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Exercícios para Revisão: Reformas Religiosas

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Reformas Religiosas

Questões para revisão 1. Religião e Poder na Europa antes das Reformas 1) Leia o texto abaixo e faça o que se pede: “A questão das causas da Reforma é complexa. Para tentar resolvê-la é preciso ir direto ao essencial. O Protestantismo dá ênfase a três doutrinas principais: a justificação pela fé, o sacerdócio universal, a infalibilidade apenas da Bíblia. Esta teologia respondia certamente às necessidades religiosas do tempo, sem o que ela não teria conhecido o sucesso que foi o seu. A tese segundo a qual os Reformadores teriam deixado a Igreja romana porque ela estava repleta de devassidões e impureza é insuficiente.”
Jean Delumeau, Nascimento e Afirmação da Reforma, p.59.

Explique por que “a tese segundo a qual os Reformadores teriam deixado a Igreja romana porque ela estava repleta de devassidões e impureza é insuficiente.” A) Transformações na religiosidade 2) Leia o texto abaixo e responda às questões: “Persuadidos dos perdões e das indulgências, ao negociante, ao militar, ao juiz, basta atirarem a uma bandeja uma pequena moeda para ficarem tão limpos e tão puros dos seus numerosos roubos como quando saíram da pia batismal. Tantos falsos juramentos, tantas impurezas, tantas bebedeiras, tantas brigas, tantos assassínios, tantas imposturas, tantas perfídias, tantas traições, numa palavra, todos os delitos se redimem com um pouco de dinheiro, e de tal maneira se redimem que se julga poder voltar a cometer de novo toda sorte de más ações”
Erasmo de Roterdam, Elogio da Loucura

a) Qual prática comum da Igreja de seu tempo Erasmo está criticando? b) Para Erasmo, qual era o maior problema que esta prática causava? 3) Leia o texto abaixo e responda às perguntas: “Toda a Igreja ocidental estava envolvida de alto a baixo numa crise de confiança. (...) De qualquer modo (...) o fracasso mais fundamental da Igreja não residia na sua riqueza, no seu mundanismo, na sua imoralidade um tanto exagerada (...) residia sim na sua total incapacidade de proporcionar paz e consolação a gerações conturbadas numa era de incerteza. A peste, a guerra, o declínio econômico marcavam o fim da Idade Média com inequívoco mal-estar espiritual. (...) O misticismo e o milenarismo ameaçavam o controle da Igreja sobre as almas; entre os cultos, o humanismo minava o respeito pela sua autoridade e saber.”
G.R. Elton, A Europa durante a Reforma, p.23-25.

a) Por que “o misticismo e o milenarismo ameaçavam o controle da Igreja sobre as almas”? b) Como o humanismo minava o respeito pela autoridade e saber da Igreja? 4) Leia o texto abaixo e responda às perguntas O concílio de Constança (1414-1418) não se reunira apenas para por fim ao cisma; tivera também o objetivo de condenar as doutrinas hussitas e, mais ainda, de realizar o desejo, já há tanto tempo expresso, de “reformar a Igreja na sua cabeça e nos seus membros”. Ora a impotência pontificial e a anarquia que reinava na Cristandade davam, precisamente, uma oportunidade ao movimento conciliar, que defendia a subordinação da autoridade do Papa ao livre consentimento do povo cristão. Já antes da reunião do concílio universitários eminentes tinham pedido a convocação de assembléias eclesiásticas que supervisionassem o governo da Igreja.
Jean Delumeau, A civilização do Renascimento, p.122.

a) O que foi “o Cisma” a que se refere o texto? b) O que defendia o “movimento conciliar”? B) Religião e Política 5) Explique por que a ascensão dos Reinos Absolutistas criou problemas políticos para a Igreja Católica. 2. As Reformas Protestantes A) Luteranismo I) As idéias de Lutero 6) Leia o texto abaixo e faça o que se pede: “Esses ensinamentos [sobre salvação da alma depender da vontade humana] em breve deixaram de satisfazer Lutero, que viria a revolucionar a teologia, em virtude de se encontrar perante Deus num estado de desespero. Queria assegurar-se da sua aceitação, mas só conseguia descobrir em si a certeza do pecado e em Deus a justiça inexorável que tornava fúteis todos os seus esforços de arrependimento e a sua procura da misericórdia divina. (...) Quando encontrou a resposta, ela brotou diretamente do seu total sentimento de desamparo perante Deus (...) compreendeu que ‘a justiça divina’ não queria dizer a ira de Deus ante o pecado, mas sim o Seu desejo de tornar o pecador justo pela força do Seu amor conferido livremente ao verdadeiro crente. Lutero defendia que o homem só se justificava (salvava) através da fé.”
G.R. Elton, A Europa durante a Reforma, p.14.

“A base da teologia de Martinho Lutero reside na idéia de completa indignidade do homem, cujas vontades estão sempre escravizadas ao pecado. A vontade de Deus permanece sempre eterna e insondável e o homem jamais pode esperar salvar-se por seus próprios esforços.”
Adaptado de Quentin Skinner, As fundações do pensamento político moderno, p.288-290.

Relacione a “idéia de completa indignidade do homem” com a teoria da justificação pela fé no pensamento de Lutero. 7) Leia o texto abaixo e faça o que se pede: “Portanto, de nada serve à alma se o corpo se cobre de vestes sagradas como fazem os sacerdotes e religiosos, nem tampouco se ela permanece nas igrejas e lugares sagrados, tampouco se ela lida com coisas sagradas, nem tampouco se fisicamente faz orações, jejua, faz peregrinações e pratica todas as boas ações que eternamente poderiam ocorrer no e através do corpo. Nem no céu, nem na terra resta à alma outra coisa a não ser viver e ser justa, livre e cristã, segundo o Sagrado Evangelho (...) Assim, passamos a ter certeza de que a alma pode prescindir de todas as coisas, menos da Palavra de Deus e fora a Palavra de Deus nada mais pode auxiliá-la.”
Lutero, Da liberdade do Cristão.

Explique como as afirmações de Lutero no texto acima se relacionam com sua idéia de Sacerdócio Universal. II) O rompimento com a Igreja Católica 8) Antes de Lutero, outros “reformadores” desafiaram o poder da Igreja. Explique as principais razões de, diferentemente de seus antecessores, Lutero ter obtido êxito. B) Anabatistas 9) Leia o texto abaixo e faça o que se pede: “Em terceiro lugar, até agora éramos tratados como escravos, o que é uma vergonha, pois, como o seu precioso sangue, Jesus Cristo nos salvou a todos, tanto ao mais humilde pastor quanto ao mais nobre senhor, sem distinção. Por

esse motivo, deduzimos das Sagradas Escrituras que somos livres, e livres queremos ser. Não que queiramos ser totalmente livres, que não queiramos reconhecer autoridade alguma; não é isso o que Deus nos ensina. (...) Em quarto lugar, até agora nenhum pobre podia perseguir a caça, pegar aves ou peixes na água corrente, o que nos parece uma lei totalmente injusta e pouco fraternal, mas interesseira e em desacordo com a palavra de Deus (...) Em quinto lugar, somos prejudicados ainda pelos nossos senhores, que se apoderaram de todas as florestas. Se o pobre precisa de lenha ou madeira tem que pagar o dobro por ela. Nós somos de opinião que deve ser restituída à comunidade toda e qualquer floresta que se encontra em mãos de leigos ou religiosos que não adquiriram legalmente. Em sexto lugar, preocupam-nos os serviços que somos obrigados a prestar e que aumentam dia a dia. Exigimos que esse assunto seja examinado cuidadosamente a fim de que não sejamos sobrecarregados. (...) Em décimo lugar, nossa decisão e resolução final é a seguinte: se uma ou diversas dessas exigências não estiverem em consonância com a palavra de Deus, delas abriremos mão imediatamente, desde que se nos prove, à base das Sagradas Escrituras, que elas estão em discordância com a vontade divina.”
Manifesto dos Camponeses em 1525.

a) Identifique no texto “Direitos Senhoriais” considerados injustos pelos camponeses. b) Para defender seus argumentos, os camponeses fazem uso da referência a qual autoridade? c) Identifique o argumento dos camponeses com relação à igualdade e liberdade. 10) Leia o texto abaixo e faça o que se pede: “Eis, pois, o auge da avareza, do sonho e da pilhagem de nossos Príncipes e senhores: apossam-se de toda criatura, sejam peixes n’água, aves no céu ou plantas na terra; tudo deve ser seu. Em seguida espalham o mandamento de Deus entre os pobres, e dizem: Deus ordenou que não roubeis! Contudo, não acharam uso deste mandamento para si mesmos. Ei-los, então, a sobrecarregar todos os homens, o pobre camponês, o artesão, e a sufocar e oprimir todo aquele que vive. Assim, quem quer que agarre o menos que seja, deve ser enforcado, e o Doutor mentiroso diz logo amém! Os Senhores fazem o mesmo, para que o pobre se torne seu inimigo; se não querem afastar a causa da revolta, como se melhorará a situação a longo prazo? E se falo assim, sou classificado como subversivo.”
Thomas Müntzer

a) Para o autor do texto, como os poderosos usam a palavra de Deus para seu benefício próprio? b) Ainda segundo o autor do texto, como os poderosos usam a Justiça para seu benefício? c) Mediante a estas injustiças, qual atitude dos mais pobres o autor do texto incentiva? C) Calvinismo 11) Leia o texto abaixo e faça o que se pede: “Ninguém que queira ser chamado religioso ousa negar diretamente a predestinação pela qual Deus escolhe alguns para a esperança da vida e condena outros à morte eterna. (...) Por predestinação entendemos o eterno decreto de Deus pelo qual decidiu em seu próprio espírito o que deseja que aconteça a cada indivíduo em particular, pois nenhum homem é criado nas mesmas condições, mas para alguns é preordenada a vida eterna e para outros a eterna condenação (...).”
João Calvino, Instituições da religião Cristã, Livro III, Cap.XXI.

a) Explique o que é a Justificação pela Predestinação. b) Relacione a teoria da predestinação com a crise espiritual do cristianismo ocidental. D) Reforma Anglicana 12) Leia o texto abaixo e faça o que se pede: “O rei é o chefe supremo da Igreja na Inglaterra (...) Nesta qualidade, o rei tem todo o poder de examinar, reprimir, corrigir tais erros, heresias, abusos, ofensas e irregularidade que sejam ou possam ser reformados legalmente por

autoridade (...) espiritual (...) a fim de conservar a paz, a unidade e a tranqüilidade do reino, não obstante todos os usos, costumes e leis estrangeiras, toda autoridade estrangeira.”
Ato de Supremacia de 1534

Explique o conflito entre os poderes do Papa e do Rei inglês identificável no texto acima. E) Disseminação das idéias da Reforma 13) Leia o texto abaixo e faça o que se pede: “O envolvimento do povo na Reforma foi tanto causa como conseqüência da participação da mídia. A invenção da impressão gráfica solapou o que foi descrito, com certo exagero, como monopólio de informação da Igreja Medieval (...) Os protestantes se baseavam no que pode ser chamado de ‘ofensiva da mídia’ não somente para comunicar suas próprias mensagens, mas também para enfraquecer a Igreja Católica, ridicularizando-a (...). Como somente uma minoria da população sabia ler, e menos ainda escrever, presume-se que a comunicação oral deve ter continuado a predominar (...). Ela teve muitas formas distintas em diversos contextos, indo de sermões e conferências em igrejas e universidades a rumores e boatos nos mercados e tabernas.”
Peter Burke e Asa Briggs, Uma história social da mídia, p.83-86.

Mesmo sendo a maior parte da população européia, nesta época, analfabeta, a invenção da imprensa teve grande importância para a disseminação da Reforma. Explique esta importância. 3. Católicos e Protestantes na Europa Moderna A) Reforma e contrarreforma Católicas 14) Leia o texto abaixo e faça o que se pede: “’Contrarreforma’ sugere um agressivo ataque católico à Reforma Protestante. Implica igualmente que o processo de mudança e renovação do catolicismo não teria surgido sem que a Reforma Protestante viesse estimular a reforma da Igreja Católica. (...) Em contraste, a expressão “Reforma Católica” aponta para uma profunda e genuína restauração do Catolicismo no século XVI; esta expressão indica um melhoramento espontâneo do catolicismo. Como seria de esperar, este ponto de vista (...) tem sido o preferido dos historiadores católicos (...).”
Michael Mullet, A contrarreforma e a Reforma Católica nos princípios da Idade Moderna Européia, p.13.

a) Quais são os interesses político-ideológicos atuais no uso dos termos “Reforma Católica” e “Contrarreforma Católica”? b) Analisando os elementos da mudança de atitudes da Igreja Católica a partir do Concílio de Trento identifique argumentos a favor do termo “Reforma Protestante” e a favor do termo “Contrarreforma Protestante”. B) Repressão e Intolerância religiosa 15) Leia os textos abaixo e faça o que se pede. “A perseguição inquisitorial contra os protestantes só se desenvolveu de uma forma sistemática durante as décadas de 1540 e 1550, tanto na Espanha e em Portugal como na Itália. (...) Como resultado dessa ação, mais ou menos sincronizada nos Estados onde a Inquisição exercia sua jurisdição, houve um considerável fluxo de refugiados, provenientes sobretudo da Itália e da Espanha, para as regiões protestantes da Suíça, da Alemanha e, mais tarde, dos Países Baixos.”
Francisco Bethencourt, História das Inquisições, p.344-345.

“Deus meu, não se cansado os hereges e os inimigos (...) de semear continuamente os seus erros e heresias no campo da cristandade, com tantos e tantos livros perniciosos que são republicados a cada dia, é necessário que não se durma, mas que nos esforcemos para extirpá-los ao menos nos lugares onde isso seja possível”.
Cardeal Roberto Bellarmino, 1614

Explique como funcionava o Tribunal do Santo Ofício e quais eram seus objetivos.

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