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Herbert Spencer, fragmentos biográficos, idéias e críticas.

Herbert Spencer, fragmentos biográficos, idéias e críticas.

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Um apanhado genérico, acompanhado de fragmentos autobiográficos, que ilustra pressupostos básicos que deram sustentação à filosofia de Herbert Spencer, a saber, evolucionismo, mecanicismo, homogeneidade, e algumas críticas que visaram ao questionamento desses mesmos pressupostos, a começar por Henri Bergson, inicialmente seu seguidor, mas que acabou por tomar uma linha própria, dando relevo à intuição. Em segundo lugar, Bertrand Russel, que se opôs, seja aos pressupostos sustentados por Spencer, seja à filosofia de Bergson. Em terceiro lugar, Gabriel Tarde e seu questionamento à evolução, à suposta homogeneidade das coisas e à idéia de organismo social.
Um apanhado genérico, acompanhado de fragmentos autobiográficos, que ilustra pressupostos básicos que deram sustentação à filosofia de Herbert Spencer, a saber, evolucionismo, mecanicismo, homogeneidade, e algumas críticas que visaram ao questionamento desses mesmos pressupostos, a começar por Henri Bergson, inicialmente seu seguidor, mas que acabou por tomar uma linha própria, dando relevo à intuição. Em segundo lugar, Bertrand Russel, que se opôs, seja aos pressupostos sustentados por Spencer, seja à filosofia de Bergson. Em terceiro lugar, Gabriel Tarde e seu questionamento à evolução, à suposta homogeneidade das coisas e à idéia de organismo social.

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Herbert Spencer, fragmentos biográficos, idéias e críticas.

Maristela Bleggi Tomasini Herbert Spencer, autobiographic fragments, ideas and critiques. Resumo Um apanhado genérico, acompanhado de fragmentos autobiográficos, que ilustra pressupostos básicos que deram sustentação à filosofia de Herbert Spencer, a saber, evolucionismo, mecanicismo, homogeneidade, e algumas críticas que visaram ao questionamento desses mesmos pressupostos, a começar por Henri Bergson, inicialmente seu seguidor, mas que acabou por tomar uma linha própria, dando relevo à intuição. Em segundo lugar, Bertrand Russel, que se opôs, seja aos pressupostos sustentados por Spencer, seja à filosofia de Bergson. Em terceiro lugar, Gabriel Tarde e seu questionamento à evolução, à suposta homogeneidade das coisas e à idéia de organismo social. Palavras-chave: Herbert Spencer, Henri Bergson, Bertrand Russell, Gabriel Tarde. Abstract A general selection, whit biographic fragments, that lists the basic sustentation presupposes of the Herbert Spencer philosophy, that was the evolutionism, the mechanics, the homogeneity and some critiques about this presupposes, beginning by Henri Bergson, Spencer’s disciple, who gives importance to the intuition. In second place, Bertrand Russell, who had questioned the presupposes sustained by Spencer and the presupposes sustained by Bergson. Also Gabriel Tarde and his contestation of evolution, about the suppose homogeneity of the things and about the idea of the social organism. Keywords: Herbert Spencer, Henri Bergson, Bertrand Russell, Gabriel Tarde. Por quê? O nome Herbert Spencer surgiu numa conversação sem qualquer formalidade. Alguém me perguntou o que tinha sobre ele, e acabei reunindo algum material. Pensando no assunto, ocorreu-me que freqüentemente se encontram referências ao seu sistema, hoje desacreditado. Do próprio Spencer, do homem que ele foi, pouco se fala. Menos ainda do que o levou a pensar o que pensou, das influências que sofreu, das bases que serviram de alicerce à sistemática que propôs e no que tais bases foram criticadas. Constato uma certa despreocupação em relação às fontes, o que tem levado muitos de nós a fazer uso de uma bibliografia recente, moderna, atualizada. De certo modo, a raridade das obras antigas não permite sua consulta e isso nos afasta da pesquisa direta, tanto quanto da informação original, muitas vezes surpreendente, porque se expressa com franqueza e, até mesmo, com humor, fazendo-nos sentir mais perto de quem escreveu, mais íntimos do tempo em que viveu, das experiências e influências sofridas e transformadas individualmente. Daí a idéia de reunir esses fragmentos biográficos, procurando dar relevo a aspectos pessoais, particulares a cada um dos personagens que aparecem no texto. Perto de mim, algumas coisas de Spencer, tal como sua Educação Intelectual, Moral e Física, editada em Porto, em 1888, onde destaca a importância de uma metodologia educacional. Há também Recent Discussions in Science, Philosophy, and Morals, quase intacto, desde 1890. Lembro-me

de haver lido sua obra intitulada A Justiça, editada em Lisboa, sem data, livro que perdi, mas onde ele me pareceu haver pregado uma concepção próxima à luta pela vida, justificando o triunfo do mais forte. Um alerta bem intencionado, sem dúvida, de acordo com as suas crenças. E tenho ainda outras coisas bem interessantes e reveladoras, ainda que em formato virtual, entre estas, sua detalhada autobiografia, de 1889, onde ele nos conta também como nasceu o evolucionismo liberal. Além disso, sua Introdução à Ciência Social, 1903 e, por fim, O indivíduo contra o Estado, 1885. Na biblioteca pública, dois volumes da edição francesa de seus Principles de psychologie, cuja tradução foi feita por ninguém menos que Ribot e Espinas, Paris, o primeiro volume aparecido em 1874 e o segundo, um ano depois. Dados biográficos. No que Spencer acreditava. Herbert Spencer veio ao mundo em 1820, deixando-o oitenta e três anos depois. No terceiro capítulo de sua autobiografia [1] que data de 1889, fala-nos da criança que ele foi entre os anos de 1820 a 1827. Nascido em Derby, a 27 de abril, seu pai chamou-o Herbert em razão da admiração que tinha por Herbert Knowles, poeta então recentemente falecido (p.29, I). Foi uma criança curiosa, que costumava tudo observar e, desde cedo, compunha teorias sobre os objetos de suas percepções. De certo modo — ainda que devamos considerar a época em que escreveu sua própria história — mostrou-se uma criança sensível: “Ainda que me acontecesse atirar pedras em pássaros por esse amor à brincadeira no qual a destreza manifestada constitui o principal prazer, todavia, em todos os casos em que havia aí imposição de sofrimento sem o elemento da habilidade, não apenas eu me abstinha, mas ainda protestava contra os atos de meus companheiros, opondo-me sempre a que, gratuitamente, se fizesse mal aos animais e a que se divertissem, por exemplo, torturando insetos (p. 34)”. Tenho certeza de que vai ser surpreendente, para alguns, ler isso, mas, apesar de, até perto dos trinta anos, não ter uma idéia precisa do que fosse a filosofia, Spencer acabou por tornar-se o filósofo do sistema evolucionista, assim como um dos fundadores da sociologia, e não exageram aqueles que o consideram como o maior filósofo inglês de seu tempo. É que Spencer sabia se comunicar. Ele escrevia com simplicidade, franqueza, método e precisão, fazendo uso de um vocabulário acessível aos não-iniciados. Partindo do princípio de que tudo passa naturalmente de um estado de homogeneidade confusa para uma heterogeneidade definida, adotou o princípio evolucionista que procurou ampliar ao mundo moral e social. De seus trabalhos, são fundamentais os Primeiros princípios (1862), os Princípios de Biologia (1864). Escreveu também uma Introdução à ciência social e muitas outras obras e opúsculos. Curioso, todavia, é encontrar em sua autobiografia, no período compreendido entre 1846-48 (p.102, I), que pouca atenção lhe mereceram os livros escritos sobre moral e política, embora estes tenham sido temas sobre os quais muito falou. Diz-se um leitor impaciente, de livros fáceis, o que lhe tornou difícil a leitura de livros sérios; era-lhe impossível ler um, cujas idéias fossem fundamentalmente diferentes das suas (p.103, I). Talvez por isso não tenha lido Kant, embora não ler Kant pudesse parecer inviável a alguém que pretendesse a condição de filósofo. Em 1944, tendo em mãos a Crítica recentemente traduzida, diz (p. 128, I) haver lido as primeiras páginas, “mas, tendo desaprovado a leitura ali contida, não fui adiante”. Ele próprio reconhece que a receptividade passiva lhe era estranha, não se deixando impressionar pelo pensamento

dos outros (p. 82, I). A matéria de suas conclusões deveria desenvolver-se interiormente. Idéias e sentimentos estranhos, se não rejeitados imediatamente, eram ao menos aceitos com indiferença e logo abandonados. “Tal é a natureza de todos aqueles que pensam verdadeiramente por si mesmos, e esta natureza sempre foi acentuada em mim (p. 83, I)”. Suas idéias sobre filosofia e psicologia ter-se-iam formado a partir de conversações, algumas leituras e muita observação. Interessou-se pela frenologia quando jovem e, “naturalmente, nessa idade, a fé é mais forte que o ceticismo (p.68, I)”. Pareceu simpatizar, por outro lado, com a conclusão de Adam Smith quanto à excitação simpática dos sentimentos agradáveis como sendo a origem das ações beneficentes (p.128, I). Daí, talvez, sua conclusão de a justiça explicar-se do mesmo modo que a bondade. Não é raro encontrar o nome de Spencer associado ao de Comte. “Os discípulos de Comte estimam que eu lhe devo muito: isso é verdade, mas não do modo como eles entendem (p. 155, I)”. É certo que adotou a palavra altruísmo, assim como sociologia, na falta de outra, sendo censurado por isso. Reconhece dever-lhe, todavia, o “antagonismo que existe em nós”. Escreveu muitas obras sobre educação, ainda que celibatário. Seu interesse por esse campo começou após um esgotamento nervoso que o levou, a conselho médico, a procurar não viver só. Com isso, em Londres, vai residir com uma família em SaintJohn’s Wood: “um advogado arruinado por sua negligência, e cuja mulher tentava aumentar a renda da família com um pensionista (p. 13, II)”. A casa encontrava-se perto da residência de Huxley, com quem Spencer relacionou-se durante muitos anos. O casal tinha duas filhas pequenas que, parece, comoveram o solteirão que não experimentou nenhuma dificuldade em relacionar-se com elas, pois reconhecia nele mesmo “um desejo natural de estar cercado de crianças, sobretudo, de meninas (p. 14, II)”. Como costumava teorizar sobre tudo aquilo que observava, Spencer logo chegou a algumas conclusões a respeito do comportamento infantil: “Pude observar en passant que é preciso pouco tempo para estar em bons termos com as crianças; isso se deve a que, no modo pelo qual as trato, respeito sua individualidade. Muito freqüentemente, colocam-se a acariciá-las sem saber se isso lhes apraz. As crianças revoltam-se muitas vezes interiormente, senão exteriormente, contra essa falta à sua dignidade e, quando se lhes dá inteira liberdade, e quando se as deixam fazer os primeiros avanços, elas mostram freqüentemente uma preferência por aqueles que as tratam assim (p. 14, II)”. Em 1857 pôs-se a escrever um artigo sobre a educação moral das crianças; em 58, dedicou-se à obra A Educação. A teoria da evolução, — diz ele (p. 29, II), — conscientemente ou não, serviu-lhe de guia. “Uma das concepções iniciais é que, como a constituição hereditária deve ser sempre o principal fator na determinação do caráter, é absurdo supor que não importa qual sistema de disciplina moral possa produzir um caráter ideal ou nada mais que um progresso moderado na direção desse caráter (p. 29)”. Em sua obra, Educação Intellectual, moral e phisica, (1888), explica-se. Embora a hereditariedade representasse, para Spencer, um aspecto nada desprezível em relação ao desenvolvimento individual, a falta de método e a ignorância também contribuíam para com o aparecimento de doenças e conseqüente debilidade dos jovens, coisas

essas muitas vezes consideradas pelos pais como uma “provação da Providência” (p. 43). Esse conformismo irritava Spencer: “Raciocinando por essa forma caótica, entendem que os males sucedem sem causas, ou que essas causas são sobrenaturais. Completo erro. Em muitos casos essas causas são indubitavelmente herdadas; mas no seu maior número são provenientes dos métodos errados (p. 43)”. Aos 47 anos, Spencer visita a Itália e não se deixa impressionar pelas obras de arte em toda parte cultuadas. Para ele (p.85, II), assim como existiria uma ortodoxia religiosa, existiria também uma ortodoxia estética, e afastar-se de ambas implicaria em reprovação por parte da maioria. Essa maioria, de ordinário, compreende todos aqueles que estão no poder. Os artistas, “temendo ofender as autoridades, sobretudo quando eles são jovens, abstém-se de dizer aquilo que pensam em seu foro íntimo a respeito das reputações tradicionais (p. 85, II)”. Da Itália, preferiu as paisagens à pintura. Foi durante os quatro meses que precederam essa viagem que Spencer se dedicou quotidianamente aos Dados da psicologia, primeira divisão da obra começada em 1867, com o primeiro volume publicado três anos depois, onde visou a parte sintética construtiva do trabalho. O segundo volume estava reservado à parte analítica: “Trata-se agora de dissecar nosso edifício intelectual e os produtos de sua atividade até atingir os últimos elementos que o constituem; é preciso notadamente mostrar que a estrutura do espírito, tal como ela se revela por esse meio corresponde à sua estrutura, tal como ela se revela quando se retraçam as fases sucessivas de seu desenvolvimento (p.94, II)”. Foi um homem peculiar que confessa raramente haver lido um artigo do início ao fim. De hábito, sequer abria biografias ou livros de história, preferindo viajar e observar tudo o que se relacionasse a crenças, instituições, caracteres e usos dos nãocivilizados, examinando, porém, livros relacionados a esses aspectos, inclusive obras de teologia. Lia para observar a direção da opinião, assim como lia também para observar as críticas dirigidas aos seus trabalhos: eis os seus motivos. Spencer preferia os romances, “uma tentação à qual é preciso resistir (p.95, II)”, porque não ousava consagrar-lhes parte de sua capacidade de leitura em detrimento do trabalho. Outra ocupação que lhe tomava muito tempo era o bilhar: “uma excelente maneira de passar o tempo: isso me impedia de pensar e suprimia a tentação de ler (p.96, II)”. Gostava de jogar, e não se desculpava por isso: “É-me bastante amar o bilhar, e vejo como um motivo suficiente gozar esse prazer. Há muito tempo, elevome deliberadamente contra este ascetismo que considera como um pecado o fato de fazer-se uma coisa apenas pelo prazer de fazê-la; tenho pretendido sempre que, enquanto ninguém sofrer por isso, enquanto nós mesmos não sofrermos mais tarde, e enquanto se cumprir os diferentes deveres, a procura do prazer pelo prazer é perfeitamente legítima e dispensa escusa (p.96, II)”. Ora, vale lembrar que Spencer via a ascensão àquilo que percebia como sendo formas superiores de vida como conseqüência da “disciplina fornecida pelo gozo dos prazeres e pelo sofrimento das dores que se seguem após tal ou qual conduta (p.30, II)”. Embora desse ênfase à disciplina, não propôs a via ascética, menos ainda, uma educação de caráter espartano. Ao contrário, mostrava-se intolerante com qualquer

excesso em relação ao estudo, visto que uma sobrecarga de conhecimentos seria logo rejeitada pela memória, diz ele em sua A Educação, de 1888 (p. 300), sustentado tratar-se de um equívoco: “É um erro em toda a amplitude da nossa aquisição dos conhecimentos. Porque o espírito, como o corpo, não pode assimilar mais do que uma certa porção; e se o sobrecarregarem com mais fatos do que aqueles que ele pode assimilar, bem depressa serão rejeitados: em vez de contribuírem para a edificação da fábrica intelectual, são logo rejeitados pela memória depois de passarem pelo exame a que foram submetidos (p. 300)”. Criticava a idéia de que o conhecimento importaria mais que tudo, ressaltando que a organização desse conhecimento mostrava-se o mais importante : « Não são os conhecimentos amontoados, como uma gordura intelectual, que têm valor; mas aqueles que se tranformam em músculo intelectual (p. 301) ». Daí a importância da educação física, meio de fazer com que a educação « útil para a luta da vida (p. 301) ». Para ele, também a psicologia importava muito. Determiná-la parecia-lhe fundamental, na medida em que esta ciência deveria fornecer verdades à sociologia. Criticava historiadores relativamente aos métodos dos quais se utilizavam ao escrever : « Não apenas os historiadores não concebem a possibilidade da sociologia, mas eles a negam. Ocupados como estiveram sempre em narrar os eventos da vida das sociedades, deram pouca atenção, ou mesmo nenhuma, à evolução de sua organização. Se um biógrafo, — porque os incidentes da vida de seu herói não comportam previsão científica, — dizia que não há ciência do homem, ignorando assim todos os fenômenos da formação e de funções do corpo, ele seria semelhante ao historiador ordinário que, absorvido pelas ações dos reis, as intrigas da corte, as querelas, vitórias e derrotas internacionais, onde as previsões positivas são impossíveis, afirma que não há ciência social, e esquece assim as estruturas que se desenvolvem tranqüilamente enquanto se passam as coisas das quais se fala. Apenas o fato de que, durante tantos séculos, nem ele nem seus leitores quase nunca duvidaram da crescente divisão do trabalho que caracteriza em toda parte a evolução social, mostra o quanto era necessário expor o objetivo e a natureza da ciência social (p.105, II) ». Para Spencer, assim, em que pesem as inúmeras diferenças de detalhe objetos da historização, haveria, nas sociedades, um subnível orgânico, rítmico, constatável e capaz de traduzir seu objetivo e sua natureza. Obviamente, à vista dessa idéia de organismo social, as ações individuais deveriam sofrer uma certa desqualificação. Nesse sentido, detalhes biográficos — bem como a narrativa de fatos históricos que apresentam sempre particularidades e imprevisibilidades — não se mostravam muito atraentes para Spencer, que precisava justificar e precisar essa marcha da evolução social, precisando-lhe finalidade e natureza. Aproximar a sociedade do organismo animal, precisar suas analogias : eis a sua pretensão.

Note-se que foi apenas em 1859 que apareceu A origem das espécies, época em que Spencer já trabalhava em seus ensaios sobre O Organismo Social, a Moralidade das Prisões e A Fisiologia do Riso. Ele mesmo nos conta as implicações que a obra de Darwin teve na formação de suas idéias, no capítulo XXI, 1858-1860, abrangendo seus 38/40 anos. Vê-se ali, claramente, a ampliação que concedeu ao paradigma evolucionista, pois, à época, considerava que a principal causa da evolução orgânica era a hereditariedade de modificações produzidas pelo exercício das funções: “... entre os seres vivos, a sobrevivência daqueles que são objeto de uma seleção é uma causa de desenvolvimento. (...) Ver confirmar a teoria da evolução orgânica era ganhar um novo apoio para esta teoria da evolução em geral à qual, como vimos, se encontram ligadas todas as minhas idéias. Acreditando assim, como eu o fazia, que uma conduta correta, tanto individual quanto social, depende da aceitação do ponto de vista evolucionista aplicado ao espírito e à sociedade, eu esperava que se veriam logo os efeitos quantos aos métodos educativos, às opiniões políticas e às idéias dos homens sobre a vida humana (p. 39-40, II). Spencer acreditava em uma evolução natural e via nisso uma lei, uma inexorável lei de passagem, repleta de fatalismo, onde tudo se transformaria — ou evoluiria — do homogêneo ao heterogêneo, do simples ao complexo. E esta evolução, além do mais, seria um processo aplicável a todas as formas de existência cósmica, constituindo-se, enfim, em um sistema mecânico. O movimento a explicar a vida e o pensamento: materialismo e mecanicismo. A biologia refletiria essa passagem do homogêneo ao heterogêneo, e a psicologia não poderia explicar a origem dos processos psíquicos senão que por uma adaptação progressiva. Esta adaptação ao espaço e ao tempo apresentaria uma complexidade crescente de funções nervosas das quais, por sua vez, surgiriam as diversas funções mentais. Os princípios racionais humanos seriam inatos e evoluiriam de geração a geração. Porém, de geração a geração, o desenvolvimento da individualidade deve ser estimulado, porque, quanto mais inferiores fossem os povos, maior o poder que a sociedade exerceria sobre os indivíduos, diz ele em sua autobiografia (p. 153, I). O progresso e a civilização deveriam levar à emancipação do homem em relação ao agregado. Em contrapartida, entre os não-civilizados, o controle é estabelecido pelo costume: “o jovem não pode escapar à tatuagem, e deve deixar que se lhe arranquem os dentes, ou sofrer a circuncisão, como é prescrito pelo uso e desejado pela opinião (p. 153, I)”. Esse despotismo, posteriormente, é exercido também nas fases primitivas das sociedades civilizadas pelas instituições políticas e eclesiásticas. Seu tratado de psicologia é extremamente detalhado. Nele há grande atenção aos sentimentos. Evidentemente, o caráter subjetivo que acompanha as emoções humanas apresenta-se como um desafio frente a uma proposta de pretensões reducionistas, mecânicas. Ampliando o paradigma às sociedades, Spencer aí encontrava um organismo social formado por órgãos particulares: família, Estado, Igrejas, etc. Também esse organismo social exibiria a complexidade crescente e uma densidade cada vez maior que teria, como ponto de partida, uma sorte de homogeneidade social: o estado gregário e a promiscuidade. Ele recorreu à idéia de uma força e de uma substância universais. Todos os fenômenos da natureza formariam uma série ininterrupta, onde não haveria muito lugar para a criação. Assim, os fatos psicossociológicos teriam sua origem nos fatos biológicos e estes últimos, por sua vez, nasceriam dos fenômenos físicos e cósmicos. Acrescente-se a complexidade crescente, e eis a receita que lhe pareceu suficiente para explicar a

aparição dos reinos superiores da natureza. Spencer pensava sistematicamente e não parecia à vontade diante de situações ou circunstâncias que não tivessem a devida explicação. Pode-se dizer que sentia profundamente a necessidade de encontrar uma lógica das coisas, uma causa ligada a uma outra causa na sucessão dos fenômenos, fossem eles orgânicos ou inorgânicos, fossem matéria bruta ou vida, matéria ou espírito. Rejeitava, todavia, explicações de ordem religiosa que lhe pareciam pueris. Nisso mostrou-se bem um filho de seu tempo. O ajuste de uma concepção mecânica, todavia, poderia tornar-se difícil frente à constatação de que existem, entre os homens, ódios e simpatias, mesmo atos que costumamos ver como heróicos: como associar determinismo e liberdade? Para Spencer, tratava-se simplesmente de encontrar a utilidade. Em seu Recent Discussions in Science, Philosophy, and Morals, 1890, foi enfático ao aduzir que: “Even sympathy, and the sentiments that result from it, are due to experiences of utility (p.27)”. Para que não tenhamos de Spencer uma imagem tirante ao que comumente se tem por um materialista insensível, vou arriscar citar uma passagem extraída justamente do livro que perdi, mas que pode, razoavelmente, ser referida com segurança, pois a anotei em uma obra publicada. Está em minha tradução de As transformações do Direito, estudo sociológico, de Gabriel Tarde, 2002, arquivo da Editora Supervirtual [2]. Ali, num breve histórico das principais correntes sociológicas, ao falar de Spencer, refiro-me a uma acusação formulada contra ele por um certo Reverendo Davies, acusação esta publicada no Guardian de 16 de julho de 1890, que atacava a idéia de Justiça do adepto do organicismo. Davies sustentou que Spencer subentendia a existência de uma lei que regeria a conduta e a razão humana, sem, todavia, reconhecê-la formalmente. A resposta foi bastante expressiva. Spencer sustentou não precisar “pedir emprestado a Deus o fogo celeste”, para sentir-se indignado com o “espetáculo de uma agressão ou de um malefício qualquer”, o que subentenderia que “somente homens que aceitem as crenças correntes têm direito a indignar-se perante a iniqüidade”. O filósofo do evolucionismo sustentou, enfim, achar-se compelido por: “... um sentimento que acorda em mim sem a mínima intervenção da noção do dever, sem a influência de qualquer preceito divino, sem consideração de nenhuma espécie acerca de castigo ou recompensa neste ou noutro mundo”. Parece que metafísicos e religiosos mostraram-se profundamente melindrados com tal forma de ver as coisas. Por outro lado, dadas as conclusões a que chegara no que concerne à moral social e à política, foi acusado de mostrar-se favorável à anarquia, graças às marcadas tendências individualistas que o levaram a desejar o enfraquecimento progressivo do Estado. Em sua obra O indivíduo contra o Estado, 1885, declara: “A grande superstição da política de outrora era o direito divino dos reis. A grande superstição da política de hoje é o direito divino dos parlamentos. O óleo de unção, parece, sem que se tome cuidado, desliza de uma única cabeça sobre aquelas de um grande número, consagrando a eles e aos seus decretos (p. 59)”. Spencer tinha preocupações políticas acentuadas, de certa forma, pela maneira franca com que se expressava. No último ano de sua vida, 1903, surge sua Introdução à ciência social, cujo prefácio data de julho de 1873. Nessa obra, atreve-se a considerações bastante sugestivas: Um governo sem eqüidade não pode sustentar-se senão que pelo apoio de um povo proporcionalmente falto de eqüidade em seus sentimentos e em seus

atos. A injustiça não pode reinar, se a comunidade não fornece uma certa quantidade de agentes injustos. Um tirano não tiraniza um povo senão que sob a condição de que esse povo seja bastante maldoso para fornecer-lhe soldados que lutarão por sua tirania e que manterão seus irmãos na escravidão. Uma classe não pode manter sua supremacia comprando votos, se não se encontrarem multidões de eleitores para vender seu voto. E assim em toda parte e em todos os escalões: a má conduta daqueles que estão no poder é correlativa à má conduta daqueles sobre quem se exerce o poder (p. 280). Como se pode ver, Spencer não foi exatamente o modelo do que atualmente se considera como o politicamente correto. Nem por isso a soberba pode lhe ser atribuída em matéria de saber. Ao contrário, tinha bastante consciência dos limites da esfera do conhecimento humano. Ao final de sua Introdução à sociologia, deixa-nos uma página que me parece digna de nota, onde reconhece a impotência do homem diante das forças que modelam o universo, forças que não produzem mudanças visíveis durante o breve tempo durante o qual podemos observar sua ação. As formas orgânicas, por sua vez, surgiriam a partir de um processo tão lento, que seus resultados não seriam quase nunca apreciáveis. Essas seriam verdades às quais nós deveríamos conformar nossas esperanças. Desse modo, à vista da marcha inexorável do universo, marcha que não pode ser abreviada, “é preciso segui-la com a paciência necessária (p. 283)”. Spencer, porém, reconhece a necessidade de uma certa dose de ilusão, sem a qual alguns homens não poderiam viver: “Assim, ainda que admitindo que antecipações temerárias sejam um estimulante necessário ao fanático, ainda que em reconhecendo que as ilusões nas quais ele se compraz sejam úteis, porque elas se adaptam à sua própria natureza e à sua função particular, o homem pertencente a um tipo mais elevado deve contentar-se com esperanças mais limitadas e, ao mesmo tempo, deve perseverar sem nada rebaixar de seus esforços. Ainda que compreendendo quão pouco, relativamente, pode-se fazer, ele estimará, todavia, que esse pouco vale a pena ser feito, unindo assim a energia do filantropo à calma do filósofo (p. 283)”. Spencer foi partidário da idéia de progresso que contagiou o século XIX. Deve ter visto no desenvolvimento uma promessa, e daí a conceber um sistema mecânico que tudo explicasse foi apenas um passo. Filósofo do darwinismo, marcou época e teve seguidores do quilate de Henri Bergson. Teve de ajustar muita coisa para que suas idéias se tornassem acreditáveis. Para isso, precisou basear-se em premissas, desenvolvendo silogismos cuja lógica, à época, dificilmente poderia ser questionada. Todavia, tais premissas foram passadas em revista, e é justamente isso que me pareceu interessante desenvolver como tema deste artigo. Em primeiro lugar, um discípulo que desertou, e que via os sentimentos de forma diferente. Spencer precisou enfatizar o utilitarismo, e foi arbitrário em muita coisa do que presumiu em matéria de psicologia. Bergson foi por outra via. Em segundo lugar, a evolução e o chamado sistema evolutivo foram passados em revista por Russell, e o que este último disse a respeito — e, melhor ainda, a maneira como o disse — merece ser posto em relevo. Em terceiro lugar, trago Gabriel Tarde, que não apenas duvidava diretamente de

Spencer, como ainda da evolução, do fundo homogêneo das coisas bem como da teoria organicista. A ordem cronológica do surgimento de tais críticas foi propositadamente alterada por mim no desenvolvimento dos temas, o que em nada compromete a clareza, visto que as datas das obras referidas, bem como da nascimento e morte dos autores são indicadas com precisão. Henri Bergson. Bergson, que permanece cativante até hoje, nasceu cem anos de mim, em 1859. Ele morreu em 1941. Era judeu e francês. Filho de seu tempo, fez-se brilhante matemático e físico, o que não o impediu de tomar o rumo da metafísica. No início mostrou-se um diligente seguidor de Spencer, mas logo descobriu fraquezas no sistema que o seduzira à primeira vista. Ora, se tudo evolui fatalmente da matéria, como explicar a vida? Bergson reconhecia um élan vital que não poderia ser desprezado e destacava uma nítida diferença entre matéria e vida. No homem, o corpo e a mente também mereceriam uma apreciação distinta e, conseqüentemente, o determinismo poderia dar lugar a uma escolha de caráter criador. Foi essa a reação do filósofo do intuicionismo que, por sua vez, também conquistou simpatias. Para ele, a intuição poderia constituir-se numa forma de saber. Coisa estranha tal idéia lançada em meio à prevalência do mecanicismo, idéia que fez sucesso, sem dúvida, porque acabou por levar muita gente a duvidar, a questionar. Bergson, um homem reconhecidamente inatacável em sua formação científica e moral, ofereceu aos seus contemporâneos uma maneira de fugir à frieza da concepção mecânica do universo, bem como do fatalismo que a adoção dessa idéia implica. Muito estranha ainda sua homenagem ao artista e à arte, que não mereceram muitos encômios da parte de Spencer. Bergson, porém, encontrava aí uma extensão de nossas faculdades perceptivas. O artista não criaria, ele veria e nos entregaria o precioso produto de sua visão, daí dizermos da arte que ela é verdadeira, afirmou ele em 1911, numa conferência feita na Universidade de Oxford, publicada em La pensée et le mouvant (p. 150). Evidentemente, um sistema mecânico estaria em franco desacordo com tais aspectos sublimes e delicados que Bergson ressaltou. Além disso, ele insistiu na possibilidade de um convívio pacífico entre ciência e metafísica, convívio possível, desde que observados alguns pressupostos: método e objeto de cada uma delas. E na introdução da obra citada que vamos encontrar essa distinção: “Nós assinamos, pois, à metafísica, um objeto limitado, principalmente o espírito, e um método especial, antes de tudo, a intuição. Por aí distinguimos nitidamente a metafísica da ciência (p. 33)”. Já a ciência positiva, dirigindo-se à observação sensível, exigiria o uso da inteligência, à qual estaria confiada “a elaboração da faculdade de abstrair e de generalizar (p. 34)”, inteligência que seria, ela mesma, um prolongamento de nossos sentidos. Bergson foi ainda mais longe, ao “rejeitar as teses sustentadas pelos filósofos, aceitas pelos sábios, sobre a relatividade do conhecimento e a impossibilidade de atingir o absoluto (p. 33)”, o que vem a ser uma observação chocante, em especial, se considerarmos a época em que formulou esse pensamento, tempos onde prevaleciam idéias sombrias que faziam de nós mero efeito de um universo frio e mecânico. A filosofia proposta por Bergson, de certa forma, não tardou em conquistar adeptos, ainda que ele mesmo reconhecesse a facilidade com que sua proposta poderia ser criticada: “A crítica de uma filosofia intuitiva é tão fácil, e ela está tão segura de ser bem acolhida, que tentará sempre o debutante. Mais tarde, poderá vir o

arrependimento, — a menos, todavia, que haja aí incompreensão nativa e, por despeito, ressentimento pessoal à vista de tudo aquilo que não é redutível à letra, de tudo aquilo que é propriamente espírito. Isso acontece, porque a filosofia, ela também, tem seus escribas e seus fariseus (p. 33)”. Sua obra A Evolução Criadora aparecida em 1907 teve muita repercussão. Ele visou ai resolver vários problemas filosóficos, tais como liberdade e determinismo, este, resultado de uma concepção que emprestaria aos ódios e às simpatias uma aparência mecanicista, como pensava Spencer. Para Bergson, nossas ações teriam origem no eu profundo, interior, um eu que teria duração. Ao analisar a intuição, em sua Introdução à metafísica, — ensaio que apareceu em 1903 e que aparece também em La pensée et le mouvant, — refere-se a uma realidade, ao menos, que todos nós compreenderíamos internamente, de dentro, “por intuição, e não por análise. Este seria nosso eu que dura através do tempo (p. 182)”. Bergson, nesta sua Evolução criadora, 1907, pretende que esta duração não se restringiria apenas à consciência, pois a realidade exterior também seria uma espécie de duração sempre variável, cambiante. Assim, de certo modo, identificou um tipo de evolucionismo relacionado ao élan vital e, conseqüentemente, valorizou o instinto. Para ele, era “duvidoso que a ciência, com seus processos de explicação atuais, chegasse jamais a analisar o instinto completamente (p. 118)”. Instinto e inteligência seriam dois desenvolvimentos divergentes de um mesmo princípio que “num caso, permanece interior a ele mesmo e, em outro, exterioriza-se e absorve-se na utilização da matéria bruta (p. 118)”. Bergson concluiu que esta divergência revelava uma “incompatibilidade radical e mesmo uma impossibilidade para a inteligência de assimilar o instinto (p. 119)”. Mais: o que haveria de essencial no instinto “não saberia exprimir-se em termos intelectuais (p. 119)”. Daí apresentar a impossibilidade de sua análise. À psicologia de Spencer teria faltado esse ingrediente, o qual, uma vez admitido, alteraria consideravelmente os resultados. Isso irritou profundamente a alguém muito especial que não apenas combateu Bergson, como também outros fundamentos acalentados por Spencer. Bertrand Russell. Bertrand Russell nasceu em 1872, morrendo em 1970, aos 98 anos. Pertencia a mais pura aristocracia inglesa, o que não o impediu de rejeitar a herança e trabalhar para o seu próprio sustento. Nobel de literatura em 1950, afilhado de John Stuart Mill, sei que teve paixões fulminantes, confessadas francamente na autobiografia que escreveu ao final dos anos 60. Era magro, tinha o rosto afilado, um aspecto frágil que dissimulava bem a força com que sustentou suas convicções. Tornou-se depois um reformador, rebelando-se contra a guerra e contra a propriedade privada, defendendo o comunismo e mostrando-se intolerante para com toda e qualquer forma de arbitrariedade, fosse ela política, moral ou religiosa. Foi de uma lealdade e sinceridade notáveis e jamais temeu abandonar uma idéia, se esta se mostrasse insustentável. Uma de suas obras mais famosas, talvez a mais conhecida e celebrada delas é The principles of mathematics, escrita em 1900 e publicada pela primeira vez em 1903. A segunda edição surgiu em 1937, época em que Russell fez algumas considerações na introdução que elaborou especialmente para essa edição. Ora, à vista do rigor que a lógica impõe quanto a fatos empíricos, verifica-se que: “...the existence of universe is an empirical fact. It is true that if the word did not exist, logic-books would not exist; but the existence of logic-books is not one

of the premises of logic, nor can it be inferred from any proposition that has a right to be in a logic-book (p. viii)”. Escreveu uma História do pensamento ocidental de leitura fácil a atraente, revelandonos personagens, obras e implicações históricas e psicológicas das idéias filosóficas. Dentre seus muitos livros existe um, em particular, cuja leitura talvez nos apresente esse filósofo melhor do que qualquer retrato seu. Um breve ensaio intitulado Misticismo e Lógica, aparecido em julho de 1914 no Hilbert Journal, e posteriormente tornado um livro de mesmo título, publicado no Brasil em 1957, incluídos outros ensaios. É ali que ele desenvolve um ataque a Bergson e ao valor que este atribui à intuição, “via de regra — diz ele — maior nas crianças que nos adultos, nos incultos que nos instruídos (p. 24)”. Provavelmente — diz — “a intuição dos cães excederia a que se encontra entre os homens”. Deste modo: “... os que enxergam nestes fatos uma recomendação da intuição devem voltar à vida selvagem do mato, pintando-se com urucu e vivendo de pitangas e mel-de-pau (p. 24)”. Surpreendente? Não. Não é incomum encontrar-se nesses homens uma maneira admirável, desabusada, quase insolente, de expressão. Mas vamos ao evolucionismo, essa outra paixão que arrastou Spencer, desde A origem das espécies. Lembremo-nos, antes de tudo, de que o livro de Darwin foi o marco inicial de onde partiram inúmeras ampliações do paradigma biológico, inclusive às ciências sociais e mesmo à psicologia. Bertrand lamentou muitas coisas dessa filosofia darwinista. Para ele, foi a presunção humana, “chocada com a revelação de seu parentesco com o macaco”, que encontrou um meio de se afirmar: “esse meio é a filosofia da evolução. O processo que levou da ameba ao Homem pareceu aos filósofos um progresso patente — conquanto não se saiba se a ameba concorda com essa opinião (p.32)”. Não, ele não foi nada complacente com os filósofos, pois na conferência “Herbert Spencer”, Oxford, 1914, publicada na obra referida sob o título Sobre o método científico em filosofia, afirmou: “Dizem-nos que a vida orgânica se desenvolveu gradualmente dos protozoários ao filósofo, desenvolvimento que nos garantem ser indubitável melhora. Infelizmente, é o filósofo, não os protozoários, que o afirmam... (p.120)”. Ainda quando escreve sua História do Pensamento Ocidental, mantém-se crítico em relação à originalidade de A origem das espécies, teoria que remonta a Anaximandro. Tal obra, Wisdom of the west, editada no Brasil em 2001, foi uma conseqüência de outra obra intitulada A History of Western Philosophy: And Its Connection with Political and Social Circumstances from the Earliest Times to the Present Day, New York, Simon and Schuster, 1945, conforme referencia do autor no prefácio (p. 8). Ali analisa as conseqüências do darwinismo, quando sofreu tradução em termos políticos, pois “a doutrina da sobrevivência dos mais adaptados inspiraria em parte o ideário político dos ditadores do século XX (p. 387)”. Em que pese o darwinismo ter seguidores do quilate de Huxley, Russell fez ressaltar a grande polêmica gerada em torno da questão atinente a um ancestral comum entre homens e símios. “Eu desconfio — disse ele — que tal suposição possa ofender aos macacos, mas, em todo caso, pouca gente se aborrece com isso nos dias de hoje (p. 387)”. Assim, a teoria que teria deixado Spencer satisfeito, mostra-se falha aos olhos do lógico, do matemático e do físico, a quem as verdades evolucionistas não passavam de

crenças, hoje verdadeiras, amanhã falsas, simples ficções convenientes, congelamentos imaginários tão bem abordados em Misticismo e lógica. “De um modo qualquer — diz ele — sem afirmativa explícita, insinua-se a garantia de que o futuro, embora não possamos prevê-lo, será melhor que o passado ou o presente: o leitor é como a criança que espera um doce porque lhe disseram que abra a boca e feche os olhos (p. 33)”. Bertrand sonhava com uma filosofia que fosse legitimamente científica, e por isso humilde e árdua, jamais se deixando impressionar por miragens. Mostrava-se consciente, todavia, de que a natureza humana não tinha chance de ser transcendida e que em nós sempre permaneceria algo de subjetivo. A filosofia científica, porém, deveria empenhar-se por manter-se fiel à objetividade, mais do qualquer outro esforço humano, esta filosofia científica nos daria “a constante mais íntima e a relação mais chegada com o mundo exterior que se pode conseguir (p. 41)”. Mecanicismo? Esse outro pressuposto spenceriano também é corrigido, pois um sistema mecânico só pode ser assim definido corretamente quando possui uma série de determinantes puramente mecânicas. Nem o mundo do espírito nem o da matéria refletem um sistema rigorosamente mecânico. Talvez um sistema teleológico abrigasse tal pretensão, aquele no qual os propósitos se realizassem, os desejos, as esperanças. E um sistema, necessariamente, não excluiria o outro, ou seja, poderia haver um sistema mecânico no qual os desejos se realizassem e outro no qual malograssem. Enfim, em Sobre a noção de causa, conferência presidencial da Sociedade Aristotélica, 1912, ensaio incluído na obra Misticismo e Lógica, “... a questão de saber, e até que ponto, o nosso mundo real é teleológico, não pode, pois, ser resolvida pela prova de que é mecânico, e o desejo de que seja teleológico não é base para se desejar que seja mecânico (p.221-222)”. O que seria um sistema determinista? Russell julgava abusivo o emprego de certos termos, cuja extensão não poderia ser deliberadamente ampliada. Em A noção de causa (p.219), explica o que se pode entender por sistema determinista. Para tanto, é mister que eventos “e” se relacionem a tempos “t”, ou seja, e1, e2, e3... en em ocasiões t1, t2, t3... tn , respectivamente. Algo possível de maneira isolada, mas difícil de precisar no que concerne ao universo. Trata-se de um sistema que não poderia conter nenhum acaso. Ora, quem não desconfiaria de algo assim, de uma causa primeira que teria evoluído com precisão e complexidade, explicando e justificando tudo? Determinismo? Lei de causalidade? Ora, embora a prática da ciência suponha a uniformidade da natureza, nem por isso se trata de uma premissa maior. Bertrand Russell pretendia a extrusão da palavra causa do vocabulário filosófico, argumentando que este vocábulo jamais ocorre nas ciências avançadas, tais como a astronomia gravitacional (p.199). Dedica-se com afinco a tecer uma minuciosa crítica à luz da lógica e da matemática, reclamando responsabilidade e precisão no emprego de quaisquer termos que fossem usados em questões científicas. Em que pese todo esse rigor, via o homem pequenino em comparação às forças da natureza. Queria dele que reconhecesse essa impotência, único modo de superar-se talvez. Em 1902, surpreende com A adoração dos homens Livres: “O escravo é condenado a adorar o Tempo, o Destino e a Morte, porque são maiores do que tudo o que ele encontra em si mesmo, e porque todos os seus pensamentos são de coisas que essas forças devoram (p.67)”.

Mas o “homem livre, orgulhoso e triunfante”, encontraria em si mesmo a libertação, contemplando corajosamente seu Destino, “... pois o próprio fado é vencido pela mente que nada deixa para ser expurgado pelo fogo purificador do Tempo (p.67)”. Mas Russel corrigia sempre seu pensamento. Em 1917, ao prefaciar a obra que reúne esse e outros ensaios, confessa que já não mantinha a mesma convicção no que concerne à objetividade do bem e do mal (p.8). Note-se que a base sobre a qual Spencer concebeu seu sistema não era sem fragilidade. Para que tal visão do homem e do mundo pudesse manter-se, seriam necessários ajustes e extensões abusivos, e, mesmo no auge da aceitação das idéias deterministas, mecanicistas e organicistas houve quem delas duvidasse. Reservei para o final algumas passagens escritas por Gabriel Tarde, mais especificamente sobre evolução e sobre o fundo homogêneo ou heterogêneo das coisas e sobre a idéia de organismo social, pois já vimos que Spencer extraiu disso quase todas as suas conclusões, inclusive no que concerne à psicologia. Gabriel Tarde. Sobre Jean-Gabriel de Tarde vou limitar-me, porque se fosse falar sobre ele e sobre sua obra, sobre a importância que outorgou à psicologia e sobre o lugar de destaque que a ela reservou, escreveria dezenas de páginas. Direi apenas que nasceu em Sarlat, a 12 de março de 1843, morrendo em 1904. Direi que sua obra foi recentemente reeditada em toda a Europa, que foi jurista, sociólogo, psicólogo, interessou-se pela criminologia, escreveu um romance, poesias, e um livro que marcou época: As leis da imitação, em 1890. Integrou o Collège de France em 1900. Tarde duvidava de Spencer. Duvidava também do evolucionismo. De tudo o que escreveu sobre esta última prédica nada me pareceu mais contundente do que a passagem que se encontra em sua obra intitulada As Transformações do Direito, 1891, ao final do capítulo dedicado às obrigações. Não é de estranhar, porque Tarde freqüentemente tergiversa sobre vários temas, nem sempre mantendo o foco sobre o assunto que analisa. Permite-se divagar, o que torna sua leitura encantadora, sobretudo para quem, como eu, admira certa dose de imprecisão nas estruturas. Suas idéias não são expostas seqüencialmente, para desespero de quem busca aquele gênero de exposição tipicamente germânica, por sinal, freqüentemente imitada pelos juristas. Notável, porém, é que, mesmo partindo de temas aparentemente sem relação, Tarde consiga nos deixar, após a leitura, com uma rara sensação de coerência. Foi justamente ao fim desse capítulo que encontrei a passagem reveladora que me deu muito que pensar. Assevera ele que a história das sociedades parece submissa a leis bastante precisas “que teriam inspirado a pretensão de poderem ser formuladas” (p.139), pretensão esta, diga-se de passagem, da qual Spencer imaginou, como vimos mais acima, poder desincumbir-se. Todavia, a formulação destas leis não poderia deixar de fora a importância capital do que chamou de “acidentes individuais do gênio, a iniciativa pessoal (p. 140)”. Para meu espanto, reclamou ao indivíduo uma parcela nada desprezível de contribuição à própria história humana, e, poeticamente, perguntou: “Mas quem de nós não inventa e não inova em algum grau, e não é iniciador obscuro, de algum lado, ao mesmo tempo em que imitador em todo resto de sua conduta? Quem não deixa atrás de si, num círculo mais ou menos amplo ou restrito, um hábito novo no que lhe toca, uma modificação despercebida de linguagem, e maneiras, de idéias, de sentimentos? (p.140)”. Para Tarde, desprezar esse aspecto individual levaria a conclusões apressadas, comprometendo a concepção da própria história humana e, por fim, ressalta que,

mesmo Darwin, — para poder dar contas da evolução, — postulou “esta floração espontânea e incessante de variações individuais, inexplicável fundamento de suas explicações (p.141)”. Confesso que voltei ao texto inúmeras vezes, porque não me convenci do que dali pude depreender. Dei-me conta de que, realmente, a origem das espécies tinha muito a ver com o aparecimento espontâneo de indivíduos mutantes que, apenas depois, tomavam o rumo das repetições universalmente notadas e, de poeta e de romântico, passei a ver em Gabriel Tarde um questionador muito incômodo, ao menos no que dizia respeito a certas convicções que eu mesma nunca havia me preocupado em submeter a uma revisão crítica. De fato, se, — no que concerne à evolução e às linhas gerais formuladas como leis, — fazia falta tal consideração, que se dirá da história humana, das sociedades, da sociologia, da psicologia, etc.? Ora, para Tarde, cada um dos aspectos sociais e cada um dos estados sociais não seriam senão integrações de invenções infinitesimais (p.139). Considerando-se que Tarde, mesmo poeta, foi matemático, o emprego da expressão integral sugeriu-me tratar-se da operação inversa da diferenciação, coisa utilizada em cálculo. É preciso acrescentar que se trata daquilo que foi descoberto por Leibniz e Newton, o cálculo infinitesimal do século XVIII, mas que, — de acordo com Russell em sua História do pensamento universal, 1959, — deu margem a “algumas noções infundadas (p.404)”. “No fundo, essa quantidade infinitesimal é um dos mais bolorentos esqueletos dos armários da matemática, pois remonta à unidade dos pitagóricos, que é uma versão similar dessa entidade (p.405)”. De qualquer sorte, tenha ou não Gabriel Tarde ampliado um paradigma matemático além do que lhe seria permitido, fez ressaltar também a questão do fundo homogêneo ou heterogêneo das coisas. Essa questão, de certa forma, permeia toda sua obra, mas é em As Leis Sociais, esboço de uma sociologia (1898) que ele se opõem frontalmente a Spencer, ao mesmo tempo em que retoma o caráter infinitesimal da realidade, de onde tudo vem e para onde tudo retorna. O universo visível ao qual nossas observações têm acesso procederia do invisível e do impenetrável, “de um nada aparente de onde surge toda realidade de maneira inesgotável (p.68)”. Convidando-nos a refletir sobre esse estranho fenômeno, espanta-se com que chama de a força do preconceito, seja ele popular ou mesmo científico, que levaria um Spencer ou mesmo um outro qualquer, a tomar o “infinitesimal como insignificante, ou seja, homogêneo, neutro, sem nada de característico nem de espiritual. (...) Ilusão indestrutível!” — lamenta (p. 68) — indestrutível e, mais ainda, inexplicável, porque não poderíamos supor a homogeneidade das coisas, quando tudo a desmente, quando vemos brotar de um óvulo, por exemplo, um ser individual. Antecipando a crítica que suas suposições poderiam merecer, ou seja, a pretensa instabilidade do homogêneo, chama isso de uma pretensa lei, falsa e arbitrária, imaginada “... expressamente para conciliar-se com o preconceito de crer indiferenciado em si o indistinto a nossos olhos, a evidência das diversidades fenomenais, das exuberantes variações viventes, psicológicas e sociais (p.68)”. Afirma que unicamente o heterogêneo poderia desfrutar dessa instabilidade, argumentando com o espaço euclidiano, “única coisa perfeitamente homogênea, — ou parecendo tal, — na Natureza (p. 68)”, argumentando com o espaço geométrico mesmo, “que não teria mudado desde Euclides” (p. 68). Gabriel Tarde não nega, todavia, a lei da diferenciação em suas aplicações orgânicas ou sociais, mas julga-a mal compreendida, sempre que impedir a uniformização crescente aí misturada e entrelaçada:

“De sorte que o subsolo misterioso do mundo fenomenal seria tão rico em diversidades, mas em diversidades distintas, quanto o estágio das realidades superficiais (p.70)”. A visão da sociedade como um organismo social, porém, conquistava adeptos, entre estes, o próprio fundador do Instituto Internacional de Sociologia, René Worms, ele mesmo um dos teóricos do organicismo. Não obstante a aceitação e o crescimento dessas idéias, em junho de 1896, Gabriel Tarde publica o artigo A idéia do Organismo social na Revue philosophique, mais tarde reunido a outros em Études de Psychologie Sociale, 1898 (p. 120-135). Fosse a sociedade um organismo, nela existiriam outros organismos, e jamais poderíamos precisar seu nascimento ou sua morte. “Eu conjuro os historiadores a dizerem-me, há dez anos, há cinqüenta anos, há um século atrás, quando nasceu a nação francesa atual (p. 123)”. Possivelmente, cada um forneceria uma data, porém com afastamentos mais que seculares. Além disso, via aí um “disfarce positivista do espírito de quimera (p.126)”, estéril em verdades, “mas fecunda em ilusões e em cegueiras sistemáticas” (p.127)”. “Ela nos força a fechar os olhos à plena luz da história e a arregalá-los na penumbra histórica e préhistórica onde nos lança na perseguição de fantásticas leis da história, sem as quais ela nos declara que a sociologia não saberia existir. Sacrificálas seria sacrificá-la (p. 127)”. A tentativa de conformar a sociologia à biologia implicava em “torturar os fatos” para fazê-los inserir nas “fórmulas rígidas da evolução, espécies de viagens circulares e idênticas em todo o mundo, impostas ao curso da história (p. 127)”. As diferenças existentes entre corpos vivos e corpos sociais seriam de tal monta, que lhe pareceu espantosa a assimilação dessa idéia por tantos “espíritos eminentes, a começar por Spencer (p. 128)”. O que há de mais interessante na obra de Gabriel Tarde talvez seja a importância que seu trabalho pode ter diante de cada um de nós. De meras engrenagens mecânicas, passamos a nos compreender a partir de um pressuposto repleto de individualidade, individualidade esta que nos é constantemente negada no mecanicismo, no organicismo e em outras teorias que têm por conseqüência a desvalorização do homem frente ao todo social. Têm-se insistido em ver a sociedade como um ente dotado de autonomia, onde o homem, individualmente, pode ser descartado, desconsiderado, tornado um mero detalhe. Mas sou confessadamente suspeita em relação a Gabriel Tarde. Traduzo sua obra por prazer, e devo a ele haver me revelado tudo o que eu ignorava mesmo sobre as ciências jurídicas, campo em que atuo profissionalmente. Enfim, o que pensar? Eis aí, resumidamente, o que encontrei de mais expressivo dentre as críticas que visaram a fulminar a base do sistema formulado por Herbert Spencer. A indução que levaria a presumir algo que não dependeria da facticidade seria sustentável? Os empiristas dizem não; os racionalistas dizem sim. Bertrand Russel dá inicio ao seu artigo Misticismo e lógica lembrando-nos duas posturas comumente empregadas pelo homem frente ao universo e às formas que empregamos para dele tomar conhecimento: a razão e a intuição. Mas, ao contrário do que se poderia esperar desse lógico rigoroso, deixa-nos uma observação, no mínimo, instigante. Para ele, o misticismo parece errôneo, sem dúvida, mas, se exercido com suficiente moderação, bem poderia existir aí “um elemento de sabedoria que se pode aprender da maneira mística de sentir, e que não parece ser atingível de nenhuma outra maneira (p. 20)”. É

sua rigorosa honestidade, parece-me, que o obriga a confessar essa “perversa simpatia pelo credo metafísico” que ele negou como sendo um “resultado errôneo da emoção, emoção, porém que, colorindo e informando todos os outros pensamentos e sentimentos, seja inspiradora do que há de melhor no Homem (p.20)”. Bergson presenteia-nos idéias repletas de um sentido quase místico, quando faz da intuição uma forma de saber, quando, indo ainda mais longe, abre-nos a possibilidade de atingir o absoluto, rejeitando corajosamente filosofias e teses aceitas pelos sábios de então. Finalmente, por que não pensar no que Gabriel Tarde sugere ser a tarefa do filósofo? Caberia a ele, não apenas “sublimar a ciência e destilar a arte”, mas “combinar nessas fórmulas todo suco de uma com a essência da outra (p.141)”. Sem deixar de observar uma rigorosa exatidão no que for possível, aprender a não desprezar o que existe de único em cada um nós, nossa “diferença essencial, única razão de ser de nosso ser (p.141)”. Da mesma forma, creio certo que, seja nosso sentir, seja nosso saber, seja todo o conjunto das impressões colhidas ao longo da vida, com as quais vamos construir nossa própria concepção de mundo e de nós mesmos, nosso mais valioso patrimônio existencial, pode sempre ser retificado e melhorado, cada vez que contatamos com as obras dos grandes homens, auferindo a herança de seu saber. Ainda que contrariando frontalmente muitos pensadores da atualidade, permanecerei em perpétuo culto àqueles indivíduos geniais e singulares que despertam em mim um sentimento de profunda gratidão, pelo simples fato de poder compartilhar suas idéias, sua visão de mundo, seu sentir, enfim, de toda sua herança generosamente deixada a gerações que eles sequer supunham herdeiras à época em que construíram sua obra. Referências Bibliográficas Bergson, H. (1903-1923), La pensée et le mouvant. Essais et conférences. Paris. Presses Universitaires de France, 27ª ed., 293 pág.,1950. Bergson, H. (1907), L’évolution créatrice. Paris. Presses Universitaires de France, 86ª ed., 372 pág., disponível na coleção Les Classisques de Sciences Sociales, sob a direção do Prof. Jean-Marie Tremblay, sociólogo, arquivo “.doc” com 245 p. Russell, B. (1901-1915), Misticismo e Lógica (W. Velloso, Trad.). São Paulo, Companhia Editorial Nacional, 1957, 254 pág. Russell, B. (1959), História do Pensamento Ocidental (Laura Alves e Aurélio Rebello, trad.). Rio de Janeiro, Ediouro Publicações S. A., 2001, 464 pág. Russel, B. (1903), The Principles of Mathematics. Londres, George Allen & Unwin Ltd., 1950, 534 pág. Spencer, H. (1872), Recent Discussions in science, philosophy and morals. New York. D. Appleton and Company, 1890, 349 pág. Spencer, H. (1888), Educação Intelectual, Moral e física (Emygio d’Oliveira, trad.). Porto, Casa Editora Alcino Aranha & Cia, 1888, 309 pág. Spencer, H. (1885), L'individu contre l'État (J. Gerschet, trad). Paris, Alcan, 1885, disponível na coleção Les Classisques de Sciences Sociales, sob a direção do Prof. Jean-Marie Tremblay, sociólogo, arquivo “.doc” com 85 pág.

Spencer, H. (1903), Introduction à la Science Sociale. Paris, Alcan, 1903, 465 pág., disponível na coleção Les Classisques de Sciences Sociales, sob a direção do Prof. Jean-Marie Tremblay, sociólogo, arquivo “.doc” com 283 pág. Spencer, H. (1889), Autobiographie. Naissance de l’évolutionnisme liberal, (Henry de Varigny, trad.). Paris, Félix Alcan, 1907, disponível na coleção Les Classisques de Sciences Sociales, sob a direção do Prof. Jean-Marie Tremblay, sociólogo, em dois arquivos “.doc”, o primeiro (I) com 171 páginas e o segundo (II) com 191. Tarde, G. (1891), LesTransformations du droit. Étude sociologique. Paris, Alcan, 1912, 7ª edição, 208 pág. Tarde, G. (1891), As Transformações do Direito. Estudo Sociológico (M. Tomasini, Trad.), 2002, Ed. Supervirtual, versão para e-books Brasil.com. Tarde. G. (1898), Les lois sociales. Esquisse d’une socilogie. Paris. Alcan, 1898, disponível na coleção Les Classisques de Sciences Sociales, sob a direção do Prof. Jean-Marie Tremblay, sociólogo, arquivo “.doc” com 70 pág. Notas [1] Trata-se de uma edição eletrônica realizada sob a direção do sociólogo canadense Prof. Jean-Marie Tremblay, a partir do livro de Herbert Spencer (1889) Autobiographie. Naissance de l’évolutionnisme liberal, traduzido do inglês e comentado por Henry de Varigny, 1907. Paris : Félix Alcan, 1907, disponível em dois arquivos .doc, com páginas numeradas. Dessa forma, para as citações destacadas no presente artigo, entre parênteses, destaco o número da página seguido de I ou II, conforme a citação se encontre no primeiro ou no segundo arquivo. Outras obras virtuais estão listadas na bibliografia, e podem ser encontradas em http://www.uqac.uquebec.ca/zone30/Classiques_des_sciences_sociales/index.html [2] Esta passagem aparece no arquivo informatizado de minha tradução realizada sobre a obra Les Transformations du droit. Étude sociologique. Paris, Alcan, 1912, 7ª edição, 208 pág., de Gabriel Tarde, publicada sob o título de As Transformações do Direito. Estudo Sociológico (M. Tomasini, Trad.), 2002, Ed. Supervirtual, versão para ebooks Brasil, ambas citadas na bibliografia.

Dados pessoais da autora Maristela Bleggi Tomasini é advogada em Porto Alegre, RS, formada em Direito pela Universidade do Vale dos Rios dos Sinos, RS, em 1983, com habilitação específica em direito civil. É tradutora da língua francesa por amadorismo, com versões para o português de três obras de direito publicadas, apenas uma comercialmente, a saber, O Homem Delinqüente, de César Lombroso, Porto Alegre, 2001, Ed. Lenz, em conjunto com o Dr. Oscar Antonio Corbo Garcia; As Transformações do Direito, Estudo Sociológico, de Gabriel Tarde, 2002, Ed. Supervirtual e A Criminalidade Comparada, também de Gabriel Tarde, 2004, pela E-Books Brasil. Todos os trabalhos de tradução foram anotados e comentados com finalidade didática. mtomasini@cpovo.net

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