenças na palatabilidade e à extensão de degradação da matéria seca. pelo menos em parte. a baixa produção de bovinos nos trópicos deve-se. incluído em 22. (1987) e Soares et al. Segundo Waldern e Cedeno (1970). 20Kg de leite. De acordo com alguns autores.0%.0% da matéria seca total.0.6. (2001). substituiu frações de milho grão. Soares et al. Entretanto. Os mesmos autores observaram um decréscimo linear da digestibilidade aparente da matéria seca. De acordo com os autores. (2004) incluíram 60. a peletização poderá amenizar os 333 .0% por farelo de trigo. Dentre as várias possibilidades. a quantidade de farelo de trigo na ração de vacas leiteiras tem sido limitada a 25. 67. devido à perda de palatabilidade e ao menor desempenho dos animais quando esse alimento é incluído acima desse limite. que não se encontra disponível em muitas regiões.0 e 100. a única alternativa para substituir o milho nas rações.0. respectivamente) não foi influenciado pelo aumento dos níveis de farelo de trigo das dietas. que receberam silagem de milho e produziram. 33. possam substituir os grãos de milho na formulação de dietas para rebanhos leiteiros.80 e 3. já que é ele considerado um dos principais determinantes do processo produtivo. e não observaram redução no consumo de matéria seca pelos animais. de forma que se faz necessário buscar alimentos que. A determinação da digestibilidade também é importante. Consumo e digestibilidade aparente da matéria seca No Brasil.. Acedo et al. a um consumo deficiente de matéria seca. no concentrado de vacas Holandesas. (2004) substituíram o fubá de milho em 0. silagem de milho e farelo de soja na dieta-controle de vacas Holandesas. o milho em grãos das dietas de vacas em lactação (Pedroso et al. pois é reconhecidamente a primeira aproximação na obtenção das estimativas dos parâmetros do valor nutritivo dos alimentos (Correa et al. em média.00 e 43. Resultados diferentes foram encontrados por Bernard e McNeill (1991). mesmo com características bastante diferentes.. que foi justificado pelo aumento do teor de FDN da ração à medida que se elevaram os níveis de farelo de trigo. Desta forma. Assim. em grande parte. Também se verificou uma diminuição na digestibilidade aparente da matéria seca com a inclusão do farelo.69% de farelo de trigo no concentrado.1. Os autores verificaram que o consumo de MS expresso em kg/dia e em %PV (média de 16. FARELO DE TRIGO NA ALIMENTAÇÃO DE VACAS LEITEIRAS 6. o farelo de trigo é mais uma alternativa interessante para substituir. é o sorgo. 2005).

no concentrado padrão de vacas Holandesas. uma vez que apresenta proteína altamente degradável no rúmen. a diversidade de rações em que ele é incluído dificulta o agrupamento para fins de revisão de literatura (Martinez. 334 .0 e 100. Além de ser utilizado em rações de vacas leiteiras. incluído em 15.0 e 75. o farelo de trigo pode ser empregado como substituto da forragem. os teores de proteína e de gordura e os extratos secos totais e desengordurados não foram influenciados pelos níveis de farelo de trigo. Neste sentido. 50. Além disso. ou seja. não observaram diferenças no consumo de matéria seca.0% de milho no concentrado. em média.0% da MS total da dieta de vacas multíparas em lactação. Já Wagner et al. avaliando a substituição da silagem de alfafa por farelo de trigo. para vacas produzindo. A produção de leite corrigida ou não para 3. (2004) substituíram o milho em 33. 20kg de leite. Depies e Armentano (1995). No entanto.0. a menor produção de leite poderia ter sido causada pelo menor teor de energia do farelo de trigo comparado ao milho (NRC. 6.5% de gordura. De acordo com os autores. Soares et al. Martinez (2008). Também. Diferente dos resultados encontrados por Soares et al. Produção e composição do leite O farelo de trigo é largamente empregado na alimentação de bovinos. 20Kg de leite .0% por farelo de trigo. observaram um aumento no consumo de matéria seca. no concentrado de vacas Holandesas. Segundo o autor.0% da matéria seca total da dieta de vacas holandesas.problemas relacionados à perda de palatabilidade em dietas com grande quantidade de farelo de trigo. incluído em 17. que normalmente são deficientes em proteína degradável no rúmen. observou uma redução nas produções de leite e de proteína e um aumento do teor de N-ureico quando o farelo de trigo substituiu 75.0. em média. (1993).0% por farelo de trigo. a decisão da inclusão de farelo de trigo na dieta de vacas em lactação dependeria apenas de fatores econômicos.2. 67. Já o maior teor de N-ureico no leite seria consequência da maior degradabilidade ruminal da proteína do farelo. ainda são escassas na literatura informações sobre seus efeitos na produção e composição do leite de vacas. o fubá de milho poderá ser substituído em até 100. sendo utilizada com eficiência por ruminantes consumindo forragens de baixa qualidade. avaliando a substituição de parte da silagem de milho por farelo de trigo. (2004). deve-se considerar que o farelo de trigo pode ser um excelente suplemento. 2008). esse aumento pode ter ocorrido devido ao menor tamanho de partícula e à taxa de passagem ruminal mais rápida de alguns coprodutos comparados às forragens. que receberam silagem de milho e produziram. 2001).0% pelo farelo de trigo em rações concentradas em dietas à base de silagem de milho. substituindo o milho moído fino em 25. De acordo com os autores.

Já as que receberam a dieta com 60. Tal suposição foi confirmada por Depies e Armentano (1995).0 ou 50.0% de feno de alfafa. A produção de leite das vacas que receberam a dieta-controle foi semelhante à das que receberam 20. 335 . incluído em 17.0% e 0. (1999). O farelo de trigo.0% de farelo de trigo na dieta de vacas em lactação. 40. reduzindo os custos da dieta sem afetar a produção. diferentemente do capim emurchecido. portanto. e não verificaram alterações na produção e composição do leite. substituída por coprodutos. que. O teor de gordura no leite foi semelhante em todos os grupos. este efeito não seria esperado quando tal alimento fosse empregado em substituição a ingredientes menos energéticos.0 ou 40. Devido ao alto teor de umidade.0% de farelo de trigo tiveram uma queda na produção. porém os baixos conteúdos de matéria seca e de carboidratos solúveis podem inviabilizar a sua utilização na fabricação de silagens. uma mistura de coprodutos fibrosos constitui-se uma alternativa para substituição de feno ou grãos.0 e 40.0. sorgo e farelo de algodão.0. apresenta-se como uma alternativa interessante para diminuir essas perdas. Resultados semelhantes foram detectados por Mowrey et al.verificada também neste estudo.0 e 60. e. exceto para a dieta com 60. que examinaram o efeito da substituição parcial do milho moído e da silagem de alfafa por farelo de trigo.0% do milho e do farelo de soja por uma dieta composta por casca de soja. sendo que o farelo de trigo substituiu parte do milho.0 ou 60. trabalhando com vacas Holandesas em lactação. a utilização de 60% do farelo para substituir alimentos de alto conteúdo energético resultaria em menor produção de leite. Não foram constatadas diferenças na produção e composição do leite. bem como para melhorar o valor nutritivo das forragens. (2004). facilita a acomodação e compactação do material ensilado (Zanine et al. Segundo os autores. (1987) realizaram dois experimentos em que foram utilizados 0. Farelo de trigo associado a silagens de gramíneas tropicais Gramíneas tropicais apresentam um melhor valor nutritivo quando jovens.3.0% de farelo de trigo. farelo de glúten de milho e farelo de trigo. e da menor disponibilidade de carboidrato fermentável no rúmen. Os tratamentos não afetaram a produção e a composição do leite. os resultados obtidos por Martinez (2008) foram semelhantes aos observados por Soares et al. Acedo et al.0% do feno de alfafa e 25. No estudo com vacas mestiças (meio sangue Holandês/Jersey). 6. Entretanto. avaliaram os efeitos da substituição de 30. que afetou negativamente a porcentagem de gordura do leite. 20. 2006). a silagem de capim está sujeita a perdas por efluentes e gases. De acordo com os autores.0% na MS..

0%. que utilizaram 0. As β-glicanas irão interferir na absorção de alguns nutrientes. pode ser adotada. recuperar maior quantidade de matéria seca.Zanine et al. elevando os teores de matéria seca e carboidratos não fibrosos. a viscosidade pode reduzir a intensidade de contato entre os nutrientes e as secreções digestivas e reduzir ou dificultar o transporte até a superfície do epitélio. sendo que. O valor estimado de nutrientes digestíveis totais e das frações energéticas também aumentou linearmente com a inclusão do farelo.0.0%. De acordo com Lima e Viola (2001). 8. devido ao aumento da viscosidade. 9. Somando-se a isto.4. 24. 20.0% de farelo é suficiente para atingir melhorias consideráveis na qualidade da silagem de capim-mombaça e. Esta diminuição proporcionou aumento dos valores estimados para digestibilidade e ingestão de matéria seca e.0. reduzir o pH. no trigo. considerando-se o aspecto econômico. polpa cítrica e fubá de milho) em quatro doses (3. com redução da fração fibrosa. predominaram as arabinoxilanas e as β-glicanas.0.0% de farelo de trigo na silagem de capim-mombaça. 6. (2006) avaliaram o efeito da adição de 0. 40.0%. havendo 336 . Resultados semelhantes foram observados por Ribeiro et al. a viscosidade pode dificultar a difusão e o transporte da lipase. que combina medidas de digestibilidade e ingestão de matéria seca. A utilização dos aditivos.glicanas estão em maior concentração.0% ). (2008). A adição de farelo de trigo foi suficiente para reduzir as perdas por gases e efluentes. melhorou as características fermentativas das silagens de capimtanzânia. de óleos e das micelas de sais biliares dentro do conteúdo do trato gastrointestinal. Ávila et al.tanzânia. assim como nos demais trabalhos. as β. produzindo soluções viscosas. elevou o índice de valor forrageiro. Os autores concluíram que a inclusão de 20. Os autores avaliaram três tipos de aditivos (farelo de trigo.0% de farelo de trigo na silagem de capim. formados por unidades de monossacarídeos e classificados como solúveis e insolúveis. cortado aos 46 dias de idade.0 e 60. 6. As atividades antinutricionais de tais elementos são atribuídas principalmente à presença dos polissacarídeos solúveis. consequentemente. promover elevação do teor proteico e reduzir a fração fibrosa da silagem. e 34. Nos cereais.0%. Fatores antinutricionais Os polissacarídeos não amídicos são elementos de alto peso molecular. Estas alterações são relatadas principalmente em monogástricos. Os autores concluíram que a adição de farelo de trigo melhorou os parâmetros químicos bromatológicos da silagem. (2003) também trabalharam com silagem de capim-tanzânia.0 e 12. 16. fato atribuído ao elevado valor nutricional deste alimento. que apresentam capacidade de formar solução homogênea com a água.0.

há o farelo de arroz integral. brunido.1%.. De acordo com estimativas feitas pela Conab. composto pelo pericarpo. O Brasil destaca-se como único país não asiático entre os 10 maiores produtores. cujas definições serão mencionadas a seguir. Cerca de 70. Esse cereal desempenha papel estratégico tanto no aspecto econômico quanto social.1% superior à safra 2007-2008. 7.1.9% e da produtividade média nacional em 3. que passa por uma série de processos até a obtenção do grão amiláceo ou arroz branco. onde vivem 70. 8. haverá uma demanda para atender ao dobro desta população (Alonço et al. até 2050. farelo desengordurado. A maior parte do arroz. entre outros. 2005). É alimento básico para cerca de 2. camada de aleurona e gérmen. segundo estimativas. 8. 8.4 bilhões de pessoas e. IMPORTÂNCIA ECONÔMICA DO ARROZ O arroz (Oryza sativa) é um dos cereais mais produzidos e consumidos no mundo.0% da população total dos países em desenvolvimento e cerca de dois terços da população subnutrida mundial. a produção de arroz na safra de 2008-2009 será 5.0% da sua produção está concentrada na região Sul.2. é destinada ao consumo humano. COPRODUTOS DO BENEFICIAMENTO DO ARROZ Dentre os coprodutos do beneficiamento do arroz. Isto se deve à expansão da área plantada em 1. principalmente na Ásia e Oceania. farelo de arroz parboilizado. obtido após a descascagem do grão. Farelo de arroz desengordurado Coproduto obtido a partir da extração do óleo do farelo de arroz integral. tegumento. Farelo de arroz integral (FAI) Coproduto do beneficiamento do arroz. Durante esse beneficiamento. É considerado o cultivo alimentar de maior importância em muitos países em desenvolvimento. obtêm-se coprodutos que podem ser destinados à alimentação animal. destacando-se o estado do Rio Grande do Sul.uma carência de informações sobre os efeitos dessas substâncias na dieta de ruminantes. 337 . principal produtor nacional. É um dos mais importantes grãos em termos de valor econômico.

obtendo-se o arroz branco polido (arroz brunido).0% do arroz branco polido são constituídos de grãos quebrados.5-14.0% do peso do grão. a maioria do farelo de arroz comercializado no Brasil está misturada com o brunido. Este pode ser polido para remoção do farelo (pericarpo. separa-se a casca da cariopse. os grãos de aleurona (corpos proteicos) e os corpos lipídicos. 8. a casca. quebrados grandes e quireras. a pálea e a lema. A cariopse é formada por diferentes camadas. 2008). é rico em proteínas e lipídios e representa 2. que são removidas ao final do estágio de beneficiamento do grão. o tegumento e a camada de aleurona.0% da massa do arroz integral. que representam 5. sendo as mais externas o pericarpo.0-3. De acordo com Prates (1993). obtendo-se o arroz integral. COMPOSIÇÃO QUÍMICA A Tabela 4 demonstra a composição química dos diferentes coprodutos obtidos a partir do beneficiamento do arroz. citados por Walter et al. O endosperma forma a maior parte do grão (89. que representa 8. 1985. 2005).8% do arroz integral (Juliano e Bechtel. devido principalmente a diferenciações no processo de beneficiamento.3. 9. Brunido Constituído pela parte amilácea interna e a camada de aleurona. não permite a separação eficaz entre o farelo e o brunido. Farelo de arroz parboilizado Arroz que. A camada de aleurona apresenta duas estruturas de armazenamento proeminentes. corresponde a cerca de 20. a falta de uniformidade na composição química do brunido. representados por quebrados médios. tegumento. O embrião ou gérmen está localizado no lado ventral na base do grão.0% do arroz integral. 338 . 10.4. 2008). é embebido em água quente durante um período preestabelecido e depois sofre um aquecimento brusco visando gelatinizar o amido contido no grão (Wascheck. Sendo assim. A casca. composta de duas folhas modificadas.0-8. ESTRUTURA DO GRÃO DE ARROZ O grão de arroz consiste da cariopse e de uma camada protetora.0% do arroz integral) e consiste de células ricas em grânulos de amido e com alguns corpos proteicos (Juliano e Bechtel..0-94. Por meio da descascagem. camada de aleurona e gérmen). citados por Walter et al.. Cerca de 20. 1985.8. após a colheita.

51 Glicina (%) 0.27 19.18 0. 339 .43 Alanina (%) 0.25 10.71 89.44 Valina (%) 0.61 1.09 9.18 Proteína bruta (%) 13.82 Fonte: Adaptado de Valadares Filho et al.09 1.66 NDT (%) 83.68 0.56 Triptofano (%) 0. (2006).97 Zinco (mg/Kg) 71.44 0.63 Histidina (%) 0.47 0.75 1.06 Treonina (%) 0.22 4.31 9.07 143.95 17. Composição química do farelo de arroz integral.65 1.45 0.09 Magnésio (%) 0.04 Ácido aspártico (%) 1.03 Manganês (mg/Kg) 241.11 10.21 0.25 Matéria mineral (%) 8.66 454.75 0.24 Extrato etéreo (%) 16.Tabela 4.63 0.57 Isoleucina (%) 0.01 114.09 Cobre mg/Kg 16.60 Energia bruta (cal/Kg) 4.49 0.80 4.70 Serina (%) 0.20 Cálcio (%) 0.61 203.46 81.74 ácido (%) Lignina (%) 5.88 Ferro (g/Kg) 82.26 Fibra bruta (%) 9.40 Leucina (%) 0.32 1.51 0.39 0.71 Metionina (%) 0.11 25.08 0.20 Fenilalanina (%) 0.79 Potássio (%) 1.22 1.54 0.45 0. farelo de arroz desengordurado e farelo de arroz parboilizado.06 14.18 Tirosina (%) 0. Farelo de arroz Farelo de arroz Farelo de arroz Nutriente integral desengordurado parboilizado Matéria seca (%) 88.80 Prolina (%) 0.82 1.42 Arginina (%) 0.80 Fibra em detergente 24.38 Ácido glutâmico (%) 1.91 Sódio (%) 0.48 10.23 24.03 452.06 0.10 Fósforo (%) 1.05 0.64 Amido (%) 17.82 Lisina (%) 0.40 91.53 16.14 2.12 0.48 40.89 0.76 neutro (%) Fibra em detergente 14.90 1.36 Cistina (%) 0.

metionina. lignina e fibra bruta e consequente comprometimento do valor nutritivo do farelo de arroz. Enquanto o endosperma é composto principalmente por amido. 1993). Outra forma de contornar o problema da rancificação seria a extração do óleo do farelo. 1993). Estes problemas podem ser resolvidos pela aplicação de calor com umidade seguida de secagem. conteúdo de amilose muito baixo (2.0-25. Além do amido.0% das proteínas. ocorrem grandes variações na composição química.0-12. O amido. O farelo de arroz desengordurado (FAD) pode ser armazenado por mais tempo que o farelo de arroz integral (FAI). O amido é um homopolissacarídeo composto por cadeias de amilose e amilopectina. podendo-se classificar os grãos como ceroso (1.0%). O farelo de arroz integral é considerado um alimento energético. obtendo-se o produto conhecido como farelo de arroz desengordurado. devido à destruição de compostos como vitamina A. especialmente dos coprodutos. No endosperma. No farelo de arroz. devido aos riscos de rancificação oxidativa. com menor concentração de albumina e globulina (15.11.0%). antes da sua inclusão nas dietas dos animais. que parece ter degradabilidade ruminal e está presente em baixas quantidades. já que não apresenta risco de rancificação. No entanto. geralmente relacionadas à adição de cascas. inviabilizando a sua aplicação em escala comercial. baixo (12. representa a parte dos carboidratos não estruturais.02. Portanto. As proporções em que estas cadeias aparecem diferem entre genótipos. maior maior baixa maior O alto conteúdo de óleo pode ser um fator limitante para utilização do farelo de arroz integral. sendo digerida em grande parte no intestino e no abomaso. tal técnica apresenta alto custo.0%) (Juliano.0% de amilose).0%) e alto (25. intermediário (20. a glutelina forma a principal fração.0% da matéria seca do arroz polido. componente de densidade energética que os carboidratos. As proteínas podem ser classificadas em albumina. Ambos os farelos apresentam baixa degradabilidade ruminal da proteína. globulina. E. contendo pequenas quantidades de outros carboidratos (Juliano. também estão presentes açúcares livres e fibra.0-20. o farelo e o gérmen apresentam principalmente fibra. correspondendo a aproximadamente 80.0-8. entre outros. provocada pela extração do óleo. é recomendável a análise laboratorial dos alimentos. sendo que a parte dessa energia advém dos altos conteúdos de gordura. Este processo compromete o valor nutritivo dos alimentos. Já o farelo apresenta aproximadamente 340 .0-33.0%). que corresponde a aproximadamente 90. responsável pela elevação dos teores de sílica.0%) e prolamina (5. biotina. Este é o tipo de adulteração mais frequente. O teor proteico do FAD é superior ao do FAI em função da concentração dos nutrientes. ENERGIA E PROTEÍNA Os carboidratos são os principais constituintes do arroz. prolamina e glutelina.

segundo Nörnberg et al.0 e 95. especialmente da fibra. 2008).0. nas camadas externas do grão. deve-se ficar atento aos conteúdos de ácido fítico que é uma forma de armazenamento de fósforo. no grão polido. presentes no farelo (Juliano. estando associado principalmente à camada de aleurona (Walter et al. tocoferol.0%) (Juliano. o ácido fítico está relacionado à menor absorção de minerais como cálcio. resultando em balanço de aminoácidos mais completo (Juliano. mas que apresentasse elevada digestibilidade intestinal.0% dos minerais encontram-se no farelo. sendo que.60. comprometendo o desempenho animal. Similar a outros cereais. A concentração é maior riboflavina. constituindo aproximadamente 70. niacina e αrespectivamente. FARELO DE ARROZ NA ALIMENTAÇÃO DE VACAS LEITEIRAS O farelo de arroz integral pode ser utilizado como fonte de gordura na dieta de vacas em lactação.0%). 1993). podendo provocar deficiência desses minerais. especialmente durante a fase inicial de lactação. as gorduras insaturadas e os ácidos graxos de cadeia curta apresentam mais efeitos que as saturadas. Devido à sua capacidade quelante.0%. o arroz apresenta a lisina como aminoácido limitante.. aproximadamente 78. 28. Em relação à composição mineral. estão Da mesma forma. seguido por prolamina e glutelina (27.0% de albumina. a suplementação com gordura é interessante. a composição em proteínas do endosperma difere do farelo. enquanto os sais cálcicos de ácidos graxos (gordura protegida) apresentam efeitos mínimos sobre a fermentação ruminal. Nesta fase. que se encontram em balanço energético negativo. Portanto. D e C. os minerais também apresentam-se em maior concentração nas camadas externas do grão. 47. O teor é maior nas camadas externas do grão (aproximadamente 88. Apesar dos benefícios citados. fósforo e zinco. VITAMINAS E MINERAIS O arroz contém principalmente vitaminas do complexo B e com concentrações insignificantes das vitaminas A. o emprego de gordura protegida tem sido restrito em função de seu elevado preço. α-tocoferol (vitamina E). 12. a adição de gordura deve ser limitada. Portanto. para tiamina. De acordo com Palmquist (1991).0%) e globulina (7.0. e o restante. No entanto. 13. 341 . entre os cereais. Entretanto. uma fonte ideal de gordura para vacas em lactação seria aquela que não interferisse na digestibilidade dos demais nutrientes.0% do conteúdo desse mineral em sementes. 1993). 1993). Cerca de 72. Além da possibilidade de aumentar a produção de leite por vaca. pois o consumo de matéria seca não é suficiente para atender às exigências de produção dos animais. pois seu excesso poderá interferir na digestibilidade de alguns nutrientes. (2004). existe uma necessidade de aumentar a concentração energética da dieta. o arroz apresenta uma das maiores concentrações de lisina. A qualidade da proteína depende de seu conteúdo em aminoácidos.0%. 67.

tem diminuído a porcentagem de proteína. devido à indução da resistência à insulina. que trabalharam com vacas Holandesas com média de produção de 20kg e avaliaram três tipos de dietas: dieta com 100. De acordo com os autores. o farelo de arroz integral pode ser usado como fonte alternativa de gordura.0% de fubá de milho e 50. Tais tratamentos apresentaram maior digestibilidade do extrato etéreo quando comparados à dieta-controle (FM). 2001). a produção de proteína/Kg/dia não diferiu entre os tratamentos. Os autores justificaram esta maior digestibilidade devido ao aumento da proporcionalidade de bactérias lipolíticas no rúmen. fibra em detergente neutro e de carboidratos não fibrosos da dieta. trabalhando com vacas Jersey no início da lactação. apresentando elevada digestibilidade da fração lipídica. dieta com 50. em função da maior disponibilidade desse nutriente e do maior desenvolvimento das micelas no intestino. O uso de alguns tipos de gorduras suplementares tem aumentado a produção e a porcentagem de gordura do leite.3% na dieta de vacas leiteiras.0% de gordura.0% de gordura.7% de fubá de milho e 79. Outro fator a ser 342 . fibra em detergente neutro e fibra em detergente ácido. Quando há substituição de carboidratos disponíveis no rúmen pelo lipídio.. causando redução no crescimento microbiano e efeito sobre o transporte de aminoácidos na glândula mamária (Santos et al. avaliaram a possibilidade de utilização do farelo de arroz integral como fonte de gordura.3% de arroz parboilizado (FA). ao mesmo tempo.0% de farelo de arroz parboilizado (MA) e dieta com 20. devido ao ligeiro aumento nas produções de leite corrigidas dos tratamentos MA e FA. seja para atingir o nível almejado de gordura na dieta seja para reduzir o seu grau de insaturação. proteína bruta. sem afetar a digestibilidade aparente da matéria seca. Os resultados deste estudo foram semelhantes aos encontrados por Wascheck et al. proteína bruta. proteína bruta. matéria orgânica.0% de fubá de milho (FM). acusou resultados semelhantes à gordura protegida. (2008).0% de gordura bruta em dietas de vacas leiteiras de alto mérito genético no início da lactação.5% nos tratamentos em que foi empregado farelo de arroz parboilizado (MA e FA). De acordo com Palmquist e Moser (1981). Já a porcentagem de proteína do leite foi reduzida com a inclusão do farelo de arroz parboilizado. (2004). Os autores concluíram que o farelo de arroz integral. tanto associado a óleo quanto ao sebo. Os níveis de gordura na matéria seca total atingiram 7. Ao substituírem o milho por farelo de arroz parboilizado em até 79. esse tem efeito tóxico sobre os microrganismos do rúmen. Ainda segundo os autores.Nörnberg et al. com 4. matéria orgânica. a utilização de gordura suplementar reduz a síntese de proteína do leite. mas. os efeitos negativos do farelo de arroz poderiam ser atenuados ou mesmo neutralizados associando-se a gordura deste coproduto com outra fonte de gordura. hormônio responsável pela estimulação do transporte de aminoácidos para o interior da glândula mamária. Não foram verificadas alterações no consumo de matéria seca. mas. não observaram alterações na digestibilidade da matéria seca. matéria mineral e amido com a inclusão do coproduto. totalizando 6. associado a óleo de arroz e a sebo bovino. Wascheck (2004) não observou efeito do tratamento sobre a produção de leite e de leite corrigido para 4.

A principal teoria para explicar tal resultado seria a capacidade do farelo em prover os precursores glucogênicos que parecem ser de muita importância como fatores limitantes em dietas de cana-de-açúcar (Prates. citados por Prates (1993). (1996). devido às possibilidades de grandes variações na composição química. J. e equilibrariam os nutrientes essenciais para o animal.. L. Apesar dos efeitos adversos. v.considerado é a possibilidade de comprometimento da síntese de proteína microbiana com a substituição de um alimento com alto conteúdo de carboidratos pela adição de gordura. Responses of dairy cows to different amounts of wheat middlings in the concentrate mixture. avaliando a adição de farelo de arroz em dietas com cana-de-açúcar aditivada com ureia. Deve-se ficar atento aos níveis de inclusão do farelo de arroz na alimentação de vacas leiteiras. O farelo de arroz e o farelo de trigo podem ser utilizados na alimentação de vacas leiteiras substituindo parte do volumoso ou do concentrado.70. minerais e vitaminas proporcionou melhor desempenho em bovinos quando houve suplementação com FAI. 1987. 1993). 14. Preston e Leng (1978). Os limites de inclusão do farelo de trigo nas dietas de gado leiteiro ainda não estão bem definidos. soja. alguns experimentos foram desenvolvidos. Cereal Sci.. p. o que é interessante em dietas compostas por volumosos de baixa qualidade. Isto pode ocorrer. observaram que a cana-de-açúcar aditivada com ureia. a suplementação estratégica de volumosos de baixa qualidade com subprodutos do beneficiamento de grãos (milho. Segundo Ospina et al.J. BUSH. pois microrganismos ruminais não utilizam gordura como fonte de energia. Neste sentido. A inclusão de farelo de trigo em silagens de gramíneas tropicais surge como alternativa na melhoria dos padrões fermentativos das silagens. Estes suplementos teriam pouco efeito sobre a distensão ruminal. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ACEDO. mantendo ou aumentando o consumo da dieta basal. arroz) tem se revelado como uma metodologia viável para aumentar a eficiência de utilização destes volumosos. o farelo de arroz é um coproduto de grande potencial na nutrição de ruminantes devido à possibilidade de fornecer proteína e amido sobrepassante. 343 .635-638. ADAMS.. O teor de lipídios na MS total deverá permanecer entre 5 e 7%. Cerca de 100 gramas adicionais de ganho diário foram obtidos para cada 100 gramas adicionais de FAI (aumento linear). G. C.D. CONSIDERAÇÕES FINAIS A análise laboratorial dos coprodutos antes da incorporação à dieta é fundamental.

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. Esta é um membro da família Solanaceae. além de conter ferro. não muito comum no Brasil. É uma cultura originária das Américas. MG. Caixa Postal 567. possui bom valor energético e pode ser utilizada em dietas de vacas leiteiras com resultados satisfatórios. uma vez que são utilizadas outras matérias-primas mais econômicas (Momenté et al. principalmente para as regiões menos desenvolvidas. Lúcio Carlos Gonçalves 2. em Zootecnia. Caixa Postal 567..ufmg. Por ser uma raiz tuberosa de armazenamento. arroz ou mandioca. Possui uma variedade de usos desde o consumo de raízes ou folhas frescas até alimentos processados como amido.com 4 Médico Veterinário. Escola de Veterinária da UFMG. MSc.com. B e C. lobato. O objetivo deste capítulo é descrever esse alimento. belaveiga@yahoo. MG. Doutoranda em Zootecnia.br 2 Engenheiro Agrônomo. 2004). Belo Horizonte. que também inclui tomates. Bolsista CNPQ. luciocg@vet. CEP 30123-970. Wilson Gonçalves de Faria Jr. Escola de Veterinária da UFMG. 2009). Associado Departamento de Zootecnia da Escola de Veterinária da UFMG. Belo Horizonte. Diferentemente da batata inglesa. enquanto a batata-doce pertence à família Convolvulaceae.com 1 347 . MG.br 3 Médica Veterinária. ao seu valor nutricional e ao seu uso na alimentação animal. a batatadoce é uma raiz tuberosa de armazenamento (Centro Internacional de la Papa . MG. Destaca-se das demais culturas por apresentar alto rendimento por hectare e elevado valor energético. doces e álcool (CIP. que é um tubérculo ou caule suculento. Belo Horizonte. CEP 30123-970. a batata-doce (Ipomoea batatas Lam. Doutorando em Nutrição Animal. MSc. CEP 30123-970.fafa@gmail. onde se constitui uma das mais importantes fontes de alimento. Flávia Cardoso Lacerda Lobato 3. MSc. cálcio e fósforo e ser rica em vitaminas A. Belo Horizonte. Caixa Postal 567.. Outro destino possível é a produção de biocombustível. Caixa Postal 567. farinha.CIP.) não é um alimento muito estudado no Brasil. INTRODUÇÃO A batata-doce (Ipomoea batatas Lam.CAPÍTULO 19 BATATA-DOCE NA ALIMENTAÇÃO DE GADO DE LEITE Isabela Rocha França Machado Veiga 1. demonstrando a possibilidade de utilização devido às suas características agronômicas e produtivas. A parte aérea (ramas) pode ser utilizada como fonte proteica. wilsonvet2002@gmail. Prof. Pode produzir mais energia comestível por hectare que o trigo. Médica Veterinária. 4 RESUMO Apesar de sua grande importância social. Escola de Veterinária da UFMG. que possui grande variedade de cultivares no país e um grande potencial de uso. a batata-doce não tem relação com a batata inglesa. DSc. Com exceção do nome.) é um alimento de importância social e econômica. 2009). CEP 30123-970..

A baixa produtividade está muito aquém do real potencial da cultura. como a batata-inglesa e a mandioca (CIP. encontrou uma produtividade de raízes variando de 5. 2005).2 toneladas por hectare está abaixo da produção média mundial de 15 toneladas por hectare. 2003). o nível de tecnologia empregado pela maioria dos produtores é bem menor que o desejável. O exato local do continente onde é originada a batata-doce ainda é indeterminado. principalmente em regiões tropicais (CIP.650 mil toneladas . além de contribuir para a geração de emprego e renda. 1998). 2009).FAO. com destaque para regiões Sul e Nordeste (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística . 2009). que agrupa aproximadamente 50 gêneros e mais de 1000 espécies. o que torna o seu custo de produção inferior ao de outras culturas. sendo produzida principalmente na Ásia (China: 107. 2007).EMBRAPA. Isto se deve principalmente à sua rusticidade.. A produtividade de matéria seca da 348 . no México. Em outras regiões. onde é utilizada quase totalmente para alimentação humana (CIP. é cultivada entre 40o de latitude Norte e 40o de latitude Sul. A maior parte das evidências indica a faixa contida entre o México e o norte da América do Sul como a mais provável região de origem (Ritschel et al.É uma das culturas mais importantes no mundo.IBGE. Alguns pesquisadores apontam a América Central e outros a América do Sul (CIP. necessitando de poucos tratos culturais e dispensando o uso de tecnologia agrícola mais avançada. onde quase a metade da produção é utilizada na alimentação animal. 2005). O cultivo está presente em todo o Brasil. 2003).176 mil toneladas – Food and Agriculture Organization . garantindo a fixação da mão de obra no campo (Miranda. 2007).3 (acesso UFT-10AL) a 26. Um dos motivos da baixa produtividade é a utilização de cultivares de baixo potencial produtivo e mais suscetíveis às pragas. 1..6 toneladas por hectare (cultivar Palmas). normalmente em caráter de subsistência. como Ásia e Papua Nova Guiné (CIP.FAO. Devido a sua ampla adaptação. Pode ser encontrada desde a Península de Yucatan. 2009). e na África (Uganda: 2. até a Colômbia (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária . 2009). O Brasil é o décimo sétimo país no ranking de produção com 500 mil toneladas (FAO. 2005). que pode atingir mais de 40 toneladas por hectare (Miranda et al. mas no Nordeste assume alta importância social. ORIGEM E PRODUTIVIDADE A batata-doce é uma espécie dicotiledônea pertencente à família botânica Convolvulaceae. principalmente por constituir uma fonte de alimento energético. 2006). 2009). a cultura se desenvolveu separadamente de seus ancestrais americanos. trabalhando com 20 acessos de batata-doce originários do programa de melhoramento genético vegetal do estado do Tocantins e cinco cultivares comerciais. Massaroto (2008). Esta cultura está presente em todas as regiões brasileiras. sendo somente a batata-doce de cultivo com expressão econômica (Miranda. Além disso. tolerância à seca e à baixa fertilidade do solo. EMBRAPA. A produtividade média brasileira de 11. 1984.

com formato. formada por poucas camadas de células: uma camada de aproximadamente 2mm denominada de casca. As raízes tuberosas são também denominadas de batatas e revestidas por uma pele fina. A cultura não suporta geada. geralmente. com pH entre 4. As ramas-semente têm capacidade de emitir raízes em tempo relativamente curto. Possui também a raiz absorvente. 1971). mas a divisão entre a casca e a polpa nem sempre é nítida e facilmente separável. uma análise química do solo deve indicar ou não a necessidade de correção da acidez. flores hermafroditas e de fecundação cruzada. responsável pela absorção de água e extração de nutrientes do solo. que pode variar de três a cinco dias. Solos ácidos. facilitam a colheita. o crescimento da planta é severamente retardado. A batata-doce se desenvolve melhor em locais ou épocas em que a temperatura média é superior a 24ºC. sendo que cerca de 500mm são necessários durante a fase de crescimento. cor e pilosidade variáveis. folhas largas. nos períodos da primavera e verão. do estádio vegetativo da planta e do tempo de armazenamento. bem drenado.5 resultam em menor ocorrência de sarna.5% (acesso UFT-112). mais conhecido como rama. com ramificações de tamanho. que é uma bacteriose causada por Streptomyces spp.2 toneladas por hectare (acesso UFT48). cor e recortes variáveis. dependendo da variedade. sem presença de alumínio tóxico. a cultura deve ser implantada em locais com pluviosidade anual média de 750 a 1000mm. permitindo o arranquio das batatas com menor índice de danos e menor esforço físico. mas pode ser cultivada em regiões temperadas. em temperaturas inferiores a 10ºC.8 (acesso UFT-58) a 7. O solo deve ser preferencialmente arenoso. 349 .parte aérea variou de 0. Quanto ao regime pluvial. O principal produto comercial é a raiz tuberosa. e a parte central denominada de polpa ou carne. Além disso. com uma variação de teor de matéria seca de 11. devido à sua autoincompatibilidade. solos muito ácidos. pecíolo longo. o que é prejudicial ao desenvolvimento das plantas. que deve ser realizada com calcário dolomítico. Solos arenosos facilitam o crescimento lateral das raízes. três ou quatro sementes com 6mm de diâmetro e cor castanho-clara (Edmond e Ammerman. CARACTERÍSTICAS AGRONÔMICAS E CONDIÇÕES DE CULTIVO A batata-doce possui caule herbáceo de hábito prostrado. frutos do tipo cápsula deiscente contendo duas. com pH ligeiramente ácido e com alta fertilidade natural. pode ser segmentado e utilizado como ramasemente para formação de lavoura. amplamente utilizada na alimentação humana. 2. Por isso. Entretanto.5% (acesso UFT-22) a 17. O caule. têm níveis elevados de alumínio solúvel. quando a temperatura é elevada e a alta radiação solar favorece o desenvolvimento da cultura. evitando a formação de batatas tortas ou dobradas.5 e 5. A pele se destaca facilmente da casca.

Apresenta cerca de 30. pode superar em algumas características. O momento de colheita é definido pelo tamanho ou peso das raízes.0% de carboidratos. Em condições ideais de cultivo. Geralmente são equipamentos semelhantes aos arados modificados para facilitar a separação do solo. cujo componente principal é o amido. A colheita sempre envolve muita mão de obra.2% de amido e de 4. mesmo quando algumas etapas são mecanizadas. além de se formarem raízes grandes e frequentemente mais defeituosas. contendo em média 85. Contudo.0% de matéria seca na colheita. Outra opção consiste em passar uma lâmina abaixo da zona de crescimento das raízes ou utilizar a colheitadeira de batatas (EMBRAPA. As raízes de batata-doce desidratadas (chamadas de raspas) também são utilizadas na alimentação animal. Estas ocorrem com maior frequência e geralmente causam danos severos. dependendo da oportunidade de comercialização e uso.. como o teor de betacaroteno.. 3. Curculionidae) e a broca-das-hastes (Megastes pusialis. parte do amido se converte em açúcares solúveis. mas. 350 . Para isso. a colheita pode se iniciar aos 90 dias. A colheita pode ser antecipada ou retardada. A mecanização simples consiste em revolver a leira para expor as raízes. devido à colheita de raízes de menor tamanho. 1998). e seu valor nutritivo está descrito na Tabela 3.8 a 7.dependendo da temperatura e da idade do tecido. se não forem tomadas medidas de controle. VALOR NUTRICIONAL A batata-doce é um alimento principalmente energético. tendo à frente um disco vertical para cortar as ramas. mais utilizada na alimentação de monogástricos. Durante o armazenamento. Pyralidae). Lepidoptera. podem ser utilizados diversos equipamentos que executam o corte do solo ao lado das leiras ou abaixo delas. atingindo de 13. Não existe um ponto específico de colheita das raízes da batata-doce. ocorre entre 120 e 150 dias. A farinha de batata-doce. em geral. O valor nutricional das raízes da batata-doce (Tabelas 1 e 2) é semelhante ao da mandioca e da batata. tem seu valor descrito na Tabela 4. em virtude de cultivares com coloração amarela ou alaranjada. que apresentam raízes muito ricas em vitamina A (Hagenimana et al. O enraizamento é mais rápido em condições de temperatura elevada e em ramas recentemente formadas.8% de açúcares totais redutores (Miranda et al. 1995). 2009). A prorrogação do ciclo pode implicar maiores danos por permitir maior número de ciclos das pragas. Coleoptera. que devem ter aproximadamente 300g. A antecipação geralmente corresponde a uma menor produtividade.4 a 29. As principais pragas são a broca-da-raiz (Euscepes postfasciatus.

0 Sódio (mg) 43.0 Fósforo (mg) 39. Composição química das raízes de batata-doce desidratadas.39 4.0 Manganês (mg) 0.68 Proteína (%) 4.70 89.67 – 4.1 Lipídios (g) 0.0 Vitamina C – ácido ascórbico (mg) 30.1 Carboidratos totais (g) 26.0 Vitamina B2 – riboflavina (mg) 55.3 0. (2000).0 50.17 – 5.0 63.5 Proteína (g) 1.9 28.0 2. Valadares Filho et al.4 2.0 Vitamina B5 – niacina (mg) 0.8 Fibras digeríveis (g) 3.78 – 81. (2002).7 1.0 Ferro (mg) 0. Tabela 3.55 – 1.03 Gordura (%) 0.55 Fonte: Rusoff et al.0 Fonte: Woolfe (1992). Quantidade Componente Batata-doce Mandioca Batata Umidade (%) 70. (1947) Valadares Filho et al. (1947). Componente Quantidade Água (g) 72.06 Carboidratos totais (%) 92.1 0.9 19.28 Cobre (mg) 0.9 4.0 78.5 Fonte: Luengo et al. 351 .8 Calorias (kcal) 102.35 – 92.5 1.Tabela 1. (2002) Matéria seca (%) 85.0 9.0 Fibras digeríveis (g) 1.78 NDT (%) 71.0 141. Componente Rusoff et al.1 Cálcio (mg) 32.0 Glicídios (g) (Franco.47 1.0 Vitamina B – tiamina (mg) 96. 2005) 27. Composição média de 100g de matéria fresca de raízes de batata-doce e mandioca e tubérculo de batata. Tabela 2.35 Zinco (mg) 0.0 80.0 39. Composição química de 100g de raiz de batata-doce crua.0 Magnésio (mg) 10.0 41.1 32.4 18.2 Vitamina A – retinol (mg) 300.1 Potássio (mg) 295.3 0.1 Energia (kcal) 111.15 Fibra (%) 1.

0 119.58 3.6 4. O uso de brotações de batatadoce como hortaliça verde tem sido também prioridade de pesquisa em países asiáticos (Xiaoding.0 343. cálcio.58%) (Valadares Filho et al. 2003). Quantidade 89.. trabalhando com silagens da parte aérea de 20 acessos oriundos do programa de melhoramento vegetal do estado do Tocantins e cinco cultivares comerciais de batata-doce. A rama de batata-doce é constituída das folhas e caules.Tabela 4. encontrou as variações na composição química desse alimento apresentadas na Tabela 6.2 1. Por unidade calórica. Massaroto (2008).0 1.44 1.8 a 4.0 145. sendo um material rico em proteína bruta (15.43 4.875 As folhas são excelente fonte de glicídios. (2000).. uma das principais fontes proteicas utilizadas para consumo humano no Brasil. Seu valor alimentício é semelhante ao das folhas de mandioca (Tabela 5). Quantidade Componente Batata-doce Mandioca Feijão preto Calorias 49. Composição média de 100g das folhas frescas de batata-doce. mas com a vantagem de não possuir princípios tóxicos (compostos cianogênicos). as folhas de batata-doce superam até o feijão.0 Ferro (mg) 6.7 Lipídios (g) 0. 352 . Componente Matéria seca (%) Proteína bruta (%) Gordura (%) Fibra (%) Energia bruta (Kcal/Kg) Fonte: Rostagno et al.0 Fonte: Adaptado de Franco (2005). folhas secas de mandioca e feijão preto cru. Os valores de pH determinados estão dentro dos valores padrões para silagem de boa a média qualidade de 3.0 91.4 7. Composição química da farinha de batata-doce. além de vitamina A e vitamina C (Xiaoding. fósforo e ferro. 1995).0 471.0 303.0 Fósforo (mg) 84.3 Proteína (g/100 cal) 9.3 Cálcio (mg) 158.2 18.6 7. 1995).6 Glicídios (g) 10.11 2. portanto.2 7. 2002).3 62.4 Proteína (g) 4. Tabela 5.0 20. não exigindo.7 6.5 (Tomich et al. detoxificação prévia antes do uso.

1991). folhas de mandioca e da própria batata-doce ou outro produto rico em proteína.. 2004). Dickey et 353 . Vietnã.2 Matéria mineral (% da MS) 12. 1980. 1984). Papua Nova Guiné e Uganda (Peters et al. Folhas e brotos podem ser consumidos por aves e peixes (Silva et al. Em países como China (Scott. Walter et al. 1974.. A raspa. Diferentes níveis de atividade de inibidor de tripsina são descritos na literatura (Lin e Chen. 1976). 1976. ou mesmo crua. como suínos e bovinos (Barrera. o que pode tornar antieconômica a secagem artificial. 1985). que reduzem a digestibilidade de proteínas em raízes não cozidas (Yeh e Bouwkamp. no entanto a maioria dos países que pratica a utilização na alimentação animal aproveita as raízes com padrão comercial para consumo humano. Purcell et al. Nutrientes Valores Proteína bruta (%da MS) 9.0%). 1991). 1998).6 – 13. a utilização de batata-doce na alimentação de suínos e outros animais é uma prática comum.2 Fibra em detergente neutro (% da MS) 37.3 Fonte: Massaroto (2008) 4. Indonésia. essa deficiência é corrigida pelos produtores por meio da suplementação da dieta com soja. onde esse alimento é cultivado. A utilização na alimentação animal é feita principalmente na China e na Tailândia por meio do uso das raspas. Na China. Pode ser integralmente aproveitada para este fim. Filipinas. As raízes normalmente apresentam baixo teor de proteínas (em média de 1. 1989).0 – 26.Tabela 6. constituída de raízes picadas e secas.6 Matéria seca (%) 16.9 – 58. ocorreu um aumento constante no uso de raízes e ramas de batata-doce na alimentação de suínos e outros animais (Dapeng e Xiu-Qing.. principalmente para os animais ruminantes. A grande limitação para este tipo de utilização é o alto teor de umidade contido na batata-doce fresca (70. Normalmente.3 a 4.. Geralmente. BATATA-DOCE NA ALIMENTAÇÃO ANIMAL A batata-doce pode ser utilizada para alimentação de várias espécies animais. Essa restrição se torna pior pela presença de inibidores de tripsina. silagem.6 – 17.0% na MS) (Li. e as raízes deformadas ou com qualquer outro defeito que inviabilize a sua comercialização ou consumo pelo ser humano são destinadas aos animais. ramas. nos últimos 30 anos. sem qualquer tipo de tratamento.. bem como as ramas. é um excelente complemento alimentar energético que pode ser adicionado à ração de animais.1 – 11. Variação da composição química das silagens da parte aérea de 20 acessos e cinco cultivares comerciais de batata-doce.2 Estrato etéreo (% da MS) 6. 2005). Cerca de 43% da produção mundial de batata-doce (50 milhões de toneladas) são utilizadas para a alimentação animal (CIP. de alguma forma ele é utilizado na alimentação animal (Scott. tanto de ruminantes como não ruminantes. e mais de 40% do nitrogênio total é nitrogênio não proteico (Purcell et al. 2004). Tanto as ramas quanto as raízes podem ser fornecidas frescas.

além de permitir o armazenamento do material por até cinco meses em condições de anaerobiose. (2004) observaram aumento dos teores de matéria seca e proteína no fornecimento de raízes e ramas de batata-doce na forma de silagem em relação ao fornecimento do material fresco a suínos.. tornando-a inviável para a finalidade. (1948a. Verificaram. Dessa maneira.1. Uma alternativa viável para aproveitar a batata-doce na alimentação animal sem consumir horas de trabalho ou capital do produtor é sua utilização como silagem. 1984). Peters et al. O farelo de batata-doce foi tão palatável quanto o milho moído. sendo esta pura. Ruiz et al. e o retorno econômico para o produtor decresce. se torna necessária a preparação de material fresco todos os dias. com acréscimo de 15. o que leva muitos a não submeter as raízes a esse processamento. 4.5% de raízes de batata-doce e 3. Em um dos 354 . reduzindo o custo de produção da silagem de milho.al. e não foi percebido nenhum efeito laxativo excessivo para os animais consumindo este alimento.0% de raízes de batata-doce ou acréscimo de 13. Apesar de o processo de cozimento das raízes eliminar esse fator indesejável. b) substituíram totalmente o milho no concentrado de vacas Jersey e Guernsey em lactação e não encontraram diferença significativa em produção de leite e gordura de leite e peso vivo. Com o acréscimo de raízes e melaço. o processo consome elevado tempo e alto custo para o produtor. A ensilagem reduz o nível de inibidor de tripsina. Quando combinada com folhas da mandioca picadas. economizar mão de obra e capital do produtor. dessa maneira. Consequentemente.. exceto em um determinado período no qual as temperaturas se encontravam baixas. o desenvolvimento dos animais se torna menor. houve maior produção de ácido lático. coloração e textura adequadas. Resultados do uso da batata-doce na alimentação de vacas leiteiras Trabalhando com farelo de batata-doce. 2005). A silagem das ramas (caule e folhas) foi realizada em um experimento de Hall et al.0% de batata-doce em sua composição. Frye et al. (1973). (1980) e Brown e Chavalimu (1985). As mudanças na composição química do material durante a fermentação anaeróbica da silagem com produção de ácido lático e queda de pH ocorreram em todos os tratamentos com formação de um material de odor característico. que a silagem produzida poderia apresentar proporções de até 60.0% de melaço. ainda. sofrendo ataques de doenças e apodrecimento acelerado. A baixa capacidade de armazenamento in natura. é outro problema deste alimento. (2005) verificaram que a silagem de raízes de batata-doce não cozidas promoveu ganho de peso na alimentação de suínos igual ao ganho de peso promovido pelo fornecimento de raízes cozidas. (1954). Resultados semelhantes foram encontrados por Sutoh et al. Zuohua et al. com a vantagem de eliminar o trabalho de cozimento das raízes tuberosas e. tornando trabalhosa a utilização da cultura para este fim (Peters et al. sua qualidade se torna superior. sem afetar-lhe a palatabilidade.

(bana grass).0% do valor do milho moído como fonte de carboidrato para vacas de leite. 2. A raiz é muito energética e pode ser utilizada na forma fresca ou na forma de raspas. 1985.13. CONSIDERAÇÕES FINAIS A batata-doce é um alimento que pode ser usado na alimentação animal com resultados positivos. D. portanto pode ser usada em substituição. A variabilidade observada em diversos acessos da cultura torna possível o melhoramento vegetal da espécie visando à melhoria da qualidade nutricional para a alimentação animal (Dapeng e Xiu-Qing. Feed Sci. P.L. A parte aérea (ramas) tem um teor proteico considerável e pode ser usada na dieta de vacas leiteiras associada à raiz. Anim. Pennisetum purpureum (Pakistan napier grass).ed. Effects of ensiling or drying on five forage species in western Kenya: Zea mays (maize stover). Ipomoea batatas (sweetpotato vines) and Cajanus cajan (pigeon pea leaves). talvez por não ser considerada cultura de importância econômica relevante. (1950) não encontraram diferenças para produção de leite corrigida para 4.. mas deve-se levar em consideração o menor teor proteico e de lipídios desse alimento para ajuste da dieta (Mather et al. No entanto.experimentos. ou não. mesmo sendo um alimento considerado como concentrado. 355 . Rusoff et al.. com o mesmo consumo dos dois alimentos. não é objeto de grande estudo científico. principalmente de vacas leiteiras. Pennisetum sp. No Brasil.0% de gordura. A silagem da parte aérea tem bom valor nutritivo e também é uma boa opção para utilização na dieta de ruminantes. com resultados satisfatórios na dieta de vacas leiteiras. BROWN. 91p. A raiz da batata-doce desidratada possui aproximadamente 90. os autores concluíram que a batata-doce desidratada pode ser utilizada em substituição à silagem de milho e soja. 1948). São Paulo: Ícone. 2004). Technol. Trabalhando com raiz de batata-doce desidratada em substituição à silagem de milho e soja. Batata-doce. sua importância social é inegável. Com esse resultado.. CHAVALIMU. 1948a). p. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BARRERA. 1989. sendo cultivada em caráter de subsistência em grande parte das pequenas propriedades rurais do país. foi avaliado o sabor do leite desses animais consumindo milho e farelo de batata-doce. L. a utilização da batata-doce na alimentação animal.1-6. sem diferença entre eles (Frye et al. mas deve-se lembrar de sua deficiência proteica. 5. v. suprindo a deficiência desse nutriente. em substituição ao milho.

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br 1 359 . Entretanto. Associado Departamento de Zootecnia da Escola de Veterinária da UFMG. conforme sua natureza química e utilização pelo animal. Caixa Postal 567. CEP 30123-970.br 2 Bioquímico. INTRODUÇÃO O trato digestivo dos ruminantes está adaptado para digerir volumosos.. Caixa Postal 567.ufmg. de função mista poliálcool-aldeído ou poliálcool-cetona. luciocg@vet.CAPÍTULO 20 CARBOIDRATOS NÃO FIBROSOS NA ALIMENTAÇÃO DE GADO DE LEITE Eloísa de Oliveira Simões Saliba1. A caracterização dos carboidratos não fibrosos. constituídas por carbono. Norberto Mario Rodriguez2.ufmg. Belo Horizonte. Belo Horizonte. Os sistemas de produção modernos estão baseados em altas concentrações de carboidratos rapidamente fermentáveis nas dietas. CARACTERIZAÇÃO DOS CARBOIDRATOS Carboidratos. Os carboidratos podem ser classificados em várias categorias.br 3 Engenheiro Agrônomo. CEP 30123-970.ufmg. DSc. norberto@vet. hidratos de carbono. existe uma limitação destes pelo animal. oxigênio e hidrogênio nas proporções de 1:1:2. glúcides. MG.. 1. Lúcio Carlos Gonçalves3 RESUMO Este capítulo visa definir. pela grande quantidade de energia requerida pelos animais. carbo-hidratos. PhD. saliba@vet. Titular Departamento de Zootecnia da Escola de Veterinária da UFMG. fazer um estudo do metabolismo dos principais carboidratos não fibrosos utilizados na alimentação de bovinos leiteiros e apresentar considerações sobre a acidose ruminal. sua quantificação na dieta. Belo Horizonte. MG.. Prof. glucídeos. Prof.. glicídios. e o entendimento de seu metabolismo são importantes para que o nutricionista possa utilizá-los racional e adequadamente. Química. CEP 30123-970. DSc. sacarídios são substâncias biológicas sintetizadas pelos organismos vivos. Associado Departamento de Zootecnia da Escola de Veterinária da UFMG. Prof. MG. caracterizar e descrever algumas técnicas analíticas. elaborando dietas nutricionalmente equilibradas que resultarão em desempenhos animais satisfatórios. que é determinada pela habilidade dele em absorver os produtos da degradação desses açúcares rapidamente fermentáveis. Caixa Postal 567.

e o tetrassacarídeo estaquiose (frutose + glicose + 2 galactoses). 360 . Classe química Monossacarídeos Carboidrato presente glicose frutose galactose Oligossacarídeos a) dissacarídeos b) trissacarídeos c) tetrassacarídeos Polissacarídeos a) reserva sacarose lactose maltose rafinose estaquiose amido dextrina Gomas substâncias pécticas b) estrutural hemiceluloses celulose lignina                                                                                                                             O amido bem como os açúcares compõem o grupo dos CNE e são assim classificados por estarem presentes no conteúdo celular das células vegetais. A Tabela 1 mostra essa classificação: Tabela 1. de trissacarídeos rafinose (frutose + glicose + galactose).4). 1994). também sendo classificada como fibra solúvel (Hall. 1994).carboidratos estruturais ou fibrosos(CE). Porém. lactose (glicose + galactose) e maltose (2 moléculas de glicose ligadas α-1.carboidratos não estruturais ou não fibrosos(CNE). O grupo dos carboidratos formados pelos açúcares. mas é também classificada como carboidrato não estrutural por ser totalmente solúvel em detergente neutro e ser rápida e extensamente degradável pelos microrganismos ruminais (Van Soest. 1997). A disponibilidade dos carboidratos não fibrosos pode ser definida como a susceptibilidade a enzimas microbianas. São fonte de energia prontamente disponível ou de reserva para a planta (de Visser. A pectina está presente na parede celular. a fibra que garante a resistência física. amido e pectina é também classificado como carboidratos não fibrosos (CNF). Classificação nutricional dos carboidratos. o dissacarídeo sacarose (glicose + frutose). diferentemente dos açúcares e amidos. 2 . 1993. Chesson e Forsberg. a pectina não pode ser digerida por nenhuma enzima animal. Os carboidratos estruturais compõem a parede celular dos vegetais.As duas principais classes são: 1 . Estes incluem os monossacarídeos glicose e frutose.

Em solução aquosa. as formas cíclicas são frequentemente muito mais estáveis do que as formas lineares. Em solução aquosa. formando uma estrutura cíclica. possuindo. e a eficiência de produção decresceu linearmente de 0. dissacarídeos. que é a capacidade de girar as ondas unidirecionais da luz polarizada. A produção de proteína microbiana foi linearmente incrementada com o aumento da sacarose. combinam-se para formar Os monossacarídeos. oligossacarídeos e polissacarídeos. e a isomeria geométrica. Somente uma pequena parte dos carboidratos sintetizados pelas plantas durante a fotossíntese encontra-se na forma de monômeros livres. A existência de carbonos assimétricos (carbonos com quatro substituintes diferentes) confere aos monossacarídeos a propriedade de isomerismo óptico. na forma de pentanel (furano) ou na forma de hexanel (pirano). Hall (1998) determinou o efeito de diferentes níveis de sacarose (65. estruturas destrógiras ( D ) e levógiras ( L ). carboidratos monoméricos. dissacarídeos e oligossacarídeos. e 195mg) fermentados com 130mg da fibra em detergente neutro (FDN) de capim-bermuda. A glicose e a galactose são aldoses.4) e dextrina. devido à 361 . A ribose é também constituinte do ácido ribonucleico (RNA). possuem a propriedade de serem solúveis em água. mediante o ataque do seu carbonilo por um dos seus grupos hidroxila. e a arabinose e a xilose fazem parte de polissacarídeos complexos da parede celular como a pectina. como amido (composto de glicose ligada α1. a qual é parte da molécula do amido hidrolisada e a pectina. ou como carreadores de energia. portanto. a galactose e a frutose. que. as hexoses sofrem uma interação intramolecular. As hexoses mais comuns são a glicose. esses são rapidamente utilizados pelas plantas como intermediários para a síntese de compostos complexos. Em um estudo in vitro. Os monossacarídeos podem converter-se em formas cíclicas. a arabinose e a xilose.32 para 0. A maioria dos carboidratos não estruturais dos alimentos para ruminantes é composta por moléculas de monossacarídeos de 5 a 6 átomos de carbono. Os monossacarídeos. também chamados de açúcares. tubérculos e raízes. As pentoses mais comumente encontradas são a ribose. como a sacarose da cana-de-açúcar e o amido dos grãos de cereais. que são aldoses.23 (mg de proteína bruta microbiana/mg de sacarose). A glicose é o monossacarídeo mais importante do grupo dos carboidratos não estruturais. Devido à solubilidade em água e à reatividade. sendo constituinte de compostos energéticos-chave na nutrição e alimentação de ruminantes.Ainda incluem os polissacarídeos de reserva. 130. enquanto a frutose é uma cetose. A Figura 1 apresenta a fórmula química de alguns açúcares presentes nos alimentos.

Fórmula química de açúcares.interação intramolecular das hidroxilas dos carbonos 1 e 2 dos monossacarídeos podem orientar-se espacialmente na configuração cis ( α )(+) ou trans ( β)(-). 362 . Fonte: Tester et al. Figura 1. (2004).

(2000). como no caso do amido. O amido é sintetizado em estruturas vegetais denominadas plastídeos: cromoplastos das folhas e amiloplastos de órgãos de reserva. encontraram aumento no consumo de matéria seca e no conteúdo de gordura do leite. 363 . a complexa organização das ramificações α-(1 → 6) é responsável pelo empacotamento denso e semicristalino dos resíduos de glicose nos grânulos de amido.0% dos resíduos de glicose estejam unidos por ligações α-(1 → 4). encontraram resultados em que a sacarose aumentava a produção de gordura no leite. mas os resultados eram bastante variados. e os outros 5.. Broderick et al. Essas cadeias são relativamente longas e podem conter de 200 a 700 resíduos de glicose. sendo considerada uma das maiores moléculas conhecidas. A molécula é composta de 324 a 4. a partir da polimerização da glicose. 2001. como a proporção molar de butirato.0% por ligações α-(1 → 6). resultante da fotossíntese. O peso molecular varia de acordo com a origem botânica e encontra-se entre 1 x 105 e 1 x 106 Da. A amilopectina ode conter mais de 15 mil resíduos de glicose. A amilose (Figura 2) é um polímero longo e relativamente linear. Segundo Ball et al. A amilopectina (Figura 3) é uma molécula maior que a amilose. Este possui aproximadamente 99. As cadeias lineares de glicose. (1998). forma-se a α-glicose furanósica (os grupos OH dos carbonos 1 e 2 estão em posição cis) ou a forma β-glicose furanósica (os grupos OH do carbono 1 e 2 estão em posição trans). em dois trabalhos em que substituíram a sacarose por amido da dieta de vacas em lactação. Apresenta peso molecular entre 1 x 107 e 1 x 109 Da (Tester et al. Esta denominação é importante para compreensão das ligações glicosídicas que dão origem aos carboidratos formados pela condensação de açúcares simples.5% da matéria seca da dieta). 1973). Em dietas em que a sacarose foi substituída pelo amido do milho (0. ao tamanho da molécula e consequentemente pelas propriedades químicas.0 a 7. 2004). 2004) e tem estrutura bastante ramificada. A substituição do açúcar pelo amido do milho alterou a fermentação ruminal e os produtos.920 resíduos de glicose e pode ter de nove a 20 pontos de ramificação [ligações α-(1 → 6)] e de 3 a 11 cadeias lineares (Hoover. o amido é formado por dois polímeros de glicose. Esses dois polímeros diferenciam-se entre si quanto ao tipo de estrutura química. que foi aumentada e pôde explicar o aumento da gordura do leite.0% dos resíduos de glicose unidos por ligações α-(1 → 4) e 1. têm pontos de ramificação α-(1 → 6) a cada 20 a 25 resíduos de glicose (Chesson e Forsberg. Tester et al.Quando a interação ocorre entre os carbonos 1 e 4. Estima-se que 95. unidas por ligações α-(1 → 4). 1997). disposto em dupla hélice. n moléculas de glicose ===> amido + água Quimicamente. a amilose e a amilopectina..0% por ligações α-(1 → 6) (French.

Amilopectina.0% de amilopectina (Wang et al. as internas (b) contêm de 20 a 30 resíduos. (2004). enquanto os amidos dos cereais são pequenos e poligonais. com diâmetros variando de 1 a 200μm e nos formatos redondo.0% de amilose e 70. Os amidos dos tubérculos (batatas) são grandes e geralmente redondos. 1998). em 2009.. estudando nove variedades de mandioca.. 1996). 364 . A amilose e a amilopectina encontram-se empacotadas nas plantas na forma de pequenos grânulos. A porcentagem de amilose e de amilopectina varia com a origem botânica do amido. O trigo é o cereal que apresenta os maiores grânulos de amido e no formato oval (Asp et al. As cadeias externas (a) contêm de 12 a 23 resíduos de glicose. Saliba et al. Os tamanhos das cadeias a e b podem variar com a origem botânica do amido. raízes e tubérculos (Chesson e Forsberg. um α-(1 → 4)-glucano. Amilose. Fonte: Tester et al. Os grânulos de menor diâmetro são encontrados nos cloroplastos. Fonte: Tester et al. lenticular. enquanto os de maior são encontrados nas hastes. com pontos de ramificação α-(1 → 6). oval e/ou poligonal. sementes. encontraram valores de diâmetro dos grânulos de amidos variando de 9 a 16μm.Figura 2. Figura 3. 1997). na maioria das espécies. (2004). mas.. A molécula linear pode conter cadeias moderadamente longas ligadas por ligações α-(1 → 6). n = 1000. o amido é composto por 30.

. germinação de grãos. crescimento e rebrota (Wang et al. 1998). BRS 610 sorgo BRASÍLIA CURVELINHA Figura 5. do sorgo e da mandioca. AG 9010 milho Figura 4. SEM do milho e sorgo. As 365 . avaliados por meio da microscopia eletrônica de varredura (SEM). SEM da fécula de duas variedades de mandioca brasília e curvelinha. O amido é um polissacarídeo não estrutural de elevado peso molecular e sintetizado pelas plantas superiores com função de reserva energética nos períodos de dormência.As Figuras 4 e 5 demonstram a ultraestrutura dos grânulos do amido de milho.

]. o que pode refletir nas diferenças na composição bioquímica do amido e na interação desse com a matriz proteica. Dessa forma. 1991).9 no sorgo. galactose e ramnose.. 1994). Está localizada na lamela média da parede celular vegetal e funciona como substância de adesão entre as células. 1996).3 no milho. sendo não degradado no organismo animal. Os grãos são a principal fonte de amido na alimentação humana e animal. Algum amido pode ser descrito como amido resistente. Esse processo é denominado gelatinização. sendo. melhorando a capacidade de hidratação desses. processo denominado retrogradação (Hoover. A temperatura de gelatinização do amido varia com o tipo de grão. e as ramnogalacturonanas (também conhecidas por ácido poligalacturônico). 1975. em porcentagem da matéria seca.7 a 79. que tende a se reorganizar parcialmente com as reduções da temperatura e do conteúdo de água do meio devido ao restabelecimento parcial das pontes de hidrogênio. Esse processo de reorganização dos grânulos tende a aumentar a proporção de amido resistente ao ataque das amilases dos alimentos previamente gelatinizados. Ben-Ghedalia et al. 1991).3 a 62. que são heteropolímeros constituídos por α-(1→2)-L-ramnose-α-(1→4)-D-ácido galacturônico (Salisbury e Ross. A pectina é uma substância amorfa parcialmente solúvel em água e é completamente solúvel em detergente neutro. As moléculas de pectina estão ligadas covalentemente com a celulose e as hemiceluloses.3 na mandioca (Nocek e Tamminga. caules. tubérculos e grãos. 1993). O amido resistente pode ocorrer naturalmente nos alimentos ou ser produzido durante o processamento deles quando o amido é aquecido e resfriado. (1993). não é recuperada na fibra em detergente neutro (FDN) (Van Soest.. Salisbury e Ross. os diversos açúcares podem estar ligados entre si por até 20 tipos de ligações covalentes diferentes [α-(1→4). xilose e arabinose (Lewis. 20021). o que pode reduzir a digestibilidade ruminal e intestinal desses amidos (Asp et al.. α-(1→2).. Além do ácido galacturônico. 1989). as moléculas de pectina podem ser constituídas por glicose. Diversos tipos de processamentos são aplicados aos grãos de cereais com a finalidade de romper as pontes de hidrogênio dentro dos grânulos de amido. 70.plantas armazenam o amido nas raízes. em parte. 19911. Valadares Filho et al. A lamela média é a região localizada entre duas células vegetais contíguas. responsável pela rigidez dos tecidos vegetais (Devlin. Segundo Hatfield e Weimer (1995) e Voragen et al. Contudo. 1993. β-(1→4) etc. o que torna o estudo da estrutura tridimensional da molécula muito difícil. o amido tornase mais susceptível à digestão enzimática (Flint e Forsberg. dos principais alimentos ricos em amido utilizados na alimentação de ruminantes podem ser descritos como 75. 1997). Os principais componentes das pectinas são o ácido galacturônico. podendo conter até 80% de seu peso seco em amido (Buléon et al.. Encontram-se ligadas entre si por meio de interações não covalentes 366 . Os teores de amido. Portanto. que forma homopolímeros compostos por α-(1→4)-D-ácido galacturônico. Isto acontece devido à instabilidade do amido gelatinizado. 2001). a constituição em açúcares das moléculas de pectina é variável (Voragen et al. 1995). Os grânulos íntegros apresentam baixa capacidade de absorção de água por serem estabilizados por grande quantidade de pontes de hidrogênio inter e intramoléculas de amilose e amilopectina.7 a 66. 71.

sem a necessidade de clivagem enzimática e pela rápida e extensa degradação ruminal (98. Conteúdo de carboidratos não estruturais nas plantas. colorimetria. que ocorrem em pouca quantidade. a melobiose. Tabela 2. 367 . a frutose e a sacarose. polarimetria.0 a 30. Determinação de açúcares livres Os açúcares livres presentes nas plantas forrageiras são a glicose.com os íons cálcio (Salisbury e Ross. polpa cítrica (25. Com base na solubilidade. como a polpa de beterraba e de outros tubérculos (25. Como se pode verificar na Tabela 2.0% e 10. em contraste.0% em 12h). A glicose e a frutose são os principais monossacarídeos presentes nas forragens (1. muitas de origem tropical e leguminosas acumulam amido.0%). Gramíneas Gramíneas Grãos de Componentes tropicais temperadas cereais Açúcares 5 10 traços Amido 1-5 1-6 80 Frutosanas 0 1-25 0 Fonte: Van Soest (1994). Alguns subprodutos da agroindústria são particularmente ricos em pectina. A glicose e a frutose compreendem quase a totalidade de açúcares redutores livres. em média. FUNDAMENTOS DA METODOLOGIA ANALÍTICA As gramíneas de origem temperada acumulam frutosanas como principal carboidrato de reserva. Leguminosas 5-15 1-7 0 A solubilidade de alguns carboidratos está descrita na Tabela 3. refratometria. respectivamente. a polpa cítrica é a fonte mais comum de pectina na dieta dos ruminantes no Brasil. 2.0 a 8. as gramíneas temperadas também acumulam certa quantidade de amido.1. Segundo Van Soest (1994). o conteúdo de frutosanas nestas últimas é nulo. já a sacarose pode estar em níveis mais elevados (2.0%) e polpa de maçã seca (19.0%). a ausência de ligação da pectina com a matriz lignificada pode ser comprovada pela fácil solubilidade desta em água e em detergente neutro. a rafinose e a estaquiose. sendo que as folhas e hastes da alfafa. A quantidade de pectina varia entre as diferentes partes da planta.0 a 3. segundo Hatfield e Weimer (1995). Os métodos para analisar esta fração são gerais e descritos por método da diferença. 2.0 a 20. 25. 1991). e normalmente a amilopectina predomina.0% de pectina). Outros açúcares livres são a maltose. possuem.0% da parede celular como pectina. métodos enzimáticos e cromatográficos ( HPLC).0%). pode-se sugerir o melhor método de extração para os carboidratos. Destes.

2. levam (alto PM) Sol.Tabela 3. amilopectina Insol. sacarose Sol. + Insol. na prática. Insol. Insol. Sol. + Sol. + Insol. Insol. + Insol. A refratometria não é um método específico (Galyean. Sol. Sol. o polarímetro pode ser usado para determinar a quantidade de açúcar presente em solução. Este procedimento usa aparelhos denominados polarímetros e é baseado no princípio de que açúcares são 368 . Sol. 2. 1997).(% umidade +% cinzas +% EE +%PB + %FB). Polarimetria O princípio deste método é baseado no fato de que a onda de luz normalmente vibra transversalmente ao eixo de propagação e o feixe no plano em todas as direções.1. + Sol.1. Solubilidade Carboidrato Água Etanol 25ºC 60ºC 80. Sol. + Sol. Insol. sabendo-se que o índice de refração é proporcional à concentração da solução. Sol. maltose Sol. Sol.3.0% 90. A técnica utiliza instrumentos conhecidos como refratômetros. Frutosanas levam (baixo PM) Sol. O método é utilizado para medida rápida do conteúdo de açúcar em sucos. É dependente da concentração dos açúcares. + Sol. + Sol. Amido amilose Sol.0% Açúcares livres glicose Sol. + Sol. Sol. o feixe emergente vibra em somente um plano e é dito polarizado.1. Insol. Refratometria É baseada na medida do índice de refração de uma solução preparada do alimento. + Sol. Quando a rotação específica de um açúcar é conhecida. Solubilidade em água e etanol dos principais carboidratos. Sol. Insol. Método da diferença A obtenção do conteúdo de carboidratos disponíveis é calculada pela estimativa de todas as outras frações pela análise proximal: % Carboidratos disponíveis = 100 .2. inulina (PM 5000) Sol. e se o feixe de luz passar através de certos minerais. frutose Sol. 1997. os aparelhos são chamados sacarímetros. Sol. + Insol. Fonte: Galyean.1. 2.

1. a amilopectina tem coloração vermelha ou violeta. C = concentração do açúcar em solução em g/mL. a frutose e a sacarose. O procedimento geral estima a glicose.6. uma de grande área superficial (fase estacionária). se torna mais rápida e eficiente em relação à cromatografia líquida clássica. 369 . 2. Colorimetria O princípio da colorimetria é baseado no fato de que.4.5. isto é. alguns comprimentos de onda são absorvidos. em que se utilizava apenas a força gravitacional. 2. Métodos enzimáticos São utilizados na forma de kits testes. A HPLC é uma cromatografia em que a fase móvel é inserida na coluna (local onde está presente a fase estacionária) com o auxílio de bombas. que é relacionada com padrões. A técnica.1. então. 2. Cromatografia líquida de alto desempenho (HPLC) A técnica da cromatografia está baseada no princípio da separação dos constituintes da amostra a ser analisada entre duas fases.opticamente ativos. A quantidade de rotação do feixe é dependente da concentração de açúcares em solução em uma relação linear em que: α = rotação específica do açúcar a 20ºC. É um método utilizado para determinar lactose no leite (requer clarificação da solução antes da medição). e outra que percorre a primeira (fase móvel). eles podem girar a direção do feixe no plano da luz polarizada (luz de um comprimento de onda movendo em um plano). Um grande número de reações químicas ocorre com os açúcares. quando uma luz passa através de uma solução. e outros não. A intensa cor azul do amido em presença de iodo é devido à amilase. 2. arrastando o constituinte que se deseja separar e quantificar.1. resultando na coloração da solução. e = comprimento do caminho do açúcar em dm. β = rotação observada. A extensão da cor relata a concentração do açúcar.2. e vários reagentes produzem cor. Determinação de amido O amido pode ser fracionado em amilase e amilopectina pela gelatinização em água à temperatura e pressão elevadas.

2. e a degradação é um processo que compreende a etapa de digestão e fermentação. e depois pode ser separado. pela polarometria. ou indireta. O método é baseado na extração do açúcar solúvel em etanol a 80. o extrato livre de açúcar deve ser tratado com HClO4 70% e. Métodos de extração a) O ácido perclórico é um eficiente extrator do amido. O rúmen possui uma coleção muito concentrada e diversificada de microrganismos anaeróbicos. METABOLISMO DOS CARBOIDRATOS NÃO ESTRUTURAIS A digestão é um processo que envolve solubilização. o amido pode ser determinado pela hidrólise com α-amilase e amiloglucosidase. hidrólise extracelular e transporte para o interior da célula das substâncias necessárias para o metabolismo animal.2. amônia e ácidos graxos de cadeia curta. que por outro lado pode destruir a dextrose.1. Portanto.2. por causa da sua predominância numérica e pela diversidade metabólica. e a hidrólise da dextrose é completada com amiloglucosidase). que pode ser determinada pela técnica química ou físico-química. A quantificação do amido pode ser é gravimétrica. O amido pode ser extraído e dispersado em solução coloidal. 3. (1990). determinando-se o teor de iodo por titulação ou colorimetria (Na2S2O4). A fermentação é um processo que envolve reações com produtos finais. De acordo com Herrera-Saldana et al. ou como glicose após hidrólise química ou enzimática. O amido liberado é determinado colorimetricamente com solução de antrona. protozoários e fungos (Tajima et al. O conteúdo de amido pode ser determinado por precipitação e gravimetria ou titulação de precipitado. como acético. que deve ser recebido em iodo (complexo I . 1999). As bactérias são responsáveis pela maior parte da digestão dos alimentos no rúmen.0%. procede-se à precipitação do amido com iodo. incluindo bactérias. vários métodos empregam a hidrólise ácida e enzimática.A determinação de amido em alimentos pode ser feita de diversas formas. b) O amido pode também ser extraído a quente. Os métodos que envolvem a hidrólise ácida estão sujeitos a erros causados pela hidrólise de polissacarídeos não amiláceos. com solução concentrada de CaCl2. Os protozoários 370 . propiônico e butirico. Após extração. Métodos de hidrólise A hidrólise ácida do amido produz glicose. como metano. 2.amido). então. tem-se um extrato de amido. colorimetria. e a glicose é medida usando-se a glicose oxidase (amido quente gelatinizado dos produtos de trigo pode ser hidrolisado pela αamilase. posteriormente em álcali que decompõe o complexo..2.

A pectina é rápida e completamente degradada no rúmen pelas espécies de bactérias Prevotella ruminicola. Nos alimentos ricos em amido. reforçando a hipótese de seletividade das espécies de microrganismos aos diferentes tipos de substratos (McAllister et al. Russell e Rychlik.. Ruminobacter amilophylus. 1990). 1988. 2001). Butyrivibrio fibrisolvens. O aumento progressivo de concentrados ricos em amido em dietas à base de forragem estimula o aumento da população de protozoários no rúmen devido ao aumento no suprimento de substratos energéticos rapidamente fermentáveis. entre as principais: Streptococcus bovis. individualmente são incapazes de produzir todas as enzimas digestivas necessárias para a digestão completa dos grãos dos cereais. 2001). Succinomonas amylolytica e Selenomonas ruminantium. Essa diferenciação é importante porque o amido é fornecido para os ruminantes na forma de grãos de cereais e está protegido do ataque microbiano pelo pericarpo.0 a 50. a maioria das espécies e o número de protozoários por unidade de conteúdo ruminal podem ser muito reduzidos (ou mesmo exauridos) naqueles animais alimentados com dietas contendo mais de 75. Embora todas essas espécies de bactérias cultivadas em culturas puras in vitro possam digerir grânulos de amido isolados. Muitas espécies de bactérias são capazes de digerir açúcares e amido no rúmen. pela parede celular e pela matriz proteica. Eubacterium ruminantium e Clostridium spp. baixa taxa de salivação e ao aumento da taxa de passagem (Franzolin e Dehority. Marounek e Dusková (1999) estabeleceram que o Butyrivibrio fibrisolvens 787 apresentou maior atividade pectinolítica in vitro que o Prevotella ruminicola AR29. 371 . 1996). o processo digestivo começa quando as bactérias amilolíticas do líquido ruminal são atraídas e se aderem à superfície dos grânulos de amido logo que o alimento adentra o rúmen. Porém. Prevotella ruminicola. Russell e Rychlik. As colônias primárias se multiplicam rapidamente. 1982. a habilidade de digerir o amido in vitro pode não se manifestar na mesma intensidade na digestão do amido dos grãos dos cereais no rúmen. novas colônias fisiologicamente distintas são atraídas para completar a digestão dos componentes nutricionais nas superfícies dos alimentos.0% da biomassa e com atividade enzimática total no rúmen (Santra e Jakhmola. Lachnospira multiparus e Succinivibrio dextrinosolvens (Chesson e Monro.0% de concentrados à base de grãos de cereais devido possivelmente ao baixo valor de pH do rúmen. pois a biomassa de fungos aumenta substancialmente em dietas ricas em volumosos e praticamente está ausente em dietas ricas em concentrados à base de grãos de cereais (Orpin e Joblin. e suas enzimas digestivas hidrolisam os nutrientes solúveis dos alimentos. Portanto. Os fungos ruminais somente foram descobertos recentemente e atuam sobretudo na digestão da fibra. (Cotta. Butyrivibrio fibrisolvens.são os microrganismos ruminais de maior tamanho e podem contribuir com 40. 1997). 1998). Após a exaustão dos nutrientes digestíveis na superfície dos alimentos pelas primeiras colônias de bactérias.

O acetato é o principal ácido graxo volátil produzido no rúmen pelos microrganismos ruminais. 1999).0% do amido do trigo e da cevada chegam ao intestino delgado (Orskov.0% do amido do milho e do sorgo podem escapar da fermentação ruminal. a aveia e a cevada são mais rápida e extensamente fermentados no rúmen que o sorgo e o milho (Herrera-Saldana et al. em que a pectina das folhas frescas de gramíneas foi mais extensamente fermentada no rúmen que a pectina do feno de alfafa (Hall. 1995). Há também diferenças entre espécies. 1986). podendo representar até 75. Os ácidos graxos voláteis (AGV) são absorvidos através da parede ruminal e representam a maior fonte de energia para o ruminante (Bergman... a extensão da fermentação pode ser diferente entre as diversas frações da planta. do tipo de carboidrato fermentado e do ambiente ruminal durante a fermentação. 1991. 1996). 1994).A taxa e a extensão da digestão do amido no rúmen diferem entre as fontes do amido (Rooney e Pflugfelder. gás carbônico e metano. A pectina não é degradada pelas enzimas animais (Van Soest et al. 1997). Mertens. porém a fermentação da pectina aumenta a produção de acetato e geralmente não determina a produção de ácido láctico durante a fermentação (Hatfield e Weimer. O piruvato é a substância na qual todos os carboidratos são convertidos antes de serem transformados em ácidos graxos voláteis. 1996). O ATP gerado é a principal fonte de energia química prontamente disponível para o crescimento e a manutenção de todos os microrganismos. A maioria dos microrganismos ruminais fermenta a glicose e outros monômeros resultantes da hidrólise dos carboidratos até o piruvato utilizando a via da glicólise (Ciclo de Embden-Meyerhof). Ainda.0% dos ácidos graxos voláteis produzidos nas dietas ricas em volumosos e mais de 50. Porém. é extensa e rapidamente degradada pelos microrganismos no rúmen em contraste com as outras frações fibrosas dos alimentos (Hall. A proporção molar de cada produto final depende das espécies de microrganismos envolvidas. sendo que estudos mostraram que a pectina isolada da folha da alfafa foi mais rapidamente degradada que a pectina da haste. enquanto menos de 10. Os grãos de trigo. 1986) e com o método e a intensidade do processamento (Theurer et al.0% nas dietas ricas em concentrados. As matrizes proteicas dos grãos de milho e de sorgo são extremamente resistentes à degradação. 1990). A susceptibilidade das matrizes proteicas à digestão microbiana ajuda a explicar por que mais de 40. O processamento físico dos grãos geralmente aumenta a taxa e a extensão de fermentação do amido no rúmen com redução da quantidade de amido disponível para a digestão no intestino delgado (Mathison. 1990). 1994.. enquanto aquelas da cevada. aveia e trigo são facilmente digeridas no rúmen. A taxa e a extensão da degradação da pectina são similares aos carboidratos não estruturais. o que proporciona aos microrganismos dois moles de adenosina trifosfato (ATP) e dois moles de nicotinamida adenina dinucleotídeo reduzido (NADH2).. 372 . Hall et al.

a via do acrilato pode ser mais importante no rúmen de animais que estão consumindo dietas ricas em concentrados (Leng. 1994. como o piruvato ou o glutamato. O propionato absorvido é o principal substrato gliconeogênico do ruminante. Em geral. 1993). por ser o principal AGV produzido no rúmen. A gliconeogênese possui importância crítica para a manutenção dos níveis plasmáticos de glicose no ruminante. resulta na regeneração de cofatores oxidados. Reynolds. embora sem benefícios para as bactérias. se ocorre (Reynolds et al. O formato é convertido posteriormente a CO2 e H2 por outros microrganismos ruminais: Piruvato + CoASH → Acetil-CoA + HCOOPiruvato + CoASH + H+ → Acetil-CoA + CO2 + H2 O acetato é a fonte mais importante de energia metabolizável para o ruminante. o que permite o prosseguimento do processo fermentativo (Fahey Jr. 1995). 1970). A via mais importante é o inverso da β-oxidação. é o principal substrato utilizado para a lipogênese que. pois a absorção líquida de glicose pelo trato gastrointestinal é muito pequena. A glicose pode suprir somente quantidades desprezíveis de acetil-CoA para a lipogênese nos ruminantes devido a baixos níveis da enzima ATP-citrato liase. 1990). Na outra via. A proporção molar dos ácidos graxos voláteis é principalmente influenciada pela relação volumoso:concentrado das dietas. quando essa relação diminui. O tipo de substrato fermentado e as condições do meio determinam as espécies de microrganismos ruminais que preferencialmente conseguirão proliferar. ao contrário do que ocorre nos não ruminantes. A síntese do butirato pode ocorrer no rúmen a partir do acetato ou de outros compostos que resultem em acetil-CoA. que posteriormente é reduzido até o butirato pela via do crotonil-CoA (Leng. a proporção acetato:propionato também diminui. Além disso. A síntese do butirato a partir do acetato. em que são utilizadas duas moléculas de acetato. processo metabólico que ocorre no fígado e nos rins (Bergman. o malonil-CoA se combina com o acetil-CoA. A primeira via é a mais ativa na formação do propionato. e a segunda envolve a conversão do piruvato a lactato e esse último a acrilato. Porém. 1970). Têm sido descritas duas vias de síntese de butirato no rúmen. Existem duas vias conhecidas de conversão do piruvato até propionato. ocorre no tecido adiposo. A primeira via envolve a formação do oxaloacetato e succinato. 373 .. e Berger.A principal via bioquímica de produção do acetato pelos microrganismos ruminais envolve a conversão do piruvato a formato e acetil-Coenzima A (Acetil-CoA) pelo sistema enzimático da piruvato liase. no ruminante. consequentemente determinam os produtos finais gerados na fermentação.

o lactato pode se acumular a níveis não fisiológicos no líquido ruminal. O acúmulo de lactato faz o pH cair mais rapidamente. 1998. há grande aumento da produção de ácidos graxos voláteis e de lactato. O aumento da disponibilidade de carboidratos não estruturais e a consequente queda do pH provocam intensas modificações do ecossistema ruminal. 2002). pois tem pKa mais baixo (3. resultando em acidose ruminal (Russell e Hino. são alguns dos microrganismos mais resistentes ao baixo pH do meio. 1998).. podendo proliferar em condições de acidez limitantes para a maioria dos microrganismos ruminais (Therion et al. levando-o para níveis críticos abaixo de 5. Há redução da população de microrganismos celulolíticos.. Há aumento da população dos amilolíticos. Quando o suprimento de carboidratos rapidamente fermentáveis aos animais é aumentado abruptamente. As mudanças no ecossistema ruminal com o supercrescimento das bactérias produtoras de lactato são muito rápidas e podem ocorrer em menos de 24h (Dawson et al.4. Russell e Hino. há inibição da população de microrganismos consumidores de lactato como a Megasphera elsdenii e Selenomonas ruminantium (Nocek. O Streptococus bovis e os Lactobacillus spp. foi demonstrado por Russell e Dombrowski (1980) que a capacidade de produção de lactato pelos Streptococus bovis e Lactobacillus vitulinus aumentou quando o pH do meio foi reduzido para valores menores que 5. e a absorção dos AGVs) podem não conseguir manter o pH ruminal. que contém bicarbonato. uma vez que esse ácido é mais forte que os ácidos graxos voláteis. Dessa forma.. 374 . H2.0 (Russell e Dombrowski. fosfato e ureia. principalmente do Streptococcus bovis. 1982). Asanuma e Hino. os mecanismos tamponantes do rúmen (a saliva. Dessa forma. etanol e formato quando cultivado em pH acima de 6. 1997).9) que os ácidos graxos voláteis (4.0. Além disso. tornando-se o principal microrganismo produtor de lactato no rúmen em acidose (Russell e Baldwin. em algumas situações. CO2. principalmente os açúcares e amido. Dessa forma. que deixa de produzir acetato.5. metano e.. 1997). também a lactato.9). essas espécies potencialmente contribuem para o progresso e a perpetuação da acidose ruminal por acelerar a queda do pH devido ao aumento da produção de lactato na acidose (Russell e Hino. Therion et al. 1997).. 1985. 1980. a ácidos graxos voláteis. Dawson et al. quando os animais são alimentados com dietas ricas em concentrados. Concomitantemente. 1985). com redução da degradação dos carboidratos estruturais. Owens et al. Os grãos de cereais são ricos em amido e representam as principais fontes de carboidratos não estruturais dessas dietas.7-4. Os microrganismos anaeróbicos ruminais fermentam rapidamente as fontes de carboidratos não estruturais. para produzir lactato como principal produto final da fermentação em pH menor que 5.7.5 devido ao acúmulo indesejável de AGVs e lactato no rúmen (Hall. 1979. 1982). CONSIDERAÇÕES SOBRE ACIDOSE RUMINAL As dietas fornecidas aos ruminantes estão cada vez mais ricas em concentrados (ricas em grãos de cereais) para atender ao aumento das exigências nutricionais dos animais de alta produção. 1985. porque esses microrganismos são muito sensíveis ao pH menor que 6.

O período de adaptação às dietas ricas em carboidratos não estruturais deve ser superior a 14 dias. sendo assim classificado por estar presente no conteúdo celular e ser fonte de energia prontamente disponível ou de reserva para a planta. queda do pH sanguíneo e morte do animal (Owens et al. localizadas principalmente no fígado e no coração. 1997). o correto balanceamento dos carboidratos da dieta e o monitoramento do tamanho da partícula das forragens fornecidas.0% do lactato presente no rúmen. CONSIDERAÇÕES FINAIS O grupo dos carboidratos não fibrosos é constituído pelos açúcares e amido. enquanto o D-lactato necessita atravessar a membrana mitocondrial antes de ser oxidado pela enzima D-2-hidroxiácido desidrogenase. metanol. paraqueratose. Além disso.. apesar de os animais não parecerem doentes (Slyter. por estimular a absorção dos ácidos graxos voláteis (Owens et al. As estratégias para controlar a acidose ruminal constituem o controle do fornecimento de concentrados. No entanto. o D-lactato é considerado mais tóxico. 1976).0. 1997). Por isso. que é um polissacarídeo amorfo contido na parede celular. Em adição ao D-lactato. 1998). é também classificada como carboidrato não fibroso por ser totalmente solúvel em detergente neutro e ser rápida e extensamente degradável pelos microrganismos ruminais.0. abscessos hepáticos. o que contribui para a disfunção fisiológica geral do animal em acidose (Dawson et al. o D-lactato pode representar mais de 50. como etanol... 5.Na acidose aguda. Ambos L e D isômeros do ácido láctico são produzidos pelos microrganismos ruminais na proporção de 4:1. Essas medidas de manejo permitem que haja o equilíbrio no crescimento de microrganismos produtores e consumidores de lactato no rúmen e também possibilitam que a mucosa ruminal aumente a capacidade de absorção de AGVs (Dawson et al.. são detectáveis no conteúdo ruminal na acidose e podem exercer efeitos sistêmicos adversos ao animal (Slyter. em pH maior que 6. Entretanto. A pectina. O L-lactato é rapidamente metabolizado pelas enzimas do ruminante. 1998). quando o pH cai para valores inferiores a 5. 1976). Podem ocorrer ulceração das mucosas ruminal e intestinal. O uso de substâncias alcalinizantes (bicarbonato de sódio e óxido de magnésio) na dieta ou o de fontes de nitrogênio não proteico (ureia) também ajudam a reduzir a depressão do pH ruminal após o consumo de grandes quantidades de concentrados. desidratação grave. a acidez e a osmolaridade do líquido ruminal aumentam marcadamente com o acúmulo de lactato e de glicose livre. histamina. tiramina e endotoxinas. outros produtos microbianos. a acidose crônica ou subaguda é um problema econômico mais grave porque resulta no declínio do consumo voluntário e no desempenho. sendo metabolizado mais lentamente. 375 . permitem que o rúmen (microrganismos e mucosa) se adapte gradativamente ao aumento de concentrados na dieta.

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seja para extração de óleo para uso doméstico e produção de biodiesel ou para elaboração de rações animais. lobato. norte e nordeste. 1984).123970.. Associado Departamento de Zootecnia da Escola de Veterinária da UFMG. destaca-a como opção de oleaginosa para suplementação de vacas de leite.com. considerando-se as extensas áreas aptas e disponíveis para o seu cultivo no país. Neste capitulo. Prof. MG. Belo Horizonte.. a adição de gordura à dieta pode ser. em Zootecnia. Caixa Postal 567. a substituição de cereais por oleaginosas é um método de incrementar a densidade energética sem comprometer o conteúdo em fibra (Palmquist. A adição de lipídios à dieta surge como uma alternativa para elevar o nível energético da dieta.1. principalmente nos cerrados do meio oeste. CEP 30. MSc. MG.br 3 Médico Veterinário. serão discutidas as principais formas de utilização da soja integral. Alex de Matos Teixeira3. CEP 30. alexmteixeira@yahoo. DSc. Caixa Postal 567.88 milhões. Escola de Veterinária da UFMG. Flávia Cardoso Lacerda Lobato 4 RESUMO A grande disponibilidade de soja.com 2 Engenheiro Agrônomo.CAPÍTULO 21 GRÃO DE SOJA NA ALIMENTAÇÃO DE GADO DE LEITE Wilson Gonçalves de Faria Jr. O complexo agroindustrial da soja responde por cerca de 15% das exportações e tem vocação para crescer muito mais. uma maneira de aumentar a produção de leite (Chilliard. que buscam tanto o grão quanto os subprodutos. Belo Horizonte. o metabolismo ruminal e as respostas produtivas dos animais. CEP 30. as influências dos processamentos físicos. Todavia. ainda. Escola de Veterinária da UFMG. O Brasil é o segundo produtor mundial de soja. MG. para vacas leiteiras de alta produção. Isso corresponde a cerca de 27% da produção mundial de 220. Caixa Postal 567. Belo Horizonte. sem aumentar a ingestão de carboidratos não estruturais ou diminuir a ingestão de fibra. associada ao balanço favorável de energia e proteína.com 1 381 . Bolsista CNPq. Belo Horizonte. Lúcio Carlos Gonçalves2. INTRODUÇÃO O desenvolvimento da cultura de soja nas últimas quatro décadas foi espetacular. Assim.fafa@gmail. 1993).ufmg. MG. Escola de Veterinária da UFMG.IBGE. Há crescente demanda pelo grão da oleaginosa nos mercados nacional e internacional. Médico Veterinário. com produção estimada de 60 milhões de toneladas no ano de 2008 (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística .123-970. Doutorando em Zootecnia. térmicos e químicos sobre o valor nutritivo da soja. assim como as alterações na composição química e no perfil de ácidos graxos do leite. MSc. wilsonvet2002@gmail. luciocg@vet. 2009). CEP 30.123-970. Doutorando em Nutrição Animal.br 4 Médica Veterinária.123-970. MSc. Caixa Postal 567.

possibilitar um aumento da relação volumoso:concentrado na ração. Além disso. devido a sua composição. no caso da soja integral crua. principalmente com relação ao amido. pelo aumento da degradação da proteína no rúmen e maior influência dos lipídios no metabolismo ruminal. 1. é uma excelente fonte de energia e proteína para vacas em lactação. Processamento físico Os grãos inteiros podem ser deglutidos facilmente por não serem retidos na boca por tanto tempo como as forragens para salivação. 2006). com isso. como moagem. 1. mas. tem crescido o uso da soja grão nas dietas de vacas de alta produção para elevar a densidade energética das dietas (Palmquist. o nível de produção. 382 . redução do consumo e da absorção de nutrientes.1. com a intenção de reduzir o período de balanço energético negativo das vacas no pósparto e propiciar condições para que o animal sofra menor perda de condição corporal e possa expressar o potencial leiteiro. o uso da soja integral pode reduzir o incremento calórico dos animais e a produção de metano. bem como os ingredientes e o balanceamento dos nutrientes da dieta como um todo. porque as respostas termorregulatórias do animal resultam em aumento das frequências respiratórias e cardíacas. esses podem aumentar o tempo destinado à mastigação e à ruminação quando comparados aos triturados. de modo a aumentar a eficiência de uso da energia dos alimentos para a produção. Segundo Shearer e Beed (1992). Em função do elevado valor energético.. (1993) sugerem que os métodos de processamento da soja para alimentação de vacas de leite devem ser baseados em vários fatores. O nível de inclusão de soja integral. diminuindo os problemas metabólicos relacionados com ingestão excessiva de amido. com a vantagem de poder ser produzida diretamente na propriedade. além da mudança no direcionamento do fluxo sanguíneo dos tecidos internos para os tecidos periféricos. pode levar a resultados negativos. principalmente para vacas de alta produção. Contudo. pode aumentar a eficiência na digestão dos grãos no rúmen (Nussio et al.A soja integral. o período de lactação. PROCESSAMENTO DA SOJA INTEGRAL Tice et al. O processamento físico. o estresse calórico afeta adversamente a produção leiteira. O adensamento da dieta com o uso de soja integral mostra-se como alternativa para burlar a queda no consumo de energia e proteína que ocorre com a redução natural e fisiológica no consumo de alimento durante o período de transição (periparto e pós-parto) e em situações de estresse calórico no verão. Isso é desejável porque estimula a salivação e auxilia na manutenção do pH ruminal. 1991) e. podem determinar se o processamento resultará em respostas produtivas positivas ou não.

2. Alguns pesquisadores encontraram resultados positivos. (1995). Segundo Tice et al. outros autores. não encontraram nenhum benefício na performance produtiva. (1997a. pelo motivo citado anteriormente. Grummer et al. exceto no início da lactação. Hsu e Satter (1995). ela apresentará grande influência sobre a ingestão de proteína não degradável no rúmen.1. extrusão. Bernard et al. McNivem et al. (1993). Por outro lado. principalmente. com mínimos efeitos sobre a digestibilidade da fibra e sem comprometimento na performance dos animais. O lignossulfato de cálcio foi mais eficiente que a tostagem em transferir AG insaturados 383 . pois proporcionará um aumento na quantidade de proteína não degradável no rúmen. MO. b). Hsu e Satter (1995) mostraram que. com relação à soja crua. PB das rações tratadas. Já o tratamento da soja integral com sais de lignossulfato de cálcio foi eficiente em proteger os lipídios da bio-hidrogenação no rúmen. no entanto essa quantidade de formaldeído parece ser excessiva. aumentando em até 70% a proteína sobrepassante. O tratamento dos fatores proteicos com formaldeído tem sido estudado como um método de proteção da proteína à degradação rumina