Ensino Profissional · Nível 3

PORTUGUÊS
Textos de carácter autobiográfico Módulo1 Textos expressivos e criativos e textos poéticos Módulo2 Textos dos media I Módulo3 Textos narrativos / descritivos I Módulo4
Olga Magalhães | Fernanda Costa

Módulos
1|2|3|4

CADERNO DO PROFESSOR
Resolução das actividades do manual Fichas de avaliação (com soluções)

P

2

Módulo

1

Textos de carácter autobiográfico

| Textos | 1
Antes de ler [pág. 17] 1. O cartoon representa um sonho de um funcionário de uma
repartição – nome dado aos locais onde funcionam secções de determinados serviços, muitas vezes ligados ao Estado. Nos diversos momentos do sonho, o funcionário vê-se a si próprio a atender diversos utentes sempre com uma atitude de grande simpatia e disponibilidade que se reflecte quer no sorriso omnipresente quer na forma como se vai dirigindo a cada um deles. A maneira como cumprimenta a primeira personagem ou se despede da última, a solicitude que apresenta perante todas as outras são exemplo da humanização que é tão pouco vulgar neste tipo de locais, cujo atendimento é, por norma, frio e impessoal. Quando acorda, com um ar visivelmente assustado, o funcionário refere-se ao sonho como um ‘pesadelo’, através de um acto ilocutório profundamente expressivo. É nesta última vinheta que melhor se evidencia a função crítica deste cartoon: aquilo que para os utentes seria, de facto, um ‘sonho’, é, para o funcionário que os atende, um pesadelo. 2. Esta ‘definição’ corresponde à ideia generalizada de burocracia: o cliente que vai sendo empurrado de guichet em guichet. A mensagem deste texto opõe-se à ideia transmitida no sonho/pesadelo do funcionário público do cartoon de Luís Afonso.

2.1.
avaliado(a); analisado(a) em detalhe; afastamento, omissão; relato sumário da sucessão de factos que marcam cultural e profissionalmente a carreira de uma pessoa; mais do que a capacidade de ler e escrever, é entendida como a capacidade de compreender e usar a informação escrita nas actividades do quotidiano; inevitável, que tem de ser tido em conta. c. d. e.

a. b.

3. 1.a parte – do ponto 1 ao 7; 2.a parte – a partir de “Por isso”. 3.1. O conector “Por isso”, que articula as duas partes referidas, tem um valor consecutivo (indica que o que se segue é consequência do que atrás foi exposto). 4. Por exemplo: Por isso, nos termos constitucionais e regimentais, venho requerer à Senhora Ministra da Educação que: – explicite os critérios científicos ou outros que servem de base ao “apagamento” (…) que frequentam o 5.° ou 6.° anos de escolaridade; – informe se obras como (…) chegaram a ser equacionadas no processo de selecção levado a cabo; – disponibilize a listagem de todas as obras e todos os autores “avaliados” e torne públicas as justificações que levaram à exclusão daqueles que foram afastados da listagem dos “recomendados”; – divulgue o curriculum (…) para o Plano Nacional de Leitura. 5.1. Os pedidos do requerente não podem ser considerados completamente satisfeitos, pois aí não se encontra esclarecido o solicitado nos pontos 2. e 3. do requerimento e a resposta ao ponto 4. é vaga.

Compreender [pág. 19] 1.1. “(…) comprometemo-nos em coordenar as nossas políticas (…); “(…) Com isto, comprometemo-nos a atingir estes objectivos (…)”
2. A nota deveria ser introduzida no texto a seguir a ECTS (quarto parágrafo, ponto 3). 3.1. Nos três primeiros parágrafos da declaração, evidencia-se a evolução do processo europeu nos últimos anos, salienta-se que a Europa do conhecimento é um factor fundamental para o enriquecimento da cidadania europeia e reconhece-se ser da máxima importância que as universidades europeias se ajustem às novas exigências. 4. A afirmação falsa é a b. – a Declaração de Bolonha pretende incentivar, também, a mobilidade de professores, investigadores e pessoal administrativo (no reconhecimento e na valorização dos períodos passados num contexto europeu de investigação, de ensino e de formação, sem prejuízo dos seus direitos estatutários).

| Textos | 2
Antes de ler
[pág. 23]

P – Português, Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor

Compreender

[págs. 21-22]

1. O destinatário é o Presidente da Assembleia da República, o requerente é o deputado do Grupo Parlamentar do PSD, Adão Silva, e o assunto é o Plano Nacional de Leitura.
2007

1. Na BD assistimos à história de uma personagem masculina que se encontra dentro de um bar e que, depois de olhar apaixonadamente para a foto de uma mulher (Maria), decide escrever-lhe uma carta de amor para a qual vai fazendo e recusando vários rascunhos. No momento em que se encontrava concentrado em mais uma tentativa, vê, estupefacto, Maria passar abraçada a outro homem. Na última vinheta vemos a personagem feminina a ler a carta que acaba por receber: em vez de uma carta de amor, recebe um conjunto de insultos e impropérios.
ISBN 978-972-0-91247-3

Este livro foi produzido na unidade industrial do Bloco Gráfico, Lda., cujo Sistema de Gestão Ambiental está certificado pela APCER, com o n.° 2006/AMB.258
Produção de livros escolares e não escolares e outros materiais impressos.

Módulo 1 Textos de carácter autobiográfico

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Compreender

[pág. 25]

1. banalização: vulgarização; omnipresença: ubiquidade; trivialidades : banalidades; grilheta : prisão; sequestrado : enclausurado; distendido: dilatado; fustigadas: flageladas; desfalecendo: desmaiando. 2.1. A nota explicativa seria inserida a seguir à seguinte passagem: “usando um direito inalienável de autodeterminação” (l. 7). 3. À medida que o telemóvel se foi vulgarizando, foi criando a fantasia de que “o outro” está sempre ‘presente’ e disponível; o facto de o contacto não ser estabelecido ou de não haver uma resposta imediata do outro lado causa sofrimento. 4. As “trivialidades” são as seguintes: ficar sem bateria ou sem rede ou desligar o telemóvel. 5. Afirmação b..

hierarquia (administradores das roças/Governador). A carta B é uma carta particular, dirigida por Luís Bernardo ao seu amigo João (Cf. fórmulas de tratamento e de despedida) e o assunto é de índole pessoal – sentindo-se só e infeliz, Luís Bernardo faz um pedido desesperado ao amigo para que o venha visitar. 2.2.1. Hipótese de carta:
Querido amigo Luís, Estou a responder-te logo após ter recebido a tua carta que me deixou deveras preocupado. Não imaginava que te encontrasses tão profundamente deprimido. Nada nas tuas cartas anteriores fazia antever tal situação. Creio, porém, que estarás a exagerar e que, quando receberes esta missiva, já te encontrarás, certamente, de melhor humor. Infelizmente não vou poder aceder ao teu pedido: não me é possível ir a S. Tomé este Verão, pois o trabalho no escritório não mo permite: vou ter apenas uma semana de férias e tenho já hotel reservado na Praia da Granja. Este último facto não seria grave e tudo se poderia arranjar se não fosse a distância: é que uma semana de férias não dá sequer para aí chegar. Vou fazer os possíveis para te visitar no Natal. Nessa altura penso que o trabalho terá acalmado e que disporei de mais tempo para poder empreender tão longa viagem. Até lá, aguenta-te, amigo! Sabes que, em pensamento, estou a teu lado e lembra-te da importante missão que aí estás a cumprir. Um grande abraço cheio de saudades deste teu amigo (que não se perdoa por não poder ir a correr ao teu encontro), João

Funcionamento da língua

[págs. 25-26]

1.1. SMS – Short Message Service; MMS – Multimedia Messaging Service; PC – Personal Computer; CD – Compact Disk; WWW – World Wide Web. 2.1. Mail e messenger. 3.1. correspondência – mails, SMS, carta, postal dos correios (diferentes tipos de correspondência). 3.2. telegrama, encomenda, vale postal, fax, bilhete, memorando, nota. 3.3. Epístola, missiva. 4.1.1. A segunda oração da frase – “para avaliar o impacto de um amor” – é uma oração não finita infinitiva com valor final.
P – Português, Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor

4.1.2. Sujeito nulo indeterminado; predicado – avaliar o impacto de um amor; complemento directo – o impacto de um amor; complemento do nome – de um amor. 4.2. Exemplo: Os segundos de resposta são contabilizados pelos amantes.

| Textos | 3
Antes de ler
[pág. 28]

2. Personagens: Sandra, Xana, Jonas Machibundo, Paulo, Deolinda, Fragoso; Lugares: Moçambique; Tempo: Natal.

Oficina de escrita

[pág. 27]

2.1. Na carta A o destinatário é tratado por “Excelentíssimo Senhor ”, “Vossa(s) Excelência(s)”; trata-se de uma carta dirigida aos administradores das roças de S. Tomé e Príncipe pelo Governador das ilhas, o emissor, que assina com o nome completo – Luís Bernardo Valença. É uma carta formal adequada ao assunto em questão – a visita de um inglês às roças para, a mando do seu governo e do governo português, verificar as condições de trabalho dos trabalhadores – e às relações de

Compreender

[págs. 29-30]

1.1. e 1.2. O destinatário é Sandra, mulher do remetente, já falecida (“Não sei se ainda estavas viva quando…” (ll. 6-7)). A relação entre ambos é esclarecida, por exemplo, através das formas de tratamento (“querida”), pela evidente cumplicidade nascida da partilha da vida (“Porque os jovens, tu sabes…” (ll. 14-15), “…e subitamente exististe nesse sorriso. Eras tu, querida, eu nunca… dela.” (ll. 22-23)), etc.

4

Caderno do Professor | Resolução das actividades do manual

1.3.1. Xana seria filha do remetente e de Sandra. Tem um filho pequeno (Paulo) e vive longe do pai. Depois de se separar do companheiro (pai do filho) vai agora casar com um homem “bastante mais velho”. Tem um sorriso parecido com o da mãe. 1.3.2. A relação com o pai não parece muito próxima: telefona (raramente) e escreve (“telegraficamente”), passou dois dias no Natal com o pai, mas ele nunca lhe conheceu o companheiro. 1.4.1. “Porque os jovens (…) têm uma grande incompreensão do sentido do casamento.” (ll. 14-15). Com esta reflexão o remetente expressa aquilo que lhe parece ser a forma leviana como os jovens encaram o casamento. 1.4.2. “Sorriso breve, o ar absorto…” (ll. 23-24). 1.5. O que o pai de Xana lhe está a dizer com a resposta que dá é que aquilo que a faz feliz a ela, mesmo que seja algo com que ele não esteja completamente de acordo, também o faz feliz a ele.

| Textos | 5
Antes de ler
[pág. 35]

1.1. Lembrança, recordação, fama, por exemplo. 1.2. Exemplos: “Não há memória de uma história assim.”; “Este monumento foi erigido em memória do nosso primeiro rei.”; “D. Dinis, rei de boa memória, foi também um grande poeta.” 2. Podemos falar, em relação a este texto, de duas acepções da palavra memória: nos dois primeiros parágrafos, as duas referências à memória (ll. 2 e 6) enquadram-se no sentido 1. do verbete (função geral de conservação de experiência anterior, que se manifesta por hábitos ou por lembranças); podemos, também, reportar-nos ao sentido 9. do verbete [memória (pl.) – escrito narrativo em que se compilam factos presenciados pelo autor ou em que este tomou parte].

Funcionamento da língua

[pág. 30]

1.1. Por exemplo: – Conta – disse-lhe eu. E ela contou: – Vou-me casar. – Casar? – duvidei eu na minha estupefacção. – Vou-me casar com um tipo que talvez conheças de nome, o Fragoso, professor de… – confirmou ela. – Não estás contente? – Estou contente – disse-lhe eu olhando o miúdo que tinha um olhar mudo e espantado para nós –, se tu também estás.
■ ■

Compreender

[págs. 36-37]

1.1. Sendo embora ambos os tipos de texto exemplos de escrita autobiográfica, enquanto que a escrita das memórias é, normalmente, muito posterior aos acontecimentos narrados pelo seu autor ou em que este participou, o registo do diário é, geralmente, quase simultâneo aos factos narrados que são, por norma, datados. 2.1. Marcas da primeira pessoa: formas verbais – acho, sou, comecei, Tenho, acabamos (pl.), sei, sou, tenha, tenho, desejaria, temos (pl.), quero, nasci, vim, conheci…; determinantes possessivos – minhas (obsessões, avós, tias), nossa (individualidade) minha (vida, juventude, mãe), meu (tempo); pronomes pessoais – mim, me, nos (pl.), Eu. 3.2. Os três grandes factos que marcaram a vida do autor são: a falência das profecias (3.° §), a cada vez maior participação das pessoas na sociedade (4.° e 5.° §) e a entrada das mulheres na História (6.° §). 4. 1.-c.; 2.-f.; 3.-a.; 4.-d. 5.1. Por exemplo: certeza – “Eu não tenho dúvidas: quando nasci, (…) não tinham ainda entrado na história.” (ll. 44-45); incerteza: “Por isso me parece que a nossa individualidade é talvez o bem mais precioso que temos.” (ll. 10-11).
P – Português, Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor

2.1. Exemplos: Prometo que vou aí no Natal. Quem me dera / Adoraria ir aí no Natal!

3.1. apareceu, preparou, ajudou, estremeceu, chegou, perguntei, foi, voltou, disse, contou, duvidei. 3.2.1. “Ela dissera-me tenho uma novidade para te dar…”
(l. 11)

3.2.2. O pretérito mais-que-perfeito exprime uma acção que teve lugar antes de outra acção já passada.

| Textos | 4
Compreender
[pág. 33]

1. O excerto de diário aqui apresentado, pelo seu carácter ficcionado e lírico, não corresponde a uma realidade estritamente factual mas a uma espécie de “fingimento” dessa realidade. Daí a escolha de “imitação dos dias”.

5.2. Hipótese: “Garanto que / Estou convencido que / Estou seguro que, etc., estes futurólogos, alguns reconhecidamente inteligentes, estavam apanhados pelo espírito do tempo, uma espécie de vírus que apanha indiferentemente o inteligente e o estúpido.”

fotografia… 3. O valor contextual dos dois “como” é substancialmente diferente.” (ll..” Ficha formativa [págs. Marcas do remetente – o uso da primeira pessoa presente nas formas verbais “tenho” e “tive” e no pronome pessoal “me”. graficamente. uma vez que… 2. biografista. P – Português. gráfica.” (ll. a. “O principal tem sido mondar* isto de adjectivos supérfluos.3. biografado. grafia. serigrafia. e 3. Por exemplo: “Recordo com emoção todos os concertos a que assisti no ano passado.”. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor . enquanto que o pretérito imperfeito salienta o aspecto durativo da acção.2. “Vais ver que é uma coisa de uma simplicidade imensa – a gente deita-se e eles nascem. b. Presente do indicativo – tenho. paleografia. 18-19) 3. evidencia que o mais difícil tem sido ser capaz de simplificar a sua escrita de forma a deixar ficar só “o essencial”. já que. Nestes dois parágrafos o remetente fala de dois assuntos: da forma custosa como tem progredido a história que está a escrever e do nascimento do bebé que “se aproxima a passos largos!”. grafonia. 2. grafar. grafismo.. Acto ilocutório expressivo. grafema… biografia. b. via. biografar. Trata-se da comparação: “(…) que me deixa desamparado como se me faltasse uma perna. grafómetro.2.Módulo 1 Textos de carácter autobiográfico 5 Funcionamento da língua [págs.1. “Aquele rapaz não tem cabeça: passa o tempo a fazer disparates!” 4.”.1. ouvia. Por exemplo: “(…) chego à hora de jantar cheio de dores de cabeça por levar o dia a penar na prosa.1. Acto ilocutório compromissivo. No excerto a.. falando do trabalho que lhe tem dado a história que está a escrever. epistolografia. marcas do destinatário – o pronome possessivo “tuas”. Porque.1. a sua extensão temporal.2. Penélope Cruz volta a ser cabeça de cartaz. grafológico. visto que. 3. 3. xilografia. pois enquanto o primeiro estabelece uma comparação (é uma conjunção subordinativa comparativa). 37-38] 1. Dois exemplos possíveis: “No último filme de Almodóvar. discografia. 2. o presente do indicativo marca que o momento/tempo em que se situa o sujeito da enunciação coincide/é simultâneo com o momento/tempo em que se situam os factos narrados. filmografia. “Caso se possa mandar daqui ou do Chiúme …” 2. biográfico.1. biógrafo. “Os consertos de calçado estão mais caros de dia para dia. autobiografia.” (ll. grafologia.” 2. “Se se puder mandar daqui ou do Chiúme encomendas registadas. a. o segundo remete para uma ideia de causalidade (é uma conjunção subordinativa causal (= porque. 41-43] I 1. 1.” 2..1. pretérito perfeito do indicativo – nasci. já que)). pretérito mais-que-perfeito composto do indicativo – tinham entrado. envio-te logo o primeiro caderno. 14-15) II 1. a narração projecta-se apenas em factos passados e os tempos utilizados exprimem realidades temporais diferentes: o pretérito perfeito evidencia uma acção passada com carácter pontual.3. 1.1. fotobiografia. o pretérito mais-que-perfeito assinala uma acção anterior a outra também passada expressa pelo pretérito perfeito.2. xenografia.1. Pretérito perfeito do indicativo – vim. sacudir a árvore para só ficar o essencial.2. gráfico.1. No excerto b. a. 13-14) b. pretérito imperfeito do indicativo – estava. comprava. Através desta metáfora o remetente.

Sebastião atribui a Camões uma tença de 15$000. entre eles Diogo do Couto. em geral. sem letreiro. “Ora «a gente surda e endurecida» (…) ‘o favor com que mais se acende o engenho’. a atenção e o “amor”que . Estalou briga rija.” (ll.” P – Português. Ed. nas páginas 42 a 55. mas não há qualquer registo que prove a sua passagem oficial pela Universidade. numa altura em que se nos impõem meios de comunicação extremamente diversificados. O enterro é pago pela Companhia dos Cortesãos. o seu autor pergunta-se se uma “pátria” que tão mal tratou Camões e que ele tanto criticou terá o direito de se apropriar do seu nome para celebrar o 10 de Junho (Dia de Portugal. Caminho.” (ll. Luís de Camões acudiu em defesa dos mascarados seus amigos. ao longo do texto (Cf. Nestes versos da estrofe 145 do Canto X de Os Lusíadas. ll.”). Camões critica os portugueses (“gente surda e endurecida. este país foi sempre terreno fértil. pagam-lhe uma dívida e a passagem. na Rua de S. 1567: Camões em Moçambique. 48] 1. Chega a Goa em princípio de Setembro. em particular. António Borges Coelho.” (ll. depois de mortas. dão-lhe de comer e de vestir. 1553: Por carta de 7/3/1553. eficazes e sedutores. Compreender [pág. “Camões pertence apenas a alguns poetas. INIC. a sua lírica aponta uma estada em Coimbra. hoje toda a gente quer fazer a sua experiência de escrita). apagada e vil tristeza. 2) para isso. Antão. o rei D.” Camões observa o seu país e. rasgando com a espada uma ferida no pescoço de Gonçalo Borges. Antes de 1550. Fica sepultado em campa rasa. não lhes dando. Dinamene morre nas águas. publicado em Cadernos de Literatura. quer destinada à gaveta e solitária (o que é aliás um reflexo da ‘massificação’ da produção literária. de Camões e das Comunidades Portuguesas). vendo-o no mais espantoso abatimento. Os amigos. A pergunta do título repete-se. é. “Didáctica do texto poético”. observando as peças uma a uma). 8-9). 1981. creio que teria ainda interesse o professor fazer com os alunos uma breve reflexão de natureza histórico-cultural e sociológica sobre dois aspectos: o pendor lírico do temperamento português. relativamente ao texto poético. Salva-se a ele e ao poema numa tábua. Proposta de roteiro cronológico: 1524/1525: Nasce Luís de Camões quase certamente em Lisboa. não pode deixar de evidenciar o seu desespero.. ou seja. 1575: D. desmontando-o.1. 14-16). como agente de sedução capaz de 'prender' o aluno. A indignação do autor nasce da constatação do triste hábito português de só se valorizarem as pessoas. 1980 (adaptado) merecem. 1569: Embarca para Lisboa. Essa ‘desconstrução’. in Camões 1. número 10. e a enorme produção de poesia lírica do nosso tempo. e os nossos escritores. | Textos | 2 Observação: Sobre o ensino da poesia. Luís de Camões poderá ter aprendido as primeiras letras numa das 40 escolas lisboetas de ensinar meninos. realiza-se através do comentário de textos e através de informações teóricas sobre o fenómeno a que a crítica recente dá o nome de ‘poeticidade’ (ou seja. e a consequente riqueza em poesia lírica da nossa literatura. portanto: 1) revelar esse texto como 'armadilha amorosa' (Barthes). um dos métodos que julgo pertinentes é ajudar o aluno a ver como funciona o texto poético (tal como uma criança gosta de ver como funciona um brinquedo e o adolescente um aparelho. Embarca nesse mesmo mês para a Índia. O poeta perde tudo. Neste primeiro período da sua vida. se essa nobreza for a do espírito. e mesmo como funciona o acto poético. 16-19). quando Gonçalo Borges passeava a cavalo no Rossio. Centro de Literatura Portuguesa da Universidade de Coimbra. 4-6). do qual seleccionámos o seguinte excerto: “O trabalho do professor. em vida. da parte de fora do mosteiro de Santa Ana. O poeta é encarcerado no Tronco da cidade. e 1. 2. 1580: Morre a 10 de Junho. reconhecendo que não é a “pátria” que o inspira pois esta “… está metida / No gosto da cobiça e da rudeza / De uma austera. A título parentético. entre outras.1. 1552: Está em Lisboa. que nada tem de destruição do texto. defronte das casas de Pêro Vaz. foi zombado. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor 2. João III perdoa-lhe.2. Cf. aconselhamos a (re)leitura do excelente artigo de Clara Crabbé Rocha. por dois mascarados. 47-48] 1. quer publicada. Através dessas questões. o quid que faz com que um texto seja poético).6 Módulo 2 Textos expressivos e criativos e textos poéticos Camões lírico | Textos | 1 Antes de ler [págs. No dia de Corpus Christi. 1572: Publicação de Os Lusíadas em Lisboa. as seguintes passagens: “…em matéria de indiferença pelos mais nobres dos seus filhos. pois mais ninguém neste país o soube merecer. 1558: Data provável do naufrágio no Cambodja. sob outras formas.

relemos. Compreender [pág.1.3. 52] 2. 49] [pág. Ed. em geral. subtil mas evidente. O Nascimento de Vénus Tema: O quadro representa o nascimento de Vénus Anadiomede. As cores frias e claras. O paralelismo está presente na repetição da mesma estrutura frásica nos dois primeiros versos. 50] 1. (in A Grande História da Arte. São conceitos distintos. Comparar Antes de ler [pág. a perna na mesma posição. Exclusividade do objecto do amor A – “e a ela só por prémio pretendia. e optámos. n. nome: novidades (v.2.° 12). O nu é classicamente “ponderado” numa simétrica e plena correspondência dos membros: ao braço dobrado corresponde a perna dobrada. verbo: converte (v.. “Empenhei o meu anel de rubi” Impedimentos à concretizaçãodo amor A – O pai: “porém o pai. A dificuldade de definir o amor e de enumerar os seus diversos estados bem como a sua variedade. gerada pela espuma do mar. 1. Continuamente (v. com toda a atenção. 11) 3. a deusa é levada pelos ventos em direcção a terra. do entrelaçar dos corpos e da vista da costa ondulada em golfos e promontórios. mudança.1. encontram uma perfeita expressão poética na gélida nudez da deusa. 54] 1. ao braço estendido. em particular.. A obra distingue-se pela soberba harmonia do esmerado desenho e pela elegante modulação do traço que cria efeitos decorativos quase abstractos. vol. assim como as formas puras e idealizadas. II. 2. cada dia (= diariamente) (v.” 1.. A poesia lírica de Camões – uma estética da sedução (Cadernos FAOJ. e Camões. Mudam-se/muda-se/se muda/mudar-se. diferentes (v. Esta sensação emerge das ondas do mar. 5). 5). 6).. 10 e 14). 4). da mesma autora. que nunca é perturbada por cortes ou saliências. quer as antíteses quer a bipartição dos versos aparecem a sublinhar essa temática. a repetição anafórica. 2006) P – Português. “Não fizeste um esforço para gostar” Decisão do sujeito A – Não desiste e propõe-se lutar pelo seu amor enquanto viver: “começa de servir outros sete anos” B – Desiste: “Nada mais por nós havia a fazer / A minha paixão por ti era um lume / Que não tinha mais lenha por onde arder” ‘Lição’ aprendida pelo sujeito A – “Mais servira. a dupla inclinação dos ombros. A repetição dos vocábulos mudam-se e muda-se no início das frases dos dois primeiros versos evidencia o recurso à anáfora. Sustentada por uma concha. adjectivo: novas (v. por seguir o percurso aí sugerido. o que provoca. as metáforas.” B – O próprio objecto do amor e o seu mundo: “Mas esse teu mundo era mais forte do que eu”.” B – “Não se ama alguém que não ouve a mesma canção. servia a ela” B – Persuasão e sacrifícios materiais: “A saliva que eu gastei para te mudar”. que não se podem confundir.1.” B – “Era só contigo que eu sonhava andar/Para todo o lado e até quem sabe? Talvez casar” Formas de sedução do objecto do amor A – Servidão e dedicação incondicionais: “Sete anos de pastor Jacob servia”. As antíteses e os oxímoros aliados à bipartição rítmica do verso. míticas divindades femininas) está à sua espera para a cobrir com um manto purpúreo. onde uma jovem mulher (Flora ou uma das Horas. 12) 4. . 1. Antítese. / em lugar de Raquel lhe dava Lia.Módulo 2 Textos expressivos e criativos e textos poéticos 7 Acreditando que é ‘sob o signo da sedução’ que se deve analisar o texto poético. privilegiando a continuidade da linha. se não fora / para tão longo amor tão curta a vida. Sendo as contradições do amor o tema do soneto. “Mesmo sabendo que não gostavas”. acompanha com suavidade as formas do corpo. Composição: Botticelli dispõe as figuras num plano só. quase de forma espontânea. 5. Público. em grande parte. Observação: Será importante fazer notar que o termo anáfora é usado na análise literária e na análise linguística.2. a interrogação retórica do último terceto. desenhado fio a fio.. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor | Textos | 3 “Amor é um fogo…” Compreender [pág.) Vénus é o centro da composição e na sua direcção convergem as linhas curvas dos ventos e da figura feminina. “mas não servia ao pai. O abundante cabelo louro. A pequena cabeça está inclinada e insere-se sem criar ângulos no longo pescoço subtil. ou seja. usando de cautela. Todo o corpo é circundado por uma linha ininterrupta. já (vv. (.

8. 3. O tema é a paixão que apanha o coração desprevenido. 1.8 Caderno do Professor | Resolução das actividades do manual 1. por exemplo. 3. e repetindo o mesmo erro. A estrutura bipartida deste soneto é marcada pelo conector assi sendo “anunciada”.3. leda “amena e marchetada” “dando ao mundo claridade” ■ ■ 2. passarinho – lascivo. criando cumplicidade com o interlocutor. 4.2. 2. 7-9). coração – livre. 6. 12) 2.° terceto corresponde à síntese desses atributos e à conclusão: o poder transformador/mágico do objecto amado exercido sobre o sujeito. no segundo. O sentimento predominante é a tristeza.1. descuidado.2. Não sendo uma pergunta para a qual se espere resposta. caçador – cruel.1. 55] 1. 14 “almas condenadas”) 3. Ao marinheiro do primeiro termo de comparação corresponde o eu lírico. 5. contrário 2. tendo em conta o seu carácter contraditório.2. “Aquela triste e leda madrugada” 1. apartar-se / apartada (vv. e nos adjectivos que caracterizam o coração.1. 9. A madrugada aparece como uma espécie de ‘morte’ porque o nascer do dia é identificado com a separação (Cf.2.2. 11) 1. 3. tal como o Cupido que se escondia nos olhos da mulher amada. 1. manso.4.3. doce. triste “cheia de mágoa e de piedade” “saudade” “apartar-se” “lágrimas em fio” “palavras magoadas” ■ ■ ■ ■ ■ Comentar [pág. passarinho/coração. da fragilidade e da passividade do sujeito poético. Compreender 1.1. no primeiro terceto. mágoa / piedade (v. Atente-se.a parte – até ao verso 11. calado. 3. 2.3. valendo-se do descuido.1. (Cf. grande / largo (v. v. | Textos | 5 Compreender [págs. “leda”. 58-59] P – Português. 3. A conjunção coordenativa adversativa mas (v. 57] . 7. Neste retrato dá-se maior relevo aos traços morais (Cf. 5. na ternura dos três diminutivos que aparecem na primeira quadra. 10 e 11).a parte – último terceto: o sujeito poético pergunta-se como é possível que o amor. 7.4. possa estar tão presente nos corações. vv. por oposição ao caçador.1. A beleza feminina (física e espiritual) e o fascínio que ela exerce no eu lírico. adjectivos: “triste”. caçador/Frecheiro 1.3.1. logo no início do poema.1.2. a fuga é a única salvação.3. 1. A madrugada é testemunha da separação de dois sujeitos que estiveram juntos e do sofrimento que essa separação provoca. 2. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor 1. 57] 1. hipérbole (1. 9 e 12) [pág.2.2. caracterizado como sorrateiro e dissimulado. pela conjunção como. O sujeito poético identifica-se com o passarinho e o coração contra o caçador e o Frecheiro cego.a parte – 2. corresponde à acumulação de atributos físicos e morais da figura feminina (descrição). Ambos (marinheiro e eu lírico) prometem não voltar a cair noutra. escondido. 1. Ela (vv.1.3. 8 e 13).a parte – as duas quadras e o primeiro terceto: a dificuldade de definição do amor e as contradições do estado amoroso. destinado. 2. Estes recursos intensificam a ideia central e acentuam a mensagem.° terceto). 2. 2). e 2.1. Uma vez que a sua contemplação (da tempestade/da amada) provoca medo. “viu”. Dest’arte [pág.4. 2.3. Frecheiro – cego. paradoxo (vv. sendo a vista da amada comparada à tempestade. porém. 1. vv.2. 7/8) 2. Nos dois termos da comparação estamos perante uma situação de agressão em que uma das figuras (caçador/ /Frecheiro) é mais forte do que a outra (passarinho/coração) e actua de forma traiçoeira e dissimulada. Formas verbais: “saía”. não resistindo.1. Este conjunto de qualidades tende a produzir uma imagem de perfeição (estereotipada) e não a individualizar a mulher. a interrogação retórica dá vivacidade e ênfase ao discurso. 2. O demonstrativo “Esta” funciona como um termo anafórico que tem como função indicar os referentes no interior do texto em que é usado: remete para todas as qualidades | Textos | 4 Compreender 1.

Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor Oralidade [pág. a leitura “lado a lado”.5. porque nela vivo / já não quer que viva.1.: na transição dos versos 3-4. bem parece estranha / mas bárbora não .2. conferem ao poema um ritmo rápido e fluido que alterna com um ritmo mais lento e sincopado conferido pelo uso da vírgula. se quereis. é de referir o encavalgamento (por ex. que lembrais meu bem passado. Ficha formativa [págs. Além de Os Lusíadas [elipse] escreveu muitas redondilhas. Presença serena / que a tormenta amansa).2. Entretanto.2. 2. sendo completamente distintas sob o ponto de vista físico. recordado pelo eu lírico. o sujeito lírico antecipa que a sua vida será também. não me deixeis – não permitais. Por exemplo os versos 9-12 e 25-28.1. o autor de Os Lusíadas. recato. O petrarquismo está presente ao nível do ideal de beleza feminina aqui reproduzido. nos dois pontos do verso 11) que são aqui resumidas na expressão “celeste fermosura”. Luís Vaz de Camões. Jogos de palavras: cativa / cativo. “louva” uma dama (Sois ua dama de grão merecer). 22-23-24. entre outros: a enumeração assindética (conferindo ritmo. indefinidamente. O seu (pronominalização) único rendimento era a tença de 15 mil réis anuais. A primeira parte corresponde às duas quadras e a segunda aos dois tercetos. Estas duas figuras femininas. doçura. 2. | Textos | 7 Compreender [pág. Pretidão de Amor. obtém-se um ~ retrato negativo de uma dama (Sois ua dama das feias do ~ mundo).3. 63] 1. frequentemente dupla e valorativa. que nunca foram impressas pelo facto de o poeta (sinonímia) não ter recursos materiais. em cópias manuscritas. A apóstrofe inicial – Lembranças. 2. sempre – eternamente. Funcionamento da língua [pág. brandura. canções. Para além da medida do verso. Morreu ontem. 2. A beleza da mulher amada é o resultado da conjugação das suas qualidades físicas e morais (graça. 2. no futuro. 4. 61] 1. aliados à enumeração assindética.1.1. 2. | Textos | 6 Compreender [pág. deixai-me – afastai-vos de mim.3. O sujeito poético canta. 64] 2. beleza celestial) realçadas através de diversos nomes e adjectivos. sextinas e éclogas. vigor e musicalidade ao texto). Os encavalgamentos (transição dos vv. a sua (pronominalização) obra continua a ser admirada por todos.Módulo 2 Textos expressivos e criativos e textos poéticos 9 expressas nos versos anteriores (atente-se. 61] 1. em Descalça vai pera a fonte./não me deixeis. Abandonado por todos. também. o ideal de beleza petrarquista oposta à beleza oriental da mulher cantada nas endechas (contra as convenções do petrarquismo). . deixai-me/não me deixeis. mas que estão a correr de mão em mão. do ponto e vírgula e dos dois pontos.1.2. odes. 70-71] I 1. 4. que el-rei lhe (pronominalização) mandou pagar como recompensa pela publicação da sua epopeia (sinonímia). e a angústia do mal presente. 2. etc.1. A primeira parte descreve a forma como o girassol acompanha a trajectória do Sol acima da linha do horizonte e a forma como esta flor é influenciada pela luz do astro-rei. Poderão referir-se. ~ Metáforas (Ua graça / viva que neles lhe mora. Estão em confronto o bem passado. há-de ser – tendo perdido toda a esperança. para ser senhora / de quem é cativa. Referimo-nos à metáfora – Circe/veneno – que confere a ideia de encantamento e magia. 1.a pessoa. a adjectivação. 1. As sucessivas antíteses: bem/mal.4. marcada pelo sofrimento presente. viver/morrer. sonetos. duas delas no imperativo. na maior miséria. Lendo-se as estrofes seguidas (da 1 à 4).) que alterna com o ritmo binário. são em tudo semelhantes do ponto de vista psicológico.1. passado/presente. equivalente a uma reforma de soldado. etc. as formas verbais na 2. P – Português.2. na continuação da apóstrofe – lembrais/deixai-me. [elipse] faleceu (sinonímia) num hospital da cidade e [elipse] foi sepultado num coval aberto do lado de fora da Igreja de Santana. 6. 5. 2. 19-20. O facto de se lembrar do bem que já teve no passado agudiza mais ainda o sofrimento presente. 7-8 e 12-13-14.

não. que desempenha um papel importante no crescimento da língua portuguesa. / pé ante pé 3.2. portanto/logo/por isso a leitura da sua obra é um instrumento para abrirmos o presente e o futuro. portanto. 1. caso. mais do que esquecer. depois de ter sido preso devido a uma rixa.1. libertar-se. O sujeito poético exprime o desejo do espanto inicial.2. Sou considerado o maior poeta português. 1. Através deste recurso o sujeito poético hipervaloriza a mulher amada.3. Tal como o Sol faz florescer o girassol.1. Rimas (1595). 2.1. A hipérbole. Regresso a Portugal em 1569. 1-15). Versos 6-9 e 15. também o sujeito poético. também a amada do sujeito lírico alegra a sua “alma”. aqui. assim como o girassol “emurchece e se descora ” quando o Sol se põe. é negada através da reiteração do advérbio de negação e do pronome indefinido. a rima é emparelhada e interpolada nas quadras e cruzada e interpolada nos tercetos. O poema é um soneto e. 1.2. / velar por mim.2.° momento (vv. Proposta: Nasci em Lisboa por volta de 1524. O cansaço do sujeito poético nasce da monotonia da vida (vv. 1-23) . Faleci em Lisboa no dia 10 de Junho de 1580. Poetas portugueses do século XX | Textos | 1 Compreender [pág. 1. 1.1. Sebastião. Morrer e suicidar-se não representam. 74] 1. 2.2.5.1. Em 1553. El-Rei Seleuco (1587). 3. 74] . não e ninguém – a diferença que poderia quebrar a monotonia.2. c. e é costume situar a minha obra entre o Classicismo e o Maneirismo. da miséria e da violência que o rodeiam (vv. O sujeito poético aparece dividido entre o desejo de viver e o cansaço que a vida lhe provoca. Ao longo deste soneto.4. “se murcha e se consome em grão tormento.4. A vida cansa porque é sempre igual.5. b.4.1. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor II 1. de ‘morrer’ para ‘renascer’. isto é. conseguindo publicar Os Lusíadas. III 1. / confiante e sereno… sorriso / onde arde um coração em melodia: … suavemente. A figura feminina – meu amor do Norte – dá ao sujeito poético confiança e serenidade. A obra de Camões proporciona-nos um encontro com a nossa história porque/visto que/já que a sua poesia foi utilizada. parti para a Índia. é constituído por duas quadras e dois tercetos. P – Português. tal como ele vive inteiramente na dependência do objecto do seu amor. Através da apóstrofe Meu Sol.” 2. A poesia de Camões é dinâmica e. 2. “Velar” significa “vigiar”. Quanto à métrica. [pág. na ausência da mulher amada. nunca. sempre. graças à influência de alguns amigos junto do rei D. o sujeito poético identifica-se com o girassol (“Uma admirável erva”) e identifica a mulher amada com o Sol. pobre e doente. 24-43). a. São estas as “funções” que o sujeito poético espera que a figura feminina cumpra. também. (o que introduz uma oração subordinada adjectiva relativa explicativa) Funcionamento da língua 1. “estar de guarda a”. Veja-se a forma carinhosa como a Morte é personificada no último verso. exagerando as suas qualidades e conferindo-lhe até o poder de ‘criar’.2.3. repousar. A obra de Camões. subtil e cuidadosa. 2. Regressei a Lisboa. relata as contradições do mundo complexo do seu tempo. versos 16-23. a previsibilidade do mundo. 16-18). “passar a noite junto de um morto”.10 Caderno do Professor | Resolução das actividades do manual 1.2.3. 1. 3. a medida do verso é o decassílabo. de uma família do Norte (Chaves).3. …em cima dum divã / com a cabeça sobre uma almofada. o eu lírico dirige-se à mulher amada. como bandeira e como símbolo nacional. O esquema rimático é ABBA ABBA CDE DEC. levando aí uma vida de boémia. 2. 19-22).1. Vivi algum tempo em Coimbra e lá frequentei aulas de Humanidades no Mosteiro de Santa Cruz onde tinha um tio padre.° momento (vv. em 1572.1.2. a 3. 3. densa e rica.3. Algumas das minhas obras mais conhecidas são: Os Lusíadas (1572). ao longo dos tempos.3. Se. 2. Fixei-me na cidade de Goa onde escrevi grande parte da minha obra. Auto de Filodemo (1587) e Anfitriões (1587). 3. Através desta metáfora – mulher amada/Sol – o sujeito poético compara-se a um girassol e à forma como este depende do Sol. “Morrer” é ausentar-se da vida temporariamente. do ponto de vista cultural e artístico. Cf. De igual modo.3.1. da constatação da falta de imaginação do homem (vv.

podendo ser substituída pelas conjunções coordenadas adversativas mas. cedência. 1. porém.3. 78] 1. “mas tu não”. págs. 578 a 581. entre outros.2. a última – “bosque suspenso / Onde (…) ninho!” – remete para o carácter protector da árvore. evidenciando o carácter singular do negrilho.3. revelando. A alteração de pessoa verbal – de “ele” para “tu” – entre as duas estrofes faz sobressair a proximidade entre o sujeito poético e o negrilho. pois é definido como sábio (“revela o mundo visitado”) e sonhador. A propósito do emprego deste modo. 11-12). incêndio. então. Ao empregarmos o MODO CONJUNTIVO.1. punhal e incêndio para ‘agressão’. e 1. Sendo o único poeta da terra natal do sujeito lírico. Algumas hipóteses: “Seria feliz…”.6. Ao dirigir-se ao negrilho.1. mas mantém.1. o sujeito poético enfatiza o carácter excepcional daquela árvore e da sua relação com ela. P – Português. O tema comum aos três poemas é anunciado pelos respectivos títulos: o valor das palavras na poesia. a terceira – “gigante a sonhar” – evidencia a expressão do sonho humano de elevação e de integração na ordem cósmica.” – salienta a simplicidade poética e a relação da poesia com a natureza. in ob. 76] Compreender [pág. 1. honestidade. Nos versos 11 e 12. O sujeito poético identifica-se com o negrilho. cristal.2. 1.1. Sugestões: “Ainda há esperança porque…”. 10). a existência ou não existência do facto como uma coisa incerta. Os outros: dissimulação. considerando-o o seu mestre e a origem da sua poesia (“Os meus versos são folhas dos seus ramos. dotado quer de atributos físicos – a voz (“conversamos”) e os “olhos” –. tratando-o por “tu”. orvalho conota ‘leveza’. calculismo. Nova Gramática do Português Contemporâneo (págs.a chamada. A repetição do pronome pessoal – “Tu” – transforma esta segunda estrofe numa espécie de oração. mesmo. 13) 4. na segunda estrofe. antiga (nela o “tempo” faz “ninho”). ‘frescura’. 4. através do discurso de terceira pessoa. O negrilho assume um papel protector (vv. todavia. cit.1. 2. medo. 10. aventura/risco. orvalho.1. denúncia. O conceito de poesia apresentado caracteriza-se. 3.. 13-14) e espalha. contudo… Sobre os valores particulares de algumas conjunções coordenativas. 4. falsidade/hipocrisia. seja no futuro.5. a segunda – “imortal avena / Que (…) maninho. 2. 463-464) 2.2. 1. 81-82] 1. dá expressão dramática à sua relação com a árvore. seja no presente.”) e sente admiração por ele visto que ele simboliza a harmonia da natureza. em toda a sua intensidade.” Celso Cunha e Lindley Cintra.4. 6. Na primeira estrofe. 4. pelo ideal de harmonia e serenidade (vv. ‘destruição’.a fase. a conjunção coordenativa e tem um valor adversativo (estabelece entre as duas orações uma ideia de contraste). Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor | Textos | 4 Compreender [págs. A primeira apóstrofe – “mestre da inquietação / Serena!” – aponta para um ideal de harmonia e serenidade. “Porque os outros”.3. por uma valorização da sabedoria da terra (v. real. 1. quer de traços psicológicos. duvidosa. 1. 4.1. 2. 4). punhal. 7.Módulo 2 Textos expressivos e criativos e textos poéticos 11 1.1. à sua volta. seja no passado. “Tu ”/ ”os outros”. 2. o envolvimento afectivo que a caracteriza. serenidade (vv. leia-se o seguinte: “Quando nos servimos do MODO INDICATIVO. um tom contido de aparente distanciamento. O negrilho é uma árvore de grande porte e de copa abundante (“bosque suspenso”). “Tudo pode mudar porque…”. irreal. mas tu não (vv. etc. Encaramos. pudesse – pretérito imperfeito do modo conjuntivo. Cristal remete para ‘transparência’. 2001) 1. O poeta a que se refere o sujeito poético é o negrilho. é um espaço protector a que se acolhem o “eu”.1. (respostas baseadas nos “Cenários de resposta” da prova de Exame Nacional do Ensino Secundário de Português. o negrilho é um ser com estatuto humano. “os pássaros e o tempo”. é completamente diversa a nossa atitude. consideramos o facto expresso pelo verbo como certo. por uma simplicidade poética inspirada na natureza (v. 8-9). eventual ou. “Descansaria…” | Textos | 3 | Textos | 2 Compreender [pág. consulte-se Celso Cunha e Lindley Cintra. ‘dor’. 3. 2. “Porque” – conjunção subordinativa causal. Tu: ousadia. .

3. Esta canção encontra-se no CD dos Trovante intitulado Baile no Bosque. v. 2. ele aproxima-se de uma definição (poética) de polissemia. 16: amor. protegidas. amor/morte.1. tive. ainda.1. 84] P – Português. 4. v. sustentavam). as segundas são quentes e fulgorosas. A interrogação do primeiro verso. que outrora eram o seu ‘sustento’ quotidiano.6. 4. cardo. Algumas vezes. 3). Daí o seu carácter complementar. 4. / [como] um incêndio. “ténues”. os pares água/fogo . fazia. mas apenas comparação: Algumas [são como] um punhal. 2. 3-5). enquanto que as primeiras são suaves e ‘tranquilas’. Através destas interrogações. do ME-DES (1999). dirige-se a um “tu”. Tendo em conta que o poema nos chama a atenção para o facto de as palavras poderem apresentar diferentes significados. 2. ao cativeiro. o sujeito poético lança um apelo para que as palavras sejam escutadas. 1 e 15. lenha. até antagónicos.6. este facto deve-se também à maior exigência que o sujeito poético tem na selecção das palavras (“já só procuro as mais encabritadas”). navio. vv. por vezes.1. como aliás todas as outras do poema. hoje são muito menos dóceis e mais difíceis de ‘domar’. 2. 4. Muitas vezes. primavera.2.2. remete para a ‘morte’ das palavras que. 4. vv. Em alternativa.2.3.1. 19: rosa. As vogais são “de um azul (…) apaziguado” e as consoantes ardem “entre o fulgor / das laranjas e o sol dos cavalos”. 17). vento. exílio. Nesta ficha haverá. Vogais e consoantes são opostas pois. morte. 15: sangue. 2. Os tempos do passado são o pretérito perfeito (fartaram-se. 16).1. v. O adjectivo “ pálidas ”. v. gostaram) e o pretérito imperfeito (dançavam. 1. lugar para observações e estratégias de remediação. porém. implica exílio e morte.5. “estão ariscas” (v. destinatário do discurso. pátria. O carácter ambíguo das palavras está em evidência neste poema porque o sujeito poético apresenta um conjunto de vocábulos que transportam consigo sentimentos diversos e. 10: navio. no presente. encontrava. v. Comparação e metáfora. o sujeito poético pede contas a um “tu”/ “eu” acerca do que terá ele feito das palavras.3. trazem ainda boas memórias. 82] 1. A antítese luz/noite remete. cuidadas. A relação das palavras com o sujeito poético mudou provavelmente porque aquelas se “fartaram da rédea” que as prendia. pátria. / Outras [são como] orvalho apenas.14: tempestade. Por exemplo.2. “arreganham os dentes” (v.4. nesse caso não haveria metáfora.1. Provavelmente. se calhar. “resmungam” (v. Para cada um destes pontos serão usados os parâmetros Nunca. 2.2. 3. 6-9). A brochura Leitura. 2. da mesma editora.a estrofe. v. Observação: Na 1. as palavras “gostaram” do sujeito poético: andavam à volta dele e “aqueciam-no”. . Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor 1.1. Actuar [pág. 17: chama. Raramente. a luta por ela é fogo e cardo. 3.4.1. Através desta interrogação. fogo. frequentemente.12 Caderno do Professor | Resolução das actividades do manual 2. que se pode eventualmente identificar com um “eu” – o sujeito poético seria o eu e o tu. o sujeito poético sugere que. para o carácter contraditório da palavra poética. que sugere “desmaiadas”. amor e rosa mas.2. enumeração. “agora” – vv. pátria/exílio . | Textos | 5 Compreender [pág. do rigor e da simplicidade com que o sujeito poético as usava (vv. Sempre.1. Depois de ouvir o poeta. rosa/cardo. 3. A liberdade é água.2. 3. propõe a seguinte ficha de avaliação de leitura em voz alta: ■ ■ ■ ■ ■ ■ Hesitar Usar o dedo ou outro guia Ler com expressividade Fazer leitura palavra a palavra Respeitar a pontuação Errar em pequenas palavras ■ ■ ■ ■ ■ ■ Ter ritmo de leitura Acrescentar Omitir Aglutinar sílabas Ter problemas de dislexia Fazer autocorrecção. 2. se tornou mais exigente e que agora só procura “as mais encabritadas”. Adjectivação. Através desta imagem (conjunto de metáforas) o sujeito poético refere que as palavras. fazendo-nos supor que o apelo por ele lançado no poema anterior não teve eco. só quando as juntamos podemos fazer palavras.2.2. à morte. Por exemplo versos 17-20. desobedecem-lhe e desrespeitam-no (cf. da EMI-Valentim de Carvalho ou no CD Poesia Encantada. personificação. 7-8: água.2. os versos 3 a 6 podem ter subentendido “são como”. A relação sujeito poético-pátria-liberdade é uma relação de tudo ou nada: só existe pátria em liberdade e por elas o sujeito poético está disposto a tudo – ao exílio. uma vez mais.1. mesmo quando ‘enfraquecidas’. No passado. 2. será a vez de os alunos praticarem a leitura oral de alguns poemas.

antes de tudo. A arte e o ofício da língua e da linguagem. Ou é talvez o adivinho.html e http://www. hipócrita. De qualquer modo. (…) É então que a poesia acontece. expressando um desejo do sujeito poético: que. 2. 86] 2. 84] 1.. aquele que nos é dado. em Maio de 1965. uma forma de medição. Sei que a energia. Sobretudo não sei se a poesia tem alguma coisa a ver com a literatura. Sei que a poesia não se explica. Talvez seja muito pouco. (…) O poeta. depois da morte.rcts.uc. Isto é o que sei de poesia. afinal. Os sinais mágicos da palavra. Hipóteses: incoerente. pronta a “explodir” a qualquer instante. Dom Quixote. procura decifrar os sinais dos tempos através de múltiplos sentidos ou do sem-sentido da palavra. Um presságio do Sul. que tinha uma flauta mágica. através da repetição rítmica de palavras e imagens. Sossegado/Calmo como os Árabes. quando é destruído pelo fogo. Uma encantada. 4. repetindo palavras mágicas enquanto dança e pula ao ritmo de um tambor.bib-camilo-castelobranco. através da palavra. como diz o meu amigo José Manuel Mendes. da segunda metade do século. Talvez tudo esteja nesse primeiro verso. renasce após a primeira chuvada. Génesis. Oralidade [pág. 4. A música secreta da língua. que escreveram sobre o tema da liberdade. Subtil como os Europeus.. | Textos | 6 Compreender [pág.Módulo 2 Textos expressivos e criativos e textos poéticos 13 Actuar [pág.2. E que cada palavra é um pedaço de universo. “Recorda-te que tu és pó e em pó te hás-de tornar” (cf. Não sei falar de poesia. encantatória e desesperada tentativa de captar a essência do mundo e de. Manuel Alegre. texto escrito e lido durante uma sessão consagrada a “Trinta Anos de Poesia” na Faculdade de Letras da Universidade Católica de Viseu. P – Português. dizia Cioran. que “escrever é um acontecimento cósmico”. convoca as forças benfazejas ou tenta exorcizar as forças maléficas. Que procura o impossível. 3. “é aquele que leva a sério a linguagem”. Para encontrar outros poetas portugueses. Talvez o poeta.1. como sempre dizia Miguel Torga. Mas não sei se é possível saber mais. é a essência do mundo e que “os ritmos em que se exprime constituem a forma do mundo”. “nem anjo nem bruto” refere a essência humana do homem com todos os seus defeitos mas também com as suas virtudes. Não sei falar de literatura. Dança com palavras ao som de um ritmo que só ele entende. 1997 (texto com supressões) Texto a ler aos alunos: A poesia não se explica.pt/librdd5. Apaixonado como os Latinos . 84] A poesia é também a língua. Robusto/Belo como os Gregos. Talvez esteja antes ou depois da literatura. como nas sociedades primitivas. A forma verbal encontra-se no modo conjuntivo (Me levante). A poesia é.1. Uma forma de alquimia. E o que é levar a sério a linguagem? Eu creio que é estar atento aos sinais. 19). porque os outros têm de ser conquistados. in 30 anos de poesia. Ou talvez ela não seja mais do que o primeiro verso. Como já não pode ler nas vísceras das vítimas. da Universidade de Coimbra). E para mim a língua começa em Camões. como o poeta russo Mandelstam. Talvez tudo isto seja a poesia. [pág. Ou seja: o verso que não há. assim. como queria Rimbaud. Ardiloso como os Orientais . como diz o meu amigo Herberto Hélder. 3. “mudar a vida”. de plumas na cabeça. como costuma dizer a minha amiga Sophia de Mello Breyner. a poesia implica. que nasce espontaneamente da força da terra. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor Poetas de expressão portuguesa do século XX “Não vale a pena pisar” Tópicos de análise Todo o poema é uma longa metáfora – tal como o capim. Publ. falso. também aqueles que são explorados guardam em si uma raiva calada.pt/cd25a/ (Centro de Documentação 25 de Abril. o poeta de hoje é como esse xamã antigo que. Ambicioso como os Romanos. consultar o site http://www. Ardente/Ardoroso/Veemente como os Africanos. O poeta é esse feiticeiro. A calma ilusória dos oprimidos explodirá em força logo que as condições sejam propícias. ressuscite puro e imaculado. Sei.2. esconde-se a matéria luminosa do universo”. 89] . Ou como dizia Klebnikov: “na natureza da palavra viva. que tinham uma concepção mágica do mundo. que é o instante da revelação e da relação mágica com o mundo através da palavra poética. não seja muito diferente daquele sujeito que vemos nas tribos primitivas.

“gemidos cantados” – expressão que revela a verdadeira natureza dos cantos das crianças. ■ “Negra” [pág. a impossibilidade de partir. construídos com base numa repetição anafórica (“É como se alguém…”) seguida de uma construção antitética: pisasse/risse. os quatro tercetos iniciais. ■ ■ ■ ■ vv. ■ ■ vv. 21 a 36 – sentimento de quem fica: por um lado a resignação. 1 a 4 – metáfora de Timor aprisionado. procurar fixar-se numa região de trabalho bem remunerado para regressar o mais depressa possível. carácter simbólico deste facto: o ■ Num comentário a este poema. 91] Tópicos de análise o título é a palavra-chave para decifrar o poema: Esperança. sangue/pacto (v.a pessoa sing. 21-22) – conseguem perceber o sentido (verdadeiro) de África – MÃE. / sofrimento” (vv. – a senhora (tratamento cortês usado apenas com as mulheres velhas ou muito respeitadas pelo falante). cuspisse/passasse indiferente. à máscara. 93] Em relação ao crioulo cabo-verdiano. 14-18. alma. inevitavelmente. ciclo da vida: “…sonhos/que um dia esvaem-se/ – mas surgem sempre…”. por outro a esperança de que as coisas se alterem – que venha a chuva e traga consigo a abundância. o escritor e crítico literário Manuel Ferreira salienta os dois “mundos” em que se movem as crianças são-tomenses: “o reino da aparência e do ‘real’ – a máscara e o rosto”.pt/dcvpo/ onde um dicionário e uma gramática de crioulo podem ser consultados on-line. ■ “Esperança” [pág. 13 a 18 – identificação do sujeito poético com Timor: fala pela voz de Timor expressando o desejo à autodeterminação. 9. mesmos nervos. só os africanos – “do mesmo sangue. metáforas de “esperança” (vv. Nota no Manual). tudo se passa no interior – “Eu sei o teu nome…”. ■ ■ ■ ■ . 1 – Nha: pron. mas não posso pronunciá-lo (vv. espécie de grito de morte anunciada. vv. a esperança de mudança concretizada no último verso – esperança = vento da certeza. do condicionamento geoeconómico a que as ilhas estão sujeitas: a seca e a fome. a fartura. ■ ■ Dois ritmos polarizam. vv. ■ o sentimento colectivo de que a emigração constitui a única solução possível e. 6 a 15 – razões que provocam a partida – seca. P – Português. ■ vv. a realidade. 7 a 10 – identificação profunda com o povo timorense através do símbolo da bandeira. 2. determinada pela situação financeira dos que aspiram à emigração.14 Caderno do Professor | Resolução das actividades do manual “Terra” [pág. os últimos versos de cada um desses tercetos. atravessar a imensa fronteira líquida. 11-18). isolados por um travessão. vv. 37 a 43 – os dois ritmos que polarizam a vida das ilhas – campos (telúrico)/mares (pelágico). paradoxalmente. as quatro primeiras estrofes correspondem ao mundo da aparência. carne. na quinta estrofe a máscara cai e revela o rosto. 6. 13 e 19). remetendo para o título Negra. reportando-se à realidade. que provocam o desejo de evasão (hora di bai – hora da partida). o ciclo do sonho/esperança. fome. ■ ■ ■ a saudade dos que partem (a ruptura dos laços que prendem o homem à sua terra natal) e o desejo do regresso. 12. batesse/cantasse. palavra que nunca aparece no poema embora todo ele remeta para esse sentimento. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor [pág. ■ “Os vínculos timorenses” Tópicos de análise ■ ■ [pág. 90] A literatura cabo-verdiana: temática Há um conjunto de constantes na literatura de Cabo Verde que derivam. metáfora da candeia acesa. oca e artificial (vv. a eterna diáspora cabo-verdiana. o ritmo pelágico (das eternas partidas e regressos). v. A solução da partida é inevitável mas provisória – abandonar as ilhas. morte. Tópicos de análise v. 20-21). 94] vv. apunhalasse/abraçasse. ■ silêncio a que os carrascos obrigam. 5 e 6 – esperança no ressurgimento futuro e desejado. a vida colectiva: ■ o ritmo telúrico (vida ligada à terra). ■ “Lá no ‘Água Grande’” Tópicos de análise vv. 16 a 20 – lugares mais desejados. 92] Tópicos de análise África vista de fora (“Gentes estranhas com seus olhos cheios doutros mundos”) – imagem falsa. 25 – Timor fenece. valor expressivo dos adjectivos “mudos” e “quedos”. assim. vv. aconselha-se o site http://www. É a tragédia do êxodo. 19 a 24 – apelo de que o sujeito poético se faz eco. isto é. ciclo da terra. fem. o sonho de quem parte ou almeja partir. pess. constituem-se como uma espécie de prolongamento do título do poema.priberam. 3.

94] ■ Tópicos de análise Tema: A paz só se alcança quando se abdica do sonho/A morte do sonho. 9).1. Leonardo não tem pressa de chegar ao seu destino (o ‘cais divino’) porque se sente ‘feliz’ no ‘cais humano’ onde tem tudo aquilo de que gosta e cujas sensações agradáveis pretende prolongar o mais possível já que sabe que no local para onde vai não terá nada daquilo que tanto aprecia (Cf. 11-12). ele faz de um aparentemente banal acidente de percurso um grande acontecimento obsessivo. 1-2) ■ bola/touro – definição por oposição lhança (v. (vv.2. Assim. vv. Ficha formativa [págs. 96-97] a I 1. 10-11: “É num antecipado desengano…”). Na segunda estrofe é feita a antevisão (daí o tempo verbal futuro) do que espera S. Leonardo se demora para poder apreciar a paisagem (constituída pelas estrofes 1 e 3). a ordem/a perfeição equivalem a ausência de dor/ausência de sonho. 5. na qual S. Europa-América. abundância de marcas da 1.” Arnaldo Saraiva. O antecedente do advérbio “Lá” é a expressão nominal “cais divino”. 6. Na primeira estrofe predomina o presente (é. resultado ou efeito. vai sulcando as ondas da eternidade. 1. vemos S.Módulo 2 Textos expressivos e criativos e textos poéticos 15 “Canção” [pág. Entre outras.. “ancorado e feliz no cais humano”. (as) minhas. na primeira estrofe. meus). “um navio de penedos”. Na terceira estrofe retoma-se o presente de S. poderiam citar-se as seguintes passagens: “socalcos” e “vinhedos”. a “terra” e a “rosmaninho”.a quadra – valor simbólico do conector temporal “depois”. à proa dum navio de penedos. 8). cansaço. avança. 4. tristeza. que naturalmente são investidos de grande energia simbólica) e sem mais ênfase que a da repetição. S. na sua ambiguidade. ■ expressão dos sentimentos do sujeito lírico que estão na base da sua decisão de ‘matar’ o sonho – solidão (areias desertas). 7. chorarei. 2. a importância da poesia drummondiana. dramático. ruma. Locução adverbial: “sem pressa” (v. atenção. na terceira estrofe volta a predominar o presente (se aproxima. 6. ■ ■ relação bola/mulher/touro – necessidade de tratar com malícia. na sua brevidade. Obra Poética. no “cais divino”. 21) “lentamente” (v. o sofrimento mata o sonho. e a antevisão de como será o referido cais (estrofe 2). deixarão). abri. Leonardo. s/d O poema pode dividir-se em duas partes: a viagem em direcção ao cais divino. Leonardo que.a quadra – relação sonho/navio/mar/mãos.3. ■ .° vol. e fá-lo com uma espantosa economia lexical (à base dos lexemas inqualificados “caminho” e “pedra”. a navegar num doce mar de mosto. Nota introdutória a Obras Completas de Carlos Drummond de Andrade. agora. capitão no seu posto de comando. 23). advérbios: “devagar” (v. 95] Sobre o poema No meio do caminho: “Este poema pode simbolizar dignamente a poesia modernista brasileira e as reacções de entusiasmo ou de repulsa que provocou podem simbolizar as que sempre provoca a arte de vanguarda. correspondendo cada uma delas a cada uma das estrofes. O conector “Por isso” traduz a ideia de consequência.. “Nem vinhedos (a)”. sem pressa de chegar ao cais divino. “Um poeta universal”. 1. na sua simplicidade. quadra – hipérbole dos dois primeiros versos. “Na menina dos olhos (b) deslumbrados”. ■ P – Português. símbolo de um país (Brasil). carinho (vv. ■ a 5. Publ. valor simbólico das mãos – atitude deliberada do sujeito poético. 8. ■ marcas do “crime” – mãos molhadas. ■ 3. ■ “No meio do caminho” Tópicos de análise [pág..1. “O futebol brasileiro evocado da Europa” Tópicos de análise ■ [pág. devagar e sem pressa nenhuma de lá chegar. 95] o futebol. e por seme- aparente simplicidade da bola (vv. astúcia. 3-4) versus a real dificuldade em lidar com ela (vv. pessoa (pus. cor que escorre dos dedos – morte do sonho pelas suas próprias mãos. ■ a 4. absurdo. avança. 7-8). (o) meu. 3. Leonardo.. porque sabe o que o espera na “bem-aventurança”. Duas hipóteses possíveis: O poema poderá ser dividido em três partes lógicas. mas pode simbolizar igualmente a novidade. desilusão. gasta). S. a iniciar a sua viagem em direcção ao “cais divino”. 8). Leonardo quando chegar ao seu destino. serão. quadra – vento/noite/frio – conjugação dos elementos naturais que se aliam à tristeza provocada pela morte do sonho. na segunda estrofe predomina o futuro (terá. o cheiro a “mosto”. vai). Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor 6. Os adjectivos são “ancorado” e “feliz” (v.

° § – Introdução. 18). recordando as noções de texto literário e de texto não literário. Dá. A adição.” (ll. | Textos | 3 Antes de ler [pág.° § – “A Terra (…) não haverá mais. ao que o homem responde que não.” 2. ‘comandando’ a televisão enquanto a mulher arruma a cozinha. da página 108. Para além de todos os estereótipos que o cartoonista aqui põe em evidência – o fim do dia de muitas famílias portuguesas em que o homem se acomoda no sofá. queixandose que os programas de televisão nunca começam à hora prevista. 101] 4. 9). é uma tentativa de desmistificar a dificuldade da matemática – “… a matemática não tem de ser um problema.° § – “Tenho esperança (…) própria vida. 1-4) 2. 41) e divisão (l. pipocas espalhadas e o jornal abandonado aberto na página que fornece informações sobre os programas de televisão. sobretudo. 14). No original.” (ll.1.1. com ar enfastiado. podemos observar uma personagem masculina. ■ | Textos | 2 Antes de ler [pág. Adição (l. 8-12) 4. Esta é a primeira fase do trabalho a completar na pergunta 7. Aula de Matemática ■ 2. b.° § – Tecnologia – a ciência em acção.° e 5.16 Módulo 3 Textos dos media I | Textos | 1 Antes de ler [pág. ■ ■ A verdade da mensagem não é uma preocupação fundamental. O anúncio apresenta-nos um quadro preto típico das escolas. Funcionamento da língua [págs. na outra. Neste cartoon. 103] 3. 12-17) 5. “Os números foram ordenados e agrupados em unidades cada vez maiores.° § – “A História (…) gerações futuras.” (ll. No chão. 43). 1. de forma muitas vezes inconsciente. “A divisão começou quando 10 se exprimiu como ‘metade de um corpo’…” (ll.” (ll. 109] Compreender [págs. multiplicação (l. Numa mão tem o comando do aparelho e. 6. Na televisão reconhecemos a imagem do Rambo. onde. Partindo do princípio da contagem pelos dedos. 105] 1. l. era esta a divisão: 1. ela é tão natural e “… tão fácil de perceber como as palavras. o texto “As origens da Matemática” mostra-nos como esta disciplina entrou naturalmente nas nossas vidas e está presente. geralmente pelo uso dos dedos de uma das mãos ou das duas…” (ll. sentada num sofá em frente à televisão. três latas de refrigerante vazias. 107-108] 1.” e “… pode ser divertida e acessível a todos. 1. “Em suma” (l. 45-46). população de Kamilaroi: 7 = bulan bulan guliba (4 + 3) 5. “Contudo” (l. É um texto literário. 1. 4-8) 3. 15-16). Por isso. 4. Afonso dá à primeira pergunta da entrevista – a guerra ‘anunciada’. em muitos gestos do nosso dia-a-dia. numa total inversão realidade/ficção: não é a realidade que passa a ficção mas a ficção que “salta” para a realidade. o sujeito poético usa os conceitos matemáticos de uma forma muito pessoal que reflecte as suas ideias e sentimentos. Utilizam-se recursos estilísticos e uma linguagem profundamente conotativa. ‘com hora marcada’ para aparecer na televisão. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor 3.” Ora. os alunos irão completar uma grelha. onde está escrita uma frase com símbolos matemáticos: A matemática deve ser tão fácil de perceber como as palavras. patente no texto que o acompanha. O ‘público’ espera pelo início da guerra como quem espera por um filme ou uma série que passa a determinada hora na televisão.2. 2.2. uma taça de pipocas. A mensagem subjacente a este anúncio. “metade do corpo” seriam dez dedos. 1. 7. De dentro da casa alguém pergunta se a guerra já começou. importância à forma.° § – Como funciona a ciência. População de Murray River: 5 = petchval petchval enea (4 + 1). há uma íntima relação entre este cartoon e a resposta que L.1. 4. 44). O desenvolvimento das actividades comerciais (Cf. E o P – Português.° § – “No entanto (…) conquistas tecnológicas. subtracção (l.2.2. ■ Tem uma intenção estética: predomina a função poética. 103-104] 2.° § – “As ilhas (…) estão ameaçados. a. 17-19) Através deste texto é-nos dada uma visão subjectiva do mundo (interior e exterior). 45). 3. Compreender [pág. .” (ll.° § – Ciência – um estudo de tudo!.

b. Anáforas: “o/lo” (ll. que. Nota-se que a entrevista foi bem preparada: o entrevistador conhece bem o percurso do entrevistado e a sua obra. O antecedente é “os léxicos”. de fazer).1.1. nos painéis publicitários. (in Grande Dicionário Língua Portuguesa. | Textos | 5 Antes de ler [pág. b.. Hipóteses possíveis: “as pessoas tinham-se excedido um pouco”. “ele” (l. preocupado. recorrendo a regras da própria língua (1).1. Não podemos dizer que o entrevistador tenha formulado juízos de valor sobre as respostas dadas ou tenha procurado influenciar de forma óbvia o entrevistado..” 4. 4. 3.1. atribuindo-lhes novos significados (2). O título da entrevista é uma frase do entrevistado (cf.). Esta forma de destaque poderá indicar que o homem está desorientado. faz perguntas pertinentes (que muitos leitores gostariam. 117] 1. 2.3. “dele/deles” (ll. um homem com ar triste. é lógico que. Compreender [págs. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor [pág. Embora não apareça em primeiro plano. O grupo nominal a que se refere “nele” é “o erro ortográfico” que só aparece na linha 22. 1.. 1.3. hoje em dia/nos nossos dias. Acrescente-se que “o erro ortográfico” é ainda antecipado por diversas elipses (“[ele] Está também…. Trata-se de uma retoma anafórica pronominal. O autor afirma que “vai sendo um castigo” ou uma imprudência ser-se professor de Português pois estes professores são frequentemente colocados “ na posição de réus” e constantemente “colocados em trabalhos e tormentos”. 2. 23. O erro ortográfico encontra-se nos tapumes das obras. 1. [ele] circula…”. Luís Afonso ‘herdou’ do pai. O maior erro. logicamente.. uso da primeira pessoa do singular).1. 1. chamando particularmente a atenção do leitor para o facto de o cartoonista se inspirar naquilo que o rodeia e para as suas constantes dúvidas e inquietações.. O autor faz esta afirmação porque os erros ortográficos proliferam apesar dos esforços dos professores. os professores das disciplinas científicas “deixaram de o corrigir”. podemos entrever uma tomada de posição em relação aos factos. Porto Editora) 4. A ordem dos parágrafos é: c. b. a importação de palavras de outras línguas (3).Módulo 3 Textos dos media I 17 que é certo é que este tipo de ‘programa’ tem audiência: “correu bem em termos de bilheteira…” (l.1. 4. na opinião do autor. Segundo o autor...6. e 2. b. 2.4.1.1. etc. nas faixas. 35. 42). “Para incorporar palavras novas.1. 34.2. 26). 2.2.2.1.2. 117-119] 1. a. d.1. certamente. 1.2. 121] 1. etc.1. é ele que está destacado já que a mulher que se encontra à sua frente (bem como o resto da foto) se apresenta desfocada. nos autocarros. Funcionamento da língua [págs. como o título já anunciava. os das ciências sociais “limitam-se a sublinhá-lo” e os docentes de Português “ não sabem que peso atribuir-lhe”. é não reconhecermos o erro ortográfico quando o vemos e este facto é grave na medida em que o perpetua. 2. 3. a. audácia. no entanto. b.. O entrevistador adopta um tom formal. 5. acto ou dito irreflectido com possíveis consequências desagradáveis ou perigosas. a reutilização de palavras existentes. os léxicos das línguas dispõem basicamente de três mecanismos distintos: a construção de palavras.1.. 4.2. Temeridade – ousadia perante um perigo quase certo. que constitui uma espécie de tributo ao pai e àquilo que o cartoonista aprendeu com ele relativamente à forma como se posiciona perante os acontecimentos.. nas legendas televisivas.a pessoa quando se dirige directamente ao entrevistado. 36).5. Na primeira foto vemos. 3. destacado. a.]. nos placards. nos muros.2.2. “era uma pista onde a prova tinha decorrido”. No entanto..3. | Textos | 4 Compreender P – Português. ignorado pelos outros figurantes da foto. b. mas. nas duas primeiras perguntas. usando a 3. porém/todavia/contudo [colocados após “que carece”: que carece. A ordem é a seguinte: Ora. imprudência. 1. Podemos situar a CPPORT14CP-02 . Exemplos possíveis: Assim. os outros professores acusam-nos de serem responsáveis pela “pobreza vocabular” dos alunos e a redacção de actas e outros documentos é encarada como uma obrigação destes ‘puristas’ da escrita. isolado em relação àquilo que o rodeia. 38 e 43). 2. 112-113] 1. “lhe” (l. 24. nas “coisas” da Câmara. Na introdução faz-se uma espécie de síntese do conteúdo da entrevista.1. actualmente. 16)..

lisboetas. 3. assistimos a uma cena dentro de um autocarro: uma mãe com um bebé ao colo. contratos de trabalho. 2.3. e não assim. 99-100). 5. uma certa curiosidade em relação às duas outras personagens).1. Através desta frase. Sendo intencional.1. ser suprimidos da superfície lexical da frase. Será uma boa ocasião para explicar aos alunos que mesmo os complementos seleccionados pelo verbo (ou pelo nome) podem. por si só. “África”. 4.3. o uso da maiúscula no vocábulo “Outro” revela a preocupação do autor em evidenciar a importância destes cidadãos. o realizador mantém em relação às personagens uma “dose correcta de distanciamento”. expressões como: “Não estou bem seguro de que…”. Por exemplo: clarividência (l. Na segunda foto.2. Predicados: agradecemos/retribuem. aqui. 123-124] 1. 3. em particular de África e dos países de Leste.).2.2. cidadãos de Lisboa iguais a todos os outros.5. 2. A ausência dos “verdadeiros” lisboetas do filme é explicada pelo facto de eles se comportarem desse mesmo modo “face ao Outro”. na segunda a tónica é posta na esperança das gerações futuras (quer o bebé que está ao colo da mãe e para quem ela sonha. Por exemplo: em início de frase. 1. de ‘dar a conhecer’. 4. nos nomes relativos a meses do ano (“Janeiro”). 99) e distanciamento (ll.18 Caderno do Professor | Resolução das actividades do manual foto em Lisboa pela placa atrás do homem. . acho que. segundo o autor deste texto de opinião. penso que.” 2.2. “terá Tréfaut querido (…) mostrar-nos”) que não assume. isto é. nos topónimos (“Lisboa”. parece-me que. olhando-o com ar sereno e embevecido. emocional. com caixa baixa. embora os respectivos complementos directo e indirecto não estejam expressos. 124-125] 1. A letra pequena faz bastante diferença na leitura da mensagem. Por isso.2. 3.2.1.2. 1. “talvez”. Propositadamente optou-se por lisboetas com minúscula. caso contrário. poderia tratar-se de uma chamada de atenção para o estatuto de menoridade destes imigrantes. etc. A opção pelos grandes planos justifica-se pela vontade do realizador de não interpretar mas sim de ‘mostrar’. quer na criança que não os ignora e demonstra. 3. “poderá ter-se tratado”. Orações coordenadas: “Nós agradecemos e eles retribuem. são eles (os lisboetas/os portugueses) quem acolhe os imigrantes ou quem os ignora.2. o realizador terá querido salientar que estes ‘lisboetas’. Através desta personificação. …). Reescrita possível: “Lisboetas. Referimo-nos a expressões do tipo: na minha opinião. os imigrantes retratados no filme. As mensagens são opostas pois enquanto que na primeira há uma mensagem de solidão e isolamento. ou seja. Por exemplo: o uso do adjectivo valorativo em relação ao trabalho do realizador (enorme. todos nós estamos irmanados tanto nas dificuldades como nos sonhos. antes expressa um facto dependente de uma hipótese. a maior parte das vezes. Através daquilo que o crítico classifica como “filmar a ‘seco’”. no dia-a-dia estes “verdadeiros” lisboetas estão ausentes/invisíveis em relação aos imigrantes. introduz um valor modal: o ponto de vista do sujeito locutor em relação àquilo que é dito. Os “novos lisboetas” são os imigrantes que vêm de todo o lado. 1. é identificada com os seus habitantes. Evidenciam incerteza.1. isto é.1. …) nos antropónimos (“Sérgio Tréfaut”). etc. Sei também que a questão não será de importância relativa ou menor. “creio que…”. de lhes conferir o estatuto de ‘verdadeiros lisboetas’. 3. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor Funcionamento da língua [págs. até. uma ideia temporal de situar uma acção num tempo posterior ao tempo em que se situa o acto de fala.4.1.1. certamente. um futuro melhor do que o seu presente. 4. “poderá ter”. o realizador deste filme ‘esqueceu-os’: é como se eles não existissem. o crítico chama a atenção do leitor para o facto de não haver grandes diferenças entre nós e os imigrantes que recebemos: tirando os problemas de ordem burocrática (legalização. isto é. Estou seguro de que no início do genérico do novo filme de Sérgio Tréfaut o gentílico surgia no écran com capitular. correcta. em algumas circunstâncias. Observação: Os verbos “agradecer” e “retribuir” são transitivos directos e indirectos. P – Português.2. Compreender [págs. não dependem deles nem da sua vontade.” Sujeitos: Nós/eles. imparcial. uma outra criança observa a cena que se passa também em Lisboa (no autocarro que se vê ao fundo pode ler-se Restelo). 5. que representa todo o país. Contribuem também para manifestar a incerteza do locutor a expressão “E nesse caso…” aliada ao uso da forma condicional “faria” e o recurso ao futuro (“será”. Se o título tiver sido grafado com maiúscula inicial. Lisboa. Ao lado. “Nem sei também se…”. em meu entender. a meu ver. A vida destes “novos lisboetas” não lhes pertence pois têm que lidar com uma série de problemas que. são ‘verdadeiros lisboetas’. Trata-se de um sujeito nulo subentendido [Nós].

Daí o facto de ele confessar. 1. havendo uma relação específica entre a obra de arte e o espaço em que é inserida – o site specific –.2. 1. Este tema interessa ao secretário-geral das Nações Unidas por se tratar de um dos poucos fenómenos que é tão universal como (ou até mais universal do que) a própria ONU. 3. 138-146) 3. em relação a este fenómeno. é um texto curto. vai torcer pela sua equipa (o Gana) e desejar que ela ganhe. uma melhor compreensão da questão da migração humana em geral e das vantagens que este fenómeno pode trazer ao mundo. (ll. aquele que se instala num país que originalmente não é o seu). é subjectivo.”: deveria haver uma vírgula a isolar o vocativo. 126] 4. o discurso é directo e espontâneo.1. 2.2. aqui.. país de acolhimento de diversos povos. o foco narrativo é centrado no emissor (1. // … na família das nações houvesse mais competições deste género. “(…): o Campeonato do Mundo é um evento em que efectivamente se obtêm resultados. Por exemplo: ”Por fim.” [36 palavras] … que ilustra os benefícios da polinização cruzada entre povos e países. ■ … de que todas as pessoas do planeta gostam muito de falar. as infecções pelo VIH.4. qualquer instalação deve manter-se no espaço para que foi criada. Oficina de escrita [pág. emigrante remete para um movimento de dentro para fora (isto é. predomina a função emotiva.1. P – Português. As principais características da crónica estão aqui presentes: o texto parte de um facto da actualidade. os “novos lisboetas” vão-se adaptando à cultura portuguesa.” “Em suma…”.. Trata-se do Campeonato do Mundo de Futebol. para os seus países de origem e para as sociedades que os acolhem. // … que houvesse mais conversas deste género no mundo em geral. . alargou o seu conceito. Os conectores são: “Em primeiro lugar…”. Transitórias por definição. Proposta de resumo: “A palavra “instalação”. Elaine. na segunda metade do século XX. em função da intencionalidade que se pretenda atribuir à frase.a pessoa) e no referente (3. celebrar a nossa humanidade comum. // … todos compreendessem que a migração humana em geral pode dar origem a uma tripla vitória – para os emigrantes.138-146) 3.4... permanentes.3. Portugal tornou-se. // … que tivéssemos mais factores de nivelamento como estes na esfera internacional. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor | Textos | 6 Compreender [pág. 2.2. há uma espécie de diálogo virtual com o leitor. 2. o comparativo de superioridade do adjectivo bom.3. “Por último…”. fazer parte da família das nações e dos povos. pois expressa a opinião do seu autor.” “Finalmente. “Finalmente…”. Embora ambas remetam para aquelas pessoas que abandonam o seu país de origem para se estabelecerem num outro. “Depois…”. em que todos os países têm oportunidade de participar em condições de igualdade. a obtenção de melhores resultados ao nível do Índice de Desenvolvimento Humano. frequentemente. etc. No fim da frase. Por todo o lado e a todo o momento. uma multiplicidade de campos artísticos cujas fronteiras se diluíram. 130] 1. as seguintes: o respeito pelos direitos humanos.” [78 palavras] 2.a pessoa). Kofi Annan revela-se o ‘adepto’ comum: aquele que. Além disso. o aumento das taxas de sobrevivência infantil e de matrículas no ensino secundário. pelo ponto de exclamação ou. as emissões de carbono. “OBRIGADO. entre outras. abrangendo. Proposta de resumo: “Outrora país de emigrantes. no século XXI. aquele que deixa o seu país) e imigrante implica um movimento de fora para dentro (ou seja. refiro-me também ao resultado mais importante de todos – estar lá. 2. a necessidade de mais factores de nivelamento entre países. 2. pelas reticências. A palavra melhor é. um sentimento de inveja.” (ll. hoje. as instalações tornam-se. até. As questões que preocupam Kofi Annan são. “Em resumo…”. O que Kofi Annan realmente inveja é o facto de um evento deste tipo conseguir aquilo que a ONU não consegue: fazer com que todas as nações sejam uma família e que celebrem juntas a sua “humanidade comum”. 4.1. poderia optar-se pelo ponto final.2. “Em terceiro lugar…” e “…em quarto lugar…”. pelo facto de ser publicado numa revista. na hora do jogo. ■ 5. “Em segundo lugar…”. de trocas livres e justas.3.3.. “Seguidamente…”. Os três últimos poderiam ser substituídos por conectores do tipo: “De seguida…”. oriundos sobretudo de Leste. “Em conclusão…”. originalmente significando “procedimentos e (…) técnicas de exposição de obras de arte em espaços próprios”. … em que todas as pessoas sabem qual é a posição da sua equipa e o que ela fez para lá chegar. Nos dois últimos períodos do texto.1.Módulo 3 Textos dos media I 19 1. Não me refiro apenas aos golos que um país marca. ■ ■ … em que todos estão sujeitos às mesmas regras.

50). 1). isto é. “caneta”. A presença da autora é explícita quer através das marcas de primeira pessoa (pronomes pessoais – me. ao passo que – enquanto que. plano lexical: utilização de variantes lexicais de diferentes origens – “botequim”. 9).2. “coice”. a que traz as restantes [palavras] consigo. eu. c. e. 1. b. Trata-se dos pronomes indefinidos “muitos” e “outros”. “página” . F (O advérbio “talvez” introduz um tom de dúvida no discurso. 2. forma escrita diferente: “crônica”. E vai encontrá-lo. F. Ainda assim – Mesmo assim. a.1. c. V. “cornada”. b. aprisionados ao passado. traduzi-la-emos. “patas”. Umas vezes [a palavra] vem logo. dificilmente progridem e são infelizes. “adjectivo”. É claro que – obviamente. [págs. 139-141] I 1. “[A crónica] continua acolá…” (l. etc.1. “se mune” (l. opto) que configuram actos ilocutórios assertivos. O deíctico “isto” apela ao saber compartilhado já que faz parte de uma expressão que retrata um gesto que tem que ser conhecido pelo interlocutor – “não se deslocou nem isto” significa “não se deslocou nem um bocadinho”. Hipótese possível: “Não se importam de se debruçar mais?” Ficha formativa [págs. encontramos o autor à procura de tema para uma crónica. como é norma no que se refere às crónicas. 32). f. 65) – colocação do pronome átono antes do verbo: “me assusta” (l.1. directivo. “De início…” (l. “nossos olhos” (l.2. etc. V. “crónica”. “coração”. “frase”. 2. … c. 28). V. 2). outras [vezes] [a palavra] demora séculos. 3. “cauda”. V. nos apercebemos ).1. V. [Eu] nunca tenho uma ideia: [eu] limito-me a aguardar a primeira palavra. 3.a pessoa do plural – olhamos. “bloco” . “Estou aqui…” (l. “meu café” (l. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor II | Pretextos | Tópicos de análise do Texto 2 ■ 1.1. “ a se convencer” (ll. “garçom”. “olho”. b.1. “pele”. As expressões que conferem a este excerto coesão sequencial/temporal são as seguintes: “E então…” (l. formas verbais na 1. “revista” . “advérbio”. 5). “fêmea”. V.1. “papel” . o texto (crónica): “palavra”. etc. . Por exemplo: “Como nasce uma crónica”/ “O escritor à procura da crónica”. se há muitos – embora/ainda que haja. 4.) d. 2). suspeito. “escritores”.3. a opção por verbos que exprimem uma opinião (parece-me. “romances”. – construção aspectual (utilização do gerúndio): “estou adiando” (l. 23-24) e “quando…” (l. – diferente utilização das preposições: “Visava ao circunstancial” (l. 33). “chifres”. ainda. “cabeça”. 18. b. “está olhando” (l. “de seus três anos” (ll.. 2. 6). “Depois…” (l. 19). “livros”. 134] ■ variedade brasileira do português: assinalar as diferenças encontradas em relação à variedade europeia: a. 3. gozei. 57). de salientar.1. – e na 1.) P – Português. 3.20 Caderno do Professor | Resolução das actividades do manual | Textos | 7 Compreender [pág. a crónica.1. 2. O tema é o processo criativo que está na base de uma crónica. “cotidiano” 1. Estes dois advérbios marcam a distância entre o enunciador do discurso (eu) e o ‘objecto’ a que se refere. 135] 1. a. 16). “esferográfica” . Neste texto. “em torno à mesa” (l. “pescoço”. 48). 15-16). prefiro. “macho”. c. 25). Embora a palavra saudade seja de difícil tradução. e. “imagem”. Os saudosistas. 137-138] 2. “parabéns pra você” (l. planos morfológico e sintáctico: – utilização do determinante possessivo sem artigo: “de seu disperso” (l. 62-63). l.a pessoa do singular – leio. Traduzir determinadas palavras é quase impossível. F (Através destas frases a cronista explicita exactamente a opinião contrária: a saudade é um sentimento que ela não aprecia particularmente.2. “É altura de…” (ll. 10). (l. d. “se afasta” (l. Funcionamento da língua [pág. Por exemplo: Assim – Desta forma. “costas”. “período”. V. 3. O animal (pacaça): “pata”. numa cena do quotidiano: a festa de aniversário improvisada de uma menina pobre. Na origem desta crónica esteve uma notícia que a cronista leu no jornal Público sobre palavras de difícil tradução. a.1. b. F. etc. 30) 2. actos que traduzem uma verdade assumida pelo locutor.

o mito é uma crença. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor . segundo uma votação realizada por mil linguistas. Em segundo lugar ficou “shlimazl”. que conduziu a sondagem. o problema é tentar transmitir as referências locais associadas a tais palavras”. o mito garante a unidade do grupo. III 1. uma história contada para aclarar um conceito abstracto. afirma a presidente da Today Translations. Eis a notícia que surgiu no Público: Palavra “saudade” é de difícil tradução A palavra portuguesa “saudade” foi considerada o sétimo vocábulo estrangeiro mais difícil de traduzir. da área Kansai. Assim. Em suma. a tolerar uma segunda vez. os mitos explicam factos incompreendidos. tendo uma função social inegável. que é a palavra em iídiche (língua falada por algumas comunidades de judeus oriundos da Europa central e oriental) para uma “pessoa cro- nicamente sem sorte”. de uma língua falada numa região da República Democrática do Congo e que significa “uma pessoa que está disposta a perdoar qualquer abuso pela primeira vez. Proposta de resumo: Proveniente do grego (mythos – narrativa. A mais votada foi “ilunga”. levada a cabo pela agência londrina de tradução e interpretação Today Translations. lenda). Por exemplo: “Nunca está feliz e vive preso ao passado. [65 palavras] P – Português. atribuindo-os à actuação de entes sobrenaturais. disciplinando e favorecendo os comportamentos e a solidariedade sociais. uma fábula.1. A palavra japonesa "Naa". 5.2. ao contar histórias sagradas. Jurga Zilinkiene. Predicativo do sujeito. 25-06-2004 (adaptado) 2. “Apesar de as definições parecerem bastante precisas.Módulo 3 Textos dos media I 21 5. mas nunca uma terceira vez”.” (orações coordenadas copulativas). povoadas de deuses e heróis. foi a terceira mais difícil de traduzir e significa “enfatizar declarações” ou “concordar com alguém”. in Público.

63-66) Logo depois. 2. A posição do adjectivo qualificativo é tipicamente pós-nominal.” (l. A partida da Graciete para o Canadá. 2. não o segue por questões de humanidade: por mais insignificantes que sejam.2. “o . 29-32) De seguida. 2.1. uma amiga velha/uma velha amiga”. 85-88. etc.1. P – Português. Primeiro. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor Oficina de escrita [pág. muitos armários” (ll. olho para fotografias a sépia.” 3. O adjectivo anteposto ao nome deixa de designar uma qualidade objectiva. ao serem atiradas pela janela. 150] 1. 98-99) Finalmente. “se enchia”. “assustava”. decide “aprisionar” as personagens no texto.2. ganhando rugas na cara e | Textos | 2 Compreender [pág. 11) “muito fria e escura” (ll. sapatos. 1. Compreender [pág.3. casacos. passando a avaliativo (valor subjectivo): a casa não era apenas grande em tamanho (“uma casa grande”).2.a personagem: “O velho. 148] 1. 2. “estremeceu”. A descrição é feita do geral para o particular. 53) 3. O narrador não segue o primeiro conselho pois não quer arriscar-se a que as personagens. algum enternecimento – “Eu comecei a enternecer-me. depois receio de que a personagem feminina lhe riscasse a secretária com os saltos. há sempre um parente de um parente que me faz saber que isto ou aquilo ‘lhe faria imenso jeito’.” (ll. O tempo verbal predominante é o pretérito imperfeito do indicativo – “era”. o narrador centra-se na roupa que é guardada dentro dos armários.1. (. 46-47) Seguidamente. pedindo ‘apenas uma lembrança. 1).2. o espanto. A repetição do adjectivo “inteiro” evidencia a duração temporal – foi uma vida inteira que a Graciete passou “debruçada sobre o enorme bastidor de madeira”. 92) “…o tique-tique dos saltos. é assaltado pela inquietação o que o leva a pedir ajuda a um amigo – “Mas o receio de que pudessem surgir mais personagens inquietou-me. (ll. 16-23).. toc.22 Módulo 4 Textos narrativos/descritivos I | Textos | 1 Antes de ler [pág. 29-30. 151] 1. na urgência do senhorio que me dá três meses para a ‘desfazer’.” (ll. 3. 15-16. Eis os dois últimos parágrafos do texto original: “Hoje regresso à casa. O cenário é um móvel com dois tampos. povoado de mesas. Os advérbios de tempo: “nunca” (quatro ocorrências) e “sempre” (duas ocorrências) – remetem para um estado de permanência.) E se ele estivesse armado? Pelo aspecto não parecia.…” (l. Finalmente. por exemplo. as personagens “sempre são gente.1. 2. a vontade de interferir – que acaba por controlar – “Sobreveio a tentação de lhe dar uma ajuda com os dedos. 34-38. Rasgo papéis de uma vida inteira. As onomatopeias são palavras acusticamente formadas com o objectivo de imitar sons ou ruídos. “abria”. 3. corredor enorme” (l.2. próprio para computador e impressora (ll. “… toc. quadros. É esta mesma diferença de sentidos que podemos encontrar. camisolas.. debruçada no bastidor. em “uma mulher grande/uma grande mulher. “acumulava”. 151] 1. 95-96) Então. jarras. causem algum dano aos “utentes da via pública”. 16). 2.2. eu era tão amiga dela!’ Só não consigo tocar nos armários dos lençóis. 146] 3.a personagem: “uma jovem loura” – ll. magrita.a personagem: “um homenzinho magro” – ll. (…) Agora. “dizia”. 33-39). cheia de vidros e quadros de gôndolas e açudes” (ll.” (ll.2. e 1. 3. 13-14). 20-24.2.. à medida que se vai percorrendo a casa – “uma grande casa” (l. “uma sala grande” (l. ou um rosto que não reconheço mas que me bate à porta e me enche a cara de beijos. 7-8) “o corredor enorme. de barba branca” – ll. 146-148) Funcionamento da língua [pág. distribuo louças. uma personagem de doze centímetros de altura. Os advérbios de modo “lentamente” e “cuidadosamente” apontam para o desvelo e para o tempo que era dedicado a estas tarefas (inúteis). 1-20)..1. “servia”. 41-46. Mas resolvi não interferir.. 48-50.. e 2. “desatavam” – tempo típico da descrição que sugere o aspecto durativo ou habitual e aponta para a repetição de uma acção no passado. quanto ao segundo. A pontualidade da acção é marcada pela expressão temporal “Um dia…” e pelo recurso ao pretérito perfeito – “foi”.” (ll. a saltar ao alcance dos meus dedos é que nunca me tinha acontecido.1. Recordo a Graciete. algum medo ‘disfarçado’ – primeiro do “homenzinho ginasticado”: “O que pensei logo foi ‘com este posso eu bem’.” (ll. Cada um destes espaços é descrito também através dos objectos que os enchem – “A sala. de inalterabilidade. (ll. a surpresa – “Não foi esta a primeira vez que me vi assediado por personagens. de gente de quem já nem recordo o nome.2. “arrumou-se”. espelhos nas paredes (…) e armários.

a desobediência. grinaldas. 40-41). a fé. faltava-lhe em fé” (ll. entre outras. . esses seres misteriosos que povoaram a minha infância. 1.Módulo 4 Textos narrativos/descritivos I 23 calos nos dedos à medida que o linho se enchia de flores. sem sombra de arrogância” (l. “tirar a existência”. além de uma educação um pouco mais esmerada” (ll. Ao contrário. [pág. a.2. Acto ilocutório directivo (pretende conduzir o interlocutor à realização de uma acção). 156] 1. 6. 1. também chamado conto etiológico – relativo ao estudo sobre a origem das coisas ou das causas de certos factos. 34). Assim.2. P – Português.1.3. “Sem dúvida”. 153] 5. Quando o segundo anjo se recusou a voar sem asas.3. poderíamos ter. “respeitoso e de poucas palavras” (l. mas voava. com o quarto anjo. não me perdoem por não ter sabido continuar a esperar por elas. respeita claramente um dos princípios pragmáticos que é determinante no desenrolar da interacção discursiva: o princípio de cortesia.° anjo – “mais prático e destemido” (l.2.1. Por exemplo.° anjo – “lhe faltava o essencial.1. Observação: O exercício 3. o prefixo des. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor | Textos | 4 Antes de ler [pág. a lição do terceiro anjo parece ser a de que a obediência cega não é um bom princípio. Homonímia.1. “o que lhe sobrava em disciplina. Paronímia. 1. é preciso acreditar. 1. a ideia de acção contrária. 33). O princípio de cortesia pode determinar. 6. ou seja. fenómenos – tão frequente nas culturas africana. uma certa suavidade da força ilocutória dos actos directivos. Trata-se de um advérbio. Quando o primeiro anjo lhe desobedeceu. asiática e ameríndia. “mandou”. talvez/provavelmente/quiçá.° anjo – “um anjo alegre.” | Textos | 3 Antes de ler [pág. 5. portanto. 2. 3. 2.2. expressão que evidencia um grau máximo de certeza.° anjo – “um sujeito mais cordato e delicado” (l. “humilde. o quarto anjo transformou-se num ‘instrumento’ de Deus: “Diz-se que esse anjo sem asas se passeia entre os homens (…) incógnita. O neologismo “descriou-o” significa. o Criador apiedou-se dele e deixou-o ir. remete para o conceito de modalidade. por exemplo: “Não te importas de tirar as asas e voar?” ou “E se agora tirasses as asas e experimentasses voar?” 2.” (ll. Compreender 1.1. 1. “ordenou-lhe”. Para tal. 56-58). 4. “exigiu-lhe”. A forma como Deus reage à recusa dos dois anjos está directamente relacionada com a forma como cada um deles a formula: enquanto que o segundo anjo se dirige a Deus respeitosamente. 157] Observação: Através da leitura deste mito tradicional chinês.2. voava mal. por exemplo. embora. a temeridade. Assim.”. 27). 4. 19). Desempenha a função sintáctica de modificador da frase. 6. 2. Provavelmente porque o segundo anjo se libertou da mão criadora e vive. o primeiro anjo opta por escolhas linguísticas não adequadas ao tipo de relação entre os interlocutores (É o ‘a quem se vai dizer’ que condiciona o ‘o quê/como se vai dizer’). um sujeito mais cordato e delicado. O segundo anjo era. Exemplos possíveis: porém/contudo.1. descriou-o”. O sentido da metáfora é resumido na frase que se lhe segue: “Enfim. Podem ser apontadas. a imprudência. sensibilizam-se os alunos para o conto sobre as origens. Coesão interfrásica (Após). em comunhão com a natureza. voava. 16-17). ao contrário do primeiro.1.” (ll. entre outros. “Criar” significa “dar existência”. 3. 155] 2. 46-48). anáfora pronominal (lhe/ /aquilo) e elipse (“[Deus] explicou-lhe…”) 5. o segundo anjo. Homofonia. Uma interpretação possível: Cada um dos anjos dá-nos uma lição: com o primeiro e o segundo podemos aprender que a humildade e a capacidade de adaptação do discurso à situação de comunicação nos ajudam a conseguir os nossos objectivos. até um pouco simplório (…) grande talento.2. 3. já que/porque. b. 3. a grande lição parece ser que podemos conseguir mesmo aquilo que aparentemente é impossível.exprime. 4.1.1. Deus “num rápido gesto de enfado. Funcionamento da língua [pág. sem obrigações. aves do paraíso – e receio que as visitas. a ambição.1.

23). 8. ele (ll. “… para fazer pousar o sonho dela e desencorajar os seus infindáveis ‘e depois. Américo Pedrinha “era feliz e ninguém sustentava qualquer dúvida a respeito de tal felicidade. Era “um homem folgazão de barriguinha inchada” (l. 19-20): verbos formados a partir de lua (= transformar-se em lua) imensidava (l. 91-92).1.1. 29): des.” (ll. 3. 14. 14). g. 4. trovejantes” mas passageiras (ll. infantil. “luarejar”. Funcionamento da língua [pág. c. | Textos | 5 Antes de ler [pág. No texto.. 3. “indisposições” “negras. b. desinquieto) estrelinhada (l. 43): = estrelada. entre outras.. 30.1. 16). “[no seu] em seu poleirinho” (l. 7. m. “Me deu” (l. em desgastar ..” (ll. seus (ll. 34). Compreender [pág. 3. 12. 6. ave* (ll. 4. 3. vinhas. 94-95… Compreender [pág. 21-42.” (ll. 17).. 4.2. 10) [deu-me]. 2. 35-39. e. 16) [chamavam-na]. luarejar (l. 33)). 98-100). ‘explica-se’ a origem do cacimbo: “Sobre as primeiras folhas da madrugada.. há (desinências verbais de tempo). De tanto sonhar. A primeira parte do conto é uma espécie de introdução à história da avezita. 33. 16). que é amigo de crianças”. permitindo compreender o contexto em que ela surge. ll. e 2. 160] 1. 76-88.2. 2. 1). d. desenlace – ll.exprime aqui a noção de reforço (como. e 1. “calvo e baixote” (l..1. não era dado a aventuras (ll.3. 43-46.. 10) e tem dois filhos – “um rapaz solene (…) e uma rapariga (…)” (ll. É “ser lua”. 3. 89-91. Situação inicial – ll. 19. 13-15.2. 16. com frequência.1. 16. “[Os] Seus colegas” (l. 35) Pode ainda referir-se a recorrência pela repetição do determinante possessivo: seu (ll. 165] 1. 13. infantilidade) desalisou (l. 3.1. 3. ela (ll. 30. Recorrência: nominal com repetição do nome: avezita (l. agigantava) insistonto (ll. a avezita não estaria muito satisfeita com a situação (“Triste.3. ela chorou. por exemplo.4. 19). f.2. Ver Observação em Antes de ler. rosnadas. 9. 35-37)). pág. Rita tem dificuldade em adormecer porque é assaltada por medos. A menina quer sempre mais. parte preparatória – ll.1.. A origem do cacimbo (nevoeiro denso que se forma à noitinha em alguns pontos de África. pronominal – lhe (l. 16-17): insistente + tonto menineira (l.1..1. tombam gotas de cacimbo. de Antes de ler. j.+ alisou. 11. 10-11). 18): esta palavra existe como adjectivo. 35) e mostrava uma educação pouco esmerada (“soltava estrepitosas (…) digestões. São lagriminhas do pássaro que sonhou pousar na lua. “Lhe inventei” [inventei-lhe] (l. O pai de Rita não consegue o seu intento de a adormecer contando histórias. 24. chuva miudinha).24 Caderno do Professor | Resolução das actividades do manual No conto de Mia Couto. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor 2. nesta perspectiva. 46). 5.. 80-88). 34) nominal. a. 44-45) ■ ■ * Nota: as palavras assinaladas aparecem duas vezes – as duas primeiras – e três vezes – a terceira – pelo que. Mia Couto utiliza menineira como nome (= criancice. h. “[A] Minha filha” (l. pássaro* (ll. a avezita acabou por ver o seu sonho tornar-se realidade. Apesar dos pequenos desacordos típicos de qualquer família. 28-29). Deixis pessoal: Eu..3. Aida (l.2.4. avezinha enluarada (ll. 6) e luarar-se (ll. no final desta história.1. Neste conto aparece encaixada a história que o narrador conta à sua filha. Cf. 27.2.3. Rita ouve na rua relatos de crenças tradicionais que aumentam o seu fascínio em relação à lua. voltou a ouvir a pergunta de sempre. 3. Ainda não foi desta vez que conseguiu o seu intento já que. passarinho sonhador (ll.4.’ ” (ll. me Deixis espacial: aqui.1. O uso dos adjectivos “cativa” e “aprisionada” sugerem que. “Os outros lhe chamavam à térrea realidade” (l. 1. 31). com substituição lexical – passarinho* (ll. Américo Pedrinha é casado com D. 27. 17.. tu. 10.1. nó da intriga – ll. . l. 4. 14): forma do verbo “imensidar” (= crescia. provavelmente. Tinha.” (l. vinhas (verbo de movimento) Deixis temporal: sonhei.3. O narrador é o mesmo. com o significado de “que tem aparência ou modos de menina(o). ■ 3. ■ ■ ■ ■ ■ ■ 4. sonhaste. 21. 22). 31). i. P – Português. 43-44). 161] 1. 158) 1. falaremos também de repetição do nome. “[O] Seu sonho” (l. sua (ll. 16-20. Embora gostasse de apreciar as mulheres que via passar. Ver pergunta 1. 2. 11).2. O prefixo des. 25. 45-46. 159] 1. 13).

Olha agora se todos se lembrassem de dizer ‘Passem bem’ e de voltar as costas? Além do mais.3. Aida é contrariada pelos testemunhos dos amigos de Américo Pedrinha que “juravam a pés juntos que não lhe conheciam aventuras. cá vai correndo o tempo e o escritório ainda não fechou. 15-26). pensando vender a “quintinha” que era a menina dos olhos do pai (Cf. por sua vez. “arrotava”. chegando mesmo a forjar provas dessa viagem.1. 5.) um bilhete de domingo. de seguida. Depois da conjunção subordinativa temporal “Quando…”..” (l. 1. mas também porque gostava de cores fortes (“adorava azul-turquesa” (l. 173-174] P – Português.1. 128-129) e.3. e desvenda-se o mistério da situação estranha que a personagem estava a viver (ll. Apresentação de Tijoleiro. 133-136) e os efeitos que essa história terá tido em Américo Pedrinha.. 2. .1. 123-124). talvez por ser considerada absurda. 5. 3.” (ll.” | Textos | 6 Antes de ler [pág.”. 2.” (ll. “falam”. a mãe..2.2. isto pode fechar. depois de se aconselhar com “a velha Felisberta”. Mas isso é mal geral pelo país fora. decidiu não pôr luto. 51). Parte preparatória – “Pouco tempo após (. ao Jardim Zoológico.” (ll. Os dois adolescentes não tinham orgulho na figura do pai (Cf.2. “são”. “tinha”. “Deste sonho inteirinho se apoderara D. O pronome demonstrativo com valor anafórico “aquilo” remete para o desaparecimento de Américo Pedrinha. “Na manhã desse dia (…) – comentaram os amigos. “homem moderno” e apreciador dos prazeres da vida. que ia morrer e que estava farto daquilo. 167] 1. Trata-se do discurso indirecto livre. Situação inicial – “Viveu em tempos (…) contra os seus planos e expectativas. 57-58). 28-31)). por isso. de Compreender. “mostram”.” (ll.” (ll. 33-102). Compreender [págs. 117-119). Ver resposta a 1. A expressão temporal “Ainda agora…” remete-nos para o presente pelo que os verbos se encontram no presente do indicativo: “forjam”. um conjunto de peripécias que vão levar ao desenlace. 68-69) como acontecia “em folhetins (…) e nas novelas da televisão.) miscelânea de todos os animais. 70-71). Provavelmente sentiam-se envergonhados com a forma como ele se comportava e daí o amor que sentiam em relação a ele ser “enervado e arisco”. 1-32). Por exemplo: – Pois é certo que as coisas no escritório não andam famosas – comentam os colegas.. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor 1. 151-155). 54)). A suspeita de D. 4. talvez por nem sequer ser bem compreendida ou por ter saído da boca de um homem estranho “que cultiva nespereiras na varanda” (ll. A expressão temporal “Antes de…” introduz um conjunto de verbos no pretérito imperfeito: “sentiam”. Arnaldinho.1. Aida e os filhos fazerem contas à ‘herança’. 39). 168] 2. 2. Desenlace – “Desesperado (…) para um manicómio. “soltava”. O advérbio “enfim” introduz uma conclusão e “enquanto” é um conector temporal (conjunção subordinativa temporal) que remete para acções simultâneas. 5. Tijoleiro parece enlouquecer e é levado para o manicómio. Funcionamento da língua [pág. 80).” (ll. Os colegas de escritório imaginavam que ele poderia ter partido porque “as coisas no escritório não andavam famosas” (ll. 103-150) – Desenrolam-se. não merecer credibilidade. sugere que ele terá feito algo de semelhante.3.1. Nos dois exemplos da alínea anterior. Há alguma frieza na forma como esta questão é encarada: a filha tinge os vestidos de preto porque “a moda era o preto” (l.” (ll. E acrescentam: – De um momento para o outro. 93-116) 4. a partir da linha 103.2. talvez para não terem que passar por aquilo que sentiriam como sendo mais uma vergonha perante os amigos. os verbos aparecem no pretérito perfeito: “desapareceu”. ao contar o enredo do filme em que “os índios sentem chegar a morte e se retiram. 1. dirigindo-se. Tijoleiro visita o Museu Histórico e.2. (…) seus cavalos. 2. Os filhos fizeram constar que o pai “andava viajando pelo mar” (l. 3. A analepse consiste no relato de acontecimentos anteriores ao presente da acção. Por exemplo: “Nos seus tempos – (…) do bom vinho francês. ao almoço. “começaram”. Aida (…) femininas. Aida “ suspeitava (…) que o homem se deixara encantar por alguma mocinha” (ll.1. ll.” (ll. D. 27-28) e “E até os filhos (…) projectavam na venda da quintinha todas as suas esperanças…” (ll. “era”. toma uma pílula que havia roubado de uma das salas do Museu.” (ll. Discurso indirecto: “Américo Pedrinha disse-lhes que passassem bem. 37-38).Módulo 4 Textos narrativos/descritivos I 25 2. A versão de Arnaldinho não foi tida em consideração porque “ninguém sabia o que fazer com ela.” (ll. para não “parecer a Deus e às línguas deste mundo” que tinha “pressa de se encontrar viúva.2. Nó da intriga – “Com um sorriso (. a primeira analepse dá-nos conta do ‘sonho’ de Américo Pedrinha e a segunda relata os últimos acontecimentos antes do seu desaparecimento. Por exemplo: o facto de D.

“despreocupados” e brincalhões. “majestoso”. Tijoleiro entra no átrio do Jardim Zoológico. Neste último parágrafo. o puma (ll. “… atónito e desorientado…” (l.. usa esse facto como pretexto para dizer que também não gosta dela. a acção desenrola-se num restaurante e. E. bibe preto. como não gosta da família dela. “… a sua angústia e o seu pavor…” (l. modelada e principal.2. com “dois grandes olhos castanhos ”.1. “bípedes horríveis. mas como está convencido de que ela gosta de Luciano. 5. “É bem bonita. “… e foi imenso o que nele se perdeu. No museu. 30-32) Note-se que. “melancólico”. P – Português. 117-119. 7. 107). Entre outros. 6. É orgulhoso. 138-139) suportando “a sua prisão com decoro” e “cheios de humor”. andavam em liberdade. emproados. 4-8). Tijoleiro tenta. “Mas ficou desiludido. deixar de se parecer com os homens que os animais tinham acabado de desmascarar diante dos seus olhos e que se tinham transformado numa “desagradável sociedade de seres semelhantes a animais. de forma indirecta. 4. nem anular outros pontos de vista.26 Caderno do Professor | Resolução das actividades do manual 2. achava os visitantes uma “gentalha”. um grande laço preto.3. um “profundo desdém. 4. no início da segunda parte. Tijoleiro procurava encontrar nos seus semelhantes algum sinal de compreensão da “sua angústia” e do “seu pavor”. brincam juntos e estão ambos apaixonados por Lena. 3. 135). impulsivo. o leão (l. ll. 35-36) 3. o gnu. Júlio – é também caracterizado sobretudo psicologicamente e indirectamente. airosa e veloz. Gosta de Lena mas.” (l. “Horrorizado num susto indescritível…” (l. 117). No Museu Histórico.1. o lama. Esta personagem é dinâmica. desesperadamente.5. 133-135). As sequências desta narrativa são encadeadas. “… ficou aterrado até ao mais fundo do seu coração. nele. O conceito do que é ‘normal’ não pode nunca ser separado do contexto social e cultural. ll. Tijoleiro passa do desespero à vergonha de si próprio. não declara esse sentimento a Lena. muito contra os seus planos e expectativas. “com voz grossa”. sobre os cabelos claros. finalmente.2. os macacos Maqui (ll. Não deve. Cf. o cabrito-montês. pois o tempo da acção desenrola-se de forma linear. Luciano – é caracterizado psicologicamente pelas suas atitudes e reacções. a Lena. ser considerado como único. portanto. Ficha formativa [págs. como ele próprio o confessa e como se vê através de muitas das suas atitudes. malcheirosos e indecorosos” e “emproados”. apelida Tijoleiro de “ orgulhoso ” e “ estúpido ”. é apresentado mais um indício: “Talvez tenha sido este. em relação a Tijoleiro. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor . um pouco atrevido.” (ll. de tal modo que o fim de uma sequência é o início da seguinte. 113). alguma tristeza quando fala com Juliano pois gostaria de estar no seu lugar. degenerados. um tremendo desprezo. a camurça.” (ll. Uma leitura possível: O julgamento que fazemos acerca dos outros e do mundo é apenas o ‘nosso’ olhar.2. 81-86). um pouco arrebatado. 49-50.3. depois. resignação e tristeza” manifestava. sentindo o prazer da corrida.4. O chimpanzé (ll.. 125-130) “todos o desconsideraram” e não compreendiam por que razão estavam eles presos enquanto que os homens. chamam-lhe “unhas-de-fome”.1. Gosta de Lena. o seu mal. 65-74. Lena – caracterização física directa: “Vinha de sapatos pretos. mentirosos…”. 142). 9).”. “belíssimo”. 97-98).3. 103). a descrição do fato e da bengala de Tijoleiro (ll. Nota-se. não tem coragem para assumir esse sentimento. Toda ela vestia de luto carregado. e 4. 132-133) digno e sábio. os ursos (ll. Júlio e Luciano são amigos. o momento em que Tijoleiro rouba a pílula (ll. No fundo. apareceu a descoberto o colo muito branco que formava com o rosto uma mancha alva no meio do luto. O vento abriu-lhe o bibe e. 62-63. 137-138).3.1.2. 4. 5. por momentos. 41-44) e dos objectos expostos nas diferentes salas (ll.1. “– Parece uma andorinha (…)” (l.” (l. De seguida. primeiro amável e. 146). 177-179] I 1. 116-122). 87-88) e no restaurante o momento em que decide tomá-la (ll. pois não é bom que o homem fique só. 110-113). o falcão-das-torres (ll. cujo “ olhar expressava nobreza. 3. 104-109) – “grande”. a pantera (ll. 38). sendo a última dedicada às superstições na Idade Média. 3. os javalis. “sombrio e altivo”. “Com um sorriso de boa disposição…” (l. 41-45. 4.” (ll. os gaios (ll. Ao arrancar do corpo as peças de vestuário e adereços. 59-60. aristocrática e comedida. Mas os seus movimentos eram leves e cheios de vivacidade. 2. pois. “Perturbado…” (l. 140). Passou. Tijoleiro passeia por três salas que têm expostos objectos diversos. precisamente. 8. 54-57.” (l..3. meias pretas.2. está profundamente transtornado e desorientado. porquanto teve um fim precoce e estranho. 4. o alce (ll.

onde os rapazes jogam berlinde. 7. Júlio gosta de Lena mas sabe que não tem qualquer hipótese de ser correspondido. numa exagerada surpresa”) vem destacar esta vontade de chamar a atenção de Luciano que insistia em fingir que a ignorava. Substituições possíveis: 1. Acrescentou que ela [Lena] andava sempre à volta dele e que ele corria com ela e que. Lena gosta de Luciano.. 4. 9) é extremamente expressiva e revela carinho e admiração por Lena. Em conclusão. se fosse com ele. Luciano cortou dizendo que tal não tinha acontecido/não era verdade.1. 54). ■ O segundo diálogo é esclarecedor quanto à personalidade de Luciano (“. o diálogo caracteriza indirectamente as personagens e contextualiza o narratário. O que Lena pretendia. com um ar superior. Proposta de discurso indirecto: Júlio disse a Luciano que não o percebia.a ocorrência: “reagiu”. A acção passa-se num largo cujo chão. 5.1. “comentou”…. que vai tendo para com Lena atitudes que contrariam aquilo que sente por ela.” l. A comparação utilizada por Júlio (l. ■ ■ 6. 12).. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor . ela tinha passado sem o olhar e ele tinha ficado danado. “protestou”.1. a ocorrência: “ declarou ”.. é de “pó alvacento” (l. Luciano gosta de Lena mas não da família dela. correndo em círculos cada vez mais largos.. acrescentando que. era aproximar-se de Luciano. naquele momento. 2. A forma como se refere ao carreiro de formigas (“exclamou ela. já ele a namoraria. exclamou”… 8. sem circulação de viaturas. P – Português. É através do primeiro diálogo – entre Luciano e Júlio – que ficamos a perceber as relações entre as três personagens: Embora o negue. Júlio sorriu com tristeza e replicou que bem tinha visto que ele tinha ficado danado.Módulo 4 Textos narrativos/descritivos I 27 3. Trata-se de um lugar sossegado.

j. l. Anoiteceu de repente. 1. 7. complemento agente da passiva 9.1. ➜ sujeito simples 4. Chegaremos por volta das cinco da manhã. l. conjunção subordinativa condicional 9. ➜ modificador do nome apositivo e. b. 6. c. h. ➜ orações coordenadas conclusivas b. (…) antes que os convidados tivessem chegado. c. n. 5. d. 2.. m. 4. e. A condenação do réu era esperada. ➜ complemento do nome 1. i. Ali não há nada interessante. O jantar de aniversário foi muito participado. a. quantificador determinante nome verbo adjectivo ■ ■ ■ ■ 11. Ontem: advérbio. b. b. b. a. [págs. Quando o Sol se põe (…) ➜ oração subordinada temporal b. e. j. A decisão do Governo foi bem recebida. 5. modificador preposicional 7. vítima 4. a. um verbo copulativo 6. 2 | Ficha informativa | 6 1. d. 1.2. Exemplos: a. e. c. 2. b. g. Exemplos: a. a. ➜ complemento do nome c. (…) onde há silêncio. Existe na I e na II. Eles regressaram a casa. a. g. e. Os bilhetes serão comprados pelo Pedro. Uma mulher idosa era visitada pela Laura. 3. b. todos os dias. Bolas! : interjeição. d. c. interjeição 10. (…) porque não esteve atento. 8. 6. nascer comprar estar chover ■ ■ ■ 7. 3. A representação do Auto da Barca do Inferno foi vista por todos os alunos. d. por um verbo auxiliar aspectual + preposição “de” + verbo no infinitivo b. a. 3. e. f. d. 6. b. 204-207] 1. ➜ modificador do nome restritivo b. e.. Nunca me diverti tanto na minha vida nem andei tão descontraída. meteorológico: adjectivo. 4. Sujeito simples.1. ➜ modificador do nome apositivo f. a. m. 1. arroz inteligente nadar até ■ ■ ■ 8. 3. d. b. dulcíssimo. c. que vive no Porto. 4. b. a. complemento directo 6. f. ➜ orações coordenadas adversativas c. sapientíssimo. (…) para que sejam feitas obras. amaríssimo. d. h. c. A avenida foi ocupada pelos manifestantes. ➜ orações coordenadas copulativas 3. predicativo do sujeito 7. i. 7. mas não estou cansado. d. 2. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor . [págs. chega hoje. Tito. a. j.1.1. predicativo do complemento directo 11. 2. fidelíssimo. 1. Soa o canto do pintassilgo. Porque se atrapalhou (…) ➜ oração subordinada causal e. É necessária uma revisão do contrato. a. c. Corri dois quilómetros. ➜ oração subordinada relativa sem antecedente f. interjeição conjunção preposição ■ ■ 12. ➜ complemento do nome d. 5. por um verbo auxiliar modal + preposição “de” + verbo no infinitivo c. c. O Rui.28 Bloco informativo | Ficha informativa | 4 1. 2. e. fragilíssimo. d. 14. 5. 4. 7. 5 12. 9. b. tendo por núcleo “letras”. b. 2 + 1. 5. l. ➜ oração subordinada temporal P – Português. b. i. 213-217] | Ficha informativa | 5 [págs. 4. g. foi colocado em Beja. testemunha 3. um vocativo 8. e. f. Pus o despertador junto de mim. Eles trabalharam toda a noite. ele : pronome. 9. 5. 2. 5 13. o meu primo. 5. b. d. 197-199] 10. ➜ oração subordinada final d. Enquanto: conjunção. portanto devem estar cansados. e. d. 13. a. ➜ oração subordinada causal c. 1. Ficas a estudar ou vens ao cinema? ➜ orações coordenadas disjuntivas d. 2. ➜ modificador do nome restritivo g. b.1. h. O meu irmão mais novo adoeceu. na próxima semana. f. 1. a. b. 4.

d. 10. Nós queremos falar com o teu pai. É uma pena que não venhas connosco. Exemplos: a. já na frase b. f. A Raquel disse que ia ao cinema. e. Fiquei em casa nas férias para que o trabalho fosse concluído. O teu rosto está branco como a cal. ➜ complemento directo e. (…) que eu. f. b. Os automóveis que andam a gasóleo são mais económicos. Ele nada disse embora vontade não lhe faltasse. (…) que ficaram exaustos. d. a. O Tomás teria desenhado a sua própria casa caso tivesse tirado o curso de Arquitectura.Bloco informativo 29 g. Logo que começou o filme na televisão. As saias que têm pregas usam-se muito este ano. b. Ele comprou tudo quanto havia na loja. A aluna pediu para sair da sala. h. b. ➜ oração subordinada consecutiva 9. c. O réu afirmou estar inocente. ➜ oração subordinada concessiva h. b. 11. 11. 3. c. não te telefonarei. 2. 5. Os alunos vão à visita de estudo ➜ oração subordinante. ➜ oração subordinada condicional 5. ➜ sujeito f. 1. f. b. como nunca ninguém disse ➜ oração subordinada comparativa. O resultado que obtiveste é fraco. 4. 7. Exemplos: a. b. 17. 14. ➜ sujeito c. ➜ complemento directo b. São uns indivíduos estranhos dos quais pouco se conhece. f. d. 1. e 15. orações subordinadas relativas restritivas 12. (…) que todos a respeitavam. d. Ele vive na casa onde tu moraste. c. Os alunos vão à visita de estudo ➜ oração subordinante. ➜ complemento directo 15. Afasta-te das pessoas que são agressivas. Ele falava tão baixinho que os alunos não o ouviam. 8. g. (…) se tu não estiveres presente. É importante que tu participes. 12. c. g. ➜ oração subordinada comparativa P – Português. e.1. d. É evidente que o Rui está interessado na Clara. Exemplos: a. g. A Rita come mais fruta do que doces. Aquela peça era tão monótona que muitos espectadores foram embora no intervalo.1. A Maria cortou o cabelo à Rita como se fosse uma profissional. ➜ oração subordinada completiva c. Pediram-me que tivesse paciência. a. a. a. (…) como se fosse um pequeno selvagem. Como lhe doíam as costas (…) ➜ oração subordinada causal c. (…) como se eu fosse transparente.1.1. Enquanto não me pedires desculpa. Só te telefonarei se chegar cedo a casa. Esta é a rapariga a quem o Rui se declarou. ➜ oração subordinada comparativa b. c. O jornalista perguntou se os impostos iam aumentar. e. e. O Raul combinou uma saída com os amigos. apenas os alunos que tiveram boas notas vão à visita de estudo. b. 2. 3. ➜ oração subordinada comparativa d. Os indivíduos que são bondosos tornam a vida dos outros melhor. Ele sentou-se num lugar da primeira fila para ver tudo. É já uma certeza que ele foi admitido. que dizia ➜ oração subordinada completiva. Quero que me apoies. a. e. c. (…) que viesse cedo. Exemplos: a. f. todos se sentaram confortavelmente. Convém que te despaches.1. (…) embora houvesse barulho. ➜ complemento directo d. a rapariga vestiu uma roupa fresca. que tiveram boas notas ➜ oração subordinada relativa explicativa 13. e. Ele conduz melhor que o pai. a. g. . Eles lembram-se de que tu fazes anos hoje. Ele devolveu o aparelho porque estava avariado. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor d. c.1. a. ➜ oração subordinada consecutiva b. Ele perguntou que horas eram. embora saiba que a mãe não concorda. 16. e 14. afirma-se que todos os alunos vão à visita de estudo. O calçado que é fabricado em Portugal é exportado para vários países. De acordo com a frase a. g. Preocupa-os imenso que os filhos estudem. que tiveram boas notas ➜ oração subordinada relativa restritiva b. Algumas pessoas envolvem-se em discussões que não servem para nada. Diz-se ➜ oração subordinante. a. a. c. 6. f. Ela trata a criança com mais cuidado que a própria mãe. A Joana declarou sentir um grande cansaço. Como o Sol brilhava intensamente. O livro de que me falaste é interessantíssimo. b.. Ele acredita em tudo quanto lhe dizem.1.

a. . a avó fez um bolo. ar ➜ aeronave. sesta – sexta ➜ parónimas 4.3. b. psicólogo 5. a. a flexão em número apenas afecta o nome da esquerda. cela (quarto) / sela (verbo selar . 13.1. c. hemeroteca ➜ colecção de publicações periódicas. a. (…) Alguns veículos (…). derivação (por prefixação) 4. 221-222] 1. espiar (espreitar) / expiar (pagar por uma falta) h. elegível (que pode ser eleito) / ilegível (que não se consegue ler) g. era – hera ➜ homófonas f. houve (verbo haver) / ouve (verbo ouvir) f. radiografia ➜ registo fotográfico obtido por meio de radiações. O álcool e o tabaco são drogas/vícios a evitar. e. cheque (forma de pagamento) / xeque (lance do jogo de xadrez) g. xenofobia ➜ aversão a pessoas estrangeiras. assento) b. derivação (por sufixação) 3.➜ usa-se hífen antes de r e h. homofobia ➜ ódio em relação aos homossexuais. 8. estrato (camada) / extracto (que foi extraído. anti. luz ➜ fotografia.30 Caderno do Professor | Resolução das actividades do manual 18. descrição (acto de descrever) / discrição (qualidade de quem é reservado) f. transpor – sobrecarga [págs.➜ usa-se hífen antes de h. b. cinto (adereço de vestuário) / sinto (verbo sentir) h. Quando terminou o espectáculo. c.1. Era necessário que acabássemos o trabalho. apreçar (indagar o preço) / apressar (acelerar) c. coser (costurar) / cozer (cozinhar) e. sobre➜ usa-se hífen antes de h. discoteca ➜ colecção de discos. hiper. alcatifa 8. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor 7. b. rio (nome) – rio (verbo) ➜ homónimas d. i. algumas pessoas manifestaram-se. c. II e IV) 19. 13. peão – pião ➜ parónimas c. cegar (ficar cego) / segar (ceifar) 6. derivação 11. situação-limite. ortografia ➜ forma correcta de escrever as palavras. c. a. teologia ➜ estudo de uma religião. vou tomar um banho. c. biblioteca ➜ lugar onde se guardam livros. ratificar (confirmar) / rectificar (corrigir) b. correcção: sofás-camas 12. e. lusofilia ➜ simpatia por Portugal ou pelos Portugueses.1. arqueologia ➜ estudo das civilizações antigas. a. e. fragmento) 5. d. (…) o tratamento desta doença (…). comprimento (extensão) / cumprimento (saudação) d. oração finita (III) e orações não finitas (I. colher (nome) – colher (verbo) ➜ homógrafas b. c. voltámos para casa. b. cem – sem ➜ homófonas e. geografia ➜ descrição da Terra. 13. Nos compostos morfossintácticos. pernoitar [palavra formada por parassíntese] 3. a. imigrante 10. água ➜ hidrogénio 9.e super. cinefilia ➜ paixão do cinema.4. r e s. economizar – gastar [págs. Mal chegue a casa. zoofilia ➜ amizade aos animais. | Ficha informativa | 7 2. que surgem como última hipótese. hidrofobia ➜ horror à água. concerto (espectáculo musical) / conserto (arranjo) d. d. 13. acidente (desastre) / incidente (acontecimento de importância menor) c. o valor semântico do nome da esquerda é modificado pelo valor semântico do nome da direita. longe ➜ televisão. caligrafia ➜ arte de escrever bem à mão. c. zelo – cuidado 2. bibliofilia ➜ amor aos livros. Como se lembrou dos netos.2. 219-220] | Ficha informativa | 8 1. agorafobia ➜ medo dos espaços abertos e dos sítios públicos. b. previsão (anterioridade) 6. Exemplos: a. situações extremas. d. despensa (lugar onde se guarda algo) / dispensa (permissão para não cumprir algo) e. grafologia ➜ estudo sobre a escrita. a. ouvir ➜ audiovisual. Porque estavam preocupadas com o encerramento da fábrica. composto morfossintáctico. pinacoteca ➜ colecção de quadros. d. P – Português. filologia ➜ estudo dos textos escritos de uma língua. c. a.

A última fala do Pai Natal contribui para a intenção crítica do cartoon exactamente porque aquilo que aí é dito não tem qualquer relação com a observação feita pela criança. Todas as noites. P – Português. pendura. fiéis. produzindo um acto ilocutório directivo (“Faça. a. 5.1. i. padre. escaldou-se]. O uso do modo condicional (Preferiria) em vez do presente (Prefiro). O emprego do verbo auxiliar modal poder atenua uma ordem: Vai ter comigo à escola. 5. bem-bem-bem. com o objectivo de atenuar uma ordem. ele queima montes de dinheiro. introduziu. estrela s.: nega um eventual acto ilocutório compromissivo (“Não prometa!”). Exemplos: 1. belíssimo ■ ■ ■ ■ [págs. líquido c. astro b. 1. h. [fig. metal 8. 5. sigla b. árvore (…) b.] = sentido figurado.m.1.Bloco informativo 31 d. plantar. sigla. 223-224] 1. escorreito. 227-228] 1. sólido geométrico limitado por faces que são polígonos planos. gruta s. O Pai Natal tenta fugir à questão colocada pela criança pois tem consciência de que não consegue dar-lhe uma resposta satisfatória.f. 1. Estas últimas não são apenas quatro. especialista em geografia.: acto ilocutório compromissivo (exprime um “compromisso” do locutor em relação à realização de uma acção futura). 3. e. d. “queimar” significa “desperdiçar”. acrónimo. Porto Editora) | Ficha informativa | 11 [págs. j.m. 4. guardei / coloquei / arrumei. l. poliedro s. b. cinema s. a. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor | Ficha informativa | 10 1.f. uma onomatopeia c. “deixar passar”. a. b. [= reduzido a cinza] 6. No anúncio. instalar. (Grande Dicionário Língua Portuguesa. água s. a. não é pertinente. Polissemia é a propriedade de algumas palavras de apresentarem mais do que um significado. 4. pousaram. joga-se com dois dos significados de “estações”: os quatro períodos em que se divide o ano – as quatro estações do ano – e os locais de atendimento ao público dos CTT – as estações de correio. d. 2. Utilização de uma frase interrogativa em vez de uma frase imperativa. a. escreve. A inserção da expressão Peço desculpa. acrónimo. arte (…) 4. portanto. b. 4. Neste contexto. Campo lexical de religião: igreja.2. grupo verbal.1. definiu / determinou / indicou.m. [= torrar]. a. Uma mistura de sentimentos o invadiu (…). interjeições 2. g.2. e.1. “desaproveitar”. c. geógrafo s. crença… Campo lexical de sintaxe: sujeito. bão-bão-bão. embelezar beleza belíssimo belamente Florbela / belas-artes / bel-prazer ■ 3. [= sofreu queimaduras. c. castanheiro s. contrato.1. acrónimo.f. 7. 2. atribuir. e 4. ouro s. efeminado indefinido trovoada privilegiado desequilíbrio ■ ■ ■ ■ ■ . (…) São estas as minhas flores preferidas.f. roseira (todas as outras palavras pertencem ao campo lexical de árvore). 225-226] 2. São vocábulos monossémicos. vocativo. | Ficha informativa | 13 [págs. f. c.2. cavidade (…) c. Deixei queimar a sopa. 3.3. acrescenta.1. Anúncio A. mas não faço milagres!” 2. cama (todas as outras palavras pertencem ao campo lexical de medicina). o enunciado por ele produzido não tem qualquer relação com a observação anteriormente feita pela criança e.m. c.”) (pretende conduzir o interlocutor à realização de uma acção). [= gasta]. subordinação… 6. Sentido conotativo. Com o incêndio tudo ficou queimado. isto é. deus. sorte (todas as outras palavras pertencem ao campo lexical de futebol). b. Ele queimou-se com água a ferver. fonologia s. depositar. a. LINGUÍSTICA disciplina linguística que estuda e descreve os sons como unidades distintas (fonemas) e a sua função no sistema linguístico. Por exemplo: “– Eu sou o Pai Natal. De um artigo científico exige-se objectividade e rigor. Na última fala do Pai Natal não foi respeitada a máxima da relevância.m. 233-234] 1.1. | Ficha informativa | 9 [págs. predicado. Anúncio B. 3. mas mil. de uma notícia espera-se a apresentação objectiva dos factos.

Por exemplo: “Não vamos deixar que isto aconteça!” 5.: água. se eu estivesse no teu lugar. Por outras palavras Além disso Em resumo Todavia 5. 241-243] provavelmente No entanto por exemplo a verdade é que Ou seja E No fundo Mas 2. Não haveria plantas. utiliza uma expressão cujo sentido literal é diferente da intenção de comunicação.1. Fabricam-se tapetes e cestos com as suas folhas. não haveria vida.1.. [Sem água] Não haveria plantas. Põe a mesa.1.2. Este enunciado configura um acto ilocutório indirecto porque. semelhantes aos dedos de uma mão aberta.” c. Pese-me esta fruta. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor de facto Isto é. e sem margem para dúvidas Em suma Acredito que E. oposição.” 3. magma.. Substituição lexical por sinonímia: água. 4. nem animais. 6. Conectores textuais Valor exprimir um facto dado como certo exprimir a dúvida articular ideias de contraste. e 4. Esta encheu as depressões que havia no globo terrestre e nasceram os oceanos. 2. Apaga a luz da sala! b. por favor. o hidrogénio e o oxigénio. d. certamente ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ . Por exemplo: a. “Fico contente por estares a estudar para o teste de Português.. possivelmente porém Na realidade. muitos milhões de anos depois. por exemplo: “Sem água. aqui. explicar uma ideia adicionar e agrupar elementos e ideias resumir.1. Não deixes tudo para a última hora! c. reuniram-se as substâncias químicas que dariam origem à vida: o metano.. por ex. Quando o locutor.. Por exemplo.3. Neles. João.1. globo terrestre.. Trata-se de um acto ilocutório compromissivo (… juro por minha honra…). ■ ■ Hipótese de substituição Sem dúvida talvez mas A verdade é que Especialmente Indubitavelmente quiçá. o nome Terra aparece no 2. Terra. A maioria delas cresce em climas quentes. Proposta de solução: A palmeira mais conhecida possui folhas que se abrem exactamente no seu tronco. líquido. como hipónimos do hiperónimo [formas de] vida e os três segundos como hipónimos do hiperónimo substâncias químicas. repetição do nome. Por mais… que parece-me que muito menos Na minha opinião Bem sabemos que justamente Porém Depois. Contudo nomeadamente | Ficha informativa | 15 1.2.” – os três primeiros elementos sublinhados funcionam. mediante elipse ou supressão. 2. d. tendo em conta a capacidade do seu interlocutor para interpretar o enunciado. planeta. Por exemplo: a.. “João. através da substituição por pronomes. precisas de ajuda para estudares para o teste de Português?” 7. tendo um valor imperativo.32 Caderno do Professor | Resolução das actividades do manual 4. fluido. nem seres humanos para os observar.. nem animais nem seres humanos para os observar. As frases interrogativas passam a imperativas (a. planeta – a este processo dá-se o nome de renominalização: processo que consiste na repetição do nome (continuidade temática) quando a referência se pode perder. (…) Neles. estudava para o teste de Português..2. 4.3. reafirmar articular ideias de contraste.°. [págs. 4.° parágrafo e é repetido no 4. não haveria vida. muitos milhões de anos depois. 1. A ordem é: 2.) ou declarativas (e. P – Português. oposição exprimir um facto dado como certo exemplificar exprimir a dúvida articular ideias de contraste. e finalmente inquestionavelmente.” b. As palmeiras são plantas úteis.4. Algumas […] são arbustos e outras […] são trepadeiras. Naturalmente que Particularmente porventura..” 2. 4. Terra.). 3. oposição exemplificar exprimir um facto dado como certo esclarecer. “João. “Já começaste a estudar para o teste de Português.1. por exemplo: “Foi assim que começou o ciclo da água. estamos em presença de um acto ilocutório indirecto. está formulado como se de uma pergunta se tratasse. João?” d. Mas existem mais de mil espécies [. substituição lexical por hiperonímia e hiponímia: “Sem água.] e nem todas elas são árvores. c.

3. 3. 246-248] Discurso directo: “Os meus pais tinham uma herdade em Angola. Hipótese de substituição do verbo introdutor de relato de discurso: desabafou Discurso directo: “Quando o último dos meus cinco filhos se tornou independente. Vi um filme. Hipótese de discurso indirecto: [Maria Baptista] contou-nos que tinha trabalhado em fábricas.. depois numa loja de roupas com a minha filha. resolvi concretizar o meu desejo. Mas era natural. duvidou. P – Português. Se – indica uma hipótese. embora – anunciam uma ideia de oposição. onde plantavam de tudo. Mas sentia uma terrível frustração”.1. conduzia um tractor com atrelado que transportava os caixotes de fruta. fui costureira de peles. “(…) Não. e b. contounos. Apesar de. filosofou. Todos os filhos ajudavam muito. c. visto que – anunciam uma ideia de causa. lembra a camionista. espantou-se. e 1. A não ser a desavergonhada da garganta…” b. f. “(…) e passara menos mal. agora que tanto se demorava em Lisboa. e. tão linda quinta…” | Ficha informativa | 17 1. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor CPPORT14CP-03 . respondeu-lhe. Gracinha não sabia. a.. concluiu. desde a Páscoa. conduzia um tractor com atrelado que transportava os caixotes de fruta. que tinha sido costureira de peles. – Conhece Portugal? – perguntei-lhe. Porque. E ela disse-me: – Não.1. Tinha eu 50 anos”. resolveu concretizar o seu desejo. No original. pouco se aproveitava da Feitosa. Hipótese de substituição do verbo introdutor de relato de discurso: esclarece 2. e eu. os verbos são os seguintes: disse. e d. fui doméstica. especificamente. Passagens em discurso indirecto livre: a. inscrevi-me numa escola de condução para tirar a carta de pesados e articulados. desde que – indica uma condição. Um filme de que não me lembro o nome..2. Passou na televisão. [págs. Hipótese de discurso indirecto: A camionista lembra que quando o último dos seus cinco filhos se tornou independente. No dia em que a minha filha recebeu o seu ordenado. Foi ali que começou a sua paixão pelo pesado. Hipótese de discurso indirecto: Maria Baptista recorda que os seus pais tinham uma herdade em Angola. Todos os filhos ajudavam muito. recorda Maria Baptista. e ela. Proposta de discurso directo: A mulher que me serve café todas as manhãs quando soube que eu era português disse-me: – Lisboa é linda. de seguida numa loja de roupas. Tinha ela 50 anos. Hipótese de substituição do verbo introdutor de relato de discurso: relembra Discurso directo: “Trabalhei em fábricas. que tinha sido doméstica… mas que sentia uma terrível frustração. inscreveu-se numa escola de condução para tirar a carta de pesados e articulados. 4. No dia em que a sua filha recebeu o seu ordenado. especificamente. com a sua filha. Foi aqui que começou a minha paixão pelo pesado”.Bloco informativo 33 6.

. (…) O que se nos afigura mais difícil nesta exploração é fazer o inventário dos porcos que não criaremos. o que lhe permitia em média retirar um lucro anual de 350 dólares e houve mesmo um ano particularmente rentável em que ganhou 400 dólares. Exa. O assunto parece-me cheio de interesse. Senhor Ministro. vem criando porcos há muitos anos. perante uma superprodução de porcos. De seguida.. O célebre caso da não-criação de porcos. (…) Ficar-vos-emos extraordinariamente reconhecidos se nos responder o mais rapidamente possível porquanto julgamos que esta época do ano será a melhor para a não-criação de porcos e. Julgo que não estou a exagerar se disser que a economia tende para ser uma realidade virtual. A carta é assim: “Excelentíssimo Senhor Ministro. podendo nessa altura considerar a empresa dimensionada de modo a constituir um factor de progresso e engrandecimento da nossa região. Segundo afirma.. subsidiando os produtores que não os criassem. por isso. 2003 (texto adaptado e com supressões) 5 10 15 20 P – Português. Estimulado por este seu êxito decidimos iniciar na nossa propriedade o negócio da não-criação de porcos. além do muito que nos alegrará sabermos que deste modo estamos a contribuir para o bem-estar de várias pessoas que possamos utilizar nesta exploração e que por esta forma serão outros tantos empregados com ocupação. Nenhuma actividade do mundo compreende a economia. Neste quadro de circunstâncias. responde às questões formuladas. O meu amigo Richard é muito optimista quanto ao futuro da nossa exploração. (…) A economia (…) deixou de ter qualquer relação com a realidade para se passar por dentro da cabeça dos economistas que resolvem as grandes crises financeiras à mesa dos seus gabinetes. Como dizia o meu querido amigo Millôr Fernandes: “A economia compreende toda a actividade do mundo. Se os nossos planos forem cumpridos dentro das normas de uma sã administração e com uma produtividade sempre crescente esperamos muito brevemente atingir a não-criação de 40 000 porcos. Fazíamos tenção de começar modestamente pela não-criação de 2000 porcos que nos daria um lucro de 4000 dólares. Queira V. diria mesmo apaixonante. receber os protestos da minha maior consideração. enquanto. (…)” António Alçada Baptista. o governo resolveu limitar a sua produção. o que nos daria um lucro de 80 000 dólares. pretendíamos. O meu amigo Richard Hamilton recebeu este ano um cheque de 1000 dólares porque não criou porcos. gostaríamos de começar quanto antes. Presença. neste último ano. A Cor dos Dias – Memórias e Peregrinações. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor 25 30 35 fotocopiável .34 Ficha de avaliação – Módulo 1 Lê atentamente o texto. o que pode vir minorar um atroz problema social. por não criar porcos ganhou 1000 dólares. Ed. numa altura em que. Senhor Ministro. que nos mandasse informar quais são as regiões mais apropriadas para a não-criação de porcos e qual a melhor raça de porcos para não criar. (…) Se é possível receber 1000 dólares por não criar 500 porcos nós poderíamos receber o dobro por não criarmos 1000.” Já há para aí trinta anos que descobri uma carta que um senhor americano escreveu ao seu ministro da Agricultura.

Faz a análise sintáctica da seguinte frase simples: “Nenhuma actividade do 15 mundo compreende a economia. 15-16) P – Português. Explica. 2. nas suas duas ocorrências. Esta carta é dirigida ao ministro da Agricultura americano. Escreve duas frases. 5-6) . Relê o primeiro parágrafo do texto. Aponta duas razões que. “tenção” (l. simples ou complexas. terão estado na origem da decisão de iniciar a actividade de não-criação de porcos. fotocopiável 15 10 15 5. 2. passou a ser tratada apenas através das novas tecnologias. a carta reproduzida por Alçada Baptista. agora.2. Explica qual é a sua função relativamente ao assunto do texto. Lê.2. os economistas só se interessam por grandes crises financeiras. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor 2.Ficha de avaliação – Módulo 1 35 I 1. 1. 3.” (ll. Segundo o autor. 27) / tensão b. Faz o levantamento dos elementos que provam que se trata de uma carta formal. que permitam distinguir inequivocamente a diferença de significado dos seguintes pares de vocábulos: a. 2. 4.” (ll.1. 32) da região. por um sinónimo adequado ao contexto. 28-29) / compridos 4. Reescreve o último parágrafo do texto (antes da fórmula de despedida) imaginando que o emissor se expressa no singular e que a relação entre o emissor e o destinatário da carta é de grande proximidade.3. sucintamente. mais uma vez. 2.4. 20 II 1. os economistas não têm contacto directo com a realidade. a economia “tende para ser uma realidade virtual. 4-6) substituindo a forma verbal “com- 10 preende”. 4. em que reside o humor desta carta.1.1. 3-4) porque… a. “cumpridos” (ll. Reescreve a afirmação que se segue de modo a que passe a configurar um acto ilocutório compromisso explícito: 75 pontos 10 “(…) estamos a contribuir para o bem-estar de várias pessoas (…)” (ll. Retoma as palavras de Millôr Fernandes (ll. 2. c. b. Indica a meta que a exploração terá de atingir para poder “constituir um fac- 75 pontos 10 15 20 10 tor de progresso e engrandecimento” (l. segundo o emissor da carta.

50 pontos Luís Afonso. depois de descreveres o cartoon. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor B. in Pública. 18-12-2005 P – Português. Observa a imagem e redige um texto. de cento e cinquenta a cento e noventa palavras. Total 200 pontos fotocopiável . analises a sua função crítica.36 Caderno do Professor | Fichas de avaliação III Selecciona uma das duas propostas. Não te esqueças de deixar bem claro o motivo que está na origem da tua petição e de obedecer às regras formais que um requerimento deve respeitar. assinalando a respectiva alínea na tua folha de prova: A. em que. Transforma a carta que integra a crónica de Alçada Baptista num requerimento.

Como quando do mar tempestuoso Como quando do mar tempestuoso o marinheiro. não entra nele mais.Ficha de avaliação 1 – Módulo 2 37 Lê atentamente o poema. 5 e jura que. forçado pelo muito interesse cobiçoso4. Explicita o valor contextual da locução subordinativa que marca essa divisão. Atenta nas duas primeiras estrofes. Indica a decisão tomada pelo marinheiro expressa na segunda quadra. 2. 2. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor I 1. que de vós nunca se ausenta. só o ouvir falar nele o faz medroso. que da tormenta5 de vossa vista fujo.3. sossegado. faz tornar-me donde fugi tão perto de perder-me. tormenta: tempestade.2. 120 pontos 20 10 2. em que veja bonançoso3 o violento mar e sossegado. 5. Lírica Completa. de um naufrágio cruel já salvo a nado. lasso1 e trabalhado2. . trabalhado: maltratado. Este poema apresenta uma estrutura bipartida. 1. 3. mas vai. 1. responde às questões formuladas. De seguida. Luís de Camões. lasso: cansado.1. dá-me por preço ver-vos. bonançoso: calmo.2. assi. P – Português. por salvar-me. eu. II. 2. Senhora. 4.1. fotocopiável 10 10 10 2. IN-CM 10 1. Delimita as duas partes lógicas que o compõem. Identifica o sentimento do marinheiro em relação ao mar. jurando de não mais em outra ver-me: minh’alma. cobiçoso: ambicioso. Assinala a passagem em que se dá conta das razões do incumprimento da jura do marinheiro.

agora. 4. por salvar-me. Num breve resumo do assunto do poema. 5.1. num texto com cerca de cento e vinte palavras. Explica. significa: a.38 Caderno do Professor | Fichas de avaliação 3.” (vv.2. devidamente estruturado. relata esse episódio num texto que tenha entre cem e cento e vinte palavras. a tua autobiografia (real ou imaginada). “ausento-me da tormenta porque o vosso olhar me salva”. Relê. 10 10 10 20 10 II Selecciona uma das duas propostas. B. Analisa o poema sob o ponto de vista formal (esquema estrófico. b. 3. que é simultaneamente o narrador e a personagem principal. 80 pontos P – Português. assinalando a respectiva alínea na tua folha de prova: A. relata retrospectivamente a sua vida”. elabora. em forma de diário. faz corresponder os elementos da primeira parte da comparação aos da segunda. “ausento-me da vossa presença a fim de me salvar”. O excerto “(…) da tormenta / de vossa vista fujo. Depois.3. Recordando que “a autobiografia é um género narrativo em prosa em que o autor real. Identifica o recurso através do qual se identifica o interlocutor do sujeito lírico. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor Total 200 pontos fotocopiável . 9-10). “fujo da tormenta para me aconchegar sob o vosso olhar”. Não te esqueças que deves usar o discurso na 1. 3. o sentido do verso 11. Pensa na tua vida durante alguns momentos e selecciona um episódio muito bom ou muito mau. métrica e rima).a pessoa e prestar especial atenção aos tempos verbais usados e à articulação lógica das diferentes ideias. c. por palavras tuas. 3. os dois tercetos.

Só mesmo se não fosse o mundo todo Que na tua tragédia se redime. Publ. Não morre um povo! Não passarão! Seja qual for a fúria da agressão. degolar. Não passarão Não desesperes. responde às questões formuladas. As forças que te querem jugular1 Não poderão passar Sobre a dor infinita desse não Que a terra inteira ouviu E repetiu: Não passarão! Miguel Torga. Poesia Completa. decapitar. Só mesmo se a raiz bebesse em lodo De traição e de crime. Mãe! O último triunfo é interdito Aos heróis que o não são. Lembra-te do teu grito: Não passarão! Não passarão! Só mesmo se parasse o coração Que te bate no peito. De seguida. matar. Não passarão! Arde a seara.Ficha de avaliação 2 – Módulo 2 39 Lê atentamente o poema. Só mesmo se pudesse haver sentido Entre o sangue vertido E o sonho desfeito. Morrem filhos e filhas da nação. Dom Quixote 5 10 15 20 P – Português. fotocopiável . Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor 25 1. jugular: extinguir. mas dum simples grão Nasce o trigal de novo.

3. 60 pontos Total 200 pontos fotocopiável .a pessoa.40 Caderno do Professor | Fichas de avaliação I 1. o valor do advérbio de negação e do tempo verbal utilizado e a indeterminação do sujeito da frase.2.1. Indica os dois nomes que aí retomam a apóstrofe “Mãe!” do primeiro verso do poema. entre outros aspectos. Encontra a forma verbal que está subentendida nessa anáfora. 3. 3. 5. Relê a quarta estrofe. Substitui a repetição anafórica por uma conjunção ou locução conjuntiva condicional que não altere o sentido dos versos onde aquela aparece. Explicita o sentido da metáfora presente nos versos 17 e 18. 140 pontos 15 15 10 15 10 10 10 15 10 10 10 P – Português. 5. Comprova a veracidade da afirmação de 2. Explica. considerando. por palavras tuas. Clarifica o valor do modo verbal utilizado nos versos 1 e 4. agora. 2. 3. faz o registo em forma de diário de acontecimentos que tenhas testemunhado ou de que tenhas sido personagem.1. tal como o texto lírico. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor 10 II Um diário é um texto narrativo orientado. para a expressão do eu. 3. 1. 2. Num texto que tenha entre cento e vinte e cento e quarenta palavras. Relê. 3. 2.2. 4. Interpreta o uso da maiúscula utilizada na apóstrofe “Mãe!”. 4. que se caracteriza.4.1. Comenta a importância da repetição do verso “Não passarão!” e do recurso ao encavalgamento na construção do ritmo do poema. as estrofes dois e três. 2. Atenta no título do poema. pelo uso do discurso na 1.1.3. A última estrofe é uma espécie de síntese de tudo quanto atrás foi dito.2. Antecipa o seu sentido. 6. o sentido desses versos. num dos dias da passada semana. nomeadamente. Identifica a anáfora literária aí presente. Explica o predomínio do modo conjuntivo nestas duas estrofes.1. 4. A primeira estrofe esclarece o título do poema.

O vazio de valores das sociedades ocidentais conduziu a uma preocupação obsessiva com a fama. na Internet. A transformação de homens suados e feios em modelos perfumados e atraentes é a mesma que tende a substituir o mundo real por um mundo de ilusão. já não é só a sua capacidade futebolística – mas aquilo que se pode designar por “potencial mediático”. in Expresso. e que apenas se distinguiam por saberem dar uns pontapés na bola. os futebolistas não tinham obviamente de ser bonitos. Foram reciclados. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor 25 30 35 fotocopiável . (…) Beckham ou Figo até podem estar a jogar mal – mas. para um jogador ser famoso. produzidos. a par do seu rendimento em campo. também. o número de contratos publicitários que assina.Ficha de avaliação – Módulo 3 41 Lê atentamente o texto. De seguida. analfabetos. (…) Desde que os clubes se transformaram abertamente em empresas. o número de vezes que aparece em acontecimentos não desportivos. São “activos”. Procuram-se desesperadamente pessoas bonitas e famosas e os futebolistas não poderiam escapar à voragem. 13-09-2003 (texto adaptado e com supressões) 5 10 15 20 P – Português. (…) Claro que isto também é um sinal de que. também. A imagem dos grandes jogadores é vendida diariamente em todo o mundo nas páginas dos jornais e revistas. com todas estas mudanças. num jogador. nos ecrãs das televisões. responde às questões formuladas. bonitos e felizes). E. O que importa. puderem render fora do campo. vindos quase sempre das classes mais baixas. O passeio da fama Há vinte anos. eles continuam a ser excelentes negócios. os jogadores de futebol eram seres já idolatrados mas socialmente desconsiderados. Que acaba por ser. (…) Hoje. E tudo isso reverte. o dinheiro e a imagem. Quanto mais mediático for um jogador. maior será o número de camisolas vendidas com o seu nome (e o negócio das camisolas é hoje um importante negócio). de há vinte anos para cá. melhorados. de cruéis desilusões. a sociedade mudou muito. (…) A imagem dos futebolistas era a de uns tipos transpirados. já não basta jogar bem à bola. Como a sua função era jogar com os pés. A ideia dos jogadores como homens rudes e analfabetos passou – e as portas das festas de sociedade e das revistas de sociedade abriram-se-lhes. a favor do clube – dos seus cofres e do seu prestígio. Ora essas imagens terão tanto mais sucesso quanto melhor for o aspecto dos futebolistas. continuando as suas imagens a vender-se (ou as imagens dos respectivos casais. E os activos serão tanto mais rentáveis quanto. os futebolistas deixaram de ser apenas futebolistas. José António Saraiva. em vídeos. “posters”. cromos. o lugar dos futebolistas na sociedade também mudou. etc.

Noutros tempos. Identifica o facto da actualidade que esteve na origem desta crónica. Identifica. 3. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor 15 “E tudo isso reverte.1.42 Caderno do Professor | Fichas de avaliação I 1. uma conjunção subordinativa temporal. 2. 80 pontos 15 20 15 30 II 1. Relaciona os tempos verbais predominantes nos dois primeiros parágrafos com a expressão temporal que os introduz. também. no texto. recorrendo a: a. para cada uma delas. os antecedentes dos vocábulos sublinhados no excerto que se segue: 70 pontos 20 P – Português. c. Considera as duas frases simples: 15 Os clubes transformaram-se em empresas. uma conjunção subordinativa causal. Os jogadores passaram a “activos”. Identifica as funções sintácticas dos constituintes desta frase simples. uma frase complexa que dê conta da ideia-chave aí desenvolvida. 3. As transformações que os futebolistas sofreram nas últimas décadas relacionam-se directamente com as alterações operadas nos clubes. d. Delimita-as. 21) 3.2. Diz se as afirmações que se seguem são verdadeiras (V) ou falsas (F).” (l. 4. 20 fotocopiável . 3. 4. tendo em conta o texto: a. Transforma-as numa frase complexa. b. os jogadores de futebol eram idolatrados. a favor do clube – dos seus cofres e do seu prestígio. Redige. Há duas décadas. O texto pode ser dividido em três partes lógicas. b.1. O “potencial mediático” é a capacidade que um jogador tem de exercer bem a sua profissão.1. 2. A crescente valorização social da beleza e da fama é directamente proporcional ao aumento do vazio de valores da sociedade actual. 3. os jogadores de futebol eram já considerados ídolos e ocupavam um lugar de relevo na sociedade.

futebol. por volta de 1840. o futebol é um desporto fortemente mediatizado e massificado. com características comuns. 2006-08-18] Disponível na www: <URL: http://www. que viria a uniformizar as regras do jogo a nível internacional. numa primeira fase. Em termos económicos. (…) O futebol ultrapassou rapidamente o âmbito do terreno de jogo para ser dirigido por conhecidos empresários ou políticos. em 1843. Por outro lado. que também passaram a organizar campeonatos. que se realizam de quatro em quatro anos. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor Total 200 pontos fotocopiável . o futebol marca presença no imaginário colectivo contemporâneo. (…) A partir de 1930. As equipas mais importantes são geridas à imagem e semelhança das grandes empresas. sendo um elemento cultural e social a que os estudiosos têm dedicado merecida atenção.jsp?id=45761>. cada jogador ou treinador pode valer milhões. (texto adaptado e com supressões) 5 10 15 20 P – Português. Aos campos de futebol acorrem milhares de adeptos. a FIFA tornou-se a entidade responsável pela realização dos Campeonatos do Mundo de futebol. A uniformização das suas regras passou. Em 1904. que estabeleceria as regras que hoje conhecemos. in Infopédia [Em linha]. 2003-2006. (…) O jogo propagou-se a outros países. onde era jogado por rapazes estudantes. e vinte anos depois pela fundação da Associação Inglesa de Futebol. [Consult. 50 pontos Futebol Modalidade desportiva que teve a sua origem em Inglaterra. pela Universidade de Cambridge. (…) Nos nossos dias. surgiu a Federação Internacional de Futebol (FIFA). constituído por duzentas e quinze palavras. num texto de noventa e cinco a cento e dez palavras.pt/E1. como desporto de multidões que é. que apoiam as respectivas equipas. noutros países. Porto: Porto Editora. embora se possam identificar jogos mais antigos.Ficha de avaliação – Módulo 3 43 III Resume o texto informativo a seguir transcrito.infopedia.

uma espécie de segunda mãe para a mais nova. O Evangelho Segundo a Serpente.” Convidou-a a tomar um chope. primeiro. 2006 (excerto) 5 10 15 20 P – Português. mais raro ainda. porém. e foi sempre muito forte e determinada. encostou-lhe uma faca à garganta: “A bolsa”. com palpitações. A seguir vá para casa. moreno. mas também de palhaços e de bailarinas. por exemplo. bem iluminada. no aeroporto. gémeas idênticas. De seguida. não tem muita imaginação. dá até azar. sussurrou: “A bolsa ou a vida. sabia dar conselhos. acordou ansiosa. aflito. e quando deu por isso estava a contar ao rapaz toda a sua tragédia íntima. e nesse instante um jovem alto. que está apaixonada por outro. e diga-lhe que não precisa de pensar mais. moça. não chegou a ser assaltada. são filhas do primeiro casamento da minha mãe. tinha um extraordinário sentido de humor. e atravessou a avenida com a intenção de se sentar um pouco na areia. Mas aceitou um cafezinho numa esplanada a dois passos dali. Ele ouviu-a com atenção. Foi o que a minha irmã fez. me faz um assaltante assim. sempre muito solícito.” O texto gasto. É como matar passarinho. Não conhecia ninguém no Brasil. Comeu uma caixa inteira de chocolates. Cortou o cabelo. e. Chorou muito. Além disso. O namorado pediu-lhe um tempo para pensar. feche-se no quarto e chore à vontade. A bolsa ou a vida Sofia e Alexandra. Refreie a vontade de o esbofetear e despeça-se dele com um beijo na face. Finalmente escoltou-a até ao hotel. Esta semana. sem parecer nem um velho professor entediado nem um sedutor de telenovela. responde às questões formuladas. enfiou a faca num dos bolsos da bermuda e tentou consolá-la: “Não chore mais. Sofia achou que era demais – a cerveja. Sofia foi assaltada no Rio de Janeiro. como hoje.44 Ficha de avaliação – Módulo 4 Lê atentamente o texto. confesse. Só eu sei a falta que em certos dias. muito respeitador. Na manhã seguinte. e compreendeu que teria de tomar medidas radicais. Sofia encontrou o namorado. Publ. Conhecem a frase. Pediu duas semanas de férias e comprou um bilhete para o Rio de Janeiro. cheio de feras e de monstros. com um brinco no nariz. coitada!. Pareceu-lhe a escolha acertada. Comprou uma mini-saia azul. Só existe uma maneira de enfrentar este terrível lugar-comum sem perder a dignidade: faça das tripas coração. Dom Quixote. com um enorme ramo de flores. Sofia é mais velha – nasceu cinco minutos antes de Alexandra. Ao regressar a Lisboa. a contemplar o mar. e depois já pensou em tudo. a meia voz. com a certeza de que jamais a vestiria. decidisse passear à noite pelas ruas de Copacabana. a falta de imaginação. no futuro. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor 25 30 35 fotocopiável 40 . Gianni Versace. fez com que a minha pobre irmã se lembrasse do namorado e então. não?! Claro que conhecem. sorria. A minha irmã agradeceu as flores e pediu um tempo para pensar. O assaltante. uma sensação de desastre iminente. recomendando-lhe mais cuidado quando. Ou melhor. o que é raro nos homens. do Gianni Versace. Fez com que ela se risse. Sabia ouvir. Faíza Hayat. Sentou-se. Telefonei-lhe há pouco para lhe perguntar se não tinha ficado com o telefone do assaltante. Mulher triste eu não assalto. afundou os olhos nas águas escuras. Hospedou-se no Copacabana Palace e logo nessa noite vestiu a mini-saia azul. Mostrou-lhe o seu próprio mundo – que era um inferno – como se fosse um grande circo. Nunca tinha estado lá. Sofia tem andado muito deprimida. Quando um homem nos pede um tempo para pensar é porque. Foi isso que a salvou. rebentou ali mesmo num choro incontrolável.

1. 4. Propõe um outro título para o texto que. (“Sofia e Alexandra (…) para pensar. Transforma as três frases simples seguintes numa frase complexa. Passa para o discurso indirecto a fala do assaltante (ll. 5. Justifica o recurso sistemático ao modo conjuntivo com valor imperativo na passagem que vai desde “Conhecem a frase. lhe fez lembrar o namorado. Nunca tinha estado lá. deve ser narrativo. Esclarece por que razão o Brasil pareceu a Sofia a “escolha acertada. Enumera as características que Sofia encontrou no assaltante que o distinguiam dos outros homens. 4.” (l. 3. 3. 5. reformular o seu discurso.” (l. Indica o antecedente do termo anafórico “lá” (l. b. não?!” (l.”). 25-26). no momento do assalto. 3.1. fotocopiável 50 pontos Total 200 pontos . 16-17).”) até à linha 36 (“(…) pelas ruas de Copacabana. b. 17). 6. 2.Ficha de avaliação – Módulo 4 45 I 1. Considera. 13): a. que deverá ter entre cento e cinquenta e duzentas palavras. 80 pontos 15 15 10 10 10 10 10 II 1. b. Na terceira linha do texto.” (ll. sendo embora apelativo. 70 pontos 10 10 P – Português. recorrendo a conectores que respeitem o sentido das frases no contexto: “Não conhecia ninguém no Brasil. introduz uma conclusão em relação à ideia principal. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor 10 10 15 15 III Imagina uma pequena história que surpreenda o leitor pelo insólito dos acontecimentos relatados. não desvende ao leitor a história que vai ser contada. Explica o que é que. uma situação que se repete regularmente durante um determinado período de tempo. articula ideias opostas. e os verbos devem estar predominantemente no pretérito perfeito e no pretérito imperfeito.1. 16).2. O conector “porém” (l. Atenta nos seis primeiros períodos. a pontualidade da acção narrada. exprimir a confirmação da ideia expressa anteriormente. 3. agora. o narrador utiliza a expressão “Ou melhor” para: a. 1-5)). o excerto que vai da linha 11 (“Foi o que a minha irmã fez. Comenta a atitude de Sofia em relação ao namorado que a foi esperar ao aeroporto. 11). O complexo verbal “tem andado” (l. 5) até “(…) e chore à vontade. O teu texto. Explica a funcionalidade deste excerto em relação à história que é contada. 2. com recurso à descrição e ao diálogo.” (ll. 3. 4) expressa: a. Pareceu-lhe a escolha acertada.3.

” B. 2. complemento directo – a economia. Repare-se nas palavras da personagem ocidental que tenta mostrar à outra como vai ser importante ser capaz de passar a conhecer. ll. calçada e usando gravata. morador no Texas. ajudando.a Ex. 3. o que (…) daria um lucro de 80 000 dólares” (ll. através da Internet. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor . O humor desta carta reside no carácter surreal de toda a proposta que é feita pelo remetente que. III A. complemento do nome – do mundo.a que se digne informar quais são as regiões mais apropriadas para a não-criação de porcos e qual a melhor raça para não criar. Exa. Para conseguir alcançar este desiderato a exploração terá de “atingir a não-criação de 40 000 porcos. Por exemplo: “Garantimos/prometemos que…”. com ar saudável. em simultâneo. um computador portátil à segunda que o olha com um ar que transmite um misto de espanto e de desconfiança. 4. desta forma. coisas que ela nem fazia ideia que existiam e da crítica que é feita a estas palavras através das imagens que aparecem no monitor do computador – pão e bife. 30-31). do desejo de contribuir para o desenvolvimento da região através da criação de postos de trabalho. desta forma. receber os protestos da minha maior consideração. Nenhuma actividade do mundo entende/percebe a economia. sobretudo nas formas de tratamento honorífico utilizadas quer na fórmula de interpelação (“Excelentíssimo Senhor Ministro. Uma proposta: REQUERIMENTO Exmo.1. b. Resposta b. não haver o discernimento de começar pelas necessidades básicas. Proposta: “Ficar-te-ei extraordinariamente reconhecido se me responderes o mais rapidamente possível porquanto julgo que esta época do ano será a melhor para a não-criação de porcos e. 4.1. partindo de uma situação económica real – o facto de o governo ter resolvido limitar a produção de porcos. através do relato de um caso extremo e absurdo. decide levá-la aos limites do absurdo.. abaixo-assinado.46 Soluções das fichas de avaliação Ficha de avaliação – Módulo I 1./ No Verão os dias são mais compridos do que no Inverno. A formalidade da carta é evidente. contribuir para o progresso e engrandecimento do nosso país. Pede deferimento.2. A função crítica deste cartoon reside na ideia da contradição presente entre ‘as boas intenções’ e o valor real que estas podem ter em determinados contextos.. Sr. Hipóteses possíveis: a.1. gostaria de começar quanto antes. Uma proposta: No cartoon podemos ver duas personagens: uma representando a cultura ocidental. muitas vezes. 2. por isso. 2. Os estatutos da organização não estão a ser cumpridos. vestida apenas com uma tanga e extremamente magra. subsidiando os produtores que não os criassem –. 2. 2. [185 palavras] II 1. Há uma crítica evidente do cartoonista ao facto de.3.”) e na fórmula de despedida (“Queira V.2. vestida. quer no corpo da carta (Senhor Ministro).”). Sujeito – Nenhuma actividade do mundo. etc. predicado – compreende a economia. Local e data Assinatura do Requerente P – Português. a primeira mostra. John Do. com ar satisfeito. Hipóteses possíveis: A economia contém/abrange/inclui toda a actividade do mundo. em representação de um grupo de agricultores que pretende implementar o negócio de não-criação de porcos e.4. Senhor Ministro. a combater o desemprego (Cf. a decisão de iniciar a actividade de não-criação de porcos nasceu da constatação do êxito de um amigo nessa actividade e. A personagem ocidental expõe à outra a importância do acesso à Internet pelos países pobres./A tensão entre ambos era de cortar à faca. na ajuda que se presta a povos mais necessitados. 1 5. Ministro da Agricultura Eu. Faço tenção de ir ao cinema logo. 12-20). ou A minha tensão arterial está um pouco alta. Segundo o emissor da carta. outra representando a cultura africana. venho requerer a V. A carta apresentada vem ilustrar a opinião do autor acerca do desfasamento entre a economia e a realidade. Num ambiente de deserto.

v. 1. 2. e um ritmo mais rápido conferido pelos sucessivos encavalgamentos. “Só [passariam] mesmo se” 3.1. isto é. 4. 1. O interlocutor do sujeito lírico é identificado através de uma apóstrofe: “Senhora. Na segunda quadra dá-se conta de que o marinheiro “jura” não voltar ao mar nem mesmo quando este estiver calmo (Cf. que criam um efeito de coesão entre os versos. É possível estabelecer uma correspondência directa entre os versos 17/18 e os versos 19/20: a “seara” que “arde” é a “nação” cujos filhos “morrem”. Ambos (marinheiro e eu lírico) prometem não voltar a cair noutra. O poema é um soneto e.” 2. 2. 5. isto é. 22). V. o sujeito poético deixa claro que. 4. P – Português.2. 2. a vista da amada é comparada à tempestade. Quanto à métrica.2. Uma vez que a sua contemplação (da tempestade/da amada) provoca medo. 3. por um lado. 4.1. O modo conjuntivo é exigido pela locução conjuntiva condicional e coloca uma hipótese que se torna longínqua por aparecer aliada à locução “Só mesmo se”. 17) e pela antítese (“Arde (…) / Nasce (…) / Morrem / Não morre” (vv.2. 1). pois obriga-o a voltar ao mar. 9. 3. 5. evidencia-se que a ambição é mais forte do que o medo do marinheiro. independentemente da “fúria da agressão” (v. A primeira parte é constituída pelas quadras e a segunda pelos tercetos. aparecia indeterminado: os “heróis que o não são. O modo conjuntivo com valor imperativo (“Não desesperes” (v. é constituído por duas quadras e dois tercetos. “As forças que (…) querem jugular” (v. F. portanto. A anáfora consiste na repetição da locução “Só mesmo se” no início dos versos 7. O esquema rimático é abba abba cde cde. 20)).2. O ritmo do poema alterna entre as pausas marcadas pela repetição da expressão “Não passarão!”. a. Trata-se dos versos 7 e 8: “(…) mas vai. O facto da actualidade que esteve na origem desta crónica é a transformação dos jogadores de futebol em estrelas mediáticas. a. d. forçado/pelo muito interesse cobiçoso”. Na primeira quadra. por outro. 1) … assi (v. Mãe será sinónimo de pátria. que funciona como uma espécie de refrão. nação. a rima é emparelhada e interpolada nas quadras e interpolada nos tercetos.1. 18.2. porém. a medida do verso é o decassílabo. 3. o sujeito poético afirma ter-se comprometido a não repetir os erros do passado.3. O valor desta metáfora sai ainda reforçado pela presença do articulador adversativo “mas” (v. 5-7). A locução subordinativa “Como (v.” Esta metáfora remete-nos directamente para a força de um “povo” que resiste e se levanta sempre face ao poder avassalador daqueles que o querem “jugular” (v. “ausento-me da vossa presença a fim de me salvar”.1. 23). Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor Ficha de avaliação 2 – Módulo I 2 1. 2. identifica o emissor do grito “Não passarão!” (a Ficha de avaliação – Módulo I 3 1. F. 17. . 23) o povo não conseguirão o seu objectivo já que “a terra inteira” assumiu como seu o grito “Não passarão!” 6. a fuga é a única salvação. o marinheiro manifesta medo em relação ao mar (Cf. 3. no título. 19. a fugir da sua amada para não voltar a perder-se. c. não resistindo. a capacidade regeneradora “dum simples grão” a partir do qual “Nasce o trigal de novo. Na última estrofe. 9)” estabelece uma comparação.3. 4). Ao marinheiro do primeiro termo de comparação corresponde o eu lírico. 3. V. 2. e repetindo o mesmo erro.2. O uso do futuro do indicativo transmite-nos a certeza do sujeito poético relativamente à realização da acção expressa pelo verbo que é negada pelo advérbio “não”. 12 e 14. A primeira estrofe esclarece o título do poema já que. O uso da maiúscula na apóstrofe “Mãe!” remete para o uso metafórico deste nome. explicita o sujeito que.1.3. 9).4. Trata-se dos nomes “nação” e “povo”. 1)) e o modo imperativo (“Lembra-te” (v. b. 3.” (v. 2. no segundo.1.Soluções das fichas de avaliação 47 Ficha de avaliação 1 – Módulo I 2 “Mãe”) e. Hipóteses possíveis: a não ser que/a menos que/salvo se. No verso 11. vv. Através da conjunção coordenativa adversativa “mas”.3.1. O título configura uma espécie de grito de resistência face a um sujeito plural mas indeterminado. 4)) são utilizados ao serviço do grito de incitamento dirigido à “Mãe” (v.1.

7) até “… abriram-se-lhes. o narrador dá uma série de conselhos à(s) leitora(s) que venha(m) a passar por uma situação semelhante àquela em que Sofia se encontra. 4. Por outro lado. uma situação que se repete regularmente durante um determinado período de tempo. Os jogadores passaram a “activos” quando os clubes se transformaram em empresas. A primeira parte do texto é introduzida pela expressão temporal “Há vinte anos” e. . por isso. o antecedente de “seus” e “seu” é “clube”. 3.1.1. Aquilo que no assaltante fez lembrar a Sofia o namorado foi o facto de a frase que ele utilizou para a abordar ser tão vulgar nesta situação como aquela que o namorado utilizou para acabar com o namoro. b. Acrescentou que não assaltava mulher triste porque dava até azar e que era como matar passarinho. O Brasil pareceu-lhe “a escolha acertada. A primeira parte é constituída pelos dois primeiros parágrafos. desde 1930. Por exemplo: “Um tempo para pensar”. os acontecimentos anteriores à história que vai ser narrada. Modificador do grupo verbal – Noutros tempos. assim. “tudo isso” reporta-se aos factos narrados no parágrafo anterior. por favor!”. em 1904. 2. cerca de 1840. o futebol é um desporto de massas que vale milhões e as equipas são empresas dirigidas por empresários e políticos. 4. 3.” porque lá não conhecia ninguém. Deduz-se. Ficha de avaliação – Módulo I 4 1. 3. percebido que o namorado não era bem aquilo que ela queria. modificador do nome restritivo – de futebol. falta de imaginação. predicativo do sujeito – idolatrados. devido à sua massificação. Hipótese possível: O assaltante.… II 1. e perante o recuo do namorado que parecia querer retomar a relação. pareceu-lhe a escolha acertada. o futebol transformou-se num fenómeno cultural e social muito estudado.” 6. aflito. o “potencial mediático” dos jogadores é fundamental para os seus clubes que se transformaram em verdadeiras empresas. 2. “sabia ouvir”. embora fossem já idolatrados. “Assalte-me.3. a terceira compreende os cinco últimos parágrafos. Primeira parte – Há vinte anos.2.1. “sabia dar conselhos” e “tinha um extraordinário sentido de humor”. sujeito – os jogadores de futebol. articula ideias opostas. b. surgindo. ambas. 2. Neste excerto inicial ficamos a conhecer algumas características da personagem principal da história – Sofia – e aquilo que se estava a passar com ela. Por exemplo: “Não conhecia ninguém no Brasil já que nunca tinha estado lá e. Entretanto. ou seja. Durante a conversa com o assaltante. Hoje. reformular o seu discurso. portanto.” (l. 5. Os jogadores passaram a “activos” porque os clubes se transformaram em empresas. III Proposta de resumo: O futebol nasceu em Inglaterra. 5. Daí o uso do modo conjuntivo com valor imperativo. O assaltante. 3. [95 palavras] II P – Português. a FIFA que uniformizou as suas regras internacionalmente e que. O antecedente do termo anafórico “lá” é “no Brasil”. que Sofia queria estar sozinha. a segunda vai desde “Hoje…” (l. Segunda parte – Actualmente. decide “pedir um tempo”. predicado – eram idolatrados. talvez. os futebolistas não tinham de ter grande preocupação com a imagem. enfiou a faca num dos bolsos da bermuda e tentou consolar a moça dizendo-lhe que não chorasse mais. 4.48 Caderno do Professor | Soluções das fichas de avaliação 3. Terceira parte – A transformação dos jogadores em estrelas mediáticas tem a ver com o vazio de valores da sociedade ocidental na qual a preocupação com a fama e o dinheiro veio criar um mundo irreal. As regras a que hoje obedece foram uniformizadas em 1863 pela Associação Inglesa de Futebol. Sofia terá. b.1.2. a. Por exemplo: a. o futebol desenvolveu-se noutros países. organiza os Campeonatos do Mundo. embora as suas características possam ser encontradas anteriormente. Sofia parece ter aprendido uma lição com o assaltante de Copacabana: ao regressar. A partir de certa altura. 27). 3. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor 1. ao contrário da generalidade dos homens. 3. revelando. o tempo verbal predominante é o pretérito imperfeito do indicativo já que a referida expressão implica um relato em que se dá conta do aspecto durativo da acção.