P. 1
55111402 Livro Professor POR PROF 1 4

55111402 Livro Professor POR PROF 1 4

|Views: 4.278|Likes:
Publicado porAna Pereira

More info:

Published by: Ana Pereira on Feb 05, 2012
Direitos Autorais:Attribution Non-commercial

Availability:

Read on Scribd mobile: iPhone, iPad and Android.
download as PDF, TXT or read online from Scribd
See more
See less

01/20/2015

pdf

text

original

Ensino Profissional · Nível 3

PORTUGUÊS
Textos de carácter autobiográfico Módulo1 Textos expressivos e criativos e textos poéticos Módulo2 Textos dos media I Módulo3 Textos narrativos / descritivos I Módulo4
Olga Magalhães | Fernanda Costa

Módulos
1|2|3|4

CADERNO DO PROFESSOR
Resolução das actividades do manual Fichas de avaliação (com soluções)

P

2

Módulo

1

Textos de carácter autobiográfico

| Textos | 1
Antes de ler [pág. 17] 1. O cartoon representa um sonho de um funcionário de uma
repartição – nome dado aos locais onde funcionam secções de determinados serviços, muitas vezes ligados ao Estado. Nos diversos momentos do sonho, o funcionário vê-se a si próprio a atender diversos utentes sempre com uma atitude de grande simpatia e disponibilidade que se reflecte quer no sorriso omnipresente quer na forma como se vai dirigindo a cada um deles. A maneira como cumprimenta a primeira personagem ou se despede da última, a solicitude que apresenta perante todas as outras são exemplo da humanização que é tão pouco vulgar neste tipo de locais, cujo atendimento é, por norma, frio e impessoal. Quando acorda, com um ar visivelmente assustado, o funcionário refere-se ao sonho como um ‘pesadelo’, através de um acto ilocutório profundamente expressivo. É nesta última vinheta que melhor se evidencia a função crítica deste cartoon: aquilo que para os utentes seria, de facto, um ‘sonho’, é, para o funcionário que os atende, um pesadelo. 2. Esta ‘definição’ corresponde à ideia generalizada de burocracia: o cliente que vai sendo empurrado de guichet em guichet. A mensagem deste texto opõe-se à ideia transmitida no sonho/pesadelo do funcionário público do cartoon de Luís Afonso.

2.1.
avaliado(a); analisado(a) em detalhe; afastamento, omissão; relato sumário da sucessão de factos que marcam cultural e profissionalmente a carreira de uma pessoa; mais do que a capacidade de ler e escrever, é entendida como a capacidade de compreender e usar a informação escrita nas actividades do quotidiano; inevitável, que tem de ser tido em conta. c. d. e.

a. b.

3. 1.a parte – do ponto 1 ao 7; 2.a parte – a partir de “Por isso”. 3.1. O conector “Por isso”, que articula as duas partes referidas, tem um valor consecutivo (indica que o que se segue é consequência do que atrás foi exposto). 4. Por exemplo: Por isso, nos termos constitucionais e regimentais, venho requerer à Senhora Ministra da Educação que: – explicite os critérios científicos ou outros que servem de base ao “apagamento” (…) que frequentam o 5.° ou 6.° anos de escolaridade; – informe se obras como (…) chegaram a ser equacionadas no processo de selecção levado a cabo; – disponibilize a listagem de todas as obras e todos os autores “avaliados” e torne públicas as justificações que levaram à exclusão daqueles que foram afastados da listagem dos “recomendados”; – divulgue o curriculum (…) para o Plano Nacional de Leitura. 5.1. Os pedidos do requerente não podem ser considerados completamente satisfeitos, pois aí não se encontra esclarecido o solicitado nos pontos 2. e 3. do requerimento e a resposta ao ponto 4. é vaga.

Compreender [pág. 19] 1.1. “(…) comprometemo-nos em coordenar as nossas políticas (…); “(…) Com isto, comprometemo-nos a atingir estes objectivos (…)”
2. A nota deveria ser introduzida no texto a seguir a ECTS (quarto parágrafo, ponto 3). 3.1. Nos três primeiros parágrafos da declaração, evidencia-se a evolução do processo europeu nos últimos anos, salienta-se que a Europa do conhecimento é um factor fundamental para o enriquecimento da cidadania europeia e reconhece-se ser da máxima importância que as universidades europeias se ajustem às novas exigências. 4. A afirmação falsa é a b. – a Declaração de Bolonha pretende incentivar, também, a mobilidade de professores, investigadores e pessoal administrativo (no reconhecimento e na valorização dos períodos passados num contexto europeu de investigação, de ensino e de formação, sem prejuízo dos seus direitos estatutários).

| Textos | 2
Antes de ler
[pág. 23]

P – Português, Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor

Compreender

[págs. 21-22]

1. O destinatário é o Presidente da Assembleia da República, o requerente é o deputado do Grupo Parlamentar do PSD, Adão Silva, e o assunto é o Plano Nacional de Leitura.
2007

1. Na BD assistimos à história de uma personagem masculina que se encontra dentro de um bar e que, depois de olhar apaixonadamente para a foto de uma mulher (Maria), decide escrever-lhe uma carta de amor para a qual vai fazendo e recusando vários rascunhos. No momento em que se encontrava concentrado em mais uma tentativa, vê, estupefacto, Maria passar abraçada a outro homem. Na última vinheta vemos a personagem feminina a ler a carta que acaba por receber: em vez de uma carta de amor, recebe um conjunto de insultos e impropérios.
ISBN 978-972-0-91247-3

Este livro foi produzido na unidade industrial do Bloco Gráfico, Lda., cujo Sistema de Gestão Ambiental está certificado pela APCER, com o n.° 2006/AMB.258
Produção de livros escolares e não escolares e outros materiais impressos.

Módulo 1 Textos de carácter autobiográfico

3

Compreender

[pág. 25]

1. banalização: vulgarização; omnipresença: ubiquidade; trivialidades : banalidades; grilheta : prisão; sequestrado : enclausurado; distendido: dilatado; fustigadas: flageladas; desfalecendo: desmaiando. 2.1. A nota explicativa seria inserida a seguir à seguinte passagem: “usando um direito inalienável de autodeterminação” (l. 7). 3. À medida que o telemóvel se foi vulgarizando, foi criando a fantasia de que “o outro” está sempre ‘presente’ e disponível; o facto de o contacto não ser estabelecido ou de não haver uma resposta imediata do outro lado causa sofrimento. 4. As “trivialidades” são as seguintes: ficar sem bateria ou sem rede ou desligar o telemóvel. 5. Afirmação b..

hierarquia (administradores das roças/Governador). A carta B é uma carta particular, dirigida por Luís Bernardo ao seu amigo João (Cf. fórmulas de tratamento e de despedida) e o assunto é de índole pessoal – sentindo-se só e infeliz, Luís Bernardo faz um pedido desesperado ao amigo para que o venha visitar. 2.2.1. Hipótese de carta:
Querido amigo Luís, Estou a responder-te logo após ter recebido a tua carta que me deixou deveras preocupado. Não imaginava que te encontrasses tão profundamente deprimido. Nada nas tuas cartas anteriores fazia antever tal situação. Creio, porém, que estarás a exagerar e que, quando receberes esta missiva, já te encontrarás, certamente, de melhor humor. Infelizmente não vou poder aceder ao teu pedido: não me é possível ir a S. Tomé este Verão, pois o trabalho no escritório não mo permite: vou ter apenas uma semana de férias e tenho já hotel reservado na Praia da Granja. Este último facto não seria grave e tudo se poderia arranjar se não fosse a distância: é que uma semana de férias não dá sequer para aí chegar. Vou fazer os possíveis para te visitar no Natal. Nessa altura penso que o trabalho terá acalmado e que disporei de mais tempo para poder empreender tão longa viagem. Até lá, aguenta-te, amigo! Sabes que, em pensamento, estou a teu lado e lembra-te da importante missão que aí estás a cumprir. Um grande abraço cheio de saudades deste teu amigo (que não se perdoa por não poder ir a correr ao teu encontro), João

Funcionamento da língua

[págs. 25-26]

1.1. SMS – Short Message Service; MMS – Multimedia Messaging Service; PC – Personal Computer; CD – Compact Disk; WWW – World Wide Web. 2.1. Mail e messenger. 3.1. correspondência – mails, SMS, carta, postal dos correios (diferentes tipos de correspondência). 3.2. telegrama, encomenda, vale postal, fax, bilhete, memorando, nota. 3.3. Epístola, missiva. 4.1.1. A segunda oração da frase – “para avaliar o impacto de um amor” – é uma oração não finita infinitiva com valor final.
P – Português, Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor

4.1.2. Sujeito nulo indeterminado; predicado – avaliar o impacto de um amor; complemento directo – o impacto de um amor; complemento do nome – de um amor. 4.2. Exemplo: Os segundos de resposta são contabilizados pelos amantes.

| Textos | 3
Antes de ler
[pág. 28]

2. Personagens: Sandra, Xana, Jonas Machibundo, Paulo, Deolinda, Fragoso; Lugares: Moçambique; Tempo: Natal.

Oficina de escrita

[pág. 27]

2.1. Na carta A o destinatário é tratado por “Excelentíssimo Senhor ”, “Vossa(s) Excelência(s)”; trata-se de uma carta dirigida aos administradores das roças de S. Tomé e Príncipe pelo Governador das ilhas, o emissor, que assina com o nome completo – Luís Bernardo Valença. É uma carta formal adequada ao assunto em questão – a visita de um inglês às roças para, a mando do seu governo e do governo português, verificar as condições de trabalho dos trabalhadores – e às relações de

Compreender

[págs. 29-30]

1.1. e 1.2. O destinatário é Sandra, mulher do remetente, já falecida (“Não sei se ainda estavas viva quando…” (ll. 6-7)). A relação entre ambos é esclarecida, por exemplo, através das formas de tratamento (“querida”), pela evidente cumplicidade nascida da partilha da vida (“Porque os jovens, tu sabes…” (ll. 14-15), “…e subitamente exististe nesse sorriso. Eras tu, querida, eu nunca… dela.” (ll. 22-23)), etc.

4

Caderno do Professor | Resolução das actividades do manual

1.3.1. Xana seria filha do remetente e de Sandra. Tem um filho pequeno (Paulo) e vive longe do pai. Depois de se separar do companheiro (pai do filho) vai agora casar com um homem “bastante mais velho”. Tem um sorriso parecido com o da mãe. 1.3.2. A relação com o pai não parece muito próxima: telefona (raramente) e escreve (“telegraficamente”), passou dois dias no Natal com o pai, mas ele nunca lhe conheceu o companheiro. 1.4.1. “Porque os jovens (…) têm uma grande incompreensão do sentido do casamento.” (ll. 14-15). Com esta reflexão o remetente expressa aquilo que lhe parece ser a forma leviana como os jovens encaram o casamento. 1.4.2. “Sorriso breve, o ar absorto…” (ll. 23-24). 1.5. O que o pai de Xana lhe está a dizer com a resposta que dá é que aquilo que a faz feliz a ela, mesmo que seja algo com que ele não esteja completamente de acordo, também o faz feliz a ele.

| Textos | 5
Antes de ler
[pág. 35]

1.1. Lembrança, recordação, fama, por exemplo. 1.2. Exemplos: “Não há memória de uma história assim.”; “Este monumento foi erigido em memória do nosso primeiro rei.”; “D. Dinis, rei de boa memória, foi também um grande poeta.” 2. Podemos falar, em relação a este texto, de duas acepções da palavra memória: nos dois primeiros parágrafos, as duas referências à memória (ll. 2 e 6) enquadram-se no sentido 1. do verbete (função geral de conservação de experiência anterior, que se manifesta por hábitos ou por lembranças); podemos, também, reportar-nos ao sentido 9. do verbete [memória (pl.) – escrito narrativo em que se compilam factos presenciados pelo autor ou em que este tomou parte].

Funcionamento da língua

[pág. 30]

1.1. Por exemplo: – Conta – disse-lhe eu. E ela contou: – Vou-me casar. – Casar? – duvidei eu na minha estupefacção. – Vou-me casar com um tipo que talvez conheças de nome, o Fragoso, professor de… – confirmou ela. – Não estás contente? – Estou contente – disse-lhe eu olhando o miúdo que tinha um olhar mudo e espantado para nós –, se tu também estás.
■ ■

Compreender

[págs. 36-37]

1.1. Sendo embora ambos os tipos de texto exemplos de escrita autobiográfica, enquanto que a escrita das memórias é, normalmente, muito posterior aos acontecimentos narrados pelo seu autor ou em que este participou, o registo do diário é, geralmente, quase simultâneo aos factos narrados que são, por norma, datados. 2.1. Marcas da primeira pessoa: formas verbais – acho, sou, comecei, Tenho, acabamos (pl.), sei, sou, tenha, tenho, desejaria, temos (pl.), quero, nasci, vim, conheci…; determinantes possessivos – minhas (obsessões, avós, tias), nossa (individualidade) minha (vida, juventude, mãe), meu (tempo); pronomes pessoais – mim, me, nos (pl.), Eu. 3.2. Os três grandes factos que marcaram a vida do autor são: a falência das profecias (3.° §), a cada vez maior participação das pessoas na sociedade (4.° e 5.° §) e a entrada das mulheres na História (6.° §). 4. 1.-c.; 2.-f.; 3.-a.; 4.-d. 5.1. Por exemplo: certeza – “Eu não tenho dúvidas: quando nasci, (…) não tinham ainda entrado na história.” (ll. 44-45); incerteza: “Por isso me parece que a nossa individualidade é talvez o bem mais precioso que temos.” (ll. 10-11).
P – Português, Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor

2.1. Exemplos: Prometo que vou aí no Natal. Quem me dera / Adoraria ir aí no Natal!

3.1. apareceu, preparou, ajudou, estremeceu, chegou, perguntei, foi, voltou, disse, contou, duvidei. 3.2.1. “Ela dissera-me tenho uma novidade para te dar…”
(l. 11)

3.2.2. O pretérito mais-que-perfeito exprime uma acção que teve lugar antes de outra acção já passada.

| Textos | 4
Compreender
[pág. 33]

1. O excerto de diário aqui apresentado, pelo seu carácter ficcionado e lírico, não corresponde a uma realidade estritamente factual mas a uma espécie de “fingimento” dessa realidade. Daí a escolha de “imitação dos dias”.

5.2. Hipótese: “Garanto que / Estou convencido que / Estou seguro que, etc., estes futurólogos, alguns reconhecidamente inteligentes, estavam apanhados pelo espírito do tempo, uma espécie de vírus que apanha indiferentemente o inteligente e o estúpido.”

41-43] I 1. b. “O principal tem sido mondar* isto de adjectivos supérfluos. grafologia.1. gráfico.3. a. 1.3.2. biográfico.2. autobiografia. pois enquanto o primeiro estabelece uma comparação (é uma conjunção subordinativa comparativa). grafema… biografia. 14-15) II 1.. serigrafia. Nestes dois parágrafos o remetente fala de dois assuntos: da forma custosa como tem progredido a história que está a escrever e do nascimento do bebé que “se aproxima a passos largos!”. Acto ilocutório expressivo. “Aquele rapaz não tem cabeça: passa o tempo a fazer disparates!” 4. 1.. enquanto que o pretérito imperfeito salienta o aspecto durativo da acção.1.1. No excerto b. o presente do indicativo marca que o momento/tempo em que se situa o sujeito da enunciação coincide/é simultâneo com o momento/tempo em que se situam os factos narrados.1. filmografia. “Vais ver que é uma coisa de uma simplicidade imensa – a gente deita-se e eles nascem. grafonia..1.”.” 2. pretérito mais-que-perfeito composto do indicativo – tinham entrado. pretérito perfeito do indicativo – nasci. grafómetro. b. visto que. pretérito imperfeito do indicativo – estava. biografista. 2. grafia.” (ll. sacudir a árvore para só ficar o essencial. o pretérito mais-que-perfeito assinala uma acção anterior a outra também passada expressa pelo pretérito perfeito. Trata-se da comparação: “(…) que me deixa desamparado como se me faltasse uma perna. já que. epistolografia. e 3. ouvia..Módulo 1 Textos de carácter autobiográfico 5 Funcionamento da língua [págs. 13-14) b. uma vez que… 2. fotografia… 3. grafológico. Através desta metáfora o remetente. O valor contextual dos dois “como” é substancialmente diferente. biógrafo. grafismo.2.1. a. a sua extensão temporal. gráfica. 3. P – Português. Pretérito perfeito do indicativo – vim. 2. envio-te logo o primeiro caderno. evidencia que o mais difícil tem sido ser capaz de simplificar a sua escrita de forma a deixar ficar só “o essencial”. Por exemplo: “(…) chego à hora de jantar cheio de dores de cabeça por levar o dia a penar na prosa.1. a. a narração projecta-se apenas em factos passados e os tempos utilizados exprimem realidades temporais diferentes: o pretérito perfeito evidencia uma acção passada com carácter pontual. falando do trabalho que lhe tem dado a história que está a escrever. “Se se puder mandar daqui ou do Chiúme encomendas registadas. 37-38] 1. Dois exemplos possíveis: “No último filme de Almodóvar.2. já que)). xenografia.” Ficha formativa [págs.” (ll. 18-19) 3. xilografia. o segundo remete para uma ideia de causalidade (é uma conjunção subordinativa causal (= porque. discografia. via. Por exemplo: “Recordo com emoção todos os concertos a que assisti no ano passado. Presente do indicativo – tenho. comprava. Acto ilocutório compromissivo. biografado.”. Penélope Cruz volta a ser cabeça de cartaz.2.1. No excerto a. Marcas do remetente – o uso da primeira pessoa presente nas formas verbais “tenho” e “tive” e no pronome pessoal “me”. paleografia.1. 3. fotobiografia.” 2. “Os consertos de calçado estão mais caros de dia para dia. marcas do destinatário – o pronome possessivo “tuas”.” (ll. graficamente. biografar. Porque. “Caso se possa mandar daqui ou do Chiúme …” 2. grafar. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor .

número 10. Sebastião atribui a Camões uma tença de 15$000. depois de mortas. entre eles Diogo do Couto. ll. Compreender [pág. Salva-se a ele e ao poema numa tábua. João III perdoa-lhe. um dos métodos que julgo pertinentes é ajudar o aluno a ver como funciona o texto poético (tal como uma criança gosta de ver como funciona um brinquedo e o adolescente um aparelho. Os amigos.” (ll. Nestes versos da estrofe 145 do Canto X de Os Lusíadas. não pode deixar de evidenciar o seu desespero. e a enorme produção de poesia lírica do nosso tempo. observando as peças uma a uma). Neste primeiro período da sua vida. António Borges Coelho. 47-48] 1. 1553: Por carta de 7/3/1553. a sua lírica aponta uma estada em Coimbra. Através dessas questões. e os nossos escritores.1.2. dão-lhe de comer e de vestir. entre outras. quer destinada à gaveta e solitária (o que é aliás um reflexo da ‘massificação’ da produção literária. | Textos | 2 Observação: Sobre o ensino da poesia. 16-19). Chega a Goa em princípio de Setembro. é. o seu autor pergunta-se se uma “pátria” que tão mal tratou Camões e que ele tanto criticou terá o direito de se apropriar do seu nome para celebrar o 10 de Junho (Dia de Portugal.. A título parentético. se essa nobreza for a do espírito. não lhes dando. sem letreiro. 1569: Embarca para Lisboa. Estalou briga rija. sob outras formas. Antes de 1550. por dois mascarados. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor 2. in Camões 1. portanto: 1) revelar esse texto como 'armadilha amorosa' (Barthes). Camões critica os portugueses (“gente surda e endurecida.” (ll. Luís de Camões poderá ter aprendido as primeiras letras numa das 40 escolas lisboetas de ensinar meninos. quer publicada. No dia de Corpus Christi.” (ll. 14-16). as seguintes passagens: “…em matéria de indiferença pelos mais nobres dos seus filhos. aconselhamos a (re)leitura do excelente artigo de Clara Crabbé Rocha. 1552: Está em Lisboa. este país foi sempre terreno fértil. 2) para isso. foi zombado. O poeta perde tudo. que nada tem de destruição do texto. Ed. 48] 1. O poeta é encarcerado no Tronco da cidade. A pergunta do título repete-se. e a consequente riqueza em poesia lírica da nossa literatura.”). 2. eficazes e sedutores. O enterro é pago pela Companhia dos Cortesãos. realiza-se através do comentário de textos e através de informações teóricas sobre o fenómeno a que a crítica recente dá o nome de ‘poeticidade’ (ou seja. publicado em Cadernos de Literatura. Cf. rasgando com a espada uma ferida no pescoço de Gonçalo Borges. 1580: Morre a 10 de Junho. “Camões pertence apenas a alguns poetas. em vida. 1575: D. defronte das casas de Pêro Vaz. “Ora «a gente surda e endurecida» (…) ‘o favor com que mais se acende o engenho’. numa altura em que se nos impõem meios de comunicação extremamente diversificados. da parte de fora do mosteiro de Santa Ana. como agente de sedução capaz de 'prender' o aluno. desmontando-o. Essa ‘desconstrução’. hoje toda a gente quer fazer a sua experiência de escrita). A indignação do autor nasce da constatação do triste hábito português de só se valorizarem as pessoas. ou seja. INIC. e 1. Proposta de roteiro cronológico: 1524/1525: Nasce Luís de Camões quase certamente em Lisboa. 8-9). a atenção e o “amor”que . nas páginas 42 a 55. mas não há qualquer registo que prove a sua passagem oficial pela Universidade. Caminho. Dinamene morre nas águas. e mesmo como funciona o acto poético. em geral. o quid que faz com que um texto seja poético). relativamente ao texto poético.” P – Português. reconhecendo que não é a “pátria” que o inspira pois esta “… está metida / No gosto da cobiça e da rudeza / De uma austera. Luís de Camões acudiu em defesa dos mascarados seus amigos. 1572: Publicação de Os Lusíadas em Lisboa.6 Módulo 2 Textos expressivos e criativos e textos poéticos Camões lírico | Textos | 1 Antes de ler [págs. pagam-lhe uma dívida e a passagem. apagada e vil tristeza. 1981. o rei D. de Camões e das Comunidades Portuguesas). 1558: Data provável do naufrágio no Cambodja. pois mais ninguém neste país o soube merecer. Antão. vendo-o no mais espantoso abatimento. Embarca nesse mesmo mês para a Índia.1. do qual seleccionámos o seguinte excerto: “O trabalho do professor. em particular. ao longo do texto (Cf.” Camões observa o seu país e. Centro de Literatura Portuguesa da Universidade de Coimbra. creio que teria ainda interesse o professor fazer com os alunos uma breve reflexão de natureza histórico-cultural e sociológica sobre dois aspectos: o pendor lírico do temperamento português. na Rua de S. Fica sepultado em campa rasa. “Didáctica do texto poético”. quando Gonçalo Borges passeava a cavalo no Rossio. 1567: Camões em Moçambique. 1980 (adaptado) merecem. 4-6).

12) 4. em particular. .° 12).. 52] 2. da mesma autora. que não se podem confundir. 50] 1. mudança. Comparar Antes de ler [pág. 5). Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor | Textos | 3 “Amor é um fogo…” Compreender [pág. 2006) P – Português. nome: novidades (v. Sendo as contradições do amor o tema do soneto. O Nascimento de Vénus Tema: O quadro representa o nascimento de Vénus Anadiomede. servia a ela” B – Persuasão e sacrifícios materiais: “A saliva que eu gastei para te mudar”.1. se não fora / para tão longo amor tão curta a vida. A poesia lírica de Camões – uma estética da sedução (Cadernos FAOJ. que nunca é perturbada por cortes ou saliências. onde uma jovem mulher (Flora ou uma das Horas. 6). 5). 1. e optámos. As cores frias e claras. a repetição anafórica. em grande parte. subtil mas evidente. “Empenhei o meu anel de rubi” Impedimentos à concretizaçãodo amor A – O pai: “porém o pai. O abundante cabelo louro. São conceitos distintos.. relemos.. 10 e 14). (. 49] [pág. Composição: Botticelli dispõe as figuras num plano só. Mudam-se/muda-se/se muda/mudar-se.) Vénus é o centro da composição e na sua direcção convergem as linhas curvas dos ventos e da figura feminina. Todo o corpo é circundado por uma linha ininterrupta. A obra distingue-se pela soberba harmonia do esmerado desenho e pela elegante modulação do traço que cria efeitos decorativos quase abstractos. 4). II. encontram uma perfeita expressão poética na gélida nudez da deusa. 54] 1. Exclusividade do objecto do amor A – “e a ela só por prémio pretendia. ao braço estendido. assim como as formas puras e idealizadas.” 1. vol. quase de forma espontânea. já (vv. O paralelismo está presente na repetição da mesma estrutura frásica nos dois primeiros versos. desenhado fio a fio. com toda a atenção.” B – “Não se ama alguém que não ouve a mesma canção. A dificuldade de definir o amor e de enumerar os seus diversos estados bem como a sua variedade. O nu é classicamente “ponderado” numa simétrica e plena correspondência dos membros: ao braço dobrado corresponde a perna dobrada. e Camões.” B – O próprio objecto do amor e o seu mundo: “Mas esse teu mundo era mais forte do que eu”. a perna na mesma posição. 11) 3.1. 5. usando de cautela. as metáforas. A pequena cabeça está inclinada e insere-se sem criar ângulos no longo pescoço subtil. do entrelaçar dos corpos e da vista da costa ondulada em golfos e promontórios. Sustentada por uma concha. em geral. verbo: converte (v. o que provoca.. n. gerada pela espuma do mar. “Mesmo sabendo que não gostavas”. “mas não servia ao pai. a interrogação retórica do último terceto. acompanha com suavidade as formas do corpo. Antítese.” B – “Era só contigo que eu sonhava andar/Para todo o lado e até quem sabe? Talvez casar” Formas de sedução do objecto do amor A – Servidão e dedicação incondicionais: “Sete anos de pastor Jacob servia”. por seguir o percurso aí sugerido. Continuamente (v. míticas divindades femininas) está à sua espera para a cobrir com um manto purpúreo.Módulo 2 Textos expressivos e criativos e textos poéticos 7 Acreditando que é ‘sob o signo da sedução’ que se deve analisar o texto poético. Ed. ou seja. 1. A repetição dos vocábulos mudam-se e muda-se no início das frases dos dois primeiros versos evidencia o recurso à anáfora. “Não fizeste um esforço para gostar” Decisão do sujeito A – Não desiste e propõe-se lutar pelo seu amor enquanto viver: “começa de servir outros sete anos” B – Desiste: “Nada mais por nós havia a fazer / A minha paixão por ti era um lume / Que não tinha mais lenha por onde arder” ‘Lição’ aprendida pelo sujeito A – “Mais servira. cada dia (= diariamente) (v. Compreender [pág. privilegiando a continuidade da linha.. quer as antíteses quer a bipartição dos versos aparecem a sublinhar essa temática. Público. (in A Grande História da Arte.1. 2. diferentes (v. As antíteses e os oxímoros aliados à bipartição rítmica do verso. Observação: Será importante fazer notar que o termo anáfora é usado na análise literária e na análise linguística. Esta sensação emerge das ondas do mar.2. a deusa é levada pelos ventos em direcção a terra.3. adjectivo: novas (v. a dupla inclinação dos ombros.2. / em lugar de Raquel lhe dava Lia.

na ternura dos três diminutivos que aparecem na primeira quadra. 55] 1. no segundo.1. Uma vez que a sua contemplação (da tempestade/da amada) provoca medo. Ela (vv. a fuga é a única salvação. A estrutura bipartida deste soneto é marcada pelo conector assi sendo “anunciada”. 58-59] P – Português. caçador – cruel. 8. O sujeito poético identifica-se com o passarinho e o coração contra o caçador e o Frecheiro cego. 7. 1. Neste retrato dá-se maior relevo aos traços morais (Cf. 2. 10 e 11).2. | Textos | 5 Compreender [págs. 8 e 13). porém. 2).4. 11) 1. Ao marinheiro do primeiro termo de comparação corresponde o eu lírico. caçador/Frecheiro 1.2. A conjunção coordenativa adversativa mas (v.2. doce. 12) 2. “leda”. 6. hipérbole (1. 1.2. destinado. por oposição ao caçador. 57] 1. v.1. Frecheiro – cego. e repetindo o mesmo erro. tendo em conta o seu carácter contraditório.8 Caderno do Professor | Resolução das actividades do manual 1.4.3. Atente-se.1. Nos dois termos da comparação estamos perante uma situação de agressão em que uma das figuras (caçador/ /Frecheiro) é mais forte do que a outra (passarinho/coração) e actua de forma traiçoeira e dissimulada.a parte – as duas quadras e o primeiro terceto: a dificuldade de definição do amor e as contradições do estado amoroso.° terceto). Estes recursos intensificam a ideia central e acentuam a mensagem. “viu”. passarinho – lascivo. O demonstrativo “Esta” funciona como um termo anafórico que tem como função indicar os referentes no interior do texto em que é usado: remete para todas as qualidades | Textos | 4 Compreender 1. 7/8) 2. 3. 3. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor 1. contrário 2. 2.1. 1. a interrogação retórica dá vivacidade e ênfase ao discurso. 3. corresponde à acumulação de atributos físicos e morais da figura feminina (descrição). A madrugada é testemunha da separação de dois sujeitos que estiveram juntos e do sofrimento que essa separação provoca.1. Ambos (marinheiro e eu lírico) prometem não voltar a cair noutra. criando cumplicidade com o interlocutor.a parte – até ao verso 11.3. triste “cheia de mágoa e de piedade” “saudade” “apartar-se” “lágrimas em fio” “palavras magoadas” ■ ■ ■ ■ ■ Comentar [pág. possa estar tão presente nos corações. por exemplo. 4. 7-9). descuidado. passarinho/coração. 2.1.3. manso. valendo-se do descuido. A beleza feminina (física e espiritual) e o fascínio que ela exerce no eu lírico. e nos adjectivos que caracterizam o coração. tal como o Cupido que se escondia nos olhos da mulher amada.3. 3. logo no início do poema. 7. 57] . não resistindo.2. Dest’arte [pág. grande / largo (v.3.1. A madrugada aparece como uma espécie de ‘morte’ porque o nascer do dia é identificado com a separação (Cf.3.2. leda “amena e marchetada” “dando ao mundo claridade” ■ ■ 2. 5.3. 9 e 12) [pág. calado. Compreender 1. O tema é a paixão que apanha o coração desprevenido. 1.4.1. 1.1. 2. 5. (Cf. 14 “almas condenadas”) 3. Este conjunto de qualidades tende a produzir uma imagem de perfeição (estereotipada) e não a individualizar a mulher. da fragilidade e da passividade do sujeito poético. 3. O sentimento predominante é a tristeza. paradoxo (vv. Não sendo uma pergunta para a qual se espere resposta.1. 2. mágoa / piedade (v.2.1. Formas verbais: “saía”. caracterizado como sorrateiro e dissimulado. 2. vv. apartar-se / apartada (vv.a parte – último terceto: o sujeito poético pergunta-se como é possível que o amor. 9.° terceto corresponde à síntese desses atributos e à conclusão: o poder transformador/mágico do objecto amado exercido sobre o sujeito.2.a parte – 2. “Aquela triste e leda madrugada” 1. escondido. coração – livre. e 2. adjectivos: “triste”.2. 2. sendo a vista da amada comparada à tempestade. pela conjunção como. vv. no primeiro terceto.

marcada pelo sofrimento presente. do ponto e vírgula e dos dois pontos. sonetos.1. que el-rei lhe (pronominalização) mandou pagar como recompensa pela publicação da sua epopeia (sinonímia). há-de ser – tendo perdido toda a esperança. duas delas no imperativo. porque nela vivo / já não quer que viva. 2. Por exemplo os versos 9-12 e 25-28. 2. 63] 1. que lembrais meu bem passado. e a angústia do mal presente. são em tudo semelhantes do ponto de vista psicológico. bem parece estranha / mas bárbora não . vigor e musicalidade ao texto). ~ Metáforas (Ua graça / viva que neles lhe mora. as formas verbais na 2. obtém-se um ~ retrato negativo de uma dama (Sois ua dama das feias do ~ mundo). Abandonado por todos. 4. recordado pelo eu lírico. P – Português. a leitura “lado a lado”. canções. As sucessivas antíteses: bem/mal. 6. brandura.Módulo 2 Textos expressivos e criativos e textos poéticos 9 expressas nos versos anteriores (atente-se. odes.) que alterna com o ritmo binário. é de referir o encavalgamento (por ex. 1.4. O seu (pronominalização) único rendimento era a tença de 15 mil réis anuais. | Textos | 7 Compreender [pág. 2. Além de Os Lusíadas [elipse] escreveu muitas redondilhas. deixai-me/não me deixeis. viver/morrer.2. sendo completamente distintas sob o ponto de vista físico. equivalente a uma reforma de soldado. passado/presente. Luís Vaz de Camões. 61] 1. 70-71] I 1.5. entre outros: a enumeração assindética (conferindo ritmo.1. A primeira parte corresponde às duas quadras e a segunda aos dois tercetos. 61] 1. Estão em confronto o bem passado. que nunca foram impressas pelo facto de o poeta (sinonímia) não ter recursos materiais. sextinas e éclogas. a sua (pronominalização) obra continua a ser admirada por todos.3. aliados à enumeração assindética.2.1. [elipse] faleceu (sinonímia) num hospital da cidade e [elipse] foi sepultado num coval aberto do lado de fora da Igreja de Santana. 2. o autor de Os Lusíadas. deixai-me – afastai-vos de mim. Ficha formativa [págs. Jogos de palavras: cativa / cativo. Funcionamento da língua [pág. beleza celestial) realçadas através de diversos nomes e adjectivos. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor Oralidade [pág. na maior miséria.1./não me deixeis. O sujeito poético canta. Os encavalgamentos (transição dos vv. 1. Estas duas figuras femininas. Poderão referir-se. A primeira parte descreve a forma como o girassol acompanha a trajectória do Sol acima da linha do horizonte e a forma como esta flor é influenciada pela luz do astro-rei. não me deixeis – não permitais.1. etc.3. .2. O facto de se lembrar do bem que já teve no passado agudiza mais ainda o sofrimento presente. Entretanto.: na transição dos versos 3-4. sempre – eternamente. | Textos | 6 Compreender [pág. 22-23-24. mas que estão a correr de mão em mão. 19-20. 2. etc.2. A apóstrofe inicial – Lembranças. o ideal de beleza petrarquista oposta à beleza oriental da mulher cantada nas endechas (contra as convenções do petrarquismo). em Descalça vai pera a fonte. frequentemente dupla e valorativa. 2.2. Pretidão de Amor. A beleza da mulher amada é o resultado da conjugação das suas qualidades físicas e morais (graça. Presença serena / que a tormenta amansa). a adjectivação. indefinidamente. “louva” uma dama (Sois ua dama de grão merecer). 7-8 e 12-13-14.a pessoa. 2. 2. Referimo-nos à metáfora – Circe/veneno – que confere a ideia de encantamento e magia. 5. conferem ao poema um ritmo rápido e fluido que alterna com um ritmo mais lento e sincopado conferido pelo uso da vírgula. 64] 2. O petrarquismo está presente ao nível do ideal de beleza feminina aqui reproduzido. nos dois pontos do verso 11) que são aqui resumidas na expressão “celeste fermosura”. Morreu ontem. Lendo-se as estrofes seguidas (da 1 à 4). doçura.1. se quereis. Para além da medida do verso. 4. em cópias manuscritas. para ser senhora / de quem é cativa. o sujeito lírico antecipa que a sua vida será também. no futuro. também. na continuação da apóstrofe – lembrais/deixai-me.1. recato.

mais do que esquecer. “Morrer” é ausentar-se da vida temporariamente. c. isto é. a rima é emparelhada e interpolada nas quadras e cruzada e interpolada nos tercetos. [pág. (o que introduz uma oração subordinada adjectiva relativa explicativa) Funcionamento da língua 1. Quanto à métrica.4.1. é constituído por duas quadras e dois tercetos. 1-15). Ao longo deste soneto.2. A obra de Camões.2. Cf.5. aqui. o sujeito poético identifica-se com o girassol (“Uma admirável erva”) e identifica a mulher amada com o Sol. portanto/logo/por isso a leitura da sua obra é um instrumento para abrirmos o presente e o futuro. da miséria e da violência que o rodeiam (vv. b.4. III 1. 74] .2. como bandeira e como símbolo nacional. em 1572. Algumas das minhas obras mais conhecidas são: Os Lusíadas (1572). 1-23) . de ‘morrer’ para ‘renascer’. não. graças à influência de alguns amigos junto do rei D.4.3.° momento (vv. da constatação da falta de imaginação do homem (vv. é negada através da reiteração do advérbio de negação e do pronome indefinido. Regresso a Portugal em 1569. 74] 1.3. Morrer e suicidar-se não representam. 1. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor II 1. Através deste recurso o sujeito poético hipervaloriza a mulher amada. a 3. Sebastião.2.3. 3.3. 1. 3. P – Português.1. 1. caso. 19-22). A obra de Camões proporciona-nos um encontro com a nossa história porque/visto que/já que a sua poesia foi utilizada. “passar a noite junto de um morto”. densa e rica. Versos 6-9 e 15.1. 1. O cansaço do sujeito poético nasce da monotonia da vida (vv. libertar-se. / confiante e sereno… sorriso / onde arde um coração em melodia: … suavemente. 2. nunca. 2. relata as contradições do mundo complexo do seu tempo. Tal como o Sol faz florescer o girassol. / pé ante pé 3. 16-18). A figura feminina – meu amor do Norte – dá ao sujeito poético confiança e serenidade. repousar. De igual modo. Fixei-me na cidade de Goa onde escrevi grande parte da minha obra. El-Rei Seleuco (1587). 2. versos 16-23. “estar de guarda a”.2.” 2. O sujeito poético aparece dividido entre o desejo de viver e o cansaço que a vida lhe provoca. 2. o eu lírico dirige-se à mulher amada. também a amada do sujeito lírico alegra a sua “alma”. 3.5.1.3. Vivi algum tempo em Coimbra e lá frequentei aulas de Humanidades no Mosteiro de Santa Cruz onde tinha um tio padre.3. Regressei a Lisboa. levando aí uma vida de boémia. não e ninguém – a diferença que poderia quebrar a monotonia.10 Caderno do Professor | Resolução das actividades do manual 1.1.1. subtil e cuidadosa. ao longo dos tempos. / velar por mim. A hipérbole. também. depois de ter sido preso devido a uma rixa.2. que desempenha um papel importante no crescimento da língua portuguesa. a previsibilidade do mundo. …em cima dum divã / com a cabeça sobre uma almofada. na ausência da mulher amada. exagerando as suas qualidades e conferindo-lhe até o poder de ‘criar’. a. Faleci em Lisboa no dia 10 de Junho de 1580. 3.2. O sujeito poético exprime o desejo do espanto inicial. São estas as “funções” que o sujeito poético espera que a figura feminina cumpra. parti para a Índia. Poetas portugueses do século XX | Textos | 1 Compreender [pág. também o sujeito poético. A vida cansa porque é sempre igual. portanto. A poesia de Camões é dinâmica e. pobre e doente. 2. Em 1553. Proposta: Nasci em Lisboa por volta de 1524. sempre.2.° momento (vv. Se. 2. Veja-se a forma carinhosa como a Morte é personificada no último verso. assim como o girassol “emurchece e se descora ” quando o Sol se põe. tal como ele vive inteiramente na dependência do objecto do seu amor.2. do ponto de vista cultural e artístico. 1. O esquema rimático é ABBA ABBA CDE DEC.3. de uma família do Norte (Chaves). “se murcha e se consome em grão tormento. “Velar” significa “vigiar”. conseguindo publicar Os Lusíadas. a medida do verso é o decassílabo.1.1. Através desta metáfora – mulher amada/Sol – o sujeito poético compara-se a um girassol e à forma como este depende do Sol. 1.1. O poema é um soneto e. Auto de Filodemo (1587) e Anfitriões (1587). Através da apóstrofe Meu Sol. e é costume situar a minha obra entre o Classicismo e o Maneirismo. Sou considerado o maior poeta português. Rimas (1595). 24-43).

Na primeira estrofe. (respostas baseadas nos “Cenários de resposta” da prova de Exame Nacional do Ensino Secundário de Português.1. todavia. por uma valorização da sabedoria da terra (v. seja no futuro. a existência ou não existência do facto como uma coisa incerta. punhal e incêndio para ‘agressão’. tratando-o por “tu”. Nova Gramática do Português Contemporâneo (págs. A primeira apóstrofe – “mestre da inquietação / Serena!” – aponta para um ideal de harmonia e serenidade. pelo ideal de harmonia e serenidade (vv. ‘destruição’. através do discurso de terceira pessoa. 6.2. 7. 1. então.3. . eventual ou. O negrilho assume um papel protector (vv. entre outros. seja no passado. 1. A propósito do emprego deste modo. e 1. falsidade/hipocrisia. Nos versos 11 e 12. pudesse – pretérito imperfeito do modo conjuntivo. seja no presente.3. O negrilho é uma árvore de grande porte e de copa abundante (“bosque suspenso”). O conceito de poesia apresentado caracteriza-se. mesmo. na segunda estrofe. mas mantém. 578 a 581. incêndio. “Porque” – conjunção subordinativa causal.6. “os pássaros e o tempo”. 1. 4.” Celso Cunha e Lindley Cintra. P – Português. real.1.1.1.4.1.3. 10). Os outros: dissimulação. 3. mas tu não (vv. quer de traços psicológicos. “mas tu não”. “Tudo pode mudar porque…”. irreal. 81-82] 1. Cristal remete para ‘transparência’. 4. Algumas hipóteses: “Seria feliz…”.1.Módulo 2 Textos expressivos e criativos e textos poéticos 11 1. Tu: ousadia. punhal. leia-se o seguinte: “Quando nos servimos do MODO INDICATIVO. 4). 2. 4. 2. a terceira – “gigante a sonhar” – evidencia a expressão do sonho humano de elevação e de integração na ordem cósmica. a segunda – “imortal avena / Que (…) maninho. 78] 1. págs.5. aventura/risco. 2. in ob.1. O tema comum aos três poemas é anunciado pelos respectivos títulos: o valor das palavras na poesia.1. 2001) 1. Encaramos. em toda a sua intensidade. um tom contido de aparente distanciamento. ‘dor’. 10. 1.2. Ao dirigir-se ao negrilho. O sujeito poético identifica-se com o negrilho. podendo ser substituída pelas conjunções coordenadas adversativas mas.a fase. ‘frescura’. por uma simplicidade poética inspirada na natureza (v. “Descansaria…” | Textos | 3 | Textos | 2 Compreender [pág. 13-14) e espalha. considerando-o o seu mestre e a origem da sua poesia (“Os meus versos são folhas dos seus ramos. à sua volta. medo. denúncia. serenidade (vv. Ao empregarmos o MODO CONJUNTIVO. é completamente diversa a nossa atitude. 1. Sendo o único poeta da terra natal do sujeito lírico. o envolvimento afectivo que a caracteriza. o negrilho é um ser com estatuto humano. etc. A repetição do pronome pessoal – “Tu” – transforma esta segunda estrofe numa espécie de oração. cit. contudo… Sobre os valores particulares de algumas conjunções coordenativas. antiga (nela o “tempo” faz “ninho”). A alteração de pessoa verbal – de “ele” para “tu” – entre as duas estrofes faz sobressair a proximidade entre o sujeito poético e o negrilho. a última – “bosque suspenso / Onde (…) ninho!” – remete para o carácter protector da árvore.1. é um espaço protector a que se acolhem o “eu”. duvidosa. o sujeito poético enfatiza o carácter excepcional daquela árvore e da sua relação com ela. 8-9). cedência. 3. consulte-se Celso Cunha e Lindley Cintra. calculismo. 2. 13) 4. 4. orvalho. consideramos o facto expresso pelo verbo como certo. “Tu ”/ ”os outros”. a conjunção coordenativa e tem um valor adversativo (estabelece entre as duas orações uma ideia de contraste). 463-464) 2. 76] Compreender [pág.2. O poeta a que se refere o sujeito poético é o negrilho. cristal.”) e sente admiração por ele visto que ele simboliza a harmonia da natureza. revelando. “Porque os outros”. pois é definido como sábio (“revela o mundo visitado”) e sonhador. dotado quer de atributos físicos – a voz (“conversamos”) e os “olhos” –. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor | Textos | 4 Compreender [págs. evidenciando o carácter singular do negrilho. honestidade. dá expressão dramática à sua relação com a árvore. 1.. Sugestões: “Ainda há esperança porque…”. porém. 11-12).a chamada. 2. orvalho conota ‘leveza’.” – salienta a simplicidade poética e a relação da poesia com a natureza.

16). fazia. “resmungam” (v. 4.1. até antagónicos. 3. 2. No passado.2.1. encontrava. vv. frequentemente. 3. . O carácter ambíguo das palavras está em evidência neste poema porque o sujeito poético apresenta um conjunto de vocábulos que transportam consigo sentimentos diversos e. amor e rosa mas. v.1.1. gostaram) e o pretérito imperfeito (dançavam. v. | Textos | 5 Compreender [pág. “ténues”. as palavras “gostaram” do sujeito poético: andavam à volta dele e “aqueciam-no”. 19: rosa. o sujeito poético sugere que. lugar para observações e estratégias de remediação. A relação das palavras com o sujeito poético mudou provavelmente porque aquelas se “fartaram da rédea” que as prendia.2. enquanto que as primeiras são suaves e ‘tranquilas’. A relação sujeito poético-pátria-liberdade é uma relação de tudo ou nada: só existe pátria em liberdade e por elas o sujeito poético está disposto a tudo – ao exílio. dirige-se a um “tu”. da mesma editora.6. protegidas. da EMI-Valentim de Carvalho ou no CD Poesia Encantada.3. este facto deve-se também à maior exigência que o sujeito poético tem na selecção das palavras (“já só procuro as mais encabritadas”). destinatário do discurso. uma vez mais. se calhar. 2. a luta por ela é fogo e cardo. pátria. / Outras [são como] orvalho apenas. 1. Por exemplo. Depois de ouvir o poeta. A liberdade é água.3. exílio. o sujeito poético pede contas a um “tu”/ “eu” acerca do que terá ele feito das palavras.6.12 Caderno do Professor | Resolução das actividades do manual 2. as segundas são quentes e fulgorosas. Esta canção encontra-se no CD dos Trovante intitulado Baile no Bosque. 2. cuidadas. 3. hoje são muito menos dóceis e mais difíceis de ‘domar’. 4.2. 4. propõe a seguinte ficha de avaliação de leitura em voz alta: ■ ■ ■ ■ ■ ■ Hesitar Usar o dedo ou outro guia Ler com expressividade Fazer leitura palavra a palavra Respeitar a pontuação Errar em pequenas palavras ■ ■ ■ ■ ■ ■ Ter ritmo de leitura Acrescentar Omitir Aglutinar sílabas Ter problemas de dislexia Fazer autocorrecção. 2.1. mesmo quando ‘enfraquecidas’. Algumas vezes. primavera. trazem ainda boas memórias. Os tempos do passado são o pretérito perfeito (fartaram-se. A antítese luz/noite remete. enumeração. Observação: Na 1. 4. A brochura Leitura. Através desta interrogação. pátria/exílio . ainda.4. 2.2. 10: navio. 84] P – Português. se tornou mais exigente e que agora só procura “as mais encabritadas”. Sempre. implica exílio e morte. vento. do rigor e da simplicidade com que o sujeito poético as usava (vv. 15: sangue. v. nesse caso não haveria metáfora.5. vv. os versos 3 a 6 podem ter subentendido “são como”. os pares água/fogo . 2. Muitas vezes.a estrofe.14: tempestade.2.2. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor 1. tive. v. 4. amor/morte.1. Adjectivação. “agora” – vv. 6-9). v. pátria. como aliás todas as outras do poema. ele aproxima-se de uma definição (poética) de polissemia. que sugere “desmaiadas”. desobedecem-lhe e desrespeitam-no (cf. 3.1. fazendo-nos supor que o apelo por ele lançado no poema anterior não teve eco. v. Através destas interrogações. Através desta imagem (conjunto de metáforas) o sujeito poético refere que as palavras. porém. que se pode eventualmente identificar com um “eu” – o sujeito poético seria o eu e o tu. do ME-DES (1999). 2. Actuar [pág. navio.1. Provavelmente. 16: amor. o sujeito poético lança um apelo para que as palavras sejam escutadas. 7-8: água.1.2. será a vez de os alunos praticarem a leitura oral de alguns poemas. A interrogação do primeiro verso. 17). rosa/cardo. 1 e 15. mas apenas comparação: Algumas [são como] um punhal. morte. para o carácter contraditório da palavra poética.1. 2. 17: chama. Nesta ficha haverá. lenha. só quando as juntamos podemos fazer palavras. no presente. Para cada um destes pontos serão usados os parâmetros Nunca. Por exemplo versos 17-20. O adjectivo “ pálidas ”. 82] 1. fogo.2. / [como] um incêndio. As vogais são “de um azul (…) apaziguado” e as consoantes ardem “entre o fulgor / das laranjas e o sol dos cavalos”. Comparação e metáfora. sustentavam).2. 3-5). ao cativeiro. por vezes. Daí o seu carácter complementar. Tendo em conta que o poema nos chama a atenção para o facto de as palavras poderem apresentar diferentes significados. 2. Vogais e consoantes são opostas pois. “estão ariscas” (v. Em alternativa.2. remete para a ‘morte’ das palavras que.4. à morte. cardo. personificação. “arreganham os dentes” (v. Raramente. que outrora eram o seu ‘sustento’ quotidiano. 3).3.

pt/librdd5. Ou seja: o verso que não há. não seja muito diferente daquele sujeito que vemos nas tribos primitivas. que tinha uma flauta mágica. 1997 (texto com supressões) Texto a ler aos alunos: A poesia não se explica.. texto escrito e lido durante uma sessão consagrada a “Trinta Anos de Poesia” na Faculdade de Letras da Universidade Católica de Viseu. 2. assim. E que cada palavra é um pedaço de universo. Subtil como os Europeus. Publ. pronta a “explodir” a qualquer instante. como queria Rimbaud. in 30 anos de poesia. também aqueles que são explorados guardam em si uma raiva calada. através da palavra. hipócrita. Oralidade [pág. antes de tudo. Sobretudo não sei se a poesia tem alguma coisa a ver com a literatura. Robusto/Belo como os Gregos. O poeta é esse feiticeiro.1. De qualquer modo. encantatória e desesperada tentativa de captar a essência do mundo e de. o poeta de hoje é como esse xamã antigo que. como nas sociedades primitivas. Ambicioso como os Romanos. 19). Ou talvez ela não seja mais do que o primeiro verso.uc. Não sei falar de poesia. 84] 1. Sei. Isto é o que sei de poesia. convoca as forças benfazejas ou tenta exorcizar as forças maléficas. que é o instante da revelação e da relação mágica com o mundo através da palavra poética. procura decifrar os sinais dos tempos através de múltiplos sentidos ou do sem-sentido da palavra. é a essência do mundo e que “os ritmos em que se exprime constituem a forma do mundo”. 3. como diz o meu amigo José Manuel Mendes. A arte e o ofício da língua e da linguagem. (…) É então que a poesia acontece. Génesis. “mudar a vida”. Ardiloso como os Orientais . quando é destruído pelo fogo. [pág. através da repetição rítmica de palavras e imagens. a poesia implica. aquele que nos é dado. A forma verbal encontra-se no modo conjuntivo (Me levante). Que procura o impossível. Sossegado/Calmo como os Árabes. Os sinais mágicos da palavra. Sei que a energia. da Universidade de Coimbra). Apaixonado como os Latinos . como costuma dizer a minha amiga Sophia de Mello Breyner.html e http://www. Manuel Alegre. Talvez o poeta. (…) O poeta. falso. dizia Cioran.2. A poesia é. como o poeta russo Mandelstam. 86] 2. Hipóteses: incoerente. porque os outros têm de ser conquistados. afinal. Ardente/Ardoroso/Veemente como os Africanos. | Textos | 6 Compreender [pág. Ou como dizia Klebnikov: “na natureza da palavra viva. Como já não pode ler nas vísceras das vítimas. “é aquele que leva a sério a linguagem”. Talvez tudo isto seja a poesia. expressando um desejo do sujeito poético: que.bib-camilo-castelobranco. que escreveram sobre o tema da liberdade. E para mim a língua começa em Camões. Dança com palavras ao som de um ritmo que só ele entende. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor Poetas de expressão portuguesa do século XX “Não vale a pena pisar” Tópicos de análise Todo o poema é uma longa metáfora – tal como o capim. renasce após a primeira chuvada.Módulo 2 Textos expressivos e criativos e textos poéticos 13 Actuar [pág. Sei que a poesia não se explica. como sempre dizia Miguel Torga. como diz o meu amigo Herberto Hélder. 84] A poesia é também a língua. A música secreta da língua. esconde-se a matéria luminosa do universo”.pt/cd25a/ (Centro de Documentação 25 de Abril.1. consultar o site http://www. Para encontrar outros poetas portugueses. P – Português. Talvez tudo esteja nesse primeiro verso. 3. que “escrever é um acontecimento cósmico”. ressuscite puro e imaculado. “nem anjo nem bruto” refere a essência humana do homem com todos os seus defeitos mas também com as suas virtudes. depois da morte. Talvez seja muito pouco. da segunda metade do século. Dom Quixote. que tinham uma concepção mágica do mundo. E o que é levar a sério a linguagem? Eu creio que é estar atento aos sinais. que nasce espontaneamente da força da terra. uma forma de medição. Uma forma de alquimia. em Maio de 1965. 89] . Um presságio do Sul.rcts. Ou é talvez o adivinho. 4.2. repetindo palavras mágicas enquanto dança e pula ao ritmo de um tambor. Talvez esteja antes ou depois da literatura. Não sei falar de literatura. “Recorda-te que tu és pó e em pó te hás-de tornar” (cf. 4. Uma encantada.. Mas não sei se é possível saber mais. de plumas na cabeça. A calma ilusória dos oprimidos explodirá em força logo que as condições sejam propícias.

3. construídos com base numa repetição anafórica (“É como se alguém…”) seguida de uma construção antitética: pisasse/risse. 1 a 4 – metáfora de Timor aprisionado. 5 e 6 – esperança no ressurgimento futuro e desejado. do condicionamento geoeconómico a que as ilhas estão sujeitas: a seca e a fome.14 Caderno do Professor | Resolução das actividades do manual “Terra” [pág. 12. inevitavelmente. 21-22) – conseguem perceber o sentido (verdadeiro) de África – MÃE. / sofrimento” (vv. mas não posso pronunciá-lo (vv. o ciclo do sonho/esperança. aconselha-se o site http://www. vv. 11-18). ciclo da vida: “…sonhos/que um dia esvaem-se/ – mas surgem sempre…”. 21 a 36 – sentimento de quem fica: por um lado a resignação. A solução da partida é inevitável mas provisória – abandonar as ilhas. constituem-se como uma espécie de prolongamento do título do poema. isto é. o ritmo pelágico (das eternas partidas e regressos). 13 a 18 – identificação do sujeito poético com Timor: fala pela voz de Timor expressando o desejo à autodeterminação. ■ vv. 92] Tópicos de análise África vista de fora (“Gentes estranhas com seus olhos cheios doutros mundos”) – imagem falsa. ■ ■ ■ ■ . vv. reportando-se à realidade. 37 a 43 – os dois ritmos que polarizam a vida das ilhas – campos (telúrico)/mares (pelágico). o escritor e crítico literário Manuel Ferreira salienta os dois “mundos” em que se movem as crianças são-tomenses: “o reino da aparência e do ‘real’ – a máscara e o rosto”. 6. 6 a 15 – razões que provocam a partida – seca. ■ “Negra” [pág. na quinta estrofe a máscara cai e revela o rosto. 7 a 10 – identificação profunda com o povo timorense através do símbolo da bandeira. a fartura. 1 – Nha: pron. pess. mesmos nervos. valor expressivo dos adjectivos “mudos” e “quedos”. a impossibilidade de partir. – a senhora (tratamento cortês usado apenas com as mulheres velhas ou muito respeitadas pelo falante). tudo se passa no interior – “Eu sei o teu nome…”. batesse/cantasse. vv. a vida colectiva: ■ o ritmo telúrico (vida ligada à terra). determinada pela situação financeira dos que aspiram à emigração. assim. atravessar a imensa fronteira líquida. que provocam o desejo de evasão (hora di bai – hora da partida). morte. a eterna diáspora cabo-verdiana. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor [pág. procurar fixar-se numa região de trabalho bem remunerado para regressar o mais depressa possível. remetendo para o título Negra. 90] A literatura cabo-verdiana: temática Há um conjunto de constantes na literatura de Cabo Verde que derivam. v. as quatro primeiras estrofes correspondem ao mundo da aparência. palavra que nunca aparece no poema embora todo ele remeta para esse sentimento. paradoxalmente. 9. à máscara. isolados por um travessão. espécie de grito de morte anunciada. vv. carácter simbólico deste facto: o ■ Num comentário a este poema. 94] vv. 13 e 19). a realidade. os últimos versos de cada um desses tercetos. É a tragédia do êxodo. ■ “Os vínculos timorenses” Tópicos de análise ■ ■ [pág. ■ o sentimento colectivo de que a emigração constitui a única solução possível e. 20-21). 91] Tópicos de análise o título é a palavra-chave para decifrar o poema: Esperança. alma. fome. os quatro tercetos iniciais. ■ silêncio a que os carrascos obrigam. 2. ■ ■ Dois ritmos polarizam.a pessoa sing. só os africanos – “do mesmo sangue. o sonho de quem parte ou almeja partir. 93] Em relação ao crioulo cabo-verdiano. Tópicos de análise v. apunhalasse/abraçasse. sangue/pacto (v. 19 a 24 – apelo de que o sujeito poético se faz eco.priberam. cuspisse/passasse indiferente. 16 a 20 – lugares mais desejados. “gemidos cantados” – expressão que revela a verdadeira natureza dos cantos das crianças. a esperança de mudança concretizada no último verso – esperança = vento da certeza. P – Português. oca e artificial (vv. Nota no Manual). metáforas de “esperança” (vv. ■ ■ vv. ■ “Esperança” [pág. ■ ■ ■ ■ vv. metáfora da candeia acesa. 25 – Timor fenece. 14-18. ciclo da terra. ■ ■ ■ a saudade dos que partem (a ruptura dos laços que prendem o homem à sua terra natal) e o desejo do regresso. ■ “Lá no ‘Água Grande’” Tópicos de análise vv.pt/dcvpo/ onde um dicionário e uma gramática de crioulo podem ser consultados on-line. fem. carne. por outro a esperança de que as coisas se alterem – que venha a chuva e traga consigo a abundância.

Os adjectivos são “ancorado” e “feliz” (v.2. capitão no seu posto de comando. o sofrimento mata o sonho. cor que escorre dos dedos – morte do sonho pelas suas próprias mãos. a navegar num doce mar de mosto. (as) minhas. abundância de marcas da 1. absurdo. serão. Leonardo que. ■ expressão dos sentimentos do sujeito lírico que estão na base da sua decisão de ‘matar’ o sonho – solidão (areias desertas). “O futebol brasileiro evocado da Europa” Tópicos de análise ■ [pág. porque sabe o que o espera na “bem-aventurança”. deixarão). na segunda estrofe predomina o futuro (terá. Entre outras. S. vai). Nota introdutória a Obras Completas de Carlos Drummond de Andrade. símbolo de um país (Brasil). dramático. 2. Assim. e por seme- aparente simplicidade da bola (vv. ■ 3. O conector “Por isso” traduz a ideia de consequência. Locução adverbial: “sem pressa” (v. Ficha formativa [págs. e a antevisão de como será o referido cais (estrofe 2). Na segunda estrofe é feita a antevisão (daí o tempo verbal futuro) do que espera S. 7. Na primeira estrofe predomina o presente (é. Obra Poética. 9). 6. 1. S. correspondendo cada uma delas a cada uma das estrofes. quadra – vento/noite/frio – conjugação dos elementos naturais que se aliam à tristeza provocada pela morte do sonho. Publ. 96-97] a I 1.1. 94] ■ Tópicos de análise Tema: A paz só se alcança quando se abdica do sonho/A morte do sonho. 95] Sobre o poema No meio do caminho: “Este poema pode simbolizar dignamente a poesia modernista brasileira e as reacções de entusiasmo ou de repulsa que provocou podem simbolizar as que sempre provoca a arte de vanguarda.Módulo 2 Textos expressivos e criativos e textos poéticos 15 “Canção” [pág. 3-4) versus a real dificuldade em lidar com ela (vv. chorarei. na sua simplicidade. Leonardo não tem pressa de chegar ao seu destino (o ‘cais divino’) porque se sente ‘feliz’ no ‘cais humano’ onde tem tudo aquilo de que gosta e cujas sensações agradáveis pretende prolongar o mais possível já que sabe que no local para onde vai não terá nada daquilo que tanto aprecia (Cf. desilusão. ■ a 5. avança. “Nem vinhedos (a)”. “Um poeta universal”. à proa dum navio de penedos. Leonardo se demora para poder apreciar a paisagem (constituída pelas estrofes 1 e 3). gasta). Europa-América. Leonardo. atenção. a “terra” e a “rosmaninho”. ■ a 4. agora. Duas hipóteses possíveis: O poema poderá ser dividido em três partes lógicas. carinho (vv. 1. avança.. meus). (vv. 23).” Arnaldo Saraiva. a iniciar a sua viagem em direcção ao “cais divino”. “ancorado e feliz no cais humano”. devagar e sem pressa nenhuma de lá chegar.1. pessoa (pus. Na terceira estrofe retoma-se o presente de S. quadra – hipérbole dos dois primeiros versos. advérbios: “devagar” (v. ■ “No meio do caminho” Tópicos de análise [pág. O antecedente do advérbio “Lá” é a expressão nominal “cais divino”.. 6. na qual S. Leonardo. Leonardo quando chegar ao seu destino. 21) “lentamente” (v. ruma. tristeza. 5. sem pressa de chegar ao cais divino..° vol. ■ P – Português. 1-2) ■ bola/touro – definição por oposição lhança (v. abri. mas pode simbolizar igualmente a novidade. 10-11: “É num antecipado desengano…”). “Na menina dos olhos (b) deslumbrados”. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor 6.. ■ ■ relação bola/mulher/touro – necessidade de tratar com malícia. cansaço. no “cais divino”. valor simbólico das mãos – atitude deliberada do sujeito poético.a quadra – relação sonho/navio/mar/mãos. ■ marcas do “crime” – mãos molhadas. s/d O poema pode dividir-se em duas partes: a viagem em direcção ao cais divino. na sua ambiguidade. 3. que naturalmente são investidos de grande energia simbólica) e sem mais ênfase que a da repetição. 11-12). (o) meu.a quadra – valor simbólico do conector temporal “depois”. na primeira estrofe. 7-8). 4. resultado ou efeito.3. 8). vemos S. 8. e fá-lo com uma espantosa economia lexical (à base dos lexemas inqualificados “caminho” e “pedra”. na sua brevidade. na terceira estrofe volta a predominar o presente (se aproxima. a ordem/a perfeição equivalem a ausência de dor/ausência de sonho. “um navio de penedos”. ■ . astúcia. ele faz de um aparentemente banal acidente de percurso um grande acontecimento obsessivo. vv. o cheiro a “mosto”. vai sulcando as ondas da eternidade. a importância da poesia drummondiana. 95] o futebol. poderiam citar-se as seguintes passagens: “socalcos” e “vinhedos”. 8).

Numa mão tem o comando do aparelho e. 105] 1. 18). três latas de refrigerante vazias. é uma tentativa de desmistificar a dificuldade da matemática – “… a matemática não tem de ser um problema. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor 3. Funcionamento da língua [págs. 3. 7. 101] 4. Neste cartoon. 107-108] 1. 14). uma taça de pipocas. subtracção (l. A adição. em muitos gestos do nosso dia-a-dia. 45-46). 8-12) 4. importância à forma. ■ ■ A verdade da mensagem não é uma preocupação fundamental. na outra. 1. 2. “Os números foram ordenados e agrupados em unidades cada vez maiores. 1. ■ | Textos | 2 Antes de ler [pág. de forma muitas vezes inconsciente.2. queixandose que os programas de televisão nunca começam à hora prevista. com ar enfastiado. “Em suma” (l. 103-104] 2. No chão.” (ll. l. ‘com hora marcada’ para aparecer na televisão. onde. De dentro da casa alguém pergunta se a guerra já começou. Utilizam-se recursos estilísticos e uma linguagem profundamente conotativa. b.16 Módulo 3 Textos dos media I | Textos | 1 Antes de ler [pág.° § – Introdução. 1. há uma íntima relação entre este cartoon e a resposta que L. Por isso. ela é tão natural e “… tão fácil de perceber como as palavras. O anúncio apresenta-nos um quadro preto típico das escolas. os alunos irão completar uma grelha. o sujeito poético usa os conceitos matemáticos de uma forma muito pessoal que reflecte as suas ideias e sentimentos. onde está escrita uma frase com símbolos matemáticos: A matemática deve ser tão fácil de perceber como as palavras. 1. população de Kamilaroi: 7 = bulan bulan guliba (4 + 3) 5. “metade do corpo” seriam dez dedos. o texto “As origens da Matemática” mostra-nos como esta disciplina entrou naturalmente nas nossas vidas e está presente. ao que o homem responde que não. “A divisão começou quando 10 se exprimiu como ‘metade de um corpo’…” (ll. Afonso dá à primeira pergunta da entrevista – a guerra ‘anunciada’.” 2.” e “… pode ser divertida e acessível a todos.° § – “A Terra (…) não haverá mais. “Contudo” (l.2. patente no texto que o acompanha. 103] 3. O ‘público’ espera pelo início da guerra como quem espera por um filme ou uma série que passa a determinada hora na televisão. geralmente pelo uso dos dedos de uma das mãos ou das duas…” (ll. Na televisão reconhecemos a imagem do Rambo. Aula de Matemática ■ 2.° § – Como funciona a ciência. multiplicação (l. era esta a divisão: 1. 109] Compreender [págs. 4. ■ Tem uma intenção estética: predomina a função poética. Para além de todos os estereótipos que o cartoonista aqui põe em evidência – o fim do dia de muitas famílias portuguesas em que o homem se acomoda no sofá. 6. Esta é a primeira fase do trabalho a completar na pergunta 7. 9). numa total inversão realidade/ficção: não é a realidade que passa a ficção mas a ficção que “salta” para a realidade. | Textos | 3 Antes de ler [pág. 4-8) 3. 15-16).” (ll.° § – Tecnologia – a ciência em acção. 45). 12-17) 5. a.° § – “No entanto (…) conquistas tecnológicas.1. 43).1.° § – Ciência – um estudo de tudo!. sentada num sofá em frente à televisão. No original. 1-4) 2.2. podemos observar uma personagem masculina. . E o P – Português.” (ll. 44).° § – “Tenho esperança (…) própria vida. População de Murray River: 5 = petchval petchval enea (4 + 1). Compreender [pág.” (ll. Adição (l. Partindo do princípio da contagem pelos dedos. 4. Dá.° e 5. sobretudo. ‘comandando’ a televisão enquanto a mulher arruma a cozinha. 41) e divisão (l. pipocas espalhadas e o jornal abandonado aberto na página que fornece informações sobre os programas de televisão.2.” (ll.° § – “A História (…) gerações futuras. O desenvolvimento das actividades comerciais (Cf. da página 108. recordando as noções de texto literário e de texto não literário. A mensagem subjacente a este anúncio.” Ora. 17-19) Através deste texto é-nos dada uma visão subjectiva do mundo (interior e exterior).1.° § – “As ilhas (…) estão ameaçados. É um texto literário.

nos muros. que. 4. 26). nos painéis publicitários. os léxicos das línguas dispõem basicamente de três mecanismos distintos: a construção de palavras..5. 1.a pessoa quando se dirige directamente ao entrevistado. de fazer). os outros professores acusam-nos de serem responsáveis pela “pobreza vocabular” dos alunos e a redacção de actas e outros documentos é encarada como uma obrigação destes ‘puristas’ da escrita. 23. preocupado. os das ciências sociais “limitam-se a sublinhá-lo” e os docentes de Português “ não sabem que peso atribuir-lhe”. um homem com ar triste. Segundo o autor. nas faixas. “era uma pista onde a prova tinha decorrido”. 1. nas duas primeiras perguntas. | Textos | 4 Compreender P – Português.]. é lógico que..1. nos placards. mas. b. “lhe” (l. 42). A ordem dos parágrafos é: c. etc. faz perguntas pertinentes (que muitos leitores gostariam. é ele que está destacado já que a mulher que se encontra à sua frente (bem como o resto da foto) se apresenta desfocada. destacado. 2.2.1. b. Esta forma de destaque poderá indicar que o homem está desorientado.3.2. e 2. a..1. imprudência. Nota-se que a entrevista foi bem preparada: o entrevistador conhece bem o percurso do entrevistado e a sua obra. 1.1. 1. 5. actualmente.. no entanto. 2. 117-119] 1. 2. a.3.Módulo 3 Textos dos media I 17 que é certo é que este tipo de ‘programa’ tem audiência: “correu bem em termos de bilheteira…” (l.1. 36)..1. Embora não apareça em primeiro plano.. nas “coisas” da Câmara. Temeridade – ousadia perante um perigo quase certo.2. 35.6. O autor faz esta afirmação porque os erros ortográficos proliferam apesar dos esforços dos professores.2.2. O maior erro. é não reconhecermos o erro ortográfico quando o vemos e este facto é grave na medida em que o perpetua.1. No entanto. nos autocarros. 3. O antecedente é “os léxicos”.1. chamando particularmente a atenção do leitor para o facto de o cartoonista se inspirar naquilo que o rodeia e para as suas constantes dúvidas e inquietações. [ele] circula…”. 2. Hipóteses possíveis: “as pessoas tinham-se excedido um pouco”. Não podemos dizer que o entrevistador tenha formulado juízos de valor sobre as respostas dadas ou tenha procurado influenciar de forma óbvia o entrevistado. “ele” (l. que constitui uma espécie de tributo ao pai e àquilo que o cartoonista aprendeu com ele relativamente à forma como se posiciona perante os acontecimentos. recorrendo a regras da própria língua (1). podemos entrever uma tomada de posição em relação aos factos. na opinião do autor. b. Podemos situar a CPPORT14CP-02 .1.. a. O erro ortográfico encontra-se nos tapumes das obras. etc. 34. como o título já anunciava. audácia.3. Compreender [págs. (in Grande Dicionário Língua Portuguesa. acto ou dito irreflectido com possíveis consequências desagradáveis ou perigosas. b. Luís Afonso ‘herdou’ do pai. ignorado pelos outros figurantes da foto. logicamente. 2. Na primeira foto vemos. 1. Porto Editora) 4. uso da primeira pessoa do singular). Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor [pág.. 16). 121] 1.. 4. 4. 1. Acrescente-se que “o erro ortográfico” é ainda antecipado por diversas elipses (“[ele] Está também…. O entrevistador adopta um tom formal. O grupo nominal a que se refere “nele” é “o erro ortográfico” que só aparece na linha 22. nas legendas televisivas.4. Exemplos possíveis: Assim.. Funcionamento da língua [págs.1. O autor afirma que “vai sendo um castigo” ou uma imprudência ser-se professor de Português pois estes professores são frequentemente colocados “ na posição de réus” e constantemente “colocados em trabalhos e tormentos”. atribuindo-lhes novos significados (2). isolado em relação àquilo que o rodeia.). Na introdução faz-se uma espécie de síntese do conteúdo da entrevista.1. Anáforas: “o/lo” (ll. certamente.1. hoje em dia/nos nossos dias. | Textos | 5 Antes de ler [pág. 117] 1.” 4. 24. d. a reutilização de palavras existentes. 2. 3.. “Para incorporar palavras novas. A ordem é a seguinte: Ora. O título da entrevista é uma frase do entrevistado (cf. Trata-se de uma retoma anafórica pronominal. 3. b. a importação de palavras de outras línguas (3).. os professores das disciplinas científicas “deixaram de o corrigir”. “dele/deles” (ll.1.1. 112-113] 1. b.2.2. 38 e 43). porém/todavia/contudo [colocados após “que carece”: que carece. usando a 3.2.

de lhes conferir o estatuto de ‘verdadeiros lisboetas’. etc. em particular de África e dos países de Leste. Se o título tiver sido grafado com maiúscula inicial. isto é. “Nem sei também se…”. quer na criança que não os ignora e demonstra. …) nos antropónimos (“Sérgio Tréfaut”). Compreender [págs. cidadãos de Lisboa iguais a todos os outros. por si só. 3. 3. Ao lado. que representa todo o país.2. de ‘dar a conhecer’.2. . a meu ver. Trata-se de um sujeito nulo subentendido [Nós]. em algumas circunstâncias.” Sujeitos: Nós/eles. Através daquilo que o crítico classifica como “filmar a ‘seco’”. no dia-a-dia estes “verdadeiros” lisboetas estão ausentes/invisíveis em relação aos imigrantes.1. 4. Reescrita possível: “Lisboetas. 1. expressões como: “Não estou bem seguro de que…”.1. Será uma boa ocasião para explicar aos alunos que mesmo os complementos seleccionados pelo verbo (ou pelo nome) podem. o realizador deste filme ‘esqueceu-os’: é como se eles não existissem. 5. Por exemplo: o uso do adjectivo valorativo em relação ao trabalho do realizador (enorme. aqui. uma ideia temporal de situar uma acção num tempo posterior ao tempo em que se situa o acto de fala. isto é.1. assistimos a uma cena dentro de um autocarro: uma mãe com um bebé ao colo.5. Propositadamente optou-se por lisboetas com minúscula. “creio que…”. 124-125] 1. A letra pequena faz bastante diferença na leitura da mensagem. A ausência dos “verdadeiros” lisboetas do filme é explicada pelo facto de eles se comportarem desse mesmo modo “face ao Outro”. 4. Predicados: agradecemos/retribuem. antes expressa um facto dependente de uma hipótese. …). Por exemplo: em início de frase. o realizador terá querido salientar que estes ‘lisboetas’. 3. Lisboa. penso que. nos topónimos (“Lisboa”.4. A opção pelos grandes planos justifica-se pela vontade do realizador de não interpretar mas sim de ‘mostrar’.3. a maior parte das vezes. 5. 1. Por isso. 123-124] 1.2. o uso da maiúscula no vocábulo “Outro” revela a preocupação do autor em evidenciar a importância destes cidadãos. lisboetas. Evidenciam incerteza. são eles (os lisboetas/os portugueses) quem acolhe os imigrantes ou quem os ignora.). nos nomes relativos a meses do ano (“Janeiro”). ou seja. certamente.2. 3. Através desta frase. “poderá ter”. As mensagens são opostas pois enquanto que na primeira há uma mensagem de solidão e isolamento. não dependem deles nem da sua vontade. Orações coordenadas: “Nós agradecemos e eles retribuem.2. na segunda a tónica é posta na esperança das gerações futuras (quer o bebé que está ao colo da mãe e para quem ela sonha. “África”. uma outra criança observa a cena que se passa também em Lisboa (no autocarro que se vê ao fundo pode ler-se Restelo). Na segunda foto. “talvez”.2. Sendo intencional. Contribuem também para manifestar a incerteza do locutor a expressão “E nesse caso…” aliada ao uso da forma condicional “faria” e o recurso ao futuro (“será”. uma certa curiosidade em relação às duas outras personagens).1. “terá Tréfaut querido (…) mostrar-nos”) que não assume.1.1. 99) e distanciamento (ll. Os “novos lisboetas” são os imigrantes que vêm de todo o lado. isto é. Observação: Os verbos “agradecer” e “retribuir” são transitivos directos e indirectos. até. emocional.2. 2. 2. etc. e não assim. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor Funcionamento da língua [págs. 99-100). A vida destes “novos lisboetas” não lhes pertence pois têm que lidar com uma série de problemas que. um futuro melhor do que o seu presente. Referimo-nos a expressões do tipo: na minha opinião. 3. parece-me que. Através desta personificação. Estou seguro de que no início do genérico do novo filme de Sérgio Tréfaut o gentílico surgia no écran com capitular. segundo o autor deste texto de opinião. ser suprimidos da superfície lexical da frase.” 2. embora os respectivos complementos directo e indirecto não estejam expressos. introduz um valor modal: o ponto de vista do sujeito locutor em relação àquilo que é dito. caso contrário. 1. o realizador mantém em relação às personagens uma “dose correcta de distanciamento”. imparcial.2. contratos de trabalho. poderia tratar-se de uma chamada de atenção para o estatuto de menoridade destes imigrantes. todos nós estamos irmanados tanto nas dificuldades como nos sonhos. são ‘verdadeiros lisboetas’. Por exemplo: clarividência (l. com caixa baixa. 4. olhando-o com ar sereno e embevecido. correcta. o crítico chama a atenção do leitor para o facto de não haver grandes diferenças entre nós e os imigrantes que recebemos: tirando os problemas de ordem burocrática (legalização.18 Caderno do Professor | Resolução das actividades do manual foto em Lisboa pela placa atrás do homem. “poderá ter-se tratado”. é identificada com os seus habitantes. em meu entender.3.2. P – Português. os imigrantes retratados no filme. Sei também que a questão não será de importância relativa ou menor. acho que.1.

as infecções pelo VIH. celebrar a nossa humanidade comum. em relação a este fenómeno. qualquer instalação deve manter-se no espaço para que foi criada.” “Finalmente. Nos dois últimos períodos do texto.. 2. Além disso. uma melhor compreensão da questão da migração humana em geral e das vantagens que este fenómeno pode trazer ao mundo. fazer parte da família das nações e dos povos. “Em conclusão…”. Embora ambas remetam para aquelas pessoas que abandonam o seu país de origem para se estabelecerem num outro. “Em segundo lugar…”. oriundos sobretudo de Leste. P – Português. 1. a obtenção de melhores resultados ao nível do Índice de Desenvolvimento Humano. “Em resumo…”. “Por último…”. até. 126] 4. ■ 5.a pessoa).” [36 palavras] … que ilustra os benefícios da polinização cruzada entre povos e países.1. pelo facto de ser publicado numa revista.3. “(…): o Campeonato do Mundo é um evento em que efectivamente se obtêm resultados. na segunda metade do século XX. Transitórias por definição.”: deveria haver uma vírgula a isolar o vocativo.2.3. A palavra melhor é. em função da intencionalidade que se pretenda atribuir à frase. aquele que deixa o seu país) e imigrante implica um movimento de fora para dentro (ou seja. Os conectores são: “Em primeiro lugar…”. originalmente significando “procedimentos e (…) técnicas de exposição de obras de arte em espaços próprios”.138-146) 3. pois expressa a opinião do seu autor. 138-146) 3. alargou o seu conceito. é subjectivo. hoje. “Finalmente…”. na hora do jogo. poderia optar-se pelo ponto final. vai torcer pela sua equipa (o Gana) e desejar que ela ganhe.. o foco narrativo é centrado no emissor (1. 4. no século XXI.. uma multiplicidade de campos artísticos cujas fronteiras se diluíram. ■ ■ … em que todos estão sujeitos às mesmas regras.2. (ll. // … na família das nações houvesse mais competições deste género.” (ll. O que Kofi Annan realmente inveja é o facto de um evento deste tipo conseguir aquilo que a ONU não consegue: fazer com que todas as nações sejam uma família e que celebrem juntas a sua “humanidade comum”. o comparativo de superioridade do adjectivo bom. “OBRIGADO. 2. as seguintes: o respeito pelos direitos humanos.” “Em suma…”. 1. Os três últimos poderiam ser substituídos por conectores do tipo: “De seguida…”. as emissões de carbono. aquele que se instala num país que originalmente não é o seu). é um texto curto. frequentemente.. Não me refiro apenas aos golos que um país marca. em que todos os países têm oportunidade de participar em condições de igualdade. Por exemplo: ”Por fim. permanentes.3. As questões que preocupam Kofi Annan são. havendo uma relação específica entre a obra de arte e o espaço em que é inserida – o site specific –. // … todos compreendessem que a migração humana em geral pode dar origem a uma tripla vitória – para os emigrantes. 130] 1. etc. os “novos lisboetas” vão-se adaptando à cultura portuguesa. Este tema interessa ao secretário-geral das Nações Unidas por se tratar de um dos poucos fenómenos que é tão universal como (ou até mais universal do que) a própria ONU. as instalações tornam-se. entre outras. “Depois…”. o discurso é directo e espontâneo. “Em terceiro lugar…” e “…em quarto lugar…”. 3. o aumento das taxas de sobrevivência infantil e de matrículas no ensino secundário. de trocas livres e justas. aqui. . No fim da frase.4. Elaine. Portugal tornou-se.Módulo 3 Textos dos media I 19 1. emigrante remete para um movimento de dentro para fora (isto é.1. Oficina de escrita [pág. 2. país de acolhimento de diversos povos. Daí o facto de ele confessar.a pessoa) e no referente (3. ■ … de que todas as pessoas do planeta gostam muito de falar. refiro-me também ao resultado mais importante de todos – estar lá. 2. há uma espécie de diálogo virtual com o leitor. para os seus países de origem e para as sociedades que os acolhem. Proposta de resumo: “Outrora país de emigrantes. “Seguidamente…”. … em que todas as pessoas sabem qual é a posição da sua equipa e o que ela fez para lá chegar.4. // … que tivéssemos mais factores de nivelamento como estes na esfera internacional.2. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor | Textos | 6 Compreender [pág. Kofi Annan revela-se o ‘adepto’ comum: aquele que. Trata-se do Campeonato do Mundo de Futebol.1.” [78 palavras] 2. 2. Proposta de resumo: “A palavra “instalação”. // … que houvesse mais conversas deste género no mundo em geral.1. um sentimento de inveja.3. As principais características da crónica estão aqui presentes: o texto parte de um facto da actualidade. a necessidade de mais factores de nivelamento entre países. pelo ponto de exclamação ou.. abrangendo. pelas reticências. predomina a função emotiva.2. Por todo o lado e a todo o momento.

a pessoa do singular – leio.1. 65) – colocação do pronome átono antes do verbo: “me assusta” (l. F (Através destas frases a cronista explicita exactamente a opinião contrária: a saudade é um sentimento que ela não aprecia particularmente. 25). b. 4. (l. “livros”. … c. “imagem”. 3. c. “crónica”. 10). “cabeça”. “cornada”. dificilmente progridem e são infelizes. “caneta”. suspeito. de salientar. 2). – construção aspectual (utilização do gerúndio): “estou adiando” (l. Embora a palavra saudade seja de difícil tradução. “bloco” . 28). V. – e na 1. “papel” . “costas”. Ainda assim – Mesmo assim. “revista” . [Eu] nunca tenho uma ideia: [eu] limito-me a aguardar a primeira palavra. a. V. 1). etc.2. 23-24) e “quando…” (l. b. “se afasta” (l. 139-141] I 1. “chifres”. planos morfológico e sintáctico: – utilização do determinante possessivo sem artigo: “de seu disperso” (l. “romances”.) d. 9). b.1. “Estou aqui…” (l. 57). 2. As expressões que conferem a este excerto coesão sequencial/temporal são as seguintes: “E então…” (l. Trata-se dos pronomes indefinidos “muitos” e “outros”. “advérbio”. “adjectivo”. gozei. Estes dois advérbios marcam a distância entre o enunciador do discurso (eu) e o ‘objecto’ a que se refere. Por exemplo: Assim – Desta forma. ao passo que – enquanto que. “garçom”. “ a se convencer” (ll. eu. “olho”. l. opto) que configuram actos ilocutórios assertivos. 3. directivo. formas verbais na 1. prefiro. 19). 2.) P – Português. “cotidiano” 1. 6). 30) 2. aprisionados ao passado.a pessoa do plural – olhamos. 15-16). Neste texto. nos apercebemos ). “É altura de…” (ll. a que traz as restantes [palavras] consigo. “Depois…” (l.1.1. a crónica. 48). ainda. Na origem desta crónica esteve uma notícia que a cronista leu no jornal Público sobre palavras de difícil tradução. 50). V. se há muitos – embora/ainda que haja. F. b. c. forma escrita diferente: “crônica”. “pele”. “página” . “pescoço”. Funcionamento da língua [pág. 1. 16).20 Caderno do Professor | Resolução das actividades do manual | Textos | 7 Compreender [pág. Os saudosistas.1. F. “período”. “esferográfica” . “parabéns pra você” (l. “patas”. 18. c. 5). “fêmea”. “está olhando” (l. 3. b. “coração”. a. 3. “meu café” (l. 2. – diferente utilização das preposições: “Visava ao circunstancial” (l. V. 3. F (O advérbio “talvez” introduz um tom de dúvida no discurso. numa cena do quotidiano: a festa de aniversário improvisada de uma menina pobre. O deíctico “isto” apela ao saber compartilhado já que faz parte de uma expressão que retrata um gesto que tem que ser conhecido pelo interlocutor – “não se deslocou nem isto” significa “não se deslocou nem um bocadinho”. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor II | Pretextos | Tópicos de análise do Texto 2 ■ 1.1. . o texto (crónica): “palavra”.1. plano lexical: utilização de variantes lexicais de diferentes origens – “botequim”.1. a opção por verbos que exprimem uma opinião (parece-me. “De início…” (l. Hipótese possível: “Não se importam de se debruçar mais?” Ficha formativa [págs. É claro que – obviamente. “nossos olhos” (l. 134] ■ variedade brasileira do português: assinalar as diferenças encontradas em relação à variedade europeia: a. 2). “em torno à mesa” (l. Por exemplo: “Como nasce uma crónica”/ “O escritor à procura da crónica”. Umas vezes [a palavra] vem logo. Traduzir determinadas palavras é quase impossível.1. 137-138] 2. etc. O animal (pacaça): “pata”. 135] 1. etc. “cauda”. e. V.2. V. 32). d. “coice”.1. actos que traduzem uma verdade assumida pelo locutor. 33). “[A crónica] continua acolá…” (l.3. etc. “escritores”.. “de seus três anos” (ll. A presença da autora é explícita quer através das marcas de primeira pessoa (pronomes pessoais – me. [págs. e. traduzi-la-emos. V. O tema é o processo criativo que está na base de uma crónica. como é norma no que se refere às crónicas. 2. a. E vai encontrá-lo. “frase”. isto é.2. 62-63). f. “macho”. outras [vezes] [a palavra] demora séculos. “se mune” (l. encontramos o autor à procura de tema para uma crónica.

Eis a notícia que surgiu no Público: Palavra “saudade” é de difícil tradução A palavra portuguesa “saudade” foi considerada o sétimo vocábulo estrangeiro mais difícil de traduzir. uma história contada para aclarar um conceito abstracto. A mais votada foi “ilunga”. [65 palavras] P – Português. o mito garante a unidade do grupo. a tolerar uma segunda vez. Assim. disciplinando e favorecendo os comportamentos e a solidariedade sociais. os mitos explicam factos incompreendidos.Módulo 3 Textos dos media I 21 5. que é a palavra em iídiche (língua falada por algumas comunidades de judeus oriundos da Europa central e oriental) para uma “pessoa cro- nicamente sem sorte”. Em segundo lugar ficou “shlimazl”. tendo uma função social inegável. foi a terceira mais difícil de traduzir e significa “enfatizar declarações” ou “concordar com alguém”. Predicativo do sujeito. o mito é uma crença. Jurga Zilinkiene. uma fábula. A palavra japonesa "Naa".1. III 1.2. de uma língua falada numa região da República Democrática do Congo e que significa “uma pessoa que está disposta a perdoar qualquer abuso pela primeira vez. que conduziu a sondagem. “Apesar de as definições parecerem bastante precisas. levada a cabo pela agência londrina de tradução e interpretação Today Translations. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor . lenda). segundo uma votação realizada por mil linguistas. mas nunca uma terceira vez”. in Público. 25-06-2004 (adaptado) 2. Em suma. ao contar histórias sagradas. da área Kansai.” (orações coordenadas copulativas). afirma a presidente da Today Translations. 5. atribuindo-os à actuação de entes sobrenaturais. Proposta de resumo: Proveniente do grego (mythos – narrativa. Por exemplo: “Nunca está feliz e vive preso ao passado. o problema é tentar transmitir as referências locais associadas a tais palavras”. povoadas de deuses e heróis.

O adjectivo anteposto ao nome deixa de designar uma qualidade objectiva. 2. 98-99) Finalmente.2. quanto ao segundo.2. passando a avaliativo (valor subjectivo): a casa não era apenas grande em tamanho (“uma casa grande”). debruçada no bastidor. não o segue por questões de humanidade: por mais insignificantes que sejam. 150] 1. próprio para computador e impressora (ll.) E se ele estivesse armado? Pelo aspecto não parecia.a personagem: “O velho.” (ll... 2. 151] 1.1. A pontualidade da acção é marcada pela expressão temporal “Um dia…” e pelo recurso ao pretérito perfeito – “foi”. 95-96) Então. 41-46. a saltar ao alcance dos meus dedos é que nunca me tinha acontecido. 16-23).2. 1. 1).” (ll. “o . há sempre um parente de um parente que me faz saber que isto ou aquilo ‘lhe faria imenso jeito’. 3.. cheia de vidros e quadros de gôndolas e açudes” (ll. A posição do adjectivo qualificativo é tipicamente pós-nominal. a surpresa – “Não foi esta a primeira vez que me vi assediado por personagens. corredor enorme” (l. (. É esta mesma diferença de sentidos que podemos encontrar. quadros. (…) Agora. muitos armários” (ll. O narrador não segue o primeiro conselho pois não quer arriscar-se a que as personagens. 2. o narrador centra-se na roupa que é guardada dentro dos armários. 11) “muito fria e escura” (ll. camisolas. 2. distribuo louças. 34-38. 16).1. 15-16. o espanto. “… toc. 48-50. 13-14). Mas resolvi não interferir. (ll.” (l. (ll. O cenário é um móvel com dois tampos.1.2.1. Os advérbios de tempo: “nunca” (quatro ocorrências) e “sempre” (duas ocorrências) – remetem para um estado de permanência. ganhando rugas na cara e | Textos | 2 Compreender [pág. espelhos nas paredes (…) e armários. decide “aprisionar” as personagens no texto. por exemplo. 63-66) Logo depois. 2.. A partida da Graciete para o Canadá. A repetição do adjectivo “inteiro” evidencia a duração temporal – foi uma vida inteira que a Graciete passou “debruçada sobre o enorme bastidor de madeira”. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor Oficina de escrita [pág. jarras. 148] 1. em “uma mulher grande/uma grande mulher.3. povoado de mesas. 146] 3. Recordo a Graciete. toc. 85-88. e 2. “acumulava”. Primeiro.22 Módulo 4 Textos narrativos/descritivos I | Textos | 1 Antes de ler [pág. O tempo verbal predominante é o pretérito imperfeito do indicativo – “era”. ao serem atiradas pela janela. Rasgo papéis de uma vida inteira. 151] 1. pedindo ‘apenas uma lembrança.2. 92) “…o tique-tique dos saltos. “servia”. 53) 3.…” (l. Finalmente. “se enchia”. “abria”. olho para fotografias a sépia. as personagens “sempre são gente. Eis os dois últimos parágrafos do texto original: “Hoje regresso à casa.” (ll. ou um rosto que não reconheço mas que me bate à porta e me enche a cara de beijos.2. Cada um destes espaços é descrito também através dos objectos que os enchem – “A sala. 3. e 1. As onomatopeias são palavras acusticamente formadas com o objectivo de imitar sons ou ruídos. 29-32) De seguida. magrita. 29-30. sapatos. 20-24. 33-39).a personagem: “um homenzinho magro” – ll. “estremeceu”. etc. casacos.a personagem: “uma jovem loura” – ll. 2. de barba branca” – ll. Compreender [pág. algum enternecimento – “Eu comecei a enternecer-me. depois receio de que a personagem feminina lhe riscasse a secretária com os saltos.1. eu era tão amiga dela!’ Só não consigo tocar nos armários dos lençóis. de gente de quem já nem recordo o nome. na urgência do senhorio que me dá três meses para a ‘desfazer’.. à medida que se vai percorrendo a casa – “uma grande casa” (l.2. 3. 1-20). 146-148) Funcionamento da língua [pág.” (ll.” 3. A descrição é feita do geral para o particular. uma amiga velha/uma velha amiga”. 7-8) “o corredor enorme. “uma sala grande” (l. uma personagem de doze centímetros de altura. Os advérbios de modo “lentamente” e “cuidadosamente” apontam para o desvelo e para o tempo que era dedicado a estas tarefas (inúteis). “assustava”.2. algum medo ‘disfarçado’ – primeiro do “homenzinho ginasticado”: “O que pensei logo foi ‘com este posso eu bem’. P – Português. de inalterabilidade.” (ll.2. “arrumou-se”.. 46-47) Seguidamente. “dizia”. “desatavam” – tempo típico da descrição que sugere o aspecto durativo ou habitual e aponta para a repetição de uma acção no passado.1. causem algum dano aos “utentes da via pública”. é assaltado pela inquietação o que o leva a pedir ajuda a um amigo – “Mas o receio de que pudessem surgir mais personagens inquietou-me. a vontade de interferir – que acaba por controlar – “Sobreveio a tentação de lhe dar uma ajuda com os dedos.

por exemplo. a temeridade. o primeiro anjo opta por escolhas linguísticas não adequadas ao tipo de relação entre os interlocutores (É o ‘a quem se vai dizer’ que condiciona o ‘o quê/como se vai dizer’). uma certa suavidade da força ilocutória dos actos directivos.1.2.2. descriou-o”. Homonímia. asiática e ameríndia. Uma interpretação possível: Cada um dos anjos dá-nos uma lição: com o primeiro e o segundo podemos aprender que a humildade e a capacidade de adaptação do discurso à situação de comunicação nos ajudam a conseguir os nossos objectivos. “respeitoso e de poucas palavras” (l.” (ll. “Sem dúvida”. Desempenha a função sintáctica de modificador da frase.Módulo 4 Textos narrativos/descritivos I 23 calos nos dedos à medida que o linho se enchia de flores. remete para o conceito de modalidade. Acto ilocutório directivo (pretende conduzir o interlocutor à realização de uma acção). o Criador apiedou-se dele e deixou-o ir. “mandou”. com o quarto anjo. 3. “o que lhe sobrava em disciplina. 1.2. “humilde. Assim. o quarto anjo transformou-se num ‘instrumento’ de Deus: “Diz-se que esse anjo sem asas se passeia entre os homens (…) incógnita. um sujeito mais cordato e delicado. respeita claramente um dos princípios pragmáticos que é determinante no desenrolar da interacção discursiva: o princípio de cortesia.° anjo – “mais prático e destemido” (l.1. 27). 2.exprime. mas voava. 5.” (ll.° anjo – “um anjo alegre.1.1. Trata-se de um advérbio. Coesão interfrásica (Após). Por exemplo. 1. voava.1.1. expressão que evidencia um grau máximo de certeza. 3. entre outros. Observação: O exercício 3. sem obrigações. sem sombra de arrogância” (l. . ou seja. Quando o primeiro anjo lhe desobedeceu. anáfora pronominal (lhe/ /aquilo) e elipse (“[Deus] explicou-lhe…”) 5. a grande lição parece ser que podemos conseguir mesmo aquilo que aparentemente é impossível. A forma como Deus reage à recusa dos dois anjos está directamente relacionada com a forma como cada um deles a formula: enquanto que o segundo anjo se dirige a Deus respeitosamente. além de uma educação um pouco mais esmerada” (ll. 3. 2.2. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor | Textos | 4 Antes de ler [pág. 157] Observação: Através da leitura deste mito tradicional chinês. aves do paraíso – e receio que as visitas. 4. Deus “num rápido gesto de enfado. embora. Quando o segundo anjo se recusou a voar sem asas.3. 2. P – Português. 3.2. 1. 156] 1. Homofonia.” | Textos | 3 Antes de ler [pág. voava mal. sensibilizam-se os alunos para o conto sobre as origens. 6. a imprudência. 1. O segundo anjo era. 46-48). em comunhão com a natureza. 153] 5. Exemplos possíveis: porém/contudo. grinaldas. a ambição. O sentido da metáfora é resumido na frase que se lhe segue: “Enfim. “Criar” significa “dar existência”. “tirar a existência”. o segundo anjo. b. O neologismo “descriou-o” significa. poderíamos ter. a fé. Compreender 1. 16-17). 40-41). 4. faltava-lhe em fé” (ll. não me perdoem por não ter sabido continuar a esperar por elas. Provavelmente porque o segundo anjo se libertou da mão criadora e vive. talvez/provavelmente/quiçá. até um pouco simplório (…) grande talento. a.”. Para tal.1. “ordenou-lhe”. já que/porque.° anjo – “um sujeito mais cordato e delicado” (l. a lição do terceiro anjo parece ser a de que a obediência cega não é um bom princípio. O princípio de cortesia pode determinar. Podem ser apontadas.1.3. esses seres misteriosos que povoaram a minha infância. 6. também chamado conto etiológico – relativo ao estudo sobre a origem das coisas ou das causas de certos factos.° anjo – “lhe faltava o essencial. Funcionamento da língua [pág. 56-58). o prefixo des. 34). fenómenos – tão frequente nas culturas africana. 1. [pág. portanto. “exigiu-lhe”. 19).2. Assim. a ideia de acção contrária. a desobediência. por exemplo: “Não te importas de tirar as asas e voar?” ou “E se agora tirasses as asas e experimentasses voar?” 2.1. Paronímia. 155] 2. 6. 33). ao contrário do primeiro.1. é preciso acreditar. Ao contrário. entre outras. 4.

não era dado a aventuras (ll.3. “Os outros lhe chamavam à térrea realidade” (l.1. No texto. avezinha enluarada (ll. trovejantes” mas passageiras (ll.1. permitindo compreender o contexto em que ela surge. “luarejar”. Era “um homem folgazão de barriguinha inchada” (l. 10. m. Deixis pessoal: Eu. 13. e 1. 11.. “indisposições” “negras. | Textos | 5 Antes de ler [pág. 159] 1. “[A] Minha filha” (l. 19. falaremos também de repetição do nome. 34) nominal.” (l.3. 3.2. Rita tem dificuldade em adormecer porque é assaltada por medos. Recorrência: nominal com repetição do nome: avezita (l.4. f. 10-11).1. entre outras.+ alisou. 8. 94-95… Compreender [pág. com frequência. O uso dos adjectivos “cativa” e “aprisionada” sugerem que.1. A menina quer sempre mais. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor 2. 4. Aida (l. 35) e mostrava uma educação pouco esmerada (“soltava estrepitosas (…) digestões. ela (ll. 5. 35) Pode ainda referir-se a recorrência pela repetição do determinante possessivo: seu (ll. e 2. Tinha. É “ser lua”. 46).” (ll. 16. Neste conto aparece encaixada a história que o narrador conta à sua filha. a avezita acabou por ver o seu sonho tornar-se realidade.2. a. Embora gostasse de apreciar as mulheres que via passar. 1). em desgastar . 91-92). “Me deu” (l. vinhas (verbo de movimento) Deixis temporal: sonhei. “[no seu] em seu poleirinho” (l.exprime aqui a noção de reforço (como. 22). a avezita não estaria muito satisfeita com a situação (“Triste. com o significado de “que tem aparência ou modos de menina(o).. passarinho sonhador (ll. Apesar dos pequenos desacordos típicos de qualquer família. 7.2. “Lhe inventei” [inventei-lhe] (l. 17. 16. 3. 3.. tombam gotas de cacimbo. desenlace – ll. parte preparatória – ll. 10) [deu-me].2. ll.3. há (desinências verbais de tempo). 1.. 24. agigantava) insistonto (ll.. “[Os] Seus colegas” (l.3. 3. Américo Pedrinha “era feliz e ninguém sustentava qualquer dúvida a respeito de tal felicidade.” (ll. ■ ■ ■ ■ ■ ■ 4. tu.2. “calvo e baixote” (l. ele (ll. 2. 25.3. 44-45) ■ ■ * Nota: as palavras assinaladas aparecem duas vezes – as duas primeiras – e três vezes – a terceira – pelo que. “… para fazer pousar o sonho dela e desencorajar os seus infindáveis ‘e depois. .. 33)). Rita ouve na rua relatos de crenças tradicionais que aumentam o seu fascínio em relação à lua.” (ll. e.2. 4. me Deixis espacial: aqui.1.1. 3. 158) 1. desinquieto) estrelinhada (l. 16-20. 35-39. 160] 1. Cf... 3. i. 6.1. 35-37)).4. 13-15. h. sua (ll. 16).. 31). 2. 17). 43-46. P – Português. 29): des. 76-88.24 Caderno do Professor | Resolução das actividades do manual No conto de Mia Couto. 3..1. g. 12. 16-17): insistente + tonto menineira (l. que é amigo de crianças”. 11). 4. sonhaste. 14. 80-88). 19). 27. 98-100). 14): forma do verbo “imensidar” (= crescia. 6) e luarar-se (ll. por exemplo. 19-20): verbos formados a partir de lua (= transformar-se em lua) imensidava (l. rosnadas. Ver Observação em Antes de ler. Américo Pedrinha é casado com D. 21. 33. “[O] Seu sonho” (l. l. vinhas.1. O pai de Rita não consegue o seu intento de a adormecer contando histórias. Compreender [pág. 21-42. 30. 18): esta palavra existe como adjectivo. 4. com substituição lexical – passarinho* (ll. voltou a ouvir a pergunta de sempre. Funcionamento da língua [pág... 3. nesta perspectiva.2. 161] 1. pronominal – lhe (l. c. O narrador é o mesmo. seus (ll. Ainda não foi desta vez que conseguiu o seu intento já que. pág. O prefixo des. infantilidade) desalisou (l. 45-46. 23). j.1. 14). São lagriminhas do pássaro que sonhou pousar na lua. de Antes de ler. ‘explica-se’ a origem do cacimbo: “Sobre as primeiras folhas da madrugada. provavelmente. 31). infantil. Ver pergunta 1.1. 16) [chamavam-na]. 16).4. A origem do cacimbo (nevoeiro denso que se forma à noitinha em alguns pontos de África. nó da intriga – ll. 2. A primeira parte do conto é uma espécie de introdução à história da avezita. 34). De tanto sonhar. 43): = estrelada. 10) e tem dois filhos – “um rapaz solene (…) e uma rapariga (…)” (ll. 28-29). Mia Couto utiliza menineira como nome (= criancice. no final desta história. Situação inicial – ll. luarejar (l. 13). 30. d. pássaro* (ll. 9. 89-91. 27. b. ela chorou. 165] 1. ave* (ll.’ ” (ll. 43-44). ■ 3.1. chuva miudinha).

80). sugere que ele terá feito algo de semelhante.2. e desvenda-se o mistério da situação estranha que a personagem estava a viver (ll. 128-129) e.. A versão de Arnaldinho não foi tida em consideração porque “ninguém sabia o que fazer com ela. toma uma pílula que havia roubado de uma das salas do Museu. D. isto pode fechar. A analepse consiste no relato de acontecimentos anteriores ao presente da acção. não merecer credibilidade. 27-28) e “E até os filhos (…) projectavam na venda da quintinha todas as suas esperanças…” (ll. ao almoço. Por exemplo: “Nos seus tempos – (…) do bom vinho francês. .1.) um bilhete de domingo. Compreender [págs.3. Aida “ suspeitava (…) que o homem se deixara encantar por alguma mocinha” (ll. “soltava”. 1. a primeira analepse dá-nos conta do ‘sonho’ de Américo Pedrinha e a segunda relata os últimos acontecimentos antes do seu desaparecimento. os verbos aparecem no pretérito perfeito: “desapareceu”. 5. 4.” (ll. “homem moderno” e apreciador dos prazeres da vida. Olha agora se todos se lembrassem de dizer ‘Passem bem’ e de voltar as costas? Além do mais. “Deste sonho inteirinho se apoderara D. Apresentação de Tijoleiro. “arrotava”. Trata-se do discurso indirecto livre. 57-58).3. Os dois adolescentes não tinham orgulho na figura do pai (Cf. para não “parecer a Deus e às línguas deste mundo” que tinha “pressa de se encontrar viúva. a mãe.2. Funcionamento da língua [pág.” (ll.” (ll.. Os colegas de escritório imaginavam que ele poderia ter partido porque “as coisas no escritório não andavam famosas” (ll. Por exemplo: – Pois é certo que as coisas no escritório não andam famosas – comentam os colegas.1. 33-102). ao contar o enredo do filme em que “os índios sentem chegar a morte e se retiram.1.2. por sua vez. O advérbio “enfim” introduz uma conclusão e “enquanto” é um conector temporal (conjunção subordinativa temporal) que remete para acções simultâneas.1. Mas isso é mal geral pelo país fora. Arnaldinho. Aida é contrariada pelos testemunhos dos amigos de Américo Pedrinha que “juravam a pés juntos que não lhe conheciam aventuras. Ver resposta a 1. 2. Aida e os filhos fazerem contas à ‘herança’. 151-155)..” (ll. 54)). 1. “são”. 103-150) – Desenrolam-se.” (ll. um conjunto de peripécias que vão levar ao desenlace. “Na manhã desse dia (…) – comentaram os amigos. Nos dois exemplos da alínea anterior.” (ll. talvez por ser considerada absurda.3. 51).” (ll.” (ll. 2. por isso. decidiu não pôr luto. A suspeita de D.2. Os filhos fizeram constar que o pai “andava viajando pelo mar” (l. (…) seus cavalos. 3. 28-31)). “falam”. a partir da linha 103. A expressão temporal “Ainda agora…” remete-nos para o presente pelo que os verbos se encontram no presente do indicativo: “forjam”. Por exemplo: o facto de D. 5. Desenlace – “Desesperado (…) para um manicómio. de seguida.) miscelânea de todos os animais. Situação inicial – “Viveu em tempos (…) contra os seus planos e expectativas. 3.2.1. 133-136) e os efeitos que essa história terá tido em Américo Pedrinha. ao Jardim Zoológico. Há alguma frieza na forma como esta questão é encarada: a filha tinge os vestidos de preto porque “a moda era o preto” (l. pensando vender a “quintinha” que era a menina dos olhos do pai (Cf. depois de se aconselhar com “a velha Felisberta”. E acrescentam: – De um momento para o outro. “mostram”. 2. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor 1.” (ll.” (ll. 168] 2.. 1-32). “era”. 173-174] P – Português. A expressão temporal “Antes de…” introduz um conjunto de verbos no pretérito imperfeito: “sentiam”. chegando mesmo a forjar provas dessa viagem. O pronome demonstrativo com valor anafórico “aquilo” remete para o desaparecimento de Américo Pedrinha.1. Tijoleiro parece enlouquecer e é levado para o manicómio. dirigindo-se.2. 167] 1. “começaram”. 2. Discurso indirecto: “Américo Pedrinha disse-lhes que passassem bem. cá vai correndo o tempo e o escritório ainda não fechou.” | Textos | 6 Antes de ler [pág. 93-116) 4. 123-124). mas também porque gostava de cores fortes (“adorava azul-turquesa” (l.”. que ia morrer e que estava farto daquilo.” (l. Nó da intriga – “Com um sorriso (.Módulo 4 Textos narrativos/descritivos I 25 2. Aida (…) femininas. Tijoleiro visita o Museu Histórico e. ll. 5. 117-119). talvez para não terem que passar por aquilo que sentiriam como sendo mais uma vergonha perante os amigos. 15-26). 68-69) como acontecia “em folhetins (…) e nas novelas da televisão. Depois da conjunção subordinativa temporal “Quando…”. 70-71). Parte preparatória – “Pouco tempo após (. 39). talvez por nem sequer ser bem compreendida ou por ter saído da boca de um homem estranho “que cultiva nespereiras na varanda” (ll. 37-38). Provavelmente sentiam-se envergonhados com a forma como ele se comportava e daí o amor que sentiam em relação a ele ser “enervado e arisco”. de Compreender. “tinha”.

Ao arrancar do corpo as peças de vestuário e adereços. por momentos. Lena – caracterização física directa: “Vinha de sapatos pretos. Júlio e Luciano são amigos.3. 41-45. 117). pois.” (l. modelada e principal.” (l.” (l. de tal modo que o fim de uma sequência é o início da seguinte. “despreocupados” e brincalhões. os macacos Maqui (ll. 35-36) 3. os gaios (ll. O conceito do que é ‘normal’ não pode nunca ser separado do contexto social e cultural. Tijoleiro passa do desespero à vergonha de si próprio. “Com um sorriso de boa disposição…” (l. Esta personagem é dinâmica. precisamente. o puma (ll. Cf. 146). 4. é apresentado mais um indício: “Talvez tenha sido este. No Museu Histórico. 138-139) suportando “a sua prisão com decoro” e “cheios de humor”.” (ll. cujo “ olhar expressava nobreza. 87-88) e no restaurante o momento em que decide tomá-la (ll. um pouco atrevido. chamam-lhe “unhas-de-fome”.. 6. 3. 3. De seguida. sentindo o prazer da corrida. resignação e tristeza” manifestava.1. “É bem bonita. o gnu. Tijoleiro procurava encontrar nos seus semelhantes algum sinal de compreensão da “sua angústia” e do “seu pavor”. muito contra os seus planos e expectativas. a descrição do fato e da bengala de Tijoleiro (ll. As sequências desta narrativa são encadeadas. e 4. a camurça.5. malcheirosos e indecorosos” e “emproados”. 38). Toda ela vestia de luto carregado. degenerados. a acção desenrola-se num restaurante e.2.1. “bípedes horríveis. 8. bibe preto. 65-74. pois o tempo da acção desenrola-se de forma linear. Não deve. pois não é bom que o homem fique só. finalmente. “majestoso”. 62-63. deixar de se parecer com os homens que os animais tinham acabado de desmascarar diante dos seus olhos e que se tinham transformado numa “desagradável sociedade de seres semelhantes a animais. 104-109) – “grande”. Mas os seus movimentos eram leves e cheios de vivacidade. 133-135).3. “sombrio e altivo”. 81-86). um pouco arrebatado. 4. Passou. a pantera (ll.”. O vento abriu-lhe o bibe e. No fundo. Neste último parágrafo. “com voz grossa”. emproados. Entre outros. Tijoleiro entra no átrio do Jardim Zoológico. portanto. 30-32) Note-se que. E.2. o momento em que Tijoleiro rouba a pílula (ll. ll.2. 3. “Horrorizado num susto indescritível…” (l. de forma indirecta. depois. sobre os cabelos claros. 49-50. “Mas ficou desiludido. o seu mal. 4. o cabrito-montês. 116-122). 9). usa esse facto como pretexto para dizer que também não gosta dela. os ursos (ll. 97-98). Tijoleiro tenta. 4. 54-57. Júlio – é também caracterizado sobretudo psicologicamente e indirectamente. meias pretas. 177-179] I 1.1. o leão (l. 142).2.26 Caderno do Professor | Resolução das actividades do manual 2. mentirosos…”. desesperadamente. o lama.3. aristocrática e comedida. com “dois grandes olhos castanhos ”. Uma leitura possível: O julgamento que fazemos acerca dos outros e do mundo é apenas o ‘nosso’ olhar.. 2. nem anular outros pontos de vista. 107). 5. “belíssimo”. o alce (ll. P – Português. ser considerado como único. 132-133) digno e sábio. Luciano – é caracterizado psicologicamente pelas suas atitudes e reacções. a Lena. Gosta de Lena mas. “… atónito e desorientado…” (l. os javalis. um grande laço preto. 7. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor . “Perturbado…” (l. porquanto teve um fim precoce e estranho. 113).4. como não gosta da família dela. “… a sua angústia e o seu pavor…” (l.” (ll. “melancólico”. está profundamente transtornado e desorientado. ll. andavam em liberdade. 110-113). “… ficou aterrado até ao mais fundo do seu coração.3. não declara esse sentimento a Lena. um “profundo desdém. 135).3. apareceu a descoberto o colo muito branco que formava com o rosto uma mancha alva no meio do luto. Gosta de Lena. 125-130) “todos o desconsideraram” e não compreendiam por que razão estavam eles presos enquanto que os homens. sendo a última dedicada às superstições na Idade Média. 5. É orgulhoso. 117-119.1. Nota-se. brincam juntos e estão ambos apaixonados por Lena. achava os visitantes uma “gentalha”.1. No museu. airosa e veloz. alguma tristeza quando fala com Juliano pois gostaria de estar no seu lugar. “– Parece uma andorinha (…)” (l. O chimpanzé (ll. apelida Tijoleiro de “ orgulhoso ” e “ estúpido ”. 4.2. primeiro amável e. um tremendo desprezo. não tem coragem para assumir esse sentimento. em relação a Tijoleiro. Tijoleiro passeia por três salas que têm expostos objectos diversos. 103). Ficha formativa [págs. 41-44) e dos objectos expostos nas diferentes salas (ll. no início da segunda parte. “… e foi imenso o que nele se perdeu. 4-8). o falcão-das-torres (ll. mas como está convencido de que ela gosta de Luciano.. 137-138). 140). como ele próprio o confessa e como se vê através de muitas das suas atitudes. nele. 59-60.” (ll. impulsivo.

Módulo 4 Textos narrativos/descritivos I 27 3.a ocorrência: “reagiu”. A forma como se refere ao carreiro de formigas (“exclamou ela. a ocorrência: “ declarou ”. “protestou”. numa exagerada surpresa”) vem destacar esta vontade de chamar a atenção de Luciano que insistia em fingir que a ignorava. sem circulação de viaturas. É através do primeiro diálogo – entre Luciano e Júlio – que ficamos a perceber as relações entre as três personagens: Embora o negue. onde os rapazes jogam berlinde. era aproximar-se de Luciano.1. Júlio gosta de Lena mas sabe que não tem qualquer hipótese de ser correspondido. 2.1. Substituições possíveis: 1. 7. o diálogo caracteriza indirectamente as personagens e contextualiza o narratário. já ele a namoraria. A acção passa-se num largo cujo chão. “comentou”…. P – Português. Júlio sorriu com tristeza e replicou que bem tinha visto que ele tinha ficado danado. O que Lena pretendia. ela tinha passado sem o olhar e ele tinha ficado danado. 5. 12). 54). Em conclusão.. 9) é extremamente expressiva e revela carinho e admiração por Lena. A comparação utilizada por Júlio (l. Luciano cortou dizendo que tal não tinha acontecido/não era verdade. 4. se fosse com ele.” l. Luciano gosta de Lena mas não da família dela. é de “pó alvacento” (l. com um ar superior.. naquele momento... Trata-se de um lugar sossegado.1. correndo em círculos cada vez mais largos. exclamou”… 8. ■ ■ 6. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor . Proposta de discurso indirecto: Júlio disse a Luciano que não o percebia. Lena gosta de Luciano. ■ O segundo diálogo é esclarecedor quanto à personalidade de Luciano (“. Acrescentou que ela [Lena] andava sempre à volta dele e que ele corria com ela e que. que vai tendo para com Lena atitudes que contrariam aquilo que sente por ela. acrescentando que.

Pus o despertador junto de mim. a. predicativo do complemento directo 11. 2. b. b. e. complemento agente da passiva 9. e. (…) onde há silêncio. quantificador determinante nome verbo adjectivo ■ ■ ■ ■ 11. 2 | Ficha informativa | 6 1. b. 6. Existe na I e na II. b. por um verbo auxiliar modal + preposição “de” + verbo no infinitivo c. b. ➜ sujeito simples 4.1. d. 2. portanto devem estar cansados. b. b. ➜ modificador do nome restritivo b. l. a. (…) para que sejam feitas obras. 204-207] 1. 1. todos os dias. f. Ontem: advérbio. b. c. [págs. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor . 5. 2. 4. 7. 9. A representação do Auto da Barca do Inferno foi vista por todos os alunos. 7. Nunca me diverti tanto na minha vida nem andei tão descontraída. n. g. d. l. ➜ complemento do nome c. d. 2. c. b. 5. fidelíssimo. 3. 2. nascer comprar estar chover ■ ■ ■ 7. b. e. Soa o canto do pintassilgo. Eles trabalharam toda a noite. b. ele : pronome. m. f. por um verbo auxiliar aspectual + preposição “de” + verbo no infinitivo b. chega hoje. a. 3. Os bilhetes serão comprados pelo Pedro.. h. ➜ complemento do nome d. É necessária uma revisão do contrato.1. a. que vive no Porto. 213-217] | Ficha informativa | 5 [págs. (…) antes que os convidados tivessem chegado. j. Ali não há nada interessante. 2 + 1. b. 7. (…) porque não esteve atento. d. j. um verbo copulativo 6.1..28 Bloco informativo | Ficha informativa | 4 1. um vocativo 8. 4. d. Tito. b. b. 197-199] 10. 1. Exemplos: a. O jantar de aniversário foi muito participado. c. h. e. 4. a. 2. fragilíssimo. interjeição conjunção preposição ■ ■ 12. testemunha 3. i. A avenida foi ocupada pelos manifestantes. Chegaremos por volta das cinco da manhã. ➜ modificador do nome apositivo f. m. ➜ oração subordinada causal c. e. 5. ➜ orações coordenadas conclusivas b. Eles regressaram a casa. 5 13. 6. complemento directo 6. f. d. a. A condenação do réu era esperada. 1. O meu irmão mais novo adoeceu. [págs. ➜ orações coordenadas copulativas 3. vítima 4. 14. Sujeito simples. mas não estou cansado. a. d. amaríssimo. 4. 5. g. d.2. a. ➜ complemento do nome 1. 6. Bolas! : interjeição. 2. 3. ➜ orações coordenadas adversativas c. modificador preposicional 7. Corri dois quilómetros. conjunção subordinativa condicional 9. e. 1. ➜ modificador do nome restritivo g. O Rui. Porque se atrapalhou (…) ➜ oração subordinada causal e. j. d. o meu primo. 8. 5 12. Quando o Sol se põe (…) ➜ oração subordinada temporal b. sapientíssimo. dulcíssimo. Exemplos: a. g. a. 1. l. e. e. interjeição 10. 13. Uma mulher idosa era visitada pela Laura. 3. c. tendo por núcleo “letras”. arroz inteligente nadar até ■ ■ ■ 8. e. ➜ oração subordinada final d. 9. a. 5. ➜ oração subordinada temporal P – Português. predicativo do sujeito 7. A decisão do Governo foi bem recebida. c. c. 5. meteorológico: adjectivo. i. c. a. 4.1. ➜ oração subordinada relativa sem antecedente f.1. 1. a. d. h. 5. Ficas a estudar ou vens ao cinema? ➜ orações coordenadas disjuntivas d. d. i. Enquanto: conjunção. b. foi colocado em Beja. Anoiteceu de repente. c. ➜ modificador do nome apositivo e. na próxima semana. f. 4.

Preocupa-os imenso que os filhos estudem. a. 14. ➜ oração subordinada consecutiva b. Como lhe doíam as costas (…) ➜ oração subordinada causal c. Aquela peça era tão monótona que muitos espectadores foram embora no intervalo. 6. e. 11.1. a. 8. c. (…) que eu. Os automóveis que andam a gasóleo são mais económicos. O Raul combinou uma saída com os amigos. orações subordinadas relativas restritivas 12. d. c. A Joana declarou sentir um grande cansaço. Convém que te despaches. d. e 14. Ele sentou-se num lugar da primeira fila para ver tudo. Ele perguntou que horas eram. que tiveram boas notas ➜ oração subordinada relativa explicativa 13. Enquanto não me pedires desculpa.. 3. e 15. Nós queremos falar com o teu pai. São uns indivíduos estranhos dos quais pouco se conhece. f. Como o Sol brilhava intensamente. Os alunos vão à visita de estudo ➜ oração subordinante. b. 4. b. b. Ele conduz melhor que o pai. como nunca ninguém disse ➜ oração subordinada comparativa. b. b. (…) se tu não estiveres presente. Exemplos: a. g. que dizia ➜ oração subordinada completiva.1. De acordo com a frase a. 3. . É já uma certeza que ele foi admitido. 2. 16. 1. ➜ complemento directo b. a rapariga vestiu uma roupa fresca. ➜ oração subordinada concessiva h. Eles lembram-se de que tu fazes anos hoje. ➜ complemento directo d. O teu rosto está branco como a cal. a. Quero que me apoies. a. (…) como se eu fosse transparente. É uma pena que não venhas connosco. Os indivíduos que são bondosos tornam a vida dos outros melhor. É evidente que o Rui está interessado na Clara. Esta é a rapariga a quem o Rui se declarou. g. ➜ oração subordinada condicional 5. A Rita come mais fruta do que doces. apenas os alunos que tiveram boas notas vão à visita de estudo. a. g. A Maria cortou o cabelo à Rita como se fosse uma profissional. embora saiba que a mãe não concorda. f. 5. g.1. c. É importante que tu participes.1. O livro de que me falaste é interessantíssimo. ➜ complemento directo e. Exemplos: a. 7. Ele devolveu o aparelho porque estava avariado.1. b. todos se sentaram confortavelmente. Algumas pessoas envolvem-se em discussões que não servem para nada. f. afirma-se que todos os alunos vão à visita de estudo. Ele falava tão baixinho que os alunos não o ouviam. ➜ sujeito c. 11. ➜ oração subordinada comparativa b. ➜ oração subordinada consecutiva 9. c. não te telefonarei. Logo que começou o filme na televisão. Ele nada disse embora vontade não lhe faltasse. a. c. Fiquei em casa nas férias para que o trabalho fosse concluído. d. 2. já na frase b. ➜ sujeito f. h. Exemplos: a. b. b. O réu afirmou estar inocente. (…) que todos a respeitavam. Pediram-me que tivesse paciência. g. 1. ➜ oração subordinada comparativa P – Português. Ele comprou tudo quanto havia na loja. d. Diz-se ➜ oração subordinante. A Raquel disse que ia ao cinema. O jornalista perguntou se os impostos iam aumentar. Ele acredita em tudo quanto lhe dizem. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor d. e. Só te telefonarei se chegar cedo a casa. Afasta-te das pessoas que são agressivas. (…) como se fosse um pequeno selvagem. c. f. c. O resultado que obtiveste é fraco. e. Ele vive na casa onde tu moraste. As saias que têm pregas usam-se muito este ano. 10. a. 12. (…) embora houvesse barulho. e. ➜ complemento directo 15. c. e.1. (…) que viesse cedo. a. (…) que ficaram exaustos. A aluna pediu para sair da sala.Bloco informativo 29 g. ➜ oração subordinada completiva c. 17. e. Exemplos: a.1. a. f. que tiveram boas notas ➜ oração subordinada relativa restritiva b. f. O Tomás teria desenhado a sua própria casa caso tivesse tirado o curso de Arquitectura. O calçado que é fabricado em Portugal é exportado para vários países. ➜ oração subordinada comparativa d. Ela trata a criança com mais cuidado que a própria mãe. Os alunos vão à visita de estudo ➜ oração subordinante. d.

a. Como se lembrou dos netos. b. despensa (lugar onde se guarda algo) / dispensa (permissão para não cumprir algo) e. fragmento) 5. d. assento) b. e. Exemplos: a. Quando terminou o espectáculo. c. era – hera ➜ homófonas f. d. ortografia ➜ forma correcta de escrever as palavras. c. a flexão em número apenas afecta o nome da esquerda. (…) o tratamento desta doença (…). derivação (por sufixação) 3. a. b. apreçar (indagar o preço) / apressar (acelerar) c. c. 13. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor 7.1. b. cinefilia ➜ paixão do cinema. 13. teologia ➜ estudo de uma religião. c. situações extremas. rio (nome) – rio (verbo) ➜ homónimas d. ouvir ➜ audiovisual. colher (nome) – colher (verbo) ➜ homógrafas b. voltámos para casa. cheque (forma de pagamento) / xeque (lance do jogo de xadrez) g. xenofobia ➜ aversão a pessoas estrangeiras. ar ➜ aeronave. coser (costurar) / cozer (cozinhar) e. estrato (camada) / extracto (que foi extraído. 13. algumas pessoas manifestaram-se. água ➜ hidrogénio 9.4. longe ➜ televisão. i.1. 8. 219-220] | Ficha informativa | 8 1. a. . c. zelo – cuidado 2. e. b. geografia ➜ descrição da Terra. imigrante 10. vou tomar um banho. correcção: sofás-camas 12. derivação (por prefixação) 4. grafologia ➜ estudo sobre a escrita. O álcool e o tabaco são drogas/vícios a evitar. d. hidrofobia ➜ horror à água. hemeroteca ➜ colecção de publicações periódicas. 13.2. o valor semântico do nome da esquerda é modificado pelo valor semântico do nome da direita. anti. ratificar (confirmar) / rectificar (corrigir) b. Mal chegue a casa. peão – pião ➜ parónimas c. economizar – gastar [págs. r e s. a. caligrafia ➜ arte de escrever bem à mão. composto morfossintáctico. comprimento (extensão) / cumprimento (saudação) d. bibliofilia ➜ amor aos livros. (…) Alguns veículos (…). sobre➜ usa-se hífen antes de h. Nos compostos morfossintácticos. descrição (acto de descrever) / discrição (qualidade de quem é reservado) f. espiar (espreitar) / expiar (pagar por uma falta) h. lusofilia ➜ simpatia por Portugal ou pelos Portugueses. pinacoteca ➜ colecção de quadros. discoteca ➜ colecção de discos. derivação 11.30 Caderno do Professor | Resolução das actividades do manual 18. cela (quarto) / sela (verbo selar . Porque estavam preocupadas com o encerramento da fábrica. e. | Ficha informativa | 7 2. psicólogo 5. cegar (ficar cego) / segar (ceifar) 6. a. luz ➜ fotografia. elegível (que pode ser eleito) / ilegível (que não se consegue ler) g. II e IV) 19. sesta – sexta ➜ parónimas 4. concerto (espectáculo musical) / conserto (arranjo) d. acidente (desastre) / incidente (acontecimento de importância menor) c. a. Era necessário que acabássemos o trabalho.➜ usa-se hífen antes de h. cem – sem ➜ homófonas e. a avó fez um bolo. oração finita (III) e orações não finitas (I. zoofilia ➜ amizade aos animais.1. pernoitar [palavra formada por parassíntese] 3. a. 221-222] 1.➜ usa-se hífen antes de r e h. arqueologia ➜ estudo das civilizações antigas. hiper. a. c. previsão (anterioridade) 6.e super. c. b. c. houve (verbo haver) / ouve (verbo ouvir) f. P – Português. alcatifa 8. agorafobia ➜ medo dos espaços abertos e dos sítios públicos. que surgem como última hipótese.3. situação-limite. filologia ➜ estudo dos textos escritos de uma língua. cinto (adereço de vestuário) / sinto (verbo sentir) h. homofobia ➜ ódio em relação aos homossexuais. transpor – sobrecarga [págs. radiografia ➜ registo fotográfico obtido por meio de radiações. biblioteca ➜ lugar onde se guardam livros. d.

3. isto é. depositar.: acto ilocutório compromissivo (exprime um “compromisso” do locutor em relação à realização de uma acção futura). g. geógrafo s. Todas as noites. [fig. água s. Uma mistura de sentimentos o invadiu (…). mas não faço milagres!” 2. guardei / coloquei / arrumei. 7. [= reduzido a cinza] 6. São vocábulos monossémicos. a. A inserção da expressão Peço desculpa. O uso do modo condicional (Preferiria) em vez do presente (Prefiro).2. mas mil. c. O emprego do verbo auxiliar modal poder atenua uma ordem: Vai ter comigo à escola.] = sentido figurado. escaldou-se]. 5. estrela s. De um artigo científico exige-se objectividade e rigor. vocativo. belíssimo ■ ■ ■ ■ [págs. crença… Campo lexical de sintaxe: sujeito. Com o incêndio tudo ficou queimado. 1. [= sofreu queimaduras. com o objectivo de atenuar uma ordem. P – Português. 5. Exemplos: 1. j.2. a. 5. Porto Editora) | Ficha informativa | 11 [págs.: nega um eventual acto ilocutório compromissivo (“Não prometa!”).m.1. 1. No anúncio. e 4. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor | Ficha informativa | 10 1. Estas últimas não são apenas quatro. l.1. 4.m. grupo verbal. especialista em geografia. subordinação… 6. Deixei queimar a sopa. b. i. A última fala do Pai Natal contribui para a intenção crítica do cartoon exactamente porque aquilo que aí é dito não tem qualquer relação com a observação feita pela criança. deus. a. escreve. 2. (…) São estas as minhas flores preferidas.3. líquido c. escorreito. 2.1. arte (…) 4. portanto. interjeições 2. e. 227-228] 1. bem-bem-bem. roseira (todas as outras palavras pertencem ao campo lexical de árvore). fiéis. | Ficha informativa | 9 [págs. 225-226] 2. b. Campo lexical de religião: igreja. Polissemia é a propriedade de algumas palavras de apresentarem mais do que um significado. Na última fala do Pai Natal não foi respeitada a máxima da relevância. d. acrónimo. a. atribuir. h. ele queima montes de dinheiro.1. a. 3. “queimar” significa “desperdiçar”. [= gasta]. [= torrar].f. 4. Neste contexto. pendura. metal 8. b. c.m. sólido geométrico limitado por faces que são polígonos planos.”) (pretende conduzir o interlocutor à realização de uma acção). fonologia s. cama (todas as outras palavras pertencem ao campo lexical de medicina). sorte (todas as outras palavras pertencem ao campo lexical de futebol). ouro s.1. Ele queimou-se com água a ferver. gruta s. acrónimo. pousaram. LINGUÍSTICA disciplina linguística que estuda e descreve os sons como unidades distintas (fonemas) e a sua função no sistema linguístico. e. astro b.Bloco informativo 31 d. Anúncio B. joga-se com dois dos significados de “estações”: os quatro períodos em que se divide o ano – as quatro estações do ano – e os locais de atendimento ao público dos CTT – as estações de correio. contrato. O Pai Natal tenta fugir à questão colocada pela criança pois tem consciência de que não consegue dar-lhe uma resposta satisfatória. uma onomatopeia c. a. definiu / determinou / indicou. bão-bão-bão. Por exemplo: “– Eu sou o Pai Natal. 3. “desaproveitar”.f. não é pertinente. acrescenta. efeminado indefinido trovoada privilegiado desequilíbrio ■ ■ ■ ■ ■ . c. 4. 233-234] 1.m. f. sigla b. padre.2.f. (Grande Dicionário Língua Portuguesa. b. d. plantar. poliedro s. a. c. Utilização de uma frase interrogativa em vez de uma frase imperativa. cavidade (…) c. | Ficha informativa | 13 [págs. produzindo um acto ilocutório directivo (“Faça.f.1. instalar. acrónimo. Anúncio A. o enunciado por ele produzido não tem qualquer relação com a observação anteriormente feita pela criança e. 223-224] 1. cinema s. introduziu. “deixar passar”. árvore (…) b. de uma notícia espera-se a apresentação objectiva dos factos. Sentido conotativo. castanheiro s.m. predicado. embelezar beleza belíssimo belamente Florbela / belas-artes / bel-prazer ■ 3.1. sigla.

Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor de facto Isto é.1... mediante elipse ou supressão. líquido. estudava para o teste de Português. João. Por exemplo: “Não vamos deixar que isto aconteça!” 5. por exemplo: “Sem água. planeta. globo terrestre.° parágrafo e é repetido no 4. planeta – a este processo dá-se o nome de renominalização: processo que consiste na repetição do nome (continuidade temática) quando a referência se pode perder. Põe a mesa. substituição lexical por hiperonímia e hiponímia: “Sem água. ■ ■ Hipótese de substituição Sem dúvida talvez mas A verdade é que Especialmente Indubitavelmente quiçá. Neles. Não haveria plantas. Conectores textuais Valor exprimir um facto dado como certo exprimir a dúvida articular ideias de contraste.2. 3..32 Caderno do Professor | Resolução das actividades do manual 4.1.1. nem animais. “Já começaste a estudar para o teste de Português. magma. tendo em conta a capacidade do seu interlocutor para interpretar o enunciado. Fabricam-se tapetes e cestos com as suas folhas. possivelmente porém Na realidade. Terra. 2. [Sem água] Não haveria plantas.” – os três primeiros elementos sublinhados funcionam. 2. “Fico contente por estares a estudar para o teste de Português.” b. Não deixes tudo para a última hora! c. explicar uma ideia adicionar e agrupar elementos e ideias resumir. tendo um valor imperativo..] e nem todas elas são árvores. Esta encheu as depressões que havia no globo terrestre e nasceram os oceanos. muitos milhões de anos depois. certamente ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ . não haveria vida.. o hidrogénio e o oxigénio. Quando o locutor. como hipónimos do hiperónimo [formas de] vida e os três segundos como hipónimos do hiperónimo substâncias químicas. “João. e 4. c.” c. estamos em presença de um acto ilocutório indirecto.. e finalmente inquestionavelmente. não haveria vida. reafirmar articular ideias de contraste.. Trata-se de um acto ilocutório compromissivo (… juro por minha honra…). d. “João. Pese-me esta fruta. Terra.3.: água. (…) Neles. Apaga a luz da sala! b. oposição exprimir um facto dado como certo exemplificar exprimir a dúvida articular ideias de contraste. d. Por mais… que parece-me que muito menos Na minha opinião Bem sabemos que justamente Porém Depois.) ou declarativas (e. por favor. nem seres humanos para os observar. 4. 4. e sem margem para dúvidas Em suma Acredito que E. precisas de ajuda para estudares para o teste de Português?” 7. muitos milhões de anos depois. A ordem é: 2. Contudo nomeadamente | Ficha informativa | 15 1. Este enunciado configura um acto ilocutório indirecto porque. fluido. repetição do nome. o nome Terra aparece no 2. semelhantes aos dedos de uma mão aberta. [págs. Algumas […] são arbustos e outras […] são trepadeiras. Substituição lexical por sinonímia: água. aqui.°. Por exemplo: a. Por exemplo. Naturalmente que Particularmente porventura.3. 241-243] provavelmente No entanto por exemplo a verdade é que Ou seja E No fundo Mas 2. 1.).” 2. através da substituição por pronomes. nem animais nem seres humanos para os observar. oposição. A maioria delas cresce em climas quentes. Proposta de solução: A palmeira mais conhecida possui folhas que se abrem exactamente no seu tronco.2. oposição exemplificar exprimir um facto dado como certo esclarecer. As palmeiras são plantas úteis. utiliza uma expressão cujo sentido literal é diferente da intenção de comunicação. Por exemplo: a. se eu estivesse no teu lugar.. João?” d. As frases interrogativas passam a imperativas (a.1. P – Português. Mas existem mais de mil espécies [.” 3.1.2.. reuniram-se as substâncias químicas que dariam origem à vida: o metano. Por outras palavras Além disso Em resumo Todavia 5.4. 6.. está formulado como se de uma pergunta se tratasse. por ex. por exemplo: “Foi assim que começou o ciclo da água. 4. 4.1.

Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor CPPORT14CP-03 . especificamente. embora – anunciam uma ideia de oposição. “(…) Não. E ela disse-me: – Não. concluiu. fui doméstica. inscrevi-me numa escola de condução para tirar a carta de pesados e articulados. respondeu-lhe. resolvi concretizar o meu desejo. lembra a camionista. onde plantavam de tudo. contounos. Proposta de discurso directo: A mulher que me serve café todas as manhãs quando soube que eu era português disse-me: – Lisboa é linda..1. A não ser a desavergonhada da garganta…” b. Se – indica uma hipótese. desde a Páscoa. P – Português. Todos os filhos ajudavam muito. Mas era natural.1. conduzia um tractor com atrelado que transportava os caixotes de fruta. Um filme de que não me lembro o nome. recorda Maria Baptista. Tinha ela 50 anos. filosofou. – Conhece Portugal? – perguntei-lhe. visto que – anunciam uma ideia de causa. duvidou.. agora que tanto se demorava em Lisboa. No dia em que a sua filha recebeu o seu ordenado. de seguida numa loja de roupas.2. que tinha sido doméstica… mas que sentia uma terrível frustração. Hipótese de substituição do verbo introdutor de relato de discurso: esclarece 2. e d. e. f. que tinha sido costureira de peles. Foi ali que começou a sua paixão pelo pesado. Porque. Foi aqui que começou a minha paixão pelo pesado”. No dia em que a minha filha recebeu o seu ordenado. tão linda quinta…” | Ficha informativa | 17 1. e eu. Gracinha não sabia. pouco se aproveitava da Feitosa. c. depois numa loja de roupas com a minha filha. especificamente.Bloco informativo 33 6. com a sua filha. Mas sentia uma terrível frustração”. 246-248] Discurso directo: “Os meus pais tinham uma herdade em Angola. e b. Hipótese de substituição do verbo introdutor de relato de discurso: desabafou Discurso directo: “Quando o último dos meus cinco filhos se tornou independente. Passagens em discurso indirecto livre: a. a. Vi um filme. inscreveu-se numa escola de condução para tirar a carta de pesados e articulados. Apesar de. Hipótese de discurso indirecto: [Maria Baptista] contou-nos que tinha trabalhado em fábricas. espantou-se. Hipótese de discurso indirecto: Maria Baptista recorda que os seus pais tinham uma herdade em Angola. No original. Tinha eu 50 anos”. desde que – indica uma condição.. Passou na televisão. Todos os filhos ajudavam muito. 3. fui costureira de peles. 4. resolveu concretizar o seu desejo. Hipótese de substituição do verbo introdutor de relato de discurso: relembra Discurso directo: “Trabalhei em fábricas. e ela. [págs. os verbos são os seguintes: disse. e 1. conduzia um tractor com atrelado que transportava os caixotes de fruta.3. Hipótese de discurso indirecto: A camionista lembra que quando o último dos seus cinco filhos se tornou independente. “(…) e passara menos mal.

(…) O que se nos afigura mais difícil nesta exploração é fazer o inventário dos porcos que não criaremos. subsidiando os produtores que não os criassem. além do muito que nos alegrará sabermos que deste modo estamos a contribuir para o bem-estar de várias pessoas que possamos utilizar nesta exploração e que por esta forma serão outros tantos empregados com ocupação. Exa. enquanto. Como dizia o meu querido amigo Millôr Fernandes: “A economia compreende toda a actividade do mundo. (…) A economia (…) deixou de ter qualquer relação com a realidade para se passar por dentro da cabeça dos economistas que resolvem as grandes crises financeiras à mesa dos seus gabinetes.. O célebre caso da não-criação de porcos. podendo nessa altura considerar a empresa dimensionada de modo a constituir um factor de progresso e engrandecimento da nossa região. O meu amigo Richard é muito optimista quanto ao futuro da nossa exploração. De seguida. Julgo que não estou a exagerar se disser que a economia tende para ser uma realidade virtual. (…) Ficar-vos-emos extraordinariamente reconhecidos se nos responder o mais rapidamente possível porquanto julgamos que esta época do ano será a melhor para a não-criação de porcos e. O assunto parece-me cheio de interesse. vem criando porcos há muitos anos. Ed. numa altura em que. Senhor Ministro. responde às questões formuladas.. Senhor Ministro. Estimulado por este seu êxito decidimos iniciar na nossa propriedade o negócio da não-criação de porcos. O meu amigo Richard Hamilton recebeu este ano um cheque de 1000 dólares porque não criou porcos. que nos mandasse informar quais são as regiões mais apropriadas para a não-criação de porcos e qual a melhor raça de porcos para não criar.34 Ficha de avaliação – Módulo 1 Lê atentamente o texto. o que lhe permitia em média retirar um lucro anual de 350 dólares e houve mesmo um ano particularmente rentável em que ganhou 400 dólares. Neste quadro de circunstâncias. o que pode vir minorar um atroz problema social. o que nos daria um lucro de 80 000 dólares. Segundo afirma. gostaríamos de começar quanto antes. por não criar porcos ganhou 1000 dólares. 2003 (texto adaptado e com supressões) 5 10 15 20 P – Português. A carta é assim: “Excelentíssimo Senhor Ministro. receber os protestos da minha maior consideração. pretendíamos. (…) Se é possível receber 1000 dólares por não criar 500 porcos nós poderíamos receber o dobro por não criarmos 1000. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor 25 30 35 fotocopiável . diria mesmo apaixonante. neste último ano. o governo resolveu limitar a sua produção. A Cor dos Dias – Memórias e Peregrinações.” Já há para aí trinta anos que descobri uma carta que um senhor americano escreveu ao seu ministro da Agricultura. Nenhuma actividade do mundo compreende a economia.. Queira V. Fazíamos tenção de começar modestamente pela não-criação de 2000 porcos que nos daria um lucro de 4000 dólares. Se os nossos planos forem cumpridos dentro das normas de uma sã administração e com uma produtividade sempre crescente esperamos muito brevemente atingir a não-criação de 40 000 porcos. (…)” António Alçada Baptista. perante uma superprodução de porcos. por isso. Presença.

mais uma vez. Reescreve o último parágrafo do texto (antes da fórmula de despedida) imaginando que o emissor se expressa no singular e que a relação entre o emissor e o destinatário da carta é de grande proximidade. 2. a economia “tende para ser uma realidade virtual. Reescreve a afirmação que se segue de modo a que passe a configurar um acto ilocutório compromisso explícito: 75 pontos 10 “(…) estamos a contribuir para o bem-estar de várias pessoas (…)” (ll. passou a ser tratada apenas através das novas tecnologias. 2.1. agora.4. Esta carta é dirigida ao ministro da Agricultura americano.1. Explica qual é a sua função relativamente ao assunto do texto. 28-29) / compridos 4. terão estado na origem da decisão de iniciar a actividade de não-criação de porcos. Escreve duas frases.” (ll.2. Explica. sucintamente. 3-4) porque… a. nas suas duas ocorrências.1. “tenção” (l. em que reside o humor desta carta. que permitam distinguir inequivocamente a diferença de significado dos seguintes pares de vocábulos: a. Faz a análise sintáctica da seguinte frase simples: “Nenhuma actividade do 15 mundo compreende a economia. os economistas não têm contacto directo com a realidade.” (ll. b. fotocopiável 15 10 15 5. Retoma as palavras de Millôr Fernandes (ll. Indica a meta que a exploração terá de atingir para poder “constituir um fac- 75 pontos 10 15 20 10 tor de progresso e engrandecimento” (l. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor 2. 3. 32) da região. 15-16) P – Português. 1. por um sinónimo adequado ao contexto. segundo o emissor da carta. 4-6) substituindo a forma verbal “com- 10 preende”. Relê o primeiro parágrafo do texto. c.2. a carta reproduzida por Alçada Baptista. Segundo o autor. “cumpridos” (ll. 2. 27) / tensão b. 2. 4. os economistas só se interessam por grandes crises financeiras. Aponta duas razões que. Faz o levantamento dos elementos que provam que se trata de uma carta formal. 4. 20 II 1. Lê. 5-6) . simples ou complexas.Ficha de avaliação – Módulo 1 35 I 1.3. 2.

depois de descreveres o cartoon. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor B. assinalando a respectiva alínea na tua folha de prova: A. Observa a imagem e redige um texto. Transforma a carta que integra a crónica de Alçada Baptista num requerimento. in Pública. analises a sua função crítica. Não te esqueças de deixar bem claro o motivo que está na origem da tua petição e de obedecer às regras formais que um requerimento deve respeitar. de cento e cinquenta a cento e noventa palavras. 50 pontos Luís Afonso. 18-12-2005 P – Português. em que.36 Caderno do Professor | Fichas de avaliação III Selecciona uma das duas propostas. Total 200 pontos fotocopiável .

De seguida. cobiçoso: ambicioso. Delimita as duas partes lógicas que o compõem. responde às questões formuladas. II. só o ouvir falar nele o faz medroso. 4. lasso1 e trabalhado2. bonançoso: calmo. faz tornar-me donde fugi tão perto de perder-me.3. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor I 1. 2. 3. eu. dá-me por preço ver-vos. que de vós nunca se ausenta. 1. Lírica Completa. não entra nele mais. trabalhado: maltratado. jurando de não mais em outra ver-me: minh’alma. P – Português. 2.2. Senhora. 1.Ficha de avaliação 1 – Módulo 2 37 Lê atentamente o poema. 5. mas vai. tormenta: tempestade. Identifica o sentimento do marinheiro em relação ao mar. Como quando do mar tempestuoso Como quando do mar tempestuoso o marinheiro. 5 e jura que. IN-CM 10 1. Explicita o valor contextual da locução subordinativa que marca essa divisão. que da tormenta5 de vossa vista fujo. Luís de Camões. forçado pelo muito interesse cobiçoso4. em que veja bonançoso3 o violento mar e sossegado. Indica a decisão tomada pelo marinheiro expressa na segunda quadra.1. sossegado. . Assinala a passagem em que se dá conta das razões do incumprimento da jura do marinheiro. assi. 2. lasso: cansado. Este poema apresenta uma estrutura bipartida. de um naufrágio cruel já salvo a nado. 120 pontos 20 10 2. por salvar-me. fotocopiável 10 10 10 2. Atenta nas duas primeiras estrofes.1.2.

relata retrospectivamente a sua vida”.3. b. Explica. B. 9-10). Recordando que “a autobiografia é um género narrativo em prosa em que o autor real. a tua autobiografia (real ou imaginada). c. “ausento-me da vossa presença a fim de me salvar”. Relê. 3. 80 pontos P – Português. elabora. 5. O excerto “(…) da tormenta / de vossa vista fujo. relata esse episódio num texto que tenha entre cem e cento e vinte palavras. Depois. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor Total 200 pontos fotocopiável . por palavras tuas. Analisa o poema sob o ponto de vista formal (esquema estrófico. Num breve resumo do assunto do poema. o sentido do verso 11. 3. agora. Identifica o recurso através do qual se identifica o interlocutor do sujeito lírico. métrica e rima). “fujo da tormenta para me aconchegar sob o vosso olhar”.38 Caderno do Professor | Fichas de avaliação 3. 3.” (vv.2. os dois tercetos. significa: a. por salvar-me.1. que é simultaneamente o narrador e a personagem principal. Pensa na tua vida durante alguns momentos e selecciona um episódio muito bom ou muito mau. faz corresponder os elementos da primeira parte da comparação aos da segunda. 4. assinalando a respectiva alínea na tua folha de prova: A. devidamente estruturado. 10 10 10 20 10 II Selecciona uma das duas propostas. em forma de diário. num texto com cerca de cento e vinte palavras.a pessoa e prestar especial atenção aos tempos verbais usados e à articulação lógica das diferentes ideias. Não te esqueças que deves usar o discurso na 1. “ausento-me da tormenta porque o vosso olhar me salva”.

Publ. Só mesmo se não fosse o mundo todo Que na tua tragédia se redime. Mãe! O último triunfo é interdito Aos heróis que o não são. Não passarão Não desesperes. jugular: extinguir. mas dum simples grão Nasce o trigal de novo. Só mesmo se pudesse haver sentido Entre o sangue vertido E o sonho desfeito. As forças que te querem jugular1 Não poderão passar Sobre a dor infinita desse não Que a terra inteira ouviu E repetiu: Não passarão! Miguel Torga. decapitar. degolar. Não passarão! Arde a seara. matar. fotocopiável . Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor 25 1. responde às questões formuladas.Ficha de avaliação 2 – Módulo 2 39 Lê atentamente o poema. Não morre um povo! Não passarão! Seja qual for a fúria da agressão. Dom Quixote 5 10 15 20 P – Português. Só mesmo se a raiz bebesse em lodo De traição e de crime. Poesia Completa. Morrem filhos e filhas da nação. De seguida. Lembra-te do teu grito: Não passarão! Não passarão! Só mesmo se parasse o coração Que te bate no peito.

nomeadamente.1. A última estrofe é uma espécie de síntese de tudo quanto atrás foi dito. 60 pontos Total 200 pontos fotocopiável . pelo uso do discurso na 1. 3. Clarifica o valor do modo verbal utilizado nos versos 1 e 4. Comprova a veracidade da afirmação de 2. Substitui a repetição anafórica por uma conjunção ou locução conjuntiva condicional que não altere o sentido dos versos onde aquela aparece. Explica. 6. Explicita o sentido da metáfora presente nos versos 17 e 18. 3.1. 5. 140 pontos 15 15 10 15 10 10 10 15 10 10 10 P – Português. 2. Explica o predomínio do modo conjuntivo nestas duas estrofes. 2. 2. 2. entre outros aspectos. 5. faz o registo em forma de diário de acontecimentos que tenhas testemunhado ou de que tenhas sido personagem. Identifica a anáfora literária aí presente. num dos dias da passada semana. para a expressão do eu. Encontra a forma verbal que está subentendida nessa anáfora. 3. Atenta no título do poema.1.2. 4.3. 3.40 Caderno do Professor | Fichas de avaliação I 1.3. Indica os dois nomes que aí retomam a apóstrofe “Mãe!” do primeiro verso do poema. o sentido desses versos. Comenta a importância da repetição do verso “Não passarão!” e do recurso ao encavalgamento na construção do ritmo do poema.2. que se caracteriza. A primeira estrofe esclarece o título do poema. Relê a quarta estrofe. tal como o texto lírico. Antecipa o seu sentido. 3. 4.1. Relê. 1. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor 10 II Um diário é um texto narrativo orientado. Interpreta o uso da maiúscula utilizada na apóstrofe “Mãe!”.2. por palavras tuas. o valor do advérbio de negação e do tempo verbal utilizado e a indeterminação do sujeito da frase. Num texto que tenha entre cento e vinte e cento e quarenta palavras.a pessoa.4. 4. as estrofes dois e três. considerando.1. agora.

vindos quase sempre das classes mais baixas. de há vinte anos para cá. a sociedade mudou muito. nos ecrãs das televisões. E. A transformação de homens suados e feios em modelos perfumados e atraentes é a mesma que tende a substituir o mundo real por um mundo de ilusão. e que apenas se distinguiam por saberem dar uns pontapés na bola. continuando as suas imagens a vender-se (ou as imagens dos respectivos casais. 13-09-2003 (texto adaptado e com supressões) 5 10 15 20 P – Português. A imagem dos grandes jogadores é vendida diariamente em todo o mundo nas páginas dos jornais e revistas. produzidos. Ora essas imagens terão tanto mais sucesso quanto melhor for o aspecto dos futebolistas. também. num jogador. De seguida. puderem render fora do campo.Ficha de avaliação – Módulo 3 41 Lê atentamente o texto. (…) Desde que os clubes se transformaram abertamente em empresas. O que importa. a par do seu rendimento em campo. O passeio da fama Há vinte anos. eles continuam a ser excelentes negócios. E tudo isso reverte. na Internet. etc. para um jogador ser famoso. já não é só a sua capacidade futebolística – mas aquilo que se pode designar por “potencial mediático”. Como a sua função era jogar com os pés. José António Saraiva. a favor do clube – dos seus cofres e do seu prestígio. o lugar dos futebolistas na sociedade também mudou. de cruéis desilusões. já não basta jogar bem à bola. (…) Beckham ou Figo até podem estar a jogar mal – mas. melhorados. Foram reciclados. Que acaba por ser. A ideia dos jogadores como homens rudes e analfabetos passou – e as portas das festas de sociedade e das revistas de sociedade abriram-se-lhes. maior será o número de camisolas vendidas com o seu nome (e o negócio das camisolas é hoje um importante negócio). “posters”. E os activos serão tanto mais rentáveis quanto. Procuram-se desesperadamente pessoas bonitas e famosas e os futebolistas não poderiam escapar à voragem. Quanto mais mediático for um jogador. os futebolistas não tinham obviamente de ser bonitos. também. (…) A imagem dos futebolistas era a de uns tipos transpirados. in Expresso. bonitos e felizes). cromos. responde às questões formuladas. os jogadores de futebol eram seres já idolatrados mas socialmente desconsiderados. (…) Claro que isto também é um sinal de que. São “activos”. o número de contratos publicitários que assina. (…) Hoje. o dinheiro e a imagem. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor 25 30 35 fotocopiável . em vídeos. O vazio de valores das sociedades ocidentais conduziu a uma preocupação obsessiva com a fama. os futebolistas deixaram de ser apenas futebolistas. com todas estas mudanças. analfabetos. o número de vezes que aparece em acontecimentos não desportivos.

também. a favor do clube – dos seus cofres e do seu prestígio.1. Os jogadores passaram a “activos”. uma frase complexa que dê conta da ideia-chave aí desenvolvida. uma conjunção subordinativa temporal.1. b. tendo em conta o texto: a. d. Há duas décadas. O “potencial mediático” é a capacidade que um jogador tem de exercer bem a sua profissão. Relaciona os tempos verbais predominantes nos dois primeiros parágrafos com a expressão temporal que os introduz. 2. c. 3. 20 fotocopiável . A crescente valorização social da beleza e da fama é directamente proporcional ao aumento do vazio de valores da sociedade actual. os jogadores de futebol eram idolatrados.1. Identifica o facto da actualidade que esteve na origem desta crónica. 80 pontos 15 20 15 30 II 1.2. os jogadores de futebol eram já considerados ídolos e ocupavam um lugar de relevo na sociedade. Considera as duas frases simples: 15 Os clubes transformaram-se em empresas. 3. 3. no texto.” (l. As transformações que os futebolistas sofreram nas últimas décadas relacionam-se directamente com as alterações operadas nos clubes. Identifica as funções sintácticas dos constituintes desta frase simples. Diz se as afirmações que se seguem são verdadeiras (V) ou falsas (F). para cada uma delas. Transforma-as numa frase complexa. Noutros tempos. b. uma conjunção subordinativa causal. Delimita-as. O texto pode ser dividido em três partes lógicas. recorrendo a: a. 3. 2. 4. 4. Identifica. 21) 3. Redige. os antecedentes dos vocábulos sublinhados no excerto que se segue: 70 pontos 20 P – Português.42 Caderno do Professor | Fichas de avaliação I 1. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor 15 “E tudo isso reverte.

50 pontos Futebol Modalidade desportiva que teve a sua origem em Inglaterra. onde era jogado por rapazes estudantes. [Consult. 2003-2006. embora se possam identificar jogos mais antigos. o futebol marca presença no imaginário colectivo contemporâneo. cada jogador ou treinador pode valer milhões. (texto adaptado e com supressões) 5 10 15 20 P – Português. num texto de noventa e cinco a cento e dez palavras. 2006-08-18] Disponível na www: <URL: http://www. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor Total 200 pontos fotocopiável . (…) O jogo propagou-se a outros países. que apoiam as respectivas equipas. pela Universidade de Cambridge. constituído por duzentas e quinze palavras.jsp?id=45761>. com características comuns. Por outro lado. por volta de 1840. que viria a uniformizar as regras do jogo a nível internacional. As equipas mais importantes são geridas à imagem e semelhança das grandes empresas.infopedia. (…) Nos nossos dias. que se realizam de quatro em quatro anos. Porto: Porto Editora. (…) O futebol ultrapassou rapidamente o âmbito do terreno de jogo para ser dirigido por conhecidos empresários ou políticos. A uniformização das suas regras passou. que também passaram a organizar campeonatos. in Infopédia [Em linha]. surgiu a Federação Internacional de Futebol (FIFA).pt/E1. Em termos económicos. que estabeleceria as regras que hoje conhecemos. a FIFA tornou-se a entidade responsável pela realização dos Campeonatos do Mundo de futebol. noutros países. futebol. em 1843. como desporto de multidões que é. Aos campos de futebol acorrem milhares de adeptos. (…) A partir de 1930. e vinte anos depois pela fundação da Associação Inglesa de Futebol. numa primeira fase.Ficha de avaliação – Módulo 3 43 III Resume o texto informativo a seguir transcrito. Em 1904. sendo um elemento cultural e social a que os estudiosos têm dedicado merecida atenção. o futebol é um desporto fortemente mediatizado e massificado.

Só existe uma maneira de enfrentar este terrível lugar-comum sem perder a dignidade: faça das tripas coração. Mas aceitou um cafezinho numa esplanada a dois passos dali. uma espécie de segunda mãe para a mais nova. e diga-lhe que não precisa de pensar mais. cheio de feras e de monstros. no aeroporto. mas também de palhaços e de bailarinas. Refreie a vontade de o esbofetear e despeça-se dele com um beijo na face. como hoje. Chorou muito. e quando deu por isso estava a contar ao rapaz toda a sua tragédia íntima. fez com que a minha pobre irmã se lembrasse do namorado e então. 2006 (excerto) 5 10 15 20 P – Português. e nesse instante um jovem alto. e. moreno. Não conhecia ninguém no Brasil. Comeu uma caixa inteira de chocolates. sorria. Cortou o cabelo. Foi isso que a salvou. A bolsa ou a vida Sofia e Alexandra. Quando um homem nos pede um tempo para pensar é porque. O namorado pediu-lhe um tempo para pensar. e compreendeu que teria de tomar medidas radicais. sempre muito solícito. gémeas idênticas. Nunca tinha estado lá. me faz um assaltante assim. feche-se no quarto e chore à vontade. decidisse passear à noite pelas ruas de Copacabana. com a certeza de que jamais a vestiria. muito respeitador. Finalmente escoltou-a até ao hotel. Sabia ouvir. Na manhã seguinte. a falta de imaginação. afundou os olhos nas águas escuras. encostou-lhe uma faca à garganta: “A bolsa”. o que é raro nos homens. Conhecem a frase. bem iluminada. Fez com que ela se risse. do Gianni Versace. Mostrou-lhe o seu próprio mundo – que era um inferno – como se fosse um grande circo. com um enorme ramo de flores. Sofia tem andado muito deprimida. Foi o que a minha irmã fez. Pareceu-lhe a escolha acertada. Sofia encontrou o namorado. Mulher triste eu não assalto. moça. Publ. A seguir vá para casa. sem parecer nem um velho professor entediado nem um sedutor de telenovela. com palpitações. recomendando-lhe mais cuidado quando. com um brinco no nariz. Ao regressar a Lisboa. Ele ouviu-a com atenção. porém. A minha irmã agradeceu as flores e pediu um tempo para pensar. por exemplo. uma sensação de desastre iminente. não?! Claro que conhecem. Sofia é mais velha – nasceu cinco minutos antes de Alexandra. acordou ansiosa. Ou melhor. Hospedou-se no Copacabana Palace e logo nessa noite vestiu a mini-saia azul. são filhas do primeiro casamento da minha mãe. Só eu sei a falta que em certos dias. rebentou ali mesmo num choro incontrolável. Sofia achou que era demais – a cerveja. enfiou a faca num dos bolsos da bermuda e tentou consolá-la: “Não chore mais. Comprou uma mini-saia azul. Esta semana. confesse. Dom Quixote. que está apaixonada por outro. Gianni Versace. aflito.” Convidou-a a tomar um chope. coitada!. sabia dar conselhos. Além disso. Pediu duas semanas de férias e comprou um bilhete para o Rio de Janeiro. De seguida. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor 25 30 35 fotocopiável 40 . e depois já pensou em tudo. dá até azar. não chegou a ser assaltada. Sentou-se. não tem muita imaginação. O Evangelho Segundo a Serpente. primeiro. Sofia foi assaltada no Rio de Janeiro. no futuro.44 Ficha de avaliação – Módulo 4 Lê atentamente o texto. É como matar passarinho.” O texto gasto. tinha um extraordinário sentido de humor. e foi sempre muito forte e determinada. responde às questões formuladas. O assaltante. a meia voz. e atravessou a avenida com a intenção de se sentar um pouco na areia. sussurrou: “A bolsa ou a vida. Telefonei-lhe há pouco para lhe perguntar se não tinha ficado com o telefone do assaltante. Faíza Hayat. mais raro ainda. a contemplar o mar.

70 pontos 10 10 P – Português. sendo embora apelativo. 3. reformular o seu discurso. 11). e os verbos devem estar predominantemente no pretérito perfeito e no pretérito imperfeito. lhe fez lembrar o namorado. 4. 3. b. o excerto que vai da linha 11 (“Foi o que a minha irmã fez. Explica o que é que. 16-17). Pareceu-lhe a escolha acertada. não?!” (l. uma situação que se repete regularmente durante um determinado período de tempo. 6. o narrador utiliza a expressão “Ou melhor” para: a. introduz uma conclusão em relação à ideia principal.” (l. 1. 5. Atenta nos seis primeiros períodos. exprimir a confirmação da ideia expressa anteriormente. Justifica o recurso sistemático ao modo conjuntivo com valor imperativo na passagem que vai desde “Conhecem a frase. 17).” (ll. Esclarece por que razão o Brasil pareceu a Sofia a “escolha acertada. (“Sofia e Alexandra (…) para pensar. 3. 3. com recurso à descrição e ao diálogo. Considera. no momento do assalto. agora. b. 4. 5) até “(…) e chore à vontade. articula ideias opostas. b.3. O teu texto. 5. Nunca tinha estado lá. Transforma as três frases simples seguintes numa frase complexa.”) até à linha 36 (“(…) pelas ruas de Copacabana. 2. O conector “porém” (l. Passa para o discurso indirecto a fala do assaltante (ll. 80 pontos 15 15 10 10 10 10 10 II 1. O complexo verbal “tem andado” (l. 25-26). 1-5)). Propõe um outro título para o texto que. fotocopiável 50 pontos Total 200 pontos .”). não desvende ao leitor a história que vai ser contada. Na terceira linha do texto. recorrendo a conectores que respeitem o sentido das frases no contexto: “Não conhecia ninguém no Brasil. 13): a.1. a pontualidade da acção narrada. Indica o antecedente do termo anafórico “lá” (l.1. 4) expressa: a.” (l. Comenta a atitude de Sofia em relação ao namorado que a foi esperar ao aeroporto.Ficha de avaliação – Módulo 4 45 I 1. que deverá ter entre cento e cinquenta e duzentas palavras.” (ll. 2. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor 10 10 15 15 III Imagina uma pequena história que surpreenda o leitor pelo insólito dos acontecimentos relatados. Explica a funcionalidade deste excerto em relação à história que é contada. 3. 16).2. Enumera as características que Sofia encontrou no assaltante que o distinguiam dos outros homens. deve ser narrativo.

venho requerer a V. A personagem ocidental expõe à outra a importância do acesso à Internet pelos países pobres. Local e data Assinatura do Requerente P – Português. muitas vezes. Por exemplo: “Garantimos/prometemos que…”. 3. complemento directo – a economia. A formalidade da carta é evidente. quer no corpo da carta (Senhor Ministro). sobretudo nas formas de tratamento honorífico utilizadas quer na fórmula de interpelação (“Excelentíssimo Senhor Ministro. Nenhuma actividade do mundo entende/percebe a economia. 2.1./A tensão entre ambos era de cortar à faca. complemento do nome – do mundo. b. a decisão de iniciar a actividade de não-criação de porcos nasceu da constatação do êxito de um amigo nessa actividade e. O humor desta carta reside no carácter surreal de toda a proposta que é feita pelo remetente que. Uma proposta: No cartoon podemos ver duas personagens: uma representando a cultura ocidental. 30-31). um computador portátil à segunda que o olha com um ar que transmite um misto de espanto e de desconfiança. Faço tenção de ir ao cinema logo.2. Proposta: “Ficar-te-ei extraordinariamente reconhecido se me responderes o mais rapidamente possível porquanto julgo que esta época do ano será a melhor para a não-criação de porcos e.1.”) e na fórmula de despedida (“Queira V. predicado – compreende a economia.3. desta forma. calçada e usando gravata.4. 12-20). III A. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor . a combater o desemprego (Cf. Senhor Ministro. ou A minha tensão arterial está um pouco alta. não haver o discernimento de começar pelas necessidades básicas. gostaria de começar quanto antes. 4. com ar saudável. em representação de um grupo de agricultores que pretende implementar o negócio de não-criação de porcos e. através da Internet. Os estatutos da organização não estão a ser cumpridos. partindo de uma situação económica real – o facto de o governo ter resolvido limitar a produção de porcos. A função crítica deste cartoon reside na ideia da contradição presente entre ‘as boas intenções’ e o valor real que estas podem ter em determinados contextos. Para conseguir alcançar este desiderato a exploração terá de “atingir a não-criação de 40 000 porcos.2./ No Verão os dias são mais compridos do que no Inverno. Resposta b. na ajuda que se presta a povos mais necessitados.” B. John Do. Repare-se nas palavras da personagem ocidental que tenta mostrar à outra como vai ser importante ser capaz de passar a conhecer. vestida apenas com uma tanga e extremamente magra. desta forma. Sujeito – Nenhuma actividade do mundo. 1 5. com ar satisfeito. decide levá-la aos limites do absurdo. do desejo de contribuir para o desenvolvimento da região através da criação de postos de trabalho.a Ex. Sr. [185 palavras] II 1. Ministro da Agricultura Eu. através do relato de um caso extremo e absurdo. 2. Uma proposta: REQUERIMENTO Exmo. coisas que ela nem fazia ideia que existiam e da crítica que é feita a estas palavras através das imagens que aparecem no monitor do computador – pão e bife. Há uma crítica evidente do cartoonista ao facto de. outra representando a cultura africana. 2.. Hipóteses possíveis: A economia contém/abrange/inclui toda a actividade do mundo. Pede deferimento. ajudando. o que (…) daria um lucro de 80 000 dólares” (ll. Num ambiente de deserto.a que se digne informar quais são as regiões mais apropriadas para a não-criação de porcos e qual a melhor raça para não criar. etc. contribuir para o progresso e engrandecimento do nosso país. 4. Exa. 2. receber os protestos da minha maior consideração. por isso. morador no Texas. vestida..46 Soluções das fichas de avaliação Ficha de avaliação – Módulo I 1. abaixo-assinado. em simultâneo. A carta apresentada vem ilustrar a opinião do autor acerca do desfasamento entre a economia e a realidade.”). subsidiando os produtores que não os criassem –. Segundo o emissor da carta. ll.1. Hipóteses possíveis: a. 2. a primeira mostra.

e um ritmo mais rápido conferido pelos sucessivos encavalgamentos. 1. 3. v. porém.2. a rima é emparelhada e interpolada nas quadras e interpolada nos tercetos.1. explicita o sujeito que. 3.1. V. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor Ficha de avaliação 2 – Módulo I 2 1.4. Quanto à métrica. 5. forçado/pelo muito interesse cobiçoso”. O esquema rimático é abba abba cde cde. Ao marinheiro do primeiro termo de comparação corresponde o eu lírico. O modo conjuntivo é exigido pela locução conjuntiva condicional e coloca uma hipótese que se torna longínqua por aparecer aliada à locução “Só mesmo se”. 23).” Esta metáfora remete-nos directamente para a força de um “povo” que resiste e se levanta sempre face ao poder avassalador daqueles que o querem “jugular” (v. 2. Mãe será sinónimo de pátria. evidencia-se que a ambição é mais forte do que o medo do marinheiro. o marinheiro manifesta medo em relação ao mar (Cf. O título configura uma espécie de grito de resistência face a um sujeito plural mas indeterminado. vv.1. por outro. pois obriga-o a voltar ao mar. 3.1. independentemente da “fúria da agressão” (v. o sujeito poético deixa claro que. 2. Hipóteses possíveis: a não ser que/a menos que/salvo se. nação. Uma vez que a sua contemplação (da tempestade/da amada) provoca medo. 20)). no título. e repetindo o mesmo erro. A locução subordinativa “Como (v.1.3. 9). 3. Trata-se dos versos 7 e 8: “(…) mas vai. 2. isto é. F. a fuga é a única salvação.1. portanto. a. 4). 23) o povo não conseguirão o seu objectivo já que “a terra inteira” assumiu como seu o grito “Não passarão!” 6. 18. 3.3. b. O ritmo do poema alterna entre as pausas marcadas pela repetição da expressão “Não passarão!”. Na primeira quadra. V. não resistindo.2. 1). 4. O poema é um soneto e.Soluções das fichas de avaliação 47 Ficha de avaliação 1 – Módulo I 2 “Mãe”) e. 17.1. 1)) e o modo imperativo (“Lembra-te” (v. O modo conjuntivo com valor imperativo (“Não desesperes” (v. 3. O interlocutor do sujeito lírico é identificado através de uma apóstrofe: “Senhora. 5. Trata-se dos nomes “nação” e “povo”. A primeira estrofe esclarece o título do poema já que. o sujeito poético afirma ter-se comprometido a não repetir os erros do passado. Na última estrofe. No verso 11. F.” (v. c. 4. 2. O valor desta metáfora sai ainda reforçado pela presença do articulador adversativo “mas” (v. identifica o emissor do grito “Não passarão!” (a Ficha de avaliação – Módulo I 3 1. O uso da maiúscula na apóstrofe “Mãe!” remete para o uso metafórico deste nome. a medida do verso é o decassílabo. que funciona como uma espécie de refrão.3. 9)” estabelece uma comparação. 4. 5-7). Na segunda quadra dá-se conta de que o marinheiro “jura” não voltar ao mar nem mesmo quando este estiver calmo (Cf. 22). P – Português. . “Só [passariam] mesmo se” 3.2. 9. 4)) são utilizados ao serviço do grito de incitamento dirigido à “Mãe” (v. 2. 2.2. Através da conjunção coordenativa adversativa “mas”. A primeira parte é constituída pelas quadras e a segunda pelos tercetos. O uso do futuro do indicativo transmite-nos a certeza do sujeito poético relativamente à realização da acção expressa pelo verbo que é negada pelo advérbio “não”.3. aparecia indeterminado: os “heróis que o não são.2. 1) … assi (v. por um lado. 19. é constituído por duas quadras e dois tercetos. isto é.1. O facto da actualidade que esteve na origem desta crónica é a transformação dos jogadores de futebol em estrelas mediáticas. “As forças que (…) querem jugular” (v.2. Ambos (marinheiro e eu lírico) prometem não voltar a cair noutra. que criam um efeito de coesão entre os versos.” 2. no segundo. a capacidade regeneradora “dum simples grão” a partir do qual “Nasce o trigal de novo. a vista da amada é comparada à tempestade. É possível estabelecer uma correspondência directa entre os versos 17/18 e os versos 19/20: a “seara” que “arde” é a “nação” cujos filhos “morrem”. a. 17) e pela antítese (“Arde (…) / Nasce (…) / Morrem / Não morre” (vv. 12 e 14. d. a fugir da sua amada para não voltar a perder-se. 1. “ausento-me da vossa presença a fim de me salvar”. A anáfora consiste na repetição da locução “Só mesmo se” no início dos versos 7.

5. modificador do nome restritivo – de futebol. “sabia ouvir”. ao contrário da generalidade dos homens. a.3. talvez. Entretanto. . os acontecimentos anteriores à história que vai ser narrada. embora as suas características possam ser encontradas anteriormente. o futebol é um desporto de massas que vale milhões e as equipas são empresas dirigidas por empresários e políticos.” 6.48 Caderno do Professor | Soluções das fichas de avaliação 3. aflito. 3. o narrador dá uma série de conselhos à(s) leitora(s) que venha(m) a passar por uma situação semelhante àquela em que Sofia se encontra. sujeito – os jogadores de futebol. Os jogadores passaram a “activos” porque os clubes se transformaram em empresas. 27). O Brasil pareceu-lhe “a escolha acertada. predicativo do sujeito – idolatrados. O antecedente do termo anafórico “lá” é “no Brasil”. surgindo.1. Por exemplo: a. 2. III Proposta de resumo: O futebol nasceu em Inglaterra. 4. Sofia terá. o futebol transformou-se num fenómeno cultural e social muito estudado. por favor!”. pareceu-lhe a escolha acertada. As regras a que hoje obedece foram uniformizadas em 1863 pela Associação Inglesa de Futebol. 4.2. Por exemplo: “Não conhecia ninguém no Brasil já que nunca tinha estado lá e. 3. organiza os Campeonatos do Mundo. Segunda parte – Actualmente. b. percebido que o namorado não era bem aquilo que ela queria. Terceira parte – A transformação dos jogadores em estrelas mediáticas tem a ver com o vazio de valores da sociedade ocidental na qual a preocupação com a fama e o dinheiro veio criar um mundo irreal. devido à sua massificação. que Sofia queria estar sozinha. 2. Por exemplo: “Um tempo para pensar”. enfiou a faca num dos bolsos da bermuda e tentou consolar a moça dizendo-lhe que não chorasse mais. 3.… II 1. o futebol desenvolveu-se noutros países. decide “pedir um tempo”. desde 1930. “tudo isso” reporta-se aos factos narrados no parágrafo anterior. uma situação que se repete regularmente durante um determinado período de tempo. Acrescentou que não assaltava mulher triste porque dava até azar e que era como matar passarinho. Daí o uso do modo conjuntivo com valor imperativo.1. portanto. 3. 4. “sabia dar conselhos” e “tinha um extraordinário sentido de humor”. A partir de certa altura. a terceira compreende os cinco últimos parágrafos. Hipótese possível: O assaltante.” porque lá não conhecia ninguém.1. o antecedente de “seus” e “seu” é “clube”. “Assalte-me. Os jogadores passaram a “activos” quando os clubes se transformaram em empresas.1. b. ambas. a segunda vai desde “Hoje…” (l. reformular o seu discurso. Durante a conversa com o assaltante. b. O assaltante. o “potencial mediático” dos jogadores é fundamental para os seus clubes que se transformaram em verdadeiras empresas. falta de imaginação. assim. em 1904. 5. revelando. embora fossem já idolatrados. 3. e perante o recuo do namorado que parecia querer retomar a relação. A primeira parte é constituída pelos dois primeiros parágrafos. Primeira parte – Há vinte anos. Ficha de avaliação – Módulo I 4 1. Modificador do grupo verbal – Noutros tempos. Sofia parece ter aprendido uma lição com o assaltante de Copacabana: ao regressar. 2. Neste excerto inicial ficamos a conhecer algumas características da personagem principal da história – Sofia – e aquilo que se estava a passar com ela. Deduz-se. A primeira parte do texto é introduzida pela expressão temporal “Há vinte anos” e. o tempo verbal predominante é o pretérito imperfeito do indicativo já que a referida expressão implica um relato em que se dá conta do aspecto durativo da acção. articula ideias opostas. 7) até “… abriram-se-lhes. ou seja. Hoje. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor 1. [95 palavras] II P – Português. por isso. Aquilo que no assaltante fez lembrar a Sofia o namorado foi o facto de a frase que ele utilizou para a abordar ser tão vulgar nesta situação como aquela que o namorado utilizou para acabar com o namoro. a FIFA que uniformizou as suas regras internacionalmente e que. cerca de 1840.” (l. os futebolistas não tinham de ter grande preocupação com a imagem. 3. predicado – eram idolatrados. Por outro lado.2.

You're Reading a Free Preview

Descarregar
scribd
/*********** DO NOT ALTER ANYTHING BELOW THIS LINE ! ************/ var s_code=s.t();if(s_code)document.write(s_code)//-->