Ensino Profissional · Nível 3

PORTUGUÊS
Textos de carácter autobiográfico Módulo1 Textos expressivos e criativos e textos poéticos Módulo2 Textos dos media I Módulo3 Textos narrativos / descritivos I Módulo4
Olga Magalhães | Fernanda Costa

Módulos
1|2|3|4

CADERNO DO PROFESSOR
Resolução das actividades do manual Fichas de avaliação (com soluções)

P

2

Módulo

1

Textos de carácter autobiográfico

| Textos | 1
Antes de ler [pág. 17] 1. O cartoon representa um sonho de um funcionário de uma
repartição – nome dado aos locais onde funcionam secções de determinados serviços, muitas vezes ligados ao Estado. Nos diversos momentos do sonho, o funcionário vê-se a si próprio a atender diversos utentes sempre com uma atitude de grande simpatia e disponibilidade que se reflecte quer no sorriso omnipresente quer na forma como se vai dirigindo a cada um deles. A maneira como cumprimenta a primeira personagem ou se despede da última, a solicitude que apresenta perante todas as outras são exemplo da humanização que é tão pouco vulgar neste tipo de locais, cujo atendimento é, por norma, frio e impessoal. Quando acorda, com um ar visivelmente assustado, o funcionário refere-se ao sonho como um ‘pesadelo’, através de um acto ilocutório profundamente expressivo. É nesta última vinheta que melhor se evidencia a função crítica deste cartoon: aquilo que para os utentes seria, de facto, um ‘sonho’, é, para o funcionário que os atende, um pesadelo. 2. Esta ‘definição’ corresponde à ideia generalizada de burocracia: o cliente que vai sendo empurrado de guichet em guichet. A mensagem deste texto opõe-se à ideia transmitida no sonho/pesadelo do funcionário público do cartoon de Luís Afonso.

2.1.
avaliado(a); analisado(a) em detalhe; afastamento, omissão; relato sumário da sucessão de factos que marcam cultural e profissionalmente a carreira de uma pessoa; mais do que a capacidade de ler e escrever, é entendida como a capacidade de compreender e usar a informação escrita nas actividades do quotidiano; inevitável, que tem de ser tido em conta. c. d. e.

a. b.

3. 1.a parte – do ponto 1 ao 7; 2.a parte – a partir de “Por isso”. 3.1. O conector “Por isso”, que articula as duas partes referidas, tem um valor consecutivo (indica que o que se segue é consequência do que atrás foi exposto). 4. Por exemplo: Por isso, nos termos constitucionais e regimentais, venho requerer à Senhora Ministra da Educação que: – explicite os critérios científicos ou outros que servem de base ao “apagamento” (…) que frequentam o 5.° ou 6.° anos de escolaridade; – informe se obras como (…) chegaram a ser equacionadas no processo de selecção levado a cabo; – disponibilize a listagem de todas as obras e todos os autores “avaliados” e torne públicas as justificações que levaram à exclusão daqueles que foram afastados da listagem dos “recomendados”; – divulgue o curriculum (…) para o Plano Nacional de Leitura. 5.1. Os pedidos do requerente não podem ser considerados completamente satisfeitos, pois aí não se encontra esclarecido o solicitado nos pontos 2. e 3. do requerimento e a resposta ao ponto 4. é vaga.

Compreender [pág. 19] 1.1. “(…) comprometemo-nos em coordenar as nossas políticas (…); “(…) Com isto, comprometemo-nos a atingir estes objectivos (…)”
2. A nota deveria ser introduzida no texto a seguir a ECTS (quarto parágrafo, ponto 3). 3.1. Nos três primeiros parágrafos da declaração, evidencia-se a evolução do processo europeu nos últimos anos, salienta-se que a Europa do conhecimento é um factor fundamental para o enriquecimento da cidadania europeia e reconhece-se ser da máxima importância que as universidades europeias se ajustem às novas exigências. 4. A afirmação falsa é a b. – a Declaração de Bolonha pretende incentivar, também, a mobilidade de professores, investigadores e pessoal administrativo (no reconhecimento e na valorização dos períodos passados num contexto europeu de investigação, de ensino e de formação, sem prejuízo dos seus direitos estatutários).

| Textos | 2
Antes de ler
[pág. 23]

P – Português, Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor

Compreender

[págs. 21-22]

1. O destinatário é o Presidente da Assembleia da República, o requerente é o deputado do Grupo Parlamentar do PSD, Adão Silva, e o assunto é o Plano Nacional de Leitura.
2007

1. Na BD assistimos à história de uma personagem masculina que se encontra dentro de um bar e que, depois de olhar apaixonadamente para a foto de uma mulher (Maria), decide escrever-lhe uma carta de amor para a qual vai fazendo e recusando vários rascunhos. No momento em que se encontrava concentrado em mais uma tentativa, vê, estupefacto, Maria passar abraçada a outro homem. Na última vinheta vemos a personagem feminina a ler a carta que acaba por receber: em vez de uma carta de amor, recebe um conjunto de insultos e impropérios.
ISBN 978-972-0-91247-3

Este livro foi produzido na unidade industrial do Bloco Gráfico, Lda., cujo Sistema de Gestão Ambiental está certificado pela APCER, com o n.° 2006/AMB.258
Produção de livros escolares e não escolares e outros materiais impressos.

Módulo 1 Textos de carácter autobiográfico

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Compreender

[pág. 25]

1. banalização: vulgarização; omnipresença: ubiquidade; trivialidades : banalidades; grilheta : prisão; sequestrado : enclausurado; distendido: dilatado; fustigadas: flageladas; desfalecendo: desmaiando. 2.1. A nota explicativa seria inserida a seguir à seguinte passagem: “usando um direito inalienável de autodeterminação” (l. 7). 3. À medida que o telemóvel se foi vulgarizando, foi criando a fantasia de que “o outro” está sempre ‘presente’ e disponível; o facto de o contacto não ser estabelecido ou de não haver uma resposta imediata do outro lado causa sofrimento. 4. As “trivialidades” são as seguintes: ficar sem bateria ou sem rede ou desligar o telemóvel. 5. Afirmação b..

hierarquia (administradores das roças/Governador). A carta B é uma carta particular, dirigida por Luís Bernardo ao seu amigo João (Cf. fórmulas de tratamento e de despedida) e o assunto é de índole pessoal – sentindo-se só e infeliz, Luís Bernardo faz um pedido desesperado ao amigo para que o venha visitar. 2.2.1. Hipótese de carta:
Querido amigo Luís, Estou a responder-te logo após ter recebido a tua carta que me deixou deveras preocupado. Não imaginava que te encontrasses tão profundamente deprimido. Nada nas tuas cartas anteriores fazia antever tal situação. Creio, porém, que estarás a exagerar e que, quando receberes esta missiva, já te encontrarás, certamente, de melhor humor. Infelizmente não vou poder aceder ao teu pedido: não me é possível ir a S. Tomé este Verão, pois o trabalho no escritório não mo permite: vou ter apenas uma semana de férias e tenho já hotel reservado na Praia da Granja. Este último facto não seria grave e tudo se poderia arranjar se não fosse a distância: é que uma semana de férias não dá sequer para aí chegar. Vou fazer os possíveis para te visitar no Natal. Nessa altura penso que o trabalho terá acalmado e que disporei de mais tempo para poder empreender tão longa viagem. Até lá, aguenta-te, amigo! Sabes que, em pensamento, estou a teu lado e lembra-te da importante missão que aí estás a cumprir. Um grande abraço cheio de saudades deste teu amigo (que não se perdoa por não poder ir a correr ao teu encontro), João

Funcionamento da língua

[págs. 25-26]

1.1. SMS – Short Message Service; MMS – Multimedia Messaging Service; PC – Personal Computer; CD – Compact Disk; WWW – World Wide Web. 2.1. Mail e messenger. 3.1. correspondência – mails, SMS, carta, postal dos correios (diferentes tipos de correspondência). 3.2. telegrama, encomenda, vale postal, fax, bilhete, memorando, nota. 3.3. Epístola, missiva. 4.1.1. A segunda oração da frase – “para avaliar o impacto de um amor” – é uma oração não finita infinitiva com valor final.
P – Português, Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor

4.1.2. Sujeito nulo indeterminado; predicado – avaliar o impacto de um amor; complemento directo – o impacto de um amor; complemento do nome – de um amor. 4.2. Exemplo: Os segundos de resposta são contabilizados pelos amantes.

| Textos | 3
Antes de ler
[pág. 28]

2. Personagens: Sandra, Xana, Jonas Machibundo, Paulo, Deolinda, Fragoso; Lugares: Moçambique; Tempo: Natal.

Oficina de escrita

[pág. 27]

2.1. Na carta A o destinatário é tratado por “Excelentíssimo Senhor ”, “Vossa(s) Excelência(s)”; trata-se de uma carta dirigida aos administradores das roças de S. Tomé e Príncipe pelo Governador das ilhas, o emissor, que assina com o nome completo – Luís Bernardo Valença. É uma carta formal adequada ao assunto em questão – a visita de um inglês às roças para, a mando do seu governo e do governo português, verificar as condições de trabalho dos trabalhadores – e às relações de

Compreender

[págs. 29-30]

1.1. e 1.2. O destinatário é Sandra, mulher do remetente, já falecida (“Não sei se ainda estavas viva quando…” (ll. 6-7)). A relação entre ambos é esclarecida, por exemplo, através das formas de tratamento (“querida”), pela evidente cumplicidade nascida da partilha da vida (“Porque os jovens, tu sabes…” (ll. 14-15), “…e subitamente exististe nesse sorriso. Eras tu, querida, eu nunca… dela.” (ll. 22-23)), etc.

4

Caderno do Professor | Resolução das actividades do manual

1.3.1. Xana seria filha do remetente e de Sandra. Tem um filho pequeno (Paulo) e vive longe do pai. Depois de se separar do companheiro (pai do filho) vai agora casar com um homem “bastante mais velho”. Tem um sorriso parecido com o da mãe. 1.3.2. A relação com o pai não parece muito próxima: telefona (raramente) e escreve (“telegraficamente”), passou dois dias no Natal com o pai, mas ele nunca lhe conheceu o companheiro. 1.4.1. “Porque os jovens (…) têm uma grande incompreensão do sentido do casamento.” (ll. 14-15). Com esta reflexão o remetente expressa aquilo que lhe parece ser a forma leviana como os jovens encaram o casamento. 1.4.2. “Sorriso breve, o ar absorto…” (ll. 23-24). 1.5. O que o pai de Xana lhe está a dizer com a resposta que dá é que aquilo que a faz feliz a ela, mesmo que seja algo com que ele não esteja completamente de acordo, também o faz feliz a ele.

| Textos | 5
Antes de ler
[pág. 35]

1.1. Lembrança, recordação, fama, por exemplo. 1.2. Exemplos: “Não há memória de uma história assim.”; “Este monumento foi erigido em memória do nosso primeiro rei.”; “D. Dinis, rei de boa memória, foi também um grande poeta.” 2. Podemos falar, em relação a este texto, de duas acepções da palavra memória: nos dois primeiros parágrafos, as duas referências à memória (ll. 2 e 6) enquadram-se no sentido 1. do verbete (função geral de conservação de experiência anterior, que se manifesta por hábitos ou por lembranças); podemos, também, reportar-nos ao sentido 9. do verbete [memória (pl.) – escrito narrativo em que se compilam factos presenciados pelo autor ou em que este tomou parte].

Funcionamento da língua

[pág. 30]

1.1. Por exemplo: – Conta – disse-lhe eu. E ela contou: – Vou-me casar. – Casar? – duvidei eu na minha estupefacção. – Vou-me casar com um tipo que talvez conheças de nome, o Fragoso, professor de… – confirmou ela. – Não estás contente? – Estou contente – disse-lhe eu olhando o miúdo que tinha um olhar mudo e espantado para nós –, se tu também estás.
■ ■

Compreender

[págs. 36-37]

1.1. Sendo embora ambos os tipos de texto exemplos de escrita autobiográfica, enquanto que a escrita das memórias é, normalmente, muito posterior aos acontecimentos narrados pelo seu autor ou em que este participou, o registo do diário é, geralmente, quase simultâneo aos factos narrados que são, por norma, datados. 2.1. Marcas da primeira pessoa: formas verbais – acho, sou, comecei, Tenho, acabamos (pl.), sei, sou, tenha, tenho, desejaria, temos (pl.), quero, nasci, vim, conheci…; determinantes possessivos – minhas (obsessões, avós, tias), nossa (individualidade) minha (vida, juventude, mãe), meu (tempo); pronomes pessoais – mim, me, nos (pl.), Eu. 3.2. Os três grandes factos que marcaram a vida do autor são: a falência das profecias (3.° §), a cada vez maior participação das pessoas na sociedade (4.° e 5.° §) e a entrada das mulheres na História (6.° §). 4. 1.-c.; 2.-f.; 3.-a.; 4.-d. 5.1. Por exemplo: certeza – “Eu não tenho dúvidas: quando nasci, (…) não tinham ainda entrado na história.” (ll. 44-45); incerteza: “Por isso me parece que a nossa individualidade é talvez o bem mais precioso que temos.” (ll. 10-11).
P – Português, Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor

2.1. Exemplos: Prometo que vou aí no Natal. Quem me dera / Adoraria ir aí no Natal!

3.1. apareceu, preparou, ajudou, estremeceu, chegou, perguntei, foi, voltou, disse, contou, duvidei. 3.2.1. “Ela dissera-me tenho uma novidade para te dar…”
(l. 11)

3.2.2. O pretérito mais-que-perfeito exprime uma acção que teve lugar antes de outra acção já passada.

| Textos | 4
Compreender
[pág. 33]

1. O excerto de diário aqui apresentado, pelo seu carácter ficcionado e lírico, não corresponde a uma realidade estritamente factual mas a uma espécie de “fingimento” dessa realidade. Daí a escolha de “imitação dos dias”.

5.2. Hipótese: “Garanto que / Estou convencido que / Estou seguro que, etc., estes futurólogos, alguns reconhecidamente inteligentes, estavam apanhados pelo espírito do tempo, uma espécie de vírus que apanha indiferentemente o inteligente e o estúpido.”

37-38] 1. uma vez que… 2.” Ficha formativa [págs.Módulo 1 Textos de carácter autobiográfico 5 Funcionamento da língua [págs..1. 1. a. grafológico.1. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor . Por exemplo: “(…) chego à hora de jantar cheio de dores de cabeça por levar o dia a penar na prosa. 18-19) 3. já que. filmografia. “Os consertos de calçado estão mais caros de dia para dia. 3. grafonia. “O principal tem sido mondar* isto de adjectivos supérfluos.2. o segundo remete para uma ideia de causalidade (é uma conjunção subordinativa causal (= porque. grafema… biografia. fotografia… 3. 3. grafismo. Marcas do remetente – o uso da primeira pessoa presente nas formas verbais “tenho” e “tive” e no pronome pessoal “me”. xenografia. comprava. envio-te logo o primeiro caderno.1. gráfico. visto que. epistolografia. ouvia. sacudir a árvore para só ficar o essencial. Penélope Cruz volta a ser cabeça de cartaz. grafologia. paleografia. xilografia. pretérito mais-que-perfeito composto do indicativo – tinham entrado.2.. graficamente. a. No excerto b. evidencia que o mais difícil tem sido ser capaz de simplificar a sua escrita de forma a deixar ficar só “o essencial”. biográfico. a sua extensão temporal. o pretérito mais-que-perfeito assinala uma acção anterior a outra também passada expressa pelo pretérito perfeito. 2. O valor contextual dos dois “como” é substancialmente diferente. Por exemplo: “Recordo com emoção todos os concertos a que assisti no ano passado. No excerto a.”.3. autobiografia. “Caso se possa mandar daqui ou do Chiúme …” 2. biografar. grafar. falando do trabalho que lhe tem dado a história que está a escrever. grafia. marcas do destinatário – o pronome possessivo “tuas”. pretérito perfeito do indicativo – nasci. a. P – Português. Porque.3. 2.” (ll. serigrafia.1.” 2.” (ll.1. pretérito imperfeito do indicativo – estava. discografia. Nestes dois parágrafos o remetente fala de dois assuntos: da forma custosa como tem progredido a história que está a escrever e do nascimento do bebé que “se aproxima a passos largos!”. Pretérito perfeito do indicativo – vim. enquanto que o pretérito imperfeito salienta o aspecto durativo da acção.”.” 2.” (ll. já que)). Acto ilocutório compromissivo. gráfica. b. Acto ilocutório expressivo. fotobiografia. biógrafo. e 3. pois enquanto o primeiro estabelece uma comparação (é uma conjunção subordinativa comparativa). 14-15) II 1. Trata-se da comparação: “(…) que me deixa desamparado como se me faltasse uma perna. Através desta metáfora o remetente.2.1. “Vais ver que é uma coisa de uma simplicidade imensa – a gente deita-se e eles nascem. Presente do indicativo – tenho. grafómetro. biografista. o presente do indicativo marca que o momento/tempo em que se situa o sujeito da enunciação coincide/é simultâneo com o momento/tempo em que se situam os factos narrados. a narração projecta-se apenas em factos passados e os tempos utilizados exprimem realidades temporais diferentes: o pretérito perfeito evidencia uma acção passada com carácter pontual.. Dois exemplos possíveis: “No último filme de Almodóvar.2. biografado.2. 1.1. 41-43] I 1. 13-14) b. b.1. “Se se puder mandar daqui ou do Chiúme encomendas registadas.. via.1. “Aquele rapaz não tem cabeça: passa o tempo a fazer disparates!” 4.

na Rua de S. quando Gonçalo Borges passeava a cavalo no Rossio.1. e mesmo como funciona o acto poético. ll. e os nossos escritores. o rei D. A pergunta do título repete-se.” Camões observa o seu país e. sob outras formas.6 Módulo 2 Textos expressivos e criativos e textos poéticos Camões lírico | Textos | 1 Antes de ler [págs. Luís de Camões acudiu em defesa dos mascarados seus amigos. Compreender [pág. Fica sepultado em campa rasa. A indignação do autor nasce da constatação do triste hábito português de só se valorizarem as pessoas. INIC.” (ll. Camões critica os portugueses (“gente surda e endurecida. O poeta é encarcerado no Tronco da cidade. 48] 1. Essa ‘desconstrução’. Salva-se a ele e ao poema numa tábua. Neste primeiro período da sua vida. publicado em Cadernos de Literatura. 1558: Data provável do naufrágio no Cambodja. Proposta de roteiro cronológico: 1524/1525: Nasce Luís de Camões quase certamente em Lisboa. em particular. a atenção e o “amor”que .. “Ora «a gente surda e endurecida» (…) ‘o favor com que mais se acende o engenho’. No dia de Corpus Christi. ou seja. pois mais ninguém neste país o soube merecer. 16-19). quer publicada. número 10. “Didáctica do texto poético”. em vida. de Camões e das Comunidades Portuguesas). 1569: Embarca para Lisboa. depois de mortas. ao longo do texto (Cf. portanto: 1) revelar esse texto como 'armadilha amorosa' (Barthes).1. 1981.” P – Português. Luís de Camões poderá ter aprendido as primeiras letras numa das 40 escolas lisboetas de ensinar meninos. Caminho. 1552: Está em Lisboa. 4-6). 1575: D. 1553: Por carta de 7/3/1553. 1980 (adaptado) merecem. Através dessas questões. não lhes dando. apagada e vil tristeza. Nestes versos da estrofe 145 do Canto X de Os Lusíadas. um dos métodos que julgo pertinentes é ajudar o aluno a ver como funciona o texto poético (tal como uma criança gosta de ver como funciona um brinquedo e o adolescente um aparelho. observando as peças uma a uma). O poeta perde tudo. Antão. o quid que faz com que um texto seja poético). quer destinada à gaveta e solitária (o que é aliás um reflexo da ‘massificação’ da produção literária. 2.”). A título parentético. in Camões 1. Ed. e 1. “Camões pertence apenas a alguns poetas. nas páginas 42 a 55. a sua lírica aponta uma estada em Coimbra. relativamente ao texto poético. e a enorme produção de poesia lírica do nosso tempo. pagam-lhe uma dívida e a passagem.” (ll.” (ll. foi zombado. Centro de Literatura Portuguesa da Universidade de Coimbra. desmontando-o. Cf.2. entre eles Diogo do Couto. Estalou briga rija. 1567: Camões em Moçambique. 47-48] 1. sem letreiro. 1572: Publicação de Os Lusíadas em Lisboa. defronte das casas de Pêro Vaz. o seu autor pergunta-se se uma “pátria” que tão mal tratou Camões e que ele tanto criticou terá o direito de se apropriar do seu nome para celebrar o 10 de Junho (Dia de Portugal. Antes de 1550. Dinamene morre nas águas. creio que teria ainda interesse o professor fazer com os alunos uma breve reflexão de natureza histórico-cultural e sociológica sobre dois aspectos: o pendor lírico do temperamento português. Sebastião atribui a Camões uma tença de 15$000. que nada tem de destruição do texto. 14-16). por dois mascarados. | Textos | 2 Observação: Sobre o ensino da poesia. hoje toda a gente quer fazer a sua experiência de escrita). 8-9). reconhecendo que não é a “pátria” que o inspira pois esta “… está metida / No gosto da cobiça e da rudeza / De uma austera. numa altura em que se nos impõem meios de comunicação extremamente diversificados. dão-lhe de comer e de vestir. 1580: Morre a 10 de Junho. as seguintes passagens: “…em matéria de indiferença pelos mais nobres dos seus filhos. como agente de sedução capaz de 'prender' o aluno. este país foi sempre terreno fértil. é. Chega a Goa em princípio de Setembro. da parte de fora do mosteiro de Santa Ana. aconselhamos a (re)leitura do excelente artigo de Clara Crabbé Rocha. João III perdoa-lhe. e a consequente riqueza em poesia lírica da nossa literatura. Embarca nesse mesmo mês para a Índia. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor 2. entre outras. do qual seleccionámos o seguinte excerto: “O trabalho do professor. 2) para isso. se essa nobreza for a do espírito. António Borges Coelho. Os amigos. vendo-o no mais espantoso abatimento. realiza-se através do comentário de textos e através de informações teóricas sobre o fenómeno a que a crítica recente dá o nome de ‘poeticidade’ (ou seja. mas não há qualquer registo que prove a sua passagem oficial pela Universidade. rasgando com a espada uma ferida no pescoço de Gonçalo Borges. em geral. O enterro é pago pela Companhia dos Cortesãos. eficazes e sedutores. não pode deixar de evidenciar o seu desespero.

acompanha com suavidade as formas do corpo. com toda a atenção.2. 2. gerada pela espuma do mar. se não fora / para tão longo amor tão curta a vida. 11) 3.. Continuamente (v. A pequena cabeça está inclinada e insere-se sem criar ângulos no longo pescoço subtil. A poesia lírica de Camões – uma estética da sedução (Cadernos FAOJ. a perna na mesma posição. vol. 1. Compreender [pág. 10 e 14). . 49] [pág. assim como as formas puras e idealizadas. nome: novidades (v. 12) 4. / em lugar de Raquel lhe dava Lia. A dificuldade de definir o amor e de enumerar os seus diversos estados bem como a sua variedade. Observação: Será importante fazer notar que o termo anáfora é usado na análise literária e na análise linguística. 52] 2. a dupla inclinação dos ombros.. Esta sensação emerge das ondas do mar. 5). servia a ela” B – Persuasão e sacrifícios materiais: “A saliva que eu gastei para te mudar”.. da mesma autora. Todo o corpo é circundado por uma linha ininterrupta. Antítese.° 12). Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor | Textos | 3 “Amor é um fogo…” Compreender [pág. O Nascimento de Vénus Tema: O quadro representa o nascimento de Vénus Anadiomede. a interrogação retórica do último terceto. Público. subtil mas evidente. a deusa é levada pelos ventos em direcção a terra. 6). cada dia (= diariamente) (v. míticas divindades femininas) está à sua espera para a cobrir com um manto purpúreo.1.3. em particular. “Mesmo sabendo que não gostavas”. II. O nu é classicamente “ponderado” numa simétrica e plena correspondência dos membros: ao braço dobrado corresponde a perna dobrada. o que provoca. privilegiando a continuidade da linha. ao braço estendido. n.. já (vv.1. Comparar Antes de ler [pág.) Vénus é o centro da composição e na sua direcção convergem as linhas curvas dos ventos e da figura feminina. que não se podem confundir.. a repetição anafórica. “Não fizeste um esforço para gostar” Decisão do sujeito A – Não desiste e propõe-se lutar pelo seu amor enquanto viver: “começa de servir outros sete anos” B – Desiste: “Nada mais por nós havia a fazer / A minha paixão por ti era um lume / Que não tinha mais lenha por onde arder” ‘Lição’ aprendida pelo sujeito A – “Mais servira. e Camões.” 1. quase de forma espontânea. “Empenhei o meu anel de rubi” Impedimentos à concretizaçãodo amor A – O pai: “porém o pai.2. 50] 1. 54] 1. verbo: converte (v.” B – “Não se ama alguém que não ouve a mesma canção. usando de cautela. “mas não servia ao pai. As cores frias e claras. desenhado fio a fio. adjectivo: novas (v. 5). do entrelaçar dos corpos e da vista da costa ondulada em golfos e promontórios. onde uma jovem mulher (Flora ou uma das Horas. as metáforas.” B – “Era só contigo que eu sonhava andar/Para todo o lado e até quem sabe? Talvez casar” Formas de sedução do objecto do amor A – Servidão e dedicação incondicionais: “Sete anos de pastor Jacob servia”. que nunca é perturbada por cortes ou saliências. Sendo as contradições do amor o tema do soneto. Sustentada por uma concha. As antíteses e os oxímoros aliados à bipartição rítmica do verso. relemos. Ed. Mudam-se/muda-se/se muda/mudar-se. e optámos. O abundante cabelo louro. A repetição dos vocábulos mudam-se e muda-se no início das frases dos dois primeiros versos evidencia o recurso à anáfora. 1. (.Módulo 2 Textos expressivos e criativos e textos poéticos 7 Acreditando que é ‘sob o signo da sedução’ que se deve analisar o texto poético. ou seja. O paralelismo está presente na repetição da mesma estrutura frásica nos dois primeiros versos.1. São conceitos distintos. encontram uma perfeita expressão poética na gélida nudez da deusa. em geral. 4). Composição: Botticelli dispõe as figuras num plano só. diferentes (v. 2006) P – Português. em grande parte. por seguir o percurso aí sugerido. (in A Grande História da Arte. 5. Exclusividade do objecto do amor A – “e a ela só por prémio pretendia. quer as antíteses quer a bipartição dos versos aparecem a sublinhar essa temática. A obra distingue-se pela soberba harmonia do esmerado desenho e pela elegante modulação do traço que cria efeitos decorativos quase abstractos.” B – O próprio objecto do amor e o seu mundo: “Mas esse teu mundo era mais forte do que eu”. mudança.

2. 58-59] P – Português. passarinho – lascivo.1. Uma vez que a sua contemplação (da tempestade/da amada) provoca medo. 12) 2. no segundo. vv. 57] . descuidado.2. e 2. 3. 2). e nos adjectivos que caracterizam o coração. 2.1. 2. 2. 2. escondido. 8. paradoxo (vv.1.a parte – último terceto: o sujeito poético pergunta-se como é possível que o amor. A madrugada aparece como uma espécie de ‘morte’ porque o nascer do dia é identificado com a separação (Cf.° terceto). triste “cheia de mágoa e de piedade” “saudade” “apartar-se” “lágrimas em fio” “palavras magoadas” ■ ■ ■ ■ ■ Comentar [pág. O tema é a paixão que apanha o coração desprevenido. 11) 1. 10 e 11). 55] 1. Frecheiro – cego. 7. não resistindo. tal como o Cupido que se escondia nos olhos da mulher amada.1. 3. leda “amena e marchetada” “dando ao mundo claridade” ■ ■ 2.2.2.3.2. “leda”. da fragilidade e da passividade do sujeito poético. 9. pela conjunção como. caçador/Frecheiro 1.8 Caderno do Professor | Resolução das actividades do manual 1. “Aquela triste e leda madrugada” 1. 5. A estrutura bipartida deste soneto é marcada pelo conector assi sendo “anunciada”. Não sendo uma pergunta para a qual se espere resposta. Ao marinheiro do primeiro termo de comparação corresponde o eu lírico. O sujeito poético identifica-se com o passarinho e o coração contra o caçador e o Frecheiro cego.2. possa estar tão presente nos corações. 2.1. “viu”. caçador – cruel. A conjunção coordenativa adversativa mas (v. passarinho/coração. doce. mágoa / piedade (v. manso. 1.3. valendo-se do descuido.3. caracterizado como sorrateiro e dissimulado.2. 1. 5. 9 e 12) [pág.1.a parte – 2. Compreender 1. A beleza feminina (física e espiritual) e o fascínio que ela exerce no eu lírico. (Cf. corresponde à acumulação de atributos físicos e morais da figura feminina (descrição). Neste retrato dá-se maior relevo aos traços morais (Cf. O demonstrativo “Esta” funciona como um termo anafórico que tem como função indicar os referentes no interior do texto em que é usado: remete para todas as qualidades | Textos | 4 Compreender 1. Estes recursos intensificam a ideia central e acentuam a mensagem. vv.1. a fuga é a única salvação. 6. O sentimento predominante é a tristeza. Ambos (marinheiro e eu lírico) prometem não voltar a cair noutra.1. 57] 1. contrário 2. 4. 7-9).4. criando cumplicidade com o interlocutor.3.a parte – as duas quadras e o primeiro terceto: a dificuldade de definição do amor e as contradições do estado amoroso. 7.4. 7/8) 2.1. hipérbole (1. 8 e 13). 2. e repetindo o mesmo erro. Dest’arte [pág. 14 “almas condenadas”) 3. Nos dois termos da comparação estamos perante uma situação de agressão em que uma das figuras (caçador/ /Frecheiro) é mais forte do que a outra (passarinho/coração) e actua de forma traiçoeira e dissimulada. calado. A madrugada é testemunha da separação de dois sujeitos que estiveram juntos e do sofrimento que essa separação provoca. Formas verbais: “saía”. apartar-se / apartada (vv. sendo a vista da amada comparada à tempestade. por oposição ao caçador. Este conjunto de qualidades tende a produzir uma imagem de perfeição (estereotipada) e não a individualizar a mulher.3. destinado.a parte – até ao verso 11.4. coração – livre. 3. | Textos | 5 Compreender [págs. grande / largo (v.2. 3. por exemplo.° terceto corresponde à síntese desses atributos e à conclusão: o poder transformador/mágico do objecto amado exercido sobre o sujeito.3. 3. 1.2.3. 1. na ternura dos três diminutivos que aparecem na primeira quadra. logo no início do poema. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor 1. porém. 2. Atente-se. v.1. 1. tendo em conta o seu carácter contraditório.1. Ela (vv. no primeiro terceto. adjectivos: “triste”. a interrogação retórica dá vivacidade e ênfase ao discurso.

obtém-se um ~ retrato negativo de uma dama (Sois ua dama das feias do ~ mundo). há-de ser – tendo perdido toda a esperança. aliados à enumeração assindética.: na transição dos versos 3-4. duas delas no imperativo. 64] 2. O sujeito poético canta. Além de Os Lusíadas [elipse] escreveu muitas redondilhas. 2. 6.1. marcada pelo sofrimento presente. odes. 4. Abandonado por todos. Para além da medida do verso. indefinidamente. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor Oralidade [pág. recato.3. Poderão referir-se. ~ Metáforas (Ua graça / viva que neles lhe mora. deixai-me/não me deixeis. Funcionamento da língua [pág. A primeira parte descreve a forma como o girassol acompanha a trajectória do Sol acima da linha do horizonte e a forma como esta flor é influenciada pela luz do astro-rei. entre outros: a enumeração assindética (conferindo ritmo.5. a adjectivação. Morreu ontem.2. As sucessivas antíteses: bem/mal. 61] 1. 2.1.1. sendo completamente distintas sob o ponto de vista físico. Os encavalgamentos (transição dos vv. Referimo-nos à metáfora – Circe/veneno – que confere a ideia de encantamento e magia. etc. em cópias manuscritas.2. etc. para ser senhora / de quem é cativa. em Descalça vai pera a fonte. “louva” uma dama (Sois ua dama de grão merecer). Luís Vaz de Camões. A beleza da mulher amada é o resultado da conjugação das suas qualidades físicas e morais (graça.4. do ponto e vírgula e dos dois pontos. conferem ao poema um ritmo rápido e fluido que alterna com um ritmo mais lento e sincopado conferido pelo uso da vírgula. Lendo-se as estrofes seguidas (da 1 à 4).2. 5. o sujeito lírico antecipa que a sua vida será também. e a angústia do mal presente.1.1. viver/morrer. [elipse] faleceu (sinonímia) num hospital da cidade e [elipse] foi sepultado num coval aberto do lado de fora da Igreja de Santana. 1. 2. na maior miséria. que lembrais meu bem passado.2. 19-20. Estas duas figuras femininas. Por exemplo os versos 9-12 e 25-28. nos dois pontos do verso 11) que são aqui resumidas na expressão “celeste fermosura”. A apóstrofe inicial – Lembranças. Presença serena / que a tormenta amansa). também.1. | Textos | 7 Compreender [pág. 2. 2. são em tudo semelhantes do ponto de vista psicológico. O seu (pronominalização) único rendimento era a tença de 15 mil réis anuais.3. mas que estão a correr de mão em mão. doçura. Estão em confronto o bem passado. 2. é de referir o encavalgamento (por ex. a leitura “lado a lado”. brandura. Jogos de palavras: cativa / cativo. beleza celestial) realçadas através de diversos nomes e adjectivos. A primeira parte corresponde às duas quadras e a segunda aos dois tercetos. que el-rei lhe (pronominalização) mandou pagar como recompensa pela publicação da sua epopeia (sinonímia).2. 2. frequentemente dupla e valorativa. P – Português. o autor de Os Lusíadas. 1. 61] 1. sempre – eternamente. 70-71] I 1. se quereis. O petrarquismo está presente ao nível do ideal de beleza feminina aqui reproduzido. recordado pelo eu lírico. Entretanto.) que alterna com o ritmo binário. Pretidão de Amor. as formas verbais na 2. que nunca foram impressas pelo facto de o poeta (sinonímia) não ter recursos materiais. não me deixeis – não permitais.1. deixai-me – afastai-vos de mim. sextinas e éclogas.a pessoa. 22-23-24. . 63] 1. 2. na continuação da apóstrofe – lembrais/deixai-me. passado/presente. Ficha formativa [págs. vigor e musicalidade ao texto). sonetos. 4./não me deixeis. | Textos | 6 Compreender [pág. no futuro. 7-8 e 12-13-14. equivalente a uma reforma de soldado.Módulo 2 Textos expressivos e criativos e textos poéticos 9 expressas nos versos anteriores (atente-se. a sua (pronominalização) obra continua a ser admirada por todos. porque nela vivo / já não quer que viva. o ideal de beleza petrarquista oposta à beleza oriental da mulher cantada nas endechas (contra as convenções do petrarquismo). bem parece estranha / mas bárbora não . O facto de se lembrar do bem que já teve no passado agudiza mais ainda o sofrimento presente. canções.

P – Português. na ausência da mulher amada. Sebastião.1. o sujeito poético identifica-se com o girassol (“Uma admirável erva”) e identifica a mulher amada com o Sol.” 2. a medida do verso é o decassílabo.1. graças à influência de alguns amigos junto do rei D. mais do que esquecer. El-Rei Seleuco (1587). como bandeira e como símbolo nacional.5. “se murcha e se consome em grão tormento. Vivi algum tempo em Coimbra e lá frequentei aulas de Humanidades no Mosteiro de Santa Cruz onde tinha um tio padre. Proposta: Nasci em Lisboa por volta de 1524.4. “Velar” significa “vigiar”.1.2. Rimas (1595). A vida cansa porque é sempre igual. Cf. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor II 1. não e ninguém – a diferença que poderia quebrar a monotonia. São estas as “funções” que o sujeito poético espera que a figura feminina cumpra. (o que introduz uma oração subordinada adjectiva relativa explicativa) Funcionamento da língua 1. 3. assim como o girassol “emurchece e se descora ” quando o Sol se põe. portanto.1. O poema é um soneto e. é constituído por duas quadras e dois tercetos.3. 16-18).1.2.10 Caderno do Professor | Resolução das actividades do manual 1. repousar. 2. Regressei a Lisboa. e é costume situar a minha obra entre o Classicismo e o Maneirismo. exagerando as suas qualidades e conferindo-lhe até o poder de ‘criar’. portanto/logo/por isso a leitura da sua obra é um instrumento para abrirmos o presente e o futuro. A hipérbole. Tal como o Sol faz florescer o girassol. …em cima dum divã / com a cabeça sobre uma almofada. também a amada do sujeito lírico alegra a sua “alma”. a 3.1.° momento (vv. 24-43). 1-15). 3. também o sujeito poético.° momento (vv. 1.3. O sujeito poético exprime o desejo do espanto inicial. densa e rica. 19-22). / velar por mim. tal como ele vive inteiramente na dependência do objecto do seu amor. a. pobre e doente. Sou considerado o maior poeta português. Auto de Filodemo (1587) e Anfitriões (1587). Ao longo deste soneto. [pág. a rima é emparelhada e interpolada nas quadras e cruzada e interpolada nos tercetos. Se.3. sempre. 1. é negada através da reiteração do advérbio de negação e do pronome indefinido.4.2.3. 1. b. 3. isto é. A obra de Camões. III 1.2. Veja-se a forma carinhosa como a Morte é personificada no último verso. que desempenha um papel importante no crescimento da língua portuguesa. da miséria e da violência que o rodeiam (vv. De igual modo. 74] .1. 2. conseguindo publicar Os Lusíadas. nunca. não. A poesia de Camões é dinâmica e. relata as contradições do mundo complexo do seu tempo. A figura feminina – meu amor do Norte – dá ao sujeito poético confiança e serenidade. O esquema rimático é ABBA ABBA CDE DEC. O sujeito poético aparece dividido entre o desejo de viver e o cansaço que a vida lhe provoca. também. Versos 6-9 e 15. Poetas portugueses do século XX | Textos | 1 Compreender [pág. “Morrer” é ausentar-se da vida temporariamente. “estar de guarda a”.2. depois de ter sido preso devido a uma rixa. Fixei-me na cidade de Goa onde escrevi grande parte da minha obra. de uma família do Norte (Chaves).3. versos 16-23. Quanto à métrica. Através da apóstrofe Meu Sol. Regresso a Portugal em 1569. 2. / pé ante pé 3. caso. “passar a noite junto de um morto”. 1. Através deste recurso o sujeito poético hipervaloriza a mulher amada. Através desta metáfora – mulher amada/Sol – o sujeito poético compara-se a um girassol e à forma como este depende do Sol. 3. O cansaço do sujeito poético nasce da monotonia da vida (vv. Algumas das minhas obras mais conhecidas são: Os Lusíadas (1572). parti para a Índia. a previsibilidade do mundo. 2. do ponto de vista cultural e artístico. / confiante e sereno… sorriso / onde arde um coração em melodia: … suavemente. de ‘morrer’ para ‘renascer’.2.3. c.2. em 1572. 1. 1-23) . aqui. 1.1. da constatação da falta de imaginação do homem (vv.5. 2.2.3. Morrer e suicidar-se não representam. levando aí uma vida de boémia.2.1. libertar-se.4. o eu lírico dirige-se à mulher amada. Em 1553. A obra de Camões proporciona-nos um encontro com a nossa história porque/visto que/já que a sua poesia foi utilizada. subtil e cuidadosa. Faleci em Lisboa no dia 10 de Junho de 1580. ao longo dos tempos. 2. 74] 1.

incêndio. porém. 2. 4. duvidosa. em toda a sua intensidade. A primeira apóstrofe – “mestre da inquietação / Serena!” – aponta para um ideal de harmonia e serenidade. irreal. consideramos o facto expresso pelo verbo como certo. é completamente diversa a nossa atitude. seja no presente. pelo ideal de harmonia e serenidade (vv. leia-se o seguinte: “Quando nos servimos do MODO INDICATIVO.3. mas mantém. punhal. um tom contido de aparente distanciamento. O tema comum aos três poemas é anunciado pelos respectivos títulos: o valor das palavras na poesia. ‘destruição’. o negrilho é um ser com estatuto humano. eventual ou. Ao empregarmos o MODO CONJUNTIVO. O sujeito poético identifica-se com o negrilho.1. orvalho conota ‘leveza’. 4. 76] Compreender [pág. honestidade. 8-9).2.” – salienta a simplicidade poética e a relação da poesia com a natureza.4. por uma simplicidade poética inspirada na natureza (v. 13-14) e espalha. 11-12). 4. 13) 4. orvalho. e 1. “os pássaros e o tempo”.Módulo 2 Textos expressivos e criativos e textos poéticos 11 1. calculismo. pois é definido como sábio (“revela o mundo visitado”) e sonhador. medo. O negrilho é uma árvore de grande porte e de copa abundante (“bosque suspenso”). etc. (respostas baseadas nos “Cenários de resposta” da prova de Exame Nacional do Ensino Secundário de Português. ‘dor’. podendo ser substituída pelas conjunções coordenadas adversativas mas. consulte-se Celso Cunha e Lindley Cintra.1.1. por uma valorização da sabedoria da terra (v. 1.1. 1. 4).. 10. o sujeito poético enfatiza o carácter excepcional daquela árvore e da sua relação com ela. 2. 1. o envolvimento afectivo que a caracteriza. considerando-o o seu mestre e a origem da sua poesia (“Os meus versos são folhas dos seus ramos. cristal.2. 78] 1.”) e sente admiração por ele visto que ele simboliza a harmonia da natureza.1.1. seja no futuro.1. Os outros: dissimulação. “Porque” – conjunção subordinativa causal. 2.3. 1. 6. contudo… Sobre os valores particulares de algumas conjunções coordenativas.6. ‘frescura’. 1. dotado quer de atributos físicos – a voz (“conversamos”) e os “olhos” –. quer de traços psicológicos. seja no passado. evidenciando o carácter singular do negrilho. Nos versos 11 e 12. O conceito de poesia apresentado caracteriza-se.3. a terceira – “gigante a sonhar” – evidencia a expressão do sonho humano de elevação e de integração na ordem cósmica.a chamada. O negrilho assume um papel protector (vv. “Tudo pode mudar porque…”.2. P – Português. 3. a segunda – “imortal avena / Que (…) maninho. Encaramos. real. “mas tu não”.1. 578 a 581. “Tu ”/ ”os outros”. “Porque os outros”.a fase. Sendo o único poeta da terra natal do sujeito lírico. Sugestões: “Ainda há esperança porque…”. entre outros. a última – “bosque suspenso / Onde (…) ninho!” – remete para o carácter protector da árvore. dá expressão dramática à sua relação com a árvore. . Ao dirigir-se ao negrilho. 81-82] 1.” Celso Cunha e Lindley Cintra. Nova Gramática do Português Contemporâneo (págs. à sua volta. 2001) 1. revelando. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor | Textos | 4 Compreender [págs. cit. falsidade/hipocrisia. 2. a conjunção coordenativa e tem um valor adversativo (estabelece entre as duas orações uma ideia de contraste). in ob. A repetição do pronome pessoal – “Tu” – transforma esta segunda estrofe numa espécie de oração. “Descansaria…” | Textos | 3 | Textos | 2 Compreender [pág. através do discurso de terceira pessoa. 4. mas tu não (vv. 2. O poeta a que se refere o sujeito poético é o negrilho. todavia. antiga (nela o “tempo” faz “ninho”). 10). 7.1. 463-464) 2. A propósito do emprego deste modo. 3. Cristal remete para ‘transparência’. na segunda estrofe. Na primeira estrofe. págs. punhal e incêndio para ‘agressão’. cedência. a existência ou não existência do facto como uma coisa incerta. aventura/risco. denúncia. é um espaço protector a que se acolhem o “eu”. Algumas hipóteses: “Seria feliz…”. mesmo.5. pudesse – pretérito imperfeito do modo conjuntivo. A alteração de pessoa verbal – de “ele” para “tu” – entre as duas estrofes faz sobressair a proximidade entre o sujeito poético e o negrilho. Tu: ousadia. então. tratando-o por “tu”. 1. serenidade (vv.

dirige-se a um “tu”. as segundas são quentes e fulgorosas. / [como] um incêndio. ainda. Comparação e metáfora. 4.3. sustentavam). amor/morte. | Textos | 5 Compreender [pág. 4. A brochura Leitura. 7-8: água. os pares água/fogo . 2. A relação sujeito poético-pátria-liberdade é uma relação de tudo ou nada: só existe pátria em liberdade e por elas o sujeito poético está disposto a tudo – ao exílio. do ME-DES (1999).2. Os tempos do passado são o pretérito perfeito (fartaram-se. exílio. nesse caso não haveria metáfora. enumeração. navio. 2. Por exemplo. 3. 84] P – Português. 19: rosa. 16: amor. pátria. Daí o seu carácter complementar.1. mas apenas comparação: Algumas [são como] um punhal. 2. cuidadas. por vezes. 3-5). fogo. ele aproxima-se de uma definição (poética) de polissemia.2. Sempre. se calhar. ao cativeiro. Vogais e consoantes são opostas pois. 3.3. remete para a ‘morte’ das palavras que.2.1.1. hoje são muito menos dóceis e mais difíceis de ‘domar’.12 Caderno do Professor | Resolução das actividades do manual 2.1. implica exílio e morte. lenha. / Outras [são como] orvalho apenas. 2. pátria/exílio . vv. como aliás todas as outras do poema. “estão ariscas” (v. 3. protegidas. 2. porém. Através desta interrogação.2.14: tempestade.2. para o carácter contraditório da palavra poética. que se pode eventualmente identificar com um “eu” – o sujeito poético seria o eu e o tu. Esta canção encontra-se no CD dos Trovante intitulado Baile no Bosque. 6-9). a luta por ela é fogo e cardo. 4. O carácter ambíguo das palavras está em evidência neste poema porque o sujeito poético apresenta um conjunto de vocábulos que transportam consigo sentimentos diversos e. Para cada um destes pontos serão usados os parâmetros Nunca. trazem ainda boas memórias. .5. Provavelmente.4. fazendo-nos supor que o apelo por ele lançado no poema anterior não teve eco. Tendo em conta que o poema nos chama a atenção para o facto de as palavras poderem apresentar diferentes significados. gostaram) e o pretérito imperfeito (dançavam. 15: sangue.2. as palavras “gostaram” do sujeito poético: andavam à volta dele e “aqueciam-no”. que sugere “desmaiadas”. propõe a seguinte ficha de avaliação de leitura em voz alta: ■ ■ ■ ■ ■ ■ Hesitar Usar o dedo ou outro guia Ler com expressividade Fazer leitura palavra a palavra Respeitar a pontuação Errar em pequenas palavras ■ ■ ■ ■ ■ ■ Ter ritmo de leitura Acrescentar Omitir Aglutinar sílabas Ter problemas de dislexia Fazer autocorrecção. Muitas vezes. 1 e 15.2. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor 1.4. mesmo quando ‘enfraquecidas’. do rigor e da simplicidade com que o sujeito poético as usava (vv. 2. morte. uma vez mais. “arreganham os dentes” (v. frequentemente. os versos 3 a 6 podem ter subentendido “são como”.2. A relação das palavras com o sujeito poético mudou provavelmente porque aquelas se “fartaram da rédea” que as prendia. o sujeito poético lança um apelo para que as palavras sejam escutadas. amor e rosa mas. 2. v. da mesma editora. A liberdade é água. vv. A antítese luz/noite remete. 3). v. 2. tive.1. primavera. este facto deve-se também à maior exigência que o sujeito poético tem na selecção das palavras (“já só procuro as mais encabritadas”). 16). v.6.6. fazia. Nesta ficha haverá.1. se tornou mais exigente e que agora só procura “as mais encabritadas”. 17: chama. até antagónicos. lugar para observações e estratégias de remediação. Algumas vezes. “resmungam” (v.a estrofe. encontrava. No passado.2. 10: navio. 1. personificação. 4. v. 4. Em alternativa. vento. destinatário do discurso. O adjectivo “ pálidas ”. Raramente. “ténues”. 3. pátria. 82] 1. Adjectivação. enquanto que as primeiras são suaves e ‘tranquilas’.1. 2. será a vez de os alunos praticarem a leitura oral de alguns poemas.3. “agora” – vv. Observação: Na 1. o sujeito poético pede contas a um “tu”/ “eu” acerca do que terá ele feito das palavras. que outrora eram o seu ‘sustento’ quotidiano.1. As vogais são “de um azul (…) apaziguado” e as consoantes ardem “entre o fulgor / das laranjas e o sol dos cavalos”. v.2. Através desta imagem (conjunto de metáforas) o sujeito poético refere que as palavras. A interrogação do primeiro verso. da EMI-Valentim de Carvalho ou no CD Poesia Encantada. 17). Actuar [pág. Depois de ouvir o poeta. desobedecem-lhe e desrespeitam-no (cf. o sujeito poético sugere que. à morte. Através destas interrogações.1. no presente.1. rosa/cardo. cardo. Por exemplo versos 17-20. só quando as juntamos podemos fazer palavras. v.

2. expressando um desejo do sujeito poético: que. depois da morte. que “escrever é um acontecimento cósmico”. Ardiloso como os Orientais . 2. quando é destruído pelo fogo. Isto é o que sei de poesia. Os sinais mágicos da palavra. Que procura o impossível. uma forma de medição.1. De qualquer modo.pt/librdd5. o poeta de hoje é como esse xamã antigo que. Dança com palavras ao som de um ritmo que só ele entende. Como já não pode ler nas vísceras das vítimas. Talvez o poeta.bib-camilo-castelobranco. Ardente/Ardoroso/Veemente como os Africanos. texto escrito e lido durante uma sessão consagrada a “Trinta Anos de Poesia” na Faculdade de Letras da Universidade Católica de Viseu. que escreveram sobre o tema da liberdade. Sobretudo não sei se a poesia tem alguma coisa a ver com a literatura.2. 84] A poesia é também a língua. 84] 1.pt/cd25a/ (Centro de Documentação 25 de Abril.. dizia Cioran. (…) O poeta. assim. também aqueles que são explorados guardam em si uma raiva calada. da Universidade de Coimbra). in 30 anos de poesia. esconde-se a matéria luminosa do universo”. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor Poetas de expressão portuguesa do século XX “Não vale a pena pisar” Tópicos de análise Todo o poema é uma longa metáfora – tal como o capim. Talvez tudo esteja nesse primeiro verso. P – Português. que nasce espontaneamente da força da terra. através da repetição rítmica de palavras e imagens. 1997 (texto com supressões) Texto a ler aos alunos: A poesia não se explica. Subtil como os Europeus. Um presságio do Sul. E que cada palavra é um pedaço de universo. 86] 2. Ou é talvez o adivinho. E para mim a língua começa em Camões. Para encontrar outros poetas portugueses. [pág. Talvez esteja antes ou depois da literatura..uc. Sei que a poesia não se explica. procura decifrar os sinais dos tempos através de múltiplos sentidos ou do sem-sentido da palavra.rcts. falso. Hipóteses: incoerente. como nas sociedades primitivas. Ou como dizia Klebnikov: “na natureza da palavra viva. que tinham uma concepção mágica do mundo. Uma encantada. Robusto/Belo como os Gregos. convoca as forças benfazejas ou tenta exorcizar as forças maléficas.html e http://www. O poeta é esse feiticeiro. Não sei falar de literatura. A poesia é. Sei. porque os outros têm de ser conquistados. Não sei falar de poesia. 19). Sossegado/Calmo como os Árabes. Ou talvez ela não seja mais do que o primeiro verso. Manuel Alegre. encantatória e desesperada tentativa de captar a essência do mundo e de. pronta a “explodir” a qualquer instante. não seja muito diferente daquele sujeito que vemos nas tribos primitivas. como o poeta russo Mandelstam. 3. E o que é levar a sério a linguagem? Eu creio que é estar atento aos sinais. “Recorda-te que tu és pó e em pó te hás-de tornar” (cf. que tinha uma flauta mágica. Publ. hipócrita. “é aquele que leva a sério a linguagem”. a poesia implica. Uma forma de alquimia. consultar o site http://www. como diz o meu amigo Herberto Hélder. Mas não sei se é possível saber mais. Oralidade [pág. Ambicioso como os Romanos. em Maio de 1965. 4. aquele que nos é dado. afinal. antes de tudo. Sei que a energia. Apaixonado como os Latinos . | Textos | 6 Compreender [pág. Dom Quixote. “nem anjo nem bruto” refere a essência humana do homem com todos os seus defeitos mas também com as suas virtudes. que é o instante da revelação e da relação mágica com o mundo através da palavra poética. Génesis. como sempre dizia Miguel Torga. 89] .Módulo 2 Textos expressivos e criativos e textos poéticos 13 Actuar [pág. através da palavra. da segunda metade do século. é a essência do mundo e que “os ritmos em que se exprime constituem a forma do mundo”. como costuma dizer a minha amiga Sophia de Mello Breyner. Ou seja: o verso que não há. ressuscite puro e imaculado. A música secreta da língua. A calma ilusória dos oprimidos explodirá em força logo que as condições sejam propícias. A forma verbal encontra-se no modo conjuntivo (Me levante). 4.1. Talvez tudo isto seja a poesia. 3. (…) É então que a poesia acontece. renasce após a primeira chuvada. como diz o meu amigo José Manuel Mendes. “mudar a vida”. repetindo palavras mágicas enquanto dança e pula ao ritmo de um tambor. de plumas na cabeça. Talvez seja muito pouco. como queria Rimbaud. A arte e o ofício da língua e da linguagem.

procurar fixar-se numa região de trabalho bem remunerado para regressar o mais depressa possível. ■ vv.priberam. remetendo para o título Negra. 13 a 18 – identificação do sujeito poético com Timor: fala pela voz de Timor expressando o desejo à autodeterminação. alma. mas não posso pronunciá-lo (vv. vv. à máscara. batesse/cantasse. isolados por um travessão. fome. “gemidos cantados” – expressão que revela a verdadeira natureza dos cantos das crianças. pess. 5 e 6 – esperança no ressurgimento futuro e desejado. cuspisse/passasse indiferente. 2. a fartura. ciclo da vida: “…sonhos/que um dia esvaem-se/ – mas surgem sempre…”. só os africanos – “do mesmo sangue. ■ “Esperança” [pág. P – Português. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor [pág. Tópicos de análise v. 12. 91] Tópicos de análise o título é a palavra-chave para decifrar o poema: Esperança. a vida colectiva: ■ o ritmo telúrico (vida ligada à terra). 19 a 24 – apelo de que o sujeito poético se faz eco. 25 – Timor fenece. vv. que provocam o desejo de evasão (hora di bai – hora da partida). ■ ■ ■ ■ . palavra que nunca aparece no poema embora todo ele remeta para esse sentimento. 11-18). isto é. o ciclo do sonho/esperança. tudo se passa no interior – “Eu sei o teu nome…”. ■ “Os vínculos timorenses” Tópicos de análise ■ ■ [pág. 6 a 15 – razões que provocam a partida – seca. as quatro primeiras estrofes correspondem ao mundo da aparência. A solução da partida é inevitável mas provisória – abandonar as ilhas. determinada pela situação financeira dos que aspiram à emigração. 94] vv. a esperança de mudança concretizada no último verso – esperança = vento da certeza. mesmos nervos. 13 e 19). 92] Tópicos de análise África vista de fora (“Gentes estranhas com seus olhos cheios doutros mundos”) – imagem falsa. valor expressivo dos adjectivos “mudos” e “quedos”. v. os últimos versos de cada um desses tercetos. a impossibilidade de partir. carne. ■ o sentimento colectivo de que a emigração constitui a única solução possível e. ciclo da terra. aconselha-se o site http://www. 1 a 4 – metáfora de Timor aprisionado. / sofrimento” (vv. ■ ■ Dois ritmos polarizam. o ritmo pelágico (das eternas partidas e regressos). a realidade. inevitavelmente. na quinta estrofe a máscara cai e revela o rosto. 21 a 36 – sentimento de quem fica: por um lado a resignação. ■ ■ ■ ■ vv. constituem-se como uma espécie de prolongamento do título do poema. 93] Em relação ao crioulo cabo-verdiano. morte. 7 a 10 – identificação profunda com o povo timorense através do símbolo da bandeira. vv. construídos com base numa repetição anafórica (“É como se alguém…”) seguida de uma construção antitética: pisasse/risse. ■ “Lá no ‘Água Grande’” Tópicos de análise vv. ■ silêncio a que os carrascos obrigam. do condicionamento geoeconómico a que as ilhas estão sujeitas: a seca e a fome. o escritor e crítico literário Manuel Ferreira salienta os dois “mundos” em que se movem as crianças são-tomenses: “o reino da aparência e do ‘real’ – a máscara e o rosto”. 37 a 43 – os dois ritmos que polarizam a vida das ilhas – campos (telúrico)/mares (pelágico). os quatro tercetos iniciais. apunhalasse/abraçasse. – a senhora (tratamento cortês usado apenas com as mulheres velhas ou muito respeitadas pelo falante). ■ ■ ■ a saudade dos que partem (a ruptura dos laços que prendem o homem à sua terra natal) e o desejo do regresso. metáforas de “esperança” (vv. sangue/pacto (v. vv. espécie de grito de morte anunciada. reportando-se à realidade. atravessar a imensa fronteira líquida. 1 – Nha: pron.14 Caderno do Professor | Resolução das actividades do manual “Terra” [pág. ■ “Negra” [pág. por outro a esperança de que as coisas se alterem – que venha a chuva e traga consigo a abundância. paradoxalmente. 6.pt/dcvpo/ onde um dicionário e uma gramática de crioulo podem ser consultados on-line. 9.a pessoa sing. 16 a 20 – lugares mais desejados. É a tragédia do êxodo. 90] A literatura cabo-verdiana: temática Há um conjunto de constantes na literatura de Cabo Verde que derivam. oca e artificial (vv. ■ ■ vv. 14-18. 20-21). 3. o sonho de quem parte ou almeja partir. fem. 21-22) – conseguem perceber o sentido (verdadeiro) de África – MÃE. carácter simbólico deste facto: o ■ Num comentário a este poema. assim. metáfora da candeia acesa. Nota no Manual). a eterna diáspora cabo-verdiana.

quadra – vento/noite/frio – conjugação dos elementos naturais que se aliam à tristeza provocada pela morte do sonho. desilusão. 1.Módulo 2 Textos expressivos e criativos e textos poéticos 15 “Canção” [pág. agora. quadra – hipérbole dos dois primeiros versos. avança. carinho (vv. ■ marcas do “crime” – mãos molhadas. 94] ■ Tópicos de análise Tema: A paz só se alcança quando se abdica do sonho/A morte do sonho. S. sem pressa de chegar ao cais divino. 3-4) versus a real dificuldade em lidar com ela (vv. gasta). resultado ou efeito. correspondendo cada uma delas a cada uma das estrofes.1. Europa-América. ■ “No meio do caminho” Tópicos de análise [pág. avança. e fá-lo com uma espantosa economia lexical (à base dos lexemas inqualificados “caminho” e “pedra”. valor simbólico das mãos – atitude deliberada do sujeito poético. cor que escorre dos dedos – morte do sonho pelas suas próprias mãos. O conector “Por isso” traduz a ideia de consequência.. Leonardo que.3. ele faz de um aparentemente banal acidente de percurso um grande acontecimento obsessivo. O antecedente do advérbio “Lá” é a expressão nominal “cais divino”. mas pode simbolizar igualmente a novidade. Os adjectivos são “ancorado” e “feliz” (v. absurdo. meus). 9). e por seme- aparente simplicidade da bola (vv.1. abundância de marcas da 1. “Na menina dos olhos (b) deslumbrados”. ■ 3. na primeira estrofe. s/d O poema pode dividir-se em duas partes: a viagem em direcção ao cais divino. tristeza. ■ a 4. Leonardo não tem pressa de chegar ao seu destino (o ‘cais divino’) porque se sente ‘feliz’ no ‘cais humano’ onde tem tudo aquilo de que gosta e cujas sensações agradáveis pretende prolongar o mais possível já que sabe que no local para onde vai não terá nada daquilo que tanto aprecia (Cf. poderiam citar-se as seguintes passagens: “socalcos” e “vinhedos”. ■ . Ficha formativa [págs. o sofrimento mata o sonho. 8. a importância da poesia drummondiana. (o) meu. na sua ambiguidade. vai sulcando as ondas da eternidade.° vol. Leonardo. 6. 3... 5. astúcia.2. 1. 4. deixarão). chorarei. Locução adverbial: “sem pressa” (v. vai). 1-2) ■ bola/touro – definição por oposição lhança (v. ■ P – Português. Nota introdutória a Obras Completas de Carlos Drummond de Andrade. atenção. “Um poeta universal”. “ancorado e feliz no cais humano”. vv. ■ expressão dos sentimentos do sujeito lírico que estão na base da sua decisão de ‘matar’ o sonho – solidão (areias desertas). devagar e sem pressa nenhuma de lá chegar.a quadra – valor simbólico do conector temporal “depois”. 7-8). (vv. Na terceira estrofe retoma-se o presente de S. 96-97] a I 1. Leonardo quando chegar ao seu destino. capitão no seu posto de comando. 8). o cheiro a “mosto”. Na segunda estrofe é feita a antevisão (daí o tempo verbal futuro) do que espera S. no “cais divino”. “um navio de penedos”. cansaço. 21) “lentamente” (v. Leonardo. (as) minhas. 2. Assim. 6. Duas hipóteses possíveis: O poema poderá ser dividido em três partes lógicas. na terceira estrofe volta a predominar o presente (se aproxima. Entre outras. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor 6. na sua simplicidade. a navegar num doce mar de mosto. pessoa (pus. a ordem/a perfeição equivalem a ausência de dor/ausência de sonho. à proa dum navio de penedos. “O futebol brasileiro evocado da Europa” Tópicos de análise ■ [pág. vemos S. que naturalmente são investidos de grande energia simbólica) e sem mais ênfase que a da repetição. Na primeira estrofe predomina o presente (é. ruma. ■ a 5. porque sabe o que o espera na “bem-aventurança”. símbolo de um país (Brasil). advérbios: “devagar” (v. e a antevisão de como será o referido cais (estrofe 2). 8).” Arnaldo Saraiva. dramático. Publ. Obra Poética. 95] o futebol. na sua brevidade. abri.. na qual S. a “terra” e a “rosmaninho”. ■ ■ relação bola/mulher/touro – necessidade de tratar com malícia. serão. 7. “Nem vinhedos (a)”. 23). 10-11: “É num antecipado desengano…”). S.a quadra – relação sonho/navio/mar/mãos. 95] Sobre o poema No meio do caminho: “Este poema pode simbolizar dignamente a poesia modernista brasileira e as reacções de entusiasmo ou de repulsa que provocou podem simbolizar as que sempre provoca a arte de vanguarda. Leonardo se demora para poder apreciar a paisagem (constituída pelas estrofes 1 e 3). a iniciar a sua viagem em direcção ao “cais divino”. 11-12). na segunda estrofe predomina o futuro (terá.

| Textos | 3 Antes de ler [pág. 9). 14). 103-104] 2.2. 43).° § – Tecnologia – a ciência em acção. sobretudo.° § – “A Terra (…) não haverá mais. O desenvolvimento das actividades comerciais (Cf.” e “… pode ser divertida e acessível a todos. “Os números foram ordenados e agrupados em unidades cada vez maiores.” 2. com ar enfastiado. geralmente pelo uso dos dedos de uma das mãos ou das duas…” (ll.2. podemos observar uma personagem masculina. A adição. ■ Tem uma intenção estética: predomina a função poética. Afonso dá à primeira pergunta da entrevista – a guerra ‘anunciada’.1. 41) e divisão (l. 1-4) 2. ■ ■ A verdade da mensagem não é uma preocupação fundamental.° § – “As ilhas (…) estão ameaçados. o texto “As origens da Matemática” mostra-nos como esta disciplina entrou naturalmente nas nossas vidas e está presente. 101] 4. 18).” (ll. multiplicação (l. É um texto literário. 4-8) 3. 103] 3. importância à forma. O ‘público’ espera pelo início da guerra como quem espera por um filme ou uma série que passa a determinada hora na televisão. “A divisão começou quando 10 se exprimiu como ‘metade de um corpo’…” (ll.” Ora. de forma muitas vezes inconsciente.° § – “A História (…) gerações futuras. Por isso. ela é tão natural e “… tão fácil de perceber como as palavras. Funcionamento da língua [págs. pipocas espalhadas e o jornal abandonado aberto na página que fornece informações sobre os programas de televisão. 8-12) 4.° e 5. queixandose que os programas de televisão nunca começam à hora prevista. 1. é uma tentativa de desmistificar a dificuldade da matemática – “… a matemática não tem de ser um problema. Neste cartoon. Adição (l.” (ll. Na televisão reconhecemos a imagem do Rambo.° § – Como funciona a ciência. em muitos gestos do nosso dia-a-dia. 6. 4.2. l. ‘comandando’ a televisão enquanto a mulher arruma a cozinha. Aula de Matemática ■ 2. Partindo do princípio da contagem pelos dedos.” (ll. 7. 44). ao que o homem responde que não. .” (ll. No original. era esta a divisão: 1. 45). sentada num sofá em frente à televisão.° § – “Tenho esperança (…) própria vida. 107-108] 1. subtracção (l. “Contudo” (l. Numa mão tem o comando do aparelho e. 1. Compreender [pág. o sujeito poético usa os conceitos matemáticos de uma forma muito pessoal que reflecte as suas ideias e sentimentos.” (ll. ‘com hora marcada’ para aparecer na televisão. 1.1. onde. “metade do corpo” seriam dez dedos. três latas de refrigerante vazias. os alunos irão completar uma grelha. 45-46). ■ | Textos | 2 Antes de ler [pág. uma taça de pipocas. Para além de todos os estereótipos que o cartoonista aqui põe em evidência – o fim do dia de muitas famílias portuguesas em que o homem se acomoda no sofá. onde está escrita uma frase com símbolos matemáticos: A matemática deve ser tão fácil de perceber como as palavras.2. População de Murray River: 5 = petchval petchval enea (4 + 1). “Em suma” (l. Dá. 3. da página 108. população de Kamilaroi: 7 = bulan bulan guliba (4 + 3) 5. O anúncio apresenta-nos um quadro preto típico das escolas. 4. 109] Compreender [págs. No chão. 17-19) Através deste texto é-nos dada uma visão subjectiva do mundo (interior e exterior).16 Módulo 3 Textos dos media I | Textos | 1 Antes de ler [pág. 1. De dentro da casa alguém pergunta se a guerra já começou. recordando as noções de texto literário e de texto não literário.° § – Introdução. 12-17) 5. numa total inversão realidade/ficção: não é a realidade que passa a ficção mas a ficção que “salta” para a realidade. Esta é a primeira fase do trabalho a completar na pergunta 7. A mensagem subjacente a este anúncio.° § – “No entanto (…) conquistas tecnológicas. 105] 1. E o P – Português. na outra. b. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor 3.1. patente no texto que o acompanha. Utilizam-se recursos estilísticos e uma linguagem profundamente conotativa. 2.° § – Ciência – um estudo de tudo!. há uma íntima relação entre este cartoon e a resposta que L. a. 15-16).

117] 1. 38 e 43). a importação de palavras de outras línguas (3). 3. O título da entrevista é uma frase do entrevistado (cf. d. Compreender [págs. A ordem é a seguinte: Ora. podemos entrever uma tomada de posição em relação aos factos. preocupado.1. que.2. na opinião do autor. | Textos | 4 Compreender P – Português. (in Grande Dicionário Língua Portuguesa. nas faixas.. 1. 112-113] 1. 1. os outros professores acusam-nos de serem responsáveis pela “pobreza vocabular” dos alunos e a redacção de actas e outros documentos é encarada como uma obrigação destes ‘puristas’ da escrita. Anáforas: “o/lo” (ll. os das ciências sociais “limitam-se a sublinhá-lo” e os docentes de Português “ não sabem que peso atribuir-lhe”.]. b. os professores das disciplinas científicas “deixaram de o corrigir”.1. acto ou dito irreflectido com possíveis consequências desagradáveis ou perigosas. mas. recorrendo a regras da própria língua (1). que constitui uma espécie de tributo ao pai e àquilo que o cartoonista aprendeu com ele relativamente à forma como se posiciona perante os acontecimentos. 121] 1. destacado. 26). a.3. a.1.. b. 1. 1.2.1.Módulo 3 Textos dos media I 17 que é certo é que este tipo de ‘programa’ tem audiência: “correu bem em termos de bilheteira…” (l.. Nota-se que a entrevista foi bem preparada: o entrevistador conhece bem o percurso do entrevistado e a sua obra. atribuindo-lhes novos significados (2). 4.. 24. como o título já anunciava. certamente. Porto Editora) 4. 42). O entrevistador adopta um tom formal.1.” 4. é ele que está destacado já que a mulher que se encontra à sua frente (bem como o resto da foto) se apresenta desfocada. porém/todavia/contudo [colocados após “que carece”: que carece.2. “ele” (l. 2.. O autor afirma que “vai sendo um castigo” ou uma imprudência ser-se professor de Português pois estes professores são frequentemente colocados “ na posição de réus” e constantemente “colocados em trabalhos e tormentos”. logicamente. faz perguntas pertinentes (que muitos leitores gostariam.4. No entanto.3. Temeridade – ousadia perante um perigo quase certo. “Para incorporar palavras novas. audácia.3. 3. O maior erro. 4. O autor faz esta afirmação porque os erros ortográficos proliferam apesar dos esforços dos professores. 5. nas “coisas” da Câmara. é lógico que. de fazer).1.. chamando particularmente a atenção do leitor para o facto de o cartoonista se inspirar naquilo que o rodeia e para as suas constantes dúvidas e inquietações. Trata-se de uma retoma anafórica pronominal. 2. Podemos situar a CPPORT14CP-02 ..6.1. “dele/deles” (ll. A ordem dos parágrafos é: c.. O antecedente é “os léxicos”. 36). b. nas duas primeiras perguntas. Na introdução faz-se uma espécie de síntese do conteúdo da entrevista. Funcionamento da língua [págs.1. Hipóteses possíveis: “as pessoas tinham-se excedido um pouco”. a. 2. etc. 1. 117-119] 1. Exemplos possíveis: Assim. 2. nos placards. uso da primeira pessoa do singular).2.5. os léxicos das línguas dispõem basicamente de três mecanismos distintos: a construção de palavras. actualmente.2.1. nos autocarros. b. O erro ortográfico encontra-se nos tapumes das obras. 4. 23. 2. Acrescente-se que “o erro ortográfico” é ainda antecipado por diversas elipses (“[ele] Está também…. 3. usando a 3. 34.2.a pessoa quando se dirige directamente ao entrevistado. “era uma pista onde a prova tinha decorrido”. é não reconhecermos o erro ortográfico quando o vemos e este facto é grave na medida em que o perpetua. etc. Segundo o autor. 1.2. Embora não apareça em primeiro plano.1.. um homem com ar triste. Esta forma de destaque poderá indicar que o homem está desorientado. a reutilização de palavras existentes. [ele] circula…”.1.1. 35. 16).. Luís Afonso ‘herdou’ do pai. no entanto. isolado em relação àquilo que o rodeia. b.). hoje em dia/nos nossos dias. Na primeira foto vemos. ignorado pelos outros figurantes da foto.. nas legendas televisivas. Não podemos dizer que o entrevistador tenha formulado juízos de valor sobre as respostas dadas ou tenha procurado influenciar de forma óbvia o entrevistado.. O grupo nominal a que se refere “nele” é “o erro ortográfico” que só aparece na linha 22. e 2. imprudência.1. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor [pág. nos muros. 2. b. nos painéis publicitários. “lhe” (l.2.1. | Textos | 5 Antes de ler [pág.

Por exemplo: em início de frase. 4. “talvez”. ser suprimidos da superfície lexical da frase.2. o crítico chama a atenção do leitor para o facto de não haver grandes diferenças entre nós e os imigrantes que recebemos: tirando os problemas de ordem burocrática (legalização. Propositadamente optou-se por lisboetas com minúscula. assistimos a uma cena dentro de um autocarro: uma mãe com um bebé ao colo. um futuro melhor do que o seu presente. são eles (os lisboetas/os portugueses) quem acolhe os imigrantes ou quem os ignora. caso contrário. embora os respectivos complementos directo e indirecto não estejam expressos. antes expressa um facto dependente de uma hipótese. Por isso. por si só. no dia-a-dia estes “verdadeiros” lisboetas estão ausentes/invisíveis em relação aos imigrantes. correcta.1. a meu ver. uma certa curiosidade em relação às duas outras personagens). imparcial. Ao lado. olhando-o com ar sereno e embevecido. com caixa baixa. e não assim. Contribuem também para manifestar a incerteza do locutor a expressão “E nesse caso…” aliada ao uso da forma condicional “faria” e o recurso ao futuro (“será”. Por exemplo: clarividência (l. “África”. Lisboa.2. certamente. A opção pelos grandes planos justifica-se pela vontade do realizador de não interpretar mas sim de ‘mostrar’. A ausência dos “verdadeiros” lisboetas do filme é explicada pelo facto de eles se comportarem desse mesmo modo “face ao Outro”. o uso da maiúscula no vocábulo “Outro” revela a preocupação do autor em evidenciar a importância destes cidadãos. introduz um valor modal: o ponto de vista do sujeito locutor em relação àquilo que é dito. 3. 4. Predicados: agradecemos/retribuem. cidadãos de Lisboa iguais a todos os outros. isto é. 99) e distanciamento (ll. 123-124] 1.3. não dependem deles nem da sua vontade. Através daquilo que o crítico classifica como “filmar a ‘seco’”.5. “terá Tréfaut querido (…) mostrar-nos”) que não assume. “Nem sei também se…”.).2. 1.1. 4. A vida destes “novos lisboetas” não lhes pertence pois têm que lidar com uma série de problemas que. P – Português. Por exemplo: o uso do adjectivo valorativo em relação ao trabalho do realizador (enorme. 2. 5. em algumas circunstâncias. aqui. As mensagens são opostas pois enquanto que na primeira há uma mensagem de solidão e isolamento. parece-me que. os imigrantes retratados no filme. isto é. Observação: Os verbos “agradecer” e “retribuir” são transitivos directos e indirectos. em meu entender. acho que. “poderá ter”. 3. “poderá ter-se tratado”. contratos de trabalho.2. Compreender [págs. emocional. A letra pequena faz bastante diferença na leitura da mensagem. o realizador terá querido salientar que estes ‘lisboetas’. penso que.2. Evidenciam incerteza. na segunda a tónica é posta na esperança das gerações futuras (quer o bebé que está ao colo da mãe e para quem ela sonha. Estou seguro de que no início do genérico do novo filme de Sérgio Tréfaut o gentílico surgia no écran com capitular. 3. poderia tratar-se de uma chamada de atenção para o estatuto de menoridade destes imigrantes. que representa todo o país. o realizador mantém em relação às personagens uma “dose correcta de distanciamento”.2.” 2. nos nomes relativos a meses do ano (“Janeiro”).2. Reescrita possível: “Lisboetas. Sendo intencional. 3.2. ou seja. lisboetas. 124-125] 1. etc. Trata-se de um sujeito nulo subentendido [Nós]. 3. …) nos antropónimos (“Sérgio Tréfaut”). Orações coordenadas: “Nós agradecemos e eles retribuem.1. Será uma boa ocasião para explicar aos alunos que mesmo os complementos seleccionados pelo verbo (ou pelo nome) podem.18 Caderno do Professor | Resolução das actividades do manual foto em Lisboa pela placa atrás do homem. Sei também que a questão não será de importância relativa ou menor. etc. o realizador deste filme ‘esqueceu-os’: é como se eles não existissem.2. a maior parte das vezes. são ‘verdadeiros lisboetas’. até. de ‘dar a conhecer’. todos nós estamos irmanados tanto nas dificuldades como nos sonhos. isto é. 5.1. . de lhes conferir o estatuto de ‘verdadeiros lisboetas’. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor Funcionamento da língua [págs. expressões como: “Não estou bem seguro de que…”. Se o título tiver sido grafado com maiúscula inicial. Na segunda foto. Os “novos lisboetas” são os imigrantes que vêm de todo o lado. nos topónimos (“Lisboa”. “creio que…”. uma ideia temporal de situar uma acção num tempo posterior ao tempo em que se situa o acto de fala.1. 2. uma outra criança observa a cena que se passa também em Lisboa (no autocarro que se vê ao fundo pode ler-se Restelo).” Sujeitos: Nós/eles.1. quer na criança que não os ignora e demonstra. em particular de África e dos países de Leste. 99-100). 1. Através desta personificação. Referimo-nos a expressões do tipo: na minha opinião.1.4. é identificada com os seus habitantes. segundo o autor deste texto de opinião. 1.3. Através desta frase. …).

Os conectores são: “Em primeiro lugar…”.2. na segunda metade do século XX.” “Em suma…”. na hora do jogo. os “novos lisboetas” vão-se adaptando à cultura portuguesa.. // … que tivéssemos mais factores de nivelamento como estes na esfera internacional. o aumento das taxas de sobrevivência infantil e de matrículas no ensino secundário. “OBRIGADO.. 130] 1.a pessoa) e no referente (3. em função da intencionalidade que se pretenda atribuir à frase. é subjectivo.Módulo 3 Textos dos media I 19 1. 4. as infecções pelo VIH. até. “Em segundo lugar…”. (ll.3.2. pelo facto de ser publicado numa revista. … em que todas as pessoas sabem qual é a posição da sua equipa e o que ela fez para lá chegar.138-146) 3.4. predomina a função emotiva. fazer parte da família das nações e dos povos. em que todos os países têm oportunidade de participar em condições de igualdade.. celebrar a nossa humanidade comum. uma melhor compreensão da questão da migração humana em geral e das vantagens que este fenómeno pode trazer ao mundo.1. Transitórias por definição. Portugal tornou-se. “Depois…”.1. “Por último…”. a necessidade de mais factores de nivelamento entre países. hoje. . Os três últimos poderiam ser substituídos por conectores do tipo: “De seguida…”. poderia optar-se pelo ponto final. abrangendo. 2.1. etc. 1. 2.3. de trocas livres e justas. “Seguidamente…”. originalmente significando “procedimentos e (…) técnicas de exposição de obras de arte em espaços próprios”. é um texto curto. qualquer instalação deve manter-se no espaço para que foi criada. // … todos compreendessem que a migração humana em geral pode dar origem a uma tripla vitória – para os emigrantes. pois expressa a opinião do seu autor. permanentes. 2. aqui. ■ ■ … em que todos estão sujeitos às mesmas regras.2. Embora ambas remetam para aquelas pessoas que abandonam o seu país de origem para se estabelecerem num outro. as emissões de carbono. “Finalmente…”. 2. Kofi Annan revela-se o ‘adepto’ comum: aquele que. aquele que deixa o seu país) e imigrante implica um movimento de fora para dentro (ou seja. O que Kofi Annan realmente inveja é o facto de um evento deste tipo conseguir aquilo que a ONU não consegue: fazer com que todas as nações sejam uma família e que celebrem juntas a sua “humanidade comum”. As principais características da crónica estão aqui presentes: o texto parte de um facto da actualidade. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor | Textos | 6 Compreender [pág. Por todo o lado e a todo o momento. vai torcer pela sua equipa (o Gana) e desejar que ela ganhe. ■ … de que todas as pessoas do planeta gostam muito de falar. Oficina de escrita [pág. Por exemplo: ”Por fim.3. para os seus países de origem e para as sociedades que os acolhem. havendo uma relação específica entre a obra de arte e o espaço em que é inserida – o site specific –. oriundos sobretudo de Leste. 1. Este tema interessa ao secretário-geral das Nações Unidas por se tratar de um dos poucos fenómenos que é tão universal como (ou até mais universal do que) a própria ONU. emigrante remete para um movimento de dentro para fora (isto é. Trata-se do Campeonato do Mundo de Futebol. um sentimento de inveja. uma multiplicidade de campos artísticos cujas fronteiras se diluíram. 3.” (ll. As questões que preocupam Kofi Annan são.” [78 palavras] 2. há uma espécie de diálogo virtual com o leitor. 138-146) 3. país de acolhimento de diversos povos. “Em conclusão…”. A palavra melhor é. P – Português..2.” “Finalmente. Daí o facto de ele confessar. as instalações tornam-se.4. “Em resumo…”. 126] 4. frequentemente.1. // … que houvesse mais conversas deste género no mundo em geral. “Em terceiro lugar…” e “…em quarto lugar…”. pelo ponto de exclamação ou. o discurso é directo e espontâneo.” [36 palavras] … que ilustra os benefícios da polinização cruzada entre povos e países. ■ 5. aquele que se instala num país que originalmente não é o seu).a pessoa). Não me refiro apenas aos golos que um país marca. Proposta de resumo: “A palavra “instalação”. o comparativo de superioridade do adjectivo bom.3. alargou o seu conceito. o foco narrativo é centrado no emissor (1. a obtenção de melhores resultados ao nível do Índice de Desenvolvimento Humano. entre outras. refiro-me também ao resultado mais importante de todos – estar lá.. “(…): o Campeonato do Mundo é um evento em que efectivamente se obtêm resultados. No fim da frase. pelas reticências. as seguintes: o respeito pelos direitos humanos. Proposta de resumo: “Outrora país de emigrantes. 2. // … na família das nações houvesse mais competições deste género. em relação a este fenómeno. Elaine. no século XXI. Além disso. Nos dois últimos períodos do texto.”: deveria haver uma vírgula a isolar o vocativo.

“escritores”. “nossos olhos” (l. 6). 2). encontramos o autor à procura de tema para uma crónica. nos apercebemos ). Neste texto. 19). 2. 1). b. 32). 134] ■ variedade brasileira do português: assinalar as diferenças encontradas em relação à variedade europeia: a. 2. “pescoço”. O tema é o processo criativo que está na base de uma crónica. F (Através destas frases a cronista explicita exactamente a opinião contrária: a saudade é um sentimento que ela não aprecia particularmente. O animal (pacaça): “pata”. 1. V. “parabéns pra você” (l. d. prefiro. forma escrita diferente: “crônica”. “Depois…” (l.2. 5). “cornada”. “olho”.1. 10). eu. 3. Traduzir determinadas palavras é quase impossível. “garçom”. [págs. e. Na origem desta crónica esteve uma notícia que a cronista leu no jornal Público sobre palavras de difícil tradução. isto é. “pele”. “[A crónica] continua acolá…” (l. a crónica.1. plano lexical: utilização de variantes lexicais de diferentes origens – “botequim”. “ a se convencer” (ll. “romances”. 23-24) e “quando…” (l. se há muitos – embora/ainda que haja. “crónica”. 137-138] 2. F (O advérbio “talvez” introduz um tom de dúvida no discurso.a pessoa do plural – olhamos. “livros”. b. 2. b. 2). c. 2. “de seus três anos” (ll. [Eu] nunca tenho uma ideia: [eu] limito-me a aguardar a primeira palavra. c.1. V.2. “macho”. 3. Umas vezes [a palavra] vem logo. c.) d. “patas”. “caneta”. l. V.. As expressões que conferem a este excerto coesão sequencial/temporal são as seguintes: “E então…” (l. “se afasta” (l. V. A presença da autora é explícita quer através das marcas de primeira pessoa (pronomes pessoais – me. “costas”. 33). (l. Os saudosistas. – construção aspectual (utilização do gerúndio): “estou adiando” (l.1. aprisionados ao passado. de salientar. etc. ao passo que – enquanto que. 15-16). “cabeça”. “Estou aqui…” (l. etc. “está olhando” (l. Trata-se dos pronomes indefinidos “muitos” e “outros”. O deíctico “isto” apela ao saber compartilhado já que faz parte de uma expressão que retrata um gesto que tem que ser conhecido pelo interlocutor – “não se deslocou nem isto” significa “não se deslocou nem um bocadinho”. directivo. “chifres”. actos que traduzem uma verdade assumida pelo locutor. “página” . b. V. “cauda”. 16).20 Caderno do Professor | Resolução das actividades do manual | Textos | 7 Compreender [pág. … c. 3. . “cotidiano” 1. “imagem”. “papel” . V. formas verbais na 1. dificilmente progridem e são infelizes. b. 4. 28). 25).3. Funcionamento da língua [pág. ainda.1.1. – e na 1. 57). “esferográfica” . “revista” .2. opto) que configuram actos ilocutórios assertivos. “fêmea”.1. “coração”.a pessoa do singular – leio. “frase”. “coice”. f. gozei. 9). “É altura de…” (ll. a. suspeito. 135] 1. “advérbio”.1. a opção por verbos que exprimem uma opinião (parece-me. etc. Por exemplo: Assim – Desta forma. Hipótese possível: “Não se importam de se debruçar mais?” Ficha formativa [págs. “De início…” (l. Por exemplo: “Como nasce uma crónica”/ “O escritor à procura da crónica”. 30) 2. Estes dois advérbios marcam a distância entre o enunciador do discurso (eu) e o ‘objecto’ a que se refere. numa cena do quotidiano: a festa de aniversário improvisada de uma menina pobre. e. E vai encontrá-lo. 65) – colocação do pronome átono antes do verbo: “me assusta” (l. “em torno à mesa” (l. a que traz as restantes [palavras] consigo. F. “meu café” (l. traduzi-la-emos. outras [vezes] [a palavra] demora séculos. o texto (crónica): “palavra”.1.) P – Português. a. 62-63). – diferente utilização das preposições: “Visava ao circunstancial” (l. 50). “período”. Ainda assim – Mesmo assim. 48). planos morfológico e sintáctico: – utilização do determinante possessivo sem artigo: “de seu disperso” (l. 18. Embora a palavra saudade seja de difícil tradução. F. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor II | Pretextos | Tópicos de análise do Texto 2 ■ 1. “bloco” . É claro que – obviamente. 3. a. “se mune” (l.1. 3. 139-141] I 1. V. como é norma no que se refere às crónicas. “adjectivo”. etc.

25-06-2004 (adaptado) 2. Por exemplo: “Nunca está feliz e vive preso ao passado. atribuindo-os à actuação de entes sobrenaturais. a tolerar uma segunda vez. tendo uma função social inegável. levada a cabo pela agência londrina de tradução e interpretação Today Translations. 5. Jurga Zilinkiene. ao contar histórias sagradas. [65 palavras] P – Português. o mito é uma crença. de uma língua falada numa região da República Democrática do Congo e que significa “uma pessoa que está disposta a perdoar qualquer abuso pela primeira vez. uma história contada para aclarar um conceito abstracto. uma fábula. Assim. mas nunca uma terceira vez”. afirma a presidente da Today Translations. Predicativo do sujeito.Módulo 3 Textos dos media I 21 5.” (orações coordenadas copulativas). Eis a notícia que surgiu no Público: Palavra “saudade” é de difícil tradução A palavra portuguesa “saudade” foi considerada o sétimo vocábulo estrangeiro mais difícil de traduzir.2. “Apesar de as definições parecerem bastante precisas. povoadas de deuses e heróis. o problema é tentar transmitir as referências locais associadas a tais palavras”. que é a palavra em iídiche (língua falada por algumas comunidades de judeus oriundos da Europa central e oriental) para uma “pessoa cro- nicamente sem sorte”. os mitos explicam factos incompreendidos. disciplinando e favorecendo os comportamentos e a solidariedade sociais. A palavra japonesa "Naa". Em segundo lugar ficou “shlimazl”. Em suma. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor . lenda). in Público.1. segundo uma votação realizada por mil linguistas. da área Kansai. que conduziu a sondagem. A mais votada foi “ilunga”. o mito garante a unidade do grupo. III 1. foi a terceira mais difícil de traduzir e significa “enfatizar declarações” ou “concordar com alguém”. Proposta de resumo: Proveniente do grego (mythos – narrativa.

2. 3. jarras. Finalmente. “desatavam” – tempo típico da descrição que sugere o aspecto durativo ou habitual e aponta para a repetição de uma acção no passado.2. 20-24. A partida da Graciete para o Canadá. “arrumou-se”. a surpresa – “Não foi esta a primeira vez que me vi assediado por personagens. Recordo a Graciete.. 151] 1. próprio para computador e impressora (ll. 2. Eis os dois últimos parágrafos do texto original: “Hoje regresso à casa. 2. Primeiro.” (ll. 3.…” (l. e 1. (ll. de inalterabilidade. uma personagem de doze centímetros de altura. algum medo ‘disfarçado’ – primeiro do “homenzinho ginasticado”: “O que pensei logo foi ‘com este posso eu bem’. 98-99) Finalmente. “se enchia”.a personagem: “O velho. 146-148) Funcionamento da língua [pág.1.3.22 Módulo 4 Textos narrativos/descritivos I | Textos | 1 Antes de ler [pág. de gente de quem já nem recordo o nome. 46-47) Seguidamente. a vontade de interferir – que acaba por controlar – “Sobreveio a tentação de lhe dar uma ajuda com os dedos. 53) 3. Rasgo papéis de uma vida inteira.. “servia”. a saltar ao alcance dos meus dedos é que nunca me tinha acontecido. 29-32) De seguida.2. cheia de vidros e quadros de gôndolas e açudes” (ll.1. O tempo verbal predominante é o pretérito imperfeito do indicativo – “era”. o narrador centra-se na roupa que é guardada dentro dos armários. as personagens “sempre são gente. 29-30. há sempre um parente de um parente que me faz saber que isto ou aquilo ‘lhe faria imenso jeito’. As onomatopeias são palavras acusticamente formadas com o objectivo de imitar sons ou ruídos.a personagem: “uma jovem loura” – ll. O narrador não segue o primeiro conselho pois não quer arriscar-se a que as personagens. 13-14). debruçada no bastidor. eu era tão amiga dela!’ Só não consigo tocar nos armários dos lençóis.” (ll.1.1.) E se ele estivesse armado? Pelo aspecto não parecia. “assustava”. Compreender [pág. 1). 151] 1. 2. etc. 34-38. A posição do adjectivo qualificativo é tipicamente pós-nominal. Os advérbios de tempo: “nunca” (quatro ocorrências) e “sempre” (duas ocorrências) – remetem para um estado de permanência. à medida que se vai percorrendo a casa – “uma grande casa” (l. algum enternecimento – “Eu comecei a enternecer-me. (…) Agora. 48-50. quadros. O adjectivo anteposto ao nome deixa de designar uma qualidade objectiva. em “uma mulher grande/uma grande mulher.” (ll. o espanto. 2. 146] 3. quanto ao segundo. “… toc. magrita. A pontualidade da acção é marcada pela expressão temporal “Um dia…” e pelo recurso ao pretérito perfeito – “foi”..” (ll. 95-96) Então.” (l. toc. “abria”. sapatos. povoado de mesas. 15-16. pedindo ‘apenas uma lembrança. 3. de barba branca” – ll. P – Português. ao serem atiradas pela janela. (ll. ou um rosto que não reconheço mas que me bate à porta e me enche a cara de beijos. 1. passando a avaliativo (valor subjectivo): a casa não era apenas grande em tamanho (“uma casa grande”). ganhando rugas na cara e | Textos | 2 Compreender [pág. casacos. “dizia”. É esta mesma diferença de sentidos que podemos encontrar. 11) “muito fria e escura” (ll. 148] 1. espelhos nas paredes (…) e armários.2. 33-39).1.” (ll. corredor enorme” (l. 16-23). 2. muitos armários” (ll.. distribuo louças. “acumulava”. 16). causem algum dano aos “utentes da via pública”. “o . e 2. O cenário é um móvel com dois tampos. uma amiga velha/uma velha amiga”. 2.2.. não o segue por questões de humanidade: por mais insignificantes que sejam. 150] 1. 92) “…o tique-tique dos saltos. 7-8) “o corredor enorme. na urgência do senhorio que me dá três meses para a ‘desfazer’. Mas resolvi não interferir. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor Oficina de escrita [pág. 85-88. (. A repetição do adjectivo “inteiro” evidencia a duração temporal – foi uma vida inteira que a Graciete passou “debruçada sobre o enorme bastidor de madeira”. “uma sala grande” (l. por exemplo. Os advérbios de modo “lentamente” e “cuidadosamente” apontam para o desvelo e para o tempo que era dedicado a estas tarefas (inúteis).” 3.2.. 1-20). 41-46. Cada um destes espaços é descrito também através dos objectos que os enchem – “A sala. olho para fotografias a sépia.2. decide “aprisionar” as personagens no texto. é assaltado pela inquietação o que o leva a pedir ajuda a um amigo – “Mas o receio de que pudessem surgir mais personagens inquietou-me.2.1.a personagem: “um homenzinho magro” – ll. “estremeceu”. 63-66) Logo depois. camisolas.2. depois receio de que a personagem feminina lhe riscasse a secretária com os saltos. A descrição é feita do geral para o particular.

Funcionamento da língua [pág. 4. 33). a desobediência. “Sem dúvida”. 156] 1. 2. o prefixo des.1. uma certa suavidade da força ilocutória dos actos directivos. a ideia de acção contrária.1.” (ll.2. 19). Homofonia. a fé. Exemplos possíveis: porém/contudo. 157] Observação: Através da leitura deste mito tradicional chinês. 1. é preciso acreditar. “o que lhe sobrava em disciplina. “tirar a existência”. 2. 6. em comunhão com a natureza. . asiática e ameríndia. também chamado conto etiológico – relativo ao estudo sobre a origem das coisas ou das causas de certos factos. ou seja.3. Assim. 3. além de uma educação um pouco mais esmerada” (ll.1. b.1. a ambição. 2. até um pouco simplório (…) grande talento. respeita claramente um dos princípios pragmáticos que é determinante no desenrolar da interacção discursiva: o princípio de cortesia.° anjo – “um anjo alegre.2.” | Textos | 3 Antes de ler [pág. 56-58).° anjo – “mais prático e destemido” (l. voava. entre outras. 40-41).”. Homonímia. portanto. voava mal. o segundo anjo. aves do paraíso – e receio que as visitas.° anjo – “lhe faltava o essencial. Acto ilocutório directivo (pretende conduzir o interlocutor à realização de uma acção). embora. expressão que evidencia um grau máximo de certeza. “ordenou-lhe”. Uma interpretação possível: Cada um dos anjos dá-nos uma lição: com o primeiro e o segundo podemos aprender que a humildade e a capacidade de adaptação do discurso à situação de comunicação nos ajudam a conseguir os nossos objectivos. Ao contrário.” (ll. Coesão interfrásica (Após). fenómenos – tão frequente nas culturas africana. talvez/provavelmente/quiçá. já que/porque. “Criar” significa “dar existência”. com o quarto anjo. faltava-lhe em fé” (ll. Desempenha a função sintáctica de modificador da frase. Assim.2. 153] 5. Podem ser apontadas. O princípio de cortesia pode determinar. a lição do terceiro anjo parece ser a de que a obediência cega não é um bom princípio.exprime. descriou-o”. 4. 5.2.1. 3.Módulo 4 Textos narrativos/descritivos I 23 calos nos dedos à medida que o linho se enchia de flores. “respeitoso e de poucas palavras” (l. 34). a imprudência. esses seres misteriosos que povoaram a minha infância. 6. Por exemplo. 46-48). 1. Paronímia. Deus “num rápido gesto de enfado. a temeridade. Quando o segundo anjo se recusou a voar sem asas. Trata-se de um advérbio. Para tal. Provavelmente porque o segundo anjo se libertou da mão criadora e vive. não me perdoem por não ter sabido continuar a esperar por elas. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor | Textos | 4 Antes de ler [pág. O segundo anjo era. a grande lição parece ser que podemos conseguir mesmo aquilo que aparentemente é impossível. “exigiu-lhe”.2. 3. por exemplo: “Não te importas de tirar as asas e voar?” ou “E se agora tirasses as asas e experimentasses voar?” 2.1. 1. A forma como Deus reage à recusa dos dois anjos está directamente relacionada com a forma como cada um deles a formula: enquanto que o segundo anjo se dirige a Deus respeitosamente. remete para o conceito de modalidade. anáfora pronominal (lhe/ /aquilo) e elipse (“[Deus] explicou-lhe…”) 5. o primeiro anjo opta por escolhas linguísticas não adequadas ao tipo de relação entre os interlocutores (É o ‘a quem se vai dizer’ que condiciona o ‘o quê/como se vai dizer’). a. 27).° anjo – “um sujeito mais cordato e delicado” (l. 1. entre outros. o quarto anjo transformou-se num ‘instrumento’ de Deus: “Diz-se que esse anjo sem asas se passeia entre os homens (…) incógnita. o Criador apiedou-se dele e deixou-o ir. por exemplo. 155] 2. 4.1.2. O neologismo “descriou-o” significa. [pág.1. Compreender 1. mas voava. “mandou”. 1.1. grinaldas. sem obrigações. sensibilizam-se os alunos para o conto sobre as origens. 6. Observação: O exercício 3. poderíamos ter.3. sem sombra de arrogância” (l.1. “humilde. O sentido da metáfora é resumido na frase que se lhe segue: “Enfim. 3. 16-17). um sujeito mais cordato e delicado. P – Português. ao contrário do primeiro. Quando o primeiro anjo lhe desobedeceu.

35) e mostrava uma educação pouco esmerada (“soltava estrepitosas (…) digestões. 16. vinhas (verbo de movimento) Deixis temporal: sonhei.1.1. 13. 43-46. permitindo compreender o contexto em que ela surge. sonhaste. ‘explica-se’ a origem do cacimbo: “Sobre as primeiras folhas da madrugada. P – Português. 4. f. vinhas. 161] 1. 159] 1. São lagriminhas do pássaro que sonhou pousar na lua. 7.. 3. A origem do cacimbo (nevoeiro denso que se forma à noitinha em alguns pontos de África.2. “indisposições” “negras. Compreender [pág. i. 30. j. 11. 25. entre outras. 10) e tem dois filhos – “um rapaz solene (…) e uma rapariga (…)” (ll. trovejantes” mas passageiras (ll. desenlace – ll.4. . 80-88). m.. h. 43): = estrelada. A menina quer sempre mais. 3. d. infantilidade) desalisou (l. 6) e luarar-se (ll. Funcionamento da língua [pág. 44-45) ■ ■ * Nota: as palavras assinaladas aparecem duas vezes – as duas primeiras – e três vezes – a terceira – pelo que. 17). 33)). É “ser lua”. Aida (l. 21.1. Apesar dos pequenos desacordos típicos de qualquer família. a avezita não estaria muito satisfeita com a situação (“Triste. De tanto sonhar. 16) [chamavam-na]. Cf. e. “[O] Seu sonho” (l. Rita ouve na rua relatos de crenças tradicionais que aumentam o seu fascínio em relação à lua. voltou a ouvir a pergunta de sempre. nesta perspectiva. pág. 2. 31).2. g.4. 8. pássaro* (ll. 17. 27. 27. Recorrência: nominal com repetição do nome: avezita (l. “[no seu] em seu poleirinho” (l. 30. tu. 3. No texto. 89-91. 11). ela chorou. ele (ll. com substituição lexical – passarinho* (ll. desinquieto) estrelinhada (l. 4. 3. e 1. 16-17): insistente + tonto menineira (l.. 10-11). de Antes de ler. 9. e 2. há (desinências verbais de tempo). 3. 14. a. “Lhe inventei” [inventei-lhe] (l. passarinho sonhador (ll..+ alisou. 33. sua (ll. tombam gotas de cacimbo.. O uso dos adjectivos “cativa” e “aprisionada” sugerem que. 31). seus (ll. 10. ela (ll. infantil. Era “um homem folgazão de barriguinha inchada” (l. 3.exprime aqui a noção de reforço (como. 16-20.1. no final desta história. “[Os] Seus colegas” (l. Américo Pedrinha “era feliz e ninguém sustentava qualquer dúvida a respeito de tal felicidade. 16. pronominal – lhe (l. “Os outros lhe chamavam à térrea realidade” (l. 19.. 29): des. não era dado a aventuras (ll.2. 46). 18): esta palavra existe como adjectivo. ave* (ll.. rosnadas. agigantava) insistonto (ll. provavelmente. 158) 1.2. 4. ■ ■ ■ ■ ■ ■ 4. 19).1. 16).1.” (ll.3. 3. “[A] Minha filha” (l.1.” (ll..4. 19-20): verbos formados a partir de lua (= transformar-se em lua) imensidava (l.” (l. por exemplo. Ainda não foi desta vez que conseguiu o seu intento já que. Embora gostasse de apreciar as mulheres que via passar.1. 6. com o significado de “que tem aparência ou modos de menina(o). em desgastar . 35-37)). 91-92).1. 14). nó da intriga – ll.1. 13-15. com frequência. 1. Ver Observação em Antes de ler. Américo Pedrinha é casado com D. 165] 1.1. Situação inicial – ll. 34) nominal. luarejar (l. 13).2. 22). “luarejar”. 45-46. 4. 14): forma do verbo “imensidar” (= crescia. Mia Couto utiliza menineira como nome (= criancice. 10) [deu-me]. l. | Textos | 5 Antes de ler [pág. 2. 5. 1). Ver pergunta 1. O pai de Rita não consegue o seu intento de a adormecer contando histórias..” (ll.. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor 2. c. 16).3. ll. ■ 3. 160] 1.’ ” (ll. “calvo e baixote” (l. me Deixis espacial: aqui. falaremos também de repetição do nome.24 Caderno do Professor | Resolução das actividades do manual No conto de Mia Couto. Neste conto aparece encaixada a história que o narrador conta à sua filha.2.1. 76-88. 23). “Me deu” (l.3. 12. 98-100). O narrador é o mesmo. a avezita acabou por ver o seu sonho tornar-se realidade. A primeira parte do conto é uma espécie de introdução à história da avezita. 24. 28-29).2.. Rita tem dificuldade em adormecer porque é assaltada por medos.3. Tinha. 35) Pode ainda referir-se a recorrência pela repetição do determinante possessivo: seu (ll. O prefixo des.. b. 35-39. 21-42. 34). parte preparatória – ll. 2. chuva miudinha). “… para fazer pousar o sonho dela e desencorajar os seus infindáveis ‘e depois. Deixis pessoal: Eu. que é amigo de crianças”. 94-95… Compreender [pág. 3. 43-44).3. avezinha enluarada (ll.

Apresentação de Tijoleiro.2. Nos dois exemplos da alínea anterior.1. 80). ao almoço.” (ll. (…) seus cavalos. Aida “ suspeitava (…) que o homem se deixara encantar por alguma mocinha” (ll. Aida e os filhos fazerem contas à ‘herança’. a mãe. um conjunto de peripécias que vão levar ao desenlace. 5. 133-136) e os efeitos que essa história terá tido em Américo Pedrinha. Os dois adolescentes não tinham orgulho na figura do pai (Cf. Aida (…) femininas. para não “parecer a Deus e às línguas deste mundo” que tinha “pressa de se encontrar viúva. A suspeita de D. Tijoleiro parece enlouquecer e é levado para o manicómio. 1-32).” (ll. “começaram”. 117-119). . A expressão temporal “Ainda agora…” remete-nos para o presente pelo que os verbos se encontram no presente do indicativo: “forjam”.. a primeira analepse dá-nos conta do ‘sonho’ de Américo Pedrinha e a segunda relata os últimos acontecimentos antes do seu desaparecimento. 33-102). Provavelmente sentiam-se envergonhados com a forma como ele se comportava e daí o amor que sentiam em relação a ele ser “enervado e arisco”. de seguida. 103-150) – Desenrolam-se. chegando mesmo a forjar provas dessa viagem.. 128-129) e. “são”.2. decidiu não pôr luto.1.. 5. Depois da conjunção subordinativa temporal “Quando…”. Nó da intriga – “Com um sorriso (. talvez para não terem que passar por aquilo que sentiriam como sendo mais uma vergonha perante os amigos. por sua vez. 15-26). 1.2. dirigindo-se. 167] 1. 93-116) 4. toma uma pílula que havia roubado de uma das salas do Museu. mas também porque gostava de cores fortes (“adorava azul-turquesa” (l. ll. Trata-se do discurso indirecto livre.” (ll. 5. de Compreender. 51). 27-28) e “E até os filhos (…) projectavam na venda da quintinha todas as suas esperanças…” (ll. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor 1. “tinha”. Funcionamento da língua [pág. Olha agora se todos se lembrassem de dizer ‘Passem bem’ e de voltar as costas? Além do mais.) um bilhete de domingo. depois de se aconselhar com “a velha Felisberta”. A analepse consiste no relato de acontecimentos anteriores ao presente da acção. Parte preparatória – “Pouco tempo após (. Os filhos fizeram constar que o pai “andava viajando pelo mar” (l. “mostram”.) miscelânea de todos os animais. 2. ao contar o enredo do filme em que “os índios sentem chegar a morte e se retiram.” (ll.1.” | Textos | 6 Antes de ler [pág. “Na manhã desse dia (…) – comentaram os amigos. a partir da linha 103. os verbos aparecem no pretérito perfeito: “desapareceu”.”. 68-69) como acontecia “em folhetins (…) e nas novelas da televisão. cá vai correndo o tempo e o escritório ainda não fechou. Compreender [págs.” (ll. Ver resposta a 1. talvez por ser considerada absurda. Mas isso é mal geral pelo país fora.3.2. Aida é contrariada pelos testemunhos dos amigos de Américo Pedrinha que “juravam a pés juntos que não lhe conheciam aventuras. Por exemplo: o facto de D.Módulo 4 Textos narrativos/descritivos I 25 2. 2. Arnaldinho.1. talvez por nem sequer ser bem compreendida ou por ter saído da boca de um homem estranho “que cultiva nespereiras na varanda” (ll. Os colegas de escritório imaginavam que ele poderia ter partido porque “as coisas no escritório não andavam famosas” (ll. ao Jardim Zoológico. O pronome demonstrativo com valor anafórico “aquilo” remete para o desaparecimento de Américo Pedrinha.. E acrescentam: – De um momento para o outro. Tijoleiro visita o Museu Histórico e.1. 37-38). “soltava”.3. 3. D. pensando vender a “quintinha” que era a menina dos olhos do pai (Cf. 4.” (l. A expressão temporal “Antes de…” introduz um conjunto de verbos no pretérito imperfeito: “sentiam”. “homem moderno” e apreciador dos prazeres da vida. 2.” (ll. isto pode fechar. “era”. Desenlace – “Desesperado (…) para um manicómio.” (ll. “falam”. e desvenda-se o mistério da situação estranha que a personagem estava a viver (ll.3. 173-174] P – Português. não merecer credibilidade. Situação inicial – “Viveu em tempos (…) contra os seus planos e expectativas. 54)). “arrotava”.2. Por exemplo: – Pois é certo que as coisas no escritório não andam famosas – comentam os colegas. “Deste sonho inteirinho se apoderara D. 70-71).” (ll. 28-31)). sugere que ele terá feito algo de semelhante. Há alguma frieza na forma como esta questão é encarada: a filha tinge os vestidos de preto porque “a moda era o preto” (l. por isso. 1. 123-124).” (ll. O advérbio “enfim” introduz uma conclusão e “enquanto” é um conector temporal (conjunção subordinativa temporal) que remete para acções simultâneas.1. 3. 168] 2.2. 57-58). A versão de Arnaldinho não foi tida em consideração porque “ninguém sabia o que fazer com ela.” (ll. Discurso indirecto: “Américo Pedrinha disse-lhes que passassem bem. Por exemplo: “Nos seus tempos – (…) do bom vinho francês. 2. que ia morrer e que estava farto daquilo. 151-155). 39).

“melancólico”. 107). O vento abriu-lhe o bibe e. O conceito do que é ‘normal’ não pode nunca ser separado do contexto social e cultural. 140). É orgulhoso. degenerados.2. precisamente. 4. o puma (ll. airosa e veloz. o cabrito-montês. De seguida. 59-60. achava os visitantes uma “gentalha”. 81-86). 4-8). “– Parece uma andorinha (…)” (l. um “profundo desdém. 137-138). Uma leitura possível: O julgamento que fazemos acerca dos outros e do mundo é apenas o ‘nosso’ olhar.” (ll.1. Tijoleiro procurava encontrar nos seus semelhantes algum sinal de compreensão da “sua angústia” e do “seu pavor”. 7. “Com um sorriso de boa disposição…” (l. de tal modo que o fim de uma sequência é o início da seguinte. “… ficou aterrado até ao mais fundo do seu coração. a acção desenrola-se num restaurante e. andavam em liberdade. 6.” (l. 97-98). 4. brincam juntos e estão ambos apaixonados por Lena. portanto. 65-74. os gaios (ll. 103). 5. 142). em relação a Tijoleiro. Tijoleiro passeia por três salas que têm expostos objectos diversos. 116-122). resignação e tristeza” manifestava. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor . Tijoleiro passa do desespero à vergonha de si próprio. “… a sua angústia e o seu pavor…” (l.” (l. Luciano – é caracterizado psicologicamente pelas suas atitudes e reacções.26 Caderno do Professor | Resolução das actividades do manual 2. 113). os macacos Maqui (ll. Ficha formativa [págs. nem anular outros pontos de vista. 104-109) – “grande”.3. 9).4. a pantera (ll. E. meias pretas. 135). 87-88) e no restaurante o momento em que decide tomá-la (ll. 5. ll. pois. 4.. “despreocupados” e brincalhões. deixar de se parecer com os homens que os animais tinham acabado de desmascarar diante dos seus olhos e que se tinham transformado numa “desagradável sociedade de seres semelhantes a animais. pois o tempo da acção desenrola-se de forma linear. o alce (ll.1. 41-44) e dos objectos expostos nas diferentes salas (ll. 35-36) 3. Neste último parágrafo. No fundo. no início da segunda parte.. o seu mal. Toda ela vestia de luto carregado. “Perturbado…” (l. 177-179] I 1.1. 54-57. Júlio e Luciano são amigos. sentindo o prazer da corrida. um tremendo desprezo. Gosta de Lena. não declara esse sentimento a Lena. 3. emproados.3. “sombrio e altivo”. um pouco arrebatado. impulsivo. desesperadamente. apelida Tijoleiro de “ orgulhoso ” e “ estúpido ”. o momento em que Tijoleiro rouba a pílula (ll.1. o falcão-das-torres (ll.2.” (ll. apareceu a descoberto o colo muito branco que formava com o rosto uma mancha alva no meio do luto. bibe preto. “Horrorizado num susto indescritível…” (l. um pouco atrevido.”. pois não é bom que o homem fique só. O chimpanzé (ll. os javalis. 117-119. 38). 49-50.2. ser considerado como único. 138-139) suportando “a sua prisão com decoro” e “cheios de humor”. de forma indirecta. 2. ll. 3. 4. chamam-lhe “unhas-de-fome”. As sequências desta narrativa são encadeadas. Lena – caracterização física directa: “Vinha de sapatos pretos. 3. Mas os seus movimentos eram leves e cheios de vivacidade. e 4.2. usa esse facto como pretexto para dizer que também não gosta dela. a Lena. “com voz grossa”. No museu. Esta personagem é dinâmica. como não gosta da família dela. primeiro amável e. “Mas ficou desiludido. 125-130) “todos o desconsideraram” e não compreendiam por que razão estavam eles presos enquanto que os homens. Tijoleiro tenta. nele. Tijoleiro entra no átrio do Jardim Zoológico. o leão (l. com “dois grandes olhos castanhos ”. 110-113). Ao arrancar do corpo as peças de vestuário e adereços. 8. um grande laço preto. modelada e principal. “É bem bonita. por momentos. depois. “… e foi imenso o que nele se perdeu. malcheirosos e indecorosos” e “emproados”. 62-63. Passou.1.3. o gnu.2. não tem coragem para assumir esse sentimento.5. a descrição do fato e da bengala de Tijoleiro (ll. os ursos (ll. sendo a última dedicada às superstições na Idade Média. “majestoso”. como ele próprio o confessa e como se vê através de muitas das suas atitudes. “… atónito e desorientado…” (l.” (ll. No Museu Histórico.” (l. está profundamente transtornado e desorientado. aristocrática e comedida. o lama. a camurça. Entre outros. é apresentado mais um indício: “Talvez tenha sido este. 132-133) digno e sábio.3.. porquanto teve um fim precoce e estranho. mas como está convencido de que ela gosta de Luciano. 117). cujo “ olhar expressava nobreza. “belíssimo”. alguma tristeza quando fala com Juliano pois gostaria de estar no seu lugar. 4. 30-32) Note-se que.3. sobre os cabelos claros. Júlio – é também caracterizado sobretudo psicologicamente e indirectamente. Gosta de Lena mas. Não deve. 133-135). “bípedes horríveis. mentirosos…”. P – Português. muito contra os seus planos e expectativas. Nota-se. 146). finalmente. Cf. 41-45.

. o diálogo caracteriza indirectamente as personagens e contextualiza o narratário. 7. A acção passa-se num largo cujo chão. que vai tendo para com Lena atitudes que contrariam aquilo que sente por ela.1. 2. acrescentando que. “protestou”.” l. naquele momento. onde os rapazes jogam berlinde. Luciano gosta de Lena mas não da família dela. se fosse com ele. sem circulação de viaturas. A forma como se refere ao carreiro de formigas (“exclamou ela.1. Júlio sorriu com tristeza e replicou que bem tinha visto que ele tinha ficado danado. Acrescentou que ela [Lena] andava sempre à volta dele e que ele corria com ela e que. ela tinha passado sem o olhar e ele tinha ficado danado. era aproximar-se de Luciano. a ocorrência: “ declarou ”. 4. exclamou”… 8. Substituições possíveis: 1.Módulo 4 Textos narrativos/descritivos I 27 3. correndo em círculos cada vez mais largos. é de “pó alvacento” (l. numa exagerada surpresa”) vem destacar esta vontade de chamar a atenção de Luciano que insistia em fingir que a ignorava. já ele a namoraria. 12).. 9) é extremamente expressiva e revela carinho e admiração por Lena.1. 5. Luciano cortou dizendo que tal não tinha acontecido/não era verdade. P – Português. com um ar superior. ■ ■ 6. “comentou”…. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor .a ocorrência: “reagiu”. 54). É através do primeiro diálogo – entre Luciano e Júlio – que ficamos a perceber as relações entre as três personagens: Embora o negue. Júlio gosta de Lena mas sabe que não tem qualquer hipótese de ser correspondido.. ■ O segundo diálogo é esclarecedor quanto à personalidade de Luciano (“. Proposta de discurso indirecto: Júlio disse a Luciano que não o percebia.. Trata-se de um lugar sossegado. O que Lena pretendia. A comparação utilizada por Júlio (l. Lena gosta de Luciano. Em conclusão.

Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor . ➜ orações coordenadas conclusivas b.. 3. a. a. b. É necessária uma revisão do contrato. por um verbo auxiliar modal + preposição “de” + verbo no infinitivo c. d.1. n. e. 7. 1. arroz inteligente nadar até ■ ■ ■ 8. 5 13. 5. predicativo do complemento directo 11. d. 1. 7. 9. predicativo do sujeito 7. 2 + 1. conjunção subordinativa condicional 9. b. d. (…) porque não esteve atento. b. 1. m. b. O meu irmão mais novo adoeceu. 213-217] | Ficha informativa | 5 [págs. Anoiteceu de repente. ➜ complemento do nome 1. e. b.1. 2. Nunca me diverti tanto na minha vida nem andei tão descontraída. b. a. Uma mulher idosa era visitada pela Laura. amaríssimo. na próxima semana. i. modificador preposicional 7. 6. b. 6. c. 2. 14. d. complemento agente da passiva 9. vítima 4. A decisão do Governo foi bem recebida. (…) onde há silêncio. e. Exemplos: a. 3. testemunha 3. a. 5. 2. Ontem: advérbio. tendo por núcleo “letras”. c. ➜ modificador do nome restritivo b. b. a. c. 1. 4. 5. O Rui. c. 204-207] 1. 8. b. 4. i. ➜ modificador do nome apositivo f. d. d.1. fidelíssimo. ➜ oração subordinada temporal P – Português. A condenação do réu era esperada. b. 2 | Ficha informativa | 6 1. f. b. h. c. 2. j. 1. um verbo copulativo 6. f. a. g. 4. d. e. 5 12. foi colocado em Beja. Porque se atrapalhou (…) ➜ oração subordinada causal e. 13. e. chega hoje. 4. ➜ oração subordinada final d. h. complemento directo 6. Ali não há nada interessante. m. nascer comprar estar chover ■ ■ ■ 7. d. Chegaremos por volta das cinco da manhã. j. ele : pronome. l. Quando o Sol se põe (…) ➜ oração subordinada temporal b. Eles trabalharam toda a noite. 4. f. a. fragilíssimo. d. ➜ orações coordenadas copulativas 3. l. Exemplos: a. 7. b. 197-199] 10. j. ➜ modificador do nome apositivo e. Existe na I e na II. d. ➜ complemento do nome d. e.1. A representação do Auto da Barca do Inferno foi vista por todos os alunos. por um verbo auxiliar aspectual + preposição “de” + verbo no infinitivo b. ➜ complemento do nome c. que vive no Porto. l. e. e. b. a. ➜ orações coordenadas adversativas c. interjeição conjunção preposição ■ ■ 12. ➜ oração subordinada relativa sem antecedente f. Sujeito simples. Ficas a estudar ou vens ao cinema? ➜ orações coordenadas disjuntivas d. 9. c. 2. 4. 3. 1. [págs. 2. c. ➜ oração subordinada causal c. 3.28 Bloco informativo | Ficha informativa | 4 1. Eles regressaram a casa. b.. Pus o despertador junto de mim. dulcíssimo. 5. ➜ sujeito simples 4. Os bilhetes serão comprados pelo Pedro. um vocativo 8. 5. a. g. meteorológico: adjectivo. e. sapientíssimo. b.2. (…) para que sejam feitas obras. ➜ modificador do nome restritivo g. Corri dois quilómetros. Enquanto: conjunção. 5. (…) antes que os convidados tivessem chegado. a. d. [págs. g. quantificador determinante nome verbo adjectivo ■ ■ ■ ■ 11. o meu primo. interjeição 10. todos os dias. i. A avenida foi ocupada pelos manifestantes. c. 5. Soa o canto do pintassilgo. 6. f. a. mas não estou cansado. h. portanto devem estar cansados. Bolas! : interjeição.1. Tito. 2. O jantar de aniversário foi muito participado. a.

Ele vive na casa onde tu moraste. ➜ complemento directo b. f. 6. d. É importante que tu participes. (…) como se fosse um pequeno selvagem. todos se sentaram confortavelmente. b. d. e. não te telefonarei. que tiveram boas notas ➜ oração subordinada relativa explicativa 13. Pediram-me que tivesse paciência. e. 8. a. Ele conduz melhor que o pai. As saias que têm pregas usam-se muito este ano. 17. . Enquanto não me pedires desculpa. Preocupa-os imenso que os filhos estudem. ➜ oração subordinada condicional 5. 11. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor d. b. O jornalista perguntou se os impostos iam aumentar. e. Ele comprou tudo quanto havia na loja. A Raquel disse que ia ao cinema.1. 7. c. a. A Joana declarou sentir um grande cansaço. e 14. Nós queremos falar com o teu pai. a. 1. A aluna pediu para sair da sala. (…) embora houvesse barulho. Ele falava tão baixinho que os alunos não o ouviam. Aquela peça era tão monótona que muitos espectadores foram embora no intervalo. a. Convém que te despaches. Ela trata a criança com mais cuidado que a própria mãe. ➜ sujeito f.1. f. d. O Raul combinou uma saída com os amigos. já na frase b. 4. f.1. Diz-se ➜ oração subordinante. ➜ complemento directo 15. Ele perguntou que horas eram. b. ➜ oração subordinada completiva c. A Maria cortou o cabelo à Rita como se fosse uma profissional. que dizia ➜ oração subordinada completiva. g. Eles lembram-se de que tu fazes anos hoje. como nunca ninguém disse ➜ oração subordinada comparativa. São uns indivíduos estranhos dos quais pouco se conhece. O teu rosto está branco como a cal. (…) se tu não estiveres presente. Algumas pessoas envolvem-se em discussões que não servem para nada. afirma-se que todos os alunos vão à visita de estudo. e 15. É evidente que o Rui está interessado na Clara. 3. 2. (…) que eu. Os alunos vão à visita de estudo ➜ oração subordinante. ➜ oração subordinada comparativa b. O livro de que me falaste é interessantíssimo. ➜ oração subordinada comparativa d.1. ➜ sujeito c. f. (…) que viesse cedo. c. É já uma certeza que ele foi admitido. apenas os alunos que tiveram boas notas vão à visita de estudo. Ele devolveu o aparelho porque estava avariado. Exemplos: a. a. O Tomás teria desenhado a sua própria casa caso tivesse tirado o curso de Arquitectura. A Rita come mais fruta do que doces. Logo que começou o filme na televisão. O réu afirmou estar inocente. (…) como se eu fosse transparente. c. d. g.1. 12. h. g. 14. Como o Sol brilhava intensamente. ➜ oração subordinada concessiva h. g. É uma pena que não venhas connosco. Como lhe doíam as costas (…) ➜ oração subordinada causal c. O resultado que obtiveste é fraco. Ele acredita em tudo quanto lhe dizem. b. ➜ complemento directo e. a. g. b. Ele sentou-se num lugar da primeira fila para ver tudo. c. 1. embora saiba que a mãe não concorda. De acordo com a frase a.Bloco informativo 29 g. 11. que tiveram boas notas ➜ oração subordinada relativa restritiva b.. 10.1. (…) que todos a respeitavam. c. O calçado que é fabricado em Portugal é exportado para vários países. e. b.1. e. ➜ oração subordinada consecutiva 9. ➜ oração subordinada comparativa P – Português. 16. Só te telefonarei se chegar cedo a casa. Os alunos vão à visita de estudo ➜ oração subordinante. Os indivíduos que são bondosos tornam a vida dos outros melhor. a. ➜ complemento directo d. Afasta-te das pessoas que são agressivas. Ele nada disse embora vontade não lhe faltasse. Fiquei em casa nas férias para que o trabalho fosse concluído. f. a. Exemplos: a. e. (…) que ficaram exaustos. 5. Quero que me apoies. Os automóveis que andam a gasóleo são mais económicos. orações subordinadas relativas restritivas 12. a. Esta é a rapariga a quem o Rui se declarou. f. Exemplos: a. 3. d. c. a rapariga vestiu uma roupa fresca. ➜ oração subordinada consecutiva b. b. Exemplos: a. 2. c. c. b.

(…) Alguns veículos (…). anti. cinefilia ➜ paixão do cinema. 219-220] | Ficha informativa | 8 1. situação-limite. luz ➜ fotografia. ar ➜ aeronave. e. c. acidente (desastre) / incidente (acontecimento de importância menor) c. II e IV) 19. sobre➜ usa-se hífen antes de h. cela (quarto) / sela (verbo selar . algumas pessoas manifestaram-se. d. b. transpor – sobrecarga [págs. oração finita (III) e orações não finitas (I. comprimento (extensão) / cumprimento (saudação) d. psicólogo 5. c.1. que surgem como última hipótese. cem – sem ➜ homófonas e. 13. ratificar (confirmar) / rectificar (corrigir) b. c. grafologia ➜ estudo sobre a escrita. a. 13. .1.4. rio (nome) – rio (verbo) ➜ homónimas d. 13. derivação (por sufixação) 3. d. b. pinacoteca ➜ colecção de quadros. caligrafia ➜ arte de escrever bem à mão. era – hera ➜ homófonas f. espiar (espreitar) / expiar (pagar por uma falta) h. (…) o tratamento desta doença (…). r e s.2. filologia ➜ estudo dos textos escritos de uma língua. d. cegar (ficar cego) / segar (ceifar) 6. Quando terminou o espectáculo. peão – pião ➜ parónimas c. bibliofilia ➜ amor aos livros. a. b. 221-222] 1.30 Caderno do Professor | Resolução das actividades do manual 18. Exemplos: a. e. a. Nos compostos morfossintácticos. assento) b. Era necessário que acabássemos o trabalho. apreçar (indagar o preço) / apressar (acelerar) c. | Ficha informativa | 7 2. alcatifa 8. a. pernoitar [palavra formada por parassíntese] 3. b. situações extremas. descrição (acto de descrever) / discrição (qualidade de quem é reservado) f. água ➜ hidrogénio 9. c. vou tomar um banho. biblioteca ➜ lugar onde se guardam livros. d. lusofilia ➜ simpatia por Portugal ou pelos Portugueses. despensa (lugar onde se guarda algo) / dispensa (permissão para não cumprir algo) e. c. zoofilia ➜ amizade aos animais. ouvir ➜ audiovisual. c. estrato (camada) / extracto (que foi extraído. a avó fez um bolo. b. c. hidrofobia ➜ horror à água. houve (verbo haver) / ouve (verbo ouvir) f. zelo – cuidado 2. voltámos para casa. economizar – gastar [págs. Porque estavam preocupadas com o encerramento da fábrica. hiper. agorafobia ➜ medo dos espaços abertos e dos sítios públicos. coser (costurar) / cozer (cozinhar) e. previsão (anterioridade) 6. hemeroteca ➜ colecção de publicações periódicas. derivação (por prefixação) 4. i. Mal chegue a casa. imigrante 10. O álcool e o tabaco são drogas/vícios a evitar.e super. arqueologia ➜ estudo das civilizações antigas.➜ usa-se hífen antes de h. c. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor 7. correcção: sofás-camas 12. geografia ➜ descrição da Terra. P – Português. 8. o valor semântico do nome da esquerda é modificado pelo valor semântico do nome da direita. a. a. cinto (adereço de vestuário) / sinto (verbo sentir) h. longe ➜ televisão.3. radiografia ➜ registo fotográfico obtido por meio de radiações. ortografia ➜ forma correcta de escrever as palavras. homofobia ➜ ódio em relação aos homossexuais. Como se lembrou dos netos. a flexão em número apenas afecta o nome da esquerda. cheque (forma de pagamento) / xeque (lance do jogo de xadrez) g. sesta – sexta ➜ parónimas 4.1. a. 13.➜ usa-se hífen antes de r e h. fragmento) 5. concerto (espectáculo musical) / conserto (arranjo) d. elegível (que pode ser eleito) / ilegível (que não se consegue ler) g. e. composto morfossintáctico. xenofobia ➜ aversão a pessoas estrangeiras. a. discoteca ➜ colecção de discos. derivação 11. colher (nome) – colher (verbo) ➜ homógrafas b. teologia ➜ estudo de uma religião.

”) (pretende conduzir o interlocutor à realização de uma acção). sorte (todas as outras palavras pertencem ao campo lexical de futebol). 1. metal 8. e. O emprego do verbo auxiliar modal poder atenua uma ordem: Vai ter comigo à escola. [fig. pousaram. depositar.1. belíssimo ■ ■ ■ ■ [págs. e. com o objectivo de atenuar uma ordem. bão-bão-bão. subordinação… 6.f. astro b. o enunciado por ele produzido não tem qualquer relação com a observação anteriormente feita pela criança e. A última fala do Pai Natal contribui para a intenção crítica do cartoon exactamente porque aquilo que aí é dito não tem qualquer relação com a observação feita pela criança. escreve. h. [= sofreu queimaduras. O Pai Natal tenta fugir à questão colocada pela criança pois tem consciência de que não consegue dar-lhe uma resposta satisfatória. b. 227-228] 1. Ele queimou-se com água a ferver. P – Português.1. acrónimo. LINGUÍSTICA disciplina linguística que estuda e descreve os sons como unidades distintas (fonemas) e a sua função no sistema linguístico. sólido geométrico limitado por faces que são polígonos planos. a. Sentido conotativo. Neste contexto. 1. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor | Ficha informativa | 10 1. acrónimo. Deixei queimar a sopa. [= reduzido a cinza] 6. a.1. acrescenta. água s. Uma mistura de sentimentos o invadiu (…). acrónimo. f. cavidade (…) c. guardei / coloquei / arrumei. b. interjeições 2. d. a. de uma notícia espera-se a apresentação objectiva dos factos. predicado. gruta s. Polissemia é a propriedade de algumas palavras de apresentarem mais do que um significado.m. cama (todas as outras palavras pertencem ao campo lexical de medicina). Estas últimas não são apenas quatro.m. a.: acto ilocutório compromissivo (exprime um “compromisso” do locutor em relação à realização de uma acção futura). 225-226] 2. g. [= gasta]. 5. No anúncio.2. b. arte (…) 4. d. b. bem-bem-bem. 233-234] 1. 223-224] 1. c.] = sentido figurado. joga-se com dois dos significados de “estações”: os quatro períodos em que se divide o ano – as quatro estações do ano – e os locais de atendimento ao público dos CTT – as estações de correio. Com o incêndio tudo ficou queimado. j. embelezar beleza belíssimo belamente Florbela / belas-artes / bel-prazer ■ 3. poliedro s. Na última fala do Pai Natal não foi respeitada a máxima da relevância. “desaproveitar”. isto é. [= torrar].f. c. mas não faço milagres!” 2. pendura. efeminado indefinido trovoada privilegiado desequilíbrio ■ ■ ■ ■ ■ . l. (…) São estas as minhas flores preferidas. cinema s.: nega um eventual acto ilocutório compromissivo (“Não prometa!”). a. | Ficha informativa | 9 [págs. a. escorreito. c. Exemplos: 1. roseira (todas as outras palavras pertencem ao campo lexical de árvore). Todas as noites. São vocábulos monossémicos.m. 5. 3. i. a. sigla. Campo lexical de religião: igreja. vocativo. Anúncio B.2.1.m. Porto Editora) | Ficha informativa | 11 [págs. fiéis. 4.2. 5. | Ficha informativa | 13 [págs.1. árvore (…) b. 3.f. 4. plantar. 7. especialista em geografia. c.f. fonologia s. geógrafo s.1. (Grande Dicionário Língua Portuguesa. escaldou-se].3. crença… Campo lexical de sintaxe: sujeito. Por exemplo: “– Eu sou o Pai Natal. O uso do modo condicional (Preferiria) em vez do presente (Prefiro). introduziu. mas mil. “queimar” significa “desperdiçar”.m. e 4. padre. deus. produzindo um acto ilocutório directivo (“Faça. 3. Anúncio A. Utilização de uma frase interrogativa em vez de uma frase imperativa. definiu / determinou / indicou. estrela s. ouro s. 2. sigla b. atribuir. ele queima montes de dinheiro.Bloco informativo 31 d. A inserção da expressão Peço desculpa. instalar. De um artigo científico exige-se objectividade e rigor. 2. líquido c. portanto. 4.1. castanheiro s. não é pertinente. contrato. grupo verbal. uma onomatopeia c. “deixar passar”.

Não haveria plantas. e sem margem para dúvidas Em suma Acredito que E. ■ ■ Hipótese de substituição Sem dúvida talvez mas A verdade é que Especialmente Indubitavelmente quiçá. Algumas […] são arbustos e outras […] são trepadeiras.] e nem todas elas são árvores. Conectores textuais Valor exprimir um facto dado como certo exprimir a dúvida articular ideias de contraste. por exemplo: “Foi assim que começou o ciclo da água. explicar uma ideia adicionar e agrupar elementos e ideias resumir. Esta encheu as depressões que havia no globo terrestre e nasceram os oceanos. Neles. Por mais… que parece-me que muito menos Na minha opinião Bem sabemos que justamente Porém Depois. não haveria vida. está formulado como se de uma pergunta se tratasse.°. aqui.. estudava para o teste de Português..1. nem animais nem seres humanos para os observar. 2. (…) Neles. Não deixes tudo para a última hora! c. Pese-me esta fruta. planeta – a este processo dá-se o nome de renominalização: processo que consiste na repetição do nome (continuidade temática) quando a referência se pode perder. Trata-se de um acto ilocutório compromissivo (… juro por minha honra…).” b. Mas existem mais de mil espécies [. “Já começaste a estudar para o teste de Português. “Fico contente por estares a estudar para o teste de Português. estamos em presença de um acto ilocutório indirecto. por favor. tendo um valor imperativo.32 Caderno do Professor | Resolução das actividades do manual 4. substituição lexical por hiperonímia e hiponímia: “Sem água. Substituição lexical por sinonímia: água. João?” d. Fabricam-se tapetes e cestos com as suas folhas.. Por exemplo. reafirmar articular ideias de contraste.3. se eu estivesse no teu lugar. tendo em conta a capacidade do seu interlocutor para interpretar o enunciado. o nome Terra aparece no 2. As frases interrogativas passam a imperativas (a. e finalmente inquestionavelmente... 241-243] provavelmente No entanto por exemplo a verdade é que Ou seja E No fundo Mas 2. 4. certamente ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ . “João.1. e 4. d. como hipónimos do hiperónimo [formas de] vida e os três segundos como hipónimos do hiperónimo substâncias químicas.: água. 4. por ex. através da substituição por pronomes.1. reuniram-se as substâncias químicas que dariam origem à vida: o metano.2. João. Por exemplo: a. nem seres humanos para os observar. d. nem animais.. muitos milhões de anos depois. As palmeiras são plantas úteis. oposição. utiliza uma expressão cujo sentido literal é diferente da intenção de comunicação. Por exemplo: a.1. P – Português.1. fluido. 4. A ordem é: 2. “João. por exemplo: “Sem água. [págs.” – os três primeiros elementos sublinhados funcionam. oposição exprimir um facto dado como certo exemplificar exprimir a dúvida articular ideias de contraste.4. A maioria delas cresce em climas quentes. não haveria vida. muitos milhões de anos depois. Este enunciado configura um acto ilocutório indirecto porque. Apaga a luz da sala! b. Proposta de solução: A palmeira mais conhecida possui folhas que se abrem exactamente no seu tronco.3. Quando o locutor.. precisas de ajuda para estudares para o teste de Português?” 7. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor de facto Isto é. mediante elipse ou supressão. repetição do nome. semelhantes aos dedos de uma mão aberta. 4. planeta.) ou declarativas (e.2. possivelmente porém Na realidade.. c.” 2.. [Sem água] Não haveria plantas.” 3.). Terra.° parágrafo e é repetido no 4.2.1. Por exemplo: “Não vamos deixar que isto aconteça!” 5. magma. líquido. o hidrogénio e o oxigénio. Por outras palavras Além disso Em resumo Todavia 5. 6. globo terrestre. Contudo nomeadamente | Ficha informativa | 15 1. 1.” c. oposição exemplificar exprimir um facto dado como certo esclarecer. Põe a mesa.. Naturalmente que Particularmente porventura. Terra. 3. 2.

Passagens em discurso indirecto livre: a. Mas sentia uma terrível frustração”. Um filme de que não me lembro o nome. resolveu concretizar o seu desejo. Mas era natural. que tinha sido doméstica… mas que sentia uma terrível frustração. Hipótese de substituição do verbo introdutor de relato de discurso: esclarece 2. Todos os filhos ajudavam muito. E ela disse-me: – Não. visto que – anunciam uma ideia de causa. espantou-se. recorda Maria Baptista. filosofou. Hipótese de discurso indirecto: A camionista lembra que quando o último dos seus cinco filhos se tornou independente. pouco se aproveitava da Feitosa. Apesar de. Hipótese de discurso indirecto: [Maria Baptista] contou-nos que tinha trabalhado em fábricas. “(…) Não. lembra a camionista.. concluiu. desde que – indica uma condição. e 1. desde a Páscoa. Hipótese de substituição do verbo introdutor de relato de discurso: relembra Discurso directo: “Trabalhei em fábricas. onde plantavam de tudo. Passou na televisão. e eu. inscrevi-me numa escola de condução para tirar a carta de pesados e articulados. os verbos são os seguintes: disse. Vi um filme. Porque. conduzia um tractor com atrelado que transportava os caixotes de fruta. No dia em que a minha filha recebeu o seu ordenado. [págs. a. Foi aqui que começou a minha paixão pelo pesado”. inscreveu-se numa escola de condução para tirar a carta de pesados e articulados. especificamente. 4.2. e. Foi ali que começou a sua paixão pelo pesado. e d. duvidou. e ela.1. depois numa loja de roupas com a minha filha.. Tinha ela 50 anos. Gracinha não sabia. respondeu-lhe.3. No dia em que a sua filha recebeu o seu ordenado. que tinha sido costureira de peles. P – Português.Bloco informativo 33 6. conduzia um tractor com atrelado que transportava os caixotes de fruta. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor CPPORT14CP-03 . agora que tanto se demorava em Lisboa. resolvi concretizar o meu desejo. No original. fui costureira de peles. 246-248] Discurso directo: “Os meus pais tinham uma herdade em Angola. Hipótese de substituição do verbo introdutor de relato de discurso: desabafou Discurso directo: “Quando o último dos meus cinco filhos se tornou independente. A não ser a desavergonhada da garganta…” b.1. c. contounos. “(…) e passara menos mal. fui doméstica. Se – indica uma hipótese. com a sua filha.. especificamente. Tinha eu 50 anos”. Hipótese de discurso indirecto: Maria Baptista recorda que os seus pais tinham uma herdade em Angola. Proposta de discurso directo: A mulher que me serve café todas as manhãs quando soube que eu era português disse-me: – Lisboa é linda. embora – anunciam uma ideia de oposição. Todos os filhos ajudavam muito. tão linda quinta…” | Ficha informativa | 17 1. f. de seguida numa loja de roupas. – Conhece Portugal? – perguntei-lhe. e b. 3.

Nenhuma actividade do mundo compreende a economia. Exa. Presença. além do muito que nos alegrará sabermos que deste modo estamos a contribuir para o bem-estar de várias pessoas que possamos utilizar nesta exploração e que por esta forma serão outros tantos empregados com ocupação. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor 25 30 35 fotocopiável . o que pode vir minorar um atroz problema social.. enquanto. Julgo que não estou a exagerar se disser que a economia tende para ser uma realidade virtual... A carta é assim: “Excelentíssimo Senhor Ministro. neste último ano. que nos mandasse informar quais são as regiões mais apropriadas para a não-criação de porcos e qual a melhor raça de porcos para não criar.34 Ficha de avaliação – Módulo 1 Lê atentamente o texto. (…)” António Alçada Baptista. Como dizia o meu querido amigo Millôr Fernandes: “A economia compreende toda a actividade do mundo. (…) Ficar-vos-emos extraordinariamente reconhecidos se nos responder o mais rapidamente possível porquanto julgamos que esta época do ano será a melhor para a não-criação de porcos e. Queira V. (…) Se é possível receber 1000 dólares por não criar 500 porcos nós poderíamos receber o dobro por não criarmos 1000. Segundo afirma.” Já há para aí trinta anos que descobri uma carta que um senhor americano escreveu ao seu ministro da Agricultura. o que nos daria um lucro de 80 000 dólares. vem criando porcos há muitos anos. por não criar porcos ganhou 1000 dólares. Senhor Ministro. 2003 (texto adaptado e com supressões) 5 10 15 20 P – Português. responde às questões formuladas. o governo resolveu limitar a sua produção. O meu amigo Richard é muito optimista quanto ao futuro da nossa exploração. Se os nossos planos forem cumpridos dentro das normas de uma sã administração e com uma produtividade sempre crescente esperamos muito brevemente atingir a não-criação de 40 000 porcos. por isso. Neste quadro de circunstâncias. (…) O que se nos afigura mais difícil nesta exploração é fazer o inventário dos porcos que não criaremos. podendo nessa altura considerar a empresa dimensionada de modo a constituir um factor de progresso e engrandecimento da nossa região. A Cor dos Dias – Memórias e Peregrinações. Senhor Ministro. perante uma superprodução de porcos. o que lhe permitia em média retirar um lucro anual de 350 dólares e houve mesmo um ano particularmente rentável em que ganhou 400 dólares. receber os protestos da minha maior consideração. O célebre caso da não-criação de porcos. De seguida. pretendíamos. Ed. Fazíamos tenção de começar modestamente pela não-criação de 2000 porcos que nos daria um lucro de 4000 dólares. diria mesmo apaixonante. O assunto parece-me cheio de interesse. Estimulado por este seu êxito decidimos iniciar na nossa propriedade o negócio da não-criação de porcos. numa altura em que. gostaríamos de começar quanto antes. (…) A economia (…) deixou de ter qualquer relação com a realidade para se passar por dentro da cabeça dos economistas que resolvem as grandes crises financeiras à mesa dos seus gabinetes. subsidiando os produtores que não os criassem. O meu amigo Richard Hamilton recebeu este ano um cheque de 1000 dólares porque não criou porcos.

15-16) P – Português. 2. Explica qual é a sua função relativamente ao assunto do texto. 2. Retoma as palavras de Millôr Fernandes (ll. agora. “cumpridos” (ll. 32) da região.” (ll. mais uma vez. em que reside o humor desta carta. Segundo o autor.1.Ficha de avaliação – Módulo 1 35 I 1. por um sinónimo adequado ao contexto. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor 2. 5-6) .2. 3. 1. c. Reescreve a afirmação que se segue de modo a que passe a configurar um acto ilocutório compromisso explícito: 75 pontos 10 “(…) estamos a contribuir para o bem-estar de várias pessoas (…)” (ll. Faz a análise sintáctica da seguinte frase simples: “Nenhuma actividade do 15 mundo compreende a economia.1.1. “tenção” (l.” (ll. nas suas duas ocorrências.2. Faz o levantamento dos elementos que provam que se trata de uma carta formal. 28-29) / compridos 4. os economistas só se interessam por grandes crises financeiras. 27) / tensão b. 20 II 1. 2. a economia “tende para ser uma realidade virtual. 2. Esta carta é dirigida ao ministro da Agricultura americano. b. 4-6) substituindo a forma verbal “com- 10 preende”. Escreve duas frases. Lê. Indica a meta que a exploração terá de atingir para poder “constituir um fac- 75 pontos 10 15 20 10 tor de progresso e engrandecimento” (l. terão estado na origem da decisão de iniciar a actividade de não-criação de porcos. que permitam distinguir inequivocamente a diferença de significado dos seguintes pares de vocábulos: a. 4. Reescreve o último parágrafo do texto (antes da fórmula de despedida) imaginando que o emissor se expressa no singular e que a relação entre o emissor e o destinatário da carta é de grande proximidade. 4. Relê o primeiro parágrafo do texto. sucintamente. segundo o emissor da carta.4. a carta reproduzida por Alçada Baptista. Explica. os economistas não têm contacto directo com a realidade. simples ou complexas. 2. passou a ser tratada apenas através das novas tecnologias. 3-4) porque… a. fotocopiável 15 10 15 5.3. Aponta duas razões que.

Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor B. 50 pontos Luís Afonso. de cento e cinquenta a cento e noventa palavras. analises a sua função crítica. Total 200 pontos fotocopiável . Não te esqueças de deixar bem claro o motivo que está na origem da tua petição e de obedecer às regras formais que um requerimento deve respeitar. 18-12-2005 P – Português. assinalando a respectiva alínea na tua folha de prova: A.36 Caderno do Professor | Fichas de avaliação III Selecciona uma das duas propostas. Observa a imagem e redige um texto. Transforma a carta que integra a crónica de Alçada Baptista num requerimento. depois de descreveres o cartoon. em que. in Pública.

1. responde às questões formuladas. por salvar-me. dá-me por preço ver-vos. 1. Explicita o valor contextual da locução subordinativa que marca essa divisão. 120 pontos 20 10 2. II.2. bonançoso: calmo. Delimita as duas partes lógicas que o compõem. 5. lasso1 e trabalhado2. Identifica o sentimento do marinheiro em relação ao mar. . IN-CM 10 1. jurando de não mais em outra ver-me: minh’alma.Ficha de avaliação 1 – Módulo 2 37 Lê atentamente o poema. De seguida. Este poema apresenta uma estrutura bipartida.3. trabalhado: maltratado. só o ouvir falar nele o faz medroso. 2. 2. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor I 1. 4. eu. Atenta nas duas primeiras estrofes. não entra nele mais. Indica a decisão tomada pelo marinheiro expressa na segunda quadra. Assinala a passagem em que se dá conta das razões do incumprimento da jura do marinheiro. 3.1. que de vós nunca se ausenta. forçado pelo muito interesse cobiçoso4. fotocopiável 10 10 10 2. Senhora. mas vai.2. 5 e jura que. Como quando do mar tempestuoso Como quando do mar tempestuoso o marinheiro. que da tormenta5 de vossa vista fujo. Luís de Camões. cobiçoso: ambicioso. em que veja bonançoso3 o violento mar e sossegado. 2. lasso: cansado. de um naufrágio cruel já salvo a nado. tormenta: tempestade. assi. P – Português. 1. faz tornar-me donde fugi tão perto de perder-me. Lírica Completa. sossegado.

80 pontos P – Português. “fujo da tormenta para me aconchegar sob o vosso olhar”. 4. O excerto “(…) da tormenta / de vossa vista fujo. Analisa o poema sob o ponto de vista formal (esquema estrófico. Pensa na tua vida durante alguns momentos e selecciona um episódio muito bom ou muito mau. métrica e rima). num texto com cerca de cento e vinte palavras.38 Caderno do Professor | Fichas de avaliação 3. por palavras tuas. a tua autobiografia (real ou imaginada). b. assinalando a respectiva alínea na tua folha de prova: A. 3. relata esse episódio num texto que tenha entre cem e cento e vinte palavras. relata retrospectivamente a sua vida”. os dois tercetos. agora. Não te esqueças que deves usar o discurso na 1.” (vv. 3. devidamente estruturado.2. Num breve resumo do assunto do poema. Relê. “ausento-me da tormenta porque o vosso olhar me salva”. c. que é simultaneamente o narrador e a personagem principal. 10 10 10 20 10 II Selecciona uma das duas propostas. 9-10). Explica.3. elabora. B.a pessoa e prestar especial atenção aos tempos verbais usados e à articulação lógica das diferentes ideias. 3. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor Total 200 pontos fotocopiável . o sentido do verso 11. em forma de diário. por salvar-me. faz corresponder os elementos da primeira parte da comparação aos da segunda. significa: a. 5. Depois. “ausento-me da vossa presença a fim de me salvar”. Identifica o recurso através do qual se identifica o interlocutor do sujeito lírico. Recordando que “a autobiografia é um género narrativo em prosa em que o autor real.1.

responde às questões formuladas. Poesia Completa. De seguida. degolar. Publ. Mãe! O último triunfo é interdito Aos heróis que o não são. Só mesmo se pudesse haver sentido Entre o sangue vertido E o sonho desfeito. jugular: extinguir. Não morre um povo! Não passarão! Seja qual for a fúria da agressão. Lembra-te do teu grito: Não passarão! Não passarão! Só mesmo se parasse o coração Que te bate no peito. Só mesmo se não fosse o mundo todo Que na tua tragédia se redime. Só mesmo se a raiz bebesse em lodo De traição e de crime.Ficha de avaliação 2 – Módulo 2 39 Lê atentamente o poema. As forças que te querem jugular1 Não poderão passar Sobre a dor infinita desse não Que a terra inteira ouviu E repetiu: Não passarão! Miguel Torga. Não passarão Não desesperes. Morrem filhos e filhas da nação. Dom Quixote 5 10 15 20 P – Português. fotocopiável . Não passarão! Arde a seara. mas dum simples grão Nasce o trigal de novo. matar. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor 25 1. decapitar.

4. 2. Explica o predomínio do modo conjuntivo nestas duas estrofes. Atenta no título do poema. considerando. 4. 3.1.1. pelo uso do discurso na 1. Identifica a anáfora literária aí presente. 3. 1.40 Caderno do Professor | Fichas de avaliação I 1. Antecipa o seu sentido. por palavras tuas. Comprova a veracidade da afirmação de 2.2. Relê. 4.1. 5. 5. Interpreta o uso da maiúscula utilizada na apóstrofe “Mãe!”. Substitui a repetição anafórica por uma conjunção ou locução conjuntiva condicional que não altere o sentido dos versos onde aquela aparece. as estrofes dois e três. 4. o valor do advérbio de negação e do tempo verbal utilizado e a indeterminação do sujeito da frase.2. para a expressão do eu. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor 10 II Um diário é um texto narrativo orientado.2.1. entre outros aspectos. Explica. o sentido desses versos. Encontra a forma verbal que está subentendida nessa anáfora. A última estrofe é uma espécie de síntese de tudo quanto atrás foi dito. faz o registo em forma de diário de acontecimentos que tenhas testemunhado ou de que tenhas sido personagem. Relê a quarta estrofe. 2. Explicita o sentido da metáfora presente nos versos 17 e 18. 6. num dos dias da passada semana.1. 3. Indica os dois nomes que aí retomam a apóstrofe “Mãe!” do primeiro verso do poema. 3. 60 pontos Total 200 pontos fotocopiável .3. A primeira estrofe esclarece o título do poema. Num texto que tenha entre cento e vinte e cento e quarenta palavras. 2. que se caracteriza. nomeadamente.a pessoa. 2. tal como o texto lírico. 140 pontos 15 15 10 15 10 10 10 15 10 10 10 P – Português. Comenta a importância da repetição do verso “Não passarão!” e do recurso ao encavalgamento na construção do ritmo do poema. Clarifica o valor do modo verbal utilizado nos versos 1 e 4. 3.3. agora.

para um jogador ser famoso. continuando as suas imagens a vender-se (ou as imagens dos respectivos casais. Que acaba por ser. O vazio de valores das sociedades ocidentais conduziu a uma preocupação obsessiva com a fama. já não basta jogar bem à bola. também. 13-09-2003 (texto adaptado e com supressões) 5 10 15 20 P – Português. São “activos”. produzidos. o número de contratos publicitários que assina. Quanto mais mediático for um jogador. bonitos e felizes). já não é só a sua capacidade futebolística – mas aquilo que se pode designar por “potencial mediático”. O que importa. José António Saraiva. melhorados. nos ecrãs das televisões. o lugar dos futebolistas na sociedade também mudou. com todas estas mudanças. analfabetos. em vídeos. De seguida. E.Ficha de avaliação – Módulo 3 41 Lê atentamente o texto. maior será o número de camisolas vendidas com o seu nome (e o negócio das camisolas é hoje um importante negócio). Foram reciclados. também. in Expresso. os futebolistas não tinham obviamente de ser bonitos. “posters”. num jogador. responde às questões formuladas. de cruéis desilusões. etc. na Internet. A ideia dos jogadores como homens rudes e analfabetos passou – e as portas das festas de sociedade e das revistas de sociedade abriram-se-lhes. o número de vezes que aparece em acontecimentos não desportivos. (…) Claro que isto também é um sinal de que. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor 25 30 35 fotocopiável . E tudo isso reverte. (…) Desde que os clubes se transformaram abertamente em empresas. puderem render fora do campo. eles continuam a ser excelentes negócios. os futebolistas deixaram de ser apenas futebolistas. A imagem dos grandes jogadores é vendida diariamente em todo o mundo nas páginas dos jornais e revistas. de há vinte anos para cá. (…) A imagem dos futebolistas era a de uns tipos transpirados. vindos quase sempre das classes mais baixas. cromos. (…) Beckham ou Figo até podem estar a jogar mal – mas. E os activos serão tanto mais rentáveis quanto. Como a sua função era jogar com os pés. O passeio da fama Há vinte anos. os jogadores de futebol eram seres já idolatrados mas socialmente desconsiderados. a par do seu rendimento em campo. a favor do clube – dos seus cofres e do seu prestígio. Procuram-se desesperadamente pessoas bonitas e famosas e os futebolistas não poderiam escapar à voragem. e que apenas se distinguiam por saberem dar uns pontapés na bola. o dinheiro e a imagem. (…) Hoje. Ora essas imagens terão tanto mais sucesso quanto melhor for o aspecto dos futebolistas. a sociedade mudou muito. A transformação de homens suados e feios em modelos perfumados e atraentes é a mesma que tende a substituir o mundo real por um mundo de ilusão.

3. também. Identifica. As transformações que os futebolistas sofreram nas últimas décadas relacionam-se directamente com as alterações operadas nos clubes.1. Diz se as afirmações que se seguem são verdadeiras (V) ou falsas (F). para cada uma delas. c. Identifica as funções sintácticas dos constituintes desta frase simples. A crescente valorização social da beleza e da fama é directamente proporcional ao aumento do vazio de valores da sociedade actual. recorrendo a: a. uma conjunção subordinativa temporal. 21) 3.42 Caderno do Professor | Fichas de avaliação I 1. Há duas décadas. Delimita-as. os jogadores de futebol eram idolatrados. 80 pontos 15 20 15 30 II 1. no texto. b. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor 15 “E tudo isso reverte. 2. 2. a favor do clube – dos seus cofres e do seu prestígio. uma conjunção subordinativa causal.2. 20 fotocopiável . O “potencial mediático” é a capacidade que um jogador tem de exercer bem a sua profissão. 3.1. 3. Os jogadores passaram a “activos”. d. Considera as duas frases simples: 15 Os clubes transformaram-se em empresas. Identifica o facto da actualidade que esteve na origem desta crónica. tendo em conta o texto: a. Redige. b.” (l. 4. os jogadores de futebol eram já considerados ídolos e ocupavam um lugar de relevo na sociedade. uma frase complexa que dê conta da ideia-chave aí desenvolvida. Relaciona os tempos verbais predominantes nos dois primeiros parágrafos com a expressão temporal que os introduz. 4.1. Noutros tempos. 3. Transforma-as numa frase complexa. O texto pode ser dividido em três partes lógicas. os antecedentes dos vocábulos sublinhados no excerto que se segue: 70 pontos 20 P – Português.

(…) A partir de 1930. sendo um elemento cultural e social a que os estudiosos têm dedicado merecida atenção. (…) O futebol ultrapassou rapidamente o âmbito do terreno de jogo para ser dirigido por conhecidos empresários ou políticos. o futebol é um desporto fortemente mediatizado e massificado. (…) O jogo propagou-se a outros países. que se realizam de quatro em quatro anos.Ficha de avaliação – Módulo 3 43 III Resume o texto informativo a seguir transcrito. futebol. Aos campos de futebol acorrem milhares de adeptos. As equipas mais importantes são geridas à imagem e semelhança das grandes empresas. Porto: Porto Editora. por volta de 1840. e vinte anos depois pela fundação da Associação Inglesa de Futebol.jsp?id=45761>. surgiu a Federação Internacional de Futebol (FIFA). em 1843. noutros países. com características comuns. Por outro lado. que também passaram a organizar campeonatos. Em termos económicos. como desporto de multidões que é. a FIFA tornou-se a entidade responsável pela realização dos Campeonatos do Mundo de futebol.infopedia. constituído por duzentas e quinze palavras. 2006-08-18] Disponível na www: <URL: http://www. [Consult. numa primeira fase. (texto adaptado e com supressões) 5 10 15 20 P – Português. A uniformização das suas regras passou. o futebol marca presença no imaginário colectivo contemporâneo. que apoiam as respectivas equipas. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor Total 200 pontos fotocopiável .pt/E1. 50 pontos Futebol Modalidade desportiva que teve a sua origem em Inglaterra. (…) Nos nossos dias. Em 1904. pela Universidade de Cambridge. in Infopédia [Em linha]. embora se possam identificar jogos mais antigos. que viria a uniformizar as regras do jogo a nível internacional. 2003-2006. num texto de noventa e cinco a cento e dez palavras. cada jogador ou treinador pode valer milhões. onde era jogado por rapazes estudantes. que estabeleceria as regras que hoje conhecemos.

mas também de palhaços e de bailarinas. não chegou a ser assaltada. bem iluminada. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor 25 30 35 fotocopiável 40 . Só eu sei a falta que em certos dias. confesse. A minha irmã agradeceu as flores e pediu um tempo para pensar. e depois já pensou em tudo. feche-se no quarto e chore à vontade. e diga-lhe que não precisa de pensar mais. com um enorme ramo de flores. De seguida. Sabia ouvir. Sentou-se. dá até azar. responde às questões formuladas. Hospedou-se no Copacabana Palace e logo nessa noite vestiu a mini-saia azul. acordou ansiosa. e. primeiro. no futuro. Conhecem a frase. tinha um extraordinário sentido de humor. Não conhecia ninguém no Brasil. Finalmente escoltou-a até ao hotel. Ou melhor. Foi isso que a salvou. Fez com que ela se risse. Telefonei-lhe há pouco para lhe perguntar se não tinha ficado com o telefone do assaltante. Refreie a vontade de o esbofetear e despeça-se dele com um beijo na face. encostou-lhe uma faca à garganta: “A bolsa”. Nunca tinha estado lá. Pareceu-lhe a escolha acertada. com palpitações.44 Ficha de avaliação – Módulo 4 Lê atentamente o texto. e foi sempre muito forte e determinada. Sofia achou que era demais – a cerveja. no aeroporto. Mas aceitou um cafezinho numa esplanada a dois passos dali. Mostrou-lhe o seu próprio mundo – que era um inferno – como se fosse um grande circo. moça. fez com que a minha pobre irmã se lembrasse do namorado e então. O namorado pediu-lhe um tempo para pensar. Chorou muito. sabia dar conselhos. A seguir vá para casa. sussurrou: “A bolsa ou a vida. 2006 (excerto) 5 10 15 20 P – Português. O assaltante. que está apaixonada por outro. uma espécie de segunda mãe para a mais nova. É como matar passarinho. Cortou o cabelo. rebentou ali mesmo num choro incontrolável. muito respeitador. Publ. Sofia é mais velha – nasceu cinco minutos antes de Alexandra. Dom Quixote. Além disso. A bolsa ou a vida Sofia e Alexandra. e compreendeu que teria de tomar medidas radicais. coitada!.” O texto gasto. são filhas do primeiro casamento da minha mãe. como hoje. e atravessou a avenida com a intenção de se sentar um pouco na areia. sempre muito solícito. Esta semana. Comeu uma caixa inteira de chocolates. sem parecer nem um velho professor entediado nem um sedutor de telenovela. Ao regressar a Lisboa. com a certeza de que jamais a vestiria. me faz um assaltante assim. enfiou a faca num dos bolsos da bermuda e tentou consolá-la: “Não chore mais. Quando um homem nos pede um tempo para pensar é porque. aflito. moreno. O Evangelho Segundo a Serpente. Sofia encontrou o namorado. o que é raro nos homens. decidisse passear à noite pelas ruas de Copacabana. Na manhã seguinte. Só existe uma maneira de enfrentar este terrível lugar-comum sem perder a dignidade: faça das tripas coração. Pediu duas semanas de férias e comprou um bilhete para o Rio de Janeiro. Foi o que a minha irmã fez. cheio de feras e de monstros. com um brinco no nariz. Comprou uma mini-saia azul.” Convidou-a a tomar um chope. Faíza Hayat. uma sensação de desastre iminente. mais raro ainda. e quando deu por isso estava a contar ao rapaz toda a sua tragédia íntima. Gianni Versace. afundou os olhos nas águas escuras. por exemplo. gémeas idênticas. Mulher triste eu não assalto. e nesse instante um jovem alto. Sofia tem andado muito deprimida. não?! Claro que conhecem. do Gianni Versace. a falta de imaginação. Sofia foi assaltada no Rio de Janeiro. a meia voz. Ele ouviu-a com atenção. sorria. recomendando-lhe mais cuidado quando. porém. a contemplar o mar. não tem muita imaginação.

5. introduz uma conclusão em relação à ideia principal. 6. que deverá ter entre cento e cinquenta e duzentas palavras. com recurso à descrição e ao diálogo. 4) expressa: a. 25-26). 3. 2. 80 pontos 15 15 10 10 10 10 10 II 1. O complexo verbal “tem andado” (l. O conector “porém” (l.1. Transforma as três frases simples seguintes numa frase complexa. Atenta nos seis primeiros períodos. no momento do assalto. Considera. e os verbos devem estar predominantemente no pretérito perfeito e no pretérito imperfeito. 13): a. Nunca tinha estado lá. 3. Na terceira linha do texto. (“Sofia e Alexandra (…) para pensar.”). b. 4. exprimir a confirmação da ideia expressa anteriormente. 5. Explica a funcionalidade deste excerto em relação à história que é contada. agora. Pareceu-lhe a escolha acertada. 3. Justifica o recurso sistemático ao modo conjuntivo com valor imperativo na passagem que vai desde “Conhecem a frase. o narrador utiliza a expressão “Ou melhor” para: a. 70 pontos 10 10 P – Português. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor 10 10 15 15 III Imagina uma pequena história que surpreenda o leitor pelo insólito dos acontecimentos relatados. 1-5)). Indica o antecedente do termo anafórico “lá” (l. o excerto que vai da linha 11 (“Foi o que a minha irmã fez. 16-17).2. Comenta a atitude de Sofia em relação ao namorado que a foi esperar ao aeroporto.” (l. O teu texto. Propõe um outro título para o texto que. reformular o seu discurso. Explica o que é que. fotocopiável 50 pontos Total 200 pontos .” (l. recorrendo a conectores que respeitem o sentido das frases no contexto: “Não conhecia ninguém no Brasil. 16). 3. uma situação que se repete regularmente durante um determinado período de tempo.”) até à linha 36 (“(…) pelas ruas de Copacabana. Enumera as características que Sofia encontrou no assaltante que o distinguiam dos outros homens. 1. 17). 5) até “(…) e chore à vontade.” (ll. deve ser narrativo. a pontualidade da acção narrada. 11). não desvende ao leitor a história que vai ser contada. Passa para o discurso indirecto a fala do assaltante (ll. 4.1. não?!” (l. lhe fez lembrar o namorado. articula ideias opostas.” (ll. b. Esclarece por que razão o Brasil pareceu a Sofia a “escolha acertada. 2.3.Ficha de avaliação – Módulo 4 45 I 1. sendo embora apelativo. 3. b.

a decisão de iniciar a actividade de não-criação de porcos nasceu da constatação do êxito de um amigo nessa actividade e. III A./A tensão entre ambos era de cortar à faca. ll. receber os protestos da minha maior consideração. 12-20). subsidiando os produtores que não os criassem –. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor . predicado – compreende a economia. vestida apenas com uma tanga e extremamente magra. 2. Os estatutos da organização não estão a ser cumpridos. em simultâneo. na ajuda que se presta a povos mais necessitados. complemento do nome – do mundo. outra representando a cultura africana. Para conseguir alcançar este desiderato a exploração terá de “atingir a não-criação de 40 000 porcos. 30-31). 2. etc. 2.2. por isso..1. 2. Exa. Hipóteses possíveis: a. complemento directo – a economia. coisas que ela nem fazia ideia que existiam e da crítica que é feita a estas palavras através das imagens que aparecem no monitor do computador – pão e bife.3. ajudando. b. do desejo de contribuir para o desenvolvimento da região através da criação de postos de trabalho. ou A minha tensão arterial está um pouco alta. vestida.2.a Ex. 3.1. muitas vezes. O humor desta carta reside no carácter surreal de toda a proposta que é feita pelo remetente que. não haver o discernimento de começar pelas necessidades básicas. a primeira mostra. Sr. Proposta: “Ficar-te-ei extraordinariamente reconhecido se me responderes o mais rapidamente possível porquanto julgo que esta época do ano será a melhor para a não-criação de porcos e. o que (…) daria um lucro de 80 000 dólares” (ll. Num ambiente de deserto. 1 5. gostaria de começar quanto antes. Pede deferimento. calçada e usando gravata. desta forma. Local e data Assinatura do Requerente P – Português.”) e na fórmula de despedida (“Queira V. [185 palavras] II 1. com ar saudável. Ministro da Agricultura Eu. A carta apresentada vem ilustrar a opinião do autor acerca do desfasamento entre a economia e a realidade. A formalidade da carta é evidente. contribuir para o progresso e engrandecimento do nosso país. quer no corpo da carta (Senhor Ministro). Uma proposta: No cartoon podemos ver duas personagens: uma representando a cultura ocidental. sobretudo nas formas de tratamento honorífico utilizadas quer na fórmula de interpelação (“Excelentíssimo Senhor Ministro. Nenhuma actividade do mundo entende/percebe a economia. 4. um computador portátil à segunda que o olha com um ar que transmite um misto de espanto e de desconfiança. a combater o desemprego (Cf. morador no Texas. A personagem ocidental expõe à outra a importância do acesso à Internet pelos países pobres. através da Internet. em representação de um grupo de agricultores que pretende implementar o negócio de não-criação de porcos e. desta forma. venho requerer a V. Resposta b. Hipóteses possíveis: A economia contém/abrange/inclui toda a actividade do mundo. Senhor Ministro. Segundo o emissor da carta. decide levá-la aos limites do absurdo.”).a que se digne informar quais são as regiões mais apropriadas para a não-criação de porcos e qual a melhor raça para não criar. com ar satisfeito. abaixo-assinado. Repare-se nas palavras da personagem ocidental que tenta mostrar à outra como vai ser importante ser capaz de passar a conhecer. Por exemplo: “Garantimos/prometemos que…”. através do relato de um caso extremo e absurdo.46 Soluções das fichas de avaliação Ficha de avaliação – Módulo I 1.4. Faço tenção de ir ao cinema logo.. Uma proposta: REQUERIMENTO Exmo.1. 2. John Do. 4. Há uma crítica evidente do cartoonista ao facto de./ No Verão os dias são mais compridos do que no Inverno. partindo de uma situação económica real – o facto de o governo ter resolvido limitar a produção de porcos.” B. A função crítica deste cartoon reside na ideia da contradição presente entre ‘as boas intenções’ e o valor real que estas podem ter em determinados contextos. Sujeito – Nenhuma actividade do mundo.

3. Uma vez que a sua contemplação (da tempestade/da amada) provoca medo. V. a. É possível estabelecer uma correspondência directa entre os versos 17/18 e os versos 19/20: a “seara” que “arde” é a “nação” cujos filhos “morrem”. 5-7). 4).” (v.2. O ritmo do poema alterna entre as pausas marcadas pela repetição da expressão “Não passarão!”. isto é. 4. Na segunda quadra dá-se conta de que o marinheiro “jura” não voltar ao mar nem mesmo quando este estiver calmo (Cf. nação. Na primeira quadra.3. 1. a vista da amada é comparada à tempestade.” 2.1. O uso da maiúscula na apóstrofe “Mãe!” remete para o uso metafórico deste nome. e um ritmo mais rápido conferido pelos sucessivos encavalgamentos. O poema é um soneto e. independentemente da “fúria da agressão” (v.1. 1) … assi (v. Mãe será sinónimo de pátria. 2.2. 4)) são utilizados ao serviço do grito de incitamento dirigido à “Mãe” (v. 2. O uso do futuro do indicativo transmite-nos a certeza do sujeito poético relativamente à realização da acção expressa pelo verbo que é negada pelo advérbio “não”. no segundo. O modo conjuntivo com valor imperativo (“Não desesperes” (v. P – Português. 1)) e o modo imperativo (“Lembra-te” (v. 2. 12 e 14. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor Ficha de avaliação 2 – Módulo I 2 1. “ausento-me da vossa presença a fim de me salvar”. o sujeito poético deixa claro que. No verso 11. Na última estrofe. a rima é emparelhada e interpolada nas quadras e interpolada nos tercetos. que funciona como uma espécie de refrão.3.Soluções das fichas de avaliação 47 Ficha de avaliação 1 – Módulo I 2 “Mãe”) e. 23). “Só [passariam] mesmo se” 3. A primeira parte é constituída pelas quadras e a segunda pelos tercetos. 23) o povo não conseguirão o seu objectivo já que “a terra inteira” assumiu como seu o grito “Não passarão!” 6. identifica o emissor do grito “Não passarão!” (a Ficha de avaliação – Módulo I 3 1.1. Quanto à métrica. evidencia-se que a ambição é mais forte do que o medo do marinheiro. forçado/pelo muito interesse cobiçoso”. Ao marinheiro do primeiro termo de comparação corresponde o eu lírico. “As forças que (…) querem jugular” (v. a medida do verso é o decassílabo. isto é. 4.3. 9). Trata-se dos versos 7 e 8: “(…) mas vai. 3. 2. Através da conjunção coordenativa adversativa “mas”. F. c.1.” Esta metáfora remete-nos directamente para a força de um “povo” que resiste e se levanta sempre face ao poder avassalador daqueles que o querem “jugular” (v. 5. 3. V. A anáfora consiste na repetição da locução “Só mesmo se” no início dos versos 7.3. 2. aparecia indeterminado: os “heróis que o não são.1. 1. não resistindo.1. portanto.2. Hipóteses possíveis: a não ser que/a menos que/salvo se.1. é constituído por duas quadras e dois tercetos. O modo conjuntivo é exigido pela locução conjuntiva condicional e coloca uma hipótese que se torna longínqua por aparecer aliada à locução “Só mesmo se”. 17) e pela antítese (“Arde (…) / Nasce (…) / Morrem / Não morre” (vv. b. A primeira estrofe esclarece o título do poema já que. 3. 9. 19. a fugir da sua amada para não voltar a perder-se. no título.2. a. 20)). porém. e repetindo o mesmo erro. a fuga é a única salvação. 1). a capacidade regeneradora “dum simples grão” a partir do qual “Nasce o trigal de novo. O esquema rimático é abba abba cde cde. v. o sujeito poético afirma ter-se comprometido a não repetir os erros do passado. por um lado. d. 5. o marinheiro manifesta medo em relação ao mar (Cf. pois obriga-o a voltar ao mar. A locução subordinativa “Como (v. 9)” estabelece uma comparação. 3. explicita o sujeito que. F. .1. 17. 22). vv. 3.2. O facto da actualidade que esteve na origem desta crónica é a transformação dos jogadores de futebol em estrelas mediáticas. que criam um efeito de coesão entre os versos. O título configura uma espécie de grito de resistência face a um sujeito plural mas indeterminado. 4. 18.2. Trata-se dos nomes “nação” e “povo”. O valor desta metáfora sai ainda reforçado pela presença do articulador adversativo “mas” (v. 2. por outro. Ambos (marinheiro e eu lírico) prometem não voltar a cair noutra. O interlocutor do sujeito lírico é identificado através de uma apóstrofe: “Senhora.4.

percebido que o namorado não era bem aquilo que ela queria. O antecedente do termo anafórico “lá” é “no Brasil”. sujeito – os jogadores de futebol. o tempo verbal predominante é o pretérito imperfeito do indicativo já que a referida expressão implica um relato em que se dá conta do aspecto durativo da acção. A partir de certa altura. . reformular o seu discurso. surgindo. “sabia dar conselhos” e “tinha um extraordinário sentido de humor”. 2.” 6. “sabia ouvir”. embora as suas características possam ser encontradas anteriormente. O Brasil pareceu-lhe “a escolha acertada. modificador do nome restritivo – de futebol. 3. III Proposta de resumo: O futebol nasceu em Inglaterra. o futebol transformou-se num fenómeno cultural e social muito estudado. cerca de 1840. desde 1930.3. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor 1.” (l. por isso. Por exemplo: “Não conhecia ninguém no Brasil já que nunca tinha estado lá e. 3. devido à sua massificação.2. Modificador do grupo verbal – Noutros tempos. Por exemplo: a. ao contrário da generalidade dos homens. “Assalte-me. 2. Durante a conversa com o assaltante. O assaltante. Sofia parece ter aprendido uma lição com o assaltante de Copacabana: ao regressar. em 1904. b. “tudo isso” reporta-se aos factos narrados no parágrafo anterior.48 Caderno do Professor | Soluções das fichas de avaliação 3. 7) até “… abriram-se-lhes. Segunda parte – Actualmente. A primeira parte é constituída pelos dois primeiros parágrafos. o narrador dá uma série de conselhos à(s) leitora(s) que venha(m) a passar por uma situação semelhante àquela em que Sofia se encontra. talvez. 5. 3. Os jogadores passaram a “activos” porque os clubes se transformaram em empresas. Por outro lado. o futebol desenvolveu-se noutros países. Neste excerto inicial ficamos a conhecer algumas características da personagem principal da história – Sofia – e aquilo que se estava a passar com ela. Por exemplo: “Um tempo para pensar”. predicado – eram idolatrados. 5. por favor!”. 3. o futebol é um desporto de massas que vale milhões e as equipas são empresas dirigidas por empresários e políticos. uma situação que se repete regularmente durante um determinado período de tempo.” porque lá não conhecia ninguém. 3. b. que Sofia queria estar sozinha. pareceu-lhe a escolha acertada. As regras a que hoje obedece foram uniformizadas em 1863 pela Associação Inglesa de Futebol.1. 4. portanto. Terceira parte – A transformação dos jogadores em estrelas mediáticas tem a ver com o vazio de valores da sociedade ocidental na qual a preocupação com a fama e o dinheiro veio criar um mundo irreal. 4. a terceira compreende os cinco últimos parágrafos. enfiou a faca num dos bolsos da bermuda e tentou consolar a moça dizendo-lhe que não chorasse mais. organiza os Campeonatos do Mundo. a. os futebolistas não tinham de ter grande preocupação com a imagem. ambas. Hoje. Hipótese possível: O assaltante. A primeira parte do texto é introduzida pela expressão temporal “Há vinte anos” e.1. o “potencial mediático” dos jogadores é fundamental para os seus clubes que se transformaram em verdadeiras empresas. e perante o recuo do namorado que parecia querer retomar a relação. Os jogadores passaram a “activos” quando os clubes se transformaram em empresas. o antecedente de “seus” e “seu” é “clube”. b. Sofia terá. Deduz-se.1. 4. ou seja. a FIFA que uniformizou as suas regras internacionalmente e que. aflito. assim. Aquilo que no assaltante fez lembrar a Sofia o namorado foi o facto de a frase que ele utilizou para a abordar ser tão vulgar nesta situação como aquela que o namorado utilizou para acabar com o namoro. Entretanto.1. Daí o uso do modo conjuntivo com valor imperativo. 2.… II 1. Acrescentou que não assaltava mulher triste porque dava até azar e que era como matar passarinho. a segunda vai desde “Hoje…” (l. revelando. predicativo do sujeito – idolatrados. [95 palavras] II P – Português. articula ideias opostas. os acontecimentos anteriores à história que vai ser narrada. decide “pedir um tempo”. Ficha de avaliação – Módulo I 4 1. 27). embora fossem já idolatrados. Primeira parte – Há vinte anos.2. falta de imaginação. 3.

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