Alimentos para

Gado de Leite

Editores: Lúcio Carlos Gonçalves Iran Borges Pedro Dias Sales Ferreira

Lúcio Carlos Gonçalves Iran Borges Pedro Dias Sales Ferreira

ALIMENTOS PARA GADO DE LEITE

FEPMVZ-Editora Belo Horizonte
2009

A414

Alimentos para gado de leite / Editores: Lúcio Carlos Gonçalves, Iran Borges, Pedro Dias Sales Ferreira. – Belo Horizonte: FEPMVZ, 2009. 568 p. : il. Inclui bibliografia ISBN 978-85-87144-36-2 1. Bovino de leite – Alimentação e rações. 2. Bovino de leite - Nutrição. 3. Nutrição animal. I. Gonçalves, Lúcio Carlos. II. Borges, Iran. III. Ferreira, Pedro Dias Sales. CDD – 636.214 085 2

PREFÁCIO

A carência de uma obra que reunisse informações acerca do uso de alimentos para bovinos leiteiros motivou a elaboração deste livro. Considerandose a literatura internacional, nos últimos anos, tem sido grande a produção de conhecimento sobre alimentos para gado de leite, no entanto era necessário reunir estas informações para facilitar aos interessados o acesso a elas. Este livro visa atingir produtores rurais, alunos de graduação e pósgraduação e demais técnicos da área de produção de gado de leite. A obra traz informações sobre os alimentos volumosos mais comuns, alimentos concentrados proteicos e energéticos, o uso de resíduos, de ureia, de taninos e a qualidade de ingredientes para alimentação de bovinos leiteiros. Agradecemos especialmente a cada autor pelo afinco e dedicação com que trabalharam para tornar possível a elaboração deste livro

Os Editores

ÍNDICE
CAPÍTULO 1 CLASSIFICAÇÃO DOS ALIMENTOS. Lúcio Carlos Gonçalves, Iran Borges, Ana Luiza da Costa Cruz Borges, Pedro Dias Sales Ferreira CANA-DE-AÇÚCAR NA ALIMENTAÇÃO DE GADO DE LEITE. Mariana Magalhães Campos, Ana Luiza da Costa Cruz Borges, Lúcio Carlos Gonçalves SILAGEM DE GIRASSOL PARA BOVINOS LEITEIROS. Luiz Gustavo Ribeiro Pereira, Lúcio Carlos Gonçalves,Thierry Ribeiro Tomich, Alex Santos Lustosa de Aragão SILAGEM DE SORGO PARA GADO DE LEITE. Wilson Gonçalves de Faria Jr., Lúcio Carlos Gonçalves, Daniel Ananias de Assis Pires, José Avelino Santos Rodrigues, Matheus Anchieta Ramirez O MILHETO COMO OPÇÃO PARA GADO DE LEITE. Gabriel de Oliveira Ribeiro Júnior, Lúcio Carlos Gonçalves, Roberto Guimarães Júnior, Fernado Pimont Pôssas, Rogério Martins Maurício RESÍDUOS DE FRUTAS NA ALIMENTAÇÃO DE GADO DE LEITE. Marcos Cláudio Pinheiro Rogério, Gherman Garcia Leal de Araujo, Marcos José Alves, Jose Neuman Miranda Neiva, Helio Henrique Araújo Costa POLPA CÍTRICA NA ALIMENTAÇÃO DE BOVINOS DE LEITE. Alex de Matos Teixeira, Lúcio Carlos Gonçalves, Frederico Osório Velasco, Gabriel de Oliveira Ribeiro Júnior, Felipe Antunes Magalhães POLPA DE BETERRABA NA ALIMENTAÇÃO DE GADO DE LEITE. Isabela Rocha França Machado Veiga, Lúcio Carlos Gonçalves, Fernanda Samarini Machado, Gabriel de Oliveira Ribeiro Júnior RESÍDUO DE CERVEJARIA PARA GADO LEITEIRO. Frederico Osório Velasco, Lúcio Carlos Gonçalves, Alex de Matos Teixeira, Wilson Gonçalves de Faria Jr., Felipe Antunes Magalhães FIBRA NA ALIMENTAÇÃO DE GADO DE LEITE. Fernanda Samarini Machado, Lúcio Carlos Gonçalves, Marcelo Neves Ribas, Gabriel de Oliveira Ribeiro Júnior CASCA DE SOJA NA ALIMENTAÇÃO DE GADO DE LEITE. Gabriel de Oliveira Ribeiro Júnior, Lúcio Carlos Gonçalves, Flavia Cardoso Lacerda Lobato, Frederico Osório Velasco UREIA E AMÔNIA EM RESÍDUOS AGROINDUSTRIAIS PARA RUMINANTES. Wilson Gonçalves Faria Jr., Lúcio Carlos Gonçalves, Cristiano Gonzaga Jayme, Alex de Matos Teixeira HIDRÓXIDO DE SÓDIO EM RESÍDUOS AGROINDUSTRIAIS PARA RUMINANTES. Frederico Osório Velasco, Lúcio Carlos Gonçalves, Marcelo Neves Ribas, Wilson Gonçalves de Faria Jr.

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CAPÍTULO 2

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CAPÍTULO 3

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CAPÍTULO 4

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CAPÍTULO 5

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CAPÍTULO 6

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CAPÍTULO 7

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CAPÍTULO 8

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CAPÍTULO 9

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CAPÍTULO 10

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CAPÍTULO 11

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CAPÍTULO 12

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CAPÍTULO 13

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CAPÍTULO 14

O MILHO NA ALIMENTAÇÃO DE GADO DE LEITE. Luiz Gustavo Ribeiro Pereira, Roberto Camargos Antunes, Lúcio Carlos Gonçalves, Wellyngton Tadeu Vilela Carvalho SILAGEM DE GRÃO ÚMIDO DE MILHO NA ALIMENTAÇÃO DE BOVINOS DE LEITE. Marcelo Neves Ribas, Lúcio Carlos Gonçalves, Fernanda Samarini Machado, Isabela Rocha França Machado Veiga, Marcelo Resende Sousa GRÃO DE SORGO NA ALIMENTAÇÃO DE GADO DE LEITE. Wilson Gonçalves de Faria Jr., Lúcio Carlos Gonçalves, Alex de Matos Teixeira, Wellyngton Tadeu Vilela Carvalho COPRODUTOS DA MANDIOCA NA ALIMENTAÇÃO DE GADO DE LEITE. Fernanda Samarini Machado, Lúcio Carlos Gonçalves, Wilson Gonçalves de Faria Jr., Marcelo Neves Ribas COPRODUTOS DO TRIGO E DO ARROZ NA ALIMENTAÇÃO DE GADO DE LEITE. Flávia Cardoso Lacerda Lobato, Lúcio Carlos Gonçalves, Isabela Rocha França Machado Veiga, Fernando Pimont Pôssas BATATA-DOCE NA ALIMENTAÇÃO DE GADO DE LEITE. Isabela Rocha França Machado Veiga, Lúcio Carlos Gonçalves, Flávia Cardoso Lacerda Lobato, Wilson Gonçalves de Faria Jr. CARBOIDRATOS NÃO FIBROSOS NA ALIMENTAÇÃO DE GADO DE LEITE. Eloísa de Oliveira Simões Saliba, Norberto Mario Rodriguez, Lúcio Carlos Gonçalves GRÃO DE SOJA NA ALIMENTAÇÃO DE GADO DE LEITE. Wilson Gonçalves de Faria Jr, Lúcio Carlos Gonçalves, Alex de Matos Teixeira, Flávia Cardoso Lacerda Lobato FARELO DE SOJA NA ALIMENTAÇÃO DE VACAS LEITEIRAS. Wilson Gonçalves de Faria Jr., Diogo Gonzaga Jayme, Lúcio Carlos Gonçalves, Pedro Dias Sales Ferreira CAROÇO DE ALGODÃO NA ALIMENTAÇÃO DE GADO DE LEITE. Flávia Cardoso Lacerda Lobato, Lúcio Carlos Gonçalves, Isabela Rocha França Machado Veiga, Fernando Pimont Pôssas FARELO DE ALGODÃO NA ALIMENTAÇÃO DE GADO LEITEIRO. Alex de Matos Teixeira, Lúcio Carlos Gonçalves, Frederico Osório Velasco, Gabriel de Oliveira Ribeiro Júnior SEMENTES, TORTA E FARELO DE GIRASSOL NA ALIMENTAÇÃO DE GADO DE LEITE. Wellyngton Tadeu Vilela Carvalho, Lúcio Carlos Gonçalves, Luiz Gustavo Ribeiro Pereira, Frederico Osório Velasco FARELO DE AMENDOIM NA ALIMENTAÇÃO DE GADO DE LEITE. Fernando Pimont Pôssas, Lúcio Carlos Gonçalves, Flávia Cardoso Lacerda Lobato, Fernanda Samarini Machado

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CAPÍTULO 15

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CAPÍTULO 16

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CAPÍTULO 17

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CAPÍTULO 18

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CAPÍTULO 19

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CAPÍTULO 20

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CAPÍTULO 22

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CAPÍTULO 23

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CAPÍTULO 24

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CAPÍTULO 25

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CAPÍTULO 26

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CAPÍTULO 27

TORTA DE MAMONA NA ALIMENTAÇÃO DE GADO DE LEITE. Marcelo Neves Ribas, Lúcio Carlos Gonçalves, Fernanda Samarini Machado, Isabela Rocha França Machado Veiga UREIA NA ALIMENTAÇÃO DE GADO DE LEITE. Roberto Guimarães Júnior, Lúcio Carlos Gonçalves, Luiz Gustavo Ribeiro Pereira, Thierry Ribeiro Tomich TANINOS NA ALIMENTAÇÃO DE RUMINANTES. Wellyngton Tadeu Vilela Carvalho, Lúcio Carlos Gonçales, Rogério Martins Maurício, Diego Soares Gonçalves Cruz, Matheus Anchieta Ramirez QUALIDADE DE INGREDIENTES PARA ALIMENTAÇÃO DE BOVINOS. Deborah Alves Ferreira, Lúcio Carlos Gonçalves, Wellyngton Tadeu Vilela Carvalho, Pedro Dias Sales Ferreira, Matheus Anchieta Ramirez

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CAPÍTULO 28

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CAPÍTULO 29

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CAPÍTULO 30

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CAPÍTULO 1 CLASSIFICAÇÃO DOS ALIMENTOS   
Lúcio Carlos Gonçalves1, Iran Borges2, Ana Luiza da Costa Cruz Borges3, Pedro Dias Sales Ferreira4

RESUMO Este capítulo visa apresentar uma classificação simplificada dos alimentos e enumerar os fatores que podem alterar-lhes a composição.

INTRODUÇÃO É importante que o nutricionista saiba classificar os alimentos para que possa utilizálos racional e adequadamente. Assim, ele poderá elaborar dietas nutricionalmente equilibradas que resultarão em desempenhos animais satisfatórios. Os alimentos são classificados de acordo com os seus conteúdos de fibra bruta e de outros nutrientes, em cinco grandes grupos:

1. ALIMENTOS VOLUMOSOS São os que contêm mais de 18% de fibra bruta (FB) na matéria seca e englobam forrageiras secas e grosseiras (fenos e palhas), pastagens cultivadas, pastos nativos, forrageiras verdes e silagens. Existem grandes diferenças entre os conteúdos de proteína bruta, fibra bruta, cálcio e fósforo entre as forrageiras tropicais. À medida que a planta forrageira envelhece, seu valor nutritivo piora pelo maior acúmulo de carboidratos estruturais e lignina e pela menor porcentagem de proteína bruta e fósforo, trazendo como consequência menor consumo e menor digestibilidade da matéria seca ingerida. É importante salientar que quanto melhor o valor nutritivo do volumoso, menor será o custo de produção da carne e do leite produzidos a partir desses alimentos.

Engenheiro Agrônomo, DSc., Prof. Associado Departamento de Zootecnia da Escola de Veterinária da UFMG, Caixa Postal 567, CEP 30.123-970, Belo Horizonte, MG. luciocg@vet.ufmg.br 2 Zootecnista, Dsc. Prof. Associado , Departamento de Zootecnia da Escola de Veterinária da UFMG, Caixa Postal 567, CEP 30.123-970, Belo Horizonte, MG. iranborges@superig.com.br 3 a Médica Veterinária, DSc. Prof . Associado Departamento de Zootecnia da Escola de Veterinária da UFMG, Caixa Postal 567, CEP 30.123-970, Belo Horizonte, MG. analuiza@vet.ufmg.br 4 Médico Veterinário, mestrando em Zootecnia, Escola de Veterinária da UFMG, Caixa Postal 567, CEP 30.123-970, Belo Horizonte, MG. Bolsista CNPq. ferreira.pds@gmail.com

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As diferenças entre a composição química de diferentes forrageiras e entre forrageiras em diferentes idades de corte podem ser observadas nas Tabelas 1 e 2.

Tabela 1. Composição bromatológica de forrageiras tropicais em diferentes idades em porcentagem de matéria seca. Forrageira Capimbraquiarão Capimdecumbens Capimelefante Capimtifton Idade (dias) 0 a 30 31 a 45 46 a 60 0 a 30 31 a 45 46 a 60 31 a 45 46 a 60 61 a 90 0 a 30 31 a 45 46 a 60 % MS* 14,46 21,47 21,49 21,21 30,23 27,34 14,35 19,94 19,77 17,89 16,59 20,78 % PB 11,04 10,65 10,61 12,32 7,78 9,06 14,34 9,20 9,70 11,88 9,22 7,42 % FDN 67,89 63,06 83,75 77,93 79,96 69,84 72,28 73,94 72,65 72,34 72,31 % FDA 33,29 31,19 43,55 37,55 40,04 38,94 42,43 41,95 38,57 37,81 37,29 % Ca 0,94 0,71 0,61 0,53 0,35 0,50 0,29 0,26 0,25 0,24 %P 0,47 0,47 0,42 0,30 0,35 0,27 0,54 0,29 0,26 0,21 0,20

* A matéria seca está em porcentagem da matéria natural. Matéria Seca (MS); proteína bruta (PB); fibra em detergente neutro (FDN); fibra em detergente ácido (FDA); cálcio (Ca); fósforo (P). Fonte: Valadares Filho et al. (2006).

Tabela 2. Composição bromatológica de silagens em porcentagem de matéria seca. Forrageira % MS* % PB % FDN % FDA % Ca %P % NDT Silagem de cana25,85 4,05 62,26 41,95 0,46 0,03 45,65 de-açúcar Silagem de 26,81 5,84 79,13 51,75 0,35 0,13 58,08 capim-elefante Silagem de 23,87 9,07 46,10 36,02 1,22 0,10 girassol Silagem de milho 30,92 7,26 55,41 30,63 0,30 0,19 64,27 Silagem de sorgo 30,82 6,69 61,41 35,77 0,30 0,18 57,23
* A matéria seca está em porcentagem da matéria natural. Matéria seca (MS); proteína bruta (PB); fibra em detergente neutro (FDN); fibra em detergente ácido (FDA); cálcio (Ca); fósforo (P); nutrientes digestíveis totais (NDT). Fonte: Valadares Filho et al. (2006).

No período da seca, em que ocorre redução do crescimento da maioria das forrageiras tropicais, é comum o fornecimento de volumoso no cocho. Existem alguns métodos de conservação de forragens, como a fenação e principalmente a ensilagem. Na Tabela 2, encontra-se a composição de silagens comumente utilizadas na suplementação de bovinos leiteiros.

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2. ALIMENTOS CONCENTRADOS São os que possuem menos de 18% de fibra bruta (FB) e podem ser divididos em: a) concentrados energéticos: contêm menos de 20% de proteína bruta (PB). Como exemplo, têm-se: milho, sorgo, trigo, aveia, cevada, frutas, nozes e algumas raízes; b) concentrados proteicos: contêm mais de 20% de PB e têm-se como exemplo os farelos de soja, de amendoim, de girassol, de algodão, glúten de milho e alguns subprodutos de origem animal, tais como a farinha de peixe.

3. SUPLEMENTOS MINERAIS São fontes de macronutrientes, como cálcio (Ca), fósforo (P), potássio (K), cloro (Cl), sódio (Na) e magnésio (Mg), que são expressos em percentagem, e de micronutrientes, como cobalto (Co), cobre (Cu), ferro (Fe), iodo (I) selênio (Se) e zinco (Zn), que são expressos em parte por milhão (ppm) ou miligrama por quilograma (mg/kg). As Tabelas 3 e 4 apresentam algumas fontes de macro e microminerais, respectivamente.

Tabela 3. Fontes de macrominerais (na matéria natural).
Fontes de fósforo Fosfato bicálcico Fosfato monocálcico Fosfato monobicálcico Fosfato monoamônio Fosfato diamônio Fosfato semidefluorizado Fosfato de rocha de Tapira Fosfato de rocha de Patos de Minas Fosfato de rocha de Araxá Fosfato de rocha de Jacupiranga Fosfato de rocha Goiasfértil Farinha de ossos calcinada Farinha de ossos autoclavada Fontes de cálcio Calcário Farinha de ostra Fontes de sódio Sal comum Bicarbonato de sódio Cálcio (%) 24,8 18,6 19,9 28,7 34,8 20,8 25,9 33,9 23,1 32,6 24,1 Cálcio (%) 38,4 36,7 Sódio (%) 39,7 27,0 Cloro (%) 59,6 0,0 P Total 18,5 20,5 18,5 24,0 23,1 16,7 14,9 10,6 11,6 13,0 16,0 16,3 9,3 Fósforo (%) Coef. Disp.* P Disponível 100 18,5 101 20,8 105 19,4 108 25,9 125 28,9 61 10,2 52 7,7 58 51 31 52 92 100 6,1 5,9 4,0 8,3 15,0 9,3 Flúor (%) 0,12 0,63 0,18 0,23 0,80 1,24 1,46 1,85 1,65 1,95 -

* Coeficiente de biodisponibilidade do fósforo em relação ao fosfato bicálcico (padrão com 100% de biodisponibilidade) determinado com aves. Fonte: Rostagno et al. (2000).

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Co (%) 45. corantes.0 30.0 31. fungicidas.1 I (%) 62.5 4. ADITIVOS Os aditivos entram em pequenas quantidades nas rações e são compostos por antibióticos.1 Cu (%) 53.0 20.0 34.1 Mn (%) 47. tampões e enzimas fibrolíticas. Fontes de micromineirais (na matéria natural).3 76.7 Se (%) 41.Tabela 4. anabolizantes.0 20. (2000). Fontes de cobalto Carbonato de cobalto (CoCO3) Sulfato de cobalto (COSo4 H20) Sulfato de cobalto (COSo4 7 H20) Fontes de cobre Carbonato de cobre (CuCO3Cu(OH)2) Óxido de cobre (CuO) Sulfato de cobre (CuSO H2O) Sulfato de cobre (CuSO4 5 H2O) Fontes de ferro Carbonato de ferro (FeCO3) Sulfato ferroso (FeSO4 H2O) Sulfato ferroso (FeSO4 7 H2O) Fontes de iodo Iodato de cálcio (Ca(IO3)2) Iodeto de cobre (CuI2) Iodeto de potássio (KIO3) Iodeto de potássio (KI) Fontes de manganês Carbonato de manganês (MnCO3) Óxido de manganês (MnO) Sulfato de manganês (MnSO4 H2O) Sulfato de manganês (MnSO4 5 H2O) Fontes de selênio Selenato de sódio (Na2SeO4) Selenito de sódio (Na2SeO3) Fontes de zinco Carbonato de zinco (ZnCO3) Óxido de zinco (ZnO) Sulfato de zinco (ZnSO4 H2O) Sulfato de zinco (ZnSO4 7 H2O) Fonte: Rostagno et al.0 66.0 59. antioxidantes.5 22.1 73. 5. 4 .0 33.0 75. SUPLEMENTOS VITAMÍNICOS Constituem misturas de vitaminas que são adicionadas às rações para complementar as deficiências dos alimentos.5 25. hormônios. palatabilizantes.0 36.6 Zn (%) 52.8 62. São pouco utilizados em rações de ruminantes no Brasil.4 22. leveduras.8 45.0 Fe (%) 43.

6. As temperaturas de secagem e/ou de cocção podem danificar a lisina (aminoácido essencial) de muitos alimentos. Condições do solo As forrageiras podem apresentar diferentes composições de oxalato de acordo com o local em que são plantadas. e a mandioca apresenta cultivares com e sem ácido cianídrico. O método de processamento pode alterar a concentração energética do farelo de algodão. Condições de processamento As condições de processamento podem alterar a composição dos alimentos. Fenos armazenados ao sol perdem mais β-caroteno que os armazenados em condições adequadas. à umidade) podem sofrer alterações nas suas composições pela ocorrência de reações químicas. Cultivares (variedades) Pode-se tomar a planta de sorgo como exemplo. que geralmente apresentam menores valores nutritivos. dentre outros. Nos subprodutos de origem vegetal.5. o milho úmido tem menor concentração energética por unidade de peso que o mesmo milho seco. tais como do farelo de soja e farinhas de origem animal. Armazenamento As condições de armazenamento podem modificar a composição dos alimentos. ao sol. 5 . Teor de água A quantidade de água presente nos alimentos alterará a relação e a proporção entre os outros nutrientes. Da mesma maneira.2.1. Alguns cultivares de mandioca podem ter sua toxidez alterada em função dos locais onde são cultivados. 6.4. Existem cultivares com e sem tanino. 6. 6. geralmente em níveis superiores aos permitidos pelo Ministério da Agricultura. outros com açúcares no colmo.3. provoca grandes alterações na composição desses alimentos. (torta gorda versus torta em que o óleo foi extraído por solventes). tais como: 6. a inclusão de cascas. enquanto muitos não os possuem. 6. Misturas minerais armazenadas sob condições inadequadas (exposição ao ar. VARIAÇÕES NAS COMPOSIÇÕES DOS ALIMENTOS Podem ocorrer grandes variações nas composições dos alimentos devido a fatores. Por exemplo. a colza apresenta variedades com diferentes porcentagens de princípios goitrogênicos.

ROCHA Jr. Tabelas brasileiras de composição de alimentos para bovinos. as dietas apresentar-se-ão o mais próximo possível das necessidades da categoria animal em questão e refletirão em desempenhos satisfatórios. 2006..L. MG: UFV. V. VALADARES FILHO. 141p. sempre que possível.T. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ROSTAGNO. H.. et al. ALBINO. Tabelas brasileiras para aves e suínos: Composição de alimentos e exigências nutricionais.F. CONSIDERAÇÕES FINAIS Para a formulação de dietas bem equilibradas. S. MAGALHÃES K. et al.C. Viçosa. 2. 2000. Viçosa.ed. DONZELE.R. 239p.. MG: Editora UFV. Dessa forma. J.7.A. deve-se. L. 6 ..S. mandar analisar os alimentos que serão utilizados no balanceamento.

que foi de 653. Belo Horizonte. Juiz de Fora. o moderado teor de fibra insolúvel em detergente neutro (FDN). Médica Veterinária. O objetivo desse capítulo é apresentar as vantagens e as limitações do uso da cana-de-açúcar na alimentação de ruminantes. INTRODUÇÃO O Brasil é o maior produtor mundial de cana-de-açúcar (Saccharum officinarum). CEP 30. DSc. superior em 3. tem impulsionado sua divulgação como forrageira adequada para cultivo em fazendas que utilizam pastagens e que visam minimizar o uso de tempo e capital em práticas de ensilagem. MG.8%) na área plantada e de 996kg/ha (1. DSc. O fato de atingir o máximo valor nutritivo durante o período seco do ano. Rua Eugênio do Nascimento.br 2 a Médica Veterinária. Ao longo do texto.4%) na produtividade média (Companhia Nacional do Abastecimento – CONAB. a facilidade de compra e venda.779 milhões de toneladas.. o desempenho animal e a utilização de cana-deaçúcar hidrolisada. Prof . além de ser uma cultura tradicional entre os produtores rurais brasileiros. Lúcio Carlos Gonçalves3 RESUMO Este capítulo aborda questões relacionadas à utilização da cana-de-açúcar na alimentação de ruminantes.391kg/ha. Caixa Postal 567. o caráter semiperene. CEP 30. dentre elas: o alto teor de sacarose. Belo Horizonte. 610 Dom Bosco.br 3 Engenheiro Agrônomo. CEP 36038-330. A cana-de-açúcar tem várias características que justificam sua utilização na alimentação de ruminantes. a relativa resistência a pragas e doenças.CAPÍTULO 2 CANA-DE-AÇÚCAR NA ALIMENTAÇÃO DE GADO DE LEITE Mariana Magalhães Campos1. A produção brasileira na safra 2009 está estimada em 674. são discutidos assuntos como a composição bromatológica da cana-de-açúcar. a digestibilidade. DSc. analuiza@vet. a simplicidade do cultivo agronômico.ufmg. o consumo voluntário.br 1 7 .ufmg. Embrapa Gado de Leite. a escolha da variedade adequada. Associado Departamento de Zootecnia da Escola de Veterinária da UFMG.3% à da safra anterior. A produtividade média está prevista para 70. O respectivo crescimento ocorreu em função da expansão de 172 mil hectares (1.123-970. Ana Luiza da Costa Cruz Borges2.302 milhões de toneladas.. 2009).com. MG. a alta produção de matéria seca por unidade de área mesmo com baixa frequência de cortes. Associado Departamento de Zootecnia da Escola de Veterinária da UFMG. marimcampos@gmail. Caixa Postal 567. Prof. quando a disponibilidade de forragem é baixa.123-970. luciocg@vet. MG.

minerais e ao alto teor de fibra de baixa degradação ruminal (Leng.74 Extrato etéreo 1. No entanto. com a estrutura da parede celular que protege os nutrientes da digestão microbiana no rúmen.22 Celulose 26. Tabela 1.75 Extrativo não nitrogenado 69. principalmente. a cana-deaçúcar tem sido correlacionada negativamente à ingestão de matéria seca não apenas pela fração indigestível da fibra mas também pela baixa taxa de digestão da fibra potencialmente degradável. encontra-se a composição bromatológica da cana-de-açúcar. Os carboidratos estruturais da cana-de-açúcar são fonte potencial de energia de baixo custo para ruminantes. (2006).02 Hemicelulose 21.A cana-de-açúcar. Sendo assim.09 Nutrientes digestíveis totais 62.44 Lignina 7. como alimento básico para ruminantes.76 Carboidratos solúveis 42. seu potencial como fonte de energia é limitado devido à sua baixa digestibilidade e taxa de degradação e consequente baixo consumo voluntário. Na Tabela 1. em porcentagem da matéria seca. COMPOSIÇÃO BROMATOLÓGICA A cana-de-açúcar. em porcentagem da matéria seca.10 Carboidratos totais 92. Fonte: Valadares Filho et al. Composição bromatológica da cana-de-açúcar (Saccharum officinarum).45* Proteína bruta 2.55 Matéria mineral 3. 1988). apresenta limitações de ordem nutricional. Nutrientes % Matéria seca 28. devido aos baixos teores de proteína. 8 . Uma das principais limitações da cana-de-açúcar nos experimentos de desempenho animal é o baixo consumo de matéria seca e de nutrientes.68 Fibra em detergente ácido 34.70 * Porcentagem na matéria natural. 1. Este fato está relacionado. devido aos baixos teores de proteína. minerais e ao alto teor de fibra de baixa degradação ruminal. apresenta limitações de ordem nutricional. as quais apresentam elevado efeito de repleção ruminal.83 Fibra em detergente neutro 57. como alimento básico para ruminantes.

De maneira geral. sendo este último resultado do acúmulo de sacarose. o valor nutritivo das gramíneas diminui com o avançar do estádio de maturação. o valor nutritivo da cana-de-açúcar aumenta com a maturidade. considerando intervalos de quatro meses entre cortes da cana. Essa característica resulta em importante vantagem para a alimentação animal. No entanto. particularmente no período seco e frio do ano. verificaram que as diferenças nos teores de FDN e fibra insolúvel em detergente 9 . representado na Figura 1 pelo conteúdo celular. (2003). Figura 1. Ocorre queda na digestibilidade da FDN com o avanço da idade. conforme pode ser visto na Figura 1. ocorrem decréscimos nos teores de proteína bruta (PB) e aumento nos teores de matéria seca (MS) e de carboidratos não fibrosos (CNF). 1982). Fernandes et al. Com o avançar da idade da cana-deaçúcar. mas o aumento de CNF. época em que seu valor energético é máximo. enquanto o de outras gramíneas forrageiras atinge seus limites mínimos (Gooding. fazendo com que haja aumento na digestibilidade da matéria orgânica (MO) com o avanço da idade da planta. supera esta queda. Composição e digestibilidade da cana-de-açúcar segundo a idade da planta. Fonte: Pate (1977).

relações FDN/Pol (Pol . devido à pouca disponibilidade desses materiais e.3%. avaliando cinco variedades de cana-de-açúcar em cinco épocas de colheita. Rodrigues et al.teor de sacarose) menores que 2. Rodrigues et al.8% da MS. Esta variável. contrariamente ao que ocorre com a maioria das espécies forrageiras tropicais. O baixo teor de fósforo da cana-de-açúcar é outra limitação dessa forrageira. 2006). a maioria das propriedades rurais que utiliza a cana-de-açúcar na dieta dos animais não tem tido acesso às variedades melhoradas.0%. tem alta correlação negativa com a digestibilidade. (2005). que variaram de 41. pois a cana apresenta baixo teor de proteína (Corrêa. verificaram diferença acentuada nos teores de FDN. Considerando-se que a capacidade de ingestão total de fibra pelo animal é limitada.0. e Rodrigues et al. Entretanto.90. principalmente. e. ESCOLHA DA VARIEDADE Nos últimos dez anos. sendo de fundamental importância uma suplementação mineral adequada para suprir as exigências nutricionais dos animais. avaliando 12 cultivares. porque essas variedades ainda não foram introduzidas e testadas nesses locais (Macedo et al.1 a 48. (2001). Considerando-se que é característica da espécie o baixo conteúdo nitrogenado.6 a 47.. Costa et al. e o teor de CNF variou de 49. (2006) encontraram diferença entre as variedades estudadas para o teor de lignina. as pesquisas com melhoramento genético da cana-de-açúcar colocaram no mercado mais de cinquenta variedades de expressivo potencial produtivo. 2006). As variedades mais promissoras para alimentação de bovinos são as que apresentam menores teores de FDN...1% da MS. 2005. maiores valores de digestibilidade in vitro da matéria seca (DIVMS). Rodrigues et al. encontraram correlação de –0. uma variedade que apresenta teor de FDN elevado limitará a ingestão de cana-deaçúcar. além de o aumento no teor de FDN 10 . avaliando 18 variedades.7 e baixos teores de lignina. consequentemente.ácido (FDA) foram relativamente pequenas.88. o consumo de energia poderá ser insuficiente para atender as exigências nutricionais do animal. que variou de 2. Dietas que utilizam cana-de-açúcar como volumoso necessitam de maior inclusão de concentrados proteicos para suprir as exigências dos animais. 2. Carvalho (1992). que faz parte da FDN. sendo que as canas com alto teor de FDN apresentavam baixa concentração de CNF (r = . verificaram que a FDN nos colmos variou de 33. afetando seu desempenho. o que evidencia a capacidade desse volumoso em manter constante o seu valor nutritivo ao longo do tempo. avaliando 10 variedades de cana-de-açúcar. encontrou correlação entre a DIVMS e o teor de FDN de –0. o teor de PB não é critério para escolha de variedades (Costa et al. (2003). 2001).4 a 61.9 a 4. 2003.96).

Rodrigues et al. baixa proporção de palhas e folhas. Entretanto. Os autores observaram que variedades com ciclo de produção intermediário apresentaram uma produção 8. de lignina e a taxa de degradação da fração potencialmente degradável da FDN explicaram 87. além de baixa porcentagem de FDA. As variedades de cana-de-açúcar precoces apresentaram maiores teores de FDN e FDA do que as de ciclo intermediário. devido à negativa relação entre os teores de FDN e de FDA dos alimentos e seu valor nutricional. Houve aumento linear do percentual dos nutrientes digestíveis totais (NDT) com o avanço na idade de corte. Este fato torna as variedades de maturação intermediária mais apropriadas ao consumo pelos animais. A relação FDN/Pol pode servir de indicador para a escolha de variedades de cana-deaçúcar para alimentação de ruminantes. (2003) avaliaram variedades de cana-de-açúcar com diferentes ciclos de produção (precoce e intermediário) e três idades de corte.4 e 19. Outra característica que deve ser avaliada para escolha das variedades é a maior capacidade de desfolha natural ou fácil. está contida nos colmos. Fernandes et al. uma vez que a sacarose. A terceira característica seria selecionar variedades com maior porcentagem de colmos. (2003). pois permite maior eficiência no processo de 11 .66% maior que as precoces. Ainda neste trabalho de Teixeira (2004). entre as três características mais correlacionadas ao valor nutritivo. ou seja.5%. A segunda mais importante é o comprimento dos colmos. culminando com mais rápido desenvolvimento das estruturas de sustentação. a porcentagem de colmos foi a de maior herdabilidade (h2=63. respectivamente. a característica mais importante na cana-de-açúcar de alto valor nutritivo é ter baixa porcentagem de fibra na MS.8% da variação total do banco de dados utilizados em seu estudo.na planta estar associado ao espessamento da parede celular. maior será a DIVMS. justificado pelo aumento linear do teor de MS e o aumento do teor de sólidos solúveis (brix). verificaram que os teores de hemicelulose. enquanto as folhas são ricas em fibra de baixa digestibilidade. Dentre as características agronômicas e bromatológicas avaliadas. Canas de alta digestibilidade têm colmos mais curtos. Teixeira (2004) procurou definir que características da planta seriam mais correlacionadas ao valor nutritivo da cana-de-açúcar. Segundo o autor. de alta digestibilidade. o que faz pouco sentido. que foram de 41. selecionar canas com colmos curtos para obter ganho em digestibilidade levaria à perda na produção de MS por hectare. que são representadas pelos polissacarídeos da parede celular vegetal. uma vez que as primeiras atingem a maturidade mais cedo. Azevêdo et al. o que reduz a área disponível ao ataque microbiano no rúmen. a porcentagem de fibra (FDN ou FDA) foi a mais correlacionada com a degradabilidade da MS. avaliando a divergência nutricional de 15 variedades de canade-açúcar. (2001) observaram que quanto menor a relação FDN/açúcares.1%). enquanto as características comprimento dos colmos e porcentagem de FDA apresentaram menor herdabilidade.

A baixa digestão da FDN da cana-de-açúcar pode ter apresentado efeito de repleção ruminal e. (2004).51% superior para a dieta contendo silagem de milho. encontraram consumo 22.52%. que observaram aumento de 15% no consumo em dietas à base de silagem de milho quando comparadas com aquelas baseadas em cana-de-açúcar. 50:50. uma vez que o coeficiente de digestibilidade da FDN para a dieta com 100% de cana-de-açúcar correspondeu a apenas 45. Resultados semelhantes foram encontrados por Souza (2003) e Magalhães et al. (2002) não observaram diferenças no consumo de MS e PB com o aumento dos níveis de cana-de-açúcar nas dietas em substituição à silagem de milho. verificaram que a cana-de-açúcar apresentou elevada proporção de fibra indigestível em comparação à silagem de milho. O consumo foi menor no nível de inclusão de 60% de cana-de-açúcar. 50 e 40% de inclusão (V:C de 60:40. CONSUMO VOLUNTÁRIO Costa et al. intermediário no de 50% e maior no de 40%. trabalhando com cana-de-açúcar em substituição à silagem de milho em dietas para vacas em lactação. 2006). respectivamente) e uma dieta com silagem de milho na proporção de 60%. Valvasori et al. O CMS do tratamento com 40% de inclusão de cana-deaçúcar foi semelhante ao obtido com a dieta à base de silagem de milho na proporção de 60%. quando expressa em g de FDN/h. ambas com relação V:C de 60:40. (2004b) avaliaram dietas com silagem de milho ou com cana-deaçúcar em vacas Holandesas e observaram consumo 21. da mesma forma.corte. também foi menor. Mendonça et al. consequentemente. Magalhães et al. verificaram o aumento de 6. (2005) compararam o consumo de matéria seca (CMS) entre três dietas com cana-de-açúcar corrigida com 1% da mistura ureia e sulfato de amônio (9:1) como volumoso único. Costa et al. moagem. além de reduzir a oferta de material de baixo valor nutricional ao rebanho (Macêdo et al.35% na quantidade de ureia mais sulfato de amônio adicionado à cana-de-açúcar em relação à recomendação tradicional de 1% e a modificação da relação V:C de 60:40 para 50:50 não foram suficientes para aumentar o consumo de dietas com cana-de-açúcar.. (2006). comparando tratamentos com a mesma relação volumoso:concentrado (V:C de 60:40) entre cana-de-açúcar e silagem de milho. ter limitado a ingestão 12 . Corrêa et al. nas proporções 60. No entanto. As vacas alimentadas com dietas à base de cana-de-açúcar apresentaram maior tempo despendido em ócio. 3.35% do valor obtido para a dieta com 100% de silagem de milho. (2005). Mendonça et al. (2003). 40:60. Os autores verificaram que a redução para 0.2% maior para as dietas à base de silagem de milho. menor CMS. e a eficiência de ruminação. (2004a) avaliaram o comportamento ingestivo de vacas leiteiras recebendo dietas contendo silagem de milho (V:C de 60:40) ou cana-de-açúcar (V:C de 60:40 ou 50:50).

0057 unidades na TPR e aumento de 0. A taxa na qual a digesta se move ao longo do trato gastrintestinal (TGI). 4. não foi encontrada diferença significativa na digestibilidade da matéria orgânica (DMO) entre dietas com cana-de-açúcar (67.82%) e silagem de milho (67. milho grão e ureia (CMM). DIGESTIBILIDADE Segundo Andrade (1999). Provavelmente tal fato ocorreu em virtude do maior teor de lignina presente nas dietas à base de cana-de-açúcar (Mendonça et al. Segundo os autores.00375 unidades para o TMRT. Os autores também observaram que a taxa de passagem ruminal (TPR) decresceu enquanto o tempo médio de retenção total da digesta (TMRT) aumentou linearmente. estão resumidos os resultados de diversos trabalhos mostrando digestibilidade da MS e da FDN de dietas com cana-de-açúcar como volumoso único.. As rações CAU e CMM foram as que apresentaram as quantidades de ureia mais elevadas (3. 2006). quando comparou diferentes níveis de substituição de silagem de milho por cana-de-açúcar.59%). sendo a baixa DFDN uma das limitações da cana-de-açúcar na dieta de ruminantes. absorvido e utilizado pelo animal (Magalhães et al.de MS. As dietas eram isoproteicas. A baixa digestibilidade da FDN nas dietas com cana-de-açúcar (22. Houve decréscimo linear na digestibilidade da FDN com o incremento da inclusão de cana-de-açúcar na dieta. Na Tabela 2. na digestibilidade aparente da matéria orgânica (DAMO). respectivamente).58%) desta. (2005) também não encontraram diferença na digestibilidade da matéria seca (DMS) e na DMO entre dietas com silagem de milho ou cana-de-açúcar.22% na MS. Costa et al. na digestibilidade aparente da proteína bruta (DAPB) e na digestibilidade aparente (DA) dos carboidratos totais (CHO). A baixa palatabilidade da ureia pode ter contribuído para obtenção de menores ingestões de MS nestes tratamentos. 2004b). e os tratamentos com maior inclusão de ureia. Resultado semelhante foi encontrado por Magalhães (2001). por unidade percentual de cana-deaçúcar acrescentada às dietas. o menor consumo nas dietas CAU e CMM. que foram o de cana-de-açúcar mais ureia (CAU) e o de canade-açúcar. a taxa de fermentação do alimento e a quantidade de MS consumida são os principais fatores que estabelecem a proporção em que determinado nutriente será digerido.52 e 3. A sacarose da cana foi aparentemente mais digestível que o amido da silagem. que também não encontrou diferenças na digestibilidade aparente da matéria seca (DAMS). apresentaram maiores coeficientes de digestibilidade da fibra em detergente neutro (DFDN) e de digestibilidade dos carboidratos (DCHO).. Vilela et al. pode ter aumentado a digestão dos nutrientes neste compartimento. (2003) avaliaram diferentes suplementos para vacas mestiças em lactação alimentadas com cana-de-açúcar. 13 . estimando-se redução de 0. respectivamente.49%) foi compensada pela alta DMO da fração não fibrosa (87. provavelmente provocado pelo maior tempo de retenção no rúmen.

soja. 7. far. glúten milho. far.8. mesmo levando a um menor desempenho animal. far. soja Milho grão.4% 70. Valvasori et al. ureia Ureia Ureia. far. Mendonça et al. soja1 Milho grão. já que ganhos de peso em torno de 750g/dia seriam suficientes para obtenção de primeiro parto aos 24 meses de idade.4% 67. soja3 Far.. 2003 Vilela et al.. algodão. DESEMPENHO ANIMAL 5.0% 36. 2003 Vilela et al. algodão Milho grão. 70 ou 78% de cana-de-açúcar na MS.0% 70. glúten milho.0% 71. far.0% 64.0% 53.0% Animal Vacas Garrotes Novilhas Vacas Vacas Garrotes Garrotes Garrotes Vacas Novilhas Vacas Novilhas Vacas Vacas Vacas Vacas Vacas Vacas Vacas Fonte Biondi et al. milho grão Ureia.. O consumo de concentrado foi de 3kg/animal/dia. 1978 Pate. trigo.9% 61.8% 63. soja. Corrêa (2001).1997 Stacchini.2% 31.5% 65.9% 66. algodão.4% 37. Entretanto. ureia.009g no tratamento com cana-de-açúcar. 2 = cana-de-açúcar variedade RB72454. Gallo (2001) conduziu experimento para determinar o teor máximo permitido de canade-açúcar na dieta de novilhas Holandesas que não deprimiria o ganho diário de peso..8% 66. 2003 Vilela et al. (2005). far.7% 40. far. O ganho de peso diário foi 1. soja Far. soja Milho grão. far. 1999 Corrêa. 5. far.1997 Hernandez et al.0% 66. 1981 Manzano et al.. Fonte: Hernandez et al. 6. soja Milho grão.6% 49.6% 47.9% 53. far. 2002 Vilela et al.4. trigo Milho grão.0% 66.7% 54. algodão Ureia.5% 23. 3 = Cana-de-açúcar variedade RB806043. Digestibilidade aparente da matéria seca (DMS) e da fibra em detergente neutro (DFDN) de dietas com cana-de-açúcar como volumoso único e diferentes suplementos.0% 35. (2004b). ureia Ureia. com peso vivo ao redor de 500 a 550kg. Não houve diferença nos ganhos de peso diários. 1997 Hernandez et al. algodão Milho grão.7% DFDN 37. far. soja. 1993 Aroeira et al. segundo o autor. milho grão. 2001 Gallo. far.0% 62. algodão Milho grão. que foram 14 . Vilela et al. (1997).5% 65. Gallo (2001).3% 69.1% 54. o menor desempenho animal com cana-de-açúcar foi resultado da menor ingestão diária de energia devido à queda no CMS.1. Costa et al. 6.1997 Hernandez et al.4% 73. (2003). a cana-de-açúcar. algodão.9% 67. far. 2001 Valvasori et al.. (2002). ureia Far.. Segundo o autor.. O CMS caiu linearmente com a maior inclusão de cana-de-açúcar na dieta.. 2003 Mendonça et al.6kg. far.6% 46. soja2 Milho grão. 2004b Costa et al.9% 61.3% 73. ureia Milho grão.Tabela 2.9% 55. As dietas eram isoproteicas e continham 62. Suplementos Milho grão.2% 53. 1998 Andrade.175g no tratamento com silagem de milho e 1. far. far. ureia DMS 77. 2005 1 = cana-de-açúcar variedade CO413.. é alternativa viável para a recria de animais Holandeses... Novilhas leiteiras Andrade (1999) avaliou o fornecimento de dietas isoproteicas contendo 320g de FDN oriundas de cana-de-açúcar ou silagem de milho para novilhas Holandesas. respectivamente..4% 22. 1995 Ludovico e Mattos. soja. far.

a resposta ao uso da cana-de-açúcar para vacas leiteiras não está apenas na produção de leite.3. 956g/animal/dia). 347 dias). Após realizar a análise dos dados produtivos e a análise econômica. respectivamente.89.53kg/dia. PB e NDT. 15 . A suplementação promoveu melhor condição corporal dos animais ao parto e diminuição do intervalo entre partos (454 vs. Costa et al. É provável que as primíparas do T2 obtiveram maior produção de leite como consequência do maior ganho de peso desde o sétimo mês de gestação até o momento do parto (669 vs. com o aumento da inclusão da cana-deaçúcar. Magalhães (2001). o que resulta em menor consumo de nutrientes.5kg inferior no tratamento com cana-de-açúcar. respectivamente. Segundo o autor. Vacas em lactação Para se alcançar máxima receita sobre custos com alimentação. avaliaram a suplementação ou não com cana-de-açúcar por três meses antes do parto. 951g/dia.269 para T1 e 1. comparou dietas com silagem de milho ou cana-de-açúcar como volumoso único e encontrou produção diária de leite 2. 0. encontraram redução de 2. (2004b) também observaram que a produção de leite para as dietas à base de cana-de-açúcar como volumoso.79kg. 5. 100%) da silagem de milho por cana-de-açúcar em dietas para vacas produzindo 24kg de leite por dia. trabalhando com vacas Holandesas de alta produção.16 e –0.1. 979.49. foi 2. assegurando. com produção por lactação superior em 28% (1. devem-se formular dietas que sejam consumidas em grandes quantidades e contenham elevados níveis de nutrientes utilizáveis. avaliando o efeito de quatro níveis de substituição (0. o autor concluiu que o nível de 33% de substituição foi técnica e economicamente recomendável. respectivamente. O tratamento 1 (T1) era composto de pasto mais 1. (2005). 2004). A menor produção de leite para as dietas com maior participação de cana-de-açúcar pode ser explicada pelo menor CMS. por sua vez. produção e condição corporal satisfatórias (Magalhães et al. verificou que a produção decresceu linearmente com o aumento nos níveis de substituição da silagem de milho.002. Corrêa (2001).. A média de produção de leite por animal foi de 6 e 8L/dia para T1 e T2. trabalhando com novilhas Holandês x Brahman.2. Espinoza et al. 66.634 litros para T2) para os animais que receberam cana-de-açúcar. o que pode ser explicado pela redução nos consumos de MS. 33. 66. (2006).5kg / cabeça / dia de concentrado e o tratamento 2 (T2) pelos mesmos ingredientes do T1 mais 4kg de cana-de-açúcar / dia com a adição de 4% de ureia. assim.6 e 100% de cana-de-açúcar como volumoso apresentaram variação de peso corporal de 0. devendo-se observar também a condição corporal dos animais ao longo da lactação. independente do nível de ureia ou da relação V:C. -0. 33. Os animais que consumiram dietas com 0.77kg menor que a dieta à base de silagem de milho. Mendonça et al.

40:60. Existe atualmente uma preocupação na avaliação dos alimentos para produção de maiores teores de sólidos do leite devido ao pagamento diferenciado já adotado por alguns laticínios brasileiros.8. 1. milho moído (CMM). silagem de milho e pastagem de capim-brachiaria brizantha) em novilhos Holandês x Zebu na biometria da carcaça. Souza (2003). O aumento da inclusão de concentrado na dieta promoveu incremento energético na MS. 5. os pesos. em porcentagem do peso do corpo vazio (%PCV). Bovinos de corte Silva et al. A produção de leite do tratamento CFT foi maior que do CAU. (2003) avaliaram diferentes suplementos. foi verificada perda de peso de 0.2% da mistura ureia mais sulfato de amônio (9:1) para a correção nitrogenada da cana-de-açúcar. alimentadas com canade-açúcar. Os animais que receberam 60% de concentrado na dieta total apresentaram maior CMS. No entanto. Mendonça et al. Isso ocorreu devido às maiores perdas de peso nos tratamentos CAU e CMM. além de proporcionar maior CMS e maior ganho em peso total. do conteúdo estomacal e do conteúdo gastrintestinal. não encontraram diferenças na composição de leite. foi com farelo de trigo. 0. (2005) avaliaram a utilização de diferentes fontes proteicas e de volumosos (cana-de-açúcar. Para os volumosos.2% de mistura ureia e sulfato de amônio (9:1). (2006). CFA.1kg/dia. Neste estudo. CMS. Magalhães et al. Macitelli et al. A eficiência alimentar foi superior para os tratamentos CAU e CMM em relação ao CFA. a suplementação que apresentou os melhores resultados. Vilela et al. 20:80). que foi em torno de 20kg por animal. digestibilidade dos nutrientes e eficiência alimentar. aqueles que receberam 80% de concentrado apresentaram maior ganho em peso vivo total.2 e 0. quando se comparou farelo de soja com a ureia nos diferentes níveis.Rangel et al. em trabalhos avaliando cana-de-açúcar em substituição à silagem de milho.3. foram 16 . para os tratamentos CAU. peso de vísceras e de órgãos internos. ocorreu efeito linear crescente na produção de leite para o aumento dos níveis de ureia. não havendo diferença entre os demais tratamentos.6 e ganho de 0. (2005). farelo de algodão (CFA) e farelo de trigo (CFT) para vacas mestiças em lactação. (2004).8. avaliaram diferentes níveis de inclusão de concentrado em dietas com cana-de-açúcar (V:C de 60:40. CMM e CFT. Segundo os autores. com produção de leite média de 7kg por animal/dia. para vacas mestiças de baixo potencial de produção. Os autores recomendaram o nível de 1. 0. trabalhando com novilhos mestiços da raça Nelore confinados. (2005) avaliaram o desempenho produtivo de vacas leiteiras alimentadas com quatro tratamentos isoproteicos que utilizaram como volumoso cana-de-açúcar adicionada de farelo de soja ou 0. No entanto. Não houve diferença para a produção de leite. (2004b) e Costa et al. Não houve interação significativa entre volumoso e fontes proteicas e também não houve diferença entre as fontes proteicas para os parâmetros estudados. respectivamente. baseados na produção e composição do leite. ureia (CAU).4.

A dieta contendo a variedade RB 806043 proporcionou ganho de peso superior (1. Então.81kg/cab/dia) em relação às demais rações.59% PCV. Não houve diferença entre as conversões alimentares. As variedades RB 806043. de 14. força de cisalhamento. o aumento na extensão da digestão da celulose e das hemiceluloses é. Não houve diferença entre tratamentos para rendimento de carcaça fria. respectivamente). e a hidrólise dos ésteres dos ácidos urônico e acético. respectivamente. nas ligações covalentes do tipo éster entre a lignina e a parede celular (Van Soest.significativamente maiores para os animais alimentados com cana-de-açúcar (7. Vaz e Restle (2005) estudaram as características de carcaça e da carne de novilhos Hereford terminados em confinamento. aumenta sua digestibilidade.17 e 9.09.94kg MS/dia) que os animais que receberam RB 806043 e RB 72454 (9. provavelmente. A justificativa para emprego de álcali reside no fato de a lignina das gramíneas ser particularmente susceptível ao ataque hidrolítico dessa base. que levam ao aumento da sua digestibilidade. como a cal micropulverizada. 23. maciez e quebra na cocção da carne. Hernandez et al. porcentagem de músculos e osso na carcaça. 1994). sem 17 . Os animais mantidos em pastagem não apresentaram diferença na avaliação de carcaça compacta em relação aos animais alimentados com os outros volumosos. RB 72454 e CO 413 apresentaram teores de fibra bruta. devido à quebra das ligações com a lignina. espessura de gordura de cobertura. alimentados com dietas isoproteicas contendo 33% de concentrado e 67% de cana-de-açúcar ou silagem de milho.78. enquanto os alimentados com cana-de-açúcar tiveram carcaça menos compacta que os tratados com silagem de milho. o teor de lignina normalmente não é alterado pelo tratamento químico. marmoreio.75 e 1. textura. 19. quebra durante o resfriamento.52 e 8.71%. lignina e sílica. cor. a ingestão de nutrientes e a conversão alimentar em animais 1/2 Canchim/Nelore e 3/4 Canchim/Nelore utilizando três variedades de cana-de-açúcar. De acordo com Klopfenstein (1980). O fenômeno mais associado com o tratamento alcalino de volumosos é a solubilização parcial das hemiceluloses. área de Longissimus dorsi. O tratamento com álcali também pode levar à quebra de pontes de hidrogênio na celulose. (1996) avaliaram o ganho de peso.52kg/cab/dia para as dietas com as variedades RB 72454 e CO 413. que apresentaram ganhos de 1. respectivamente).20kg MS/dia. são rompidas ligações na fração fibrosa da cana. UTILIZAÇÃO DE CANA-DE-AÇÚCAR HIDROLISADA Existem estudos que demonstram que o tratamento de materiais fibrosos com álcali. porcentagem de cortes comerciais da carcaça. 6. conformação da carcaça. Os animais que receberam dieta com a variedade CO 413 apresentaram menor ingestão de matéria seca (7. respectivamente. Ou seja.

(2006). Porém. (2006) determinaram a digestibilidade in vitro da matéria seca. Independente da cal utilizada.96 para 33.0. sendo que. Houve aumento da digestibilidade in vitro da matéria seca (DIVMS) de 62 para 70%. A cal foi efetiva em alterar a composição da parede celular. da FDN e da FDA da variedade IAC86-2480 de cana-de-açúcar com adição de zero e 0. Mota et al. 1. solução ou pó.30% e de FDA de 43.5.atuar na sua remoção.48 para 49. Oliveira et al.5% de cal. O tratamento alcalino. quando influencia positivamente a digestibilidade das frações fibrosas. disponibilizando mais energia para crescimento microbiano e elevando o aporte de proteína para o intestino. os resultados de desempenho são semelhantes aos de dietas de melhor qualidade. A hidrólise com cal não afetou o teor de FDA. Santos et al.55%. 0. Oliveira et al. A hidrólise com 0..5% de CaO sobre as hemiceluloses. utilizando 1% de cal virgem na cana-de-açúcar. os autores ressaltaram que a aplicação a seco em grandes quantidades de cana-de-açúcar picada torna-se limitada. mostrou-se mais efetiva do ponto de vista da digestibilidade dos nutrientes estudados.5%. Entretanto. às vezes.5% de cal virgem ou de cal hidratada na cana-de-açúcar.5% de cal hidratada (72% de óxido de cálcio total) proporcionou aumento na digestibilidade in vitro da matéria seca.5% de cal. 24 horas após aplicação do produto. não havendo efeito do modo de aplicação do produto. Os melhores resultados foram observados com a dose de 1. (2006) avaliaram a composição da fração fibrosa da cana-de-açúcar tratada com 0. melhorando a digestibilidade da fibra pelo aumento na solubilidade das hemiceluloses e na disponibilidade da celulose e das hemiceluloses. (2006) verificaram que a hidrólise da cana-de-açúcar. 2006). a ação alcalinizante e ao mesmo tempo hidrolisante da cal foi observada reduzindo os teores de FDN e de hemiceluloses em comparação com a cana-de-açúcar não tratada. durante três e seis horas e com duas formas de aplicação (solução ou pó). Não houve alteração nos teores de MS e de fibra em detergente ácido (FDA). (2007) estudaram a adição ou não de 0. Os aumentos na digestibilidade de volumosos tratados com produtos alcalinos normalmente estão relacionados ao aumento de consumo e do desempenho dos animais. com o nível de 0. que não precisa de equipamentos para a mistura da cal com a água. Independente da forma de aplicação. observaram redução do teor de FDN de 55. proporciona melhor aproveitamento da fibra da dieta.5% de CaO diluído em 40 litros/t de matéria verde (MV) ou aplicado a seco. Isto é interessante para o produtor. Oliveira et al. na da FDN e na da FDA da canade-açúcar. Balieiro Neto et al. 18 . os autores verificaram redução nos teores de FDN da cana-de-açúcar de 45% para 40. quando feita manualmente (Oliveira et al. (2006) avaliaram a composição bromatológica dos tratamentos. e 1.

É preciso avaliar a biodisponibilidade do cálcio. Em um trabalho com novilhas mestiças. 36 e 60h). FDN e FDA nos diferentes tempos de hidrólise. que podem ter prejudicado a palatabilidade e limitado o consumo. ocorre alteração imediata de coloração da cana. com solubilidade menor que 1%.0% de cal virgem na base da matéria natural (MN) com três níveis de oferta de concentrado (0. especialmente em relação ao cálcio e ao fósforo. Apesar dos bons resultados obtidos nas avaliações feitas por técnicas in vitro. ou seja. os autores concluíram que a adição de 0. de acordo com a categoria e a espécie animal. consequentemente. que passa de esbranquiçada para uma coloração amarelada. assim como o próprio teor que a cana-de-açúcar apresenta na sua composição. Quando se adiciona cal na cana-de-açúcar. Sendo assim.5 e 1. A cana-de-açúcar apresenta quantidade considerável de cálcio.5% de cal mantém as características bromatológicas por até 60 horas após o início do tratamento.0% do peso vivo). além dos requerimentos nutricionais. Os agentes alcalinizantes. porém a quantidade de fósforo é muito baixa. No entanto. o que pode facilitar o manejo diário e de finais de semana. (2007) avaliaram a adição de 0.5% de cal na cana-deaçúcar e diferentes tempos de hidrólise (12. Uma limitação da utilização da cana-de-açúcar é a necessidade de corte diário.0% de cal virgem na cana-deaçúcar fornecida após 24h de armazenamento prejudicou o consumo dos nutrientes. com exceção do consumo de FDN. Os autores sugeriram que a queda no consumo de MS pode ser devido à alta temperatura da cana com cal virgem e ao pH alcalino. também vêm sendo utilizados com o intuito de manter as qualidades nutritivas deste volumoso por alguns dias sem a necessidade de cortes diários. (2007) verificaram que a adição de 1. 19 .. que não se alterou. Os autores não verificaram diferença nos teores de MS. de fonte de energia. o autor alertou para o fato de a cal virgem ser produto químico de reação lenta. os poucos resultados da literatura de ensaios com animais não vêm repetindo a mesma tendência. deve-se esperar aumento no teor de matéria mineral e. Devido a este aspecto. deve-se atentar para a formulação da ração a fim de se proporcionar uma dieta equilibrada em minerais. Moraes et al. O ganho médio diário e o peso vivo final dos animais não foram aumentados pelo tratamento da cana-de-açúcar com cal virgem (Moraes et al. diminuição no teor de matéria orgânica (MO).Chaudhry (1998) avaliou a digestibilidade in vitro da MS da palha de trigo tratada com cal virgem ou hidróxido de sódio (NaOH) e observou incremento similar na DIVMS quando comparada com a palhada não tratada. Ao se adicionar cal à cana-de-açúcar. 0. 2007). Mota et al. como a cal virgem e a cal hidratada. avaliou-se o efeito da cana-de-açúcar com zero ou 1. sendo necessário tempo maior de reação para apresentar os mesmos efeitos do NaOH. Essa mudança imediata de coloração auxilia na verificação da homogeneização da cana-de-açúcar com a cal.

F. eficiência alimentar e viabilidade econômica.. Para a tomada de decisão de quando utilizar as dietas com cana-de-açúcar. p.1016-1026.S.Campos (2007). degradabilidade e taxa de passagem da cana-de-açúcar mais ureia e do farelo de algodão em vacas mestiças Holandês x Zebu em lactação.8. Esse mesmo autor.F. L. com diferentes níveis de inclusão de ureia em ovinos.. na digestibilidade da MS e da FDN com a adição de cal virgem. Esse fato já foi relatado por produtores rurais e recentemente foi observado em experimento desenvolvido pela Escola de Veterinária da UFMG em parceria com a Embrapa Gado de Leite (Campos. é necessário avaliar produção de matéria seca por hectare. taxa de passagem e consumo de matéria seca.J.A. dados não publicados). REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ANDRADE. Outra característica do tratamento com cal é a redução do número de abelhas na cana-de-açúcar. categoria animal. 56f Dissertação (Mestrado) – Universidade Federal de Lavras. et al. Bras. Soc.6% de cal virgem 24 horas após o tratamento. são necessários mais estudos antes da indicação de uso em fazendas comerciais. variação de peso. avaliando dietas de cana-de-açúcar pura ou com 0.6% de cal virgem na base da MN. CONSIDERAÇÕES FINAIS A cana-de-açúcar pode ser utilizada na nutrição de bovinos obtendo-se bons resultados de desempenho. M.. consumo de matéria seca.24. forma de aplicação sobre o desempenho animal. Para se avaliar quais as melhores condições para o tratamento da cana-de-açúcar com cal micropulverizada. concentração de cal. LOPES. desempenho dos animais. taxa de passagem. digestibilidade dos nutrientes. 1999. F. M.C. comparando a cana-de-açúcar pura e a cana-de-açúcar com adição de 0. Lavras. 1995. Rev.M. Desempenho de novilhas Holandesas alimentadas com cana-deaçúcar como volumoso único. DAYRELL. observou aumento da temperatura de 25 para 40ºC e do pH de 5. v. Zootec. 7. como tempo de hidrólise. AROEIRA. Digestibilidade. verificou que não houve diferença no consumo de MS. degradação dos nutrientes.4 para 6. 20 . MG. sobre a digestibilidade.

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a capacidade em utilizar a água disponível no solo e a tolerância à ampla faixa de temperaturas são fatores que têm estimulado o cultivo do girassol para a produção de silagem. como milho e sorgo. tropical e subtropical. 1880.br 3 Médico Veterinário. Belo Horizonte. CEP 30123-970. Caixa Postal 109. Caixa Postal 567.gustavo@cnpgl. a escolha dos materiais mais adequados. envolvendo os tratos culturais.embrapa. Alex Santos Lustosa de Aragão 4 RESUMO Será apresentado neste capítulo o potencial de utilização da cultura do girassol como opção para produção de silagem para alimentação de rebanhos leiteiros. ou em locais onde a deficiência hídrica torna inviáveis culturas tradicionalmente utilizadas para esse propósito. luiz. a silagem de girassol contém alto teor proteico e. A silagem de girassol pode ser utilizada para alimentação de rebanhos leiteiros desde que as dietas sejam balanceadas. Serão discutidos aspectos relacionados a especificidades da cultura. 79320-900.ufmg. Lúcio Carlos Gonçalves 2. Quando a ensilagem é conduzida de forma adequada. Belo Horizonte. CEP 36038-330.) é uma dicotiledônea anual adaptada aos climas temperado.CAPÍTULO 3 SILAGEM DE GIRASSOL PARA BOVINOS LEITEIROS Luiz Gustavo Ribeiro Pereira 1.. Caixa Postal 567. Associado Departamento de Zootecnia da Escola de Veterinária da UFMG. devido ao elevado teor de óleo. Rua Eugênio do Nascimento. Em regra. Thierry Ribeiro Tomich 3. UFMG. O fornecimento de dietas contendo silagem de girassol pode ser uma alternativa para a produção de leite com características funcionais relacionadas aos teores de ácido linoleico conjugado. Rua 21 de Setembro. a fração fibrosa geralmente apresenta maior proporção de lignina e menor digestibilidade. A silagem de girassol é uma opção de volumoso suplementar. também possui alto valor energético. o valor nutricional e o uso do girassol na forma de silagem para bovinos leiteiros. Contudo. aslaragao@hotmail. EMBRAPA Pantanal. Corumbá. Embrapa Gado de Leite. As silagens são classificadas como de boa qualidade e destacam-se pelos teores de proteína e de lipídios.br 2 Engenheiro Agrônomo. quando comparada às silagens de milho e de sorgo. DSc. indica-se a semeadura do girassol para ensilagem após a colheita da cultura principal. MG. luciocg@vet. MG. DSc.com 26 . em período de safrinha. 1 Médico Veterinário. O menor ciclo de produção. MG. o girassol produz silagens com fermentação apropriada à conservação da forragem estocada. 610 Dom Bosco. Juiz de Fora.. Prof. Mestre em Ciência Animal e aluno do Curso de Doutorado em Zootecnia da Universidade Federal de Minas Gerais. Geralmente. sendo indicado o plantio da cultura como safrinha ou para regiões que apresentem índices pluviométricos desfavoráveis. INTRODUÇÃO O girassol (Helianthus annuus L. DSc. porém a fração fibrosa é de baixa digestibilidade. CEP 30123-970. a qualidade. MS 4 Engenheiro Agrônomo..

todos os estados do Centro-Oeste. deve-se levar em consideração o enquadramento da produção da silagem de girassol nos sistemas de rotação e de sucessão de culturas. Bahia. Existe grande carência por informações sobre a silagem de girassol. Nos estados da Bahia. Atualmente. Os tratos culturais no cultivo de girassol para produção de silagem são semelhantes aos adotados para a produção de grãos. Santa Catarina e parte do Paraná. o período mais indicado para a semeadura vai de meados de julho ao final de agosto. Por esse motivo. 1. LOCAL E ÉPOCA DE SEMEADURA PARA PRODUÇÃO DE SILAGEM DE GIRASSOL O local e a época de semeadura do girassol para ensilagem seguem as mesmas recomendações observadas para implantação da lavoura destinada à produção de grãos. aumentando a capacidade de aproveitamento do terreno e da estrutura disponível para produção e armazenamento. assegurar uma boa colheita. reduzir os riscos de eventuais problemas com pragas e doenças e. Maranhão e Piauí. dessa forma. Além disso. Existem relatos de produtividade de forragem verde de girassol que alcançaram 70t/ha. a principal característica que vem motivando o cultivo do girassol para a produção de silagem é o seu bom desempenho produtivo sob baixa pluviosidade. 2. Maranhão. promove elevação significativa no custo da silagem produzida com as culturas tradicionais. Nos estados do Rio Grande do Sul. RENDIMENTO FORRAGEIRO Na maioria das situações. São Paulo. no Nordeste. Mato Grosso do Sul. a cultura do girassol é indicada para os estados da região Sul. no norte e noroeste do Paraná e no Distrito Federal. A variabilidade genética e o estádio de desenvolvimento da planta são fatores que influenciam a produtividade e devem ser levados em consideração.características que podem restringir a aplicação da silagem de girassol para as categorias de animais mais exigentes. a redução do rendimento forrageiro. Serão descritas neste capítulo as principais informações científicas. relacionadas à produção e à utilização da silagem dessa oleaginosa. nacionais e internacionais. Goiás. Mato Grosso. Contudo. na região Sudeste. que ocorre sob condições de estresse hídrico. a melhor época para semeadura vai de meados de janeiro até fevereiro. para a maioria das situações. Minas Gerais e São Paulo. as produtividades médias no período de safrinha são próximas a 30t/ha. Minas Gerais. A época ideal é aquela que permite satisfazer as exigências climáticas da planta nas diferentes fases de desenvolvimento. 27 . Tocantins.

1A 17. que foi de 34.6ABC 6.2BCD A 7. Fonte: Adaptado de Tomich et al.5t/ha. (2002). ao avaliar a produtividade de quatro cultivares de girassol.9 Médias seguidas por letras iguais na coluna não diferem entre si pelo teste SNK (p<0. Tabela 1.6t/ha a 7. Pereira (2003).8E 26. que se manteve entre 5.7CD 6.8t/ha a 29.407 plantas/ha.05). Produção de matéria verde e matéria seca de cultivares de girassol.8ABC 6.00 t/ha.2 AB Matéria seca 7.6DE CDE 19. notou a redução progressiva na produção média de matéria verde de 27.1ABCD 29. 13. em relação aos rendimentos obtidos aos 95 e 110 dias após a semeadura. 17. (2003b). avaliando dois híbridos e uma variedade de girassol.1 12.1t/ha até 9. Quanto ao efeito da época de corte sobre a produtividade.7ABC 15.21 e 6.9CDE 24.9ABC 12.86. Deve-se ressaltar que os autores consideraram que as produtividades alcançadas nesse estudo foram limitadas pela baixa média da população de plantas por ocasião da colheita..7 3.Estudo conduzido na Escola de Veterinária da UFMG e na Embrapa Milho e Sorgo evidenciou efeito significativo do genótipo sobre o rendimento de forragem de 13 cultivares de girassol cultivados durante a safrinha (Tomich et al.7t/ha (Tabela 1).8E 21. respectivamente.2t/ha à medida que a colheita foi efetuada aos 30. 37. Contudo. Rezende et al.7t/ha. 2003b).7ABC 5.3 6.0ABC BCD 5.2B 22.1t/ha e produtividades de matéria seca de 3. respectivamente. Nesse trabalho.5ABC 5. notaram redução na produção média de matéria seca para o corte efetuado aos 125 dias após a semeadura.12t/ha e 6. foram notadas produtividades de matéria verde variando entre 12. a produção de matéria seca não foi significativamente afetada pelo avanço no estádio de maturação da planta.0AB 5. 7. 28 .08t/ha para as mesmas idades de corte (Figura 1). que apresentaram produtividade de 7.6D 5. Produtividade (t/ha) Cultivar AS243 AS603 Cargill 11 Contiflor 3 Contilfor 7 DK180 M734 M737 M738 M742 Rumbosol 90 Rumbosol 91 V2000 Média Matéria verde 26.4ABC 6.8ABC 4.3 23.4AB 15.9DE A 29. 44 e 51 dias após o florescimento.

mesmo em estádios avançados de desenvolvimento. Morrison (1966) relatou a possibilidade de o girassol ser ensilado quando metade ou dois terços das plantas estiverem em florescimento. e atribuídos ao fato de a planta acumular muita umidade na haste e no receptáculo floral. e poucos são os estudos que realizaram a ensilagem em estádios mais avançados de maturação. 29 . Tosi et al. (2000) recomendam colheitas com a planta apresentando 100% dos grãos maduros. Gonçalves et al. (1975) encontraram bons resultados quando realizaram cortes com os capítulos apresentando coloração verde-amarela na face dorsal e com sementes diferenciadas e bem formadas. brácteas amarelas a castanhas e folhas murchas ou secas. PONTO DE ENSILAGEM DO GIRASSOL O baixo teor de matéria seca é considerado uma das desvantagens da cultura do girassol e tem sido um fator limitante na produção de sua silagem. 3.1% de matéria seca. abaixo dos 30-35% preconizados para produção de silagens de boa qualidade.Figura 1. enquanto Schuster (1955) indicou a ensilagem durante toda a floração. Produção de forragem de girassol para cortes efetuados aos 30. As recomendações de época de ensilagem da cultura do girassol são controversas. no entanto Cotte (1959) considera que o girassol pode ser ensilado no final da floração. Várias épocas de ensilagem são indicadas. Os dados nacionais sobre avaliações de silagens de girassol apresentam valores médios de 24. 44 e 51 dias após o florescimento. Fonte: Adaptado de Pereira (2003). 37.

relatou o aumento das frações fibrosas e a redução na digestibilidade e na cinética de degradação ruminal com o avançar do estádio de maturação das plantas. A ensilagem nesse estádio tem produzido silagens com teor de matéria seca próximo a 25%. mesmo trabalhando com materiais com baixos teores de MS (23. Porém. Por esse motivo. Pereira (2003) observou bons perfis de fermentação durante o processo de ensilagem do girassol. recomenda-se que a colheita do girassol seja realizada no período de maturação fisiológica dos aquênios (fase R9). conferindo uma preservação satisfatória do material originalmente ensilado. Edwards e McDonald (1978) avaliaram o girassol ensilado em 12 estádios de crescimento e concluíram que. mostrando o potencial de conservação do girassol nestas condições. notando aumento no teor de fibra bruta (20.4%). mesmo em estádios precoces. respectivamente). Por sua vez. Rezende et al. o que sugere a ensilagem da cultura do girassol em estádios mais precoces. (1981) avaliaram a composição química e a digestibilidade in vitro da matéria orgânica da planta do girassol em 12 semanas consecutivas após a floração. respectivamente) e redução significativa na digestibilidade (76. o girassol contém alta quantidade de água. e 125 dias = 49. também observou que os teores de MS adequados para ensilagem só foram atingidos em estádios avançados de maturação (mais de 111 dias de idade). 111 e 118 dias.8% a 33. Este mesmo autor. quando é ensilado tardiamente. Já os teores de FDN e FDA aumentaram e os valores de DIVMS diminuíram com o avanço da maturidade das plantas.9%. com baixo teor de MS. cerca de 10% de proteína bruta e coeficiente de digestibilidade da matéria seca de 50%. o que prejudica a fermentação.6% e 19. 1991). 97. respectivamente).1%. 104. comprovando o potencial de conservação nessa forma. quando as plantas apresentam teor de matéria seca apropriado a propiciar fermentação que possibilite boa conservação do material estocado.Harper et al. avaliando as silagens de quatro genótipos de girassol colhidos com 90. Freire (2001) e Porto (2002) encontraram bons perfis de fermentação das silagens de girassol. A definição do ponto ideal de colheita do girassol é fundamental para a produção de silagem com melhor valor nutritivo. as perdas de efluentes de materiais com menos de 25% de MS devem ser consideradas (McDonald et al. as brácteas (folhas modificadas da parte externa do capítulo) estão com coloração amarelo-castanha e a maior parte das folhas presas ao caule já está seca. porém o avanço da idade causou aumento nos teores de fibra em detergente neutro (FDN) e redução nos valores de digestibilidade in vitro da matéria seca – DIVMS (95 dias = 62.9% para a primeira e a última semana de corte.6% a 56. 110 e 125 dias de idade e observaram que os genótipos só atingiram os teores de matéria seca (MS) recomendados para ensilagem (30%-35%) com idade de 125 dias.0% para a primeira e a última semana de corte. as plantas do girassol apresentam a parte posterior dos capítulos amarelada. 110 dias = 56.. Quando a colheita é efetuada antes da maturação fisiológica dos aquênios. foram obtidas silagens com fermentação predominantemente láctica. (2002) avaliaram três genótipos de girassol ensilados com 95. Em R9.7%. tem produzido 30 . Souza (2002). ao avaliar quatro genótipos de girassol em diferentes épocas após a floração. Apesar do baixo teor de matéria seca.

silagens com altas proporções de componentes da parede celular e baixos coeficientes de digestibilidade. o pH não deve ser tomado isoladamente. Tomich et al. tem-se recomendado ensilar forragens que apresentam entre 30% e 35% de matéria seca. devido à dificuldade de compactação. indicando que as silagens mais úmidas apresentaram pH mais baixos. Em relação à qualidade da fermentação. Tomich et al. Em geral. De maneira geral.. considera-se que valores inferiores a 10% são adequados para silagens bem-conservadas.2 como adequado às silagens bem-conservadas. Conforme Tomich et al. mas esse fato está relacionado principalmente à ensilagem em períodos precoces de desenvolvimento da planta. para a avaliação do processo fermentativo. avaliando as silagens de 13 cultivares. apresenta redução de pH adequada à conservação da forragem estocada. QUALIDADE DA SILAGEM DE GIRASSOL A adequação de uma planta para a ensilagem está relacionada à sua eficiência de fermentação para conservar o valor nutritivo da silagem o mais próximo possível do valor da forragem verde. O teor de matéria seca é uma variável importante no processo da ensilagem porque está relacionado à ação de microrganismos deletérios à qualidade do material ensilado. apresentam valores elevados de pH. mas deve ser associado ao teor de matéria seca da forragem.8 e 4. Como um dos aspectos positivos da silagem de girassol é o seu mais elevado valor proteico em relação às silagens de milho e de sorgo. (2004) também revelou que o girassol. O baixo teor de matéria seca é considerado um problema para a produção da silagem de girassol. frequentemente notadas em silagens com baixo conteúdo de matéria seca. as silagens muito secas favorecem a ocorrência de danos por aquecimento e mofo. 1988a. A conservação pela ensilagem baseia-se no processo de conservação em ácido. 2004). observaram que o valor de pH foi positivamente correlacionado com o teor de matéria seca. geralmente. Portanto. (2004). o pH e os teores de nitrogênio amoniacal e de ácidos orgânicos. tem-se atribuído pH entre 3. o pH apropriado para promover a eficiente conservação da forragem ensilada depende da quantidade de umidade da silagem. destacam-se o teor de matéria seca. 4. geralmente. O teor de nitrogênio amoniacal da silagem reflete a ação deletéria de enzimas da planta e de microrganismos sobre a fração proteica da forragem. (2003a). em que o decréscimo do pH pela fermentação limita a ocorrência de processos que promovem a deterioração da forragem.. Por esses motivos. 31 . indicando a aptidão da planta para a ensilagem quanto à conservação da qualidade da fração proteica. Todavia. b. à produção de efluentes e à redução do consumo voluntário. entre as variáveis utilizadas para avaliar a eficiência da fermentação de silagens. Por outro lado. a maior parte dos estudos tem revelado teores de nitrogênio amoniacal abaixo de 10% em silagens de girassol (Valdez et al. As silagens de girassol. Entretanto. O resultado obtido por Tomich et al.

32 . 2003. 1995. Já o teor de ácido acético está relacionado a menores taxas de decréscimo e pH elevado das silagens.. 2003. têm-se produzido silagens com fermentação adequada à conservação da forragem estocada. pode-se avaliar que. 2004).. Tomich et al. Considerando as variáveis expostas.Quanto aos ácidos orgânicos. Valdez et al. Pereira. 2004). com frequência. 1988a. as silagens de girassol apresentam as características de silagens bem-conservadas. O estudo realizado por Tomich et al.. 1975. 1995. (2004) com 13 cultivares revelou que. são bem-conservadas.1981. o ácido lático é frequentemente utilizado como indicador de qualidade da fermentação.. de maneira geral. quando a ensilagem do girassol é conduzida de forma apropriada. em média. mas a quantidade necessária desse ácido para reduzir rapidamente o pH e inibir os processos que promovem a deterioração do material ensilado varia com a capacidade de tamponamento da forragem e com o teor de umidade da massa ensilada... A presença de ácido butírico reflete a extensão da atividade clostridiana sobre a forragem ensilada e também está relacionada a menores taxas de decréscimo e elevado pH final das silagens. foram observadas baixas concentrações (Sneddon et al. Alguns estudos mostraram que. sem perdas significativas de matéria seca e de energia e com pequenas alterações da fração proteica da forragem conservada em relação à forragem verde (Tabela 2).. Existem poucos trabalhos que avaliaram a concentração de ácido acético em silagem de girassol e. Almeida et al. a capacidade de tamponamento da planta não permite redução do pH aos níveis frequentemente observados para as silagens de milho e de sorgo. 1975. apontando que essa não é uma característica capaz de restringir a adequação da planta para a sua conservação na forma ensilada. 2004). O teor desse ácido pode ser considerado um dos principais indicadores negativos da qualidade do processo fermentativo. o ácido butírico é positivamente correlacionado à redução da palatabilidade e do consumo da forragem. indicando que as silagens de girassol. geralmente. Almeida et al. embora a silagem de girassol apresente altas proporções de ácido lático (Tosi et al. Vários estudos mostraram baixos valores de ácido butírico em silagens de girassol (Tosi et al. Tomich et al. Tomich et al.. Pereira. Também corresponde a perdas acentuadas de matéria seca e energia da forragem original durante a fermentação e..

3B C 4.0 26.5DE 9.05 E 0.0BC 10.00E 0.3BC F 19.00 E 0. Composição química de silagens.08CD 0.00E 0.28A 0.7B 2.5B AB 2.23B 0.7 Composição expressa como porcentagem da matéria seca Extrato etéreo* FDN* FDA* Lignina* Cálcio** Fósforo** 13.0D 8.5D 26.23 0.0 55.09C 0. permitindo a redução da necessidade de suplementos minerais e proteicos. de sorgo. Quando usadas em dietas balanceadas.2B 4.9 5.8 7.9AB 1.% MS Lático Acético Butírico 7. Por outro lado.6 6.6 1.9F 14.3AB B 1.7E 21.4 0.6D 9.6 27.05).2B 23.9E 32.7 Ácidos orgânicos .2B 4.6 9.0 5.7B 5.5C D 4.3 0.4C 5.4BC 2.0C 5.2 61.3DE CD 8.3CD E 6.19 2. o seu mais alto teor proteico e mineral pode representar vantagem econômica. (1988b).1D 5.1 4.6A 8.9 0.30 0.7 30. Silagem Girassol Milho Sorgo Capim-elefante Proteína bruta* 9.2BC 8.0D 31.7 N-NH3/NT 10.5D A 12.Tabela 2. 5.29 3.5A 1.5B 1.7 47.0 1.1 4.8C 9.1 35.2A 23.8BC 23.3 7.4C 7.1CD 8.5 4.5A 4.9 53.38 0. elevados teores de proteína.2AB 2. Teores de matéria seca (MS).0 7.8C 25.% 21.56 0. 33 .8 76.5 1. Cultivar AS243 AS603 Cargill 11 Contiflor 3 Contilfor 7 DK180 M734 M737 M738 M742 Rumbosol 90 Rumbosol 91 V2000 Média MS . Tabela 3.00E 0.9AB 1.00 0. em regra.08 Fonte: *Valadares Filho et al.7AB 1.0CDE 9.4C 5.1 2.5C 4.9 0. Fonte: Adaptado de Tomich et al.5D 25.5C 4. (2001). pH e conteúdos de nitrogênio amoniacal com porcentagem do nitrogênio total (N-NH3/NT) e de ácidos orgânicos das silagens de 13 cultivares de girassol.00E 0. embora as silagens de girassol apresentem menor teor de fibra em detergente neutro que as silagens tradicionais.06 Médias seguidas por letras iguais na coluna não diferem entre si pelo teste SNK (p<0.3 pH 4.5C 5. quando comparadas às silagens de milho.0B 8.00E DE 0.1B 5. (2004).9 6.18 2.3D 7. **Valdez et al.7 34.00E 0.2A BC 26. ou de capim-elefante (Tabela 3).5A 1. VALOR NUTRITIVO DA SILAGEM DE GIRASSOL As silagens de girassol apresentam. contêm alta proporção de fibra em detergente ácido e de lignina.0 7.8E C 7. de minerais e de extrato etéreo (óleo).5C 4.8AB 2.5 7.

Portanto. sendo três híbridos confeiteiros e os demais destinados à produção de óleo. b. e as silagens obtidas com híbridos destinadas à produção de óleo apresentaram 2% a mais que as silagens dos materiais confeiteiros. Independente do tipo de girassol. Jayme (2003) avaliou as silagens de seis genótipos de girassol. FDN e lignina. principalmente. **Mycogen 93338. quanto as variedades chamadas de confeiteiras (25%-30% de óleo no grão) têm sido utilizados para a produção de silagem. Victoria 627 e Victoria 807. e.. Concluiu-se no estudo que os seis genótipos avaliados apresentavam potencial para serem utilizados na forma de silagem.9 48..1 10. Composição química das silagens de girassóis confeiteiros ou selecionados para a produção de óleo Parâmetros* Proteína Bruta Extrato Etéreo FDN Lignina Confeiteiro** 9. as análises das silagens de girassol produzidas no país têm revelado alta proporção de extrato etéreo.7 7. Tabela 4. No Brasil. os genótipos mais apropriados para a ensilagem são aqueles que apresentam alta produtividade de forragem. Fonte: Adaptado de Jayme (2003).8 12.0 7.. 1980). fermentação conveniente para a conservação do material estocado e. na maioria das situações. Esse alto teor de óleo na silagem de girassol pode representar um fator limitante para o seu uso como volumoso único na dieta de bovinos leiteiros e indica a possível necessidade de associação com outros alimentos volumosos.8 Produção de Óleo*** 8. *** V2000. M742 e IAC Uruguai. A maior parte das sementes disponíveis no mercado nacional é de girassóis destinados à produção de óleo.9 47. 2004). 1988a. bom valor 34 . As silagens obtidas com os dois tipos de girassóis apresentaram valores próximos de proteína bruta. Dados americanos revelaram que as silagens das variedades confeiteiras apresentaram em média 3% de extrato etéreo (Schingoethe et al. que geralmente apresentam entre 35% a 45% de óleo no grão.Tanto os girassóis selecionados para a produção de óleo. por esse motivo. As composições químicas médias das silagens encontram-se na Tabela 4.8 * Valores médios de três genótipos. da digestibilidade da fibra e da taxa de passagem. uma vez que dietas contendo mais de 7% de extrato etéreo podem estar relacionadas às reduções da fermentação ruminal. enquanto as silagens produzidas com girassóis de semente oleosa apresentam mais de 10% de extrato etéreo (Valdez et al. Tomich et al. recomenda-se que as dietas contendo silagem de girassol sejam adequadamente balanceadas para se evitar perdas no aproveitamento dos alimentos e no desempenho dos animais. Os teores de extrato etéreo para os dois tipos de silagens foram superiores a 10%.

(2004) observaram variações significativas nos teores de proteína. Médias seguidas por letras iguais na coluna não diferem entre si pelo teste SNK (p<0.2EF 14.6AB 37.7A 38.4E 40. Em relação ao valor nutritivo. Tabela 5. no extrato etéreo.5CDEF 10.% 47.4 AB 6.3A 9.6 DEF 43.5AB 49.8A 9.0DE 37.3 A 7.4DE 39.05).1AB 6.7BC 51.2E 50.6 F DIVMS .1E 46.6CD 47.7CD 7.2D 9.3DEF 12.1EF 36.5B 48. (2004).7A 49.0CD 49.1D 51.8A 51.9 AB 8.4B 56.4BC 6.1AB 13.9D 49.8BCDE 47.9CD 43.4D 5.2D 6.4A 28.7E 41.4BC FDN = fibra em detergente neutro.4BCD 51.5F 18. Vários estudos mostraram que essas características diferem entre cultivares.0ABC 19.9AB 5.9CD 46.7CDEF 11.5A 9.7 B 15. (2002) e Pereira (2003) observaram poucas alterações nos teores de proteína bruta das silagens com o avanço do estádio de desenvolvimento das plantas. Tomich et al.1AB 6.8 CD 33. nos componentes da parede celular e no coeficiente de digestibilidade in vitro das silagens de 13 genótipos de girassol ensilados quando apresentavam mais de 90% de grãos maduros (Tabela 5).5BCD 10.2A 13. 35 .9 C Composição expressa como porcentagem da matéria seca Proteína Extrato etéreo FDN FDA Lignina 18.7C 44.nutritivo da forragem produzida.0C 7. Rezende et al.1BCD 36.0AB 17.1C 9.9AB 6.7F 52. FDA = fibra em detergente ácido.1A 39.6B 9. Fonte: Adaptado de Tomich et al. Composição química e digestibilidade das silagens de cultivares de girassol.4A 8.2BC 5.1B 49.9DE 31.1 BCD 6. mas notaram aumento de fibra e redução da digestibilidade da matéria seca nas silagens de girassol produzidas com plantas em estádio avançado de desenvolvimento (Figura 2). DIVMS = digestibilidade in vitro da matéria seca.8AB 7.9CD 48.4A 11. Outro fator que é capaz de influenciar significativamente alguns componentes bromatológicos e a digestibilidade das silagens de girassol é o estádio de desenvolvimento da planta.3ABC 35.0CDE 7.7CD 46.8A 9.9G 40. Cultivar AS243 AS603 Cargill 11 Contiflor 3 Contilfor 7 DK180 M734 M737 M738 M742 Rumbosol 90 Rumbosol 91 V2000 Proteína bruta 8.3 BC 34.2A 8.5F 33.

Valle et al.70 60 50 % MS ou % 40 30 20 10 0 23 30 37 Dias após floração 44 51 PB FDN DIVMS Figura 2. visando à melhoria da conservação. USO DE ADITIVOS NA ENSILAGEM DO GIRASSOL Aditivos têm sido recomendados com o objetivo de beneficiar os processos fermentativos. aditivadas ou não. Valle et al. ao incremento do valor energético ou proteico e ao aumento da estabilidade aeróbica da silagem durante a fase de utilização. (2001a) não observaram alterações na digestibilidade da matéria seca devido à adição de ureia. 36 . 37. Fonte: Adaptado de Pereira (2003). ureia + carbonato de cálcio ou inoculante bacteriano. 6. carbonato de cálcio. Médias de conteúdos de proteína bruta (PB) e de fibra em detergente neutro (FDN) e coeficiente de digestibilidade da matéria seca (DIVMS) de silagens de quatro genótipos de girassol colhidos aos 30. As silagens de girassol. promoveu queda nos teores de ácido lático e aumento nos teores de ácido butírico em dois de quatro cultivares avaliados. assim a tomada de decisão quanto à utilização ou não de aditivos deve levar em consideração a relação custo/benefício. (2001b) observaram que a adição de ureia e de carbonato de cálcio.5). apresentam fermentação aceitável. enquanto os teores de ácido acético foram pouco afetados pela adição. 44 e 51 dias após o florescimento (fase R5. Esses mesmos autores verificaram que o uso de inoculante bacteriano não resultou em aumento significativo nos teores de ácido lático nas silagens de girassol. associados ou não à silagem de girassol.

37 . McGuffey e Schingoethe (1980) verificaram que as vacas alimentadas com silagem de girassol (variedade confeiteira) consumiram 4.. obtiveram maior consumo de silagem de girassol em relação à silagem de milho. 2002. Thomas et al. quando comparadas às vacas alimentadas com silagem de girassol. em experimento com vacas Jersey. enquanto a substituição parcial (34% e 66%) não afetou o consumo. concluindo que a silagem de girassol é uma forragem adequada para vacas no meio e no final de lactação. (1988b) observaram que vacas Holandesas alimentadas com silagem de girassol apresentaram maior ganho de peso e igual produção de leite que aquelas que receberam silagem de milho. comparando silagens de girassol e de milho para vacas Jersey em lactação. e a maioria dos estudos mostrou que o consumo das dietas contendo silagem de girassol é satisfatório (Bergamaschine et al. Silva et al. os dados de literatura não são conclusivos. 2002). de proteína e de extrato seco total do leite.0kg de matéria seca a menos que vacas alimentadas com silagem de milho. observaram que a produção de leite foi significativamente maior para as vacas alimentadas com silagem de girassol (2. A substituição completa afetou negativamente as produções de leite. (1982) e Valdez et al. (1982) encontraram produções de leite equivalentes em dois grupos de vacas em lactação.7. (1985). Valdez et al.. alimentadas com silagens de girassol e de alfafa. pois não afetou significativamente as produções de leite. (1988b) observaram redução na porcentagem de gordura do leite dos animais que consumiram silagem de girassol. Hubbel et al. Alguns estudos mostraram modificações na composição do leite dos animais alimentados com silagem de girassol. enquanto Hubbel et al. 1999. DESEMPENHO DE BOVINOS LEITEIROS ALIMENTADOS COM SILAGEM DE GIRASSOL O consumo é um dos principais fatores na determinação do desempenho animal. (1985). concluíram que a inclusão parcial da silagem de girassol se mostrou viável. ao avaliarem a produção e a composição do leite de vacas com média de 26kg/dia alimentadas com diferentes proporções de silagem de girassol em substituição à silagem de milho. McGuffey e Schingoethe (1980) notaram aumento de gordura e de ácidos graxos poli-insaturados. quando o consumo de matéria seca das dietas contendo silagem de girassol é comparado ao de outros volumosos. Thomas et al. Ribeiro et al. Vandersall e Lanari (1973) observaram maiores ganhos de peso e produções mais elevadas de leite para vacas alimentadas com silagem de milho. (2004). Valdez et al.2kg a mais por dia). Ko. Leite (2002) observou que a substituição total da silagem de milho pela silagem de girassol na dieta de vacas em lactação promoveu redução significativa de 17% na ingestão de matéria seca. redução de proteína e de sólidos totais no leite das vacas alimentadas com silagem de girassol. de proteína ou de gordura. Contudo. (1988b) não observaram diferenças significativas no consumo de vacas Holandesas alimentadas com silagem de girassol (semente oleosa) ou de milho.

9kg de leite por dia (corrigido para 4% de gordura).28 3.Leite et al.52 23. (2006) realizaram estudo de desempenho com vacas Holandesas alimentadas com silagens de girassol ou milho na Fazenda Experimental da Escola de Veterinária da Universidade Federal de Minas Gerais. Tabela 6. sólidos totais e extrato seco desengordurado) entre as vacas alimentadas com silagem de girassol e milho.5kg por dia para as dietas contendo silagem de girassol e milho.96 4.02 22. A digestibilidade da matéria seca das dietas foi semelhante (61. gordura. Os animais alimentados com silagem de girassol apresentaram maior consumo de matéria seca. Apesar da composição do leite semelhante (P>0.76 Leite (2007) comparou a silagem de girassol com a de milho como fonte volumosa para vacas leiteiras. (2006).84 4.85kg. Os dados deste ensaio encontram-se na Tabela 6. ureia. 38 . estaria consumindo 365mg/dia de ácido linoleico conjugado (CLA). e as do tratamento com silagem de milho 22.05). A produção e a composição do leite foram semelhantes entre os dois tratamentos (P>0. o fornecimento da silagem de girassol. para vacas leiteiras produzindo em média 25kg. O autor estimou que o ser humano. o consumo seria de 90mg/dia. Silagem de Girassol 25. Não foram observadas diferenças na produção e composição do leite (proteína. Parâmetros Produção de leite (kg/dia) Produção de leite corrigido para gordura (kg/dia) % de gordura % de proteína % de lactose Fonte: Leite et al. depende de avaliações econômicas em relação aos custos dos suprimentos energéticos e da produtividade por hectare da silagem de girassol. respectivamente). Já para a ingestão de leite obtido das vacas alimentadas com silagem de milho.19 3.30 2.52 2. Segundo Leite (2007). 17.3 e 59. lactose. O fornecimento de dietas contendo silagem de girassol aumentou os teores de C18:1Trans 11 e C18:2 Cis-9 trans-11. ao ingerir um litro de leite de vacas alimentadas com silagem de girassol. respectivamente. as vacas alimentadas com dietas contendo silagem de girassol produziram 23.05). Produção e composição do leite de vacas Holandesas alimentadas com dietas balanceadas utilizando silagem de girassol ou milho.4% para as dietas com silagem de girassol e milho. O consumo de 300mg de CLA/dia é tido como referência para os efeitos nutracêuticos do CLA.4 e 15. a composição da gordura (perfil de ácidos graxos) diferiu entre os tratamentos.67 Silagem de Milho 25. Alguns dos resultados obtidos neste estudo encontram-se na Tabela 7.

Composição química e consumo voluntário das silagens de sorgo.M.V. et al.5ª 0. em dois estádios de corte. Consumo de matéria seca (kg/dia).9ª 33.2ª a C18:2 Cis-9 trans-11 1. porém a fração fibrosa é de baixa digestibilidade.9 Consumo de matéria seca (kg/dia) Digestibilidade da matéria seca (5) Produção de leite corrigido para gordura (kg/dia) % de gordura Concentração de ácidos graxos (mg/g de gordura) b C4:0 3. Parâmetros Silagem de girassol 17.4ª 4.4 b C15:0 0.3ª 2.3 b C17:1 0.H.3ª 3.5ª Silagem de milho b 15. As silagens são classificadas como de boa qualidade e destacam-se pelos teores de proteína e de lipídios. 39 .3 a 0.0 0.4ª 22. O fornecimento de dietas contendo silagem de girassol aumenta os teores de C18:1Trans 11 e C18:2 Cis-9 trans-11. produção e composição da gordura do leite de vacas Holandesas alimentadas com dietas balanceadas utilizando silagem de girassol ou milho.Tabela 7.0 b C12:1 0.9ª 3. AQUINO.4ª 1.5ª 1.5 59.0 b C14:0 5. CONSIDERAÇÕES FINAIS O girassol é uma opção para produção de volumoso suplementar em plantios de safrinha ou para regiões que apresentem índices pluviométricos desfavoráveis.3 b C16:1 Cis-9 0.4 b C6:0 1. L.3ª 2.3 b C8:0 0. digestibilidade da matéria seca (%). M.1ª a 11.2 C18:0 14. I.E. Prát..7ª C18:1 Cis-9 25. Fonte: Leite (2007).. 8.1ª 0.1 b C12:0 1.8 b C17:0 0. Ciênc. VON TIESENHAUSEN.315-321.6 b C10:0 1. A silagem de girassol pode ser utilizada para alimentação de rebanhos leiteiros desde que as dietas sejam balanceadas.6 b C16:0 17.9 b C14:1 Cis-9 0.1 b 2.4 b C13:0 0.6ª 0. girassol e milho para ruminantes.0 a 1.19. v.1 b 18.5ª Letras idênticas em uma mesma linha significam diferença estatística (P<0.F.3ª b 10. 1995. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ALMEIDA.05).2 b C11:0 0.9ª 3.9ª C20:0 0.3ª 23..0 C18:2 Cis-9 cis-12 4.8ª 0.3 b 0.3 b 1.2ª 0.7ª C18:1 Trans-11 11.4ª 61. p.

. FREIRE. Belo Horizonte.. et al. 105f. D.. v. C11. In: SIMPÓSIO DE FORRAGICULTURA E PASTAGENS.. In: REUNIÃO ANUAL SOCIEDADE BRASILEIRA DE ZOOTECNIA. Lavras. A. L. Consumo voluntário e digestibilidade aparente das silagens de quatro (Rumbosol 91. 2003. et al. Bras. LEITE... A. Produção e utilização de silagem de girassol.A. Lavras.Universidade Federal de Minas Gerais. ISEPON. p. O... L.203-236. Des Moines. Digestibilidade e degradação in situ da silagem de girassol confeccionada com diferentes teores de matéria seca e aditivo microbiano.M. Fermentation of silage: A review. MG. et al. 2001. Sunflower for fodder.58. E. Le tournesol . Silagem de girassol e associações para vacas leiteiras em lactação. 2006. McDONALD. 2000. n. Anais. 36. J. SILVA. MG. P. E. HARRISON. Abstr.C. v. Silagem de girassol e de milho em dietas de vacas leiteiras. H. Escola de Veterinária. 1. The potential of sunflower as a crop for ensilage and zero grazing in northern Britain. 1. Silagens de girassol e de milho em dietas de vacas leiteiras: consumo e digestibilidade aparente. GUATURA. v. Zootec.45-53.J..R.A.1192-1198. S430) genótipos de girassol (Helianthus annuus). 1999. Porto Alegre.. 1978. p. Padrão de fermentação das silagens de cinco híbridos de girassol.R.. Porto Alegre: SBZ.. A. Belo Horizonte. DONALDSON. Belo Horizonte.. 2007. 2002.92. LEITE. 1999. T.B. Belo Horizonte.J. p. 1981.G.S. 7. p.. KO. REIS. 66f: Dissertação (Mestrado em Zootecnia) – Universidade Federal de Minas Gerais. 40 .F. Qualidade das silagens de genótipos de girassol (Helianthus annuus) confeiteiros e produtores de óleo. 2000. HUBBEL.fourrage. IA: West. 34. M734. GONÇALVES. v. A. D. R. MG: UFLA.. B.. Dissertação (Mestrado em Zootecnia) – Universidade Federal de Minas Gerais. L.G. Abstract.29. K. MG. 42f. HENDERSON.A. p.F. Dissertação (Mestrado em Zootecnia) – Universidade Federal de Minas Gerais.. JAYME. 44f. TOMICH. 115p. A.F. 2002. COTTE. Comparison of corn silage and sunflower silage for lactating Jersey cows. Escola de Veterinária. et al. Sci..R. MG. 1985. 47f. Agric. CD-ROM. 1959.O. Anais.BERGAMASCHINE. Arkansas Farm Research. L. L. R.B. Vet.. Belo Horizonte. EDWARDS. Escola de Veterinária. Med. Herb. Escola de Veterinária. Tese (Doutorado em Zootecnia) – Universidade Federal de Minas Gerais. F.. PEREIRA. Escola de Veterinária. Dissertação (Mestrado em Zootecnia) . DANIELS. Arq.96. HARPER. LEITE. L.

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FARIA. F.. Efeito do uso de aditivos nos teores de carboidratos solúveis e de ácidos orgânicos de silagens de quatro genótipos de girassol (Helianthus annuus L.H. et al. J. J. J..A. 20p. ROCHA Jr. 2003b. 2001. VANDERSALL.4. (Documentos. T.756-762.. v. RODRIGUES. TOSI.S. Dairy Sci. Características químicas para avaliação do processo fermentativo de silagens: uma proposta para qualificação da fermentação.C. Anais. et al.. 38. J. Vet. Bras. et al. Arq.. C.F.55.R.. L.. v. GONÇALVES.R.C. SP: SBZ. v. CD-ROM. Piracicaba. SILVEIRA. A. et al..A. VALLE. VALDEZ. DEETZ. HARRISON. T. Efeito do uso de aditivos na digestibilidade in vitro da matéria seca.A.. Zootec. VIEIRA. extrato etéreo e frações fibrosas de silagens de quatro genótipos de girassol (Helianthus annuus L. TOMICH. TOMICH. Anais.R. Méd. TOMICH. v.. v. 1975. L. et al. J.. 2003a. I.R. 297p.R..A. GONÇALVES. Zootec. 1988b. S.1860-1867.R. J.G. H. SP. BORGES. Viçosa.C. Rev. 2001. v. Potencial forrageiro de cultivares de girassol produzidos na safrinha para ensilagem. Tabelas brasileiras de composição de alimentos para bovinos..F. p.A. 1973. Bras.G. p. 57). CAPPELLE.1384.. F. Sunflower versus corn silage at two grain ratios fed to cows. D. L. Dairy Sci.TOMICH.. Avaliação do girassol (Helianthus annuus) como planta para a ensilagem. Piracicaba. p. MG: UFV. L. Effect of feeding sunflower silage on milk prodution.2462-2469.P. Soc. VALADARES FILHO..H. Piracicaba. V.1.P. 1988a.39-48. VIEIRA.16721682. GONÇALVES.. 42 .. Zootec. R.. milk composition. Rev. VALDEZ.. V. D. FRASEN. CD-ROM.. HARRISON. p. p. S. 2001b. Piracicaba. et al. 2004.33.. F. Corumbá. Dairy Sci.. supl.R..C... I. 2001...R.56. E.A.71. In vivo digestibility of corn and sunflower intercropped as a silage crop. p. Abstract. C. LANARI.71.) In: REUNIÃO ANUAL SOCIEDADE BRASILEIRA DE ZOOTECNIA. Bras.C.) In: REUNIÃO ANUAL SOCIEDADE BRASILEIRA DE ZOOTECNIA.H. 38. BORGES. VALLE.C. J. PEREIRA. F. and rumen fermentation of lactating dairy cows. Características químicas e digestibilidade in vitro de silagens de girassol. SP.. T. et al. SP: SBZ. MS: Embrapa Pantanal. 2001a.

br 5 Médico Veterinário. matheusarta@yahoo. piresdaa@gmail. assim como a qualidade fermentativa. José Avelino Santos Rodrigues4.br 1 43 . DSc.com 2 Engenheiro Agrônomo. muitos produtores optam pela conservação de forragem na forma de silagem. Caixa Postal 567. o uso de forragens conservadas se torna uma ferramenta de importância na pecuária moderna. o sorgo tem se destacado por sua facilidade de cultivo (Neumann et al.ufmg.CAPÍTULO 4 SILAGEM DE SORGO PARA GADO DE LEITE Wilson Gonçalves de Faria Jr. Belo Horizonte. Belo Horizonte. e pelo valor nutritivo semelhante à silagem de milho. Nesse capítulo serão discutidos alguns aspectos relevantes da utilização da silagem de sorgo nas dietas de vacas de leite. Nesse sentido. Lúcio Carlos Gonçalves 2. Escola de Veterinária da UFMG. Doutorando em Nutrição Animal. MG.1. avelino@cnpms. Escola de Veterinária da UFMG.. 2008). Matheus Anchieta Ramirez5 RESUMO A intensificação dos sistemas de produção de leite. pelos altos rendimentos (Lima. Prof. garantida pela adequada concentração de carboidratos solúveis. luciocg@vet. CEP 35701-970.com. Devido a essa estacionalidade da produção de volumosos. Sete Lagoas. Professor do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade Estadual de Montes Claros.br 3 Médico Veterinário.embrapa.. o menor custo e a semelhança ao valor nutritivo do milho tornam o sorgo uma opção de volumoso para o balanceamento de dietas de vacas de leite. Caixa Postal 285. Doutorando em Nutrição Animal. Associado Departamento de Zootecnia da Escola de Veterinária da UFMG. essenciais para a fermentação lática sem necessidade de aditivos para estimular a fermentação (Zago. DSc. A necessidade de intensificação da produção animal no Brasil obriga o produtor a fornecer alimentos de qualidade durante todo o ano. Caixa Postal 567. wilsonvet2002@gmail. INTRODUÇÃO As forrageiras tropicais apresentam estacionalidade de produção. Além disso.. vem aumentado a demanda de produção de volumosos conservados para suplementação em sistemas confinados ou semiextensivos. com aumentos no potencial genético e na produtividade dos animais. principalmente em regiões com riscos de veranicos ou em sistemas de cultivo em safrinha. Caixa Postal 567. DSc. o sorgo surge como opção em substituição ao milho. Médico Veterinário. Bolsista CNPQ. associada à necessidade de suplementação volumosa no período seco. MG. EMBRAPA Milho e Sorgo. CEP 30123-970. CEP 30123-970. Belo Horizonte. CEP 30123-970. MG. Daniel Ananias de Assis Pires3. 2002).com 4 Engenheiro Agrônomo. o valor nutritivo e o desempenho produtivo de vacas leiteiras.. Bolsista FAPEMIG. ocorrendo sobra de alimento no período chuvoso e no período seco. Sendo assim. pela menor exigência em umidade e especialmente pela qualidade fermentativa da silagem produzida. MSc. 1991). Para produção de silagem..

Correa et al. panícula e produtividade da matéria seca em função do estádio de crescimento de plantas de sorgo de porte alto (AG-2002). Cultivares de sorgo forrageiro em ótimas condições de clima e de fertilidade apresentam produtividades elevadas que geralmente superam as produtividades do milho. tem apresentado boa adaptação ao cultivo de safrinha (Demarchi et al. seja por corte manual ou mecânico. em seu Programa de Melhoramento Genético de Milho e Sorgo. o sorgo na forma de silagem mostra-se como alternativa de grande impacto na alimentação suplementar para os períodos de escassez de alimentos em rebanhos leiteiros de diferentes níveis produtivos (Cabral et al. Esses fatores são determinantes para o sucesso da cultura. 1995. melhor relação colmo/folha:panícula e resistência a doenças). e melhor valor nutritivo (digestibilidade da fibra e grãos de textura macia). 2003). o que reduz os riscos de perdas na cultura. 2002. PRODUTIVIDADE DA CULTURA DE SORGO Devido aos mais variados tipos de sorgos e à enorme diversidade de cultivares. O grande número de híbridos e a variedade de sorgo colocados em ensaios de avaliação e no mercado nacional demonstram a grande variabilidade genética desta espécie.. que se mostra uma cultura mais exigente em fertilidade e pluviosidade. Diante disso. no Brasil. a utilização de sorgo se torna uma vantagem para produção de silagem em regiões de climas áridos ou sujeitos à ocorrência de veranicos e em solos pobres onde o milho não se sobressai. porte médio (AG-2004-E) e porte baixo (AG-2005-E). folha e panícula da planta de sorgo. possibilita a utilização na forma de pastejo ou corte verde. com o objetivo de selecionar híbridos com melhores características agronômicas (maior produtividade. Pedreira et al. Na Tabela 1. Assim.. climáticas e de fertilidade do solo. Por outro lado. O Brasil é destaque no cenário mundial no cultivo de sorgo.. 2007). De forma semelhante. 44 . Tal característica vem sendo explorada pela Embrapa. são apresentados os resultados obtidos por Zago (1991) para proporções de colmo. Aliado a tais fatores. já em regiões de melhor distribuição de chuvas. 1. às condições de manejo. folha. A proporção das partes da planta é um importante fator determinante da produtividade e qualidade das silagens produzidas. em condições marginais de cultivo.Em regiões áridas e semiáridas. Ademais o fato de a cultura permitir o aproveitamento da rebrota. a literatura apresenta uma ampla variação nos dados de produção de matéria seca.. o estádio de crescimento afeta a produção de matéria seca por também alterar as proporções de colmo. Portanto. o sorgo é menos sujeito a roubos em culturas próximas a centros urbanos do que o milho. o sorgo vem sendo amplamente utilizado para este propósito. o sorgo tem sido cultivado como primeira cultura. a menor exigência quanto ao tipo e à fertilidade do solo bem como a capacidade de suportar extensos períodos de falta de água e rebrotar rapidamente depois da ocorrência de chuvas que umedecem suficientemente o solo destacam o sorgo em comparação ao milho. fornecido diretamente ao cocho. já que seu sistema radicular permanece vivo após o corte.

Porcentagem de colmos (%C).7 11. folhas (%F) e panículas (%P) na matéria seca e produtividade de matéria seca (PMS) em toneladas por hectare em função da época de colheita.. já nos híbridos forrageiros. A acumulação de nutrientes é peculiar de cada espécie. 2007). Alguns híbridos atingem o teor de matéria seca ideal no estádio de grão farináceo.Tabela 1. O aumento 45 .5 %C 49 35 34 35 AG-2005-E %F %P 27 24 21 44 17 49 16 50 PMS 10. a redução na qualidade da fibra resulta em redução no valor nutritivo em estádios mais avançados de maturação. luminosidade. BR701 e Massa-3) em cinco épocas de corte da planta. Esses autores relataram aumentos nos teores de matéria seca (MS) e lignina. Araújo et al. disponibilidade de água.5 13. (2006) avaliaram a qualidade e o valor nutricional das silagens de dois híbridos de sorgo de duplo propósito (AG 2006 e BR700) e um forrageiro (BR601) com a colheita das plantas em oito estádios de maturação dos grãos. tipo de solo e variação quanto ao genótipo (variedade e/ou híbrido).8 10. Pires et al.3 18. Já os valores de digestibilidade in vitro da matéria seca (DIVMS) mostraram comportamentos variáveis.6 12. devido à menor quantidade de grãos. As reduções nas frações fibrosas foram associadas ao aumento da participação dos grãos na composição da planta..6 10.8 16. A maturação das forrageiras eventualmente envolve declínio do valor nutritivo devido principalmente ao acúmulo de constituintes da parede celular. 2. com os grãos variando entre os estádios de grãos leitosos a grãos duros. Estádio de colheita Grão leitoso Grão pastoso Grão farináceo Grão duro %C 67 64 63 69 AG-2002 %F %P 23 10 18 19 15 23 13 19 PMS 14. MOMENTO DE ENSILAGEM A obtenção de uma silagem de alta qualidade depende principalmente da colheita da forrageira num momento ótimo do seu estádio de desenvolvimento (Araújo et al.05) nos teores médios de MS. 2000).8 Fonte: Adaptado de Zago (1991). De modo semelhante.2 %C 58 48 46 48 AG-2004-E %F %P 25 18 21 32 16 39 16 34 PMS 11. De acordo com Corrêa (1996). adubação. e outros no de grão leitoso para grão pastoso (Molina et al.2 15. (2007) avaliaram três híbridos de sorgo de porte médio com boa produção de grãos (BR700. mas não houve alteração no valor nutricional das silagens com o avanço da maturidade da planta. com redução nos teores para o híbrido forrageiro. Esses autores observaram aumentos (p<0. que foram acompanhados de reduções nas frações fibrosas e proteína com o avanço do estádio de maturação. mas sofre influência de fatores como temperatura. a produção de matéria seca de híbridos de duplo propósito e a de um híbrido forrageiro aumentaram com o avanço do estádio de maturação. com os maiores valores observados nos estádios de grão pastoso e farináceo.2 14.

O autor concluiu que os melhores momentos de ensilagem para esse híbrido estão compreendidos entre os estádios de grãos pastosos e farináceos. graças às reduções nos teores de fibra em detergente neutro (FDN) e fibra em detergente ácido (FDA). a relação nitrogênio amoniacal/nitrogênio total (N-NH3/NT) e os ácidos orgânicos.1. No que diz respeito aos ácidos orgânicos.dos grãos e. o pH de silagens muito úmidas tem que ser mais baixo para inibir o crescimento de Clostridia spp. decorrente da maior resistência de degradação do grão e maior taxa de passagem da digesta em animais de alto consumo. CONSERVAÇÃO DA SILAGEM Juntamente com o teor de matéria seca e pH. em estádios mais avançados. O BRS-610 é um sorgo forrageiro de boa proporção de grãos. Teor de matéria seca O teor de matéria seca da planta é um importante fator determinante do tipo de fermentação no processo de ensilagem. pois o transporte por quantidade de matéria seca fica mais caro. 3. e sorgos com baixa porcentagem de grãos. são utilizados para classificar as silagens quanto a sua qualidade fermentativa. de amido altamente digestível com o avanço do estádio de maturação dependendo da proporção no total de matéria seca da silagem é capaz de superar a redução no valor nutricional das frações de colmo e folhas com a maturidade da planta (Zago. Por outro lado. sorgos com porcentagens médias. que se destaca pelas excelentes características agronômicas de produtividade e pela resistência a pragas e doenças. ocorre perda na qualidade do material. principalmente em dietas de vacas de alta produção. segundo. os valores de DIVMS não foram alterados. Demarchi et al. Estas bactérias são indesejáveis por produzirem ácido butírico e degradarem a fração proteica com consequente redução do valor nutricional 46 . Esse autor observou aumento na produção de MS e na participação da panícula com a maturidade da planta do florescimento até o estádio de grãos farináceos. butírico e lático são os mais importantes. (1995) recomendam que os sorgos com altas porcentagens de grãos sejam colhidos entre os estádios de grão leitoso e pastoso. apesar de terem ocorrido reduções nos níveis de proteína. a fim de garantir um teor de MS tido como ideal no momento da ensilagem (variando entre 27% e 37% de MS no material verde). resultantes da maior participação de amido do grão na matéria seca total. os ácidos acético. pois. Houve aumento nos teores de MS e. Já Faria Jr. a ensilagem do sorgo com os grãos duros pode levar à perda destes nas fezes dos animais. 3. outros parâmetros. 1991). nos estádios de grão duro. entre os estádios pastoso e farináceo. silagens muito úmidas têm um custo de produção maior. Silagens que apresentem umidade muito alta têm uma série de desvantagens: primeiro. Mas o aspecto nutricional. (2008) avaliou o comportamento produtivo e nutricional do sorgo BRS-610 em oito estádios de maturação do grão. como o nível de carboidratos solúveis. consequentemente.

3. Carboidratos solúveis Teores mínimos de 8 a 10% de carboidratos solúveis na MS são requeridos para uma adequada fermentação..7%...6 e 4. respectivamente. (1999a) encontraram teores de MS de 25. o consumo voluntário é diminuído. 1997. relataram teores de carboidratos solúveis em álcool de 18%.2. 1993. baixo e médio. ao ensilarem sorgos de porte alto. 1999b. Potencial de hidrogênio (pH) A velocidade com que ocorre a queda do pH é tão importante quanto o valor de pH final para a preservação da qualidade da silagem. com valores entre 3. já nas primeiras 24 horas de fermentação. têm um nível de carboidratos solúveis suficiente para uma boa fermentação. b. 2006.7%) no momento da ensilagem.2% a 29. Os teores de MS do sorgo são correlacionados com o estádio de maturação e com a proporção entre as frações de colmo em relação às de folhas e panículas na planta (Gontijo Neto et al. Pires et al. 1996.. 1997. Pereira et al. 28.. Para silagens de sorgo. apresentam valores de pH capazes de minimizar a atividade proteolítica das enzimas e bactérias e tendem a se estabilizar antes de 10 dias transcorridos da ensilagem (McDonald et al.9%.. 31. 10% e 8%. 2000b.4% e de 24. Araújo.. 1997. Nogueira (1995) e Bernardino (1996). no material original. Nogueira. 35. ao analisarem sorgos de portes alto. 1991). Brito et al. 47 . Borges (1995). Brito et al. Borges et al. Rocha Jr. os resultados da literatura indicam a possibilidade de produção de silagens de boa qualidade nutricional e bom padrão fermentativo com materiais ensilados com teores de matéria seca variando de 20% a 37% (Meeske et al. Araújo. respectivamente. 2002). 1995. 2004). pois reduz a proteólise e inibe o crescimento de microrganismos indesejáveis..3. 1991. com consequente queda no pH (Borges et al.8%. Brito et al. Araújo et al. Rocha Jr. Está bem definido que os sorgos utilizados no Brasil. 2002). 1988). Faria Jr. geralmente.. (2000a) obtiveram para 20 genótipos de sorgo um teor médio de 25. silagens muito úmidas produzem efluentes que levam à perda de nutrientes de alta digestibilidade (McDonald et al.7% MS (20..3. 2000a.0%. 1997... (Zago. médio e baixo.da silagem. 37.. De modo geral. 2000a. Borges et al. (1993) e Silva et al. e quarto. Existe uma estreita relação entre as taxas e as extensões de queda do pH e o teor de MS da forragem para que ocorra inibição do crescimento de microrganismos indesejáveis (Muck. et al.. 2008). As maiores taxas de acúmulo de matéria seca das folhas e panículas em relação aos colmos indicam a importância dessas frações na elevação da MS da planta com o avanço da maturidade desta. terceiro. Corrêa. mesmo que o nível de carboidratos solúveis seja o suficiente para promover fermentação lática. 2000b.. Bernardino et al. as silagens de sorgo... 2000b).3%. 3. 2007. et al. Silva et al. 1992. Já Pesce et al.

as variações encontradas entre as silagens são decorrentes das diferenças intrínsecas aos híbridos com respeito aos conteúdos de MS.5% na MS e de ácido butírico inferiores a 0. consequentemente. O conteúdo de ácido butírico reflete a extensão da atividade clostridiana sobre a forragem ensilada e está relacionado a menores taxas de decréscimo. (2000b) (3. maior valor final de pH e de nitrogênio amoniacal nas silagens. 2003). e Araújo et al. superiores aos valores de Rocha Jr. No entanto. Assim.30 a 15.53 a 7. e da redução de nitratos pelas bactérias lácticas (Fairbairn et al. Araújo et al.99%. Os valores elevaram-se com o avanço do estádio de maturação da planta de florescimento a grãos duros. Silagens bem-conservadas apresentam valores de ácido lático próximos de 8-10% na MS.2 e. sendo a amônia derivada principalmente da deaminação de aminoácidos específicos. inibição de microrganismos indesejáveis. o que indica quebra excessiva da fração proteica. Os conteúdos de ácido acético estão relacionados às menores taxas de decréscimos e maiores valores finais de pH nas silagens. Por outro lado. resultando em aumento do pH da silagem. no momento de ensilagem. com baixos níveis de ácido acético. (2008) encontrou valores de nitrogênio amoniacal na silagem variando de 1. uso de aditivos).42% na MS.15 a 6. butírico e de nitrogênio amoniacal.57%) e Ibrahim (2007) (4.3. (2007) citam valores de ácido lático variando de 6. sendo responsável pela redução do pH a valores inferiores a 4.. aos carboidratos e às relações das partes da planta. em menor porção. bactérias láticas heterofermentativas e.3% da MS (Tomich et al. velocidade de ensilagem. 48 . velocidade de confecção da silagem e taxa de queda nos valores de pH.5%). (2006) observaram reduções para esse parâmetro (6. 1992). a degradação proteolítica envolve consumo de ácido lático e acético para produção de ácido butírico. por clostrídios.31%). Os valores mínimos de ácido lático para garantir boa conservação da silagem são variáveis em função dos teores de MS.12%. bem como das diferenças quanto aos processos de ensilagem (estádio de maturação da planta. 1987).79%) com o avanço da maturidade da planta. esses últimos autores afirmam ter obtido silagens de excelente a boa qualidade. amidas. Ferreira (2005) (3. Faria Jr. et al. as silagens malconservadas e com evidências de fermentações indesejáveis (clostrídia e pseudomonas) apresentam teores de nitrogênio amoniacal acima de 15%.8% do nitrogênio total.2 a 8. 3.37 a 5. o ácido lático é o principal por apresentar maior constante de dissociação (Kd). Pires et al.03-7.5. Nessas silagens. Contudo. Ácidos orgânicos Dentre os ácidos orgânicos. de ácido acético inferiores a 2. Os teores de nitrogênio amoniacal em silagens de sorgo variam de 0..5 a 7.4. como resultado da ação prolongada de enterobactérias. Nitrogênio amoniacal Nas silagens consideradas com bom padrão de fermentação. (2007) não relataram efeito do estádio de maturação sobre os níveis de nitrogênio amoniacal nas silagens de três híbridos de sorgo cujos valores variaram de 5. Em silagens de sorgo. indicando processos fermentativos ineficientes (Fisher e Burns. os valores de nitrogênio amoniacal são inferiores a 10% do nitrogênio total.25 a 5.

3 5.7 34.4 a 50.5 23.6 5. (2002)1 Pedreira et al. Na Tabela 2.1 57.8 32.5 6.4 63.3 36.8 7.8 8.9 3.9 7. (2008)3 Valadares Filho et al.9 42.20 Silagem de sorgo (%MS) FDN FDA LIG DMS 51.4 62.3 34.1 27.0 53.5 70.77 56.5 3.6 52.4 47.8 5. (1999). (2002)1 Restle et al.0 60.54 7.2 29.8 45.1 4.5 5. (2003)1 Silva et al.4 34.5 11.57 30.9 54. Pesce et al. Teores de matéria seca (MS).61 55.46 30.3 45. Estas variações devem-se principalmente a diferentes proporções entre colmo.5 41.59 4.7 9.1 6.89 56. (2006)1 Digestibilidade in vitro da MS. como altura de corte.93 57. Isso reflete a enorme variabilidade genética entre os genótipos e o potencial do melhoramento genético no desenvolvimento de híbridos modernos de alto valor nutritivo.8 58.8 a 3.0 45.6 69.7 9.1 6. épocas de cultivos e manejo de ensilagem.4 38.6 a 64.6 6.3 57.8 33.4 5.6 57.9 26. (2000b)1 Fontanelli et al.4.1 a 3.3 38.3 28.1 6. 2digestibilidade aparente da MS.1 42.8 31.5 68.5 a 8. 3NDT 49 .5 55. bem como às diferenças no valor nutritivo destas frações entre os híbridos.73 54.3 5.3 53. Tabela 2. que proporcionariam alto desempenho animal semelhante ou superior aos obtidos com silagens de bons híbridos de milho.6 35. lignina (LIG) e digestibilidade da matéria seca (DMS) da silagem de sorgo e milho de vários experimentos.2 3.7 36.8 35. tendo o valor da composição da silagem de milho como referência. proteína bruta (PB). et al.4 53.1 a 36.2 a 61.1 a 70. 1991).2 58.8 53.85 31. (2006)2 Pires et al.2 51.0 65.6 7. fibra em detergente ácido (FDA).5 25.6 56. Em híbridos de sorgo de porte médio ou baixo.9 32.9 a 9.6 34.6 27.5 62. COMPOSIÇÃO QUÍMICA E DIGESTIBILIDADE Observa-se uma grande variabilidade entre a composição de nutrientes nos diferentes híbridos de sorgo. folhas e panícula.4 7. (2006)1 Araújo et al.6 57.4 35.5 39.71 Autor Aydin et al. (2007)1 Nascimento et al.5 a 30.6 27.2 5.89 PB 6.5 3. Diferenças entre regiões.4 a 39.6 4. (2000b) Rocha Jr. normalmente os teores de proteína bruta têm se mostrado superiores aos de porte alto em função de maior participação das folhas. são apresentadas a composição químicobromatológica e a digestibilidade in vitro de silagens de sorgo observadas na literatura. panículas e grãos na massa ensilada (Zago.0 a 29.0 9.3 33.0 6. Material 20 híbridos 7 híbridos Corte alto ou baixo 8 híbridos AG 2002 AG 2006 BR 601 BR 700 BR 700 BR 701 Massa 3 Granífero Sacarino Sorgo Milho 1 MS 30.1 20. fibra em detergente neutro (FDN).79 4.4 24.4 26. são fatores que também influenciam nas diferentes respostas sobre a composição química entre as silagens de sorgo.7 3.5 28.1 5.

(1993).7g/UTM.07 3. devido à menor quantidade de grãos. 50 . (1984) e Gomide et al. em alguns cultivares de sorgo. segundo Resende et al. Lusk et al. para milho e sorgo. 5. à disposição no mercado.4Kcal/UTM) para as silagens de rebrota de sorgo aos 98 dias. respectivamente. (1984).De modo geral. 2004) e colmos de menor digestibilidade. os nutricionistas consideram que o valor nutricional da silagem de sorgo equivale entre 80 e 90% do valor nutritivo da silagem de milho. materiais de mesmo nível nutricional e que têm propiciado desempenhos animais semelhantes e com menores custos. os resultados de pesquisa recente mostram que há. não observaram diferenças na produção de leite (24. Silagem de milho Silagem de sorgo Consumo de MS (kg/dia) 25. de proteína digestível (4. analisando o valor nutricional de silagens de milho. O pastejo direto de rebrotas pode causar intoxicação por ácido cianídrico em plantas jovens. refletindo em menor degradabilidade efetiva da matéria seca das silagens. Consumo de matéria seca. como pode ser verificado na Tabela 3.56 36. Por outro lado. No entanto.8 a 61. (1998). milho consorciado com sorgo e rebrotas de sorgo. que.8%. Nichols et al. respectivamente. avaliando silagens de milho e sorgo. DESEMPENHO ANIMAL Lusk et al. encontraram maiores valores de consumo de matéria seca (66.16 3. corresponde a 84% da encontrada para a silagem de milho. Tabela 3.unidade de tamanho metabólico).83 x 2.68 e 2.06 4. para milho e sorgo).75 Fonte: Adaptado de Nichols et al. (2003).4% e de 58. referentes ao fornecimento das respectivas silagens. Não foram observadas por estes autores diferenças no consumo de matéria seca. por apresentar perdas de grãos nas fezes dos animais (Mello. (1987) encontraram ingestões de matéria seca maiores para silagens de sorgo que para silagens de milho (1.7 L/dia) e encontraram valores de digestibilidade aparente da matéria seca variando de 59.7g/UTM).86 Produção de leite (kg/dia) 36. na produção e composição do leite.53 25. de proteína bruta (7.00% PV. (1998) compararam o efeito da silagem de sorgo e silagem de milho na dieta de vacas Holandesas de alta produção.4 x 24.10 Lactose (%) 5. inferiores a 60cm. produção e composição do leite de vacas de alta produção alimentadas com silagem de milho e silagem de sorgo.64% do peso vivo (PV) e 1.86 Gordura (%) 3.23 Proteína (%) 3.8g/UTM) e de energia bruta (325. Bezerra et al.3 a 58.

2ab 3.6a Tratamentos SSE 4.Dias et al. Deste modo.43b 14. A produção de leite e o leite corrigido para 4% de gordura (LCG) foram superiores para a silagem de milho em comparação à silagem de sorgo com o grão leitoso. Os teores de gordura do leite não diferiram quanto ao tipo de volumoso.25%) foram observados em vacas alimentadas com silagem de milho. Consumos médios diários de matéria seca das silagens e da dieta total.3ab 13.39).66a 15.4a SSL 3.56%) em comparação àquelas alimentadas com silagem de milho (4. A porcentagem de gordura do leite das vacas alimentadas com silagem de sorgo sacarino foi superior (4. respectivamente.69b 10.2a 14. com elevados teores de açúcares. Já a silagem de sorgo no estádio de emborrachamento mostrou resultados intermediários e semelhantes ao milho.68b 12. as produções diárias de gordura e proteína foram semelhantes entre os sorgos e inferiores ao milho. rico em grãos. ou sacarino. Já para porcentagem de proteína no leite. Esses autores observaram que os animais alimentados com silagem de sorgo granífero apresentaram maior consumo de silagem e de ração total em comparação àqueles alimentados com as silagens de milho ou de sorgo sacarino. O tipo de sorgo influencia na composição química das silagens e pode ter reflexos no desempenho animal. os maiores valores (3. produção de leite e teor de gordura do leite de vacas recebendo silagem de milho (SM).6b 3. o valor intermediário em vacas alimentadas com silagem de sorgo sacarino (3.1a 3. (2001) avaliaram o efeito do estádio vegetativo do sorgo em comparação à silagem de milho para vacas de leite. e o menor naquelas alimentadas com o uso de silagem de sorgo granífero (2. Esses pesquisadores observaram que a silagem de milho proporcionou maior consumo de MS da silagem e da dieta total em relação às silagens de sorgo (Tabela 4). Fonte: Dias et al. Tabela 4.11).31%).05%).34) e silagem de sorgo granífero (1.97%). seguida pela silagem de sorgo sacarino (1.6a Letras iguais. (2008). foram comparadas à silagem de milho quanto a sua influência no desempenho de vacas leiteiras por Nascimento et al.20b 11. No entanto. Esses resultados indicam maior eficiência produtiva (LCG/IMS total) com o uso de silagem de milho (1. silagens de sorgo granífero. silagem de sorgo no estádio de emborrachamento (SSE) ou silagem de sorgo no estádio de grão leitoso (SSL). Parâmetros Silagem (kg de MS/dia) Dieta total (kg de MS/dia) Produção de leite (kg/dia) Produção corrigida (4% de gordura) Gordura do leite (%) SM 4.93a 12. 51 . (2001). não diferem entre si (P>0.39%) ou silagem de sorgo granífero (4. As produções de leite total e LCG foram superiores entre as vacas alimentadas com silagem de milho.6b 11. e este resultou em menor consumo que silagens de milho (Tabela 5).05) pelo teste Tukey. na linha. e não diferiram entre as silagens de sorgo.

(2004) avaliaram silagens de sorgo normal ou mutantes portadores de nervura marrom (bmr-6 e bmr-18) em comparação à silagem de milho para vacas leiteiras de alta produção. porém as produções obtidas com os animais alimentados com a silagem de sorgo de nervura marrom foram semelhantes (P<0.14b 26. (2008). gordura.97c SS3 13. que a produção dos animais alimentados com sorgo foi 11. Os resultados obtidos para proteína no leite foram semelhantes entre os tratamentos.56a 3.94a 4.10b 1. As digestibilidades da matéria seca das silagens de sorgo Bmr foram semelhantes à silagem de milho e superiores à silagem de sorgo normal. A eficiência produtiva foi semelhante entre as silagens de sorgo com nervura marrom e 52 .95b 3.09b 0.37c 24. A síntese dos resultados desse trabalho encontra-se na Tabela 6.93b 28. 1 Silagem de milho (SM).69b 25.63b 1.05) pelo teste Tukey.64a 22. foi relatado que vacas leiteiras alimentadas com sorgo de duplo propósito (porte médio) mostraram maior produção de leite em relação às vacas que receberam silagem de sorgo de porte alto. produção e composição do leite de vacas alimentadas com silagem de milho (SM).5% inferior aos alimentados com silagem de milho. contudo as ingestões de FDN foram superiores para as silagens de sorgo normal.02b 21. No mesmo trabalho. Já as digestibilidades da FDN foram superiores para a silagem Bmr-6 e a silagem de milho.25a SG2 17. o que está associado à maior participação dos grãos na massa ensilada. porém a digestibilidade do amido foi semelhante entre as silagens de sorgo e inferior à silagem de milho.81a 30.31b 2.98a 4.28a 0. Oliver et al. 2Silagem de sorgo granífero (SG).39b 3.Zago (1991) citou. As ingestões de matéria seca não diferiram entre as silagens. conferindo maior valor energético à silagem.22a 24. Não houve diferenças quanto à digestibilidade da proteína.05) e garantiram a mesma produção dos animais alimentados com silagem de milho. LCG e menores teores de gordura que os animais alimentados com silagem de milho. Nota-se que as vacas alimentadas com silagem de sorgo normal apresentaram menores produções de leite. Por outro lado.73b 4. e produção semelhante aos animais alimentados com silagem de milho. 3Silagem de sorgo sacarino (SS). Parâmetros Ingestão de silagem (kg MS/dia) Ingestão total (kg MS/dia) Ingestão média MS (100 kg PV corrigido) Produção de leite total (kg/dia) Produção corrigida 4% de gordura (LCG) Gordura no leite (kg/dia) Proteína no leite (kg/dia) Gordura (%) Proteína (%) SM1 17.72b 4. Fonte: Nascimento et al.05c 0. em sua revisão de literatura. enquanto as silagens de sorgo mutante (Bmr-6 e Bmr-18) e a silagem de milho mostraram valores semelhantes.43c 3.64c 19.05b Médias seguidas de letras diferentes na mesma linha diferem entre si (P<0. Tabela 5. Ingestão. silagem de sorgo granífero (SG) ou silagem de sorgo sacarino (SS).65a 1.

sem.92 AGV totais 123.2 73.2 Acetato:Propionato 2.2 51. acetato e propionato.0 b 34.8 26.3 Propionato 26.2 ab 33.62 a 1. Sorgo Silagem de Sorgo Sorgo Parâmetros Bmr-182 milho normal Bmr-61 IMS (kg/dia) 23. exceto para a relação acetato:propionato que foi superior para silagens de sorgo normal e Bmr-6.98 2.1 73.7 b 91.96 5. vem estudando o potencial dos híbridos de sorgo e milho portadores de nervura marrom sob condições brasileiras.99 0.96 1. observa-se o potencial dos híbridos portadores de nervura marrom na obtenção de silagens de melhor qualidade nutricional e com potencial de manter produtividades semelhantes às silagens de milho.2 24. Esses resultados estão de acordo com os dados obtidos por Aydin et al.9 a Proteína bruta 51. Fonte: Oliver et al.7 Acetato 75.3 30.00 IMS/LCG 1.2 25. em parceria com o Departamento de Zootecnia da Escola de Veterinária da UFMG.5b 62. As condições de metabolismo ruminal foram semelhantes entre as silagens quanto aos parâmetros de pH.88a kg/d 1.91 0.4 59.4 a 9.11b 1.65 3.1 a 60. Influência do tipo de silagem na ingestão e digestibilidade.78 a 2.1 a 32.67 3.97 kg/d 0.7 b 82.81 Ingestão FDN (kg/dia) 10. Tabela 6.0 b (% peso vivo) 1.0 118. Diante dos resultados obtidos. A Embrapa Milho e Sorgo.2 30.87 5. refletir em maior teor de gordura do leite para a silagem de sorgo normal.7 a Produção de leite (kg/dia) 31. sendo superior à silagem de sorgo normal. entretanto.4 a 47.79 3. ácidos graxos voláteis totais (AGV). (2004).96 5.9 b 54.8 123.89a 3.8 c 54.7 a 31.1 a Amido 85.44 b 2.9 a 69.53 ab 1.25b 1.3 b 79.49 b 1 Silagem de sorgo de nervura marrom BMR-6.77 a 2.42 b Digestibilidade da dieta Matéria seca 52.35a 1.77ab 3.1b 33. no desempenho e nos parâmetros ruminais de vacas leiteiras.3 59. 53 .3 (% peso vivo) 3.3 a Gordura do leite % 3.22ab 1.0 b 9. (2007).1 72.38a pH ruminal 5. (1999) e Miron et al.34a 1. 2silagem de sorgo de nervura marrom BMR-18.89 2.2 23.8 a LCG 4% (kg/d) 29.32a Proteína do leite % 2.9 ab 9.4 FDN 40.2 ab 33.43 b 1.as silagens de milho.9 124.89 2.57b 3.37a 1.

68 13. com uma conversão alimentar de 0. Fonte: Valvasori et al.87a 12. avaliaram o consumo e o desempenho de bezerros leiteiros alimentados com silagem de sorgo granífero ou silagem de cana-deaçúcar como único volumoso e suplementado com farelo de algodão. As vacas alimentadas com silagem de sorgo como único volumoso apresentaram consumo de MS de 20.25kg/dia ou 1.59kg.57 9.59% do peso vivo (PV) e consumo de FDN de 8. as produções de LCG e os teores de gordura não diferiram entre os tratamentos.06% e 73. 76. Os consumos de MS. (1998a). Na silagem de sorgo. (2002) avaliaram o consumo.V(%) Kg leite/vaca/dia 12. Produções de leite e taxas de gordura láctea em vacas alimentadas com silagem de sorgo granífero.34ab 11.Valvasori et al. seguidos por letras diferentes. Esses autores observaram que a inclusão de 17% de palma forrageira foi o nível que resultou nos melhores valores de digestibilidades aparentes da matéria seca e carboidratos totais e maior valor de NDT 54 .93a* 12.95 *valores na mesma coluna. O uso de silagens de sorgo associadas à palma forrageira para vacas Holandesas de produção mediana (27kg/leite/dia) tem sido uma alternativa de suplementação interessante em regiões semiáridas.10 Kg leite/vaca/dia corrigido a 3.81a 3. respectivamente. (2002) e Andrade et al.5% gordura 13. como pode ser observado na Tabela 7.20%. 89.72a 11. Tabela 7.98kg e 26. Os ganhos de pesos. (1998b) avaliaram a substituição da silagem de sorgo granífero por silagem de cana-de-açúcar em vacas no terço inicial da lactação. 64. silagem de sorgo granífero + silagem de cana-de-açúcar e silagem de cana-de-açúcar. diferem entre si (p<0.95kg/dia ou 3. Valvasori et al.58a 3. PB e NDT das dietas foram semelhantes. fibra em detergente neutro. em relação à silagem de cana-de-açúcar. Wanderley et al.83.56%. Silagem Sorgo granífero Sorgo granífero e cana-de-açúcar Silagem de canade-açúcar Média geral C.38 4. os ganhos de peso e as conversões de MS e PB em ganhos de peso foram superiores para o tratamento com silagem de sorgo.05) pelo teste SNK. a digestibilidade e o desempenho de vacas no terço inicial da lactação alimentadas com dietas à base de silagem de sorgo com níveis crescentes de palma forrageira e 43% de concentrado.84%. Embora as ingestões totais de MS e PB tenham sido muito próximas. contudo a silagem de sorgo granífero proporcionou maior produção de leite em relação à silagem de canade-açúcar.40% PV.15%. respectivamente. os valores obtidos de digestibilidade aparente da matéria seca. carboidratos não fibrosos e teor de NDT foram de 73.64a 3.11a 12. em outro estudo. Já as silagens de sorgo garantiram produções diárias de leite e LCG de 24. (1998b). matéria orgânica (MO).59 Teor de gordura 3.78b 12.

(2006). pois não se evidenciou mérito atribuído a silagens confeccionadas com uso do inoculante microbiano-enzimático. a dificuldade de se comparar de forma justa as silagens de sorgo com outros volumosos como a silagem de milho. intestinal ou total entre as silagens. Conforme evidenciado. sendo capazes de formar ligações com proteínas e outras macromoléculas como os carboidratos. Os efeitos do uso de inoculante microbiano-enzimático em silagens de sorgo ou milho sobre o consumo e a digestibilidade dos componentes nutritivos das silagens foram avaliados por Silva et al.48% PV e 65. Esses autores concluíram que as dietas foram nutricionalmente equivalentes. O aumento de carboidratos não estruturais na dieta proporcionado pela palma forrageira promoveu efeito associativo positivo na melhoria da digestibilidade da dieta. Silva et al. 45% dos taninos condensados ingeridos foram degradados no rúmen e 40% dos TC que chegaram ao abomaso e intestinos foram absorvidos. 6.4kg. A inclusão de xiquexique não comprometeu o consumo. Os resultados da literatura mostram uma boa associação da palma forrageira e outras cactáceas a silagens de sorgo para suplementação de vacas em lactação de média produção no nordeste brasileiro. sem comprometer o consumo ou as produções de leite. TANINOS Os taninos são compostos fenólicos com alto peso molecular (500 a 3000). Não houve diferenças quanto aos valores de consumo ou digestibilidade aparente ruminal. referente aos valores de pH e concentrações de amônia ruminal. Esses autores relataram consumos e digestibilidades aparentes da MS e do FDN de 2. As diferenças observadas na literatura se devem às distintas condições experimentais e à grande variabilidade genética do sorgo. comprovando. bem como a taxa de passagem da digesta não foram influenciados pelas dietas.6%. para dietas com silagem de sorgo como volumoso único. 1994). O ambiente ruminal. Esses compostos são classificados em dois grupos: os hidrolisáveis (carboidrato central com ligações de ácidos fenólicos carboxílicos) e os condensados (mistura de polímeros flavanoides) (Van Soest. assim.0% e 57.8kg e 13. refletindo em uma conversão alimentar média de 0. respectivamente. pois existe uma correlação negativa entre os teores de 55 . a silagem de sorgo pode ser utilizada como fonte única de volumoso para vacas leiteiras. A seleção de sorgos utilizados para a produção de silagem é feita para os genótipos com baixos teores de taninos. a digestibilidade dos nutrientes da dieta ou o desempenho produtivo dos animais.das dietas.83% PV e 1. Segundo Perez-Maldonado e Norton (1996). (2005) avaliaram a substituição da silagem de sorgo por xiquexique (Pilosocereus gounellei) até níveis de 50% da dieta com 30% de concentrado. atingindo o máximo após 72 horas de incubação ruminal. que apresentaram produções médias diárias de leite e LCG de 14. Rabelo (1997) determinou que parte dos taninos do sorgo foram degradados no rúmen e que os taninos condensados (TC) desapareciam à medida que os tempos de incubação avançavam.87.

P<0.. menor degradabilidade efetiva da MS do que os sem taninos (BR 007 e CMX XS 214).. os genótipos com taninos (CMS XS 210 e BR 701) apresentaram. o processo de ensilagem reduz o teor de taninos. Resultados semelhantes foram relatados por Molina et al. Esses autores verificaram correlação negativa (r=–0. (2003b). concluíram que os taninos não responderam 56 . Isso pode ser um fator que está associado aos maiores valores de FDA para os genótipos com taninos.. a velocidade de degradação das silagens de sorgo) não foram influenciadas pela presença de taninos no grão. Segundo Campos et al. Já Molina et al. que concluíram que a presença de taninos em genótipos de sorgo ensilado no estádio de grão leitoso parece ter reduzido a extensão de degradação e a degradabilidade potencial para a matéria seca e a proteína bruta nas silagens de sorgo BR 700 e BR 701.. Além dos componentes estruturais. Rodriguez et al. O mesmo foi observado por Borges (1995). com os mesmos híbridos colhidos no estádio de grãos farináceos. Rodriguez et al. os taninos apresentaram correlação negativa com a degradabilidade da matéria seca.01) entre a presença de taninos e a digestibilidade da MS. Segundo Cummins (1971). (1997) afirmaram que a ensilagem é uma forma de reduzir os teores de taninos nos grãos de sorgo com alta umidade. 1997. que relatou uma redução significativa dos teores de taninos das silagens de sorgo com a fermentação. No entanto. Molina et al. provavelmente. deveu-se à presença de taninos. porém colhidos no estádio de grãos pastosos. (1999) verificaram melhor digestibilidade da frações de FDN e FDA em sorgos sem taninos. as taxas de degradação da matéria seca e da proteína bruta das silagens (ou seja. Nyachoti et al. 1999). processo que pode ser utilizado para aumentar o valor nutritivo do grão de sorgo. os taninos não exerceram efeito depressivo sobre a média do desaparecimento da proteína bruta em nenhuma das silagens de sorgo testadas. apesar de o BR 701 ter apresentado degradabilidade similar aos genótipos sem taninos. em híbridos de sorgo granífero com altos e baixos teores. podendo esse complexo tornar-se um componente do resíduo do FDA (Borges et al. Entretanto.34. 2003a). e concluíram que a presença de taninos nas silagens dos sorgos BR 700 e BR 701 foi capaz de inibir somente a degradabilidade potencial da MS. em média. 1991). A degradabilidade da proteína também foi inferior para os genótipos com taninos.. e ressalta-se que teores mais elevados de fenóis totais podem não refletir em maiores concentrações de TC (Campos et al. os autores relataram que a causa desta diminuição pela estocagem anaeróbica ainda não está completamente esclarecida. 1997. FDN e FDA (Campos et al. o que pode estar associado à melhor qualidade da fibra para esse híbrido. (2003a). Borges et al. Apesar da maior afinidade pelos compostos nitrogenados/proteicos. indicando que a qualidade da fibra tem importante função na resposta à presença de taninos sobre a degradabilidade da MS. Contudo. parece existir uma concentração mínima de TC necessária para que os efeitos negativos se expressem. Essa menor degradação da PB. (2002). os quais se ligam à fração nitrogenada. O mesmo ocorreu com a degradabilidade potencial e com a taxa de degradação da proteína bruta. (2003a) avaliaram as silagens produzidas com os mesmos híbridos. que estudou a influência do teor de taninos sobre a digestibilidade in vitro da matéria seca. Entretanto. 2003b).tanino e a digestibilidade da matéria seca (Zago.

v. Digestibilidade e absorção aparentes em vacas da raça Holandesa alimentadas com palma forrageira (Opuntia ficus-indica mill) em substituição à silagem de sorgo (Sorghum bicolor (L. não sendo indicada a utilização de plantas de sorgo com altura inferior a 60cm (Zago. 7. incontinência urinária e morte fetal de bezerros (Zago. de acordo com Zago (1992). a durrina (C14H17O7N). está associado ao aumento proporcional das partes da planta pobres em HCN (nervura. podendo causar anóxia histotóxica. 2000).K. Demarchi et al.. Rev. Zootec.. Rodrigues. 2002. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ANDRADE. M. Rodrigues. O declínio do nível de HCN na maturação. Os níveis de HCN são reduzidos com o desenvolvimento das plantas. devido à possibilidade de comprometimento do aproveitamento das silagens e consequente limitação do desempenho dos animais. ademais é uma opção interessante em sistemas de cultivo de safrinha. na presença de β-glicosidases no rúmen. VÈRAS.) Moench).. bainha e colmos) em relação às partes ricas. 1992. As silagens de sorgo têm potencial para substituir as silagens de milho como volumoso único. inibindo a ação de metaloenzimas. que são as lâminas foliares. A.31.. que.S. Isso sugere menor efeito dos taninos sobre a degradabilidade da matéria seca e da proteína das silagens com o avanço do estádio de maturação da planta. FERREIRA. apresentando menores riscos de perdas. pela afinidade por íons metálicos e o transporte de oxigênio pela combinação do cianeto com a hemoglobina (ciano-hemoglobina). sem comprometimento do desempenho de vacas em lactação e com possibilidade de redução de custos. 57 . a cultura do sorgo mostra-se como opção de produção de volumoso.2088-2097. D. INTOXICAÇÃO COM REBROTA DO SORGO O sorgo possui um heteroglucosídeo cianogênico.por nenhum efeito depressivo sobre os parâmetros estudados de degradação da matéria seca e da proteína bruta. Bras. CONSIDERAÇÕES FINAIS Em regiões semiáridas ou com risco de ocorrências de veranicos. A utilização da rebrota deve ser realizada quando a planta ultrapassar 60cm de altura. 8. principalmente animais jovens.B.A. p. 2000). E aconselhável utilizar cultivares de sorgo sem taninos. 1992.C. et al. 1995. produz ácido cianídrico (HCN).

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guimaraes@cpac. CEP 30123-970. São João Del-Rei. Doutorando em Nutrição Animal. na confecção de pães e derivados na Ásia e África. Prof. e pode-se considerar 1 Médico Veterinário.. MG. de Engenharia de Biossistemas. Roberto Guimarães Júnior3.br 4 Médico Veterinário. 2 65 . Rogério Martins Maurício5 RESUMO O milheto é um cereal de grande importância mundial por ser adaptado às regiões semiáridas. EMBRAPA Cerrados. tem sido utilizado como alimento humano sob a forma de farinhas.CAPÍTULO 5 O MILHETO COMO OPÇÃO PARA GADO DE LEITE Gabriel de Oliveira Ribeiro Júnior1. Ph. Escola de Veterinária da UFMG. Por essa característica e por apresentar teor de proteína superior ao milho. no Brasil..D. CEP 30123-970. produtiva. Dept. Fernado Pimont Pôssas4. Belo Horizonte. CEP 36301-160.. sorgo e trigo.Br. Atualmente a cultura vem sendo utilizada para plantio direto. onde normalmente culturas como o milho e o sorgo não se desenvolvem bem. MSc. Além disso. Caixa Postal 567. 74 . DF. não é utilizado na alimentação humana e possui pequena participação na alimentação de aves. com boa composição nutricional e que pode ser cultivada com sucesso no período de safrinha ou em regiões sujeitas a veranicos ou secas. MG. MG.ufmg. luciocg@vet. Planaltina.) é um cereal de grande importância no mundo por ser adaptado a regiões semiáridas. Caixa Postal 567. produtiva. implantação e recuperação de pastagens e para produção de silagem e grãos. Bolsista CNPQ. Esp. quando começou a ser utilizada no sistema de plantio direto.br 3 Médico Veterinário. Belo Horizonte. Lúcio Carlos Gonçalves2. MG. Associado Departamento de Zootecnia da Escola de Veterinária da UFMG. Caixa Postal 567. Praça Dom Helvécio. 1972). Universidade Federal de São João Del-Rei. que apresenta boa composição nutricional e pode ser cultivada com sucesso no período de safrinha ou em regiões sujeitas a veranicos ou secas.com.embrapa. rogeriomauricio@ufsj. chegando a suprir de 80 a 90% da quantidade de calorias consumida pela população de algumas dessas regiões (Burton et al. CEP 30123-970.. Prof. É uma planta de clima tropical. Doutorando em Zootecnia. gabrielorjúnior@yahoo.com 5 Engenheiro Agrônomo. Apresenta-se como opção promissora para o Brasil por ser uma planta de clima tropical. Escola de Veterinária da UFMG. MSc. suínos e peixes.Bairro Dom Bosco. DSc. Este capítulo fornecerá informações para a adequada utilização do milheto na alimentação de gado de leite. fpimont@gmail.. INTRODUÇÃO O milheto (Pennisetum glaucum (L) R..edu.. DSc. No Brasil.br Engenheiro Agrônomo. Belo Horizonte. MSc. onde normalmente culturas como o milho e o sorgo não se desenvolvem bem. é um cereal que. a cultura do milheto passou a ter destaque nos cerrados no início dos anos 90. produção de forragem para pastejo.br..

1999). é o mais antigo nome do milheto-pérola cultivado. subtribo Panicinae.que. apresenta uma variada história taxonômica. gênero Pennisetum (Brunken. 1997. 1990. por volta de 10 a 12 semanas após o plantio. 66 . Atualmente a cultura vem sendo utilizada para plantio direto. bajra. O milheto caracteriza-se por ser uma gramínea anual de verão. quanto mais tardiamente for realizado o plantio. com baixas precipitações pluviométricas e pelo crescimento rápido. 1977. Barbosa. É uma cultura influenciada pelo fotoperíodo. spiked millet. tribo Paniceae. Estima-se que o milheto forrageiro utiliza 70% da água consumida pelo milho para produzir a mesma quantidade de matéria seca. (Andrews e Rajewski. 2005). que pode alcançar 3. 1977). e à sua eficiência na transformação de água em matéria seca. entretanto a nomenclatura atualmente reconhecida como mais apropriada e autêntica é Pennisetum glaucum (L) R.. e se destaca como forrageira por sua habilidade em desenvolver-se em estações chuvosas curtas. 1999). sendo capaz de vegetar em regiões com precipitações pluviométricas inferiores a 400mm anuais. Kichel et al. A sua utilização para pastejo pode ser feita entre quatro a seis semanas após a semeadura. onde a pluviosidade é de apenas 130 a 180mm por ano (Perret e Scatena. pasto italiano ou capim-charuto.60 metros de profundidade (Skerman e Riveros. 1999). 1977. Bonamigo. com uma temperatura ótima de crescimento de 28 a 30ºC (Perret e Scatena. 1. 2000). de ciclo curto. 1992. Inicialmente era conhecido como Pennisetum americanum (L. subfamília Panicoideae. produção de forragem para pastejo. bulrush millet. 1997. Br.. 1995. já que é cultivado na Índia. Skerman e Riveros. cattail millet. implantação e recuperação de pastagens e para produção de silagem e grãos. Lima et al. de modo que. não suportando temperaturas inferiores a 10ºC (Skerman e Riveros. 1990). Lima. A espécie africana Pennisetum glaucum (L) R. geralmente. Br. O ciclo vegetativo é curto. citados por Bonamigo. o sistema conseguiu se estender às demais regiões (Martins Netto e Durães. que ocorre. typhoides (L. menos dias a planta levará da germinação ao florescimento. O gênero Pennisetum está distribuído em todo o mundo. a partir dessa associação.) Stapf e Hubb. e abrange cerca de 140 espécies.) Leeke ou P. ou cerca de 30 dias após a sua emergência (Bogdan. boa capacidade de rebrota e boa qualidade como forragem. Vulgarmente denominado pearl millet. A grande tolerância desta cultura à seca deve-se ao seu sistema radicular agressivo. variando de 60 a 90 dias para variedades precoces e de 100 a 150 dias para as tardias. CARACTERÍSTICAS AGRONÔMICAS O milheto é uma planta pertencente à família Poaceae (Gramineae). 1985). pois necessita de cerca 300 a 400 gramas de água para produzir um grama de matéria seca. 1985). permitindo produção de forragem de qualidade em curto espaço de tempo (Bogdan. tanto nos trópicos como nos subtrópicos.

tanto após a colheita da cultura de verão quanto na primavera (Bonamigo. 1988. para as condições de solos do Brasil. cerca de 30 a 35Kg de sementes/ha. o plantio deve ser em menor profundidade.. 1977. enraizamento. sendo de grande importância a determinação do valor cultural das sementes (% pureza x % germinação). milho. 1999. É tolerante à baixa fertilidade do solo. Segundo Maraschin (1979). deve-se levar em conta o tipo de solo. sementes ou silagem. além de haver umidade suficiente para emergência das plântulas. sendo que as sementes devem ser incorporadas levemente com grade niveladora. pois esse tipo de solo retém mais água na superfície. além de garantir uma boa germinação (Scaléa. 1999). no caso de sobre semeadura em lavouras de soja. 2. desenvolvendo-se melhor em solos arenosos. 1999). 67 . Em solo arenoso. No geral. 1998). sem chuvas. Para que haja eficiente germinação das sementes. PLANTIO E SEMEADURA A lavoura do milheto é estabelecida por sementes. Sendo assim. 2003). O uso de uma grade leve em área não cultivada. deve-se fazer uma compensação elevando-se a densidade de semeadura. sorgo e arroz. Kichel et al. De acordo com Freitas (1988). Nessas condições. a semente deve ser colocada um pouco mais profunda para ficar em contato com a umidade. Bonamigo. ajuda a semente a aderir ao solo e induzir ao processo de germinação. Em solo argiloso. A qualidade das sementes é determinante no estabelecimento e na produção da cultura. crescimento e rebrota. mas apresenta alta resposta de produção em solos férteis ou adubados.Vai bem em solos com altas concentrações de alumínio. Andrews e Rajewiski. recomenda-se aração.. tem-se verificado baixa germinação das sementes disponíveis para plantio (cerca de 42%). recomendam-se 20% a mais de sementes/ha e. a semeadura a lanço pode ser feita manualmente. onde seu sistema radicular é mais vigoroso (Bogdan. Kichel et al. A profundidade de plantio também é um fator importante para a implantação da cultura do milheto devido ao pequeno tamanho da sua semente. para assegurar boas condições de estabelecimento. Freitas. (1999) recomendam que a temperatura média do solo seja superior a 20ºC. baixo pH e alta salinidade. seguida de gradagem e passagem de rolo compactador após a semeadura. jogadas a lanço ou plantadas em sulcos. 2003). a profundidade de semeadura pode variar de 2 a 4cm (Pereira Filho et al. 1995. A semeadura pode ser realizada em linhas (18 a 20kg de sementes/ha) com espaçamento entre 20 e 30cm para utilização em pastejo ou com espaçamento de 40 a 60cm (12 a 15kg de sementes/ha) para produção de grãos. O plantio a lanço pode ser em área sem cultura instalada ou em área cultivada com cultura em estádio de colheita (sobre semeadura).. com equipamento aplicador de calcário ou por avião (Pereira Filho et al. Quando semeado em sulco para a produção de sementes ou grãos. Para semeadura a lanço. porém a cultura não resiste a solos encharcados.

BN-2: Apresenta ciclo tardio. tem desenvolvimento muito uniforme e panículas grandes . adaptada para produção de massa em sistemas de plantio direto. É sensível ao carvão. 3. Segundo Pereira Filho et al. 68 . adaptada à produção de grãos no sertão de Pernambuco (Tabosa et al. IPA-BULK 1: Variedade desenvolvida pela Empresa Pernambucana de Pesquisa Agropecuária e pela Universidade Federal de Pernambuco. BN-1 e BN-2: Variedades originadas de um trabalho de seleção massal fenotípica. com aptidão para produção de forragem na mesorregião do agreste de Pernambuco (Tabosa et al.. A variedade tem produção média de 45t de massa verde quando semeada em fevereiro e. BN-1: Essa variedade apresenta porte de 170 a 230cm. os cultivares de maior destaque no país. BRS 1501: Variedade lançada pela Embrapa Milho e Sorgo. Ele é utilizado basicamente para cobertura do solo em áreas de plantio direto (Martins Netto. quando semeada em março.50cm ou mais.60m). desenvolvimento desuniforme e espiguetas de tamanho variado (12 a 25cm). Possui ciclo médio (floresce aos 50 dias). SYNTHETIC-1: Variedade. boa produção de sementes. hábito ereto. Centro-Oeste e Sul. PRINCIPAIS CULTIVARES No Brasil. após a cultura de soja ou milho. também desenvolvida pela Empresa Pernambucana de Pesquisa Agropecuária e pela Universidade Federal de Pernambuco. foi introduzido no início dos anos 60. boa capacidade de perfilhamento e tem mostrado boa recuperação na rebrota. A BN-2 é um cultivar indicado para plantios tardios ou na safrinha. 1999). porte de 140 a 220cm. conhecido também como pasto italiano.. e seu pastejo ocorre aos 45-50 dias após a emergência. (2003) e Martins Netto e Durães (2005). o milheto vem sendo cultivado apenas no resíduo de adubação dessas culturas. 1999).5 t/ha). Apresenta porte médio (1 a 1. bem como as suas características. grande perfilhamento e boa tolerância à acidez de solo. com o intuito de melhorar cultivares locais utilizados no Mato Grosso do Sul (Bonamigo. O seu plantio é recomendado para as regiões Sudeste. panícula grande (20 a 35cm). com produção bastante satisfatória no Brasil central. 1999). produz cerca de 37 toneladas (t) de matéria verde (MV) por hectare (ha).Em plantio de safrinha. Esse cultivar adapta-se a condições que oferecem riscos de déficit hídrico e apresenta bom potencial de produção de grãos (2. estão listados abaixo: COMUM: De acordo com Bonamigo (1999). lançada em 1977. 1998). o número de cultivares de milheto é reduzido.

intervalo entre cortes. Em plantios efetuados na UFRRJ sem adubação e na estação das águas. que o milheto pode substituir o milho e o sorgo. época de semeadura. Segundo Bonamigo (1993). Heringer e Moogen (2002) estudaram a resposta do milheto sob pastejo com aplicação de níveis crescentes de nitrogênio (0. milho e sorgo. que possui alta taxa de crescimento e alta demanda por nitrogênio. A ENA 1 é sensível à ferrugem (Puccinia substriata). dependendo da época de plantio. milho e sorgo no período de safrinha. sem aplicação de fertilizantes e sem irrigação.680. 2. nas mesmas condições.600kg/ha de grãos na maturação fisiológica. Kichel et al. de 20 a 70t de matéria verde (MV) por hectare. o milheto pode produzir.760. produziu 11. ADR 300 e ADR 500: Cultivares de porte uniforme.100 e 5. 8. CMS-3: É uma população de polinização aberta oriunda do programa de melhoramento da Embrapa Milho e Sorgo. citado por Scaléa (1998). assim. NPM-1 (Nebraska Population Millet): É uma população de polinização aberta oriunda do programa de melhoramento da Universidade do Nebraska – USA. quando cultivado em safrinha. A eficiência de utilização do nitrogênio (kg 69 . com ganhos em produtividade. que apresentam boa produção de grãos (1500 – 2300kg/ha) e de matéria verde (29 – 52t/MV/ha em três cortes) e maior resistência às doenças. Os dois cultivares estão sendo recomendados para produção de massa e grãos. sendo que a ADR 300 apresenta ciclo precoce (92 dias até a colheita) e a ADR 500 tem ciclo tardio (100 dias). mostrando. O aumento na produção de matéria seca em resposta aos níveis crescentes de N demonstra que o N do solo não atende ao potencial de crescimento da planta.1tMS/ha e 810kg/ha de grãos na maturação fisiológica. respectivamente.ENA 1: Cultivar oriundo a partir de três cultivares de origem cuja seleção visou à produção de palha e de grãos em solos de baixo teor de matéria orgânica.3tMV/ha na floração. para milheto. 150. solo. principalmente à ferrugem. PRODUÇÃO A produção forrageira varia em função das condições climáticas. Bogdan (1977) cita produções variando de três a 20 toneladas (t) de matéria seca (MS) por hectare (ha). adubação e cultivares. A produção de matéria seca apresentou relação quadrática com os níveis de N. dependendo do clima. sendo que rendimentos de 7 a 10tMS/ha podem ser aceitos como valores médios em campos experimentais e/ou fazendas bem-manejadas. Para comparar a produção do milheto. 7tMS/ha e 2. (1999) avaliaram as três culturas plantadas no final de fevereiro e encontraram valores para produção de matéria seca por hectare em kg/ha de 8. estádio de desenvolvimento e cultivar utilizado. produziu 32tMV/ha na floração. sem adubação. 450 e 600kg de N/ha). variando de 8862 a 17403kg/ha para os níveis de 0 a 450kg de N. 4. 300. respectivamente. No plantio das secas. fertilidade do solo.

que são 0. 5. podendo ser considerada uma proteína de boa qualidade. fertilização nitrogenada. 60. em média.37% de lisina e 0. De acordo com Hadimani et al. 300. enquanto os híbridos alcançam produções entre 1300 e 2400Kg/ha.4 a 70. em média.de matéria seca/kg de N aplicado) apresentou relação linear negativa. O grão de milheto é considerado um concentrado energético por apresentar menos de 18% de fibra bruta e menos de 20% de proteína bruta. de acordo com Valadares Filho et al. De acordo com Terril et al.3%. (1998). 450 e 600kg de N. Andrews e Rajewski (1995) relatam que. Estas variações estão relacionadas ao cultivar utilizado. Pode-se observar também (Tabela 1) que o milheto apresenta maiores teores de fibra em detergente neutro (FDN).27% de metionina. respectivamente. menores teores de amido que o milho. a produção de grãos pode saltar para 5000kg/ha. extrativo não nitrogenado e carboidratos não fibrosos. Burton (1972) também encontrou maiores quantidades de proteína e extrato etéreo para o milheto quando comparado com milho.. data de plantio) e a condições ambientais (temperatura e disponibilidade de água). na Índia. a energia metabolizável do grão de milheto para ruminantes é de 3. valores superiores aos do milho. De acordo com a Tabela 1. Das diferentes proteínas do milheto. 23.49 (Rostagno et al. Para a produção de grãos. a diferenças no solo e nos tratos culturais (adubação. o teor de amido do grão de milheto variou de 57. sorgo e arroz. (2006). 20 e 14kg de MS/kg de nitrogênio para os níveis de 150. milho e sorgo. a prolamina constitui 40%.18% para lisina e metionina. COMPOSIÇÃO QUÍMICA E VALOR NUTRITIVO O valor nutritivo do milheto para os ruminantes não é constante.02 Mcal/kg. fibra em detergente ácido (FDA). A proteína do milheto possui 0. respectivamente. A composição química dos grãos de milheto. possuindo 8% a menos de energia quando comparado com o milho. entretanto os cultivares mais utilizados atualmente estão por volta de 12%. e 89% de digestibilidade. e a globulina 20%. Apesar de apresentarem. sendo. sob condições ótimas de cultivo. Jain e Bal (1997) relatam que. O extrato etéreo do grão de milheto é composto por 75% de ácidos graxos insaturados e 24% de saturados. variedades tradicionais produzem de 300 a 500Kg/ha. A proteína do milheto pode variar de 9 a 21% dependendo do cultivar. celulose e lignina e menores teores de hemiceluloses. estão apresentadas na Tabela 1. trigo. percebe-se que alguns cultivares apresentam teores 70 . (1995).24 e 0. Isto ocorre devido a variações da composição química. os valores foram 46. os teores de proteína e extrato etéreo encontrados para o grão de milheto são maiores que o milho e o sorgo. sendo este conjunto de fatores responsável por uma redução da energia do grão de milheto quando comparado com o milho e o sorgo. 2000).

03 P (%) 0.47 FDA (%) 33.10 Carboidratos não fibrosos (%) 64.95 35. Os teores de Ca e P são baixos e semelhantes aos encontrados no milho e sorgo.99 68.41 Celulose (%) 4.76 68. 71 .47 Hemiceluloses (%) 7.55 1. Parâmetros 82 dias1 81 a 100 dias2 70 dias3 90 dias3 Matéria seca (%) 27.21 6. em média. Composição química da planta inteira de milheto em diferentes idades. 1999). Parâmetros Milheto Milho Materia seca (%) 88. maiores teores de proteína.11 Extrato etéreo (%) 5.28 A composição química da planta inteira de milheto em diferentes idades está apresentada na Tabela 2. Tabela 1.75 10.50 9.03 14.62 3.37 87.25 Fonte: Valadares Filho et al.16 NDT 76.27 FDN (%) 60. quando comparado com o milho. O grão de milheto contém. e o embrião forma uma proporção muito maior do grão total.muito próximos ao do milho (70%).10 64.33 Digestibilidade da MS 55. Sorgo 87.35 4.24 Energia bruta (Mcal/kg) 4.73 4.00 4.98 FDA (%) 7. (2006).30 71.90 9. em média. Não foi descrita a presença de taninos nos grãos de milheto em diferentes variedades analisadas (Kumar.05 0.83 Hemicelulose 29. dessa forma muito ainda pode ser feito em relação ao melhoramento genético do milheto a fim de aumentar seu teor energético.23 0. 17 de embrião e 8% de casca. Como o grão é pequeno.13 0. de milho e de sorgo.64 74.25 Celulose 27. 75% de endosperma.86 74.19 59.31 Ca (%) 0.55 Lignina (%) 1.20 Fonte: 1Guimarães Júnior (2003). (2006).08 Extrativo não nitrogenado (%) 68.13 4. óleo e fibra e menores teores de amido. Composição química do grão de milheto.93 13.04 0.47 87.17 14. Tabela 2.55 9. 2Valadares Filho et al.92 73.84 9.07 FDN (%) 15.21 80. 3Amaral (2003). o grão de milheto apresenta.35 3.73 Proteína bruta (%) 10.64 Proteina bruta (%) 13.75 22.54 3.18 Lignina 4.58 35.43 35.08 9.95 13.96 1.

em média. Com o intuito de melhorar essa característica e.8%. Os híbridos BMR podem melhorar a qualidade da forragem. variam de 60 a 70%. A lignina limita a extensão da degradação da forragem nos ruminantes. 70 e 80 dias de crescimento. 13 e 11% de proteína bruta para a planta inteira de milheto colhida com 30.06 e 43. (2004) encontraram valores de FDA que variaram de 35 a 45% com o avançar da idade da planta. Os teores de FDN e FDA médios dos cultivares variaram de 70. esta possui menor relação molar siringila/guaiacila. muitos estudos têm sido realizados com híbridos mutantes portadores de nervura marrom (BMR). há maior produção de MS. os teores de FDA estão diretamente relacionados com a digestibilidade da forrageira. (1999) relatam valores de 23. sendo esta maior quanto menor for o teor de FDA. maior evapotranspiração –. FDN e FDA. respectivamente. menor concentração de ácido p-cumarico e/ou maior concentração de xilose. Além de menor teor de lignina. Foi concluído que os cultivares de milheto apresentaram melhor valor nutritivo como planta forrageira. As variações nos teores de proteína encontrados estão relacionadas principalmente com o período fonológico da planta e com a adubação nitrogenada realizada. Os valores de FDN descritos para planta de milheto.13% na FDA. trabalhando com três diferentes cultivares de milheto em diferentes idades de corte. Guimarães Júnior (2003) encontrou valor médio de 33. 50.19% na FDN e de 0. assim.9%). Esse comportamento provavelmente decorre do fato de que. Benedetti (1999) encontrou valores entre 8 e 9. valores acima de 55-60% de FDN correlacionam-se negativamente com o consumo de matéria seca. em função do menor teor de fibras. trabalhando com três diferentes cultivares de milheto plantados no período de safrinha em sucessão à cultura do feijão. aumento linear médio diário de 0.5 a 7. Maia et al. De acordo com Van Soest (1994).52% no teor de MS. redução linear média diária de 0. com as maiores intensidades de luz e temperatura e com maior fotoperíodo no verão – portanto. Os teores de lignina na planta de milheto podem variar de 1. De acordo com Van Soest (1994). com percentuais de MS que variaram de 15.03% na PB. 72 .58% de FDA para planta de três diferentes genótipos de milheto aos 82 dias de idade.4 a 19. Guimarães Júnior (2003) encontrou valor médio de 4. SchefferBasso et al. porém mais fibrosa. Cherney et al. respectivamente. encontrou aumento linear médio diário de 0. (1993) encontraram 68% de FDN para a planta com idade de 64 a 84 dias. aumento de 4% na digestibilidade in vitro da matéria seca e aumento da ingestão de matéria seca comparando híbridos de milheto BMR e normal.2% de PB para o milheto plantado no período de safrinha. Amaral (2003).Kickel et al. Pereiral et al.5%) e caules (67.5%.56% a 66.33% para o milheto aos 82 dias. pois possuem menor concentração total de lignina. melhorar a digestibilidade da forragem.74%.71 e 37. (2000). Bonamigo (1999) também encontrou valores semelhantes de FDN em folhas (62. (1990) encontraram redução de 23% no teor de lignina. da primeira para a quarta época de semeadura. quando semeados tardiamente. 15. avaliaram quatro épocas de semeadura (intervaladas de 20 dias).

pelo menos. menores concentrações de ácidos ferúlico e p-cumarico.3% para o milheto BMR e 61.2% para o milheto normal. superior ao sorgo em teor e qualidade da proteína. as quais apresentavam em média 12% a mais de digestibilidade que as silagens americanas. 88.0%) e farelo de soja (6%). UTILIZAÇÃO DE GRÃO DE MILHETO O milheto é. 1999). fato que foi comprovado por maior tempo de pastejo e maior desfolha deste.8%) e farelo de soja (2. (1984). Os valores de NDT foram 73. (1993). 6. melhor equilíbrio de aminoácidos essenciais e energia líquida 4% maior. o milheto BMR apresentou redução de 20% no teor de lignina e aumento de 10% na digestibilidade in vitro de matéria seca. Além da idade da planta. sorgo (76.Lam et al. Dessa forma. sorgo e milheto. após 24 horas de incubação. mas a digestibilidade da proteína e a do extrato etéreo foram superiores à dieta com sorgo e semelhantes à dieta com milho. Hill e Hanna (1990) realizaram um estudo para comparar grãos de milheto. eficiência relativa da proteína e níveis de energia metabolizável. menor será seu ciclo produtivo. Estes autores também encontraram. sorgo branco e sorgo vermelho. Foi concluído que o grão de milheto apresentou maior teor proteico. Consequentemente. De acordo com Kishore et al. os teores de MS e fibra da planta aumentam. Van Soest (1994) concluiu que o gene BMR foi responsável por um significativo aumento no valor nutritivo das silagens de milho europeias. (1990) também observaram preferência dos animais em pastejar o milheto BMR. e a digestibilidade e o teor de proteína diminuem. Christensen et al. a degradação ruminal da matéria seca. de um modo geral. A digestibilidade da matéria seca e a da parede celular foram menores para a dieta com milheto. para milheto. De acordo com Cherney et al.9%. 69. que são os principais monômeros envolvidos na ligação entre a lignina e as hemiceluloses. realizaram estudos sobre o potencial do milheto nos Estados Unidos e demonstraram que novilhos alimentados com dietas à base de grão de milheto apresentaram ganhos semelhantes aos alimentados com sorgo. é essencial realizar a análise bromatológica da forragem para o correto balanceamento da dieta. milho e sorgo em dietas para bovinos. (1988). foi 84. no milheto BMR. as alterações estruturais da planta ocorrerão mais rapidamente e seu valor nutritivo também reduzirá mais rapidamente. citados por Kumar (1999). respectivamente.6 e 76. o milheto não contém taninos que interferem na digestibilidade (Kumar. Ao contrário do sorgo.8%) e exclusivamente de milheto (79%). pois quanto mais tardio for este plantio.0 e 69. outro fator que influencia muito na qualidade do milheto como forragem é a época de plantio. Todas as dietas possuíam 20% de casca de amendoim como volumoso. respectivamente. (1996) encontraram digestibilidade in vitro da matéria seca de 73. Com o avançar da idade da planta. equivalente ao milho e. As dietas foram milho (73.2% para dietas com milho. Foi concluído que o grão de 73 . Cherney et al.9.3.

com base no teor de amido.34 3.79 23.04 2.50 PLC 23. Não foram encontradas diferenças no consumo de matéria seca. 23. 33.08 3. 80. Leão (2002) testou diferentes níveis de substituição do grão de milho por milheto em dietas de novilhos confinados.49 24. 49.6kg/d) e de leite corrigido para 3.0. A produção de leite e o teor de gordura do leite dos animais. Ribeiro et al.18 25. produção de leite (24. 74 .21 Fonte: Ribeiro et al.0.96 % de gordura 3. 66 e 99% do milho por milheto na ração de cabras leiteiras. Hill et al. (1997) substituíram 0.30 24. França et al. Tabela 3.00 3.22 23.52 3. 25/75 e 0/100 da relação amido de milho/milheto.milheto pode substituir grão de milho e sorgo nas dietas. Poucos estudos existem na literatura com a utilização de grão de milheto relacionada à produção de leite. O teor e a produção de gordura e a produção de proteína do leite também não foram diferentes entre os tratamentos. Os tratamentos foram 100/0.02 3. consumo de matéria seca e conversão alimentar) de bovinos.53 18. (2004) avaliaram o efeito da substituição do grão de milho pelo milheto. 75/25. propionato. mas que estas devem ser formuladas para utilizar eficientemente a alta quantidade de proteína no milheto em substituição à proteína suplementar.97 18.06 24. Em um estudo realizado em Goiás. Foi concluído que o milheto pode substituir o milho no concentrado sem prejuízo na digestibilidade dos nutrientes e no desempenho (ganho de peso. foram semelhantes. sobre o desempenho e os parâmetros ruminais de vacas Holandesas com 90 dias de lactação em média. (2004).5% de gordura (23.89 18.0.6% de volumoso. A dieta das vacas foi composta de 52.8kg/d).28 19. ácidos graxos voláteis totais e pH ruminal.4% de concentrado e 48. 50/50. Não houve diferença entre os tratamentos na concentração de acetato.11 % de proteína 3.11 25. Itens 0% 25% 50% 75% 100% Consumo de MS 19. ocorrendo efeito linear negativo na concentração de N-NH3 com o aumento do teor de milheto.52 Produção de leite 24. Os níveis de milheto nas rações testadas foram 0.3% com base na matéria natural. nos diferentes tratamentos.41 3.0 e 96.61 24. (1996) determinaram que o valor energético do milheto estava entre 85 e 90% do milho. Influência da inclusão de milheto sobre a produção e composição do leite. A substituição de milho por milheto não alterou o desempenho de vacas Holandesas em lactação (Tabela 3).39 3.

MILHETO PARA PASTEJO No Brasil. a grande plasticidade da planta faz com que apresente boa performance em pastejo contínuo. 75 . para ser utilizado em pastejo por um período de 40 a 60 dias. retirando os animais quando houver rebaixamento para 20 a 30cm do solo.71kg) para bezerros desmamados aos 101 dias e submetidos à pastagem de milheto (com 41 dias) quando comparados a bezerros mantidos ao pé da vaca em pastagens naturais do nascimento até a desmama com 213 dias (128.7. O milheto é cultivado após a colheita da cultura principal. 1999). possibilitando a vedação de parte das pastagens perenes da propriedade para serem utilizadas de julho a setembro. o milheto possibilita o uso da área de pastagem recuperada já a partir dos quarenta dias após o plantio. Devido ao seu crescimento rápido. o milheto tem sido cultivado em duas épocas: após a cultura de verão e no final do inverno/início da primavera. quantidades superiores à fornecida pelo sorgo e pelo capim-sudão (Andrews e Kumar. 1999). Após o ciclo vegetativo do milheto. Desde que se mantenha um controle da lotação. o milheto deveria ser utilizado em pastejo rotativo..17 a 1.36 kg). do outono até o início do inverno. Para que se obtenha um bom controle do pastejo. 1997). Na região Sul. Em pastoreio rotacionado.brizantha e B. tais como B. Pode atingir uma produtividade de 2 a 5@ de carne/ha. (1994) verificaram pesos superiores aos 213 dias (152. visando garantir pesos semelhantes aos de bezerros submetidos à desmama tradicional. é necessário que se mantenha uma lotação capaz de consumir o crescimento da forragem e mantê-la numa altura entre 20-30cm.70cm de altura. Faz-se a semeadura da braquiária consorciada com o milheto na primavera ou no início do período das águas. 1988). o milheto tem sido utilizado sob pastejo.. podem-se atrasar as aberturas dos silos e aumentar a produtividade da propriedade.. No entanto. quando ocorre a maior deficiência de forragem no Brasil central.47kg/animal/dia (Hillesheim. a pastagem deverá ser pastejada sempre que atingir 50 . principalmente para forrageiras do gênero Brachiaria. o que proporcionará um período de pastejo que poderá variar de 80 a 120 dias. Moojen et al. a pastagem estará formada ou recuperada (Kichel et al. que permita disponibilidade de matéria seca de 2000kg/ha ao longo de toda estação de pastejo. Por ser uma planta de porte ereto. fase em que a braquiária ainda se encontra com baixa produtividade. Outra alternativa para a utilização do milheto seria para a implantação e recuperação de pastagens. Dessa forma. No caso de pastejo rotativo. podem-se atingir ganhos de peso diários de 0. Deve-se dar um período de descanso de 18 a 24 dias (Kichel et al.decumbens (Kichel et al. obteve-se de 1400 a 2300kg NDT. entre seis e oito meses de idade. 1992). associado à desmama precoce (90 a 100 dias de idade) de bezerros.

3 Festuca arundinacea Schreb. Nas pastagens de coastcross-1 e milheto.00kg de ganho de peso por dia com restrição ou não do concentrado. (2004) determinaram a degradabilidade in situ de algumas gramíneas sob pastejo continuo (Tabelas 4 e 5). 259 e 9kg/ha. capim-elefante e milheto comum) sobre o desempenho de bezerras submetidas à desmama precoce (94 dias e 84kg de peso vivo).175kg/dia) e coastcross-1 (0. entretanto. 4 .314kg/dia) foram semelhantes. A disponibilidade (3190kg de MS/ha) e a qualidade (12. 2 . A amostra de milheto apresentava 18. 353. respectivamente). As amostras de milheto.187kg/dia) e pastagem natural (0. houve diferenças quanto à composição das pastagens.26% de PB e 61.Poa pratensis L.380kg/dia). sendo o mesmo comportamento observado para ganho de peso/hectare (344. com peso médio de 150kg. coastcross-1. em média. maior taxa de degradação e maior degradabilidade efetiva da matéria seca e fibra em detergente neutro em relação à grama estrela roxa e capim-mombaça.14% de MS.5% de PB e 61. (1997) também avaliaram o efeito de pastagens de verão (pastagem nativa. Os pesquisadores consideraram excelentes os resultados atingidos no pastejo de milheto mesmo com restrição do concentrado.controle . respectivamente. O milheto apresentou maior fração solúvel. o milheto apresentou maior degradabilidade efetiva para a taxa de passagem de 8%. porém superiores aos de bezerras mantidas em pastagens nativas (0. capim-elefante (0. O consumo de forragem não foi limitado pela disponibilidade. enquanto nas outras se situou próxima de 50%. pangola ou pastagem natural) sobre o desempenho de bezerros desmamados aos 90 dias. capim-mombaça e estrela roxa foram colhidas a cada 28 dias. e a aveia preta a cada 14 dias.203 e 0.84 e 1. Dactylis glomerata L. Os ganhos médios diários das bezerras mantidas em pastagens de milheto (0. Prado et al. Muhelman et al. Durante 96 dias de observação.509 e 0.275kg/dia). Juntamente com a aveia preta. Leeke) com 0. Trifoliurn repens L.38% de FDN. seguidos pelos mantidos em pastagens de pangola (0. Pode-se observar que a aveia preta e o milheto apresentaram as melhores degradações efetivas da matéria seca para as taxas de passagem de 5 e 8%/hora. os animais pastejando milheto apresentaram os maiores ganhos diários (0. 76 .Pennisetum americanum L.012kg/dia). Foi observado também maior valor para a taxa de gradação (c) 3.. Leeke) e com dois níveis de concentrado (ad libitum e restrito a 1% do peso vivo).9% de digestibilidade in vitro da matéria orgânica) da forragem foram apontadas como fatores responsáveis pelo desempenho superior dos bezerros mantidos em pastagem de milheto.Trifoliurn repens L.7%/hora. em 83 dias de experimentação. superior a 70%. em quatro sistemas de pastejo com diferentes forrageiras (1. a oferta de material disponível para consumo (folhas e caules tenros) era. Harvey e Burns (1988) avaliaram o desempenho de bezerras cruzadas. 11.100kg/dia). Os melhores resultados para ambos os níveis de concentrado foram no pastejo de milheto (Pennisetum americanum L.Dorow e Quadros (1994) avaliaram o efeito de diferentes sistemas de alimentação pós-desmama (milheto.

Tabela 4. 5 e 8%/hora.0a 73. taxa de degradação (c) e degradação efetiva (DE) da fibra em detergente neutro (FDN) das gramíneas para taxas de passagem de 2.32%). Foi observada uma redução na porcentagem molar de butirato no rúmen de vacas 77 . Fração solúvel (a) e potencialmente degradável (b).5c 59.9 3.8b 66. Fração solúvel (a) e potencialmente degradável (b). Fonte: Prado et al.91%) em comparação com o capim-sudão e o híbrido de sorgo com capim-sudão (3.5a 29. 5 e 8%/hora. Médias na mesma coluna seguidas de letras diferentes diferem entre si pelo teste Tukey a 5% de probabilidade.6a 49. (2004).1bc 24.6b Estrela roxa no inverno (entre maio e outubro). Médias na mesma coluna seguidas de letras diferentes diferem entre si pelo teste Tukey a 5% de probabilidade. DE (%) Gramíneas a (%) b (%) c (%/h) 2 (%/h) 5 (%/h) 8 (%/h) Aveia preta 16.8kg/dia) e capim-sudão (17.2b 25.5c 22.6c 1. 2Estrela roxa no verão (entre novembro e fevereiro).3a 2.7b 54.8b 28.5 2. (2004). (1969) também compararam o pastejo de milheto com o capim-sudão.7a 39.85.5b 3.7a 30.9b 44.0b 41.4 2 (%/h) 65.1c 3. capim-sudão e um híbrido de sorgo com capim-sudão em experimento de pastejo com vacas em lactação durante um período de três anos de avaliações.8b 2 Estrela roxa 5. Ocorreu um menor teor de gordura no leite dos animais pastejando milheto (2.7 1.1ab 1.1d 38.30t de MS/ha).3b Milheto 8. Bucholtz et al.0a 41.9a 20.9 1.0a Mombaça 1. Gramíneas Aveia preta Estrela roxa1 Estrela roxa2 Milheto Mombaça 1 a (%) 31.4d 18. Fonte: Prado et al.2b 41.3kg de concentrado/dia em média.9kg/dia). ocorreu um menor teor de gordura no leite das vacas pastejando milheto (2.39%).3b 63.22 a 4.7c 18.4a 26.1b 34.2b 47. taxa de degradação (c) e degradação efetiva (DE) da matéria seca das gramíneas para taxas de passagem de 2.7d 15.8c 14.7a 32.67 a 4. Tabela 5.80%) quando comparado com capim-sudão (3. 20 e 20kg/dia).2b Estrela roxa no inverno (entre maio e outubro).6ab 40.6a 31.9b 40.12 vacas/ha/dia) ou produção de leite por vaca (19.6a 23.3ab 18bc b (%) 58.7ab 59. As pastagens não diferiram quanto à produção de matéria seca (2. (1965) compararam o milheto.0d 16. Não foram observadas diferenças nas produções de leite das vacas no pastejo de milheto (17. Os animais foram suplementados com 6.7a 13.0b 8 (%/h) 46. 1 Clark et al.8c DE (%) 5 (%/h) 52.9a Estrela roxa1 9.1a c (%/h) 2.1b 29. Entretanto.2d 11.2a 32. 2Estrela roxa no verão (entre novembro e fevereiro). avaliando a performance de vacas Holandesas. capacidade de suporte (6.7a 26.4a 55.

milho e sorgo plantados em período de safrinha (final de fevereiro).46% de fibra em detergente ácido (FDA). Experimentos mais atuais com o de Fontaneli et al. após a colheita da cultura principal (Andrade e Andrade. 34. Além disso. O pastejo do milheto ocorreu quando as plantas apresentavam 40cm de altura. Os animas em pastejo receberam em média 6kg de concentrado. boa capacidade de rebrota. Kichel (1999) comparou silagens de milheto.32% de FB. 7. de acordo com alguns experimentos realizados nas décadas de 60 e 70. Os animais em pastejo produziram 19% a menos de leite que os animais confinados. A performance de vacas em dois sistemas de pastejo (milheto e tífton 85) ou confinadas foi avaliada por Fontaneli et al. ensilados em maio e analisados após 60 dias. 1993).0% para o milho e 7. 1982. bem como boa palatabilidade (Khairwal et al. Alguns autores levantaram a hipótese de mudanças nas proporções de ácidos graxos voláteis no rúmen (aumentando o propionato e reduzindo o acetato). As proporções molares de acetato e propionato não diferiram entre os dois tratamentos.21% de MS.95%) do leite foram semelhantes entre os animais pastejando milheto ou tífton 85.1kg/dia) e os teores de gordura (3. 78 . Freitas (1988) sugere o aproveitamento do milheto para melhorar a oferta de forragem com maior qualidade. mas com um custo de alimentação 50% menor. (1999). Os valores de proteína bruta e digestibilidade in vitro da matéria orgânica encontrados foram 12. Segundo Kichel et al.0% para o sorgo.. Roy et al. O milheto pode ser utilizado como uma fonte nutricional importante na pecuária de leite a pasto. o milheto é uma alternativa interessante para produção de silagem em regiões com problemas de veranico ou seca ou em plantios de sucessão ou safrinha. o milheto pode substituir o milho e o sorgo com ganhos em produtividade e qualidade quando cultivado em safrinha ou tardiamente. entretanto isso não ficou provado. a produção de leite (25.8% e 60.. O consumo de matéria seca (19kg). (2005). SILAGEM DE MILHETO Em função da sua rusticidade e adaptação a plantios de fim de verão e princípio de outono.4% para o milheto.28% de fibra em detergente neutro (FDN). 8. 66.0% e 58. 1990). são de baixa digestibilidade e valor energético. como um todo. 16.65%) e proteína (2.92% de PB. (2005) não observaram esse efeito. Pode-se perceber que. o pastejo de milheto promoveu redução do teor de gordura no leite. e os pastos de verão no país.0% e 53. já que esta tende a ser mais econômica que a baseada somente na suplementação. esta cultura possui características de estabelecimento fácil e rápido. para a produção de silagem. (1994) analisaram silagem de milheto feita com plantas colhidas acima de 12 semanas de idade e encontraram os seguintes valores: 29. 25. Pereira et al.pastejando milheto.

83 a 2. milheto e milho. As novilhas alimentadas com silagem de milheto consumiram mais matéria seca. 38.06%. enquanto Bishnoi et al.83 a 38.46%. As novilhas alimentadas com silagem de milheto consumiram 4.02%).48a 8. CS . 79 . 32. Tal experimento demonstrou o bom valor nutritivo e a qualidade da silagem de milheto.Para silagem de milheto. 1984. encontrou teores de MS variando de 23.77b 34.1.53 até 5.96b 4.64%. Itens Matéria seca (%) Proteína bruta (%) FDN (%) FDA (%) CS (%) pH Sorgo forrageiro 21. PB de 8. os valores médios de pH variaram de 3. milheto e milho.75% e baixos valores de ácido acético (< 2%) e butírico (0.28% de MS.28% de extrato etéreo (EE). 73. Ainda neste trabalho. Ward et al. sendo este indicado como uma boa opção para produção de silagem no período de safrinha. em média.25c 55. avaliando três cultivares de milheto submetidos a duas idades de corte para produção de silagem. (2001) avaliaram a composição química e a digestibilidade das silagens de sorgo forrageiro. 4.43%. (1994) encontraram pH de 4. e o milho foi ensilado no estágio de metade da linha de leite (95 dias). Os teores médios de MS. Amaral (2003). 23. para silagem de plantas colhidas no estádio de grão pastoso.47kg de matéria seca digestível. para as silagens confeccionadas aos 70 e 90 dias. 1986).62.67b 4.96b Médias seguidas por letras minúsculas distintas significam diferença estatística em uma mesma linha (p<0.06% e 54. 26. FDA e digestibilidade in vitro da matéria seca (DIVMS) das silagens após 56 dias de fermentação foram.68a 36. 8. De acordo com a Tabela Brasileira de Composição de Alimentos para Bovinos (Valadares Filho et al.26% de lignina e 60. Foram utilizadas novilhas Holandesas com peso médio de 245kg. (2003) avaliou a qualidade e o perfil de fermentação de silagens de três genótipos de milheto (CMS-1.carboidratos solúveis em % da MS.78. BRS-1501 e BN-2) plantados na safrinha. foram obtidos teores médios de pH de 3.25% de FDA. a silagem de milheto possui.85%. mas a ingestão de matéria seca digestível não variou para as diferentes silagens. (2001).53 a 34.01a 2. 10.36%. Fonte: Ward et al.91 (Figueiredo e Muhlbach. citados por Machado Filho e Muhlbach. Machado Filho e Muhlbach (1986) encontraram valor de pH de 4. A digestibilidade da silagem de milheto foi de 51.97c 12. FDN de 72.94b 6. O milheto e o sorgo forrageiro foram ensilados com 45 dias (antes do florescimento).34b 14.95ab 1.44 %.04% de FDN. nitrogênio amoniacal em relação ao nitrogênio total de 8.50a Milho 30.49ª 3.58 a 75.47 a 10. respectivamente. A composição química das silagens pode ser observada na Tabela 6.06%.22c 32. Guimarães Jr.29%. 54. FDA de 37. 2006)..58 a 3.04% de PB. Composição química das silagens de sorgo forrageiro.3. Quanto à qualidade da silagem.36a 58. Entretanto.57%.90b 60.05). PB.09b Milheto 26. FDN. Tabela 6. foram relatados valores de pH de 3.23% de NDT. e nitrogênio amoniacal em porcentagem do nitrogênio total de 1. (1993) e Roy et al.92kg de MS e 2. 3.

48 e 96 horas. Quando se avaliaram a produção e a qualidade da forragem e da silagem do milheto em comparação a variedades de sorgo granífero. 5 e 8%/hora. e a de sorgo 4. mas foi similar às outras culturas no estágio leitoso e farináceo.6% de FDN e 42.8% de MS.1% para MS. Messman et al. 39. 11. demonstrando a necessidade de maiores estudos relacionados ao momento de colheita para a produção de silagem. No estágio farináceo.3 e 31.3 e 60. respectivamente. o pesquisador encontrou valores médios de 45.2 e 18.4.7 e 61. 66. Os materiais foram ensilados com 100 dias de idade. os resultados mostraram que o milheto produziu mais forragem e silagem que o Sudax. 39. respectivamente.. 1993). As degradabilidades das frações fibrosas foram baixas.1% para FDN e 65.2% de lignina. (1992) alimentaram 18 vacas Holandesas com dietas à base de silagem de ervilha/triticale.7% para as taxas de passagem de 2.4 e 57.8% de FDA e 6. a produção de matéria seca foi maior. 15 e 16.9% de PB. A PB contida no milheto foi significativamente menor no estágio de florescimento. Os consumos de matéria seca das silagens foram semelhantes (8.3% e 8. 12% de PB. Os valores de digestibilidade das silagens de milheto e sorgo foram 64.6 e 6. O milheto produziu uma vez e meia a duas vezes mais MS que o Sudax. NPM-1.92. As silagens foram realizadas quando as plantas possuíam 53 dias de idade.5%.0 e 61. 51.8 e 40.4% de FDN. 40. A degradabilidade efetiva da FDN e a da FDA média das silagens foram 24.6. sorgo forrageiro e um híbrido de sorgo e capim-sudão (Sudax) colhidos em diferentes estágios de crescimento. e o milheto e o sorgo forrageiro produziram significativamente mais matéria seca que as outras culturas.9 e 61. o sorgo granífero e o forrageiro.3% para a degradabilidade da matéria seca nos tempos de 24.0% para FDA. A degradabilidade efetiva da matéria seca média das silagens para as taxas de passagem de 2. As silagens não diferiram quanto à digestibilidade aparente da matéria seca e apresentaram valor médio de 47.75%.76 e 40. FDN e FDA. 68.2 e 35.25% para as digestibilidades da PB.5. respectivamente. (1985) avaliaram o valor nutritivo das silagens de milheto e sorgo com novilhas Holandesas de 325kg de peso médio. Guimarães Júnior (2006) realizou uma avaliação nutricional das silagens de três genótipos de milheto (BRS-1505. A composição química das silagens de milheto e sorgo foram 38. Objetivando determinar os efeitos da substituição da silagem de ervilha/triticale ou silagem de milheto pela silagem de milho mais alfafa para vacas no meio da lactação. Os 80 .4% de MS.Jaster et al. silagem de milheto ou alfafa mais silagem de milho (dietacontrole). A composição química das silagens pode ser observada na Tabela 7. Os resultados indicaram que a digestibilidade da MS não foi diferente para silagem de milheto e a dieta-controle.5% de FDA. 69. As silagens apresentaram valor médio de 57. No experimento de degradabilidade in situ.2.3 e 22. Os valores para pH indicaram que todas as silagens foram adequadamente fermentadas (Bishnoi et al. Grupos de seis vacas foram submetidos a uma das três dietas por um período experimental de 64 dias.5kg de MS/dia). A silagem de milheto utilizada apresentava 23.8%. 5 e 8%/hora foi de 47. A silagem de milheto apresentou pH de 4. e os sorgos granífero e forrageiro produziram também mais silagem e apresentaram maior concentração de cinzas que as outras culturas. CMS-3). respectivamente.5 e 38.

29 1268.83 3825.1Kg/dia).8 Produção de leite 25. expressas na matéria seca.97 8.77 1838. A época ideal para se preparar o rolão está entre 150 e 200 dias após o plantio. o que contribuirá para redução das perdas por mofo ou apodrecimento.8.70 39.18 1608.83 10. fornecendo mais uma alternativa para a alimentação do rebanho durante a seca.8 3.58 1472.4 Hemiceluloses (%) 32.79 3.72 20. cobertas por lâmina de polietileno (lona plástica). Genótipos Parâmetros BRS-1501 NPM-1 CMS-3 MS (%) 21.65 Lignina (%) 1.37 Celulose (%) 35.73 11.97 Energia bruta (kcal/kg) 3792. sendo o material triturado e ensacado ou a granel. que é seca naturalmente a campo.86 9. Tabela 7. (1992).54 71. ROLÃO Rolão é o nome que se dá à planta inteira de milho. A produção de leite corrigida para 4% de gordura (Tabela 8) foi semelhante entre a silagem de milheto e a dieta-controle (21.75 NH3/NT (%) 11. Performance de vacas alimentadas com diferentes silagens. sorgo ou milheto.32 Energia digestível (kcal/kg) 1631.99 PB (%) 11.5 PLC 4% 27.25 Fonte: Guimarães Júnior (2006). quando a planta encontra-se totalmente seca. Também foi observado que o padrão de fermentação da silagem de milheto foi semelhante ao das silagens típicas de milho.59 3.02 FDA (%) 37.17 pH 3.2 21.35 % de proteína 3.24 9.44 PLC 4% .1 % de gordura 4. Composição química (%).51 31. Amaral (2003) não 81 .5 23. Itens Ervilha+Triticale Controle Consumo de MS 22. e 22. Tabela 8.84 31.21 Energia metabolizável (kcal/kg) 1254.78 37. Milheto 19. Fonte: Messman et al. devido a sua menor lignificação.67 3.71 39. O armazenamento pode ser feito em galpões. pH e NH3/NT (%) das silagens de três genótipos de milheto. energia bruta. energia digestível e energia metabolizável (Kcal/kg). ou armazenado no campo em medas. A composição química do rolão de milheto pode ser observada na Tabela 9.2 24.45 FDN (%) 70.36 3.06 37.28 22.3 22.71 3.65 1.04 3855.componentes fibrosos da silagem de milheto foram mais digestíveis que a dietacontrole.6 23.92 2.22 71.produção de leite corrigida para 4% de gordura.

10% em média. ANDRADE. Silagem e rolão de milheto em diferentes idades de corte..20b 49. MG. v. inferiores do milheto. Fonte: Amaral (2003).A. O milheto pode ser utilizado para pastejo. feed. Bol.13 Proteína bruta (%) 6. entretanto mais informações são necessárias a respeito do momento ideal de ensilagem. 2003. pois garante pasto de qualidade até o final do outono.48.30a Médias seguidas por letras minúsculas distintas significam diferença estatística em uma mesma linha (p<0.39. Adv.67b 85. ANDREWS. de custo mais baixo. 1982. K. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS AMARAL.) K. Idade (dias) Itens 160 180 Matéria seca (%) 73.71a FDN (%) 81. Schum.C.67-73. J. Agron. Ind. Tabela 9.. 10.B. Entretanto. Lavras. 1992. 82 . and forage.recomenda a utilização do milheto na forma de rolão. P.).35a 6. v. Dissertação (Mestrado em Zootecnia) . esta pode ser uma opção.05). Peal millet for food. desde que levados em consideração os níveis de energia. 78f. uma vez que ele apresentou baixas disponibilidades da matéria seca e reduzido valor nutritivo. o que permite altos desempenhos e retarda a abertura dos silos. Produção de silagem de milheto (Pennisetum americanum (L. Pode-se produzir silagem de boa qualidade. p.90-139. para animais de menores exigências nutricionais. O milheto pode substituir o milho e o sorgo com ganhos em produtividade quando plantado no período de safrinha.. P..N. Anim. por apresentar maior teor proteico que o milho e o sorgo.91b 78.J. Além disso. p. a utilização do grão de milheto nas dietas pode reduzir os níveis de inclusão de concentrado proteico. ANDRADE.54a FDA (%) 46. Composição química do rolão de milheto submetido a duas idades de corte. D. CONSIDERAÇÕES FINAIS O milheto grão pode ser utilizado em dietas substituindo totalmente o milho sem que haja perda de desempenho dos animais. KUMAR.Universidade Federal de Lavras.

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DSc. Centro de Ciências Agrárias e Biológicas. pele e lã. CEP 56302-970. ficou claro que o uso de subprodutos do processamento de frutas é interessante. Km 112. Por outro lado. Nos trabalhos revisados. pode levar ao barateamento dos custos de produção de ruminantes. BR 428. Araguaína. já que a alimentação perfaz até 70% dos custos desta atividade. seja do ponto de vista ambiental. Bolsista do CNPq. Petrolina. CE. Marcos José Alves3. PE 4 Professor Associado da Escola de Medicina Veterinária e Zootecnia. zona rural. zona rural. Helio Henrique Araújo Costa5 RESUMO O presente capítulo apresenta dados sobre o valor nutritivo de vários subprodutos do processamento de frutas no Brasil. O uso dos subprodutos do processamento de frutas. marcosclaudio@gmail.com 2 1 88 . EMBRAPA Semiárido. helioa. Sobral. As pesquisas têm Professor do Curso de Zootecnia. especialmente dado o avanço das áreas destinadas à fruticultura no país e incrementos nos sistemas de irrigação. liberando parcela relevante de alimentos às populações humanas mais carentes.br 3 Zootecnista. especialmente nos períodos de estiagem. Km 152.CAPÍTULO 6 RESÍDUOS DE FRUTAS NA ALIMENTAÇÃO DE GADO DE LEITE Marcos Cláudio Pinheiro Rogério1. foram apresentados vários resultados. Entre essas alternativas. Jose Neuman Miranda Neiva4. a custos competitivos quando bem-manejadas. seja do ponto vista bioeconômico. Caixa Postal 132. por se tratar de tema no qual o estado da arte ainda é de prospecção. Os sistemas de criação de ruminantes normalmente se baseiam em sistemas de produção a pasto. araguaia2007@gmail. CEP 62040-370. leite. destacam-se os grãos de cereais. Petrolina. leite. TO.com Pesquisador da EMBRAPA Semiárido. pele e lã) pelos ruminantes. normalmente caros. Universidade Estadual Vale do Acaraú. Caixa Postal 23. INTRODUÇÃO O Brasil apresenta grande potencialidade para a criação de diversas espécies animais.embrapa. Embora o volume de subprodutos gerados seja considerável. A utilização de diferentes alternativas de alimentos para suprir as deficiências do pasto é muito comum. CEP 62040-370. Caixa Postal 23. PE ggla@cpatsa. BR 428. CE. Sobral. Rodovia 153. Centro de Ciências Agrárias e Biológicas. os estudos científicos são ainda escassos e. Universidade Estadual Vale do Acaraú. CEP 77804-970. são desenvolvidos apenas com pequenos ruminantes.costa@gmail. Km 152.. Assim. na maioria das vezes. entre as quais as espécies de ruminantes. que são capazes de transformar produtos vegetais em carne. mesmo aqueles em que não se estudaram as respostas em bovinos de leite. em sua maioria constituídos pela vegetação nativa ou de gramíneas.com 5 Zootecnista. o setor primário gera toneladas de subprodutos que poderiam ser transformados em produtos (carne. CEP 56302-970. Gherman Garcia Leal de Araujo2.

somando grãos. o que pode vir a dificultar os processos de conservação e uso nas dietas de ruminantes. Do campo até a indústria. aponta para um desperdício de 32 milhões de toneladas da produção ao consumidor final. e subprodutos agroindustriais propriamente ditos. 89 . doces e compotas. 1. Dentre estes. como os de ordem ambiental. pretende-se dar ênfase aos subprodutos do processamento de frutas disponíveis à alimentação de ruminantes. não apresentam grandes retornos às agroindústrias e muitas vezes podem até representar problemas. polpas. esses subprodutos podem substituir os alimentos forrageiros e mesmo os alimentos concentrados tradicionais. destinados ao consumo humano. que estão sendo avaliados nas diferentes regiões do Brasil. nas diferentes regiões do Brasil. Ao mesmo tempo em que se alcançam recordes sucessivos na produção agropecuária e o Brasil torna-se um dos maiores exportadores do setor. ou seja. hortaliças e produtos de origem animal (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico . aproximadamente 15% do total produzido. Apesar das diferenças existentes entre os números encontrados nas pesquisas para esse desperdício e as estimativas feitas como decorrência da diversidade de metodologias empregadas. garantindo. Os subprodutos agroindustriais e os restos de culturas agrícolas são muito variáveis em sua composição. dentro de níveis apropriados. 2005). como o milho e o farelo de soja. podem trazer benefícios para a composição de dietas de ruminantes. maior disponibilidade de alimentos e possível aumento da eficiência de produção. surgem subprodutos de frutas de origem agrícola. com base em dados da safra 2002/2003. No presente trabalho. alguns se destacam não só pela alta disponibilidade mas também por suas características bromatológicas muito diferentes a cada produção. verifica-se que a magnitude dessas perdas é relevante. Estes tipos de subprodutos. também caracterizados como restos de culturas agrícolas. Serão apresentadas suas disponibilidades e potencialidades nas diversas formas de utilização em dietas para ruminantes. Estudos de avaliação e utilização de novas alternativas alimentares como os subprodutos do processamento de frutas. em muitos casos. de um modo ou de outro.demonstrado que. o desperdício de alimentos ainda é crescente. em sua maioria. frutas. como sucos.CNPq. resultantes do beneficiamento industrial. Uma destas estimativas. PRODUÇÃO E DISPONIBILIDADE DE SUBPRODUTOS DO PROCESSAMENTO DE FRUTAS O processamento de frutas inclui as etapas desde a produção no campo até o beneficiamento e a origem de produtos. por exemplo.

O caju. Na região Nordeste. a manga. 2003). Estes constituintes podem ser desidratados. Boa parte da planta (72%).IBGE. constitui casca. bastante presente nas regiões Norte. destacando-se o abacaxi.) é uma das frutas tropicais mais populares do mundo. originando o farelo de abacaxi. mas não apresenta resistência à penetração deles. A castanha é o verdadeiro fruto que contém no seu interior a amêndoa. que compreende 38% da planta. o abacate. O pedúnculo de caju é um alimento energético. como a proximidade entre a localização dos rebanhos. É altamente perecível.. miolo e aparas. gomos. vitaminas e com alto teor de proteína bruta. na região Nordeste. a utilização desses subprodutos na alimentação de ruminantes irá depender de uma série de fatores. empregados na indústria de plásticos.. e o Brasil é um dos principais centros produtores da espécie. é comercializável. há um grande número de agroindústrias instaladas na região. 2005). apenas o fruto.No tocante aos volumes de produção de culturas agrícolas no Brasil. apresenta produção expressiva no Nordeste e ocupa lugar de destaque entre as frutas tropicais. 81% estão representados pelo suco e 19% pelo bagaço úmido. por sua vez. Nordeste e Sudeste. rico em vitamina C. brotos. O pseudofruto é o pedúnculo hipertrofiado. Todavia. Do peso do fruto. Merr. caules e raízes) considerado resíduo agrícola (Py et al. é pouco aproveitada mesmo tendo boas características forrageiras (Vasconcelos et al. o estado da Paraíba como maior produtor. correspondente às folhas. 1984). Em função da presença de tanino em sua constituição (média de 0. O bagaço oriundo da extração do suco pode ser usado na alimentação de ruminantes. considerando a crescente comercialização da amêndoa e do LCC (líquido da castanha de caju). fruto em calda ou enlatado) e vários subprodutos podem ser obtidos.45%. Do abacaxizeiro. o mamão. O abacaxi (Ananas comosus L. Além de usado ao natural. os valores são elevados e dão origem também a um montante expressivo de subprodutos. no estado de maturação comercial). A produção 90 . pode-se observar o cultivo de uma ampla variedade de espécies frutíferas tropicais. 1995). pois a película de revestimento é bastante fina e tem alta umidade (Lavezzo. além da polpa de onde se extrai o suco (Oliveira. sendo o restante (folhas. contém ácido málico que lhe confere acidez. possui barreira física contra infecção de microrganismos. as culturas e/ou agroindústrias. podendo ser utilizado na alimentação de ruminantes. 2009). o maracujá. a acerola e a goiaba (Lousada Júnior et al. rico em ferro. tendo. 2002). O resultado do processamento do fruto do abacaxi. o caju. caules e raízes. com uma produção de 347. Como consequência. coroa. vernizes. isolantes e inseticidas. 1992).5 mil frutos no ano de 2007 (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística .. apresentando um rendimento médio de 30 a 40%. carnoso e suculento. o abacaxi pode ser industrializado (extração do suco. beneficiando frutas e fazendo com que aumente a produção de subprodutos agroindustriais que podem ser aproveitados nas dietas de pequenos ruminantes.. as características nutricionais e os custos de transporte ou preparo desses subprodutos (Carvalho.

O abacateiro (Persea americana Mill) é uma planta nativa do México e da América do Sul. o monitoramento das dietas deve ser criterioso. a vantagem da utilização de lipídios em dietas deve-se ao incremento da densidade calórica da dieta.7 mil toneladas no ano de 2007 (IBGE. Trata-se de um recurso alimentar de elevado potencial para utilização como fonte energética em concentrados e para a redução dos custos de produção. O estado do Ceará é o maior produtor brasileiro. já que o Brasil figura como o quarto maior produtor mundial com 169 mil toneladas colhidas em 11. representando 37. Entretanto.88% de fósforo. as quais chegam a atingir 40% do volume total produzido. dados os altos valores de fibra encontrados. 2009) e.) ocorre quase que totalmente na região Nordeste. produtos de alto custo na região.02% de PB. O FCC é um alimento rico em energia (lipídios).59% de FB. oriundo das castanhas impróprias para o consumo humano. 2009). e. A cultura do abacateiro possui expressiva importância no cenário nacional. No estado de São Paulo. além do fato de tal uso permitir aumento no consumo de energia e balanço mais adequado entre carboidratos estruturais e não estruturais para otimização do consumo de fibra e energia digestível. com 47. (2003) verificaram efeito linear negativo no consumo de matéria seca. em razão do seu elevado valor energético. tanto pode constituir um substituto forrageiro. entretanto há poucos dados comprovando sua eficiência na melhoria da produtividade animal. 2008).12% de MS. O farelo de castanha de caju (FCC).535 toneladas para o ano de 2007 (IBGE. exatamente no período de estiagem. 2009). 1.32% de proteína bruta. usando dieta de ovinos composta por 70% de volumoso e 30% de concentrado contendo farelo de castanha de caju. 9. Saad et al. hoje extensivamente cultivado no Brasil. vem sendo utilizado para a formulação de ração animal. onde se registram 94% da produção mundial do abacate. conforme Scaloppi Júnior et al.811. o subproduto de caju.78% de lipídios e 1. conforme Godoy et al. 91 . segundo Palmquist (1989). ou seja. com 70 mil toneladas (IBGE. Conforme Rogério (2005). em virtude desse montante. (2008).72% de cálcio e 0. quando diminui a disponibilidade de forragem na região. A produção de mamão brasileira foi de 1. 13. (2008) avaliaram a composição bromatológica do farelo de mamão desidratado e obtiveram valores de 93.brasileira da polpa de caju (Anacardium occidentale L. Um dos principais problemas na produção de mamão são as perdas na fase pós-colheita.97% da produção nacional. 0.69% da produção. forçando o produtor a recorrer ao mercado de rações. A composição centesimal do abacate sem a semente pode ser descrita como: 80% de umidade. O estado da Bahia é o maior produtor nacional. (2009). compostas principalmente por milho e soja. consequência da extração do suco. encontra-se a maior produção. pois. quanto pode contribuir com os valores de proteína bruta e energia dos suplementos concentrados. Rodrigues et al. 140. essa fruta constitui potencial alimento para as dietas de ruminantes.5 hectares cultivados (Food and Agriculture Organization FAO.

o excesso de gordura pode prejudicar o aproveitamento da fibra dietética (Devendra e Lewis. que corresponde de 40 a 60% da fruta. podem ser destacadas: uma é a presença de pectina na casca.23% de MS.272. possuindo condições climáticas consideradas as melhores do mundo para o cultivo dessa fruta. Duas características bromatológicas principais. pois cascas e envoltórios da semente (epicarpo) são tecidos de revestimento e contêm elevados teores de celulose. perfazendo a produção de 229 e 116 mil toneladas no ano de 2007. Embora os valores de minerais.18% de cálcio e 0. a composição do farelo de sementes e cascas de manga se caracteriza por apresentar 92. o que. o bagaço é fornecido in natura. destacando-se o Vale do Rio São Francisco. Para Vasconcelos et al. hemiceluloses e lignina. o que representa uma boa fonte nutricional de baixo custo. De acordo com Neiva et al. (2001) informaram que. logo após a banana. 3. Os estados da Bahia e do Ceará são os maiores produtores do Brasil. (2009). com uma produção de 1. o abacaxi e o abacate. Sob esse aspecto. após a extração do suco.89% da produção nacional nesse ano. compreendendo mais de 150 espécies da família Passifloracea utilizadas para o consumo humano. e a outra a elevada concentração de lipídios nas sementes. o nordeste brasileiro é tradicional produtor de mangas. 37.1974).84% de FDA. que qualificam o referido subproduto.36% de EE. resultados de outros trabalhos demonstraram que a proteína do subproduto de manga é rica em lisina. a manga está disseminada em quase todo o território.11% de fósforo. nos locais de produção do fruto. Rogério (2005) recomendou a inclusão de até 30% do total das dietas para ovinos. (2009). foi utilizado na elaboração de silagem de capim-elefante para alimentação de bovinos.87% de PB. com 49. No Brasil. Ainda de acordo com Neiva et al. 1974). Em contrapartida. 2009). posicionando-se. Reis et al. lipídios e proteínas sejam baixos. conforme dados do IBGE (2009). deve ser dada melhor atenção ao uso de dietas contendo sementes.184 toneladas relativa ao ano de 2007 (IBGE. 21.) é considerada uma das mais importantes frutas tropicais cultivadas no mundo. O maracujazeiro é originário da América tropical. é uma alternativa viável para alimentação de ruminantes. Segundo estes autores. 0. haja 92 . Os autores relataram também que a fibra é o componente mais abundante do farelo. 2008). O maracujá-amarelo (Passiflora edulis Sims) corresponde a cerca de 95% desses plantios. em associação com capimelefante. respectivamente. e o extrato etéreo contém quantidades apreciáveis de ácidos graxos insaturados. não ultrapassaria o limite de 7% de extrato etéreo recomendado por (Devendra e Lewis.25% de FDN. o subproduto agroindustrial (casca e caroço). (2008) destacaram que a proporção de cascas e caroços da fruta varia de 20 a 30% e de 10 a 30%. (2002). é de 65 a 70% e apresenta vasto potencial para o aproveitamento nas dietas de pequenos ruminantes.A manga (Mangifera indica L. 4. destacandose o estado da Bahia como o maior produtor. O Brasil é o maior produtor mundial e apresenta uma produção de mais de 664 mil toneladas (IBGE. O rendimento médio da produção do subproduto. 2009). Vieira et al. e o maracujá-doce (Passiflora alata Dryander) a apenas 5% do total. porém a silagem pura do subproduto (casca e semente). como o oleico e o linoleico (Vieira et al. Essas características vêm beneficiar as dietas por contribuir com sua fração energética. segundo esse autor. desde Pirapora (MG) até Petrolina (PE)..

80% de hemiceluloses.50%.41 Hemiceluloses (%) 31.20%.63 0.47% de PB. sendo a região Nordeste responsável pela maior parte da produção 93 . acerola.57 74. 32. subprodutos de abacaxi.vista que dietas com altas concentrações de extrato etéreo podem inibir a digestibilidade das frações fibrosas. respectivamente. 73. passou a exportador a partir dos anos 70. sendo a produção nacional de 33 mil toneladas em área colhida de 11 mil hectares no ano de 1996 (IBGE.56 3. 2009). 54. de importador de melão na década de 60.67 Caju Maracujá 89.05 Cinzas (%) 9.08 1.16 10.) é cultivada principalmente nos estados do nordeste brasileiro.98 30. Composição químico-bromatológica (%) dos acerola.91 7.33% de MS.20 56.64 12.89 O processamento da goiaba para a produção de doces. Componentes Abacaxi Matéria seca (%) 88.76 25.03%.51 Proteína bruta (%) 9.91 Nitrogênio insolúvel em detergente ácido (%) 0.81 40. caju e maracujá.53 72.26 0.21 Nutrientes digestíveis totais (%) 55. Os subprodutos de goiaba.23 57. 8.10 88. Em termos de NIDA como porcentagem do nitrogênio total.20 Cálcio (%) 2.20% de celulose. sementes + purê.34 Fibra em detergente neutro (%) 66.59 44.36%. Tabela 1. são apresentados os dados de composição química dos subprodutos de abacaxi. a composição bromatológica do subproduto de goiaba é a seguinte: 86.53 0. A digestibilidade in vitro da matéria seca é baixa. sementes + frutos descartados.69 2.85 1.36 11.26 13.03 47. Acerola 82.14 Fibra em detergente ácido (%) 34. caju e maracujá.78 6.65% de FDA.87 0.73 Celulose (%) 37. frutos descartados + sementes + purê.28 39. da ordem de 18.25 Proteína bruta verdadeiramente digestível (%) 4.15% e 0.35 37.04 1. (2006). sucos e compotas gera a produção de sementes puras.89 9.28 40.22 Fósforo (%) 0. representado por 21. assim descritos.78 13.03 Carboidratos totais (%) 80. Apresenta um rendimento médio de subproduto de 15 a 41%.85 2.83 2. e os teores de cálcio e fósforo são de 0.90 14. A acerola (Malpighia glabra L. todavia apresenta elevado teor de lignina. conforme ensaios experimentais de Rogério (2005).97 79.54 0. destacam-se pela grande quantidade produzida. 18.03 78. fácil manuseio e aceitabilidade pelos ruminantes.03 79. 37. ou seja.18 59.45% de FDN. o valor encontrado por estes autores foi alto.78 Extrato etéreo (%) 1.74 Ligninas (%) 10.95 Fonte: Rogério (2005).14 68. Malpighia punicifolia L.04 0.46 2.46 17. Na Tabela 1.22 46. O Brasil. De acordo com Lousada Júnior et al..

10. os engaços (ricos em celulose e lignina.60% de celulose. PB (7. os subprodutos da vinificação caracterizam-se como sendo o bagaço (produto resultante da prensagem das massas vínicas compostas pelos engaços e pedúnculos das uvas). oriundos da prensagem para extração do suco. 49. (2008). Com o incremento da indústria vitivinícola no Brasil. A polpa cítrica é o produto final do suco de laranja. 9.35%).555 toneladas. sendo o estado do Rio Grande do Sul o responsável por 51. porção menos nutritiva) e a borra (resíduo depositado nos recipientes que contenham vinho após a fermentação). com 82% de umidade (Scoton. conforme dados do IBGE (2009) relativos ao ano de 2007.56% de MS. 17. os subprodutos oriundos desse processamento agroindustrial representam cada vez maior interesse devido também ao aspecto ambiental resultante do montante que é produzido. Os mesmos autores também citaram uma quantidade de 8 a 10% de frutos que são refugados da comercialização interna e externa e que podem ser usados na alimentação animal. Como foi observado na maioria dos subprodutos de frutas estudados por estes autores. De acordo com Lousada Júnior et al. envolve a produção de 1. 1992). as cascas.34% da produção nacional. 32. obtido pelo processamento de subprodutos sólidos e líquidos. equivalendo a cerca de 50% do peso de cada laranja.0% em MS). o subproduto de melão representou o maior teor de pectina (31. FDA (22% em MS) e cerca de 84% de digestibilidade da matéria seca. De acordo com Goes et al. polpa e semente (Carvalho. o que permitiria uma boa condição para o processo fermentativo.2 tonelada de resíduo industrial composto de casca. Os autores observaram ainda que a adição de subproduto elevou os teores de proteína bruta das silagens.18% de FDA. o que resultou em um NIDA de 14.85% de PB. 7.brasileira.76% em relação à porcentagem de nitrogênio total. 59. Para Ítavo et al. (2002a). Conforme relataram Vasconcelos et al. sementes e bagaço. (2000).10% de FDN.76% de FDA.26% de MS. Entretanto. (2006). Dentre os subprodutos estudados por estes autores. a composição do subproduto de melão é a seguinte: 84. como casca. o teor de lignina também foi bastante elevado (16. constituindo importante suplemento às 94 .33% de PB.92% de hemiceluloses. o subproduto da produção da polpa do melão é composto basicamente de casca.371. 52. o bagaço da laranja representa 42% do total da fruta e tem composição bromatológica destacada. os valores de pH se elevaram e atingiram níveis que caracterizam silagens de baixa qualidade.61% na matéria seca). (2002) avaliaram a composição químico-bromatológica e fermentativa de silagens contendo 0. Uma tonelada de suco concentrado. 15 e 20% do subproduto da produção de polpa de melão e observaram elevações nos teores de matéria seca. com a adição do subproduto. De acordo com Silva (2009). pois. sementes e a polpa de laranja. obtido pela moagem de 12 toneladas de laranja. no que diz respeito aos teores de NDT (83-88% em matéria seca). 5. A produção nacional de uva é da ordem de 1. FDN (23% em MS).53% de FDN e 27. 2003). Pompeu et al. os autores observaram que o processo fermentativo não ocorreu de forma satisfatória. o resíduo de vinícola constitui 95.

é considerado como concentrado energético.5% de fósforo. A Bixa orellana L. O teor de minerais. e. uma vez que a composição dos alimentos de origem vegetal é influenciada por fatores. é bastante comum. é importante dar-se atenção para a relação cálcio e fósforo em formulações dietéticas de ruminantes.). O uso de aditivos com a intenção de tornar os alimentos visualmente mais atraentes. a queima da polpa. o resíduo agroindustrial da semente de urucum é o subproduto da extração agroindustrial da bixina. como solo. corante natural largamente utilizado pela indústria alimentícia. a preparação comercial contendo 0. previamente aquecidas a 70°C em óleo vegetal. A composição bromatológica da semente de urucum é de 88.). seja na indústria alimentícia ou no uso doméstico cotidiano.5% de FB. o aumento da escala de 95 . 13. O subproduto de semente de urucum é de baixo custo. obtidos experimentalmente em animais que receberam esse alimento em suas dietas. variedade genética e. em regime de agricultura familiar no nordeste brasileiro. (1995) destacaram que parâmetros de fermentação ruminal. devido ao excesso de calor durante a secagem.38% de PB. Ainda segundo este autor. todavia Fegeros et al. 0.73% de MS. Por essa razão.29% de cálcio e 0. recebe a denominação internacional de “annatto”. entre outros fatores. pelo tipo de processamento a que foram submetidos. Este é produzido a partir das sementes de urucum. Essa composição nutritiva pode variar devido às diferentes origens dos subprodutos avaliados. seguido de abrasão com fubá ou farinha de mandioca ou pela mistura destas com urucum em pó. pode influenciar o seu valor nutricional.20-0. obtido por extração com solventes. chuva. conhecido como bixina. (urucum) pertence à família botânica Bixaceae.25% de bixina é conhecida como colorau. 2005). por causa disso. De acordo com Moraes (2007). Ainda segundo esta autora. além do amplo emprego na indústria. por exemplo. um arbusto nativo do Brasil e de outras regiões tropicais do planeta.dietas de ruminantes. 16. O aumento do consumo mundial de corantes naturais tem impulsionado o plantio de urucum (Bixa orellana L. é uma espécie nativa do Brasil e de outras regiões tropicais do planeta (Costa. componente indissociável de inúmeros pratos da culinária brasileira. O annatto (anato) é uma mistura de pigmentos de coloração amarelo-alaranjada em consequência da presença de vários carotenoides. caracterizam-no como um alimento intermediário entre volumoso e concentrado. Este subproduto pode ser usado em rações em substituição aos alimentos proteicos. Pesquisas sobre a utilização deste subproduto na alimentação animal ainda são escassas. assim como o tempo de armazenamento. 1995). no caso de subprodutos. pode variar de 2 a 11% na matéria seca devido a erros durante o processamento ou pelo excesso de temperatura durante a secagem. Internacionalmente conhecida como annatto. descartado pela indústria em quantidades de aproximadamente 2600 toneladas ao ano (Pimentel. com predominância absoluta de um atípico. sendo necessária a suplementação com fontes extras de fósforo para as devidas correções. O corante extraído do pericarpo das sementes de urucum (Bixa orellana L. No Brasil. A polpa cítrica apresenta elevado teor de cálcio.

O pseudocaule.extração agroindustrial da bixina resulta em 94 a 98% de sobras. no período seco do ano. presente em todas as regiões do Brasil.. A produção agrícola foi tomada como referência para as estimativas de disponibilidade dos subprodutos. as folhas representam 25% do peso seco da planta. a produção de biomassa por unidade de área (hectare) é elevada. e sua utilização acontece. obtêm-se diversos subprodutos. em conjunto. que atualmente são descartadas pela indústria. que foram calculadas de acordo com os valores de rendimentos em percentual descritos por Carvalho (1992). 2001). combinados na mesma planta. as folhas e as frutas descartadas da bananeira podem ser usados como resíduos forrageiros. Do beneficiamento do grão do café resultam como subprodutos a polpa e a casca. Na Tabela 2. observa-se a produção de frutas. já caracterizado quimicamente. Atualmente. sendo esta última a mais comum dos subprodutos. citados por Lavezzo (1995). e seus subprodutos.7% de proteína bruta (PB). e as frutas 37%. Ademais. em virtude do preparo do grão via seca realizado no Brasil. As cascas de café representam 66% do peso total do grão e apresentam alto teor em lignina. notadamente por possuírem a maioria dos nutrientes requeridos por esses animais. conforme o IBGE (2009).5 a 14. vem sendo testado nutricionalmente de diversas maneiras para utilização na dieta animal.2% de fibra em detergente ácido (FDA). por região do Brasil. Segundo Foulkes et al. A palha contém também polpa. 1995). com as devidas adequações dietéticas. apresentam-se relevantes à alimentação de ruminantes. Do cultivo da bananeira. 1992). o que corresponde a um valor compreendido entre 19 e 51 toneladas de matéria seca por hectare (Lavezzo. 96 . principalmente. Este resíduo. Os subprodutos oriundos da cultura da banana. sendo viável para produtores que dispõem desse recurso. o número de trabalhos sobre a utilização desse resíduo do beneficiamento do urucum é insatisfatório. o coração ou mangará. 36. A oscilação na disponibilidade e a instabilidade do fornecimento desses constituintes. todavia. além da mucilagem e da casquinha (Carvalho. (1978). relativa à safra de 2007. O uso desses subprodutos vem sendo intensificado no Brasil. 12. (2002). este subproduto apresenta 14. Segundo Utiyama et al. mais comum em outros países. enquanto o pseudocaule representa 39% desse total. limitam a aceitação desses subprodutos por parte dos pecuaristas.8% de fibra em detergente neutro (FDN) e 20. variando de 132 a 353 toneladas de massa verde. Recomenda-se sua inclusão na alimentação de ruminantes em até 30% do concentrado de vacas em lactação e em 40% do concentrado de novilhos confinados (Barcelos et al. A polpa é obtida pelo processo via úmida.4% de fibra bruta (FB).

2 10.7 348. a composição bromatológica do subproduto de tomate pode ser representada por 22.3 1. da fração fibrosa da polpa e da semente.7 0.4 32. 20.2 14. em função dos percentuais de rendimentos (S). sendo encontrado no mercado com preços acessíveis. dependendo do processamento utilizado pelas indústrias (Oliveira. com 10%.105 E 8. e o NIDA como porcentagem do nitrogênio total é da ordem de 18.3 14. com 5%.7 25.4 996.5 149.8 5 4.2 8094.0 128.8% de FDA.264 0.6 48 55 4. PRODUTO Norte P E 488. Fonte: IBGE (2009) A produção cacaueira no estado da Bahia constitui uma importante atividade agrícola brasileira.178 1. conforme informou Oliveira (2003).5Sul P 15.9 27. em estado normal de maturação. De acordo com Campos et al.6 421.2 273..5 284.4 Sudeste P E 419.224 Nordeste P E 689.8 920.1 102.2 2 Centro-Oeste P E 101.7 927. pois menos de 8% do peso do fruto do cacaueiro. É composto basicamente do fruto.6 156. antes da torrefação das sementes.8 3.6 59 106 32 6. uma vez que representa cerca de 83% do cacau produzido no país.498 0.9 53 3. seguido dos estados do Pará.4 213.6 0.13 Maracujá 247.4 15565.09 Uva 0.5 *Mil frutos.2 97 552 28.5 - *Abacaxi Banana Castanha 1018.5 22. 50.1 7.3 837 2.3 0.296 0.2 1769. da casca do fruto.9 67. 2003). Um fruto com peso médio de 500g é constituído de 80% de casca e 20% de semente (Freire et al. em mil toneladas e em mil frutos.2 0.2 0.1 701. O montante de produção de subproduto agroindustrial do tomate representa um percentual de 40-50% do peso total do fruto (Manterola et al.818 0.6 29.7 19.3 1.4 474. 1992).5 de caju Laranja 2.5% de semente. A industrialização do tomate gera cerca de 4.8 7.9%.1 83.8 3.068 Cacau 133 66 Café 157 78 Tomate 514 51 Abacate 8 Goiaba 136 Mamão 1093 Manga 970 388 Urucum 2. (2007a). 14.Tabela 2.4 11..368 2003.297 127. sendo 3% de peles e 1. que citou diversas alternativas de elaboração de silagem para contornar o problema da alta umidade.6 138. por região do Brasil em 2007.6 356.6 11.5% de PB.1% de FDN. para produção de manteiga ou chocolate.1 9. 97 .6 99.4 197.4 294.6 66. e Rondônia.1% de MS.154 16.2 0. Produção agrícola (P) e estimativa de disponibilidade de subprodutos para alimentação animal (E).6%.0 48.8 975.2 4. Esse fator antinutricional (lignina) pode comprometer o aproveitamento da proteína dietética pelos ruminantes.9 0. A proporção aproveitável de subprodutos do cacau é bastante alta. 63.9% de EE.118 233.308 32.7 5.4 Melão 49.3 112.9 507.5% do peso do fruto em resíduo.7 1. 1990).6 71. são usados pela indústria beneficiadora.5 857. todavia o teor de lignina chega a 17.5 1855 1493 108 138 673 281 5. O farelo de cacau é o subproduto da retirada do tegumento.5 81.9 211.

goiaba. foram bem próximos. geralmente com altos teores de umidade. milho e sal mineral contendo macro e microminerais e níveis crescentes dos subprodutos de abacaxi. caju. 98 .84Mcal/kg de matéria seca consumida. caju e maracujá. Provavelmente os altos níveis de taninos existentes no subproduto de caju (Vasconcelos et al. os consumos de matéria seca. contribuições nutricionais significativas. se incluído em até 16% do total de dietas para ovinos. serão feitos comentários sobre esses subprodutos de frutas que podem ser utilizados na alimentação de ruminantes. 2. conforme Starling et al. A maioria dos trabalhos encontrados na literatura estuda a substituição de subprodutos de reconhecido valor nutricional e de mercado estabelecido. Isso provavelmente resultou nos maiores valores de NDT para estes últimos. 237. Os valores de FDN foram bastante elevados para os subprodutos de caju e acerola principalmente. não há risco de limitação de consumo e digestibilidade dos nutrientes dietéticos. Alguns resultados de pesquisa mostram que esses subprodutos podem ser utilizados nas dietas de ruminantes sem prejuízos ao seu desempenho produtivo.97%. As dietas utilizadas foram constituídas de capim-elefante.1.2. maracujá e melão Visando ao conhecimento sobre a real disponibilidade ruminal dos nutrientes dietéticos nos subprodutos de abacaxi. 2002b) foram responsáveis pela menor disponibilidade deste nutriente. Vale ressaltar que o subproduto de maracujá compõe-se de casca e semente e que esta última apresenta teor de extrato etéreo em matéria seca de 31. Abacaxi. trazendo. as dietas em que se incluiu o subproduto de abacaxi apresentaram valores semelhantes ao grão de soja (65%). por subprodutos de pouca avaliação nutricional e de mercado não tão bem definido. Rogério (2005) avaliou o consumo e a digestibilidade dos nutrientes em dietas para ovinos contendo os referidos subprodutos. RESULTADOS DE AVALIAÇÃO DO USO DE SUBPRODUTOS DE FRUTAS NA ALIMENTAÇÃO DE RUMINANTES Uma linha de pesquisa que tem crescido nos últimos anos é a de avaliação de subprodutos de frutas. de soja e de algodão. à exceção do subproduto de caju. proteína bruta e energia metabolizável foram 1. farelo de soja.85g/dia e 2. Neste nível de inclusão. foi constatado que. A utilização desses subprodutos pode ser feita por meio da suplementação de animais criados a pasto ou na formulação de dietas para animais em confinamento. Para o subproduto de abacaxi. a exemplo dos farelos de milho. Destaque especial deve ser dado aos teores de proteína bruta e de proteína verdadeiramente digestível demonstrados na Tabela 3 os quais. torta de algodão. seguidos dos valores encontrados para os subprodutos de maracujá e abacaxi. A digestibilidade da matéria orgânica indicou uma excelente fração de NDT para as dietas que incluíram o subproduto de abacaxi em até 16%. acerola. inclusive. (1997). caju e maracujá.44kg/dia. acerola. acerola.. Considerando-se a digestibilidade da proteína bruta. A seguir.

7c 38.5b 591. somente sendo recomendadas em condições de melhor relação custo-benefício ou mesmo de escassez de alimentos tradicionais.3c Acerola 500. citado por Valadares Filho et al.126. de subprodutos da indústria de suco e polpa de frutas. (2002).4a Melão 47.7c CV 9.6b 293. por sua vez.4a 842. Inclusões de subproduto de acerola em sistemas de produção de ovinos devem ser vistas com cautela.200.3b Melão 1.2d Goiaba 30.7b 1.7a 697.5b 584.5 kg/dia.2d 8.ab 706.1c 265. no máximo.3c 55. Consumo de nutrientes Subproduto CMS CPB CFDN CFDA Abacaxi 924. O aumento do 99 . fibra em detergente neutro (CFDN) e fibra em detergente ácido (CFDA). na mesma coluna. proteína bruta (CDPB).0c Goiaba 1.0b Acerola 22. Consumo diário de matéria seca (CMS).2b 16.15 g/dia.5b 29.8c 8. comparável àquele encontrado para o capim-tífton 85. foram encontrados valores de consumo de matéria seca.7b 64. fibra em detergente ácido (CDFDA) e nutrientes digestíveis totais (NDT).4a 129. diferem entre si (P<0.7b 38. O subproduto de acerola.5b CV 2.01) pelo teste Tukey. em se tratando de um subproduto.Tabela 3. em virtude principalmente dos altos teores de ligninas encontrados. proteína bruta (CPB). proteína bruta e energia metabolizável de 1.2a 65. O risco maior é o da queda de digestibilidade das partículas fibrosas e da proteína bruta dietética.79%. coeficientes de digestibilidade aparente da matéria seca (CDMS). reduziu o consumo da maioria dos nutrientes dietéticos e deve ser incluído em.2 11.4ª 65.3 2.157.5ab 193.3c 670.3 2.5c 351.2 3. 8% do total de dietas para ovinos. 214.4a Maracujá 60.527.28% na matéria seca. por exemplo (66.8c 39. fibra em detergente neutro (CDFDN). valor relativamente alto.0d 56. O valor médio das dietas que incluíram o subproduto de maracujá foi de 66.0a 54. houve limitação de consumo da maior parte dos nutrientes quando o subproduto de maracujá foi a principal fonte fibrosa das dietas experimentais.4 Coeficientes de digestibilidade Subproduto CDMS CDPB CDFDN CDFDA NDT Abacaxi 47. apesar dos balanços nitrogenados positivos.9a Maracujá 1. (2005).7 11.5 13.8a 51.8c 33. Incluindo-se o subproduto de acerola em até 12% do total dietético. em ovinos. Fonte: Adaptado de Lousada Júnior et al.0b 50.30%).8a 38.3 Mcal/kg de matéria seca consumida.7c 13.0b 51. expresso em gramas por dia.2b 75.5b 17. 2. O consumo de fibra em detergente neutro como porcentagem da matéria seca ingerida representou em média 49.9ab 148. o que possibilitou uma distribuição mais uniforme de energia entre as dietas experimentais.0d 13. respectivamente. Entretanto.8 11.2 Médias seguidas de letras diferentes.

matéria orgânica. fibra em detergente neutro. Na Tabela 3. proteína bruta. considerando-se os graus de moagem de 3 a 19mm. O subproduto de caju. proteína bruta e energia metabolizável foram de 1. O subproduto de caju representou prejuízo quando incluído em níveis superiores a 19% do total dietético. extrato etéreo e frações fibrosas dietéticas. pode ter indisponibilizado a proteína dietética e. quando moído finamente. Conforme este autor. maracujá e melão. e. em virtude da total falta de informações à época sobre o tema. Costa (2008) realizou a moagem do referido subproduto em 3mm (moído finamente) e 19mm (moído grosseiramente).44kg/dia. a presença de compostos polifenólicos. Em 19% de inclusão do subproduto de caju. (2005). O autor constatou que o grau de moagem aplicado ao subproduto de caju utilizando-se peneiras de 3 e 19mm não afetou os consumos de matéria seca. Mais uma vez. constam os valores de digestibilidade de nutrientes obtidos por Lousada Júnior et al. não representou riscos para a queda do pH do líquido ruminal. Visando à quebra da parede celular presente no subproduto de caju com consequente melhoria da disponibilização de nutrientes solúveis bem como à avaliação dos riscos de acidose em dietas com subproduto de caju incluído de 11 a 33% em dietas de cordeiros em terminação. devidamente desidratados ao sol. 196. proteína bruta e energia metabolizável foram de 1. todavia. quando praticamente chegou a zero na dieta que incluiu 52% de subproduto de caju. O trabalho foi apenas exploratório. (2005) utilizaram subprodutos da extração de suco e polpas de abacaxi. hemiceluloses e celulose dietéticas. acerola. principalmente no tocante ao aproveitamento das frações fibrosas e proteicas. os consumos de matéria seca. se moído finamente. mesmo assim não ocorreu aumento proporcional do consumo de matéria seca diante da baixa digestibilidade desse nutriente. 2. extrato etéreo. O subproduto de abacaxi constituiu cascas e polpas 100 . respectivamente. o subproduto de caju pode ser utilizado em dietas para ovinos em terminação em níveis de até 33%.3g/dia. portanto.66 Mcal/kg de matéria seca.consumo de fibra em detergente ácido como porcentagem da matéria seca ingerida também resultou no aumento da inclusão de ligninas. como alimentos exclusivos para ovinos. a inclusão do subproduto de caju em até 33% do total dietético. Deve-se considerar que houve queda brusca do balanço nitrogenado ao ser ultrapassado o percentual de 19%. 190 g/dia e 2. e. fibra em detergente ácido.3Mcal/kg de matéria seca consumida. a inclusão deve ser de até 18% do total das dietas quando os consumos de matéria seca. Portanto. promovido a redução da retenção de nitrogênio. e subsequentemente outros trabalhos com maior detalhamento de investigação foram desenvolvidos. pode reduzir as digestibilidades da matéria seca.54 kg/dia. assim. se moído grosseiramente. Os altos níveis de fibra existentes no subproduto de caju foram determinantes para o aumento dos consumos de FDN e FDA com a inclusão crescente de subproduto. Lousada Júnior et al. goiaba. matéria orgânica. em até 28%. tais como taninos e ligninas.

.05) dos consumos relativos aos animais que receberam subprodutos de maracujá e melão em sua alimentação. este apresentou maior consumo de matéria seca. Observaram melhor desempenho para os animais alimentados com 50% de leucena e 50% de farelo de pedúnculo de caju desidratado. Considerando-se a digestibilidade da proteína bruta. da goiaba. os maiores valores foram para maracujá e melão (Tabela 3). 2005). (2004). Entretanto.prensadas. provavelmente como resultado do maior consumo de matéria seca. 2005). com o objetivo de avaliar o desempenho de ovinos (Santa Inês x SRD. reduzindo a digestibilidade e proporcionando aumento na taxa de passagem. porém com valores inferiores aos demais (P<0.01) ao verificado com o subproduto de abacaxi. Uma das possíveis explicações. Os maiores consumos de proteína bruta foram observados nos animais alimentados com subproduto de maracujá e melão em relação ao que foi observado nos animais que receberam abacaxi e acerola.. foram observados os maiores consumos de FDN e FDA (Lousada Júnior et al.01). O consumo de matéria seca do subproduto de goiaba foi superior (P<0. seguido do subproduto de abacaxi e melão. provavelmente.05).05). seria devido aos taninos que se combinaram com as proteínas. da acerola. enquanto os piores desempenhos foram verificados com 70% de feno de leucena ou 70% de farelo de pedúnculo de caju. segundo os autores. reduzindo a digestibilidade desse nutriente. em razão do rápido esvaziamento ruminal. consequentemente maior consumo. apesar das diferenças encontradas.01). e do maracujá e melão. O subproduto do maracujá apresentou o maior valor de NDT (P<0. os quais foram semelhantes entre si (P>0. provavelmente em decorrência da alta quantidade de sementes. os autores afirmaram que todas as dietas foram consumidas de forma similar. os autores concluíram que os subprodutos de abacaxi. Os subprodutos de acerola e goiaba apresentaram NDT semelhantes (P>0. enquanto os de acerola e goiaba apresentam limitações. Leite et al. 60 e 70%) em substituição ao feno de leucena (Tabela 4). Já para os animais que receberam o subproduto de goiaba. porém não diferiu (P>0. Os valores de digestibilidade da MS. O menor consumo de matéria seca foi observado nos animais alimentados com o subproduto da acerola. Segundo os autores. Somalis Brasileira x SRD) em confinamento. pois não registraram sobras significativas. sementes e polpa macerada. cascas e sementes. em função dos baixos coeficientes de digestibilidade (Lousada Júnior et al. já a análise dessas variáveis relativas ao maracujá resultou nos maiores valores. Baseando-se nessas informações experimentais. o que pode ter afetado o desempenho de animais alimentados com maior proporção de farelo de pedúnculo de caju. 50. apesar de o subproduto de goiaba ter teores de FDN e lignina próximos aos da acerola. que têm alta densidade específica. sementes com baixa porcentagem de frutos refugados. 101 . testaram cinco diferentes inclusões de farelo de pedúnculo de caju (40. em função do elevado teor em lignina (Tabela 3). durante a administração. FDN e FDA dos subprodutos de acerola e goiaba foram os menores dentre os subprodutos estudados pelos referidos autores. maracujá e melão podem ser utilizados na alimentação de ruminantes.

nos grupos genéticos ½ sangue Dorper e ½ sangue Somalis. não houve limitação da inclusão de FCC.4 19. ½ Somalis e ½ Santa Inês) alimentados com dietas contendo ou não FCC. Tratamentos 70%L:30%C 60%L:40%C 50%L:50%C 40%L:60%C 30%L:70%C SI x SRD SB x SRD SI x SRD SB x SRD SI x SRD SB x SRD SI x SRD SB x SRD SI x SRD SB x SRD Peso inicial (kg) 18. em mensurações de concentrações de ureia sérica em ovinos de diferentes raças (½ Dorper.1 18.2. Esses resultados podem indicar que as dietas que incluíram o farelo de castanha de caju provavelmente tiveram seus compostos nitrogenados menos disponibilizados à degradação microbiana ruminal. (2007b).05). diferem estatisticamente entre si pelo teste de Tukey (P<0.5 25. (2007c). não tendo sido evidenciado esse efeito sobre o grupo genético Santa Inês.7 17. encontraram que os níveis séricos de ureia foram elevados. Costa et al.7c Ganho diário (g/dia) 124c 116c 120c 140b 153a 153a 144b 134b 100d 124c Ganho médio (g/dia) 120c 130b 153b 139b 112c Médias seguidas por letras diferentes.2.1c 8.8b 10.4b 7.8 19. foi verificado que a inclusão do FCC promoveu redução das concentrações de nitrogênio amoniacal no líquido ruminal.0 31. Silva et al.7a 10.9 29.9 Peso final (kg) 27.5 27. o que pode denotar diferenças na disponibilização de compostos nitrogenados e carboidratos no processo fermentativo ruminal.1 18. 102 .2 27. Entretanto. ½ sangue Somalis e ½ sangue Santa Inês). avaliando dietas contendo ou não FCC fornecidas para três grupos genéticos de ovinos (½ sangue Dorper.1b 9.6 Ganho de peso (kg/dia) 8. Complementarmente a essa informação. Fonte: Adaptado de Leite et al. perceberam que. em uma mesma coluna.9 27. (2007a) identificaram valores de proteínas totais séricas inferiores àqueles recomendados pela literatura. Desempenho de borregos ½ Santa Inês (SI) x ½ SRD e Somalis Brasileira (SB) x ½ SRD.7c 8.0d 8.1 18.3 20.1 18. Farelo de castanha de caju (FCC) Costa et al. em Costa et al. (2007b). Esses autores não perceberam alteração do pH do líquido ruminal considerando-se a dieta que incluiu o farelo de castanha de caju em relação à dieta-controle. (2004).3 27. valores superiores a essa recomendação podem comprometer a ação dos microrganismos sobre a degradação da fibra dietética.4 25. Tabela 4.2 18.3 29. respeitando-se o limite de 7% de extrato etéreo (teor de lipídios) na matéria seca. de modo geral.4c 9. Conforme Devendra e Lewis (1974).7a 10. submetidos a dietas compostas por feno de leucena (L) e farelo do pedúnculo do caju (C).

Henrique et al. MO. proteína bruta e extrato etéreo em gramas/dia foram maiores para as dietas sem FCC. houve melhoria da digestibilidade desse nutriente com o incremento da polpa cítrica dietética. em substituição ao milho. (2007c). Silva et al. ½ Somalis e ½ Santa Inês). Verificaram que as ingestões de MS e NDT (Tabela 5) elevaram-se linearmente (P<0. todavia isso não resultou em depreciação do rendimento de carcaça para esse grupamento.. Silva et al. observaram que a não inclusão do FCC na dieta dos animais ½ sangue Dorper proporcionou maior eficiência do processo digestivo. 80% de concentrado com níveis crescentes (0. proteína bruta e extrato etéreo. Outras hipóteses discutidas pelos autores seriam o efeito associativo positivo entre os ingredientes. matéria orgânica. alimentados com dietas contendo ou não FCC. ou seja. que receberam 20% de silagem de milho. matéria orgânica. 25. verificaram que a digestibilidade da MS foi inferior nos animais ½ sangue Santa Inês. Os autores relataram que esse aumento pode ter sido decorrente do melhor padrão de fermentação ruminal. houve efeito linear ascendente.Fontenele et al. sendo que os animais ½ Santa Inês foram afetados negativamente quanto aos consumos de MS. observou-se o contrário. (2008a) e Silva et al. Em se tratando da digestibilidade da proteína bruta. (2003) realizaram experimento objetivando avaliar a ingestão e os coeficientes de digestibilidade de nutrientes em ovinos. dada a redução no tempo despendido em ruminação. Polpa cítrica A inclusão da polpa cítrica. ou mesmo algum efeito de melhoria da palatabilidade. verificaram que os consumos de matéria seca. Já para os animais ½ sangue Santa Inês. (2008b). Comportamento semelhante foi identificado com os coeficientes de digestibilidade da 103 . observaram que a inclusão de FCC promoveu a redução do peso vivo e da carcaça fria para o grupamento ½ sangue Santa Inês. avaliando rendimento de carcaça de ovinos em terminação de diferentes raças (½ Dorper. considerando-se as digestibilidades da matéria seca. nas mesmas condições de Costa et al. Esses dados sugerem uma menor adaptabilidade dos animais ½ sangue Santa Inês às dietas com FCC nas mesmas condições aplicadas a esses trabalhos. 2007b). na alimentação de vacas leiteiras de alta produção permitiu aumentar o consumo de fibra. que a inclusão do FCC reduziu o tempo de ruminação com consequente incremento da eficiência de ruminação (Fontenele et al. o que favoreceria o crescimento de populações celulolíticas no líquido ruminal e o aumento na relação acetato/propionato. 2. Henrique et al. PB e EE (gramas/dia). por sua vez. (2003) não identificaram diferenças significativas considerando-se os tratamentos experimentais aplicados (Tabela 5). (2007a). devido à presença de pectina na polpa cítrica. 2003). 40 e 55%) de polpa cítrica na matéria seca em substituição ao milho em grão. (2007a).05) com o aumento da porcentagem de polpa cítrica. Quanto aos coeficientes de digestibilidade da matéria seca. (2008c). sem prejudicar a digestibilidade total da dieta (Scoton.3. Silva et al.

99 11. extrato etéreo (CDEE). não devendo ultrapassar este nível em função da elevada concentração de Ca e baixa de P.48 Y= 28. matéria orgânica (CDMO).85 74. Os ácidos graxos de cadeias longas não foram afetados com a adição deste subproduto. 2001).0977x 0.66 NS 4.45 73.13 NS 3. houve uma redução no percentual de ácidos butírico.88 5.747+0.28 70.74 60. Quando adicionada à dieta numa concentração acima de 30% na MS.97 66. proteína e lactose do leite.53 73.20 61.0034x 0.88 64. fibra em detergente ácido (CDFDA) e das hemiceluloses (CDHCEL). 104 .64 CDFDN 64.49 61.89 76.24 72. Entretanto.29 72.22 73.70 Fonte: Adaptado de Henrique et al.87 45.39 NS 6.83 9.05 NS 11. Fegeros et al.95 69. (2003). caprílico e cáprico.23 51. coeficientes de digestibilidade aparente da matéria seca (CDMS). Consumo diário de matéria seca (CMS) e de nutrientes digestíveis totais (CNDT) expresso em gramas por dia.37 68. proteína bruta (CDPB). Níveis de substituição do farelo de milho Item (%) 0 25 40 55 Regressão R2 CV Consumo de nutrientes (g/dia) CMS 1.15 CDMO 72.5861x 0.61 Y=62. fibra em detergente neutro (CDFDN).778+0.35 CNDT 775 826 906 886 Y=0.064 1150 1244 1233 Y=1.41 Coeficientes de digestibilidade (%) CDMS 71.60 CDPB CDEE 83. Caprinos e ovinos aceitam bem a adição de polpa de citros no nível de até 30% das dietas.FDA. (1995) não encontraram efeito negativo sobre a produção de leite e composição de gordura.31 72. Os autores relataram que a polpa de citros seca pode ser usada em rações concentradas para ovelhas em lactação numa proporção de até 10% da MS total. em função da porcentagem de polpa cítrica em dietas para ovinos.0023x 0.71 NS 3.90 9.70 62.070+0.75 75.14 71.26 65.89 CDFDA CDHCEL 75. caproico. Tabela 5. pode levar à redução ou mesmo suspensão do consumo pelo animal (Ezequiel.348+0.94 27. Esses resultados refletem a qualidade proteica da polpa cítrica e podem indicar a qualidade também da FDA desse subproduto em termos de disponibilização da celulose existente. Avaliando o efeito da adição de polpa de citros em substituição à ração concentrada na dieta de ovelhas em lactação.

carboidratos totais (CDCHT). Silva et al. 1 2 Fonte: Adaptado de Carvalho et al.27a 46.11a 66.92 CDCNF 80.00a 47.54 CDPB 66.04 CDCF 54. que foi maior para a dieta com 30% de torta de dendê em relação à dieta com 15% de farelo de cacau (Tabela 6).209a 2.85a 45.4.62a 48.3a 787. 15 e 30%) em substituição ao milho e farelo de soja no concentrado. Cacau Com o objetivo de avaliar os efeitos dos diferentes níveis de farelo de cacau e torta de dendê (0.01a 43. 2004.46a 65.85ab 88.6a 608.23 CDFDA 49. visto que o aumento da participação da torta de dendê não afetou o consumo. Tabela 6.30a 47.44a 40. fibra em detergente ácido (CDFDA).. estes autores observaram que os animais que receberam dietas contendo 30% de farelo de cacau reduziram (P<0. apresentou viabilidade de uso como alternativa na dieta de cabras em lactação. Variáveis Controle Farelo de cacau Torta de dendê Média CV 15% 30% 15% 30% (%) Consumo de nutrientes1 (g/dia) CMS 2. fibra em detergente neutro (CDFDN). 2005.37ab 92.52a 48. coeficientes de digestibilidade aparente da matéria seca (CDMS).71a 82.47a 68. 105 .60a 61.40 19.06a 88.245a 1. excetuando-se a do extrato etéreo.35a 63.40 *Médias seguidas de mesma letra.23a 70. proteína bruta (CDPB).14 8. carboidratos fibrosos (CDCF) e não fibrosos (CDCNF) em cabras leiteiras*.63 CDFDN 53.4a 757.05) o consumo diário de matéria seca (Tabela 6).73a 62. extrato etéreo (CDEE).02 CDCHT 70. em função de maior seleção atribuída à baixa aceitabilidade do farelo de cacau.132a 2.46a 66.44 23.59a 42.9a 750.95a 81.222a 2.29a 49. matéria orgânica (CDMO).01a 68.2.03 8.26a 66.02 19.07a 48. não houve efeito da substituição parcial do concentrado à base de milho moído e farelo de soja pelos subprodutos.43a 43.86a 66.27a 66.59 4.67 CDEE 86. Os autores concluíram que a inclusão do farelo de cacau ou torta de dendê na dieta. sobre o comportamento ingestivo de cinco cabras Saanen (Carvalho et al.22 CDMO 71.91a 59.33 7.84b 90.31a 58.57a 68.24a 79.8a 876.062 13.33a 22.48a 67. 2005).25 7.44a 40. 2004) e sobre a digestibilidade aparente de nutrientes (Silva et al. em razão dos regulares valores de digestibilidade aparente.60a 43. Quanto à digestibilidade aparente dos nutrientes.25a 65..501b 2.. Consumo diário de matéria seca (CMS) e de fibra em detergente neutro (CFDN). na linha.96 Coeficientes de digestibilidade2 (%) CDMS 69.51a 67. não diferem entre si pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade.64a 47.81 CFDN 722.07a 60.17a 82. possivelmente.04a 44.5 19.84ab 84.17a 81.

Freire et al. Costa et al. sob as mesmas condições descritas por Silva et al. seguido pelo farelo de palma e raspa de mandioca. por sua vez. (2008d) e Freire et al. uva. (2006) observaram que o tipo de concentrado energético associado ao resíduo de vitivinícolas influenciou (P<0. (2008a) avaliaram o consumo de proteína bruta no mesmo ensaio experimental e não observaram diferenças estatísticas entre os tratamentos. o resíduo vinícola apresenta média de degradação ruminal da ordem de 54. a diferença em gramas entre as dietas. Perceberam que. banana. A conversão alimentar da MS sofreu efeito (P<0. Urucum. (2008d) compararam valores de pH do líquido ruminal de ovinos alimentados com dietas formuladas conforme o NRC (1985) e o NRC (2007) em diferentes proporções de consumo de proteína não degradável no rúmen.61%. em observações de comportamento ingestivo de ovinos.82%. (2008). Porém. tendo sido essas concentrações superiores ao mínimo recomendado para esses animais. o que pode aumentar a parte indegradável. de defecação. manga. Para complementar estes dados. com maiores respostas em ganho de peso para aqueles alimentados com dietas compostas pelo referido resíduo e grão de milho moído e resíduo e farelo de palma.84%. 106 . milho e farelo de soja fornecidas para ovinos sobre as concentrações séricas de proteínas totais. para esses autores. que. Relataram que não houve risco de queda acentuada do pH do líquido ruminal. (2008). houve aumento da oferta desse composto químico. Em outro trabalho. Costa et al. em valores numéricos.2. com taxa de degradação média de 4. tomate e café Silva et al. o que poderia resultar em utilização para reciclagem de nitrogênio e/ou síntese proteica microbiana. de bebida e de consumo de sal mineral).36%. o resíduo vinícola apresenta alto teor de matéria mineral (10. nas mesmas condições de alimentação. Segundo esses autores.99%) e teor de FDN de 52. Barroso et al. (2008). 42 e 63 dias. restando em uma fração solúvel de apenas 19. A fração solúvel da PB do resíduo vinícola.53%. (2008c) deram continuidade às avaliações feitas por Silva et al.05) o ganho de peso diário de ovinos aos 21. contendo silagem de pasto nativo da zona norte do estado do Ceará e subproduto de urucum. relataram que dietas contendo silagem de pasto nativo e subproduto de urucum parecem elevar o tempo de outras atividades (tempos de micção. Costa et al.2%/h. não diferiram (P>0. pode representar redução no tempo de confinamento. avaliando as concentrações de ureia sérica. (2008b) verificaram que não houve influência do uso do subproduto de urucum em dietas compostas por silagem de pasto nativo. que não foram significativamente diferentes. o que acarretou degradabilidade efetiva de 33.5. (2008c). De acordo com Goes et al.05) entre si (Tabela 7).05) da fonte energética da dieta (Tabela 7). foi de 21. com maior eficiência para a combinação do resíduo com o grão de milho moído.

Clementino (2008) avaliou a adição de subproduto de banana às dietas de ovinos e observou que os consumos diários de MS.5 GPVD21 (g/dia) 87 a 47 b 93 a 41. embora o FDN dietético tenha reduzido e os teores de PB tenham aumentado com a inclusão crescente do subproduto de banana às dietas. subproduto de manga (30% do total dietético) e subproduto de urucum (40%). Clementino (2008). 50% de resíduo + 50% de resíduo + 50% de resíduo Parâmetros 50% de grão de 50% de raspa de + 50% de farelo CV (%) milho moído mandioca de palma PVI (kg) 23. em razão da redução do teor de FDN e FDA das dietas com a adição do subproduto de banana.5% quando se comparou a dieta exclusiva de feno de capim-tífton com aquela contendo 80% de subproduto de banana.03 GPVD63 (g/dia) 117 a 71 b 132 a 26. Para esta autora.01) linearmente com os níveis de adição de subproduto de banana. no período de 63 dias de confinamento.40 CAMS 9. provavelmente.53 GPVT(kg) 7. Diferentemente do observado para os consumos de PB e EE.8 32. ou seja.28 a 12.87 GPVD42 (g/dia) 152 a 63 b 124 a 23. à medida que se adicionou o subproduto de banana. Para as digestibilidades da MS e da MO. expressos em g/dia. (2006). no referido experimento. Comportamentos similares também foram observados por esta autora para os coeficientes de digestibilidade aparente da FDA e CHO. relatou ainda que a maioria dos cortes 107 . EE e FDN não foram influenciadas pelo aumento da inclusão do subproduto de banana. expressos em gramas por dia (g/dia) aos 21 (GPVD21). esses componentes bromatológicos não foram suficientes para alterar o consumo de MS. pois os teores de NIDA se elevaram de 26. houve decréscimo das digestibilidades desses nutrientes. 63 (GPVD63). Há que se destacar também que.4 24. As digestibilidades da PB.01 Médias seguidas de letras diferentes. quilogramas de ganho de peso vivo total (GPVT) e conversão alimentar da matéria seca (CAMS).30 b 13.59% para 59.Tabela 7. Fonte: Adaptado de Barroso et al. aumentou. médias e coeficiente de variação (CV) do ganho diário de peso vivo.7 21.05). expressos de diferentes formas. reduziram (P<0. todavia.47 8.0 25. não foram influenciados (P>0.1 PVF (kg) 31. na mesma linha.5 para 37.45% para os níveis de adição de 0 a 80% de subproduto de banana. Pesos vivos médio inicial (PVI) e final (PVF). %PV e em g/UTM.77 c 11. conforme Clementino (2008). avaliando os componentes de carcaça em dietas contendo subproduto de banana (20% do total dietético). o consumo de FDN e o de FDA. O valor de NDT. diferem estatisticamente entre si a 5% de significância pelo teste de Duncan. a disponibilidade de nitrogênio foi reduzida. 42 (GPVD42).37 4. Clementino (2008) destacou que o efeito verificado foi linear decrescente. embora o teor de PB das dietas tenha se elevado com a adição de subproduto de banana. de 52.

conforme a autora.3 e 35. que afirmaram. pois sementes inteiras apresentaram degradabilidades muito inferiores às das sementes moídas. não houve redução do consumo com a inclusão de casca de café às dietas. Campos et al. Acima desses níveis. De acordo com a autora. A autora recomendou a inclusão de até 40% de inclusão do subproduto de manga em dietas para ovinos. (2007b) avaliaram a substituição do milho por casca de café ou de soja em dietas para vacas leiteiras e verificaram que níveis de 25 ou 50% de substituição do milho pela casca de café ou pela casca de soja em dietas à base de cana-deaçúcar para vacas com produção de 20kg de leite/dia podem ser utilizados de acordo com a disponibilidade e conveniência econômica. Clementino (2008) verificou que a adição deste em níveis crescentes para ovinos resultou em maior consumo de matéria seca com a inclusão de 37. houve redução do consumo.9% de subproduto de manga a essas dietas. Concluíram que o subproduto de tomate pode constituir boa fonte de nutrientes para os microrganismos ruminais e para bovinos. sendo que os animais que receberam dietas contendo subproduto de banana apresentaram a maior maciez da carne. o que elevou o teor de NIDA. conforme Oliveira et al. Oliveira et al.regionais e de suas porcentagens em relação ao peso da carcaça fria e área de olho lombo de cordeiros não diferiram entre as dietas padrão (feno de tífton e concentrado) e com subproduto de banana. o fator dietético influenciou a deposição de gordura de marmoreio.5% e digestibilidade total da proteína de 72%. Destacaram que. o que pode ter limitado o aporte de nitrogênio para o ambiente ruminal. a adição de subproduto de manga favoreceu o decréscimo da proteína dietética. avaliou-se o subproduto na forma de cascas e de sementes inteiras ou moídas. com subproduto de urucum. (2007a) avaliaram a degradabilidade ruminal da fibra de diferentes frações do subproduto agroindustrial do tomate. sendo a maior parte daquele composto degradado no rúmen. 108 . como as dietas eram compostas basicamente por feno e pelo subproduto. o autor percebeu que houve efeito significativo para o grau de dureza. Os autores destacaram que o subproduto de tomate supre pequenas quantidades de proteína para o intestino delgado. apesar de a FDN e a FDA do subproduto de tomate terem apresentado altas taxas de degradação. o potencial de degradação dessas frações depende do processamento. Campos et al. (2007b) avaliaram a digestibilidade da proteína do subproduto de tomate em bovinos e observaram teores de proteína bruta de 20. fato que. Houve. (2007a). embora os teores dietéticos de cafeína nas dietas tenham ultrapassado os níveis máximos toleráveis por ruminantes em crescimento (4. Isso também implicou redução da concentração de amônia ruminal. por fim. Vale ressaltar ainda que. Segundo os autores. Avaliando os atributos sensoriais da carne dos ovinos alimentados com essas dietas. Já para o subproduto de manga. redução da digestibilidade da proteína como consequência dos altos níveis de lignina existente na casca de café. pode ter relação com os altos teores de taninos existentes no referido subproduto. sim. que provavelmente foi responsável pelas diferenças apresentadas na suculência da carne entre as dietas estudadas. seguido da carne dos animais que se alimentaram com subproduto de manga e. No caso desse ensaio.5g de cafeína/100kg de PV).

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Gabriel de Oliveira Ribeiro Júnior4. Associado Departamento de Zootecnia da Escola de Veterinária da UFMG. Belo Horizonte. 2005).ufmg. MSc. Dentre estes subprodutos.123-970. MSc. MG. pode-se destacar a polpa cítrica peletizada. o maior produtor mundial (Associação Brasileira dos Exportadores de Cítricos . fredericovelasco@gmail. gabrielorjunior@yahoo. Belo Horizonte. Considerando que estes subprodutos não são possíveis de serem utilizados na alimentação humana e são uma potencial fonte de poluição ambiental.123970.123970. Frederico Osório Velasco3. CEP 30.                                                              Médico Veterinário. MG.com 4 Médico Veterinário.vet@gmail. INTRODUÇÃO O Brasil possui grande quantidade de resíduos e subprodutos da agricultura e da agroindústria. luciocg@vet. Belo Horizonte. O objetivo deste material é discutir as potencialidades e limitações da polpa cítrica para bovinos de leite. Doutorando em Zootecnia.. Escola de Veterinária da UFMG.com.. Escola de Veterinária da UFMG. Felipe Antunes Magalhães5 RESUMO Neste capítulo. é nativa da Ásia. o uso racional tem constituído uma alternativa de grande valia na redução dos custos da alimentação e manutenção dos níveis de produção na alimentação de bovinos (Rodrigues e Guimarães Júnior. Prof. alexmteixeira@yahoo. Caixa Postal 567.br 2 Engenheiro Agrônomo.com 1 116   . devido ao grande volume de produção de laranjas no país.CAPÍTULO 7 POLPA CÍTRICA NA ALIMENTAÇÃO DE BOVINOS DE LEITE Alex de Matos Teixeira1.. sendo que a mais antiga descrição de cítrus aparece na literatura chinesa em 2000 a. CEP 30. Belo Horizonte. Relatos históricos citam que a laranja foi levada da Ásia para a África e desta para a Europa. MG. na década de 80. Belo Horizonte.br 3 Médico Veterinário. MG. Caixa Postal 567.. Caixa Postal 567. assim como todas as plantas cítricas. 2008).123970. com potencial de uso na alimentação de ruminantes. MG. MSc. Lúcio Carlos Gonçalves2. o Brasil se tornou.C. 1. DSc.123-970. Doutorando em Zootecnia. Doutorando em Zootecnia. (Prado e Moreira. 2002). CEP 30.ABECITRUS. CEP 30. MSc.com.. CEP 30. Escola de Veterinária da UFMG. são discutidas informações sobre o valor nutricional da polpa cítrica bem como os efeitos de sua inclusão na dieta em relação ao desempenho. Com mais de 1 milhão de hectares de plantas cítricas. Doutorando em Zootecnia. Caixa Postal 567. Caixa Postal 567. felipeam. Escola de Veterinária da UFMG. A LARANJA NO BRASIL A laranjeira (Citrus sinensis). à produção e composição do leite.br 5 Médico Veterinário.

no início de 1998. proporcionando o estabelecimento de pragas (algumas ainda desconhecidas). fez com que a exportação deste produto caísse drasticamente. Safra Produção de laranja in natura2 Volume de laranja destinado ao processamento2 Rendimento de polpa cítrica1 07/08 (t) 16. as exportações reduziram de 1. como a queima de florestas e vulcões ativos. porém ainda como uma cultura acessória.000 toneladas (safra 98/99) para 780. adaptando-se facilmente devido às condições climáticas. produzem-se 7. Segundo a ABECITRUS (Associação Brasileira dos Exportadores de Cítricos). que somente foram controladas após a criação da Fundecitrus (Fundo Paulista de Defesa da Citricultura). estado responsável por 80% e 98% das produções nacionais de laranja in natura e suco.320. Entretanto. com a II Guerra Mundial. antídoto do escorbuto que dizimava as tripulações naquela época. a laranja acompanhou a caminhada do café para o interior de São Paulo. plástico. lixo) e em processos naturais. Posteriormente. Porém. devido ao excesso de dioxina (organoclorado) presente na polpa cítrica peletizada importada do Brasil. Após um período de modernização e importação de tecnologias na citricultura. desde então.480.3Kg de polpa cítrica com 2 8% de umidade (Mejía. a fazer parte dos ingredientes utilizados na ração de bovinos no país.000 836. os mercados importadores se fecharam e provocaram abandono das culturas de laranja. 2002). a polpa cítrica peletizada era desconhecida no país.000 11. tornou-se um dos dez produtos mais importantes na exportação do país. no início do século XX.730.832. já que praticamente toda a produção era exportada para a Europa.000 863. a laranja passou a fazer parte dos produtos destinados à exportação e. a ABECITRUS identificou que a dioxina estava presente em uma partida de cal. O Brasil é hoje o maior produtor mundial de laranja e líder na produção do suco. a importância do cultivo da laranja estava associada a um adequado abastecimento de vitamina C. As dioxinas são formadas pela queima de produtos clorados (pneus. Mesmo com a descoberta da origem da dioxina e solução do caso.000 (safra 00/01). 117   . a polpa cítrica peletizada passou. por volta de 1530/40.736 Fonte:1 Rendimento de polpa cítrica: para cada 100Kg de laranja. solucionando o problema. Até meados de 1993.A introdução da laranja no Brasil ocorreu no período da colonização portuguesa. No Brasil. a partir de 1939. Durante o século XIX. a fonte fornecedora da cal contaminada eram indústrias produtoras de resina de plástico PVC (Andrade. respectivamente.000 11. 1999).465.945 08/09 (t) 16. United States Department of Agriculture – USDA (2003). um episódio de intoxicação no rebanho leiteiro da Alemanha. as quais estão concentradas em São Paulo. Neste período. Atualmente a maior parte da produção nacional de laranjas é destinada às indústrias processadoras de suco.

O farelo de polpa cítrica peletizada ou farelo de casca de laranja é obtido por meio do processamento dos resíduos sólidos (casca. bebidas) e na fabricação de medicamentos e cosméticos. líquidos aromáticos e farelo de polpa cítrica peletizada. PROCESSAMENTO DA LARANJA Após prévia seleção manual das laranjas amassadas. Fonte: Yamanaka. Figura 1. o suco e óleos essenciais da massa da fruta. atacadas por fungos e desintegradas. Rendimento teórico de produtos e subprodutos da laranja a partir de 100Kg. semente. 2005. de meia estação (Peras) e tardias (Natal e Valência) (Salvador. O processo de obtenção do farelo consiste em três etapas (Costa. Os óleos essenciais são óleos voláteis retirados da casca. 2006). período que coincide com a entressafra de grãos. porém há variação de período produtivo entre as diferentes variedades de laranja. O d’limonene é um óleo incolor (fonte de terpeno monocíclico). entre elas solvente industrial e componente aromático para obtenção de sabores artificiais de menta e hortelã. com leve odor cítrico. Estes subprodutos são o d'limonene. por meio de compressão. as frutas liberadas são submetidas a equipamentos que separam. que provém da prensagem do resíduo úmido da laranja após extração do suco. existindo variedades precoces (Hamlin). obtido da destilação do licor cítrico. terpenos. Além do suco (principal produto) e dos óleos essenciais. outros subprodutos de interesse comercial são obtidos durante o processamento da fruta (Figura 1). 2008): 118   . bagaço) e líquidos da produção do suco. que são utilizados para dar sabor aos alimentos (sorvete. 2. As aplicações deste produto são variadas.A safra da laranja se inicia em maio e termina em janeiro.

adição de melaço: a quantidade é dependente da remoção realizada para padronização do suco (varia com o teor de açúcares da fruta). É determinante no teor de sacarose do farelo. o farelo tem sua umidade reduzida a valores entre 8 e 12%.6% de CaOH₂) e prensagem 28 Kg de polpa prensada (76% de umidade) Líquido proveniente da prensa Evaporação (secador) Óleo destilado (0.8 Kg) 7. Os resíduos da extração do suco correspondem a aproximadamente 50% do peso de uma laranja e apresentam um teor de umidade em torno de 82%. desidratação: por meio de prensagem e adição de hidróxido de cálcio para facilitar a retirada da água e promover um ajuste do pH. sendo peletizado para facilitar o manuseio e a estocagem.1. 1999. Fluxograma do processamento da polpa cítrica peletizada Fonte: Adaptado de Mejía.9% umidade) Cura (adição de 0. 3. peletização.041 Kg) Polpa cítrica seca sem melaço Melaço de citros (3. 2. Ao final do processamento. polpas e sementes (81.3 a 0.3 Kg polpa cítrica seca com melaço (8% umidade)   Figura 2. 100 Kg Laranjas Extração do suco 52. 119   . O fluxograma do processo completo de obtenção do farelo de polpa cítrica é descrito na Figura 2.1 Kg de cascas.

os carboidratos presentes nos alimentos podem ser fracionados em dois grandes grupos. 2001 0.87% Adaptado de Mejía.2% NRC.29% Sarturi.4% NRC.5% 88.3 9. que pode chegar a 3% da matéria seca. 2008 Lignina 3% 0. devido a uma das etapas do processamento da polpa. 2001 N-FND 2. uma boa fonte proteica (NRC.7% 0.18% 0.9% 0.1% 88. 2001). 2001 FDA 15. Composição química A polpa cítrica peletizada (PCP) é classificada como um concentrado (menos de 18% de fibra bruta) energético (menos de 20% de proteína bruta). 2008 22. NRC.5% 9.19% Adaptado de Mejía.80% NRC.2% 4.4% 0. 2001 Proteína bruta 17. 2 Valadares (2000). 1999 Pectina 19.62% Pereira. a quantidade de sementes e o tipo do processamento (Rodrigues e Guimarães Júnior. Os teores de nutrientes na polpa cítrica peletizada podem ser influenciados por uma série de fatores.9% NRC. em função de seus teores de FDN (fibra insolúvel em detergente neutro) e FDA (fibra insolúvel em detergente ácido) e das suas características de fermentação ruminal.4% 6.3% NRC.30% Adaptado de Mejía.12% NRC.80% . 2005). A composição química da polpa cítrica peletizada comparada a outros concentrados energéticos pode ser observada na Tabela 1. 1999 DIVMS 88. Composição química da polpa cítrica peletizada e outros concentrados energéticos. incluindo o fruto. 2001 71.9% NRC. 2001 P 1. VALOR NUTRITIVO 3. Tabela 1.8% 0. 2001 85. 2001 Ca 0.65% Sarturi.30% Sarturi. Um aspecto importante é o alto teor de cálcio.5% 22.4% 17.3. Este alimento apresenta em torno de 85-90% do valor energético do milho. 1999 Extrato etéreo 4.5% 3.13% na MS.92% NRC.2% NRC. no qual há adição de óxido ou hidróxido de cálcio. porém. 1999 6. ela se enquadra como um produto intermediário entre volumosos e concentrados (Rodrigues e Guimarães Júnior.1. não sendo. O primeiro 120   .NRC. De acordo com o modelo proposto por Hall (2000) (Figura 3).3% 0. 2001 N-FDA 1.02% Adaptado de Mejía.90% NRC. 2005). 2008 1.04% 2. 2001 FDN 42.1% 85.13% 0. Polpa cítrica Farelo de Fonte Milho1 Nutriente peletizada trigo1 National Research Council Matéria seca 89. 1996).3% 4. 2001 1 NRC (2001). associado ao baixo teor de fósforo (0.29%2 95.3% 0. 1999 NDT (nutrientes 79. assim como este. 2005 24.17% Adaptado de Mejía.7% digestíveis totais) 76.

• amido resistente: 2%. • amido disponível: 0%. dependendo da solubilidade de seus componentes. é rica em celulose e é de baixa lignificação (Salvador. • fibra total: 43%. 2006). (PNA) e é composto por celulose. lignina. A PCP possui um teor muito baixo de amido. Fonte: Adaptado de Hall (2000).2% da MS. podem ser classificados como solúvel (pectina e hemiceluloses solúveis) e insolúvel (celulose. A pectina (contida na fibra solúvel) é um carboidrato estrutural que não está covalentemente ligado às porções lignificadas. FDN Baseando-se no modelo anterior.. 2006). 2003). encontrando a seguinte composição: • amido solúvel: 12%. sendo quase totalmente (90- 121   .grupo. 2001). A polpa cítrica peletizada apresenta em sua composição 25% da MS em pectina (Scoton. 1997).4 a 2. porém um alto teor de AS. Os PNA. Observa-se um teor de FDN intermediário. Carboidratos das plantas Conteúdo celular Ácidos Mono + Amido Frutanas orgânicos oligossacarídeos Parede celular Pectina Galactanos β-glucanos Hemiceluloses Celulose FDA FSDN PNA CSDN Figura 3. O segundo grupo. também pode ser chamado de polissacarídeos da parede celular ou não amiláceos. sendo que a polpa tem baixíssimo conteúdo de hemiceluloses.4% do peso molecular total da pectina (Salvador. já que este monossacarídeo representa apenas 1. representa o amido disponível e os mono e oligossacarídeos. • fibra solúvel: 28%. hemiceluloses insolúveis). Miron et al. denominado de carboidratos solúveis em detergente neutro (CSDN). • FDN: 15%. hemiceluloses e substâncias pécticas (Choct. Fracionamento de carboidratos. fibra total. principalmente glicose (16. que é majoritariamente originária do melaço adicionado à polpa seca antes da peletização. Lima (2004) determinou o fracionamento dos carboidratos constituintes da polpa cítrica peletizada.

associadas ao alto teor de açúcares totais. A proteína da PCP é considerada deficiente em alguns aminoácidos. 2008).300 Isoleucina 0. Em geral.12 0. O principal constituinte deste polissacarídeo é o ácido galacturônico.425 Tirosina 0. 2008). enquanto.41 1.31 0.817 Fonte: 1Adaptado de Mejía (1999).579 Ácido glutâmico 0.333 Cistina 0. Tabela 2. Stern e Zeimer. Composição em aminoácidos de polpa cítrica peletizada seca de origem brasileira (matéria natural). são lipogênicos (Costa. 2004).424 Fenilalanina 0. Fermentação ruminal Apesar de apresentar potencial de produção de ácido lático pelo seu alto teor de carboidratos solúveis.26 0. (1999) conduziram um ensaio para avaliar os efeitos da polpa cítrica e do milho em substituição à silagem de milho sobre a produção de ácidos graxos 122   . 1993). 2003). durante o processamento da PCP.11 0.23 0. 1999).186 Treonina 0.349 Ácido aspártico 0.21 0.17 0. a pectina é o carboidrato complexo de mais rápida degradação ruminal. 1 1 Mejía Empresa Brasileira de Fontes (2007) Aminoácido (1999) Pesquisa Agropecuária Milho comum Embrapa (1991) Lisina 0.63 0. que representa 75% da molécula (Costa.63 0.2.206 Prolina 0. principalmente metionina (Ladeira.19 0. em comparação aos alimentos energéticos tradicionais. as altas temperaturas (entre 100 e 116⁰C).264 Leucina 0. como o milho e o sorgo (Lima.21 0. 1991. os nutrientes metabolizáveis gerados a partir de açúcares e amido tendem a ser gliconeogênicos.1 0. A composição em aminoácidos encontra-se na Tabela 2. Rocha Filho et al. a polpa cítrica peletizada apresenta tendência em manter o pH ruminal mais elevado e aumentar a produção de ácido acético.12 0. reduzindo a digestibilidade do N-total (Mejía.2 0.08 0.25 0. Segundo Van Soest (1994).34 0. resultam na formação de produtos de Maillard.100%) degradável no rúmen (Nocek e Tamminga.12 0. 3.069 Valina 0.205 Histidina 0.535 Alanina 0. a partir da pectina e fibra.49 0.291 Metionina 0.37 0.603 Glicina 0. Além do baixo teor de proteína bruta (influenciado pela quantidade de sementes).

sendo superior em degradação quando comparada ao milho laminado. por meio da troca de cátions e ligação aos íons metálicos.6 e 51%). Morrison e Mackie. e c) a fermentação da pectina gera elevada relação acetato/propionato (A/P).1. Digestibilidade e degradabilidade Goes et al. 2005).7). demonstrando alto valor energético da PCP. sendo 3. 71. os pellets se expandem e voltam à sua forma original (Wing. b) a cadeia principal de ácido galacturônico da pectina proporciona potencial tamponante ruminal. sendo superiores ao farelo de soja (84. contribuindo para um melhor aproveitamento da amônia produzida e reduzindo os seus efeitos tóxicos no rúmen (Rodrigues e Guimarães Júnior.6 e 70. 1975).8. Enquanto as produções totais de AGV foram semelhantes. as relações acetato/proprionato ruminal foram diferentes estatisticamente.2% a taxas de passagem de 2. (1999) para polpa cítrica peletizada desidratada (79.voláteis (AGV) no rúmen.3. o que permite deduzir que houve maior retenção e. a ureia sanguínea foi significativamente menor do que na dieta com milho. Schultz et al. Esses valores são superiores aos encontrados por Martins et al. estimulando a ruminação. há uma elevação das concentrações de NH3 no rúmen com consequente aumento da excreção de ureia. nas dietas de vacas não lactantes.7%) e milho (76. 76. 3. (2008) observaram aumento da degradação efetiva e da taxa de degradação quando substituíram parcial e totalmente o milho moído pela PCP. mantendo as propriedades nutricionais deste alimento em relação à efetividade da fibra (Rodrigues e Guimarães Júnior.1992.3 e 63. quando a velocidade de síntese de amônia pelos microrganismos supera a sua utilização. Em função da sua rápida degradabilidade ruminal. 59. consequentemente. Quando imersos no fluido ruminal. 2005). 123   .59 para as dietas com PCP e milho. a inclusão de fontes de pectina na dieta em substituição de parte dos carboidratos não estruturais (amidos e açúcares) traz benefícios à nutrição e à produção de ruminantes: a) a degradação ruminal da pectina não contribui para o abaixamento do pH porque não gera ácido láctico. 67. Isso porque. (1993) estudaram a degradabilidade ruminal de diversos subprodutos por meio da técnica de degradação in situ e concluíram que a PCP é rápida e extensamente degradada no rúmen. respectivamente.5 e 61.04 e 2. a mastigação e a produção de saliva. Outro fator que contribui para a estabilidade da fermentação ruminal é que a moagem não é necessária para a fabricação da PCP. 1996). Em dietas com alto teor de polpa cítrica peletizada. Oliveira et al. (2004) encontraram valores de degradabilidade efetiva da MS para a polpa cítrica peletizada de 86. resultando em perda de proteína e energia (Russel et al. favorecendo a produção de gordura do leite e de leite corrigido para gordura. A dieta contendo polpa cítrica proporcionou maior produção de acetato e butirato em comparação àquela contendo milho.1. Segundo Van Soest (1994). respectivamente. 5 e 8%/h. De forma semelhante.. a polpa cítrica peletizada é um alimento interessante de ser utilizado em dietas com elevadas concentrações de proteína solúvel.

na ingestão de matéria seca. categoria animal. Tabela 3. 4. Os dados de digestibilidade aparente da MS. Nutriente MS MO PB EE FB ENN Digestibilidade 78. em um quadrado latino 6 X 6. (2000) observaram que a inclusão de polpa cítrica peletizada nas dietas de bovinos aumenta a digestibilidade dos nutrientes.0 93. porém reduz a digestibilidade da proteína bruta. (2001) avaliaram a utilização de PCP na desmama precoce de bezerros leiteiros e concluíram que ela pode substituir até 100% do milho em concentrados peletizados com adição de 5% de leite em pó desnatado.6%. Apesar de alguns autores questionarem a inclusão de polpa cítrica peletizada na dieta de bezerros antes dos 60 dias. (1995) avaliaram o consumo e a digestibilidade aparente total da polpa cítrica peletizada em carneiros e encontraram os valores descritos na Tabela 3.utilização mais eficiente da proteína pelos animais que receberam PCP (Scoton. 150. foram determinadas as digestibilidades dos nutrientes da PCP. da MO (83 a 96%) e da PB (40 a 65%) da polpa cítrica peletizada. estando coerentes com os intervalos descritos por Wainman e Dewey (1988). respectivamente. da MO e da PB foram 78. devido à sua palatabilidade (Coimbra. por diferença entre as dietas. para a digestibilidade da MS (78 a 92%). fibra bruta (FB) e extrato não nitrogenado (ENN) da polpa cítrica peletizada. após vários experimentos com carneiros. 2002). Schalch et al. disponibilidade destes. Bruno Filho et al. proteína bruta (PB). 225. na capacidade e no desenvolvimento ruminal. composição do leite. (1995).6 87. Digestibilidade aparente total da matéria seca (MS).1 total Fonte: Fegeros et al.2 83. Coimbra (2002) também concluiu que a utilização de PCP em substituição ao milho no concentrado de bezerros até 90 dias de idade não provocou quedas no desempenho dos animais. levando em consideração: preço dos insumos. 2003). 124   . sem que haja alterações no desempenho. além de ser vantajosa economicamente. 375 e 450g/dia). nível de produção. DESEMPENHO ANIMAL O uso de polpa cítrica peletizada na dieta de bovinos está associado à substituição de grãos de cereais. As dietas consistiam em 800g/dia de feno e quantidades crescentes de polpa (75.2 52. Foram utilizados seis carneiros. onde. Estes efeitos sobre as digestibilidades dos nutrientes da dieta também foram observados por Oliveira et al. devido ao incremento na densidade energética da ração. o que pode ser explicado pelo alto teor de nitrogênio retido na fração fibrosa (N-FDA). matéria orgânica (MO). extrato etéreo (EE).2% e 52.7%. 300.7 82. (2008). Fegeros et al. Em experimento semelhante. 87.

2002). (2007) avaliaram os efeitos de quatro níveis (0. Hall e Herejk (2001) mensuraram a produção da proteína microbiana in vitro quando o substrato fermentativo foi pectina. concluindo que. no tipo e teor dietético do amido substituído por polpa e em fatores ligados à capacidade genética de produzir gordura e estádio de lactação das unidades experimentais (Salvador. Entretanto.6. Leiva et al. 2000.. 2004. (2000) e Veiga et al.. Broderick et al. 2002). (2002). nas condições do experimento. em dois dos seis experimentos não foram observadas alterações (Assis et al. as respostas encontradas nos experimentos não têm sido consistentes. segundo o autor. a substituição de até 50% do feno (ou 35% da MS da dieta) pela polpa cítrica para novilhas leiteiras aumenta a viabilidade econômica da atividade. Os autores observaram efeito linear positivo sobre o consumo de matéria seca e o ganho de peso. Moreira et al. Tavares et al. a 125   . 16.. observou que a substituição parcial (50%) ou total do milho por PCP em dietas com silagem de milho como fonte forrageira reduziu a ingestão de matéria seca. e negativo sobre custo por quilograma de ganho de peso. pelo aumento no teor de FDN e FDA nas dietas que continham polpa. trabalhando com vacas de alta produção leiteira. Andrade (2002). o que pode ser explicado.. Moreira et al. mesmo com ingestões de matéria seca mais baixas. 2000. sacarose ou fibra. sendo que a principal fonte desta é a proteína microbiana (Salvador. (2000). Para Leiva et al. A excreção de proteína no leite é dependente do fluxo de proteína no intestino delgado. 2005). 2000. 2006). assim como Leiva et al.. 2000. 2004. Dentre seis experimentos avaliando a substituição do milho pela polpa cítrica peletizada na dieta de vacas em lactação... (2000). no tipo e tamanho de partículas de forragem utilizadas. 2000.. trabalhando com vacas puras por cruza e mestiças (1/2 sangue Holandês/Gir) com produção de leite acima de 25Kg/dia.. Quanto à composição do leite. (2000) e Broderick et al. Solomon et al. (2008) observaram aumentos significativos no teor de gordura do leite quando a polpa cítrica peletizada substituiu o milho da dieta em 100%. Solomon et al. 33. A substituição de milho por polpa cítrica peletizada nas dietas de vacas de alta produção (acima de 30Kg/dia) reduziu a excreção diária de proteína. Neste caso. 2004).Mendes Neto et al. Broderick et al. Apesar de ser esperado um maior teor de gordura no leite quando pectina e fibra de polpa substituem o milho no concentrado. dois deles (Leiva et al. Broderick et al.. em quatro trabalhos não ocorreu alteração da produção de leite (Solomon et al. amido.. os consumos de FDN e FDA foram superiores nos animais que receberam dieta com polpa.3 e 50%) de substituição do feno de tífton pela polpa cítrica em novilhas leiteiras (grau de sangue variando de7/8 Holandês-Zebu a puro por cruza) com peso médio inicial de 184Kg. este fato pode ter sido resultado da diluição pelo maior volume diário de produção de leite na dieta com o milho. não detectaram efeito da substituição de milho por polpa sobre o teor de gordura no leite. 2004. Assis et al. 2006). 2002) apresentaram efeito negativo da substituição do milho pela PCP sobre a produção de leite. Comparada ao amido.. Dos experimentos realizados com vacas de alta produção (Leiva et al. devido a diferenças no teor dietético.. resultando em menor teor de proteína no leite (Solomon et al.

principalmente as pequenas. o amido foi o substrato que proporcionou a maior produção total de proteína microbiana. tendo a pectina produzido 88% do crescimento induzido pelo amido. ela pode ser armazenada por períodos de até um ano (Andrade. Em locais onde a umidade relativa do ar é superior a 14%. Recomenda-se não armazenar a polpa cítrica peletizada por mais de 60 dias. Entretanto. Outra hipótese refere-se à maior mobilização de aminoácidos gliconeogênicos em dietas com polpa substituindo o milho. principal via glicolítica das bactérias ruminais (Hobson. utilizada pelas bactérias pectinolíticas. 1995. Sendo assim. INTOXICAÇÃO Sob o ponto de vista clínico. Este menor potencial para produção de proteína microbiana apresentado pela pectina está associado ao fato de que a via glicolítica utilizada pelas bactérias pectinolítcas. em desenvolver mercados para a polpa úmida (matéria seca entre 15 e 20%). chegando a elevar seu peso em até 145% (Rodrigues e Guimarães Júnior. Enquanto a via Embden-Meyerhoff. citados por Sarturi. um dos principais problemas relacionados à utilização da polpa cítrica peletizada é a sua contaminação por fungos (possivelmente Penicillium citrinum) e. em boas condições. 6. há interesse das empresas. sendo às vezes observados casos de pruridos na pele. 5. 2005). a via Entner-Doudoroff modificada. Chapman et al. ruminais é menos eficiente. 2005).pectina proporcionou um crescimento microbiano mais rápido. Uma das dificuldades na utilização da forma in natura seria a necessidade de proximidade à indústria. consequentemente. a polpa cítrica peletizada deve ser armazenada em locais ventilados. o crescimento de fungos é favorecido e o material pode até mesmo entrar em combustão. torna-se indispensável a estocagem dela sob a forma de silagem (Sarturi. apresenta um saldo de zero ou apenas um ATP (Salvador. 2006). Portanto. secos e cobertos. 2006). visto que o investimento em secadores pode chegar a 50% do investimento total de uma fábrica de processamento de suco (Carvalho. alguns problemas dermatológicos são relatados na literatura. já que o alto teor de umidade permite que pouca matéria seca seja disponibilizada ao produtor na compra deste produto. atingindo o pico de crescimento mais precocemente. 1988). porém. 2008). 2000. devido à menor produção de propionato no rúmen e. 2002). consequentemente. por micotoxinas. apresenta um saldo de dois ATP por mol de glicose. ARMAZENAMENTO A polpa cítrica peletizada tem alto poder higroscópico. Apesar de ser comercializada geralmente sob a forma peletizada seca. sempre acompanhados de histórico de má conservação da polpa cítrica 126   . síndrome hemorrágica e até a morte de vacas em lactação alimentadas com este produto (Rodrigues e Guimarães Júnior.. 2008). Caso contrário. menor substrato para a síntese de glicose (Salvador.

o nível de inclusão da polpa cítrica peletizada deve ser de 20-30% da MS total da dieta ou até 4 Kg/animal/dia (Rodrigues e Guimarães Júnior. a polpa cítrica peletizada torna-se um alimento interessante para utilização no período da seca. A PCP é uma opção viável para formulação de concentrados para bezerros. onde há contato do material com umidade. 7. Oliveira (2001) avaliou os parâmetros clínicos e laboratoriais de bovinos adultos mestiços submetidos à alimentação com polpa cítrica peletizada comercial isenta de resíduos de pesticidas e de aflatoxinas durante 45 dias. A primeira é no cultivo da laranja. Atualmente todas as indústrias fornecedoras de cal para a produção de polpa cítrica peletizada fornecem apenas cal de mina (CaO) (Ministério da Agricultura. também pode ocorrer contaminação. Lavras. 8. Em um ensaio biológico. bem como a saúde animal. em que a aplicação de pesticidas sobre a lavoura pode deixar resíduos nos subprodutos. devido à possibilidade de a cal utilizada conter altos níveis de dioxina (como ocorrido no passado). A substituição do milho por polpa cítrica peletizada em dietas de vacas de baixa produção não interfere na produção e composição do leite. A segunda (e de menor incidência em virtude da fiscalização do Ministério da Agricultura sobre as empresas fornecedoras) é no processamento. MG. Para níveis acima de 20% da MS total. proporcionando crescimento de fungos e. não observando alterações clínicas nos animais. sem que haja comprometimento do desempenho destes. NÍVEIS DE INCLUSÃO NA DIETA Para bovinos de leite adultos. 1998). devido ao alto teor de cálcio da polpa. Substituição do milho moído por polpa cítrica no desempenho de vacas em lactação. 2002. Em outras duas etapas. assim como vigilância na origem da PCP. • REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ANDRADE. a produção de toxinas letais (Sarturi. 151f. recomenda-se verificar a relação cálcio/fósforo. Pecuária e do Abastecimento . 2008). 2005).MAPA. são necessários para preservar o valor nutricional desse alimento. Cuidados no armazenamento. CONSIDERAÇÕES FINAIS • • • • Em função das suas características.A. Altos níveis de inclusão de polpa cítrica peletizada na dieta passam a ter efeitos negativos sobre produção e/ou composição do leite e ingestão de matéria seca em animais de alta produção. por consequência. G. 127   .peletizada nas propriedades. Dissertação (Mestrado) – Universidade Federal de Lavras.

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MG. e. Médica Veterinária. Embrapa Gado de Leite. e. 1. Caixa Postal 567. não é muito comum encontrar o subproduto polpa de beterraba no país. MG. em alguns casos. CEP 30123-970. Rua Eugênio do Nascimento. Seu uso se dá principalmente nas rações pet (cães e gatos) e. MG. demonstrando a possibilidade de utilização na alimentação de vacas leiteiras. Um subproduto com características similares à polpa de beterraba presente no Brasil é a polpa cítrica. luciocg@vet. para equinos devido ao baixo nível de inclusão e alto custo.br 2 Engenheiro Agrônomo. Belo Horizonte. Belo Horizonte..com. Belo Horizonte. belaveiga@yahoo. INTRODUÇÃO A polpa de beterraba constitui um elemento de grande valor nutricional para a produção de carne e leite. Fernanda Samarini Machado3. a indústria do açúcar utiliza como matéria-prima a cana-de-açúcar. MSc. a indústria do açúcar utiliza como matéria-prima a cana-de-açúcar. Prof. a polpa de beterraba apresenta bom valor energético e pode ser utilizada em dietas de vacas leiteiras com resultados satisfatórios. portanto. para equinos.br 4 Médico Veterinário. 610.com.CAPÍTULO 8 POLPA DE BETERRABA NA ALIMENTAÇÃO DE GADO DE LEITE Isabela Rocha França Machado Veiga1. A parte aérea (ramas) pode ser usada como fonte proteica. portanto. O objetivo deste capítulo é descrever este alimento. cuja raiz constitui a matéria-prima para a obtenção do açúcar. No Brasil. doutorando em Zootecnia. a disponibilidade da polpa de beterraba é pequena. Escola de Veterinária da UFMG. Associado Departamento de Zootecnia da Escola de Veterinária da UFMG. DSc.. MSc. Lúcio Carlos Gonçalves2. Gabriel de Oliveira Ribeiro Júnior4 RESUMO A polpa de beterraba é um subproduto da indústria do açúcar muito utilizado na alimentação animal. sendo assim um subproduto destinado às indústrias de alimentação animal. POLPA DE BETERRABA A beterraba sacarina (Beta vulgaris L) é uma planta da família Chenopodiaceae. já que a disponibilidade não é alta.. MG. Juiz de Fora.br 3 Médica Veterinária. No Brasil. DSc. CEP 36038-330. Seu uso se dá principalmente nas rações pet (cães e gatos) e.br 1 132 .embrapa. Caixa Postal 567. em alguns casos. Escola de Veterinária da UFMG. CEP 30123-970. gabrielorjunior@yahoo. CEP 30123-970. principalmente de bovinos. Dom Bosco. fernanda@cnpgl.. doutoranda em Zootecnia. amplamente utilizada na alimentação de vacas leiteiras. Por possuir uma fibra de alta digestibilidade. sendo ambos os alimentos ricos em pectina. MSc.ufmg. Caixa Postal 567. sendo uma das culturas mais importantes para a economia das explorações agrícolas na maioria dos países europeus.

mas os valores de FDN são bem distintos. A variação na composição química da polpa de beterraba em função desses três processamentos foi de pequena magnitude e pode não ter efeito 133 . Enquanto a polpa seca e granulada pode ser armazenada e consumida durante um largo período de tempo. entrando seguidamente no processo de difusão. com um teor de matéria seca de aproximadamente 22%. possui variação em sua fração fibrosa. quando se extrai a sacarose por osmose a 72ºC e elimina-se a fibra em forma de polpa.. estão apresentados os dados de composição química da polpa de beterraba submetida à secagem por três processamentos diferentes (sol. 1995). Pode ser disponibilizada no estado seco ou granulada. A polpa de beterraba é o subproduto primário que sobra após a extração do açúcar das raízes (Fadel.A beterraba sacarina entra no processo de obtenção de açúcar através de canais com água. alternativamente. onde se eliminam pedras. Os valores de pectina da polpa cítrica e da polpa de beterraba são próximos. e. sendo um dos principais componentes da parede celular das plantas e o principal componente da lamela média (Hall. principalmente em virtude das diferenças no processamento. que é um polissacarídeo ramificado constituído principalmente de polímeros de ácido galacturônico. o teor de FDN e o de FDA são bem superiores para as polpas. A polpa de beterraba. amplamente utilizada na alimentação de vacas leiteiras. 1981). a beterraba é cortada em tiras. um carboidrato não estrutural bastante degradável no rúmen e com perfil fermentativo diferente da pectina. arabinose e galactose (Sakamoto e Sakai. assim como o teor de matéria mineral. Além disso. Com relação ao milho grão. polpa cítrica e milho grão estão apresentados na Tabela 1. 2000). congelamento e ar). VALOR NUTRICIONAL A polpa de beterraba é um alimento de grande valor nutricional para a produção de carne e leite. em ambos os casos com um teor de matéria seca de aproximadamente 90%.1999). Os valores de composição química da polpa de beterraba. A composição química dos subprodutos é muito variável. devido ao método de secagem ou posterior adição de melaço. no estado úmido (polpa prensada). Na Tabela 2. ou. como este alimento pode ser utilizado como fonte de fibra para vacas lactantes. Um subproduto com características similares à polpa de beterraba presente no Brasil é a polpa cítrica. no balanceamento de dietas. a polpa prensada destina-se ao consumo imediato ou à ensilagem tendo em vista a sua utilização futura. deve-se levar em conta essa diferença. portanto. 2. sendo classificada como subproduto concentrado energético (Bath. Os teores de pectina do grão de milho são muito baixos e normalmente não são considerados. que a transportam até uma instalação de lavagem. Ambos os alimentos são ricos em pectina. o milho é rico em amido. Em seguida. ramnose. 2007). o conhecimento dos fatores que afetam essa variação é importante (Fadel et al. terras e outras matérias estranhas. por isso é destinada às indústrias de alimentação animal.

PB .8 Pectina 22.fibra em detergente neutro.7 17.1 Fibra* 82.cinzas. Tabela 3. EE .4 0. Ca= cálcio.7 58. Vargas et al.4 7.fibra bruta.0 87. Alimentos Polpa de beterraba Polpa cítrica Milho grão MS* 88. MM= cinzas (Todos em % da MS).8 4. Fonte: Fadel et al.7 28.3 5.2 FDA* 28.7 21.fibra total (Todos em % da matéria seca).2 80. FDA . 1 2 Fonte: De Brabander et al.4 * MS . Método Sol Cong Ar MM* 3. (2000).3 * MM .1 29.biológico para o animal.6 Componentes (%) FDA* FDN* EE* 24. (2006) * MS .8 44.proteína bruta. Tabela 2.0 60.matéria seca.cinzas. PB . Composição química média da silagem de polpa de beterraba e das folhas de beterraba. FDN . fibra . diminuindo as perdas.7 66. sendo removidas antes de se iniciar o processo de extração da sacarose.0 21. PB .fibra em detergente neutro. NDT .3 54.3 Fonte National Research Council .NRC (2001) Castro Neto (2004) Valadares Filho et al. Composição química da polpa de beterraba.matéria seca.nutrientes digestíveis totais. Composição química da polpa de beterraba submetida a secagem por sol.8 MM* 6. Alimentos Silagem de polpa 1 Folhas frescas 2 MS* 21. FDA . EE .extrato etéreo.4 3.9 FB* 14. A composição química média da silagem de polpa de beterraba e das folhas frescas de beterraba está apresentada na Tabela 3.0 9.extrato etéreo. * Dado extraído de Fadel et al.5 NDT* 66.fibra em detergente neutro. As folhas de beterraba possuem um alto teor proteico e podem ser utilizadas na alimentação animal. EE .8 6. polpa cítrica e milho grão.9 14. FDN . A silagem de polpa de beterraba é uma forma de conservação deste alimento úmido. congelamento ou ao ar.6* 19.1 13.1 7.5 7. (1965).proteína bruta. FB .4 PB* 11.6 PB* 10.0 7.0 2.8 23. 134 . PNA .2 4.proteína bruta.polissacarídeos não amiláceos.3 54.3 85. FDN . MM . (2000).4 Ca* 1. FDA= fibra em detergente ácido.96 P* 0.1 2.2 FDN* 62.4 Lignina 4.6 PNA* 55.6 EE* 0.fibra em detergente ácido. já que também são subprodutos da indústria do açúcar.fibra em detergente ácido.6 PB* 7.1 20. Tabela 1.5 Pectina 21. P= fósforo (Todos em % da matéria seca).5 0.3 67.extrato etéreo.1 Componentes (%) FDA* FDN* EE* MM* 23. mas as análises devem ser feitas todas as vezes que esse alimento for utilizado no balanceamento de dietas para bovinos. (1999).7 4.9 1.6 3.0-22.0 1.1 45.2 3.1 79.

O comportamento de pastejo dos animais também não foi alterado. 6. A produção de leite foi superior para os animais suplementados sem diferença entre o tipo de concentrado.1%. consumo ad libitum ou restrito (12 horas de pastejo). diminuindo o pastejo total e diurno.1% e 24. (2002) utilizaram 12 vacas Holandesas pluríparas com média de produção diária de 32 litros de leite para avaliar a suplementação com dois tipos de concentrado (polpa de beterraba e cereal) sobre o tempo de pastejo. Portanto. aumentou a ruminação diurna e diminuiu a ruminação noturna. mas este valor foi maior (P<0. o uso de polpa de beterraba e cereais foi equivalente. trabalhando com 27 vacas Holandesas pluríparas com produção de leite próxima a 30 litros por dia. tempo de ruminação e tempo para outras atividades. esse alimento pode substituir parcialmente o milho grão úmido. (2006) realizaram dois experimentos avaliando a influência do tipo de carboidrato do concentrado no consumo desses animais a pasto. As concentrações de insulina plasmática foram menores para os tratamentos com polpa de beterraba.0001) (0. sem diferença entre os concentrados. suplementados com concentrado amiláceo (cevada) ou fibroso (polpa de beterraba). consumo total de matéria seca e produção de leite. além de aumentar a gordura do leite com maior valor observado no nível de 6% de substituição. avaliaram o perfil de indicadores do metabolismo de energia e proteína sanguíneos desses animais em pastejo. e diminuiu o número de bocados. A polpa de beterraba tendeu a aumentar a eficiência de conversão do alimento em leite. chegando a cerca de 2Kg no tratamento com 24% de substituição. Com o aumento da inclusão da polpa de beterraba.pectina) não alterou o consumo total ou de pasto dos animais quando comparado com o concentrado com 79% de cevada (amido). Não houve diferença entre os tipos de concentrado. Noro et al.09mmol/L). Foram utilizados pastagem temperada e concentrado moderado com 28 a 30% da ingestão de matéria seca.3% em uma dieta com 60% de concentrado e 40% de forragem. Trabalhando com 12 e 27 vacas Holandesas pluríparas com produção de leite próxima a 30 litros por dia. houve uma diminuição linear da ingestão de matéria seca. Balocchi et al. que também apresentaram um menor ganho de condição corporal. (2006). O consumo de matéria seca total aumentou e o consumo de pasto diminuiu com a suplementação. Voelker e Allen (2003) avaliaram a substituição de milho grão úmido por polpa de beterraba peletizada nos níveis 0%. com diminuição da distensão ruminal. Pulido et al. Os pesquisadores verificaram que a concentração de glicose sanguínea se manteve dentro dos valores normais devido ao eficiente controle homeostático hormonal. O concentrado com 72% de polpa de beterraba (fibroso.02) para os animais recebendo o concentrado amiláceo à base de cevada (3. A concentração de βhidróxido-butirato foi menor (P<0.25mmol/L) quando comparados com o grupo de animais recebendo concentrado mais fibroso à base de polpa de beterraba (3. Portanto. POLPA DE BETERRABA NA ALIMENTAÇÃO DE VACAS LEITEIRAS Trabalhando com oito vacas Holandesas fistuladas no rúmen.3.59mmol/L) nos animas recebendo o 135 . A suplementação alterou o comportamento de pastejo. 12. além do consumo de pasto. dependendo dos custos e do valor do leite produzido.

As concentrações de ureia plasmática foram superiores nos animais suplementados com concentrado fibroso (8. mas diminuiu durante o experimento. 4. como o amido da cevada. A gordura do leite foi diferente somente no primeiro experimento. e o conteúdo de proteína do leite só aumentou com a suplementação de concentrados à base de cereais. Pulido et al. A diferença na produção de leite observada foi pequena. CONSIDERAÇÕES FINAIS A polpa de beterraba é um alimento que pode substituir fontes amiláceas no concentrado ou na dieta de vacas de leite de médias produções em pequenas porcentagens.concentrado amiláceo quando comparado com o concentrado fibroso (0. quando esta é aumentada pela ingestão de produtos mais rapidamente fermentáveis. A produção de leite aumentou com a suplementação de concentrados. mas significativa nos dois experimentos. Um aumento dos teores de proteína do leite foi verificado no experimento 2 com a utilização do concentrado amiláceo. (2007).82mmol/L). com correção para proteína. Foram utilizados pastagem temperada e concentrado moderado com 28 a 30% da ingestão de matéria seca. sugerindo que esses animais tiveram melhor sincronismo entre a degradação ruminal da energia com a proteína da pastagem do que os animais recebendo polpa de beterraba. portanto. 136 . principalmente gramíneas temperadas. indicando que os animais recebendo carboidrato rapidamente degradável em pastagens de alta qualidade tiveram um balanço energético mais favorável.8mmol/L) quando comparados com animais recebendo concentrado amiláceo (6. Pulido et al. sendo maior nos animais recebendo concentrado amiláceo à base de cevada. produção e composição do leite. consumo total. O ganho de peso aumentou com a suplementação de concentrado.6mmol/L). O concentrado à base de cereais foi equivalente ao concentrado à base de polpa de beterraba. trabalhando com 12 e 27 vacas Holandesas pluríparas com produção de leite próxima a 30 litros por dia. sendo maior nos animais recebendo concentrado fibroso à base de polpa de beterraba. existe um melhor sincronismo ruminal com melhor aproveitamento da proteína do pasto e maior produção de leite. sem alteração no consumo e na produção de leite e com possibilidade de aumento na gordura do leite. (1999) realizaram um experimento para avaliar o efeito do uso e tipo de concentrado (polpa de beterraba ou cereais) sobre a resposta produtiva de 12 vacas leiteiras em pasto. Animais em pastejo normalmente possuem como nutriente limitante a energia. sem alteração no consumo de pasto. realizaram dois experimentos avaliando a influência do tipo de carboidrato do concentrado na produção e composição do leite desses animais a pasto. Para animais de produção de leite em pasto. a suplementação com a polpa de beterraba pode ser feita em substituição total de fontes amiláceas. Não houve efeito da suplementação na gordura e na ureia do leite.

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fredericovelasco@gmail.. Segundo a FAO (Food and Agriculture Organization). também terão um aumento de 6.5% ao ano. Para o período de 2007/2008 a 2017/2018. a produção de leite no Brasil deve crescer em uma taxa de 1. Porém. ao final de 2018. segundo a AGE. Doutorando em Zootecnia. Escola de Veterinária da UFMG. Wilson Gonçalves de Faria Jr. Doutorando em Zootecnia. o consumo mundial de leite cresce de 3.18% ao ano. a uma produção em torno de 33. tornam-se escassos alguns recursos alimentares. O alto preço dos insumos leva a uma reorientação nos critérios e nos processos produtivos. CEP 30123-970. 2007). é esperado um crescimento na produção de carne bovina no Brasil de 2. um aumento de aproximadamente quatro milhões de toneladas.92% ao ano nos próximos 10 anos. chegando. MSc. MG. wilsonvet2002@gmail..CAPÍTULO 9 RESÍDUO DE CERVEJARIA PARA GADO LEITEIRO Frederico Osório Velasco1. DSc. Escola de Veterinária da UFMG. Belo Horizonte. que.5 a 4. MG. um aumento da produção de cerca de 6. Esse crescimento será devido ao aumento do consumo interno e ao avanço nas exportações..ufmg. com objetivo de reduzir custos. CP 567.0% ao ano. alexmteixeira@yahoo.vet@gmail. Belo Horizonte. INTRODUÇÃO De acordo com a Assessoria de Gestão Estratégica (AGE) do Ministério da Agricultura.1 bilhões de litros de leite. assim como os efeitos causados por estes na alimentação de ruminantes. CEP 30123-970. Caixa Postal 567. 2006). Felipe Antunes Magalhães5 RESUMO Este capítulo visa apresentar os métodos de conservação e utilização dos resíduos de cervejaria. A mesma expectativa de crescimento é prevista para o mercado da pecuária de corte. Doutorando em Zootecnia. Associado Departamento de Zootecnia da Escola de Veterinária da UFMG. bem Médico Veterinário. Alex de Matos Teixeira3. Caixa Postal 567. com a diminuição das áreas de pastagem para o plantio de cana-de-açúcar e soja. Belo Horizonte.123-970. refletindo em elevação do custo de produção. MSc. CEP 30123-970. Belo Horizonte.br 3 Médico Veterinário. felipeam.com 5 Médico Veterinário. CEP 30123-970. luciocg@vet.com 1 139 . facilitar o gerenciamento e aumentar a produtividade dos rebanhos (Geron.com 2 Engenheiro Agrônomo. A grande necessidade de produção de alimentos para ruminantes desafia a pesquisa a buscar novas alternativas de recursos alimentares. O uso racional de coprodutos agrícolas e agroindustriais na alimentação animal tem constituído uma alternativa de grande valia na redução dos custos de produção. segundo a AGE. MSc. MSc. Doutorando em Zootecnia. Belo Horizonte. Caixa Postal 567.com. Escola de Veterinária da UFMG. Caixa Postal 567. MG.. MG. Pecuária e Abastecimento (MAPA).4.. MG.41 bilhões de litros de leite se comparada à produção do biênio 2006/2007 (MAPA. Prof.br 4 Médico Veterinário. e com sua estacionalidade de produção. CEP 30. Escola de Veterinária da UFMG. Lúcio Carlos Gonçalves 2.

578 toneladas. em sua maioria localizadas próximas aos grandes centros consumidores do país.3% (1. Segundo dados do Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja – SINDICERV (2009). convencionalmente usados na formulação de rações (Geron. eles podem ser usados na alimentação dos animais domésticos. existem atualmente 47 fábricas. Os principais produtores são os estados do Sul. a região Sudeste responde por cerca de 57.000 hectares. 1999).6 bilhões de L/ano). não têm controle sobre a qualidade desses alimentos. seguido pelo Rio Grande do Sul. 140 .5% da produção (aproximadamente 4.9% (0. 2006). ficando atrás apenas da China (35 bilhões de L/ano). Atualmente representa importante opção como cultura de inverno na região Sul e também no cerrado do Brasil central em cultivo irrigado. Durante o processo de preparação da cerveja. EUA (23. com uma média de 10. Desta forma.7 bilhões de L/ano). são gerados diversos coprodutos. a região Nordeste por 17. também é gerado o resíduo seco conhecido como “varredura” (Zeoula et al. sendo um dos principais cereais colhidos do mundo. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia a Estatística .8% (1.6 bilhões de L/ano) e Alemanha (10.4 bilhões de L/ano).500 toneladas do grão.6 bilhões de L/ano) e a região Norte por 2.500.como tem permitido uma destinação mais apropriada desses coprodutos. Muitas indústrias encaram os subprodutos como rejeitos industriais e. a produção de cevada no Brasil no ano de 2007 foi de 235.. “bagaço de cevada” ou “cevada úmida” e a levedura. tornando menores os riscos de poluição ambiental provocada pelo acúmulo de tais resíduos. Dentro do país. Durante o processo. O não estabelecimento de parâmetros mínimos de qualidade limita o uso de alguns subprodutos devido à grande variabilidade da composição química. com uma produtividade média de 2. em uma área plantada de aproximadamente 100.IBGE (2008). Dentre os vários tipos de cevada explorados pelo homem. conhecido popularmente como “cevada”. O maior estado produtor é o Paraná. além da dificuldade para armazenamento e conservação (Cabral Filho. Uma vez que esses produtos não são possíveis de serem utilizados na alimentação humana. A inclusão de subprodutos da agroindústria na alimentação de bovinos leiteiros é economicamente justificável devido ao preço competitivo desses alimentos em relação a alimentos concentrados. principalmente na dos ruminantes.3 bilhões de L/ano).5 toneladas por hectare. como o da polpa úmida de cervejaria. a cevada cervejeira é a única produzida comercialmente no Brasil. com uma produção de 105. Esses produtos podem se apresentar indesejáveis na indústria cervejeira e podem ser utilizados como fonte alimentar para os animais. 1985). que produziu em 2007 cerca de 120. em 2008 o Brasil foi o quarto maior produtor de cerveja do mundo. que produzem praticamente 100% da cevada cultivada no país.34 bilhões de litros ao ano.5% (0. a região Sul por 14. em geral de grande e médio porte. a região Centro-Oeste por 7. dessa forma. A cevada (Hordeum vulgare) é uma cultura milenar.2 bilhões de L/ano).

ao final dos quais obtém-se. 1987). uma vez que a fermentação é um processo exotérmico. dependendo de vários fatores. O resíduo de cervejaria pode ser descrito como massa resultante da aglutinação da casca com resíduos do processo de mosturação. obtendo-se mudanças químicas e físicas com perdas mínimas de energia pelo processo de respiração (Cabral Filho.. em que as leveduras se reproduzem. Processo de industrialização da cevada e os subprodutos gerados A cerveja é obtida pela fermentação da cevada (Hordeum vulgare). este é resfriado de 80-100ºC até cerca de 75-78ºC em um trocador de calor e. Uma vez tendo sido preparado o mosto. que serão os alimentos para as bactérias que realizam a fermentação. Após obter o malte. A fermentação do mosto é dividida em duas etapas: uma primeira etapa. e este tendo sido clarificado e resfriado. as dornas de fermentação devem ser resfriadas. que. e uma segunda. Ao final da fermentação. A fim de garantir um bom andamento ao processo de fermentação. separação do mosto e sua filtração). maceração. obtém-se também um excesso de levedos.1. cuja primeira etapa consiste em obter o mosto. aumentando de quantidade de duas a seis vezes. e o restante é engarrafado como cerveja. 141 . a cervejaria dá início ao processo de produção da cerveja propriamente dita. em que as leveduras realizam a fermentação propriamente dita. O preparo do mosto consiste em cozinhar o malte e inclui etapas de preparo (como a moagem do malte. já que estes se multiplicam durante o processo. Esta filtração é realizada por meio de peneiras que utilizam como elementos filtrantes as próprias cascas do malte presentes no mosto. 2005). A solução livre de impurezas e rica em açúcares resultante desse processo é. sendo uma parte reutilizada em novas bateladas de fermentação e uma outra vendida para a indústria de alimentos. levado para tratamento e estocagem. além do mosto fermentado. podendo apresentar maiores concentrações de proteína e carboidratos do que as encontradas em seus cereais de origem (Clark et al. dando origem ao álcool. então. Este levedo é. REVISÃO DE LITERATURA 1. enviada para a fermentação. para cada 100 litros de cerveja produzidos são gerados 14Kg de bagaço de malte e 2 a 4Kg de levedura de cerveja adicional. que consiste na conversão em álcool dos açúcares presentes em seus grãos. Para isso. Filtra-se o líquido. e a parte sólida retida é denominada bagaço de malte ou dreche. fase anaeróbia. então. também chamado de adjunto e maltose. De acordo com a CETESB (Santos. A matéria-prima utilizada pelas indústrias de cerveja no Brasil é constituída por malte de cevada com a adição de mistura de cereais (principalmente o milho). pode-se dar início à fermentação.1. O processo de fermentação dura de seis a nove dias. após ser purificado. processo central da indústria cervejeira. convertendo os açúcares presentes no mosto em CO2 e álcool. uma grande quantidade de CO2. é necessário que a temperatura se mantenha entre 8 e 15ºC. denominada aeróbia. O processo de fabricação do malte é chamado de maltagem e envolve o controle de umedecimento dos grãos. 1999). é enviado para a etapa de carbonatação da cerveja. é filtrado para remoção do resíduo dos grãos de malte e adjunto. em seguida. O mosto pode ser definido como uma solução aquosa de açúcares. Após o preparo do mosto.

As composições dos resíduos de cervejaria aparecem na Tabela 2. 1987). e esta é apontada como a maior limitação para o seu uso economicamente. Indústria Nutriente (%) Brahma Kaiser Schincariol Skol MS 15. Tabela 1. A composição dos resíduos de cervejaria varia com o tipo de fabricação da cerveja e com os grãos de cevada utilizados no processo (Clark et al.2.0 27.8 4.6 68.9 Fonte: Aronovich (1999). O RCU apresenta baixos teores de matéria seca (MS).0 48. Características nutricionais dos resíduos de cervejaria O valor nutricional do resíduo úmido de cervejaria (RUC) está diretamente relacionado ao tipo de fabricação da cerveja e ao processo utilizado pela fábrica (Tabela 1). O teor de matéria seca (MS) está inversamente relacionado ao seu teor de umidade.3 26. De acordo com a classificação do National Research Council .5 4. (1998). o resíduo de cervejaria é considerado um concentrado proteico por apresentar teores de fibra bruta menores do que 18% e teores de proteína maiores do que 20%. quando comparado ao feno de alfafa. Bovolenta et al. a inclusão do resíduo em dietas exclusivas de gramínea 142 .. Teores de 9.90%.4 70. 1993. Os resíduos de cervejaria derivados do processamento da cevada são: resíduo de cervejaria úmido (RCU).6 9.9 25..3 NDT 74. aveia e arroz.2 12. (1997) encontraram diminuições no consumo voluntário em ovelhas alimentadas com o resíduo úmido.0% de MS foram observados na literatura (Clark et al.3 14. proveniente de diferentes indústrias. respectivamente. Cabral Filho. são também determinantes na composição química destes subprodutos.7 FB 15.5 20.5 47. 1999). 1987. que encontraram uma variação na composição do RCU e do RCP. Segundo Cabral Filho (1999).0 44.. estudando o resíduo desidratado em dietas de ovinos em crescimento.9 FDN 43. 1994.8 26.7 PB 31.1 14.0 33. Torrent et al. Comparação entre a composição química do resíduo úmido de cervejaria.8 N-FDN 56. A influência do processo de secagem do RCU foi verificada por López e Pascual (1981).5 5. mostraram efeitos lineares negativos para o consumo de matéria seca à medida que as quantidades do resíduo aumentaram de 0 para 80% da matéria seca.1.9 Lignina 3.40% e 29. Costa et al. resíduo de cervejaria seco (RCS).9 14. Lima.NRC (1988).6 41.8 18.0 69. Fatores como a origem dos grãos de cevada e a inclusão ou não de outros cereais para a fermentação.6 FDA 21. como milho (5%). trigo (6 a 7%). resíduo de cervejaria prensado (RCP) e levedura de cerveja (LC). com teores de matéria seca (MS) de 9. para cada produto.6 31.8 54.2% a 30.

RCS RCU LC Composição MS (%) 93 21 93.16 0.5 FDA (%) 23 .6 NDT (%) 66 13. Já proteínas com alto peso molecular. Zeoula et al.019 0. (ppm) Cobalto 0.07 0.32 Magnésio 0. 1988.3 .069 0.82 54 Cinzas (%) 4.83 41. que observaram redução da ingestão de matéria seca quando o teor de resíduo de cervejaria úmido chegava a 40% da dieta de vacas leiteiras. (%) Cálcio 0.46 8. (1983).6 3070 ED (Kcal/Kg) 2780 2790 3480 EE (%) 6. com grande número de pontes de dissulfeto.1 46.516.55 0.015 0.4 .81 Micromin.47 Sódio 0.16 0.5 1.3 Ferro 266 55.38 Manganês 40 8.09 0. possuem maior solubilização no líquido ruminal e são rapidamente degradadas.1 PB (%) 26 25.2490 489.2 Macromin.09 0. resíduo de cervejaria seco (RCS) e levedura de cerveja (LC). tendo menor taxa de degradação ruminal.1 FB (%) 14.9 3. Porém.23 0.15 Fósforo 0.98 Zinco 30 6. (1985) não observaram influência na ingestão de matéria seca em carneiros alimentados com resíduos de cervejaria.para ovinos limitou o consumo voluntário quando esta foi oferecida em quantidades superiores a 33% da MS da dieta. Composição química do resíduo de cervejaria úmido (RCU).86 89 Iodo 0.76 0.32 0.048 0. A degradabilidade da proteína do alimento no rúmen está diretamente relacionada com a sua composição. Proteínas de menor peso molecular.8 7. como as globulinas e as albuminas.86 79 E M (Kcal/Kg) 2330 .47 Enxofre 0.08 Cloro 0.036 0.067 0. O resíduo de cervejaria possui em sua composição grande parte de proteínas de alto peso 143 .83 4 FDN (%) 42 .034 0.27.26 Potássio 0.54 Cobre 23 4.115 1. resultado semelhante ao de Davis et al.3 42 Fonte: NRC.17 0.24 4. são menos solúveis.019 1. Tabela 2.365 1.33 0.4 7 Selênio 0.13 3.

com valores de NDT variando de 62 a 70% de acordo com pesquisa realizada por Scarlatelli (1995).4% da PB). 144 .4Kcal/g. 24. Valores de 17 a 35% de PB são encontrados na literatura. a adição de resíduo de cervejaria na dieta de ruminantes reduziria a degradação ruminal da proteína.8%) em relação ao farelo de soja (4. Esta insolubilidade de parte da fração proteica de alguns alimentos é conhecida na nutrição de ruminantes como sobrepassante.39% encontrados por Valadares et al. se comparados à dieta sem substituição do farelo de soja. De modo semelhante. com a finalidade de comparação. respectivamente. ovelhas e carneiros. resultados indicativos de que 50% ou mais da proteína bruta escapem da degradação microbiana do rúmen e passem para o intestino delgado. nota-se um maior volume do nitrogênio proteico contido nas frações A e B1: 35. mostrando certa variabilidade na composição bromatológica do resíduo de cervejaria (Lima. assim como a fração B2. Clark et al. das bactérias ruminais e do farelo de soja (FSO) segundo o NRC (2001). seriam responsáveis por esse efeito. (1973). na matéria seca. (1984). (1998) avaliaram as características de ambiente ruminal de vacas leiteiras com dietas com substituição de 10% de farelo de soja por resíduo de cervejaria e observaram que havia uma queda acentuada de pH ruminal duas horas após a alimentação em animais que não recebiam resíduo de cervejaria na dieta se comparados aos que recebiam. O perfil de aminoácidos essenciais do RCF foi estudado por Geron (2006) e está demonstrado na Tabela 3. Os autores concluíram que os maiores teores de fibra e a menor quantidade de carboidratos solúveis na dieta com resíduo de cervejaria. 1993). farelo de glúten de milho.molecular. respectivamente. permitindo maior passagem de proteína dietética para o intestino. o fluxo e a absorção de aminoácidos no intestino de vacas leiteiras. juntamente com os valores de aminoácidos essenciais (AAe) do tecido muscular. Segundo Geron (2006). (2006). abaixo dos valores de 77.2%. O RCU possui bom valor energético. ao se comparar o farelo de soja com o resíduo de cervejaria. Chiou et al. compararam farelo de soja. medindo a fermentação ruminal.8% da proteína bruta para o farelo de soja. Já a fração B3 foi maior nos resíduos de cervejaria úmido (26. resíduo de cervejaria e resíduo de destilaria fornecem maiores quantidades de aminoácidos para o intestino do que o farelo de soja. resíduo de cervejaria e resíduo de destilaria e concluíram que dietas contendo farinha de glúten. (1987) encontraram.3 e 1. em seus experimentos com vacas em lactação. Com isso. encontraram valores de EM para mantença e ganho de peso de 2. para o resíduo de cervejaria úmido e para o resíduo de cervejaria fermentado. Já Preston et al. do leite.1%) e fermentado (24. no resíduo de cervejaria úmido e no resíduo de cervejaria fermentado e observou que as frações A e B1 são maiores no farelo de soja. Santos et al. estudando o ganho de peso de bezerros alimentados com resíduo de cervejaria. o que explicaria sua menor degradabilidade no rúmen.1% e 25. Geron (2006) comparou as frações nitrogenadas contidas no farelo de soja.

5 16 5.6 10.7 40 10.9 9. pode ser recomendado a animais que já passaram pela fase de desaleitamento. Os autores creditaram esses resultados à concentração de aminoácidos e vitaminas do levedo de cervejaria. Adyanju. como é um alimento rico em vitaminas e aminoácidos. reduzindo. 1978).5 3 10.4 10.9 10. 1977. PB . 2. musc . 1977.7 3 47. do leite.8 17 13.1 6. Porém..9 45. porém não foi observado efeito sobre a taxa de crescimento destes animais. estimulando o crescimento da flora saprófita do intestino.1 17 16.9 13.Tabela 3.proteína bruta.4 7.7 3. deve-se evitar o uso de resíduos de cervejaria pela fermentação prejudicial que estes podem sofrer.6 5.6 49. Perfil de aminoácidos essenciais (AAe) do resíduo de cervejaria fermentado (RCF).5 10 8.2 11.1 5. Fonte: Geron (2006). causando consequentemente febre. Vilela (1995) afirmou que.5 12. Klopfensten et al.2 12.4 19. que atuaram de forma benéfica. Alimentos Aminoácidos T.6 5.musc.9 T.tecido muscular. para bezerros em aleitamento. Concluiu-se que a utilização do levedo de cerveja reduziu a incidência de pneumonias e diarreias sobre esses animais.6 15.2 5.2 29.3 2.4 4.3 10.5 7.7 24.4 11.7 12.9 16. (1995) observaram o efeito da adição de 1% de levedo de cervejaria na alimentação de bezerros de 0 a 46 dias pré-desmama e de 47 a 90 dias pós-desmama sobre a incidência de pneumonias e diarreias. assim.1 10.1 11. UTILIZAÇÃO DO RESÍDUO DE CERVEJARIA NA ALIMENTAÇÃO DE RUMINANTES Seymour et al.1 11 8. do tecido muscular. os problemas digestivos. das bactérias ruminais e do farelo de soja (FSO) expressos como % do total de AAe. e sobre o seu desempenho. 145 . reduzindo também a utilização de antibióticos nos animais pré-desmama. Vários trabalhos apresentaram bons valores de ganho de peso e de retenção do nitrogênio da dieta em animais alimentados com resíduo de cervejaria úmido (Conrad e Rigers. Leite Bactérias essenciais RCF FSO % do total de Aae Arginina Isoleucina Leucina Lisina Metionina Fenilalanina Treonina Valina Histidina Triptofano AAe (%PB) PB% 16.8 7.2 2.9 16.1 4.1 8.4 12.3 5.

05) produção de leite (24. Segundo Clark et al. a ingestão de matéria seca e o peso corporal. Observaram que as vacas que receberam resíduo de cervejaria durante o tratamento mantiveram níveis plasmáticos maiores de GH dos 42 aos 105 dias de lactação e possuíam menores níveis de insulina circulante. os quais demonstraram que os animais alimentados com o maior teor de RCU apresentaram maior (P<0. (1996).05) e queda na produção de leite de 5. pelo aumento do valor de nitrogênio insolúvel em detergente neutro (NIDN) e pela redução do N solúvel em água. além de este ter alto teor de PNDR (40% da PB). a metionina e a lisina são os principais aminoácidos limitantes para a produção de leite. Belibasakis e Tsergogianni (1996) avaliaram a inclusão de 16% do RCU na alimentação de vacas leiteiras e observaram maior (P<0. Seymour et al. (2001). o ácido linoleico possui alguns isômeros posicionais e geométricos denominados de ácido linoleico conjugado (CLA). Segundo Corl et al. Maior produção de leite poderia ser apresentada pelos animais consumindo resíduo de cervejaria pelo maior volume de GH circulante.80 vs 21.70kg/dia) para a ração com 16% de RCU em relação à ração controle (0% de RCU). beneficiando. O autor conferiu essa redução do teor de gordura ao alto teor de ácido linoleico do RCF. Johnson et al. (1987) compararam o efeito da inclusão de 25% de resíduo de cervejaria úmido e resíduo de cervejaria fermentado na dieta de vacas leiteiras e observaram que os animais alimentados com resíduo de cervejaria fermentado tiveram redução da ingestão de matéria seca (P<0. (1988) avaliaram o efeito da energia no pré-parto e da fonte proteica no pós-parto sobre a concentração plasmática do hormônio do crescimento (GH) e insulinas em vacas leiteiras alimentadas com resíduo de cervejaria e farelo de soja. Os autores sugeriram que esta redução no consumo de MS e na produção de leite deveu-se à fermentação natural do resíduo de cervejaria úmido. Geron (2006) avaliou o efeito de diferentes níveis de inclusão de resíduo de cervejaria fermentado nas rações de vacas leiteiras sobre produção e qualidade de leite e observou que os animais dos tratamentos com níveis de inclusão de RCF de até 15% apresentaram em média 13% de redução no teor de gordura de leite em relação aos animais sem resíduo.6%. Segundo os autores. os quais podem ser formados no rúmen pela bio-hidrogenação incompleta dos ácidos 146 . sem causar produção de amônia adicional. (1986) estudaram o efeito da relação entre densidade energética da dieta durante o pré-parto e a fonte proteica da dieta (farelo de soja e resíduo de cervejaria) durante o pós-parto afetando a produção de leite. Os autores concluíram que a produção de leite.A inclusão de resíduo de cervejaria nas dietas de vacas de alta produção tem vantagens de poder complementar os teores de proteína bruta acima de 13%.05) produção de leite. o efeito benéfico do RCU sobre a produção de leite deve-se à melhor qualidade da fonte proteica com maior teor de metionina e lisina em relação ao farelo de soja (FSO). a produção de leite destes animais.9% de RCU no concentrado foi verificada por Cardoso et al. (1987) e Schwab et al. Seymour et al. além de estes serem mais eficientes em mobilização de reservas corporais pelos menores níveis de insulina.9% e 85. assim. a ingestão de matéria seca e a mudança da condição corporal não foram afetadas pela fonte proteica durante o pós-parto. (1982). A produção de leite de vacas alimentadas com silagem de sorgo e suplementadas com 42.

como dificuldade no transporte a longa distância e dificuldades no armazenamento para uso na alimentação de ruminantes. 2006).. Schneider et al. Casos de intoxicação por cobre são comuns em ovinos alimentados com níveis superiores a 10ppm em regiões tropicais (Conrad et al. variando de 15 ± 5. no máximo. Baumgard et al. está correlacionada com a prevenção de doenças cardiovasculares. 2001). Nas condições dos Estados Unidos. (2006). que sugerem menores períodos de armazenamento. citado por Cabral Filho. 1987). mas possivelmente promove uma diminuição na enzima-chave associada à síntese de AG “de novo” na glândula mamária (Geron. o que propiciou uma razão linoleico:linolênico mais próxima de 1. Já Polan et al. asmas e câncer colorretal e dos seios (Simopoulos. 2002). (1975) citam os fungos e as leveduras como os principais microrganismos responsáveis pela degradação do resíduo em condições de aerobiose. Também não houve alterações de células somáticas (CCS) no leite de vacas alimentadas com resíduo de cervejaria em trabalho realizado por Geron (2006). 147 . 1991. pesquisadores acreditam que o resíduo só é econômico até um raio de aproximadamente 100km das indústrias (Eastridge. Muitos autores limitam a utilização deste subproduto a determinadas distâncias das indústrias. 4. Em casos de armazenamento por um período maior de tempo. o resíduo de cervejaria pode apresentar altos níveis de cobre.1ppm. O mecanismo de ação do CLA (C18:2t10c12) sobre a redução no teor de gordura do leite não está bem definido (Bauman. A rápida biodegradação foi observada por Stern e Ziemer (1993). O uso de ácido fórmico e de sulfato de potássio foi sugerido por Scarlatelli (1995). CONSIDERAÇÕES FINAIS Devido à grande variação nas composições químicas dos resíduos de cervejaria. o que pode inviabilizar o seu uso. A conservação deste material em propriedades rurais também é considerada uma limitação. estudos em condições de aerobiose aconselham períodos de. 3. A razão de AG essenciais ω 6/ ω 3 mais próximo de 1.. O processo de secagem que facilitaria o transporte é caro. 1985). (1985) e West et al. (1994) não observaram alterações na gordura do leite. dos alimentos em geral. 1999). recomenda-se analisá-los antes das formulações das dietas. (1995) sugerem que o material seja ensilado com aditivos como ácido propiônico ou polpa de beterraba. 10 dias (Johnson et al. inflamatórias.graxos poli-insaturados. ARMAZENAMENTO E TOXIDEZ O alto teor de água no resíduo úmido pode resultar em alguns fatores limitantes. Allen et al. O mesmo autor observou que a inclusão de 15% do RCF nas rações de vacas leiteiras elevou os teores dos ácidos linoleico e linolênico presentes na gordura do leite. (2001) infundiram CLA no abomaso de vacas lactantes e observaram que todas as dosagens de CLA reduziram o teor de gordura do leite. Valores semelhantes para níveis de cobre foram encontrados pela compilação de dados realizada por Valadares et al. Segundo Cabral Filho (1999).

BUCHANAIN-SMITH. D.. 1978.E. Os resíduos de cervejaria são fontes de proteína sobrepassante. Replecent value of cane molasse for maize en dry season based on dried for beef cattl.24. et al. Milk fat synthesis in dairy cows is progressively reduced by increasing supplemental amounts of trans-10. Sci. Anim. 1. v. Technol. STEVENSON.135-147. SANGSTER. Anim. D.G. v. PIASENTIER.609-618.. Conjugated linoleic acid and milk fat synthesis in dairy cows. J. S. 2001.A. BAUMAN. Alesund. BAUMGARD. 2001.175-181. J. p. 2001. Sci..57.. Composição bromatológica e degradabilidade de silagens de resíduo úmido de cervejaria. p. cis-12 conjugated linoléic acid (CLA). PERESSON. milk composition and blood components of dairy cows in hot weather. In: INTERNATIONAL CONFERENCE ON CLA. Vacas leiteiras alimentadas com resíduo de cervejaria em níveis inferiores a 20% da MS da dieta apresentam aumento da produção de leite e maior eficiência na mobilização de gordura corporal. Influence of aditive in shorter presevation of wet brewers grain stored in uncovered piles.55. 66f. The utilization of diets containing increasing levels of dried brewers’grains by growing lambs.. v. v.Os resíduos de cervejaria possuem bom valor nutritivo e podem ser considerados como boa fonte alternativa para alimentação de ruminantes. TSIRGOGIANNI. Effects of wet brewers grains on milk yield. E. Lavras. v.R. K. BAUMAN. et al. p. Feed Sci. S.. Nutr.. p.689-695. ARONOVICH..3. p.Trop Anim.H. Anim. BELIBASAKIS. Can. 1975. Prod.. J. p. 1996. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ADYANJU.. BOVOLENTA. M.1764-1769. O alto teor de umidade do resíduo de cervejaria úmido pode ser considerado limitante da sua utilização por aumentar os custos com transporte e apresentar dificuldades no processo de armazenagem. 1998. Dissertação (Mestrado em Zootecnia) – Universidade Federal de Lavras. Devido aos teores médios de cobre apresentados pelos resíduos de cervejaria. C. J. Proceedings … Alesund: Natural ASA.131. W. 1999. L. deve ser realizada a determinação deste elemento quando este produto for empregado na formulação de dietas de ovinos.K. N. ALLEN. MG.R..E. 148 . D..66.

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CEP 36038-330.embrapa. os2ribas@hotmail. as frações fibrosas. Dom Bosco. por conseguinte. DSc. Médica Veterinária. MSc. Escola de Veterinária da UFMG. como o tamanho de partículas. por estimular a mastigação e a produção de saliva tamponante. MG.br 1 152 . 610. Lúcio Carlos Gonçalves 2. impõe limitações ao consumo de matéria seca e energia..123-970. INTRODUÇÃO No balanceamento de dietas para vacas leiteiras. os carboidratos dietéticos e.CAPÍTULO 10 FIBRA NA ALIMENTAÇÃO DE GADO DE LEITE Fernanda Samarini Machado1. Belo Horizonte. CEP 30123-970.. Embrapa Gado de Leite. Rua Eugênio do Nascimento. Escola de Veterinária da UFMG. Doutorando em Zootecnia. CEP 30123-970.. Por outro lado. os carboidratos geralmente constituem 70% ou mais da matéria seca das rações. luciocg@vet. fernanda@cnpgl. CEP 30. de forma específica. Os conceitos de FDN efetiva e FDN fisicamente efetiva são relativamente recentes. MG. MG.. Juiz de Fora. Gabriel de Oliveira Ribeiro Júnior4 RESUMO A fibra representa a fração de carboidratos de digestão lenta ou indigestível e.ufmg. além de quantitativamente importantes na composição do custo de produção de leite. a fibra é essencial para manutenção da saúde dos ruminantes. Prof. Doutorando em Zootecnia. todavia é necessária a padronização das técnicas laboratoriais.. gabrielorjunior@yahoo. Marcelo Neves Ribas3. visando ao estabelecimento de um banco de dados para uso na formulação de rações. As dietas devem apresentar um teor mínimo de FDN. Associado Departamento de Zootecnia da Escola de Veterinária da UFMG. MSc. Tornam-se necessários o desenvolvimento de um método padrão e a identificação das propriedades dos alimentos que influenciam a efetividade da fibra. Caixa Postal 567. Mas. Entretanto. e diversas metodologias foram desenvolvidas para suas determinações. da saúde da vaca em lactação (Lopes et al.br 2 Engenheiro Agrônomo. dependendo de sua concentração e digestibilidade.com. a fibra insolúvel em detergente neutro (FDN) representa a melhor opção para formulação de dietas para ruminantes. DSc. ajustes devem ser realizados de acordo com os ingredientes utilizados e o manejo adotado.br 3 Médico Veterinário. para a manutenção da funcionalidade ruminal. desempenham papel fundamental na manutenção da funcionalidade do rúmen e. Belo Horizonte.com 4 Médico Veterinário. MG. Os nutricionistas devem estar atentos às características físicas da fibra. e outras propriedades que conferem efetividade ao FDN. Dentre os métodos analíticos disponíveis para a determinação das frações fibrosas. 2006). Belo Horizonte. MSc. Caixa Postal 567. Caixa Postal 567.

1994). fluxo de saliva. quando níveis mínimos de fibra não são atendidos ou. principalmente para vacas de alta produção que consomem dietas com alta proporção de concentrados. Dentre estes. Portanto. variando desde uma alteração no perfil de fermentação ruminal até uma acidose aguda. De acordo com Mertens (1992). vários distúrbios metabólicos podem manifestar-se. com pequenas quantidades de lignina e hemiceluloses. Atualmente. ainda. 1. as dietas devem ser balanceadas com uma concentração ótima de fibra que maximiza o consumo de energia. consequentemente. a formulação de rações que considera apenas a quantidade de fibra pode incorrer em desvios. Quando excesso de fibra é incluído na ração. sendo 153 . fibra é um termo meramente nutricional. a fibra é um agregado de compostos e não uma entidade química distinta. No entanto. Quimicamente. a fibra em detergente neutro (FDN) e a fibra em detergente ácido (FDA). a síntese de proteína microbiana e a produção de leite. que pode levar à morte do animal (Mertens. ainda hoje. 1997). A FB continua sendo o método oficial de determinação da fibra. a ingestão de matéria seca é reduzida e a produtividade animal tende a diminuir significativamente. fermentação ruminal e composição do leite dos animais. destacam-se como metodologias de aplicação rotineira a fibra bruta (FB).As diferenças nas quantidades e propriedades físicas da fibra podem afetar a utilização da dieta e. 1993). DEFINIÇÃO E METODOLOGIAS PARA DETERMINAÇÃO DE FIBRA A análise de fibra já faz parte da avaliação de alimentos há mais de 100 anos (Van Soest. são inadequados quanto ao tamanho de partículas da forragem. a densidade energética torna-se baixa. o desempenho animal. De modo geral. e a fibra deveria separar a fração lentamente e não totalmente digerida daquela rapidamente ou quase totalmente digerida. para maximizar a produção animal. portanto a composição química da fibra é dependente da sua fonte e da forma como foi medida. vários são os procedimentos analíticos disponíveis para determinação da fração fibrosa dos alimentos. 1. não existe consenso entre nutricionistas em relação a uma definição uniforme para o termo (Weiss. os nutricionistas devem considerar a importância das características físicas dos alimentos.1. Desta forma. 1997). Entretanto. Fibra bruta Consiste principalmente de celulose. a fibra pode ser definida nutricionalmente como a fração lentamente digestível ou indigestível dos alimentos que ocupa espaço no trato gastrointestinal dos animais (Mertens. o objetivo de qualquer esquema rotineiro de análise de alimentos é detectar diferenças entre fontes de alimentos para fornecer informações úteis aos nutricionistas. Ao contrário. e sua definição está vinculada ao método analítico empregado na sua determinação. como tamanho de partícula e densidade sobre a atividade de mastigação. Desse modo.

Desta forma. sendo esta a principal causa de variações nos resultados de análises entre laboratórios (Mertens. ignora as frações lignina e hemiceluloses. com implicações sobre estimativas de valor energético dos alimentos e formulação de rações (Mertens.. 2006). sendo o resíduo de fibra obtido denominado de FDN tratado com amilase (aFDN) (Undersander et al. e adição de amilase termoestável. no caso de volumosos. e não satisfaz a exigência de recuperação de componentes indigestíveis da fibra dietética (Nussio et al. Alterações mais recentes do método original incluem o uso de sulfito de sódio. celulose e sílica (Van Soeste t al. 1. é uma séria limitação do método (Van Soest e Robertson. como resíduos de cervejaria e de destilaria (Tabela 1). 1993). A solubilização da lignina. citados por Mertens. minerais e compostos nitrogenados (principalmente produtos da Reação de Maillard). 1985). o método de FB foi substituído pelo de detergentes neutro e ácido desenvolvido por Van Soest e Wine (1967). em proporções variáveis. Embora as diferenças possam ser pequenas entre forragens. 1991). A inclusão da lignina nos ENN resulta. solubilizadas pelo tratamento da amostra com soluções alcalina e ácida. 1998).. os quais deveriam ser o componente mais digestível do alimento. A lignina solubilizada torna-se parte dos extrativos não nitrogenados (ENN). A partir do método de detergente neutro inicialmente proposto por Van Soest e Wine (1967). com variável contaminação por cinzas. amido e proteína (Weiss. para reduzir a contaminação do FDN com proteína insolúvel. quando os alimentos são submetidos ao aquecimento. Ocorre também alguma contaminação por pectina. Este método. celulose. Robertson e Van Soest (1981) e Van Soest et al. o sistema passou por algumas modificações. cinzas insolúveis em detergente ácido (CIDA). em digestibilidades do ENN frequentemente menores do que a digestibilidade da FB. nitrogênio insolúvel em detergente ácido (NIDA). 2002). (1991) introduziram o uso de amilase termoestável para auxiliar na remoção do amido no resíduo em detergente neutro (RDN) e eliminaram o uso de sulfito de sódio.. o uso da amilase é crucial para a determinação de FDN em grãos.3. 154 . contudo. o uso de sulfito de sódio tornase essencial para remover a proteína desnaturada ou ligada a carboidratos (Reação de Maillard). Fibra em detergente neutro O método FDN recupera. quantitativamente. 1998). Da mesma forma. hemiceluloses e lignina. gradativamente. para remover o amido. por este remover compostos fenólicos. que permanecem no resíduo em detergente ácido. Geralmente os valores de aFDN são diferentes dos obtidos por outros métodos de determinação de FDN.2. sendo as hemiceluloses solubilizadas. 1993.o seu registro obrigatório com níveis máximos nos ingredientes em rações. Fibra em detergente ácido A FDA é constituída pela celulose e lignina. 1. Este procedimento pode ser utilizado como uma etapa preparatória da determinação de lignina.

4 46. 1981). não representa uma medida acurada de fibra.6 52. principalmente a celulose e as hemiceluloses.6 42. um carboidrato de alta digestibilidade (Mertens. pectina. Conceitualmente. a Robertson (1984. Valores obtidos utilizando diferentes métodos para mensurar a FDN.8 Fibra em detergente neutro: método original com sulfito.1 47. citado por Mertens. Alimentos Palha de trigoa Capim-timóteoa Feno de alfafaa Silagem de alfafa Silagem de milhoa Resíduo de cervejaria Resíduo de destilaria Farelo de soja Milho grão Polpa cítrica 1 2 FDN1 RDN2 aFDN3 (-------------------------% da MS -------------------------) 83.2 72. a classificação dos carboidratos em fibrosos (CF) e não fibrosos (CNF) parece mais apropriada porque é baseada em características nutritivas. com amilase (Robertson e Van Soest.4 10. os CNF representam as frações degradadas mais rapidamente e incluem amido. Já os CF. 2. Nesta classificação. Mertens (1996) ressalta que a classificação dos carboidratos em estruturais (CE) e não estruturais (CNE) refere-se unicamente à função desempenhada nas plantas e não deve ser confundida com o papel dos carboidratos na nutrição animal.2 55.6 18.2 aFDN/RDN (%) 96.9 55. açúcares e pectina.3 43. 3 Fibra em detergente neutro tratada com amilase: com sulfito e amilase (Undersander et al.9 27.20 50. em termos nutricionais.Tabela 1.0 88. ao invés da função exercida na planta. compostos fenólicos e proteínas.6 78.3 40. Mertens (1992) menciona que. portanto.0 52. ocupam espaço no trato digestório e exigem mastigação para redução do tamanho de partículas e passagem através desse trato.. citado por Mertens.2 68. 1967).3 67.9 86.5 11. Desta forma. CF e FDN têm 155 .4 21.0 65. Fonte: Adaptado de Mertens (2002).0 82.9 96.8 95.6 94. Nesse caso. que é composta por celulose. Resíduo em detergente neutro: sem sulfito. sem amilase (Van Soest e Wine.9 12. as características físicas e cinéticas de digestão são características dos carboidratos que afetam o consumo de matéria seca. 1992). hemiceluloses. FRACIONAMENTO DOS CARBOIDRATOS A composição química.7 91. a digestão e a utilização da dieta (Mertens. os termos PC e fibra não representam frações idênticas dos carboidratos. enquanto os CNE estão localizados no conteúdo celular. tanto em definição quanto em composição (Figura 1).8 67.3 38. 1993. Embora inúmeras vezes usados como sinônimos. 2002). os CE estão relacionados com a parede celular (PC) dos vegetais. lignina. A PC pode conter pectina.3 95. 2002).1 20. 1996) e.

2007b).| | -------.CNF f---------------------. Figura 1.Carboidratos.FDAd------. Orgânicos | Pectinasb | Hemiceluloses | Ligninac | Celulose | | --------------. Fracionamento dos nutrientes. a fração solúvel em detergente neutro apresenta valor nutricional elevado por ser quase completamente digestível (95 – 98%). b inclui outras fibras solúveis.Matéria Orgânica ---------------------------------------------------..| | ------------------------.| e | -----------------------.FDN ----------------.Extrativo Não Nitrogenado -----------------------. e a composição 156 . f carboidratos não fibrosos. especialmente em gramíneas. Van Soest (1994) menciona que a FDN é altamente correlacionada com a densidade volumétrica do alimento.cinzas . ácidos fenólicos e hemiceluloses. como betaglucanas e frutanas.| | -------------------.FB ----.| | Açúcares| Amidos | Ác. | -------------------------------------------------.lipídios . portanto. incluindo os ácidos graxos voláteis nas silagens e em outros alimentos fermentado.| | -----. pois sua digestibilidade varia com o teor de lignina e outros fatores. determinados por análises. podendo ainda diferenciar volumosos de melhor ou pior qualidade (Gomes et al. Ácidos Orgânicosa e Polímeros Complexos -----------. pois representam a mesma fração de carboidratos dos alimentos. Mas isso não ocorre.| | Amidos | a ácidos orgânicos. com a exceção de alguns tipos de amido que são lentamente digeridos (Mertens.| | Lipídios | Proteínas | ---------------. A FDN mede o teor de fibra total e quantitativamente determina diferenças entre concentrado e volumoso. 2002). c ligninas poliméricas e complexos de ácidos fenólicos (alguns dos quais podem ser solúveis.Parede Celular --------------------| | ----------------. já que tais carboidratos contêm lignina.o mesmo significado nutricional. é altamente correlacionada com o enchimento ruminal e o consumo de matéria seca. g carboidratos não estruturais.proteína – FDN. representando a fração de digestão lenta e.| | ---. Fonte: Adaptado de Mertens (2002). Embora a FDN não tenha um valor nutritivo fixo.CNEg -------. d alguns complexos fenólicos e ligninas com baixo peso molecular podem ser solubilizados pelo detergente ácido. e supunha-se que a fração “extrativo não nitrogenado” representava os carboidratos prontamente disponíveis dos alimentos.Solúveis em Detergente Neutro --------------------. determinados pela diferença: 100 . principalmente em forragens. A concentração de FDN no alimento ou na ração é negativamente correlacionada com a concentração energética.

química da FDN (proporções de celulose. abscessos hepáticos e laminite crônica. segundo Mertens (1997). As propriedades físicas da fibra em rações de vacas leiteiras são afetadas pela razão V:C. Portanto. RESPOSTAS FISIOLÓGICAS DE VACAS EM LACTAÇÃO ÀS CARACTERÍSTICAS FÍSICAS DA FIBRA A formulação de rações baseada no teor de FDN. inclui reduções na atividade de mastigação. A incidência de distúrbios metabólicos. na síntese de gordura do leite (Mertens. 2002). A cascata de eventos responsável por decréscimos no desempenho animal. O estreitamento da relação acetato/propionato provoca modificações no metabolismo animal. 2000). que é definir o limite superior da relação volumoso/concentrado (V:C). os efeitos decorrentes 157 . dietas com concentrações similares de FDN não necessariamente terão concentrações de energia líquida para lactação (ELL) semelhantes. 2001). 1997). Isso leva à diminuição do pH ruminal e às alterações nos padrões de fermentação deste órgão. Entretanto. que convergem para depressões de magnitude variada. Entretanto. quando dietas com pouca fibra efetiva são formuladas e fornecidas para vacas em lactação. hemiceluloses e lignina) afeta a digestibilidade da fração FDN. tipos de forragens e concentrados utilizados. como deslocamento de abomaso. o metabolismo animal e o teor de gordura no leite. tamanho de partícula e processamento dos ingredientes da dieta (Mertens. 1997). paraqueratose ruminal. proporção de fontes de fibra não forrageiras. Mertens (2001) sumarizou respostas fisiológicas típicas de vacas leiteiras. que estão associadas à cinética de digestão e à taxa de passagem (Mertens. Estas propriedades físicas podem influenciar a saúde e a longevidade das vacas. independentemente da quantidade e composição da FDN quimicamente mensurada. A FDN pode ser utilizada eficientemente para definir o limite inferior da relação V:C quando a maior parte da fibra da dieta provém de forragens com partículas longas ou picadas grosseiramente. não leva em consideração as características físicas da fibra. embora atenda a um dos principais objetivos no balanceamento de dietas. Na Tabela 2. a fermentação ruminal. tem sido associada ao suprimento dietético inadequado de partículas longas de fibra (Buckmaster. FDN não é adequada para balancear dietas quando a forragem é finamente picada ou quando fontes de fibra não forrageira são utilizadas (Mertens. com consequente menor secreção de saliva tamponante. 3. decorrentes das variações nas proporções de forragem de fibra longa e das concentrações de fibra em detergente neutro (FDN) na dieta.

com tamanho de partículas adequado.080 1.8 5 85 95 105 115 125 135 70 66 61 55 48 40 15 18 22 27 33 40 4. têm metade da sua capacidade para manter o pH ruminal. e grão de milho como fonte de amido. Variável Fibra em detergente neutro (FDN) na dieta (%) Tempo de mastigação (min/dia) Secreção de saliva (L/dia) Bicarbonato salivar (kg/dia) pH ruminal Ácidos graxos voláteis no rúmen (mM) Acetato ruminal (% molar) Propionato ruminal (% molar) Relação acetato:propionato Gordura no leite (%) Fonte: 1 Adaptado de Mertens (2001). A premissa dessa proposta é a de que subprodutos fibrosos. EXIGÊNCIAS DE FIBRA PARA VACAS LEITEIRAS Vacas em lactação devem consumir diariamente quantidades mínimas de fibra para estimular a atividade de mastigação. deve-se aumentar 2% no FDN total e reduzir 2% no CNF máximo (Tabela 3). podem ter impactos econômicos mais graves na produção leiteira.8 1.0 1.8 2. para cada 1% de redução no FDNF.8 6.040 970 820 520 320 200 196 189 174 143 123 2. decorrentes das variações nas proporções de forragem de fibra longa e das concentrações de fibra em detergente neutro (FDN) na dieta1. nas quais as vacas são alimentadas com dietas à base de silagem de milho ou alfafa. a atividade de mastigação e o teor de gordura no leite.2 1. A partir de uma ração contendo 19% de FDNF e 25% de FDN total.2 5.das dificuldades de detecção de alterações na fermentação ruminal. Entretanto. ou seja. esses teores devem ser utilizados em condições específicas. Respostas fisiológicas típicas de vacas leiteiras.4 1.7 3.4 2. manter o fluxo de saliva e um ambiente ruminal favorável ao desenvolvimento dos microrganismos responsáveis pela degradação de carboidratos fibrosos (Nussio et al.. Tabela 2.0 4.7 3. utilizados para substituir forragens.0 1. O National Research Council .5 3. 2006).7 6.5 6.7 2.3 2.6 3. sendo a oferta de alimento na forma de ração completa. 158 .4 3.NRC (2001) sugere que a concentração mínima de FDN seja de 25% da matéria seca da dieta. % de feno de gramínea com fibra longa na dieta de vacas leiteiras 100 80 60 40 20 0 70 59 48 36 25 14 1. originando acidose subclínica. 19% de FDNF.5 2. desde que 75% da FDN total seja oriunda da forragem (FDNF).0 3.5 6.

Tabela 3. diante da grande diversidade de ingredientes disponíveis. O teor de FDN da dieta deve ser reduzido em duas unidades percentuais se a digestibilidade ruminal for de 6575%. ou quando se utiliza fornecimento de dieta completa.5 unidade no teor de FDN quando o concentrado é fornecido duas vezes por dia ou menos. quando 5-10% das partículas são maiores do que 19mm. Frequência de fornecimento do concentrado. tornam-se necessários ajustes na concentração de FDN. • • • • • Tamanho de partícula das forragens.5 a 1% na MS quando tamponantes são adicionados à dieta. Mínimo de FDN da Mínimo de FDN total Máximo de CNF Mínimo de FDA forragem 19 25 44 17 18 27 42 18 17 29 40 19 16 31 38 20 15 33 36 21 1 Considerando adequado tamanho de partícula da forragem. e aumentado em duas unidades percentuais quando a forragem apresenta pouca quantidade de partículas longas (menos de 5% das partículas acima de 19mm). Deve haver um incremento de duas unidades percentuais na FDN quando são utilizadas forragens com elevada digestibilidade da FDN. O conteúdo de FDN deve ser reduzido em 1. Esse autor sugere algumas recomendações. Nenhum ajuste é necessário nas dietas à base de silagem de milho. o requisito mínimo de FDN para vacas leiteiras é em torno de 30% na MS da dieta. métodos de fornecimento da ração. Uso de tampões. De acordo com Allen (1995). É necessário elevação de 1. sem partículas longas. Degradabilidade ruminal do amido. milho como principal fonte de amido e rações fornecidas em mistura total. O teor de FDN pode ser reduzido em 0. 159 . Digestibilidade da fibra. FDN de forragem e FDA (% da MS) e concentrações máximas de CNF (% da MS) em rações de vacas em lactação1. O teor de FDN deve ser reduzido em duas unidades percentuais quando a silagem contém mais de 15% das partículas acima de 19mm ou quando é fornecido feno longo. adotando-se como base uma dieta com 30% de FDN na MS. Entretanto. Fonte: NRC (2001). Nenhum ajuste é necessário quando 7580% do amido é degradado no rúmen. como forragens imaturas ou silagens de milho de alta qualidade. Deve-se aumentar o teor de FDN em duas unidades quando mais 80% do amido for degradado no rúmen. Recomendações das concentrações mínimas de FDN total. frequência de alimentação e processamento de forragens.5 unidade quando o concentrado é fornecido quatro ou mais vezes por dia. O teor de FDN deve ser elevado em quatro unidades para volumosos finamente picados.

denominadas de mat. que estimulam mastigação e estabelecem uma estratificação bifásica do conteúdo ruminal. principalmente tamanho de partículas. para evitar restrições no consumo de MS devido ao efeito de enchimento ruminal. Em todos os contextos avaliados acima.2% do PV no período de 100 dias pós-parto a 160 dias de gestação (Fox et al. Adição de gordura. sendo esses fatores críticos para estimulação da ruminação e motilidade do rúmen (Mertens.8% do PV e de 1. embora a determinação da concentração de FDN possa ser considerada como de rotina. de subprodutos com elevado teor de fibra e finamente picados. da quantidade de CNF necessária para boa fermentação ruminal e do efeito negativo que a fibra exerce sobre o consumo de matéria seca (NRC. Segundo Firkins (2002). CONCEITOS DE EFETIVIDADE DA FIBRA . a efetividade da fibra tem sido definida sob diferentes formas.FDN FISICAMENTE EFETIVA E FDN EFETIVA Mertens (1997) relatou que. 5. Lana et al. pode-se reduzir o teor de FDN em uma unidade percentual. Em termos práticos. Quando há inclusão de 2-3% de gordura na MS da dieta. O Sistema de Carboidratos e Proteína Líquidos de Cornell (CNPS) para bovinos assume um consumo máximo de FDN ao parto de 0. contribuindo para a formação de uma camada flutuante de partículas grandes. 1992).. O valor de FDNfe dos alimentos está relacionado à concentração de FDN e à variação no tamanho de partícula. Já a quantidade máxima de FDN que pode ser incluída em rações é função das exigências de energia líquida de lactação (ELL) da vaca. respectivamente. A fibra proveniente dos subprodutos deve ser limitada a 30% da exigência de fibra total. 1998). 1997).. Aumentar a FDN em duas unidades percentuais quando forem utilizados mais de 10%. na MS da dieta. variando de 50 a 33% da MS da ração para produções diárias de 18 a 24Kg de leite por vaca. sobre um pool de líquido e partículas pequenas (Mertens. as rações de vacas em lactação devem conter teores máximos de 30% de FDN oriunda de forragem e 35 a 40% de FDN total. A fibra fisicamente efetiva (FDNfe) de um alimento corresponde às propriedades físicas de FDN. 1998). sendo o limite mínimo de FDN recomendado de 25% na MS (Varga et al. 1997). é o produto do fator de efetividade física (fef) pela porcentagem de FDN obtida da análise química de um alimento (Armentano e Pereira. 2001). a redução no teor de FDN nunca deve exceder cinco unidades percentuais. Nenhum ajuste é necessário se não houver inclusão de subprodutos na dieta. e tentativas vêm sendo feitas para incorporar os conceitos de FDN efetiva e FDN fisicamente efetiva na formulação de rações.• • Utilização de subprodutos. 160 . (2004) avaliaram dados experimentais de vacas leiteiras publicados no Brasil e sugeriram que o teor de FDN total deve ser reduzido com o aumento da produção de leite. Teores de FDN em relação ao peso vivo (PV) também foram estabelecidos.

quantidade e características físicas da forragem podem interagir com FFNF e influenciar o comportamento ingestivo. Os subprodutos utilizados com esse propósito constituem uma fonte de fibra não forrageira (FFNF). as FFNF devem ser retidas no rúmen para aumentar a digestibilidade ruminal de FDN. para valores maiores que um. Por definição. Quando apenas o teor de gordura do leite é utilizado como a variável de resposta de mudança na efetividade. 161 . 1997). a energia metabolizável da ração e o desempenho dos animais (Grant. a taxa de digestão da FDN de FFNF no rúmen é semelhante ou inferior a de forragens e. 6. Por outro lado. a taxa de passagem. 1998). teores de proteínas solúveis e carboidratos e proporções molares e concentrações de ácidos graxos voláteis. quando um alimento mantém a porcentagem de gordura do leite mais efetivamente do que o faz a atividade de mastigação (Mertens. FDNfe e FDNe diferem em conceito e valores estabelecidos para cada alimento e. destacando-se a casca de soja. A combinação desses fatores contribui para taxa de passagem mais rápida dos subprodutos do que das forragens. trata-se de um conceito mais restrito que FDNe (Mertens. A FDN de vários subprodutos é potencialmente mais digestível no rúmen do que a FDN oriunda de forragens (FDNF). Fonte. existe potencial para aumentar a digestibilidade ruminal e do trato total da FDN quando FFNF substituem forragens em dietas de vacas em lactação. estas fontes de fibra têm tamanho menor de partículas e gravidade específica maior (Firkins. em razão de a FDNfe estar relacionada a propriedades puramente físicas da fibra. 1997). Mertens (2001) discutiu que os efeitos adicionais parcialmente incluídos na FDNe envolvem características dos alimentos associadas com a capacidade intrínseca de tamponamento. os efeitos físicos da FDN sobre a atividade de mastigação e tamponamento ruminal são confundidos com os efeitos metabólicos causados por diferenças na composição química dos alimentos (Allen. o caroço de algodão. FONTES DE FIBRA NÃO FORRAGEIRA O uso de subprodutos para atender as exigências de fibra torna-se uma opção importante para rações cujo balanceamento pode ser limitado pela quantidade ou qualidade das forragens disponíveis. Assim. composição e concentração de gordura. Mooney e Allen. além disso. a casca de algodão e a polpa cítrica.A fração FDN efetiva (FDNe) está relacionada ao somatório das habilidades totais de um alimento em substituir a forragem na ração. Portanto. Como digestão e passagem são processos que competem entre si. fatores de efetividade (fe) para FDN podem variar de zero. 1997). 1997. quando um alimento não tem habilidade para manter o teor de gordura do leite. contanto que a porcentagem de gordura do leite produzido por vacas consumindo tal dieta seja mantida. 1997). a digestão da fibra no trato gastrintestinal.

quando a FDN de uma forragem considerada padrão (fe = 1. a casca de soja não apresentou a mesma efetividade. utilizado em experimentos de curta duração. do bem-estar e do desempenho animal são algumas das justificativas em que se baseia a eleição desta variável como indicativa dos efeitos da concentração dietética de FDNe (Lopes et al. Depies e Armentano. Este método exige a formulação de uma dieta basal com baixas concentrações de FDN total. 1999). Weidner e Grant (1994) substituíram 40% de uma mistura de silagens de alfafa e de milho por casca de soja (25% da MS) em dietas de vacas em lactação. em dietas com inclusão de grandes quantidades de subprodutos como fonte de fibra. são formuladas dietas com níveis crescentes de adição de FDN da forragem padrão. 1994). Fox et al. A inclusão de casca de soja e feno aumentou a consistência do mat. baseia-se nas alterações observadas na porcentagem de gordura do leite.. 1997). com ou sem a inclusão de feno de alfafa picado grosseiramente. para estimativa de valores de FDNe para subprodutos fibrosos de origem vegetal (fontes de fibra não forrageira). O NRC (2001) assume que a FDN de FFNF apresenta 50% da efetividade da FDN de forragens. 1997. torna-se interessante a utilização de forragem com maiores tamanhos de partícula. elevou o pH ruminal e aumentou o tempo de ruminação. 1993) e/ou do emprego de métodos laboratoriais de avaliação da estratificação de partículas dos alimentos (Buckmaster et al. 2006). Teor de gordura no leite A manutenção da porcentagem de gordura do leite tem sido o centro das atenções de muitas pesquisas e de aplicações do conceito de fibra efetiva por nutricionistas no campo. 1997. 1993. A partir destes níveis basais. visando à obtenção de uma curva de respostapadrão.A presença de fibra de volumosos no rúmen pode alterar a consistência do mat e aumentar a retenção da FFNF. 7.9.1. além de estimular a mastigação de forma mais eficiente.0) é substituída pela FDN daquele subproduto sob teste (Clark e Armentano. Swain e Armentano. Sem a inclusão do feno. de ensaios biológicos (Clark e Armentano.0 e fef de 0. que apresenta um fe de 1. a facilidade pela qual pode ser mensurada e a expectativa de que possa ser um aceitável reflexo da saúde. 1995). Desse modo. A exceção é o caroço de algodão. relacionando teores de gordura do leite versus os conteúdos dietéticos de FDN da forragem referência (Swain e Armentano. MÉTODOS PARA QUANTIFICAR A EFETIVIDADE DA FIBRA A efetividade de FDN vem sendo avaliada por meio de métodos estatísticos (Mertens.. valores semelhantes aos de forragens longas. 1994.. O inevitável impacto econômico para o produtor. 7. Mertens. O coeficiente de inclinação obtido desta regressão fornece uma estimativa do aumento linear de unidades 162 . O procedimento metodológico clássico.

025). o valor calculado de efetividade dos grãos de destilaria seria de 0. podem-se observar os teores de FDNe de alguns alimentos frequentemente utilizados na alimentação de vacas leiteiras. se em uma avaliação com vacas em lactação.54) Milho grão inteiro 9 100 9 2 Palha de arroz 85 120 102 1 2 FDNe (%MS) = FDN (%MS) x FDNe (%MS).54 Sabugo de milho 90 100 90 Caroço de algodão 44 100 44 Feno de gramínea maduro 72 100 72 Pastagem de gramínea 50 41 21 Longo (>2.1.653 .8 (0. Da razão entre os dois coeficientes de regressão obtidos. a inclusão na ração de FDN de grãos de destilaria desidratados gerasse um coeficiente de regressão linear de 0. Fonte: Adaptado do CNPS (dados não publicados). Portanto. Tabela 4.020/0. Por exemplo. Teores de fibra em detergente neutro efetiva (FDNe) de alguns alimentos rotineiramente utilizados na alimentação de ruminantes. Valor elevado devido ao alto teor de lignina (20 % MS). e desconsidera-se que a porcentagem de gordura no leite pode ser afetada por outros fatores e não apenas pelo teor de FDN da forragem (Armentano e Pereira. um segundo coeficiente de regressão é obtido. 1997). não são consideradas as diferenças que frequentemente ocorrem na qualidade ou efetividade da fibra da silagem alfafa (tamanho de partícula). 2006).020 e a silagem de alfafa um coeficiente de 0. 163 . Com base nas concentrações de FDN definidas na dieta basal.. tem-se uma estimativa do fe para o alimento teste em relação à forragem considerada padrão no experimento (Lopes et al.27 Sabugo de milho 90 80 72 Milho quebrado 9 60 5 Feno de gramínea maduro 72 100 72 1. deve-se formular uma ração contendo um nível adicional de FDN oriunda do alimento a ser testado. 2003). Alguns problemas deste método são: assume-se que a resposta do teor de gordura no leite ao aumento no teor de FDN da ração é linear. citado por Gomes et al.653 Feno de gramínea maduro 72 73 53 Silagem de milho 41 61 25 Feno de gramínea maduro 72 88 63 Silagem de milho 41 71 29 0. este produto teria 80% da efetividade da silagem de alfafa (Lima.2.27 . o qual expressa o acréscimo linear de unidades percentuais de gordura no leite com a adição de 1% de FDNe oriunda do alimento teste. (2007a). Desta forma. Tamanho de FDN FDNe (% FDNe Alimento partícula (cm) (%MS) FDN) (%MS)1 Milho grão moído 9 0 0 < 0. Nas Tabelas 4 e 5.025.percentuais de gordura no leite para cada 1% de FDNe oriunda da forragem padrão.

Comportamento ingestivo O tempo de mastigação. Kononoff. pelo teor de FDN total e por características físicas da ração (tamanho de partícula). 164 . O tempo de mastigação é afetado principalmente pelo consumo de matéria seca. o consumo de matéria seca e a porcentagem de gordura no leite (Colenbrander et al. Segundo o NRC (2001). por afetar a secreção de saliva. Fonte: Adaptado de Sniffen et al. O autor sugere que o pH ruminal seria uma resposta mais adequada na determinação da exigência de fibra efetiva para esta categoria animal. Outra consideração a respeito da obtenção destas estimativas de fe está relacionada ao uso de vacas nos terços médio e final da lactação (Allen 1995. Embora o baixo teor de gordura no leite seja um indicador da formulação inadequada de rações.. sugerindo que este não é um parâmetro adequado para avaliação da função ruminal e da saúde do rebanho (Mertens. 7. 2002). segundo Allen (1997). os valores de efetividade estimados com o auxílio desta metodologia não seriam aplicáveis a vacas no início da lactação. o comportamento ingestivo pode ser usado para calcular os valores de efetividade física da fibra dos alimentos e compará-los entre si. 1997. Vacas em lactação podem produzir até 308 litros de saliva por dia durante a mastigação (Cassida e Stokes. casos de laminite podem ser encontrados em rebanhos que não apresentam sinais de depressão no teor de gordura do leite. Por este motivo. Ingrediente FDNe (% FDN) Caroço de algodão 100 Grão de soja inteiro 100 Milho seco inteiro 100 Milho quebrado 60 Fubá de milho 48 Milho alta umidade 1 48 Farelo de algodão 36 Glúten de milho 36 Polpa cítrica 33 Farelo de soja 23 1 Moagem fina. sendo esse um dos mecanismos mais importantes de remoção de íons hidrogênio produzidos durante a fermentação ruminal dos alimentos. %FDN) de alguns concentrados para bovinos. Portanto. (1992). composto pela ingestão e ruminação.2. a função ruminal (pH e perfil de AGV).Tabela 5. tem sido uma das medidas mais estruturadas e utilizadas para avaliar a efetividade de FDN. a composição do leite destes animais é mais sensível a mudanças dietéticas. 1986). 2000). 1991). o processo de trituração dos alimentos. Teor de fibra em detergente neutro efetiva (FDNe.

os autores consideraram os teores de FDN dos alimentos e o tempo de mastigação proporcionado por ingrediente da ração. 1985).94 para o milho triturado grosseiramente. as quais foram utilizadas para calcular a efetividade física da fibra da silagem de alfafa e do caroço de algodão. A princípio. Esse método de avaliação da FDNfe assume que a resposta do tempo de mastigação em relação ao aumento do teor de FDN da ração é linear. Mertens (1997) sumarizou dados de atividade de mastigação de 45 experimentos publicados e determinou o consumo de FDN para cada fonte dietética e forma física das 265 combinações de vacas e tratamentos. Nesse método. não evidenciando importância no estímulo à mastigação e ruminação (Poppi et al. que a atividade de mastigação é igual para todas as 165 .0). baseados na atividade de mastigação que eles estimularam.3. sugerindo que as vacas apresentavam um mecanismo adaptativo de aumento na eficiência de ruminação quando o consumo de FDN era limitado. baseada na regressão de médias para tratamentos publicados na literatura. embora existam evidências na literatura de que não haja linearidade desta resposta (Woodford e Murphy. Mertens (1997) propôs o conceito de FDN fisicamente efetivo (FDNfe) utilizando análises de regressão para designar fef para classes de alimentos. Métodos laboratoriais Um simplificado sistema para avaliação da FDNfe. A contribuição dos concentrados para mastigação foi assumida como sendo igual a zero. Os valores de efetividade física dos alimentos testados foram calculados dividindo-se o tempo de mastigação por unidade de FDN do alimento teste pelo tempo de mastigação por unidade de FDN da silagem de alfafa. pressupõe que a FDN é uniformemente distribuída nas frações do alimento contendo distintos tamanhos de partículas. Essa metodologia tem como premissa básica que partículas com tamanho inferior a 1. 1991. Além disso. Desse modo. 1997). Outra suposição.Mooney e Allen (1997) desenvolveram uma série de equações.18mm. A concentração de FDN (% MS) do alimento é multiplicada pela porcentagem de partículas retidas em peneiras maiores do que 1. Para determinar os coeficientes de fef de vários alimentos. os tempos totais de mastigação foram divididos por 150min/Kg de FDN e efetuou-se a regressão dessa variável versus o consumo de FDN (Kg/dia) de cada alimento. obtendo-se o valor de FDNfe. 1988. foram estabelecidos coeficientes de regressão representando “minutos de mastigação/Kg de FDN” para cada fonte e forma física. baseadas na concentração de FDN e no tempo de mastigação. Grant.18mm passam rapidamente pelo rúmen. 7. Beauchemin. foi que o tempo basal de mastigação seria de 355 minutos por dia para dietas com 0% de FDN.. foi proposto por Mertens (1997). Grant (1997) observou que a ruminação por unidade de FDNf consumida aumentou quando o teor de FDN da ração diminuiu. embora Mertens (1997) tenha estimado valores tão altos quanto 0. O feno de gramínea com fibra longa originou um coeficiente de regressão de 150min/Kg de FDN e foi escolhido como a forragem padrão (fef=1. como pode ser visto na Tabela 6. que considera as características químicas e físicas dos alimentos.

o autor alertou que ajustes baseados no tipo de alimento podem evidenciar-se necessários.0 2 Silagem de leguminosa 50 0.82 41. Recentemente uma nova peneira com abertura de malhas de 1.23 3. 8 a 19mm e < 8mm) da Penn State Forage and TMR Separator (Lammers et al. 1997). Também foi identificada correlação mais elevada entre os valores de FDNfe estimados pela metodologia de Mertens (1997).7 Feno de leguminosa 50 0.18mm foi incluída no Penn State Forage and TMR Separator (PSPS) e sua utilização foi validada. refletem a efetividade de cada tamanho de partícula em estimular a ruminação e em contribuir para a formação do mat ruminal.92 46. a distribuição das partículas por tamanho foi efetuada utilizandose o conjunto de peneiras (>19mm. Buckmaster et al. 2002). (1997) também desenvolveram um método de avaliação do consumo de fibra efetiva. e que a fractabilidade (facilidade na redução do tamanho) é semelhante entre fontes de FDN (Mertens. pois este índice não capta diferenças na efetividade de partículas de distintas fontes dietéticas.partículas retidas na malha de 1. Tabela 6.00 100.2 Casca de soja 67 0.. 1 2 Silagem picada grosseiramente. partículas retidas em peneiras de 1.03 2.3 Farelo de soja 14 0.3 Milho moído 9 0. Segundo Buckmaster (2000).48 4. baseado na distribuição das partículas dos alimentos em três peneiras e na concentração de FDN de cada fração. ponderada pela respectiva efetividade relativa em cada uma dessas frações. Estimativas da fibra em detergente neutro fisicamente efetiva (FDNfe).8 mm (% MS)1 Padrão 100 1.5 Resíduo de cervejaria 46 0.98 63.0 3 Silagem de leguminosa 50 0. 3 Silagem 166 .0 FDNfe = FDN (%MS) x fração retida na peneira (% MS). Um aspecto importante a ser considerado é que a metodologia de avaliação afeta a estimativa da efetividade física da FDN. visando à caracterização adicional das partículas mais finas do alimento ou da dieta (Kononoff. Fração retida (% de MS) retida FDN fe Alimentos FDN (% MS) em peneira de 1.0 Feno de gramínea 65 0.18mm.5 Silagem de milho 51 0. picada finamente. Entretanto.81 41. sendo que os valores de FDNfe foram consideravelmente menores quando avaliados por meio da PSPS.67 33. 2003)..18mm e a atividade de mastigação (Beauchemin et al. denominado Índice de Fibra Efetiva (IFE). que foram determinados baseados em dados publicados na literatura. Nesse caso.18 8. Fonte: Mertens (1997). os coeficientes de efetividade relativa. utilizando-se análises químicas e físicas. 1996).

Os índices de efetividade obtidos foram de 0. evidencia-se como importante ferramenta para a otimização de dietas para vacas leiteiras. respectivamente. Depies e Armentano (1995).0) foi a silagem de alfafa. e tentativas vêm sendo feitas para incorporar este conceito na formulação de dietas para vacas em lactação. e o alimento teste foi o glúten úmido de milho. pH e atividade de mastigação.42 e 0. Allen e Grant (2000) concluíram que os índices de efetividade podem variar substancialmente em função da variável resposta e recomendaram uma posição mais conservadora no tocante ao uso do menor valor obtido. determinaram dois fatores de efetividade (fe). Os valores relatados para fe (porcentagem de gordura do leite) da FDN foram de 0. Os autores consideraram que as diferenças observadas nos índices de efetividade foram reflexo dos atributos químicos e físicos do glúten de milho. a identificação das vantagens e das deficiências inerentes às metodologias utilizadas na determinação dos fatores de efetividade dos alimentos torna-se necessária para orientar a busca por uma metodologia padrão que beneficie a aplicação prática do conceito de fibra efetiva. este alimento possui fibra altamente digestível. o sabugo e milho moído e o farelo de trigo.13. Entretanto. tendo a atividade de ruminação (min/Kg de FDN) como variável de resposta animal. a partir da concentração de gordura do leite e do pH ruminal. devido ao seu pequeno tamanho de partícula. a falta de um método padrão e validado para medir fibra efetiva e estabelecer exigências limita a aplicação deste conceito. VALORES DE EFETIVIDADE DA FDN SEGUNDO A METODOLOGIA DE DETERMINAÇÃO Os conceitos de FDN fisicamente efetiva e FDN efetiva são relativamente recentes. Mas.8. trabalhando com vacas nos terços iniciais de lactação.51 para ambos. Os autores concluíram que metade da efetividade da FDN da silagem de alfafa refere-se ao seu tamanho de partículas.74. e 0. Allen e Grant (2000). um efeito que não pode ser substituído pela FDN da maioria das fontes de fibra não forrageira. A forragem padrão (fef ou fe = 1. A outra metade da efetividade da FDN da silagem de alfafa e toda a efetividade da maioria das fontes de fibra não forrageira são decorrentes do efeito de diluição dos carboidratos não fibrosos da dieta. Dessa forma. provocando decréscimos na produção de ácidos de fermentação.11. Esta estratégia também foi recomendada por Pereira et al. evitando possível acidose no rúmen. que influenciam sua efetividade em manter a funcionalidade do rúmen e o bem-estar do animal. (1999) para formulação de dietas em que fontes de fibra não forrageira são incluídas. que foi capaz de diluir carboidratos não fibrosos dietéticos. Segundo eles. para porcentagem de gordura no leite. Os respectivos fef da FDN (atividade de mastigação) para cada alimento foram 0. e um fator de efetividade física (fef). também obtiveram estimativas para fe e fef bastante diferentes quando utilizaram as respostas “porcentagem de gordura no leite” e “tempo de ruminação”. no momento. trabalhando com vacas no terço médio da lactação e silagem de alfafa como forragem-padrão. a FDN foi somente 11% tão efetiva quanto a FDN da silagem de alfafa em estimular a ruminação. Mais pesquisas são necessárias para 167 .33. 0. A determinação das características químicas e físicas dos alimentos.

a partir de análises de regressão de dados da literatura. visando ao estabelecimento de um banco de dados para uso na formulação de rações. 21% de FDNfe. 2000.J. O balanceamento de dietas para vacas de alta produção exige a utilização dos limites inferiores da exigência de fibra. no mínimo. O CNPS (Fox et al. O deslocamento em direção a um dos extremos depende de fatores que afetam a atividade de mastigação. Nesse contexto.4% seria de 19.. Foi estabelecido que o teor mínimo de FDNfe necessário para manter o teor de gordura no leite em 3. considerando fatores relacionados ao manejo e à composição da ração. 168 . Interactions between forage and wet corn gluten feed as sources of fiber in diets for lactating dairy cows. Nesse caso. EXIGÊNCIAS DE FIBRA EFETIVA Atualmente.M. para manter um pH de 6. Dairy Sci.identificar as propriedades dos alimentos que influenciam a efetividade da fibra dietética. CONSIDERAÇÕES FINAIS O conhecimento das propriedades químicas e físicas das forragens e dos subprodutos utilizados como fontes de fibra representa uma importante ferramenta para os nutricionistas. O sistema sugere um teor mínimo de 20% de FDNfe em rações que visam maximizar o uso de CNF e a produção de proteína microbiana. 1999) também estabeleceu recomendações mínimas de FDNfe na MS da dieta. da capacidade natural dos alimentos para o tamponamento do rúmen e da suplementação com tamponantes. R. a aplicação prática dos conceitos de efetividade garantirá a manutenção da funcionalidade do rúmen e da saúde e longevidade do animal. D. do manejo. 9. admitindo-se uma amplitude de 19 a 23% de FDNfe na MS. Esse autor também avaliou o pH do líquido ruminal para estabelecer a exigência de FDNfe. Assim.322-331. nos quais é necessário um maior refinamento. 10. principalmente em sistemas de produção de leite especializados.. J. sendo o concentrado fornecido em ração total (TMR). Mertens (2000) sugeriu que a formulação de dietas para vacas leiteiras deve conter.. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ALLEN. das variações nas composições das rações. da produção de ácidos no rúmen.0 no fluido ruminal.7% na MS. é necessário o teor de 22.83. as exigências de FDN efetiva disponíveis para formulação de rações para vacas leiteiras foram estabelecidas por Mertens (1997).3% de FDNfe na MS da ração. p. v. GRANT.

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br 2 Engenheiro Agrônomo.. substituir forragens. a casca de soja pode substituir grãos de cereais na dieta de ruminantes. Doutorando em Zootecnia. Segundo Fadel (1999). DSc. INTRODUÇÃO Os coprodutos de indústrias de transformação de alimentos estão sendo cada vez mais utilizados como uma alternativa economicamente viável para redução dos custos dos sistemas de produção de ruminantes. como fonte de fibra. contribuindo para a elevada ingestão de energia e prevenindo alterações da função ruminal. CEP 30123-970. é fisicamente o envoltório do grão (pericarpo) separado do embrião no processamento industrial. MG. Associado Departamento de Zootecnia da Escola de Veterinária da UFMG. MG. 1995). MSc.. A casca de soja. Flavia Cardoso Lacerda Lobato3. Belo Horizonte. em sua maior parte. Frederico Osório Velasco4 RESUMO A casca de soja. Escola de Veterinária da UFMG. coproduto das indústrias de processamento da soja. Além de ser uma alternativa para redução de custos. devendo ser tostada a fim de destruir a atividade de uréase (Tambara et al. Ela também pode.. MSc. quando estas estão com baixa qualidade ou em pouca quantidade. é fisicamente o envoltório do grão (pericarpo) separado do embrião no processamento industrial. e muitos pesquisadores a classificam como produto intermediário entre concentrado e volumoso. Caixa Postal 567. em Zootecnia. Belo Horizonte. com sucesso. Lúcio Carlos Gonçalves 2. semelhante ao que ocorre à polpa cítrica e ao resíduo de cervejaria. o coproduto pode ser definido como aquele material que possui valor como alimento para animais.CAPÍTULO 11 CASCA DE SOJA NA ALIMENTAÇÃO DE GADO DE LEITE Gabriel de Oliveira Ribeiro Júnior 1. Doutorando em Zootecnia. sendo obtido ao final da colheita de alguma cultura ou após o processamento agroindustrial de alguma commodity destinada à alimentação humana. MG. Caixa Postal 567. Escola de Veterinária da UFMG. CEP 30123-970. fredericovelasco@gmail. composta de fibra que possui Médico Veterinário. Desta forma. a casca de soja é. Caixa Postal 567. CEP 30123-970...ufmg. coproduto das indústrias de processamento da soja. Belo Horizonte. podendo ser de origem animal ou vegetal.br 3 Médica Veterinária. Este capítulo fornecerá informações para a adequada utilização da casca de soja na dieta de vacas de leite.com 1 173 . 4 Médico Veterinário. Prof. gabrielorjunior@yahoo.com. luciocg@vet. devendo ser tostada a fim de destruir a atividade de uréase. A casca de soja é uma fonte de energia. MSc. desempenhando papel fisiológico de fibra vegetal e funcionando como um grão de cereal em termos de energia.

2000). diferenças nos tratos culturais (fertilização nitrogenada. falta de um rigoroso programa de controle de qualidade durante a produção e manipulação.82 Mcal de energia digestível por kg de MS. resultou numa ascensão na sua utilização em dietas de ruminantes. a safra de soja 2008/09 totalizará 58. desempenhando papel fisiológico de fibra vegetal e funcionando como um grão de cereal em termos de energia. pode substituir grãos de cereais na dieta de ruminantes.. Ela também pode. semelhante ao que ocorre à polpa cítrica e ao resíduo de cervejaria. estas têm que cumprir leis internacionais sobre um teor mínimo de proteína bruta neste produto. além de ser uma alternativa para redução de custos. Composição química da casca de soja. 1959). VALOR NUTRITIVO Segundo o National Research Council . substituir forragens. Assim.pouco valor para a alimentação humana e utilização industrial.. que antes era incorporada ao farelo. contribuindo para a elevada ingestão de energia e prevenindo alterações da função ruminal. a casca de soja apresenta 2. nas regiões produtoras de soja. Assumindo-se que a casca da soja compõe 5% do peso total da soja (Blasi et al. Com o advento das exportações de farelo pelas indústrias. A casca de soja. normalmente há uma grande disponibilidade deste insumo a baixo custo. Muitos pesquisadores a classificam como produto intermediário entre concentrado e volumoso. como fonte de fibra. quando estas estão com baixa qualidade ou em pouca quantidade (Ipharraguerre e Clark. De acordo com estimativas da Companhia Nacional de Abastecimento – CONAB (2009). plantas com materiais genéticos diferentes. tem-se uma estimativa de produção de três milhões de toneladas.5 milhões de toneladas. Isto tem levado à maior disponibilidade deste subproduto no mercado. somado a seus preços competitivos. Tabela 1. que. 174 . 2003). 1. esta se torna uma excelente opção para alimentação de ruminantes por ser composta de uma fibra de alta digestibilidade que pode chegar a 90% (Quicke et al. Estas diferenças estão relacionadas a fatores como: falha no processamento. com sucesso. sendo considerada uma fonte de energia. data de plantio). e condições ambientais durante crescimento da cultura (temperatura e disponibilidade de água). o que tem proporcionado a retirada da casca.NRC (1984). com a não separação completa da casca do endosperma. A composição química da casca de soja (CS) pode ser vista na Tabela 1. Em contraste. O valor nutritivo da casca de soja para os ruminantes pode variar devido às diferenças nas composições químicas encontradas.

0 51.4 - NRC (2001) 12.52 68.9 0.8%) pouco lignificada.42 19.8 4. quando comparada com o milho (0.65 50.8%.8% de FDA para casca de soja limpa. A CS tem função de proteção do endosperma.6 52.4 0. a pectina apresenta 98% de digestibilidade verdadeira.4 73.54 3. Essa variação parece estar diretamente relacionada à presença de farelo de soja nos produtos classificados como casca de soja. (1988) encontraram valor de 9. respectivamente. que são os principais monômeros envolvidos na ligação entre a lignina e a hemicelulose (Garleb et al. respectivamente. O teor de extrato etéreo variou de 0.72 e 1. respectivamente.40% de FDN e 50. Ipharraguerre e Clark (2003). (2006). (1988) encontraram valores de 73. De acordo com Valadares et al.7 1.60 6. 2006).4% a 3.52% de FDA com base na matéria seca. Estes valores parecem estar relacionados com a presença de farelo de soja.1 50 67 46 2 2. FDA – Fibra em detergente ácido.0 9.3% e 44. 1988).16% na MS.4 a 19.4 para a casca de soja limpa. (1959) mediram a digestibilidade in vitro da celulose e fibra bruta da CS e encontraram valores de 96 e 97%. (2006).1 a 14. EE – Extrato etéreo. Anderson et al. Os valores de proteína bruta encontrados variaram de 9.6% de FDN e FDA.43 1. a CS contém 68.40 51. Fonte: NRC (2001).77 PB – Proteína bruta. em consequência.. permitiu maior fermentação ruminal. Apesar de a CS apresentar alto conteúdo de fibra.2 39.24 e 0. (2006) 11.Nutriente (%) Proteína bruta FDA FDN Celulose Hemicelulose Lignina Extrato etéreo Amido NDT Ipharraguerre e Clark (2003) Mínimo Máximo 9. A CS é rica em lisina e glicina (0. Segundo Van Soest (1994).55%. Os valores de lignina variaram de 1. respectivamente) (Valadares et al. Já o NRC (2001) apresenta a CS com 60. já que Anderson et al. sendo em média 11. Aliado a isso.50 68.. que é uma fibra solúvel altamente digestível.4 19. FDN – Fibra em detergente neutro.7 29. Dessa forma. Esse resultado sugere que a taxa de passagem da CS pelo rúmen é muito rápida para maximizar a digestão da fibra pelos microrganismos ruminais.4%.8 a 4. a adição de forragem grosseira (fibra longa) em dietas com CS aumentou os tempos de retenção da CS e.2 15. quando se realizou a digestibilidade aparente em ovinos com CS como único alimento. Quicke et al. Esta variação parece estar relacionada com diferenças no processamento de extração do óleo de soja.8. a composição da dieta parece afetar o valor 175 .4 3. sem presença de farelo de soja. respectivamente).9% (Tabela 1). 11. Segundo Ipharraguerre e Clark (2003). Valadares Filho et al.2%. Entretanto. a CS apresenta baixos teores de ácidos ferúlico e p-cumárico. A CS apresenta também altos teores de ácido urônico ou pectina. por isso apresenta elevados teores de fibra. a fração fibrosa é composta de grande quantidade de celulose (43%) e hemicelulose (17.1 19. os coeficientes de digestibilidade da celulose e fibra bruta foram 54 e 57%.1 77 Valadares Filho et al.8 53.7% de FDN e 50.

reduz os teores de amido da dieta. não diferindo dos valores encontrados para os outros tratamentos.5%/h para o tratamento com a casca de soja moída.1Kg por dia de ração contendo CS moída. Foi relatada uma taxa de passagem 8% superior para o tratamento com 48% frente ao tratamento com 25% de casca de soja (0.8%/h). Entretanto.8mm. Porém. Fahey e Berger (1993) citam que o principal fator que afeta a digestão dos carboidratos estruturais é a adição de carboidratos solúveis obtidos em alimentos concentrados. resultando em um melhor ambiente de rúmen. (1988) encontraram que a taxa de passagem pelo rúmen foi superior para a casca de soja moída (4. a inclusão de casca de soja não limita a digestibilidade aparente da dieta no trato gastrintestinal total de ruminantes.5mm). que provocam alterações no meio ambiente do trato digestivo e na cinética do processo digestivo. ou moída e peletizada. influencia o tempo de retenção ruminal. as quais apresentaram digestibilidades semelhantes. A CS normalmente é moída. A taxa de digestibilidade da FDN in situ encontrada foi de 7. o pH se mantém em níveis mais elevados. respectivamente). Anderson et al. para aumentar a densidade e reduzir os custos de transporte. CS peletizada e CS sem processamento. quando substitui grão de cereais. o que leva a uma melhor digestibilidade da forragem. quando estes foram alimentados com 2. gravidade específica elevada (após hidratação) e características da sua fração fibrosa. A CS. Essa redução pode ser explicada pelo menor tempo de retenção ruminal causado por maior taxa de passagem quando se aumentou a ingestão de MS.093/h e 0.nutritivo da CS por modificar a consistência do mat ruminal. o resultado foi menores ganhos de peso (0. Assim. 176 . Foram utilizadas três formas físicas diferentes: CS moída (a 1.120Kg). Nakamura e Owen (1989) determinaram a taxa fracional de passagem (h-1) da casca de soja em vacas em lactação consumindo dietas contendo silagem de alfafa e concentrado (razão de 50:50 na MS) na qual a casca de soja substituiu o milho para fornecer 25 e 48% da MS da dieta. taxa de passagem das partículas.105Kg) em comparação com a ração contendo CS peletizada (0. De acordo com Ipharraguerre e Clark (2003). esta redução na digestibilidade não foi observada quando a CS foi moída a 3. criando um ambiente favorável às bactérias celulolíticas. Quando novilhos foram suplementados com 1. A relativa elevada taxa de passagem da casca de soja pode ser explicada pelo seu tamanho de partícula pequeno.5%/h) comparada à casca inteira (2. O efeito desses métodos de processamento físico na digestão e no valor nutritivo da CS de soja para carneiros e bovinos foi avaliado por Anderson et al. De uma maneira geral. pH ruminal e natureza da população microbiana. que. (1988). não foi observada diferença no ganho de peso. como taxa de digestão.6%/h e que o desaparecimento dessa fração após 96 horas de incubação foi de 90%.2 e 4. por sua vez.10/h. peletizada. Foi observado que a moagem diminuiu a digestibilidade da FDN (56%) quando comparada com a CS peletizada (61%) e com a CS sem processamento (62%). experimentos in situ demonstraram que a fração FDN da casca de soja foi fermentada a uma taxa média de 5.05Kg por dia de CS moída ou peletizada.

89Kg/dia) não foram influenciados pelas dietas com milho moído e casca de soja. Restle et al. causado por um ambiente ruminal desfavorável. 20. os valores de energia líquida aparente da CS e do milho nesta situação foram semelhantes. comparando com a dieta-controle. Já Fisher e Muhlbach (1999) avaliaram a substituição do grão de milho pela casca de soja nos níveis de 0.40 e 1.74kg MS ingerida/kg de ganho). O estudo da digestão mostrou maior digestibilidade da MS para a dieta de forragem suplementada com milho em comparação com a suplementada com CS. Esta melhor eficiência alimentar com a inclusão da CS pode ser explicada pela melhora no ambiente do rúmen. no entanto. UTILIZAÇÃO DA CASCA DE SOJA Anderson et al. levando a um melhor aproveitamento da fibra. Neste estudo. respectivamente. (1988) constataram que a CS foi igual ao milho em energia para sustentar o crescimento de bezerros. Esses resultados sugerem que o milho é mais digestível que a CS. (2002a) estudaram o desempenho de vacas no terço médio de lactação. (2002b).35 e 1. mais rápido e em maior extensão.17kg/dia) e a conversão alimentar (7. o aumento médio observado na digestibildade da FDN do trato digestivo total para dietas com casca de soja em substituição ao milho moído foi de 11%. devido ao efeito associativo negativo sobre a forragem da dieta. Ezequiel et al. PB (1. principalmente do volumoso que contribuiu com 60% da matéria seca da dieta. 100%). e observaram que a substituição de até 75% (30% na MS da dieta) não afetou o ganho de peso (1. 50 e 75% em dietas de novilhas. foram observados um aumento no ganho de peso com a inclusão de CS e uma redução na conversão alimentar. 30 e 40% na MS da dieta) em 177 . já o pH do rúmen dos novilhos suplementados com milho (25 e 50% da MS da dieta) foi inferior a 6. o pH do rúmen que a dieta suplementada com CS.73Kg/dia).De acordo com Ipharraguerre et al. 10. 2. O ganho de peso também não foi influenciado. respectivamente. próximo dos 14% estimados por Firkins (1997).22Kg/dia) e FDN (3. Este experimento permitiu concluir que a substituição parcial de milho moído por 70% de CS em dietas de novilhos não afetava o desempenho. entretanto a suplementação com milho deprimiu. ureia e silagem de milho para novilhos. sem raça definida. recebendo diferentes níveis de CS ( 0. Ipharraguerre et al.29Kg/dia para as dietas de milho moído e casca de soja. (2006) testaram a substituição parcial (70%) do milho moído pela CS em dietas contendo farelo de girassol. 25. O pH do rúmen dos novilhos suplementados com CS (25 e 50% da MS da dieta) foi sempre superior a 6. O maior nível de substituição testado (100%) correspondeu a 33% de CS na MS da dieta total. testaram cinco níveis de substituição do grão de sorgo pela casca de soja (0. 25. trabalhando com novilhos. 75. (2004). Os níveis de CS na MS total da dieta foram de 20%. 50. Os consumos de MS (10. Este efeito é mais evidente em dietas com 45% ou mais de carboidratos não fibrosos. alimentadas com silagem de milho.78 e 9. apresentando valores de 1.41 e 3.

com dieta à base de cana-de-açúcar (40% na MS) e concentrado (60% na MS da dieta). o nível de CS na MS da dieta foi de 20%. Com o aumento dos níveis de CS na dieta. relacionado à maior concentração destes na dieta. o consumo de MS e a composição do leite. Miron et al. porém. mostrando que as dietas supriram a alta produção de leite sem prejudicar o restabelecimento da condição corporal dos animais. (2004) avaliaram a performance de vacas alimentadas com péletes (36% da MS da dieta) formados por 50% de cevada ou 50% de CS.5% de gordura também não foram afetadas. tendo como volumosos silagem de milho (30% na MS da dieta) e feno de coastcross (10% na MS da dieta). 67 e 100%).substituição ao milho no concentrado.3kg de leite por vaca por dia) no tratamento em que 40% de casca de soja foram adicionados à MS da dieta. De acordo com os autores. A produção de leite (29. Não foi observada diferença na produção de leite e no teor de gordura quando se substituiu parcialmente o milho do concentrado por 50% de CS com base na matéria seca. desde que a participação do concentrado seja de 60%. 20 e 30% de CS e apresentou uma tendência de produzir menos 1. e 20% CS e 0% MM com base na MS total da dieta. não foram observadas diferenças (p>0. (2007) testaram a substituição do milho moído (MM) por CS na dieta de vacas no terço médio de lactação. houve uma diminuição numérica na produção de leite (-1. Assis et al.3Kg/dia) não variou para os tratamentos 0. ao final do experimento. sem prejuízo ao desempenho produtivo de vacas leiteiras de alta produção. Foram avaliadas três dietas: 0% CS e 20% MM. bem como para digestibilidade aparente da matéria orgânica no trato total (em torno de 25% no rúmen e 63% pósruminal). Oliveira et al. A adição de CS aumentou a porcentagem de gordura do leite e sólidos totais. 33. As dietas eram compostas de 23% de silagem de alfafa. 10. (2007) também trabalharam com vacas em terço médio de lactação. Ipharraguerre et al. A substituição do MM por CS de soja não alterou a produção de leite (em média 28. porém avaliando vacas no início e não no terço médio de lactação. Os animais avaliados foram divididos em três lotes de acordo com o período de lactação e. (2004) avaliaram níveis crescentes de casca de soja (0. Já Pedroso et al. 10% CS e 10% MM. em substituição ao fubá de milho no concentrado de vacas leiteiras com produção média de 30kg de leite por dia. (2002b) não observaram diferenças em relação ao consumo de matéria seca e matéria orgânica. Não houve diferença significativa para o consumo de MS. Para todos os tratamentos. não foram verificadas diferenças com relação à variação de peso corporal.05) para consumo de matéria seca. Foi concluído que a cana-de-açúcar pode sustentar produções de 20Kg/dia em vacas no terço médio de lactação.2Kg/dia de leite para o tratamento com 40% de CS. assim como no experimento anterior. Os resultados deste experimento sugerem que a CS pode suprir até 30% da MS da dieta de vacas no terço médio da lactação sem deprimir a produção. As produções de leite e leite corrigido para 3. houve um aumento do consumo de FDN e FDA. com média de 20Kg de leite/dia. e que a substituição de 50% do milho por CS pode ser realizada de acordo com a disponibilidade e conveniência econômica. quando comparado com o controle. 23% de silagem de milho e 54% de concentrado com base na MS. Ambos os grupos 178 . produção e composição do leite. a casca de soja serve como um bom substituto do fubá de milho.33Kg/vaca/dia). Em experimento idêntico ao anterior. Neste experimento.

favorecendo microrganismos celulolíticos. A produção de leite não se alterou (40kg/dia). Nesse experimento. o tamanho e a densidade de partículas devem ser considerados para a avaliação do consumo de MS. Por outro lado. a FDN da CS não afeta a ingestão de MS na mesma proporção que a FDN das forragens devido a sua cinética de digestão e características físicas. houve um maior consumo de FDN desta dieta. por CS na dieta-controle que continha 52% de 179 . respectivamente. comparado às forragens. De acordo com Ipharraguerre e Clark (2003). na dieta com CS ocorreu uma redução da proteína do leite. o que levou a uma menor produção de proteína microbiana. principalmente quando se utilizam diferentes fontes de FDN (Mertens. A CS também tem sido utilizada para substituir forragens quando esta ela em falta. Também foi observado um aumento na produção total de gordura e proteína para a dieta com CS.receberam uma mistura básica com 17% de FDN proveniente de forragem. Não foi observada diferença na ingestão de MS. A inclusão de CS em substituição à cevada em dietas de vacas de alta produção aumentou a ingestão e a digestibilidade da FDN. devido aos maiores teores de FDN da dieta com CS.5 e 36.9 e 38. (2004) realizaram um experimento com substituição da silagem de milho por CS (16. respectivamente. Diversos trabalhos têm demonstrado não haver alteração no consumo de MS quando o milho é substituído pela CS em níveis de 15 a 48% de MS total da dieta (Ipharraguerre e Clark. Stone (1996). Esse aumento no teor de gordura do leite foi explicado por um aumento na digestibilidade da fibra e uma melhora no ambiente ruminal. Quando mais de 30% da MS da dieta suprida pelo milho é substituída pela casca de soja. já a dieta com CS teve 31% da FDN total proveniente das forragens. Halachmi et al. Foi observado um aumento na produção de leite.5% da MS total da dieta) sob condições de clima quente. Fatores como o conteúdo de lignina. Entretanto. sendo creditada essa redução a um menor aporte de carboidratos não fibrosos ao rúmen. 1997). poderia dobrar a taxa de passagem pelo rúmen. 38.3Kg/dia para a dieta com CS e silagem de milho. As dietas controle e com CS apresentaram 35. 2003). Assim. 2003). a CS tem uma proporção de FDN potencialmente degradável maior e pode ser degradada em uma taxa maior que a maioria das forragens. em má qualidade ou quando se tem necessidade de aumentar a energia da dieta sem a inclusão de amido. Além disso. quantidades de fibra e carboidratos não estruturais digeridos e ainda no sítio de digestão podem causar uma redução na fonte e/ou quantidade de energia requerida para produção máxima de leite para vacas leiteiras de alta produção (Ipharraguerre e Clark. a dieta-controle tinha 50% da FDN total proveniente das forragens. a taxa e a extensão da digestão da parede celular. substituiu 14% da dieta. mas o percentual de gordura do leite aumentou. diferenças na fonte de energia. a composição dos carboidratos estruturais. a CS tem pequeno tamanho de partícula e alto peso específico que. Essas observações evidenciam que a utilização do teor de FDN como preditor único do consumo de MS parece ser inadequada. citado por Ipharraguerre e Clark (2003).9% de FDN. fornecida como silagem de alfafa.

No entanto. a substituição de forragem por CS pode não afetar ou até aumentar a produção de leite (Ipharraguerre e Clark. Ocorreu um aumento de ingestão de MS (20. Por meio de equações de regressão múltiplas. estes autores concluíram que: 1) a inclusão de casca de soja em quantidades superiores a 30% da matéria seca em dietas com altas concentrações de grãos pode levar a uma diminuição na fibra fisicamente efetiva. Por outro lado. Com a substituição da forragem pela CS.9Kg/dia) e produção de leite (40. devido a uma menor ingestão de carboidratos não estruturais. ocorre uma redução da efetividade física da dieta (medida pelo estimulo à mastigação). quando a CS aumentou na dieta (de 11 para 22%). 2003). elevando as concentrações de ácidos no rúmen e ocasionando uma diminuição na ingestão de matéria seca (IMS) destes animais. que inclui a efetividade física e química da dieta. Já Weidner e Grant (1994) não encontraram diferença na produção de vacas quando se substituiu o volumoso (silagem de milho e alfafa em proporções iguais) por CS em 15% da MS na dieta. 2) substituições de milho grão por casca de soja em quantidades superiores a 25% da MS da dieta podem prejudicar a produção de proteína do leite. se mantiver adequado após a inclusão da CS.forragem (silagem de alfafa e silagem de milho em proporções iguais). A FDN fornecida pela forragem em relação à FDN total da dieta diminuiu de 76% na dieta-controle para 58 e 40% nas dietas com 11 e 22% de CS. A dieta-controle continha 50% de forragem (10% silagem de alfafa e 40% de silagem de milho). 3) a substituição de volumosos por casca de soja só é conveniente quando a dieta é composta por 50% ou mais de forragens e estas apresentam um tamanho de partícula que garanta efetividade física. do contrário. Nos casos em que a forragem constitui 50% ou menos da MS da dieta total ou tiver partículas pequenas. O FDN proveniente das forragens passou de 71 para 47% em relação ao FDN total de dieta. Ipharraguerre e Clark (2003) sumarizaram dados de diversos experimentos que avaliaram a inclusão de casca de soja em dietas de bovinos leiteiros. Nesse estudo. A FDN proveniente das forragens em relação à FDN total passou de 86% na dieta-controle para 60% na dieta com CS.9Kg/dia) com a substituição da silagem de alfafa por CS. a inclusão deste subproduto resulta em diminuições no desempenho de vacas de leite.7 e 45.7 e 23. a ingestão de MS reduziu linearmente. a substituição por CS pode deprimir a produção de leite em consequência de um inadequado suprimento de fibra efetiva. A CS pode substituir a forragem quando o suprimento de fibra efetiva (FDNe). Os teores de gordura do leite não foram alterados. quando a forragem representa 50% ou mais da MS total da dieta e tem tamanho de partícula que garanta adequada efetividade física. (1993) testaram a substituição de 11 e 22% da MS da dieta fornecida como silagem de milho por CS. a CS apresenta uma efetividade química que pode prevenir uma depressão da gordura do leite. 180 . A dieta-controle era composta de 60% de forragem. respectivamente. Cunningham et al. em vacas multíparas com média de 37Kg/dia de leite. entretanto não houve diferença na produção de leite e na porcentagem de gordura do leite.

.. pode manter os níveis de produção animal por melhorar a digestibilidade da fibra da forragem. Campo Grande. v..K.. OLIVEIRA. (MF-2438). et al. TITGEMEYER. produção e composição do leite. I. p. 4.. A. desde que se tenha adequado suprimento de fibra efetiva.L. Manhattan.S.J. Soybean hulls. 2000. A CS pode substituir forragens em até 22% da MS total da dieta. 2004. os limites de inclusão na dieta devem ser respeitados. Acompanhamento da safra brasileira 2008/09.3. J. et al. BLASI.2965-2976. quando este alimento substitui grãos de cereais no concentrado.. Disponível em: http://www. quando substitui grãos de cereais na dieta. 181 . Consumo. Acessado em: abr. A CS pode substituir grãos de cereais em níveis de até 30% da MS da dieta. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ANDERSON.br/conabweb/download/safra/3graos_08. Sci. Campo Grande. CAMPOS.gov.CD-ROM. MCDONNELL.. SBZ. J. ASSIS.M. DROUILLARD. quando substitui alimentos volumosos. M. 1988. A CS. Anim. Casca de soja em dietas de vacas leiteiras. In: REUNIÃO ANUAL DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE ZOOTECNIA. Anais. para um adequado balanceamento da dieta.66.A. variação de peso. Desta forma. LIMITAÇÕES DE USO A limitação na inclusão da casca de soja em dietas de bovinos leiteiros está em função da diminuição nos níveis de energia da dieta total. et al. A. Composition and feeding value for beef and dairy cattle. 41. e a análise química realizada previamente. J. S. Digestibility and utilization of mechanically processed soybean hulls by lambs and steers. D. 2009.pdf.S. COMPANHIA NACIONAL DE ABASTECIMENTO. quando realizada uma adequada suplementação volumosa..J..S. 2004. Ambos os parâmetros restringem o desenvolvimento de um potencial máximo de produção animal. J. KS: Kansas State University.C. E.conab. MERILL. e na menor capacidade de estimular a ruminação e a salivação.09. Níveis maiores podem ser utilizados. Quarto levantamento. CONSIDERAÇÕES FINAIS A CS apresenta bom valor nutritivo para ruminantes por apresentar alta digestibilidade da fibra..

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wilsonvet2002@gmail... O consumo voluntário é baixo.br 184 .CAPÍTULO 12 UREIA E AMÔNIA EM RESÍDUOS AGROINDUSTRIAIS PARA RUMINANTES Wilson Gonçalves Faria Jr. O uso crescente de palhas e de outros resíduos acompanha o aumento de preço de alimentos de melhor qualidade. As técnicas de tratamento. de forma que o 1 Médico Veterinário. Entre as opções existentes no momento. A digestibilidade da energia contida nas palhas e nos resíduos é de apenas 40-50%. constitui uma alternativa que pode atenuar a escassez de alimento durante a época de seca e melhorar a eficiência da exploração pecuária (Reis e Rodrigues. O aproveitamento de resíduos de culturas anuais de verão e de inverno. Belo Horizonte. alexmteixeira@yahoo. bem como os reflexos sobre o desempenho animal. MG. Assim.com 4 Médico Veterinário... MSc. MG. INTRODUÇÃO Nas regiões tropicais do Brasil.com 2 Engenheiro Agrônomo. de fenos provenientes de plantas colhidas no estádio de desenvolvimento avançado. Prof.. CEP 30123-970. Lúcio Carlos Gonçalves2. sua produção energética como alimento para gado é baixa. DSc. Caixa Postal 567. Neste capítulo. Escola Agrotécnica Federal de Machado. DSc. Alex de Matos Teixeira4 RESUMO O aproveitamento de palhas e resíduos de cultura ou fenos de baixa qualidade por ruminantes pode ser potencializado com a amonização desses materiais com o uso de ureia ou amônia anidra. segurança e as recomendações de uso serão abordadas no decorrer do texto. Belo Horizonte. São essencialmente alimentos energéticos. Cristiano Gonzaga Jayme3. e a digestibilidade.br 3 Médico Veterinário. CEP 30123970. Associado Departamento de Zootecnia da Escola de Veterinária da UFMG. Doutorando em Zootecnia. MG. Escola de Veterinária da UFMG.com.ufmg. 1999). será abordado o efeito do tratamento com ureia ou amônia nos resíduos de culturas e da indústria sobre a composição química. a produção estacional de forragem é um fato concreto que tem causado enormes prejuízos à pecuária nacional. 1993). Doutorando em Nutrição Animal. MSc. Bolsista CNPQ. Belo Horizonte.1. pois a maioria dos produtores não se prepara para suplementar os rebanhos no período de escassez de forragem de boa qualidade. luciocg@vet. cgjayme@gmail. o aproveitamento de restos de culturas e subprodutos da agroindústria tem se mostrado interessante e viável na alimentação de animais de menores exigências (Cândido et al. ou mesmo daqueles que sofreram perdas de qualidade a campo. ricos em fibra contendo pouca proteína e minerais. além do uso da forragem resultante da colheita de sementes de gramíneas forrageiras. Escola de Veterinária da UFMG. Caixa Postal 567. CEP 30123-970. Caixa Postal 567.

além de conservar as forragens com alto teor de umidade (Rosa e Fadel. minerais etc. ASPECTOS QUÍMICOS DA COMPOSIÇÃO DA FIBRA A matéria seca das forragens é composta de duas frações: os conteúdos celulares. Inúmeros métodos químicos têm sido avaliados. de minerais e de vitaminas. 1. estendendose dentro da parede secundária. O espaço intercelular contém. abaixo de 6. acima de 40. na maior parte. A lignificação inicia-se na parede primária. que contém algumas microfibrilas desordenadas de celulose e. dentre os quais a incrustação e a formação de complexos ligno-polissacarídeos. que contém quase a totalidade da celulose. provocar decréscimo no conteúdo de fibra em detergente neutro (FDN). composta de três subcamadas de celulose e hemiceluloses (Duarte. e sua utilização depende da digestão microbiana.0%) e baixos teores de proteína bruta (PB. As informações de Reis e Rodrigues (1993) ressaltam a baixa qualidade desses volumosos. 1991). A amonização de forragens utilizando a amônia anidra. desde que suplementados com fontes proteico-energéticas. e a parede celular. compostos não glicosídicos (ligninas. 1991).0%) e de fibra em detergente ácido (FDA. A parede celular é composta por duas estruturas: a parede primária ou mais externa. não são economicamente compensadores em função dos custos. suberina. fornecer nitrogênio não proteico. 2001). favorecer a solubilização parcial das hemiceluloses. cutinas. com digestibilidade próxima a 100%. pectina.). visando à melhoria do valor nutritivo de volumosos de baixa qualidade (Reis e Rodrigues. principalmente. 1988). muitas vezes.0%). As ligninas interferem na digestibilidade dos carboidratos por diversos mecanismos. ceras. não poluir o ambiente. Todavia. aumentar o consumo e a digestibilidade. A 185 . o que é suficiente apenas para mantença (Jackson. físicos e químicos. Os autores consideram que esses alimentos podem ser utilizados eficientemente na nutrição de ruminantes. hemiceluloses e ligninas encontrada no vegetal. amônia líquida ou ureia tem sido uma das alternativas em razão de ser de fácil aplicação. que incluem as substâncias solúveis em água e a maioria dos lipídios e das proteínas. pois apresentam alto conteúdo de parede celular (valores acima de 60. A parede celular representa a fibra das forragens (Duarte. Aspectos relativos à química da parede celular e à anatomia vegetal influenciam na digestibilidade das forragens pelos microrganismos ruminais (Akin. A eficiência de aproveitamento desses volumosos pode também ser aumentada por meio de tratamentos biológicos. além de minerais e vitaminas.consumo de energia digestível do gado em dietas de palhadas usualmente não é maior do que 100kcal/UTM (unidade de tamanho metabólico) por dia. e a parede secundária. 1977). 1993).

o consumo voluntário e a digestibilidade utilizando-se ovinos (Tabela 2). (1992) observaram. FDN. Os dados de composição e os coeficientes de digestibilidade baixos observados pelos autores indicam a baixa qualidade dos resíduos estudados. Como consequência. 2.. que apresentou menor valor em consequência do alto teor de sílica.33%. 1989). Os baixos valores de digestibilidade de proteína são funções dos baixos valores de proteína bruta no material utilizado. Observa-se. tais como razões folha e caule na palha. Prates e Leboute (1980) realizaram um trabalho para determinar o valor nutritivo de alguns resíduos de cultivos e de indústrias comumente disponíveis. em parte. As ligninas das leguminosas contêm menores concentrações de compostos fenólicos álcali-lábeis do que as gramíneas. Horn et al. verifica-se maior deposição de compostos fenólicos que nas leguminosas (Duarte. como observado na Tabela 3. o que era de se esperar. sílica e de degradabilidade entre as variedades e os componentes morfológicos das palhas. foram determinados a composição química (Tabela 1). No entanto. PB. segundo While et al. qualquer um desses volumosos. Bonjardim et al. ou pelos efeitos tóxicos desse ácido na microflora do rúmen de forma generalizada. Segundo Akin (1988). De fato. esses autores observaram diferenças nos conteúdos de matéria seca (MS). Os dados de composição em nutrientes brutos dos resíduos indicam que. 1982). Os ácidos p-cumárico e ferrúlico foram correlacionados negativamente com a digestibilidade das forragens (Chaves et al. isso pode ser explicado pela formação de ligações tipo éter entre carboidratos e ácido p-cumárico. pois sabe-se que o avanço no estádio de crescimento das plantas produz um decréscimo da digestibilidade de todos os constituintes. influenciando o crescimento de plantas e. que os coeficientes de digestibilidade são muito baixos. 186 . por essas características.composição química das ligninas parece ser mais importante do que a quantidade na digestibilidade dos carboidratos (Akin. salientando-se o bagaço de cana-de-açúcar. 1988. as diferenças nas proporções dos componentes morfológicos de plantas. de uma maneira geral. a menos que a capacidade de consumo desses volumosos fosse ilimitada. exceto a palha de arroz. oferecido como único alimento aos ruminantes. podem ser devido a fatores genéticos e ambientais. (1988). em geral. com o aumento da maturidade fisiológica. QUALIDADE NUTRICIONAL DE PALHAS E RESÍDUOS A composição química e a digestibilidade in vitro da matéria orgânica (DIVMO) de palhas de diferentes vegetais apresentam diferenças que. nas gramíneas. Sob o ponto de vista de composição química. Para tanto. são de baixa qualidade nutritiva. para o feno de capim-estrela sem tratamento. situando-se o bagaço de cana como pior. entre todos os outros.. valores de digestibilidade in vitro da matéria seca de 38. não poderia fornecer os nutrientes necessários. Os valores de energia bruta são pouco variáveis. os resíduos de culturas ou da indústria apresentam baixos teores de proteína bruta e altos teores de parede celular. 1991).

8 0. 4Parede celular.1 ± 5. Palhas de arroz MS1 MO2 Nitrogênio Energia g MS/UTM5 g PD3/UTM kcal ED4/UTM 1 47.2 28.5 ± 3.37 4.2 0.3 82.6 56.09 82..4 10.2 73.5 60.2 41.2 35.9 49.9 23.7 47. MS .39 88.3 ± 10.47 94.8 4 bagaço de cana 25.8 54.8 ± 10.3 0.8 35.21 4..5 1.0 ± 4.6 42.03 3.4 13..72 82.3 41.3 0.MO . Fonte: Adaptado de Prates e Leboute. 2Matéria Orgânica.4 30. 1992 %.75 5.3 47.9 ± 0.1 54.8 ± 9.1 39.5 35.30 3. Metabólico.8 ± 2. 1992a Das et al.9 9.3 Consumo voluntário máximo trigo soja 37.7 ± 3.2 ± 3.6 26.16 86.1 0.Celuloses.62 80. Digestibilidade e consumo voluntário em ovinos dos resíduos de cultivo e da indústria.2 2. 1980.2 43.9 ± 5.3 76. 1990a. arroz e trigo revisados na literatura.08 45.9 - Autores Guimarães et al.0 23. 1980.0 ± 3. 2Proteína Bruta.8 capim capim lanudo rodes Coeficiente de digestibilidade (%) 43.3 8.1 41.5 ± 4.6 ± 4.2 43.7 79.61 4.38 84. Unidade de Peso Tabela 3. CEL .7 55.0 43.78 94.7 ± 2.93 8.2 8. LIG . 1992b Queiroz et al.9 44.8 ± 5.Hemiceluloses.6 39. Composição química dos resíduos de cultivos e de indústrias.3 29.8 48.57 73.6 ± 3.2 ± 4.11 94.9 ± 1.5 ± 1.27 Matéria Orgânica. Resíduos de cultura Palha de arroz Palha de trigo Palha de soja Palha capim-de-rodes Bagaço de cana 1 Matéria seca 86.1 ± 1.10 34.0 7. 1993 Singh e Makkar.Matéria Seca.4 ± 2. DIG Digestibilidade in vitro da MS.3 30.9 79.Fibra Detergente Neutro. Energia Digestível.1 ± 2.9 ± 3.54 86. Composição química e digestibilidade de palhas de milho.7 ± 0.1 25.. (%MS). FDA .Proteína Bruta.9 ± 4. 187 ..77 4.36 4. Fonte: Adaptado de Prates e Leboute.2 ± 0.Tabela 1.28 3.2 ± 5.4 7.3 ± 1.8 3.09 55.7 ± 2. FDN . 3Proteína Digestível.4 57.2 ± 2.7 45.9 ± 7.Ligninas.0 32.0 ± 2. HEM . Resíduo Palha de milho Palha de arroz Palha de trigo Palha de trigo Palha de trigo Palha de trigo 1 2 MS1 MO2 PB2 FDN2 FDA2 HEM2 CEL2 LIG2 DIG2 91.Matéria Orgânica.2 44.9 ± 5.1 98.72 91. b Queiroz et al.2 22.4 53. 1991 Ferreira et al.33 1.68 MO1(%) 80.6 5.4 83.17 98. Tabela 2.3 42.5 ± 6.33 Expresso como % de matéria seca PB2(%) EB3(Kcal/g) PC4 (%) 5.9 ± 0. 3Energia Bruta.08 87.4 5 Matéria Seca.9 ± 1. PB .2 ± 0.4 43.0 8.1 ± 3.3 ± 2.8 0.Fibra Detergente Ácido.0 38.2 44.1 87.1 10.26 83.

não ser tóxico aos animais.61 0 615 1 Matéria Seca.11 62 6331 Palha de trigo 3. 188 .06 17 5714 Palha de soja 2. ter baixo custo para aquisição e aplicação. os efeitos da amonização estão relacionados com a solubilização de hemiceluloses e com o aumento nos teores de nitrogênio total. Consumo total 1 MS (Kg/dia) PD2 (g/dia) ED (kcal/dia) Exigências (300kg)* 4.04 11 3303 Bagaço de cana 0. O produto químico a ser utilizado na amonização de volumosos deve apresentar as seguintes características desejáveis: ser de fácil disponibilidade no mercado. De acordo com Reis et al. e não deveriam ser de manuseio perigoso. o estudo realizado por Silva e Guedes (1990) confirmou a grande variação que pode existir na composição química e digestibilidade de palhas em função de fatores como cultivar e ambiente. preferencialmente ser um nutriente para o animal. AMONIZAÇÃO A amonização pode promover alterações acentuadas na composição química das frações nitrogenada e fibrosa das forrageiras. mas sim apresentar reação rápida com o volumoso. 2Proteína Digestível. Fonte: Adaptado de Prates e Leboute. 3. Reis e Rodrigues (1995) ressaltam que nenhum dos produtos químicos utilizados atualmente.50 190 11.68 135 5339 Palha de capim-lanudo 2. Tal fato indica a necessidade de aplicação de práticas que melhorem o aproveitamento e a digestibilidade desses alimentos com o objetivo de aumentar o consumo e propiciar a utilização desses materiais de forma mais eficiente. Outros aspectos importantes correspondem ao efeito corrosivo das substâncias e ao risco de contaminação do solo e cursos d’água. proteína ou energia digestível para sua mantença. Tais alterações podem aumentar a digestibilidade e o consumo desses alimentos e. in vivo e in situ da matéria seca. assim. proteína digestível e energia digestível dos resíduos estudados e as exigências para mantença de um novilho de 300kg de peso vivo. no tratamento de volumosos de baixa qualidade.11 48 4021 Palha de capim-de-rodes 2. atende a todas essas especificações enumeradas. Comparação entre os consumos de matéria seca.Observando-se a Tabela 4. o desempenho dos animais. resultando em elevação de digestibilidade in vitro. Tabela 4. (1993). Contudo. Os dados obtidos pelos autores indicam que a seleção de materiais pode ser feita no sentido de melhorar a qualidade das palhadas sem prejuízo na produção de grãos. 3Energia Digestível. fica claro que nenhum dos resíduos fornecidos como alimento único permitirá ao animal atingir consumo suficiente de matéria seca. Contudo. 1980.340 Palha de arroz 3.

1993). e não apresenta sensibilidade à luz. R1 Carboidrato estrutural.1. é incolor. NH3 + H2O NH4OH 189 . ou átomo de hidrogênio. e apresenta as seguintes características: peso molecular igual a 17. a NH3 possui 82% de nitrogênio. o que equivale a 512. ponto de solidificação a 760mm HG igual a 77. A ação da amônia anidra sobre a fração fibrosa de volumosos pode ser explicada. melhorando a digestibilidade e o consumo das palhas (Van Soest.Amoniólise: A principal reação que ocorre entre a fração fibrosa e a NH3 é a amoniólise das ligações do tipo éster. existente entre as cadeias de hemicelulose e os grupos de carboidratos estruturais ou entre moléculas de carboidratos estruturais e a lignina.35°C. entre o ácido urônico das hemiceluloses e da celulose. possui odor picante e fortemente penetrante.70°C e temperatura de autoignição igual a 850°C. 1993).1. zinco. Em estado gasoso. Comitê de Amônia (1977).03g/g mol. 1993). destacando-se o uso de amônia anidra (NH3). citado por Reis e Rodrigues (1993). que é uma base fraca (Reis e Rodrigues. alguns sistemas de tratamento químico estão sendo pesquisados na Europa e nos Estados Unidos. pode ser usada como solvente. prata e suas ligas. 3. O O ⎢⎢ ⎢⎢ R-C-O-R1 + NH3 R-C-NH2 + H-O-R1 R Carboidrato estrutural. A amônia anidra apresenta corrosividade a materiais constituídos pelos seguintes elementos químicos: cobre. 2ª Reação . o que potencializa o ataque das frações fibrosas pelos microrganismos ruminais. publicado pelo Instituto Brasileiro do Petróleo. por meio das seguintes reações químicas: 1ª Reação . resultando na formação de amidas (Reis e Rodrigues.3. são também rompidas. 1994).Formação do hidróxido de amônio: A alta afinidade entre a NH3 e a água existente nos volumosos resulta na produção de hidróxido de amônio (NH4OH). ou seja.1. Amônia anidra A amônia anidra é um composto químico que apresenta características próximas às da água. ou unidade fenilpropano de lignina. parte da lignina e da sílica pode ser dissolvida.5% de proteína bruta. ponto de ebulição a 760mm Hg igual a 33. e as ligações intermoleculares do tipo éster. Segundo os dados relatados no Manual de amônia. Dessa forma. de hidróxido de amônio (NH4OH) e de ureia (Reis e Rodrigues. Reações químicas Durante o tratamento.

daí ser considerada um composto nitrogenado não proteico (NNP). devem-se considerar. álcool. em condições hermeticamente fechadas e sob ação da uréase. quando se usa NH3.1. 3. possui em sua composição pequena quantidade de ferro e chumbo. 1993). 2001). O O ⎢⎢ ⎢⎢ + R-C-O-R1 + NH4OH R-C-O + NH4 + H-O-R1 R Carboidrato estrutural.2. a disponibilidade e o custo dos produtos químicos. Todavia.Hidrólise alcalina: A partir do hidróxido de amônio. forrageira após o florescimento). é classificada como amida. por meio da hidrólise da ureia (Dolberg.. que não são considerados tóxicos (Santos et al. Uma alternativa viável para se proceder à amonização de volumosos de baixa qualidade é o sistema do qual se obtém a NH3. a partir da hidrólise da ureia. em função do baixo conteúdo de umidade dos volumosos a serem tratados (fenos. o pH da forragem tratada com NH3 tende a se elevar em função da formação de NH4OH. sendo 190 . composto orgânico sólido. É importante salientar que inúmeros fatores podem afetar a eficiência da liberação de amônia. É importante considerar que. Ureia e hidróxido de amônio A adoção de sistemas de tratamentos químicos de volumosos requer a avaliação criteriosa de aspectos referentes à relação custo-benefício. Nesse sentido. a hidrólise alcalina tem menor participação no processo de “amonização”. A amônia proveniente da ureia reage com os componentes da fração fibrosa dos volumosos como descrito anteriormente. R1 Carboidrato estrutural. ocorre a liberação de NH3 a partir da ureia. pode ocorrer a hidrólise alcalina das ligações tipo éster existentes nos volumosos (Reis e Rodrigues. resíduos de cultura. 1992). em primeiro plano. Quimicamente. possui cor branca e é cristalizada por meio do sistema prismático.3ª Reação . NH2 O=C NH2 Uréase H2O CO2 + 2NH3 Esse sistema de tratamento baseia-se no fato de que. A ureia é solúvel em água. ou átomo de hidrogênio ou unidade fenilpropano de lignina.

(1991). e a ureia é aplicada na dosagem de 4. na 191 . os resultados foram menos homogêneos. A combinação de altas temperatura e pressão. (2000) estudaram o efeito da soja crua. A adição de uma fonte de uréase para facilitar o processo produz resultados que ainda são contraditórios e dependem da fonte de uréase. O uso do hidróxido de amônio. que foram similares aos obtidos com a aplicação de ureia com umidade nos níveis de 31. No entanto. quando aplicados em palha de trigo. Segundo Hadjipanayiotou (1982). a adição de grãos de soja crus não teve efeito significativo quando aplicados em resíduos de milho.0%.0 a 8.0% da matéria seca do volumoso. reduziu o conteúdo de fibra em detergente neutro (FDN). pois o hidróxido de amônio possui 29. UMIDADE E USO DE UREASES Segundo Jackson (1977). seus únicos efeitos significativos foram sobre os valores de FDN e DIVMS. EFEITO DA TEMPERATURA. quando se aplicava amônia. a maior eficiência do tratamento com ureia pode ser obtida quando o volumoso possui teor de umidade de 30. Aumentos maiores na digestibilidade são alcançados quando o material é cozido à pressão com soluções alcalinas. O processo de amonização com o NH4OH é semelhante ao da amônia anidra. como fonte de uréase. O aumento da umidade para 30. a temperatura não influenciou nem o grau de ureólise nem a DIVMS. As informações relativas à influência do teor de umidade e da temperatura na aplicação de amônia anidra e ureia são frequentemente contraditórias. A principal diferença está no grande volume de líquido utilizado comparado ao pequeno volume dos sistemas com NH3.0% produziu uma resposta positiva na maioria dos parâmetros químicos analisados. (1993) não encontraram diferenças entre os aumentos nos teores de proteína bruta (PB) e digestibilidade in vitro da matéria seca (DIVMS) decorrentes do tratamento com amônia anidra de fenos de aveia contendo teores de umidade alto e baixo. Sarmento et al.os mais importantes: o conteúdo de umidade dos volumosos. 4. Nos resultados obtidos por Munõz et al. o período de tratamento e a quantidade de ureia aplicada. As temperaturas usadas não foram limitantes e tiveram efeito significante (P<0. a amonização pode ser feita por meio do hidróxido de amônio. Em níveis de umidade baixos. Ferreira et al.7%. ou “água-amônia”.1% e 42. Além do sistema de tratamento com ureia. ainda tem sido feito em pequena escala se comparado aos outros sistemas de tratamento. o aumento no conteúdo de umidade. temperaturas superiores a 100°C à pressão atmosférica não potencializam a efetividade do álcali em aumentar a digestibilidade do volumoso.0%. a atividade de uréase dos volumosos. Em resíduos de cultura de milho. pode aumentar a eficiência do processo de alcalinização ao qual o material tratado é submetido. e. mas não modificou os valores de DIVMS. que ocorrem durante a peletização. Segundo Dolberg (1992).05) nos conteúdos de FDN e N total.0% de amônia anidra em sua composição. com aumento de umidade para 40. a adição de grãos de soja crus aumentou o grau de ureólise na palha de trigo.

0%) associados a maiores doses de amônia (3. O procedimento a seguir é uma possibilidade de aplicação proposta por Reis et al. os silos tipo cisterna. podem causar decréscimos na DIVMS. via fenos de B. Utilizaram quatro níveis de fontes de uréase (0%. (2006) sugerem que maiores teores de umidade (15. a adição de fonte de uréase até 3. com considerações bastante práticas. foi influenciada pela duração dos tempos de amonização. Brizantha. ureia e também do hidróxido de amônio.5% da MS) em bagaço amonizado com 7. (1991): Escolher um local plano. Brizantha com dois níveis de umidade (15.0%) tratados com 5. O teor de umidade apresentou pouca influência nos efeitos da ureia e das fontes de uréase. no entanto altos níveis de soja crua (7. Os resultados obtidos no trabalho de Queiroz et al. condições de segurança etc. ou poço. decumbes.75% (base MS) melhorou a DIVMS do bagaço de cana tratado com ureia.5%.0% ou 30. Pires et al. O uso de uréase (3. A perda de benefícios do tratamento com amônia anidra. A área onde os volumosos ou fardos a serem tratados serão empilhados deverá ser forrada com plástico ou ter o piso cimentado. 5.0% versus 5. não havendo diferenças nos valores de DIVMS dos fenos tratados. se possível. bem drenado e.5%). 3. A escolha dependerá de fatores como: disponibilidade e material. mostram que o tempo de duração da amonização não interferiu sobre os aumentos de PB e DIVMS.0% versus 30. durante 60 dias. Aplicação de amônia anidra Existem muitos procedimentos para a aplicação da amônia anidra. a amonização pode ser realizada por meio da aplicação de amônia anidra. TÉCNICAS PARA A AMONIZAÇÃO DE VOLUMOSO Como já mencionado anteriormente. (1992b). em relação ao tempo de tratamento com amônia anidra. Os silos trincheiras. de acordo com Reis et al. 5. entretanto o teor médio de FDN do bagaço diminuiu. Já Bertipaglia et al. 192 . próximo das instalações onde os animais receberão a forragem tratada.amonização do bagaço de cana-de-açúcar por meio da ureia. na composição de fenos de B. (1991).1.0% de ureia. serão descritas as técnicas recomendadas para a aplicação dos diferentes produtos químicos. Por outro lado.0% da MS) promoveu benefícios somente em níveis mais elevados de ureia.75% e 7. após a retirada do plástico que protegia o material. Peninsetum purpureum ou Leucaena leucocephala. ou qualquer compartimento que possa ser hermeticamente fechado. (2005) não encontraram benefícios na adição suplementar de uréase. Os teores médios de PB e hemiceluloses não foram afetados pelos níveis crescentes de uréase. armazenados por um período de 96 dias.5% de ureia (base da MS).2. como fonte de uréase. quantidade de forragem a ser amonizada. podem também ser utilizados. A seguir.0% da MS) garantem maiores respostas na qualidade nutricional de fenos de B.

apropriada para resistir à pressão exercida pela bomba.8mm de espessura). cobrir com lona plástica (0.7cm). evitando. Verificar a vedação da pilha e proceder à aplicação da amônia. deve-se colocar um registro de PVC. colocar uma camada de fardos e. descobrir as pilhas e. bem como os possíveis pontos de vazamento de amônia. Geralmente. fechar o registro de PVC que foi colocado no ponto de conexão entre as mangueiras e inspecionar todas as laterais da pilha para verificar se existe algum orifício por onde esteja escapando a amônia. 193 . de modo a evitar vazamentos. O excesso da lona de cobertura deve ser cuidadosamente enrolado com a lona da base da pilha. tendo os furos o diâmetro de um lápis (0. Após empilhar os fardos (retangulares ou redondos). No ponto de conexão entre a mangueira que sai do cilindro e a que está no interior da pilha. A abertura do registro do cilindro deve ser feita lentamente. Por meio da pesagem contínua. o número de fardos. usar sacos com areia ou terra para evitar qualquer vazamento de amônia. Após 21 a 30 dias de tratamento. aproximadamente. Essa folga permitirá expansão do gás nas primeiras horas de tratamento. duas polegadas. deixando “de fora” apenas a ponta da mangueira que será conectada ao cilindro de amônia. inclinado ou mesmo de “ponta-cabeça” (válvula de saída para baixo) sobre uma balança. Para tanto. A quantidade de amônia a ser aplicada é baseada no peso de matéria seca da forragem ou simplesmente no peso bruto. iniciar o fornecimento aos animais. dois a três dias depois. e a outra deverá possuir uma redução para permitir a conexão com a mangueira que será acoplada à válvula de saída do botijão de amônia. perda de amônia no momento de desconectar as mangueiras. dessa forma. o peso total do material a ser tratado e a dosagem a ser aplicada. tem-se utilizado mangueira de alta pressão com diâmetro de 3/4 de polegada. É conveniente manter as pilhas protegidas para evitar chuvas. Recomenda-se a adição de quantidades equivalentes a 2 a 4% do peso seco do volumoso a ser tratado. Fechar muito bem as laterais da lona em contato com o solo. A mangueira deve ser de alta pressão. Ao terminar a aplicação. Uma das extremidades do cano deverá ser tampada. A tubulação deve ser de cano PVC de.6 ou 0. Colocar o cano sobre a primeira camada de fardos e continuar a construção da pilha até atingir a altura e a largura desejadas em função da lona de cobertura. a seguir. pode-se aferir com precisão a quantidade de amônia aplicada. O cano de PVC deverá ser perfurado de 30 em 30cm.Para a confecção das pilhas. deixando a lona folgada em todas as laterais e no topo da pilha. verificando-se as conexões. calcula-se facilmente a quantidade total de amônia a ser aplicada. a tubulação ou vasilhame que receberá a amônia. O cilindro de amônia deverá ser colocado na posição horizontal. Sabendo-se o peso médio dos fardos.

Em volumosos mais úmidos (20 . a abertura da válvula do botijão e o reparo de quaisquer vazamentos. retirar a vítima para local arejado e realizar a lavagem dos olhos com água corrente durante 15 minutos.0%). Se a vitima puder engolir. devem-se retirar com rapidez as roupas molhadas com amônia e lavar a área atingida com água e sabão em abundância.As seguintes medidas de segurança são imprescindíveis para o operador que efetuará o engate das mangueiras. irritação dos olhos e garganta. existem outras possibilidades de métodos de aplicação cuja escolha dependerá dos mesmos fatores citados anteriormente. sob risco de intoxicação. A ureia deve ser aplicada na proporção de 4. para auxiliar na inativação do hidróxido de amônio. o material deve ser empilhado sobre uma lona plástica e recoberto com outra lona. permitir a aeração por dois a três dias antes de iniciar o fornecimento aos animais. no mínimo. deve-se molhar a parte afetada com bastante água. Podem-se usar silos trincheira. É aconselhável manter solução de ácido acético a 5%.0 a 8. Aplicação da ureia Da mesma forma que para a amônia anidra. Não deverá ser permitido o uso de tabaco durante a aplicação de amônia nas proximidades do local de tratamento. pois a amônia é um produto cáustico.0kg de ureia diluída em 28 litros de água e aplicada em 100kg de forragem.0% ou limonada. silos cilíndricos e compartimentos fechados. A ureia deve ser aplicada diluída em água para garantir melhor uniformidade de distribuição. 1993).2.0 a 8. 194 . deve-se levar a vitima ao pronto-socorro para avaliação médica adequada. recomenda-se a aplicação de ureia 4. Caso ocorra queimadura de pele. Em casos de irritação da garganta e cavidade nasal. fornecer solução de ácido cítrico a 5. Após a abertura das pilhas de fardos. Após o enfardamento. 5. óculos de proteção e máscara de gás própria para trabalhar com amônia (Reis e Rodrigues. No caso de volumosos com alto conteúdo de matéria seca (90. ou vinagre doméstico. A solução de ureia deve ser aplicada na forragem antes de ser enfardada.30% de umidade). O operador deverá usar luvas de borracha. Em casos de irritação dos olhos. Após os primeiros socorros. O teor de umidade adequado para o tratamento é no mínimo de 30%. a quantidade de água dever ser diminuída. Os volumosos tratados devem permanecer em condições fechadas por duas a três semanas. É conveniente manter a pilha coberta para evitar água das chuvas. para garantir uniformidade na distribuição. Próximo ao local de aplicação do produto.0% do peso seco do volumoso. de tal forma que fique hermeticamente fechado. a fim de se evitar casos de queimadura. deverá estar disponível banheiro com sabão para se prestar os primeiros socorros em casos de acidente e contato com a pele.

a amônia é geralmente considerada mais aceitável do que outras substâncias. O método desenvolvido nos Estados Unidos consiste em montar pilhas de fardos hermeticamente fechadas.5. 1986). A análise desses estudos mostra aumento nos teores de FDA e de celulose dos volumosos tratados com NH3. de celulose e de ligninas são controversos (Brown et al. 195 . (1986). tem-se o inconveniente das perdas de amônia por volatilização. ambos tratados com doses de 1. (1988) avaliaram diferentes variedades de palhas de arroz e observaram que o efeito do tratamento com amônia foi pronunciado em todas as variedades e frações botânicas (caule e folhas). tem-se o contato da NH3 com a forragem. quando as descargas são usadas como fertilizantes. respectivamente. While et al. Seu uso também contorna o problema do acúmulo de sódio no solo.7%. 1992). embora se aconselhe picar as palhas oriundas de cereais de caules mais duros. para a palha de milho mais sabugo. e acrescenta N ao material normalmente deficiente. comparados aos seus controles. Teixeira (1990) relata aumentos do teor de PB da ordem de 159. do tempo de tratamento e da qualidade inicial do resíduo. Aplicação de hidróxido de amônio A solução de hidróxido de amônio ou “água-amônia” pode ser aplicada por aspersão sobre o volumoso antes do enfardamento. Todavia. Da mesma forma que nos sistemas descritos anteriormente. 6. Sem dúvida.8 e 273.. De acordo com Birkelo et al. iniciar o fornecimento aos animais. uma vez que o tratamento causou a perda de hemiceluloses e uma perda proporcionalmente maior de ácido do grupo ferrúlico que do p-cumárico das paredes. Os dados de inúmeros estudos que pesquisaram os efeitos da amonização sobre os conteúdos de FDA. A aplicação de amônia promove alterações na composição química de volumosos de baixa qualidade. para o capim-elefante (Pennisetum purpureum Schum). sendo o efeito maior nas variedades com menor valor nutritivo. (1988) observaram que menos parede celular foi isolada de palhas tratadas do que não tratadas. sendo que as de arroz podem ser tratadas inteiras.0% de amônia anidra.3%. como as de trigo (Dolberg. tendo no centro um reservatório que receberá a solução de amônia. notadamente na fração fibrosa e no conteúdo de nitrogênio total. O tratamento com amônia tem fornecido resultados similares em relação a consumo e digestibilidade da MS. Após a abertura das pilhas (dois a três dias). pois dependem do nível de aplicação. resultando em diminuição no conteúdo de FDN ou parede celular (Sundstol et al.3.5 e 3.6 e 105. Mason et al. e 61. os volumosos devem permanecer sob lona plástica durante duas a três semanas. EFEITOS DA AMONIZAÇÃO NA QUALIDADE DO VOLUMOSO Resíduos de culturas de todos os tipos de cereais podem ser tratados com amônia. 1978).. A partir da volatilização da amônia da solução. uma das principais alterações na composição química da fração fibrosa de volumosos tratados com NH3 é a solubilização das hemiceluloses. tais como hidróxido de sódio.

8 a* 8.7 c 63. % da MS Feno Brachiaria decumbens1 Brachiaria decumbens2 Tratamento PB 3.1 16.3 a 29.Celulose.9 a 79. decumbens.6 a 54. a amonização eleva o conteúdo de nitrogênio não proteico (NNP) dos volumosos.8 83. Brown et al.45 a* 7.7 a 80.4 a Controle Ureia 5% Controle Amônia 3% Ureia 5% Brachiaria Controle decumbens3 Ureia 6% Brachiaria Controle decumbens4 Amônia 3% Ureia 5. que influenciam na magnitude das respostas da amonização.8 b 46. (2002).Ligninas.0 a 30.(2003).6 17.0 b 66.0 b 80. 2Fernandes et al.2 b 77.6 a 54. brizantha e de 20. De modo geral.6 46.9 16.Digestibilidade in vitro da matéria seca.8 38.7 16.0 a 2.9 a 41. Todos os trabalhos evidenciam a melhoria no valor nutricional dos fenos. resultam em elevação significativa na digestibilidade da forragem tratada (Sundstol et al.3 a 0.8 18.2 b 54.4 b 32.0 a 87. NIDN .7 15.5 a 38.2 b 14.5 a 9.1 a FDN 82.5 a 59. HEM .7 a** 8.2 b 0.6 b 32. 1986).39 a* 10. decumbens.4 a 72. Como pode ser observado para B.7 45.Fibra em detergente neutro. a amonização promove um aumento na DIVMS de 11.3 c** LIG DIVMS 40.4 a 35. são apresentados os resultados de algumas pesquisas que avaliaram os efeitos da amonização de fenos de gramíneas tropicais de baixa qualidade nutricional com ureia ou amônia anidra.Hemiceluloses. com a solubilização das hemiceluloses aumentando a disponibilidade de carboidratos prontamente fermentáveis para os microrganismos do rúmen.8 b 41.0% para B.Nitrogênio ligado à FDN.8 47.2 b 38 35 36..9 b 2.4% Hyparrhenia Controle rufa4 Amônia 3% Ureia 5.5 38.6 a 14. em função da solubilização das hemiceluloses. 196 .8 b NIDN* NIDA** 7.4 a 12.2 82.3 40.3 42.9 b** 7.7 b 12.6 39. Na Tabela 5.0 b CEL 39.2 a 31.0 ab 0. 3Gobbi et al.1 b 52.1 a** 9. FDN .34 a* 8.7 a 48.3 a 31.7 a 49. 4Reis et al.2 c 61. Além dos efeitos na fração fibrosa.1 b HEM 32.4 b 82.5 b* 7. há diferenças nas composições químicas do feno não tratado. 1978.8 c 9. Tabela 5.8 b FDA 50. Estes efeitos.5 b 13.5 b 23.0 a 5.Tal fato pode ser explicado pela elevação proporcional nesses valores.4 b** 8. no tempo de tratamento e por características inerentes ao volumoso.3 40.0% para o capim-jaraguá.5 c 59.5 a 49. FDA .1 27.4% Brachiaria Controle brizantha4 Amônia 3% Ureia 5.2 b 45. Efeito do tratamento com ureia ou amônia em fenos de gramíneas tropicais de baixa qualidade nutricional.6 b 26.7 a 48.6 b 55.. Por outro lado.0 a** 7.2 48. de modo geral.8 a 21.4% PB= Proteína Bruta.7 b 54.7 b 26.4 a 5.5 b 38.(2001).Nitrogênio ligado à FDA. Fonte: Adaptado de 1Schmidt et al.2 50.6 c 12.6 43 42.4 a 40.6 45. de 35.8 a 22. LIG .1 b 77. NIDA .5 a 47.1 b** 8. via de regra. que.Fibra em detergente ácido.5 b 82. alguns trabalhos têm mostrado decréscimo no conteúdo de ligninas.9 b 45. Os efeitos no valor nutricional dos volumosos pelo uso de ureia ou amônia tendem a ser semelhantes.4 a 56.4 b 58.3 b 30. porém diferenças podem ocorrer por diferenças nos níveis de ureia utilizados.2 46.4 b 18.8 a 78.4 b 9.0% para B.2 b 12.5 b 81.2 b 77.4 a 76.7 a 4. apresentam reduções nas frações fibrosas e aumento nos níveis de proteína bruta e digestibilidade da matéria seca.8 b 58.9 b** 7.0 b 52.5 a 46. considerando-se que os resultados são expressos em termos percentuais.8 b 42.9 44.0 a 51. CEL . DIVMS .9 b 14.9 50. (2005).0% a 23.1 b** 7.

8Ab 14. não alterou os teores de FDN. de celulose e de ligninas do feno de coastcross. não observaram efeito do tratamento sobre os teores de FDA. Efeito dos níveis de amônia na composição química do feno de capimbraquiária. na linha.4Aa 47.0%).5Cb 14.0% MS 40. MS .14a Lignina 9. hemiceluloses ou celulose.30c 70.00c 48.9Bc 10. Esse fato pode justificar. FDA . o aumento no coeficiente de digestibilidade da FDN.96b 77. como por ser visto na Tabela 6.1Ba 58.0% para 30. Componentes Níveis de NH3 0. (1993).34c 53. É importante salientar que os teores de umidade dos volumosos tratados com ureia estavam abaixo do recomendado por Dolberg (1992). FDA. Fonte: Reis et al. hemiceluloses e celulose.0% para 24. consequentemente.90a Hemiceluloses 63.5Ba 43. elevação na digestibilidade in vitro da matéria seca dos volumosos estudados. FDN .2Ac 13.0Ba 10. observando. Tabela 7. Apesar de a fração fibrosa ter sido praticamente inalterada com o tratamento. a amonização.05) pelo teste SNK. como pode ser observado na Tabela 7.4%MS).0% da MS) ou ureia (5.30b 60.00a FDA 42.0%MS) ou com ureia (5. (1993). entretanto.5Aa 12.20b 53. Teores de proteína bruta (PB) e valores de digestibilidade in vitro da matéria seca (DIVMS) do feno de capim-coastcross.4% da MS).1Bc 11. os autores observaram diminuição no conteúdo de hemiceluloses do feno de coastcross (36.1Ba 46. redução nos teores de ligninas.1Cab 20. O aumento no nível de ureia potencializou esses efeitos. Tabela 6.2Ab Triticale 2.9Ba Coastcross Aveia 7.1Aa Casca de 3. (1993). Reis et al.7Aa 50.0% para 26. principalmente nas palhas de aveia e no triticale.Fibra em Detergente Neutro. da palha de aveia.16 Médias seguidas de letras distintas. não tratados.5Aa 58.Matéria Seca. porém proporcionou aumento nos teores de proteína bruta e. (1993).Fibra em Detergente Ácido. da palha de aveia (27. diferem entre si (p<0. de FDA.0Bb 13. de triticale e da casca de arroz. das palhas de aveia e de triticale.0% 1.78 10. em parte.70c 47.9Ac 67.No trabalho de Grossi et al.0Aa 30.11a FDN 59.5% 3.0%) e de triticale (30.20b 67. trabalhando com diferentes níveis de amônia em feno de capimbraquiária.00c 64.0%) com o uso de NH3.8Ab 17.1Bb 16.8Aa arroz Fonte: Adaptado de Grossi et al. tratados com amônia anidra (3.58a Celulose 45. com amônia anidra (3.38b 54. 197 .2Bb 56. PB(%MS) DIVMS(%MS) Controle Amônia Ureia Controle Amônia Ureia 7.07 11.

28 ab 11.87 a 51.41 b 71.86 a DIVMS 27.03 c 13.88 b 44.14 a 18.46 b 2.06 b 44. foi de 3.43 b 7. tanto antes quanto depois do tratamento (Jackson.0% a 10.77 a 38.Digestibilidade in vitro da Matéria Seca. sendo as melhores respostas obtidas com 7.Proteína Bruta. Fonte: Nascimento et al.02 a 76.Fibra em Detergente Ácido.02 a 31. PB . 1977). Resíduo Casca de arroz Dias 0 10 20 30 0 10 20 30 0 10 20 30 PB 4. nos resíduos tratados é maior que naqueles não tratados.28 c 86..18 a 71.61 a 11.14 b 64.54 a 10.20 b 50. (2005) avaliaram seis níveis de uso de ureia. Tabela 8. 1999).05).47a 45.86 a 73.93 a 51.0% de ureia na MS.05 a 43.00 ab 9.18 b Lignina 12.63 a 8.36 a 18. Além disso.77 b 44. DIVMS . na amonização de fenos de B. (1999) encontraram que a amonização via ureia proporcionou melhoria no valor nutritivo do bagaço de cana-de-açúcar.81a 10. essa mudança nas proporções também contribui para o aumento da digestibilidade após tratamento.91 a 41. valores na mesma coluna seguidos da mesma letra não diferem Tukey (P>0. 198 .85 a 8.32 a 86. Efeito do tempo do tratamento na composição química e digestibilidade de resíduos tratados com 5.69 a 42. (1999). e relataram que melhorias nos tratamentos resultaram em melhorias do valor nutritivo do feno. e uma vez que a digestibilidade das hemiceluloses é cerca de 20.0% inferior à da celulose.97 a 13.0% da MS. considerando-se o nível mínimo de PB adequado para bom funcionamento do rúmen.56 a 8.62 c 63.85 a 38. de 0.00 a 51. FDN .Gobbi et al. Cândido et al.51 b 71.94 a FDA 56.82 b 11.10 b 11.93 b 35. enquanto a proporção de hemiceluloses é menor. Como pode ser visto na Tabela 8.20 a 4. a incubação com ureia aumentou o percentual de proteína bruta (Nx6.13 a 37.25) dos resíduos estudados.0% de ureia. visando à melhoria no seu valor nutritivo.59 a 38.11 b 17.12 a 74.80 a 86.74 a Bagaço de carnaúba Bagaço de cana Para o mesmo resíduo.43 c FDN 78. decumbens.20 b 4. Verificaram que o nível mínimo de adição de ureia ao bagaço. FDA . e os maiores percentuais de aumento ocorreram nos primeiros 10 dias de incubação e nos materiais com menores teores proteicos (Nascimento et al.0% (base da MS).19 a 86.85 a 40.24 b 67. pois proporcionaram os maiores valores de DIVMS.18 c 78. a proporção de celulose. O aumento da digestibilidade dos resíduos tratados está relacionado com o aumento da digestibilidade da celulose presente. comprovada pela elevação do teor de PB e DIVMS e pela redução no conteúdo de FDN.Fibra em Detergente Neutro.78 c 5.60 a 18.23 ab 74.40 ab 12.

Os dois efeitos em conjunto favorecem o aumento das superfícies acessíveis aos microrganismos ruminais. O tratamento com amônia promove a redução da cristalinidade das moléculas de celulose. promovendo maior fermentação. dentro da matriz celular. 1977).0 – 4. maior taxa de passagem e potencializando o consumo (Goto e Yokor. resultando em maior ataque enzimático. e isso deveria contribuir para a maior digestibilidade da celulose.22 69. Alguma quantidade tanto de lignina quanto de sílica é dissolvida. contudo. resultando em aumento de volume. De forma geral. e ligações éster intermoleculares entre grupos ácido urônico de hemiceluloses e celulose são provavelmente hidrolisadas. podem ser fisicamente restritas pelo aumento de volume.51c 44. comparando tratamentos com amônia anidra e ureia em solução e observaram uma pequena superioridade do primeiro em concordância com a literatura. os aumentos numéricos são maiores. A celulose após o aumento de volume deveria ser mais facilmente penetrada pelo fluido ruminal. o uso da amônia anidra proporcionou aumentos na DIVMS dos volumosos. apesar do menor valor 199 . (1992) realizaram uma série de experimentos. Joy et al. e isso também ocorre de acordo com a literatura para tratamento com amônia. Como pode ser observado na Tabela 9. Tabela 9. ou seja.0% de ureia pode ser considerada suficiente para tratamento com teor de umidade de cerca de 30%. e o tratamento alcalino provavelmente também remove essas barreiras em alguma extensão. 1990b c b a Feno de aveia DIVMS 67. Os tratamentos com doses mais altas de ureia forneceram valores de digestibilidade da matéria orgânica e consumo ligeiramente maiores. As fibras de celulose. 1996). em materiais de melhor qualidade nutricional.99b 48. A qualidade nutricional inerente ao material influencia nas respostas aos tratamentos. após o tratamento. os resultados relativos são mais pronunciados.03a Ferreira et al. 1993 Quando se trata de palhas de qualidade muito baixa. O álcali reduz a resistência das pontes de hidrogênio intermoleculares e promove quebras de ligações éster inter e intramolecular presentes nas moléculas de celulose e hemiceluloses que as mantêm unidas..85 77.A celulose sofre um aumento de volume em função do tratamento com álcali (Jackson. Produto Componente Níveis de amônia anidra (% na MS) Autor (% na MS) 0 2 4 Palha de arroz DIVMS 34. mas nem sempre significativos. uma dosagem de 3. o tratamento com 4.49 Ferreira et al. pelas formações de complexos da celulose com a amônia.0% de amônia proporcionou aumentos de 39% nos valores de DIVMS da palha de arroz.. Efeitos dos níveis de amônia anidra sobre a digestibilidade in vitro (DIVMS) da palha de arroz e feno de aveia de baixa umidade.

em termos absolutos. com redução dos níveis de FDN e aumento nos teores de PB e DIVMS. fragilidade e solubilidade das forragens e pelo fato de essa mudança. A amonização promoveu melhorias na qualidade nutricional dos fenos. com efeitos positivos sobre as características da flexibilidade. com ou sem suplementação concentrada. respectivamente. Freitas et al. O uso de concentrados reduziu a digestibilidade da MS da palha de arroz.60 e 47.66. para a palha de arroz amonizada e não tratada. Contudo. Já o uso da ureia foi pouco eficiente no controle dos fungos. o que está de acordo com a ausência de alteração na composição química dos fenos tratados relatada por esses pesquisadores. o tratamento proporcionou aumentos relativos de 15. porém não significativa. a solubilização de parte das hemiceluloses e de nitrogênio ligado à FDN bem como o aporte de nitrogênio suplementar aumentam a quantidade de carboidrato e nitrogênio prontamente fermentável e favorecem o aumento da DIVMS dos volumosos tratados. (2004) encontraram efeito positivo (P<0. 56.51. Esses autores observaram que a amônia foi eficiente no controle de fungos produtores de toxinas como Aspergillus e Penicillium. de aumento na digestibilidade aparente da PB.5 e 1.04 e 51. O tratamento da palha de arroz provocou efeito significativo (P<0. Segundo Reis et al. Vale ressaltar que os teores de 0.82 e 5. ter exercido papel favorável na colonização e degradação da fibra. Houve tendência. que se têm mostrado efetivos no controle de fungos (1.0% e.9% e 1.0% de NH3 na MS. 8.0% ou 34. contudo não houve redução nos teores de FDA e lignina. Esses autores concluíram que a ureia proporcionou o mesmo efeito da amônia e que o uso de uréase adicional não promoveu benefícios. (2001). assim como da MS da palha de arroz com a amonização da palha de arroz. porém foi ineficaz no controle de Paecilomyces. da MO e da PB. resultando em deterioração dos materiais.0% da MS) ou ureia (4. de 10 unidades percentuais na DIVMS para o feno tratado em comparação ao controle. entretanto a amonização minimizou esse efeito. no feno de trigo.23 g/UTM/dia.05) no consumo voluntário da MS. (Tabela 10). Os fenos de Brachiaria decumbens e Hyparrhenia rufa (capim-jaraguá) foram avaliados quanto ao efeito do tratamento com amônia anidra (3. associado ou não com fonte de uréase) sobre a composição química. FDN e FDA da dieta.5% da MS. (2002) avaliaram o potencial da amônia anidra (1.0% a 27.8% de ureia objetivaram alcançar teores equivalentes a 0. esses níveis são baixos para promover melhorias na qualidade nutricional do volumoso. 200 .8% da MS) na conservação de fenos de alfafa com teores de umidade mais elevados (24. no entanto alguns produtores de toxinas foram controlados de forma satisfatória. provavelmente.0% a 37. Esses resultados podem ser explicados pelas alterações ocorridas nas propriedades físicas e químicas da palha tratada.numérico (34.0% da MS) e dois níveis de ureia (0. Fadel et al.5% para 48.0% de umidade). principalmente sob condições de maior umidade dos fenos. porém.05) da amonização com ureia sobre a digestibilidade aparente da dieta total. com valores observados de 61.9 e 1.0%).0% de NH3).

66ab 60.T3+concentrado.93 4.66ab 62. FDN .78a 68.14b 11.23d T2 68. T2 . o conteúdo de N seja baixo.05).25c T3 62. (2004).55a 65.14b C.55 6. Embora.02a 8. tornando-os mais macios e flexíveis. quantidade de energia disponível no rúmen e disponibilidade de proteína da dieta.Tabela 10.55a 46.58 7. a utilização do N incorporado durante o tratamento com amônia depende de fatores tais como: N total da palha.19b 59.98a 45.20 Médias seguidas de letras iguais. A quantidade de N requerido pela microflora ruminal está relacionada ao conteúdo de energia potencialmente fermentável disponível. além das alterações na composição química das frações fibrosa e nitrogenada.48b 15. na palha.V.88a T4 70.40 Consumo voluntário (g/UTM/dia) Tratamentos MS dieta MS palha PB dieta Controle 51. É importante considerar que. Digestibilidade aparente e consumo da dieta e palha de arroz(MSp) em ovinos.78a 55.16a 65. esse parece ser adequado devido à baixa fermentabilidade da MS. PB . Fonte: Fadel et al.84a 68. não diferem entre si pelo teste de Tukey (P<0.58a 68. bem como na digestibilidade.01 9.04b 60. (%) 5.02 4. Por outro lado. T1 palha de arroz não tratada+ureia (20 g/kg de MS).41ab 69.82c T4 67.28b 60.Proteína Bruta.16c 61.23ab T2 64.12b 59.Fibra em detergente neutro.palha de arroz tratada (4% de ureia com base na MS).T1+ concentrado. A digestibilidade dos volumosos tem sido aumentada consideravelmente. há controvérsias sobre a eficiência de utilização do N proveniente da amonização.18a C. (%) 2. Coeficientes de digestibilidade aparente Tratamentos MS PB FDN FDA MSp T1 55. sob os efeitos da amonização (Reis e Rodrigues. T4 . 1994).44b T3 61. 7.V. velocidade de liberação do N.02 4.Fibra em detergente ácido. T3 .66c 47. FDA . a amonização acarreta alterações físicas nos volumosos.70b 5. influenciando positivamente o consumo voluntário. 201 . As evidências disponíveis indicam que o N incorporado ao volumoso tem o mesmo efeito daquele de outras fontes de NNP para os microrganismos. Resultados de trabalhos de pesquisa mostram aumentos expressivos no consumo de matéria seca e no desempenho de animais alimentados com volumosos tratados com amônia.42b 62.93b 59. DESEMPENHO ANIMAL Segundo Reis e Rodrigues (1994). nas colunas.85a 48.

concluíram que tanto a suplementação com ureia quanto o tratamento com hidróxido de amônio possibilitam o uso desse alimento sozinho durante o período de escassez de forragens. sendo a sua principal limitação a deficiência em energia.0% NDT).01) a fragilidade da palha. melhorando a composição química. 1978).0% nos valores de digestibilidade e incremento de 20.2kg/dia (Sundstol et al. DIVMS e o desaparecimento in situ da MS e de constituintes de parede.0 a 30. De modo geral. permitindo ganho de 1. Pereira et al. O consumo voluntário aumentou com o tratamento em mais de 30%. Os novilhos alimentados com a palha amonizada tenderam a ter concentrações de NH3-H no rúmen mais altas..A utilização de volumosos tratados com amônia e suplementados com fonte energética pode proporcionar aos animais ganhos de peso semelhantes aos obtidos com o fornecimento de suplementos proteico-energético adicionados aos volumosos não tratados. o que resulta em maiores ingestões de matéria seca e matéria orgânica.. 202 .0 a 1. os volumosos tratados com NH3 podem ser usados em programas de engorda intensiva de bovinos. Guimarães et al. 2002). Ademais. com ureia e amônia anidra sobre o consumo e ganho de peso de novilhos e concluíram que os tratamentos induziram a um aumento no teor de PB e a uma redução no teor de hemiceluloses. juntamente com o fornecimento de 3 a 4kg de concentrado/dia. o tratamento com amônia aumentou (p<0. (2007) endossam o potencial tanto da ureia quanto do hidróxido de amônio na melhoria da qualidade de resíduos de cultura do milho. Também aumentou os teores de PB. enquanto em relação ao pH não foram encontradas diferenças.0% no consumo de matéria seca pelos animais. trabalhando com resíduos de cultura de milho. De acordo com Zorrila-Rios et al. Os autores também concluíram que o tratamento com a amônia anidra foi mais vantajoso em termos de ganho de peso. (1985). e a taxa de diluição de sólidos também tendeu a ser mais rápida após amonização. consumo e conversão alimentar (Tabela 11). DIVMS e digestibilidade aparente dos componentes da dieta. para manter a condição corporal das categorias animais menos exigentes do rebanho. (1990) estudaram os efeitos do tratamento da palha de milho e do bagaço de cana-de-açúcar. Os resultados de Oji et al. A recuperação ou fixação do nitrogênio aplicado durante amonização que está disponível para os animais encontra-se entre 40% a 65% (Fernandes et al. O valor nutritivo de volumosos tratados com amônia assemelha-se ao dos fenos de média qualidade (55. (1991). os resultados de pesquisas demonstram elevação de 10. O aumento na performance de animais ocorre quando os volumosos tratados com amônia compõem mais de 50% da dieta. A taxa de fluxo do fluido ruminal aumentou com a amonização.

UTM 1. RECOMENDAÇÕES DE USO Para o uso de amônia anidra ou hidróxido de amônio. A técnica da amonização permite melhorar. CONSIDERAÇÕES FINAIS Na utilização de tratamentos químicos de volumosos.29 7.unidade de tamanho metabólico = kg pv0. recomendam-se as dosagens de 2.Tabela 11.07b 0.93 4.0 a 3.08b 0.unidade de tamanho metabólico = kg PB0. o período durante o qual os volumosos permanecem sob lona plástica em contato com a amônia deva ser de três a quatro semanas.84 Consumo de PB (kg/animal/dia) 0.36a 8. ganho de peso e conversão alimentar. (p<0. UTM 2.36a 0. Palha Palha + ureia Palha + amônia Consumo de MS (kg/animal/dia) 6.96a 82. para maior eficiência do tratamento químico. é importante observar os custos do transporte. da aplicação do reagente químico e o valor nutritivo do produto obtido.0c Consumo de PB (kg/animal/dia) 0.78a Letras iguais não diferem pelo teste de Newman-keuls.00b 19.25c Conversão alimentar (kg/MS/kg ganho) 8.95 Bagaço Bagaço + amônia Consumo de MS resíduo 3. ou seja.55b 1 Consumo de MS (g/UTM ) 78. em função do sistema de distribuição do produto e da falta de tradição no uso desse nas atividades agrícolas.55 12.75.68 54.0% do peso seco dos volumosos.84a 79. deve-se ter em mente que o manuseio da 203 .11a 8.82c Consumo de PB (g/UTM2) 3.0% a 8.28a Conversão alimentar (kg/MS/kg ganho) 55.04b 4.75.0% do peso seco dos volumosos.87b Ganho de peso 0. Efeito do tratamento da palha de milho e do bagaço de cana com ureia ou amônia anidra sobre o consumo. 8. Além disso.61a 1.90b 0. Fonte: Pereira et al. a qualidade dos volumosos. 9.03b 9. bem como as implicações tecnológicas para a adoção do método.27a 0.34a 6.75 Consumo de PB (g/UTM2) Ganho de peso 0.05). Já para o uso de ureia. Todavia. (1990). a aplicação de amônia anidra nas condições brasileiras é difícil. consideravelmente.resíduo (g/UTM2) 40. Recomenda-se que o período de tratamento. as dosagens variam de 5.64b 0.15a (kg/animal/dia) Consumo de MS .

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Porém. podem ser aproveitados para alimentação animal. CEP 30123-970. Belo Horizonte.4 RESUMO Os resíduos agroindustriais apresentam grande utilidade na alimentação animal.com 2 Engenheiro Agrônomo. fredericovelasco@gmail. principalmente para ruminantes. em Zootecnia.br 3 Médico Veterinário. aliados a um aumento da área cultivada e da produtividade. MSc. Lúcio Carlos Gonçalves 2.CAPÍTULO 13 HIDRÓXIDO DE SÓDIO EM RESÍDUOS AGROINDUSTRIAIS PARA RUMINANTES Frederico Osório Velasco1. MSc. Caixa Postal 567. Prof. Marcelo Neves Ribas3. CEP 30123-970. por seu baixo valor nutritivo. gerando uma enorme produção nas diferentes regiões do país. Belo Horizonte. que corresponde a 60-70% da capacidade total do aparelho digestivo. uma vez que a alimentação corresponde de 60 a 70% destes custos (Dutra et al.. MG..com 4 Médico Veterinário. na maioria das vezes. será abordado o efeito do hidróxido de sódio sobre a qualidade dos principais resíduos agroindustriais utilizados e seu efeito sobre o desempenho dos ruminantes. os produtos fibrosos das plantas e os subprodutos diversos que não teriam outra utilidade a não ser retornarem ao solo. Associado Departamento de Zootecnia da Escola de Veterinária da UFMG. possuindo um estômago composto e compartimentado. MG. Neste capítulo. Caixa Postal 567. 1997).. vários tipos de tratamentos são utilizados visando melhorar sua qualidade nutricional. geralmente uma nutrição inadequada é o principal fator limitante (Kategile. a partir de 1880. Dentro deste contexto. Wilson Gonçalves de Faria Jr. CEP 30123-970. os custos de produção animal. O Brasil apresenta grande diversidade de cultura. Escola de Veterinária da UFMG. Escola de Veterinária da UFMG. INTRODUÇÃO O avanço no modo de beneficiamento dos alimentos e a sua industrialização visando extrair as porções mais nobres deste para o consumo humano. Doutorando em Zootecnia. MG. reduzindo a contaminação ambiental e... CEP 30123-970. Belo Horizonte. Escola de Veterinária da UFMG. wilsonvet2002@gmail. Caixa Postal 567. DSc. DSc. O valor nutricional das dietas disponíveis para os animais deve ser avaliado para que suas deficiências sejam suplementadas visando aprimorar o desempenho deste.ufmg. Caixa Postal 567. 1982). Na produção animal. 1984). MG. provocaram um aumento significativo da disponibilidade de resíduos vegetais de culturas e de subprodutos industrializados (Bose et al. Belo Horizonte. Doutorando em Zootecnia. que. o ruminante se destaca pelo seu aparelho digestivo peculiar. o qual lhe permite converter em alimento de alta qualidade os materiais grosseiros. O processamento dos diversos produtos origina altas quantidades de resíduos.. MSc. luciocg@vet. os2ribas@hotmail.                                                              Médico Veterinário. ao mesmo tempo.com 1 209   .

1984). A Tabela 1 apresenta a composição química de alguns resíduos agroindustriais utilizados na alimentação de ruminantes. vitamina A. mostra a importância desses subprodutos como opção alimentar para os ruminantes. e é altamente limitado pelo longo tempo de passagem pelo trato digestivo.1. O conteúdo celular é totalmente digestível. lignina e sílica.45 a 9. A baixa qualidade dos resíduos culturais. REVISÃO DE LITERATURA 1. dependendo da qualidade e da palatabilidade (em clima temperado). composta principalmente de hemiceluloses. caracterizam a baixa qualidade nutritiva destes resíduos (Marques Neto e Ferreira. Com base na disponibilidade de nutrientes para ruminantes. celulose. Em geral. boa relação custo/benefício. fósforo. sendo o teor de cálcio muito variável (Bose et al. efetividade do tratamento. hemiceluloses. os componentes das forrageiras podem ser divididos em dois grupos principais: o conteúdo celular e os constituintes da parede celular. melhorando suas digestibilidade e qualidade (Marques Neto e Ferreira. Segundo Hawkins (1983). 1. 1984). que enfoca os restos de cultura e os resíduos agroindustriais tratados com hidróxido de sódio (NaOH). 1984). A maioria dos constituintes da parede celular encontra-se indisponível para a ação da microbiota ruminal devido basicamente a três fatores: 210 . com adição de álcalis aos resíduos agroindustriais. os resíduos culturais apresentam valores elevados de parede celular. o consumo de resíduos de culturas em matéria seca varia de 5. associados aos baixos teores de proteína bruta e minerais. esses alimentos constituem uma das alternativas práticas e até mesmo econômicas para a dieta dos animais. O tratamento químico deve atender a pré-requisitos como facilidade de aplicação. devido à lenta degradação da matéria seca. limitando a digestibilidade e até mesmo o consumo voluntário destes alimentos pelos animais..Os restos de cultura têm sido frequentemente utilizados como volumosos na época da escassez de forragem e como forma de aproveitamento da grande disponibilidade destes nas ocasiões das colheitas das culturas. Esta revisão. Embora de valor nutritivo inferior aos considerados nobres. Esses valores elevados.41kg por dia. no entanto a disponibilidade dos constituintes da parede celular varia entre as diferentes forrageiras. lignina e sílica. sendo este último composto por celulose. verifica-se que a maioria necessita ser suplementada com energia. proteína. Composição química dos volumosos Analisando-se a composição química e a digestibilidade das diversas partes das plantas utilizadas como resíduos. sugere a necessidade de submetê-los a um tratamento prévio em todas as ocasiões em que a opção seja a sua utilização como fonte alimentar para os ruminantes. Resultados promissores têm sido obtidos por meio do tratamento químico.

quantidade de lignina presente na forragem. (FDA).33 23.24 24.42 7.62 17.7 0. O processo de lignificação altera tanto a taxa quanto a extensão da digestão das forrageiras (Van Soest.17 39.25 43.07 85.48 77.9 9.2 1.48 13.65 59.24 0.83 53.06 0.58 0.06 46.03 57. MS. cálcio (Ca).9 53. 211   .96 90.8 36.67 41.17 0. principalmente acético.22 3.07 89 FDA 64.28 36.38 50. 1994).46 0. lignina.33 41. devido à incrustação dos polímeros da parede celular. 1994). tornando-os indisponíveis à ação bacteriana.4 47. fósforo (P) de alguns resíduos agroindustriais utilizados na alimentação de ruminantes em porcentagem da matéria seca de valores de nutrientes digestíveis totais (NDT).51 50.05 NDT 49.96 63.25 Ca 0.66 62. Composição química da matéria seca.32 48. 2006.83 61.73 38.24 0.38 2. Carboidratos como a celulose são as principais fontes energéticas para os ruminantes.54 11.7 10.58 42.22 P 0.16 86.64 0.09 40.21 12.53 Fonte: Valadares et al.84 61.58 73.49 27.grau de cristalização dos polímeros de celulose. Esses ácidos graxos são absorvidos pelas paredes do rúmen e servem como fonte de energia ao animal.29 FB FDN 42.52 69.05 31.64 4. aos carboidratos estruturais.82 1.71 80.63 42.13 DMS 11.2 0. cuja flora ruminal as transforma em ácidos graxos voláteis (AGVs). lignina. em porcentagem.26 45.43 76. dietas ricas em fibras são pobres em energia porque a fibra apresenta uma baixa densidade energética (baixo conteúdo energético por unidade de peso).97 0. Alimento Algodão casca Arroz casca Café casca Cama de frango Cana -de açúcar bagaço Maravalha Milho resíduo de cultura Milho sabugo Soja grão Resíduo Soja palhada Sorgo resíduo de cultura Uva resíduo MS 88. O teor de lignina de uma forrageira é o principal fator limitante da digestibilidade. As hemiceluloses (HCEL) e a celulose (CEL).93 PB 4.49 52.08 81.25 21.04 33. dependendo do grau de lignificação da forragem (Van Soest.03 0. A lignina é um polímero fenólico que se associa à celulose e às hemiceluloses. associação física e química entre compostos fenólicos. fibra em detergente neutro (FDN)..64 12.76 Lignina 11.01 84.71 25.81 84.2 85. Entretanto.85 1.67 82. fibra bruta (FB).32 31.23 89. propiônico e butírico.15 88.18 75. são utilizadas pelos ruminantes.89 30.09 50.07 18. porém a disponibilidade desse carboidrato em especial varia da total indigestibilidade à total digestibilidade.2 47. fibra em detergente ácido. e os polissacarídeos da parede celular.05 0.44 4.91 2.09 18.58 4.12 0.49 60. proteína bruta (PB).4 29.05 44.56 40.24 48. Tabela 1. durante a formação da parede celular.12 88. principais componentes da fibra bruta (FB).

a deslignificação.1984). 1. Diversos trabalhos têm demonstrado a importância da suplementação nitrogenada sempre que os restos de cultura forem utilizados na alimentação dos ruminantes. Portanto. aumentando a digestibilidade da fração fibrosa dos alimentos. Para que a adição de produtos químicos com o intuito de melhorar a digestibilidade não afete a palatabilidade dos alimentos. A adição do álcali em concentrações elevadas. Níveis mínimos de proteína bruta são necessários. a amônia anidra e a ureia. baixo custo de aplicação e de obtenção. pois envolve produtos muitas vezes corrosivos e/ou tóxicos. será fonte de proteína para o ruminante.2. mas deve ser avaliado com cautela. pois constitui a fração indigestível (Marques Neto e Ferreira. a lignina está presente na fibra bruta. trata-se de um dos parâmetros mais importantes nas determinações do valor nutritivo. o hidróxido de potássio. os mais comumente usados. devem ser as menores possíveis (Marques Neto e Ferreira. de acordo com Church (1988). e os oxidantes são o ozônio. facilitando a ação dos microrganismos do rúmen.Embora não seja um carboidrato. estes níveis não devem ser inferiores a 7%. Portanto. aliada ao tratamento mecânico (fragmentação ou moagem). já que estes materiais apresentam níveis proteicos abaixo do recomendado para que haja uma boa atividade fermentativa no rúmen. Essas substâncias atuam como um agente degradador ou solubilizador. pois é fonte de aminoácidos e nitrogênio para a síntese de proteína microbiana. Tratamento alcalino de volumosos Tratamento de volumosos com baixa qualidade nutricional com produtos químicos é um método comumente empregado. melhora a digestibilidade e a qualidade do material (Marques Neto e Ferreira. para tal finalidade. Os hidrolíticos. de acordo com a reação que causam na degradação da parede celular. as quantidades a serem usadas para atingir o objetivo desejado. o peróxido de hidrogênio e o dióxido de enxofre. que. 1984). formando uma composição física com a celulose na parede celular. boa disponibilidade. São classificados como hidrolíticos ou oxidantes. Por isso. a qual acelera o desfolhamento da celulose. fácil aplicação e armazenamento. A adição de álcalis ao resíduo cultural. baixo ou nenhum impacto ambiental. além de influenciar negativamente a palatabilidade dos 212 . que a utilizará para a síntese de tecido e a produção de leite. o baixo teor proteico dos resíduos agroindustriais contribui para reduzir o consumo voluntário destes. esse produto deve ter algumas características necessárias para ser empregado: ser de baixa toxicidade. O nitrogênio aumenta a população de bactérias no rúmen. Segundo Marques Neto e Ferreira (1984). não ser corrosivo e ter ação rápida sobre o volumoso. são o hidróxido de sódio (NaOH). ou seja. por sua vez. a digestibilidade do material e o consumo de matéria seca. a adição de nitrogênio aumenta o teor de proteína bruta. 1984). o hidróxido de cálcio. Tal nutriente mostra-se essencial para o ruminante. Os diversos produtos químicos utilizados para aumentar a digestibilidade dos volumosos de baixa qualidade são divididos em dois grupos principais.

Resultados de estudos sobre resíduos com tratamento alcalino têm sugerido que esse pode interferir na retenção normal de nitrogênio e sobre o balanço de nitrogênio (Moro... resultando em um aumento do grau de solubilidade em contato com a água e. Digestibilidade da matéria orgânica em palha tratada pelo método Beckman com diferentes níveis de aplicação de NaOH (Fingerling et al. Entre as causas dessa variação. citados por Moro. O tratamento de resíduos de cultura com álcali para aumentar o consumo de energia digestível (ED) foi extensivamente pesquisado. Klopfenstein (1978). citados por Homb. A Figura 1 apresenta a relação entre coeficiente de digestibilidade da matéria orgânica em relação à quantidade de NaOH utilizado para o tratamento de palha (Fingerling et al. O principal efeito do tratamento alcalino das forragens se deve à ocorrência de saponificação das ligações éster com a HCEL. Entretanto. poderá causar prejuízo físico aos animais (Marques Neto e Ferreira. tempo de reação. 1977. parte da fração de HCEL é tornada solúvel (Capper et al. temperatura e suplementação com nitrogênio. fatores importantes que afetam o valor nutritivo dos volumosos tratados quimicamente são: natureza do volumoso. a magnitude da resposta animal. além disso. 1984). 1923. é acompanhado por aumento no consumo voluntário.alimentos. citados por Homb. 1987). Há grande variação na melhoria sobre o valor nutritivo das palhas de cereais tratadas com álcali. na maior parte dos experimentos. 1923. Segundo Kategile e Frederiksen (1979). que. Figura 1.. O aumento da digestibilidade. 1991). estão o tipo de palha e a fonte e a quantidade de alimentos suplementares fornecidos aos animais (Ng'ambi e Campling. que concluíram que resíduos tratados com soda cáustica melhoraram o desempenho animal. 1987). homogeneização. entre outros. 1984). em 213   . natureza do reagente químico. 1984). frequentemente é utilizado para expressar a eficácia do tratamento alcalino. como se vê nas revisões de Jackson (1977).

O procedimento mais utilizado consiste em umedecer a palha. a quantidade de álcali que reage é dependente da concentração de soda aplicada e do tipo do material tratado. com o desenvolvimento do método de Beckman. Wanapat et al. (1993). Métodos de tratamento com NaOH De acordo com Barros et al. causar perdas de. requerer grande quantidade de água (40 l/kg de material).3% de NaOH. Jackson (1977). Rexem e Kundsen (1984) relacionaram como restrições da técnica por via seca os inevitáveis resíduos de NaOH e de íons sódio resultantes da soda que reagiu com o material tratado. teve início na Alemanha. é afetada por muitos fatores. (1985). seguida de lavagem para retirada do excesso de álcali. quando estes são a única fonte de volumoso. mostrou que o método de Beckman. além do fato de o álcali residual constituir um fator de poluição. 1. Porém. aproximadamente.. e alguns deles são estritamente relacionados ao resíduo de cultura que é obtido e submetido ao tratamento (Ciocca e Prates. Esse método consiste na imersão do material em uma solução de 1. no princípio do século XX. o sucesso do método depende da distribuição eficiente do álcali sobre o material. esse método dispensa a lavagem. compararam vários métodos de tratamento químico de palhas e concluíram que o tratamento úmido da palha com NaOH foi a forma mais eficiente de melhorar a digestibilidade. apesar de aumentar a digestibilidade da palha de 40 para 70%. A persistência desses resíduos pode ser de um ano ou mais. dados relativos à utilização de NaOH sugerem diferenças entre as respostas em ensaios realizados in vitro e in vivo (Klopfenstein.3. O processo melhora a digestibilidade de uma palha.termos de digestibilidade. não é muito usado em razão do seu elevado custo. 25% da MS inicial. 1991). além disso. sendo uma das causas da baixa aceitabilidade apresentada pelos alimentos tratados. a mudança na pressão osmótica e os resíduos de fenóis livres deprimem a 214 . e tais diferenças parecem ser maiores em dietas contendo mais de 3% de NaOH (Klopfenstein et al. De 4% de NaOH aplicados em palhas. melhora sua aceitabilidade pelo animal. (1985). em uma revisão sobre palha tratada com álcalis. 1972). Além da concentração necessária para resposta efetiva. borrifando-a com uma solução de NaOH a 4%. além de sua difícil industrialização. Além disto. a utilização de NaOH como agente deslignificante. na alimentação de ruminantes. Segundo Saliba (1988). tornando o processo mais simples e barato.5% . aproximadamente 1. De acordo com Rexen e Thonsem (1976).5% permaneceu após a reação. de 40 para 60-70% e. a rápida elevação do pH. quando comparado aos métodos com amônia e com tratamento seco com NaOH. citados por Moss et al. o que reflete na quantidade de íons sódio excedentes. A lavagem apresenta os inconvenientes de ser trabalhosa. 1978). por exemplo.

Sem dúvida. 1979) e dispensar instalações especiais para o tratamento da palha. 1977). ou quando a inclusão desse na ração não ultrapassasse 215   . Conjuntamente. não causando. a toxicidade do sódio é baixa. (1991).NRC (1989). consequentemente. O volume de solução recomendado é 8-10 litros/kg de MS. diminuem o consumo voluntário e o tempo de fermentação da celulose devido à maior taxa de diluição. 1978). Esta é uma das justificativas para as diferenças encontradas entre os resultados que usam digestibilidade aparente ou in vitro. 0.ação de microrganismos ruminais e. Alguns autores. assim. Todos estes fatores contribuem e potencializam a redução na efetividade do tratamento por hidróxido de sódio. consideraram factíveis maiores níveis de NaOH/kg de MS.5 . efeito cáustico aos animais. mas é fato que um alto nível de sódio limita o crescimento dos animais criados em sistemas intensivos. Por meio desse instrumento. O segundo processo consiste na distribuição da solução alcalina com o uso de um regador sobre a palhada previamente triturada. Holzer et al. entre eles Holzer et al. 1991). Segundo Jackson (1978). de acordo com o National Research Council . os baixos teores de nitrogênio nas palhadas são normalmente insuficientes para a manutenção da microbiota ruminal. (1985) afirmaram que o excesso de NaOH em palhas tratadas com esse álcali parece ser rapidamente convertido. o volume de solução é de 200 litros para cada 100kg de MS. não causam danos. o tratamento das palhadas com NaOH pode ser realizado de duas maneiras: o primeiro processo consiste na pulverização do material previamente triturado. (1991) também concordam que os níveis de sódio acima dos requisitos. mas o nível máximo de tolerância é de 52g/kg. porém ocasiona perdas de MS da ordem de 20 a 25% de material original (Jackson. Em comparação ao tratamento por via úmida.2L/kg de MS (Kategile e Frederiksen. no rúmen. utilizando-se de um pulverizador com pressão. Como consequência. Esse método proporciona aumentos na digestibilidade da matéria orgânica de 20 a 30% e de 10 a 20% no consumo voluntário (Gonzalez Duarte. Nesse caso. Os métodos por via úmida caracterizam-se por imersão da palha numa solução de 1. gastam-se 100 litros de solução para 100kg de matéria seca (MS). o que equivale a 12-15kg de NaOH/100kg de MS (Jackson. O requisito de sódio de vacas não lactantes é 0. mesmo em grandes quantidades. o método de aspersão com NaOH apresenta a vantagem de utilizar menor volume de solução. Os estudos de Kategile e Frederiksen (1979) concluíram que de 3 a 6% de NaOH na MS da palha foi a concentração ideal do álcali. da salivação e na fermentação. Barros et al. maior osmolaridade provoca diminuição da ruminação.5% de NaOH por 18 a 20 horas e a posterior lavagem do álcali residual. em carbonato ou bicarbonato.8g/kg de MS da dieta. quando foi utilizado o método de aspersão. desde que fosse praticada a neutralização com ácido no material tratado.

quando tratam resíduos culturais com NaOH em solução. 97-98%. sem alterar seu conteúdo nas fezes ou no leite. 1979). na hidrólise de ésteres dos ácidos urônico e acético e em uma expansão da celulose. A reação química do NaOH com palhas ocorre 93-95% nos primeiros cinco minutos. mas. seja pela contaminação com o excesso de sódio no alimento e nos líquidos de excreção dos ruminantes.. e a reação completa ocorre em 18 horas (Chandra e Jackson. sendo que uma concentração alta de álcali pode modificar morfologicamente a celulose sem que haja perdas de resíduos de glicose. 1988). 1. Há autores que sugerem ser a mudança da forma cristalina para uma forma amorfa o que torna a celulose mais digestível. os aumentos na digestibilidade da matéria orgânica são relativamente menores. Aspectos químicos do tratamento com NaOH De acordo com Marques Neto e Ferreira (1984). Evidências demonstram que todo o sódio excedente é excretado na urina. 216 .4. 1971. para evitar possíveis efeitos nocivos do sódio residual no desempenho animal. lignina e sílica. As observações de Jackson (1977) e Klopfenstein (1978) são de que o tratamento alcalino com NaOH produz um grande número de mudanças na composição e organização da PC. seja pelo uso exagerado de recursos hídricos. citados por Saliba. à primeira vista. Embora o tratamento por aspersão diminua as perdas de MS e seja mais econômico em relação ao método por via úmida. 1977). Os autores mostraram que a extensão de solubilização do ácido p-cumárico produzida pelo NaOH tinha uma relação linear com a digestibilidade da celulose. o que pode ser explicado pela menor relação reagente:substrato (Kategile e Frederiksen. a celulose pode ser prontamente degradada. vantajoso em relação à produção de leite. Existe ainda outra restrição para ambos os grupos de tratamento (via úmida e via seca). contanto que seja acessível aos microrganismos do rúmen (Mora et al. que o método exige. na sua morfologia natural (cristalina). em uma hora. porém a urina juntamente com as sobras da forragem tratada e os efluentes resultantes dos tratamentos por via úmida resultam em grave fonte de poluição da água e de solo (Jackson. A literatura comprova a eficácia do tratamento de resíduos com soda cáustica. 10 a 15%. 1983). Este fato pode parecer. entretanto este método deve ser adotado com muito critério a fim de se evitar danos ao meio ambiente. Tais mudanças consistem na solubilização parcial das HCEL.50% do volumoso. aumentos da ordem de 30% na digestibilidade têm sido registrados por diversos autores.

levando a novas modificações cristalinas e. atingindo um máximo de 30%. Nem sempre esse tratamento mostra-se eficiente. indicando. resultando no inchamento das suas fibras dentro da matriz da parede celular. isto é. A remoção da água devolve a estrutura original. 1983. 1978). o aumento na extensão da digestão da celulose e das hemiceluloses é. Jackson (1977) mostrou que a celulose incha quando tratada com NaOH. inchamento intracristalino: envolve a penetração de água nas regiões cristalinas e amorfas da celulose. 1977. Nesse caso. o inchamento da celulose em água acontece de duas maneiras: inchamento intercristalino: envolve a entrada de água entre unidades cristalinas.. permitindo maior penetração do líquido ruminal. os autores afirmam ser possível que o tratamento alcalino cause alguma hidrólise da proteína associada à parede celular. portanto.O conteúdo de lignina geralmente não é reduzido pelo tratamento. maior remoção de hemiceluloses. porém não acontecem mudanças na fibra em detergente ácido. com decréscimo da cristalinidade. o tratamento ácido é mais eficiente. 217   . que só são hidrolisadas por meio de tratamento com ácido. 1978). tornando-a mais digestível. falta de ligações ésteres fracas entre a lignina e os carboidratos da parede celular. ao inchamento ilimitado. em alguns casos. citados por Saliba. Klopfenstein. 1954. pois notaram que o resíduo de soja ficou praticamente inalterado após o tratamento com NaOH. Segundo Mora et al. citados por Mora et al. (1983). o que parece ser devido a diferenças estruturais dos componentes da parede celular no resíduo da leguminosa. Os componentes da fibra em detergente neutro (FDN) são reduzidos pelo tratamento alcalino. devido à quebra das ligações com a lignina. O tratamento alcalino com NaOH produz mudanças na composição química e na organização da parede celular (Jackson. Os mesmos autores sugeriram que o NaOH tem capacidade de saponificar as ligações ésteres entre o ácido ferrúlico (precursor da lignina) e as hemiceluloses. enquanto outras álcali-estáveis. Então. Há diferentes tipos de ligações entre os carboidratos e a lignina. algumas álcali-lábeis (ligações ésteres). melhorando a digestibilidade da fibra pelo aumento na solubilidade das hemiceluloses e na disponibilidade da celulose e das hemiceluloses (Klopfenstein. A lignina de leguminosas parece ser mais condensada e potencialmente menos reativa do que a lignina de gramíneas (Jung e Farey. 1988). provavelmente. com a mudança do volume aproximadamente equivalente ao volume de água absorvido. Por outro lado. sem atuar na sua remoção. 1983). O álcali parece reduzir a força de ligação intermolecular hidrogeniônica nas moléculas da celulose. com completa dissolução da celulose (Howsmon e Sisson.

1977). deve ser considerado o alto teor de sílica. portanto. em decorrência da baixa taxa de fermentação que este alimento sofre no rúmen. na atividade de enzimas com atividade celulolítica e sobre a população microbiana ruminal. 1. O consumo e a digestibilidade das palhas parecem melhorar por meio do tratamento com NaOH.5. Sua constituição química é bastante variada. 1990).1. principalmente das celulases e das xilanases em relação à palhada não tratada. assim como há atividades das enzimas produzidas por esses organismos. Seu consumo geralmente é limitado a 2% do peso vivo do bovino por dia. Marques Neto.5. com baixo conteúdo proteico. principalmente na concentração de propionato. com valores acima de 70%. Também há um aumento da população microbiana com ação celulolítica como o Ruminococcus flavefaciens e o Fibrobacter succinogenes. Nas palhadas de arroz. Rexen e Thomsen (1976) 218 . os polissacarídeos da parede celular e o grau de cristalinidade dentro do polímero de celulose são os fatores mais importantes que influenciam o valor nutritivo (Flachowsky e Sundstol. sendo que a concentração ideal de NaOH varia de 3 a 5% da MS (Klopfenstein. Em trabalho realizado por Chen et al. sendo um potencial agente causador de lesões no trato gastrointestinal (Jackson. porém apresenta as maiores porcentagens de fibra bruta e lignina (Jackson. 1979). A palha de soja tem o mais baixo teor de parede celular. permitindo maior ataque bacteriano. clima e condições de armazenamento. representam uma potencial fonte de energia.A associação físico-química entre a lignina. Palhadas de pequenos grãos apresentam baixo valor nutritivo. tipo e quantidade de fertilizante utilizado. estágio de maturação da planta. Houve um aumento no total de ácidos graxos voláteis produzidos em relação à palhada não tratada. sendo. 1978. As palhas contêm aproximadamente 80% de substâncias potencialmente digestíveis e. a do trigo a de menor qualidade e a de cevada ligeiramente melhor. carboidratos de reserva e de minerais. geralmente. Palhadas em geral As palhadas geralmente apresentam baixo valor nutritivo. 1978. Esse aumento é devido a um aumento da exposição e do ataque das ligações lignina-celulose.1988). altamente lignificada e de baixa digestibilidade. (2008). Kategile e Frederiksen. os autores estudaram o efeito do tratamento da palhada da arroz tratada com hidróxido de sódio nas características fermentativas. 1984). Volumosos 1. O processamento úmido ou a seco de grãos de cereais melhora a eficiência de utilização do amido por aumentar o acesso aos grânulos de amido por enzimas dos microrganismos do rúmen e/ou do trato digestivo do animal (Schlink. Observaram que o perfil de fermentação da palhada com adição de hidróxido de sódio foi típico de alimento rico em forragem com altos teores de acetato. sendo constituídas principalmente por parede celular. Normalmente o teor de lignina alto é a causa principal de seu baixo valor nutritivo. dependendo de fatores como espécie ou cultivar.

respectivamente.5 e 2. Esse tratamento para dicotiledôneas (palha de soja. trigo e feno de azevém e observaram que o tratamento da palhada com até 7% de NaOH (% da MS da palha) aumentou linearmente a digestibilidade enzimática. 9 e 12 horas. 100°C (estufa) e autoclavagem a 127°C. concentração de NaOH e temperatura foram: 219   . aveia e trigo tratadas com NaOH para novilhos. No trabalho de Shariff e Gupta (1989) sobre os efeitos de vários tratamentos alcalinos no desaparecimento da matéria seca e da celulose de palhas. centeio. que não reagiu. não houve diferença significativa entre os níveis de 3 e 5%. Apesar de o processo omitir a lavagem do excesso de base do produto. 3.0% durante os tempos de embebição de 0. aumentaram também as médias de digestibilidade da matéria seca e da matéria orgânica. considerando tempo.5. em ensaio realizado com ovinos. 1. portanto. que os melhores coeficientes de digestibilidade em termos absolutos. cevada e aveia. à medida que foram sendo aumentadas a temperatura e as concentrações. ensilaram o pé de milho com concentrações de 0. ainda. 1. Flachowsky e Sundstol (1988) obtiveram um aumento na digestibilidade com níveis de 5 a 8% de álcali.0. mas não acima. 13 e 24%. Estes autores avaliaram palhas de cevada. encontraram aumentos de consumo da ordem de 31% para palha de cevada. (1972). A digestibilidade em ovinos aumentou na mesma proporção que o NaOH até os níveis de 4-5%. nas temperaturas ambiente. 0. 3 e 5% de NaOH. usando ovinos. o NaOH. 6. e os aumentos de digestibilidade correspondentes foram 36. Forragens de baixa qualidade Klopfenstein et al. as quais ocorreram devido ao tratamento com 45kg de NaOH/t de matéria seca. Esse tratamento reduziu o conteúdo de hemiceluloses da matéria seca.2. talos de algodão e cascas de sementes de girassol) foi menos eficaz. aveia. 9% para palha de aveia e 1% para palha de trigo. Constatou. indicando que forragens de baixa qualidade podem ser tratadas com ambos os níveis. No entanto. pé e sabugo de milho tratados com NaOH nos níveis 0. 1. a digestibilidade in vitro e também a taxa de digestão. por meio da técnica dos sacos de náilon incubados no rúmen. Ng'ambi e Campling (1991). não resultou em nenhum problema.(1990). Ao tratar subprodutos fibrosos de monocotiledôneas com NaOH. a disponibilidade líquida de nutrientes para o animal e aumentou o desaparecimento de matéria seca e celulose dos sacos de náilon suspensos no rúmen.sugeriram o tratamento químico a seco de palhas com NaOH. Utilizando os volumosos palha de arroz. estudaram as modificações na energia digestível (ED) e na digestibilidade in vivo de palhas de trigo.5. estudando os efeitos no consumo voluntário e na digestibilidade das palhadas de cevada. capim-elefante. os autores observaram que a retenção de palhas no rúmen afetou o consumo de matéria seca e. Rezende (1976) constatou que. e isso resultou em um aumento de celulose e lignina na parede celular remanescente. Moss et al. Os tratamentos com 3 e 5% de NaOH aumentaram significativamente a digestibilidade da matéria orgânica em relação ao pé de milho não tratado. palha.

planta inteira: 9h de embebição. na concentração de 2. na concentração de 2. na temperatura de autoclave. capim-elefante: 9h de embebição. trigo e arroz.0% de NaOH. houve um maior aumento da digestibilidade dos materiais com um maior conteúdo de lignina. na concentração de 1. a hidrólise alcalina do capim aumentou significativamente (p<0.0% de NaOH. enquanto. A proteína bruta não foi afetada. Oliveira (1996) não observou efeito positivo sobre o consumo e no valor nutricional deste.0% de NaOH. leva a um consumo voluntário de MS mais alto do que quando não tratado.05) a retenção de nitrogênio e a digestibilidade aparente da MS. seguido pela secagem). (2003). para fibra em detergente neutro e fibra em detergente ácido. é capaz de produzir forragem tratada de maior digestibilidade e conteúdo ótimo de nitrogênio e minerais. Com o objetivo de estudar o efeito do NaOH a 6% nas folhas verdes e secas de canade-açúcar. Concluiu que a falta de suplementação deste feno com uma fonte de nitrogênio levou a esses resultados.8%). na concentração de 2.5% de NaOH. no teor de tanino e na digestibilidade in vitro da matéria seca do feno de jurema-preta. Mendonça (1992). que foi significativamente maior (62. O método de imersão em NaOH é uma técnica que melhora a qualidade e é a mais efetiva. Além disso. tais como o miolo do bagaço e as folhas secas da cana.ocorreu efeito quadrático.4%. 220 . hemiceluloses e tanino. no miolo da cana e nas palhas de cevada. da FDN e das hemiceluloses. Em estudo com feno de capim-jaraguá submetido ao tratamento com NaOH (4% da matéria natural). nas temperaturas ambiente e de autoclave. constatou que o capim-elefante maduro. não diferindo significativamente das palhas de trigo e de arroz.milho. o tratamento alcalino com NaOH utilizou grandes quantidades (180g de NaOH/kg de MS da palha em 26 litros de solução por 16h. em experimento com ovinos. O valor para as folhas verdes foi 37. temperatura de autoclave. exceto para a palha de cevada. As Tabelas 2 e 3 do trabalho de Rexen (1979) mostram o efeito positivo do tratamento com NaOH sobre forragens de baixa qualidade. Dessa forma. palha de milho: 9 e 12h de embebição. Segundo Owen e Jayasuriya (1989). Pereira Filho et al. observaram que o tratamento com NaOH proporcionou efeito linear decrescente nos teores de matéria seca. estudando o efeito do tratamento com hidróxido de sódio (NaOH) na fração fibrosa. sabugo de milho: 3h de embebição. A digestibilidade de todos os resíduos tratados foi 56-58%. e. apesar de não requerer alta tecnologia. e a digestibilidade in vitro da matéria seca (DIVMS) melhorou com o aumento da concentração de NaOH. Stuart (1988) constatou que a digestibilidade das folhas secas de cana foi 33%. temperatura de autoclave. quando tratado com NaOH.

5 Tratado com 5% de NaOH 68.1 64.3.5 Sabugo de milho não tratado 92.7 Palha de arroz não tratada 80.2 7.8 Palha de arroz 39.4 30.3 4.4 6.1 Fonte: Rexen (1979).4 43.9 6 49.6 42.9 23.1 43.1 41.67.9 51.6 48 Tratado com 5% de NaOH 74. 5.7 25.2 Sorgo 41.1 6. nos quais trataram sabugos de milho com concentrações de NaOH de 0.8 Sabugo de milho 38.9 20.1 70. constituintes da parede celular.3 21 Palha de aveia 54.0kg de NaOH/100kg de MS de sabugo.2 41.4 49.1 Tratada com 5% de NaOH 70. matéria orgânica.4 7. Kategile e Frederiksen (1979) encontraram.8 44.4 8. em todos os casos. expresso em porcentagem da matéria orgânica (%/MO).3 39.8 Tratado com 5% de NaOH 70 20.1 74.8 45.5 17.4 31.6 19. Tabela 3.5 31.3 Milho planta inteira 56.6 6.5 73.6 Palha de trigo não tratada 80.7 4.33.1 Palha de trigo 51. 221   . Aumento da digestibilidade in vitro de resíduos agroindustriais após o tratamento com NaOH (5% da MS).5 42.8 7. 2. CEL (celulose).9 28. 7.3 40.9 50. Componentes da parede celular dos resíduos agroindustriais tratados: FDN (fibra em detergente neutro).1 31 Azevém 46.1 49. Digestibilidade in vitro (% da MO) Antes do Após o Alimento Aumento tratamento tratamento Palha de cevada 45.1 13 Palha de centeio 46.3 74.6 18.5.3 45.7 16.2 27.Tabela 2. Sabugo de milho Em três experimentos.1 72.2 42.6 49.9 Rami 49.1 68. 1.5 7 49.3 Tratada com 4% de NaOH 67.1 44.5 Rami não tratado 77.5 Fonte: Rexen (1979).5.4 29. Porcentagem da matéria seca Produto FDN HCEL CEL lignina FDA Palha de cevada não tratada 79.9 31.5 e 10.4 42 7.4 43. aumentos da digestibilidade da matéria seca. lignina e FDA (fibra em detergente neutro).0. 1.9 28.7 72.3 66. expressos em porcentagem da matéria seca (%/MS). HCEL (hemiceluloses).9 Sorgo não tratado 81.2 39. 3.3 18.7 34.7 64.9 Tratada com 5% de NaOH 69.5 43.

5 e 10% na matéria seca do sabugo para obter 0. que se encontravam em um piquete de resteva de trigo e recebiam palha de trigo enfardada.5cm do que para a de 10cm. Com NaOH. Dois experimentos com cordeiros foram conduzidos por Hunt et al. A digestibilidade da matéria orgânica expressa na MS in vitro foi 38 e 53% para palhas não tratadas ou tratadas com soda cáustica. algumas fibras escaparam da digestão microbiana no rúmen. concluindo que 4% de NaOH foi o melhor nível para o tratamento. o volume de solução de NaOH. 6 e 8% de NaOH. Lesoing e Klopfenstein (1981) obtiveram um aumento nas digestibilidades de CEL e HCEL. O tratamento da palha com NaOH aumentou a ingestão e a digestibilidade. após tratamento com 40g de NaOH/kg de palha. 2. ainda. e estabeleceram o volume mínimo de 50litros/100kg. para palha de 2. Berger et al. Entretanto. O tratamento com NaOH da palha de trigo com 2. Avaliaram. respectivamente. A palha tratada com NaOH teve um menor tempo de retenção ruminal comparada com a palha não tratada (32.5 vs 10cm) e do tratamento com NaOH (0 vs 4%) da palha de trigo no consumo de MS e no sítio. (1984) para determinar os efeitos do tamanho da partícula (TP:2.5. (1979) utilizaram concentrações de NaOH de 0. As dietas com palhas de menor TP resultaram em um maior consumo de MS. composta por 80% de sabugo e 20% de suplemento. observaram ganho de peso de 23 g/cab/dia. trabalhando com oito novilhas Holandesas. Palhada de trigo Tratando quimicamente palha de trigo com NaOH a 3 ou 4%. Os processamentos físico e químico indicam que as forragens de baixa qualidade podem produzir uma mudança no sítio e na extensão da digestão.energia e fibra bruta e concluíram que 5kg de NaOH/100kg de matéria seca foi a quantidade ótima tanto para a digestibilidade quanto para o consumo voluntário. Estudando as diferenças nas digestibilidades in vitro e in vivo. relacionadas à digestão ruminal da fibra potencialmente digestível com tratamento com níveis crescentes de NaOH. 4. grandes aumentos na fibra potencialmente digestível com o tratamento com os níveis crescentes de NaOH. também. 5. e na extensão de digestão da MS e da FDN.2 vs 39. A digestibilidade in vivo da MS foi 5. 222 .8 horas). enquanto o tratamento na palha com 10cm não teve efeito sobre a taxa de passagem e aumentou a fermentação de FDN no rúmen. Detectaram. 6 e 8% de NaOH na dieta completa. mas em menores digestibilidades de MS e FDN.0. comparadas com dietas com palhas de maior TP. 1. respectivamente. houve maior mudança do sítio de digestão ruminal para pós-ruminal.4. 2. 12 e 5% menor do que a in vitro nos níveis de 4. possivelmente devido à diminuição do tempo de retenção ruminal e/ou diminuição da atividade celulolítica. 7.5cm aumentou a taxa de passagem e a fermentação da FDN no trato digestivo posterior. Thiago e Kellaway (1981). que variou de 25 a 200 litros/100kg de matéria seca de sabugo.5.

2 e 4% de NaOH por Flachowsky e Sundstol (1988). assim como para a melhoria dos padrões de fermentação ruminal e aproveitamento energético da palha de trigo. em caprinos e ovinos. que depois foram fornecidos sem picar.1 vs 37. A palha foi tratada pela via semisseca. a palha imersa em soluções contendo 0. (1989) forneceram palha de cevada tratada e não tratada com soda. e a taxa de mastigação aumentou mais em caprinos (58%) do que em ovinos (18%).O tratamento alcalino da palha de trigo feito por Ciocca e Prates (1991) aumentou o consumo voluntário em relação à não tratada (55. em caprinos e ovinos). O tempo de mastigação foi maior para ovinos do que para caprinos. Raj et al. Palha de cevada A palha de cevada foi tratada com 0.2mL/g de MS consumida.3 e 6. Com a palha tratada. quando amostras de palhada de trigo eram tratadas com hidróxido de sódio sob pressão. Wrathall et al. respectivamente. resultando em um aumento na degradabilidade da MS de 5. que o tratamento de hidróxido de sódio mais vapor levava a uma quantidade maior de nitrogênio solúvel e ácidos graxos voláteis se comparado ao material que não sofreu tratamento.9 e 83%. Em um estudo que compara o comportamento alimentar e a ruminação em ovinos e caprinos. (1987) observaram que houve melhorias no consumo e na diminuição da quantidade de nitrogênio amoniacal disponível no ambiente ruminal. utilizando-se 12 litros de detergente de soda a 30% para 100kg de palha. o que representou uma taxa de soda incorporada de 4%. Concluíram que a imersão em uma solução de NaOH e ureia foi um método efetivo para otimizar a palha para caprinos. Verificou-se que o tratamento da palha com soda melhorou o nível de ingestão em caprinos (46% contra 30% para os ovinos). (1989) imergiram pequenos fardos (69kg) de palha de cevada por 45 minutos em uma solução contendo 11g de NaOH/kg e 7g de ureia/kg e estocaram por três a seis dias. Masson et al.5. 1.5. O consumo de água foi mais baixo em caprinos em ambas as dietas (em média 5. matéria orgânica e FDN.75/dia) e as digestibilidades da MS. mostrou que as palhas tratadas tiveram taxas de degradação comparáveis e maiores do que aquelas da palha não tratada. Os autores concluíram que os tratamentos que utilizam hidróxido de sódio e vapor conjuntamente são uma boa opção para a melhoria de alimentos de baixa qualidade para a alimentação de ruminantes.6% para cada 1% de NaOH. a taxa de consumo cresceu mais em caprinos (58%) do que em ovinos (30%). Comparada com a palha de cevada imersa em água pura (57.4%). utilizandose sacos de náilon em caprinos fistulados. ainda. A degradabilidade ruminal da MS da palha medida. A aplicação de NaOH foi de 50g/kg de MS de palha.5g de MS/kg0. além de ter elevado a retenção nitrogenada em relação à palha não tratada. Descreveram. respectivamente. 223   . além de ser também adequada para uso por pequenos proprietários rurais. O tratamento da palha com soda aumentou o consumo voluntário em 30 e 47%. respectivamente.71 e 1.5% de NaOH mostrou uma digestibilidade in vitro de 80.

6. comparada à palha não tratada. (1990) avaliaram os efeitos do tratamento da palha de soja com vários álcalis (NaOH. Palha de soja Felix et al. o balanço de nitrogênio e o valor energético de palha de girassol tratada com NaOH (40g/kg) foram determinados em caprinos por 224 . principalmente das hemiceluloses. sendo não significativas.7.Phipps et al. nenhuma das palhas tratadas resultou em melhoras proporcionais de digestibilidade acima do controle que excedesse 0. sobre a digestibilidade de vários nutrientes e sobre a retenção de nitrogênio em ruminantes. sem prejudicar o ganho de peso. 25 ou 40% de palha de cevada não tratada ou tratada com 4% de NaOH. Em geral. proteína e lactose para os tratamentos com palha tratada foram maiores do que para palhas não tratadas. O tratamento alcalino mostrou remoção dos componentes estruturais. a ensilagem pareceu ser tão efetiva quanto os tratamentos com álcali em seus efeitos sobre a digestibilidade. Palha de feijão Gonzalez Duarte (1991) utilizou o tratamento com NaOH (5% da MS) da palha de feijão. (1990) alimentaram 141 vacas ad libitum com silagem de gramínea ou uma mistura contendo silagem de gramínea e 15. na maioria dos casos. fibra em detergente ácido e energia bruta entre os tratamentos. Os dados de digestão tanto in vitro quanto em cordeiros não mostraram nenhuma melhora na digestão da fibra. com os objetivos de avaliar o desempenho (ganho de peso) de novilhos alimentados com ração à base de palha de feijão e de determinar a digestibilidade e o consumo voluntário da ração oferecida e compará-la a um tratamento controle (palha sem NaOH). hidróxido de cálcio e hidróxido de amônia) mais a ensilagem. Os resultados desse estudo não forneceram evidências convincentes de que os tratamentos com álcali por si só resultassem em melhoras significativas na digestibilidade da palha de soja. 1. O uso do NaOH foi efetivo para aumentar o valor nutritivo da palha de cevada. ao tratamento da palha com hidróxido de amônia (NH4OH) e à silagem de milho. além também da MS digestível. Em adição.5. Também causou maior ganho de peso vivo e aumentou o consumo de água. Também. 1. 1.5. o tratamento com álcali pode não ser um método prático para tornar a palha de soja uma forragem mais utilizável por ruminantes. a digestibilidade. de acordo com os coeficientes de digestibilidade da MS. O autor concluiu que a palha de feijão tratada com NaOH poderia substituir a silagem de milho nas rações de bovinos suplementados com concentrados.5. Palha de girassol O consumo voluntário. Não houve diferença estatística para a digestibilidade da matéria seca.8. As produções de gordura do leite. mas a digestibilidade da proteína bruta (PB) foi maior com o uso do NaOH.5. fibra em detergente acido e energia bruta e com os conteúdos de energia metabólica medidos in vivo. matéria orgânica. com as diferenças entre ambos os tratamentos. A palha tratada aumentou significativamente a ingestão de forragem e a produção de leite. fibra em detergente neutro.

(1988). Diferentes concentrações de NaOH e NH4HCO3 foram aplicadas à palha de arroz. Os álcalis testados foram efetivos em melhorar a digestibilidade in vitro da matéria orgânica. a fim de se investigar os efeitos sobre as mudanças na histologia da palha de arroz antes e depois de ensaios de degradabilidade in situ por meio da microscopia eletrônica de varredura (MEV) e microscopia eletrônica de transmissão (MET). no entanto a epiderme e as suas estruturas permaneceram intactas no material não tratado e no material tratado com NH4HCO3. Após experimento de degradação ruminal. 3. (2006) avaliaram a influência dos tratamentos com hidróxido de sódio (NaOH) e bicarbonato de amônia (NH4HCO3) sobre as estruturas da palha de arroz e na degradação ruminal. sendo que o seu custo excedeu seu efeito benéfico. a suplementação de nitrogênio aumentou o consumo da palha. nos níveis de 0. fornecida sozinha ou suplementada com 200g de farelo de soja/dia. Palha de arroz O trabalho de Rai e Mudgal (1987) demonstrou o efeito associativo dos tratamentos com diferentes níveis de NaOH (0. Liu et al. Devido ao efeito sinérgico dos tratamentos. 9 e 12%) e pressão de vapor por uma ou duas horas. Em outro trabalho. houve um grande aumento da digestibilidade dos componentes da fibra da palha de arroz. Quando a palha de arroz tornou-se mais potencialmente digestível pelo tratamento alcalino. Os autores observaram que o tratamento com NaOH 30g/kg de MS destruiu todas as estruturas anexas à camada cuticular da epiderme. e reduziu a perda de nitrogênio urinário. sobre a composição química e digestibilidade in vitro da matéria orgânica da palha de arroz. Ca (OH)2 e cloreto de sódio (NaCl).5. 4 e 8% da MS. (1989). usando uma solução de NaOH a 4% para tratar a palha de arroz. utilizando três ovinos. KOH. houve solubilização significativa de polissacarídeos estruturais. nas mudanças de composição da palha de arroz e digestibilidade dos componentes da fibra pelos microrganismos do rúmen. 7.Boza et al. Santos e Prates (1988) tiveram como objetivo avaliar os efeitos de vários tratamentos químicos: NaOH. resultando em valores aumentados dos conteúdos celulares. enquanto o mesmo comportamento não foi observado no tratamento com NH4HCO3. 5. HCEL. cabendo ao NaOH a primazia de ser aquele que melhor incremento causou nessa digestibilidade. inclusive a do nitrogênio. seca e úmida.9. De acordo com 225   . 1. Liu et al. mesmo após 48 horas de incubação. FDA. Wang et al. Mesmo no menor tempo de duração. notaram que a epiderme e todas as suas estruturas foram degradadas pela ação do NaOH na palha tratada. (1987). levaram a um aumento da degradabilidade ruminal da PB. estudaram os efeitos do tratamento da palha de arroz com NaOH. Esse tratamento aumentou significativamente a digestibilidade dos nutrientes da palha de arroz. Os conteúdos de cinzas e lignina no material tratado também aumentaram. Esses autores concluíram que o tratamento alcalino utilizado resultou em um volumoso de qualidade ainda baixa. como PC. submetida a duas formas de conservação. CEL e sílica.

HCEL. O grau de lignificação dos polissacarídeos atua como uma barreira à sua degradação pelos microrganismos (Jackson. 1. pelo tratamento com NH4HCO3. e este efeito aumentaria à medida que se aumenta a concentração do químico. mas o tratamento químico da palhada pode dissolver.os autores. 1987). Os altos conteúdos de lignina e sílica na casca de arroz são os dois principais fatores responsáveis por suas baixas palatabilidade e digestibilidade (Singh e Gupta. no caso da NH4HCO3. ocorrendo uma menor digestão no intestino grosso e. por isso. a palha de milho é uma forragem de baixa qualidade. Segundo Ramirez et al. A degradabilidade ruminal da MS. O tratamento químico da palha de milho pode aumentar a digestibilidade por causar aumento da solubilidade da lignina devido à diminuição do comprimento das ligações entre lignina e polissacarídeos (Van Soest. causou efeitos negativos no balanço de nitrogênio e nos coeficientes de digestibilidade da matéria orgânica e do nitrogênio. essa camada. digestibilidade aparente e locais de digestão de matéria orgânica e nitrogênio do rolão de milho. o emprego do NaOH nem a adição de ureia. no caso da palha de arroz. impedindo o contato com o conteúdo celular e sua degradação. a camada de cutícula da epiderme é uma importante barreira para a microbiota ruminal. O rolão de milho utilizado nesse experimento mostrou ser um alimento de bom valor nutritivo.5. em consequência. rolão de milho tratado com 4% de NaOH e rolão de milho tratado com 4% de NaOH. A adição de ureia mostrou-se positiva. Ao contrário. que é muito volumosa e. Com a dissolução da cutícula. principalmente. de componentes estruturais lignocelulósicos. 5.10. 226 . pelo método spray. 7. no caso do hidróxido de sódio.5% de ureia. a epiderme do material tratado com NaOH pode ser degradada pela microbiota ruminal. os resultados indicam que. uma tendência ao deslocamento do sítio de digestão para o rúmen. quando comparada com o tratamento com NaOH. levando à não degradação desta e resultando em menor aproveitamento da palha de arroz na fermentação ruminal. com cinco níveis de NaOH (0. 2. Ela consiste. não justificando. O tratamento com NaOH não foi efetivo na melhoria do valor nutritivo do rolão de milho. 1978). Esses autores trataram amostras de casca de arroz. (1992). acrescido de 0. possui um alto custo para ser transportada e é difícil de ser estocada. CEL e lignina aumentou significativamente com níveis crescentes de NaOH usados. portanto. ou quebrar. não foi suficiente para permitir o acesso da microbiota à epiderme. FDA. Os locais de digestão foram afetados pelo tratamento.5 e 10%). 1982). Resíduo de cultura de milho Moro (1987) trabalhou com cinco ovinos adultos canulados no duodeno e íleo para estudar consumo. FDN. no entanto a fissura criada na cutícula pela quebra deste.5. no sentido de anular os efeitos negativos do tratamento com NaOH. em função da alta eficiência de síntese de proteína microbiana e do balanço de nitrogênio.

85 para 6. Pareceu que o valor nutritivo inicial da palha não teve efeito no grau de resposta ao tratamento. Foram utilizados carneiros implantados com cânulas no rúmen. permitindo.11.Kategile e Frederiksen (1979) estudaram os restos de uma cultura de milho com a finalidade de determinar a quantidade ótima de NaOH requerida para melhorar o coeficiente de digestibilidade. ambas as digestibilidades foram maiores do que as de FDN e FDA.93 para 4. Com ovinos castrados. o qual resultou numa limitada atividade microbiana. Esse tratamento resultou em um decréscimo de 12% no consumo voluntário. e isso resultou em um aumento do conteúdo de CEL e lignina da PC remanescente.29kg de matéria orgânica/dia. Os resultados dessa pesquisa indicaram que. mas suplementado com ureia. sem afetar o consumo voluntário do material tratado. apesar de a digestibilidade aumentar em 17%. 1. O tratamento causou a redução do conteúdo de HCEL da MS. O tratamento com NaOH diminuiu a concentração de componentes estruturais (CEL. Os melhores resultados foram obtidos quando se utilizaram 5kg de NaOH em 100kg de MS. aumentou o conteúdo de cinzas de 52 para 113g/kg de MS. com isso. nos ovinos controle.30kg de matéria orgânica/dia. O uso de NaOH aumentou o consumo de MS. limitando a utilização dos alimentos. devido a um aumento do consumo voluntário de palha de 3. comparado com o resíduo de cultura de milho sem tratamento químico. Palha de aveia O efeito do tratamento com hidróxido de sódio na composição química. (1992) concluíram que. realizado por Ng’ambi e Campling (1991). Esse tratamento aumentou o consumo voluntário de 5. HCEL e lignina) do resíduo de cultura de milho. (1990). Ramirez et al. causou maior digestibilidade da MS. duodeno e íleo. O tratamento da palha de aveia com NaOH. esta deve ser acrescida de um suplemento proteico. Wilke (1992) tratou palha de milho com 5% de NaOH e a forneceu a cabras com idade entre 14 e 18 meses. aumentando o consumo e a digestibilidade aparente da MS. apesar de não ter havido diferenças nas digestibilidades de FDN e FDA nos carneiros alimentados com dietas contendo palha de milho tratada com cinzas de madeira ou NaOH. alimentados com dietas contendo palha de milho não tratada ou tratada com uma solução de cinzas de madeira ou uma solução de NaOH (4g/100g de palha de milho).5. O objetivo de Saliba (1988) foi determinar o valor nutritivo do resíduo de cultura de milho tratado quimicamente com NaOH e suplementado com ureia. digestibilidade e conteúdo de energia digestível da palha de aveia foi avaliado por Moss et al. maiores consumos de ED e de EM. o que pode ser explicado pelo baixo conteúdo de PB da palha de milho. maiores consumos de ED e EM. Os coeficientes de digestibilidade da matéria orgânica e da palha 227   . Caprinos castrados foram alimentados com a mesma dieta e responderam de maneira semelhante aos carneiros. para usar a palha tratada com NaOH como dieta de mantença para cabras leiteiras não lactantes.

foi bom. para ovinos. À medida que aumentou o teor de bagaço tratado na ração. o material ficou exposto ao sol por aproximadamente oito horas. Foram utilizados quatro bovinos mestiços (Zebu x Holandês). mas o bagaço não processado usado para substituir fontes de forragem resultou num consumo pobre e numa produção animal abaixo do padrão (Abdalla et al.8. Porém.75 para dietas contendo bagaço tratado com 0. provavelmente. durante o período de ensilagem ou quando exposto ao ar. para 56. (1983). logo após a hidrólise. a digestibilidade da palha passou de 0. 34. um efeito que foi. sob o ponto de vista microbiológico. providos de cânula ruminal.1 Mcal/kg de MS de bagaço tratado. 20. podem ser considerados valores de 1. (2005) tiveram como objetivo estudar o efeito do tratamento alcalino da cana-de-açúcar com hidróxido de sódio (1. e há muitos estudos sobre o bagaço em dietas para ruminantes. Proporções de bagaço variando entre 30-35% na ração permitem a obtenção dos maiores valores de energia e proteína digestíveis. mesma variedade do tratamento CAN foi picada e hidrolisada com NaOH 50%) (1. bem como maiores retenções de nitrogênio em função da energia consumida. Para efeito de formulação de rações. A digestibilidade da matéria orgânica do bagaço de cana aumentou de 32. sobre o valor nutritivo do bagaço de cana ensilado por 90 dias. intensificado pelo reduzido conteúdo de carboidrato solúvel do substrato.5. 1. O consumo voluntário da matéria orgânica digestível da palha de aveia aumentou 26% devido ao referido tratamento. disposto em camada fina [máximo 1cm] em terreno cimentado. respectivamente. A presença de NaOH no silo inibiu o desenvolvimento de bactérias e fungos. sendo eles: CAN (cana-deaçúcar in natura). diminuíram a digestibilidade e o consumo dela. Foram utilizados quatro tratamentos.7 e 40. Bagaço de cana-de-açúcar O Brasil é um dos maiores produtores de cana-de-açúcar do mundo. CH (cana-de-açúcar hidrolisada. Avila (1989) avaliou o valor nutritivo do bagaço de cana tratado com NaOH em diferentes proporções na dieta de ovinos. respectivamente.6g/kg PV0.. o material foi compactado em silo tipo trincheira. até atingir 85% de matéria seca). não é totalmente utilizado como fonte de combustível. logo após o mesmo tratamento de hidrólise. o efeito mais evidente é sobre o consumo.63 de matéria orgânica.7 e 2.8% para o maior nível de álcali. O trabalho de Molina et al. 44.12. Os consumos médios diários foram 29.5 a 50% de NaOH) sobre a digestibilidade total e o consumo de matéria seca das dietas experimentais e as taxas de passagem das canas-de-açúcar. O bagaço.aumentaram devido ao tratamento com NaOH. 40 e 60g de álcali/kg de produto seco. que permaneceu fechado por 30 dias). subproduto mais importante da indústria açucareira. 1990). de EM e ED. com peso médio de 700kg. e SIL (cana-deaçúcar hidrolisada ensilada.5% PV) no momento em que a forragem era cortada pelas facas da picadeira hidrolisadora HIDROCANA. mostrou que a estabilidade do produto tratado.6 para o produto tratado com água. FEN (canade-açúcar hidrolisada fenada. 228 .56 para 0. Sua área cultivada é acima de três milhões de hectares. Ezequiel et al.7. após aplicação de vários níveis de NaOH sob a forma de spray.

sendo uma alternativa para utilização como volumoso na alimentação de ruminantes.4% PV) provavelmente foram influenciados pela maior digestibilidade da fibra.recebendo dieta composta de volumoso e concentrado na relação 70:30 na matéria seca. (1990) foi avaliar o consumo e a eficiência do bagaço de cana tratado com 5% de NaOH em uma dieta isoproteica. cinco e sete dias). Os autores concluíram que não foi verificado efeito dos tratamentos (dose de NaOH e dias de tratamento) sobre os teores de PB. pode não trazer esses benefícios. mas não foi observado efeito do período de tratamento sobre essas variáveis. A MS aumentou com os dias de tratamento.01). três. 2. reduzindo perdas na eficiência. para ovinos. 229   . celulose (CEL).5% na MS por meio de um pulverizador. O consumo de MS. Concluiu-se que o tratamento alcalino com hidróxido de sódio. Foi observada redução das frações de FDN.6%. Os valores estimados de taxa de passagem ruminal no ceco-cólon e o tempo de retenção em cada compartimento não diferiram entre as canas-de-açúcar in natura.0 e 16. hidrolisadas e hidrolisadas fenadas.4 horas). o material foi armazenado nos baldes correspondentes a cada repetição. FDA. 5 e 7.4%/h) e o maior tempo de retenção (71.7% no consumo das dietas contendo as canas-de-açúcar hidrolisadas (1. Pires et al. comprovado pela redução nos constituintes da parede celular e pelo aumento na DIVMS. A posterior ensilagem. (2006) tiveram como objetivo avaliar a composição química e a digestibilidade in vitro da matéria seca (MS) do bagaço de cana-de-açúcar contendo 60% de MS submetido a doses crescentes de hidróxido de sódio (NaOH) em diferentes períodos de tratamento. de mantença. com o objetivo de maximizar o efeito das canas-de-açúcar. para a cana-de-açúcar hidrolisada ensilada. proporcionando aumentos de pelo menos 45% na digestibilidade. hemiceluloses (HEM) e lignina (LIG). Entretanto. no entanto. melhorou a digestão da fibra da cana-de-açúcar no trato digestivo total e proporcionou acréscimo do consumo de matéria seca da cana-de-açúcar hidrolisada. a produção de lã e mudanças de peso foram anotados para cada animal.5.5% PV) e hidrolisadas fenadas (1. O bagaço foi acondicionado em baldes plásticos com capacidade de 10 litros e permaneceu em câmara climática à temperatura constante de 25ºC. sem afetar a taxa de passagem. Os aumentos de 25. observaram-se as menores taxas (1. A digestibilidade in vitro da matéria seca (DIVMS) e o teor de sódio aumentaram quando o bagaço de cana foi submetido a doses crescentes de NaOH. O objetivo do trabalho de Abdalla et al. não sendo observadas alterações para essa variável em relação às doses crescentes de NaOH. com ou sem fenação. O consumo de MS para animais alimentados com feno foi significativamente melhor (p<0. Os resultados sugerem que o bagaço de cana tratado pode ser usado estrategicamente em uma dieta de mantença para ovinos durante períodos de baixa disponibilidade de forragem. que apresentaram valor médio de 1. A produção de lã e a mudança de peso vivo não diferiram entre as dietas experimentais. O valor nutritivo do bagaço de cana é melhorado com a adição de NaOH. Após a homogeneização. os quais permaneceram abertos nos respectivos períodos de tratamento (um. A solução de NaOH foi adicionada ao bagaço nas respectivas dosagens de 0. O tratamento alcalino foi mais eficiente na fração fibra.5 e 7.

Esse efeito ocorreu. Para isso. consumo de energia digestível e digestibilidade aparente da proteína bruta. 24. Os valores de degradabilidade efetiva (DE) e degradabilidade potencial (DP) aumentaram de acordo com o incremento dos níveis de NaOH nos tratamentos. deve-se fornecê-la junto a outro alimento com um melhor teor de energia. e com NaOH não provocou alterações na composição química. indicando que a adição de NaOH deve ter atuado na dependência dos níveis de NaOH usados e na quebra das estruturas lignificadas da parede celular da casca de café. 36. T2-feno e casca de café + 5% ureia. A casca tratada ou não provocou depressão do consumo. Para a fração solúvel (FS). Os autores observaram que os valores de matéria seca não se alteraram significativamente entre os diferentes tratamentos.9% a 66. porém. Figueiredo et al. Provavelmente. Houve diferença entre os tratamentos quanto ao consumo de proteína digestível. Para isso.5% NaOH. T4-feno e casca de café + 1. Os resultados percentuais dos componentes da parede celular variaram de 51. constituindo. T3-feno e casca de café + 1. o mesmo ocorrendo para proteína bruta. utilizaram duas vacas fistuladas no rúmen.9% para a fibra em detergente ácido.9% a 50. 6% e 9% aumenta linearmente os resultados de degradabilidade efetiva. o tratamento com 9% de NaOH alterou a composição da parede celular. promovendo redução dos teores de FDN e FDA. (2008) tiveram como objetivo determinar a cinética de degradação ruminal da matéria seca da casca de café.3% para a fibra em detergente neutro e de 43. em blocos casualizados. indicando efeito do tratamento químico sobre esta fração dos alimentos testados. Considerando-se a composição bromatológica e a digestibilidade da casca de café tratada ou não. (2005) avaliaram o valor nutritivo da casca de café tratada ou não com hidróxido de sódio e/ou ureia. em virtude da solubilização de componentes da parede celular.5% NaOH + 5% ureia. efeito sobre o tempo de colonização ruminal desta. não havendo. assim distribuídos: T1-feno de alfafa e casca de café pura. T5-100% feno de alfafa. por quatro rodadas sequenciais. Ambos apresentaram os mesmos resultados com a adição de 9% de NaOH em relação aos demais tratamentos. observaram-se valores que foram crescentes de acordo com o aumento dos níveis de NaOH. foram utilizados 20 carneiros. sendo que cada uma destas representou um bloco. com quatro blocos e cinco tratamentos constituídos de 50% de feno de alfafa e 50% de casca de café tratada ou não. assim. Casca de café Leitão et al.1. 3%.13. 230 . incubando-se as amostras em sacolas de náilon por 12. Tratou-se a casca de café com 0%. degradabilidade potencial e fração solúvel deste resíduo no rúmen. Diante desse efeito possível na cinética de degradação da casca de café no rúmen. Não se observou diferença para o tempo de colonização (TC) entre os tratamentos. 48 e 72 horas.5. O tratamento da casca de café com ureia proporcionou apenas aumento no teor de proteína bruta (PB). provavelmente. 6% e 9% de hidróxido de sódio (base seca). dentro de um delineamento de blocos inteiramente casualizados. os tratamentos T1 a T4. Os autores concluíram que a adição de hidróxido de sódio na casca de café nos níveis de 3%. tratada com diferentes quantidades de hidróxido de sódio. a adição desta base pode contribuir para o aumento do desempenho de ruminantes submetidos a dietas contendo este resíduo agrícola.

as digestibilidades daqueles materiais foram consideravelmente aumentadas. 2. Campeneere et al. observaram que os álcalis não alteraram o ambiente ruminal. Silagem No estudo de Tobino et al. silagem de milho e silagem pré-secada. respectivamente. O consumo do alimento tratado com NaOH foi significativamente maior que os demais tratamentos (23. 125 e 76g/kg. Sob aplicação de NaOH. UTILIZAÇÃO DE RESÍDUOS AGROINDUSTRIAIS TRATADOS COM HIDRÓXIDO DE SÓDIO PARA BOVINOS DE LEITE Haddad et al. sendo elas: trigo planta inteira. 21. obteve-se o valor nutritivo dos tratamentos. 231   . grande parte do amido. desta forma.14. foram ensilados aveia. quando comparado ao tratamento que continha a planta inteira de trigo. apesar da utilização de aditivos. (1998). gordura de leite e proteína) de cinco dietas diferentes em vacas Holandesas. O experimento de digestibilidade com os animais indicou que os valores de energia dos tratamentos do trigo não foram diferentes estatisticamente. produção de leite. Avaliando-se a degradabilidade da proteína.1. nos tratamentos com 30 e 40% de palha tratada.1Kg/dia para os outros dois grupos). trigo tratado com NaOH e o ensilado. Por meio de estudos de digestibilidade in situ e in vivo. a digestão da FDN e a produção de leite em níveis de inclusão de até 20%. A maior parte do sódio consumido pelos animais foi excretado através da urina. O soro sanguíneo não apresentou nenhuma desordem funcional.5 vs. tal procedimento pode ser de grande valia para a redução de casos de acidose ruminal. (2005) avaliaram a performance zootécnica (ingestão de matéria seca. Não houve diferenças significativas nas qualidades visuais e químicas entre as silagens com e sem tratamento de NaOH. 30 e 40% da MS da dieta total) sobre os padrões ruminais e o desempenho de vacas Holandesas no meio da lactação.5. os animais reduziram a ingestão de matéria seca e perderam peso. para o trigo planta inteira. 20. obtiveram-se valores de 103. Porém. ao avaliarem o efeito da palha de trigo tratada com NaOH e Ca(OH)2 em crescentes participações na dieta (0. trigo tratado com NaOH e silagem de trigo imaturo com aditivos. Os experimentos de digestibilidade in situ mostraram que os tratamentos com NaOH levaram a uma diminuição significativa da degradabilidade da proteína e do amido do trigo. (1990). devido à ensilagem. Por outro lado. Devido a este decréscimo na degradabilidade do amido nos tratamentos com NaOH. se comparado ao tratamento com silagem pré-secada e com silagem de milho. Os autores constataram que o material tratado com NaOH apresentou melhor performance com aumento da produção de leite e com maior concentração de gordura e proteína no leite corrigido. a planta imatura do trigo levou à maior produção de efluentes. arroz e palha de arroz tratados com NaOH. As silagens foram avaliadas em relação às digestibilidades e aos efeitos nos ganhos de peso vivo e no soro sanguíneo de bovinos. perdendo.

O balanço mineral de bezerros. foram utilizadas 18 vacas Holandesas no meio da lactação. 232 . diarreia e alcalose metabólica. Indica-se a neutralização da palha com ácido clorídrico (HCl) para estabilizar o pH do fluido ruminal e aumentar o consumo de alimentos. sendo eles: T1 (caroço de algodão com línter). leite corrigido para 4% de gordura. o consumo de alimento para e só se inicia novamente quando o pH cai abaixo de sete. o que acontece pouco tempo após a ingestão. A digestibilidade total da matéria seca. foi determinado por Holzer et al. porém o tratamento com caroço de algodão tratado com NaOH apresentou maiores produções de leite. Três diferentes tratamentos foram utilizados. Para isso. Os autores concluíram que os ovinos não foram capazes de se adaptarem a altos consumos de álcali por períodos superiores a 15 semanas. O tratamento do caroço de algodão com NaOH levou a um aumento da digestibilidade in vitro da matéria seca e da fibra em detergente neutro. As produções de leite foram semelhantes para os tratamentos 1 e 2. resultou em alcalose metabólica primária demonstrada pelo pH sanguíneo aumentado. A digestibilidade da celulose e a da FND foram maiores no tratamento três. quando são fornecidas sozinhas. citado por Rexen e Knudsen. Atribui-se o desencadeamento dos mecanismos implicados a um excesso de NaOH. excesso de bicarbonato e de base. Não foram encontradas alterações nos indicadores hemáticos. A ingestão de matéria seca do tratamento com caroço de algodão tratado foi maior se comparado aos demais tratamentos. o que poderia causar problemas. T2 (caroço de algodão sem línter. PROBLEMAS ADVINDOS DO USO DE NAOH NA ALIMENTAÇÃO DE RUMINANTES As palhas tratadas com NaOH não são bem-aceitas pelos animais.Solomon et al. Martinez e Aguilera (1991) estudaram o comportamento clínico-metabólico em vacas alimentadas com bagaço de cana pré-digerido com NaOH a 6%. Devido à alteração da palatabilidade e aos altos níveis de sódio na palha tratada com NaOH. 3. tratado com NaOH 4%). Todas as dietas continham 18% de caroço de algodão. torna-se necessário restringir a quantidade de palha tratada nas dietas de ruminantes (Stigsen. 1984). Observaram-se deterioração do estado físico. neutralizada com HCl e não neutralizada. feito por Trevor-Jones e Leibholz (1984). foram determinados alguns indicadores hematoquímicos e gasométricos. que aumentou significativamente. exceto no sódio. não tratado) e T3 (caroço de algodão sem línter. nem hemoquímicos. Além do controle sanitário. O fornecimento de palha de trigo tratada com NaOH a ovinos. em vacas em lactação. 1975. produção de gordura (g/kg) e proteína (g/kg). recebendo palha de trigo tratada com 35g de NaOH/kg. (2005) estudaram o efeito do NaOH (4% da MS) sobre o valor nutritivo do caroço de algodão sem línter. da matéria orgânica e a da proteína bruta da dieta com caroço sem línter (T2 e T3) foram maiores se comparadas à dieta com caroço com línter. Quando o valor do pH do fluido superior do rúmen vai acima de oito.

CONSIDERAÇÕES FINAIS A utilização de resíduos agroindustriais na alimentação de ruminantes é viável. J. Belo Horizonte. nas dietas. na época seca. 500 e 700g/kg. A concentração de amônia no líquido ruminal e a da ureia no sangue foram mais baixas nos animais que receberam palha de trigo tratada com álcali.93-94. Devem ser feitas pesquisas no sentido de otimizar o efeito desse tratamento. visando aumentar a sua digestibilidade e proporcionar um melhor aproveitamento do seu valor nutricional pelos animais.S. Treated sugarcane bagasse for sheep. Os valores de pH. A disponibilidade desses produtos é muito grande e ocorre no período de escassez de forragens verdes. devem-se utilizar metodologias que reduzam os efeitos negativos do sódio e do alto pH sobre a saúde animal. p. 1989. AVILA. a digestibilidade e o consumo. Agric. de forma que também seja possível a produção de alimentos altos em energia. ou seja. A alcalose não afetou o desempenho. O balanço ácido-básico sanguíneo não foi significativamente afetado pelos tratamentos. 233   . para ruminantes. Escola de Veterinária. 66f Dissertação (Mestrado em Zootecnia) – Universidade Federal de Minas Gerais. 4. Bagaço de cana tratado com hidróxido de sódio. será possível usar. Porém. então.C. O hidróxido de sódio aparece.. a presença de bicarbonato e a pressão de CO2 dos animais indicaram alcalose branda. Além disso. torna-se necessário fazer um tratamento prévio desses materiais. Trop. Apesar de a digestibilidade ser melhorada pelo tratamento alcalino com hidróxido de sódio. A. v. como uma boa opção para tratamento de resíduos. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ABDALLA.67. 1990.M. No entanto. MG.S. Deve-se ressaltar a importância da adição de uma fonte nitrogenada. S.L. D. A relação sódio e potássio retidos aumentou com o incremento da proporção de palha na dieta e foi menor nas dietas de palha neutralizada..(1991) em um experimento de digestibilidade no qual a palha de trigo foi oferecida nos níveis de inclusão de 300. o produto resultante ainda continuará sendo um alimento pouco energético. VITTI. que aumentará o teor de proteína bruta. Quando esse problema for solucionado. deve ser investigada a ocorrência de interações entre os materiais tratados com soda e outros componentes dos alimentos. objetivando o aumento do valor nutritivo dessas fontes. porcentagens mais altas de resíduos tratados com esse químico. SILVA FILHO..C.

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camargos@cnpq. 610 Dom Bosco. O capítulo abordará também a silagem de milho como alimento para gado de leite detalhando as características que influenciam o valor nutritivo da silagem.vilela@ifsudestemg. Asa Norte.br 2 Médico Veterinário. CEP 36038-330. Embrapa Gado de Leite.br 3 Engenheiro Agrônomo.6 milhões de toneladas para a safra 2008/2009. Nazir I. DF. Belo Horizonte. luciocg@vet. Serão descritos. A área plantada com milho foi estimada em 14. Professor do Instituto Federal de Educação. com produções de 51. Ciência e Tecnologia do Sudeste de Minas Gerais – Campus Barbacena. os principais coprodutos do processamento do milho. Brasília. o Brasil encontra-se na terceira colocação.br 4 Médico Veterinário.. 2009). wellyngton. Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico. Serão descritas a estrutura e as propriedades físicas do milho. Juiz de Fora. MG. carboidratos e proteínas. a textura dos grãos e o conteúdo de óleo. Bloco A. Wellyngton Tadeu Vilela Carvalho4 RESUMO Este capítulo tem como objetivo descrever a importância do milho na alimentação de bovinos leiteiros. Roberto Camargos Antunes2. será discutida a silagem de milho úmido para bovinos leiteiros.2 milhões de hectares e em 21. segundo o Acompanhamento da Safra Brasileira (Companhia Nacional de Abastecimento . Por fim.6 milhões de hectares com a soja.CAPÍTULO 14 O MILHO NA ALIMENTAÇÃO DE GADO DE LEITE Luiz Gustavo Ribeiro Pereira1. como a digestibilidade da fibra. CEP 30123-970. SEPN 509. a classificação quanto ao tipo de grãos.. bem como a composição bromatológica em lipídios. 2007). INTRODUÇÃO A produção de milho no Brasil. contribui com aproximadamente 80% da produção nacional de grãos. MG. Lúcio Carlos Gonçalves3. Será também abordado o milho na alimentação de rebanhos leiteiros com detalhes quanto aos efeitos do local de digestão do amido e o metabolismo de vacas leiteiras.embrapa. juntamente com a soja. atrás dos Estados Unidos (268 milhões de toneladas) e da China (143 milhões de toneladas).USDA.ufmg. DSc.edu. Rua Eugênio do Nascimento. Médico Veterinário. Os dados estimados para a safra 2006/2007 apresentados pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos indicam o Brasil como o terceiro maior produtor de milho do mundo (produção de 46 milhões de toneladas).CONAB. MSc.9 milhões de toneladas de milho e 58. logo após os Estados Unidos e a Argentina (United States Department of Agriculture . DSc. Coordenador do Programa de Pesquisa em Agropecuária e Agronegócio. Ed. luiz. Em termos da exportação. Associado Departamento de Zootecnia da Escola de Veterinária da UFMG.1 milhões de toneladas de soja. ainda. Prof. Sala 301.br 1 240 .. estimada ao todo em 137. Caixa Postal 567.gustavo@cnpgl. CEP: 70750-501. DSc.

com ênfase na caracterização do amido. restando 11. principalmente pela maior eficiência da utilização de fontes de nitrogênio não proteico. sendo esta a forma de exploração mais econômica e a base da produção nacional. O milho é considerado a base energética padrão nos concentrados comerciais. quando o pH ruminal pode cair para níveis críticos abaixo de 5. O amido apresenta disponibilidade energética superior à dos carboidratos estruturais presentes nas dietas de ruminantes. Owens et al. pode ter impactos positivos na lucratividade da atividade. a utilização de concentrados. A produção de etanol a partir do milho gerará uma grande quantidade de coprodutos (1/3 do total processado). muitos dos quais são coprodutos e podem ser utilizados como alimentos estratégicos para bovinos leiteiros. Já quando utilizado em excesso. o milho pode acarretar problemas metabólicos como a acidose. O objetivo deste capítulo é discutir a utilização racional do milho na alimentação dos rebanhos leiteiros. A avicultura demanda 60.O aumento no preço do milho no mercado internacional ocasionado pela maior demanda do cereal. quando utilizado de forma correta. tem influência direta na cadeia de produção de proteínas de origem animal no Brasil. podendo ser listados mais de 500 derivados. 1998. A presença de amido é fundamental na exploração de animais de alta produção. correspondendo a mais de 50% do volume produzido. 1998). pode ser usado para melhorar as características de fermentação ruminal. energia e proteína. com consequências negativas sobre o desempenho animal.5% deste total.5 devido ao acúmulo indesejável de ácidos graxos voláteis (AGVs) e lactato no rúmen (Hall. possibilitando uma melhor utilização dos carboidratos estruturais e o maior fluxo de proteína microbiana para o intestino. pode garantir a maximização da produção. a melhoria dos índices reprodutivos e. Na alimentação de bovinos leiteiros. na descrição das principais características químicas e físicas do grão do milho e na discussão dos principais coprodutos do milho utilizados nas dietas. já que a demanda de milho para rações é superior a 25 milhões de toneladas. O milho como fonte de amido. energia (amido e óleo do milho) e proteína (protenose). O Brasil se destaca na produção de leite a pasto. o milho é utilizado como fonte de amido. sem a devida adaptação do ambiente ruminal. 241 . e o conhecimento da melhor forma de sua utilização é importante para o sucesso na suplementação. principalmente para a produção de etanol nos Estados Unidos.0% a serem utilizados na alimentação de ruminantes e outras espécies (Lima. dentre os quais os mais conhecidos são os resíduos úmidos e secos de destilaria que podem ser fonte de fibra. e a suinocultura 28. 2001). que exigem níveis elevados de energia na dieta. consequentemente. A agroindústria apresenta grande diversidade de utilização do milho na alimentação humana e animal. quando usados de forma racional..5%. Estes podem ser fontes de fibra de boa qualidade (farelo de milho). geralmente o principal componente energético dos concentrados. Neste sistema de produção.

9 Gémen 11. Tabela 1. maiores e menos densos que os encontrados no endosperma córneo.0%). É composto pelo embrião e por tecido de estocagem rico em ácidos graxos poli- 242 . os grânulos de amido são arredondados e estão dispersos. 2007). que são esféricos.3 12.0 Fonte: Paes (2006).9 1. além de conter quantidades importantes de proteínas (26. pericarpo (casca) e ponta. gérmen. proteínas de estocagem e. o grão de milho é formado por quatro principais estruturas físicas: endosperma. Pequenos espaços de ar estão presentes entre grânulos de amido. em média. Conhecido botanicamente como uma cariopse. É o principal tecido de estocagem do grão (National Corn Growers Association . 2006).3 82. Porcentagens e composições dos constituintes do grão de milho. % Fração Amido Lipídios Proteínas Minerais Açúcares Fibras grão Endosperma 82.0%) e açúcares (70. em menor proporção.1 0. que circundam os grânulos de amido de formato poligonal.6 26.8 0.0 17.6 2. vitaminas e minerais. de 250 a 300mg.9 28. 1974). encontram-se as porcentagens dos constituintes do grão de milho e respectivas composições. Os corpos proteicos estão presentes. Já a zona farinácea ou opaca do endosperma é caracterizada pela presença de células frouxamente empacotadas.0 78. com corpos proteicos estruturados.0 15.0 Ponta 2.1. composto por amido. ESTRUTURA E PROPRIEDADES FÍSICAS DO GRÃO DE MILHO O peso individual do grão varia. O endosperma vítreo apresenta matriz proteica densa. o que confere melhor acessibilidade às enzimas e maior digestibilidade (Hoseney et al.0 0.0 98.0%) dos lipídios (óleo e vitamina E) e dos minerais (78. não havendo matriz proteica circundando esta estrutura (Paes.8 7.0% do grão de milho e concentra quase a totalidade (83.3 2..9 1.6 1.0%) do grão.4 74. O amido da zona vítrea é menos disponível para a digestão devido à barreira física que a matriz proteica e os corpos proteicos formam sobre ele (Sullins e Rooney. enquanto as proteínas de estocagem são fontes de energia. 1974).0 0. nitrogênio e enxofre durante a germinação (Lopes e Larkins. o endosperma é classificado como vítreo (ou córneo) ou farináceo (ou opaco). as quais diferem em composição química e também na organização dentro do grão. O gérmen representa aproximadamente 11. 1993).0 0. Nutricionalmente o endosperma amiláceo é o componente mais importante do grão. A diferença ultraestrutural mais importante entre os endospermas vítreo e farináceo é a menor concentração de matriz proteica no endosperma farináceo. O amido tem a função de fornecer ao embrião energia e esqueletos de carbono até que este seja fotossinteticamente competente. Na porção farinácea. mas em menor concentração que no endosperma córneo. por enzimas.NCGA.2 54. não permitindo espaços entre estas estruturas. Com base na distribuição dos grânulos de amido e da matriz de proteína.0 Pericarpo 5.0 1.4 69. Na Tabela 1.

O encolhimento do endosperma farináceo na secagem do grão resulta na formação de uma indentação na parte superior do grão. já no Brasil. A ponta é a menor estrutura do grão de milho (2. definidos pela estrutura do endosperma e o tamanho do gérmen. enzimas e minerais. A principal diferença entre os tipos de milho é a forma e o tamanho dos grãos.0% do grão. conferindo proteção à umidade do ambiente. duro. É constituída essencialmente de material lignocelulósico.insaturados.0%).0%) e é a responsável pela conexão do grão ao sabugo. porém o endosperma é 243 . em média. predominam os grãos do tipo dentado. 2. a maioria dos híbridos plantados é de grão do tipo duro (flint). Tipos de milho e proporções do endosperma farináceo e vítreo. O milho duro difere do farináceo e do dentado na relação de endosperma vítreo:farináceo. pipoca e doce. proteínas. Os dentados apresentam o endosperma farináceo na região central do grão. O pericarpo representa. farináceo. sendo a única área não coberta pelo pericarpo. que representam a reserva nutritiva para o embrião. As camadas de células que compõem esta fração são constituídas de hemiceluloses (67. 5. Em países de clima temperado. CLASSIFICAÇÃO DO MILHO QUANTO AO TIPO DE GRÃOS Existem cinco classes ou tipos de milho: dentado. aos insetos e aos microrganismos.0%) e celulose (23. caracterizando o milho como dentado. conforme visualizado na Figura 1. O milho farináceo também apresenta indentação. Duro Pipoca Dentado Farináceo Doce Endosperma vítreo Endosperma farináceo Endosperma doce Gérmen Figura 1.

2001. a classificação deve ser baseada na predominância. fisiológicas e estruturais da textura do endosperma dos grãos de milho ainda não são bem compreendidas. No entanto. nesta situação. essencialmente amido. As bases bioquímicas. Em uma mesma espiga. é pobre em fibra. Valadares Filho et al.completamente farináceo. 1984). Já o milho duro possui volume contínuo de endosperma vítreo. porém esta é altamente digestível.. Comparados aos dados nacionais. os termos acima são utilizados de forma sinônima pela literatura. apresenta aparência enrugada devido à não conversão dos açúcares em amido (Dickerson. Os conceitos de textura do endosperma encontrados na literatura são vagos e subjetivos e estão geralmente associados aos métodos de determinação da textura dos grãos. Atenção especial deve ser dada aos níveis de cálcio em rações com altas quantidades de milho. O milho apresenta um valor médio de nutrientes digestíveis totais superior a 85. são apresentados os dados de composição química média do grão de milho de acordo com dados americanos (National Research Council .025%) e medianamente rico em fósforo (valor médio de 0. dependendo do genótipo. pode haver grãos com aparência de dois tipos. do solo e das condições climáticas. 1999). Quando colhido e armazenado em condições 244 . o conceito de textura mais aceito se refere à proporção do endosperma vítreo (duro) em relação ao endosperma farináceo (macio) do grão. 2007). a composição proteica do grão e o arranjo ultraestrutural da matriz proteica nos endospermas vítreo e farináceo são os principais fatores determinantes (Chandrashekar e Mazhar.25%). conhecido por vitreosidade (vitreousness) (Cagampang e Kirleis. Apesar de diferentes. os valores de proteína bruta e nutrientes digestíveis totais apontados pelo NRC (2001) são ligeiramente superiores. As contaminações também podem alterar o valor nutritivo do milho.0%. Na Tabela 2. O grão de milho amarelo destinado ao consumo animal deve ser isento de sementes tóxicas e resíduos de pesticidas. O milho doce. e a dureza (hardness) como a habilidade do grão de resistir à indentação. além do pericarpo mais espesso e endosperma vítreo predominante. fato provavelmente relacionado à utilização de genótipos diferentes e também às distintas condições de cultivo. No entanto. 2006). clima. A classificação do milho deve ser feita quando os grãos estão secos e ainda aderidos ao sabugo. COMPOSIÇÃO BROMATOLÓGICA DO GRÃO DE MILHO A composição química proximal do grão de milho não é estática. de acordo com Jastrzebski (1976).NRC. 3. 2001) e nacionais (Lima. A textura (strength) do endosperma de grãos foi definida como a habilidade do grão de resistir à compressão sem produzir fraturas. O padrão exigido para a utilização do milho na alimentação animal encontra-se na Tabela 3. solos e armazenamento. quando seco. citado por Chandrashekar e Mazhar (1999). tem elevado teor de energia por ser rico em extrativos não nitrogenados. resultando em grãos arredondados e lisos. É pobre em cálcio (valor médio de 0. O milho de pipoca é menor e possui formato arredondado.

0 a 78. como plantas do gênero Cassia (fedegoso).5 14.2 - Tabela 3.0 Fibra em detergente ácido 3.0 1.84 2.0 20. sintetizado pelas plantas superiores com função de reserva energética nos períodos de dormência.1 3. Tabela 2.03 0. Composições químicas médias de grãos de milho em porcentagem da matéria seca. Verificar a presença de toxinas é uma boa medida.04 0.5 Extrato etéreo 4. que pode estar presente sem que o mofo seja visível. que interferem no metabolismo da proteína.65 2. Carboidratos do grão de milho Os principais carboidratos constituintes dos grãos são amido.inadequadas.0 3. e o Fusarium moniliforme.1 87. germinação 245 .5 1.6 87.99 2.5 10.5 Cálcio 0.0 7. embora o maior problema seja para aves e suínos..83 Metionina (% da proteína bruta) 2. Parâmetro Unidade Umidade (máximo) % Proteína bruta (mínimo) % Fibra bruta (máximo) % Extrato etéreo (mínimo) % Matéria mineral (máximo) % Xantofila (mínimo) ppm Aflatoxina (máximo) ppb Fonte: Compêndio.47 Nutrientes digestíveis totais 88.3 Cinzas 1. pode ocorrer o desenvolvimento de fungos.4 4.0 4. Padrão 14. quando da aquisição do milho.30 0.25 0.26 Lisina (% da proteína bruta) 2.1 Fibra bruta 2. (2006) Matéria seca (%) 88. 2001). (1998). O amido é a principal fração dos carboidratos e pode representar de 66. Padrão exigido para a utilização na alimentação animal.7 Proteína bruta 9..04 Fósforo 0.1 8.2 4.7 Fibra em detergente neutro 9. celulose. COMPOSIÇÃO BIOQUÍMICA DO GRÃO DE MILHO 4.0% do peso seco do grão (Zeoula e Caldas Neto.0 2.1 87. É um polissacarídeo não estrutural de elevado peso molecular.4 9.13 1. que produzem a aflatoxina. destacando-se os do gênero Aspergillus. Sementes de ervas daninhas também podem interferir na qualidade do milho.1. Valadares Filho Parâmetros NRC (2001) Lima (2001) et al. açúcares simples e pentosanas.

cevada. unidas por ligações α-(1 → 4). sorgo. a amilose e a amilopectina (French. Quimicamente. 2004) e tem estrutura bastante ramificada. e a densidade do amido varia de 1. 1973). tubérculos e grãos. o amido é composto por 30.. 2004).. Amidos denominados “cerosos” do milho. ao tamanho da molécula e pelas propriedades químicas. quando os grânulos de amido perdem a cristalinidade (French. A temperatura de gelatinização do amido varia com o tipo de grão. Por outro lado.0% de amilose e 70. e 1% por ligações α-(1 → 6). A amilose é o polímero longo e relativamente linear. oval e/ou poligonal.0% de amilopectina (Sullins e Rooney. com diâmetros variando de 1 a 200μm e nos formatos redondo. As plantas armazenam o amido nas raízes. 1973.0% de amilose são denominados “ricos em amilose”. Pode conter mais de 15 mil resíduos de glicose. 2001. Esse processo é denominado gelatinização e ocorre devido à quebra das pontes de hidrogênio entre as moléculas de amilose e amilopectina.. podendo conter até 80% de seu peso seco em amido (Buléon et al. O milho tem grânulos simples.4 a 1. caules. arroz e milheto apresentam de 85. mas. amidos com mais de 40. permitindo a entrada de água dentro dos grânulos (Hoover. 1997). O aquecimento dos grãos na presença de água promove a solubilização parcial do amido.. Wang et al.920 resíduos de glicose e pode ter de nove a 20 pontos de ramificação [ligações α-(1 → 6)] e de três a 11 cadeias retilíneas (Hoover. 2001). As cadeias lineares de glicose. Rooney e Pflugfelder. Estima-se que 95% dos resíduos de glicose estejam unidos por ligações α-(1 → 4) e que os outros 5% por ligações α-(1 → 6) (French. 1998). A porcentagem de amilose e de amilopectina varia com a origem botânica do amido. 1975. têm pontos de ramificação α-(1 → 6) a cada 20 a 25 resíduos de glicose (Chesson e Forsberg. A amilopectina é uma molécula maior que a da amilose. 1998). na maioria das espécies. Os grãos são a principal fonte de amido na alimentação humana e animal. o amido é formado por dois polímeros de glicose. 1986). Segundo Ball et al. Wang et al. disposto em dupla hélice e que apresenta a capacidade de ligar-se ao iodo. Apresenta peso molecular entre 1 x 107 e 1 x 109 Da (Tester et al. Esses dois polímeros diferenciam-se entre si quanto ao tipo de estrutura química.0% de amilopectina (Wang et al. o que pode refletir as diferenças na composição 246 . A amilose e a amilopectina encontram-se empacotadas nas plantas na forma de pequenos grânulos. A molécula é composta de 324 a 4. Tester et al. 1973.. O peso molecular varia de acordo com a origem botânica e encontra-se entre 1 x 105 e 1 x 106 Da.. lenticular. 1998). 1986). (1998). a complexa organização das ramificações α-(1 → 6) é responsável pelo empacotamento denso e semicristalino dos resíduos de glicose nos grânulos de amido. Aproximadamente 99% dos resíduos de glicose estão unidos por ligações α-(1 → 4). formando composto azul ou violeta. crescimento e rebrota (Wang et al. sendo considerada uma das maiores moléculas conhecidas.0 a 100.6g/cm3 (Rooney e Pflugfelder. 1997).de grãos. Essas cadeias são relativamente longas e podem conter de 200 a 700 resíduos de glicose. 1998)..

consequentemente. em grande parte. 1996). denominada região cristalina. Em raízes como a mandioca. A área cristalina apresenta maior resistência à entrada de água e. A amilose em cereais apresenta complexação com lipídios. respectivamente) que a cevada e o trigo (65 e 62ºC. Assim. A importância do estudo da composição do amido dos grãos é evidenciada pela maior susceptibilidade da amilopectina à digestão enzimática (Zeoula e Caldas Neto. a estrutura primária (nativa) dos grânulos de amido é definitivamente perdida (Rooney e Pflugfelder. A região amorfa é rica em amilose e menos densa que a área cristalina. (1998) mostraram que o amido dos grãos de milho ricos em amilose foi mais rápida e extensamente degradado no rúmen que o amido dos grãos cerosos e de composição regular do amido em estudo in situ em bovinos. Nos cereais. a amilose também está presente na região cristalina. da digestibilidade de fontes de amido com maior teor de amilose.1985. Esse processo de reorganização dos grânulos é denominado retrogradação e tende a aumentar a proporção de amido resistente ao ataque das amilases dos alimentos previamente gelatinizados. 2001). 2001). Devido à menor densidade. 1986). a água se move livremente através desta região. devido à maior formação de pontes de hidrogênio (Zeoula e Caldas Neto. Malcolm e Kiesling (1993) encontraram resultados em que o milho e o sorgo apresentaram maiores temperaturas de gelatinização do amido (70 e 72ºC. porém ocorre uma diminuição na hidrólise do amido e. a maior degradabilidade foi. é relativamente desorganizada.. 1986). consequentemente. à atividade enzimática. explicada pela textura mais macia do endosperma dos grãos de milho ricos em amilose. a região cristalina é composta apenas pela amilopectina. maior proporção de amilose proporcionaria melhor atividade hidrolítica. conhecida como região amorfa.bioquímica do amido e a interação desse com a matriz proteica. As moléculas de amilose podem se inserir nas moléculas de amilopectina. Porém. como o milho. principal responsável pela organização desta área. o que pode reduzir a digestibilidade ruminal e intestinal desses amidos (Asp et al. 1986). e a atividade hidrolítica das amilases se inicia nesta área (Rooney e Pflugfelder. aumentando a quantidade de pontes de hidrogênio no interior do amido. formando estruturas helicoidais e acarretando menor estruturação da região cristalina e maior adesão entre as moléculas que compõem o grânulo. 2001). 247 . No entanto. respectivamente). Essa complexação diminui a capacidade de expansão e a solubilidade do amido (Swinkels. Philippeau et al. A região cristalina é primeiramente composta de amilopectina. podendo acarretar diminuição na capacidade de expansão e na atividade enzimática. Uma organizada. estando a amilose presente na região amorfa. Duas áreas distintas são observadas no grânulo de amido. e a segunda. O amido gelatinizado é instável e tende a se reorganizar parcialmente com as reduções da temperatura e do conteúdo de água do meio devido ao restabelecimento parcial das pontes de hidrogênio (Hoover. Rooney e Pflugfelder. sendo necessárias temperaturas acima de 125oC. O complexo lipídio-amilose é insolúvel e pode se dissociar quando aquecido.

90. Lipídios do grão de milho Os grãos de milho geralmente contêm de 3. Estas são prolaminas.0%). Existem alguns híbridos de milho de alta qualidade proteica. que compõem a matriz que envolve os grânulos de amido dentro do endosperma. Já nos trabalhos de Atwell et al. concentrações 3. Proteínas do grão de milho A maior parte das proteínas do grão de milho concentra-se no endosperma (74.0-13. observou-se aumento no consumo alimentar dos animais que receberam milho rico em óleo. concentrado principalmente no gérmen. as quantidades dos aminoácidos lisina e triptofano são maiores. Existem também ácidos graxos livres e fosfolípides (Weber. O gérmen contém quantidades importantes de proteínas do tipo albuminas. luteína.3. Para MichaletDoreau e Doreau (1999). 2006).0% de óleo. Na camada de aleurona e no endosperma vítreo do milho.. apresentando teores mais elevados de lisina e triptofano. (1993). assim a quantidade de lisina sobrepassante é baixa.0%). Neste material.0% deste são triglicerídeos.0% de grão de milho para vacas leiteiras não modificou o consumo. betacriptoxantina. alfa e betacarotenos são os principais carotenoides do milho (Paes.0-62.. 1995).0%) e linoleico (55. Dombrink-Kurtzman e Bietz (1993) encontraram. A substituição do milho normal pelo rico em óleo em dietas fornecidas ad libitum com 44. chamadas de zeínas. Alguns estudos têm mostrado forte relação entre a concentração de prolaminas com a textura do endosperma (Pratt et al. estão presentes os carotenoides. 1983). que diferem significativamente em composição das encontradas no endosperma. oleico (24. a produção de leite e os conteúdos de proteína e gordura do leite em experimento realizado por Elliot et al.0-32.0%). A composição e a distribuição das frações proteicas nos grãos estão envolvidas diretamente na textura do endosperma. São proteínas de reservas ricas nos aminoácidos metionina e cisteína. os chamados QPM (Quality Protein Maize). independentemente da textura do endosperma. conferindo qualidade nutricional superior. globulinas e gluteínas.5 a 4. substâncias lipídicas que conferem a cor ao grão de milho. tornando a utilização desta pouco vantajosa. Zeaxantina. Este tipo de milho vem sendo utilizado em alguns países na alimentação de monogástricos. (1995). 4.3 vezes maiores de α-prolamina no 248 . mas pobres em lisina e triptofano. (1998) e LaCount et al. Existem variedades de milho ricas em óleo que apresentam aproximadamente 7.2. em média. Poucos trabalhos com milho rico em óleo foram realizados com bovinos leiteiros.0% de extrato etéreo. resultado de melhoramento genético a partir do mutante opaco 2 (Molina et al. com o intuito de aumentar a densidade energética das dietas. 2001). a extensão da degradação ruminal da fração nitrogenada do milho QPM é maior que a de um milho normal.4. Os principais ácidos graxos são o palmítico (8. Outra evidência de que as prolaminas estão envolvidas na determinação da textura é a de que a concentração dessas é maior no endosperma vítreo que no farináceo.

Alterações físicas são obtidas principalmente por diferentes graus de moagem. As várias formas de processamento podem alterar-lhe o valor nutritivo. redução do tempo de mastigação (com redução na salivação) e ruminação. No NRC (2001). por exemplo. os processos de moagem.7%. O processamento do grão de milho pode alterar o seu valor nutritivo pela moagem.: milho quebrado com 84. A seguir.5% e milho floculado com 91. Nos concentrados utilizados para bovinos leiteiros. Quantidades superiores à indicada podem levar à redução da eficiência do aproveitamento energético do amido.: fornecer 1% da ingestão da matéria seca da mistura de bicarbonato de sódio e óxido de magnésio. milho moído com 88. paraqueratose. laminite. As alterações químicas são resultantes do tratamento dos grãos com pressão a vapor. o aumento na frequência de refeições e a utilização de agentes tamponantes e/ou alcalinizantes (ex. serão descritas as principais formas de processamento do grão de milho: 249 . Segundo Mello Júnior (1991). Maiores quantidades podem ser agregadas por meio da manipulação ruminal. resultante da fermentação dos carboidratos solúveis. Normalmente o grão de milho é usado na forma de fubá ou quirera (milho passado em peneira grossa). mudando o local e a intensidade de digestão.0kg ao dia por unidade animal (UA). Vários métodos de processamento de grãos têm sido utilizados. com a finalidade de observar suas influências sobre a digestão do amido no trato digestivo total. gelatinização. O limite de inclusão é de aproximadamente 3. laminação e floculação influenciam a extensão da digestão e do local onde esta ocorre. A consequência destes eventos pode ser o aparecimento de acidose. o milho fubá pode ser a base energética. com acentuada redução do pH ruminal.endosperma vítreo dos grãos de nove genótipos de milho. milho de alta umidade com 91. Esta influência ocorre por causa de alterações físicas e/ou químicas na estrutura do grão. visando à gelatinização dos grânulos de amido que permite maior absorção de água. que têm como efeito a redução no tempo de permanência do alimento no rúmen. 5. floculação e laminação. podendo alterar a eficiência da utilização da energia proveniente do amido. O fornecimento de dieta completa (concentrado misturado ao volumoso). quebra. podendo levar o animal à morte. dentre outros distúrbios metabólicos. na relação de 3:1) podem permitir maiores inclusões e evitar os problemas metabólicos citados anteriormente.9%. produção excessiva de ácidos graxos voláteis. são citadas. embora as concentrações de γ-prolaminas tenham sido quase duas vezes maiores no endosperma farináceo. resultando em melhor digestão enzimática.7%). diferenças nos valores de nutrientes digestíveis totais para as distintas formas de processamento dos grãos (ex. MILHO GRÃO NA ALIMENTAÇÃO DE REBANHOS LEITEIROS O milho é o alimento energético padrão.

Posteriormente. os grãos já laminados e parcialmente gelatinizados são encaminhados ao secador.0 e 95.o grão inteiro é depositado por um tempo preestabelecido em condicionador abastecido por linha de vapor.3%) do que quando os grãos são inteiros (59. Devido ao aumento da umidade e da temperatura no interior do condicionador. A temperatura chega a 90. A espessura do grão laminado é de aproximadamente 1. os grãos passam por um segundo par de rolos. evidenciaram que o tamanho das partículas dos grãos altera a taxa e a extensão da digestão do amido.5 a 2. embora de forma mais branda. inicia-se o processo de gelatinização do amido. o amido dos grãos sofre modificação tanto na estrutura química (gelatinização) quanto na estrutura física (laminação). Floculação . (2001) não observaram efeito do grau de moagem para vacas leiteiras mantidas em pastagens. encontraram maiores produções de leite e de proteína do leite para as vacas alimentadas com milho finamente moído. Quando os grãos de milho são finamente moídos.os grãos também ficam no condicionador abastecido por uma linha de vapor. ajustados de forma a comprimirem ainda mais 250 . Em função do maior tamanho das partículas do grão laminado a vapor. O amido. neste tipo de processamento.0°C.Moagem . A intensidade deste tipo de tratamento é que vai ditar a extensão da gelatinização. Além dos rolos laminadores. rompendo o endosperma e aumentando a superfície de contato do amido às amilases. a digestão da MS no trato digestivo total é maior (69. Neste tipo de processamento. Em seguida. (2000). o grão sofre modificação somente na estrutura física. a digestibilidade ruminal é menor. após passar por um rolo cujo ajuste estabelece a intensidade da quebra. que são responsáveis pela laminação. os grãos caem por gravidade nos rolos compressores. Como na moagem. Consegue-se um aumento da digestibilidade ruminal em relação ao grão inteiro. Quebra (laminação a seco) . mas a recomendação mais aceita é a utilização da moagem fina. Estudos com dietas para vacas de leite. A escolha da moagem fina (fubá) ou grosseira (milho quirera) ainda é uma questão duvidosa para produtores e técnicos da pecuária leiteira.0 e 20. Em seguida estes grãos caem por gravidade nos rolos compressores.0 e 24.4mm.1%) e ocorre a redução da eliminação de grãos nas fezes (Moe et al. em relação à moagem. Entretanto. comparativamente com o processo de laminação a vapor.modifica a estrutura física dos grãos inteiros. Laminação a vapor .0%. Já Reis et al. pode ser pouco disponível por não sofrer gelatinização e ter reduzida superfície de exposição às amilases (Mello Júnior. aumentando-se a digestibilidade ruminal do amido. e o tempo médio de permanência é de 15 a 20 minutos. compostas por 54. bem como a temperatura utilizada (90 a 105°C) e a umidade dos grãos (20. há maior quantidade de amido gelatinizado que chega ao intestino delgado.5% de concentrado. San Emeterio et al.0%). O uso de concentrados contendo grãos submetidos a este tipo de processamento determina aumento na quantidade de amido que chega ao intestino delgado. 1991). A umidade média do grão fica entre 17.o grão inteiro é quebrado em pedaços menores. 1973). o tempo de permanência no condicionador é maior (30 a 40 minutos).. ao avaliarem o efeito do grau de moagem sobre o desempenho de vacas leiteiras. Por outro lado. localizados abaixo do condicionador.

o aumento da digestão de amido no intestino delgado aumenta o aporte de glicose. reprodução e saúde de vacas leiteiras. em artigo de revisão. 6. o suprimento extra de glicose (via absorção intestinal) é utilizado eficientemente no tecido adiposo e na retenção proteica. à explosão. mas a expensas da síntese de proteína microbiana no rúmen. com aumento da fermentação no intestino grosso. EFEITOS DO LOCAL DE DIGESTÃO DO AMIDO NA PRODUÇÃO E NO METABOLISMO DE VACAS LEITEIRAS A possibilidade de alterar o local de digestão do amido do milho com o processamento pode ter implicações na produção.9 a 1. É considerada uma forma de processamento intensa e aumenta a degradabilidade ruminal do amido (Imaizumi. realizando a floculação e deixando-os com espessura próxima de 0.o aumento da temperatura do grão leva à expansão da umidade interna e. Assim. como os depósitos de gorduras mesentéricas e omentais. podendo ainda ter impactos positivos na saúde e na eficiência reprodutiva. o que faz com que seja cada vez mais desafiante atender as exigências de animais de alto potencial genético.1mm. Inúmeros trabalhos com aumento de amido sobrepassante e de infusão de glicose têm possibilitado aumentos na produção de leite e redução na gordura do leite. mudando apenas a rota de aquisição desta glicose (fígado por meio da gliconeogênese ou absorção direta). A suplementação com amido é uma opção muito utilizada para aumentar a densidade da dieta na tentativa de atender a demanda de carbono e glicose exigida por vacas de alta produção. Porém. O aumento de aporte de glicose via absorção intestinal é acompanhado pela maior utilização da glicose arterial pelos tecidos drenados pela veia porta. realizados principalmente nos Estado Unidos. principalmente em vacas no início da lactação. os grãos floculados passam pelo secador. há tempos. afetando muito pouco a produção de energia através do leite e alterando o status de insulina.os grãos. têm evidenciado o aumento da degradabilidade ruminal do amido e a melhora no desempenho de vacas leiteiras. Pipoca . Os estudos com a floculação do milho para alimentação de vacas leiteiras. mas com pouco efeito no balanço energético. mencionou que a produção média de sólidos do leite de vacas vem aumentando linearmente nos últimos 50 anos. Reynolds (2006) afirmou que parece existir capacidade considerável de digestão do amido no intestino delgado de vacas leiteiras. e da perda de proteína microbiana nas fezes. sem afetar a saúde e a reprodução. acredita-se que o aumento da digestão do amido no intestino delgado e da absorção de glicose seja benéfico em termos de eficiência energética e na resposta em produção. Na conclusão de sua revisão. mas os dados que sustentam estes dogmas são equivocados. Reynolds (2006) afirmou que. Na sequência. consequentemente. Reynolds (2006). causando o rompimento do pericarpo. 2005). 251 . mas o suprimento de glicose aumenta com o incremento de digestão no rúmen ou intestino. principalmente em vacas no início da lactação. O autor afirma ainda que a mudança no local de digestão do amido tem implicações na absorção de nutrientes pela veia porta.

por processos hidráulicos e solventes e. pode apresentar desenvolvimento de fungos. A composição química assemelha-se à do fubá. visando à máxima produção. então. então. 1990). faz-se necessária sua secagem rápida ou a sua ensilagem. que dura de 24 a 48 horas. um subproduto que pode ser utilizado na alimentação animal.. produzindo um material em forma de polpa. Ao se iniciar o processo de industrialização propriamente dito. porém é resultante da extração do amido. amolecendo-o e facilitando a moagem. enquanto. Apresenta um pouco mais de proteína que o grão integral. A maioria dos coprodutos é gerada pelo processamento por via úmida.Os avanços dos estudos sobre local de digestão do amido vêm possibilitando a indicação de diferentes formas de processamento ou genótipos de milho que possibilitem a alteração do local de digestão do amido. que contém gérmen. Geralmente a maior parte desse resíduo é utilizada na produção do farelo proteinoso de milho. constituindo. 2006). Portanto. são descritos os principais coprodutos do milho passíveis de serem utilizados na alimentação de rebanhos leiteiros: Casca do grão de milho . Após a maceração. a principal indústria moageira de milho é do tipo “moagem seca”. após a secagem do resíduo. este é comercializado como farelo de gérmen. COPRODUTOS DO PROCESSAMENTO DO MILHO São dois processos que dão origem aos coprodutos do milho: a moagem seca e a úmida. No Brasil. amido e glúten. 252 . os grãos sofrem limpeza e são. a fim de se separar as várias frações fibrosas do amido. na Europa e nos Estados Unidos. tegumentos e parte da porção amilácea da semente. passa por uma série de peneiras. que isola o gérmen do resto do material. Dependendo da umidade. o amido é degerminado por meio de moagem grosseira. tem por finalidade desintegrar a proteína aderente ao amido no interior do grão. colocados em uma série de tanques com solução de água sulfitada.constitui subproduto do beneficiamento para obtenção do óleo e do amido. extrai-se o óleo. película e glúten. Esse procedimento. película. contendo amido. Essa massa passa. por separador. Farelo de milho . 7. O liquor. removido a partir do processo. A seguir. Em seguida à separação do gérmen. à saúde dos animais e à eficiência reprodutiva. Do gérmen. As frações fibrosas são secadas e comercializadas como subprodutos para as indústrias de rações. sofre evaporação. mas contém mais fibra (Andrigueto et al. Pode ser encontrado com ou sem óleo.é obtido da moagem a seco da mistura do gérmen (com ou sem a remoção do óleo). assim. o material remanescente. é utilizada a “moagem úmida” (Paes. e a umidade resultante é de aproximadamente 55%.

1995).0% de PB e 1. a farinha de glúten tem como desvantagem a baixa qualidade da fração proteica (é deficiente em lisina). Possui valor nutritivo inferior ao do milho. Este produto pode ser comercializado isoladamente ou junto com as cascas.0 a 6.0% de óleo (Velloso. parcialmente e em níveis variáveis. 1984). Farelo e farinha de glúten (corn gluten meal) . A farinha de glúten de milho consiste. Para vacas de alta produção.esse produto está disponível no Brasil com o nome de Refinazil.Farelo de gérmen de milho . 1991). produzido pelas Refinações de Milho Brasil.na primeira moagem dos grãos (“via úmida”). Possui proteína com alto teor de metionina. 1991). O teor de NDT é de 83. Tanto a farinha como o farelo de glúten são boas fontes de proteína não degradável no rúmen (Henrique e Bose. No Brasil. 1995). 253 . Farelo proteinoso de milho . Este subproduto do grão de milho consiste basicamente do gérmen. 5. logo após sua infusão em água e a retirada desta. e a Glutenose 60.0 a 6. 1991).0% de óleo (Velloso. necessitando de complementação com outras fontes.é obtido no processamento por via úmida. o Refinazil pode ser considerado um fornecedor de energia em dietas para bovinos em substituição parcial da fonte energética. principalmente. É um subproduto muito utilizado para bovinos. É constituído pela parte externa do grão de milho. do glúten e do gérmen. Farinha desengordurada do gérmen .0% de PB e 5. Em relação ao nível energético. películas e glúten para formar a farinha de glúten e o farelo de glúten. Extraído o óleo. embora tenha havido aumento da ingestão de MS e tenha reduzido o teor de gordura do leite. que contém 20. boa palatabilidade e apresenta 11. encontra-se comercialmente a farinha.0%. Da quantidade de milho que entra para ser processado. podendo substituir totalmente as frações proteicas da dieta (Vieira.0%. faz-se a separação do gérmen. de glúten de milho separado pelo processo da moagem úmida.0% de óleo. Canjica de milho . produzida pelas Refinações de Milho Brasil.0% de nutrientes digestíveis totais (Vieira.0% de proteína. produzida pela Cargill. que contém cerca de 11.0% de proteína bruta e 70. Vieira (1991) citou resultados de produção de leite semelhantes para vacas leiteiras que receberam o Refinazil em substituição parcial da silagem de milho e do concentrado. a forragem e concentrados proteicos e energéticos (Vieira. e de Promil. Pode ser utilizado como fonte alternativa de energia e/ou proteína para ruminantes. que contém cerca de 11. produzido pela Cargill.a diferença entre o farelo e a farinha é que o primeiro contém 40. substituindo.0% de PB e 5. após a extração da maior parte do amido. 1984). o que lhe confere alto teor energético. sobra um resíduo que recebe a denominação de farinha desengordurada de gérmen. na extração do amido. que recebe o nome comercial de Protenose. remanescente.5% são transformados em farinha de glúten (Henrique e Bose.subproduto da industrialização do milho por via seca. é constituído de gérmen e de tegumentos que são removidos juntos com partículas amiláceas. após separação do gérmen em moinhos de disco. e a segunda 60.

0% de FDN e 13. Os grãos de destilaria apresentam. o milho limpo é fermentado. até a edição de abril do Journal of Dairy Science. No ano de 2007. constituído por porções não fermentadas do grão. (2002) não encontraram diferenças na produção. A decisão em utilizar 254 .é o subproduto resultante do processo de água sulfitada. Dois coprodutos são gerados: um sólido. Após a secagem. possuindo aproximadamente 6. 30. mas os dados de Firkins et al. No processo de desidratação. O grande volume de dados publicados recentemente nas principais revistas científicas norte-americanas ilustra o esforço dos pesquisadores em estabelecer a melhor forma de utilização destes. produzindo etanol e dióxido de carbono. O domínio da tecnologia de utilização destes coprodutos é fundamental para a sustentabilidade da produção de energia de fontes renováveis. O crescimento da indústria de etanol naquele país vem sendo um estímulo econômico para a agricultura e propicia a geração de enormes quantidades de coprodutos do milho.0% da dieta e. Comparando-se o coproduto de destilaria úmido com o desidratado. já foram publicados 91 artigos relacionados de alguma forma à utilização de coprodutos do milho oriundos da produção de etanol (Corn Distillers Grains).0% da ingestão de matéria seca de coprodutos desidratados ou úmidos. Coprodutos da produção do etanol a partir do milho .0% de proteína bruta). digestibilidade da fibra e eficiência na produção de leite de vacas alimentadas com inclusão de 15. dando origem ao grão seco de destilaria com solúveis. No processo de produção do etanol. e o segundo. a fibra fermentável presente nestes coprodutos. a qual pode ser utilizada na alimentação de bovinos. podem ainda ser acrescidos os solúveis. leveduras. A utilização na alimentação de rebanhos leiteiros vem sendo sugerida como alternativa viável. tornando-se uma substância condensada de alto teor proteico.0% de sólidos. já que um terço do grão processado para este propósito é transformado em coproduto. são poucas as diferenças na composição bromatológica.0% consistem de proteínas.0%. por ser mais lentamente degradável que o amido.a produção de etanol a partir do grão de milho é a principal estratégia de geração de biocombustível nos Estados Unidos. chamado de grãos úmidos de destilaria (wet distillers grains). disponíveis para a alimentação animal. composto por água.Liquor . Tem sido utilizado como suplemento líquido. também. em proporções de até 50. suínos e bovinos (Vieira. 2001). visando fornecer proteína de fácil degradabilidade para bovinos. que compreende substâncias que se acumulam na superfície. Al-Suwaiegh et al.0 a 40. 1991). esse produto tem a umidade reduzida para 55. pequenas partículas e nutrientes solúveis (chamado de solúveis). contribui para a redução da chance de desenvolvimento de acidose ruminal (Klopfenstein. dos quais 35. composição do leite. como aditivo em rações peletizadas de aves. em média. Os grãos úmidos de destilaria podem ser desidratados e comercializados como grãos secos de destilaria (dry corn distillers grains).0% de extrato etéreo. (1985) indicaram maiores quantidades de proteína não degradável no rúmen para o coproduto desidratado comparado com o coproduto úmido. Os coprodutos da destilaria representam mais que uma fonte de nitrogênio (25.

0% de ácidos graxos. comprometendo o valor nutricional da silagem. porém a compra do resíduo úmido pode ser mais vantajosa se a distância entre a usina e a fazenda for pequena. fibra efetiva e gordura quando os coprodutos da destilaria são incluídos na dieta de vacas leiteiras.) foram. 1999).0% em dietas de vacas leiteiras e concluíram que este alimento é uma boa fonte de energia quando as dietas têm 28. como a produção de grãos por hectare. FDN. limitados por critérios agronômicos. Porém. níveis elevados podem interferir na síntese de gordura do leite.0 e 20. resistências a doenças. Cuidados especiais devem ser tomados nos níveis de lisina.. e os de fósforo de 0.0%. Pesquisas têm demonstrado aumento no consumo de matéria seca com adição de grãos de destilaria (Powers et al. Knott et al. Como os grãos de destilaria apresentam aproximadamente 13. o que não foi observado no trabalho de Leonardi et al. 255 . 1988). Algumas companhias de melhoramento genético do milho testaram seus híbridos graníferos quanto à aptidão para a produção de silagem antes de iniciar a seleção de genótipos específicos para a produção de silagem (Aseltine.0% da ração (base na matéria seca). Assim. SILAGEM DE MILHO PARA GADO DE LEITE: CARACTERÍSTICAS QUE INFLUENCIAM O VALOR NUTRITIVO DA SILAGEM Os objetivos do melhoramento do milho (Zea mays L. (2005) não encontraram efeito da adição de grãos de destilaria até níveis de 15. mas geralmente esses níveis se encontram entre 15. Porém. e este é um dos fatores de limitação de inclusão destes em dietas de vacas leiteiras.0%. (2004) demonstraram que os teores de proteína bruta podem variar de 25. a utilização do milho na forma de silagem da planta inteira é crescente no mundo todo.0% de extrato etéreo.0%.8 a 1. Um dos problemas da utilização dos coprodutos de destilaria é a falta de padronização na composição nutricional destes. os de extrato etéreo de 10. 1995). Carvalho et al. 8.0 a 12.0 a 35. (2006) notaram que a utilização de grãos desidratados de destilaria reduziu a produção de proteína do leite devido ao desbalanceamento de aminoácidos (principalmente lisina).0% de FDN e menos de 5. como o endurecimento precoce dos grãos e o conteúdo elevado dos constituintes da parede celular. por muito tempo. a avaliação da composição bromatológica deve ser rotina para quem pretende utilizar estes coprodutos em dietas de rebanhos leiteiros.o resíduo desidratado ou úmido deve ser baseada no custo-benefício. a pragas e aos estresses climáticos (Michalet-Doreau e Doreau. o que demanda a seleção de genótipos de milho especificamente para a produção de silagem de alta qualidade nutritiva. Leonardi et al. os híbridos graníferos podem apresentar características agronômicas indesejáveis para a produção de silagem. pois a umidade pode inviabilizar o transporte do resíduo úmido por longas distâncias e também dificultar o armazenamento. (2005). A indicação dos níveis de inclusão de grãos de destilaria depende da composição e do preço.

Moreira (2000). Em um estudo de caracterização agronômica de vários genótipos de milho para a produção de silagem. as vacas produziram mais leite e com menor teor de gordura quando alimentadas com silagem com alto conteúdo de grãos. Estes híbridos podem apresentar como atributos especiais o aumento na digestibilidade da fibra. Hemken et al.29. na base da matéria seca) não influenciou a digestibilidade in vitro da planta fresca ou ensilada. Tais recomendações devem ser interpretadas com cuidado porque estes autores trabalharam com vacas de 256 . A influência do conteúdo de grãos sobre a composição química das silagens foi reportada por Phipps e Weller (1979).1.0% de grãos na matéria seca).62%..Atualmente. Conteúdo de grãos e qualidade da silagem O conteúdo de grãos na silagem pode ser estimado por duas formas: a) direta. características bioquímicas e físicas do grão mais adequadas para maximizar o aproveitamento do amido ou apresentar maior teor de óleo no grão. há no mercado mundial alguns genótipos de milho desenvolvidos especificamente para a produção de silagem. Russel et al.0 a 45. lignina e mais amido que as silagens com baixo conteúdo de grãos (26. A relação entre conteúdo de grãos nas silagens e produção de leite é controversa.17 a 48. o maior conteúdo de grãos e de amido e o menor de constituintes da parede celular não influenciaram a digestibilidade in vitro da matéria orgânica e a ingestão de matéria seca da silagem de milho (Hemken et al. 8. No estudo de Phipps e Weller (1979).0%. 1971. na matéria seca (Phipps e Weller. (1971) mostraram pequena ou nenhuma vantagem das silagens de alto teor de grãos sobre o desempenho de vacas de leite. 1979). ambos na base da matéria seca. As silagens com alto conteúdo de grãos (50. Costa (2000) encontrou resultados em que as relações espiga:planta inteira de 12 genótipos de milho modernos comercializados no mercado brasileiro variaram de 39. Moreira (2000) observou redução nos teores de FDN e de FDA e um aumento no teor de amido com o aumento da proporção de grãos nas silagens. A qualidade das silagens de milho é frequentemente associada à proporção de grãos na planta inteira.0% de grãos na matéria seca) contiveram menos fibra em detergente ácido (FDA). Phipps e Weller. 1979). (1992) mostraram que a diferença na relação espiga:parte vegetativa de genótipos de milho diferentes (0. por meio da separação e da pesagem dos grãos de uma amostra significativa de plantas de milho antes da ensilagem e b) indireta. Em virtude da falta de significância do teor de grãos sobre o desempenho das vacas. Porém.7 a 55. celulose. na matéria seca. (1971) recomendaram o plantio de variedades de milho com base na produção de matéria seca/ha e não pelo conteúdo de grãos. Hemken et al. na matéria seca. o maior número de folhas acima da linha da espiga.66 a 1. relatou que os conteúdos de grãos variaram de 45. os conteúdos de grãos na planta inteira variaram de 24. por meio do estudo da relação espiga:planta inteira.45%. trabalhando com genótipos de milho.

Digestibilidade da fibra e qualidade da silagem Como discutido previamente. mas reduções menores têm sido reportadas (Keith et al. Oba e Allen. frequentemente. Muitos estudos comprovam as vantagens nutricionais dos híbridos BM-3 em relação aos seus isogênicos (híbridos geneticamente idênticos. embora. (1993) mostraram que a parte vegetativa da planta (planta inteira menos a espiga) representou a metade da matéria seca total da planta.. Dos quatro genes BM testados (BM-1.média produção (16kg/dia). Na literatura. a textura do grão (endosperma duro ou farináceo) (Philippeau et al. 2000) que os híbridos normais.. 1998). A mutação da nervura marrom BM-3 determinou a redução de 50% nos teores de lignina na planta de milho (Cone e Engels. a digestibilidade da parte vegetativa tem uma grande influência sobre a qualidade nutricional da silagem. 1979. o BM-3 foi o que permitiu a maior diminuição no teor de lignina na planta e. hemicelulose e lignina) e não só de lignina. A diminuição nos constituintes da parede celular foi acompanhada do aumento no conteúdo de carboidratos rapidamente fermentáveis. 1999) e maiores degradabilidades da matéria seca e da FDN no rúmen (Bal et al. existe um limite prático na redução do teor de lignina e dos componentes da parede celular nos híbridos de milho. 1993). por isto. 1999). Irlbeck et al. (1997) encontraram resultados em que as hastes de híbridos de milho BM-3 apresentaram menores conteúdos de todos os constituintes da parede celular (celulose. 1993).. o tamanho de partícula e o processamento da silagem (Bal et al.. Os híbridos de milho que contêm menor concentração de lignina apresentam maior digestibilidade in vitro da matéria seca (Oba e Allen... Contudo. 2000) podem influenciar mais a qualidade nutricional da silagem que o teor de grãos em si. de forma que características agronômicas como as resistências ao acamamento e às doenças não sejam intensificadas nos genótipos de baixa lignina (Buxton et al. é muito provável que estas vacas tenham encontrado suas exigências de energia para a produção de leite mesmo quando alimentadas com silagens de baixo conteúdo de grãos. BM-3 e BM4). 1996). eles devem melhorar o consumo de matéria seca da forragem e o desempenho de vacas de leite. 1999). 1996).2. tem sido o mais usado como modelo para o estudo da lignina sobre a digestibilidade da fibra do milho (Michallet-Doreau e Doreau. Os melhoristas genéticos de plantas desenvolveram genótipos mutantes de milho com a introdução dos genes BM (Brown Midrib ou genes da nervura marrom) no genoma do milho. o conteúdo de grãos não é um fator decisivo sobre a qualidade da silagem de milho. 1999). 8. porém sem a mutação BM-3) 257 . Desta forma. Tovar-Gómez et al. BM-2. o que explicou a maior digestibilidade in vitro da matéria seca das hastes do híbrido BM-3. Portanto.. Portanto. é citado que fatores como a maturidade da planta de milho (Irlbeck et al. a digestibilidade da fibra (Oba e Allen. em relação aos híbridos normais. os híbridos com alta produção de grãos sejam recomendados como os mais adequados para a produção de silagem (Buxton et al. É bem conhecido que esta mutação determina uma sensível diminuição nos teores de lignina na planta.

O amido de genótipos cerosos (waxy) é formado integralmente por amilopectina. em relação aos genótipos normais (Gallais et al.. existem variedades que possuem a composição do amido bastante diversificada. Porém. 1981. respectivamente. 2000).0 e 68. Contudo. Além disto. 27. O melhor desempenho das vacas foi atribuído ao aumento da digestibilidade da parede celular no rúmen para o híbrido BM-3. Entretanto. Os híbridos comuns contêm em torno de 25. 1999). eficiência alimentar. (1998) encontraram teores de amido que variaram de 64. obtendo 5. A silagem do híbrido ceroso resultou em maior produção de leite em relação à silagem comum. Phillipeau et al. Block et al. mas a produção de leite e de leite corrigido para gordura foi maior para o BM-3. Apesar das características nutricionais favoráveis.1. foram semelhantes entre as silagens. Oba e Allen. como quantidade de leite corrigida para 3. (1979) verificaram que o teor de lignina do híbrido BM-3 foi 24. A ingestão de matéria seca por vacas no terço médio da lactação (g/unidade de tamanho metabólico) não foi influenciada pelo genótipo.5% de gordura. Philippeau et al. Este comparou desempenho de vacas alimentadas com silagens produzidas por híbridos de milho de endosperma ceroso em relação à silagem produzida por um híbrido comum.0% de amilose e 75.. 1979. As informações sobre a influência da composição bioquímica do amido do grão sobre o desempenho de vacas de leite são escassas. produção de leite corrigida para o teor de sólidos e produção dos constituintes do leite.para vacas de leite (Keith et al. Keith et al.6 e 67. outros parâmetros de desempenho avaliados neste estudo. Philippeau e Michalet-Doreau (1997) encontraram valores entre 61. A composição bioquímica do amido do grão e a qualidade da silagem O teor de amido e a proporção amilose:amilopectina variam entre os diferentes genótipos de milho. 1980). respectivamente..3. o genótipo (flint ou dent) não influenciou o teor de amido do grão em outro estudo (Philippeau et al. 8. os genótipos mutantes BM-3 não são utilizados em larga escala para a produção de silagem porque apresentam importantes limitações agronômicas. 1999). Moreira. 1999.6% de amido nos grãos de milho de endosperma macio (dent) e entre 58. o custo da semente é muito elevado.0% para os híbridos ceroso. normal e o de alta amilose.9% para os grãos de endosperma duro (flint).0% de amilopectina no grão.4% para grãos de milho com o endosperma macio e com o endosperma duro. enquanto o amido dos genótipos de alta amilose (amylose-extender) é formado por quantidades iguais de amilose e amilopectina (Michalet-Doreau e Doreau. 258 . (1998) encontraram resultados em que os teores de amilose variaram com o genótipo.3 a 74.0% menor em relação ao seu isogênico.0 e 48.. Um único estudo disponível foi conduzido por Moreira (2000) com vacas leiteiras de alta produção. como a maior susceptibilidade a doenças e ao acamamento e menor produção de matéria seca/ha.

8.5.27 a 3. As dietas foram arranjadas em esquema fatorial 2x2 (dois tipos de silagens: uma comum e outra feita com um híbrido de alto teor de óleo no grão. o que.β. 259 .0%. a fração rapidamente degradada do amido foi associada positivamente com as α.β.0 e 58. 1993). (1998). O experimento acima demonstrou pequenas diferenças na ingestão de matéria seca e na produção de leite e de seus constituintes para a dieta contendo milho de alto óleo.8%/h. O conteúdo de óleo dos grãos e a qualidade da silagem Apesar de possuírem valores mais elevados de extrato etéreo no grão e na silagem em relação aos genótipos de milho comuns.8 e 5. LaCount et al. A dieta continha silagem pré-secada de alfafa. para as dietas constituídas por milho grão mais silagem comuns e para aquela dieta constituída de milho grão e silagem de alto óleo. Os teores de extrato etéreo variaram de 2. O pequeno incremento no extrato etéreo nas dietas também explicou a ausência de efeitos negativos sobre a digestibilidade da FDN. As discrepâncias na extensão e na taxa da degradação se deveram à maior fração do amido rapidamente degradável nos grãos farináceos em relação aos grãos vítreos. As diferenças na extensão e na taxa de degradação do amido dos grãos de diferentes texturas também são relacionadas com a composição e a localização das principais proteínas do milho. os genótipos de alto óleo somente determinam ligeiro aumento no teor de extrato etéreo nas dietas totais típicas (Elliott et al. enquanto as glutelinas formam a matriz proteica que envolve os grânulos de amido.δ-zeínas.. respectivamente.δ-zeínas e as glutelinas verdadeiras. Os resultados mostraram que as degradabilidades e as taxas de degradação dos grãos farináceos foram mais altas que as dos grãos duros (71. respectivamente). dois tipos de grãos no concentrado: um comum e outro de alto teor de óleo). evidenciando a influência da matriz proteica na redução da degradabilidade do amido do grão no rúmen. provavelmente porque o pequeno incremento no teor energético na dieta foi insuficiente para suportar níveis mais elevados de produção de leite e de seus constituintes.33% na matéria seca total. as α.δ-zeínas formam os corpos de estocagem de proteína no grão para o embrião. A textura dos grãos e a qualidade da silagem A textura do grão apresenta grande influência sobre a degradabilidade do amido no rúmen. As α. silagem de milho e concentrado nas proporções de 25:25:50. (1995) forneceram quatro dietas experimentais para 45 vacas de leite de alta produção a partir da quarta semana de lactação. em que o milho grão moído correspondeu a 54. possivelmente.β. No estudo de Philippeau et al. (1998) compararam a degradabilidade dos grãos de milho de três genótipos vítreos e de três farináceos.0% do concentrado. enquanto a fração lentamente degradada do amido o foi com as glutelinas verdadeiras. na matéria seca. Philippeau et al.4. 8. 11. a despeito do elevado grau de insaturação dos ácidos graxos do milho. não compromete a degradabilidade da fibra no rúmen.

0% da matéria seca da planta inteira (Moreira. entretanto..0%). Estes são caracterizados pelo maior número de folhas acima da linha da espiga e pelos teores de umidade mais elevados nos grãos e na planta inteira em relação aos híbridos comuns (Bal et al. A digestibilidade da matéria seca foi adversamente afetada pelo aumento do teor de óleo. Verbic et al. 2000). (1995).41 a 19. Apesar da pequena participação das folhas na matéria seca da planta inteira (13. as vacas alimentadas com milho de alto óleo recuperaram o escore da condição corporal mais rapidamente que as vacas alimentadas com milho comum.9%. 1999).5 e 3. Kuehn et al. foi verificado que as vacas consumiram em média 12% mais milho de alto óleo (grãos e silagem) que o milho comum.3 e 94. de FDN e de FDA em relação às folhas dos híbridos graníferos. Porém.6.. fibra em detergente neutro (FDN).3 e 54. (1988). A taxa de degradação das folhas foi semelhante à dos grãos (5..Estudos recentes corroboram os resultados obtidos por LaCount et al.3 e 5. Em um estudo de caracterização agronômica de vários híbridos de milho. 2000) no estágio de maturidade. a silagem produzida com híbrido folhoso apresentou teores de DIVMS e da FDN de 2. em que a silagem de milho de alto óleo não melhorou o desempenho de vacas de alta produção (Moreira. respectivamente. durante 48h de incubação in situ no rúmen.0% da matéria seca da planta inteira.3 e 3. 8. Phipps e Weller (1979) reportaram que a proporção de folhas variou de 11. As folhas são caracterizadas pelos teores mais elevados de proteína bruta. elas tiveram teores mais elevados de digestibilidade in vitro da matéria seca e da FDN. A proporção de folhas em relação à planta inteira e à qualidade da silagem Os híbridos de milho folhosos são comercializados no mercado como híbridos específicos para a produção de silagem da planta inteira. os teores mais elevados de DIVMS e da FDN da silagem feita com o híbrido folhoso. porém a extensão de degradação das folhas foi muito inferior (69.29% para os híbridos granífero e folhoso. fibra em detergente ácido (FDA) e pelo teor mais baixo de digestibilidade in vitro da matéria seca (DIVMS) em relação à planta inteira do milho (Kuehn et al. Phipps e Weller (1979) reportaram que as folhas apresentaram teores mais elevados de FDA e teores variados de lignina em relação à planta inteira..0 a 42. 2000. 260 . No estudo de Atwell et al.7%) devido aos conteúdos mais elevados de carboidratos estruturais e baixos em amido em comparação com os grãos.9%/h e 69. 1999). respectivamente). em torno de 13. Outros autores reportaram menor proporção de folhas para híbridos de milho folhosos. (1995) mostraram que a proporção de folhas na matéria seca da planta inteira variou de 13. 1999). (1995) mostraram que a taxa e a extensão de degradação das folhas foram superiores às das hastes (5.5% superiores em relação à silagem feita com o híbrido granífero (Kuehn et al. Neste experimento. indicando que o óleo aumentou efetivamente a densidade energética da dieta. Embora as folhas dos híbridos folhosos tenham apresentado teores semelhantes de proteína bruta.7%/h). mas a produção de leite e dos componentes não foi afetada. não influenciaram o consumo de matéria seca. Verbic et al.

9 e 28.0% a mais). respectivamente).9%.5 pontos percentuais a menos no teor de matéria seca em relação ao híbrido granífero (32. as vacas alimentadas com o híbrido mutante BM-3 apresentaram os melhores desempenhos produtivos. treonina e triptofano) do que os híbridos convencionais.7 e 75.8 e 29. 261 . os demais parâmetros avaliados não foram afetados e sugerem que as diferenças encontradas não foram suficientes para influenciar o desempenho das vacas. apresenta maiores quantidades de folhas. (2006) compararam estes dois híbridos com um convencional. além de possuir estes atributos.1. de alto óleo. Moreira (2000) não encontrou diferenças quanto à ingestão de matéria seca.6%.8%. de FDN e de FDA e nem a produção de leite ou de seus componentes em relação à silagem feita com o híbrido granífero. Neste experimento. da FDN e do amido das silagens produzidas por híbridos folhoso e granífero. a melhoria da qualidade nutricional ou a combinação destes fatores.0 a 2. As extensões de degradação da FDN e da FDA foram semelhantes entre híbridos (57. 2006). fibra em detergente neutro.de matéria orgânica. Benefield et al. A silagem produzida pelo híbrido folhoso apresentou 3.4 e 35. O híbrido LeafyNutridense. Os autores sugeriram que a maior degradação do amido do híbrido folhoso foi relacionada à menor dureza do grão deste em relação à do híbrido granífero. consequentemente.. com o intuito de aumentar a concentração e a digestibilidade dos nutrientes supridos a vacas leiteiras por meio da silagem. de FDA e de amido foram semelhantes entre híbridos (46. Um exemplo recente são os híbridos Nutridense e LeafyNutridense (Benefield et al. com maior conteúdo de óleo (1. quando comparados com o híbrido convencional. 27. para os híbridos folhoso e granífero. além do avanço nos parâmetros agronômicos. fibra em detergente ácido e extrato etéreo do grão e silagem da planta inteira foram maiores para os híbridos Nutridense. produção de leite e de seus constituintes por vacas alimentadas com híbridos folhosos. eficiência alimentar. As concentrações de FDN. na média dos dois híbridos) e mais elevadas para o amido do híbrido folhoso em relação ao híbrido granífero (84. respectivamente). cisteína. O enfoque dos programas de melhoramento tem contemplado.0 e 45. São materiais com maior percentual de gérmen no grão. 27. As concentrações de proteína bruta. Bal et al. proteína (1. respectivamente).8 e 27. de endosperma ceroso em relação à silagem do híbrido granífero controle.4. na forma de silagem e grão para vacas leiteiras com produção média de 36kg/dia. (2000) compararam a composição química e as degradabilidades da matéria seca.6%. É emergente o lançamento de híbridos com qualidades nutricionais superiores visando à alimentação animal. metionina. As vacas alimentadas com estes híbridos apresentaram maior consumo e digestibilidade total do extrato etéreo.0% a mais) e aminoácidos (lisina.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Al-SUWAIEGH. de microrganismos e de roedores. K. A gordura do leite foi menor (3. (1998) e San Emeterio et al. a silagem de grão úmido foi superior ao milho seco como suplemento para vacas a pasto. A produção de leite das vacas alimentadas com a silagem de grão úmido foi de 2. Estudos com silagem de grãos úmidos de milho têm constatado que há aumento na digestibilidade da matéria orgânica. metabolismo de ruminantes.2%) para as vacas alimentadas com silagem de grão úmido. Os autores concluíram que.Anim.80.3 x 3..7% do concentrado) para vacas leiteiras a pasto no final da lactação (22kg/dia de média de produção durante o período experimental). 2002. R. além de reduzir significativamente as perdas no campo (Jobim e Reis. p. 10. Wu et al. FANNING. 1996).1105-1111. e a proteína maior (3. CONSIDERAÇÕES FINAIS O milho e coprodutos são fontes alimentares amplamente estudadas e utilizadas para bovinos leiteiros. S. no Paraná (Kramer e Voorsluys. 2001). v. e da estrutura bioquímica e física do milho e coprodutos assim como o progresso genético da cultura do milho vêm permitindo que a utilização desta fonte alimentar seja otimizada na exploração dos rebanhos leiteiros. Utilization of distillers grains from the fermentation of sorghum or corn in diets for finishing beef and lactating dairy cattle. 1991).4kg/dia a mais que as alimentadas com milho quebrado a seco.7%). SILAGEM DE MILHO ÚMIDO PARA BOVINOS LEITEIROS A prática da ensilagem de grãos úmidos de milho foi introduzida no Brasil no início da década de 80.. quando normalmente ocorrem perdas qualitativas e quantitativas.J. principalmente devido ao aumento na digestão do amido. J. A evolução nos conhecimentos em nutrição animal. em função do ataque de insetos. GRANT. porém não encontraram diferenças significativas na produção de leite de vacas de leite estabuladas. et al. (2000) também obtiveram resultados que evidenciaram o maior aproveitamento do amido do milho na forma de silagem de grão úmido quando comparado com o milho seco moído. A maior digestibilidade do amido dos grãos ensilados deve-se à fragilização da matriz proteica dos grânulos de amido (Demarquilly e Andrieu. Knowlton et al.9.3 a 3. 262 . devido à maior fermentabilidade e digestibilidade do amido.7% do concentrado) e a silagem de grão úmido (74. Sci. A colheita do milho para ensilar proporciona antecipação na retirada da cultura da lavoura com grandes benefícios num esquema de rotação de culturas. (2001) compararam o milho quebrado a seco (74.C. Essa tecnologia pode contribuir para solucionar problemas de armazenagem de grãos..

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uma das tecnologias de maior expansão no setor produtivo devido a sua eficiência Médico Veterinário. pela importação de raças e linhagens mais precoces. A utilização de animais mais produtivos.CAPÍTULO 15 SILAGEM DE GRÃO ÚMIDO DE MILHO NA ALIMENTAÇÃO DE BOVINOS DE LEITE Marcelo Neves Ribas1. marceloresende@hotmail. DSc.ufmg.br 5 Médico Veterinário. MSc. assim. Este capítulo tem como objetivo descrever o processo de confecção de silagem de grão úmido de milho e comparar este alimento com o milho seco moído na alimentação animal. Marcelo Resende Sousa5 RESUMO A silagem de grão úmido de milho tem sido utilizada para solucionar os problemas de armazenamento de matérias-primas nas propriedades rurais. luciocg@vet.com 2 Engenheiro Agrônomo. MSc. Além disso. MG. fernanda@cnpgl. Belo Horizonte. principalmente nas regiões onde as terras são mais valorizadas. Caixa Postal 567. Belo Horizonte.br 3 Médica Veterinária. Caixa Postal 567. o mercado consumidor. Associado Departamento de Tecnologia e Inspeção de Produtos de Origem Animal da Escola de Veterinária da UFMG. Associado Departamento de Zootecnia da Escola de Veterinária da UFMG. melhorando tanto o valor nutricional deste alimento quanto o grau de contaminação das dietas dos animais. cada vez mais exigente. A contaminação de alimentos com fungos e a produção de micotoxinas causam perdas econômicas bastante significativas. Belo Horizonte. consistiu na principal modificação dos sistemas de criação. Caixa Postal 567. a conservação de grãos de cereais na forma úmida tem sido. Paralelamente ao melhoramento animal. em Zootecnia. condição de competir com outras atividades produtivas. MG. INTRODUÇÃO Devido à globalização do mercado. Rua Eugênio do Nascimento. atualmente. associada aos programas de seleção. Neste contexto. CEP 36038-330.embrapa. Belo Horizonte. DSc... Juiz de Fora. Isabela Rocha França Machado Veiga4. belaveiga@yahoo.com 1 270 . DSc. vem mobilizando os produtores a adotarem medidas de controle de qualidade em todas as fases dos sistemas de criação. os2ribas@hotmail. Dom Bosco. a fim de melhor atender os elevados requisitos nutricionais.com.. tendo. 610. Caixa Postal 567. Fernanda Samarini Machado3. CEP 30123-970. MG. CEP 30123-970. CEP 30123-970. CEP 30123970. DSc. Prof. a pecuária vem sofrendo profundas modificações com o objetivo de atingir índices zootécnicos mais eficientes. exigiu-se um adequado manejo alimentar. Escola de Veterinária da UFMG. Escola de Veterinária da UFMG.br 4 Médica Veterinária. Doutoranda em Zootecnia. MG. Prof. Embrapa Gado de Leite. além de representarem riscos à saúde animal e humana. MG. Lúcio Carlos Gonçalves2..

ao redor de 18%.7% para grãos ensilados com 33. a fibra do pericarpo em torno dos grãos terá consistência endurecida. compactação para retirada de ar. Segundo Paziani et al. baixo aproveitamento do amido na fermentação ruminal (Philippeau et al. 1999). é utilizada há vários anos na América do Norte e em alguns países europeus. o que acarreta maiores perdas na passagem dos grãos inteiros pelo trato digestivo.. recomenda-se moer os grãos em moinhos de martelo com peneira de 8mm.6. que pode ser aplicado para obtenção de diferentes tamanhos de partículas. Quando seca em excesso. como: agilidade no transporte do campo ao silo. rápida e eficiente vedação para manutenção do meio anaeróbio. consequentemente.1. A colheita na silagem de grãos úmidos é realizada por colheitadeira de grãos e não por ensiladeira como na ensilagem de forragens. 1. 2001).. alteram o perfil de fermentação e promovem condições adequadas para o crescimento de microrganismos indesejáveis como fungos (Reis et al. em consequência.tanto qualitativa quanto quantitativa de conservação de matérias-primas empregadas na alimentação animal (Costa et al. devem ser tomados os mesmos cuidados que são tomados na ensilagem de forrageiras. (1999). principalmente durante a utilização da silagem. Os grãos inteiros determinam menor densidade e. 27. PROCEDIMENTO DE ENSILAGEM A técnica de ensilagem de grãos úmidos consiste na conservação em meio anaeróbio de sementes ou grãos de cereais logo após a maturação fisiológica. a silagem de grãos de milho passou a ser empregada também na bovinocultura leiteira e de corte. A ensilagem de grãos inteiros de milho pode levar a maiores perdas.. o que pode proporcionar fermentações aeróbias indesejáveis quando uma fatia pequena é retirada a cada dia (Jobim et al.5% de umidade. e posterior descarregamento do silo em fatias de 15 centímetros por dia. no Paraná. 2004). respectivamente. 2002). 1991). com a divulgação da técnica. e as perdas normalmente são elevadas. Para uso na alimentação.. a moagem dos grãos é um processamento simples e prático. Teores de umidade acima de 40% no momento da colheita favorecem as perdas de matéria seca (MS). No Brasil. ocorrendo variações na proporção da degradação ruminal e 271 . com teores de umidade variando de 25 a 30% (Costa et al. A ensilagem... os grãos devem ser quebrados ou laminados e devidamente compactados na área do silo (Tse et al. Posteriormente. A princípio.7 e 2. com a cultura do milho. maior porosidade. sua adoção data do início da década de 80. como forma de armazenagem de grãos. 3. 1999). (1975) registraram perdas de MS nas silagens de grãos de milho úmido de 5. tendo como objetivo aumentar a eficiência na alimentação de suínos (Kramer e Voorsluys. a fermentação não é adequada para boa conservação do produto. No entanto.5 e 21. com umidade baixa. 2001a). Goodrich et al. Logo após a colheita.

. 2002).digestão intestinal.0053% e 0. Berndt et al.. o qual é muito resistente à degradação microbiana e digestão enzimática no intestino delgado.. historicamente. Entretanto. os aditivos são usados para melhorar o padrão fermentativo de silagens produzidas sob condições inadequadas. Segundo os autores. VANTAGENS DO USO DE SILAGEM DE GRÃOS ÚMIDOS Diversos trabalhos têm destacado as vantagens.. a adição dos inoculantes promove uma elevação no número inicial de bactérias homofermentativas produtoras de ácido lático. porcentagem de nitrogênio amoniacal em relação ao nitrogênio total e porcentagem de perda de matéria seca durante o processo de ensilagem. Segundo Van Soest (1994). em sua revisão. são protegidos pelo pericarpo. 1999. tanto agronômicas quanto zootécnicas. 1991).98%. Os grãos de milho.98. 2006. Jobim e Reis (2001). A mesma tendência foi observada por Domingues et al. (2006). que avaliaram a utilização de aditivos microbiano e enzimático sobre o perfil de fermentação de silagens de grãos úmidos de milho. os aditivos têm como principais propósitos influenciar o curso da fermentação e alterar a composição do material ensilado. Em condições inadequadas de ensilagem. há produção de efluentes e perda de matéria seca por volatilização. Os estudos com silagem de grãos úmidos de milho têm constatado que há um aumento na digestibilidade da matéria orgânica. respectivamente.. Os valores médios observados pelos autores para a silagem de grão úmido de milho sem aditivo foram 3. 0. não influenciou a composição físico-química das silagens avaliadas. principalmente devido ao aumento na digestão do amido.. 1991). Chitarra et al. porém a avaliação econômica deve ser levada em consideração antes da adoção da técnica. os inoculantes reduzem a perda de matéria seca e a concentração de nitrogênio amoniacal. 2002). 1996. (2003) citaram que. a densidade do material ensilado é de 800 a 1000kg/m3. Ítavo et al. Após a quebra dos grãos. Domingues et al. bem como a combinação destes. A incorporação dos aditivos. apresentaram algumas desvantagens da ensilagem de grãos de cereais. Lima et al. Em um bom processo de compactação. principal componente do grão (Costa et al. a inoculação não trouxe efeito positivo sobre a qualidade das silagens. Nas condições estudadas. (2004) avaliaram o padrão de fermentação de silagens de grãos úmidos de milho e sorgo. acelerando a queda do pH e aumentando o período de armazenamento (McDonald et al.. da utilização da silagem de grãos úmidos de milho em substituição ao milho seco na alimentação animal (Biagi et al. promovendo melhor valor nutritivo. para as análises de pH. No processo de conservação na forma de silagem. o material deve ser compactado e rapidamente vedado para que o processo de fermentação realizado pelas bactérias homofermentativas seja adequado e promova a redução do pH e a manutenção da composição química do material ensilado (McDonald et al. mesmo quando triturados ou parcialmente quebrados. 2. uma vez que 272 .

o material ensilado não possui flexibilidade de comercialização. São bastante conhecidos os problemas referentes às perdas devido ao ataque de insetos. (1999). Ponto de colheita Com a armazenagem de grãos de milho na forma de silagem. (1992). como redução significativa das perdas nos períodos pré-colheita por acamamento de plantas e pelo ataque de insetos. A armazenagem dos grãos na forma de silagem.1. a grande maioria das propriedades rurais não apresenta locais adequados para a armazenagem de insumos utilizados na alimentação animal. devido à armazenagem inadequada (Reis et al. 2. evitar a contaminação de rações com micotoxinas.2. praticamente não existe uma avaliação precisa das perdas econômicas associadas à redução na produção animal (Jobim et al. Armazenagem No Brasil. a colheita é antecipada em três a quatro semanas. além de reduzir significativamente as perdas no campo. com redução no desempenho. (1997) realçaram que a colheita do milho para ensilar proporciona antecipação na retirada da cultura da lavoura com grandes benefícios em um esquema de rotação de culturas. em condições de manejo adequado. em consequência. comprometimento do sistema imunológico. 2001a).. produtos do metabolismo secundário de fungos toxigênicos. com grande desperdício de grãos.. 2001). A ensilagem apresenta vantagens agroeconômicas em relação ao grão de milho seco. Jobim et al. a área estaria livre para o plantio de outras culturas ou a realização de safrinha de milho. 2. danos no fígado e aborto. roedores e fungos. roedores e aves. podem causar perdas irreversíveis aos animais. A maior degradabilidade desse nutriente pode ser justificada pela formação incompleta da matriz proteica no endosperma que envolve os grânulos de amido. 2001b). a colheita antecipada do milho para a ensilagem contribui para a melhoria do valor nutricional por favorecer a susceptibilidade do amido ao ataque enzimático no rúmen. hemorragia. Essas toxinas. é altamente sensível à deterioração aeróbia e necessita de mistura diária dos ingredientes na dieta.. Apesar dos diversos trabalhos apontando os elevados prejuízos em termos de perdas qualitativas e quantitativas das matérias-primas por ataque de pragas no armazenamento. 273 . pode eliminar ou reduzir drasticamente o desenvolvimento de fungos e. o principal problema da utilização do milho na alimentação animal são as toxinas produzidas por diferentes espécies de fungos que se desenvolvem nestes grãos durante a armazenagem. Após esta colheita antecipada. já que o grão é colhido com 35 a 40% de umidade. o que otimiza a utilização da terra (Reis et al. além de diminuir a presença de fungos proporcionada por condições climáticas adversas. De acordo com Phillippeau et al. Segundo Penz Jr.

meio e fim). correspondendo a aproximadamente 70% do volume de concentrados.6%) foram positivas. Custo final do insumo O milho é. 2005). o processamento do grão de milho seco envolve custos adicionais com transporte. ausência de 274 . sendo 20 (7. No entanto. e a manutenção do valor nutritivo do alimento é por um período de tempo maior (Reis et al. indicando a qualidade sanitária do milho para alimentação animal quando armazenado com silagem de grão úmido. não foi detectada a presença de “Fusarium” nem de zearalenona. Das 189 amostras analisadas para zearalenona.. por suas características nutricionais e disponibilidade comercial. pois sua toxidez é preocupante quando os indivíduos mais jovens estão entre os maiores consumidores de leite.. Mader et al. a ensilagem de grãos de milho é tida como um sistema de armazenamento simples e econômico por não exigir silos especiais. 37 (13. não houve alteração no valor nutricional das silagens avaliadas.9%) amostras foram positivas. Das 272 amostras analisadas para aflatoxinas. o que demonstra a eficiência de preservação no processo de ensilagem. As amostras foram coletadas de diferentes silos e de vários pontos do silo (começo. (2003) avaliaram a presença das micotoxinas aflatoxina e zearalenona em alimentos fornecidos a bovinos de exploração leiteira na região norte do estado do Paraná.3. secagem e armazenamento.A aflatoxina M1 (AFM1) tem sido detectada em leite de animais alimentados com ração contaminada por aflatoxina B1 (AFB1). 2005). 2001a). 2. Além da segurança microbiológica. ocratoxina A e citrinina. 32 (16.3%) acima do limite de 20mg/Kg determinado pela ANVISA. Segundo os autores. e todas estavam acima do limite de 200mg/Kg recomendado pelos veterinários da região norte do Paraná. (1991) avaliaram a composição química e a qualidade de silagens de grãos úmidos de milho por períodos de armazenamento variando entre 56 e 365 dias. o que pode tornar os sistemas de produção inviáveis (Silva et al. nas condições utilizadas. Os resultados apresentados neste trabalho mostram que devem ser criadas formas eficientes de controle da contaminação dos alimentos para serem utilizadas na alimentação animal desde o campo até a armazenagem. bem como de suas micotoxinas nas silagens de grãos úmidos de milho utilizadas na fazenda experimental da Universidade Estadual de Maringá. Constitui um problema de saúde pública. com várias vantagens em relação ao milho seco. possuindo efeitos tóxicos e carcinogênicos muito próximos. como: ausência de taxas e impostos sobre o produto. Foi encontrada maior contaminação por aflatoxinas em alimentos concentrados. e estes são os mais sensíveis a seus efeitos (Pereira et al. Blanck et al.. Sassahara et al. (2004) avaliaram a presença de zearalenona e fungos do gênero “Fusarium”. o alimento mais utilizado na formulação de dieta para animais. De acordo com os autores. O uso do milho na forma de silagem de grãos úmidos em rações para suínos tem sido uma alternativa para a produção de rações. enquanto por zearalenona ocorreu em alimentos volumosos. assim como de aflatoxinas.

e.. 2. desconto sobre a umidade e menor custo de armazenamento (Keplin. O melhor valor nutricional de dietas contendo silagem se deve às alterações físicas e químicas que ocorrem no endosperma e na superfície dos grânulos de amido durante o processo fermentativo.. como é o caso dos grãos úmidos de milho. Este processo é denominado gelatinização do amido. 2005). Costa et al. Silva et al. 1997). 1999).. resultando em maior solubilização dos nutrientes e em aumento da suscetibilidade do amido à hidrólise enzimática. 275 . 2002). por conterem uma matriz proteica bastante complexa ao redor do grânulo de amido. podendo aumentar a susceptibilidade ao ataque enzimático durante a digestão (Lopes et al. em média. No caso da conservação dos grãos de cereais para a alimentação animal. chega a consumir cerca de 60% do total de energia utilizada na produção. uma superioridade de 58kcal EM/kg para as silagens de grãos úmidos em comparação ao milho seco. a taxa e a extensão da fermentação ruminal variam significativamente de acordo com a fonte e o processamento do cereal. apesar da disponibilidade de sistemas. Disponibilidade de amido Os grãos de cereais são a principal fonte de energia das dietas de ruminantes. como ácidos graxos voláteis no rúmen e glicose no intestino delgado. em muitos casos. frete. portanto.. afeta a eficiência de utilização metabólica por ruminantes. a silagem de grãos úmidos de milho é até 11% mais econômica em relação aos grãos secos. 1997). sofre expansão irreversível até que a água represente aproximadamente 50% do peso total. Os ácidos orgânicos produzidos durante o processo fermentativo podem causar rupturas na matriz proteica que recobre os grânulos de amido. além da ruptura da matriz protéica. bem como na estrutura desses grânulos. Outro fator importante.4. 1998). A maior disponibilidade nutricional da silagem em relação aos grãos secos pode ser explicada principalmente pelo seu menor valor de pH. (2006). sendo o milho e o sorgo os mais utilizados no Brasil. causando melhora na eficiência alimentar dos animais (Simas. por eliminar as etapas de limpeza e secagem do pré-processamento de grãos (Costa et al. observaram. avaliando silagens de grãos úmidos de milho na alimentação de suínos nas fases de crescimento e terminação.perdas econômicas com transporte. Além disso. com consequente solubilização da matriz proteica. (1999). Segundo Phillippeau et al. o local de digestão do amido tem implicações nos produtos finais da digestão. esses grãos apresentam maior resistência ao ataque microbiano (Owens et al. Entretanto. De acordo com Silva (1997). favorecendo a digestão e absorção do amido (Silva et al. é o maior teor de umidade do grão que favorece a fermentação no interior do silo. a secagem continua sendo uma operação crítica nas etapas de pré-processamento de grãos que. (1999) também ressaltaram que o amido em contato com água. máquinas e equipamentos sofisticados.

o consumo de MS é resultado de interações complexas que envolvem as características da planta antes do processo de ensilagem. 276 . das alterações no valor nutritivo durante o fornecimento aos animais e do processamento físico do alimento conservado (Reis et al. 2001). a energia e a proteína são os principais. é preponderante para a máxima produção de leite e crescimento do animal.6 70.9 3. necessários para o atendimento das exigências de mantença e produção. que. estão apresentadas as composições químicas de silagens de grãos úmidos em comparação ao milho seco. o aumento da produção microbiana contribui muito para a qualidade da proteína que chega ao duodeno.9 66.7 10. (1997) Seco Silagem Silagem Silagem Matéria seca (%) 87. pois o perfil de aminoácidos essenciais das bactérias.1 FDA (%) 2. como o pH e a taxa de passagem. O uso de grãos úmidos ensilados garante grande quantidade de energia prontamente disponível.7 80. 3.Entre os fatores que afetam o crescimento e a eficiência das bactérias ruminais.9 Proteína bruta (%) 10.2 7. VALOR NUTRICIONAL A composição química da silagem de grãos úmidos de milho pode variar em função do teor de umidade no momento da ensilagem e da proporção de sabugo presente. (2001b) Santos et al. tipo e processamento dos carboidratos dos alimentos (Van Soest.2 7.3 EB (kcal/kg) 4640 4330 4474 4203 A ingestão e a digestibilidade da matéria seca (MS) são os principais fatores que afetam a performance animal.0 Amido (%) 88.7 10. já que são o ponto inicial para o ingresso de nutrientes.0 63. (2002). 1997).2 14. principalmente de energia e proteína.7 4. principalmente lisina e metionina.7 67.. Na Tabela 1. Para alimentos conservados.. De acordo com Passini et al. qualidade e proporção do volumoso na dieta total.8 FDN (%) 13. (2002) Jobim et al. Composição química do milho na forma seca e silagem de grãos úmidos (Base matéria seca).5 Extrato etéreo (%) 3. são determinados pelo nível de consumo.5 3. tamanho de partícula. dos fatores inerentes ao processo de conservação. contudo outros fatores contribuem para a fermentação ruminal. por sua vez. entre outros fatores (Jobim et al. Reis et al.1 15. 1994).2 2. 2006). sistema de alimentação. Tabela 1. devido à maior fermentação do amido. o que acarreta aumento no fluxo de proteína microbiana para o duodeno (Jobim e Reis.

(1997) observaram aspectos relevantes do ponto de vista nutricional e econômico do emprego da silagem de grãos em substituição ao milho seco. o milho úmido não diferiu significativamente do milho seco quanto ao consumo de MS e ao ganho de peso corporal dos animais.88% para os animais que receberam silagem de milho como volumoso e 23. UTILIZAÇÃO NA ALIMENTAÇÃO ANIMAL Em razão de a dieta de vacas leiteiras de alta produção e de animais em confinamento ser constituída por 25 a 35% de amido. onde normalmente ocorrem grandes perdas qualitativas e quantitativas. associados à silagem de milho ou ao bagaço in natura de cana-de-açúcar. em fontes de amido de alta degradabilidade ruminal.4. apresentaram melhor desempenho em relação ao ganho de peso e conversão alimentar. 5. Isso pode ser atribuído aos ácidos orgânicos que são produzidos durante o processo fermentativo no silo (Reis et al.. Henrique et al. Costa et al. ou seja. A tecnologia de ensilagem de grão de milho pode contribuir para solucionar os graves problemas de armazenagem de grãos nas fazendas.55% para os animais que receberam feno. Esta melhoria na conversão alimentar proporcionou uma redução no custo de produção da arroba em 32. sendo que as características das carcaças dos animais não foram alteradas. é provavelmente devido ao aumento da energia absorvida (AGV) e mais proteína microbiana disponível para absorção. A conversão alimentar observada foi de 5. 2001b).1681kg de ganho de peso corporal por quilograma de MS ingerida.33kg. De acordo com os autores. melhora de 9. (2007) compararam os efeitos do fornecimento de silagem de grãos de milho úmidos em substituição ao milho seco. Em estudos de desempenho de novilhos superprecoces alimentados com silagem de grãos úmidos de milho. 277 . fica evidente que a melhora na eficiência de utilização do amido representa real importância na produção de leite. Simas (1997) destaca que o aumento da produção e do ganho de peso em virtude do aumento da utilização de amido. Normalmente observa-se redução na ingestão de matéria seca por bovinos alimentados com silagem de grãos de milho úmidos.43 e 6. sobre o desempenho e as características da carcaça de bovinos em terminação.7% com a utilização da silagem de grãos de milho úmido. comparados ao milho grão seco. Os valores médios para a eficiência alimentar obtidos com as dietas com a silagem de milho úmido e com milho seco foram de 0. mas há maior eficiência na conversão. Os resultados obtidos revelaram que os animais alimentados com silagem de grãos úmidos. respectivamente. CONSIDERAÇÕES FINAIS Tem-se constatado que a ensilagem de grãos úmidos é viável como forma de armazenagem de grãos a baixo custo para utilização na alimentação animal.1844 e 0. em função do ataque de insetos. para as dietas contendo silagem de grãos úmidos e milho seco. mas foi significativamente superior quanto à eficiência alimentar. em relação aos grãos de milho secos. roedores e fungos.

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CAPÍTULO 16 GRÃO DE SORGO NA ALIMENTAÇÃO DE GADO DE LEITE
Wilson Gonçalves de Faria Jr.1, Lúcio Carlos Gonçalves 2, Alex de Matos Teixeira 3, Wellyngton Tadeu Vilela Carvalho 4

RESUMO A crescente disponibilidade de grãos de sorgo no mercado nacional está associada ao menor risco da cultura para plantio de safrinha ou em regiões de menor pluviosidade. Além disso, o menor custo e a semelhança ao valor nutritivo do milho tornam o sorgo uma opção de fonte energética para o balanceamento de dietas de vacas de leite. Nesse capítulo, serão discutidos alguns aspectos relevantes da utilização do sorgo grão nas dietas de vacas de leite, assim como a importância do processamento do grão, o valor nutritivo, o metabolismo ruminal e o desempenho produtivo de vacas leiteiras.

INTRODUÇÃO O sorgo [Sorghum bicolor (L.) Moench] é o quinto cereal em importância no mundo. Mais significante que esta posição é a grande variação de distribuição desta cultura no mundo, destacando-se as regiões semiáridas dos trópicos e subtrópicos. A produção brasileira na safra 2008 foi estimada em 1,96 milhões de toneladas, o que representa 3,3% da produção de milho (59,8 milhões de toneladas). A baixa produção está associada ao sistema de produção, que, na maioria das vezes, é feito como cultura de sucessão (safrinha), resultando em menor área plantada (811 mil x 14 milhões de hectares) e menor produtividade (2,4 x 4,0 t/ha) em comparação ao milho. O menor valor e a oportunidade de comércio, associados à maior resistência ao estresse hídrico, justificam o cultivo de safrinha. O Brasil encontra-se entre os 15 maiores produtores de sorgo do mundo. Os Estados Unidos da América lideram o ranking com uma produção de 12 milhões de toneladas e uma produtividade de 4,0t/ha,o que condiz com o manejo de cultura principal. Na América do Sul, a Argentina lidera a produção e as exportações de sorgo, sendo o México o principal importador mundial do grão, onde o sorgo é usado na alimentação humana e animal.

Médico Veterinário, MSc. Doutorando em Nutrição Animal, Escola de Veterinária da UFMG, Caixa Postal 567, CEP 30123-970, Belo Horizonte, MG. Bolsista CNPq. wilsonvet2002@gmail.com 2 Engenheiro Agrônomo, DSc., Prof. Associado Departamento de Zootecnia da Escola de Veterinária da UFMG, Caixa Postal 567, CEP 30123-970, Belo Horizonte, MG. luciocg@vet.ufmg.br 3 Médico Veterinário, MSc. Doutorando em Zootecnia, Escola de Veterinária da UFMG, Caixa Postal 567, CEP 30123-970, Belo Horizonte, MG. alexmteixeira@yahoo.com.br 4 Médico Veterinário, MSc, Professor do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Sudeste de Minas Gerais – Campus Barbacena. wellyngton.vilela@ifsudestemg.edu.br

1

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O sorgo é originário das regiões semiáridas tropicais da África e da Ásia e apresenta maior tolerância à seca que outras gramíneas produtoras de grãos, como milho, aveia, trigo e cevada. Além dessa importante característica, os trabalhos de seleção e de melhoramento genético do sorgo no Brasil, conduzidos principalmente pela Embrapa Milho e Sorgo, têm produzido materiais de alta produtividade de grãos, adaptados a várias condições de solo e clima e resistentes à maioria das pragas e doenças que acometiam essa planta no passado. Por isso, o cultivo do sorgo tem crescido expressivamente no Brasil como alternativa agronômica e econômica ao milho. Nos países em desenvolvimento, é uma das principais fontes de amido para a alimentação humana, porém, nos países industrializados, é utilizado principalmente na alimentação animal. Os grãos de sorgo têm sido utilizados com sucesso na alimentação de ruminantes em substituição principalmente ao milho, seja na forma de grãos úmidos ou secos, devido ao menor custo, ao valor nutritivo semelhante ao milho e ao aumento significativo da disponibilidade do grão no mercado interno nos últimos anos (Companhia Nacional de Abastecimento – CONAB, 2009). O grão do sorgo é composto por pericarpo, endosperma e gérmen. A composição química do grão de sorgo é considerada próxima à do milho. No entanto, o sorgo é uma planta única entre os cereais graníferos por ser capaz de produzir quantidades significativas de polifenóis, que protegem os grãos dos ataques de fungos, insetos e pássaros e ainda reduzem os riscos de germinação dos grãos na panícula (Silanikove et al., 1996). Entretanto, as vantagens agronômicas da presença dos taninos, principalmente dos taninos condensados, são acompanhadas de desvantagens nutricionais, como o comprometimento do valor proteico das dietas para animais (Duodu et al., 2003). O constante crescimento da utilização do sorgo na alimentação animal no país reforça a necessidade de mais estudos para que esse cereal possa ser utilizado com mais eficiência e mais lucratividade. No entanto, pouco se conhece sobre a variabilidade da composição bromatológica dos sorgos brasileiros. Os poucos dados a esse respeito acessíveis aos nutricionistas e pecuaristas, que subsidiam as formulações de dietas de mínimo custo para ruminantes, são encontrados em tabelas de composição de alimentos para ruminantes (Valadares Filho et al., 2006), produzidas e editadas na Universidade Federal de Viçosa. No Brasil, o sorgo é cultivado basicamente sob três sistemas de produção: no Rio Grande do Sul, planta-se o sorgo na primavera e colhe-se no outono; no Brasil central, a semeadura é feita em sucessão às culturas de verão, principalmente a soja; já no Nordeste, a cultura é plantada durante a estação chuvosa. Mais recentemente, tem sido observado o plantio de sorgo sob irrigação suplementar, tanto no Nordeste como no Centro-Oeste. Todo o sorgo produzido no Brasil é consumido na alimentação animal, sendo que a bovinocultura é a terceira em importância na demanda pelo grão de sorgo, superada pela suinocultura, e esta pela avicultura (Duarte, 2003; Ribas, 2003).

283

1. ESTRUTURA E PROPRIEDADES FÍSICAS DO GRÃO O grão de sorgo é denominado cariopse, no qual a parede do ovário seca e se adere firmemente ao óvulo maduro, ou seja, o pericarpo fica completamente fundido ao endosperma (Rooney e Miller, 1982). O grão é dividido em três principais componentes: o pericarpo, o endosperma e o gérmen, como pode ser visto na Figura 1. As proporções desses componentes variam entre genótipos, mas, em média, o pericarpo representa 6,0%, o endosperma 84,0% e o gérmen 10,0% do peso do grão (Rooney e Serna-Saldivar, 1991).

Figura 1. Estrutura esquemática de um grão de sorgo, evidenciando as principais estruturas.
Fonte: Chandrashekar e Mazhar (1999).

O pericarpo é o revestimento externo e fibroso que confere proteção ao grão (Evers e Millar, 2002), sendo composto por epicarpo, mesocarpo, endocarpo e testa. Esta última estrutura apresenta grande importância no valor nutritivo dos grãos de sorgo para ruminantes. Isso porque é o principal local de armazenamento dos pigmentos polifenólicos nos grãos de sorgo ricos em taninos. Os taninos condensados são responsáveis pela redução do valor nutritivo da dieta. O componente mais importante dos grãos de sorgo é o endosperma, que é o principal tecido de estocagem do grão (Sullins e Rooney, 1975). O endosperma é composto pela aleurona e pelo endosperma amiláceo. A aleurona é uma camada fina localizada imediatamente abaixo da testa e é rica em proteínas, lipídios, cinzas, vitaminas e

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enzimas (Rooney e Miller, 1982; Evers e Millar, 2002). O endosperma amiláceo é composto por amido, proteínas de estocagem e, em menor proporção, por enzimas, vitaminas e minerais (Rooney et al., 1980). O endosperma amiláceo é dividido entre os endospermas córneo e farináceo. O primeiro está localizado perifericamente, e o segundo centralmente no endosperma do grão de sorgo (Hoseney et al., 1974). O endosperma córneo é composto por grânulos de amido poligonais e densos, incrustados por corpos proteicos e por matriz proteica contínua, espessa e de difícil digestão enzimática, o que confere grande dureza a essa região do grão (Sullins e Rooney, 1975; Rooney e Miller, 1982; Shull et al., 1990). Isso torna o amido menos digestível devido à barreira física que a matriz proteica e os corpos proteicos formam sobre ele (Sullins e Rooney, 1975). Portanto, os grânulos de amido devem ser expostos por processamentos químicos ou físicos para que sejam digeridos eficientemente pelas enzimas (Rooney e Miller, 1982). Já o endosperma farináceo é composto por grânulos de amido esféricos, maiores e menos densos que os encontrados no endosperma córneo. Além disto, a matriz proteica é descontínua, o que faz com que essa região do grão apresente textura macia (Shull et al., 1990). Por estas características, o amido do endosperma farináceo é mais susceptível ao ataque enzimático que o amido contido na região vítrea (Sullins e Rooney, 1975), por se encontrar mais disponível. Dessa forma, quanto maior a proporção de endosperma farináceo em relação ao córneo, mais macio é o grão e, consequentemente, maior será a sua digestibilidade. O gérmen é rico em lipídios poli-insaturados, proteínas de estocagem, enzimas e minerais e constitui uma pequena reserva nutritiva para o embrião (Rooney e SernaSaldivar, 1991).

2. TEXTURA DOS GRÃOS O conceito de textura mais aceito se refere à proporção do endosperma vítreo (duro) em relação ao endosperma farináceo (macio) do grão, conhecido por vitreosidade (vitreousness) (Cagampang e Kirleis, 1984). Segundo Maxson et al. (1971), a escala de vitreosidade dos grãos de sorgo varia de 1 a 5, em que o valor 1 é atribuído ao grão muito duro (com endosperma completamente vítreo) e o valor 5 é atribuído ao grão muito macio, passando pelas escalas intermediárias de textura 2, 3 e 4, para os grãos de textura meio dura, textura intermediária e textura meio macia, respectivamente. O grau de vitreosidade varia entre os genótipos e é uma característica associada à genética do grão, como pode ser observado na Tabela 1. A composição e a distribuição das frações proteicas nos grãos estão envolvidas diretamente na textura do endosperma. Vários autores (Rooney e Miller, 1982; Cagampang e Kirleis, 1984; Kumari e Chandrashekar, 1994; Chandrashekar e Mazhar,

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1999) sugerem que a γ-prolamina é a fração que parece determinar a textura do endosperma dos grãos de sorgo, por encontrar-se em concentrações duas a quatro vezes maiores nos grãos vítreos em relação aos farináceos. Segundo esses autores, a γ-prolamina apresenta elevada capacidade de formação de pontes dissulfito entre moléculas, contribuindo para a rigidez do endosperma vítreo. Antunes (2005) evidencia a forte influência da textura sobre as características de moagem e sobre o valor nutritivo dos grãos de sorgo, pois quanto mais duros os grãos, menores as degradabilidades da matéria seca, da proteína bruta e do amido. A textura do grão, sem dúvida, será um fator determinante sobre o desempenho dos animais alimentados com sorgo e é uma característica controlada pela genética do sorgo. Os grãos de textura macia apresentaram produções acumulativas de gases superiores à dos genótipos de textura média ou dura nos tempos de 15 e 24h. As diferenças nas produções acumulativas de gases entre grãos de sorgo com diferentes texturas do endosperma nos tempos de 15 e 24 horas demonstraram a importância nutricional que a textura do endosperma possui como fator determinante da disponibilidade de nutrientes para os microrganismos ruminais. Esses são tempos considerados como limites de permanência de grãos no rúmen de animais em fase de lactação (taxa de passagem de 6,5% a 8,0%/h). Portanto, o menor tempo de colonização, a maior taxa de fermentação e a maior produção de gases nesse período para os grãos de textura macia poderiam ser extrapolados para a maior disponibilidade de energia fermentável no rúmen que, conciliada com uma adequada sincronização com fontes de proteína degradável no rúmen (Nocek e Russel, 1988), poderia resultar em aumento da produção de proteína microbiana, de ácidos graxos voláteis e de produção de leite em relação aos grãos de textura dura. Para que o amido da região vítrea dos grãos de sorgo torne-se disponível para a digestão, é necessária a degradação preliminar da parede celular e do arcabouço proteico que recobrem os grânulos de amido. A resistência à digestão microbiana das matrizes proteicas ajuda a explicar por que mais de 30,0% do amido do milho e do sorgo podem escapar da fermentação ruminal em animais de alto consumo e elevada taxa de passagem, enquanto menos de 10,0% do amido do trigo e da cevada chegam ao intestino delgado (Orskov, 1986). A taxa de degradação ruminal parece ser um bom parâmetro para indicar as diferenças de textura do endosperma dos grãos de sorgo. A textura do endosperma influencia negativamente na taxa de degradação da matéria seca e na degradabilidade efetiva da matéria seca dos grãos de sorgo dentro do rúmen. Os grãos de textura macia apresentaram taxas de degradação até 54,0% superiores aos grãos de textura dura (Antunes, 2005).

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3. COMPOSIÇÃO BROMATOLÓGICA A composição química do grão de sorgo é variável, dependendo do genótipo do solo e das condições climáticas (Gualtieri e Rapaccini, 1990; Antunes et al., 2007), mas é pouco alterada com o processamento e mostra-se próxima à composição química do milho, conforme pode ser observado nas Tabelas 1 e 2.

Tabela 1. Composição bromatológica, teor de fenóis totais e escore de vitreosidade de 33 genótipos de sorgo.
Genótipos Origem %MS %PB %amido %EE % cinzas FT
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Vitreosidade

MS - Matéria Seca; PB - Proteína Bruta; EE - Extrato Etéreo; FT - Fenóis Totais; BAG - Banco Ativo de Germoplasmas 1 da Embrapa Milho e Sorgo; CNPMS - Embrapa Milho e Sorgo; ND - não determinado. Valores expressos em equivalentes-catequinas.

Quando comparado ao milho, o sorgo apresenta menores teores de extrato etéreo e teores de proteína ligeiramente superiores, sendo as proteínas distribuídas no endosperma (80,0%), gérmen (16,0%) e pericarpo (3,0%). A maioria da fração fibrosa se encontra nas células do pericarpo e endosperma, apresentando pequenas quantidades de lignina.

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O processamento do grão, como moagem, laminação ou floculação, não altera significativamente a composição do sorgo, exceto quanto à disponibilidade de energia. O sorgo floculado apresenta maior teor de energia líquida que o laminado, e este superior ao do grão moído. As alterações físico-químicas que ocorrem no amido aumentam sua disponibilidade e digestibilidade total, resultando em maior energia líquida para produção. Segundo o National Research Council - NRC (2001), o valor de nutrientes digestíveis totais (NDT) do grão de sorgo laminado a seco aumenta de 80,6% para 89,4% quando ele é submetido à floculação a vapor. O principal componente do grão de sorgo é o amido (62,91%), composto por cerca de 70,0 a 80,0% de amilopectina e de 20,0% a 30,0% de amilose. Esses dois polímeros diferenciam-se entre si quanto ao tipo de estrutura química, ao tamanho da molécula e pelas propriedades químicas. Os grânulos íntegros de amido apresentam baixa capacidade de absorção de água por serem estabilizados por grande quantidade de pontes de hidrogênio tanto inter quanto entre moléculas de amilose e amilopectina. Além disso, a matriz proteica apresenta-se pouco permeável à água e à atividade enzimática, prejudicando a digestibilidade do amido (Kazama et al., 2002).

Tabela 2. Composição química do grão de sorgo submetido a diferentes tratamentos comparado com o milho. Sorgo Milho grão Nutriente com tanino sem tanino extrusado úmido seco úmido MS 86,17 86,73 89,23 65,41 90,00 67,83 PB 15,00 13,00 11,00 9,00 9,00 8,60 FDN1 13,16 13,16 10,90 24,22 11,61 8,10 FDA2 6,42 6,42 5,90 5,13 4,13 4,20 Lignina 1,34 1,34 1,10 1,10 EE 2,98 2,88 1,45 3,45 4,01 3,98 NDT3 78,43 78,43 89,40 77,67 85,65 78,54 Ca 0,07 0,03 0,07 0,02 0,03 0,03 P 0,28 0,14 0,35 0,20 0,25 0,23 Amido 62,91 62,91 60,57 44,10 66,25 43,72 DPB4 32,80 67,10 34,05 73,55 70,73 53,29
1

FDN - Fibra em Detergente Neutro; 2FDA - Fibra em Detergente Ácido; 3NDT - Nutrientes Digestíveis Totais; 4DPB - Digestibilidade da Proteína Bruta.

Fonte: NRC (2001); Valadares Filho et al. (2006).

As maiores diferenças entre o grão de milho e de sorgo residem na proporção e distribuição das proteínas do endosperma ao redor do amido (Rooney e Pflugfelder, 1986). O endosperma dos grãos de sorgo contém quatro tipos diferentes de proteínas. As albuminas e as globulinas estão localizadas no gérmen e na aleurona, já as glutelinas e as prolaminas no endosperma (Wall, 1964). As glutelinas e as prolaminas são proteínas estruturais que constituem a matriz proteica e os corpos proteicos. Elas formam o arcabouço proteico-estrutural do grão

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(Seckinger e Wolf, 1973; Adams et al., 1976), que possui importantes implicações na textura do endosperma (Chandrashekar e Mazhart, 1999).

4. PERFIL DE AMINOÁCIDOS Os dados presentes na literatura sobre o perfil aminoacídico do sorgo com ou sem tanino e segundo o tipo de processamento (moído, laminado, floculado ou extrusado) são muito escassos. Os poucos dados presentes indicam semelhança entre o perfil aminoacídico do sorgo com ou sem tanino e semelhantes ao milho (Tabela 3). Não foi encontrada referência quanto ao efeito do processamento no perfil de aminoácidos do sorgo. Contudo, tratamentos que envolvam calor podem resultar em menor disponibilidade de alguns aminoácidos para degradação ruminal e até mesmo para absorção intestinal. Tabela 3. Comparação entre o perfil de aminoácidos da caseína, milho e sorgo. % na base natural Caseína Milho Sorgo PB 84,21 8,26 8,94 Lys 6,94 0,24 0,20 Met 2,60 0,17 0,15 Lys+ Met 2,97 0,36 0,32 Trp 1,08 0,07 0,09 Thr 3,79 0,32 0,31 Arg 3,07 0,39 0,35 Gly+ Ser 6,31 0,73 0,71 Val 5,66 0,40 0,47 Ile 4,61 0,29 0,37 Leu 7,74 1,02 1,20 His 2,43 0,26 0,21 Phe 4,13 0,41 0,51 Fen+ Tyr 9,51 0,70 0,96
Fonte: Rostagno et al., 2005.

Streeter et al. (1993) compararam a degradabilidade e a digestibilidade intestinal dos aminoácidos de dois grupos de sorgo (normal ou seroso) com ou sem tanino. Os materiais com tanino apresentaram menor degradação ruminal e maior aporte de aminoácidos totais, essenciais e não essenciais para o duodeno, exceto para arginina, metionina e tirosina. Isso sugere que esses aminoácidos podem estar menos associados aos taninos. Entretanto, as digestibilidades intestinais dos aminoácidos essenciais e não essenciais presentes na proteína não degradada no rúmen (PNDR) foram inferiores para o sorgo com tanino. Assim, a digestibilidade total dos aminoácidos foi comprometida pela presença de tanino. Cultivares de sorgo com tanino, mesmo que possuam maior teor de proteína, resultando em maior ingestão de proteína e aminoácidos, podem não refletir em maior desempenho animal.

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5. PROCESSAMENTO DOS GRÃOS Diversos métodos de processamento são utilizados para se aumentar a eficiência de utilização dos nutrientes contidos no grão de sorgo pelos microrganismos do rúmen e pelo trato digestivo. O processamento pode melhorar significativamente o valor nutritivo de grãos de cereais para ruminantes, sendo a laminação e a moagem os mais comuns (NRC, 2001). O processamento do grão tem particular importância para o sorgo, devido ao menor tamanho deste grão, o que dificulta a sua quebra durante a mastigação e prejudica a sua degradação no rúmen. Como consequência, frequentemente se observa a presença de grãos de sorgo inteiros nas fezes de bovinos. A digestão microbiana no grão se dá de dentro para fora; desta forma, o rompimento da matriz proteica que recobre os grânulos de amido no endosperma facilita a ação microbiana e aumenta a degradação do amido. Outro fator que contribui para a melhoria da digestão dos grânulos de amido ocorre durante os processamentos que envolvem aplicação de calor e umidade, resultando num processo chamado gelatinização. Durante a gelatinização, os grânulos de amido absorvem água, incham e exsudam parte da amilose (fração do amido menos degradável), tornando-se mais susceptíveis à degradação enzimática (Van Soest, 1994). Os principais métodos utilizados no processamento de grãos de sorgo são: 5.1. Moagem A moagem modifica a estrutura física dos grãos de sorgo, rompendo o endosperma e aumentando a superfície de exposição do amido, melhorando a digestibilidade ruminal. A moagem promove ainda um aumento da taxa de passagem do concentrado, principalmente pelo aumento da densidade das partículas. Em condições tropicais, este é o processamento mais barato, e a moagem recomendada é a mais fina possível. 5.2. Laminação a seco Também conhecida como quebra ou esmagamento, este processo consiste em se passar o grão por um rolo compressor, o que promove sua quebra em pedaços menores. O efeito sobre o grão assemelha-se bastante ao da moagem, porém mais brando. 5.3. Laminação a vapor O grão inteiro fica um determinado tempo em um condicionador que é abastecido por uma linha de vapor. Devido ao aumento da temperatura e da umidade, inicia-se o processo de gelatinização do amido. Os grãos passam, então, por rolos compressores reguláveis. As modificações físicas e químicas que ocorrem favorecem a digestão intestinal do amido.

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5.4. Floculação Este processo é idêntico à laminação a vapor, diferindo no fato de os tratamentos serem mais drásticos. Assim, os grãos ficam de 30 a 40 minutos submetidos a uma temperatura entre 90 e 105oC, enquanto na laminação é usada uma temperatura entre 90 e 95oC por 15 a 20 minutos. Após passarem pelo tratamento a vapor e pelos rolos compressores, os grãos passam ainda por um segundo par de rolos, visando deixá-los com uma espessura entre 0,9 e 1,1mm. 5.5. Extrusão Assemelha-se à laminação a vapor, com duas diferenças básicas: os grãos são moídos antes do tratamento a vapor e passam por uma rosca sem fim, de onde são extrusados através de orifícios em forma de cones menores, onde o alimento vai se expandindo na direção em que ele é expelido. A expansão sofrida pelos grãos causa ruptura dos grânulos de amido. A qualidade dos processos de laminação, floculação e extrusão é avaliada por características visuais, conteúdo de umidade (18,0% a 20,0%), densidade especifica média das partículas e índices laboratoriais. O aumento da extensão dos tratamentos reduz a densidade específica das partículas, por exemplo: o grão de sorgo laminado a seco apresenta densidade específica entre 450-644g/L, o laminado úmido entre 438540g/L e, para o sorgo floculado, as melhores respostas produtivas são encontradas quando a densidade encontra-se entre 360-438g/L. A densidade das partículas é importante, pois influencia na taxa de passagem e no tempo de retenção das partículas no rúmen e, consequentemente, na digestibilidade do alimento. 5.6. Micronização Refere-se ao tratamento do grão por calor seco, através de micro-ondas. O grão é aquecido a 148oC, reduzido a 7,0% de umidade e laminado. 5.7. Grão úmido Envolve a colheita e o armazenamento, sob condições anaeróbicas, dos grãos de sorgo com umidade em torno de 30,0%. Estes devem estar moídos quando do fornecimento aos animais, sendo que tal processamento pode ser feito antes ou depois da armazenagem. Estes grãos não devem perfazer mais de 80,0% do total de grãos em dietas com mais de 75,0% de concentrados (Boin, 1999). Nos casos em que se tem tentado a adição de água ao grão seco, parece que a melhoria do aproveitamento dos nutrientes se deve mais ao processamento dos grãos do que à reconstituição em si. A ensilagem dos grãos úmidos é uma alternativa bastante interessante, em função das reduções nos custos de armazenamento e da possibilidade de antecipar a colheita em até quatro semanas, maximizando o uso da terra e minimizando as perdas provocadas por ataque de pássaros. Além do fator econômico, uma melhoria no valor nutricional pode ser verificada para os grãos

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úmidos ensilados. O maior conteúdo de umidade favorece a fermentação e a elevação da temperatura no interior do silo, causando gelatinização parcial do amido, aumentando a sua digestibilidade ruminal e intestinal. Além disso, ocorre a solubilização da matriz proteica ao redor dos grânulos de amido, facilitando o ataque enzimático microbiano (Galyean et al., 1981; Streeter et al., 1989). Peixoto et al. (2003), comparando o grão seco moído com a silagem de grão úmido de sorgo no desempenho de bezerras de diferentes grupos genéticos em confinamento, não verificaram diferenças no desempenho e na conversão alimentar dos animais. Para estes autores, a decisão entre qual fonte energética utilizar deve ser tomada em função de questões operacionais e econômicas, que são próprias de cada sistema de produção. Já Nikkhah et al. (2004) compararam o uso de sorgo seco moído ou floculado a vapor para vacas leiteiras no meio da lactação e constataram que a floculação a vapor garantiu maior produção de leite, leite corrigido para gordura, proteína e gordura do leite. Theurer et al. (1999a) sumarizaram os dados de vários experimentos comparando o efeito da utilização de grão de milho ou sorgo, bem como o seu processamento sobre o desempenho de vacas de alta produção. De acordo com estes autores, a floculação melhorou a produção e a eficiência de produção de leite em 5,0%, aumentou o teor e a produção de proteína do leite, bem como a digestibilidade aparente do amido em 16,0% comparado ao sorgo laminado a seco. Contudo, houve redução no teor de gordura do leite, mas sem comprometer a produção de gordura (g/dia). O melhor desempenho está associado à melhor qualidade nutricional promovida pelo processamento, já que o consumo de matéria seca e o teor de nitrogênio ureico do leite (NUL) não foram alterados. Estes trabalhos evidenciam a melhoria do valor energético do grão de sorgo com processamentos mais intensivos, no entanto os produtores devem considerar não só a melhoria no valor nutricional do grão e no desempenho produtivo dos animais, mas também os custos associados ao processamento. A utilização do nitrogênio dietético com maior síntese de proteína microbiana parece ser mais eficiente para o sorgo floculado em comparação ao laminado devido ao menor teor de NUL e ao aumento de caseína do leite.

6. SÍTIOS E EXTENSÃO DE DEGRADAÇÃO Segundo Poore et al. (1993), a floculação do sorgo comparada à laminação aumenta a degradação do amido no rúmen, reduzindo a quantidade de amido sobrepassante que atinge o duodeno, e aumenta a digestibilidade intestinal do amido, resultando, assim, em menores perdas fecais em dietas com volumosos de boa (feno de alfafa) ou baixa qualidade (palhada de trigo). Comportamento semelhante foi descrito para a degradabilidade e a digestibilidade da matéria orgânica da dieta, aumentando a síntese e o aporte de matéria orgânica microbiana para absorção intestinal. Contudo, o aumento da degradabilidade do amido pode comprometer a degradabilidade e a digestibilidade aparente total das frações fibrosas, principalmente da celulose, em situações de alta quantidade de concentrados ou fibra de baixa qualidade.

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Santos et al.0 e 8. seguida pela moagem fina e quebra. a mudança do sítio e a extensão de degradação do amido para o rúmen aumentam a utilização da energia líquida para lactação do grão de sorgo. a taxa de hidrólise do amido do sorgo laminado foi de 24. Os resultados obtidos para o milho foram superiores aos descritos para o sorgo..0% e o da digestibilidade intestinal em 20. BR306. Segundo DelgadoElorduy et al. essas diferenças podem não refletir em maior desempenho animal. moído. enquanto a do material floculado foi de 65. silagem) e o tipo de grão (milho ou sorgo) sobre a degradação efetiva da matéria seca para todas as taxas de passagem estimadas (2. diminuindo a solubilidade (Russel e Hespell. de fração potencialmente degradada. e a solubilidade do amido de 293 . (1999) em vacas não lactantes das raças Holandesa e Jersey. Já para o milho.0% e 91. Z822). as maiores degradabilidades foram observadas para a moagem fina (2mm) em relação à silagem (12mm) e quebra (5mm). (2002) avaliaram diferentes híbridos de sorgo (BR304. Kazama et al. d). BR701.0% do pouco amido sobrepassante sustentam os melhores desempenhos produtivos observados nos animais suplementados com o sorgo floculado comparado ao laminado (Theurer et al... (2002b).01) entre o processamento (quebra. moídos. 5 ou 8.0%.. (1999) compararam a solubilidade e a degradabilidade do amido de vários alimentos energéticos e concluíram que o milho. os teores de digestibilidade da proteína e das frações fibrosas são pouco alterados (Santos et al. Contudo. Para o sorgo. possivelmente devido à ocorrência de reações de Maillard ou exposição de aminoácidos hidrofóbicos à superfície. 1999c. 83. IA98201. A extrusão promove maior degradabilidade que a moagem fina devido à associação da ruptura da matriz proteica com a maior exposição dos grânulos de amido com a gelatinização. relação volumoso:concentrado e qualidade do volumoso. as quais. 5. extrusados ou autoclavados foram avaliadas por Moron et al.0% o aporte de proteína microbiana para absorção intestinal. As cinéticas de degradações ruminais de grãos de milho ou sorgo inteiros. como nível de inclusão do grão. Já Passini et al. O processamento térmico comprometeu a degradabilidade ruminal dos grãos.0%/h). 2000).O aumento da degradabilidade ruminal do amido em 40. Zeoula et al. nessa ordem de grandeza. cujas respostas são influenciadas por múltiplos fatores.0. as maiores degradabilidades foram obtidas pela silagem. e não observaram diferença entre eles quanto aos valores de fração solúvel. Assim. de taxa de degradação ou de degradabilidade efetiva para as taxas de passagem de 2. A floculação garante maior reciclagem de ureia no rúmen e eleva em torno de 10. 1981). 1999b). c. Apesar do aumento no aporte de amido fermentável no rúmen. quebrados. foram superiores para o milho.0%/h da matéria seca ou proteína.0%. A redução do tamanho da partícula aumentou a fração solúvel. minimizando o tempo e os efeitos do balanço energético negativo no início da lactação (Theureu et al. (2003) observaram interação (p<0. a fração potencialmente degradada e a degradabilidade efetiva da matéria seca do sorgo e do milho. de modo geral. 1999b. que não diferiram entre si.6%.6% em 30 minutos. o sorgo e a raspa de mandioca apresentam teor de amido de 79.

contornando. do tratamento ácido associado ao formaldeído ou do tratamento com ureia sobre o sítio e a extensão de degradação no sorgo que sofreu reconstituição da umidade (28. o pH (6.0% e 14. Passini et al. A dinâmica líquida ruminal (volume de líquido ruminal. Hill et al.05) dos nutrientes digestíveis totais (NDT) e do amido. houve tanto aumento da degradabilidade ruminal quanto da digestibilidade intestinal.. (2002.99). assim. do extrato etéreo e da FDN não diferiram entre as dietas. degradabilidade ruminal e pouca diferença na digestibilidade das dietas. 2003) avaliaram as silagens úmidas de milho ou sorgo sobre os parâmetros de fermentação ruminal. sem comprometimento dos padrões de fermentação. obtido por meio de solução de bicarbonatofosfato (pH=6. 1999b). Porém. o que pode estar associado a perdas pelos poros do saco de náilon. Esses autores não observaram diferença nos teores de ácidos graxos voláteis totais (AGV) ou nas porcentagens molares de ácidos acético. e muito inferior àquelas descritas para os sorgos laminados (66.1%). Já para o amido. 10. A silagem de grão úmido de sorgo foi confeccionada com o grão moído. No entanto.5%) para o sorgo moído em comparação ao milho (55. No estudo in situ.0% umidade). Além disso.13. Esses resultados sugerem o grande efeito desses tratamentos rompendo a matriz proteica que envolve os grânulos de amido do sorgo e tornando-os amplamente disponíveis para fermentação ruminal. respectivamente.0%). Isso refletiu em maior produção total de AGV e propionato nas primeiras quatro horas pós-alimentação em comparação ao grão úmido de milho. o uso de silagem de sorgo reduziu a digestibilidade aparente (p<0. taxa de passagem de líquidos. já a silagem de grão úmido de milho foi confeccionada com grão inteiro e 28% de umidade.0%. os efeitos negativos da matriz proteica sobre a disponibilidade do amido no rúmen. sem alterar a digestibilidade intestinal da matéria seca.8%) ou floculados (76.8). fluxo de líquidos por dia e por kilo de matéria seca consumida) não foi alterada pelo tipo de grão.25) e o nitrogênio amoniacal (6. a degradabilidade ruminal e a digestibilidade das dietas. 294 .6% a 89.4%) (Theurer et al. a fração potencialmente degradável e a taxa de degradação do amido do sorgo foram inferiores às do milho. A relação acetato:propionato (média de 1.4% vs 52. A ensilagem e o tratamento com ureia aumentaram a degradabilidade ruminal. com granulometria em torno de 12mm e 30% de umidade. as taxas de degradação e as degradabilidades efetivas da MS e da FDN da dieta não diferiram entre os grãos. A moagem do grão de sorgo antes da ensilagem pode ter favorecido a gelatinização dos grânulos de amido do sorgo.0%. Esses resultados não refletiram em menor consumo de matéria seca por peso vivo ou peso metabólico.91mg/dL) no líquido ruminal foram semelhantes entre as dietas. Por outro lado. propiônico ou butírico. A degradabilidade efetiva do amido corrigida para solubilidade foi baixa (39. (1991) avaliaram o efeito da ensilagem. os coeficientes de digestibilidade aparente da proteína. sugerindo a possibilidade de substituição total da silagem de grão úmido de milho por grão úmido de sorgo. a fração solúvel (a) do amido do sorgo foi muito superior à do milho (18.

13) e insulina (p<0. Embora os escores de condição corporal das vacas não tenham diferido entre as dietas. amido e energia líquida de lactação entre os tratamentos. (2000) avaliaram as condições energéticas e as respostas reprodutivas de vacas Holandesas no início da lactação suplementadas com sorgo floculado ou milho laminado. já que as concentrações de ácidos graxos não esterificados não diferiram entre as dietas. Delgado-Elordy et al. contudo mais estudos nesse sentido necessitam ser conduzidos para o melhor entendimento das respostas produtivas observadas pela utilização de sorgo ou milho nas diferentes formas de processamento. os animais que receberam sorgo floculado apresentaram menores perdas de escore corporal durante os primeiros 45 dias (p<0. b) avaliaram o efeito dos grãos (sorgo ou milho) e dos processamento (laminação ou floculação) no metabolismo esplênico e no metabolismo de nitrogênio na glândula mamária de vacas leiteiras com produção média de 28kg/dia e 86 dias em lactação. com tendência em aumentar o balanço energético das vacas (p<0. A população de folículos não foi alterada pela dieta. Esses resultados sugerem que o tipo de processamento apresentou maior influência sobre o metabolismo animal que o tipo do grão.. 1999a). 1993. As perdas de peso e o escore corporal das vacas durante os primeiros 45 dias ou 90 dias pós-parto não diferiram entre as dietas. PB. o melhor aproveitamento do nitrogênio com o aumento da degradação do amido do sorgo no rúmen pode reduzir o teor de nitrogênio ureico no plasma (Oliveira et al. maior síntese microbiana e aumento no aporte de aminoácidos para a glândula mamária. METABOLISMO ANIMAL Santos et al. com exceção do teor de gordura. o sorgo propiciou menor absorção de nitrogênio aminoacídico e amônia. Os fluxos sanguíneos nas veias porta e hepática não alteraram com os tratamentos.. Esses autores não observaram diferença (p<0. que são imprescindíveis para manutenção da gestação e redução de morte embrionária.7. (2002a. Em contraste ao milho.06). esses não foram suficientes para reduzir a lipólise.05) e 90 dias (p<0. mas a melhoria na condição energética das vacas que receberam sorgo floculado pode ter sido responsável pela maior área do corpo lúteo e maiores níveis de progesterona circulantes. sendo esta um problema comum em vacas de alta produção.05) na ingestão de MS. Isso responde em parte à tendência de maior teor de proteína no leite para dietas com milho ou sorgo floculado. Não houve diferença nos níveis de nitrogênio ureico no plasma entre as dietas. Embora os animais suplementados com sorgo floculado apresentassem maiores níveis de glicose e insulina circulante.06) no sangue periférico.11). O maior aporte de propionato ao fígado nas vacas que receberam sorgo floculado pode ter propiciado o aumento da gliconeogênese hepática com tendência de elevação nos níveis de glicose (p<0. que foi superior para a dieta com sorgo laminado. Theurer et al. 295 . Contudo. A floculação dos grãos propiciou aumento na reciclagem de ureia. A produção e a composição do leite bem como a eficiência alimentar e produtiva das vacas foram semelhantes.

Esses autores não observaram diferenças no consumo. 2001). na eficiência produtiva (IMS/LCG) ou nos teores de gordura e proteína do leite.4%. Resultados semelhantes foram descritos por Oliveira et al. Abdelgadir e Morril (1995) avaliaram o uso de sorgo moído. os 296 . crescimento corporal e ganho de peso. matéria orgânica (MO). o sorgo laminado ou floculado pode substituir totalmente o milho com o mesmo processamento. desde bezerros a bovinos adultos. ou metabolitos plasmáticos e condições de fermentação ruminal entre tratamentos. quando vacas. para o mesmo nível de processamento do grão (laminado ou floculado). proteína. Theurer et al. 1995) e Santos et al.8% do peso vivo. nas produções de leite e de leite corrigido para 3.4 e 0. como a base energética de concentrados. tostado ou peletizado. sobre o desempenho de bezerros e bezerras leiteiras até oito semanas de idade. causando redução na digestibilidade da fração fibrosa e prejudicando o desempenho animal (Restle et al. (1994). A sua utilização é verificada para todas as categorias animais. O desempenho de vacas de descarte sob pastejo contínuo em pastagens de inverno foi avaliado mediante a suplementação com o grão de sorgo triturado. apesar da menor digestibilidade do amido. apresentaram o menor custo final (R$ 3. Contudo.8. seja em confinamento ou em regime de pastejo.6mg de equivalente maltose/g de amido. com média de 100 dias de lactação. fato possivelmente relacionado a questões de palatabilidade. destinados à produção de vitelos. (1993. (1994) concluíram que o sorgo finamente moído pode substituir o milho moído ou laminado mantendo o mesmo nível de produção das vacas. exceto pelo menor consumo inicial para a forma de pélete. 66. Neste experimento. proporcionando um efeito aditivo ao consumo de nutrientes na dieta destes animais. (1999a) e Mitzner et al. Vacas de alta produção apresentam desempenho semelhante quando suplementadas com sorgo ou milho. Segundo Chen et al.5% de gordura (LCG). Verificou-se que o nível de suplemento energético influenciou significativamente o peso final das vacas até o nível de 0.9 e 198. 0. nas digestibilidades de matéria seca (MS). sem ônus no consumo. resultando em produções e composições do leite semelhantes entre vacas suplementadas com milho ou sorgo. com os respectivos graus de gelatinização do amido.59) por kg de ganho de peso por bezerro com o uso de sorgo moído de baixo tanino em comparação ao milho. ao avaliarem as respostas à aplicação de somatotropina bovina (bST). foram suplementadas com milho laminado ou sorgo laminado ou floculado. Almeida Júnior et al.5. (1999a). nos níveis de 0.4 para 0. que não observaram diferenças na ingestão de MS (IMS). há de se destacar o elevado valor nutricional das pastagens em que os animais foram mantidos. sem comprometimento na composição do leite. DESEMPENHO ANIMAL O grão de sorgo tem sido comumente utilizado em dietas de bovinos de leite em substituição ao milho.. amido ou frações fibrosas da dieta.8% foi justificada por uma possível alteração ruminal. (2004) relataram que os custos de criação de bezerros Holandeses. 28. A queda no desempenho quando o nível de concentrado aumentou de 0.

(1997 e 1998) comparando o tipo de processamento do sorgo (laminado ou floculado) com suplementação de diferentes tipos de gordura até 2.1999a). Em vacas de média produção. 1991. A densidade da partícula do sorgo laminado ou floculado pode afetar o consumo. há a necessidade de suplementação com PNDR.. A ingestão de matéria seca. em melhoria da eficiência de produção de leite. Partículas muito finas podem ter propiciado a excessiva fermentação ruminal com redução do pH. Já em vacas de alta produção. Santos et al. Para o sorgo floculado. 297 . (1998) concluíram que a degradabilidade da fonte energética influenciava nas respostas de suplementação de distintas fontes proteicas de maior ou menor degradabilidade ruminal.0% de PNDR.. Segundo Santos et al. sem alterar o consumo de alimento. a digestibilidade da dieta e alterar a produção e a composição do leite de vacas. As respostas produtivas de vacas de alta (45kg) ou média (35kg) produção de leite suplementadas com sorgo floculado variam com a degradabilidade da proteína suplementar. associada à alta disponibilidade de amido fermentável no rúmen. a redução da densidade do sorgo laminado de 437g/L para 283g/L resultou em decréscimo linear na ingestão de matéria seca (Oliveira et al. Em estudo anterior. resultando. que apresenta cerca de 70.5% da MS têm indicado diferenças nas digestibilidades das dietas. e a maior produção de leite foi obtida com a suplementação com farelo de soja (6. da matéria seca e orgânica..autores verificaram maiores produções de leite e de proteína do leite em animais suplementados com sorgo floculado (Santos et al. na produção de leite e no teor de gordura do leite. mesmo com redução no consumo da dieta. (1999b) avaliaram o desempenho de vacas Holandesas no início da lactação com produção média de 37kg de leite. 1994). apesar da maximização da síntese proteica microbiana proporcionada pelo sorgo floculado.8% da MS da dieta).. as respostas são inversas. a eficiência produtiva e os teores de proteína e gordura do leite não diferiram entre os animais suplementados com sorgo ou milho. Nesse estudo. Santos et al.0%) ou farinha de peixe (5. a suplementação com ureia (0. Santos et al. principalmente quanto à digestibilidade do amido.0% da MS da dieta. garante maior consumo de alimento e síntese de proteína microbiana suficiente para proporcionar aumento na produção de leite. Chen et al. Vacas alimentadas com sorgo ou milho floculado em combinação com PNDR produziram mais leite e proteína do leite em comparação àquelas suplementadas com milho laminado ou com farelo de soja. as produções de leite e LCG.0%). assim. partículas com densidades entre 360g/L e 437g/L resultaram em produção e em composição de leite semelhantes ao sorgo laminado. 1997b). proveniente do sorgo floculado. suplementadas com sorgo floculado ou milho floculado ou laminado..0% de proteína degradável no rúmen e 30. associados a uma fonte de proteína não degradável no rúmen. na digestibilidade da FDN (Theurer et al. Em animais de alta produção. a fonte principal de proteína da dieta foi proporcionada pelo uso de caroço de algodão com a inclusão de 10 a 13. já que a adição de 1% de bicarbonato de sódio tendeu a minimizar as reduções de produtividade. 1993. Estudos desenvolvidos por Simas et al. (1997a).

Contudo. como o Fusarium moniliforme.1. protegido da chuva e. temperatura ambiente. 9. aumentando as perdas fecais. Taninos condensados A maior limitação da utilização de grãos de sorgo na alimentação animal se deve à presença de compostos fenólicos chamados taninos. Micotoxinas A contaminação do grão de sorgo por fungos também é um fator que pode limitar o desempenho animal. responsável pela produção da aflatoxina. e ainda pode proporcionar ganhos em termos econômicos. elevando a quantidade de proteína potencialmente disponível para a absorção no intestino delgado. 298 . Os efeitos dos taninos condensados na alimentação de vacas leiteiras serão abordados em maior extensão em outro capitulo. Waghorn et al. A contaminação ocorre principalmente pelo fungo Aspergillus flavus. outros fungos podem contaminar esse alimento. é aconselhável estocar o alimento com menos de 10% de umidade. FATORES ANTINUTRICIONAIS DO SORGO 9. (1995) avaliaram o efeito dos taninos condensados na digestão ruminal do nitrogênio. 1996). sem alterações no metabolismo do animal ou no desempenho produtivo. com ventilação forçada (Price et al. 9. com piso cimentado. esses compostos podem se ligar a proteínas e a enzimas no intestino delgado e reduzir a digestibilidade intestinal das proteínas. O grau de saturação das fontes de gordura aparentemente tem pouco efeito na produção e na composição do leite quando incluídas até níveis de 2. Esta contaminação pode ocorrer em qualquer momento da produção.com o tipo de processamento do grão. causadora de câncer hepático. disponibilidade de oxigênio e dióxido de carbono. se possível. No alimento estocado. CONSIDERAÇÕES FINAIS O grão de sorgo tem potencial para substituir o milho em dietas de ruminantes.2. essas diferenças não têm refletido no desempenho produtivo e na composição do leite. Para minimizar as perdas em decorrência desta contaminação. No entanto. estocagem ou utilização. 1985). em local inclinado. 10. Entretanto.. estando presentes sem que o mofo seja visível (Marquadt. transporte. os fatores responsáveis ou predisponentes incluem integridade do grão.5% da matéria seca em dietas cuja base energética dos concentrados é o sorgo. sendo que a sua utilização dependerá da oferta e do preço. Esses pesquisadores encontraram menor proteólise e aumento no fluxo de proteína verdadeira para o abomaso. composição e umidade dos grãos.

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Sua produção pode ser destinada à alimentação humana ou animal.br 2 Engenheiro Agrônomo. Caixa Postal 567. MG. sendo espalhada pelo mundo por europeus colonizadores no século XVIII. entre outros. a disponibilidade de mão de obra. Nigéria. DSc. MSc. onde já era cultivada pelos índios. Dom Bosco. é planta originária da América do Sul. MG.com 4 Médico Veterinário. INTRODUÇÃO A mandioca (Manihot esculenta Crantz). MSc.ufmg. luciocg@vet..com 1 305 . apresenta-se como de subsistência. A produção africana não tem caráter comercial. DSc.CAPÍTULO 17 COPRODUTOS DA MANDIOCA NA ALIMENTAÇÃO DE GADO DE LEITE Fernanda Samarini Machado1. CEP 30123-970. Doutorando em Nutrição Animal. Juiz de Fora. Médica Veterinária. peletização ou fornecimento do material fresco. CEP 30123-970. wilsonvet2002@gmail. CEP 36038-330. Escola de Veterinária da UFMG. MG. DSc. ricas em amido. segundo maior produtor mundial. fernanda@cnpgl. com elevadas concentrações de proteína. Bolsista CNPq. Rua Eugênio do Nascimento.. Embrapa Gado de Leite. Brasil e Tailândia são os países que dominam a produção mundial. provavelmente da região Nordeste e central do Brasil.br 3 Médico Veterinário. bem como os subprodutos do processo de industrialização. Belo Horizonte. de feno. CEP 30123-970. Belo Horizonte. Belo Horizonte. destinando-se a produção. MG.. A mandioca apresenta a peculiaridade de poder ser manejada com duplo propósito. quanto a parte aérea. entre produção de silagem. bem como cuidados na escolha da variedade ou adoção de práticas de manejo que eliminem os riscos de intoxicação por ácido cianídrico. Sua inclusão na alimentação de vacas em lactação pressupõe a suplementação com nutrientes necessários ao balanceamento da dieta. Lúcio Carlos Gonçalves 2. Caixa Postal 567. A escolha da forma de utilização. depende de fatores. coexistem a produção de subsistência e a comercial. Foi descrita pela primeira vez em 1573 por Magalhães Gandavo. em Zootecnia. ou ainda a processos industriais para obtenção de amido. No Brasil. Marcelo Neves Ribas4 RESUMO A mandioca é uma espécie de origem latino-americana. os2ribas@hotmail. Wilson Gonçalves de Faria Jr. Associado Departamento de Zootecnia da Escola de Veterinária da UFMG. MSc. ao contrário. como as condições climáticas da região. Tanto as raízes. Escola de Veterinária da UFMG. também conhecida como aipim e macaxeira. Por apresentar tolerância a diversos tipos de clima e solo. 610. disseminada em diversas regiões do mundo devido à sua tolerância a condições marginais de cultivo. podem ser utilizadas na alimentação de vacas leiteiras. Prof. a mandioca é cultivada em várias regiões do mundo. permitindo a integração da produção agrícola com a atividade pecuária.3. o nível de tecnologia.embrapa. Caixa Postal 567.

Sudeste e Centro-Oeste apresentaram 22. com predomínio de sistemas familiares que utilizam baixa tecnologia. respectivamente. Grande parte da produção brasileira de mandioca (50. 74. quando ocorrem.89 milhões de hectares. sua utilização na alimentação de vacas leiteiras apresenta vantagens. historicamente baixos no Brasil (Lopes et al.majoritariamente. com uma produção estimada de 26.. respondendo esse país pela maior parte do que é exportado desse produto no mundo. 306 . Já a produção na Tailândia tem caráter comercial. entre outros (Camargo Filho e Alves.9% da produção nacional em 2008.FAO. a raiz in natura serve para a elaboração de pratos.5% do plantio são efetuados em áreas inferiores a 10 hectares. reduzindo gastos com alimentos concentrados. álcool.6% da produção nacional. destinam-se aos países da América do Sul e. podem ser utilizadas as folhagens e a raiz. e de proteína.95 milhões de toneladas de raízes. 2002). principal componente das raízes tuberosas. Os derivados de mandioca na indústria são: farinha.26t/ha. 2004). A participação do Brasil no mercado internacional é praticamente desprezível. Já as regiões Sul.IBGE. além de a parte aérea representar um suplemento proteico que pode ser utilizado durante todo o ano. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística . 2005).2%) é destinada à alimentação animal (Food and Agricultural Organization . ao mercado interno. em menor proporção. visando ao incremento dos níveis de produção dessa cultura.6 e 5. é fonte geradora de emprego e de renda para agricultores e consumidores de baixo poder aquisitivo. maior adoção de tecnologias disponibilizadas pela pesquisa faz-se necessária. apresentando um caráter produtivo mais industrial.9% da produção). tornando o sistema sustentável. As exportações brasileiras. A cultura da mandioca representa também um produto básico na alimentação humana (33. as exportações da África do Sul vêm assumindo posição de destaque (Alves e Vedovoto. a área de mandioca plantada no Brasil em janeiro de 2009 foi de 1. doces ou salgados.1.8 e 37. Segundo dados do IBGE. já que a raiz substitui alimentos energéticos de alto custo utilizados tradicionalmente na dieta de monogástricos. 2007). A mandioca apresenta a peculiaridade de poder ser manejada com duplo propósito de produção de amido. A produção de mandioca é predominantemente realizada por agricultores familiares e camponeses. Para consumo humano. a integração entre as atividades pecuárias e a produção agrícola na propriedade garante redução dos custos do produtor. Sendo assim. Recentemente. presente em elevadas concentrações nas folhas. aos Estados Unidos. No entanto. Para alimentação animal. O Nordeste e o Norte foram responsáveis por 25. obtendo-se um rendimento de 14. 8. Desta forma. amido. sobretudo nas regiões mais pobres do país (Tafur. 2003).

ou ainda conservada por procedimentos de fenação. fornecidas in natura (picadas). Dentre outros fatores. arbustivas ou subarbustivas na maturidade. observam-se na planta madura aproximadamente 50% de raízes tuberosas. A despeito das variações inerentes à variedade utilizada e às influências das condições de solo e ambiente no crescimento da cultura. e altitudes até 800 metros.500mm anuais. 2.000 e 1. entre fornecimento ao natural. Entretanto. 2005). variando de 10 a 35 toneladas por hectare de raízes e 8 a 30 toneladas por hectare de parte aérea (Carvalho. desidratadas (raspas). FORMAS DE UTILIZAÇÃO DA MANDIOCA NA ALIMENTAÇÃO ANIMAL Podem constituir componentes da dieta dos ruminantes não somente as raízes tuberosas. ensilado ou na forma desidratada. será determinado pelas condições climáticas do ecossistema (Lopes et al. sendo a Manihot esculenta Crantz a espécie de maior interesse agronômico. a produtividade da mandioca depende das condições climáticas. A mandioca pode ser cultivada com ótima produtividade numa faixa que vai de 30º na latitude norte a 30º na latitude sul. de modo geral.5.1. em que processos de desidratação natural seriam a forma mais econômica de processamento. Para fins práticos. 2002). o modo de utilização da mandioca. 307 . Apresenta baixa exigência em fertilidade e desenvolve-se melhor em solos com textura franco-arenosa a argilo-arenosa. Porém. As plantas são herbáceas quando novas. A forma de utilização mais econômica a ser adotada dependerá da disponibilidade de mão de obra. e a opção mais adequada para eficiente conservação seria o processo de ensilagem. onde ocorre condição climática favorável para desenvolver-se. com altura variando de 1 a 5 metros (Carvalho. da fertilidade do solo e do cultivar plantado.0% de folhas (Gil e Buitrago.. utilizada sob a forma de material verde picado. A temperatura ideal está entre 25 e 29ºC.0% de hastes e pecíolos e 10. A planta integral da mandioca também é utilizada in natura ou ensilada. Existem regiões onde a produção de fenos da parte aérea e de raspa seca de mandioca torna-se antieconômica. Assim. sendo cultivada em regiões semiáridas com 500 a 700mm de chuvas por ano. 1983). na obtenção de produtos para alimentação humana ou destinados para fins industriais. infraestrutura e condições climáticas da região. CARACTERÍSTICAS DA CULTURA A mandioca pertence à família das Euphorbiaceae. com pH de 6. que permitirão maior ou menor facilidade para efetuar a secagem. 40. existem aquelas regiões mais áridas. a planta da mandioca pode ser dividida em parte aérea (hastes. peletização ou ensilagem. entre as 1. Os resíduos originados do processamento das raízes. 1983).200 espécies existentes. mas também sua parte aérea. apresenta resistência à seca. peletizadas ou ensiladas. exigindo precipitações entre 1. pecíolos e folhas) e parte subterrânea (raízes tuberosas). e lenhosas. também podem ser utilizados na alimentação de ruminantes.

e variedades menos tóxicas. Desta forma. LIMITAÇÕES DA MANDIOCA NA ALIMENTAÇÃO ANIMAL 3. glicosídeo cianogênico mais abundante. determina-se a diferença entre as variedades de maior toxicidade. conhecidas como bravas. pouco tóxicas: de 50 a 80mg/kg de raízes frescas. Com base nos níveis de glicosídeos cianogênicos e/ou de ácido cianídrico presentes na raiz. A formação do HCN a partir da linamarina. como os aminoácidos sulfurados e a vitamina B12. O consumo de alimentos que contêm grande quantidade de glicosídeos cianogênicos não só tem resultado em morte ou efeitos neurológicos crônicos. O HCN é formado a partir do cianeto. a microflora presente no trato digestivo do animal também pode produzir betaglicosidase. Caso ocorra ingestão do material antes da liberação do HCN na planta. capaz de hidrolisar o glicosídeo cianogênico. na região cortical de raízes jovens e distribuídos para todas as partes da planta. mas também tem sido associado à ocorrência de bócio tireoidiano (Teles. Campos Neto e Bem (1995) recomendaram a seguinte classificação de acordo com o teor de HCN nas raízes dos diferentes cultivares: • • • • não tóxicas: menos de 50mg/kg de raízes frescas. atribuído à presença nele do tiocianato (Wanapat. em menor proporção. sendo necessário 1. 1988). 1988). 2001). glicosídeos cianogênicos da mandioca. o HCN é detoxificado por uma enzima denominada rodanase. Na planta intacta. a linamarase está compartimentalizada na parede celular.2g de enxofre para destoxificar 1.1. muito tóxicas: mais de 100mg/kg de raízes frescas. e a linamarina nos vacúolos celulares. deve-se fazer a trituração do material para que ocorram as reações químicas necessárias. mansas. chamado tiocianato. formando um composto não tóxico.3. ocorre pela ação da enzima linamarase. que é excretado do organismo via urina. tóxicas: de 80 a 100mg/kg de raízes frescas. embora fatores agravantes. Alguns trabalhos consideram um efeito benéfico de aumento da vida de prateleira do leite. Ao ser formado e absorvido. Glicosídeos cianogênicos são compostos orgânicos sintetizados principalmente nas folhas e. pudessem ser corresponsáveis (Sanda e Methu. um radical constituinte das moléculas da linamarina e lotaustralina. Essa conversão metabólica do HCN até tiocianato depende da presença de fatores nutricionais. 308 . como ativação da betaglicosidase intracelular. Fatores antinutricionais A principal limitação no uso da mandioca como alimento para ruminantes refere-se ao problema da toxicidade do ácido cianídrico (HCN). para a liberação e volatilização do HCN. Existem evidências de que os ruminantes possam usar substâncias doadoras de enxofre e até mesmo o enxofre elementar (S) para destoxificar o HCN de origem dietética.0g de HCN (Sanda e Methu. como deficiência dietética de nitrogênio. 1987). Eventuais baixas performances de ruminantes alimentados com produtos à base de mandioca têm sido atribuídas à toxicidade crônica por HCN.

a trituração provoca ruptura de tecidos. 1990). a deterioração das raízes faz com que os animais diminuam seu consumo. 4. na periferia. 3. Transcorridos três dias após a colheita. que se manifesta com perda de qualidade e quantidade. em função do armazenamento de fécula (amido da raiz) na polpa ou parênquima. localiza-se o córtex (ou casca).2.0% de umidade. de aminoácidos. o ácido cianídrico é volatilizado. a toxicidade por HCN não deveria constituir limitação para o uso de produtos e subprodutos de mandioca em dietas de ruminantes. Dessa forma. 1987). vasos com látex e câmbio (Kato e Souza. 1990).Para a eliminação total ou parcial do conteúdo de HCN da mandioca. distribuídos em forma de estrias.1. encontram-se vasos xilogêneos e fibra. 1988). A RAIZ DA MANDIOCA 4. como a desidratação artificial ou por radiação solar. De acordo com Carvalho (1987). maior liberação de ácido cianídrico por volatilização.0 a 38. fibra bruta e minerais. combinadas com fornecimento de adequados níveis dietéticos de enxofre. baixas concentrações de proteína (em torno de 2. consequentemente.5% na MS). Observa-se uma localização diferencial dos compostos nitrogenados. e. haja vista que simples técnicas de processamento.0 a 15. Deterioração das raízes pós-colheita Outra limitação relacionada ao uso da mandioca na alimentação de vacas leiteiras refere-se às dificuldades relativas à conservação pós-colheita de suas raízes. enquanto a polpa equivale a aproximadamente 80 a 85% (Buitrago. 309 . facilitando um maior contato entre enzima (linamarase) e substrato (linamarina) e. No centro da raiz. Aspectos nutricionais A raiz da mandioca é um alimento essencialmente energético. extrato etéreo. sendo resultado de danos mecânicos. em face do rápido processo de deterioração. efetivamente protegem os ruminantes da toxicidade por HCN (Sanda e Methu.0% de matéria seca (MS). podendo o produto ser consumido sem riscos ao metabolismo animal. à ocorrência de distúrbios digestivos (Buitrago. de extrato etéreo e de minerais e vitaminas. ao atingir um nível de 10. A polpa é constituída por vasos do xilema. que se encontram em maior concentração na casca do que na polpa. 60 a 80% de amido na MS. nas quais se encontram as células preenchidas com amido. As raízes da mandioca apresentam aproximadamente 34. podem ser utilizados diversos procedimentos. fisiológicos e patológicos (Kato e Souza. a cocção em água ou a ensilagem. fibras esclerenquimatosas. A casca ou córtex representa 15.0 a 20.0% do peso total da raiz de mandioca. 1987). ainda. estando sujeitos. Quando o material é submetido à desidratação. constituído por capas sobrepostas de tecidos.

0% de amilose e 76. e disposto em dupla hélice. Deve ser lembrado que os valores das concentrações dos minerais podem apresentar resultados alterados devido à contaminação com solo durante o processo de colheita e processamento. Esse processo.0%. Contudo.0% correspondem ao amido e 20. O nível de fósforo é mais constante entre as diferentes partes da raiz. (1990). que apresenta 24. o conteúdo de microelementos na raiz da mandioca é mínimo. apresentando.0% de amilopectina.A proteína na raiz da mandioca. Particularidades do amido da mandioca Quimicamente. enquanto a concentração de cálcio é maior na parte aérea. e sua concentração é maior na casca que na polpa. insolubilidade em água fria. Sua composição consiste de cadeias lineares de glicose ligadas por ligações glicosídicas α-(1 → 4). e aminoácidos livres (Lopes et al. o amido da mandioca apresenta 17. assim. A celulose e as hemiceluloses não ultrapassam 7. em média a cada 20 ou 25 resíduos de glicose.0 a 60. o aquecimento na presença de água promove solubilização parcial e perda da cristalinidade dos grânulos de amido. e da batata. 4..0% são referentes aos açúcares. As moléculas de amilose e amilopectina do amido são mantidas juntas pela formação de pontes de hidrogênio entre os grupamentos hidroxila das unidades de glicose. a amilose e a amilopectina. Da proteína total. glicose e maltose. incluindo nitratos. com 20. Os conteúdos de cálcio apresentam maior variação. denominado gelatinização.0% (Hervas Moreno. Em geral. A amilopectina é um polímero maior do que a amilose e com estrutura bastante ramificada. Na fração carboidratos. que se encontram empacotados nas plantas em forma de grânulos.0% de amilose e cerca de 83. Normalmente a concentração de fósforo é maior na raiz.9% eram formados por ácidos graxos. observa-se que a concentração de aminoácidos sulfurados é mais baixa na raiz de mandioca. teores estes diferentes do milho. nitritos e glicosídeos cianogênicos.0% de amilose e 80% de amilopectina (Ciacco e Cruz. dos quais apenas 47. unidas por ligações α-(1 → 4). ocorre devido à quebra das 310 .14% da MS. apresentando ramificações por ligações α-(1→6). No comparativo entre raiz de mandioca desidratada e milho. ao avaliarem a composição nutricional da raiz de mandioca desidratada. determinaram uma concentração de extrato etéreo de 1. não ultrapassa os 3. 1982). Em valores médios. frutose.2. quando expressa na base de matéria seca. o amido é formado por dois polímeros de glicose. 1982). A amilose é um polímero longo e relativamente linear de moléculas de D-glicose. cerca de 40. cerca de 80. Madsen et al.0% de amilopectina. porém variações muito grandes são encontradas entre diferentes variedades. entre os quais sacarose (69% dos açúcares totais). 2005).0% são representados por nitrogênio não proteico.

Devido às características fermentativas do amido da mandioca. 10%/h para MS. e 62. as raízes deverão ser previamente lavadas. 1999.7%/h para o amido. maior proporção de amilose na molécula de amido proporcionaria melhor atividade hidrolítica. 1991. 1999) e rápida (6. picadas e fornecidas imediatamente aos animais. compostas por amilopectina. aparentemente. ocorre o início da rápida mobilização de todo o grânulo de amido pelas enzimas amilolíticas.0 a 15. Manejo e formas de utilização Qualquer que seja a forma de utilização. segundo Martins et al. Fontes de nitrogênio não proteico. permitindo a entrada de água e consequente dilatação (10. as raízes devem ser trituradas ou picadas para o fornecimento direto na forma fresca ou para conservação sob forma desidratada ou silagem. consequentemente..0% de aumento no diâmetro) dos grânulos. como ureia.. ou alimentos com elevada concentração de proteína rapidamente degradável no rúmen têm um grande potencial para inclusão em dietas baseadas no uso de raízes de mandioca. diminuindo a quantidade de ponte de hidrogênio na molécula de amido e aumentando a capacidade de expansão do amido da mandioca em meio aquoso (Rangel et al. lavadas. 2008).1. devido a uma menor proporção de amilose e lipídios nos grânulos de amido. 4. com elevada (91%.3. devido à inexistência de pericarpo.3. formadas por amilose. Deve- 311 . Segundo Chesson e Forsberg (1997).. a fim de se eliminar resíduos e partículas aderidas de solo. devido à maior formação de pontes de hidrogênio. que poderiam comprometer a qualidade nutricional da raiz fresca e as condições para sua conservação. onde.. e com outras relativamente não organizadas ou amorfas.7%. endosperma córneo e periférico. a penetração de água e das enzimas é mais rápida nas regiões amorfas dos grânulos. segundo Zeoula et al. Os grânulos de amido de raízes e tubérculos apresentam maior capacidade de expansão na água que o amido dos cereais. possivelmente. provavelmente. matriz proteica e. Os grânulos de amido são pseudocristais com áreas organizadas ou semicristalinas. o que ocorre na realidade é uma diminuição na hidrólise do amido e. segundo Zinn e DePeters.pontes de hidrogênio. na digestibilidade de fontes de amido com maior teor de amilose. deve-se estar atento para a sincronização das taxas de degradação ruminal das frações constituídas pelos carboidratos e pelas proteínas dos alimentos integrantes da dieta. O amido da mandioca apresenta maior degradabilidade efetiva em relação ao do milho e do sorgo. 4. Desta forma. Raiz fresca As variedades de mandioca “mansa” (teor de HCN inferior a 50mg/Kg de polpa fresca) podem ser colhidas.1999) degradação ruminal. Após retirar o barro aderido. Contudo. segundo Zeoula et al.

0% de umidade. dois a três dias após a colheita. a 23ºC e a 70% de umidade relativa do ar.se estar atento porque a raiz não se conserva bem sob a forma fresca. O uso de raízes frescas de mandioca pressupõe. 1987). Para obter uma secagem mais uniforme.0 a 70. As limitações nutricionais mais relevantes quando do uso de raízes frescas de mandioca na alimentação animal são a elevada umidade (60. utilizando-se rastelos próprios (Vilela e Ferreira. O tempo necessário para secagem depende das condições climáticas e do processo de reviramento do material. 312 . posicionadas inclinadas e comportando 10 a 16Kg de raspas/m2. 1983). Podem-se utilizar bandejas de madeira com tela de arame.5 a 2. Adicionalmente. a secagem da raiz facilita o armazenamento e a mistura com outros ingredientes da dieta. 1984). As variedades de mandioca “brava” (teor de HCN acima de 50mg/Kg de polpa) não devem ser fornecidas em estado fresco. deixa marca como se fosse um giz escolar (Carvalho.3.0%) e o nível apenas mediano de energia metabolizável (1. é atingido quando um pedaço de raspa. A desidratação da raiz permite a conservação e concentração de suas características nutricionais. ou seja.0%). a baixa concentração de proteína (0. ou de seis a oito vezes ao dia. Desta forma. as raspas devem ser uniformemente espalhadas em camadas de 8-10Kg/m2 e submetidas à exposição ao sol. 1983). Raiz desidratada ao sol (raspa ou farelo de raspa) As raízes de mandioca recém-colhidas possuem alto teor de umidade.20 a 1. devendo ser previamente submetidas a processo de desidratação ou ensilagem (Carvalho. para acelerar o processo de desidratação. sendo um produto perecível. Chedly e Lee (1999) sugeriram que as raízes frescas de mandioca podem ser incluídas em dieta de vacas leiteiras à razão de 5 a 15Kg por dia. pois o amido sofre rapidamente uma hidrólise. Calculase que. Além de evitar a deterioração pós-colheita. trituradas em picadeiras convencionais de forragens ou cortadas em pedaços de 5cm de comprimento por 1cm de largura com uso de equipamentos apropriados para obtenção de um produto de melhor qualidade (Côrrea e Kato. seguida de fermentação. 1987). ao ser riscado no piso cimentado. evitando problemas de intoxicação. Em terreiros de cimento ou sobre lona plástica. vitaminas e minerais. o material seque em um a dois dias (Carvalho.40 Mcal/Kg) (Gil e Buitrago. 1997). lavadas.2. As raspas de mandioca são produzidas a partir das raízes recém-colhidas. o que provoca um forte odor alcoólico (Carvalho. 4. as raízes tornam-se inadequadas para o consumo. nesse processo ocorre eliminação da maior parte de HCN presente na raiz fresca. para um correto balanceamento da dieta. a suplementação para cobrir as deficiências de proteína. 2002). O término do processo de secagem. as raspas devem ser reviradas a intervalos de 2 horas. quando o material apresentar 14.

0% de substituição do farelo de soja por raspa de mandioca corrigida com ureia em dietas baseadas em palma forrageira (44. em condições de umidade do substrato acima de 18. na produção e nos teores de gordura . oferecem perigo à saúde dos animais. pois influenciou negativamente o consumo e o desempenho animal. 33. Ramalho (2005) avaliou níveis de 0. proteína e lactose e no teor de nitrogênio ureico no leite. torna-se recomendável o tratamento do farelo de raspa com produtos à base de ácido propiônico ou outros compostos fúngicos (Buitrago. A eficiência alimentar (expressa em Kg de leite corrigido para 3. estudando melaço desidratado e raspa de mandioca como substitutos parciais do milho em rações fornecidas para vacas em lactação.0 a 13. Ribeiro et al. Em outro estudo.0%.0%) para vacas Holandês x Zebu no terço inicial de lactação. sem. Outra opção para utilização das raspas de mandioca é a sua adição ao capim-elefante na confecção de silagem. 75 e 100% de substituição do fubá de milho pela raspa de mandioca corrigida com ureia em dietas baseadas em palma forrageira (26%) e silagem de sorgo (26%). 1990). O rendimento das raspas secas em relação às frescas varia. concluíram que é possível incluir até 50. favorecendo. 25. de 30. Nunes (1998) recomendou que o farelo de raspa de mandioca pode ser incluído em até 50% dos concentrados para bovinos de leite. contudo. para vacas Holandesas nos dois meses inicias de lactação. para aumentar o teor de matéria seca. Já Scoton et al. Para melhor uso. que.Verifica-se que a obtenção de raspa de mandioca constitui tecnologia acessível em sistemas de produção menos tecnificados. Penicilium.0 e 100. Nesse caso. no escore corporal das vacas. Rhizopus e Fusarium e. A raspa de mandioca pode ser ensacada ou armazenada a granel em ambiente seco e arejado. Ramalho (2005) avaliou níveis de 0. (1976). em concentrações superiores a 20μg de aflatoxinas/Kg de farelo de mandioca.0.0% (Vilela e Ferreira. Entretanto. A raspa e a ureia foram incluídas nas dietas experimentais nos níveis de 0. desta 313 . há favorecimento para crescimento de fungos dos gêneros Aspergillus.0% e temperatura ambiental acima de 25ºC. a raspa pode ser transformada em farelo por moagem e posteriormente utilizada na composição de rações.0 a 40.5% e 0. produção de micotoxinas.0. afetar a digestibilidade dos nutrientes. fundamentados em base familiar.0%) e silagem de sorgo (38. normalmente. não observaram diferenças na produção de leite. consequentemente. respectivamente.5% de gordura em relação à ingestão de matéria seca) foi reduzida com a elevação dos níveis de raspa de mandioca. a raiz desidratada conserva seu valor nutritivo por mais ou menos um ano. avaliando a substituição do milho moído fino por polpa cítrica e raspa de mandioca (50:50) para vacas Holandesas no terço final de lactação. 1987). 67. O autor concluiu que a mistura raspa de mandioca + ureia não substituiu o farelo de soja contido nas dietas de vacas mestiças em lactação. (2003). 50.0 a 3. Em condições adequadas.0% de raspa de mandioca.

devem ser picadas em pedaços de. 15. por exigir maior investimento. Raiz ensilada Uma alternativa para prolongar a conservação da raiz destinada ao arraçoamento animal por período de tempo maior (até dois anos) é a sua ensilagem como forma de conservação de seus componentes nutricionais. O segredo da ensilagem está. às raízes de mandioca. Neste processo. (2007) observaram que a inclusão de 7. A inclusão da ureia. e a retirada diária deve ser feita de maneira rápida para evitar exposição excessiva ao ar do material que permanece no silo (Carvalho. (2007) concluíram que a inclusão da raspa de mandioca promove melhoria do perfil fermentativo de silagens de capim-elefante. A abertura do silo só deve ser realizada após 30 dias de fermentação.3. compactar e fechar o silo (Carvalho. sendo ainda dependente do tempo de armazenamento no silo.0%. Deve-se fazer canaleta para evitar entrada de águas pluviais. ou com auxílio de trator. com menor volume. a fermentação lática.0. ocorre a redução das concentrações de HCN com o tempo de ensilagem. Além disso. 1987).4.0% de raspa de mandioca ao capim-elefante reduz linearmente as perdas de efluentes e aumenta a recuperação de matéria seca. Além disso. picar. aumentando o custo do produto. inicialmente as raízes sadias e recém-colhidas devem ser lavadas e selecionadas. Já Dórea et al. 1997). 4.forma.. a adição de ureia na ensilagem da raiz de mandioca aumenta sua degradabilidade efetiva (Figueiredo et al. aumenta o teor de proteína bruta e a estabilidade aeróbica do material ensilado após a abertura do silo. o valor nutricional da silagem. é importante dar-lhe no topo uma forma abaulada e cobri-lo com uma lona plástica. 2cm e colocadas no silo. No fechamento do silo. por meio do caminhar de homens ou de animais. o que facilita o transporte e o armazenamento. sobrepondo camadas de terra de 15cm. A compactação deve ser feita a cada camada de 20 a 40cm. 2006). característica importante quando se trabalha com variedades de mandioca “amarga” (Carvalho. na rapidez das operações de colher. 314 . Dantas et al. melhorando.3.3.0 e 15. Raiz peletizada A peletização da raiz de mandioca tem como objetivo a obtenção de um produto mais uniforme. 4.0% de inclusão sendo suficientes para alcançar tais melhorias. é um processo dificilmente realizado na fazenda. eliminando-se aquelas com coloração escura. lavar. no nível de 3. Para a obtenção de uma boa silagem. Apresenta como limitações ao seu uso a baixa concentração de energia. pouca palatabilidade e dificuldade para mistura com outros ingredientes dietéticos (Gil e Buitrago. a peletização aumenta a qualidade e a durabilidade do produto. assim.0 e 30. bem como a redução da pulverulência. com níveis entre 7. Em seguida. A silagem de raízes de mandioca apresenta umidade mais variável em relação ao observado nas raízes frescas. sobretudo. 2002). no máximo. Entretanto. 1983).

Além disso. 1990).44% de fibra em detergente ácido (FDA).0% (Carvalho et al. Farelo de algodão foi incluído em níveis crescentes para corrigir a deficiência proteica da raiz da mandioca.0 tonelada de péletes. 0. 1983). é necessária a viabilidade do seu uso em indústrias alimentícia.3Kg/dia. especialmente cálcio e ferro. seu aproveitamento como fonte de proteína de baixo custo para produção animal tem sido reduzido. bem como na produção de leite corrigida para 4.5% de amido.26% de cálcio e 0.71% de extrato etéreo.1% de cinzas. PARTE AÉREA DA MANDIOCA 5. Isso foi atribuído. C e do complexo B. 2006).08% de fósforo. 315 . 70.1% de fibra bruta e 2. 7. Os péletes avaliados eram produto comercial específico e apresentaram 89. Não houve diferença (p>0.Desta forma. Aspectos nutricionais A parte aérea da mandioca é constituída pelas hastes e folhas (pecíolo e limbo) em proporções variáveis.0% (Buitrago. à falta de conhecimento dos produtores e técnicos acerca dos critérios para sua utilização (Carvalho.0% de proteína bruta.44% de nitrogênio. e as hastes e talos 11. 2002). DePeters e Zinn (1992) avaliaram três níveis de inclusão (0.0%) de péletes de raiz de mandioca em substituição ao grão de milho triturado na dieta de vacas Holandesas com 14 semanas de lactação. 2002). Aproximadamente 2. Contém três vezes mais ácidos graxos e o dobro de fibras que as raízes (Valencia.1.37% de amido. 6 e 12. em média. a produção de raiz de mandioca peletizada é realizada em indústrias. Devido ao fato de grande quantidade de folhagem de mandioca encontrar-se desprezada no solo após a colheita da raiz. assim como na alimentação humana e animal como fonte de alternativa proteica (Ferri. sendo que as folhas apresentam 28.1% de proteína bruta. com base na matéria seca (Thampan. de 27.5% de umidade. sendo considerada um resíduo gerado na colheita das raízes. Péletes de raiz de mandioca apresentam aproximadamente 12. especialmente vitaminas A. Apesar de apresentar excelente qualidade nutricional e aceitabilidade pelos animais. 1979). a parte aérea da mandioca é rica em vitaminas.05) nos parâmetros de composição. farmacêutica.0 a 32.. 0. que frequentemente adicionam óleos vegetais para aumentar a durabilidade dos péletes e reduzir a pulvurulência. dentre outras.0 toneladas de raízes frescas são necessárias para produzir 1. Além disso.0% de gordura. É um produto que possui teor de proteína superior à maioria das forrageiras tropicais. Os autores concluíram que os péletes de raiz de mandioca substituíram com sucesso o grão de milho triturado. sob taxa de conversão de 33. 5. 8. principalmente. e o conteúdo de minerais é relativamente alto. 10. 2. os teores de nitrogênio ureico no plasma e no leite não diferiram entre tratamentos.0 a 40.5 a 3.13% de matéria seca. 0. 82.38% de fibra em detergente neutro (FDN).

5. em intervalos de dois a três meses. 41. 2005). 1990). Os valores bromatológicos encontrados por Modesto et al. época de colheita. Montilla (1976) reportou uma produção de 34 toneladas de matéria seca ao ano. com base na matéria seca. fibra em detergente ácido (FDA) e lignina foram de 25. fertilidade do solo e condições climáticas.0 a 50.0% na matéria seca).0 a 5. 316 . e a cultura torna-se semiperene. 51.0% de fibra bruta (FB). Sob condições de adequada fertilização e irrigação. Manejo e formas de utilização Quando o cultivo da mandioca destina-se exclusivamente à produção da parte aérea. A PB da parte aérea da mandioca é de boa qualidade.5%. Segundo Buitrago (1990).0 a 22. 1975). como metionina (1.. 15.20%. a colheita pode ser realizada a partir de três meses. (2004) para matéria seca (MS).0% de proteína bruta (PB).23% nos 2/3 inferiores. menor contagem de ovos de nematódeos gastrointestinais. com quantidades relevantes de ácidos graxos essenciais. os demais se apresentam em concentrações semelhantes ou superiores às verificadas em leguminosas (Buitrago.0 a 6. cujas concentrações encontram-se abaixo dos requerimentos nutricionais dos ruminantes (Lopes et al. A parte aérea da mandioca apresenta como principal componente energético o amido. proteína bruta (PB). As folhas da mandioca também apresentam taninos (3. 19. A. uma folhagem de mandioca de boa qualidade deve apresentar. exceto arginina e leucina.0 a 20.0% e 12.A composição bromatológica da parte aérea da mandioca varia de acordo com a proporção entre hastes e folhas.0% da MS).0 a 7. Esta forma de manejo permite a obtenção de 4t/ha/ano de PB. efeito esse atribuído à presença de taninos atuando como agentes anti-helmínticos (Netpana et al. com concentração na MS de 4. Quando a máxima produção de proteína é objetivo principal.0% de extrativo não nitrogenado (ENN). Alguns trabalhos têm sugerido que vacas e búfalos alimentados com dietas à base de forragem da parte aérea da mandioca apresentaram.0% de extrato etéreo (EE).. a cerca de 50-70cm acima do solo.4%.71% no terço superior (rama) e 12. 8.0% de cinzas e 40. 2001). manejo adotado. As folhas apresentam nível relativamente alto de EE (5. os quais reduzem a digestibilidade de aminoácidos. as raízes exercem função de reservas de nutrientes para a rebrota da parte aérea.73 a 9.0 a 12. Com relação aos outros aminoácidos essenciais. 1990)..2g/100g de PB). em especial a metionina (Nelson et al.2. variedade utilizada. produzindo por dois a três anos. xantofilas e pigmentos (Buitrago. mas com baixa concentração de aminoácidos sulfurados. com alto teor de lisina (7. 1984). respectivamente. para plantas colhidas 12 meses após o plantio (Carvalho. 4. correspondendo a 6 toneladas de proteína por hectare. 18.7g/100g de PB). fibra em detergente neutro (FDN). comparativamente.16 a 19. .0%.

5. em se tratando de mandioca-brava. a mistura do capim-elefante com 25. Dessa forma. da mesma forma. após a picagem do material. Segundo Buitrago (1990). as categorias de bovinos que melhor respondem a um programa de alimentação à base de forragem de parte aérea da mandioca fornecida fresca são aquelas com maiores requerimentos nutricionais. Rodrigues e Campos (2000) recomendaram usar a fração da parte aérea constituída pelas folhas. evitando-se as partes lenhosas da planta. 1983). 5. 50. necessários para a rápida redução do pH e conservação do material. Modesto et al. representa o terço superior da planta. a produção de silagem e o preparo de feno.0 a 22.0% de parte aérea da mandioca melhora sensivelmente o valor nutricional do material e os parâmetros de qualidade da silagem (Carvalho.2. por um período mínimo de 24 horas. já que as hastes apresentam 18. o silo deverá ser aberto somente após 30 dias de fermentação. (2003c) avaliaram a composição bromatológica da silagem do terço superior da parte aérea da mandioca e encontraram 19.0% de carboidratos solúveis. em termos práticos. Os demais passos do processo de ensilagem são semelhantes aos recomendados para a raiz e.1.75% de FDN. Parte aérea ensilada A ensilagem é um processo de armazenamento menos dependente das condições climáticas.2. Para variedades “mansas”. envolvendo o fornecimento ao natural. 317 . recomenda-se fazer uma murcha. o que. e a introdução na dieta deve ser gradativa.0% de outros volumosos (Carvalho. como vacas de alta produção.46% de PB. Carvalho (1983) recomendou o aproveitamento de toda a parte aérea para produção de silagem. Entretanto. a parte aérea deve ser picada em partículas de 1 a 2cm. A forragem assim obtida deve ser misturada com 50. Para efetivação desta prática. colocada no silo e compactada a cada camada de 20cm.Existem três formas práticas de realizar o manejo da parte aérea da mandioca como matéria-prima para alimentação de vacas leiteiras. basta picar e distribuir imediatamente nos cochos de alimentação. pecíolos e hastes mais tenras. A parte aérea da mandioca apresenta qualidade nutricional superior à maioria das gramíneas empregadas na ensilagem.2. que visa à conservação dos nutrientes da forragem e que evita a perda excessiva das folhas. Parte aérea fresca A utilização direta da parte aérea fresca constitui a maneira mais simples e econômica de se fornecer mandioca aos animais. No entanto. já que os custos diminuem consideravelmente. 1983). Carvalho (1984) sugere a utilização os dois terços superiores da parte aérea.

maior concentração de proteína.94% e 25. Os autores sugeriram que se podem utilizar até 60. o que permite maior concentração de folhas e. Nessas condições. Alternativamente. b) avaliaram o consumo. B2 e C foram de 25. A ocorrência de chuva ou alta umidade relativa do ar e a perda de folhas. 31. B2 (degradação intermediária). 26. a digestibilidade aparente. deve-se revirar a forragem picada em intervalos de duas horas e. de 2. 4..48%. respectivamente.0.25% de EE e 7.2. Após completar a secagem (12% de umidade). esse processo facilita a incorporação do produto final em rações balanceadas (Buitrago. Segundo Wanapat (2001). no segundo dia. 10. 1990).21%.3. Quanto ao fracionamento dos carboidratos.0% de volumoso e 50. a produção e a composição do leite para dietas à base de 50.0. De acordo com Carvalho (1983). Dessa forma. consequentemente.40. deve ser dada atenção ao processo de preparo do feno para evitar esses problemas. a conservação e a mistura com outros ingredientes da ração (Lopes et al.37%. Modesto et al. conserva seu valor nutritivo por cerca de um ano.03%. Utilizando vacas Holandesas com 100 ± 20 dias em lactação. No fracionamento das proteínas. 2005).0% de gordura foram. O material deve ser picado em partículas de 2cm e espalhado (15Kg/m2) sobre terreiro cimentado ou lâmina de polietileno (lona plástica).43% de lignina.0%) da silagem de milho por silagem da parte aérea da mandioca. As médias observadas para consumo de MS e produção de leite corrigida para 4.0% de concentrado. a parte aérea da mandioca deve ser cortada a 40cm do solo. o que corresponde a 20% de inclusão de silagem da parte aérea da mandioca na dieta total.01%. duas vezes. podem prejudicar a qualidade do feno produzido (Carvalho. respectivamente. a secagem ao sol eliminou acima de 90% do HCN presente na parte aérea fresca da mandioca e aumentou a palatabilidade e o tempo de armazenagem. o feno da parte aérea da mandioca pode ser triturado e transformado em farelo.0 e 60. No primeiro dia. com níveis crescentes de substituição (0. para a produção de feno. que facilmente desprendem-se quando secas.86% de FDA. o material pode ser ensacado e armazenado em local seco e arejado. B3 (lenta degradação) e C (indigestível) foram de 37.42% de cinzas.95% e 43. 1997). Parte aérea desidratada ao sol (Feno) O procedimento de desidratação da parte aérea da mandioca visa à redução na umidade e à diminuição nas concentrações de HCN para níveis não tóxicos. 40.05) nos parâmetros avaliados. as frações A+B1. 318 . já que não foram observadas diferenças (p>0. as frações A+B1 (solúvel e de rápida degradação ruminal). Além disso. 20. 5. (2003a. o que facilita o manuseio.0% de substituição. respectivamente.54Kg/vaca/dia.63% PV e 24. 12.

FDA e lignina (24. sendo necessária a trituração do material em picadeira. (1997). como vacas em lactação (Gil e Buitrago. deve-se realizar um prévio emurchecimento da parte aérea e garantir um mistura mais homogênea possível entre a parte aérea e a raiz. a mistura dessas frações para a produção de péletes resulta em um alimento com excelente valor nutricional. na estação seca do ano. e a segunda apresenta alto teor proteico. Outra opção de uso para o feno da parte aérea da mandioca é a sua adição à silagem de capim-elefante. o farelo da parte aérea da mandioca pode compor até 35% do concentrado para vacas leiteiras. podendo ser utilizado na preparação de suplementos proteicos para categorias de maior requerimento nutricional. apresenta grande potencial para uso em pequenas propriedades. com base na matéria natural. Para a obtenção de uma silagem de elevada qualidade. o que promove melhorias na produção e composição do leite. segundo a FAO (2003). visando à alimentação de vacas leiteiras. porque combina fonte energética (a raiz) com a fonte proteica (a parte aérea). Esse processo é realizado com êxito na Tailândia. 65.Segundo Buitrago (1990). Wanapat (2002) sugeriu a suplementação com 1 a 2Kg/dia de feno de parte aérea de mandioca para vacas em lactação.30% de P.0% de NDT. mas no Brasil ainda é pouco difundido 319 . 46. 6.0% e 9. respectivamente).0%.8%. 18. que. por um período de 24 horas. O fornecimento da planta integral fresca é o modo mais simples de preparo.0%. Segundo a FAO (2003). 27. já que a primeira é rica em energia.4%. 2002).0%.70Mcal/Kg de energia digestível (ruminantes).20% de Ca e 0. além de aumentar a vida de prateleira desse produto. porém pobre em proteína. A parte aérea e a raiz da mandioca apresentam características nutricionais que se complementam. 2. seguida por um pré-murchamento. respectivamente) em relação ao feno de alfafa (17. Segundo Amaral et al. 34. devido à maior concentração de tiocianato (19. PLANTA INTEGRAL (RAÍZES E PARTE AÉREA) O aproveitamento integral da mandioca com uso simultâneo de raízes e da parte aérea.5%. O feno da parte aérea da mandioca apresenta maior concentração de nutrientes em relação à forragem fresca.0% de MS. 20.9%. De acordo com Wanapat et al.0% e 3. o farelo de parte aérea da mandioca com alta proporção de folhas deve apresentar 90. a inclusão de 9.5ppm). Dessa forma. (2007). 35. Outra forma de utilização é a conservação da planta sob forma de silagem. o feno da parte aérea da mandioca apresenta maior teor de PB e menores concentrações de FDN. é uma alternativa em potencial que pode oferecer redução de custos na produção animal. 1. de feno da parte aérea da mandioca proporciona aumento no teor de MS e redução das perdas por efluentes.0% de PB.5% de FB.

a casca de mandioca e o bagaço de mandioca.1. da mandioca é composta pelo material fibroso da raiz. RESÍDUOS DO PROCESSAMENTO INDUSTRIAL DA MANDIOCA O processamento industrial da mandioca está relacionado à fabricação de farinha e à extração de fécula (amido). Bagaço de mandioca A massa.. constituída de ponta e raiz. Apresenta como limitações à inclusão na dieta de vacas leiteiras a umidade elevada. 7. destacamse a farinha de varredura. Sendo assim. Por ser formada. permitir armazenamento por tempo mais prolongado e eliminar a maior parte do HCN presente na casca fresca. 2000). apresentando elevados teores de amido (80. o que dificulta o consumo. Sua composição química é muito semelhante à farinha de mandioca (Caldas Neto et al. 1983). 2000). Dentre vários subprodutos com potencial de inclusão em dietas de vacas leiteiras.2. 2005). 2000). devido aos diferentes processos utilizados na sua obtenção.. chegando a apresentar 85% de umidade (Cereda. Casca de mandioca A casca de mandioca é um subproduto proveniente da pré-limpeza da mandioca na indústria. possui altos teores de FDN e de FDA e baixa concentração de amido (Marques et al.0%) e de MS (90. ou bagaço. torna-se fundamental a análise de sua composição bromatológica para um correto balanceamento da dieta. 7.3. casca e entrecasca. contendo parte do amido que não foi possível extrair no processamento. formado por farinha e pó. É gerada na etapa de 320 .. entretanto exige investimentos incompatíveis com o nível de tecnologia de pequenas propriedades. aumentar a concentração de suas propriedades nutricionais. 7. por elementos estruturais da raiz da mandioca. Essa prática é promissora para o aproveitamento da mandioca na alimentação animal. a provável contaminação por terra e o alto teor de compostos cianogênicos.0%) e baixas concentrações de FDN e FDA. Ifut (1988) sugeriu a secagem deste subproduto para facilitar a conservação. 7.(Carvalho. A utilização desses resíduos na alimentação animal dependerá da disponibilidade deles no mercado e do custo competitivo em relação a outros alimentos com características nutricionais favoráveis e composição química homogênea (Lopes et al. Farinha de varredura A farinha de varredura é obtida nas farinheiras durante a limpeza de todo o material perdido no chão. Os subprodutos residuais originados da transformação das raízes da mandioca apresentam composição nutricional muito variável. Apresenta como limitações ao uso a baixa palatabilidade e a alta pulvurulência. principalmente.

ZEOULA...V. Ferreira et al. 8. 2007. concluíram que esse subproduto pode ser incluído em até 15. La yuca en la alimentación animal. A..F. R. Anais. BRANCO. 2003. v. Bras.0% de umidade (Cereda. o bagaço de mandioca não é adequado para produção de silagem. CALDAS NETO.F.0% de farelo de trigo... G. Jaboticabal. (2008).L.0% na dieta total sem trazer transtornos fisiológicos ou nutricionais aos animais. Cali: CIAT. S.J. 5. por estar embebida em água. seu nível de glicosídeos cianogênicos é mínimo.29.0. VEDOVOTO. CONSIDERAÇÕES FINAIS A mandioca apresenta ampla versatilidade quanto às formas de utilização na alimentação de bovinos. Desta forma. p.2099-2108. Jaboticabal: SBZ. 321 . Por outro lado. 2000).1990. DF: Embrapa Informação Tecnológica. apresenta cerca de 75. Para que as dietas baseadas em produtos e subprodutos da mandioca permitam bom desempenho dos animais. A indústria do amido da mandioca. o bagaço geralmente contém uma quantidade considerável de amido (até 60. Devido ao baixo teor de matéria seca. 2000.. 446p.M. J.. et al. representa uma alternativa para substituição de ingredientes de alto custo tradicionalmente utilizados em sistemas de produção de leite.. deve-se estar atento à correção das deficiências nutricionais deste alimento. 201p. In: REUNIÃO ANUAL DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE ZOOTECNIA.. AMARAL. Feno da parte aérea da mandioca na ensilagem de capim-elefante: perdas e teor de matéria seca.9% de lignina). (2007) obtiveram silagem com bons parâmetros de qualidade para o bagaço de mandioca pré-seco por cinco horas ao sol e enriquecido com 4.. BUITRAGO A. Lima et al..A. uma vez que os processos de lavagem e extração eliminam quase totalmente esse princípio tóxico (Ramos et al. 44. bem como seguir recomendações de manejo que garantam eliminação do risco de intoxicação.separação da fécula e.0%) de bagaço de mandioca à dieta de vacas mestiças com 100 a 150 dias em lactação. Rev. 2007.S. ANDRADE.O. PIRES. R.0%).0.9% de FDN e 5. Apesar do alto nível de fibra e lignina (34. CD-ROM. I. A. 2000).0 e 15. L. Zootec. avaliando diferentes níveis de inclusão (0. 10. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ALVES. Mandioca e resíduos das farinheiras na alimentação de ruminantes: digestibilidade total e parcial.V.A. Brasília. tornando-se necessária a pré-secagem do material a ser ensilado ou a inclusão de aditivos com alto teor de MS.

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Doutorando em Nutrição Animal. A possibilidade do emprego desses alimentos garante ao produtor maior flexibilidade na formulação das dietas. 2007). MG. MSc. Escola de Veterinária da UFMG. MG.. com cerca de 170 milhões de cabeças.br 4 Médico Veterinário. ficando à frente de produtos tradicionais como café beneficiado e arroz. belaveiga@yahoo. CEP 30123-970. os cereais ocupam posição de destaque. fpimont@gmail.br 3 Médica Veterinária. MSc. Objetivou-se neste capítulo caracterizar tais cereais e seus coprodutos. Tendo em vista a importância social. Caixa Postal 567. ao consumo humano. além de avaliar o potencial de utilização do farelo de trigo e do farelo de arroz na alimentação de vacas leiteiras. DSc. em Zootecnia. destacando-se o farelo de arroz e o farelo de trigo.fafa@gmail. Caixa Postal 567. Prof. CEP 30123-970. Escola de Veterinária da UFMG. no âmbito nacional e mundial. Fernando Pimont Pôssas4 RESUMO O arroz e o trigo são destinados. ao serem processados. Belo Horizonte. lobato.com 2 Engenheiro Agrônomo. Belo Horizonte. MSc. MG. O leite está entre os seis primeiros produtos mais importantes da agropecuária brasileira. 2003).com. Lúcio Carlos Gonçalves2. Belo Horizonte. Isto é interessante principalmente em anos de preços elevados do milho e soja. sendo que. principalmente. Caixa Postal 567.. O arroz e o trigo. Caixa Postal 567. geram coprodutos potencialmente utilizáveis na alimentação animal. são gerados coprodutos potencialmente utilizáveis na alimentação animal. deste efetivo.com 1 327 . cerca de 35 milhões são de animais destinados à produção de leite (ANUALPEC. alimentos tradicionalmente empregados nos sistemas de produção leiteira. INTRODUÇÃO O Brasil possui o maior rebanho bovino comercial do mundo.. CEP 30123-970. luciocg@vet.EMBRAPA. Associado Departamento de Zootecnia da Escola de Veterinária da UFMG. alimentos amplamente destinados ao consumo humano. nutricional e econômica do leite. além de Médica Veterinária. CEP 30123-970. MG. Escola de Veterinária da UFMG. é necessário o estudo de alimentos alternativos para utilização em dietas de gado leiteiro.CAPÍTULO 18 COPRODUTOS DO TRIGO E DO ARROZ NA ALIMENTAÇÃO DE GADO DE LEITE Flávia Cardoso Lacerda Lobato1. O aproveitamento racional desses coprodutos. Doutoranda em Zootecnia.ufmg. Durante o beneficiamento desses cereais. Isabela Rocha França Machado Veiga3. Belo Horizonte. O agronegócio do leite e de seus derivados desempenha um papel relevante no suprimento de alimentos e na geração de emprego e renda para a população (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária . Dentre os diversos alimentos que compõem as rações animais.

O Triticum aestivum representa mais de 90% da produção mundial. O estado do Paraná. a produção na safra de 2008-2009 será 47. como é o caso do triguilho. reduzindo os riscos de poluição ambiental. o uso deste recurso deve ser acompanhado de avaliação laboratorial criteriosa para se evitar problemas de ordem sanitária e econômica (Zardo e Lima. amplamente utilizado na alimentação humana. sujeito à adulteração e à contaminação. 2. definidos como: 328 . Numerosas espécies são encontradas. o farelinho de trigo e o triguilho. o valor nutricional. sendo a espécie genericamente cultivada no Brasil (Miranda. como o preço em comparação ao milho. Já os coprodutos obtidos do beneficiamento do trigo. O aumento na produção poderá favorecer sua utilização na alimentação animal. 1. a variabilidade da qualidade observada nestes coprodutos pode ser de grande magnitude. 1999). o que pode ser justificado pela sua adaptação a uma grande variedade de solos e climas. o trigo comum (Triticum aestivum) e o trigo compacto (Triticum compactum). são largamente empregados na manufatura de dietas para alimentação animal. No entanto. entre outros.2% superior à safra 2007-2008. mas somente três apresentam importância econômica: o trigo duro (Triticum durum). Outro aspecto é a disponibilidade inconstante ao longo do ano.0% da produção de trigo no Brasil estão concentradas na região Sul. com resultados positivos para o sistema de produção. a classificação. De acordo com estimativas feitas pela Conab. O grão integral normalmente só é destinado ao consumo animal quando possui classificação inferior. Mais de 90. como o farelo e o farelinho de trigo. devido à expansão da área plantada em 30. Outras variáveis também influenciam o emprego desse cereal.5%. entre outras. NORMAS PARA ALIMENTAÇÃO ANIMAL Dentre os produtos da limpeza e industrialização do trigo. aspectos culturais. pode-se citar: o trigo grão.9% e da produtividade média nacional em 12.possibilitar uma redução de custos na alimentação. uma vez que se trata de material sem padrão de qualidade. Portanto. Recentemente. permite uma destinação mais adequada a eles. IMPORTÂNCIA ECONÔMICA DO TRIGO O trigo é uma gramínea de inverno do gênero Triticum. Atualmente é o cereal mais produzido no mundo. 2006). o farelo de trigo. alta palatabilidade. prejudicando as projeções futuras de utilização e compra de alimentos. o uso de coprodutos da agroindústria na alimentação animal tem se tornado prática comum. seguido do Rio Grande do Sul lideram a produção nacional.

0 13.0 4. Parâmetro Unidade Trigo.1. 329 .0 Impurezas ( máximo) % 1. Padrão exigido para a utilização do trigo. a rotina é o emprego dos dois.0 Proteína bruta (mínimo) % 15. (1998). composto de finas partículas do gérmen e do farelo. Tabela 1.0 Fibra bruta (máximo) % 4.0 12.3.0 1.0 3. 2. Nos moinhos. grão Trigo. 2004).5 13.0 Fonte: Compêndio.0 Extrato etéreo (mínimo) % 1. 1995). mal granados ou chochos. 2. 2001). consiste em um recurso alimentar renovável (Beaugrand et al.0 6. É formado por pericarpo. Triguilho Grãos pouco desenvolvidos.0 20. farelo Triguilho Umidade (máximo) % 13.0 20. Farelo de trigo Principal e mais abundante subproduto da moenda de grãos.2. demonstradas nas Tabelas 1 e 2. Apresenta maior conteúdo de gordura e proteína do que o farelo. no mercado brasileiro. destinado à alimentação animal.4. 2... 2001).0 11. entretanto. partículas finas de gérmen e das demais camadas internas dos grãos e outros resíduos resultantes do processamento industrial. o farelo e o farelinho de trigo correm em bicas separadas. resultantes de lotes cujo peso específico é menor que o mínimo exigido na moagem.. ou resultante da classificação do trigo após a eliminação das impurezas (Lima e Viola.0 Aflatoxina (máximo) Ppb 20.. Trigo grão Grão inteiro. que deve ser isento de sementes tóxicas e resíduos de pesticidas (Lima e Viola.0 6. Deve ser isento de matérias estranhas à sua composição (Lima e Viola.2.0 14. formando um produto único com o nome de farelo de trigo comercial (Campos et al.0 1. Farelinho de trigo Coproduto obtido da polidura do grão. farelo de trigo e triguilho na alimentação animal. A utilização desses alimentos na dieta animal deverá seguir algumas normas estabelecidas pelo Ministério da Agricultura.0 Matéria mineral (máximo) % 2. 2001).

recobertos por três camadas: testa (onde se encontram os pigmentos que dão cor ao grão).) (Kg/hl mín. 2001).Tabela 2. Os principais constituintes botânicos do farelo de trigo são tecidos do pericarpo e aleurona. Já a semente é formada pelo endosperma e o gérmen. células intermediárias.) (% máx.) (% máx) (% máx.. hipoderme.5 1. células cruzadas e células tubulares.5 1. com baixo índice pluviométrico.) 1 13. faz parte do endosperma. Esses grãos são pequenos e apresentam uma textura rígida com glúten duro ou moderadamente duro. (1998). quebrados Por insetos e/ou pragas Tipo hectolitro e impurezas ardidos e chochos germinados esverdeados (% máx. O trigo mole é produzido em climas mais amenos e com maior incidência de chuvas.0 2.0 75 1. 330 .0 78 1. no processo de moagem. enquanto as células da camada de aleurona são grandes e possuem alta concentração de amido e proteína. Os principais polissacarídeos que formam as paredes do pericarpo são as arabinoxilanas (660g/Kg) e a celulose (320g/Kg).0 2. do ponto de vista botânico.0 0. recobre toda a semente.0 Fonte: Compêndio.0 5. 2001). O pericarpo possui parede celular altamente lignificada. ESTRUTURA DO GRÃO DE TRIGO O grão de trigo se divide praticamente em duas partes: o pericarpo e a semente.07. O pericarpo. citado por Lima e Viola. 4.5 1.5 1. Grãos danificados Peso do Matérias estranhas Umidade Pelo calor mofados e Triguilhos. sendo formado por seis camadas: epiderme. ela faz parte do farelo. enquanto a aleurona é formada por arabinoxilanas (650g/kg) e β-glucanas (310g/kg). com paredes celulares não lignificadas. mas.0 70 2.0 2.94)..0 2 13.) (% máx. 3.5 3 13. Classificação do trigo (Portaria nº 167. Aparentemente toda a lignina do grão está associada com as paredes do pericarpo (Lima e Viola. 1985. camada hialina e aleurona. A aleurona. As variedades pertencentes a este tipo de trigo são semeadas no outono e apresentam grãos maiores do que as variedades duras. As variedades de trigo duro normalmente são cultivadas em regiões de clima temperado. estrutura mais externa. remanescentes da parede celular ou células finas. CLASSIFICAÇÃO DO GRÃO DE TRIGO A classificação do trigo pode ser realizada conforme a cor e a textura do grão. nesessitando de um período de baixas temperaturas para o seu melhor desenvolvimento (Olentine. de 29.

57.0%.0% ou mais do total de ácidos graxos do grão de trigo. A amilose é uma cadeia linear de polímeros de glicose.0% do amido é composto por amilose. Os aminoácidos limitantes em ordem de importância são: lisina. a fibra do farelo de trigo tem efetividade mediana. 2001). os três alimentos são superiores em proteína e aminoácidos totais.0% do grão e 70. Vaughan et al.NRC (2001).0 a 2.0%).0% restantes são compostos por amilopectina. em comparação ao milho. na sua maior parte.0% nos cultivares com alto teor de óleo.5. (1991). enquanto os 75.100. sendo utilizada com eficiência por ruminantes consumindo forragens de baixa qualidade.57. De acordo com National Research Council . porém mais alta do que a maioria das fibras dos alimentos concentrados. citados por Martinez (2008). Em relação ao teor de proteína e gordura. trigo grão. farelo de trigo e triguilho. ou seja. que normalmente são deficientes em proteína degradável no rúmen (Martinez. insaturados. enquanto o ácido oleico apresenta concentração em torno de 11. a proteína do trigo é superior à do milho em concentração. Cerca de 25. Quando comparada à das forragens.0% da FDN do trigo é efetiva (adotandose a FDN da silagem de alfafa como referência . dextrinas. a proteína do farelo de trigo é altamente degradável no rúmen (79. Geralmente. Os ácidos graxos são. nos cultivares comuns e até 8. mesmo que ainda continuem com energia inferior àquela observada para o milho. celulose e hemicelulose. O ácido linoleico compreende 50. enquanto a amilopectina é uma cadeia ramificada. metionina e valina.3%. 331 . sendo encontrados abundantemente os ácidos oleico e linoleico.0% de lipídios.0% do endosperma. O principal componente energético do trigo é o amido. 2001).0% deste total (Lima e Viola. compararam a efetividade do farelo de trigo em relação à silagem de alfafa e chegaram ao coeficiente de 0. 2008). que representa aproximadamente 60. qualidade e composição de aminoácidos. O trigo também é constituído por pentosanas. o farelo de trigo apresenta níveis mais elevados em relação ao triguilho e trigo grão. mas. A composição química do trigo é muito variada e irá depender do cultivar e das condições edafoclimáticas. treonina. O trigo contém entre 1. açúcares. segundo o NRC. Isto pode ser devido ao fato de o teor de fibra presente no trigo grão e no triguilho ser menor que do farelo de trigo. COMPOSIÇÃO QUÍMICA DO TRIGO A Tabela 3 mostra a composição química do milho. enquanto o milho apresenta em torno de 4. O trigo grão e o triguilho possuem teor de energia muito superior ao do farelo de trigo. assim como do milho.

03 0.23 3.75 0.43 0.39 0.84 0.10 32. (2006) 88.50 0.16 87.00 0.00 72.66 0.76 6.01 5.17 0.65 0.6 64.48 0.21 0.30 13.30 0.13 0.35 0.31 4.24 73.14 0.89 0.12 0.58 1.24 0.1 0.08 1.42 1.58 9.65 23.58 0.17 0.07 1.21 0.08 0.07 0.17 0.42 0. (2006) 87.Tabela 3.11 2.31 0.26 91. (2005) 88.02 0.06 1.53 0.55 0. Composição química do milho grão.98 4.43 0.37 64.31 0.8 156.35 0.32 0.43 Trigo grão Valadares Filho et al.79 0.24 0.64 9.35 0.4 44.33 0.32 1.55 156.13 0.57 217.42 0.32 0.03 3.37 0.88 12.28 9.54 15.55 18.67 - 332 .69 2.17 13.61 2.49 1.25 0.37 0.34 0.94 0.71 8.53 63.09 0.19 67.42 0.53 5.02 21.27 0. (2006) 87.40 Farelo de trigo Valadares Filho et al.45 1.85 0.87 0.52 44.20 4.01 16.42 0.17 13.60 0.43 0.22 1.47 0.55 4.09 0.33 0.16 0.01 18.27 0.60 0. farelo de trigo e triguilho.12 0.33 0.82 1.11 4.18 0. trigo grão.60 162.47 0.25 0.72 0.85 3.73 Triguilho Rostagno et al.46 0.31 0.38 0.43 34.77 2.63 1.59 0.55 2.61 1.52 4.29 0.90 1.43 0.76 0.63 3.18 0. Nutriente Matéria seca (%) Proteína bruta (%) Extrato etéreo (%) Matéria mineral (%) Fibra bruta (%) Fibra em detergente neutro (%) Fibra em detergente ácido (%) Lignina (%) NDT (%) Amido (%) Energia bruta cal/Kg Cálcio (%) Fósforo (%) Magnésio (%) Potássio (%) Sódio (%) Cobre mg/Kg Ferro g/Kg Manganês mg/Kg Zinco mg/Kg Lisina (%) Metionina (%) Cistina (%) Treonina (%) Triptofano (%) Fenilalanina (%) Leucina (%) Isoleucina (%) Valina (%) Histidina (%) Arginina (%) Tirosina (%) Alanina (%) Ácido aspártico (%) Ácido glutâmico (%) Glicina (%) Prolina (%) Serina (%) Milho grão Valadares Filho et al.

Segundo Waldern e Cedeno (1970). pelo menos em parte. devido à perda de palatabilidade e ao menor desempenho dos animais quando esse alimento é incluído acima desse limite.1. (2001). substituiu frações de milho grão. o farelo de trigo é mais uma alternativa interessante para substituir. que foi justificado pelo aumento do teor de FDN da ração à medida que se elevaram os níveis de farelo de trigo. a avaliação do consumo de matéria seca do farelo de trigo é relevante. a redução na ingestão de matéria seca ocorreu devido às diferenças na palatabilidade e à extensão de degradação da matéria seca. 67. que observaram uma redução no consumo da matéria seca quando o farelo de trigo. incluído em 22. 2007). respectivamente) não foi influenciado pelo aumento dos níveis de farelo de trigo das dietas. (2004) substituíram o fubá de milho em 0. 2005). 20Kg de leite. já que é ele considerado um dos principais determinantes do processo produtivo. 33. silagem de milho e farelo de soja na dieta-controle de vacas Holandesas. Soares et al.6. FARELO DE TRIGO NA ALIMENTAÇÃO DE VACAS LEITEIRAS 6. a quantidade de farelo de trigo na ração de vacas leiteiras tem sido limitada a 25. e não observaram redução no consumo de matéria seca pelos animais. De acordo com Detmann et al. Os autores verificaram que o consumo de MS expresso em kg/dia e em %PV (média de 16.0%.0 e 100. De acordo com os autores. que não se encontra disponível em muitas regiões. mesmo com características bastante diferentes. Consumo e digestibilidade aparente da matéria seca No Brasil. (1987) e Soares et al.0% por farelo de trigo. de forma que se faz necessário buscar alimentos que.16. no concentrado de vacas Holandesas.0. em média. De acordo com alguns autores. a baixa produção de bovinos nos trópicos deve-se..0% da matéria seca total. é o sorgo. o milho em grãos das dietas de vacas em lactação (Pedroso et al.80 e 3.0. Dentre as várias possibilidades. Resultados diferentes foram encontrados por Bernard e McNeill (1991).00 e 43. Os mesmos autores observaram um decréscimo linear da digestibilidade aparente da matéria seca. que receberam silagem de milho e produziram. Acedo et al.69% de farelo de trigo no concentrado. a única alternativa para substituir o milho nas rações. possam substituir os grãos de milho na formulação de dietas para rebanhos leiteiros. Entretanto. Também se verificou uma diminuição na digestibilidade aparente da matéria seca com a inclusão do farelo. (2004) incluíram 60. a um consumo deficiente de matéria seca. Desta forma. em grande parte. A determinação da digestibilidade também é importante. com características semelhantes às do cereal. Assim. a peletização poderá amenizar os 333 .. pois é reconhecidamente a primeira aproximação na obtenção das estimativas dos parâmetros do valor nutritivo dos alimentos (Correa et al.

0. Além disso. Produção e composição do leite O farelo de trigo é largamente empregado na alimentação de bovinos. (1993). a decisão da inclusão de farelo de trigo na dieta de vacas em lactação dependeria apenas de fatores econômicos. observaram um aumento no consumo de matéria seca. 67. Martinez (2008). Neste sentido. Além de ser utilizado em rações de vacas leiteiras.0% por farelo de trigo. A produção de leite corrigida ou não para 3. a diversidade de rações em que ele é incluído dificulta o agrupamento para fins de revisão de literatura (Martinez.5% de gordura. esse aumento pode ter ocorrido devido ao menor tamanho de partícula e à taxa de passagem ruminal mais rápida de alguns coprodutos comparados às forragens. Já o maior teor de N-ureico no leite seria consequência da maior degradabilidade ruminal da proteína do farelo. Também. a menor produção de leite poderia ter sido causada pelo menor teor de energia do farelo de trigo comparado ao milho (NRC.0% por farelo de trigo. substituindo o milho moído fino em 25. 50. Diferente dos resultados encontrados por Soares et al. De acordo com os autores. avaliando a substituição da silagem de alfafa por farelo de trigo.2. 334 . 2008). para vacas produzindo.problemas relacionados à perda de palatabilidade em dietas com grande quantidade de farelo de trigo. 2001). deve-se considerar que o farelo de trigo pode ser um excelente suplemento. o farelo de trigo pode ser empregado como substituto da forragem. Depies e Armentano (1995).0% da MS total da dieta de vacas multíparas em lactação. no concentrado de vacas Holandesas. Já Wagner et al. ou seja. De acordo com os autores. uma vez que apresenta proteína altamente degradável no rúmen. os teores de proteína e de gordura e os extratos secos totais e desengordurados não foram influenciados pelos níveis de farelo de trigo. sendo utilizada com eficiência por ruminantes consumindo forragens de baixa qualidade. 20Kg de leite . ainda são escassas na literatura informações sobre seus efeitos na produção e composição do leite de vacas. 20kg de leite. em média. observou uma redução nas produções de leite e de proteína e um aumento do teor de N-ureico quando o farelo de trigo substituiu 75. em média. incluído em 17. não observaram diferenças no consumo de matéria seca.0 e 75.0 e 100. 6. incluído em 15.0% da matéria seca total da dieta de vacas holandesas. o fubá de milho poderá ser substituído em até 100. No entanto. que receberam silagem de milho e produziram. (2004).0% pelo farelo de trigo em rações concentradas em dietas à base de silagem de milho. (2004) substituíram o milho em 33. avaliando a substituição de parte da silagem de milho por farelo de trigo.0. que normalmente são deficientes em proteína degradável no rúmen. no concentrado padrão de vacas Holandesas.0% de milho no concentrado. Segundo o autor. Soares et al.

sorgo e farelo de algodão. Resultados semelhantes foram detectados por Mowrey et al. De acordo com os autores. e não verificaram alterações na produção e composição do leite. (2004).0.0 ou 60.0% de farelo de trigo. que examinaram o efeito da substituição parcial do milho moído e da silagem de alfafa por farelo de trigo. bem como para melhorar o valor nutritivo das forragens. 335 . uma mistura de coprodutos fibrosos constitui-se uma alternativa para substituição de feno ou grãos.0% de farelo de trigo tiveram uma queda na produção. Acedo et al.0% na MS. reduzindo os custos da dieta sem afetar a produção.verificada também neste estudo.. O teor de gordura no leite foi semelhante em todos os grupos.0% de feno de alfafa. Não foram constatadas diferenças na produção e composição do leite. Segundo os autores. diferentemente do capim emurchecido. 2006). 20. farelo de glúten de milho e farelo de trigo.0 ou 40. apresenta-se como uma alternativa interessante para diminuir essas perdas. incluído em 17. (1999). A produção de leite das vacas que receberam a dieta-controle foi semelhante à das que receberam 20. os resultados obtidos por Martinez (2008) foram semelhantes aos observados por Soares et al.0 e 40. trabalhando com vacas Holandesas em lactação.0. porém os baixos conteúdos de matéria seca e de carboidratos solúveis podem inviabilizar a sua utilização na fabricação de silagens. Farelo de trigo associado a silagens de gramíneas tropicais Gramíneas tropicais apresentam um melhor valor nutritivo quando jovens. que afetou negativamente a porcentagem de gordura do leite.0% de farelo de trigo na dieta de vacas em lactação. Entretanto. Os tratamentos não afetaram a produção e a composição do leite. facilita a acomodação e compactação do material ensilado (Zanine et al. Devido ao alto teor de umidade.0 e 60. Já as que receberam a dieta com 60. 40. (1987) realizaram dois experimentos em que foram utilizados 0.0 ou 50. 6. No estudo com vacas mestiças (meio sangue Holandês/Jersey).0% e 0. e da menor disponibilidade de carboidrato fermentável no rúmen. Tal suposição foi confirmada por Depies e Armentano (1995).3. este efeito não seria esperado quando tal alimento fosse empregado em substituição a ingredientes menos energéticos. O farelo de trigo. avaliaram os efeitos da substituição de 30. a utilização de 60% do farelo para substituir alimentos de alto conteúdo energético resultaria em menor produção de leite. a silagem de capim está sujeita a perdas por efluentes e gases.0% do feno de alfafa e 25. sendo que o farelo de trigo substituiu parte do milho. e. exceto para a dieta com 60.0% do milho e do farelo de soja por uma dieta composta por casca de soja. que. portanto. substituída por coprodutos.

As β-glicanas irão interferir na absorção de alguns nutrientes. As atividades antinutricionais de tais elementos são atribuídas principalmente à presença dos polissacarídeos solúveis. cortado aos 46 dias de idade. (2006) avaliaram o efeito da adição de 0. elevou o índice de valor forrageiro. (2003) também trabalharam com silagem de capim-tanzânia. pode ser adotada. que utilizaram 0. polpa cítrica e fubá de milho) em quatro doses (3. Nos cereais. as β. formados por unidades de monossacarídeos e classificados como solúveis e insolúveis. produzindo soluções viscosas. no trigo. que combina medidas de digestibilidade e ingestão de matéria seca. melhorou as características fermentativas das silagens de capimtanzânia. predominaram as arabinoxilanas e as β-glicanas.0 e 60. assim como nos demais trabalhos. 24.tanzânia. (2008). a viscosidade pode dificultar a difusão e o transporte da lipase. 40. Os autores avaliaram três tipos de aditivos (farelo de trigo.0. 9.Zanine et al. a viscosidade pode reduzir a intensidade de contato entre os nutrientes e as secreções digestivas e reduzir ou dificultar o transporte até a superfície do epitélio. consequentemente.0%.0. promover elevação do teor proteico e reduzir a fração fibrosa da silagem. devido ao aumento da viscosidade. 20.0% de farelo é suficiente para atingir melhorias consideráveis na qualidade da silagem de capim-mombaça e. havendo 336 . 8.glicanas estão em maior concentração.0% de farelo de trigo na silagem de capim. Resultados semelhantes foram observados por Ribeiro et al. que apresentam capacidade de formar solução homogênea com a água. A adição de farelo de trigo foi suficiente para reduzir as perdas por gases e efluentes. De acordo com Lima e Viola (2001).0. recuperar maior quantidade de matéria seca. Estas alterações são relatadas principalmente em monogástricos. Somando-se a isto. Os autores concluíram que a inclusão de 20. considerando-se o aspecto econômico.4. Esta diminuição proporcionou aumento dos valores estimados para digestibilidade e ingestão de matéria seca e.0%. com redução da fração fibrosa.0%. 6. e 34.0.0 e 12. Os autores concluíram que a adição de farelo de trigo melhorou os parâmetros químicos bromatológicos da silagem.0% ).0% de farelo de trigo na silagem de capim-mombaça. de óleos e das micelas de sais biliares dentro do conteúdo do trato gastrointestinal.0%. O valor estimado de nutrientes digestíveis totais e das frações energéticas também aumentou linearmente com a inclusão do farelo. elevando os teores de matéria seca e carboidratos não fibrosos. reduzir o pH. A utilização dos aditivos. 6. Fatores antinutricionais Os polissacarídeos não amídicos são elementos de alto peso molecular. 16. fato atribuído ao elevado valor nutricional deste alimento. Ávila et al. sendo que.

0% da sua produção está concentrada na região Sul. A maior parte do arroz. Esse cereal desempenha papel estratégico tanto no aspecto econômico quanto social. 8. que passa por uma série de processos até a obtenção do grão amiláceo ou arroz branco.0% da população total dos países em desenvolvimento e cerca de dois terços da população subnutrida mundial. 337 .4 bilhões de pessoas e. Farelo de arroz integral (FAI) Coproduto do beneficiamento do arroz. O Brasil destaca-se como único país não asiático entre os 10 maiores produtores. Durante esse beneficiamento.9% e da produtividade média nacional em 3. farelo desengordurado. composto pelo pericarpo. brunido. haverá uma demanda para atender ao dobro desta população (Alonço et al. IMPORTÂNCIA ECONÔMICA DO ARROZ O arroz (Oryza sativa) é um dos cereais mais produzidos e consumidos no mundo. a produção de arroz na safra de 2008-2009 será 5. obtido após a descascagem do grão. 2005). onde vivem 70. segundo estimativas. há o farelo de arroz integral. é destinada ao consumo humano. De acordo com estimativas feitas pela Conab. principalmente na Ásia e Oceania. É um dos mais importantes grãos em termos de valor econômico. Farelo de arroz desengordurado Coproduto obtido a partir da extração do óleo do farelo de arroz integral. Isto se deve à expansão da área plantada em 1. Cerca de 70. cujas definições serão mencionadas a seguir.uma carência de informações sobre os efeitos dessas substâncias na dieta de ruminantes. principal produtor nacional. 7..2.1. entre outros. 8. tegumento. obtêm-se coprodutos que podem ser destinados à alimentação animal. É alimento básico para cerca de 2. camada de aleurona e gérmen. farelo de arroz parboilizado.1%. É considerado o cultivo alimentar de maior importância em muitos países em desenvolvimento. destacando-se o estado do Rio Grande do Sul. até 2050. COPRODUTOS DO BENEFICIAMENTO DO ARROZ Dentre os coprodutos do beneficiamento do arroz.1% superior à safra 2007-2008. 8.

o tegumento e a camada de aleurona. é embebido em água quente durante um período preestabelecido e depois sofre um aquecimento brusco visando gelatinizar o amido contido no grão (Wascheck.4. que são removidas ao final do estágio de beneficiamento do grão.0-8. 9. não permite a separação eficaz entre o farelo e o brunido. sendo as mais externas o pericarpo.0-3. 10. é rico em proteínas e lipídios e representa 2. 8. que representam 5. a falta de uniformidade na composição química do brunido.0% do arroz integral. os grãos de aleurona (corpos proteicos) e os corpos lipídicos.0% do arroz branco polido são constituídos de grãos quebrados. O embrião ou gérmen está localizado no lado ventral na base do grão. quebrados grandes e quireras. Cerca de 20.8. Brunido Constituído pela parte amilácea interna e a camada de aleurona. devido principalmente a diferenciações no processo de beneficiamento. corresponde a cerca de 20. a pálea e a lema. após a colheita.0% do arroz integral) e consiste de células ricas em grânulos de amido e com alguns corpos proteicos (Juliano e Bechtel.0% do peso do grão. separa-se a casca da cariopse.3. De acordo com Prates (1993). composta de duas folhas modificadas. O endosperma forma a maior parte do grão (89. 1985. COMPOSIÇÃO QUÍMICA A Tabela 4 demonstra a composição química dos diferentes coprodutos obtidos a partir do beneficiamento do arroz. 1985. que representa 8.. a maioria do farelo de arroz comercializado no Brasil está misturada com o brunido. 2005). representados por quebrados médios. Farelo de arroz parboilizado Arroz que.0-94. obtendo-se o arroz branco polido (arroz brunido). Este pode ser polido para remoção do farelo (pericarpo.. Sendo assim. tegumento. Por meio da descascagem. a casca. ESTRUTURA DO GRÃO DE ARROZ O grão de arroz consiste da cariopse e de uma camada protetora. 2008). obtendo-se o arroz integral. 338 .8% do arroz integral (Juliano e Bechtel.5-14.0% da massa do arroz integral. citados por Walter et al. A camada de aleurona apresenta duas estruturas de armazenamento proeminentes. 2008). camada de aleurona e gérmen). A casca. citados por Walter et al. A cariopse é formada por diferentes camadas.

97 Zinco (mg/Kg) 71.24 Extrato etéreo (%) 16.68 0.44 Valina (%) 0.11 25.01 114.03 452.45 0.18 Proteína bruta (%) 13.06 Treonina (%) 0.03 Manganês (mg/Kg) 241.08 0.25 10.26 Fibra bruta (%) 9.18 Tirosina (%) 0.75 0.57 Isoleucina (%) 0.63 Histidina (%) 0.20 Fenilalanina (%) 0.36 Cistina (%) 0.32 1.80 4.71 89.88 Ferro (g/Kg) 82.44 0.82 1.06 0.65 1.22 4.09 9.89 0.79 Potássio (%) 1.95 17.09 Magnésio (%) 0.74 ácido (%) Lignina (%) 5.45 0.61 1.42 Arginina (%) 0.47 0.22 1.04 Ácido aspártico (%) 1.06 14.07 143.40 Leucina (%) 0.25 Matéria mineral (%) 8.64 Amido (%) 17.43 Alanina (%) 0.61 203.66 454.39 0.90 1.21 0.54 0.27 19.82 Lisina (%) 0.11 10.63 0.82 Fonte: Adaptado de Valadares Filho et al.18 0.10 Fósforo (%) 1.20 Cálcio (%) 0. farelo de arroz desengordurado e farelo de arroz parboilizado.75 1.09 1.38 Ácido glutâmico (%) 1.76 neutro (%) Fibra em detergente 14.49 0.51 0.14 2.91 Sódio (%) 0. (2006).70 Serina (%) 0. Composição química do farelo de arroz integral.80 Prolina (%) 0.31 9.05 0.80 Fibra em detergente 24.66 NDT (%) 83.48 40.56 Triptofano (%) 0.23 24.51 Glicina (%) 0.48 10.09 Cobre mg/Kg 16.40 91. Farelo de arroz Farelo de arroz Farelo de arroz Nutriente integral desengordurado parboilizado Matéria seca (%) 88.12 0.53 16.60 Energia bruta (cal/Kg) 4.71 Metionina (%) 0.Tabela 4. 339 .46 81.

Já o farelo apresenta aproximadamente 340 . No endosperma. com menor concentração de albumina e globulina (15. No entanto.0-12. baixo (12. componente de densidade energética que os carboidratos. correspondendo a aproximadamente 80. especialmente dos coprodutos.0% da matéria seca do arroz polido. Além do amido. Ambos os farelos apresentam baixa degradabilidade ruminal da proteína. o farelo e o gérmen apresentam principalmente fibra. devido à destruição de compostos como vitamina A. O farelo de arroz desengordurado (FAD) pode ser armazenado por mais tempo que o farelo de arroz integral (FAI). metionina.0%). O farelo de arroz integral é considerado um alimento energético.0-33. é recomendável a análise laboratorial dos alimentos. inviabilizando a sua aplicação em escala comercial. obtendo-se o produto conhecido como farelo de arroz desengordurado. conteúdo de amilose muito baixo (2. Este é o tipo de adulteração mais frequente. prolamina e glutelina. Portanto. contendo pequenas quantidades de outros carboidratos (Juliano. O amido. geralmente relacionadas à adição de cascas. que corresponde a aproximadamente 90. entre outros.0%) e prolamina (5.0% das proteínas. a glutelina forma a principal fração. 1993). sendo que a parte dessa energia advém dos altos conteúdos de gordura. podendo-se classificar os grãos como ceroso (1.0%). 1993). devido aos riscos de rancificação oxidativa. também estão presentes açúcares livres e fibra. Outra forma de contornar o problema da rancificação seria a extração do óleo do farelo. que parece ter degradabilidade ruminal e está presente em baixas quantidades. biotina.11. sendo digerida em grande parte no intestino e no abomaso. No farelo de arroz. lignina e fibra bruta e consequente comprometimento do valor nutritivo do farelo de arroz.0-8. O teor proteico do FAD é superior ao do FAI em função da concentração dos nutrientes. Enquanto o endosperma é composto principalmente por amido. Este processo compromete o valor nutritivo dos alimentos. E.02.0-25. ENERGIA E PROTEÍNA Os carboidratos são os principais constituintes do arroz. globulina. representa a parte dos carboidratos não estruturais. já que não apresenta risco de rancificação. intermediário (20. Estes problemas podem ser resolvidos pela aplicação de calor com umidade seguida de secagem. maior maior baixa maior O alto conteúdo de óleo pode ser um fator limitante para utilização do farelo de arroz integral.0%). As proteínas podem ser classificadas em albumina. provocada pela extração do óleo. As proporções em que estas cadeias aparecem diferem entre genótipos. ocorrem grandes variações na composição química. responsável pela elevação dos teores de sílica. tal técnica apresenta alto custo. antes da sua inclusão nas dietas dos animais.0%) e alto (25.0-20.0% de amilose).0%) (Juliano. O amido é um homopolissacarídeo composto por cadeias de amilose e amilopectina.

Portanto. VITAMINAS E MINERAIS O arroz contém principalmente vitaminas do complexo B e com concentrações insignificantes das vitaminas A. aproximadamente 78.0%). a adição de gordura deve ser limitada. 1993). resultando em balanço de aminoácidos mais completo (Juliano. enquanto os sais cálcicos de ácidos graxos (gordura protegida) apresentam efeitos mínimos sobre a fermentação ruminal. O teor é maior nas camadas externas do grão (aproximadamente 88. segundo Nörnberg et al. as gorduras insaturadas e os ácidos graxos de cadeia curta apresentam mais efeitos que as saturadas. sendo que. Além da possibilidade de aumentar a produção de leite por vaca. 12. FARELO DE ARROZ NA ALIMENTAÇÃO DE VACAS LEITEIRAS O farelo de arroz integral pode ser utilizado como fonte de gordura na dieta de vacas em lactação. 13. os minerais também apresentam-se em maior concentração nas camadas externas do grão. A qualidade da proteína depende de seu conteúdo em aminoácidos. comprometendo o desempenho animal. especialmente durante a fase inicial de lactação. o arroz apresenta uma das maiores concentrações de lisina. 2008).0%. De acordo com Palmquist (1991). fósforo e zinco. seguido por prolamina e glutelina (27. a suplementação com gordura é interessante. estando associado principalmente à camada de aleurona (Walter et al. deve-se ficar atento aos conteúdos de ácido fítico que é uma forma de armazenamento de fósforo. tocoferol. pois seu excesso poderá interferir na digestibilidade de alguns nutrientes. Devido à sua capacidade quelante. especialmente da fibra. pois o consumo de matéria seca não é suficiente para atender às exigências de produção dos animais. podendo provocar deficiência desses minerais. No entanto. presentes no farelo (Juliano. 341 .60. 67. o ácido fítico está relacionado à menor absorção de minerais como cálcio.0% do conteúdo desse mineral em sementes.0 e 95. uma fonte ideal de gordura para vacas em lactação seria aquela que não interferisse na digestibilidade dos demais nutrientes. niacina e αrespectivamente. mas que apresentasse elevada digestibilidade intestinal. a composição em proteínas do endosperma difere do farelo. Em relação à composição mineral. (2004). e o restante. entre os cereais.. 1993). A concentração é maior riboflavina. 28.0%) e globulina (7.0% dos minerais encontram-se no farelo.0. Entretanto. que se encontram em balanço energético negativo. α-tocoferol (vitamina E).0. Cerca de 72. estão Da mesma forma. o arroz apresenta a lisina como aminoácido limitante. Nesta fase.0%. existe uma necessidade de aumentar a concentração energética da dieta. 47. constituindo aproximadamente 70. Apesar dos benefícios citados. para tiamina. o emprego de gordura protegida tem sido restrito em função de seu elevado preço.0%) (Juliano. D e C. 1993). nas camadas externas do grão. Portanto. no grão polido.0% de albumina. Similar a outros cereais.

não observaram alterações na digestibilidade da matéria seca. totalizando 6. O uso de alguns tipos de gorduras suplementares tem aumentado a produção e a porcentagem de gordura do leite. avaliaram a possibilidade de utilização do farelo de arroz integral como fonte de gordura. associado a óleo de arroz e a sebo bovino. proteína bruta. Os autores concluíram que o farelo de arroz integral. em função da maior disponibilidade desse nutriente e do maior desenvolvimento das micelas no intestino. Os resultados deste estudo foram semelhantes aos encontrados por Wascheck et al. a utilização de gordura suplementar reduz a síntese de proteína do leite. Já a porcentagem de proteína do leite foi reduzida com a inclusão do farelo de arroz parboilizado. (2008). tem diminuído a porcentagem de proteína. proteína bruta. Wascheck (2004) não observou efeito do tratamento sobre a produção de leite e de leite corrigido para 4.5% nos tratamentos em que foi empregado farelo de arroz parboilizado (MA e FA). De acordo com os autores. hormônio responsável pela estimulação do transporte de aminoácidos para o interior da glândula mamária. esse tem efeito tóxico sobre os microrganismos do rúmen. Tais tratamentos apresentaram maior digestibilidade do extrato etéreo quando comparados à dieta-controle (FM).0% de fubá de milho (FM). sem afetar a digestibilidade aparente da matéria seca. Não foram verificadas alterações no consumo de matéria seca. com 4. 2001). trabalhando com vacas Jersey no início da lactação. proteína bruta. devido ao ligeiro aumento nas produções de leite corrigidas dos tratamentos MA e FA.3% na dieta de vacas leiteiras. causando redução no crescimento microbiano e efeito sobre o transporte de aminoácidos na glândula mamária (Santos et al. mas.Nörnberg et al. matéria mineral e amido com a inclusão do coproduto. tanto associado a óleo quanto ao sebo. ao mesmo tempo.0% de fubá de milho e 50. Quando há substituição de carboidratos disponíveis no rúmen pelo lipídio. (2004). De acordo com Palmquist e Moser (1981).3% de arroz parboilizado (FA). seja para atingir o nível almejado de gordura na dieta seja para reduzir o seu grau de insaturação. a produção de proteína/Kg/dia não diferiu entre os tratamentos. Os níveis de gordura na matéria seca total atingiram 7. acusou resultados semelhantes à gordura protegida. Ao substituírem o milho por farelo de arroz parboilizado em até 79. apresentando elevada digestibilidade da fração lipídica..7% de fubá de milho e 79. o farelo de arroz integral pode ser usado como fonte alternativa de gordura. fibra em detergente neutro e de carboidratos não fibrosos da dieta.0% de farelo de arroz parboilizado (MA) e dieta com 20.0% de gordura. Os autores justificaram esta maior digestibilidade devido ao aumento da proporcionalidade de bactérias lipolíticas no rúmen. os efeitos negativos do farelo de arroz poderiam ser atenuados ou mesmo neutralizados associando-se a gordura deste coproduto com outra fonte de gordura. que trabalharam com vacas Holandesas com média de produção de 20kg e avaliaram três tipos de dietas: dieta com 100. matéria orgânica. devido à indução da resistência à insulina.0% de gordura bruta em dietas de vacas leiteiras de alto mérito genético no início da lactação. dieta com 50. Ainda segundo os autores. Outro fator a ser 342 . fibra em detergente neutro e fibra em detergente ácido. mas. matéria orgânica.0% de gordura.

citados por Prates (1993). Apesar dos efeitos adversos. Isto pode ocorrer.D. pois microrganismos ruminais não utilizam gordura como fonte de energia. observaram que a cana-de-açúcar aditivada com ureia. A inclusão de farelo de trigo em silagens de gramíneas tropicais surge como alternativa na melhoria dos padrões fermentativos das silagens. O teor de lipídios na MS total deverá permanecer entre 5 e 7%. arroz) tem se revelado como uma metodologia viável para aumentar a eficiência de utilização destes volumosos.considerado é a possibilidade de comprometimento da síntese de proteína microbiana com a substituição de um alimento com alto conteúdo de carboidratos pela adição de gordura. alguns experimentos foram desenvolvidos. a suplementação estratégica de volumosos de baixa qualidade com subprodutos do beneficiamento de grãos (milho.. mantendo ou aumentando o consumo da dieta basal. L. p. Deve-se ficar atento aos níveis de inclusão do farelo de arroz na alimentação de vacas leiteiras. v. C. devido às possibilidades de grandes variações na composição química.. Neste sentido.635-638. Cereal Sci. J. 1993).70. e equilibrariam os nutrientes essenciais para o animal. A principal teoria para explicar tal resultado seria a capacidade do farelo em prover os precursores glucogênicos que parecem ser de muita importância como fatores limitantes em dietas de cana-de-açúcar (Prates. Cerca de 100 gramas adicionais de ganho diário foram obtidos para cada 100 gramas adicionais de FAI (aumento linear).. o que é interessante em dietas compostas por volumosos de baixa qualidade. o farelo de arroz é um coproduto de grande potencial na nutrição de ruminantes devido à possibilidade de fornecer proteína e amido sobrepassante. avaliando a adição de farelo de arroz em dietas com cana-de-açúcar aditivada com ureia. Estes suplementos teriam pouco efeito sobre a distensão ruminal.J. Os limites de inclusão do farelo de trigo nas dietas de gado leiteiro ainda não estão bem definidos. Responses of dairy cows to different amounts of wheat middlings in the concentrate mixture. Segundo Ospina et al. minerais e vitaminas proporcionou melhor desempenho em bovinos quando houve suplementação com FAI. 343 . 1987. CONSIDERAÇÕES FINAIS A análise laboratorial dos coprodutos antes da incorporação à dieta é fundamental. BUSH. G. soja. (1996). 14. Preston e Leng (1978). ADAMS. O farelo de arroz e o farelo de trigo podem ser utilizados na alimentação de vacas leiteiras substituindo parte do volumoso ou do concentrado. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ACEDO.

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Doutorando em Nutrição Animal. Com exceção do nome. possui bom valor energético e pode ser utilizada em dietas de vacas leiteiras com resultados satisfatórios. Médica Veterinária. Belo Horizonte. Por ser uma raiz tuberosa de armazenamento. MG.. CEP 30123-970. lobato. não muito comum no Brasil. Prof. onde se constitui uma das mais importantes fontes de alimento.br 2 Engenheiro Agrônomo.) é um alimento de importância social e econômica. principalmente para as regiões menos desenvolvidas. cálcio e fósforo e ser rica em vitaminas A. Pode produzir mais energia comestível por hectare que o trigo. MG. A parte aérea (ramas) pode ser utilizada como fonte proteica. 2009). que é um tubérculo ou caule suculento.br 3 Médica Veterinária. em Zootecnia. Escola de Veterinária da UFMG. Escola de Veterinária da UFMG. CEP 30123-970.. Flávia Cardoso Lacerda Lobato 3.com 4 Médico Veterinário. arroz ou mandioca. Esta é um membro da família Solanaceae. demonstrando a possibilidade de utilização devido às suas características agronômicas e produtivas. B e C.) não é um alimento muito estudado no Brasil. CEP 30123-970. Belo Horizonte. 2009). Outro destino possível é a produção de biocombustível. Belo Horizonte. doces e álcool (CIP. O objetivo deste capítulo é descrever esse alimento.. belaveiga@yahoo. Possui uma variedade de usos desde o consumo de raízes ou folhas frescas até alimentos processados como amido. MG. Lúcio Carlos Gonçalves 2. Caixa Postal 567. Diferentemente da batata inglesa. Belo Horizonte. MG.com. Destaca-se das demais culturas por apresentar alto rendimento por hectare e elevado valor energético. ao seu valor nutricional e ao seu uso na alimentação animal. Associado Departamento de Zootecnia da Escola de Veterinária da UFMG. farinha.fafa@gmail. a batata-doce não tem relação com a batata inglesa. MSc. Escola de Veterinária da UFMG.CIP. uma vez que são utilizadas outras matérias-primas mais econômicas (Momenté et al. Doutoranda em Zootecnia. a batatadoce é uma raiz tuberosa de armazenamento (Centro Internacional de la Papa . É uma cultura originária das Américas. CEP 30123-970. 2004).ufmg. que possui grande variedade de cultivares no país e um grande potencial de uso. Caixa Postal 567. DSc.CAPÍTULO 19 BATATA-DOCE NA ALIMENTAÇÃO DE GADO DE LEITE Isabela Rocha França Machado Veiga 1. INTRODUÇÃO A batata-doce (Ipomoea batatas Lam. luciocg@vet.com 1 347 . Bolsista CNPQ. MSc. enquanto a batata-doce pertence à família Convolvulaceae. a batata-doce (Ipomoea batatas Lam. Caixa Postal 567. Wilson Gonçalves de Faria Jr. MSc.. 4 RESUMO Apesar de sua grande importância social. wilsonvet2002@gmail. que também inclui tomates. Caixa Postal 567. além de conter ferro.

no México. 1984.650 mil toneladas . 2005). EMBRAPA.É uma das culturas mais importantes no mundo. com destaque para regiões Sul e Nordeste (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística . normalmente em caráter de subsistência. 2005). 2009). é cultivada entre 40o de latitude Norte e 40o de latitude Sul.. Massaroto (2008). A produtividade de matéria seca da 348 . Além disso. 2007). Pode ser encontrada desde a Península de Yucatan.FAO. como Ásia e Papua Nova Guiné (CIP. Em outras regiões. o nível de tecnologia empregado pela maioria dos produtores é bem menor que o desejável. 2006). A baixa produtividade está muito aquém do real potencial da cultura. A maior parte das evidências indica a faixa contida entre o México e o norte da América do Sul como a mais provável região de origem (Ritschel et al. 2009). Esta cultura está presente em todas as regiões brasileiras. 2009). onde é utilizada quase totalmente para alimentação humana (CIP. sendo produzida principalmente na Ásia (China: 107. 1.2 toneladas por hectare está abaixo da produção média mundial de 15 toneladas por hectare. que agrupa aproximadamente 50 gêneros e mais de 1000 espécies. Devido a sua ampla adaptação. e na África (Uganda: 2. 2003).. mas no Nordeste assume alta importância social. garantindo a fixação da mão de obra no campo (Miranda. principalmente por constituir uma fonte de alimento energético. Um dos motivos da baixa produtividade é a utilização de cultivares de baixo potencial produtivo e mais suscetíveis às pragas.6 toneladas por hectare (cultivar Palmas). encontrou uma produtividade de raízes variando de 5.176 mil toneladas – Food and Agriculture Organization . Alguns pesquisadores apontam a América Central e outros a América do Sul (CIP.3 (acesso UFT-10AL) a 26. o que torna o seu custo de produção inferior ao de outras culturas. 2005). trabalhando com 20 acessos de batata-doce originários do programa de melhoramento genético vegetal do estado do Tocantins e cinco cultivares comerciais. 2007). 1998). necessitando de poucos tratos culturais e dispensando o uso de tecnologia agrícola mais avançada. 2009). sendo somente a batata-doce de cultivo com expressão econômica (Miranda. além de contribuir para a geração de emprego e renda. ORIGEM E PRODUTIVIDADE A batata-doce é uma espécie dicotiledônea pertencente à família botânica Convolvulaceae.EMBRAPA. tolerância à seca e à baixa fertilidade do solo. a cultura se desenvolveu separadamente de seus ancestrais americanos. principalmente em regiões tropicais (CIP. 2009). até a Colômbia (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária . onde quase a metade da produção é utilizada na alimentação animal. O exato local do continente onde é originada a batata-doce ainda é indeterminado. O Brasil é o décimo sétimo país no ranking de produção com 500 mil toneladas (FAO.FAO. 2003).IBGE. O cultivo está presente em todo o Brasil. Isto se deve principalmente à sua rusticidade. que pode atingir mais de 40 toneladas por hectare (Miranda et al. como a batata-inglesa e a mandioca (CIP. A produtividade média brasileira de 11.

uma análise química do solo deve indicar ou não a necessidade de correção da acidez. cor e pilosidade variáveis. evitando a formação de batatas tortas ou dobradas. com uma variação de teor de matéria seca de 11. formada por poucas camadas de células: uma camada de aproximadamente 2mm denominada de casca. O caule. geralmente. que é uma bacteriose causada por Streptomyces spp. As ramas-semente têm capacidade de emitir raízes em tempo relativamente curto. que deve ser realizada com calcário dolomítico. As raízes tuberosas são também denominadas de batatas e revestidas por uma pele fina. Quanto ao regime pluvial. o que é prejudicial ao desenvolvimento das plantas. bem drenado. quando a temperatura é elevada e a alta radiação solar favorece o desenvolvimento da cultura. com pH entre 4. sendo que cerca de 500mm são necessários durante a fase de crescimento. permitindo o arranquio das batatas com menor índice de danos e menor esforço físico. frutos do tipo cápsula deiscente contendo duas. com ramificações de tamanho. Entretanto.8 (acesso UFT-58) a 7.5 e 5. e a parte central denominada de polpa ou carne. do estádio vegetativo da planta e do tempo de armazenamento. mas pode ser cultivada em regiões temperadas. A pele se destaca facilmente da casca.5% (acesso UFT-22) a 17. cor e recortes variáveis. O solo deve ser preferencialmente arenoso. A batata-doce se desenvolve melhor em locais ou épocas em que a temperatura média é superior a 24ºC. mais conhecido como rama. Solos ácidos. em temperaturas inferiores a 10ºC. flores hermafroditas e de fecundação cruzada. 2. Por isso. devido à sua autoincompatibilidade. Além disso. 349 . Possui também a raiz absorvente.5% (acesso UFT-112). dependendo da variedade. pode ser segmentado e utilizado como ramasemente para formação de lavoura. mas a divisão entre a casca e a polpa nem sempre é nítida e facilmente separável. 1971). folhas largas. pecíolo longo. a cultura deve ser implantada em locais com pluviosidade anual média de 750 a 1000mm. três ou quatro sementes com 6mm de diâmetro e cor castanho-clara (Edmond e Ammerman. que pode variar de três a cinco dias.2 toneladas por hectare (acesso UFT48). solos muito ácidos. nos períodos da primavera e verão. O principal produto comercial é a raiz tuberosa. facilitam a colheita. amplamente utilizada na alimentação humana. têm níveis elevados de alumínio solúvel. sem presença de alumínio tóxico. CARACTERÍSTICAS AGRONÔMICAS E CONDIÇÕES DE CULTIVO A batata-doce possui caule herbáceo de hábito prostrado. com formato. responsável pela absorção de água e extração de nutrientes do solo. o crescimento da planta é severamente retardado.5 resultam em menor ocorrência de sarna. Solos arenosos facilitam o crescimento lateral das raízes.parte aérea variou de 0. A cultura não suporta geada. com pH ligeiramente ácido e com alta fertilidade natural.

0% de carboidratos. em geral. O valor nutricional das raízes da batata-doce (Tabelas 1 e 2) é semelhante ao da mandioca e da batata. Não existe um ponto específico de colheita das raízes da batata-doce. Coleoptera. A prorrogação do ciclo pode implicar maiores danos por permitir maior número de ciclos das pragas. Para isso. que apresentam raízes muito ricas em vitamina A (Hagenimana et al. mais utilizada na alimentação de monogástricos. A antecipação geralmente corresponde a uma menor produtividade. 350 . que devem ter aproximadamente 300g. devido à colheita de raízes de menor tamanho. Curculionidae) e a broca-das-hastes (Megastes pusialis. 1998). tendo à frente um disco vertical para cortar as ramas. Contudo. O momento de colheita é definido pelo tamanho ou peso das raízes.4 a 29.. 3. A colheita sempre envolve muita mão de obra. contendo em média 85. ocorre entre 120 e 150 dias. parte do amido se converte em açúcares solúveis.8 a 7. se não forem tomadas medidas de controle. mesmo quando algumas etapas são mecanizadas. 2009).dependendo da temperatura e da idade do tecido. Geralmente são equipamentos semelhantes aos arados modificados para facilitar a separação do solo. dependendo da oportunidade de comercialização e uso. Apresenta cerca de 30.2% de amido e de 4. a colheita pode se iniciar aos 90 dias. Durante o armazenamento. A farinha de batata-doce. como o teor de betacaroteno. em virtude de cultivares com coloração amarela ou alaranjada. A mecanização simples consiste em revolver a leira para expor as raízes. tem seu valor descrito na Tabela 4. Pyralidae). Lepidoptera. e seu valor nutritivo está descrito na Tabela 3. além de se formarem raízes grandes e frequentemente mais defeituosas. Em condições ideais de cultivo. pode superar em algumas características.0% de matéria seca na colheita. VALOR NUTRICIONAL A batata-doce é um alimento principalmente energético. podem ser utilizados diversos equipamentos que executam o corte do solo ao lado das leiras ou abaixo delas. A colheita pode ser antecipada ou retardada.8% de açúcares totais redutores (Miranda et al. 1995). mas. atingindo de 13. cujo componente principal é o amido. Estas ocorrem com maior frequência e geralmente causam danos severos.. As principais pragas são a broca-da-raiz (Euscepes postfasciatus. As raízes de batata-doce desidratadas (chamadas de raspas) também são utilizadas na alimentação animal. O enraizamento é mais rápido em condições de temperatura elevada e em ramas recentemente formadas. Outra opção consiste em passar uma lâmina abaixo da zona de crescimento das raízes ou utilizar a colheitadeira de batatas (EMBRAPA.

1 Energia (kcal) 111. Tabela 3.8 Fibras digeríveis (g) 3. Valadares Filho et al.70 89.1 32. Componente Quantidade Água (g) 72. Tabela 2.0 9.55 – 1.0 Vitamina C – ácido ascórbico (mg) 30.4 18.0 Fonte: Woolfe (1992).1 Cálcio (mg) 32.35 Zinco (mg) 0.68 Proteína (%) 4.0 63.78 – 81.0 Vitamina B – tiamina (mg) 96.1 Lipídios (g) 0. (2002).17 – 5.78 NDT (%) 71.06 Carboidratos totais (%) 92.9 28.0 Sódio (mg) 43. Composição química de 100g de raiz de batata-doce crua.0 39. 351 .0 78.5 Fonte: Luengo et al.0 Fibras digeríveis (g) 1.7 1.0 Ferro (mg) 0.0 2. (1947) Valadares Filho et al.0 141.9 19.35 – 92.9 4. (1947).3 0.1 Carboidratos totais (g) 26. Composição média de 100g de matéria fresca de raízes de batata-doce e mandioca e tubérculo de batata.55 Fonte: Rusoff et al.67 – 4. Composição química das raízes de batata-doce desidratadas. Componente Rusoff et al.4 2.0 Vitamina B2 – riboflavina (mg) 55.5 Proteína (g) 1.8 Calorias (kcal) 102.15 Fibra (%) 1.Tabela 1.0 41.1 0.3 0. 2005) 27.5 1.0 Glicídios (g) (Franco.03 Gordura (%) 0. (2000).0 Fósforo (mg) 39. Quantidade Componente Batata-doce Mandioca Batata Umidade (%) 70.0 Magnésio (mg) 10.0 Manganês (mg) 0.28 Cobre (mg) 0.39 4.0 80.2 Vitamina A – retinol (mg) 300.1 Potássio (mg) 295. (2002) Matéria seca (%) 85.0 Vitamina B5 – niacina (mg) 0.47 1.0 50.

O uso de brotações de batatadoce como hortaliça verde tem sido também prioridade de pesquisa em países asiáticos (Xiaoding. não exigindo. 1995). folhas secas de mandioca e feijão preto cru. encontrou as variações na composição química desse alimento apresentadas na Tabela 6. cálcio. trabalhando com silagens da parte aérea de 20 acessos oriundos do programa de melhoramento vegetal do estado do Tocantins e cinco cultivares comerciais de batata-doce. Quantidade 89.6 4.8 a 4.43 4.0 343. sendo um material rico em proteína bruta (15. Seu valor alimentício é semelhante ao das folhas de mandioca (Tabela 5).875 As folhas são excelente fonte de glicídios. 2002).0 303.2 7. Composição química da farinha de batata-doce. detoxificação prévia antes do uso.3 Proteína (g/100 cal) 9.. (2000).0 145.7 Lipídios (g) 0. as folhas de batata-doce superam até o feijão.Tabela 4.58%) (Valadares Filho et al. A rama de batata-doce é constituída das folhas e caules.2 18.0 20. 352 .2 1.5 (Tomich et al. fósforo e ferro..44 1.7 6. mas com a vantagem de não possuir princípios tóxicos (compostos cianogênicos). Composição média de 100g das folhas frescas de batata-doce.0 Ferro (mg) 6. Componente Matéria seca (%) Proteína bruta (%) Gordura (%) Fibra (%) Energia bruta (Kcal/Kg) Fonte: Rostagno et al.3 62.6 7.11 2.4 Proteína (g) 4. 1995).6 Glicídios (g) 10. além de vitamina A e vitamina C (Xiaoding.0 Fonte: Adaptado de Franco (2005).3 Cálcio (mg) 158. portanto.0 91.0 471. uma das principais fontes proteicas utilizadas para consumo humano no Brasil.58 3.0 119. Quantidade Componente Batata-doce Mandioca Feijão preto Calorias 49. Massaroto (2008).4 7.0 Fósforo (mg) 84. 2003). Os valores de pH determinados estão dentro dos valores padrões para silagem de boa a média qualidade de 3. Por unidade calórica.0 1. Tabela 5.

folhas de mandioca e da própria batata-doce ou outro produto rico em proteína. Pode ser integralmente aproveitada para este fim. a utilização de batata-doce na alimentação de suínos e outros animais é uma prática comum. ocorreu um aumento constante no uso de raízes e ramas de batata-doce na alimentação de suínos e outros animais (Dapeng e Xiu-Qing. 2004). principalmente para os animais ruminantes. Papua Nova Guiné e Uganda (Peters et al. Vietnã. Em países como China (Scott. A utilização na alimentação animal é feita principalmente na China e na Tailândia por meio do uso das raspas. que reduzem a digestibilidade de proteínas em raízes não cozidas (Yeh e Bouwkamp. Indonésia. Dickey et 353 .0 – 26. essa deficiência é corrigida pelos produtores por meio da suplementação da dieta com soja. Purcell et al. Diferentes níveis de atividade de inibidor de tripsina são descritos na literatura (Lin e Chen. Folhas e brotos podem ser consumidos por aves e peixes (Silva et al.6 Matéria seca (%) 16.2 Fibra em detergente neutro (% da MS) 37. Variação da composição química das silagens da parte aérea de 20 acessos e cinco cultivares comerciais de batata-doce. é um excelente complemento alimentar energético que pode ser adicionado à ração de animais. onde esse alimento é cultivado.9 – 58.3 Fonte: Massaroto (2008) 4. Tanto as ramas quanto as raízes podem ser fornecidas frescas. BATATA-DOCE NA ALIMENTAÇÃO ANIMAL A batata-doce pode ser utilizada para alimentação de várias espécies animais. Nutrientes Valores Proteína bruta (%da MS) 9.2 Matéria mineral (% da MS) 12.3 a 4.. silagem. 1976). ou mesmo crua. 1984). 2005)..6 – 17. 1985).Tabela 6.0%). A raspa. como suínos e bovinos (Barrera. 1991). Walter et al. Essa restrição se torna pior pela presença de inibidores de tripsina. 2004). no entanto a maioria dos países que pratica a utilização na alimentação animal aproveita as raízes com padrão comercial para consumo humano. nos últimos 30 anos. 1989). Geralmente.. 1980. tanto de ruminantes como não ruminantes. ramas. 1976. 1974. Normalmente.6 – 13..1 – 11.. As raízes normalmente apresentam baixo teor de proteínas (em média de 1. o que pode tornar antieconômica a secagem artificial. Cerca de 43% da produção mundial de batata-doce (50 milhões de toneladas) são utilizadas para a alimentação animal (CIP. A grande limitação para este tipo de utilização é o alto teor de umidade contido na batata-doce fresca (70. e as raízes deformadas ou com qualquer outro defeito que inviabilize a sua comercialização ou consumo pelo ser humano são destinadas aos animais. Filipinas. de alguma forma ele é utilizado na alimentação animal (Scott.2 Estrato etéreo (% da MS) 6. 1998). e mais de 40% do nitrogênio total é nitrogênio não proteico (Purcell et al.0% na MS) (Li. Na China. sem qualquer tipo de tratamento. 1991). constituída de raízes picadas e secas. bem como as ramas.

Resultados do uso da batata-doce na alimentação de vacas leiteiras Trabalhando com farelo de batata-doce. houve maior produção de ácido lático. que a silagem produzida poderia apresentar proporções de até 60. sendo esta pura. Zuohua et al. (2005) verificaram que a silagem de raízes de batata-doce não cozidas promoveu ganho de peso na alimentação de suínos igual ao ganho de peso promovido pelo fornecimento de raízes cozidas.0% de melaço.0% de batata-doce em sua composição. coloração e textura adequadas.. economizar mão de obra e capital do produtor. (2004) observaram aumento dos teores de matéria seca e proteína no fornecimento de raízes e ramas de batata-doce na forma de silagem em relação ao fornecimento do material fresco a suínos. reduzindo o custo de produção da silagem de milho. Verificaram. (1948a. o desenvolvimento dos animais se torna menor. (1954). o que leva muitos a não submeter as raízes a esse processamento.0% de raízes de batata-doce ou acréscimo de 13. é outro problema deste alimento. Ruiz et al. Quando combinada com folhas da mandioca picadas. dessa maneira. tornando trabalhosa a utilização da cultura para este fim (Peters et al. A silagem das ramas (caule e folhas) foi realizada em um experimento de Hall et al.. e não foi percebido nenhum efeito laxativo excessivo para os animais consumindo este alimento. Frye et al. Consequentemente. com a vantagem de eliminar o trabalho de cozimento das raízes tuberosas e. Em um dos 354 . e o retorno econômico para o produtor decresce. ainda.5% de raízes de batata-doce e 3. b) substituíram totalmente o milho no concentrado de vacas Jersey e Guernsey em lactação e não encontraram diferença significativa em produção de leite e gordura de leite e peso vivo.1. além de permitir o armazenamento do material por até cinco meses em condições de anaerobiose. Uma alternativa viável para aproveitar a batata-doce na alimentação animal sem consumir horas de trabalho ou capital do produtor é sua utilização como silagem. o processo consome elevado tempo e alto custo para o produtor. tornando-a inviável para a finalidade. Dessa maneira. 4. A ensilagem reduz o nível de inibidor de tripsina. (1973). Apesar de o processo de cozimento das raízes eliminar esse fator indesejável. As mudanças na composição química do material durante a fermentação anaeróbica da silagem com produção de ácido lático e queda de pH ocorreram em todos os tratamentos com formação de um material de odor característico. Resultados semelhantes foram encontrados por Sutoh et al. sua qualidade se torna superior. Peters et al. 1984). com acréscimo de 15. Com o acréscimo de raízes e melaço. se torna necessária a preparação de material fresco todos os dias. A baixa capacidade de armazenamento in natura. sofrendo ataques de doenças e apodrecimento acelerado. (1980) e Brown e Chavalimu (1985).al. sem afetar-lhe a palatabilidade. exceto em um determinado período no qual as temperaturas se encontravam baixas. 2005). O farelo de batata-doce foi tão palatável quanto o milho moído.

foi avaliado o sabor do leite desses animais consumindo milho e farelo de batata-doce. A variabilidade observada em diversos acessos da cultura torna possível o melhoramento vegetal da espécie visando à melhoria da qualidade nutricional para a alimentação animal (Dapeng e Xiu-Qing. Trabalhando com raiz de batata-doce desidratada em substituição à silagem de milho e soja. CONSIDERAÇÕES FINAIS A batata-doce é um alimento que pode ser usado na alimentação animal com resultados positivos. sendo cultivada em caráter de subsistência em grande parte das pequenas propriedades rurais do país.. os autores concluíram que a batata-doce desidratada pode ser utilizada em substituição à silagem de milho e soja. 1989.ed. L. 355 . Pennisetum purpureum (Pakistan napier grass). (1950) não encontraram diferenças para produção de leite corrigida para 4. Pennisetum sp. Ipomoea batatas (sweetpotato vines) and Cajanus cajan (pigeon pea leaves). mas deve-se lembrar de sua deficiência proteica.. sem diferença entre eles (Frye et al.13. principalmente de vacas leiteiras.. ou não. com resultados satisfatórios na dieta de vacas leiteiras. Technol.experimentos. São Paulo: Ícone. em substituição ao milho. Feed Sci.1-6. Rusoff et al.0% do valor do milho moído como fonte de carboidrato para vacas de leite. (bana grass). suprindo a deficiência desse nutriente. Com esse resultado. talvez por não ser considerada cultura de importância econômica relevante. Batata-doce. mesmo sendo um alimento considerado como concentrado. No entanto. 91p. p. 5. mas deve-se levar em consideração o menor teor proteico e de lipídios desse alimento para ajuste da dieta (Mather et al. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BARRERA. CHAVALIMU. 1948a).L. 1948). Effects of ensiling or drying on five forage species in western Kenya: Zea mays (maize stover). sua importância social é inegável. portanto pode ser usada em substituição. a utilização da batata-doce na alimentação animal. 2. v. A raiz da batata-doce desidratada possui aproximadamente 90. Anim. A silagem da parte aérea tem bom valor nutritivo e também é uma boa opção para utilização na dieta de ruminantes. D.0% de gordura. 1985. P. A raiz é muito energética e pode ser utilizada na forma fresca ou na forma de raspas. No Brasil. BROWN. 2004). não é objeto de grande estudo científico. A parte aérea (ramas) tem um teor proteico considerável e pode ser usada na dieta de vacas leiteiras associada à raiz. com o mesmo consumo dos dois alimentos.

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conforme sua natureza química e utilização pelo animal. Lúcio Carlos Gonçalves3 RESUMO Este capítulo visa definir. norberto@vet.. oxigênio e hidrogênio nas proporções de 1:1:2. Prof. CEP 30123-970. de função mista poliálcool-aldeído ou poliálcool-cetona. saliba@vet. caracterizar e descrever algumas técnicas analíticas. que é determinada pela habilidade dele em absorver os produtos da degradação desses açúcares rapidamente fermentáveis. INTRODUÇÃO O trato digestivo dos ruminantes está adaptado para digerir volumosos. A caracterização dos carboidratos não fibrosos. 1.. DSc. Belo Horizonte. PhD. existe uma limitação destes pelo animal. Titular Departamento de Zootecnia da Escola de Veterinária da UFMG.ufmg. Prof. Os sistemas de produção modernos estão baseados em altas concentrações de carboidratos rapidamente fermentáveis nas dietas. carbo-hidratos. MG. fazer um estudo do metabolismo dos principais carboidratos não fibrosos utilizados na alimentação de bovinos leiteiros e apresentar considerações sobre a acidose ruminal.ufmg. sacarídios são substâncias biológicas sintetizadas pelos organismos vivos. constituídas por carbono.CAPÍTULO 20 CARBOIDRATOS NÃO FIBROSOS NA ALIMENTAÇÃO DE GADO DE LEITE Eloísa de Oliveira Simões Saliba1.br 1 359 . glicídios. MG. Norberto Mario Rodriguez2. luciocg@vet.. Os carboidratos podem ser classificados em várias categorias. Belo Horizonte.. CARACTERIZAÇÃO DOS CARBOIDRATOS Carboidratos. CEP 30123-970. Belo Horizonte. CEP 30123-970. hidratos de carbono. elaborando dietas nutricionalmente equilibradas que resultarão em desempenhos animais satisfatórios. sua quantificação na dieta.br 2 Bioquímico. Caixa Postal 567. glucídeos. Caixa Postal 567. Química. Prof.ufmg.br 3 Engenheiro Agrônomo. pela grande quantidade de energia requerida pelos animais. Associado Departamento de Zootecnia da Escola de Veterinária da UFMG. glúcides. Associado Departamento de Zootecnia da Escola de Veterinária da UFMG. DSc. Caixa Postal 567. MG. Entretanto. e o entendimento de seu metabolismo são importantes para que o nutricionista possa utilizá-los racional e adequadamente.

carboidratos não estruturais ou não fibrosos(CNE). A Tabela 1 mostra essa classificação: Tabela 1. A disponibilidade dos carboidratos não fibrosos pode ser definida como a susceptibilidade a enzimas microbianas. e o tetrassacarídeo estaquiose (frutose + glicose + 2 galactoses). o dissacarídeo sacarose (glicose + frutose).carboidratos estruturais ou fibrosos(CE). lactose (glicose + galactose) e maltose (2 moléculas de glicose ligadas α-1. 2 . diferentemente dos açúcares e amidos.As duas principais classes são: 1 . Classificação nutricional dos carboidratos. 1994). amido e pectina é também classificado como carboidratos não fibrosos (CNF). 360 .4). 1993. 1994). a fibra que garante a resistência física. a pectina não pode ser digerida por nenhuma enzima animal. Chesson e Forsberg. de trissacarídeos rafinose (frutose + glicose + galactose). Porém. A pectina está presente na parede celular. Os carboidratos estruturais compõem a parede celular dos vegetais. 1997). mas é também classificada como carboidrato não estrutural por ser totalmente solúvel em detergente neutro e ser rápida e extensamente degradável pelos microrganismos ruminais (Van Soest. São fonte de energia prontamente disponível ou de reserva para a planta (de Visser. Estes incluem os monossacarídeos glicose e frutose. Classe química Monossacarídeos Carboidrato presente glicose frutose galactose Oligossacarídeos a) dissacarídeos b) trissacarídeos c) tetrassacarídeos Polissacarídeos a) reserva sacarose lactose maltose rafinose estaquiose amido dextrina Gomas substâncias pécticas b) estrutural hemiceluloses celulose lignina                                                                                                                             O amido bem como os açúcares compõem o grupo dos CNE e são assim classificados por estarem presentes no conteúdo celular das células vegetais. O grupo dos carboidratos formados pelos açúcares. também sendo classificada como fibra solúvel (Hall.

Em solução aquosa. dissacarídeos. possuem a propriedade de serem solúveis em água. como a sacarose da cana-de-açúcar e o amido dos grãos de cereais. formando uma estrutura cíclica. possuindo. oligossacarídeos e polissacarídeos. tubérculos e raízes. que são aldoses. Somente uma pequena parte dos carboidratos sintetizados pelas plantas durante a fotossíntese encontra-se na forma de monômeros livres. devido à 361 . estruturas destrógiras ( D ) e levógiras ( L ).32 para 0. 130. As hexoses mais comuns são a glicose. que. Hall (1998) determinou o efeito de diferentes níveis de sacarose (65. que é a capacidade de girar as ondas unidirecionais da luz polarizada. também chamados de açúcares. sendo constituinte de compostos energéticos-chave na nutrição e alimentação de ruminantes. a qual é parte da molécula do amido hidrolisada e a pectina. A existência de carbonos assimétricos (carbonos com quatro substituintes diferentes) confere aos monossacarídeos a propriedade de isomerismo óptico. Devido à solubilidade em água e à reatividade. como amido (composto de glicose ligada α1. A produção de proteína microbiana foi linearmente incrementada com o aumento da sacarose. A maioria dos carboidratos não estruturais dos alimentos para ruminantes é composta por moléculas de monossacarídeos de 5 a 6 átomos de carbono.Ainda incluem os polissacarídeos de reserva. Em um estudo in vitro. as hexoses sofrem uma interação intramolecular. dissacarídeos e oligossacarídeos. e a arabinose e a xilose fazem parte de polissacarídeos complexos da parede celular como a pectina. A Figura 1 apresenta a fórmula química de alguns açúcares presentes nos alimentos. mediante o ataque do seu carbonilo por um dos seus grupos hidroxila. A glicose e a galactose são aldoses. combinam-se para formar Os monossacarídeos. a arabinose e a xilose. as formas cíclicas são frequentemente muito mais estáveis do que as formas lineares. carboidratos monoméricos.4) e dextrina.23 (mg de proteína bruta microbiana/mg de sacarose). enquanto a frutose é uma cetose. As pentoses mais comumente encontradas são a ribose. A ribose é também constituinte do ácido ribonucleico (RNA). A glicose é o monossacarídeo mais importante do grupo dos carboidratos não estruturais. Em solução aquosa. Os monossacarídeos podem converter-se em formas cíclicas. e 195mg) fermentados com 130mg da fibra em detergente neutro (FDN) de capim-bermuda. ou como carreadores de energia. Os monossacarídeos. esses são rapidamente utilizados pelas plantas como intermediários para a síntese de compostos complexos. e a isomeria geométrica. e a eficiência de produção decresceu linearmente de 0. a galactose e a frutose. portanto. na forma de pentanel (furano) ou na forma de hexanel (pirano).

interação intramolecular das hidroxilas dos carbonos 1 e 2 dos monossacarídeos podem orientar-se espacialmente na configuração cis ( α )(+) ou trans ( β)(-). 362 . Fórmula química de açúcares. (2004). Figura 1. Fonte: Tester et al.

2004) e tem estrutura bastante ramificada.920 resíduos de glicose e pode ter de nove a 20 pontos de ramificação [ligações α-(1 → 6)] e de 3 a 11 cadeias lineares (Hoover. a complexa organização das ramificações α-(1 → 6) é responsável pelo empacotamento denso e semicristalino dos resíduos de glicose nos grânulos de amido. a amilose e a amilopectina. unidas por ligações α-(1 → 4). 1973). encontraram resultados em que a sacarose aumentava a produção de gordura no leite. A molécula é composta de 324 a 4. As cadeias lineares de glicose. 363 . Segundo Ball et al. 1997). Apresenta peso molecular entre 1 x 107 e 1 x 109 Da (Tester et al.0% por ligações α-(1 → 6) (French. Estima-se que 95. Este possui aproximadamente 99. 2001. Em dietas em que a sacarose foi substituída pelo amido do milho (0.Quando a interação ocorre entre os carbonos 1 e 4.0% por ligações α-(1 → 6). A substituição do açúcar pelo amido do milho alterou a fermentação ruminal e os produtos. a partir da polimerização da glicose. O amido é sintetizado em estruturas vegetais denominadas plastídeos: cromoplastos das folhas e amiloplastos de órgãos de reserva. e os outros 5. encontraram aumento no consumo de matéria seca e no conteúdo de gordura do leite. Esta denominação é importante para compreensão das ligações glicosídicas que dão origem aos carboidratos formados pela condensação de açúcares simples. ao tamanho da molécula e consequentemente pelas propriedades químicas. sendo considerada uma das maiores moléculas conhecidas. o amido é formado por dois polímeros de glicose. A amilopectina ode conter mais de 15 mil resíduos de glicose.. A amilopectina (Figura 3) é uma molécula maior que a amilose.0 a 7.0% dos resíduos de glicose estejam unidos por ligações α-(1 → 4). Tester et al. n moléculas de glicose ===> amido + água Quimicamente. A amilose (Figura 2) é um polímero longo e relativamente linear. disposto em dupla hélice. forma-se a α-glicose furanósica (os grupos OH dos carbonos 1 e 2 estão em posição cis) ou a forma β-glicose furanósica (os grupos OH do carbono 1 e 2 estão em posição trans). O peso molecular varia de acordo com a origem botânica e encontra-se entre 1 x 105 e 1 x 106 Da. em dois trabalhos em que substituíram a sacarose por amido da dieta de vacas em lactação. Essas cadeias são relativamente longas e podem conter de 200 a 700 resíduos de glicose. como a proporção molar de butirato. (1998). têm pontos de ramificação α-(1 → 6) a cada 20 a 25 resíduos de glicose (Chesson e Forsberg..0% dos resíduos de glicose unidos por ligações α-(1 → 4) e 1. Esses dois polímeros diferenciam-se entre si quanto ao tipo de estrutura química. que foi aumentada e pôde explicar o aumento da gordura do leite. mas os resultados eram bastante variados.5% da matéria seca da dieta). como no caso do amido. resultante da fotossíntese. (2000). Broderick et al. 2004).

mas. A molécula linear pode conter cadeias moderadamente longas ligadas por ligações α-(1 → 6). com diâmetros variando de 1 a 200μm e nos formatos redondo. Saliba et al.. um α-(1 → 4)-glucano. Os grânulos de menor diâmetro são encontrados nos cloroplastos. em 2009. Fonte: Tester et al. raízes e tubérculos (Chesson e Forsberg. as internas (b) contêm de 20 a 30 resíduos. 1996). enquanto os de maior são encontrados nas hastes.0% de amilose e 70.Figura 2. Amilose. Os amidos dos tubérculos (batatas) são grandes e geralmente redondos. 1997). Os tamanhos das cadeias a e b podem variar com a origem botânica do amido. oval e/ou poligonal. sementes. n = 1000.0% de amilopectina (Wang et al. A amilose e a amilopectina encontram-se empacotadas nas plantas na forma de pequenos grânulos. com pontos de ramificação α-(1 → 6). Fonte: Tester et al. (2004). 1998). 364 . na maioria das espécies.. o amido é composto por 30. O trigo é o cereal que apresenta os maiores grânulos de amido e no formato oval (Asp et al. Amilopectina. As cadeias externas (a) contêm de 12 a 23 resíduos de glicose.. enquanto os amidos dos cereais são pequenos e poligonais. lenticular. (2004). Figura 3. A porcentagem de amilose e de amilopectina varia com a origem botânica do amido. estudando nove variedades de mandioca. encontraram valores de diâmetro dos grânulos de amidos variando de 9 a 16μm.

AG 9010 milho Figura 4. As 365 . germinação de grãos. crescimento e rebrota (Wang et al.. O amido é um polissacarídeo não estrutural de elevado peso molecular e sintetizado pelas plantas superiores com função de reserva energética nos períodos de dormência. BRS 610 sorgo BRASÍLIA CURVELINHA Figura 5. do sorgo e da mandioca. avaliados por meio da microscopia eletrônica de varredura (SEM).As Figuras 4 e 5 demonstram a ultraestrutura dos grânulos do amido de milho. 1998). SEM do milho e sorgo. SEM da fécula de duas variedades de mandioca brasília e curvelinha.

]. não é recuperada na fibra em detergente neutro (FDN) (Van Soest. 1989). o que pode refletir nas diferenças na composição bioquímica do amido e na interação desse com a matriz proteica. dos principais alimentos ricos em amido utilizados na alimentação de ruminantes podem ser descritos como 75. as moléculas de pectina podem ser constituídas por glicose. a constituição em açúcares das moléculas de pectina é variável (Voragen et al. 71. e as ramnogalacturonanas (também conhecidas por ácido poligalacturônico). 1994).9 no sorgo. 70. responsável pela rigidez dos tecidos vegetais (Devlin. 2001). β-(1→4) etc. em parte. Diversos tipos de processamentos são aplicados aos grãos de cereais com a finalidade de romper as pontes de hidrogênio dentro dos grânulos de amido. tubérculos e grãos. o que torna o estudo da estrutura tridimensional da molécula muito difícil.7 a 79. Valadares Filho et al.. 20021). Ben-Ghedalia et al.plantas armazenam o amido nas raízes. α-(1→2). Além do ácido galacturônico.. Segundo Hatfield e Weimer (1995) e Voragen et al. em porcentagem da matéria seca. 1991). Portanto. que forma homopolímeros compostos por α-(1→4)-D-ácido galacturônico. caules. Salisbury e Ross. Os teores de amido. 1997). 1975. melhorando a capacidade de hidratação desses. Os grânulos íntegros apresentam baixa capacidade de absorção de água por serem estabilizados por grande quantidade de pontes de hidrogênio inter e intramoléculas de amilose e amilopectina. o amido tornase mais susceptível à digestão enzimática (Flint e Forsberg.. Algum amido pode ser descrito como amido resistente. As moléculas de pectina estão ligadas covalentemente com a celulose e as hemiceluloses. 19911. que tende a se reorganizar parcialmente com as reduções da temperatura e do conteúdo de água do meio devido ao restabelecimento parcial das pontes de hidrogênio.3 na mandioca (Nocek e Tamminga. o que pode reduzir a digestibilidade ruminal e intestinal desses amidos (Asp et al. A pectina é uma substância amorfa parcialmente solúvel em água e é completamente solúvel em detergente neutro. O amido resistente pode ocorrer naturalmente nos alimentos ou ser produzido durante o processamento deles quando o amido é aquecido e resfriado. xilose e arabinose (Lewis.3 a 62. os diversos açúcares podem estar ligados entre si por até 20 tipos de ligações covalentes diferentes [α-(1→4). A lamela média é a região localizada entre duas células vegetais contíguas. Está localizada na lamela média da parede celular vegetal e funciona como substância de adesão entre as células. galactose e ramnose. (1993). processo denominado retrogradação (Hoover. A temperatura de gelatinização do amido varia com o tipo de grão. sendo não degradado no organismo animal. Dessa forma. Os grãos são a principal fonte de amido na alimentação humana e animal.. Os principais componentes das pectinas são o ácido galacturônico.3 no milho. 1995). podendo conter até 80% de seu peso seco em amido (Buléon et al. sendo. Isto acontece devido à instabilidade do amido gelatinizado. 1996). Encontram-se ligadas entre si por meio de interações não covalentes 366 . 1993. Esse processo de reorganização dos grânulos tende a aumentar a proporção de amido resistente ao ataque das amilases dos alimentos previamente gelatinizados. Contudo. 1993). que são heteropolímeros constituídos por α-(1→2)-L-ramnose-α-(1→4)-D-ácido galacturônico (Salisbury e Ross. Esse processo é denominado gelatinização.7 a 66. 1991)..

e normalmente a amilopectina predomina. refratometria. Determinação de açúcares livres Os açúcares livres presentes nas plantas forrageiras são a glicose. sem a necessidade de clivagem enzimática e pela rápida e extensa degradação ruminal (98. segundo Hatfield e Weimer (1995). FUNDAMENTOS DA METODOLOGIA ANALÍTICA As gramíneas de origem temperada acumulam frutosanas como principal carboidrato de reserva.0%).0% da parede celular como pectina. as gramíneas temperadas também acumulam certa quantidade de amido. a frutose e a sacarose. Leguminosas 5-15 1-7 0 A solubilidade de alguns carboidratos está descrita na Tabela 3. em contraste. a rafinose e a estaquiose.0%).0 a 8. a ausência de ligação da pectina com a matriz lignificada pode ser comprovada pela fácil solubilidade desta em água e em detergente neutro. Como se pode verificar na Tabela 2. pode-se sugerir o melhor método de extração para os carboidratos.com os íons cálcio (Salisbury e Ross. a polpa cítrica é a fonte mais comum de pectina na dieta dos ruminantes no Brasil. respectivamente. Destes. Segundo Van Soest (1994). 25. Os métodos para analisar esta fração são gerais e descritos por método da diferença.0% e 10. métodos enzimáticos e cromatográficos ( HPLC). A glicose e a frutose compreendem quase a totalidade de açúcares redutores livres. 367 . Outros açúcares livres são a maltose. sendo que as folhas e hastes da alfafa.0%) e polpa de maçã seca (19. que ocorrem em pouca quantidade. A glicose e a frutose são os principais monossacarídeos presentes nas forragens (1. A quantidade de pectina varia entre as diferentes partes da planta. polarimetria.1.0% em 12h). em média. o conteúdo de frutosanas nestas últimas é nulo.0% de pectina). colorimetria.0%). 2. possuem. 1991). Com base na solubilidade.0 a 30. 2. já a sacarose pode estar em níveis mais elevados (2. como a polpa de beterraba e de outros tubérculos (25. polpa cítrica (25. Conteúdo de carboidratos não estruturais nas plantas. Alguns subprodutos da agroindústria são particularmente ricos em pectina.0 a 3.0 a 20. muitas de origem tropical e leguminosas acumulam amido. Tabela 2. Gramíneas Gramíneas Grãos de Componentes tropicais temperadas cereais Açúcares 5 10 traços Amido 1-5 1-6 80 Frutosanas 0 1-25 0 Fonte: Van Soest (1994). a melobiose.

inulina (PM 5000) Sol. A técnica utiliza instrumentos conhecidos como refratômetros. o feixe emergente vibra em somente um plano e é dito polarizado. Quando a rotação específica de um açúcar é conhecida.1. Insol. 1997. 2. amilopectina Insol. A refratometria não é um método específico (Galyean. Fonte: Galyean. + Insol. na prática. + Sol. sabendo-se que o índice de refração é proporcional à concentração da solução. Este procedimento usa aparelhos denominados polarímetros e é baseado no princípio de que açúcares são 368 .Tabela 3. 2. Solubilidade em água e etanol dos principais carboidratos. + Insol. Sol. Insol. Insol. Sol. Insol. Solubilidade Carboidrato Água Etanol 25ºC 60ºC 80. Sol. + Insol. Insol. + Insol.1.(% umidade +% cinzas +% EE +%PB + %FB). É dependente da concentração dos açúcares. Sol. 2.1. Sol.0% Açúcares livres glicose Sol. frutose Sol. + Sol. Refratometria É baseada na medida do índice de refração de uma solução preparada do alimento. Sol. os aparelhos são chamados sacarímetros. + Sol.3.1. e se o feixe de luz passar através de certos minerais. Polarimetria O princípio deste método é baseado no fato de que a onda de luz normalmente vibra transversalmente ao eixo de propagação e o feixe no plano em todas as direções. O método é utilizado para medida rápida do conteúdo de açúcar em sucos. Frutosanas levam (baixo PM) Sol. Método da diferença A obtenção do conteúdo de carboidratos disponíveis é calculada pela estimativa de todas as outras frações pela análise proximal: % Carboidratos disponíveis = 100 . Sol. 1997). + Sol. + Sol. o polarímetro pode ser usado para determinar a quantidade de açúcar presente em solução. sacarose Sol. Amido amilose Sol. Insol.2. + Sol. Sol. levam (alto PM) Sol. maltose Sol.0% 90. Sol. + Sol. Sol.

A HPLC é uma cromatografia em que a fase móvel é inserida na coluna (local onde está presente a fase estacionária) com o auxílio de bombas. C = concentração do açúcar em solução em g/mL. A intensa cor azul do amido em presença de iodo é devido à amilase. em que se utilizava apenas a força gravitacional. e vários reagentes produzem cor. Um grande número de reações químicas ocorre com os açúcares. e = comprimento do caminho do açúcar em dm. Determinação de amido O amido pode ser fracionado em amilase e amilopectina pela gelatinização em água à temperatura e pressão elevadas. eles podem girar a direção do feixe no plano da luz polarizada (luz de um comprimento de onda movendo em um plano). arrastando o constituinte que se deseja separar e quantificar.4. 369 . 2. se torna mais rápida e eficiente em relação à cromatografia líquida clássica. uma de grande área superficial (fase estacionária).1. quando uma luz passa através de uma solução. 2. resultando na coloração da solução. A técnica. 2. A quantidade de rotação do feixe é dependente da concentração de açúcares em solução em uma relação linear em que: α = rotação específica do açúcar a 20ºC. Colorimetria O princípio da colorimetria é baseado no fato de que. e outros não. A extensão da cor relata a concentração do açúcar.1.6. a amilopectina tem coloração vermelha ou violeta. Cromatografia líquida de alto desempenho (HPLC) A técnica da cromatografia está baseada no princípio da separação dos constituintes da amostra a ser analisada entre duas fases. 2.opticamente ativos. e outra que percorre a primeira (fase móvel). que é relacionada com padrões.5. O procedimento geral estima a glicose. isto é.1. β = rotação observada. alguns comprimentos de onda são absorvidos. então. É um método utilizado para determinar lactose no leite (requer clarificação da solução antes da medição). Métodos enzimáticos São utilizados na forma de kits testes. a frutose e a sacarose.2.

colorimetria. (1990).1.. O conteúdo de amido pode ser determinado por precipitação e gravimetria ou titulação de precipitado. 2. tem-se um extrato de amido. então. e a hidrólise da dextrose é completada com amiloglucosidase). hidrólise extracelular e transporte para o interior da célula das substâncias necessárias para o metabolismo animal. protozoários e fungos (Tajima et al. Os protozoários 370 . com solução concentrada de CaCl2. procede-se à precipitação do amido com iodo. Os métodos que envolvem a hidrólise ácida estão sujeitos a erros causados pela hidrólise de polissacarídeos não amiláceos. Após extração.2. e depois pode ser separado. Métodos de extração a) O ácido perclórico é um eficiente extrator do amido. O amido liberado é determinado colorimetricamente com solução de antrona. como acético. e a glicose é medida usando-se a glicose oxidase (amido quente gelatinizado dos produtos de trigo pode ser hidrolisado pela αamilase. O rúmen possui uma coleção muito concentrada e diversificada de microrganismos anaeróbicos. propiônico e butirico. que deve ser recebido em iodo (complexo I . 1999). 3. O método é baseado na extração do açúcar solúvel em etanol a 80.0%. que pode ser determinada pela técnica química ou físico-química. O amido pode ser extraído e dispersado em solução coloidal. De acordo com Herrera-Saldana et al. incluindo bactérias. 2. A quantificação do amido pode ser é gravimétrica. por causa da sua predominância numérica e pela diversidade metabólica. ou indireta. A fermentação é um processo que envolve reações com produtos finais. b) O amido pode também ser extraído a quente. como metano. o extrato livre de açúcar deve ser tratado com HClO4 70% e. pela polarometria.2. Portanto. determinando-se o teor de iodo por titulação ou colorimetria (Na2S2O4). METABOLISMO DOS CARBOIDRATOS NÃO ESTRUTURAIS A digestão é um processo que envolve solubilização. ou como glicose após hidrólise química ou enzimática.amido). Métodos de hidrólise A hidrólise ácida do amido produz glicose. e a degradação é um processo que compreende a etapa de digestão e fermentação. vários métodos empregam a hidrólise ácida e enzimática. o amido pode ser determinado pela hidrólise com α-amilase e amiloglucosidase. posteriormente em álcali que decompõe o complexo.2. amônia e ácidos graxos de cadeia curta. que por outro lado pode destruir a dextrose. As bactérias são responsáveis pela maior parte da digestão dos alimentos no rúmen.A determinação de amido em alimentos pode ser feita de diversas formas.

Embora todas essas espécies de bactérias cultivadas em culturas puras in vitro possam digerir grânulos de amido isolados. A pectina é rápida e completamente degradada no rúmen pelas espécies de bactérias Prevotella ruminicola. Lachnospira multiparus e Succinivibrio dextrinosolvens (Chesson e Monro. Muitas espécies de bactérias são capazes de digerir açúcares e amido no rúmen. individualmente são incapazes de produzir todas as enzimas digestivas necessárias para a digestão completa dos grãos dos cereais. a habilidade de digerir o amido in vitro pode não se manifestar na mesma intensidade na digestão do amido dos grãos dos cereais no rúmen. Marounek e Dusková (1999) estabeleceram que o Butyrivibrio fibrisolvens 787 apresentou maior atividade pectinolítica in vitro que o Prevotella ruminicola AR29. Os fungos ruminais somente foram descobertos recentemente e atuam sobretudo na digestão da fibra. Russell e Rychlik. 1997). Prevotella ruminicola. 371 . e suas enzimas digestivas hidrolisam os nutrientes solúveis dos alimentos. Eubacterium ruminantium e Clostridium spp. Ruminobacter amilophylus. 1996). Essa diferenciação é importante porque o amido é fornecido para os ruminantes na forma de grãos de cereais e está protegido do ataque microbiano pelo pericarpo.0 a 50. Butyrivibrio fibrisolvens. Após a exaustão dos nutrientes digestíveis na superfície dos alimentos pelas primeiras colônias de bactérias. Succinomonas amylolytica e Selenomonas ruminantium. 2001).. pois a biomassa de fungos aumenta substancialmente em dietas ricas em volumosos e praticamente está ausente em dietas ricas em concentrados à base de grãos de cereais (Orpin e Joblin. a maioria das espécies e o número de protozoários por unidade de conteúdo ruminal podem ser muito reduzidos (ou mesmo exauridos) naqueles animais alimentados com dietas contendo mais de 75. 1988. (Cotta. Nos alimentos ricos em amido. 1990). Russell e Rychlik.0% de concentrados à base de grãos de cereais devido possivelmente ao baixo valor de pH do rúmen. Butyrivibrio fibrisolvens. Porém. 1982. 2001). 1998). o processo digestivo começa quando as bactérias amilolíticas do líquido ruminal são atraídas e se aderem à superfície dos grânulos de amido logo que o alimento adentra o rúmen. pela parede celular e pela matriz proteica. O aumento progressivo de concentrados ricos em amido em dietas à base de forragem estimula o aumento da população de protozoários no rúmen devido ao aumento no suprimento de substratos energéticos rapidamente fermentáveis. reforçando a hipótese de seletividade das espécies de microrganismos aos diferentes tipos de substratos (McAllister et al. As colônias primárias se multiplicam rapidamente. entre as principais: Streptococcus bovis. baixa taxa de salivação e ao aumento da taxa de passagem (Franzolin e Dehority.0% da biomassa e com atividade enzimática total no rúmen (Santra e Jakhmola.são os microrganismos ruminais de maior tamanho e podem contribuir com 40. Portanto. novas colônias fisiologicamente distintas são atraídas para completar a digestão dos componentes nutricionais nas superfícies dos alimentos.

a aveia e a cevada são mais rápida e extensamente fermentados no rúmen que o sorgo e o milho (Herrera-Saldana et al.. A pectina não é degradada pelas enzimas animais (Van Soest et al. Hall et al.. Os grãos de trigo. 1990).A taxa e a extensão da digestão do amido no rúmen diferem entre as fontes do amido (Rooney e Pflugfelder. 1991. O acetato é o principal ácido graxo volátil produzido no rúmen pelos microrganismos ruminais. em que a pectina das folhas frescas de gramíneas foi mais extensamente fermentada no rúmen que a pectina do feno de alfafa (Hall. As matrizes proteicas dos grãos de milho e de sorgo são extremamente resistentes à degradação. sendo que estudos mostraram que a pectina isolada da folha da alfafa foi mais rapidamente degradada que a pectina da haste. O ATP gerado é a principal fonte de energia química prontamente disponível para o crescimento e a manutenção de todos os microrganismos. enquanto menos de 10.0% do amido do milho e do sorgo podem escapar da fermentação ruminal. 1997). O processamento físico dos grãos geralmente aumenta a taxa e a extensão de fermentação do amido no rúmen com redução da quantidade de amido disponível para a digestão no intestino delgado (Mathison. A taxa e a extensão da degradação da pectina são similares aos carboidratos não estruturais. Porém. Os ácidos graxos voláteis (AGV) são absorvidos através da parede ruminal e representam a maior fonte de energia para o ruminante (Bergman.. porém a fermentação da pectina aumenta a produção de acetato e geralmente não determina a produção de ácido láctico durante a fermentação (Hatfield e Weimer. a extensão da fermentação pode ser diferente entre as diversas frações da planta. 1996). Há também diferenças entre espécies. Mertens.0% do amido do trigo e da cevada chegam ao intestino delgado (Orskov. A maioria dos microrganismos ruminais fermenta a glicose e outros monômeros resultantes da hidrólise dos carboidratos até o piruvato utilizando a via da glicólise (Ciclo de Embden-Meyerhof). 1990). aveia e trigo são facilmente digeridas no rúmen. é extensa e rapidamente degradada pelos microrganismos no rúmen em contraste com as outras frações fibrosas dos alimentos (Hall.0% dos ácidos graxos voláteis produzidos nas dietas ricas em volumosos e mais de 50. Ainda. 1995). 1994).0% nas dietas ricas em concentrados. 1986) e com o método e a intensidade do processamento (Theurer et al. podendo representar até 75. 372 . do tipo de carboidrato fermentado e do ambiente ruminal durante a fermentação. A proporção molar de cada produto final depende das espécies de microrganismos envolvidas. 1986). gás carbônico e metano. 1996).. enquanto aquelas da cevada. A susceptibilidade das matrizes proteicas à digestão microbiana ajuda a explicar por que mais de 40. 1999). O piruvato é a substância na qual todos os carboidratos são convertidos antes de serem transformados em ácidos graxos voláteis. 1994. o que proporciona aos microrganismos dois moles de adenosina trifosfato (ATP) e dois moles de nicotinamida adenina dinucleotídeo reduzido (NADH2).

no ruminante. Porém. a proporção acetato:propionato também diminui. 1994. A primeira via envolve a formação do oxaloacetato e succinato. por ser o principal AGV produzido no rúmen. O tipo de substrato fermentado e as condições do meio determinam as espécies de microrganismos ruminais que preferencialmente conseguirão proliferar. A via mais importante é o inverso da β-oxidação. é o principal substrato utilizado para a lipogênese que.A principal via bioquímica de produção do acetato pelos microrganismos ruminais envolve a conversão do piruvato a formato e acetil-Coenzima A (Acetil-CoA) pelo sistema enzimático da piruvato liase. se ocorre (Reynolds et al. em que são utilizadas duas moléculas de acetato. Em geral. 1970). Na outra via. como o piruvato ou o glutamato. 1990). a via do acrilato pode ser mais importante no rúmen de animais que estão consumindo dietas ricas em concentrados (Leng. Reynolds. Existem duas vias conhecidas de conversão do piruvato até propionato. o que permite o prosseguimento do processo fermentativo (Fahey Jr. pois a absorção líquida de glicose pelo trato gastrointestinal é muito pequena. A gliconeogênese possui importância crítica para a manutenção dos níveis plasmáticos de glicose no ruminante. quando essa relação diminui. Além disso. A glicose pode suprir somente quantidades desprezíveis de acetil-CoA para a lipogênese nos ruminantes devido a baixos níveis da enzima ATP-citrato liase. 1970). A síntese do butirato a partir do acetato.. ao contrário do que ocorre nos não ruminantes. 1995). O formato é convertido posteriormente a CO2 e H2 por outros microrganismos ruminais: Piruvato + CoASH → Acetil-CoA + HCOOPiruvato + CoASH + H+ → Acetil-CoA + CO2 + H2 O acetato é a fonte mais importante de energia metabolizável para o ruminante. e Berger. processo metabólico que ocorre no fígado e nos rins (Bergman. resulta na regeneração de cofatores oxidados. A síntese do butirato pode ocorrer no rúmen a partir do acetato ou de outros compostos que resultem em acetil-CoA. o malonil-CoA se combina com o acetil-CoA. Têm sido descritas duas vias de síntese de butirato no rúmen. A primeira via é a mais ativa na formação do propionato. consequentemente determinam os produtos finais gerados na fermentação. que posteriormente é reduzido até o butirato pela via do crotonil-CoA (Leng. ocorre no tecido adiposo. e a segunda envolve a conversão do piruvato a lactato e esse último a acrilato. A proporção molar dos ácidos graxos voláteis é principalmente influenciada pela relação volumoso:concentrado das dietas. embora sem benefícios para as bactérias. 1993). 373 . O propionato absorvido é o principal substrato gliconeogênico do ruminante.

. há grande aumento da produção de ácidos graxos voláteis e de lactato. 1980. 2002). 1998). pois tem pKa mais baixo (3.7..9) que os ácidos graxos voláteis (4. Concomitantemente. para produzir lactato como principal produto final da fermentação em pH menor que 5. 1985. CONSIDERAÇÕES SOBRE ACIDOSE RUMINAL As dietas fornecidas aos ruminantes estão cada vez mais ricas em concentrados (ricas em grãos de cereais) para atender ao aumento das exigências nutricionais dos animais de alta produção. fosfato e ureia. Owens et al. podendo proliferar em condições de acidez limitantes para a maioria dos microrganismos ruminais (Therion et al. os mecanismos tamponantes do rúmen (a saliva. a ácidos graxos voláteis. Os microrganismos anaeróbicos ruminais fermentam rapidamente as fontes de carboidratos não estruturais. Além disso. são alguns dos microrganismos mais resistentes ao baixo pH do meio. principalmente do Streptococcus bovis. O aumento da disponibilidade de carboidratos não estruturais e a consequente queda do pH provocam intensas modificações do ecossistema ruminal. em algumas situações. foi demonstrado por Russell e Dombrowski (1980) que a capacidade de produção de lactato pelos Streptococus bovis e Lactobacillus vitulinus aumentou quando o pH do meio foi reduzido para valores menores que 5.0. Quando o suprimento de carboidratos rapidamente fermentáveis aos animais é aumentado abruptamente. H2. com redução da degradação dos carboidratos estruturais. também a lactato. 374 . que deixa de produzir acetato. etanol e formato quando cultivado em pH acima de 6.0 (Russell e Dombrowski. Dawson et al. principalmente os açúcares e amido.4. O acúmulo de lactato faz o pH cair mais rapidamente. essas espécies potencialmente contribuem para o progresso e a perpetuação da acidose ruminal por acelerar a queda do pH devido ao aumento da produção de lactato na acidose (Russell e Hino. metano e. 1985. 1985). 1998. quando os animais são alimentados com dietas ricas em concentrados. levando-o para níveis críticos abaixo de 5.. tornando-se o principal microrganismo produtor de lactato no rúmen em acidose (Russell e Baldwin.7-4. 1982). o lactato pode se acumular a níveis não fisiológicos no líquido ruminal.. Asanuma e Hino. Há aumento da população dos amilolíticos. As mudanças no ecossistema ruminal com o supercrescimento das bactérias produtoras de lactato são muito rápidas e podem ocorrer em menos de 24h (Dawson et al. resultando em acidose ruminal (Russell e Hino. Os grãos de cereais são ricos em amido e representam as principais fontes de carboidratos não estruturais dessas dietas. Dessa forma. 1982). Therion et al. Há redução da população de microrganismos celulolíticos. que contém bicarbonato. Russell e Hino. Dessa forma. 1997). CO2. 1979.9). 1997). porque esses microrganismos são muito sensíveis ao pH menor que 6. há inibição da população de microrganismos consumidores de lactato como a Megasphera elsdenii e Selenomonas ruminantium (Nocek. O Streptococus bovis e os Lactobacillus spp.5. e a absorção dos AGVs) podem não conseguir manter o pH ruminal.5 devido ao acúmulo indesejável de AGVs e lactato no rúmen (Hall.. Dessa forma. 1997). uma vez que esse ácido é mais forte que os ácidos graxos voláteis.

No entanto. 5. O L-lactato é rapidamente metabolizado pelas enzimas do ruminante. 1997). A pectina. o D-lactato é considerado mais tóxico.0% do lactato presente no rúmen. paraqueratose. em pH maior que 6. 1976). enquanto o D-lactato necessita atravessar a membrana mitocondrial antes de ser oxidado pela enzima D-2-hidroxiácido desidrogenase. apesar de os animais não parecerem doentes (Slyter. a acidez e a osmolaridade do líquido ruminal aumentam marcadamente com o acúmulo de lactato e de glicose livre. Ambos L e D isômeros do ácido láctico são produzidos pelos microrganismos ruminais na proporção de 4:1. o D-lactato pode representar mais de 50.. CONSIDERAÇÕES FINAIS O grupo dos carboidratos não fibrosos é constituído pelos açúcares e amido. por estimular a absorção dos ácidos graxos voláteis (Owens et al. permitem que o rúmen (microrganismos e mucosa) se adapte gradativamente ao aumento de concentrados na dieta.. o correto balanceamento dos carboidratos da dieta e o monitoramento do tamanho da partícula das forragens fornecidas. como etanol. desidratação grave.. 1998). histamina. abscessos hepáticos. sendo assim classificado por estar presente no conteúdo celular e ser fonte de energia prontamente disponível ou de reserva para a planta. 1998).0. Além disso. o que contribui para a disfunção fisiológica geral do animal em acidose (Dawson et al. é também classificada como carboidrato não fibroso por ser totalmente solúvel em detergente neutro e ser rápida e extensamente degradável pelos microrganismos ruminais. a acidose crônica ou subaguda é um problema econômico mais grave porque resulta no declínio do consumo voluntário e no desempenho. que é um polissacarídeo amorfo contido na parede celular. localizadas principalmente no fígado e no coração. 375 . metanol. tiramina e endotoxinas.Na acidose aguda. Em adição ao D-lactato. O uso de substâncias alcalinizantes (bicarbonato de sódio e óxido de magnésio) na dieta ou o de fontes de nitrogênio não proteico (ureia) também ajudam a reduzir a depressão do pH ruminal após o consumo de grandes quantidades de concentrados. Entretanto. Podem ocorrer ulceração das mucosas ruminal e intestinal. Essas medidas de manejo permitem que haja o equilíbrio no crescimento de microrganismos produtores e consumidores de lactato no rúmen e também possibilitam que a mucosa ruminal aumente a capacidade de absorção de AGVs (Dawson et al. 1997). As estratégias para controlar a acidose ruminal constituem o controle do fornecimento de concentrados. quando o pH cai para valores inferiores a 5. O período de adaptação às dietas ricas em carboidratos não estruturais deve ser superior a 14 dias. queda do pH sanguíneo e morte do animal (Owens et al. outros produtos microbianos. sendo metabolizado mais lentamente.. são detectáveis no conteúdo ruminal na acidose e podem exercer efeitos sistêmicos adversos ao animal (Slyter.0. 1976). Por isso.

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MSc.com 1 381 . Há crescente demanda pelo grão da oleaginosa nos mercados nacional e internacional. as influências dos processamentos físicos. Belo Horizonte. térmicos e químicos sobre o valor nutritivo da soja.br 4 Médica Veterinária. Alex de Matos Teixeira3. Associado Departamento de Zootecnia da Escola de Veterinária da UFMG. Belo Horizonte. O complexo agroindustrial da soja responde por cerca de 15% das exportações e tem vocação para crescer muito mais. uma maneira de aumentar a produção de leite (Chilliard. MSc. Doutorando em Zootecnia. CEP 30. MSc. 1993). luciocg@vet. MG. Flávia Cardoso Lacerda Lobato 4 RESUMO A grande disponibilidade de soja. lobato. o metabolismo ruminal e as respostas produtivas dos animais. CEP 30..com 2 Engenheiro Agrônomo. MG. com produção estimada de 60 milhões de toneladas no ano de 2008 (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística . ainda.123970.ufmg. Escola de Veterinária da UFMG. destaca-a como opção de oleaginosa para suplementação de vacas de leite. 2009). para vacas leiteiras de alta produção. Assim.br 3 Médico Veterinário. Escola de Veterinária da UFMG. MG. norte e nordeste. associada ao balanço favorável de energia e proteína. CEP 30. Caixa Postal 567.. Caixa Postal 567. Belo Horizonte. considerando-se as extensas áreas aptas e disponíveis para o seu cultivo no país. Bolsista CNPq. wilsonvet2002@gmail.123-970. Todavia.IBGE. MG. seja para extração de óleo para uso doméstico e produção de biodiesel ou para elaboração de rações animais.88 milhões. DSc. Caixa Postal 567. Neste capitulo. principalmente nos cerrados do meio oeste. Isso corresponde a cerca de 27% da produção mundial de 220. que buscam tanto o grão quanto os subprodutos. 1984). Lúcio Carlos Gonçalves2. alexmteixeira@yahoo. em Zootecnia. A adição de lipídios à dieta surge como uma alternativa para elevar o nível energético da dieta. Caixa Postal 567.fafa@gmail. Doutorando em Nutrição Animal. INTRODUÇÃO O desenvolvimento da cultura de soja nas últimas quatro décadas foi espetacular.CAPÍTULO 21 GRÃO DE SOJA NA ALIMENTAÇÃO DE GADO DE LEITE Wilson Gonçalves de Faria Jr. serão discutidas as principais formas de utilização da soja integral.com. a adição de gordura à dieta pode ser.123-970. Belo Horizonte. a substituição de cereais por oleaginosas é um método de incrementar a densidade energética sem comprometer o conteúdo em fibra (Palmquist. Prof. CEP 30. O Brasil é o segundo produtor mundial de soja.123-970. Escola de Veterinária da UFMG. assim como as alterações na composição química e no perfil de ácidos graxos do leite. Médico Veterinário.1. sem aumentar a ingestão de carboidratos não estruturais ou diminuir a ingestão de fibra.

no caso da soja integral crua. como moagem. o uso da soja integral pode reduzir o incremento calórico dos animais e a produção de metano. pelo aumento da degradação da proteína no rúmen e maior influência dos lipídios no metabolismo ruminal. pode aumentar a eficiência na digestão dos grãos no rúmen (Nussio et al. 1. 382 . possibilitar um aumento da relação volumoso:concentrado na ração. além da mudança no direcionamento do fluxo sanguíneo dos tecidos internos para os tecidos periféricos. de modo a aumentar a eficiência de uso da energia dos alimentos para a produção. (1993) sugerem que os métodos de processamento da soja para alimentação de vacas de leite devem ser baseados em vários fatores. O adensamento da dieta com o uso de soja integral mostra-se como alternativa para burlar a queda no consumo de energia e proteína que ocorre com a redução natural e fisiológica no consumo de alimento durante o período de transição (periparto e pós-parto) e em situações de estresse calórico no verão. com a intenção de reduzir o período de balanço energético negativo das vacas no pósparto e propiciar condições para que o animal sofra menor perda de condição corporal e possa expressar o potencial leiteiro. Contudo.. PROCESSAMENTO DA SOJA INTEGRAL Tice et al. o nível de produção. 2006). redução do consumo e da absorção de nutrientes. devido a sua composição. esses podem aumentar o tempo destinado à mastigação e à ruminação quando comparados aos triturados. 1. pode levar a resultados negativos. mas. com a vantagem de poder ser produzida diretamente na propriedade. é uma excelente fonte de energia e proteína para vacas em lactação. com isso. Além disso. Segundo Shearer e Beed (1992). diminuindo os problemas metabólicos relacionados com ingestão excessiva de amido.A soja integral. Em função do elevado valor energético. podem determinar se o processamento resultará em respostas produtivas positivas ou não. O processamento físico. porque as respostas termorregulatórias do animal resultam em aumento das frequências respiratórias e cardíacas. 1991) e. Processamento físico Os grãos inteiros podem ser deglutidos facilmente por não serem retidos na boca por tanto tempo como as forragens para salivação. tem crescido o uso da soja grão nas dietas de vacas de alta produção para elevar a densidade energética das dietas (Palmquist. principalmente para vacas de alta produção. O nível de inclusão de soja integral. o estresse calórico afeta adversamente a produção leiteira.1. bem como os ingredientes e o balanceamento dos nutrientes da dieta como um todo. Isso é desejável porque estimula a salivação e auxilia na manutenção do pH ruminal. principalmente com relação ao amido. o período de lactação.

aumentando em até 70% a proteína sobrepassante. Processamento térmico Algumas técnicas. A aplicação de calor. sugerindo o uso de soja crua em função do menor custo. quando o consumo for baixo (< 10 % soja na MS da dieta). como Faldet e Satter (1991). (1993). Segundo Tice et al. floculação ou micronização. MO. Processamento químico Os principais tratamentos químicos da soja têm sido o tratamento com formaldeído ou associação com sais de lignossulfato de cálcio. Alguns pesquisadores encontraram resultados positivos. O excesso de calor leva à perda de aminoácidos sulfurados (metionina e cistina) e. então o tratamento térmico torna-se necessário. PB das rações tratadas. Bernard et al. com a formação de composto de amadori. (1997a. O lignossulfato de cálcio foi mais eficiente que a tostagem em transferir AG insaturados 383 . (1994). já que houve redução da digestibilidade da MS. Por outro lado. Já o tratamento da soja integral com sais de lignossulfato de cálcio foi eficiente em proteger os lipídios da bio-hidrogenação no rúmen.3.2. com relação à soja crua.1. Nesse caso. extrusão ou expeller) no desempenho de