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PUC-CAMPINAS – CEATEC – FAC. DE ENGENHARIA CIVIL

ESTRUTURAS METÁLICAS II

ESTRUTURAS METÁLICAS II

ESTRUTURAS METÁLICAS II
ARIA CIVIL ESTRUTURAS METÁLICAS II ESTRUTURAS METÁLICAS II NOTAS DE AULAS 2007 Prof.º AUGUSTO CANTUSIO NETO

NOTAS DE AULAS

2007

ARIA CIVIL ESTRUTURAS METÁLICAS II ESTRUTURAS METÁLICAS II NOTAS DE AULAS 2007 Prof.º AUGUSTO CANTUSIO NETO

Prof.º AUGUSTO CANTUSIO NETO

0.1

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ESTRUTURAS METÁLICAS II

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0.2

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ESTRUTURAS METÁLICAS II

01. Concepção Estrutural

A concepção estrutural ou lançamento de uma estrutura é a escolha de um

sistema estrutural que constitua a parte resistente de um edifício. Implica na escolha dos elementos que comporão a estrutura, assim como na determinação dos esforços atuantes sobre essa estrutura.

Normas

pertinentes, assim como à estética, desempenho estrutural e durabilidade,

A solução

estrutural

utilizada

deverá

atender

aos

requisitos

das

dentre outros fatores.

A base dos projetos, como visto anteriormente – pág. 15 da Apostila Estruturas

Metálica I – inicia-se pelo Projeto Arquitetônico, onde são delineados o estudo

da obra, sua finalidade e sua composição. Na seqüência natural, segue-se o Projeto Estrutural, que inicia-se exatamente pela analise do Projeto Arquitetônico, seguido pela concepção estrutural, analise de cargas e dimensionamento das peças estruturais. Se o Projeto Arquitetônico delineia as linhas básicas de uma obra, a estrutura dá a conformação àquelas linhas.

Nessa linha natural de analise, é preciso estabelecer-se uma regra coerente de trabalho, organizado e metodológico. As premissas que envolvem um projeto estrutural de um Galpão Industrial Metálico, objeto de nossos estudos, devem obedecer ao seguinte esquema geral:

a) Analise do Projeto Arquitetônico:

Dimensões da edificação;

Características da edificação;

Cobertura, fechamentos ou tapamentos da edificação;

Características gerais da estrutura proposta.

Em linhas gerais, existem dois tipos básicos de galpões: estruturas reticuladas

ou estruturas em pórtico. Em qualquer dos casos, essas estruturas podem ser

moldadas por perfis de alma cheia ou treliçados.

Podemos ter uma estrutura reticulada cujos pilares sejam constituídos por perfis de alma cheia, enquanto que a cobertura pode ser formada por treliças transversais; a mesma estrutura reticulada poderá ter alem das treliças de cobertura, também os pilares em forma de treliças; ou ainda, uma estrutura de

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pilares e vigas de cobertura em perfis de alma cheia formando um pórtico ou mesmo pilares e vigas de cobertura em treliças, também formando um pórtico em seu conjunto.

No presente caso, vamos estabelecer como premissas básicas, que a nossa estrutura deverá ser composta por pilares e vigas de cobertura do tipo treliçados, formando uma estrutura reticulada, ou seja, as vigas de cobertura serão simplesmente apoiadas sobre os pilares metálicos que, por sua vez, serão devidamente ancorados em blocos de fundações, a fim de absorver os esforços a eles lançados.

Outras considerações que devem ser observadas são em relação à altura do edifício (pé-direito), composição das alvenarias de vedação, telhas de tapamento da cobertura e dos fechamentos laterais; aberturas fixas nas faces frontais e laterais tais como portas, janelas ou ventilações de qualquer espécie.

PILARES DE ALMA CHEIA VIGAS TRELIÇADAS (RETICULADA OU PÓRTICO)

DE ALMA CHEIA VIGAS TRELIÇADAS (RETICULADA OU PÓRTICO) PILARES TRELIÇADOS VIGAS TRELIÇADAS (RETICULADA OU

PILARES TRELIÇADOS VIGAS TRELIÇADAS (RETICULADA OU PÓRTICO)

TRELIÇADOS VIGAS TRELIÇADAS (RETICULADA OU PÓRTICO) PILARES DE ALMA CHEIA VIGAS TRELIÇADAS (RETICULADA OU
PILARES DE ALMA CHEIA VIGAS TRELIÇADAS (RETICULADA OU PÓRTICO) PILARES TRELIÇADOS VIGAS TRELIÇADAS (RETICULADA OU
PILARES DE ALMA CHEIA
VIGAS TRELIÇADAS
(RETICULADA OU PÓRTICO)
PILARES TRELIÇADOS
VIGAS TRELIÇADAS
(RETICULADA OU PÓRTICO)
PILARES DE ALMA CHEIA VIGAS DE ALMA CHEIA (RETICULADA OU PÓRTICO)
PILARES DE ALMA CHEIA
VIGAS DE ALMA CHEIA
(RETICULADA OU PÓRTICO)

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1.2

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GALPÃO INDUSTRIAL - PLANTA BAIXA

2280 40 (TIP.) 890 500 890 PORTA A A FECHAMENTO LATERAL METÁLICO PORTA 890 500
2280
40 (TIP.)
890
500
890
PORTA
A
A
FECHAMENTO LATERAL METÁLICO
PORTA
890
500
890
2280
5120
5120

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FACHADA FRONTAL

COBERTURA METÁLICA PAREDE DE ALVENARIA CORTE A-A COBERTURA METÁLICA PAREDE DE ALVENARIA 750 250 150
COBERTURA METÁLICA
PAREDE DE ALVENARIA
CORTE A-A
COBERTURA METÁLICA
PAREDE DE ALVENARIA
750
250
150
350
750

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1.4

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b) Pré-Analise estrutural

Tipo de utilização;

Localização da obra;

Descrição geral;

Normas a serem utilizadas;

Tipos de materiais a serem empregados na obra, etc.

A obra será utilizada para deposito de matéria prima de uma industria de médio porte. A localização proposta será na cidade de Campinas, S.P.

Trata-se de um edifício composto de telhado de duas águas com coberturas em telhas metálicas de aço galvanizado, assim como o tapamento lateral composto por alvenarias até a altura de 1,50 m. e o restante em telhas metálicas iguais às da cobertura. As normas que serão utilizadas serão definidas posteriormente.

Com relação aos tipos de materiais que serão empregados na obra, o primeiro item a ser abordado é o dos aços que serão utilizados. É muito comum nas obras desse porte – Galpão Industrial – a utilização de, ao menos, dois tipos de aço. Para perfis laminados – vigas U, cantoneiras ou mesmo vigas I – utilizaremos o aço ASTM A-36 (Fy = 25 kN/cm 2 ), e para os perfis formados a frio, também denominados de perfis em chapas dobradas, utilizaremos o aço ASTM A570 Grau 30 (Fy = 23 kN/cm 2 ). As especificações técnicas desses aços podem ser encontrados na apostila de Estruturas Metálicas I.

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Portanto, como resumo dessa pré-analise, devemos considerar:

DESCRIÇÕES GERAIS

OBRA: Galpão Industrial (Armazém de Matéria Prima)

LOCALIDADE: Campinas – S.P.

DIMENSÕES DO EDIFÍCIO:

Comprimento: 51,20 m.

Largura: 22,80 m.

Altura: 7,50 m.

Distância entre pilares: 6,40 m.

COBERTURA: Telhado em duas águas com telhas de aço galvanizado padrão trapezoidal 25 / 1020, com inclinação mínima de 10%.

FECHAMENTOS: Alvenaria até 1,50 m. e telhas de aço galvanizado padrão trapezoidal 25 / 1020 até a cobertura

ABERTURAS: Portas de 5,00 m. x 5,00 m. nas faces frontais e aberturas de 0,40m. nas faces laterais e frontais (entre portas)

MATERIAIS: Aço carbono ASTM A-36 e ASTM A 570 Grau 30

NORMAS: NBR 6123 – Forças Devido ao Vento em Edificações, NBR 6120 – Cargas para Calculo de Estruturas, NBR 8800 – Projeto e Execução de Estruturas de Aço de Edifícios, AISI / 86 – Chapas dobradas e AISC / 89 – Perfis laminados.

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02. - Cargas Atuantes na Estrutura

Uma vez delineada a pré-análise da estrutura, deve-se prosseguir estabelecendo as cargas que serão atuantes sobre a estrutura.

O sistema estrutural de um edifício deve ser capaz de resistir às variadas ações que atuam sobre ele: ações verticais e ações horizontais. Essas cargas podem agir dentro de determinadas circunstâncias, que podemos classificá-las, mediante a sua ocorrência durante a vida da construção em carregamentos normal, especial, excepcional e de construção.

O primeiro desses carregamentos, o normal, existe em função do uso que se pretende dar à obra; o carregamento especial é transitório e de pequena duração, tal como o vento; o carregamento excepcional, como o próprio nome indica, provém de ações excepcionais de duração extremamente curta e, muitas vezes, de efeitos catastróficos. Por sua vez, o carregamento de construção refere-se à fase de execução da obra, cessada essa etapa, cessam esses carregamentos que também são transitórios – nas estruturas metálicas são consideradas na montagem dos telhados um carregamento desse tipo considerando-se o peso de um homem (1,00 kN) aplicado em condições desfavoráveis, nos vãos das terças da cobertura.

No presente trabalho, estaremos a considerar as cargas normais, especiais e de construção. Quanto ao primeiro item, o das cargas normais, estaremos analisando dois tipos fundamentais: as cargas permanentes e as cargas acidentais verticais.

02.01 - Cargas Permanentes: composta pelo peso próprio da estrutura em análise e o peso próprio dos materiais de composição da obra: chapas de tapamento, de coberturas, instalações hidráulicas e elétricas. Nesse caso, algumas considerações de cargas, em especial as de peso próprio da estrutura, serão estabelecidas por uma certa experiência profissional ou mesmo pela comparação com outras obras similares. Ao final do dimensionamento das peças estruturais, o item referente ao peso próprio da estrutura deverá estar dentro de limites em torno de 10%, entre o peso estimado inicialmente e o peso obtido em projeto. Caso isso não ocorra, deve-se efetuar nova verificação no dimensionamento a partir dos novos valores encontrados. As cargas permanentes serão sempre consideradas como de projeção horizontal em sua aplicação.

Como estimativa, podemos considerar uma certa classificação quanto ao tipo de Galpão Industrial e sua carga permanente de peso próprio.

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ESTRUTURAS METÁLICAS II

TIPO DE ESTRUTURA – PESOS EM kN / m 2 ELEMENTO MUITO LEVE LEVE MÉDIO
TIPO DE ESTRUTURA – PESOS EM kN / m 2
ELEMENTO
MUITO LEVE
LEVE
MÉDIO
PESADO
COBERTURA
0,05 a 0,10
0,10 a 0,20
0,20 a 0,30
0,30 a 0,60
PILARES E FECHAMENTOS
0,05 a 0,10
0,10 a 0,20
0,20 a 0,30
0,30 a 0,60
No caso presente, adotaremos para efeito de peso próprio da estrutura de
cobertura, o valor de 0,12 kN/m 2 , estimando-se uma estrutura do tipo leve. Com
relação ao cálculo somente das terças, esse valor deverá ser reduzido para algo
em torno de 0,06 a 0,07 kN/m 2 , assim como para o fechamento lateral.

Para as demais cargas permanentes, teremos as telhas de cobertura e de fechamento, cujo peso admitido será de 0,06 kN/m 2 , referentes a uma telha trapezoidal 25/1020, com espessura de 0,50 mm. – espessura mais recomendável em estruturas do tipo leve. Nas tabelas a seguir, poderão ser verificadas as recomendações técnicas para as telhas de diversos tipos, inclusive o vão máximo a ser vencido por esses elementos, que dependerá, ainda, da determinação dos esforços provenientes da ação do vento.

Os pesos próprios das telhas, de acordo com sua espessura são:

ESPESSURA (mm)

PESO (kN/m 2 )

0,43

0,043

0,50

0,050

0,65

0,065

Outras cargas que podem ser consideradas de ordem permanente, são aquelas provenientes, como já foi mencionado, das instalações elétricas ou hidráulicas, assim como as instalações de ar-condicionado, que devem ser analisadas caso a caso, podendo sofrer variações de cargas desde 0,05 kN/m 2 até 0,50 kN/m 2 , dificilmente ultrapassando esse limites. No caso do presente estudo, de um Galpão Industrial destinado a armazenamento de matéria prima, em vista de apenas existirem cargas provenientes de instalações elétricas, estaremos adotando a carga mínima de 0,05 kN/m 2 , atuando sobre a cobertura em geral – terças e tesouras. Essas cargas permanentes serão convencionadas por C.P.

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TELHA ONDULADA 17/980

ARIA CIVIL ESTRUTURAS METÁLICAS II TELHA ONDULADA 17/980 SOBRECARGAS (KG/M 2 ) ES- APO- DISTANCIA ENTRE
SOBRECARGAS (KG/M 2 ) ES- APO- DISTANCIA ENTRE APOIOS (mm) PES- IOS SURA 1.000 1.250
SOBRECARGAS (KG/M 2 )
ES-
APO-
DISTANCIA ENTRE APOIOS (mm)
PES-
IOS
SURA
1.000
1.250
1.500
1.750
2.000
2.250
2.500
2.750
3.000
(mm)
F
C
F
C
F
C
F
C
F
C
F
C
F
C
F
C
F
C
02
220
137
113
70
65
41
41
26
27
17
19
12
14
9
11
7
8
5
0,43
03
225
226
144
144
100
96
74
61
56
41
44
29
33
21
25
16
19
12
04
281
259
180
133
123
77
77
48
52
32
36
23
27
17
20
12
15
10
02
256
160
131
82
76
47
48
30
32
20
22
14
16
10
12
8
9
6
0,50
03
261
261
167
167
116
112
85
70
65
47
52
33
39
24
29
16
22
14
04
326
301
209
154
143
89
90
56
60
38
42
26
31
19
23
14
18
11
02
333
208
170
105
99
62
62
39
42
26
29
18
21
13
16
10
12
8
0,65
03
336
336
215
215
149
146
110
92
84
61
66
43
50
31
38
24
29
18
04
420
392
269
200
186
116
117
73
78
49
55
34
40
25
30
19
23
15

PARA TRANSFORMAR EM N/m 2 MULTIPLICAR POR 10

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TELHA TRAPEZOIDAL 25/1020

CIVIL ESTRUTURAS METÁLICAS II TELHA TRAPEZOIDAL 25/1020 SOBRECARGAS (KG/M 2 ) ES- APO- DISTANCIA ENTRE APOIOS
SOBRECARGAS (KG/M 2 ) ES- APO- DISTANCIA ENTRE APOIOS (mm) PES- IOS SURA 1.000 1.250
SOBRECARGAS (KG/M 2 )
ES-
APO-
DISTANCIA ENTRE APOIOS (mm)
PES-
IOS
SURA
1.000
1.250
1.500
1.750
2.000
2.250
2.500
2.750
3.000
(mm)
F
C
F
C
F
C
F
C
F
C
F
C
F
C
F
C
F
C
02
267
287
171
171
119
114
87
72
87
48
53
34
38
25
30
18
23
14
0,43
03
267
287
171
171
119
119
87
87
67
67
53
59
49
43
35
35
30
30
04
334
334
214
214
148
148
109
109
83
83
56
64
53
46
44
35
37
27
02
309
309
198
198
137
132
101
83
77
56
61
39
46
29
34
21
26
17
0,50
03
309
309
198
198
137
137
101
101
77
77
61
61
49
49
41
41
34
34
04
386
386
247
247
172
172
136
126
97
97
76
74
62
54
51
40
43
31
02
403
403
258
258
179
172
132
108
101
73
80
51
59
37
45
28
34
22
0,65
03
403
403
258
258
179
179
132
132
101
101
80
80
65
65
53
53
45
45
04
504
504
323
323
224
224
165
165
126
126
100
96
81
70
67
53
56
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PARA TRANSFORMAR EM N/m 2 ⇒ MULTIPLICAR POR 10

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ESTRUTURAS METÁLICAS II

TELHA TRAPEZOIDAL 40/1020

CIVIL ESTRUTURAS METÁLICAS II TELHA TRAPEZOIDAL 40/1020 SOBRECARGAS (KG/M 2 ) ES- APO- DISTANCIA ENTRE APOIOS
SOBRECARGAS (KG/M 2 ) ES- APO- DISTANCIA ENTRE APOIOS (mm) PES- IOS SURA 1.000 1.250
SOBRECARGAS (KG/M 2 )
ES-
APO-
DISTANCIA ENTRE APOIOS (mm)
PES-
IOS
SURA
1.000
1.250
1.500
1.750
2.000
2.250
2.500
2.750
3.000
(mm)
F
C
F
C
F
C
F
C
F
C
F
C
F
C
F
C
F
C
02
-
-
-
-
-
-
137
137
105
105
83
74
68
54
56
41
47
31
0,43
03
-
-
-
-
-
-
137
137
105
105
83
83
68
67
56
56
47
47
04
-
-
-
-
-
-
171
171
131
131
104
104
85
84
69
69
58
58
02
-
-
-
-
-
-
159
159
122
122
96
86
79
63
64
47
54
36
0,50
03
-
-
-
-
-
-
159
159
122
122
96
96
79
78
64
64
54
54
04
-
-
-
-
-
-
199
199
152
152
120
120
96
97
80
80
68
68
02
-
-
-
-
-
-
205
205
157
157
124
111
100
81
83
61
70
47
0,65
03
-
-
-
-
-
-
205
205
157
147
124
124
100
100
83
83
70
70
04
-
-
-
-
-
-
256
256
196
196
155
155
126
126
104
104
87
87

PARA TRANSFORMAR EM N/m 2 MULTIPLICAR POR 10

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ESTRUTURAS METÁLICAS II

TELHA TRAPEZOIDAL SANDUICHE 40/1020

ESTRUTURAS METÁLICAS II TELHA TRAPEZOIDAL SANDUICHE 40/1020 SOBRECARGAS (KG/M 2 ) ES- APO- DISTANCIA ENTRE APOIOS
SOBRECARGAS (KG/M 2 ) ES- APO- DISTANCIA ENTRE APOIOS (mm) PES- IOS SURA 2.000 2.400
SOBRECARGAS (KG/M 2 )
ES-
APO-
DISTANCIA ENTRE APOIOS (mm)
PES-
IOS
SURA
2.000
2.400
2.800
3.000
3.400
3.800
4.000
4.400
4.800
(mm)
F
C
F
C
F
C
F
C
F
C
F
C
F
C
F
C
F
C
0,43
02
197
197
136
136
100
100
87
87
67
67
54
54
49
49
30
30
30
30
-
03
197
197
136
136
100
100
87
87
67
67
54
54
49
49
40
40
33
33
0,43
04
246
246
170
170
126
126
109
109
85
85
67
67
62
62
51
51
42
42
0,50
02
234
234
163
163
119
119
104
104
81
81
65
65
68
68
47
47
35
35
-
03
234
234
163
163
119
119
104
104
81
81
65
65
58
58
48
48
40
40
0,50
04
293
293
203
203
149
149
130
130
101
101
81
81
73
73
60
60
51
51
0,65
02
316
316
220
220
161
161
140
140
109
109
87
87
79
79
63
63
48
48
-
03
316
316
220
220
161
161
140
140
109
109
87
87
79
79
65
65
55
55
0,65
04
395
395
247
247
201
201
175
175
136
136
109
109
99
99
81
81
68
68
PARA TRANSFORMAR EM N/m 2 ⇒ MULTIPLICAR POR 10

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2.6

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ESTRUTURAS METÁLICAS II

02.02 - Cargas Acidentais Verticais: o anexo B da NBR 8800 estabelece que

nas coberturas comuns, não sujeitas a acúmulos de quaisquer materiais e, na ausência de especificação em contrário, deve ser prevista uma carga nominal mínima de 0,25 kN/m 2 . É, portanto, carga que não havendo outra especificação deverá ser adotada como mínima. No entanto, em Galpões Industriais de médio

e pequeno porte – médio no nosso caso –, pode-se adotar uma carga acidental

vertical, que denominamos sobrecarga, da ordem de 0,15 kN/m 2 . Essas cargas acidentais serão convencionadas por C.A. Assim como as cargas permanentes, as acidentais serão consideradas como de projeção horizontal.

02.03 – Cargas das Ações dos Ventos: as ações do vento sobre as estruturas,

estão inclusas nas denominadas cargas especiais; outras cargas também poderiam ser incluídas nessa classificação, tal qual cargas provenientes de pontes rolantes. Para o projeto em análise, estaremos apenas considerando as cargas da ação dos ventos, já que não teremos pontes rolantes no Galpão Industrial e, ao contrário das demais – permanentes e acidentais – sua ação não se dá por projeção horizontal e sim por projeção local.

A ação do vento nas estruturas metálicas é de fundamental importância, e para

que se estabeleçam os critérios dessa análise, é preciso conhecer-se as aplicações na NBR 6123 – Forças Devidas ao Vento nas Edificações. Essas cargas especiais serão convencionadas por C.V.

Para se determinar as componentes das cargas de vento, é necessário o conhecimento de três parâmetros iniciais. Em primeiro lugar, determina-se a denominada pressão dinâmica, que depende da velocidade do vento, estipulada através de gráfico especifico, chamado isopletas, que determina a velocidade básica do vento medida sob condições analisadas.

Outros fatores determinantes no calculo da pressão dinâmica, são o fator topográfico – leva em conta as variações do terreno; fator rugosidade considera como o próprio nome define, a rugosidade do terreno, assim como a variação da velocidade do vento com a altura do terreno e das dimensões da edificação e fator estatístico – leva em conta o grau de segurança requerido e a

vida útil da edificação. Daí a necessidade de se estabelecer, com certa precisão,

a

localidade da obra e as condições de utilização da mesma.

O

segundo parâmetro a ser considerado é o dos coeficientes de pressão (Cpe)

e de forma (Ce) externos, para edificações das mais variadas formas e como terceiro parâmetro, considera-se o coeficiente de pressão interna (Cpi), que considera as condições de atuação do vento nas partes internas de uma

edificação, sob as mais variadas condições.

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2.7

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ESTRUTURAS METÁLICAS II

02. 03.01 – Pressão Dinâmica

Para que se possa determinar a pressão dinâmica – carga de vento (C.V.) – é preciso, em primeiro lugar, determinar-se a Velocidade Básica do Vento (V 0 ), obtida através da localidade da obra analisada no denominado Gráfico das Isopletas. Os dados que compõem esse gráfico foram obtidos através de algumas condições peculiares:

a) Velocidade básica para uma rajada de três segundos.

b) Período de retorno de 50 anos.

c) Probabilidade de 63% de ser excedida, pelo menos uma vez, no período de retorno de 50 anos.

d) Altura de 10 metros.

e) Terreno plano, em campo aberto e sem obstruções.

Uma vez determinada a velocidade básica do vento (V 0 ) prossegue-se o cálculo da pressão dinâmica do vento, determinando-se a velocidade característica do vento (V k ), recomendado pela NBR 6123 através da equação:

Onde:

V K =

V 0 . S 1 . S 2 . S 3

V o – Velocidade Básica do Vento

S 1 – Fator Topográfico

S 2 – Fator Rugosidade

S 3 – Fator Estatistico

E, por sua vez, a pressao dinamica do vento (q v ) será determinada por:

CV = 0,613 . V k 2 (em N/m 2 )

Muito embora a NBR 6123 seja de fundamental importância para a análise das estruturas correntes, especialmente as metálicas, estaremos dando apenas ênfase aos tópicos da Norma que se relacionam com o desenvolvimento do projeto apresentado, muito embora alguns dos itens que serão apresentados sejam de utilização para os demais tipos de obras não analisadas por agora.

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2.8

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ESTRUTURAS METÁLICAS II

VELOCIDADE BÁSICA DO VENTO

TABELA 1

DE ENGENH ARIA CIVIL ESTRUTURAS METÁLICAS II VELOCIDADE BÁSICA DO VENTO TABELA 1 Prof.º AUGUSTO CANTUSIO

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2.9

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ESTRUTURAS METÁLICAS II

02.

03.02 – Fator Topográfico – S 1

O

Fator Topográfico S 1 – Tabela 2 – leva em consideração as variações do

relevo do terreno, apresentando-se com características próprias para algumas diversidades, considerando o aumento ou diminuição da velocidade do vento em

função, como a própria denominação estabelece, da topografia do terreno.

FATOR TOPOGRÁFICO – S 1

 

TABELA 2

CASO

TOPOGRAFIA

S

1

a)

Terreno plano ou fracamente acidentado

1,0

b)

Vales profundos, protegidos de ventos de qualquer direção

0,9

c)

Taludes e morros; taludes e morros alongados (locais de aceleração do vento)

1,1

Na necessidade de conhecimento mais preciso da influência do terreno, ou mesmo pela complexidade do relêvo, recomenda a NBR 6118, por exemplo, o recurso a ensaios de modelos topográficos em tunel de vento .

02. 03.03 – Fator Rugosidade – S 2

O Fator Rugosidade S 2 leva em consideração o efeito combinado da rugosidade – condições de vizinhança da construção –, da variação da velocidade do vento com a altura acima do terreno e das dimensões da edificação ou parte da edificação em consideração.

No que se refere ao item de rugosidade, a NBR 6118 estabelece uma classificação em cinco diferentes condições – Tabela 3 – onde se pode verificar em qual situação se encontra a obra/projeto que se está desenvolvendo.

No item das dimensões da edificação – Tabela 4 –, essas estão relacionadas com a rajada de vento que deverá envolver o edifício. Quanto maior for o edifício maior deve ser a rajada ou turbilhão que o envolverá e, por conseguinte, menor deverá ser a velocidade média do vento nessas condições.

No que se refere a altura da edificação – Tabela 5 –, sabemos que em ventos

fortes, a velocidade do vento aumenta conforme sua altura relativa em relação

ao terreno (solo) e esse aumento também está relacionado com as condições de

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2.10

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ESTRUTURAS METÁLICAS II

rugosidade da edificação – o numero de obstáculos naturais ou artificiais aumenta ou diminui, mediante as condições em que se apresentam, os esforços provenientes da ação do vento.

FATOR RUGOSIDADE DO TERRENO – S 2

TABELA 3

CATEGORIA I: Superfícies lisas de grandes dimensões, com mais de 5 km. de extensão, medida na direção e sentido do vento incidente (mar calmo, lagos e rios, pântanos sem vegetação).

CATEGORIA II: Terrenos abertos em nível ou aproximadamente em nível, com poucos obstáculos isolados, tais como árvores e edificações baixas (zonas costeiras planas, pântanos com vegetação rala, campos de aviação, pradarias e charnecas, fazendas sem sebes ou muros). A cota média dos obstáculos é considerada inferior ou igual a 1,00 m.

CATEGORIA III: Terrenos planos ou ondulados com obstáculos, tais como sebes e muros, poucos quebra-ventos de árvores, edificações baixas e esparsas (granjas e casas de campo – com exceção das partes com matos –, fazendas com sebes e/ou muros, subúrbios a considerável distância do cento com casas baixas e esparsas). A cota média dos obstáculos é considerada igual a 3,00 m.

CATEGORIA IV: Terrenos cobertos por obstáculos numerosos e pouco espaçados, em zona florestal, industrial ou urbanizada (zonas de parques e bosques com muitas árvores, cidades pequenas e seus arredores, subúrbios densamente construídos de grandes cidades, áreas industriais plena ou parcialmente desenvolvidas). A cota média dos obstáculos é considerada igual a 10,00 m.

CATEGORIA V: Terrenos cobertos por obstáculos numerosos, grandes, altos e pouco espaçados (florestas com árvores altas de copas isoladas, centros de grandes cidades, complexos industriais bem desenvolvidos). A cota média dos obstáculos é considerada igual ou superior a 25,00 m.

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2.11

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ESTRUTURAS METÁLICAS II

FATOR RUGOSIDADE DO TERRENO – S 2

TABELA 4

CLASSE A: Toda edificação na qual a maior dimensão horizontal ou vertical não exceda 20 m.

CLASSE B: Toda edificação ou parte da edificação para a qual a maior dimensão horizontal ou vertical da superfície frontal esteja entre 20 m. e 50 m.

CLASSE C: Toda edificação ou parte da edificação para a qual a maior dimensão horizontal ou vertical da superfície frontal exceda 50m.

FATOR RUGOSIDADE DO TERRENO – S 2

TABELA 5

CATEGORIA I II III IV V CLASSE CLASSE CLASSE CLASSE CLASSE H A B C
CATEGORIA
I
II
III
IV
V
CLASSE
CLASSE
CLASSE
CLASSE
CLASSE
H
A
B
C
A
B
C
A
B
C
A
B
C
A
B
C
(m)
<= 5
1.06
1.04
1.01
0.94
0.92
0.89
0.88
0.86
0.82
0.79
0.76
0.73
0.74
0.72
0.67
10
1.10
1.09
1.06
1.00
0.98
0.95
0.94
0.92
0.88
0.86
0.83
0.80
0.74
0.72
0.67
15
1.13
1.12
1.09
1.04
1.02
0.99
0.98
0.96
0.93
0.90
0.88
0.81
0.79
0.76
0.72
20
1.15
1.14
1.12
1.06
1.04
1.02
1.01
0.99
0.96
0.93
0.91
0.88
0.82
0.80
0.76
30
1.17
1.17
1.15
1.10
1.08
1.06
1.05
1.03
1.00
0.98
0.96
0.93
0.87
0.85
0.82
40
1.20
1.19
1.17
1.13
1.11
1.09
1.08
1.06
1.04
1.01
0.99
0.96
0.91
0.89
0.86
50
1.21
1.21
1.19
1.15
1.13
1.12
1.10
1.09
1.06
1.04
1.02
0.99
0.94
0.93
0.89
60
1.22
1.22
1.21
1.16
1.15
1.14
1.12
1.11
1.09
1.07
1.04
1.02
0.97
0.95
0.92
80
1.25
1.24
1.23
1.19
1.18
1.17
1.16
1.14
1.12
1.10
1.08
1.06
1.01
1.00
0.97
100
1.25
1.26
1.25
1.22
1.21
1.20
1.18
1.17
1.15
1.13
1.11
1.09
1.05
1.03
1.01
120
1.28
1.28
1.25
1.24
1.23
1.22
1.2
1.2
1.18
1.16
1.14
1.12
1.07
1.06
1.04
140
1.29
1.29
1.28
1.25
1.24
1.24
1.22
1.22
1.2
1.18
1.16
1.14
1.10
1.09
1.07

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2.12

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ESTRUTURAS METÁLICAS II

02. 03.04 – Fator Estatístico – S 3

O Fator Estatístico S 3 – Tabela 6 – leva em consideração o grau de segurança necessário à edificação considerando, nesse sentido, relações de probabilidade do tipo da edificação no que se refere à sua utilização. A NBR 6123 prevê, como já mencionado anteriormente, como vida útil da edificação um período de cinqüenta anos e uma probabilidade de sessenta e três por cento de a velocidade básica do vento ser excedida ao menos uma vez durante esse período.

FATOR ESTATÍSTICO – S 3

 

TABELA 6

GRUPO

DESCRIÇÃO

S

3

1

Edificações cuja ruína total ou parcial pode afetar a segurança ou possibilidade de socorro a pessoas após uma tempestade destrutiva (hospitais, quartéis de bombeiros e de forças de segurança, centrais de comunicação, etc.)

1,10

2

Edificações para hotéis e residências. Edificações para comércio e indústria com alto fator de ocupação.

1,00

3

Edificações e instalações industriais com baixo fator de ocupação (depósitos, silos, construções rurais, etc.)

0,95

4

Vedações (telhas, vidros, painéis de vedação, etc.)

0,88

5

Edificações temporárias. Estruturas dos grupos 1 a 3 durante a construção.

0,83

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2.13

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ESTRUTURAS METÁLICAS II

02. 03.05 – Exemplo Prático

a) Determinar a pressão dinâmica do vento atuante em um Galpão Industrial com as dimensões da figura abaixo, a ser construído na cidade de Curitiba (PR), em terreno plano e em zona industrial cuja finalidade é para funcionamento de uma indústria metalúrgica de médio porte.

PLANTA

CORTE

de uma indústria metalúrgica de médio porte. PLANTA CORTE 25 m 25 m 10 m 4m
25 m 25 m 10 m 4m
25 m
25 m
10 m
4m

60 m

60 m

Resolução:

Consultando-se o Gráfico das Isopletas, teremos para a cidade de Curitiba:

Velocidade Básica do Vento: V o = 40 m/s (Tabela 1)

Fator Topografico: S 1 = 1,00 (Tabela 2 – Terreno Plano)

Fator Rugosidade: S 2 (Tabelas 3, 4 e 5)

VENTO O° VENTO 9O° VENTO VENTO VENTO
VENTO O°
VENTO 9O°
VENTO
VENTO
VENTO

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2.14

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ESTRUTURAS METÁLICAS II

Categoria IV: subúrbios densamente construídos de grandes cidades, áreas industriais plena ou parcialmente construídas.

Face 0 o – Classe B e Face 90 o – Classe C

 

VALORES DE S 2

H (m)

Vento 0 o

Vento 90 o

5

0,76

0,73

10

0,83

0,80

15

0,88

0,81

Fator Estaístico: S 3 = 1,00 (Tabela 6 – Indústria com alto fator de ocupação)

Portanto, onde: V K = V 0 . S 1 . S 2 . S
Portanto, onde: V K =
V 0 . S 1 . S 2 . S 3 e CV =
0,613 . V k 2
VALORES DE V k e CV para V 0 = 40 m/s
H (m)
Vento 0 o
V k
CV
Vento 90 o
V k
CV
S 1 / S 2 /S 3
S 1 / S 2 /S 3
(m/s)
(N/m 2 )
(m/s)
(N/m 2 )
5
1,0/0,76/1,0
30,4
570
1,0/0,73/1,0
29,2
525
10
1,0/0,83/1,0
33,2
675
1,0/,80/1,0
32
630
15
1,0/0,88/1,0
35,2
760
1,0/0,81/1,0
32,4
645

02. 03.06 – Coeficientes Aerodinâmicos para Edificações Correntes

Uma vez determinados os esforços provenientes da pressão dinâmica, é preciso determinar de que maneira essa pressão ou carga de vento atua sobre um edifício. E essa pressão ou carga de vento age sobre uma estrutura de um edifício a partir dos Coeficientes Aerodinâmicos, que são divididos em dois tipos, no cálculo de edifícios: Coeficiente de Pressão e de Forma Externos (C e ) e Coeficiente de Pressão Interno (Cp i ). Os valores desses coeficientes são determinados através de Tabelas específicas.

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2.15

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ESTRUTURAS METÁLICAS II

COEFICIENTES DE PRESSÃO E DE FORMA EXTERNOS PARA PAREDES

EDIFICAÇÕES DE PLANTA RETANGULAR

TABELA 7 VALORES DE Ce PARA CPE ∝ = 0º ∝ = 90º ALTURA RELATIVA
TABELA 7
VALORES DE Ce PARA
CPE
∝ = 0º
∝ = 90º
ALTURA RELATIVA
MÉDIO
A1
A2
C
D
A
B
C1
C2
e
e
e
e
B1
B2
D1
D2
1<= A / B <=1.5
-0.8
-0.5
+0.7
-0.4
+0.7
-0.4
-0.8
-0.4
-0.90
H / B
1.5 < A / B <=4
-0.8
-0.4
+0.7
-0.3
+0.7
-0.5
-0.9
-0.5
-1.00
<=0.5
1<=A / B<=1.5
-0.9
-0.5
+0.7
-0.5
+0.7
-0.5
-0.9
-0.5
-1.10
0.5<
H / B
1.5< A / B <=4
-0.9
-0.4
+0.7
-0.6
+0.7
-0.6
-0.9
-0.5
-1.10
<=1.5
1<= A / B <=1.5
-1.0
-0.6
+0.8
-0.6
+0.8
-0.6
-1.0
-0.6
-1.20
1.5<
H / B
1.5< A / B <=4
-1.0
-0.5
+0.8
-0.6
+0.8
-0.6
-1.0
-0.6
-1.20
<=6
B 0° C C1 C2 A1 B1 A2 B2 A B A3 B3 D D1
B
C
C1
C2
A1
B1
A2
B2
A
B
A3
B3
D
D1
D2
B
B
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B/3 ou A/4
H

2.16

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ESTRUTURAS METÁLICAS II

COEFICIENTES DE PRESSÃO E DE FORMA EXTERNOS PARA TELHADOS

EDIFICAÇÕES DE PLANTA RETANGULAR TABELA 8

ALTURA

ALTURA

RELATIVA

RELATIVA

H

/ B

<= 0.5

<= 0.5

0.5 <

0.5 <

H

/ B

<= 1.5

<= 1.5

1.5 <

1.5 <

H

/ B

<= 6

<= 6

GRAUS VALORES DE Ce PARA (INCLINAÇÃO) ∝ = 90º ∝ = 0º EF GH EG
GRAUS
VALORES DE Ce PARA
(INCLINAÇÃO)
∝ = 90º
∝ = 0º
EF
GH
EG
FH
0
-0.8
-0.4
-0.8
-0.4
5
-0.9
-0.4
-0.8
-0.4
10
-1.2
-0.4
-0.8
-0.6
15
-1.0
-0.4
-0.8
-0.6
20
-0.4
-0.4
-0.7
-0.6
30
0.0
-0.4
-0.7
-0.6
45
+0.3
-0.5
-0.7
-0.6
60
+0.7
-0.6
-0.7
-0.6
0
-0.8
-0.6
-1.0
-0.6
5
-0.9
-0.6
-0.9
-0.6
10
-1.1
-0.6
-0.8
-0.6
15
-1.0
-0.6
-0.8
-0.6
20
-0.7
-0.5
-0.8
-0.6
30
-0.2
-0.5
-0.8
-0.8
45
+0.2
-0.5
-0.8
-0.8
60
+0.6
-0.5
-0.8
-0.8
0
-0.8
-0.6
-0.9
-0.7
5
-0.8
-0.6
-0.8
-0.8
10
-0.8
-0.6
-0.8
-0.8
15
-0.8
-0.6
-0.8
-0.8
20
-0.8
-0.6
-0.8
-0.8
30
-1.0
-0.5
-0.8
-0.7
45
-0.2
-0.5
-0.8
-0.7
50
+0.2
-0.5
-0.8
-0.7
60
+0.5
-0.5
-0.8
-0.7
VENTO θ E G F H I J B B a H A>=B B/3 ou
VENTO
θ
E G
F H
I J
B
B
a
H
A>=B
B/3 ou A/4
SEMPRE <= 2H

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2.17

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ESTRUTURAS METÁLICAS II

COEFICIENTES DE PRESSÃO E DE FORMA INTERNOS

EDIFICAÇÕES DE PLANTA RETANGULAR

TABELA 9

CASO ESQUEMA CPi OBSERVAÇÕES A.1 +0.2 A A.2 -0.3 B -0.3 ou 0.0 +0.1 +0.3
CASO
ESQUEMA
CPi
OBSERVAÇÕES
A.1
+0.2
A
A.2
-0.3
B
-0.3
ou
0.0
+0.1
+0.3
C.1
+0.5
+0.6
+0.8
Ad / As = 1.0
Ad / As = 1.5
Ad / As = 2.0
Ad / As = 3.0
Ad / As >= 6.0
C
C.2
-0.3
C.3.1
-0.4
C.3
-0.4
-0.5
C.3.2
-0.6
-0.7
-0.8
-0.9
Ad / As <= 0.25
Ad / As <= 0.50
Ad / As <= 0.75
Ad / As <= 1.00
Ad / As <= 1.50
Ad / As <= 3.00

Linhas traçejadas: Faces permeáveis

Linhas cheias: Faces impermeáveis

Os coeficientes de pressão externos para paredes e coberturas, quando aparecem com o sinal negativo (-) indicam o sentido de sucção – de dentro para fora –, enquanto que para os coeficientes de pressão internos o sinal negativo (-) indicam o sentido de pressão – de fora para dentro.

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ESTRUTURAS METÁLICAS II

TABELA 10

CASO A: Construções com duas faces opostas igualmente permeáveis e as outras faces impermeáveis.

A.1: Vento perpendicular a uma face permeável.

A.2: Vento perpendicular a uma face impermeável.

CASO B: Construções com quatro faces igualmente permeáveis.

CASO C: Construções com permeabilidade igual em todas as faces, exceto por uma abertura dominante em uma delas.

C.1: Abertura dominante na face de Barlavento

C.2: Abertura dominante na face de Sotavento

C.3: Abertura dominante situada em face paralela à direção do vento

C.3.1: Abertura fora da zona de alto valor de Cpe

C.3.2: Abertura em zona de alta sucção externa

IMPERMEÁVEIS: são considerados impermeáveis os seguintes elementos construtivos e de vedação: lajes e cortinas de concreto armado ou protendido; paredes de alvenaria, de pedra, de tijolos, de blocos de concreto e afins, sem portas, janelas ou quaisquer outras aberturas.

PERMEÁVEIS: todos os demais elementos construtivos são considerados permeáveis e deve-se à presença de aberturas tais como juntas entre painéis de vedação e entre telhas, frestas em portas e janelas, ventilações em telhas e telhados, vãos abertos de portas e janelas, chaminés, lanternins, etc.

BARLAVENTO: região de onde sopra o vento, em relação à edificação.

SOTAVENTO: região oposta àquela de onde sopra o vento, em relação à edificação.

As: área total de todas as aberturas em todas as faces submetidas a sucções externas e deve ser maior ou igual à area total de todas as outras aberturas que constituem a permeabilidade sobre a superficie externa da edificação.

Ad: área de todas as aberturas na face de barlavento.

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02. 03.07 – Exemplo Prático

b) Para o mesmo exemplo anterior, determinar os coeficientes aerodinâmicos atuantes sobre o edifício em questão, assim como as cargas finais atuantes sobre a estrutura.

Resolução:

Dados numéricos do edifício

H = 10.00 m e H total = 14.00 m

A = 60.00 m (comprimento) e B = 25.00 m (largura)

θ = tg (4.00 / 12.50) = 17,5 º (ângulo de inclinação do telhado)

Portanto:

A

/ B = 60 / 25 = 2.4 1.5 < 2.4 < 4 e

H

/ B = 10 / 25 = 0.4 0.4 < 0.5

1 – Coeficientes de pressão e de forma externos para paredes (resumido) – Tabela 7

VENTO

0° +0.7 -0.9 C C VENTO 90° -0.8 -0.8 +0.7 -0.5 A B A B
+0.7
-0.9
C
C
VENTO
90°
-0.8
-0.8
+0.7
-0.5
A
B
A
B
D
D
-0.3
-0.9

2 – Coeficientes de pressão e de forma externos para coberturas (resumido) – Tabela 8

VENTO 0° VENTO 90° -0.8 -0.8 -0.7 -0.4
VENTO 0°
VENTO 90°
-0.8
-0.8
-0.7
-0.4

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ESTRUTURAS METÁLICAS II

3 – Coeficientes de pressão e de forma internos: estaremos admitindo, para efeito de simplificação do calculo, nesse caso, as quatro paredes igualmente permeáveis – Tabela 9

-0.3 -0.3 -0.3 -0.3 -0.3 -0.3 -0.3 -0.3 ou 0.0 0.0 0.0 0.0 0.0 0.0
-0.3
-0.3
-0.3
-0.3
-0.3
-0.3
-0.3
-0.3
ou
0.0
0.0
0.0
0.0
0.0
0.0
0.0
0.0

A recomendação da NBR 6123 é que se tome para valores de calculo, o mais nocivo dentre esses valores, ou seja, tomaremos como Cpi, o valor de 0.0, tendo em vista que o valor de -0.3 é de pressão e, portanto, em sentido contrário aos demais coeficientes de pressão e de forma externos tanto para paredes quanto para a cobertura, à exceção das paredes que recebem coeficientes de pressão. Esse casos específicos, serão utilizados quando do dimensionamento das estruturas de fechamento lateral e frontal (terças e pilares).

4 – Cargas finais atuantes sobre a estrutura:

4.a – Coeficientes para a pior hipótese de calculo para paredes e coberturas:

VENTO 0° VENTO 90° -0.8 -0.8 -0.7 -0.4 -0.8 -0.8 +0.7 -0.5
VENTO 0°
VENTO 90°
-0.8
-0.8
-0.7
-0.4
-0.8
-0.8
+0.7
-0.5

Para as piores hipóteses do esquema acima, estaremos determinando as cargas do esquema abaixo:

CV3

CV4

CV1 CV2 CV5 CV6 5m 5m
CV1
CV2
CV5
CV6
5m
5m

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4.b – Cargas finais aplicadas na estrutura lateral do edifício, onde CV n = CV vn . C, onde os valores de CV n constam da tabela de calculo e C (coeficientes) constam do esquema da figura acima:

 

VALORES DE CV (aplicado)

CARGA (N/m 2 )

Vento 0 o

Vento 90 o

CV

1

-0.8 x 645 = -516

-0.7 x 645 = -452

CV

2

-0.8 x 645 = -516

-0.4 x 645 = -258

CV

3

-0.8 x 630 = -504

+0.7 x 630 = +441

CV

4

-0.8 x 525 = -420

+0.7 x 525 = +368

CV

5

-0.8 x 630 = -504

-0.5 x 630 = -315

CV

6

-0.8 x 525 = -420

-0.5 x 525 = -265

Uma vez determinadas as cargas de vento atuantes na tabela acima, por questões didáticas é conveniente transcrevê-las na forma da figura abaixo, a fim de que se possa melhor visualizar a composição total, não se esquecendo de que tal configuração refere-se às cargas atuantes por metro linear de comprimento da estrutura.

-504

-420

VENTO 0° VENTO 90° -516 -516 -452 -258 -504 +441 -420 +316
VENTO 0°
VENTO 90°
-516
-516
-452
-258
-504
+441
-420
+316

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-315

-265

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02. 03.08 – Galpão Industrial

Podemos agora determinar os valores das cargas atuantes de vento no Galpão Industrial do projeto proposto.

PLANTA CORTE 22.80 m 51.20 m 22.80 m 7.50 m 2.5m
PLANTA
CORTE
22.80 m
51.20 m
22.80 m
7.50 m
2.5m

Nas Descrições Gerais do galpão, foram estabelecidas as premissas básicas a fim de se desenvolver o projeto estrutural. Sabemos tratar-se de um galpão para armazenagem de matéria prima, localizado na cidade de Campinas – S.P.

Resolução:

Consultando-se o Gráfico das Isopletas, teremos para a cidade de Campinas:

Velocidade Básica do Vento: V o = 45 m/s (Tabela 1)

Fator Topográfico: S 1 = 1,00 (Tabela 2 – Terreno Plano)

Fator Rugosidade: S 2 (Tabelas 3, 4 e 5)

VENTO O° VENTO 9O° H=10m H=10m VENTO Lfrontal=22.80m Lfrontal=51.20m VENTO VENTO
VENTO O°
VENTO 9O°
H=10m
H=10m
VENTO
Lfrontal=22.80m
Lfrontal=51.20m
VENTO
VENTO

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Categoria IV: subúrbios densamente construídos de grandes cidades, áreas industriais plena ou parcialmente construídas.

Face 0 o – Classe B (largura de 22,80 m.) e Face 90 o – Classe C (largura de 51,20 m.)

 

VALORES DE S 2

H (m)

Vento 0 o

Vento 90 o

5

0,76

0,73

10

0,83

0,80

Fator Estaístico: S 3 = 0,95 (Tabela 6 – Industria com baixo fator de ocupação)

Portanto, onde: V K = V 0 . S 1 . S 2 . S
Portanto, onde: V K =
V 0 . S 1 . S 2 . S 3 e CV =
0,613 . V k 2
VALORES DE V k e CV para V 0 = 45 m/s
H (m)
Vento 0 o
CV Vento 90 o
V k
V k
CV
S 1 / S 2 /S 3
S 1 / S 2 /S 3
(m/s)
(N/m 2 )
(m/s)
(N/m 2 )
5
1,0/0,76/0,95
32,5
647
1,0/0,73/0,95
31,2
600
10
1,0/0,83/0,95
35,5
775
1,0/,80/0,95
34,2
720

Dados numéricos do edifício

H = 7.50 m e H total = 10.00 m

A = 50.00 m (comprimento) e B = 23.00 m (largura)

Adotamos inclinação de 17.5%, ou seja, θ = 10 o (ângulo de inclinação do telhado)

Portanto:

A

/ B = 50 / 23 = 2.2 1.5 < 2.2 < 4 e

H

/ B = 7.5 / 23 = 0.33 0.33 < 0.5

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1 – Coeficientes de pressão e de forma externos para paredes (resumido) – Tabela 7

VENTO

0° +0.7 -0.9 C C VENTO -0.8 90° -0.5 -0.8 +0.7 A B A B
+0.7
-0.9
C
C
VENTO
-0.8
90°
-0.5
-0.8
+0.7
A
B
A
B
D
D
-0.3
-0.9

2 – Coeficientes de pressão e de forma externos para coberturas (resumido) – Tabela 8

VENTO 0° VENTO 90° -0.8 -0.8 -1.2 -0.4
VENTO 0°
VENTO 90°
-0.8
-0.8
-1.2
-0.4

3 – Coeficientes de pressão e de forma internos: – Tabela 9

Caso a) duas faces opostas igualmente permeáveis e as outras faces impermeáveis não ocorre Caso b) quatro faces igualmente permeáveis são todas as faces permeáveis pela existência de uma ventilação lateral (0.40 m) assim como dois portões de cada lado nas fachadas dos oitões. Teremos para ventos a 0 o ou 90 o , os mesmo valores de Cpi = -0.3 ou 0.0.

Caso c) permeabilidade igual nas quatro faces exceto por uma abertura dominante. Para que se considere uma das aberturas dominante na face de barlavento, essa abertura deve ser maior ou igual à soma das áreas das demais aberturas que compõem a permeabilidade do prédio. A permeabilidade nesse caso compõe-se das aberturas das portas ou portões nos oitões e também as ventilações nos oitões e nas laterais do edifício. Assim sendo, as áreas de abertura de cada face serão assim compostas:

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Área da abertura nos oitõesportão+ventilação A=(5x5)+(22,8-5)x0.40=32 m 2

Área da abertura nas lateraisventilação A = (51,2x0.4) = 20,5 m 2

Área total das aberturasA = (32x2) + (20,5x2) = 105 m 2

Dessa maneira, nenhuma das aberturas, seja nos oitões ou nas laterais pode ser considerada dominante.

Não havendo ocorrência dos casos a) e c), restringimos nossa análise ao caso b), ou seja, teremos de considerar como coeficientes de pressão interna o mais nocivo entre Cpi = -0.3 e Cpi = 0.0 e, conforme já verificamos, a segunda hipótese é mais desfavorável e, assim como b]no caso anterior, exceção deverá ser feita em relação às cargas de pressão, quando o coeficiente –0,3 será determinante – dimensionamento de terças e pilares de fechamento lateral e frontal. Portanto, Cpi = 0.00.

4 – Cargas finais atuantes sobre a estrutura:

4.a – Coeficientes para a pior hipótese de calculo para paredes e coberturas:

VENTO 0° VENTO 90° -0.8 -0.8 -1.2 -0.4 -0.8 -0.8 +0.7 -0.5
VENTO 0°
VENTO 90°
-0.8
-0.8
-1.2
-0.4
-0.8
-0.8
+0.7
-0.5

Para as piores hipóteses do esquema acima, estaremos determinando as cargas do esquema abaixo:

CV3

CV4

CV1 CV2 CV5 CV6 2.5m5m
CV1
CV2
CV5
CV6
2.5m5m

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4.b – Cargas finais aplicadas na estrutura lateral do edifício, onde CV n = CV vn . C, onde os valores de CV n constam da tabela de calculo e C (coeficientes) constam do esquema da figura acima:

 

VALORES DE CV (aplicado)

CARGA (N/m 2 )

Vento 0 o

Vento 90 o

CV

1

-0.8 x 720 = -576

-1.2 x 720 = -864

CV

2

-0.8 x 720 = -576

-0.4 x 720 = -288

CV

3

-0.8 x 720 = -576

+0.7 x 720 = +504

CV

4

-0.8 x 600 = -480

+0.7 x 600 = +420

CV

5

-0.8 x 720 = -576

-0.5 x 720 = -360

CV

6

-0.8 x 600 = -480

-0.5 x 600 = -300

Uma vez determinadas as cargas de vento atuantes na tabela acima, por questões didáticas é conveniente transcreve-las na forma da figura abaixo, a fim de que se possa melhor visualizar a composição total, não se esquecendo de que tal configuração refere-se às cargas atuantes por metro linear de comprimento da estrutura e expressas em N/m 2 .

-576

-480

VENTO 0° VENTO 90° -576 -576 -864 -288 -576 +504 -480 +420
VENTO 0°
VENTO 90°
-576
-576
-864
-288
-576
+504
-480
+420

-360

-300

E como resumo das demais cargas atuantes – permanentes e acidentais – podemos concluir a esquematização de cargas atuantes sobre o Galpão Industrial em estudo e expressas em N/m 2 .

CARGA PERMANENTE +120 +50 =+170 (peso) +60 (telhas)

CARGA ACIDENTAL

+150 (sobrecarga)

+50 =+170 (peso) + 6 0 ( t e l h a s ) CARGA ACIDENTAL

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2.27

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03 - Estrutura de Cobertura e Tapamento - Flexão

03.01 – Definições Gerais:

A necessidade de se sustentar as chapas de cobertura de uma obra, estabelece

a existência das denominadas terças de cobertura, assim como a necessidade

de se estruturar os fechamentos laterais, quando são compostos também por chapas metálicas, nos leva à existência das terças de fechamento lateral ou vigas de tapamento.

Essas vigas terças, estejam na cobertura ou no fechamento lateral, são sujeitas

a esforços de flexão dupla, provocados pelas ações das cargas permanentes,

acidentais e de vento, o que nos leva a efetuarmos as verificações necessárias a fim de se dimensionar corretamente os perfis que comporão a obra.

Correntemente são empregadas terças fabricadas em perfis laminados ou mesmo em chapas dobradas, sendo essas últimas mais comuns, cujo processo de fabricação se dá a frio, ou seja, toma-se de chapas de aço e, através de processo industrial apropriado, efetua-se o dobramento das chapas até que se obtenha um determinado perfil desejado. Os denominados perfis formados a frio, ou simplesmente de chapa dobrada, são executados com espessuras a partir de 0,4 mm e, embora tenham um limite fixado em 8 mm, podem atingir chapas até 19 mm. em alguns casos.

As terças formadas a frio apresentam algumas vantagens com relação às terças laminadas, pois em primeiro lugar, é possível formar-se qualquer tipo de perfil que se necessite a fim de atender aos esforços solicitantes; a sua produção é de custo relativamente baixo, visto o processo de fabricação empregado e que permite, em determinadas condições ser dobrada no próprio canteiro de obras; para sua confecção não há necessidade de se manter estoques elevados de perfis como no caso dos perfis laminados, pois basta haver duas ou três diferentes espessuras de chapas e pode-se dobrar um grande numero de seções de perfis; e, finalizando, para cargas e vãos médios, as estruturas compostas por perfis formados a frio resultam mais leves e, por conseqüência, mais econômicas.

Os métodos de produção desses perfis podem ser através de basicamente duas maneiras: prensagem e calandragem. No primeiro caso, a prensagem é executada por uma dobradeira, que também pode ser chamada viradeira, consistindo de uma mesa cujo formato deve ser o da peça que se pretenda dobrar e um punção ou barra biselada, que atua sobre a mesa, pressionando-a a fim de se obter a dobra. Posicionando-se a chapa continuamente se obtém o perfil desejado. No caso de calandragem ou perfiladeira, a chapa de aço que se

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3-1

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ESTRUTURAS METÁLICAS II

h

pretende dobrar passa por um sistema composto de uma serie de cilindros, cada um deles impondo a dobra desejada.

Os tipos usuais de perfis encontrados comercialmente para terças são:

PERFIL ' U '

PERFIL ' U ' ENRIJECIDO

b h h : ALTURA b t b : LARGURA DA MESA t a t
b
h
h
: ALTURA
b
t
b
: LARGURA DA MESA
t
a
t : ESPESSURA
PERFIL CARTOLA
PERFIL ' Z '
b
b
h
: ALTURA
b
: LARGURA DA MESA
t
a
: ABA
t : ESPESSURA
a
h
a
h
h
a
t

: ABA

b

: ALTURA

: LARGURA DA MESA

t : ESPESSURA

h

: ALTURA

b

: LARGURA DA MESA

a

: ABA

t : ESPESSURA

03.02 – Utilização Geral:

Tendo em vista que os perfis formados a frio são mais econômicos, em especial nos Galpões Industriais de porte médio, estaremos utilizando em nosso projeto esses tipos de perfis que deverão compor as terças, tanto de cobertura quanto de fechamento lateral.

Para o cálculo das terças costuma se considerar a condição de simples apoio, podendo em alguns casos, serem calculadas como continuas. E como já exposto anteriormente, pelo fato dessas peças estruturais estarem sujeitas a esforços de dupla flexão, ou seja, flexão em relação aos seus dois eixos transversais, é comum utilizar-se a colocação de barras intermediárias, denominadas linhas de corrente, cuja finalidade é a diminuição do vão teórico das terças no sentido da sua menor rigidez ou inércia. Em geral, nos vãos de terças até 5,00 m., utiliza-se apenas uma linha central e acima desse valor utilizam-se duas linhas de correntes. Isso para os vãos convencionais até 6,00 ou 7,00 m., pois acima desses valores as terças convencionais podem se tornar anti-econômicas, necessitando composições especiais.

Outro fator que pode contribuir com a diminuição dos vão teórico, agora no sentido da maior inércia do perfil, é a utilização das denominadas mãos francesas, que além de diminuírem o vão da terça, propiciam um travamento nas vigas de cobertura – tesouras, em geral.

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3-2

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ESTRUTURAS METÁLICAS II

Nos casos comuns, podemos resumi-los conforme as figuras abaixo:

METÁLICAS II Nos casos comuns, podemos resumi-los conforme as figuras abaixo: Prof.º AUGUSTO CANTUSIO NETO 3-3

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3-3

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ESTRUTURAS METÁLICAS II

DETALHE DA MÃO FRANCESA TELHA TERÇA MÃO FRANCESA VIGA DE COBERTURA MÃO FRANCESA
DETALHE DA MÃO FRANCESA
TELHA
TERÇA
MÃO FRANCESA
VIGA DE COBERTURA
MÃO FRANCESA

A determinação do espaçamento entre as terças de uma estrutura provém da capacidade portante das telhas que deverão ser utilizadas. Se, por exemplo, tomarmos nas tabelas do capitulo 02 – Cargas Atuantes na Estrutura – telhas trapezoidais Padrão 25/1020 com espessura de 0,5 mm. e, para efeito de vento os valores determinados pelo exemplo prático, teremos um esforço atuante, na situação mais nociva ou desfavorável, de 608 N/m 2 , que nos levaria a um vão máximo das telhas entre 2.000 a 2.250 mm, tomando-se como referência 3 apoios. Assim sendo, podemos admitir um vão de 2.000 mm. entre as terças a fim de atender as necessidades estruturais.

No caso do Galpão Industrial cujo projeto estamos desenvolvendo, teremos como carga atuante de vento o valor de 864 N/m 2 , que nos levaria a um vão máximo das telhas de 1.750 mm, tomando-se como referência 3 apoios. Uma vez determinado o espaçamento entre as terças, é preciso definir-se seu posicionamento na cobertura, através do lançamento da estrutura que se pretende para essas terças.

No lançamento dessa estrutura de cobertura, devemos nos recordar que as terças em questão deverão estar apoiadas em vigas de cobertura, cujo espaçamento ficou determinado nas Descrições Gerais – Capítulo 01, ser de 6.400 mm., que equivale ao espaçamento entre os pilares, proposto na ocasião. Dessa maneira, teremos um espaçamento entre terças em torno de 1.750 mm. e seu vão teórico deverá ser de 6.400 mm., que, como já vimos, poderá ser diminuído através da introdução de mãos francesas.

Com relação ao vão máximo das telhas, a fim de se estabelecer medidas racionais para a obra podemos ajustá-lo, se for o caso, para um pouco acima do determinado, em vista de que as tabelas consultadas saltam de valores de 1.750 mm. para 2.000 mm. se adotarmos, por exemplo, 1.850 mm., estaremos dentro dos padrões aceitos.

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3-4

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ESTRUTURAS METÁLICAS II

ESTRUTURA DE COBERTURA - TERÇAS

2280 1850 (TIP.) FRECHAL LINHA DE CORRENTE P.M.1 P.M.1 P.M.1 P.M.1 P.M.1 P.M.1 P.M.1 P.M.1
2280
1850 (TIP.)
FRECHAL
LINHA DE CORRENTE
P.M.1
P.M.1
P.M.1
P.M.1
P.M.1
P.M.1
P.M.1
P.M.1
P.M.1
P.M.1
P.M.1
P.M.1
P.M.1
P.M.1
P.M.1
P.M.1
P.M.1
P.M.1
2280
51200
6400
6400
6400
6400
6400
6400
6400
6400
TERÇA
TERÇA
6400
6400
6400
6400
6400
6400
6400
6400
51200

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3-5

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ESTRUTURAS METÁLICAS II

03.03 – Dimensionamento:

O dimensionamento dos perfis formados a frio será efetuado através das

Tensões Admissíveis a fim de atender as necessidades das ações das cargas atuantes. Para desenvolvermos esse dimensionamento é necessário atentarmos para os aspectos teóricos principais no que diz respeito a esses tipos de perfis.

Definições iniciais:

Elemento comprimido não enrijecido (NE): é o elemento plano comprimido que é apoiado em apenas uma extremidade paralela à direção das tensões.

apenas uma extremidade paralela à direção das tensões. Elemento comprimido enrijecido ( E ): é o

Elemento comprimido enrijecido (E): é o elemento plano comprimido que é apoiado em duas extremidades.

plano comprimido que é apoiado em duas extremidades. Largura da parede ( w ): é a

Largura da parede (w): é a parte reta do elemento não incluída a parte curva. Nos perfis formados a frio, ao se efetuar a dobra, essa cria nos cantos do dobramento uma certa curvatura determinada por um raio r e pela espessura t

da chapa.

 

r+t

w

w
 

r+tr+t

h

     
 
 
 
 
 
 
 

r = raio de dobradura

t = espessura da chapa

r+t w r+tr+t h
r+t
w
r+tr+t
h

Para efeito de cálculo adotaremos sempre r = t

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3-6

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ESTRUTURAS METÁLICAS II

Relação Largura Espessura (w / t): é a relação entre a largura da mesa (w) e a espessura (t).

Relação Altura Espessura (h / t): é a relação entre a altura da alma (h) e a espessura (t).

Tensão básica de Projeto (F): é a tensão limite de escoamento do aço dividida por um coeficiente de segurança igual a 1,67 e assim: F = 0,60 x F y . Em nosso caso corrente, estaremos admitindo o aço ASTM A570 Grau 30, cuja tensão de escoamento Fy = 23 kN/cm 2 .

Tensão Básica de Cisalhamento (Fv): é a tensão limite de escoamento do aço estabelecida pela relação: Fv = 0,40 x F y .

03.04 – Flambagem Local:

Conforme já estabelecido, as terças sofrem efeitos de flexão. No caso dessas terças, a análise da flexão pode se efetuada por processos que determinem a largura útil da mesa de compressão, uma vez que toda peça sujeita a flexão sofre conseqüência de compressão localizada.

O cálculo de uma viga em perfil formado a frio, consiste na verificação das condições de estabilidade local dos elementos que sofrem os efeitos da compressão localizada, ou seja, as mesas e as almas desses perfis, assim como na verificação da estabilidade global como um todo, ou seja, as condições de flambagem lateral com torção.

Os valores das relações largura-espessura variam de acordo com o tipo de perfil utilizado. Para aços com limite de escoamento Fy > 22,8 kN/cm 2 , teremos para seções transversais que não sejam cantoneiras:

a) mesa comprimida enrijecida:

⎛ w ⎞ ⎛ w ⎞ 142 ⎜ ⎟≤ ⎜ ⎟ ⇒ = b w
⎛ w ⎞ ⎛ w ⎞
142
⎟≤ ⎜
⇒ =
b
w
⎛ ⎜ w ⎞ ⎟
=
⇒ f =
F
=
0,60
t
t
t
f
lim
lim
⎛ ⎜ w ⎞ ⎛ w ⎞
211 × t
46
⎟> ⎜
⇒ <
b
w
⇒ b =
× ⎢ 1 −
t
t
f
⎛ w ⎞
⎝ lim
⎟× f
t

Onde b = largura efetiva de projeto.

× F

y

Uma vez sendo b<w, as características geométricas da seção deverão ser recalculadas.

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ESTRUTURAS METÁLICAS II

Para o cálculo dos deslocamentos (flechas), o procedimento é o mesmo para a determinação da seção efetiva. No entanto, desconsidera-se, nesse caso, o efeito do fator de segurança ou de ponderação. Assim:

⎛ w ⎞ ⎛ w ⎞ 183 ⎜ ⎟≤ ⎜ ⎟ ⇒ = b w
⎛ w ⎞ ⎛ w ⎞
183
⎟≤ ⎜
⇒ =
b
w
⎛ ⎜ w ⎞ ⎟
=
⇒ f =
F
=
0,60
t
t
t
f
lim
lim
⎛ ⎜ w ⎞ ⎛ w ⎞
272 × t
59
⎟> ⎜
⇒ <
b
w
⇒ b =
× ⎢ 1 −
t
t
f
⎛ w ⎞
⎝ lim
⎟× f
t

b) mesa comprimida não enrijecida:

× F

y

No caso de perfis com mesa comprimida não enrijecida, adota-se o valor b = w.

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03.05 – Flexão Simples:

Para o dimensionamento das terças, é necessário, inicialmente, adotarmos os procedimentos de cálculo para flexão simples. Nesses casos, deve-se proceder

a verificação de um perfil adotado a fim de suportar as cargas atuantes, através de três situações:

Flambagem Local da Mesa (FLM);

Flambagem Local da Alma (FLA) e

Flambagem Lateral com Torção (FLT).

03.05.01 – Flambagem Local da Mesa (FLM)

a) mesa comprimida enrijecida: nesses casos a resistencia à flexão deverá ser determinada pelas propriedades geométricas da seção efetiva, ou seja, deverá ser calculado o Módulo Resistente Efetivo (W xef ou W’ x ) e pela tensão básica de projeto (F = 0,60 x F y ).

A máxima tensão de flexão atuante nesses casos deverá ser obtida por:

f bx =

M

x

W xef

F

bx

=

F

Quando a relação largura-espessura não ultrapassar os valores limites (b=w), a

seção efetiva será a mesma da seção bruta da peça. Em caso contrário, (b<w), deve-se proceder a verificação da área útil ou efetiva da mesa comprimida (A f ), tomando-se por base a área bruta (A g ) dessa mesma mesa comprimida para, em seguida, proceder-se o calculo das demais características geométricas da seção

efetiva

Para se calcular as características geométricas da seção efetiva, pode-se proceder conforme indicação abaixo, iniciando-se pela área efetiva da mesa comprimida e, em seguida, efetuar o cálculo do Momento de Inércia e Módulo Resistente. Assim sendo:

A = A g – A f e A = área bruta da seção transversal

Centro de gravidade da seção efetiva:

w Ygo
w
Ygo

g

=

M sx

A

−∆

A

M

sx

A

=∆ ×

y

go

e y

Momento de Inércia da seção efetiva

Ixef = Ixo + A × (yg)

2

A × y + y

(

go

g)

2

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Módulo Resistente da seção efetiva:

W xef

=

I xef

(y

go

+

y )

g

Para o cálculo de I’ x e W’ x , valem as mesmas equações acima.

b) mesa comprimida não enrijecida: nesses casos a Tensão Admissível à flambagem da mesa comprimida (F c ) deverá ser determinada pelas equações assim definidas:

53 ⎛ w ⎟≤ ⎞ ⎜ ⇒ F c = 0,60 × F y ⎝
53
⎛ w ⎟≤ ⎞
F
c
=
0,60
×
F
y
t
F
y
53
120
< w ⎞ ⎟≤
F
c
=
F
y
×
0,0032
× ⎜
⎛ w ⎞ ⎟×
F
y
F
y
t
F
y
⎢ ⎡ 0,767
t
120
< w ⎟≤ ⎞ 60
F
=
13,65
0,193
× ⎛ ⎜ w ⎟≤ ⎞ 0,60
×
F
c
y
F
y
t
t

⎤ ⎥ ≤

0,60

×

F

y

A máxima Tensão Admissível nesses casos (F bx ) deverá ser o menor valor entre F (Tensão Básica de Projeto) ou F c (Tensão Admissível à Flambagem da mesa comprimida). Dessa maneira, a tensão de flexão atuante será:

f

bx

=

M

x

W

x

F bx

M x = momento fletor aplicado e W x = módulo resistente bruto da peça estrutural.

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03.05.02 – Flambagem Local da Alma (FLA)

As Tensões Admissíveis para a flambagem local da alma devem ser determinadas a partir de:

⎜ ⎝ ⎛ h ⎟≤ ⎞ 150 t w ⎠ a) mesa comprimida enrijecida: F
⎛ h ⎟≤ ⎞ 150
t
w ⎠
a) mesa comprimida enrijecida:
F
− 0,00041
× ⎜
⎛ h ⎞ ⎟×
Fy
bx
= ⎡ ⎢ 1,21
⎝ ⎠
t

0,6

×

×

Fy

0,60.Fy

A tensão atuante de flexão, nesses casos, deverá ser:

f

bx

=

M

x

W

xef

× ⎛ ⎜ d ⎞ ⎟

h

⎝ ⎠

F

bx

M x = momento fletor aplicado e W xef = módulo resistente efetivo da peça estrutural – ver cálculo das características geométricas para seção efetiva.

b) mesa comprimida não enrijecida:

F

bx

=

⎡ ⎤ 1,26 − 0,0006 × ⎛ ⎜ h ⎞ ⎟× Fy ⎢ ⎥ ⎝
1,26
0,0006
× ⎛ ⎜ h ⎞ ⎟×
Fy
⎝ ⎠
t

×

0,6

×

Fy

0,60.Fy

A tensão atuante de flexão, nesses casos, deverá ser:

f

bx

=

M

x

W'

x

× ⎛ ⎜ d ⎞ ⎟

h

⎝ ⎠

F bx

M x = momento fletor aplicado e W’ x = módulo resistente calculado para a área bruta da alma e área efetiva da mesa – ver cálculo das características geométricas para seção efetiva, adotando, nesse caso:

A

f =

Ag

×

F

c

F

Para ambos os casos, d = altura total da seção transversal; h = altura livre entre as mesas da seção transversal.

Nesses casos de Flambagem Local da Alma, também deverá ser considerada a questão dos esforços de cisalhamento atuantes, que deverão ser analisados de forma apropriada, conforme será visto adiante.

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03.05.03 – Flambagem Lateral com Torção (FLT)

As Tensões Admissíveis para a flambagem lateral com torção, deverão ser determinadas através das seguintes equações:

b λ b 2 = 3,55 × E × ⎛ ⎜ C ⎞ ⎟⇒ F
b
λ b
2
=
3,55
×
E
× ⎛ ⎜ C ⎞
⎟⇒ F
=
F
=
0,60
×
F
bx
y
F
y
2
b
b
F
y
2
3,55
× E
× ⎛ ⎜ C ⎞
⎟≤
λ
b
17,80
×
E
× ⎛ ⎜ C ⎞
⎟⇒ F
0,67
bx
=
×
Fy
⎛ ⎜ ⎞
F
y
F
y
⎝ ⎜ 53,3
×
E
×
Cb
× ⎛ ⎜ C ⎞
Cb
b
λ
2
b
>
17,80
×
E
⎟⇒ F
=
5,92
×
E
×
bx
F
λ
2
y
b
2
2 W
× L
x
b
Onde:
λ
b
=
d
× I
yc
L b = esbeltez lateral em y; d = altura total da seção transversal e I yc = I y /2, e

×

λ

b

2

A tensão de flexão atuante nesses casos será:

a)mesa comprimida enrijecida:

f

bx

=

M

x

W xef

F bx

M x = momento fletor aplicado e W xef = módulo resistente efetivo da peça estrutural – ver cálculo das características geométricas para seção efetiva.

b)mesa comprimida não enrijecida:

f

bx

=

M

x

W

x

F bx

M x = momento fletor aplicado e W x = módulo resistente da peça estrutural.

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No caso de utilizar-se de vigas com seção Z – hoje bem comuns no mercado – as recomendações são de que as tensões admissíveis para FLT devam ser tomadas como a metade das tensões indicadas para os perfis I ou U. Assim:

⎛ C b λ 2 b = 1,78 × E × ⎜ ⎟⇒ ⎞ F
C
b
λ
2
b
=
1,78
×
E
× ⎜
⎟⇒ ⎞ F
F
0,60
bx
=
=
×
F
y
F
y
2
F
b
× ⎛ ⎜ C ⎞
b
y
2
2
1,78
× E
× ⎜
⎛ C ⎞ ⎟≤
λ
b
8,9
×
E
⎟⇒ F
=
0,67
bx
×
Fy
⎛ ⎜ ⎞
× λ
b
F
F
26,7
E
Cb
y
y
×
×
C
Cb
b
λ
2
b
>
8,90
×
E
× ⎜
⎟⇒ ⎞ F
bx
=
2,96
×
E
×
F
λ
2
y
b
2
Onde:
2 W
x
× L
b
λ
b
=
d
× I
yc
03.06 – Cisalhamento
As Tensões de Cisalhamento poderão ser definidas através das seguintes
equações para K v = 5,34:
K
v
h ⎞ ⎟
136 ×
F
v
=
0,4
×
F
y
t
F
y
K
v
K
v
K
v
×
F
y
136 ×
< ⎜ ⎛ h ⎟≤ ⎞ 197 ×
Fv
=
54,7
×
0,40
×
F
y
F
y
⎝ ⎠
t
F
y
⎛ ⎜ h ⎞
⎝ ⎠
t
K
v
10.760
×
K
v
h ⎟> ⎞ 197 ×
Fv
=
0,40
×
F
y
2