Ensino Profissional · Nível 3

PORTUGUÊS
Textos de carácter autobiográfico Módulo1 Textos expressivos e criativos e textos poéticos Módulo2 Textos dos media I Módulo3 Textos narrativos / descritivos I Módulo4
Olga Magalhães | Fernanda Costa

Módulos
1|2|3|4

CADERNO DO PROFESSOR
Resolução das actividades do manual Fichas de avaliação (com soluções)

P

2

Módulo

1

Textos de carácter autobiográfico

| Textos | 1
Antes de ler [pág. 17] 1. O cartoon representa um sonho de um funcionário de uma
repartição – nome dado aos locais onde funcionam secções de determinados serviços, muitas vezes ligados ao Estado. Nos diversos momentos do sonho, o funcionário vê-se a si próprio a atender diversos utentes sempre com uma atitude de grande simpatia e disponibilidade que se reflecte quer no sorriso omnipresente quer na forma como se vai dirigindo a cada um deles. A maneira como cumprimenta a primeira personagem ou se despede da última, a solicitude que apresenta perante todas as outras são exemplo da humanização que é tão pouco vulgar neste tipo de locais, cujo atendimento é, por norma, frio e impessoal. Quando acorda, com um ar visivelmente assustado, o funcionário refere-se ao sonho como um ‘pesadelo’, através de um acto ilocutório profundamente expressivo. É nesta última vinheta que melhor se evidencia a função crítica deste cartoon: aquilo que para os utentes seria, de facto, um ‘sonho’, é, para o funcionário que os atende, um pesadelo. 2. Esta ‘definição’ corresponde à ideia generalizada de burocracia: o cliente que vai sendo empurrado de guichet em guichet. A mensagem deste texto opõe-se à ideia transmitida no sonho/pesadelo do funcionário público do cartoon de Luís Afonso.

2.1.
avaliado(a); analisado(a) em detalhe; afastamento, omissão; relato sumário da sucessão de factos que marcam cultural e profissionalmente a carreira de uma pessoa; mais do que a capacidade de ler e escrever, é entendida como a capacidade de compreender e usar a informação escrita nas actividades do quotidiano; inevitável, que tem de ser tido em conta. c. d. e.

a. b.

3. 1.a parte – do ponto 1 ao 7; 2.a parte – a partir de “Por isso”. 3.1. O conector “Por isso”, que articula as duas partes referidas, tem um valor consecutivo (indica que o que se segue é consequência do que atrás foi exposto). 4. Por exemplo: Por isso, nos termos constitucionais e regimentais, venho requerer à Senhora Ministra da Educação que: – explicite os critérios científicos ou outros que servem de base ao “apagamento” (…) que frequentam o 5.° ou 6.° anos de escolaridade; – informe se obras como (…) chegaram a ser equacionadas no processo de selecção levado a cabo; – disponibilize a listagem de todas as obras e todos os autores “avaliados” e torne públicas as justificações que levaram à exclusão daqueles que foram afastados da listagem dos “recomendados”; – divulgue o curriculum (…) para o Plano Nacional de Leitura. 5.1. Os pedidos do requerente não podem ser considerados completamente satisfeitos, pois aí não se encontra esclarecido o solicitado nos pontos 2. e 3. do requerimento e a resposta ao ponto 4. é vaga.

Compreender [pág. 19] 1.1. “(…) comprometemo-nos em coordenar as nossas políticas (…); “(…) Com isto, comprometemo-nos a atingir estes objectivos (…)”
2. A nota deveria ser introduzida no texto a seguir a ECTS (quarto parágrafo, ponto 3). 3.1. Nos três primeiros parágrafos da declaração, evidencia-se a evolução do processo europeu nos últimos anos, salienta-se que a Europa do conhecimento é um factor fundamental para o enriquecimento da cidadania europeia e reconhece-se ser da máxima importância que as universidades europeias se ajustem às novas exigências. 4. A afirmação falsa é a b. – a Declaração de Bolonha pretende incentivar, também, a mobilidade de professores, investigadores e pessoal administrativo (no reconhecimento e na valorização dos períodos passados num contexto europeu de investigação, de ensino e de formação, sem prejuízo dos seus direitos estatutários).

| Textos | 2
Antes de ler
[pág. 23]

P – Português, Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor

Compreender

[págs. 21-22]

1. O destinatário é o Presidente da Assembleia da República, o requerente é o deputado do Grupo Parlamentar do PSD, Adão Silva, e o assunto é o Plano Nacional de Leitura.
2007

1. Na BD assistimos à história de uma personagem masculina que se encontra dentro de um bar e que, depois de olhar apaixonadamente para a foto de uma mulher (Maria), decide escrever-lhe uma carta de amor para a qual vai fazendo e recusando vários rascunhos. No momento em que se encontrava concentrado em mais uma tentativa, vê, estupefacto, Maria passar abraçada a outro homem. Na última vinheta vemos a personagem feminina a ler a carta que acaba por receber: em vez de uma carta de amor, recebe um conjunto de insultos e impropérios.
ISBN 978-972-0-91247-3

Este livro foi produzido na unidade industrial do Bloco Gráfico, Lda., cujo Sistema de Gestão Ambiental está certificado pela APCER, com o n.° 2006/AMB.258
Produção de livros escolares e não escolares e outros materiais impressos.

Módulo 1 Textos de carácter autobiográfico

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Compreender

[pág. 25]

1. banalização: vulgarização; omnipresença: ubiquidade; trivialidades : banalidades; grilheta : prisão; sequestrado : enclausurado; distendido: dilatado; fustigadas: flageladas; desfalecendo: desmaiando. 2.1. A nota explicativa seria inserida a seguir à seguinte passagem: “usando um direito inalienável de autodeterminação” (l. 7). 3. À medida que o telemóvel se foi vulgarizando, foi criando a fantasia de que “o outro” está sempre ‘presente’ e disponível; o facto de o contacto não ser estabelecido ou de não haver uma resposta imediata do outro lado causa sofrimento. 4. As “trivialidades” são as seguintes: ficar sem bateria ou sem rede ou desligar o telemóvel. 5. Afirmação b..

hierarquia (administradores das roças/Governador). A carta B é uma carta particular, dirigida por Luís Bernardo ao seu amigo João (Cf. fórmulas de tratamento e de despedida) e o assunto é de índole pessoal – sentindo-se só e infeliz, Luís Bernardo faz um pedido desesperado ao amigo para que o venha visitar. 2.2.1. Hipótese de carta:
Querido amigo Luís, Estou a responder-te logo após ter recebido a tua carta que me deixou deveras preocupado. Não imaginava que te encontrasses tão profundamente deprimido. Nada nas tuas cartas anteriores fazia antever tal situação. Creio, porém, que estarás a exagerar e que, quando receberes esta missiva, já te encontrarás, certamente, de melhor humor. Infelizmente não vou poder aceder ao teu pedido: não me é possível ir a S. Tomé este Verão, pois o trabalho no escritório não mo permite: vou ter apenas uma semana de férias e tenho já hotel reservado na Praia da Granja. Este último facto não seria grave e tudo se poderia arranjar se não fosse a distância: é que uma semana de férias não dá sequer para aí chegar. Vou fazer os possíveis para te visitar no Natal. Nessa altura penso que o trabalho terá acalmado e que disporei de mais tempo para poder empreender tão longa viagem. Até lá, aguenta-te, amigo! Sabes que, em pensamento, estou a teu lado e lembra-te da importante missão que aí estás a cumprir. Um grande abraço cheio de saudades deste teu amigo (que não se perdoa por não poder ir a correr ao teu encontro), João

Funcionamento da língua

[págs. 25-26]

1.1. SMS – Short Message Service; MMS – Multimedia Messaging Service; PC – Personal Computer; CD – Compact Disk; WWW – World Wide Web. 2.1. Mail e messenger. 3.1. correspondência – mails, SMS, carta, postal dos correios (diferentes tipos de correspondência). 3.2. telegrama, encomenda, vale postal, fax, bilhete, memorando, nota. 3.3. Epístola, missiva. 4.1.1. A segunda oração da frase – “para avaliar o impacto de um amor” – é uma oração não finita infinitiva com valor final.
P – Português, Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor

4.1.2. Sujeito nulo indeterminado; predicado – avaliar o impacto de um amor; complemento directo – o impacto de um amor; complemento do nome – de um amor. 4.2. Exemplo: Os segundos de resposta são contabilizados pelos amantes.

| Textos | 3
Antes de ler
[pág. 28]

2. Personagens: Sandra, Xana, Jonas Machibundo, Paulo, Deolinda, Fragoso; Lugares: Moçambique; Tempo: Natal.

Oficina de escrita

[pág. 27]

2.1. Na carta A o destinatário é tratado por “Excelentíssimo Senhor ”, “Vossa(s) Excelência(s)”; trata-se de uma carta dirigida aos administradores das roças de S. Tomé e Príncipe pelo Governador das ilhas, o emissor, que assina com o nome completo – Luís Bernardo Valença. É uma carta formal adequada ao assunto em questão – a visita de um inglês às roças para, a mando do seu governo e do governo português, verificar as condições de trabalho dos trabalhadores – e às relações de

Compreender

[págs. 29-30]

1.1. e 1.2. O destinatário é Sandra, mulher do remetente, já falecida (“Não sei se ainda estavas viva quando…” (ll. 6-7)). A relação entre ambos é esclarecida, por exemplo, através das formas de tratamento (“querida”), pela evidente cumplicidade nascida da partilha da vida (“Porque os jovens, tu sabes…” (ll. 14-15), “…e subitamente exististe nesse sorriso. Eras tu, querida, eu nunca… dela.” (ll. 22-23)), etc.

4

Caderno do Professor | Resolução das actividades do manual

1.3.1. Xana seria filha do remetente e de Sandra. Tem um filho pequeno (Paulo) e vive longe do pai. Depois de se separar do companheiro (pai do filho) vai agora casar com um homem “bastante mais velho”. Tem um sorriso parecido com o da mãe. 1.3.2. A relação com o pai não parece muito próxima: telefona (raramente) e escreve (“telegraficamente”), passou dois dias no Natal com o pai, mas ele nunca lhe conheceu o companheiro. 1.4.1. “Porque os jovens (…) têm uma grande incompreensão do sentido do casamento.” (ll. 14-15). Com esta reflexão o remetente expressa aquilo que lhe parece ser a forma leviana como os jovens encaram o casamento. 1.4.2. “Sorriso breve, o ar absorto…” (ll. 23-24). 1.5. O que o pai de Xana lhe está a dizer com a resposta que dá é que aquilo que a faz feliz a ela, mesmo que seja algo com que ele não esteja completamente de acordo, também o faz feliz a ele.

| Textos | 5
Antes de ler
[pág. 35]

1.1. Lembrança, recordação, fama, por exemplo. 1.2. Exemplos: “Não há memória de uma história assim.”; “Este monumento foi erigido em memória do nosso primeiro rei.”; “D. Dinis, rei de boa memória, foi também um grande poeta.” 2. Podemos falar, em relação a este texto, de duas acepções da palavra memória: nos dois primeiros parágrafos, as duas referências à memória (ll. 2 e 6) enquadram-se no sentido 1. do verbete (função geral de conservação de experiência anterior, que se manifesta por hábitos ou por lembranças); podemos, também, reportar-nos ao sentido 9. do verbete [memória (pl.) – escrito narrativo em que se compilam factos presenciados pelo autor ou em que este tomou parte].

Funcionamento da língua

[pág. 30]

1.1. Por exemplo: – Conta – disse-lhe eu. E ela contou: – Vou-me casar. – Casar? – duvidei eu na minha estupefacção. – Vou-me casar com um tipo que talvez conheças de nome, o Fragoso, professor de… – confirmou ela. – Não estás contente? – Estou contente – disse-lhe eu olhando o miúdo que tinha um olhar mudo e espantado para nós –, se tu também estás.
■ ■

Compreender

[págs. 36-37]

1.1. Sendo embora ambos os tipos de texto exemplos de escrita autobiográfica, enquanto que a escrita das memórias é, normalmente, muito posterior aos acontecimentos narrados pelo seu autor ou em que este participou, o registo do diário é, geralmente, quase simultâneo aos factos narrados que são, por norma, datados. 2.1. Marcas da primeira pessoa: formas verbais – acho, sou, comecei, Tenho, acabamos (pl.), sei, sou, tenha, tenho, desejaria, temos (pl.), quero, nasci, vim, conheci…; determinantes possessivos – minhas (obsessões, avós, tias), nossa (individualidade) minha (vida, juventude, mãe), meu (tempo); pronomes pessoais – mim, me, nos (pl.), Eu. 3.2. Os três grandes factos que marcaram a vida do autor são: a falência das profecias (3.° §), a cada vez maior participação das pessoas na sociedade (4.° e 5.° §) e a entrada das mulheres na História (6.° §). 4. 1.-c.; 2.-f.; 3.-a.; 4.-d. 5.1. Por exemplo: certeza – “Eu não tenho dúvidas: quando nasci, (…) não tinham ainda entrado na história.” (ll. 44-45); incerteza: “Por isso me parece que a nossa individualidade é talvez o bem mais precioso que temos.” (ll. 10-11).
P – Português, Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor

2.1. Exemplos: Prometo que vou aí no Natal. Quem me dera / Adoraria ir aí no Natal!

3.1. apareceu, preparou, ajudou, estremeceu, chegou, perguntei, foi, voltou, disse, contou, duvidei. 3.2.1. “Ela dissera-me tenho uma novidade para te dar…”
(l. 11)

3.2.2. O pretérito mais-que-perfeito exprime uma acção que teve lugar antes de outra acção já passada.

| Textos | 4
Compreender
[pág. 33]

1. O excerto de diário aqui apresentado, pelo seu carácter ficcionado e lírico, não corresponde a uma realidade estritamente factual mas a uma espécie de “fingimento” dessa realidade. Daí a escolha de “imitação dos dias”.

5.2. Hipótese: “Garanto que / Estou convencido que / Estou seguro que, etc., estes futurólogos, alguns reconhecidamente inteligentes, estavam apanhados pelo espírito do tempo, uma espécie de vírus que apanha indiferentemente o inteligente e o estúpido.”

pretérito mais-que-perfeito composto do indicativo – tinham entrado. visto que. “Os consertos de calçado estão mais caros de dia para dia. 14-15) II 1.” 2.2. 2.1.. “Aquele rapaz não tem cabeça: passa o tempo a fazer disparates!” 4. grafia.3. serigrafia. biógrafo. P – Português. Acto ilocutório expressivo. Porque. 1. Dois exemplos possíveis: “No último filme de Almodóvar. a narração projecta-se apenas em factos passados e os tempos utilizados exprimem realidades temporais diferentes: o pretérito perfeito evidencia uma acção passada com carácter pontual. fotografia… 3.1. paleografia. ouvia. epistolografia. 13-14) b. Marcas do remetente – o uso da primeira pessoa presente nas formas verbais “tenho” e “tive” e no pronome pessoal “me”. o pretérito mais-que-perfeito assinala uma acção anterior a outra também passada expressa pelo pretérito perfeito. Trata-se da comparação: “(…) que me deixa desamparado como se me faltasse uma perna. a.. O valor contextual dos dois “como” é substancialmente diferente. evidencia que o mais difícil tem sido ser capaz de simplificar a sua escrita de forma a deixar ficar só “o essencial”. o segundo remete para uma ideia de causalidade (é uma conjunção subordinativa causal (= porque.” Ficha formativa [págs. e 3. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor . b.1. pois enquanto o primeiro estabelece uma comparação (é uma conjunção subordinativa comparativa).” (ll. grafologia.1. Através desta metáfora o remetente. envio-te logo o primeiro caderno. Pretérito perfeito do indicativo – vim. grafómetro. Por exemplo: “(…) chego à hora de jantar cheio de dores de cabeça por levar o dia a penar na prosa. biografar.2.”. grafológico. Presente do indicativo – tenho. grafonia. grafismo. 18-19) 3. gráfico. via. biografista. autobiografia.2.” (ll.3.”.1.” (ll.Módulo 1 Textos de carácter autobiográfico 5 Funcionamento da língua [págs. filmografia. a sua extensão temporal. 3. 1.. falando do trabalho que lhe tem dado a história que está a escrever. uma vez que… 2. fotobiografia. grafar. a. já que)).1. “O principal tem sido mondar* isto de adjectivos supérfluos. Acto ilocutório compromissivo. Por exemplo: “Recordo com emoção todos os concertos a que assisti no ano passado. b. a.. 3. marcas do destinatário – o pronome possessivo “tuas”. grafema… biografia.” 2. já que. 37-38] 1.1. sacudir a árvore para só ficar o essencial. graficamente. biografado.1.2. xenografia. comprava. “Vais ver que é uma coisa de uma simplicidade imensa – a gente deita-se e eles nascem. Penélope Cruz volta a ser cabeça de cartaz. No excerto b. No excerto a. 2. 41-43] I 1. “Caso se possa mandar daqui ou do Chiúme …” 2. “Se se puder mandar daqui ou do Chiúme encomendas registadas.1. gráfica. o presente do indicativo marca que o momento/tempo em que se situa o sujeito da enunciação coincide/é simultâneo com o momento/tempo em que se situam os factos narrados. Nestes dois parágrafos o remetente fala de dois assuntos: da forma custosa como tem progredido a história que está a escrever e do nascimento do bebé que “se aproxima a passos largos!”. pretérito imperfeito do indicativo – estava. discografia. enquanto que o pretérito imperfeito salienta o aspecto durativo da acção.2. biográfico. pretérito perfeito do indicativo – nasci. xilografia.

1569: Embarca para Lisboa. eficazes e sedutores.. No dia de Corpus Christi. relativamente ao texto poético. nas páginas 42 a 55. Centro de Literatura Portuguesa da Universidade de Coimbra. O poeta perde tudo. ou seja. se essa nobreza for a do espírito. hoje toda a gente quer fazer a sua experiência de escrita). 48] 1.1. 2) para isso. sem letreiro. não pode deixar de evidenciar o seu desespero. 1580: Morre a 10 de Junho. realiza-se através do comentário de textos e através de informações teóricas sobre o fenómeno a que a crítica recente dá o nome de ‘poeticidade’ (ou seja. é. por dois mascarados. a atenção e o “amor”que . ll. Proposta de roteiro cronológico: 1524/1525: Nasce Luís de Camões quase certamente em Lisboa.” (ll. 1575: D. António Borges Coelho. em particular. Fica sepultado em campa rasa. quer publicada. em geral. e 1. 1572: Publicação de Os Lusíadas em Lisboa. A pergunta do título repete-se. foi zombado. O enterro é pago pela Companhia dos Cortesãos. creio que teria ainda interesse o professor fazer com os alunos uma breve reflexão de natureza histórico-cultural e sociológica sobre dois aspectos: o pendor lírico do temperamento português. sob outras formas. Dinamene morre nas águas. quer destinada à gaveta e solitária (o que é aliás um reflexo da ‘massificação’ da produção literária. Sebastião atribui a Camões uma tença de 15$000.” Camões observa o seu país e.” (ll. Antes de 1550. 14-16). na Rua de S. reconhecendo que não é a “pátria” que o inspira pois esta “… está metida / No gosto da cobiça e da rudeza / De uma austera. Estalou briga rija. número 10. pagam-lhe uma dívida e a passagem. pois mais ninguém neste país o soube merecer. INIC. A título parentético. Compreender [pág. Cf. Essa ‘desconstrução’. dão-lhe de comer e de vestir. 1981. rasgando com a espada uma ferida no pescoço de Gonçalo Borges. Chega a Goa em princípio de Setembro. publicado em Cadernos de Literatura. 2. quando Gonçalo Borges passeava a cavalo no Rossio. este país foi sempre terreno fértil. o rei D. depois de mortas. e os nossos escritores. 47-48] 1. O poeta é encarcerado no Tronco da cidade. 1567: Camões em Moçambique. como agente de sedução capaz de 'prender' o aluno. in Camões 1. não lhes dando. Luís de Camões poderá ter aprendido as primeiras letras numa das 40 escolas lisboetas de ensinar meninos. e mesmo como funciona o acto poético. as seguintes passagens: “…em matéria de indiferença pelos mais nobres dos seus filhos. apagada e vil tristeza. vendo-o no mais espantoso abatimento. entre eles Diogo do Couto. aconselhamos a (re)leitura do excelente artigo de Clara Crabbé Rocha. 1552: Está em Lisboa. e a enorme produção de poesia lírica do nosso tempo. 1558: Data provável do naufrágio no Cambodja. | Textos | 2 Observação: Sobre o ensino da poesia. o seu autor pergunta-se se uma “pátria” que tão mal tratou Camões e que ele tanto criticou terá o direito de se apropriar do seu nome para celebrar o 10 de Junho (Dia de Portugal. ao longo do texto (Cf. Caminho. em vida. da parte de fora do mosteiro de Santa Ana. Neste primeiro período da sua vida.” (ll.2.1. e a consequente riqueza em poesia lírica da nossa literatura. “Didáctica do texto poético”. Através dessas questões. A indignação do autor nasce da constatação do triste hábito português de só se valorizarem as pessoas. observando as peças uma a uma). mas não há qualquer registo que prove a sua passagem oficial pela Universidade. João III perdoa-lhe. do qual seleccionámos o seguinte excerto: “O trabalho do professor. Os amigos. numa altura em que se nos impõem meios de comunicação extremamente diversificados. Antão. Salva-se a ele e ao poema numa tábua. o quid que faz com que um texto seja poético). Luís de Camões acudiu em defesa dos mascarados seus amigos. Embarca nesse mesmo mês para a Índia. “Ora «a gente surda e endurecida» (…) ‘o favor com que mais se acende o engenho’. entre outras. 1553: Por carta de 7/3/1553. que nada tem de destruição do texto. 4-6). Nestes versos da estrofe 145 do Canto X de Os Lusíadas. 8-9). Ed.6 Módulo 2 Textos expressivos e criativos e textos poéticos Camões lírico | Textos | 1 Antes de ler [págs. a sua lírica aponta uma estada em Coimbra. “Camões pertence apenas a alguns poetas. de Camões e das Comunidades Portuguesas).”). Camões critica os portugueses (“gente surda e endurecida. portanto: 1) revelar esse texto como 'armadilha amorosa' (Barthes).” P – Português. um dos métodos que julgo pertinentes é ajudar o aluno a ver como funciona o texto poético (tal como uma criança gosta de ver como funciona um brinquedo e o adolescente um aparelho. desmontando-o. defronte das casas de Pêro Vaz. 1980 (adaptado) merecem. 16-19). Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor 2.

as metáforas. relemos. e Camões. “mas não servia ao pai.” 1.3. assim como as formas puras e idealizadas. 52] 2.2. desenhado fio a fio. a perna na mesma posição. 5. Observação: Será importante fazer notar que o termo anáfora é usado na análise literária e na análise linguística.. o que provoca. 12) 4. O paralelismo está presente na repetição da mesma estrutura frásica nos dois primeiros versos. 11) 3.° 12).1. em grande parte. adjectivo: novas (v. 1. Sendo as contradições do amor o tema do soneto. Ed. do entrelaçar dos corpos e da vista da costa ondulada em golfos e promontórios. Composição: Botticelli dispõe as figuras num plano só. 10 e 14). usando de cautela. . Exclusividade do objecto do amor A – “e a ela só por prémio pretendia. A dificuldade de definir o amor e de enumerar os seus diversos estados bem como a sua variedade. (in A Grande História da Arte.” B – O próprio objecto do amor e o seu mundo: “Mas esse teu mundo era mais forte do que eu”.2. diferentes (v. 5). quer as antíteses quer a bipartição dos versos aparecem a sublinhar essa temática. Sustentada por uma concha. vol. quase de forma espontânea.1. Esta sensação emerge das ondas do mar. já (vv. a deusa é levada pelos ventos em direcção a terra. II.” B – “Era só contigo que eu sonhava andar/Para todo o lado e até quem sabe? Talvez casar” Formas de sedução do objecto do amor A – Servidão e dedicação incondicionais: “Sete anos de pastor Jacob servia”. e optámos. nome: novidades (v. A pequena cabeça está inclinada e insere-se sem criar ângulos no longo pescoço subtil. 50] 1. São conceitos distintos. da mesma autora. cada dia (= diariamente) (v. encontram uma perfeita expressão poética na gélida nudez da deusa. 2. verbo: converte (v. As antíteses e os oxímoros aliados à bipartição rítmica do verso. ao braço estendido. (. Compreender [pág. a repetição anafórica. 6). A obra distingue-se pela soberba harmonia do esmerado desenho e pela elegante modulação do traço que cria efeitos decorativos quase abstractos. Continuamente (v. a interrogação retórica do último terceto. com toda a atenção. As cores frias e claras. servia a ela” B – Persuasão e sacrifícios materiais: “A saliva que eu gastei para te mudar”.) Vénus é o centro da composição e na sua direcção convergem as linhas curvas dos ventos e da figura feminina. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor | Textos | 3 “Amor é um fogo…” Compreender [pág. “Mesmo sabendo que não gostavas”. a dupla inclinação dos ombros. acompanha com suavidade as formas do corpo. A poesia lírica de Camões – uma estética da sedução (Cadernos FAOJ. míticas divindades femininas) está à sua espera para a cobrir com um manto purpúreo. n. por seguir o percurso aí sugerido. ou seja.. Público.Módulo 2 Textos expressivos e criativos e textos poéticos 7 Acreditando que é ‘sob o signo da sedução’ que se deve analisar o texto poético. se não fora / para tão longo amor tão curta a vida. privilegiando a continuidade da linha. subtil mas evidente.” B – “Não se ama alguém que não ouve a mesma canção. / em lugar de Raquel lhe dava Lia. A repetição dos vocábulos mudam-se e muda-se no início das frases dos dois primeiros versos evidencia o recurso à anáfora. 49] [pág. O Nascimento de Vénus Tema: O quadro representa o nascimento de Vénus Anadiomede. O nu é classicamente “ponderado” numa simétrica e plena correspondência dos membros: ao braço dobrado corresponde a perna dobrada. que nunca é perturbada por cortes ou saliências. em particular. 1.. Comparar Antes de ler [pág. Mudam-se/muda-se/se muda/mudar-se. em geral. que não se podem confundir. “Empenhei o meu anel de rubi” Impedimentos à concretizaçãodo amor A – O pai: “porém o pai.. Antítese. mudança. 2006) P – Português. O abundante cabelo louro. “Não fizeste um esforço para gostar” Decisão do sujeito A – Não desiste e propõe-se lutar pelo seu amor enquanto viver: “começa de servir outros sete anos” B – Desiste: “Nada mais por nós havia a fazer / A minha paixão por ti era um lume / Que não tinha mais lenha por onde arder” ‘Lição’ aprendida pelo sujeito A – “Mais servira. Todo o corpo é circundado por uma linha ininterrupta.. gerada pela espuma do mar. 5). 54] 1.1. 4). onde uma jovem mulher (Flora ou uma das Horas.

7/8) 2. Este conjunto de qualidades tende a produzir uma imagem de perfeição (estereotipada) e não a individualizar a mulher. não resistindo. O tema é a paixão que apanha o coração desprevenido.2. na ternura dos três diminutivos que aparecem na primeira quadra.2.8 Caderno do Professor | Resolução das actividades do manual 1. apartar-se / apartada (vv. 5. 57] 1. Estes recursos intensificam a ideia central e acentuam a mensagem. 1. A conjunção coordenativa adversativa mas (v.2. e 2. da fragilidade e da passividade do sujeito poético. 1. 58-59] P – Português. A beleza feminina (física e espiritual) e o fascínio que ela exerce no eu lírico. tal como o Cupido que se escondia nos olhos da mulher amada. 7.3. criando cumplicidade com o interlocutor.a parte – até ao verso 11.2. a interrogação retórica dá vivacidade e ênfase ao discurso. caracterizado como sorrateiro e dissimulado. tendo em conta o seu carácter contraditório. 14 “almas condenadas”) 3. 11) 1. destinado.2. 4. A estrutura bipartida deste soneto é marcada pelo conector assi sendo “anunciada”. 2.2.3.° terceto corresponde à síntese desses atributos e à conclusão: o poder transformador/mágico do objecto amado exercido sobre o sujeito. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor 1. Formas verbais: “saía”.1. O sujeito poético identifica-se com o passarinho e o coração contra o caçador e o Frecheiro cego. passarinho/coração. “leda”. vv.1.1. 55] 1. Atente-se. “Aquela triste e leda madrugada” 1. calado. paradoxo (vv. Neste retrato dá-se maior relevo aos traços morais (Cf.1. 1. O demonstrativo “Esta” funciona como um termo anafórico que tem como função indicar os referentes no interior do texto em que é usado: remete para todas as qualidades | Textos | 4 Compreender 1.4.4. escondido. por oposição ao caçador.a parte – as duas quadras e o primeiro terceto: a dificuldade de definição do amor e as contradições do estado amoroso. Compreender 1. 3. no segundo. e repetindo o mesmo erro. manso. A madrugada aparece como uma espécie de ‘morte’ porque o nascer do dia é identificado com a separação (Cf.1. corresponde à acumulação de atributos físicos e morais da figura feminina (descrição). vv. triste “cheia de mágoa e de piedade” “saudade” “apartar-se” “lágrimas em fio” “palavras magoadas” ■ ■ ■ ■ ■ Comentar [pág.1. 3. sendo a vista da amada comparada à tempestade.3.1.1. descuidado. 8.1. por exemplo. 2. adjectivos: “triste”. Ela (vv. (Cf. grande / largo (v.2. 2. logo no início do poema. 2. pela conjunção como. A madrugada é testemunha da separação de dois sujeitos que estiveram juntos e do sofrimento que essa separação provoca. 3. 1. 3. O sentimento predominante é a tristeza. 1.a parte – último terceto: o sujeito poético pergunta-se como é possível que o amor. valendo-se do descuido.3. 10 e 11). e nos adjectivos que caracterizam o coração. hipérbole (1. 12) 2. 8 e 13). Uma vez que a sua contemplação (da tempestade/da amada) provoca medo. 2. contrário 2.2. Ao marinheiro do primeiro termo de comparação corresponde o eu lírico. 9. doce. mágoa / piedade (v.4. porém.3. passarinho – lascivo. Nos dois termos da comparação estamos perante uma situação de agressão em que uma das figuras (caçador/ /Frecheiro) é mais forte do que a outra (passarinho/coração) e actua de forma traiçoeira e dissimulada. leda “amena e marchetada” “dando ao mundo claridade” ■ ■ 2.1.3. 2. | Textos | 5 Compreender [págs. caçador/Frecheiro 1. 7-9).1. 7. a fuga é a única salvação. Frecheiro – cego. Dest’arte [pág.3. possa estar tão presente nos corações. no primeiro terceto. 2. Ambos (marinheiro e eu lírico) prometem não voltar a cair noutra. v. coração – livre. 5. 3.a parte – 2.° terceto). 57] . “viu”. Não sendo uma pergunta para a qual se espere resposta. caçador – cruel. 6.2. 2). 9 e 12) [pág.

2. canções.Módulo 2 Textos expressivos e criativos e textos poéticos 9 expressas nos versos anteriores (atente-se. Os encavalgamentos (transição dos vv. mas que estão a correr de mão em mão. o autor de Os Lusíadas. | Textos | 6 Compreender [pág. 63] 1. Referimo-nos à metáfora – Circe/veneno – que confere a ideia de encantamento e magia./não me deixeis. 2. | Textos | 7 Compreender [pág. marcada pelo sofrimento presente. nos dois pontos do verso 11) que são aqui resumidas na expressão “celeste fermosura”.1. 64] 2. 2. em Descalça vai pera a fonte.2. 7-8 e 12-13-14. entre outros: a enumeração assindética (conferindo ritmo. Abandonado por todos. “louva” uma dama (Sois ua dama de grão merecer). etc. 4. ~ Metáforas (Ua graça / viva que neles lhe mora. Estas duas figuras femininas. recato. que nunca foram impressas pelo facto de o poeta (sinonímia) não ter recursos materiais.2. que lembrais meu bem passado. beleza celestial) realçadas através de diversos nomes e adjectivos.1. o sujeito lírico antecipa que a sua vida será também. 2. A primeira parte corresponde às duas quadras e a segunda aos dois tercetos. vigor e musicalidade ao texto). 1. odes. Poderão referir-se. sempre – eternamente. são em tudo semelhantes do ponto de vista psicológico. As sucessivas antíteses: bem/mal. passado/presente. e a angústia do mal presente. 5.2. doçura. [elipse] faleceu (sinonímia) num hospital da cidade e [elipse] foi sepultado num coval aberto do lado de fora da Igreja de Santana. P – Português. frequentemente dupla e valorativa. 70-71] I 1. Pretidão de Amor. é de referir o encavalgamento (por ex. na continuação da apóstrofe – lembrais/deixai-me. equivalente a uma reforma de soldado.3.1. a adjectivação.: na transição dos versos 3-4. porque nela vivo / já não quer que viva. Presença serena / que a tormenta amansa). deixai-me/não me deixeis. duas delas no imperativo. há-de ser – tendo perdido toda a esperança.1. se quereis. A beleza da mulher amada é o resultado da conjugação das suas qualidades físicas e morais (graça.) que alterna com o ritmo binário. O seu (pronominalização) único rendimento era a tença de 15 mil réis anuais. em cópias manuscritas.5. O sujeito poético canta. o ideal de beleza petrarquista oposta à beleza oriental da mulher cantada nas endechas (contra as convenções do petrarquismo). Jogos de palavras: cativa / cativo. Além de Os Lusíadas [elipse] escreveu muitas redondilhas. obtém-se um ~ retrato negativo de uma dama (Sois ua dama das feias do ~ mundo). a sua (pronominalização) obra continua a ser admirada por todos.1. viver/morrer. as formas verbais na 2. A primeira parte descreve a forma como o girassol acompanha a trajectória do Sol acima da linha do horizonte e a forma como esta flor é influenciada pela luz do astro-rei. 2. . 4. conferem ao poema um ritmo rápido e fluido que alterna com um ritmo mais lento e sincopado conferido pelo uso da vírgula. Para além da medida do verso. Lendo-se as estrofes seguidas (da 1 à 4). brandura. 2. O petrarquismo está presente ao nível do ideal de beleza feminina aqui reproduzido. sonetos.4. aliados à enumeração assindética. do ponto e vírgula e dos dois pontos. 19-20. 61] 1.a pessoa.1.1. 6. O facto de se lembrar do bem que já teve no passado agudiza mais ainda o sofrimento presente. Morreu ontem. Por exemplo os versos 9-12 e 25-28. Estão em confronto o bem passado. no futuro. Funcionamento da língua [pág. a leitura “lado a lado”. Entretanto.3. Ficha formativa [págs. sextinas e éclogas. 2. não me deixeis – não permitais. 61] 1. para ser senhora / de quem é cativa. deixai-me – afastai-vos de mim. que el-rei lhe (pronominalização) mandou pagar como recompensa pela publicação da sua epopeia (sinonímia). indefinidamente. 22-23-24. bem parece estranha / mas bárbora não . recordado pelo eu lírico. na maior miséria. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor Oralidade [pág. também. A apóstrofe inicial – Lembranças.2.2. 2. 1. etc. sendo completamente distintas sob o ponto de vista físico. Luís Vaz de Camões.

libertar-se. Se. 1.” 2. / pé ante pé 3. também a amada do sujeito lírico alegra a sua “alma”.3.3. / confiante e sereno… sorriso / onde arde um coração em melodia: … suavemente. Poetas portugueses do século XX | Textos | 1 Compreender [pág.2. A vida cansa porque é sempre igual. A hipérbole. “passar a noite junto de um morto”. ao longo dos tempos.2.2. exagerando as suas qualidades e conferindo-lhe até o poder de ‘criar’.1. é constituído por duas quadras e dois tercetos. A obra de Camões proporciona-nos um encontro com a nossa história porque/visto que/já que a sua poesia foi utilizada.° momento (vv. portanto/logo/por isso a leitura da sua obra é um instrumento para abrirmos o presente e o futuro. Rimas (1595).3. c. O poema é um soneto e. isto é. 1. aqui.10 Caderno do Professor | Resolução das actividades do manual 1. De igual modo.1. 2. / velar por mim. 2. pobre e doente. Regresso a Portugal em 1569. 24-43). relata as contradições do mundo complexo do seu tempo.3. Cf.2.3. levando aí uma vida de boémia. 2. mais do que esquecer. O cansaço do sujeito poético nasce da monotonia da vida (vv. Sebastião. em 1572. também o sujeito poético. é negada através da reiteração do advérbio de negação e do pronome indefinido. 19-22). a medida do verso é o decassílabo. Veja-se a forma carinhosa como a Morte é personificada no último verso. 3. tal como ele vive inteiramente na dependência do objecto do seu amor. 1-15). 74] . O esquema rimático é ABBA ABBA CDE DEC. Versos 6-9 e 15. que desempenha um papel importante no crescimento da língua portuguesa. 16-18). Tal como o Sol faz florescer o girassol. 2. Faleci em Lisboa no dia 10 de Junho de 1580. Através da apóstrofe Meu Sol. também.3.4. São estas as “funções” que o sujeito poético espera que a figura feminina cumpra.1. El-Rei Seleuco (1587). Através deste recurso o sujeito poético hipervaloriza a mulher amada.2. 1. subtil e cuidadosa. 1-23) .1. O sujeito poético exprime o desejo do espanto inicial. parti para a Índia. Regressei a Lisboa. “Morrer” é ausentar-se da vida temporariamente. P – Português.2.2.2. O sujeito poético aparece dividido entre o desejo de viver e o cansaço que a vida lhe provoca. 2. da miséria e da violência que o rodeiam (vv. a previsibilidade do mundo. A figura feminina – meu amor do Norte – dá ao sujeito poético confiança e serenidade. Proposta: Nasci em Lisboa por volta de 1524.° momento (vv. repousar. a. b. 3. [pág.2. Vivi algum tempo em Coimbra e lá frequentei aulas de Humanidades no Mosteiro de Santa Cruz onde tinha um tio padre. Sou considerado o maior poeta português. “estar de guarda a”. a rima é emparelhada e interpolada nas quadras e cruzada e interpolada nos tercetos.1. do ponto de vista cultural e artístico.4. depois de ter sido preso devido a uma rixa. assim como o girassol “emurchece e se descora ” quando o Sol se põe. a 3. “se murcha e se consome em grão tormento. e é costume situar a minha obra entre o Classicismo e o Maneirismo. o sujeito poético identifica-se com o girassol (“Uma admirável erva”) e identifica a mulher amada com o Sol.1. (o que introduz uma oração subordinada adjectiva relativa explicativa) Funcionamento da língua 1.1. não. Algumas das minhas obras mais conhecidas são: Os Lusíadas (1572). 1. conseguindo publicar Os Lusíadas.5. o eu lírico dirige-se à mulher amada. 3. 74] 1. Fixei-me na cidade de Goa onde escrevi grande parte da minha obra. A poesia de Camões é dinâmica e.1. “Velar” significa “vigiar”. 3. …em cima dum divã / com a cabeça sobre uma almofada. de uma família do Norte (Chaves). 2. de ‘morrer’ para ‘renascer’. na ausência da mulher amada. sempre. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor II 1. Morrer e suicidar-se não representam. III 1. não e ninguém – a diferença que poderia quebrar a monotonia. como bandeira e como símbolo nacional. Através desta metáfora – mulher amada/Sol – o sujeito poético compara-se a um girassol e à forma como este depende do Sol. graças à influência de alguns amigos junto do rei D. caso.1. Quanto à métrica. Auto de Filodemo (1587) e Anfitriões (1587). portanto.5. 1. nunca.3. versos 16-23. 1. Em 1553. A obra de Camões. densa e rica. Ao longo deste soneto.4. da constatação da falta de imaginação do homem (vv.

81-82] 1. consulte-se Celso Cunha e Lindley Cintra. 3. 6. “Descansaria…” | Textos | 3 | Textos | 2 Compreender [pág. 4. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor | Textos | 4 Compreender [págs. Ao empregarmos o MODO CONJUNTIVO. Sendo o único poeta da terra natal do sujeito lírico. 1. 578 a 581. orvalho. 76] Compreender [pág. orvalho conota ‘leveza’. punhal e incêndio para ‘agressão’. irreal. antiga (nela o “tempo” faz “ninho”). 4. e 1. dá expressão dramática à sua relação com a árvore. mas tu não (vv. ‘dor’. 11-12). serenidade (vv. 13-14) e espalha. 3. 10.1. O negrilho assume um papel protector (vv. um tom contido de aparente distanciamento. “Porque” – conjunção subordinativa causal. em toda a sua intensidade. 1.1. na segunda estrofe. in ob. .1. cristal. 2. a existência ou não existência do facto como uma coisa incerta. falsidade/hipocrisia. 4. O conceito de poesia apresentado caracteriza-se. “Porque os outros”. todavia. medo. pudesse – pretérito imperfeito do modo conjuntivo.5. tratando-o por “tu”. 13) 4. 2. porém. 10). P – Português. 7. através do discurso de terceira pessoa. entre outros. cedência. etc.. podendo ser substituída pelas conjunções coordenadas adversativas mas.1. aventura/risco. o negrilho é um ser com estatuto humano.2. Sugestões: “Ainda há esperança porque…”. Nova Gramática do Português Contemporâneo (págs. 4. seja no passado. o sujeito poético enfatiza o carácter excepcional daquela árvore e da sua relação com ela. leia-se o seguinte: “Quando nos servimos do MODO INDICATIVO. então. ‘destruição’. Os outros: dissimulação. ‘frescura’. 8-9). A propósito do emprego deste modo. O tema comum aos três poemas é anunciado pelos respectivos títulos: o valor das palavras na poesia. eventual ou. Algumas hipóteses: “Seria feliz…”. é completamente diversa a nossa atitude. Nos versos 11 e 12. A alteração de pessoa verbal – de “ele” para “tu” – entre as duas estrofes faz sobressair a proximidade entre o sujeito poético e o negrilho. dotado quer de atributos físicos – a voz (“conversamos”) e os “olhos” –.Módulo 2 Textos expressivos e criativos e textos poéticos 11 1. 1.1. pois é definido como sábio (“revela o mundo visitado”) e sonhador. A repetição do pronome pessoal – “Tu” – transforma esta segunda estrofe numa espécie de oração. incêndio. pelo ideal de harmonia e serenidade (vv. a conjunção coordenativa e tem um valor adversativo (estabelece entre as duas orações uma ideia de contraste). evidenciando o carácter singular do negrilho. págs. “Tu ”/ ”os outros”. 2001) 1. O sujeito poético identifica-se com o negrilho.a chamada. (respostas baseadas nos “Cenários de resposta” da prova de Exame Nacional do Ensino Secundário de Português. A primeira apóstrofe – “mestre da inquietação / Serena!” – aponta para um ideal de harmonia e serenidade.”) e sente admiração por ele visto que ele simboliza a harmonia da natureza.1. calculismo. 1. por uma valorização da sabedoria da terra (v.a fase. 463-464) 2. revelando. “mas tu não”. 2. 2. real. Na primeira estrofe. O negrilho é uma árvore de grande porte e de copa abundante (“bosque suspenso”). 78] 1. seja no futuro.1. “os pássaros e o tempo”. contudo… Sobre os valores particulares de algumas conjunções coordenativas. O poeta a que se refere o sujeito poético é o negrilho. 2. a última – “bosque suspenso / Onde (…) ninho!” – remete para o carácter protector da árvore. 1. consideramos o facto expresso pelo verbo como certo.3.6.” – salienta a simplicidade poética e a relação da poesia com a natureza. 4).3. mesmo. é um espaço protector a que se acolhem o “eu”.” Celso Cunha e Lindley Cintra. a segunda – “imortal avena / Que (…) maninho. por uma simplicidade poética inspirada na natureza (v. duvidosa. mas mantém. “Tudo pode mudar porque…”.1. Ao dirigir-se ao negrilho. Cristal remete para ‘transparência’.2. considerando-o o seu mestre e a origem da sua poesia (“Os meus versos são folhas dos seus ramos. quer de traços psicológicos. honestidade. o envolvimento afectivo que a caracteriza. à sua volta. denúncia. a terceira – “gigante a sonhar” – evidencia a expressão do sonho humano de elevação e de integração na ordem cósmica. seja no presente.1.4. 1.3. cit. Tu: ousadia. punhal.2. Encaramos.

4. 3-5). O carácter ambíguo das palavras está em evidência neste poema porque o sujeito poético apresenta um conjunto de vocábulos que transportam consigo sentimentos diversos e. o sujeito poético sugere que. Por exemplo. Adjectivação. os pares água/fogo . 4.1. 16: amor. será a vez de os alunos praticarem a leitura oral de alguns poemas. primavera. Muitas vezes. enumeração. fazendo-nos supor que o apelo por ele lançado no poema anterior não teve eco. 2. amor e rosa mas. se tornou mais exigente e que agora só procura “as mais encabritadas”. enquanto que as primeiras são suaves e ‘tranquilas’.2. 6-9). “arreganham os dentes” (v. ainda. Em alternativa. por vezes. Os tempos do passado são o pretérito perfeito (fartaram-se. que sugere “desmaiadas”. do ME-DES (1999). amor/morte. 82] 1. v. o sujeito poético pede contas a um “tu”/ “eu” acerca do que terá ele feito das palavras. 15: sangue. desobedecem-lhe e desrespeitam-no (cf. sustentavam).2. v. vv. v.14: tempestade. . 2. Algumas vezes. 16). A interrogação do primeiro verso. 7-8: água. 3.1. no presente. 2. Daí o seu carácter complementar. cuidadas. v. encontrava. vv. “agora” – vv. “ténues”. da EMI-Valentim de Carvalho ou no CD Poesia Encantada. lugar para observações e estratégias de remediação.6. as palavras “gostaram” do sujeito poético: andavam à volta dele e “aqueciam-no”. 17: chama. os versos 3 a 6 podem ter subentendido “são como”.1. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor 1. A liberdade é água. Raramente. 2.a estrofe. No passado.1. O adjectivo “ pálidas ”. remete para a ‘morte’ das palavras que. a luta por ela é fogo e cardo. v. nesse caso não haveria metáfora. Comparação e metáfora.3. que outrora eram o seu ‘sustento’ quotidiano. 2.1.3. 2. 3. propõe a seguinte ficha de avaliação de leitura em voz alta: ■ ■ ■ ■ ■ ■ Hesitar Usar o dedo ou outro guia Ler com expressividade Fazer leitura palavra a palavra Respeitar a pontuação Errar em pequenas palavras ■ ■ ■ ■ ■ ■ Ter ritmo de leitura Acrescentar Omitir Aglutinar sílabas Ter problemas de dislexia Fazer autocorrecção. 2.2. como aliás todas as outras do poema. Para cada um destes pontos serão usados os parâmetros Nunca. vento.2. 3).2. mesmo quando ‘enfraquecidas’.3. o sujeito poético lança um apelo para que as palavras sejam escutadas.1. hoje são muito menos dóceis e mais difíceis de ‘domar’. pátria. “estão ariscas” (v. trazem ainda boas memórias.2. tive.2. 1 e 15.1. protegidas. Actuar [pág. 2. Através desta imagem (conjunto de metáforas) o sujeito poético refere que as palavras. Nesta ficha haverá. ao cativeiro. do rigor e da simplicidade com que o sujeito poético as usava (vv.1. A brochura Leitura. Sempre. para o carácter contraditório da palavra poética. destinatário do discurso. 4. 1. | Textos | 5 Compreender [pág.2. Através desta interrogação. gostaram) e o pretérito imperfeito (dançavam. à morte. lenha. implica exílio e morte. uma vez mais. Depois de ouvir o poeta. as segundas são quentes e fulgorosas. Tendo em conta que o poema nos chama a atenção para o facto de as palavras poderem apresentar diferentes significados. da mesma editora. Provavelmente. exílio. ele aproxima-se de uma definição (poética) de polissemia.2. / [como] um incêndio. / Outras [são como] orvalho apenas. frequentemente. porém. fazia. Observação: Na 1. As vogais são “de um azul (…) apaziguado” e as consoantes ardem “entre o fulgor / das laranjas e o sol dos cavalos”. 2. Por exemplo versos 17-20. 19: rosa. rosa/cardo. 3. “resmungam” (v. cardo.1. fogo. até antagónicos. A antítese luz/noite remete.4. 10: navio. A relação das palavras com o sujeito poético mudou provavelmente porque aquelas se “fartaram da rédea” que as prendia. 17). A relação sujeito poético-pátria-liberdade é uma relação de tudo ou nada: só existe pátria em liberdade e por elas o sujeito poético está disposto a tudo – ao exílio. navio. mas apenas comparação: Algumas [são como] um punhal. este facto deve-se também à maior exigência que o sujeito poético tem na selecção das palavras (“já só procuro as mais encabritadas”). Esta canção encontra-se no CD dos Trovante intitulado Baile no Bosque. Através destas interrogações.2.6. personificação. v. se calhar. 4. Vogais e consoantes são opostas pois. pátria.5.1. que se pode eventualmente identificar com um “eu” – o sujeito poético seria o eu e o tu.12 Caderno do Professor | Resolução das actividades do manual 2.4. 4. só quando as juntamos podemos fazer palavras. pátria/exílio . dirige-se a um “tu”. 84] P – Português. morte. 3.

“é aquele que leva a sério a linguagem”.html e http://www.1. Para encontrar outros poetas portugueses.rcts. E que cada palavra é um pedaço de universo.1. Ou como dizia Klebnikov: “na natureza da palavra viva. renasce após a primeira chuvada. como o poeta russo Mandelstam. falso. porque os outros têm de ser conquistados. Manuel Alegre. Talvez tudo isto seja a poesia. “Recorda-te que tu és pó e em pó te hás-de tornar” (cf. Talvez tudo esteja nesse primeiro verso. que escreveram sobre o tema da liberdade. [pág. a poesia implica. P – Português. como queria Rimbaud. texto escrito e lido durante uma sessão consagrada a “Trinta Anos de Poesia” na Faculdade de Letras da Universidade Católica de Viseu. Talvez esteja antes ou depois da literatura. que tinham uma concepção mágica do mundo. (…) O poeta. Ardente/Ardoroso/Veemente como os Africanos. repetindo palavras mágicas enquanto dança e pula ao ritmo de um tambor. da segunda metade do século. 2. procura decifrar os sinais dos tempos através de múltiplos sentidos ou do sem-sentido da palavra. dizia Cioran. como diz o meu amigo José Manuel Mendes. 89] . A calma ilusória dos oprimidos explodirá em força logo que as condições sejam propícias. Ou seja: o verso que não há. que nasce espontaneamente da força da terra. é a essência do mundo e que “os ritmos em que se exprime constituem a forma do mundo”. Ou talvez ela não seja mais do que o primeiro verso.uc. A forma verbal encontra-se no modo conjuntivo (Me levante). Génesis. 1997 (texto com supressões) Texto a ler aos alunos: A poesia não se explica. através da palavra. da Universidade de Coimbra). em Maio de 1965.2. aquele que nos é dado. 84] A poesia é também a língua. A arte e o ofício da língua e da linguagem. que é o instante da revelação e da relação mágica com o mundo através da palavra poética. 3. assim. Sei que a poesia não se explica. ressuscite puro e imaculado. hipócrita. Sei. Os sinais mágicos da palavra. Sobretudo não sei se a poesia tem alguma coisa a ver com a literatura. antes de tudo.. Robusto/Belo como os Gregos. afinal.bib-camilo-castelobranco. que tinha uma flauta mágica. in 30 anos de poesia.Módulo 2 Textos expressivos e criativos e textos poéticos 13 Actuar [pág. Talvez o poeta. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor Poetas de expressão portuguesa do século XX “Não vale a pena pisar” Tópicos de análise Todo o poema é uma longa metáfora – tal como o capim. Sei que a energia. | Textos | 6 Compreender [pág. “mudar a vida”. Uma encantada. Uma forma de alquimia. como sempre dizia Miguel Torga. Publ. como nas sociedades primitivas. de plumas na cabeça. Não sei falar de literatura. como costuma dizer a minha amiga Sophia de Mello Breyner. encantatória e desesperada tentativa de captar a essência do mundo e de. Não sei falar de poesia. depois da morte. Oralidade [pág.. Apaixonado como os Latinos . Dom Quixote. E o que é levar a sério a linguagem? Eu creio que é estar atento aos sinais. Como já não pode ler nas vísceras das vítimas. 3.pt/librdd5. Ou é talvez o adivinho. pronta a “explodir” a qualquer instante. 86] 2. A música secreta da língua. Hipóteses: incoerente. consultar o site http://www. expressando um desejo do sujeito poético: que. A poesia é. 19). uma forma de medição. E para mim a língua começa em Camões. também aqueles que são explorados guardam em si uma raiva calada. Ambicioso como os Romanos. através da repetição rítmica de palavras e imagens. quando é destruído pelo fogo. Subtil como os Europeus. Isto é o que sei de poesia. Sossegado/Calmo como os Árabes. “nem anjo nem bruto” refere a essência humana do homem com todos os seus defeitos mas também com as suas virtudes. 4. Que procura o impossível. Dança com palavras ao som de um ritmo que só ele entende. 4. Mas não sei se é possível saber mais.pt/cd25a/ (Centro de Documentação 25 de Abril. o poeta de hoje é como esse xamã antigo que. Um presságio do Sul. De qualquer modo. convoca as forças benfazejas ou tenta exorcizar as forças maléficas. Talvez seja muito pouco. como diz o meu amigo Herberto Hélder. (…) É então que a poesia acontece. não seja muito diferente daquele sujeito que vemos nas tribos primitivas. 84] 1. esconde-se a matéria luminosa do universo”.2. O poeta é esse feiticeiro. Ardiloso como os Orientais . que “escrever é um acontecimento cósmico”.

91] Tópicos de análise o título é a palavra-chave para decifrar o poema: Esperança. vv. É a tragédia do êxodo. 1 – Nha: pron. 6. 94] vv. a esperança de mudança concretizada no último verso – esperança = vento da certeza. – a senhora (tratamento cortês usado apenas com as mulheres velhas ou muito respeitadas pelo falante). metáforas de “esperança” (vv. ■ ■ ■ ■ vv. ciclo da terra. ■ “Os vínculos timorenses” Tópicos de análise ■ ■ [pág. a fartura. P – Português. metáfora da candeia acesa. 19 a 24 – apelo de que o sujeito poético se faz eco. ■ silêncio a que os carrascos obrigam. “gemidos cantados” – expressão que revela a verdadeira natureza dos cantos das crianças. inevitavelmente. / sofrimento” (vv. oca e artificial (vv. as quatro primeiras estrofes correspondem ao mundo da aparência. cuspisse/passasse indiferente. v. à máscara. fem. o sonho de quem parte ou almeja partir. fome. 5 e 6 – esperança no ressurgimento futuro e desejado. morte. 21 a 36 – sentimento de quem fica: por um lado a resignação. Nota no Manual). 11-18). assim. ■ ■ ■ ■ . ciclo da vida: “…sonhos/que um dia esvaem-se/ – mas surgem sempre…”. 3. que provocam o desejo de evasão (hora di bai – hora da partida). batesse/cantasse. 25 – Timor fenece. vv.a pessoa sing.14 Caderno do Professor | Resolução das actividades do manual “Terra” [pág. o ritmo pelágico (das eternas partidas e regressos). apunhalasse/abraçasse. construídos com base numa repetição anafórica (“É como se alguém…”) seguida de uma construção antitética: pisasse/risse. carne. ■ “Lá no ‘Água Grande’” Tópicos de análise vv. o escritor e crítico literário Manuel Ferreira salienta os dois “mundos” em que se movem as crianças são-tomenses: “o reino da aparência e do ‘real’ – a máscara e o rosto”. ■ “Esperança” [pág. Tópicos de análise v. espécie de grito de morte anunciada. vv. na quinta estrofe a máscara cai e revela o rosto.priberam. vv. 37 a 43 – os dois ritmos que polarizam a vida das ilhas – campos (telúrico)/mares (pelágico). 21-22) – conseguem perceber o sentido (verdadeiro) de África – MÃE. ■ ■ Dois ritmos polarizam. ■ vv. 93] Em relação ao crioulo cabo-verdiano. remetendo para o título Negra. ■ ■ ■ a saudade dos que partem (a ruptura dos laços que prendem o homem à sua terra natal) e o desejo do regresso. procurar fixar-se numa região de trabalho bem remunerado para regressar o mais depressa possível. 7 a 10 – identificação profunda com o povo timorense através do símbolo da bandeira. alma. isolados por um travessão. a eterna diáspora cabo-verdiana. mesmos nervos. atravessar a imensa fronteira líquida. por outro a esperança de que as coisas se alterem – que venha a chuva e traga consigo a abundância. constituem-se como uma espécie de prolongamento do título do poema. ■ o sentimento colectivo de que a emigração constitui a única solução possível e. 90] A literatura cabo-verdiana: temática Há um conjunto de constantes na literatura de Cabo Verde que derivam. isto é. pess. a vida colectiva: ■ o ritmo telúrico (vida ligada à terra). ■ “Negra” [pág. reportando-se à realidade. do condicionamento geoeconómico a que as ilhas estão sujeitas: a seca e a fome. 2. sangue/pacto (v. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor [pág. ■ ■ vv.pt/dcvpo/ onde um dicionário e uma gramática de crioulo podem ser consultados on-line. 92] Tópicos de análise África vista de fora (“Gentes estranhas com seus olhos cheios doutros mundos”) – imagem falsa. 12. palavra que nunca aparece no poema embora todo ele remeta para esse sentimento. valor expressivo dos adjectivos “mudos” e “quedos”. carácter simbólico deste facto: o ■ Num comentário a este poema. 6 a 15 – razões que provocam a partida – seca. 1 a 4 – metáfora de Timor aprisionado. mas não posso pronunciá-lo (vv. os últimos versos de cada um desses tercetos. 16 a 20 – lugares mais desejados. 13 e 19). 9. 14-18. a realidade. os quatro tercetos iniciais. paradoxalmente. só os africanos – “do mesmo sangue. aconselha-se o site http://www. o ciclo do sonho/esperança. a impossibilidade de partir. A solução da partida é inevitável mas provisória – abandonar as ilhas. 13 a 18 – identificação do sujeito poético com Timor: fala pela voz de Timor expressando o desejo à autodeterminação. tudo se passa no interior – “Eu sei o teu nome…”. 20-21). determinada pela situação financeira dos que aspiram à emigração.

Leonardo. 6. na sua simplicidade. a “terra” e a “rosmaninho”. chorarei. 10-11: “É num antecipado desengano…”). pessoa (pus. vai sulcando as ondas da eternidade. 1. tristeza. 95] o futebol. na sua ambiguidade. porque sabe o que o espera na “bem-aventurança”. Os adjectivos são “ancorado” e “feliz” (v. meus). Leonardo. 8. carinho (vv. gasta). 5. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor 6. 9). poderiam citar-se as seguintes passagens: “socalcos” e “vinhedos”. abri. que naturalmente são investidos de grande energia simbólica) e sem mais ênfase que a da repetição. Obra Poética.. Assim. “ancorado e feliz no cais humano”. Leonardo se demora para poder apreciar a paisagem (constituída pelas estrofes 1 e 3). deixarão). Locução adverbial: “sem pressa” (v. atenção. capitão no seu posto de comando. 23).Módulo 2 Textos expressivos e criativos e textos poéticos 15 “Canção” [pág. Na primeira estrofe predomina o presente (é. ele faz de um aparentemente banal acidente de percurso um grande acontecimento obsessivo.° vol. ■ P – Português. serão. 21) “lentamente” (v. “O futebol brasileiro evocado da Europa” Tópicos de análise ■ [pág. devagar e sem pressa nenhuma de lá chegar. 2. valor simbólico das mãos – atitude deliberada do sujeito poético. absurdo. avança. 8). ■ a 4. dramático. (as) minhas.” Arnaldo Saraiva. Leonardo que. S. avança. cansaço.3. ■ expressão dos sentimentos do sujeito lírico que estão na base da sua decisão de ‘matar’ o sonho – solidão (areias desertas).a quadra – relação sonho/navio/mar/mãos. cor que escorre dos dedos – morte do sonho pelas suas próprias mãos. ■ ■ relação bola/mulher/touro – necessidade de tratar com malícia. ■ . abundância de marcas da 1. (vv. o sofrimento mata o sonho.2. agora. quadra – hipérbole dos dois primeiros versos. na sua brevidade. 6. e a antevisão de como será o referido cais (estrofe 2).. Leonardo quando chegar ao seu destino. Duas hipóteses possíveis: O poema poderá ser dividido em três partes lógicas. vv. desilusão.1. “Na menina dos olhos (b) deslumbrados”. o cheiro a “mosto”. “Um poeta universal”. O antecedente do advérbio “Lá” é a expressão nominal “cais divino”. vemos S. a ordem/a perfeição equivalem a ausência de dor/ausência de sonho.a quadra – valor simbólico do conector temporal “depois”. 94] ■ Tópicos de análise Tema: A paz só se alcança quando se abdica do sonho/A morte do sonho. e fá-lo com uma espantosa economia lexical (à base dos lexemas inqualificados “caminho” e “pedra”. 7. a iniciar a sua viagem em direcção ao “cais divino”. Na segunda estrofe é feita a antevisão (daí o tempo verbal futuro) do que espera S. Publ. advérbios: “devagar” (v. astúcia. mas pode simbolizar igualmente a novidade. na terceira estrofe volta a predominar o presente (se aproxima. na qual S. Entre outras. 96-97] a I 1. na primeira estrofe. ■ 3. Na terceira estrofe retoma-se o presente de S. resultado ou efeito. Europa-América. 3. símbolo de um país (Brasil). sem pressa de chegar ao cais divino. ■ “No meio do caminho” Tópicos de análise [pág. 7-8). correspondendo cada uma delas a cada uma das estrofes. 1-2) ■ bola/touro – definição por oposição lhança (v. ■ a 5.1. Leonardo não tem pressa de chegar ao seu destino (o ‘cais divino’) porque se sente ‘feliz’ no ‘cais humano’ onde tem tudo aquilo de que gosta e cujas sensações agradáveis pretende prolongar o mais possível já que sabe que no local para onde vai não terá nada daquilo que tanto aprecia (Cf. O conector “Por isso” traduz a ideia de consequência. na segunda estrofe predomina o futuro (terá. quadra – vento/noite/frio – conjugação dos elementos naturais que se aliam à tristeza provocada pela morte do sonho. (o) meu. 95] Sobre o poema No meio do caminho: “Este poema pode simbolizar dignamente a poesia modernista brasileira e as reacções de entusiasmo ou de repulsa que provocou podem simbolizar as que sempre provoca a arte de vanguarda. 3-4) versus a real dificuldade em lidar com ela (vv. Ficha formativa [págs. ■ marcas do “crime” – mãos molhadas. 1.. S. Nota introdutória a Obras Completas de Carlos Drummond de Andrade. 8). 4. e por seme- aparente simplicidade da bola (vv. “Nem vinhedos (a)”.. à proa dum navio de penedos. ruma. a importância da poesia drummondiana. vai). “um navio de penedos”. s/d O poema pode dividir-se em duas partes: a viagem em direcção ao cais divino. no “cais divino”. a navegar num doce mar de mosto. 11-12).

Esta é a primeira fase do trabalho a completar na pergunta 7.16 Módulo 3 Textos dos media I | Textos | 1 Antes de ler [pág. recordando as noções de texto literário e de texto não literário. com ar enfastiado. O ‘público’ espera pelo início da guerra como quem espera por um filme ou uma série que passa a determinada hora na televisão. “metade do corpo” seriam dez dedos. | Textos | 3 Antes de ler [pág. subtracção (l. 18). ela é tão natural e “… tão fácil de perceber como as palavras. 43). sobretudo. O desenvolvimento das actividades comerciais (Cf.° § – “As ilhas (…) estão ameaçados. 101] 4.° § – “No entanto (…) conquistas tecnológicas. 105] 1. 45). “Em suma” (l. 3. “A divisão começou quando 10 se exprimiu como ‘metade de um corpo’…” (ll. l. na outra. patente no texto que o acompanha. Afonso dá à primeira pergunta da entrevista – a guerra ‘anunciada’. O anúncio apresenta-nos um quadro preto típico das escolas.1. a. 1. Por isso. onde. 41) e divisão (l. ‘com hora marcada’ para aparecer na televisão. 1. Dá. 4. sentada num sofá em frente à televisão.” (ll. é uma tentativa de desmistificar a dificuldade da matemática – “… a matemática não tem de ser um problema. os alunos irão completar uma grelha. 14). 4-8) 3.” (ll. de forma muitas vezes inconsciente. ■ ■ A verdade da mensagem não é uma preocupação fundamental. “Os números foram ordenados e agrupados em unidades cada vez maiores. No chão. Aula de Matemática ■ 2. multiplicação (l. 103] 3.” Ora. 2.” (ll. podemos observar uma personagem masculina.° e 5. Partindo do princípio da contagem pelos dedos. ■ | Textos | 2 Antes de ler [pág. onde está escrita uma frase com símbolos matemáticos: A matemática deve ser tão fácil de perceber como as palavras. b. importância à forma.2. ‘comandando’ a televisão enquanto a mulher arruma a cozinha. 8-12) 4. três latas de refrigerante vazias. Numa mão tem o comando do aparelho e. 4. 107-108] 1. queixandose que os programas de televisão nunca começam à hora prevista. pipocas espalhadas e o jornal abandonado aberto na página que fornece informações sobre os programas de televisão.2.° § – Ciência – um estudo de tudo!. Utilizam-se recursos estilísticos e uma linguagem profundamente conotativa. População de Murray River: 5 = petchval petchval enea (4 + 1). É um texto literário.” 2. No original. ■ Tem uma intenção estética: predomina a função poética.° § – “Tenho esperança (…) própria vida. 12-17) 5.” (ll. há uma íntima relação entre este cartoon e a resposta que L. uma taça de pipocas. 6.° § – Como funciona a ciência. 109] Compreender [págs. Compreender [pág.2.” (ll. 9). população de Kamilaroi: 7 = bulan bulan guliba (4 + 3) 5. “Contudo” (l. 1.1.° § – “A Terra (…) não haverá mais. era esta a divisão: 1. Funcionamento da língua [págs. em muitos gestos do nosso dia-a-dia. 45-46). da página 108. A adição. 7.° § – “A História (…) gerações futuras. geralmente pelo uso dos dedos de uma das mãos ou das duas…” (ll. De dentro da casa alguém pergunta se a guerra já começou. ao que o homem responde que não. 15-16). 1. Neste cartoon.1. numa total inversão realidade/ficção: não é a realidade que passa a ficção mas a ficção que “salta” para a realidade. Na televisão reconhecemos a imagem do Rambo. o texto “As origens da Matemática” mostra-nos como esta disciplina entrou naturalmente nas nossas vidas e está presente. 103-104] 2. E o P – Português. o sujeito poético usa os conceitos matemáticos de uma forma muito pessoal que reflecte as suas ideias e sentimentos. 1-4) 2.” e “… pode ser divertida e acessível a todos. 17-19) Através deste texto é-nos dada uma visão subjectiva do mundo (interior e exterior).° § – Tecnologia – a ciência em acção.2. Para além de todos os estereótipos que o cartoonista aqui põe em evidência – o fim do dia de muitas famílias portuguesas em que o homem se acomoda no sofá. 44). A mensagem subjacente a este anúncio. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor 3. Adição (l. .° § – Introdução.

1. etc. Segundo o autor. os professores das disciplinas científicas “deixaram de o corrigir”. Exemplos possíveis: Assim. 2. b. nos muros.). b. Funcionamento da língua [págs. A ordem dos parágrafos é: c. Não podemos dizer que o entrevistador tenha formulado juízos de valor sobre as respostas dadas ou tenha procurado influenciar de forma óbvia o entrevistado.4. Trata-se de uma retoma anafórica pronominal. O autor faz esta afirmação porque os erros ortográficos proliferam apesar dos esforços dos professores.3. logicamente. nos autocarros. 23. 16). b.6.3. os das ciências sociais “limitam-se a sublinhá-lo” e os docentes de Português “ não sabem que peso atribuir-lhe”.2. etc. os léxicos das línguas dispõem basicamente de três mecanismos distintos: a construção de palavras. O título da entrevista é uma frase do entrevistado (cf. Temeridade – ousadia perante um perigo quase certo. a. porém/todavia/contudo [colocados após “que carece”: que carece. 1. 2. atribuindo-lhes novos significados (2). isolado em relação àquilo que o rodeia. 117] 1. 42). Embora não apareça em primeiro plano. 35. e 2. mas. acto ou dito irreflectido com possíveis consequências desagradáveis ou perigosas.3. 1. uso da primeira pessoa do singular).1. a reutilização de palavras existentes. | Textos | 4 Compreender P – Português. Podemos situar a CPPORT14CP-02 . 24. 26).. destacado. O maior erro.5.1.. 121] 1.. é não reconhecermos o erro ortográfico quando o vemos e este facto é grave na medida em que o perpetua. é ele que está destacado já que a mulher que se encontra à sua frente (bem como o resto da foto) se apresenta desfocada. faz perguntas pertinentes (que muitos leitores gostariam. nas faixas. Porto Editora) 4. [ele] circula…”. 3..Módulo 3 Textos dos media I 17 que é certo é que este tipo de ‘programa’ tem audiência: “correu bem em termos de bilheteira…” (l. a importação de palavras de outras línguas (3). 38 e 43). 5. podemos entrever uma tomada de posição em relação aos factos. Esta forma de destaque poderá indicar que o homem está desorientado. ignorado pelos outros figurantes da foto. 4.1. O autor afirma que “vai sendo um castigo” ou uma imprudência ser-se professor de Português pois estes professores são frequentemente colocados “ na posição de réus” e constantemente “colocados em trabalhos e tormentos”.. a.1. no entanto. Compreender [págs. 2. actualmente. 4. é lógico que. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor [pág. nas “coisas” da Câmara. 1. imprudência.2. “ele” (l. b. Na introdução faz-se uma espécie de síntese do conteúdo da entrevista.2. de fazer).1.2.]. que.1.. 117-119] 1. Nota-se que a entrevista foi bem preparada: o entrevistador conhece bem o percurso do entrevistado e a sua obra. os outros professores acusam-nos de serem responsáveis pela “pobreza vocabular” dos alunos e a redacção de actas e outros documentos é encarada como uma obrigação destes ‘puristas’ da escrita. um homem com ar triste. nas legendas televisivas..1.2.. “Para incorporar palavras novas. nos painéis publicitários. O antecedente é “os léxicos”. Na primeira foto vemos.2. b.1. 34. (in Grande Dicionário Língua Portuguesa. “lhe” (l. nos placards. 1. na opinião do autor.2. O erro ortográfico encontra-se nos tapumes das obras. 1. 2.1.a pessoa quando se dirige directamente ao entrevistado.” 4. chamando particularmente a atenção do leitor para o facto de o cartoonista se inspirar naquilo que o rodeia e para as suas constantes dúvidas e inquietações. Hipóteses possíveis: “as pessoas tinham-se excedido um pouco”.1.1. 112-113] 1. que constitui uma espécie de tributo ao pai e àquilo que o cartoonista aprendeu com ele relativamente à forma como se posiciona perante os acontecimentos. 2. Anáforas: “o/lo” (ll. d. usando a 3. recorrendo a regras da própria língua (1). No entanto. 3. | Textos | 5 Antes de ler [pág.. a. O entrevistador adopta um tom formal. b. “era uma pista onde a prova tinha decorrido”. 36). hoje em dia/nos nossos dias. certamente. Acrescente-se que “o erro ortográfico” é ainda antecipado por diversas elipses (“[ele] Está também….2. nas duas primeiras perguntas. 1.1. 2... O grupo nominal a que se refere “nele” é “o erro ortográfico” que só aparece na linha 22. como o título já anunciava. audácia.. “dele/deles” (ll.1. 3. 4. A ordem é a seguinte: Ora. Luís Afonso ‘herdou’ do pai. preocupado.

2. com caixa baixa. assistimos a uma cena dentro de um autocarro: uma mãe com um bebé ao colo. As mensagens são opostas pois enquanto que na primeira há uma mensagem de solidão e isolamento. Ao lado. parece-me que. imparcial. 2. nos topónimos (“Lisboa”. “África”. P – Português. 123-124] 1. lisboetas. …). “talvez”. Através desta frase. A letra pequena faz bastante diferença na leitura da mensagem. 3. etc. contratos de trabalho. de ‘dar a conhecer’. os imigrantes retratados no filme. ou seja. 3. Orações coordenadas: “Nós agradecemos e eles retribuem.2. Compreender [págs. “Nem sei também se…”. 1.2. uma ideia temporal de situar uma acção num tempo posterior ao tempo em que se situa o acto de fala.3. quer na criança que não os ignora e demonstra.1. caso contrário. 4. Por exemplo: em início de frase. todos nós estamos irmanados tanto nas dificuldades como nos sonhos. introduz um valor modal: o ponto de vista do sujeito locutor em relação àquilo que é dito.). são ‘verdadeiros lisboetas’.5. etc. Por exemplo: o uso do adjectivo valorativo em relação ao trabalho do realizador (enorme. Por isso.2. o realizador terá querido salientar que estes ‘lisboetas’.2. segundo o autor deste texto de opinião. Trata-se de um sujeito nulo subentendido [Nós]. o realizador deste filme ‘esqueceu-os’: é como se eles não existissem. em meu entender. “creio que…”. poderia tratar-se de uma chamada de atenção para o estatuto de menoridade destes imigrantes. nos nomes relativos a meses do ano (“Janeiro”).3. Através daquilo que o crítico classifica como “filmar a ‘seco’”. Reescrita possível: “Lisboetas.4. 1. até.1. . 99-100).1. o crítico chama a atenção do leitor para o facto de não haver grandes diferenças entre nós e os imigrantes que recebemos: tirando os problemas de ordem burocrática (legalização.1. “poderá ter-se tratado”.1.2. Os “novos lisboetas” são os imigrantes que vêm de todo o lado.” Sujeitos: Nós/eles. Sendo intencional. a meu ver.2. a maior parte das vezes. na segunda a tónica é posta na esperança das gerações futuras (quer o bebé que está ao colo da mãe e para quem ela sonha. em algumas circunstâncias.1. Sei também que a questão não será de importância relativa ou menor.18 Caderno do Professor | Resolução das actividades do manual foto em Lisboa pela placa atrás do homem. um futuro melhor do que o seu presente. A ausência dos “verdadeiros” lisboetas do filme é explicada pelo facto de eles se comportarem desse mesmo modo “face ao Outro”. isto é. …) nos antropónimos (“Sérgio Tréfaut”). antes expressa um facto dependente de uma hipótese. A vida destes “novos lisboetas” não lhes pertence pois têm que lidar com uma série de problemas que. expressões como: “Não estou bem seguro de que…”. “terá Tréfaut querido (…) mostrar-nos”) que não assume.2. Evidenciam incerteza. 4. olhando-o com ar sereno e embevecido. correcta. Estou seguro de que no início do genérico do novo filme de Sérgio Tréfaut o gentílico surgia no écran com capitular. aqui. 2. Se o título tiver sido grafado com maiúscula inicial. ser suprimidos da superfície lexical da frase. Por exemplo: clarividência (l. Predicados: agradecemos/retribuem. 3. uma certa curiosidade em relação às duas outras personagens).1.2. o uso da maiúscula no vocábulo “Outro” revela a preocupação do autor em evidenciar a importância destes cidadãos.” 2. não dependem deles nem da sua vontade. Referimo-nos a expressões do tipo: na minha opinião. 5. cidadãos de Lisboa iguais a todos os outros. uma outra criança observa a cena que se passa também em Lisboa (no autocarro que se vê ao fundo pode ler-se Restelo). 3. no dia-a-dia estes “verdadeiros” lisboetas estão ausentes/invisíveis em relação aos imigrantes. em particular de África e dos países de Leste. e não assim. são eles (os lisboetas/os portugueses) quem acolhe os imigrantes ou quem os ignora. por si só. emocional. 1. 99) e distanciamento (ll. Observação: Os verbos “agradecer” e “retribuir” são transitivos directos e indirectos. A opção pelos grandes planos justifica-se pela vontade do realizador de não interpretar mas sim de ‘mostrar’. de lhes conferir o estatuto de ‘verdadeiros lisboetas’. “poderá ter”. embora os respectivos complementos directo e indirecto não estejam expressos. 4. acho que. Através desta personificação. Lisboa. isto é. que representa todo o país. 3. o realizador mantém em relação às personagens uma “dose correcta de distanciamento”. 124-125] 1. penso que. isto é. Propositadamente optou-se por lisboetas com minúscula. Na segunda foto. 5. Será uma boa ocasião para explicar aos alunos que mesmo os complementos seleccionados pelo verbo (ou pelo nome) podem. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor Funcionamento da língua [págs. certamente. Contribuem também para manifestar a incerteza do locutor a expressão “E nesse caso…” aliada ao uso da forma condicional “faria” e o recurso ao futuro (“será”. é identificada com os seus habitantes.

// … que tivéssemos mais factores de nivelamento como estes na esfera internacional. entre outras.” “Em suma…”. frequentemente.” (ll. alargou o seu conceito. Proposta de resumo: “A palavra “instalação”.” [36 palavras] … que ilustra os benefícios da polinização cruzada entre povos e países. 2.2. Transitórias por definição. Oficina de escrita [pág. “Em segundo lugar…”.138-146) 3. Portugal tornou-se. 4. 3. em relação a este fenómeno. 2. “OBRIGADO. pelo facto de ser publicado numa revista.” [78 palavras] 2. Elaine. “Depois…”.1.3.3.3.4. originalmente significando “procedimentos e (…) técnicas de exposição de obras de arte em espaços próprios”. Não me refiro apenas aos golos que um país marca. as emissões de carbono.1. é subjectivo. ■ … de que todas as pessoas do planeta gostam muito de falar. predomina a função emotiva. em função da intencionalidade que se pretenda atribuir à frase. hoje. na hora do jogo. Por exemplo: ”Por fim. 2. o comparativo de superioridade do adjectivo bom.2. // … todos compreendessem que a migração humana em geral pode dar origem a uma tripla vitória – para os emigrantes. Daí o facto de ele confessar. na segunda metade do século XX. Este tema interessa ao secretário-geral das Nações Unidas por se tratar de um dos poucos fenómenos que é tão universal como (ou até mais universal do que) a própria ONU. uma multiplicidade de campos artísticos cujas fronteiras se diluíram. pelas reticências. “Por último…”. 2. as infecções pelo VIH. aquele que se instala num país que originalmente não é o seu). o foco narrativo é centrado no emissor (1.2. celebrar a nossa humanidade comum. Proposta de resumo: “Outrora país de emigrantes. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor | Textos | 6 Compreender [pág. . refiro-me também ao resultado mais importante de todos – estar lá. país de acolhimento de diversos povos. “Seguidamente…”. os “novos lisboetas” vão-se adaptando à cultura portuguesa. emigrante remete para um movimento de dentro para fora (isto é. Embora ambas remetam para aquelas pessoas que abandonam o seu país de origem para se estabelecerem num outro. a necessidade de mais factores de nivelamento entre países. 126] 4.1. a obtenção de melhores resultados ao nível do Índice de Desenvolvimento Humano. 130] 1. 138-146) 3. 2. as instalações tornam-se. ■ 5. 1. 1. o aumento das taxas de sobrevivência infantil e de matrículas no ensino secundário. // … que houvesse mais conversas deste género no mundo em geral. No fim da frase. “Em terceiro lugar…” e “…em quarto lugar…”. poderia optar-se pelo ponto final. pois expressa a opinião do seu autor.a pessoa). etc. (ll. oriundos sobretudo de Leste. permanentes. para os seus países de origem e para as sociedades que os acolhem.2. Os três últimos poderiam ser substituídos por conectores do tipo: “De seguida…”. ■ ■ … em que todos estão sujeitos às mesmas regras. Nos dois últimos períodos do texto. aquele que deixa o seu país) e imigrante implica um movimento de fora para dentro (ou seja.. qualquer instalação deve manter-se no espaço para que foi criada.a pessoa) e no referente (3. “(…): o Campeonato do Mundo é um evento em que efectivamente se obtêm resultados.3.. “Em resumo…”. é um texto curto. O que Kofi Annan realmente inveja é o facto de um evento deste tipo conseguir aquilo que a ONU não consegue: fazer com que todas as nações sejam uma família e que celebrem juntas a sua “humanidade comum”. o discurso é directo e espontâneo. abrangendo. Trata-se do Campeonato do Mundo de Futebol. pelo ponto de exclamação ou.”: deveria haver uma vírgula a isolar o vocativo.Módulo 3 Textos dos media I 19 1. de trocas livres e justas. aqui.1. A palavra melhor é. uma melhor compreensão da questão da migração humana em geral e das vantagens que este fenómeno pode trazer ao mundo. P – Português. no século XXI.. Além disso. Kofi Annan revela-se o ‘adepto’ comum: aquele que. “Finalmente…”. em que todos os países têm oportunidade de participar em condições de igualdade. um sentimento de inveja. até.” “Finalmente. havendo uma relação específica entre a obra de arte e o espaço em que é inserida – o site specific –. Os conectores são: “Em primeiro lugar…”. … em que todas as pessoas sabem qual é a posição da sua equipa e o que ela fez para lá chegar. // … na família das nações houvesse mais competições deste género. as seguintes: o respeito pelos direitos humanos.4. fazer parte da família das nações e dos povos.. Por todo o lado e a todo o momento. As principais características da crónica estão aqui presentes: o texto parte de um facto da actualidade. vai torcer pela sua equipa (o Gana) e desejar que ela ganhe. As questões que preocupam Kofi Annan são. há uma espécie de diálogo virtual com o leitor.. “Em conclusão…”.

etc. e. prefiro. As expressões que conferem a este excerto coesão sequencial/temporal são as seguintes: “E então…” (l. 48). F (Através destas frases a cronista explicita exactamente a opinião contrária: a saudade é um sentimento que ela não aprecia particularmente. 62-63). O deíctico “isto” apela ao saber compartilhado já que faz parte de uma expressão que retrata um gesto que tem que ser conhecido pelo interlocutor – “não se deslocou nem isto” significa “não se deslocou nem um bocadinho”. b. “imagem”. 1).) d. a. . numa cena do quotidiano: a festa de aniversário improvisada de uma menina pobre.1. a.1. (l. V. O tema é o processo criativo que está na base de uma crónica. etc. directivo. a crónica. “nossos olhos” (l. 15-16). “Depois…” (l. “coração”. l.3. 3. 2. F. a. 3. “frase”. 2. formas verbais na 1. “escritores”. 2). Trata-se dos pronomes indefinidos “muitos” e “outros”. 30) 2. “cauda”. 139-141] I 1. Umas vezes [a palavra] vem logo. plano lexical: utilização de variantes lexicais de diferentes origens – “botequim”. “chifres”. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor II | Pretextos | Tópicos de análise do Texto 2 ■ 1. opto) que configuram actos ilocutórios assertivos. – e na 1. “parabéns pra você” (l. “pescoço”. “fêmea”. 2). “de seus três anos” (ll. c. “macho”. 3. forma escrita diferente: “crônica”. 9). 16). F (O advérbio “talvez” introduz um tom de dúvida no discurso. etc. 32). E vai encontrá-lo. nos apercebemos ). 57). gozei. 65) – colocação do pronome átono antes do verbo: “me assusta” (l. o texto (crónica): “palavra”. “se afasta” (l. “[A crónica] continua acolá…” (l.a pessoa do singular – leio.1. “advérbio”. Funcionamento da língua [pág. [Eu] nunca tenho uma ideia: [eu] limito-me a aguardar a primeira palavra.1. encontramos o autor à procura de tema para uma crónica. etc. “cotidiano” 1. Hipótese possível: “Não se importam de se debruçar mais?” Ficha formativa [págs. ainda. Na origem desta crónica esteve uma notícia que a cronista leu no jornal Público sobre palavras de difícil tradução. A presença da autora é explícita quer através das marcas de primeira pessoa (pronomes pessoais – me. se há muitos – embora/ainda que haja. V. Traduzir determinadas palavras é quase impossível. – diferente utilização das preposições: “Visava ao circunstancial” (l. de salientar. “patas”. V. b. 5). d. traduzi-la-emos. “coice”. 10). “revista” . planos morfológico e sintáctico: – utilização do determinante possessivo sem artigo: “de seu disperso” (l. “caneta”. V. 50). “pele”. f.1. “página” . 6). “ a se convencer” (ll. “garçom”.2. “período”. 19).1.1. “em torno à mesa” (l.a pessoa do plural – olhamos.1. … c. como é norma no que se refere às crónicas. 28). c. V. Ainda assim – Mesmo assim. “se mune” (l.20 Caderno do Professor | Resolução das actividades do manual | Textos | 7 Compreender [pág. “olho”. “É altura de…” (ll. “De início…” (l. 23-24) e “quando…” (l. outras [vezes] [a palavra] demora séculos. É claro que – obviamente. “livros”. a que traz as restantes [palavras] consigo.2. “costas”. “cornada”. 4. O animal (pacaça): “pata”. Embora a palavra saudade seja de difícil tradução.1. 2. “cabeça”. “papel” . V. Estes dois advérbios marcam a distância entre o enunciador do discurso (eu) e o ‘objecto’ a que se refere. Por exemplo: Assim – Desta forma. a opção por verbos que exprimem uma opinião (parece-me. 3. isto é. V. “Estou aqui…” (l. aprisionados ao passado. 134] ■ variedade brasileira do português: assinalar as diferenças encontradas em relação à variedade europeia: a. “esferográfica” . – construção aspectual (utilização do gerúndio): “estou adiando” (l.. actos que traduzem uma verdade assumida pelo locutor. c. b. Neste texto.) P – Português. 1. 3. dificilmente progridem e são infelizes. Os saudosistas.1. “está olhando” (l. e. 2.2. b. 25). “meu café” (l. Por exemplo: “Como nasce uma crónica”/ “O escritor à procura da crónica”. “crónica”. b. 137-138] 2. eu. ao passo que – enquanto que. “romances”. F. 33). 135] 1. “adjectivo”. “bloco” . 18. [págs. suspeito.

lenda). uma fábula. povoadas de deuses e heróis. A mais votada foi “ilunga”. “Apesar de as definições parecerem bastante precisas. 25-06-2004 (adaptado) 2. que é a palavra em iídiche (língua falada por algumas comunidades de judeus oriundos da Europa central e oriental) para uma “pessoa cro- nicamente sem sorte”. ao contar histórias sagradas. Assim. tendo uma função social inegável. Em suma. o mito é uma crença. disciplinando e favorecendo os comportamentos e a solidariedade sociais. Eis a notícia que surgiu no Público: Palavra “saudade” é de difícil tradução A palavra portuguesa “saudade” foi considerada o sétimo vocábulo estrangeiro mais difícil de traduzir. levada a cabo pela agência londrina de tradução e interpretação Today Translations. segundo uma votação realizada por mil linguistas. o mito garante a unidade do grupo. Em segundo lugar ficou “shlimazl”. 5.” (orações coordenadas copulativas). [65 palavras] P – Português. Por exemplo: “Nunca está feliz e vive preso ao passado. a tolerar uma segunda vez. da área Kansai. os mitos explicam factos incompreendidos. A palavra japonesa "Naa". atribuindo-os à actuação de entes sobrenaturais.Módulo 3 Textos dos media I 21 5.2. que conduziu a sondagem. o problema é tentar transmitir as referências locais associadas a tais palavras”. Proposta de resumo: Proveniente do grego (mythos – narrativa. Predicativo do sujeito. uma história contada para aclarar um conceito abstracto. foi a terceira mais difícil de traduzir e significa “enfatizar declarações” ou “concordar com alguém”. III 1. Jurga Zilinkiene. de uma língua falada numa região da República Democrática do Congo e que significa “uma pessoa que está disposta a perdoar qualquer abuso pela primeira vez. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor . mas nunca uma terceira vez”.1. in Público. afirma a presidente da Today Translations.

. A posição do adjectivo qualificativo é tipicamente pós-nominal. 1). Primeiro.a personagem: “uma jovem loura” – ll.” (ll. 33-39).. não o segue por questões de humanidade: por mais insignificantes que sejam.” (l. Mas resolvi não interferir.1. 92) “…o tique-tique dos saltos. a saltar ao alcance dos meus dedos é que nunca me tinha acontecido. debruçada no bastidor. 3. de gente de quem já nem recordo o nome. 53) 3. a surpresa – “Não foi esta a primeira vez que me vi assediado por personagens. “o . A partida da Graciete para o Canadá.1. uma amiga velha/uma velha amiga”. 13-14).3. 1-20). povoado de mesas. “servia”. eu era tão amiga dela!’ Só não consigo tocar nos armários dos lençóis. etc. P – Português. 2. O cenário é um móvel com dois tampos. Cada um destes espaços é descrito também através dos objectos que os enchem – “A sala.2.22 Módulo 4 Textos narrativos/descritivos I | Textos | 1 Antes de ler [pág.2.2..” (ll. 1. 34-38. “dizia”. 16). magrita. É esta mesma diferença de sentidos que podemos encontrar.. olho para fotografias a sépia. Recordo a Graciete. corredor enorme” (l. distribuo louças. Finalmente. A repetição do adjectivo “inteiro” evidencia a duração temporal – foi uma vida inteira que a Graciete passou “debruçada sobre o enorme bastidor de madeira”.. em “uma mulher grande/uma grande mulher. 46-47) Seguidamente. o espanto. sapatos. “estremeceu”.…” (l. 20-24. 2.2. 63-66) Logo depois. “acumulava”. 2. Os advérbios de tempo: “nunca” (quatro ocorrências) e “sempre” (duas ocorrências) – remetem para um estado de permanência. A pontualidade da acção é marcada pela expressão temporal “Um dia…” e pelo recurso ao pretérito perfeito – “foi”. ganhando rugas na cara e | Textos | 2 Compreender [pág. 148] 1. as personagens “sempre são gente. 98-99) Finalmente. Eis os dois últimos parágrafos do texto original: “Hoje regresso à casa. de inalterabilidade. “arrumou-se”. passando a avaliativo (valor subjectivo): a casa não era apenas grande em tamanho (“uma casa grande”). decide “aprisionar” as personagens no texto. (ll. cheia de vidros e quadros de gôndolas e açudes” (ll.2. algum enternecimento – “Eu comecei a enternecer-me. depois receio de que a personagem feminina lhe riscasse a secretária com os saltos.” (ll. ou um rosto que não reconheço mas que me bate à porta e me enche a cara de beijos. “abria”. O tempo verbal predominante é o pretérito imperfeito do indicativo – “era”. 151] 1. (…) Agora. é assaltado pela inquietação o que o leva a pedir ajuda a um amigo – “Mas o receio de que pudessem surgir mais personagens inquietou-me. 29-30. próprio para computador e impressora (ll. “desatavam” – tempo típico da descrição que sugere o aspecto durativo ou habitual e aponta para a repetição de uma acção no passado. pedindo ‘apenas uma lembrança. Rasgo papéis de uma vida inteira.1. espelhos nas paredes (…) e armários. 151] 1.” (ll. a vontade de interferir – que acaba por controlar – “Sobreveio a tentação de lhe dar uma ajuda com os dedos.1. “… toc. 2. causem algum dano aos “utentes da via pública”. 15-16.1. 16-23). 41-46. 85-88. 150] 1. quanto ao segundo.a personagem: “O velho. 48-50. 11) “muito fria e escura” (ll.” (ll. algum medo ‘disfarçado’ – primeiro do “homenzinho ginasticado”: “O que pensei logo foi ‘com este posso eu bem’. 146-148) Funcionamento da língua [pág. uma personagem de doze centímetros de altura. Compreender [pág.. “se enchia”. por exemplo.2. jarras.” 3. quadros. “assustava”. toc. Os advérbios de modo “lentamente” e “cuidadosamente” apontam para o desvelo e para o tempo que era dedicado a estas tarefas (inúteis). na urgência do senhorio que me dá três meses para a ‘desfazer’. à medida que se vai percorrendo a casa – “uma grande casa” (l. há sempre um parente de um parente que me faz saber que isto ou aquilo ‘lhe faria imenso jeito’. 146] 3. 2. (. 95-96) Então. ao serem atiradas pela janela. 3.a personagem: “um homenzinho magro” – ll. 7-8) “o corredor enorme. de barba branca” – ll. O narrador não segue o primeiro conselho pois não quer arriscar-se a que as personagens. o narrador centra-se na roupa que é guardada dentro dos armários.2. O adjectivo anteposto ao nome deixa de designar uma qualidade objectiva. (ll. A descrição é feita do geral para o particular. camisolas. 3. e 1. muitos armários” (ll. casacos.2.1. 2. 29-32) De seguida.2.) E se ele estivesse armado? Pelo aspecto não parecia. As onomatopeias são palavras acusticamente formadas com o objectivo de imitar sons ou ruídos. “uma sala grande” (l. e 2. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor Oficina de escrita [pág.

2.1. também chamado conto etiológico – relativo ao estudo sobre a origem das coisas ou das causas de certos factos. Provavelmente porque o segundo anjo se libertou da mão criadora e vive. 3. Coesão interfrásica (Após). 157] Observação: Através da leitura deste mito tradicional chinês. o primeiro anjo opta por escolhas linguísticas não adequadas ao tipo de relação entre os interlocutores (É o ‘a quem se vai dizer’ que condiciona o ‘o quê/como se vai dizer’).2. Podem ser apontadas. “ordenou-lhe”. ao contrário do primeiro. 155] 2. “o que lhe sobrava em disciplina.”. remete para o conceito de modalidade. a lição do terceiro anjo parece ser a de que a obediência cega não é um bom princípio. com o quarto anjo.” (ll. “mandou”. respeita claramente um dos princípios pragmáticos que é determinante no desenrolar da interacção discursiva: o princípio de cortesia. Deus “num rápido gesto de enfado. Desempenha a função sintáctica de modificador da frase. “respeitoso e de poucas palavras” (l. é preciso acreditar. 56-58).” | Textos | 3 Antes de ler [pág. O neologismo “descriou-o” significa. 16-17). anáfora pronominal (lhe/ /aquilo) e elipse (“[Deus] explicou-lhe…”) 5. poderíamos ter. 2. O segundo anjo era. a temeridade. sem obrigações. Assim. por exemplo. 34). um sujeito mais cordato e delicado. entre outros. 2. a ambição.2. 40-41). [pág. mas voava. .1.1.1.3. 6. já que/porque. Compreender 1. o prefixo des.1. 1. Ao contrário.° anjo – “um anjo alegre. b. 6. a desobediência. A forma como Deus reage à recusa dos dois anjos está directamente relacionada com a forma como cada um deles a formula: enquanto que o segundo anjo se dirige a Deus respeitosamente. não me perdoem por não ter sabido continuar a esperar por elas. Assim. até um pouco simplório (…) grande talento.2. a fé. 6. 46-48).” (ll. “Criar” significa “dar existência”.1. grinaldas. Uma interpretação possível: Cada um dos anjos dá-nos uma lição: com o primeiro e o segundo podemos aprender que a humildade e a capacidade de adaptação do discurso à situação de comunicação nos ajudam a conseguir os nossos objectivos.° anjo – “lhe faltava o essencial. 19).1.1. sem sombra de arrogância” (l. sensibilizam-se os alunos para o conto sobre as origens. 3.1. “tirar a existência”. O princípio de cortesia pode determinar. 156] 1. 3. a imprudência. 3. “exigiu-lhe”. o quarto anjo transformou-se num ‘instrumento’ de Deus: “Diz-se que esse anjo sem asas se passeia entre os homens (…) incógnita. uma certa suavidade da força ilocutória dos actos directivos. Trata-se de um advérbio. P – Português. esses seres misteriosos que povoaram a minha infância. a ideia de acção contrária.2. asiática e ameríndia. 4. Quando o primeiro anjo lhe desobedeceu. Homofonia. 1. aves do paraíso – e receio que as visitas. 27). Acto ilocutório directivo (pretende conduzir o interlocutor à realização de uma acção). por exemplo: “Não te importas de tirar as asas e voar?” ou “E se agora tirasses as asas e experimentasses voar?” 2. voava mal. Para tal. 1. embora. portanto. Funcionamento da língua [pág. talvez/provavelmente/quiçá. expressão que evidencia um grau máximo de certeza. a. 153] 5.1.3.2. Paronímia.° anjo – “mais prático e destemido” (l. Quando o segundo anjo se recusou a voar sem asas.° anjo – “um sujeito mais cordato e delicado” (l. “humilde. 4. “Sem dúvida”. 4. em comunhão com a natureza.Módulo 4 Textos narrativos/descritivos I 23 calos nos dedos à medida que o linho se enchia de flores. entre outras. o Criador apiedou-se dele e deixou-o ir.2. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor | Textos | 4 Antes de ler [pág. Por exemplo. ou seja. 5. Exemplos possíveis: porém/contudo. 33). a grande lição parece ser que podemos conseguir mesmo aquilo que aparentemente é impossível. 1. O sentido da metáfora é resumido na frase que se lhe segue: “Enfim. fenómenos – tão frequente nas culturas africana. além de uma educação um pouco mais esmerada” (ll. 1. Homonímia.exprime. faltava-lhe em fé” (ll. o segundo anjo. descriou-o”. voava. Observação: O exercício 3.

46). me Deixis espacial: aqui. pronominal – lhe (l. ■ ■ ■ ■ ■ ■ 4. 19).4. vinhas. 98-100).. O narrador é o mesmo.. ela (ll. Américo Pedrinha é casado com D. 10-11).2.4. 10) e tem dois filhos – “um rapaz solene (…) e uma rapariga (…)” (ll. trovejantes” mas passageiras (ll. a. “[Os] Seus colegas” (l. 4.2. a avezita acabou por ver o seu sonho tornar-se realidade. 158) 1.” (ll. m. Américo Pedrinha “era feliz e ninguém sustentava qualquer dúvida a respeito de tal felicidade. 34) nominal.1.. Ainda não foi desta vez que conseguiu o seu intento já que. pássaro* (ll. 13. 25. 43-46. 13-15. Deixis pessoal: Eu. infantilidade) desalisou (l. 14. 1). b. ave* (ll. parte preparatória – ll. 12.2. ll. 16). Aida (l. 14): forma do verbo “imensidar” (= crescia. voltou a ouvir a pergunta de sempre. ‘explica-se’ a origem do cacimbo: “Sobre as primeiras folhas da madrugada. sonhaste. 21. “Lhe inventei” [inventei-lhe] (l. 2. Rita ouve na rua relatos de crenças tradicionais que aumentam o seu fascínio em relação à lua. 9. ele (ll. 4. 16. entre outras. 6) e luarar-se (ll. 45-46.. 3. Tinha. 44-45) ■ ■ * Nota: as palavras assinaladas aparecem duas vezes – as duas primeiras – e três vezes – a terceira – pelo que. 35-39. 34).. Neste conto aparece encaixada a história que o narrador conta à sua filha. 160] 1. 1. 31).exprime aqui a noção de reforço (como. 3. vinhas (verbo de movimento) Deixis temporal: sonhei. 33. 16-20.. “luarejar”. 17). “… para fazer pousar o sonho dela e desencorajar os seus infindáveis ‘e depois.3. “calvo e baixote” (l. Ver pergunta 1. 2. 29): des. . 28-29). O pai de Rita não consegue o seu intento de a adormecer contando histórias. há (desinências verbais de tempo). 80-88). chuva miudinha). Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor 2.2. O prefixo des.+ alisou. 13).. provavelmente. não era dado a aventuras (ll. seus (ll.. 4. É “ser lua”. 16). d. sua (ll. Situação inicial – ll. luarejar (l. nó da intriga – ll. “Me deu” (l. 21-42. l. f.3. por exemplo. de Antes de ler... 3. g.1. a avezita não estaria muito satisfeita com a situação (“Triste. Rita tem dificuldade em adormecer porque é assaltada por medos. Era “um homem folgazão de barriguinha inchada” (l.” (ll.2. A primeira parte do conto é uma espécie de introdução à história da avezita. | Textos | 5 Antes de ler [pág. avezinha enluarada (ll. 24. h. agigantava) insistonto (ll. 11. ela chorou.1. 17. 6. pág. desenlace – ll. permitindo compreender o contexto em que ela surge.1.3.3.24 Caderno do Professor | Resolução das actividades do manual No conto de Mia Couto. c. 16-17): insistente + tonto menineira (l.3. 19. passarinho sonhador (ll. falaremos também de repetição do nome. A origem do cacimbo (nevoeiro denso que se forma à noitinha em alguns pontos de África. De tanto sonhar. 76-88. Cf. 14). no final desta história. 30. 165] 1. infantil. 3.1. 7. 23). 43-44). 27. 3. São lagriminhas do pássaro que sonhou pousar na lua. com substituição lexical – passarinho* (ll. “indisposições” “negras.4. “[no seu] em seu poleirinho” (l.1.1. Mia Couto utiliza menineira como nome (= criancice. Compreender [pág. Apesar dos pequenos desacordos típicos de qualquer família. 10) [deu-me]. Funcionamento da língua [pág. 30.1. ■ 3. 35) Pode ainda referir-se a recorrência pela repetição do determinante possessivo: seu (ll. 5. que é amigo de crianças”.. i. em desgastar . 4. 22). rosnadas. 31).2. 91-92). 35) e mostrava uma educação pouco esmerada (“soltava estrepitosas (…) digestões. 159] 1. O uso dos adjectivos “cativa” e “aprisionada” sugerem que. tu. 2. e 2. P – Português. 27. 161] 1. 94-95… Compreender [pág. 10. A menina quer sempre mais.1. 8. 18): esta palavra existe como adjectivo. 33)).2.” (ll. 35-37)). e. 11).1. 19-20): verbos formados a partir de lua (= transformar-se em lua) imensidava (l. No texto. e 1. “Os outros lhe chamavam à térrea realidade” (l. desinquieto) estrelinhada (l.1. nesta perspectiva. 16. Recorrência: nominal com repetição do nome: avezita (l. 43): = estrelada. Ver Observação em Antes de ler. j.. 3.” (l. “[O] Seu sonho” (l. com frequência. com o significado de “que tem aparência ou modos de menina(o).1. Embora gostasse de apreciar as mulheres que via passar. tombam gotas de cacimbo. 3. 89-91. “[A] Minha filha” (l.’ ” (ll. 16) [chamavam-na]. 3.

ao almoço. Parte preparatória – “Pouco tempo após (. 54)).” (ll. “são”. ao contar o enredo do filme em que “os índios sentem chegar a morte e se retiram. 173-174] P – Português. Ver resposta a 1. 15-26). O advérbio “enfim” introduz uma conclusão e “enquanto” é um conector temporal (conjunção subordinativa temporal) que remete para acções simultâneas. Apresentação de Tijoleiro.1.1. Aida é contrariada pelos testemunhos dos amigos de Américo Pedrinha que “juravam a pés juntos que não lhe conheciam aventuras. ll.” (ll. “mostram”. 2. A suspeita de D. talvez por nem sequer ser bem compreendida ou por ter saído da boca de um homem estranho “que cultiva nespereiras na varanda” (ll. 1. 3. Arnaldinho.” (ll. os verbos aparecem no pretérito perfeito: “desapareceu”.1.2. 5. de seguida. não merecer credibilidade. dirigindo-se. 80). “Na manhã desse dia (…) – comentaram os amigos. E acrescentam: – De um momento para o outro. Funcionamento da língua [pág.” (ll. para não “parecer a Deus e às línguas deste mundo” que tinha “pressa de se encontrar viúva. 128-129) e. Olha agora se todos se lembrassem de dizer ‘Passem bem’ e de voltar as costas? Além do mais. talvez para não terem que passar por aquilo que sentiriam como sendo mais uma vergonha perante os amigos. que ia morrer e que estava farto daquilo.3. 123-124).. talvez por ser considerada absurda.3.2. cá vai correndo o tempo e o escritório ainda não fechou.) um bilhete de domingo. 27-28) e “E até os filhos (…) projectavam na venda da quintinha todas as suas esperanças…” (ll. 68-69) como acontecia “em folhetins (…) e nas novelas da televisão. Aida “ suspeitava (…) que o homem se deixara encantar por alguma mocinha” (ll. 2. pensando vender a “quintinha” que era a menina dos olhos do pai (Cf. a mãe. 5. chegando mesmo a forjar provas dessa viagem. a partir da linha 103. “tinha”.2.” (ll. 151-155). Os filhos fizeram constar que o pai “andava viajando pelo mar” (l. a primeira analepse dá-nos conta do ‘sonho’ de Américo Pedrinha e a segunda relata os últimos acontecimentos antes do seu desaparecimento. por sua vez. Mas isso é mal geral pelo país fora. A versão de Arnaldinho não foi tida em consideração porque “ninguém sabia o que fazer com ela. .”.” (ll. 1. 117-119). (…) seus cavalos.1. Provavelmente sentiam-se envergonhados com a forma como ele se comportava e daí o amor que sentiam em relação a ele ser “enervado e arisco”. Nos dois exemplos da alínea anterior. Aida (…) femininas. 168] 2. mas também porque gostava de cores fortes (“adorava azul-turquesa” (l. depois de se aconselhar com “a velha Felisberta”. “começaram”. 167] 1. Há alguma frieza na forma como esta questão é encarada: a filha tinge os vestidos de preto porque “a moda era o preto” (l. 37-38).. Compreender [págs. Tijoleiro visita o Museu Histórico e.” (ll.” (l.” | Textos | 6 Antes de ler [pág. decidiu não pôr luto. Trata-se do discurso indirecto livre. 33-102). “arrotava”.2. Aida e os filhos fazerem contas à ‘herança’. 39). Situação inicial – “Viveu em tempos (…) contra os seus planos e expectativas. Por exemplo: “Nos seus tempos – (…) do bom vinho francês. Nó da intriga – “Com um sorriso (.1. A expressão temporal “Antes de…” introduz um conjunto de verbos no pretérito imperfeito: “sentiam”. A analepse consiste no relato de acontecimentos anteriores ao presente da acção. Desenlace – “Desesperado (…) para um manicómio. Discurso indirecto: “Américo Pedrinha disse-lhes que passassem bem.. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor 1. de Compreender. Tijoleiro parece enlouquecer e é levado para o manicómio.Módulo 4 Textos narrativos/descritivos I 25 2. 93-116) 4. A expressão temporal “Ainda agora…” remete-nos para o presente pelo que os verbos se encontram no presente do indicativo: “forjam”. 5. 2. e desvenda-se o mistério da situação estranha que a personagem estava a viver (ll. 4.” (ll.2. 51). isto pode fechar. “falam”.1. Os dois adolescentes não tinham orgulho na figura do pai (Cf. 3. sugere que ele terá feito algo de semelhante. Depois da conjunção subordinativa temporal “Quando…”.) miscelânea de todos os animais. 2. 28-31)). 1-32). toma uma pílula que havia roubado de uma das salas do Museu.3..” (ll. D. O pronome demonstrativo com valor anafórico “aquilo” remete para o desaparecimento de Américo Pedrinha. Por exemplo: o facto de D. por isso.” (ll. “soltava”. um conjunto de peripécias que vão levar ao desenlace. “homem moderno” e apreciador dos prazeres da vida. “era”. 70-71).2. 103-150) – Desenrolam-se. “Deste sonho inteirinho se apoderara D. Os colegas de escritório imaginavam que ele poderia ter partido porque “as coisas no escritório não andavam famosas” (ll. Por exemplo: – Pois é certo que as coisas no escritório não andam famosas – comentam os colegas. 57-58). ao Jardim Zoológico. 133-136) e os efeitos que essa história terá tido em Américo Pedrinha.

pois o tempo da acção desenrola-se de forma linear. “melancólico”.2. Cf. “É bem bonita. a camurça. No fundo. meias pretas. por momentos. Tijoleiro passeia por três salas que têm expostos objectos diversos. 104-109) – “grande”. pois. “majestoso”. 59-60. 9). Gosta de Lena mas. 41-45. Passou. As sequências desta narrativa são encadeadas.2. “Mas ficou desiludido. No Museu Histórico. como ele próprio o confessa e como se vê através de muitas das suas atitudes. como não gosta da família dela.1.” (ll. deixar de se parecer com os homens que os animais tinham acabado de desmascarar diante dos seus olhos e que se tinham transformado numa “desagradável sociedade de seres semelhantes a animais. “… a sua angústia e o seu pavor…” (l. 140).3. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor ..2. “– Parece uma andorinha (…)” (l. de tal modo que o fim de uma sequência é o início da seguinte. não declara esse sentimento a Lena. pois não é bom que o homem fique só. o gnu. 4. 38).” (l. 5. alguma tristeza quando fala com Juliano pois gostaria de estar no seu lugar. a pantera (ll. um tremendo desprezo. finalmente. Júlio e Luciano são amigos. a descrição do fato e da bengala de Tijoleiro (ll. apareceu a descoberto o colo muito branco que formava com o rosto uma mancha alva no meio do luto. apelida Tijoleiro de “ orgulhoso ” e “ estúpido ”. degenerados. 177-179] I 1. 116-122). “… atónito e desorientado…” (l. andavam em liberdade. 125-130) “todos o desconsideraram” e não compreendiam por que razão estavam eles presos enquanto que os homens. os ursos (ll. Toda ela vestia de luto carregado. Neste último parágrafo. em relação a Tijoleiro. 138-139) suportando “a sua prisão com decoro” e “cheios de humor”. malcheirosos e indecorosos” e “emproados”. É orgulhoso. 135). sobre os cabelos claros. Mas os seus movimentos eram leves e cheios de vivacidade. “com voz grossa”. Uma leitura possível: O julgamento que fazemos acerca dos outros e do mundo é apenas o ‘nosso’ olhar. nele. 3. 110-113). mas como está convencido de que ela gosta de Luciano. 4.” (l. Entre outros. 4-8).2. o cabrito-montês. airosa e veloz. Esta personagem é dinâmica. O vento abriu-lhe o bibe e. bibe preto. é apresentado mais um indício: “Talvez tenha sido este. 142). e 4. o seu mal. 117-119. 62-63. “bípedes horríveis.” (ll. impulsivo. mentirosos…”. 146). não tem coragem para assumir esse sentimento. sentindo o prazer da corrida.26 Caderno do Professor | Resolução das actividades do manual 2. 3.2. o momento em que Tijoleiro rouba a pílula (ll. ll. Não deve. ll. a Lena.3. 97-98). usa esse facto como pretexto para dizer que também não gosta dela. Ao arrancar do corpo as peças de vestuário e adereços. um pouco arrebatado. 137-138). achava os visitantes uma “gentalha”. 49-50. 8. Ficha formativa [págs. 30-32) Note-se que. “Com um sorriso de boa disposição…” (l. 132-133) digno e sábio.1. nem anular outros pontos de vista. está profundamente transtornado e desorientado. Tijoleiro passa do desespero à vergonha de si próprio. “belíssimo”. 6. um “profundo desdém. O conceito do que é ‘normal’ não pode nunca ser separado do contexto social e cultural. Luciano – é caracterizado psicologicamente pelas suas atitudes e reacções. 2. 65-74. 113).. E. “despreocupados” e brincalhões. sendo a última dedicada às superstições na Idade Média. precisamente. 5. o falcão-das-torres (ll. O chimpanzé (ll. primeiro amável e..” (l. com “dois grandes olhos castanhos ”. Júlio – é também caracterizado sobretudo psicologicamente e indirectamente. o leão (l. os javalis.3. 103). os gaios (ll.1. 87-88) e no restaurante o momento em que decide tomá-la (ll. 107). o puma (ll. porquanto teve um fim precoce e estranho.3. Tijoleiro tenta. um grande laço preto. 81-86). resignação e tristeza” manifestava.”. o lama. 4. no início da segunda parte. “… ficou aterrado até ao mais fundo do seu coração. depois. “sombrio e altivo”. brincam juntos e estão ambos apaixonados por Lena. 3. o alce (ll. 117).4. muito contra os seus planos e expectativas. um pouco atrevido. “… e foi imenso o que nele se perdeu. P – Português.5. 4. “Perturbado…” (l. portanto. desesperadamente. 133-135). “Horrorizado num susto indescritível…” (l. a acção desenrola-se num restaurante e. 7. chamam-lhe “unhas-de-fome”. cujo “ olhar expressava nobreza.1. 35-36) 3. 4. Lena – caracterização física directa: “Vinha de sapatos pretos. ser considerado como único. os macacos Maqui (ll. aristocrática e comedida. emproados. modelada e principal. de forma indirecta.” (ll.3. Tijoleiro entra no átrio do Jardim Zoológico. No museu. Gosta de Lena. De seguida.1. 54-57. 41-44) e dos objectos expostos nas diferentes salas (ll. Tijoleiro procurava encontrar nos seus semelhantes algum sinal de compreensão da “sua angústia” e do “seu pavor”. Nota-se.

12). A forma como se refere ao carreiro de formigas (“exclamou ela. Trata-se de um lugar sossegado. Proposta de discurso indirecto: Júlio disse a Luciano que não o percebia. 4. Lena gosta de Luciano. naquele momento. Acrescentou que ela [Lena] andava sempre à volta dele e que ele corria com ela e que.” l. se fosse com ele.. exclamou”… 8. é de “pó alvacento” (l. sem circulação de viaturas. A comparação utilizada por Júlio (l. 5. Luciano gosta de Lena mas não da família dela. 54).. É através do primeiro diálogo – entre Luciano e Júlio – que ficamos a perceber as relações entre as três personagens: Embora o negue. 7. A acção passa-se num largo cujo chão.1. O que Lena pretendia.Módulo 4 Textos narrativos/descritivos I 27 3. o diálogo caracteriza indirectamente as personagens e contextualiza o narratário. 2. “protestou”. Júlio sorriu com tristeza e replicou que bem tinha visto que ele tinha ficado danado. Em conclusão. acrescentando que.1. Substituições possíveis: 1. Júlio gosta de Lena mas sabe que não tem qualquer hipótese de ser correspondido. que vai tendo para com Lena atitudes que contrariam aquilo que sente por ela.a ocorrência: “reagiu”.1. “comentou”…. ■ O segundo diálogo é esclarecedor quanto à personalidade de Luciano (“.. já ele a namoraria. numa exagerada surpresa”) vem destacar esta vontade de chamar a atenção de Luciano que insistia em fingir que a ignorava. ■ ■ 6. 9) é extremamente expressiva e revela carinho e admiração por Lena. P – Português. Luciano cortou dizendo que tal não tinha acontecido/não era verdade. correndo em círculos cada vez mais largos. com um ar superior. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor .. ela tinha passado sem o olhar e ele tinha ficado danado. onde os rapazes jogam berlinde. a ocorrência: “ declarou ”. era aproximar-se de Luciano.

5 12. Exemplos: a. b.1. arroz inteligente nadar até ■ ■ ■ 8. f. 1. 2. Sujeito simples. c. o meu primo. (…) antes que os convidados tivessem chegado. b. O meu irmão mais novo adoeceu. e. a. Chegaremos por volta das cinco da manhã. na próxima semana. Anoiteceu de repente. l. 2. m. 8. j. O Rui. (…) onde há silêncio. Exemplos: a. (…) porque não esteve atento. 1. 4.2. 13. 3. c. Eles trabalharam toda a noite. ➜ oração subordinada final d. 5 13. d. interjeição 10. c. dulcíssimo. e. 2. b. ➜ orações coordenadas adversativas c. todos os dias. Ontem: advérbio. Pus o despertador junto de mim. ➜ oração subordinada causal c. h. i. 4. i. 5. 6. (…) para que sejam feitas obras. b. b. vítima 4. ➜ orações coordenadas copulativas 3.1. 2 + 1. ➜ modificador do nome apositivo f. fidelíssimo. Tito. 3.1.. predicativo do complemento directo 11. f. b. d. 2. d. 2.28 Bloco informativo | Ficha informativa | 4 1. c.1.1. 6.. e. ➜ oração subordinada temporal P – Português. tendo por núcleo “letras”. O jantar de aniversário foi muito participado. um verbo copulativo 6. a. c. 14. 3. 2. c. Enquanto: conjunção. ➜ modificador do nome restritivo b. complemento directo 6. Quando o Sol se põe (…) ➜ oração subordinada temporal b. f. complemento agente da passiva 9. interjeição conjunção preposição ■ ■ 12. 204-207] 1. Corri dois quilómetros. h. A decisão do Governo foi bem recebida. chega hoje. a. e. ➜ complemento do nome d. ➜ modificador do nome apositivo e. 5. b. e. Eles regressaram a casa. ➜ modificador do nome restritivo g. a. ➜ orações coordenadas conclusivas b. 1. por um verbo auxiliar modal + preposição “de” + verbo no infinitivo c. d. predicativo do sujeito 7. 7. b. 4. 2. d. b. g. quantificador determinante nome verbo adjectivo ■ ■ ■ ■ 11. d. e. Existe na I e na II. 9. a. [págs. 5. e. nascer comprar estar chover ■ ■ ■ 7. c. 5. a. 4. 7. Ficas a estudar ou vens ao cinema? ➜ orações coordenadas disjuntivas d. A avenida foi ocupada pelos manifestantes. ele : pronome. b. g. d. Ali não há nada interessante. Nunca me diverti tanto na minha vida nem andei tão descontraída. a. b. j. d. amaríssimo. ➜ oração subordinada relativa sem antecedente f. Porque se atrapalhou (…) ➜ oração subordinada causal e. 197-199] 10. l. mas não estou cansado. a. 4. por um verbo auxiliar aspectual + preposição “de” + verbo no infinitivo b. A representação do Auto da Barca do Inferno foi vista por todos os alunos. b. j. ➜ complemento do nome c. 5. g. sapientíssimo. d. l. d. ➜ sujeito simples 4. Bolas! : interjeição. Uma mulher idosa era visitada pela Laura. 7. fragilíssimo. c. 5. Soa o canto do pintassilgo. 2 | Ficha informativa | 6 1. Os bilhetes serão comprados pelo Pedro. testemunha 3. conjunção subordinativa condicional 9. h. que vive no Porto. 1. a. i. a. É necessária uma revisão do contrato. 3. e. b. 1. e. a. b. 5. modificador preposicional 7. a. foi colocado em Beja. n. portanto devem estar cansados. m. 213-217] | Ficha informativa | 5 [págs. ➜ complemento do nome 1. f. 6. A condenação do réu era esperada. 4. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor . 1. 9. um vocativo 8. d. b. [págs. meteorológico: adjectivo.

➜ oração subordinada consecutiva b. 16. a. Preocupa-os imenso que os filhos estudem. b. a. (…) como se eu fosse transparente. A Maria cortou o cabelo à Rita como se fosse uma profissional. A Joana declarou sentir um grande cansaço. Ela trata a criança com mais cuidado que a própria mãe. O Raul combinou uma saída com os amigos. Algumas pessoas envolvem-se em discussões que não servem para nada. Ele acredita em tudo quanto lhe dizem. Ele falava tão baixinho que os alunos não o ouviam. a. . (…) que ficaram exaustos. É evidente que o Rui está interessado na Clara. embora saiba que a mãe não concorda. Quero que me apoies. ➜ oração subordinada condicional 5. f. ➜ oração subordinada comparativa b. Diz-se ➜ oração subordinante. As saias que têm pregas usam-se muito este ano. a. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor d. como nunca ninguém disse ➜ oração subordinada comparativa. O jornalista perguntou se os impostos iam aumentar. (…) que todos a respeitavam. d. Esta é a rapariga a quem o Rui se declarou. O réu afirmou estar inocente. c. d. ➜ oração subordinada consecutiva 9. É importante que tu participes. Ele perguntou que horas eram. Pediram-me que tivesse paciência. g. c. f. f. Exemplos: a. A Rita come mais fruta do que doces. h. que dizia ➜ oração subordinada completiva. Os alunos vão à visita de estudo ➜ oração subordinante. Ele nada disse embora vontade não lhe faltasse. São uns indivíduos estranhos dos quais pouco se conhece. Aquela peça era tão monótona que muitos espectadores foram embora no intervalo. 6. Ele devolveu o aparelho porque estava avariado. 3. b. ➜ complemento directo e. (…) se tu não estiveres presente. g. ➜ oração subordinada completiva c. 17. Os automóveis que andam a gasóleo são mais económicos. 14. O resultado que obtiveste é fraco. a. 2. a rapariga vestiu uma roupa fresca. e. e. e 14. O livro de que me falaste é interessantíssimo. Exemplos: a. ➜ oração subordinada concessiva h. d. É uma pena que não venhas connosco. a. b. A aluna pediu para sair da sala. 5. ➜ oração subordinada comparativa P – Português. d. todos se sentaram confortavelmente. 11. d. afirma-se que todos os alunos vão à visita de estudo. e. O calçado que é fabricado em Portugal é exportado para vários países. ➜ oração subordinada comparativa d. De acordo com a frase a. 8. Logo que começou o filme na televisão. b. Afasta-te das pessoas que são agressivas. O Tomás teria desenhado a sua própria casa caso tivesse tirado o curso de Arquitectura. não te telefonarei. 11. b.Bloco informativo 29 g. orações subordinadas relativas restritivas 12. O teu rosto está branco como a cal. c. Ele comprou tudo quanto havia na loja. Ele sentou-se num lugar da primeira fila para ver tudo. (…) embora houvesse barulho.1. c. e. que tiveram boas notas ➜ oração subordinada relativa restritiva b.1. Convém que te despaches. (…) como se fosse um pequeno selvagem.1. f. Ele vive na casa onde tu moraste. e. ➜ sujeito f. c. (…) que viesse cedo. c. a. apenas os alunos que tiveram boas notas vão à visita de estudo. 10. ➜ sujeito c. (…) que eu. ➜ complemento directo 15. já na frase b. Eles lembram-se de que tu fazes anos hoje.1. Como o Sol brilhava intensamente. 3. ➜ complemento directo d.1. 1. Como lhe doíam as costas (…) ➜ oração subordinada causal c. Exemplos: a. 7.1. f. b. 12. a. Enquanto não me pedires desculpa.. Nós queremos falar com o teu pai. Só te telefonarei se chegar cedo a casa. c. g. b. g. f. Exemplos: a. 4. e 15. b. Ele conduz melhor que o pai. 2.1. g. c. ➜ complemento directo b. que tiveram boas notas ➜ oração subordinada relativa explicativa 13. É já uma certeza que ele foi admitido. a. A Raquel disse que ia ao cinema. 1. Os indivíduos que são bondosos tornam a vida dos outros melhor. Fiquei em casa nas férias para que o trabalho fosse concluído. e. Os alunos vão à visita de estudo ➜ oração subordinante.

Porque estavam preocupadas com o encerramento da fábrica. (…) Alguns veículos (…). houve (verbo haver) / ouve (verbo ouvir) f. 13. cheque (forma de pagamento) / xeque (lance do jogo de xadrez) g. c. teologia ➜ estudo de uma religião. apreçar (indagar o preço) / apressar (acelerar) c. ar ➜ aeronave. derivação (por prefixação) 4. d. c. oração finita (III) e orações não finitas (I. hidrofobia ➜ horror à água. geografia ➜ descrição da Terra. caligrafia ➜ arte de escrever bem à mão. homofobia ➜ ódio em relação aos homossexuais. voltámos para casa. Mal chegue a casa. arqueologia ➜ estudo das civilizações antigas. correcção: sofás-camas 12. c. luz ➜ fotografia. o valor semântico do nome da esquerda é modificado pelo valor semântico do nome da direita. a avó fez um bolo. cem – sem ➜ homófonas e. 13. c. ratificar (confirmar) / rectificar (corrigir) b. | Ficha informativa | 7 2. a. 221-222] 1. derivação (por sufixação) 3. pinacoteca ➜ colecção de quadros.4. ouvir ➜ audiovisual. fragmento) 5.1. a.1. peão – pião ➜ parónimas c. cinefilia ➜ paixão do cinema. cegar (ficar cego) / segar (ceifar) 6. filologia ➜ estudo dos textos escritos de uma língua. II e IV) 19. comprimento (extensão) / cumprimento (saudação) d. bibliofilia ➜ amor aos livros. r e s. zoofilia ➜ amizade aos animais. coser (costurar) / cozer (cozinhar) e. imigrante 10. d. descrição (acto de descrever) / discrição (qualidade de quem é reservado) f. b. agorafobia ➜ medo dos espaços abertos e dos sítios públicos. (…) o tratamento desta doença (…). a. economizar – gastar [págs. era – hera ➜ homófonas f. Quando terminou o espectáculo. zelo – cuidado 2. estrato (camada) / extracto (que foi extraído. e. anti. colher (nome) – colher (verbo) ➜ homógrafas b. rio (nome) – rio (verbo) ➜ homónimas d. Como se lembrou dos netos. derivação 11. psicólogo 5. cinto (adereço de vestuário) / sinto (verbo sentir) h. biblioteca ➜ lugar onde se guardam livros. discoteca ➜ colecção de discos. ortografia ➜ forma correcta de escrever as palavras. cela (quarto) / sela (verbo selar .e super. c. Exemplos: a. a. sesta – sexta ➜ parónimas 4. 13. vou tomar um banho. elegível (que pode ser eleito) / ilegível (que não se consegue ler) g. 13. P – Português. longe ➜ televisão. e. a. hiper. radiografia ➜ registo fotográfico obtido por meio de radiações. que surgem como última hipótese. e. espiar (espreitar) / expiar (pagar por uma falta) h. hemeroteca ➜ colecção de publicações periódicas. grafologia ➜ estudo sobre a escrita.➜ usa-se hífen antes de h. c. Era necessário que acabássemos o trabalho. situações extremas. composto morfossintáctico. situação-limite. xenofobia ➜ aversão a pessoas estrangeiras. assento) b. a. previsão (anterioridade) 6. pernoitar [palavra formada por parassíntese] 3. 219-220] | Ficha informativa | 8 1. despensa (lugar onde se guarda algo) / dispensa (permissão para não cumprir algo) e. 8. Nos compostos morfossintácticos. c. d. sobre➜ usa-se hífen antes de h. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor 7. acidente (desastre) / incidente (acontecimento de importância menor) c. a flexão em número apenas afecta o nome da esquerda. O álcool e o tabaco são drogas/vícios a evitar.2.30 Caderno do Professor | Resolução das actividades do manual 18.3. transpor – sobrecarga [págs. d. a. concerto (espectáculo musical) / conserto (arranjo) d. água ➜ hidrogénio 9.1. b. a. b. alcatifa 8. . algumas pessoas manifestaram-se. lusofilia ➜ simpatia por Portugal ou pelos Portugueses. b. c.➜ usa-se hífen antes de r e h. i. b.

a. No anúncio. uma onomatopeia c. 227-228] 1. “queimar” significa “desperdiçar”. [= sofreu queimaduras. Utilização de uma frase interrogativa em vez de uma frase imperativa.1.m. interjeições 2. b. ouro s. fonologia s. | Ficha informativa | 13 [págs. 2. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor | Ficha informativa | 10 1. especialista em geografia. LINGUÍSTICA disciplina linguística que estuda e descreve os sons como unidades distintas (fonemas) e a sua função no sistema linguístico. São vocábulos monossémicos. Todas as noites.1. 7. instalar. De um artigo científico exige-se objectividade e rigor. l. A última fala do Pai Natal contribui para a intenção crítica do cartoon exactamente porque aquilo que aí é dito não tem qualquer relação com a observação feita pela criança. i.f. acrescenta. 4. A inserção da expressão Peço desculpa. e 4. 3. Exemplos: 1. Sentido conotativo. (Grande Dicionário Língua Portuguesa. (…) São estas as minhas flores preferidas. poliedro s. 3. a. bão-bão-bão. h. acrónimo. ele queima montes de dinheiro. g.m. pendura.1. sigla b. 1. 3. “deixar passar”.1. predicado.2. b. j. depositar. 2. plantar. geógrafo s. atribuir. Campo lexical de religião: igreja. acrónimo.2. [fig. vocativo. sigla.2. bem-bem-bem. 4.f. b. fiéis. a. embelezar beleza belíssimo belamente Florbela / belas-artes / bel-prazer ■ 3. P – Português.m. portanto. O Pai Natal tenta fugir à questão colocada pela criança pois tem consciência de que não consegue dar-lhe uma resposta satisfatória. a. água s. crença… Campo lexical de sintaxe: sujeito. e. Deixei queimar a sopa. árvore (…) b. b. escorreito. gruta s. estrela s. castanheiro s. c. a. Anúncio B.3. 233-234] 1. [= reduzido a cinza] 6. escreve. Neste contexto. c.f. d. Uma mistura de sentimentos o invadiu (…). Anúncio A. com o objectivo de atenuar uma ordem. deus. subordinação… 6. metal 8. mas não faço milagres!” 2. cama (todas as outras palavras pertencem ao campo lexical de medicina). escaldou-se].1. Estas últimas não são apenas quatro.f. Por exemplo: “– Eu sou o Pai Natal. o enunciado por ele produzido não tem qualquer relação com a observação anteriormente feita pela criança e. 4. a.”) (pretende conduzir o interlocutor à realização de uma acção).1. 5. cavidade (…) c. sólido geométrico limitado por faces que são polígonos planos. guardei / coloquei / arrumei. Porto Editora) | Ficha informativa | 11 [págs. | Ficha informativa | 9 [págs. grupo verbal. isto é. c. joga-se com dois dos significados de “estações”: os quatro períodos em que se divide o ano – as quatro estações do ano – e os locais de atendimento ao público dos CTT – as estações de correio. líquido c. “desaproveitar”.: nega um eventual acto ilocutório compromissivo (“Não prometa!”). O emprego do verbo auxiliar modal poder atenua uma ordem: Vai ter comigo à escola. f. arte (…) 4. 225-226] 2. contrato. Com o incêndio tudo ficou queimado. acrónimo. Ele queimou-se com água a ferver. c.1. roseira (todas as outras palavras pertencem ao campo lexical de árvore). [= torrar]. introduziu.m. Polissemia é a propriedade de algumas palavras de apresentarem mais do que um significado. d.Bloco informativo 31 d. 223-224] 1. e. 5. astro b. efeminado indefinido trovoada privilegiado desequilíbrio ■ ■ ■ ■ ■ . definiu / determinou / indicou.] = sentido figurado.: acto ilocutório compromissivo (exprime um “compromisso” do locutor em relação à realização de uma acção futura). O uso do modo condicional (Preferiria) em vez do presente (Prefiro). belíssimo ■ ■ ■ ■ [págs. produzindo um acto ilocutório directivo (“Faça. [= gasta].m. mas mil. Na última fala do Pai Natal não foi respeitada a máxima da relevância. cinema s. pousaram. 5. padre. não é pertinente. de uma notícia espera-se a apresentação objectiva dos factos. 1. sorte (todas as outras palavras pertencem ao campo lexical de futebol). a.

estamos em presença de um acto ilocutório indirecto. o hidrogénio e o oxigénio. d. “João. 6. Não deixes tudo para a última hora! c. não haveria vida. precisas de ajuda para estudares para o teste de Português?” 7. 4.1. [Sem água] Não haveria plantas.1. muitos milhões de anos depois. e finalmente inquestionavelmente. por exemplo: “Sem água. nem animais nem seres humanos para os observar. P – Português.) ou declarativas (e. estudava para o teste de Português. oposição. c. “Fico contente por estares a estudar para o teste de Português. semelhantes aos dedos de uma mão aberta. Naturalmente que Particularmente porventura. líquido.: água. fluido.. Fabricam-se tapetes e cestos com as suas folhas. Este enunciado configura um acto ilocutório indirecto porque. como hipónimos do hiperónimo [formas de] vida e os três segundos como hipónimos do hiperónimo substâncias químicas.2.. Contudo nomeadamente | Ficha informativa | 15 1. oposição exemplificar exprimir um facto dado como certo esclarecer.° parágrafo e é repetido no 4. Terra. planeta – a este processo dá-se o nome de renominalização: processo que consiste na repetição do nome (continuidade temática) quando a referência se pode perder. Apaga a luz da sala! b. o nome Terra aparece no 2. globo terrestre.2.. repetição do nome.. Mas existem mais de mil espécies [. por favor. nem animais. 2.1. Por outras palavras Além disso Em resumo Todavia 5. magma. 4. substituição lexical por hiperonímia e hiponímia: “Sem água.1.3. d.. “João.” 3..°. Por exemplo. nem seres humanos para os observar. 1. utiliza uma expressão cujo sentido literal é diferente da intenção de comunicação. João. planeta. Algumas […] são arbustos e outras […] são trepadeiras. As palmeiras são plantas úteis. por exemplo: “Foi assim que começou o ciclo da água.3.1. Por exemplo: “Não vamos deixar que isto aconteça!” 5. 2. Conectores textuais Valor exprimir um facto dado como certo exprimir a dúvida articular ideias de contraste.). através da substituição por pronomes. Neles. e 4. 4. Por mais… que parece-me que muito menos Na minha opinião Bem sabemos que justamente Porém Depois.” – os três primeiros elementos sublinhados funcionam. tendo um valor imperativo. A maioria delas cresce em climas quentes.4. Terra. aqui.32 Caderno do Professor | Resolução das actividades do manual 4. reafirmar articular ideias de contraste.2. certamente ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ . tendo em conta a capacidade do seu interlocutor para interpretar o enunciado.” 2.1. [págs. Quando o locutor. “Já começaste a estudar para o teste de Português. Proposta de solução: A palmeira mais conhecida possui folhas que se abrem exactamente no seu tronco. Por exemplo: a.] e nem todas elas são árvores. está formulado como se de uma pergunta se tratasse.” c. João?” d. Substituição lexical por sinonímia: água. 3. muitos milhões de anos depois... Trata-se de um acto ilocutório compromissivo (… juro por minha honra…). As frases interrogativas passam a imperativas (a. se eu estivesse no teu lugar. A ordem é: 2. Não haveria plantas.. ■ ■ Hipótese de substituição Sem dúvida talvez mas A verdade é que Especialmente Indubitavelmente quiçá. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor de facto Isto é. oposição exprimir um facto dado como certo exemplificar exprimir a dúvida articular ideias de contraste. e sem margem para dúvidas Em suma Acredito que E. explicar uma ideia adicionar e agrupar elementos e ideias resumir. Pese-me esta fruta..” b. por ex. reuniram-se as substâncias químicas que dariam origem à vida: o metano. possivelmente porém Na realidade. Por exemplo: a. 4. não haveria vida. (…) Neles. Põe a mesa. Esta encheu as depressões que havia no globo terrestre e nasceram os oceanos. 241-243] provavelmente No entanto por exemplo a verdade é que Ou seja E No fundo Mas 2. mediante elipse ou supressão.

espantou-se. filosofou. que tinha sido doméstica… mas que sentia uma terrível frustração. [págs. respondeu-lhe. Vi um filme. e b. Tinha eu 50 anos”. contounos.. Um filme de que não me lembro o nome. Todos os filhos ajudavam muito. Porque.. onde plantavam de tudo. visto que – anunciam uma ideia de causa. os verbos são os seguintes: disse. Hipótese de discurso indirecto: A camionista lembra que quando o último dos seus cinco filhos se tornou independente. especificamente. E ela disse-me: – Não. Hipótese de discurso indirecto: [Maria Baptista] contou-nos que tinha trabalhado em fábricas. “(…) e passara menos mal. lembra a camionista. de seguida numa loja de roupas. agora que tanto se demorava em Lisboa. desde a Páscoa. que tinha sido costureira de peles. Foi aqui que começou a minha paixão pelo pesado”. e 1. recorda Maria Baptista. No dia em que a minha filha recebeu o seu ordenado. 3.1. com a sua filha.. depois numa loja de roupas com a minha filha.Bloco informativo 33 6. desde que – indica uma condição. embora – anunciam uma ideia de oposição. Hipótese de discurso indirecto: Maria Baptista recorda que os seus pais tinham uma herdade em Angola. No original. Mas era natural. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor CPPORT14CP-03 . Passou na televisão. pouco se aproveitava da Feitosa. inscrevi-me numa escola de condução para tirar a carta de pesados e articulados. Mas sentia uma terrível frustração”. “(…) Não. Apesar de.3.1. concluiu. f. resolvi concretizar o meu desejo.2. Hipótese de substituição do verbo introdutor de relato de discurso: desabafou Discurso directo: “Quando o último dos meus cinco filhos se tornou independente. inscreveu-se numa escola de condução para tirar a carta de pesados e articulados. duvidou. Foi ali que começou a sua paixão pelo pesado. e eu. especificamente. – Conhece Portugal? – perguntei-lhe. e ela. resolveu concretizar o seu desejo. conduzia um tractor com atrelado que transportava os caixotes de fruta. c. Se – indica uma hipótese. Passagens em discurso indirecto livre: a. e. Gracinha não sabia. Hipótese de substituição do verbo introdutor de relato de discurso: relembra Discurso directo: “Trabalhei em fábricas. e d. conduzia um tractor com atrelado que transportava os caixotes de fruta. a. fui costureira de peles. Todos os filhos ajudavam muito. Hipótese de substituição do verbo introdutor de relato de discurso: esclarece 2. P – Português. 4. Proposta de discurso directo: A mulher que me serve café todas as manhãs quando soube que eu era português disse-me: – Lisboa é linda. fui doméstica. tão linda quinta…” | Ficha informativa | 17 1. Tinha ela 50 anos. A não ser a desavergonhada da garganta…” b. No dia em que a sua filha recebeu o seu ordenado. 246-248] Discurso directo: “Os meus pais tinham uma herdade em Angola.

neste último ano.” Já há para aí trinta anos que descobri uma carta que um senhor americano escreveu ao seu ministro da Agricultura. O meu amigo Richard é muito optimista quanto ao futuro da nossa exploração. que nos mandasse informar quais são as regiões mais apropriadas para a não-criação de porcos e qual a melhor raça de porcos para não criar. além do muito que nos alegrará sabermos que deste modo estamos a contribuir para o bem-estar de várias pessoas que possamos utilizar nesta exploração e que por esta forma serão outros tantos empregados com ocupação. receber os protestos da minha maior consideração. Fazíamos tenção de começar modestamente pela não-criação de 2000 porcos que nos daria um lucro de 4000 dólares. A carta é assim: “Excelentíssimo Senhor Ministro. Queira V. Exa. (…) Se é possível receber 1000 dólares por não criar 500 porcos nós poderíamos receber o dobro por não criarmos 1000. Como dizia o meu querido amigo Millôr Fernandes: “A economia compreende toda a actividade do mundo. Se os nossos planos forem cumpridos dentro das normas de uma sã administração e com uma produtividade sempre crescente esperamos muito brevemente atingir a não-criação de 40 000 porcos. enquanto. Senhor Ministro. Julgo que não estou a exagerar se disser que a economia tende para ser uma realidade virtual. De seguida. o que pode vir minorar um atroz problema social.. A Cor dos Dias – Memórias e Peregrinações. Estimulado por este seu êxito decidimos iniciar na nossa propriedade o negócio da não-criação de porcos. vem criando porcos há muitos anos. Nenhuma actividade do mundo compreende a economia. por isso.. podendo nessa altura considerar a empresa dimensionada de modo a constituir um factor de progresso e engrandecimento da nossa região. por não criar porcos ganhou 1000 dólares. O célebre caso da não-criação de porcos. Presença.34 Ficha de avaliação – Módulo 1 Lê atentamente o texto. (…) A economia (…) deixou de ter qualquer relação com a realidade para se passar por dentro da cabeça dos economistas que resolvem as grandes crises financeiras à mesa dos seus gabinetes. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor 25 30 35 fotocopiável . (…)” António Alçada Baptista. perante uma superprodução de porcos. Ed. Senhor Ministro. (…) Ficar-vos-emos extraordinariamente reconhecidos se nos responder o mais rapidamente possível porquanto julgamos que esta época do ano será a melhor para a não-criação de porcos e. O assunto parece-me cheio de interesse. subsidiando os produtores que não os criassem. Neste quadro de circunstâncias. o governo resolveu limitar a sua produção. diria mesmo apaixonante. responde às questões formuladas. numa altura em que. O meu amigo Richard Hamilton recebeu este ano um cheque de 1000 dólares porque não criou porcos. o que lhe permitia em média retirar um lucro anual de 350 dólares e houve mesmo um ano particularmente rentável em que ganhou 400 dólares. Segundo afirma. 2003 (texto adaptado e com supressões) 5 10 15 20 P – Português.. pretendíamos. o que nos daria um lucro de 80 000 dólares. (…) O que se nos afigura mais difícil nesta exploração é fazer o inventário dos porcos que não criaremos. gostaríamos de começar quanto antes.

a carta reproduzida por Alçada Baptista. 2. b. 2. 4-6) substituindo a forma verbal “com- 10 preende”. 32) da região. Relê o primeiro parágrafo do texto. Segundo o autor. Retoma as palavras de Millôr Fernandes (ll. 15-16) P – Português. fotocopiável 15 10 15 5. por um sinónimo adequado ao contexto. 3.1. agora. segundo o emissor da carta. Lê.1. passou a ser tratada apenas através das novas tecnologias.” (ll. mais uma vez. Esta carta é dirigida ao ministro da Agricultura americano. Aponta duas razões que. nas suas duas ocorrências. Faz a análise sintáctica da seguinte frase simples: “Nenhuma actividade do 15 mundo compreende a economia. Escreve duas frases. simples ou complexas. Faz o levantamento dos elementos que provam que se trata de uma carta formal.2. 1. os economistas não têm contacto directo com a realidade. os economistas só se interessam por grandes crises financeiras. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor 2.Ficha de avaliação – Módulo 1 35 I 1.1.2. Explica. 4.” (ll. que permitam distinguir inequivocamente a diferença de significado dos seguintes pares de vocábulos: a.3. Reescreve a afirmação que se segue de modo a que passe a configurar um acto ilocutório compromisso explícito: 75 pontos 10 “(…) estamos a contribuir para o bem-estar de várias pessoas (…)” (ll. Indica a meta que a exploração terá de atingir para poder “constituir um fac- 75 pontos 10 15 20 10 tor de progresso e engrandecimento” (l.4. 3-4) porque… a. 5-6) . sucintamente. terão estado na origem da decisão de iniciar a actividade de não-criação de porcos. “cumpridos” (ll. 2. a economia “tende para ser uma realidade virtual. 28-29) / compridos 4. 2. c. 2. Explica qual é a sua função relativamente ao assunto do texto. Reescreve o último parágrafo do texto (antes da fórmula de despedida) imaginando que o emissor se expressa no singular e que a relação entre o emissor e o destinatário da carta é de grande proximidade. em que reside o humor desta carta. 20 II 1. 4. “tenção” (l. 27) / tensão b.

em que. Observa a imagem e redige um texto. Total 200 pontos fotocopiável . depois de descreveres o cartoon. assinalando a respectiva alínea na tua folha de prova: A. analises a sua função crítica. de cento e cinquenta a cento e noventa palavras. Transforma a carta que integra a crónica de Alçada Baptista num requerimento. 50 pontos Luís Afonso. Não te esqueças de deixar bem claro o motivo que está na origem da tua petição e de obedecer às regras formais que um requerimento deve respeitar.36 Caderno do Professor | Fichas de avaliação III Selecciona uma das duas propostas. in Pública. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor B. 18-12-2005 P – Português.

2. eu. P – Português. De seguida. que da tormenta5 de vossa vista fujo. fotocopiável 10 10 10 2. Como quando do mar tempestuoso Como quando do mar tempestuoso o marinheiro. não entra nele mais. cobiçoso: ambicioso. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor I 1. Indica a decisão tomada pelo marinheiro expressa na segunda quadra. em que veja bonançoso3 o violento mar e sossegado.2. por salvar-me. 120 pontos 20 10 2. só o ouvir falar nele o faz medroso. bonançoso: calmo.Ficha de avaliação 1 – Módulo 2 37 Lê atentamente o poema. 4. sossegado. 5 e jura que. Explicita o valor contextual da locução subordinativa que marca essa divisão.3. de um naufrágio cruel já salvo a nado. Assinala a passagem em que se dá conta das razões do incumprimento da jura do marinheiro. 1. forçado pelo muito interesse cobiçoso4. dá-me por preço ver-vos. Lírica Completa. lasso1 e trabalhado2. 2. 3.1. mas vai. Este poema apresenta uma estrutura bipartida. Identifica o sentimento do marinheiro em relação ao mar. 5. tormenta: tempestade. Luís de Camões. lasso: cansado. Atenta nas duas primeiras estrofes. trabalhado: maltratado.1. responde às questões formuladas. jurando de não mais em outra ver-me: minh’alma. . 1. assi. Senhora. II. Delimita as duas partes lógicas que o compõem. 2. IN-CM 10 1. faz tornar-me donde fugi tão perto de perder-me. que de vós nunca se ausenta.2.

5. Não te esqueças que deves usar o discurso na 1. 3.38 Caderno do Professor | Fichas de avaliação 3. 9-10). relata esse episódio num texto que tenha entre cem e cento e vinte palavras. por palavras tuas. b.” (vv. 10 10 10 20 10 II Selecciona uma das duas propostas.a pessoa e prestar especial atenção aos tempos verbais usados e à articulação lógica das diferentes ideias. faz corresponder os elementos da primeira parte da comparação aos da segunda. Num breve resumo do assunto do poema. Identifica o recurso através do qual se identifica o interlocutor do sujeito lírico. 3. os dois tercetos. Explica. 80 pontos P – Português. em forma de diário. relata retrospectivamente a sua vida”. “ausento-me da vossa presença a fim de me salvar”. num texto com cerca de cento e vinte palavras. significa: a. c. O excerto “(…) da tormenta / de vossa vista fujo. “ausento-me da tormenta porque o vosso olhar me salva”. assinalando a respectiva alínea na tua folha de prova: A. Pensa na tua vida durante alguns momentos e selecciona um episódio muito bom ou muito mau. Relê. o sentido do verso 11. métrica e rima). elabora. por salvar-me. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor Total 200 pontos fotocopiável . B. Depois. Analisa o poema sob o ponto de vista formal (esquema estrófico.3. que é simultaneamente o narrador e a personagem principal. 4. devidamente estruturado. Recordando que “a autobiografia é um género narrativo em prosa em que o autor real.1. “fujo da tormenta para me aconchegar sob o vosso olhar”.2. a tua autobiografia (real ou imaginada). agora. 3.

fotocopiável . Lembra-te do teu grito: Não passarão! Não passarão! Só mesmo se parasse o coração Que te bate no peito. Morrem filhos e filhas da nação. Só mesmo se pudesse haver sentido Entre o sangue vertido E o sonho desfeito. As forças que te querem jugular1 Não poderão passar Sobre a dor infinita desse não Que a terra inteira ouviu E repetiu: Não passarão! Miguel Torga. matar. jugular: extinguir. responde às questões formuladas. Dom Quixote 5 10 15 20 P – Português. Poesia Completa. decapitar. mas dum simples grão Nasce o trigal de novo. Não passarão! Arde a seara. Só mesmo se a raiz bebesse em lodo De traição e de crime. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor 25 1. Publ. De seguida. Não morre um povo! Não passarão! Seja qual for a fúria da agressão. Não passarão Não desesperes. Só mesmo se não fosse o mundo todo Que na tua tragédia se redime.Ficha de avaliação 2 – Módulo 2 39 Lê atentamente o poema. degolar. Mãe! O último triunfo é interdito Aos heróis que o não são.

4. 140 pontos 15 15 10 15 10 10 10 15 10 10 10 P – Português. Explica. 3. 60 pontos Total 200 pontos fotocopiável . Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor 10 II Um diário é um texto narrativo orientado. para a expressão do eu. 2.2.a pessoa. as estrofes dois e três. 2. Atenta no título do poema. Antecipa o seu sentido.3. Encontra a forma verbal que está subentendida nessa anáfora.4.2.40 Caderno do Professor | Fichas de avaliação I 1. pelo uso do discurso na 1. Relê. considerando. Relê a quarta estrofe. 3. que se caracteriza. Substitui a repetição anafórica por uma conjunção ou locução conjuntiva condicional que não altere o sentido dos versos onde aquela aparece. 4.1. agora. Indica os dois nomes que aí retomam a apóstrofe “Mãe!” do primeiro verso do poema. 5. Num texto que tenha entre cento e vinte e cento e quarenta palavras. A primeira estrofe esclarece o título do poema. nomeadamente. 2.1. 3. num dos dias da passada semana.1. 3.1. Explica o predomínio do modo conjuntivo nestas duas estrofes.3. 4. o sentido desses versos. entre outros aspectos. Comprova a veracidade da afirmação de 2.1. 2. faz o registo em forma de diário de acontecimentos que tenhas testemunhado ou de que tenhas sido personagem. 5. 1.2. Clarifica o valor do modo verbal utilizado nos versos 1 e 4. Interpreta o uso da maiúscula utilizada na apóstrofe “Mãe!”. por palavras tuas. o valor do advérbio de negação e do tempo verbal utilizado e a indeterminação do sujeito da frase. Explicita o sentido da metáfora presente nos versos 17 e 18. A última estrofe é uma espécie de síntese de tudo quanto atrás foi dito. Comenta a importância da repetição do verso “Não passarão!” e do recurso ao encavalgamento na construção do ritmo do poema. 6. 3. tal como o texto lírico. Identifica a anáfora literária aí presente.

para um jogador ser famoso. nos ecrãs das televisões. de há vinte anos para cá. com todas estas mudanças. A transformação de homens suados e feios em modelos perfumados e atraentes é a mesma que tende a substituir o mundo real por um mundo de ilusão. bonitos e felizes). (…) Claro que isto também é um sinal de que. Como a sua função era jogar com os pés. “posters”. A imagem dos grandes jogadores é vendida diariamente em todo o mundo nas páginas dos jornais e revistas. E. (…) A imagem dos futebolistas era a de uns tipos transpirados. (…) Desde que os clubes se transformaram abertamente em empresas. a sociedade mudou muito. Ora essas imagens terão tanto mais sucesso quanto melhor for o aspecto dos futebolistas. etc. vindos quase sempre das classes mais baixas. também. já não basta jogar bem à bola. (…) Beckham ou Figo até podem estar a jogar mal – mas.Ficha de avaliação – Módulo 3 41 Lê atentamente o texto. Quanto mais mediático for um jogador. a par do seu rendimento em campo. melhorados. os futebolistas não tinham obviamente de ser bonitos. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor 25 30 35 fotocopiável . in Expresso. a favor do clube – dos seus cofres e do seu prestígio. cromos. puderem render fora do campo. produzidos. os jogadores de futebol eram seres já idolatrados mas socialmente desconsiderados. A ideia dos jogadores como homens rudes e analfabetos passou – e as portas das festas de sociedade e das revistas de sociedade abriram-se-lhes. e que apenas se distinguiam por saberem dar uns pontapés na bola. O vazio de valores das sociedades ocidentais conduziu a uma preocupação obsessiva com a fama. Foram reciclados. analfabetos. E os activos serão tanto mais rentáveis quanto. já não é só a sua capacidade futebolística – mas aquilo que se pode designar por “potencial mediático”. eles continuam a ser excelentes negócios. Procuram-se desesperadamente pessoas bonitas e famosas e os futebolistas não poderiam escapar à voragem. O passeio da fama Há vinte anos. José António Saraiva. continuando as suas imagens a vender-se (ou as imagens dos respectivos casais. em vídeos. o número de contratos publicitários que assina. Que acaba por ser. num jogador. 13-09-2003 (texto adaptado e com supressões) 5 10 15 20 P – Português. São “activos”. os futebolistas deixaram de ser apenas futebolistas. o dinheiro e a imagem. E tudo isso reverte. De seguida. (…) Hoje. o número de vezes que aparece em acontecimentos não desportivos. também. na Internet. maior será o número de camisolas vendidas com o seu nome (e o negócio das camisolas é hoje um importante negócio). o lugar dos futebolistas na sociedade também mudou. de cruéis desilusões. O que importa. responde às questões formuladas.

A crescente valorização social da beleza e da fama é directamente proporcional ao aumento do vazio de valores da sociedade actual. Noutros tempos. os jogadores de futebol eram já considerados ídolos e ocupavam um lugar de relevo na sociedade. 3. As transformações que os futebolistas sofreram nas últimas décadas relacionam-se directamente com as alterações operadas nos clubes. a favor do clube – dos seus cofres e do seu prestígio. 4. 80 pontos 15 20 15 30 II 1. os jogadores de futebol eram idolatrados.42 Caderno do Professor | Fichas de avaliação I 1. Diz se as afirmações que se seguem são verdadeiras (V) ou falsas (F). Redige. Identifica as funções sintácticas dos constituintes desta frase simples. 21) 3. tendo em conta o texto: a. os antecedentes dos vocábulos sublinhados no excerto que se segue: 70 pontos 20 P – Português. d. Os jogadores passaram a “activos”. uma frase complexa que dê conta da ideia-chave aí desenvolvida. 3.” (l. recorrendo a: a. uma conjunção subordinativa causal. 3. b. Transforma-as numa frase complexa.1. c. 20 fotocopiável . O “potencial mediático” é a capacidade que um jogador tem de exercer bem a sua profissão.2. 2. 3. Considera as duas frases simples: 15 Os clubes transformaram-se em empresas. Relaciona os tempos verbais predominantes nos dois primeiros parágrafos com a expressão temporal que os introduz. Identifica o facto da actualidade que esteve na origem desta crónica.1. 4. Há duas décadas. Identifica.1. b. O texto pode ser dividido em três partes lógicas. no texto. também. para cada uma delas. uma conjunção subordinativa temporal. 2. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor 15 “E tudo isso reverte. Delimita-as.

onde era jogado por rapazes estudantes. 2006-08-18] Disponível na www: <URL: http://www. [Consult. noutros países. Porto: Porto Editora. (texto adaptado e com supressões) 5 10 15 20 P – Português. o futebol é um desporto fortemente mediatizado e massificado. num texto de noventa e cinco a cento e dez palavras. surgiu a Federação Internacional de Futebol (FIFA).infopedia. que apoiam as respectivas equipas. que também passaram a organizar campeonatos. cada jogador ou treinador pode valer milhões. pela Universidade de Cambridge. Em 1904. como desporto de multidões que é. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor Total 200 pontos fotocopiável . (…) A partir de 1930. 2003-2006.pt/E1. A uniformização das suas regras passou. em 1843. Em termos económicos. (…) O jogo propagou-se a outros países. futebol. 50 pontos Futebol Modalidade desportiva que teve a sua origem em Inglaterra. (…) O futebol ultrapassou rapidamente o âmbito do terreno de jogo para ser dirigido por conhecidos empresários ou políticos. sendo um elemento cultural e social a que os estudiosos têm dedicado merecida atenção. e vinte anos depois pela fundação da Associação Inglesa de Futebol. com características comuns. constituído por duzentas e quinze palavras. Por outro lado. por volta de 1840. que se realizam de quatro em quatro anos. o futebol marca presença no imaginário colectivo contemporâneo. a FIFA tornou-se a entidade responsável pela realização dos Campeonatos do Mundo de futebol. numa primeira fase. Aos campos de futebol acorrem milhares de adeptos.jsp?id=45761>. embora se possam identificar jogos mais antigos. As equipas mais importantes são geridas à imagem e semelhança das grandes empresas. (…) Nos nossos dias. que estabeleceria as regras que hoje conhecemos.Ficha de avaliação – Módulo 3 43 III Resume o texto informativo a seguir transcrito. in Infopédia [Em linha]. que viria a uniformizar as regras do jogo a nível internacional.

Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor 25 30 35 fotocopiável 40 . uma sensação de desastre iminente. Dom Quixote. O namorado pediu-lhe um tempo para pensar. Sofia foi assaltada no Rio de Janeiro. Sofia encontrou o namorado. sabia dar conselhos. A seguir vá para casa. Hospedou-se no Copacabana Palace e logo nessa noite vestiu a mini-saia azul. mais raro ainda. afundou os olhos nas águas escuras. coitada!. Esta semana. Só existe uma maneira de enfrentar este terrível lugar-comum sem perder a dignidade: faça das tripas coração. Publ. O Evangelho Segundo a Serpente. Cortou o cabelo. Ou melhor. Só eu sei a falta que em certos dias. no aeroporto. e. De seguida. Telefonei-lhe há pouco para lhe perguntar se não tinha ficado com o telefone do assaltante. Comprou uma mini-saia azul. sem parecer nem um velho professor entediado nem um sedutor de telenovela. Além disso. a falta de imaginação. Faíza Hayat. muito respeitador. e atravessou a avenida com a intenção de se sentar um pouco na areia. o que é raro nos homens. não tem muita imaginação. moça. primeiro. e compreendeu que teria de tomar medidas radicais. e quando deu por isso estava a contar ao rapaz toda a sua tragédia íntima. com um enorme ramo de flores. que está apaixonada por outro. Fez com que ela se risse. recomendando-lhe mais cuidado quando. Comeu uma caixa inteira de chocolates. mas também de palhaços e de bailarinas. sorria. decidisse passear à noite pelas ruas de Copacabana. sussurrou: “A bolsa ou a vida. por exemplo. Na manhã seguinte. e nesse instante um jovem alto. bem iluminada. O assaltante. Ele ouviu-a com atenção. e foi sempre muito forte e determinada. com palpitações. Quando um homem nos pede um tempo para pensar é porque. rebentou ali mesmo num choro incontrolável. Não conhecia ninguém no Brasil. não?! Claro que conhecem. e depois já pensou em tudo. Pareceu-lhe a escolha acertada. Pediu duas semanas de férias e comprou um bilhete para o Rio de Janeiro. A minha irmã agradeceu as flores e pediu um tempo para pensar. porém. responde às questões formuladas.” O texto gasto. Foi o que a minha irmã fez. uma espécie de segunda mãe para a mais nova. moreno.” Convidou-a a tomar um chope. Sentou-se. Sabia ouvir. encostou-lhe uma faca à garganta: “A bolsa”. Sofia tem andado muito deprimida. Sofia é mais velha – nasceu cinco minutos antes de Alexandra. Gianni Versace. e diga-lhe que não precisa de pensar mais. 2006 (excerto) 5 10 15 20 P – Português. acordou ansiosa. feche-se no quarto e chore à vontade. Nunca tinha estado lá. não chegou a ser assaltada. sempre muito solícito. a meia voz. no futuro. A bolsa ou a vida Sofia e Alexandra. fez com que a minha pobre irmã se lembrasse do namorado e então. dá até azar. Mas aceitou um cafezinho numa esplanada a dois passos dali. aflito. Ao regressar a Lisboa. enfiou a faca num dos bolsos da bermuda e tentou consolá-la: “Não chore mais. como hoje. tinha um extraordinário sentido de humor. Chorou muito. confesse. a contemplar o mar. gémeas idênticas. Finalmente escoltou-a até ao hotel. Refreie a vontade de o esbofetear e despeça-se dele com um beijo na face.44 Ficha de avaliação – Módulo 4 Lê atentamente o texto. cheio de feras e de monstros. são filhas do primeiro casamento da minha mãe. Sofia achou que era demais – a cerveja. É como matar passarinho. Conhecem a frase. do Gianni Versace. Foi isso que a salvou. Mulher triste eu não assalto. com a certeza de que jamais a vestiria. com um brinco no nariz. Mostrou-lhe o seu próprio mundo – que era um inferno – como se fosse um grande circo. me faz um assaltante assim.

1. não?!” (l. Nunca tinha estado lá. 4) expressa: a. não desvende ao leitor a história que vai ser contada. sendo embora apelativo.1. o excerto que vai da linha 11 (“Foi o que a minha irmã fez. Na terceira linha do texto.”). 17). Indica o antecedente do termo anafórico “lá” (l. Esclarece por que razão o Brasil pareceu a Sofia a “escolha acertada. Transforma as três frases simples seguintes numa frase complexa. O teu texto. fotocopiável 50 pontos Total 200 pontos . deve ser narrativo. 80 pontos 15 15 10 10 10 10 10 II 1. 3. reformular o seu discurso. 4. recorrendo a conectores que respeitem o sentido das frases no contexto: “Não conhecia ninguém no Brasil. 3. 3.”) até à linha 36 (“(…) pelas ruas de Copacabana. 5. 1. 2.” (ll. b. Explica o que é que.Ficha de avaliação – Módulo 4 45 I 1. Justifica o recurso sistemático ao modo conjuntivo com valor imperativo na passagem que vai desde “Conhecem a frase. Passa para o discurso indirecto a fala do assaltante (ll. 3. o narrador utiliza a expressão “Ou melhor” para: a. 16).” (l. (“Sofia e Alexandra (…) para pensar. 11). Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor 10 10 15 15 III Imagina uma pequena história que surpreenda o leitor pelo insólito dos acontecimentos relatados. com recurso à descrição e ao diálogo.2. 3. 25-26). Explica a funcionalidade deste excerto em relação à história que é contada.3. 16-17). 70 pontos 10 10 P – Português. Enumera as características que Sofia encontrou no assaltante que o distinguiam dos outros homens. lhe fez lembrar o namorado. exprimir a confirmação da ideia expressa anteriormente. e os verbos devem estar predominantemente no pretérito perfeito e no pretérito imperfeito. uma situação que se repete regularmente durante um determinado período de tempo. 5. articula ideias opostas. 1-5)). Considera.” (ll. O conector “porém” (l. a pontualidade da acção narrada. Pareceu-lhe a escolha acertada. O complexo verbal “tem andado” (l. 5) até “(…) e chore à vontade. 13): a. 2. agora. 4. 6. b. Propõe um outro título para o texto que. no momento do assalto. introduz uma conclusão em relação à ideia principal. b. Comenta a atitude de Sofia em relação ao namorado que a foi esperar ao aeroporto.” (l. que deverá ter entre cento e cinquenta e duzentas palavras. Atenta nos seis primeiros períodos.

2. Sr. Para conseguir alcançar este desiderato a exploração terá de “atingir a não-criação de 40 000 porcos. predicado – compreende a economia. 2./A tensão entre ambos era de cortar à faca. 30-31). ajudando. venho requerer a V. a combater o desemprego (Cf. 2. John Do. A formalidade da carta é evidente.1. a decisão de iniciar a actividade de não-criação de porcos nasceu da constatação do êxito de um amigo nessa actividade e. Nenhuma actividade do mundo entende/percebe a economia. Hipóteses possíveis: a. Por exemplo: “Garantimos/prometemos que…”. com ar saudável. 4.4. vestida. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor . um computador portátil à segunda que o olha com um ar que transmite um misto de espanto e de desconfiança. Segundo o emissor da carta. Hipóteses possíveis: A economia contém/abrange/inclui toda a actividade do mundo. em simultâneo.1.46 Soluções das fichas de avaliação Ficha de avaliação – Módulo I 1. coisas que ela nem fazia ideia que existiam e da crítica que é feita a estas palavras através das imagens que aparecem no monitor do computador – pão e bife. Local e data Assinatura do Requerente P – Português.” B. através da Internet. A personagem ocidental expõe à outra a importância do acesso à Internet pelos países pobres. desta forma. desta forma.1. decide levá-la aos limites do absurdo. Sujeito – Nenhuma actividade do mundo. Uma proposta: No cartoon podemos ver duas personagens: uma representando a cultura ocidental. com ar satisfeito. complemento directo – a economia. partindo de uma situação económica real – o facto de o governo ter resolvido limitar a produção de porcos. contribuir para o progresso e engrandecimento do nosso país. na ajuda que se presta a povos mais necessitados. abaixo-assinado. ll.. morador no Texas. Pede deferimento. Uma proposta: REQUERIMENTO Exmo. Há uma crítica evidente do cartoonista ao facto de. vestida apenas com uma tanga e extremamente magra.3. gostaria de começar quanto antes. não haver o discernimento de começar pelas necessidades básicas. b.2.. do desejo de contribuir para o desenvolvimento da região através da criação de postos de trabalho.”). 1 5. calçada e usando gravata. a primeira mostra. Proposta: “Ficar-te-ei extraordinariamente reconhecido se me responderes o mais rapidamente possível porquanto julgo que esta época do ano será a melhor para a não-criação de porcos e. 4. ou A minha tensão arterial está um pouco alta.a que se digne informar quais são as regiões mais apropriadas para a não-criação de porcos e qual a melhor raça para não criar. 12-20). o que (…) daria um lucro de 80 000 dólares” (ll. sobretudo nas formas de tratamento honorífico utilizadas quer na fórmula de interpelação (“Excelentíssimo Senhor Ministro. Os estatutos da organização não estão a ser cumpridos. Num ambiente de deserto. muitas vezes.a Ex. outra representando a cultura africana. 2. 2. Repare-se nas palavras da personagem ocidental que tenta mostrar à outra como vai ser importante ser capaz de passar a conhecer. através do relato de um caso extremo e absurdo. III A. 3. receber os protestos da minha maior consideração./ No Verão os dias são mais compridos do que no Inverno.”) e na fórmula de despedida (“Queira V. [185 palavras] II 1. O humor desta carta reside no carácter surreal de toda a proposta que é feita pelo remetente que. A função crítica deste cartoon reside na ideia da contradição presente entre ‘as boas intenções’ e o valor real que estas podem ter em determinados contextos. Senhor Ministro. Faço tenção de ir ao cinema logo. etc. quer no corpo da carta (Senhor Ministro). por isso. A carta apresentada vem ilustrar a opinião do autor acerca do desfasamento entre a economia e a realidade. Resposta b. complemento do nome – do mundo. 2. em representação de um grupo de agricultores que pretende implementar o negócio de não-criação de porcos e. Ministro da Agricultura Eu. Exa. subsidiando os produtores que não os criassem –.

que funciona como uma espécie de refrão. isto é. A primeira estrofe esclarece o título do poema já que. 18. 1). 4)) são utilizados ao serviço do grito de incitamento dirigido à “Mãe” (v. 1)) e o modo imperativo (“Lembra-te” (v. no título. b. não resistindo. 4). a fuga é a única salvação. d. Quanto à métrica. 9)” estabelece uma comparação. explicita o sujeito que.1.” Esta metáfora remete-nos directamente para a força de um “povo” que resiste e se levanta sempre face ao poder avassalador daqueles que o querem “jugular” (v.” 2. 1) … assi (v. O valor desta metáfora sai ainda reforçado pela presença do articulador adversativo “mas” (v. P – Português. 3. nação. “Só [passariam] mesmo se” 3. A anáfora consiste na repetição da locução “Só mesmo se” no início dos versos 7.2. Na última estrofe.1. O título configura uma espécie de grito de resistência face a um sujeito plural mas indeterminado. a fugir da sua amada para não voltar a perder-se. A primeira parte é constituída pelas quadras e a segunda pelos tercetos. vv. o sujeito poético deixa claro que. 23). independentemente da “fúria da agressão” (v. V.4. a rima é emparelhada e interpolada nas quadras e interpolada nos tercetos. É possível estabelecer uma correspondência directa entre os versos 17/18 e os versos 19/20: a “seara” que “arde” é a “nação” cujos filhos “morrem”. isto é.2. a. O modo conjuntivo é exigido pela locução conjuntiva condicional e coloca uma hipótese que se torna longínqua por aparecer aliada à locução “Só mesmo se”. 5-7). o marinheiro manifesta medo em relação ao mar (Cf.2. 3. evidencia-se que a ambição é mais forte do que o medo do marinheiro. O uso da maiúscula na apóstrofe “Mãe!” remete para o uso metafórico deste nome. F. V. a medida do verso é o decassílabo. 3. O modo conjuntivo com valor imperativo (“Não desesperes” (v. 19. 5. O esquema rimático é abba abba cde cde. O poema é um soneto e. 20)).1. Uma vez que a sua contemplação (da tempestade/da amada) provoca medo. O facto da actualidade que esteve na origem desta crónica é a transformação dos jogadores de futebol em estrelas mediáticas.2. Hipóteses possíveis: a não ser que/a menos que/salvo se. 22). Na primeira quadra. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor Ficha de avaliação 2 – Módulo I 2 1. portanto. pois obriga-o a voltar ao mar. 9). “ausento-me da vossa presença a fim de me salvar”. 4. Ambos (marinheiro e eu lírico) prometem não voltar a cair noutra. 2. no segundo. por um lado.2.3. Ao marinheiro do primeiro termo de comparação corresponde o eu lírico.1. Trata-se dos versos 7 e 8: “(…) mas vai. e um ritmo mais rápido conferido pelos sucessivos encavalgamentos.3. 3.1. por outro. 23) o povo não conseguirão o seu objectivo já que “a terra inteira” assumiu como seu o grito “Não passarão!” 6. 17) e pela antítese (“Arde (…) / Nasce (…) / Morrem / Não morre” (vv. e repetindo o mesmo erro. a. que criam um efeito de coesão entre os versos. 2. c. A locução subordinativa “Como (v. 12 e 14. F. 1. 2. identifica o emissor do grito “Não passarão!” (a Ficha de avaliação – Módulo I 3 1. Através da conjunção coordenativa adversativa “mas”. 2. No verso 11. Trata-se dos nomes “nação” e “povo”. “As forças que (…) querem jugular” (v. 3. a capacidade regeneradora “dum simples grão” a partir do qual “Nasce o trigal de novo. 2. porém. O uso do futuro do indicativo transmite-nos a certeza do sujeito poético relativamente à realização da acção expressa pelo verbo que é negada pelo advérbio “não”. a vista da amada é comparada à tempestade.3.2. 5.1. é constituído por duas quadras e dois tercetos. aparecia indeterminado: os “heróis que o não são. forçado/pelo muito interesse cobiçoso”. 1.3. Mãe será sinónimo de pátria. Na segunda quadra dá-se conta de que o marinheiro “jura” não voltar ao mar nem mesmo quando este estiver calmo (Cf. O ritmo do poema alterna entre as pausas marcadas pela repetição da expressão “Não passarão!”.Soluções das fichas de avaliação 47 Ficha de avaliação 1 – Módulo I 2 “Mãe”) e. o sujeito poético afirma ter-se comprometido a não repetir os erros do passado. 17. 9. 4. 2.1.1. .” (v. v. 4. O interlocutor do sujeito lírico é identificado através de uma apóstrofe: “Senhora. 3.

a terceira compreende os cinco últimos parágrafos. a segunda vai desde “Hoje…” (l. O Brasil pareceu-lhe “a escolha acertada. e perante o recuo do namorado que parecia querer retomar a relação. o antecedente de “seus” e “seu” é “clube”. Acrescentou que não assaltava mulher triste porque dava até azar e que era como matar passarinho. 3. Por exemplo: a. 5. falta de imaginação. Entretanto. “sabia dar conselhos” e “tinha um extraordinário sentido de humor”.” porque lá não conhecia ninguém. Por outro lado. os futebolistas não tinham de ter grande preocupação com a imagem. 27). A primeira parte é constituída pelos dois primeiros parágrafos. 2. aflito. Por exemplo: “Um tempo para pensar”. b. predicado – eram idolatrados. Neste excerto inicial ficamos a conhecer algumas características da personagem principal da história – Sofia – e aquilo que se estava a passar com ela. Deduz-se.1. uma situação que se repete regularmente durante um determinado período de tempo. Ficha de avaliação – Módulo I 4 1. 3. talvez. assim. o futebol é um desporto de massas que vale milhões e as equipas são empresas dirigidas por empresários e políticos. ambas.2. a FIFA que uniformizou as suas regras internacionalmente e que. b. Sofia terá. o tempo verbal predominante é o pretérito imperfeito do indicativo já que a referida expressão implica um relato em que se dá conta do aspecto durativo da acção. pareceu-lhe a escolha acertada. decide “pedir um tempo”.1. A partir de certa altura. ao contrário da generalidade dos homens. o futebol transformou-se num fenómeno cultural e social muito estudado. [95 palavras] II P – Português. o narrador dá uma série de conselhos à(s) leitora(s) que venha(m) a passar por uma situação semelhante àquela em que Sofia se encontra. o futebol desenvolveu-se noutros países. Hoje. III Proposta de resumo: O futebol nasceu em Inglaterra. que Sofia queria estar sozinha. por isso. b. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor 1. 3. articula ideias opostas. Durante a conversa com o assaltante. “Assalte-me. 2. “sabia ouvir”. Sofia parece ter aprendido uma lição com o assaltante de Copacabana: ao regressar. As regras a que hoje obedece foram uniformizadas em 1863 pela Associação Inglesa de Futebol.” 6. desde 1930.1.” (l. os acontecimentos anteriores à história que vai ser narrada. a. embora fossem já idolatrados. cerca de 1840. Daí o uso do modo conjuntivo com valor imperativo. portanto. Primeira parte – Há vinte anos. O antecedente do termo anafórico “lá” é “no Brasil”. Os jogadores passaram a “activos” quando os clubes se transformaram em empresas. organiza os Campeonatos do Mundo. 4. 5.2. 3. predicativo do sujeito – idolatrados. Segunda parte – Actualmente. Por exemplo: “Não conhecia ninguém no Brasil já que nunca tinha estado lá e. sujeito – os jogadores de futebol. percebido que o namorado não era bem aquilo que ela queria. 7) até “… abriram-se-lhes.1. surgindo. devido à sua massificação. Aquilo que no assaltante fez lembrar a Sofia o namorado foi o facto de a frase que ele utilizou para a abordar ser tão vulgar nesta situação como aquela que o namorado utilizou para acabar com o namoro. Hipótese possível: O assaltante. embora as suas características possam ser encontradas anteriormente. modificador do nome restritivo – de futebol. 3. Terceira parte – A transformação dos jogadores em estrelas mediáticas tem a ver com o vazio de valores da sociedade ocidental na qual a preocupação com a fama e o dinheiro veio criar um mundo irreal. o “potencial mediático” dos jogadores é fundamental para os seus clubes que se transformaram em verdadeiras empresas. 3. enfiou a faca num dos bolsos da bermuda e tentou consolar a moça dizendo-lhe que não chorasse mais. Modificador do grupo verbal – Noutros tempos. ou seja. O assaltante. 4. por favor!”. Os jogadores passaram a “activos” porque os clubes se transformaram em empresas. A primeira parte do texto é introduzida pela expressão temporal “Há vinte anos” e. 4.3. em 1904. . reformular o seu discurso. 2.… II 1.48 Caderno do Professor | Soluções das fichas de avaliação 3. “tudo isso” reporta-se aos factos narrados no parágrafo anterior. revelando.

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