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XII CONGRESSO 2008 - Anais

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ASSOCIAÇÃO BRASILEI A DE PSIQUI TRIA ASSOCI O B ASILEIRA PSIQUIATRIA SECRETARIA SECR ARIA SUDESTE

DIRETRIZES PARA A ASSISTÊNCIA PSIQUIÁTRICA [a formação do psiquiatra: ciência e ética] [a reforma e seus impasses] [psiquiatria e cidadania]

Belo Horizonte, 11 a 14 de junho de 2008
Associação Médica de Minas Gerais
Av. João Pinheiro, 161 - Centro Tel: (31) 3213.7457 ou (21) 2199.7500

Anais – Belo Horizonte, 2008

Realização: Associação Brasileira de Psiquiatria – Secretaria Sudeste Associação Mineira de Psiquiatria Associação Acadêmica de Psiquiatria de Minas Gerais Associação Psiquiátrica de Juiz de Fora Associação Psiquiátrica do Espírito Santo Associação Psiquiátrica do Estado do Rio de Janeiro Centro de Estudos do Instituto de Psiquiatria da UFRJ/ IPUB Centro de Estudos Treinamento e Aperfeiçoamento Jurandyr Manfredini – Hospital Pinel/ Instituto Philippe Pinel Sociedade Brasileira de Psicanálise do Rio de Janeiro Sociedade de Neuropsiquiatria de Minas Gerais

ASSOCIAÇÃO B ASILEIRA DE PSIQUI TRIA ASSOCI O BRASILEI A PSIQUIATRIA SECRETARIA SECR ARIA SUDESTE

DIRETRIZES PARA A ASSISTÊNCIA PSIQUIÁTRICA [a formação do psiquiatra: ciência e ética] [a reforma e seus impasses] [psiquiatria e cidadania]
Belo Horizonte, 11 a 14 de junho de 2008

Associação Médica de Minas Gerais
Av. João Pinheiro, 161 - Centro Tel: (31) 3213.7457 ou (21) 2199.7500

Anais – Belo Horizonte, 2008

Secretaria Sudeste.: Belo Horizonte. IV. psiquiatria e cidadania / Associação Brasileira de Psiquiatria.FICHA CATALOGRÁFICA Elaborada pela Biblioteca da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais Jornada Sudeste de Psiquiatria (6. 2008.: 2008. Cidadania. 2. Congresso Mineiro de Psiquiatria (12. II. III. Título CDU: 616. Seminário de Ensino de Psiquiatria (6.: Belo Horizonte.89 J82d . Secretaria Sudeste. ISBN: 1. Belo Horizonte: ABP. MG). 3.: 2008. Psiquiatras . 188p.: 2008. I. a reforma e seus impasses.Congressos. Associação Brasileira de Psiquiatria. Psiquiatria . MG) Diretrizes para assistência psiquiátrica: a formação da psiquiatria. MG).Formação.: Belo Horizonte.

a reforma e seus impasses psiquiatria e cidadania Belo Horizonte. 2008 .VI JORNADA SUDESTE DE PSIQUIATRIA XII CONGRESSO MINEIRO DE PSIQUIATRIA VI SEMINÁRIO DE ENSINO Temário DIRETRIZES PARA A ASSISTÊNCIA PSIQUIÁTRICA a formação do psiquiatra . 11 a 14 de junho de 2008 Associação Médica de Minas Gerais Anais – Belo Horizonte.

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com. a digitação e o conteúdo das mesmas são de inteira responsabilidade individual dos autores.CAPA Agência Surf www. Modificações necessárias foram feitas no intuito de adaptá-las ao formato do livro e uniformizá-las quanto à apresentação. No entanto.agenciasurf.0396 Instituição responsável pela obra SECRETARIA SUDESTE DA ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE PSIQUIATRIA Nota: Este livro de teses foi elaborado a partir dos originais fornecidos pelos autores. .br IMPRESSO POR Secretária de Saúde do Estado de Minas Gerais DIGITAÇÃO/FORMATAÇÃO Liliana Vieira Fone: (31) 3284.

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Fausto Amarante (APES). Gilda Paoliello (ABP/SUDESTE). Maurício Leão (AMP). Helio Lauar (ABP). Infância/Adolescência). Silvio Oliveira (APJF).org. Mercedes Jurema de Oliveira Alves (AAPMG). Fátima Vasconcellos (APERJ). Renato Dias Ribeiro (APES). Humberto Corrêa (UFMG).ORGANIZAÇÂO PRESIDENTE: José Alberto Carvalho (ABP) COMISSÃO ORGANIZADORA Presidente: Gilda Paoliello (ABP/SUDESTE) Vice-Presidente: Maurício Leão (AMP) Secretário: Maria Cristina de Oliveira Contigli (AMP) Marcos Gebara Muraro (APERJ) Tesoureiro: Hélio Lauar (ABP) COMISSÃO CIENTÍFICA Presidente: Sandra Carvalhais (AMP) Membros: Almir Tavares (ANPMG). COMISSÃO SOCIAL Coordenador: Maria da Piedade Bruzzi (AMP) Membro: Renato Ferreira. Fernando Ramos (PinelRJ) Francisco Goyatá (AMP). Elie Cheniaux (IPUBRJ). Rosa Garcia (ABP). Marcia Silva (APES). Helian Nunes (AMP). Marcos Alexandre Gebara Muraro (APERJ). Cristina Amendoeira (SBPRJ). Paulo Repsold (AMP). João Romildo Bueno (APERJ). Lúcio Lima (ABP / Dep.Psiq.br/jornada_sudeste . Luciana Carvalho (AMP).psiquiatriamg.Vianna (HC/UFMG) Guilherme Medeiros (IPSEMG) COMISSÃO DE POSTERS Coordenação: Ana Raquel Correa e Silva (AMP) / Vinícius Tavares (AMP) Membros: Fernanda Vieira Mappa (APES) www. Fabrício Corrêa Durão (HC/UFMG) Guilherme Nogueira Mendes de Oliveira (HC/UFMG) Guilherme Ribeiro Loss (HC/UFMG) Silvia Mendonça da Matta (HC/UFMG) COMISSÃO DE DIVULGAÇÃO Coordenador: Adriano Simões Coelho (AMP) / Vinicius Tavares (AMP) Membro: Bernardo Mattos.

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lembro Barthes: o nascimento do leitor é pago pela morte do autor. João era um amigo muito querido. ao qual também agradecemos. final de feriado prolongado. No dia seguinte ao convite feito. Escrever um texto é um ato generoso: dividir com o leitor a própria obra. para expressarem sua visão de nosso tema. Não por acaso. palestrantes da VI Jornada Sudeste e XII Congresso Mineiro de Psiquiatria. perdem a Psiquiatria.br/jornada_sudeste . Foi o primeiro a responder a nosso pedido de texto para estes anais.a reforma e seus impassespsiquiatria e cidadania Caro Colega. fiquei algum tempo incapaz de qualquer reação. Reverenciando a memória de nosso professor João Ferreira. Queria falar com algum amigo comum. interlocutor atento e generoso.psiquiatriamg. mas. ofereceram a si e ao seu trabalho para este enfrentamento. Ironicamente. me chega o texto que vocês encontrarão aqui e que permaneceu solitário por muitas semanas no site da jornada. domingo.org. Perplexa. documento das palavras escolhidas por nossos colegas. Mas um congresso é validado pelo público. me enviou o que chamou de pré-texto. João permanecerá vivo entre nós. até que Romildo Bueno e Carol Sonenreich lhe vieram fazer companhia. solidário na perda do querido amigo. generosamente. o texto é seu! Belo Horizonte. Enviei algumas mensagens e me pus a lembrar. escolho seu prétexto para fazer a apresentação destes anais. Logo depois.DIRETRIZES PARA A ASSISTÊNCIA PSIQUIÁTRICA A formação do psiquiatra: ciência e ética . Somos gratos a estes colegas que. Dar a público esta obra em discussão é um ato corajoso de enfrentamento. os três juntos desafinando o coro dos contentes! Como me escreveu João Carlos Dias. suas propostas e compromissos. a Academia e a Ciência um professor que muito contribuiu para a formação e o pensamento crítico de tantos profissionais por este Brasil afora. na herança de seu trabalho Leitor. não encontrei ninguém. Organizava estes anais quando recebi a notícia da morte de João Ferreira. 25 de maio de 2008 Gilda Paoliello www.

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se pretende escritor. assim. do treizième arrondissement. Ulisses Pernambucano.br/jornada_sudeste . Falta o caminho para Damasco que nos leve a Paulo e. narrativas de outros. para ser realização. Ronald Laing e quejandos. constituem os três tempos da criação. Além disso. demarcando precisamente suas fronteiras científicas.Por uma Psiquiatria do Brasil Todo aquele que escreve. como diz R. João é seu apóstolo. à universalização de nossa filosofia. nos mostrando que a coisa mais séria da vida é a brincadeira de uma criança. Ou seja. A construção da assistência. Portanto o oposto da brincadeira não é seriedade. para ser séria. de Maxell Jones. em Psiquiatria. Donald Cooper. Luís Cerqueira. no Brasil. o vice-versa da memória.psiquiatriamg. Juliano Moreira. tem que “ver a linguagem”. deve estranhar e se afastar do seu pré-texto para que a construção do seu texto dê-se tomando o que estuda enquanto um fato da cultura. Nise da Silveira. passa pela realidade e também pela brincadeira. Imaginação. Pedro constrói sua Igreja. Para ser precisa. reina. a criação. passa além do mar Adriático.org. Barthes. com outros. ele está imerso em memória. de Saint Alban. Vem de Teixeira Brandão. memória e imaginação. Nosso amigo Freud levou essa questão mais adiante. Essa estranha doença. que o torna d’outrora. sobre outros. Para isso temos sempre que ter certeza de nossas dúvidas. e sim realidade. Mas ele precisa de “lembranças do futuro”. Portella Nunes e Domingos Sávio. O real não brinca. João Ferreira 13 www. Observação.

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além de uma rica interlocução científica. Fátima Vasconcelos. a quem tenho a honra de ter como interlocutor e amigo. Felizmente um amigo ausente é sempre revivido no encontro com outros. o que nos proporcionou. pela Sociedade Psicanalítica 15 www. Romildo Bueno. Caros Colegas. respondendo prontamente com o texto “Os novos velhos desafios da saúde mental”. é um fato. o livro 68 e Saúde Mental. agradeço de coração o efetivo apoio e labuta. Aos colegas das Federadas SUDESTE. pioneira representante feminina na diretoria da ABP e nosso querido Hélio Lauar. mas nunca pesados. como nosso tesoureiro. Quando perdemos um amigo ficamos mais pobres. à divulgação do evento. principalmente através de seus diretores Rosa Garcia. A VI Jornada Sudeste de Psiquiatria foi efetivamente construída pelas nove federadas existentes na região. como secretária Sudeste. nossa homenagem. o desenvolvimento do programa. gostaria de dirigir as primeiras palavras a João Ferreira. Mas incorporando suas lembranças e ensinamentos em nossa memória. que desempenhou o duplo estatuto de nos acompanhar representando a diretoria da ABP e cuidar rigorosamente das finanças da jornada. que construíram conosco esta jornada. Sustentamos nossas idéias e nossas propostas com o incomparável conforto da certeza de que nosso discurso científico.psiquiatriamg. como disse Freud.11/06/2008 – 20:00 h Solenidade de abertura – Auditório Oromar Moreira Palavras da Secretária Sudeste ABP. e Marcos Gebara. onde aponta a importância das lembranças do velho para sustentarmos a direção do novo e de uma única certeza em relação à vida: a dúvida. Ao final desses seis meses preparatórios à jornada. Senhoras e Senhores. o levantamento dos patrocínios. pois. Ao agradecer a meus colegas do Rio. Desde a escolha do tema. Gilda Paoliello Autoridades Presentes. nos enriquecemos. nosso representante carioca na comissão organizadora. Daí a leveza desta construção. Agradeço à Associação Brasileira de Psiquiatria a confiança e o apoio à Jornada. querido amigo. muito trabalho. muito tenho a agradecer a todos os que confiaram em nós. que aqui lançaremos. Ao querido João.org. pois sempre dividido de forma solidária.br/jornada_sudeste . tivemos sim. sempre pronto a desafinar o coro dos contentes. As lembranças de João serão revividas com nossos amigos do Rio. nos possibilitando alcançar o objetivo de construir este encontro. os sonhos precisam de um capital para se realizar. um verdadeiro aggiornamento das relações institucionais. às vezes difíceis. que será aqui representado por seu último trabalho publicado. político e ideológico são plenamente coerentes com nossa prática. aos quais agradeço construírem conosco esta jornada: representando a Associação Psiquiátrica do Rio de Janeiro. esta é uma possibilidade. a indicação dos convidados. obstinado companheiro da Reforma. Foi o primeiro a atender nosso convite para esta jornada.

de um ideal. Aqui também não posso deixar de nomear cada colega. De forma muito especial. Fernando Ramos. E. Dade Bruzzi e a querida Cristina Contigli. Luciana Carvalho. Associação Psiquiátrica de Juiz de Fora. Adriano Simões Coelho. Elie Cheniaux. pela dedicação à organização da jornada. Agradeço muito aos jovens colegas residentes que se aproximaram. que permite a expressão da vontade. Ser psiquiatra é uma opção ou uma necessidade? Dizendo que é uma opção. examine se estende suas raízes pelos recantos mais profundos de sua alma. através de Renato Dias. Ana Raquel Correa e Silva. que abrindo mão do projeto de ter um ano sabático. do querer.do Rio de Janeiro. manifesto aqui minha gratidão e alegria pela interlocução sempre disponível. dividindo conosco o trabalho e nos instigando com suas questões. Agradeço à Associação Psiquiátrica do Espírito Santo. (1) Rilke responde ao jovem poeta que lhe perguntava se era ou não um escritor.sou mesmo forçado a escrever? Escave. Humberto Correa. agradeço à Associação Mineira de Psiquiatria. agradeço a Marcílio.psiquiatriamg. nessa referência. Com muito carinho. representando a Pinel. Caros Colegas. estatuariamente já agendado para esta data. Cristina Amendoeira. através de Silvio Oliveira. Paulo Repsold. Dizendo ser uma necessidade refiro-me a algo que se impõe a uma causa que é assumida. carinhosa. Mercedes Jurema Alves pela Associação Acadêmica de Minas Gerais. Fausto Amarante e Márcia Silva e às Federadas mineiras. animada. implica a construção de sua possibilidade. como ao escritor.org. Almir Tavares pela Sociedade Neuro-Psiquiátrica de Minas Gerais. Francisco Goyata. incansáveis para a realização desta jornada: o presidente Maurício Leão. uma necessidade. dentro de si uma resposta profunda. Helian Nunes. (1) 16 www. e Élida Irma.(2) Ser Psiquiatra é. meu companheiro de vida. pelo Instituto de Psiquiatria da Universidade Federal do Rio de Janeiro e Lúcio Lima. indispensável.br/jornada_sudeste . coordenadora da comissão científica. de uma maneira que pode nos valer: “investigue o motivo que o manda escrever. Nosso agradecimento especial às nossas secretárias Joelma Alessandra. Sandra Carvalhaes. se puder contestar àquela pergunta severa por um simples – sou – então construa a sua vida de acordo com esta necessidade”. representados por Bernardo Mattos Vianna. A todos estes colegas. como sempre arregaçou as mangas e se colocou a trabalho. deduzo a existência de um modelo. confesse a si mesmo: morreria se lhe fosse vedado escrever? Isto acima de tudo: pergunte a si mesmo na hora mais tranqüila de sua noite: . que se tornou a figura mais conhecida de nossa equipe. por ser uma causa e não um ideal. Se for afirmativa. pela afetiva e efetiva ajuda e estímulo. representando o Departamento de Psiquiatria da Infância e Adolescência da ABP. que generosamente acolheu a Jornada Sudeste junto ao XII Congresso Mineiro de Psiquiatria. Vinicius Tavares.

psíquico. substituído que vem sendo pelo pan-opticon da neurociências. atravessada pelo social. aqui nesta mesma casa. Entretanto. Desde então. Continuamos construindo as possibilidades da assistência psiquiátrica. em uma posição trágica. Entretanto. respondemos: . a Psiquiatria necessita urgentemente resgatar o olhar clínico. pois apoiada de um lado no psíquico e de outro no biológico. Lidar com as paixões da alma. se estamos aqui de novo reunidos.org. o que seria uma boa formação em Psiquiatria? Aquela que alia ciência e ética. não devemos subestimar a importância do conhecimento científico dos fatos e suas interrelações causais. Nossas diretrizes se constroem no caso a caso.Há 30 anos. Clinicar é preciso.br/jornada_sudeste . que nos permita unir a previsibilidade científica com o imprevisível da clínica e com o particular das diferenças. lembrando que a Psiquiatria lida com aquilo que pode ser diferente da norma. A Clínica nos remete sempre. Apliquemos esta fórmula onde Psiquiatria. Como nos alerta Bertrand Russel: "Nós estamos em meio a uma corrida entre a destreza humana quanto aos meios e a sandice humana quanto aos 17 www. pois. seria uma resposta. a novas posições. é por que o trabalho não terminou. iniciando o movimento da Reforma da Assistência Psiquiátrica em Minas. Ao jovem psiquiatra que nos pergunta. a Psiquiatria é um campo complexo. A convivência desses três estatutos . A Ciência é. Atuando na área do comportamento e das emoções.psiquiatriamg.gera tensões e é justamente dessa convivência que a Psiquiatria cria um corpo próprio. Qualquer ato de escolha. donde o tema escolhido para esta jornada: “diretrizes para a assistência psiquiátrica” pontuada por três coordenadas: a formação do psiquiatra. liderados pelo querido Cesar Rodrigues Campos. a quem homenageamos. a Clínica. vastas emoções e pensamentos incertos exige delicadeza. Psiquiatria e Paciente. a ética sem a ciência é vazia e a ciência sem a ética é cega. biológico e social . como o jovem poeta a Rilke. no sentido da construção de uma ética também do particular. que remete à arte da escolha. Portanto o Clinicar não é preciso. Ciência e Ética se articulam. a abordagem ética conseqüente requer uma apreciação realista do exeqüível. vai além da competência do saber científico. a reforma e seus impasses. nos reuníamos para traçar as primeiras diretrizes do III Congresso Mineiro de Psiquiatria. Portanto. A Clínica Psiquiátrica lida com o imprevisível. lembrando Kant.se o psiquiatra tem uma boa formação. abraçamos esta causa e. portanto. psiquiatria e cidadania. Entretanto. O reconhecimento das diferenças é o ato básico das ações em saúde mental. por mais trivial que seja. não se pode esperar da Psiquiatria uma atividade isenta de conflitos. que não se limita à ética do universal da ciência. um campo valioso para a reflexão ética. diferenças essas que devem ter um eixo comum: uma ética. qual a lógica destas referências.(4) E esse reconhecimento deve se iniciar pelo convívio com a diferença das práticas. ele saberá traçar e seguir as diretrizes para conduzir um tratamento no sentindo de permitir ao paciente passar à condição de sujeito e cidadão. Por outro lado.

se alterados. hoje é uma necessidade o resgate da clínica e o lugar do psiquiatra. atingida a idade da razão. palestra na Associação Mineira de Psiquiatria.C. são bússolas adequadas para a construção de nossas diretrizes e condução de nossa causa. por razões contingenciais. Assim. Jornada Sudeste de Psiquiatria. sujeito e contexto. setembro de 2006 18 www. Da Magia à Evidência. Referências bibliográficas (1) Transportando a comparação feita por Jorge Forbes entre a Psicanálise e a poesia à Psiquiatria (Forbes J. já é tempo que a reforma tenha seus objetivos consolidados. Indo além da transformação do hospital psiquiátrico. em torno a uma clínica geradora de sentido para quem dela participa: paciente. 1996) (2) Rilke R. E nossa reforma.(3) Pois bem. como anda? Hoje. a supremacia do social na reforma. ao avanço do saber corresponderá o avanço do pesar. Por outro lado. para uma condução do processo clínico. em um primeiro momento. Os novos velhos desafios da Saúde Mental. in “Aggiornamento”.psiquiatriamg. as questões sociais e políticas foram priorizadas em detrimento da clínica.psiquiatria. podemos dizer que a articulação dos três eixos . É um bom tema para um encontro: “o necessário e o contingente da Reforma Psiquiátrica” (5): foi uma contingência.M. pois o homem é infinitamente maior e mais complexo que qualquer teoria de conhecimento que se construa a seu respeito.fins. junho de 2008 (5) Figueiredo A." Esta a mensagem que deixamos ao jovem psiquiatra em formação. Não podemos permitir que da psiquiatria social fique apenas o social. já é tempo desta ser resgatada. resumo que a proposta ética de nossa reforma deve ser não nos assujeitarmos. trabalhador e instituição. os quais. Para finalizar. a tentativa de encaixar a Psiquiatria dentro de um rigor científico acaba trazendo à clinica um rigor mortis! Não podemos permitir que da psiquiatria biológica reste apenas o biológico! Os dois caminhos isolados colocam a clínica em risco. Definindo brevemente a direção desta reforma.org. Juntos. setembro 2001 (4) Ferreira J. palestra na Associação Mineira de Psiquiatria. tratamento.br/jornada_sudeste . Editora Globo. 1995 (3) Neves F. efetivar a construção de uma rede que possa sustentar responsavelmente a assistência de nossos pacientes. a degradariam. transformando-a em alguma outra coisa. é preciso determinar e distinguir o que se constitui como os elementos fundamentais da Psiquiatria. subjetividade e dimensão sócio-política poderá nos permitir criar um modelo que possa superar as disparidades existentes entre especialistas. trinta anos depois de seu início. se a sabedoria não avançar na medida do saber. se justificará nosso encontro. mas. Se.. Cartas a um jovem poeta. colocando em relevo os avanços da Psiquiatria e fazendo respeitar a função do psiquiatra dentro do modelo construído em todos estes anos. em um momento.

br/jornada_sudeste .org.psiquiatriamg.SEMINÁRIO DE ENSINO www.

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Dr. o hospital incorporava idéias e concepções modernas para tratamento de enfermos mentais. vários pacientes passaram a integrar os quadros de funcionários do hospital após o tratamento. conforme tendência mundial. superlotada pelos rejeitados sociais de toda a natureza. Professor da PUC Minas. 21 www. a instituição abriu as suas portas. pela retomada dos seus objetivos originais de ensino e pesquisa. o hospital se transformou em um asilo superlotado e sem qualquer vocação terapêutica. inicialmente no Hospital Galba Veloso.br/jornada_sudeste . permitindo aos enfermos o livre trânsito por oficinas e espaços de lazer dentro do espaço institucional. já em 1929 o IRS se tornara uma instituição asilar. na instituição um foro permanente de debates e críticas ao modelo assistencial psiquiátrico vigente. Projetado em Frankfurt. definitivamente afastado de sua trajetória inicial. em 1971 transferida para o Instituto Raul Soares.que implantou a Residência Médica de Psiquiatria.psiquiatriamg. naquela época. e já havia perdido seus objetivos iniciais. Durante este fértil período.DIA 11/06/2008 – QUARTA-FEIRA Seminário de ensino – Auditório Borges da Costa Tema: FHEMIG: 40 ANOS DE ENSINO Sub-tema: “A Residência de Psiquiatria do IRS de 1968 a 2008: notas preliminares” Relator: Hélio Lauar1 O Instituto Raul Soares (IRS) foi inaugurado em 07 de setembro de 1922 como instituição que pretendia ser modelo para tratamento e pesquisas na área de saúde mental. premida pela demanda social de segregação dos “loucos” e pessoas “inconvenientes” de toda natureza. No final dos anos trinta a Instituição já entrara em decadência novamente. nos relatos do seu diretor. Em 1963. com objetivos de atender aos egressos do hospital e aos pacientes que não demandavam internação. A natureza crítica e reflexiva da RPIRS criou. No ano de 1968 foi criada a Fundação Estadual de Assistência Psiquiátrica. foi planejada uma nova transformação do modelo assistencial através da implantação do ambulatório “Roberto de Resende”. Sua única função era a de triar os enfermos mais crônicos ou os mais rejeitados socialmente para o Hospital Colônia de Barbacena. 1 Gerente Técnico Assistencial IRS FHEMIG. Na década de 30 foram ensaiadas experiências inovadoras de tratamento dos enfermos pela laborterapia e lazer criativo. FEAP . Lopes Rodrigues.org. primeiro serviço destinado ao atendimento de pacientes externos. trazendo novas perspectivas para a instituição. Esta experiência inovadora não teve vida longa. Assim. Entretanto.e. Seu projeto arquitetônico de estilo sóbrio e funcional se integrava ao elegante conjunto de prédios públicos da nova capital Mineira. na área de psiquiatria no Estado de Minas Gerais. Comandada por Lopes Rodrigues. sem nenhuma previsão de alta.

De 1968 a 2008 foram quarenta anos de construção de um sistema de formação psiquiátrica comprometida com a assistência pública e seus fundamentos. Neste processo poderemos identificar três momentos distintos: o primeiro momento, ainda no Hospital Galba Velloso, onde o nome de Jorge Paproki se mostra emblemático aproximando investigação em pesquisa farmacológica e os prodromos de uma reforma da assistência onde já se testava uma aproximação entre os fundamentos da psicofarmacologia, da psicologia social e da psicanálise, na corajosa experiência do open door. Em 1971, a Residência de Psiquiatria se transfere para o Instituto Raul Soares e neste contexto o nome de Francisco Paes Barreto passa a figurar de modo representativo de um grupo de preceptores que trabalhavam sob os auspícios do conhecimento da psiquiatria clássica, as contribuições de uma psicanálise freudo-lacaniana, e, a dimensão sócio-política da psiquiatria e da assistência pública. Segundo Barreto (1999) tratava-se de exercício teórico-prático tenso e difícil, com avanços e retrocessos, no qual se procura revelar o conceito de cidadania e uma clínica do sujeito. Os questionamentos das Instituições Asilares e do próprio modelo de Assistência Psiquiátrica já estavam sendo feitas por Baságlia na Itália, Castel e Foucault na França, Laing e David Cooper na Inglaterra, entre outros tantos, e estes pensadores lançaram as bases de um movimento internacional interessado na reforma psiquiátrica e na revisão da concepção tradicional relativa aos transtornos mentais e seus tratamentos. No IRS este movimento teve acolhida natural na Residência de Psiquiatria que passou a liderar os debates sobre o tema em nosso meio. Em 1977, as antigas Fundações de Assistência de Saúde do Estado (FEAP, FEAMUR e FEAL) foram fundidas, criando-se a Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (FHEMIG) que passou a gerir a totalidade dos hospitais públicos do Estado, assumindo mais de sete mil leitos, incluindo os psiquiátricos. Nascida sobre a égide da racionalização administrativa e assistencial, a FHEMIG tornouse sensível aos questionamentos do modelo psiquiátrico pela sua irracionalidade, ineficácia e penalização dos enfermos que eram mantidos em estruturas asilares arcaicas e desumanas. Desta maneira, a criação da FHEMIG marca administrativamente o momento propício para o desencadeamento e implantação das medidas propostas pela Reforma Psiquiátrica. No mesmo ano Michel Foucault vem a Minas a convite de Dr. Célio Garcia lançando críticas à assistência e ao sistema psiquiátrico em Minas Gerais. Em julho de 1979, Franco Basaglia veio a Minas a convite de Dr. Antonio Simoni, então preceptor da RPIRS, para fazer uma semana de palestras sobre Psiquiatria Social. Basaglia fez uma denúncia pública questionando responsabilidades do estado na geração das instituições totais e dos seus crimes de lesa cidadania em tempo de paz. Em novembro de 1979 acontece em Belo Horizonte o III Congresso Mineiro de Psiquiatria, da AMP, presidido pelo Dr. Cesar Rodrigues Campos, então preceptor da RPIRS, que polemiza institucionalmente as relações da psiquiatria com as instituições psiquiátricas e com o estado. Nesta ocasião, o filme “Em

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nome da Razão” foi lançado com o intuito de mobilizar os olhares da sociedade para o que acontecia no interior das instituições psiquiátricas, fazendo públicas as imagens de horror encerradas nos porões da loucura. Estas estratégias somadas clamavam investimentos para o setor e mudanças de paradigmas assistenciais, caracterizando o princípio do que mais tarde se chamaria reforma psiquiatrica. Todas as denúncias foram fotografadas por profissionais e amadores e divulgadas nacionalmente pela Associação Mineira de Saúde Mental em 1979. A referida associação estava vinculada internacionalmente à Rede de Alternativas à Psiquiatria Todas estas críticas feitas ao modelo psiquiátrico vigente, propiciaram o desencadeamento da Reforma Psiquiátrica em Minas Gerais, nos anos 80, liderada por profissionais que, desde os anos 60 já trabalhavam com uma perspectiva aberta e crítica. A partir da denúncia nacional e internacional realizada por Basaglia, fomentada pela Residência de Psiquiatria do IRS, a mídia passa a dar cobertura ao tema da assistência psiquiátrica no estado, criando uma série de reportagens diárias que foram posteriormente compiladas e publicadas em Belo Horizonte no livro: “Nos Porões da Loucura” de Iran Firmino, em 1981. Em 1982 acontece em Belo Horizonte o “VII Congresso Internacional da Rede de Alternativas à Psiquiatria”, presidido pelo Dr. Antonio Simoni, dando continuidade à estratégia de denúncia, e a sustentação da proposta de criação de alternativas ao modelo assistencial baseado nas instituições totais e dando voz ao usuário e o incluindo nos processos de mudança pleiteados socialmente, juntamente com os profissionais do setor. Nos anos oitenta, se manteve nesse movimento, atento e síntone com as indispensáveis mudanças na assistência ao enfermos mentais, com um papel fundamental no movimento de crítica ao modelo asilar psiquiátrico. Neste contexto, introduziu serviços inovadores como o primeiro Hospital-Dia público no Estado de Minas Gerais, além das enfermarias mistas, regionalizadas e de curta permanência. Seus técnicos contribuíram para o planejamento e implantação dos serviços extra-hospitalares, serviços substitutivos, contribuindo no planejamento e execução das primeiras políticas públicas à saúde mental no Estado. Em 1989 começa tramitar no cenário político nacional o projeto de Lei, do deputado mineiro, Paulo Degado (Lei n. 3657) que propunha aos moldes italianos, a extinção progressiova dos manicômios. A partir de meados da década de 90, constata-se o avanço da Reforma Psiquiátrica nos municípios mineiros e dos movimentos sociais ligados à luta antimanicomial. A SMSA/SUS-BH vem implantando, desde 1993, uma expressiva rede de serviços substitutivos e os leitos em hospitais psiquiátricos começam a reduzir significativamente, inclusive com fechamento de alguns deles. Consonante com a Reforma Psiquiátrica, a Secretaria de Estado da Saúde de Minas Gerais e a FHEMIG organizam em 2001 o Seminário: “Hospitais Psiquiátricos: Saídas Para o Fim”, assumindo publicamente a possibilidade do

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fechamento de seus hospitais psiquiátricos, num cronograma consequente e coerente com as políticas de saúde mental nacional, estadual e municipais. Desde 1998 começamos observar um terceiro momento na vida institucional da Residência de Psiquiatria do Instituto Raul Soares, desta vez sob a liderança de Hélio Lauar. Ex-residente do Instituto Raul Soares, trabalhando na ineterface dos discursos universitários, público administrativo e da psicanálise. Em 1996 havia realizado em Belo Horizonte o Congresso Brasileiro de Psiquiatria onde se mostrava interessado nos fundamentos da psiquiatria: biologia, filosofia e politica. Discutia no interior da residencia uma reformulação do ensino e da formação teórico prática que permitisse um retorno a clinica, de modo adequado a investigação científica, sem excluir a subjetividade e a política. Num turbulento momento de transição política, onde o IRS se via destinado a ser destivado como hospital psiquiátrico, como os seus serviços substitutivos a saber: o seu Hospital Dia e o seu ambulatório, por estarem em local condenado à extinção pelos projetos de reformulação da assistência o IRS mais uma vez movido pelo inconformismo pensante e crítico da Residência de Psiquiatria possibilita a certificação do velho hospital como o novo hospital de ensino, conforme Portaria Interministerial nº 50, dos Ministérios da Saúde e da Educação, em substituição ao antigo FIDEPS. O Hospital de Ensino Instituto Raul Soares (HE-IRS) agora tem como missão prestar assistência aos portadores de sofrimento mental, através do Serviço de urgência/emergência, do ambulatório da Residência e do Serviço de internação; garantir espaço de formação na área da psiquiatria, desenvolvendo atividades de ensino e pesquisa através de sua Residência, e nas demais áreas da saúde mental. O HE-IRS passou a dispor de um corpo técnico com experiência no serviço público e com titulação universitária capaz de oferecer programas de formação, atualização, treinamento, aperfeiçoamento, programa de residência médica e especialização latu sensu. Sua estrutura e processo funcional podem ser utilizados pelos mais diversos cursos de saúde mental como campo de treinamento curricular, estágio e visitas técnicas. O programa de Residência Médica credenciado pelo MEC para formação em Psiquiatria Geral, passou a oferecer também concentração opcional em Psiquiatria Forense e Psicoterapia. Ainda hoje o programa de treinamento e formação tem por objetivo formar psiquiatras comprometidos com a assistência pública, no contexto do SUS, a partir de programa mínimo baseado nas indicações da Associação Brasileira de Psiquiatria e aprovadas pelo MEC que visa construir mentalidades científicas e éticas capazes de atuar na assistência clínica, no ensino, na pesquisa e no planejamento em saúde. Os residentes com entrada a partir de 2007 deverão cursar três anos para a obtenção do título de especialista fornecido pela FHEMIG/MEC. Poderão ainda cursar um quarto ano opcional de Psiquiatria Forense ou Psicoterapia que funcionam desde 2004. Nestes 40 anos de existência da Residência de Psiquiatria da FHEMIG a instituição comemora sua permanência, sua vitalidade e sua capacidade de se reinventar.

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psiquiatriamg.br/jornada_sudeste .PAINÉIS www.org.

org.26 www.psiquiatriamg.br/jornada_sudeste .

Quem não adota em sua pesquisa o "modelo" consagrado. não são qualidades indispensáveis para a ciência. Não qualquer sofrimento é visto pela Medicina como "doença”-. Consideramos a Psiquiatria como um ramo da Medicina. Somente as alterações para as quais o ponto de vista médico propõe interpretação.br/jornada_sudeste . divinos.org. Não tem sentido excluir a tísica da lista das ciências.psiquiatriamg. Uma questão que não pode escapar. rigor como exigências do conhecimento. e os direitos que esse garante. na medida em que as explicações das manifestações do "mal" passaram a ser consideradas em termos racionais. A psiquiatria é declarada não-científica por aqueles que proclamam que seu sistema do pensar é o "único científico". censurar suas manifestações. Consideramos "cientifico" o pensamento que pode ser comunicado à coletividade científica. que outros teóricos ou praticantes das ciências acham que rigor. Intervenções com o objetivo de curar foram sempre praticadas por pessoas às quais eram atribuídos poderes. com que objetivo colocamos a questão do caráter "científico" da psiquiatria? Qualquer que seja nossa preferência é inadmissível proibir a outros de ler pontos de vista diferentes. conforme as características que atribuem à cientificidade. não como fenômenos mágicos. 27 www. sem achar necessário submeter-se à avaliação. causalidade. porque adere à teoria quântica. certeza. Acrescentam-se as atividades médicas para melhorar as condições de vida. de realizações das pessoas. Alterações sempre prejudiciais para aquele que sofre. Os médicos separam-se dos outros "curandeiros". omitem. Os "clássicos" não separavam da mesma maneira que hoje separamos o discurso científico do "místico”. intervenção. A Medicina que praticamos é a científica. Em oposição ao estilo dos "iniciados". perde o caráter científico. Muitos contestam esse título. Ignoram. portanto criticado. conhecimentos espontâneos. trabalhos. que não são "ortodoxos". julgado. 3. Um corpo de saber respondendo a um mandato social: estudo e tratamento das alterações fisicopsiquicas que consideramos doenças. que elimina causalidade.DIA 12/06/2008 – QUINTA-FEIRA Painel 02 – Auditório Borges da Costa Tema: PSIQUIATRIA E CIÊNCIA Sub-tema: Psiquiatria científica Relator: Carol Sonenreich (SP) 1. pela mesma. 4. 2. que "revelam" o que sabem. O cientista formula os fenômenos em função de um "quadro de referência".

No Brasil. o então Ministro. conseqüência de uma progressiva especialização e despersonalização da medicina.) que requerem cuidados psiquiátricos e médicos gerais concomitantes.br/jornada_sudeste . feita há mais de trinta anos (portaria 32 de 22-01-1974).Painel 06 – Sala 06 Tema: PSIQUIATRIA E OUTRAS ESPECIALIDADES MÉDICAS Relator: Marco Antônio Brasil (RJ) A presença de unidades psiquiátricas em hospitais gerais como centros coordenadores de uma rede de assistência ao doente mental vem sendo proposta. assim. mas inseparável. procura-se acabar com a separação entre a assistência psiquiátrica e a médica geral. como efeitos colaterais. pois sem a doença como contraste. a introdução de medicamentos capazes de apresentar.a 28 www. em substituição aos hospitais psiquiátricos tradicionais. dependentes a drogas. a saúde seria evidente e inquestionável. Os recentes estudos sobre imagem. distúrbios psiquiátricos. as cirurgias complexas e arriscadas levando a pré e pós-operatórios tumultuados e sujeitos a problemas de ordem psicológica. fisiologia e bioquímica cerebrais têm reforçado tal necessidade. o doente mental dever ser visto como um paciente do sistema geral de atenção à saúde. evolução e prognóstico das doenças orgânicas e a necessidade de adquirir conhecimentos e instrumentos terapêuticos para lidar com tais fatores. Mário Machado de Lemos. Desta forma. Entretanto. em outubro de 1972 . coloca entre suas resoluções . a ausência de médicos dispostos a ouvir problemas pessoais e familiares do paciente. A saúde mental é um aspecto específico. apesar das recomendações e estímulo por parte de órgãos oficiais nacionais e internacionais para criação de UPHG. entre eles: a progressiva conscientização por parte do médico da importância dos fatores psíquicos na gênese. temos poucos leitos psiquiátricos em hospitais gerais (levantamento da Divisão de Saúde Mental do Ministério da Saúde. com um total de 1800 leitos. indicou a existência de 84 UPHG representando apenas 3% dos leitos psiquiátricos do país. Sob o ponto de vista médico. da saúde geral.psiquiatriamg. este processo de integração da psiquiatria com a medicina não tem sido fácil e tranqüilo. correspondente a 3% do total de leitos psiquiátricos (Larrobla e Botega. realizada no Chile.levando em consideração as recomendações do Plano Decenal de Saúde para as Américas. a crescente existência de pacientes (velhos. a presença da psiquiatria no hospital geral faz-se cada vez mais necessária. alcoólatras. Por outro lado. etc. 2000) Entre essas recomendações está a do Ministério da Saúde denominada "Normas para política de saúde mental". realizado em 1998. Inúmeros fatores contribuem para isto.org. a análise da questão do normal e patológico deve ser feita a partir do par antitético: saúde e doença. Por outro lado. não podemos falar de saúde mental sem reconhecer a doença mental. outorgando ao doente mental a condição de "enfermo de direito comum" (Hochmann). Nessa portaria. A psiquiatria também necessita de uma maior aproximação com o restante da medicina. aprovado na III Reunião Especial de MInistros de Saúde das Américas. apesar das vantagens que parecem ser óbvias. Dr.

através da portaria 189/91. Desde então. Através das portarias 407 e 408/93. ampliando e diversificando os procedimentos da Tabela do SIH/SUS e SAI/SUS.. o Ministério da Educação e Cultura e o Ministério da Saúde determina o pagamento de incentivo financeiro no valor de uma porcentagem adicional de 75% sobre o valor das internações aos hospitais de ensino que tenham internação psiquiátrica com um mínimo de quatro leitos. utilizar recursos intermediários entre o ambulatório e a internação integral.br/jornada_sudeste . a Coordenação de Saúde Mental do Ministério da Saúde.org. da Coordenação Geral de Saúde Mental do Ministério da Saúde é enfatizado a importância de leitos de atenção integral em saúde mental em hospitais gerais e CAPS. com ela. 1996) No “Relatório de Gestão 2003-2006”. em hospitais psiquiátricos tradicionais. Em portaria conjunta de no 001/94. acatando parecer da Coordenadoria de Saúde Mental. a internação em hospitais gerais(Conferência de Caracas. através da portaria 224/92 que traça diretrizes e normas a respeito do atendimento aos doentes mentais em hospitais gerais. texto-documento promulgado em novembro de 1990 pela Conferência Regional para a Reestruturação da Atenção Primária convocada pela Organização Pan-americana de Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS).de dar prioridade. 1990). visando a redução das internações em hospitais psiquiátricos tradicionais. em hospitais-dia e nos Centros e Núcleos de Atenção Psicossocial. procura estimular a criação de uma rede da assistência em saúde mental extra-hospitalar e apoio à abertura de leitos psiquiátricos em hospitais gerais. o Ministério da Saúde (1993) determina que os serviços de atendimento em saúde mental substitutivos à internação tradicional em hospitais psiquiátricos teriam uma remuneração 20% superior a este tipo de serviço. ao tratamento ambulatorial e a hospitalização curta de preferência em hospitais gerais (grifo nosso). a reforma da assistência psiquiátrica e.” (Grifo nosso) A “Declaração de Caracas”. Em 1991. recomenda que a atenção psiquiátrica no continente latinoamericano se baseie em serviços centrados na comunidade como alternativa à hegemonia do hospital psiquiátrico. promover a instalação progressiva de pequenas unidades psiquiátricas em hospitais gerais. a proposta das UPHG. aparecem freqüentemente nos discursos oficiais sobre as políticas de saúde mental. O Programa de Reorientação da Assistência Psiquiátrica – CONASP/INAMPS (Portaria 3108 de 1982) propõe várias diretrizes para o atendimento ao paciente psiquiátrico: “ser predominantemente extra-hospitalar. entre eles. (Alves Brasil. na assistência ao doente mental. ser exercido por equipe multidisciplinar.psiquiatriamg.. o Ministério da Saúde. tanto em relação à proposta de instalação de 29 www. há uma grande dificuldade de transformar tais discursos em uma realidade da prática assistencial.). Entretanto. incluir-se numa estratégia de atenção primária de saúde (. internação somente em casos inevitáveis. Em 1992.

Para ser precisa. uma prática heterogênea. médico. Ou seja. segregar os sexos. chegando até às universidades. no entanto. 1) O gesto fundador de Pinel: Assim começa a administração da loucura. O forte humanismo pineliano vê na loucura um erro a ser corrigido. órfãos e desvalidos.br/jornada_sudeste . e sim realidade. oscilando entre o fisicalismo organicista e a pedagogia moral. Nosso amigo Sigmund Freud levou essa questão mais adiante. deve estranhar e se afastar do seu pré-texto para que a construção do seu texto dê-se tomando o que estuda enquanto um fato da cultura. formar mentalidades. Mas ele precisa ainda de “lembranças do futuro”. senão algo a ser abolido. como diz Marcel Proust. Além disso. filantrópico. na reeducação do louco. Os loucos. a loucura é enclausurada. narrativas de outros. Assim podemos fisgar o que queremos da herança do “velho” para sustentarmos a direção do “novo”. Imaginação. 30 www.org. passa pela realidade e também pela brincadeira. mas também nos famosos internatos. demarcando precisamente suas fronteiras científicas. para ser realização. Uma prática disciplinar.psiquiatriamg. sem dúvida. a criação. como ensinou Antônio Vieira. constituem os três tempos da criação. tratar. Mas é justo esse humanismo que 2 Prof. ao lidar com questões de ordem “moral”. mas com ambições científicas. Isso sem falar nos médicos “internos”. ele está imerso em memória. A Psiquiatria se constituiu como uma espécie singular de medicina. sobre outros. o vice-versa da memória. Internar para melhor educar. Titular de Psicopatologia – Faculdade de Medicina/UFRJ.UPHG quanto ao restante do leque de propostas alternativas ao hospital psiquiátrico asilar. com outros. nos mostrando que a coisa mais séria da vida é a brincadeira de uma criança. Painel 09 – Sala 02 Tema: O PSIQUIATRA E SEUS IMPASSES Sub-tema: “Os novos velhos desafios na saúde mental” Relator: João Ferreira da Silva Filho2 Todo aquele que escreve tem que “ver a linguagem”. memória e imaginação. para ser séria. O real não brinca. não apenas para a gestão dos pobres. de ensaios científicos. Tomemos três momentos históricos desse projeto de gestão dos loucos anterior ao movimento da reforma psiquiátrica brasileira iniciado nos anos 80. sofisticadas escolas que formavam as elites européias. reina. classificada. assim como os conventos. tutelada e deve ser silenciada das mais diversas maneiras. Para isso temos sempre que ter certeza de nossas dúvidas. Convém lembrar que o recurso à internação parecia ser uma grande idéia do século XIX. Observação. A loucura passou a ser objeto de estudos meticulosos. Portanto o oposto da brincadeira não é seriedade. enfim. Como diz Roland Barthes. Num gesto humanitário. permanecem sendo um desafio perturbador para aqueles que se arvoram a tratá-los.

Isso não nos parece de todo estranho. ao trazer do alienismo uma psiquiatria desacreditada. ambiciosos. restaurar a razão que ainda resta no meio da loucura. A abertura das portas do hospício. ali permaneceu inicialmente como voluntário e chegou à chefia de um pavilhão que tratava de loucos. e me demonstra diariamente. Encantou Pinel com sua extrema habilidade em lidar e conviver com eles.) é principalmente através dos remédios morais que eu sempre combati esta doença2. Vai-se da medicina moral à medicina do sistema nervoso central (do cérebro como órgãorei).. um nome: François Tosquelles. que nem médico era. Uma primeira medicina social. Segundo Castel: os primeiros alienistas eram jovens de boa vontade. mas em favor de uma reeducação. domesticador da loucura sim.também vê ali uma possibilidade de tratar. o questionamento das hierarquias profissionais e da psiquiatria estritamente médica. na França3. abre as portas para o cientificismo cético que condena a loucura ao intratável. e faze-los considerar um futuro feliz (. Um limite perigoso do setor poderia ser 31 www. como disse Castel1. que contava com voluntários dedicados aos cuidados dos internos. se impor a eles mas não maltrata-los. de uma ambição ressocializadora. freqüentemente pobres e com idéias sociais (. Os loucos são entregues à sua própria condição sem saída.. ganhar sua confiança. Essa experiência pioneira acontece em plena resistência ao nazismo no hospital psiquiátrico de Saint-Alban. com o mestre Esquirol. A derrocada do alienismo corresponde ao triunfo do cientificismo. Como conseqüência. seduzidos pelo que então aliava o aparente rigor de uma ciência com as grandes aspirações da filantropia e os prestígios da parisianidade.psiquiatriamg. À frente da empreitada. A doença mental é decretada incurável até que os progressos da ciência (aqui uma versão rudimentar como protótipo das neurociências) possam descobrir sua verdadeira etiologia orgânica. Pussin assim se referia a seu trabalho: A experiência me demonstrou. há cada vez menos o que tratar. e aos novos dispositivos de cuidados em ritmo experimental. O que deu certo em Saint-Alban? Nas palavras de Tosquelles4: Se St Alban teve certo sucesso é porque havia gente de todo tipo: intelectuais. refugiados. e mais a investigar. como por exemplo: os clubes. camponeses.. o envolvimento da comunidade. Como conceber o alienismo? Prática desumana que encarcera a loucura? É antes um humanismo disciplinar (bem ao gosto do século XIX). 2) A Psiquiatria e a Resistência Tudo começou ainda nos anos 1940. Pussin. O humano vai se reduzir ao biológico e a química deve ser o único instrumento terapêutico.br/jornada_sudeste . que para avançar na cura destes infelizes.. egresso de uma longa internação por tuberculose em Bicêtre. as cooperativas.org. é preciso trata-los tanto o quanto possível com doçura.) eram atraídos pelo ensino da Salpêtrière. combater o objeto que os afetou. O fracasso dessa empreitada. as trocas entre interior e exterior dão origem aos grupos terapêuticos. dos intelectuais e artistas no processo.

esse é o movimento que deve ser sustentado seja onde for: desde o grande hospital. portanto. Ao mesmo tempo sabemos que é preciso acolher. paranóias.) Os protestantes de Cevennes tinham a esquizofrenia florida. por exemplo. A proposta brasileira de trabalho da comunidade terapêutica dos anos 60/707 trazia em seu bojo a idéia que pode ser resumida neste exemplo do Prof. 3) A Psiquiatria das comunidades terapêuticas5 O movimento internacional das comunidades terapêuticas não foi homogêneo. E falando de sua experiência anterior como psiquiatra num campo de concentração de refugiados espanhóis na França. ao funcionamento da própria instituição. Preguiçosos... havia uma espécie de patologização às avessas: lá onde deveria estar a saúde..) Os camponeses. foi graças àqueles protestantes do sul. E finaliza nos dando uma direção: O serviço de psiquiatria não é mais do que um lugar de passagem. é preciso permanecer um tanto que seja para criar laços. da criação da palavra. mesmo grupo social. suas obras de arte. construir lugares.. de ‘aplicar’ os procedimentos psicanalíticos. até os pequenos serviços. para ir à feira.. o que faz toda a diferença para a concepção asilar que tanto nos assombra.. Os doentes ficavam esperandoos e vendiam aos camponeses seus trabalhos. Eram as pessoas que vinham para dentro do hospital. poderia se encontrar a doença. eles não diziam e não faziam nada.) St Alban já era um hospital psiquiátrico aberto (. O psiquiatra deveria ser também psicanalista. mesma cultura.. não havia modo de movê-los. Tosquelles nos confessa: Este pequeno serviço curou doentes com sucesso e.psiquiatriamg. se algum dentre os católicos foi curado espontaneamente.exatamente este de envolver no sistema de cura pessoas que sejam iguais entre si: mesma profissão. um delírio muito belo – parafrenias. (. Estava implícita a idéia de que aqueles que se dedicassem ao penoso trabalho de cuidar dos doentes mentais deveriam confrontar-se com sua própria doença. Um importante divisor de águas foi o recurso maior ou menor à psicanálise6. cada vez que se fazia uma festa.. passavam dentro do hospital com suas vacas. as moradias assistidas etc. É preciso poder chegar. Eis o que não podemos esquecer. (... Portanto é muito mais fácil sair de um campo de concentração passando por um serviço de psiquiatria do que sair diretamente. Isto é. um de seus idealizadores: a orientação psicanalítica [deve ser] aplicada não só no atendimento individual pacientes como também na organização e funcionamento da Divisão como elemento de valor terapêutico. Roberto Quilleli.) Enquanto os protestantes sabiam o valor da palavra.8 Tratava-se. Só assim podemos pensar no ir e vir. que dava para fora. A herança freudiana de que ‘há 32 www. por outro lado. estabelecer referências e transferências. também é verdade que eu o utilizei para fazer as pessoas entrarem por uma porta e saírem por outra. (. (.. onde o psicanalista seria o ápice da pirâmide. Então.org. alucinações em quantidade – ao passo que os católicos do norte adoeciam do que chamamos “schizofrenia simplex” – pensamentos de um idiota.br/jornada_sudeste . onde improvisou um atendimento.) Essas trocas (entre exterior e interior) eram muito importantes.. sair e até voltar. as oficinas.

9 Que valores éticos orientam a assistência. mais somos levados ao terreno confuso dos ditames morais e daí à procura por restrição da 33 www. organizando e avaliando serviços de saúde mental. da ousadia de Basaglia. Na base das virtudes éticas fundamentais está a vontade de conhecer para compreender.br/jornada_sudeste . vamos chamá-lo a responder por si e convocá-lo a estar no mundo. a pesquisa no campo da saúde mental na universidade? A resposta é complexa. na cidade (até onde ele suporta e lhe interessa) seguindo o seu estilo.org. habilitando. flexibilizar o tratamento criando um ambiente terapêutico no combate à cronificação asilar. característica dos seus primórdios. Quanto à reabilitação em saúde mental. Atentos ao sujeito. buscar uma convivência comunitária ao invés de uma hierarquia rígida. os humanos. sucessores das comunidades terapêuticas e críticos de certa concepção da psicanálise que transborda interpretações. nos novos dispositivos de cuidados e convivência. o ensino e. desvinculou-se da compulsão ao trabalho. antes de traçar regras de conduta ou criar leis e códigos para prescrever ou proibir. patologiza a instituição e reduz ao psicológico campos da política. ativando os recursos da comunidade. Essa inversão subverte o princípio pineliano afirmando o primado da psicanálise. impedindo a formação de guetos de desvalidos. O tratamento possível é o de trazer o sujeito à cena e apostar nele. hoje. nem a instituição. assumindo. Herdeiros da clínica. desorientados. Cabe a cada um tomar para si sua tarefa e fazer dela uma razão do seu desejo. incentivando a solidariedade social. Tudo isso vai ser retomado no movimento da reforma. O que envelhece é uma certa concepção da psicanálise que atualmente não mais é professada. a perceberem que tudo é deficiente. Quanto mais limitado é o nosso conhecimento. reclamam ordem na busca de resgatar uma ética perdida. As comunidades terapêuticas tinham a proposta de reabilitar ao invés de segregar. pois os valores transformam-se rapidamente. enfim. e em alguns lugares da América Latina. Não se trata de psicanalisar os profissionais. Hoje estamos em outro momento. Compromissados com nosso mandato terapêutico. Ensinando aos habilitados a conviver com os desabilitados. vamos caminhando caso a caso.um fundo de razão na própria loucura’ é levada ao limite em que haveria um fundo de loucura na própria razão. na rua. construindo leis inovadoras. tratando desigualmente os desiguais. mantemos viva a psiquiatria como um conjunto de práticas heterogêneas mas não infundadas. O nosso trabalho tem outra perspectiva. discípulos da inventividade de Tosquelles. produzindo justiça. especialmente. nas mais diversas instâncias. os sistemas de crença são questionados e muitos. a construção restituição e reconstrução de direitos humanos. especialmente no Brasil. E por isso pode ser permanentemente transformado.psiquiatriamg. Então o que ficou de valor? Qual é a nossa herança? Somos descendentes do ‘tratamento moral’ de Pinel. seja com quantos recursos terapêuticos forem necessários. da cultura e das relações sociais.

Juliano Moreira. Donald Cooper.A Ordem psiquiátrica: a idade do ouro do alienismo. Passam por João que é um dos seus apóstolos. Vêm de Teixeira Brandão. portanto. G. “François Tosquelles – a Escola de Liberdade” em Saúde Loucura. 7 No Brasil. a experiência inicial da Clínica Pinel de Porto Alegre sob a direção de Marcelo Blaya. por exemplo.) Duzentos anos de Psiquiatria. Gerald Caplan e quejandos. e ainda. de Maxwell Jones. São. portanto. criticando o institucionalismo e o apoliticismo.psiquiatriamg. p. 6 O movimento das ‘comunidades terapêuticas’ nos anos 50/60.. Ulisses Pernambuco. a experiência inglesa pioneira de Maxwell Jones no Belmont Hospital. que toma a clínica como critério. 5 FIGUEIREDO. nº 4. Os desafios antigos e recentes na construção da assistência em Psiquiatria no Brasil. passam além do mar Adriático. psicanalistas e psicólogos: o jogo profissional no campo ‘psi’” em RUSSO. que inaugura a antipsiquiatria.. a tudo aquilo que pode ser feito e que. “Sobre o nascimento da Psiquiatria” in Cadernos IPUB. também em Porto Alegre. Rio de Janeiro:Ed. 1991.C. 3a edição. Na universidade e na saúde em particular. Reconhecer e respeitar diferenças é o ato ético fundamental de toda a atividade de estudo e cuidado na saúde mental10. E por Pedro que sustenta sua Igreja. a experiência francesa de Jean Oury e o grupo de La Borde. É contemporâneo do movimento italiano de desinstitucionalização liderado por Basaglia em Gorizia. “Psiquiatras. Instituto de Psiquiatria. (orgs. a técnicas assistenciais. muito sérias. 1993. que vai em outra direção. 2a edição.liberdade daqueles cujas ações e pensamentos escapam ao nosso conhecimento. assim. 1993. Relume Dumará/UFRJ. Elas sempre passaram pela realidade e também pela brincadeira. 26. No 34 www. Luís Cerqueira. M. do treizième arrondissement. tivemos. Palavras-chave: Psiquiatria _ Assistência _ Saúde Mental Notas 1 CASTEL. universalizarmos nossas realizações na Saúde Mental. representantes da psicoterapia institucional. Agora que já falamos as línguas dos pagãos podemos percorrer o caminho que leva a Damasco e. Rio de Janeiro: Graal. R. a proposições científicas. deve ser feito. CONSTANTINO. de Saint Alban.D. São Paulo: Ed. Nise da Silveira. Ronald Laing. 2 SERPA JR.br/jornada_sudeste . o saber deve aparecer em toda sua universalidade.org. O. Domingos Sávio. 3 Essa experiência é uma espécie de matriz do movimento da Psicoterapia Institucional nos anos 50/60 na França. 1997. teve diferentes representantes na Europa e na América como. Portella Nunes. sem coerções a discussões. HUCITEC. J.F. nº 3. . do serviço comunitário na Divisão Melanie Klein do Hospital Psiquiátrico São Pedro. a americana de Chestnut Lodge (uma clínica nos arredores de Washington que oferecia tratamento psicanalítico aos pacientes psicóticos). J & SILVA FILHO. 4 GALLIO. A. IPUB/UFRJ. entre outras.

CAVALCANTI.Rio de Janeiro. 9 SILVA FILHO. 10 SILVA FILHO. para citar os principais. 1970. In: FIGUEIREDO. e.br/jornada_sudeste . a experiência da Vila Pinheiros e da Pensão Margaridas. M.F. 2000. 8 QUILELLI. (Orgs). 22.org. R.psiquiatriamg. e cols. A Reforma Psiquiátrica e os Desafios da Desinstitucionalização. 35 www. “A saúde mental. IPUB/CUCA. J. Rio de Janeiro: Topbooks. 2ª Ed. vol.. J. pp 51-58. Ética e Saúde Mental. a ciência e o bom cuidado. da Comunidade Terapêutica do Hospital Pinel com Eustachio Portella Nunes e Roberto Quilelli. A. nº 2.C.C. F. Fundação Getúlio Vargas.. Rio de Janeiro: Ed. Rio de Janeiro. FIGUEIREDO. já no início dos anos 70. 73 em Arquivos Brasileiros de Psicologia Aplicada. “Uma experiência de comunidade terapêutica” p. A. 2001. tivemos os trabalhos do Hospital Odilon Galloti com Osvaldo dos Santos e Wilson Simplício.T.

desenvolvendo também alternativas de recepção de novos casos e seu acompanhamento posterior.20 (!!!) a mesma taxa para o Estado do Rio de Janeiro.br/jornada_sudeste . seguido por Pernambuco (Saúde Mental em Dados. haja vista a freqüência significativa de complicações clinicas e não raro o óbito. que abriga uma das mais procuradas Emergências Psiquiátricas de nossa cidade. estuda cuidadosamente estas experiências e dialoga com Unidades Gerais de sua área.34/1000 habitantes/ano a taxa de internações realizadas no PS do PAM. R. Diretor Técnico do IMPP/SMS/RJ. sob total responsabilidade do IMNS (Núcleo de Informações Gerenciais. com a quase extinção destes. foi de 0. O Prefácio da 2ª edição (2008) do substancial e útil volume sobre Emergências Psiquiátricas?.S. julho 2006 ) O Instituto Philippe Pinel. à mesma época. 3 4 Diretor Geral do Instituto Municipal Philippe Pinel (IMPP). Shimitt. No entanto não é esta a posição da Direção do Instituto Municipal Nise da Silveira. F.). 36 www. Antes restritas aos hospitais psiquiátricos. que apoiada em pressupostos como regionalização da assistência. Assim. J.. os quais passaram a se responsabilizar pelo acompanhamento de clientela grave. Com o deslocamento para o Pronto Socorro Geral do atendimento às grandes emergências e a criação de espaços de Recepção no próprio Nise para casos de menor gravidade. também administrado pela S. desospitalização.DIA 13/06/2008 – SEXTA-FEIRA Painel 06 – Sala 06 Tema: URGÊNCIA E EMERGÊNCIA NA REDE Sub-tema: “O caso da Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro” Relator: Mário Barreira Campos3 (RJ). da Secretaria de Saúde do Rio de Janeiro. Urgente nos parece a passagem da internação do dependente alcoólico em abstinência inicial para Unidade Geral.M.psiquiatriamg./RJ. parece se lamentar do destino destes dispositivos. passaram a ser atendidas principalmente nas emergências dos hospitais gerais?. o qual está situado em uma das Áreas Programáticas das quais o Instituto é referência.. IMNS). vem obtendo resultados alentadores.org. de nossos colegas do Sul (Quevedo. após a transferência de seu PS para o PAM Rodolpho Rocco. tem ?se observado despencar as taxas de internação . Kapczinski. MS. considerada apenas a clientela da AP 3-2. era de 3. nestas circunstâncias. acessibilidade e tomada de responsabilidade por um dado território. por exemplo. para valores quase 1000% inferiores às medias de nosso Estado. Enquanto isto. Sérgio Levcovitz4 (RJ) A natureza das emergências psiquiátricas tem mudado enormemente nos últimos anos. habitual usuária de serviços de internação. a oferta de vagas no Ambulatório da Unidade para a absorção de novos clientes e a abertura de Centros de Atenção Psicossociais na região. para o 1º semestre de 2006. no exame do melhor local para o acolhimento destas ações. o Campeão Brasileiro na modalidade.

pedra Mestre em Psicanálise Universidade de Paris 7 Psiquiatria Universidade de Paris VI 5 37 www. seja pelo papel do poder médico. sistêmica. para conhecimento e exame pelo Debatedor e a platéia. Nos dois sentidos. complicando as já difíceis relações entre equipe. mais que do pensamento. separar o paciente de sua família se constituía muitas vezes no fato terapêutico em si. A evolução das pesquisas e da reforma psiquiátrica. com os resultados catastróficos que conhecemos. Estudos genéticos mais recentes revelam a etiologia multifatorial do transtorno. com suas interpretações etiológicas equivocadas. elegeram a família. na construção da aliança terapêutica. ou a teoria do “double bind” de Bateson (1958). em universo tão complexo como o da esquizofrenia. com evidente implicação genética. buscando reparar séculos de segregação. Teorias de inspiração psicodinâmicas como a da mãe esquizofrenogênica de Fromm-Reichmann (1848).psiquiatriamg. onde a patologia era explicada como uma doença da comunicação. consideradas as circunstâncias. Estudos prospectivos posteriores mostraram a pouca pertinência dessas explicações únicas. de certa maneira.Apresentaremos dados e reflexões. os melhores resultados terapêuticos da psicofarmacologia fizeram com que a família assumisse novamente uma posição essencial no quotidiano dos pacientes. visando o aprofundamento das questões e a contribuição para tomada de decisões embasadas tecnicamente e amplamente discutidas. que apontem as melhores soluções. Desde as obras assistenciais cristãs prérevolução francesa.org.br/jornada_sudeste . Painel 08 – Sala 08 Tema: A FAMÍLIA NA REDE Sub-tema: “O lugar da família nos cuidados do portador de sofrimento mental” Relator: Pedro Colen (MG)5 A reforma psiquiátrica nos leva à construção de um novo modelo de cuidados do portador de sofrimento mental necessariamente em torno da reabilitação psicosocial. até a criação das comunidades terapêuticas de orientação analítica. família e paciente. para este segmento de nossa Saúde Publica. onde mães frias e desafetivadas estariam na fonte do adoecer do paciente. A desconstrução do modelo asilar coloca a família nesta dinâmica de maneira inevitável. que criava métodos ainda mais equivocados. psicanalítica) souberam reinventar o vínculo entre família e equipe de cuidados. As diferentes escolas (cognitivista. prometendo a cura graças à construção artificial de meios sociais supostamente mais sadios que aqueles domésticos. passando por Pinel e pela construção do manicômio. o movimento de decomposição familiar teve força até o início do processo de humanização da psiquitaria pós-segunda guerra: seja pelas famílias esgotadas pela precariedade de resultados terapêuticos na penúria da psiquiatria prépsicofarmacológica. como agentes causais do transtorno.

n. não sendo vistos como doença propriamente dita. issue 1. the effects of family intervention for those with schizophrenia. por sua organização inclusiva no tecido social de usuários e familiares. p. grupos de família.J. levando usuários e seus familiares a transmitir experiências da doença e suas soluções a pais e mães inquietos sobre a saúde de seus filhos. LALONDE P. em flagrante incapacidade em administrar os sintomas deste (sobretudo os positivos. desleixado e desorganizado do paciente). psicólogos e outros). comumente saturadas. The Cochrane Data-base of Systematic Reviews. adotando as mesmas atitudes e os mesmos comportamentos. 2000.angular nos cuidados da esquizofrenia. junho 1982. e a abordar os conflitos em um outro contexto. MARI J. De toda evidência. uma vez que os negativos trazem habitualmente certa calma ao domicílio. La famille du schizophrène: interférente ou alliée? in Santé Mentale au Quebec. 38 www. vol 6. Se as formas de intervenção são múltiplas (contatos informais. in Eastern Mediterranean Health Journal.).A. mas como problemas do caráter preguiçoso. vol 7. criar uma relação onde o clima de confiança e os laços positivos para ajudar os pais a suportarem as mudanças do paciente.3. Muitas vezes os contatos entre família e cuidadores se fazem através de reivindicações agressivas junto à equipe. STREINER D. 50-56. Training families to better manage schizophrenic’s behavior. No nosso trabalho estas intervenções têm sido profícuas. Insistir na parentectomia é condenar o paciente à segregação familiar e social. quanto mais laços construímos. Bibliografia: ASSODOLLAHI G. que poderão sobrevir secundariamente. enfermeiros e membros da UBS). o meio associativo.. etc. psicoterapias psicodinâmicas ou comportamentais. restabelecer uma comunicação intra-familiar quando todos estão em um impasse. mesmo conhecendo os benefícios destas intervenções. elas não estejam na prioridade do trabalho das equipes. A arquitetura da rede de cuidados deve levar em conta estes fatores. Ela é o fato de várias pessoas que se juntam para atingirem o mesmo objetivo.. é uma alternativa altamente viável para construir uma interface de articulação entre equipe de cuidados e famílias..br/jornada_sudeste . trabalho psico-educativo. maior é a segurança e a eficácia de nossa rede. et ali. 1996. os objetivos permanecem os mesmos: aliviar o sofrimento do paciente e de seus próximos. Alguns estudos questionam igualmente o fato que. reuniões em torno da produção do paciente. quanto das especializadas (psiquiatras. sobretudo na formulação de programas de formação que capacitem as equipes de cuidado primário e especializado a intervirem adequadamente neste sentido. movimentos de rejeição em relação ao paciente. Neste sentido.org. São variados os estudos que mostram a relação entre intervenções familiares precoces e prevenção de recaída na evolução da esquizofrenia.psiquiatriamg. por ser uma organização pouco onerosa na construção da rede. BOUCHER L. com menos culpa para eles. pp 118127. tanto aquelas de cuidados primários (clínicos..

et ali. Ed. Igualmente. desenvolvido desde 1984. Nos últimos anos. sobretudo porque não se garante a realocação dos recursos financeiros. Roche-Frisson. Assim.REYNAUD M. pode ser evocado. iniciativas da sociedade civil não podem ser desprezadas. Disputas de natureza político-ideológicas. como propulsor de uma ética capaz de balizar as ações que o momento nos impõe. eles ainda são insuficientes. destacando o papel da universidade pública como agente de mudanças no setor. Amparados em leis que respaldam a mudança do modelo assistencial. Entretanto. Ed. além de interesses corporativistas. muito adequadamente. FrissonRoche. A integração com a rede básica de serviços. Le traitement de la schizophrénie. Experiências locais bem sucedidas devem ser reconhecidas. têm gerado confrontos desgastantes e contraproducentes. Paris. potencialmente capaz e responsável. novos serviços têm surgido. em articulação com o Programa de Saúde da Família (PSF).psiquiatriamg. Painel 09 – Sala 02 Tema: PSIQUIATRIA E COLETIVIDADE Relator: Uriel Heckert (MG) O psiquiatra. grupos de reflexão/ação com populações específicas (homens. digna em seus direitos. capazes de beneficiar grupos e comunidades. mulheres. A magnitude das questões ligadas à saúde mental está a exigir seu envolvimento em ações de âmbito coletivo. jovens. visando o resgate da pessoa cidadã. que tradicionalmente prioriza a relação dual médico-paciente. do Sistema Municipal de Saúde Mental de Juiz de Fora (MG). as políticas públicas têm aberto espaço significativo para as demandas da área da saúde mental. pois somam recursos e mobilizam novos agentes sociais espontaneamente motivados. é chamado a ir além do seu “setting” de trabalho. O autor aponta a sua participação. Espera-se dos profissionais do campo psi habilidades que vão além das habituais. La réhabilitation psychosociale en psychiatrie. por exemplo.br/jornada_sudeste . Faz-se necessária a superação dos mesmos no interesse do bem coletivo. Em bom momento a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) promoveu o resgate do conceito de pessoa humana. pois podem apontar caminhos criativos. 1991. doenças 39 www. cada vez mais. pois ele constitui uma contribuição genuinamente cristã e permanente à cultura universal. tem sido a marca. et ali. trabalho psiquiátrico comunitário. Tais iniciativas de alcance maior ganham eco na convocação da Organização Mundial da Saúde (OMS) por uma “ação global” pelo enfrentamento do crescente impacto causado pelos transtornos mentais na qualidade de vida das populações. grupos de apoio em situações especiais (gravidez precoce/indesejada.org. 1995. idosos). exigindo a elaboração de novas estratégias. Algumas são destacadas pelo autor: programa de saúde mental para moradores de rua. A repercussão dos mesmos sobre os serviços de saúde em geral é reconhecida. VIDON G. Paris.

org. comunidades terapêuticas para drogadictos.sexualmente transmissíveis. O campo de trabalho amplia-se e os trabalhadores disponíveis e capacitados são poucos. sexualidade egodistônica). O desafio está lançado a todos.br/jornada_sudeste .psiquiatriamg. 40 www.

ora como eclética. a psiquiatria vem construindo-se ora como empírica. capaz de operar a clínica. Ciência e Verdade. mas como causando todo efeito7. 41 www. J. Portanto é útil anotar que o sujeito do cogito. LACAN.psiquiatriamg. Para lidar com este paradoxo as classificações nosológicas são construídas como consensos.. ora como dogmática. in Escritos. Devemos resgatar históricamente sua dimensão epistêmica para mostrar que uma rede discursiva pode substituir uma causa natural faltante por uma positividade discursiva. Rio de Janeiro: Jorge Zahar ED. caro à ciência moderna. Neste movimento a natureza passa a ser pensada como incognoscível. por ação do sujeito-estrutura. Contra esta lógica podemos observar na uma outra ciência que se fundamenta numa posição antiempirista. poderia indicar que o pensamento só funda o ser ao se vincular a fala. Este processo poderia fundar as bases de um novo paradigma. Estaríamos. p 883. pois não diante da causa como categoria da lógica. Esta estratégia nos faz pensar que há uma espécie de dubiedade neste procedimento.br/jornada_sudeste . se afastando do acordo tácito das intersubjetividades que formataram este saber.DIA 14/06/2008 – SÁBADO Painel 01 – Teatro Oromar Moreira Tema: A CONSTRUÇÃO DA SUBJETIVIDADE Sub-Tema: “A Psiquiatria entre o saber e a verdade” Relator: Hélio Lauar6 Tendendo a uma oposição entre clínica e ciência. que valoriza mais o objeto do que o saber sobre o mesmo. determinada por uma exterioridade incognoscível por definição. ao enunciar “cogito ergo sum” (penso: logo existo). e admite que um saber sobre ela só fosse possível através da linguagem e neste sistema não haveria natureza que não fosse produto da subjetividade. 1998. Professor da PUC Minas. que como suporte desta exterioridade e sobre determinado por ela nasce no mesmo momento deste saber. Esta lógica parte de uma arbitrariedade fundante. advogando a passagem da natureza para a cultura. e que toda esta operação toca a 6 7 Gerente Técnico Assistencial IRS FHEMIG. não fosse a insistência da psiquiatria em se colocar como uma ciência empírica que exclui do saber do sujeito em nome de uma pretensa universalidade. Assim a percepção da natureza passa a ser produto da apreensão subjetiva que toma como verdade o que nunca foi antes possível de ser percebido. oriundo da praxis. produto da subjetividade. que demanda saber e se faz saber.org. que ao mesmo tempo em que espera o encontro de uma causa formal que sustente a nosologia se vale de um pacto social para classificar as doenças. que presta contas dos seus efeitos na clínica.

Para o autor. a verdade.psiquiatriamg. A Ciência e a Verdade . p 879. indica que “o ser” depende “do pensar”. 9 8 42 www. Mesmo assim. mantido por uma incerteza metódica. lá onde isso estava”. pp 38 a 50. com pontos em comum. se a certeza é irredutível. A segunda se refere ao Outro. 1996. Como sustentar então que há intimidade entre o ser e aquilo que o causa? Freud nós dará a chave desta operação com sua frase “Wo Es war. 10 LACAN. Livro Os Quatro Conceitos Fundamentais em Psicanálise.. Apesar de supor aí uma divisão que parece capaz de se superar. e mesmo da posição final do sujeito em relação a esta realidade. como propõe Lacan9. intervalo onde o ser se encontra com o pensar. a relação pensamento e mundo.demonstrável topologicamente onde o verso e anverso de uma fita podem encontrar condições de se ajuntar por toda parte. Deus. que o sujeito poderá responder pelo objeto do seu desejo11. A dúvida metódica deve levá-lo a desalojar-se da sua experiência subjetiva para perceber o mundo assim como ele é. no seu discurso do método. J. que em português pode indicar “o eu deve advir. Deus. Rio de Janeiro: Jorge Zahar ED. 1998. O sujeito em Descartes tem dupla acepção. e que será através da transferência ao Outro.br/jornada_sudeste . O ato LACAN. Ver para isso LACAN. a certeza do sujeito pensante. que se verá reproduzida no sujeito .operação e resultado desta operação . como suposto saber. Rio de Janeiro: Revinter. entre saber e verdade. Idem. que possa garantir só por sua existência as bases da verdade. em sua própria razão objetiva10. e deve ser percebida pelo sujeito através da sua subjetividade. Em Descartes a “dúvida hiperbólica”. com vocação totalizante. não pode ser garantida insuficientemente pelo pensamento. Não se pode colocar fim a esta divisão e nem tratar o assunto admitindo-se que exista alguém que seja causa de si mesmo. no que se refere à apreensão da realidade. 1979. Indicamos também comentários de Ana Beatriz Freire em FREIRE/FERNANDES/SOUZA. o esforço cartesiano produz um efeito distinto do psicanalítico. que não existe um significante que se refira a coisa em si. O Seminário. p 39.org. que não seja enganador. Para Descartes a realidade é dada a priori. donde se evidência que nada é falado senão apoiando-se numa causa. nos dirá Lacan. se constrói a partir do engano. Admitem que o pensamento seja constituído pelo saber. in Escritos. Nestes termos Descartes e Lacan se pactuam. a quem se supõe um saber. O verdadeiro fica fora do pensamento e ele recorre a um Outro. tornando atual um traço anteriormente instalado. Assim surge o apelo para um saber fora do pensamento. funda uma espécie de dupla inscrição. A primeira se refere ao sujeito despojado de todas as suas garantias. soll Ich werden”.um comentário. que possa garanti-lo. atributos e significações ditas naturais. da evidência de um paradoxo extremo. Podemos aproximar Descartes e Freud frente à certeza do sujeito. Ciência e Verdade. 1979 11 FREIRE/FERNANDES/SOUZA. como na Banda de Moebius. ou seja. J. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed. A polaridade “Cogito sum: Cogito ergo” tornada algébrica por Heidegger. J.experiência da linguagem8.. Esta proposição coloca em curso uma estranheza onde o eu se faz de trás para frente. ibiden. onde a dúvida metódica desconfia de toda evidência.

uma vez que a linguagem é um sistema de signos. por mais objetivamente afastadas que elas estejam da situação. fica marcada por sua dimensão sígnica. mas ao contrário. uma vez que não faz nascer nenhum conhecimento sobre o objeto. que dizem que o mundo não pode se reduzir à extensão de uma dominação característica do saber sobre o mundo. passa a ser indicativa de uma exterioridade. como propõe Descartes. A . O signo parece advir do exterior. ou no futuro. este saber adquire um estatuto sígnico. ele perderia o estatuto de saber. e determinados pelo mundo12. confere sentido. que ordena antecipadamente um saber sobre o que é mundo. que oferece seu arcabouço teórico à tradição fenomenológica da Psiquiatria. mas sim uma pressuposição sobre ele. Assim é que poderemos acompanhar as críticas de Heidegger. ganham dimensão temporal. ou do saber. Esta totalidade não se refere às representações articuladas uma às outras. e chegar ao plano da percepção. capaz de convencê-lo de que o “mundo que ele pensa” e o “mundo que é” são finalmente idênticos.psiquiatriamg. Mesmo considerando que a realidade. No passado. está marcado por uma leitura “mundo que é” pelo “mundo do sujeito” e que o mundo e o sujeito se mostram inseparáveis da lógica da linguagem. Lacan e a Filosofia. enquanto possuidor de um mundo aparece essencialmente como sujeito do conhecimento. ou seja. pp. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor. ou seja. 1987. da presença do mundo. marca a independência e a clausura do seu mundo. em que o sujeito se mostre como elemento deste mundo. no presente. na Psiquiatria. mas aos objetos.perceptivo. ainda fica a mercê da comprovação. apesar de ser originado pelo sujeito. Caso sigamos Husserl. Assim é que o Cogito (o que eu penso) acompanha todas as representações. ainda que o mundo. no lugar de senhor. na sua temporalidade própria. que dão sentido às representações do sujeito. O sujeito se mostra presente como pensamento em todas as suas representações do mundo. tal qual existam ou existiriam no mundo. ou confirmação de algo exterior ao sujeito: Deus. Será que poderemos supor que as representações que o sujeito faz do mundo e o mundo são idênticos? Se assim fosse os acontecimentos reais se desenrolariam. impeça que a realidade seja sempre conforme seu sentido antecipado pelo saber. Criado pelo sujeito e para o sujeito. 12 JURANVILLE. Não garante o endereçamento de algo para o sujeito que pudesse ter um significado para ele. Preso a essa visão representativa do mundo o sujeito deve ultrapassá-la. estamos diante do problema de precisar como distinguir a presença do ser no mundo. não se pode deixar de anotar que todo este processo sígnico ou não. 43 www. da idéia que o sujeito faz do mundo.org. É como se pudesse sustentar que a visão do mundo do sujeito antecipa a visão do mundo em si. De modo que o sujeito. as representações garantidas por um sujeito sempre constante. Se. e ainda da possibilidade de existência do mundo para além das representações do sujeito. a partir das suas representações. 30 a 39. Assim o mundo adquire uma unidade e uma totalidade. uma representação sempre idêntica a si mesma no tempo. o de conferir ao mundo uma unidade com a representação.br/jornada_sudeste . O sujeito. Neste viés o conjunto de representações que o sujeito tem do mundo parece ser antecipatório a qualquer percepção do mundo.

org. A Psiquiatria entre o saber e a verdade. A disjunção entre saber e verdade é um fato clínico. Podemos admitir que a coisa e o pensar se correspondam idealmente. se pensa a coisa pensante ou algo que exterior não se faz saber senão deste modo. Classicamente13 ela poderia ser pensada segundo cinco tendências distintas. optou inicialmente. Ainda dizia que a medida da verdade está no ser ou na coisa. admitindose que o pensamento estabelece uma relação arbitrária do sujeito com as coisas externas. como revelação.br/jornada_sudeste . que ora se mostram compatíveis. pela formulação de um saber como obra do sujeito. o sujeito e o Outro (alusão a Deus em Descartes). na sua tradição clinica e clássica. 957 – 961. ou como utilidade14. o pensamento reprodutivo. N. Na polêmica sobre o tema. por outros pelo intelecto. mas harmônica (idealistas). onde os elementos podem ser definidos como um sistema diferencial. Ou ainda que a verdade tenha um caráter instrumental. admitindo a coisa é radicalmente impossível e o mundo do conhecimento se transforma numa reflexão do sujeito sobre si mesmo (metafísicos). ainda assim teremos que nos haver com as garantias do saber. Aponta para uma divisão entre critério e conceito de verdade. 1962. Ela seria exterior ou interior ao pensamento? Dito de outro modo: quando se pensa a coisa. Aristóteles nos diz que a verdade está no pensamento. e não no pensamento ou no discurso. 13 ª 44 www. 14 ABBAGNANO. pp. como conformidade a uma regra. o mais difundido de todos os discursos sobre a verdade.Admitindo que o saber. São Paulo: Mestre Jou. O nominalismo também é capaz de admitir que esta correspondência se estabeleça entre as proposições e a coisa representada. como correspondência. O que validaria este procedimento cognitivo? Estamos diante do problema da Verdade. é a única forma de se ter acesso ao mundo. mas esta adequação para alguns está definida pela coisa. ou na linguagem.psiquiatriamg. 1962 . A verdade nos coloca diante de uma lógica complexa. No sistema empírico podemos demonstrar a valorização da dimensão da coisa. a representação da coisa. ou por Deus que tudo sabe. Seu método clínico propõe a experiência do psiquiatra como o Ver o conceito de Verdade na tradição filosófica em ABBAGNANO. como coerência. São Tomás localiza a questão da verdade como “a adequação entre o intelecto e a coisa”. e por outros ainda pelo sujeito que pensa. tem múltiplas acepções. e que ele é uma condição atributiva ao sujeito. Dicionário de Filosofia. mas que resiste a ser reduzido ao pensamento? Os empiristas se recusam a admitir que a verdade seja um atributo do sujeito. mas que se justifica pela sua utilidade. através de multiplicidades relativas. que não deixa de lhe escapar e de lhe fazer atualidade. e admitiremos que não exista verdade. porque a coisa é em si mesma. mas crivado da verdade que atesta sua validade com relação à coisa. Coerência aproximativa e imperfeita. marcado por descontinuidades: a coisa. ora incompatíveis. Podemos valorizar a dimensão do sujeito. devemos localizar a coisa. não no ser ou na coisa. O conceito de correspondência. limitando-se a admitir que a verdade ateste a correspondência entre as proposições do intelecto com as das coisas. como linguagem. 2 ed.

campo essencial para o saber. Deste modo parece desconsiderar o saber e suas relações com a verdade17. Coordenador do Serviço de Saúde Mental de Serro. Fernandes em FREIRE/FERNANDES/SOUZA. e atualmente atente a cerca de 250 pacientes. 1996. deste modo. Aliada ao pensamento matemático.psiquiatriamg. 16 FERNANDES. que se encontra na base de toda Ciência. Indicamos também comentários de Francisco Leonel de F.org. Rio de Janeiro: Revinter. Aproxima-se pela vertente numérica. Especialista em Psiquiatria pela ABP.000 habitantes distribuídos em extensos 1. em obra citada. nos alerta para o fato que mesmo nestes procedimentos. A Ciência e a Verdade. do campo da Ciência de base positiva. É um princípio de independência das ordens que caracterizam uma separação entre o mundo e a idéia. O logicismo eleva a um plano fundamental a convicção do sujeito sobre o mundo.br/jornada_sudeste . lida com os logicismos. como evidência de uma realidade invariável. ganha o estatuto universal.um comentário. nem com o mundo. e propõe no seu lugar a clinica como campo onde o saber. em suas observações. o que faz com que a capacidade de atendimento esteja próxima da saturação. discute15 a verdade como um valor relevante no sentido de decidir qual formulação teórica é pertinente dentre o conjunto das formulações teóricas e demonstrações produzidas16. Certamente o autor aponta para uma outra matemática que lida com espaços não euclidianos. garantido numéricamente.240 km². o mundo e a linguagem. onde cada um se constitui como o autor da sua experiência. seguindo os passos de um neopositivismo empírico. pp 97 -143. como transmissor de uma experiência clínica traduzida como saber. 18 Residência em Psiquiatria pelo Instituto Raul Soares. Na sua vertente atual. que pode ser percebida por todos independente das diferenças culturais. alguns matemáticos parecem reconhecer e discernir com muita clareza um nível puramente sintático ( próximo do que Lacan denomina saber ) de um nível semântico ( próximo do que ele tematiza como verdade ). que fecha o espaço da verdade. Estas convicções não se confundem com o sujeito. e que estas dimensões não se sobrepõem como eles supunham. permitindo a forclusão do sujeito e do seu saber. e dos sujeitos que as transmitem. O Serviço de Saúde Mental (SSM) foi criado em 2005. Painel 09 – Sala 02 Tema: A PSIQUIATRIA NO PSF Sub-tema: “Relação entre Psiquiatria e PSF em cidade de pequeno porte: a experiência de Serro-MG” Relator: Juarez de Oliveira Pessoa (MG)18 Serro é uma cidade histórica com cerca de 22. Aproxima-se. a Psiquiatria tem se afastado dos dilemas próprios da distinção saber e verdade. baseado na epidemiologia. que tem optado por deixar a coisa se entender sozinha com o número. 17 Fernandes. 1996. Psiquiatra Forense pela ABP. como fundamento do método clínico e valorizando o esquecimento da Ciência em relação ao saber. destituído de sujeito que o formulou. 15 45 www. que desvaloriza o saber clínico feito por um.

Uma das maiores dificuldades encontradas reside na dificuldade de (re) encaminhar casos estabilizados .psiquiatriamg.ou que não têm indicação de atendimento especializado – para o Programa de Saúde da Família (PSF). As ações de capacitação são muito dificultadas pela alta rotatividade destes profissionais. Tal ação se fez necessária pela dificuldade de acesso dos pacientes ao distrito-sede e resultou em maior eficácia na identificação e acompanhamento inicial de casos novos.br 46 www. demonstrando a viabilidade na parceria entre Saúde Mental e PSF. Observa-se que a maioria dos profissionais médicos não tem capacitação em saúde mental nem se interessam pelo tema.O SSM de Serro particulariza-se pela estratégia de promover atendimentos itinerantes nas próprias unidades de PSF da zona rural. Contato: juarezpessoa@uol.com. observa se boa resolubilidade naquelas equipes mais estáveis e organizadas. Por outro lado.org.br/jornada_sudeste .

org.br/jornada_sudeste .MESAS REDONDAS www.psiquiatriamg.

br/jornada_sudeste .org.48 www.psiquiatriamg.

paciência. especialmente a fluoxetina em 49 www. clínica médica. cisaprida. favorece o ganho de peso e diminui o número de recaídas na AN. domperidona e ciproheptadina. Vários autores reconhecem que o profissional que vai lidar com estes transtornos tem que reunir qualidades tais como conhecimento. que muitos autores comparam a uma atividade delirante. tratar as complicações médicas.br/jornada_sudeste . trabalhar com a família e prevenir recaídas. psicologia. os pensamentos obsessivos e o perfeccionismo são presenças marcantes nestes quadros. Esta apresentação tem a intenção de revisar as drogas psicotrópicas mais utilizadas no tratamento dos transtornos alimentares sem desconsiderar as outras formas de abordagens terapêuticas já citadas. Além de restaurar o peso das pacientes o tratamento visa melhorar os hábitos alimentares. As pesquisas mostram que a combinação de intervenções psicossociais e psicofarmacológicas é a melhor estratégia para o tratamento destes transtornos. ou típicos. tetrahidrocanabinol. zinco. olanzapina e amisulpride. ansiolíticos. nutrição e serviço social. São unânimes em recomendar uma equipe que inclua profissionais das áreas da psiquiatria.psiquiatriamg. pode ser reduzida com o uso de antipsicóticos atípicos. especialmente os ISRS. A psicofarmacoterapia na anorexia nervosa (AN) é usada para tratar a depressão e para reduzir o perfeccionismo e a perseguição à magreza. mas como conseguir atingir estes objetivos ainda é um obstáculo a ser superado. principalmente na anorexia do tipo restritivo. chegando alguns autores a dizer que ela seria uma variante de um transtorno depressivo maior.org. Já a perseguição implacável à magreza ou o medo intenso em ganhar peso. flexibilidade e dedicação. haloperidol. têm uma atuação satisfatória. Outras drogas têm sido usadas em estudos abertos nos últimos 30 anos: carbonato de lítio. pimozida e clorpromazina. Embora as medicações psicotrópicas não devam ser usadas de maneira isolada. elas têm sido de grande valia principalmente nas comorbidades e nos chamados sintomas nucleares. A depressão é muito comum na AN. Os objetivos para o tratamento dos transtornos alimentares estão bem definidos. para que se consiga algum sucesso com o tratamento. Assim como a depressão.12/06/2008 – QUINTA-FEIRA MESAS REDONDAS MR 01 – Auditório Lívio Renault Tema: TERAPÊUTICAS PSIQUIÁTRICAS: DESAFIOS NA ATUALIDADE Sub-Tema: “Transtornos Alimentares” Relator: João Eduardo Vilela (MG) Os transtornos alimentares estão entre as condições mais desafiantes que a psiquiatria trata. naloxone. Estudos têm demonstrado que a medicação antidepressiva é mais efetiva que o placebo no tratamento da bulimia nervosa (BN). Em ambos os sintomas os antidepressivos. Trabalhos vêm mostrando que a fluoxetina além de melhorar os sintomas depressivos.

sendo que atualmente o principal fator de risco para infecção é o uso de drogas injetáveis.org. Os mais estudados são os inibidores de recaptura de serotonina (ISRS).constituem..9% da população.). com melhoras significativas. Há na literatura estudos clínicos de tratamento preventivo para depressão nessa população – antes do início do tratamento antiviral – e de tratamento sob demanda. Os pacientes com hepatite C crônica apresentam taxas de prevalência de transtornos psiquiátricos. principalmente relacionados a distúrbios do humor (depressão em 15% a 45% dos pacientes tratados com interferon. Estima-se que no Brasil a prevalência esteja entre 1. o interferonapresenta efeitos adversos psiquiátricos freqüentes. que são desencadeados ou agravados pelo medicamento e que podem requerer a descontinuação do tratamento. se baseia em interferon. significativamente mais altas do que a população geral. A avaliação do humor do paciente antes e regularmente durante o uso do interferon. ou de transtornos 50 www. A hepatite C apresenta evolução variável. No tratamento do transtorno da compulsão alimentar periódica (TCAP) têm sido utilizados antidepressivos. MR 01 – Auditório Lívio Renault Tema: TERAPÊUTICAS PSIQUIÁTRICAS: DESAFIOS NA ATUALIDADE Sub-tema: “Transtornos psiquiátricos em pacientes com hepatite C” Relator: Bruno C. apresentam risco aumentado de estarem contaminados com o vírus da hepatite C. topiramato e sibutramina.42% e 4. importante modelo para o estudo de interações entre o SNC. A transmissão do vírus da hepatite C se dá predominantemente por via parenteral. os pacientes portadores de transtornos psiquiátricos. e o adequado manejo desses efeitos adversos. sobretudo transtornos mentais graves e dependência química. que visa à erradicação do vírus. com taxas de sucesso (resposta sustentada) que variam entre 46% e 80%.doses altas.br/jornada_sudeste . pelas suas peculiaridades. Ambas apresentam resultados animadores no tratamento da BN. de antidepressivos diversos. Os pacientes com hepatite C crônica podem evoluir com cirrose (15% a 20%) e carcinoma hepatocelular (1% a 4% dos pacientes cirróticos). sistema imune e endócrino. Fábregas (MG) A hepatite C crônica é uma doença infecto-contagiosa que acomete aproximadamente 2% da população mundial. O tratamento farmacológico. O tempo de tratamento varia de acordo com o subtipo viral: 24 semanas para os subtipos 2 e 3. naltrexona. sendo que até 85% dos pacientes desenvolvem a forma crônica. Duas drogas relativamente novas têm sido avaliadas através de ensaios clínicos randomizados: ondansetron e topiramato. e 48 semanas para o subtipo 1. Além disso. o equivalente a 170 milhões de pessoas.psiquiatriamg. Ademais.associado à ribavirina. A hepatite C crônica e o tratamento antiviral com interferon.

do latim clássico. donde o português é a última flor inculta e bela. maiores taxas de resposta sustentada. are – apertar . devem ser considerados para investigação sorológica para hepatite C. nem deve ser confundida com ansiedade – o conhecido medo sem objeto. ANGST do alemão pode ser traduzido como medo e também.angester seria terror ou pavor.. mestres do ser.br/jornada_sudeste . Para a percepção da angústia vital Camus recorre ao mito de Sísifo condenado que foi a rolar pedras morro acima para delas escapar correndo morro abaixo. conseqüentemente. principalmente de teologia protestante. Por fim. pacientes com comportamento de risco. como angústia vital. O terror-atração vai ser desenvolvido por Heidegger e Sartre.psiquiatriamg. Este terror inelutável permeia nossa existência.psiquiátricos pré-existentes. Como impossibilidade primeira. à psicologia e cada corrente de pensamento de cada uma destas disciplinas apropriou-se da angústia como coisa própria. daí a confusão que cerca o emprego do conceito de angústia. A melhor tradução para angst. Salienta-se neste particular a escola francesa do existencialismo: de Sartre deve-se ler Huis-clos. uma vez que o diagnóstico precoce pode ter implicações favoráveis quanto à morbidade e mortalidade. estão associados à maior adesão ao tratamento antiviral e. elevação das transaminases. 51 www. Para Kierkegaard angester-angst traduzia o terror que cerca a certeza de nossa finitude e a inescapável atração exercida sobre nós por esta situação. ou outro indício clínico de doença hepática. na prática psiquiátrica. o conceito de angústia foi imediatamente incorporado à psiquiatria.. o primeiro filósofo existencialista. do tempo e do vazio. L’étranger e L’exyl et le royaume. MR 02 – Auditório Bolivar Tema: A IMPORTÂNCIA DO CONCEITO DE ANGÚSTIA EM PSIQUIATRIA Sub-tema: “O conceito de angústia e suas relações com a doença maníacodepressiva e as depressões recorrentes” Relator: João Romildo Bueno (RJ) Angústia. Angústia vital não pode. como algo que fizesse parte de seu arcabouço teórico. estreitar .org.. em linguagem corrente é um vocábulo que pode remeter a uma dupla origem: angester do dinamarquês e seu equivalente alemão angst ou anguste – aperto. à psicanálise. após a obra de Kierkegaard. um atormentado homem religioso que nos deixou escritos filosóficos e. daí ser Kierkegaard ser considerado o precursor. Para melhor entendermos o conceito de angústia é indispensável reportarmos-nos inicialmente à Kierkegaard. Para melhor entendê-lo é melhor recorrer às descrições literárias e teatrais que foram utilizadas para delimitar a angústia vital.. Le mur e Les mains sales e de Camus é indispensável a leitura de La chute. estreitamento – e/ou – angusto.

Não nos consola a certeza de Heidegger que nascemos para a morte uma vez que viver. o trabalho terapêutico deve incluir um espaço de diálogo profundo como o que uma terapia expressiva (que permita a expressão das emoções) fornece..br/jornada_sudeste . ainda que em depressão seja nossa única vocação. Trata-se do afeto magno. sem dúvida. Presente desde o inicio da vida extrauterina – talvez desde antes – nos acompanha até o final da mesma. Em se tratando de depressões recorrentes.psiquiatriamg. Para isto contamos com um arsenal farmacológico que. tempo de lazer. Alguns dentre nós consideramos a meditação como um instrumento muito valioso (mas. usado com consciência. melancólicas ou de doença maníaco-depressiva a angústia vital está diretamente ligada à desesperança. à inescapabilidade da situação o que nos coloca face ao dilema existencial de ser a morte a única solução viável. Para aqueles pacientes que não desejam ser tratados apenas com fármacos. Um pouco mais também está bem. As neurociências são constituem a disciplina que mais tem desenvolvido o conhecimento sobre os aspectos biológicos da angústia. a psicanálise tem um lugar preeminente. Peru) A angústia é. para ser convincentes devemos nós mesmos estar meditando). alimentação adequada. que a constituem. Entre estas. Sem ela não enfrentaríamos os retos cotidianos. temos outras técnicas terapêuticas. A filosofia tem feito aportes fundamentais para a reflexão sobre a existência do ser humano e suas 52 www. nos impede desfrutar dos detalhes da vida.. Precisamos de certo nível de angústia na vida. do mesmo modo como outras formas de higiene: exercícios. e cuja angústia deixou de ser paralisante. MR 02 – Auditório Bolivar Tema: A IMPORTÂNCIA DO CONCEITO DE ANGÚSTIA EM PSIQUIATRIA Sub-tema: “A importância do conceito de angústia para a Psiquiatria atual” Relator: Eduardo Gastelumendi (Lima.. que joga um rol essencial na adaptação e na sobrevivência do individuo e da espécie: nos alerta contra os perigos e prepara o organismo para agir e pensar mais rápido e melhor. o afeto central da nossa existência.org. Mas para aqueles outros que tem uma sensibilidade maior e uma mais complexa compreensão da própria existência. onde se lê SOLI-D-ÁRIO. A angústia excessiva.Ainda de Camus é outra frase paradigmática sobre a angústia vital: ali. nos momentos em que precisamos decidir com celeridade e enfrentando algum risco. do mesmo modo como também muita tristeza ou até alegria podem ser patológicos se chegam a extremos ou duram muito tempo. Muita angústia já é outra coisa: tornamo-nos disfuncionais. em intensidade ou persistência no tempo. É da angústia como sintoma que nós tratamos como médicos e psiquiatras: a que nos impede viver tranqüilos e que perdeu seu valor de adaptação. neuro-feedback. está bem: ansiolíticos e antidepressivos na primeira linha. deve entender-se SOLI-T-ÁRIO. cognitivistas..

e também com suas possibilidades. suas contradições. às vezes até sua resolução. sofremos e fazemos sofrer. É isto que somos agora. e vai se tornando capaz de se pensar e aceitar a si mesma. Ao longo das décadas. Nenhuma destas variedades de angústia nos é alheia: todos nós as vivemos em diferentes intensidades. Já no processo de se tornar consciente a pessoa vai adquirindo um maior conhecimento de si mesmo. A psicanálise é a disciplina que mais tem contribuído à compreensão da angústia no ser humano individual. etc. Alguns anos depois. No momento em que aceitamos que está em nós trabalhar para diminuí-la. cada uma sendo resolvida com o reconhecimento dos conflitos infantis em jogo e a sua repetição na relação transferencial. depressiva. no ser humano. Na primeira a libido –a energia sexual.org. com seus desejos mais bizarros. narcíssica. 53 www. etc.e garantir a sobrevivência da espécie (ou dos genes). se me permitem a imagem. de culpa. esquizo-paranoide.não utilizada. a angústia deixa de ser apenas um sintoma psicopatológico e se transforma. a explorar e reconhecer como próprio. joga um papel mais complexo do que o simples desejo de descarregar uma pulsão –com grande prazer!. Os diversos momentos da história pessoal em que os conflitos foram mais intensos – os chamados pontos de fixação –. Freud desenvolveu duas teorias da angústia. se estanca e se transforma em angústia. Já não são os outros a fonte de sofrimento e desgraças: o mundo torna-se um território a caminhar.psiquiatriamg. das pulsões e das fantasias sobre as emoções. do conflito. Ao ter acesso à palavra. psicótica. Com a angústia ocorre o mesmo: no ser humano está gerada também pelas emoções que projetamos ao futuro. projetada também no futuro. Tornar-se consciente do conflito e – passo fundamental – poder resolvê-lo. É agora que estamos cientes. ao fazer mais complexa sua teoria da mente. davam a característica secundária da angústia: de morte. e atribuiu a angústia ao conflito entre as diferentes instancias (ego. da experiência de vazio. E a psicanálise também contribuiu muito na diminuição da angústia patológica. projetando no mundo as razões do nosso padecimento. Quando é muito marcada.br/jornada_sudeste .. no farol que mostra a direção para a que devemos nos dirigir. da culpa. de fragmentação mental. o mundo inteiro muda. dos desejos. e pela própria imagem de como intuímos que podemos ser. Isto graças ao reconhecimento da poderosa ação do inconsciente. Freud desenvolveu sua segunda teoria. Ao mudarmos nossa atitude perante nossas emoções dolorosas.vicissitudes. Nossa mente. A sexualidade. é agora quando devemos detectar aquilo que nos está inquietando. do temor à morte. tal como o vinho em vinagre. a psicanálise mostrou outras fontes da angústia: de separação. nossa sexualidade se transforma. id e superego) do aparelho psíquico. Ocorre igual com a sexualidade. Enquanto não reconhecemos a nossa própria responsabilidade sobre ela. a faria desaparecer. consciente e inconsciente. de castração. estamos à deriva. da mentalização. do processo de se constituir em sujeito. A angústia no ser humano com consciência autorreflexiva é diferente da angústia nos animais. é na realidade psico-sexualidade.

o então as características biológicas e as vivencias infantis são tão determinantes que não da para outra coisa que acalmar o sofrimento com medicamentos. predominando. descobrir que a vida pode ser tomada nas próprias mãos. apontará na mesma direção. Passou já a época em que os psicanalistas tentavam curar um ataque de pânico só com a psicanálise –os psicofármacos funcionam bem. Mas até chegar esse momento. enquanto tivermos vida. sede das emoções de angústia. ao postular as pulsões de vida e pulsões de morte como elementos básicos de toda existência. Ocorre que quem já os conheceu na infância. paz.psiquiatriamg.É verdade que para muitos de nossos pacientes isto pode parecer demasiado. mais facilmente os reencontrará no futuro. numa vã tentativa de voltar ao útero: a voltar atrás. incluindo o mundo interno. a angústia deixa de ser predominantemente evolutiva e automática e passa a ter uma nova função: a de alertar-nos e mostrar-nos a direção do nosso desenvolvimento possível como seres humanos. de exprimir e atualizar com coragem as pulsões de vida. a morte. quando não produzido. nos termos de Freud. Mais adiante. As pessoas cujo impulso vital intenso e cuja reflexão sobre o destino pessoal é importante. com freqüência voltaremos a procurar aqueles momentos de sossego. Este cuidado não apenas calma esse afeto em aparência: a presença tranqüilizadora da mãe naqueles momentos de tensão e sofrimento infantil vão estruturando as conexões cerebrais de modo tal que o córtex pré-frontal estabelece uma relação cada vez mais funcional e compensadora com a amídala. mas com um tom afetivo mais pessimista: todo ato nosso estará marcado pela tensão entre esse dois pólos pulsionais.org. ao menos alguns deles. calma e êxtase. Aqui a angústia tem a função de mostrar-nos quais são os obstáculos que impedem nosso desenvolvimento. de alcançar suas potencialidades como seres humanos –nos termos de Rank. Em outras ocasiões. muita coisa acontece e muito está em jogo. o fato de tomar consciência da própria responsabilidade. o que persistirá durante a vida toda. o cuidado. Otto Rank. dizia que existem duas grandes tendências no ser humano: aquelas que o lançam para a vida e o desenvolvimento das capacidades e da autonomia.br/jornada_sudeste . pode ser um passo transcendental. Mas para outros. estes sintomas. As complicações da vida aparecem como fortes demais e a resolução delas exige todos os esforços. discípulo de Freud. se afastando das pulsões de morte. Dizíamos que a angústia está presente desde os inícios. Mais adiante Freud (1920). e aquelas que o puxam ao mais seguro. esse ou outro sintoma é o inicio de um percurso que nos levará a trabalhar com o paciente para conhecer quais circunstancias vitais tem desencadeado. o amor. no final da vida. de se afastar da comodidade do estado intrauterino. sentem um desejo de conhecer mais. nada melhor que o colo materno. Às vezes ai termina nossa ação terapêutica. 54 www. ao menos para controlar o transtorno. ao esconderijo. Para a que sofre o recém nascido. à comodidade tranqüila. Porque nos seres humanos. A tensão entre ambas tendências seria uma das bases da angústia existencial adulta.

E é aqui quando cada um deverá. Mas desde outra perspectiva. senão a questioná-lo e nos diferenciar dele.No momento em que o impulso que nos leva a evoluir pessoalmente. Fazer. Uma vez que descobrimos que nossa tarefa fundamental e conquistar a liberdade que podemos ter. tudo muda. Este é o reto.psiquiatriamg. comprometer-se socialmente gera angústia. não entrar na luta. E aqui. O maior inimigo agora é se acomodar. Até a chegada desse momento no desenvolvimento da consciência – e da cultura –. mas vão mostrando o caminho. pode-se pensar que essa criança já intuía quem era e o quê poderia chegar a ser no futuro: mas essa vaga consciência de ser capaz de enfrentar a morte encarnada em animais gigantescos era demais para uma criança e desencadeou os sintomas. Tal vez não seja demais dizer que o futuro da nossa espécie depende do modo em que possamos desenvolver uma consciência mais coletiva e transpessoal. a história do grande matador Cordobés Manolete (1917-1947) ilustra este ponto de maneira extraordinária. esquizo-paranoides e depressivas surgem novamente. Conta-se dele que quando criança sofreu durante algumas semanas graves sintomas de pânico: não podia se afastar da mãe e andava o dia todo prendido à saia dela. não se arriscar. Com o tempo essa angústia se resolveu e. agir. Aqui. nos compromete com um novo reto: chegar a ser quem podemos ser. as angustias de castração. 55 www. segundo o sentido que damos à vida. considerar. O reconhecimento de esse desejo.org. além das expectativas familiares e sociais. enfrentar. Na medida em que as enfrentamos. aquela que considera que desde o início somos de algum modo cientes das nossas possibilidades. chegou a ser quem foi! Como ocorreu essa transformação? Desde a perspectiva psicanalítica clássica poderíamos falar em mecanismos contra-fóbicos. E é esta angústia a que nos deve guiar na nossa transformação. mesmo não sendo plenamente consciente. enfrentar as angústias que surgem quando queremos chegar a ser o que intuímos que podemos ser. nos desenvolvemos. não apenas a adaptar-nos ao meio. etc. estamos por completo submetidos às leis do determinismo biológico ou então aceitamos os condicionamentos sociais da época como o limite natural do desenvolvimento pessoal. com os anos. Nos seres sensíveis e conscientes ocorre uma revolução ontológica. não concluir nem se comprometer.br/jornada_sudeste . enfrentamos um novo tipo de angústia. liberdade para pensar e agir. de separação.

Gerente Técnico Assistencial IRS FHEMIG. dentro de um espectro obsessivo-compulsivo2. Entre esses. Hollander E. sendo fundamentada por estudos clínicos. O diagnóstico categorial permite uma circunscrição nosográfica. Dos estudos sobre a associação entre os diversos transtornos desse espectro. caracterizada pela presença de tiques vocais e motores). a relação entre Transtorno Obsessivo-Compulsivo e Síndrome de Tourette é a mais bem estabelecida. Essas evidências.9:99-109. O conceito de espectro está fundamentado na similaridade do TOC com determinados quadros. somadas a outras. ordenação e arranjo. a idade de início.9:99-109. Pacientes com TOC associado a tiques apresentam mais freqüentemente obsessões de agressividade e sexuais. mais recentemente diversos autores têm sugerido que eles podem se distribuir ao longo de um continuum. O espectro-compulsivo compreende: o transtorno obsessivo-compulsivo (caracterizado por obsessões e compulsões). o "comprar" compulsivo. colecionismo e "tic-like". Neste sentido é que resultados de pesquisas recentes têm enfatizado que o TOC é heterogêneo e que ele poderia ser estudado a partir de uma visão dimensional e contínua. Professor da PUC Minas.psiquiatriamg. genéticos e farmacológicos. Compulsões "tic-like" são comportamentos semelhantes a tiques complexos. mas precedidos por obsessões. Benzaquen SD.MR 03 – Sala 05 Tema: ESPECTRO OBSESSIVO/COMPULSIVO: CONTRIBUIÇÕES PARA A CLÍNICA Sub-Tema: Espectro Obsessivo Compulsivo: contribuições para a clínica Relator: Hélio Lauar1 O transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) é caracterizado pela presença de obsessões e/ou de compulsões. o curso clínico. talvez. compulsões sexuais e certos transtornos dos hábitos alimentares entre outros. The obsessive-compulsive spectrum disorders. o transtorno dismórfico corporal (caracterizado por preocupações excessivas com partes do corpo). as comorbidades. ou seja. considerando a psicopatologia. 2 1 56 www. o jogo patológico. mas oculta uma heterogeneidade do quadro. Embora esses transtornos sejam tradicionalmente classificados como categorias diagnósticas distintas. a tricotilomania (caracterizado pelo ato repetitivo de arrancar pelos). o Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) é o mais prevalente e acomete cerca de 3% da população (a quarta doença psiquiátrica em termos de freqüencia).br/jornada_sudeste . a resposta e tipo de tratamento e.org. os transtornos de tiques (incluindose a síndrome de Tourette. Int Rev Psych 1997. Benzaquen SD. até a etiologia3. The obsessive-compulsive spectrum disorders. 3 Hollander E. As pesquisas recentes sobre TOC afirmam que o conhecimento dos diversos subgrupos homogêneos dos pacientes permite melhor aborda-los e tratá-los clinicamente. Int Rev Psych 1997. além de compulsões de simetria.

João reinicia o processo. mas. constitui um modelo eficaz para o avanço do conhecimento fisiopatogênico4.cerca de três horas de seu dia nesse ritual. Preceptor da residência de Psiquiatria do IPSEMG. lavava apenas as mãos. depois. até que estudos adequados sejam realizados. Savage CR. Arch Gen Psych 1994. de neuroimagem e neurofisiológicos5. Em decorrência dessa compulsão. Jenike MA. tem sido comprovada através de estudos clínicos. E. Baer L. João chega ao consultório com a demanda de tratar sua “mania de lavar as mãos” e de aliviar sua angústia. placebo controlled study in patients with and without tics. 6 Coordenador da Residência de Psiquiatria do Instituto Raul Soares. Antes. Leckman JF. Fecha a torneira com Miguel EC. que faz sucesso com as garotas. mas os achados clínicos epidemiológicos já permitem pensar e operar clinicamente com pretensas semelhanças entre os diversos transtornos especialmente no que se refere ao tratamento psicofarmacológico e comportamental. Portanto. A relação entre o transtorno obsessivo-compulsivo e os outros transtornos do espectro. o conceito de que haveria um "espectro obsessivo-compulsivo" precisa ser visto com crítica e comedimento. apenas uma hipótese que precisa ser testada cientificamente. inteligente. tem lavado também o tronco.em sua jaula obsessiva . genéticos. a qual permanece constituída a despeito das dezenas de vezes ao dia que ele lava suas mãos.br/jornada_sudeste . MR 03 – Sala 05 Tema: ESPECTRO OBSESSIVO/COMPULSIVO: CONTRIBUIÇÕES PARA A CLÍNICA Sub-tema: “Efeitos terapêuticos rápidos no tratamento de uma neurose obsessiva” Relator: Sérgio de Campos6 João é um jovem universitário. 5 McDougle CJ. passou a lavar os antebraços. João apresenta uma dermatite esfoliativa na pele das mãos e em seus antebraços. Heninger GR.sugerem que alguns tipos de Transtorno Obsessivo-Compulsivo podem representar diferentes formas da Síndrome de Tourette. mas há alguns anos que tem convivido com uma angústia que acabou por lhe desenvolver o hábito repetitivo de lavar as mãos. com exceção da síndrome de Tourette. variando dos tiques simples à ideação obsessiva. Phenomenology of intentional repetitive behaviors in obsessive-compulsive disorder and Tourette's syndrome. 4 57 www. Rauch SL. mais recentemente. apenas recentemente. Coffey BJ. Esta associação entre TOC e ST tem sido descrita há vários anos.51:302-308. Goodman WK.psiquiatriamg.org. Lee NC. Pensar num continuum entre os transtornos dos movimentos repetitivos. ele não pode encostar em nada. Ele tem gasto . Quando finaliza a lavação. o rosto e a cabeça. Membro da Escola Brasileira de Psicanálise e da Associação Mundial de Psicanálise. antes de dormir. é ainda. Haloperidol addition in fluvoxamine-refractory obsessive-compulsive disorder: a double blind. Price L. J Clin Psych 1995.56:420-30. À noite.

(LAURENT. João confidencia ser um sujeito muito angustiado. ele responde: Dia 01 de maio de 1994. É. vejo que elas estão limpas e brancas Com referência ao Texto de Éric Laurent publicado em Mental. apenas no momento do ritual.org. Sou coagido por mim mesmo a lavar as mãos. como um cirurgião antes da cirurgia. Encerro a sessão deixando essa questão como enigma. hoje. Laurent recorre a um texto de Miller sobre As paixões cartesianas primárias para ressaltar que quando se reconhece o tipo de mais-gozar que faz com se diga “isso é alguém”. Narra que sofreu nos últimos tempos uma intensificação da angústia. Se eu olho para minhas mãos. fugazmente. o ato de se lavar praticamente acabava com a angústia. Pergunto se a lavagem das mãos alivia a angústia.. Mas a água escorre sempre errado e eu não paro de lavar as mãos até que ela escorra certo pelos meus antebraços e minhas mãos.o cotovelo. ele responde: Se eu não lavo. O sujeito tem na velocidade o seu mais gozo e sua causa de desejo. o que aconteceu nesse dia? Creio que nada aconteceu de especial. quando questionado o que aconteceria se ele não se lavasse. João comenta: Todo esse processo é demorado. Revue internationale de santé mentale et psychanalyse appliquée – 13 décembre 2003.psiquiatriamg. Mas. angustiado. Assinalo. No entanto. surge uma sombra negra em minhas mãos. Consistência do sintoma7: Quando teria iniciado a mania de lavar as mãos? Surpreendentemente. não entende por que tem colocado a vida em perigo em várias ocasiões por causa da alta velocidade. João ressalta que aprecia a velocidade. Quando mais jovem. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed. Assinala que tem muito medo da morte. mas atualmente ela se atenua. 7 58 www. Na sessão seguinte. Trata-se de um negro que não é um sujo de minha mão. encontrar outro método mais consistente de aliviar sua angústia. porque após lavar as mãos. João. sem se encostar em nada. Relata que ele e seu pai eram admiradores8 do Senna e que os homens da família cultuam a velocidade. queria ser piloto de corrida como Senna. o sujeito se torna uma espécie de “carne de pancada do Partido como se fosse baby sitter da história”. João responde que aparentemente não vê motivo. eu não as enxugo e aguardo pacientemente a água escorrer certo. Versões da clinica psicanalítica. depois passa álcool no cotovelo e se dirige para a cama com os braços levantados. Relata que não pode deixar de lavar as mãos ainda que considere esse ato absurdo e sem sentido. Indagado sobre as razões dele se lavar tanto. p. mas mesmo assim. Confessa que tem uma motocicleta possante e que abusa da velocidade tanto no campo como na cidade. 129. às vezes enfrentando situações de risco. 8 Éric Laurent comenta que a admiração pode deslizar para o culto da personalidade. 1995). ponderei. Ele revela que no início. descreve suas compulsões que não se revelam propriamente um sintoma. a não ser o fato do Senna ter morrido. João considera absurdo esse procedimento de lavar as mãos repetidamente e confessa todo esse aparato com certo constrangimento. mas após a morte do Senna perdeu todo o interesse pela “Fórmula Um”.br/jornada_sudeste . então. que houve alguma serventia em se lavar e que esse ato deve lavar mais alguma coisa além das mãos. que faz com que o mais-gozar da admiração penda para o sacrifício. Talvez fosse necessário.

Com efeito. Foi aí que os sintomas apareceram? Acho que sim. pode-se indagar se João revela um trauma. Acordo angustiado. E. continua: Parece coisa de maluco. ora no tronco. o que me faz persistir lavando várias partes do corpo. Acho que eu queria me lavar todo. Quando não há mais negro algum nas mãos. Na sessão seguinte. Parece que a água me purifica da morte. devendo eu continuar lavando as mãos. ele surge ora no antebraço. Lembro-me que a primeira coisa que fiz. que relação o negro tem com o fato da água escorrer certo ou errado? João ressalta: Quando a água escorre certo. Morro de medo de morrer. O sujeito entrelaça Senna como o mestre. ora na face. significa que a sombra negra foi lavada e desapareceu e quando a água escorre errado significa que o negro permanece. Éric Laurent ressalta que o obsessivo tem um véu9. Ele é uma mostração que se deixa velar para o próprio sujeito da ação. andar em alta velocidade pode ser considerado uma formação reativa contra a morte. depois da morte do Senna. Sentia a água escorrendo no meu corpo e de repente pareceu que um dedo deslizou sobre as minhas costas. apesar disso. procurando extrair delas um sintoma propriamente analítico. Se por um lado. Pergunto: afinal.org.psiquiatriamg. pois. Revue internationale de santé mentale et psychanalyse appliquée – 13 décembre 2003. Nesse caso.. eu tenho a impressão que há uma mancha negra e tenho que lavar as mãos até que esse negro desapareça. o excesso de velocidade em que o sujeito se coloca pode ser considerado também um acting out. Na realidade. Fiquei horas no banho. Mental. às vezes. quando ele me abraça. foi entrar dentro de um chuveiro. por outro. Me senti contaminado pela morte dele. Um longo sono negro sem sonho numa noite escura em que nunca se acorda. Sinto que a água tem haver com a vida e o negro tem haver com a morte. Mas. João tenta recobrir em vão pela compulsão de lavar as mãos essa sombra negra que vela o real.br/jornada_sudeste . Mas. o acting 9 LAURENT. Fico feliz em vê-lo. Interpretação: Noutra sessão: O negro me angustia porque ele me reporta à morte. É absurdo mas parece que a água limpa e purifica o negro. Mas. João comenta que a mancha negra tem aparecido também sobre os seus sapatos. O acting out não é da ordem do desejo. João traz um sonho: no sonho estava dormindo e o Senna vem me abraçar. a velocidade como mais de gozo e a morte como o real. cujo real da morte se apreende sob o véu da mancha negra. sinto que ele está frio. Penso que a morte é uma escuridão negra. Foi o dedo do Senna? Intervenho na tentativa de permitir uma convergência de suas ruminações em um sintoma mais consistente. mas da natureza da pulsão escópica. Se sente incomodado. mas num flash pensei o Senna na escuridão. Em seu exibicionismo.e que não há negro algum. eu me coloquei no lugar do Senna. 59 www. Penso que na morte deve ser tudo negro. é surpreendido pelos seus familiares lavando seus sapatos sem necessidade aparente. Ele ri muito e nega que era o dedo do Senna. O analista acolhe suas ruminações.

Paris: Éditions du Seuil . eu luto contra o negro. após a lavagem apurada. o sujeito faz o luto do objeto nada no qual gravitava sua angústia constituída. A interpretação subjetivou a angústia oferecendo uma consistência ao sintoma e elevando-o a dignidade do conceito psicanalítico. LACAN. quando nele reconheço a abordagem predileta do inconsciente para reduzir o sintoma: contradizer o sentido”. Eu luto contra a idéia da morte do Senna. João chega muito abatido. a água escorre errado. 1962-1963. A noção do perigo interior funciona como uma estrutura de conservação ligada à defesa11. Na verdade. (LACAN. 314). Senna correu errado. L’angoisse. João mais uma vez descreve seu ritual de lavar as mãos. 2004:188. L’angoisse. pode-se considerar que a lavagem das mãos é uma defesa da angústia de separação. Livre X. (1975). Paris: Éditions du Seuil.. O sujeito não tolera a separação do objeto. Ainda sobre o mecanismo de atenuação da angústia. J. Então. observa a água escorrer lentamente pelo seus braços e mãos..br/jornada_sudeste . onde o essencial é ele se mostrar como resto10. o luto é o negro? Será que quero me livrar do negro lavando as mãos. (1967). 13 A interpretação através do equívoco da homofonia isolou a letra na qual cifrava o gozo. Mas. Livre X. 1962-1963. visto que ele se oferece naquilo que do sujeito é o engano. Le Séminaire. na velocidade. Se ele que era o campeão. Como pode Senna ter corrido errado? Logo ele? Você acha que eu fico tentando me livrar dessa idéia de que Senna correu errado? Silêncio. Peut-être à Vicennnes. Murmura. é claro que isso pode acontecer comigo que fico andando em alta velocidade pelo trânsito. até que a água escorra certo. Interrompo a sessão. 2004:195. Enfim. 11 12 10 60 www. numa localização subjetiva. comenta repetidamente. Intervenho: Então. A angústia é um sinal do real que surge na experiência de separação do objeto12. Ele comenta que. Assim. Após o sujeito se exceder na velocidade. Ele perplexo e surpreso não compreende14. Autres Écrit. J. Lacan nos adverte que o medo do perigo não é senão a angústia. Penso que toda essa compulsão tem haver com a minha LACAN. faz um jogo com a morte para testar se está realmente vivo. J. o sujeito é confrontado com o real da causa e suporta colocando em ato a fabricação de uma aparelhagem sintomática. Livre X. morreu correndo errado. Le Séminaire. mas que está localizado no registro do invisível para o sujeito com relação a sua causa. 2001. p. intervindo: es (S) corre errado13.out é visível ao máximo. 2004:146. 1962-1963. J.O saber que só se revela no engano do sujeito (LACAN. dado que o sujeito não consente com a separação vivida como luto. Paris: Éditions du Seuil. Silêncio.psiquiatriamg. J. p. para não fazer o luto? A interpretação confronta o sujeito com a causa de desejo. Morreu porque correu errado.org. sempre mais uma vez. todo o tempo. Le Séminaire. Numa outra sessão. sobrevinha-lhe o medo da percepção do perigo que correra. 2001. Paris: Éditions du Seuil. O sujeito morre de medo de morrer e. acarretando uma insuficiência na pulsão e uma insatisfação pulsional de tal sorte que a repetição se faz automática e sem novidade. La méprise du sujet supose savoir. Paris: Éditions du Seuil. Parece que a morte tem haver com o negro. Lacan assinala que “o equivoco com o qual acabo justamente de jogar. 337). 14 Lacan assinala que o inconsciente é um lugar diferente de todo e qualquer apreensão do sujeito que se revela um saber. que no fundo é a idéia da minha própria morte. Na sessão seguinte. o ritual deve ser repetido. Autres Écrits. L’angoisse. LACAN. ao assinalar o índice da separação do objeto.

são de que. pois sua angústia se deslocara. O interessante é que o imperativo categórico do supereu lave as mãos para dar conta do negro do imperativo do gozo cedeu lugar para o afeto superegóico da vergonha e para um humor experimentado como ridículo. o que não impede que seja uma saída. apenas soluções provisórias com enodamentos contigenciais. tentativas do sujeito em lidar com o supereu. sim. diante desse nó. propiciando uma angústia constituinte da exteriorização do objeto perdido. À guisa de conclusão.psiquiatriamg. angustia constituinte durante as ultimas jornadas de outono da ECF. não estava mais lavando as mãos e para ele isso era o bastante. João veio à sessão e disse que não voltaria mais uma vez que não estava precisando mais da análise. Terceiro. gradativamente. João deixou a análise há alguns anos. João se sentia ridículo toda vez que se lavava. Um dia. João retornou mais algumas vezes. Primeiro. A prática com a psicose ensinou a Lacan que não é possível enodamentos definitivos e.dificuldade de lidar com a minha morte. houve uma psicanálise aplicada à terapêutica. ele incluiu a exteriorização do objeto a. os bons efeitos da análise duram apenas um certo tempo. Aliás. Portanto. considerei que fosse uma interrupção e cogitei se houve uma vacilação do desejo do analista. Transferência: Após essa sessão. Segundo. agora. a idéia do negro em sua mãos foi sendo deixada de lado fazendo com que o ritual de lavação fosse perdendo toda sua força e relevância. Também. isso é uma coisa que terei de aprender a lidar e só eu terei condições de responder por isso. 15 61 www. A interpretação trouxe uma perda do sentido que provocou um reenodamento de RSI de forma a resultar na perda de gozo e em uma nova orientação do gozo opaco a partir da queda dos efeitos imaginários. A interpretação provocou um corte no funcionamento pulsional do supereu. Sobre isso. os efeitos terapêuticos foram obtidos sem delongas. considero que João concluíra uma análise terapêutica. Segundo Graziela Brodsky. Na época. no V Congresso da EBP (2005) : É necessário elevar a interrupção à dignidade de um conceito na lógica da cura. haja visto que ela ensina os analistas a desidealizarem a psicanálise Enunciação de Lacan no Seminário: L’angoisse retomada por Miller no texto Angustia constituída. Mas. a angústia não é sem objeto15. pode-se dizer que a psicanálise aplicada à terapêutica é um médium que coloca a psicanálise no século XXI. É melhor do que não fazer nada. Hoje. houve uma análise. O saber construído fez com que o ritual se tornasse risível. Seus relatos. Com a interpretação o sujeito percebeu que ele enlaçara o negro imaginário com o luto simbólico enodando-o com o real da angústia de tal sorte que.org. De acordo com Lacan. haja visto que a análise não durou mais do que seis meses. pois agora estava esclarecido que essa rotina se destinava a fazer com que Senna corresse certo. cabem alguns comentários.br/jornada_sudeste .

pura, atualizando a psicanálise em conformidade com o declínio dos ideais no contemporâneo. Recentemente, o pai de João morreu em um acidente com motoclicleta. A moto, em alta velocidade, saiu da pista e bateu contra um poste. Fui até o cemitério para oferecer minhas condolências. João, agradecido pela minha presença, me disse que, se precisar de ajuda, voltará. MR 06 – Sala 07 Tema: ESQUIZOFRENIA: ESTRATÉGIAS DIAGNÓSTICAS Sub-tema: “Neuro-imagens” Relator: Marcos Alexandre Gebara Muraro (RJ) Desde seu surgimento, na década de 80, quando as técnicas de neuroimagem permitiram uma visualização mais acurada do encéfalo, os psiquiatras, associados aos neurorradiologistas vêm tentando estabelecer padrões que subsidiem o diagnóstico e o acompanhamento da evolução e do tratamento da esquizofrenia. Inicialmente, a Tomografia Computadorizada do Crânio não trouxe nenhum auxílio no intuito supramencionado. Na década de 90, começaram a surgir métodos mais sofisticados. A Ressonância Magnética Estrutural, a princípio com aparelhos de baixa capacidade, já revelava alguns dados que, embora não patognomônicos, mostravam-se extremamente freqüentes nesta entidade nosológica. Podemos citar o aumento ventricular, o alargamento de sulcos, o “cavum” do septo pelúcido e a atrofia hipocampal e amigdaliana como os mais encontradiços. Anos mais tarde, com o advento das tecnologias funcionais, acrescentaramse mais elementos úteis para o melhor entendimento da doença. A Tomografia por Emissão de Fóton Único (SPECT) permite, através do tracejamento de contraste radioativo, estudar com detalhes e em vários cortes o fluxo sanguíneo cerebral, obtendo também informações indiretas a respeito do metabolismo. Na esquizofrenia é possível observar áreas de hipofluxo, principalmente frontotemporais. A Tomografia por emissão de Pósitrons (PET) é ainda mais sensível, possibilitando o estudo do metabolismo, captando o consumo de glicose marcada radioativamente e, traçando radiofármacos, expõe as propriedades e funções dos receptores de diversos neurotransmissores envolvidos na esquizofrenia. No final da década, a engenharia médica produziu aparelhos de Ressonância Magnética com capacidade superior a 1.5 Tesla, o que permitiu aos pesquisadores, de posse de uma técnica não invasiva, pela simples captação do retorno do sinal emitido, criar os Mapas de Perfusão e a Espectroscopia de Prótons, que consiste num verdadeiro “mapeamento”, utilizando tecnologia de voxel único que estuda pequenas áreas específicas e multivoxel, que abrange áreas mais extensas na percepção da presença de substâncias marcadoras do funcionamento neuronal. A queda da relação entre o N-Acetil-Aspartato e a Creatina (NAA-CR) na área anterior do giro do cíngulo e lobo frontal direitos já vem se estabelecendo como característica. Adveio em somatório a Ressonância Magnética Funcional de Ativação, que estuda a

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atividade de determinadas regiões do cérebro, capturando a aceleração metabólica no momento da função, seja motora, seja sensitiva, ou mesmo mental. A partir daí, abriu-se um universo infindável de linhas de pesquisa, aumentando sobremaneira a compreensão da intrincada complexidade que cerca a esquizofrenia. Em brilhante palestra no Cogresso Mundial de Psiquiatria de 2005 na cidade do Cairo, Egito, o Prof. Tonmoy Sharma do Clinical Neuroscience Research Centre, UK, apresentou trabalho versando sobre “Os Efeitos cognitivos dos Antipsicóticos no Primeiro Episódio: Estudos Randomizados com Ressonância Magnética Funcional”. O objetivo foi demonstrar se os padrões de imagem na ativação cerebral previamente relatados na Esquizofrenia crônica estavam também presentes no primeiro episódio. Técnicas de Ressonância Magnética Funcional de Ativação (RMf A) foram usadas para comparar a função cerebral durante um teste verbal de memória. Seis pacientes masculinos esquizofrênicos em primeiro episódio, destros, foram pareados com esquizofrênicos crônicos segundo a PANSS. Dois do primeiro grupo eram virgens de tratamento, enquanto todos os outros recebiam terapia antipsicótica em doses semelhantes. Não havia diferença entre os dois grupos quanto ao QI pré-mórbido. Todos foram submetidos à RMf A enquanto executavam o teste denominado “Two-Back Task”. Quando comparados a um grupo de controles normais, ambos os grupos de esquizofrênicos, tanto os de primeiro episódio quanto os crônicos apresentaram hipoativação evidente no córtex pré-frontal direito, giro pré-central e cortex parietal posterior bilateral. Mostraram também hiperativação difusa no giro cuneiforme esquerdo. A ativação no grupo dos esquizofrênicos agudos e crônicos foi menor difusa e desordenada, enquanto no grupo controle mostrou-se mais intensa, concentrada e delimitada às áreas específicas da rede neural envolvida no teste. Os pacientes virgens de tratamento apresentaram alterações mais intensas que o grupo de agudos sob tratamento. Concluindo, as anormalidades observadas não foram devidas à cronicidade da doença nem ao efeito de curto ou longo prazo dos antipsicóticos, porém a introdução do tratamento parece atenuá-las. O trabalho do Prof. Sharma, apesar de abranger uma amostragem diminuta desperta o interesse daqueles que vislumbram na Neuroimagem um poderoso método de exame complementar em Psiquiatria, descortinando a imensa vastidão do campo de pesquisa a ser esquadrinhado. MR 08 – Teatro Oromar Moreira Tema: VIOLÊNCIA E SUICÍDIO Sub-tema: “Suicídio, um comportamento complexo” Relator: Humberto Corrêa (MG)16 O suicídio é considerado um problema de saúde pública na maioria dos países e figura entre as dez principais causas de morte. Dados da Organização
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MD, MsC, PhD. Chefe do Departamento de Saúde Mental da UFMG.

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Mundial de Saúde estimam em 1.000.000 as mortes por suicídio em todo o mundo no ano 2001, constituindo um sério problema social, econômico e familiar. Projeções dessa mesma organização estimam que até 2020 cerca de 1,5 milhão de mortes ocorrerão no mundo por suicídio, cerca de 2,4% de todas as mortes (Bertolote et al., 2002). Embora as maiores taxas de suicídio sejam atualmente observadas nos países desenvolvidos, estima-se que um grande aumento na mortalidade por suicídio será observada nos paises em desenvolvimento nas próximas décadas, em decorrência das mudanças socioeconômicas e comportamentais que se processam nesses países (Diekstra, 1993). No Brasil, por exemplo, observamos um aumento global nas taxas de morte por suicídio de 21% entre os anos 1980 e 2000 e esses dados são ainda mais impressionantes se levarmos em conta o perfil etário. No nosso país, embora as maiores taxas de morte por suicídio ocorram em idosos, constatamos que, a população mais jovem está se matando cada vez mais e um impressionante aumento de 1900% foi observado na mortalidade por suicídio na faixa etária que vai 15 a 24 anos entre os anos 1980 e 2000 (Mello-Santos et al., 2005). Autópsias psicológicas mostram que a maior parte dos suicidas teria algum transtorno psiquiátrico. Recentemente dois estudos independentes foram publicadas e mostraram que mais de 90% dos suicidas teriam um transtorno psiquiátrico (Cavanagh et al, 2003; Arsenaul-Lapierre, et al., 2004). Entretanto, se a existência de um transtorno psiquiátrico parece ser condição necessária para a ocorrência do suicídio esse não é suficiente visto que a maioria dos indivíduos nunca irá se suicidar. Sabendo-se que o suicídio ocorre quase exclusivamente em pacientes psiquiátricos, poderíamos imaginar que a prevenção fosse mais efetiva, principalmente porque cerca de 60 a 70% dos suicidas consultaram-se com um médico nas semanas que antecederam seu ato (Roy et al., 1986). A realidade, entretanto, é que temos poucos preditores que sejam robustos o suficiente para serem efetivamente úteis na prevenção do suicídio. Uma tentativa de suicídio é conhecida como o melhor preditor de futura tentativa e de suicídio completo, mas, ainda assim, não é um bom preditor, já que a maioria dos suicidas vão morrer em sua primeira tentativa e a maior parte das pessoas que fazem tentativas de suicídio nunca irão se matar (Malafosse, 2005). Esses dados, servem, entretanto, para nos alertar para a complexidade desse fenômeno. De fato, o suicídio é comportamento humano complexo onde interagem múltiplos determinantes biológicos, sociais e psicológicos, ou seja, do gene á cultura, passando pelo econômico, político, neuroquímico, emocional, vínculos afetivos, etc,. etc, etc...A sua abordagem, seja a nível individual seja a nível de saúde pública exige desprendimento. Desprendimento para cuidar do outro, desprendimento em relação a dogmas às amarras ideológicas. Na VI Jornada Sudeste de Psiquiatria, na mesa-redonda sobre suicídio, teremos uma amostra dessa necessidade de diversidade. O prof. Neury Botega falará sobre o impacto das mortes por suicídio em termos de saúde pública. A dra. Silvia Pelaez abordará tema importante, embora frequentemente negligenciado, a relação entre violência doméstica e suicídio. Finalmente o prof

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16:244-73. 371: 6-20. MR 08 – Teatro Oromar Moreira Tema: VIOLÊNCIA E SUICÍDIO Sub-tema: “Violencia doméstica. Genetics of suicidal behavior. Psychol Med 2003. Cuando se trataba de mujeres ellas ocupaban el rol de victimas. também. Diekstra RFW. Roy A. Psychological autopsy studies of suicide: a systematic review.psiquiatriamg. Revista Brasileira de Psiquiatria 27(2). Suicide Life Threat Behav 1986. Acta Psychiat Scand 1993. Fueron ellos. el descencadenante del comportamiento suicida.Alessandro Serretti falará sobre tema inevitável visto o ser humano ser. BMC Psychiatry 2004. variable segun la muestra. Suicidologi 2002. en el caso de los varones su comportamiento suicida representó un intento mas de controlar a las victimas. Gustavo Turecki: Psychiatric diagnosis in 3275 suicide a meta-analysis.133C:1-2. dicho instrumento nos ha permitido incluir como parte de esas situación al abuso sexual y a la violencia doméstica.br/jornada_sudeste . 7: 6-8. En el trabajo detallaremos los mecanismos vinculares de sus actores. The epidemiology of suicie and para-suicide. Wang Yan-Pang. caroline Kim. Aproveitemos essas oportunidades!!! Referências Bibliográficas Bertolote JM. 2002. Lawrie SM. Bertolote JM.33:395–405. Cavanagh JT. 65 www. en un porcentaje de mas de un 40 por ciento. Epidemiology of suicide in Brazil (1980-2000): Characterisation of age and gender rates of suicide. Carson AJ. Sharpe M. Am J Med Genet 2005. A global perspective in the epidemiology of suicide. Mello-Santos C. Alcoholism and suicide. cuando nos referimos a hombres más frecuentemente se trataba de victimarios. ser biológico: a genética e o comportamento suicida. entre sí y con la comunidad con la intención de acordar un abordaje valido de prevención. En el caso del abuso el suicidio mostró la intención de “matar” los aspectos internalizados del victimario y preservar fuera la imagen deseada y necesitada del varón. Fleischmann A. Linnoila M. abuso sexual: Una causa de suicidio que muchos callan” Relator: Silvia Peláez (Uruguai) En el poliedro que integra la situación de riesgo suicida y su abordaje tenemos como herramienta ineludible a la perspectiva de género. 4:37 Malafosse A. Genevieve Arsenault-Lapierre.org.

org. seleção. O psiquiatra avalia cada processo como auditor.13/06/2008 – SEXTA-FEIRA MR 01 – Auditório Lívio Renault Tema: AVALIAÇÃO DOS PROTOCOLOS DE DISPENSAÇÃO DOS ANTIPSICÓTICOS ATÍPICOS Sub-tema: “Avaliação do Protocolo e modus operandi atual” Relator: Cláudio Lyra Bastos (RJ) Procuramos discutir o protocolo situando os diversos aspectos do uso de antipsicóticos atípicos no atendimento público em psiquiatria no Rio de Janeiro e no Brasil. à aderência e aos resultados terapêuticos. A abertura do processo é realizada por uma equipe de farmacêuticos que tem treinamento para conhecer o protocolo e somente abrir o processo quando a prescrição e o laudo do médico assistente cumprem os requisitos mínimos necessários para a liberação da medicação.br/jornada_sudeste . à eficiência. Levantamos questões relacionadas aos problemas de diagnóstico. 66 www. se na ausência de informação destas medicações existem justificativas de acordo com os critérios de inclusão ou exclusão do protocolo. as questões relacionadas à eficácia. Evitando que os processos sejam indeferidos por questões técnicas. inclusive com teste final. discutimos os problemas relacionados ao acesso à informação e aos conflitos de interesses. de follow-up adequado. Destacamos a necessidade de se estudar melhor. que são as seguintes: Formação de uma equipe técnica composta por médico especialista em psiquiatria e farmacêuticos. tendo até 05 dias úteis para a conclusão. MR 01 – Auditório Lívio Renault Tema: AVALIAÇÃO DOS PROTOCOLOS DE DISPENSAÇÃO DOS ANTIPSICÓTICOS ATÍPICOS Sub-tema: “Dispensação dos antipsicóticos atípicos no ES” Relator: Vicente Ramatis (ES) Objetivando proporcionar rapidez na liberação de medicações antipsicóticas atípicas. Observação de detalhes como as datas de emissão das receitas.psiquiatriamg. tanto econômicos como políticos. porém a meta é que sejam avaliados ainda no 1° dia. têm que fazer um curso direcionado especificamente para este tipo de atendimento. criou uma série de medidas que facilitam a avaliação dos processos. como por exemplo: informação das medicações utilizadas anteriormente. Discutimos os perfis de efeitos colaterais em relação com o benefício terapêutico real. a gerencia da farmácia da Secretaria de Saúde (SESA-ES). de formação. preparo e treinamento de recursos humanos na área de saúde mental e por fim. acarretando o ônus da não liberação com a perda de tempo do paciente. Os farmacêuticos para ingressarem no setor. assim como a relação custo-benefício no sentido econômico. de forma comparativa.

br/jornada_sudeste . MR 01 – Auditório Lívio Renault Tema: AVALIAÇÃO DOS PROTOCOLOS DE DISPENSAÇÃO DOS ANTIPSICÓTICOS ATÍPICOS Sub-tema: “Proposta de Novo Protocolo” Relator: Mercêdes J. Quando ocorrem vários indeferimentos em processos encaminhados por um mesmo médico assistente. já caduco e falho. sendo que o paciente recebe sua medicação num período máximo de 05 dias. é feito um contato com o mesmo a fim de orientar sobre o protocolo e os critérios de dispensação. para aqueles usuários que já estão em uso contínuo. Esta medida também ajuda a diminuir a carga na rede ambulatorial. Também foi constatada a insatisfação por parte da maioria dos Psiquiatras Brasileiros que julgam o Protocolo atual (?). Foi constatado que. à revelia desta Portaria. são aceitas receitas da rede privada.O. na literatura e nas sugestões dos colegas. causados por reagudização de quadros psicóticos e também de diminuir a busca de internações psiquiátricas reincidentes. é limitador de seus usos e. 17 Presidente da AAP-MG. Baseados em sugestões teóricas. Quando ocorre mudança de medicação ou o paciente deixa de pegar a medicação no tempo estipulado. visando a melhoria da Saúde Pública. criado pela Portaria MS 486 de 212 de outubro de 2002. Exceção para a medicação clozapina que depende de exame mensal.psiquiatriamg. A diretriz da farmácia é trabalhar em rede com os demais setores da Secretaria de Saúde e observar metas como a de reduzir atendimentos em pronto socorro. visto que em alguns lugares não tem médicos psiquiatras atendendo na rede publica. Para garantir que não falte medicação.org. o modus operandi da dispensação destes medicamentos é diferente entre as Unidades Federativas Brasileiras. No momento a rede de assistência abrange além da grande Vitória todos os municípios do Estado. 67 www.Para otimizar o fluxo do atendimento no balcão de retirada das medicações. elas são liberadas para 03 meses. o processo é reavaliado pelo médico auditor. buscando assim que o usuário não seja penalizado e fique sem medicação. Para cumprir estas metas. em todos os Estados Brasileiros e ouvidos os colegas sobre o conteúdo deste Protocolo. desde que cumpram com o protocolo. Alves (MG)17 Considerando que o Protocolo de Dispensação de Antipsicóticos Atípicos. foi feita uma revisão do processo. criamos uma versão que possa atender melhor à população portadora de sofrimento mental. graças à organização e empenho da equipe e investimento de uma política pública séria em saúde. existe um controle constante dos processos ativos.

o termo melancolia era usado para estados de depressão grave. MR 02 – Auditório Bolivar Tema: DEPRESSÃO: DA TRADIÇÃO CLÁSSICA AO CONCEITO ATUAL Sub-tema: “Conceito de ‘transtornos depressivos menores’” Relator: Marco Antônio Brasil (RJ) A depressão é um dos grandes temas da psiquiatria. um grande número de pessoas tentam tratar. Apesar dos sistemas classificatórios e suas revisões. e que a ABP a encaminhe ao Ministério da Saúde para avaliação. ela aparece apenas uma vez no Journal of Mental Science (primeiro título do British Journal of Psychiatry) antes de 1909. Passado mais de um século. Kraepelin faz referência a depressionzustande e em 1896. a validade de diversas sub-categorias de depressão 68 www. A palavra depressão não foi frequentemente usada na literatura médica até a segunda década do presente século. a palavra depressão é usada para cobrir uma ampla e diversificada coleção de conceitos de maneira que continuam as contradições e as confusões. de uma maneira que as pessoas pudessem saber exatamente o que esta palavra significava.br/jornada_sudeste .org. e as outras formas variadas de estado de infelicidade e tristeza é uma questão que até hoje desafia a psiquiatria acadêmica. Até o início do século passado. Adolpho Meyer conclamou para que o termo melancolia fosse substituído pela palavra depressão. em edição posterior o termo manisch-depressive iresein (psicose maníaco-depressiva) foi introduzido. Teoria são construídas e tratamentos são planejados sob a areia movediça de um conglomerado de conceitos reunidos sob a égide do termo. mas gerando confusão em torno do termo. o planejamento de novas classificações e a multiplicação de escalas de mensuração. suas formas leves. e se tornam mais acentuadas quando nós afastamos dos estados depressivos graves e nos dirigimos ao outro polo dos quadros depressivo leves ou menores. O conceito deste estado.psiquiatriamg. em um simpósio sobre classificação. e a esperança de Adolfo Meyer não se realizou. na primeira edição do seu livro. É interessante comentar que o termo "depressão" foi introduzido como uma tentativa de clarificar o conceito de uma doença psiquiátrica específica. mas é também um dos mais confusos. quando Clouston em seu informe anual do Morningside Asylum escreveu em 1890 que : “estados de depressão estão se tornando tão comuns quanto os estados de exaltação como causas de admissão no asilo". É nossa intenção que a Secretaria Sudeste ABP encaminhe à ABP esta proposta. Muitas incertezas continuam. aconselhar ou de alguma maneira ajudar aquelas pessoas que estariam sofrendo de depressão.Esta proposta prestigia medicamento e transtorno mental que a Portaria MS 486/2002 não lista e coloca o critério médico como soberano nas indicações dos medicamentos. síndrome ou transtorno é obscuro. Apesar dos avanços conseguidos na confiabilidade do diagnóstico da depressão através dos critérios operacionais introduzidos pela DSM III. Em 1883. Além dos psiquiatras. em 1905. A falta de clarificação das diferenças entre os quadros depressivos graves (psicóticos).

menores presentes nas principais classificações diagnósticas atuais CID 10 e DSM IV-TR ainda é uma questão em aberto. MR 02 – Auditório Bolivar Tema: DEPRESSÃO: DA TRADIÇÃO CLÁSSICA AO CONCEITO ATUAL Sub-tema: “Banalização da Depressão e seu Tratamento” Relator: Sylvio Velloso Introdução: A opção por este sub-tema deu-se por dois motivos: o primeiro foi a lembrança do atendimento que, quando estudante, fazíamos no ambulatório da Faculdade de Medicina da UFMG quando, então, verificávamos que os pacientes mesmo saudáveis somente se sentiam bem atendidos quando recebiam uma receita – desnecessária e indevida. Aí sim, tinham sido bem atendidos. Era a banalização do receituário. O segundo motivo nos acompanha há anos: o aumento absurdo daqueles que nos procuram com a suspeita ou o autodiagnóstico de depressão ou já em uso de algum psicofármaco – freqüentemente em doses e indicações terapêuticas indevidas. Discussão: Acredito que a pletora de informações que chega ao indivíduo seja, em grande parte, a responsável por esse “aumento de deprimidos” – são revistas, jornais, entrevistas, testes em revistas ou impressos – os livretos postos em salas-de-espera para esclarecer se a pessoa tem ou não depressão. Há, também, programas de TV com verdadeiras mesas redondas que abordam o tema de modo superficial ou complexo e finalmente a fatídica internet que aceita tudo, mas informa muito mal. Com tamanha “onda” de informações, fica fácil que alguém sentindo-se triste, abatido, com dores, choro, mal-estar geral e desanimado chegue a conclusão de que está deprimido. A maior parte não tem a doença depressiva – está influenciado pelo que viu, ouviu ou leu; está passando por algum momento difícil da vida e freqüentemente está ansioso por estas situações, mas não deprimido. Corolário desta situação ocorre quando há oscilações do humor, tipo alegria e tristeza, por algumas horas ou dias – logo vem o “charmoso” diagnóstico de “bipolar” – doença grave, crônica e de evolução totalmente diferente. Infelizmente não só os leigos se diagnosticam erroneamente. Psiquiatras, terapeutas ou clínicos de diversas especialidades têm enorme facilidade em diagnosticar como “quadro emocional, possivelmente depressivo” quando os exames (vários) não esclarecem as queixas trazidas pelo indivíduo. É a banalização da depressão. De imediato surge uma receita de antidepressivo e/ou ansiolítico. E como há antidepressivos e ansiolíticos. Vejamos agora a banalização dos antidepressivos e outros psicofármacos: - O problema é o tabagismo? Receite o produto X.

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- O diagnóstico é alcoolismo? Empregue tal fármaco. - Trata-se de transtorno bi-polar? Recentes estudos mostram a eficácia do fármaco tal que antes só era indicado para esquizofrenia. - É portador de T.O.C.? Nada melhor que o antidepressivo X – que por anos foi usado com sucesso em verdadeiros quadros depressivos. É a banalização do receituário. Para cada queixa existe um remédio. Cabe, aqui, lembrarmos que raramente um não especialista prescreve algo quando o diagnóstico é de mania, onde há intensa euforia, ideação de grandeza, conduta perdulária, agitação psicomotora e RISCO DE HETERO AGRESSIVIDADE – chamem o psiquiatra mais próximo e o mais rápido possível. Diante de tais considerações negativas, sobre o falso diagnóstico de depressão, como proceder? Tomo a liberdade de apresentar, com algumas alterações, o esquema do Diagnóstico Pluridimensional do Prof. Leme Lopes e do Prof. Alonso Fernandez. MR 02 – Auditório Bolivar Tema: DEPRESSÃO: DA TRADIÇÃO CLÁSSICA AO CONCEITO ATUAL Sub-tema: “Linguagem do Afeto nos Transtornos Depressivos” Relator: Juarez Oliveira Castro (MG)18, Patrícia Vieira Sales (MG)19, César Reis (MG)20, Ana Cristina Côrtes Gama (MG)21 um bilhete na minha porta 22 estou em busca de mim daí que não me encontrem por enquanto até lá o que parece comigo é só a embalagem A depressão é uma das doenças que mais atinge o homem, impedindo-o de viver plenamente. Ela ataca sorrateiramente, quando a pessoa percebe, ela está inválida, só que de uma forma interna. A depressão não aparece em exames de
Professor Associado Doutor - Departamento de Saúde Mental da Faculdade de Medicina da UFMG. jcastro@medicina.ufmg.br 19 Fonoaudióloga, Mestre - Laboratório de Fonética da Faculdade de Letras da UFMG. 20 Professor Doutor - Coordenador do Laboratório de Fonética da Faculdade de Letras da UFMG. 21 Professora Doutora - Chefe do Departamento de Fonoaudiologia da Faculdade de Medicina da UFMG. 22 Entre a guerra e o muro - Hans-Curt Flemming - Trad. Rui Rothe-Neves & Georg Wink -Tessitura – Belo Horizonte -2006- pag. 82.
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laboratório, não tem sinais chamados patognomônicos. As pessoas relatam que preferiam ter um câncer ou uma perna ou braço quebrado, porque aí todos veriam e ela se sentiria legitimada no seu sofrimento. Se ela aparece de uma forma tão discreta, que sinais e sintomas, ou melhor, qual é a linguagem que a depressão utiliza para se manifestar? Como podemos perceber que estamos diante de uma pessoa que está doente, triste, a vida parou, não tem mais alegrias, já chorou tudo que podia e, talvez considere a possibilidade de sua morte para não fazer sofrer os demais? Esta forma de expressar não é uma ameaça, é uma sofrida consciência que a pessoa deprimida chega após rever sua vida e verificar que ela é um ser sem futuro, suas possibilidades de resistir estão restritas ou nulas. Não é um mero estar triste frente à presença de um evento adverso, a perda de um ente querido, do emprego ou estar vivendo em condições sociais absolutamente estressantes. È algo mais duradouro, onde a forma que a pessoa vivia desaparece, ela não sabe mais qual vai ser seu destino, a propósito, ela tem medo do porvir. Ele é vivido com muita apreensão, ela reflete muito sobre pequenos eventos como se estivesse ruminando. Talvez já tenhamos aí uma das alterações cognitivas que a impedem de encontrar um caminho entre as diversas possibilidades que aparecem como mais um peso a suportar. A comunicação entre os seres humanos está repleta de conotações afetivas que podem estar declaradas ou ocultas na emissão da voz, fenômeno este muito estudado, e que interfere no contato entre os indivíduos e no estudo clínico da fala. As emoções subjacentes a esta fala podem ser conscientes ou estarem reprimidas de tal maneira que o indivíduo não consegue correlacionar suas dificuldades com a voz e a fala com fatores afetivos. A pessoa pode apresentar a parte física de sua estrutura vocal em perfeitas condições, mas sua fala sai modificada como se houvesse uma lesão orgânica. Em outros momentos sua fala está alterada como defesa a um estresse, defesa esta que causa um transtorno na sua comunicação com os demais. Os aspectos afetivos podem representar a estrutura de fundo que está comprometida na emissão dos conteúdos e, sofrem uma profunda influência do contexto social em que um determinado indivíduo está vivendo. Em determinados momentos temos dificuldade em correlacionar a voz do indivíduo com sua estrutura orgânica. Mais ainda, correlacionar sua voz com sua fala. A dinâmica desta voz, desta fala, tem fundamentações psicopatológicas representadas por processos cognitivos e estes por sua estrutura emocional atual. Os transtornos depressivos, ansiosos, psicóticos e neurológicos modificam a capacidade de expressão deste indivíduo, prejudicando sua estrutura de relação com as demais pessoas de sua comunidade. Esta dificuldade necessita uma correta avaliação e um estudo multi- e transdisciplinar, permitindo assim uma melhor compreensão e abordagem dos pacientes que apresentam dificuldades emocionais e alterações da voz e da fala.

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a sua caracterização pode ajudar. no conjunto. ou seja. Crystal (1969) define a prosódia como efeitos vocais constituídos por variações ao longo dos parâmetros de altura. e muito. de desespero e de lamentações. pode alterar todo o processo comunicativo. sendo um complexo processo interativo. caracterizada pelo humor depressivo e pela anedonia (falta de prazer em atividades que antes estimulavam o indivíduo). com isso. A redução global de todas as forças que orientam o campo da consciência constitui um tipo de paralisia psíquica. um estado de tristeza profunda. tais como: ambientais.br/jornada_sudeste . que invade mais ou menos todo o campo da sua consciência. Darby et al (1984) afirmaram que o uso de antidepressivos melhora significativamente a voz e a fala de pacientes deprimidos. inúmeros efeitos colaterais. Neste trabalho. Garcia-Toro (2000) diz que. de desgosto. ansiedade e sonolência diurna. duração e pausa. Complementando. social e profissional. ela incorpora suas vivências. O termo depressão pode referir-se a um sintoma. sua história. A presença de fadiga ou perda de energia e a agitação ou retardo psicomotor estão quase sempre presentes. manifestando-se em frases raras e muitas vezes monossilábicas. A inibição psíquica é o sintoma mais freqüente. observamos que o sistema nervoso simpático encontra-se excitado. É através dos aspectos prosódicos que o interlocutor recebe e compreende a intenção de comunicação e a atitude do falante. intensidade. Assim. descrita como uma dor emocionalmente agonizante. 1989). depressão é uma doença psiquiátrica. o que pode mudar significativamente o padrão de fala do paciente. a fluoxetina e uma dosagem fixa de 20 mg/dia. A depressão é uma doença que causa comprometimento do funcionamento interpessoal. pois.A fala representa um passo importante na evolução do homem e.psiquiatriamg. As bases biológicas da depressão têm sido descritas. 72 www. assim como os fatores que influenciam no adoecimento psíquico. de aborrecimento. estando a linguagem bloqueada por essa inibição. A depressão não pode ser explicada por simples diminuições das funções biológicas. traumáticos e de personalidade. em que o paciente apresenta capacidade diminuída de concentração e esquecimento. tais como agitação.org. sempre. O doente sente. Segundo Kaplan e Sadock (1997) muitos pacientes apresentam redução na velocidade e volume da fala. apresentando. acústicos e perceptivos. que é feito de sentimentos fortes e vagos. como os distúrbios psicomotores afetam a articulação. Tem dificuldade para exprimir todo o seu sofrimento moral. enquanto que o parassimpático está inibido (Henry Ey et al. a detectar o quadro depressivo. seu presente. neste processo. nela está representada a nossa vida. verifica-se que qualquer situação que modifique a prosódia. Foi padronizado um antidepressivo. A comunicação oral envolve aspectos articulatórios (musculares). genéticos. o tratamento de referência foi o farmacológico. Ele se dá à base de antidepressivos que agem de forma distinta no sistema nervoso central. a uma síndrome e também a uma entidade nosológica. de desencorajamento.

Na realização da análise estatística os dados foram cruzados nos tempos zero e trinta. Alpert (2001) afirmou que a avaliação da prosódia pode constituir-se em importante elemento de análise do tratamento da depressão. duração e ritmo da fala. (3) O GD teria uma diminuição da velocidade de fala. Avaliamos a fala do indivíduo deprimido via parâmetros de freqüência fundamental e intensidade. através da análise dos seus aspectos prosódicos. De acordo com o que foi apresentado.org. Pesquisamos dois grupos de indivíduos: grupo deprimido (GD) e grupo controle (GC) que foram pareados em idade. intensidade. encontrando variações na freqüência fundamental que poderiam ser correlacionadas com o estado do paciente. caracterizamos os aspectos prosódicos e. psiquiatras e psicólogos envolvidos com pacientes deprimidos. Tendo em vista a alteração de humor e a diminuição das atividades globais. foi proposta a realização de uma pesquisa onde o projeto tinha como objetivo estudar o impacto dos sintomas da depressão na comunicação oral do paciente. haveria uma redução da intensidade. da região metalúrgica foi decidida em função de evitar variações regionais da prosódia e deste grupo ter uma voz mais definida e pelo fato do cigarro ser um fator predisponente de alteração da qualidade vocal. (2) O GD apresentaria um abaixamento da freqüência fundamental usual. velocidade de fala e “tempo da resposta” e. o deslocamento da sílaba tônica proeminente como um aspecto estrutural do estudo prosódico. A avaliação prosódica feita através e uma análise instrumental auxilia de modo objetivo na abordagem dos dados de forma científica.psiquiatriamg. a nova nuance da fala assumida pelo indivíduo. ajudando no trabalho de lingüistas. utilizamos o programa WinPitch. Nilsonne et al (1988) analisaram sete parâmetros diferentes de voz. acreditamos que a depressão altera os aspectos prosódicos da fala do indivíduo.92. da freqüência fundamental e um aumento da duração das sílabas tônicas. A escolha de uma população feminina. fonoaudiólogos.Nilsonne (1987) analisou variações da fala de pacientes deprimidos durante a depressão e depois da melhora do quadro. e que a caracterização sistemática destes aspectos poderia ajudar a definir melhor o quadro e sua severidade. Para análise deste corpus. A prosódia dos indivíduos deprimidos do sexo feminino foi analisada no momento do diagnóstico e após trinta dias de tratamento antidepressivo. A prosódia é considerada como a variação na altura. A prosódia Após o levantamento destes dados. tom. No T0 73 www. Os seguintes resultados foram encontrados para o GD x GC. em um esforço de desenvolver parâmetros acústicos vocais para pacientes deprimidos. não fumante. todos envolvendo a freqüência fundamental. a organização temporal da fala das pacientes via parâmetros de duração. versão 1. Utilizamos as seguintes hipóteses: (1) tempo que o grupo GD gasta para iniciar um proferimento comparado com o grupo GC. assim como avaliar o andamento do tratamento.br/jornada_sudeste .

Psiquiatria Clínica. Para o GD x GC no T30. Prosody impairment in depression measured through acoustic analysis. Garcia-Toro M. Nilsonne A. Am. J Affect Disord. 74 www. a variação melódica foi maior para este grupo. 77 (3): 253-63. este estudo constituiu mais um instrumento que permite reconhecer as diversas alterações da fala que ocorrem na expressão do afeto.o GC responde mais rapidamente que o GD. Talavera JA. Saiz-Ruiz J. Os indivíduos deprimidos demoram mais para iniciar o proferimento. permitindo uma discussão do agir humano face às emoções e sua influência na fala do sujeito. Berger PA Speech and voice parameters of depression: a pilot study. Em conclusão.I.. Bernard.org. P. Nilsonne A. os intervalos melódicos ocorreram em freqüências mais baixas no T0. a duração e o número de sílabas por segundo foram maiores no GD. Scand. 1987 Sep. Prosodic systems and intonation in english. Sundberg J. J Acoust. Na análise do GD no T0 e no T30. 1997. J. Acta Psychiatr. Ch. Houve uma maior variação da taxa de subida melódica para o GC. J. Darby JK.br/jornada_sudeste .psiquiatriamg. 1988 Mar. Ment. Ternström S. Sadock. houve um aumento da taxa de variação melódica no GD. Silva RR Reflections of depression in acoustic measures of the patient's speech. Brisset.66(1):59-69. Compêndio de Psiquiatria.J. 1969. Neste contexto tem sido possível uma melhor compreensão da influência da cultura e do momento histórico na linguagem cotidiana. Gonzalez A.. Nilssone A. 6e édition. Disord. Ciências Comportamentais. o GD respondeu mais rapidamente. Nerv. Porto Alegre: Artes Médicas. Pouget ER. Ey H. Manuel de Psychiatrie. a dinâmica das disfonias emocionais. a tessitura continuou maior no GC. Os valores de fo foram mais baixos. apresentaram uma diminuição da tessitura e da velocidade de fala. 1988 Feb. 7 ed. Measuring the rate of change of voice fundamental frequency in fluent speech during mental depression. Speech characteristics as indicators of depressive illness. Simmons N. The Cambridge University. 2000 Dec. Acoustic analysis of speech variables during depression and after improvement. H.. 2001 Sep. Acta Psychiatr. B. Dis. Scand. Grebb J.76(3):235-45.1989.17(2):75-85. Crystal. Soc. D. Kaplan. 1984 Apr. 188 (12): 824-9. O processo da fala frente ao estresse e suas repercussões sociais.. Bibliografia Alpert M.. Paris: Masson. O GC possui valores maiores de intensidade de fala e o intervalo melódico ocorre em freqüências mais baixas. Cambridge. Commun. 83 (2): 716-28. Askenfelt A.A.

descrevendo a paranóia em comparação. que Freud demonstra a formação de cada um desses quadros clínicos. sobretudo. do sentido desses sintomas. principalmente. finalmente. colocando em relevo que estes estados patológicos conduzem a algo que não se resolve. Destaca que as diferenças entre a paranóia e as 23 Psiquiatra/Psicanalista. designando-as como neuropsicoses de defesa. Entretanto. tornando possível evitar-se uma exposição do sujeito a uma crise. se restringem ao aspecto descritivo. dectando as errâncias da estrutura mesmo na estabilidade do quadro. e alucinações auditivas. O DSM e a CID colocam estes quadros como diagnósticos diferenciais e há alguns estudos descrevendo esta relação. a partir da descrição de quadro clínico que se caracterizava por uma ansiedade difusa e idéias hipocondríacas. possibilitandolhes a construção de bússolas menos traiçoeiras. permitem um diagnóstico diferencial e a condução do tratamento de forma mais adequada. evoluindo.org. com prejuízo para o Eu. A atenção às referências que a psicanálise nos dá. no Rascunho K. em idéias auto-referenciais e persecutórias.br/jornada_sudeste . descrevendo-os como ‘aberrações patológicas de estados afetivos normais”. Pesquisando na literatura psiquiátrica vemos que há algumas sinalizações sobre a proximidade de determinados quadros de esquizofrenia paranóide e TOC. Freud coloca a Paranóia em série com a neurose obsessiva e histeria.psiquiatriamg. Freud destaca os pontos em comum desses quadros. com a intenção de abordar a origem sexual e traumática das neuroses. que propõe um subtipo de esquizofrenia pseudoneurótica. Esta questão nem sempre é clara na clínica.MR 03 – Sala 05 Tema: SINTOMAS OBSESSIVOS E PSICOSE: DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL E DIREÇÃO DO TRATAMENTO Sub-tema: “Quando falham as defesas” Relator: Gilda Paoliello (MG)23 DE BÚSSOLAS E ERRÂNCIAS “tenho duas bússolas: o sexo e o fraseado” Philippe Sollers Proponho discutir o diagnóstico diferencial entre neurose obsessiva e paranóia. 75 www. não cuidando. como o de Hoch e Polatin (1949). chama-nos a atenção o grande número de casos diagnosticados e conduzidos como neurose obsessiva ou TOC e que em situações cruciais desvelam uma estrutura paranóide. É. estes relatos. considerando a construção da estrutura clínica. ao contrário. com a neurose obsessiva. Secretária SUDESTE ABP. Professora da Residência de Psiquiatria do IPSEMG. Desde o início de suas elaborações. Na Psicanálise encontrei sustentação para a hipótese de que os sintomas obsessivos poderiam ser uma tentativa de manter uma organização defensiva contra um desfecho trágico em uma estrutura paranóica e não uma comorbidade como quer a Psiquiatria atual.

extremamente fragilizado. onde todos são colocados em seu caminho para enlouquecê-lo: o terrorista. excelente profissional da Polícia Civil. emocionado. eu. aos 38 anos tem vida afetiva e sexual literalmente nulas. chega ao Serviço Médico de Urgência em quadro de grande excitação. necessitando ser contida por policiais. mantendo a cadeia de significantes vinculada a mim. O aspecto mais relevante de sua história é que. que sempre o atraíra. A partir daí. queriam eliminá-la “para queima de arquivo”. tendo recebido aos 16 anos. deixando-nos entrever que onde o ser-para-o-sexo não se sustenta surge o serpara-a-morte.br/jornada_sudeste . pois a virada para uma erotomania. o dentista. entremeando com os relatos de sua vida. Nos primeiros encontros ele persiste no medo da contaminação. Seis meses após o último encontro. A partir de três fragmentos clínicos das histórias de João. a acusações a mim e aos outros que cruzaram seu caminho. Não me ouve e inicia série de fax acusando-me e ameaçando-me. por isso mesmo. fala do encontro com um rapaz.demais neuropsicoses de defesa são evidenciadas na maneira como os sintomas se formam e no rumo tomado pela doença. As acusações são entremeadas com o terror despertado pelo encontro. de um psiquiatra a quem chama de terrorista. No final da sessão. seu delírio passa a apresentar uma estrutura de rede. a partir de uma gota de sangue no avental de seu dentista. Atenta a estes riscos. proponho referências para um diagnóstico diferencial cuidadoso. Exaltada. ele me liga pedindo atendimento. do qual qualquer sinal de sensualidade fora substituído por repulsa e medo. Ela pôs toda a Polícia Civil atrás de mim para me matar. Com a bússola das defesas obsessivas quebrada. Por esta proximidade os limites entre neurose obsessivo e paranóia às vezes são muito tênues. Morando a 600km de BH. Peço que venha. a condição para instalar uma possibilidade de trabalho é manter num nível suportável este amor. Percebo que neste fio sempre tênue da transferência. inviabilizaria o tratamento. Maria tenta agredi-la. mas que o caráter específico de um determinado quadro está no modo como se realiza o recalque e na forma como retornam as idéias recalcadas. dizendo-se envenenado pelo remédio. Dizia-se a pessoa mais honesta e a escrivã mais competente do mundo e que. colocando-o em uma errância angustiante. das quais ele fugiu alucinado com a certeza de que fora contaminado pela AIDS. permitindo uma direção para o tratamento. procuro mostrar como os sintomas obsesivos se organizam como defesa em estruturas psicóticos e como esta defesa falha nas situações cruciais. As mensagens se repetem como uma metonímia desenfreada. Ela precisa 76 www. diagnóstico de TOC. pergunta. Apenas um abraço e algumas carícias. “A vida dessa mulher é me perseguir. vejo que o trabalho será possível. Para tentar esvaziar o gozo permaneço calada. tanto quanto o ódio persecutório. o moço que o seduziu. João procura-me atormentado por pensamentos de que está contaminado por AIDS. A crise se desencadeou quando a corregedora chefe a convocou para esclarecimentos de rotina sobre o serviço. na qual pensamentos obsessivos imperam desde muito cedo. Maria. vejo este pedido como tentativa de ancoragem. Após o terceiro encontro liga-me em pânico.org.psiquiatriamg. se pode me dar um abraço. Extenuado. Abordando as diferenças estruturais entre os dois quadros. Maria e José.

Leu no prontuário que a corregedora tem um “TOC” com relação a ela. desvelando novamente a escrupulosidade. Vou ser a Justiceira. com diagnóstico de neurose obsessiva. entretanto. no real. tanto na neurose obsessiva quanto na paranóia. Chegou ao cúmulo de exigir que o marido morasse em casa separada: “ele é um porco”. toma vários banhos. que vai constituir a idéia obsessiva e a compulsão acompanhada de culpa. a experiência de gozo é vivenciada com prazer. seu outlook é invadido por mensagens estranhas e apócrifas. como vemos claramente em Maria ou nas injúrias alucinadas de João. que criou sozinho”. Sente-se duplamente traído. certinho e asseado. Marco sessão para o dia seguinte. colocando o recalque e a forma como retornam as idéias recalcadas como as coordenadas-chave para a escolha da patologia.que seu membro sexual é muito maior e mais grosso que o dele. que o abandonara pela mulher. e disse-lhe uma dura verdade . chega e me diz que tomara uma decisão: iria matar uma pessoa.br/jornada_sudeste . é ela que tem raiva de mim. portanto. que causara a morte da mãe no parto. Ele chega e me diz para ficar tranqüila.org. que vai retornar.psiquiatriamg. em conseqüência da foraclusão. Na neurose obsessiva o sujeito se recrimina quando o prazer é relembrado. exigindo o uso de pantufas. Deu dignidade à namorada drogada e ela o abandona para voltar ao ex. A partir de um encontro com o ex-amigo. O pai apresenta o irmão caçula. Ela é sapatão e quer ficar comigo”. A família conta que Maria sempre gostou de tudo muito organizado. incidindo sobre o sujeito como perseguição. emudece. aquele que a iniciara nas drogas. O telefone de sua casa toca e. Mas vou pôr uma roupa preta e sair à noite para fazer justiça. vinha seguindo-o há vários dias. desistira de matar o rapaz. não havendo também reconhecimento da auto-recriminação. originando a escrupulosidade. “Eu não tenho raiva dela. não há e reconhecimento da lei e. ao ser atendido. não deixa que entrem em sua casa de sapatos. pois conhece todos os seus passos. Intervenho dizendo que ele vinha aqui para pedir minha cumplicidade e eu não seria cúmplice. Em nosso segundo encontro. como um sintoma produtivo. É sempre o Outro o responsável pelas 77 www.morrer. no amor próprio e na ingratidão e é imperativo matar o rapaz para lavar sua honra! Tem já todo o plano traçado. ainda no Rascunho K. então. chega à certeza de que é ele quem o persegue. “como o filho só seu. vejamos como este passos ocorrem na neurose obsessiva e na paranóia. E que fazia a namorada gozar muito melhor que ele! Algum tempo depois sua atenção é deslocada para uma sensação de que está sendo seguido. indicando que o gozo é proibido. Seu melhor amigo se afastou. José me chega encaminhado por seu ex-analista. Limpa a casa várias vezes ao dia. Quando ocorre o retorno do recalcado o afeto de recriminação se desloca para um significante substitutivo. por que ele disse-lhe que sua esposa tentou seduzi-lo. O significante (S1) é então recalcado. Sua vida se resume em uma palavra: preterido. não há a barra do recalque.” Relatório do médico que a acompanha há alguns anos explicita diagnóstico de TOC e depressão. Já se vingara: ligou para ele. Na paranóia. A namorada rompera com ele para voltar com o ex-namorado. Freud nos mostra que. Retomando as diretrizes que Freud nos traça. Lembrando o encontro com o sexo como a origem da neurose.

em João. o paranóico se protege do Outro ou parte para exterminá-lo. como explicita Maria: “sou a pessoa mais honesta e a escrivã mais competente do mundo. iniciando um delírio erotômano. um desejo seu. como ilustra a história de José.org. a provável atração pela corregedora. o paranóico projeta esta recriminação. formando o principal fenômeno da Paranóia.eu não o amo. que desnuda a gramática do ciúme proposta por Freud . característica da neurose. “ela quer me destruir”. o Outro gozador. conceito que Lacan retoma no Caso Aimée e que Antonio Quinet desenvolve (Psicose e Laço Social). além da atração pelo amigo – traidor. a confrontação com a castração. projetado no Outro. Vejamos o que temos em comum nos três casos e quais as diretrizes para o diagnóstico diferencial: 1) Sintomas obsessivos levando a um diagnóstico encobridor de transtorno obsessivo compulsivo.br/jornada_sudeste . nos permitindo entender porque o paranóico se fixa em um significante-mestre que não se desloca na cadeia significante. 2) O encontro com o sexo como o fator desencadeante do surto paranóico. como João e José. em José. é vinculado à idéia que o justifica – “porque ela é sapatão e me deseja”. poderíamos considerar o medo da AIDS uma formação reativa em relação ao desejo homossexual e suas ruminações obsessivas como auto-recriminações por não cumprir a determinação superegóica. também. eu o odeio. Quando ameaçado imaginariamente ou no real. além disso. seja literalmente em uma passagem ao ato. Por isso o paranóico se considera único. Percebemos que a própria idéia delirante é uma tentativa de punição à rejeição a um suposto desejo homossexual da corregedora por ela. do ideal e do gozo. mas que não se manifestam da mesma maneira: na neurose obsessiva esse Outro gozador aparece no sintoma como um imperativo superegóico. ele não se vê perseguido. deixando clara também a ambivalência sexual: em Maria. o rompimento com a namorada e a confrontação com o rival.recriminações e a hostilidade. causando sua desestabilização. principalmente em João e José. à primeira vista. 4) Os casos ilustram. diferentemente do neurótico obsessivo. é o um da lei. vemos que o tema central do delírio de perseguição . como diz Lacan “a paranóia é a identificação do gozo no lugar do Outro”. o que nos faz propor a posição frente ao Outro como 78 www.psiquiatriamg. por isso querem me eliminar”. que é a auto-referência mórbida. transformando-se no alvo da mira de todos. aparece aqui. que é reconhecido pelo sujeito como dele . se desvelando a estrutura psicótica com as ruminações se expondo como verdadeiro delírio de contaminação. No caso de Maria. seja com expurgos. se vê em sofrimento. tanto na paranóia quanto na neurose obsessiva. como Maria. Em João. Já na paranóia o gozador é sempre projetado externamente. 6) Encontramos. como simulacro. propondo ser o mecanismo fundamental da paranóia. 3) A divisão do sujeito. 5) Vemos que. porque ele me persegue. o que Kretschmer chama de mecanismo de retenção. onde o sujeito é o carrasco e a própria vítima de sua recriminação. transformada em objeto persecutório. na verdade.o obsessivo é juiz e réu. ameaça exacerbada pelo desejo sexual. o sintoma é sempre articulado edipianamente. Mas vemos que essas defesas falham.

psiquiatriamg. a fluoxetina. sendo na prática reservada para casos refratários ou especialmente graves. a ziprasidona. que presumimos ser um produto patológico. REFRATARIEDADE E ABORDAGEM DA SUBJETIVIDADE Sub-tema: ”Tratamento farmacológico do TAB: uma revisão crítica” Relator: Elie Cheniaux Júnior São apresentados e discutidos os resultados dos estudos farmacológicos randomizados e controlados com placebo sobre o tratamento do transtorno bipolar.br/jornada_sudeste . para a errância psicótica. 79 www. o aripiprazol e a lamotrigina foram superiores ao placebo. mesmo que precária. quando nos lembra que a formação delirante. seja em seu sintoma seja em seu delírio. a combinação olanzapina / fluoxetina. São apontadas as limitações metodológicas desses estudos. em nível subjetivo. a carbamazepina. Na depressão bipolar. como a exclusão de pacientes mais graves. a olanzapina. Talvez uma bússola. No tratamento de manutenção. MR 04 – Auditório Borges da Costa Tema: TRANSTORNO AFETIVO BIPOLAR: TRATAMENTO PADRÃO. há resultados positivos com o lítio. e vários antipsicóticos atípicos – tais como a olanzapina. a risperidona. o divalproato. No paranóico. no sentido de se reposicionar como sujeito. o ódio pela diferença e a ignorância da divisão subjetiva. o lítio. é. a lamotrigina. Mostraram-se eficazes na mania o lítio. mas esta modalidade terapêutica tem sido sub-investigada. Mas somos menos pessimistas que Sartre. a imipramina. a quetiapina e o divalproato. não podemos perder a chance de. um processo de reconstrução. uma tentativa de restabelecimento. Pensamos que o homem sofre de si mesmo e que é desta paixão que ele deve curar-se.org. as altas taxas de abandono e as baixas proporções de pacientes respondedores. identificamos estas paixões do ser como o amor pelo um. mobiliza-lo e implica-lo. A experiência clínica indica que a eletroconvulsoterapia seria eficaz. na realidade. seguindo a orientação de Freud de ir atrás das relações que o paciente faz com seu delírio. Sartre dizia ser o homem uma paixão inútil. Se o paranóico nos procura. o aripiprazol e a quetiapina.a mais importante diretriz para o diagnóstico diferencial entre paranóia e TOC.

Especialista em Psiquiatria (ABP).psiquiatriamg. alucinações e comportamento desorganizado. Nesta clínica. incapacitante. têm diante de si um desafio: como permitir se possível.diferenças entre ato transgressor ou criador” Relator: Cristina Luce (RJ)24 O diagnóstico psiquiátrico – transtorno de conduta .br/jornada_sudeste .MR 05 – Sala 08 Tema: TRANSTORNOS DE CONDUTA NA INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA Sub-tema: “Transtornos de Conduta . Os sintomas chamados “negativos” 24 Psicanalista (Instituto da SBPRJ). complexa. Desafio existente ao agredir (alguém). Atualmente. como privilegiar ações de protagonismo infanto-juvenil. ao se apossar de objetos (de outras pessoas). O indivíduo que encena este desafio transgressor curiosamente está alienado aos valores dos outros. à escola e à sociedade. quanto na DSM-IV. cerca de 35% dos pacientes têm sintomas positivos resistente à medicação. descreve um padrão de comportamento repetitivo e persistente relativo a agressividade e destrutividade. O que os une? O preponderante desta clínica é o desafio ao outro. 80 www. heterogênea. da criança que é capaz de viver criativamente. Diferencia-se da criança que é capaz de estar só e sentir-se acompanhada. a farmacoterapia é significativamente eficaz apenas para tratar os sintomas chamados “positivos” como delírios. Ainda assim. ao destruir algo (de outrem). Os profissionais de psiquiatria e saúde mental ao atenderem crianças e adolescentes com predomínio de provocações aos pais. MR 06 – Sala 07 Tema: ESQUIZOFRENIA: TRATAMENTO PADRÃO E REFRATARIEDADE Sub-tema: “Os aspectos cognitivos da esquizofrenia e implicações para o tratamento” Relator: João Vinícius Salgado (MG) A esquizofrenia é uma doença mental grave.org. ao invés de confirmarem que seus destinos já estão traçados. pouco compreendida e para a qual ainda não dispomos de tratamento satisfatório. Coordenadora do CARIM (IPUB/UFRJ). a equipe interdisciplinar e a intersetorialidade são imperiosas. um quadro de delinqüência. O projeto terapêutico possível deve abranger desde uma escuta singular a esta criança/adolescente e seus cuidadores. Este diagnóstico descreve vários fenômenos. Um dos possíveis percursos já determinados: a criança com transtorno de conduta se desdobrará em adolescente infrator e/ou usuário de drogas. assim como a apropriação de objetos alheios e transgressões de normas. Seu agir compulsivo não é primariamente para si mesmo.presente tanto na CID-10. ou transgredir normas compartilhadas (por vários) na sociedade. Este agir compulsivo pode permitir ao jovem obter benefícios secundários de monta e a partir da reação da sociedade. uma virada para um viver mais criativo.

Vários neurotransmissores têm sido relacionados às alterações cognitivas observadas na esquizofrenia. exibam padrão de déficit cognitivo distinto de outras doenças. A avaliação cognitiva é importante também no manejo não farmacológico da esquizofrenia. Para 25 Doutor em Psiquiatria-IPUB/UFRJ.br/jornada_sudeste . Os mais pesquisados são a dopamina. sociais. é cada vez mais consensual que o tratamento de pacientes com esquizofrenia deve ir além do controle dos sintomas positivos e incluir terapias psicológicas. A compreensão dos aspectos neurobiológicos do déficit cognitivo na esquizofrenia é importante para o desenvolvimento de novos medicamentos e para a escolha da medicação disponível atualmente mais apropriada para cada paciente. de modo geral. por exemplo. Tem sido demonstrado. Nesse contexto. a acetilcolina e o GABA. havia um consenso de que a esquizofrenia não levaria a um risco maior de comportamento violento do que aquele encontrado na população geral. inclusive. Nos últimos anos. especialmente aqueles com esquizofrenia. MR 06 – Sala 07 Tema: ESQUIZOFRENIA: TRATAMENTO PADRÃO E REFRATARIEDADE Sub-tema: “Comportamento violento na esquizofrenia: clínica e abordagem farmacológica para casos comuns e refratários” Relator: Alexandre Valença (RJ)25 Até o início dos anos 80. É importante lembrar que. embora os portadores de esquizofrenia.psiquiatriamg. em conjunto. que pacientes com menor prejuízo cognitivo apresentam menos sintomas positivos e negativos. Assim. vocacional e à qualidade de vida dos pacientes.org. Professor Adjunto de Psiquiatria da Universidade Federal Fluminense – Niterói-RJ. novas evidências epidemiológicas têm se acumulado nos últimos vinte anos indicando que indivíduos com transtornos mentais graves. a deterioração cognitiva na esquizofrenia tem recebido especial atenção. conhecer os déficits cognitivos de cada paciente e suas implicações para o tratamento farmacológico e não-farmacológico é fundamental. já que os fármacos usados na terapia da esquizofrenia têm efeitos sobre a ação de vários destes neurotransmissores. Especialista em Psiquiatria Forense pela ABP.como apatia e retraimento social. 81 www. pois há evidências de que seja elemento nuclear e persistente da síndrome. apresentam um risco maior (comparados à população geral) de cometer um crime violento. deve variar conforme o perfil cognitivo de cada paciente. que não depende de outros sintomas e que é intimamente relacionado ao desempenho social. a serotonina. Professor do Programa de Pós-Graduação em Psiquiatria e Saúde Mental do IPUB/UFRJ. embora a proporção de violência social atribuível a este risco seja pequena. A escolha das estratégias de reabilitação psicossocial. ocupacionais e cognitivas. Entretanto. não respondem bem aos psicofármacos disponíveis atualmente. o glutamato. e os déficits cognitivos. há variações importantes de paciente a paciente.

que encontrou uma relação positiva entre delírio. sem se preocupar em dissimular. A maior parte destes indivíduos não tinha história de contato com serviços de saúde mental.br/jornada_sudeste .8%. Foram considerados atos violentos: agressão. sendo comparados a igual número de indivíduos na comunidade. sexo e região residencial.psiquiatriamg. medicações de depósito e antipsicóticos atípicos como a clozapina e outros. Casos refratários podem receber uma combinação destes agentes com 82 www. além de não temer relatar o fato. por ser caracterizado principalmente por idéias delirantes de cunho persecutório. Observou-se que os pacientes com esquizofrenia foram significativamente mais condenados por pelo menos um ato violento. indivíduos com esquizofrenia tiveram um risco 3. Um estudo epidemiológico de Link e Stueve encontrou que subgrupos particulares de delírios com características de controle e perseguição aumentavam fortemente o risco de comportamento violento.6 a 6.7%. Em geral. o que motiva o paciente esquizofrênico paranóide a praticar um homicídio é a sensação de que está sendo sistematicamente perseguido. respectivamente). Foi encontrado que os pacientes do grupo violento eram mais influenciados por delírios persecutórios.org.6 vezes maior de ter pelo menos uma condenação por comportamento violento. O tratamento farmacológico da esquizofrenia acompanhada de comportamento violento inclui antipsicóticos clássicos em dosagens otimizadas. sugerindo que este fator tivesse contribuído para a criminalidade. Comparados ao grupo controle. respectivamente). Estes achados foram reforçados pelo estudo de Beck. e por isso tem a convicção de que está agindo em “legítima defesa”.indivíduos com transtornos psicóticos. Este grupo representou 70% das condenações por homicídio no período estudado. um estudo examinou 500 indivíduos que foram condenados por homicídio. enquanto os do grupo não violento eram mais influenciados por delírios de grandeza.2% e 1. O tipo paranóide. pareados por idade. é a forma de esquizofrenia mais propensa a apresentar um quadro clínico associado a periculosidade. dos anos de 1975 a 2000. Na maioria dos casos o indivíduo pratica o crime como se fosse por autodefesa. Na Inglaterra. compararam 31 pacientes esquizofrênicos com outros 31 não violentos. Ao contrário do criminoso não portador de doença mental. Outro estudo examinou os antecedentes criminais de 2861 indivíduos que tiveram uma primeira internação hospitalar devido à esquizofrenia. todos de enfermaria psiquiátrica comum e sem comorbidade com uso de substâncias psicoativas. comparados aos indivíduos da comunidade (8. lesão física séria e homicídio. porém outros diagnósticos não foram especificados. o esquizofrênico costuma permanecer no local do crime. já que não avalia a gravidade dele. Outro achado importante é que os pacientes com problemas de abuso de substâncias tiveram mais condenações por delitos do que aqueles que não utilizavam drogas (68% e 11. em um período de 18 meses. ameaçado. Cheung e col. considera-se que a própria condição psicopatológica seja um fator de risco para comportamento violento. abuso de substância e crime violento. Foi encontrado que 6% destes homicidas apresentavam esquizofrenia e 44% tinham história de qualquer transtorno mental.

Constatou-se elevação de sintomas de transtornos de humor e impulsividade nas portadoras de TDPM quando comparadas ao grupo controle. Costa (MG). 53: 302-308. Student (teste t) foram realizados para avaliar as variáveis categóricas e contínuas respectivamente. Romano-Silva (MG) Resumo: Introdução Transtorno Disfórico Pré Menstrual (TDPM) é constituída por um conjunto de sintomas emocionais. 2. A análise descritiva dos testes de x2. Érico C. Crime and Mentally Disordered Offenders. England: John Wiley & Sons Ltd. Luis A. Revista Brasileira de Psiquiatria 2006. 28 (Supl II): 62-68. de Marco (MG). ácido valpróico). Valadares (MG). cognitivos e físicos que acometem milhares de mulheres. 83 www. em idade reprodutiva. O Objetivo deste estudo foi diagnosticar prospectivamente os quadros de TDPM (CID 10 e DSM IV). Jornal Brasileiro de Psiquiatria 2004. Sugestões para leitura 1. Marco A. nesta população feminina.psiquiatriamg. MECLER K. ocupacional e sexual dessas mulheres.estabilizadores do humor (lítio. MR 07 – Sala 06 Tema: CUIDADOS ESPECIAIS EM TERAPÊUTICA PSIQUIÁTRICA: A SAÚDE MENTAL DA MULHER Sub-tema: “Transtorno disfórico pré-menstrual em mulheres belohorizontinas” Relator: Gislene C. VALENÇA AM. Resultados. VALENÇA AM. Relação entre Homicídio e Transtornos Mentais.morbidades. Débora M. Periculosidade e Responsabilidade Penal na Esquizofrenia. agentes betabloqueadores. Método: As pacientes com sintomas de TDPM foram triadas e avaliadas por profissionais treinados para avaliação diagnostica e aplicação de questionários e escalas. É importante a associação destes psicofármacos com intervenções psicossociais. Miranda (MG). 3. Wolfanga L. BARRETO BA. e acompanhadas em psicoterapia de grupo cognitiva comportamental durante dois a três meses quando foram orientadas a preencher diário de sintomas. quando os grupos caso e controle foram comparados. HOGINS S. Boson (MG). Humberto Correa (MG). MULLER-ISBERNER R.org. Violence. além de eletroconvulsoterapia. benzodiazepínicos e Inibidores Seletivos de Recaptura de Serotonina. em diversas culturas. carbamazepina.br/jornada_sudeste . Estes sintomas interferem de maneira significativa no funcionamento social. JOZEF F. MORAES TM. descrever e classificar estes quadros de acordo com sua gravidade e co. 2004.

Objetivos Este estudo teve por objetivo avaliar 1) a prevalência e o perfil da violência doméstica entre casais e a sua associação a agravos à saúde física e mental. Silvia Da Matta (ES). MR 07 – Sala 06 Tema: CUIDADOS ESPECIAIS EM TERAPÊUTICA PSIQUIÁTRICA: A SAÚDE MENTAL DA MULHER Sub-tema: “Violência doméstica em mulheres de baixa renda internadas na Santa Casa de Misericórdia de Vitória: prevalência. mulheres. Prevenção e Controle.Psiquiatria Clínica.Conclusão: A compreensão e tratamento do TDPM devem priorizar a correlação entre neurotransmissão e hormônios gonadais. Materiais e Métodos Pacientes do sexo feminino internadas em enfermarias da Santa Casa de Misericórdia de Vitória foram selecionadas aleatoriamente e avaliadas durante o período de Agosto de 2006 a Agosto/2007. mulheres que foram fisicamente agredidas ou sexualmente molestadas na infância apresentam maior risco de revitimização na vida adulta (Coid e cols 2001). caracterização e associação com agravos à saúde física e mental” Relator: Maria Carmem Viana (ES)26. Henriques (ES). como mostra-se associada a taxas mais elevadas de agravos à saúde física. sobretudo.org. Almeida (ES). Ciclo Menstrual.psiquiatriamg. Foram excluídas pacientes apresentando quadros cérebro-orgânicos. com sérias e graves conseqüências não só para o pleno e integral desenvolvimento pessoal. Classificação. bem como as experiências existenciais das pacientes. Bruno Lorentz (ES).br/jornada_sudeste . Farmacoterapia. em mulheres de baixa renda internadas na Santa Casa de Misericórdia de Vitória. André E. Vieira (ES) Introdução A violência doméstica ocorre dentro do âmbito familiar. Tainá C. Psicoterapia. com déficits cognitivos ou 26 MD. Henriques (ES). Raquel Altoé (ES). 84 www. PhD . Além disso. incluindo o uso de álcool e outras drogas. 2) avaliar a ocorrência de re-vitimização na idade adulta associada à exposição infantil a experiências traumáticas. Thaís E. Raphael Doyle Maia (ES). Gustavo M. idosos e. Palavras-chave: Transtorno Disfórico Pré Menstrual. e com história pregressa de exposição a experiências traumáticas e/ou violentas na infância e adolescência. adolescentes. impactando a vida e saúde de milhares de crianças. Diagnóstico. mental e reprodutiva.

222. deficiência e incapacitação.000).002). Escala de Conflitos Domésticos. p=0. ainda. agressão verbal e física entre casais é freqüente e suas configurações são variadas e identificou correlações significativas entre estas e agravos à saúde física e mental e o uso de álcool e outras drogas na idade adulta. incluídos em um programa de palmtop. Todas as pacientes selecionadas foram entrevistadas por alunos de iniciação científica.149. Identificou. p=0. uso e dependência de álcool (rho 0.mcviana@intervip.3% casadas. além de informações demográficas e clínicas colhidas no prontuário médico. Conclusões Esse estudo demonstrou que a ocorrência de situações de conflito.9% alfabetizadas. 60. Foi.205. avaliada a distribuição e freqüência da natureza dos conflitos e agressões praticadas entre os cônjuges e das experiências adversas ou traumáticas ocorridas na infânciae o perfil clínico dos agravos à saúde apresentados na idade adulta.3).173. depressão (rho 0. avaliação do funcionamento. p=0. identificando um perfil de re-vitimização na idade adulta associada à exposição na infância. Foi conduzida análise descritiva padrão (distribuição de freqüências para variáveis qualitativas e médias e desvios-padrão para variáveis quantitativas) e testes de correlação não-paramétricos (rho de Spearman). p=0.br/jornada_sudeste . transtornos de ansiedade (rho 0.3 anos (DP 16. Inventário de Depressão e de Ansiedade de Beck. Resultados Foram entrevistadas 434 pacientes.42.003).rebaixamento do nível de consciência.213. p=0. 88.org. Além disso. ainda.com.000) e de história pregressa de exposição a experiências traumáticas e/ou violentas na infância (rho 0. traumáticas e ou violentas na infância e de violência doméstica na família de origem. p=0.psiquiatriamg.002). A ocorrência de conflitos e violência doméstica mostrou-se positivamente associada à ocorrência de transtornos mentais (rho 0. a importância destas enquanto fator marcador de exposição a situações adversas. Auxílio Financeiro Fundação de Apoio à Ciência e Tecnologia do Espírito Santo (FAPES) Processo 32956347/06 .000). ou que estivessem muito debilitadas. usando instrumentos de avaliação padronizados. Foram utilizados instrumentos padronizados: módulos diagnósticos componentes do Composite International Diagnostic Interview da OMS (doenças crônicas. transtorno de estresse pós-traumático). Self Report Questionnaire para avaliação de sintomas inespecíficos. também mostrou-se associada a histórico de conflito e violência doméstica entre os pais ocorrida na infância (rho 0. uso de álcool e outras substâncias psicoativas. com idade média de 43.br 85 www.

diagnóstico e apoio á mulheres na gravidez. a Depressão Pós-Parto ou Depressão Pós-Natal. a mulher pode ficar deprimida por um ano e as Interações maternas podem se tornar patogênicas.SMS . Membro da Comissão Nacional de Direitos Humanos do Conselho Federal de Psicologia. Isto pode determinar alterações no desenvolvimento emocional e cognitivo das crianças a curto e médio prazo. paipj@tjmg. começa na gravidez.br/jornada_sudeste . Diante desses dados é evidente a necessidade de criar programas e estratégias de atenção precoce que envolva acolhimento.org. se não tratadas adequadamente. O “Mito da Maternidade Feliz” perpetuado pela mídia e pela sociedade impede que a mulher busque ajuda e dificulta o diagnóstico.psiquiatriamg. MR 08 – Teatro Oromar Moreira Tema: VIOLÊNCIA E HOMICÍDIO Sub-tema: “Violência e homicídio na clinica da psicose” Relator:– Fernanda Otoni de Barros (MG)28 O presente trabalho relata a experiência do Programa de Atenção integral ao paciente judiciário portador de sofrimento mental infrator (PAI-PJ).br. vão além do primeiro ano de vida e podem ser classificadas em moderadas á graves.gov. Coordenadora Clínica do PAI-PJ do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. e a Depressão Pós-Natal propriamente dita. É preciso fazer um diagnóstico precoce e instituir uma terapêutica eficaz para prevenir complicações. Psiquiatra do Hospital Maternidade Oswaldo Nazareth . Professora e Coordenadora da Pós-Graduaçao em Criminologia da PUC-Minas.RJ. Vale lembrar que também representa um período de vulnerabilidade para o aparecimento dos transtornos mentais. alternativa ao manicômio judiciário e metodologia capaz de substituir a prática secular de privação de liberdade dos portadores de sofrimento mental que através de uma 27 28 Mestre em Psiquiatria – UFRJ. A Depressão Pós-Natal é mais grave e preenche os critérios diagnósticos para Depressão Maior.MR 07 – Sala 06 Tema: CUIDADOS ESPECIAIS EM TERAPÊUTICA PSIQUIÁTRICA: A SAÚDE MENTAL DA MULHER Sub-tema: “Depressão e puerpério” Relator: Virgínia Loretto (RJ)27 O nascimento de um filho representa para a maioria das mulheres um momento de alegria e de felicidade. As conseqüências da depressão nas interações mãe/filho e no seu desenvolvimento. Quando necessária deve ser feita uma intervenção na relação mãe/bebê. de resolução espontânea. no pós-parto imediato e no primeiro ano de vida de seu filho.AMP. em particular da depressão. do DSM IV e da CID X. Na ausência de diagnóstico e de um tratamento. A maior parte dos quadros de Depressão Pós-Natal. Psicanalista membro da Escola Brasileira de Psicanálise . Para fazer o diagnóstico é importante distinguir entre a Disforia do Pós-parto (“Baby Blues”). com inicio nos primeiros dias após o parto. que é um quadro benigno. 86 www. telefone: 031-3295-5692.Tem efeitos devastadores nas mães mas também tem um impacto negativo no bebê.

de Psiquiatria da Universidade Gama Filho Chefe de Clínica do Serviço de Psiquiatria da Santa Casa da Misericórdia do Rio de Janeiro. na especificidade do ato homicida cometido pelo doente mental. alterações da imagem corporal. a excessiva preocupação com peso. ainda distúrbio da imagem corporal e negação do emagrecimento. MR 08 – Teatro Oromar Moreira Tema: VIOLÊNCIA E HOMICÍDIO Sub-tema: “Homicídio em Psiquiatria” Relator: Alan de Freitas Passos (MG) As relações entre homicídio. tem uma prevalência entre 0. A pessoa com Anorexia se caracteriza pela resistência em manter o peso do corpo dentro dos padrões normais para idade e altura. segundo. ao considerar na prática que a experiência da loucura é um lugar onde a capacidade e a responsabilidade se apresentam.psiquiatriamg. tem alta morbidade e mortalidade. prática feita por muitos. homicidios – os designados loucos infratores.passagem ao ato. O PAI-PJ demonstra a importância do laço social e da referência aos direitos humanos.5 a 1% da população. calorias e dietas. rituais 29 Presidente da Associação Psiquiátrica do Estado do Rio de Janeiro-APERJ Profa. A anorexia se inicia na adolescência. recusa de comer determinados alimentos e restrições severas a certos grupos alimentares ( carboidratos por exemplo). ao ampliar os recursos. como por exemplo. O que se tem podido colher dessa subversão é o desenho de laços sociais razoáveis. mostram que lá onde a ciência previu o monstro louco e perigoso pode-se encontrar. Os sinais de alarme para o transtorno são o emagrecimento acentuado. e.br/jornada_sudeste . numa perspectiva de rede por uma política de solidariedade que subverte a noção de periculosidade que sempre esteve indexada a estes casos. como condição de cidadania e sociabilidade.org. violência e psiquiatria serão abordadas. em alguns casos amenorréia. com base na literatura e na experiência do relator em duas décadas de exercício da perícia psiquiátrica criminal. MR 09 – Sala 02 Tema: TRANSTORNOS ALIMENTARES Sub-tema: “Anorexia nervosa” Relator: Fátima Vasconcellos (RJ)29 É um transtorno alimentar que ataca a mente e o corpo. medo intenso ganhar peso e de ficar gorda mesmo estando abaixo do peso. cometeram crimes ou delitos violentos. inéditos e plurais que. negação da fome. Existe uma recusa em se alimentar mesmo na presença da fome. de modo razoável. um sujeito capaz de responder por sua posição. primeiro. 87 www. de forma genérica e conceitual. tanto sob o aspecto quantitativo quanto qualitativo. Segue orientação intersetorial. antimanicomial. ansiedade em ganhar peso ou ficar gorda.

do Nutricionista. surpreendem-se com a crescente demanda de pacientes de diferentes classes sociais e de uma ampla faixa etária. e tratamento de pacientes anoréticas. cansaço. osteoporose. pressão arterial. Seu tratamento é complexo exige uma abordagem do Psiquiatra.psiquiatriamg. Psicanalista. Especialista em Psiquiatria da Infância e Adolescência. Psiquiatria do NIAB . fraqueza muscular. não completamente esclarecida do ponto de vista etiológico e nosológico e pela ausência de propostas terapêuticas bem consolidadas. As práticas clínicas e psiquiátricas detêm “um saber” sobre a Anorexia e a Bulimia. mas.para se alimentar comer numa determinada ordem. que os consideram transtornos alimentares. psiquiátricos. dentro do espaço hospitalar e no ambulatório o que exige uma equipe multiprofissional muito coesa. ficar re-arrumando a comida no prato e não comer. por sua natureza sindrômica. à despeito da fome. Há critérios para o diagnóstico de Anorexia e de Bulimia nas classificações psiquiátricas (CID-10 e DSM-IV). 30 Psiquiatra. Essa crescente demanda tornou necessária e atual a discussão a respeito das estratégias de tratamento desses pacientes. isolamento dos amigos e de atividades coletivas eventualmente purgação. do Clinico Geral. Mestre em Ciências da Saúde pela Faculdade de Medicina da UFMG. mostram-se pouco eficientes para a condução dos casos graves. separadamente. que prestam assistência a pacientes com Anorexia e Bulimia. É um dos mais graves transtornos na psiquiatria tendo elevada taxa de morbidade e mortalidade.Núcleo de Investigação em Anorexia e Bulimia do HC-UFMG. A anorexia envolve desnutrição provocada pela recusa em se alimentar. portanto. do Psicólogo. públicos e privados.org. Abordaremos. abordagem individual e da família. Os serviços de saúde brasileiros. A escuta do sujeito com esses quadros ensina que a subjetividade insiste e escapa à proposta terapêutica normativa. independente de tempo. doença. 88 www. prática vigorosa de exercícios físicos. MR 09 – Sala 02 Tema: TRANSTORNOS ALIMENTARES Sub-tema: “Anorexia e bulimia nervosa: casos graves” Relator: Ana Raquel Corrêa e Silva (MG)30 A clínica da Anorexia Nervosa e da Bulimia Nervosa instiga a reflexão sobre a prática clínica e sobre as articulações teóricas que a sustentam.br/jornada_sudeste . Muitas vezes necessita de internação pelas graves conseqüências clínicas da desnutrição podendo levar ao óbito. ferimentos. atualmente diversas e controversas. a Anorexia e a Bulimia ainda representam um desafio aos profissionais de saúde. desidratação grave entre outros. temperatura corporal. as questões ligadas ao diagnóstico. Leva a conseqüências físicas como: diminuição do batimento cardíaco. Apesar dos avanços sobre o tema nas últimas décadas nos estudos clínicos. psicológicos e psicanalíticos.

sintomas contemporâneos. Segundo Viganò (1999). Deste modo.porém tal classificação pouco auxilia na condução dos casos. não ter sentido e nem ser mensagem para decifração. ou reeducá-lo. É na articulação entre a clínica e a teoria que a direção do tratamento aparece e a transmissão ocorre. ou seja. a Anorexia e a Bulimia. aí neste ponto. com altas taxas de morbidade (incluindo a cronificação) e mortalidade. desconhecendo-se a sua função no caso clínico. as classificações facilitam a identificação e a aderência dos próprios pacientes aos diagnósticos nosológicos e simplificam e ampliam a indicação e o uso de psicofármacos. risco de auto-extermínio. com critérios gerais. Após a classificação como transtornos. ditado pelo estatuto do Outro para o sujeito. O furor curandis pode ter como conseqüência o desencadeamento de uma psicose até então compensada pela Anorexia ou Bulimia. sem possibilitar uma escuta sobre o seu sofrimento e excluindo o saber do paciente sobre o seu mal. para que possa surgir alguma possibilidade de intervenção 89 www. Inseridos na atualidade. exige apreensão do que há de mais singular em cada caso.psiquiatriamg. empobrecimento simbólico e rígida identificação com o sintoma. mas isso não quer dizer que não tenham função. A clínica da Anorexia e Bulimia é marcada pela gravidade e mostra que essa compreensão universal e fenomenológica das classificações e o conseqüente uso de fármacos são insuficientes para a assistência a estes pacientes. São freqüentes as atuações. pode-se estruturar um sintoma neurótico ou aparecer sinais de uma psicose”.br/jornada_sudeste . A prática do diagnóstico médico. uma condução terapêutica normativa é indicada. Pensar na função deste sintoma para cada sujeito é o eixo ético de orientação da clínica da Anorexia e Bulimia.org. possibilita uma nomeação. pode ser desastrosa. em sua ‘Conferência sobre Bulimia e Anorexia’: “Não é possível tratar a Anorexia e a Bulimia somente no plano alimentar. o sintoma em sua articulação entre o desejo e o gozo. à revelia do sujeito. a condução dos casos. proposta pelas classificações. parecem não querer dizer nada. Quando a Anorexia e a Bulimia perdem a capacidade de defesa do sujeito do gozo. A construção do caso clínico provoca o avanço da teoria. A remoção do sintoma. A sintomatologia anoréxico-bulímica é transestrutural e tem em cada estrutura um estatuto diferente. defensivos. estimulando a interlocução dos diversos profissionais envolvidos. Por ser uma defesa do sujeito. passagens ao ato. E para pensar a função desses sintomas para cada sujeito é imprescindível o diagnóstico estrutural. porque não são comportamentos subjetivados. instigadas pelo detalhe clínico que escapa ao saber constituído. Conseqüentemente. psicose e perversão) e não sobre o fenômeno que se orienta a clínica. A conseqüência da prática desvinculada do sujeito pode ser vista nos dados estatísticos de insucesso terapêutico. mas automáticos. É preciso esperar o sujeito que está atrás deste distúrbio alimentar. É sobre a estrutura subjetiva (neurose. tentando remover o sintoma. o médico não deve fazer uma intervenção muito forte. sobretudo dos casos graves. mas não acrescenta sobre a singularidade do caso. A escuta do sujeito anoréxico-bulímico ensina que a subjetividade insiste e escapa à homogeneidade fenomenológica e à proposta terapêutica normativa.

aponta para a singularidade do sujeito e reorienta a clínica. Empuxo para a morte. o sujeito tem acesso precário ao simbólico e permanece colado ao Outro. que produz um curto-circuito no real e adquire as formas de ato violento e a cadaverização progressiva do sujeito. a obsessão monótona da comida e pelo peso. que assume forma de um ato violento e a cadaverização progressiva do sujeito. 90 www. ou seja. produz um apagamento do sentimento de vida. verificado por duas formas distintas: o empuxo suicida. E o rechaço como um modo radical do sujeito para se separar do outro de maneira absoluta e irreversível (passagem ao ato). com risco real de morte. Rechaço do Outro. E. o empobrecimento da palavra. desafiando a equipe e exigindo esforços e inovações terapêuticos. na qual a extinção progressiva da vida. a cola do sujeito ao objeto assume mais que as formas clássicas do delírio de culpabilidade e de auto-acusação. Nas duas formas o sujeito tem acesso precário ao simbólico.psiquiatriamg. Segundo Recalcati (2003): “Na Anorexia e Bulimia melancólica.org.) A identificação idealizante à Anorexia pode funcionar como compensação ao buraco aberto no sujeito pela forclusão do Nome-do-pai. mas dos impasses durante o tratamento. O empuxo suicida. a ausência de subjetivação do sentido (. a desvitalização. os impasses observados nos casos graves foram identificados como: 1. Segundo Recalcati (2003): “Nas Anorexias psicóticas é importante explorar a relação possível entre o desencadeamento da psicose e da Anorexia. numa mortificação progressiva do sujeito. Os “casos graves” são aqueles quadros que põem em xeque o tratamento.” O deslocamento do quadro clínico ao caso clínico. o caso da regra”. casos que põem em jogo as condições de sua tratabilidade. não de encaixar o caso a regra. quando a recusa alimentar vale de apelo ao Outro (pseudo-separação) e não como uma pura exclusão do Outro.” 2. Trata-se.br/jornada_sudeste . o empuxo para a morte pode assumir duas formas distintas. a anulação semântica do discurso. a identificação com o corpo magro. antes mesmo do corpo. Às vezes. Citando Miller (2005): “Chamamos sujeito ao efeito que desloca o indivíduo da espécie. desvela uma série de vivências psíquicas que.. Daí o risco da remoção do sintoma.eficaz. Nas duas formas. através da escuta e da construção do caso clínico. Assume o aspecto fechado. Na Anorexia e Bulimia. desconhecendo-se a sua função no caso clínico. Existe uma variedade de soluções possíveis: pode ocorrer que a Anorexia seja uma resposta transitória do sujeito que tem risco de um desencadeamento psicótico ou um modo para suturar de forma compensatória uma psicose já desencadeada. Cada caso deve ser considerado único na sua condução. também verificado em duas formas distintas: o rechaço como uma modalidade de relação com o Outro. A observação e o estudo dos casos clínicos de maior gravidade com base na literatura psiquiátrica e psicanalítica apontam que a gravidade do caso não depende apenas da estrutura do sujeito. a Anorexia impede absolutamente o desencadeamento psicótico ao estruturar uma identidade imaginária do sujeito. mas de verificar o que se aplica ao caso. o particular do universal..

Madrid: Editorial Síntesis. 91 www.A. El Ruiseñor de Lacan. sem contenção de uma borda simbólica. Buenos Aires: Paidós.org. 4. 1999. J. Uma identificação não-edípica.br/jornada_sudeste . dependencias. Buenos Aires: Del Cifrado. A redução do sintoma não é o objetivo inicial e configura-se como efeito da retomada da subjetividade. inclusive nos casos onde o diagnóstico estrutural se orienta para a neurose. 2004. Apresenta-se como caso intratável. o caso grave caracteriza uma dimensão clínica mais ampla que implica uma disjunção fundamental entre o campo simbólico e o real de gozo. RECALCATI. É o que pode assumir as formas típicas do empuxo bulímico para a devoração. M. leva a uma especularidade imaginária e impede a separação do outro e vice-versa. M. O amor-ódio que caracteriza a simbiose mortífera da relação mãe-filha marca a vida afetiva de muitas mulheres com Anorexia. mas constituída como cola entre o sujeito e o Outro materno. Clínica del vacío. Devido a uma holófrase funcional ou estrutural. 2003.3. RECALCATI. Anorexias. Conferência sobre Anorexia e Bulimia. In: Millar JA (ed). o desgoverno pulsional grave pode ser encontrado. A compreensão psicanalítica da Anorexia e Bulimia como sintomas em respostas a conflitos psíquicos cria novas possibilidades na direção da cura. A simbiose mortífera resultando em uma relação transferencial difícil. Referências Bibliográficas MILLER. não constituída sob o Outro paterno. Uma forma contemporânea que a pulsão de morte tem assumido: o sujeito não quer se curar.psiquiatriamg. que derrota o saber do Outro. La última cena: anorexia y bulimia. Belo Horizonte. Esse amor-ódio vai marcar a transferência nos casos graves. Del Edipo a la Sexuación. não há espaço para a representação simbólica que faça uma contenção pulsional. A pulsão se apresenta barreira. Deriva pulsional. Segundo Recalcati (2004). 2005. 5. A transferência psicótica conduz ao extremo da dialética de amor e de ódio e se caracteriza como devoradora. C. VIGANÓ. psicosis. produzindo fenômenos transferenciais tipicamente psicóticos. que assume a forma de um desafio trágico ao saber especializado. desenfreada. que visa a retomada da subjetividade e a construção de uma verdadeira demanda de tratamento. Assim. O caso resíduo.

Basicamente. visando prevenir as recorrências. catatonia e. de um documento intitulado “Declaração de Consenso Sobre o Uso e Segurança da Eletroconvulsoterapia”. no sentido de manter a remissão (evitando recaídas) e atingir a plena recuperação. num ambiente adequado às novas normas de administração. ocasionalmente. de duração flexível. sendo particularmente indicada na presença de sintomas psicóticos delirantes ou catatônicos e. como o uso de anestesia e relaxamento muscular. com o expresso consentimento do paciente ou responsável legal. foi marcado por uma grande “resistência” ao tratamento.psiquiatriamg. estados de mania. O ressurgimento da ECT nos Estados Unidos. correspondente às subseqüentes 16 a 20 semanas. nos anos 70. diversos algoritmos para humanizar seu uso. quando comparada a qualquer outra modalidade. uma fase de continuação. O tratamento é categorizado por uma fase aguda para induzir a remissão dos sintomas. risco iminente de suicídio. de preferência. porém controverso tratamento para alguns subgrupos de indivíduos padecentes de graves doenças mentais. O objetivo desta Declaração é evidenciar a eficácia e segurança da ECT e prover elementos e recomendações para otimizar sua prática. insuflada por uma falsa imagem de barbárie e coerção. Resumidamente. Dependendo das comorbidades. Deve ser aplicado. A boa prática repousa ainda num correto diagnóstico e minuciosa avaliação de riscos que o paciente possa infligir a si próprio ou a circunjacentes. Nos transtornos depressivos graves. diz o seguinte: A Eletroconvulsoterapia (ECT) é um importante. vem angariando importantes progressos. excetuando condições extremas onde o procedimento seja necessário para salvar vidas ou evitar rápida 92 www. cobrindo um período de 6 a 8 semanas. a ECT é largamente considerada o mais efetivo método de tratamento. O expresso consentimento do paciente ou responsável legal deve ser a regra. principalmente. pelas grandes Associações da Especialidade. na década de 30. pode constituir um procedimento de risco variável. dependendo de critério médico e considerando a virulência previa do transtorno. produzido pela Seção de Psiquiatria Biológica da WPA e que deverá pautar todos os “guidelines” das Associações afiliadas pelo mundo. abrange as depressões graves. Desde sua introdução. Em contrapartida.org.14/06/2008 – SÁBADO MR 01 – Auditório Lívio Renault Tema: ELETROCONVULSOTERAPIA: ESTUDOS ATUAIS Sub-tema: “Estigmas e realidade” Relator: Marcos Alexandre Gebara Muraro (RJ) Uma das ocorrências mais importantes do Congresso Mundial de Psiquiatria ocorrido no Cairo em 2005 foi a divulgação. a ciência mostrava cada vez mais sua importância. Foram produzidos. e propunha modernos recursos para sua aplicação. e uma fase de manutenção. esquizofrenia. mesmo ao amplo espectro de opções farmacológicas.br/jornada_sudeste . no sentido de aumentar sua segurança e tolerabilidade. na Assembléia de Delegados.

principalmente prejuízo da memória anterógrada. No entanto. 2) Estudos comparando ECT e farmacoterapia resultaram significativamente favoráveis à ECT. 3) A aplicação bilateral demonstrou ser superior à unilateral. com 90 estudos randomizados controlados. Na Esquizofrenia. mas também produziram mais efeitos adversos. Outros importantes subsídios foram a recente Cochrane Rewiew.psiquiatriamg. sendo que estas foram enormemente reduzidas com a introdução de farmacoterapia na fase de continuação.deterioração física ou mental. mais encontradiços na primeira semana após o término da fase randomizada dos estudos. 4) ECT em procedimentos administrados de uma a três vezes por semana foi eficaz não sendo eliciada diferença significativa entre as três maneiras e não houve diferença quanto aos sintomas de descontinuação.org. porém pode provocar mais efeitos cognitivos adversos. às custas de aumento na ocorrência de efeitos cognitivos adversos que não devem durar mais que seis meses após o término do tratamento. freqüências superiores podem levar a maiores prejuízos cognitivos. a NICE Rewiew e estudos de Suzuki. 6) As aplicações utilizando pulso breve e onda quadrada demonstraram largamente ser mais eficazes e produziram menores efeitos adversos. mas enfatizaram a eficácia da ECT demonstrando benefícios clínicos significativos e como as 93 www. Um importante subsídio para estabelecer as bases da ECT em evidências foi uma recente e sistemática metanálise dos estudos randomizados controlados e observacionais feita pelo UK ECT Rewiew Group que reportou os seguintes achados: 1) Estudos comparando aplicações efetivas de ECT versus aplicações simuladas demonstraram ampla margem de significância estatística em favor das primeiras. conforme estudos de Sackheim. Ungvari e Sackheim evidenciaram a superioridade da farmacoterapia antipsicótica quando comparada à ECT (excetuando os estados de agitação psicomotora agudos e estuporosos relativos à catatonia). em termos de eficácia. Estudos de neuroimagem não demonstraram qualquer indício de que ECT possa causar destruição neuronal. diminuindo sobremodo a longo prazo. Pode ser importante.br/jornada_sudeste . 5) As doses mais altas do estímulo elétrico implicaram em melhores resultados quanto à melhora dos sintomas. além de evidenciar a menor incidência de sintomas de descontinuação no grupo que recebeu esta terapêutica. que evidenciou a superioridade da ECT em deprimidos idosos e a NICE Rewiew. Tang. que reforçou os dados supramencionados e acrescentou que doses mais altas do estímulo elétrico unilateral no hemisfério dominante podem assemelhar-se. em determinadas circunstâncias. que a decisão parta de “juntas médicas” constituídas. às aplicações bilaterais. a Cochrane Rewiew. Altas taxas de recaídas foram relatadas após a remissão completa dos sintomas com ECT.

ou seja. Não há contra-indicações absolutas ao uso de ECT. ser de grande valia em alguns casos de TOC. a ECT é um valioso recurso terapêutico para diversas condições psicopatológicas. Poucos pacientes deixaram de se beneficiar com ECT (aplicações efetivas). ventilação. além de ser um método 94 www.org. ainda. descolamentos de retina. deve estar regulada em cerca de duas vezes a do limiar convulsivo. quando possível. além do uso de medicamentos como atropina para prevenir bradicardia vagotônica. em pulso breve e onda quadrada. mesmo depois de 70 anos. A continuação pode ser semanal e a manutenção quinzenal ou mensal. succinilcolina como relaxante muscular. sendo exclusivamente devida a complicações cardíacas. e pentotal ou etomidato como hipnóticos. Nos tempos hodiernos não se justifica a prática da ECT sem anestesia. Concluindo. arritmias cardíacas graves. assim como pode ser decisiva para salvar vidas para certos casos de Síndrome Neuroléptica Maligna. recomendam o uso concomitante de antidepressivos e antipsicóticos. 1/ 100000. Cabe ressaltar o bom uso de ECT em condições especiais. o simples garroteamento da extremidade de um membro pode evidenciar as contrações. aneurismas. capazes de monitorizar o EEG. Os estudos demonstraram fartamente que a ECT pode ser muito valiosa no rápido controle de estados maníacos graves e também no tratamento de manutenção dos Transtornos Bipolares refratários. Quanto aos riscos.psiquiatriamg. a mortalidade associada à ECT é menor do que aquela associada aos procedimentos menores de anestesia geral. obtendo melhora dos sintomas e menores índices de recaídas quando comparados aos que receberam aplicações simuladas. sempre obedecendo criteriosos cuidados. de forma geral. infarto do miocárdio e feocromocitoma. relaxamento muscular. portadores de marca-passos. Quando isto não for viável.variações na administração da terapêutica influenciaram a evolução. especialmente nas fases de continuação e manutenção. idosos e crianças. mormente os que não respodem à farmacorterapia específica. como gravidez. Os algoritmos. A associação de ECT com farmacoterapia nas fases de continuação e manutenção foi superior ao uso de fármacos isoladamente. A observação da convulsão pode ser obtida pela maioria dos aparelhos modernos. porém deve ser evitado em condições como tumores e infarto cerebrais. A dosagem do estímulo elétrico. demência e Parkinson. mas a maioria dos estudos compactua do consenso de que devem ser evitados. ECT tem demonstrado. mas também aumentou as taxas de prejuízos cognitivos. com eletrodos bilaterais. Há muita controvérsia sobre a administração simultânea de ECT e psicotrópicos. apenas aqueles medicamentos que têm ação de antagonismo como benzodiazepínicos e barbitúricos.br/jornada_sudeste . enquanto na Mania o número pode ser superior a 16 sempre divididos em duas ou três vezes por semana. A freqüência recomendada das aplicações varia de 6 a 12 para o tratamento da Depressão. cicladores rápidos e estados mistos. A ECT pode ser considerada uma poderosa arma no tratamento de grande parte das emergências psiquiátricas.

a seguir uma aplicação mensal. a saber: a) não há tratamento padrão para pacientes que sofrem de depressão. assim como estudos mais detalhados nas fases continuação e manutenção.org. só rendas. seis aplicações em intervalos de quarenta e oito horas e.. seja ela unipolar. como reforço? Iniciar antidepressivos e associar três sessões de eletroconvulsoterapia a cada setenta e duas horas e continuar com tratamento de manutenção com o antidepressivo que se escolheu? Escolher um antidepressivo e administra-lo em doses crescentes até atingir a resposta desejada e manter o tratamento por período variável entre sete a dez meses para se evitar possível recaída? Associar-se um antidepressivo a substâncias ansiolíticas e hipnoindutoras para minorar a angústia do conhecido período de latência entre a administração do antidepressivo e a aparição de seus efeitos sobre o humor vital? Utilizar uma combinação de dois antidepressivos com diferentes mecanismos de ação e cuidar dos efeitos colaterais quando e se aparecerem? 95 www. sazonal ou melancólica. recorrente. MR 02 – Auditório Bolivar Tema: DEPRESSÃO: TRATAMENTO PADRÃO E REFRATARIEDADE Relator: João Romildo Bueno (RJ) Sumário – O título desta apresentação comporta duas heresias. a menos que se faça uma “desconstrução” do que foi proposto.seguro e bem tolerado. Houve época em que o padrão era a mini-saia para expor belas pernas. por vezes.. Qual o padrão para o manuseio terapêutico das depressões? Eletroconvulsoterapia. faz-se mister um esforço das Associações afiliadas à WPA no sentido de conscientização pública. “Padrões” variam com o tempo e com o que existe a cada tempo. Levando em conta sua inquestionável validade. com ou sem rendas ou. Deduz-se do exposto que nossa contribuição poderia ser dada como terminada. Se colocarmos em tela a fase depressiva da doença maníacodepressiva. as depressões ditas “refratárias” não podem ser submetidas a um plano de tratamento. por definição não admite possibilidade de resposta às chamadas abordagens terapêuticas. b) algo que é refratário. visando desestigmatizar a ECT.psiquiatriamg. são de alta prioridade o melhor conhecimento de seu mecanismo de ação.br/jornada_sudeste . Considerando suas futuras perspectivas. as coisas ficam ainda mais afastadas de qualquer possibilidade de padronização. cíclica. Podemos pensar em um projeto terapêutico para uma forma de depressão que tenha exibido resistência aos métodos usuais de abordagem psicofarmacoterápica. hoje se recorre a micro-saia para expor barrigas sem sempre merecedoras de mais de um olhar rápido e deixar se ver a cor e o tipo da calcinha.

O tratamento seria basicamente psicoterápico ou farmacológico. as alternativas incluem mudanças para diferentes ISRS.. ADOLESCÊNCIA. somar-se um estabilizador de humor? Ou.. é uma patologia crônica e muitas vezes incapacitante.psiquiatriamg. doravante TOC. devido à heterogeneidade. bem como desenvolver relações interpessoais. sendo o protótipo do tratamento farmacológico um ensaio clínico de 12 a 20 semanas com um inibidor de recaptura de serotonina (IRS). com evidente incapacitação. ou para a clomipramina ou combinação destas 96 www. O TOC quase sempre se apresenta com comorbidades com transtornos depressivos e/ou outros transtornos de ansiedade. droga considerada “padrão ouro” no tratamento do TOC. tolerabilidade.Escolher-se um tratamento com antidepressivos tríciclicos ou inibidores de monoaminoxidase. Quando os pacientes não respondem a um ISRS específico. desde que em doses adequadas. quem sabe adicionar um neuroléptico atípico? Ou recorrer à velha associação de dois tricíclicos com mecanismos de ação diferenciados? Como se vê. MR 03 – Sala 05 Tema: TRANSTORNO OBSESSIVO/COMPULSIVO: ESTRATÉGIAS TERAPÊUTICAS (INFÂNCIA. caracterizada por pensamentos obsessivos intrusivos. e eficácia equivalente desta classe de drogas quando comparada com a clomipramina.br/jornada_sudeste . seletivo ou não. “desconstruir” é muito fácil que blowing in the wind. E quando ocorre uma resistência aos modelos terapêuticos conhecidos? Seria útil aumentar as doses dos medicamentos que estão sendo empregados? Ou descontinuá-los progressivamente enquanto se aumenta a dose de um seu substituto? Aumentar as sessões de eletroconvulsoterapia? Utilizar substâncias “potencializadoras” dos efeitos antidepressivos? Ou talvez. seja em função da história prévia do paciente ou da preferência e experiência do psiquiatra? São múltiplas as possibilidades e viáveis todas elas.. Quando se trata de um padecente de depressão pode-se fazer tudo e mais o céu também. ADULTO) Sub-tema: “Adulto” Relator: Wander Lemos (MG) O Transtorno Obsessivo-Compulsivo. classificada polemicamente. Na maioria dos casos.. dentro do grupo dos transtornos de ansiedade. Os pacientes com TOC sofrem significativos prejuízos pessoais e sociais e podem ter dificuldade para manter ou finalizar atividades. o tratamento deve ser iniciado com um ISRS por causa da sua superioridade nas questões de segurança. indesejáveis e recorrentes e por atos compulsivos. Por isto é proponho que passemos a discutir como se trata uma pessoa deprimida. depende do que o paciente nos ensinar: ele é o padrão.org. como comportamentos repetitivos ou atos mentais que são realizados como respostas ao pensamento obsessivo.

a realização da II Conferência Estadual de Saúde Mental. Paulo. A terapia cognitivo-comportamental é a abordagem psicoterápica mais indicada estando associada ou não à terapia medicamentosa.org. encontros anuais em comemoração ao Dia Nacional da Luta Antimanicomial como também encontros promovidos por serviços municipais e instituições de ensino superior. A atenção psicossocial. 31 97 www. Do ponto de vista técnico foram estruturados grupos de trabalho. movimento social complexo32. Caso a refratariedade permaneça deve-se considerar novos tratamentos. a psicocirurgia. RJ: Ed. dentre outros. Nossa apresentação consistirá numa discussão sobre as estratégias disponíveis de tratamento do TOC em faixas etárias diferentes.psiquiatriamg. os Médico psiquiatra e Coordenador Estadual de Saúde Mental da Secretaria de Estado da Saúde do Espírito Santo – SESA / ES 32 AMARANTE. de ampliação de garantias legais e de produção de conhecimentos.. Recentemente.e/ou outras medicações. em 2001. e mais recentemente a estimulação magnética transcraniana. no ano de 2007 o município de Vitória sediou o Encontro Nacional do Movimento da Luta Antimanicomial. para reorganização dos serviços estaduais existentes como também para a estruturação da linha-guia de saúde mental a ser lançada oficialmente dia 20 de junho corrente. tais a eletroconvulsoterapia. seja para a criação dos serviços residenciais terapêuticos – SRTs. Desde então se constata que serviços foram criados. No Espírito Santo a consolidação desta política teve como marco o ano de 1995 a partir da inclusão do campo da saúde mental na política estadual de saúde e com a ampliação da participação de diferentes atores no Fórum de Saúde Mental e no Núcleo Estadual da Luta Antimanicomial. Fiocruz. tem como eixo norteador a construção de uma Rede de Atenção em Saúde Mental capilarizada nos 78 (setenta e oito) municípios capixabas. 10. Ao longo desses anos podem-se destacar os encontros quadrimestrais do Fórum de Saúde Mental realizados desde 1999. grupos de trabalho e eventos foram realizados com o foco na construção de novos espaços para a loucura. MR 04 – Auditório Borges da Costa Tema: REFLEXÕES SOBRE A REFORMA DA ASSISTÊNCIA PSIQUIÁTRICA Relator: Antônio Schirmer (ES)31 A política de saúde mental do Estado do Espírito Santo. muitos ainda experimentais.216/01.br/jornada_sudeste . posteriormente da Lei nº. 2007. como abordagens biológicas não farmacológicas. A linha-guia é um instrumento de normalização do processo de trabalho em saúde cuja função é a comunicação entre o sistema de serviços de saúde. que buscou e busca a construção de novas formas de lidar com o sofrimento psíquico para além da assistência psiquiátrica por meio da construção de espaços de sociabilidade. Há que se destacar que todo este processo tem seu nascedouro no Movimento da Reforma Psiquiátrica. seguindo as diretrizes emanadas da política nacional e.

Foram previstos CAPS por cada módulo assistencial. Estes serviços seguiram os parâmetros estabelecidos através de um conjunto de fatores que se entrecruzaram com os já definidos no PDR: a cobertura populacional.ad. principalmente em municípios com base populacional inferior a 20 mil habitantes.profissionais e usuários deste sistema.]”. gradativa e contínua. os serviços extra-hospitalar que compõem a Rede de Atenção em saúde mental estão presentes em cerca de 46 (quarenta e seis) municípios. Segundo a linha-guia da saúde mental (SESA. deve ser realizada (. o coeficiente de internação psiquiátrica. 08 microrregiões e 16 módulos assistenciais definindo um conjunto de ações e serviços que deverá ser oferecido aos cidadãos.psiquiatriamg. educação e garantia de trabalho protegido ou não (. Este panorama inicial teve como finalidade apresentar sucintamente o movimento sociotécnico e político realizado no sentido de disseminar na sociedade capixaba uma política que atenda os princípios do SUS e da Reforma Psiquiátrica. jurídica.) [e]. o desafio colocado é a criação permanente de serviços articulados numa Rede que inclua cada vez mais o sofrimento psíquico.. Nesse sentido. odontológica. 2008) a atenção psicossocial “[. sendo 16 (dezesseis) CAPS em 12 (doze) municípios e Equipes de Saúde Mental em 31 (trinta e um) municípios. Serviço Hospitalar de Referência para Atenção ao Usuário de Álcool e outras Drogas – SHR. e Hospitais Psiquiátricos. de forma descentralizada e o mais próximo de sua residência. 2008). leitos em hospital geral por microrregião e CAPS ad e i por macrorregião (SESA.. Estas têm por finalidade estabelecer o cuidado e articular ações com as Equipes de Saúde da Família. obedecendo à ação coordenadora da Atenção Primária à Saúde (Mendes. 2004). O desenho da rede de atenção em saúde mental está estruturado considerando os seguintes serviços: CAPS. Urgência Psiquiátrica no Hospital São Lucas. Leitos Psiquiátricos em Hospital Geral. mas a criação das equipes de saúde mental vinculadas às Unidades Básicas ou Regionais de Saúde.. Há ainda oferta de consulta psiquiátrica 98 www.. Atualmente. reabilitação. em que se destacam não só a criação dos CAPS.. buscando normalizar as ações desenvolvidas em todos os pontos de atenção.. a existência de serviço extra-hospitalar e de recursos humanos disponíveis. Há que se destacar que a construção desta Rede no estado tem ocorrido de forma lenta.] abrange não só a Psiquiatria. dados epidemiológicos disponíveis.org. mas também.) em serviços abertos o menos restritivo possível [. que está vinculada ao Plano Diretor de Regionalização – PDR que delineou para o estado 03 macrorregiões. social.. como também a existência de hospital geral público ou conveniado ao SUS. assistência médica. A Construção da Rede de Atenção em Saúde Mental no Espírito Santo A atenção psicossocial destinada às pessoas em sofrimento psíquico está sendo estruturada por meio de uma Rede de Atenção em Saúde Mental. Serviço Residencial Terapêutico.br/jornada_sudeste ..

No âmbito hospitalar a atenção às pessoas com transtornos mentais é prestada nos seguintes hospitais especializados: Hospital Adauto Botelho – HAB no município de Cariacica.HSL com a urgência psiquiátrica. Os hospitais gerais que possuem leitos psiquiátricos são: Hospital da Polícia Militar – HPM. Santa Maria de Jetibá e Castelo e 02 (dois) CAPS ad em Cachoeiro de Itapemirim e São Mateus. localizados na capital e o Hospital Beneficente Santa Rita de Cássia em São Gabriel da Palha no norte do estado. bem como possibilitará a ampliação desta cobertura.br/jornada_sudeste .SESA tem realizado esforços para o fortalecimento do SUS e ampliação do acesso. Em 2007 criou o Plano Estadual de Expansão da Rede de Saúde Mental com o objetivo de ampliar a atenção aos usuários de álcool. em que co-financiará a implantação de 05 (cinco) Centros de Atenção Psicossocial.37 por 100. pois qualquer mudança de modelo depende do envolvimento e de mudanças de prática social dos profissionais de saúde envolvidos. Esta Rede é insuficiente para atender as demandas da população capixaba e diante desta situação a Secretaria de Estado da Saúde . por meio da matricialidade ou de equipes situadas em Unidades Básicas / Regionais de Saúde e a reestruturação da assistência psiquiátrica do Hospital Adauto Botelho - 99 www. seguindo os parâmetros do Ministério da Saúde. compete ao estado financiar e estimular a educação permanente como meio de revisão dos processos de trabalho e ampliação da noção de cuidado aos usuários do SUS. se apresenta como regular – baixa totalizando uma cobertura de 0. a articulação da saúde mental na atenção primária à saúde. em 2008. o Centro de Atendimento Psiquiátrico Dr. Há que se destacar. que mesmo com todo o esforço de gestores e profissionais de saúde mental a cobertura de CAPS no Espírito Santo. Outros desafios impostos para a reorientação do modelo de atenção psicossocial e ampliação da Rede são: a criação do Serviço Hospitalar de Referência para Atenção Integral ao usuário de álcool e outras drogas –SHR – ad.000 habitantes. Aristides Alexandre Campos – CAPAAC e a Clínica de Repouso Santa Isabel no município de Cachoeiro de Itapemirim. nas 03 (três) macrorregiões: 03 (três) CAPS I. localizados em Nova Venécia. A inclusão de indicadores da saúde mental no Pacto pela Saúde possibilitou uma ampla discussão e reflexão entre estado e municípios por ocasião das Oficinas Macrorregionais de Pactuação realizadas no mês de maio do corrente ano. Hospital São Lucas .psiquiatriamg. Reflexões finais O debate acerca da ampliação da rede de atenção em saúde mental extrapola a criação de um conjunto de serviços. Esta será superada após o processo de pactuação em curso.org. Desta forma. sendo necessário incluírem neste debate a educação permanente.em 05 (cinco) municípios e a este conjunto integram os 05 (cinco) Serviços Residenciais Terapêuticos. de outras drogas e às pessoas com transtornos mentais.

MR 05 – Sala 08 Tema: TRANSTORNOS DE PERSONALIDADE ANTI-SOCIAL: DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO Sub-tema: “Transtorno de Personalidade Anti-Social: Clínica e Responsabilidade Penal” Relator: Alexandre Valença (RJ)33 De acordo com a APA (1994). Muitos psicopatas não seguem uma carreira de crimes e podem ser igualmente exploradores. onde a redução dos leitos de longa permanência se da através da criação de novos Serviços Residenciais Terapêuticos .HAB. Professor do Programa de Pós-Graduação em Psiquiatria e Saúde Mental do IPUB/UFRJ. a característica essencial do transtorno antisocial de personalidade é um padrão invasivo de desrespeito e violação dos direitos dos outros. implicam expandir a noção do cuidado em saúde mental para além da psiquiatria e dos demais profissionais de saúde mental. grupais e sociais de uma determinada cultura. Após 20 anos. Segundo KOLDOBSKY (1995). Há uma incapacidade de analisar os sentimentos das outras pessoas. Para KOLDOBSKY (1995). A criminalidade e a personalidade anti-social podem acontecer juntas. que inicia na infância ou começo da adolescência e continua na idade adulta. afirma que a anormalidade fenomenológica essencial no transtorno anti-social de personalidade é a falta de empatia.br/jornada_sudeste . o curso do transtorno anti-social de personalidade mostra ser este um transtorno irreversível. insensíveis. ações neste sentido. Especialista em Psiquiatria Forense pela ABP. uma vez que. 12% está livre de sintomas. SYMS (1995). os indivíduos com transtorno anti-social da personalidade apresentam padrões de conduta que entram em conflito com a sociedade. impulsivos e incapazes de sentirem-se culpados ou de aprender através da experiência. O fato da existência de transgressões legais ou sociais não significa diagnóstico de transtorno anti-social de personalidade. 27% tem melhora notável e 60% permanece sem modificações.SRTs. especialmente para compreender como as outras pessoas se sentem sobre as conseqüências de seu comportamento (anti-social). Há uma incapacidade de se sentir desconfortável pelo que os outros experimentam como resultado de suas atividades anti-sociais. mas não são sinônimos. Professor Adjunto de Psiquiatria da Universidade Federal Fluminense – Niterói-RJ. Estes indivíduos não são capazes de serem leais aos valores individuais. sob gestão estadual. enganadores e irresponsáveis em profissões socialmente aceitáveis. 33 Doutor em Psiquiatria-IPUB/UFRJ. Mostram-se egoístas. 100 www.psiquiatriamg. A máxima incidência é encontrada na adolescência tardia e início da vida adulta.org.

O conjunto de critérios anti-sociais do DSM-IV e da CID-10 atingiu uma confiabilidade relativamente alta por enfatizar comportamentos específicos. encontrou que 51. em virtude de sua inferioridade bioético-sociológica. num estudo com 29 indivíduos condenados por homicídio ou tentativa de homicídio. verificação do padrão de relacionamento do indivíduo com outros e obtenção de informações de outras fontes como a família. possibilidade de recuperação e comportamento prisional esperado. recomenda-se bastante prudência ao juiz na opção do que é mais necessário ao condenado. a defesa da sociedade quando são aplicadas medidas de segurança (nos transtornos de personalidade) é ampla. Esta escolha pode representar um dilema. em especial o tipo anti-social. os indivíduos com transtornos de personalidade podem ter redução da pena (de um terço a dois terços) ou esta pode ser substituída por medida de segurança. e estes indivíduos são responsáveis.br/jornada_sudeste .psiquiatriamg. controle comportamental precário. pelo prazo mínimo de um a três anos”. É sempre necessário mais de uma entrevista para se conseguir afirmar este diagnóstico com algum grau de certeza. JOZEF (1997). Além de anamnese semi-estruturada.72% eram caracterizados como psicopatas (transtorno anti-social de personalidade). o cônjuge ou vizinhos. Um indivíduo com transtorno anti-social da personalidade em geral terá traído a confiança de todos. indicando sérias implicações no tocante a provável recidivismo. Quando enquadrados no parágrafo único do artigo 26. A questão do diagnóstico dos transtornos de personalidade. mas com menor culpabilidade. mas pode ter perdido o traço central da psicopatia. impulsividade.Para o diagnóstico de transtorno anti-social de personalidade é necessário colher dados relativos à história pessoal. O artigo 98 do Código Penal dispõe que “necessitando o condenado de especial tratamento curativo. de sua menor capacidade de discernimento ético-social ou de auto-inibição ao impulso criminoso.). Sem dúvida. de HARE (1984). O próprio JOZEF (1997) afirma que estudos recentes estimam em 25% o percentual de psicopatas entre presos. porque a medida de segurança só cessa com a verificação de que cessou a periculosidade. HUNGRIA. alternativamente.org. que achavam-se detidos em delegacia policial. estilo de vida parasítico. De acordo com LUTZ (1941). face às suas condições atuais: imposição de pena reduzida ou. isto é. que contém uma lista de características relativas a estilo de vida. o principal instrumento diagnóstico utilizado por este autor foi o PCL-R (PSYCHOPATHY CHECKLISTREVISED). irresponsabilidade. por selecionar muitos criminosos que não são psicopatas e ao mesmo 101 www. traços de caráter e comportamento (necessidade de estimulação/inclinação ao tédio. envolve aspectos polêmicos. etc. afirma que os transtornos de personalidade representam uma variação mórbida da norma. apud VARGAS (1990). a internação em hospital de custódia e tratamento psiquiátrico (se o crime era punível com reclusão) ou tratamento ambulatorial (se era prevista pena de detenção). em virtude da precariedade de nossos sistemas carcerários e psiquiátricos.O transtorno de personalidade é considerado uma perturbação da saúde mental. a pena privativa de liberdade pode ser substituída pela internação ou tratamento ambulatorial.

Não podemos ter dúvidas quanto à complexidade destas situações principais levantadas. Outra questão que podemos levantar é a importância do termo “transtorno de personalidade” ser bem entendido pelos juizes. etc. a eficácia do tratamento psiquiátrico neste casos ainda não está bem estabelecida pela literatura sobre o assunto.M. a psiquiatria e a sociedade. para que se possa ajustar em cada caso a aplicação de medidas de segurança e de sanções penais e correcionais adequadas. em especial aqueles que exercem atividades na área de direito penal. Talvez fosse interessante os juizes receberem reciclagens sobre classificação psiquiátrica internacional e fenomenologia psiquiátrica. London: Blackwell Scientific Publications. cobrindo um espectrum que vai de assassinos perigosos e sequestradores a mulheres jovens cujo transtorno se manifesta. Por outro lado. esta questão envolve conseqüências de ordem prática.psiquiatriamg. Este indivíduo só poderá receber alta após exame de verificação da cessação de periculosidade (realizado pela perícia psiquiátrica) e autorização do juiz. podemos afirmar que a resposta para a seguinte questão parece não estar ainda completamente respondida: estes indivíduos devem ser considerados responsáveis por suas ações ou devem receber tratamento? De fato. Jornal Brasileiro de Psiquiatria 1999. 102 www. Sugestões para leitura 1. 1994. por exemplo. As questões de tratamento e responsabilidade dos indivíduos com transtornos de personalidade continuam a ser desafiadoras para a justiça criminal.tempo omitir psicopatas que não são criminosos. tratamento ambulatorial. É fundamental que estas autoridades saibam que o grupo que recebe diagnóstico de transtorno de personalidade é extremamente heterogêneo. Vale salientar que após encaminhamento a um manicômio judiciário. Diante de todos estes dados. Esta preferência por uma definição orientada para manifestação comportamental aumenta a confiabilidade. sendo útil para a pesquisa. Quando enquadrados no parágrafo único do artigo 26 (responsabilidade diminuída) os indivíduos com transtornos de personalidade podem ter sua pena reduzida ou receberem medida de segurança e serem encaminhados a um tratamento psiquiátrico compulsório (internação em manicômio judiciário. A redução da pena significa colocar novamente em liberdade (em menor tempo) um indivíduo cuja probabilidade de recidiva criminal é bastante elevada. A avaliação da responsabilidade penal é de extrema importância. por comportamento repetitivo de auto-flagelação. Basic forensic psychiatry. por exemplo.br/jornada_sudeste . leva a uma avaliação reducionista e puramente criteriológica da personalidade.org. Os limites da responsabilidade penal nos transtornos de personalidade. ed. FAULK M. Isto ainda se torna mais sério quando levamos em conta as precárias condições de nossos sistemas manicomiais.). para melhor poderem se posicionar frente a um caso de transtorno de personalidade. Por outro lado. esta medida de segurança vai perdurar por um período mínimo de 1 a 3 anos. VALENÇA A. (11): 499-507. 2. 2.

A. Instituto de Psiquiatria . reconhecemos neste tema um tipo de abordagem. MR 06 – Sala 07 Tema: ESQUIZOFRENIA: A CONSTRUÇÃO DA SUBJETIVIDADE Sub-tema: “A construção da subjetividade nas psicoses delirantes” Relator: Simone Scarioli (MG)34 Gostaríamos que essa leitura fizesse surgir a inscrição potencial da loucura no próprio cerne das estruturas constitutivas da condição humana Introdução Nossa pesquisa consiste em delimitar os momentos constitutivos da estrutura da subjetividade e suas particularidades. em suas relações consigo mesmo. O criminoso homicida: estudo clínico-psiquiátrico. da filosofia e da psicanálise. que todo ser humano tem que realizar. da natureza à cultura. GRUBIN D. sob pena de sucumbir às exigências que lhes são impostas. Sabemos que para os autores psiquiátricos o que distingue o louco do normal é um catálogo de déficits. expressos de forma evidente nas apresentações sintomáticas das psicoses35. A Psicose: ensaio de interpretação analítica e existencial. MEUX C. de deixar claro que o sujeito não é um dado inicial. Encontramos nesse tema os pontos de tensão e de debate entre os campos do saber. Psicanalista. Nesse campo. mas o resultado de uma série de vicissitudes por que passa o ser humano — vicissitudes essas que podem resultar na psicose. JOZEF F. a nosso ver.br/jornada_sudeste . Young psychopaths in special hospital: treatment and outcome. Trabalho baseado na tese de mestrado da autora intitulada “A Constituição da Subjetividade e seu Fracasso na Psicose segundo Alphonse De Waelhens”. Rio de Janeiro:Tese de Doutorado.1997. ainda tão obscuro.E. 4. Rio de Janeiro: J. mestre em filosofia.. Trata-se. REISS D. Psiquiatra. onde os enigmas e as questões superam nossas certezas e nosso conhecimento. que tentaram realizar uma apreensão sobre o fenômeno da loucura. com os outros e com o mundo. O que vem a ser a loucura e o que ela significa para e no destino humano? Como e por que se introduz? Nosso esforço será em captar o sentido e a estrutura das modificações ocorridas no psicótico. 1990.Z. Tomamos a questão da loucura como ponto de encruzilhada para o qual convergem os trabalhos da psiquiatria.org. simultaneamente filosófico e psicanalítico. British Journal of Psychiatry 1996. que é nosso interesse.UFRJ .psiquiatriamg. As citações referem-se à tradução brasileira da obra de De Waelhens. Nesse sentido nossa interlocução com o saber psiquiátrico ressalta mais os limites do que as contribuições desse saber. 35 34 103 www. 168 :99-104.3. Os loucos encarnam uma das formas possíveis de fracassar na travessia.

do mundo e do outro. a conquista da unidade corporal através da imagem especular e o complexo de Édipo. a psicose é tomada pelo viés das explicações causalistas e funcionais ou pela leitura descritivo-existencial. sem permitir a elucidação do que vem a ser o fato psicótico. quanto a seu sentido e o seu estatuto. que a não inscrição do significante paterno. Abordamos os momentos constitutivos da estrutura da subjetividade. Fazemos um percurso do cogito cartesiano ao sujeito lacaniano. de forma que o próximo delimita e fecha o anterior. Na filosofia trabalhamos com dimensão da subjetividade e suas diferenças no campo filosófico e psicanalítico. um sujeito que não ultrapassou as relações puramente especulares do mesmo e do outro. Assim. poderíamos afirmar que o normal não é inteligível sem o patológico. Se uma dessas crises não leva à sua resolução. Na teoria psicanalítica a constituição do sujeito passa por uma série de crises em que se opera. segundo a doutrina psicanalítica: o auto-erotismo. e que a 104 www. sob a forma de não-resolução. e que a estrutura patológica se relaciona com este ou aquele momento da constituição do sujeito. não poderá entrar no Édipo nem conseguirá superá-lo. Quanto à psicanálise.br/jornada_sudeste . nas diversas patologias. indicamos as falhas na construção dessa estrutura. como forma de preparação para a entrada nos momentos seguintes. As crises constitutivas da subjetividade se desenrolam no inconsciente e só se expressam. o sujeito fica marcado. da identificação de um verdadeiro outrem e o estabelecimento da realidade plena e inteira. o tornar-se sujeito subordina-se às regras dos significantes e. que por sua vez nos possibilitariam a compreensão e a identificação dos momentos constitutivos da estrutura da subjetividade. cada momento que precede um outro deverá ser atravessado. Nesse sentido. Estabelecidos os momentos constitutivos da estrutura da subjetividade. O acesso à subjetividade significa a aquisição de uma identidade pessoal. pelo sinal próprio da etapa em que falhou. a cada etapa. uma remodelação do si mesmo.Na psiquiatria. Assim. o recalque propriamente dito confirma o recalque originário e o narcisismo é superado apenas na vigência do complexo de Édipo.org. considerando o plano freudiano. trata-se de estabelecer um diálogo a partir da idéia de que o discurso analítico poderia acrescentar algo ao discurso filosófico sobre a loucura e a própria subjetividade.psiquiatriamg. Cada um dos momentos da constituição subjetiva está ligado ao seguinte. Ao mesmo tempo. Essa insuficiência reside na inexistência de uma referência a um inconsciente constituinte. De um ponto de vista psicanalítico. tal como nos provê a psicanálise de Freud e Lacan. segundo o qual a falta e / ou a insuficiência do recalcamento originário são responsáveis pela psicose. responsáveis pelo resultado psicótico. decorrência disso. que lhe é atribuído no "normal". o Nome-do-Pai. determina a estrutura psicótica. esclarecendo o papel constitutivo e estruturador da subjetividade.

Inconscient. verité". v. v. BERCHERIE. R. XIV. "Neurose e psicose" (1924). XIX. DESCARTES. XIV. psicanalistas e psiquiatras no que concerne à questão da loucura. sempre atual. S. v. à perturbação do triângulo edipiano. “Recalque” (1915). Introducion a la Clinica Psiquiatrica. Nova Cultural. Manifestações indiretas do mecanismo da foraclusão do nome-do-pai. KRAEPELIN. finalmente. que a psicanálise ofereceu um progresso decisivo ao estudo das psicoses possibilitando um entendimento do que é o fato psicótico.A Psicose: ensaio de Interpretação analítica e existencial. Z. A. 4 de La Psychose. relativos à imagem do corpo próprio como corpo despedaçado.saída do narcisismo só pode se realizar pela entrada no complexo de Édipo e sua dissolução. São Paulo: Ed. 5. "A Interpretação dos sonhos. 1990. à identificação do nascimento com a morte. 3. à confusão entre o significante e o significado. à bissexualidade. "A perda da realidade na neurose e na psicose" (1924). significa analisar os elementos particulares à organização da subjetividade psicótica. desenvolvidas no texto de De Waelhens. significa analisar os elementos particulares à organização da subjetividade psicótica. desenvolvidas no cap. VII (1900). 24 vols. Nieva. P. identificados pelo autor. La Psychose. XIX. 1989.S.. configurando a esquizofrenia e a paranóia. pois. 269-283. Ao fim. “Sobre o narcisismo: uma introdução” (1914). Referências Bibliográficas 1. 6. v. in Révue Phiosophique de Louvain.Z. Analisamos os critérios analíticos e existenciais da psicose. 4a ed. Os Fundamentos da Clínica. sujet. Tradução de Vera Ribeiro." cap. Rio de Janeiro: J.org. . "Três ensaios sobre a teoria da sexualidade" (1905). DE WAELHENS. v. Espanha: Ed. v. Esses traços.E. 1972. XIV. 2. 1974. v. 4. configurando a esquizofrenia e a paranóia. entre filósofos. La Psychose Essai d’interprétation analytique et existentielle.. pp. possibilitam uma maior clareza sobre a subjetividade psicótica. conseqüência da não-inscrição da diferença dos sexos e. V. Nauwelaerts. Rio de Janeiro: J.1988. Louvain-Paris. Rio de Janeiro: Imago. "É nessa confusão que se inscreve o não-acesso do sujeito à ordem simbólica". 1980.br/jornada_sudeste . "As pulsões e suas vicissitudes" (1915). v. Acompanhar as teses freudiana e lacaniana sobre a psicose. VII. E. 1991. “Notas psicanalíticas sobre um relato autobiográfico de um caso de paranóia” (1911). Acompanhar as teses freudiana e lacaniana sobre a psicose. Os Pensadores.B. esperamos que esse trabalho possa contribuir para o debate. FREUD. XII. Entendemos.psiquiatriamg.). Mai.E. Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud (E. 105 www.

Não me chamem de bipolar. José e Francisco. e o dinheiro arrecadado é logo desviado em nome de indecifráveis imperativos de ordem econômico-financeira. Como cidadão. membro da Escola Brasileira de Psicanálise. Não me reduzo a isso. proponho que meu falar seja o do Chico. 1985. In: Psicosis y Psicoanalisis. 1985. "A ciência e a verdade". deprimido. 2a ed.E. no máximo. Mestre em Psicologia pela UFMG. Cabo Frio. servir como cínicas desculpas para criar ou aumentar impostos. R. MR 06 – Sala 07 Tema: ESQUIZOFRENIA: A CONSTRUÇÃO DA SUBJETIVIDADE Sub-Tema: Psiquiatria e cidadania Relator: Francisco Goyatá (MG) 36 A conquista da erradicação do bócio endêmico cresce de valor quando se lembra que saúde. membro da Associação Brasileira de Psiquiatria e Associação Mineira de Psiquiatria.Z. 12. et PONTALIS. tratam de si. Rio de Janeiro: J. J. LACAN. "O estádio do espelho como formador da função do eu".. 1985. J. Psicanalista.br/jornada_sudeste . Livro 11: Os quatro conceitos fundamentais da psicanálise (1964). dos Reis. transtornado ou doente. 13. obrigados a uma nomeação desenfreada. Rio de Janeiro: J. 2a ed.7. dada essa nossa época em que 36 Psiquiatra. 11. Como clínico da psiquiatria na cidade me autorizo. Percurso de Lacan. Rio de Janeiro: J. 14. Buenos Aires: Ed.E. Goyatá.. dos outros e de outrem. 1985. Manantial.S. “De uma questão preliminar a todo tratamento possível da psicose”. Falam desde não sei quando e como falam fazem e seu fazer provoca e invoca outros fazeres. "Esquizofrenia y Paranoia". são oriundas de uma prática entre sujeitos. 1987. Escritos. "Formulações sobre a causalidade psíquica".I. Vocabulário de Psicanálise. São Paulo: Ed. LAPLANCHE.. ((PORTUGAL. mimeo. higiene. Buenos Aires: Ediciones Manantial. ed. 106 www. seção Minas Gerais da Associação Mundial de Psicanálise do Campo Freudiano. Trata-se de propor ao psiquiatra encargo complexo de conduzir uma clínica não sem princípios e que as diretrizes.org.E.psiquiatriamg. In: Matemas I. psicótico. Eles falam. Martins Fontes. J-B.Z. por vezes. Jacques-Alain.Z. MILLER.. Rio de Janeiro: J. e. 9. ao falar. 10.E. educação e obras sanitárias nunca foram prioridade no Brasil. Livro 3: As psicoses (1955/56). (1974 / 1975). 1998. Chicão. 8a ed. Chiquinho. 1987. 1957) Não falarei como cientista social nem como cientista político nem como antropólogo. Somos. 8. que se colocam a partir daí.Z. "Accion De La Estructura". Podem.

então. de grata memória. produção. não nos garantem de crimes. Existem as ciências ditas exatas. Aprendi com a professora Sônia Viegas. assim como somos marcados. inventa. como sólidas e silenciosas. as outras. nas praças públicas. Qual diretriz. tratam de seu rigor. Como clínico receito filmes.psiquiatriamg. mata. dobra e corta como fez nosso poeta neoconcreto Amilcar de Castro. vazadas e penetráveis. Jacques Lacan nos lembrou que a loucura é limite da liberdade. que pensamos e poetizamos desde muito cedo e admiramos a vida ao nosso lado. individual e coletivamente. que sou. sem adjetivos que necessita das ciências e das artes. esquadrinha e descobre. . Na insegurança estamos.org. duras. Deus pode ser um dos nomes da árvore que vive 300 anos e é mais anciã que nós. como cria um pedaço de Real. nas ruas e nas favelas. os homens cheios de nós. nos shopings. Desembolemos e proponhamos: por uma psiquiatria que converse de fato com a cidade. Que ciência é essa? Não é ciência. as ciências sociais. escraviza. incongruências e singularidades. e uma vida dedicada ao bem. Tudo poderia ser muito simples – mineral. para tomar corpo porque lida com humanidade. decide. por exemplo. As ciências. embalagem e prateleira do supermercado. do cérebro. propaganda. que a palavra de que trato é a palavra que consiste e insiste em ato. em artigo recente.Jacques-Alain Miller tratou de chamar de nominalista e pragmatista – desenfreada digo eu.br/jornada_sudeste . dos encontros sérios e alegres. das trocas metabólicas. O que atrapalha a cadeia é o homem. no plural. 107 www. quais as diretrizes que advêm desta prática? A ciência dita alguma coisa. por isso as nomeamos. de acontecimentos sórdidos arquitetados para matar. sofre e faz sofrer. passeios. não sei se estou me citando bem. pela morte e pela loucura. apontam freqüentemente para o céu. da chamada por mim. as do inconsciente enquanto ciências que incluem a contingência e podemos até forçar um pouco mais: são poéticas. Suas esculturas com a chapa do ferro retirado do fundo da montanha. No embate com Henri Ey. Questão de ética: a psiquiatria é uma prática complexa. classe média devastada. é arte. Como um clínico vou poder dizer com Manoel de Barros que uma garça que o rio passa ao lado é primordial. flores e pássaros. As narrativas poéticas também podem ser estudadas sob o signo das ciências. toma corpo. chuta e faz gol. produto. da fenda sináptica. O tal homem é danado de bom. Nessa prática específica e coletiva estamos nós. joga. uma instituição dedicada ao amor e um estado ou uma empresa – e hoje elas existem maiores que as nações – dedicadas à chamada promoção da felicidade. O tal homenzinho é horroroso de ruim. teatros. faz corpo. Como disse Leonardo Boff. inclusive as dos Homens. das partículas elementares e do que sejam para lá do átomo e mede. a ciência dita neuro nos ensina que tomamos uma parte do corpo. Podemos dizer. dos números e aquelas das incompletudes. A arte toca o singular de cada caso que em sua intimidade é parcialmente decifrável. O psiquiatra clinicando faz uma prática discursiva.

uma jornalista admirável de Minas: a reforma psiquiátrica no mundo foi avanço das democracias. como chamarei meu. Mais à frente. Uma psiquiatria alegre em que prevaleça a boa convivência. Do ponto de vista do Chico cidadão.” Este cidadão viveu muitos anos e ele disse isto nos anos 60. seus cidadãos possam não ser escravizados por palavras de ordem fechadas: palavras são feitas de letras e letras contornam o nonada. sujeito. que seja rigoroso como o meu sintoma. “Junk é o produto ideal . reconstituindo seus princípios democráticos. no que ele possa ter de invenção.. visitado por Sílvio Tendler – do lado de cá. Guimarães. multidões de homens. O vendedor de junk não vende seu produto ao consumidor. Proponho: psiquiatria e biologia.. Nas palavras da necessidade absoluta: ‘Você não faria o mesmo’”? Nestes dias disse a Déa Januzzi. com a prática psiquiátrica. paciente. de consumidores do que seja. de doentes. O vendedor não precisa de lábia. Piora a qualidade da mercadoria e otimiza o cliente. saberem tudo de cada pedaço que cada um sabe do mistério da vida e da grandeza do desconhecido humano. contratarão suas agências e seus cientistas para um diálogo tenso. O cliente se arrastará pelo meio do esgoto implorando uma chance de comprar .org. Não melhora nem otimiza sua mercadoria. mesmo que torta. psiquiatria e. Antão. que. Aí o eu ficará feliz de poder dizer: aquele doutor meu aliado coloca a meu serviço sua profissão. psiquiatria e arte. Os psiquiatras sem adjetivos conversem uns com os outros porque não existe possibilidade deles nem individual nem em seus grupos.br/jornada_sudeste .. como nos lembrava Betinho quando nos falava da fome. no livro Almoço nu. Mas as democracias hão de convir que a face do mal é a mais absoluta necessidade. que me promova. A geografia viva de suas andanças prevaleça para que não mate.. psiquiatria e psicanálise. o oco. como o chamarei?! Josefina. Por uma psiquiatria que faça parcerias. a mercadoria suprema. A fome é a mais absoluta necessidade ou antes de morrer alguém tem sempre algo a dizer? Por que insistimos em modelos que em nome de dizer miséria. não morra e não banalize a maldade humana nem com a pílula dourada do monopólio. proponho laços com associações de usuários. e. continua: “A face o ‘mal’ é sempre a face da mais absoluta necessidade. Uma cidadania em que múltiplos cidadãos. Eu tenho depressão e quero um psiquiatra que me trate.. cliente.. Que o Brasil tenha de volta seus cientistas que se foram para outros países. à guerra. onde um é tão incontável que só se possa contá-lo como multidão. Fábio. vende o consumidor ao seu produto.. contando com os laços que eles têm em seu território. os chamarei pelo nome e eles falarão... e . ensaio com 108 www. cidadania. Paga seus funcionários em junk. pela sanha do lucro desmedido. não dizem cultura pura de pulsão de morte! Alguma coisa está podre no reino da Dinamarca.. usuário.psiquiatriamg. de um jeito humano de ser..Por uma psiquiatria que aproveite o que os cidadãos inventam para não serem tão sofridos assim. ao subjugamento devastador da natureza pelo homem. de modo que a globalização seja vista em boa memória de nosso geógrafo Milton Santos. Que de fé seja profícua ao fazer singular de cada um. Por uma psiquiatria que desconverse e diga não à tortura.

2005. XI in Memórias inventadas: a infância. A arte do diagnóstico : o rouxinol de Lacan. 1832. Belo Horizonte: domingo. LACAN. sertões e gerais. 1998. 3 MR 06 – Sala 07 Tema: ESQUIZOFRENIA: A CONSTRUÇÃO DA SUBJETIVIDADE Sub-tema: “O trabalho da arte e subjetividade na esquizofrenia” Relator: Maria Cristina Reis Amendoeira (RJ)37 A presente comunicação origina-se de uma pesquisa de doutorado sobre a capacidade de expressão. 5. Escola Brasileira de Psicanálise – Seção São Paulo. BARROS.]. Jacques. BURROUGHS. 25/5/2008. Belo Horizonte. NICOLELIS. 2005. 152[151]-194[193]. 4-6. Caderno Pensar. poderia nomear certa nostalgia nesta minha comunicação. P. Trad. 16. p. do acervo Coleção Márcio Teixeira e Instituto Amílcar de Castro. 23/5/2008. Belo Horizonte. Formulações sobre a causalidade psíquica. Ano XII. P. Este estudo de caso. v. Eles deixam as sombras. P. em pessoas com transtorno mental. por conseqüência. Belo Horizonte: sábado 19/4/2008. William. Miguel. Referências bibliográficas ATHAYDE. Celso. Rio de Janeiro: Objetiva. ROCHA. A rã.. 109 www.br/jornada_sudeste .org. talvez um Country for a old man . nº 4177. P. maio 2008. Belo Horizonte: [s. P. n. Para Marina Silva. Carta de São Paulo. In Almoço nu.] A esperança como dever.psiquiatriamg. 10. nº 134. Catálogo da Exposição Amílcar de Castro. Douglas Garcia. In Jornal O Tempo. mal traduzido para: Onde os fracos não têm vez. Déa. A nostalgia do pai. 18. por meio das imagens. out. Caderno Bem Viver. JANUZZI. é permanente e descontinuada. Vera Ribeiro. Henrique Furtado. com a parceria do Trem Tam Tam. BOFF. Guilherme Massara e ALVES JR. In Cabeça de porco. Rio de Janeiro: Ediouro. Amílcar. Ano 12. In Jornal Estado de Minas.meus alunos em Hamlet. 31-36. 2008. J.. CASTRO. 115-125. “política sem teologia é puro negócio”. PORTUGAL. São Paulo. 2003. [et al. São Paulo: Planeta. 2003. Depoimento: Testemunho Acerca de uma Doença. Manoel. In: ______ Escritos. 2008. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor. Entrevista à Revista Caros amigos.-nov. P. altiplanos. In Jornal Estado de Minas. P. 247. porque não? Sem alegria. (1946). A saúde pública nas serras. descontração e festa não vai dar para sair no próximo carnaval: do 18 de Maio. p. A formação do psiquiatra. Leonardo. possibilita apresentar a viabilidade de comunicação 37 Psicanalista da Sociedade Brasileira de Psicanálise do Rio de Janeiro Doutora em Psiquiatria do IPUB/UFRJ Membro do Conselho da Sociedade de Amigos do Museu de Imagens do Inconsciente. n. MILLER.

A necessidade de expressão.. 1993). é real. 110 www. apesar das raras verbalizações explícitas. Alguns pacientes chegaram a criações consideradas por Mario Pedrosa e Ferreira Gullar como verdadeiras obras de arte (PERESTRELLO. já que o substrato mais profundo do homem é universal. O potencial terapêutico da arte não requer a supressão do sofrimento e. ao se dedicar a questões da teoria da arte como a arte autêntica e gênese da criação.] Nise da Silveira. tornando visível o mundo interno de uma mulher portadora de esquizofrenia em sua trajetória nas transformações da psicose.org. e da alegria de encontrar algo que intuíra. levaram-na a revelar seus sonhos.. As imagens. em seus valores expressivos. são fonte de processos. expressar plasticamente sua vida interior como conflitos. comuns a todos nós. A atividade expressiva recupera a dignidade do sujeito e o insere não em um mundo de velhos ou jovens. 2003). alucinações e delírios por meio das imagens. nem formar artistas. O processo criativo traz em si mesmo alguma insatisfação: o desejo de alcançar beleza. Nise não visava nem descobrir. No início do século vinte. historicamente. pessoa extremamente criativa. A necessidade humana de criar e recriar a realidade busca na arte uma via de expressão que pode trazer alívio emocional (CAVALCANTI ET AL. já que é uma forma de contato do sujeito com suas emoções e com o mundo. Com o diagnóstico de esquizofrenia.e reabilitação psicossocial. sua finalidade era terapêutica: que eles pudessem exprimir. sim. Nas diversas formas de expressão artística experimenta-se esse processo. a possibilidade do enfrentamento das dificuldades da busca. Alemanha. A expressão artística é considerada atividade terapêutica. de afetos e de significações. e valorizou.psiquiatriamg. 1972). 2006). sobrevive à desintegração da personalidade” (PRINZHORN. por meio da expressão artística. mas não se pode prever o caminho que leva a esse resultado (PAREYSON. e sua linguagem se expressa através das imagens do inconsciente.. ensinou-nos que a criatividade pode persistir nos doentes mentais. Certamente a criatividade permanece intocada na condição esquizofrênica. demonstrando que uma “pulsão criadora. A imagem artística tem uma inventividade nitidamente superior à de qualquer outra imagem: ela permanece na esfera da invenção e da descoberta: [. doentes ou sadios. Adelina Gomes freqüentava diariamente o ateliê de pintura do Museu de Imagens do Inconsciente. Em seu notável trabalho quis mostrar o que se podia fazer e aprender com eles. mas num campo social onde o trabalho criativo mantém a todos na grande aventura de ser humano. uma necessidade de expressão instintiva. na esquizofrenia. equilíbrio ou expressão de um sentimento. Prinzhorn apresentou teorias inovadoras sobre a psicologia da expressão. vivências positivas e negativas e até esperanças. A expressão artística é um recurso de compreensão e tratamento à pessoa portadora de esquizofrenia. Nas vivências esquizofrênicas. a produção dos doentes mentais que vinha sendo coletada para estudos na clínica de Heidelberg.br/jornada_sudeste .

. 1971). O casal de noivos: o sonho de Adelina. ainda estava internada numa enfermaria do Hospital. A série da metamorfose vegetal presente desde o início da crise. 1992). ou queriam possuir. enfim livre do medo dos duendes assustadores que habitavam os corredores do hospital e a perseguiam.] Adelina. afirmando-se em sua individualidade num movimento claro de integração. 1992). para Adelina. 111 www. em cor branca. sendo a maior delas. estabilizar o caos existente em seu mundo interno (SILVEIRA. negativista. Sua personalidade incomum perde a terrível agressividade e vencendo profundos obstáculos chega a libertar-se da pressão da mãe mítica e impor a vitória dos seus impulsos femininos de amor e afirmação. configuram uma série que narra o tema mítico da Dafne. 1980). vegetal e animal. Muitas de suas primeiras figuras têm a característica de ser um misto de mundo mineral.psiquiatriamg. envelhecida. uma tentativa de conjugar opostos angustiantes. As formas humanas se mesclam nesses mundos. onde a despersonalização era tal que Adelina não reconhecia fronteiras entre si e o mundo que a cercava. Adelina pintava todos os dias. pintura que apresenta três figuras femininas dispostas em uma cruz. sem braços ou corpo. A expressão artística torna-se reveladora do fluxo de imagens do inconsciente possibilitando o acesso ao seu mundo psíquico (JASPERS. o homem presente com a superação.br/jornada_sudeste . ao morrer. Após muitos anos de internação. não houve dificuldade para que aceitasse pintar quando começou a freqüentar o ateliê. como nas mulheres crucificadas. apesar de sua atitude agressiva. com produção criativa importante (Silveira. Esta transformação se reflete nas novas criações de Adelina: a série de idílios e para-idílios. de difícil compreensão e acesso no curso da psicose.essas imagens invadem a consciência com extrema força e aproximam-se de forma desordenada das fontes do processo criativo. Surge o homem e a tendência da mulher a relacionar-se com ele. e. entre imagens belas. é vivido em sua fantasia. e. a central e com maior definição do rosto. dramáticas e líricas. Ainda presentes temores em relação à desintegração da personalidade pela invasão do outro. Deixou um acervo de 17500 obras: [. A presença da sexualidade. o que também poderá revelar. dando uma noção da simbiose existente no mundo interior da paciente.. as riquezas do psiquismo.org. O percurso da indiferenciação para um estágio mais integrado. A figura de duas mulheres. não realizado no mundo real. mãe e filha. A cruz é uma imagem identificada com várias concepções religiosas. As temáticas arquetípicas vivem na pessoa durante toda a trajetória de vida. Daí a importância das atividades expressivas no tratamento. através de extraordinárias criações. A série de casais inicia-se com figuras ainda incompletas. em 1946. que são a glorificação do amor entre o homem e a mulher (PEDROSA. Surge a imagem da mulher. No caso de Adelina Gomes (1916/1984). as imagens continuam fortes. a superação dos contrários. permanece na idade avançada.

New York. Referências bibliográficas CAVALCANTI. a compreensão de que. 1980. A. Seu talento pessoal é reconhecido por críticos de arte. contraditórios. e a de pintora. Rev. Isso porque a construção de uma identidade carregada de sentido lhe é permitida através da atividade expressiva. n.br/jornada_sudeste . através da magia da arte. Brasília: Alhambra. Texto de apresentação da exposição Criatividade e Envelhecimento no Museu de Imagens do Inconsciente. K.110-7. PRINZHORN. O campo da arte é o terreno da sensibilidade e revela-se mais democrático em termos de possibilidades. USA: SpringerVerlag. CAVALCANTI. E. 1972./dez. C.Ter. Petrópolis: Vozes. no ateliê. Psicopatologia General. JASPERS. PERESTRELLO. 112 www. M.T. Extraímos.T.14. 2002).v. L. Museus: Museu de Imagens do Inconsciente. Estética: Teoria da Formatividade. exprimem inúmeros conteúdos numa linguagem primitiva que é comum a todos nós. SANTOS. N. ricas em símbolos e imagens. No entanto. cisões no pensamento e cisão das funções psíquicas caracterizam um estado psicótico da mente. Solar da Marquesa.org.psiquiatriamg. FUNARTE. São Paulo: Editora Ática. LOUREIRO.p. as imagens atuam como um meio de linguagem e também nos possibilitam o conhecimento do que se passa no turbulento mundo interior do paciente. A mesma mulher e dois tratamentos antagônicos. quando a expressão através das palavras não se concretiza. Minas Gerais. 1992. Imagens do Inconsciente. M. experimentar um novo sentido de identidade e reatar contato com fontes internas de vitalidade. 2007. Pode a arte ser terapêutica? Reflexões a partir do trabalho desenvolvido com pacientes da terceira idade no Ateliê da Vida do Instituto de Psiquiatria da UFRJ. buscar instintivamente o sentimento de ser um sujeito que pertence a determinada época e cultura (ZOLADZ. ed. Artistry of the mentally ill [1922]. O mundo das imagens. A análise dessas imagens possibilitam uma maior compreensão do que se passava no seu interior e constituem uma mediação simbólica entre a paciente e o mundo. Este é o campo no qual os obstáculos podem ser superados ou subvertidos.2003. A relação com a atividade artística possibilita assimilar novas representações em sua vida psíquica.Adelina transitou entre duas identidades diversas: a de “esquizofrênica”. Existe em todos nós uma necessidade de criar e recriar a realidade e.M.R. AMENDOEIRA. Estes bloqueios. H.C. M.Ocup. Instituto Nacional de Artes Plásticas.IPUB. 1971 PAREYSON. 1993.São Paulo. na enfermaria gradeada. de comunicação para o paciente psiquiátrico. MEC. Essa atividade criativa torna-se um canal de expressão emocional.3. UFSJR. SILVEIRA.Univ. N. Coleção Museus Brasileiros. essas pinturas. 1981.. como o retrato das contradições de uma instituição psiquiátrica. M. 2000. As limitações podem abrir novas saídas poéticas. 4a.Buenos Aires: Editorial Beta. PEDROSA. set. A existência desses dois mundos apontou-lhe novas possibilidades de modelos identificatórios. SILVEIRA. dessa experiência.

W. 2006. Rio de Janeiro: Revinter. A iconografia da casa. Deparei-me também com essa dificuldade ao escrever sobre a velhice. 1976.br/jornada_sudeste . Psicanalista. hábitos de vida. 39 38 113 www. traços arcaicos da memória que. R.Que é a velhice? Quais os parâmetros utilizados para afirmar que alguém parece jovem ou envelhecido em relação a outro da mesma idade? Quando envelhecemos? Qual sujeito não envelhece? Tais perguntas. Para explicitá-lo retomarei rapidamente em Freud a tese da constituição do aparelho psíquico. uma vez marcados não se alteram com a passagem do tempo. apesar da experiência anterior trabalhando com idosos. Belo Horizonte: Autêntica. saídas criativas. EBA/UFRJ. mas não igualam todos os idosos. Depressão e envelhecimento. capacidades de respostas às mudanças entre outros.ZOLADZ. mas sob uma barra ao sentido. 2002. indestrutíveis e exercendo influência sobre tudo que vem depois. aparentemente fáceis.psiquiatriamg. Rio de Janeiro. A medicina distingue pelos conceitos de senescência e senilidade. traduções e rearranjos no segundo e terceiro tempo da constituição desse aparelho. remeto o leitor: Mucida. In Dulcinéa da Mata Ribeiro Monteiro (org). No primeiro tempo encontram-se os primeiros traços da percepção. Quando afirmamos que o sujeito não envelhece nos referimos ao sujeito do inconsciente. A propósito do imaginário e suas representações culturais .W. Esses traços mesmo efetivos. Coordenadora da Especialização em Saúde Mental e Psicanálise (Newton Paiva) e autora do Livro: O sujeito não envelhece. Mestre em Filosofia. 79: 46-56. A propósito. Sigmund. hereditários. eles não anulam a complexidade que o conceito de velhice traz a todos os saberes que se ocupam dela. Alguns deles sofrem novas inscrições. ZOLADZ. Todavia. pois na velhice está em cena uma série de fatores que se entrelaçam. um envelhecimento natural daquele com patologias do envelhecimento. nomeada de Psicóloga.Psicanálise e velhice. não podem ser lembrados ou trazidos à consciência. MR 07 – Sala 06 Tema: CUIDADOS ESPECIAIS EM TERAPÊUTICA PSIQUIÁTRICA: IDOSO E COMPLICAÇÕES CLÍNICAS Sub-tema: “A condução do tratamento na velhice: por uma clínica do sujeito” Relator: Ângela Mucida (MG)38 A partir de algumas indicações já desenvolvidas39. supondo diferenças na maneira de envelhecer e associando-a a uma série de fatores genéticos.Psicanálise e velhice. destaco dois conceitos para a reflexão sobre o tratamento com idosos: velhice e o sujeito que não envelhece. Arte e Ensaios.40 Ele expõe um aparelho psíquico constituído por traços ou estratificações.org. 40 Freud. trazem sempre uma complexidade significativa na resposta. R.2000. O sujeito não envelhece. Partamos de algumas questões:. Carta 52. não envelhecem e não morrem. Ângela. 2ª edição.

Entrevista concedida à revista Caros Amigos. de uma relação a outra. No dizer de Manoel de Barros: “A um editor que me sugeriu que escrevesse um livro de memórias eu respondi que só tinha memória infantil. com passagem rápida de um objeto a outro.br/jornada_sudeste . impõe um intenso trabalho de luto e a criação de novas formas de enlaçar a vida. Nascemos em um mundo permeado de palavras escutadas. o abandono e o descaso para grande parte dos idosos. variável para cada um. em 11-12-2006. temos tratamentos de muitos dos efeitos trazidos pela passagem do tempo e pode-se viver melhor do que antes sob vários aspectos. A velhice é um momento do envelhecimento.recalque. Muitas das decisões e projetos importantes da vida podem hoje ser adiados. O fato de vivermos mais devido a diferentes avanços científicos e tecnológicos. acarreta modificações no modo de conceber a velhice e na maneira de vivê-la. A idéia de que tudo deve mudar em um tempo rápido. Disponível em: http://www. 41 BARROS. a partir de suas escolhas e daquilo que o constitui como sujeito.org. da juventude e outra de velhice. Marcado por uma série significativa de perdas e modificações. sentidas. Por outro lado. impera a segregação.overmundo. sociais e aguçamento de perdas.br 114 www. Recorda-se sob a pena de uma falha inaugural. No inconsciente predomina o infantil. Afirmar que o desejo não envelhece não implica que ele se inscreva da mesma forma durante a vida.com. Esse impedimento à rememoração marcará todo o funcionamento da memória. distinguindo-o de todos os outros por não se modificarem com o tempo. e mesmo sendo um destino inevitável. O sujeito não envelhece. vige o imperativo do novo. faladas. Estou escrevendo agora minhas memórias infantis da velhice.psiquiatriamg. oferecem a perspectiva de que afinal o tempo não passou. percebemos o envelhecimento muito mais claramente nos outros do que em nós mesmos. acarreta dificuldades de reconhecermos-nos em diferentes “espelhos” exibidos pela passagem do tempo. cada um envelhece de seu próprio modo. O editor me sugeriu que fizesse memória infantil. Como não envelhecemos de uma só vez. Há uma miopia na relação do sujeito com sua imagem: velho é o outro no qual não nos reconhecemos. Não existe uma velhice simplesmente natural. no qual se conjuga diferentes fatores inclusive a idade. bem como o desejo e o psiquismo. com a desvalorização da história e do antigo tem efeitos sobre a velhice. pois ela se posta hoje diferente do que foi anos atrás ou séculos anteriores ao nosso. exatamente hoje quando o mundo envelhece e presenciamos cada vez mais idosos pelas ruas. ainda bem. A velhice é ainda um efeito dos discursos. lembradas como ecos de outro tempo. não disponíveis a todos.”41 A sensação de que somos os mesmos. no qual o sujeito encontra um limite ao fantasma de eternidade no real do corpo. com feridas narcísicas importantes e modificações nos laços afetivos. esquecidas. mas que não morrem. mas existe a velhice. Apesar de tantos objetos à disposição não é fácil envelhecer no mundo atual! Para além da tecnologia e tratamentos. Esses traços que acompanham cada sujeito.

Nessa empreitada o corpo envelhecido encontra muitos limites e paradoxos. exigindo constantes cuidados médicos. Entretanto. preparado para o trabalho e pronto para gozar. mostre-se sadio. mas qual o álibi para ela? Muitos sujeitos afirmam terem se deparado com a velhice. belo. mesmo sob o sofrimento. Há um corpo fragilizado pela passagem do tempo que exige cuidado. um corpo reduzido à dimensão biológica e ao campo da necessidade. no sentido negativo. todavia que necessita ser escutado. Diante das perdas o melhor remédio é o luto. estar doente é uma forma de ser olhado e tocado. tenham ou não sintomas diagnosticados de uma patologia. não abre espaço à demanda e ao desejo. diferente do corpo jovem. Não existe velhice sem trabalho de luto. Escuto na clínica que ir aos médicos. concomitantemente. ter uma verdadeira farmácia em casa. Atualmente os lutos são cada vez mais evasivos 115 www. ingerir dezenas de remédios é comum aos idosos. já que o corpo envelhecido. tratamentos e pronto-atendimentos destinados aos corpos doentes. Entretanto hoje se imputa à velhice ou ao envelhecimento a partir da meia-idade. em especial na imagem e na motricidade. mas ali se encontra um sujeito com capacidades de enfrentar as perdas e de elaborá-las. desresponsabilizando-se diante do que sofrem e colocando empecilhos consideráveis ao êxito do tratamento.psiquiatriamg. pode-se envelhecer bem. tem efeitos sobre muitas das respostas sintomáticas presenciadas nos idosos. é pouco olhado e tocado. tornando-a por vezes irreconhecível é. além de não ser valorizado socialmente. prevalecendo mudanças na capacidade de defesa a muitas doenças. muitos dos sintomas para os quais não se encontra uma solução. permitindo abrir as vias pelas quais o desejo possa transitar novamente. mesmo que em vários casos torna-se necessária também a prescrição de antidepressivos e/ou ansiolíticos.org. a não ser quando doente. negando a velhice e as modificações inevitáveis. A maioria consome também uma série de antidepressivos e tranqüilizantes e muitos deles. de outro pode se impor a fatídica frase: é a velhice! Muitos idosos fazem pacto com esse destino irreparável. A oferta excessiva de medicamentos. Vale ressaltar que. sarado. adaptando-se a elas. não adoeça. após uma consulta médica. passam de uma consulta médica a outra à procura de diagnósticos de supostas doenças. com efeitos nefastos sobre a marcha e a memória. Ainda encontram-se embrionários os estudos sobre os efeitos de tantos medicamentos sobre um corpo realmente mais fragilizado. Consumir tratamentos. reais ou imaginárias que tocam diretamente a relação do sujeito com o mundo. O luto é um trabalho para a vida. se de um lado presenciamos sujeitos que. A velhice tende a ser o álibi para tudo. Agarrar-se a esse estado pode ser a tentativa para alguns de resgatarem o laço com o outro. “Convidado” a existir à custa de seu apagamento com técnicas que prometem retirar da imagem as marcas prescritas pelo tempo. um corpo supostamente frágil e doente.br/jornada_sudeste . Apesar de muitos sintomas e patologias só aparecerem com o passar dos anos e das modificações corporais.No discurso atual o imperativo do “novo” e do gozo rápido coloca em destaque um corpo ideal e um mercado de técnicas para que ele funcione bem. pois aí se conjugam inúmeras perdas.

In: Edição S. Esse buraco aberto por elas. trabalho. Sigmund. 2006. De minha experiência clínica com alguns casos diagnosticados ou de suspeita de Alzheimer. a perda de um ente próximo ao idoso incide de maneira diferente sobre os outros membros da família. no final. histórias que buscam dar sentido ao não-sentido. de S. Brasileira das Obras C. mas que sofre à sua maneira os efeitos da velhice. tempo que não se apaga. do retorno ao tempo do balbucio. nem sempre facilmente detectáveis. que sem o trabalho de luto acarretam um recuo a um passado como defesa contra um real avassalador. diagnóstico de doença grave. família.com. Belo Horizonte: Autêntica. lembranças. 116 www.psiquiatriamg. Um sujeito com 93 anos acentua que depois da perda do marido começou a esquecer os nomes das coisas. clínica ou no meio social. imagem. Distinguir o luto da depressão. mas apenas do que vive do objeto amado. Na clínica encontramos sujeitos que clamam por um espaço para falarem de suas perdas. In: http://www. escutar sentimentos de solidão. respeitar o tempo necessário a ele. Resposta subjetiva diante de alguns dos percalços da velhice.e curtos e o espaço destinado a ele na velhice é ainda menor. nas relações familiares. Ele inclui perdas significativas.. etc.org. abandono e insegurança são pontos a serem considerados para o diagnóstico e o tratamento. sempre singular. Carta 52. BARROS. Afásica para alguns nomes cotidianos. sobretudo. Não obstante geralmente os idosos conseguem suportar bem as perdas. Perdas e lutos mal-elaborados afetam a memória e nos tempos do Alzheimer nunca é pouco lembrar que. MUCIDA. Presenciamos no Alzheimer uma mistura dos tempos da memória. pude depreender que vige um rombo significativo. no tratamento do idoso. O sujeito não envelhece-Psicanálise e velhice. Ângela. 2ª ed. só pode ser contornado com palavras. está em cena um sujeito que não envelhece. Como falar na falta dos referentes? Como pensar sem as palavras? Insiste em falar pelas lembranças. pedaços de palavras.br/jornada_sudeste .overmundo. com predomínio. músicas às quais o sujeito tenta se agarrar na tentativa de recuperar algo de si. este passa sempre pelo sujeito. Referências bibliográficas FREUD. Freud. tenta enlaçar com muitos fios sua história de amor. Dessa forma. já que encontram poucos dispostos a ouvi-las. impreenchível. Rio de Janeiro: Imago.br. seja em instituições. 1976. mas não todas. desde que tenham espaço para o luto. da relação do sujeito com o Outro antes do desencadeamento dos distúrbios da memória. à vida que continua. junto a diferentes hipóteses de seu desencadeamento. em 11-12-2006. Entrevista concedida à revista Caros amigos. não quer se lembrar da perda. Mesmo com afasias esse sujeito agarra-se às lembranças que lhe interessam e isto não a deixa sair do tempo. pequenas frases. Cada perda toca de perto seu sentimento de finitude e pode despertar perdas anteriores.

psiquiatriamg. O envelhecimento ocasiona alterações na quantidade e qualidade do sono. são também prevalentes a sonolência e a fadiga diurna. embora não sejam específicos do envelhecimento.org. e vários outros problemas. uso de drogas (psicotrópicas ou outras). incluem-se as queixas referentes ao tempo dispendido na cama sem dormir. embora os idosos geralmente relatem suas queixas relacionadas ao sono. comorbidades psiquiátricas e eventos psicossociais. agitação noturna e quedas. Essa sintomatologia permite afirmar que sono e repouso são funções restauradoras necessárias para a preservação da vida. Isso contribui para o subdiagnóstico e o aumento no consumo de drogas hipnóticas. com aumento de cochilos.MR 07 – Sala 06 Tema: CUIDADOS ESPECIAIS EM TERAPÊUTICA PSIQUIÁTRICA: IDOSO E COMPLICAÇÕES CLÍNICAS Sub-tema: “Apnéia obstrutiva do sono em idosos e suas repercussões clínicas” Relator: José Soares Mol Filho42 A difusão e atualização dos conhecimentos a respeito dos distúrbios do sono nos idosos podem contribuir para a adoção de medidas não medicamentosas para melhorar a qualidade do sono e para tornar o envelhecer mais saudável. maior latência de sono e despertar pela manhã mais cedo que o desejado.br/jornada_sudeste . Essas alterações provocam impactos negativos no sistema imunológico. no humor e na habilidade de adaptação. com impacto negativo na sua qualidade de vida. Além dessas queixas. mas como eventos normais do processo de senescência. Nessa última categoria. hábitos inadequados de sono. o comprometimento cognitivo e do desempenho diurno. Os fatores que contribuem para os problemas de sono na velhice podem ser agrupados nas seguintes categorias: 1) dor ou desconforto físico. Ressalta-se que. 3) desconfortos emocionais 4) alterações no padrão do sono. na função psicológica. dificuldade para reiniciar o sono. nem sempre 42 Psiquiatria clínica e Medicina do sono. que. as quais afetam mais da metade dos adultos acima de 65 anos de idade que vivem em casa e 70% dos institucionalizados. na performance. transtornos orgânicos e afetivos. têm um grande impacto sobre os idosos em decorrência de seus efeitos sobre o sono: falta de adaptação às perturbações emocionais. na resposta comportamental. tais como doenças clínicas. 2) fatores ambientais. assim como sobre os fatores que interferem no sono saudável. o que por si só justifica a necessidade dos profissionais de saúde atualizarem seus conhecimentos acerca das alterações fisiológicas que ocorrem no sono com a velhice. muitos não o fazem por não concebê-las como disfunções. menor duração do sono noturno. além de aumentar o risco para doenças cardíacas e cérebro vasculares e o risco para acidentes no trabalho e no trânsito. 117 www.

a exemplo de outras dificuldades relacionadas à idade. Acima de 5 apnéias por hora. aumentam os riscos de morbidade. os relacionados a problemas respiratórios são dos mais comuns entre os idosos e dentre esses. tais como perda de peso.prescritas e consumidas com observância à sensibilidade farmacodinâmica da idade e às alterações no desempenho diário do idoso. embora as alterações afetem a profundidade e a duração do sono. O tratamento pode envolver medidas clínicas genéricas. a tendência é de considerar as perturbações do sono e suas implicações como acontecimentos anormais associados ao envelhecimento. Por outro lado. pode ocorrer queda na saturação sanguínea de oxihemoglobina. diminuição da concentração e atenção. A apnéia do sono é mais freqüente em homens e em indivíduos acima de 60 anos de idade e está associada ao excesso de sonolência diurna. ou 118 www. como memória e cognição. confusão durante a noite e comprometimento neuropsicológico. e um índice superior a 10 episódios por hora aumentam os riscos de mortalidade. enquanto que o consumo de álcool. O diagnóstico clínico das apnéias obstrutivas do sono é sugerido pelo roncar (obstrução da faringe). pois. o tabaco e os sedativos têm sido apontados como fatores causais. hipertensão noturna. que ocorre durante o ciclo de sono cinco ou mais vezes por hora de sono. doenças neuromusculares. arritmias cardíacas e sonolência diurna. rinite alérgica ou vasomotora). mais acentuada na posição supina. A obesidade tem sido considerada como um fator de risco central para a apnéia do sono. Medidas clínicas específicas. que possam melhorar a qualidade de vida na velhice. dormir em decúbito lateral. freqüentemente. a incapacidade para dormir foi correlacionada com a gravidade da diminuição cognitiva e. Em decorrência da interrupção da respiração. arritmias cardíacas. Considera-se grave a ocorrência de 20 ou mais episódios de apnéia por hora na presença de hipertensão arterial sistêmica. cefaléia. depressão. a apnéia obstrutiva do sono é a que mais deve merecer a atenção do médico assistente. incluindo medidas não farmacológicas. A interrupção da respiração é acompanhada por ronco intenso e contínuo. tais como dispositivos para contenção da língua. pressão positiva contínua em vias aéreas (CPAP) e controle de doenças clínicas (hipotireoidismo. Devem. que avalia o grau de anormalidade. particularmente álcool e sedativos. além de um aumento do risco de morte súbita noturna. O padrão ouro para diagnóstico é a polissonografia. melhorando às vezes com a lateralização. Dentre os diversos transtornos do sono. suspensão de drogas.br/jornada_sudeste . exercícios físicos e suspensão do fumo.psiquiatriamg. A apnéia do sono é definida como a cessação do fluxo do ar pela boca ou nariz por dez segundos pelo menos. prejuízo da memória na demência. sonolência diurna (fragmentação e superficialização do sono) e o testemunho de apnéias (relato do companheiro de quarto). pelo seu potencial de morbi-mortalidade elevados.org. acromegalia. aumento de irritabilidade. pois. de abandono de cuidados domiciliares prestados pela família aos pacientes demenciados. os idosos saudáveis mantêm a capacidade de dormir e restaurar a energia funcional. merecer uma criteriosa avaliação diagnóstica e intervenções terapêuticas. Atualmente.

Câmara WS. Sleep Problems.controle cirúrgico (uvulopalatofaringoplastia. 190-205 Câmara VD. Management of chronic insomnia in the elderly. chamando atenção para a depressão e outros aspectos da saúde mental do idoso. et al. Psiquiatria geriátrica. McCall WV. os pacientes idosos que devem ser submetidos a tratamentos psicofarmacológicos para a depressão. Porto Alegre (RS) : Artmed. Blazer DG. 333-342 Ring D. Reynolds III C. a depressão entre idosos está associada à presença de doenças físicas. p.F. geralmente já estão recebendo um ou mais fármacos para o tratamento das outras condições presentes.br/jornada_sudeste . 2:178–185 Ceolim MF. Current Neurology and Neuroscience Reports 2002. traqueostomia. A depressão é uma das condições psiquiátricas mais comuns entre idosos. glossectomia a laser. osteotomia mandibular inferior. Distúrbios do sono no idoso.br Referências Bibliográficas Neylan TC. 78(5): 531-6 MR . Tais pacientes representam então um duplo desafio para o psiquiatra: 119 www. São Paulo (SP): Atheneu. Contato: www.psiquiatriamg. 2002. De uma maneira geral. aumento da mortalidade e aumento do uso de serviços de saúde. e também apresentam um potencial de agravamento destas. In: Hazzard WR. Rio de Janeiro (RJ) : Guanabara Koogan. 1999. Benseñor IM.07 – Sala 06 Tema: CUIDADOS ESPECIAIS EM TERAPÊUTICA PSIQUIÁTRICA: IDOSO E COMPLICAÇÕES CLÍNICAS Sub-tema: “Relação entre depressão e quadros clínicos nos idosos: desafios terapêuticos” Relator: Sandra Carvalhais O envelhecimento se associa com um considerável aumento de doenças nãoinfecciosas. Tratado de geriatria e gerontologia. 190-195 Drager LF. Transtornos do sono e distúrbios cronobiológicos. Ladeira RT. Principles of Geriatric Medicine and Gerontology.1996. In: Freitas EV.com. p. como novos problemas de Saúde Pública.com. Evidências atuais. geralmente crônicas e incapacitantes.Clin Excell Nurse Pract 2001. verificando-se que aqueles com sintomas depressivos apresentam maiores riscos de comprometimento funcional. O sono do idoso. Sleep Changes and Disorders in the Elderly Patient.josemol. New York: McGraw-Hill. 5(1):13-16 Haponik EF. entre outras). Py L. In: Busse EW. Desta forma. Síndrome da apnéia obstrutiva do sono e sua relação com a hipertensão arterial sistêmica. Neri AL et al. Brandão-Neto RA. 1999. Lorenzi-Filho G.org. p. Arq Bras Cardiol 2002.br josemol@lifecenter. Gerontologia. p. In: Papaléo Neto M. 1413-1427 Avidan AY. May MG.

A toxicomania é uma solução do sujeito capaz de trazer alívio para a dor existencial. MR 08 – Teatro Oromar Moreira Tema: VIOLÊNCIA E DROGADIÇÃO Sub-tema: “Uma escuta do nosso tempo: violência e a drogadicção” Relator: Regina Teixeira da Costa (MG) Minha questão a partir do convite para esta mesa foi pensar a conexão entre os dois termos: Violência e Drogadicção. que situamos no nível da subjetividade. A violência vem se manifestando como fenômeno paradoxal do nosso tempo. Para discutir a violência e sua relação com a toxicomania será preciso abordar duas vertentes: a objetiva ou poderia chamar social e a outra subjetiva. instaurasse maior nível de satisfação na pósditadura vivida no Brasil. no incentivo ao consumo sustentado pelo sistema capitalista que valoriza a posse de objetos como signo de status e promessa de felicidade em detrimento dos laços sociais. Nossa sociedade produz a violência e a consome em larga escala. Paradoxo de nosso tempo. E não se pode desprezar o papel das mídias neste processo. A violência entretanto extrapola a esta causa e surge num contexto mais amplo causada também por outros fatores.br/jornada_sudeste . assim incrementando a violência. Vivemos na modernidade um movimento que só conduz à sua própria aceleração e toda nostalgia é perigosa. na desmoralização das autoridades. ao permitir a participação. Democracia e violência. como flagelo social forjou a figura escandalosa do toxicômano foi inevitável e justifica o controle social que proíbe o uso de substâncias consideradas ilícitas. Trabalharei a disjunção entre os dois termos e sua aproximação surgirá desta discussão. na corrupção na política. sustenta o narcotráfico. pois a drogadicção. Mas é preciso rever nosso trajeto para compreender o presente. nos anos 70.org. bandidos e perversos. é freqüentemente convocada a justificar como causa expressiva da violência atual no cenário social. Esperava-se que o regime democrático. 120 www. Fiz desta dúvida a questão central deste trabalho. anestesiada pela intoxicação.psiquiatriamg. a palavra e o direito do cidadão.medicar pacientes que apresentam sintomas que poderiam ser agravados pela medicação psiquiátrica e manter uma constante observação das possíveis interações medicamentosas entre as substâncias utilizadas no tratamento de todas as condições presentes. porém paradoxalmente vimos aumento da violência43. uma forma de gozo particular que cada sujeito encontra na adesão ao produto. 43 PERALVA. A toxicomania é uma das formas de compulsão. produz impacto social pela apropriação desta fatia de consumidores por comerciantes ilegais. O isolamento da entidade “toxicomania”. Produção que se vê na desordem das instituições garantidoras da lei. De fato. A princípio a questionei. Angelina.

Tropa de Elite demonstra quão bem-vindos são os métodos violentos utilizados contra narcotraficantes pelas forças policiais(BOPE: missão dada é missão cumprida) e a sua grande aceitação pela sociedade. um supereu.br/jornada_sudeste . Mesmo assim a lei não pode inibir toda tendência destrutiva do homem. governadores civis eleitos e uma polícia autorizada por um regime de exceção a torturar e matar.psiquiatriamg. 44 Ibidem.Neste sentido. que aliado ao sistema capitalista. estamos aqui interessados pela subjetividade estruturada a partir da linguagem. A debilidade das instituições promotoras da integração social incapazes de lidar com os desvios promovem o pânico e o desejo de fazer justiça com as próprias mãos já que deixa de garantir a lei em seu viés pacificador. A decomposição das normas e dos vínculos tradicionais e o surgimento de uma razão subjetiva permitiu surgir um individualismo destruidor. O Brasil saiu gradativamente de uma ditadura de trinta anos. Na formação de um juízo crítico interno. Tivemos uma transição que durou dez anos com presidentes militares. por aquilo que. a forma da sociedade reside em instituições capazes de produzir integração social e aptas para lidar com seus desvios. apontando para o enfraquecimento das instituições sociais incapazes de interditar as condutas violentas. herdeiro do pacto legal que coíbe a vontade de violência contra o pai. causando uma forte dessocialização que faz desaparecer as normas e os grupos que as representam produzindo um encontro direto entre as necessidades sociais e a recusa das regras44. Aqui podemos lembrar o filme de José Padilha. 121 www. se traduz na busca de dinheiro a qualquer preço.org. que abrigava bandidos autorizados por direito outorgado pelas próprias autoridades militares. Devemos nos lembrar que uma das mais importantes conquistas da cultura sobre a psique humana foi interiorização da coerção externa. a violência desencadeada pelas lutas entre clãs. corrupção e desorganização das nossas instituições de segurança. Para Torraine. até a polícia a política estão envolvidas com o crime e contra a população civil! (Peralva 2000: 87) Nos enganamos ao justificar que o motivo da violência seja a pobreza. portanto. Combater a violência com igual violência tornou-se desejável e espelha o desamparo da população diante da impotência. A criminalidade é inseparável desta desorganização que afetou as instituições da ordem pública. A cultura se forma mediante a regulação das relações quando retira o homem da lei do mais forte e faz laço. desordem. restando então sua face cruel e obscena do olho por olho. e. E a violência floresce apesar de malvinda entre nós espelhando laços mal construídos. ou entre delinqüentes e policiais que dividem os mesmos ganhos ilegais ou fazem uso comparável da violência. Daí os tráficos ilícitos. grande sucesso de bilheteria no ano passado. determinam e estruturam a posição do sujeito. da cultura e de seus ideais.

Las metástasis del goce: seis ensaios sobre a mujer y la causalidad. Mônica. uma política marcada pela honradez. adquirir a simbolização. 46 ZIZEK. violência define-se como “constrangimento moral exercido sobre alguém através de ameaça ou ofensa a integridade física podendo resultar em lesões corporais em maior ou menor grau de gravidade. José Marcos. Buenos Aires: Páidos. Thaís. Para tal ele também é castrado. envolve um ato de separação que inaugura a vida subjetiva.psiquiatriamg. sujeita à lei da diferenciação através da fala. pág. (Orgs. Ela hoje é banalizada. Belo Horizonte: [s. vivemos o desalento de quem. Vivemos em um tempo no qual a castração simbólica transmitida pela linguagem. Renata. A violência cresceu assim como as comunidade de gangues. Pág 87 47 BRANDÂO. 2003. a justiça é lenta. pelo significante que nomeia.]. já que vivemos correndo atrás de coisas que de fato não queremos. abandonou os ideais. Sobre a felicidade: ansiedade e consumo na era do hipercapitalismo. as esperanças. Slavoj. corre o risco de um colapso do simbólico para as gerações que virão. Porque entrar na linguagem.). E hoje vemos que este grande Outro como referência sofre uma dissolução. separa a criança da entidade materna. O supereu é uma obscura lei que acompanha como sombra a lei pública. 22. E a proibição também pode vir pelo discurso da mãe que se dirige à criança. Vanda Pignataro. A busca alucinada pela felicidade realiza a traição do desejo. e a ânsia de nossa época SALECL. Neste ponto de fracasso a lei pública é obrigada a buscar apoio no gozo ilegal.E são restos da ditadura juntamente com a implantação da democracia que paradoxalmente trouxeram o aumento da violência. São Paulo: Alameda. fracassa46. RIBEIRO SOBRINHO. OLIVEIRA. Qual é a cor da liberdade? In: GONTIJO. Agressividade e criminologia: efeitos da leitura dos textos de Lacan de 1948/1949. Movimentos sociais são fracos inexpressivos e nem de longe conseguem a adesão que hoje parece cambiar para shopings e o consumo de objetos na ilusão da felicidade.77.45 O papel do pai é ser agente da proibição. 45 122 www. a lei articulada pelo discurso público. Estádio do espelho. No Brasil.br/jornada_sudeste . No Código Penal Brasileiro. A lei superegóica é objeto da psicanálise porque ela emerge quando a lei pública. o narcotráfico militarizado e instituições débeis que fracassam em responder à irrupção de um real insuportável. Nem pai forte o bastante para fazer valer sua palavra em casa.org. Milton. a corrupção atinge níveis desesperadores. O caráter não todo da lei pública e as normas explícitas não bastam e devem ser suplementados.n. Estando a vítima sem condições de resistir”. qualquer um pratica ali na esquina e não há garantia da ordem.47 E rege a subjetividade do sujeito ordenando seu ato. as ilusões de alcançar um mundo melhor. A falta é que marca o sujeito e o inclui em laços sociais. 2005. p. 2007. A pobreza era maior antes e a violência não ocupava a cena social. PEREIRA. E neste contexto há o desvio das intenções originais de formação da sociedade como um corpo social.

consume o consumidor, sempre endividado. Nesta lógica, situamos a drogadicção como uma das faces da alienação. Há quem se pergunte, como Anelito de Oliveira em artigo recente48: Teremos sucumbido à toda porcaria atual? Estamos adormecidos, entorpecidos, pacatos ou indiferentes? A omissão de nosso tempo, quando o único projeto interessante é, cinicamente, cuidar da própria vida, nos lança ao rosto nossa própria responsabilidade pelo que vivemos agora, nos faz refletir, e melancolicamente, admitir que a omissão cedeu espaço para o cenário atual, somos reféns. Falar da atualidade é falar da pós modernidade, da contradição entre o ideal e o real. Legendre aponta a possibilidade da cultura ter desistido de introduzir o sujeito “instituição do limite”49. O sujeito sofre uma constante pressão para desfrutar – ele deve encontrar maneiras de preencher a falta, apagar do cenário qualquer negatividade, pressionado a ser ceder às ofertas de felicidade. Ser feliz é a finalidade última do homem a busca pelo prazer sempre norteou seu caminho. O grande Outro é uma ordem simbólica na qual nascemos e consiste não apenas de instituições da cultura, mas também da linguagem que molda a esfera social.50 Não existe um grande Outro mas uma ordem simbólica marcada por faltas e inconsistências. Mas as pessoas precisam de instituí-lo, e por isto ele funciona, embora não exista. Ele alivia nosso desamparo fundamental, nossa falta de garantia. Ele pode também ser um invasor ou perseguidor, nos casos de psicoses, mas nas neuroses o sujeito se remete a ele com sua demanda acreditando que ao submeter-se será reconhecido, amado e protegido. Cada um de nós institui o seu grande Outro, a partir de uma crença particular que chamamos fantasma fundamental em psicanálise. Ele igualmente representa como Nome-do-Pai, função que nos outorga a proibição ou regulação de um ato ou ação – do gozo desregrado de um sobre o outro. Funda a cultura e possibilita sua continuidade. Eleva a cria humana à dignidade de imortal. Estrutura o ser falante faz dele desejante. A colocação e aceitação da lei deve ser uma ato de amor. Lei funda o desejo e tem dupla face, uma pacificante que contém, acalma e protege e outra face cruel e obscena que pune por punir, a lei de talião: “olho por olho dente por dente”. É o que hoje vemos entre americanos e fundamentalistas, entre polícia do Bope e bandidos: o bem absoluto contra o mal radical, que termina por eliminar a liberdade e a democracia caso isto seja necessário contra o terrorismo e a violência. Outro exemplo é guerra em nome de deus, a guerra na faixa de gaza onde os desterrados querem desterrar.

48 49

OLIVEIRA, Anelito. Jornal Estado de Minas, Caderno Pensar, abril 2008. SALECL, Renata. 50 Ibidem, 20.

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No caso brasileiro o mesmo ocorre entre narcotráfico e polícia: usam mesma lógica da violência. A violência é uma as repostas à lógica do Um que não permite a expressão das pluralidades. O narcotráfico mantido na ilegalidade lucra e defende seu direito de fornecer o preciosos objeto de gozo que lhe demandam. Ele existe porque há toxicômanos. E estes obedecem os mandamentos da sociedade hiperconsumista que incitam a compulsão ao agir em busca de anestesiar o mal-estar existencial, quase proibido nos dias de hoje pela geração Prozac. Luto é medicado, tristeza é proibida, sofrer é desnecessário. É aqui que vejo o ponto de aproximação ente violência e drogadicção. È aqui que somos responsáveis pelas várias formas de intoxicação e empanturramento com as quais gozamos nos dias de hoje. O contemporâneo tem a marca da dissolução, da degradação do pai como agente de uma lei que sujeita e ordena o ser falante e que influencia todos os seus atos. Resulta disso que muitos não foram nomeados e marcados pela lei do pai, nem contaram com um ancoramento, um suporte simbólico que os norteará. Outros contando com a impotência do pai atuam trazendo no ato um pedido de socorro. Mas nem sempre o pai pode ouvir... A conseqüência da degradação da lei, e a partir do exemplo de um pai impotente em legislar ou o das autoridades perversas, que garantem seu direito ao gozo ilegal, e por outro lado a impunidade, têm como uma possibilidade a irrupção do ato de violência, já que a lei se apresentou apenas em sua face cruel e obscena, sem a face pacificante e seu poder interventor do caos e do desregramento. O sujeito busca o gozo, mas o desejo se apaga. Para se tornar desejante, o sujeito deve ser castrado, aceitando a perda de alguma coisa. Haverá um objeto perdido para sempre. É a partir desse objeto que o sujeito deverá se separar do Outro, o Outro parental, social, e de todos os semblantes encarnados pelo Outro familiar e social. Há crise, porque há queda dos semblantes. Por isso há crise em relação ao pai, já que há crise em relação a todos os semblantes que serviam como Nomes-do-Pai. E é por isso que há encontro com o pior – o pior contra o pai, ou seja, encontro com o objeto maisde-gozar, que faz com que se espatifem as figuras do Outro e se soltem todos os tampões como insígnias do pai. (SOLANO, 1997). A droga pode ser um Outro para o toxicômano e em determinados momentos de fissura levá-lo a cometer passagens ao ato violentas, furtos, assaltos. Nestes casos porém a violência é secundária e não um fim em si. O drogadicto é um consumista que obedece o ordenamento superegóico do mercado: Goza! Esta voz suplementa a lei escrita que fracassa. Em psicanálise, a traição do desejo tem um nome preciso: felicidade51. No entanto, somos forçados todos os dias a escolhas entre milhões de ofertas de felicidade nas quais o prazer é cada vez mais reduzido.

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ZIZEK, Slavoj. Bem-vindos ao deserto do real. Coleção Estado de Sítio! São Paulo: Boitempo, Editorial, 2003. p. 77.

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Se o sujeito por um lado obedece à lei superegóica, por outro se auto-segrega resistindo a responsabilização sobre seu desejo, do qual nada que saber. Ele se reduz a organismo apagando o sujeito do inconsciente. A psicanálise não pode dar uma definição da toxicomania, pois seu objeto nem é droga nem álcool, mas essencialmente o sujeito. Um dos primeiros preconceitos que a escuta psicanalítica derruba é a droga como autodestrutiva. O uso das drogas pode ser entendido como automedicação, uma tentativa paradoxal de autoconservação já que visa conservar o corpo ao abrigo de uma dor insuportável. Além disso, o mercado moderno incita à busca de plenitude e oferece objeto, proposta que atende muito bem à estrutura metonímica do desejo humano. A droga realiza um fechamento narcísico do sujeito, produzindo uma anestesia da dor existencial, o sujeito torna-se médico de si mesmo e assegura ludibriar seu mal-estar. A droga, portanto, vem neutralizar momentaneamente o sofrimento, a melancolia, a nostalgia de plenitude nesta supressão tóxica. E vejamos que há outros objetos capazes de oferecer ao sujeito o gozo. A droga vem situar-se como mais um excesso onde toda forma de excesso é bem-vinda. Se a psicanálise é chamada a dizer algo sobre a toxicomania certamente será porque é a única que propõe ao mundo uma forma de agir sobre o gozo de um modo eficaz (SANTIAGO, 2003). O toxicômano pode ser definido como um indivíduo que encontrou uma forma muito particular de administrar seu gozo. E em nome deste gozo que ele se apresenta, seja em tratamento, em Instituições. Estas criadas pelo Outro da lei, pelo social, por um mestre que é sempre Outro. Porém, nenhum tratamento sob pressão funciona, não é o Outro que decide isto. A psicanálise só pode então tentar fazer uma subversão do sujeito. Subverter toda esta ordem e idéia segundo a qual a droga faz o toxicômano, este determinismo só pode fazer impossível a concepção de sujeito: para nós é o toxicômano quem faz a droga. Depois da auto medicação ter passado para controle médico e policialesco é como se pudéssemos, através de um ideal maior, dizer ao sujeito o que ele pode ou não fazer com sua dor. Em sua Carta ao Sr. Mountonnier, - legislador da lei de 1936, aprovada pelo decreto de julho de 1917 sobre estupefacientes e chamado por Artaud52 de Sr. Castrado –, Artaud requer seu direito sobre seu próprio corpo. Ele diz: “Lucidez ou não lucidez, há uma lucidez que ninguém me arrebatará jamais, é aquela que dita o sentimento de minha vida física. Se eu a perdi a medicina não tem outra coisa a fazer senão dar-me as substâncias que me permitam recobrar o uso desta lucidez...se há um mal contra o qual o ópio é soberano, este chamasse Angústia...ela faz os loucos, os suicidas, os condenados. Angústia que a medicina não conhece, que seus doutores não entendem. A angústia tira a vida.Por sua lei iníqua vocês põem em mãos de quem não confio castrados em medicina, farmacêuticos de porcaria, juizes fraudulentos, inspetores doutorais, o direito de dispor da minha angústia, que é em mim tão aguda como as agulhas
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ARTAUD, Antoin. Carta ao SR. Legislador in: PHARMAKON. Buenos Aires: Tya, [s.d.].

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da verdade particular de cada um. revisão sistemática da literatura.org. coibir a tentativa de calar a dor do sujeito por decreto pode ser entendido como ato de violência. suportar o real e nossa cota de mal-estar inevitável pela humanização. legislador não é por amor aos homens que deliras. suportar a tensão permanente entre o animal mortal e o homem imortal. Werner e Kaplan na tentativa de compreender o desenvolvimento simbólico em crianças descreveram a “situação de compartilhamento primordial” na qual a criança e o outro se apercebiam de suas percepções comuns sobre o mesmo objeto. falamos da escuta nem sempre considerada como aquela que abrirá portas da causalidade psíquica. Neste sentido. Porém aqui. leva a um aprofundamento sobre o tema a partir de um método para avaliação de um conjunto de dados. Tua ignorância daquilo que é um homem só é comparável à estupidez que o limita. Tais observações foram de encontro a teoria piagetiana vigente na época que descrevia as crianças como sendo egocêntricas e portanto incapazes de se colocarem no lugar do outro até a idade de 2 anos.Estudos de Bruner em 1975 sugeriram que as crianças possuíam uma base cognitiva não lingüística que contribuiria para o desenvolvimento subseqüente da linguagem. A pesquisa bibliográfica foi realizada mediante a busca eletrônica de artigos indexados nas bases de dados Medline. fazer calar por uso de força ou coerção moral. Desejo que tua lei recaia sobre teu pai.br/jornada_sudeste . superando o desamparo através da visada do desejo. Pretendemos com a psicanálise não recuar diante dos impossíveis.psiquiatriamg. a movimentação da cabeça em direção a um objeto e gestos de apontar. Sr. tua mãe. única forma de liberdade para dizer não ao gozo e outros excessos ofertados. A ética da psicanálise ultrapassa os códigos porque pode lidar com o inusitado. Metodologia: A abordagem de pesquisa. saindo da adaptação para a possibilidade do novo.Enquanto isto suporto tua lei. e artigos que tratavam de AC sem 126 www. lactentes e autismo. e Scielo. MR 09 – Sala 09 Tema: ATENÇÃO COMPATILHADA NO DESENVOLVIMENTO INFANTIL Relator: Antônio José Nunes Faria (ES) Conceituando Atenção Compartilhada: o constructo estudado tem sido foco de pesquisas já há alguns anos apesar do termo como hoje conhecemosAtenção Compartilhada-ter sido proposto por Seibert e colaboradores em 1982 (Mundy e Sigman 2006). a partir da palavrachave joint attention. mulher e filhos e toda posteridade. Tais estudos propunham que as crianças possuíam uma atenção e comunicação social anterior à verbalização e seus estudos baseavam-se em pesquisas com crianças de 6 meses de idade e indicavam a capacidade de seguir uma dica. Lilacs. A escolha dessa metodologia possibilita uma visão crítica e panorâmica de uma grande variedade de estudos sobre o tema escolhido. Em 1963.de todas as bruxas do inferno. sem recorrer aos códigos restritos. é por tradição de imbecilidade.” O desejo não se impõe por decreto.

br/jornada_sudeste . sem relação direta com autismo ou quaisquer outros transtornos invasivos do desenvolvimento. Carpenter. A revisão sistemática da literatura tem sido um dos meios mais confiáveis de pesquisa nos dias atuais de tantas informações disponíveis sobre os diversos assuntos.estar diretamente relacionados com transtornos invasivos do desenvolvimento entre os quais se destaca-se o autismo infantil. podemos inferir que os artigos revisados constituíram fontes primárias de conhecimento sobre a ocorrência de atenção compartilhada. Resultados e Discussões: a atenção compartilhada é uma das formas mais precoces de aprendizagem cultural humana pois é quando o bebê consegue seguir e dirigir ativamente a atenção do adulto para estímulos exteriores usando deliberadamente gestos comunicativos. artigos publicados em língua inglesa. Na base de dados Medline identificamos um total de 170 artigos relacionados ao tema. e que estão acessíveis nas 3 bases de dados consultadas. Dentre as variáveis analisadas os autores mediram os seguintes aspectos: 1) habilidades cognitivas-sociais. numa freqüência mensal. na faixa etária de 9 a 15 meses. que apontam para uma melhor compreensão da atenção compartilhada nesta faixa etária. além de citarem alguns comportamentos a serem observados. Ao concluírem seus estudos. autores conhecidos e de reconhecimento acadêmico.sendo que 66 foram previamente selecionados por contemplarem pesquisas sobre AC. 24 crianças em ambiente de laboratório. Nesse ambiente.tais como: o engajamento conjunto.psiquiatriamg. e considerando os adultos como referências sociais.evindenciando o desenvolvimento entre ambos. Os critérios de inclusão adotados nesta revisão foram: que compreendesse bebês de 1 a 12 meses de idade. Nesse aspecto. buscando relação com o potencial cultural e as habilidades lingüísticas das crianças. Além dos artigos foi selecionada uma monografia.Destes. Assim. O segundo experimento desenvolvido por tais autores. considerando a completeza da discussão sobre a temática. 2) interações com as mães.org. consideram a atenção compartilhada como precursor que dá condições para o desenvolvimento da fala. seguir 127 www. Entre 9 e 12 meses de idade os bebês conseguem apresentar sintonia com a atenção e o comportamento dos adultos em objetos e/ou eventos.Nagell e Tomasello (1998) desenvolveram seus estudos observando. os autores focalizaram o surgimento e a relação da cognição social e da AC. espanhola e portuguesa e ano de publicação compreendido entre 1997 a março de 2008. Critérios: os critérios adotados para o desenvolvimento da pesquisa foram escolhidos com base na importância dada atualmente aos estudos sobre atenção compartilhada em bebês na idade de 1 a 12 meses para o desenvolvimento social-cognitivo e comunicação-linguagem. está voltado para analisar a AC e a interação social. 20 foram considerados pertinentes com o conteúdo da pesquisa em desenvolvimento e também devido a relevência dos autores. e que fossem de extrema relevância para o total entendimento do assunto estudado. 3) capacidade de linguagem e comunicação a partir de informações relatadas pelas mães.

org.psiquiatriamg.José Salomão Schwartzman. em andamento.br/jornada_sudeste . com orienteção do Prof. no Programa de Distúrbios do Desenvolvimento da Universidade Presbiteriana Mackenzie de São Paulo. Este trabalho é parte da dissertação de mestrado. imitação instrumental e de ação arbitrária. e linguagem referencial. gestos declarativos e imperativos. 128 www.o apontar e o olhar. o que não possibilita a apresentação de resultados conclusivos. Dr.

org.psiquiatriamg.MESA EIXO www.br/jornada_sudeste .

br/jornada_sudeste .130 www.psiquiatriamg.org.

antropológica. o psiquiatra deve ser capaz de tolerar não saber. O contato com os professores soe ser outra fonte de conflito. Saber mais é um reto importante e um dever para nós. Para isso devemos conhecê-los bem. De quanta ajuda é aqui um bom mestre ou mentor! Por último. Os avanços da neurociência e o frenético ritmo de vida atual com suas contradições.org. do desejo de ajudar e da aceitação dos limites do que podemos fazer. do contato com o próprio mundo interior. Porque o principal instrumento para tratar o paciente somos nós. quanto mais profundo melhor. do árduo processo de integração dos diversos conhecimentos sobre o ser humano e o meio em que vive. especialmente quando estes encontram-se tão identificados com a sua própria linha de subespecialização que transmitem uma sutil denigração das outras. tal como acontece com freqüência durante o tratamento dos pacientes. se recebermos um paciente no qual percebemos um questionamento existencial. política e social. são dois temas que marcam a formação do psiquiatra hoje. não apenas interpreta-las. deverá ser medicado. e reconhecer o legitimo processo de busca. devemos ouvi-las e aceita-las.psiquiatriamg. do paciente. uma sensibilidade e atenção determinadas. E quanto mais nos conheçamos. Peru) A formação do psiquiatra é complexa e prolongada – nunca conclui – e exige o desenvolvimento de diversas habilidades. faremos bem se o encaminhamos para uma psicanálise. Tudo isso passando por um treinamento e sensibilidade para o contato adequado com o paciente. 131 www. A urgência em achar “a” solução para o paciente pode limitar nossa capacidade de seguir escutando e compreendendo o que vai surgindo na experiência do contato com o paciente. que permita estabelecer uma relação terapêutica. tanto melhor.br/jornada_sudeste . com um quadro de angústia geral. desde um conhecimento suficiente. Saber melhor implica poder cultivar o contato com o próprio mundo interno. aceitando também os limites de cada um dos campos das nossas subespecialidades. com um ritmo mais sadio. Saber melhor é o grande desafio. nossas próprias pessoas. O psiquiatra deve ser capaz de tolerar a angústia nele mesmo e que provem de diversas fontes: do encontro com o sofrimento do paciente. no decurso de uma terapia o paciente manifesta inquietudes espirituais. ou sofrendo de ataque de pânico.DIA 12/06/2008 – QUINTA-FEIRA Mesa-Eixo – Teatro Oromar Moreira Tema: A FORMAÇÃO DO PSIQUIATRA: CIÊNCIA E ÉTICA Relator: Eduardo Gastelumendi (Lima. da medicina e biologia até das outras disciplinas que estudam o ser humano. assim como reconhecer a complexidade da realidade. principalmente a dimensão mental. Ou se. Assim. Se o paciente chegar desbordado.

O estudo profundo do próprio campo de especialização em psiquiatria a) Seus aportes e seus limites b) Sua relação com outros campos. 132 www. além dos imprescindíveis cursos de psicopatologia. os limites das convenções sociais. bioquímica. entre outros: 1. a formação do psiquiatra devia contar com os seguintes espaços. O estudo de outros campos de especialização em psiquiatria. psiquiatria clínica. exercícios psico-corporais.org. 3. as conveniências políticas e econômicas c) Participação ativa nas diversas atividades cientificas e outras d) Experimentação própria com outros estados de consciência (desde a meditação. até poder “sentir” algum insight sobre a compreensão do ser humano desde outro campo de especialização diferente do próprio. A aprendizagem por outras vias: a) Psicoterapia pessoal b) Discussão em grupo de pares: com estímulo no pensamento crítico: o rol da indústria. O estudo de outros campos do conhecimento: a) Filosofia da mente e ética b) Sociologia e psicologia de massas c) Política e crítica social d) Literatura 4.Em termos amplos. 2. até a experiência direta com o que os povos de cultura tradicional conhecem).br/jornada_sudeste .psiquiatriamg.

mesmo diante do crescente ideal neurocientífico baseado em evidências materiais de natureza tecnológica e numérica. H.DIA 14/06/2008 – SÁBADO Mesa Eixo – Teatro Oromar Moreira Tema: PSIQUIATRIA E CIDADANIA Sub-tema: Psiquiatria e cidadania: a nova clinica1 Coordenador/Debatedor: Hélio Lauar Contra Descartes e seu saber sem história. Uma alternativa a esses impasses nos faz retomar a noção de 1 Baseado em LAUAR. A variedade dos modelos que tentam dar conta da relação cérebro mente tem gerado dificuldades na interpretação dos resultados oriundos da pesquisa. em relação ao conhecimento. e a psiquiatria se vê condenada a abdicar da sua vocação discursiva. Devemos nos distanciar de uma psiquiatria que acredita que o real pode ser apreendido pelo conhecimento. conferindo a ela operatividade clínica e suporte para a construção da subjetividade do sujeito que sofre. As descrições clássicas da Psiquiatria baseada na clínica. sofre ou quer. e trazido muita informação.org. ainda conservam sua atualidade discursiva. 133 www. nem como negativa. a arqueologia. Belo Horizonte: Edições do campo Social. convertendo-se na causa do discurso científico. Num tempo onde a palavra tende a ceder lugar ao número.psiquiatriamg. A história. O objeto científico assim pensado substitui o suposto objeto natural. A Psiquiatria: da causalidade à verdade como causa. a episteme e a estrutura do saber psiquiátrico atestam o esforço da linguagem de dar conta de uma causa sempre faltante. Considera o psíquico como comportamento expressivo de uma condição biológica e não se interessa pelo que o sujeito pensa sobre o que vive. Os números são capazes de conferir aos achados científicos o sentido que eles podem realmente ter? Eles não devem ser pensados a partir da sua interpretação e valor distintivo a partir das suas relações com a clínica? A psiquiatria que tende ao número se afasta da clínica ou a toma como campo de replicação prática do conhecimento científico. forçando a passagem da psiquiatria do registro da natureza para o registro do discurso.br/jornada_sudeste . é que paradoxalmente encontraremos uma psiquiatria interessada numa clinica que não exclui a subjetividade e se propõe como modelo para pensar uma ciência-linguagem capaz de ficcionar e fixar a causa impossível. ficção que se oferece como resposta ao enigma que a demandou. no interior da cultura e dos seus lastros de autorização social. mas pouco conhecimento. à psiquiatria discursiva se impõe o difícil binômio cérebro/mente e uma pergunta sobre o lugar do sujeito em relação ao saber. renovando sua inconclusão. e reconhecer uma nova lógica. no discurso da ciência. 2001. proliferando dados empíricos. devemos acompanhar as origens recusadas do saber que deu origem à ciência. onde a causa não pode ser pensada nem como positiva. deixando-a sempre atual nos constantes debates com a não ciência. Forçosamente. mas estrangeira a ele.

oriundo do senso comum. orbitando entre a coisa e o ser. e o fato biológico subjacente é uma arbitrariedade. pensando a ciência como discurso. e há algo no mesmo sistema que permite um 134 www. A epistemologia não resolve o problema da subjetividade. A linguagem. ou pode demonstrar que o sujeito é produtor de sentidos e que não existe a coisa sem a sua mirada. sob os pontos de vista epistêmico e arqueológico. A nova psiquiatria. Cada expervivência. Destacar uma diferença entre o fato e sua apreensão. Há algo nesse sistema que o afasta e o circunscreve como diferente do seu exterior. A exterioridade causal se atualiza e se virtualiza como expervivência. mas revela o campo onde o conceito é formulado. produzindo uma espécie de naturalização do saber.br/jornada_sudeste . uma vez que ela permite crer que existe aquele que é.psiquiatriamg. recolhe evidências de si a partir de outra expervivência. conferindo o estatuto de verdade à impostura substitutiva de toda resposta. a linguagem. A estes jogos de correlações chamamos verdade e o seu lugar no discurso produzirá efeitos variáveis. evocando o lugar ao sujeito na relação com o inesgotável da causa. ao transformar o objeto natural em científico. se despoja do seu ideal empirista e. para ultrapassá-los. que como causa fora do sistema se torna expectante de uma série de efeitos. um efeito de tradução entre linguagens. admitindo-se uma exterioridade ao discurso. que vão desde o relato do paciente até o conhecimento científico que permite sua leitura universalizante. que é da conformidade entre o ser e a linguagem que a coisa ganha estabilidade e existência. A linguagem permite um acesso àquilo que é. baseada no estatuto da ciência como discurso. na medida em que o transforma em indagação e se faz passar por aquilo que de outro modo não se teria acesso. e aquele que percebe o que existe e também permite formular o lugar da verdade — conformidade entre o ser e a linguagem. admite um distanciamento marcado por descontinuidades artificiais entre os vários momentos da observação científica. dizendo que o fato é inacessível não fosse sua apreensão. O objeto pensado como expervivência é sempre formatado por uma subjetividade determinada pelo tempo interior da apreensão. com seu poder ficcional aproximam ciência e subjetividade. apontando para a vocação claudicante de todo conceito que se organiza como algo em torno do nada. fruto de uma artificialidade. Sob a égide de uma descontinuidade. Diante da falta objetiva da causa. ainda que referida ao que dela é exterioridade. o estabelecimento de relações entre o relato clínico. apontando para a relação da palavra com o sujeito. nos coloca a questão: o que assegura a verdade da apreensão? Todo processo discursivo está permeado por uma estratégia comum. e mais. Ambas se esforçam na tentativa de fornecer uma significação possível para o impossível.uma causa impossível. através da relação do sujeito com seu dito e da possibilidade de compartilhamento discursivo daí decorrente. ao mesmo tempo em que mostra as tentativas e os limites da ciência na apreensão da coisa. fazendo parte de um sistema de diferenças do qual retira sua realidade. como falta estruturante que dará suporte a toda ação futura da estrutura assim constituída. O objeto tomado por uma rede de elementos discursivos ganha nova dimensão. a linguagem. Assim sendo.org. regula a teoria do conhecimento. pode sustentar que a coisa é possível.

encontro imaginário com aquilo que nele não está. como equivalente a uma primeira percepção nunca vista. um conhecimento possível. estabelecendo com a realidade uma única e mesma coerência. o sistema está reduzido a um suporte. toma a verdade na ambigüidade da palavra. se colocando sempre exteriormente ao conhecimento que o refere. da 135 www. na medida em que o sistema. e outra. A disjunção entre saber e verdade é um fato clínico. nos seus tropeços. Admitindo que o saber. elas dissimulam a sua vocação ficcional. encontra-se com aquilo que nunca teve. como subjetividade. e outro. que numa seqüência de signos haverá um saber absoluto. mas sim que em presença das palavras não sabemos se elas são verdadeiras ou não. Se o sistema funciona. ao registro do erro. ainda assim teremos que nos haver com as garantias do saber. produzindo um substituto para algo que lhe falta.org. A ciência acredita que no discurso pode haver o princípio da não-contradição perfeita. vem saber sobre aquilo que o determina. a de que. da contradição. do equívoco. Neste segundo modo de operar. há aí um desconhecimento daquilo que o determina e. Freud recupera desse modo o que no discurso da ciência positiva estaria condenado à dimensão do erro. E é por referência a esse registro que podemos situar a questão do sujeito. Ao aproximarmos a psiquiatria da ciência da linguagem estamos introduzindo no seu campo de interesses a questão do sujeito. que reconhece diferenças entre semelhantes. Ao articular a palavra com a verdade. que de hábito não se deixa pensar como objeto da reflexão psiquiátrica. e que ele é uma condição atributiva ao sujeito. no caminho das suas equivocações. Pelo menos dois mecanismos devem operar nesse processo: um que produz uma identidade de situações descontínuas e tomadas como semelhantes pela memória. paradoxalmente. somos remetidos ao texto freudiano. Nesse modo de estruturar o saber. desde a sua fundação. porque o que estrutura a realidade também as estrutura. idêntico à estrutura. ao tomá-lo como indagação a qual deve fornecer uma resposta.psiquiatriamg. A primeira concernente à falta que produz ação e a segunda decorrente da exterioridade que produz subordinação. mesmo determinado pela exterioridade. as representações são colocadas em cena porque elas disfarçam a razão da sua existência. ou seja. do equívoco.br/jornada_sudeste . a não ser como uma ausência simbolicamente inscrita que permite a uma percepção fabricada pelo sistema ser tomada como verdade. que alude à divisão do sujeito e a sua subordinação às leis do inconsciente. admitindo o processo como aproximativo. elas estão também inevitavelmente situadas no registro do erro. nesse mal-entendido que produz múltiplos sentidos. substitutivo e por isso mesmo capaz de ser submetido ao juízo judicativo da dissemelhança. como linguagem. É isto que interessa particularmente a Lacan em sua análise. ciência e psicanálise se opõem. é a única forma de se ter acesso ao mundo. O sistema se vê marcado por duas características primordiais. de um modo diferente. A psicanálise. Dizer que a verdade habita a interioridade do sujeito não significa eliminar o fato de que a palavra se instaura e se desloca na dimensão da verdade. poderemos reconhecer nele duas dimensões para o sujeito: a de suporte. da mentira. Diante dessa concepção.

tem o caráter de convencê-lo. e por atender ao sujeito que se forma nesse jogo. que busca um objeto para sua satisfação. logo sou”. Sujeito falante. Não se sustenta por estabelecer uma relação material com a coisa apresentada. da sua condição de bastarda. falar de relação intersubjetiva. um traço. o sujeito falante. Baseada nesses pilares. de ocultar. impossível de ser circunscrito. o sujeito do significante se divide respectivamente em sujeito senhor do seu saber e sujeito responsável. A subjetividade cederia lugar à objetividade plena. sem nunca encontrá-lo. É porque o outro é capaz de mentir. ergo sum de Descartes. A verdade só pode ser localizada no campo onde ela se enuncia. uma primeira percepção. O sujeito responsável está marcado por uma abertura para apreender o que ali ele recebe da verdade. se fossem obrigados por alguma força superior a dizer “apenas a verdade e nada mais que a verdade”. mas por estar referido a ela. tomado de trás para frente. não se poderia.org. da mentira. o sujeito deve ultrapassar o saber. fala-a-ser. Segundo Lacan. é levado a dizer quem ele é e o que deseja. nunca vista. pelo jogo significante. a arqueologia do saber. a rigor. no seu afastamento. seriam antecipações legítimas do cogito. O sujeito da ciência e o sujeito do desejo. estar solicitado por ela. Desse modo podemos afirmar que o significante em relação a outro significante se passa por aquilo que ele não é. Freud. esse momento. A verdade é certamente inseparável dos efeitos de linguagem tomados como tais. Se dois interlocutores fossem impedidos de mentir. substitutiva de algo impossível de ser acessado de outro modo. anunciando o que lhe é dado a saber. sem se desviar dos ideais cientificistas. Uma memória singular concebida como uma linguagem. se colocando como é-feito de linguagem. atualizada como percepção. O “minto. Dividido entre o saber e a verdade. faltante.psiquiatriamg. Sujeito em exclusão interna a seu objeto. Essa ficção do sujeito. A favor da subjetividade. no a posteriori da sua produção. de enganar. que se sabe que se está em presença de um sujeito. É no sentido produzido na via significante que o significado se faz saber e o sujeito encontra sua primeira evidência. um limite. compõe a idéia de inconsciente como uma memória daquilo que não se esquece.equivocação. uma letra que mais nitidamente marca o sujeito na sua divisão. convoca guardiões poderosos: a história. a noção de discurso e suas implicações. Marcado por uma garantia antecipatória. a princípio idênticos. para salvar o sujeito e a clínica da morte. é um modo de se chegar a um front. e aí se inclui o inconsciente. ou o “equivoco-me. sujeito de desejo. e cuja representação não encontra nenhum lugar no corpo do saber cientifico seja 136 www. advindo lá onde o impossível não cessa. confia ao dispositivo analítico a posição de dizer a verdade sobre a ciência e espera que o sujeito da ciência. devendo estabelecer com esse saber uma apropriação que confira a ele uma relação de autoria.br/jornada_sudeste . a epistemologia. vai centrar-se mais além da relação significante e significado (como quer a ciência) e se deixar tomar pelos poderes do significante. logo sou”. que indicam uma posição de parceria com a psicanálise. A psiquiatria pelo avesso se faz valer daquilo que a destituía diante do olhar positivista. Capaz de fazer saber sobre ele. dividido entre a enunciação e o enunciado. É aí mesmo que o sujeito do desejo e o sujeito do cogito encontram sua refração.

passa a ser guardiã dos seus fundamentos históricos. no dispositivo analítico. epistêmicos e éticos. verdade do desejo. sujeito cidadão que é capaz de se retificar com o seu inconsciente.org. O que foi rejeitado pela ciência retorna na psicanálise. construir o sujeito rejeitado pela ciência. figurando como ciência do discurso capaz de. causada e aliançada com a psicanálise. vindo a ser lá onde isso era.reconhecido como sujeito do inconsciente.psiquiatriamg. Sujeito causado pela verdade. 137 www. em suplência à impossibilidade causal. Sujeito responsável. A psicanálise se institui então como produto da rejeição do sujeito pela ciência. motivada pelos ideais neurocientíficos. O sujeito do desejo passa a ser o militante da nova psiquiatria na intimidade da cultura.br/jornada_sudeste . tivessem tido lugar antes do nascimento da ciência. que o inconsciente (o de Freud) como descobrimento. É impensável que a psicanálise como prática. A nova psiquiatria. permitindo que a ciência faça laço social.

org.psiquiatriamg.138 www.br/jornada_sudeste .

br/jornada_sudeste .psiquiatriamg.CURSOS www.org.

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dialéticas (hiper ou hipo). Dia 13: Tema: “Manifestações psíquicas e comportamentais nas demências” Professor: Helga Sartori (MG) Sub-tema: “Transtorno da expressão emocional involuntária (afeto pseudobular)” Professor: Almir Tavares (MG) Sub-tema: “Hypersexualidade” Professor: Guilherme Loss (MG) Sub-tema:“Manifestações psicóticas em demências” Dia 14: Tema: “Funções frontais nas demências” Professor: Gerson Laks Sub-tema: “Funções frontais na doença de Parkinson” Professor: Almir Ribeiro Tavares Júnior (MG) Sub-tema: “Desinibição e inadequação social nas demências” Curso 05 – Sala 08 .org. complexos de sintomas e doenças. As apresentações clínicas são complexas e diferem daquelas em pacientes jovens.psiquiatriamg. há os que defendem uma abordagem dos transtornos mentais como um todo unitário. Diferenciou entre elementos ou sintomas.PSICOPATOLOGIA Dia 12: Tema: “A sintomatologia e o diagnóstico psiquiátrico” Professor: Maurício Viotti Daker (MG) Ao longo da história da psiquiatria são abordados de várias formas os sintomas psicopatológicos com vistas à classificação e ao diagnóstico dos transtornos mentais. empírico-descritivas. baseadas nos poderes ou funções mentais. A elaboração da classificação psiquiátrica já foi considerada um trabalho de Sísifo. o que não deixa de ser ainda verdade. b) e de quadros com potencial para gerar enganos clínicos. Antônio Alvim (MG) A idade avançada convive com grande aumento na prevalência de transtornos mentais orgânicos. Além dessas possibilidades. O presente curso visa: a) o estudo do manejo de alguns dos quadros mais comuns. etiológicas e mistas.PSICOGERIATRIA Dia 12: Tema: “Delirium no idoso” Professor: Almir Ribeiro Tavares (MG) (Coordenador).br/jornada_sudeste . confusão em muito responsável 141 www. Cláudia Vieira (MG). somáticas. Numa análise dos primórdios das classificações psiquiátricas foram observadas várias formas de agrupar os sintomas. originando classificações com poucas ou muitas categorias. Kahlbaum colocou certa ordem na casa.CURSOS (Salão Multimeios Hilton Rocha) Curso 03 – Sala 06 .

br/jornada_sudeste . e um mesmo conceito é designado por termos diferentes. Kraepelin seguiu nessa linha e erigiu síntese classificatória psiquiátrica até hoje insuperável. mas são ignorados por outros. Constatou-se que não há verdadeiramente uma linguagem comum: determinados conceitos são considerados por alguns autores. introdutória ao curso. Após essa avaliação histórica das abordagens da sintomatologia e do diagnóstico psiquiátrico. foi realizada uma revisão de alguns dos principais livros dessa área. com sintomas e critérios estatisticamente manipulados. O velho Kraepelin. 2. Eliane Cotrin Levcovitz (RJ). roupagem que poderia mudar ao longo do tempo.psiquiatriamg. do curso natural de cada doença. Curso 08 – Auditório Borges da Costa Tema: ASPECTOS PSICODINÂMICOS DO ENVELHECIMENTO. um mesmo termo é utilizado com diferentes sentidos. Kleist e Leonhard procuraram fragmentar tal síntese com a descrição de mais transtornos e subformas. Fortunée Nigri (RJ) 1. Dia 13: Tema: “A falta de uma linguagem comum na psicopatologia descritiva” Professor: Elie Cheniaux (RJ) Com o objetivo de examinar se existe uma uniformidade entre os diversos autores quanto aos conceitos e termos da psicopatologia descritiva. culpa e suicídio.org. Bleuler queria ver esquizofrenia em vasta gama de transtornos e mesmo em aspectos da normalidade. Ey e outros retomaram a idéia gestáltica de um todo. sem a mesma repercussão. Vergonha. Conrad. Kurt Schneider cuidou da confiabilidade dos sintomas. Hoje reina o neo-kraepelineano DSM –III e sucessores. 142 www. Mostrou como os elementos se agrupavam em complexos de sintomas. em certa ordem psicofisiológica. No bojo dessa discussão será abordada também diferenciação entre nosografia. tanto brasileiros como internacionais. Predominaram após a segunda guerra abordagens que passaram a valorizar a biografia e situações existenciais e psicossociais em detrimento da classificação e do diagnóstico de transtornos universais. será lançado o “glossário de sinais e sintomas psicopatológicos” do Projeto Casos Clínicos do site da ABP. com a necessária consideração da personalidade ou da constituição psico-corpórea. O próprio Kraepelin. Interessantes foram concepções em torno das quais se baseou Kretschmer. Alguns pontos de divergência entre os diversos psicopatólogos são aqui exemplificados e discutidos. luto e depressão.pelas dificuldades terminológicas e classificatórias da época. nosologia e o processo diagnóstico. ELABORAÇÃO DAS PERDAS: LUTO. originando o diagnóstico multidimensional. Estes eram os hábitos ou a roupagem das verdadeiras doenças. Aspectos psicodinâmicos do envelhecimento: a elaboração das perdas. SUICÍDIO E FINITUDE Professores/Coordenação: Maria Cristina Reis Amendoeira (RJ).

psiquiatriamg. A abordagem à família e a mobilização de recursos da rede social do idoso também são aspectos relevantes que podem auxiliar o processo da finitude. a aceitação do seu próprio envelhecimento e a constatação de sua própria mortalidade. Um dos desafios da clínica na atualidade é a demanda de idosos que procuram tratamento. a aplicabilidade e eficácia da compreensão psicodinâmica das perdas.Apresentação de vídeo para a discussão sobre o estigma e a discriminação do idoso com transtorno mental. Muitas dificuldades encontradas originam-se em preconceitos relacionados à velhice e ao impacto emocional que o processo do envelhecimento provoca no terapeuta. conseqüência da longevidade humana propiciada pelos avanços da ciência médica e melhoria das condições de vida da população. 143 www. Entre os temas que apresentam-se e suscitam a necessidade de maior entendimento encontram-se os processos psicológicos próprios a essa fase da vida.br/jornada_sudeste . suas características normais e patológicas.org. luto e depressão na abordagem a esses pacientes. 3. Família e rede social na finitude.

psiquiatriamg.br/jornada_sudeste .144 www.org.

br/jornada_sudeste .psiquiatriamg.org.PÔSTERES www.

146 www.br/jornada_sudeste .psiquiatriamg.org.

Estava em uso de haloperidol com o qual apresentou sialorréia. Eduardo A.A. Os transtornos autistas se manifestam por características de relacionamento interpessoal distantes. Relato do caso: L. 2 Médico psiquiatra e professor adjunto do Departamento de Saúde Mental da UFMG.APRESENTAÇÃO DE CASOS CLÍNICOS SERIA A AUSÊNCIA DE AMUSIA EM PACIENTE QUE NUNCA FALOU UM INDÍCIO DE AFASIA? Camila Milagres Macedo Pereira1. Aumentou-se a dose de fluoxetina para 10 mg/dia e foi prescrito risperidona 1 mg/dia. tem bruxismo. apresenta comportamentos estereotipados. Psiquiatria. pelo neurologista. repete normas e cenas. Insistimos para que ele cantasse durante a 1 Acadêmicos do 6º período da Faculdade de Medicina da UFMG e estagiários do ambulatório de psiquiatria infantil e do adolescente. Autismo. Luis Guilherme de Mendonça1.. hiperatividade. Agitado durante a consulta apresentava linguagem laliforme. lentidão e distonia muscular mastigatória. comportamento indiferente e arredio e dificuldades na fala e compreensão. pela primeira vez. Queiroz2 Palavras-chave: Afasia. Não utilizou linguagem oral até os 2 anos de idade. Encaminhado ao serviço de psiquiatria. e é agressivo (consigo mesmo e com as outras crianças). Introdução: A existência de afasia sem amusia indica autonomia funcional dos processos neuropsicológicos inerentes aos sistemas de comunicação verbal e musical e uma independência estrutural de seus substratos neurobiológicos. com hipótese de transtorno autista revelou-se que o paciente não interage com outras crianças. 147 www. No momento da consulta falava poucas palavras e não atendia a comandos. Resumo: Relatamos o caso de um paciente com transtorno autista a esclarecer e fluência musical. que o filho canta "bem". David Albanez Campos1. porém ele ainda é agressivo com as outras crianças. ele permaneceu assentado durante a consulta e novamente a mãe relata que o filho canta com fluência. O haloperidol foi então trocado por fluoxetina 6 mg/dia. A mãe diz.L. não se assentava e brincava parecendo ignorar a presença de outras pessoas na sala.org. foi atendido no ambulatório Bias Fortes do HC-UFMG.psiquiatriamg. Em retorno três meses depois desapareceram o bruxismo e as tentativas de autoagressão.M.br/jornada_sudeste . Em 15 dias a agressividade da criança diminuiu a níveis aceitáveis. Este último pilar é base do diagnóstico diferencial com as síndromes afásicas. Transtorno Autista. 4 anos.

Suspeita-se que apesar do característico quadro autista ele apresenta afasia sem amusia.consulta. ambas com fluência. tendo seus papéis. à influência negativa da institucionalização e à falta de estímulos. com hipótese diagnóstica de Esquizofrenia Paranóide.F.CEP: 31170-350 Tel: (31) 3234-3801/ (31) 8742-5175 ACOMPANHAMENTO TERAPÊUTICO: RELATO DE UMA EXPERIÊNCIA D.com Rua Eliseu Dias Coelho nº 271 apt 205 . possibilitou sua aproximação ou 148 www.Bairro Cidade Nova . Macedo Instituição de origem: Universidade Federal de Minas Gerais A Reforma Psiquiátrica estabeleceu novas formas de assistência em saúde mental. Endereço para correspondência com a autora: Camila Milagres Macedo Pereira . que busca viabilizar ao indivíduo novas formas de estar no mundo.br/jornada_sudeste . porém apenas quando ficou só com a estagiária é que o menino cantou uma ou duas frases. usuária desse serviço há aproximadamente seis anos.BH.psiquiatriamg. atuando em parceria com o Psiquiatra e a Técnica de Referência da usuária e ocorreu com o consentimento e participação de seus familiares. mas pensar em todos os diagnósticos diferenciais permite que o paciente possa atingir seu pico máximo de desenvolvimento. favorecendo sua inclusão social. a partir do relato de uma experiência ocorrida em um Centro de Referência em Saúde Mental de Belo Horizonte. Este trabalho tem como objetivo destacar a importância e alcance do AT.org. ao longo de seu processo de adoecimento psíquico. como estratégia e como prática. O AT de C.MG . Discussão: Continuamos trabalhando com a hipótese de transtorno autista.. pautadas na construção de um novo estatuto social para o louco: o de cidadão. Nesse contexto. é viável que as intervenções aconteçam em um cenário ampliado que contemple todos os espaços de circulação do indivíduo.C.R. pode-se afirmar que o AT imprimiu alterações na rotina da usuária.R. O Acompanhamento Terapêutico (AT) é uma modalidade de atendimento pautada no estabelecimento/manutenção dos laços e das trocas de toda ordem. laços e atividades gradativamente dissolvidos. foi desenvolvido por uma estagiária de Terapia Ocupacional do serviço. Durante o percurso do AT estimulou-se o envolvimento ativo da usuária e seus familiares na construção de possibilidades de resgate de diversas atividades interrompidas devido ao desenvolvimento do quadro psiquiátrico. deixou de realizar suas atividades profissionais. Os medicamentos foram mantidos e foi pedido RNM. reduziu sua circulação social. Apesar da complexidade do quadro e das limitações do serviço. materiais e imateriais.camilamilagres@hotmail. C.

Desse modo. disfonia e disfagia causada pela lesão bilateral dos tractos cortico-nucleares que seguem para o bulbo. Palavras-chave: Acompanhamento Terapêutico. Camila Milagres Macedo3. Resumo: A síndrome pseudobulbar se manifesta com disartria. Saúde mental. que se manifesta clinicamente com paralisia ou hipotrofia da musculatura inervada pelos pares cranianos bulbares. no serviço de neuropediatria do ambulatório Bias Fortes do Hospital das Clínicas da UFMG.psiquiatriamg. Labilidade emocional. bem como a terapêutica utilizada. disartria. com alta de mãe e filho no mesmo dia. principalmente. Queiroz4 Palavras-chave: Síndrome Pseudobulbar. Luís Guilherme de Mendonça3. Nesse trabalho relatamos um caso de um paciente de 9 anos de idade que apresenta associada a afecção. disfonia. pode-se constatar que o AT entendido como uma estratégia de ação em saúde mental.br/jornada_sudeste . favorece que os indivíduos se tornem protagonistas dos projetos e processos de suas vidas e que. Tracto cortico bulbar. com quatro anos de idade.reaproximação a pessoas da comunidade e permitiu a retomada de atividades de seu histórico ocupacional. no qual foi constatado atraso no desenvolvimento da linguagem.F. o 3 Acadêmicos do 6º período da Faculdade de Medicina da UFMG e estagiário do ambulatório de psiquiatria infantil e do adolescente.P. descritos como ações agressivas contra si próprio e a familiares. sintomas de ordem psiquiátrica. Introdução: A síndrome pseudobulbar é uma afecção decorrente da lesão bilateral do tracto córtico-nuclear. 149 www. O parto do tipo cesárea teve duração aproximada de 10 horas. o que leva. a disfagia. segundo relato. dificuldade no reconhecimento de formas e sono extremamente agitado. explosões de risos e choros. Cidadania MANIFESTAÇÕES PSIQUIÁTRICAS DA SÍNDROME PSEUDOBULBAR NA INFÂNCIA David Albanez Campos3. eles resgatem e exerçam de modo pleno a sua cidadania. Relato do caso: L. foi atendido no ano de 2003. tendo nascido com 3. em meio aos cenários do cotidiano. Eduardo A. 4 Médico psiquiatra e professor adjunto do Departamento de Saúde Mental da UFMG.org. palco de relações complexas. que se associam a labilidade emocional desses pacientes.7 Kg e 49 cm de estatura.

bem como quebra objetos pela casa. apresentando. e A.psiquiatriamg. A história revela episódios de uso de facas e pedaços de madeiras para atacar familiares. entretanto ter dificuldade intelectual na escola. a entrevista foi feita com sua irmã. sem. Discussão: Um dos objetivos desse trabalho é relatar as manifestações psiquiátricas dentro de uma neuropatia tão pouco discutida nos meios de divulgação científicos. Foi trazida a BH para morar com outra irmã. Com a morte da mãe agravou-se o quadro. aos quais afirma que irá “matar”. devido a isso se instituiu a terapia com risperidona até a próxima consulta. EEG e TC normais. A.M continuou a morar com a irmã dependente química. Endereço para contato: Rua Amparo nº93/301 Barroca david.org. com história pregressa de 2 abortos sem uso de medicamentos. corroborando a multifatoriedade do tema. porém nessa última opacificação das células etimoidais.br/jornada_sudeste .com. e de tentativas de auto-agressão. apresentando queixas de ansiedade e agressividade. Devido ao quadro de incapacidade da paciente. na tentativa de contribuir para formação do médico psiquiatra. cessou o uso da medicação e seu desempenho em suas atividades caiu. No ano de 2008 foi encaminhado ao ambulatório de psiquiatria infantil e do adolescente da mesma instituição. Não recebendo os cuidados necessários. discutindo a melhor ação terapêutica.br Telefone para contato: 9145-4236/3332-5674 UM ESTUDO DE CASO DA TERAPIA OCUPACIONAL EM UM QUADRO DE ESQUIZOFRENIA CATATÔNICA Júlia Coutinho Nunes Castilho Resumo: A.M morava no interior de MG com a mãe e uma irmã. Apresenta dificuldade de concentração. e assim foi avaliada a necessidade de atendimentos domiciliares terapêuticos.M foi encaminhada por seu psiquiatra à terapia ocupacional. A primeira conduta foi o uso de metil-fenidado pela manha e almoço. principalmente contra a mãe. entretanto foi visto piora dos sintomas agressivos. e após este episódio 150 www. além de acondroplasia.2.albanez@yahoo. associada com imipramina ao dormir. aos 47 anos de idade. com hipótese diagnóstica F20. Há 20 anos começou a apresentar perda gradual de suas funções. Há 5 anos presenciou a morte desta irmã dentro de casa. com déficit nas Atividades de Vida Diária e Atividades de Vida Prática. essencialmente em ataques contra sua mãe. tendo feito uso de carmabazepina e imipramina. bem como história social dificultada pela ausência do pai.aleitamento materno foi realizado por 1 ano e 3 meses. O paciente possui história familiar de distúrbios psiquiátricos e de desordens de fala e de audição. alcoolista crônica. onde permaneceu com o corpo durante 6 dias até ser encontrada por vizinhos.

com severo retardo motor e interrompendo completamente a realização de suas atividades rotineiras. Come sozinha. A família também era acompanhada e orientada a agir como facilitadora da saúde de A. Bairro Santo Antônio Endereço eletrônico: ju_castilho@hotmail. toma banho com ajuda. Resumo A abordagem psicoeducacional tem por objetivo promover a ampliação do conhecimento de familiares. transtorno depressivo e transtorno esquizoafetivo. auxiliando no reconhecimento dos sintomas. grupo. Apesar do prognóstico reservado. Telefone: (31) 9296-5998 Endereço: Rua Carlos Gomes.com ABORDAGEM PSICOEDUCACIONAL EM UM GRUPO DE CUIDADORES E FAMILIARES DE PORTADORES DE TRANSTORNOS DO HUMOR Júlia Diniz Baptista.M. permanecendo em pé sem movimento corporal ou visual. assumi o caso. voltou a fazer escolhas.org. respondendo a algumas perguntas e aceitando realizar certas atividades com ajuda. Assim. terapia ocupacional. Qualidade de vida. com os objetivos de melhorar sua qualidade de vida e recuperar parte de sua autonomia. Com base nesta abordagem foi proposta a criação de um grupo psicoeducacional para familiares e cuidadores de pessoas com diagnóstico de transtorno bipolar. foram avaliadas melhoras significativas no desempenho de suas atividades. e ampliaram-se os aspectos saudáveis da vida de A. Percebe-se a importância do acompanhamento da TO para a melhoria da qualidade de vida da paciente e sua família. transtornos do humor. e a realizar algumas de suas atividades de vida diária. Após 1 ano e meio de atendimento. apresentando mussitações. Flamareon Macieira Passos. na interpretação dos danos causados e no planejamento de estratégias de convívio.psiquiatriamg. 160. Érika Rosana Paula Instituição de origem: conVida – Centro de Terapia Ocupacional Palavras-chave: psicoeducacional. 151 www. a paciente começou a apresentar melhoras.M não estabelecia nenhum contato. Palavras-chave: Terapia Ocupacional. ela voltou a ter alguns movimentos corporais. incluindo-os através do trabalho. cuidadores. Nos primeiros encontros A. Após 6 meses de atendimento.M. Atividades. cuidadores ou portadores de sofrimento mental acerca do que é uma condição de saúde e seu tratamento. Participaram deste grupo uma mãe e três funcionários de uma ONG que presta assistência a esta clientela. a sair do quarto e explorar outros cômodos da casa.apresentou piora do quadro de catatonia. a escrever e a assistir televisão.br/jornada_sudeste .

* Melhora na percepção da distinção entre personalidade e sintoma. ensino fundamental completo. incapacitantes por perturbarem a realização das tarefas de seu cotidiano e que. 20 anos.com SUCESSO DA TERAPIA COGNITIVO-COMPORTAMENTAL NO TRATAMENTO DA MIGRÂNEA ENQUANTO EXPRESSÃO CORPORAL DA AMBIVALÊNCIA AFETIVA EM UM PACIENTE OBSESSIVO Karla Cristhina Alves de Sousa. Sendo estes: * Melhora na compreensão sobre as condições de saúde e repercussão destas nas relações interpessoais e no comportamento.org. 4852 sala 301 – Funcionários convida. * Aumento da interação entre cuidador/familiar e o portador de sofrimento mental. após longo período de persistência.B. O processo de grupalização e sentimento de pertinência podem ter desencadeado sentimentos de segurança e autoconfiança para dividir angústias e criar estratégias de enfrentamento.psiquiatriamg. A troca de experiências e informações aliada à intervenção grupal. Ao exame psíquico.to@hotmail. da percepção do terapeuta e do relato dos participantes. foram percebidas como mais propulsoras de mudanças do que o aumento do conhecimento em si.D. Silas Prado de Sousa Instituição: Consultório particular Palavras-chave: Terapia compulsivo. * Redução da carga sobre o cuidado. Transtorno obsessivo Relato de caso: J. * Redução da ansiedade e expectativa realista frente ao portador de sofrimento mental. culminavam em crises 152 www.Os resultados deste projeto foram obtidos através da análise dos questionários. sentimento de culpa e onipotência. procurou atendimento psiquiátrico ambulatorial encaminhado por um neurologista devido a crises freqüentes (quatro por mês) e graves (necessidade de medicação intravenosa) de migrânea. o paciente apresentava pensamentos obsessivos de conteúdo religioso.. casado. * Mudança na postura frente ao portador de sofrimento mental. sexo masculino. Migrânea. É importante também salientar a contribuição da iniciativa privada com a pesquisa e a implementação de abordagens que visam à manutenção da autonomia e o ganho na qualidade de vida e interação entre cuidador/familiar e portador de sofrimento mental. refratárias ao tratamento medicamentoso profilático. cognitivo-comportamental. Contorno. Contato: Júlia Diniz – (31) 4101-6196/ 3222-3874/ 9993-3520 Av.br/jornada_sudeste .

foi encaminhada ao psiquiatra pelo setor de saúde ocupacional de uma empresa onde trabalhava há cerca de dez anos. auxiliar administrativa. falta de concentração e sentimento persistente de culpa. o paciente percebia a migrânea de uma forma ambivalente: “ruim” (dor insuportável) e “boa” (interrupção dos sintomas obsessivos incapacitantes).. Foram feitas sessões semanais de terapia cognitivo-comportamental para o transtorno obsessivo compulsivo ao longo de três anos sem necessidade do suporte medicamentoso. porém nada havia descrito em seu 153 www. em função de uma tentativa de suicídio.com Endereço: Rua Professor Pimenta da Veiga. Relato de caso: V.org. falta de energia. Relata que o processo de adoecimento iniciou-se há 3 anos devido à pressão por produção além de suas possibilidades. Conclusão: A migrânea pode funcionar como uma “fuga” do indivíduo para se livrar das ruminações obsessivas.de migrânea. Nesses casos. solteira. sexo feminino.C.170-190 TENTATIVA DE SUICÍDIO: DESFECHO DE UM CASO DE SOFRIMENTO MENTAL OCASIONADO PELO TRABALHO NÃO DETECTADO EM EXAME MÉDICO PERIÓDICO Karla Cristhina Alves de Sousa. perda de prazer em atividades antes consideradas prazerosas.psiquiatriamg.S. perda de 10kg nos últimos 2 meses. Ao exame psíquico. tais como tristeza. Assim sendo. 302 – Bairro Cidade Nova – Belo Horizonte/MG – CEP: 31. A paciente realizava exame médico periódico no setor de saúde ocupacional da empresa semestralmente. Os sintomas foram evoluindo até que. Silas Prado de Sousa Instituição: Consultório particular Palavras-chave: Tentativa de suicídio. apenas quando a cefaléia intensa se iniciava é que cessavam os sintomas obsessivos angustiantes. ensino médio completo. Contatos: Telefônico: (31) 9258-2072 E-mail: karlacalves@gmail. aliviar sua angústia e obter um equilíbrio emocional via expressão corporal de sua ambivalência afetiva. o paciente tinha reduzido o número de crises para cerca de uma vez a cada quatro meses. Transtorno mental. após uma discussão com seu chefe. a terapia cognitivo-comportamental ao diminuir os sintomas obsessivos pode ser uma alternativa de sucesso no tratamento das crises de migrânea. insônia. Trabalho. 610 apto. Segundo o relato. 35 anos de idade. a paciente ingeriu o conteúdo de um frasco de raticida. Ao final de três anos de acompanhamento.br/jornada_sudeste . apresentava sintomas de um grave episódio depressivo.

170-190 TERAPÊUTICA PSIQUIÁTRICA NA ATROFIA CEREBRAL INFANTIL Luís Guilherme de Mendonça5. 154 www. Camila Milagres Macedo5.org. 302 – Bairro Cidade Nova – Belo Horizonte/MG – CEP: 31. Isso implica em capacitar os profissionais dos serviços de saúde para que considerem a importância da situação de trabalho como um dos determinantes no processo saúde/doença mental. A sintomatologia pode ser estereotipada para cada área cerebral.com Endereço: Rua Professor Pimenta da Veiga.psiquiatriamg. Eduardo A.br/jornada_sudeste . Hiperatividade. culminando inclusive em desfechos trágicos como o suicídio. 6 Médico psiquiatra e professor adjunto do Departamento de Saúde Mental da UFMG. Assim sendo. a funcionária iniciou o acompanhamento psiquiátrico. Distúrbio de migração neuronal. Introdução: Os danos neurológicos e psiquiátricos de uma atrofia cerebral guardam correlação direta com as áreas lesadas. Contatos: Telefônico: (31) 9258-2072 E-mail: karlacalves@gmail. 610 apto. Conclusão: O estresse crônico enquanto um desequilíbrio entre as demandas do trabalho e a capacidade de resposta do trabalhador pode desencadear transtornos psiquiátricos graves como o episódio depressivo acima descrito. Atrofia cerebral na infância.prontuário médico a respeito de seu quadro psiquiátrico e a própria funcionária confirmou que nas consultas não era abordado nada a respeito de seu estado mental ou de suas relações interpessoais no trabalho. David Albanez Campos5. o diagnóstico precoce dos distúrbios psíquicos através de um acompanhamento periódico da equipe de saúde ocupacional é fundamental enquanto estratégia preventiva do adoecimento mental em função do trabalho. Queiroz6 Palavras-chave: Terapêutica psiquiátrica. Somente a partir do ocorrido. Conforme o grau de atrofia cerebral presente na criança 5 Acadêmicos do 6º período da Faculdade de Medicina da UFMG e estagiário do ambulatório de psiquiatria infantil e do adolescente. Resumo: Descrição dos sintomas psiquiátricos em uma criança de 6 anos com diagnóstico de atrofia cerebral fronto-têmporo-parietal no hemisfério direito e a terapêutica utilizada. tendo obtido melhora significativa do quadro após sua mudança de função.

porém foi relatado episódios de agressividade com familiares.psiquiatriamg. Aos 3 anos manifestou sua primeira crise epiléptica. Não foi encontrada nenhuma alteração genética/metabólica importante.uma atenuação dos sintomas psiquiátricos favorecem um desenvolvimento físico e social associado a uma terapêutica adequada. 64.25mg/2x ao dia. Contato: luguimen@gmail.br/jornada_sudeste . melhor Relato de caso: S. Clobazam 5 e 10mg/ao dia de Diazepam. Não apresenta crises epilépticas desde DEZ/06. Alípio de Melo. Tal aspecto dificulta o tratamento. Relatos de traçados terapêuticos satisfatórios contribuem para uma melhor caracterização da relação entre a sintomatologia psiquiátrica e atrofia cerebral. Nasceu de parto cesárea com 2530g. Houve piora da agitação. Paciente caminha normalmente e é capaz de comunicar-se. escassez de sulcos e giros no Hemisfério Cerebral Direito e sua RM revelou um distúrbio de migração neuronal na região fronto-têmporo-parietal com áreas de lisencefalia e polimicrogiria. Ácido Valproico e clobazam nas mesmas doses iniciais apresentadas. Não há uma terapêutica ideal ou específica e. Paciente encontra-se menos agressiva. ansiedade. mais quieta. Foram realizadas duas TC e uma RM entre 2003 e 2007. Seu EEG de março 2007 mostrou atividade epileptiforme muito ativa e atividade de base com acentuada desorganização para a idade. Alternativamente foi proposta a Risperidona. 45 cm e perímetro cefálico (PC) de 36 cm. Aumentou-se da dose do Lítio para 300mg e 150mg/3x ao dia e retirada da imipramina. Em abril instituiu-se o teste do metilfenidato em que a paciente apresentou tique motor e vocal. portanto.org. Em novembro de 2007 compareceu ao serviço de Psiquiatria Infantil do mesmo ambulatório com a queixa de agitação. Discussão: As manifestações psiquiátricas em pacientes com atrofias cerebrais nem sempre são bem estereotipadas. Com 0.5mg ficou sonolenta e com 1mg de risperidona ficou trêmula.M.A foi atendida no ambulatório Bias Fortes do HC-UFMG em 2004 aos 2 anos e 6 meses pelo serviço de Clínica Genética para acompanhamento de uma macrocrania familiar. Foi prescrito Ácido Valproico 375mg/2x ao dia. (31)3474-676.com – Rua dos Sociólogos. deve-se percorrer um caminho farmacológico.M. Aos 29 dias já apresentava PC de 40 cm. 155 www./2008 foi retirado o Diazepam acrescentado Imipramina 5mg/2x ao dia e Lítio 75mg/3x ao dia. testando e instituindo-se as melhores respostas. Em março foi relata melhora da agitação. Belo Horizonte – MG. Em fev. Apresentou um alargamento assimétrico da fissura silviana a direita. Por fim chegou-se ao seguinte tratamento: Risperidona 0. desatenção e agressão na escola.

Na época. T.1 e se julgava obesa.V. Palavras-chave: Anorexia nervosa. que deve ser longo. Alcoolismo.G. aos cuidados de equipe multidisciplinar.ANOREXIA NERVOSA E COMORBIDADES PSIQUIÁTRICAS: UM RELATO DE CASO Rodrigo A. Iniciou uso diário e abusivo de álcool há 5 anos. paciente evoluiu com boa aderência ao tratamento nutricional e psicoterápico.MG. com IMC de 10. requerem internações mais longas. P. Amaral. aderem menos ao tratamento e apresentam pior prognóstico. Fonseca Instituição: Instituto da Previdência dos Servidores do Estado de Minas Gerais IPSEMG Relato do caso: Paciente de 40 anos. devido à longa evolução e aos insucessos dos tratamentos anteriores. CEP 30270-250 E-mail: rodrigodeaf@gmail. Houve rápida perda de peso. passou a mastigar e cuspir alimentos gordurosos durante a maior parte do dia. multiprofissional e envolver os familiares.Trazida ao nosso serviço por familiares que informaram início há 20 anos de quadro de restrição alimentar. Fonseca. são classicamente descritos como associados à anorexia nervosa. apresentava IMC de 24. Belo Horizonte . o alcoolismo é fator complicador grave de um quadro de anorexia nervosa já de mau prognóstico. ainda. Pacientes acometidos por alcoolismo e transtornos alimentares apresentam maior impulsividade.R. de sintomas depressivos e traços obsessivo-compulsivos. Conclusão: A paciente apresenta um quadro de anorexia bulímica que evoluiu para quadro atípico de anorexia restritiva.psiquiatriamg. com ganho de 2kg em duas semanas. Deverá permanecer em tratamento. Diversas tentativas de tratamento. Todas essas comorbidades devem ser consideradas no planejamento do tratamento. Comorbidades. Contato: Rodrigo de Almeida Ferreira Endereço: Rua Jaú no. sexo feminino. S. freqüentemente chegando à perda da consciência e com relato de sintomas de abstinência alcoólica.br/jornada_sudeste . atingindo IMC de 11.S. Ferreira. sem qualquer melhora. com alcoolismo associado. paciente mostrou-se cuidada. professora de matemática. traços obsessivos e história de depressão. devido à mastigação de alimentos.org. Ao exame psiquiátrico. também presentes. alerta e eutímica. Ademais. combinada a compulsão alimentar e purgação.com – Telefone: (31) 3482-3788 / 8793-4863 156 www.2 e amenorréia após 2 anos.8 e ausência de dentes.J. Neste caso. E. Teixeira. Transtornos alimentares. Há história. Após internação hospitalar voluntária. 150. Nos últimos 10 anos. O exame físico revelou emagrecimento extremo. Paraíso.

Em seus primeiros quatro anos desistitucionalizado. Relato de Caso: G. negro.br/jornada_sudeste . Desinstitucionalização. onde conta. Com o movimento de desinstitucionalização. Realiza a própria higiene. Atualmente em uso de Haloperidol Decanoato – duas ampolas de 15/15 dias.com 157 www.G. Sem uso de antipsicótico atípico. Em 2006 foi inserido no Programa “De Volta Para Casa”. Reinserção social.org. deixou de participar dos eventos do Caps e passou a freqüentar o Centro Regional de Serviço de Saúde Mental (Cressam).psiquiatriamg. houve uma crescente preocupação com o retorno dos doentes mentais crônicos à comunidade. criado pelo Ministério da Saúde em 2003. masculino. Recebeu o diagnóstico de esquizofrenia aos 21 anos de idade e permaneceu internado por 32 anos em Hospitais Psiquiátricos. a importância do trabalho de reinserção social buscando uma maior humanização e individualização do tratamento.A. o interesse na qualidade de vida e na capacidade de interação social foi ainda maior. Conclusão: Apesar da baixa escolaridade e do longo tempo de duração da doença e da hospitalização.A REINSERÇÃO SOCIAL DE UM ESQUIZOFRÊNICO APÓS TRINTA ANOS DE HOSPITALIZAÇÃO Samira Soares Jacob. com o apoio de médicos psiquiatras. Em relação aos pacientes esquizofrênicos. natural de Juiz de Fora (MG). Desde setembro de 1999 não sofre hospitalização psiquiátrica. com breves períodos intermitentes de alta hospitalar. Após essa data.. apesar do descarrilamento do curso de pensamento e conteúdo delirante persecutório. Guilherme Henrique Faria do Amaral Instituição: Universidade Presidente Antônio Carlos – UNIPAC – Juiz de Fora Palavras-chave: Esquizofrenia. mais uma vez. auto-referente. dispensando o auxílio de outrem. é compositor musical e poeta. Possui boa interação social. exclusivamente. Introdução: A esquizofrenia é uma das mais graves doenças psiquiátricas e afeta cronicamente a vida dos pacientes e familiares em vários domínios. freqüentou o Instituto de Saúde Mental (Caps). Gil Horta 149/101 Centro Juiz de Fora – MG CEP: 36016-400 (32)8409-4816 – samirajacob@hotmail. Isso prova. Capacidade mental altamente produtiva. Contato: Samira Soares Jacob Rua Dr. 63 anos. apresentamos um paciente com boa interação social e elevada capacidade de criação sem uso de antipsicótico atípico. Sem sinais de heteroagressividade. Mora com sua família: mãe e irmão. ocorrido nos países desenvolvidos ocidentais nas décadas de 60 e 70. com os quais tem boa conivência. quatro anos de escolaridade. totalizando 47 internações. Levomepromazina 25mg e Biperideno 2mg esporadicamente.

S. Resumo: Homem. Com base na apresentação do caso. O paciente passou a aceitar a dieta por via oral. Uma das preocupações em indicar ECT para pacientes com demência são seus possíveis efeitos adversos sobre a cognição e memória. agressividade e idéias delirantes paranóides. O paciente evoluiu com piora importante do quadro depressivo com idéias suicidas. com risco de suicídio. recusa alimentar. voltou a deambular. já que o paciente se encontrava em estado de estupor.V. E.V.org. 158 www.P. T.B. pretende-se discutir as indicações de eletroconvulsoterapia em paciente com demência e depressão. Apresentava como co-morbidades clínicas hipotireoidismo e Diabetes Mellitus. Discussão: A depressão afeta 20-25% dos pacientes com demência e cerca de 1/3 desses pacientes não responderão ao tratamento com antidepressivos. R. complicações clínicas e morte. Admitido na Unidade de Geriatria do Hospital dos Servidores do Estado de MG com diagnóstico de depressão e demência do tipo Alzheimer moderada (MMEM: 17/30) com 4 anos de evolução. tem eficácia superior. Iniciada mirtazapina como terapia de manutenção.br/jornada_sudeste . No entanto. Cunha. com boa tolerância e controle do distúrbio de comportamento. com taxa de remissão de cerca de 90% em pacientes deprimidos sem déficit cognitivo. D. além de oferecer resultados mais rápidos. Ferreira. O exame físico não evidenciou alterações relevantes nos diversos aparelhos.psiquiatriamg. embotamento e mutismo.G. Na pesquisa de causas secundárias de déficit cognitivo a rotina laboratorial não demonstrou alterações. R. uma resposta rápida se fazia necessária. No caso relatado. A RNM encefálica foi compatível com o diagnóstico de hidrocefalia de pressão normal. Fonseca. Iniciada rivastigmina na forma de adesivo. associada a importante distúrbio de comportamento manifestado por agitação. Depressão e Eletroconvulsoterapia. Amaral. Palavras-chave: Demência.ELETROCONVULSOTERAPIA NO TRATAMENTO DA DEPRESSÃO ASSOCIADA À DEMÊNCIA Sarah G. Fonseca. com melhora do contato verbal e do afeto. A eletroconvulsoterapia. professor aposentado. U. a exacerbação do déficit cognitivo que ocorre como conseqüência da ECT é reversível e transitória. restrição ao leito. Em uso de antipsicótico (risperidona) e antidepressivo (sertralina) sem resposta satisfatória. A avaliação neurocirúrgica não recomendou a implantação de válvula devido ao tempo de evolução do déficit cognitivo e forte indício de demência irreversível associada. engenheiro. Thomaz. Viana Instituição: Instituto de Previdência dos Servidores do Estado de Minas Gerais – IPSEMG.A. 59 anos. Após 10 sessões de eletroconvulsoterapia bilateral sob narcose apresentou resposta satisfatória.

Segundo a esposa.. porém não tem obtido melhora do quadro porque não reconhece necessidade de tratamento e relata que apenas deseja um relatório em que conste ser o mesmo “doente mental”. assassinou um preso após ter sido vítima de tortura na rebelião de uma cadeia. lei penal brasileira Relato de caso: D. 302 – Bairro Cidade Nova – Belo Horizonte/MG – CEP: 31. O paciente nega histórico de qualquer tipo de tratamento psiquiátrico e pretende alegar transtornos mentais para não ser condenado à pena privativa de liberdade. o psiquiatra é procurado com o intuito de ser manipulado como um instrumento de “defesa” judicial. o paciente sempre apresentou atitudes de heteroagressividade e indiferença completa para com sentimentos alheios. funcionaria como um estímulo para despertar o interesse pelo tratamento. Assim. Silas Prado de Sousa Instituição: Consultório particular Palavras-chave: transtorno de personalidade anti-social. 52 anos.com Endereço: Rua Professor Pimenta da Veiga. o psiquiatra assistente pode auxiliar o paciente a elaborar que sua pena privativa de liberdade representa o limite social ao qual até então não se submeteu. ensino fundamental.ASPECTOS JURÍDICOS EM PSIQUIATRIA O PAPEL DO PSIQUIATRA NO TRANSTORNO DE PERSONALIDADE ANTISOCIAL EM CONFLITO COM A LEI PENAL BRASILEIRA: ANÁLISE DE UM CASO Karla Cristhina Alves de Sousa.br/jornada_sudeste . Esse limite simbólico evitaria reafirmar para ele a sua capacidade manipuladora para conseguir objetivos de modo desonesto. Nos casos em que há envolvimento criminal.psiquiatriamg. Está sendo submetido à terapia cognitivo-comportamental.170-190 159 www. casado. Porém. 610 apto.P. resultando assim em um desfecho mais proveitoso para o paciente e para a sociedade. Conclusão: O transtorno de personalidade anti-social é uma condição duradoura de difícil tratamento porque é vivenciado por seu portador de uma forma egossintônica e tem pior prognóstico já que não há interesse pelo tratamento. ele poderá ter na lei o limite que não tem em si e isso será mais terapêutico do que emitir um relatório que conduza a uma decisão judicial no sentido de determinar medida de segurança com internação em hospital psiquiátrico por anos. Foi ao ambulatório na tentativa de registrar formalmente antecedentes de tratamento psiquiátrico por estar sendo processado judicialmente e em breve será submetido à perícia de sanidade mental.J. agente penitenciário. sexo masculino. Contatos: Telefônico: (31) 9258-2072 E-mail: karlacalves@gmail.org.

Objetivo: Pesquisar o que a literatura revela sobre o uso da COPM em Saúde Mental na prática da Terapia Ocupacional. Seis artigos atenderam os critérios de inclusão . Rúbia M. válido e confiável para ser utilizado na prática da Terapia Ocupacional em saúde mental. capaz de detectar mudanças significativas nos níveis de desempenho e satisfação de clientes com problemas de saúde mental. A busca foi restrita aos artigos publicados no período de 2002-2007. As palavraschave utilizadas foram COPM ou Canadian Occupational Therapy Measure e Mental Health e termos relacionados: schizophrenia. Belo Horizonte. 160 www. MEDLINE. OTseeker. limitam-se possíveis generalizações e faz-se necessário. Bastos. seu uso pode garantir maior engajamento no tratamento. Artigo 4 A COPM é uma medida clinicamente efetiva.AVALIAÇÃO DE TERAPIA OCUPACIONAL EM SAÚDE MENTAL O USO DA COPM NA SAÚDE MENTAL Simone C. artigo 2 Combinação da COPM com outras categorias de avaliação baseadas no Modelo Canadense de Desempenho Ocupacional produziram um formulário de avaliação de Terapia Ocupacional que pode ser usado na prática da saúde mental. para conclusões mais efetivas. Pyló. Artigo 3 A cOPM pode ser aplicado de forma confiável aos clientes de Taiwan. sendo que apenas quatro encontravam-se disponíveis em território nacional. Resultados: Artigo 1. SCIELO e CINAHL.Gomes Instituição: Departamento de Terapia Ocupacional da Universidade Federal de Minas Gerais.br/jornada_sudeste . Embora seja uma avaliação complexa. LILACS. Desta forma. mais pesquisa abordando-se esta questão. Conclusão: Os estudos analisados revelam que a COPM mostrou-se um instrumento útil. Entretanto. Minas Gerais. Juliana L. Esta avaliação permite a participação ativa do cliente em todo o planejamento do tratamento.psychiatric disorders. existe um número restrito de estudos nesta área. Metodologia: A pesquisa foi feita através de consultas nas bases de dados eletrônicas PUBMED.org. Introdução: A COPM (Medida Canadense de Desempenho Ocupacional) é uma avaliação da Terapia Ocupacional baseada na teoria da Prática Centrada no Cliente.A.psiquiatriamg. A COPM foi um instrumento apropriado para detectar mudanças significativas num grupo de 60 clientes com esquizofrenia após término do processo de Terapia Ocupacional.

O NIAB – Núcleo de Investigação em Anorexia e Bulimia do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais – é um serviço interdisciplinar de orientação psicanalítica e referência estadual para atendimento de casos de Anorexia e Bulimia. Simone Costa de Almeida Bastos – 3409-4790 / 8739-0043 IMPLANTAÇÃO E AVALIAÇÃO DE SERVIÇOS DE SAÚDE MENTAL NIAB – UMA EQUIPE INTERDISCIPLINAR Ana Raquel Corrêa e Silva. por sua natureza sindrômica. Apresentação: A clínica da Anorexia Nervosa e da Bulimia Nervosa instiga a reflexão sobre a prática clínica e sobre as articulações teóricas que a sustentam. e-mail: salmeida@ufmg. 7 Integrantes do NIAB. 161 www.Palavras-chave: Saúde mental. não completamente esclarecida do ponto de vista etiológico e nosológico e pela ausência de propostas terapêuticas bem consolidadas. Terapia ocupacional. Avaliação.br Contato: Profa. Bulimia. atualmente diversas e controversas.psiquiatriamg. psicológicos e psicanalíticos. surpreendem-se com a crescente demanda de pacientes de diferentes classes sociais e de uma ampla faixa etária. Objetivo: Apresentação do trabalho interdisciplinar realizado no NIAB. psiquiátricos. Vinícius Tavares. à demanda crescente de atendimentos a pacientes com Anorexia (AN) e Bulimia (BN). a Anorexia e a Bulimia ainda representam um desafio aos profissionais de saúde. que prestam assistência a pacientes com Anorexia e Bulimia.org. Roberto Assis Ferreira. O NIAB iniciou suas atividades de estudo e investigação em 1999 e em 2004 deu início à assistência a pacientes com sintomas anoréxicos e bulímicos. públicos e privados. interdisciplinar. Essa crescente demanda tornou necessária e atual a discussão a respeito das estratégias de tratamento desses pacientes. Mônica Froes Schettino Motta7 Instituição de Origem: Núcleo de Investigação em Anorexia e Bulimia (NIAB) do HC-UFMG Palavras-chave: Anorexia. Apesar dos avanços sobre o tema nas últimas décadas nos estudos clínicos. Os serviços de saúde brasileiros. serviço público.br/jornada_sudeste .

Casa Itaquera (8 moradores).org. Atualmente são atendidos no ambulatório do Hospital das Clínicas cerca de duzentos pacientes. Na condução do tratamento dos casos de Anorexia e Bulimia. no bairro Concórdia. que veio a ser denominada de Casa Concórdia. com predominância de adolescentes e adultos jovens. O encontro e o diálogo entre diferentes disciplinas e saberes é a construção do caso clínico. O Serviço Residencial Terapêutico – ou Residência Terapêutica. As políticas públicas de saúde mental são norteadas pelo Sistema Único de Saúde. principalmente os casos graves. O SERVIÇO RESIDENCIAL TERAPÊUTICO EM BELO HORIZONTE DE VOLTA À SOCIEDADE Júlia Coutinho Nunes Castilho e Francine de Lurdes Antonietti Instituição de origem: Prefeitura de Belo Horizonte Resumo: A desinstitucionalização e a efetiva reintegração de pessoas com sofrimento mental grave na comunidade. constituídas para responder às necessidades de moradia de pessoas portadoras de sofrimento mentais que não possuam suporte social e laços familiares. localizados nas comunidades. que preconiza o atendimento às pessoas com sofrimento mental em serviços abertos. em sua maioria mulheres.br/jornada_sudeste .psiquiatriamg. abordando aspectos psiquiátricos. Só o desafio. é uma das tarefas em que a Prefeitura de Belo Horizonte e a Secretaria de Saúde vêm se dedicando nos últimos anos. com idade entre oito e sessenta anos. Casa Pampulha (10 moradores). a equipe interdisciplinar funciona como uma rede de sustentação do paciente. clínicos e psicanalíticos. são casas localizadas no espaço urbano. Casa Manhumirim (9 moradores). Em 2008.acolhendo demandas provenientes de toda rede pública de saúde. constituindo uma equipe. e em 2006 já havia 426. só por imposição e laço institucional. instrumento tão precioso na clínica da Anorexia e Bulimia. São elas: Casa Serpentina (9 moradores). foi criada a primeira Residência Terapêutica em Belo Horizonte. Casa Padre 162 www. sobretudo na condução do tratamento e na definição do lugar ocupado por cada profissional. de todo estado de Minas Gerais. Em julho de 2001. Casa Heliópolis (8 moradores). Casa Floramar (9 moradores). Uma equipe interdisciplinar se constitui como conseqüência do trabalho de muitos em torno da clínica. egressas de internações psiquiátricas de longa permanência. e substitutivos ao hospital psiquiátrico. com 10 moradores. Casa Teófilo Otoni (11 moradores). Uma equipe não deve ser um amontoado de profissionais presos a suas rotinas. o desconforto. a rede pública de atenção à saúde mental conta com 10 Residências distribuídas entre as regionais da cidade. o que faz obstáculo pode implicar e comprometer os profissionais. No ano de 2000 havia 40 Residências Terapêuticas no país.

000hab e a média global 16/100. têm sido considerados como problema de saúde pública. bem como o para-suicícidio. ocorrem de 10 a 20 vezes mais. para acolher os pacientes egressos de um hospital particular de Belo Horizonte. visando a inserção do morador na rede de serviços e comunidade.Eustáquio (4 moradores). de re-criação e transformação de seu cotidiano e de sua vida. Dra. Terapia Ocupacional.000 de pessoas morrem ao ano por suicídio no mundo. podemos citar o lítio – sobretudo em 8 9 Pós-graduando em Farmacologia do sistema nervoso central.psiquiatriamg. acabam agindo indiretamente sobre o ato suicida.000.000hab. de criação. criando condições para autonomia social e econômica. estima-se. que fechará até dezembro. reatando e/ou construindo novos laços. a abertura de mais 15 Residências. O serviço residencial terapêutico viabiliza o processo de reabilitação psicossocial. rompendo com o manicômio. As taxas variam de um país para outro. Está previsto para esse ano. cerca de 1. tendo papel de mediador entre o mundo interno e o mundo de possibilidades. Profa. Palavras-chave: Reforma Psiquiátrica. Porém. Dentre eles. As tentativas de suicídio. Segundo a OMS. PSICOFARMACOLOGIA A EFICÁCIA DA CLOZAPINA SOBRE O COMPORTAMENTO SUICIDA Mauro Tavares Paes8. de re-conhecimento.org. em re-significar seu cotidiano. sendo no Brasil estimada em 3. O impacto social e econômico é alarmante. Casa do Paulo Adriano (1 morador).4/100. Márcia Ceribino9 Instituição: Universidade Federal de Lavras Introdução: O suicídio. Serviço Residencial Terapêutico. superando as mortes de todos os acidentes de trânsito e guerras. de conhecimento. a literatura apresenta estudos que demonstram a eficácia de fármacos diretamente sobre a ideação suicida. A ação da terapia ocupacional está em promover e facilitar as condições do morador em habitar sua própria casa. 163 www. na medida em que tratam os diversos transtornos mentais. articulando-se com a rede de assistência municipal. e finalmente a Casa Concórdia (10 moradores). Orientadora. Dentro desse movimento de reabilitar psicossocialmente é que a atuação do terapeuta ocupacional. enquanto supervisor de uma Residência Terapêutica entra para mostrar seu diferencial. Os psicofármacos. Atuando como facilitador nas estratégias de resgate do papel do sujeito agente em seu processo de tratamento.br/jornada_sudeste .

universitário. os antipsicóticos atípicos. sexo masculino.org. apontam para importância de pesquisas que descrevam uma farmacoterapia que atue sobre o comportamento suicida. Uma grande revisão feita por Bousoa et al. OBJETIVO: Fazer uma revisão bibliográfica a respeito da eficácia da clozapina sobre o comportamento suicida. quando comparada com a olanzapina. que demonstrou redução significativa do risco de suicídio com o uso da clozapina. que avaliaram seus efeitos em relação a placebo e em comparação com outros antipsicóticos. 2008). MÉTODO: Foi feito um levantamento bibliográfico na base de dados Medline/Pubmed com o objetivo de avaliar os artigos que demonstram os efeitos da clozapina sobre o comportamento suicida. RESULTADOS: Vários estudos. entre outros. em 2008. Sarah Gonçalves Fonseca. comportamento suicida.pacientes bipolares – os antidepressivos e. 2006 e os de Yerevanian et al. foi o InterSept. Felipe Antonio Ferreira Guio Instituição: Hospital Israel Pinheiro – IPSEMG Palavras-chave: Anorexia. Renato Ferreira Araújo. Eduardo Villar Fonseca.br PSICANÁLISE E PSICOTERAPIAS ANOREXIA E PSICOSE: SUJEITO. antipsicóticos. com destaque para a clozapina. Os mecanismos de ação sobre a ideação suicida ainda são desconhecidos.com. 164 www. como os de Houston et al. Um dos primeiros estudos multicêntricos sobre esse tema.psiquiatriamg. a clozapina tem apresentado melhores resultados. Porém. natural e residente em Belo Horizonte. com quadro de insônia. mais recentemente. clozapina. 2007. A clozapina foi objeto de estudo de diversos trabalhos. Psicose. demonstrou que a clozapina é a única droga que tem tido sua eficácia comprovada sobre o comportamento suicida. Dentre os fármacos disponíveis. Trazido ao nosso serviço pela mãe. Resumo: Paciente de 22 anos. CORPO E LINGUAGEM Tammy da Silva Amaral Gilda Paoliello Nicolau. contribuindo com os esforços mundiais de prevenção de mortes e outros danos por este meio. E-mail: mauro. os estudos são escassos e muitas vezes inconsistentes (Aguilar e Siris.br/jornada_sudeste . Palavras-chaves: suicídio. Nosso estudo aponta para uma necessidade de pesquisas que demonstrem a eficácia e os mecanismos de ação de drogas que reduzam a ideação suicida.paes@terra. Rodrigo de Almeida Ferreira. contribuindo para a prevenção do suicídio.

sem adesão. sem evidência de atividade alucinatóriodelirante. interrompendo a ingesta após alta hospitalar.: (31) 8723-6896 / e-mail:tammysamaral@yahoo. Evidencia que o corpo é organizado como um código semântico que responde às palavras de diferentes maneiras.org. iniciou restrição alimentar e hídrica.br PSIQUIATRIA BIOLÓGICA MANIFESTAÇÕES NEUROPSIQUIÁTRICAS DE DOENÇAS PARASITÁRIAS COMUNS NO BRASIL: UMA REVISÃO DA LITERATURA Pablo George Vieira Guedes10.isolamento e embotamento afetivo desde 2004. Tel. Iniciada psicoterapia. Conclusão: Em “Tratamento psíquico” Freud discorre sobre a influência da mente sobre o corpo. na dimensão do simbólico dá-se a origem do sintoma. Nova internação em março. levando a comprometimento social progressivo. com afeto plano. Em uso irregular de Olanzapina desde janeiro de 2008. Há cerca de um ano. Eutímico. Durante a internação aceitou medicação e dieta via oral. as manifestações neuropsiquiátricas de doenças Acadêmico de Medicina – 4º período da Faculdade da Saúde e Ecologia Humana de Vespasiano – FASEH 11 Médico Psiquiatra. Destarte. Entretanto. Ausência de insight. pensamento pobre. frente ao desejo do paciente de dedicar-se à filosofia. Iniciado tratamento medicamentoso em abril. Cursou com grave desnutrição protéico-calórica e desidratação.tendo como cenário a esquizofrenia. Foi submetido a diversas internações hospitalares. sem que isso refletisse preocupação com a imagem corporal.com. Apresentava-se bastante emagrecido (IMC=14. Residente em Psiquiatria da Infância e Adolescência do Centro Psíquico da Infância e Adolescência . associado ao significante e não ao significado em si. No caso relatado. Os exames laboratoriais iniciais não apresentaram alterações.psiquiatriamg. apesar de intelectualmente adequado. algumas com necessidade de nutrição enteral. discurso lacônico.br/jornada_sudeste . utilização intensa do mecanismo de repressão e sinais comumente comprovadores de esquizofrenia. Daniel de Sousa Filho11 São diversas e bem documentadas as várias apresentações clínicas de parasitas humanos. Realizada Eletroconvulsoterapia com melhora parcial dos sintomas.3). a anorexia surge como oposição ao discurso materno da necessidade de se “garantir o arroz com feijão”. O Psicodiagnóstico de Rorschach (fevereiro de 2008) demonstrou dificuldade de estabelecer relacionamento profundo.FHEMIG 10 165 www. o que levou a família a procurar auxílio médico em abril de 2007.

com maiores amostras são necessários para confirmar os achados encontrados.psiquiatriamg.br/jornada_sudeste . Em face do exposto. Echinococcus granulosus. Digit Span Test. Cyrticercosis. realizamos uma revisão crítica e sistemática da literatura acerca das manifestações neuropsiquiátricas das principais doenças parasitárias comuns no nosso país. Toxocariasis. Neurological and Psychiatric manifestations. bipolar tipo II (n=10) e Transtorno Depressivo Maior Recorrente (n=12) com indivíduos saudáveis (n=12) em provas que avaliaram funções executivas. AVALIAÇÃO DAS FUNÇÕES EXECUTIVAS EM PACIENTES EUTÍMICOS COM TRANSTORNOS AFETIVOS Valéria De Queiroz. bem como um grande impacto nos sistemas de saúde. As funções executivas foram avaliadas através dos testes: Wisconsin Card Sorting task. Pagnin Instituição: Grupo de Pesquisas em Saúde Mental – Universidade Federal Fluminense Resumo: Relatos recentes da literatura sugerem que pacientes com transtorno do humor apresentam dificuldades em vários domínios cognitivos. bem como dos recursos propedêuticos e terapêuticos utilizados nelas. As variáveis clínicas que influenciaram a performance executiva foram a tempo de duração da doença e a ocorrência de episódios do humor recentes. causarem prejuízos importantes aos indivíduos acometidos. Os pacientes com Transtorno Afetivo Bipolar tipo II apresentaram poucas disfunções cognitivas.parasitárias são relativamente pouco estudadas a despeito de. O estudo apresentou como limitações o reduzido número de pacientes envolvidos e a impossibilidade realizar as avaliações na ausência de medicamentos por motivos éticos. foi feito um estudo de correlação entre os déficits apresentados e diversas variáveis clínicas. as quais envolveram exclusivamente componentes do Stroop test. Doenças parasitárias. Além disso. Palavras-chave: Manifestações Neuropsiquiátricas. Os resultados mostraram que os pacientes com Transtorno afetivo bipolar tipo I e depressão maior apresentaram prejuízos na flexibilidade cognitiva e no processamento de informação emocional.org. mesmo após longo período em eutimia. Utilizamos as bases de dados Medline/Lilacs. Emotional Stroop Color Test e Gambling Test. tanto do ponto de vista de diagnóstico e tratamento. Trichinosis. Malaria. Novos estudos. como da reabilitação biopsicossocial. em geral. Schistosomiasis. D. Toxoplasmosis. Pathology. O objetivo deste estudo foi comparar o desempenho de pacientes eutímicos com Transtorno Afetivo Bipolar tipo I (n=14). 166 www. Trial Making A e B. Chagas Disease. procurando artigos utilizando os unitermos: Parasitic Infections.

Solução de problemas. AVLT e Picture Memory and Interference Test para avaliação da memória.Palavras-chave: Neuropsicologia. D. Novos estudos. Quando avaliados pelo Digit Symbol Test. O estudo apresentou como limitações o reduzido número de pacientes envolvidos e a impossibilidade realizar as avaliações na ausência de medicamentos por motivos éticos. tipo II (TBII) e Transtorno Depressivo Maior Recorrente (TDR) em fase de eutimia. além de 12 indivíduos sem transtorno mental que compuseram o grupo controle.Italia MEMÓRIA E ATENÇÃO EM TRANSTORNOS DO HUMOR Valéria De Queiroz. adesão terapêutica e no funcionamento global destes pacientes..org. Pagnin Instituição: Departamento de Psiquiatria e Saúde Mental da Universidade Federal Fluminense Resumo: Existem evidências de que indivíduos com transtorno do humor apresentam déficits cognitivos mesmo em ausência de sintomas afetivos.psiquiatriamg. Todos os grupos apresentaram performance abaixo do grupo controle na avaliação da memória não verbal. com maiores amostras são necessários para confirmar os achados encontrados. no entanto. no entanto. não deferiu entre os grupos. Transtornos afetivos. A capacidade de reconhecimento do material verbal. CPT-AX e Digit Symbol para avaliação da atenção. Em relação à atenção não foram observadas alterações entre os grupos para a atenção sustentada avaliada pelo CPT A-X. Depressão. Foram utilizadas a WAIS-R para avaliação do quociente de inteligência. O objetivo deste estudo foi avaliar a atenção e memória em pacientes com Transtorno Afetivo Bipolar tipo I (TBI). 10 pacientes com Transtorno Bipolar tipo II e 11 pacientes com Transtorno Depressivo Recorrente. Prejuízos nas áreas de memória e atenção figuram entre os principais relatos na literatura e podem interferir no processo de reabilitação. 167 www. os três grupos de pacientes apresentaram performance abaixo do grupo controle. Os resultados mostraram que os pacientes com TBI e TDR apresentaram performance significativamente abaixo do grupo controle para a parte de aprendizado verbal do AVLT e na evocação tardia. sendo financiado pelo Acordo de Cooperação Cultural Bilateral entre Brasil e Itália através do Ministério da Educação no Brasil e Ministero Degli Affari Esteri . Obs: Este estudo foi realizado durante o curso de doutorado na Universidade de Pisa. No total foram avaliados 15 pacientes com Transtorno Bipolar tipo I. Cognição.br/jornada_sudeste .

Atenção. a Reforma Psiquiátrica significou uma ênfase crescente na estruturação de serviços de saúde mental fora dos hospitais psiquiátricos. O período de revisão bibliográfica foi de 1986 a 2007.Palavras-chave: Neuropsicologia. que procuraram enfrentar o desafio de construção de um modelo assistencial dirigido aos portadores de sofrimento mental. Transtornos afetivos e Depressão Obs: Este estudo foi realizado durante o curso de doutorado na Universidade de Pisa. correlacionando a história do Hospital com a Reforma Psiquiátrica. entrevistas com técnicos que fundaram o Hospital Dia e participaram da construção do serviço. Conclui-se que a participação desta instituição no cenário da assistência psiquiátrica mineira é seminal para aquilo que se configurou na década de 80. sendo financiado pelo Acordo de Cooperação Cultural Bilateral entre Brasil e Itália através do Ministério da Educação no Brasil e Ministero Degli Affari Esteri . Memória. mas também no panorama nacional. 168 www. Débora Gusmão13 Instituição: Centro Universitário Metodista Izabela Hendrix A Reforma Psiquiátrica no Brasil foi um conjunto de iniciativas públicas. reagindo e respondendo de maneira complexa ao movimento crítico que posteriormente tomaria a forma da luta antimanicomial.br/jornada_sudeste . capaz de romper com o formato tradicional das instituições psiquiátricas que preconizavam a exclusão social da loucura. As fontes revelam que a história do HEIRS é marcada pela emergência de idéias reformistas desde a sua fundação.Italia REFORMA PSIQUIÁTRICA O HOSPITAL PSIQUIÁTRICO NA REFORMA Juliana M. Olimpio. monografias e vídeos. década de 20 do século passado. resultantes de pressões societárias. Motta. Débora Naves12 Danieli C.psiquiatriamg. Assim. Foram utilizados artigos científicos publicados por profissionais que trabalharam no HEIRS. 12 13 Professores orientadores. Acadêmicas de Enfermagem. foram coletados dados de campo e bibliográficos/documentais.org. A pesquisa é de caráter histórico e qualitativo com o objetivo de resgatar a memória do Hospital de Ensino Instituto Raul Soares – HEIRS. Como metodologia. não somente em Minas Gerais. Ela retrata um momento histórico da autocrítica e de esforço de transformação. a emergência de uma série de projetos voltados para reformulação da assistência psiquiátrica.

acontece na horta de plantas medicinais. quando preparam e degustam o chá. onde ocorre o manejo destas.br 169 www. Esta oficina é coordenada pelo farmacêutico do serviço em parceria com os estagiários curriculares do oitavo período do curso de Terapia Ocupacional da Universidade Federal de Minas Gerais. respeitando a limitação e habilidade de cada um. em média. Trabalho em equipe. O espaço da horta permite estabelecer uma conexão com o repertório ocupacional de alguns usuários e possibilita que o momento de socialização se inicie já nesse espaço. Resultado/Discussão: A oficina. Michele Abreu Soares Instituição: Departamento de Terapia Ocupacional da Universidade Federal de Minas Gerais.RELATO DE EXPERIÊNCIA EM SERVIÇO SUBSTITUTIVO OFICINA DEDO DE PROSA Simone C. Objetivos: Incentivar a socialização dos usuários.psiquiatriamg. Simone Costa de Almeida Bastos – 3409-4790 / 8739-0043 – e-mail: salmeida@ufmg. permite a participação ativa de vários usuários. colheita e secagem. Giziane Oliveira. de forma a favorecer o aumento de vínculo entre eles mediante a atividade de cuidar do espaço da horta. no município de Belo Horizonte. como plantio. e também lidam com a necessidade de respeitar e reconhecer a singularidade de si e do outro. por suas diferentes etapas. Introdução: O presente trabalho refere-se ao relato de experiência da oficina Dedo de Prosa que acontece. desde 2005. ocorre em uma sala. O segundo momento. Serviço substitutivo. com duração de 30 minutos. Os usuários conversam sobre temas corriqueiros fortalecendo os laços sociais e aliviando suas tensões.org. A oportunidade de opinar e discutir sobre as temáticas propostas podem repercutir positivamente no cotidiano dessas pessoas. com discussão de temas eleitos pelos usuários. Contato: Profa. alcançando as relações interpessoais. preparar o chá e discutir temas de interesse do grupo. Plantas medicinais.br/jornada_sudeste . Bastos. Sérgio Cardoso. O primeiro momento. Palavras-chave: Saúde mental. Terapia Ocupacional. Metodologia: Atendimento semanal realizado no CERSAM com a participação. adubagem.A. de 13 usuários. O produto final transcende o cuidado com o espaço da horta e a produção do chá. no Centro de Referência em Saúde Mental (CERSAM) da Regional Leste.

psiquiatriamg.org.170 www.br/jornada_sudeste .

org.psiquiatriamg.br/jornada_sudeste .CONFERÊNCIA www.

172 www.psiquiatriamg.org.br/jornada_sudeste .

que. Os manuais de diagnóstico são deliberadamente ateóricos. que é a estrutura do próprio sujeito. a lei. neurose. a psicanálise vem lidando com praticamente as mesmas referências diagnósticas empregadas por Freud. Isto porque se as formas dos sintomas mudam de acordo com o discurso dominante na civilização. se diferencia da nosografia psicanalítica das estruturas clínicas.br/jornada_sudeste . isto é. Fundar uma prática de diagnóstico baseada no consenso estatístico de termos relativos a transtornos. A. Ou será que é o avesso – a novos remédios. 1991.Noite 18:00 h Conferência – Teatro Oromar Moreira Tema: A FUNÇÃO SOCIAL DO SINTOMA Conferencista: Antônio Quinet SINTOMA OU TRANSTORNO? reatualizando a interconexão entre psiquiatria e psicanálise Os tipos clínicos clássicos da neurose (histeria. Quinet. a obsessão de idéias. neurose obsessiva e fobia) não mais se encontram no DSM IV ou no CID 10. é abandonar a clinica feita propriamente de sintomas que remetem a uma estrutura clínica. E dos tipos clínicos da psicose encontramos apenas a esquizofrenia e não mais a paranóia nem a melancolia. por consegüinte.1 O "invólucro formal do sintoma" varia segundo a época: a histeria muda de cara. pseudo novos males? À nosografia psiquiátrica em constante mutação com sua série de DSM.diante da qual o analista não deve recuar – nosografia conforme a posição do sujeito no Édipo em relação ao gozo. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor. As 4+1 condições de análise. as estruturas clínicas permanecem as mesmas e se declinam para a psicanálise conforme a maneira com que o sujeito lida com a falta inscrita na subjetividade. formações de compromisso entre as diversas instâncias do aparelho psíquico. voltando-se para uma descrição que seja partilhada pela maioria dos psiquiatras do mundo. Assim toda e qualquer hipótese etiopatogênica é excluída. angústia e a morte. falta que condiciona a modalidade de cada um se haver com o sexo. a psicose de vestes. em neurose. 173 www. Essa evolução acompanha o desenvolvimento da ciência: a novos males. Ao substituir as doenças próprias da psiquiatria clássica por transtornos opta-se mais pela descrição e pela comunicação desses fenômenos entre colegas que por uma clinica em que cada caso seja efetivamente um caso e onde os fenômenos sejam considerados sintomas. ou seja. O atual movimento de desaparecimento de entidades clinicas dos manuais de diagnóstico (DSM e CID) descritas pela psicanálise não estaria dificultando a aplicação hoje em dia da relação de interconexão entre psiquiatria e psicanálise proposta e almejada por Freud? 1 Cf.psiquiatriamg. psicose e perversão . devem ser eliminados com medicamentos. perversão e psicose. Enquanto os critérios de diagnóstico têm variado e se amplificado na psiquiatria contemporânea. o desejo.org. novos remédios.

Editora Forense-Universitária. dificuldade para respirar não são a própria pleurisia mas permitem um estado patológico. a qual para os estruturalistas corresponde à própria estrutura2. 3 Foucault. a dor lateral (S’’) e a dificuldade de respirar (S’’’) e essa cadeia significante de sintomas (Σn) têm necessariamente um significado: a doença pleurisia. p. constituído por significantes.psiquiatriamg. Ele parte de uma análise lingüística do sintoma. de uma certa forma. M. Assim os sintomas deixam transparecer algo inaparente que é necessariamente um estado patológico determinado. por definição. se opõe ao estado de saúde.3 A doença como algo da órbita do invisível é tornada transparente pelo sintoma. Σ Patologia S s Por outro lado o sintoma médico se vincula sempre a outros sintomas cujo conjunto define a doença. Freud construiu as entidades clinicas da psicanálise com base na nosografia da psiquiatria clássica. que é parte da estrutura psíquica (apesar de não ser um elemento da estrutura significante). Tosse. Rio de Janeiro. ele. o que foi continuado pelas diversas correntes da psicanálise inclusive por aquela em que nosso projeto se inscreve que é a de Jacques Lacan. descreve o nascimento da medicina da qual a clínica psicanalítica é.org. Os sintomas deixam transparecer a figura invariável. derivada. nem tudo é linguagem pois no silêncio do simbólico. é o que está mais próximo do essencial. “O sintoma – daí seu lugar de destaque – é a forma como se apresenta a doença: de tudo que é visível. O conceito de gozo em Lacan corresponde ao poder para além da função da fala e do campo da linguagem. O nascimento da clínica. Para a psicanálise se tudo é estrutura. febre. sobretudo no que diz respeito ao sintoma. é na construção do caso clínico – a partir de um saber sobre a subjetividade particular de cada paciente que a psicanálise permite elaborar . O sintoma é portanto um fenômeno que. o significado do sintoma como significante é sempre patológico. tanto deriva quanto rompe com a clínica médica.101102. O sintoma e o pathos Michel Foucault em O Nascimento da Clínica. definindo-o de início como um significante cujo significado é a doença. Na sua articulação significante com outros sintomas ele “faz" a doença. ou melhor. e da inacessível natureza da doença. dor lateral. Esse gozo é representado na fantasia pelo objeto a. Na clínica médica. A tosse (S) se articula com a febre (S’). o que significa que sua referência é a linguagem. ele é a transcrição primeira. 2 174 www.que um diagnóstico aparecerá como conclusão do processo de investigação. um pouco em recato.Como não temos na psiquiatria a autópsia que venha confirmar a doença da qual o sintoma seria o sinal. visível e invisível. da doença”. 1977. reina a pulsão de morte que é irrepresentável.br/jornada_sudeste . A abordagem de Foucault sobre o sintoma é uma abordagem estruturalista.

como decifração do inconsciente.br/jornada_sudeste . ao fantasiar o pai neste tipo de relação sexual com sua amante. O sintoma é a fumaça e o fogo é o sujeito. não remete a um significado generalizável nem um significado patológico. Este transforma o sintoma em um significante que significa imediatamente a doença como sendo a sua verdade. O que faz com que se rompa aí a barreira entre o normal e o patológico. é um destino pulsional que a análise. o significado do sintoma tosse de um sujeito. O sintoma. Fazer do sintoma um sinal da verdade tornou-se um ideal médico: “para um médico cujos conhecimentos sejam levados ao mais alto grau de perfeição. todos os sintomas poderiam se tornar signos”.psiquiatriamg. o sintoma é um sinal do sujeito. ou uma idéia parasitária obsessiva. É surpreendente Freud afirmar que um sintoma como uma tosse. pois o sentido de todo sintoma é sexual. Como para a medicina. em quem ela adorava seu próprio enigma de ser mulher. do sonho. o estabelecimento de relação do significante com o significado. Essa fantasia. e como sinal. porque eles têm exatamente a mesma estrutura. O sintoma como significante para a psicanálise tem um significado sexual. na medida em que o sujeito está 175 www. Assim.Σn doença Para que haja essa relação entre o sintoma e a doença. Para psicanálise. Por outro lado. só pode ser considerado patológico por ser referir ao pathos. por ele remeter em última a uma modalidade de gozo. o sintoma não remete a uma doença que poderíamos encontrar uma comprovação patológica na autopsia. O sintoma para psicanálise não revela a verdade de uma doença orgânica. que é o significado sexual do sintoma. Assim. do chiste e dos lapsos. também para a psicanálise o sintoma é um significante porem não com o significado patológico.org. o significado de um sintoma para a psicanálise não é a patologia. Eis a operação clínica fundamental. O sujeito padece da linguagem e do sexo. já que ele padece da estrutura da linguagem. fazendo assim do sintoma um sinal. por exemplo. uma paralisia. é diferente do que é a tosse para outro sujeito. o que não quer dizer que ele não revele uma verdade: trata-se da verdade do sujeito do inconsciente. é propriamente falando patológico. É também um sinal. é uma maneira de gozar do neurótico. ditos normais. A operação médica consiste em transformar “o sintoma em elemento significante e que significa precisamente a doença como verdade imediata do sintoma”. ou seja. ou seja. há um pathos como padecimento do sujeito. um signo mórbido. a Srª K. desvela. O que Freud descobre na análise das histéricas é que o sintoma se forma como os processos. O sintoma para a psicanálise. é necessário a intervenção de um ato que será efetuado pelo olhar médico. mas não o sinal de uma doença. O sintoma da afonia de Dora mostra uma satisfação oral. e o sintoma revela esse duplo padecimento pois ele é tecido de linguagem e é a forma de satisfação sexual do neurótico. a paixão do sujeito que é paixão pelo sexo.

manteve a esperança de que. só era possível inferi-lo ou supôlo. Mas a psicanálise faz valer o sujeito no sintoma considerando ele mesmo como uma manifestação subjetiva. as ciências iriam descobrir uma base. o que faz Freud recomendar que em cada análise é toda a psicanálise que deve ser refeita. Por outro lado. 176 www. que é a castração para ambos os sexos. Ora. o trauma. Mas na própria medicina. pois fazem parte da realidade psíquica do sujeito. a psicanálise demonstra que o significado de cada sintoma é sempre particular. O que confere cientificidade à medicina são as provas que vão desde a anatomia patológica até a formula matemática. dentro do ideal cientificista da sua época. portanto. tanto a exigência de transmissibilidade própria da ciência quanto a referência ao real dentro da sua teoria do sintoma. pois o corpo não está desvinculado do inconsciente e da pulsão e seu real não corresponde ao real da ciência. quem sabe um dia.org. inicialmente dentro do ideal de ciência. com essa resposta sintomática. responder à interrogação do desejo que se apresenta como desejo do outro. No caso de “O homem dos lobos”. faz com que se questione muito a psicanálise a partir do modelo científico: “como vocês não têm nenhum método estatístico para comprovar a veracidade e eficácia da atuação do psicanalista?” Ora. desde a constituição de sua clínica. O fato de o método estatístico ser totalmente alheio à psicanálise. E com isso registrava-se o caso que entrava na estatística. tentou ir atrás desse real último que desse a prova da veracidade do sintoma. como um real vivido. fazia-se uma autópsia e descobria-se uma lesão. sempre traumático. em que era desvelado o real da doença. no entanto. Toda vez que se encontrava uma pessoa que tinha um sintoma e morria. sabemos que isto nem sempre é encontrado e muito menos na psiquiatria.padecendo do sexo e tenta. Há algo no corpo que resiste a ser totalmente apreendido pela ciência. Freud abandonou a busca de um real histórico que pudesse realmente mostrar a origem do sintoma sem. Essas cenas. que se encontra na origem causal dos sintomas. Freud de fato abandonou seu projeto cientificista. Para além dessa esperança. recuar diante de um outro real.br/jornada_sudeste . um caso não servindo de modelo para o outro. O sintoma na medicina tem relação com a estatística. nem por isso deixam de ser traumáticas. A psicanálise rompe com a questão da estatística. o que o fez passar da teoria universal do trauma à teoria da fantasia particular que se encontra na base do sintoma. Freud buscava. sendo necessário construir um saber novo para dar conta daquele sintoma – o que é efetuado a cada vez em uma análise. encontrar o ponto traumático do sujeito em uma cena que ele realmente tivesse vivido que seria a base real do sintoma. Freud terminou concluindo que esse trauma. foi como teoria na psicanálise o equivalente analógico da autópsia na medicina. Freud. conservando. pois nenhum caso é igual ao outro. Freud. de uma certa forma.psiquiatriamg. Freud chegou até a encontrar o dia e a hora exata em que o sujeito teria se confrontado com a castração e com a diferença dos sexos. um substrato anatomofisiológico de um real orgânico para as teorias que estava desenvolvendo. Sua prova porém não era a autópsia e sim a prova do trauma. estabelecendo-se assim a relação entre sintoma e doença. por serem da ordem da fantasia.

282. ele pode vir a procurar um analista. como objetos de verdade. 4 177 www. É no registro da verdade do sujeito e da subjetivação da verdade que se situa a ética que se vincula à clínica psicanalítica na abordagem do sintoma. seu sintoma tem algo da verdade que a psicanálise pode resgatar. como lembra Heiddeger em seu texto “Alétheia”. a verdade não é só objetividade. e dependendo da interpretação que ele lhe der. 1958. então. Paris. O avesso da psicanálise). O “sintoma”. tal como a psicanálise propõe. 1998. Para lê-lo é. se opõe a uma clínica de ciência que objetiva o sintoma para produzir mais uma fórmula que receba o V da verdade e da vitória no processo de colonização do real pelo simbólico. Rio de Janeiro. ou ainda um padre ou um pai de santo. Essais et conferénces. Nesse segundo caso. Ao interpretar esse sintoma como algo da ordem orgânica. ele é como uma cruz na estrada.org. 313. mas se interpreta como algo de uma verdade desconhecida que o questiona e da qual ele gostaria de saber. a balança é o símbolo da justiça desde os antigos egípcios. É um lugar que contém uma verdade para o sujeito. O sintoma é o lugar do sofrimento que proporciona satisfação sexual para o neurótico sem que ele o saiba. que se apresentam a nós como candidatos a objetos do desejo. como na medicina. ele tende a procurar um médico. Jorge Zahar Editora. que a subjetividade faz parte de toda a objetividade5. Eis uma grande diferença da interpretação da verdade do sintoma. Escritos. 6 Lacan. O sintoma aparece. procurará um médico ou um analista. “latusas”4. Gallimard. trata-se da verdade formalizada. nem por isso ele deixa de falar a verdade: o sintoma fala a verdade do sujeito. necessário saber ler na areia pois ele está à vista e não enterrado. Mas esquece-se. é o que faz com que as coisas não funcionem. O sintoma faz sofrer. “Alétheia”. J. O sintoma-símbolo indica sua constituição metafórica S como. Assim como Termo inventado por Lacan a partir da palavra grega Alétheia (verdade) para designar os objetos produzidos pela ciência como verdadeiros (O seminário.psiquiatriamg.. no entanto. diz Lacan. M.br/jornada_sudeste . p. Na ciência. como um monumento da verdade que o sujeito deve decifrar. símbolo escrito na areia da carne e no véu de Maia. A ciência foraclui a verdade do sujeito por se interessar apenas em formalizar objetos. ele participa da linguagem pela ambigüidade semântica que já sublinham em sua constituição”6. Ela transformou a verdade em uma letra (V) que não só permite a constituição de “tabelas de verdade” dos conectores lógicos como também a multiplicação de objetos fabricados. que você esbarra e não consegue ultrapassar. A abordagem do sintoma pela via da verdade do sujeito. “é o significante de um significado recalcado da consciência do sujeito. s por exemplo. O sintoma é um símbolo da verdade do sujeito que não é indelével pois está escrito na “areia da carne” sendo portanto movediço. p..O sintoma – verdade Se o sintoma para a psicanálise não é a verdade da doença. 5 Heidegger. livro XVII.

.7 O velamento é dissimulado. p. que o “desvelamento. velamento. Gallimard. esse instrumento de sua mentira. ocultação. Todo desvelamento extrai a coisa presente do ocultamento. A dissimulação do que está velado constitui. Essas características da Alétheia. ou seja. Heidegger. é atravessado inteiramente pelo problema de sua verdade”. o mistério que não só faz parte da verdade mas domina o Ser–aí (Dasein) do homem. a verdade é velamento e sua negação. Alèthea. 267.também não está sob mas sobre o véu de Maia. é passível de esquecimento. para acentuar que o esconder-se apraz ao desvelar-se e que a emergência como desvelamento de si mesmo conserva o esconder-se: é o esconder-se que garante seu ser ao desvelar-se. porém. Heiddeger opõe uma definição da verdade à partir da própria etimologia da palavra alétheia (verdade) que é composta do “a” privativo e “leteia” que vem de léte. Heidegger as encontra no Logos que ele acaba identificando à própria verdade como des-velamento. nesse texto. Em outros termos. Na clínica. Paris. Eis o que podemos ler em seu texto “Logos”: “O desvelamento é a Alétheia. op. 328. O desvelamento necessita o ocultamento. M. cit. mas necessita deste para mostrar (déployer) seu ser tal como é. Heiddeger chega à conclusão.org.br/jornada_sudeste . “Logos”. Esta e o Logos são a mesma coisa. a emergência desse mistério ao qual Heidegger se refere corresponde à suspensão de seu esquecimento promovendo a abertura à interrogação e ao enigma do desejo que leva ao deciframento do inconsciente. como des-velamento”. apesar de não ser eliminado por ele. se situa em oposição ao mundo escondido que seria o verdadeiro. A tradução da verdade como não-velamento ou desvelamento mostra que a verdade contém tanto o desvelamento quanto o velamento. O Logos é nele mesmo simultaneamente desvelamento e velamento. Esse mistério. Heidegger traduz αληθεσια por não ocultamente que é o “traço fundamental do que já apareceu e deixou atrás de si o ocultamento”. 1958. O Legei (o dizer) deixa o não-escondido estender-se diante. Essais et conférences. 178 www.8 Podemos aqui justapor no dizer de Lacan em seu texto “Formulações sobre a causalidade psíquica” que a “linguagem do homem. À concepção da verdade que refletiria a correlação entre a proposição e a coisa. para ele. Ele é Alétheia”. J. seguindo uma tradição filosófica iniciada por Platão. Esquece-se que há algo velado pois o velamento está dissimulado. p. o mundo em si.9 7 8 9 Heidegger. coloca adiante o que por ela é mantido retraído. O sintoma escrito no véu de Maia está na cara e sua verdade é escamoteada. A A-letheia repousa na Lethé (velamento). 167.psiquiatriamg. Em seu texto Alétheia. não somente não exclui jamais o velamento. nela bebe. como não-escondido. Lacan. Escritos. p. segundo Heidegger. Partindo do comentário de fragmentos de Heráclito. ele se detém no fragmento 123 que assim ele traduz: “O emergir (fora do esconder-se) favorece o esconder-se”. na medida em que sua constituição utiliza a propriedade de equivocidade do significante. M. Essa expressão é utilizada por Schoppenhauer (a partir do deus hindu Maia que representa a ilusão) para designar o mundo fenomênico das aparências e das percepções que.

perceptivo. A verdade do sintoma é correlativa à própria estrutura do inconsciente. diz Lacan. o saber da psicanálise se situa no registro simbólico e implica conceitos e matemas. e sabemos pela doutrina freudiana que nenhum real participa mais dele do que o sexo”. a estrutura permanece a mesma.10 Diferentemente do conhecimento. exige do saber uma disciplina inflexível para seguir seu contorno. que se desvela no inconsciente e no sintoma.11 A primazia do significante sobre o significado que. Lacan.psiquiatriamg. por mais que ele seja dito (decifração do sintoma). Escritos. da ordem do semi-dizer da verdade. O recalque primário é uma face da verdade do sintoma. Por mais que o sujeito diga – e diga bem – sua verdade. 10 11 Lacan. J. algo dele permanecerá na ordem do não-dito. Lacan aponta a articulação da verdade linguageira com o real do sexo. O que está bem distante do conhecimento intuitivo. 367. meu pai morre”. deve ter essa mesma estrutura. e que constitui a equivocidade estrutural da linguagem. Para apreender o enigma da verdade é necessário tomar o que se diz ao pé da letra e seguir a disciplina do significante. distinta da principal que é aquela relativa a da dívida relacionada ao suplício dos ratos infringido à dama e ao pai. Eis o elemento universal diante do qual o sujeito se divide: fonte da verdade sobre o qual ele não quer nada saber. como desenvolveremos adiante. A verdade se encontra na intersecção entre o simbólico e o real. A impotência do sujeito em conhecer sua verdade e por conseguinte a verdade do sintoma revela-se no final como impossibilidade estrutural imanente à questão da verdade. o que no entanto. p. Essa outra idéia se formula na seguinte frase: “Se eu vir uma mulher nua. onde podemos situar o padecimento do sujeito do sexo e da linguagem. (ϕ). Por outro lado. só podendo portanto ser semi-dita. J. imaginário. “O efeito de verdade.Mas a verdade. p. num velamento irredutível em que se marca a primazia do significante. compreendido como velamento-desvelamento. marca na própria fala a irredutibilidade do véu da verdade.br/jornada_sudeste . O analista não desvela inteiramente a verdade do sintoma não porque seja recalcado mas por que é impossível. elaboração e construção. Este padecimento Freud o nomeou de castração. A interpretação analítica. Escritos. A ética da psicanálise no registro sintomal pode assim ser resumida: passar do semi-dizer do sintoma ao bem-dizer o sintoma. faz a significação sempre recuar. ela mesmo. O “efeito de verdade culmina. desejar e anular seu desejo.org. 367 179 www. ou seja. nem intuitivo sendo necessário a elaboração de um saber para apreende-la. como arma contra o sintoma. Ela tem a característica da idéia obsessiva de fazer o sujeito querer e não querer. ou seja. pode ser desvelada. ao vincular Heidegger com Freud. Como esse ponto da verdade se manifesta no sintoma? Tomemos como exemplo uma das idéias obsessivas do homem dos ratos. pois esse contorno vai no sentido inverso ao de intuições muito cômodas para sua segurança”. que se situa no plano do imaginário e implica o desconhecimento e o não-reconhecimento (duas acepções do termo méconnaissance). não é nem espontâneo.

aparece a divisão do sujeito que deseja aquilo contra o qual ele se defende manifestando aí a verdade do sujeito. depreendemos claramente a própria estrutura do Complexo de Édipo. utilize o recurso da evitação em relação ao seu próprio desejo. Nesse sintoma do homem dos ratos. no caso. que é o ataque histérico. O sujeito é a castração. Trata-se de uma lei que proíbe aquele desejo e ao mesmo tempo o sustenta pois o desejo e a lei não estão desvinculados no neurótico.br/jornada_sudeste . Podemos fazer dessa frase-sintoma uma equação ao desdobrá-la em duas proposições e ligá-las com o conector lógico da implicação: Ver uma mulher nua – x Meu pai morre – y O sintoma se equaciona: [x → y]. a mulher por mãe encontramos exatamente a ficção edipiana de matar o pai e gozar da mãe.org. A descoberta freudiana é a descoberta do poder da verdade das formações do inconsciente. Vemos aí a articulação da angústia com o desejo que faz com que o sujeito.pois este vem acoplado a uma sanção. evidenciando a verdade de sua divisão. nessa frase do sintoma. no corpo como no caso descrito por Freud do ataque histérico que é outro exemplo de manifestação da verdade-castração. expressando assim a divisão do sujeito. o pai. pois nada mais é do que o correlativo da castração. verifica a verdade do sintoma: o sintomacastração. Trata-se de uma mulher que em pleno ataque histérico levanta a saia com uma mão e com a outra a abaixa representando assim aquele que está assediando-a sexualmente e ela mesma se defendendo. Esse é o poder do sintoma que desafia o saber da ciência. Na histeria. a divisão do sujeito é mais evidenciada pois incide. Na decomposição desse sintoma. Eis o ponto de verdade presente em todo sintoma. a qual que é incurável. Ao desejar. 180 www. A própria definição do sujeito implica essa divisão.psiquiatriamg. vemos a articulação do desejo com a lei manifestando então aquilo que ele deseja como uma proibição. o sujeito encontra uma figura da castração – a morte – incidindo numa pessoa querida. são uma só coisa. Essa articulação do desejo com a lei. classicamente. Trata-se de um poder que se opõe ao poder do comando: é o poder da hiância atrelado à falta e correlativo à divisão subjetiva. Ao substituir. e sua sanção de castração. Nesse sintoma agudo. particularmente o sujeito obsessivo.

ÍNDICE DE AUTORES www.br/jornada_sudeste .psiquiatriamg.org.

ÍNDICE SEMINÁRIO DE ENSINO “A Residência de Psiquiatria do IRS de 1968 a 2008: notas preliminares” Hélio Lauar ........................................................................... 36 “O lugar da família nos cuidados do portador de sofrimento mental” Pedro Colen ......org................................................................ 30 “Relação entre Psiquiatria e PSF em cidade de pequeno porte: a experiência de SerroMG” Juarez de Oliveira Pessoa.................................................................................................................................................................................................................................................................................................... 27 “A psiquiatria entre o saber e a verdade” Hélio Lauar ......................................................................................... 39 MESAS REDONDAS “Homicídio em Psiquiatria” Alan de Freitas Passos........................................................................................... 100 182 www.......... 21 PAINÉIS “Psiquiatria científica” Carol Sonenreich .......................................................................................................................... 81 “Transtorno de Personalidade Anti-Social: Clínica e Responsabilidade Penal” Alexandre Valença ............................................................................................................................................ 45 “Psiquiatria e outras especialidades médicas” Marco Antônio Brasil ................................................................................................................................br/jornada_sudeste .............................. 28 “O caso da Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro” Mário Barreira Campos/Sérgio Levcovitz ................................................................................................................................................................................................................................psiquiatriamg..... 41 “Os novos velhos desafios na saúde mental” João Ferreira da Silva Filho.......... 87 “Comportamento violento na esquizofrenia: clínica e abordagem farmacológica para casos comuns e refratários” Alexandre Valença ..................... 37 “Psiquiatria e coletividade” Uriel Heckert .........................................................

................................diferenças entre ato transgressor ou criador” Cristina Luce ................................................. 113 “Atenção compartilhada no desenvolvimento infantil” Antonio José Nunes Ferreira ......................................org............................................................ Boson/Luís A..................................... Fábregas ................................................................ 86 “Psiquiatria e cidadania” Francisco Goyatá ..........................................................................................................“Anorexia e bulimia nervosa: casos graves” Ana Raquel Corrêa e Silva ...psiquiatriamg.......................................................................... 66 “Transtornos de conduta ....................................................................................................................................................................... 75 “Transtorno disfórico pré-menstrual em mulheres belo-horizontinas” Gislene C...................... Romano-Silva .................................. 56 “Suicídio............................. 97 “Transtornos psiquiátricos em pacientes com hepatite C” Bruno C..................................................... 88 “A condução do tratamento na velhice: por uma clínica do sujeito” Ângela Mucida ............................. de Marco/Marco A......... 87 “Violência e homicídio na clinica da psicose” Fernanda Otoni de Barros ................................................................................................................. um comportamento complexo” Humberto Corrêa .....................................br/jornada_sudeste ..................................................................................................................... 83 “Espectro Obsessivo Compulsivo: contribuições para a clínica” Hélio Lauar ..............................................126 “Reflexões sobre a reforma da assistência psiquiátrica” Antônio Schirmer ............................. Costa/Humberto Corrêa/Wolfanga L.................................................................................................................................... 50 “Avaliação do Protocolo e modus operandi atual” Cláudio Lyra Bastos .. Valadares/Débora M............................................................................................................................ 106 “Quando falham as defesas” Gilda Paoliello ............................................................ Miranda/Érico C............................................ 80 “A importância do conceito de angústia para a Psiquiatria atual” Eduardo Gastelumendi ............. 63 183 www................................................................................. 52 ”Tratamento farmacológico do TAB: uma revisão crítica” Elie Cheniaux Júnior ..................................................................................... ................................................................................................... 79 “Anorexia nervosa” Fátima Vasconcellos ..........

............. Henriques/Thaís E........................................................................................................................................................................... 70 “Conceito de ‘transtornos depressivos menores’” Marco Antônio Brasil ...................................................................................org............................ caracterização e associação com agravos à saúde física e mental” Maria Carmem Viana/Sílvia da Matta/Raquel Altoé/Tainá C........... 119 “Efeitos terapêuticos rápidos no tratamento de uma neurose obsessiva” Sérgio de Campos ................................................................... 80 “Apnéia obstrutiva do sono em idosos e suas repercussões clínicas” José Soares Mól Filho ........................................................................ 120 “Relação entre depressão e quadros clínicos nos idosos: desafios terapêuticos” Sandra Carvalhais .....“Transtornos Alimentares” João Eduardo Vilela ............................. Almeida/André E....................................................................................................... 49 “O conceito de angústia e suas relações com a doença maníaco-depressiva e as depressões recorrentes” João Romildo Bueno ................... 95 “Os aspectos cognitivos da esquizofrenia e implicações para o tratamento” João Vinícius Salgado ............. Vieira ............................................. Henriques/Bruno Lorentz/Raphael Doyle Maia/Gustavo M............... 57 184 www............................................. 92 “Violência doméstica em mulheres de baixa renda internadas na Santa Casa de Misericórdia de Vitória: prevalência......................................................................................................................................... Alves ................... 117 “Linguagem do afeto nos transtornos depressivos” Juarez Oliveira Castro/Patrícia Vieira Sales/César Reis/Ana Cristina Côrtes Gama ..........................................O............................. 62 “Estigmas e realidade” Marcos Alexandre Gebara Muraro ...................................................... 84 “O trabalho da arte e subjetividade na esquizofrenia” Maria Cristina Reis Amendoeira . 68 “Neuro-imagens” Marcos Alexandre Gebara Muraro ................................................... 109 “Proposta de novo Protocolo” Mercêdes J.................................................................................. 51 “Depressão: tratamento padrão e refratariedade” João Romildo Bueno .......................................................................................................................................................... 67 “Uma escuta do nosso tempo: violência e a drogadicção” Regina Teixeira da Costa ...................................................psiquiatriamg............................br/jornada_sudeste .................................................................

.. 131 “Psiquiatria e cidadania: a nova clinica” Hélio Lauar ...................................................................................................................................... 65 “A construção da subjetividade nas psicoses delirantes” Simone Scarioli ...................“Violencia doméstica.................................br/jornada_sudeste ..................................................... 161 “Seria a ausência de amusia em paciente que nunca falou um indício de afasia?” Camila Milagres Macedo Pereira ................................psiquiatriamg..................................................................................................................................... 103 “Banalização da depressão e seu tratamento” Sylvio Velloso ..........................................org....................................................................................................................................................................................... suicídio e finitude” Maria Cristina Reis Amendoeira ............................................................................................................................................... 142 “Psicopatologia” Maurício Viotti Daker/Elie Cheniaux Júnior ........................................................................................ 66 “Depressão e puerpério” Virgínia Loreto .......................................................... 96 MESA EIXO “A formação do psiquiatra: ciência e ética” Eduardo Gastelumendi ............................................................... 141 PÔSTERES “NIAB – uma equipe interdisciplinar” Ana Raquel Corrêa e Silva ........... 86 “Adulto” Wander Lemos ..................................... 69 “Dispensação dos antipsicóticos atípicos no ES” Vicente Ramatis ........................................................................................................................................................................... 147 185 www............................ Elaboração das perdas: luto.............. abuso sexual: Una causa de suicidio que muchos callan” Silvia Peláez . 133 CURSOS “Manifestações psíquicas e comportamentais nas demências” Almir Tavares/Jerson Laks ............................................................ 141 “Aspectos psicodinâmicos do envelhecimento............................................................................................................................................

............................................................................................................................................................................................................................................ 168 “Acompanhamento terapêutico: relato de uma experiência” Danielle C..... 168 “Sucesso da terapia cognitivo-comportamental no tratamento da migrânea enquanto expressão corporal da ambivalência afetiva em um paciente obsessivo” Karla Cristhina Alves de Sousa ............................................................................................................................................................................. 156 “A reinserção social de um esquizofrênico após trinta anos de hospitalização” Samira Soares Jacob ................................................. 154 “A eficácia da clozapina sobre o comportamento suicida” Mauro Tavares Paes .............................................. 157 186 www........................ 162 “Abordagem psicoeducacional em um grupo de cuidadores e familiares de portadores de transtornos do humor” Júlia Diniz Baptista ........ 159 “Terapêutica psiquiátrica na atrofia cerebral infantil” Luís Guilherme de Mendonça .................................................br/jornada_sudeste ............................................ Olímpio ........................................................................................................ Ferreira ....... 149 “Esquizofrenia catatônica” Júlia Coutinho Nunes Castilho ...........................................psiquiatriamg................................................................................................................................................... 165 “Anorexia nervosa e comorbidades psiquiátricas: um relato de caso” Rodrigo A............................................................ 163 “Manifestações neuropsiquiátricas de doenças parasitárias comuns no Brasil: uma revisão da literatura” Pablo George Vieira Guedes........................................................................................... ....................................................................org. 151 “O hospital psiquiátrico na reforma” Juliana M............“O hospital psiquiátrico na reforma” Danieli C.................... 148 “Manifestações psiquiátricas da síndrome pseudobulbar na infância” David Albanez Campos ............. Macedo ............................................................................ 150 “O serviço residencial terapêutico em belo horizonte de volta à sociedade” Júlia Coutinho Nunes Castilho .......................................................................................................... 152 “Tentativa de suicídio: desfecho de um caso de sofrimento mental ocasionado pelo trabalho não detectado em exame médico periódico” Karla Cristhina Alves de Sousa .F.......................................................................................... 153 “O papel do psiquiatra no transtorno de personalidade anti-social em conflito com a lei penal brasileira: análise de um caso” Karla Cristhina Alves de Sousa ................... Motta ......................................................................................................

.... 173 Apoio Associação Médica de Minas Gerais Conselho Regional de Medicina MG Departamento de Psiquiatria e Neurologia da Faculdade de Medicina de MG Fundação Hospitalar Estado de Minas Gerais Residência em Psiquiatria da FHEMIG/Instituto Raul Soares Residência em Psiquiatria Infantil da FHEMIG Residência em Psiquiatria do Instituto de Previdência dos Servidores do Estado de MG .............“Eletroconvulsoterapia no tratamento da depressão associada à demência” Sarah G......................... 160 “Oficina Dedo de Prosa” Simone C.................................................................................................................................................................................... Fonseca ................................ corpo e linguagem” Tammy da Silva Amaral ....IPSEMG Residência em Psiquiatria do Hospital das Clínicas da UFMG Residência em Psiquiatria do Centro Hospitalar Psiquiátrico de Barbacena/FHEMIG Secretaria de Saúde do Estado de Minas Gerais Secretaria Municipal de Saúde de Belo Horizonte UNIMED ............................................ 167 CONFERÊNCIA “Sintoma ou transtorno?” Antonio Quinet ..... Bastos ................................................................................................................................................................................................ 166 “Memória e atenção em transtornos do humor” Valéria de Queiroz ....................................................A.................. 158 “O uso da COPM na saúde mental” Simone C........A...................................................................................................................................... 169 “Anorexia e psicose: sujeito............................................. 164 “Avaliação das funções executivas em pacientes eutímicos com transtornos afetivos” Valéria de Queiroz ............................................... Bastos .......

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