Ensino Profissional · Nível 3

PORTUGUÊS
Textos de carácter autobiográfico Módulo1 Textos expressivos e criativos e textos poéticos Módulo2 Textos dos media I Módulo3 Textos narrativos / descritivos I Módulo4
Olga Magalhães | Fernanda Costa

Módulos
1|2|3|4

CADERNO DO PROFESSOR
Resolução das actividades do manual Fichas de avaliação (com soluções)

P

2

Módulo

1

Textos de carácter autobiográfico

| Textos | 1
Antes de ler [pág. 17] 1. O cartoon representa um sonho de um funcionário de uma
repartição – nome dado aos locais onde funcionam secções de determinados serviços, muitas vezes ligados ao Estado. Nos diversos momentos do sonho, o funcionário vê-se a si próprio a atender diversos utentes sempre com uma atitude de grande simpatia e disponibilidade que se reflecte quer no sorriso omnipresente quer na forma como se vai dirigindo a cada um deles. A maneira como cumprimenta a primeira personagem ou se despede da última, a solicitude que apresenta perante todas as outras são exemplo da humanização que é tão pouco vulgar neste tipo de locais, cujo atendimento é, por norma, frio e impessoal. Quando acorda, com um ar visivelmente assustado, o funcionário refere-se ao sonho como um ‘pesadelo’, através de um acto ilocutório profundamente expressivo. É nesta última vinheta que melhor se evidencia a função crítica deste cartoon: aquilo que para os utentes seria, de facto, um ‘sonho’, é, para o funcionário que os atende, um pesadelo. 2. Esta ‘definição’ corresponde à ideia generalizada de burocracia: o cliente que vai sendo empurrado de guichet em guichet. A mensagem deste texto opõe-se à ideia transmitida no sonho/pesadelo do funcionário público do cartoon de Luís Afonso.

2.1.
avaliado(a); analisado(a) em detalhe; afastamento, omissão; relato sumário da sucessão de factos que marcam cultural e profissionalmente a carreira de uma pessoa; mais do que a capacidade de ler e escrever, é entendida como a capacidade de compreender e usar a informação escrita nas actividades do quotidiano; inevitável, que tem de ser tido em conta. c. d. e.

a. b.

3. 1.a parte – do ponto 1 ao 7; 2.a parte – a partir de “Por isso”. 3.1. O conector “Por isso”, que articula as duas partes referidas, tem um valor consecutivo (indica que o que se segue é consequência do que atrás foi exposto). 4. Por exemplo: Por isso, nos termos constitucionais e regimentais, venho requerer à Senhora Ministra da Educação que: – explicite os critérios científicos ou outros que servem de base ao “apagamento” (…) que frequentam o 5.° ou 6.° anos de escolaridade; – informe se obras como (…) chegaram a ser equacionadas no processo de selecção levado a cabo; – disponibilize a listagem de todas as obras e todos os autores “avaliados” e torne públicas as justificações que levaram à exclusão daqueles que foram afastados da listagem dos “recomendados”; – divulgue o curriculum (…) para o Plano Nacional de Leitura. 5.1. Os pedidos do requerente não podem ser considerados completamente satisfeitos, pois aí não se encontra esclarecido o solicitado nos pontos 2. e 3. do requerimento e a resposta ao ponto 4. é vaga.

Compreender [pág. 19] 1.1. “(…) comprometemo-nos em coordenar as nossas políticas (…); “(…) Com isto, comprometemo-nos a atingir estes objectivos (…)”
2. A nota deveria ser introduzida no texto a seguir a ECTS (quarto parágrafo, ponto 3). 3.1. Nos três primeiros parágrafos da declaração, evidencia-se a evolução do processo europeu nos últimos anos, salienta-se que a Europa do conhecimento é um factor fundamental para o enriquecimento da cidadania europeia e reconhece-se ser da máxima importância que as universidades europeias se ajustem às novas exigências. 4. A afirmação falsa é a b. – a Declaração de Bolonha pretende incentivar, também, a mobilidade de professores, investigadores e pessoal administrativo (no reconhecimento e na valorização dos períodos passados num contexto europeu de investigação, de ensino e de formação, sem prejuízo dos seus direitos estatutários).

| Textos | 2
Antes de ler
[pág. 23]

P – Português, Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor

Compreender

[págs. 21-22]

1. O destinatário é o Presidente da Assembleia da República, o requerente é o deputado do Grupo Parlamentar do PSD, Adão Silva, e o assunto é o Plano Nacional de Leitura.
2007

1. Na BD assistimos à história de uma personagem masculina que se encontra dentro de um bar e que, depois de olhar apaixonadamente para a foto de uma mulher (Maria), decide escrever-lhe uma carta de amor para a qual vai fazendo e recusando vários rascunhos. No momento em que se encontrava concentrado em mais uma tentativa, vê, estupefacto, Maria passar abraçada a outro homem. Na última vinheta vemos a personagem feminina a ler a carta que acaba por receber: em vez de uma carta de amor, recebe um conjunto de insultos e impropérios.
ISBN 978-972-0-91247-3

Este livro foi produzido na unidade industrial do Bloco Gráfico, Lda., cujo Sistema de Gestão Ambiental está certificado pela APCER, com o n.° 2006/AMB.258
Produção de livros escolares e não escolares e outros materiais impressos.

Módulo 1 Textos de carácter autobiográfico

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Compreender

[pág. 25]

1. banalização: vulgarização; omnipresença: ubiquidade; trivialidades : banalidades; grilheta : prisão; sequestrado : enclausurado; distendido: dilatado; fustigadas: flageladas; desfalecendo: desmaiando. 2.1. A nota explicativa seria inserida a seguir à seguinte passagem: “usando um direito inalienável de autodeterminação” (l. 7). 3. À medida que o telemóvel se foi vulgarizando, foi criando a fantasia de que “o outro” está sempre ‘presente’ e disponível; o facto de o contacto não ser estabelecido ou de não haver uma resposta imediata do outro lado causa sofrimento. 4. As “trivialidades” são as seguintes: ficar sem bateria ou sem rede ou desligar o telemóvel. 5. Afirmação b..

hierarquia (administradores das roças/Governador). A carta B é uma carta particular, dirigida por Luís Bernardo ao seu amigo João (Cf. fórmulas de tratamento e de despedida) e o assunto é de índole pessoal – sentindo-se só e infeliz, Luís Bernardo faz um pedido desesperado ao amigo para que o venha visitar. 2.2.1. Hipótese de carta:
Querido amigo Luís, Estou a responder-te logo após ter recebido a tua carta que me deixou deveras preocupado. Não imaginava que te encontrasses tão profundamente deprimido. Nada nas tuas cartas anteriores fazia antever tal situação. Creio, porém, que estarás a exagerar e que, quando receberes esta missiva, já te encontrarás, certamente, de melhor humor. Infelizmente não vou poder aceder ao teu pedido: não me é possível ir a S. Tomé este Verão, pois o trabalho no escritório não mo permite: vou ter apenas uma semana de férias e tenho já hotel reservado na Praia da Granja. Este último facto não seria grave e tudo se poderia arranjar se não fosse a distância: é que uma semana de férias não dá sequer para aí chegar. Vou fazer os possíveis para te visitar no Natal. Nessa altura penso que o trabalho terá acalmado e que disporei de mais tempo para poder empreender tão longa viagem. Até lá, aguenta-te, amigo! Sabes que, em pensamento, estou a teu lado e lembra-te da importante missão que aí estás a cumprir. Um grande abraço cheio de saudades deste teu amigo (que não se perdoa por não poder ir a correr ao teu encontro), João

Funcionamento da língua

[págs. 25-26]

1.1. SMS – Short Message Service; MMS – Multimedia Messaging Service; PC – Personal Computer; CD – Compact Disk; WWW – World Wide Web. 2.1. Mail e messenger. 3.1. correspondência – mails, SMS, carta, postal dos correios (diferentes tipos de correspondência). 3.2. telegrama, encomenda, vale postal, fax, bilhete, memorando, nota. 3.3. Epístola, missiva. 4.1.1. A segunda oração da frase – “para avaliar o impacto de um amor” – é uma oração não finita infinitiva com valor final.
P – Português, Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor

4.1.2. Sujeito nulo indeterminado; predicado – avaliar o impacto de um amor; complemento directo – o impacto de um amor; complemento do nome – de um amor. 4.2. Exemplo: Os segundos de resposta são contabilizados pelos amantes.

| Textos | 3
Antes de ler
[pág. 28]

2. Personagens: Sandra, Xana, Jonas Machibundo, Paulo, Deolinda, Fragoso; Lugares: Moçambique; Tempo: Natal.

Oficina de escrita

[pág. 27]

2.1. Na carta A o destinatário é tratado por “Excelentíssimo Senhor ”, “Vossa(s) Excelência(s)”; trata-se de uma carta dirigida aos administradores das roças de S. Tomé e Príncipe pelo Governador das ilhas, o emissor, que assina com o nome completo – Luís Bernardo Valença. É uma carta formal adequada ao assunto em questão – a visita de um inglês às roças para, a mando do seu governo e do governo português, verificar as condições de trabalho dos trabalhadores – e às relações de

Compreender

[págs. 29-30]

1.1. e 1.2. O destinatário é Sandra, mulher do remetente, já falecida (“Não sei se ainda estavas viva quando…” (ll. 6-7)). A relação entre ambos é esclarecida, por exemplo, através das formas de tratamento (“querida”), pela evidente cumplicidade nascida da partilha da vida (“Porque os jovens, tu sabes…” (ll. 14-15), “…e subitamente exististe nesse sorriso. Eras tu, querida, eu nunca… dela.” (ll. 22-23)), etc.

4

Caderno do Professor | Resolução das actividades do manual

1.3.1. Xana seria filha do remetente e de Sandra. Tem um filho pequeno (Paulo) e vive longe do pai. Depois de se separar do companheiro (pai do filho) vai agora casar com um homem “bastante mais velho”. Tem um sorriso parecido com o da mãe. 1.3.2. A relação com o pai não parece muito próxima: telefona (raramente) e escreve (“telegraficamente”), passou dois dias no Natal com o pai, mas ele nunca lhe conheceu o companheiro. 1.4.1. “Porque os jovens (…) têm uma grande incompreensão do sentido do casamento.” (ll. 14-15). Com esta reflexão o remetente expressa aquilo que lhe parece ser a forma leviana como os jovens encaram o casamento. 1.4.2. “Sorriso breve, o ar absorto…” (ll. 23-24). 1.5. O que o pai de Xana lhe está a dizer com a resposta que dá é que aquilo que a faz feliz a ela, mesmo que seja algo com que ele não esteja completamente de acordo, também o faz feliz a ele.

| Textos | 5
Antes de ler
[pág. 35]

1.1. Lembrança, recordação, fama, por exemplo. 1.2. Exemplos: “Não há memória de uma história assim.”; “Este monumento foi erigido em memória do nosso primeiro rei.”; “D. Dinis, rei de boa memória, foi também um grande poeta.” 2. Podemos falar, em relação a este texto, de duas acepções da palavra memória: nos dois primeiros parágrafos, as duas referências à memória (ll. 2 e 6) enquadram-se no sentido 1. do verbete (função geral de conservação de experiência anterior, que se manifesta por hábitos ou por lembranças); podemos, também, reportar-nos ao sentido 9. do verbete [memória (pl.) – escrito narrativo em que se compilam factos presenciados pelo autor ou em que este tomou parte].

Funcionamento da língua

[pág. 30]

1.1. Por exemplo: – Conta – disse-lhe eu. E ela contou: – Vou-me casar. – Casar? – duvidei eu na minha estupefacção. – Vou-me casar com um tipo que talvez conheças de nome, o Fragoso, professor de… – confirmou ela. – Não estás contente? – Estou contente – disse-lhe eu olhando o miúdo que tinha um olhar mudo e espantado para nós –, se tu também estás.
■ ■

Compreender

[págs. 36-37]

1.1. Sendo embora ambos os tipos de texto exemplos de escrita autobiográfica, enquanto que a escrita das memórias é, normalmente, muito posterior aos acontecimentos narrados pelo seu autor ou em que este participou, o registo do diário é, geralmente, quase simultâneo aos factos narrados que são, por norma, datados. 2.1. Marcas da primeira pessoa: formas verbais – acho, sou, comecei, Tenho, acabamos (pl.), sei, sou, tenha, tenho, desejaria, temos (pl.), quero, nasci, vim, conheci…; determinantes possessivos – minhas (obsessões, avós, tias), nossa (individualidade) minha (vida, juventude, mãe), meu (tempo); pronomes pessoais – mim, me, nos (pl.), Eu. 3.2. Os três grandes factos que marcaram a vida do autor são: a falência das profecias (3.° §), a cada vez maior participação das pessoas na sociedade (4.° e 5.° §) e a entrada das mulheres na História (6.° §). 4. 1.-c.; 2.-f.; 3.-a.; 4.-d. 5.1. Por exemplo: certeza – “Eu não tenho dúvidas: quando nasci, (…) não tinham ainda entrado na história.” (ll. 44-45); incerteza: “Por isso me parece que a nossa individualidade é talvez o bem mais precioso que temos.” (ll. 10-11).
P – Português, Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor

2.1. Exemplos: Prometo que vou aí no Natal. Quem me dera / Adoraria ir aí no Natal!

3.1. apareceu, preparou, ajudou, estremeceu, chegou, perguntei, foi, voltou, disse, contou, duvidei. 3.2.1. “Ela dissera-me tenho uma novidade para te dar…”
(l. 11)

3.2.2. O pretérito mais-que-perfeito exprime uma acção que teve lugar antes de outra acção já passada.

| Textos | 4
Compreender
[pág. 33]

1. O excerto de diário aqui apresentado, pelo seu carácter ficcionado e lírico, não corresponde a uma realidade estritamente factual mas a uma espécie de “fingimento” dessa realidade. Daí a escolha de “imitação dos dias”.

5.2. Hipótese: “Garanto que / Estou convencido que / Estou seguro que, etc., estes futurólogos, alguns reconhecidamente inteligentes, estavam apanhados pelo espírito do tempo, uma espécie de vírus que apanha indiferentemente o inteligente e o estúpido.”

pretérito imperfeito do indicativo – estava. Trata-se da comparação: “(…) que me deixa desamparado como se me faltasse uma perna.1.” Ficha formativa [págs. envio-te logo o primeiro caderno. grafológico.” 2.2. Porque. Penélope Cruz volta a ser cabeça de cartaz. 3. uma vez que… 2.2.1. Nestes dois parágrafos o remetente fala de dois assuntos: da forma custosa como tem progredido a história que está a escrever e do nascimento do bebé que “se aproxima a passos largos!”.1. a sua extensão temporal.. grafonia. “O principal tem sido mondar* isto de adjectivos supérfluos. grafema… biografia. biografar. “Os consertos de calçado estão mais caros de dia para dia. graficamente. evidencia que o mais difícil tem sido ser capaz de simplificar a sua escrita de forma a deixar ficar só “o essencial”. Através desta metáfora o remetente. via. 1..2. 3. 2. enquanto que o pretérito imperfeito salienta o aspecto durativo da acção. e 3. autobiografia. 14-15) II 1. O valor contextual dos dois “como” é substancialmente diferente. “Caso se possa mandar daqui ou do Chiúme …” 2. Por exemplo: “(…) chego à hora de jantar cheio de dores de cabeça por levar o dia a penar na prosa. pretérito perfeito do indicativo – nasci. sacudir a árvore para só ficar o essencial. paleografia.2. serigrafia.” (ll. Presente do indicativo – tenho. grafismo. “Se se puder mandar daqui ou do Chiúme encomendas registadas.1.”.3. ouvia.”.1. comprava. já que.1. 1. falando do trabalho que lhe tem dado a história que está a escrever.1. Marcas do remetente – o uso da primeira pessoa presente nas formas verbais “tenho” e “tive” e no pronome pessoal “me”. biografado. 2. Acto ilocutório expressivo. já que)). grafia.” (ll. b. b. grafologia. a. pois enquanto o primeiro estabelece uma comparação (é uma conjunção subordinativa comparativa). biógrafo. biográfico. epistolografia. Dois exemplos possíveis: “No último filme de Almodóvar. 37-38] 1.2. P – Português. visto que. gráfico. 41-43] I 1. fotografia… 3. grafómetro. gráfica. Pretérito perfeito do indicativo – vim. o presente do indicativo marca que o momento/tempo em que se situa o sujeito da enunciação coincide/é simultâneo com o momento/tempo em que se situam os factos narrados. grafar. pretérito mais-que-perfeito composto do indicativo – tinham entrado.. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor . No excerto a. a narração projecta-se apenas em factos passados e os tempos utilizados exprimem realidades temporais diferentes: o pretérito perfeito evidencia uma acção passada com carácter pontual.1.” (ll. a.. “Vais ver que é uma coisa de uma simplicidade imensa – a gente deita-se e eles nascem. Por exemplo: “Recordo com emoção todos os concertos a que assisti no ano passado. fotobiografia. o segundo remete para uma ideia de causalidade (é uma conjunção subordinativa causal (= porque. 13-14) b. marcas do destinatário – o pronome possessivo “tuas”.” 2. “Aquele rapaz não tem cabeça: passa o tempo a fazer disparates!” 4.3. No excerto b. o pretérito mais-que-perfeito assinala uma acção anterior a outra também passada expressa pelo pretérito perfeito. xenografia. xilografia. biografista.Módulo 1 Textos de carácter autobiográfico 5 Funcionamento da língua [págs. filmografia. Acto ilocutório compromissivo. 18-19) 3. discografia.1. a.

A pergunta do título repete-se. hoje toda a gente quer fazer a sua experiência de escrita). o quid que faz com que um texto seja poético). que nada tem de destruição do texto. “Didáctica do texto poético”. Proposta de roteiro cronológico: 1524/1525: Nasce Luís de Camões quase certamente em Lisboa. Chega a Goa em princípio de Setembro. 1580: Morre a 10 de Junho. em geral. as seguintes passagens: “…em matéria de indiferença pelos mais nobres dos seus filhos. 1552: Está em Lisboa. se essa nobreza for a do espírito.1. quer publicada. o seu autor pergunta-se se uma “pátria” que tão mal tratou Camões e que ele tanto criticou terá o direito de se apropriar do seu nome para celebrar o 10 de Junho (Dia de Portugal. sem letreiro. 2) para isso.6 Módulo 2 Textos expressivos e criativos e textos poéticos Camões lírico | Textos | 1 Antes de ler [págs. na Rua de S.” (ll. e a consequente riqueza em poesia lírica da nossa literatura. Nestes versos da estrofe 145 do Canto X de Os Lusíadas. O enterro é pago pela Companhia dos Cortesãos. 48] 1.” Camões observa o seu país e. ll. Antão. Fica sepultado em campa rasa. 1572: Publicação de Os Lusíadas em Lisboa. a sua lírica aponta uma estada em Coimbra. Os amigos. No dia de Corpus Christi. 14-16). nas páginas 42 a 55.”). in Camões 1. em vida. o rei D. portanto: 1) revelar esse texto como 'armadilha amorosa' (Barthes). Camões critica os portugueses (“gente surda e endurecida. O poeta perde tudo. creio que teria ainda interesse o professor fazer com os alunos uma breve reflexão de natureza histórico-cultural e sociológica sobre dois aspectos: o pendor lírico do temperamento português. “Camões pertence apenas a alguns poetas. realiza-se através do comentário de textos e através de informações teóricas sobre o fenómeno a que a crítica recente dá o nome de ‘poeticidade’ (ou seja. 1981. dão-lhe de comer e de vestir. quer destinada à gaveta e solitária (o que é aliás um reflexo da ‘massificação’ da produção literária. 1980 (adaptado) merecem. entre eles Diogo do Couto. relativamente ao texto poético. não pode deixar de evidenciar o seu desespero. 8-9). do qual seleccionámos o seguinte excerto: “O trabalho do professor. A indignação do autor nasce da constatação do triste hábito português de só se valorizarem as pessoas. 47-48] 1. eficazes e sedutores. em particular. pois mais ninguém neste país o soube merecer. numa altura em que se nos impõem meios de comunicação extremamente diversificados. Ed. aconselhamos a (re)leitura do excelente artigo de Clara Crabbé Rocha. de Camões e das Comunidades Portuguesas). apagada e vil tristeza. ou seja. entre outras.1. Caminho. Cf. e os nossos escritores. este país foi sempre terreno fértil. depois de mortas. mas não há qualquer registo que prove a sua passagem oficial pela Universidade. O poeta é encarcerado no Tronco da cidade. Luís de Camões acudiu em defesa dos mascarados seus amigos. é. João III perdoa-lhe. Antes de 1550. publicado em Cadernos de Literatura. pagam-lhe uma dívida e a passagem. um dos métodos que julgo pertinentes é ajudar o aluno a ver como funciona o texto poético (tal como uma criança gosta de ver como funciona um brinquedo e o adolescente um aparelho. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor 2. Centro de Literatura Portuguesa da Universidade de Coimbra. “Ora «a gente surda e endurecida» (…) ‘o favor com que mais se acende o engenho’. António Borges Coelho. vendo-o no mais espantoso abatimento. 16-19). observando as peças uma a uma). sob outras formas. quando Gonçalo Borges passeava a cavalo no Rossio. desmontando-o. Luís de Camões poderá ter aprendido as primeiras letras numa das 40 escolas lisboetas de ensinar meninos. reconhecendo que não é a “pátria” que o inspira pois esta “… está metida / No gosto da cobiça e da rudeza / De uma austera. Dinamene morre nas águas. INIC. da parte de fora do mosteiro de Santa Ana. ao longo do texto (Cf. Embarca nesse mesmo mês para a Índia. não lhes dando. número 10. A título parentético. e 1. 2. Sebastião atribui a Camões uma tença de 15$000. defronte das casas de Pêro Vaz. a atenção e o “amor”que . 1558: Data provável do naufrágio no Cambodja.” (ll. Salva-se a ele e ao poema numa tábua. por dois mascarados. como agente de sedução capaz de 'prender' o aluno. | Textos | 2 Observação: Sobre o ensino da poesia. Compreender [pág. 4-6). Estalou briga rija. e mesmo como funciona o acto poético.” P – Português. foi zombado. 1569: Embarca para Lisboa. 1575: D.” (ll. Através dessas questões. rasgando com a espada uma ferida no pescoço de Gonçalo Borges. 1553: Por carta de 7/3/1553. Essa ‘desconstrução’.2. 1567: Camões em Moçambique.. e a enorme produção de poesia lírica do nosso tempo. Neste primeiro período da sua vida.

Todo o corpo é circundado por uma linha ininterrupta.3.” B – O próprio objecto do amor e o seu mundo: “Mas esse teu mundo era mais forte do que eu”. míticas divindades femininas) está à sua espera para a cobrir com um manto purpúreo. que não se podem confundir. que nunca é perturbada por cortes ou saliências. 12) 4. (in A Grande História da Arte. diferentes (v. em particular. do entrelaçar dos corpos e da vista da costa ondulada em golfos e promontórios. encontram uma perfeita expressão poética na gélida nudez da deusa. com toda a atenção. relemos. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor | Textos | 3 “Amor é um fogo…” Compreender [pág. quer as antíteses quer a bipartição dos versos aparecem a sublinhar essa temática. 6). A dificuldade de definir o amor e de enumerar os seus diversos estados bem como a sua variedade. 10 e 14).1. quase de forma espontânea. Composição: Botticelli dispõe as figuras num plano só. 4). usando de cautela.Módulo 2 Textos expressivos e criativos e textos poéticos 7 Acreditando que é ‘sob o signo da sedução’ que se deve analisar o texto poético. 1. Antítese. mudança.. desenhado fio a fio. subtil mas evidente. adjectivo: novas (v. 2006) P – Português. 5. As cores frias e claras. Compreender [pág. / em lugar de Raquel lhe dava Lia. da mesma autora. Continuamente (v. “Não fizeste um esforço para gostar” Decisão do sujeito A – Não desiste e propõe-se lutar pelo seu amor enquanto viver: “começa de servir outros sete anos” B – Desiste: “Nada mais por nós havia a fazer / A minha paixão por ti era um lume / Que não tinha mais lenha por onde arder” ‘Lição’ aprendida pelo sujeito A – “Mais servira. A obra distingue-se pela soberba harmonia do esmerado desenho e pela elegante modulação do traço que cria efeitos decorativos quase abstractos. e Camões. a dupla inclinação dos ombros.1. a repetição anafórica. São conceitos distintos. Comparar Antes de ler [pág. 5). se não fora / para tão longo amor tão curta a vida. onde uma jovem mulher (Flora ou uma das Horas.” B – “Era só contigo que eu sonhava andar/Para todo o lado e até quem sabe? Talvez casar” Formas de sedução do objecto do amor A – Servidão e dedicação incondicionais: “Sete anos de pastor Jacob servia”.” 1. (. já (vv. Público. ao braço estendido. cada dia (= diariamente) (v. em grande parte. 1. a deusa é levada pelos ventos em direcção a terra. e optámos.) Vénus é o centro da composição e na sua direcção convergem as linhas curvas dos ventos e da figura feminina.1. 5). o que provoca.° 12). 11) 3. II. A pequena cabeça está inclinada e insere-se sem criar ângulos no longo pescoço subtil. n. Sustentada por uma concha. verbo: converte (v. 54] 1. nome: novidades (v. as metáforas. 52] 2. O paralelismo está presente na repetição da mesma estrutura frásica nos dois primeiros versos. assim como as formas puras e idealizadas. A poesia lírica de Camões – uma estética da sedução (Cadernos FAOJ. ou seja. As antíteses e os oxímoros aliados à bipartição rítmica do verso.. O Nascimento de Vénus Tema: O quadro representa o nascimento de Vénus Anadiomede. O nu é classicamente “ponderado” numa simétrica e plena correspondência dos membros: ao braço dobrado corresponde a perna dobrada. acompanha com suavidade as formas do corpo. .2. Observação: Será importante fazer notar que o termo anáfora é usado na análise literária e na análise linguística. “mas não servia ao pai. Ed. por seguir o percurso aí sugerido. vol. a perna na mesma posição. Esta sensação emerge das ondas do mar. 49] [pág. Exclusividade do objecto do amor A – “e a ela só por prémio pretendia. gerada pela espuma do mar. A repetição dos vocábulos mudam-se e muda-se no início das frases dos dois primeiros versos evidencia o recurso à anáfora. O abundante cabelo louro. Mudam-se/muda-se/se muda/mudar-se. 2.2.” B – “Não se ama alguém que não ouve a mesma canção.. 50] 1. “Mesmo sabendo que não gostavas”. em geral. Sendo as contradições do amor o tema do soneto. servia a ela” B – Persuasão e sacrifícios materiais: “A saliva que eu gastei para te mudar”.. privilegiando a continuidade da linha.. “Empenhei o meu anel de rubi” Impedimentos à concretizaçãodo amor A – O pai: “porém o pai. a interrogação retórica do último terceto.

doce. adjectivos: “triste”. na ternura dos três diminutivos que aparecem na primeira quadra. 57] 1.3. 3. 7-9). 3. A madrugada aparece como uma espécie de ‘morte’ porque o nascer do dia é identificado com a separação (Cf.a parte – as duas quadras e o primeiro terceto: a dificuldade de definição do amor e as contradições do estado amoroso. 1. apartar-se / apartada (vv. “leda”.1. triste “cheia de mágoa e de piedade” “saudade” “apartar-se” “lágrimas em fio” “palavras magoadas” ■ ■ ■ ■ ■ Comentar [pág.1. no segundo. possa estar tão presente nos corações. Dest’arte [pág.° terceto corresponde à síntese desses atributos e à conclusão: o poder transformador/mágico do objecto amado exercido sobre o sujeito. 6. 11) 1. 7/8) 2.3. “viu”. corresponde à acumulação de atributos físicos e morais da figura feminina (descrição).° terceto).2. a fuga é a única salvação. Ela (vv. 57] . Não sendo uma pergunta para a qual se espere resposta.3. leda “amena e marchetada” “dando ao mundo claridade” ■ ■ 2.1. O sujeito poético identifica-se com o passarinho e o coração contra o caçador e o Frecheiro cego. contrário 2. e nos adjectivos que caracterizam o coração. A conjunção coordenativa adversativa mas (v. por oposição ao caçador. por exemplo. 2.2.2. caracterizado como sorrateiro e dissimulado. hipérbole (1. 2).4. logo no início do poema. “Aquela triste e leda madrugada” 1.2. 1. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor 1. O demonstrativo “Esta” funciona como um termo anafórico que tem como função indicar os referentes no interior do texto em que é usado: remete para todas as qualidades | Textos | 4 Compreender 1. escondido. 3. 2.2.3. Ambos (marinheiro e eu lírico) prometem não voltar a cair noutra. 1. paradoxo (vv.1. caçador/Frecheiro 1. valendo-se do descuido. descuidado. criando cumplicidade com o interlocutor. 1.4.4. 3. vv. vv.a parte – até ao verso 11. 5.1. passarinho – lascivo. 9. Atente-se. (Cf.1. 58-59] P – Português. e 2.2. 12) 2. tal como o Cupido que se escondia nos olhos da mulher amada.1. 2. 4. O tema é a paixão que apanha o coração desprevenido.1.a parte – último terceto: o sujeito poético pergunta-se como é possível que o amor. O sentimento predominante é a tristeza.1. 55] 1. Neste retrato dá-se maior relevo aos traços morais (Cf. Frecheiro – cego. 5. Uma vez que a sua contemplação (da tempestade/da amada) provoca medo.1. 9 e 12) [pág. A estrutura bipartida deste soneto é marcada pelo conector assi sendo “anunciada”. | Textos | 5 Compreender [págs. porém. destinado. sendo a vista da amada comparada à tempestade. 7. 8. 14 “almas condenadas”) 3. caçador – cruel.a parte – 2. passarinho/coração.8 Caderno do Professor | Resolução das actividades do manual 1. 7. não resistindo.1. Este conjunto de qualidades tende a produzir uma imagem de perfeição (estereotipada) e não a individualizar a mulher. 2. manso. 2. pela conjunção como. a interrogação retórica dá vivacidade e ênfase ao discurso. coração – livre. Compreender 1.2. calado.3. 8 e 13). 2. Estes recursos intensificam a ideia central e acentuam a mensagem. grande / largo (v. 3. A beleza feminina (física e espiritual) e o fascínio que ela exerce no eu lírico. Formas verbais: “saía”. no primeiro terceto. v. 10 e 11). 2.2. A madrugada é testemunha da separação de dois sujeitos que estiveram juntos e do sofrimento que essa separação provoca. tendo em conta o seu carácter contraditório.2. mágoa / piedade (v. e repetindo o mesmo erro.3. Ao marinheiro do primeiro termo de comparação corresponde o eu lírico. Nos dois termos da comparação estamos perante uma situação de agressão em que uma das figuras (caçador/ /Frecheiro) é mais forte do que a outra (passarinho/coração) e actua de forma traiçoeira e dissimulada.3. 1. da fragilidade e da passividade do sujeito poético.

deixai-me/não me deixeis. etc. na maior miséria.Módulo 2 Textos expressivos e criativos e textos poéticos 9 expressas nos versos anteriores (atente-se. para ser senhora / de quem é cativa.2. O sujeito poético canta. Lendo-se as estrofes seguidas (da 1 à 4). do ponto e vírgula e dos dois pontos. 2.1. Presença serena / que a tormenta amansa). que lembrais meu bem passado.3. que el-rei lhe (pronominalização) mandou pagar como recompensa pela publicação da sua epopeia (sinonímia). Referimo-nos à metáfora – Circe/veneno – que confere a ideia de encantamento e magia. P – Português. Poderão referir-se. Pretidão de Amor. 1. entre outros: a enumeração assindética (conferindo ritmo. em Descalça vai pera a fonte.2. obtém-se um ~ retrato negativo de uma dama (Sois ua dama das feias do ~ mundo). em cópias manuscritas. nos dois pontos do verso 11) que são aqui resumidas na expressão “celeste fermosura”. no futuro. ~ Metáforas (Ua graça / viva que neles lhe mora. A primeira parte corresponde às duas quadras e a segunda aos dois tercetos. etc. Para além da medida do verso. Morreu ontem. sempre – eternamente. 4. Entretanto. porque nela vivo / já não quer que viva. doçura.2. também. 64] 2. O facto de se lembrar do bem que já teve no passado agudiza mais ainda o sofrimento presente.1. 19-20. 61] 1. equivalente a uma reforma de soldado. 61] 1. 22-23-24. recato.1.2. 6. são em tudo semelhantes do ponto de vista psicológico. [elipse] faleceu (sinonímia) num hospital da cidade e [elipse] foi sepultado num coval aberto do lado de fora da Igreja de Santana. o autor de Os Lusíadas.4. mas que estão a correr de mão em mão. 5. sextinas e éclogas. A primeira parte descreve a forma como o girassol acompanha a trajectória do Sol acima da linha do horizonte e a forma como esta flor é influenciada pela luz do astro-rei. as formas verbais na 2./não me deixeis. viver/morrer. Luís Vaz de Camões. odes. não me deixeis – não permitais. O seu (pronominalização) único rendimento era a tença de 15 mil réis anuais. passado/presente. 2. a adjectivação. conferem ao poema um ritmo rápido e fluido que alterna com um ritmo mais lento e sincopado conferido pelo uso da vírgula. 2. | Textos | 6 Compreender [pág. Jogos de palavras: cativa / cativo. a sua (pronominalização) obra continua a ser admirada por todos.a pessoa.1. que nunca foram impressas pelo facto de o poeta (sinonímia) não ter recursos materiais.1. 2. Funcionamento da língua [pág. na continuação da apóstrofe – lembrais/deixai-me. bem parece estranha / mas bárbora não . 4. 1. recordado pelo eu lírico. marcada pelo sofrimento presente. canções. “louva” uma dama (Sois ua dama de grão merecer). vigor e musicalidade ao texto). o ideal de beleza petrarquista oposta à beleza oriental da mulher cantada nas endechas (contra as convenções do petrarquismo). 70-71] I 1.5.1. Estão em confronto o bem passado. indefinidamente. 2. A beleza da mulher amada é o resultado da conjugação das suas qualidades físicas e morais (graça. A apóstrofe inicial – Lembranças. deixai-me – afastai-vos de mim. 2. Ficha formativa [págs. Estas duas figuras femininas. 63] 1.: na transição dos versos 3-4. 7-8 e 12-13-14.3. | Textos | 7 Compreender [pág. As sucessivas antíteses: bem/mal. aliados à enumeração assindética. Os encavalgamentos (transição dos vv. há-de ser – tendo perdido toda a esperança. sendo completamente distintas sob o ponto de vista físico. se quereis.1. Por exemplo os versos 9-12 e 25-28. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor Oralidade [pág. 2. O petrarquismo está presente ao nível do ideal de beleza feminina aqui reproduzido. e a angústia do mal presente. Além de Os Lusíadas [elipse] escreveu muitas redondilhas. o sujeito lírico antecipa que a sua vida será também. sonetos. beleza celestial) realçadas através de diversos nomes e adjectivos. Abandonado por todos. brandura. a leitura “lado a lado”. é de referir o encavalgamento (por ex. 2. frequentemente dupla e valorativa.) que alterna com o ritmo binário. duas delas no imperativo. .2.

/ velar por mim. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor II 1. relata as contradições do mundo complexo do seu tempo. O sujeito poético aparece dividido entre o desejo de viver e o cansaço que a vida lhe provoca. Vivi algum tempo em Coimbra e lá frequentei aulas de Humanidades no Mosteiro de Santa Cruz onde tinha um tio padre. não. O cansaço do sujeito poético nasce da monotonia da vida (vv. …em cima dum divã / com a cabeça sobre uma almofada. levando aí uma vida de boémia. repousar. graças à influência de alguns amigos junto do rei D. De igual modo. Através deste recurso o sujeito poético hipervaloriza a mulher amada. 24-43). também a amada do sujeito lírico alegra a sua “alma”. Auto de Filodemo (1587) e Anfitriões (1587). A poesia de Camões é dinâmica e. portanto/logo/por isso a leitura da sua obra é um instrumento para abrirmos o presente e o futuro. “se murcha e se consome em grão tormento. 2. também o sujeito poético. / confiante e sereno… sorriso / onde arde um coração em melodia: … suavemente. mais do que esquecer.1. 1. depois de ter sido preso devido a uma rixa. do ponto de vista cultural e artístico.5. é negada através da reiteração do advérbio de negação e do pronome indefinido. de ‘morrer’ para ‘renascer’. Morrer e suicidar-se não representam. assim como o girassol “emurchece e se descora ” quando o Sol se põe. A hipérbole.1.2.3. subtil e cuidadosa.1. Se. a medida do verso é o decassílabo.4.3. libertar-se. Sou considerado o maior poeta português. parti para a Índia. pobre e doente.4.2. (o que introduz uma oração subordinada adjectiva relativa explicativa) Funcionamento da língua 1. 1-15).2. 2. o sujeito poético identifica-se com o girassol (“Uma admirável erva”) e identifica a mulher amada com o Sol.3.3.1.2. a previsibilidade do mundo. Sebastião.2. 1. a. A obra de Camões. Rimas (1595). nunca. 1-23) .1. 74] . Quanto à métrica. como bandeira e como símbolo nacional. Tal como o Sol faz florescer o girassol. c. Ao longo deste soneto. não e ninguém – a diferença que poderia quebrar a monotonia. 16-18).2. P – Português. A vida cansa porque é sempre igual. III 1. O poema é um soneto e. o eu lírico dirige-se à mulher amada. 2.” 2. 74] 1. Veja-se a forma carinhosa como a Morte é personificada no último verso. / pé ante pé 3.2. versos 16-23. Através desta metáfora – mulher amada/Sol – o sujeito poético compara-se a um girassol e à forma como este depende do Sol. a rima é emparelhada e interpolada nas quadras e cruzada e interpolada nos tercetos. A figura feminina – meu amor do Norte – dá ao sujeito poético confiança e serenidade. 3.1.2. “Morrer” é ausentar-se da vida temporariamente. 19-22). Através da apóstrofe Meu Sol. sempre.° momento (vv. da miséria e da violência que o rodeiam (vv. também. tal como ele vive inteiramente na dependência do objecto do seu amor. aqui. portanto.4. Algumas das minhas obras mais conhecidas são: Os Lusíadas (1572). na ausência da mulher amada. São estas as “funções” que o sujeito poético espera que a figura feminina cumpra. Faleci em Lisboa no dia 10 de Junho de 1580. isto é. 1. de uma família do Norte (Chaves). A obra de Camões proporciona-nos um encontro com a nossa história porque/visto que/já que a sua poesia foi utilizada.° momento (vv. O sujeito poético exprime o desejo do espanto inicial. e é costume situar a minha obra entre o Classicismo e o Maneirismo. 1. exagerando as suas qualidades e conferindo-lhe até o poder de ‘criar’. é constituído por duas quadras e dois tercetos. 1. [pág. a 3. 2. b. 2. da constatação da falta de imaginação do homem (vv.5.3.1. densa e rica. Versos 6-9 e 15. Em 1553. Poetas portugueses do século XX | Textos | 1 Compreender [pág.1. Regresso a Portugal em 1569. El-Rei Seleuco (1587). 3. caso.2.1. “passar a noite junto de um morto”. “Velar” significa “vigiar”.3.10 Caderno do Professor | Resolução das actividades do manual 1. O esquema rimático é ABBA ABBA CDE DEC. em 1572. 1. Proposta: Nasci em Lisboa por volta de 1524. Fixei-me na cidade de Goa onde escrevi grande parte da minha obra. 3. conseguindo publicar Os Lusíadas. que desempenha um papel importante no crescimento da língua portuguesa. Cf.3. Regressei a Lisboa. ao longo dos tempos. “estar de guarda a”. 3. 2.

3. eventual ou. 7. a conjunção coordenativa e tem um valor adversativo (estabelece entre as duas orações uma ideia de contraste).a chamada. 81-82] 1. o sujeito poético enfatiza o carácter excepcional daquela árvore e da sua relação com ela.1. tratando-o por “tu”. O poeta a que se refere o sujeito poético é o negrilho. através do discurso de terceira pessoa. 78] 1. 10.” Celso Cunha e Lindley Cintra. podendo ser substituída pelas conjunções coordenadas adversativas mas. 4). Na primeira estrofe. revelando. ‘frescura’. honestidade.1. a terceira – “gigante a sonhar” – evidencia a expressão do sonho humano de elevação e de integração na ordem cósmica.6. pelo ideal de harmonia e serenidade (vv. Cristal remete para ‘transparência’. pois é definido como sábio (“revela o mundo visitado”) e sonhador. A propósito do emprego deste modo. A alteração de pessoa verbal – de “ele” para “tu” – entre as duas estrofes faz sobressair a proximidade entre o sujeito poético e o negrilho. consideramos o facto expresso pelo verbo como certo. “Porque os outros”. o negrilho é um ser com estatuto humano. consulte-se Celso Cunha e Lindley Cintra. ‘destruição’. é um espaço protector a que se acolhem o “eu”.4. 1. 1. mesmo. à sua volta. Algumas hipóteses: “Seria feliz…”. orvalho conota ‘leveza’. pudesse – pretérito imperfeito do modo conjuntivo. a última – “bosque suspenso / Onde (…) ninho!” – remete para o carácter protector da árvore. por uma valorização da sabedoria da terra (v. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor | Textos | 4 Compreender [págs. mas mantém. é completamente diversa a nossa atitude. 4. contudo… Sobre os valores particulares de algumas conjunções coordenativas. entre outros.2. ‘dor’. 3. medo.1. incêndio. dotado quer de atributos físicos – a voz (“conversamos”) e os “olhos” –.”) e sente admiração por ele visto que ele simboliza a harmonia da natureza. um tom contido de aparente distanciamento.2. a existência ou não existência do facto como uma coisa incerta. (respostas baseadas nos “Cenários de resposta” da prova de Exame Nacional do Ensino Secundário de Português. 13-14) e espalha.1. “os pássaros e o tempo”. O conceito de poesia apresentado caracteriza-se. dá expressão dramática à sua relação com a árvore. A primeira apóstrofe – “mestre da inquietação / Serena!” – aponta para um ideal de harmonia e serenidade. falsidade/hipocrisia. “Tu ”/ ”os outros”. 2. em toda a sua intensidade. 6. Encaramos. Nos versos 11 e 12.5. A repetição do pronome pessoal – “Tu” – transforma esta segunda estrofe numa espécie de oração. etc. por uma simplicidade poética inspirada na natureza (v. serenidade (vv. cit. Os outros: dissimulação. porém. 4. O sujeito poético identifica-se com o negrilho. Sugestões: “Ainda há esperança porque…”.Módulo 2 Textos expressivos e criativos e textos poéticos 11 1. P – Português. O tema comum aos três poemas é anunciado pelos respectivos títulos: o valor das palavras na poesia. irreal. antiga (nela o “tempo” faz “ninho”). 2. “Descansaria…” | Textos | 3 | Textos | 2 Compreender [pág. seja no passado. 2.a fase. 1. “mas tu não”. cristal. aventura/risco. Sendo o único poeta da terra natal do sujeito lírico. denúncia.1. O negrilho assume um papel protector (vv. evidenciando o carácter singular do negrilho.3. punhal.. 10). mas tu não (vv. O negrilho é uma árvore de grande porte e de copa abundante (“bosque suspenso”).1. 1.3.3. 2001) 1. na segunda estrofe. 2. 463-464) 2. 2. in ob. seja no presente.1. 8-9). todavia. punhal e incêndio para ‘agressão’. 1. cedência. 13) 4. real. orvalho. Tu: ousadia. Ao empregarmos o MODO CONJUNTIVO. 4. quer de traços psicológicos. e 1. a segunda – “imortal avena / Que (…) maninho.1. o envolvimento afectivo que a caracteriza.” – salienta a simplicidade poética e a relação da poesia com a natureza. Ao dirigir-se ao negrilho. calculismo. “Porque” – conjunção subordinativa causal. . 4.1.2. Nova Gramática do Português Contemporâneo (págs. 578 a 581. duvidosa. 76] Compreender [pág. então. leia-se o seguinte: “Quando nos servimos do MODO INDICATIVO. págs. considerando-o o seu mestre e a origem da sua poesia (“Os meus versos são folhas dos seus ramos. 1. seja no futuro. 11-12). “Tudo pode mudar porque…”.

6. 2. protegidas. ao cativeiro. uma vez mais. será a vez de os alunos praticarem a leitura oral de alguns poemas. que sugere “desmaiadas”. 3). enumeração.1. se calhar.2. v. 2. Sempre. da mesma editora. lugar para observações e estratégias de remediação.2. 19: rosa. no presente. “agora” – vv. exílio. tive.1. fazia. 84] P – Português. porém.1. 1 e 15. A brochura Leitura. 2. até antagónicos. Através desta interrogação. Por exemplo versos 17-20. do rigor e da simplicidade com que o sujeito poético as usava (vv. / [como] um incêndio. as segundas são quentes e fulgorosas. Para cada um destes pontos serão usados os parâmetros Nunca. A liberdade é água. 4.3. 4. ele aproxima-se de uma definição (poética) de polissemia. Por exemplo. nesse caso não haveria metáfora. desobedecem-lhe e desrespeitam-no (cf. | Textos | 5 Compreender [pág. só quando as juntamos podemos fazer palavras. remete para a ‘morte’ das palavras que. v. primavera.2. 3. Daí o seu carácter complementar. Comparação e metáfora.1. v. “arreganham os dentes” (v. navio. cuidadas.14: tempestade. 1.2. pátria/exílio . fogo. 3. 15: sangue. A relação sujeito poético-pátria-liberdade é uma relação de tudo ou nada: só existe pátria em liberdade e por elas o sujeito poético está disposto a tudo – ao exílio.4. 16).3. as palavras “gostaram” do sujeito poético: andavam à volta dele e “aqueciam-no”.1. Actuar [pág. Esta canção encontra-se no CD dos Trovante intitulado Baile no Bosque. trazem ainda boas memórias.12 Caderno do Professor | Resolução das actividades do manual 2.1. sustentavam). Muitas vezes. 4. / Outras [são como] orvalho apenas. a luta por ela é fogo e cardo. cardo. se tornou mais exigente e que agora só procura “as mais encabritadas”. “ténues”. 2. implica exílio e morte. o sujeito poético lança um apelo para que as palavras sejam escutadas. Observação: Na 1. 2. mesmo quando ‘enfraquecidas’. como aliás todas as outras do poema. propõe a seguinte ficha de avaliação de leitura em voz alta: ■ ■ ■ ■ ■ ■ Hesitar Usar o dedo ou outro guia Ler com expressividade Fazer leitura palavra a palavra Respeitar a pontuação Errar em pequenas palavras ■ ■ ■ ■ ■ ■ Ter ritmo de leitura Acrescentar Omitir Aglutinar sílabas Ter problemas de dislexia Fazer autocorrecção. encontrava.6. para o carácter contraditório da palavra poética. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor 1.a estrofe. pátria. da EMI-Valentim de Carvalho ou no CD Poesia Encantada. o sujeito poético pede contas a um “tu”/ “eu” acerca do que terá ele feito das palavras.2. 3-5). Através destas interrogações. No passado.2. amor e rosa mas. pátria. gostaram) e o pretérito imperfeito (dançavam. 3. do ME-DES (1999). 3. A interrogação do primeiro verso. Através desta imagem (conjunto de metáforas) o sujeito poético refere que as palavras.2. O adjectivo “ pálidas ”. 2. 7-8: água. rosa/cardo. Depois de ouvir o poeta. amor/morte. 4. v.1. mas apenas comparação: Algumas [são como] um punhal.2. 2. Algumas vezes.5. os versos 3 a 6 podem ter subentendido “são como”. ainda. A antítese luz/noite remete. Em alternativa. As vogais são “de um azul (…) apaziguado” e as consoantes ardem “entre o fulgor / das laranjas e o sol dos cavalos”. o sujeito poético sugere que. “estão ariscas” (v. por vezes. hoje são muito menos dóceis e mais difíceis de ‘domar’. que se pode eventualmente identificar com um “eu” – o sujeito poético seria o eu e o tu. Provavelmente.1. Adjectivação.1. personificação. 10: navio. v.4. os pares água/fogo . frequentemente. dirige-se a um “tu”. enquanto que as primeiras são suaves e ‘tranquilas’. 2.3. morte. Raramente. vv. A relação das palavras com o sujeito poético mudou provavelmente porque aquelas se “fartaram da rédea” que as prendia.2. destinatário do discurso.2. v. 4. lenha. vento.1. este facto deve-se também à maior exigência que o sujeito poético tem na selecção das palavras (“já só procuro as mais encabritadas”). que outrora eram o seu ‘sustento’ quotidiano. “resmungam” (v. fazendo-nos supor que o apelo por ele lançado no poema anterior não teve eco. Vogais e consoantes são opostas pois. Os tempos do passado são o pretérito perfeito (fartaram-se. Tendo em conta que o poema nos chama a atenção para o facto de as palavras poderem apresentar diferentes significados. Nesta ficha haverá. . 16: amor. 17: chama. 2. vv. 17). 6-9). 82] 1. à morte. O carácter ambíguo das palavras está em evidência neste poema porque o sujeito poético apresenta um conjunto de vocábulos que transportam consigo sentimentos diversos e.

“é aquele que leva a sério a linguagem”. E para mim a língua começa em Camões. Como já não pode ler nas vísceras das vítimas.. Apaixonado como os Latinos . Génesis. como sempre dizia Miguel Torga. Talvez seja muito pouco. através da palavra. 3.pt/cd25a/ (Centro de Documentação 25 de Abril. convoca as forças benfazejas ou tenta exorcizar as forças maléficas. quando é destruído pelo fogo. procura decifrar os sinais dos tempos através de múltiplos sentidos ou do sem-sentido da palavra. Ambicioso como os Romanos. Talvez tudo esteja nesse primeiro verso. “nem anjo nem bruto” refere a essência humana do homem com todos os seus defeitos mas também com as suas virtudes. não seja muito diferente daquele sujeito que vemos nas tribos primitivas. que escreveram sobre o tema da liberdade. esconde-se a matéria luminosa do universo”. (…) O poeta.html e http://www. Para encontrar outros poetas portugueses. Talvez tudo isto seja a poesia. 4. Ou como dizia Klebnikov: “na natureza da palavra viva. Uma forma de alquimia. A arte e o ofício da língua e da linguagem. porque os outros têm de ser conquistados. da Universidade de Coimbra). [pág. de plumas na cabeça. A poesia é. em Maio de 1965. Manuel Alegre. 2. De qualquer modo. Um presságio do Sul. o poeta de hoje é como esse xamã antigo que. através da repetição rítmica de palavras e imagens. assim.1. que tinham uma concepção mágica do mundo. que é o instante da revelação e da relação mágica com o mundo através da palavra poética. Dança com palavras ao som de um ritmo que só ele entende. uma forma de medição. antes de tudo. repetindo palavras mágicas enquanto dança e pula ao ritmo de um tambor. “Recorda-te que tu és pó e em pó te hás-de tornar” (cf. que tinha uma flauta mágica. Os sinais mágicos da palavra. Isto é o que sei de poesia. afinal. pronta a “explodir” a qualquer instante. Talvez esteja antes ou depois da literatura.bib-camilo-castelobranco. como o poeta russo Mandelstam.2. P – Português. A música secreta da língua.rcts. Não sei falar de poesia.1. 89] . hipócrita. 86] 2. depois da morte. Sei que a energia. como diz o meu amigo José Manuel Mendes. encantatória e desesperada tentativa de captar a essência do mundo e de. da segunda metade do século. falso. Ardente/Ardoroso/Veemente como os Africanos.uc. como costuma dizer a minha amiga Sophia de Mello Breyner. Uma encantada. aquele que nos é dado. expressando um desejo do sujeito poético: que. Que procura o impossível. Dom Quixote. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor Poetas de expressão portuguesa do século XX “Não vale a pena pisar” Tópicos de análise Todo o poema é uma longa metáfora – tal como o capim. Hipóteses: incoerente. Mas não sei se é possível saber mais. 84] 1. que nasce espontaneamente da força da terra. Talvez o poeta. “mudar a vida”.. Sei. como nas sociedades primitivas. texto escrito e lido durante uma sessão consagrada a “Trinta Anos de Poesia” na Faculdade de Letras da Universidade Católica de Viseu. Ou seja: o verso que não há. Sei que a poesia não se explica. 3.2. Sossegado/Calmo como os Árabes.pt/librdd5. Ou é talvez o adivinho. Robusto/Belo como os Gregos. ressuscite puro e imaculado. consultar o site http://www. Oralidade [pág. E que cada palavra é um pedaço de universo. (…) É então que a poesia acontece. Publ.Módulo 2 Textos expressivos e criativos e textos poéticos 13 Actuar [pág. como queria Rimbaud. O poeta é esse feiticeiro. A calma ilusória dos oprimidos explodirá em força logo que as condições sejam propícias. Não sei falar de literatura. in 30 anos de poesia. a poesia implica. E o que é levar a sério a linguagem? Eu creio que é estar atento aos sinais. 19). também aqueles que são explorados guardam em si uma raiva calada. 1997 (texto com supressões) Texto a ler aos alunos: A poesia não se explica. renasce após a primeira chuvada. Sobretudo não sei se a poesia tem alguma coisa a ver com a literatura. Subtil como os Europeus. 84] A poesia é também a língua. é a essência do mundo e que “os ritmos em que se exprime constituem a forma do mundo”. que “escrever é um acontecimento cósmico”. Ou talvez ela não seja mais do que o primeiro verso. 4. A forma verbal encontra-se no modo conjuntivo (Me levante). Ardiloso como os Orientais . | Textos | 6 Compreender [pág. como diz o meu amigo Herberto Hélder. dizia Cioran.

90] A literatura cabo-verdiana: temática Há um conjunto de constantes na literatura de Cabo Verde que derivam. 5 e 6 – esperança no ressurgimento futuro e desejado. É a tragédia do êxodo. sangue/pacto (v. 7 a 10 – identificação profunda com o povo timorense através do símbolo da bandeira. mas não posso pronunciá-lo (vv. a impossibilidade de partir. 13 e 19). ■ o sentimento colectivo de que a emigração constitui a única solução possível e. ■ silêncio a que os carrascos obrigam. a vida colectiva: ■ o ritmo telúrico (vida ligada à terra). remetendo para o título Negra. a eterna diáspora cabo-verdiana. palavra que nunca aparece no poema embora todo ele remeta para esse sentimento. metáfora da candeia acesa. morte. 2. na quinta estrofe a máscara cai e revela o rosto. 6 a 15 – razões que provocam a partida – seca. tudo se passa no interior – “Eu sei o teu nome…”. ciclo da vida: “…sonhos/que um dia esvaem-se/ – mas surgem sempre…”. a esperança de mudança concretizada no último verso – esperança = vento da certeza. vv. ■ “Lá no ‘Água Grande’” Tópicos de análise vv. 12. P – Português. do condicionamento geoeconómico a que as ilhas estão sujeitas: a seca e a fome. determinada pela situação financeira dos que aspiram à emigração. 91] Tópicos de análise o título é a palavra-chave para decifrar o poema: Esperança. 25 – Timor fenece. 1 a 4 – metáfora de Timor aprisionado. aconselha-se o site http://www. 21-22) – conseguem perceber o sentido (verdadeiro) de África – MÃE. que provocam o desejo de evasão (hora di bai – hora da partida). o ciclo do sonho/esperança. o sonho de quem parte ou almeja partir. isolados por um travessão. vv. isto é. o escritor e crítico literário Manuel Ferreira salienta os dois “mundos” em que se movem as crianças são-tomenses: “o reino da aparência e do ‘real’ – a máscara e o rosto”. 19 a 24 – apelo de que o sujeito poético se faz eco. 11-18). carácter simbólico deste facto: o ■ Num comentário a este poema. a fartura. ■ “Os vínculos timorenses” Tópicos de análise ■ ■ [pág. a realidade. 16 a 20 – lugares mais desejados. Nota no Manual). vv. Tópicos de análise v. ■ “Negra” [pág. 14-18. 6. atravessar a imensa fronteira líquida. valor expressivo dos adjectivos “mudos” e “quedos”. espécie de grito de morte anunciada.14 Caderno do Professor | Resolução das actividades do manual “Terra” [pág. v. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor [pág. 13 a 18 – identificação do sujeito poético com Timor: fala pela voz de Timor expressando o desejo à autodeterminação. ■ vv. por outro a esperança de que as coisas se alterem – que venha a chuva e traga consigo a abundância. 21 a 36 – sentimento de quem fica: por um lado a resignação. alma. mesmos nervos. ■ ■ vv. cuspisse/passasse indiferente. pess. ■ ■ ■ a saudade dos que partem (a ruptura dos laços que prendem o homem à sua terra natal) e o desejo do regresso. procurar fixar-se numa região de trabalho bem remunerado para regressar o mais depressa possível.priberam. o ritmo pelágico (das eternas partidas e regressos). ciclo da terra. assim. – a senhora (tratamento cortês usado apenas com as mulheres velhas ou muito respeitadas pelo falante). A solução da partida é inevitável mas provisória – abandonar as ilhas. 94] vv. apunhalasse/abraçasse. só os africanos – “do mesmo sangue.a pessoa sing. 9. 93] Em relação ao crioulo cabo-verdiano. metáforas de “esperança” (vv. os quatro tercetos iniciais. fome. / sofrimento” (vv. ■ ■ Dois ritmos polarizam. os últimos versos de cada um desses tercetos. ■ ■ ■ ■ . 92] Tópicos de análise África vista de fora (“Gentes estranhas com seus olhos cheios doutros mundos”) – imagem falsa. constituem-se como uma espécie de prolongamento do título do poema. 20-21). ■ “Esperança” [pág. “gemidos cantados” – expressão que revela a verdadeira natureza dos cantos das crianças. construídos com base numa repetição anafórica (“É como se alguém…”) seguida de uma construção antitética: pisasse/risse. 37 a 43 – os dois ritmos que polarizam a vida das ilhas – campos (telúrico)/mares (pelágico). paradoxalmente. à máscara. as quatro primeiras estrofes correspondem ao mundo da aparência. fem. reportando-se à realidade. batesse/cantasse. 1 – Nha: pron. 3. ■ ■ ■ ■ vv. inevitavelmente. oca e artificial (vv. vv. carne.pt/dcvpo/ onde um dicionário e uma gramática de crioulo podem ser consultados on-line.

9). ■ 3. agora. 7. devagar e sem pressa nenhuma de lá chegar. 1. chorarei. dramático. s/d O poema pode dividir-se em duas partes: a viagem em direcção ao cais divino. ■ marcas do “crime” – mãos molhadas. na sua ambiguidade. mas pode simbolizar igualmente a novidade. o cheiro a “mosto”. 96-97] a I 1. ■ . O conector “Por isso” traduz a ideia de consequência. e fá-lo com uma espantosa economia lexical (à base dos lexemas inqualificados “caminho” e “pedra”. a ordem/a perfeição equivalem a ausência de dor/ausência de sonho. desilusão. quadra – hipérbole dos dois primeiros versos. advérbios: “devagar” (v. na terceira estrofe volta a predominar o presente (se aproxima.. absurdo. Leonardo não tem pressa de chegar ao seu destino (o ‘cais divino’) porque se sente ‘feliz’ no ‘cais humano’ onde tem tudo aquilo de que gosta e cujas sensações agradáveis pretende prolongar o mais possível já que sabe que no local para onde vai não terá nada daquilo que tanto aprecia (Cf. O antecedente do advérbio “Lá” é a expressão nominal “cais divino”. vai). 95] o futebol. 3-4) versus a real dificuldade em lidar com ela (vv. a iniciar a sua viagem em direcção ao “cais divino”. (as) minhas. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor 6. a importância da poesia drummondiana. pessoa (pus.2. Na primeira estrofe predomina o presente (é. e a antevisão de como será o referido cais (estrofe 2). correspondendo cada uma delas a cada uma das estrofes.. 2. gasta). ■ expressão dos sentimentos do sujeito lírico que estão na base da sua decisão de ‘matar’ o sonho – solidão (areias desertas). Leonardo. S. tristeza. Obra Poética.” Arnaldo Saraiva. na segunda estrofe predomina o futuro (terá. abundância de marcas da 1. vemos S. avança.Módulo 2 Textos expressivos e criativos e textos poéticos 15 “Canção” [pág. S. 6. Leonardo que. sem pressa de chegar ao cais divino. 8). Na segunda estrofe é feita a antevisão (daí o tempo verbal futuro) do que espera S. na primeira estrofe. Assim. cansaço.. Os adjectivos são “ancorado” e “feliz” (v. 23). “Nem vinhedos (a)”. cor que escorre dos dedos – morte do sonho pelas suas próprias mãos.a quadra – relação sonho/navio/mar/mãos. atenção. símbolo de um país (Brasil). Duas hipóteses possíveis: O poema poderá ser dividido em três partes lógicas. deixarão). avança.° vol. 5.3. o sofrimento mata o sonho. serão.. abri. a “terra” e a “rosmaninho”. ele faz de um aparentemente banal acidente de percurso um grande acontecimento obsessivo. Leonardo. 8). 6. valor simbólico das mãos – atitude deliberada do sujeito poético.a quadra – valor simbólico do conector temporal “depois”. 3. 21) “lentamente” (v. Nota introdutória a Obras Completas de Carlos Drummond de Andrade. (o) meu. vv. “Na menina dos olhos (b) deslumbrados”. astúcia. no “cais divino”. ■ ■ relação bola/mulher/touro – necessidade de tratar com malícia. 10-11: “É num antecipado desengano…”). ■ a 5. à proa dum navio de penedos. 1-2) ■ bola/touro – definição por oposição lhança (v. 1. (vv. carinho (vv. Europa-América. e por seme- aparente simplicidade da bola (vv. “ancorado e feliz no cais humano”. ■ “No meio do caminho” Tópicos de análise [pág. vai sulcando as ondas da eternidade. Leonardo quando chegar ao seu destino. capitão no seu posto de comando. 4. poderiam citar-se as seguintes passagens: “socalcos” e “vinhedos”. ■ a 4. Na terceira estrofe retoma-se o presente de S.1. a navegar num doce mar de mosto. 94] ■ Tópicos de análise Tema: A paz só se alcança quando se abdica do sonho/A morte do sonho. porque sabe o que o espera na “bem-aventurança”. resultado ou efeito. Publ. “um navio de penedos”. 8. quadra – vento/noite/frio – conjugação dos elementos naturais que se aliam à tristeza provocada pela morte do sonho. Locução adverbial: “sem pressa” (v. 11-12). ■ P – Português. ruma. 7-8). que naturalmente são investidos de grande energia simbólica) e sem mais ênfase que a da repetição. Entre outras. na sua simplicidade. na sua brevidade. Leonardo se demora para poder apreciar a paisagem (constituída pelas estrofes 1 e 3). na qual S. 95] Sobre o poema No meio do caminho: “Este poema pode simbolizar dignamente a poesia modernista brasileira e as reacções de entusiasmo ou de repulsa que provocou podem simbolizar as que sempre provoca a arte de vanguarda. “O futebol brasileiro evocado da Europa” Tópicos de análise ■ [pág. “Um poeta universal”.1. meus). Ficha formativa [págs.

103] 3. é uma tentativa de desmistificar a dificuldade da matemática – “… a matemática não tem de ser um problema. população de Kamilaroi: 7 = bulan bulan guliba (4 + 3) 5. 109] Compreender [págs. . O anúncio apresenta-nos um quadro preto típico das escolas. “A divisão começou quando 10 se exprimiu como ‘metade de um corpo’…” (ll. 44). 17-19) Através deste texto é-nos dada uma visão subjectiva do mundo (interior e exterior). 107-108] 1.1. 4-8) 3. 6. o sujeito poético usa os conceitos matemáticos de uma forma muito pessoal que reflecte as suas ideias e sentimentos. há uma íntima relação entre este cartoon e a resposta que L. o texto “As origens da Matemática” mostra-nos como esta disciplina entrou naturalmente nas nossas vidas e está presente. Para além de todos os estereótipos que o cartoonista aqui põe em evidência – o fim do dia de muitas famílias portuguesas em que o homem se acomoda no sofá.” (ll. 15-16). onde está escrita uma frase com símbolos matemáticos: A matemática deve ser tão fácil de perceber como as palavras. No chão. sentada num sofá em frente à televisão.2. 1. Neste cartoon. em muitos gestos do nosso dia-a-dia.” Ora.” (ll.° § – “As ilhas (…) estão ameaçados.2.° § – Introdução. E o P – Português. Por isso. 1. 103-104] 2. Adição (l. Aula de Matemática ■ 2. 2. 18). Partindo do princípio da contagem pelos dedos. Utilizam-se recursos estilísticos e uma linguagem profundamente conotativa. de forma muitas vezes inconsciente. 43). 101] 4. “Em suma” (l. pipocas espalhadas e o jornal abandonado aberto na página que fornece informações sobre os programas de televisão.2. Na televisão reconhecemos a imagem do Rambo. importância à forma. 45).1. a. 1.1. 14). patente no texto que o acompanha. queixandose que os programas de televisão nunca começam à hora prevista. 1. De dentro da casa alguém pergunta se a guerra já começou. onde. com ar enfastiado. População de Murray River: 5 = petchval petchval enea (4 + 1). numa total inversão realidade/ficção: não é a realidade que passa a ficção mas a ficção que “salta” para a realidade.° § – Ciência – um estudo de tudo!. Afonso dá à primeira pergunta da entrevista – a guerra ‘anunciada’. três latas de refrigerante vazias. sobretudo.° § – Como funciona a ciência. b. O ‘público’ espera pelo início da guerra como quem espera por um filme ou uma série que passa a determinada hora na televisão.” (ll. 12-17) 5. 9).16 Módulo 3 Textos dos media I | Textos | 1 Antes de ler [pág. era esta a divisão: 1.” (ll. A mensagem subjacente a este anúncio. 3. 4. 7.° e 5. 8-12) 4. Compreender [pág.° § – “Tenho esperança (…) própria vida. Esta é a primeira fase do trabalho a completar na pergunta 7. 41) e divisão (l.” (ll. ‘comandando’ a televisão enquanto a mulher arruma a cozinha.° § – “A História (…) gerações futuras. subtracção (l. ■ | Textos | 2 Antes de ler [pág. “Contudo” (l. 105] 1.° § – “A Terra (…) não haverá mais.2. 4. na outra. 45-46).° § – Tecnologia – a ciência em acção. l.° § – “No entanto (…) conquistas tecnológicas. podemos observar uma personagem masculina.” 2. ■ Tem uma intenção estética: predomina a função poética. “Os números foram ordenados e agrupados em unidades cada vez maiores. É um texto literário. ela é tão natural e “… tão fácil de perceber como as palavras. A adição. da página 108.” e “… pode ser divertida e acessível a todos. os alunos irão completar uma grelha. geralmente pelo uso dos dedos de uma das mãos ou das duas…” (ll. O desenvolvimento das actividades comerciais (Cf. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor 3. ao que o homem responde que não. ■ ■ A verdade da mensagem não é uma preocupação fundamental. Numa mão tem o comando do aparelho e. | Textos | 3 Antes de ler [pág. Funcionamento da língua [págs. recordando as noções de texto literário e de texto não literário. Dá. ‘com hora marcada’ para aparecer na televisão. uma taça de pipocas. “metade do corpo” seriam dez dedos. No original. multiplicação (l. 1-4) 2.

3.1. um homem com ar triste. b. nos autocarros. Trata-se de uma retoma anafórica pronominal. b. 2.2.. recorrendo a regras da própria língua (1). 3.3. que. Funcionamento da língua [págs. audácia. 1.2. 2. preocupado.5. 23.2. podemos entrever uma tomada de posição em relação aos factos. 2. a.. Anáforas: “o/lo” (ll. O erro ortográfico encontra-se nos tapumes das obras. a reutilização de palavras existentes. 36).. mas. 35. “Para incorporar palavras novas. 4. no entanto. 24. 117-119] 1. uso da primeira pessoa do singular). O entrevistador adopta um tom formal. 121] 1. etc. atribuindo-lhes novos significados (2).. na opinião do autor. porém/todavia/contudo [colocados após “que carece”: que carece. A ordem dos parágrafos é: c.1.1.1. chamando particularmente a atenção do leitor para o facto de o cartoonista se inspirar naquilo que o rodeia e para as suas constantes dúvidas e inquietações. acto ou dito irreflectido com possíveis consequências desagradáveis ou perigosas. O maior erro. nas faixas. 34. 5. os léxicos das línguas dispõem basicamente de três mecanismos distintos: a construção de palavras.1. 1.1. 112-113] 1. d. Na primeira foto vemos. 42). A ordem é a seguinte: Ora.1.).3. “era uma pista onde a prova tinha decorrido”. logicamente. é não reconhecermos o erro ortográfico quando o vemos e este facto é grave na medida em que o perpetua. O autor faz esta afirmação porque os erros ortográficos proliferam apesar dos esforços dos professores. O antecedente é “os léxicos”. a importação de palavras de outras línguas (3). 4. os das ciências sociais “limitam-se a sublinhá-lo” e os docentes de Português “ não sabem que peso atribuir-lhe”. nos painéis publicitários. Não podemos dizer que o entrevistador tenha formulado juízos de valor sobre as respostas dadas ou tenha procurado influenciar de forma óbvia o entrevistado. a. de fazer). etc.1. b. 117] 1. Esta forma de destaque poderá indicar que o homem está desorientado. 2. | Textos | 4 Compreender P – Português.. Compreender [págs. b. O grupo nominal a que se refere “nele” é “o erro ortográfico” que só aparece na linha 22.. “dele/deles” (ll. nas “coisas” da Câmara. nas legendas televisivas. nas duas primeiras perguntas. Embora não apareça em primeiro plano. certamente. ignorado pelos outros figurantes da foto. 2. Podemos situar a CPPORT14CP-02 . 2. Nota-se que a entrevista foi bem preparada: o entrevistador conhece bem o percurso do entrevistado e a sua obra. [ele] circula…”. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor [pág. b.1. é lógico que. “ele” (l. é ele que está destacado já que a mulher que se encontra à sua frente (bem como o resto da foto) se apresenta desfocada..3.2. nos placards. Exemplos possíveis: Assim. 1.4. e 2. 1. 16).].Módulo 3 Textos dos media I 17 que é certo é que este tipo de ‘programa’ tem audiência: “correu bem em termos de bilheteira…” (l. 26). Temeridade – ousadia perante um perigo quase certo. como o título já anunciava.. destacado.1.1. os professores das disciplinas científicas “deixaram de o corrigir”.1.. O título da entrevista é uma frase do entrevistado (cf. isolado em relação àquilo que o rodeia.2. 1.” 4. Segundo o autor. actualmente. No entanto. que constitui uma espécie de tributo ao pai e àquilo que o cartoonista aprendeu com ele relativamente à forma como se posiciona perante os acontecimentos. (in Grande Dicionário Língua Portuguesa.a pessoa quando se dirige directamente ao entrevistado.1.. Luís Afonso ‘herdou’ do pai.1. imprudência.. 38 e 43).. 1. Acrescente-se que “o erro ortográfico” é ainda antecipado por diversas elipses (“[ele] Está também…. hoje em dia/nos nossos dias. O autor afirma que “vai sendo um castigo” ou uma imprudência ser-se professor de Português pois estes professores são frequentemente colocados “ na posição de réus” e constantemente “colocados em trabalhos e tormentos”. 4. faz perguntas pertinentes (que muitos leitores gostariam. | Textos | 5 Antes de ler [pág.2. os outros professores acusam-nos de serem responsáveis pela “pobreza vocabular” dos alunos e a redacção de actas e outros documentos é encarada como uma obrigação destes ‘puristas’ da escrita. Hipóteses possíveis: “as pessoas tinham-se excedido um pouco”. “lhe” (l. 3. nos muros.2.6. Porto Editora) 4. usando a 3. Na introdução faz-se uma espécie de síntese do conteúdo da entrevista. a. b.2.

ou seja. A ausência dos “verdadeiros” lisboetas do filme é explicada pelo facto de eles se comportarem desse mesmo modo “face ao Outro”. todos nós estamos irmanados tanto nas dificuldades como nos sonhos. 5. 124-125] 1. de lhes conferir o estatuto de ‘verdadeiros lisboetas’. um futuro melhor do que o seu presente.1. “África”. segundo o autor deste texto de opinião. cidadãos de Lisboa iguais a todos os outros. em algumas circunstâncias. Predicados: agradecemos/retribuem. 3. o uso da maiúscula no vocábulo “Outro” revela a preocupação do autor em evidenciar a importância destes cidadãos. introduz um valor modal: o ponto de vista do sujeito locutor em relação àquilo que é dito. 5. 4.4. nos topónimos (“Lisboa”. isto é.1.1. que representa todo o país. Contribuem também para manifestar a incerteza do locutor a expressão “E nesse caso…” aliada ao uso da forma condicional “faria” e o recurso ao futuro (“será”. Sendo intencional. Através desta personificação. 3. Por exemplo: em início de frase. isto é. A opção pelos grandes planos justifica-se pela vontade do realizador de não interpretar mas sim de ‘mostrar’. imparcial. 1. são ‘verdadeiros lisboetas’. poderia tratar-se de uma chamada de atenção para o estatuto de menoridade destes imigrantes.3. 2. assistimos a uma cena dentro de um autocarro: uma mãe com um bebé ao colo. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor Funcionamento da língua [págs. caso contrário. P – Português. 1. “talvez”. 3. A vida destes “novos lisboetas” não lhes pertence pois têm que lidar com uma série de problemas que. 123-124] 1.” Sujeitos: Nós/eles. por si só.2. ser suprimidos da superfície lexical da frase. o realizador mantém em relação às personagens uma “dose correcta de distanciamento”. embora os respectivos complementos directo e indirecto não estejam expressos. correcta. o realizador deste filme ‘esqueceu-os’: é como se eles não existissem. Através desta frase. Trata-se de um sujeito nulo subentendido [Nós]. 3. 2. Por exemplo: o uso do adjectivo valorativo em relação ao trabalho do realizador (enorme. parece-me que.1. “Nem sei também se…”. são eles (os lisboetas/os portugueses) quem acolhe os imigrantes ou quem os ignora. …) nos antropónimos (“Sérgio Tréfaut”). e não assim. “terá Tréfaut querido (…) mostrar-nos”) que não assume.). acho que. de ‘dar a conhecer’. etc. “poderá ter-se tratado”.2. Por isso. não dependem deles nem da sua vontade. 1.3. Sei também que a questão não será de importância relativa ou menor. “poderá ter”. Ao lado.5. 4. Estou seguro de que no início do genérico do novo filme de Sérgio Tréfaut o gentílico surgia no écran com capitular. etc. penso que.2. expressões como: “Não estou bem seguro de que…”.2. As mensagens são opostas pois enquanto que na primeira há uma mensagem de solidão e isolamento. Compreender [págs. Se o título tiver sido grafado com maiúscula inicial. Evidenciam incerteza. “creio que…”. aqui. .1.” 2. até. a maior parte das vezes. uma ideia temporal de situar uma acção num tempo posterior ao tempo em que se situa o acto de fala. na segunda a tónica é posta na esperança das gerações futuras (quer o bebé que está ao colo da mãe e para quem ela sonha. 99-100). Será uma boa ocasião para explicar aos alunos que mesmo os complementos seleccionados pelo verbo (ou pelo nome) podem. Reescrita possível: “Lisboetas. Observação: Os verbos “agradecer” e “retribuir” são transitivos directos e indirectos.2. Na segunda foto. emocional. no dia-a-dia estes “verdadeiros” lisboetas estão ausentes/invisíveis em relação aos imigrantes. uma certa curiosidade em relação às duas outras personagens). isto é. olhando-o com ar sereno e embevecido. em meu entender. Através daquilo que o crítico classifica como “filmar a ‘seco’”. é identificada com os seus habitantes. contratos de trabalho. uma outra criança observa a cena que se passa também em Lisboa (no autocarro que se vê ao fundo pode ler-se Restelo). Os “novos lisboetas” são os imigrantes que vêm de todo o lado. com caixa baixa. A letra pequena faz bastante diferença na leitura da mensagem.2.18 Caderno do Professor | Resolução das actividades do manual foto em Lisboa pela placa atrás do homem. lisboetas. o realizador terá querido salientar que estes ‘lisboetas’.1.1. os imigrantes retratados no filme. 99) e distanciamento (ll. Orações coordenadas: “Nós agradecemos e eles retribuem. …).2.2. o crítico chama a atenção do leitor para o facto de não haver grandes diferenças entre nós e os imigrantes que recebemos: tirando os problemas de ordem burocrática (legalização. em particular de África e dos países de Leste. Lisboa. Por exemplo: clarividência (l. 3. certamente. quer na criança que não os ignora e demonstra. antes expressa um facto dependente de uma hipótese. Propositadamente optou-se por lisboetas com minúscula. nos nomes relativos a meses do ano (“Janeiro”). 4.2. a meu ver. Referimo-nos a expressões do tipo: na minha opinião.

o foco narrativo é centrado no emissor (1.1. para os seus países de origem e para as sociedades que os acolhem.” [78 palavras] 2. 2. “Em conclusão…”. “Seguidamente…”. Proposta de resumo: “A palavra “instalação”. abrangendo. na hora do jogo. Oficina de escrita [pág. “Depois…”. 2. A palavra melhor é. os “novos lisboetas” vão-se adaptando à cultura portuguesa.” [36 palavras] … que ilustra os benefícios da polinização cruzada entre povos e países.a pessoa).1. Trata-se do Campeonato do Mundo de Futebol. as instalações tornam-se.3. Kofi Annan revela-se o ‘adepto’ comum: aquele que. // … na família das nações houvesse mais competições deste género. Este tema interessa ao secretário-geral das Nações Unidas por se tratar de um dos poucos fenómenos que é tão universal como (ou até mais universal do que) a própria ONU. 3. Daí o facto de ele confessar.. as emissões de carbono. pois expressa a opinião do seu autor. qualquer instalação deve manter-se no espaço para que foi criada. // … que tivéssemos mais factores de nivelamento como estes na esfera internacional. país de acolhimento de diversos povos. 126] 4. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor | Textos | 6 Compreender [pág. “Por último…”. celebrar a nossa humanidade comum.1. “(…): o Campeonato do Mundo é um evento em que efectivamente se obtêm resultados. oriundos sobretudo de Leste. As principais características da crónica estão aqui presentes: o texto parte de um facto da actualidade. pelo facto de ser publicado numa revista. Portugal tornou-se. as infecções pelo VIH.Módulo 3 Textos dos media I 19 1.2.” (ll. ■ ■ … em que todos estão sujeitos às mesmas regras. “Em resumo…”. 1.2. 4. havendo uma relação específica entre a obra de arte e o espaço em que é inserida – o site specific –. Não me refiro apenas aos golos que um país marca. um sentimento de inveja. fazer parte da família das nações e dos povos. as seguintes: o respeito pelos direitos humanos. Por exemplo: ”Por fim.” “Em suma…”. 138-146) 3. na segunda metade do século XX..2. hoje. // … que houvesse mais conversas deste género no mundo em geral. poderia optar-se pelo ponto final. permanentes. “OBRIGADO. P – Português. “Em segundo lugar…”. Por todo o lado e a todo o momento. é um texto curto. aqui. a necessidade de mais factores de nivelamento entre países.3. no século XXI.”: deveria haver uma vírgula a isolar o vocativo. pelo ponto de exclamação ou.. 130] 1. aquele que deixa o seu país) e imigrante implica um movimento de fora para dentro (ou seja. até. Transitórias por definição. … em que todas as pessoas sabem qual é a posição da sua equipa e o que ela fez para lá chegar. o aumento das taxas de sobrevivência infantil e de matrículas no ensino secundário. em que todos os países têm oportunidade de participar em condições de igualdade. vai torcer pela sua equipa (o Gana) e desejar que ela ganhe. As questões que preocupam Kofi Annan são. Embora ambas remetam para aquelas pessoas que abandonam o seu país de origem para se estabelecerem num outro.1. refiro-me também ao resultado mais importante de todos – estar lá. aquele que se instala num país que originalmente não é o seu). a obtenção de melhores resultados ao nível do Índice de Desenvolvimento Humano. ■ 5.4.3. 2.” “Finalmente. Nos dois últimos períodos do texto. em função da intencionalidade que se pretenda atribuir à frase. pelas reticências. entre outras. frequentemente.a pessoa) e no referente (3. 2. . No fim da frase. “Finalmente…”. uma multiplicidade de campos artísticos cujas fronteiras se diluíram. 1. Proposta de resumo: “Outrora país de emigrantes. o discurso é directo e espontâneo. // … todos compreendessem que a migração humana em geral pode dar origem a uma tripla vitória – para os emigrantes.3. O que Kofi Annan realmente inveja é o facto de um evento deste tipo conseguir aquilo que a ONU não consegue: fazer com que todas as nações sejam uma família e que celebrem juntas a sua “humanidade comum”. “Em terceiro lugar…” e “…em quarto lugar…”. originalmente significando “procedimentos e (…) técnicas de exposição de obras de arte em espaços próprios”.138-146) 3. Além disso. uma melhor compreensão da questão da migração humana em geral e das vantagens que este fenómeno pode trazer ao mundo. Os três últimos poderiam ser substituídos por conectores do tipo: “De seguida…”. Elaine.. Os conectores são: “Em primeiro lugar…”. etc. é subjectivo. de trocas livres e justas. ■ … de que todas as pessoas do planeta gostam muito de falar. emigrante remete para um movimento de dentro para fora (isto é. alargou o seu conceito. há uma espécie de diálogo virtual com o leitor.4. em relação a este fenómeno. o comparativo de superioridade do adjectivo bom. 2.2. (ll. predomina a função emotiva..

134] ■ variedade brasileira do português: assinalar as diferenças encontradas em relação à variedade europeia: a. [págs. “cauda”. a crónica. “frase”. Por exemplo: Assim – Desta forma. “escritores”. Trata-se dos pronomes indefinidos “muitos” e “outros”. formas verbais na 1. 3. (l.) d. O tema é o processo criativo que está na base de uma crónica. 32). Umas vezes [a palavra] vem logo. O deíctico “isto” apela ao saber compartilhado já que faz parte de uma expressão que retrata um gesto que tem que ser conhecido pelo interlocutor – “não se deslocou nem isto” significa “não se deslocou nem um bocadinho”. 1. “advérbio”. o texto (crónica): “palavra”. “Depois…” (l. “Estou aqui…” (l. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor II | Pretextos | Tópicos de análise do Texto 2 ■ 1.1. Hipótese possível: “Não se importam de se debruçar mais?” Ficha formativa [págs. numa cena do quotidiano: a festa de aniversário improvisada de uma menina pobre. e. “se afasta” (l. nos apercebemos ). etc.2.1. eu. encontramos o autor à procura de tema para uma crónica. O animal (pacaça): “pata”. d. 33). “romances”. “crónica”. 2. opto) que configuram actos ilocutórios assertivos. F. etc. “revista” . F (Através destas frases a cronista explicita exactamente a opinião contrária: a saudade é um sentimento que ela não aprecia particularmente. c. 9).a pessoa do singular – leio. l.20 Caderno do Professor | Resolução das actividades do manual | Textos | 7 Compreender [pág. 4. “fêmea”. c. b. – diferente utilização das preposições: “Visava ao circunstancial” (l. “meu café” (l. “em torno à mesa” (l. Estes dois advérbios marcam a distância entre o enunciador do discurso (eu) e o ‘objecto’ a que se refere. “está olhando” (l. a opção por verbos que exprimem uma opinião (parece-me. Na origem desta crónica esteve uma notícia que a cronista leu no jornal Público sobre palavras de difícil tradução. 57). F (O advérbio “talvez” introduz um tom de dúvida no discurso. “se mune” (l. 137-138] 2. V. Os saudosistas. a. 30) 2. actos que traduzem uma verdade assumida pelo locutor. Ainda assim – Mesmo assim. “garçom”. “adjectivo”. 3. 3. “esferográfica” . dificilmente progridem e são infelizes. “livros”. 2). 15-16). “papel” . “ a se convencer” (ll. “cotidiano” 1. V.2.3. 65) – colocação do pronome átono antes do verbo: “me assusta” (l. de salientar. Embora a palavra saudade seja de difícil tradução. V. [Eu] nunca tenho uma ideia: [eu] limito-me a aguardar a primeira palavra. 28). “coração”. “coice”. 2. 16). É claro que – obviamente. “pescoço”. “macho”. f. “De início…” (l. 19). 3.. V. – e na 1. “nossos olhos” (l.1. 23-24) e “quando…” (l. . “patas”. se há muitos – embora/ainda que haja. Traduzir determinadas palavras é quase impossível. “pele”. V. – construção aspectual (utilização do gerúndio): “estou adiando” (l. 10). “cabeça”. c. 135] 1.1. etc. suspeito. F. traduzi-la-emos. “[A crónica] continua acolá…” (l. gozei. “É altura de…” (ll. 139-141] I 1.1. a. “período”. A presença da autora é explícita quer através das marcas de primeira pessoa (pronomes pessoais – me. “chifres”. 18. “bloco” . ainda. prefiro. directivo.1. 62-63). “caneta”. “imagem”. “página” . V. outras [vezes] [a palavra] demora séculos. 2.) P – Português. 5). como é norma no que se refere às crónicas.1. Por exemplo: “Como nasce uma crónica”/ “O escritor à procura da crónica”. “costas”. ao passo que – enquanto que. b. 6).1. “olho”.1. aprisionados ao passado. plano lexical: utilização de variantes lexicais de diferentes origens – “botequim”. “parabéns pra você” (l. 2). “de seus três anos” (ll.1. 48). Neste texto.a pessoa do plural – olhamos. Funcionamento da língua [pág. 1). b. 50). b. b. … c. 25). V.2. e. planos morfológico e sintáctico: – utilização do determinante possessivo sem artigo: “de seu disperso” (l. E vai encontrá-lo. isto é. 2. a que traz as restantes [palavras] consigo. As expressões que conferem a este excerto coesão sequencial/temporal são as seguintes: “E então…” (l. a. 3. etc. forma escrita diferente: “crônica”. “cornada”.

levada a cabo pela agência londrina de tradução e interpretação Today Translations. Em segundo lugar ficou “shlimazl”. foi a terceira mais difícil de traduzir e significa “enfatizar declarações” ou “concordar com alguém”. A mais votada foi “ilunga”. disciplinando e favorecendo os comportamentos e a solidariedade sociais. Por exemplo: “Nunca está feliz e vive preso ao passado. lenda).” (orações coordenadas copulativas). que é a palavra em iídiche (língua falada por algumas comunidades de judeus oriundos da Europa central e oriental) para uma “pessoa cro- nicamente sem sorte”. a tolerar uma segunda vez. “Apesar de as definições parecerem bastante precisas.1. Proposta de resumo: Proveniente do grego (mythos – narrativa. afirma a presidente da Today Translations.2. de uma língua falada numa região da República Democrática do Congo e que significa “uma pessoa que está disposta a perdoar qualquer abuso pela primeira vez. que conduziu a sondagem. da área Kansai. uma história contada para aclarar um conceito abstracto. ao contar histórias sagradas. Assim.Módulo 3 Textos dos media I 21 5. os mitos explicam factos incompreendidos. o mito é uma crença. Eis a notícia que surgiu no Público: Palavra “saudade” é de difícil tradução A palavra portuguesa “saudade” foi considerada o sétimo vocábulo estrangeiro mais difícil de traduzir. o problema é tentar transmitir as referências locais associadas a tais palavras”. 5. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor . atribuindo-os à actuação de entes sobrenaturais. 25-06-2004 (adaptado) 2. segundo uma votação realizada por mil linguistas. mas nunca uma terceira vez”. uma fábula. Em suma. Jurga Zilinkiene. o mito garante a unidade do grupo. povoadas de deuses e heróis. tendo uma função social inegável. Predicativo do sujeito. III 1. A palavra japonesa "Naa". [65 palavras] P – Português. in Público.

15-16. O tempo verbal predominante é o pretérito imperfeito do indicativo – “era”. 146-148) Funcionamento da língua [pág. Compreender [pág. 2. “arrumou-se”. 1. “… toc. de barba branca” – ll. de inalterabilidade. algum enternecimento – “Eu comecei a enternecer-me. “estremeceu”. uma amiga velha/uma velha amiga”. quanto ao segundo. 3.2. 1). 2.” 3. (…) Agora. (. “acumulava”. “servia”. espelhos nas paredes (…) e armários. “o . 3. casacos. sapatos. 16). 2.2. Cada um destes espaços é descrito também através dos objectos que os enchem – “A sala. “desatavam” – tempo típico da descrição que sugere o aspecto durativo ou habitual e aponta para a repetição de uma acção no passado. 1-20). (ll. 53) 3. “se enchia”. 13-14). toc. há sempre um parente de um parente que me faz saber que isto ou aquilo ‘lhe faria imenso jeito’. As onomatopeias são palavras acusticamente formadas com o objectivo de imitar sons ou ruídos. 3. e 1. 63-66) Logo depois..22 Módulo 4 Textos narrativos/descritivos I | Textos | 1 Antes de ler [pág. (ll. o espanto.2. A repetição do adjectivo “inteiro” evidencia a duração temporal – foi uma vida inteira que a Graciete passou “debruçada sobre o enorme bastidor de madeira”. a saltar ao alcance dos meus dedos é que nunca me tinha acontecido. O cenário é um móvel com dois tampos.) E se ele estivesse armado? Pelo aspecto não parecia. 151] 1. algum medo ‘disfarçado’ – primeiro do “homenzinho ginasticado”: “O que pensei logo foi ‘com este posso eu bem’. A partida da Graciete para o Canadá. por exemplo. 46-47) Seguidamente.2. A posição do adjectivo qualificativo é tipicamente pós-nominal. pedindo ‘apenas uma lembrança. etc. É esta mesma diferença de sentidos que podemos encontrar.” (ll. 2.1. ao serem atiradas pela janela. é assaltado pela inquietação o que o leva a pedir ajuda a um amigo – “Mas o receio de que pudessem surgir mais personagens inquietou-me. as personagens “sempre são gente..3. Recordo a Graciete.2. 48-50.” (ll. 85-88. O narrador não segue o primeiro conselho pois não quer arriscar-se a que as personagens. decide “aprisionar” as personagens no texto.2. 95-96) Então. “assustava”. A descrição é feita do geral para o particular.” (ll. 41-46. povoado de mesas. Eis os dois últimos parágrafos do texto original: “Hoje regresso à casa. 146] 3. Finalmente. quadros. 98-99) Finalmente. “uma sala grande” (l. 150] 1. eu era tão amiga dela!’ Só não consigo tocar nos armários dos lençóis. ou um rosto que não reconheço mas que me bate à porta e me enche a cara de beijos. A pontualidade da acção é marcada pela expressão temporal “Um dia…” e pelo recurso ao pretérito perfeito – “foi”. distribuo louças.1. passando a avaliativo (valor subjectivo): a casa não era apenas grande em tamanho (“uma casa grande”). Mas resolvi não interferir. debruçada no bastidor.” (ll. Rasgo papéis de uma vida inteira. 92) “…o tique-tique dos saltos. de gente de quem já nem recordo o nome.…” (l. 2.” (l. 29-30.2.a personagem: “O velho. 33-39). depois receio de que a personagem feminina lhe riscasse a secretária com os saltos. 16-23). não o segue por questões de humanidade: por mais insignificantes que sejam. na urgência do senhorio que me dá três meses para a ‘desfazer’. 11) “muito fria e escura” (ll. 7-8) “o corredor enorme. O adjectivo anteposto ao nome deixa de designar uma qualidade objectiva. o narrador centra-se na roupa que é guardada dentro dos armários.1. muitos armários” (ll. 34-38. corredor enorme” (l. Os advérbios de tempo: “nunca” (quatro ocorrências) e “sempre” (duas ocorrências) – remetem para um estado de permanência. uma personagem de doze centímetros de altura. Os advérbios de modo “lentamente” e “cuidadosamente” apontam para o desvelo e para o tempo que era dedicado a estas tarefas (inúteis). magrita. causem algum dano aos “utentes da via pública”. Primeiro.a personagem: “um homenzinho magro” – ll. a surpresa – “Não foi esta a primeira vez que me vi assediado por personagens. “dizia”. cheia de vidros e quadros de gôndolas e açudes” (ll.” (ll.2. ganhando rugas na cara e | Textos | 2 Compreender [pág. 29-32) De seguida..... jarras.1. P – Português. olho para fotografias a sépia. à medida que se vai percorrendo a casa – “uma grande casa” (l.2. 2. próprio para computador e impressora (ll. a vontade de interferir – que acaba por controlar – “Sobreveio a tentação de lhe dar uma ajuda com os dedos. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor Oficina de escrita [pág. camisolas. 20-24. em “uma mulher grande/uma grande mulher. e 2.1. 148] 1.a personagem: “uma jovem loura” – ll.1. 151] 1. “abria”.

” (ll. 153] 5. b. já que/porque. entre outros. 46-48). 2. 1. não me perdoem por não ter sabido continuar a esperar por elas.1. Assim. sensibilizam-se os alunos para o conto sobre as origens.2.2. “mandou”. 4. Trata-se de um advérbio. é preciso acreditar. 19). “Criar” significa “dar existência”. A forma como Deus reage à recusa dos dois anjos está directamente relacionada com a forma como cada um deles a formula: enquanto que o segundo anjo se dirige a Deus respeitosamente.2.1. portanto. 1. . [pág. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor | Textos | 4 Antes de ler [pág.2. Homofonia. asiática e ameríndia. 6.3. 4. “Sem dúvida”. expressão que evidencia um grau máximo de certeza. Exemplos possíveis: porém/contudo. 3. um sujeito mais cordato e delicado. Por exemplo. o primeiro anjo opta por escolhas linguísticas não adequadas ao tipo de relação entre os interlocutores (É o ‘a quem se vai dizer’ que condiciona o ‘o quê/como se vai dizer’). por exemplo. poderíamos ter. ou seja. a imprudência.exprime. a ideia de acção contrária. 1. a ambição. faltava-lhe em fé” (ll.2. Uma interpretação possível: Cada um dos anjos dá-nos uma lição: com o primeiro e o segundo podemos aprender que a humildade e a capacidade de adaptação do discurso à situação de comunicação nos ajudam a conseguir os nossos objectivos. 40-41). o quarto anjo transformou-se num ‘instrumento’ de Deus: “Diz-se que esse anjo sem asas se passeia entre os homens (…) incógnita. Ao contrário. 6. Observação: O exercício 3. 155] 2. Quando o primeiro anjo lhe desobedeceu. fenómenos – tão frequente nas culturas africana. Desempenha a função sintáctica de modificador da frase. sem sombra de arrogância” (l. 33). Quando o segundo anjo se recusou a voar sem asas. Compreender 1.3.1. a grande lição parece ser que podemos conseguir mesmo aquilo que aparentemente é impossível. 156] 1. 1. “tirar a existência”. sem obrigações.”. “humilde. embora. com o quarto anjo. Assim. P – Português. O segundo anjo era. uma certa suavidade da força ilocutória dos actos directivos. a fé. o segundo anjo. ao contrário do primeiro.Módulo 4 Textos narrativos/descritivos I 23 calos nos dedos à medida que o linho se enchia de flores. grinaldas. 6. voava. Paronímia. por exemplo: “Não te importas de tirar as asas e voar?” ou “E se agora tirasses as asas e experimentasses voar?” 2. Provavelmente porque o segundo anjo se libertou da mão criadora e vive.” (ll.1. anáfora pronominal (lhe/ /aquilo) e elipse (“[Deus] explicou-lhe…”) 5. 56-58). entre outras. o Criador apiedou-se dele e deixou-o ir. 157] Observação: Através da leitura deste mito tradicional chinês. a lição do terceiro anjo parece ser a de que a obediência cega não é um bom princípio. descriou-o”. 3.1. respeita claramente um dos princípios pragmáticos que é determinante no desenrolar da interacção discursiva: o princípio de cortesia.1. 5. a. a desobediência.° anjo – “lhe faltava o essencial. 3. 27). até um pouco simplório (…) grande talento. além de uma educação um pouco mais esmerada” (ll. “respeitoso e de poucas palavras” (l. esses seres misteriosos que povoaram a minha infância. em comunhão com a natureza. Para tal.1. também chamado conto etiológico – relativo ao estudo sobre a origem das coisas ou das causas de certos factos.1. mas voava. Deus “num rápido gesto de enfado. 1.° anjo – “mais prático e destemido” (l.° anjo – “um sujeito mais cordato e delicado” (l.1. Podem ser apontadas. “o que lhe sobrava em disciplina. Funcionamento da língua [pág. aves do paraíso – e receio que as visitas. O princípio de cortesia pode determinar. O sentido da metáfora é resumido na frase que se lhe segue: “Enfim. “exigiu-lhe”. remete para o conceito de modalidade. “ordenou-lhe”. Homonímia. 16-17).1. 3.” | Textos | 3 Antes de ler [pág. voava mal.2. 2. O neologismo “descriou-o” significa. 4. a temeridade. talvez/provavelmente/quiçá. 2. Acto ilocutório directivo (pretende conduzir o interlocutor à realização de uma acção). 34). Coesão interfrásica (Após).° anjo – “um anjo alegre. o prefixo des.

98-100).1. 14): forma do verbo “imensidar” (= crescia. Neste conto aparece encaixada a história que o narrador conta à sua filha. 19).2.1. j. Aida (l.4. 9. seus (ll.1. desinquieto) estrelinhada (l. e. “[O] Seu sonho” (l. 16-17): insistente + tonto menineira (l. no final desta história. parte preparatória – ll. Deixis pessoal: Eu. tombam gotas de cacimbo. 19. que é amigo de crianças”.” (ll. O prefixo des. 3. há (desinências verbais de tempo). passarinho sonhador (ll. 28-29). b. e 1. sonhaste.2.. 76-88. agigantava) insistonto (ll. Recorrência: nominal com repetição do nome: avezita (l. 80-88). nó da intriga – ll.1. 160] 1. 2. 24. chuva miudinha). 35-39. “luarejar”. 44-45) ■ ■ * Nota: as palavras assinaladas aparecem duas vezes – as duas primeiras – e três vezes – a terceira – pelo que. São lagriminhas do pássaro que sonhou pousar na lua.exprime aqui a noção de reforço (como. 43-44). avezinha enluarada (ll. l. com o significado de “que tem aparência ou modos de menina(o). A origem do cacimbo (nevoeiro denso que se forma à noitinha em alguns pontos de África. Ainda não foi desta vez que conseguiu o seu intento já que. Embora gostasse de apreciar as mulheres que via passar. ll. “calvo e baixote” (l.. g. 1).3. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor 2. 33. 10) [deu-me]. 35) e mostrava uma educação pouco esmerada (“soltava estrepitosas (…) digestões. voltou a ouvir a pergunta de sempre. Apesar dos pequenos desacordos típicos de qualquer família. ■ ■ ■ ■ ■ ■ 4. 3. 43): = estrelada.. ‘explica-se’ a origem do cacimbo: “Sobre as primeiras folhas da madrugada. 30. provavelmente. 4. 12. Compreender [pág. 6) e luarar-se (ll. 10. Ver pergunta 1. 4.. 43-46. ■ 3. “indisposições” “negras. P – Português. tu.1. O pai de Rita não consegue o seu intento de a adormecer contando histórias. O narrador é o mesmo. 94-95… Compreender [pág. 13). pássaro* (ll. “… para fazer pousar o sonho dela e desencorajar os seus infindáveis ‘e depois. m. 2. 8. me Deixis espacial: aqui. 6. em desgastar . ave* (ll.3. ela (ll. 27. 11. d. infantilidade) desalisou (l. 27. 25.4. 33)). por exemplo. 3. “[A] Minha filha” (l. 31). 161] 1.3. 11). 34) nominal. c. Américo Pedrinha “era feliz e ninguém sustentava qualquer dúvida a respeito de tal felicidade. Situação inicial – ll. de Antes de ler. h. pronominal – lhe (l. Rita ouve na rua relatos de crenças tradicionais que aumentam o seu fascínio em relação à lua.3. “[no seu] em seu poleirinho” (l. 3.1. vinhas (verbo de movimento) Deixis temporal: sonhei. Funcionamento da língua [pág.. 16-20. 89-91.+ alisou. Era “um homem folgazão de barriguinha inchada” (l. Ver Observação em Antes de ler. 45-46. 5. não era dado a aventuras (ll.3. entre outras. 159] 1. Tinha. 10-11). 3. O uso dos adjectivos “cativa” e “aprisionada” sugerem que. 4.” (ll. 165] 1. A menina quer sempre mais. É “ser lua”. . 1. 29): des. 19-20): verbos formados a partir de lua (= transformar-se em lua) imensidava (l. rosnadas. e 2. ele (ll. Mia Couto utiliza menineira como nome (= criancice. a avezita acabou por ver o seu sonho tornar-se realidade. 16. A primeira parte do conto é uma espécie de introdução à história da avezita.4.. Américo Pedrinha é casado com D. a avezita não estaria muito satisfeita com a situação (“Triste. 10) e tem dois filhos – “um rapaz solene (…) e uma rapariga (…)” (ll. “Me deu” (l. trovejantes” mas passageiras (ll. 31)..2. ela chorou. desenlace – ll.. nesta perspectiva.. 23). “Lhe inventei” [inventei-lhe] (l. vinhas.2. 34). No texto.1. infantil.” (ll. 14. De tanto sonhar.2. 16). 21-42. 22). luarejar (l.1.1.2. “[Os] Seus colegas” (l.24 Caderno do Professor | Resolução das actividades do manual No conto de Mia Couto. Cf. i. sua (ll. 21.2.” (l.. 91-92).. 16) [chamavam-na]. 30. 16.1. 46). com substituição lexical – passarinho* (ll. 17). 3. 17. 3. 4. 13-15. 7.1. 35-37)). 14). 3. 16). 2.. f. 13. Rita tem dificuldade em adormecer porque é assaltada por medos. com frequência. a. falaremos também de repetição do nome. permitindo compreender o contexto em que ela surge. 158) 1. pág. 18): esta palavra existe como adjectivo. 35) Pode ainda referir-se a recorrência pela repetição do determinante possessivo: seu (ll.1. “Os outros lhe chamavam à térrea realidade” (l. | Textos | 5 Antes de ler [pág.’ ” (ll.

” | Textos | 6 Antes de ler [pág. ao almoço. 33-102). A analepse consiste no relato de acontecimentos anteriores ao presente da acção. “mostram”.. Por exemplo: “Nos seus tempos – (…) do bom vinho francês. 2. a mãe. A expressão temporal “Antes de…” introduz um conjunto de verbos no pretérito imperfeito: “sentiam”. talvez por nem sequer ser bem compreendida ou por ter saído da boca de um homem estranho “que cultiva nespereiras na varanda” (ll. 70-71). Provavelmente sentiam-se envergonhados com a forma como ele se comportava e daí o amor que sentiam em relação a ele ser “enervado e arisco”. 5.” (ll.3.) um bilhete de domingo. “Na manhã desse dia (…) – comentaram os amigos. Os dois adolescentes não tinham orgulho na figura do pai (Cf. toma uma pílula que havia roubado de uma das salas do Museu. 1-32). de seguida. de Compreender.3. 37-38). “arrotava”.” (ll. e desvenda-se o mistério da situação estranha que a personagem estava a viver (ll.” (ll. “falam”. “era”. Por exemplo: o facto de D. “tinha”. ll. Situação inicial – “Viveu em tempos (…) contra os seus planos e expectativas. Mas isso é mal geral pelo país fora. 2. 80). a primeira analepse dá-nos conta do ‘sonho’ de Américo Pedrinha e a segunda relata os últimos acontecimentos antes do seu desaparecimento. A versão de Arnaldinho não foi tida em consideração porque “ninguém sabia o que fazer com ela. 51). Ver resposta a 1. chegando mesmo a forjar provas dessa viagem. Tijoleiro visita o Museu Histórico e. 2. Por exemplo: – Pois é certo que as coisas no escritório não andam famosas – comentam os colegas. 93-116) 4. 57-58). Compreender [págs. 4. Funcionamento da língua [pág.” (ll. . D. Depois da conjunção subordinativa temporal “Quando…”. depois de se aconselhar com “a velha Felisberta”.2. 39). 1.. Os filhos fizeram constar que o pai “andava viajando pelo mar” (l. “homem moderno” e apreciador dos prazeres da vida.” (l. que ia morrer e que estava farto daquilo. 123-124). mas também porque gostava de cores fortes (“adorava azul-turquesa” (l.2.” (ll. Nó da intriga – “Com um sorriso (. 3. 133-136) e os efeitos que essa história terá tido em Américo Pedrinha.”. não merecer credibilidade. A expressão temporal “Ainda agora…” remete-nos para o presente pelo que os verbos se encontram no presente do indicativo: “forjam”. Os colegas de escritório imaginavam que ele poderia ter partido porque “as coisas no escritório não andavam famosas” (ll. isto pode fechar. para não “parecer a Deus e às línguas deste mundo” que tinha “pressa de se encontrar viúva. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor 1. a partir da linha 103.” (ll. 168] 2.1. 27-28) e “E até os filhos (…) projectavam na venda da quintinha todas as suas esperanças…” (ll. 167] 1..1. Tijoleiro parece enlouquecer e é levado para o manicómio. “soltava”.” (ll. Há alguma frieza na forma como esta questão é encarada: a filha tinge os vestidos de preto porque “a moda era o preto” (l.” (ll. os verbos aparecem no pretérito perfeito: “desapareceu”.) miscelânea de todos os animais. Parte preparatória – “Pouco tempo após (. dirigindo-se. 173-174] P – Português. 5. “Deste sonho inteirinho se apoderara D. (…) seus cavalos. 15-26). 1. “são”. A suspeita de D. 68-69) como acontecia “em folhetins (…) e nas novelas da televisão. ao Jardim Zoológico. 117-119).1. “começaram”. por isso. 2. Olha agora se todos se lembrassem de dizer ‘Passem bem’ e de voltar as costas? Além do mais. talvez por ser considerada absurda. Apresentação de Tijoleiro..” (ll. Discurso indirecto: “Américo Pedrinha disse-lhes que passassem bem. 54)). O pronome demonstrativo com valor anafórico “aquilo” remete para o desaparecimento de Américo Pedrinha. Nos dois exemplos da alínea anterior.1. O advérbio “enfim” introduz uma conclusão e “enquanto” é um conector temporal (conjunção subordinativa temporal) que remete para acções simultâneas. 3.1.” (ll.1. um conjunto de peripécias que vão levar ao desenlace. Aida e os filhos fazerem contas à ‘herança’. Aida é contrariada pelos testemunhos dos amigos de Américo Pedrinha que “juravam a pés juntos que não lhe conheciam aventuras. 103-150) – Desenrolam-se. por sua vez. talvez para não terem que passar por aquilo que sentiriam como sendo mais uma vergonha perante os amigos.2. 5. Trata-se do discurso indirecto livre. Aida “ suspeitava (…) que o homem se deixara encantar por alguma mocinha” (ll. 128-129) e. ao contar o enredo do filme em que “os índios sentem chegar a morte e se retiram.Módulo 4 Textos narrativos/descritivos I 25 2. Desenlace – “Desesperado (…) para um manicómio. Arnaldinho. pensando vender a “quintinha” que era a menina dos olhos do pai (Cf.2. E acrescentam: – De um momento para o outro. decidiu não pôr luto. sugere que ele terá feito algo de semelhante.2. 28-31)). cá vai correndo o tempo e o escritório ainda não fechou.3. Aida (…) femininas.2. 151-155).

nem anular outros pontos de vista. 49-50. O conceito do que é ‘normal’ não pode nunca ser separado do contexto social e cultural. um pouco atrevido. é apresentado mais um indício: “Talvez tenha sido este. “Com um sorriso de boa disposição…” (l. pois o tempo da acção desenrola-se de forma linear. de forma indirecta. o leão (l. com “dois grandes olhos castanhos ”. no início da segunda parte. ll.” (l. “… atónito e desorientado…” (l. Passou. “bípedes horríveis. No fundo. 103).5. primeiro amável e. 133-135). As sequências desta narrativa são encadeadas. Não deve. E. andavam em liberdade. Luciano – é caracterizado psicologicamente pelas suas atitudes e reacções. o gnu. Uma leitura possível: O julgamento que fazemos acerca dos outros e do mundo é apenas o ‘nosso’ olhar. “… e foi imenso o que nele se perdeu. ser considerado como único. “belíssimo”. O chimpanzé (ll. meias pretas. “… a sua angústia e o seu pavor…” (l. “sombrio e altivo”.2. 41-45. “com voz grossa”. como não gosta da família dela. impulsivo. apareceu a descoberto o colo muito branco que formava com o rosto uma mancha alva no meio do luto. a descrição do fato e da bengala de Tijoleiro (ll. aristocrática e comedida. Ao arrancar do corpo as peças de vestuário e adereços.. 3. 142). nele.1. “Mas ficou desiludido.. airosa e veloz. usa esse facto como pretexto para dizer que também não gosta dela. 4. a pantera (ll. Tijoleiro entra no átrio do Jardim Zoológico. os macacos Maqui (ll. sobre os cabelos claros. muito contra os seus planos e expectativas. 117-119. os ursos (ll. mas como está convencido de que ela gosta de Luciano. depois. Tijoleiro tenta. alguma tristeza quando fala com Juliano pois gostaria de estar no seu lugar. malcheirosos e indecorosos” e “emproados”. 110-113). um grande laço preto. Ficha formativa [págs. em relação a Tijoleiro. o puma (ll. um tremendo desprezo. emproados. sendo a última dedicada às superstições na Idade Média.” (l. porquanto teve um fim precoce e estranho. Tijoleiro passeia por três salas que têm expostos objectos diversos. Lena – caracterização física directa: “Vinha de sapatos pretos. Gosta de Lena.” (ll. 135). modelada e principal. 104-109) – “grande”.3. “Perturbado…” (l. resignação e tristeza” manifestava. “despreocupados” e brincalhões. deixar de se parecer com os homens que os animais tinham acabado de desmascarar diante dos seus olhos e que se tinham transformado numa “desagradável sociedade de seres semelhantes a animais. No Museu Histórico. 116-122). cujo “ olhar expressava nobreza. a Lena.” (l. 138-139) suportando “a sua prisão com decoro” e “cheios de humor”. 41-44) e dos objectos expostos nas diferentes salas (ll.”.2. 35-36) 3. o alce (ll. “melancólico”. “É bem bonita. 8. 54-57. sentindo o prazer da corrida.2. 4. finalmente. Tijoleiro procurava encontrar nos seus semelhantes algum sinal de compreensão da “sua angústia” e do “seu pavor”. Mas os seus movimentos eram leves e cheios de vivacidade. e 4.4. a acção desenrola-se num restaurante e.3. 4. os javalis. o cabrito-montês. 7. 97-98). apelida Tijoleiro de “ orgulhoso ” e “ estúpido ”. 113).” (ll. 62-63. precisamente. o momento em que Tijoleiro rouba a pílula (ll. Júlio – é também caracterizado sobretudo psicologicamente e indirectamente. os gaios (ll. 87-88) e no restaurante o momento em que decide tomá-la (ll. O vento abriu-lhe o bibe e. ll. um pouco arrebatado. 140). “… ficou aterrado até ao mais fundo do seu coração. achava os visitantes uma “gentalha”. portanto. 3. 30-32) Note-se que. 65-74. por momentos. Esta personagem é dinâmica. 132-133) digno e sábio. 6. 5. 2. Cf. bibe preto. “Horrorizado num susto indescritível…” (l. De seguida. não declara esse sentimento a Lena. 146). 117). Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor .” (ll.. não tem coragem para assumir esse sentimento.1. 107). um “profundo desdém.2. o falcão-das-torres (ll. Neste último parágrafo. Júlio e Luciano são amigos. pois não é bom que o homem fique só. como ele próprio o confessa e como se vê através de muitas das suas atitudes. pois. brincam juntos e estão ambos apaixonados por Lena.1. chamam-lhe “unhas-de-fome”. “– Parece uma andorinha (…)” (l. mentirosos…”. 125-130) “todos o desconsideraram” e não compreendiam por que razão estavam eles presos enquanto que os homens. 4-8). de tal modo que o fim de uma sequência é o início da seguinte. está profundamente transtornado e desorientado. É orgulhoso. 137-138). 177-179] I 1. desesperadamente. 81-86).1.3. 9).2.3.26 Caderno do Professor | Resolução das actividades do manual 2. “majestoso”. 3. 4. Entre outros. degenerados.3. Gosta de Lena mas. 59-60. 5. Tijoleiro passa do desespero à vergonha de si próprio. No museu. P – Português.1. a camurça. o lama. 4. Nota-se. Toda ela vestia de luto carregado. o seu mal. 38).

é de “pó alvacento” (l. com um ar superior... É através do primeiro diálogo – entre Luciano e Júlio – que ficamos a perceber as relações entre as três personagens: Embora o negue. exclamou”… 8. O que Lena pretendia. o diálogo caracteriza indirectamente as personagens e contextualiza o narratário. “protestou”. Luciano cortou dizendo que tal não tinha acontecido/não era verdade. ■ ■ 6. a ocorrência: “ declarou ”. Substituições possíveis: 1. “comentou”…. sem circulação de viaturas. 9) é extremamente expressiva e revela carinho e admiração por Lena. se fosse com ele. Luciano gosta de Lena mas não da família dela. P – Português.a ocorrência: “reagiu”. onde os rapazes jogam berlinde. 4. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor . Proposta de discurso indirecto: Júlio disse a Luciano que não o percebia. 54). era aproximar-se de Luciano. Júlio sorriu com tristeza e replicou que bem tinha visto que ele tinha ficado danado. 7. correndo em círculos cada vez mais largos. 2. Trata-se de um lugar sossegado.1. já ele a namoraria.1.. acrescentando que. Lena gosta de Luciano. ■ O segundo diálogo é esclarecedor quanto à personalidade de Luciano (“. Acrescentou que ela [Lena] andava sempre à volta dele e que ele corria com ela e que.. Júlio gosta de Lena mas sabe que não tem qualquer hipótese de ser correspondido. 5. A comparação utilizada por Júlio (l. A acção passa-se num largo cujo chão. numa exagerada surpresa”) vem destacar esta vontade de chamar a atenção de Luciano que insistia em fingir que a ignorava.Módulo 4 Textos narrativos/descritivos I 27 3. Em conclusão. 12). naquele momento. ela tinha passado sem o olhar e ele tinha ficado danado. A forma como se refere ao carreiro de formigas (“exclamou ela. que vai tendo para com Lena atitudes que contrariam aquilo que sente por ela.” l.1.

Ontem: advérbio. ➜ modificador do nome apositivo e. h. b. 2. ➜ modificador do nome restritivo b.28 Bloco informativo | Ficha informativa | 4 1. Eles trabalharam toda a noite. Soa o canto do pintassilgo. 14. 9. 213-217] | Ficha informativa | 5 [págs. 5 12. b. b. c. c. ➜ sujeito simples 4. Existe na I e na II. b. ele : pronome. complemento directo 6. 3. O jantar de aniversário foi muito participado. predicativo do sujeito 7.. b. um verbo copulativo 6.1. l. d. a. Anoiteceu de repente. dulcíssimo. d. ➜ complemento do nome 1. Ficas a estudar ou vens ao cinema? ➜ orações coordenadas disjuntivas d. a. portanto devem estar cansados. c. meteorológico: adjectivo. Porque se atrapalhou (…) ➜ oração subordinada causal e. 4. Bolas! : interjeição. (…) antes que os convidados tivessem chegado. m. 2. 5. 5 13. a. j. 204-207] 1. a. por um verbo auxiliar modal + preposição “de” + verbo no infinitivo c. b. b. b. 5. 9. ➜ oração subordinada relativa sem antecedente f. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor . c. interjeição conjunção preposição ■ ■ 12. e. a. f. f.1. d.. [págs. 5. predicativo do complemento directo 11. o meu primo. e. b. a. ➜ complemento do nome d. Chegaremos por volta das cinco da manhã. l. 5. 6. 5. m. b. na próxima semana. interjeição 10. O Rui.2. 1. l. que vive no Porto. c. ➜ orações coordenadas adversativas c. ➜ modificador do nome restritivo g. ➜ modificador do nome apositivo f. tendo por núcleo “letras”. e. quantificador determinante nome verbo adjectivo ■ ■ ■ ■ 11. ➜ oração subordinada temporal P – Português. e. 3. 7. ➜ orações coordenadas copulativas 3. 2 + 1. b. i. testemunha 3. e. 6. (…) para que sejam feitas obras. Os bilhetes serão comprados pelo Pedro. d. c. a. Tito. e. 13. 2. Uma mulher idosa era visitada pela Laura. g.1. 2. Nunca me diverti tanto na minha vida nem andei tão descontraída. 4. d. 4. todos os dias. Eles regressaram a casa. i. (…) porque não esteve atento. 7. É necessária uma revisão do contrato. d. mas não estou cansado. Quando o Sol se põe (…) ➜ oração subordinada temporal b. 1. g. foi colocado em Beja. h. 1. complemento agente da passiva 9. d. 7. b. j. um vocativo 8. d. por um verbo auxiliar aspectual + preposição “de” + verbo no infinitivo b. a. 2. d. A decisão do Governo foi bem recebida. vítima 4. Pus o despertador junto de mim. (…) onde há silêncio. a. b. 2. 197-199] 10. modificador preposicional 7. arroz inteligente nadar até ■ ■ ■ 8. a. f. 3. 1. f. 4. fragilíssimo. c. 1. ➜ oração subordinada final d. d. a.1. Ali não há nada interessante. nascer comprar estar chover ■ ■ ■ 7. 3. c. 5. 6. 1. h. sapientíssimo. j. amaríssimo. Exemplos: a. ➜ complemento do nome c. a.1. e. Corri dois quilómetros. e. Sujeito simples. ➜ orações coordenadas conclusivas b. chega hoje. 2. b. conjunção subordinativa condicional 9. d. i. n. 8. Enquanto: conjunção. 4. fidelíssimo. Exemplos: a. e. O meu irmão mais novo adoeceu. [págs. ➜ oração subordinada causal c. A avenida foi ocupada pelos manifestantes. 2 | Ficha informativa | 6 1. A condenação do réu era esperada. A representação do Auto da Barca do Inferno foi vista por todos os alunos. b. g. 5. 4.

Fiquei em casa nas férias para que o trabalho fosse concluído. d. não te telefonarei. c. 6. O Raul combinou uma saída com os amigos. ➜ oração subordinada condicional 5. Ele devolveu o aparelho porque estava avariado.. ➜ oração subordinada concessiva h. A Raquel disse que ia ao cinema. g. como nunca ninguém disse ➜ oração subordinada comparativa. a. É uma pena que não venhas connosco. c. Ele perguntou que horas eram. Como lhe doíam as costas (…) ➜ oração subordinada causal c. 17. que dizia ➜ oração subordinada completiva. a. todos se sentaram confortavelmente. a. a rapariga vestiu uma roupa fresca. afirma-se que todos os alunos vão à visita de estudo. b. 11.1. Só te telefonarei se chegar cedo a casa. 2. f. O teu rosto está branco como a cal. 10. orações subordinadas relativas restritivas 12. 11. Exemplos: a. g. Ele sentou-se num lugar da primeira fila para ver tudo. É evidente que o Rui está interessado na Clara. a. Aquela peça era tão monótona que muitos espectadores foram embora no intervalo. apenas os alunos que tiveram boas notas vão à visita de estudo. Esta é a rapariga a quem o Rui se declarou. b. f. Exemplos: a. (…) se tu não estiveres presente. e 14. Ela trata a criança com mais cuidado que a própria mãe. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor d. 16. e. f. 14. 3.1. d. 1. Os indivíduos que são bondosos tornam a vida dos outros melhor.1. (…) que eu. Exemplos: a. . 2. ➜ complemento directo d. g. Pediram-me que tivesse paciência. Enquanto não me pedires desculpa. Ele acredita em tudo quanto lhe dizem. a. Os alunos vão à visita de estudo ➜ oração subordinante. c.1. ➜ complemento directo e. embora saiba que a mãe não concorda. Quero que me apoies. ➜ oração subordinada comparativa P – Português. A aluna pediu para sair da sala. A Maria cortou o cabelo à Rita como se fosse uma profissional. Ele conduz melhor que o pai. É já uma certeza que ele foi admitido. ➜ oração subordinada comparativa d. g. 5. Os alunos vão à visita de estudo ➜ oração subordinante. O resultado que obtiveste é fraco. Preocupa-os imenso que os filhos estudem. A Rita come mais fruta do que doces. e 15. (…) embora houvesse barulho. g. Nós queremos falar com o teu pai. 7. que tiveram boas notas ➜ oração subordinada relativa explicativa 13. a. As saias que têm pregas usam-se muito este ano. a. c. c. h. e. b. ➜ complemento directo b. Algumas pessoas envolvem-se em discussões que não servem para nada. É importante que tu participes.1. (…) como se fosse um pequeno selvagem. 8. Exemplos: a. Os automóveis que andam a gasóleo são mais económicos. f. (…) que viesse cedo.1. Ele comprou tudo quanto havia na loja. c. (…) que todos a respeitavam. já na frase b. d. e. ➜ sujeito f. Como o Sol brilhava intensamente. b. Ele vive na casa onde tu moraste. 12. O calçado que é fabricado em Portugal é exportado para vários países. Diz-se ➜ oração subordinante. d. ➜ oração subordinada consecutiva b. Logo que começou o filme na televisão. a. ➜ oração subordinada consecutiva 9. c. ➜ sujeito c. Eles lembram-se de que tu fazes anos hoje. ➜ oração subordinada comparativa b. São uns indivíduos estranhos dos quais pouco se conhece. 4.1. b. Afasta-te das pessoas que são agressivas. Ele nada disse embora vontade não lhe faltasse. e. 3. 1. O Tomás teria desenhado a sua própria casa caso tivesse tirado o curso de Arquitectura. b. O livro de que me falaste é interessantíssimo. a. c. b. ➜ complemento directo 15.Bloco informativo 29 g. b. A Joana declarou sentir um grande cansaço. (…) que ficaram exaustos. Convém que te despaches. e. f. d. e. f. De acordo com a frase a. O réu afirmou estar inocente. O jornalista perguntou se os impostos iam aumentar. que tiveram boas notas ➜ oração subordinada relativa restritiva b. ➜ oração subordinada completiva c. Ele falava tão baixinho que os alunos não o ouviam. (…) como se eu fosse transparente.

| Ficha informativa | 7 2.2. 13. previsão (anterioridade) 6. a avó fez um bolo. economizar – gastar [págs. 13. algumas pessoas manifestaram-se. hiper. ortografia ➜ forma correcta de escrever as palavras. correcção: sofás-camas 12. sobre➜ usa-se hífen antes de h. a. 13.➜ usa-se hífen antes de h. pinacoteca ➜ colecção de quadros. 13.4. discoteca ➜ colecção de discos. (…) Alguns veículos (…). concerto (espectáculo musical) / conserto (arranjo) d. c. vou tomar um banho. c.1. hidrofobia ➜ horror à água. ar ➜ aeronave. zoofilia ➜ amizade aos animais. agorafobia ➜ medo dos espaços abertos e dos sítios públicos.1. Mal chegue a casa. pernoitar [palavra formada por parassíntese] 3. a. hemeroteca ➜ colecção de publicações periódicas. derivação (por sufixação) 3. 8. luz ➜ fotografia. a. teologia ➜ estudo de uma religião. c. oração finita (III) e orações não finitas (I. c. i. voltámos para casa. d.3. lusofilia ➜ simpatia por Portugal ou pelos Portugueses. Porque estavam preocupadas com o encerramento da fábrica. cinefilia ➜ paixão do cinema. situação-limite. estrato (camada) / extracto (que foi extraído. longe ➜ televisão. d. c. era – hera ➜ homófonas f. 219-220] | Ficha informativa | 8 1. ratificar (confirmar) / rectificar (corrigir) b. a flexão em número apenas afecta o nome da esquerda.1. o valor semântico do nome da esquerda é modificado pelo valor semântico do nome da direita. espiar (espreitar) / expiar (pagar por uma falta) h. comprimento (extensão) / cumprimento (saudação) d. Nos compostos morfossintácticos. derivação (por prefixação) 4. ouvir ➜ audiovisual. houve (verbo haver) / ouve (verbo ouvir) f. caligrafia ➜ arte de escrever bem à mão. d.➜ usa-se hífen antes de r e h. Exemplos: a. Quando terminou o espectáculo. b. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor 7. xenofobia ➜ aversão a pessoas estrangeiras. que surgem como última hipótese. sesta – sexta ➜ parónimas 4. II e IV) 19. O álcool e o tabaco são drogas/vícios a evitar. descrição (acto de descrever) / discrição (qualidade de quem é reservado) f. radiografia ➜ registo fotográfico obtido por meio de radiações. a. e. elegível (que pode ser eleito) / ilegível (que não se consegue ler) g. homofobia ➜ ódio em relação aos homossexuais. P – Português. b. psicólogo 5. despensa (lugar onde se guarda algo) / dispensa (permissão para não cumprir algo) e. arqueologia ➜ estudo das civilizações antigas. b. c. c. composto morfossintáctico. cegar (ficar cego) / segar (ceifar) 6. cinto (adereço de vestuário) / sinto (verbo sentir) h. filologia ➜ estudo dos textos escritos de uma língua. assento) b. anti. a. b. (…) o tratamento desta doença (…).e super. biblioteca ➜ lugar onde se guardam livros. 221-222] 1. Como se lembrou dos netos. coser (costurar) / cozer (cozinhar) e. fragmento) 5. zelo – cuidado 2. derivação 11. e. transpor – sobrecarga [págs. água ➜ hidrogénio 9. cem – sem ➜ homófonas e. apreçar (indagar o preço) / apressar (acelerar) c. Era necessário que acabássemos o trabalho. cela (quarto) / sela (verbo selar . c. a. colher (nome) – colher (verbo) ➜ homógrafas b. grafologia ➜ estudo sobre a escrita.30 Caderno do Professor | Resolução das actividades do manual 18. a. peão – pião ➜ parónimas c. d. a. situações extremas. alcatifa 8. imigrante 10. e. acidente (desastre) / incidente (acontecimento de importância menor) c. geografia ➜ descrição da Terra. b. cheque (forma de pagamento) / xeque (lance do jogo de xadrez) g. r e s. rio (nome) – rio (verbo) ➜ homónimas d. bibliofilia ➜ amor aos livros. .

m. Na última fala do Pai Natal não foi respeitada a máxima da relevância. predicado. Estas últimas não são apenas quatro. de uma notícia espera-se a apresentação objectiva dos factos. portanto.1.1. e. [= reduzido a cinza] 6. embelezar beleza belíssimo belamente Florbela / belas-artes / bel-prazer ■ 3. e 4. plantar. guardei / coloquei / arrumei. interjeições 2. efeminado indefinido trovoada privilegiado desequilíbrio ■ ■ ■ ■ ■ .2. grupo verbal. 223-224] 1. Com o incêndio tudo ficou queimado.f.m. bem-bem-bem. vocativo. c. especialista em geografia. líquido c.2. Todas as noites. pendura. Uma mistura de sentimentos o invadiu (…). “queimar” significa “desperdiçar”. atribuir. d. produzindo um acto ilocutório directivo (“Faça. mas mil. escorreito. A inserção da expressão Peço desculpa. O emprego do verbo auxiliar modal poder atenua uma ordem: Vai ter comigo à escola. 2. l. De um artigo científico exige-se objectividade e rigor. instalar. depositar. | Ficha informativa | 13 [págs. estrela s. sigla b. b. metal 8. Polissemia é a propriedade de algumas palavras de apresentarem mais do que um significado. a. 5. Sentido conotativo. sigla. a.m. 1. mas não faço milagres!” 2.f. deus. não é pertinente. pousaram. arte (…) 4. c. acrónimo. 2. joga-se com dois dos significados de “estações”: os quatro períodos em que se divide o ano – as quatro estações do ano – e os locais de atendimento ao público dos CTT – as estações de correio. o enunciado por ele produzido não tem qualquer relação com a observação anteriormente feita pela criança e. padre.Bloco informativo 31 d. “desaproveitar”. árvore (…) b. c. Neste contexto. Anúncio B. 4. (Grande Dicionário Língua Portuguesa. água s. | Ficha informativa | 9 [págs. uma onomatopeia c.: acto ilocutório compromissivo (exprime um “compromisso” do locutor em relação à realização de uma acção futura). São vocábulos monossémicos. roseira (todas as outras palavras pertencem ao campo lexical de árvore). 225-226] 2. 4. i. A última fala do Pai Natal contribui para a intenção crítica do cartoon exactamente porque aquilo que aí é dito não tem qualquer relação com a observação feita pela criança. subordinação… 6. 4. escaldou-se]. bão-bão-bão. f. poliedro s.] = sentido figurado. ele queima montes de dinheiro. fonologia s. 233-234] 1. isto é. a. Porto Editora) | Ficha informativa | 11 [págs. [fig.1. d. 3. Exemplos: 1. e. fiéis. Campo lexical de religião: igreja. a. contrato. j.: nega um eventual acto ilocutório compromissivo (“Não prometa!”). com o objectivo de atenuar uma ordem.f. No anúncio. cinema s. Utilização de uma frase interrogativa em vez de uma frase imperativa. 5. “deixar passar”. introduziu. g. [= gasta]. b. h. Por exemplo: “– Eu sou o Pai Natal. P – Português.2. cama (todas as outras palavras pertencem ao campo lexical de medicina).3. definiu / determinou / indicou.1.f. [= torrar]. a. O uso do modo condicional (Preferiria) em vez do presente (Prefiro). sólido geométrico limitado por faces que são polígonos planos. sorte (todas as outras palavras pertencem ao campo lexical de futebol). belíssimo ■ ■ ■ ■ [págs. acrónimo.1. [= sofreu queimaduras. escreve. cavidade (…) c.1. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor | Ficha informativa | 10 1. 227-228] 1. astro b. LINGUÍSTICA disciplina linguística que estuda e descreve os sons como unidades distintas (fonemas) e a sua função no sistema linguístico. a. a. 3. c. 7. (…) São estas as minhas flores preferidas.”) (pretende conduzir o interlocutor à realização de uma acção). crença… Campo lexical de sintaxe: sujeito. Ele queimou-se com água a ferver. gruta s. geógrafo s.1. 3. b.m. O Pai Natal tenta fugir à questão colocada pela criança pois tem consciência de que não consegue dar-lhe uma resposta satisfatória. ouro s. b. 5.m. acrónimo. acrescenta. castanheiro s. Deixei queimar a sopa. 1. Anúncio A.

° parágrafo e é repetido no 4.” 2. utiliza uma expressão cujo sentido literal é diferente da intenção de comunicação. Não deixes tudo para a última hora! c. planeta – a este processo dá-se o nome de renominalização: processo que consiste na repetição do nome (continuidade temática) quando a referência se pode perder. está formulado como se de uma pergunta se tratasse.” c.1. por exemplo: “Foi assim que começou o ciclo da água. estudava para o teste de Português. 6. e sem margem para dúvidas Em suma Acredito que E.” b.4. 4. se eu estivesse no teu lugar. Terra. 1. ■ ■ Hipótese de substituição Sem dúvida talvez mas A verdade é que Especialmente Indubitavelmente quiçá. 2. por favor.. o nome Terra aparece no 2.1.. 3.. e finalmente inquestionavelmente.” – os três primeiros elementos sublinhados funcionam. tendo em conta a capacidade do seu interlocutor para interpretar o enunciado. (…) Neles. através da substituição por pronomes. o hidrogénio e o oxigénio.1. Por exemplo.32 Caderno do Professor | Resolução das actividades do manual 4...2. A maioria delas cresce em climas quentes.: água. nem animais nem seres humanos para os observar. “Já começaste a estudar para o teste de Português. oposição. estamos em presença de um acto ilocutório indirecto. [Sem água] Não haveria plantas. por exemplo: “Sem água. nem seres humanos para os observar. Naturalmente que Particularmente porventura. Apaga a luz da sala! b. Põe a mesa. explicar uma ideia adicionar e agrupar elementos e ideias resumir. oposição exemplificar exprimir um facto dado como certo esclarecer. precisas de ajuda para estudares para o teste de Português?” 7. magma. Substituição lexical por sinonímia: água.. substituição lexical por hiperonímia e hiponímia: “Sem água. Fabricam-se tapetes e cestos com as suas folhas. Mas existem mais de mil espécies [. muitos milhões de anos depois.3. Por exemplo: a. reuniram-se as substâncias químicas que dariam origem à vida: o metano. Terra. Conectores textuais Valor exprimir um facto dado como certo exprimir a dúvida articular ideias de contraste.). como hipónimos do hiperónimo [formas de] vida e os três segundos como hipónimos do hiperónimo substâncias químicas. João?” d.. 4. c.2. 4. Por exemplo: a.1. repetição do nome. 2. e 4. d. Este enunciado configura um acto ilocutório indirecto porque. semelhantes aos dedos de uma mão aberta..°. Neles.1. 241-243] provavelmente No entanto por exemplo a verdade é que Ou seja E No fundo Mas 2. Não haveria plantas. Quando o locutor. não haveria vida. Por outras palavras Além disso Em resumo Todavia 5. Por exemplo: “Não vamos deixar que isto aconteça!” 5.. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor de facto Isto é.) ou declarativas (e. “João. Algumas […] são arbustos e outras […] são trepadeiras. P – Português. aqui. mediante elipse ou supressão. Contudo nomeadamente | Ficha informativa | 15 1. Proposta de solução: A palmeira mais conhecida possui folhas que se abrem exactamente no seu tronco. possivelmente porém Na realidade. planeta. fluido. A ordem é: 2. Trata-se de um acto ilocutório compromissivo (… juro por minha honra…). “Fico contente por estares a estudar para o teste de Português.3. globo terrestre. João. não haveria vida.. tendo um valor imperativo. nem animais. d.] e nem todas elas são árvores. “João. muitos milhões de anos depois. As palmeiras são plantas úteis. por ex. certamente ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ ■ . oposição exprimir um facto dado como certo exemplificar exprimir a dúvida articular ideias de contraste. líquido. Esta encheu as depressões que havia no globo terrestre e nasceram os oceanos.” 3. 4.2. Pese-me esta fruta. reafirmar articular ideias de contraste. [págs. As frases interrogativas passam a imperativas (a.1. Por mais… que parece-me que muito menos Na minha opinião Bem sabemos que justamente Porém Depois.

No original. pouco se aproveitava da Feitosa.. lembra a camionista. espantou-se. a. Mas era natural. Hipótese de discurso indirecto: [Maria Baptista] contou-nos que tinha trabalhado em fábricas. e ela. Um filme de que não me lembro o nome. Passou na televisão. desde a Páscoa. tão linda quinta…” | Ficha informativa | 17 1. Proposta de discurso directo: A mulher que me serve café todas as manhãs quando soube que eu era português disse-me: – Lisboa é linda. de seguida numa loja de roupas. Todos os filhos ajudavam muito. No dia em que a minha filha recebeu o seu ordenado.. Hipótese de discurso indirecto: A camionista lembra que quando o último dos seus cinco filhos se tornou independente. 4. especificamente. onde plantavam de tudo. e b. especificamente. P – Português. 3. inscreveu-se numa escola de condução para tirar a carta de pesados e articulados. No dia em que a sua filha recebeu o seu ordenado. desde que – indica uma condição. e eu. resolveu concretizar o seu desejo. Gracinha não sabia. Porque. Hipótese de substituição do verbo introdutor de relato de discurso: relembra Discurso directo: “Trabalhei em fábricas. contounos.3. E ela disse-me: – Não. Hipótese de substituição do verbo introdutor de relato de discurso: esclarece 2. fui doméstica. Tinha ela 50 anos. os verbos são os seguintes: disse. Hipótese de substituição do verbo introdutor de relato de discurso: desabafou Discurso directo: “Quando o último dos meus cinco filhos se tornou independente. Apesar de. conduzia um tractor com atrelado que transportava os caixotes de fruta. Hipótese de discurso indirecto: Maria Baptista recorda que os seus pais tinham uma herdade em Angola. Foi ali que começou a sua paixão pelo pesado. recorda Maria Baptista. fui costureira de peles. Passagens em discurso indirecto livre: a. [págs. depois numa loja de roupas com a minha filha. A não ser a desavergonhada da garganta…” b. Vi um filme..1. e d. “(…) Não. – Conhece Portugal? – perguntei-lhe. Foi aqui que começou a minha paixão pelo pesado”. visto que – anunciam uma ideia de causa.1. filosofou. Todos os filhos ajudavam muito. embora – anunciam uma ideia de oposição. Tinha eu 50 anos”. “(…) e passara menos mal. conduzia um tractor com atrelado que transportava os caixotes de fruta. e. inscrevi-me numa escola de condução para tirar a carta de pesados e articulados. que tinha sido costureira de peles. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor CPPORT14CP-03 . Mas sentia uma terrível frustração”. concluiu.Bloco informativo 33 6. e 1. resolvi concretizar o meu desejo. que tinha sido doméstica… mas que sentia uma terrível frustração. f. Se – indica uma hipótese. c. respondeu-lhe. agora que tanto se demorava em Lisboa. 246-248] Discurso directo: “Os meus pais tinham uma herdade em Angola. com a sua filha. duvidou.2.

responde às questões formuladas. Julgo que não estou a exagerar se disser que a economia tende para ser uma realidade virtual. Queira V. Senhor Ministro. Exa. Estimulado por este seu êxito decidimos iniciar na nossa propriedade o negócio da não-criação de porcos. Senhor Ministro. podendo nessa altura considerar a empresa dimensionada de modo a constituir um factor de progresso e engrandecimento da nossa região. (…) Ficar-vos-emos extraordinariamente reconhecidos se nos responder o mais rapidamente possível porquanto julgamos que esta época do ano será a melhor para a não-criação de porcos e. diria mesmo apaixonante. receber os protestos da minha maior consideração.. (…) Se é possível receber 1000 dólares por não criar 500 porcos nós poderíamos receber o dobro por não criarmos 1000. Se os nossos planos forem cumpridos dentro das normas de uma sã administração e com uma produtividade sempre crescente esperamos muito brevemente atingir a não-criação de 40 000 porcos. Nenhuma actividade do mundo compreende a economia. gostaríamos de começar quanto antes. O meu amigo Richard Hamilton recebeu este ano um cheque de 1000 dólares porque não criou porcos. o que nos daria um lucro de 80 000 dólares. Como dizia o meu querido amigo Millôr Fernandes: “A economia compreende toda a actividade do mundo. o governo resolveu limitar a sua produção. O meu amigo Richard é muito optimista quanto ao futuro da nossa exploração. por não criar porcos ganhou 1000 dólares. A carta é assim: “Excelentíssimo Senhor Ministro. (…) O que se nos afigura mais difícil nesta exploração é fazer o inventário dos porcos que não criaremos. vem criando porcos há muitos anos. numa altura em que. Presença. O assunto parece-me cheio de interesse. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor 25 30 35 fotocopiável . (…) A economia (…) deixou de ter qualquer relação com a realidade para se passar por dentro da cabeça dos economistas que resolvem as grandes crises financeiras à mesa dos seus gabinetes. Fazíamos tenção de começar modestamente pela não-criação de 2000 porcos que nos daria um lucro de 4000 dólares.34 Ficha de avaliação – Módulo 1 Lê atentamente o texto. subsidiando os produtores que não os criassem. o que lhe permitia em média retirar um lucro anual de 350 dólares e houve mesmo um ano particularmente rentável em que ganhou 400 dólares. Segundo afirma. (…)” António Alçada Baptista. pretendíamos.” Já há para aí trinta anos que descobri uma carta que um senhor americano escreveu ao seu ministro da Agricultura. 2003 (texto adaptado e com supressões) 5 10 15 20 P – Português. neste último ano. Ed. que nos mandasse informar quais são as regiões mais apropriadas para a não-criação de porcos e qual a melhor raça de porcos para não criar. perante uma superprodução de porcos. além do muito que nos alegrará sabermos que deste modo estamos a contribuir para o bem-estar de várias pessoas que possamos utilizar nesta exploração e que por esta forma serão outros tantos empregados com ocupação.. por isso.. o que pode vir minorar um atroz problema social. A Cor dos Dias – Memórias e Peregrinações. O célebre caso da não-criação de porcos. enquanto. Neste quadro de circunstâncias. De seguida.

1. 3-4) porque… a.2.Ficha de avaliação – Módulo 1 35 I 1. simples ou complexas. Indica a meta que a exploração terá de atingir para poder “constituir um fac- 75 pontos 10 15 20 10 tor de progresso e engrandecimento” (l. fotocopiável 15 10 15 5. Relê o primeiro parágrafo do texto. “tenção” (l. 4. 27) / tensão b.1.1. Faz a análise sintáctica da seguinte frase simples: “Nenhuma actividade do 15 mundo compreende a economia. em que reside o humor desta carta. “cumpridos” (ll.2. 2. Faz o levantamento dos elementos que provam que se trata de uma carta formal. Reescreve o último parágrafo do texto (antes da fórmula de despedida) imaginando que o emissor se expressa no singular e que a relação entre o emissor e o destinatário da carta é de grande proximidade. 4-6) substituindo a forma verbal “com- 10 preende”. Esta carta é dirigida ao ministro da Agricultura americano. 2. Reescreve a afirmação que se segue de modo a que passe a configurar um acto ilocutório compromisso explícito: 75 pontos 10 “(…) estamos a contribuir para o bem-estar de várias pessoas (…)” (ll. a carta reproduzida por Alçada Baptista.” (ll. 15-16) P – Português. agora.1. b. os economistas não têm contacto directo com a realidade. Lê. 32) da região. 3. 2. que permitam distinguir inequivocamente a diferença de significado dos seguintes pares de vocábulos: a. sucintamente. 28-29) / compridos 4. passou a ser tratada apenas através das novas tecnologias. por um sinónimo adequado ao contexto. os economistas só se interessam por grandes crises financeiras. Escreve duas frases. 2. 5-6) . Explica qual é a sua função relativamente ao assunto do texto. 4.3. terão estado na origem da decisão de iniciar a actividade de não-criação de porcos.” (ll. 20 II 1. 2. Retoma as palavras de Millôr Fernandes (ll. c. Aponta duas razões que. Segundo o autor. Explica. segundo o emissor da carta. nas suas duas ocorrências. mais uma vez.4. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor 2. a economia “tende para ser uma realidade virtual.

18-12-2005 P – Português. Total 200 pontos fotocopiável . 50 pontos Luís Afonso.36 Caderno do Professor | Fichas de avaliação III Selecciona uma das duas propostas. em que. in Pública. Não te esqueças de deixar bem claro o motivo que está na origem da tua petição e de obedecer às regras formais que um requerimento deve respeitar. assinalando a respectiva alínea na tua folha de prova: A. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor B. Observa a imagem e redige um texto. analises a sua função crítica. de cento e cinquenta a cento e noventa palavras. depois de descreveres o cartoon. Transforma a carta que integra a crónica de Alçada Baptista num requerimento.

2. de um naufrágio cruel já salvo a nado. que da tormenta5 de vossa vista fujo. forçado pelo muito interesse cobiçoso4. Lírica Completa. sossegado. fotocopiável 10 10 10 2. 3. Senhora. Luís de Camões. não entra nele mais.1. dá-me por preço ver-vos. bonançoso: calmo.2.Ficha de avaliação 1 – Módulo 2 37 Lê atentamente o poema. P – Português. Como quando do mar tempestuoso Como quando do mar tempestuoso o marinheiro. 4. responde às questões formuladas. jurando de não mais em outra ver-me: minh’alma. tormenta: tempestade. lasso1 e trabalhado2. Assinala a passagem em que se dá conta das razões do incumprimento da jura do marinheiro. mas vai. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor I 1. 2. 5. que de vós nunca se ausenta. II. . por salvar-me. Indica a decisão tomada pelo marinheiro expressa na segunda quadra. só o ouvir falar nele o faz medroso. trabalhado: maltratado.3.2. 2.1. Atenta nas duas primeiras estrofes. 5 e jura que. 1. cobiçoso: ambicioso. em que veja bonançoso3 o violento mar e sossegado. Este poema apresenta uma estrutura bipartida. Identifica o sentimento do marinheiro em relação ao mar. faz tornar-me donde fugi tão perto de perder-me. lasso: cansado. 120 pontos 20 10 2. Delimita as duas partes lógicas que o compõem. De seguida. assi. IN-CM 10 1. 1. Explicita o valor contextual da locução subordinativa que marca essa divisão. eu.

Depois. o sentido do verso 11. em forma de diário.2. os dois tercetos. que é simultaneamente o narrador e a personagem principal. significa: a. “fujo da tormenta para me aconchegar sob o vosso olhar”. por palavras tuas. relata esse episódio num texto que tenha entre cem e cento e vinte palavras. O excerto “(…) da tormenta / de vossa vista fujo. relata retrospectivamente a sua vida”.a pessoa e prestar especial atenção aos tempos verbais usados e à articulação lógica das diferentes ideias. devidamente estruturado. 4.” (vv. Analisa o poema sob o ponto de vista formal (esquema estrófico. Pensa na tua vida durante alguns momentos e selecciona um episódio muito bom ou muito mau. 9-10). Não te esqueças que deves usar o discurso na 1. elabora.1. Recordando que “a autobiografia é um género narrativo em prosa em que o autor real. 10 10 10 20 10 II Selecciona uma das duas propostas. a tua autobiografia (real ou imaginada). b. 3. “ausento-me da tormenta porque o vosso olhar me salva”. c. métrica e rima). por salvar-me. Num breve resumo do assunto do poema. Identifica o recurso através do qual se identifica o interlocutor do sujeito lírico.38 Caderno do Professor | Fichas de avaliação 3. B. 3. agora. num texto com cerca de cento e vinte palavras. 5. assinalando a respectiva alínea na tua folha de prova: A. 80 pontos P – Português. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor Total 200 pontos fotocopiável . Explica. faz corresponder os elementos da primeira parte da comparação aos da segunda. Relê.3. 3. “ausento-me da vossa presença a fim de me salvar”.

Publ. fotocopiável . De seguida. matar. degolar. Não passarão! Arde a seara.Ficha de avaliação 2 – Módulo 2 39 Lê atentamente o poema. As forças que te querem jugular1 Não poderão passar Sobre a dor infinita desse não Que a terra inteira ouviu E repetiu: Não passarão! Miguel Torga. Dom Quixote 5 10 15 20 P – Português. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor 25 1. Só mesmo se não fosse o mundo todo Que na tua tragédia se redime. mas dum simples grão Nasce o trigal de novo. Não passarão Não desesperes. jugular: extinguir. Só mesmo se pudesse haver sentido Entre o sangue vertido E o sonho desfeito. Só mesmo se a raiz bebesse em lodo De traição e de crime. decapitar. Lembra-te do teu grito: Não passarão! Não passarão! Só mesmo se parasse o coração Que te bate no peito. Mãe! O último triunfo é interdito Aos heróis que o não são. responde às questões formuladas. Não morre um povo! Não passarão! Seja qual for a fúria da agressão. Morrem filhos e filhas da nação. Poesia Completa.

para a expressão do eu. as estrofes dois e três. o sentido desses versos. que se caracteriza. o valor do advérbio de negação e do tempo verbal utilizado e a indeterminação do sujeito da frase. Relê a quarta estrofe. 2. Identifica a anáfora literária aí presente. Explicita o sentido da metáfora presente nos versos 17 e 18. Interpreta o uso da maiúscula utilizada na apóstrofe “Mãe!”.1. Relê. agora. A primeira estrofe esclarece o título do poema. Encontra a forma verbal que está subentendida nessa anáfora.3.1. 6. 4. 3. nomeadamente. 2. 5. num dos dias da passada semana. 5.2. 2. 140 pontos 15 15 10 15 10 10 10 15 10 10 10 P – Português. Atenta no título do poema. 3. Explica.4.3.a pessoa. tal como o texto lírico. 4. Comprova a veracidade da afirmação de 2. Indica os dois nomes que aí retomam a apóstrofe “Mãe!” do primeiro verso do poema. Substitui a repetição anafórica por uma conjunção ou locução conjuntiva condicional que não altere o sentido dos versos onde aquela aparece. entre outros aspectos.40 Caderno do Professor | Fichas de avaliação I 1. considerando. 3. Comenta a importância da repetição do verso “Não passarão!” e do recurso ao encavalgamento na construção do ritmo do poema. Explica o predomínio do modo conjuntivo nestas duas estrofes. pelo uso do discurso na 1. 3.1. por palavras tuas. faz o registo em forma de diário de acontecimentos que tenhas testemunhado ou de que tenhas sido personagem. Antecipa o seu sentido. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor 10 II Um diário é um texto narrativo orientado. 3.2. 4. Clarifica o valor do modo verbal utilizado nos versos 1 e 4. Num texto que tenha entre cento e vinte e cento e quarenta palavras. 2.1. 1. 60 pontos Total 200 pontos fotocopiável .1. A última estrofe é uma espécie de síntese de tudo quanto atrás foi dito.2.

já não basta jogar bem à bola. os futebolistas não tinham obviamente de ser bonitos. José António Saraiva. o lugar dos futebolistas na sociedade também mudou. A transformação de homens suados e feios em modelos perfumados e atraentes é a mesma que tende a substituir o mundo real por um mundo de ilusão. os jogadores de futebol eram seres já idolatrados mas socialmente desconsiderados. Ora essas imagens terão tanto mais sucesso quanto melhor for o aspecto dos futebolistas. A ideia dos jogadores como homens rudes e analfabetos passou – e as portas das festas de sociedade e das revistas de sociedade abriram-se-lhes. E. maior será o número de camisolas vendidas com o seu nome (e o negócio das camisolas é hoje um importante negócio). 13-09-2003 (texto adaptado e com supressões) 5 10 15 20 P – Português. e que apenas se distinguiam por saberem dar uns pontapés na bola. em vídeos. a sociedade mudou muito. também. o número de contratos publicitários que assina. para um jogador ser famoso. já não é só a sua capacidade futebolística – mas aquilo que se pode designar por “potencial mediático”. bonitos e felizes). responde às questões formuladas. (…) Claro que isto também é um sinal de que. (…) Beckham ou Figo até podem estar a jogar mal – mas. E os activos serão tanto mais rentáveis quanto. o número de vezes que aparece em acontecimentos não desportivos. São “activos”. O vazio de valores das sociedades ocidentais conduziu a uma preocupação obsessiva com a fama. também. O passeio da fama Há vinte anos. eles continuam a ser excelentes negócios. vindos quase sempre das classes mais baixas. de há vinte anos para cá. produzidos. nos ecrãs das televisões. Como a sua função era jogar com os pés. com todas estas mudanças. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor 25 30 35 fotocopiável . cromos. continuando as suas imagens a vender-se (ou as imagens dos respectivos casais. os futebolistas deixaram de ser apenas futebolistas. (…) Hoje. na Internet. Foram reciclados. melhorados. etc. puderem render fora do campo. a par do seu rendimento em campo. “posters”. Quanto mais mediático for um jogador. num jogador. O que importa. Procuram-se desesperadamente pessoas bonitas e famosas e os futebolistas não poderiam escapar à voragem. Que acaba por ser. in Expresso. (…) A imagem dos futebolistas era a de uns tipos transpirados. a favor do clube – dos seus cofres e do seu prestígio. E tudo isso reverte. de cruéis desilusões. analfabetos. (…) Desde que os clubes se transformaram abertamente em empresas.Ficha de avaliação – Módulo 3 41 Lê atentamente o texto. o dinheiro e a imagem. A imagem dos grandes jogadores é vendida diariamente em todo o mundo nas páginas dos jornais e revistas. De seguida.

O “potencial mediático” é a capacidade que um jogador tem de exercer bem a sua profissão. os jogadores de futebol eram idolatrados. os jogadores de futebol eram já considerados ídolos e ocupavam um lugar de relevo na sociedade. Relaciona os tempos verbais predominantes nos dois primeiros parágrafos com a expressão temporal que os introduz. Há duas décadas. 3. O texto pode ser dividido em três partes lógicas.42 Caderno do Professor | Fichas de avaliação I 1. tendo em conta o texto: a. no texto. 2. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor 15 “E tudo isso reverte. 21) 3. uma conjunção subordinativa temporal. recorrendo a: a. uma conjunção subordinativa causal. a favor do clube – dos seus cofres e do seu prestígio. Diz se as afirmações que se seguem são verdadeiras (V) ou falsas (F).” (l.2. Considera as duas frases simples: 15 Os clubes transformaram-se em empresas. Identifica. b. b. 4.1. os antecedentes dos vocábulos sublinhados no excerto que se segue: 70 pontos 20 P – Português. c. Noutros tempos. Os jogadores passaram a “activos”.1. Delimita-as. A crescente valorização social da beleza e da fama é directamente proporcional ao aumento do vazio de valores da sociedade actual. também. Redige. 3. d. Identifica as funções sintácticas dos constituintes desta frase simples. 4. 2. 3.1. As transformações que os futebolistas sofreram nas últimas décadas relacionam-se directamente com as alterações operadas nos clubes. 20 fotocopiável . uma frase complexa que dê conta da ideia-chave aí desenvolvida. para cada uma delas. Transforma-as numa frase complexa. 80 pontos 15 20 15 30 II 1. Identifica o facto da actualidade que esteve na origem desta crónica. 3.

que se realizam de quatro em quatro anos. por volta de 1840. A uniformização das suas regras passou. com características comuns. 50 pontos Futebol Modalidade desportiva que teve a sua origem em Inglaterra. (texto adaptado e com supressões) 5 10 15 20 P – Português. constituído por duzentas e quinze palavras. 2003-2006. cada jogador ou treinador pode valer milhões. Em 1904.jsp?id=45761>. que viria a uniformizar as regras do jogo a nível internacional. que apoiam as respectivas equipas. (…) Nos nossos dias.Ficha de avaliação – Módulo 3 43 III Resume o texto informativo a seguir transcrito.pt/E1. que estabeleceria as regras que hoje conhecemos. o futebol é um desporto fortemente mediatizado e massificado. (…) O jogo propagou-se a outros países. Por outro lado. [Consult. in Infopédia [Em linha]. futebol. As equipas mais importantes são geridas à imagem e semelhança das grandes empresas. e vinte anos depois pela fundação da Associação Inglesa de Futebol. (…) O futebol ultrapassou rapidamente o âmbito do terreno de jogo para ser dirigido por conhecidos empresários ou políticos. numa primeira fase. Aos campos de futebol acorrem milhares de adeptos. sendo um elemento cultural e social a que os estudiosos têm dedicado merecida atenção. embora se possam identificar jogos mais antigos. Porto: Porto Editora. a FIFA tornou-se a entidade responsável pela realização dos Campeonatos do Mundo de futebol. (…) A partir de 1930.infopedia. em 1843. Em termos económicos. o futebol marca presença no imaginário colectivo contemporâneo. surgiu a Federação Internacional de Futebol (FIFA). que também passaram a organizar campeonatos. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor Total 200 pontos fotocopiável . 2006-08-18] Disponível na www: <URL: http://www. pela Universidade de Cambridge. noutros países. como desporto de multidões que é. num texto de noventa e cinco a cento e dez palavras. onde era jogado por rapazes estudantes.

uma sensação de desastre iminente. encostou-lhe uma faca à garganta: “A bolsa”. e. como hoje. fez com que a minha pobre irmã se lembrasse do namorado e então. Finalmente escoltou-a até ao hotel. a falta de imaginação. e quando deu por isso estava a contar ao rapaz toda a sua tragédia íntima. Só existe uma maneira de enfrentar este terrível lugar-comum sem perder a dignidade: faça das tripas coração. com um brinco no nariz.” Convidou-a a tomar um chope. coitada!. mas também de palhaços e de bailarinas. sem parecer nem um velho professor entediado nem um sedutor de telenovela. Mostrou-lhe o seu próprio mundo – que era um inferno – como se fosse um grande circo. e nesse instante um jovem alto. decidisse passear à noite pelas ruas de Copacabana.” O texto gasto. Sofia é mais velha – nasceu cinco minutos antes de Alexandra. porém. A minha irmã agradeceu as flores e pediu um tempo para pensar. não tem muita imaginação. Gianni Versace. no aeroporto. moça. Só eu sei a falta que em certos dias. Ele ouviu-a com atenção. A seguir vá para casa. Sentou-se. e diga-lhe que não precisa de pensar mais. recomendando-lhe mais cuidado quando. cheio de feras e de monstros. moreno. responde às questões formuladas. Conhecem a frase. sorria. tinha um extraordinário sentido de humor. O namorado pediu-lhe um tempo para pensar. Mas aceitou um cafezinho numa esplanada a dois passos dali. Nunca tinha estado lá. Fez com que ela se risse. me faz um assaltante assim. afundou os olhos nas águas escuras. rebentou ali mesmo num choro incontrolável. A bolsa ou a vida Sofia e Alexandra. Sofia encontrou o namorado. Quando um homem nos pede um tempo para pensar é porque. Comeu uma caixa inteira de chocolates. Pediu duas semanas de férias e comprou um bilhete para o Rio de Janeiro. enfiou a faca num dos bolsos da bermuda e tentou consolá-la: “Não chore mais. Faíza Hayat. Esta semana. Sofia tem andado muito deprimida. confesse. Além disso. aflito. Mulher triste eu não assalto. Telefonei-lhe há pouco para lhe perguntar se não tinha ficado com o telefone do assaltante. Cortou o cabelo. Ou melhor. a meia voz. Comprou uma mini-saia azul. feche-se no quarto e chore à vontade. com palpitações. e depois já pensou em tudo. e compreendeu que teria de tomar medidas radicais. Sofia achou que era demais – a cerveja. Não conhecia ninguém no Brasil. É como matar passarinho. e atravessou a avenida com a intenção de se sentar um pouco na areia. Chorou muito. Dom Quixote. que está apaixonada por outro. com um enorme ramo de flores. no futuro. O Evangelho Segundo a Serpente. Refreie a vontade de o esbofetear e despeça-se dele com um beijo na face. por exemplo. com a certeza de que jamais a vestiria. Foi isso que a salvou. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor 25 30 35 fotocopiável 40 . Sofia foi assaltada no Rio de Janeiro. são filhas do primeiro casamento da minha mãe.44 Ficha de avaliação – Módulo 4 Lê atentamente o texto. O assaltante. 2006 (excerto) 5 10 15 20 P – Português. e foi sempre muito forte e determinada. acordou ansiosa. De seguida. não chegou a ser assaltada. Pareceu-lhe a escolha acertada. Sabia ouvir. Hospedou-se no Copacabana Palace e logo nessa noite vestiu a mini-saia azul. não?! Claro que conhecem. sempre muito solícito. Foi o que a minha irmã fez. muito respeitador. sabia dar conselhos. Na manhã seguinte. primeiro. Ao regressar a Lisboa. mais raro ainda. Publ. do Gianni Versace. o que é raro nos homens. gémeas idênticas. a contemplar o mar. sussurrou: “A bolsa ou a vida. uma espécie de segunda mãe para a mais nova. dá até azar. bem iluminada.

exprimir a confirmação da ideia expressa anteriormente. 3. Comenta a atitude de Sofia em relação ao namorado que a foi esperar ao aeroporto. O teu texto. a pontualidade da acção narrada.Ficha de avaliação – Módulo 4 45 I 1. o excerto que vai da linha 11 (“Foi o que a minha irmã fez. 13): a. 11).” (l. Atenta nos seis primeiros períodos. 25-26). 2. uma situação que se repete regularmente durante um determinado período de tempo. e os verbos devem estar predominantemente no pretérito perfeito e no pretérito imperfeito. b. Esclarece por que razão o Brasil pareceu a Sofia a “escolha acertada. 6. lhe fez lembrar o namorado. Na terceira linha do texto. Propõe um outro título para o texto que. b. 3. 3. 80 pontos 15 15 10 10 10 10 10 II 1. o narrador utiliza a expressão “Ou melhor” para: a.” (ll.” (ll. 4. que deverá ter entre cento e cinquenta e duzentas palavras. com recurso à descrição e ao diálogo. 5. Transforma as três frases simples seguintes numa frase complexa. 70 pontos 10 10 P – Português. articula ideias opostas. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor 10 10 15 15 III Imagina uma pequena história que surpreenda o leitor pelo insólito dos acontecimentos relatados. 4) expressa: a. (“Sofia e Alexandra (…) para pensar. reformular o seu discurso.2. 16-17). 1-5)). Justifica o recurso sistemático ao modo conjuntivo com valor imperativo na passagem que vai desde “Conhecem a frase. O conector “porém” (l.1. introduz uma conclusão em relação à ideia principal.” (l. Explica o que é que. 17). não?!” (l. Considera. recorrendo a conectores que respeitem o sentido das frases no contexto: “Não conhecia ninguém no Brasil. Enumera as características que Sofia encontrou no assaltante que o distinguiam dos outros homens. Nunca tinha estado lá.”). Passa para o discurso indirecto a fala do assaltante (ll. fotocopiável 50 pontos Total 200 pontos . Pareceu-lhe a escolha acertada. Explica a funcionalidade deste excerto em relação à história que é contada. 5. não desvende ao leitor a história que vai ser contada. 4. b. 1. agora. deve ser narrativo. 3.1. 16). 2.”) até à linha 36 (“(…) pelas ruas de Copacabana. no momento do assalto. 5) até “(…) e chore à vontade. Indica o antecedente do termo anafórico “lá” (l. 3. sendo embora apelativo. O complexo verbal “tem andado” (l.3.

1 5./A tensão entre ambos era de cortar à faca. Uma proposta: REQUERIMENTO Exmo. receber os protestos da minha maior consideração. Sr. 3. 30-31). etc. Resposta b. Exa.3.1. em representação de um grupo de agricultores que pretende implementar o negócio de não-criação de porcos e. Local e data Assinatura do Requerente P – Português. do desejo de contribuir para o desenvolvimento da região através da criação de postos de trabalho..a Ex. vestida apenas com uma tanga e extremamente magra. morador no Texas. Senhor Ministro. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor . Sujeito – Nenhuma actividade do mundo. ou A minha tensão arterial está um pouco alta. Faço tenção de ir ao cinema logo. 2. Ministro da Agricultura Eu. através da Internet. subsidiando os produtores que não os criassem –. 2. através do relato de um caso extremo e absurdo. o que (…) daria um lucro de 80 000 dólares” (ll. ajudando. abaixo-assinado. decide levá-la aos limites do absurdo. não haver o discernimento de começar pelas necessidades básicas. desta forma. em simultâneo. 2. na ajuda que se presta a povos mais necessitados. John Do. a decisão de iniciar a actividade de não-criação de porcos nasceu da constatação do êxito de um amigo nessa actividade e. A formalidade da carta é evidente.” B. Nenhuma actividade do mundo entende/percebe a economia. coisas que ela nem fazia ideia que existiam e da crítica que é feita a estas palavras através das imagens que aparecem no monitor do computador – pão e bife.2.”). A personagem ocidental expõe à outra a importância do acesso à Internet pelos países pobres. Hipóteses possíveis: A economia contém/abrange/inclui toda a actividade do mundo. 4. 2. quer no corpo da carta (Senhor Ministro). 2../ No Verão os dias são mais compridos do que no Inverno. [185 palavras] II 1.”) e na fórmula de despedida (“Queira V. Hipóteses possíveis: a. A função crítica deste cartoon reside na ideia da contradição presente entre ‘as boas intenções’ e o valor real que estas podem ter em determinados contextos. Os estatutos da organização não estão a ser cumpridos. venho requerer a V. O humor desta carta reside no carácter surreal de toda a proposta que é feita pelo remetente que. partindo de uma situação económica real – o facto de o governo ter resolvido limitar a produção de porcos. gostaria de começar quanto antes. A carta apresentada vem ilustrar a opinião do autor acerca do desfasamento entre a economia e a realidade. Num ambiente de deserto. b. muitas vezes. Proposta: “Ficar-te-ei extraordinariamente reconhecido se me responderes o mais rapidamente possível porquanto julgo que esta época do ano será a melhor para a não-criação de porcos e. Para conseguir alcançar este desiderato a exploração terá de “atingir a não-criação de 40 000 porcos. Uma proposta: No cartoon podemos ver duas personagens: uma representando a cultura ocidental.a que se digne informar quais são as regiões mais apropriadas para a não-criação de porcos e qual a melhor raça para não criar. Pede deferimento. Segundo o emissor da carta. ll. a combater o desemprego (Cf. com ar saudável. com ar satisfeito. Repare-se nas palavras da personagem ocidental que tenta mostrar à outra como vai ser importante ser capaz de passar a conhecer. sobretudo nas formas de tratamento honorífico utilizadas quer na fórmula de interpelação (“Excelentíssimo Senhor Ministro.4. calçada e usando gravata. vestida. III A.46 Soluções das fichas de avaliação Ficha de avaliação – Módulo I 1. um computador portátil à segunda que o olha com um ar que transmite um misto de espanto e de desconfiança.1. complemento do nome – do mundo. 4. Por exemplo: “Garantimos/prometemos que…”. desta forma.2. complemento directo – a economia. Há uma crítica evidente do cartoonista ao facto de. a primeira mostra.1. predicado – compreende a economia. contribuir para o progresso e engrandecimento do nosso país. por isso. outra representando a cultura africana. 12-20).

A primeira parte é constituída pelas quadras e a segunda pelos tercetos. F. portanto. A locução subordinativa “Como (v. O poema é um soneto e. 4. 4)) são utilizados ao serviço do grito de incitamento dirigido à “Mãe” (v. 2.1. v. a fuga é a única salvação. isto é. o marinheiro manifesta medo em relação ao mar (Cf. A anáfora consiste na repetição da locução “Só mesmo se” no início dos versos 7. a vista da amada é comparada à tempestade. pois obriga-o a voltar ao mar. não resistindo. 3. no segundo. 1)) e o modo imperativo (“Lembra-te” (v. Trata-se dos versos 7 e 8: “(…) mas vai. A primeira estrofe esclarece o título do poema já que. Na primeira quadra.1. 3.4. 3. P – Português. Uma vez que a sua contemplação (da tempestade/da amada) provoca medo.” (v. explicita o sujeito que. Na segunda quadra dá-se conta de que o marinheiro “jura” não voltar ao mar nem mesmo quando este estiver calmo (Cf.1. identifica o emissor do grito “Não passarão!” (a Ficha de avaliação – Módulo I 3 1. a capacidade regeneradora “dum simples grão” a partir do qual “Nasce o trigal de novo. e um ritmo mais rápido conferido pelos sucessivos encavalgamentos. O interlocutor do sujeito lírico é identificado através de uma apóstrofe: “Senhora.1. no título.2. por outro. Na última estrofe.3. c. O valor desta metáfora sai ainda reforçado pela presença do articulador adversativo “mas” (v. 17) e pela antítese (“Arde (…) / Nasce (…) / Morrem / Não morre” (vv. a. “Só [passariam] mesmo se” 3. que funciona como uma espécie de refrão. O esquema rimático é abba abba cde cde. 5. Ambos (marinheiro e eu lírico) prometem não voltar a cair noutra. Trata-se dos nomes “nação” e “povo”.2. 9). Ao marinheiro do primeiro termo de comparação corresponde o eu lírico. independentemente da “fúria da agressão” (v. 18. O modo conjuntivo com valor imperativo (“Não desesperes” (v. 9)” estabelece uma comparação. F. Através da conjunção coordenativa adversativa “mas”. 3.” 2. O título configura uma espécie de grito de resistência face a um sujeito plural mas indeterminado. 3. V. Quanto à métrica.1. aparecia indeterminado: os “heróis que o não são. a rima é emparelhada e interpolada nas quadras e interpolada nos tercetos. 2.2. é constituído por duas quadras e dois tercetos. Hipóteses possíveis: a não ser que/a menos que/salvo se. 3. d. isto é. 22). “ausento-me da vossa presença a fim de me salvar”.1. 12 e 14.1. 2.2. nação. o sujeito poético deixa claro que. a medida do verso é o decassílabo. a fugir da sua amada para não voltar a perder-se. O facto da actualidade que esteve na origem desta crónica é a transformação dos jogadores de futebol em estrelas mediáticas. . 19. 4. vv. 1. por um lado. O uso do futuro do indicativo transmite-nos a certeza do sujeito poético relativamente à realização da acção expressa pelo verbo que é negada pelo advérbio “não”. É possível estabelecer uma correspondência directa entre os versos 17/18 e os versos 19/20: a “seara” que “arde” é a “nação” cujos filhos “morrem”. 1). 23) o povo não conseguirão o seu objectivo já que “a terra inteira” assumiu como seu o grito “Não passarão!” 6. forçado/pelo muito interesse cobiçoso”.” Esta metáfora remete-nos directamente para a força de um “povo” que resiste e se levanta sempre face ao poder avassalador daqueles que o querem “jugular” (v. O modo conjuntivo é exigido pela locução conjuntiva condicional e coloca uma hipótese que se torna longínqua por aparecer aliada à locução “Só mesmo se”. V. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor Ficha de avaliação 2 – Módulo I 2 1. 4). 1) … assi (v. 2.3. 4.Soluções das fichas de avaliação 47 Ficha de avaliação 1 – Módulo I 2 “Mãe”) e. 5-7). 9. 20)).2. evidencia-se que a ambição é mais forte do que o medo do marinheiro. 2. 23). “As forças que (…) querem jugular” (v. 17. e repetindo o mesmo erro. 1.2. 5. O ritmo do poema alterna entre as pausas marcadas pela repetição da expressão “Não passarão!”. b. que criam um efeito de coesão entre os versos.3.1. a. Mãe será sinónimo de pátria. 2. O uso da maiúscula na apóstrofe “Mãe!” remete para o uso metafórico deste nome. No verso 11. porém.3. o sujeito poético afirma ter-se comprometido a não repetir os erros do passado.

1. e perante o recuo do namorado que parecia querer retomar a relação. Primeira parte – Há vinte anos. os acontecimentos anteriores à história que vai ser narrada. 4.… II 1. por isso. portanto. 3.” (l. Módulos 1 a 4 – Caderno do Professor 1. Neste excerto inicial ficamos a conhecer algumas características da personagem principal da história – Sofia – e aquilo que se estava a passar com ela. 3. 2. sujeito – os jogadores de futebol. os futebolistas não tinham de ter grande preocupação com a imagem.1. o futebol desenvolveu-se noutros países. 5. 3. ao contrário da generalidade dos homens. Deduz-se. O Brasil pareceu-lhe “a escolha acertada. 7) até “… abriram-se-lhes. “tudo isso” reporta-se aos factos narrados no parágrafo anterior. modificador do nome restritivo – de futebol. b.1. Terceira parte – A transformação dos jogadores em estrelas mediáticas tem a ver com o vazio de valores da sociedade ocidental na qual a preocupação com a fama e o dinheiro veio criar um mundo irreal. [95 palavras] II P – Português.2. organiza os Campeonatos do Mundo. embora as suas características possam ser encontradas anteriormente. devido à sua massificação. o futebol é um desporto de massas que vale milhões e as equipas são empresas dirigidas por empresários e políticos. assim. em 1904.2. o tempo verbal predominante é o pretérito imperfeito do indicativo já que a referida expressão implica um relato em que se dá conta do aspecto durativo da acção. 4. Os jogadores passaram a “activos” porque os clubes se transformaram em empresas. Modificador do grupo verbal – Noutros tempos. surgindo. Entretanto. cerca de 1840. o narrador dá uma série de conselhos à(s) leitora(s) que venha(m) a passar por uma situação semelhante àquela em que Sofia se encontra. 3. o “potencial mediático” dos jogadores é fundamental para os seus clubes que se transformaram em verdadeiras empresas. O antecedente do termo anafórico “lá” é “no Brasil”. percebido que o namorado não era bem aquilo que ela queria.1. revelando. “Assalte-me. O assaltante. 3. o futebol transformou-se num fenómeno cultural e social muito estudado. Segunda parte – Actualmente. As regras a que hoje obedece foram uniformizadas em 1863 pela Associação Inglesa de Futebol. A partir de certa altura. 4.3.48 Caderno do Professor | Soluções das fichas de avaliação 3. “sabia ouvir”. uma situação que se repete regularmente durante um determinado período de tempo. Acrescentou que não assaltava mulher triste porque dava até azar e que era como matar passarinho. b. Sofia terá. a. 27). talvez. Aquilo que no assaltante fez lembrar a Sofia o namorado foi o facto de a frase que ele utilizou para a abordar ser tão vulgar nesta situação como aquela que o namorado utilizou para acabar com o namoro. decide “pedir um tempo”. Hipótese possível: O assaltante. predicativo do sujeito – idolatrados. III Proposta de resumo: O futebol nasceu em Inglaterra. 2. reformular o seu discurso.” porque lá não conhecia ninguém. . a segunda vai desde “Hoje…” (l.” 6. Por exemplo: “Um tempo para pensar”. Por exemplo: a. pareceu-lhe a escolha acertada. 3. Durante a conversa com o assaltante. desde 1930. Por exemplo: “Não conhecia ninguém no Brasil já que nunca tinha estado lá e. embora fossem já idolatrados. Sofia parece ter aprendido uma lição com o assaltante de Copacabana: ao regressar. ou seja. Por outro lado. 2. b. predicado – eram idolatrados. por favor!”. Daí o uso do modo conjuntivo com valor imperativo. ambas. Os jogadores passaram a “activos” quando os clubes se transformaram em empresas. articula ideias opostas. a FIFA que uniformizou as suas regras internacionalmente e que. A primeira parte é constituída pelos dois primeiros parágrafos. aflito. Hoje. “sabia dar conselhos” e “tinha um extraordinário sentido de humor”. a terceira compreende os cinco últimos parágrafos. 5. falta de imaginação. enfiou a faca num dos bolsos da bermuda e tentou consolar a moça dizendo-lhe que não chorasse mais. o antecedente de “seus” e “seu” é “clube”. A primeira parte do texto é introduzida pela expressão temporal “Há vinte anos” e. Ficha de avaliação – Módulo I 4 1. que Sofia queria estar sozinha.

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