Ensino Profissional · Nível 3

PORTUGUÊS
Textos de carácter autobiográfico Módulo1 Textos expressivos e criativos e textos poéticos Módulo2 Textos dos media I Módulo3 Textos narrativos / descritivos I Módulo4
Olga Magalhães | Fernanda Costa

Módulos
1|2|3|4

CADERNO DO PROFESSOR
Resolução das actividades do manual Fichas de avaliação (com soluções)

P

2

Módulo

1

Textos de carácter autobiográfico

| Textos | 1
Antes de ler [pág. 17] 1. O cartoon representa um sonho de um funcionário de uma
repartição – nome dado aos locais onde funcionam secções de determinados serviços, muitas vezes ligados ao Estado. Nos diversos momentos do sonho, o funcionário vê-se a si próprio a atender diversos utentes sempre com uma atitude de grande simpatia e disponibilidade que se reflecte quer no sorriso omnipresente quer na forma como se vai dirigindo a cada um deles. A maneira como cumprimenta a primeira personagem ou se despede da última, a solicitude que apresenta perante todas as outras são exemplo da humanização que é tão pouco vulgar neste tipo de locais, cujo atendimento é, por norma, frio e impessoal. Quando acorda, com um ar visivelmente assustado, o funcionário refere-se ao sonho como um ‘pesadelo’, através de um acto ilocutório profundamente expressivo. É nesta última vinheta que melhor se evidencia a função crítica deste cartoon: aquilo que para os utentes seria, de facto, um ‘sonho’, é, para o funcionário que os atende, um pesadelo. 2. Esta ‘definição’ corresponde à ideia generalizada de burocracia: o cliente que vai sendo empurrado de guichet em guichet. A mensagem deste texto opõe-se à ideia transmitida no sonho/pesadelo do funcionário público do cartoon de Luís Afonso.

2.1.
avaliado(a); analisado(a) em detalhe; afastamento, omissão; relato sumário da sucessão de factos que marcam cultural e profissionalmente a carreira de uma pessoa; mais do que a capacidade de ler e escrever, é entendida como a capacidade de compreender e usar a informação escrita nas actividades do quotidiano; inevitável, que tem de ser tido em conta. c. d. e.

a. b.

3. 1.a parte – do ponto 1 ao 7; 2.a parte – a partir de “Por isso”. 3.1. O conector “Por isso”, que articula as duas partes referidas, tem um valor consecutivo (indica que o que se segue é consequência do que atrás foi exposto). 4. Por exemplo: Por isso, nos termos constitucionais e regimentais, venho requerer à Senhora Ministra da Educação que: – explicite os critérios científicos ou outros que servem de base ao “apagamento” (…) que frequentam o 5.° ou 6.° anos de escolaridade; – informe se obras como (…) chegaram a ser equacionadas no processo de selecção levado a cabo; – disponibilize a listagem de todas as obras e todos os autores “avaliados” e torne públicas as justificações que levaram à exclusão daqueles que foram afastados da listagem dos “recomendados”; – divulgue o curriculum (…) para o Plano Nacional de Leitura. 5.1. Os pedidos do requerente não podem ser considerados completamente satisfeitos, pois aí não se encontra esclarecido o solicitado nos pontos 2. e 3. do requerimento e a resposta ao ponto 4. é vaga.

Compreender [pág. 19] 1.1. “(…) comprometemo-nos em coordenar as nossas políticas (…); “(…) Com isto, comprometemo-nos a atingir estes objectivos (…)”
2. A nota deveria ser introduzida no texto a seguir a ECTS (quarto parágrafo, ponto 3). 3.1. Nos três primeiros parágrafos da declaração, evidencia-se a evolução do processo europeu nos últimos anos, salienta-se que a Europa do conhecimento é um factor fundamental para o enriquecimento da cidadania europeia e reconhece-se ser da máxima importância que as universidades europeias se ajustem às novas exigências. 4. A afirmação falsa é a b. – a Declaração de Bolonha pretende incentivar, também, a mobilidade de professores, investigadores e pessoal administrativo (no reconhecimento e na valorização dos períodos passados num contexto europeu de investigação, de ensino e de formação, sem prejuízo dos seus direitos estatutários).

| Textos | 2
Antes de ler
[pág. 23]

P – Português, Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor

Compreender

[págs. 21-22]

1. O destinatário é o Presidente da Assembleia da República, o requerente é o deputado do Grupo Parlamentar do PSD, Adão Silva, e o assunto é o Plano Nacional de Leitura.
2007

1. Na BD assistimos à história de uma personagem masculina que se encontra dentro de um bar e que, depois de olhar apaixonadamente para a foto de uma mulher (Maria), decide escrever-lhe uma carta de amor para a qual vai fazendo e recusando vários rascunhos. No momento em que se encontrava concentrado em mais uma tentativa, vê, estupefacto, Maria passar abraçada a outro homem. Na última vinheta vemos a personagem feminina a ler a carta que acaba por receber: em vez de uma carta de amor, recebe um conjunto de insultos e impropérios.
ISBN 978-972-0-91247-3

Este livro foi produzido na unidade industrial do Bloco Gráfico, Lda., cujo Sistema de Gestão Ambiental está certificado pela APCER, com o n.° 2006/AMB.258
Produção de livros escolares e não escolares e outros materiais impressos.

Módulo 1 Textos de carácter autobiográfico

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Compreender

[pág. 25]

1. banalização: vulgarização; omnipresença: ubiquidade; trivialidades : banalidades; grilheta : prisão; sequestrado : enclausurado; distendido: dilatado; fustigadas: flageladas; desfalecendo: desmaiando. 2.1. A nota explicativa seria inserida a seguir à seguinte passagem: “usando um direito inalienável de autodeterminação” (l. 7). 3. À medida que o telemóvel se foi vulgarizando, foi criando a fantasia de que “o outro” está sempre ‘presente’ e disponível; o facto de o contacto não ser estabelecido ou de não haver uma resposta imediata do outro lado causa sofrimento. 4. As “trivialidades” são as seguintes: ficar sem bateria ou sem rede ou desligar o telemóvel. 5. Afirmação b..

hierarquia (administradores das roças/Governador). A carta B é uma carta particular, dirigida por Luís Bernardo ao seu amigo João (Cf. fórmulas de tratamento e de despedida) e o assunto é de índole pessoal – sentindo-se só e infeliz, Luís Bernardo faz um pedido desesperado ao amigo para que o venha visitar. 2.2.1. Hipótese de carta:
Querido amigo Luís, Estou a responder-te logo após ter recebido a tua carta que me deixou deveras preocupado. Não imaginava que te encontrasses tão profundamente deprimido. Nada nas tuas cartas anteriores fazia antever tal situação. Creio, porém, que estarás a exagerar e que, quando receberes esta missiva, já te encontrarás, certamente, de melhor humor. Infelizmente não vou poder aceder ao teu pedido: não me é possível ir a S. Tomé este Verão, pois o trabalho no escritório não mo permite: vou ter apenas uma semana de férias e tenho já hotel reservado na Praia da Granja. Este último facto não seria grave e tudo se poderia arranjar se não fosse a distância: é que uma semana de férias não dá sequer para aí chegar. Vou fazer os possíveis para te visitar no Natal. Nessa altura penso que o trabalho terá acalmado e que disporei de mais tempo para poder empreender tão longa viagem. Até lá, aguenta-te, amigo! Sabes que, em pensamento, estou a teu lado e lembra-te da importante missão que aí estás a cumprir. Um grande abraço cheio de saudades deste teu amigo (que não se perdoa por não poder ir a correr ao teu encontro), João

Funcionamento da língua

[págs. 25-26]

1.1. SMS – Short Message Service; MMS – Multimedia Messaging Service; PC – Personal Computer; CD – Compact Disk; WWW – World Wide Web. 2.1. Mail e messenger. 3.1. correspondência – mails, SMS, carta, postal dos correios (diferentes tipos de correspondência). 3.2. telegrama, encomenda, vale postal, fax, bilhete, memorando, nota. 3.3. Epístola, missiva. 4.1.1. A segunda oração da frase – “para avaliar o impacto de um amor” – é uma oração não finita infinitiva com valor final.
P – Português, Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor

4.1.2. Sujeito nulo indeterminado; predicado – avaliar o impacto de um amor; complemento directo – o impacto de um amor; complemento do nome – de um amor. 4.2. Exemplo: Os segundos de resposta são contabilizados pelos amantes.

| Textos | 3
Antes de ler
[pág. 28]

2. Personagens: Sandra, Xana, Jonas Machibundo, Paulo, Deolinda, Fragoso; Lugares: Moçambique; Tempo: Natal.

Oficina de escrita

[pág. 27]

2.1. Na carta A o destinatário é tratado por “Excelentíssimo Senhor ”, “Vossa(s) Excelência(s)”; trata-se de uma carta dirigida aos administradores das roças de S. Tomé e Príncipe pelo Governador das ilhas, o emissor, que assina com o nome completo – Luís Bernardo Valença. É uma carta formal adequada ao assunto em questão – a visita de um inglês às roças para, a mando do seu governo e do governo português, verificar as condições de trabalho dos trabalhadores – e às relações de

Compreender

[págs. 29-30]

1.1. e 1.2. O destinatário é Sandra, mulher do remetente, já falecida (“Não sei se ainda estavas viva quando…” (ll. 6-7)). A relação entre ambos é esclarecida, por exemplo, através das formas de tratamento (“querida”), pela evidente cumplicidade nascida da partilha da vida (“Porque os jovens, tu sabes…” (ll. 14-15), “…e subitamente exististe nesse sorriso. Eras tu, querida, eu nunca… dela.” (ll. 22-23)), etc.

4

Caderno do Professor | Resolução das actividades do manual

1.3.1. Xana seria filha do remetente e de Sandra. Tem um filho pequeno (Paulo) e vive longe do pai. Depois de se separar do companheiro (pai do filho) vai agora casar com um homem “bastante mais velho”. Tem um sorriso parecido com o da mãe. 1.3.2. A relação com o pai não parece muito próxima: telefona (raramente) e escreve (“telegraficamente”), passou dois dias no Natal com o pai, mas ele nunca lhe conheceu o companheiro. 1.4.1. “Porque os jovens (…) têm uma grande incompreensão do sentido do casamento.” (ll. 14-15). Com esta reflexão o remetente expressa aquilo que lhe parece ser a forma leviana como os jovens encaram o casamento. 1.4.2. “Sorriso breve, o ar absorto…” (ll. 23-24). 1.5. O que o pai de Xana lhe está a dizer com a resposta que dá é que aquilo que a faz feliz a ela, mesmo que seja algo com que ele não esteja completamente de acordo, também o faz feliz a ele.

| Textos | 5
Antes de ler
[pág. 35]

1.1. Lembrança, recordação, fama, por exemplo. 1.2. Exemplos: “Não há memória de uma história assim.”; “Este monumento foi erigido em memória do nosso primeiro rei.”; “D. Dinis, rei de boa memória, foi também um grande poeta.” 2. Podemos falar, em relação a este texto, de duas acepções da palavra memória: nos dois primeiros parágrafos, as duas referências à memória (ll. 2 e 6) enquadram-se no sentido 1. do verbete (função geral de conservação de experiência anterior, que se manifesta por hábitos ou por lembranças); podemos, também, reportar-nos ao sentido 9. do verbete [memória (pl.) – escrito narrativo em que se compilam factos presenciados pelo autor ou em que este tomou parte].

Funcionamento da língua

[pág. 30]

1.1. Por exemplo: – Conta – disse-lhe eu. E ela contou: – Vou-me casar. – Casar? – duvidei eu na minha estupefacção. – Vou-me casar com um tipo que talvez conheças de nome, o Fragoso, professor de… – confirmou ela. – Não estás contente? – Estou contente – disse-lhe eu olhando o miúdo que tinha um olhar mudo e espantado para nós –, se tu também estás.
■ ■

Compreender

[págs. 36-37]

1.1. Sendo embora ambos os tipos de texto exemplos de escrita autobiográfica, enquanto que a escrita das memórias é, normalmente, muito posterior aos acontecimentos narrados pelo seu autor ou em que este participou, o registo do diário é, geralmente, quase simultâneo aos factos narrados que são, por norma, datados. 2.1. Marcas da primeira pessoa: formas verbais – acho, sou, comecei, Tenho, acabamos (pl.), sei, sou, tenha, tenho, desejaria, temos (pl.), quero, nasci, vim, conheci…; determinantes possessivos – minhas (obsessões, avós, tias), nossa (individualidade) minha (vida, juventude, mãe), meu (tempo); pronomes pessoais – mim, me, nos (pl.), Eu. 3.2. Os três grandes factos que marcaram a vida do autor são: a falência das profecias (3.° §), a cada vez maior participação das pessoas na sociedade (4.° e 5.° §) e a entrada das mulheres na História (6.° §). 4. 1.-c.; 2.-f.; 3.-a.; 4.-d. 5.1. Por exemplo: certeza – “Eu não tenho dúvidas: quando nasci, (…) não tinham ainda entrado na história.” (ll. 44-45); incerteza: “Por isso me parece que a nossa individualidade é talvez o bem mais precioso que temos.” (ll. 10-11).
P – Português, Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor

2.1. Exemplos: Prometo que vou aí no Natal. Quem me dera / Adoraria ir aí no Natal!

3.1. apareceu, preparou, ajudou, estremeceu, chegou, perguntei, foi, voltou, disse, contou, duvidei. 3.2.1. “Ela dissera-me tenho uma novidade para te dar…”
(l. 11)

3.2.2. O pretérito mais-que-perfeito exprime uma acção que teve lugar antes de outra acção já passada.

| Textos | 4
Compreender
[pág. 33]

1. O excerto de diário aqui apresentado, pelo seu carácter ficcionado e lírico, não corresponde a uma realidade estritamente factual mas a uma espécie de “fingimento” dessa realidade. Daí a escolha de “imitação dos dias”.

5.2. Hipótese: “Garanto que / Estou convencido que / Estou seguro que, etc., estes futurólogos, alguns reconhecidamente inteligentes, estavam apanhados pelo espírito do tempo, uma espécie de vírus que apanha indiferentemente o inteligente e o estúpido.”

1. grafómetro. comprava. 37-38] 1. evidencia que o mais difícil tem sido ser capaz de simplificar a sua escrita de forma a deixar ficar só “o essencial”. pretérito mais-que-perfeito composto do indicativo – tinham entrado. Penélope Cruz volta a ser cabeça de cartaz.2. o presente do indicativo marca que o momento/tempo em que se situa o sujeito da enunciação coincide/é simultâneo com o momento/tempo em que se situam os factos narrados. sacudir a árvore para só ficar o essencial. 2. 14-15) II 1.”. No excerto b. filmografia. falando do trabalho que lhe tem dado a história que está a escrever. grafonia. fotobiografia. grafológico. via. grafologia.”. xenografia. Acto ilocutório expressivo. “Aquele rapaz não tem cabeça: passa o tempo a fazer disparates!” 4. gráfico. P – Português.1. a sua extensão temporal. 1. a. o segundo remete para uma ideia de causalidade (é uma conjunção subordinativa causal (= porque. Acto ilocutório compromissivo. o pretérito mais-que-perfeito assinala uma acção anterior a outra também passada expressa pelo pretérito perfeito.3. b.” 2. marcas do destinatário – o pronome possessivo “tuas”. xilografia.3.2.1. “Vais ver que é uma coisa de uma simplicidade imensa – a gente deita-se e eles nascem. uma vez que… 2. discografia.1. biográfico. 18-19) 3.” 2. O valor contextual dos dois “como” é substancialmente diferente. grafismo. “Os consertos de calçado estão mais caros de dia para dia. pretérito imperfeito do indicativo – estava. já que)).2.1. grafema… biografia. Pretérito perfeito do indicativo – vim. e 3. paleografia. já que. grafia. Marcas do remetente – o uso da primeira pessoa presente nas formas verbais “tenho” e “tive” e no pronome pessoal “me”.1.. b.” Ficha formativa [págs. 1.Módulo 1 Textos de carácter autobiográfico 5 Funcionamento da língua [págs. envio-te logo o primeiro caderno. Por exemplo: “Recordo com emoção todos os concertos a que assisti no ano passado. Nestes dois parágrafos o remetente fala de dois assuntos: da forma custosa como tem progredido a história que está a escrever e do nascimento do bebé que “se aproxima a passos largos!”. graficamente. Trata-se da comparação: “(…) que me deixa desamparado como se me faltasse uma perna.2. gráfica. Através desta metáfora o remetente.2. “O principal tem sido mondar* isto de adjectivos supérfluos. visto que. serigrafia. pretérito perfeito do indicativo – nasci. 2. “Se se puder mandar daqui ou do Chiúme encomendas registadas. 3.. Dois exemplos possíveis: “No último filme de Almodóvar. biografar. a. autobiografia. fotografia… 3.. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor . a. No excerto a.1. epistolografia. biografado. Por exemplo: “(…) chego à hora de jantar cheio de dores de cabeça por levar o dia a penar na prosa.1. 13-14) b..” (ll. Porque.1. biografista. grafar.” (ll.” (ll. “Caso se possa mandar daqui ou do Chiúme …” 2. biógrafo. pois enquanto o primeiro estabelece uma comparação (é uma conjunção subordinativa comparativa). a narração projecta-se apenas em factos passados e os tempos utilizados exprimem realidades temporais diferentes: o pretérito perfeito evidencia uma acção passada com carácter pontual. ouvia. 41-43] I 1. enquanto que o pretérito imperfeito salienta o aspecto durativo da acção. Presente do indicativo – tenho. 3.

que nada tem de destruição do texto. entre outras. dão-lhe de comer e de vestir. portanto: 1) revelar esse texto como 'armadilha amorosa' (Barthes). como agente de sedução capaz de 'prender' o aluno. Caminho. não pode deixar de evidenciar o seu desespero. vendo-o no mais espantoso abatimento. realiza-se através do comentário de textos e através de informações teóricas sobre o fenómeno a que a crítica recente dá o nome de ‘poeticidade’ (ou seja. e os nossos escritores. 1580: Morre a 10 de Junho. e a consequente riqueza em poesia lírica da nossa literatura. ll. de Camões e das Comunidades Portuguesas).” (ll. a atenção e o “amor”que . o quid que faz com que um texto seja poético). quando Gonçalo Borges passeava a cavalo no Rossio. depois de mortas. 1558: Data provável do naufrágio no Cambodja. A pergunta do título repete-se. pois mais ninguém neste país o soube merecer. 48] 1. 1980 (adaptado) merecem. defronte das casas de Pêro Vaz. 4-6). este país foi sempre terreno fértil. Camões critica os portugueses (“gente surda e endurecida. Embarca nesse mesmo mês para a Índia. 1981. aconselhamos a (re)leitura do excelente artigo de Clara Crabbé Rocha. O enterro é pago pela Companhia dos Cortesãos. as seguintes passagens: “…em matéria de indiferença pelos mais nobres dos seus filhos. da parte de fora do mosteiro de Santa Ana.” Camões observa o seu país e. Neste primeiro período da sua vida. in Camões 1.” P – Português. do qual seleccionámos o seguinte excerto: “O trabalho do professor. 1569: Embarca para Lisboa. Dinamene morre nas águas. se essa nobreza for a do espírito. mas não há qualquer registo que prove a sua passagem oficial pela Universidade. numa altura em que se nos impõem meios de comunicação extremamente diversificados.6 Módulo 2 Textos expressivos e criativos e textos poéticos Camões lírico | Textos | 1 Antes de ler [págs. João III perdoa-lhe. A título parentético. Luís de Camões acudiu em defesa dos mascarados seus amigos. reconhecendo que não é a “pátria” que o inspira pois esta “… está metida / No gosto da cobiça e da rudeza / De uma austera. por dois mascarados. número 10. nas páginas 42 a 55. 1567: Camões em Moçambique. O poeta perde tudo. Ed. Chega a Goa em princípio de Setembro. “Didáctica do texto poético”. 2. hoje toda a gente quer fazer a sua experiência de escrita). 1553: Por carta de 7/3/1553. o seu autor pergunta-se se uma “pátria” que tão mal tratou Camões e que ele tanto criticou terá o direito de se apropriar do seu nome para celebrar o 10 de Junho (Dia de Portugal. 2) para isso. Compreender [pág. Através dessas questões. foi zombado.1.” (ll. No dia de Corpus Christi. INIC. publicado em Cadernos de Literatura. em vida.” (ll. “Ora «a gente surda e endurecida» (…) ‘o favor com que mais se acende o engenho’. na Rua de S. Fica sepultado em campa rasa. entre eles Diogo do Couto. Luís de Camões poderá ter aprendido as primeiras letras numa das 40 escolas lisboetas de ensinar meninos. um dos métodos que julgo pertinentes é ajudar o aluno a ver como funciona o texto poético (tal como uma criança gosta de ver como funciona um brinquedo e o adolescente um aparelho.”). e mesmo como funciona o acto poético. e 1. é. sem letreiro. | Textos | 2 Observação: Sobre o ensino da poesia. Proposta de roteiro cronológico: 1524/1525: Nasce Luís de Camões quase certamente em Lisboa. 1572: Publicação de Os Lusíadas em Lisboa. desmontando-o. “Camões pertence apenas a alguns poetas. Salva-se a ele e ao poema numa tábua. António Borges Coelho. ou seja. O poeta é encarcerado no Tronco da cidade. rasgando com a espada uma ferida no pescoço de Gonçalo Borges. sob outras formas. Essa ‘desconstrução’. em particular. não lhes dando. em geral. 47-48] 1. Estalou briga rija.2. o rei D. 16-19). Sebastião atribui a Camões uma tença de 15$000. observando as peças uma a uma). quer publicada. creio que teria ainda interesse o professor fazer com os alunos uma breve reflexão de natureza histórico-cultural e sociológica sobre dois aspectos: o pendor lírico do temperamento português. a sua lírica aponta uma estada em Coimbra. Nestes versos da estrofe 145 do Canto X de Os Lusíadas. e a enorme produção de poesia lírica do nosso tempo. Centro de Literatura Portuguesa da Universidade de Coimbra. 1552: Está em Lisboa.. quer destinada à gaveta e solitária (o que é aliás um reflexo da ‘massificação’ da produção literária.1. Cf. eficazes e sedutores. Antes de 1550. 1575: D. 14-16). Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor 2. Os amigos. 8-9). apagada e vil tristeza. pagam-lhe uma dívida e a passagem. relativamente ao texto poético. ao longo do texto (Cf. Antão. A indignação do autor nasce da constatação do triste hábito português de só se valorizarem as pessoas.

em particular.” B – “Não se ama alguém que não ouve a mesma canção. 50] 1. 5.1.. a interrogação retórica do último terceto. Público. e optámos. “mas não servia ao pai. acompanha com suavidade as formas do corpo. onde uma jovem mulher (Flora ou uma das Horas. quase de forma espontânea. 1. “Mesmo sabendo que não gostavas”. 4). Todo o corpo é circundado por uma linha ininterrupta. verbo: converte (v.3. Sustentada por uma concha. adjectivo: novas (v. em geral. A repetição dos vocábulos mudam-se e muda-se no início das frases dos dois primeiros versos evidencia o recurso à anáfora. 5). Composição: Botticelli dispõe as figuras num plano só.) Vénus é o centro da composição e na sua direcção convergem as linhas curvas dos ventos e da figura feminina. Esta sensação emerge das ondas do mar. desenhado fio a fio.” B – “Era só contigo que eu sonhava andar/Para todo o lado e até quem sabe? Talvez casar” Formas de sedução do objecto do amor A – Servidão e dedicação incondicionais: “Sete anos de pastor Jacob servia”. mudança. e Camões. As antíteses e os oxímoros aliados à bipartição rítmica do verso. cada dia (= diariamente) (v. 5).. nome: novidades (v. Sendo as contradições do amor o tema do soneto. do entrelaçar dos corpos e da vista da costa ondulada em golfos e promontórios.. privilegiando a continuidade da linha.. 54] 1. em grande parte. servia a ela” B – Persuasão e sacrifícios materiais: “A saliva que eu gastei para te mudar”. Antítese. subtil mas evidente. 6). a dupla inclinação dos ombros. n. 2006) P – Português. A dificuldade de definir o amor e de enumerar os seus diversos estados bem como a sua variedade. As cores frias e claras. 2. II. ou seja. A poesia lírica de Camões – uma estética da sedução (Cadernos FAOJ. o que provoca. encontram uma perfeita expressão poética na gélida nudez da deusa. da mesma autora. Comparar Antes de ler [pág. a deusa é levada pelos ventos em direcção a terra.” 1. míticas divindades femininas) está à sua espera para a cobrir com um manto purpúreo. Observação: Será importante fazer notar que o termo anáfora é usado na análise literária e na análise linguística. .” B – O próprio objecto do amor e o seu mundo: “Mas esse teu mundo era mais forte do que eu”. Compreender [pág. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor | Textos | 3 “Amor é um fogo…” Compreender [pág. “Não fizeste um esforço para gostar” Decisão do sujeito A – Não desiste e propõe-se lutar pelo seu amor enquanto viver: “começa de servir outros sete anos” B – Desiste: “Nada mais por nós havia a fazer / A minha paixão por ti era um lume / Que não tinha mais lenha por onde arder” ‘Lição’ aprendida pelo sujeito A – “Mais servira.2. Ed. com toda a atenção. Mudam-se/muda-se/se muda/mudar-se. assim como as formas puras e idealizadas. relemos. a perna na mesma posição. 12) 4. “Empenhei o meu anel de rubi” Impedimentos à concretizaçãodo amor A – O pai: “porém o pai. A obra distingue-se pela soberba harmonia do esmerado desenho e pela elegante modulação do traço que cria efeitos decorativos quase abstractos. (. por seguir o percurso aí sugerido. quer as antíteses quer a bipartição dos versos aparecem a sublinhar essa temática.Módulo 2 Textos expressivos e criativos e textos poéticos 7 Acreditando que é ‘sob o signo da sedução’ que se deve analisar o texto poético. a repetição anafórica. 10 e 14). A pequena cabeça está inclinada e insere-se sem criar ângulos no longo pescoço subtil. 1. ao braço estendido.1.1.2. que nunca é perturbada por cortes ou saliências. 11) 3. vol. usando de cautela. O paralelismo está presente na repetição da mesma estrutura frásica nos dois primeiros versos. já (vv. 49] [pág. O Nascimento de Vénus Tema: O quadro representa o nascimento de Vénus Anadiomede. Continuamente (v..° 12). (in A Grande História da Arte. as metáforas. gerada pela espuma do mar. Exclusividade do objecto do amor A – “e a ela só por prémio pretendia. São conceitos distintos. O abundante cabelo louro. diferentes (v. que não se podem confundir. O nu é classicamente “ponderado” numa simétrica e plena correspondência dos membros: ao braço dobrado corresponde a perna dobrada. se não fora / para tão longo amor tão curta a vida. / em lugar de Raquel lhe dava Lia. 52] 2.

2.a parte – as duas quadras e o primeiro terceto: a dificuldade de definição do amor e as contradições do estado amoroso.1.2. “viu”. O demonstrativo “Esta” funciona como um termo anafórico que tem como função indicar os referentes no interior do texto em que é usado: remete para todas as qualidades | Textos | 4 Compreender 1. 2. paradoxo (vv. 5.8 Caderno do Professor | Resolução das actividades do manual 1. 2). a interrogação retórica dá vivacidade e ênfase ao discurso. A madrugada é testemunha da separação de dois sujeitos que estiveram juntos e do sofrimento que essa separação provoca. 7-9).1. v. triste “cheia de mágoa e de piedade” “saudade” “apartar-se” “lágrimas em fio” “palavras magoadas” ■ ■ ■ ■ ■ Comentar [pág. valendo-se do descuido. no segundo. 8. 3. Dest’arte [pág. 14 “almas condenadas”) 3. corresponde à acumulação de atributos físicos e morais da figura feminina (descrição).3. 2. passarinho/coração. doce. 6. passarinho – lascivo. 7/8) 2. 7. Neste retrato dá-se maior relevo aos traços morais (Cf. 57] 1. 2. Compreender 1. 10 e 11). sendo a vista da amada comparada à tempestade. logo no início do poema. (Cf. caracterizado como sorrateiro e dissimulado. | Textos | 5 Compreender [págs. 2. A conjunção coordenativa adversativa mas (v.3.4.3. 8 e 13). na ternura dos três diminutivos que aparecem na primeira quadra. vv. Estes recursos intensificam a ideia central e acentuam a mensagem. no primeiro terceto. O sujeito poético identifica-se com o passarinho e o coração contra o caçador e o Frecheiro cego. contrário 2. 7. Ambos (marinheiro e eu lírico) prometem não voltar a cair noutra. vv.2. a fuga é a única salvação.2. A madrugada aparece como uma espécie de ‘morte’ porque o nascer do dia é identificado com a separação (Cf. 1.1. O tema é a paixão que apanha o coração desprevenido. caçador – cruel. Frecheiro – cego. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor 1. apartar-se / apartada (vv. calado. por oposição ao caçador.4. 9. 58-59] P – Português. 1.1. Formas verbais: “saía”. A beleza feminina (física e espiritual) e o fascínio que ela exerce no eu lírico. 4. 3. manso. e repetindo o mesmo erro. porém.1. 1. Ao marinheiro do primeiro termo de comparação corresponde o eu lírico. Este conjunto de qualidades tende a produzir uma imagem de perfeição (estereotipada) e não a individualizar a mulher. possa estar tão presente nos corações. da fragilidade e da passividade do sujeito poético. destinado. hipérbole (1. “Aquela triste e leda madrugada” 1.1. caçador/Frecheiro 1.1. pela conjunção como. por exemplo. Uma vez que a sua contemplação (da tempestade/da amada) provoca medo. O sentimento predominante é a tristeza. coração – livre. 9 e 12) [pág.2. 3.3. 5.4. mágoa / piedade (v. 2. A estrutura bipartida deste soneto é marcada pelo conector assi sendo “anunciada”. e nos adjectivos que caracterizam o coração. 3. Atente-se. Ela (vv.3. tal como o Cupido que se escondia nos olhos da mulher amada.a parte – último terceto: o sujeito poético pergunta-se como é possível que o amor.° terceto). leda “amena e marchetada” “dando ao mundo claridade” ■ ■ 2. adjectivos: “triste”. Nos dois termos da comparação estamos perante uma situação de agressão em que uma das figuras (caçador/ /Frecheiro) é mais forte do que a outra (passarinho/coração) e actua de forma traiçoeira e dissimulada.° terceto corresponde à síntese desses atributos e à conclusão: o poder transformador/mágico do objecto amado exercido sobre o sujeito. 2. 11) 1. criando cumplicidade com o interlocutor. 1. Não sendo uma pergunta para a qual se espere resposta. grande / largo (v. e 2. não resistindo.2. 57] .a parte – até ao verso 11.3. escondido.1. tendo em conta o seu carácter contraditório. “leda”. descuidado.1.1. 2.2. 12) 2. 3.2.2. 55] 1.1.a parte – 2.3. 1.

: na transição dos versos 3-4. o autor de Os Lusíadas. recato. A beleza da mulher amada é o resultado da conjugação das suas qualidades físicas e morais (graça. O facto de se lembrar do bem que já teve no passado agudiza mais ainda o sofrimento presente. mas que estão a correr de mão em mão. as formas verbais na 2.a pessoa. no futuro. recordado pelo eu lírico. 2. | Textos | 6 Compreender [pág. Luís Vaz de Camões. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor Oralidade [pág.1. a leitura “lado a lado”. porque nela vivo / já não quer que viva. P – Português.Módulo 2 Textos expressivos e criativos e textos poéticos 9 expressas nos versos anteriores (atente-se. passado/presente. 61] 1. 22-23-24.2. 64] 2. canções. também. Funcionamento da língua [pág. doçura.) que alterna com o ritmo binário. é de referir o encavalgamento (por ex. Abandonado por todos.3. 2. Por exemplo os versos 9-12 e 25-28. Jogos de palavras: cativa / cativo. etc. beleza celestial) realçadas através de diversos nomes e adjectivos. 2. Além de Os Lusíadas [elipse] escreveu muitas redondilhas. na continuação da apóstrofe – lembrais/deixai-me. o sujeito lírico antecipa que a sua vida será também. para ser senhora / de quem é cativa.2. | Textos | 7 Compreender [pág. [elipse] faleceu (sinonímia) num hospital da cidade e [elipse] foi sepultado num coval aberto do lado de fora da Igreja de Santana. As sucessivas antíteses: bem/mal. que lembrais meu bem passado. sextinas e éclogas. Poderão referir-se. 2. A apóstrofe inicial – Lembranças. ~ Metáforas (Ua graça / viva que neles lhe mora.5. . Pretidão de Amor. Lendo-se as estrofes seguidas (da 1 à 4). do ponto e vírgula e dos dois pontos. 2.2. equivalente a uma reforma de soldado. 2.1. odes. se quereis. que nunca foram impressas pelo facto de o poeta (sinonímia) não ter recursos materiais.2. A primeira parte descreve a forma como o girassol acompanha a trajectória do Sol acima da linha do horizonte e a forma como esta flor é influenciada pela luz do astro-rei. 4. Referimo-nos à metáfora – Circe/veneno – que confere a ideia de encantamento e magia. etc. o ideal de beleza petrarquista oposta à beleza oriental da mulher cantada nas endechas (contra as convenções do petrarquismo). brandura. 1.4. conferem ao poema um ritmo rápido e fluido que alterna com um ritmo mais lento e sincopado conferido pelo uso da vírgula. 61] 1.3. Entretanto. Os encavalgamentos (transição dos vv. 4. bem parece estranha / mas bárbora não .2. 7-8 e 12-13-14. são em tudo semelhantes do ponto de vista psicológico. 1. frequentemente dupla e valorativa.1. “louva” uma dama (Sois ua dama de grão merecer). sendo completamente distintas sob o ponto de vista físico./não me deixeis. nos dois pontos do verso 11) que são aqui resumidas na expressão “celeste fermosura”. A primeira parte corresponde às duas quadras e a segunda aos dois tercetos. Para além da medida do verso. deixai-me/não me deixeis. 19-20.1. que el-rei lhe (pronominalização) mandou pagar como recompensa pela publicação da sua epopeia (sinonímia). há-de ser – tendo perdido toda a esperança. 5. marcada pelo sofrimento presente. 2. entre outros: a enumeração assindética (conferindo ritmo. duas delas no imperativo.1. sonetos. aliados à enumeração assindética. O petrarquismo está presente ao nível do ideal de beleza feminina aqui reproduzido. 6. em cópias manuscritas. O sujeito poético canta. 2. 63] 1. não me deixeis – não permitais. em Descalça vai pera a fonte. indefinidamente. vigor e musicalidade ao texto). e a angústia do mal presente. a adjectivação. Estão em confronto o bem passado.1. deixai-me – afastai-vos de mim. viver/morrer. 70-71] I 1. Estas duas figuras femininas. Morreu ontem. na maior miséria. Presença serena / que a tormenta amansa). sempre – eternamente. obtém-se um ~ retrato negativo de uma dama (Sois ua dama das feias do ~ mundo). O seu (pronominalização) único rendimento era a tença de 15 mil réis anuais. a sua (pronominalização) obra continua a ser admirada por todos.1. Ficha formativa [págs.

Versos 6-9 e 15. Vivi algum tempo em Coimbra e lá frequentei aulas de Humanidades no Mosteiro de Santa Cruz onde tinha um tio padre. 3. em 1572. A obra de Camões. “se murcha e se consome em grão tormento.2.4. 1. De igual modo. 2.° momento (vv. da miséria e da violência que o rodeiam (vv. o sujeito poético identifica-se com o girassol (“Uma admirável erva”) e identifica a mulher amada com o Sol.2. parti para a Índia.10 Caderno do Professor | Resolução das actividades do manual 1. 1. a rima é emparelhada e interpolada nas quadras e cruzada e interpolada nos tercetos. El-Rei Seleuco (1587). “estar de guarda a”. Auto de Filodemo (1587) e Anfitriões (1587). tal como ele vive inteiramente na dependência do objecto do seu amor. Faleci em Lisboa no dia 10 de Junho de 1580.1.1. 3. da constatação da falta de imaginação do homem (vv. A obra de Camões proporciona-nos um encontro com a nossa história porque/visto que/já que a sua poesia foi utilizada. Tal como o Sol faz florescer o girassol. Poetas portugueses do século XX | Textos | 1 Compreender [pág. versos 16-23. O cansaço do sujeito poético nasce da monotonia da vida (vv. 1. 2. Proposta: Nasci em Lisboa por volta de 1524. graças à influência de alguns amigos junto do rei D. Fixei-me na cidade de Goa onde escrevi grande parte da minha obra.3. 24-43). Rimas (1595). 2.3. densa e rica.1.5.3. 3. na ausência da mulher amada. A poesia de Camões é dinâmica e. “Morrer” é ausentar-se da vida temporariamente. 1. isto é. Quanto à métrica. conseguindo publicar Os Lusíadas. Sebastião. Sou considerado o maior poeta português. ao longo dos tempos. / velar por mim. / confiante e sereno… sorriso / onde arde um coração em melodia: … suavemente. III 1. 1.1.3. a 3. / pé ante pé 3. também o sujeito poético. “Velar” significa “vigiar”.” 2.2.1. também a amada do sujeito lírico alegra a sua “alma”.2. São estas as “funções” que o sujeito poético espera que a figura feminina cumpra. de ‘morrer’ para ‘renascer’. 19-22). pobre e doente. portanto. de uma família do Norte (Chaves). A vida cansa porque é sempre igual. b.3. Algumas das minhas obras mais conhecidas são: Os Lusíadas (1572). Morrer e suicidar-se não representam. “passar a noite junto de um morto”. a previsibilidade do mundo. subtil e cuidadosa.2. [pág. a. caso. O sujeito poético aparece dividido entre o desejo de viver e o cansaço que a vida lhe provoca. 1. nunca. 2.1.2. P – Português. Se.3.1. Ao longo deste soneto. repousar. depois de ter sido preso devido a uma rixa. Regressei a Lisboa. O poema é um soneto e. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor II 1. assim como o girassol “emurchece e se descora ” quando o Sol se põe.4. Veja-se a forma carinhosa como a Morte é personificada no último verso. 1-23) . é negada através da reiteração do advérbio de negação e do pronome indefinido. 74] 1. mais do que esquecer.3. 74] . A figura feminina – meu amor do Norte – dá ao sujeito poético confiança e serenidade. (o que introduz uma oração subordinada adjectiva relativa explicativa) Funcionamento da língua 1. como bandeira e como símbolo nacional. 3. relata as contradições do mundo complexo do seu tempo. libertar-se.1. também.2. levando aí uma vida de boémia.2. o eu lírico dirige-se à mulher amada. c. Em 1553. 1-15). não. a medida do verso é o decassílabo. Através deste recurso o sujeito poético hipervaloriza a mulher amada. do ponto de vista cultural e artístico. Através desta metáfora – mulher amada/Sol – o sujeito poético compara-se a um girassol e à forma como este depende do Sol. 2.2.1. não e ninguém – a diferença que poderia quebrar a monotonia. aqui. …em cima dum divã / com a cabeça sobre uma almofada. 16-18). 2. é constituído por duas quadras e dois tercetos. A hipérbole. Através da apóstrofe Meu Sol. Regresso a Portugal em 1569. portanto/logo/por isso a leitura da sua obra é um instrumento para abrirmos o presente e o futuro.5. que desempenha um papel importante no crescimento da língua portuguesa. O sujeito poético exprime o desejo do espanto inicial. O esquema rimático é ABBA ABBA CDE DEC. exagerando as suas qualidades e conferindo-lhe até o poder de ‘criar’. sempre. Cf.4. e é costume situar a minha obra entre o Classicismo e o Maneirismo.° momento (vv.

podendo ser substituída pelas conjunções coordenadas adversativas mas. punhal.a chamada.4. 2. 1. ‘dor’.3. revelando. 10. 13) 4.2.3. 11-12). O conceito de poesia apresentado caracteriza-se. real. a conjunção coordenativa e tem um valor adversativo (estabelece entre as duas orações uma ideia de contraste).1. duvidosa. irreal. ‘destruição’. a terceira – “gigante a sonhar” – evidencia a expressão do sonho humano de elevação e de integração na ordem cósmica. evidenciando o carácter singular do negrilho. porém. a segunda – “imortal avena / Que (…) maninho. aventura/risco. Ao empregarmos o MODO CONJUNTIVO.1. medo. 4. quer de traços psicológicos.1. eventual ou. considerando-o o seu mestre e a origem da sua poesia (“Os meus versos são folhas dos seus ramos. . 76] Compreender [pág. Encaramos. Tu: ousadia. honestidade. 3. ‘frescura’. P – Português. 4). 2001) 1. Nos versos 11 e 12. pelo ideal de harmonia e serenidade (vv. é completamente diversa a nossa atitude. “Tu ”/ ”os outros”. O tema comum aos três poemas é anunciado pelos respectivos títulos: o valor das palavras na poesia. 13-14) e espalha.6. Sugestões: “Ainda há esperança porque…”. 4.1. (respostas baseadas nos “Cenários de resposta” da prova de Exame Nacional do Ensino Secundário de Português. é um espaço protector a que se acolhem o “eu”. O sujeito poético identifica-se com o negrilho. antiga (nela o “tempo” faz “ninho”). 578 a 581. a existência ou não existência do facto como uma coisa incerta. contudo… Sobre os valores particulares de algumas conjunções coordenativas. na segunda estrofe. 2. a última – “bosque suspenso / Onde (…) ninho!” – remete para o carácter protector da árvore. pudesse – pretérito imperfeito do modo conjuntivo.” Celso Cunha e Lindley Cintra. 2. mas mantém. Ao dirigir-se ao negrilho.” – salienta a simplicidade poética e a relação da poesia com a natureza. consulte-se Celso Cunha e Lindley Cintra. 1. seja no futuro.Módulo 2 Textos expressivos e criativos e textos poéticos 11 1. 1. mas tu não (vv. “os pássaros e o tempo”. calculismo. o negrilho é um ser com estatuto humano. 78] 1. mesmo. Os outros: dissimulação.1. “Descansaria…” | Textos | 3 | Textos | 2 Compreender [pág. incêndio. dá expressão dramática à sua relação com a árvore. O negrilho assume um papel protector (vv. através do discurso de terceira pessoa. seja no presente. 463-464) 2. págs.2. orvalho conota ‘leveza’. em toda a sua intensidade. o envolvimento afectivo que a caracteriza. entre outros. consideramos o facto expresso pelo verbo como certo. cit. Cristal remete para ‘transparência’. A primeira apóstrofe – “mestre da inquietação / Serena!” – aponta para um ideal de harmonia e serenidade. tratando-o por “tu”. Sendo o único poeta da terra natal do sujeito lírico.. pois é definido como sábio (“revela o mundo visitado”) e sonhador. etc. 7. “Porque os outros”. por uma valorização da sabedoria da terra (v. 1.5. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor | Textos | 4 Compreender [págs. falsidade/hipocrisia.1. 8-9). “mas tu não”. 4. in ob. 2. um tom contido de aparente distanciamento. por uma simplicidade poética inspirada na natureza (v. e 1. 6. então. orvalho. 1. 3. “Porque” – conjunção subordinativa causal. cristal.a fase. 81-82] 1. serenidade (vv.1. dotado quer de atributos físicos – a voz (“conversamos”) e os “olhos” –.1. denúncia. “Tudo pode mudar porque…”. à sua volta. Nova Gramática do Português Contemporâneo (págs. 10). A repetição do pronome pessoal – “Tu” – transforma esta segunda estrofe numa espécie de oração. Algumas hipóteses: “Seria feliz…”. 1. todavia.1. leia-se o seguinte: “Quando nos servimos do MODO INDICATIVO. punhal e incêndio para ‘agressão’. cedência. O poeta a que se refere o sujeito poético é o negrilho. O negrilho é uma árvore de grande porte e de copa abundante (“bosque suspenso”). 2. o sujeito poético enfatiza o carácter excepcional daquela árvore e da sua relação com ela. 4.2. Na primeira estrofe. seja no passado. A alteração de pessoa verbal – de “ele” para “tu” – entre as duas estrofes faz sobressair a proximidade entre o sujeito poético e o negrilho.”) e sente admiração por ele visto que ele simboliza a harmonia da natureza.3. A propósito do emprego deste modo.

mesmo quando ‘enfraquecidas’. morte. 82] 1. fazia. O adjectivo “ pálidas ”. trazem ainda boas memórias. o sujeito poético pede contas a um “tu”/ “eu” acerca do que terá ele feito das palavras.1. o sujeito poético sugere que. v.3. Algumas vezes. 3. se tornou mais exigente e que agora só procura “as mais encabritadas”. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor 1.1. da EMI-Valentim de Carvalho ou no CD Poesia Encantada. hoje são muito menos dóceis e mais difíceis de ‘domar’. As vogais são “de um azul (…) apaziguado” e as consoantes ardem “entre o fulgor / das laranjas e o sol dos cavalos”. 2. 3.1. lenha. 17: chama. 2. do rigor e da simplicidade com que o sujeito poético as usava (vv. 2.2. destinatário do discurso. ainda. tive. A antítese luz/noite remete. 2. cuidadas. 1. ele aproxima-se de uma definição (poética) de polissemia. amor/morte.5. que outrora eram o seu ‘sustento’ quotidiano. os pares água/fogo . 84] P – Português. Actuar [pág. Provavelmente. Através desta imagem (conjunto de metáforas) o sujeito poético refere que as palavras.2. Comparação e metáfora. No passado. porém. vento. fogo. 7-8: água. v. Depois de ouvir o poeta.2. 3-5). 19: rosa. 3. exílio. Sempre. Raramente. Através desta interrogação.6. por vezes. para o carácter contraditório da palavra poética. ao cativeiro. gostaram) e o pretérito imperfeito (dançavam.1. navio. 4.1. rosa/cardo.2. Observação: Na 1. v. Muitas vezes. pátria. cardo.4. que sugere “desmaiadas”.12 Caderno do Professor | Resolução das actividades do manual 2.14: tempestade. “resmungam” (v. 2.1. 16: amor.3. frequentemente. 15: sangue.2. à morte.6. será a vez de os alunos praticarem a leitura oral de alguns poemas. 4. Nesta ficha haverá. vv. como aliás todas as outras do poema. só quando as juntamos podemos fazer palavras.a estrofe. enquanto que as primeiras são suaves e ‘tranquilas’. 17).2. “ténues”. o sujeito poético lança um apelo para que as palavras sejam escutadas.1.4. Vogais e consoantes são opostas pois. primavera. no presente.2. 3). amor e rosa mas. propõe a seguinte ficha de avaliação de leitura em voz alta: ■ ■ ■ ■ ■ ■ Hesitar Usar o dedo ou outro guia Ler com expressividade Fazer leitura palavra a palavra Respeitar a pontuação Errar em pequenas palavras ■ ■ ■ ■ ■ ■ Ter ritmo de leitura Acrescentar Omitir Aglutinar sílabas Ter problemas de dislexia Fazer autocorrecção.1. mas apenas comparação: Algumas [são como] um punhal. v. Os tempos do passado são o pretérito perfeito (fartaram-se. A interrogação do primeiro verso. do ME-DES (1999). v. . v. A relação sujeito poético-pátria-liberdade é uma relação de tudo ou nada: só existe pátria em liberdade e por elas o sujeito poético está disposto a tudo – ao exílio. dirige-se a um “tu”. pátria/exílio . 4. Por exemplo versos 17-20. remete para a ‘morte’ das palavras que. 16). Esta canção encontra-se no CD dos Trovante intitulado Baile no Bosque. Por exemplo. / [como] um incêndio. Através destas interrogações. 10: navio. “arreganham os dentes” (v. 2. 2. personificação. protegidas. 2. Daí o seu carácter complementar.2. “agora” – vv. 4. os versos 3 a 6 podem ter subentendido “são como”. até antagónicos. 4. / Outras [são como] orvalho apenas. que se pode eventualmente identificar com um “eu” – o sujeito poético seria o eu e o tu. uma vez mais. A relação das palavras com o sujeito poético mudou provavelmente porque aquelas se “fartaram da rédea” que as prendia. fazendo-nos supor que o apelo por ele lançado no poema anterior não teve eco. nesse caso não haveria metáfora. 6-9). “estão ariscas” (v.2. da mesma editora. pátria. vv. Para cada um destes pontos serão usados os parâmetros Nunca. | Textos | 5 Compreender [pág. O carácter ambíguo das palavras está em evidência neste poema porque o sujeito poético apresenta um conjunto de vocábulos que transportam consigo sentimentos diversos e. Adjectivação. 1 e 15. encontrava.1.1. a luta por ela é fogo e cardo. A brochura Leitura.3. Em alternativa. 3. se calhar. lugar para observações e estratégias de remediação. desobedecem-lhe e desrespeitam-no (cf.2. sustentavam). implica exílio e morte. as palavras “gostaram” do sujeito poético: andavam à volta dele e “aqueciam-no”. 2. as segundas são quentes e fulgorosas. A liberdade é água. enumeração. Tendo em conta que o poema nos chama a atenção para o facto de as palavras poderem apresentar diferentes significados. este facto deve-se também à maior exigência que o sujeito poético tem na selecção das palavras (“já só procuro as mais encabritadas”).

1. não seja muito diferente daquele sujeito que vemos nas tribos primitivas. em Maio de 1965. pronta a “explodir” a qualquer instante. Não sei falar de literatura. Génesis. da segunda metade do século. (…) É então que a poesia acontece. Os sinais mágicos da palavra. Robusto/Belo como os Gregos. 3.html e http://www.1. que “escrever é um acontecimento cósmico”. antes de tudo. 2. Ardiloso como os Orientais . que nasce espontaneamente da força da terra. A arte e o ofício da língua e da linguagem. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor Poetas de expressão portuguesa do século XX “Não vale a pena pisar” Tópicos de análise Todo o poema é uma longa metáfora – tal como o capim. Para encontrar outros poetas portugueses. Talvez o poeta. texto escrito e lido durante uma sessão consagrada a “Trinta Anos de Poesia” na Faculdade de Letras da Universidade Católica de Viseu. 1997 (texto com supressões) Texto a ler aos alunos: A poesia não se explica. ressuscite puro e imaculado.. Ou como dizia Klebnikov: “na natureza da palavra viva. que tinha uma flauta mágica. quando é destruído pelo fogo. expressando um desejo do sujeito poético: que. a poesia implica. depois da morte. Ou talvez ela não seja mais do que o primeiro verso. procura decifrar os sinais dos tempos através de múltiplos sentidos ou do sem-sentido da palavra. (…) O poeta. Talvez seja muito pouco. convoca as forças benfazejas ou tenta exorcizar as forças maléficas. 19). 3. como queria Rimbaud. também aqueles que são explorados guardam em si uma raiva calada. [pág. aquele que nos é dado. através da palavra. como diz o meu amigo José Manuel Mendes. Dom Quixote. Isto é o que sei de poesia. falso. Talvez tudo esteja nesse primeiro verso. esconde-se a matéria luminosa do universo”. que tinham uma concepção mágica do mundo. “Recorda-te que tu és pó e em pó te hás-de tornar” (cf. Sei que a poesia não se explica. Hipóteses: incoerente. porque os outros têm de ser conquistados. De qualquer modo. P – Português. assim. dizia Cioran. A poesia é. como nas sociedades primitivas. hipócrita. 84] 1.2.pt/cd25a/ (Centro de Documentação 25 de Abril. O poeta é esse feiticeiro.Módulo 2 Textos expressivos e criativos e textos poéticos 13 Actuar [pág. Apaixonado como os Latinos . Sei que a energia. Como já não pode ler nas vísceras das vítimas. “mudar a vida”. Sossegado/Calmo como os Árabes. Mas não sei se é possível saber mais. 4. 86] 2. in 30 anos de poesia. Oralidade [pág. Ardente/Ardoroso/Veemente como os Africanos. encantatória e desesperada tentativa de captar a essência do mundo e de. uma forma de medição. Ou é talvez o adivinho. 4. 84] A poesia é também a língua. o poeta de hoje é como esse xamã antigo que. A forma verbal encontra-se no modo conjuntivo (Me levante). Talvez esteja antes ou depois da literatura. que é o instante da revelação e da relação mágica com o mundo através da palavra poética. através da repetição rítmica de palavras e imagens. é a essência do mundo e que “os ritmos em que se exprime constituem a forma do mundo”. Publ. Um presságio do Sul. Sei. Dança com palavras ao som de um ritmo que só ele entende. que escreveram sobre o tema da liberdade. da Universidade de Coimbra). E que cada palavra é um pedaço de universo. consultar o site http://www. Ambicioso como os Romanos.. Subtil como os Europeus. E para mim a língua começa em Camões. Não sei falar de poesia. “é aquele que leva a sério a linguagem”. como sempre dizia Miguel Torga. como o poeta russo Mandelstam. E o que é levar a sério a linguagem? Eu creio que é estar atento aos sinais. Ou seja: o verso que não há. Que procura o impossível. | Textos | 6 Compreender [pág. como diz o meu amigo Herberto Hélder. A calma ilusória dos oprimidos explodirá em força logo que as condições sejam propícias. afinal. Uma forma de alquimia.bib-camilo-castelobranco. Uma encantada. Sobretudo não sei se a poesia tem alguma coisa a ver com a literatura. renasce após a primeira chuvada. A música secreta da língua. Talvez tudo isto seja a poesia.2.rcts. como costuma dizer a minha amiga Sophia de Mello Breyner.pt/librdd5. “nem anjo nem bruto” refere a essência humana do homem com todos os seus defeitos mas também com as suas virtudes. 89] . Manuel Alegre. repetindo palavras mágicas enquanto dança e pula ao ritmo de um tambor.uc. de plumas na cabeça.

20-21). vv. alma. 25 – Timor fenece. É a tragédia do êxodo. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor [pág. 90] A literatura cabo-verdiana: temática Há um conjunto de constantes na literatura de Cabo Verde que derivam. só os africanos – “do mesmo sangue. pess. espécie de grito de morte anunciada. 6. / sofrimento” (vv. 19 a 24 – apelo de que o sujeito poético se faz eco. assim. ciclo da terra. 92] Tópicos de análise África vista de fora (“Gentes estranhas com seus olhos cheios doutros mundos”) – imagem falsa. ■ o sentimento colectivo de que a emigração constitui a única solução possível e. ■ “Lá no ‘Água Grande’” Tópicos de análise vv. P – Português.pt/dcvpo/ onde um dicionário e uma gramática de crioulo podem ser consultados on-line. os quatro tercetos iniciais. a esperança de mudança concretizada no último verso – esperança = vento da certeza. ■ ■ Dois ritmos polarizam. 21 a 36 – sentimento de quem fica: por um lado a resignação. carne. 12. 2. 37 a 43 – os dois ritmos que polarizam a vida das ilhas – campos (telúrico)/mares (pelágico).priberam. ■ “Esperança” [pág. procurar fixar-se numa região de trabalho bem remunerado para regressar o mais depressa possível. o escritor e crítico literário Manuel Ferreira salienta os dois “mundos” em que se movem as crianças são-tomenses: “o reino da aparência e do ‘real’ – a máscara e o rosto”. carácter simbólico deste facto: o ■ Num comentário a este poema. na quinta estrofe a máscara cai e revela o rosto. palavra que nunca aparece no poema embora todo ele remeta para esse sentimento. as quatro primeiras estrofes correspondem ao mundo da aparência. paradoxalmente. atravessar a imensa fronteira líquida. ■ vv. 91] Tópicos de análise o título é a palavra-chave para decifrar o poema: Esperança. valor expressivo dos adjectivos “mudos” e “quedos”. os últimos versos de cada um desses tercetos. vv. ■ ■ ■ ■ . do condicionamento geoeconómico a que as ilhas estão sujeitas: a seca e a fome. determinada pela situação financeira dos que aspiram à emigração. 94] vv. 11-18). 13 e 19). fome. mesmos nervos. 13 a 18 – identificação do sujeito poético com Timor: fala pela voz de Timor expressando o desejo à autodeterminação. 6 a 15 – razões que provocam a partida – seca. à máscara. reportando-se à realidade. Nota no Manual). 9. apunhalasse/abraçasse. ■ “Os vínculos timorenses” Tópicos de análise ■ ■ [pág. metáforas de “esperança” (vv. aconselha-se o site http://www.14 Caderno do Professor | Resolução das actividades do manual “Terra” [pág. constituem-se como uma espécie de prolongamento do título do poema. a realidade. 3. a fartura. oca e artificial (vv. mas não posso pronunciá-lo (vv. 7 a 10 – identificação profunda com o povo timorense através do símbolo da bandeira. Tópicos de análise v. a impossibilidade de partir. isto é. ■ silêncio a que os carrascos obrigam. “gemidos cantados” – expressão que revela a verdadeira natureza dos cantos das crianças. inevitavelmente. vv. sangue/pacto (v. cuspisse/passasse indiferente. 5 e 6 – esperança no ressurgimento futuro e desejado. o ritmo pelágico (das eternas partidas e regressos). tudo se passa no interior – “Eu sei o teu nome…”. fem. o ciclo do sonho/esperança. – a senhora (tratamento cortês usado apenas com as mulheres velhas ou muito respeitadas pelo falante). o sonho de quem parte ou almeja partir. construídos com base numa repetição anafórica (“É como se alguém…”) seguida de uma construção antitética: pisasse/risse. vv. remetendo para o título Negra. 93] Em relação ao crioulo cabo-verdiano. batesse/cantasse. ■ ■ ■ a saudade dos que partem (a ruptura dos laços que prendem o homem à sua terra natal) e o desejo do regresso. 1 a 4 – metáfora de Timor aprisionado. ciclo da vida: “…sonhos/que um dia esvaem-se/ – mas surgem sempre…”.a pessoa sing. isolados por um travessão. 1 – Nha: pron. por outro a esperança de que as coisas se alterem – que venha a chuva e traga consigo a abundância. 16 a 20 – lugares mais desejados. 21-22) – conseguem perceber o sentido (verdadeiro) de África – MÃE. morte. ■ ■ ■ ■ vv. ■ “Negra” [pág. ■ ■ vv. metáfora da candeia acesa. v. A solução da partida é inevitável mas provisória – abandonar as ilhas. a vida colectiva: ■ o ritmo telúrico (vida ligada à terra). 14-18. a eterna diáspora cabo-verdiana. que provocam o desejo de evasão (hora di bai – hora da partida).

a ordem/a perfeição equivalem a ausência de dor/ausência de sonho. no “cais divino”. o cheiro a “mosto”. 6. 1. na sua ambiguidade. Na terceira estrofe retoma-se o presente de S. “ancorado e feliz no cais humano”. “O futebol brasileiro evocado da Europa” Tópicos de análise ■ [pág. vv. O conector “Por isso” traduz a ideia de consequência. agora. O antecedente do advérbio “Lá” é a expressão nominal “cais divino”. Leonardo.a quadra – valor simbólico do conector temporal “depois”. 95] Sobre o poema No meio do caminho: “Este poema pode simbolizar dignamente a poesia modernista brasileira e as reacções de entusiasmo ou de repulsa que provocou podem simbolizar as que sempre provoca a arte de vanguarda. ruma. símbolo de um país (Brasil). serão. Europa-América. advérbios: “devagar” (v. 4. ■ a 5. na primeira estrofe. cor que escorre dos dedos – morte do sonho pelas suas próprias mãos. o sofrimento mata o sonho. (o) meu. a importância da poesia drummondiana.. 11-12). gasta). quadra – vento/noite/frio – conjugação dos elementos naturais que se aliam à tristeza provocada pela morte do sonho. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor 6. quadra – hipérbole dos dois primeiros versos. ■ 3. 3-4) versus a real dificuldade em lidar com ela (vv. Duas hipóteses possíveis: O poema poderá ser dividido em três partes lógicas. ■ marcas do “crime” – mãos molhadas. 8). 8. valor simbólico das mãos – atitude deliberada do sujeito poético. avança. 2. “um navio de penedos”. e fá-lo com uma espantosa economia lexical (à base dos lexemas inqualificados “caminho” e “pedra”. 23). 3. Leonardo que.3. capitão no seu posto de comando. 7-8). 10-11: “É num antecipado desengano…”). Leonardo quando chegar ao seu destino. “Nem vinhedos (a)”. ■ ■ relação bola/mulher/touro – necessidade de tratar com malícia. Ficha formativa [págs. dramático. (vv. Os adjectivos são “ancorado” e “feliz” (v. Entre outras. abri.. Na primeira estrofe predomina o presente (é.” Arnaldo Saraiva. ■ P – Português. meus). 9). poderiam citar-se as seguintes passagens: “socalcos” e “vinhedos”. Leonardo se demora para poder apreciar a paisagem (constituída pelas estrofes 1 e 3). S.1. Nota introdutória a Obras Completas de Carlos Drummond de Andrade. ele faz de um aparentemente banal acidente de percurso um grande acontecimento obsessivo. 7. na sua simplicidade. na qual S. 1. ■ a 4. (as) minhas. mas pode simbolizar igualmente a novidade. “Um poeta universal”. absurdo. avança. deixarão). ■ expressão dos sentimentos do sujeito lírico que estão na base da sua decisão de ‘matar’ o sonho – solidão (areias desertas). 21) “lentamente” (v. vai sulcando as ondas da eternidade. resultado ou efeito. tristeza. à proa dum navio de penedos. vemos S. devagar e sem pressa nenhuma de lá chegar. 96-97] a I 1.a quadra – relação sonho/navio/mar/mãos. ■ “No meio do caminho” Tópicos de análise [pág. na terceira estrofe volta a predominar o presente (se aproxima. cansaço. Obra Poética. e por seme- aparente simplicidade da bola (vv. 5. a navegar num doce mar de mosto.. abundância de marcas da 1. s/d O poema pode dividir-se em duas partes: a viagem em direcção ao cais divino. “Na menina dos olhos (b) deslumbrados”.1. S. 1-2) ■ bola/touro – definição por oposição lhança (v.2. astúcia.° vol. na segunda estrofe predomina o futuro (terá. Publ. que naturalmente são investidos de grande energia simbólica) e sem mais ênfase que a da repetição. chorarei. vai). Assim.Módulo 2 Textos expressivos e criativos e textos poéticos 15 “Canção” [pág. e a antevisão de como será o referido cais (estrofe 2). 6. a iniciar a sua viagem em direcção ao “cais divino”. porque sabe o que o espera na “bem-aventurança”. na sua brevidade. 8).. atenção. carinho (vv. a “terra” e a “rosmaninho”. desilusão. pessoa (pus. sem pressa de chegar ao cais divino. 94] ■ Tópicos de análise Tema: A paz só se alcança quando se abdica do sonho/A morte do sonho. Leonardo não tem pressa de chegar ao seu destino (o ‘cais divino’) porque se sente ‘feliz’ no ‘cais humano’ onde tem tudo aquilo de que gosta e cujas sensações agradáveis pretende prolongar o mais possível já que sabe que no local para onde vai não terá nada daquilo que tanto aprecia (Cf. Leonardo. correspondendo cada uma delas a cada uma das estrofes. Na segunda estrofe é feita a antevisão (daí o tempo verbal futuro) do que espera S. 95] o futebol. ■ . Locução adverbial: “sem pressa” (v.

os alunos irão completar uma grelha. 103] 3. 12-17) 5. numa total inversão realidade/ficção: não é a realidade que passa a ficção mas a ficção que “salta” para a realidade.° § – “No entanto (…) conquistas tecnológicas.2. ela é tão natural e “… tão fácil de perceber como as palavras. o sujeito poético usa os conceitos matemáticos de uma forma muito pessoal que reflecte as suas ideias e sentimentos. No chão. era esta a divisão: 1. E o P – Português. O desenvolvimento das actividades comerciais (Cf. Dá. É um texto literário. subtracção (l. onde está escrita uma frase com símbolos matemáticos: A matemática deve ser tão fácil de perceber como as palavras. | Textos | 3 Antes de ler [pág. ao que o homem responde que não. “A divisão começou quando 10 se exprimiu como ‘metade de um corpo’…” (ll.° § – “As ilhas (…) estão ameaçados. patente no texto que o acompanha. b.” Ora. o texto “As origens da Matemática” mostra-nos como esta disciplina entrou naturalmente nas nossas vidas e está presente. 105] 1. Partindo do princípio da contagem pelos dedos. 4-8) 3.1. três latas de refrigerante vazias. O ‘público’ espera pelo início da guerra como quem espera por um filme ou uma série que passa a determinada hora na televisão.” (ll. De dentro da casa alguém pergunta se a guerra já começou. “Contudo” (l. Compreender [pág.” (ll. População de Murray River: 5 = petchval petchval enea (4 + 1). 1. população de Kamilaroi: 7 = bulan bulan guliba (4 + 3) 5. 45-46). 103-104] 2. Esta é a primeira fase do trabalho a completar na pergunta 7.” (ll. A mensagem subjacente a este anúncio. ‘com hora marcada’ para aparecer na televisão. ‘comandando’ a televisão enquanto a mulher arruma a cozinha.16 Módulo 3 Textos dos media I | Textos | 1 Antes de ler [pág. O anúncio apresenta-nos um quadro preto típico das escolas. 101] 4. 45). . 15-16). 109] Compreender [págs. há uma íntima relação entre este cartoon e a resposta que L. ■ ■ A verdade da mensagem não é uma preocupação fundamental. “metade do corpo” seriam dez dedos.2. importância à forma. pipocas espalhadas e o jornal abandonado aberto na página que fornece informações sobre os programas de televisão. 43). l. Por isso. recordando as noções de texto literário e de texto não literário. podemos observar uma personagem masculina. “Os números foram ordenados e agrupados em unidades cada vez maiores.” (ll. multiplicação (l. Numa mão tem o comando do aparelho e. 2. 3. 9). queixandose que os programas de televisão nunca começam à hora prevista. 1. em muitos gestos do nosso dia-a-dia. 1. da página 108. Neste cartoon. Funcionamento da língua [págs. ■ Tem uma intenção estética: predomina a função poética.° § – Tecnologia – a ciência em acção. 4. geralmente pelo uso dos dedos de uma das mãos ou das duas…” (ll.° § – “A Terra (…) não haverá mais. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor 3. 14). Na televisão reconhecemos a imagem do Rambo. 4.1.° § – “A História (…) gerações futuras. onde.2. 8-12) 4. 18). Para além de todos os estereótipos que o cartoonista aqui põe em evidência – o fim do dia de muitas famílias portuguesas em que o homem se acomoda no sofá. No original.° § – Introdução. 17-19) Através deste texto é-nos dada uma visão subjectiva do mundo (interior e exterior). Adição (l.” (ll. 6. ■ | Textos | 2 Antes de ler [pág. é uma tentativa de desmistificar a dificuldade da matemática – “… a matemática não tem de ser um problema. Aula de Matemática ■ 2. uma taça de pipocas. “Em suma” (l. Afonso dá à primeira pergunta da entrevista – a guerra ‘anunciada’. 107-108] 1. 7.” 2. de forma muitas vezes inconsciente.1.° § – Como funciona a ciência.° e 5. sobretudo. sentada num sofá em frente à televisão.° § – “Tenho esperança (…) própria vida. 1. 41) e divisão (l. A adição. Utilizam-se recursos estilísticos e uma linguagem profundamente conotativa. a.2. 44). na outra.” e “… pode ser divertida e acessível a todos. 1-4) 2. com ar enfastiado.° § – Ciência – um estudo de tudo!.

os léxicos das línguas dispõem basicamente de três mecanismos distintos: a construção de palavras. O maior erro.1. como o título já anunciava. isolado em relação àquilo que o rodeia. | Textos | 5 Antes de ler [pág. Embora não apareça em primeiro plano.. etc. chamando particularmente a atenção do leitor para o facto de o cartoonista se inspirar naquilo que o rodeia e para as suas constantes dúvidas e inquietações. e 2. 4. 4.1.. 3. é não reconhecermos o erro ortográfico quando o vemos e este facto é grave na medida em que o perpetua.1.1.3. 1.. 1.. Na primeira foto vemos. no entanto. 3. b. “Para incorporar palavras novas.). A ordem dos parágrafos é: c. a.. os professores das disciplinas científicas “deixaram de o corrigir”. Funcionamento da língua [págs.. 1. O grupo nominal a que se refere “nele” é “o erro ortográfico” que só aparece na linha 22. b. 16). 4. nos placards.Módulo 3 Textos dos media I 17 que é certo é que este tipo de ‘programa’ tem audiência: “correu bem em termos de bilheteira…” (l.2. (in Grande Dicionário Língua Portuguesa.2. Acrescente-se que “o erro ortográfico” é ainda antecipado por diversas elipses (“[ele] Está também…. Temeridade – ousadia perante um perigo quase certo. A ordem é a seguinte: Ora.. certamente. 34. imprudência.].1.1. a. b. nas legendas televisivas.a pessoa quando se dirige directamente ao entrevistado. b. destacado. uso da primeira pessoa do singular). mas. 1.1. 121] 1. 2. 117] 1. O autor faz esta afirmação porque os erros ortográficos proliferam apesar dos esforços dos professores. [ele] circula…”.1. 5.2. 42). O autor afirma que “vai sendo um castigo” ou uma imprudência ser-se professor de Português pois estes professores são frequentemente colocados “ na posição de réus” e constantemente “colocados em trabalhos e tormentos”. os outros professores acusam-nos de serem responsáveis pela “pobreza vocabular” dos alunos e a redacção de actas e outros documentos é encarada como uma obrigação destes ‘puristas’ da escrita. hoje em dia/nos nossos dias. 1.1. 117-119] 1. Compreender [págs.. nos painéis publicitários. de fazer). O erro ortográfico encontra-se nos tapumes das obras. atribuindo-lhes novos significados (2). recorrendo a regras da própria língua (1). Exemplos possíveis: Assim. a reutilização de palavras existentes. que. “ele” (l. O título da entrevista é uma frase do entrevistado (cf. “dele/deles” (ll. a. Esta forma de destaque poderá indicar que o homem está desorientado. Segundo o autor. acto ou dito irreflectido com possíveis consequências desagradáveis ou perigosas. logicamente. O antecedente é “os léxicos”. b. 2.2.2.3. 35. usando a 3. nos autocarros. 2. que constitui uma espécie de tributo ao pai e àquilo que o cartoonista aprendeu com ele relativamente à forma como se posiciona perante os acontecimentos. O entrevistador adopta um tom formal. Porto Editora) 4. na opinião do autor.. nas “coisas” da Câmara. actualmente.1. é lógico que. “era uma pista onde a prova tinha decorrido”.” 4.1. um homem com ar triste. nas duas primeiras perguntas. 23.. b. Não podemos dizer que o entrevistador tenha formulado juízos de valor sobre as respostas dadas ou tenha procurado influenciar de forma óbvia o entrevistado. é ele que está destacado já que a mulher que se encontra à sua frente (bem como o resto da foto) se apresenta desfocada.1. nos muros.2. 24. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor [pág. porém/todavia/contudo [colocados após “que carece”: que carece. audácia.1.4. a importação de palavras de outras línguas (3). Na introdução faz-se uma espécie de síntese do conteúdo da entrevista. 2. d.. Anáforas: “o/lo” (ll. No entanto. 2.. 38 e 43). 3. | Textos | 4 Compreender P – Português. 36). podemos entrever uma tomada de posição em relação aos factos. ignorado pelos outros figurantes da foto. preocupado. os das ciências sociais “limitam-se a sublinhá-lo” e os docentes de Português “ não sabem que peso atribuir-lhe”. etc. “lhe” (l.6. Hipóteses possíveis: “as pessoas tinham-se excedido um pouco”. 2. Trata-se de uma retoma anafórica pronominal. Luís Afonso ‘herdou’ do pai. Podemos situar a CPPORT14CP-02 . 112-113] 1.5.1. 26). nas faixas. 1.3.2. faz perguntas pertinentes (que muitos leitores gostariam.2. Nota-se que a entrevista foi bem preparada: o entrevistador conhece bem o percurso do entrevistado e a sua obra.

“poderá ter”. Se o título tiver sido grafado com maiúscula inicial. de lhes conferir o estatuto de ‘verdadeiros lisboetas’. isto é. um futuro melhor do que o seu presente. Trata-se de um sujeito nulo subentendido [Nós]. penso que. lisboetas. em meu entender. e não assim. até.1. …) nos antropónimos (“Sérgio Tréfaut”). 2. Por isso. Por exemplo: o uso do adjectivo valorativo em relação ao trabalho do realizador (enorme. 3. “África”.5. “Nem sei também se…”. na segunda a tónica é posta na esperança das gerações futuras (quer o bebé que está ao colo da mãe e para quem ela sonha. A opção pelos grandes planos justifica-se pela vontade do realizador de não interpretar mas sim de ‘mostrar’.3. . 3. quer na criança que não os ignora e demonstra. o realizador mantém em relação às personagens uma “dose correcta de distanciamento”. uma certa curiosidade em relação às duas outras personagens). 3. isto é. o uso da maiúscula no vocábulo “Outro” revela a preocupação do autor em evidenciar a importância destes cidadãos.” 2. Por exemplo: em início de frase. com caixa baixa. expressões como: “Não estou bem seguro de que…”.2. por si só. uma ideia temporal de situar uma acção num tempo posterior ao tempo em que se situa o acto de fala. de ‘dar a conhecer’.2. Através daquilo que o crítico classifica como “filmar a ‘seco’”.1. caso contrário.1. 4.2. Sei também que a questão não será de importância relativa ou menor. “poderá ter-se tratado”. As mensagens são opostas pois enquanto que na primeira há uma mensagem de solidão e isolamento.2. Os “novos lisboetas” são os imigrantes que vêm de todo o lado. aqui. 3. 5. cidadãos de Lisboa iguais a todos os outros.1. a maior parte das vezes. no dia-a-dia estes “verdadeiros” lisboetas estão ausentes/invisíveis em relação aos imigrantes. Referimo-nos a expressões do tipo: na minha opinião. 123-124] 1.” Sujeitos: Nós/eles.1. A ausência dos “verdadeiros” lisboetas do filme é explicada pelo facto de eles se comportarem desse mesmo modo “face ao Outro”. 1. Será uma boa ocasião para explicar aos alunos que mesmo os complementos seleccionados pelo verbo (ou pelo nome) podem. “creio que…”. Observação: Os verbos “agradecer” e “retribuir” são transitivos directos e indirectos.2. Orações coordenadas: “Nós agradecemos e eles retribuem. imparcial. o crítico chama a atenção do leitor para o facto de não haver grandes diferenças entre nós e os imigrantes que recebemos: tirando os problemas de ordem burocrática (legalização. nos topónimos (“Lisboa”. Propositadamente optou-se por lisboetas com minúscula. a meu ver. que representa todo o país. Ao lado. segundo o autor deste texto de opinião. 1. A vida destes “novos lisboetas” não lhes pertence pois têm que lidar com uma série de problemas que. assistimos a uma cena dentro de um autocarro: uma mãe com um bebé ao colo. acho que. embora os respectivos complementos directo e indirecto não estejam expressos. nos nomes relativos a meses do ano (“Janeiro”). isto é. correcta.). uma outra criança observa a cena que se passa também em Lisboa (no autocarro que se vê ao fundo pode ler-se Restelo). etc.1.2. não dependem deles nem da sua vontade. contratos de trabalho. 124-125] 1.18 Caderno do Professor | Resolução das actividades do manual foto em Lisboa pela placa atrás do homem.4. introduz um valor modal: o ponto de vista do sujeito locutor em relação àquilo que é dito. Através desta personificação. o realizador deste filme ‘esqueceu-os’: é como se eles não existissem. P – Português. Evidenciam incerteza. 2. 3. antes expressa um facto dependente de uma hipótese. Sendo intencional. Predicados: agradecemos/retribuem. o realizador terá querido salientar que estes ‘lisboetas’. 99-100). certamente.3. parece-me que.2. emocional. 5. …). olhando-o com ar sereno e embevecido. são eles (os lisboetas/os portugueses) quem acolhe os imigrantes ou quem os ignora. etc. Por exemplo: clarividência (l. em algumas circunstâncias. os imigrantes retratados no filme. Através desta frase.2. poderia tratar-se de uma chamada de atenção para o estatuto de menoridade destes imigrantes.2. Compreender [págs. 4. ser suprimidos da superfície lexical da frase. “talvez”. é identificada com os seus habitantes.1. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor Funcionamento da língua [págs. são ‘verdadeiros lisboetas’. Reescrita possível: “Lisboetas. Estou seguro de que no início do genérico do novo filme de Sérgio Tréfaut o gentílico surgia no écran com capitular. em particular de África e dos países de Leste. Lisboa. A letra pequena faz bastante diferença na leitura da mensagem. todos nós estamos irmanados tanto nas dificuldades como nos sonhos. Na segunda foto. Contribuem também para manifestar a incerteza do locutor a expressão “E nesse caso…” aliada ao uso da forma condicional “faria” e o recurso ao futuro (“será”. “terá Tréfaut querido (…) mostrar-nos”) que não assume. 1. ou seja. 99) e distanciamento (ll. 4.

o aumento das taxas de sobrevivência infantil e de matrículas no ensino secundário. há uma espécie de diálogo virtual com o leitor.3.” “Finalmente. Proposta de resumo: “A palavra “instalação”.2. … em que todas as pessoas sabem qual é a posição da sua equipa e o que ela fez para lá chegar. no século XXI. pelo ponto de exclamação ou.4. “Em resumo…”. uma melhor compreensão da questão da migração humana em geral e das vantagens que este fenómeno pode trazer ao mundo. predomina a função emotiva.. P – Português. Por exemplo: ”Por fim.a pessoa). 1. na hora do jogo. A palavra melhor é. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor | Textos | 6 Compreender [pág. 2. um sentimento de inveja. Kofi Annan revela-se o ‘adepto’ comum: aquele que. hoje. 2. No fim da frase. “Depois…”. “OBRIGADO. 1. Oficina de escrita [pág.2. o comparativo de superioridade do adjectivo bom.. uma multiplicidade de campos artísticos cujas fronteiras se diluíram. 2.a pessoa) e no referente (3. As principais características da crónica estão aqui presentes: o texto parte de um facto da actualidade.. ■ ■ … em que todos estão sujeitos às mesmas regras.4. em função da intencionalidade que se pretenda atribuir à frase.3. ■ 5.1. Trata-se do Campeonato do Mundo de Futebol. pelas reticências.” [36 palavras] … que ilustra os benefícios da polinização cruzada entre povos e países. Além disso. frequentemente. “Seguidamente…”.138-146) 3.Módulo 3 Textos dos media I 19 1. . Nos dois últimos períodos do texto. “Por último…”.2. (ll. oriundos sobretudo de Leste. as instalações tornam-se. emigrante remete para um movimento de dentro para fora (isto é. O que Kofi Annan realmente inveja é o facto de um evento deste tipo conseguir aquilo que a ONU não consegue: fazer com que todas as nações sejam uma família e que celebrem juntas a sua “humanidade comum”.1. Elaine. abrangendo. poderia optar-se pelo ponto final.” [78 palavras] 2. Por todo o lado e a todo o momento. 2. é subjectivo. Embora ambas remetam para aquelas pessoas que abandonam o seu país de origem para se estabelecerem num outro.. // … todos compreendessem que a migração humana em geral pode dar origem a uma tripla vitória – para os emigrantes. // … que houvesse mais conversas deste género no mundo em geral. “Em conclusão…”.”: deveria haver uma vírgula a isolar o vocativo. Este tema interessa ao secretário-geral das Nações Unidas por se tratar de um dos poucos fenómenos que é tão universal como (ou até mais universal do que) a própria ONU.2. pelo facto de ser publicado numa revista. vai torcer pela sua equipa (o Gana) e desejar que ela ganhe. de trocas livres e justas. // … na família das nações houvesse mais competições deste género. o foco narrativo é centrado no emissor (1. ■ … de que todas as pessoas do planeta gostam muito de falar.1. aqui. Os conectores são: “Em primeiro lugar…”. 138-146) 3. para os seus países de origem e para as sociedades que os acolhem. as infecções pelo VIH.3. 4..1. entre outras. os “novos lisboetas” vão-se adaptando à cultura portuguesa. refiro-me também ao resultado mais importante de todos – estar lá.” “Em suma…”. havendo uma relação específica entre a obra de arte e o espaço em que é inserida – o site specific –. é um texto curto.3. 130] 1. em relação a este fenómeno. Proposta de resumo: “Outrora país de emigrantes. “Finalmente…”. // … que tivéssemos mais factores de nivelamento como estes na esfera internacional. Transitórias por definição. as emissões de carbono. país de acolhimento de diversos povos. “Em segundo lugar…”. permanentes. As questões que preocupam Kofi Annan são. até. em que todos os países têm oportunidade de participar em condições de igualdade. as seguintes: o respeito pelos direitos humanos. Portugal tornou-se. na segunda metade do século XX. qualquer instalação deve manter-se no espaço para que foi criada. a necessidade de mais factores de nivelamento entre países. aquele que se instala num país que originalmente não é o seu). 126] 4. a obtenção de melhores resultados ao nível do Índice de Desenvolvimento Humano. aquele que deixa o seu país) e imigrante implica um movimento de fora para dentro (ou seja. Daí o facto de ele confessar. etc. Os três últimos poderiam ser substituídos por conectores do tipo: “De seguida…”. Não me refiro apenas aos golos que um país marca. pois expressa a opinião do seu autor. “Em terceiro lugar…” e “…em quarto lugar…”. o discurso é directo e espontâneo.” (ll. originalmente significando “procedimentos e (…) técnicas de exposição de obras de arte em espaços próprios”. fazer parte da família das nações e dos povos. celebrar a nossa humanidade comum. alargou o seu conceito. 3. 2. “(…): o Campeonato do Mundo é um evento em que efectivamente se obtêm resultados.

2. “esferográfica” .2. . b.1. Na origem desta crónica esteve uma notícia que a cronista leu no jornal Público sobre palavras de difícil tradução. “coração”.1. etc. 134] ■ variedade brasileira do português: assinalar as diferenças encontradas em relação à variedade europeia: a. Hipótese possível: “Não se importam de se debruçar mais?” Ficha formativa [págs. 139-141] I 1. V. Trata-se dos pronomes indefinidos “muitos” e “outros”. … c. directivo. “adjectivo”. “Estou aqui…” (l. Embora a palavra saudade seja de difícil tradução. etc. prefiro. “macho”. “costas”. F (Através destas frases a cronista explicita exactamente a opinião contrária: a saudade é um sentimento que ela não aprecia particularmente. “Depois…” (l. 3. Traduzir determinadas palavras é quase impossível. c. outras [vezes] [a palavra] demora séculos. F. etc. “coice”.a pessoa do singular – leio. como é norma no que se refere às crónicas.1. 65) – colocação do pronome átono antes do verbo: “me assusta” (l. “escritores”. As expressões que conferem a este excerto coesão sequencial/temporal são as seguintes: “E então…” (l. “ a se convencer” (ll. a crónica. de salientar. a. b. isto é. 33). “meu café” (l. d. nos apercebemos ). F. numa cena do quotidiano: a festa de aniversário improvisada de uma menina pobre. planos morfológico e sintáctico: – utilização do determinante possessivo sem artigo: “de seu disperso” (l. “pescoço”. – construção aspectual (utilização do gerúndio): “estou adiando” (l. Ainda assim – Mesmo assim. b.2. [Eu] nunca tenho uma ideia: [eu] limito-me a aguardar a primeira palavra. “De início…” (l. 1. e. F (O advérbio “talvez” introduz um tom de dúvida no discurso. O tema é o processo criativo que está na base de uma crónica. e. opto) que configuram actos ilocutórios assertivos. c. “bloco” . O deíctico “isto” apela ao saber compartilhado já que faz parte de uma expressão que retrata um gesto que tem que ser conhecido pelo interlocutor – “não se deslocou nem isto” significa “não se deslocou nem um bocadinho”.1. “revista” . (l. c.1. Estes dois advérbios marcam a distância entre o enunciador do discurso (eu) e o ‘objecto’ a que se refere. 16). “cabeça”. “advérbio”. 135] 1. a. Os saudosistas.1. O animal (pacaça): “pata”. 30) 2. “se afasta” (l. 5). Por exemplo: Assim – Desta forma. traduzi-la-emos. 15-16).1. “caneta”.2. 3. 2). Neste texto. “nossos olhos” (l. dificilmente progridem e são infelizes. 3. “está olhando” (l. V. “período”. “fêmea”. Funcionamento da língua [pág. a. 3. f. 57). V. 2. “[A crónica] continua acolá…” (l. 10). V. l. 19). 6).1. 23-24) e “quando…” (l. V. “pele”. a que traz as restantes [palavras] consigo. formas verbais na 1.a pessoa do plural – olhamos. E vai encontrá-lo. 62-63). 2). 3. suspeito. “livros”. “cauda”. 1). 4. 137-138] 2. plano lexical: utilização de variantes lexicais de diferentes origens – “botequim”. aprisionados ao passado. É claro que – obviamente. V. “de seus três anos” (ll. V. etc. “em torno à mesa” (l. [págs. o texto (crónica): “palavra”. – e na 1. “olho”.1. a opção por verbos que exprimem uma opinião (parece-me. gozei. “cotidiano” 1. A presença da autora é explícita quer através das marcas de primeira pessoa (pronomes pessoais – me. “página” . encontramos o autor à procura de tema para uma crónica. b. 9).1. “cornada”. 50). 18.) d. eu. “garçom”. se há muitos – embora/ainda que haja. 25). Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor II | Pretextos | Tópicos de análise do Texto 2 ■ 1. forma escrita diferente: “crônica”. 48). b. “romances”. “parabéns pra você” (l. “se mune” (l. Umas vezes [a palavra] vem logo. 32). “papel” . “crónica”.. “frase”. “chifres”. Por exemplo: “Como nasce uma crónica”/ “O escritor à procura da crónica”. 28). ao passo que – enquanto que. ainda. “patas”. “É altura de…” (ll. 2. – diferente utilização das preposições: “Visava ao circunstancial” (l. “imagem”.) P – Português. actos que traduzem uma verdade assumida pelo locutor.20 Caderno do Professor | Resolução das actividades do manual | Textos | 7 Compreender [pág. 2.3.

Proposta de resumo: Proveniente do grego (mythos – narrativa. in Público. a tolerar uma segunda vez. [65 palavras] P – Português.” (orações coordenadas copulativas). ao contar histórias sagradas.1.Módulo 3 Textos dos media I 21 5. o mito garante a unidade do grupo. mas nunca uma terceira vez”. da área Kansai. disciplinando e favorecendo os comportamentos e a solidariedade sociais.2. afirma a presidente da Today Translations. lenda). de uma língua falada numa região da República Democrática do Congo e que significa “uma pessoa que está disposta a perdoar qualquer abuso pela primeira vez. foi a terceira mais difícil de traduzir e significa “enfatizar declarações” ou “concordar com alguém”. uma história contada para aclarar um conceito abstracto. A palavra japonesa "Naa". tendo uma função social inegável. A mais votada foi “ilunga”. 5. Assim. Em suma. Eis a notícia que surgiu no Público: Palavra “saudade” é de difícil tradução A palavra portuguesa “saudade” foi considerada o sétimo vocábulo estrangeiro mais difícil de traduzir. o problema é tentar transmitir as referências locais associadas a tais palavras”. uma fábula. levada a cabo pela agência londrina de tradução e interpretação Today Translations. Por exemplo: “Nunca está feliz e vive preso ao passado. Predicativo do sujeito. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor . Em segundo lugar ficou “shlimazl”. o mito é uma crença. segundo uma votação realizada por mil linguistas. os mitos explicam factos incompreendidos. que conduziu a sondagem. que é a palavra em iídiche (língua falada por algumas comunidades de judeus oriundos da Europa central e oriental) para uma “pessoa cro- nicamente sem sorte”. 25-06-2004 (adaptado) 2. Jurga Zilinkiene. povoadas de deuses e heróis. III 1. atribuindo-os à actuação de entes sobrenaturais. “Apesar de as definições parecerem bastante precisas.

” (ll. passando a avaliativo (valor subjectivo): a casa não era apenas grande em tamanho (“uma casa grande”). A partida da Graciete para o Canadá. é assaltado pela inquietação o que o leva a pedir ajuda a um amigo – “Mas o receio de que pudessem surgir mais personagens inquietou-me. na urgência do senhorio que me dá três meses para a ‘desfazer’.1. A descrição é feita do geral para o particular.2. e 1.2.a personagem: “uma jovem loura” – ll. 3. É esta mesma diferença de sentidos que podemos encontrar. As onomatopeias são palavras acusticamente formadas com o objectivo de imitar sons ou ruídos. 85-88. 1. jarras. as personagens “sempre são gente. 34-38..2. 29-30. Rasgo papéis de uma vida inteira. 2.) E se ele estivesse armado? Pelo aspecto não parecia. em “uma mulher grande/uma grande mulher. O tempo verbal predominante é o pretérito imperfeito do indicativo – “era”. Os advérbios de modo “lentamente” e “cuidadosamente” apontam para o desvelo e para o tempo que era dedicado a estas tarefas (inúteis). “abria”. “arrumou-se”. olho para fotografias a sépia. 3. o narrador centra-se na roupa que é guardada dentro dos armários. a saltar ao alcance dos meus dedos é que nunca me tinha acontecido. 20-24.. toc. 2.a personagem: “um homenzinho magro” – ll.” (ll. A posição do adjectivo qualificativo é tipicamente pós-nominal. 146] 3. “desatavam” – tempo típico da descrição que sugere o aspecto durativo ou habitual e aponta para a repetição de uma acção no passado. 2. Compreender [pág.” (l. 151] 1. camisolas. O adjectivo anteposto ao nome deixa de designar uma qualidade objectiva.1. O cenário é um móvel com dois tampos. (ll. sapatos. a surpresa – “Não foi esta a primeira vez que me vi assediado por personagens. “se enchia”. 3. espelhos nas paredes (…) e armários. 2. 2. algum enternecimento – “Eu comecei a enternecer-me. A repetição do adjectivo “inteiro” evidencia a duração temporal – foi uma vida inteira que a Graciete passou “debruçada sobre o enorme bastidor de madeira”. a vontade de interferir – que acaba por controlar – “Sobreveio a tentação de lhe dar uma ajuda com os dedos. não o segue por questões de humanidade: por mais insignificantes que sejam. à medida que se vai percorrendo a casa – “uma grande casa” (l. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor Oficina de escrita [pág. 150] 1. 33-39). 2. quadros. pedindo ‘apenas uma lembrança.3. A pontualidade da acção é marcada pela expressão temporal “Um dia…” e pelo recurso ao pretérito perfeito – “foi”. causem algum dano aos “utentes da via pública”.a personagem: “O velho. quanto ao segundo. 41-46. 7-8) “o corredor enorme. muitos armários” (ll. 29-32) De seguida. Recordo a Graciete. 146-148) Funcionamento da língua [pág. ganhando rugas na cara e | Textos | 2 Compreender [pág. decide “aprisionar” as personagens no texto..1. por exemplo. 148] 1. o espanto. algum medo ‘disfarçado’ – primeiro do “homenzinho ginasticado”: “O que pensei logo foi ‘com este posso eu bem’. 1). magrita. 16-23).2. 15-16.” (ll.. 95-96) Então. depois receio de que a personagem feminina lhe riscasse a secretária com os saltos. “o . 13-14). próprio para computador e impressora (ll.. Eis os dois últimos parágrafos do texto original: “Hoje regresso à casa. uma amiga velha/uma velha amiga”. distribuo louças.…” (l. etc. Finalmente. e 2. 1-20).” (ll. “estremeceu”.2. de barba branca” – ll. 63-66) Logo depois. povoado de mesas. Mas resolvi não interferir.” (ll. P – Português. Os advérbios de tempo: “nunca” (quatro ocorrências) e “sempre” (duas ocorrências) – remetem para um estado de permanência.1. uma personagem de doze centímetros de altura. 92) “…o tique-tique dos saltos. 53) 3.2.1. “servia”. “acumulava”. 16). (. 48-50.1. corredor enorme” (l. 98-99) Finalmente.2.22 Módulo 4 Textos narrativos/descritivos I | Textos | 1 Antes de ler [pág.. 151] 1. há sempre um parente de um parente que me faz saber que isto ou aquilo ‘lhe faria imenso jeito’. “uma sala grande” (l. Cada um destes espaços é descrito também através dos objectos que os enchem – “A sala. (…) Agora. casacos.2. O narrador não segue o primeiro conselho pois não quer arriscar-se a que as personagens. cheia de vidros e quadros de gôndolas e açudes” (ll.2. “dizia”. (ll. eu era tão amiga dela!’ Só não consigo tocar nos armários dos lençóis. ao serem atiradas pela janela. de gente de quem já nem recordo o nome. 46-47) Seguidamente. 11) “muito fria e escura” (ll. “assustava”. debruçada no bastidor.” 3. de inalterabilidade. ou um rosto que não reconheço mas que me bate à porta e me enche a cara de beijos. “… toc. Primeiro.

Podem ser apontadas. sensibilizam-se os alunos para o conto sobre as origens. já que/porque. O neologismo “descriou-o” significa. entre outras. o Criador apiedou-se dele e deixou-o ir.1. uma certa suavidade da força ilocutória dos actos directivos. em comunhão com a natureza.° anjo – “mais prático e destemido” (l. Para tal. ao contrário do primeiro. A forma como Deus reage à recusa dos dois anjos está directamente relacionada com a forma como cada um deles a formula: enquanto que o segundo anjo se dirige a Deus respeitosamente.1.2. 40-41).° anjo – “lhe faltava o essencial. entre outros. 46-48). a temeridade. b. mas voava.2. não me perdoem por não ter sabido continuar a esperar por elas. anáfora pronominal (lhe/ /aquilo) e elipse (“[Deus] explicou-lhe…”) 5. respeita claramente um dos princípios pragmáticos que é determinante no desenrolar da interacção discursiva: o princípio de cortesia. embora. 1.3. 4. sem sombra de arrogância” (l.1.2. 3. Homonímia. 6. a ambição. . Trata-se de um advérbio. “ordenou-lhe”.° anjo – “um sujeito mais cordato e delicado” (l. “tirar a existência”. a ideia de acção contrária. a lição do terceiro anjo parece ser a de que a obediência cega não é um bom princípio. “Criar” significa “dar existência”. remete para o conceito de modalidade. o quarto anjo transformou-se num ‘instrumento’ de Deus: “Diz-se que esse anjo sem asas se passeia entre os homens (…) incógnita. 1. “Sem dúvida”. voava mal. 2. fenómenos – tão frequente nas culturas africana. O sentido da metáfora é resumido na frase que se lhe segue: “Enfim. 33). voava. Por exemplo.1. 1. 6. 3. a imprudência. 1. 2. Uma interpretação possível: Cada um dos anjos dá-nos uma lição: com o primeiro e o segundo podemos aprender que a humildade e a capacidade de adaptação do discurso à situação de comunicação nos ajudam a conseguir os nossos objectivos. um sujeito mais cordato e delicado.1. 5. Coesão interfrásica (Após). também chamado conto etiológico – relativo ao estudo sobre a origem das coisas ou das causas de certos factos. Deus “num rápido gesto de enfado. 156] 1.” (ll. O princípio de cortesia pode determinar. o segundo anjo. 3.Módulo 4 Textos narrativos/descritivos I 23 calos nos dedos à medida que o linho se enchia de flores. “exigiu-lhe”.1. P – Português.1. “o que lhe sobrava em disciplina. poderíamos ter. a fé. Quando o primeiro anjo lhe desobedeceu. 155] 2.3. “respeitoso e de poucas palavras” (l. 1. Provavelmente porque o segundo anjo se libertou da mão criadora e vive. expressão que evidencia um grau máximo de certeza. descriou-o”. o primeiro anjo opta por escolhas linguísticas não adequadas ao tipo de relação entre os interlocutores (É o ‘a quem se vai dizer’ que condiciona o ‘o quê/como se vai dizer’). a grande lição parece ser que podemos conseguir mesmo aquilo que aparentemente é impossível. Assim. 16-17). O segundo anjo era. Acto ilocutório directivo (pretende conduzir o interlocutor à realização de uma acção). Paronímia. 157] Observação: Através da leitura deste mito tradicional chinês.” | Textos | 3 Antes de ler [pág.1. 2. Ao contrário. Funcionamento da língua [pág. Compreender 1.”. 19).1. portanto. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor | Textos | 4 Antes de ler [pág. além de uma educação um pouco mais esmerada” (ll. é preciso acreditar. a desobediência. aves do paraíso – e receio que as visitas. 153] 5.exprime. grinaldas. 4. 6. Assim. 3. com o quarto anjo. 27). [pág. “humilde. Desempenha a função sintáctica de modificador da frase. a. ou seja. por exemplo.2. asiática e ameríndia. por exemplo: “Não te importas de tirar as asas e voar?” ou “E se agora tirasses as asas e experimentasses voar?” 2.2. o prefixo des. 34). Quando o segundo anjo se recusou a voar sem asas. faltava-lhe em fé” (ll. até um pouco simplório (…) grande talento. Homofonia.2.° anjo – “um anjo alegre.” (ll. “mandou”. 56-58). Exemplos possíveis: porém/contudo. sem obrigações. 4. esses seres misteriosos que povoaram a minha infância.1. talvez/provavelmente/quiçá. Observação: O exercício 3.

e 2. ■ ■ ■ ■ ■ ■ 4. tu. há (desinências verbais de tempo). 16-20. Ainda não foi desta vez que conseguiu o seu intento já que. “… para fazer pousar o sonho dela e desencorajar os seus infindáveis ‘e depois. 10) [deu-me]. 11).” (ll.. Ver pergunta 1.1. ■ 3. luarejar (l.1. f. A primeira parte do conto é uma espécie de introdução à história da avezita. nesta perspectiva. Recorrência: nominal com repetição do nome: avezita (l. 17). . 31).1. ela chorou. ‘explica-se’ a origem do cacimbo: “Sobre as primeiras folhas da madrugada. 3. O narrador é o mesmo. 2. infantil.1.” (ll. Era “um homem folgazão de barriguinha inchada” (l. 18): esta palavra existe como adjectivo.2.4. por exemplo. 3.. P – Português. 16-17): insistente + tonto menineira (l. permitindo compreender o contexto em que ela surge. 165] 1. de Antes de ler. pronominal – lhe (l. 7. 1. 35) e mostrava uma educação pouco esmerada (“soltava estrepitosas (…) digestões.4.. 4. rosnadas. sua (ll.exprime aqui a noção de reforço (como.4. 45-46. vinhas.3. Compreender [pág. 2.1. m. i. ll. 161] 1. j.2.1. 22). desenlace – ll. 2. vinhas (verbo de movimento) Deixis temporal: sonhei. 14). passarinho sonhador (ll. l.. “[Os] Seus colegas” (l. 21.1. 34). A menina quer sempre mais. Situação inicial – ll. 10. ele (ll. “Os outros lhe chamavam à térrea realidade” (l. provavelmente. 14): forma do verbo “imensidar” (= crescia. 34) nominal. com frequência. “[no seu] em seu poleirinho” (l. Mia Couto utiliza menineira como nome (= criancice.. 4. desinquieto) estrelinhada (l. 3. 30. 23). 30. Neste conto aparece encaixada a história que o narrador conta à sua filha. ela (ll. 89-91. d. O prefixo des. h. Embora gostasse de apreciar as mulheres que via passar. 16). Rita ouve na rua relatos de crenças tradicionais que aumentam o seu fascínio em relação à lua.2. 4. É “ser lua”.1. entre outras. 4. tombam gotas de cacimbo. O pai de Rita não consegue o seu intento de a adormecer contando histórias. e.’ ” (ll. 3.. 27. agigantava) insistonto (ll. pássaro* (ll.3. Deixis pessoal: Eu. infantilidade) desalisou (l. “Me deu” (l.2. “Lhe inventei” [inventei-lhe] (l. 13). 19). Américo Pedrinha “era feliz e ninguém sustentava qualquer dúvida a respeito de tal felicidade. 16. 8. 14. 158) 1. 35-37)). 10-11).. 12. No texto. 9. 94-95… Compreender [pág. pág. trovejantes” mas passageiras (ll. De tanto sonhar. 160] 1. me Deixis espacial: aqui. Funcionamento da língua [pág. voltou a ouvir a pergunta de sempre. falaremos também de repetição do nome.3. 16). Aida (l. A origem do cacimbo (nevoeiro denso que se forma à noitinha em alguns pontos de África.1. Cf. Tinha.1. 16. São lagriminhas do pássaro que sonhou pousar na lua. g. 25. 6) e luarar-se (ll.3. com substituição lexical – passarinho* (ll.1. 98-100). 44-45) ■ ■ * Nota: as palavras assinaladas aparecem duas vezes – as duas primeiras – e três vezes – a terceira – pelo que. 24. 19.3. c. nó da intriga – ll. 43-46. 13-15. Américo Pedrinha é casado com D. “[A] Minha filha” (l. 11.. 31). no final desta história. 43): = estrelada. 13.+ alisou. “calvo e baixote” (l. ave* (ll.” (l. 159] 1. Ver Observação em Antes de ler.. 28-29). 6. 29): des.1. 10) e tem dois filhos – “um rapaz solene (…) e uma rapariga (…)” (ll. 21-42. sonhaste. não era dado a aventuras (ll. 19-20): verbos formados a partir de lua (= transformar-se em lua) imensidava (l. 3. Rita tem dificuldade em adormecer porque é assaltada por medos. 80-88). e 1. 3.” (ll.24 Caderno do Professor | Resolução das actividades do manual No conto de Mia Couto. 16) [chamavam-na].2. parte preparatória – ll. O uso dos adjectivos “cativa” e “aprisionada” sugerem que. a avezita não estaria muito satisfeita com a situação (“Triste. que é amigo de crianças”. | Textos | 5 Antes de ler [pág.2. “indisposições” “negras. 3. 33)). chuva miudinha). 35-39. Apesar dos pequenos desacordos típicos de qualquer família. 43-44). 5. avezinha enluarada (ll.. 17. em desgastar . 35) Pode ainda referir-se a recorrência pela repetição do determinante possessivo: seu (ll... a. 76-88. 27. 91-92). “luarejar”. 33. 1). “[O] Seu sonho” (l. a avezita acabou por ver o seu sonho tornar-se realidade. 3. b. seus (ll. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor 2. com o significado de “que tem aparência ou modos de menina(o).2. 46).

103-150) – Desenrolam-se. dirigindo-se. 28-31)). ao Jardim Zoológico.” (l. os verbos aparecem no pretérito perfeito: “desapareceu”. Por exemplo: – Pois é certo que as coisas no escritório não andam famosas – comentam os colegas.1. a partir da linha 103.” (ll. A expressão temporal “Antes de…” introduz um conjunto de verbos no pretérito imperfeito: “sentiam”. Nó da intriga – “Com um sorriso (.” (ll. 3.” (ll. Discurso indirecto: “Américo Pedrinha disse-lhes que passassem bem. Os dois adolescentes não tinham orgulho na figura do pai (Cf.1. 2. 93-116) 4.” (ll. Desenlace – “Desesperado (…) para um manicómio. 51). toma uma pílula que havia roubado de uma das salas do Museu. 1-32). 5. 1. 4. talvez por ser considerada absurda. pensando vender a “quintinha” que era a menina dos olhos do pai (Cf. “soltava”. Os filhos fizeram constar que o pai “andava viajando pelo mar” (l. Olha agora se todos se lembrassem de dizer ‘Passem bem’ e de voltar as costas? Além do mais. 15-26). Funcionamento da língua [pág. 2. de Compreender. Tijoleiro parece enlouquecer e é levado para o manicómio. Por exemplo: “Nos seus tempos – (…) do bom vinho francês. Compreender [págs. 39). “homem moderno” e apreciador dos prazeres da vida. Mas isso é mal geral pelo país fora. a mãe. Ver resposta a 1. Trata-se do discurso indirecto livre. e desvenda-se o mistério da situação estranha que a personagem estava a viver (ll.2. 173-174] P – Português. 27-28) e “E até os filhos (…) projectavam na venda da quintinha todas as suas esperanças…” (ll.2. não merecer credibilidade. “arrotava”. 117-119). “são”. “mostram”. 168] 2. Tijoleiro visita o Museu Histórico e. 167] 1. mas também porque gostava de cores fortes (“adorava azul-turquesa” (l. 2. depois de se aconselhar com “a velha Felisberta”.” (ll. Situação inicial – “Viveu em tempos (…) contra os seus planos e expectativas.. 57-58).2. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor 1. “Deste sonho inteirinho se apoderara D. “Na manhã desse dia (…) – comentaram os amigos.” (ll. “começaram”. talvez por nem sequer ser bem compreendida ou por ter saído da boca de um homem estranho “que cultiva nespereiras na varanda” (ll. 70-71). sugere que ele terá feito algo de semelhante.”. A suspeita de D.” | Textos | 6 Antes de ler [pág.” (ll. Aida e os filhos fazerem contas à ‘herança’.2. 2. Depois da conjunção subordinativa temporal “Quando…”.1. Nos dois exemplos da alínea anterior. 37-38).3. E acrescentam: – De um momento para o outro. 5. isto pode fechar. Aida “ suspeitava (…) que o homem se deixara encantar por alguma mocinha” (ll. talvez para não terem que passar por aquilo que sentiriam como sendo mais uma vergonha perante os amigos. decidiu não pôr luto.1. cá vai correndo o tempo e o escritório ainda não fechou. chegando mesmo a forjar provas dessa viagem.. 80).. 54)). Aida é contrariada pelos testemunhos dos amigos de Américo Pedrinha que “juravam a pés juntos que não lhe conheciam aventuras. 68-69) como acontecia “em folhetins (…) e nas novelas da televisão.2. 1. Os colegas de escritório imaginavam que ele poderia ter partido porque “as coisas no escritório não andavam famosas” (ll. “tinha”. Por exemplo: o facto de D. ll. 123-124). “falam”.2.1.) miscelânea de todos os animais. A versão de Arnaldinho não foi tida em consideração porque “ninguém sabia o que fazer com ela.” (ll. Há alguma frieza na forma como esta questão é encarada: a filha tinge os vestidos de preto porque “a moda era o preto” (l. 133-136) e os efeitos que essa história terá tido em Américo Pedrinha. que ia morrer e que estava farto daquilo. A expressão temporal “Ainda agora…” remete-nos para o presente pelo que os verbos se encontram no presente do indicativo: “forjam”. 151-155). para não “parecer a Deus e às línguas deste mundo” que tinha “pressa de se encontrar viúva.) um bilhete de domingo. A analepse consiste no relato de acontecimentos anteriores ao presente da acção. de seguida.1. Arnaldinho. . O pronome demonstrativo com valor anafórico “aquilo” remete para o desaparecimento de Américo Pedrinha.” (ll. (…) seus cavalos. ao almoço. O advérbio “enfim” introduz uma conclusão e “enquanto” é um conector temporal (conjunção subordinativa temporal) que remete para acções simultâneas. 33-102). por sua vez. 128-129) e. “era”. ao contar o enredo do filme em que “os índios sentem chegar a morte e se retiram. um conjunto de peripécias que vão levar ao desenlace. por isso. 3. 5.” (ll..Módulo 4 Textos narrativos/descritivos I 25 2. a primeira analepse dá-nos conta do ‘sonho’ de Américo Pedrinha e a segunda relata os últimos acontecimentos antes do seu desaparecimento. Aida (…) femininas.3. Provavelmente sentiam-se envergonhados com a forma como ele se comportava e daí o amor que sentiam em relação a ele ser “enervado e arisco”.3. Parte preparatória – “Pouco tempo após (. D. Apresentação de Tijoleiro.

modelada e principal. emproados. O vento abriu-lhe o bibe e. “melancólico”. está profundamente transtornado e desorientado. 116-122). “sombrio e altivo”. “Com um sorriso de boa disposição…” (l. 104-109) – “grande”. os javalis.1. Nota-se. 6. degenerados. apelida Tijoleiro de “ orgulhoso ” e “ estúpido ”. como ele próprio o confessa e como se vê através de muitas das suas atitudes. desesperadamente.2. 177-179] I 1. 4. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor . cujo “ olhar expressava nobreza. No fundo. O conceito do que é ‘normal’ não pode nunca ser separado do contexto social e cultural.26 Caderno do Professor | Resolução das actividades do manual 2. 4.4.2. 8. por momentos. 4. 54-57. de tal modo que o fim de uma sequência é o início da seguinte. E. pois não é bom que o homem fique só. O chimpanzé (ll. 87-88) e no restaurante o momento em que decide tomá-la (ll. muito contra os seus planos e expectativas. Júlio – é também caracterizado sobretudo psicologicamente e indirectamente. Mas os seus movimentos eram leves e cheios de vivacidade. não tem coragem para assumir esse sentimento.2. 3. Lena – caracterização física directa: “Vinha de sapatos pretos.”. airosa e veloz. “Horrorizado num susto indescritível…” (l. ll. como não gosta da família dela. 4. “bípedes horríveis.” (ll.1.3. As sequências desta narrativa são encadeadas. 140). De seguida. “com voz grossa”. andavam em liberdade. Uma leitura possível: O julgamento que fazemos acerca dos outros e do mundo é apenas o ‘nosso’ olhar. 9). com “dois grandes olhos castanhos ”. e 4. a camurça. o cabrito-montês. 133-135). impulsivo. 41-44) e dos objectos expostos nas diferentes salas (ll. 5. 4-8). um pouco atrevido.. no início da segunda parte. “… ficou aterrado até ao mais fundo do seu coração. 137-138). “Mas ficou desiludido. primeiro amável e. 2.1. em relação a Tijoleiro. “É bem bonita. o gnu. 41-45. “… atónito e desorientado…” (l. 49-50. a descrição do fato e da bengala de Tijoleiro (ll.3. o momento em que Tijoleiro rouba a pílula (ll.” (l. um grande laço preto. 138-139) suportando “a sua prisão com decoro” e “cheios de humor”. É orgulhoso. 7. “… e foi imenso o que nele se perdeu. é apresentado mais um indício: “Talvez tenha sido este. No museu. brincam juntos e estão ambos apaixonados por Lena. Ficha formativa [págs. 125-130) “todos o desconsideraram” e não compreendiam por que razão estavam eles presos enquanto que os homens. um pouco arrebatado. o puma (ll.2. Tijoleiro entra no átrio do Jardim Zoológico. usa esse facto como pretexto para dizer que também não gosta dela. 142). deixar de se parecer com os homens que os animais tinham acabado de desmascarar diante dos seus olhos e que se tinham transformado numa “desagradável sociedade de seres semelhantes a animais. P – Português. 65-74. “… a sua angústia e o seu pavor…” (l. aristocrática e comedida. 30-32) Note-se que. o leão (l. Passou. os macacos Maqui (ll. Não deve. 4.3. apareceu a descoberto o colo muito branco que formava com o rosto uma mancha alva no meio do luto. 146). Gosta de Lena mas. o alce (ll. sentindo o prazer da corrida. o falcão-das-torres (ll. ll. achava os visitantes uma “gentalha”. 5. 132-133) digno e sábio. Júlio e Luciano são amigos. nele. 3.. a Lena. porquanto teve um fim precoce e estranho. 117-119. alguma tristeza quando fala com Juliano pois gostaria de estar no seu lugar. Ao arrancar do corpo as peças de vestuário e adereços. 59-60.1.” (l. 113). “Perturbado…” (l. 81-86).1. pois. um tremendo desprezo. 117). “belíssimo”. depois.3. Luciano – é caracterizado psicologicamente pelas suas atitudes e reacções. “– Parece uma andorinha (…)” (l. “majestoso”. de forma indirecta. a acção desenrola-se num restaurante e. 135). malcheirosos e indecorosos” e “emproados”. meias pretas. Esta personagem é dinâmica. o lama. Tijoleiro tenta. Entre outros. chamam-lhe “unhas-de-fome”. nem anular outros pontos de vista. Toda ela vestia de luto carregado. No Museu Histórico.” (ll.. Tijoleiro procurava encontrar nos seus semelhantes algum sinal de compreensão da “sua angústia” e do “seu pavor”. 35-36) 3.” (ll. portanto.” (l. um “profundo desdém.5. mas como está convencido de que ela gosta de Luciano. sendo a última dedicada às superstições na Idade Média. 110-113). pois o tempo da acção desenrola-se de forma linear.2. 107). os gaios (ll.3. precisamente. ser considerado como único. Tijoleiro passeia por três salas que têm expostos objectos diversos. 3. resignação e tristeza” manifestava. 62-63. os ursos (ll. Cf. a pantera (ll. Tijoleiro passa do desespero à vergonha de si próprio. 97-98). “despreocupados” e brincalhões. sobre os cabelos claros. Gosta de Lena. não declara esse sentimento a Lena. bibe preto. 103). o seu mal. Neste último parágrafo. 38). finalmente. mentirosos…”.

A acção passa-se num largo cujo chão. naquele momento. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor . correndo em círculos cada vez mais largos... 2. Júlio sorriu com tristeza e replicou que bem tinha visto que ele tinha ficado danado. exclamou”… 8. Luciano gosta de Lena mas não da família dela. Substituições possíveis: 1. ■ O segundo diálogo é esclarecedor quanto à personalidade de Luciano (“. Acrescentou que ela [Lena] andava sempre à volta dele e que ele corria com ela e que.a ocorrência: “reagiu”.Módulo 4 Textos narrativos/descritivos I 27 3. P – Português.1.. É através do primeiro diálogo – entre Luciano e Júlio – que ficamos a perceber as relações entre as três personagens: Embora o negue. 54). O que Lena pretendia. Luciano cortou dizendo que tal não tinha acontecido/não era verdade. sem circulação de viaturas. Lena gosta de Luciano. numa exagerada surpresa”) vem destacar esta vontade de chamar a atenção de Luciano que insistia em fingir que a ignorava. Proposta de discurso indirecto: Júlio disse a Luciano que não o percebia. ■ ■ 6. A forma como se refere ao carreiro de formigas (“exclamou ela. o diálogo caracteriza indirectamente as personagens e contextualiza o narratário. Júlio gosta de Lena mas sabe que não tem qualquer hipótese de ser correspondido. se fosse com ele.1. a ocorrência: “ declarou ”. 9) é extremamente expressiva e revela carinho e admiração por Lena. Trata-se de um lugar sossegado. 12). acrescentando que. “comentou”…. onde os rapazes jogam berlinde. é de “pó alvacento” (l. já ele a namoraria. 5. “protestou”. A comparação utilizada por Júlio (l.” l. 4. Em conclusão. que vai tendo para com Lena atitudes que contrariam aquilo que sente por ela. 7.1. ela tinha passado sem o olhar e ele tinha ficado danado. era aproximar-se de Luciano. com um ar superior..

Enquanto: conjunção. 2.28 Bloco informativo | Ficha informativa | 4 1. Exemplos: a. (…) antes que os convidados tivessem chegado. 4. Eles trabalharam toda a noite. g. 204-207] 1. m. b. 1. d. Uma mulher idosa era visitada pela Laura. h. i. a. e. e. ➜ oração subordinada relativa sem antecedente f. 1. 5. b. f. ➜ modificador do nome apositivo f. b. complemento directo 6. d. 13. a. 2. j. 2 | Ficha informativa | 6 1. Ontem: advérbio. na próxima semana. b. Existe na I e na II. d. fragilíssimo. ➜ modificador do nome apositivo e. 9. fidelíssimo. todos os dias. a. que vive no Porto. por um verbo auxiliar aspectual + preposição “de” + verbo no infinitivo b. 5. i. h. e. predicativo do sujeito 7. ➜ complemento do nome 1. d. 2. 2. a. É necessária uma revisão do contrato. interjeição 10. Os bilhetes serão comprados pelo Pedro. Exemplos: a. 1. e. 2. 5. d. b.1. a. arroz inteligente nadar até ■ ■ ■ 8. Eles regressaram a casa. Corri dois quilómetros. 5. chega hoje. 3. um verbo copulativo 6. d. por um verbo auxiliar modal + preposição “de” + verbo no infinitivo c. l. 1. vítima 4. 4. (…) para que sejam feitas obras. f. 2. 2. interjeição conjunção preposição ■ ■ 12. e. a. O Rui. c. 1. d. 5. 8. modificador preposicional 7. O meu irmão mais novo adoeceu. ➜ complemento do nome c. ele : pronome.. Quando o Sol se põe (…) ➜ oração subordinada temporal b. ➜ sujeito simples 4. e. c. 7. 4. mas não estou cansado. e. d. 9.1. b. l. complemento agente da passiva 9. j. 5. c. 5 13. c. b.. Sujeito simples. amaríssimo. Tito. testemunha 3. b. ➜ oração subordinada causal c. 213-217] | Ficha informativa | 5 [págs. 6. b. d. A condenação do réu era esperada. 6. b. nascer comprar estar chover ■ ■ ■ 7. 4. ➜ orações coordenadas adversativas c. [págs. A avenida foi ocupada pelos manifestantes. c. 5. dulcíssimo. 1. g. o meu primo. e. 6. foi colocado em Beja. g. a. 7. 3. 3. 4. n. m. a. [págs. j. d. Porque se atrapalhou (…) ➜ oração subordinada causal e. O jantar de aniversário foi muito participado. 2 + 1. b. 3. ➜ complemento do nome d. d. 4. quantificador determinante nome verbo adjectivo ■ ■ ■ ■ 11. e. tendo por núcleo “letras”. Pus o despertador junto de mim. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor . conjunção subordinativa condicional 9. ➜ modificador do nome restritivo b. 7. l. a. Ali não há nada interessante. c. c. Ficas a estudar ou vens ao cinema? ➜ orações coordenadas disjuntivas d. Bolas! : interjeição. b. (…) porque não esteve atento. portanto devem estar cansados. b. ➜ oração subordinada final d. ➜ orações coordenadas copulativas 3.1. ➜ modificador do nome restritivo g. b. ➜ oração subordinada temporal P – Português. meteorológico: adjectivo. a. A decisão do Governo foi bem recebida. (…) onde há silêncio. 197-199] 10. Nunca me diverti tanto na minha vida nem andei tão descontraída. predicativo do complemento directo 11. f. Chegaremos por volta das cinco da manhã. A representação do Auto da Barca do Inferno foi vista por todos os alunos. Anoiteceu de repente. a.1. ➜ orações coordenadas conclusivas b. i. um vocativo 8. a. 5 12. b. Soa o canto do pintassilgo. 14. f. h. c. sapientíssimo.1.2.

Os indivíduos que são bondosos tornam a vida dos outros melhor. c. 10. ➜ oração subordinada comparativa d. c. e. O réu afirmou estar inocente. g. ➜ oração subordinada condicional 5. 8. e. Ele sentou-se num lugar da primeira fila para ver tudo. c.1. Exemplos: a. Os alunos vão à visita de estudo ➜ oração subordinante. f. Ele nada disse embora vontade não lhe faltasse. A Raquel disse que ia ao cinema. Diz-se ➜ oração subordinante. Ele falava tão baixinho que os alunos não o ouviam. 11. Exemplos: a. g. ➜ oração subordinada consecutiva 9. e 14. 2. Esta é a rapariga a quem o Rui se declarou. (…) embora houvesse barulho. Enquanto não me pedires desculpa. b. O livro de que me falaste é interessantíssimo. a. Só te telefonarei se chegar cedo a casa. 1.Bloco informativo 29 g. b. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor d. f. afirma-se que todos os alunos vão à visita de estudo. (…) que todos a respeitavam. e. b. h. b. ➜ complemento directo 15. Eles lembram-se de que tu fazes anos hoje. (…) como se fosse um pequeno selvagem. ➜ oração subordinada concessiva h. 12. O Raul combinou uma saída com os amigos.1. todos se sentaram confortavelmente. A aluna pediu para sair da sala. b. a. É importante que tu participes. Preocupa-os imenso que os filhos estudem. orações subordinadas relativas restritivas 12. É evidente que o Rui está interessado na Clara. Como lhe doíam as costas (…) ➜ oração subordinada causal c. Convém que te despaches. O calçado que é fabricado em Portugal é exportado para vários países. (…) se tu não estiveres presente. apenas os alunos que tiveram boas notas vão à visita de estudo. 3. ➜ oração subordinada completiva c. (…) como se eu fosse transparente. a. A Maria cortou o cabelo à Rita como se fosse uma profissional. já na frase b. 7. ➜ sujeito f. O Tomás teria desenhado a sua própria casa caso tivesse tirado o curso de Arquitectura. (…) que viesse cedo. a. O resultado que obtiveste é fraco. Aquela peça era tão monótona que muitos espectadores foram embora no intervalo. 17. c. que tiveram boas notas ➜ oração subordinada relativa restritiva b. a. Afasta-te das pessoas que são agressivas. ➜ oração subordinada consecutiva b. como nunca ninguém disse ➜ oração subordinada comparativa. Algumas pessoas envolvem-se em discussões que não servem para nada. 16. a. Os alunos vão à visita de estudo ➜ oração subordinante.1. e. f. Exemplos: a. O teu rosto está branco como a cal. São uns indivíduos estranhos dos quais pouco se conhece. ➜ complemento directo e. ➜ complemento directo b. 4. Fiquei em casa nas férias para que o trabalho fosse concluído. d. De acordo com a frase a. g. 2. Ele vive na casa onde tu moraste. d. Ela trata a criança com mais cuidado que a própria mãe. É uma pena que não venhas connosco. a. a rapariga vestiu uma roupa fresca. f. É já uma certeza que ele foi admitido. d. b. O jornalista perguntou se os impostos iam aumentar. e. f.. ➜ oração subordinada comparativa b. Ele conduz melhor que o pai.1. a. Como o Sol brilhava intensamente. Exemplos: a. 3. Logo que começou o filme na televisão. e. d. 1. d. . g.1. a. (…) que ficaram exaustos. c. b. ➜ oração subordinada comparativa P – Português. A Rita come mais fruta do que doces. Quero que me apoies. Ele comprou tudo quanto havia na loja. que tiveram boas notas ➜ oração subordinada relativa explicativa 13. c. As saias que têm pregas usam-se muito este ano. não te telefonarei. f. Ele devolveu o aparelho porque estava avariado. Pediram-me que tivesse paciência. Ele acredita em tudo quanto lhe dizem. c. b. e 15. (…) que eu.1. 6. 5. ➜ sujeito c. 11.1. ➜ complemento directo d. Nós queremos falar com o teu pai. que dizia ➜ oração subordinada completiva. A Joana declarou sentir um grande cansaço. c. Os automóveis que andam a gasóleo são mais económicos. Ele perguntou que horas eram. embora saiba que a mãe não concorda. g. 14.

apreçar (indagar o preço) / apressar (acelerar) c.➜ usa-se hífen antes de h. (…) Alguns veículos (…). situações extremas. economizar – gastar [págs. cem – sem ➜ homófonas e. | Ficha informativa | 7 2. ouvir ➜ audiovisual. vou tomar um banho. cela (quarto) / sela (verbo selar . o valor semântico do nome da esquerda é modificado pelo valor semântico do nome da direita. colher (nome) – colher (verbo) ➜ homógrafas b. pinacoteca ➜ colecção de quadros. assento) b. xenofobia ➜ aversão a pessoas estrangeiras. 13. d. hidrofobia ➜ horror à água.1. c. transpor – sobrecarga [págs. cinefilia ➜ paixão do cinema. a. radiografia ➜ registo fotográfico obtido por meio de radiações. rio (nome) – rio (verbo) ➜ homónimas d. (…) o tratamento desta doença (…). oração finita (III) e orações não finitas (I. voltámos para casa.1. d. b.3. ar ➜ aeronave. coser (costurar) / cozer (cozinhar) e. que surgem como última hipótese. e.➜ usa-se hífen antes de r e h. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor 7. c. Mal chegue a casa. espiar (espreitar) / expiar (pagar por uma falta) h. água ➜ hidrogénio 9. a avó fez um bolo. biblioteca ➜ lugar onde se guardam livros. zoofilia ➜ amizade aos animais. c. c. derivação (por sufixação) 3. situação-limite. c. teologia ➜ estudo de uma religião. agorafobia ➜ medo dos espaços abertos e dos sítios públicos. previsão (anterioridade) 6. d. homofobia ➜ ódio em relação aos homossexuais. Exemplos: a. acidente (desastre) / incidente (acontecimento de importância menor) c. geografia ➜ descrição da Terra.30 Caderno do Professor | Resolução das actividades do manual 18. caligrafia ➜ arte de escrever bem à mão. II e IV) 19. derivação 11. O álcool e o tabaco são drogas/vícios a evitar. houve (verbo haver) / ouve (verbo ouvir) f. b. 8. a. composto morfossintáctico. era – hera ➜ homófonas f. ortografia ➜ forma correcta de escrever as palavras. 219-220] | Ficha informativa | 8 1. a. arqueologia ➜ estudo das civilizações antigas. psicólogo 5. a. elegível (que pode ser eleito) / ilegível (que não se consegue ler) g. correcção: sofás-camas 12. cegar (ficar cego) / segar (ceifar) 6. a. estrato (camada) / extracto (que foi extraído. 13. .4. 221-222] 1. a. comprimento (extensão) / cumprimento (saudação) d. e. alcatifa 8. b. a flexão em número apenas afecta o nome da esquerda. c. hemeroteca ➜ colecção de publicações periódicas. P – Português. cheque (forma de pagamento) / xeque (lance do jogo de xadrez) g. i. ratificar (confirmar) / rectificar (corrigir) b. e. algumas pessoas manifestaram-se. lusofilia ➜ simpatia por Portugal ou pelos Portugueses. despensa (lugar onde se guarda algo) / dispensa (permissão para não cumprir algo) e. Nos compostos morfossintácticos. zelo – cuidado 2. pernoitar [palavra formada por parassíntese] 3. Como se lembrou dos netos. c. longe ➜ televisão.2. anti. cinto (adereço de vestuário) / sinto (verbo sentir) h. filologia ➜ estudo dos textos escritos de uma língua. concerto (espectáculo musical) / conserto (arranjo) d. Porque estavam preocupadas com o encerramento da fábrica. b. luz ➜ fotografia. descrição (acto de descrever) / discrição (qualidade de quem é reservado) f. a. 13. c.e super. peão – pião ➜ parónimas c. discoteca ➜ colecção de discos. d. Quando terminou o espectáculo. b. a. bibliofilia ➜ amor aos livros. sesta – sexta ➜ parónimas 4. grafologia ➜ estudo sobre a escrita. sobre➜ usa-se hífen antes de h. r e s. fragmento) 5. hiper. 13.1. imigrante 10. derivação (por prefixação) 4. Era necessário que acabássemos o trabalho.

padre. O emprego do verbo auxiliar modal poder atenua uma ordem: Vai ter comigo à escola. Por exemplo: “– Eu sou o Pai Natal. Todas as noites. arte (…) 4. l. c. Utilização de uma frase interrogativa em vez de uma frase imperativa. e 4. embelezar beleza belíssimo belamente Florbela / belas-artes / bel-prazer ■ 3. depositar.1. A última fala do Pai Natal contribui para a intenção crítica do cartoon exactamente porque aquilo que aí é dito não tem qualquer relação com a observação feita pela criança. i.Bloco informativo 31 d. b. Deixei queimar a sopa. ouro s. e. a. sorte (todas as outras palavras pertencem ao campo lexical de futebol). escreve.m. Neste contexto. 3. com o objectivo de atenuar uma ordem. roseira (todas as outras palavras pertencem ao campo lexical de árvore). estrela s. subordinação… 6.: acto ilocutório compromissivo (exprime um “compromisso” do locutor em relação à realização de uma acção futura). acrescenta. b. São vocábulos monossémicos. acrónimo. a. | Ficha informativa | 9 [págs. Sentido conotativo. | Ficha informativa | 13 [págs.f. b.3. 227-228] 1. grupo verbal. atribuir. de uma notícia espera-se a apresentação objectiva dos factos. deus. água s. 4. Exemplos: 1. bão-bão-bão. sigla. (Grande Dicionário Língua Portuguesa.f. [fig. Anúncio B. fonologia s. Com o incêndio tudo ficou queimado. efeminado indefinido trovoada privilegiado desequilíbrio ■ ■ ■ ■ ■ . cinema s.2. A inserção da expressão Peço desculpa.] = sentido figurado. fiéis. 5. [= reduzido a cinza] 6. Anúncio A. g. pousaram. mas mil. portanto. o enunciado por ele produzido não tem qualquer relação com a observação anteriormente feita pela criança e.f. “queimar” significa “desperdiçar”. árvore (…) b. gruta s. Campo lexical de religião: igreja. 2.: nega um eventual acto ilocutório compromissivo (“Não prometa!”).m. a. escaldou-se]. Uma mistura de sentimentos o invadiu (…). instalar. metal 8. (…) São estas as minhas flores preferidas. introduziu. não é pertinente. bem-bem-bem. 1. interjeições 2. castanheiro s. contrato. d. c. uma onomatopeia c. a. 225-226] 2. c. 1. crença… Campo lexical de sintaxe: sujeito.m. plantar. 233-234] 1.1. [= gasta]. [= torrar].1. a. 3. 5. 7. O uso do modo condicional (Preferiria) em vez do presente (Prefiro). No anúncio. poliedro s. cama (todas as outras palavras pertencem ao campo lexical de medicina). De um artigo científico exige-se objectividade e rigor. b.1. P – Português. Estas últimas não são apenas quatro. belíssimo ■ ■ ■ ■ [págs. vocativo. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor | Ficha informativa | 10 1. Polissemia é a propriedade de algumas palavras de apresentarem mais do que um significado. a. geógrafo s. [= sofreu queimaduras.m. c. f.”) (pretende conduzir o interlocutor à realização de uma acção). sigla b. LINGUÍSTICA disciplina linguística que estuda e descreve os sons como unidades distintas (fonemas) e a sua função no sistema linguístico. astro b. líquido c. joga-se com dois dos significados de “estações”: os quatro períodos em que se divide o ano – as quatro estações do ano – e os locais de atendimento ao público dos CTT – as estações de correio. 3.2. guardei / coloquei / arrumei. Na última fala do Pai Natal não foi respeitada a máxima da relevância. especialista em geografia. definiu / determinou / indicou. sólido geométrico limitado por faces que são polígonos planos.2.1.m. produzindo um acto ilocutório directivo (“Faça. acrónimo. h. isto é. 4. O Pai Natal tenta fugir à questão colocada pela criança pois tem consciência de que não consegue dar-lhe uma resposta satisfatória. d. pendura. 2. mas não faço milagres!” 2.1. Porto Editora) | Ficha informativa | 11 [págs. predicado.f. e. a. j. 223-224] 1. acrónimo. cavidade (…) c.1. “desaproveitar”. 4. “deixar passar”. 5. escorreito. ele queima montes de dinheiro. Ele queimou-se com água a ferver.

. não haveria vida. Terra. tendo um valor imperativo. Por mais… que parece-me que muito menos Na minha opinião Bem sabemos que justamente Porém Depois. Algumas […] são arbustos e outras […] são trepadeiras. As palmeiras são plantas úteis. se eu estivesse no teu lugar.1. explicar uma ideia adicionar e agrupar elementos e ideias resumir. Pese-me esta fruta. Contudo nomeadamente | Ficha informativa | 15 1.3. Apaga a luz da sala! b. precisas de ajuda para estudares para o teste de Português?” 7. estudava para o teste de Português. P – Português. estamos em presença de um acto ilocutório indirecto. por exemplo: “Sem água.2. o hidrogénio e o oxigénio..) ou declarativas (e.1. 1..: água.” b.1.” 3. Põe a mesa. João... o nome Terra aparece no 2. 241-243] provavelmente No entanto por exemplo a verdade é que Ou seja E No fundo Mas 2. Este enunciado configura um acto ilocutório indirecto porque. não haveria vida.. repetição do nome. As frases interrogativas passam a imperativas (a.1. utiliza uma expressão cujo sentido literal é diferente da intenção de comunicação. 3. globo terrestre.” – os três primeiros elementos sublinhados funcionam. (…) Neles. Não haveria plantas. está formulado como se de uma pergunta se tratasse.32 Caderno do Professor | Resolução das actividades do manual 4. por ex. Substituição lexical por sinonímia: água. reuniram-se as substâncias químicas que dariam origem à vida: o metano. semelhantes aos dedos de uma mão aberta. Mas existem mais de mil espécies [. planeta. d. aqui.2. [Sem água] Não haveria plantas.° parágrafo e é repetido no 4. 6.1. muitos milhões de anos depois. e sem margem para dúvidas Em suma Acredito que E. d. líquido. por favor.” 2. Proposta de solução: A palmeira mais conhecida possui folhas que se abrem exactamente no seu tronco. planeta – a este processo dá-se o nome de renominalização: processo que consiste na repetição do nome (continuidade temática) quando a referência se pode perder. Trata-se de um acto ilocutório compromissivo (… juro por minha honra…). oposição exprimir um facto dado como certo exemplificar exprimir a dúvida articular ideias de contraste.] e nem todas elas são árvores. Por exemplo..” c. Terra. “Fico contente por estares a estudar para o teste de Português. João?” d.2. ■ ■ Hipótese de substituição Sem dúvida talvez mas A verdade é que Especialmente Indubitavelmente quiçá. A ordem é: 2. 2.4. nem animais nem seres humanos para os observar.. 4. [págs. por exemplo: “Foi assim que começou o ciclo da água. 4. c. Por exemplo: a. como hipónimos do hiperónimo [formas de] vida e os três segundos como hipónimos do hiperónimo substâncias químicas.. nem seres humanos para os observar. oposição exemplificar exprimir um facto dado como certo esclarecer. 2. “João. Não deixes tudo para a última hora! c. possivelmente porém Na realidade. “João.°. Naturalmente que Particularmente porventura. Esta encheu as depressões que havia no globo terrestre e nasceram os oceanos. muitos milhões de anos depois. fluido. 4. magma. tendo em conta a capacidade do seu interlocutor para interpretar o enunciado. reafirmar articular ideias de contraste. e 4.3. Quando o locutor. mediante elipse ou supressão. Conectores textuais Valor exprimir um facto dado como certo exprimir a dúvida articular ideias de contraste. A maioria delas cresce em climas quentes..).1. “Já começaste a estudar para o teste de Português. Fabricam-se tapetes e cestos com as suas folhas. Por exemplo: a. substituição lexical por hiperonímia e hiponímia: “Sem água. através da substituição por pronomes. Neles. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor de facto Isto é. Por exemplo: “Não vamos deixar que isto aconteça!” 5. e finalmente inquestionavelmente. 4. certamente ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ . Por outras palavras Além disso Em resumo Todavia 5. oposição. nem animais.

Passou na televisão. de seguida numa loja de roupas. conduzia um tractor com atrelado que transportava os caixotes de fruta. e ela.Bloco informativo 33 6. resolveu concretizar o seu desejo. Um filme de que não me lembro o nome. agora que tanto se demorava em Lisboa. com a sua filha. onde plantavam de tudo. E ela disse-me: – Não. Foi ali que começou a sua paixão pelo pesado. a. tão linda quinta…” | Ficha informativa | 17 1. Vi um filme. Tinha ela 50 anos. P – Português. No dia em que a minha filha recebeu o seu ordenado.1. Proposta de discurso directo: A mulher que me serve café todas as manhãs quando soube que eu era português disse-me: – Lisboa é linda. e. 4. resolvi concretizar o meu desejo. desde que – indica uma condição. que tinha sido costureira de peles.. fui doméstica. especificamente.. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor CPPORT14CP-03 . Mas era natural. Gracinha não sabia. lembra a camionista. concluiu. e eu. [págs. que tinha sido doméstica… mas que sentia uma terrível frustração. e 1. Se – indica uma hipótese. inscrevi-me numa escola de condução para tirar a carta de pesados e articulados. depois numa loja de roupas com a minha filha. Hipótese de discurso indirecto: A camionista lembra que quando o último dos seus cinco filhos se tornou independente. 246-248] Discurso directo: “Os meus pais tinham uma herdade em Angola. f.1.2.. Hipótese de discurso indirecto: [Maria Baptista] contou-nos que tinha trabalhado em fábricas. Hipótese de substituição do verbo introdutor de relato de discurso: desabafou Discurso directo: “Quando o último dos meus cinco filhos se tornou independente. “(…) Não. visto que – anunciam uma ideia de causa.3. respondeu-lhe. desde a Páscoa. recorda Maria Baptista. No dia em que a sua filha recebeu o seu ordenado. Porque. espantou-se. inscreveu-se numa escola de condução para tirar a carta de pesados e articulados. Apesar de. conduzia um tractor com atrelado que transportava os caixotes de fruta. e d. os verbos são os seguintes: disse. e b. “(…) e passara menos mal. Foi aqui que começou a minha paixão pelo pesado”. c. fui costureira de peles. Hipótese de substituição do verbo introdutor de relato de discurso: relembra Discurso directo: “Trabalhei em fábricas. Passagens em discurso indirecto livre: a. contounos. Hipótese de substituição do verbo introdutor de relato de discurso: esclarece 2. embora – anunciam uma ideia de oposição. A não ser a desavergonhada da garganta…” b. Hipótese de discurso indirecto: Maria Baptista recorda que os seus pais tinham uma herdade em Angola. pouco se aproveitava da Feitosa. Tinha eu 50 anos”. – Conhece Portugal? – perguntei-lhe. filosofou. No original. especificamente. Todos os filhos ajudavam muito. 3. Mas sentia uma terrível frustração”. duvidou. Todos os filhos ajudavam muito.

34 Ficha de avaliação – Módulo 1 Lê atentamente o texto. A carta é assim: “Excelentíssimo Senhor Ministro. o governo resolveu limitar a sua produção. Ed. além do muito que nos alegrará sabermos que deste modo estamos a contribuir para o bem-estar de várias pessoas que possamos utilizar nesta exploração e que por esta forma serão outros tantos empregados com ocupação. o que pode vir minorar um atroz problema social. (…)” António Alçada Baptista. podendo nessa altura considerar a empresa dimensionada de modo a constituir um factor de progresso e engrandecimento da nossa região. Senhor Ministro. neste último ano. O assunto parece-me cheio de interesse. Senhor Ministro. perante uma superprodução de porcos. A Cor dos Dias – Memórias e Peregrinações. enquanto. Neste quadro de circunstâncias. De seguida. Segundo afirma. numa altura em que. Julgo que não estou a exagerar se disser que a economia tende para ser uma realidade virtual. o que lhe permitia em média retirar um lucro anual de 350 dólares e houve mesmo um ano particularmente rentável em que ganhou 400 dólares. Queira V. Presença. por isso. O meu amigo Richard é muito optimista quanto ao futuro da nossa exploração. 2003 (texto adaptado e com supressões) 5 10 15 20 P – Português. subsidiando os produtores que não os criassem. Fazíamos tenção de começar modestamente pela não-criação de 2000 porcos que nos daria um lucro de 4000 dólares. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor 25 30 35 fotocopiável . O célebre caso da não-criação de porcos.” Já há para aí trinta anos que descobri uma carta que um senhor americano escreveu ao seu ministro da Agricultura. O meu amigo Richard Hamilton recebeu este ano um cheque de 1000 dólares porque não criou porcos. Estimulado por este seu êxito decidimos iniciar na nossa propriedade o negócio da não-criação de porcos. receber os protestos da minha maior consideração. diria mesmo apaixonante. (…) Se é possível receber 1000 dólares por não criar 500 porcos nós poderíamos receber o dobro por não criarmos 1000. que nos mandasse informar quais são as regiões mais apropriadas para a não-criação de porcos e qual a melhor raça de porcos para não criar. vem criando porcos há muitos anos. (…) O que se nos afigura mais difícil nesta exploração é fazer o inventário dos porcos que não criaremos. gostaríamos de começar quanto antes. (…) Ficar-vos-emos extraordinariamente reconhecidos se nos responder o mais rapidamente possível porquanto julgamos que esta época do ano será a melhor para a não-criação de porcos e.. o que nos daria um lucro de 80 000 dólares. responde às questões formuladas.. Exa. Como dizia o meu querido amigo Millôr Fernandes: “A economia compreende toda a actividade do mundo. Se os nossos planos forem cumpridos dentro das normas de uma sã administração e com uma produtividade sempre crescente esperamos muito brevemente atingir a não-criação de 40 000 porcos.. Nenhuma actividade do mundo compreende a economia. pretendíamos. (…) A economia (…) deixou de ter qualquer relação com a realidade para se passar por dentro da cabeça dos economistas que resolvem as grandes crises financeiras à mesa dos seus gabinetes. por não criar porcos ganhou 1000 dólares.

Explica qual é a sua função relativamente ao assunto do texto. Retoma as palavras de Millôr Fernandes (ll. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor 2. 32) da região. Indica a meta que a exploração terá de atingir para poder “constituir um fac- 75 pontos 10 15 20 10 tor de progresso e engrandecimento” (l. 27) / tensão b.” (ll. simples ou complexas. 2. mais uma vez. Explica. 15-16) P – Português. Reescreve a afirmação que se segue de modo a que passe a configurar um acto ilocutório compromisso explícito: 75 pontos 10 “(…) estamos a contribuir para o bem-estar de várias pessoas (…)” (ll. 4.” (ll. Faz a análise sintáctica da seguinte frase simples: “Nenhuma actividade do 15 mundo compreende a economia. 2. 3. 2. Esta carta é dirigida ao ministro da Agricultura americano.3.2. os economistas só se interessam por grandes crises financeiras. 1. sucintamente. Segundo o autor.1.2. segundo o emissor da carta.1. Escreve duas frases. a economia “tende para ser uma realidade virtual. nas suas duas ocorrências. Faz o levantamento dos elementos que provam que se trata de uma carta formal. 2. b. por um sinónimo adequado ao contexto. “tenção” (l. os economistas não têm contacto directo com a realidade. Relê o primeiro parágrafo do texto. terão estado na origem da decisão de iniciar a actividade de não-criação de porcos. fotocopiável 15 10 15 5. c. que permitam distinguir inequivocamente a diferença de significado dos seguintes pares de vocábulos: a. 4-6) substituindo a forma verbal “com- 10 preende”. 3-4) porque… a. 5-6) . Lê.4.1. agora. “cumpridos” (ll. passou a ser tratada apenas através das novas tecnologias. 28-29) / compridos 4. Reescreve o último parágrafo do texto (antes da fórmula de despedida) imaginando que o emissor se expressa no singular e que a relação entre o emissor e o destinatário da carta é de grande proximidade. a carta reproduzida por Alçada Baptista. em que reside o humor desta carta. Aponta duas razões que.Ficha de avaliação – Módulo 1 35 I 1. 2. 4. 20 II 1.

in Pública. Total 200 pontos fotocopiável . de cento e cinquenta a cento e noventa palavras. assinalando a respectiva alínea na tua folha de prova: A. Observa a imagem e redige um texto. Transforma a carta que integra a crónica de Alçada Baptista num requerimento. 50 pontos Luís Afonso. em que. analises a sua função crítica. Não te esqueças de deixar bem claro o motivo que está na origem da tua petição e de obedecer às regras formais que um requerimento deve respeitar. depois de descreveres o cartoon. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor B. 18-12-2005 P – Português.36 Caderno do Professor | Fichas de avaliação III Selecciona uma das duas propostas.

de um naufrágio cruel já salvo a nado.2. 5 e jura que. 120 pontos 20 10 2. IN-CM 10 1. em que veja bonançoso3 o violento mar e sossegado. sossegado. cobiçoso: ambicioso. Identifica o sentimento do marinheiro em relação ao mar. não entra nele mais. mas vai. Indica a decisão tomada pelo marinheiro expressa na segunda quadra. responde às questões formuladas. bonançoso: calmo. dá-me por preço ver-vos. Como quando do mar tempestuoso Como quando do mar tempestuoso o marinheiro. lasso1 e trabalhado2. lasso: cansado.Ficha de avaliação 1 – Módulo 2 37 Lê atentamente o poema. Atenta nas duas primeiras estrofes.1. trabalhado: maltratado.3. 4. Senhora. forçado pelo muito interesse cobiçoso4. que de vós nunca se ausenta. 2. assi. 1. jurando de não mais em outra ver-me: minh’alma. Luís de Camões. Explicita o valor contextual da locução subordinativa que marca essa divisão. De seguida. só o ouvir falar nele o faz medroso. Lírica Completa.2. por salvar-me. 5. fotocopiável 10 10 10 2. P – Português. Assinala a passagem em que se dá conta das razões do incumprimento da jura do marinheiro. II. 3. Este poema apresenta uma estrutura bipartida. tormenta: tempestade. faz tornar-me donde fugi tão perto de perder-me. 2.1. 1. . eu. 2. que da tormenta5 de vossa vista fujo. Delimita as duas partes lógicas que o compõem. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor I 1.

significa: a. assinalando a respectiva alínea na tua folha de prova: A. Recordando que “a autobiografia é um género narrativo em prosa em que o autor real. Não te esqueças que deves usar o discurso na 1. 3. Pensa na tua vida durante alguns momentos e selecciona um episódio muito bom ou muito mau. elabora. O excerto “(…) da tormenta / de vossa vista fujo. faz corresponder os elementos da primeira parte da comparação aos da segunda. Analisa o poema sob o ponto de vista formal (esquema estrófico. a tua autobiografia (real ou imaginada). Num breve resumo do assunto do poema. num texto com cerca de cento e vinte palavras. 3. por salvar-me. “fujo da tormenta para me aconchegar sob o vosso olhar”. Relê. c. relata retrospectivamente a sua vida”.a pessoa e prestar especial atenção aos tempos verbais usados e à articulação lógica das diferentes ideias. 3. devidamente estruturado.38 Caderno do Professor | Fichas de avaliação 3. 80 pontos P – Português. que é simultaneamente o narrador e a personagem principal. por palavras tuas.2.” (vv. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor Total 200 pontos fotocopiável . 5. os dois tercetos. Explica. métrica e rima). Identifica o recurso através do qual se identifica o interlocutor do sujeito lírico. Depois. relata esse episódio num texto que tenha entre cem e cento e vinte palavras. “ausento-me da tormenta porque o vosso olhar me salva”. em forma de diário. B. o sentido do verso 11. agora.3. 4. “ausento-me da vossa presença a fim de me salvar”. 10 10 10 20 10 II Selecciona uma das duas propostas. b.1. 9-10).

Ficha de avaliação 2 – Módulo 2 39 Lê atentamente o poema. decapitar. Publ. Só mesmo se a raiz bebesse em lodo De traição e de crime. Não morre um povo! Não passarão! Seja qual for a fúria da agressão. Dom Quixote 5 10 15 20 P – Português. Poesia Completa. Só mesmo se pudesse haver sentido Entre o sangue vertido E o sonho desfeito. Não passarão Não desesperes. matar. As forças que te querem jugular1 Não poderão passar Sobre a dor infinita desse não Que a terra inteira ouviu E repetiu: Não passarão! Miguel Torga. fotocopiável . Mãe! O último triunfo é interdito Aos heróis que o não são. degolar. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor 25 1. responde às questões formuladas. mas dum simples grão Nasce o trigal de novo. De seguida. jugular: extinguir. Lembra-te do teu grito: Não passarão! Não passarão! Só mesmo se parasse o coração Que te bate no peito. Morrem filhos e filhas da nação. Não passarão! Arde a seara. Só mesmo se não fosse o mundo todo Que na tua tragédia se redime.

Clarifica o valor do modo verbal utilizado nos versos 1 e 4. Comenta a importância da repetição do verso “Não passarão!” e do recurso ao encavalgamento na construção do ritmo do poema. Comprova a veracidade da afirmação de 2. Substitui a repetição anafórica por uma conjunção ou locução conjuntiva condicional que não altere o sentido dos versos onde aquela aparece. considerando. tal como o texto lírico.a pessoa. 5. Antecipa o seu sentido. Interpreta o uso da maiúscula utilizada na apóstrofe “Mãe!”. nomeadamente.1. 3. 3.2.40 Caderno do Professor | Fichas de avaliação I 1.2. Atenta no título do poema. 2.3. 2. 5. para a expressão do eu. 60 pontos Total 200 pontos fotocopiável . 4. Relê a quarta estrofe. Explica. Encontra a forma verbal que está subentendida nessa anáfora. A última estrofe é uma espécie de síntese de tudo quanto atrás foi dito. o sentido desses versos. as estrofes dois e três. 3. que se caracteriza. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor 10 II Um diário é um texto narrativo orientado. 6. 4. agora. Num texto que tenha entre cento e vinte e cento e quarenta palavras. por palavras tuas. 2. faz o registo em forma de diário de acontecimentos que tenhas testemunhado ou de que tenhas sido personagem.1. Relê. A primeira estrofe esclarece o título do poema. 3. Indica os dois nomes que aí retomam a apóstrofe “Mãe!” do primeiro verso do poema. Identifica a anáfora literária aí presente. 140 pontos 15 15 10 15 10 10 10 15 10 10 10 P – Português. entre outros aspectos. Explicita o sentido da metáfora presente nos versos 17 e 18. 4.2.3. 1. 2. 3.1. pelo uso do discurso na 1.4. num dos dias da passada semana.1. Explica o predomínio do modo conjuntivo nestas duas estrofes.1. o valor do advérbio de negação e do tempo verbal utilizado e a indeterminação do sujeito da frase.

(…) Claro que isto também é um sinal de que. São “activos”. continuando as suas imagens a vender-se (ou as imagens dos respectivos casais. A ideia dos jogadores como homens rudes e analfabetos passou – e as portas das festas de sociedade e das revistas de sociedade abriram-se-lhes. produzidos. vindos quase sempre das classes mais baixas. a sociedade mudou muito. Procuram-se desesperadamente pessoas bonitas e famosas e os futebolistas não poderiam escapar à voragem. José António Saraiva. E tudo isso reverte. o dinheiro e a imagem. (…) Beckham ou Figo até podem estar a jogar mal – mas. em vídeos. “posters”. O vazio de valores das sociedades ocidentais conduziu a uma preocupação obsessiva com a fama. Foram reciclados. melhorados. Ora essas imagens terão tanto mais sucesso quanto melhor for o aspecto dos futebolistas. cromos. A imagem dos grandes jogadores é vendida diariamente em todo o mundo nas páginas dos jornais e revistas. nos ecrãs das televisões. E os activos serão tanto mais rentáveis quanto. também. já não é só a sua capacidade futebolística – mas aquilo que se pode designar por “potencial mediático”. maior será o número de camisolas vendidas com o seu nome (e o negócio das camisolas é hoje um importante negócio). in Expresso. etc. (…) Desde que os clubes se transformaram abertamente em empresas. E. na Internet. de cruéis desilusões. também. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor 25 30 35 fotocopiável . Como a sua função era jogar com os pés. analfabetos. Quanto mais mediático for um jogador. os jogadores de futebol eram seres já idolatrados mas socialmente desconsiderados. com todas estas mudanças. o número de contratos publicitários que assina. A transformação de homens suados e feios em modelos perfumados e atraentes é a mesma que tende a substituir o mundo real por um mundo de ilusão. a favor do clube – dos seus cofres e do seu prestígio.Ficha de avaliação – Módulo 3 41 Lê atentamente o texto. Que acaba por ser. o lugar dos futebolistas na sociedade também mudou. os futebolistas deixaram de ser apenas futebolistas. puderem render fora do campo. De seguida. O que importa. responde às questões formuladas. num jogador. a par do seu rendimento em campo. para um jogador ser famoso. os futebolistas não tinham obviamente de ser bonitos. de há vinte anos para cá. e que apenas se distinguiam por saberem dar uns pontapés na bola. bonitos e felizes). eles continuam a ser excelentes negócios. já não basta jogar bem à bola. (…) A imagem dos futebolistas era a de uns tipos transpirados. o número de vezes que aparece em acontecimentos não desportivos. 13-09-2003 (texto adaptado e com supressões) 5 10 15 20 P – Português. (…) Hoje. O passeio da fama Há vinte anos.

4. O “potencial mediático” é a capacidade que um jogador tem de exercer bem a sua profissão. uma conjunção subordinativa causal.1. Diz se as afirmações que se seguem são verdadeiras (V) ou falsas (F). 80 pontos 15 20 15 30 II 1. os antecedentes dos vocábulos sublinhados no excerto que se segue: 70 pontos 20 P – Português. c. 20 fotocopiável . Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor 15 “E tudo isso reverte. para cada uma delas. 3. uma frase complexa que dê conta da ideia-chave aí desenvolvida. Delimita-as. b. Noutros tempos. Relaciona os tempos verbais predominantes nos dois primeiros parágrafos com a expressão temporal que os introduz. os jogadores de futebol eram já considerados ídolos e ocupavam um lugar de relevo na sociedade.1. Os jogadores passaram a “activos”. recorrendo a: a. a favor do clube – dos seus cofres e do seu prestígio. 3. 2. Há duas décadas.” (l. 3. O texto pode ser dividido em três partes lógicas. A crescente valorização social da beleza e da fama é directamente proporcional ao aumento do vazio de valores da sociedade actual. no texto.2. uma conjunção subordinativa temporal. 21) 3. Identifica o facto da actualidade que esteve na origem desta crónica. b. Redige. também. As transformações que os futebolistas sofreram nas últimas décadas relacionam-se directamente com as alterações operadas nos clubes. Identifica as funções sintácticas dos constituintes desta frase simples. 4. Identifica.1. 2. d. Transforma-as numa frase complexa. tendo em conta o texto: a. Considera as duas frases simples: 15 Os clubes transformaram-se em empresas.42 Caderno do Professor | Fichas de avaliação I 1. os jogadores de futebol eram idolatrados. 3.

que viria a uniformizar as regras do jogo a nível internacional. Aos campos de futebol acorrem milhares de adeptos. noutros países. constituído por duzentas e quinze palavras. por volta de 1840. (texto adaptado e com supressões) 5 10 15 20 P – Português. cada jogador ou treinador pode valer milhões.pt/E1. futebol. numa primeira fase. A uniformização das suas regras passou. (…) O jogo propagou-se a outros países. Porto: Porto Editora. As equipas mais importantes são geridas à imagem e semelhança das grandes empresas. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor Total 200 pontos fotocopiável . o futebol marca presença no imaginário colectivo contemporâneo. Por outro lado. (…) A partir de 1930. surgiu a Federação Internacional de Futebol (FIFA). (…) O futebol ultrapassou rapidamente o âmbito do terreno de jogo para ser dirigido por conhecidos empresários ou políticos. em 1843. sendo um elemento cultural e social a que os estudiosos têm dedicado merecida atenção. o futebol é um desporto fortemente mediatizado e massificado. como desporto de multidões que é. com características comuns. pela Universidade de Cambridge. que apoiam as respectivas equipas. 2003-2006. in Infopédia [Em linha]. a FIFA tornou-se a entidade responsável pela realização dos Campeonatos do Mundo de futebol.Ficha de avaliação – Módulo 3 43 III Resume o texto informativo a seguir transcrito. que também passaram a organizar campeonatos. (…) Nos nossos dias. [Consult. que se realizam de quatro em quatro anos. num texto de noventa e cinco a cento e dez palavras. onde era jogado por rapazes estudantes. 2006-08-18] Disponível na www: <URL: http://www. embora se possam identificar jogos mais antigos.infopedia. Em termos económicos. que estabeleceria as regras que hoje conhecemos. Em 1904. e vinte anos depois pela fundação da Associação Inglesa de Futebol.jsp?id=45761>. 50 pontos Futebol Modalidade desportiva que teve a sua origem em Inglaterra.

A seguir vá para casa. sabia dar conselhos. 2006 (excerto) 5 10 15 20 P – Português. e foi sempre muito forte e determinada. são filhas do primeiro casamento da minha mãe. e quando deu por isso estava a contar ao rapaz toda a sua tragédia íntima. não tem muita imaginação. Chorou muito. Não conhecia ninguém no Brasil. sempre muito solícito. Sofia achou que era demais – a cerveja. moreno. Pediu duas semanas de férias e comprou um bilhete para o Rio de Janeiro. o que é raro nos homens. aflito. e diga-lhe que não precisa de pensar mais. com um enorme ramo de flores. Comprou uma mini-saia azul. Sofia tem andado muito deprimida. mais raro ainda. com a certeza de que jamais a vestiria. recomendando-lhe mais cuidado quando. Fez com que ela se risse. encostou-lhe uma faca à garganta: “A bolsa”. Faíza Hayat. Só existe uma maneira de enfrentar este terrível lugar-comum sem perder a dignidade: faça das tripas coração. Cortou o cabelo. Refreie a vontade de o esbofetear e despeça-se dele com um beijo na face. tinha um extraordinário sentido de humor.” Convidou-a a tomar um chope. Além disso. sem parecer nem um velho professor entediado nem um sedutor de telenovela. sorria. fez com que a minha pobre irmã se lembrasse do namorado e então. e depois já pensou em tudo. com um brinco no nariz. Esta semana. no futuro. a contemplar o mar. Sofia é mais velha – nasceu cinco minutos antes de Alexandra. me faz um assaltante assim. De seguida. do Gianni Versace. Foi o que a minha irmã fez. decidisse passear à noite pelas ruas de Copacabana. gémeas idênticas. Sentou-se. Foi isso que a salvou. rebentou ali mesmo num choro incontrolável. Nunca tinha estado lá. afundou os olhos nas águas escuras. moça. enfiou a faca num dos bolsos da bermuda e tentou consolá-la: “Não chore mais. Mostrou-lhe o seu próprio mundo – que era um inferno – como se fosse um grande circo. mas também de palhaços e de bailarinas. confesse. Finalmente escoltou-a até ao hotel. Conhecem a frase. A bolsa ou a vida Sofia e Alexandra. uma espécie de segunda mãe para a mais nova. O Evangelho Segundo a Serpente.44 Ficha de avaliação – Módulo 4 Lê atentamente o texto. a meia voz. e nesse instante um jovem alto. no aeroporto. a falta de imaginação. cheio de feras e de monstros. Quando um homem nos pede um tempo para pensar é porque. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor 25 30 35 fotocopiável 40 . primeiro. porém. acordou ansiosa. como hoje. Sabia ouvir. por exemplo. Mas aceitou um cafezinho numa esplanada a dois passos dali. O namorado pediu-lhe um tempo para pensar. Sofia foi assaltada no Rio de Janeiro. uma sensação de desastre iminente. Publ. Na manhã seguinte. Dom Quixote. Ou melhor. feche-se no quarto e chore à vontade. A minha irmã agradeceu as flores e pediu um tempo para pensar. coitada!. que está apaixonada por outro. Comeu uma caixa inteira de chocolates. muito respeitador. e atravessou a avenida com a intenção de se sentar um pouco na areia. e compreendeu que teria de tomar medidas radicais. Só eu sei a falta que em certos dias. Ao regressar a Lisboa. Pareceu-lhe a escolha acertada. O assaltante. Gianni Versace. Sofia encontrou o namorado. bem iluminada. É como matar passarinho. Mulher triste eu não assalto. sussurrou: “A bolsa ou a vida. Telefonei-lhe há pouco para lhe perguntar se não tinha ficado com o telefone do assaltante. não?! Claro que conhecem. Ele ouviu-a com atenção. com palpitações. e. Hospedou-se no Copacabana Palace e logo nessa noite vestiu a mini-saia azul.” O texto gasto. responde às questões formuladas. não chegou a ser assaltada. dá até azar.

e os verbos devem estar predominantemente no pretérito perfeito e no pretérito imperfeito. 3. O teu texto. 13): a.Ficha de avaliação – Módulo 4 45 I 1. 25-26). Atenta nos seis primeiros períodos. (“Sofia e Alexandra (…) para pensar. 5.” (ll. Na terceira linha do texto. 16). o excerto que vai da linha 11 (“Foi o que a minha irmã fez. Propõe um outro título para o texto que. 3. 70 pontos 10 10 P – Português. 5) até “(…) e chore à vontade. 1-5)). Esclarece por que razão o Brasil pareceu a Sofia a “escolha acertada. O complexo verbal “tem andado” (l. 3. o narrador utiliza a expressão “Ou melhor” para: a. 80 pontos 15 15 10 10 10 10 10 II 1. deve ser narrativo. recorrendo a conectores que respeitem o sentido das frases no contexto: “Não conhecia ninguém no Brasil.”) até à linha 36 (“(…) pelas ruas de Copacabana. 6. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor 10 10 15 15 III Imagina uma pequena história que surpreenda o leitor pelo insólito dos acontecimentos relatados.1. Explica o que é que. 11). sendo embora apelativo. 4. Transforma as três frases simples seguintes numa frase complexa. articula ideias opostas. 3. b. Passa para o discurso indirecto a fala do assaltante (ll. lhe fez lembrar o namorado. Comenta a atitude de Sofia em relação ao namorado que a foi esperar ao aeroporto.” (ll. 2. 3. reformular o seu discurso. uma situação que se repete regularmente durante um determinado período de tempo. 5. não desvende ao leitor a história que vai ser contada. agora.” (l. com recurso à descrição e ao diálogo. Justifica o recurso sistemático ao modo conjuntivo com valor imperativo na passagem que vai desde “Conhecem a frase.”). fotocopiável 50 pontos Total 200 pontos . não?!” (l. introduz uma conclusão em relação à ideia principal. 17). 1. que deverá ter entre cento e cinquenta e duzentas palavras. Nunca tinha estado lá. Explica a funcionalidade deste excerto em relação à história que é contada. Considera. b. 16-17). 2. 4. Indica o antecedente do termo anafórico “lá” (l.” (l.3. no momento do assalto. a pontualidade da acção narrada. O conector “porém” (l.2. Enumera as características que Sofia encontrou no assaltante que o distinguiam dos outros homens. Pareceu-lhe a escolha acertada. 4) expressa: a.1. b. exprimir a confirmação da ideia expressa anteriormente.

Num ambiente de deserto./ No Verão os dias são mais compridos do que no Inverno. em representação de um grupo de agricultores que pretende implementar o negócio de não-criação de porcos e. Faço tenção de ir ao cinema logo. muitas vezes. Os estatutos da organização não estão a ser cumpridos. Proposta: “Ficar-te-ei extraordinariamente reconhecido se me responderes o mais rapidamente possível porquanto julgo que esta época do ano será a melhor para a não-criação de porcos e. na ajuda que se presta a povos mais necessitados. Senhor Ministro.. 4. contribuir para o progresso e engrandecimento do nosso país. Sr. com ar satisfeito. complemento directo – a economia. 3. 1 5. 30-31).a que se digne informar quais são as regiões mais apropriadas para a não-criação de porcos e qual a melhor raça para não criar.1. decide levá-la aos limites do absurdo. quer no corpo da carta (Senhor Ministro). receber os protestos da minha maior consideração. 4. um computador portátil à segunda que o olha com um ar que transmite um misto de espanto e de desconfiança. desta forma. b. Ministro da Agricultura Eu.”) e na fórmula de despedida (“Queira V. através do relato de um caso extremo e absurdo.” B.a Ex. através da Internet. 2. Uma proposta: REQUERIMENTO Exmo. 2. Para conseguir alcançar este desiderato a exploração terá de “atingir a não-criação de 40 000 porcos. subsidiando os produtores que não os criassem –. em simultâneo./A tensão entre ambos era de cortar à faca. 12-20). 2. John Do. vestida apenas com uma tanga e extremamente magra. Exa. com ar saudável. desta forma. a decisão de iniciar a actividade de não-criação de porcos nasceu da constatação do êxito de um amigo nessa actividade e. A carta apresentada vem ilustrar a opinião do autor acerca do desfasamento entre a economia e a realidade. ajudando. coisas que ela nem fazia ideia que existiam e da crítica que é feita a estas palavras através das imagens que aparecem no monitor do computador – pão e bife. III A.1. não haver o discernimento de começar pelas necessidades básicas.1. gostaria de começar quanto antes. complemento do nome – do mundo. 2. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor . Sujeito – Nenhuma actividade do mundo. Por exemplo: “Garantimos/prometemos que…”.2.2.. Local e data Assinatura do Requerente P – Português. A formalidade da carta é evidente. etc. ll. Nenhuma actividade do mundo entende/percebe a economia. Segundo o emissor da carta. calçada e usando gravata. Uma proposta: No cartoon podemos ver duas personagens: uma representando a cultura ocidental. O humor desta carta reside no carácter surreal de toda a proposta que é feita pelo remetente que. 2.3. venho requerer a V. Hipóteses possíveis: A economia contém/abrange/inclui toda a actividade do mundo. o que (…) daria um lucro de 80 000 dólares” (ll. morador no Texas. Resposta b.46 Soluções das fichas de avaliação Ficha de avaliação – Módulo I 1. outra representando a cultura africana. partindo de uma situação económica real – o facto de o governo ter resolvido limitar a produção de porcos. vestida. predicado – compreende a economia. Repare-se nas palavras da personagem ocidental que tenta mostrar à outra como vai ser importante ser capaz de passar a conhecer. [185 palavras] II 1. por isso. sobretudo nas formas de tratamento honorífico utilizadas quer na fórmula de interpelação (“Excelentíssimo Senhor Ministro. Pede deferimento. abaixo-assinado. A função crítica deste cartoon reside na ideia da contradição presente entre ‘as boas intenções’ e o valor real que estas podem ter em determinados contextos. do desejo de contribuir para o desenvolvimento da região através da criação de postos de trabalho. a primeira mostra. a combater o desemprego (Cf. Hipóteses possíveis: a.4.”). ou A minha tensão arterial está um pouco alta. A personagem ocidental expõe à outra a importância do acesso à Internet pelos países pobres. Há uma crítica evidente do cartoonista ao facto de.

23) o povo não conseguirão o seu objectivo já que “a terra inteira” assumiu como seu o grito “Não passarão!” 6. A anáfora consiste na repetição da locução “Só mesmo se” no início dos versos 7. no segundo.3. evidencia-se que a ambição é mais forte do que o medo do marinheiro. O interlocutor do sujeito lírico é identificado através de uma apóstrofe: “Senhora.1. 3. . Na última estrofe. Na segunda quadra dá-se conta de que o marinheiro “jura” não voltar ao mar nem mesmo quando este estiver calmo (Cf. a. 3. 3. não resistindo. 5. identifica o emissor do grito “Não passarão!” (a Ficha de avaliação – Módulo I 3 1. Trata-se dos nomes “nação” e “povo”. nação. que criam um efeito de coesão entre os versos. 4. 1)) e o modo imperativo (“Lembra-te” (v.4. a. c. forçado/pelo muito interesse cobiçoso”. 12 e 14. 3.Soluções das fichas de avaliação 47 Ficha de avaliação 1 – Módulo I 2 “Mãe”) e. O uso do futuro do indicativo transmite-nos a certeza do sujeito poético relativamente à realização da acção expressa pelo verbo que é negada pelo advérbio “não”. O ritmo do poema alterna entre as pausas marcadas pela repetição da expressão “Não passarão!”. Trata-se dos versos 7 e 8: “(…) mas vai. O valor desta metáfora sai ainda reforçado pela presença do articulador adversativo “mas” (v. A primeira parte é constituída pelas quadras e a segunda pelos tercetos. 2. Uma vez que a sua contemplação (da tempestade/da amada) provoca medo. O título configura uma espécie de grito de resistência face a um sujeito plural mas indeterminado. Através da conjunção coordenativa adversativa “mas”.1. no título. 2. 1). “Só [passariam] mesmo se” 3. O modo conjuntivo é exigido pela locução conjuntiva condicional e coloca uma hipótese que se torna longínqua por aparecer aliada à locução “Só mesmo se”. pois obriga-o a voltar ao mar. isto é. isto é.2. “ausento-me da vossa presença a fim de me salvar”. por outro.1. 3.1. Quanto à métrica. b.2. 2. “As forças que (…) querem jugular” (v. Na primeira quadra. 5-7). 2. a medida do verso é o decassílabo. Hipóteses possíveis: a não ser que/a menos que/salvo se. 2. porém. 1. 3. a capacidade regeneradora “dum simples grão” a partir do qual “Nasce o trigal de novo. 9. explicita o sujeito que.1. aparecia indeterminado: os “heróis que o não são. A primeira estrofe esclarece o título do poema já que. independentemente da “fúria da agressão” (v. 20)). 17. por um lado.2.1. a vista da amada é comparada à tempestade. 22). Ambos (marinheiro e eu lírico) prometem não voltar a cair noutra. vv. 9)” estabelece uma comparação. 5. 4.1.1. 4)) são utilizados ao serviço do grito de incitamento dirigido à “Mãe” (v. o marinheiro manifesta medo em relação ao mar (Cf. a fuga é a única salvação.” 2. O esquema rimático é abba abba cde cde.3. que funciona como uma espécie de refrão.2. 2. a fugir da sua amada para não voltar a perder-se. 17) e pela antítese (“Arde (…) / Nasce (…) / Morrem / Não morre” (vv.” (v. a rima é emparelhada e interpolada nas quadras e interpolada nos tercetos.” Esta metáfora remete-nos directamente para a força de um “povo” que resiste e se levanta sempre face ao poder avassalador daqueles que o querem “jugular” (v. V. F. portanto. é constituído por duas quadras e dois tercetos. O facto da actualidade que esteve na origem desta crónica é a transformação dos jogadores de futebol em estrelas mediáticas. Ao marinheiro do primeiro termo de comparação corresponde o eu lírico. v. 4). P – Português. Mãe será sinónimo de pátria. d.2. o sujeito poético deixa claro que. e repetindo o mesmo erro.2. F. O poema é um soneto e. 18. e um ritmo mais rápido conferido pelos sucessivos encavalgamentos. É possível estabelecer uma correspondência directa entre os versos 17/18 e os versos 19/20: a “seara” que “arde” é a “nação” cujos filhos “morrem”.3. 1) … assi (v. 4. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor Ficha de avaliação 2 – Módulo I 2 1. 23). 1. O modo conjuntivo com valor imperativo (“Não desesperes” (v. No verso 11. 9). 19.3. V. O uso da maiúscula na apóstrofe “Mãe!” remete para o uso metafórico deste nome. A locução subordinativa “Como (v. o sujeito poético afirma ter-se comprometido a não repetir os erros do passado.

III Proposta de resumo: O futebol nasceu em Inglaterra. os futebolistas não tinham de ter grande preocupação com a imagem. “tudo isso” reporta-se aos factos narrados no parágrafo anterior. Terceira parte – A transformação dos jogadores em estrelas mediáticas tem a ver com o vazio de valores da sociedade ocidental na qual a preocupação com a fama e o dinheiro veio criar um mundo irreal. portanto. b.1. [95 palavras] II P – Português. “sabia dar conselhos” e “tinha um extraordinário sentido de humor”. 4. Acrescentou que não assaltava mulher triste porque dava até azar e que era como matar passarinho. por favor!”. Por exemplo: a. aflito. 4. Modificador do grupo verbal – Noutros tempos. Durante a conversa com o assaltante. b. o futebol transformou-se num fenómeno cultural e social muito estudado.” 6. Por exemplo: “Um tempo para pensar”. e perante o recuo do namorado que parecia querer retomar a relação. falta de imaginação. reformular o seu discurso. por isso. Segunda parte – Actualmente. Daí o uso do modo conjuntivo com valor imperativo. a segunda vai desde “Hoje…” (l.2. surgindo. desde 1930. b. articula ideias opostas. Sofia parece ter aprendido uma lição com o assaltante de Copacabana: ao regressar. em 1904. A primeira parte do texto é introduzida pela expressão temporal “Há vinte anos” e. Entretanto. a. Neste excerto inicial ficamos a conhecer algumas características da personagem principal da história – Sofia – e aquilo que se estava a passar com ela. Ficha de avaliação – Módulo I 4 1. o tempo verbal predominante é o pretérito imperfeito do indicativo já que a referida expressão implica um relato em que se dá conta do aspecto durativo da acção. Por exemplo: “Não conhecia ninguém no Brasil já que nunca tinha estado lá e. 3. a FIFA que uniformizou as suas regras internacionalmente e que. 5. O Brasil pareceu-lhe “a escolha acertada. A primeira parte é constituída pelos dois primeiros parágrafos. O assaltante.1. 3.1. As regras a que hoje obedece foram uniformizadas em 1863 pela Associação Inglesa de Futebol. predicativo do sujeito – idolatrados. assim. ou seja. sujeito – os jogadores de futebol. 3. predicado – eram idolatrados. 3.1. 3. cerca de 1840. Sofia terá. percebido que o namorado não era bem aquilo que ela queria. revelando.” (l. Primeira parte – Há vinte anos. o “potencial mediático” dos jogadores é fundamental para os seus clubes que se transformaram em verdadeiras empresas.48 Caderno do Professor | Soluções das fichas de avaliação 3. pareceu-lhe a escolha acertada. 3.” porque lá não conhecia ninguém. o antecedente de “seus” e “seu” é “clube”. organiza os Campeonatos do Mundo. Hipótese possível: O assaltante. embora as suas características possam ser encontradas anteriormente. “sabia ouvir”. Aquilo que no assaltante fez lembrar a Sofia o namorado foi o facto de a frase que ele utilizou para a abordar ser tão vulgar nesta situação como aquela que o namorado utilizou para acabar com o namoro. os acontecimentos anteriores à história que vai ser narrada. ao contrário da generalidade dos homens. embora fossem já idolatrados. decide “pedir um tempo”. A partir de certa altura. devido à sua massificação. talvez. Deduz-se. o futebol desenvolveu-se noutros países.3. Os jogadores passaram a “activos” porque os clubes se transformaram em empresas. Os jogadores passaram a “activos” quando os clubes se transformaram em empresas. “Assalte-me. que Sofia queria estar sozinha. 2. enfiou a faca num dos bolsos da bermuda e tentou consolar a moça dizendo-lhe que não chorasse mais. uma situação que se repete regularmente durante um determinado período de tempo. 4. modificador do nome restritivo – de futebol.2. Hoje. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor 1. 27). o futebol é um desporto de massas que vale milhões e as equipas são empresas dirigidas por empresários e políticos. 2. 5. . O antecedente do termo anafórico “lá” é “no Brasil”. ambas.… II 1. o narrador dá uma série de conselhos à(s) leitora(s) que venha(m) a passar por uma situação semelhante àquela em que Sofia se encontra. 2. Por outro lado. 7) até “… abriram-se-lhes. a terceira compreende os cinco últimos parágrafos.