Ensino Profissional · Nível 3

PORTUGUÊS
Textos de carácter autobiográfico Módulo1 Textos expressivos e criativos e textos poéticos Módulo2 Textos dos media I Módulo3 Textos narrativos / descritivos I Módulo4
Olga Magalhães | Fernanda Costa

Módulos
1|2|3|4

CADERNO DO PROFESSOR
Resolução das actividades do manual Fichas de avaliação (com soluções)

P

2

Módulo

1

Textos de carácter autobiográfico

| Textos | 1
Antes de ler [pág. 17] 1. O cartoon representa um sonho de um funcionário de uma
repartição – nome dado aos locais onde funcionam secções de determinados serviços, muitas vezes ligados ao Estado. Nos diversos momentos do sonho, o funcionário vê-se a si próprio a atender diversos utentes sempre com uma atitude de grande simpatia e disponibilidade que se reflecte quer no sorriso omnipresente quer na forma como se vai dirigindo a cada um deles. A maneira como cumprimenta a primeira personagem ou se despede da última, a solicitude que apresenta perante todas as outras são exemplo da humanização que é tão pouco vulgar neste tipo de locais, cujo atendimento é, por norma, frio e impessoal. Quando acorda, com um ar visivelmente assustado, o funcionário refere-se ao sonho como um ‘pesadelo’, através de um acto ilocutório profundamente expressivo. É nesta última vinheta que melhor se evidencia a função crítica deste cartoon: aquilo que para os utentes seria, de facto, um ‘sonho’, é, para o funcionário que os atende, um pesadelo. 2. Esta ‘definição’ corresponde à ideia generalizada de burocracia: o cliente que vai sendo empurrado de guichet em guichet. A mensagem deste texto opõe-se à ideia transmitida no sonho/pesadelo do funcionário público do cartoon de Luís Afonso.

2.1.
avaliado(a); analisado(a) em detalhe; afastamento, omissão; relato sumário da sucessão de factos que marcam cultural e profissionalmente a carreira de uma pessoa; mais do que a capacidade de ler e escrever, é entendida como a capacidade de compreender e usar a informação escrita nas actividades do quotidiano; inevitável, que tem de ser tido em conta. c. d. e.

a. b.

3. 1.a parte – do ponto 1 ao 7; 2.a parte – a partir de “Por isso”. 3.1. O conector “Por isso”, que articula as duas partes referidas, tem um valor consecutivo (indica que o que se segue é consequência do que atrás foi exposto). 4. Por exemplo: Por isso, nos termos constitucionais e regimentais, venho requerer à Senhora Ministra da Educação que: – explicite os critérios científicos ou outros que servem de base ao “apagamento” (…) que frequentam o 5.° ou 6.° anos de escolaridade; – informe se obras como (…) chegaram a ser equacionadas no processo de selecção levado a cabo; – disponibilize a listagem de todas as obras e todos os autores “avaliados” e torne públicas as justificações que levaram à exclusão daqueles que foram afastados da listagem dos “recomendados”; – divulgue o curriculum (…) para o Plano Nacional de Leitura. 5.1. Os pedidos do requerente não podem ser considerados completamente satisfeitos, pois aí não se encontra esclarecido o solicitado nos pontos 2. e 3. do requerimento e a resposta ao ponto 4. é vaga.

Compreender [pág. 19] 1.1. “(…) comprometemo-nos em coordenar as nossas políticas (…); “(…) Com isto, comprometemo-nos a atingir estes objectivos (…)”
2. A nota deveria ser introduzida no texto a seguir a ECTS (quarto parágrafo, ponto 3). 3.1. Nos três primeiros parágrafos da declaração, evidencia-se a evolução do processo europeu nos últimos anos, salienta-se que a Europa do conhecimento é um factor fundamental para o enriquecimento da cidadania europeia e reconhece-se ser da máxima importância que as universidades europeias se ajustem às novas exigências. 4. A afirmação falsa é a b. – a Declaração de Bolonha pretende incentivar, também, a mobilidade de professores, investigadores e pessoal administrativo (no reconhecimento e na valorização dos períodos passados num contexto europeu de investigação, de ensino e de formação, sem prejuízo dos seus direitos estatutários).

| Textos | 2
Antes de ler
[pág. 23]

P – Português, Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor

Compreender

[págs. 21-22]

1. O destinatário é o Presidente da Assembleia da República, o requerente é o deputado do Grupo Parlamentar do PSD, Adão Silva, e o assunto é o Plano Nacional de Leitura.
2007

1. Na BD assistimos à história de uma personagem masculina que se encontra dentro de um bar e que, depois de olhar apaixonadamente para a foto de uma mulher (Maria), decide escrever-lhe uma carta de amor para a qual vai fazendo e recusando vários rascunhos. No momento em que se encontrava concentrado em mais uma tentativa, vê, estupefacto, Maria passar abraçada a outro homem. Na última vinheta vemos a personagem feminina a ler a carta que acaba por receber: em vez de uma carta de amor, recebe um conjunto de insultos e impropérios.
ISBN 978-972-0-91247-3

Este livro foi produzido na unidade industrial do Bloco Gráfico, Lda., cujo Sistema de Gestão Ambiental está certificado pela APCER, com o n.° 2006/AMB.258
Produção de livros escolares e não escolares e outros materiais impressos.

Módulo 1 Textos de carácter autobiográfico

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Compreender

[pág. 25]

1. banalização: vulgarização; omnipresença: ubiquidade; trivialidades : banalidades; grilheta : prisão; sequestrado : enclausurado; distendido: dilatado; fustigadas: flageladas; desfalecendo: desmaiando. 2.1. A nota explicativa seria inserida a seguir à seguinte passagem: “usando um direito inalienável de autodeterminação” (l. 7). 3. À medida que o telemóvel se foi vulgarizando, foi criando a fantasia de que “o outro” está sempre ‘presente’ e disponível; o facto de o contacto não ser estabelecido ou de não haver uma resposta imediata do outro lado causa sofrimento. 4. As “trivialidades” são as seguintes: ficar sem bateria ou sem rede ou desligar o telemóvel. 5. Afirmação b..

hierarquia (administradores das roças/Governador). A carta B é uma carta particular, dirigida por Luís Bernardo ao seu amigo João (Cf. fórmulas de tratamento e de despedida) e o assunto é de índole pessoal – sentindo-se só e infeliz, Luís Bernardo faz um pedido desesperado ao amigo para que o venha visitar. 2.2.1. Hipótese de carta:
Querido amigo Luís, Estou a responder-te logo após ter recebido a tua carta que me deixou deveras preocupado. Não imaginava que te encontrasses tão profundamente deprimido. Nada nas tuas cartas anteriores fazia antever tal situação. Creio, porém, que estarás a exagerar e que, quando receberes esta missiva, já te encontrarás, certamente, de melhor humor. Infelizmente não vou poder aceder ao teu pedido: não me é possível ir a S. Tomé este Verão, pois o trabalho no escritório não mo permite: vou ter apenas uma semana de férias e tenho já hotel reservado na Praia da Granja. Este último facto não seria grave e tudo se poderia arranjar se não fosse a distância: é que uma semana de férias não dá sequer para aí chegar. Vou fazer os possíveis para te visitar no Natal. Nessa altura penso que o trabalho terá acalmado e que disporei de mais tempo para poder empreender tão longa viagem. Até lá, aguenta-te, amigo! Sabes que, em pensamento, estou a teu lado e lembra-te da importante missão que aí estás a cumprir. Um grande abraço cheio de saudades deste teu amigo (que não se perdoa por não poder ir a correr ao teu encontro), João

Funcionamento da língua

[págs. 25-26]

1.1. SMS – Short Message Service; MMS – Multimedia Messaging Service; PC – Personal Computer; CD – Compact Disk; WWW – World Wide Web. 2.1. Mail e messenger. 3.1. correspondência – mails, SMS, carta, postal dos correios (diferentes tipos de correspondência). 3.2. telegrama, encomenda, vale postal, fax, bilhete, memorando, nota. 3.3. Epístola, missiva. 4.1.1. A segunda oração da frase – “para avaliar o impacto de um amor” – é uma oração não finita infinitiva com valor final.
P – Português, Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor

4.1.2. Sujeito nulo indeterminado; predicado – avaliar o impacto de um amor; complemento directo – o impacto de um amor; complemento do nome – de um amor. 4.2. Exemplo: Os segundos de resposta são contabilizados pelos amantes.

| Textos | 3
Antes de ler
[pág. 28]

2. Personagens: Sandra, Xana, Jonas Machibundo, Paulo, Deolinda, Fragoso; Lugares: Moçambique; Tempo: Natal.

Oficina de escrita

[pág. 27]

2.1. Na carta A o destinatário é tratado por “Excelentíssimo Senhor ”, “Vossa(s) Excelência(s)”; trata-se de uma carta dirigida aos administradores das roças de S. Tomé e Príncipe pelo Governador das ilhas, o emissor, que assina com o nome completo – Luís Bernardo Valença. É uma carta formal adequada ao assunto em questão – a visita de um inglês às roças para, a mando do seu governo e do governo português, verificar as condições de trabalho dos trabalhadores – e às relações de

Compreender

[págs. 29-30]

1.1. e 1.2. O destinatário é Sandra, mulher do remetente, já falecida (“Não sei se ainda estavas viva quando…” (ll. 6-7)). A relação entre ambos é esclarecida, por exemplo, através das formas de tratamento (“querida”), pela evidente cumplicidade nascida da partilha da vida (“Porque os jovens, tu sabes…” (ll. 14-15), “…e subitamente exististe nesse sorriso. Eras tu, querida, eu nunca… dela.” (ll. 22-23)), etc.

4

Caderno do Professor | Resolução das actividades do manual

1.3.1. Xana seria filha do remetente e de Sandra. Tem um filho pequeno (Paulo) e vive longe do pai. Depois de se separar do companheiro (pai do filho) vai agora casar com um homem “bastante mais velho”. Tem um sorriso parecido com o da mãe. 1.3.2. A relação com o pai não parece muito próxima: telefona (raramente) e escreve (“telegraficamente”), passou dois dias no Natal com o pai, mas ele nunca lhe conheceu o companheiro. 1.4.1. “Porque os jovens (…) têm uma grande incompreensão do sentido do casamento.” (ll. 14-15). Com esta reflexão o remetente expressa aquilo que lhe parece ser a forma leviana como os jovens encaram o casamento. 1.4.2. “Sorriso breve, o ar absorto…” (ll. 23-24). 1.5. O que o pai de Xana lhe está a dizer com a resposta que dá é que aquilo que a faz feliz a ela, mesmo que seja algo com que ele não esteja completamente de acordo, também o faz feliz a ele.

| Textos | 5
Antes de ler
[pág. 35]

1.1. Lembrança, recordação, fama, por exemplo. 1.2. Exemplos: “Não há memória de uma história assim.”; “Este monumento foi erigido em memória do nosso primeiro rei.”; “D. Dinis, rei de boa memória, foi também um grande poeta.” 2. Podemos falar, em relação a este texto, de duas acepções da palavra memória: nos dois primeiros parágrafos, as duas referências à memória (ll. 2 e 6) enquadram-se no sentido 1. do verbete (função geral de conservação de experiência anterior, que se manifesta por hábitos ou por lembranças); podemos, também, reportar-nos ao sentido 9. do verbete [memória (pl.) – escrito narrativo em que se compilam factos presenciados pelo autor ou em que este tomou parte].

Funcionamento da língua

[pág. 30]

1.1. Por exemplo: – Conta – disse-lhe eu. E ela contou: – Vou-me casar. – Casar? – duvidei eu na minha estupefacção. – Vou-me casar com um tipo que talvez conheças de nome, o Fragoso, professor de… – confirmou ela. – Não estás contente? – Estou contente – disse-lhe eu olhando o miúdo que tinha um olhar mudo e espantado para nós –, se tu também estás.
■ ■

Compreender

[págs. 36-37]

1.1. Sendo embora ambos os tipos de texto exemplos de escrita autobiográfica, enquanto que a escrita das memórias é, normalmente, muito posterior aos acontecimentos narrados pelo seu autor ou em que este participou, o registo do diário é, geralmente, quase simultâneo aos factos narrados que são, por norma, datados. 2.1. Marcas da primeira pessoa: formas verbais – acho, sou, comecei, Tenho, acabamos (pl.), sei, sou, tenha, tenho, desejaria, temos (pl.), quero, nasci, vim, conheci…; determinantes possessivos – minhas (obsessões, avós, tias), nossa (individualidade) minha (vida, juventude, mãe), meu (tempo); pronomes pessoais – mim, me, nos (pl.), Eu. 3.2. Os três grandes factos que marcaram a vida do autor são: a falência das profecias (3.° §), a cada vez maior participação das pessoas na sociedade (4.° e 5.° §) e a entrada das mulheres na História (6.° §). 4. 1.-c.; 2.-f.; 3.-a.; 4.-d. 5.1. Por exemplo: certeza – “Eu não tenho dúvidas: quando nasci, (…) não tinham ainda entrado na história.” (ll. 44-45); incerteza: “Por isso me parece que a nossa individualidade é talvez o bem mais precioso que temos.” (ll. 10-11).
P – Português, Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor

2.1. Exemplos: Prometo que vou aí no Natal. Quem me dera / Adoraria ir aí no Natal!

3.1. apareceu, preparou, ajudou, estremeceu, chegou, perguntei, foi, voltou, disse, contou, duvidei. 3.2.1. “Ela dissera-me tenho uma novidade para te dar…”
(l. 11)

3.2.2. O pretérito mais-que-perfeito exprime uma acção que teve lugar antes de outra acção já passada.

| Textos | 4
Compreender
[pág. 33]

1. O excerto de diário aqui apresentado, pelo seu carácter ficcionado e lírico, não corresponde a uma realidade estritamente factual mas a uma espécie de “fingimento” dessa realidade. Daí a escolha de “imitação dos dias”.

5.2. Hipótese: “Garanto que / Estou convencido que / Estou seguro que, etc., estes futurólogos, alguns reconhecidamente inteligentes, estavam apanhados pelo espírito do tempo, uma espécie de vírus que apanha indiferentemente o inteligente e o estúpido.”

3. a narração projecta-se apenas em factos passados e os tempos utilizados exprimem realidades temporais diferentes: o pretérito perfeito evidencia uma acção passada com carácter pontual. Trata-se da comparação: “(…) que me deixa desamparado como se me faltasse uma perna.Módulo 1 Textos de carácter autobiográfico 5 Funcionamento da língua [págs. grafar. o presente do indicativo marca que o momento/tempo em que se situa o sujeito da enunciação coincide/é simultâneo com o momento/tempo em que se situam os factos narrados. graficamente. “Vais ver que é uma coisa de uma simplicidade imensa – a gente deita-se e eles nascem. grafismo. No excerto b. gráfica. uma vez que… 2. Através desta metáfora o remetente. 2.. biográfico. “Os consertos de calçado estão mais caros de dia para dia.” (ll.” 2. envio-te logo o primeiro caderno. 3. 1.1. Porque. “Aquele rapaz não tem cabeça: passa o tempo a fazer disparates!” 4. Dois exemplos possíveis: “No último filme de Almodóvar. Por exemplo: “(…) chego à hora de jantar cheio de dores de cabeça por levar o dia a penar na prosa. 13-14) b. comprava. já que)). epistolografia.1. evidencia que o mais difícil tem sido ser capaz de simplificar a sua escrita de forma a deixar ficar só “o essencial”. marcas do destinatário – o pronome possessivo “tuas”.2. falando do trabalho que lhe tem dado a história que está a escrever. O valor contextual dos dois “como” é substancialmente diferente. “Caso se possa mandar daqui ou do Chiúme …” 2. b. 2.. P – Português. Acto ilocutório compromissivo. ouvia. autobiografia. filmografia. a. enquanto que o pretérito imperfeito salienta o aspecto durativo da acção.1. Por exemplo: “Recordo com emoção todos os concertos a que assisti no ano passado. Pretérito perfeito do indicativo – vim. Presente do indicativo – tenho. Penélope Cruz volta a ser cabeça de cartaz. 14-15) II 1. o segundo remete para uma ideia de causalidade (é uma conjunção subordinativa causal (= porque.” (ll.2. b. 3. pois enquanto o primeiro estabelece uma comparação (é uma conjunção subordinativa comparativa).1.2. gráfico.1. biógrafo.1. Acto ilocutório expressivo. grafómetro. 41-43] I 1. pretérito imperfeito do indicativo – estava.2. o pretérito mais-que-perfeito assinala uma acção anterior a outra também passada expressa pelo pretérito perfeito.3. sacudir a árvore para só ficar o essencial. grafema… biografia. No excerto a. discografia. xenografia. 1. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor . a. pretérito mais-que-perfeito composto do indicativo – tinham entrado. serigrafia. biografista.”. grafia.” 2.”.1. fotobiografia..” (ll. “Se se puder mandar daqui ou do Chiúme encomendas registadas. Marcas do remetente – o uso da primeira pessoa presente nas formas verbais “tenho” e “tive” e no pronome pessoal “me”. fotografia… 3. biografar.” Ficha formativa [págs. “O principal tem sido mondar* isto de adjectivos supérfluos. já que. pretérito perfeito do indicativo – nasci. visto que. Nestes dois parágrafos o remetente fala de dois assuntos: da forma custosa como tem progredido a história que está a escrever e do nascimento do bebé que “se aproxima a passos largos!”. 18-19) 3.. biografado. e 3. xilografia.1. via. grafonia. a.1. grafologia. a sua extensão temporal. paleografia. 37-38] 1. grafológico.2.

Embarca nesse mesmo mês para a Índia.1.” (ll.1. que nada tem de destruição do texto. Cf. 1569: Embarca para Lisboa. Caminho. e mesmo como funciona o acto poético. Antes de 1550. quando Gonçalo Borges passeava a cavalo no Rossio. 1553: Por carta de 7/3/1553. Compreender [pág.” (ll. o rei D. 1567: Camões em Moçambique. 1575: D. 2) para isso. rasgando com a espada uma ferida no pescoço de Gonçalo Borges. O poeta perde tudo. Salva-se a ele e ao poema numa tábua. na Rua de S. 48] 1. 1558: Data provável do naufrágio no Cambodja. nas páginas 42 a 55. Proposta de roteiro cronológico: 1524/1525: Nasce Luís de Camões quase certamente em Lisboa. O enterro é pago pela Companhia dos Cortesãos. entre outras. 47-48] 1. realiza-se através do comentário de textos e através de informações teóricas sobre o fenómeno a que a crítica recente dá o nome de ‘poeticidade’ (ou seja. do qual seleccionámos o seguinte excerto: “O trabalho do professor. numa altura em que se nos impõem meios de comunicação extremamente diversificados. ao longo do texto (Cf. em vida. pagam-lhe uma dívida e a passagem. A título parentético. defronte das casas de Pêro Vaz. | Textos | 2 Observação: Sobre o ensino da poesia. foi zombado. 8-9). e a consequente riqueza em poesia lírica da nossa literatura. o seu autor pergunta-se se uma “pátria” que tão mal tratou Camões e que ele tanto criticou terá o direito de se apropriar do seu nome para celebrar o 10 de Junho (Dia de Portugal. in Camões 1. relativamente ao texto poético. sem letreiro. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor 2. a sua lírica aponta uma estada em Coimbra. 14-16). Nestes versos da estrofe 145 do Canto X de Os Lusíadas. não pode deixar de evidenciar o seu desespero. António Borges Coelho. o quid que faz com que um texto seja poético). Dinamene morre nas águas. e 1. como agente de sedução capaz de 'prender' o aluno. publicado em Cadernos de Literatura. A pergunta do título repete-se. não lhes dando.2. Através dessas questões. depois de mortas. João III perdoa-lhe. Fica sepultado em campa rasa. “Didáctica do texto poético”. e os nossos escritores. pois mais ninguém neste país o soube merecer. Chega a Goa em princípio de Setembro. se essa nobreza for a do espírito. observando as peças uma a uma). da parte de fora do mosteiro de Santa Ana. um dos métodos que julgo pertinentes é ajudar o aluno a ver como funciona o texto poético (tal como uma criança gosta de ver como funciona um brinquedo e o adolescente um aparelho. as seguintes passagens: “…em matéria de indiferença pelos mais nobres dos seus filhos. portanto: 1) revelar esse texto como 'armadilha amorosa' (Barthes). “Ora «a gente surda e endurecida» (…) ‘o favor com que mais se acende o engenho’. 1580: Morre a 10 de Junho. 1552: Está em Lisboa. ou seja. de Camões e das Comunidades Portuguesas). vendo-o no mais espantoso abatimento. aconselhamos a (re)leitura do excelente artigo de Clara Crabbé Rocha. entre eles Diogo do Couto. Centro de Literatura Portuguesa da Universidade de Coimbra. A indignação do autor nasce da constatação do triste hábito português de só se valorizarem as pessoas. INIC. em geral. Os amigos.” (ll. Luís de Camões poderá ter aprendido as primeiras letras numa das 40 escolas lisboetas de ensinar meninos. número 10.” P – Português. dão-lhe de comer e de vestir. este país foi sempre terreno fértil. 4-6).. No dia de Corpus Christi. mas não há qualquer registo que prove a sua passagem oficial pela Universidade. desmontando-o. reconhecendo que não é a “pátria” que o inspira pois esta “… está metida / No gosto da cobiça e da rudeza / De uma austera. em particular. é. Neste primeiro período da sua vida. Estalou briga rija. quer destinada à gaveta e solitária (o que é aliás um reflexo da ‘massificação’ da produção literária. “Camões pertence apenas a alguns poetas. 2. eficazes e sedutores. sob outras formas. quer publicada. O poeta é encarcerado no Tronco da cidade.6 Módulo 2 Textos expressivos e criativos e textos poéticos Camões lírico | Textos | 1 Antes de ler [págs. e a enorme produção de poesia lírica do nosso tempo.” Camões observa o seu país e. por dois mascarados. 1980 (adaptado) merecem. 1572: Publicação de Os Lusíadas em Lisboa. 1981. Antão. Luís de Camões acudiu em defesa dos mascarados seus amigos. a atenção e o “amor”que . creio que teria ainda interesse o professor fazer com os alunos uma breve reflexão de natureza histórico-cultural e sociológica sobre dois aspectos: o pendor lírico do temperamento português. ll. Sebastião atribui a Camões uma tença de 15$000. hoje toda a gente quer fazer a sua experiência de escrita). Essa ‘desconstrução’. 16-19).”). Ed. Camões critica os portugueses (“gente surda e endurecida. apagada e vil tristeza.

O abundante cabelo louro. A pequena cabeça está inclinada e insere-se sem criar ângulos no longo pescoço subtil. em grande parte.1. assim como as formas puras e idealizadas.” B – “Era só contigo que eu sonhava andar/Para todo o lado e até quem sabe? Talvez casar” Formas de sedução do objecto do amor A – Servidão e dedicação incondicionais: “Sete anos de pastor Jacob servia”. Ed. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor | Textos | 3 “Amor é um fogo…” Compreender [pág. “mas não servia ao pai. A obra distingue-se pela soberba harmonia do esmerado desenho e pela elegante modulação do traço que cria efeitos decorativos quase abstractos.1. 54] 1. Composição: Botticelli dispõe as figuras num plano só. São conceitos distintos. Público. II. As antíteses e os oxímoros aliados à bipartição rítmica do verso. A poesia lírica de Camões – uma estética da sedução (Cadernos FAOJ. (. do entrelaçar dos corpos e da vista da costa ondulada em golfos e promontórios. Esta sensação emerge das ondas do mar. As cores frias e claras. diferentes (v. 5). (in A Grande História da Arte. em particular. 12) 4. vol.” B – “Não se ama alguém que não ouve a mesma canção. Compreender [pág. a perna na mesma posição. mudança. A dificuldade de definir o amor e de enumerar os seus diversos estados bem como a sua variedade. “Não fizeste um esforço para gostar” Decisão do sujeito A – Não desiste e propõe-se lutar pelo seu amor enquanto viver: “começa de servir outros sete anos” B – Desiste: “Nada mais por nós havia a fazer / A minha paixão por ti era um lume / Que não tinha mais lenha por onde arder” ‘Lição’ aprendida pelo sujeito A – “Mais servira. subtil mas evidente. o que provoca. onde uma jovem mulher (Flora ou uma das Horas. já (vv. por seguir o percurso aí sugerido. 49] [pág.1. quer as antíteses quer a bipartição dos versos aparecem a sublinhar essa temática. relemos. Continuamente (v. O Nascimento de Vénus Tema: O quadro representa o nascimento de Vénus Anadiomede. “Empenhei o meu anel de rubi” Impedimentos à concretizaçãodo amor A – O pai: “porém o pai. míticas divindades femininas) está à sua espera para a cobrir com um manto purpúreo. A repetição dos vocábulos mudam-se e muda-se no início das frases dos dois primeiros versos evidencia o recurso à anáfora. acompanha com suavidade as formas do corpo.° 12). a interrogação retórica do último terceto. 2006) P – Português. . e Camões. que não se podem confundir.” B – O próprio objecto do amor e o seu mundo: “Mas esse teu mundo era mais forte do que eu”. Observação: Será importante fazer notar que o termo anáfora é usado na análise literária e na análise linguística.Módulo 2 Textos expressivos e criativos e textos poéticos 7 Acreditando que é ‘sob o signo da sedução’ que se deve analisar o texto poético. quase de forma espontânea. ao braço estendido. Exclusividade do objecto do amor A – “e a ela só por prémio pretendia. usando de cautela. 11) 3. 6). 50] 1..2. 5). as metáforas. a dupla inclinação dos ombros.. da mesma autora. O paralelismo está presente na repetição da mesma estrutura frásica nos dois primeiros versos. Sendo as contradições do amor o tema do soneto. a deusa é levada pelos ventos em direcção a terra. com toda a atenção. 1. 1. n. encontram uma perfeita expressão poética na gélida nudez da deusa. Comparar Antes de ler [pág. 4).) Vénus é o centro da composição e na sua direcção convergem as linhas curvas dos ventos e da figura feminina. gerada pela espuma do mar. 2... Mudam-se/muda-se/se muda/mudar-se. desenhado fio a fio. cada dia (= diariamente) (v. / em lugar de Raquel lhe dava Lia. servia a ela” B – Persuasão e sacrifícios materiais: “A saliva que eu gastei para te mudar”. ou seja. Antítese. “Mesmo sabendo que não gostavas”. se não fora / para tão longo amor tão curta a vida. que nunca é perturbada por cortes ou saliências. e optámos. a repetição anafórica. em geral. verbo: converte (v..2. 5. O nu é classicamente “ponderado” numa simétrica e plena correspondência dos membros: ao braço dobrado corresponde a perna dobrada. adjectivo: novas (v. 10 e 14). privilegiando a continuidade da linha.3. nome: novidades (v.” 1. 52] 2. Sustentada por uma concha. Todo o corpo é circundado por uma linha ininterrupta.

1. 7.1. leda “amena e marchetada” “dando ao mundo claridade” ■ ■ 2. | Textos | 5 Compreender [págs.1. 7.a parte – até ao verso 11. 11) 1.8 Caderno do Professor | Resolução das actividades do manual 1. Neste retrato dá-se maior relevo aos traços morais (Cf. caçador/Frecheiro 1. descuidado. valendo-se do descuido. corresponde à acumulação de atributos físicos e morais da figura feminina (descrição). vv.a parte – último terceto: o sujeito poético pergunta-se como é possível que o amor. 3. 2. 2. 58-59] P – Português. 3. Ela (vv. coração – livre. sendo a vista da amada comparada à tempestade. por oposição ao caçador.3.a parte – as duas quadras e o primeiro terceto: a dificuldade de definição do amor e as contradições do estado amoroso. criando cumplicidade com o interlocutor. 12) 2.3.4. triste “cheia de mágoa e de piedade” “saudade” “apartar-se” “lágrimas em fio” “palavras magoadas” ■ ■ ■ ■ ■ Comentar [pág.2. O sentimento predominante é a tristeza. 3. 55] 1.1. e nos adjectivos que caracterizam o coração.° terceto corresponde à síntese desses atributos e à conclusão: o poder transformador/mágico do objecto amado exercido sobre o sujeito. Ao marinheiro do primeiro termo de comparação corresponde o eu lírico. manso. 1. Formas verbais: “saía”.2. 2). 8. O demonstrativo “Esta” funciona como um termo anafórico que tem como função indicar os referentes no interior do texto em que é usado: remete para todas as qualidades | Textos | 4 Compreender 1. a fuga é a única salvação. 57] . Nos dois termos da comparação estamos perante uma situação de agressão em que uma das figuras (caçador/ /Frecheiro) é mais forte do que a outra (passarinho/coração) e actua de forma traiçoeira e dissimulada. vv.1. A conjunção coordenativa adversativa mas (v.3. porém. Este conjunto de qualidades tende a produzir uma imagem de perfeição (estereotipada) e não a individualizar a mulher. hipérbole (1. 6. A madrugada aparece como uma espécie de ‘morte’ porque o nascer do dia é identificado com a separação (Cf. tal como o Cupido que se escondia nos olhos da mulher amada.2. Dest’arte [pág.1. 2. 8 e 13). Não sendo uma pergunta para a qual se espere resposta. 10 e 11). no segundo. grande / largo (v. logo no início do poema. Compreender 1. adjectivos: “triste”. a interrogação retórica dá vivacidade e ênfase ao discurso. escondido. 9.2. caracterizado como sorrateiro e dissimulado.2. apartar-se / apartada (vv. passarinho/coração. na ternura dos três diminutivos que aparecem na primeira quadra.4. e 2. 5.1.1. 1.2. possa estar tão presente nos corações. destinado. passarinho – lascivo.4.1. mágoa / piedade (v. por exemplo. 7/8) 2. “viu”. “Aquela triste e leda madrugada” 1.3. 2. e repetindo o mesmo erro. 3. 14 “almas condenadas”) 3. A madrugada é testemunha da separação de dois sujeitos que estiveram juntos e do sofrimento que essa separação provoca. O sujeito poético identifica-se com o passarinho e o coração contra o caçador e o Frecheiro cego.a parte – 2.2. A estrutura bipartida deste soneto é marcada pelo conector assi sendo “anunciada”.2. Frecheiro – cego. 2.1.° terceto). Atente-se. no primeiro terceto.3. tendo em conta o seu carácter contraditório. 3. pela conjunção como. 2.2. não resistindo. O tema é a paixão que apanha o coração desprevenido. 5.3. 9 e 12) [pág. doce. (Cf. calado. 1. “leda”. contrário 2. 2.3. 4.1. A beleza feminina (física e espiritual) e o fascínio que ela exerce no eu lírico. v. 1. Ambos (marinheiro e eu lírico) prometem não voltar a cair noutra. 57] 1. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor 1.1. Uma vez que a sua contemplação (da tempestade/da amada) provoca medo. Estes recursos intensificam a ideia central e acentuam a mensagem. paradoxo (vv. 7-9). da fragilidade e da passividade do sujeito poético. caçador – cruel.

deixai-me – afastai-vos de mim. 6. brandura. o autor de Os Lusíadas.1. | Textos | 6 Compreender [pág.a pessoa. nos dois pontos do verso 11) que são aqui resumidas na expressão “celeste fermosura”. e a angústia do mal presente. 2. 19-20. duas delas no imperativo. Jogos de palavras: cativa / cativo. 1. do ponto e vírgula e dos dois pontos. a adjectivação. bem parece estranha / mas bárbora não . Ficha formativa [págs. odes. recato. P – Português. Abandonado por todos. porque nela vivo / já não quer que viva. As sucessivas antíteses: bem/mal. O seu (pronominalização) único rendimento era a tença de 15 mil réis anuais. O facto de se lembrar do bem que já teve no passado agudiza mais ainda o sofrimento presente. deixai-me/não me deixeis. beleza celestial) realçadas através de diversos nomes e adjectivos. conferem ao poema um ritmo rápido e fluido que alterna com um ritmo mais lento e sincopado conferido pelo uso da vírgula. etc. A primeira parte descreve a forma como o girassol acompanha a trajectória do Sol acima da linha do horizonte e a forma como esta flor é influenciada pela luz do astro-rei. 5. na maior miséria. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor Oralidade [pág. A beleza da mulher amada é o resultado da conjugação das suas qualidades físicas e morais (graça. em cópias manuscritas. aliados à enumeração assindética. passado/presente. Estão em confronto o bem passado. que nunca foram impressas pelo facto de o poeta (sinonímia) não ter recursos materiais. . no futuro. Por exemplo os versos 9-12 e 25-28. Lendo-se as estrofes seguidas (da 1 à 4). Para além da medida do verso. sempre – eternamente. as formas verbais na 2. 2. Poderão referir-se. 2.4. sextinas e éclogas. Entretanto. Luís Vaz de Camões. 61] 1. ~ Metáforas (Ua graça / viva que neles lhe mora. 70-71] I 1. 2. vigor e musicalidade ao texto). são em tudo semelhantes do ponto de vista psicológico. Além de Os Lusíadas [elipse] escreveu muitas redondilhas.2. Pretidão de Amor. frequentemente dupla e valorativa./não me deixeis. O petrarquismo está presente ao nível do ideal de beleza feminina aqui reproduzido. 22-23-24. indefinidamente.) que alterna com o ritmo binário. o sujeito lírico antecipa que a sua vida será também. A apóstrofe inicial – Lembranças. Funcionamento da língua [pág. 2. recordado pelo eu lírico. [elipse] faleceu (sinonímia) num hospital da cidade e [elipse] foi sepultado num coval aberto do lado de fora da Igreja de Santana.Módulo 2 Textos expressivos e criativos e textos poéticos 9 expressas nos versos anteriores (atente-se. que el-rei lhe (pronominalização) mandou pagar como recompensa pela publicação da sua epopeia (sinonímia). Os encavalgamentos (transição dos vv. 4. o ideal de beleza petrarquista oposta à beleza oriental da mulher cantada nas endechas (contra as convenções do petrarquismo).1. 63] 1. | Textos | 7 Compreender [pág. Estas duas figuras femininas.1. obtém-se um ~ retrato negativo de uma dama (Sois ua dama das feias do ~ mundo). sendo completamente distintas sob o ponto de vista físico.: na transição dos versos 3-4. equivalente a uma reforma de soldado.2. a sua (pronominalização) obra continua a ser admirada por todos. há-de ser – tendo perdido toda a esperança. 2.1. sonetos. 2. “louva” uma dama (Sois ua dama de grão merecer). 2. A primeira parte corresponde às duas quadras e a segunda aos dois tercetos. também. para ser senhora / de quem é cativa. 61] 1. 7-8 e 12-13-14.1. viver/morrer. que lembrais meu bem passado.2. 64] 2. Referimo-nos à metáfora – Circe/veneno – que confere a ideia de encantamento e magia. entre outros: a enumeração assindética (conferindo ritmo.3.2. canções. não me deixeis – não permitais. em Descalça vai pera a fonte. é de referir o encavalgamento (por ex. na continuação da apóstrofe – lembrais/deixai-me. Presença serena / que a tormenta amansa).1. doçura. mas que estão a correr de mão em mão. marcada pelo sofrimento presente. se quereis. 4.5. a leitura “lado a lado”. etc. Morreu ontem. 1.1. O sujeito poético canta.3.2.

3. tal como ele vive inteiramente na dependência do objecto do seu amor.2. 2. A figura feminina – meu amor do Norte – dá ao sujeito poético confiança e serenidade.2. El-Rei Seleuco (1587).3. 3. “Velar” significa “vigiar”. portanto. da miséria e da violência que o rodeiam (vv. …em cima dum divã / com a cabeça sobre uma almofada. conseguindo publicar Os Lusíadas.10 Caderno do Professor | Resolução das actividades do manual 1. III 1. parti para a Índia. 2. a medida do verso é o decassílabo. em 1572. 1. O sujeito poético exprime o desejo do espanto inicial. é constituído por duas quadras e dois tercetos. Auto de Filodemo (1587) e Anfitriões (1587). repousar. a 3. 16-18). “passar a noite junto de um morto”. libertar-se. da constatação da falta de imaginação do homem (vv. portanto/logo/por isso a leitura da sua obra é um instrumento para abrirmos o presente e o futuro. Proposta: Nasci em Lisboa por volta de 1524. O sujeito poético aparece dividido entre o desejo de viver e o cansaço que a vida lhe provoca.4.3. P – Português. São estas as “funções” que o sujeito poético espera que a figura feminina cumpra. não. (o que introduz uma oração subordinada adjectiva relativa explicativa) Funcionamento da língua 1. A obra de Camões proporciona-nos um encontro com a nossa história porque/visto que/já que a sua poesia foi utilizada.1. exagerando as suas qualidades e conferindo-lhe até o poder de ‘criar’. Algumas das minhas obras mais conhecidas são: Os Lusíadas (1572). versos 16-23. “estar de guarda a”. Através desta metáfora – mulher amada/Sol – o sujeito poético compara-se a um girassol e à forma como este depende do Sol. Regressei a Lisboa.3. A poesia de Camões é dinâmica e. mais do que esquecer. 2. Poetas portugueses do século XX | Textos | 1 Compreender [pág.2. [pág. o sujeito poético identifica-se com o girassol (“Uma admirável erva”) e identifica a mulher amada com o Sol. a previsibilidade do mundo. como bandeira e como símbolo nacional. A vida cansa porque é sempre igual. e é costume situar a minha obra entre o Classicismo e o Maneirismo. a rima é emparelhada e interpolada nas quadras e cruzada e interpolada nos tercetos. 1. depois de ter sido preso devido a uma rixa. “Morrer” é ausentar-se da vida temporariamente. o eu lírico dirige-se à mulher amada. Sou considerado o maior poeta português. Versos 6-9 e 15.1.1.1. que desempenha um papel importante no crescimento da língua portuguesa. Vivi algum tempo em Coimbra e lá frequentei aulas de Humanidades no Mosteiro de Santa Cruz onde tinha um tio padre.1. aqui. ao longo dos tempos. 1-23) . é negada através da reiteração do advérbio de negação e do pronome indefinido. 1. de ‘morrer’ para ‘renascer’.1.° momento (vv. 74] 1.2. A obra de Camões.° momento (vv. 19-22). também. Através da apóstrofe Meu Sol. 2. levando aí uma vida de boémia.4. 24-43).2. do ponto de vista cultural e artístico. Se.4. A hipérbole. pobre e doente. / velar por mim.3. 74] .3. 1. 3. O cansaço do sujeito poético nasce da monotonia da vida (vv. assim como o girassol “emurchece e se descora ” quando o Sol se põe. O esquema rimático é ABBA ABBA CDE DEC. 1. não e ninguém – a diferença que poderia quebrar a monotonia. 1-15).2. relata as contradições do mundo complexo do seu tempo. a. Tal como o Sol faz florescer o girassol.2. / confiante e sereno… sorriso / onde arde um coração em melodia: … suavemente.1. 3. Ao longo deste soneto.3.2. densa e rica.1.5.” 2. 1. Quanto à métrica. Rimas (1595).3. Faleci em Lisboa no dia 10 de Junho de 1580.1. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor II 1. isto é. caso. Regresso a Portugal em 1569. Sebastião. 2. 2. Através deste recurso o sujeito poético hipervaloriza a mulher amada. b. na ausência da mulher amada. também o sujeito poético.5. Cf. / pé ante pé 3. graças à influência de alguns amigos junto do rei D. Morrer e suicidar-se não representam. também a amada do sujeito lírico alegra a sua “alma”. subtil e cuidadosa.2. Fixei-me na cidade de Goa onde escrevi grande parte da minha obra. sempre. De igual modo. Veja-se a forma carinhosa como a Morte é personificada no último verso. c. O poema é um soneto e. de uma família do Norte (Chaves). nunca. “se murcha e se consome em grão tormento. Em 1553.

O conceito de poesia apresentado caracteriza-se. Os outros: dissimulação. mas mantém. leia-se o seguinte: “Quando nos servimos do MODO INDICATIVO. à sua volta. . todavia. Sugestões: “Ainda há esperança porque…”. O poeta a que se refere o sujeito poético é o negrilho. tratando-o por “tu”. podendo ser substituída pelas conjunções coordenadas adversativas mas. “Porque” – conjunção subordinativa causal. 2. em toda a sua intensidade. Algumas hipóteses: “Seria feliz…”. 463-464) 2. honestidade. irreal. 76] Compreender [pág. ‘destruição’. mas tu não (vv. consideramos o facto expresso pelo verbo como certo. seja no passado. quer de traços psicológicos. A primeira apóstrofe – “mestre da inquietação / Serena!” – aponta para um ideal de harmonia e serenidade. “mas tu não”. revelando. 1. calculismo. ‘frescura’.5. a existência ou não existência do facto como uma coisa incerta. cristal. 1. 2. o negrilho é um ser com estatuto humano. 11-12). 4. a segunda – “imortal avena / Que (…) maninho. duvidosa. Nos versos 11 e 12. Tu: ousadia. medo. orvalho.1. dá expressão dramática à sua relação com a árvore.1. 78] 1. Sendo o único poeta da terra natal do sujeito lírico. 10. pois é definido como sábio (“revela o mundo visitado”) e sonhador. 2001) 1.. A repetição do pronome pessoal – “Tu” – transforma esta segunda estrofe numa espécie de oração. O tema comum aos três poemas é anunciado pelos respectivos títulos: o valor das palavras na poesia. Nova Gramática do Português Contemporâneo (págs. a última – “bosque suspenso / Onde (…) ninho!” – remete para o carácter protector da árvore. 4). págs. 1. através do discurso de terceira pessoa. a terceira – “gigante a sonhar” – evidencia a expressão do sonho humano de elevação e de integração na ordem cósmica. Ao dirigir-se ao negrilho. consulte-se Celso Cunha e Lindley Cintra. cit.1. Encaramos. 13-14) e espalha. dotado quer de atributos físicos – a voz (“conversamos”) e os “olhos” –. porém. serenidade (vv. evidenciando o carácter singular do negrilho. Cristal remete para ‘transparência’. pelo ideal de harmonia e serenidade (vv. “Porque os outros”. orvalho conota ‘leveza’. 8-9). seja no presente.3.1. (respostas baseadas nos “Cenários de resposta” da prova de Exame Nacional do Ensino Secundário de Português. 2. Na primeira estrofe.3. real. o sujeito poético enfatiza o carácter excepcional daquela árvore e da sua relação com ela. na segunda estrofe. O negrilho é uma árvore de grande porte e de copa abundante (“bosque suspenso”). antiga (nela o “tempo” faz “ninho”). é um espaço protector a que se acolhem o “eu”. 1. Ao empregarmos o MODO CONJUNTIVO. entre outros. eventual ou.1. in ob. 1. e 1.3.”) e sente admiração por ele visto que ele simboliza a harmonia da natureza. “Descansaria…” | Textos | 3 | Textos | 2 Compreender [pág.4.1.2. etc. mesmo. O negrilho assume um papel protector (vv. 10). 3. um tom contido de aparente distanciamento.” Celso Cunha e Lindley Cintra.Módulo 2 Textos expressivos e criativos e textos poéticos 11 1. punhal e incêndio para ‘agressão’. 6. “Tudo pode mudar porque…”. punhal. então. pudesse – pretérito imperfeito do modo conjuntivo. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor | Textos | 4 Compreender [págs. 578 a 581.a fase. por uma valorização da sabedoria da terra (v. 13) 4. 4. 2. cedência. incêndio. é completamente diversa a nossa atitude.6. 4. seja no futuro. 7. A alteração de pessoa verbal – de “ele” para “tu” – entre as duas estrofes faz sobressair a proximidade entre o sujeito poético e o negrilho.1. o envolvimento afectivo que a caracteriza. a conjunção coordenativa e tem um valor adversativo (estabelece entre as duas orações uma ideia de contraste). denúncia. 2. 81-82] 1. considerando-o o seu mestre e a origem da sua poesia (“Os meus versos são folhas dos seus ramos. aventura/risco.” – salienta a simplicidade poética e a relação da poesia com a natureza. A propósito do emprego deste modo. contudo… Sobre os valores particulares de algumas conjunções coordenativas. “os pássaros e o tempo”. falsidade/hipocrisia. 3. ‘dor’.1.2. por uma simplicidade poética inspirada na natureza (v. 4.2.a chamada. P – Português. O sujeito poético identifica-se com o negrilho.1. “Tu ”/ ”os outros”. 1.

da EMI-Valentim de Carvalho ou no CD Poesia Encantada. da mesma editora. Através desta interrogação.2. lenha.1.1. destinatário do discurso.2. Por exemplo versos 17-20. os versos 3 a 6 podem ter subentendido “são como”. Esta canção encontra-se no CD dos Trovante intitulado Baile no Bosque.14: tempestade. exílio. se tornou mais exigente e que agora só procura “as mais encabritadas”.2. fazendo-nos supor que o apelo por ele lançado no poema anterior não teve eco. Raramente.2. implica exílio e morte. ao cativeiro.3. 6-9). 3. Algumas vezes. 17).3. tive. será a vez de os alunos praticarem a leitura oral de alguns poemas. “resmungam” (v. do rigor e da simplicidade com que o sujeito poético as usava (vv. até antagónicos.2. pátria/exílio .2.4. sustentavam). “arreganham os dentes” (v. pátria. Os tempos do passado são o pretérito perfeito (fartaram-se. 2. ele aproxima-se de uma definição (poética) de polissemia. propõe a seguinte ficha de avaliação de leitura em voz alta: ■ ■ ■ ■ ■ ■ Hesitar Usar o dedo ou outro guia Ler com expressividade Fazer leitura palavra a palavra Respeitar a pontuação Errar em pequenas palavras ■ ■ ■ ■ ■ ■ Ter ritmo de leitura Acrescentar Omitir Aglutinar sílabas Ter problemas de dislexia Fazer autocorrecção. o sujeito poético pede contas a um “tu”/ “eu” acerca do que terá ele feito das palavras. frequentemente. v.a estrofe. 1 e 15.2. pátria. Actuar [pág.5. que outrora eram o seu ‘sustento’ quotidiano. A liberdade é água. Vogais e consoantes são opostas pois. v. Por exemplo. 2. No passado. hoje são muito menos dóceis e mais difíceis de ‘domar’. 17: chama. vento. Para cada um destes pontos serão usados os parâmetros Nunca. mas apenas comparação: Algumas [são como] um punhal. lugar para observações e estratégias de remediação. para o carácter contraditório da palavra poética. gostaram) e o pretérito imperfeito (dançavam.6. enquanto que as primeiras são suaves e ‘tranquilas’. 84] P – Português. Através desta imagem (conjunto de metáforas) o sujeito poético refere que as palavras. Provavelmente.1. Muitas vezes. cardo. dirige-se a um “tu”. Daí o seu carácter complementar.3. as palavras “gostaram” do sujeito poético: andavam à volta dele e “aqueciam-no”. as segundas são quentes e fulgorosas. morte. se calhar. 2.12 Caderno do Professor | Resolução das actividades do manual 2. cuidadas.2. 16: amor. encontrava. v. 16).1.1. / [como] um incêndio. Tendo em conta que o poema nos chama a atenção para o facto de as palavras poderem apresentar diferentes significados. 15: sangue. ainda. Através destas interrogações. Comparação e metáfora. A antítese luz/noite remete. 3. 2.1. Depois de ouvir o poeta. o sujeito poético sugere que. O carácter ambíguo das palavras está em evidência neste poema porque o sujeito poético apresenta um conjunto de vocábulos que transportam consigo sentimentos diversos e. à morte. como aliás todas as outras do poema. no presente. 4. Nesta ficha haverá. “agora” – vv. rosa/cardo. Adjectivação. uma vez mais. fogo. A brochura Leitura. A interrogação do primeiro verso.6. v. porém. 3.1.2. Sempre. enumeração. por vezes. vv. trazem ainda boas memórias. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor 1. 1. 2. desobedecem-lhe e desrespeitam-no (cf. 10: navio. 2. 2. / Outras [são como] orvalho apenas. mesmo quando ‘enfraquecidas’. Observação: Na 1. este facto deve-se também à maior exigência que o sujeito poético tem na selecção das palavras (“já só procuro as mais encabritadas”). 3. amor e rosa mas. Em alternativa. 3-5). navio. remete para a ‘morte’ das palavras que. 3).1.4. primavera. 7-8: água. protegidas. os pares água/fogo .1. amor/morte. fazia. | Textos | 5 Compreender [pág. 19: rosa. do ME-DES (1999). nesse caso não haveria metáfora. “ténues”. a luta por ela é fogo e cardo. 4.2. O adjectivo “ pálidas ”. . A relação das palavras com o sujeito poético mudou provavelmente porque aquelas se “fartaram da rédea” que as prendia. 2. v. o sujeito poético lança um apelo para que as palavras sejam escutadas. As vogais são “de um azul (…) apaziguado” e as consoantes ardem “entre o fulgor / das laranjas e o sol dos cavalos”. que se pode eventualmente identificar com um “eu” – o sujeito poético seria o eu e o tu. 2. só quando as juntamos podemos fazer palavras. “estão ariscas” (v. v. 4. vv. A relação sujeito poético-pátria-liberdade é uma relação de tudo ou nada: só existe pátria em liberdade e por elas o sujeito poético está disposto a tudo – ao exílio. personificação. 4. 82] 1.1. que sugere “desmaiadas”. 4.

E para mim a língua começa em Camões. E que cada palavra é um pedaço de universo. “mudar a vida”. como sempre dizia Miguel Torga.1.bib-camilo-castelobranco. da Universidade de Coimbra). Ambicioso como os Romanos. que nasce espontaneamente da força da terra. de plumas na cabeça. Ou seja: o verso que não há. Subtil como os Europeus. como diz o meu amigo José Manuel Mendes. Hipóteses: incoerente. aquele que nos é dado. Publ. não seja muito diferente daquele sujeito que vemos nas tribos primitivas. falso. De qualquer modo. assim. procura decifrar os sinais dos tempos através de múltiplos sentidos ou do sem-sentido da palavra. Um presságio do Sul. A arte e o ofício da língua e da linguagem. 84] 1. Talvez tudo esteja nesse primeiro verso. antes de tudo. A música secreta da língua. (…) É então que a poesia acontece. encantatória e desesperada tentativa de captar a essência do mundo e de. 2.rcts. 3. ressuscite puro e imaculado. Uma encantada. Talvez tudo isto seja a poesia. afinal. Manuel Alegre. P – Português. O poeta é esse feiticeiro. 84] A poesia é também a língua. como queria Rimbaud. E o que é levar a sério a linguagem? Eu creio que é estar atento aos sinais. Talvez o poeta. convoca as forças benfazejas ou tenta exorcizar as forças maléficas. A forma verbal encontra-se no modo conjuntivo (Me levante). hipócrita. que tinha uma flauta mágica. in 30 anos de poesia. Génesis. como nas sociedades primitivas. o poeta de hoje é como esse xamã antigo que. [pág. como o poeta russo Mandelstam. Talvez esteja antes ou depois da literatura. “Recorda-te que tu és pó e em pó te hás-de tornar” (cf. Como já não pode ler nas vísceras das vítimas. Ou como dizia Klebnikov: “na natureza da palavra viva. 4.2.uc. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor Poetas de expressão portuguesa do século XX “Não vale a pena pisar” Tópicos de análise Todo o poema é uma longa metáfora – tal como o capim. expressando um desejo do sujeito poético: que. que tinham uma concepção mágica do mundo. (…) O poeta. 4. como diz o meu amigo Herberto Hélder. através da palavra. Apaixonado como os Latinos .1.2. depois da morte. Robusto/Belo como os Gregos. Não sei falar de literatura. repetindo palavras mágicas enquanto dança e pula ao ritmo de um tambor. Ou é talvez o adivinho. Sossegado/Calmo como os Árabes. através da repetição rítmica de palavras e imagens. dizia Cioran. Sei que a energia. Sei... Ou talvez ela não seja mais do que o primeiro verso. pronta a “explodir” a qualquer instante. é a essência do mundo e que “os ritmos em que se exprime constituem a forma do mundo”. Mas não sei se é possível saber mais. consultar o site http://www. Não sei falar de poesia. Isto é o que sei de poesia. porque os outros têm de ser conquistados. Para encontrar outros poetas portugueses. a poesia implica. 3. Oralidade [pág. | Textos | 6 Compreender [pág. “é aquele que leva a sério a linguagem”. também aqueles que são explorados guardam em si uma raiva calada.pt/librdd5. A poesia é. Que procura o impossível. renasce após a primeira chuvada. que “escrever é um acontecimento cósmico”. A calma ilusória dos oprimidos explodirá em força logo que as condições sejam propícias. como costuma dizer a minha amiga Sophia de Mello Breyner. Ardiloso como os Orientais . Os sinais mágicos da palavra. em Maio de 1965. quando é destruído pelo fogo. Ardente/Ardoroso/Veemente como os Africanos. Dom Quixote. Uma forma de alquimia. da segunda metade do século. 86] 2. 1997 (texto com supressões) Texto a ler aos alunos: A poesia não se explica. 89] . Dança com palavras ao som de um ritmo que só ele entende. Talvez seja muito pouco. esconde-se a matéria luminosa do universo”. uma forma de medição.pt/cd25a/ (Centro de Documentação 25 de Abril.Módulo 2 Textos expressivos e criativos e textos poéticos 13 Actuar [pág. 19). Sei que a poesia não se explica. texto escrito e lido durante uma sessão consagrada a “Trinta Anos de Poesia” na Faculdade de Letras da Universidade Católica de Viseu. Sobretudo não sei se a poesia tem alguma coisa a ver com a literatura. “nem anjo nem bruto” refere a essência humana do homem com todos os seus defeitos mas também com as suas virtudes. que escreveram sobre o tema da liberdade. que é o instante da revelação e da relação mágica com o mundo através da palavra poética.html e http://www.

isto é. ciclo da terra. à máscara. os últimos versos de cada um desses tercetos. 5 e 6 – esperança no ressurgimento futuro e desejado. ■ “Lá no ‘Água Grande’” Tópicos de análise vv. tudo se passa no interior – “Eu sei o teu nome…”. 6 a 15 – razões que provocam a partida – seca. Nota no Manual). a impossibilidade de partir. remetendo para o título Negra. reportando-se à realidade. 94] vv. 12. 14-18. ■ ■ Dois ritmos polarizam. o sonho de quem parte ou almeja partir. ■ silêncio a que os carrascos obrigam. aconselha-se o site http://www. alma. construídos com base numa repetição anafórica (“É como se alguém…”) seguida de uma construção antitética: pisasse/risse. metáforas de “esperança” (vv. vv. ■ ■ ■ ■ vv. 1 – Nha: pron. oca e artificial (vv. v. ■ ■ vv. 16 a 20 – lugares mais desejados. pess. assim. ■ “Esperança” [pág. a realidade. que provocam o desejo de evasão (hora di bai – hora da partida). os quatro tercetos iniciais. 1 a 4 – metáfora de Timor aprisionado. paradoxalmente. metáfora da candeia acesa. mas não posso pronunciá-lo (vv. ■ “Negra” [pág. Tópicos de análise v. 3. morte.14 Caderno do Professor | Resolução das actividades do manual “Terra” [pág. espécie de grito de morte anunciada. por outro a esperança de que as coisas se alterem – que venha a chuva e traga consigo a abundância. “gemidos cantados” – expressão que revela a verdadeira natureza dos cantos das crianças. procurar fixar-se numa região de trabalho bem remunerado para regressar o mais depressa possível. 13 e 19). 21-22) – conseguem perceber o sentido (verdadeiro) de África – MÃE. 2. 90] A literatura cabo-verdiana: temática Há um conjunto de constantes na literatura de Cabo Verde que derivam. o ciclo do sonho/esperança. A solução da partida é inevitável mas provisória – abandonar as ilhas. ■ vv. 91] Tópicos de análise o título é a palavra-chave para decifrar o poema: Esperança. a fartura. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor [pág. vv. 7 a 10 – identificação profunda com o povo timorense através do símbolo da bandeira. na quinta estrofe a máscara cai e revela o rosto. É a tragédia do êxodo. valor expressivo dos adjectivos “mudos” e “quedos”. a vida colectiva: ■ o ritmo telúrico (vida ligada à terra). determinada pela situação financeira dos que aspiram à emigração. 20-21). sangue/pacto (v.pt/dcvpo/ onde um dicionário e uma gramática de crioulo podem ser consultados on-line. – a senhora (tratamento cortês usado apenas com as mulheres velhas ou muito respeitadas pelo falante). as quatro primeiras estrofes correspondem ao mundo da aparência. P – Português. palavra que nunca aparece no poema embora todo ele remeta para esse sentimento. ■ ■ ■ a saudade dos que partem (a ruptura dos laços que prendem o homem à sua terra natal) e o desejo do regresso. carácter simbólico deste facto: o ■ Num comentário a este poema.priberam. constituem-se como uma espécie de prolongamento do título do poema. vv. 93] Em relação ao crioulo cabo-verdiano. 92] Tópicos de análise África vista de fora (“Gentes estranhas com seus olhos cheios doutros mundos”) – imagem falsa. vv. / sofrimento” (vv. 11-18). isolados por um travessão. 37 a 43 – os dois ritmos que polarizam a vida das ilhas – campos (telúrico)/mares (pelágico). 19 a 24 – apelo de que o sujeito poético se faz eco. do condicionamento geoeconómico a que as ilhas estão sujeitas: a seca e a fome. cuspisse/passasse indiferente. só os africanos – “do mesmo sangue. apunhalasse/abraçasse. carne. 25 – Timor fenece. a eterna diáspora cabo-verdiana. batesse/cantasse. a esperança de mudança concretizada no último verso – esperança = vento da certeza.a pessoa sing. ■ ■ ■ ■ . o ritmo pelágico (das eternas partidas e regressos). 21 a 36 – sentimento de quem fica: por um lado a resignação. fome. 9. ■ o sentimento colectivo de que a emigração constitui a única solução possível e. o escritor e crítico literário Manuel Ferreira salienta os dois “mundos” em que se movem as crianças são-tomenses: “o reino da aparência e do ‘real’ – a máscara e o rosto”. atravessar a imensa fronteira líquida. ciclo da vida: “…sonhos/que um dia esvaem-se/ – mas surgem sempre…”. 6. mesmos nervos. ■ “Os vínculos timorenses” Tópicos de análise ■ ■ [pág. fem. inevitavelmente. 13 a 18 – identificação do sujeito poético com Timor: fala pela voz de Timor expressando o desejo à autodeterminação.

na sua brevidade. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor 6. vai sulcando as ondas da eternidade. 1. 2. na sua simplicidade. resultado ou efeito. 11-12).” Arnaldo Saraiva. 96-97] a I 1. O antecedente do advérbio “Lá” é a expressão nominal “cais divino”. ■ 3. cansaço. meus). chorarei. 7.2. ■ . 6... Leonardo que. “Um poeta universal”. a importância da poesia drummondiana. Entre outras. Leonardo não tem pressa de chegar ao seu destino (o ‘cais divino’) porque se sente ‘feliz’ no ‘cais humano’ onde tem tudo aquilo de que gosta e cujas sensações agradáveis pretende prolongar o mais possível já que sabe que no local para onde vai não terá nada daquilo que tanto aprecia (Cf. avança. poderiam citar-se as seguintes passagens: “socalcos” e “vinhedos”. 1. absurdo. “O futebol brasileiro evocado da Europa” Tópicos de análise ■ [pág. ■ a 4. 4. Assim. símbolo de um país (Brasil). “Na menina dos olhos (b) deslumbrados”. deixarão). Leonardo.a quadra – valor simbólico do conector temporal “depois”. Na primeira estrofe predomina o presente (é. 95] o futebol. ■ P – Português. Na terceira estrofe retoma-se o presente de S. quadra – vento/noite/frio – conjugação dos elementos naturais que se aliam à tristeza provocada pela morte do sonho. na sua ambiguidade.° vol. 1-2) ■ bola/touro – definição por oposição lhança (v. Duas hipóteses possíveis: O poema poderá ser dividido em três partes lógicas. 8). (vv. 6. quadra – hipérbole dos dois primeiros versos. cor que escorre dos dedos – morte do sonho pelas suas próprias mãos. ruma. valor simbólico das mãos – atitude deliberada do sujeito poético.3. S. e fá-lo com uma espantosa economia lexical (à base dos lexemas inqualificados “caminho” e “pedra”.. Locução adverbial: “sem pressa” (v. S. Nota introdutória a Obras Completas de Carlos Drummond de Andrade. astúcia. ■ ■ relação bola/mulher/touro – necessidade de tratar com malícia. 8). O conector “Por isso” traduz a ideia de consequência. gasta). Na segunda estrofe é feita a antevisão (daí o tempo verbal futuro) do que espera S. (as) minhas. serão. mas pode simbolizar igualmente a novidade. agora. à proa dum navio de penedos. 21) “lentamente” (v. Os adjectivos são “ancorado” e “feliz” (v. 8. desilusão. a navegar num doce mar de mosto. 5. Publ. 3. capitão no seu posto de comando. pessoa (pus.1. 7-8). na terceira estrofe volta a predominar o presente (se aproxima. s/d O poema pode dividir-se em duas partes: a viagem em direcção ao cais divino. “um navio de penedos”.Módulo 2 Textos expressivos e criativos e textos poéticos 15 “Canção” [pág. abundância de marcas da 1. e a antevisão de como será o referido cais (estrofe 2). Obra Poética. ■ expressão dos sentimentos do sujeito lírico que estão na base da sua decisão de ‘matar’ o sonho – solidão (areias desertas). tristeza.a quadra – relação sonho/navio/mar/mãos. abri. sem pressa de chegar ao cais divino. vemos S. Leonardo. o sofrimento mata o sonho. a iniciar a sua viagem em direcção ao “cais divino”. ■ a 5. vai).. avança. Ficha formativa [págs. vv. correspondendo cada uma delas a cada uma das estrofes.1. o cheiro a “mosto”. a “terra” e a “rosmaninho”. na segunda estrofe predomina o futuro (terá. devagar e sem pressa nenhuma de lá chegar. Leonardo se demora para poder apreciar a paisagem (constituída pelas estrofes 1 e 3). dramático. ■ marcas do “crime” – mãos molhadas. 10-11: “É num antecipado desengano…”). na primeira estrofe. carinho (vv. que naturalmente são investidos de grande energia simbólica) e sem mais ênfase que a da repetição. porque sabe o que o espera na “bem-aventurança”. “ancorado e feliz no cais humano”. 94] ■ Tópicos de análise Tema: A paz só se alcança quando se abdica do sonho/A morte do sonho. advérbios: “devagar” (v. na qual S. “Nem vinhedos (a)”. (o) meu. 3-4) versus a real dificuldade em lidar com ela (vv. a ordem/a perfeição equivalem a ausência de dor/ausência de sonho. 95] Sobre o poema No meio do caminho: “Este poema pode simbolizar dignamente a poesia modernista brasileira e as reacções de entusiasmo ou de repulsa que provocou podem simbolizar as que sempre provoca a arte de vanguarda. atenção. no “cais divino”. 9). Leonardo quando chegar ao seu destino. ■ “No meio do caminho” Tópicos de análise [pág. ele faz de um aparentemente banal acidente de percurso um grande acontecimento obsessivo. 23). Europa-América. e por seme- aparente simplicidade da bola (vv.

9). 7.° e 5. Aula de Matemática ■ 2. ao que o homem responde que não. 12-17) 5. uma taça de pipocas. 103] 3. b. Afonso dá à primeira pergunta da entrevista – a guerra ‘anunciada’. “Em suma” (l. ■ | Textos | 2 Antes de ler [pág. “Contudo” (l.2.” (ll. Neste cartoon. 1. população de Kamilaroi: 7 = bulan bulan guliba (4 + 3) 5. o texto “As origens da Matemática” mostra-nos como esta disciplina entrou naturalmente nas nossas vidas e está presente. o sujeito poético usa os conceitos matemáticos de uma forma muito pessoal que reflecte as suas ideias e sentimentos. Compreender [pág. A adição.” (ll. numa total inversão realidade/ficção: não é a realidade que passa a ficção mas a ficção que “salta” para a realidade. há uma íntima relação entre este cartoon e a resposta que L. sobretudo. 105] 1. ■ Tem uma intenção estética: predomina a função poética. Por isso. em muitos gestos do nosso dia-a-dia. 2. 1. 18). O desenvolvimento das actividades comerciais (Cf.16 Módulo 3 Textos dos media I | Textos | 1 Antes de ler [pág. 15-16). l. O anúncio apresenta-nos um quadro preto típico das escolas. com ar enfastiado. De dentro da casa alguém pergunta se a guerra já começou.2.° § – “No entanto (…) conquistas tecnológicas. 101] 4. importância à forma. “A divisão começou quando 10 se exprimiu como ‘metade de um corpo’…” (ll. Numa mão tem o comando do aparelho e. onde está escrita uma frase com símbolos matemáticos: A matemática deve ser tão fácil de perceber como as palavras.° § – “A História (…) gerações futuras. 109] Compreender [págs.1.° § – Como funciona a ciência. sentada num sofá em frente à televisão. 3. da página 108. E o P – Português. 41) e divisão (l. 1. 6. patente no texto que o acompanha. Esta é a primeira fase do trabalho a completar na pergunta 7. 4. No original. Utilizam-se recursos estilísticos e uma linguagem profundamente conotativa. No chão. 14). É um texto literário. ‘com hora marcada’ para aparecer na televisão.1. de forma muitas vezes inconsciente.” Ora. População de Murray River: 5 = petchval petchval enea (4 + 1). 45).° § – “Tenho esperança (…) própria vida. 4-8) 3. podemos observar uma personagem masculina. Partindo do princípio da contagem pelos dedos. Na televisão reconhecemos a imagem do Rambo. na outra.2. os alunos irão completar uma grelha. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor 3. | Textos | 3 Antes de ler [pág.° § – Tecnologia – a ciência em acção. geralmente pelo uso dos dedos de uma das mãos ou das duas…” (ll. pipocas espalhadas e o jornal abandonado aberto na página que fornece informações sobre os programas de televisão. 44). recordando as noções de texto literário e de texto não literário. subtracção (l. O ‘público’ espera pelo início da guerra como quem espera por um filme ou uma série que passa a determinada hora na televisão. Para além de todos os estereótipos que o cartoonista aqui põe em evidência – o fim do dia de muitas famílias portuguesas em que o homem se acomoda no sofá. A mensagem subjacente a este anúncio. 4.” (ll.” (ll. . era esta a divisão: 1. 103-104] 2. ela é tão natural e “… tão fácil de perceber como as palavras. “metade do corpo” seriam dez dedos.° § – “As ilhas (…) estão ameaçados. onde. 107-108] 1. é uma tentativa de desmistificar a dificuldade da matemática – “… a matemática não tem de ser um problema. Dá. 1-4) 2.” e “… pode ser divertida e acessível a todos. Funcionamento da língua [págs. ■ ■ A verdade da mensagem não é uma preocupação fundamental.° § – Ciência – um estudo de tudo!. Adição (l. multiplicação (l.° § – “A Terra (…) não haverá mais.” 2. 8-12) 4.1. queixandose que os programas de televisão nunca começam à hora prevista. três latas de refrigerante vazias. 1.° § – Introdução. “Os números foram ordenados e agrupados em unidades cada vez maiores. ‘comandando’ a televisão enquanto a mulher arruma a cozinha. 45-46). a.” (ll. 17-19) Através deste texto é-nos dada uma visão subjectiva do mundo (interior e exterior). 43).2.

1. b. porém/todavia/contudo [colocados após “que carece”: que carece. b. “lhe” (l. 2. a. 4. etc. nos muros. Podemos situar a CPPORT14CP-02 .2.1. 1. “Para incorporar palavras novas. nas duas primeiras perguntas. 112-113] 1. podemos entrever uma tomada de posição em relação aos factos.. que. é não reconhecermos o erro ortográfico quando o vemos e este facto é grave na medida em que o perpetua. Trata-se de uma retoma anafórica pronominal. na opinião do autor..4. O maior erro. 2. os das ciências sociais “limitam-se a sublinhá-lo” e os docentes de Português “ não sabem que peso atribuir-lhe”. Embora não apareça em primeiro plano. No entanto.1. | Textos | 5 Antes de ler [pág. A ordem dos parágrafos é: c.1. nas legendas televisivas.. “ele” (l. nas faixas. Segundo o autor. etc. recorrendo a regras da própria língua (1).. Exemplos possíveis: Assim.1. b.. 2. b. mas. 35. a. O grupo nominal a que se refere “nele” é “o erro ortográfico” que só aparece na linha 22. 38 e 43). 26).1.. O erro ortográfico encontra-se nos tapumes das obras. que constitui uma espécie de tributo ao pai e àquilo que o cartoonista aprendeu com ele relativamente à forma como se posiciona perante os acontecimentos. os léxicos das línguas dispõem basicamente de três mecanismos distintos: a construção de palavras. 1. como o título já anunciava. O autor faz esta afirmação porque os erros ortográficos proliferam apesar dos esforços dos professores. 2. é lógico que.1. 42). (in Grande Dicionário Língua Portuguesa. 1. Esta forma de destaque poderá indicar que o homem está desorientado. hoje em dia/nos nossos dias. 3. 36). os outros professores acusam-nos de serem responsáveis pela “pobreza vocabular” dos alunos e a redacção de actas e outros documentos é encarada como uma obrigação destes ‘puristas’ da escrita.6.1. Compreender [págs. chamando particularmente a atenção do leitor para o facto de o cartoonista se inspirar naquilo que o rodeia e para as suas constantes dúvidas e inquietações.. O antecedente é “os léxicos”. 121] 1. b. certamente.. 24.a pessoa quando se dirige directamente ao entrevistado. Temeridade – ousadia perante um perigo quase certo. 2. um homem com ar triste. “era uma pista onde a prova tinha decorrido”.]. isolado em relação àquilo que o rodeia.Módulo 3 Textos dos media I 17 que é certo é que este tipo de ‘programa’ tem audiência: “correu bem em termos de bilheteira…” (l.” 4. logicamente. b. faz perguntas pertinentes (que muitos leitores gostariam. 3. 23. Na introdução faz-se uma espécie de síntese do conteúdo da entrevista. os professores das disciplinas científicas “deixaram de o corrigir”. d. de fazer). Nota-se que a entrevista foi bem preparada: o entrevistador conhece bem o percurso do entrevistado e a sua obra.1. Acrescente-se que “o erro ortográfico” é ainda antecipado por diversas elipses (“[ele] Está também….2. ignorado pelos outros figurantes da foto. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor [pág.1. | Textos | 4 Compreender P – Português. imprudência. atribuindo-lhes novos significados (2).1.1.3... 117-119] 1. 3. e 2. nas “coisas” da Câmara. 117] 1. O autor afirma que “vai sendo um castigo” ou uma imprudência ser-se professor de Português pois estes professores são frequentemente colocados “ na posição de réus” e constantemente “colocados em trabalhos e tormentos”.2. 16). Hipóteses possíveis: “as pessoas tinham-se excedido um pouco”.. Luís Afonso ‘herdou’ do pai. O título da entrevista é uma frase do entrevistado (cf. A ordem é a seguinte: Ora. “dele/deles” (ll. é ele que está destacado já que a mulher que se encontra à sua frente (bem como o resto da foto) se apresenta desfocada. 4. destacado. actualmente. a. 5. 1. Na primeira foto vemos. a reutilização de palavras existentes. a importação de palavras de outras línguas (3). 34. 1.2.2. nos autocarros.3. 2. Anáforas: “o/lo” (ll. usando a 3. uso da primeira pessoa do singular). Porto Editora) 4. O entrevistador adopta um tom formal. nos painéis publicitários.2.3.. 4. 1. no entanto. Funcionamento da língua [págs.2.). Não podemos dizer que o entrevistador tenha formulado juízos de valor sobre as respostas dadas ou tenha procurado influenciar de forma óbvia o entrevistado. audácia.1.1.5. acto ou dito irreflectido com possíveis consequências desagradáveis ou perigosas. preocupado. [ele] circula…”. nos placards.2.

2. …). Por exemplo: clarividência (l. Através desta personificação.2. “creio que…”. Contribuem também para manifestar a incerteza do locutor a expressão “E nesse caso…” aliada ao uso da forma condicional “faria” e o recurso ao futuro (“será”. a maior parte das vezes. até. A ausência dos “verdadeiros” lisboetas do filme é explicada pelo facto de eles se comportarem desse mesmo modo “face ao Outro”. cidadãos de Lisboa iguais a todos os outros.4.2. 4. etc. isto é.18 Caderno do Professor | Resolução das actividades do manual foto em Lisboa pela placa atrás do homem. Orações coordenadas: “Nós agradecemos e eles retribuem. ou seja. uma certa curiosidade em relação às duas outras personagens).2. Os “novos lisboetas” são os imigrantes que vêm de todo o lado. 3. Compreender [págs. em algumas circunstâncias. A opção pelos grandes planos justifica-se pela vontade do realizador de não interpretar mas sim de ‘mostrar’. que representa todo o país. o uso da maiúscula no vocábulo “Outro” revela a preocupação do autor em evidenciar a importância destes cidadãos. A letra pequena faz bastante diferença na leitura da mensagem. assistimos a uma cena dentro de um autocarro: uma mãe com um bebé ao colo.2.2. quer na criança que não os ignora e demonstra. isto é. Por exemplo: o uso do adjectivo valorativo em relação ao trabalho do realizador (enorme. 4.1. por si só. Reescrita possível: “Lisboetas. os imigrantes retratados no filme. é identificada com os seus habitantes. o crítico chama a atenção do leitor para o facto de não haver grandes diferenças entre nós e os imigrantes que recebemos: tirando os problemas de ordem burocrática (legalização. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor Funcionamento da língua [págs. a meu ver. uma ideia temporal de situar uma acção num tempo posterior ao tempo em que se situa o acto de fala. Por isso. 3. Por exemplo: em início de frase.1. antes expressa um facto dependente de uma hipótese. 123-124] 1. “talvez”. na segunda a tónica é posta na esperança das gerações futuras (quer o bebé que está ao colo da mãe e para quem ela sonha. em meu entender. Sei também que a questão não será de importância relativa ou menor. Observação: Os verbos “agradecer” e “retribuir” são transitivos directos e indirectos. Se o título tiver sido grafado com maiúscula inicial. no dia-a-dia estes “verdadeiros” lisboetas estão ausentes/invisíveis em relação aos imigrantes. nos nomes relativos a meses do ano (“Janeiro”). “África”. são ‘verdadeiros lisboetas’. 1. As mensagens são opostas pois enquanto que na primeira há uma mensagem de solidão e isolamento. Através daquilo que o crítico classifica como “filmar a ‘seco’”.” 2.1. 1. o realizador mantém em relação às personagens uma “dose correcta de distanciamento”. 5.1.1.5. caso contrário. de ‘dar a conhecer’. acho que. 2. em particular de África e dos países de Leste. Predicados: agradecemos/retribuem.2.” Sujeitos: Nós/eles. . aqui. lisboetas. são eles (os lisboetas/os portugueses) quem acolhe os imigrantes ou quem os ignora. todos nós estamos irmanados tanto nas dificuldades como nos sonhos. isto é.1. expressões como: “Não estou bem seguro de que…”. Lisboa. correcta. …) nos antropónimos (“Sérgio Tréfaut”). Trata-se de um sujeito nulo subentendido [Nós]. não dependem deles nem da sua vontade. 1. introduz um valor modal: o ponto de vista do sujeito locutor em relação àquilo que é dito. “Nem sei também se…”.2. imparcial. de lhes conferir o estatuto de ‘verdadeiros lisboetas’. ser suprimidos da superfície lexical da frase. Referimo-nos a expressões do tipo: na minha opinião.2. 5. “poderá ter”. e não assim. Propositadamente optou-se por lisboetas com minúscula. Sendo intencional. um futuro melhor do que o seu presente. Ao lado. com caixa baixa. etc. penso que.3.1. poderia tratar-se de uma chamada de atenção para o estatuto de menoridade destes imigrantes. “poderá ter-se tratado”. nos topónimos (“Lisboa”. Através desta frase. P – Português. Será uma boa ocasião para explicar aos alunos que mesmo os complementos seleccionados pelo verbo (ou pelo nome) podem.2. Evidenciam incerteza. 124-125] 1. 4. o realizador terá querido salientar que estes ‘lisboetas’. “terá Tréfaut querido (…) mostrar-nos”) que não assume.3. A vida destes “novos lisboetas” não lhes pertence pois têm que lidar com uma série de problemas que. 3. Estou seguro de que no início do genérico do novo filme de Sérgio Tréfaut o gentílico surgia no écran com capitular. certamente. segundo o autor deste texto de opinião. olhando-o com ar sereno e embevecido. embora os respectivos complementos directo e indirecto não estejam expressos. Na segunda foto. o realizador deste filme ‘esqueceu-os’: é como se eles não existissem. uma outra criança observa a cena que se passa também em Lisboa (no autocarro que se vê ao fundo pode ler-se Restelo). contratos de trabalho.). 3. 99) e distanciamento (ll. emocional. 3. 99-100). parece-me que.

Os três últimos poderiam ser substituídos por conectores do tipo: “De seguida…”. oriundos sobretudo de Leste. frequentemente.a pessoa). Transitórias por definição. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor | Textos | 6 Compreender [pág.a pessoa) e no referente (3.3. 2. // … todos compreendessem que a migração humana em geral pode dar origem a uma tripla vitória – para os emigrantes. o aumento das taxas de sobrevivência infantil e de matrículas no ensino secundário. “Em segundo lugar…”. “Depois…”. // … que houvesse mais conversas deste género no mundo em geral. 2. a necessidade de mais factores de nivelamento entre países. ■ … de que todas as pessoas do planeta gostam muito de falar. entre outras.” “Finalmente. Oficina de escrita [pág. é subjectivo. Daí o facto de ele confessar. fazer parte da família das nações e dos povos. Trata-se do Campeonato do Mundo de Futebol. Nos dois últimos períodos do texto. hoje. é um texto curto. 126] 4. poderia optar-se pelo ponto final. as instalações tornam-se. Por exemplo: ”Por fim. qualquer instalação deve manter-se no espaço para que foi criada. em que todos os países têm oportunidade de participar em condições de igualdade. em relação a este fenómeno. na hora do jogo. “OBRIGADO.. “Finalmente…”. // … que tivéssemos mais factores de nivelamento como estes na esfera internacional. predomina a função emotiva. Proposta de resumo: “A palavra “instalação”. . pois expressa a opinião do seu autor. há uma espécie de diálogo virtual com o leitor.2. 3. permanentes.1. Por todo o lado e a todo o momento.” “Em suma…”. Elaine. No fim da frase.3. a obtenção de melhores resultados ao nível do Índice de Desenvolvimento Humano. no século XXI. “Em resumo…”. As principais características da crónica estão aqui presentes: o texto parte de um facto da actualidade. P – Português. (ll. pelas reticências.138-146) 3. “Por último…”. Além disso. ■ ■ … em que todos estão sujeitos às mesmas regras. as emissões de carbono. Este tema interessa ao secretário-geral das Nações Unidas por se tratar de um dos poucos fenómenos que é tão universal como (ou até mais universal do que) a própria ONU. de trocas livres e justas.. originalmente significando “procedimentos e (…) técnicas de exposição de obras de arte em espaços próprios”.1. aqui. Proposta de resumo: “Outrora país de emigrantes. … em que todas as pessoas sabem qual é a posição da sua equipa e o que ela fez para lá chegar. país de acolhimento de diversos povos. 1. um sentimento de inveja. // … na família das nações houvesse mais competições deste género. 138-146) 3. abrangendo. alargou o seu conceito. os “novos lisboetas” vão-se adaptando à cultura portuguesa. uma multiplicidade de campos artísticos cujas fronteiras se diluíram. até. emigrante remete para um movimento de dentro para fora (isto é.1. na segunda metade do século XX. A palavra melhor é.3. As questões que preocupam Kofi Annan são. “(…): o Campeonato do Mundo é um evento em que efectivamente se obtêm resultados. aquele que deixa o seu país) e imigrante implica um movimento de fora para dentro (ou seja. Embora ambas remetam para aquelas pessoas que abandonam o seu país de origem para se estabelecerem num outro.2. pelo facto de ser publicado numa revista.” [78 palavras] 2. 1. o discurso é directo e espontâneo. o comparativo de superioridade do adjectivo bom.4. Portugal tornou-se. celebrar a nossa humanidade comum... 2. “Em conclusão…”. etc.” (ll. 4.”: deveria haver uma vírgula a isolar o vocativo. as seguintes: o respeito pelos direitos humanos. o foco narrativo é centrado no emissor (1. para os seus países de origem e para as sociedades que os acolhem. Não me refiro apenas aos golos que um país marca. as infecções pelo VIH. aquele que se instala num país que originalmente não é o seu).4.2. refiro-me também ao resultado mais importante de todos – estar lá. O que Kofi Annan realmente inveja é o facto de um evento deste tipo conseguir aquilo que a ONU não consegue: fazer com que todas as nações sejam uma família e que celebrem juntas a sua “humanidade comum”. “Seguidamente…”.2. Kofi Annan revela-se o ‘adepto’ comum: aquele que.” [36 palavras] … que ilustra os benefícios da polinização cruzada entre povos e países. uma melhor compreensão da questão da migração humana em geral e das vantagens que este fenómeno pode trazer ao mundo. 2. vai torcer pela sua equipa (o Gana) e desejar que ela ganhe.1. 2. 130] 1. em função da intencionalidade que se pretenda atribuir à frase. havendo uma relação específica entre a obra de arte e o espaço em que é inserida – o site specific –. ■ 5. Os conectores são: “Em primeiro lugar…”.3.Módulo 3 Textos dos media I 19 1. “Em terceiro lugar…” e “…em quarto lugar…”.. pelo ponto de exclamação ou.

ainda. 3.2. 2. 57).1. b. nos apercebemos ). “Estou aqui…” (l. Neste texto. 3. 19). a que traz as restantes [palavras] consigo. V. E vai encontrá-lo. 62-63). V. “advérbio”.1. “[A crónica] continua acolá…” (l. “nossos olhos” (l. aprisionados ao passado. gozei. eu. b. O animal (pacaça): “pata”. prefiro. “parabéns pra você” (l. “período”. 134] ■ variedade brasileira do português: assinalar as diferenças encontradas em relação à variedade europeia: a. etc. se há muitos – embora/ainda que haja. V. “pescoço”. O deíctico “isto” apela ao saber compartilhado já que faz parte de uma expressão que retrata um gesto que tem que ser conhecido pelo interlocutor – “não se deslocou nem isto” significa “não se deslocou nem um bocadinho”.1. a opção por verbos que exprimem uma opinião (parece-me. Na origem desta crónica esteve uma notícia que a cronista leu no jornal Público sobre palavras de difícil tradução. “bloco” . 135] 1.1.1. 4. F (Através destas frases a cronista explicita exactamente a opinião contrária: a saudade é um sentimento que ela não aprecia particularmente. Hipótese possível: “Não se importam de se debruçar mais?” Ficha formativa [págs. a. 2. c. “de seus três anos” (ll. d. 2). 6). f. “cotidiano” 1. b. a. As expressões que conferem a este excerto coesão sequencial/temporal são as seguintes: “E então…” (l. “se afasta” (l. V. Estes dois advérbios marcam a distância entre o enunciador do discurso (eu) e o ‘objecto’ a que se refere. O tema é o processo criativo que está na base de uma crónica. F (O advérbio “talvez” introduz um tom de dúvida no discurso. “escritores”. “livros”. “romances”. l. “esferográfica” . “imagem”. V. (l. 15-16). como é norma no que se refere às crónicas.a pessoa do singular – leio. “fêmea”.1. suspeito. 48). 28). formas verbais na 1.3. Umas vezes [a palavra] vem logo. 30) 2.1. etc. 3. plano lexical: utilização de variantes lexicais de diferentes origens – “botequim”. “pele”. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor II | Pretextos | Tópicos de análise do Texto 2 ■ 1. 23-24) e “quando…” (l. ao passo que – enquanto que.) P – Português. “em torno à mesa” (l.20 Caderno do Professor | Resolução das actividades do manual | Textos | 7 Compreender [pág. forma escrita diferente: “crônica”. . 10). c. outras [vezes] [a palavra] demora séculos. “É altura de…” (ll. É claro que – obviamente. … c. V. etc. encontramos o autor à procura de tema para uma crónica. [págs. a. “caneta”. Trata-se dos pronomes indefinidos “muitos” e “outros”. opto) que configuram actos ilocutórios assertivos. “cabeça”. 2. 2. – e na 1. Os saudosistas. “macho”. 50). 1. “revista” . c. “papel” . “olho”. F. 3. 32). 25).) d. “coração”.1. “ a se convencer” (ll. 18. “costas”. “está olhando” (l. 2). 3. “cauda”. 65) – colocação do pronome átono antes do verbo: “me assusta” (l. “frase”. 9).1.1. 16). dificilmente progridem e são infelizes.2. 5). isto é. Embora a palavra saudade seja de difícil tradução. “De início…” (l. numa cena do quotidiano: a festa de aniversário improvisada de uma menina pobre. e. “patas”. “Depois…” (l. “chifres”. b.. a crónica. actos que traduzem uma verdade assumida pelo locutor. “página” .a pessoa do plural – olhamos. – construção aspectual (utilização do gerúndio): “estou adiando” (l. 137-138] 2. 33). “coice”.2. 139-141] I 1. “crónica”. F. [Eu] nunca tenho uma ideia: [eu] limito-me a aguardar a primeira palavra. directivo. “meu café” (l. “se mune” (l. Por exemplo: “Como nasce uma crónica”/ “O escritor à procura da crónica”. b. planos morfológico e sintáctico: – utilização do determinante possessivo sem artigo: “de seu disperso” (l. “cornada”. etc. “garçom”. o texto (crónica): “palavra”. A presença da autora é explícita quer através das marcas de primeira pessoa (pronomes pessoais – me. de salientar. Por exemplo: Assim – Desta forma. Traduzir determinadas palavras é quase impossível. e. “adjectivo”. Funcionamento da língua [pág. traduzi-la-emos. Ainda assim – Mesmo assim. V. 1). – diferente utilização das preposições: “Visava ao circunstancial” (l.

o mito garante a unidade do grupo. Eis a notícia que surgiu no Público: Palavra “saudade” é de difícil tradução A palavra portuguesa “saudade” foi considerada o sétimo vocábulo estrangeiro mais difícil de traduzir. da área Kansai. povoadas de deuses e heróis. “Apesar de as definições parecerem bastante precisas. uma fábula. o mito é uma crença. que é a palavra em iídiche (língua falada por algumas comunidades de judeus oriundos da Europa central e oriental) para uma “pessoa cro- nicamente sem sorte”. A palavra japonesa "Naa". a tolerar uma segunda vez. A mais votada foi “ilunga”.Módulo 3 Textos dos media I 21 5. levada a cabo pela agência londrina de tradução e interpretação Today Translations. o problema é tentar transmitir as referências locais associadas a tais palavras”. 5. Assim. tendo uma função social inegável.2. uma história contada para aclarar um conceito abstracto.1. Proposta de resumo: Proveniente do grego (mythos – narrativa. [65 palavras] P – Português. mas nunca uma terceira vez”. Jurga Zilinkiene. ao contar histórias sagradas. atribuindo-os à actuação de entes sobrenaturais. III 1. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor . Em segundo lugar ficou “shlimazl”. segundo uma votação realizada por mil linguistas. foi a terceira mais difícil de traduzir e significa “enfatizar declarações” ou “concordar com alguém”. 25-06-2004 (adaptado) 2. lenda).” (orações coordenadas copulativas). afirma a presidente da Today Translations. Em suma. de uma língua falada numa região da República Democrática do Congo e que significa “uma pessoa que está disposta a perdoar qualquer abuso pela primeira vez. in Público. disciplinando e favorecendo os comportamentos e a solidariedade sociais. os mitos explicam factos incompreendidos. Predicativo do sujeito. que conduziu a sondagem. Por exemplo: “Nunca está feliz e vive preso ao passado.

A pontualidade da acção é marcada pela expressão temporal “Um dia…” e pelo recurso ao pretérito perfeito – “foi”. “uma sala grande” (l. distribuo louças. A posição do adjectivo qualificativo é tipicamente pós-nominal. 151] 1. Mas resolvi não interferir.” (ll. camisolas.2. 1). Finalmente. e 2.2.1. sapatos.” (ll. 34-38. 2. O tempo verbal predominante é o pretérito imperfeito do indicativo – “era”.. 3. quadros. casacos. 95-96) Então.1.a personagem: “uma jovem loura” – ll. as personagens “sempre são gente. 63-66) Logo depois. próprio para computador e impressora (ll. quanto ao segundo. olho para fotografias a sépia. 3. Recordo a Graciete. “se enchia”. 150] 1. 151] 1. “dizia”.” (ll.2. Eis os dois últimos parágrafos do texto original: “Hoje regresso à casa. pedindo ‘apenas uma lembrança. na urgência do senhorio que me dá três meses para a ‘desfazer’. etc. 2. cheia de vidros e quadros de gôndolas e açudes” (ll. causem algum dano aos “utentes da via pública”. Rasgo papéis de uma vida inteira. 2. toc. 148] 1. 53) 3. 7-8) “o corredor enorme.” 3. 2. por exemplo. 29-30. Compreender [pág. passando a avaliativo (valor subjectivo): a casa não era apenas grande em tamanho (“uma casa grande”). O adjectivo anteposto ao nome deixa de designar uma qualidade objectiva. Cada um destes espaços é descrito também através dos objectos que os enchem – “A sala. eu era tão amiga dela!’ Só não consigo tocar nos armários dos lençóis. “… toc. Primeiro. “servia”. em “uma mulher grande/uma grande mulher.2. a saltar ao alcance dos meus dedos é que nunca me tinha acontecido. “o . As onomatopeias são palavras acusticamente formadas com o objectivo de imitar sons ou ruídos.1.2. não o segue por questões de humanidade: por mais insignificantes que sejam. magrita.22 Módulo 4 Textos narrativos/descritivos I | Textos | 1 Antes de ler [pág.) E se ele estivesse armado? Pelo aspecto não parecia. 13-14).2. há sempre um parente de um parente que me faz saber que isto ou aquilo ‘lhe faria imenso jeito’. É esta mesma diferença de sentidos que podemos encontrar. depois receio de que a personagem feminina lhe riscasse a secretária com os saltos.a personagem: “um homenzinho magro” – ll. de inalterabilidade. debruçada no bastidor. jarras. A partida da Graciete para o Canadá. “estremeceu”. 85-88. uma amiga velha/uma velha amiga”.. 16-23). a surpresa – “Não foi esta a primeira vez que me vi assediado por personagens.” (ll. “arrumou-se”.1. “acumulava”. Os advérbios de modo “lentamente” e “cuidadosamente” apontam para o desvelo e para o tempo que era dedicado a estas tarefas (inúteis). muitos armários” (ll.” (ll. 15-16. decide “aprisionar” as personagens no texto. O cenário é um móvel com dois tampos.. 1. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor Oficina de escrita [pág. P – Português. 3.1. Os advérbios de tempo: “nunca” (quatro ocorrências) e “sempre” (duas ocorrências) – remetem para um estado de permanência..2. 146] 3.” (l. 20-24. ganhando rugas na cara e | Textos | 2 Compreender [pág. à medida que se vai percorrendo a casa – “uma grande casa” (l. A descrição é feita do geral para o particular. “desatavam” – tempo típico da descrição que sugere o aspecto durativo ou habitual e aponta para a repetição de uma acção no passado. 92) “…o tique-tique dos saltos. 41-46. (ll... 33-39).…” (l. 48-50. corredor enorme” (l. algum medo ‘disfarçado’ – primeiro do “homenzinho ginasticado”: “O que pensei logo foi ‘com este posso eu bem’. a vontade de interferir – que acaba por controlar – “Sobreveio a tentação de lhe dar uma ajuda com os dedos. é assaltado pela inquietação o que o leva a pedir ajuda a um amigo – “Mas o receio de que pudessem surgir mais personagens inquietou-me. (ll. algum enternecimento – “Eu comecei a enternecer-me.a personagem: “O velho. “assustava”. O narrador não segue o primeiro conselho pois não quer arriscar-se a que as personagens. ou um rosto que não reconheço mas que me bate à porta e me enche a cara de beijos.2. 29-32) De seguida.2. 98-99) Finalmente. A repetição do adjectivo “inteiro” evidencia a duração temporal – foi uma vida inteira que a Graciete passou “debruçada sobre o enorme bastidor de madeira”. e 1. 46-47) Seguidamente. 16).1. de barba branca” – ll. “abria”. povoado de mesas. 1-20). 2. 11) “muito fria e escura” (ll. 2. (. espelhos nas paredes (…) e armários. uma personagem de doze centímetros de altura. (…) Agora. o espanto.3. o narrador centra-se na roupa que é guardada dentro dos armários. de gente de quem já nem recordo o nome. ao serem atiradas pela janela. 146-148) Funcionamento da língua [pág.

3. já que/porque. entre outras. A forma como Deus reage à recusa dos dois anjos está directamente relacionada com a forma como cada um deles a formula: enquanto que o segundo anjo se dirige a Deus respeitosamente. Assim. a grande lição parece ser que podemos conseguir mesmo aquilo que aparentemente é impossível.° anjo – “mais prático e destemido” (l. 3. 1.2. talvez/provavelmente/quiçá. portanto. O princípio de cortesia pode determinar. faltava-lhe em fé” (ll.2. sem sombra de arrogância” (l. embora. 4. respeita claramente um dos princípios pragmáticos que é determinante no desenrolar da interacção discursiva: o princípio de cortesia. o segundo anjo. anáfora pronominal (lhe/ /aquilo) e elipse (“[Deus] explicou-lhe…”) 5.Módulo 4 Textos narrativos/descritivos I 23 calos nos dedos à medida que o linho se enchia de flores. “exigiu-lhe”. por exemplo: “Não te importas de tirar as asas e voar?” ou “E se agora tirasses as asas e experimentasses voar?” 2. uma certa suavidade da força ilocutória dos actos directivos. poderíamos ter. 34).1. um sujeito mais cordato e delicado. não me perdoem por não ter sabido continuar a esperar por elas. mas voava. 33). ao contrário do primeiro. 27).3. 2. também chamado conto etiológico – relativo ao estudo sobre a origem das coisas ou das causas de certos factos. Uma interpretação possível: Cada um dos anjos dá-nos uma lição: com o primeiro e o segundo podemos aprender que a humildade e a capacidade de adaptação do discurso à situação de comunicação nos ajudam a conseguir os nossos objectivos. 156] 1. Homofonia. 1. sensibilizam-se os alunos para o conto sobre as origens.1. Desempenha a função sintáctica de modificador da frase.1. b. 2. Quando o primeiro anjo lhe desobedeceu. é preciso acreditar. 56-58). 1. Quando o segundo anjo se recusou a voar sem asas. fenómenos – tão frequente nas culturas africana.° anjo – “um sujeito mais cordato e delicado” (l. Ao contrário. 3. com o quarto anjo. a imprudência. 155] 2. Trata-se de um advérbio. asiática e ameríndia.2. esses seres misteriosos que povoaram a minha infância. a ambição. 6. O sentido da metáfora é resumido na frase que se lhe segue: “Enfim.2. 5. Acto ilocutório directivo (pretende conduzir o interlocutor à realização de uma acção). por exemplo. aves do paraíso – e receio que as visitas. 6. 2. Assim. Podem ser apontadas. Exemplos possíveis: porém/contudo. 4. o primeiro anjo opta por escolhas linguísticas não adequadas ao tipo de relação entre os interlocutores (É o ‘a quem se vai dizer’ que condiciona o ‘o quê/como se vai dizer’). voava. descriou-o”.” (ll.1. P – Português. grinaldas. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor | Textos | 4 Antes de ler [pág. Paronímia. Compreender 1. até um pouco simplório (…) grande talento. 1. 4. O segundo anjo era.° anjo – “lhe faltava o essencial. 19). remete para o conceito de modalidade. Deus “num rápido gesto de enfado.2. [pág. além de uma educação um pouco mais esmerada” (ll. entre outros. . a ideia de acção contrária. em comunhão com a natureza.1.1. o Criador apiedou-se dele e deixou-o ir. O neologismo “descriou-o” significa.1. a fé. “tirar a existência”. “Criar” significa “dar existência”. 16-17). a temeridade. 6. 40-41). a desobediência. “o que lhe sobrava em disciplina. Para tal. 46-48). o quarto anjo transformou-se num ‘instrumento’ de Deus: “Diz-se que esse anjo sem asas se passeia entre os homens (…) incógnita. 1. a.1. Provavelmente porque o segundo anjo se libertou da mão criadora e vive.1. 157] Observação: Através da leitura deste mito tradicional chinês. Homonímia. Observação: O exercício 3. 153] 5. expressão que evidencia um grau máximo de certeza. a lição do terceiro anjo parece ser a de que a obediência cega não é um bom princípio. Funcionamento da língua [pág.”.” | Textos | 3 Antes de ler [pág. “Sem dúvida”. sem obrigações. Coesão interfrásica (Após). “ordenou-lhe”. 3.3. ou seja.1. Por exemplo. “mandou”. “humilde. “respeitoso e de poucas palavras” (l.° anjo – “um anjo alegre.” (ll. voava mal. o prefixo des.2.exprime.

São lagriminhas do pássaro que sonhou pousar na lua. Situação inicial – ll. rosnadas. permitindo compreender o contexto em que ela surge.1. 91-92). ■ 3. A primeira parte do conto é uma espécie de introdução à história da avezita. por exemplo. ela chorou.1. 16). “[no seu] em seu poleirinho” (l. pronominal – lhe (l. 28-29).1.” (ll.exprime aqui a noção de reforço (como.’ ” (ll. 10) [deu-me]. 13.. 6) e luarar-se (ll. 3. 9. O pai de Rita não consegue o seu intento de a adormecer contando histórias.3. g.+ alisou. 46). 89-91.2. 6. desenlace – ll. 35-39. Rita tem dificuldade em adormecer porque é assaltada por medos. 17). ‘explica-se’ a origem do cacimbo: “Sobre as primeiras folhas da madrugada. 22). Compreender [pág. “[Os] Seus colegas” (l.1. “… para fazer pousar o sonho dela e desencorajar os seus infindáveis ‘e depois. Era “um homem folgazão de barriguinha inchada” (l. sua (ll. Aida (l. | Textos | 5 Antes de ler [pág. 13-15. 43-46. “Me deu” (l. 3. O uso dos adjectivos “cativa” e “aprisionada” sugerem que.3.. 17. 159] 1.2. d. a. 33. 2. “calvo e baixote” (l. A origem do cacimbo (nevoeiro denso que se forma à noitinha em alguns pontos de África.3. tu. em desgastar . “luarejar”. 19). que é amigo de crianças”. 3. 8.1. nesta perspectiva. luarejar (l.” (ll. De tanto sonhar.4. pág.3. e 1. 14): forma do verbo “imensidar” (= crescia. 1. 161] 1. 29): des. Rita ouve na rua relatos de crenças tradicionais que aumentam o seu fascínio em relação à lua.4. provavelmente. 34). 13). 11).24 Caderno do Professor | Resolução das actividades do manual No conto de Mia Couto. 160] 1. desinquieto) estrelinhada (l. vinhas (verbo de movimento) Deixis temporal: sonhei. 43): = estrelada.” (ll. “[A] Minha filha” (l. voltou a ouvir a pergunta de sempre.1. 10-11). Mia Couto utiliza menineira como nome (= criancice. f. agigantava) insistonto (ll.. trovejantes” mas passageiras (ll. Deixis pessoal: Eu. 4. 3. 80-88).2. 165] 1. 27. 5. O prefixo des. chuva miudinha). ■ ■ ■ ■ ■ ■ 4. parte preparatória – ll. 33)). 10. de Antes de ler. 98-100). h. 16) [chamavam-na]. m. Américo Pedrinha é casado com D. “Os outros lhe chamavam à térrea realidade” (l. 25. 158) 1. 16)..2. 16-17): insistente + tonto menineira (l.4.1.1. l. vinhas. no final desta história. 24. 11. 31). j.. . entre outras.3. 4. c. 43-44). 19.. Recorrência: nominal com repetição do nome: avezita (l. 3. 16-20.” (l. com o significado de “que tem aparência ou modos de menina(o). 16. 21-42. O narrador é o mesmo. Apesar dos pequenos desacordos típicos de qualquer família. ave* (ll. passarinho sonhador (ll. 94-95… Compreender [pág. “[O] Seu sonho” (l.1.. 23). ele (ll. 35-37)). Ver pergunta 1. 3. 44-45) ■ ■ * Nota: as palavras assinaladas aparecem duas vezes – as duas primeiras – e três vezes – a terceira – pelo que.. 27. 35) Pode ainda referir-se a recorrência pela repetição do determinante possessivo: seu (ll. com substituição lexical – passarinho* (ll. e 2. 4. há (desinências verbais de tempo).1. a avezita acabou por ver o seu sonho tornar-se realidade. infantilidade) desalisou (l. 34) nominal. 4. não era dado a aventuras (ll. No texto. sonhaste. seus (ll. Embora gostasse de apreciar as mulheres que via passar. 30. 1).. Ver Observação em Antes de ler. 2. 7. 21. ela (ll. tombam gotas de cacimbo. me Deixis espacial: aqui. infantil. Américo Pedrinha “era feliz e ninguém sustentava qualquer dúvida a respeito de tal felicidade. falaremos também de repetição do nome. com frequência. Neste conto aparece encaixada a história que o narrador conta à sua filha. 3. 2. É “ser lua”.. 30. avezinha enluarada (ll.1. Ainda não foi desta vez que conseguiu o seu intento já que. “indisposições” “negras. P – Português.2. b. 45-46. e.. 18): esta palavra existe como adjectivo. nó da intriga – ll. 12. 16. Tinha. 19-20): verbos formados a partir de lua (= transformar-se em lua) imensidava (l. 35) e mostrava uma educação pouco esmerada (“soltava estrepitosas (…) digestões. 31). “Lhe inventei” [inventei-lhe] (l. Funcionamento da língua [pág. i.2. 76-88. 14). Cf. a avezita não estaria muito satisfeita com a situação (“Triste.2..1. pássaro* (ll. 10) e tem dois filhos – “um rapaz solene (…) e uma rapariga (…)” (ll. 14. 3. A menina quer sempre mais. ll. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor 2.

“soltava”. Funcionamento da língua [pág.3. Arnaldinho. toma uma pílula que havia roubado de uma das salas do Museu. Aida (…) femininas. por sua vez. 80). 3. “era”. 128-129) e. 2. (…) seus cavalos.Módulo 4 Textos narrativos/descritivos I 25 2. um conjunto de peripécias que vão levar ao desenlace. O advérbio “enfim” introduz uma conclusão e “enquanto” é um conector temporal (conjunção subordinativa temporal) que remete para acções simultâneas. E acrescentam: – De um momento para o outro.” (l. “tinha”. “Deste sonho inteirinho se apoderara D. 173-174] P – Português. ll. 168] 2. que ia morrer e que estava farto daquilo.2. A analepse consiste no relato de acontecimentos anteriores ao presente da acção. Tijoleiro parece enlouquecer e é levado para o manicómio. 5. . Nos dois exemplos da alínea anterior. e desvenda-se o mistério da situação estranha que a personagem estava a viver (ll. 1-32). Por exemplo: “Nos seus tempos – (…) do bom vinho francês.. 2. para não “parecer a Deus e às línguas deste mundo” que tinha “pressa de se encontrar viúva.) miscelânea de todos os animais. 151-155). Nó da intriga – “Com um sorriso (. 3. Há alguma frieza na forma como esta questão é encarada: a filha tinge os vestidos de preto porque “a moda era o preto” (l. pensando vender a “quintinha” que era a menina dos olhos do pai (Cf. 4.1.2. 54)). Os dois adolescentes não tinham orgulho na figura do pai (Cf. de Compreender.” (ll. 133-136) e os efeitos que essa história terá tido em Américo Pedrinha. Depois da conjunção subordinativa temporal “Quando…”.” (ll. depois de se aconselhar com “a velha Felisberta”.” (ll. 5. 33-102). isto pode fechar. 51).” (ll. Aida “ suspeitava (…) que o homem se deixara encantar por alguma mocinha” (ll. O pronome demonstrativo com valor anafórico “aquilo” remete para o desaparecimento de Américo Pedrinha. 2. chegando mesmo a forjar provas dessa viagem.2. A expressão temporal “Antes de…” introduz um conjunto de verbos no pretérito imperfeito: “sentiam”. Os colegas de escritório imaginavam que ele poderia ter partido porque “as coisas no escritório não andavam famosas” (ll. Ver resposta a 1. Tijoleiro visita o Museu Histórico e. talvez por nem sequer ser bem compreendida ou por ter saído da boca de um homem estranho “que cultiva nespereiras na varanda” (ll.1. 70-71).” (ll. “mostram”. Mas isso é mal geral pelo país fora.” | Textos | 6 Antes de ler [pág. “Na manhã desse dia (…) – comentaram os amigos. Apresentação de Tijoleiro. Olha agora se todos se lembrassem de dizer ‘Passem bem’ e de voltar as costas? Além do mais. A versão de Arnaldinho não foi tida em consideração porque “ninguém sabia o que fazer com ela. dirigindo-se. sugere que ele terá feito algo de semelhante.1. ao almoço. 28-31)).” (ll. a primeira analepse dá-nos conta do ‘sonho’ de Américo Pedrinha e a segunda relata os últimos acontecimentos antes do seu desaparecimento.1. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor 1. Situação inicial – “Viveu em tempos (…) contra os seus planos e expectativas. por isso.2. Por exemplo: o facto de D. “homem moderno” e apreciador dos prazeres da vida. 15-26). 37-38). “começaram”. 27-28) e “E até os filhos (…) projectavam na venda da quintinha todas as suas esperanças…” (ll. “falam”. decidiu não pôr luto. de seguida. ao contar o enredo do filme em que “os índios sentem chegar a morte e se retiram. 1. 167] 1. Aida e os filhos fazerem contas à ‘herança’. 1. 103-150) – Desenrolam-se. Os filhos fizeram constar que o pai “andava viajando pelo mar” (l. Por exemplo: – Pois é certo que as coisas no escritório não andam famosas – comentam os colegas. talvez por ser considerada absurda.2.. 2. A suspeita de D. os verbos aparecem no pretérito perfeito: “desapareceu”. Parte preparatória – “Pouco tempo após (. Desenlace – “Desesperado (…) para um manicómio. Discurso indirecto: “Américo Pedrinha disse-lhes que passassem bem. 39).1. “arrotava”. D.”. talvez para não terem que passar por aquilo que sentiriam como sendo mais uma vergonha perante os amigos.2. a mãe. Trata-se do discurso indirecto livre.” (ll. ao Jardim Zoológico. 57-58). A expressão temporal “Ainda agora…” remete-nos para o presente pelo que os verbos se encontram no presente do indicativo: “forjam”. 93-116) 4. 5.1. Provavelmente sentiam-se envergonhados com a forma como ele se comportava e daí o amor que sentiam em relação a ele ser “enervado e arisco”.. mas também porque gostava de cores fortes (“adorava azul-turquesa” (l. 68-69) como acontecia “em folhetins (…) e nas novelas da televisão.3.) um bilhete de domingo. 117-119).” (ll. não merecer credibilidade. Aida é contrariada pelos testemunhos dos amigos de Américo Pedrinha que “juravam a pés juntos que não lhe conheciam aventuras. a partir da linha 103.. “são”. 123-124).” (ll. cá vai correndo o tempo e o escritório ainda não fechou.3. Compreender [págs.” (ll.

1. como não gosta da família dela. pois o tempo da acção desenrola-se de forma linear. “despreocupados” e brincalhões. apelida Tijoleiro de “ orgulhoso ” e “ estúpido ”. 5. 3. os ursos (ll. Cf. 4. É orgulhoso.” (ll. 49-50. “Com um sorriso de boa disposição…” (l. e 4.5.26 Caderno do Professor | Resolução das actividades do manual 2. primeiro amável e. “com voz grossa”. 65-74. 137-138). os gaios (ll. os macacos Maqui (ll. ll. 117). como ele próprio o confessa e como se vê através de muitas das suas atitudes. “… atónito e desorientado…” (l. de forma indirecta.3. modelada e principal. depois. “majestoso”. o momento em que Tijoleiro rouba a pílula (ll. E.1. Tijoleiro entra no átrio do Jardim Zoológico. Ao arrancar do corpo as peças de vestuário e adereços. Entre outros. O conceito do que é ‘normal’ não pode nunca ser separado do contexto social e cultural.” (l. “sombrio e altivo”.4. 5. 116-122). 81-86). meias pretas. um “profundo desdém. No Museu Histórico. 125-130) “todos o desconsideraram” e não compreendiam por que razão estavam eles presos enquanto que os homens. resignação e tristeza” manifestava. “Horrorizado num susto indescritível…” (l. “Perturbado…” (l. Ficha formativa [págs. achava os visitantes uma “gentalha”. Não deve. um pouco arrebatado. ser considerado como único. a Lena. desesperadamente. malcheirosos e indecorosos” e “emproados”. O vento abriu-lhe o bibe e. ll. 113). 4. nele. Tijoleiro tenta.”. 8. 138-139) suportando “a sua prisão com decoro” e “cheios de humor”. chamam-lhe “unhas-de-fome”. 7. 177-179] I 1. 62-63. “Mas ficou desiludido.3. 38). “bípedes horríveis. a acção desenrola-se num restaurante e. a camurça. “… e foi imenso o que nele se perdeu. o cabrito-montês. As sequências desta narrativa são encadeadas.2. porquanto teve um fim precoce e estranho. No fundo. Júlio e Luciano são amigos. a descrição do fato e da bengala de Tijoleiro (ll. 35-36) 3. usa esse facto como pretexto para dizer que também não gosta dela. um tremendo desprezo. 87-88) e no restaurante o momento em que decide tomá-la (ll.3.3. 103). degenerados. Luciano – é caracterizado psicologicamente pelas suas atitudes e reacções. 146). “melancólico”. 97-98). 133-135).. sendo a última dedicada às superstições na Idade Média. 4. andavam em liberdade. No museu. pois.3. pois não é bom que o homem fique só. “belíssimo”. no início da segunda parte. 4.” (l. um pouco atrevido. 117-119. De seguida.1. 2. emproados. brincam juntos e estão ambos apaixonados por Lena.2. P – Português. o lama. O chimpanzé (ll. 41-45. em relação a Tijoleiro. o leão (l. impulsivo. 135). “… a sua angústia e o seu pavor…” (l. Tijoleiro passeia por três salas que têm expostos objectos diversos. alguma tristeza quando fala com Juliano pois gostaria de estar no seu lugar. 4. por momentos. Gosta de Lena. os javalis. Tijoleiro procurava encontrar nos seus semelhantes algum sinal de compreensão da “sua angústia” e do “seu pavor”.” (l. Lena – caracterização física directa: “Vinha de sapatos pretos. 41-44) e dos objectos expostos nas diferentes salas (ll. finalmente. um grande laço preto. Uma leitura possível: O julgamento que fazemos acerca dos outros e do mundo é apenas o ‘nosso’ olhar. sentindo o prazer da corrida. mas como está convencido de que ela gosta de Luciano.2. é apresentado mais um indício: “Talvez tenha sido este. está profundamente transtornado e desorientado. muito contra os seus planos e expectativas.” (ll. 54-57. 9). mentirosos…”. o gnu.” (ll.1. o seu mal. “– Parece uma andorinha (…)” (l. a pantera (ll. “É bem bonita. Passou. bibe preto. 59-60. 30-32) Note-se que. Neste último parágrafo. 3. Esta personagem é dinâmica. sobre os cabelos claros. não tem coragem para assumir esse sentimento. deixar de se parecer com os homens que os animais tinham acabado de desmascarar diante dos seus olhos e que se tinham transformado numa “desagradável sociedade de seres semelhantes a animais. 142). 3..2. Tijoleiro passa do desespero à vergonha de si próprio. Gosta de Lena mas.2. 110-113). 132-133) digno e sábio. Júlio – é também caracterizado sobretudo psicologicamente e indirectamente. aristocrática e comedida. precisamente. com “dois grandes olhos castanhos ”. 104-109) – “grande”. “… ficou aterrado até ao mais fundo do seu coração. cujo “ olhar expressava nobreza.. Toda ela vestia de luto carregado. 4-8). airosa e veloz. nem anular outros pontos de vista. portanto. de tal modo que o fim de uma sequência é o início da seguinte. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor . Mas os seus movimentos eram leves e cheios de vivacidade. Nota-se. o falcão-das-torres (ll. 6. apareceu a descoberto o colo muito branco que formava com o rosto uma mancha alva no meio do luto. 140). o puma (ll. não declara esse sentimento a Lena. 107).1. o alce (ll.

naquele momento. Substituições possíveis: 1. acrescentando que. numa exagerada surpresa”) vem destacar esta vontade de chamar a atenção de Luciano que insistia em fingir que a ignorava. se fosse com ele. 7. P – Português. ■ O segundo diálogo é esclarecedor quanto à personalidade de Luciano (“.. Em conclusão. A acção passa-se num largo cujo chão.. que vai tendo para com Lena atitudes que contrariam aquilo que sente por ela. 5. O que Lena pretendia. A forma como se refere ao carreiro de formigas (“exclamou ela. já ele a namoraria.” l.Módulo 4 Textos narrativos/descritivos I 27 3. correndo em círculos cada vez mais largos.1. 12). onde os rapazes jogam berlinde. “protestou”. É através do primeiro diálogo – entre Luciano e Júlio – que ficamos a perceber as relações entre as três personagens: Embora o negue. ■ ■ 6.. Lena gosta de Luciano. com um ar superior. é de “pó alvacento” (l. 9) é extremamente expressiva e revela carinho e admiração por Lena. 2. Júlio sorriu com tristeza e replicou que bem tinha visto que ele tinha ficado danado. Júlio gosta de Lena mas sabe que não tem qualquer hipótese de ser correspondido. Acrescentou que ela [Lena] andava sempre à volta dele e que ele corria com ela e que. o diálogo caracteriza indirectamente as personagens e contextualiza o narratário. sem circulação de viaturas. ela tinha passado sem o olhar e ele tinha ficado danado.1. era aproximar-se de Luciano.a ocorrência: “reagiu”.. A comparação utilizada por Júlio (l. exclamou”… 8. Luciano cortou dizendo que tal não tinha acontecido/não era verdade. 4. a ocorrência: “ declarou ”. “comentou”…. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor .1. Trata-se de um lugar sossegado. Proposta de discurso indirecto: Júlio disse a Luciano que não o percebia. Luciano gosta de Lena mas não da família dela. 54).

Sujeito simples. ➜ complemento do nome c. interjeição 10. h. b. 5. b. na próxima semana. c. 2. Eles regressaram a casa. Eles trabalharam toda a noite. e. 7. 1. Exemplos: a. l. 6. b. Porque se atrapalhou (…) ➜ oração subordinada causal e. [págs. a. g. um vocativo 8. predicativo do sujeito 7. c. c. Existe na I e na II.. ➜ oração subordinada final d. portanto devem estar cansados. ➜ orações coordenadas copulativas 3. f. mas não estou cansado. e. nascer comprar estar chover ■ ■ ■ 7. 9. um verbo copulativo 6. O Rui. h. foi colocado em Beja. n.. b. ➜ complemento do nome 1. 9. 13.28 Bloco informativo | Ficha informativa | 4 1. quantificador determinante nome verbo adjectivo ■ ■ ■ ■ 11. d. sapientíssimo. por um verbo auxiliar aspectual + preposição “de” + verbo no infinitivo b. 4. Anoiteceu de repente. 7. Uma mulher idosa era visitada pela Laura. conjunção subordinativa condicional 9. b. testemunha 3. e. todos os dias. e. a. 197-199] 10. por um verbo auxiliar modal + preposição “de” + verbo no infinitivo c. 4. 5.1. 5. ➜ oração subordinada causal c. 4. d. ➜ oração subordinada temporal P – Português. O jantar de aniversário foi muito participado. d. Soa o canto do pintassilgo. c. a. 14. 2. 7. d. a. ➜ modificador do nome apositivo f. arroz inteligente nadar até ■ ■ ■ 8. A decisão do Governo foi bem recebida. f. (…) antes que os convidados tivessem chegado. d. ➜ modificador do nome restritivo b. Ali não há nada interessante. a. e. Tito. b. o meu primo. [págs. b. 2. 3. A condenação do réu era esperada. Ficas a estudar ou vens ao cinema? ➜ orações coordenadas disjuntivas d. 5. m. Enquanto: conjunção. 2. ➜ orações coordenadas conclusivas b. 4. 6. b.1. m. a. 204-207] 1. 1. c. l. A representação do Auto da Barca do Inferno foi vista por todos os alunos. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor . ➜ orações coordenadas adversativas c. modificador preposicional 7. a. g. dulcíssimo. 5. a. fidelíssimo. complemento directo 6. ➜ modificador do nome restritivo g. 1. É necessária uma revisão do contrato. complemento agente da passiva 9. d. chega hoje. Ontem: advérbio. b. a. h. i. 2 | Ficha informativa | 6 1. c. Nunca me diverti tanto na minha vida nem andei tão descontraída. f. 2 + 1. c. 213-217] | Ficha informativa | 5 [págs.2. 5. (…) onde há silêncio. interjeição conjunção preposição ■ ■ 12. b. b. (…) porque não esteve atento. j. predicativo do complemento directo 11. O meu irmão mais novo adoeceu. 3. amaríssimo. 3. b. Bolas! : interjeição. ➜ modificador do nome apositivo e. 2. b. g. 5 13. 1. 2. l. e. e. 8. ➜ sujeito simples 4. b. d. i.1. d. a. d.1. 2. 6.1. c. Corri dois quilómetros. a. d. e. vítima 4. b. Quando o Sol se põe (…) ➜ oração subordinada temporal b. Chegaremos por volta das cinco da manhã. A avenida foi ocupada pelos manifestantes. 1. (…) para que sejam feitas obras. ➜ complemento do nome d. 4. f. i. que vive no Porto. tendo por núcleo “letras”. Os bilhetes serão comprados pelo Pedro. ele : pronome. 4. Pus o despertador junto de mim. 5. fragilíssimo. Exemplos: a. j. a. 1. j. d. meteorológico: adjectivo. 3. ➜ oração subordinada relativa sem antecedente f. e. 5 12.

e. Pediram-me que tivesse paciência. a. que tiveram boas notas ➜ oração subordinada relativa restritiva b. Os alunos vão à visita de estudo ➜ oração subordinante. ➜ complemento directo e. a rapariga vestiu uma roupa fresca. 6. Ele sentou-se num lugar da primeira fila para ver tudo. Ele perguntou que horas eram. f. Eles lembram-se de que tu fazes anos hoje. apenas os alunos que tiveram boas notas vão à visita de estudo. (…) embora houvesse barulho. 8. . (…) que todos a respeitavam. c. Diz-se ➜ oração subordinante. g. (…) que ficaram exaustos. e 14. Exemplos: a. e. Como lhe doíam as costas (…) ➜ oração subordinada causal c.1. Ele falava tão baixinho que os alunos não o ouviam. Ele comprou tudo quanto havia na loja. orações subordinadas relativas restritivas 12. O livro de que me falaste é interessantíssimo. ➜ oração subordinada consecutiva 9. ➜ complemento directo b. O Raul combinou uma saída com os amigos. b. São uns indivíduos estranhos dos quais pouco se conhece. ➜ oração subordinada comparativa P – Português. Como o Sol brilhava intensamente. h. (…) que viesse cedo. c. Convém que te despaches. b. Os alunos vão à visita de estudo ➜ oração subordinante. Só te telefonarei se chegar cedo a casa. a. ➜ oração subordinada concessiva h. Os automóveis que andam a gasóleo são mais económicos. d. A Rita come mais fruta do que doces. O teu rosto está branco como a cal. a. 14. 12. (…) como se eu fosse transparente. ➜ oração subordinada comparativa b. a. O calçado que é fabricado em Portugal é exportado para vários países. f. Esta é a rapariga a quem o Rui se declarou. Ele acredita em tudo quanto lhe dizem. ➜ sujeito f.1. b. ➜ sujeito c. a. b. 10. b. Afasta-te das pessoas que são agressivas. g. f. O Tomás teria desenhado a sua própria casa caso tivesse tirado o curso de Arquitectura. c. c. d. c. Enquanto não me pedires desculpa. As saias que têm pregas usam-se muito este ano. que dizia ➜ oração subordinada completiva. 4. O jornalista perguntou se os impostos iam aumentar. 7. e. Fiquei em casa nas férias para que o trabalho fosse concluído. g. O réu afirmou estar inocente. e. 2. g. ➜ oração subordinada condicional 5. b. b. 16. Logo que começou o filme na televisão. ➜ complemento directo d. Os indivíduos que são bondosos tornam a vida dos outros melhor.Bloco informativo 29 g. a. (…) como se fosse um pequeno selvagem. não te telefonarei. Exemplos: a. A Joana declarou sentir um grande cansaço. c. Exemplos: a. Ele devolveu o aparelho porque estava avariado. afirma-se que todos os alunos vão à visita de estudo. g. O resultado que obtiveste é fraco. Ele nada disse embora vontade não lhe faltasse. c.. É uma pena que não venhas connosco. 11. c. (…) que eu. todos se sentaram confortavelmente.1. ➜ oração subordinada comparativa d. A aluna pediu para sair da sala. Nós queremos falar com o teu pai. embora saiba que a mãe não concorda. Quero que me apoies. 17. Preocupa-os imenso que os filhos estudem. d. como nunca ninguém disse ➜ oração subordinada comparativa. e. b. f. Ela trata a criança com mais cuidado que a própria mãe. 11. que tiveram boas notas ➜ oração subordinada relativa explicativa 13. A Raquel disse que ia ao cinema. Exemplos: a. 1.1. (…) se tu não estiveres presente. ➜ complemento directo 15. 2. ➜ oração subordinada completiva c. Ele vive na casa onde tu moraste.1. f. a. 3. É importante que tu participes. d. De acordo com a frase a. 1. d. É evidente que o Rui está interessado na Clara. 5. a. já na frase b. f. É já uma certeza que ele foi admitido. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor d. Ele conduz melhor que o pai.1. e. Aquela peça era tão monótona que muitos espectadores foram embora no intervalo. A Maria cortou o cabelo à Rita como se fosse uma profissional. a. ➜ oração subordinada consecutiva b. 3. e 15.1. Algumas pessoas envolvem-se em discussões que não servem para nada.

filologia ➜ estudo dos textos escritos de uma língua. b. geografia ➜ descrição da Terra. a avó fez um bolo. radiografia ➜ registo fotográfico obtido por meio de radiações. zoofilia ➜ amizade aos animais. homofobia ➜ ódio em relação aos homossexuais. hemeroteca ➜ colecção de publicações periódicas. Nos compostos morfossintácticos. II e IV) 19. imigrante 10. cinto (adereço de vestuário) / sinto (verbo sentir) h. 13. ar ➜ aeronave. hiper. comprimento (extensão) / cumprimento (saudação) d. hidrofobia ➜ horror à água. arqueologia ➜ estudo das civilizações antigas. derivação 11. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor 7. ortografia ➜ forma correcta de escrever as palavras. elegível (que pode ser eleito) / ilegível (que não se consegue ler) g. acidente (desastre) / incidente (acontecimento de importância menor) c. cem – sem ➜ homófonas e. situações extremas. (…) Alguns veículos (…). (…) o tratamento desta doença (…). c. Exemplos: a. d. estrato (camada) / extracto (que foi extraído. previsão (anterioridade) 6. 13. cheque (forma de pagamento) / xeque (lance do jogo de xadrez) g. c.3. c.30 Caderno do Professor | Resolução das actividades do manual 18. c. transpor – sobrecarga [págs. agorafobia ➜ medo dos espaços abertos e dos sítios públicos. a. assento) b. e. alcatifa 8. grafologia ➜ estudo sobre a escrita. d. era – hera ➜ homófonas f. psicólogo 5.2. Era necessário que acabássemos o trabalho. 13. d. P – Português. sobre➜ usa-se hífen antes de h. despensa (lugar onde se guarda algo) / dispensa (permissão para não cumprir algo) e. espiar (espreitar) / expiar (pagar por uma falta) h. apreçar (indagar o preço) / apressar (acelerar) c. bibliofilia ➜ amor aos livros. composto morfossintáctico. anti. derivação (por prefixação) 4. a. água ➜ hidrogénio 9. a. cegar (ficar cego) / segar (ceifar) 6. luz ➜ fotografia.1. rio (nome) – rio (verbo) ➜ homónimas d.➜ usa-se hífen antes de r e h.1. c. b. situação-limite. b. b. longe ➜ televisão. 219-220] | Ficha informativa | 8 1. 13. caligrafia ➜ arte de escrever bem à mão. c. ratificar (confirmar) / rectificar (corrigir) b. O álcool e o tabaco são drogas/vícios a evitar. c. descrição (acto de descrever) / discrição (qualidade de quem é reservado) f. fragmento) 5. peão – pião ➜ parónimas c. derivação (por sufixação) 3. oração finita (III) e orações não finitas (I. a. pernoitar [palavra formada por parassíntese] 3. e. a.➜ usa-se hífen antes de h. Como se lembrou dos netos. c. cela (quarto) / sela (verbo selar . vou tomar um banho. o valor semântico do nome da esquerda é modificado pelo valor semântico do nome da direita. lusofilia ➜ simpatia por Portugal ou pelos Portugueses. Quando terminou o espectáculo. b. correcção: sofás-camas 12. algumas pessoas manifestaram-se. Porque estavam preocupadas com o encerramento da fábrica. sesta – sexta ➜ parónimas 4. ouvir ➜ audiovisual. Mal chegue a casa. a. | Ficha informativa | 7 2. d. xenofobia ➜ aversão a pessoas estrangeiras. voltámos para casa. pinacoteca ➜ colecção de quadros. 8. economizar – gastar [págs.1. cinefilia ➜ paixão do cinema. colher (nome) – colher (verbo) ➜ homógrafas b. houve (verbo haver) / ouve (verbo ouvir) f.4.e super. a. biblioteca ➜ lugar onde se guardam livros. que surgem como última hipótese. e. a flexão em número apenas afecta o nome da esquerda. i. . r e s. 221-222] 1. discoteca ➜ colecção de discos. coser (costurar) / cozer (cozinhar) e. zelo – cuidado 2. a. concerto (espectáculo musical) / conserto (arranjo) d. teologia ➜ estudo de uma religião.

de uma notícia espera-se a apresentação objectiva dos factos. líquido c. 233-234] 1. e 4. pousaram. 3. Com o incêndio tudo ficou queimado.m. Uma mistura de sentimentos o invadiu (…). o enunciado por ele produzido não tem qualquer relação com a observação anteriormente feita pela criança e. 4.1. a. escaldou-se]. plantar.2. 3. Neste contexto. b. acrescenta. l. 4. LINGUÍSTICA disciplina linguística que estuda e descreve os sons como unidades distintas (fonemas) e a sua função no sistema linguístico. 2. árvore (…) b.f. bem-bem-bem. Todas as noites. 223-224] 1. O emprego do verbo auxiliar modal poder atenua uma ordem: Vai ter comigo à escola. gruta s. [= reduzido a cinza] 6. 225-226] 2. especialista em geografia. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor | Ficha informativa | 10 1. água s. No anúncio. (…) São estas as minhas flores preferidas. i. j. 5. “desaproveitar”. cama (todas as outras palavras pertencem ao campo lexical de medicina). a. f. arte (…) 4. São vocábulos monossémicos.1. mas mil. O uso do modo condicional (Preferiria) em vez do presente (Prefiro). h. fiéis. d. acrónimo. e. bão-bão-bão.Bloco informativo 31 d. embelezar beleza belíssimo belamente Florbela / belas-artes / bel-prazer ■ 3. c. “queimar” significa “desperdiçar”. depositar. não é pertinente. a. c. sólido geométrico limitado por faces que são polígonos planos. Polissemia é a propriedade de algumas palavras de apresentarem mais do que um significado.: acto ilocutório compromissivo (exprime um “compromisso” do locutor em relação à realização de uma acção futura). a.m. introduziu. sorte (todas as outras palavras pertencem ao campo lexical de futebol). Por exemplo: “– Eu sou o Pai Natal.: nega um eventual acto ilocutório compromissivo (“Não prometa!”). b. P – Português. b. A última fala do Pai Natal contribui para a intenção crítica do cartoon exactamente porque aquilo que aí é dito não tem qualquer relação com a observação feita pela criança. 227-228] 1. fonologia s.2. O Pai Natal tenta fugir à questão colocada pela criança pois tem consciência de que não consegue dar-lhe uma resposta satisfatória. Sentido conotativo. | Ficha informativa | 13 [págs. 1. cavidade (…) c.1.f. definiu / determinou / indicou. d. “deixar passar”. ouro s. c. portanto. Exemplos: 1. metal 8. astro b. 7. b. sigla b.3. [fig. 5. escreve. pendura. guardei / coloquei / arrumei. acrónimo. predicado. instalar. Campo lexical de religião: igreja. contrato. 4.1.1. padre. De um artigo científico exige-se objectividade e rigor. grupo verbal. [= gasta]. poliedro s.] = sentido figurado. roseira (todas as outras palavras pertencem ao campo lexical de árvore). crença… Campo lexical de sintaxe: sujeito. castanheiro s. uma onomatopeia c. estrela s. escorreito. produzindo um acto ilocutório directivo (“Faça. | Ficha informativa | 9 [págs. A inserção da expressão Peço desculpa. vocativo. sigla. 5. atribuir. Anúncio A.1. a. Porto Editora) | Ficha informativa | 11 [págs.f. 2. Na última fala do Pai Natal não foi respeitada a máxima da relevância.m.2. cinema s. [= sofreu queimaduras. isto é. c. 1. geógrafo s. Ele queimou-se com água a ferver. [= torrar]. interjeições 2. mas não faço milagres!” 2. deus.f. a.m. 3.”) (pretende conduzir o interlocutor à realização de uma acção). joga-se com dois dos significados de “estações”: os quatro períodos em que se divide o ano – as quatro estações do ano – e os locais de atendimento ao público dos CTT – as estações de correio. Estas últimas não são apenas quatro. a. Utilização de uma frase interrogativa em vez de uma frase imperativa. acrónimo.m. belíssimo ■ ■ ■ ■ [págs. ele queima montes de dinheiro. com o objectivo de atenuar uma ordem. (Grande Dicionário Língua Portuguesa. Anúncio B. g. e. Deixei queimar a sopa. subordinação… 6.1. efeminado indefinido trovoada privilegiado desequilíbrio ■ ■ ■ ■ ■ .

e 4. tendo em conta a capacidade do seu interlocutor para interpretar o enunciado. estamos em presença de um acto ilocutório indirecto.) ou declarativas (e.. ■ ■ Hipótese de substituição Sem dúvida talvez mas A verdade é que Especialmente Indubitavelmente quiçá. Terra. o nome Terra aparece no 2.” b. planeta – a este processo dá-se o nome de renominalização: processo que consiste na repetição do nome (continuidade temática) quando a referência se pode perder.. Algumas […] são arbustos e outras […] são trepadeiras. estudava para o teste de Português. 2. Conectores textuais Valor exprimir um facto dado como certo exprimir a dúvida articular ideias de contraste.. Apaga a luz da sala! b. Por exemplo: “Não vamos deixar que isto aconteça!” 5. [Sem água] Não haveria plantas. Terra. Mas existem mais de mil espécies [. repetição do nome. nem animais nem seres humanos para os observar. 4.3. por exemplo: “Sem água. reafirmar articular ideias de contraste. explicar uma ideia adicionar e agrupar elementos e ideias resumir.1. e sem margem para dúvidas Em suma Acredito que E.” c. Fabricam-se tapetes e cestos com as suas folhas. Por mais… que parece-me que muito menos Na minha opinião Bem sabemos que justamente Porém Depois.” 2. “João. [págs.°.: água. está formulado como se de uma pergunta se tratasse. substituição lexical por hiperonímia e hiponímia: “Sem água. Neles. semelhantes aos dedos de uma mão aberta. globo terrestre.” – os três primeiros elementos sublinhados funcionam. Não deixes tudo para a última hora! c. por ex. Quando o locutor. como hipónimos do hiperónimo [formas de] vida e os três segundos como hipónimos do hiperónimo substâncias químicas. muitos milhões de anos depois.). d.1. oposição. Pese-me esta fruta. João?” d. através da substituição por pronomes.2. mediante elipse ou supressão. Proposta de solução: A palmeira mais conhecida possui folhas que se abrem exactamente no seu tronco. 241-243] provavelmente No entanto por exemplo a verdade é que Ou seja E No fundo Mas 2. As palmeiras são plantas úteis. líquido.. 4. Por exemplo: a.. “Já começaste a estudar para o teste de Português. “Fico contente por estares a estudar para o teste de Português. nem seres humanos para os observar. possivelmente porém Na realidade. Esta encheu as depressões que havia no globo terrestre e nasceram os oceanos. As frases interrogativas passam a imperativas (a. oposição exprimir um facto dado como certo exemplificar exprimir a dúvida articular ideias de contraste. 4. o hidrogénio e o oxigénio.1. utiliza uma expressão cujo sentido literal é diferente da intenção de comunicação. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor de facto Isto é. não haveria vida. Este enunciado configura um acto ilocutório indirecto porque.1. Substituição lexical por sinonímia: água. Contudo nomeadamente | Ficha informativa | 15 1... aqui.3. Não haveria plantas.” 3. A ordem é: 2. d.2. planeta. fluido. “João.1. 3. e finalmente inquestionavelmente. Põe a mesa. A maioria delas cresce em climas quentes. nem animais. Naturalmente que Particularmente porventura. certamente ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ . 4. reuniram-se as substâncias químicas que dariam origem à vida: o metano. não haveria vida. Por exemplo: a.° parágrafo e é repetido no 4. Por outras palavras Além disso Em resumo Todavia 5..32 Caderno do Professor | Resolução das actividades do manual 4. magma. tendo um valor imperativo. oposição exemplificar exprimir um facto dado como certo esclarecer. P – Português.4. c. 1... João. precisas de ajuda para estudares para o teste de Português?” 7. 6. 2. Por exemplo. por exemplo: “Foi assim que começou o ciclo da água. Trata-se de um acto ilocutório compromissivo (… juro por minha honra…). por favor.1. se eu estivesse no teu lugar. muitos milhões de anos depois.] e nem todas elas são árvores. (…) Neles.2.

Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor CPPORT14CP-03 . Todos os filhos ajudavam muito. recorda Maria Baptista. especificamente. c. Hipótese de substituição do verbo introdutor de relato de discurso: relembra Discurso directo: “Trabalhei em fábricas. Se – indica uma hipótese. desde que – indica uma condição. contounos. A não ser a desavergonhada da garganta…” b. Proposta de discurso directo: A mulher que me serve café todas as manhãs quando soube que eu era português disse-me: – Lisboa é linda. No dia em que a sua filha recebeu o seu ordenado. e eu.. agora que tanto se demorava em Lisboa. resolvi concretizar o meu desejo. tão linda quinta…” | Ficha informativa | 17 1. “(…) Não. Hipótese de discurso indirecto: Maria Baptista recorda que os seus pais tinham uma herdade em Angola. especificamente. Foi aqui que começou a minha paixão pelo pesado”. Mas sentia uma terrível frustração”.3. concluiu. conduzia um tractor com atrelado que transportava os caixotes de fruta. e d.. pouco se aproveitava da Feitosa. desde a Páscoa. conduzia um tractor com atrelado que transportava os caixotes de fruta. No original. Passagens em discurso indirecto livre: a. [págs. os verbos são os seguintes: disse. Apesar de. 3.1. Porque. depois numa loja de roupas com a minha filha. Mas era natural. – Conhece Portugal? – perguntei-lhe.Bloco informativo 33 6. “(…) e passara menos mal. espantou-se. f. E ela disse-me: – Não. Todos os filhos ajudavam muito. e 1. Vi um filme. lembra a camionista. Tinha ela 50 anos. duvidou.2. No dia em que a minha filha recebeu o seu ordenado. Gracinha não sabia. 246-248] Discurso directo: “Os meus pais tinham uma herdade em Angola.1. inscrevi-me numa escola de condução para tirar a carta de pesados e articulados. a. Hipótese de substituição do verbo introdutor de relato de discurso: desabafou Discurso directo: “Quando o último dos meus cinco filhos se tornou independente. respondeu-lhe. que tinha sido doméstica… mas que sentia uma terrível frustração. P – Português. Hipótese de substituição do verbo introdutor de relato de discurso: esclarece 2.. fui doméstica. inscreveu-se numa escola de condução para tirar a carta de pesados e articulados. 4. Passou na televisão. e ela. Hipótese de discurso indirecto: A camionista lembra que quando o último dos seus cinco filhos se tornou independente. Um filme de que não me lembro o nome. e b. com a sua filha. filosofou. de seguida numa loja de roupas. resolveu concretizar o seu desejo. Hipótese de discurso indirecto: [Maria Baptista] contou-nos que tinha trabalhado em fábricas. Foi ali que começou a sua paixão pelo pesado. visto que – anunciam uma ideia de causa. Tinha eu 50 anos”. onde plantavam de tudo. e. que tinha sido costureira de peles. fui costureira de peles. embora – anunciam uma ideia de oposição.

enquanto. receber os protestos da minha maior consideração. além do muito que nos alegrará sabermos que deste modo estamos a contribuir para o bem-estar de várias pessoas que possamos utilizar nesta exploração e que por esta forma serão outros tantos empregados com ocupação. Senhor Ministro. perante uma superprodução de porcos. o que nos daria um lucro de 80 000 dólares. que nos mandasse informar quais são as regiões mais apropriadas para a não-criação de porcos e qual a melhor raça de porcos para não criar. Segundo afirma. O meu amigo Richard Hamilton recebeu este ano um cheque de 1000 dólares porque não criou porcos. por isso. (…) A economia (…) deixou de ter qualquer relação com a realidade para se passar por dentro da cabeça dos economistas que resolvem as grandes crises financeiras à mesa dos seus gabinetes. Julgo que não estou a exagerar se disser que a economia tende para ser uma realidade virtual.. neste último ano. Ed.” Já há para aí trinta anos que descobri uma carta que um senhor americano escreveu ao seu ministro da Agricultura. por não criar porcos ganhou 1000 dólares. Se os nossos planos forem cumpridos dentro das normas de uma sã administração e com uma produtividade sempre crescente esperamos muito brevemente atingir a não-criação de 40 000 porcos. O assunto parece-me cheio de interesse. numa altura em que. diria mesmo apaixonante. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor 25 30 35 fotocopiável . De seguida. subsidiando os produtores que não os criassem.34 Ficha de avaliação – Módulo 1 Lê atentamente o texto. Como dizia o meu querido amigo Millôr Fernandes: “A economia compreende toda a actividade do mundo. podendo nessa altura considerar a empresa dimensionada de modo a constituir um factor de progresso e engrandecimento da nossa região. A carta é assim: “Excelentíssimo Senhor Ministro. o que pode vir minorar um atroz problema social. Nenhuma actividade do mundo compreende a economia. (…) Se é possível receber 1000 dólares por não criar 500 porcos nós poderíamos receber o dobro por não criarmos 1000.. 2003 (texto adaptado e com supressões) 5 10 15 20 P – Português. (…) O que se nos afigura mais difícil nesta exploração é fazer o inventário dos porcos que não criaremos. A Cor dos Dias – Memórias e Peregrinações. Neste quadro de circunstâncias. Exa. (…)” António Alçada Baptista. (…) Ficar-vos-emos extraordinariamente reconhecidos se nos responder o mais rapidamente possível porquanto julgamos que esta época do ano será a melhor para a não-criação de porcos e. Queira V. o que lhe permitia em média retirar um lucro anual de 350 dólares e houve mesmo um ano particularmente rentável em que ganhou 400 dólares. responde às questões formuladas. O célebre caso da não-criação de porcos. o governo resolveu limitar a sua produção. Senhor Ministro.. Fazíamos tenção de começar modestamente pela não-criação de 2000 porcos que nos daria um lucro de 4000 dólares. pretendíamos. Presença. Estimulado por este seu êxito decidimos iniciar na nossa propriedade o negócio da não-criação de porcos. vem criando porcos há muitos anos. O meu amigo Richard é muito optimista quanto ao futuro da nossa exploração. gostaríamos de começar quanto antes.

passou a ser tratada apenas através das novas tecnologias. agora. terão estado na origem da decisão de iniciar a actividade de não-criação de porcos. Retoma as palavras de Millôr Fernandes (ll. segundo o emissor da carta. Reescreve a afirmação que se segue de modo a que passe a configurar um acto ilocutório compromisso explícito: 75 pontos 10 “(…) estamos a contribuir para o bem-estar de várias pessoas (…)” (ll. 2. 5-6) . c. Relê o primeiro parágrafo do texto. Explica. a carta reproduzida por Alçada Baptista. Lê.1.1. Indica a meta que a exploração terá de atingir para poder “constituir um fac- 75 pontos 10 15 20 10 tor de progresso e engrandecimento” (l. 3-4) porque… a. 4. 32) da região.2. 3. 2. 27) / tensão b. simples ou complexas. 1.” (ll. 4. Aponta duas razões que.4. Explica qual é a sua função relativamente ao assunto do texto. “tenção” (l. mais uma vez. 2.Ficha de avaliação – Módulo 1 35 I 1. a economia “tende para ser uma realidade virtual. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor 2. por um sinónimo adequado ao contexto. sucintamente.2. 28-29) / compridos 4. b. “cumpridos” (ll. Faz o levantamento dos elementos que provam que se trata de uma carta formal. nas suas duas ocorrências. Esta carta é dirigida ao ministro da Agricultura americano. Escreve duas frases.” (ll. 2. Reescreve o último parágrafo do texto (antes da fórmula de despedida) imaginando que o emissor se expressa no singular e que a relação entre o emissor e o destinatário da carta é de grande proximidade. 2. Faz a análise sintáctica da seguinte frase simples: “Nenhuma actividade do 15 mundo compreende a economia. fotocopiável 15 10 15 5. 4-6) substituindo a forma verbal “com- 10 preende”. em que reside o humor desta carta. os economistas só se interessam por grandes crises financeiras. os economistas não têm contacto directo com a realidade. Segundo o autor. 15-16) P – Português.1.3. que permitam distinguir inequivocamente a diferença de significado dos seguintes pares de vocábulos: a. 20 II 1.

em que. 50 pontos Luís Afonso. Transforma a carta que integra a crónica de Alçada Baptista num requerimento. de cento e cinquenta a cento e noventa palavras. analises a sua função crítica. assinalando a respectiva alínea na tua folha de prova: A. depois de descreveres o cartoon. Total 200 pontos fotocopiável . Não te esqueças de deixar bem claro o motivo que está na origem da tua petição e de obedecer às regras formais que um requerimento deve respeitar. 18-12-2005 P – Português.36 Caderno do Professor | Fichas de avaliação III Selecciona uma das duas propostas. in Pública. Observa a imagem e redige um texto. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor B.

tormenta: tempestade. que da tormenta5 de vossa vista fujo. trabalhado: maltratado. 4. De seguida. 5 e jura que. em que veja bonançoso3 o violento mar e sossegado. Identifica o sentimento do marinheiro em relação ao mar. Atenta nas duas primeiras estrofes. cobiçoso: ambicioso. por salvar-me. eu. Delimita as duas partes lógicas que o compõem. só o ouvir falar nele o faz medroso. 2. P – Português. fotocopiável 10 10 10 2. 120 pontos 20 10 2.1. 1. não entra nele mais. 1. faz tornar-me donde fugi tão perto de perder-me.1. 2. 2. bonançoso: calmo. Este poema apresenta uma estrutura bipartida. 5. Explicita o valor contextual da locução subordinativa que marca essa divisão. Senhora. que de vós nunca se ausenta.2. . lasso1 e trabalhado2. mas vai.2. assi. IN-CM 10 1. sossegado. Lírica Completa. responde às questões formuladas. jurando de não mais em outra ver-me: minh’alma. Luís de Camões. Assinala a passagem em que se dá conta das razões do incumprimento da jura do marinheiro. dá-me por preço ver-vos.3. de um naufrágio cruel já salvo a nado. Como quando do mar tempestuoso Como quando do mar tempestuoso o marinheiro. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor I 1. forçado pelo muito interesse cobiçoso4. 3. lasso: cansado.Ficha de avaliação 1 – Módulo 2 37 Lê atentamente o poema. II. Indica a decisão tomada pelo marinheiro expressa na segunda quadra.

a tua autobiografia (real ou imaginada). “ausento-me da vossa presença a fim de me salvar”. 5. Explica. Relê. Analisa o poema sob o ponto de vista formal (esquema estrófico. significa: a. 3. assinalando a respectiva alínea na tua folha de prova: A. 9-10).a pessoa e prestar especial atenção aos tempos verbais usados e à articulação lógica das diferentes ideias.38 Caderno do Professor | Fichas de avaliação 3. 3. que é simultaneamente o narrador e a personagem principal. Recordando que “a autobiografia é um género narrativo em prosa em que o autor real. por palavras tuas. 3. por salvar-me. num texto com cerca de cento e vinte palavras. c. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor Total 200 pontos fotocopiável . métrica e rima). Identifica o recurso através do qual se identifica o interlocutor do sujeito lírico. B.3.” (vv. Pensa na tua vida durante alguns momentos e selecciona um episódio muito bom ou muito mau. O excerto “(…) da tormenta / de vossa vista fujo. em forma de diário. Num breve resumo do assunto do poema. Não te esqueças que deves usar o discurso na 1. agora. 4. b. relata esse episódio num texto que tenha entre cem e cento e vinte palavras. o sentido do verso 11. devidamente estruturado. “fujo da tormenta para me aconchegar sob o vosso olhar”. elabora. faz corresponder os elementos da primeira parte da comparação aos da segunda. relata retrospectivamente a sua vida”.1. Depois. “ausento-me da tormenta porque o vosso olhar me salva”. 10 10 10 20 10 II Selecciona uma das duas propostas.2. os dois tercetos. 80 pontos P – Português.

Não passarão! Arde a seara. decapitar. degolar. Não passarão Não desesperes. Dom Quixote 5 10 15 20 P – Português. mas dum simples grão Nasce o trigal de novo. responde às questões formuladas. Só mesmo se pudesse haver sentido Entre o sangue vertido E o sonho desfeito. matar. As forças que te querem jugular1 Não poderão passar Sobre a dor infinita desse não Que a terra inteira ouviu E repetiu: Não passarão! Miguel Torga. Mãe! O último triunfo é interdito Aos heróis que o não são. Lembra-te do teu grito: Não passarão! Não passarão! Só mesmo se parasse o coração Que te bate no peito. fotocopiável . Não morre um povo! Não passarão! Seja qual for a fúria da agressão. De seguida. Publ. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor 25 1. Só mesmo se a raiz bebesse em lodo De traição e de crime. Só mesmo se não fosse o mundo todo Que na tua tragédia se redime. jugular: extinguir. Poesia Completa. Morrem filhos e filhas da nação.Ficha de avaliação 2 – Módulo 2 39 Lê atentamente o poema.

3. Encontra a forma verbal que está subentendida nessa anáfora. 3. 140 pontos 15 15 10 15 10 10 10 15 10 10 10 P – Português. 3. o valor do advérbio de negação e do tempo verbal utilizado e a indeterminação do sujeito da frase. Comenta a importância da repetição do verso “Não passarão!” e do recurso ao encavalgamento na construção do ritmo do poema. as estrofes dois e três. 60 pontos Total 200 pontos fotocopiável . 2. agora. 1. Interpreta o uso da maiúscula utilizada na apóstrofe “Mãe!”. 3.2. 5.4. 2. considerando.1. Relê a quarta estrofe. Identifica a anáfora literária aí presente. Atenta no título do poema. que se caracteriza. Indica os dois nomes que aí retomam a apóstrofe “Mãe!” do primeiro verso do poema. 4. 3. tal como o texto lírico.2. Comprova a veracidade da afirmação de 2. Explica o predomínio do modo conjuntivo nestas duas estrofes. A primeira estrofe esclarece o título do poema. 4. 4. num dos dias da passada semana. 2. para a expressão do eu. Explicita o sentido da metáfora presente nos versos 17 e 18. entre outros aspectos. Relê. por palavras tuas.1. pelo uso do discurso na 1.1.3. 2. 5. 6.40 Caderno do Professor | Fichas de avaliação I 1. Clarifica o valor do modo verbal utilizado nos versos 1 e 4. Num texto que tenha entre cento e vinte e cento e quarenta palavras. Substitui a repetição anafórica por uma conjunção ou locução conjuntiva condicional que não altere o sentido dos versos onde aquela aparece. o sentido desses versos.1. A última estrofe é uma espécie de síntese de tudo quanto atrás foi dito.2. nomeadamente. Antecipa o seu sentido. Explica. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor 10 II Um diário é um texto narrativo orientado.1.a pessoa. 3. faz o registo em forma de diário de acontecimentos que tenhas testemunhado ou de que tenhas sido personagem.

e que apenas se distinguiam por saberem dar uns pontapés na bola. o dinheiro e a imagem. A imagem dos grandes jogadores é vendida diariamente em todo o mundo nas páginas dos jornais e revistas. E. Quanto mais mediático for um jogador. (…) Beckham ou Figo até podem estar a jogar mal – mas. Que acaba por ser. “posters”. (…) A imagem dos futebolistas era a de uns tipos transpirados. Ora essas imagens terão tanto mais sucesso quanto melhor for o aspecto dos futebolistas. O que importa. a par do seu rendimento em campo. maior será o número de camisolas vendidas com o seu nome (e o negócio das camisolas é hoje um importante negócio). O passeio da fama Há vinte anos. melhorados. a sociedade mudou muito. cromos. (…) Claro que isto também é um sinal de que. (…) Desde que os clubes se transformaram abertamente em empresas. também. também. A transformação de homens suados e feios em modelos perfumados e atraentes é a mesma que tende a substituir o mundo real por um mundo de ilusão. Foram reciclados. analfabetos. (…) Hoje. São “activos”. o número de contratos publicitários que assina. E os activos serão tanto mais rentáveis quanto. de cruéis desilusões. José António Saraiva. De seguida. puderem render fora do campo. O vazio de valores das sociedades ocidentais conduziu a uma preocupação obsessiva com a fama. produzidos. nos ecrãs das televisões. bonitos e felizes). num jogador. 13-09-2003 (texto adaptado e com supressões) 5 10 15 20 P – Português. continuando as suas imagens a vender-se (ou as imagens dos respectivos casais. A ideia dos jogadores como homens rudes e analfabetos passou – e as portas das festas de sociedade e das revistas de sociedade abriram-se-lhes. de há vinte anos para cá. já não basta jogar bem à bola. em vídeos. o lugar dos futebolistas na sociedade também mudou. com todas estas mudanças. os jogadores de futebol eram seres já idolatrados mas socialmente desconsiderados. os futebolistas deixaram de ser apenas futebolistas. na Internet. o número de vezes que aparece em acontecimentos não desportivos. Procuram-se desesperadamente pessoas bonitas e famosas e os futebolistas não poderiam escapar à voragem. responde às questões formuladas. vindos quase sempre das classes mais baixas. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor 25 30 35 fotocopiável . eles continuam a ser excelentes negócios. E tudo isso reverte. in Expresso.Ficha de avaliação – Módulo 3 41 Lê atentamente o texto. a favor do clube – dos seus cofres e do seu prestígio. para um jogador ser famoso. Como a sua função era jogar com os pés. já não é só a sua capacidade futebolística – mas aquilo que se pode designar por “potencial mediático”. os futebolistas não tinham obviamente de ser bonitos. etc.

Identifica o facto da actualidade que esteve na origem desta crónica. uma frase complexa que dê conta da ideia-chave aí desenvolvida. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor 15 “E tudo isso reverte. 4. a favor do clube – dos seus cofres e do seu prestígio. 3. tendo em conta o texto: a. As transformações que os futebolistas sofreram nas últimas décadas relacionam-se directamente com as alterações operadas nos clubes. Delimita-as. O texto pode ser dividido em três partes lógicas. 80 pontos 15 20 15 30 II 1. Transforma-as numa frase complexa.1.1. 3. para cada uma delas. Os jogadores passaram a “activos”. os jogadores de futebol eram já considerados ídolos e ocupavam um lugar de relevo na sociedade. Noutros tempos. os jogadores de futebol eram idolatrados. Considera as duas frases simples: 15 Os clubes transformaram-se em empresas.1. Relaciona os tempos verbais predominantes nos dois primeiros parágrafos com a expressão temporal que os introduz. os antecedentes dos vocábulos sublinhados no excerto que se segue: 70 pontos 20 P – Português. uma conjunção subordinativa temporal. 2. Identifica. 21) 3. no texto. 20 fotocopiável . O “potencial mediático” é a capacidade que um jogador tem de exercer bem a sua profissão.42 Caderno do Professor | Fichas de avaliação I 1. d. b. A crescente valorização social da beleza e da fama é directamente proporcional ao aumento do vazio de valores da sociedade actual. Diz se as afirmações que se seguem são verdadeiras (V) ou falsas (F). b. 2. Identifica as funções sintácticas dos constituintes desta frase simples. 4. Redige. 3. 3. Há duas décadas. também. c.” (l. recorrendo a: a.2. uma conjunção subordinativa causal.

que se realizam de quatro em quatro anos.infopedia. [Consult. surgiu a Federação Internacional de Futebol (FIFA). 50 pontos Futebol Modalidade desportiva que teve a sua origem em Inglaterra. embora se possam identificar jogos mais antigos. e vinte anos depois pela fundação da Associação Inglesa de Futebol. futebol. num texto de noventa e cinco a cento e dez palavras. constituído por duzentas e quinze palavras. 2003-2006. A uniformização das suas regras passou. com características comuns. cada jogador ou treinador pode valer milhões. o futebol marca presença no imaginário colectivo contemporâneo. como desporto de multidões que é. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor Total 200 pontos fotocopiável . o futebol é um desporto fortemente mediatizado e massificado. (…) O futebol ultrapassou rapidamente o âmbito do terreno de jogo para ser dirigido por conhecidos empresários ou políticos. 2006-08-18] Disponível na www: <URL: http://www. pela Universidade de Cambridge. noutros países. que estabeleceria as regras que hoje conhecemos. em 1843.pt/E1. que apoiam as respectivas equipas. As equipas mais importantes são geridas à imagem e semelhança das grandes empresas. (…) O jogo propagou-se a outros países. onde era jogado por rapazes estudantes. Em 1904. Por outro lado. que também passaram a organizar campeonatos. (texto adaptado e com supressões) 5 10 15 20 P – Português. Em termos económicos. sendo um elemento cultural e social a que os estudiosos têm dedicado merecida atenção. numa primeira fase.Ficha de avaliação – Módulo 3 43 III Resume o texto informativo a seguir transcrito. (…) A partir de 1930.jsp?id=45761>. in Infopédia [Em linha]. por volta de 1840. que viria a uniformizar as regras do jogo a nível internacional. a FIFA tornou-se a entidade responsável pela realização dos Campeonatos do Mundo de futebol. (…) Nos nossos dias. Porto: Porto Editora. Aos campos de futebol acorrem milhares de adeptos.

moça. Ele ouviu-a com atenção. Pareceu-lhe a escolha acertada. Fez com que ela se risse. com um brinco no nariz. moreno. a falta de imaginação. sempre muito solícito. sussurrou: “A bolsa ou a vida. e diga-lhe que não precisa de pensar mais. Sofia tem andado muito deprimida. Só eu sei a falta que em certos dias. A seguir vá para casa. rebentou ali mesmo num choro incontrolável. Além disso. Sentou-se. Sofia é mais velha – nasceu cinco minutos antes de Alexandra. Na manhã seguinte. fez com que a minha pobre irmã se lembrasse do namorado e então. Sofia encontrou o namorado. com um enorme ramo de flores. Refreie a vontade de o esbofetear e despeça-se dele com um beijo na face. são filhas do primeiro casamento da minha mãe. e compreendeu que teria de tomar medidas radicais. Ao regressar a Lisboa. sabia dar conselhos. Não conhecia ninguém no Brasil. não chegou a ser assaltada. e depois já pensou em tudo. Sofia achou que era demais – a cerveja. muito respeitador. Mulher triste eu não assalto. no aeroporto. a contemplar o mar. Quando um homem nos pede um tempo para pensar é porque. cheio de feras e de monstros. tinha um extraordinário sentido de humor. coitada!. como hoje. Foi isso que a salvou. encostou-lhe uma faca à garganta: “A bolsa”. bem iluminada. no futuro. decidisse passear à noite pelas ruas de Copacabana. Conhecem a frase. O Evangelho Segundo a Serpente. Telefonei-lhe há pouco para lhe perguntar se não tinha ficado com o telefone do assaltante. Finalmente escoltou-a até ao hotel. não?! Claro que conhecem. Esta semana. É como matar passarinho. A minha irmã agradeceu as flores e pediu um tempo para pensar. Chorou muito. Cortou o cabelo. Sabia ouvir. Ou melhor. dá até azar. que está apaixonada por outro. porém. Dom Quixote. Hospedou-se no Copacabana Palace e logo nessa noite vestiu a mini-saia azul. primeiro. sorria. mais raro ainda. não tem muita imaginação. com palpitações.44 Ficha de avaliação – Módulo 4 Lê atentamente o texto. O assaltante. Mas aceitou um cafezinho numa esplanada a dois passos dali. recomendando-lhe mais cuidado quando. e atravessou a avenida com a intenção de se sentar um pouco na areia. 2006 (excerto) 5 10 15 20 P – Português. enfiou a faca num dos bolsos da bermuda e tentou consolá-la: “Não chore mais. De seguida.” O texto gasto. gémeas idênticas. Comeu uma caixa inteira de chocolates. Mostrou-lhe o seu próprio mundo – que era um inferno – como se fosse um grande circo.” Convidou-a a tomar um chope. e quando deu por isso estava a contar ao rapaz toda a sua tragédia íntima. com a certeza de que jamais a vestiria. mas também de palhaços e de bailarinas. Sofia foi assaltada no Rio de Janeiro. responde às questões formuladas. acordou ansiosa. e. Só existe uma maneira de enfrentar este terrível lugar-comum sem perder a dignidade: faça das tripas coração. uma espécie de segunda mãe para a mais nova. do Gianni Versace. Nunca tinha estado lá. Comprou uma mini-saia azul. O namorado pediu-lhe um tempo para pensar. confesse. feche-se no quarto e chore à vontade. uma sensação de desastre iminente. Pediu duas semanas de férias e comprou um bilhete para o Rio de Janeiro. por exemplo. Foi o que a minha irmã fez. sem parecer nem um velho professor entediado nem um sedutor de telenovela. Gianni Versace. Faíza Hayat. aflito. e foi sempre muito forte e determinada. me faz um assaltante assim. e nesse instante um jovem alto. a meia voz. A bolsa ou a vida Sofia e Alexandra. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor 25 30 35 fotocopiável 40 . Publ. afundou os olhos nas águas escuras. o que é raro nos homens.

80 pontos 15 15 10 10 10 10 10 II 1. 13): a. 16). 4) expressa: a. 5) até “(…) e chore à vontade. b.1. Esclarece por que razão o Brasil pareceu a Sofia a “escolha acertada. Explica o que é que.3. introduz uma conclusão em relação à ideia principal. Pareceu-lhe a escolha acertada.”). b. 3. recorrendo a conectores que respeitem o sentido das frases no contexto: “Não conhecia ninguém no Brasil. que deverá ter entre cento e cinquenta e duzentas palavras. e os verbos devem estar predominantemente no pretérito perfeito e no pretérito imperfeito. 5. O complexo verbal “tem andado” (l. deve ser narrativo. a pontualidade da acção narrada. Atenta nos seis primeiros períodos. lhe fez lembrar o namorado. 2. no momento do assalto. 25-26). exprimir a confirmação da ideia expressa anteriormente. articula ideias opostas. agora. 11). 5. (“Sofia e Alexandra (…) para pensar. Enumera as características que Sofia encontrou no assaltante que o distinguiam dos outros homens. 4. 70 pontos 10 10 P – Português. não?!” (l. Na terceira linha do texto. 2. 4.” (l. O teu texto. Passa para o discurso indirecto a fala do assaltante (ll. Justifica o recurso sistemático ao modo conjuntivo com valor imperativo na passagem que vai desde “Conhecem a frase.” (l. com recurso à descrição e ao diálogo. 6. fotocopiável 50 pontos Total 200 pontos . O conector “porém” (l. b. o excerto que vai da linha 11 (“Foi o que a minha irmã fez. reformular o seu discurso. Propõe um outro título para o texto que. 1-5)). uma situação que se repete regularmente durante um determinado período de tempo. 3. 1. 3.1. Indica o antecedente do termo anafórico “lá” (l. Transforma as três frases simples seguintes numa frase complexa. 3.Ficha de avaliação – Módulo 4 45 I 1. 17).” (ll.” (ll. sendo embora apelativo. Considera. Explica a funcionalidade deste excerto em relação à história que é contada. Nunca tinha estado lá. não desvende ao leitor a história que vai ser contada. Comenta a atitude de Sofia em relação ao namorado que a foi esperar ao aeroporto. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor 10 10 15 15 III Imagina uma pequena história que surpreenda o leitor pelo insólito dos acontecimentos relatados. 3.”) até à linha 36 (“(…) pelas ruas de Copacabana. o narrador utiliza a expressão “Ou melhor” para: a. 16-17).2.

não haver o discernimento de começar pelas necessidades básicas.2. desta forma. receber os protestos da minha maior consideração.”). ajudando. complemento directo – a economia. Exa. Há uma crítica evidente do cartoonista ao facto de. com ar satisfeito. predicado – compreende a economia. calçada e usando gravata. outra representando a cultura africana. A formalidade da carta é evidente. com ar saudável. muitas vezes. 4.a que se digne informar quais são as regiões mais apropriadas para a não-criação de porcos e qual a melhor raça para não criar.3.46 Soluções das fichas de avaliação Ficha de avaliação – Módulo I 1.” B. em representação de um grupo de agricultores que pretende implementar o negócio de não-criação de porcos e.4.2. Hipóteses possíveis: A economia contém/abrange/inclui toda a actividade do mundo. 1 5. Repare-se nas palavras da personagem ocidental que tenta mostrar à outra como vai ser importante ser capaz de passar a conhecer. 2. Nenhuma actividade do mundo entende/percebe a economia. b. ll. Hipóteses possíveis: a. Sujeito – Nenhuma actividade do mundo. 12-20). venho requerer a V. através da Internet. em simultâneo. etc. um computador portátil à segunda que o olha com um ar que transmite um misto de espanto e de desconfiança. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor . partindo de uma situação económica real – o facto de o governo ter resolvido limitar a produção de porcos. Por exemplo: “Garantimos/prometemos que…”. coisas que ela nem fazia ideia que existiam e da crítica que é feita a estas palavras através das imagens que aparecem no monitor do computador – pão e bife. O humor desta carta reside no carácter surreal de toda a proposta que é feita pelo remetente que. John Do. A personagem ocidental expõe à outra a importância do acesso à Internet pelos países pobres. Uma proposta: No cartoon podemos ver duas personagens: uma representando a cultura ocidental. na ajuda que se presta a povos mais necessitados. morador no Texas. por isso. ou A minha tensão arterial está um pouco alta. 4. Ministro da Agricultura Eu. Proposta: “Ficar-te-ei extraordinariamente reconhecido se me responderes o mais rapidamente possível porquanto julgo que esta época do ano será a melhor para a não-criação de porcos e. Os estatutos da organização não estão a ser cumpridos. gostaria de começar quanto antes. 30-31). complemento do nome – do mundo. vestida apenas com uma tanga e extremamente magra.. Pede deferimento.1. Resposta b. Sr. Senhor Ministro. sobretudo nas formas de tratamento honorífico utilizadas quer na fórmula de interpelação (“Excelentíssimo Senhor Ministro. quer no corpo da carta (Senhor Ministro). A função crítica deste cartoon reside na ideia da contradição presente entre ‘as boas intenções’ e o valor real que estas podem ter em determinados contextos. III A. Local e data Assinatura do Requerente P – Português. 2. contribuir para o progresso e engrandecimento do nosso país./ No Verão os dias são mais compridos do que no Inverno.”) e na fórmula de despedida (“Queira V. vestida./A tensão entre ambos era de cortar à faca. 2. Uma proposta: REQUERIMENTO Exmo. subsidiando os produtores que não os criassem –. 2. [185 palavras] II 1. a decisão de iniciar a actividade de não-criação de porcos nasceu da constatação do êxito de um amigo nessa actividade e. Faço tenção de ir ao cinema logo.1.1. desta forma. decide levá-la aos limites do absurdo. através do relato de um caso extremo e absurdo. A carta apresentada vem ilustrar a opinião do autor acerca do desfasamento entre a economia e a realidade. o que (…) daria um lucro de 80 000 dólares” (ll. Para conseguir alcançar este desiderato a exploração terá de “atingir a não-criação de 40 000 porcos. Segundo o emissor da carta. 3.. a primeira mostra.a Ex. a combater o desemprego (Cf. 2. abaixo-assinado. do desejo de contribuir para o desenvolvimento da região através da criação de postos de trabalho. Num ambiente de deserto.

O título configura uma espécie de grito de resistência face a um sujeito plural mas indeterminado. O modo conjuntivo com valor imperativo (“Não desesperes” (v. 23). 20)). F. “Só [passariam] mesmo se” 3. independentemente da “fúria da agressão” (v. 2. d.” (v. 4.2. P – Português. não resistindo. 22). 4. Trata-se dos nomes “nação” e “povo”.Soluções das fichas de avaliação 47 Ficha de avaliação 1 – Módulo I 2 “Mãe”) e. F. aparecia indeterminado: os “heróis que o não são. A primeira estrofe esclarece o título do poema já que. No verso 11. porém. 3. 4)) são utilizados ao serviço do grito de incitamento dirigido à “Mãe” (v. vv. Trata-se dos versos 7 e 8: “(…) mas vai. O poema é um soneto e.1. 23) o povo não conseguirão o seu objectivo já que “a terra inteira” assumiu como seu o grito “Não passarão!” 6. 1. 2. Ambos (marinheiro e eu lírico) prometem não voltar a cair noutra. 18. O ritmo do poema alterna entre as pausas marcadas pela repetição da expressão “Não passarão!”. o sujeito poético afirma ter-se comprometido a não repetir os erros do passado.1. O modo conjuntivo é exigido pela locução conjuntiva condicional e coloca uma hipótese que se torna longínqua por aparecer aliada à locução “Só mesmo se”. 12 e 14.4. Na segunda quadra dá-se conta de que o marinheiro “jura” não voltar ao mar nem mesmo quando este estiver calmo (Cf. É possível estabelecer uma correspondência directa entre os versos 17/18 e os versos 19/20: a “seara” que “arde” é a “nação” cujos filhos “morrem”. 1)) e o modo imperativo (“Lembra-te” (v.3. é constituído por duas quadras e dois tercetos. Uma vez que a sua contemplação (da tempestade/da amada) provoca medo. O uso do futuro do indicativo transmite-nos a certeza do sujeito poético relativamente à realização da acção expressa pelo verbo que é negada pelo advérbio “não”. a fuga é a única salvação. “ausento-me da vossa presença a fim de me salvar”. 9).2. O esquema rimático é abba abba cde cde. o marinheiro manifesta medo em relação ao mar (Cf. 3. A primeira parte é constituída pelas quadras e a segunda pelos tercetos. a fugir da sua amada para não voltar a perder-se. a rima é emparelhada e interpolada nas quadras e interpolada nos tercetos. O uso da maiúscula na apóstrofe “Mãe!” remete para o uso metafórico deste nome. por outro. b. identifica o emissor do grito “Não passarão!” (a Ficha de avaliação – Módulo I 3 1. portanto. V. isto é. 5. 2. o sujeito poético deixa claro que. forçado/pelo muito interesse cobiçoso”. O valor desta metáfora sai ainda reforçado pela presença do articulador adversativo “mas” (v.2.” Esta metáfora remete-nos directamente para a força de um “povo” que resiste e se levanta sempre face ao poder avassalador daqueles que o querem “jugular” (v. 4. por um lado. V. a. a. c. 3. 2.1. Mãe será sinónimo de pátria. 1. que funciona como uma espécie de refrão. Ao marinheiro do primeiro termo de comparação corresponde o eu lírico. Hipóteses possíveis: a não ser que/a menos que/salvo se. v. explicita o sujeito que. . evidencia-se que a ambição é mais forte do que o medo do marinheiro.3. 1) … assi (v. “As forças que (…) querem jugular” (v. 5-7). A locução subordinativa “Como (v. e repetindo o mesmo erro. 9. 3. 2. 3. A anáfora consiste na repetição da locução “Só mesmo se” no início dos versos 7.2. 19. no segundo. no título. 9)” estabelece uma comparação.1. 1).1. 3. Na primeira quadra. 4). nação. 17. O interlocutor do sujeito lírico é identificado através de uma apóstrofe: “Senhora. a vista da amada é comparada à tempestade.2.3. pois obriga-o a voltar ao mar. e um ritmo mais rápido conferido pelos sucessivos encavalgamentos. a capacidade regeneradora “dum simples grão” a partir do qual “Nasce o trigal de novo.” 2.3. a medida do verso é o decassílabo.1.1.1. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor Ficha de avaliação 2 – Módulo I 2 1. 2. Quanto à métrica. 5. Na última estrofe. que criam um efeito de coesão entre os versos. isto é.2. 17) e pela antítese (“Arde (…) / Nasce (…) / Morrem / Não morre” (vv. O facto da actualidade que esteve na origem desta crónica é a transformação dos jogadores de futebol em estrelas mediáticas. Através da conjunção coordenativa adversativa “mas”.

por isso. 5. Sofia terá. uma situação que se repete regularmente durante um determinado período de tempo. Acrescentou que não assaltava mulher triste porque dava até azar e que era como matar passarinho. 2. reformular o seu discurso. os acontecimentos anteriores à história que vai ser narrada.1.” porque lá não conhecia ninguém. “sabia ouvir”. “Assalte-me. o “potencial mediático” dos jogadores é fundamental para os seus clubes que se transformaram em verdadeiras empresas.2. decide “pedir um tempo”. A primeira parte do texto é introduzida pela expressão temporal “Há vinte anos” e. embora as suas características possam ser encontradas anteriormente. em 1904. 5. percebido que o namorado não era bem aquilo que ela queria. desde 1930. “sabia dar conselhos” e “tinha um extraordinário sentido de humor”. sujeito – os jogadores de futebol. Hoje. Por outro lado. As regras a que hoje obedece foram uniformizadas em 1863 pela Associação Inglesa de Futebol. 4.1. portanto. o futebol é um desporto de massas que vale milhões e as equipas são empresas dirigidas por empresários e políticos. 27). Terceira parte – A transformação dos jogadores em estrelas mediáticas tem a ver com o vazio de valores da sociedade ocidental na qual a preocupação com a fama e o dinheiro veio criar um mundo irreal. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor 1. talvez. o futebol desenvolveu-se noutros países. O Brasil pareceu-lhe “a escolha acertada. 3. Durante a conversa com o assaltante. 4.… II 1. o narrador dá uma série de conselhos à(s) leitora(s) que venha(m) a passar por uma situação semelhante àquela em que Sofia se encontra. surgindo. Aquilo que no assaltante fez lembrar a Sofia o namorado foi o facto de a frase que ele utilizou para a abordar ser tão vulgar nesta situação como aquela que o namorado utilizou para acabar com o namoro. Ficha de avaliação – Módulo I 4 1. O antecedente do termo anafórico “lá” é “no Brasil”. devido à sua massificação. que Sofia queria estar sozinha. 7) até “… abriram-se-lhes.3. 3. Por exemplo: a. 3. Por exemplo: “Um tempo para pensar”. por favor!”. Neste excerto inicial ficamos a conhecer algumas características da personagem principal da história – Sofia – e aquilo que se estava a passar com ela. 2. b. ambas. 3.” 6. a FIFA que uniformizou as suas regras internacionalmente e que. 4. pareceu-lhe a escolha acertada. Primeira parte – Há vinte anos. Entretanto. articula ideias opostas. [95 palavras] II P – Português. A primeira parte é constituída pelos dois primeiros parágrafos. embora fossem já idolatrados. b. “tudo isso” reporta-se aos factos narrados no parágrafo anterior. Hipótese possível: O assaltante. assim. falta de imaginação. modificador do nome restritivo – de futebol. III Proposta de resumo: O futebol nasceu em Inglaterra. a segunda vai desde “Hoje…” (l. .2. O assaltante. Sofia parece ter aprendido uma lição com o assaltante de Copacabana: ao regressar. cerca de 1840. A partir de certa altura. Os jogadores passaram a “activos” quando os clubes se transformaram em empresas. Daí o uso do modo conjuntivo com valor imperativo. predicativo do sujeito – idolatrados. Por exemplo: “Não conhecia ninguém no Brasil já que nunca tinha estado lá e. o futebol transformou-se num fenómeno cultural e social muito estudado. os futebolistas não tinham de ter grande preocupação com a imagem. a. e perante o recuo do namorado que parecia querer retomar a relação. ao contrário da generalidade dos homens.” (l. organiza os Campeonatos do Mundo. ou seja. predicado – eram idolatrados.48 Caderno do Professor | Soluções das fichas de avaliação 3. 3. b. revelando.1. Deduz-se. 2. Segunda parte – Actualmente.1. a terceira compreende os cinco últimos parágrafos. aflito. Os jogadores passaram a “activos” porque os clubes se transformaram em empresas. Modificador do grupo verbal – Noutros tempos. 3. o tempo verbal predominante é o pretérito imperfeito do indicativo já que a referida expressão implica um relato em que se dá conta do aspecto durativo da acção. o antecedente de “seus” e “seu” é “clube”. enfiou a faca num dos bolsos da bermuda e tentou consolar a moça dizendo-lhe que não chorasse mais.

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