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Monografia - Pronta Original - NARRATIVA HISTORICA DA IGREJA CRISTÃ E A IGREJA DE DEUS

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Monografia - Historia Eclesiástica
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Antonio Domingos Dias

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado no curso de Convalidação em Teologia como exigência parcial para a obtenção de Bacharel em Teologia.

Londrina 2010

TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO

NARRATIVA HISTORICA DA IGREJA CRISTÃ E A IGREJA DE DEUS

Antonio Domingos Dias

Londrina 2010

Termo de Aprovação

Trabalho de Conclusão de Curso apresentada como requisito final para conclusão do curso de Convalidação em Teologia, Centro Universitário Filadélfia (Unifil).

_________________________________________________ Orientador: Prof° José Martins Trigueiro

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Londrina, PR.______ de Março de 2011

Dedicatória

A minha esposa Andréia e Samara minha filha, pela compreensão da minha ausência em alguns momentos.

Agradecimento

Agradeço ao meu Deus e Senhor, aos excelentíssimos professores que com esmero nos deu o melhor de seu ensino, e também a Unifil.

Apresentação

O objetivo deste trabalho é apresentar de forma cronológica a historia do cristianismo e fatos que estiveram entrelaçados nesta história. A intenção é também informar fatos que muitos desconhecem. Outro motivo é fundamentar mais nossas convicções, através destes acontecimentos históricos, estes fatos, que são encorajadores, pois são fatos que envolveram coragem e determinação do povo de Deus. Deus sempre esteve presente nos fatos e acontecimentos da história da humanidade. Conhecer, também mais do nosso contexto sóciocristão e as estatísticas que nos ajudam e entender onde estamos neste contexto histórico. Importante se faz conhecer e saber o que precisa ser feito nas nossas atividades como pessoas cristãs e nas atividades ministeriais. Vamos entender termos como: neopentecostalismo, tradicionalismo, igrejas renovadas, conservadoras etc. conheceremos Pessoas que foram chaves em mudanças e processo de crescimento de diversas denominações, igrejas.

Resumo

A historia da igreja cristã é muito linda! Quando olhamos para vida de Jesus e seus discípulos, vê-se a importância da sucessão de liderança e discipulado. Posteriormente já na igreja do terceiro século olhamos para as ameaças da santa doutrina e homens santos sendo ameaçados pela mesma. Os pais da igreja, da era patrística homens com convicções fortes e plenas que nunca sujeitaram ao ridículo dos falsos ensinos. Ensinos que foram infiltrados na corrente cristã pela então igreja católica. Os reformadores foram vozes que nunca se calaram diante de ameaças e infidelidade da massa sacerdotal da época, (o papado) que impunha ao mundo da época uma falsa e desprovida religião que abandonaram os princípios instituídos por Cristo. Homens como Pedro Valdo, John Huss, Savanarola e outros que se mantiveram calados. Reformadores como Lutero e Calvino que foram corajosos ao ponto de arriscarem suas vidas. Igrejas que depois foram força missionária e alcançarem os mais distantes de sua época. Estas que chegaram a outros continentes e tornando grandes denominações de sua época. Estas que chegaram ao Brasil no século XVI através da igreja calvinista e os congregacionais. Estas que expandiram e vieram outras com missionários pentecostais, Gunnar Vingre e Daniel Berg. Ouvir
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Abstract

The history of the Christian church is very beautiful! when we look at the life of Jesus and his disciples to see the importance of succession of leadership and discipleship. Later in the church since the third century look at the threats of holy doctrine and holy men being threatened by it. The church fathers of the patristic age men with strong convictions and full than ever subjected to the ridicule of false teachings. Teachings that have infiltrated the Christian stream by the then Catholic church. The reformers were silenced voices that never before infidelity and threats of mass priest of the time (the papacy) that required the world at the time and lacking a false religion that abandoned the principles established by Christ. Men like Peter Waldo, John Huss, Savonarola and others who remained silent. Reformers like Luther and Calvin were courageous to the point of risking their lives. Churches that were later missionary force and reach the most distant of his time. Those who arrived in other continents and becoming big names of his era. Those who arrived in Brazil in the sixteenth century through the Calvinist church and the congregation. Those that expanded and came with other Pentecostal missionaries, Daniel Berg and Gunnar Vingre.

Sumário
Introdução..............................................................................................................1 Capítulo 1. Início da Igreja Primitiva.................................................................2-3 Capítulo 2. Os Mártires da Igreja Primitiva.......................................................4-5 Capítulo 3. A Igreja da Era Patrística................................................................6-7 Capítulo 4. A Igreja e a Apostasia.........................................................................8 Capítulo 5. O Início da Reforma Protestante...................................................9-11 Capítulo 6. A Reforma Por Lutero.................................................................12-13 Capítulo 7. João Calvino, Reforma Sobre Reforma.......................................14-22 Capítulo 8. A Igreja dos Séculos Pós-Reforma..............................................23-27 Capítulo 9. As Igrejas Evangélicas no Brasil......................................................28 A Igreja Luterana.................................................................................................28 A Igreja Anglicana..............................................................................................29 A Igreja Congregacional.....................................................................................29 A Igreja Presbiteriana..........................................................................................29 A Igreja Batista....................................................................................................30 A Congregação Cristã no Brasil..........................................................................31 A Assembléia de Deus........................................................................................31 A Igreja Pentecostal O Brasil Para Cristo...........................................................32 A Igreja Pentecostal Deus é Amor......................................................................32 Capítulo 10. A Adição de Algumas Igrejas ao Pentecostalismo.........................33 Neopentecostalismo.............................................................................................3 3 A Igreja Universal do Reino de Deus.................................................................33 A Igreja Internacional da Graça de Deus.......................................................34-35 Capítulo 11. A Igreja no Contexto Atual............................................................36

Capítulo 12. A Realidade da Igreja de Deus em 1992......................................36 Capítulo 13. A Igreja de Deus no Brasil e Mundo...........................................36 Capítulo 14. Início da igreja de Deus no Estado do Tocantins........................37

Transição de Supervisores em 1997................................................37 Capítulo 15. Início da Igreja de Deus em Guaraí................................................38 Meu Inicio em Guaraí.....................................................................38 Início do Pastorado..........................................................................39 Os Membros da Igreja Local...........................................................39 Atividades Ministeriais...................................................................39 Capítulo 16. História da Cidade de Guaraí...................................................41-42 Conclusão............................................................................................................43 Bibliografia.........................................................................................................44

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Introdução
O desenrolar de uma história se dá através de fatos que o cercam a cada dia no seu contexto. A história da igreja cristã tem algo muito lindo que está nas particularidades, quando olhamos para estas particularidades ficamos maravilhados. Dificilmente poderíamos conhecer mais sobre a historia se não fosse o esforço de homens que mantiveram registros de fatos e acontecimentos que a nós seriam desconhecidos, graças a estes homens podemos acessar e entender motivos e situações que se encontravam estes, no caso, o cristianismo na época. Precisamos mais do que nunca, estreitar o nosso conhecimento em relação ao nosso passado, dos nossos ancestrais, no contexto cristão e até mesmo geral. Não podemos também ser alienados somente a uma área ou situação, devemos ser mais inquisidores ao nosso passado e presente, para uma projeção futura nos vários aspectos que nos cercam. Quando conhecemos somos menos ignorantes e sujeitos a errar menos, isto se dá em tudo, com isso concluímos que precisamos mais e mais conhecer, o nosso passado, presente para um melhor futuro. Falar de alguns assuntos aleatoriamente é muito fácil, é o que acontece muito hoje, sentimos que devemos responder sem saber do que está em pauta, precisamos mesmo é de estreitamento com a nossa realidade, conhecer mais, e não ignorar a nossa raiz histórica, por mais inovadores e modernos que somos hoje, nossas bases são bem sólidas e serviu para uma projeção. Por mais erros que foram cometidos no passado, hoje não podemos errar nos mesmos, pelo contrário acertar mais e mais. Uma historia de conquistas, vidas desprendidas do medo e sólidas no agir.

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Início da Igreja Primitiva
A característica mais evidente da Igreja tem sido sempre a presença e atividade espontânea de Jesus Cristo no meio dela. Esta é a verdadeira Igreja apostólica. No primeiro século, Cristo estava verdadeiramente presente no meio de seu povo. No dia de Pentecostes Ele voltou para eles da glória de sua ascensão no poder do seu Espírito derramado. Através do Espírito Ele agia neles, continuando espontaneamente a fazer suas obras e revelar seus ensinamentos através deles como o seu corpo. Quando olhamos para Igreja primitiva, ficamos impressionados com três características que destacam: sua mensagem, sua experiência e seu culto e vida comunitária. Para entender o corpo de Cristo na nova aliança é preciso, primeiramente, entender a obra do Espírito Santo no Velho Testamento1. Para os primeiros apóstolos, a comunidade messiânica era muito viva e operante em todo o Velho Testamento, mesmo nas horas das mais profundas apostasias da Nação de Israel. Embora seja verdade que no dia de Pentecoste introduziu um novo mover do Espírito de Deus para os Últimos dias, especialmente para incluir em grande escala os gentios, é necessário lembrar que os gentios foram simplesmente acrescentados a já existente “Comunidade de Israel” e feitos “co-participantes do corpo”, que incluía os patriarcas e santos de todas as épocas. Usando outra figura de linguagem, os gentios foram enxertados para se tornarem participante com Israel das suas ricas raízes. E de fato a igreja apostólica teve suas origens em Abraão, Isaque e Jacó. Tanto Abraão como Davi conheceram a bênção da justificação pela fé exposta por Paulo, e Abraão permanece como chefe patriarcal de toda família de Deus. Os profetas antigos também haviam experimentado o “Espírito de Cristo, que neles estava” De fato, todos os dons carismáticos do Espírito Santo no Novo Testamento decorrem das experiências vividas pelos santos dos tempos antigos. Esses santos homens são descritos pelo autor do livro de Hebreus como “antigos”, como coparticipantes de uma sociedade da qual eles, sem nós, não podiam ser aperfeiçoados. A visão gloriosa de Paulo a respeito da igreja como corpo de Cristo como muitos membros também foi derivada das concepções e experiências dos inspirados profetas de Israel antigo. Moisés viu o Israel de Deus como um homem coletivo em Deuteronômio 32.9,10. Davi falou sobre o Israel de Deus usando o coletivo “filho do homem que fortificaste para ti... o varão da tua destra”. Isaías viu o servo sofredor exaltado tanto como o homem singular, o messias, quanto como o homem coletivo, o verdadeiro Israel de Deus. Na visão do profeta, a comunidade messiânica era a encarnação do próprio Cristo sofredor e exaltado. Daniel também viu a vinda do filho do homem, em sua visão no capítulo 7, como um homem coletivo.

1 PECMAN P. JAMES. P. Panorama da história da Igreja. São Paulo: Vida Nova, 2005, p.14.

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No sentido completo da palavra, a igreja apostólica teve suas origens na riqueza de Israel, como povo de Deus do Velho Testamento. A igreja pentecostal de Atos dos apóstolos foi simplesmente o reverdecimento final da videira coletiva plantada pelo Deus de Israel milênios antes. A igreja tinha raízes profundas em Noé, em Abrão, em José, em Moises, em Daniel e em Isaías. O mesmo Espírito de Cristo que estava caiu de modo mais completo e mais fresco no sheunos, o dia de pentecoste, no ano 30.

Os Mártires da Igreja Primitiva.

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Como não é nosso Propósito narrar a história de nosso Salvador, nem antes nem depois de sua crucificação. Ainda que um apóstolo o tenha o traído; ainda que outro o tenha negado sob solene juramento; ainda que outros o tenha abandonado, exceto aquele “discípulo” que era conhecido do sumo sacerdote, a história de sua ressurreição redirecionou o coração de todos eles, e, após a descida do Espírito Santo infundiu–lhes nas mentes uma nova confiança para proclamar o nome de Cristo, confundindo os governadores judeus e assombrando os prosélitos gentios. Estevão Estevão2 foi o primeiro a padecer. Sua morte foi ocasionada pela fidelidade com que pregou o Evangelho aos delatores e assassinos de Cristo. Conforme se supõe, o martírio de Estevão deu-se entre a páscoa seguinte a crucificação de nosso Senhor e o primeiro aniversário de sua ascensão, na primavera. Fez-se naquele dia uma grande perseguição contra a igreja que estava em Jerusalém; e todos os cristãos foram dispersos pelas terras da Judéia e Samaria, exceto os apóstolos. Cerca de dois mil cristãos, inclusive Nicanor, um dos sete diáconos, foi martirizado durante “a tribulação que sobreveio no tempo de Estevão. Tiago, o Maior Este mártir é mencionado por Lucas em Atos dos apóstolos, é Tiago, filho de Zebedeu, irmão mais velho de João e parente de nosso Senhor. (Sua mãe, Salomé, era prima de Maria.) O Governador nesta ocasião era Herodes Agripa, este suscitou grande perseguição contra os líderes da igreja do Senhor. Este martírio se deu antes de completar dez anos do martírio de Estevão. Clemente de Alexandria relata-nos, Tiago sendo conduzido ao seu martírio seu acusador caiu aos seus pés em arrependimento, confessou-se cristão, decidindo assim que o apóstolo não receberia sua coroa do martírio sozinho. Juntos foram decapitados. Nesta mesma ocasião sofreram martírio, Timão e Parmenas, o primeiro em Filipos, e o segundo na Macedônia. Estes acontecimentos ocorreram em 44.d.C Filipe Nasceu em Betsaida, Galiléia. Trabalhou diligentemente na Ásia Superior e sofreu martírio em Heliópolis, na Frígia. Foi açoitado, lançado no cárcere e depois crucificado em 54 d.C. Mateus Era cobrador de impostos, nascido Nazaré, Galiléia. Ele escreveu seu Evangelho em Hebraico, que depois foi traduzido para o Grego por Tiago o Menor. Os cenários de seu labor foram Partia e Etiópia. Este último foi cenário de seu martírio; foi assassinado com uma alabarda, na cidade de Nadaba, no ano 60 d.C.

2GARDNER PAUL .Gr.”Riqueza” ou “ coroa. Quem é Quem na Bíblia. São Paulo: Vida, 2002, p.
198.

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Tiago o Menor3 Boa parte dos Cristãos crê que seria irmão de nosso Senhor. Foi autor da epístola que leva o seu nome. Foi escolhido para supervisionar as igrejas de Jerusalém. Aos 99 anos, foi espancado e apedrejado pelos judeus que, finalmente, abriram-lhe o crânio com um garrote. Matias Dele se se sabe menos que a maioria dos discípulos. Foi escolhido para preencher a lacuna deixada por Judas Escariótes. Sofreu apedrejamento em Jerusalém e em seguida foi decapitado. André Irmão de Pedro, pregou o Evangelho a muitas nações da Ásia. Ao chegar, porém, a Edesa, foi preso e crucificado as extremidades de sua cruz foram fixadas transversalmente no solo. Daí a origem do nome cruz de Santo André. Marcos Filho de judeus, da tribo de Leví. Supõe-se que foi convertido ao cristianismo por Pedro, a quem serviu como amanuense, e, sob a sua supervisão, escreveu seu evangelho em grego. Marcos foi arrastado e despedaçado pela população de Alexandria, na grande solenidade do ídolo Serapis, tendo terminado sua vida terrena em mãos implacáveis. Pedro Dentre os outros apóstolos, Pedro foi condenado à morte e crucificado em Roma, segundo escreveram alguns. Jerônimo afirma que Pedro foi crucificado de cabeça para baixo, por petição própria, por julgar indigno de ser crucificado da mesma maneira que o seu Senhor.

Paulo4 Outro que, por seu e indescritível trabalho na promoção do Evangelho de Cristo, sofreu nessa primeira perseguição de Nero, foi o Apóstolo Paulo. Paulo foi degolado e sua cabeça foi jogada fora dos muros de Roma, Seu corpo ficou dentro dos muros da cidade de Roma, isto foi feito por ordem do imperador Nero por volta de 67 d.C. Judas Autor de uma das Epístolas Universais era chamado comumente de Tadeu, este foi crucificado em Edesa, em 72 d.C.
3 FOX. JOHN. O Livro dos Mártires. Rio de Janeiro: cpad, 2001, p.02. 4 GARDNER. PAUL. 67 d.C. Ano da Morte do Apóstolo Paulo. Quem é Quem na Bíblia. São
Paulo: Vida, 2002, p. 514.

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Bartolomeu Pregou o Evangelho em vários países e, ao traduzir o Evangelho de Mateus para um dos idiomas da Índia, propagou-o neste país. Por ultimo,foi cruelmente açoitado e crucificado pelos conturbados idólatras. Tomé ou Dídimo Pregou o Evangelho em Partia e na Índia, onde, ao provocar a ira dos sacerdotes pagãos, morreu atravessado por uma lança. Lucas Foi autor do Evangelho que leva o seu nome, viajou com Paulo em vários países e supõe-se que tenha sido pendurado em uma oliveira pelos idólatras sacerdotes da Grécia. Estes foram aqueles que em momento algum pouparam suas próprias vidas por amor a Jesus Cristo.

A Igreja da Era Patrística
Estes são os Pais da igreja que sucedeu dos apóstolos de Cristo Jesus: Clemente de Roma (30-96), Barnabé (132), Hermas de Roma (140), Inácio de Antioquia, Homem fiel meio as grandes perseguições (110-115), Policarpo Bispo de Esmirna (110117),Justino, o Mártir, Apologista e Filósofo (100-165), Clemente de Alexandria, um nobre professor nesta cidade (150-215) Tertuliano de Catargo, um grande Teólogo, pai da Teologia Latina (160-220), Cipriano, Bispo de Catargo da África (200-258), Eusébio

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de Cesaréia, um grande historiador do segundo séc.(260-339) Ambrósio, Bispo de Milão (299-397), João Crisóstomo, Patriarca de Constantinopla (344-407). Alguns destes foram alunos, discípulos pessoais dos apóstolos, em alguns destes homens concentrava-se a liderança da Igreja do segundo século e terceiro século. Falaremos de algumas particularidades de alguns destes homens, não poderia deixar de fazer isto, pois, nos inspirará como inspiraram muitos no decorrer dos séculos. Clemente de Roma5: Este recebeu a responsabilidade de lidar com uma grande perturbação na cidade de Corinto. Clemente enfatizou a obediência à liderança da Igreja como algo essencial para harmonia da Igreja e para unidade desesperadamente necessária. A Igreja de Corinto sofria divisão e amargura, o mesmo que acontecia quando Paulo escreveu à Igreja, quarenta anos antes. Hermas de Roma: Escreveu uma carta, “O Pastor de Hermas” 6. Um Livro composto de cinco visões, seguindo de alguma forma os escritos apocalípticos do apóstolo João. Hermas descreve os males da civilização decadente. O arrependimento e o chamado à vida santa predominam sua obra. Inácio de Antioquia7: Considerado um gigante entre os Pais da Igreja Primitiva. Foi preso pelas autoridades romanas por causa do seu testemunho cristão. Inácio visitou várias igrejas a caminho de Roma, antes de ser executado. Escreveu cartas por volta do ano 110 com temas tratando sobre heresias, (ensino gnóstico) e, a principal garantia da unidade para Inácio era a figura do Bispo. Ele afirmava insistentemente que era necessário combater os falsos ensinamentos e difundir a unidade entre as igrejas. As gerações seguintes de líderes eclesiásticos expandiram o ofício do Bispo. Policarpo8: Foi discípulo do apóstolo João e bispo de Esmirna, Policarpo escreveu uma importante carta à igreja de Filipos por volta do ano 110. Esta carta mostra que a igreja primitiva, do segundo século, considerava os livros do Novo Testamento e a autoridade para convocar os cristãos à vida santa. Policarpo sofreu martírio no ano 155, quando tinha 86 anos. Morreu queimado numa estaca rendendo louvores a Deus, defendeu apaixonadamente a Cristo até o ultimo suspiro. Foi venerado durante muitos séculos como o Mártir ideal.

A Igreja e a “Apostasia”

Segundo os historiadores o termo “Igreja Católica” surgiu por volta do ano de 156 dC. O catolicismo estava agora ainda mais saturado com inúmeras pessoas não convertidas e idólatras que na verdade trariam consigo, para dentro do catolicismo, uma nuvem negra de opressão demoníaca e de atividade de espíritos malignos que

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p.25. p.25. p.25. p.25.

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agravariam seu declínio na Idade Negra9. Alguns benefícios obtidos pela igreja católica, muitos deles sem proveito foi mais na verdade, um passo à secularização da Igreja católica iniciada sob o poder do Imperador Constantino, séculos antes. Essas massas nominalmente “convertidas” substituiriam seu paganismo por símbolos Cristãos. Em vez de adorarem seus deuses pagãos, elas agora veneravam imagens e relíquias, “a mãe de Deus”, os anjos, mártires e santos. À medida que a igreja crescia em influência e poder, tornou-se, porém, corrupta e ineficiente. Essa é a igreja medieval. No sexto e sétimo século surge o Islamismo, uma fé monoteísta baseada nos testemunhos de Maomé (570-632), profeta de Alá, profecias recebidas diretamente do anjo Gabriel. O ponto central do Alcorão, chamado de “testemunho”, é a existência de um único Deus, Alá, e que Mohamed (Maomé) é o seu profeta. Com o seu surgimento o Islã atraiu muitos do catolicismo. muitos territórios anteriormente cristãos foram perdidos , muitos dos quais nunca foram reconquistados. Os dois ramos da igreja (Ocidental e Oriental) assumiram posições diferentes em relação a muitas questões: data da celebração da páscoa, Celibato, O uso de estátuas em imagens de santos, e heresias acerca do E. Santo. Assim então surgiu a igreja Católica Romana e a igreja Ortodoxa Grega. Estas caminhavam em direções diferentes. Em 109510 surgem às chamadas cruzadas, com objetivo de libertar do domínio islâmico os lugares sagrados. O papa Urbano foi responsável pelas cruzadas na Palestina que estava dominada pelos mulçumanos. Com o passar do tempo a igreja simplesmente deixou de ser tão importante quanto fora no passado.

Inicio da Reforma
Cinco grandes movimentos de reformas surgiram na igreja; contudo, o mundo não estava preparado para recebê-los, de modo que foram reprimidos com sangrentas perseguições. Os Albigenses "Puritanos" surgiram em 1.170 no sul da França. Eles rejeitavam a autoridade da tradição, distribuíam o Novo Testamento e opunham-se às doutrinas romanas do purgatório, à adoração de imagens e às pretensões sacerdotais. O papa
9 SCHIMITT P. CHARLES. Raiz em uma Terra Seca. Belo Horizonte: Atos, 2003. P, 70. 10 SCHIMITT P. CHARLES. Raiz em uma Terra Seca. Belo Horizonte: Atos, 2003. P, 57

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Inocêncio III promoveu uma grande perseguição contra eles, e a seita foi dissolvida com o assassinato de quase toda a população da região.

Pedro Valdo – Lider do Movimento, Pobres de Espírito.

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Os Valdenses Apareceram ao mesmo tempo, em 1.170, com Pedro Valdo, que lia, explicava e distribuía as Escrituras, as quais contrariavam os costumes e as doutrinas dos católicos romanos. Foram cruelmente perseguidos e expulsos da França; apesar das perseguições, eles permaneceram firmes, e atualmente constituem uma parte do pequeno grupo de protestante na Itália.

João Wyclif Nascido em 1324 Recusava-se a reconhecer a autoridade do papa e opunha-se a ela. Era contra a doutrina da transubstanciação, considerando o pão e o vinho meros símbolos. Traduziu o Novo testamento para o Inglês e seus seguidores foram exterminados por Henrique V.

11 Wikipédia, a enciclopédia livre.Pedro Valdo – Os Valdenses.

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João Wyclif Nascido em 132412

João Huss Nascido em 1369 foi um dos leitores de Wyclif, pregou as mesmas doutrinas, e especialmente proclamou a necessidade de se libertarem da autoridade papal. Foi excomungado pelo papa, e então retirou para algum esconderijo desconhecido. Ao fim de dois ano voltou a convite da igreja para participar de um concílio católico-romana de Constança, sob a proteção de um salvo-conduto. Entretanto, o acordo foi violado sob o pretexto de que "Não se deve ser fiel a hereges". Assim João Huss foi condenado e queimado.

Jan Hus, João Hus.13

Jerônimo Savonarola Nascido em 1452 foi monge Dominicano, em Florença. A grande catedral enchia-se de multidões ansiosas, não só de ouví-lo, mas também para obedecer aos seus ensinos. Pregava contra os males sociais, eclesiásticos e político de seu tempo. Foi preso, condenado e enforcado e seu corpo queimado na praça de Florença em 1498.

12 Wikipédia, a enciclopédia livre. João Wyclif Nascido em 1324. 13 Wikipédia, a enciclopédia livre. Jan Hus, Liberdade Papal.

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Hieronymous Savonarola, Jerônimo Savonarola Nascido em 1452.14

A Reforma Por Lutero
A data exata fixada pelos historiadores como início da grande Reforma foi registrada como 31 de outubro de 1517. Na manhã desse dia, Martinho Lutero afixou na porta da Catedral de Wittenberg um pergaminho que continha noventa e cinco teses ou declarações, quase todas relacionadas com a venda de indulgências; porém em sua aplicação atacava a autoridade do papa e do sacerdócio. Os dirigentes da igreja procuravam em vão restringir e lisonjear Martinho Lutero. Ele, porém, permaneceu firme, e os ataques que lhe dirigiam, apenas serviram para tornar mais resoluta sua oposição às doutrinas não apoiadas nas Escrituras Sagradas.

Martinho Lutero. Martinus Luter (Martin Luther) Em 1529.15

Após longas e prolongadas controvérsias e a publicação de folhetos que tornaram conhecidas as opiniões de Lutero em toda a Alemanha, seus ensinos foram formalmente condenados. Lutero foi excomungado por uma bula do papa Leão X, no
14 Hieronymous Savonarola, Jerônimo Savonarola. “Os males Sociais, Eclesiásticos e Político”. 15 Wikipédia, a enciclopédia livre. Martinho Lutero, Martinus Luter, Martin Luther Em 1529.

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mês de junho de 1520. Pediram então ao eleitor Frederico da Saxônia que entregasse preso Lutero, a fim de ser julgado e castigado. Entretanto, em vez de entregar Lutero, Frederico deu-lhe ampla proteção, pois simpatizava com suas idéias. Martinho Lutero recebeu a excomunhão como um desafio, classificando-a de "bula execrável do anticristo". No dia 10 de dezembro, Lutero queimou a bula, em reunião pública, à porta de Wittenberg, diante de uma assembléia de professores, estudantes e do povo. Juntamente com a bula, Lutero queimou também cópias dos cânones ou leis estabelecidas por autoridades romanas. Esse ato constituiu a renúncia definitiva de Lutero à igreja católica romana. Em 1521 Lutero foi citado a comparecer ante a do Concílio Supremo do Reno. O novo imperador Carlos V concedeu um salvo-conduto a Lutero, para comparecer a Worms. Apesar de advertido por seus amigos de que poderia ter a mesma sorte de João Huss, que nas mesmas circunstâncias, no Concílio de Constança, em 1415, apesar de possuir um salvo-conduto, foi morto por seus inimigos, Lutero respondeu-hes: "Irei a Worms ainda que me cerquem tantos demônios quantas são as telhas dos telhados." Finalmente, no dia 17 de abril de 1521 Lutero compareceu ao Concílio. Em resposta a um pedido de que se retratasse, e renegasse o que havia escrito, após algumas considerações respondeu que não podia retratar-se, a não ser que fosse desaprovado pelas Escrituras e pela razão, e terminou com estas palavras: "Aqui estou. Não posso fazer outra coisa. Que Deus me ajude. Amém." Instaram com o imperador Carlos para que prendesse Lutero, apresentando como razão, que a fé não podia ser confiada a hereges. Contudo, Lutero pôde deixar Worms em paz. Enquanto viajava de regresso à sua cidade, Lutero foi cercado e levado por soldados do eleitor Frederico para o castelo de Wartzburg. Ali permaneceu durante um ano, enquanto as tempestades de guerra e revoltas rugiam no império. Entretanto, durante esse tempo, Lutero não permaneceu ocioso; nesse período traduziu o Novo Testamento para a língua alemã, obra que por si só o teria imortalizado, pois essa versão é considerada como o fundamento do idioma alemão escrito. Isto aconteceu no ano de 1521. O Antigo Testamento só foi completado alguns anos mais tarde. Ao regressar do castelo de Wartzburg a Wittenberg, Lutero reassumiu a direção do movimento a favor da igreja Reformada, exatamente a tempo de salvá-la de excessos extravagantes. Em 1529 a Dieta reuniu-se na cidade de Espira, com o objetivo de reconciliar as partes em luta. Nessa reunião da Dieta os governadores católicos, que tinham maioria, condenaram as doutrinas de Lutero. Os príncipes resolveram proibir qualquer ensino do luteranismo nos estados em que dominassem os católicos. Ao mesmo tempo determinaram que nos estados em que governassem luteranos, os católicos poderiam exercer livremente sua religião. Os príncipes luteranos protestaram contra essa lei desequilibrada e odiosa. Desde esse tempo ficaram conhecidos como protestantes, e as doutrinas que defendiam também ficaram conhecidas como religião protestante.

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João Calvino, Reforma Sobre Reforma.
Inquestionavelmente João Calvino foi um homem incomum. Ele não apenas foi uma personalidade marcante e influenciadora, mas também demonstrou uma admirável capacidade de organizar e legislar. Os impactos de sua liderança na cidade de Genebra deixaram profundas marcas em uma civilização inteira, marcas essas que se espalharam tanto por onde a fé reformada achava abrigo quanto nos locais onde era rejeitada. Na busca de lançar um pouco mais de luz sobre os princípios da liderança adotados por Calvino durante o seu ministério em Genebra, empreendemos esta pesquisa. Constatamos que a quantidade de material produzido tanto por Calvino como por companheiros seus, além de abundantes obras atuais, nos permitiram produzir um trabalho que focaliza o reformador no desenvolvimento de suas relações como um líder cristão de grande influência, bem como identificar aspectos e impactos produzidos no contexto urbano de Genebra do século XVI.16

João Calvino, Teólogo Francês. Sec. XVI.17

Buscando ser fiel ao escopo aqui estabelecido, se faz necessário, logo de início, deixar claro que mesmo com o grande volume de informações disponíveis, o que fazemos ainda é uma dedução a partir de escritos sem vida, com os quais não podemos dialogar. Nas palavras de Richard Gable: "Tratar de descrever a influência de Calvino em qualquer país específico é uma tarefa complexa e mais difícil ainda quando sintetizar se faz necessário". Isto significa que jamais podemos declarar como amplamente conclusivas e totalmente corretas em suas ênfases, todas as conclusões a que chegarmos. Para tanto basta se constar as centenas de livros que ora defendem, ora rejeitam o reformador de Genebra. Partindo da necessidade de se conhecer a realidade situacional de Genebra de 1500, faremos, de início, uma breve exposição do contexto que envolvia aquela cidade,
16 Ganockzy, Alexandre, The Young Calvin, (Philadelphia: Westminster Press, 1987) 17 Wikipédia, a enciclopédia livre. João Calvino, Teólogo Francês. Sec. XVI.

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bem como os aspectos geo-politicos e sócio-econômicos. Em seguida, lançando mão de descrições biográficas acerca de Calvino, buscaremos identificar o perfil de sua formação familiar, acadêmica e espiritual para então focalizar o seu ministério em Genebra, inicialmente como pastor e posteriormente como pastor-legislador. Por fim, no último capítulo, abordaremos os macros impactos causados por sua liderança no povo e nas estruturas urbanas de Genebra. A Genebra do século XVI era uma cidade suíça, de fala francesa, estando situada ao sul do lago Leman, conhecido hoje como lago de Genebra. Ela é dividida em duas pelo rio Rhône, tendo uma ponte ao norte, conhecida como St Gervais, que proporcionava o contato entre as duas partes. Até 1536 a situação da cidade era delicada. Genebra foi uma república que estava inserida entre os limites dos cantões suíços, os domínios do duque de Savóia e o reino da França, e uma luta pelo poder gerava disputas na cidade. Durante a idade média, Genebra foi uma vila episcopal que deveria ser governada pelo seu bispo. Mas, na realidade, ela estava sob o controle do duque de Savóia, Charles III, desde 1504. Havia uma acirrada luta pelo poder entre o bispo católico Jean e o Duque. Porém, com a morte do bispo o duque Charles tomou para si praticamente toda a autoridade e incorporou ao seu controle as "adjudicações de causas cíveis que rendiam muito dinheiro" e que estavam sob a tutela do bispado. Tal atitude provocou uma revolta nos habitantes de Genebra contra o duque, produzindo uma guerra entre os moradores da cidade e as forças do duque. Nesse tempo, entrou na disputa a poderosa cidade de Berna, cujo governo considerava Carlos V, rei do Sacrossanto Império Germânico, Espanha e países Baixos, pessoa perigosa por também desejar governar a Suíça. Em 8 de fevereiro de 1520, o concílio de Berna recebeu a cidade de Genebra como sua confederada e concílios desta votaram aprovando a confederação. O então atual bispo de Genebra, que era um representante do duque, ao saber da federação de Genebra a já protestante cidade de Berna, fugiu da cidade com outras 50 pessoas ligadas ao duque. Seguiu-se uma real guerra entre as forças de Genebra e as do duque de Savóia, o qual armou guerrilhas que assaltavam aqueles que se dirigiam à cidade, bloqueando as estradas. Apenas quando o forte exército de 6.000 homens de Berna se movimentou em direção a Genebra, forçando as tropas do duque a recuarem para a França, é que as estradas foram liberadas e Genebra ficou livre.18 Não há um pleno consenso sobre a população de Genebra antes da chegada de Calvino em 1536. McNeill fala de 12.000 habitantes, Nichols 13.000 e Hermisten Costa, citando Stanford Reid, defende apenas 9.000 habitantes. Contudo, segundo Phillip Schalf, parece ser mais aceito 12.000 habitantes a população no início do século XVI. A cidade era conhecida pelas suas ruas limpas com banheiros públicos, e pelo forte comércio que nela acontecia, fruto de freqüentes feiras setorizadas. Em Genebra se produzia grãos, peixes secos e artesanato. Sua característica econômica diferia da maioria das cidades da região, embora houvesse algumas indústrias. Segundo Bieler, "Em Genebra não havia um proletariado urbanos ou mineiros como na Alemanha e França, ou uma classe camponesa numerosa". Genebra era também conhecida como a "cidade dos concílios". Os membros desses concílios eram eleitos pelo povo e tinham a finalidade de exercer tanto o poder executivo quanto o legislativo e judiciário. Os concílios eram em número de quatro: o concílio de 4 síndicos sendo este o que exercia a função executiva; o concílio menor que incorporava os 4 síndicos e mais 21 outros membros; o Concílio dos 200, composto por
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Graham, W. Fred, The Constructive Revolutionary John Calvin and his Socio-Economic Impact. Atlanta: John Knox Press, 1971.

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200 cidadão eleitos; e o concilio geral, também conhecido como “Bourgeoisie”, composto por todos os homens nascidos de Genebra e chamados de “Citoyen”. Afora isso, a cidade era uma típica cidade do seu tempo, com muita fumaça produzida pelos fogões à lenha e aquecedores, muita lama nas épocas de chuvas, muitos animais domésticos e muros protetores ao seu redor. Contudo, foi apenas em um aspecto que Genebra se tornou realmente única em toda Europa, a cidade foi o ponto central para treinamento e expansão da reforma calvinista. Segundo a nossa percepção, talvez, o título de centro da infiltração protestante seria uma terminologia mais descritiva do que a cidade representou para a reforma. A cidade de Berna havia abraçado o protestantismo em 1528 pela ação de pregadores influenciados por Lutero e Zwinglio, contudo no que diz respeito à "conversão" de Genebra ao protestantismo, ocorreu algo semelhante ao que se deu na cidade de Antioquia da Síria. Comerciantes protestantes de Nürenberg e soldados de Berna com seus capelães, gradualmente trouxeram o protestantismo para Genebra. Pregadores como Antoine Froment e Guilherme Farel foram tão influentes que já em 1533 a primeira ceia do Senhor foi celebra na cidade. Em 1534 o concílio menor votou que o episcopado deveria ficar vago e em 21 de maio de 1536 o concílio geral votou unânime: "viver de acordo com o evangelho". É nesse contexto que dois meses depois João Calvino, quando ia de viagem em direção à cidade de Estrasburgo, ao decidir apenas pernoitar em Genebra, propiciou o seu já bem conhecido encontro com Farel e com Genebra. Há um claro consenso entre os historiadores em apresentar Calvino como um líder claramente relacionado com os problemas do seu tempo e contexto. William Bouws no seu prefácio do livro sobre Calvino chega a afirmar que "não pode aceitar a versão ensinada de Calvino como um pensador sistemático" e enfatiza: "eu não acredito que Calvino sequer aspirava construir um sistema, como o termo ‘sistema' é comumente entendido... Ele (Calvino) procurou, como outros humanistas, desenvolver uma efetiva pedagogia... a urgência do seu tempo requeria isto". Este mesmo autor reiterando a sua posição de apresentar Calvino como um líder pertinente ao seu tempo, cita o próprio Calvino afirmando: "verdadeiramente nós devemos trabalhar mais para o nosso tempo e tomá-lo com mais afinco. O futuro não deve ser desprezado, mas o que é presente e urgente requer mais de nossa atenção". Vejamos, pois, como isto se processou nas diversas fases da vida de Calvino. De particular interesse para nós, é registrar o real propósito pelo qual Calvino decidiu escrever a primeira versão de suas Institutas. Sua liderança como proeminente teólogo e jurista já se destacava pelos constantes questionamentos que lhe eram feitos aonde chegasse. Porém, o ponto de partida foi à atitude do rei francês Francis que para afastar a simpatia dos estrangeiros pelas vítimas de sua perseguição contra os protestantes, declarou em um de seus manifestos que os punidos com torturas e fogueira eram apenas anabatistas e homens perversos. Calvino, vivendo esse momento resolveu escrever suas Institutas com dois propósitos: "Primeiro para vindicar o indesejável insulto ao meu irmão (Etiene de la Furge) cuja morte foi preciosa aos olhos do Senhor, e segundo, uma vez que alguns sofrimentos afligiram muitos homens piedosos, alguma tristeza e cuidados por eles deve mover povos estrangeiros". John Dillengerber nas suas seleções de escritos de Calvino inclui o prefácio que foi elaborado para o comentário do livro de Salmos onde Calvino explicita o seu propósito em escrever as Institutas19:
19 Calvino, João, Institución de la Religión Cristiana. IV.II.12. Grand Rapids: Subcomision de Literatura
Cristiana de la Iglesia Cristiana Reformada, 1979.

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Vendo eu que esses arengueiros da corte usavam e dissimulações de diligências por fazer não somente que a dignidade desse derramamento de sangue inocente permanecesse amortalhada pelas falsas imputações e calúnias, com as quais enxovalhavam os santos mártires após a sua morte, mas também que a seguir, contavam como meio de produzir a todo extremo para afligir os pobres fiéis, sem que alguém pudesse ter compaixão deles, pareceu-me que, a não ser que a isso me opusesse valorosamente, quanto a mim estava, não podendo eu desculpar-me de, em calando-me, ser eu considerado covarde e desleal. E esta foi a razão que me levou a publicar as Institutas. Aos dois desejos expressos por Calvino deve ser acrescido o desejo de ver o rei Francis I mudar a sua atitude de perseguição violenta, desejo este que Calvino claramente expõe na carta de dedicação das Institutas enviadas ao rei. Contudo, o que poucos divulgam hoje é que o autor das Institutas as escreveu por causa das perseguições da sua época. Fica assim mais uma vez evidente que o grande Reformador foi um líder do seu tempo, pertinente ao contexto histórico e relevante às necessidades do seu momento. Merece ainda destaque o fato de Calvino não ser um líder isolacionista. Com ele estava um grupo de homens dedicados a Cristo e a sua obra. Eles estavam inconformados com a selvagem perseguição aos protestantes, e igualmente preocupados em esclarecer a muitos as verdades do evangelho. Focalizando o nosso escopo geográfico urbano, lançaremos luz sobre a determinação de Calvino ser um líder cristão relevante e contextualizado em Genebra. Mesmo reconhecendo que a cidade já havia experimentado resultados transformadores fruto da sua adesão à fé reformada, através das pregações de Farel e do trabalho de Viret, algo ainda faltava à Genebra. Foi por essa razão que Farel insistentemente instou com Calvino para que ele decidisse ficar na cidade e ajudar na implementação de estruturas que refletissem os princípios da reforma protestante. A liderança organizadora, participativa e contextualizada de João Calvino produziu uma verdadeira reforma urbana em todos os níveis. Hörcsik afirma que "o trabalho de Farel produziu um ‘santo triunvirato' – Farel, Viret e Calvino. Eles eram complementares uns aos outros, bem como à congregação de Genebra e grandemente fortaleceram a Igreja". Porém, não foi o apelo intimador de Farel o principal motivo que fez Calvino ficar em Genebra. De acordo com Alexander Ganoczy "Calvino não anuiu ao pedido de Farel até ele reconhecer a real situação de Genebra". O próprio Calvino, 28 anos após sua decisão de assumir o desafio Genebrense, escreveu: "Quando na primeira vez vi a esta igreja, ela era praticamente nada. Eles pregavam e isto era tudo. Eles procuravam por ídolos e os destruíam mas, não havia a menor reforma. Tudo estava em desordem". Calvino não era apenas um líder sensível e escrutinador das necessidades do seu contexto, ele era também um líder cujo preparo o habilitava a servir com probidade e capacidade. Foi por assim pensar que André Biéler no começo do seu livro O Pensamento Econômico Social de Calvino20 atesta que "não seria possível vislumbrar o pensamento econômico social do reformador sem vinculá-lo estreitamente aos principais acontecimentos sociais e religiosos do século XVI". Charles van Engen no seu livro Povo de Deus, Povo Missionário falando sobre a liderança cristã, afirma que não é uma tarefa simples definir o que seja um bom líder, porém sugere como aceitável a definição de W. Engstron o qual declara: "O líder faz as coisas acontecerem, jamais são marionetes, e agem". Neste aspecto Calvino se mostrou um líder marcante. A cidade de Genebra chegou a ser conhecida como a cidade de
20 Van Engen, Charles, Povo de Deus, Povo Missionário: Por uma Redefinição do Papel da Igreja
Local. São Paulo: Vida Nova, 1996.

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Calvino. Isso começou a acontecer no período intermediário de sua segunda estada em Genebra, época em que os movimentos de oposição à sua liderança praticamente se renderam aos benefícios de sua administração. Segundo Georgia Harkness o reformador francês, como ele o menciona, tinha em mente remodelar as estruturas globais da cidade tornando-a “Civit Dei – cidade de Deus,”, cidade na qual a Palavra de Deus deveria ser a última autoridade em matéria de moral, bem como de fé". O desejo de implementar o ideal cristão na vida da cidade produziu mudanças urbanas profundas, não apenas nas estruturas de governo, mas também nos governantes e nos cidadãos. Sem deixar de reconhecer que os impactos resultantes de seu dedicado esforço em Genebra espraiou-se por quase todo ocidente, aqui decidimos focalizar apenas os macro impactos da liderança de Calvino na política, na área econômica e social e na vida religiosa da cidade de Genebra. Como já dissemos, Genebra era uma cidade governada por concílios. Antes de Calvino não havia uma normatização legislativa organizada e explicitada para todos. Movido pelo seu zelo de sempre ser fiel ao ensino moral da Bíblia, e ajudado por seu conhecimento jurídico, ele foi o agente e mentor de várias mudanças políticas. É bem verdade que Calvino só foi chamado para se envolver ajudando na confecção do corpo de leis para a cidade, posteriormente à sua intensa atividade na reformulação da vida religiosa. Aqui destacamos dois pontos, por considerá-los de maior grandeza, a relação entre a igreja e estado, e o governo com a participação popular. Como reflexo da política praticada em sua época, o atrelamento funcional igreja-estado, que fora exercido por séculos pelo catolicismo romano, também foi claramente percebido em Genebra. Reformadores como Martin Bucer se posicionavam favorável a não independência da igreja em relação ao estado, posição que Calvino não apoiava. Nesse assunto parece haver um ponto de discordância entre os estudiosos. Há autores que apresentam o nosso reformador como um ardoroso advogado da plena independência, e outros que lançam dúvida como pode ser notado na avaliação de Wilson Ferreira: "essa separação da igreja e estado existiu para Calvino mais em teoria do que em prática". Embora não fosse desejado a interferência do estado nas decisões e estruturas de ação da Igreja, Bouwsma alerta que Calvino admitia como ação legítima do estado "defender a igreja e executar vingança sobre os profanos ou sobre aqueles que querem reduzir a nada o evangelho", e André Biéler também compartilha dessa idéia ao enfatizar que para Calvino "O Estado não é, pois, um mal necessário, mas um instrumento da providência divina". Por outro lado, é inegável que a chagada de Calvino em Genebra foi à fonte de vários confrontos com os concílios da cidade em busca de uma autonomia para a liderança eclesiástica e uma maior clareza entre os limites das atribuições e poderes entre a igreja e o estado. Logo no primeiro período, Calvino rejeitou a autoridade da igreja sobre causas civis e restituiu aos magistrados civis, o poder que havia sido exercido pelos bispos católicos. Não pairam dúvidas que ele não permitia a interferência do estado nas decisões da igreja. Na verdade nos parece sensato reconhecer que na estrutura de governo idealizada, a igreja seria autônoma em seus assuntos de crença, fé e disciplina, devendo o estado ouvir e proteger a igreja, e a igreja não deveria exercer o poder civil.21 Para o reformador de Genebra não havia uma desassociação entre a vida cristã e a sua participação nos assuntos da comunidade. Exatamente por entender que a participação política é responsabilidade de todo cristão, sua posição quanto a forma de governo refletia uma franca rejeição a qualquer tipo de governo que fosse déspota e
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Van Engen, Charles, Povo de Deus, Povo Missionário: Por uma Redefinição do Papel da Igreja Local. São Paulo: Vida Nova, 1996.

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tirânico. O poder civil deveria ser uma representação da vontade popular, ao mesmo tempo que o povo, a partir de sua juventude, deveria ser preparado para se tornar politicamente responsável e participativo. O intuito de politizar os cidadão é visto por Bouwsma como "uma busca para produzir (nos cidadãos) uma consciência política e um senso de responsabilidade pública". O que necessita ficar bem entendido é que Calvino procurou estabelecer que a "Igreja e o estado deveriam estar livres para legislar na extensão da lei e controle, os dois governos deveriam assistir um ao outro", pois na sua concepção "política e a verdade espiritual são inseparáveis". Um fato ocorrido em 1543 tornou decisiva a influência de Calvino na vida pública. O concílio dos 25 o convocou para cooperar na elaboração de uma nova ordem social para Genebra. André Biéler argumenta que dois aspectos principais se destacaram. Primeiro a liberdade civil passou a ter a sua restrição nos princípios do próprio evangelho, pois agora a lei estabelecia que cada cidadão faria "juramento de viver e de morrer para manter o evangelho e a liberdade da cidade". O segundo destaque é para a liderança, o magistrado, o príncipe ou conselheiro de uma democracia não pode ser indiferente a sua fidelidade à igreja. Tais posições apresentam um certo atrelamento do poder civil ao religioso. Esta posição é também a de William Bouwsma que ressalta o fato de Calvino partir do pressuposto de que "o homem não habita junto sem lei" e, admitindo que é possível e permitido resistir à autoridade publica que "exalta a si mesmo e diminui o direito de Deus", não poderia deixar de produzir uma ordem pública aonde "o governo civil deve implantar a vontade de Deus" . Essa estrutura governamental idealizada e implementada em Genebra levou alguns estudiosos a caracterizar a proposta calvinista de governo como uma teocracia, onde a igreja estaria acima do estado. Contudo, a melhor avaliação, ao nosso ver, é a de Harkness ao dizer que "o que se diz da ‘teocracia' de Calvino é melhor propriamente dito ser chamado governo ‘bibliográfico'.". É fato já conhecido, antes de Calvino chegar a Genebra, que os impactos provenientes das doutrinas e princípios abraçados pela reforma iniciada por Lutero e Zwinglio, já haviam chegado à cidade. Mudanças significativas modificaram a vida dos genebrenses tornando a administração da coisa pública mais povo-orientado. Isso pode ser visto na área da educação quando em 1536 o governo pediu que os cidadãos de Genebra assinassem um pacto comprometendo-se a enviar seus filhos às recémformadas escolas púbicas, e também na área da saúde, pois a cidade mantinha um hospital comunitário. A fortíssima ligação de Calvino com a prática do evangelho não permitiu que houvesse uma desassociasão entre a reforma social e a reforma religiosa.22 O traço holístico da reforma calvinista produziu o que hoje tem sido chamado de missão integral. Segundo Biéler, é tarefa difícil, se não impossível, dizer que Calvino, ao promover o bem estar público e social, desligava-se das formulações teológicas pois "elas seguem juntas". Genebra havia sido sacudida pelo evangelho, mas lhe faltava organização normativa, a reforma fora, em parte, o reflexo de um desejo popular, contudo a presença de Calvino e sua liderança foram a peça chave de uma estrutura estável e organizada, fator que David Bosh chama de "instituição do movimento". Historiadores modernos alegam que a reforma popular na cidade "não levaria a nenhum estado duradouro enquanto não recebesse a instrução de intelectuais (Calvino e seus companheiros)".

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Graham, W. Fred, The Constructive Revolutionary John Calvin and his Socio-Economic Impact. Atlanta: John Knox Press, 1971.

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Ao contrario da idéia abraçada pela Igreja Católica Romana que havia praticamente dicotomizado o material e o espiritual, sendo o segundo o sagrado, os ofícios não sacerdotais eram ditos inferiores e seculares, não sagrados. A doutrina do sacerdócio universal de todos os santos estabelecida pela reforma, jamais poderia deixar de encontrar amparo no pensamento social de Calvino. Ele não concebia um evangelho que não levasse o cristão a participar relevantemente na vida ativa da cidade. A sua contribuição na área social levou Graham a considerar "Calvino como o teólogo de maior influência para o contexto urbano de sua época, ao defender que "todo empreendimento humano está marcado com o mal, contudo isto nos impulsiona com o propósito de fazer o evangelho relevante na cidade de comércio na qual vivemos e trabalhamos.". Dentre o muito que foi conseguido pela participação marcante do reformador em Genebra na área sócio-econômica selecionamos aqui 12 itens: • • • • • • • • • • • • Assistência social aos necessitados sem discriminação de nacionalidade. Ajuda e cuidado com a saúde popular através de um programa de visita médica domiciliar. Esforços do governo na capacitação profissional. Combate ao desemprego com oferta de trabalho pelo governo. Ênfase no amparo aos pobres, idosos e desamparados. Luta contra a insolência do luxo em relação aos pobres. Exemplo de simplicidade por parte dos reformadores-líderes públicos. Limitação dos juros nos empréstimos. Forte combate à especulação. Ataque frontal à escravidão. Combate a bebedice e proliferação das tavernas. Grande esforço na educação de todos.

Merece um pouco mais de pesquisa a liderança de Calvino na área da educação. Em Genebra a sua grande marca educacional ficou indelével através da criação da Academia. Essa escola possuía dois níveis, o fundamental que era conhecido como escola superior ou pública , e o segundo era o inferior ou escola privata equivalente ao nosso terceiro grau. A Academia de Genebra foi fundada em 1559 e Calvino convidou Teodoro Beza para ser o seu primeiro reitor. Essa escola veio a tornar-se o seminário do calvinismo e o modelo para várias outras universidades que foram lideradas por grandes nomes, ex-alunos da Academia de Genebra. No ano da morte de Calvino a escola tinha 1.500 alunos matriculados, onde a maioria era de estrangeiros. A escola de primeiro grau possuía 1.200 alunos, e a universidade 300 estudantes de teologia, direito e medicina . Visando a tarefa de reestruturar o governo eclesiástico segundo as Escrituras, em novembro de 1536, Calvino e Farel compilaram um documento que continha regras para uma nova ordem litúrgica dos cultos, uso dos sacramentos e costumes que os fiéis deveriam respeitar23. No documento havia pontos pacíficos como a valorização da família, a eleição dos pastores de cada paróquia e a representatividade dos presbíteros nos distritos. Contudo, logo no primeiro artigo do documento, havia uma matéria que Biéler chamou de "equívoco calvinista que irá suscitar tanto controvérsias como interpretações fantasiosas.". Por ele dava-se ao magistrado civil o poder de intervir para
23 Ferreira, Wilson Castro, Calvino: Vida, Influência e Teologia. São Paulo. Luz para o Caminho, 1985.

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avaliar a fé dos cidadãos, o que não deixava de ser uma espécie de continuidade da política Católico-Romana. Por outro lado, a estrutura hierárquica clerical adotada por séculos pela Igreja Católica, não refletia o ideal bíblico, e o papa era claramente identificado por Calvino como um agente de Satanás. Rejeitando peremptoriamente essa "tirania papista", ele implementou na igreja um governo com raízes no ensino das Escrituras que estava estabelecido sob quatro ofícios onde leigos e ordenados tomavam parte. Partindo do pano de fundo no qual a Igreja Católica vivia a longa tradição milenar que ensinava existir vários ofícios no ministério sacramental, a teologia reformada causou grande impacto quando Lutero propagou o sacerdócio de todos os santos. Porém, foi João Calvino, com a sua doutrina da pluralidade dos ministérios eclesiásticos, que abriu definitivamente as portas para o ministério leigo participativo, diretivo e até disciplinador. A modificação se deu pela revisão na concepção do sagrado, quebrando-se a dicotomia profano-sagrado, e conseqüentemente cleropovo. A designação "ministérios eclesiásticos" passou também a ser utilizada para "funções temporais tais como a administração do dinheiro e a caridade". Ora, na teologia romana todas as funções administrativas, interpretativas da Palavra, sacramentais e disciplinares, eram exercida pelo clero e somente pelo clero ordenado, posição que Calvino discordava. O teólogo reformado McKee comentando esse posicionamento afirmou: "ele (Calvino), negando quaisquer diferenças essenciais entre os cristãos, admitiu que os leigos também são ministros não somente na vida particular, mas também na liderança da comunidade cristã". Estes ministérios plurais estavam mais relacionados com as funções necessárias da liderança eclesiástica. O reformador, na verdade, não excluiu totalmente a idéia de "clero" pois os "pastores ordenados" eram os responsáveis pelos sacramentos e pela pregação, e o laicato se ocuparia de todas as outras tarefas religiosas. O ensino do Calvinismo quanto aos ministérios plurais, apresentava quatro ofícios eclesiásticos: Pastor, Mestre, Presbítero e Diácono. Porém, Calvino é o único a defender que dos quatro, os ofício leigos de presbítero e diácono, são também permanentes. Interessante é a dupla tarefa dos mestres, os quais deveriam ser responsáveis pelo "ensino da doutrina sólida aos fiéis e preparar os jovens para o ministério e para o governo civil". Assim, para os reformadores calvinistas, os ministérios cristãos leigos de disciplina e caridade, foram entendidos como ofícios da igreja e baseados na Bíblia e ativos na cidade. O leigo, com Calvino, voltou a ter participação ativa na ação, decisão e missão da igreja. Digno de registro é ainda a aceitação, por parte de Calvino, de mulheres no ofício de diácono. Embora ele não tenha enfatizado muito esta questão, os seus escritos claramente o admitem. O cuidado a ser dispensado aos pobres foi confiado aos diáconos. Contudo, duas espécies são mencionadas na carta aos Romanos: "Aquele que dá, faça-o com simplicidade;... o que exerce misericórdia, com alegria" (Rm 12:8). Visto que é certo que Paulo está falando do ofício público da igreja, aqui tem de haver dois graus distintos. A menos que minha avaliação me engane, na primeira cláusula ele designa os diáconos que distribuem as esmolas. Mas a segunda refere-se àqueles que se dedicam ao cuidado dos pobres e dos enfermos. Nessa categoria estavam as viúvas que Paulo menciona a Timóteo (I Tm 5:3-10). As mulheres não podiam ocupar nenhum ofício público a não ser se dedicarem a cuidar dos pobres. Não havendo mais a autoridade de um padre, em nome da igreja, sobre o povo, a fim de manter a disciplina na igreja, foi criado um conselho eclesiástico chamado consistório. Este órgão era composto de 6 pastores e 6 leigos – presbíteros, sendo presidido pelo primeiro síndico. A disciplina que era imposta aos faltosos possuía três níveis: admoestação particular, admoestação com testemunhas e a excomunhão.

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A liderança de João Calvino na igreja geneberense não foi uma tarefa tranqüila. No seu começo ela proporcionou grandes impactos e recebeu fortes ataques. Ao longo de sua influência, essa resistência veio a arrefecer sendo possível traçar dois períodos. O primeiro foi marcado pelo desejo de provocar rápidas e decisivas mudanças e continha um certo sabor de liderança radical em aspectos de conduta, embora estivesse correto nos seus propósitos. O segundo foi marcado pela liderança mais ponderada e comedida, resultando em sólidas alterações religiosas e sociais. O forte sabor de extremismo do primeiro período não deixou de produzir as suas marcas nas propostas para a área religiosa. O ponto alto, talvez, tenha sido quando o concílio menor, influenciado pelos reformadores, concordou com os termos de um documento elaborado por Calvino e decidiu que "faria uma inquisição acerca das insolências e maus costumes que reinavam por sobre a cidade, e que se viva segundo Deus". À priori tal proposta até veio a se assemelhar com o propósito de Esdras e Neemias na reconstrução das estruturas morais e religiosas do povo de Israel, contudo, os pastores de Genebra foram além e "proibiu-se cantar cantigas chulas, jogar jogos de azar, abrir qualquer espécie de posto comercial no domingo na hora do sermão ou apregoar nas ruas a venda de comidas". Além disto, foi também proibida a exibição de dramas e estabelecida uma punição para quem dançasse, mesmo quando praticada entre cônjuges e familiares,. A reação popular foi imediata. A população sentiu-se acuada e aprisionada, logo pressionou o concílio dos 25 e este, por sua vez, esquivou-se creditando a culpa aos pastores, o que veio a tornar-se um dos fatores para a expulsão de Calvino e Farel em 1538. Não cremos ser incorreto afirmar que o foco principal da influência de Calvino em Genebra recaiu sobre a vida religiosa. Foi a partir de uma sincera prática das verdades e valores do evangelho que ele idealizou tornar Genebra a "cidade de Deus". Mas a bem da verdade, muitos problemas e dificuldades com a vida moral da população e confrontação à sua liderança foram enfrentados antes que uma estabilidade que se aproximasse dos seus padrões fosse conseguida na igreja de Genebra. A implantação de uma nova ordem religiosa não inibiu o surgimento de imoralidades, inclusive dentro da sua própria família, quando sua cunhada cometeu adultério com o seu secretário particular e depois quando sua enteada ficou grávida sem estar casada. Em nenhuma das duas situações foi permitido o uso de dois pesos e duas medidas, ambos os casos foram tratados e julgados pelo consistório como todos os demais que já haviam ocorridos, inclusive a decretação da prisão de sua cunhada adúltera, esposa de seu irmão Antônio. Nos últimos anos que João Calvino passou em Genebra, a amplitude do seu trabalho, ensino e liderança já haviam gerado uma nova mentalidade urbana. A academia de Genebra tornou-se uma verdadeira "escola de missões" da Europa, a ordem do governo e a probidade dos governantes da cidade associada à participação civil dos cidadãos ganharam fama. A igreja ensinava e vivia as verdades das Escrituras, a ação social era parte da vida cristã, além disso, promoveu-se uma ampla e reconhecida acolhida aos imigrantes, fugitivos de diversos lugares por perseguições aos protestantes. Genebra não era mais a mesma cidade do início de século XVI, o ideal calvinista não era um céu na terra, mas a busca dos valores do evangelho, na vida individual e coletiva, indelevelmente haviam marcado as estruturas religiosas e sociais da cidade.

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A Igreja dos Séculos Pós-Reforma.
Nos últimos três séculos, nossa atenção dirigir-se-á especialmente para as igrejas que nasceram da Reforma. Pouco depois da Reforma apareceram três grupos diferentes na igreja inglesa:

Catedral da Cantuária – Igreja Anglicana

- Os elementos romanistas que procuravam fazer amizade e nova união com Roma; - O anglicanismo, que estava satisfeito com as reformas moderadas estabelecidas nos reinados de Henrique VIII e da rainha Elisabete;

O Rei Henrique VIII

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- E o grupo protestante radical que desejava uma igreja igual às que se estabeleceram em Genebra e Escócia. Este último grupo ficou conhecido, cerca do ano de 1654, como "os puritanos", e opunha-se de modo firme ao sistema anglicano no governo de Elisabete, e por essa razão muitos de seus dirigentes foram exilados. Os puritanos também estavam divididos entre si: uma parte mais radical, era favorável à forma presbiteriana; a outra parte desejava a independência de cada grupo local, conhecidos como "independentes" ou "congregacionais". Apesar dessas diferenças, continuavam como membros da igreja inglesa. Na luta entre Carlos I e o Parlamento, os puritanos eram fortes defensores dos direitos populares. No início o grupo presbiteriano predominava. Por ordem do Parlamento, um concílio de ministros reunido em Westminster, em 1643, preparou a "Confissão de Westminster" e os dois catecismos, considerados durante muito tempo como regra de fé por presbiterianos e congregacionais. Após a Revolução de 1688, os puritanos foram reconhecidos como dissidentes da igreja da Inglaterra e conseguiram o direito de organizarem-se independentemente.24 Do movimento iniciado pelos puritanos surgiram três igrejas, a saber, a Presbiteriana, a Congregacional, e a Batista. Nos primeiros cinqüenta anos do século dezoito, as igrejas da Inglaterra, a oficial e a dissidente, entraram em decadência. Os cultos eram formalistas, dominados por uma crença intelectual, mas sem poder moral sobre o povo. A Inglaterra foi despertada dessa condição, por um grupo de pregadores sinceros dirigidos pelos irmãos João e Carlos Wesley e Jorge Whitefield. Dentre os três, Whitefield era o pregador mais poderoso, que comovia os corações de milhares de pessoas, tanto na Inglaterra como na América do Norte. Carlos Wesley era o poeta sacro, cujos hinos enriqueceram a coleção hinológica a partir de seu tempo. João Wesley foi, sem dúvida alguma, o indiscutível dirigente e estadista do movimento. Na idade de trinta e cinco anos, quando desempenhava as funções de clérigo anglicano, João Wesley encontrou a realidade da religião espiritual entre os morávios, um grupo dissidente da igreja Luterana. Em 1739 Wesley começou a pregar "o testemunho do Espírito" como um conhecimento pessoal interior, e fundou sociedades daqueles que aceitavam seus ensinos. A princípio essas sociedades eram orientadas por dirigentes de classes, porém mais tarde Wesley convocou um corpo de pregadores leigos para que levassem as doutrinas e relatassem suas experiências em todos os lugares, na Grã-Bretanha e nas colônias norte-americanas. Os seguidores de Wesley foram chamados "metodistas", e Wesley aceitou sem relutância esse nome. Na Inglaterra foram conhecidos como "metodistas wesleyanos", e antes da morte de seu fundador, contavam-se aos milhares. Apesar de haver sofrido, durante muitos anos, violenta oposição da igreja de Inglaterra, sem que lhe permitissem usar o púlpito para pregar, Wesley afirmava considerar-se membro da referida igreja; considerava o movimento que dirigia como uma sociedade não separada, mas dentro da igreja da Inglaterra. Contudo após a revolução norte-americana, em 1784, organizou os metodistas nos Estados Unidos em igreja independente, de acordo com o modelo episcopal, e colocou "superintendentes", titulo que preferiu ao de "bispo". Nos Estados Únicos o nome "bispo" teve melhor aceitação e foi por isso adotado. Nesse tempo os metodistas na América eram cerca de 14.000. O movimento wesleyano despertou clérigos e dissidentes para um novo poder na vida cristã. Também contribuiu para a formação de igrejas metodistas sob várias formas
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Lloyd-Jones, D.Martin, Os Puritanos – Suas Origens e seus Sucessores. São Paulo: PES, 1993.

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em muitos países. Na América do Norte, presentemente a igreja metodista conta com aproximadamente onze milhões de membros. Nenhum dirigente na igreja cristã conseguiu tantos seguidores como João Wesley. A Igreja da Inglaterra (Episcopal), foi a primeira religião protestante a estabelecer-se na América do Norte. Em 1579 realizou-se um culto sob a direção de Sir Francis Drake, na Califórnia. O estabelecimento permanente da igreja inglesa data de 1607, na primeira colônia inglesa em Jamestown, na Virginia. A Igreja da Inglaterra era a única forma de adoração reconhecida no início, na Virgínia e em outras colônias do sul. A igreja, nos Estados Unidos, tomou o nome oficial de Igreja Protestante Episcopal. O crescimento da igreja Episcopal desde então tem sido rápido e constante. Atualmente conta quase três milhões e meio de membros. A igreja Episcopal reconhece estas três ordens no ministério: bispos, sacerdotes e diáconos, e aceita quase todos os trinta e nove artigos da Igreja da Inglaterra, modificados para serem adaptados à forma de governo norte-americano. Sua autoridade legislativa está concentrada em uma convenção geral que se reúne cada três anos. Tratase de dois corpos, uma câmara de bispos e outra de delegados clérigos e leigos eleitos por convenções nas diferentes dioceses. Uma das maiores igrejas existentes na América do Norte é a denominação Batista, a qual conta com mais de vinte milhões de membros. Seus princípios distintivos são dois: (1) Que o batismo deve ser ministrado somente àqueles que confessam sua fé em Cristo; por conseguinte, as crianças não devem ser batizadas. (2) Que a única forma bíblica do batismo é a imersão do corpo na água, e não a aspersão ou derramamento. Os batistas são congregacionais em seu sistema de governo. Cada igreja local é absolutamente independente de qualquer jurisdição externa, fixando suas próprias regras. Não possuem uma Confissão de Fé nem catecismo algum para instruir jovens acerca de seus dogmas. Contudo, não há no país igreja mais unida em espírito, mais ativa e empreendedora em seu trabalho e mais leal aos seus princípios, do que as igrejas batistas.

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Primeira Igreja Batista da América USA, fundada em 1638 por Roger Williams.

Surgiram os batistas pouco depois da Reforma, na Suíça, e espalharam-se rapidamente no norte da Alemanha e na Holanda. No princípio foram chamados anabatistas, porque batizavam novamente aqueles que haviam sido batizados na infância. Na Inglaterra, a princípio, estavam unidos com os independentes ou congregacionais, mas pouco a pouco tornaram-se um corpo independente. Com efeito, a igreja de Redford, da qual João Bunyan era pastor, cerca do ano 1660, e que existe até hoje, considera-se tanto batista como congregacional. Na América do Norte a denominação batista iniciou suas atividades com Roger Williams, clérigo da Igreja da Inglaterra expulso de Massachusetts porque se recusou a aceitar as regras e opiniões congregacionais. Roger fundou a colônia de Rhode Island, em 1644. Ali todas as formas de adoração religiosa eram permitidas, e os membros de religiões perseguidas em outras partes eram bem-vindos. De Rhode Island os batistas espalharam-se rapidamente por todo o continente. Depois da Reforma iniciada por Martinho Lutero, as igrejas nacionais que se organizaram na Alemanha e nos países escandinavos tomaram o nome de luteranas. No início da história da colonização holandesa da Nova Amesterdã, hoje Nova lorque, que se supôe haja sido em 1623, os luteranos, ainda que da Holanda, chegaram a essa cidade. Em 1652, solicitaram licença para fundar uma igreja e contratar um pastor. Entretanto, as autoridades da Igreja Reformada da Holanda opuseram-se a esse desejo, e fizeram com que o primeiro ministro luterano voltasse à Holanda, em 1657. Os cultos continuaram a ser realizados, embora não oficialmente. Contudo, em 1664, quando a Inglaterra conquistou Nova Amsterdã, os luteranos conseguiram liberdade de culto. Em 1638, alguns luteranos suecos estabeleceram-se próximo ao rio Delaware, e construíram o primeiro templo luterano na América do Norte, perto de Lewes. Porém a imigração sueca cessou até ao século seguinte. Em 1710, uma colônia de luteranos exilados do Palatinado, na Alemanha, estabeleceu a sua igreja em Nova Iórque e na Pensilvânia. No século dezoito os protestantes alemães e suecos emigraram para a América do Norte, aos milhares. Isso deu motivo à organizaçãodo primeiro Sínodo Luterano na cidade de Filadélfia, em 1748. A partir daí as igrejas luteranas cresceram, não só por causa da imigração, mas também pelo aumento natural, sendo que atualmente há aproximadamente nove milhões e meio de membros nas igrejas luteranas. Uma das primeiras igrejas presbiterianas dos Estados Unidos foi organizada em Snow Hili, Marvland, em 1648, pelo Rev. Francis Makemie, da Irlanda. Makemie mais seis ministros reuniram-se em Filadélfia, em 1706 e uniram suas igrejas em um presbitério. Em 1716, as igrejas e seus ministros, havendo aumentado em numero, e bem assim penetrado em outras colônias, decidiram organizar-se em sínodo, dividido em quatro presbitérios incluindo dezessete igrejas. As igrejas metodistas do Novo Mundo existem desde o ano de 1766, quando dois pregadores wesleyanos locais, naturais da Irlanda, se transferiram para os Estados Unidos e começaram a realizar cultos segundo a ordem metodista. Não se sabe ao certo se Filipe Embury realizou o primeiro culto em sua própria casa em Nova lorque ou se foi Roberto Strawbridge, em Fredrick County, Maryland. Esses dois homens organizaram sociedades, e, em 1768, Filipe Embury edificou uma capela na Rua João, onde funciona ainda um templo metodista episcopal. O número de metodistas na América do Norte cresceu. Por essa razão, em 1769, João Wesley enviou dois missionários, Ricardo Broadman e Tomás Pilmoor, a fim de inspecionarem a obra e cooperarem na sua extensão. Outros pregadores, sete ao todo, foram enviados da Inglaterra, dentre os quais se destacou Francisco Asbury, que chegou aos Estados Unidos em 1771. A primeira Conferência Metodista nas colônias foi realizada em 1773,

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presidida por Tomás Rankin. Porém, em razão do início da Guerra de Independência, todos os pregadores deixaram o país; exceto Asbury, e a maior parte do tempo, até que a paz foi assinada em 1783, ele esteve afastado. Quando o governo dos Estados Unidos foi reconhecido pela Grã-Bretanha, os metodistas da América do Norte alcançaram o número de quinze mil.

As Igrejas Evangélicas no Brasil
A Igreja Luterana
O protestantismo chegou ao Brasil pela primeira vez com viajantes e nas tentativas de colonização do Brasil por huguenotes (nome dado aos reformados franceses) e reformados holandeses e flamengos durante o período colonial. Esta tentativa não deixou frutos persistentes. Uma missão francesa enviada por João Calvino se estabeleceu, em 1557, numa das ilhas da Baía de Guanabara, fundando a França Antártica. No mesmo ano, esses calvinistas franceses realizaram o primeiro culto protestante no Brasil e, de acordo com alguns, da própria América. Mas, pela predominância católica, foram obrigados a defender sua fé ante as autoridades, elaborando a Confissão de Fé de Guanabara, assinando, com isso, sua sentença de morte, pondo um fim no movimento.

A Igreja Anglicana
Com a vinda da família real portuguesa ao Brasil e abertura dos portos a nações amigas, através do Tratado de Comércio e Navegação comerciantes ingleses estabeleceram a Igreja Anglicana no país, em 1810. Seguiram a implantação de igrejas de imigração: alemães trouxeram o luteranismo em 1824.

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Igreja Anglicana Brasileira.25

A Igreja Congregacional
Robert Reid Kalley (1809-1888) médico escocês, natural de Mount Florida, nos arredores de Glasgow, nasceu no dia 8 de setembro de 1809. Em1829 tirou o diploma de cirurgião e farmacêutico pela Faculdade de Medicina e Cirurgia de Glasgow, tendo feito os seus estudos práticos no Hospital Real dessa cidade. Era ateu, mas graças ao testemunho de uma paciente foi conduzido a estudar cuidadosamente as Escrituras Sagradas. Esses estudos o conduziram à conversão.26 Em 9 de abril de 1855 partiu com destino ao Brasil. Em 10 de maio de 1855 aportava no Rio de Janeiro o vapor Great Western da mala real inglesa. Nele vinham, entre outros passageiros, o Dr. Kalley e sua esposa, D. Sarah, para iniciarem nessa terra um trabalho que durariam 21 anos e 57 dias. O Rio de janeiro da época tinha cerca de 300 mil habitantes. Havia cerca de 50 igrejas e capelas espalhadas pela cidade. A religião do império era a católica. Kalley, chegado ao Rio foi instalar-se em Petrópolis. Em 19 de agosto de 1855, um domingo à tarde, Kalley e sua esposa instalaram em sua residência a primeira classe de Escola Dominical, contando com cinco crianças, filhos da senhora Webb e da senhora Carpenter. Foi contada a história do profeta Jonas.

Robert Reid Kalley 27– 1855, 1° Igreja Congregacional no Brasil. Rio de Janeiro

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Wikipédia, a enciclopédia livre. Igreja Anglicana Brasileira.

26Jornal Gospel News. 19 de março de 2010. Rio de Janeiro. RJ.

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A Igreja Presbiteriana
Calvinistas e puritanos ingleses, foram essas pessoas que eventualmente, criaram a Igreja Presbiteriana dos Estados Unidos, cujo primeiro concílio, o Presbitério de Filadélfia, foi organizado em 1706 sob a liderança do Rev. Francis Makemie, considerado o “pai do presbiterianismo norte-americano”. O primeiro Sínodo foi organizado em 1717 e a Assembléia Geral em 1789. Em 1859, a Junta de Missões Estrangeiras da Igreja Presbiteriana dos Estados Unidos enviou ao Rio de Janeiro o Rev. Ashbel Green Simonton, fundador da Igreja Presbiteriana do Brasil,28 em 1859, no Rio de Janeiro. Apesar de uma inicial desavença entre Kalley e Simonton, logo os dois passaram a cooperar. Quando Kalley precisou partir do Brasil, providenciou a formação de pastores brasileiros em um Seminário da Inglaterra (a Escola de Pastores do Rev. Charles Spurgeon) e, providenciou também que outro missionário independente, o batista Salomão Ginsburg, fosse enviado para cá.

Ashbel Green Simonton. Fundador da IP no Brasil. E Francis Makemie Fundador do Presbiterianismo nos Estados Unidos da América.

A Igreja Batista
Em 1871, o primeiro grupo batista se estabeleceu em Santa Bárbara d'Oeste, no Estado de São Paulo, trazida por missionários americanos. Em 1907 fundava-se a 1°Convenção Batista Brasileira.

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Wikipédia, a enciclopédia livre. Robert Reid Kalley 1855.

28 Fonte: Rev. Alderi Souza de Matos . IPB. 2010. Magé – RJ.

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A Congregação Cristã no Brasil
Louis Francescon, nasceu em 29 de março de 1866, na comarca de Cavasso Nuovo, na provincia de Udine, região norte da Itália que faz fronteira com Iogoslávia, França, Suiça e Austria. Radicado em Chicago, foi membro da Igreja Presbiteriana Italiana e aderiu ao pentecostalismo em 1907. Em janeiro de 1910 esteve em Buenos Aires onde fundou a primeira denominação pentecostal da América Latina, a Assembléia Cristã na Argentina, e de março a setembro do mesmo ano esteve no Brasil, onde fundou as primeiras igrejas pentecostais brasileiras em Santo Antonio da Platina (Paraná) e São Paulo, entre imigrantes italianos, germem da futura denominação Congregação Cristã no Brasil. Veio 11 vezes ao Brasil até 1948.

Sede Central, aberta em 1954 no Bairro do Brás, São Paulo. - Louis Francescon.29

A Assembléia de Deus
Enquanto o avivamento expandia-se e dominava a vida religiosa de Chicago. Na cidade de South Bend, no Estado de Indiana, que fica cem quilômetros de Chicago, morava um pastor batista que se chamava Gunnar Vingren. Atraído pelos acontecimentos do avivamento de Chicago, o jovem originário da Suécia foi a essa cidade a fim de saber o que realmente estava acontecendo ali. Diante da demonstração do poder divino, ele creu e foi batizado com o Espírito Santo. Pouco tempo depois, Gunnar Vingren participou de uma convenção de igrejas batistas, em Chicago. Essas igrejas aceitaram o Movimento Pentecostal. Ali ele conheceu outro jovem sueco que se chamava Daniel Berg. Esse jovem também fora batizado com Espírito Santo. Através de
29 Wikipédia, a enciclopédia livre. Sede Central, aberta em 1954 no Bairro do Brás, São Paulo. Louis
Francescon.

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uma revelação divina, o lugar tinha sido mencionado: Pará. Nenhum dos presentes conhecia aquela localidade. Após a oração, os jovens foram a uma biblioteca à procura de um mapa que lhes indicasse onde o Pará estava localizado. Foi quando descobriram que se tratava de um estado do Norte do Brasil, tratava-se de uma chamada de fé.30
-

P

A Assembléia de Deus. Esta, em particular, foi trazida ao Brasil por dois missionários suecos, Daniel Berg e Gunnar Vingren, e estabeleceu-se inicialmente no norte, no Pará. 1909 à 1922.

Daniel Berg e Gunnar Vingren – Missionários Suecos – Brasil, Belém. PA.

Em 1932, alguns ministros brasileiros da Assembléia de Deus devolveram voluntariamente suas credenciais de obreiros e organizaram Igreja de Cristo no Brasil em Mossoró.

A Igreja Pentecostal O Brasil Para Cristo
Nos anos 1950 surge uma nova onda do pentecostalismo, com a influência de movimentos de cura divina e expulsão de demônios que geraram diferentes denominações, tais como: Igreja Pentecostal O Brasil para Cristo fundada pelo já falecido missionário Manoel de Mello.

Manoel de Mello e Silva – Fundador da Igreja o Brasil para Cristo.

30 Blogs Abril. Historia da Assembléia de Deus. 10 de Janeiro 2009.

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A Igreja Pentecostal Deus é Amor
Em 03 de Junho de 1962 surge a Igreja Pentecostal Deus é Amor, fundada pelo missionário David Martins Miranda.

David Martins Miranda – Fundador da Igreja Deus é Amor.

A Adição de Algumas Igrejas ao Pentecostalismo
Também nesta época várias igrejas protestantes que eram tradicionais adicionaram o fervor pentecostal, como exemplos, a Igreja Presbiteriana Renovada, a Igreja Cristã Maranata, a Convenção Batista Nacional e a Igreja do Evangelho Quadrangular, que chegou ao Brasil trazida pelos missionários Harold Edwin Williams e Jesus Hermírio Vaquez, que se instalaram inicialmente na cidade mineira de Poços de Caldas. A Igreja Cristã Maranata foi fundada em Outubro de 1968 no morro do Jaburuna em Vila Velha, Espírito Santo por quatro antigos membros da Igreja Presbiteriana do Centro de Vila Velha

Neopentecostalismo
A Igreja Universal do Reino de Deus.
A década de 1970 viu nascer o movimento neopentecostal, com igrejas que enfatizam a prosperidade, como a Igreja Universal do Reino de Deus, fundada por Edir Macedo.

Bispo Macedo – Fundador da IURD.

A Igreja Internacional da Graça de Deus.

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Em 1977; a Igreja Internacional da Graça de Deus, fundada por Romildo Ribeiro Soares, entre muitas outras.

Romildo Ribeiro Soares – Fundador a IIGD.

É também nessa década que mesmo a Igreja Católica no Brasil começa a sofrer influência dos movimentos pentecostais através da Renovação Carismática Católica, um movimento originário dos EUA. Recentemente cresceram as chamadas igrejas neopentecostais com foco nas classes média e alta, com um discurso mais liberado quanto aos costumes e menos ênfase nas manifestações pentecostais. Entre elas as igrejas podemos citar a Igreja Apostólica Renascer em Cristo, fundada por Estevam e Sonia Hernandez, a Comunidade Evangélica Sara Nossa Terra, fundada por Robson Rodovalho e a Igreja Evangélica Cristo Vive, fundada por Miguel Ângelo. Seus fiéis costumam se identificar como "evangélicos" em referência aos reformados do século XVI. Segundo pesquisa do Datafolha divulgada em março de 2010, 25% dos brasileiros são evangélicos, sendo 19% seguidores de denominações pentecostais.31

Extatística mundial Denominacional32
• • • • • • • • • • • • • • Assembléias de Deus - 57 a 60 milhões Independente - 50 milhões Igreja Universal do Reino de Deus - 13 milhões Circulo de Fé Internacional - 11 milhões Missão Pentecostal - 10 milhões Igreja do Evangelho Quadrangular 8 milhões Igreja de Deus (Cleveland) – 6,920.055 milhões Igreja Apostólica - 6 milhões. Igreja de Deus em Cristo - 5 milhões Igreja Internacional Pentecostal Unida - 4 milhões Igreja do Senhor (Aladura) - 3.6 milhões Igreja Internacional Pentecostal de Santidade - 3 milhões Igreja Cristã Apostolica - 2.8 milhões Igreja Cristã Sião - 2.5 milhões

31 Pesquisa Data Folha, 2010. SP. 32 Operation World por Patrick Johnstone e Jason Mandryk, 2000.

33 • Congregação Cristã do Brasil – Não autorizado

A Igreja no Contexto Atual

Nunca se viu como nos dias de hoje tantas igrejas, ou quantos ministérios eclesiásticos. Somos um total de mais ou menos 55 milhões de evangélicos só no brasil33. Essa foi uma pesquisa de projeção no ano de 2005 segundo a Sepal. Se formos crescendo nesse ritmo até 2022 alcançaremos 50% da população, brasileira segundo a estatística da Sepal34.
Crescimento de evangélicos (todos os seguimentos)

33 Sepal, Pesquisas – projeção 2005. 34Sepal, Censos demográficos – 2000, 2005.

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Em dezembro de 2009 os evangélicos somaram 49,8 milhões no Brasil, 25,4% (de um total de 196,5 milhões de brasileiros e brasileiras). Se persistir essa ascendência de crescimento, em 2020 os evangélicos serão 100 milhões no país.35

A Realidade da Igreja de Deus em 1992
Converti-me na Igreja de Deus no Brasil, no dia 05 de abril de 1992 na cidade de Trindade- Goiás. Uma cidade com 70.000 habitantes nesta época. Esta igreja em âmbito nacional tinha 13.045, um pouco mais de treze mil membros.36 E não estava presente em todos os estados brasileiros. Desse tempo para cá eu tenho acompanhado o crescimento da igreja de Deus no Brasil.

A Igreja de Deus no Brasil e Mundo
A Igreja de Deus, com sede em Cleveland, TN, iniciou em 19 de Agosto de 188637 em Carolina do Norte, em Kamp Kreek, como um movimento holiness ou de santidade. Dez anos mais tarde esse grupo inicial passou a ser de características pentecostais, como a prática da glossolalia, (linguas estranhas). Segundo o historiador Charles Conn Citação: , o primeiro contato da Igreja de Deus com o Brasil foi quando em 1948 o reverendo Vessie D. Hargrave, o primeiro superintendente da Igreja de Deus para a América Latina visitou em Morretes, Paraná, o missionário Albert J. Widmer, que conhecia e já havia visitado a Igreja de Deus em Buenos Aires em 1944. Em 1951 Albert J. Widmer foi reconhecido como missionário
35 IBGE, 1940-2000 ; FGV-Data Folha-2007 36 SILVA, R. DAVID. Ensinos Governo e Disciplina da Igreja de Deus. Goiania-Go: C.N.P, 1991, p, 11. 37 SILVA, R. DAVID. Ensinos Governo e Disciplina da Igreja de Deus. Goiania-Go: C.N.P, 1991, p, 11.

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iniciando o trabalho da Igreja de Deus no Brasil, mas em 1952 a propriedade foi vendida, terminando assim a primeira fase da Igreja de Deus no Brasil. A Igreja de Deus somente regressou ao Brasil quando da amalgamação da Igreja do Calvário Pentecostal. Sob iniciativa da Responsável direta, Senhorita Matilde Palsen que quiz unir a igreja de Deus. Esta organização havia aportado no Brasil em 1934. Todas as formalidades foram feitas em Cleveland, Tennessee. Os líderes do Calvário Pentecostal no Brasil votaram unânimamente para unir-se com a Igreja de Deus. A união formal deu-se oficialmente no dia 12 de maio de 1955. As atas foram assinadas pelo representante legal da Igreja de Deus, Reverendo Wayne McAfee. O reverendo Wayne McAfee foi o primeiro supervisor da Igreja de Deus no Brasil, permanecendo no cargo até 1960, quando regressou definitivamente para os Estados Unidos. O segundo supervisor da Igreja de Deus no Brasil, foi o Reverendo Bill Watson que tinha 26 anos quando chegou no Rio de Janeiro em outubro de 1956, acompanhado de sua esposa Rhoda e um casal de filhos. Em março de 1964 teve o início das aulas no Instituto Bíblico da Igreja de Deus – IBID. A escola que foi fundada pelo missionário Bill Watson em Goiânia foi a primeira de ensino pentecostal em todo o centro oeste brasileiro. O Instituto Bíblico da Igreja de Deus foi a quarta escola pentecostal a ser formada em nível nacional. Hoje, ao final da primeira década do século XXI, a Igreja de Deus no Brasil tem cerca de 50 mil membros e congregados, com atividades em todos os estados brasileiros. Seu Escritório Nacional é na cidade de Brasília, Distrito Federal, e a igreja está representada no país por oito Regiões Administrativas (Centro-Oeste, Sudeste, Nordeste, Central, Sul, Norte, Triângulo Mineiro e Meridional) e dois Territórios (Capixaba e Oeste Amazônico). Atualmente, a Igreja de Deus no Brasil conta com 451 igrejas organizadas; 346 congregações não-autônomas; Possui um seminário, a Faculdade de Teologia Evangélica da Igreja de Deus (FATEID), que está localizada na cidade de Goiânia. Na cidade de São Paulo existe o Centro de Treinamento Missionário, na Freguesia do Ó - CTM. Na área de assitência social, a Igreja de Deus no Brasil mantém várias casas assistenciais, como orfanatos, asilos, creches, centros de recuperação para moradores de rua e dependentes químicos. A igreja de Deus no presente momento está presente em todos os estados brasileiros. No mundo somos 6.920.055 e estamos presente em 181 países do mundo e somos um total de 28.564 pastores no mundo, destes pastores a maioria é de tempo integral na Igreja como ministros.38

38 Pr. CAMPOS, D SILVA. Secretário Nacional da Igreja de Deus no Brasil. Goiania-Go. 2010 . Ano 28.

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Início da igreja de Deus no Estado do Tocantins
A igreja de Deus no estado do Tocantins deve o seu início a família Marinho que mudaram da cidade São Luís do Montes Belos. Vieram para a cidade chamada Araguaina-TO. Seu início se deu no ano de 1970. Teve como seus primeiros pastores: Jakson, Francisco Germiniano e Isaque Alves de Castro. Esta igreja começou como congregação da igreja de São Luís de Montes Belos da região centro oeste. A primeira igreja de Deus em Araguaina começou no centro da cidade. Foi feito um ranchinho de palha de coqueiro o local na época não tinha asfalto e nem saneamento básico. A água que se usava no templo era buscada em latas na igreja Presbiteriana que era vizinha. Nesta mesma cidade foi aberta outra igreja no setor chamado neblina. O pastor desbravador foi um irmão chamado Jackson.

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No ano de 1974 a região centro oeste tinha como supervisor regional o Pr. José Quirino Rodrigues. Neste mesmo ano ele saiu em viagem rumo as igrejas de Gurupí, Colinas e Colméia, chegando então a quatro igrejas.39 Na década de oitenta a superintendência nacional decide organizar no Tocantins uma região administrativa, denominada região norte. Na época foi apontado o pastor Rothildes Bieno Váz, este que antes pastoreava a igreja de Deus na Cidade de Ipamerí, Goiás. O ano da criação desta região foi 01 de janeiro de 1987, nesta data então foi empossado na cidade de Araguaina-To na igreja do setor neblina. Na ocasião o Superintendente nacional era o Pastor David Rodrigues da Silva.40O supervisor Rothildes foi supervisor desta região de 1987 a 1997 e neste período a igreja passou de 4 igrejas para 11 igrejas, de 180 membros para 560 membros, isto até a data de mudança de supervisores.

Transição de Supervisores em 1997
Já havia 10 anos que o supervisor Rothildes Bieno Váz era supervisor e já muito cansado, pois esta região mesmo não tendo muitas igrejas, porem as igrejas eram muito distante umas das outras. Havia igrejas em três estados: Tocantins, Pará e São Luís do Maranhão. Regiões que eram reconhecidas e organizadas oficialmente como Região Norte. A mudança de supervisores já era prevista já no ano de 1996, quando o superintendente nacional fez uma visita a esta região. O supervisor desta região, Rothildes já estava cansado, já havia se passado 10 anos e na época não havia eleições de dois em dois anos41 como nas demais

Início da Igreja de Deus em Guaraí

A Igreja na região norte em 1995 ainda não havia alcançado a cidade de Guaraí. Já havia igrejas de Deus em Colméia que fica a 90 km, e na cidade de Araguaina a 200 km, e outras cidades. O pastor Giomarí estava insatisfeito com a igreja que estava sobre seus cuidados pastorais pelos motivos: Havia famílias que se sentiam donas da igreja não submetendo aos seus ensinos e cuidados pastorais. A Assembléia que o pastor Giomarí pastoreava era do Ministério de Anapolís-Goiás. Alguns anos antes de estar em Guaraí o pastor Giomarí já havia sido membro da igreja de Deus em Brasília, e que tinha gostado de fazer parte desta denominação. No ano de 1995 o pastor Giomarí resolveu vir para igreja de Deus surgindo então no dia 28 de Dezembro 1995 a igreja de Deus em Guaraí. Neste mesmo ano junto ao prefeito Carlitão, o pastor Giomarí ganhou quatro lotes, doado pela prefeitura, onde construiu um templo provisório com uma casa pastoral. Dois anos pastoreando a igreja de Guaraí o Superintendente nacional, David
39 Pr. RODRIGUES, QUIRINO SILVA. Supervisor da Região Centro Oeste. Goiania-Go. 2010. Ano 02. 40 Pr. OLIVEIRA, OLINDO FLORISVALDO. Supervisor da Região Norte. Palmas-To. 2010. Ano 04. 41 DAVID, SILVA RODRIGUES. Ensinos Governo e Disciplina da Igreja de Deus. Goiania-Go: C.N.P, 1991, p, 11.

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Rodrigues da Silva convidou o Pastor Giomarí para ser o Supervisor da igreja de Deus na Região Norte. No dia 01 de janeiro 1997, foi empossado como supervisor desta região. Ficando em seu lugar o pastor Severino Targino da Silva.

Meu Início em Guaraí
Cheguei à cidade de Guaraí no dia 24 de Outubro de 2007, vim para esta cidade a convite do supervisor desta região, senhor Florisvaldo O. De Oliveira, para ser diretor regional de Educação em uma extensão do Seminário Teológico da Igreja de Deus no Brasil. Vieram, Eu minha esposa, Andréia e minha filhinha, Samara, que na época tinha apenas três anos. Chegando aqui vi muitas necessidades e dificuldades, tanto na Igreja como denominação e também no âmbito da Igreja evangélica no geral, nesta cidade. Vim com muitos sonhos, pois era o que nós mais queríamos estar trabalhando eu e Andréia, com ensino Teológico. Em 13 de Fevereiro de 2008 começamos uma extensão do seminário da igreja de Deus que tem sua sede em Goiãnia-Go. O curso que começamos oferecer foi o de Contextualização Bíblica com duração de Um ano, dois semestres. Iniciamos com uma turma de 12 alunos, alguns de outras denominações como: Batistas, casa da Benção e Igreja de Deus. No dia 23 de Dezembro de 2008 formou sete pessoas.

Primeira Formatura do Curso Teológico em Guaraí. 13 de Dez. de 2008.

Início do Pastorado
No mês de maio de 2008 a igreja de Guaraí precisou de um pastor para assumi-la pastoralmente, o pastor anterior entregou a igreja por não adaptar a cidade de Guaraí. Neste mesmo mês fui convidado e empossado como pastor titular desta igreja de em Guaraí. Na época a igreja tinha 16 membros. Hoje depois de três anos já estamos com 26 membros lutamos para que neste ano de 2011 podemos chegara a 50 membros.

Os Membros da Igreja Local
Temos algumas dificuldades, entre elas, formação de liderança. Aqui o pastor encara o trabalho muitas vezes sozinho. Desde o inicio sempre quis trabalhar com uma equipe pastoral, uma liderança junto ao pastor para o melhor desempenho da igreja aqui em Guaraí. Minha esposa, Andréia me ajuda muito! Ela gosta de ensinar, pregar e fazer visitas junto comigo. Tenho um pastor auxiliar junto comigo, ele tem algumas dificuldades, por ser semi-analfabeto, trabalha arduamente o dia todo e ele está com

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idade avançada, com mais de 60 anos. Na maioria das vezes posso contar só com sua presença, e algumas vezes dar a benção apostólica no final dos cultos. Tenho lutado e pregado muito sobre estar compromissado com as atividades da igreja e envolvimento com as mesmas. Os membros são convenientes a uma igreja pequena sem atividades. Tenho levado eles e ensinado a buscar novas pessoas para estar na igreja e estar em constante atividade e participação.

Atividades Ministeriais
A primeira coisa que fiz aqui na igreja de Deus em Guaraí foi um treinamento para a liderança local, estudamos como trabalhar com pequenos grupos, grupos familiares ou células, prefiro usar o termo pequenos grupos, estes grupos trabalharam com as famílias da igreja e tem uma pessoa como líder com a responsabilidade de reunir com eles uma vez na semana, e de forma que os grupos crescem se preparam outros líderes, e faz um novo pequeno grupo, isto é, quando o grupo multiplica. Trabalhos de visitações pastorais e também discipulado nas casas daqueles que tinham a dificuldade de estar presente no discipulado na igreja. Estudos aos domingos uma hora antes do culto para aqueles que não participam da escola bíblica no domingo pela manhã. Trabalhamos com visitas em fazendas, pessoas que moram na zona rural, que por não ter condução veicular e moram distante. Temos trabalhado com alvos e projetos que nos levam a ser visionários. Estamos também com um projeto de ampliação de atividades, e para que isto aconteça estamos ampliando a estrutura física de nossa igreja. Estamos construindo três salas de aula com seus respectivos banheiros para serem salas de crianças de adultos e jovens.

História da Cidade de Guaraí
Em 1937, o cidadão Leôncio de Souza Miranda, grande líder político da região, ao sair à procura de novas oportunidades de progresso comercial, quando resolveu, junto com a família, atravessar o Rio Tocantins. Este rio na época constituía uma das únicas vias de penetração e comunicação no Norte Goiano. Neste Local instalou sua residência e estabelecimento comercial e ao seu redor construiu 3 casas, as quais por inspiração dos moradores levou o nome de Trindade. O papel exercido por estas mudanças provocou o êxodo de outras famílias, o que veio contribuir decisivamente para o rápido desenvolvimento do local. Esse progresso permitiu que, em 1938, o mesmo fosse elevado de vila à prefeitura Municipal de Araguacema, de quem sofria jurisdição territorial. Em pouco tempo, Trindade teve seu nome alterado para Tocantinópolis. E sob lei N° 837, de 22 de junho de 1953, foi elevada à condição de Município com o nome de Tupirama, sendo instalado em 1° de Janeiro de 1954, quando já declinava o ritmo de

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crescimento local, em virtude da rodovia federal BR-153 (Belém-Brasília). Confirmado a chegada desse processo de criação da BR-153, o cidadão Pacífico da silva42

Senhor Pacífico Silva, Fundador de Guaraí43.

Proprietário da fazenda Guará, do qual o nome teve origem devido à existência de muitos lobos guarás naquela região. Correntes políticas da região resolveram fundar um povoado no local de sua propriedade. Auxiliado pelo senhor Jorge Yunes, proprietário da Engenharia que administrava a construção da BR-153, Belém-Brasília, dando então o início da criação do povoado de Guará nos primeiros meses do ano de 1959. O progresso rápido nesta época, em 1961 já contava com 250 habitantes, e mais de 25 casas de comércio varejistas44

42 Arquivo, Secretaria Municipal de Educação.Guaraí-TO. Ano 2009. 43 Arquivo, Foto. SILVA, PACÍFICO. Secretaria Municipal de Educação. Guaraí. Ano 2009. 44 Arquivo foto. Comercio Silva. Secretaria de Educação e Cultura. Guaraí-TO. Ano 2009.

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Um dos primeiros comércios na Rua 07 centro

Havia Também, um posto de gasolina, Posto de atendimento médico e um campo de pouso de avião, na época Vasp. Em Pouco tempo Guará ultrapassou Tupirama, tornando-se mais importante, determinando assim, a transferência da sede do Município, através da lei Estadual N° 1.177 de 5 de Novembro de 1968. A mudança local aconteceu em 11 de Abril de 1970 alterando o nome para Guaraí45, que significa “Lobo Pequeno em Tupí-Guaraní”. No ano de 1970, Guaraí já contava com uma população de 13.222 habitantes, sendo 2.144 na Cidade e 11.078 na zona rural.

Foto do município em 1968

Conclusão
Sempre tive vontade de fazer um trabalho de pesquisa com estas características, um pesquisa contendo dados históricos da igreja primitiva com algumas peculariedades, fatos que a nós são desconhecidos. Uma cronologia de fatos do início até os dias atuais da igreja cristã. Uma história ainda não contada!! Acredito que uma das maiores riquezas e legado que possuímos como cristão, é conhecermos nossa história. O nosso povo precisa conhecer suas origens, pois, como vão fazer defesa de um cristianismo que desconhecem suas raízes históricas. O nosso conhecimento deve ir mais além do nosso conhecimento cristão, e bem mais além do conhecimento bíblico. Hoje nos deparamos com dois extremos entre os cristãos, uns que conhecem bem a Bíblia, e desconhecem a história extra bíblica, e outros conhecem um pouco de história extra bíblica e mal conhecem a Bíblia. Precisamos muito conhecer o nosso passado os nossos ancestrais patriarcas da fé, homens que entregaram suas vidas sem reservas a ponto de morte, por um cristianismo genuíno. Homens que também

45 Arquivo foto. Cidade de Guaraí. Secretaria de Educação e Cultura. Guaraí-TO. Ano 2009.

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zelaram por um ensino genuinamente puro e Bíblico, assim como foram os pais da igreja e também os reformadores. Muitas vezes nós deparamos com pessoas que não conhecem nada da igreja que fazem parte, muito menos de sua cidade onde mora. Eu, pessoalmente faço questão de conhecer a historia da minha cidade: Seus fundadores, seus nomes, data da fundação e significado do nome da cidade e etc. Imagino eu, que pessoas que não conhecem suas origens e o seu passado não têm perspectiva atual e nem futura. Algo que também me chama a atenção, é o fato que por outro lado, houve homens na historia da igreja que o seu maior investimento foi em prol de pessoas ímpias e um mundo cheio de pecados. Estes homens são conhecidos por sua biografia de vida de abstinência de propósitos pessoais, olhando em primeiro lugar, para a vontade de Deus que é salvar a humanidade. Podemos ver que no decorrer da historia houve muitos conflitos entre ministros e pastores e líderes com visões pessoais, conflitos que deram origem a outras denominações, algumas destas de reconhecimento mundial, presente em vários países do nosso planeta, hoje conhecidas como denominações de impacto na sociedade onde se encontra. Personalidades do cristianismo, homens e mulheres de influência ministerial. Estes que não importa de correr riscos por amor a Cristo e sua Igreja. Todos nós podemos fazer uma história, uma história que muitos no futuro poderão conhecer. Se não tivéssemos conhecido a historia de homens como Pedro, Paulo, Lutero, Calvino, João Huss, Savonarola, Gunnar Vingre, Daniel Berg e muitos outros que nunca disse fizemos muito! Pelo contrário sempre achavam que podiam fazer mais e mais! O que você pode fazer hoje para influenciar gerações vindouras? Pense bem o que fazermos agora não será lembrado, somente amanhã, mais por toda vida. Comece a sua história, sua porque, só você pode fazer! Cada pessoa tem a oportunidade de deixar uma biografia de ações como homem e mulher de Deus, ministro, pastor, líder e também como pessoa. Pense bem!!!

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