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Modernização da agricultura e as mudanças no Cerrado goiano

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MODERNIZAÇÃO DA AGRICULTURA E AS MUDANÇAS NO CERRADO GOIANO Daiane Guimarães Sousa Daianne Ferreira Bueno Luciana Alves da Silva Magaly

Pires da Silva Selma Perreira

RESUMO: Esse artigo tem o objetivo de discutir as formas com que a agricultura no Cerrado goiano vem se modernizando e quais as conseqüências desse processo. Com a modernização da agricultura a taxa de participação do campo, na formação de produtos agregados, ganhou qualidade. A partir de levantamento bibliográfico pode-se observar os avanços trazidos à agricultura possibilitou ao estado alcançar índices de crescimento na economia o que gerou também problemas ante à questão ambiental, com o uso da tecnologia, o que acarretou o comprometimento da biodiversidade do Cerrado goiano.

Palavras chaves: Cerrado. Agricultura. Modernização.

Introdução

O presente artigo traz várias discussões sobre os modernos métodos que a agricultura vem utilizando nas ultimas décadas e as ações provocadas por estes no Cerrado goiano. A proposta é retratar que mesmo sendo muito importante para a economia e o crescimento do país, a agricultura tem provocado muitos danos ao solo pelo seu uso intensivo, principalmente da degradação da vegetação nativa do Bioma Cerrado. Objetiva-se também mostrar alternativas que venham minimizar os problemas ambientais provocados pela modernização da agricultura decorrente do desenfreado e preocupante uso e ocupação do solo. Através de levantamento bibliográfico buscamos discutir as agregações ao meio natural provenientes da industrialização da agricultura, propondo alternativas para um manejo mais apropriando do solo. Desde seu descobrimento, o Brasil é um país voltada as atividades essencialmente agrícolas ou ligadas à utilização da terra. Já no ínício do século XVI, o extrativismo do pau-brasil

foi a base da economia colonial, utilizando principalmente mão-de-obra indígena. Por volta so século XVI, produção de cana-de-açúcar nos engenhos do Nordeste movimentou a economia e gerou boas dividas para o governo Português que utilizou a prática da escravidão do ser humano. No século XIX, a produção de café tornou-se o centro das atenções no mercado brasileiro sobretudo após a independência no Brasil Imperial. Os grandes fazendeiros cultivavam a lavoura cafeeira, visando especialmente à exportação. A mão-de-obra escrava foi aproveitada até ocorrer a abolição da escravatura, quando começou a ser utilizado o trabalho livre remunerado, como o dos imigrantes estrangeiros. Portanto, observa-se que a agricultura sempre esteve presente na história do Brasil e continua sendo o sustentáculo da sua economia até a atualidade, como a expansão das lavouras de soja, arroz, milho, cana-de-açúcar e outras, sempre com tendência à monocultura. Segundo Wanderley, 1995. p à monocultura. Segundo Wanderley, (1995. p 45).
No Brasil, a história agrícola está ligada do processo de colonização no qual a dominação social, a política e a economia da grande propriedade foram privilegiadas. Assim, a grande propriedade impôs-se como modelo socialmente reconhecido e recebeu estímulos expressos na política agrícola que procurou modernizar e assegurar sua reprodução, podendo-se concluir que a agricultura familiar sempre ocupou um lugar secundário na sociedade brasileira.

Diante disso, podemos dizer que apesar do desenvolvimento industrial nas últimas décadas, o Brasil ainda mantém sua estrutura agrária voltada para as atividades agrícolas, com a finalidade de suprir as industrias com a matéria-prima produzida no campo.

1. Modernização da agricultura Brasileira A partir de meados da década de 1960, a agricultura brasileira inicia o processo de modernização como a chamada Revolução Verde. Emergem dessa década, com o processo de modernização da agricultura, novos objetivos e formas de exportação agrícola originando transformações tanto na pecuária, quanto na agricultura. Como conseqüência desse processo são apontados além de acirrada concorrência no que diz respeito a produção, os efeitos sociais e econômicos sofridos pela produção envolvida com atividades rurais.
A agricultura, via de regra, é considerada fundamental no processo de desenvolvimento econômico de qualquer nação. Ao propiciar a expansão não apenas da produção agropecuária como também das atividades industriais correlatas, além de contribuir para

o crescimento econômico, ela também conduz ao aumento do bem-estar social da população ao resultar na geração de novos empregos e de renda. (SOUZA, 1997. p. 130).

A modernização na agricultura brasileira se instalou no centro-sul brasileiro, macro região que engloba Goiás, Mato Grosso do Sul, o Sudeste da Bahia e região Sul e Sudeste, sendo agente dessa adaptação às necessidades do modo de produção empresas capitalistas que penetravam e o processo produtivo dos empreendimentos econômicos urbanos. A mecanização, foi a materialização nesse processo de modernização da agricultura brasileira, configurando a forte articulação entre agricultura e indústria, os agricultores, diante da necessidade da reestruturação para levar à produtividade, apoiaram-se nos insumos industriais: máquinas, sementes, agrotóxicos, fertilizantes, adquirindo dividas e dependência estatal. Nesse sentido, Habermas (1990, p. 62) afirma que.

A modernização a partir de Max Weber é vista como um processo concreto desencadeando principalmente pelo capitalismo e que reúne em conjunto cumulativo e interativo de processos ligados à formação de capital e mobilização e de recursos, ao desenvolvimento das forças produtivas e ao aumento da produtividade do trabalho, ao estabelecimento de poderes políticos centralizados e a formação de identidades nacionais, a expansão de direitos (...) a secularização de valores de valores e normas, etc.

A introdução do capital industrial no campo promoveu o enriquecimento dos grandes produtores em detrimento dos produtores desmecanizados, o que favoreceu para formação de uma mão-de-obra de reserva: bóia-fria. Dessa forma verifica-se que a modernização da agricultura brasileira delineou novos contornos no campo, onde o controle financeiro era regido pelos interesses do complexo agroindustrial e o pequeno produtor pelos do grande proprietário rural.

2. A modernização da agricultura no Estado de Goiás
A ocupação no cerrado iniciou-se no século XVIII com a abertura e assentamentos de povoados para a exploração de ouro e pedras preciosas. Em meados do século XX, ás áreas do Cerrado eram consideradas sem valor tanto estético como econômico. Sua vegetação era vista como algo sem nenhuma beleza e por isso sua única utilidade era a retirada de maneira para a fabricação de carvão, o que até então era realizado numa proporção que não chegava a afetar a

vegetação em escala significativa. Além dessa vegetação considerada pobre, seu solo era visto como ruim e impróprio para as práticas agrícolas. Interligados às regiões Sul, Sudeste, e Nordeste do Brasil, decorrente da ocupação migratória, promovida pelo descobrimento das lavras de Goyás (Vila Boas) a região do Cerrado goiano, no decorrer do século XX, constitui importante fronteira de expansão do capital financeiro para a as atividades agrícolas e mineradoras. Com o declínio da mineração, a criação de gado e a agricultura de subsistência ganharam terreno na economia de exportação, motivado pelo preço do gado em pé que avolumou a dinâmica comercial da época. Entre as décadas de 1920-30 do século XX, o gado vivo significou boa parte de toda exportação, gerando maiores arrecadações de impostos para o Estado de Goiás. A construção da estrada de ferro entre Araguari-Minas Gerais e Catalão-Goiás possibilitou a inserção da economia agrária à dinâmica capitalista nacional. A produção de arroz se intensificou, aumentando o valor de exportação. Nessa época Goiás contava com reduzida urbanização, ineficiência da malha viária para o escoamento da produção, de comunicação o que dificultava a sua integração à política econômica vigente no restante do Brasil, que de acordo com Estevam pg. 127. Ao lado dos projetos de colonização, Goiás foi contemplado com um pacote rodoviário que acelerou a sua utilização nacional fato que motivou o desenvolvimento da produção de alimento, tanto voltada para subsistência quanto para a exportação. A ferrovia Norte-Sul tornou-se principal via de acesso às exportações primárias e as aquisições de produtos manufaturados, bem como das idéias e movimentos provenientes do litoral brasileiro, em função dos interesses governamentais que incorporou as terras de centro-sul através da comissão de desenvolvimento do Centro-Oeste, posteriormente transformada em Superintendência do Desenvolvimento do Centro-Oeste (SUDECO). (ESTEVAM, 1998. p. 163). A inclusão de Goiás na política de desenvolvimento vigente no país, propiciou maior produção agrícola, caracterizando alta tecnologia utilizada e oportunidades de emprego rural, fixo, colaborando para a implementação da política agrícola goiana. Foram promulgadas leis, que propiciaram planos de ação para a indústria e infra-estrutura. A SUDAM – Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia, diagnosticou os principais “pólos” e “faixas” de crescimento potencial, que incluía Goiás como “corredor de desenvolvimento”, tendo como objetivo o favorecimento da grande propriedade, que até 1985 aprovaram 626 projetos, sendo 215 no Mato Grosso, 153 em Goiás, cujo tamanho médio das

propriedades era cerca de 21 mil hectares, chegando a 100 mil hectares. Desse modo à atuação estatal através de investimentos em infra-estrutura, inovações tecnológicas e estímulos fiscais, contribui decisivamente na efetivação do processo de ocupação no Centro-Oeste.

3. A ocupação do Cerrado goiano e as transformações na economia e na biodiversidade

O Cerrado é a segunda maior formação vegetal brasileira, só perde em extensão para a Floresta Amazônica. É caracterizado pela uniformidade do terreno, de antiga formação geológica e poucos acidentes notáveis, e pode ser classificado em várias formas: campo limpo, campo sujo, Com a inserção de inovações tecno-cientificas no processo produtivo agrícola, bem como as políticas agrícolas implantadas pelo estado, o cerrado adquire nova valorização, especialmente no Centro-Oeste, a partir da década de 1970. Considerando o exposto sobre Goiás, é possível inferir que a década de 1980 representa a consolidação da atividade agrícola, em função da introdução de novas técnicas agrícolas, correção de solo, utilização de máquinas, adubos, inseticidas e outros que corroborou para a “reconstrução do solo do Cerrado”. A disponibilidade de mão-de-obra, as ações públicas e o intensivo uso de capital, foram importantes nas décadas anteriores, para estimular o fluxo migratório para o Estado de Goiás. Todo esse aparato governamental em torno da expansão agrícola otimizou o desenvolvimento de pesquisas agropecuárias, que aliadas aos baixos preços das letras mais o apoio do governo federal promoveram melhorias significativas para o setor agropecuário do Estado (SANTOS, 2001, pág. 52 e 53 ). No entanto, o acelerado ritmo do avanço agropecuário no Cerrado, pela facilidade de aragem devido a topologia plana (planalto), e a pouca densidade demográfica, possibilitou a rápida ocupação, e levou à um conjunto de transformações pelo uso de máquinas pesadas, como a destruição da estrutura natural do solo, criando uma camada impermeabilizante que dificulta a infiltração da água, uso inadequado do solo, que leva ao desgaste, e a erosão e conseqüentemente assoreamento dos rios. De acordo com Ferreira (2001, p.54)
Os solos do Cerrado são altamente susceptíveis a processos de mecanização e correção químicas, propiciando o desenvolvimento de práticas agropastoris, decorrentes da implantação de projetos importados de outras regiões a partir de “técnicas modernas”

aplicadas na região do Cerrado, provocando desequilíbrio ambiental que afetam esse bioma, não considerando as especificações ambientais dos mesmos.

As queimadas provocadas pela ação do homem aliadas ao desmatamento,caça ilegal, a pesca, coleta predatória e principalmente ao avanço da agricultura e da pecuária extensiva mudaram a paisagem do bioma, que se transformou em um curto espaço de tempo em um grande produtor de grãos, sendo considerado o celeiro do mundo. Sem dúvidas a tecnologia fornecida pelas máquinas e implementos desenvolvida pela engenharia, o uso de calcário para corrigir a acidez do solo, ajudou na obtenção desse resultado, sua privilegiada posição geográfica, e as políticas de desenvolvimento agrícolas, orientadas pelos interesses governamentais, e as oligarquias dominantes delinearam novos rumos à produção agrícola na região. A criação da Colônia agrícola nacional de Goiás, no Vale de São Patrício, trouxe para o Estado de Goiás grande quantidade de trabalhadores rurais provenientes de vários estados brasileiros. No entanto outros fatores como o plano do governo Federal de integração regional, conhecido como “Marcha para o Oeste” de Getúlio Vargas, ampliou o mercado interno e incentivou a migração para o interior do Brasil. A transferência do governo goiano para Goiânia e a construção de Brasília que otimizou a construção de rede viária, sistema de eletrificação alavancaram o processo de modernização do território goiano. Segundo Estevam 1998, pág. 119.
A passagem dos anos trinta afetou o andamento socioeconômico regional e promoveu algumas modificações na realidade goiana, principalmente no caminho de sua integração com a dinâmica da economia regional. A revolução de 30, ao ensejar alterações na ordem política, apontou novos rumos para a sociedade e os novos dirigentes promovem uma aposta no “desenvolvimento” do estado com a concretização do antigo sonho da nova capital. A construção de Goiânia incentivou vigoroso parcelamento de terras nas adjacências, exploração de matas férteis na zona “Mato Grosso de Goiás” e acomodou levas de imigrantes que ganharam o planalto central.

A instalação de um malha ferroviária, na década de 1930, integrando o Centro–Oeste às principais regiões urbano-industrial do país, paralelamente ao desenvolvimento políticas públicas

voltadas para a ocupação do interior brasileiro, resultaram num aumento substancial da presença e atividades humanas na região tradicional do Cerrado, só que em detrimento de uma biodiversidade até então pouco alterada. Consolidou–se na década de 1960 com a interiorização da Capital Federal, a implantação de novas infra–estrutura viária e a melhoria das já existentes como estradas, ferrovias e hidrovias. Aliás, um dos grandes entraves à expansão das atividades econômicas nos domínios do Cerrado estava, exatamente, na falta de uma estrutura logística adequada capaz de cobrir a grande distância que separava a região dos principais pólos industriais do país, bem como, dos portos por onde a produção agropecuária era escoada para os mercados externos. O aumento da produção agrícola e a preservação do Cerrado, como um Bioma rico em biodiversidade e extremamente degradado, vêm se confrontando há alguns anos. Porém, é necessário que haja uma harmonia entre essa exploração do Cerrado pelo agronegócio e as medidas ecológicas de preservação, ou então logo poderão faltar recursos básicos e indispensáveis para a manutenção da própria agricultura e pecuária e também de outras atividades econômicas. A conservação do Cerrado não é apenas considerada pelo aspecto de preservação do meio ambiente e de toda a biodiversidade. Com o manejo correto e sustentável dos recursos do Cerrado, poderemos sempre dar continuidade à diversas atividades econômicas alternativas e importantes para o desenvolvimento regional. O plantio direto seria uma alternativa para amenizar esses danos ao solo do Cerrado. O plantio direto por apresentar ações menos agressoras às propriedades do solo que o plantio convencional. Isso se dá por não haver o revolvimento do solo com implemento como a grade e o arado; pelo revezamento de culturas que faz uma rotação e por existir a cobertura do solo, seja com vegetação, seja como a palhaça da lavoura que se precedeu reflorescimento, incentivos fiscais em áreas de conservação, proteção aos mananciais e matas ciliares. Duarte (1998, pág. 182) afirma que
Algumas práticas do processo produtivo poderiam minimizar os efeitos nocivos apontados pelos produtores, entre as quais o reincorporarão dos resíduos da safra anterior, controle da erosão agricultura em curva de nível, correção do solo por meio da colagem, rotação de culturas especialmente de gramíneas e de leguminosas, uso de adubação orgânica, entre outras.

Diante disso a análise do processo de modernização enseja um debate teórico e pode ser sintetizado em duas conseqüências: os impactos ambientais, com os problemas mais freqüentes,

provocados pelo padrão de produção de monocultura a destruição das florestas e da biodiversidade genética, a erosão dos solos e a contaminação dos recursos naturais e dos alimentos, os impactos socioeconômicos causados pelas transformações rápidas e complexas da produção da produção agrícola e os interesses dominantes do estilo de desenvolvimento adotado.

Considerações Finais

O ritmo de implantação de novas áreas de cultivo associados à novas técnicas de produção vem aumentando muito nas últimas décadas. Os incentivos à ocupação das áreas de Cerrado tem atraído grande capital externo e dinamizado as economias locais. Com a implantação da agricultura moderna no Cerrado, não houve a preocupação de que ocorreria uma perda da qualidade dos recursos naturais e a escassez dos mesmos. Ainda hoje essa forma de encara esses fatos continuam dominando e agregando os procedimentos agropecuários. Contudo é preciso ressaltar que é necessário que se criem métodos tecnológicos que informem as características do Bioma antes que se implante qualquer forma de produção, ou seja, é preciso ter conhecimento da capacidade produtiva aliada ao gerenciamento da utilização do solo, e de seus recursos naturais. Segundo Estevam (1998), a saída seria a implementação de outras medidas estruturais no estado. Os estudos recentes alertam para o risco de desaparecimento do Cerrado em 20 anos caso o ritmo. As informações governamentais são de estrema importância para ações concretas de urgentes como a reforma agrária, e o apoio aos pequenos produtores rurais, conscientizando-os sobre a importância da preservação deste importante Bioma.

Referências DUARTE, L. Tristes Cerrados. Sociedade e Biodiversidade – Brasília : Paralelo 15. 1998. ESTEVAM, L. O tempo da transformação: estrutura e dinâmica da formação econômica de HABERMAS, J. O discurso filosófico de modernidade. Lisboa: Dom Quixote, 1990. SANTOS, S; SILVEIRA, L. M. O Brasil: território e sociedade no início do século XXI. 2ª ed. Rio de Janeiro: Record 2001. SANTOS , (1997) FERREIRA (2001) WANDERLEY M. O camponês: um trabalhador para o capital. Cadernos de difusão de Teologia, Brasileira: Embrapa, jan./abr. 1985.

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