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UNIVERSIDADE CIDADE DE SÃO PAULO PROGRAMA DE MESTRADO EM EDUCAÇÃO

Elaine Cristina Marena Andrade

OS INSTRUMENTOS DO COORDENADOR PEDAGÓGICO PARA COORDENAR A FORMAÇÃO CONTINUADA DOS PROFESSORES NA UNIDADE ESCOLAR: “O PROJETO ESPECIAL DE AÇÃO” E “O PROGRAMA A REDE EM REDE: A FORMAÇÃO CONTINUADA NA EDUCAÇÃO INFANTIL” NO MUNICÍPIO DE SÃO PAULO

São Paulo 2010

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Elaine Cristina Marena Andrade

OS INSTRUMENTOS DO COORDENADOR PEDAGÓGICO PARA COORDENAR A FORMAÇÃO CONTINUADA DOS PROFESSORES NA UNIDADE ESCOLAR: “O PROJETO ESPECIAL DE AÇÃO” E “O PROGRAMA A REDE EM REDE: A FORMAÇÃO CONTINUADA NA EDUCAÇÃO INFANTIL” NO MUNICÍPIO DE SÃO PAULO

Dissertação apresentada ao Programa de Mestrado em Educação da Universidade Cidade de São Paulo, como requisito exigido para a obtenção do título de Mestre.

São Paulo 2010

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Elaine Cristina Marena Andrade

OS INSTRUMENTOS DO COORDENADOR PEDAGÓGICO PARA COORDENAR A FORMAÇÃO CONTINUADA DOS PROFESSORES NA UNIDADE ESCOLAR: “O PROJETO ESPECIAL DE AÇÃO” E “O PROGRAMA A REDE EM REDE: A FORMAÇÃO CONTINUADA NA EDUCAÇÃO INFANTIL” NO MUNICÍPIO DE SÃO PAULO

Dissertação apresentada ao Programa de Mestrado em Educação da Universidade Cidade de São Paulo, como requisito exigido para a obtenção do título de Mestre.

Área de concentração: Data da defesa: Resultado:_______________________________________________

BANCA EXAMINADORA:
Prof. Dr. João Gualberto de Carvalho Meneses Universidade Cidade de São Paulo Prof. Dr. Jair Militão da Silva Universidade Cidade de São Paulo Prof. Dr. João Pedro da Fonseca Universidade de São Paulo __________________________________

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4 DEDICATÓRIA Dedico a dissertação a todos protagonistas da Educação Infantil. os .

Oswaldo Armelindo Marena e Zilda Andrade Marena Ao meu irmão – Hebert Alexandre Marena A minha sobrinha.UNICID Aos Professores Doutores do Programa de Pós-graduação (Strictu-Sensu). .UNICID Ao Profº Drº João Gualberto de Carvalho Meneses.Adriano da Costa Andrade Aos meus pais .Hatsue Ito Ao Profº Ms Arnaldo Ribeiro dos Santos A Profª Ângela Maria Duarte Azadinho A toda equipe da EMEI Carmen Miranda A toda equipe do CEU São Rafael Ao Daniel de Souza Janate Aos meus colegas e secretárias do Mestrado em Educação.5 AGRADECIMENTOS Agradeço aos ANJOS por fazerem parte de mais uma caminhada acadêmica de minha vida: Ao meu esposo . E principalmente a DEUS pelo o dom da vida e por enviá-los a me ajudar a superar as dificuldades e conquistar mais uma etapa acadêmica.Letícia Beloto A Diretora Regional de São Mateus .meu amado Orientador Aos membros da Banca Examinadora da minha dissertação.

Provérbios 3:13. . e dá mais lucro que ouro”. porque a sabedoria vale mais do que a prata.6 “Feliz o homem que encontrou sabedoria e alcançou entendimento.

das intenções das políticas de formação de professores. O Coordenador Pedagógico precisa considerar que o professor é um ser único. necessidades pedagógicas. Nesse contexto. Isto poderá contribuir para o avanço da prática docente. O importante é garantir que o Coordenador Pedagógico tenha momentos destinados para o acompanhamento da prática docente. Com este avanço. Palavras-Chave: Políticas Públicas de Educação. assim como os momentos de acompanhamento de formação continuada. com decisões próprias. aplicação de questionário para 21 professores e 02 gestores e a abordagem qualitativa. que transforma e é transformado pelo outro. com a participação de 03 professores e análise documental. o fazer docente no cotidiano escolar da Educação Infantil e encontrei. também. propostas pela Prefeitura Municipal de São Paulo.7 RESUMO Um grande avanço das políticas públicas no Brasil foi considerar a educação infantil (0 a 5 anos) como primeira etapa da educação básica e incluir as antigas creches no sistema municipal de educação. na Educação Infantil. o Coordenador Pedagógico terá maior proximidade das ações pedagógicas do professor. Os novos conhecimentos pedagógicos poderão fazer parte da prática docente quando forem articulados com as reais necessidades e desejos dos professores. inquietações. surgiu a preocupação com a formação dos professores que atuam na educação infantil e. . na prática docente. em horários coletivos. enfim terá a oportunidade de realizar uma intervenção individual. Educação Infantil. Formação Docente. das dúvidas. no período de 2005 a 2008 da unidade escolar. complexo. passei a observar o Projeto Especial de Ação e o Programa a Rede em rede: formação continuada na Educação Infantil. entrevista semiestrutural. a necessidade da elaboração de programas de políticas públicas para a formação docente. uma de grande relevância: como a formação continuada dos docentes da Educação Infantil tem contribuído para a atualização da prática pedagógica? Os objetivos da pesquisa são analisar a atuação do projeto e programa educacional no cotidiano escolar. e analisar a avaliação dos professores sobre as políticas de formação docente. identificar a presença. Os procedimentos metodológicos são a abordagem quantitativa. dentre muitas questões. tratando assim o cuidar e educar como conceitos indissociáveis. Neste sentido.

in the teaching practice. the work of teachers daily in early childhood education and I found. questionnaire to 21 teachers and 02 administrators. in other words. with his own decisions. concerns. Early Childhood Education. in Kindergarten. and qualitative approach. In this context. at collective times. The new pedagogical knowledge may become a part of the teaching practice when they become articulated with the real needs and desires of teachers. apperead the concern about the training of teachers working in early childhood education and. educational needs. that transforms and is transformed by others. Therefore. one of great importance: how the continued formation of teachers of early childhood education has contributed to the updating of the pedagogical practice? The objectives of this research are to analyze the performance of both the project and educational program in the school routine. The Pedagogical Coordinator needs to consider that the teacher is unique. With this advance. also. and include day care centers in the municipal sistem of education. This may contribute to the advance of teaching. over the period from 2005 to 2008 of the school unit. The important issue is to ensure that the Academic Coordinator has moments destined to follow the teaching practice. as well as the moments of tracking continuing education. in due to identify the presence. will have the opportunity to perform an individual intervention. proposed by the Municipality of São Paulo. Teacher Education. of the policies for teacher education intentions. . the necessity of developing public policy programs for teacher training. I started to observe the network of the Special Action Project and the Network Project: continued formation in kindergarten. Keywords: Public Policy Education. this way treating the care and education as inseperable concepts. with the participation of 03 teachers and documentary analysis. complex. the academic coordinator will have greater proximity of the teacher's pedagogical actions. The methodological procedures are quantitative approach. among many issues. doubts.8 ABSTRACT A major advance of the public policies in Brazil was to consider the early childhood education (0 to 5 yeas) as the first stage of basic education. semi-structural interview. and to analyze the teacher evaluation on teacher education policies.

9 LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS ADI ATE CEI CME DOT DOT-EI DOT-P DRE EMEF EMEI INEP JB JBD JEIF JEX LDB MEC PEA PMSP PP SEEC SME TEX Auxiliar de Desenvolvimento Infantil Assistente Técnico Educacional Centro de Educação Infantil Conselho Municipal de Educação Diretoria de Orientação Técnica Diretoria de Orientação Técnica de Educação Infantil Diretoria de Orientação Técnica Pedagógica Diretoria Regional de Educação Escola Municipal de Educação Fundamental Escola Municipal de Educação Infantil Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Jornada Básica Jornada Básica do Docente Jornada Especial Integral de Formação Jornada Especial de Hora Aula Excedente Lei de Diretrizes e Bases Ministério da Educação Projeto Especial de Ação Prefeitura Municipal de São Paulo Projeto Pedagógico Secretaria Estadual da Cultura Secretaria Municipal de Educação Jornada Especial de Trabalho Excedente .

....................1 O perfil dos profissionais docentes da infância ..................................31  2.................... 49  4 ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DOS DADOS COLETADOS ......................................................16  1.... 8  1....................................................................... 104  6......................17  1.......................................................................................................52  4.................... 19  2.................3...........................................................3 Instrumento de pesquisa qualitativa: entrevista semi-estrutural................................3 Objetivos............................74  4................................... 11  1...........5 O “Projeto Especial de Ação”..............................23  2...4 O “Programa A Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil”........................ 108  ..............................................................................................................................Docentes ...............................................................28  2..... REFERÊNCIAS .....................................................................................................................................................................................4 Relevância da pesquisa.....18  2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA................................................................................................  INTRODUÇÃO.......................................3 A implantação do “Projeto Especial de Ação” e do “Programa: A Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil”......................19  2.........5 Estrutura do Trabalho ...........................41  2..........................18  1.........................1 Instrumento de pesquisa quantitativa: Questionário ......2 Instrumento de pesquisa quantitativa: Questionário-Gestores .79  5 CONSIDERAÇÕES FINAIS................................................1 Problema da pesquisa ......................17  1.............17  1.....................................................................................................................................................................................................2 Objetivos específicos....................2 A formação continuada dos docentes da infância ...........................................................................................................................................................1 Objetivo geral ......................................................6 Os dilemas do Ensino Fundamental de 9 anos e o Cuidar e Educar na Educação Infantil 44  3 METODOGIA DA PESQUISA... 7  ABSTRACT .................... 52  4...........................................16  1............................no Município de São Paulo...................................10 SUMÁRIO RESUMO......3................2 Hipóteses da pesquisa................................................................

De acordo com o edital do concurso público (2009) referente ao cargo de acesso do Coordenador Pedagógico.11 1. Nessa unidade escolar. recebi um convite para lecionar numa escola particular da Zona Leste de São Paulo. Essa experiência despertou meu interesse maior pela Educação Infantil e. tendo que me despedir do meu primeiro emprego. formulei questões sobre a formação continuada dos docentes. assumi o cargo de Coordenador Pedagógico atuando na formação continuada de professores e tive o privilégio de continuar atuando nesse cargo. Após ter sido aprovada e classificada no concurso público realizado pela Prefeitura Municipal de São Paulo (PMSP). Então. caminhei em direção a mais um concurso. Iniciava. no ano seguinte. fui convocada a tomar posse dos cargos citados. lecionei por 3 anos consecutivos. então. especificamente na região de São Mateus. Alguns anos mais tarde. Em meados de 2002. nos cargos de Profº Titular de Educação Infantil e Profº Adjunto de Ensino Fundamental I. atuando integralmente na Educação Infantil. então. no Centro de Educação Infantil. em 2006. alunos e pais. da Prefeitura Municipal de São Paulo. ingressei na PMSP. Foi neste contato direto com a formação de professores. o meu ingresso na carreira do magistério. as atribuições do Coordenador Pedagógico são: . estava sendo convocada a tomar posse do meu segundo cargo de Profº Titular de Educação Infantil e exonerando-me do cargo de Profº Adjunto de Ensino Fundamental I. INTRODUÇÃO Ao término do último ano do curso de magistério. durante o novo percurso. atuando na formação de crianças de 4 a 10 anos de idade. “Projeto Especial de Ação” e o “Programa A Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil” que surgiram dúvidas as quais me dispus a pesquisar. em 2000.CEI. para crianças de 4 a 6 anos de idade. na modalidade Educação Infantil. Na minha carreira de magistério. Quando assumi o cargo de Coordenador Pedagógico. enquanto exercia o cargo de professora (19972005) tinha preocupações com a sala de aula.

no sentido de refletir sobre as finalidades sociopolíticas e culturais da escola”. o Projeto Pedagógico tem a finalidade de dar autonomia às unidades escolares. tendo como instrumento o “Projeto Especial de Ação”.12. nos horários coletivos de professores. 2003. p. necessidades específicas. tendo em vista os desafios do cotidiano escolar. Lei n. a escola tem a autonomia para refletir sobre sua intencionalidade educativa.P descreve sua história. as modalidades e turnos em funcionamento. 9. Assim. bem como do acompanhamento da aprendizagem dos alunos (avanços. em consonância com as diretrizes educacionais do município. execução e avaliação do Projeto Pedagógico (P. caracteriza a comunidade local.394/96. 2009) O Coordenador Pedagógico precisa coordenar as etapas de elaboração.12 I. (Veiga. implementação e avaliação do Projeto Pedagógico da Unidade Educacional. Cada escola por meio do P. visando a melhoria da qualidade da educação. segundo o edital da Fundação Carlos Chagas (2009).P com o “Projeto Especial de Ação” (PEA).Coordenar a elaboração. inciso I: “os estabelecimentos de ensino. também. respeitadas as normas comuns e as do seu sistema de ensino.15) O “Projeto Especial de Ação” é. O planejamento das ações do horário coletivo de formação docente também são atribuições do Coordenador Pedagógico. no art. dificuldades. que junto com a equipe escolar elabora-o de acordo com as prioridades da escola. enfim constrói sua própria identidade. etc)”.P). os métodos de ensino-aprendizagem e avaliação. Neste sentido. Essa implementação se dá por meio da formação continuada. inciso XV: “Promover a implementação dos Programas e Projetos da SME por meio da formação dos professores da Unidade Educacional. além de articular o P. Entende-se por autonomia da escola quando: “Ela concebe sua proposta pedagógica ou projeto pedagógico e tem autonomia para executá-lo e avaliá-lo ao assumir uma nova atitude de liderança. de acordo com o edital da Fundação Carlos Chagas (2009): . define as necessidades pedagógicas. O Projeto Pedagógico foi previsto na LDB. coordenado pelo Coordenador Pedagógico. terão a incumbência de elaborar e executar sua proposta pedagógica. sendo ambos objetos de acompanhamento e avaliação dos profissionais de educação nos horários coletivos de formação. O PEA deve estar articulado com os Projetos e Programas que compõem a Política Educacional da Secretaria Municipal de Educação (SME). (Fundação Carlos Chagas.

VI. precisa refletir sobre as práticas culturais do cotidiano da unidade escolar. segundo o documento acima. registro e problematização da prática pedagógica. O acompanhamento e avaliação das atividades pedagógicas são atribuições permanentes do Coordenador Pedagógico: VII. acompanhamento e avaliação dos impactos da formação continuada e cronograma de reuniões com a Equipe Docente para Gestão Pedagógica da U. com o objetivo de discutir. Esta metodologia de formação possibilita que o professor apreenda um episódio e registra-o.Elaborar o plano de trabalho da Coordenação Pedagógica indicando metas.Planejar ações para a garantia do trabalho coletivo docente e para a promoção da integração dos profissionais que compõem a Equipe Técnica da Unidade Educacional. (Fundação Carlos Chagas. Ele tem que tematizar com o grupo de professores algumas práticas culturais que se espera que as crianças tenham acesso diariamente na escola: . O documento A Rede em rede: a formação continuada na Educação Infantil (2007) traz subsídio ao Coordenador Pedagógico quanto às estratégias de formação por meio de instrumentos metodológicos como observação. nas diferentes atividades e componentes curriculares.Desenvolver estudos e pesquisas que permitam ressignificar e atualizar as práticas pedagógicas em busca de adequá-las a necessidades de aprendizagens dos alunos. Além disso.Coordenar a elaboração e implementação dos Planos de Ensino dos professores.E. estratégias de formação.Acompanhar e avaliar junto com a equipe docente o processo contínuo de avaliação. compreender e aperfeiçoar as práticas pedagógicas.13 II. bem como na organização e remanejamento de educandos em turmas e grupos. XII.Participar da elaboração de critérios de avaliação e acompanhamento das atividades pedagógicas desenvolvidas na Unidade Educacional. VIII.. 2009) Uma das propostas do “Programa A Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil” é o registro reflexivo. garantindo a consonância com as diretrizes curriculares da SME. depois o Coordenador Pedagógico junto ao professor elaboram perguntas a partir do episódio observado. III. bem como garantir os registros do processo pedagógico. o Coordenador Pedagógico.

Portanto. p. não criativa. 5. ele oferece pouca oportunidade da criança de vivenciar esses momentos lúdicos e significativos de aprendizagem na Educação Infantil. 2007.. 4. decidir e significar a prática pedagógica. Ouvir músicas.( A Rede em rede: a formação continuada na Educação Infantil. nesse caso. p.. Participar de situações comunicativas e conversas em grupo. há necessidade de dar condições ao professor de agir. Eles conhecem apenas o modelo de organização do ambiente para ações centradas no professor e por ele controladas e acreditam que elas têm maior resultado pedagógico. tinta e lápis. significar as práticas sociais. 2. A criança necessita vivenciar situações. disposto a ajudá-la a interagir com o ambiente. Para Oliveira (2005. enfim com tudo que está ao redor. Para isso. . observa-se a dificuldade dos professores em atualizar a prática pedagógica: Muitos educadores que trabalham com crianças pequenas costumam valorizar ações copiadas de modelos escolares tradicionais nas tarefas cotidianas que lhes propõem: atividades dirigidas usando apenas papel. 17) Quando o professor utiliza o método tradicional para ensinar as crianças. Participar de situações de teatro. 224): A formação docente pode ser compreendida. Ouvir boas leituras. repetindo modelos de forma não espontânea. A concepção descrita corresponde a fragmentos de um modelo de educação escolar construído no passado para orientar o ensino de crianças mais velhas e de adolescentes. 2007. usando uma linguagem Vigotskiana. como um contexto que deve visar a criação.14 1. Neste sentido. com os colegas. 3.). (A Rede em rede: a formação continuada na Educação Infantil. Desenhar ou pintar. Ler e escrever o nome próprio quando necessário. conta com o professor. 34) O professor deve evitar organizar as ações pedagógicas de acordo com modelo tradicional que reforça o papel do professor como centralizador do conhecimento. decidir e significar a situação didática. Nem sempre essa criação é possibilitada e. compartilhar a construção de sentido sobre o que se lê. aprendizagem e desenvolvimento para as crianças pequenas (. com os adultos. pelo sujeito de um zona de desenvolvimento proximal que promove aprendizagens que revolucionem sua forma de agir. 6. o sujeito esconde-se atrás da repetição de formas de atuação docente por ele vivenciadas. não respondendo a singularidade de cada situação educativa em uma sociedade em permanente mudança. que desconhecem outras formas mais adequadas de organizar situações de vivência. Ela persiste no imaginário e orienta a prática de muitos professores. p.

Faz parte da natureza da prática docente a indagação. em sua formação permanente. A criança precisa vivenciar situações que lhe despertem o interesse frente ao inexplorado e ao desconhecido. Nos últimos dez anos. ir além dos discursos aprimorados e aprimorar a prática pedagógica problematizando as questões do cotidiano escolar. O objetivo desta pesquisa é analisar a atuação do “Projeto Especial de Ação” e do “Programa A Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil” e os fatores que dificultam e facilitam o avanço da prática pedagógica. Enfim. Porém. As experiências. reflete sobre elas e sobre as formas de aprender e de ensinar. saberes e interesses infantis são ponto de partida para a aquisição de novos conhecimentos. por meio da técnica de questionário. vivências. Como Coordenadora Pedagógica. como pesquisador. percebe-se que essa realidade parece estar distanciada da prática. abordagem . a busca. mas a prática permanece quase intocável. O professor deve se colocar como protagonista da própria formação docente.32). o professor discute e questiona a teoria da educação. porque professor. ou seja. me deparei com a seguinte questão: o que é necessário para os docentes renovarem a prática pedagógica? Segundo Abianna (2009). ou seja. a pesquisa. Para realizar a coleta dos dados. o comportamento das crianças vem se transformando e o cenário educativo se renovando a cada dia. Pensar em uma sociedade em constante mudança é pensar na necessidade da renovação das práticas pedagógicas. O de que se precisa é que. o professor se perceba e se assuma. De acordo com Freire (1997. o que há de pesquisador no professor não é uma qualidade ou uma forma de ser ou atuar que se acrescenta à de ensinar. faz parte da natureza do professor a participação ativa no processo de formação docente: No meu entender. p. discursos aprimoram-se. utilizarei a abordagem quantitativa. o professor precisa sentir-se pertencente ao grupo de formação continuada e construir conhecimento enquanto pesquisador da prática pedagógica.15 O professor precisa planejar ações pedagógicas que ofereçam a criança experiências significativas sempre integrando o que ela já sabe com aquilo que é novo para ela.

1 Problema da pesquisa Para Cervo.) o autor deve enunciar suas hipóteses: a tese propriamente dita.2 Hipóteses da pesquisa Severino (2002. As hipóteses da pesquisa são: • há um distanciamento entre a teoria do “Projeto Especial de Ação” e do “Programa A Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil” e a prática pedagógica. cujo melhor modo de solução ou é uma pesquisa ou pode ser resolvido por meio científico”. p. para a qual se deve encontrar uma solução”. análise documental da unidade escolar pesquisada e pesquisa de campo. Severino (2002. 127) definem o problema como “um enunciado explicativo de forma clara.. p. p. p.16 qualitativa. o professor de Educação Infantil apresenta dificuldade em renovar a prática .. pois não se pode tratar de tudo ao mesmo tempo e sob os mais diversos aspectos”. Diante dessa narrativa. apresenta-se o problema da pesquisa: Como a formação continuada dos docentes da Educação Infantil tem contribuído para a atualização da prática pedagógica? 1. é a idéia central que o trabalho se propõe demonstrar”. 1.75) o problema da pesquisa “é uma questão que envolve intrinsecamente uma dificuldade teórica ou prática. 184) define: “os limites da problematização devem ser determinados. Marconi e Lakatos (2003. 161) relata: “(. Bervian e Silva (2007. compreensível e operacional. • pedagógica. ou hipótese geral. por meio da técnica da entrevista semi-estrutural.

b) Analisar o conhecimento dos professores em relação ao “Projeto Especial de Ação” e ao “Programa A Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil”. c) Analisar a avaliação dos professores sobre o “Projeto Especial de Ação”. e específica aquele que indica ações pormenores de um problema geral. proposta pela Secretaria Municipal de Educação. d) Identificar os fatores que dificultam e/ou facilitam os avanços da prática docente.3. e) Analisar a avaliação dos professores quanto aos momentos de formação continuada na unidade escolar. Em função do exposto. 1.17 1. na prática docente. nos últimos quatro anos. sua clara definição orienta o trabalho do pesquisador e permite obter melhores resultados. Beuren (2006.1 Objetivo geral Analisar a atuação do “Projeto Especial de Ação” e do “Programa A Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil”. . 65) classifica como objetivo geral aquele que “indica uma ação ampla do problema”. p. na prática docente. das intenções das políticas de formação de professores (coerência: teórica / prática).3 Objetivos Objetivos são metas ou alvos a serem alcançados. Uma forma de estabelecer os objetivos é desdobrá-los em gerais e específicos (COOPER.3. Os objetivos são divididos em geral e específicos.2 Objetivos específicos a) Identificar a presença. 2003). Essa estratégia permite maior clareza ao pesquisador e contribui na organização e realização do trabalho de pesquisa. 1. proposta pela unidade escolar e o “Programa A Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil”. SCHINDLER. o objetivo geral e os específicos para esta pesquisa são apresentados a seguir.

O “Projeto” e o “Programa” muitas vezes não são compreendidos pelos professores por falta de uma comunicação satisfatória no decorrer do processo da formação continuada. análise e discussão dos resultados obtidos. da Prefeitura Municipal de São Paulo e a prática docente. além dos desafios cotidianos do Coordenador Pedagógico no papel de formador.5 Estrutura do Trabalho O capítulo 1 introduz o assunto e a contextualização sobre o tema. mediante pesquisa bibliográfica e documental.4 Relevância da pesquisa A pesquisa trará uma discussão sobre o “Projeto Especial de Ação” e o “Programa A Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil”. O capítulo 4 faz a apresentação do questionário e as entrevistas.18 1. o objetivo geral e específico e a relevância da pesquisa. O capítulo 5 é reservado para a apresentação das considerações finais da pesquisa. a entrevista semi-estrutural e à pesquisa de campo. define a questão da pesquisa. Em seguida. O capítulo 3 destina-se à fundamentação da metodologia adotada para desenvolver a pesquisa. e a forma de aplicação do questionário. O capítulo 2 apresenta a fundamentação teórica que dará sustentação à pesquisa. .   1.

encontram uma diversidade de tarefas específicas. 43). aborda-se a especificidade da profissionalidade docente. configuram uma vulnerabilidade dessa criança e esse fato faz com que os profissionais que trabalham com a faixa etária de crianças pequenas se diferenciem dos demais profissionais docentes. sendo uma particularidade da educação. assumindo a dimensão moral da profissão”. cada vez mais. continuada diferenciada e específica. o conhecimento fica. social são acentuadas na literatura da área como um fato de diferenciação da profissão. competências e sentimentos. p. a cada etapa da atuação profissional. Outro fator que diferencia os profissionais da Educação Infantil dos demais é a relação profunda entre o educar e cuidar. que se diferencia dos demais professores da educação. específico e diferenciado.19 2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 2. Katz e Goffin (1990) Medina Revilla (1993) afirmam que essas vulnerabilidades física. limpeza e saúde. entende-se por profissionalidade docente: “a ação profissional integrada que a pessoa da educadora desenvolve junto às crianças e famílias com base nos seus conhecimentos. Segundo Oliveira-Formosinho (2002. A profissão docente não é diferente. porém.1 O perfil dos profissionais docentes da infância Cada profissão requer dos profissionais conhecimentos específicos da área de atuação. As características dessas crianças traçam as especificidades desta profissão as quais vão além do conhecimento do desenvolvimento infantil. termo usado por Oliveira-Formosinho. assim chamadas por Oliveira-Formosinho (2002). de acordo com a faixa etária das crianças a quem eles ensinarão. os profissionais docentes necessitam de uma formação inicial. Portanto. Contudo. entre função pedagógica e função do cuidado. devido à sua tenra idade. emocional. . por seu campo de atuação se tratar de crianças pequenas. As crianças pequenas necessitam em sua rotina de cuidados específicos de higiene. As educadoras de infância. Essas necessidades e cuidados com as crianças.

temos uma concepção de profissionalidade específica e diferenciada para as profissionais da infância. de modo que ela satisfaça suas necessidades de diversos tipos e aprenda a fazê-lo de forma cada vez mais autônoma. Eles são inerentes ao cotidiano dos docentes da infância e devem ser planejados. precauções. interações e interfaces com pais. Ao fazê-lo. Creches e EMEIs da cidade de São Paulo. imaginação. XX): “(. as crianças pertencem a um contexto social e cultural que requerem dessas profissionais da infância uma integração de serviços: interação com psicólogos. motricidade. Refere-se a planejar situações que ofereçam à criança acolhimento. Hoje. alargando consideravelmente as atividades do cotidiano e as responsabilidades.. assistentes sociais. As crianças pequenas são vistas como um todo integrado (afetivo. tem-se a primeira etapa da Educação Básica chamada Educação Infantil.. atenção. 2006. o desafio que se propõe a Educação Infantil é de redefinir o conceito de cuidar e educar: Cuidar da criança é uma ação complexa que envolve diferentes fazeres. A partir desta integração. desafio. formando um auto conceito positivo em relação a si mesma. pais e responsáveis pelos menores. formas estas que a levam a constituir-se como um sujeito histórico. integração de funções. raciocínio e linguagem. motricidade. gestos.) uma concepção de profissionalidade que requer integração de saberes.18-19) Os conceitos cuidar e educar precisam estar interligados nas ações desses profissionais da infância. Ambas as instituições de Educação Infantil cuidam e educam simultaneamente. Já educar a criança é criar condições para ela apropriar-se de formas de agir e de significações presentes em seu meio social. Outra especificidade da profissão. destacada por Oliveira-Formosinho (2002) é chamada de globalidade da educação da criança pequena. nos CEIs e EMEIs. (Tempos e espaços para a infância e suas linguagens nos CEIs. os CEIs passaram a deixar de ser o local apenas de cuidar da criança e as EMEIs o local de educá-la. Dessa forma. a criança desenvolve sua afetividade. olhares. Além disso. p. atenção. mães. Conforme Oliveira-Formosinho (2000) apud Campos (2002. comunidade e outros protagonistas que atuam nesse campo” . social e cognitivo). raciocínio. imaginação.20 Com a integração dos CEIs e EMEIs. estímulo. p.

Muitos acreditam que basta introduzir a prática reflexiva para garantir a pesquisa. Desse modo. faz necessário destacar a importância desses educadores se tornarem verdadeiros pesquisadores de sua prática pedagógica. p. otimizar. . que está longe da prática. Isso se faz necessário. sem poder contar com parceiros mais experientes para realizar a “ponte” teoria e prática. é imprescindível que disciplinas pedagógicas e científicas estejam juntas no decorrer do curso superior e não hierarquicamente. além dos pesquisadores e seus instrumentos de pesquisa. o professor na formação inicial se sente sozinho. sistemas educativos e de todos os aspectos da prática pedagógica para descrever e explicar e o professor reflexivo dirige o olhar para seu contexto imediato para compreender.ordenar. Para Schön (1990) & Zeichner (1993) formar o professor pesquisador significa garantir uma estrutura curricular que priorize a investigação. fazer evoluir uma prática particular vista de seu interior. Segundo Perrenould (1999. A pesquisa pedagógica só ocorre no ambiente natural da prática. pois não basta transmitir teoria e deixar que o aluno do ensino superior. processos. devido à nova concepção de criança e infância.21 Além de toda particularidade da profissão dos educadores da infância. privilegiando as disciplinas pedagógicas. sem vivenciar momentos de reflexões coletivas e individuais. De acordo com Perrenould (1999) as universidades ensinam teorias sobre métodos de pesquisa e não pesquisam a prática pedagógica. os professores. Vale expor que as críticas aos cursos superiores são pertinentes. Para que ocorra de fato a pesquisa. ou seja. as famílias. Portanto. regular. não no ambiente fechado da universidade. Faz-se necessário que os estudantes se aproximem do cotidiano. o que dificulta a reflexão e tematização da prática pedagógica. há diferença entre pesquisa e prática reflexiva: a pesquisa cuida de fatos. Isto causa empobrecimento na formação profissional. 15). faça a correspondência entre a teoria e a prática pedagógica. Essa concepção de formação inicial é antiga e dificulta os profissionais da infância serem de fato pesquisadores da prática pedagógica. tanto a prática reflexiva como a investigação desta prática reflexiva são exigências para atender ao novo perfil profissional. é necessário o cenário da escola. Para tanto. os alunos. ao qual pretende atuar e significá-lo.

o empenho do profissional para dar suporte à criança. (1999. integrando um currículo articulado com a formação continuada do docente estabelecendo. acredita-se na diminuição da lacuna que surge desde a formação inicial.) leva a afirmar a necessidade de transformar o modo como se dão os diferentes momentos da formação de professores (formação inicial e formação continuada).. a produzir conhecimento coletivamente e individualmente. a parceria com a escola. tanto na formação inicial como na formação continuada. Laranjeira et al.22 Para viabilizar novo perfil profissional. assim evitando lacunas pedagógicas. enriquecer a formação inicial. também. possibilita a oferta de melhor qualidade de educação às crianças.181). passando pela formação continuada e alcançando a sala de aula. Neste sentido. da rotina e do projeto pedagógico e a produção de registros com os porta-fólios. dos materiais escolhidos. a Universidade poderá. . A integração da formação inicial com a formação continuada pode ser o caminho para tão esperada qualidade na educação infantil. pesquisar. p. ambas de modo integrado. O investimento na formação do profissional de educação infantil. Porém. 25) relatam: (. Já Oliveira-Formosinho e Formosinho (2001) apud Kishimoto (2002. Assim. Além disso. p. ou seja. O ensino superior poderá contribuir para este desafio. uso de instrumentos de observação para averiguar o envolvimento da criança e da família na atividade. para criar um sistema de desenvolvimento profissional. então. refletindo e mudando o currículo. colocando como ponte para ajudar o profissional a articular à teoria com a prática. menciona que existem algumas estratégias a serem adotas para alcançar essa qualidade de educação: Entre as estratégias adotadas encontra-se a integração da formação inicial e continuada. é necessário que o docente aprenda a estudar. muito precisa ser feito para desraigar as antigas concepções de infância e de ensino superior.. integrando as diferentes instituições responsáveis em um plano comum. a análise da adequação do espaço físico.

23 2. p.. como por exemplo. a formação continuada não busca apenas reparar lacunas da formação inicial. gestores e avaliadores de programas de formação. o professor é sujeito da formação e a avaliação das necessidades pedagógicas é realizada em conjunto: professores. procura produzir a construção partilhada de saberes e práticas. Neste sentido.. na investigação e reflexão contínua sobre a prática pedagógica. ela propõe uma formação em contexto e descreve como o docente se desenvolve ao longo da vida profissional por meio do modelo ecológico (2002. não busca reparar uma inadequação. O modelo de desenvolvimento profissional do crescimento. p. com inspiração em Bronfenbrenner (1979). das condições de aprendizagem e da cultura da escola. O mesossistema é o complexo mundo das inter-relações que a escola promove aos indivíduos em desenvolvimento.) percebe o professor exercendo uma atividade multifacetada e complexa. baseada em Bronfenbrenner. trazendo conhecimento acerca da sala de aula. que a ecologia do desenvolvimento profissional das educadoras envolve o estudo do processo de interação mútua e progressiva entre a educadora ativa e em crescimento e o ambiente em transformação em que ela está inserida. segundo OliveiraFormosinho (2002). Nesta perspectiva. chama de microssistema. ou seja.2 A formação continuada dos docentes da infância Segundo Bruno & Almeida (2008. mas construir conhecimento a partir da reflexão da prática pedagógica. 51): Pode-se dizer. p. No modelo ecológico de aprendizagem profissional dos docentes. o desenvolvimento profissional se dá em contextos não imediatos. a escola. mas sim favorecer a maior expansão do docente”. Diante disso. Furlanetto (2003.8) comenta: “(.91): “entendemos que formação inicial e continuada seja um continuum”. O microssistema é o local que proporciona interação entre os indivíduos. sendo esse processo influenciado pelas inter-relações tanto entre os contextos mais imediatos quanto entre estes e os contextos mais vastos em que a educadora interage. ou seja. exossisterma e macrossistema. mas em um contexto que promova um conjunto de estruturas concêntricas. as quais a autora (2002). Neste sentido. mesossistema. é a realidade vivencial do sujeito. . a formação continuada precisa basear-se na perspectiva do desenvolvimento profissional do crescimento.

) para que haja uma mudança significativa num sistema que favoreça a prática de professores criativos. sentir. é preciso criar espaços de formação dentro do sistema que interajam entre si e que envolvam os diferentes níveis. valores. p. hábitos.24 uma rede de interações.. salas de aulas. Assim relata Oliveira-Formosinho (2002. 49): O desenvolvimento profissional é uma caminhada que envolve crescer. ambas as autoras concordam e reforçam a importância da interação de todos os protagonistas da escola no processo de desenvolvimento profissional dos docentes da infância. Cultivar as disposições para ser. professores. sentir e agir. é preciso que se provoque mudanças em toda a hierarquia do sistema. p. Para que as práticas pedagógicas docentes se atualizem e acompanhem as mudanças da sociedade. p. em contexto. saber. por exemplo. interessados. Portanto. com a criança. aponta para esses fatores dificultadores. Ou seja. por exemplo. 50). pois não se faz no isolamento. Os exossitemas são arena de situações (contextos) que ocorrem nas inter-relações dos sujeitos em desenvolvimento. é necessário que se observem alguns fatores que podem dificultar o desenvolvimento profissional dos professores. Nogueira (2005) vê a escola como um sistema hierárquico. 220) menciona que: (. ser. Envolve crescimento. Ela (2005. baseando-se no modelo ecológico: . Segundo Hargreaves (1992) e Furlan (1996) apud Oliveira-Formosinho (2002. requer empenho. agir.. investigadores. O macrossistema refere-se às crenças. sustenta-se na interação do conhecimento e da paixão. o contexto administrativo de funcionamento da escola. como o da criança. pois se observa que uma educadora da infância não se desenvolve isoladamente. no qual todos os protagonistas devem interagir para promover uma verdadeira mudança de prática dos professores. Esses contextos precisam proporcionar a interação mútua entre os sujeitos em desenvolvimento. é um desafio que requer processos de sustentação e colaboração. formas de agir desses sujeitos que afetam as atividades e relações e interações aos níveis mais próximos do microssitema e do mesossitema.

a unidade escolar pode estabelecer parcerias com a unidade básica de saúde do bairro em que está inserida. Ao expandir-se no contato com o outro. Tem-se assim. A partir do momento em que se acredita que a criança aprende com o amplo ambiente educativo que a cerca e. mas deseja produzir cultura e faz isso a partir de seu próprio desenvolvimento. pinta ou observa uma flor.) Se a inovação for imposta de fora por uma administração de mão pesada. redes de escolas. Nesse sentido. associações sindicais de professores. Oliveira-Formosinho (2002. parafraseando Kishimoto (2002). p. conselho tutelar etc.. Não se desenvolverá a reflexão crítica se não houver tempo e encorajamento para que se realize. é uma prioridade entender a ecologia do desenvolvimento do professor. quando a criança desenha. será pouco provável que surjam processos de experimentação criativa. coleciona pedrinhas.20): (. transforma-se e transforma o outro.) é essencial que a escola interatue com os contextos à sua volta. (.. manipula um brinquedo.25 As sementes do desenvolvimento não crescerão se caírem em terreno pedregoso.. A natureza desse contexto pode fazer ou desfazer os esforços de desenvolvimento dos professores. p. Outro fator que se destaca a respeito do contexto de desenvolvimento profissional é o contexto que rompe com as forças endógenas da escola. associações profissionais de professores. ou seja. vale dizer que a escola não se encerra em si mesma. projetos de professores. especialistas em educação. ruminando os seus problemas. A troca de conhecimento desses órgãos com a escola é importante para o crescimento profissional dos docentes.. é importante que a escola interatue com instituições de formação.) ele refere-se ao fato de que o adulto é responsável pela sua própria educação. O verdadeiro adulto não se contenta em ser mero repetidor de cultura. Além disso. Jung (1983) apud Furlanetto (2003. assistentes sociais. que é necessário o Coordenador Pedagógico apoiar o professor durante a caminhada de aprendizagem e desenvolvimento profissional. na interação com o outro.. O processo de desenvolvimento do professor depende muito do contexto em que tem lugar. . Neste sentido. conversa com amigos ou com seu professor. Assim. brinca de faz-de-conta. sementes. movimentos pedagógicos. explora areia. 15) menciona que: (.. observa-se também que o professor se desenvolve profissionalmente. assiste a um vídeo.

é que. 58-59) . como se escolhêssemos qual a próxima camada de tinta que eles deverão receber. em seu processo. Sendo assim. uma base da qual emanavam suas ações pedagógicas que não representava somente a síntese de seus aprendizados teóricos. p. subjetivo com experiências pessoais únicas: As professoras e os professores parecem seguir um eixo próprio de formação incluindo. onde se constela o arquétipo do Mestre-Aprendiz. como esses novos conhecimentos não estão articulados às suas necessidades e. ambíguo e complexo gera durante a trajetória de vida matrizes pedagógicas. emocionais. são descartados. O que acontece. assim descrito por Furlanetto (2003). quais recursos teóricos e metodológicos colocaremos à disposição dos professores.. responsabilizamos os professores por resistirem à mudança. experiências e vivências que decorrem de escolhas pessoais. mas também de suas experiências culturais vividas a partir do lugar de quem aprende. Observando a trajetória de alguns deles. muito menos. cognitivos e simbólicos vividos pelos sujeitos ao transitarem nos espaços intersubjetivos. 2003. no papel de formador precisa proporcionar momentos de interação entre os professores e considerar que cada professor é um ser único. muitas vezes. Os novos conhecimentos se tornarão parte da prática pedagógica do docente se forem articulados com as reais necessidades pedagógicas e desejos do professor em formação: (. multifacetado. inquietações e necessidades pedagógicas do professor.25) O “professor interno”. (Furlanetto. (Furlanetto. Quando vemos isso acontecer.. na maioria das vezes.26 O Coordenador Pedagógico. Oferecemos pacotes prontos e esperamos que os professores se apossem desses conhecimentos e os transformem em ações pedagógicas. p. Essas matrizes pedagógicas começam ser geradas antes da formação inicial do professor. 2003. 2003. pensamos no que vamos acrescentar.) quando planejamos trabalhos de formação. a seus desejos. Camada essa que. o Coordenador Pedagógico precisa compreender o professor como ser único e multifacetado no processo de formação e atentar para as dúvidas.32) Furlanetto (2003) considera a aprendizagem do adulto como processo individual e único. Entende-se por matrizes pedagógicas: As matrizes pedagógicas podem ser compreendidas como nichos. normalmente. p. nos quais são gestados e guardados os registros sensoriais. podemos perceber que pareciam possuir um professor interno. vai sobrepondo-se a outras também não integradas. (Furlanetto. tendo a oportunidade de ajudá-lo a avançar na prática docente.

p. nas relações que estabelecemos com o outro. a partir de suas próprias referências. na coerência entre o sentir. Precisamente porque. (Bruno & Almeida. Trata-se de uma atitude dialogal à qual os coordenadores devem converter-se para que façam realmente educação e não domesticação. Autenticidade: é a perspectiva de que.78-79) Freire (2003. é importante a relação dialogal entre professor e Coordenador Pedagógico: Referimos-nos ao diálogo. durante a formação continuada o professor precisa atuar como sujeito consciente do papel de educador. Entende-se por empatia. E quando os dois pólos do diálogo se ligam assim. ao mesmo tempo em que valorizamos esse verdadeiramente ser na perspectiva do outro.e não das nossas-.. a verdadeira comunicação. possamos ser fiéis a nós mesmos. da autenticidade e da dialogicidade produzindo assim. Só ali há comunicação”. Toda vez que se converte o “tu” desta relação em mero objeto. com fé no próximo. autenticidade e dialogicidade: Empatia: exercício de colocarmo-nos no lugar do outro para que. p. mas deformando. precisa preocupar-se com as necessidades pedagógicas dos professores. em vez de falar para. na perspectiva de uma troca na qual é mister o comparecimento do ouvir ativo. com esperança. a relação interpessoal entre Coordenador Pedagógico e professores precisa basear-se no princípio da empatia. Neste sentido. 2008. o pensar e o agir. Para isso. com amor. além da preocupação em multiplicar teorias e técnicas de programas de formação. é a tentativa de “calçar os seus sapatos”. (Freire. do olhar sensível e do respeito à fala do outro. p..) somente o diálogo comunica. possamos melhor compreendê-lo. se fazem críticos na procura de algo se produz uma relação de “empatia” entre ambos. . Além disso. 2003. é necessariamente uma relação de dois sujeitos. sendo o diálogo uma relação eu-tu. 92) Esses princípios precisam estar presentes durante a comunicação entre Coordenadores Pedagógicos e professores para o bom andamento de projetos e programas de formação continuada docente. ter-se-á pervertido e já não se estará educando. Dialogicidade: manifestação de nossa disponibilidade para falar com.68) ensina que: “(.27 O Coordenador Pedagógico como formador.

p. Mesmo com tantas lutas. destinadas a atender filhos de operários no início do século XX. geralmente foram amparados pelas instâncias de natureza educativa. p. As mulheres que atuavam no mercado de trabalho passaram a exigir do Estado o atendimento a demanda de crianças na faixa etária abaixo de 7 anos. surgiu à necessidade do atendimento integral para os filhos. propostas de trabalho e pessoas pouco qualificadas para realizar este cuidar. com a revolução industrial. em conseqüência.3 A implantação do “Projeto Especial de Ação” e do “Programa: A Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil” Segundo Gonçalves (2004). no entanto. a determinação dessa Lei foi descumprida. Tais unidades infantis assumem diversas estruturas e funcionamento. De acordo com Kishimoto (2001. Casas de Infância: geralmente oferecidas por organizações filantrópicas com vistas a assistir crianças pobres. os propósitos proclamados. tendo como mantenedoras empresas. que atendia as crianças a partir dos 7 anos de idade. O conceito dos propósitos proclamados e reais foi estabelecido por Teixeira (1962. 225) seguem diferentes denominações das instituições destinadas ao atendimento à primeira infância: Creches: instituições que evoluem especialmente dentro do contexto da industrialização. os propósitos proclamados pelos governantes estavam muito distantes dos propósitos reais. Igreja e órgãos de assistência social. no âmbito da Educação Infantil ficavam em um segundo plano em detrimento da educação básica. Jardins de Infância: destinados a educar crianças de três a seis anos. As Leis do Trabalho (1943) previa a instalação de berçários nas empresas com mais de 30 mulheres empregadas. filantropias. as mulheres passaram a compor o quadro de funcionários das indústrias e. urbanização e atendimento às mães trabalhadoras. 92): . Escolas Maternais: sugiram no contexto da industrialização. ou seja. como Departamentos ou Secretarias de Educação. houve uma proliferação de instituições com diferentes estruturas. Nesse contexto.28 2.

pré-escolas e instituições similares.A partir de 23 de dezembro de 1999. Tal mudança na Lei provoca a necessidade da formação de professores de creche. 1 ° . Houve um grande avanço no sistema educacional em considerar a Educação Infantil (0 a 6 anos) como primeira etapa da educação básica e incluir as antigas creches no sistema municipal de educação.) Proclamavam os europeus aqui chegarem para expandir nestas plagas o cristianismo. Em São Paulo. Hoje. Essa concepção também apareceu no Estatuto da Criança e do Adolescente (1990) e na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (1996). Até então as instituições que acolhiam essas crianças tinham um papel principalmente assistencialista: nem tinham. compondo a modalidade de educação infantil. divididos entre propósitos reais e propósitos proclamados. dando oportunidade para os educadores que trabalham na área discutirem as funções dessas instituições e suas formas de trabalho pedagógico. p. A história do período colonial é a história desses dois objetivos a se ajudarem mutuamente na tarefa real e não confessada da espoliação continental (. Com este avanço surgiram as preocupações com a formação dos profissionais que atuam na educação infantil e a necessidade de elaboração de Programas de Políticas Públicas para a formação docente.869. há necessidade da formação docente ao novo público de professores: Uma das principais mudanças introduzidas pela LDB foi a concepção educacional que deve preponderar para as crianças de até três anos de idade assistidas nas creches. 243). assim.. de 20 de dezembro de 1999. A Constituição Federal de 1988 reconheceu a educação de crianças de 0 a 6 anos em creches. as creches existentes ou que venham a ser criadas no Município de São Paulo passam a integrar o Sistema Municipal de Ensino”. .29 (. Segundo Meneses (2005. Segue o artigo 1° do Decreto citado: “Art.. movia-os o propósito de exploração e fortuna. propósitos educacionais. esse atendimento corresponde às crianças de 0 a 5 anos.. foi publicação o Decreto n. com o Ensino Fundamental de nove anos. 38.. mas.) Nascemos. que integrou as creches ao Sistema Municipal de Ensino. na realidade. correspondente ao atendimento as crianças de 0 a 6 anos de idade. necessariamente.

o “Projeto Especial de Ação” para os professores que atuavam com crianças a partir desta faixa etária. a Rede Municipal de São Paulo atendia diretamente as crianças a partir de 4 anos e implantava. Segue a Portaria n.566 de 18 de Março de 2008: Art. no Município de São Paulo. em consonância com o Projeto da Escola. fora do horário de regência de aula. A garantia de estudos em horário coletivo.826. que dispõe sobre os “Projetos Especiais de Ação”(PEAs) regulamentando a Lei de Diretrizes e Bases n. a partir do ano de 2008 e junto à garantia da Evolução Funcional para fins da melhoria de salário. criando a própria identidade. os professores do Centro de Educação Infantil (CEI). de acordo com a caracterização da comunidade em que estavam inseridas. fora de horário de regência de classe e a Evolução Funcional foram mais uma conquista do novo público docente da modalidade Educação Infantil. após avaliação final dos PEAs. inclusive com a assinatura do Supervisor Escolar. as unidades escolares passaram a elaborar os projetos pedagógicos. a Portaria 3.30 A formação de docentes para essa nova demanda de profissionais ocorreu anos mais tarde. obrigatoriamente voltados para a melhoria do processo ensino-aprendizagem. Segue a publicação no diário oficial do Município de São Paulo. através de Portarias.394/96: “Instrumento de trabalho elaborado pelas unidades escolares. Com a implantação do “Projeto Especial de Ação”. 1. . 8º . com garantia do horário coletivo. e desde que cumpridas as seguintes exigências estabelecidas: I-o Projeto contenha a carga horária mínima de: -nos CEIs: 108 (cento e oito) horas relógio anuais e que tenha sido coordenado ou executado no período mínimo de 09 (nove) meses completos.Para fins de Evolução Funcional. e os professores. o Diretor da Unidade Educacional expedirá atestados. compreendendo ações de natureza pedagógica e/ou institucional”. inclusive os que atendiam a faixa etária de 4 a 6 anos. as antigas creches. 9. Mesmo com a integração do atendimento das crianças de 0 a 3 anos na Educação. Antes da integração das creches ao sistema Municipal de Ensino. (atualmente de 4 anos a completar a 5 anos) passaram a ter momentos preciosos de discussões e aperfeiçoamento profissional em horários coletivos. só foram incluídos no “Projeto Especial de Ação”. de 8 de julho de 1997.

sistematizar suas reflexões em várias formas de registro e reconstruir conhecimentos historicamente elaborados. o objetivo é orientar o fazer docente. p. pelo “Programa”. 225) entende-se programas de formação continuada da seguinte forma: (. 42). Nesse momento histórico. foi proposto um Programa de Formação Continuada. p. (Padilha 2001. De acordo com Oliveira (2005. mas para estimular a renovação de saberes em ambiente de aprendizagem coletiva e auto-motivada. no Município de São Paulo. E traz como eixo o . Isso envolve problematizar sua prática. na Rede Municipal de São Paulo. voltada para equipe gestora diretamente e docentes indiretamente que atendiam as crianças de 0 a 6 anos.) não para suprir eventuais lacunas na formação inicial. todos os professores (CEIs e EMEIs) da primeira etapa da educação básica foram contemplados. Creches e EMEIs da Cidade de São Paulo. A equipe da Diretoria de Orientação Técnica de Educação Infantil (DOT-EI) e representantes das Diretorias Regionais de Educação (DRE) elaboraram o primeiro documento do “Programa A Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil” chamado Tempo e espaço para a infância e suas Linguagens no CEIs.31 Anteriormente a essas conquistas.. da cidade de São Paulo. pesquisar alternativas de ação. Entende-se por Programa: "constituído de um ou mais projetos de determinados órgãos ou setores. na Educação Infantil.. os professores devem ser estimulados a articular os vários conceitos trabalhados em sua formação anterior ou atual com sua prática profissional cotidiana.4 O “Programa A Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil” O “Programa A Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil” destina-se à formação continuada de professores da Educação Infantil na Rede Municipal de São Paulo. em 2005. num período de tempo definido". atualmente de 0 a 5 anos. Em programas de formação continuada. O “Programa A Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil” teve como objetivo subsidiar o Coordenador Pedagógico e mais tarde o Diretor da unidade escolar. durante a ano de 2005. Segundo o documento (2006). 2. com conteúdos e instrumentos metodológicos para a reflexão da prática pedagógica.

p. da natureza e da sociedade. ao fazê-la sentir-se confortável e segura. Essa concepção se diferencia da concepção construtivista. sentir e pensar culturalmente. credo. inclusive com aquelas que apresentam necessidades educacionais especiais. Ele também cuida e educa quando promove e acolhe as interações que a criança estabelece com outras crianças e quando organiza e dá oportunidade para que elas compartilhem experiências e saberes. 11) cita Piaget: Se tomarmos a noção do social nos diferentes sentidos do termo. desde o nascimento. englobando tanto as tendências hereditárias que nos levam à vida em comum e à imitação. o desenvolvimento intelectual é. ao orientá-la quando necessário. “O professor cuida e educa quando combate preconceitos e discriminações de etnia. o professor educa e cuida quando proporciona condições a criança de ampliar o repertório de conhecimento constituindo-se como sujeito com formas de agir. porém não negou que o homem é um ser social. além dos escritos de Wallon e apontamentos realizados pela Antropologia. Algumas ações de cuidar e educar são citadas no documento (2006. como as relações “exteriores” (no sentido de Durkheim) dos indivíduos entre eles. simultaneamente. o professor cuida e educa quando trabalha na perspectiva da inclusão social e garanta a todas as crianças com as quais trabalha uma experiência bem sucedida de aprendizagem. p. Neste sentido. capazes de pensar e agir de modo criativo e crítico. . respeitando-as como sujeitos sociais e de direitos. visando contribuir com um currículo que proporcione às crianças condições de aprendizagem. Lingüística e outras ciências. segundo La Taille (1992). Acima de tudo. isto é. cultura e condição social. Na concepção construtivista. e muito mais. Sociologia. La Taille (1992. A concepção sócio-construtivista fundamenta o documento.32 Educar e Cuidar e a otimização dos tempos e espaços de aprendizagem. ao apresentar-lhe o que é de encantador no mundo da música e das artes. não se pode negar que. fortalecendo a auto-estima de todas as crianças. Piaget não se deteve no papel dos fatores sociais no desenvolvimento humano. obra da sociedade e do indivíduo. 19): O professor educa e cuida especialmente ao acolher a criança nos momentos difíceis.

Na concepção sócio-construtivista os fatores sociais são decisivos para o desenvolvimento humano. nas relações precisam ter troca de pontos de vista e controle mútuo dos argumentos e além de basear-se na dimensão ética (La Taille. p. para Vigotski.18): Para Piaget. p. (Oliveira. Nesse processo de desenvolvimento são essenciais as ações do sujeito sobre os objetos. no valor ético da igualdade. Entende-se por sistema simbólico: “A linguagem humana.. mas através de um acesso mediado. essa “marcha para o equilíbrio” tem bases biológicas no sentido de que é próprio de todo sistema vivo procurar o equilíbrio que lhe permite a adaptação. 1992. ou seja. Na concepção sócio-construtivista o desenvolvimento humano constitui-se: “(. sistema simbólico fundamental na mediação entre sujeito e objeto de conhecimento.) enquanto tal na sua relação com o outro social. o homem não tem acesso direto ao objeto. 1992).27) As relações sociais no desenvolvimento humano são enfocadas de modo diferente em ambas as teorias.24) O desenvolvimento humano no processo sócio-histórico ocorre por meio da mediação. duas funções básicas: a de intercâmbio social e a de pensamento generalizante”. tem. ou seja. ao longo do desenvolvimento da espécie e do indivíduo. encontra-se no documento Tempo e Espaço para infância e suas linguagens em CEIs. Creches e EMEIs da cidade de São Paulo (2006.. já que é sobre os últimos que se vão construir conhecimento (. La Taille (1992. molda o funcionamento psicológico do homem”. p. e também no sentido em que existem processos de auto-regulação que garantem a conquista deste equilíbrio.33 O ‘ser social” para Piaget é aquele que consegue relacionar com seus semelhantes de forma equilibrada. 24).) Além disso. A cultura torna-se parte da natureza humana num processo histórico que. o sistema simbólico o indivíduo representa o mundo real no universo psicológico. as relações sociais devem ser baseadas nas relações de cooperação e não nas relações de coação. (Oliveira.. um novo olhar para criança. Com base nessa concepção. 1992.. liberdade e democracia. p. sua aprendizagem e seu desenvolvimento: .

imita pessoas ou outros elementos que observou. e esta ativação não poderia produzir-se sem a aprendizagem. Assim. não só com os adultos. coordenado pela equipe de diretoria de Orientação Técnica Pedagógica de Educação Infantil. Por isso. os educadores. desenvolvimento. a criança deixa de ser uma tábua rasa como antes era vista.. outras crianças mais velhas – que lhe apresentam continuamente novas formas de se relacionar com o mundo a fim de compreendê-lo e transformá-lo. em si mesma. de cultura e de uma identidade pessoal. ela nomeia objetos. ativa todo um grupo de processos de desenvolvimento.. pois é produtora de conhecimento. grupos de trabalho.34 (... p. mas formadas historicamente. formula perguntas. influenciando-o e sendo influenciada por ele. As experiências vividas no espaço de Educação Infantil devem possibilitar à criança o encontro de explicações sobre o que ocorre à sua volta e consigo mesma. também. constantemente significando o mundo a sua volta. na concepção tradicional. o qual o professor era o centralizador do conhecimento e passa a ser protagonista da aprendizagem. Por meio dos relacionamentos que a criança estabelece. a aprendizagem é um momento intrinsecamente necessário e universal para que se desenvolvam na criança essas características humanas não-naturais. gestores educacionais e de Políticas Públicas. traça desenhos. com o ambiente. pensar e solucionar problemas. enquanto desenvolvem formas de sentir. Ela tem voz própria e deve ser ouvida. Ele traz o conceito de aprender que vai ao encontro do novo olhar da criança citada no documento anterior: . outros familiares. com o objetivo de subsidiar os professores da rede Municipal de Educação e toda equipe escolar em busca de uma educação infantil de qualidade. A criança aprende na interação com o outro. Entende-se por aprendizagem e desenvolvimento conforme Vigotski (1991.) criança nasce com condições para interagir com parceiros mais experientesseus pais. elabora respostas. Outro documento do “Programa A Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil é Orientações Curriculares-Expectativas de Aprendizagens e Orientações Didáticas para Educação Infantil (2007). com o contexto e com as diversas vivências que este contexto proporciona. mas também com outras crianças. 115): (. mas uma correta organização da aprendizagem da criança conduz ao desenvolvimento mental. com a participação de vários profissionais da educação: educadores. interagindo com o mundo à sua volta.) a aprendizagem não é.

faz perguntas para conhecer suas respostas. p. opõe-se ao que elas estabelecem para ajudá-las a ampliar seu olhar. 23) Então. dificultando a troca de experiência. p. sentir e pensar de cada pessoa que não pode ser atribuído à maturação orgânica. O professor mediador também possui posturas diferenciadas de acordo com situações de preconceitos e acolhimento das crianças com necessidades educacionais especiais. (Orientações Curriculares-Expectativas de Aprendizagens e Orientações Didáticas para Educação Infantil. Ele age de uma forma indireta. a nova concepção nos remete a uma nova dimensão de professor.35 Aprender pode ser entendido como o processo de modificação de modo de agir. (Orientações Curriculares-Expectativas de Aprendizagens e Orientações Didáticas para Educação Infantil. os agrupamentos infantis. críticos. O professor atua de modo direto conforme interage com as crianças e lhes apresenta modelos. responde ao que elas perguntam. que se remete ao modelo de ensino-aprendizagem centralizador. A família. o professor. os objetos. aluno e de ações de ensino: A concepção adotada amplia o olhar para as diferentes fontes de ensino ( adultos. que continuamente atribui aos signos que lhe são apontados.. criativos e pesquisadores. 17) Ambos os documentos se opõem à concepção tradicional de educação.. Ele tem o cuidado em tratar de forma não preconceituosa essas situações nas interações com as crianças. mas à experiência. (. ensinar as regras sociais de seu grupo social ou aperfeiçoar seu modo de sentir as situações. p. 2007. com a nova proposta pedagógica passa a ser convidada a ser parceira durante toda a caminha da . que antes era distante da escola com participações limitadas. (Orientações Curriculares-Expectativas de Aprendizagens e Orientações Didáticas para Educação Infantil. interativos. 2007. interação e o contato com novos conhecimentos dos pequenos aprendizes. as pega no colo quando se emocionam e. ou a partir de objetos e de outras produções culturais abstratas. crianças e situações) e. 2007. por vezes. De acordo com a concepção sócio-construtivista o professor desempenha um o papel no processo ensino-aprendizagem de mediador: A mediação do professor se faz à medida que suas ações buscam familiarizar a criança com significações historicamente elaboradas para orientar o agir das pessoas e compreender as situações e os elementos do mundo. para a atividade da criança. os horários. 24) Os protagonistas no processo de ensino-aprendizagem são ativos.) Além disso. aprende-se consigo mesmo. sobretudo. pelo arranjo do contexto de aprendizagem das crianças: os espaços. cujo conhecimento se encontra no poder de uma única pessoa.

avós. inclusive nos resultados pedagógicos referentes à questão do ensino. portanto. o trabalho do professor deve ser integrado à família. a escola e a família devem estar unidas num objetivo comum: a qualidade da escola brasileira. Elas têm apresentado muito sucesso na melhoria das condições de funcionamento da escola. mas a que compara uma criança com ela mesma. 28).. As interações e relações dos educadores da infância com as crianças e. A avaliação é um tema abordado no documento Orientação Curricular (2007. dentro de certo período de tempo.) são conhecidas inúmeras iniciativas de profissionais da educação que mobilizam a comunidade para participar do processo educacional e do ensino-aprendizagem e para atividades de preservação do equipamento escolar (edifício. Neste sentido. Ele traz a seguinte concepção: A avaliação que mais deve interessar ao professor é aquela que não compara diferentes crianças. entre as próprias crianças. A observação e o registro são instrumentos totalmente indispensáveis no processo de ação-reflexão-ação do planejamento de cada professor. . aquela em que o educador passa a ter uma relação afetiva de cuidado com o bebê ou a criança de CEIs. a aproximação da escola com a comunidade já tem dado resultados significativos: A escola não pode mais desconhecer a comunidade onde se encontra. a observação sistemática do comportamento de cada criança feita ao longo do período em muitos e diversificados momentos é condição necessária para se levantar como ela se apropria de modos de agir. Segundo Meneses (2005.aprendizagem. o professor precisa incluir visitas. materiais escolares e atendimento ao público. devem ocorrer de forma mais tranqüila possível. até as questões pedagógicas. Creches ou EMEIs. sentir e pensar culturalmente constituídos. o papel da mãe.36 aprendizagem da criança. A partir da observação atenta e detalhada. o professor irá planejar novamente suas ações para melhor atender as crianças. De acordo com o documento Orientações Curriculares (2007) o educador da infância passa a desenvolver a chamada relação de apego. Para tanto. ou seja. sugestões e observações dos familiares como forma de conhecer a criança e ampliar a qualidade do trabalho pedagógico. De acordo com o documento Orientação Curricular (2007). móveis e utensílios escolares). 244). p. pois é neste núcleo que ocorre o primeiro contexto educacional da criança. que permeia desde as condições de prédios.. p. (.

As crianças devem reconhecer o espaço como seu. (Orientações Curriculares-Expectativas de Aprendizagens e Orientações Didáticas para Educação Infantil) A sala de convivência. enfim deve ser um espaço que contemple as mais variadas linguagens de aprendizagem da Educação Infantil. assim construindo o vínculo de amizade e parceria. com suas marcas. bem planejado com áreas de bibliotecas. Além disso. p. mediar conflitos e ajudar as próprias crianças a aprender a resolvê-los com os colegas. demanda um planejamento dos momentos de ingresso dessas crianças de CEIs. para acontecer com tranqüilidade. da criatividade e da significação. é transferido para a pessoa do educador da infância. 33). e ser diversificados para dar autonomia a elas. Os materiais que compõem a sala de convivência precisam ser planejados. para diferenciar da concepção de sala de aula. estabelecer regras de convivência com o grupo e sempre que quebradas relembrá-las a todos. . O espaço. assim chamada pela DOT-EI (2007). Para consolidar o vínculo afetivo dos educadores e crianças e o reconhecimento do ambiente novo como seguro e significativo é necessário que os professores conheçam a história da criança e seus hábitos e mantenham constantemente o diálogo com os familiares.37 parentes. insolação ou topografia. pessoas que antes davam a segurança para a criança neste momento. no qual todos os protagonistas da aprendizagem desempenhem o papel da ação. de jogos e de informática. Sempre que possível esse espaço deve integrar objetos novos para serem significados pelas crianças. de forma a dar acessibilidade às crianças. vai além do espaço físico de uma sala de convivência: (. de pintura. de música. individuais ou coletivos. ambiente lúdico e saudável..) o espaço físico das unidades educacionais não se resume apenas à sua metragem. deve ser um lugar lúdico. mas inclui sua possibilidade de atender às necessidades e às exigências das crianças e dos adultos nos momentos programados ou imprevistos. Outro desafio para os educadores da infância é proporcionar uma relação de interação positiva entre as crianças. esta sala de convivência deve ser um espaço. de construção.Educação Infantil (2007. objetos e trabalhos em exposição constantemente. Creches e EMEIs. segundo a equipe da Diretoria de Orientação Técnica. sua condição de cenário para diferentes atividades. de teatro. Essa transferência de segurança e confiança.. O educador deve garantir a convivência em grupo com diferentes faixas etárias. de fazde-conta. que traz a conotação de “aula” sendo muito questionada na Educação Infantil.

diversificadas e regulares para facilitar a significação delas pela criança. o educador da infância precisa organizar o tempo. de tal forma. se desenvolvem culturalmente. (Tempos e espaços para a infância e suas linguagens nos CEIs. ampliam seu repertório.) instrumentos culturalmente elaborados cuja apropriação pela criança se faz no contacto com modelos que são familiares a ela e com a diversidade cultural trazidas por cada uma delas”.. Ao longo do tempo.. criança.) as garatujas são expressões do gesto ao mesmo tempo em que já se delineiam em combinação de linhas e cores. que dê qualidade ao tempo vivido pelas crianças durante todas as ações dela. relações. Segundo o documento A Rede em rede: Formação Continuada na Educação Infantilfase 1. ambiente. p. espaço. Um fato importante é que a criança percebe as linguagens de forma interrelacionadas: (. criação plástica e visual e a dança e música. aprendizagem e educador da infância percorrem as múltiplas linguagens culturalmente estabelecidas: o brincar. mas aprender com as crianças a relacioná-las de forma significativa. 56) Portanto. interagem. ao mesmo tempo em que brinca com as palavras. Enfim. desde a hora da entrada da unidade escolar até seu retorno ao lar. esse tempo de espera pode ser planejado com ações lúdicas destinadas à criança para evitar episódios de mordidas e brigas muito comuns nessa faixa etária. (2007. As atividades devem ser planejadas de forma a equilibrar o tempo de espera de uma atividade ou outra. Essas múltiplas aprendizagens podem ser promovidas na Educação Infantil. 2006. p. Por meio das múltiplas linguagens.38 O tempo é compreendido. o educador da infância não deve pensar as linguagens com o fim em si só. interações. enfim.. as atividades precisam ser variadas. 23) entende-se por linguagens: “(. materiais. Creches e EMEIs da Cidade de São Paulo. segundo o documento (2007). a criança explora as possibilidades expressivas de seus movimentos. a leitura e a escrita. Nas cirandas ou brincadeiras cantadas.. as crianças se comunicam. . como elemento integrante no processo de aprendizagem. a comunicação e expressão gestual e verbal. Dentro de todas essas concepções de tempo.

No ano de 2007. que. o documento “A Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil. no ano de 2006. 2007. matriculados na Rede Municipal de Educação conforme cita Schneider. transformar as queixas em bons problemas. O documento tem como foco subsidiar o Coordenador Pedagógico durante a formação continuada com a equipe de formação.fase 1. criar e ampliar as possibilidades do brincar. foi acrescida a presença do Diretor da Unidade de Educação Infantil.fase 1. Em 2008. O papel do Coordenador Pedagógico como formador: A especialidade do Coordenador Pedagógico reside em sua capacidade de descontextualizar práticas cotidianas. publicados pelo “Programa”. Nesse contexto os Supervisores eram convidados. inventar soluções Por isso podemos dizer que o Coordenador Pedagógico é um dos profissionais mais estratégicos na formação continuada da equipe de professores e na construção de um trabalho pedagógico nas EMEIs e CEIs. p. (A Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil. Diretores e Coordenadores Pedagógicos.os educadores da infância.39 O brincar é a principal linguagem. 11) . do Município de São Paulo. pois o lúdico deve permear todas as outras Linguagens. Os profissionais atingiram as 314 mil crianças de Educação Infantil. Tempos e Espaços da Unidade Educacional. foi distribuído aos gestores das Unidades Escolares CEIs e EMEIsSupervisores. muitas vezes. uma vez por mês. Havia.fase 1”. congregar esforços para encontrar alternativas e. compreender o que é mais geral nas tantas situações que envolvem a educação de crianças e a formação de adultos. Essa linguagem é tão preciosa para equipe de DOT-EI.( A Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil. foi distribuído a todos os protagonistas da Educação Infantil um documento chamado “São Paulo é uma escola: Manual de Brincadeiras” O documento é um resgate das brincadeiras da infância. 1) Durante os quatros anos do “Programa A Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil”. O documento relata as experiências e conhecimentos dos 800 profissionais e 30 formadores que se comprometeram com o Programa no ano de 2006. um referencial para a prática docente e um convite a todos os comprometidos com a infância a inventar. 2007. p. o Coordenador Pedagógico foi o principal foco da formação continuada. uma formação local para os Coordenadores Pedagógicos e uma formação central para os Coordenadores Pedagógicos e Diretores com temas baseados nos documentos.

distribuídas nas 1411 Unidades de Educação Infantil: 336 CEIs diretos. Creches conveniadas e 467 EMEIs. 608 CEIs. ao mesmo tempo. O terceiro módulo. instituir ou dinamizar a prática de registro e sistematizar a devolutiva dos registros. responsáveis pelo atendimento das necessidades crescentes da população de crianças de 0 a 5 anos. retirados da reflexão sobre a prática. . incentivasse as características e particularidades de cada contexto (Unidade). espaços e atividades nas quais as crianças se inserem. declarou que o número de crianças atendidas pela Secretaria de Educação da Cidade de São Paulo era de cerca de 390 mil crianças. E. por meio do Secretário de Educação.40 O Coordenador Pedagógico é fundamental para o “Programa” como agente formador. Esse documento representa mais uma oportunidade para o aprimoramento pessoal e profissional dos educadores. a identidade de um todo (rede) e. instituídas em nossa cultura. diferenciando-o das demais possibilidades de brincar nas escolas de educação infantil. através da reflexão. o documento desafiou todos os profissionais de educação infantil a reorganizarem o trabalho pedagógico no que se refere aos tempos. Dº José Aristodemo Pinotti. neste contexto. Portanto. observação e problematização das práticas pedagógicas. porém em parceria com a equipe de gestores e professores. Segundo DOT-EI (2006). também. vêm apoiar o Coordenador Pedagógico na introdução ou re-significação do faz-de-conta infantil. os conteúdos fundamentais da formação continuada são as práticas culturais da Educação Infantil e os Instrumentos Metodológicos. Creches e EMEIs da Cidade de São Paulo (2006) menciona que no final de 2005 e início de 2006. O documento Tempos e espaços para a infância e suas linguagens nos CEIs. houve um desafio de elaborar um documento que criasse. O documento A Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil-fase1 (2007) é dividido em três módulos: o primeiro aborda a questão da metodologia de observação. O documento tem como objetivo final assegurar à criança a aproximação das práticas sociais. O segundo módulo vem para apoiar o Coordenador Pedagógico a re-significar algumas práticas sociais presentes ou introduzir outras na Unidade Escolar. a qual ajuda o Coordenador Pedagógico a apropriar-se de indicadores e princípio de qualidade de ambientes.

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O “Programa A Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil” foi implantado, nos horários coletivos de formação continuada dos docentes por meio do “Projeto Especial de Ação”.

2.5 O “Projeto Especial de Ação”- no Município de São Paulo

Entende-se por projeto: “Como o próprio nome indica, projetar é lançar para frente, dando sempre a idéia de mudança, de movimento. Projeto representa o laço entre o presente e o futuro, sendo ele a marca da passagem do presente para o futuro”. Veiga (2001, p. 18) O projeto direciona as ações pedagógicas da unidade escolar partindo das necessidades do presente em busca de soluções para o futuro. Com esta finalidade a unidade escolar elabora o “Projeto Pedagógico”. Veiga (2003, p. 13) menciona que:
O projeto pedagógico aponta um rumo, uma direção, um sentido explícito para um compromisso estabelecido coletivamente. (...) ao se constituir em processo participativo de decisões, preocupa-se em instaurar uma forma de organização do trabalho pedagógico que desvele os conflitos e as contradições, buscando eliminar as relações competitivas, corporativas e autoritárias, rompendo com a rotina do mando pessoal e racionalizado da burocracia e permitindo as relações horizontais no interior da escola.

O “Projeto Pedagógico” tem por finalidade retratar a realidade da escola, humanizar as relações e organizar as ações educativas. A partir da contextualização do “Projeto Pedagógico” é elaborado o “Projeto Especial de Ação”. O “PEA” deve estar articulado ao Projeto Pedagógico para não ocorrer ações educativas esporádicas ou contraditórias: “A verdadeira mania de projetos que se abateu sobre a educação tem gerado ações esporádicas, até contraditórias entre si, porque é bonito administrar por projetos e não se tem o cuidado de realizar aqueles que brotassem de um plano global”. (Gandin, 1991, p.53) Além disso, tanto o “Projeto Pedagógico” como o “Projeto Especial de Ação” para serem eficientes precisam priorizar as reais necessidades da escola e ter as etapas de elaboração, execução e avaliação bem planejadas. Esse planejamento precisa ser visto como processo educativo e não como planejamento estático. Segundo Gandin (1991, p.17): “(...) processo de planejamento é concebido como uma prática que sublinhe a participação, a

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democracia, a libertação. Então o planejamento é uma tarefa vital, união entre vida e técnica para o bem-estar do homem e da sociedade”. Neste sentido, os “Projetos Especiais de Ação (PEA)” são instrumentos de trabalho pedagógico elaborado de acordo com as necessidades do professor, por toda equipe da Unidade Escolar e aprovado pelo Conselho de Escola, anualmente. Após a elaboração e aprovação pela equipe escolar e comunidade, é enviado ao Supervisor Escolar que fará apreciação e homologação. Além disso, o Supervisor Escolar deverá acompanhar e subsidiar a escola no processo de avaliação durante a execução do “PEA”. Neste “Projeto” está contido o tema, o objetivo, a justificativa, os procedimentos metodológicos, metas a alcançar, descrição das etapas, a referência bibliografia a ser estudada no decorrer do ano letivo e avaliação periodicidade e instrumentos a serem adotados. O referido “Projeto” deve sempre atender as normas ditadas pela legislação e atender a Política Educacional vigente. Na Educação Infantil, o “PEA” tem a especificidade de garantir as crianças vivências de experiências diversas e significativas através das múltiplas linguagens do universo infantil. O Coordenador Pedagógico, Diretor de Escolar e Assistente de Direção participarão do “Projeto” dentro do horário de trabalho, exercendo o papel de coordenador respeitando a respectiva ordem. Os professores que possuem a Jornada Especial Integral de Formação (JEIF), a Jornada Básica do Docente- (JBD) e a Jornada Básica de 30 horas semanais poderão compor o grupo de formação continuada, no horário coletivo, do “PEA”. Porém, estão impedidos de participarem do “PEA” os professores que possuem a antiga Jornada Básica (JB) instituída pela Lei n. 11.434/93, os professores de Educação Infantil sem regência de classe, os Auxiliares de Desenvolvimento Infantil- ADI, os professores com laudo de readaptação e alteração de função. O “PEA” também não contempla a participação do Agente Escolar e do Assistente Técnico Educacional (ATE), uma vez que se acredita na importância da formação continuada a toda equipe, seria importante a participação desses protagonistas no “Projeto”. Os profissionais da educação que obtiverem uma freqüência mínima de 85%, individualmente, no “PEA”, e este atingir o total de 144 horas aula anuais executadas no período de 8 meses completo, exceto os profissionais do Centro de Educação Infantil que

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deverão atingir 108 horas relógio e 9 meses completos, ganharão um ponto para a evolução funcional, que implicará, futuramente, na melhoria de salário. Quanto à análise do “Projeto Especial de Ação”, tendo como ponto de partida a implantação em 1997 e a comparação estabelecida entre o período de 2005 a 2008 percebe-se algumas modificações, principalmente, na concepção das modalidades de formação:

Portaria n. 3.826, de 8 de Julho de 1997 orienta:

Art 2º : Configuram-se modalidade de PEA’s , os seguintes Projetos: I- de Formação e Aperfeiçoamento Profissional: ações relacionadas ao processo ensino-aprendizagem: envolvendo Docentes e Equipe Técnica da Escola; II- de Avaliação Diagnóstica: atividades sistematizadas de diagnóstico e acompanhamento, prioritariamente dos Ciclos Iniciais e Intemediários do Ensino Fundamental e não caracterizadas como de reforço, recuperação e reposição de aulas: envolvendo Docentes, Discentes e Equipe Técnica da Escola; III- de Orientação Educacional e Pré- Profissionalização: ações integradas ao Ensino Fundamental e voltadas à orientação: para estudo, familiar e profissional e iniciação e preparo para o trabalho, compreendendo noções de legislação trabalhista, formas alternativas de trabalho: envolvimento Docentes, alunos dos Ciclos Intermediário e Final do Ensino Fundamental Regular e 3º e 4º Ciclos do Ensino Fundamental Supletivo e Equipe Técnica da Escola; IV- de Ações com a Comunidade: ações para o aprimoramento da relação Escola X Comunidade: envolvimento Docentes, Equipe Técnica, membros da Associação de Pais e Mestres, Conselho e Escola, Grêmio de Escola, Grêmio Estudantil e comunidade; V- Culturais e Artísticos: ações voltadas para ampliação do conhecimento e enriquecimento extra-classe: envolvendo Docentes, Equipe Técnica e membros das Instituições Auxiliares da Escola; VI- de Melhoria da Qualidade de Vida e Formação da Cidadania: abrangendo temáticas, tais como: Educação Ambiental, Educação para o Trânsito, Educação para o Consumo, Orientação Sexual, Prevenção ao Uso Indevido de Drogas e outras: desde que respeitados os critérios desta Portaria.

Portaria n. 1.566, de 18 de Março de 2008:

Art 2º : Configuram-se modalidade de PEA’s as ações de formação voltadas para: I- a tematização das práticas desenvolvidas nos diferentes espaços educativos;

observa-se que o foco da formação docente se modifica de um governo para outro.a implementação de projetos específicos para superação das defasagens de aprendizagem detectadas na Prova São Paulo e em outras avaliações realizadas pela Unidade Educacional. observa-se a diferente concepção de formação docente. Nota-se que. pode-se dizer que o “PEA” é uma forma de manter a concepção pedagógica do governo vigente. 2. educação para o Trânsito etc. articulação dos projetos com o Projeto Pedagógico. o foco da formação que permeia o “PEA” têm sido diversificado. dentre outros: Programas “Ler e Escrever.prioridade na Escola Municipal”. III.a articulação das diferentes atividades e/ou projetos/programas que integram o Projeto Pedagógico. “ Orientações Curriculares: Expectativas de Aprendizagens e Orientações Didáticas” e “ Referencial sobre avaliação da aprendizagem de alunos com necessidades educacionais especiais”.a implementação dos Projetos e Programas específicos da Secretaria Municipal de Educação. . “ Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil”. orientação sexual. Neste sentido. IV.6 Os dilemas do Ensino Fundamental de 9 anos e o Cuidar e Educar na Educação Infantil No contexto da Educação Infantil. Quando o “PEA” foi implantado se tinha como foco ações voltadas para o processo ensino-aprendizagem envolvendo docentes e equipe técnica da escola e avaliação diagnóstica desse processo. quanto às modalidades de formação. Assim. encontra-se um dilema a ser discutido: como será o atendimento das crianças de 6 anos completos ou a completar que deixam a Educação Infantil e vão para o Ensino Fundamental de 9 anos? As unidades escolares infantis. ações que priorizassem a relação escola e comunidade. Já a Portaria do “PEA” (2008) traz outras preocupações quanto à formação docente. atualmente. Ao comparar as duas Portarias.44 II. além do enriquecimento cultural e artístico dos docentes e gestores e melhoria de qualidade de vida e formação da cidadania com temas como drogas. com o passar dos anos. a implementação dos projetos e programas elaborados pela Secretaria Municipal de Educação e a implementação de projetos específicos para superação das lacunas de aprendizagem apontadas pela Prova São Paulo. O foco desta Portaria é a tematização das práticas docentes.

implica no tratamento do espaço da escola como parte importante do processo de formação das crianças. que estabelece o Plano Nacional de Educação. nas EMEIs e EMEFs. com a inclusão das crianças de seis anos. alcançar maior nível de escolaridade e implementação progressiva do ensino fundamental de nove anos. oferecer maior oportunidade de aprendizagem. assegurar o ingresso das crianças mais cedo no sistema de ensino. historicamente construída. até 2010. no período de escolarização obrigatória. como aos adolescentes pertencentes ao ensino fundamental de 8 anos.274/06 tornam obrigatória a matrícula. e ampliam a permanência do estudante no ensino fundamental para nove anos. na qual as crianças sejam vistas e atendidas como sujeitos sociais e históricos.45 que atendem crianças agora de 4 anos a completar tem se organizado para acolher essa nova demanda? As Leis Federais n. Esse Projeto Pedagógico deve estar pautado numa nova concepção de infância. de janeiro de 2001. Todas as implementações devem ocorrer. trouxe a rede de ensino alguns desafios de implantação: dar acesso e permanência ao ensino fundamental de 9 anos às crianças de seis anos. 10. A exigência da ampliação do tempo da escolarização básica foi prevista na Lei n. da capacidade de observar e de vivenciar experiências interativas. o Conselho Municipal de Educação dá o seu parecer: O entendimento da infância como uma categoria social. da sensibilidade. Da mesma forma. por intermédio das Leis Federais. Por isso.114/05 e n. que antes eram atendidas na última etapa da Educação Infantil. o ensino fundamental de 9 anos. ele precisa ser pensado e organizado no sentido de lhes possibilitar o desenvolvimento da alegria. a partir de seis anos. é . em consonância com a universalização da faixa etária de 07 a 14 anos. O Plano Nacional de Educação. 11. ao tratar do ensino fundamental. 11. Nesse momento da implantação surge a grande dificuldade das escolas e dos docentes que irão atender a esses novos ingressantes de 6 anos de idade: como não manter as mesmas características da primeira série do ensino fundamental de matriz organizada em 8 séries? Diante desta dificuldade. o sistema de ensino e as escolas devem se preparar para organizar um novo Projeto Pedagógico que assegure o pleno desenvolvimento e aprendizagem de qualidade tanto aos novos ingressantes. A proposta de implantação na educação básica. propôs.172. da ludicidade.

(Deliberação CME n. p. trazendo como conseqüência a antecipação dos conteúdos do ensino fundamental. quanto ao acolhimento. Esta concepção de cuidado e de educação está hoje sendo muito questionada na área. dar banho. Segundo Kishimoto (2002. são tarefas educativas. De acordo com a relação do cuidar e educar. orientar momentos de lanche e/ou almoço. Para avaliar se há uma discussão dos protagonistas de Educação Infantil. flexível.46 preciso retomar a discussão em torno do currículo para supervisão de que este seria uma relação de matérias ou conteúdos. Tais posturas demonstram o caráter hegemônico da escolarização sobrepondo-se às experiências das crianças. 03/2006) O Conselho Municipal de Educação propõe recomendações a respeito do período de transição da implantação do ensino fundamental de 9 anos com o objetivo de assegurar o atendimento de qualidade aos novos ingressantes: reorganização pedagógica e readequação curricular de todo o paradigma do ensino fundamental. Separam no ser humano. e não como algo dinâmico. acompanhar crianças ao banheiro.. nesta pesquisa.) a especificidade da creche/pré-escola não é considerada. 2007.. 169): (. porém sempre mediada pela preocupação com a escolarização. porém não se pode esquecer das crianças de 3 anos e meio que ingressam nas Escolas Municipais de Educação Infantil. ( A Rede em rede-fase 1. ao currículo. cognitivo e afetivo. antigas concepções são questionadas: Muitos professores na Educação Infantil não acham que trocar fraldas. p. acomodá-las em momentos de repouso. à proposta pedagógica voltada para os mais novos ingressantes. cultural. na formação continuada. As particularidades da faixa etária e suas necessidades são conhecidas por todos os protagonistas da educação infantil. coloco a questão aos professores e gestores. que se transforma em vivências e práticas pedagógicas cotidianas. Nas recomendações. conceito este que vem contrapor o caráter hegemônico da escolarização. que têm ainda um perfil diferenciado dos Centros de Educação Infantil.55) . os aspectos biológico. A articulação da pré-escola com as creches aparece em algumas propostas. observa a preocupação curricular com as crianças de 6 anos. ao mobiliário. Há uma nova concepção do educar e cuidar.

Vale conversar sobre do que gostam as crianças. no último ano da Educação Infantil e primeiros anos do Ensino Fundamental I e proporcionar as crianças vivências cada vez mais lúdicas e significativas que ampliem seus repertórios. (2006. é fundamental que os profissionais de um segmento e de outro possam dialogar! Precisamos incluir esse diálogo no nosso planejamento. nesta passagem. as creches que atendiam crianças de 0 a 3 anos tinham a função exclusiva de cuidar não existia neste segmento educacional a preocupação com o conceito de educar. que conservam a proposta de escolarização. uma atualizada organização do tempo e espaço na Educação Infantil ficará difícil para os novos ingressantes serem bem acolhidos nas Unidades Escolares. tanto a criança de zero a três anos e meio quanto as de cinco devem ser acolhidas. localizada principalmente na última etapa da Educação Infantil. Os profissionais que atuam na modalidade da Educação Infantil passam a ter em suas ações pedagógicas a preocupação tanto com o cuidar como o educar as crianças. 41) mencionam que planejar o diálogo entre os dois segmentos é fundamental: Enfim. emocionais e cognitivas. A fim de garantirmos experiências significativas para as crianças. A história nos aponta para mudanças imediatas. Mendes e Faria. As Escolas de Educação Infantil e Fundamental I devem superar a questão da escolarização. do Sistema Municipal de Educação. Portanto. principalmente. ou seja. é preciso que os profissionais que as acolhem possam explicitar e afinar suas utopias e desejos educacionais. A equipe educacional precisa atentar para o novo marco na Educação Infantil. A partir da LDB as creches passam a fazer parte da primeira etapa da Educação Básica e no Município de São Paulo. Antes da Lei de Diretrizes e Bases 9394/96 a concepção pedagógica da educação infantil era fragmentada. p. elaborar uma nova Proposta Pedagógica e levar essas discussões para a formação continuada. pois. físicas. quais seus principais interesses. medos.47 A criança não pode ser dividida entre o biológico e o cognitivo. respeitando-se suas necessidades biológicas. . o que já pesquisaram. Lopes. O conceito cuidar e educar devem ser indissociáveis na modalidade de Educação Infantil. sem uma nova concepção pedagógica. como elas brincam. prazeres e resistências.

segundo os registros nos livros de atas. Neste contexto. 2008. de dúvidas. pois materializam uma documentação viva deste processo. valorize o conhecimentos construídos. Este é mais um desafio para as nossas escolas. é que os educadores do ensino fundamental. conheçam sua individualidade. contribuem tanto as informações fornecidas pelas professores de educação infantil quanto os portfólios. na formação continuada docente.48 Nesse sentido. a expectativa das professoras desta EMEI. 2008. ao propor esta articulação. (Ramires. . a escola pode se organizar. a troca de conhecimento. discutir e planejar. p. a educação infantil passa a ser de fato reconhecida e apreciada enquanto etapa relevante para o desenvolvimento integral das crianças. 253) O diálogo entre os dois segmentos são possíveis e possibilita à aproximação. de anseios dos professores e as crianças acolhidas nesses segmentos são beneficiadas através da articulação entre as unidades escolares. EMEI e EMEF. considere o percurso de cada uma na educação infantil – com seus avanços e dificuldades – e elaborem propostas educativas apoiadas no crescimento real e potencial de cada indivíduo de maneira adequada a sua reais condições. 253) Além disso. Para tal. A pesquisa realizada numa Escola Municipal de Educação Infantil revela as expectativas dos professores da infância em propor a articulação com os professores do ensino fundamental através do portfólio de cada aluno: Assim. outra ação traçada pela unidade escolar para articulação dos dois segmentos. momentos para que ocorra o diálogo entre os segmentos. foi a proposta de reuniões conjuntas: Estas reuniões permitem ainda que os educadores do ensino fundamental expressem suas expectativas em relação ao desenvolvimento das crianças na educação infantil assim como esclareçam dúvidas a respeito do processo de aprendizagem de determinadas crianças. p. ao receberem os portfólios das crianças. (Ramires.

qualitativas: fundamentam-se em dados coligidos nas interações interpessoais. p. 2006. Nesse processo. mediante a análise da freqüência de incidências e de correlações estatísticas. (Chizzotti. analisadas a partir da significação que estes dão aos seus atos. A metodologia utilizada na pesquisa foi as abordagens quantitativa (técnica de questionário). na co-participação das situações dos informantes. explica e prediz. compreende e interpreta. nota-se um investimento da Secretaria Municipal de Educação e da Equipe de Formadores nas escolhas dos conteúdos de formação e no planejamento de estratégias formativas. O pesquisador descreve. Entende-se por abordagem quantitativa e qualitativa: quantitativas: prevêem a mensuração de variáveis preestabelecidas. Lidar com uma nova concepção pedagógica em detrimento de uma concepção tradicional enraizada de muitos anos na prática docente é algo desafiador a este protagonista de formação. um atendimento de qualidade às nossas crianças. procura-se provocar reflexão e problematização da prática docente para um aperfeiçoamento pedagógico e. Durante a Formação direcionada ao Coordenador Pedagógico pelo “Programa A Rede em rede”. 52) . O protagonista nesse “Projeto” e “Programa” é o Coordenador Pedagógico que é o formador direto dos professores de Educação Infantil e conta com o apoio do Diretor da Escola. Nesse contexto. na modalidade Educação Infantil. abordagem qualitativa (técnica de entrevista semi-estruturada e análise dos documentos da escola pesquisada e pesquisa de campo. O pesquisador participa. assim.49 3 METODOGIA DA PESQUISA O “Projeto Especial de Ação” e o “Programa A Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil” vem propor atualização da prática pedagógica e nova concepção pedagógica para a Rede Municipal de Educação de São Paulo. procurando verificar sua influência sobre outras variáveis. a pesquisa pretende verificar em que medida as teorias estudas e discutidas por meio do “Projeto Especial de Ação” e do “Programa A Rede em rede” contribuíram para o aprimoramento da prática dos professores.

correções. Segui um roteiro que continha certa ordem lógica dos assuntos. Em seguida. usual. mas na qual o pesquisador tem a possibilidade de acrescentar questões de esclarecimento” (p. explicando a natureza da pesquisa. utilizei a técnica de entrevista semi-estruturada. em que uma das partes busca coletar dados e a outra se apresenta como fonte de informação. Entende-se por entrevista. que continha 13 questões alternativas e 3 questões dissertativas direcionadas aos professores que seriam respondidas por escrito sem a intervenção direta do pesquisador.. 117): (. exata com objetivo de evitar ambigüidade. pois se constitui como uma “série de perguntas abertas feitas oralmente em uma ordem prevista. . esclarecimentos e adaptações da informação desejada. Após a aplicação da técnica de questionário. Evitei saltos bruscos entre as questões. sua importância e a necessidade de que o sujeito respondesse de forma adequada às questões. dúvida ou incompreensão. p. As entrevistas semi-estruturadas foram gravadas na Unidade Escolar de acordo com a flexibilidade de horário de cada professor e as respostas. Usei vocabulário com uma linguagem simples. de acordo com Gil (1999. tabulei as respostas das questões e analisei os dados obtidos. coletei dados por meio da técnica de questionário. posteriormente transcritas. Esta técnica permite a captação imediata e corrente. Anexei uma folha.. 188) há quatro tipos de entrevistas: estruturadas..) a técnica em que o investigador se apresenta frente ao investigado e lhe formula perguntas.50 Segundo Moroz e Gianfaldoni (2006. No primeiro momento da pesquisa. p. p. permitindo que elas se aprofundem no assunto gradativamente. apliquei o segundo questionário contendo 7 questões dissertativas aos gestores da Escola Municipal de Educação Infantil. parcialmente estruturadas e semi-estruturadas. Outra técnica a ser utilizada na pesquisa foi a entrevista semi-estruturada.) uma forma de diálogo assimétrico. 78) a técnica de questionário é: “um instrumento de coleta de dados com questões a serem respondidas por escrito sem a intervenção direta do pesquisador”. Segundo Laville e Dionne (1999. não-estruturadas. localizada na Zona Leste de São Paulo. (. 188).. com o objetivo de obtenção dos dados que interessam à investigação. No segundo momento da pesquisa.

. desse grupo de professores. selecionei 3 deles e apliquei a técnica de entrevista semi-estruturada de acordo com 3 categorias: o professor que realizou totalmente a formação continuada. nos horários coletivos. com o objetivo de complementar as informações obtidas na técnica de questionário e entrevista. Além disso. localizada na Zona Leste de São Paulo. 79): “determinados registros têm como característica o fato de servirem como documento de situações que ocorreram no passado. seja afastado ou recente”. p. vale reportar que essa técnica é fonte estável e rica de informações sobre determinado contexto. A aplicação da técnica de entrevista foi escolhida devido à possibilidade que ela oferece de aprofundar o assunto abordado e de lidar com a heterogeneidade do grupo. A utilização da técnica de análise documental me forneceu informações complementares. O questionário e o roteiro de entrevista foram testados a voluntários e depois aplicados ao público alvo. realizei a análise documental. na unidade escolar. no terceiro momento. durante os quatros anos investigados pela pesquisa. contei com um total de 21 professores de educação infantil. Justifico a utilização da técnica de questionário. Para a realização de minha pesquisa. mais precisamente na região de São Mateus. Os documentos que consultei foram os livros de registros das discussões realizadas nas reuniões coletivas de formação de professores. o professor que realizou a formação continuada parcialmente e o professor que não realizou a formação continuada.51 Outra técnica a ser utilizada na pesquisa foi a análise documental da Escola Municipal de Educação Infantil. devido ao número considerável dos participantes da pesquisa e à importância da participação de todos os protagonistas da unidade escolar. Nesse sentido. De acordo com Moroz e Gianfaldoni (2006. a quem apliquei a técnica do questionário.

Docentes O pesquisador aplicou 21 questionários a todos os professores da Escola Municipal de Educação Infantil pesquisada. Questão . demonstrando que são professores com escolhas profissionais definidas e não profissionais indecisos no que ser ou fazer em termos profissionais. na Zona Leste de São Paulo. Veja a tabela: Tabela 1: Apresentação da idade dos entrevistados Idade  29 anos 30 anos 34 anos 37 anos 38 anos 39 anos 40 anos 43 anos 44 anos Idade não declarada Total Fonte: dados do autor Nº  2 3 1 1 2 1 1 1 1 3 16 Há importância de conhecer o perfil dos profissionais pesquisados para melhor compreender as ações pedagógicas. 16 foram respondidos pelos docentes desta unidade escolar. entre 29 a 44 anos.1 Instrumento de pesquisa quantitativa: Questionário . O grupo de professores pesquisados inclui-se na faixa etária. ingresso recente no cargo de professor. .52 4 ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DOS DADOS COLETADOS 4. Os outros cinco questionários não foram respondidos por motivos de licença médica. Destes questionários. na Prefeitura Municipal de São Paulo e outros por motivos particulares. sexo e formação acadêmica Os entrevistados variam na faixa etária entre 29 a 44 anos.Identificação do pesquisado: idade.

125) a questão da atuação do sexo feminino na modalidade da Educação Infantil é uma questão social. foi se traçando o perfil das educadoras da infância. Dos pesquisados. o trabalho doméstico de cuidados e socialização infantil. As tarefas não são remuneradas e têm aspecto afetivo e de obrigação moral. Observe o gráfico: Sexo Feminino Masculino Não Declararam Figura 1: Apresentação do sexo do grupo pesquisado Fonte: dados do autor Segundo Kramer (2002. afetiva e cultural: As atividades do magistério infantil estão associadas ao papel sexual. 05 declaram possuir curso de Pós-graduação latu sensu. p. 13 professores possuem o curso de Pedagogia. caracterizando situações que reproduzem o cotidiano. Desde a origem das Escolas Normais. 01 professor com Pedagogia e licenciatura em Letras e 01 professor com licenciatura em Letras e apenas 01 docente tem o magistério em nível médio.53 Outro dado interessante na pesquisa é que grande parte dos entrevistados são do sexo feminino. . paradigma cultural que predomina até hoje nas Instituições de Educação Infantil. 15 docentes possuem o ensino superior. Em relação ao nível de escolaridade. sendo destes. reprodutivo. desempenhado tradicionalmente pelas mulheres.

in Situação da educação básica no Brasil. nota-se que grande parte dos professores da citada Escola Municipal de Educação Infantil. que em 1996. Isso mostra o grande avanço da educação rumo a uma educação de qualidade. possuem o ensino superior completo e estão caminhando para a pós-graduação.5%). uma vez que se concorda que o Curso Normal Superior ou o Curso de Pedagogia são abrangentes e não possuem um currículo específico para a demanda de profissionais de Educação Infantil. Destacam-se. Kishimoto (2002) relata com base nas fontes: MEC/INEP/SEEC. mas ainda havia leigos com apenas ensino fundamental (16. Neste sentido.7%) e superior (18.na área de atuação. Na unidade escolar pesquisada. profissionais de Educação Infantil adquirindo uma formação específica. 2%). .latu sensu.54 Nível de Escolaridade Ensino Médio Ensino Superior Pós-Graduação Figura 2: Nível de Escolaridade dos pesquisados Fonte: dados do autor De acordo com os dados. as dificuldades em obter o ensino superior foram superadas pelos docentes e os avanços para o curso de pós-graduação fazem parte da formação profissional dos professores. na pesquisa. os profissionais que atuavam com crianças de 4 a 6 anos possuíam melhor formação: nível médio (65. localizada na região leste de São Paulo.

Questão 1. por um período de 5 a 10 anos. comparando-os com o profissional que encerra a carreira aos 25 anos de magistério.Tempo de Magistério Quanto ao tempo de magistério. o que se acredita como uma das causas de lacunas na formação inicial do professor. que atendam as crianças pequenas. 03 no período de 15 a 20 anos. dos centros infantis. de creches.55 Segundo Kishimoto (2002. dedica-se a uma formação geral do pedagogo em detrimento da especificidade da formação para crianças pequenas. Segue a tabela: Tabela 2: Apresentação de Tempo de Magistério Tempo de Magistério 0 a 5 anos 5 a 10 anos 10 a 15 anos 15 a 20 anos 20 a 25 anos Total Fonte: dados do autor Nº 0 4 8 3 1 16 De acordo com a pesquisa. 04 professores atuam no magistério. p. Nos Cursos de Formação de Professores. Portanto. suas práticas e formas de gestão e supervisão. Acredita-se que o perfil do profissional nesta etapa já traz consistência . ou as maiores. a maior parte dos professores pesquisados se encontra na metade da carreira profissional. a pósgraduação contribuirá para a diminuição de lacunas de formação. 08 exercem a docência no período de 10 a 15 anos e 01 docente possui mais experientes com tempo de magistério entre 20 a 25 anos. 184): As Pedagogias da Educação Infantil deveriam tratar de concepções sobre criança e educação infantil. causando impactos significativos na prática pedagógica.

prático informado. das famílias e dos sistemas societários. segundo Vander Ven (1988). de modo mais preciso preocupações relacionadas com a qualidade. Questão 2. por fim. nos anos de 2002 e 2006.56 pedagógica em termos de concepções. na investigação.Ingresso no cargo de professor de Educação Infantil no Município de São Paulo Os professores ingressaram na Rede Municipal de São Paulo. a profissionalidade na educação de infância baseia-se em uma gama de conhecimentos e competências profissionais que têm impacto em uma gama similar de necessidades das crianças. Segundo Vander Ven (1988). Baseado nestes estágios e na característica do grupo pesquisado quanto ao tempo de carreira. formação acadêmica e cargos que atuam. Os práticos complexos são aqueles que acumularam alguma longevidade na carreira e envolvem-se com questões sociais e/ou administrativas. tem-se que a maioria dos profissionais encontra-se no nível prático informado com característica do prático complexo. Veja tabela: . prático principiante. em outras funções. Os práticos informados. de 1988 a 2006. ele elabora cinco estágios de desenvolvimento profissional: noviços. o suficiente para levá-los a completar um programa formal de preparação educacional. experiência diferente dos profissionais iniciantes que estão a descobrir a prática da profissão ou daqueles que estão no final da carreira profissional. o acréscimo de competência e maturidade permite-lhes resolver. além de sala de aula e. tendo um pico de ingressos. A investigação está presente neste grupo. Nessa perspectiva. são profissionais que fizeram um investimento forte na carreira. quando há uma busca de aperfeiçoamento profissional nos cursos de latu sensu. prático complexo e prático influente. Além disso.

O cálculo foi feito a partir do ano de ingresso (1988) até o ano base 2008. cultural e social ( inclusive econômica) das diferenças. portanto. 32) . Ela é construída no processo histórico-cultural. sendo o último ingresso dos profissionais da Educação. em 2006. ou seja. na PMSP. durante toda a experiência escolar. Ano 1988 1994 1996 1997 1999 2000 2002 2003 2005 2006 Total Fonte: dados do autor Nº 1 1 1 2 1 2 3 1 1 3 16 Tempo de carreira na PMSP 20 anos 14 anos 12 anos 11 anos 9 anos 8 anos 6 anos 5 anos 3 anos 2 anos Comparando-se a Tabela 2 e 3. Há presença de concepções.57 Tabela 3: Ano de ingresso e Tempo na Prefeitura Municipal de São Paulo (PMSP). nota-se que os professores possuem mais de 5 anos na carreira do magistério e só 2 anos no cargo docente na Prefeitura Municipal de São Paulo. 2008. deve considerar a diversidade de conhecimento adquirido pelos docentes. o tempo de magistério e o tempo de carreira na Prefeitura Municipal de São Paulo dos entrevistados. hábitos e costumes de outras redes públicas e privadas na formação profissional e prática pedagógica dos docentes. Assim. no exercício do papel de formador. p. Entende-se como diversidade: A diversidade pode ser entendida como a construção histórica.” ( Conferência Nacional da Educação Básica. os professores ingressaram na Prefeitura Municipal de São Paulo com experiência profissional anterior. O Coordenador Pedagógico. alguns docentes possuem no mínimo 3 anos de experiência em outras instituições escolares públicas ou privadas. na adaptação do homem e da mulher ao meio social e no contexto das relações de poder. acadêmica e profissional.

660 de 26 de Dezembro de 2007. Essa diversidade mostra que o grupo é heterogêneo e. Cada professor opta pela jornada de trabalho. precisa ser reconhecido como tal. Segue o gráfico: Acúmulo de Cargo Acúmulo de Cargo Não Acúmulo de Cargo Figura 3: Acúmulo de Cargo Fonte: dados do autor Esses dados revelam a realidade dos professores do Município de São Paulo. Assim. anualmente. portanto. que trabalham dois turnos nas Escolas Municipais de Educação Infantil.Estatuto dos Profissionais da Educação Municipal: . sendo 07 ocupam outro cargo de professor e 01 de coordenador pedagógico. 08 docentes exercem outro cargo educacional. 14. nas formações. cada docente traz uma diversidade de conhecimento adquirido ao longo da vida. no atendimento de crianças de 3 anos e meio a 5 anos. precisa considerar a heterogeneidade do grupo e partir do conhecimento já adquirido pelo professor para um conhecimento mais aprimorado. o Coordenador Pedagógico.58 Neste sentido. conforme a Lei n. Questão 3: Acúmulo de cargo na Prefeitura Municipal de São Paulo ou em outro órgão estadual ou particular Quanto ao acúmulo de cargo.

Em Portugal. O professor poderá ampliar a jornada de trabalho. conforme o inciso IV desta mesma Lei: IV.Jornada Especial Integral de Formação: 25 (vinte e cinco) horas aula e 15 (quinze) horas adicionais. no estatuto da carreira. 170) O professor do Município de São Paulo trabalha muito mais horas na sala de aula em regência e sem nenhum auxiliar para ajudá-lo nas tarefas do cotidiano. também. o número de horas. no mínimo. destinadas à formação continuada dos professores.Jornada Especial de Trabalho Excedente e Jornada Especial de Horas Aulas Excedentes: a) até o limite de 110 ( cento e dez) horas aula mensais.Jornada Básica do Docente: 25 ( vinte e cinco) horas aulas e 5 (cinco) horas atividades semanais. docentes de pré-escolas trabalham em tempo integral (8 horas diárias) e contam com a colaboração de auxiliares que dividem as tarefas do dia-a-dia. tanto na Jornada Básica do Docente (JBD) como na Jornada Especial de Integral do Docente (JEIF). atendendo aproximadamente 70 crianças por dia.59 Art 15. há o restante de horas da Jornada de Trabalho a serem cumpridas. Além dessas horas. (Kishimoto. As Jornadas Básicas e Especiais de Trabalho do Docente correspondem: II. quando o Professor estiver submetido à Jornada Especial Integral de Formação. Destaca-se. III. b) até o limite de 170 (cento e setenta) horas aula mensais. p. no Brasil. ao optar pela Jornada Básica de . a formação continuada de todos os docentes. nota-se que é garantida. Comparando os professores brasileiros com os professores da cidade de Braga em Portugal. para a formação continuada. correspondendo a 180 (cento e oitenta) horas aula mensais. 8 horas em sala de aula com as crianças. Pensar no docente que trabalha dois turnos no cargo de professor é observar que esse professor trabalha. correspondendo a 240 ( duzentas e quarenta) horas aula mensais. com as crianças. quando o Professor estiver submetido à Jornada Básica do Docente. e mais 15. antes ou depois da regência de classe para o cumprimento das horas atividades ou horas adicionais. 2002. nota-se a diferença de realidades: Com 25 horas de trabalho semanal. o professor.

conforme o inciso IV. 13 professores participaram do “PEA”. a opção de participação é facultativa.Participação dos docentes no Projeto Especial de Ação Quanto à participação dos docentes no “Projeto Especial de Ação”.PEA Fonte: dados do autor O acúmulo de cargo é a justificativa dos professores que não realizaram a formação continuada. somente as horas atividades. Desses 13 professores. o professor trabalha muito mais horas com os alunos e menos horas são destinadas à formação continuada. o professor que solicitar a ampliação de sua Jornada de Trabalho. na Jornada de Trabalho. ter a ampliação . e 03 nunca participaram dele. E só terá a formação continuada. 5 e 6. nos anos de 2005 a 2008.do Estatuto dos Profissionais da Educação Municipal. nos horários coletivos. 06 participaram parcialmente do “Projeto”. após duas jornadas que contemplam 8 horas de regência. 07 tiveram a participação integral no período de 2005 a 2008. Questão 4. além de trabalhar 8 horas diárias em regência. Esses dados vêm comprovar a dificuldade dos professores em. pois. Observa-se o gráfico: Projeto Especial de Ação Participação Total Participação Parcial Não Participação Figura 4: Projeto Especial de Ação. exceto o professor que opta pela JEIF. na Rede Municipal de São Paulo. na sua produção na formação continuada. ao se pensar na importância da formação continuada na carreira do professor e. não terá horas destinadas à formação continuada. o que pode prejudicar a qualidade do ensino. No Brasil.60 Trabalho.

Questão 7 e 15a. porém precisa de algumas alterações. semanalmente. R2: “Acredito que o PEA precisa ter mais prática sempre com teoria”. Observase o gráfico: Avaliação do Projeto Especial de Ação Excelente Bom Regular Não Avaliaram Figura 5: Avaliação do Projeto Especial de Ação Fonte: dados do autor Por meio desses dados o “Projeto Especial de Ação” é bem avaliado por mais da metade dos professores pesquisados. 04 avaliaram como regular e 02 não avaliaram o “Projeto Especial de Ação”. .61 da Jornada de Trabalho para a realização da formação continuada. Os pesquisados relataram o que mudariam no “PEA”: R1: “Deveria ter curso específico de acordo com o interesse e necessidade dos professores”.Avaliação do Projeto Especial de Ação Os docentes avaliaram o “PEA” da seguinte forma: 10 consideram o “Projeto” como bom. A ausência dos professores na formação continuada traz dificuldades para o desenvolvimento do trabalho coletivo da Unidade Educacional.

2 não responderam a questão. R7: “Eu gostaria de ter um PEA com atividades com envolvimento dos Pais”. semanalmente. ter palestras. 3 responderam que não participaram da formação continuada. encontros com outras Unidades Escolares e formação com pessoas especializadas de fora.. porém mais atualizadas. que expressam as prioridades estabelecidas no Projeto Pedagógico. observa-se que ele tem por finalidade atender as necessidades pedagógicas da unidade escolar e ser construído. Do restante dos entrevistados. ter curso. onde o professor pudesse fazer uma co-seleção com as atividades em sala de aula”. teatro) e incluir também maior número de horas destinadas à troca de experiências”. as responsabilidades na sua execução e avaliação. R4: “Que a bibliografia fosse menos extensa e contemplasse os conteúdos do Rede em Rede”. R8: “Que fossem menos referências bibliográficas. por toda equipe escolar e comunidade local. voltadas essencialmente às necessidades de desenvolvimento dos educandos. R5: “Ser mais flexível se precisar haver mudanças no projeto.). visando ao aprimoramento das práticas educativas e conseqüentemente a melhoria da qualidade de ensino (. R10: “No PEA poderíamos incluir visitas a espaços culturais (museus. De acordo com a natureza do “Projeto Especial de Ação”. R9: “Deveria ter cursos específicos de acordo com o interesse e a necessidade do professor e da Unidade Escolar”. cursos de acordo com o tema (fora da escola) em outros espaços e palestras”. .62 R3: “É preciso investir no estudo de autores atuais aproximando a nossa prática com a pedagogia atual”. Segundo a Portaria n. R11: “Conteúdo”. anualmente.” R6: “Que haja mais formações.566 de 18 de Março de 2008 resolve: Art 1º Os Projetos Especiais de Ação – PEAs são instrumentos de trabalho elaborados pelas Unidades Educacionais.. 1. definindo as ações a serem desencadeadas.

. Há necessidade de compreender que o projeto precisa ter um planejamento nas etapas de elaboração. executar – agir em conformidade com o que foi proposto.63 Observa-se. os “planejadores” são poucos e os “executores”. portanto. o aprimoramento das práticas educativas fica comprometido. p. verificar a que distância se está deste tipo de ação e até que ponto se está contribuindo para o resultado final que se pretende. execução e avaliação. 13 conhecem o programa. temos uma pessoa.Conhecimento dos professores do Programa a Rede em rede Quanto ao “Programa A Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil”. as necessidades da sala de aula. Em qualquer destes casos. se tiver consciência ingênua ou mítica. plenamente. Questão 8. pode ser levado pela força ou pelo engodo. 02 não conhecem e 01 conhece sem profundidade. verificou-se que o “PEA” não atende. Neste sentido. O planejamento precisa ser visto como processo educativo com o envolvimento de toda comunidade educativa. Como resultado. execução e avaliação. se tiver consciência crítica. 14): Em geral. desprestigia-se o planejamento que tem a difícil função de organizar a ação sem ferir a liberdade e a riqueza dos participantes de um grupo. uma porção. Assim. nos relatos dos professores pesquisados. propor uma série orgânica de ações para diminuir esta dinâmica e para contribuir mais para o resultado final estabelecido. não aceita tal situação e que. apontando a direção para todo um grupo. avaliar – revisar sempre cada um desses momentos e cada uma das ações. Gandin (1991. observa-se por meio dos relatos dos professores ao avaliarem o “Projeto Especial de Ação” que o projeto é estático e não dinâmico. que o “Projeto Especial de Ação” precisa de alguns ajustes no processo de planejamento: elaboração. Segundo Gandin (1991. ou algumas. p. bem como cada um dos documentos derivados. 22) planejar é: elaborar – decidir que tipo de sociedade e de homem se quer e que tipo de ação educacional é necessária para isso. O projeto não pode ser planejado por poucos e tendo uma porção de executores.

No ano de 2006 e 2007. Questão 9 e 15b: Avaliação do Programa a Rede em rede Os docentes avaliaram o “Programa” da seguinte forma: 08 consideram o “Programa” bom. Portanto. Veja-se o gráfico: .64 Programa A Rede em Rede na Educação Infantil Conhece Não Conhece Figura 6: Programa de Formação Continuada Fonte: dados do autor Segundo os dados da pesquisa. tornou-se evidente que não basta adquirir os documentos e conteúdos do “Programa” para conhecê-lo. discutir. refletir. problematizar para fazer parte do cotidiano educativo. Não teve nenhuma avaliação excelente. todos os professores receberam os documentos do “Programa A Rede em rede”. porém há um número de docentes que declaram não conhecê-lo ou não conhecê-lo com profundidade. 04 docentes avaliaram como regular e 04 não avaliaram o “Programa A Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil”. a maior parte dos professores conhece o “Programa”. é necessários ler.

65 Avaliação do Programa Excelente Bom Regular Não Avaliado Figura 7: Avaliação do Programa de Formação Continuada Fonte: dados do autor A metade dos professores pesquisados avaliaram. os professores deveriam ter esta e outros tipos de formação”. R7: “Eu mudaria a formação que é voltada somente ao Coordenador Pedagógico. R6: “Que fosse aberto aos professores e não só. R2: “Preciso conhecê-lo melhor para avaliá-lo adequadamente”. porque. ao grupo gestor". os profissionais da Educação Infantil relatam: R1: “Colocaria o professor para participar. só com a participação do Coordenador Pedagógico”. R4: “Que o Rede em Rede se estendesse aos professores em nível de formação". . R3: “Acredito que os professores precisam participar das mesmas formações que os coordenadores pedagógicos participam”. em muito dos casos. positivamente. Ainda sobre a avaliação. R5: “ Todos participarem. os demais se dividem entre regular e os que não avaliaram. R8: “Que tivesse um programa voltado diretamente para os professores”. o “Programa”. Virou um telefone sem fio. não chega a informação e a formação até o professor”.

No relato dos profissionais de Educação Infantil. p. sujeitos das mudanças e das resistências. De acordo com relato de Nogueira (2005. então sugiro que seja direcionado diretamente aos professores”. R11: “Não respondeu”. 221): Colocando de outra forma: se os professores precisam da formação continuada para garantir a aprendizagem dos alunos. cada um do seu lugar. Há necessidade da formação continuada em todos os níveis hierárquicos do sistema educacional.66 R9: “ Deveria ter a participação dos professores”. os coordenadores pedagógicos também precisam. no processo de formação continuada do “Programa A Rede em rede”. cada um de acordo com aquela que é a sua tarefa nesta grande processo que é garantir a educação das crianças. nota-se o reconhecimento dos gestores.. se a mudança deve ser a este ponto. R10: “Não tenho conhecimento sobre o projeto. se envolvam em processos. R14: “Gostaria de conhecer melhor para poder opinar”. R15: “Que o programa proporcione formação para o professor com DOT-P e não apenas para o Coordenador Pedagógico”. com o único formador. os diretores também precisam. os supervisores também precisam(. por parte dos docentes. R16: Não respondeu.. é preciso que essa mudança vá sendo construída nos diferentes espaços e que as pessoas. 09 solicitaram que o “Programa” fosse realizado diretamente aos professores ou professores e coordenadores pedagógicos. Dos pesquisados. R13: Não respondeu. de modo que gostaria. R12: “Sinto a necessidade de ter uma programação Rede em Rede que fosse aplicado para a formação direta do professor em horário de trabalho”.) Se é outra a concepção que se quer . O “Programa A Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil” é .

no relato dos professores. ou na forma de assessorias pontuais (. que a formação do “Programa A Rede em rede” não chegou aos professores em nível de uma formação plena. Isso envolve problematizar sua prática. . práticas pedagógicas e orientação didática e expectativa de aprendizagem. mesmo na formação continuada.Assuntos significativos do Programa A Rede em rede e sugestões de outros assuntos Os assuntos mais significativos do “Programa A Rede em rede” pelos professores foram tempo e espaço. a exposição teórica são essenciais. mas para que se garanta uma formação que faça avançar a aprendizagem dos alunos. também. é uma concepção pautada na idéia de formação conceitual. Assim. os professores devem ser estimulados a articular os vários conceitos trabalhados em sua formação anterior ou atual com sua prática profissional cotidiana. pelo contrário o estudo. sistematizar suas reflexões em várias formas de registro e reconstruir conhecimentos historicamente elaborados. informação e teoria não são dispensáveis. A respeito da formação Continuada Nogueira (2005. Segundo Oliveira (2005. Observa-se. p. a formação continuada dever ser: Em programas de formação continuada. organizada na forma de cursos.. Questão 10. p. as múltiplas linguagens da Educação Infantil. Essa ação reforça a importância da articulação da equipe gestora no processo de mudanças de prática pedagógicas rumo ao ensino de qualidade. 225). a formação continuada precisa ir além da informação. Os temas sugeridos pelos entrevistados para serem trabalhos no “Programa” foram inclusão.67 pioneiro em incluir em sua formatação a trio gestor no processo da formação continuada. na Prefeitura Municipal de São Paulo. a interação é essencial no processo de formação. A inclusão do trio gestor na formação continuada trouxe um avanço significativo para educação infantil. essas práticas de formação são insuficientes. Todos os envolvidos no processo de formação continuada precisam estimular os professores a pesquisar. a utilizar instrumentos metodológicos para a reconstrução e construção de novos conhecimentos e práticas pedagógicas. teórica. voltada para informar. 221) relata: O mais comum.) A meu ver. a linguagem do brincar e acolhimento. pesquisar alternativas de ação..

p. 08 semanalmente e 02 diariamente. 40). O “Programa A Rede em rede” foi o pioneiro em pensar na qualificação da equipe gestora da Unidade Educacional e trouxe uma nova concepção pedagógica para a modalidade Educação Infantil.fase 1 (2007. em função dos nossos conhecimentos anteriores. 03 docentes realizam o registro semestralmente. . a memória não nos é suficiente. Questão 11. a observação e o registro são instrumentos metodológicos para uma prática pedagógica autônoma e responsável: A primeira forma de registro de pontos observados é a própria memória: da infinidade de cenas que observamos diariamente. Observe-se a tabela: Tabela 4: Freqüência do Registro Registro Diariamente Semanalmente Mensalmente Bimestralmente Semestralmente Total Fonte: dados do autor Nº 2 8 3 0 3 16 Segundo o Documento A Rede em rede.Registros pedagógicos Quanto às questões pedagógicas. etc. a freqüência do registro dos docentes ao desenvolvimento dos alunos. posto que só registramos aquilo que podemos reconhecer. dos interesses. jogos de raciocínio lógico. a nossa história de vida. só nos lembramos de fato daquelas que já ficaram registradas na memória. como fazer uso dos tempos e espaços para melhorar o atendimento das crianças. que estamos acostumados a enxergar. 03 mensalmente. No entanto.68 atualização e socialização da prática. aquilo a que damos um significado.

15 professores relatam que possuem o hábito de refletir sobre a prática docente e 01 não respondeu a questão.Reflexão da prática pedagógica Em relação à reflexão sobre a prática pedagógica. para que os profissionais da Educação Infantil não permaneçam apenas no registro de memória. Questão 12. De acordo com o documento A Rede em rede.fase 1 uma das ferramentas básicas para a reflexão docente é: . enriquecendo o seu fazer docente. Muitos profissionais ainda estão registrando tardiamente suas observações. repensar e planejar o próximo passo da ação. Segundo o documento. a análise e reflexão da prática pedagógica. o que prejudica a qualidade do registro. 01 mensalmente e 01 relatou que sempre que necessário. Veja o gráfico: Reflexão da Prática Docente Diariamente Semalmente Mensalmente Outros Figura 8: Freqüência que se reflete a prática docente Fonte: dados do autor A análise e reflexão da prática pedagógica diária permitem ao professor problematizar suas ações pedagógicas. A freqüência dessa reflexão sobre a prática pedagógica. 04 semanalmente. relatada pelos profissionais da Educação Infantil foi a seguinte: 10 refletem diariamente sobre a prática docente. é necessário que não se passe muito tempo para sua realização. o que empobrecerá o trabalho.69 Portanto. o registro deve ser feito de preferência simultaneamente à observação.

2007. registros qualitativos. A maioria é sócio-construtivista e a minoria. 45) De acordo com o documento.Concepção Pedagógica A concepção pedagógica que fundamenta a prática docente declarada pelos pesquisados foram: 10 professores se consideram sócio-construtivista. Questão 13.70 Um bom registro daquilo que observamos nos possibilita fazer uma boa análise de um determinado caso. não houve nenhuma declaração em relação à concepção tradicional. ou seja. 01 não respondeu a questão e 4 mesclam as concepções pedagógicas. no item “Outros”.O ensino será ministrado com base nos seguintes princípios. combinando a concepção tradicional com a concepção construtivista e sócio-construtivista. (DOT P-EI. em relação aos Princípios e Fins da Educação Nacional declara: “Art 3º. alguns professores relatam que mesclam as concepções pedagógicas. (DOT P-EI. Veja a tabela: Tabela 5: Concepções Pedagógicas Concepção Pedagógica Tradicional Construtivismo Sócio-Construtivismo Outros Não respondeu Total Fonte: dados do autor Nº 0 1 10 4 1 16 Na pesquisa. 40) Uma análise de caso é uma estratégia de formação que requer do leitor o exercício da capacidade de problematizar. III. Sem ele. com preconceitos. p. p. a observação e o registro são instrumentos importantes para realizar uma análise de uma situação. trabalha-se freqüentemente com ouvir dizer. de analisar o ocorrido. com informações muito incompletas. Segundo a LDB 9394/96. 01 construtivista. 2007.pluralismo de idéias e de concepções pedagógicas”. de pensar sobre as muitas impressões e sugestões e de tomar consciência de suas dimensões. É uma das ferramentas básicas do próprio processo de reflexão. ações significativas. construtivista. .

Muito do que faço me foi passado nos PEAs”.”. Questão 14: Formação Continuada Docente Quanto à Formação Continuada. R2: “O que considero mais significativo foi a troca de experiências com os colegas e leituras. R12: “Sim. etc. pois há pouco tempo em casa para fazer leituras técnicas. mas gostaria de estar me atualizando mais. . a diversidade de Concepções Pedagógicas na Educação Nacional. melhoria na questão dos registros e avaliação”. literatura na Educação Infantil. Fora da escola. R11: “Prática docente aliando à teoria”. . R10: “Basicamente refletir sobre a prática e avaliar os resultados das ações para planejar os próximos passos da ação educativa”. Teoria-reflexão-prática-reflexão” R6: “O que realmente ficou mais evidente foi a reflexão constante sobre minha prática”. R3: “Sim. R8: “Como fazem apenas 3 anos que estou com educação infantil. durante os últimos quatros anos. dedico-me a leituras literárias”. organização dos tempos e espaços. os docentes relataram que. R7: “A importância das brincadeiras. aprenderam assuntos significativos para sua prática pedagógica como: R1: “Repensando a prática embora não concordo com alguns assuntos”. pois me sinto defasada”.71 Portanto. é assegurada por Lei. R4: “Que o cuidar e educar é uma ação indissociável na educação infantil. na unidade escolar. R9: “Repensar a prática”. como princípio. R5: “ Sim. porque trouxe temas importantes que têm sempre novos conhecimentos sobre assuntos já trabalhados”.

Durante os anos de 2005 a 2008. nas unidades escolares do Município de São Paulo. principalmente. pois o tempo de estudo coletivo ficou restrito devido os dois temas abordados na formação continuada.E”. Nos relatos dos profissionais de Educação Infantil. no caso o “PEA”. R15: “Não participei”. portanto não era estudado no horário coletivo. Observa-se dificuldade da implantação do “Programa” nas unidades escolares. em conseqüência. Nesse momento.72 R13: “Todas as leituras e discussão tiveram reflexo na prática”. No ano de 2006. observa-se que os momentos de formação continuada contribuíram. Neste ano. Neste momento. R16: Não respondeu a questão. foi implantado. em horário coletivo. o “Programa A Rede em rede” estava sendo elaborado pela equipe da Diretoria de Orientação Técnica Pedagógica (DOT-P). o “Programa A Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil”. uma vez ao mês. os Coordenadores Pedagógicos eram orientados pela equipe de DOT-EI a apresentar os documentos Tempo e Espaço para a infância e suas Linguagens no CEIS. R14: “Não tive formação continuada na U. Dentro dessas horas/aulas coletivas. de acordo com os registros da unidade escolar pesquisada. No ano de 2005. na questão do refletir sobre a prática docente. a formação continuada dos professores. teve vários eixos de estudos. as unidades escolares foram orientadas pelos respectivos Supervisores a dividir o horário coletivo em dois módulos: 3 horas/aulas eram destinadas ao eixo temático do “PEA” e 2 horas/aulas eram destinados ao estudo do “Programa”. . volume I e Manual de Brincadeiras volume II e trazer a prática das oficinas vivenciadas pelos Coordenadores Pedagógicos. houve a necessidade de priorizar um estudo. o eixo estudado no “PEA” foi As Múltiplas Linguagens na Educação Infantil com ênfase em Artes. CRECHES E EMEIS da Cidade de São Paulo. teve como eixo para estudo a Leitura de Mundo Alfabetização e letramento. sobre o tema as Múltiplas Linguagens na Educação Infantil para os professores. o “Projeto Especial de Ação”.

Veja o gráfico: .Acolhimento e o estudo do documento Orientações Curriculares: Expectativas de Aprendizagens e Orientações Didáticas. os Coordenadores Pedagógicos foram orientados por DOT. 11 docentes declaram que sua participação foi boa. 01 regular e 03 não avaliaram. o tema escolhido para o “PEA” foi As Múltiplas Linguagens na Educação Infantil. A formação continuada deve romper os muros da escola. com vivências culturais e troca de experiência com outras unidades escolares. Há uma dicotomia entre momentos de estudo do “PEA” e momentos de estudo do “Programa”.73 o “Programa A Rede em rede” e os documentos foram pouco abordados na formação continuada. o que facilitou o aprofundamento do tema e a aproximação do “ Programa” aos professores. o “PEA” precisa ter um tema específico e próximo da prática docente. Questão 16: Auto.EI a fazer um diagnóstico.avaliação dos docentes quanto à participação na Formação Continuada Em relação à auto-avaliação dos profissionais de Educação Infantil com relação a formação continuada. no primeiro ano da implantação. De acordo com os pesquisados. das necessidades da unidade em relação às múltiplas linguagens da Educação Infantil e selecionar uma linguagem para ser estudada no próximo ano letivo. 01 excelente. Diante desta dificuldade. o “PEA” teve como eixo: A Linguagem do Brincar. junto à equipe escolar. Então. o que dificulta o aprofundamento do estudo. Já no ano de 2008. no ano de 2007. preferencialmente no “Projeto Especial de Ação”.

Segue as questões e as repostas da equipe gestora: I. foi aplicado um questionário contendo 7 questões dissertativas. 4. A participação do Coordenador Pedagógico e do Diretor de Escola na pesquisa é muito significativa.74 Auto-avaliação na Formação Continuada Excelente Bom Regular Não Avaliaram Figura 9: Auto-avaliação dos docentes Fonte: dados do autor O grupo avaliou a participação na formação continuada de forma positiva. . pois os gestores são os condutores do “Projeto Especial de Ação” e do “Programa A Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil”. A formação deve ser cada vez mais para dar encaminhamentos educacionais a partir de diagnósticos do cotidiano. Isso demonstra o apoio e a satisfação em participar dos horários coletivos da formação docente. Quais são os desafios cotidianos que você tem enfrentado em relação à formação continuada dos professores? R1: “Ainda a questão do registro”. R2: “Avançar na relação teoria e prática.2 Instrumento de pesquisa quantitativa: Questionário-Gestores Quanto à participação da equipe gestora. na unidade escolar.

o estudo crítico das teorias que ajudam a compreender as práticas. O registro é uma boa estratégia para se alcançar esse objetivo. isto percebe-se com todos os funcionários da U. 129) De acordo com a pesquisa e as referências citadas. segundo contrato prévio entre o autor e seu parceiro. Essas informações serão úteis ao Coordenador Pedagógico que poderá partir deste ponto para conduzir o professor ao avanço da prática pedagógica. fundamental na busca de estratégias que a ajudem a desestabilizar suas crenças e hipóteses. Ele é uma das estratégicas do Coordenador Pedagógico para formular boas perguntas e transformar problemas em soluções. 2002. pode se tornar um recurso importante que permite o acesso ao pensamento do professor. ao ler o registro. p. para registrar as observações da prática pedagógica. criando estratégias de ação.) os que atuam com crianças precisam assumir a reflexão sobre a prática. além de trazer o pensar íntimo e individual do professor. . no cotidiano.E. teoria e prática: O diário como forma de reflexão. no âmbito da formação continuada: o registro e a relação da teoria com a prática. o que significa um desafio para os gestores. quando lido com seriedade e respeito. 2007. p. dificuldades e angústias do professor. os gestores precisam elaborar estratégia para que ocorra a reflexão teoria x prática para o desenvolvimento profissional dos docentes. Quanto à relação teoria e prática. mais atentas. Como você tem percebido a presença da formação continuada (conteúdo) na prática dos docentes? Comente. quando utilizado para a reflexão da prática docente. ( Kramer. mudanças com novas estratégias.” R2: “Os conteúdos e reflexões têm sido condizentes com os problemas educacionais do cotidiano escolar”. 43) (. II. isso.. terá acesso às concepções. Porém. Entende-se por registro. O Coordenador Pedagógico. ( A Rede em rede.75 Nesta questão. os gestores apontam para duas dificuldades encontradas no cotidiano. R1: “Muito bom.. fazendo-o avançar além do que já sabe. Nota-se a dificuldade do Coordenador Pedagógico em instrumentalizar-se do registro. o docente precisa perceber a importância do registro para o desenvolvimento profissional. por muitas vezes encontrar resistência no grupo de professores e dificuldades dos docentes de encontrar momentos. conclui-se que o registro é um instrumento metodológico importantíssimo. rechaçando receitas ou manuais. organizadas.

o que causa conflitos na unidade escolar e o que faz parte do processo de formação profissional. às vezes. um juízo comum sobre a realidade e reconhece-se participante do mesmo “nós-ético”. p. . Esses conflitos podem ser mediados por meio do comprometimento de todos os participantes no processo educacional. o juízo comum sobre a realidade. O Gestor 2 fala sobre as diferentes concepções e práticas pedagógicas dos docentes. a participação na escolha da bibliografia não é suficiente para que o “Projeto” tenha resultados positivos. extensão de suas próprias pessoas. III. Segundo Gandin (1991.. Portanto. Você tem sentido dificuldade em lidar. terem sido citadas anteriormente as dificuldades em relação à reflexão da teoria com a prática docente. não necessariamente sob a mesma determinação geográfica. ambos os gestores percebem resultados significativos da formação continuada na prática pedagógica. percebe-se fazendo parte de uma mesma realidade comportamental. O Gestor 1 relata que não há dificuldade em relação ao “PEA”. p. e os assuntos. que é.76 Apesar de nesta questão. R1: “A bibliografia do PEA é escolhida pelos participantes. O que o unifica é. pois os participantes escolhem a bibliografia. nos horários coletivos. Pode-se conquistar esse comprometimento por meio do sujeito coletivo.) é um grupo de pessoas que possui uma identidade comum. ou seja. Segundo Silva (2006. por assim dizer. sujeito coletivo: (. O grupo procura viver em comum-unidade. tratados no Programa: A Rede em Rede tem vindo ao encontro das necessidades dos grupos”. principalmente. relate as dificuldades. R2: “Pois as possíveis dificuldades fazem parte do processo de formação onde as diferentes concepções e práticas educacionais se interelacionam. com o “Projeto Especial de Ação” e o “Programa A Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil? Caso positivo. conflituosamente”.94 ). 19): “a elaboração é apenas um dos aspectos do processo e que há necessidade da existência do aspecto execução e do aspecto avaliação”..

Neste sentido. no Município de São Paulo? R1: “O programa tem contribuído bastante para atuação da equipe gestora”. pesquisa e trocas de experiências profissionais. como você avalia o “Projeto Especial de Ação”? R1: “ De qualidade. Os Gestores 1 e 2 avaliaram positivamente o “Projeto Especial de Ação” como espaço coletivo de estudos. o Programa tem alcançado os objetivos propostos para a Educação Infantil. contribuindo para a qualidade do ensino”. R2: “Positivo. . Tem contribuído bastante para a qualidade do ensino na Educação Infantil”. Segundo o Portal da Prefeitura Municipal da Educação o objetivo do “Programa A Rede em rede”: O Programa "A Rede em rede: formação continuada na Educação Infantil" . R2: “Ótimo.busca apoiar a tarefa dos trios gestores na elaboração e implementação de projetos locais de formação continuada de professores em todas as unidades educacionais dos CEIs. EMEIs e EMEEs da Rede Municipal de Ensino.77 De acordo com o conceito de sujeito coletivo. Momentos ricos que devemos aproveitar o máximo para trocas.Portaria 938/06 – SME . estudos e pesquisa”. Nesses últimos quatro anos. IV. pois é um espaço importante para confrontar os problemas educacionais do cotidiano com os textos teóricos possibilitando a interação teoria e prática. V. Como você avalia o Programa de Formação Continuada: “A Rede em rede”. A criança é o foco principal do trabalho pedagógico. os participantes do processo educacional precisam se comprometer com os objetivos e metas comuns da unidade escolar. portanto toda decisão tomada no coletivo deve estar voltada para o melhor atendimento a criança. independente das concepções pedagógicas.

tem pensado no acolhimento das crianças de 4 anos a completar no cotidiano da EMEI? R1: “No início foi difícil. mas temos discutido sobre o assunto. A redução do número de crianças por classe.E desenha para a infância um cotidiano que considera culturalmente relevante. fazem parte do crescimento profissional. se bem trabalhadas. R2: “As dificuldades são inerentes ao próprio processo. é responsabilidade da Unidade Escolar: Cada U. como você. enquanto gestor. R2: “Neste ano de 2009. O Gestor 1 relata que não observa dificuldade dos professores em lidar com a teoria do “PEA” e do “Programa” por esses conterem conteúdo compatível ao cotidiano da Educação Infantil. p. a atenção e o atendimento delas terá melhor qualidade. porém que ela faz parte do processo educacional e. O Gestor 2 comenta sobre as dificuldades ocorridas no ano de 2009 e a superação delas. Você tem percebido dificuldades dos professores em lidar com a teoria do “PEA” e “Programa A Rede em rede”. na prática docente: R1: “Não. Em relação ao Ensino Fundamental de 9 anos. mas já estamos assimilando a nova realidade. 49) . VII. há divergência dos gestores quanto as dificuldades dos professores em lidar com a questão da teoria e prática docente. Para a equipe de DOT. O Gestor 1 relata que há uma discussão na unidade escolar a respeito do acolhimento das crianças de quatro anos a completar. O Gestor 2 afirma que há dificuldade. 2007. são dificuldades que trabalhadas levam ao aprimoramento profissional e educacional”. Portanto. nessa faixa etária irá contribuir bastante para o desenvolvimento do trabalho pedagógico”. Acredita-se que.EI.78 VI. Ele ressalta a contribuição da diminuição de crianças na sala de aula para o acolhimento das turmas de menos de quatro anos de idade. Temos que repensar a forma de melhor acolher esses alunos”. (A Rede em rede-fase 1. potencialmente capaz de partilhar com as crianças parte importante da nossa herança cultural. pois os assuntos são pertinentes”. foi um complicador. com a diminuição do número de crianças nas turmas menores de quatro anos.

das dificuldades que ele vai tendo no dia a dia ele vai estudar. Então ele tem a prática. gestos.79 A unidade escolar tem o compromisso de transformar o cotidiano das crianças em um espaço de aprendizagem e desenvolvimento. de uma sociedade diferente daquela que talvez nós estudamos. sentimentos. o professor também . eu tento sempre procurar. Uma criança que cada vez mais com a tecnologia. Então. que nós professores. com o coordenador. porque eu acredito assim. no meu caso. há dez anos atrás. dedicação é incluí-las no mundo mágico da Educação Infantil.graduação. os dados obtidos e a análise dos dados: a) O que você entende por Formação Continuada? Professora 1: Formação que todos os dias nós estamos com os nossos colegas. Ressalta-se que a entrevista foi transcrita e mantida na dissertação na linguagem coloquial da Língua Portuguesa. Eu. cheiros. Essa formação continuada pode se dar na escola. vai procurar teorias que o auxiliem nessa formação continuada. parcial ou. pra mim isso é educação continuada. O Foco principal da entrevista são os temas do “PEA” e do “Programa A Rede em rede” na prática docente. trabalhando dentro da escola. amor. analisa e discute os dados obtidos na entrevista semi-estrutural. com o grupo de estudo.3 Instrumento de pesquisa qualitativa: entrevista semi-estrutural Neste momento. Pelo menos três. uma criança que vem de uma época. através de leituras que o professor faz em casa. Porque assim. e através da sua prática. Então. Pensar o acolhimento das crianças tão pequenas. um grupo junto estudando. carinho. sabores. Professora 2: O que eu entendo por formação continuada é aquele estudo que o professor tem depois da sua formação. dos seus problemas. através de uma pós. da minha formação mesmo. tem que se atualizar dentro da nossa área da educação. perguntas sobre os temas dos “Projetos Especiais de Ação” e o “Programa A Rede em Rede: a Formação Continuada na Educação Infantil”. pela não participação. nós nunca deveremos deixar de estudar. no período de 2005 a 2008. quatro vezes por semana estar um grupo fechado. 4. ela vai mudando. As três professoras foram selecionadas por meio dos critérios de participação integral. nos momentos coletivos de estudo. num espaço cheio de gostos. da sua graduação ou outro tipo de formação e convém com a sua prática. como fora da escola também através de cursos. Eu sempre procuro assim. nós sempre recebemos uma criança nova. de um contexto novo. as idéias da gestão e também as práticas e o estudo que a gente tem que estar fazendo. Assim. tendo como roteiro. Segue o roteiro de perguntas. estar lendo.

cada professor escolhe o seu horário e aí a gente forma um grupo. a gente pegava a quarta pra fazer a prática da sala de aula. Ai foi muito interessante ter o PEA aqui na escola porque nós dividimos da seguinte maneira: na terça-feira a gente pega pra estudo. Elas ressaltam que a formação continuada tem contribuído para esta atualização. Através do estudo que a gente tinha estudado na terça-feira. Na quarta-feira nós pegamos para a prática. b) Quais são os momentos em que ocorrem a Formação Continuada na Unidade Escolar? Professora 1: Bem. os livros são caros. nós mudamos. 218) (. as famílias mudam.. E sempre refletindo. né. E também no PEA. das famílias e das crianças e a necessidade de atualizar a prática docente.) para trabalhar com crianças pequenas em creches e pré-escolas os professores precisam de um espaço de troca. nas Unidades Escolares.80 tem que vir buscar essa mudança. a pesquisa comprova a importância da formação continuada. As professoras 2 e 3 percebem as mudanças da sociedade. né. essa formação continuada pra gente acompanhar essas mudanças. na quinta a gente replanejava. As professoras relatam a importância da relação teoria e prática na formação continuada e valorizam o estudo em grupo. Rocha e Filho (2002. do horário da gente. na medida do possível. do texto que a gente tinha lido e da prática na quarta. Professora 3: Bom. de acordo com os livros que tem aqui na escola. o quanto o momento reservado para discussão. Porque infelizmente nós não temos assim condição de ter acesso a livros. a comunidade muda. melhorando nossa prática. Então eu procuro. Portanto. com a necessidade das minhas crianças e aí eu vou lendo em casa. As crianças mudam. Assim. reflexão da prática docente e troca de experiência tem sido valorizado pelos professores. Então. Professora 2: Como eu já tinha falado né. O PEA é uma formação continuada. formação continuada. deixa eu ver como eu posso dizer. E depois da reflexão. que a prefeitura vai trazendo livros para a escola eu vou olhando os livros e vou pegando aqueles que eu acho interessante. quatro dias na semana. É o momento onde nós nos reunimos. né. vai da gente. que convém com a minha prática. Segundo Cerisara. isso acontece no PEA. de interlocução com seus pares na busca de um trabalho que avance em relação a uma proposta educacional-pedagógica de qualidade. p. É o professor estar sempre em busca de novos conhecimentos porque tudo muda. essa busca. Geralmente são três dias na semana. E é importante esse momento. é como uma reciclagem.. né. ele tem que vir buscar esse estudo. Nós nos reunimos e estudamos. essa formação continuada dentro da escola já se dá no . pra estar sempre se atualizando e acompanhando essas mudanças. três.

a criança que se expressa. a escola promove diferentes espaços e tempos para formação continuada. (IV) formação cultural que pode favorecer experiência com a arte em geral. matemática(. p. a gente reflete. de outros turnos que você não tem no PEA. Assim. Porque nas reuniões pedagógicas é o momento que a gente pára.) ( Formação de profissionais de educação infantil: questões e tensões. 117) De acordo com os relatos. Eu acredito que aconteça isso nesse momento. a literatura (. associações. algumas dificuldades encontradas. com cada um de nós. eu percebo assim. Nós. que se corrige.. Ela é igual uma esponjinha. A escola é o espaço de referência quando se fala em formação continuada pelos docentes. com cada criança. com as crianças.. a minha concepção de criança é que é um ser em . falando do seu trabalho. da sua prática. eles têm mais momentos ali que eles estão juntos. nota-se o reconhecimento da Professora 1 do momento destinado para o estudo no horário coletivo.. porém reconhece os horários coletivos de estudo e sua importância. partidos. debate. creches e pré-escola que garanta estudo. que o grupo que está nessa formação. somos seres em aprendizagem e a criança [. Porque nas reuniões pedagógicas é um número maior. ela absorve tudo. Então. Eles têm essa oportunidade de ta trocando experiência.. então você tem contato com outros professores. c) Qual é a sua concepção de criança e infância? Professora 1: A criança que brinca.. horário de estudo conjunto. é muito interessante por isso. A Professora 3 não realiza a formação continuada na escola. a criança que constrói. estar desabafando. Professora 2: Criança. que eles têm oportunidade de discutir alguns assuntos.. em que se fortalece cada unidade e fica assegurado o estudo individual e coletivo para compreender a realidade mais ampla e o que acontece no dia-a-dia. Professora 3: Olha. fóruns. É um desabafo também. deveria até ter mais encontros desse tipo.) (III) formação em cada escola. Então. a criança que nós fomos um dia e crescemos e hoje somos adultos. a formação ocorre em diferentes espaços e tempos: (I) Formação prévia no ensino médio ou superior em que circulam conhecimentos básicos relativos à língua. eu nunca participei. seres humanos.. é praticamente a escola inteira. 2002. que é reconhecida pelos professores. eu acredito que seja assim. eles têm mais oportunidade de troca.. fala o que pensa. leitura.. até mesmo assim. a criança que chora. pelo que eles falam. Segundo Kramer.] é tudo de bom. Sendo assim.. que imagina. na verdade. sindicatos (. né. da Professora 2 o reconhecimento em outros momentos de formação continuada que a unidade escolar oferece como a reunião pedagógica por contemplar todos os professores.) (II) formação no movimento social.81 PEA e nas reuniões pedagógicas também.

ficando felizes. gostando. as crianças. a socializar. é idade de formação de personalidade mesmo. o brincar. formado pelos costumes. é muito gostoso. 2006. eles curtindo. a música.. que cria. Segundo a equipe DOT-EI.. eu acho maravilhosa essa fase. E assim. Tudo eles absorvem. muito importante. valores. Você vê que tudo isso. porque eu viajo junto com as crianças no mundo da fantasia. as crianças: Em sua relação com este mundo. eles gostam de tudo que acontece aqui. se eles não gostam. conhecer a rotina. que imagina. o professor. relações humanas e por técnicas. desde cedo tentam apreendê-lo e significá-lo. é história. Eu acho muito importante [. ainda ta naquela fase gostosa. eu acho assim.. que expressa os sentimentos e que constrói a história. essa idade. já falam que não gostam. p. que aprende e ensina.[. ressaltam a identificação que possuem com a faixa etária e a satisfação em trabalhar na Educação Infantil. ele reclama ou fala que sente saudade. a dividir. direta ou indiretamente. Além disso. A gente percebe que eles gostam de vir pra escola. linguagens. Essa experiência é essencial para que a criança também possa ser produtora de cultura. perceber-se como o mediador da aprendizagem dos alunos para facilitar o ensino-aprendizagem dessa criança ativa que convive no nosso cotidiano escolar.82 desenvolvimento. que gosta de brincar. acredita-se que o professor precisa além de perceber a criança como um ser ativo precisa. as mães sempre comentam: ah dia que não tem aula. Professora 3: Ah. a se formar. é muito bonito falar em criança. eles viajam. Ah. A criança é um ser ativo que brinca. E a gente sabe [. principalmente essa idade que a gente trabalha.] que esse momento da educação infantil é importante.. é assim. também.. curioso. eles gostam. que tudo é de bom pra eles. se conhecer melhor.] e muito gostosa essa fase. Então toda proposta que você traz tudo que você vai fazer. é muito importante esse momento da criança – a infância. ( Tempos e espaços para a infância e suas linguagens nos CEIs. São seres assim.] é nesse momento que ele aprende a lidar com o outro. Então.. que se eles gostam. a conhecer a escola.] Por isso que eu escolhi educação infantil. absorvem tudo. Os professores pesquisados notam essas características desses pequenos aprendizes. que lhes assegura uma gradativa apropriação da cultura historicamente constituída. o desenho. a se conhecer. formar sua identidade.. porque [... por exemplo. Eles são sinceros. conhecer os materiais. Eles falam o que eles fazem aqui. a gente trabalha muitas linguagens. muito bom poder ter essa oportunidade de trabalhar com essa fase. Creches e EMEIs da cidade de São Paulo. manifestando-se por diferentes linguagens. Eles sonham. até os seis anos. 11) Portanto. . mediadas. Então assim.. por parceiros mais experientes como.

o que você entende por concepção tradicional e sócio-construtivista? Professora 1: Tradicional é o professor que ensina. mas eu também tenho os momentos de ensinar e isso eu não posso deixar de lado. Só que. Então o que eu vou ensinar? E aí eu vou elencar o que é importante pra eu estar ensinando para a minha criança.] Observar-se no relato da professora 1 que as ações pedagógicas desenvolvidas na sala de aula são baseadas na concepção tradicional. vivenciando. ele fala que a criança vai interagir com o meio e conforme o meio ela vai construir a sua aprendizagem. de participar da aula. porque tem que ouvir. comigo. de reciprocidade. Eu não. dela se expressar. eu acredito muito nessa coisa dela. tem que ter uma relação de respeito. o que eu vou educar com a minha criança nas relações do dia-a-dia com o colega. de você estar oferecendo material pra ele explorar. você se declara sócio-construtivista. tem que estar claro na cabeça dele que ele tem. Tem professor que trabalha muito bem assim. conforme esse meio que ela tem à sua disposição. Trabalhar muito essa coisa da criatividade. uma obrigação de ensinar. ela vai aprendendo e desenvolvendo a aprendizagem. Ela vai ter o momento dela falar. nós fomos formados numa concepção muito tradicional.. O que você entende por essa concepção? Professora 2: O sócio-construtivista. trabalham muito bem. brincando ao mesmo tempo. todo mundo tem um pouquinho de tradicional. É uma coisa por vez. pra . Mesmo porque nós estudamos.] Então eu considero tradicional. Há uma dificuldade de compreensão da professora sobre a concepção sócioconstrutivista. Ela tem que estar atenta no que eu estou fazendo. pode se dizer. na rua. experimentando.83 d) De acordo com a resposta do questionário. ela tem que me ouvir. sinceramente. se não ouvir fica difícil a gente trocar idéias e conseguir educar e ensinar ao mesmo tempo. Então. Então.. eu acredito que sócio-construtivista é o meio.] acredito muito que a criança [.] coloquei sócio-construtivista porque olhando no geral eu acredito que eu me enquadro melhor nessa concepção sócio-construtivista. vai ter o momento de ouvir. você acaba ficando usando isso. com aquilo que ela fala o que aconteceu na casa dela. [. Então. fazendo atividade ao mesmo tempo. Eu vou estar educando essa criança.] constrói o conhecimento dela. Pesquisadora: Em relação ao questionário.. mesmo ela tendo relatado que é sócioconstrutivista.. O que é o sócioconstrutivista? É o educar levando em conta o meio da criança. Entendeu? Então assim. Aí assim. da autonomia. com outras pessoas da unidade escolar. Então eu sou tradicional e construtivista por quê? Porque eu sou consciente que eu estou aqui pra ensinar.. dela ter autonomia pra fazer.] Eu perco o controle. pra ela criar. então todo mundo carrega esse lado tradicional. vai ter o momento de construir. por isso que eu falo que eu sou tradicional [. Então. [. isso eu considero o tradicional. vamos falar que é Vygotski. acredito que ninguém é inteiramente sócio-construtivista. pra ela fazer. Então. O que o meio oferece pra essa criança pra ela está pegando.... mas por que eu me considero que eu me enquadro mais nessa concepção sócio construtivista? Porque [. Então.. deles estarem conversando.. o viver dela. que tem que ensinar também. Professora 3: Então.. [. o pai de tudo isso..

Aí parou.. Toda vez que eu vou passar informação para as crianças. As experiências. eles trocam brinquedos entre eles. [. Qual é a proposta dela? Ela também tem uma proposta para aquele momento. [. Poder ter momentos dela escolher o material que ela vai utilizar. ela está criando também. o fundamento da concepção sócioconstrutivista: Aprender deve ser uma experiência significativa para a criança e deve também integrar o que ela já conhece com aquilo que é novo para ela. Terminou esse momento. o brinquedo que ela vai brincar. relatam algumas ações que caracterizam uma concepção sócio-construtivista e revelam a falta de maior conhecimento sobre a concepção sócio-construtivista. Então. eles até sabem. acredito que me enquadro mais nessa proposta por conta disso. eles trazem brinquedos de casa. vou escrever na lousa. se cumprimentando. não o tempo todo. ( Tempos e espaços para a infância e suas linguagens nos CEIs. e) Como tem sido no cotidiano da sala de aula. a pesquisa revela que não há incorporação da concepção sócioconstrutivista na prática docente.] Segundo a entrevista. aí é o meu momento. O primeiro momento é o momento de acolhimento deles. [.] aquela necessidade de trabalhar a letra a.. a letra b. E aí eu faço com todos juntos. na maior parte do tempo é isso. Por quê? Após esse encontro entre eles. ao desconhecido. Isso é tradicional porque a criança não aprende necessariamente assim.] eu acredito muito nessa construção do conhecimento da criança e nós aprendendo o tempo todo. Então. . apenas alguns ensaios desta concepção pedagógica. quantas meninas. eu vou dar um exemplo pra ficar mais concreto: as letras do alfabeto. algumas professoras percebem a concepção tradicional na sua prática docente. saberes e interesses infantis são pontos de partida para que novos conhecimentos sejam por ela apropriados em situações que lhe despertem o interesse frente ao inexplorado. p.84 opinar na rotina. Creches e EMEIs da cidade de São Paulo. no documento. Então. Às vezes você vai com uma proposta e a proposta até muda porque ela está participando. ajudar a organizar o espaço que ela vai fazer atividade. ajudando-a a descobrir o desejo envolvido na investigação. a questão da organização do espaço e do ambiente? Professora 1: Esse ano eu trabalho na sala 5 que seria a sala de vídeo. pra participar. quantos meninos.. Então essa é minha organização da sala. A equipe DOT-EI traz. um com o outro. nós vamos fazer a nossa contagem. esse ano eu usei muito o vídeo. as conversas.. que ela vai brincar. a letra c. que eles vão chegando. eles vão para o meio da sala e nós fazemos uma roda. pra ir fazer. vou fazer a leitura do dia. contando as novidades. vivência. eu com elas.. aquelas coisas ainda de você trabalhar.. um desenho animado. 25-26) Portanto. em relação ao tradicional. a sala está sempre organizada em meia lua. tem sempre um vídeo de música. 2006. Então.

Entende-se por espaço e ambiente: (. De acordo com o documento “Orientações Curriculares: Expectativas de Aprendizagens e Orientações Didáticas”: . à disposição delas. individuais ou coletivos. nós temos um rádio. elas fazem do jeito que elas querem. canetinha. Aí. eu geralmente deixo vários tipos de materiais à disposição. Professora 3: Então. onde ficam os livrinhos. eu tenho muito isso na minha rotina. E assim. o espaço a gente está sempre mudando. porque assim. Que nem. só em alguns momentos em que há necessidade. eu não determino o material que vai ser usado. na medida do possível. 2006.) local de atividades com a função de ser um espaço de vida e de transformação que possa garantir continuidade ao que as crianças já sabem e apreciam. eu gosto muito de fazer atividade diversificada. elas abrem o armário. depois elas guardam. topografia. Mas eu tenho que deixar assim. (Tempos e Espaços. guardar as coisas cada uma no seu lugar.. tem o cantinho que ficam os brinquedos. todos os dias pra fazer as atividades. lápis. tesoura. o armário é delas. brinquedos. p.. Mas assim. Eles ajudam muito na organização dos espaços. eles pegavam os livros e deixavam os livros jogados na sala inteira. 34) Nota-se. não vou dizer que não acontece de ter um livro ou outro. a gente tem o cantinho da leitura. Até o rádio. com os materiais. a gente organiza naquele momento da atividade diversificada a gente organiza os cantinhos conforme as atividades daquele dia. (Orientações Curriculares: Expectativas de Aprendizagens e Orientações Didáticas. giz.] Eu até já trabalhei outra época com cantinho fixo.. mas no momento tem assim o da leitura que é fixo. mas também de criação de novos conhecimentos e motivos. isto é. É assim também com os brinquedos. p.[. cuidar dos espaços da sala. no começo dava muito trabalho. cuidar dos seus materiais. Então. cola.. o espaço é organizado de maneira bem diversificada. elas abrem. quando vai fazer um registro. ambientar as crianças e os adultos procurando atender suas necessidades e exigências nos momentos programados ou imprevistos. a gente trabalhou muito essa questão de tomar cuidado com o livro de colocar no lugar. algumas crianças têm dificuldade para guardar. nós temos aqui na unidade. mas assim. a gente tem que estar reforçando. no relato das pesquisadas. 2007. em todas as unidades de EMEI papel. insolação. E é bem legal. mas assim. falando. eu deixo elas manusear.. conforme a atividade a criança pode escolher o material que ela quer.. o material que nós temos. como principalmente pra depois também organizar tudo no lugar de novo. o espaço e o ambiente. tinha muita coisa que eles não tinham o costume de fazer. 33) O espaço físico dessas unidades educacionais não se resume apenas a sua metragem. na sala de aula uma coisa fixa são os brinquedos. então elas costumam brincar. lápis de cor. a lousa. elas colocam o CD que nós vamos usar. elas pegam o que elas querem: borracha.85 Professora 2: Olha. eu organizo com eles esses momentos. mas ele precisa tornar-se um ambiente. que há um planejamento do espaço e do ambiente na unidade escolar.

tem o acolhimento. no final de . não é? Então eu já vejo qual atividade que eu vou dar naquele dia. a questão do planejamento no momento de acolhimento dos alunos. compreensão e confiança. f) Como você planeja o tempo. 215) o aspecto afetivo deve estar presente no ambiente de aprendizagem: Quanto ao aspecto afetivo. A criança realiza as atividades com interesse e esforço se for livre para expressar seus sentimentos e emoções e se tiver oportunidade para desenvolver a independência. curiosidade. bastante. 33) As professoras 2 e 3 permitem que a criança seja autônoma. na prática pedagógica. A Professora 1 ressalta. planejado. iniciativa e responsabilidade. por meio do planejamento do espaço e ambiente. Esse ano eu peguei uma sala rodízio. eles vão fazer a troca e já vão ficar mais ou menos uns vinte minutos ali na conversa entre eles. Assim. percorrer os espaços de uma unidade educacional fornece pistas importantes sobre a idéia de infância que os educadores que nele trabalham querem (ou terminam por) assegurar. então tem que ser tudo meio cronometrado. Segundo Fonseca (2004. A Professora 3 traz no planejamento do espaço para o desenvolvimento das atividades a organização de cantinho fixos e não fixos. eu divido uma sala com a colega. (2007. há necessidade de um ambiente de aceitação. Assim. p. ativa e participativa durante as atividades propostas. estimulante e aconchegante com diversas propostas de vivência e experiência proporciona uma maior interação e aprendizagem entre os protagonistas alunos e professores. A Professora 2 relata a importância do espaço proporcionar a autonomia da criança durante o desenvolvimento das atividades de sala de aula e aponta o armário coletivo como fator que favorece esta autonomia. como que eu vou dar aquela atividade. no cotidiano da escola? Professora 1: O tempo já é meio complicado. conversar com eles o que aconteceu no dia em casa. o que possibilita maior interação entre os alunos e professores. criatividade. Então vamos fazer leitura? Bom.86 A organização dos espaços dos CEIs. Vou passar informações. acredita-se que um espaço organizado. que deve nortear as ações das crianças e do professor. p. Então é tudo assim bem no horário certinho. creches e EMEIs igualmente se apóia no projeto pedagógico da unidade.

aí eles vão falando. Então assim. e a gente vê quem veio. p. A gente conversa sobre os três episódios. E aí. a gente tem uma linha de tempo que é da escola. os materiais. eu já passo na roda pra eles: hoje nós vamos fazer só a pintura e a colagem e amanhã nós vamos dar continuidade. Eu já sei. quantas crianças vieram. Como é que eu vou dar atividade naquele dia. quem não veio. aconteceu isso. a Professora 1 ressalta o tempo cronológico das atividades devido o arranjo estrutural da sala de aula ( rodízio de sala). ( Tempo e Espaço. Amanhã vamos dar continuidade a esses três episódios. que vai terminar naquele dia. a gente chega. faz uma atividade de bola. que faz parte da rotina. faz uma atividade de teatro. Professora 3: É assim. tem aquelas que são diversificadas. vamos assistir hoje três episódios que fala sobre isso. E a mesma coisa é com a atividade. tem uma plaquinha com o nome deles. também organiza os espaços. alguma coisa desse tipo e depois do lanche uma atividade externa ou o faz de conta. de acordo com essa rotina. mas nós temos essa rotina. 40) De acordo com o conceito de Tempo. de ter experiências diversificadas que não seriam possíveis no ambiente doméstico ou em nenhum outro espaço que não mediado por adultos responsáveis pelas aprendizagens e desenvolvimento de crianças. A gente tem um cartaz de pregas na escola que fica uma lista móvel. e a gente dá continuidade. em tal episódio. conforme essa rotina do dia. aquilo. brinca no parque e brincadeira de faz de conta. Professora 2: Eu não costumo cronometrar o tempo porque a gente tem que respeitar o tempo da criança. tem uma hora que eu deixo lá assim. eu não tenho tempo cronometrado. Aí a gente vai lá. são flexíveis. mais uns dez minutinhos. Entende-se por Tempo: O tempo em uma instituição educativa deve ser vivido de modo a aproveitar as oportunidades de aprender e se desenvolver plenamente. o que é que eu faço? Desde o começo nós fizemos uma rotina com as crianças. eles não ficam toda hora perguntando o que é que vai fazer. Então assim. E eu tenho também a minha rotina. alguma atividade de recorte e colagem. a gente vai colocando. tem algumas atividades que eles escolhem. aí a gente organiza a sala. a Professora 2 . mais ou menos. tem outras coisas que tem que manter que até está na linha de tempo. E no dia seguinte eles realmente sabem: Olha professora a senhora parou em tal capítulo. Uma atividade mais longa. eu não posso dizer que é uma atividade simples. Depois das nove horas a gente vai pra área externa. das de registro. eu tenho o costume de todos os dias organizar com eles na lousa. tem as atividades que são fixas. mais complicada. a gente até às nove horas a gente desenvolve atividade de leitura. que todos seguem. desenha na lousa o que vai fazer naquele dia. Primeiramente a gente faz uma atividade na sala de aula. E o que a gente vai fazer hoje? Isso é bom até pra abaixar a ansiedade deles. E a atividade ela já vem. organiza a rotina. então eles já estão acostumados. quem não veio. vê quem veio. Então. Desde o vídeo do primeiro momento que entra na sala. que mudam de um dia pro outro.87 semana. 2006. dá uma acalmada. às vezes. de acordo com aquela rotina do dia. organizado na escola. nas diferentes faixas etárias. com a foto bem grandona. eles nunca vêem um vídeo inteiro. isso e isso. escreve. Então. então o nosso lanche é às nove horas. Então eles sempre sabem: olha. quanto eles gastam pra fazer a atividade. porque não dá. é uma atividade que eu perceba que a criança consegue fazer. o que eles vão fazer – jogo lá mais uns quinze minutos.

. Aí a gente pediu o estojo para os pais. poderia mudar essas coisas. [. No armário coletivo tem brinquedos para as crianças. todas as salas de aula têm o armário coletivo. E isso a escola está fazendo bem. Aí chega no terceiro estágio... de ter materiais tecnológicos na sala de aula.. do material.. [. lápis de cor – o material pra atividade era coletivo. na sala de aula.] Aí veio o recesso e teve aquele problema da gripe A. Elas utilizam a sala de aula para atividades de concentração e atividades dirigidas e a área externa atividades mais livres. antes de acabar o rodízio e lá tinha baldes. já melhora.] eles tem que aprender a usar o caderno. aplicando bem. E a gente ganha esse material. nos últimos anos a escola vem recebendo verba pra comprar material pedagógico. ele já sabe. Se o professor trabalha com brinquedo no primeiro momento de aula..] Teve várias orientações assim pra não estar usando mais nada coletivo durante um bom tempo.. um computador. . reúne a gente e faz uma lista de prioridades..] Professora 2: Os materiais utilizados na UE são materiais oferecidos de acordo com a possibilidade da UE. interação e o respeito do ritmo de cada criança nas atividades propostas e a Professora 3 fala sobre a linha de tempo existente na unidade escolar.. era o momento que a gente estava em outra sala. A criança mesmo vai lá e pega. então eles já têm maturidade pra isso. ele é colocado numa altura que dá pra ela pegar. a gente já avisa. [. pegavam e brincavam. eu acredito como professora. E assim. Acho que é importante. Professora 3: Olha. você não vai dar aquela coisa maçante. ela tem já acesso ao computador. graças a Deus. eu acho o desperdício dos brinquedos.. eu sinto muita necessidade de ter informática. tem assim. Claro. na sala de aula? Professora 1: Olha. de ponta cabeça. eles iam. é mais pra ele aprender a usar mesmo.] Nós vivemos em um mundo onde as crianças têm acesso.. ou em algum lugar que vá. do acolhimento. Eles usavam muito de trás pra frente. O material fica à disposição nossa e das crianças porque o armário é aberto. o que a gente está precisando. abria em qualquer página. se puder ser um caderno com linha. experiência. só que assim. Então a criança segue a rotina do professor. a necessidade que eu vejo ainda na EMEI é aquela lousa ainda verde. brinquedos grandes. Então eu oriento muito o uso do caderno. Aí lá vai eu pegar todo aquele material que estava no coletivo e mais alguns que eu tinha guardado e a gente dividiu tudo e colocou tudo nos estojos. o que um cuida o outro não cuida tão bem.. E a gente já teve um momento que o brinquedo. E toda vez que chega verba o diretor reúne o conselho.] O único problema é assim. por mais pobre que ela seja. bichinho de pelúcia. A gente costuma trabalhar muito com os brinquedos na sexta-feira. boneca. Há uma heterogeneidade na concepção de Tempo na unidade escolar. no primeiro semestre.] O brinquedo fica num cantinho da sala. No segundo estágio é mais o caderno de desenho eles tem que aprender a seqüência. g) Como são organizados os materiais pedagógicos. Se é um determinado dia da semana. o material mesmo giz. [. [. como é que usa. Todas as professoras relatam que adotam uma rotina. eles trazem os deles e usa o da escola também. ela tem acesso a todos os tipos de tecnologia ou em casa. Não sei. o material foi assim. [. Então.88 relata o Tempo enquanto momentos de vivência. [. não tão dirigidas... aquelas caixas com os brinquedos. acho que até eles gostam.

[. eles ficam livres. livros.. há professores que trabalham com os brinquedos no momento específico do acolhimento e também professores que escolhem um dia da semana. vestimentas. brinquedinho de panelinha e tal.) Assim. 184) comenta: “Sistemas educativos que adquirem materiais e brinquedos sem consultar o profissional envolvido. eles pegavam mais os brinquedos. Creches e EMEIs da cidade de São Paulo traz algumas orientações para as Unidades Educacionais: O tipo.. E assim. nos momentos de brincar. aí eles vão lá. A Professora 3 ainda comenta a estratégia que utiliza para trabalhar com os materiais em sala de aula. brincam. ficavam mais soltos. Ela garante autonomia da criança tanto no momento do uso coletivo como individual dos materiais e relata também a importância da diversidade de materiais para realização das atividades e para o brincar. idéias e invenções. A professora 1 ainda comenta sobre o armário coletivo.. A Professora 2 se preocupa com a modernização dos materiais em sala de aula. na altura das crianças para dar-lhes acesso fácil e autonomia. que nos últimos quatros anos. Em sua fala nota-se a presença da questão da escolarização. é mais material de encaixe.. são destinas as unidades escolares para a compra de materiais pedagógicos. escolhem. a preocupação em trabalhar o . A autonomia da escola em suprir a sua própria necessidade em relação à compra de materiais pedagógicos traz um avanço para a Rede Municipal de Educação de São Paulo e contribui significativamente para a qualidade da prática docente. p. mas apenas os técnicos. Essa sala que a gente ta agora não tem tanto brinquedo como a outra tinha. Ela fala sobre a estratégia no uso coletivo e no uso individual. o documento Tempos e espaços para a infância e suas linguagens nos CEIs. geralmente. o número e a variedade dos objetos – brinquedos diversificados e em número suficiente. As Professoras 1 e 3 trazem a preocupação com a duração dos materiais no uso coletivo. que fica aberto com os materiais diversificados.a forma com que eles e os materiais se dispõem no ambiente pode auxiliar ou dificultar a autonomia da criança na realização de seus projetos. agora também tem alguns brinquedos novos. (. (2006.] Em relação aos materiais.89 Então assim. para envolver as crianças na atividade do brincar. Nota-se que nesta unidade escolar. A Professora 1 relata a importância da verba. 38) Ainda a respeito dos materiais Kishimoto (2002. sexta-feira. p. até mesmo a escolha e a organização dos materiais são objetos de planejamento. estão fadados ao fracasso”. ações.

mas quando é o momento de falar ‘Pro’ é ‘Pro’.. A interação se dá na hora das brincadeiras. na hora da história. eles dividem a sala. Assim.] Professora 2: A nossa interação se dá muito pela conversa. mas essa é uma turma boa. tinha criança que nem falava no começo do ano. [. Aí você assim observa que apesar das crianças se dividirem entre meninos e meninas. a gente vai ver porque ta acontecendo isso. uma criança agredir a outra.] a minha sala teve pouco esse negócio de violência. Aí eu falo: Então vamos lá. O que nós vamos fazer? Negocia com ele. eu e os alunos eu posso dizer que às vezes eu me sinto mãe deles. Toda criança briga. mostrando pra ele o que ele pode fazer. e querem comentar. h) Como você tem interagido com os alunos e como é a interação entre eles na sala de aula? Professora 1: Olha. Então assim. Eu procuro sempre falar pra eles que a gente precisa conversar. Em relação aos brinquedos. [.. ela chega e conta naturalmente. das rodas de conversa. [. [.. ela me respeita também. isso. na hora das conversas. Tudo pra poder estar ajudando a nossa interação. se socializaram melhor. contam tudo que acontece em casa e querem mostrar tudo. agora eles estão falando mais.] Eles falam muito o tempo todo. Elas não têm medo de falar porque tá chorando. você bem essa interação. . E no momento que eu quero a atenção dela. eles tentam brincar um pouco juntos. na hora de brincar. um tênis novo. o tempo todo. mas eles brincam.. nós temos uma relação muito boa [. bate. Entre eles também porque eu peguei esse ano duas turmas muito boas.. As crianças comigo. Então eu sou professora e sou tia também.. uma turma que está sempre chegando. permite a autonomia da criança em escolher com quais brinquedos deseja brincar.] É uma interação que não acaba nunca. a interação se dá o tempo todo né. a percepção dos professores na importância da diversificação dos materiais pedagógicos e a superação desses docentes em mesmo preocupado com a conservação dos brinquedos colocaram a disposição das crianças os materiais. o que ele não pode fazer.... De acordo com a citação e as ações dos professores.90 caderno. é até difícil falar com se dá a interação. Se aconteceu alguma coisa na casa dela. Me sinto mãe. a preocupação com a conservação dos brinquedos no uso coletivo e ações inovadoras como dar acesso e autonomia as crianças no uso dos materiais. tem algumas crianças eram bem quietinhas no começo do ano. Então..]. tudo bem. ao mesmo tempo ele tem uma relação muito carinhosa comigo. resolver com diálogo. Eles vêem falar que foram passear.elas não têm medo. a gente vê os combinados. Professora 3: Ah. fizeram muitas amizades. aquilo. Quando ela chega e fala: Tia. Por quê? Ao mesmo tempo que eu estou lá ensinando. E é o momento dela falar ‘tia’. o meu coleguinha não quer dar o brinquedo pra mim. Eu posso dizer que eles quase não se batem. aí a gente conversa. isso é normal. das atividades. porque não quer vir na escola. Às vezes tem algumas dificuldades que a gente ta vendo que não ta conseguindo se comunicar. percebe-se que há presença de ações tradicionais como o dia do brinquedo. conversando: Olha Pro. toda a hora a gente está interagindo. A gente faz uma roda de conversa. um lado fica as meninas e do outro lado os meninos.

eles estão lá brincando e de repente você vê uma criança conversar com a outra e você acha interessante aquilo que eles estão conversando. explicar-lhes certas proibições. Aí eu anotei: Hoje Jonas conseguiu fazer a atividade sem negar aquilo que ele tava sentindo.]. Então eu marco ali o que aconteceu naquele dia que eu achei que foi importante. veio mostrar se tava bonito. que é construído entre ela e as crianças no cotidiano da escola e a questão da mediação dos conflitos que surgem entre os alunos. mais ainda. A Professora 3 relata que em todos os momentos e atividades da escola as crianças participam contando as histórias. Mas pode. mas eu acho que ta faltando alguma coisa. eu sempre digo: O Wilson fala com os olhos. relatando as preferências etc. Porque nem tudo é importante. aí você marca. pegou. Quando há espaço para a participação das crianças nas decisões. auxiliá-la na desafiante tarefa de fazer e consolidar amizades e parcerias. 32) A criança tem uma maior interação com o professor e os colegas quando o ambiente é planejado e organizado para este fim. Foi lá. aquilo que eu fiz durante a semana. p. ele fica perto. Mas acaba a palavra ‘pintar’ ele já fala: Eu não. Quando ele me olha com aquele . Pego as atividades. o Wilson ele nunca brincou. Ela ensina as crianças a resolver os conflitos por meio da estratégia da negociação. combinados. constantes conversas. Eu pego um dia da semana que eu esteja mais tranqüila. É assim que ele fala. Ele tem muito medo. e quando acontece algo que eu acho que é importante. né. E essa semana ele fez a atividade. fala com os olhos. Às vezes a gente está lá no parque. Por quê? Porque aquela criança. (2007. Voltou. Por exemplo. De acordo com o documento “Orientações Curriculares” é importante que: Cada professor pode organizar um ambiente mais produtivo para as crianças interagirem se compreender a movimentação das crianças. Eu não quero. e de aprender a resolver os conflitos com os colegas. o Jonas. negociações se constrói uma saudável interação entre todos os protagonistas. Aí eu falei: Ah. às vezes não. porque eu dou atividade pra criança. Tranqüilo. Fala pra ele: Agora nós vamos pintar. sem grupo de estudo [. eu não quero. tem o Wilson. i) Como você tem registrado a prática pedagógica? Professora 1: Bom. eu registro na própria atividade da criança.. A Professora 2 utiliza a estratégia do diálogo na interação. sentado. eu não quero. eu tenho um aluno. estabelecer limites e trabalhar com elas regras orientadoras da convivência. Você não acha que ta faltando? Ele falou: É mesmo. o registro. Muitas coisas a gente registra aqui na nossa cabeça e no nosso coração..91 A Professora 1 relata a questão do apego. suponhamos. que ele tem muito medo de papel. observando. completou. sempre recapitulando com os alunos os combinados do dia a dia. ajudá-las a fazer acordos e lembrá-las desses acordos sempre que necessário.

Eu posso não estar registrando naquele momento.. E essa semana o Wilson começou a se afastar. Eu sento um por um. Professora 3: Então. o que aconteceu de importante e marco. às vezes anota alguma coisa no caderno. já ta indo pra mais longe. mas muitos casos não é possível ainda. Mas assim eu vejo como de grande importância. tenho a minha rotina e assim. E assim. Ela ressalta o uso do portfólio como registro para acompanhar o desenvolvimento dos alunos e repensar a prática pedagógica. Dependendo da atividade é bimestral. É uma coisa que fica um pouco distante assim. nossa atenção. atividade de número. eu faço algumas anotações no meu caderno. de letra. de brincadeira. aí já estou com o portfólio na mão seja pra uma atividade ou pra outra. aquele que quer mesmo fazer as coisas. às vezes. Aí nesse portfólio tem evolução da escrita do nome. para a reflexão. Porque as crianças tem necessidade da gente e a gente tem que registrar. você ta fugindo da minha cordinha né. Mas como eles exigem muito da gente. Eu tento registrar todos os momentos que se destacou. Ele já está se afastando. Eu pego algumas atividades de desenho. pra não se perder. uma vez por semana. Só que igual eu falei. que é entregue ao Coordenador Pedagógico. Então eu acho que o registro é muito importante sim. né. tem conhecimento do nome. Assim. E ele já está se afastando. ele vê o progresso da criança. Eu estou sempre com o portfólio pra lá e pra cá. tem desenho de história. e a gente não consegue. registro de jogos. pra ver como ele está. raramente. eu uso muito esse portfólio também pra conhecer melhor. ele ta querendo alguma coisa. no caso todo ano.. Eu fico vários dias com o portfólio. registrar na hora. porém relata a dificuldade de atender as crianças e ao mesmo tempo realizar o registro. isso aqui eu preciso fazer um pouco mais. Então. A gente pega. depois que termina. . E. porque ele é a memória viva do professor. olha o que você já fez. eu já sei: Ah. a gente tem o planejamento que é aquele que a gente faz. Humanamente é impossível. [. o que você ainda não fez: Ah. eu registro. Professora 2: Olha o registro. numa dia que eu esteja mais tranqüila. dependendo da atividade é mensal. que a gente ta trabalhando algum texto. semestral. na verdade esse planejamento que fica com ela a gente pega raramente. A Professora 2 ressalta a importância do registro ser realizado no momento do episódio ocorrido. que entrega pra coordenadora. uso muito o portfólio. no dia-a-dia mesmo o que é que eu uso? Anotações no meu caderno. então eu não consigo. Aí chega no final de semana. O professor assim. aí fico um período sem.92 olhão. ele se esforça muito. porém tem pouco significado para a prática docente. A Professora 3 comenta sobre o registro em forma de planejamento semestral ou anual. mas eu gostaria de registrar na hora. aí assim. atividade livre. a Professora 1 realiza o registro do avanço de aprendizagem na própria atividade da criança e os episódios do parque em sua memória e depois resgata-os. onde o professor ele vai. isso a gente registra. poucas vezes no ano vai lá. Eu falo: Ah. às vezes eu consigo registrar na hora. pra falar a verdade. já não está mais tão perto. de nome. Agora assim. grandão. gosto muito de trabalhar com portfólio. na memória. eu pego essas atividades. assim. ele volta. olha isso aqui eu coloquei aqui e não fez. recorre a ele. vou ser sincera com você.] Na questão do registro da prática. a dificuldade é muito grande. mas já registrei aqui na mente.

(2007. expressões faciais: o que as pessoas falam e para quem falam. 42) De acordo com a prática dos professores e as orientações do documento.. simultaneamente à observação e informar os nomes. para alguém. nota-se que os docentes contam com o registro de memória. Como os diários que existem no mundo. . ou com alguém. Enfim. como se sucede o tempo. por exemplo: fulano fez algo ( usando ou não quais objetos). É importante marcar quantas crianças estão sozinhas. Escritos pelos próprios professores. p. quantas estão próximas e quantas interagem a cada minuto da observação. Descrever com detalhes o que as pessoas observadas fazem: seus movimentos corporais. de preferência. sozinho. mas ainda há necessidade do planejamento e aprimoramento do tempo e espaço no cotidiano dos docentes para a realização da ação de registrar. na maioria das vezes. falas. O registro de uma situação. tabelas que somam as ocorrências de certos comportamentos etc. Outra orientação do documento citado acima é o registro através do diário de campo: Os diários de campos são narrativas pessoais que promovem reflexões da prática educativa no dia-a-dia do CEI e da EMEI. De todo modo. eles contam passo a passo o que acontece todos os dias. os objetos que manipulam e os locais onde se colocam. intervenções e resultados. pronto esse tipo de registro. p. intenções (.).. sentimentos. e uma das entrevistadas aponta a dificuldade de realizar o registro simultaneamente devido à demanda de atendimento aos alunos durante as atividades. horários. dúvidas. Pode-se registrar.fase 1 (2007. pode ser feito por vídeo. inquietações. depois do momento da prática direta com as crianças. situações observadas e objetos disponíveis. fotos ou áudio-gravação. ou ainda. há presença do registro na prática docente. descrevem fatos.93 O documento “A Rede em rede”. 41) traz orientações sobre o registro para os professores iniciantes. na técnica da observação direta: Ser feito. além de escrito. considerando o olhar de seu autor. cabe ao pesquisador transcrever com minúcias objetividade o que foi registrado usando palavras. idades. relatam iniciativas. Nesse momento não se deve conjecturar sobre seus sentimentos. locais. As Professoras 1 e 3 relatam que retomam o registro para a reflexão da prática pedagógica e a Professora 2 relata a importância de registrar simultaneamente o fato ocorrido.

já facilita. trabalha boliche. eu sei que eu trabalhei leitura e escrita. às vezes. trabalhando mais uma do que a outra. o dia-a-dia da escola faz com que você deixe algumas linguagens. uma coisa que deveria acontecer todos os dias.. Então. igual.94 j) Em relação às linguagens. você acaba trabalhando mais e deixando outras. A gente tem que tomar muito cuidado. as brincadeiras dirigidas? Nisso eu sei que eu falhei. eu acho importante trabalhar todas elas. todos os dias. trabalho todas elas. conclui-se o empobrecimento no trabalho das diversas linguagens na Educação Infantil. O ideal seria todas serem priorizadas sempre. cambalhota. Matemática: tem época que a gente trabalha mais. por exemplo. mas trabalha uma vez ou outra. cola. numa determinada época do ano. Então. cantava. eu trabalhei muito estória. Se pensar na importância da freqüência das linguagens. quando se tem esta postura na prática pedagógica. Sabe? Porque assim. A Professora 1 ressalta que a . Um exemplo. Música. Porque o próprio cotidiano. O que ta acontecendo todos os dias. Muita atividade artística: tinta. isso não acontece todos os dias. Não digo que deixando totalmente. acontece. isso eu acho que ainda ficou a desejar. porque o que acontece? A linguagem que você tem mais afinidade. no cotidiano da escola. Então. eu tenho que pegar um tema que eu vejo que há necessidade e aí eu tenho que trabalhar todas as linguagens.. Trabalhar com pneu. trabalhar com corda. Até que o projeto esse ano da minha mostra cultural é o diário de leitura. as outras linguagens. dançava. é mais a organização do espaço pra você estar trabalhando as linguagens. a refletir porque você não está fazendo aquilo. tem época que você percebe que. você acaba. conta os pontos e faz isso com palitinho. na questão da concepção da criança como ser histórico. Eu acredito que eu trabalho todas as linguagens. E se a organização do ambiente já ti força a planejar e trabalhar um determinado dia da semana no horário aquela linguagem. agora? É que tem época também que a gente deixa de lado. por exemplo. muito. Então assim. Por isso é importante o registro. você sente dificuldade em trabalhar as Múltiplas Linguagens na Educação Infantil? Professora 1: Então. estar revendo sua prática porque. A questão de priorizar. trabalhar tipo. No momento. Professora 3: Olha. Professora 2: O que eu tenho sentindo mais dificuldade ainda é os movimentos. leio muito com as crianças. nas linguagens contextualizadas e na questão da seqüência didática. eu gosto muito de trabalhar leitura e escrita. já não é uma coisa que acontece todos os dias. por um motivo ou outro. eu adoro trabalhar leitura com as crianças. Agora. só que tem um momento que a gente acaba priorizando mais uma do que a outra. a linguagem que se tem mais afinidade em detrimento das outras linguagens. tem época que a gente cantava. você começa a se policiar. com gincana. tem época que eu conseguia contar histórias todos os dias. Mas fora da sala de aula eu ainda tenho dificuldade de trabalhar. As Professoras 1 e 2 falam o que geralmente acontece em relação às múltiplas linguagens. mas e o raciocínio lógico-matemático? E o brincar da criança. colocava som. mas tem época que você acaba deixando um pouquinho de lado. só que tem época que eu acabo priorizando mais uma do que outra. muito importante. tesoura. na Educação Infantil. as linguagens é assim.

. desde o nascimento. Então. falas e escritas. necessidades e interesse pelo conhecimento.. portanto. No documento Tempos e espaços. de significativas aprendizagens.) é importante não tomar as linguagens de modo isolado ou disciplinar. reconhecimento que o mundo no qual estão inseridas. O que entende do brincar. (2006. mas. Pode até ser que aconteça. que não resolveu e o grupo me auxilia. [. essa maneira de passar que é duvidosa. faz assim.. na maneira que eu tô recebendo ela. como é que eu faço? Ah. na Educação Infantil em prol da criança que brinca. Porque os colegas vão dando experiências e a gente vai aplicando aquilo. da inteligência. a serviço das interações. A Professora 2 relata a dificuldade em trabalhar com atividades de movimento corporal. sons. o que entende de acolhimento. ouvir e contar histórias são modos muito especiais de cuidar da imaginação. dançando? Tem que ser na sala de aula porque falaram que tem que ser na sala de aula. encontra-se algumas orientações a respeito das Múltiplas Linguagens na Educação Infantil: Antes de ser uma necessidade individual. que dança. cada um passa o que entende. algo que aconteceu na minha sala de aula que eu não consegui resolver ou que eu tive uma determinada atitude e achei que não foi boa.] O acolhimento pode acontecer desde o primeiro momento que eu abro o portão para a criança. o Rede em Rede virou um telefone sem fio.. pra que os dois possam fazer uma reflexão do que está .95 organização do ambiente em prol das linguagens facilita o trabalhar com outras linguagens de menor afinidade e a Professora 3 utiliza o registro para ajudá-la a se policiar em relação a priorizar uma determinada linguagem. da criação e da expressão infantis. Então. da curiosidade por conhecer-se e conhecer o mundo. que imagina. por força da própria cultura. podemos dizer que falar. acredita-se na importância dos docentes em superar a questão da priorização das linguagens. Olha isso deu certo. (. Então eu trago um fato. a apropriação da linguagem é uma necessidade criada no coletivo. Como eu disse pra você. das relações e das memórias das crianças. dos afetos. eu fiz dessa forma. 56) Neste sentido. l) Você percebe a teoria do “Projeto Especial de Ação” e do “Programa Rede em rede: a formação continuada” na sua prática docente? De que forma? Professora 1: Eu percebo quando existem momentos de troca de experiência. (. que conta. eu percebo quando existe a troca. p. Por que eu não posso acolher minha criança cantando no pátio. É muito lenta essa formação. mas não percebo assim de cara. nas relações que permeiam a vida das crianças. Esse Rede em Rede tem que ser também para o professor e o professor junto com o grupo gestor. que fala. Aí eu percebo. que cria. aí eu percebo. Por isso. ler. Dentro dos estudos eu acho que é lento. o que entende de determinada linguagem. sim.. é amplamente marcado por imagens. ah isso não deu certo. que lê. contextualizadas. Isso já aconteceu mais ou menos com uma turma minha..) cabe ao professor alimentar nas crianças novos desejos.

a gente percebe assim. Nós lemos os livros. ela fala sobre a importância de toda equipe escolar estar tendo a formação continuada com o mesmo formador. na educação do aluno. nos horários coletivos de estudo. As crianças são vivas. Professora 2: Olha. porque é fechado. é importante porque a partir do momento que ele lançou um conhecimento. Isso a gente não pôde fazer. vai surgindo coisas. eu acredito até que o curso deveria ser para os professores também. e acontecendo junto a gente consegue pensar mais em prol do aluno. A Professora 2 acredita na importância de trabalhar na prática pedagógica o conteúdo do “Projeto Especial de Ação”. Em relação à teoria e a prática. O professor estar fazendo esse curso. poder sim mudar e estudar outros textos.96 acontecendo no cotidiano da sua escola. Porque aquilo que a gente planejou. Ah. cada um vai passar do jeito por ele. porque o PEA tem os temas no começo do ano. mandou lá para a DRE. passando a não ser mais significativo. por isso que é importante o PEA ser mais flexível e ter um pouco essa abertura da gente poder estudar coisas. porém relata sobre a inflexibilidade do conteúdo programático do “PEA”. não pode mudar. . a gente vai conhecendo durante o ano. nós vivemos numa constante. vão acontecendo coisas que a gente às vezes não planejou. planejou no começo do ano. já foi satisfeito. A única coisa que eu achei de dificuldade foi assim. Porque pra eles é passado de uma forma e pra nós é passado de outra. a gente não pôde estudar textos a mais do que estava planejando no PEA. a Professora 1 relata que a troca de experiência entre os professores. porque cada um é uma pessoa. a gente não conhece. a partir dos livros e das orientações curriculares a gente procura trazer aquilo lá para a prática. Acabou o final do ano e você ainda não está conhecendo ela. talvez não tenha mais necessidade. Mas o Rede em Rede em si. mas cada um tem a sua concepção. eu achava que o PEA tinha que ser mais flexível porque conforme vai passando o tempo. planejou. o que lhe causa um distanciamento da prática. Então assim. ele vai. Eu acredito que não tinha que ser assim. que a gente não poderia saber. ensinar para o aluno. Por este motivo. Quanto a teoria do “Programa A Rede em rede” a Professora 1 coloca em dúvida o conteúdo desse “Programa” transmitido pelo Coordenador Pedagógico. porém solicita que esse “Programa” seja voltado para o grupo de professores pelo mesmo motivo citado pela Professora 1. tem que dar aquilo que ta lá. Igual. a gente tem que trabalhar de acordo com os temas na nossa prática docente. Porque quando a gente observa uma criança. ta planejado. tinha que ser flexível e. Então eu acho que seria importante abrir sim para os professores. chegar no meio do ano poder estar mudando talvez a bibliografia. Então. Então assim. A gente sabe dos livros. vamos se dizer assim. Em relação ao “Programa A Rede em rede” a Professora 2 conhece a teoria por meio dos documentos elaborados pela equipe DOT-EI e procura levar o conteúdo para sua prática docente. conforme a nossa possibilidade. E o Rede em Rede eu não tive muito contato esse ano. as orientações curriculares. Eu não fiquei sabendo muito que aconteceu na formação do Rede em Rede. Então. E ta colocando coisas novas. tem maior significado para a prática docente do que o conteúdo programático do “Projeto Especial de Ação”. é como se fosse uma bolha em ebulição. Porque às vezes o coordenador.

tirar dúvidas. o Coordenador Pedagógico deve desenvolver estratégias de trabalho para que teorias do “PEA” ou do “Programa A Rede em rede” não se tornem apenas informações ou imposições.12) No processo de Formação Continuada Docente. que não respondem a singularidade de cada situação educativa em uma sociedade em permanente mudança. Isso também é muito importante. Problemas como inflexibilidade no conteúdo programático. perdem-se oportunidades valiosas de desconstruir formas de atuação cristalizadas. dúvidas quanto a conceitos. é muito corrido. porque o nosso trabalho é muito humano. 2007. A gente não se encontra. Ela ressalta a importância dos momentos coletivos para troca de experiência. uma questão de refletir. esse momento de troca é muito importante.97 Pesquisadora: Você percebe a teoria do “Projeto Especial de Ação” e do “Programa a Rede em rede: a formação continuada”. o que eu mais sinto falta é isso. teorias. trocar experiências ou. (A Rede em rede. Entende-se pelo processo de Formação Continuada de Professores: Nem sempre a criação dessa zona de desenvolvimento pelo próprio professor em formação é possibilitada. Nesse caso. muitas vezes. Você não tem um momento de encontrar com seus parceiros. é uma correria constante. Nesse processo. conversar. de trocar experiência. precisa muito desse momento de conversar. refletindo e eles conseguem levar pra prática uma ou outra coisa. A professora 3 que não tem o contato semanal com o “Projeto Especial de Ação” e a teoria do “Programa A Rede em rede” nota pouca presença da teoria do “PEA” e do “Programa” na prática dos docentes que lecionam com ela. é preciso muito diálogo e reflexão. de conversar. eu acho que o mais forte é isso mesmo. devem ser discutidas e analisadas por todos os envolvidos no processo de formação. na prática dos professores que lecionam com você? Professora 3: Com relação à prática a gente percebe que tem algumas coisas que eles estão estudando lá e estão discutindo. de dividir. E a gente que não participa do projeto. Então eu acho que principalmente por isso. Mas assim. É necessário que o Coordenador Pedagógico fique atento às queixas do professor. transforme essas queixas em bons problemas para juntos encontrarem as soluções. p . .

Então. a gente vê a diferença sim. Mas em outros momentos. você observa mudanças de prática nos professores que realizam a formação continuada. na escola. ele está interagindo mais na escola. ele ta sabendo mais do assunto. Parece que você trabalha sozinho. Então assim. as decisões. em alguns momentos assim. só que por ele não estar entrosado. Às vezes. ele ta fora do grupo de JEIF. Às vezes. dos projetos. Agora. Ele faz lá fora a atividade uma vez por semana ou duas. então ele não está junto com o grupo. a gente não conhece o trabalho dele. que ocorre durante o horário coletivo de estudos. Não por mal. Porque os professores aqui na EMEI provavelmente eles dobram e eles fazem PEA no outro turno. ele pode estar enriquecendo muito o nosso trabalho e a gente ainda dando coisas novas pra ele. eu tenho experiência por mim. A Professora 1 ressalta a importância do entrosamento de todos os professores e os projetos para o enriquecimento do trabalho pedagógico. não. Então eu acho assim. mas é porque assim. Então. que você percebe muito nitidamente. porque a formação continuada acontece nos grupos de JEIF e geralmente esse professor que não faz. eu ficava um pouco assim fora da escola. no horário coletivo? Professora 1: Eu percebo a falta de entrosamento. que fica muito claro. Pesquisadora: Durante esses quatro últimos anos. alguma coisa que ele faz assim que você percebe que está dentro de algum tema que está sendo estudado dentro do projeto. Professora 2: Olha. porque o professor que faz o PEA. claramente. observar mudanças assim. Não que o trabalho dele não seja tão bom quanto o de quem está fazendo a formação. eu não tenho observado isso. eu não tenho observado essa diferença. na escola? Professora 3: Então. Então eu acho muito importante a realização do PEA sim. você percebe até uma ou outra atividade. As Professoras 1 e 2 percebem que o professor que não realiza a formação continuada semanalmente. Então a gente percebe dessa forma. esse professor fica deslocado. determina alguns projetos. . no PEA. faz algumas trocas de experiências. das trocas de experiências. as coisas acontecem no PEA: as informações.98 m) Você percebe diferença na sua prática docente em relação à prática docente do professor que não realiza a formação continuada. Você percebe assim. ele ta vendo o que a escola tá trabalhando. em outros anos. o professor que não faz o PEA é um professor mais desinformado. algumas atitudes assim. então essa é a descontinuidade. o grupo se reúne. sinceramente. quando eu não fazia o PEA. fica totalmente distante das informações. não é uma coisa assim muito marcante. porque tem professores que fazem trabalhos maravilhosos. Mas assim. até pra estar trocando como trabalhar com determinados temas. das decisões. é um conjunto. que o professor fica um pouco.

às vezes. É uma dificuldade. em alguma coisa ele precisa de intervenção. eu fiz estudos. sempre tem alguma coisa que a gente leva sim da teoria para a prática. que a gente dance. que a gente cante. Professora 2: Ah. mesmo que ele tenha facilidade. Porque assim. a gente tem que ir atrás. ele precisa de uma dica: olha isso tem que fazer assim. Eu gosto de trabalhar com brincadeiras cantadas com as crianças.. Por exemplo. eu conseguiria desenvolver um trabalho de mais qualidade. Então assim. percebe poucas ações. Por exemplo. Porque assim. às vezes impede. os alunos são muito agressivos. algumas coisas que a gente reflete e muda. Porque assim. Porque cada criança tem a sua necessidade. n) Existem fatores que impedem a aplicação da proposta teórica. Essa é uma questão. Tem também algumas coisas assim. no vespertino e não consigo fazer no inter. a gente procura estar . que eu acho muito importante: a intervenção individual. a gente faz o que a gente pode. eu tenho um num período intermediário e um no período vespertino e eles são muito diferentes uma turma da outra. acredita-se na necessidade em criar espaços para que ocorra a integração de todos os professores com o “Projeto”. mais livre. vai mudando algumas coisas na prática. tem muita criança que ele aprende sozinho. a rotina da escola. dos professores que realizam os estudos no horário coletivo.a gente sabe que não é tudo que a gente vê na teoria que a gente consegue colocar na prática. em um lado. quem não gostaria de poder acompanhar melhor os alunos de poder fazer mais por cada um. Fiz uma pósgraduação em educação infantil. Então assim. então eu fui buscar. emperra. na unidade escolar. às vezes também num ano você consegue e no outro não. a teoria eu tenho. E assim. Eu acho muito importante porque assim. tem criança que não é assim. é uma turma muito agitada. uma brincadeira dirigida. que é dificuldade geral. uma brincadeira mais livre. tem. Então assim. a quantidade de criança. eles conseguem esperar. na faculdade eu senti que faltava ainda conhecimentos. que é ter um número muito grande de alunos nas salas. [. e assim. E assim. Assim. tem quer respeitar cada indivíduo na sua íntegra. Agora assim. Já a outra turma é uma turma mais tranqüila. eu acho que se tivesse um pouco menos de criança. Geralmente eu tenho duas turmas. que não realiza a formação continuada semanalmente. tem coisa que dá. a realidade é bem diferente. porque eu conseguiria atender cada criança. a gente não tem que esperar. Eu acho que o fator maior que impede é esse. às vezes ele tem facilidade em uma questão e em outra não. Então eu acho que a organização mesmo da escola impede um pouco o trabalho. ele precisa de uma intervenção individual. a organização do tempo. eles têm mais paciência pra uma atividade que precisa de mais tempo. Professora 3: Olha. dá pra você estabelecer um diálogo melhor. a gente tá sempre mudando né. Os alunos são muito diferentes. para caminhar sozinho. eu tenho dois segundos estágios. Portanto. tem coisa que não.99 Quanto ao Professor 3. esse é um fator complicador. Infelizmente a gente trata um todo e acaba fazendo um depósito de criança e a escola não é um depósito de criança. na prática pedagógica? Professora 1: Impedem: a organização do ambiente. busquei.] Agora. por exemplo. eu gosto de cantar com as crianças e isso a própria organização da escola impede que eu faça esse trabalho do jeito que eu gosto. porém tem acesso aos documentos da Secretaria Municipal de São Paulo e ao conteúdo do “Projeto Especial de Ação”. na prática docente. Algumas coisas eu consigo fazer.. uma coisa que me aflige muito.a única dificuldade que eu encontro é a quantidade de criança. eu tenho uma turma no inter que é muito difícil. Eu gosto de um ambiente mais aberto. assim.

ajuda a melhorar. poderia acompanhar bem melhor cada aluno. cada criança. eu creio que só. Professora 3: Ah sim. talvez até fazer uma reunião extraordinária. [. tem muita coisa que não dá.] Seria assim. A gente pede. Às vezes. Professora 2: Sim. mas tem muita coisa que dá pra você colocar na prática. Ela relata que cada criança possui uma necessidade específica e comenta a importância de realizar uma intervenção individual e ressalta a grande quantidade de criança na sala de aula. Só que a gente sabe que se fosse um número menor de aluno. procura estar acompanhando. eu fazia isso. Eu acho que a comunidade é muito importante. o próprio grupo de formação ajuda bastante esse programa. auxilia. Porque é um conjunto e a gente tem que procurar sempre parcerias. eles logo estão providenciando esses materiais. a gente poder estar discutindo as nossas dificuldades. A gente também junto com os pais. materiais pra gente. procura estar conhecendo cada aluno o máximo que a gente pode. você caminhar junto com a comunidade porque nas reuniões eu sempre converso com os pais. reflete. se eu estou com alguma dificuldade. o que tem auxiliado. a questão da organização do espaço e do tempo e a grande quantidade de crianças na sala de aula são fatores que dificultam a proposta teórica à prática docente.. olha que legal. É muito bom.. Sempre. Assim.100 fazendo essa intervenção. a gestão estar junto com a gente tentando solucionar os nossos problemas. sempre você dá uma acordada pra alguma coisa. é importante retomar. se não tivesse algumas dificuldades teria como colocar muito mais a teoria em prática. fazer de novo. nós somos uma parceria e nós vamos caminhar juntos. como eu falei. Então eu sempre procuro assim. a heterogeneidade dos alunos. na prática docente? Professora 1: Olha. então vamos caminhar juntos. Nós estamos aqui pra ajudar no desenvolvimento dos filhos de vocês e eu quero fazer o que eu puder. A Professora 3 observa as diferenças de cada criança atendida por ela.isso ajuda bastante. são as verbas. agora não faço mais. poderia fazer um trabalho bem melhor. A Professora 1 relata que a organização quanto ao espaço. tempo e a rotina estabelecida na unidade escolar dificulta a realização da proposta teórica na prática docente. o) Existem fatores que têm auxiliado a aplicação da proposta teórica. é sempre muito bom. que não estava no calendário. ajuda a transformar algumas coisas na sua prática sim. o diretor. até alguma coisa que você fazia lá há um tempo atrás e não faz mais. Já a Professora 2 encontra dificuldade em conciliar a proposta teórica e a grande quantidade de crianças na sala de aula e ressalta a importância do atendimento individualizado das crianças. que ajuda a refletir. conversar com os pais. que estão comprando muitos brinquedos. o fator é o da gente acompanhar mesmo. né. Às vezes você começa a ler. que ajuda. . a coordenadora.

Mas eu vejo que assim. duas professoras. Professora 2: Olha. meses. Professora 3: Olha. a localizar sua mochila. tem . Não que não aconteça com as de quatro anos. Então é assim. Então ainda não se organizaram quanto a isso. A Professora 3 relata que a própria teoria ajuda na mudança da prática pedagógica. Portanto. vai se conversando. pela unidade escolar. atuação da equipe gestora. auxiliar o desenvolvimento dos Projetos e Programas na prática docente. Lá. ainda não foi pensado nisso. Então. Então nós entre as professoras estamos preocupadas: ah. os fatores materiais. colchonetes e brinquedos. p) Como a equipe tem se organizado para receber as crianças de 4 anos a completar? Professora 1: Nós temos conversado entre nós professoras. E são trinta pra ajudar a se servir. Assim. A escola ainda não propiciou momentos pra que a gente se organize. a guardar aquilo lá. do mesmo jeito que é a sala de primeiro estágio. já não é a mesma criança de quatro anos. será que eu não pego. pra fazer a verdade. um mês já faz diferença.101 Professora 1 relata que a compra de materiais. nós vamos ser uma professora pra 30. não pode ser tão pequeno assim. tenha que talvez mexer na parte do prédio mesmo. ajudar a colocar comida no prato. porque aqui é self service e a criança ainda não tem toda a coordenação pra estar pegando. brinquedos que sejam bem baixinhos pra elas. São muito diferentes. será que eu pego berçário. nem o espaço. mas nós professoras já estamos muito preocupadas. a completar quatro. Primeiro porque vai ser uma sala de 30 e vai ter um único professor. Os brinquedos que a escola tem hoje é fácil quebrar a roda de um carrinho. eu não percebi assim mudança pra receber essas crianças. participação da comunidade e a própria teoria são fatores que qualificam a prática docente. mobiliário. né. mas vai acontecer mais freqüentemente do que com as de três anos e meio. mais ou menos. dessa maneira que eu tenho observado né a organização pra receber essas crianças pequenas de três anos. só. Eu acredito que ainda é pouco porque ainda se tem muito mais a se fazer. as crianças que ainda vão completar quatro anos. E nós vamos ter que ensinar essa criança a tirar sua roupa quando sente calor ou colocar a roupa quando sente frio. tudo. não de onde as crianças vêm geralmente é quinze. mas é uma coisa assim que é lenta e que se vai caminhando e que você vai planejando. a escola tem procurado nas salas de primeiro estágio deixar menos cadeiras para as crianças trabalharem mais no chão. muito. A Professora 2 ressalta dois fatores que auxiliam na aplicação dos Projetos e Programas na prática pedagógica: a presença dos gestores na solução de problemas e a parceria com os pais ou responsáveis das crianças. procurar ser um ambiente que tenha poucas cadeiras. não é. quebrar uma rodinha e a criança colocar na boca. Espero que no começo do ano a gente tenha esse tempo pra nos organizar antes dessas crianças começarem realmente. enfiar no nariz ou no ouvido. brinquedos apropriados. Ajudar a colocar o sapato nessa criança. elas têm dificuldade pra usar vasos grandes. que completaram 3 anos no final do ano. né. Nós estamos preocupadas com o ano que vem. Essas crianças virão com três anos e meio. pelo que eu observo a escola ela tem se organizado da seguinte maneira: procurar ter mais colchonete nas salas que as crianças de três anos vão estar. dezoito crianças. tem que pensar muito bem nos brinquedos. Que nem. é o que eu tenho observado. ter um banheiro mais acessível porque talvez os vasos são grandes. que tenha bastante brinquedos.

. 57) Nessa concepção da criança como ser inteiro. a criança deve ser vista como um ser inteiro: Dentro de uma visão de educar e cuidar que vê a criança como um ser inteiro que constrói significados na interação com um ambiente complexo. a preocupação com as peças sanitárias.EI. os gestores. Porque do mesmo jeito que essa sala que recebe essas crianças. na minha opinião não ta preparado. Pouco adianta implementar práticas que não sejam construídas conceitualmente.fase1. na questão do cuidar (vestimenta e alimentação). Ela relata também que não houve momentos até a presente data para discutir as questões. A relação do cuidar e educar como conceito indissociável contrapõe antiga concepção de escolarização nas Unidades de Educação Infantil. estudada e construída pela equipe escolar. menos cadeiras na sala de aula.102 um mês que completou. e que não sejam apropriadas pelos professores e demais educadores. no campo das teorias. aí vem pra EMEI. Essa nova concepção ajudará a escola acolher os novos ingressantes de três anos e meio na Unidade Escolar. Ela relata preocupação quanto à quantidade de crianças na sala de aula. cheio de facetas. muitos brinquedos e relata. normas. p.. ainda. cinco ou seis anos de idade. (A Rede em rede. possibilidades de ação. Esse planejamento deve estar pautado numa nova Proposta Pedagógica. 2007. que deve ser pesquisada. Segundo o documento elaborado pela equipe de DOT. que é incompatível com o tamanho da criança. [. de seis anos. não ta estruturado pra receber essas crianças. Assim. organização de espaço. na unidade escolar. recebe também as crianças de cinco. preocupações que são latentes no acolhimento da nova faixa etária de crianças que freqüentará as EMEIs. professores e funcionários precisam planejar de forma contextualizada todos os momentos da criança na escola. A Professora 2 descreve alguns cuidados que já vem ocorrendo na escola: sala com colchonetes. A Professora 3 relata a não percepção de mudanças no acolhimento das crianças menores de quatro anos e diz que não há diferença do espaço da sala de aula para as crianças de quatro. mobiliários adequados.. é preciso desenvolver um olhar que considere a gestão pedagógica das situações criadas também nesse ambiente.] A Professora 1 fala sobre a preocupação com o acolhimento das crianças de 3 anos e meio e afirma que a criança que tem um mês a menos em relação a criança de quatro anos já faz toda diferença.

através do questionário respondido por elas. Por fim. a Professora 1 que realizou totalmente a formação continuada. semanalmente. tem-se que as Professores 2 e 3 possuem a Pós-graduação. possui menos traços da nova proposta na prática docente do que a Professora 2.103 Quanto ao número excessivo de crianças em sala de aula. na escola.lato sensu. toda adequação estrutural necessária para o acolhimento desses novos pequeninos ingressantes. . que não realizou a formação continuada. em prol da qualidade do atendimento. no que refere à proposta teórica do “PEA” e do “Programa” e a prática docente. quanto à aquisição de materiais. seja prioridade aos governantes. Ao analisar a formação acadêmica. que realizou a formação continuada. semanalmente. Espera-se também um respaldo dos governantes às escolas. o que evidencia que a formação acadêmica faz diferença na prática docente. parcialmente. espera-se que a diminuição delas. na área da Educação. e a Professora 3. mobiliários adequados enfim.

foi utilizada a abordagem qualitativa. Sendo assim. cuja teoria está contida no “Projeto Especial de Ação” e no “Programa A Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil”. na área de Educação. Ao mesmo tempo. Quanto ao tempo de magistério. 15 docentes declaram ter o ensino superior e apenas 01 o magistério em nível médio. para o aprofundamento da pesquisa e análise da documentação da escola pesquisada. Além disso. Das 16 respostas obtidas por meio da técnica de questionário. sintetizo a análise dos dados coletados em relação à proposta de formação continuada. entrevista semiestruturada.lato sensu. 2004) Neste capítulo. os docentes possuem de 05 a 25 anos de experiência não tendo nenhum professor iniciante participando da pesquisa. na área de Educação.lato sensu. a pesquisa vem mostrar que os professores possuem o interesse em se especializar na área em que atuam profissionalmente. apresentaram mais traços da nova proposta pedagógica nas ações cotidianas da escola do que a professora que possui somente o ensino superior. foi aplicada aos professores e gestores da unidade escolar dando a oportunidade a todos a participarem da pesquisa. que se localiza na Zona Leste de São Paulo. Os professores pesquisados têm a idade entre 29 a 44 anos e grande parte. os entrevistados são do sexo feminino. Considerando-se o perfil profissional. possuem formação acadêmica. (Fonseca. nas Instituições de Educação Infantil. os professores que participaram da entrevista semiestrurada e tem a formação na modalidade de Pó-graduação. o qual as mulheres desempenham melhor o papel de cuidar e educar as crianças.104 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS “É na formação dos profissionais que vão atuar na educação infantil que está a chave para uma atuação responsável e competente”. A pesquisa teve como objetivo compreender como as teorias alcançam a prática dos professores e como os docentes da Rede Municipal de São Paulo aplicam essas teorias na prática pedagógica. técnica de questionário. Ressalta-se que 05 professores declaram ter a formação na modalidade de Pós-graduação. o que evidencia que ainda predomina o paradigma cultural. Os docentes declaram que . A abordagem quantitativa.

a pesquisa evidencia que este “Projeto” precisa de alguns ajustes quanto à metodologia. além de dúvidas. Os novos conhecimentos pedagógicos poderão fazer parte da prática docente quando forem articulados com as reais necessidades e desejos dos professores. pensamentos. de professor ou coordenador pedagógico. Há divergência na avaliação do “PEA” pelo grupo de professores e gestores. obtevese com as respostas. motivo pelo qual. assim como os momentos de acompanhamento da formação continuada. Diante disso. conhecimento de que é um momento muito valorizado pelos professores e gestores. Alguns professores declaram que há um distanciamento da teoria proposta pelo “PEA” com a prática docente. que transforma e é transformado pelo outro. complexo. os gestores deveriam realizar constantemente a avaliação do “Projeto”. de concepção pedagógica. necessidades pedagógicas. somente no início do . inquietações etc. com decisões próprias. pois é reconhecido como um momento precioso para trocas de experiências e tomada de decisões coletivas. observar o interesse dos professores ao estudo proposto e a sua eficácia na prática pedagógica. o que dificulta a participação deles na formação continuada da unidade escolar. No que se refere às questões pedagógicas. Neste sentido. a pesquisa aponta para a heterogeneidade de conhecimento dos professores sobre os assuntos abordados. o Coordenador Pedagógico terá maior proximidade das ações pedagógicas do professor. O importante é garantir que o Coordenador Pedagógico tenha momentos destinados ao acompanhamento da prática docente. inquietações. Esse professor possui ações pedagógicas que não representa somente as aprendizagens teóricas e técnicas.105 acumulam cargos. de registro. em horários coletivos. a ausência dos docentes na formação continuada causa um empobrecimento do trabalho coletivo. mas as experiências vividas ao longo da vida. das dúvidas. Neste sentido. Quanto ao “Projeto Especial de Ação”. em horário coletivo. bibliografia e avaliação. de espaço. o Coordenador Pedagógico precisa considerar que o professor é um ser único. A participação dos professores na elaboração do “PEA”. Em relação à formação continuada realizada na escola. enfim terá a oportunidade de realizar uma intervenção individual contribuindo para o avanço da prática docente. Cada professor pesquisado tem um conceito de tempo.

motivo pelo qual. execução e avaliação com todos os envolvidos. espaços. formação e condições de trabalho das professoras e demais profissionais. materiais e mobiliários. Por fim. Por outro lado.106 ano. Neste sentido. no período de 2005 a 2008. promoção da saúde. interações. os professores avaliam o “PEA” como sendo um projeto estático e não dinâmico. para se alcançar a qualidade na Educação Infantil. Os professores relatam a dificuldade do Coordenador Pedagógico em multiplicar o conteúdo do “Programa”. As etapas de planejamento do “Projeto Especial de Ação” devem ser compreendidas como processo educativo. Os professores apontam na pesquisa que a organização da rotina na escola. o documento Indicadores da Qualidade na Educação Infantil (2009) aponta sete dimensões: planejamento institucional. O “Projeto” para ser eficiente é necessário planejar as etapas de elaboração. como relatou um dos gestores pesquisado. o grande número de crianças na sala de aula e a heterogeneidade dos alunos dificultam a aplicação das propostas do “PEA” e do “Programa” na prática pedagógica. Em relação ao “Programa: A Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil”. flexível. não garante o bom andamento do “Projeto Especial de Ação”. cooperação e troca com as famílias e participação na rede de proteção social. dinâmico e as ações precisam estar voltadas para o projeto maior da unidade educacional. as propostas do “Programa A Rede em rede” e do “Projeto Especial de Ação”. os gestores reconhecem a qualidade e o fortalecimento que o “Programa” trouxe à equipe gestora no crescimento profissional. no qual. multiplicidade de experiências e linguagens. os docentes relatam que a compra de materiais pedagógicos. A comunicação entre os professores e o Coordenador Pedagógico não é totalmente satisfatória. A pesquisa mostra a dificuldade do Coordenador Pedagógico em aproximar-se das práticas cotidianas e implantar o registro reflexivo. Esses são alguns ajustes necessários para que o “PEA” seja eficiente. Coordenador Pedagógico e Professor se tornam parceiros na construção da aprendizagem. os professores solicitam que o “Programa” seja estendido a eles e não somente ao Coordenador Pedagógico. foram analisadas por meio dos relatos de prática dos docentes e observa-se que ações decorrentes das propostas estão presentes na prática pedagógica e outras precisam ser aprimoradas. o Projeto Pedagógico. a presença dos gestores na solução de problemas e a parceria da escola com as famílias são fatores que auxiliam as propostas teóricas fazerem parte da prática pedagógica. . Além disso.

pesquisas direcionadas a formação continuada docente são essenciais para trazer a luz discussões e reflexões sobre a relação teoria e prática pedagógica. em direção ao mundo a ser transformado e humanizado. a comunicação é fundamental para que gestores e professores tomem consciência do mundo. da autenticidade e da dialogicidade. Por fim. fatores que contribuem para a construção de conhecimento à Educação. e traz como desafio um maior envolvimento de toda a comunidade educativa neste processo de formação. a relação interpessoal entre o Coordenador Pedagógico e o Professor precisa ser baseada nos princípios da empatia. No processo de formação.107 Esses indicadores vêm ajudar as instituições de Educação Infantil a definir suas prioridades e traçar caminhos para construir uma proposta pedagógica e social significativa. a análise empreendida a respeito dos instrumentos de formação continuada: o “Projeto Especial de Ação” e do “Programa: A Rede em rede” permite considerar que esses instrumentos são importantes para a formação continuada dos professores. Todos precisam esforçar-se para compartilhar as reflexões e o agir de cada um no cotidiano escolar. Além disso. . Observar a história da Educação Infantil e compará-la aos dias de hoje é perceber o quanto as instituições que atendem as crianças de 0 a 5 anos avançaram nas dimensões pedagógicas e sociais e o quanto precisam avançar rumo a uma plena qualidade educacional. Em síntese. de si e dos outros.

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( ) impossibilidade devido acúmulo de cargo. na Educação Infantil. proposta pela Secretaria Municipal da Educação? ( ) Excelente ( ) Bom ( ) Regular .Há quanto tempo você exerce o magistério? ( ) 0 a 5 anos ( ) 5 a 10 anos ( ) 10 a 15 anos ( ) 15 a 20 anos ( ) 20 a 25 anos 2-Em que ano você ingressou no cargo de Professor de Educação Infantil na Prefeitura Municipal de São Paulo? R:____________________________________________________________________ 3-Você exerce outro cargo na Prefeitura Municipal de São Paulo ou em outro órgão estadual ou particular? ( ) sim ( ) não Qual?__________________________________________________________________ 4-Você participa ou participou do Projeto Especial de Ação (PEA) de sua Unidade Escolar ou em outra Unidade Escolar? ( ) sim ( ) não 5. ( ) outros ___________________________________________________________________________ _________________________________________________________________7Nestes últimos quatro anos.115 APÊNDICE A – Questionário dos Professores Nome: (opcional)______________________________________________________________ Idade:_____________________________________________Sexo: F ( ) M ( ) Formação acadêmica: 2º grau-magistério ( ) Ensino superior( )Qual?____________________________ 1. ( ) organização familiar. ( ) 2005 ( ) 2006 ( ) 2007 ( ) 2008 6-Assinale uma das alternativas abaixo. como você avalia o Projeto Especial de Ação de sua Unidade Escolar? ( ) Excelente ( ) Bom ( ) Regular 8-Você tem conhecimento da Política de Formação de Professores ( Rede em rede) proposta pela Secretaria Municipal de Educação na Educação Infantil? ( ) sim ( )não 9-Como você avalia o Programa Rede em rede. caso você não participou do Projeto Especial de Ação nos ano de 2005 a 2008 ou participou parcialmente.Em quais anos? Assinale o(s) ano(s) em que você participou do Projeto Especial de Ação (PEA).

conteúdo etc) e no Programa Rede em rede. na Unidade Escolar que foi significativo para sua prática docente? R:________________________________________________________________________ 15. você realiza o registro do desenvolvimento de seus alunos? ( ) diariamente ( ) semanalmente ( ) mensalmente ( ) bimestralmente ( ) semestralmente 12-Você tem desenvolvido o hábito de refletir sobre sua prática docente? ( ) sim ( ) não a) Com qual freqüência? ( ) diariamente ( ) semanalmente ( ) mensalmente ( ) outros 13-Qual a concepção pedagógica que fundamenta sua prática docente? ( ) tradicional ( ) construtivismo ( ) sócio-construtivismo (outro)_______________________________________________________________________ 14-Durante os últimos quatro anos.Quais os assuntos mais significativos que trata o Programa Rede em rede para sua prática docente? Que assuntos você sugere? R:___________________________________________________________________________ 11-Com qual freqüência. na Educação Infantil? a) Projeto Especial de Ação: __________________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________ b) Programa Rede em rede: __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________ 16-Como você avalia a sua participação no processo de Formação Continuada (PEA) da Unidade Escolar? ( ) Excelente ( ) Bom ( ) Regular .116 10.O que você mudaria no Projeto Especial de Ação ( metodologia. o que você aprendeu. na formação continuada.

como você. R:_________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ 4-Como você avalia o Programa Rede em rede. reflexão) na prática dos docentes? Comente. relate as dificuldades. enquanto gestor. tem pensado no acolhimento das crianças de 4 anos a completar no cotidiano da EMEI? R:_________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ .117 APÊNDICE B – Questionário dos Gestores Cargo/função: 1-Quais são os desafios cotidianos que você tem enfrentado em relação a formação continuada dos professores? R:_________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ 2-Como você tem percebido a presença da formação continuada (conteúdo. como você avalia o Projeto Especial de Ação? R:_________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ 6. R:_________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ 3-Você tem sentido dificuldade em lidar. nos horários coletivos.Você tem percebido dificuldades dos professores em lidar com a teoria do Projeto Especial de Ação e o Programa A Rede em Rede. na Rede Municipal de Educação? R::_________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ 5. com o Projeto Especial de Ação e o Programa A Rede em Rede na formação continuada dos professores? Caso positivo.Nestes últimos quatro anos. na prática docente? Comente. R:_________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ 7-Em relação ao Ensino Fundamental de 9 anos.

o que você entende por concepção tradicional-sócio-construtivista? Professora 1: Tradicional é o professor que ensina. em primeiro lugar. Então eu sou tradicional e construtivista por quê? Porque eu sou consciente que eu estou aqui pra ensinar. que imagina. Ela tem que estar atenta no que eu estou fazendo. do horário da gente. com outras pessoas da unidade escolar. vai ter o momento de construir. Então eu considero tradicional. se não ouvir fica difícil a gente trocar idéias . na rua. trabalhando dentro da escola. Pesquisadora: E você ensina através do método tradicional? Professora 1: Olha. o viver dela. Qual é sua concepção de criança e de infância? Professora 1: A criança que brinca. Pesquisadora: Muito bem. Eu gostaria de saber o que você entende por formação continuada? Professora 1: Formação que todos os dias nós estamos com os nossos colegas. porque tem que ouvir. com o grupo de estudo. quando eu vou ensinar algo eu acho que é importante a criança ela tem que me ouvir. que se corrige. eu gosto de. quatro dias na semana. De acordo com a resposta do questionário. uma obrigação de ensinar. que tem que ensinar também.118 APÊNDICE C – Entrevista Professora 1 Pesquisadora: Qual é o seu cargo? Professora 1: Professora de educação infantil e ensino fundamental I. o que eu vou educar com a minha criança nas relações do dia-a-dia com o colega. as idéias da gestão e também as práticas e o estudo que a gente tem que estar fazendo. de participar da aula. Então o que eu vou ensinar? E aí eu vou elencar o que é importante pra eu estar ensinando para a minha criança. a criança que se expressa. com o coordenador. a criança que constrói. cada professor escolhe o seu horário e aí a gente forma um grupo. vai ter o momento de ouvir. pra mim isso é educação continuada. Pesquisadora: Muito bem. tem que se atualizar dentro da nossa área da educação. fala o que pensa. Pesquisadora: Muito bem. com aquilo que ela fala o que aconteceu na casa dela. vamos começar então a pesquisa. Nós nos reunimos e estudamos. Então. isso eu considero o tradicional. Pesquisadora: E quais são os momentos que ocorrem a formação continuada na unidade? Professora 1: Bem. quatro vezes por semana estar um grupo fechado. comigo. um grupo junto estudando. pode se dizer. tem que estar claro na cabeça dele que ele tem. Geralmente são três dias na semana. Ela vai ter o momento dela falar. Pelo menos três. a criança que chora. Assim. três. a criança que nós fomos um dia e crescemos e hoje somos adultos. Então. mas eu também tenho os momentos de ensinar e isso eu não posso deixar de lado. O que é o sócio-construtivista? É o educar levando em conta o meio da criança. ela tem que me ouvir. vai da gente. Eu vou estar educando essa criança.

Eu já sei. Então. como que eu vou dar aquela atividade. mais ou menos. eu procuro dividir. por isso que eu lhe digo que eu sou um pouco tradicional. Então vamos falar um pouquinho disso que você já está relatando à respeito do espaço. eu tenho lá minhas tarefas do dia. como que a gente vai estar conversando. eu não posso dizer que é uma atividade simples. nós vamos fazer a nossa contagem. Então. bastante. aí é o meu momento. quantas meninas. aquilo que já tem que estar planejado na minha cabeça: a maneira. Só que eu acho que fica mais difícil. Uma atividade mais longa. conversar com eles o que aconteceu no dia em casa. Vou passar informações. que eu vou planejar. deles estarem conversando. vou escrever na lousa. eles trocam brinquedos entre eles. como você planeja o tempo no dia a dia? Professora 1: O tempo já é meio complicado. Então. contando as novidades. Então esse ano eu usei muito o vídeo. por isso que eu falo que eu sou tradicional e sócio-construtivista. Como tem sido no seu cotidiano da sala de aula a questão do espaço ambiente? Professora 1: Esse ano eu trabalho na sala 5 que seria a sala de vídeo. se cumprimentando. tem que ter uma relação de respeito. Então. eles vão para o meio da sala e nós fazemos uma roda. trabalham muito bem. tem sempre lá um vídeo de música. Pesquisadora: Na concepção sócio-construtivista. bastante. os grupos. E a questão do tempo. Então é tudo assim bem no horário certinho. então eles já estão acostumados. tem o acolhimento. Terminou esse momento. Eu não. onde ela vai sentar. Acho que a minha maneira de ser. E a atividade ela já vem. eu perco o controle. as conversas entre eles. na sócio construtivista. quanto eles gastam pra fazer a atividade. É uma coisa por vez. Esse ano eu peguei uma sala rodízio. aquilo que eu quero. mais uns dez minutinhos. o primeiro momento é o momento de acolhimento deles. um desenho animado. eles trazem brinquedos de casa. Toda vez que eu vou passar informação para as crianças. Aí parou. Desde o vídeo do primeiro momento que entra na sala. eu divido uma sala com a colega. acho que a criança fica muito solta e eu Ângela. brincando ao mesmo tempo. E aí eu faço com todos juntos. o que eles vão fazer – jogo lá mais uns quinze minutos.119 e conseguir educar e ensinar ao mesmo tempo. aquilo que eu elenquei de importante. você não consegue perceber essa relação do ouvir e do respeito? Professora 1: Dá pra perceber sim. a organização das mesas. entendeu? Eu perco o controle. Tem professor que trabalha muito bem assim. desde o primeiro momento que ela entra na sala de aula. eles . eu já passo na roda pra eles: hoje nós vamos fazer só a pintura e a colagem e amanhã nós vamos dar continuidade. Pesquisadora: Muito bem. Como é que eu vou dar atividade naquele dia. eles até sabem. vou fazer a leitura do dia. então a sala está sempre organizada em meia lua. Então tudo tem que ser organizado. é uma atividade que eu perceba que a criança consegue fazer. quantos meninos. sempre em meia lua. que vai terminar naquele dia. não é? Então eu já venho qual atividade que eu vou dar naquele dia. mais complicada. eles vão fazer a troca e já vão ficar mais ou menos uns vinte minutos ali na conversa entre eles. Então vamos fazer leitura? Bom. no final de semana. que eu vou trabalhar com a criança. que eles vão chegando. Por quê? Após esse encontro entre eles. fazendo atividade ao mesmo tempo. Pesquisadora: Muito bem. então tem que ser tudo meio cronometrado. Então essa é minha organização da sala. de reciprocidade.

fácil e a gente vê o dinheiro ir embora. que você tem um dia. como é a organização de vocês? Professora 1: Então. Amanhã vamos dar continuidade a esses três episódios. eu já aviso desde as primeiras reuniões. do acolhimento. nos últimos anos a escola vem recebendo verba pra comprar material pedagógico. já faço minha organização. Então. por exemplo. do material. Pesquisadora: Em relação ao tempo da unidade escolar. temos o horário do acolhimento e a troca das salas de aula e o horário pra você fazer atividade em sala.120 nunca vêem um vídeo inteiro. mais tranqüilo pra eles. É isso mesmo? Professora 1: É isso mesmo. . a gente já avisa. na sexta-feira do brincar. graças a Deus. graças a Deus. ele já sabe. aconteceu isso. E a gente já se organiza dentro do horário da escola. só que no momento da atividade ele sabe que vai ter que guardar. Na sexta-feira é que fica mais livre. o que um cuida o outro não cuida tão bem. pegam os brinquedos. como é organizado o parque. Como são organizados os materiais na sala de aula? Como está a organização desses materiais? Como é o uso dos materiais dentro da sala de aula? Me descreva um pouquinho esses materiais na sala de aula com vocês. o que a gente está precisando? E a gente ganha esse material. vamos assistir hoje três episódios que fala sobre isso. não é só dele. Na sexta-feira eles trazem brinquedo de casa. eles vão lá. e eu deixo livre os brinquedos. Tem o armário coletivo e tem brinquedos para as crianças. porque não dá. eu aviso que eles podem trazer brinquedos sim. Professora 1: Olha. E toda vez que chega verba o diretor reúne o conselho. ele traz. o que um cuida. melhorou muito. na segunda feira eu tenho parque grande. Então eles sempre sabem: olha. Então. Então a criança segue a rotina do professor. dentro da nossa linha de tempo nós temos o nosso horário de parque. nós temos a nossa linha de tempo. O único problema é assim. Então eles já sabem. todas as salas de aula tem o armário coletivo. E no dia seguinte eles realmente sabem: Olha professora a senhora parou em tal capítulo. diversos brinquedos diferentes pra que eles possam estar trocando. reúne a gente e a gente faz uma lista de prioridades. Então. A criança mesmo vai lá e pega. Então. A gente costuma trabalhar muito com os brinquedos na sexta-feira. Pesquisadora: Muito bem. Se eles quiserem trazer na segunda. Não é? A gente precisa estar orientando as crianças. O material fica à disposição nossa e das crianças porque o armário é aberto. aquele brinquedo é de todos. Eles já estão sabendo que aquele dia eles podem dividir o brinquedo deles. ele é colocado numa altura que dá pra ela pegar. E a mesma coisa é com a atividade. Se o professor trabalha com brinquedo no primeiro momento de aula. Porque a gente precisa estar orientando as crianças. os pais já sabem disso. outros não cuidam. de quinta-feira eu tenho informática. a questão do brincar. isso e isso. em tal episódio. Como eu aviso que eu vou trabalhar com leituras. Pesquisadora: Você me relatou agora sobre o brincar. nem ele. A questão dos materiais. eu acho o desperdiço dos brinquedos. e a gente dá continuidade. E aí estraga rápido. aplicando bem. Ele vai brincar com o colega. não precisa ser só na sexta-feira. E isso a escola está fazendo bem. E se ele estragar. eles trazem os deles e usa o da escola também. ele vai brincar com colegas de outras turmas. meu planejamento dentro do horário da escola. A gente conversa sobre os três episódios. nem os outros vão ter. aquilo. isso. abrem. nosso horário de informática. Eu distribuo os brinquedos nas mesinhas. Se é um determinado dia da semana.

Ele tem muito medo. aí você .. ele tenta. Pesquisadora: Muito bem. Mas acaba a palavra ‘pintar’ ele já fala: Eu não. o registro. O que nós vamos fazer? Negocia com ele. E é o momento dela falar ‘tia’. Muitas coisas a gente registra aqui na nossa cabeça e no nosso coração. eu e os alunos eu posso dizer que às vezes eu me sinto mãe deles. eu tenho um aluno. E essa semana ele fez a atividade. Então. Pesquisadora: Muito bem. eu não quelo. o Jonas. Toda criança briga. Me sinto mãe. mostrando pra ele o que ele pode fazer. Fora isso a gente brinca bastante no parque também. porque não quer vir na escola. isso é normal. bate. como ocorre? Professora 1: Olha. eu registro na própria atividade da criança. Se aconteceu alguma coisa na casa dela. então hoje ele não quer. é dele. E como é a interação do aluno com você na sala de aula. E a questão do registro. Eu pego um dia da semana que eu esteja mais tranqüila. Mas na sexta é livre.elas não têm medo. Aí eu falo: Então vamos lá. ela chega e conta naturalmente. Porque nem tudo é importante. O que você tem que você possa trocar no momento com ele? Aí ele vai lá. conversando: Olha Pro. porque eu dou atividade pra criança. o imaginar. nos outros espaços da escola. Tranqüilo. Fala pra ele: Agora nós vamos pintar. completou. fora as brincadeiras dirigidas. no parque. quem sabe depois você volta a conversar com ele. E eles conversam entre eles. e quando acontece algo que eu acho que é importante. né. a não ser que ele seja o objeto da conversa. Aí eu anotei: Hoje Jonas conseguiu fazer a atividade sem negar aquilo que ele tava sentindo. o meu coleguinha não quer dar o brinquedo pra mim. pegou. Eles são uma geração boa essas duas turmas. É assim que ele fala. eu não quelo. mas essa é uma turma boa. mas eu acho que ta faltando alguma coisa. Quando ela chega e fala: Tia. observando. Aí fica livre pra eles. às vezes ele vem chateado e diz que não deu certo. nós temos uma relação muito boa. Pego as atividades. mas na sexta. mas quando é o momento de falar ‘Pro’ é ‘Pro’. normalmente é no meu horário de (. Eu posso dizer que eles quase não se batem. Então eu marco ali o que aconteceu naquele dia que eu achei que foi importante. sentado. Por quê? Ao mesmo tempo que eu estou lá ensinando. sem grupo de estudo.. Voltou. Entre eles também porque eu peguei esse ano duas turmas muito boas. aquilo que eu fiz durante a semana. Ele não quer trocar. E no momento que eu quero a atenção dela.). Então a gente usa o brinquedo. Eu não quelo. Eles podem estar trazendo brinquedos de casa que eles possam utilizar no parque. Às vezes a gente está lá no parque. uma turma que está sempre chegando.121 No momento da roda de conversa. o que ele não pode fazer. Como ocorre essa interação? Com aluno x aluno também. com outros colegas. Aí eu falo: Ah. tudo bem. Foi lá. Como é essa questão do registro e dessa reflexão da prática? Professora 1: Bom. ela me respeita também. ao mesmo tempo ele tem uma relação muito carinhosa comigo. veio mostrar se tava bonito. Então eu sou professora e sou tia também. Então você vai brincar com outro amigo. A gente tem que respeitar o amigo. aquele brinquedo não vai poder estar lá na roda. Por exemplo. Elas não têm medo de falar porque tá chorando. Como você tem registrado sua prática pedagógica? Porque no questionário você relata que você reflete diariamente sobre a prática e o registro você faz semanalmente. com as minhas crianças. que ele tem muito medo de papel. As crianças comigo. Você não acha que ta faltando? Ele falou: É mesmo. na sala de informática. eles estão lá brincando e de repente você vê uma criança conversar com a outra e você acha interessante aquilo que eles estão conversando. Aí eu falei: Ah. Às vezes dá certo.

e eu tava pensando: isso tira o foco. eu sempre digo: O Wilson fala com os olhos. Tanto é que eles ligam toda hora o computador só pra poder escrever a senha no computador. isso a gente registra. panela. Professora 1: Então. porque o que acontece? A linguagem que você tem mais afinidade. vão ficar sem. mais ou menos. Escolhem o programa que eles querem brincar. colocar senha. E se a organização do ambiente já ti força a planeja e trabalhar um determinado dia da semana no horário aquela linguagem. Volta para o computador. às vezes não. E eles são tão independentes que eu pensei: Poxa. tem o Wilson. você já jogou. se eu precisar ta voltando. Tanto ele trabalha ali na informática. sentam na mesa de jogo e ali elas brincam com o colega que tá ali e joga. Cansou. eu gosto muito de trabalhar leitura e escrita. fala com os olhos. pra fazer um jogo da memória com a criança. grandão. as múltiplas linguagens da educação infantil como você tem sentido essas linguagens na prática docente? Tem conseguido desenvolvê-las com os alunos? Sente dificuldade? Quais as dificuldades que você aponta. você começa a se policiar. Eles já sabem ligar. vai brincar um pouquinho. a minha sala seria uma sala maravilhosa. ele ta querendo alguma coisa. tanto pra sala de informática. Professora 1: Laboratório de informática. E hoje no laboratório de informática. Em relação às linguagens. numa dia que eu esteja mais tranqüila. ele vai e monta um quebra-cabeça. eles escrevem a senha no computador. sobre as linguagens. abre. suponhamos. Eles já entram. como uma sala de jogos de raciocínio. o que aconteceu de importante e marco. eu fiquei observando os meus alunos. eu sei que eu trabalhei leitura e escrita. Quando ele me olha com aquele olhão. por exemplo. como quando ele sai. As outras 15 crianças. Não digo que deixando totalmente. já não está mais tão perto. Porque no começo eu tinha que ficar intervindo: Agora é a vez do coleguinha. Então. nós temos pra cerca de 20 crianças. senta. leio muito com as crianças. Porque nós não temos computadores pra todas as crianças. Porque é uma sala que dá pra aproveitar pra trabalhar a linguagem.122 marca. Até que o projeto esse ano da minha mostra cultural é o diário de leitura. E ele já está se afastando. Aí chega no final de semana. sabem desligar o computador. Então. já algum tempo. já sabem o que . Pesquisadora: Muito bem. já ta indo pra mais longe. boneca. você ta fugindo da minha cordinha né. eu já sei: Ah. Eu falo: Ah. troca de colega sem que eu tenha que ficar intervindo. mas e o raciocínio lógico-matemático? E o brincar da criança. mas já registrei aqui na mente. na memória. E eu observei que as crianças estão mais atentas. o dia-a-dia da escola faz com que você deixe algumas linguagens. Então. o Wilson ele nunca brincou. mas trabalha uma vez ou outra. já facilita. cansam. põe jogo. Então a gente coloca uma mesa com alguns brinquedos. ele fica perto. eu registro na memória e coisas que eu acho importante eu pego e anoto ali na própria atividade da criança no dia-a-dia no diário. Eu observo que alguns colegas levam brinquedos de brincar mesmo: carrinho. pra ver como funciona. é mais a organização do espaço pra você estar trabalhando as linguagens. eles têm uma relação boa entre eles. hoje eu fiquei observando as crianças. você acaba trabalhando mais e deixando outras. elas brincam no computador. Eu posso não estar registrando naquele momento. Ele já está se afastando. as brincadeiras dirigidas? Nisso eu sei que eu falhei. Agora não precisa mais. eu pego essas atividades. elas param mais pra pensar. eu adoro trabalhar leitura com as crianças. escolhem o computador que eles querem sentar. Então eu venho fazendo isso como experiência. Por quê? Porque aquela criança. deixo lá à lápis. Então. E essa semana o Wilson começou a se afastar. como eu falei pra você. nesse momento. a refletir porque você não está fazendo aquilo. trabalhar o raciocínio lógico-matemático. Porque o próprio cotidiano.

Algumas brincadeiras. Deveria estar acontecendo junto. Porque quem ta fora tem outro olhar. aí quebra um. por exemplo. mas a manutenção dele e a ajuda pra esse professor nessa sala também é importante. Então eu fico uma hora e meia só nela. Essa gestão colocou o Rede em Rede para o grupo gestor e eles deveriam estar passando essa formação para os professores. Porque assim: a minha sala é uma sala de . Então o que o grupo gestor viu lá? Ah. a informática. dois. Quando eu saio da minha sala e vou para a minha sala de informática. os computadores atendem 20 crianças. por quê? Porque existem outras prioridades dentro da escola. que pra outras pessoas. Mas isso não acontece. não é. as leituras e as atividades dentro da leitura e escrita. Então. a organização com jogos auxiliando o professor no horário dele de informática. Como eu sempre digo pra as minhas colegas: virou um telefone sem fio. levando à reflexão e à discussão. ele tem que estar ali arrumando os computadores também. como é que você vai brincar de cantar ali com as crianças? Vai brincar de roda com a criança? Vai fazer um jogo ali com a criança. nessa sala. e que para o professor que está na sala de aula. só ta colocado o computador lá. e as refeições ocupam totalmente o pátio. essa uma hora e meia eu tenho aproveitado pra fazer rodas de conversa. Pesquisadora: E em relação à sala de aula? Daria pra desenvolver essa linguagem? Professora 1: Dá pra desenvolver. que julgam prioridades. O que grupo gestor viu. isso já é uma linguagem que fica prejudicada. À respeito do Projeto Especial de Ação e do Programa A Rede em rede: Formação Continuada na Educação Infantil. pra estar aproveitando o espaço.123 fazer. eu vou dar a minha saída. é importante a sala de informática. Que seria o pátio. mas ela não está organizada pra isso. que é possível estar fazendo. o professor além de estar ali auxiliando as crianças. três computadores. Pesquisadora: Você tem como me dar exemplos? Professora 1: Vamos citar. Não dá. e quem está ali dentro com as crianças. Aí eu dou jogos matemáticos na informática. como eu posso dizer. Pesquisadora: Muito bem. Então. Tá. Ela não consegue ouvir as suas comandas em determinadas brincadeiras. Então. Porque cada um entende de uma maneira e tem uma concepção de entender aquilo que está sendo passado. eu faço durante a semana. Como eu disse pra você. O espaço pra você trabalhar brincadeiras dirigidas. eles não acham que são importantes. Eles estão presentes na formação continuada ao mesmo? Ou tem um momento em que vocês estudam o projeto e um outro momento para o programa? Como é a organização do projeto e do programa dentro da formação continuada? Professora 1: Eles deveriam acontecer juntos. é importante. desde que você tenha a sala de aula o tempo todo pra você. no pátio externo o professor não tem voz e a criança se distrai. a gente sente certas necessidades que. nós temos muitas refeições. Porque a nossa realidade é diferente da quem ta fora. quando a escola está mais tranqüila. nós não temos. Então. a informática é importante. participou e viveu teria que estar sendo passado para os professores no mesmo tom. a manutenção dos computadores aqui. Então não foi pensado na organização dela. Vai competir com mais três salas que estão almoçando? Aí você vai pára o pátio externo. a minha sala é uma sala rodízio. brincadeiras cantadas. mas não é garantido. E é uma sala boa pra estar trabalhando linguagem matemática. só que o pátio.

. na sua prática docente? Professora 1: Eu percebo quando existem momentos de troca de experiência. É muito lenta essa formação. muitas vezes. porque enquanto ela ta li pegando na mãozinha de um.124 segundo estágio.. tem dia que ele não ta bem. das linguagens. Dentro dos estudos eu acho que é lento. As crianças de hoje são muito ativas. essa professora precisa de alguém lá com ela. nem todas as crianças ouvem como deveriam ouvir. mostrando como se faz. Não. devido às prioridades que acham que é mais importante: “Hoje vamos fazer um estudo de tal autor. Aquilo agora não é pra ver. tem que ler isso.. tá aqui. não é? E o professor. página tal”. Então. Isso já aconteceu mais ou menos com uma turma minha. Eu fui dar minha saída na sala de informática. mas não percebo assim de cara. Então ela precisa de ajuda. das múltiplas linguagens. mas aquilo não é pra ser discutido agora. Então eu trago um fato. tem que ser passado para o professor. vamos ler tal revista. que não resolveu e o grupo me auxilia. aí eu percebo. então eu tive mais facilidade nessa sala com as minhas crianças. pra dar uma volta. Porque às vezes é uma e o restante da turma ta envolvido. Um dia dessa semana me colocaram quinze alunos de primeiro estágio na minha sala porque a professora faltou. arrancaram até o mouse do computador. ele está discutindo alguma coisa com as crianças. O professor. Pesquisadora: A outra questão é a respeito. de um aluno que se enfiou debaixo de uma mesa com o coleguinha. logo ti trazem ela de volta. quando ele está numa roda de conversa. da tia. Então. mas e para o professor? É problema ou não? Como que é? Eu costumo dizer que o aluno é da escola. numa forma dele repensar sua prática e dele procurar alternativas pra tentar amenizar os problemas da sala de aula. fala: vou tirar essa criança pra dar uma voltinha. chuta o outro. ah isso não deu certo.. saem fora da roda. E quando você tira essa criança. Eu entrei em pânico. Olha isso deu certo. então todos têm que estar envolvidos no ensinar e educar desse aluno. Você percebe a teoria do Projeto Especial de Ação ( PEA). Então eu fico imaginando. como se ela fosse um problema pra eles. Mas eu quero hoje.. morde o outro. Porque os colegas vão dando experiências e a gente vai aplicando aquilo. E eu tô com um problema lá na minha sala que tá me engasgando. tem computador ou o computador do tio. não é agora. vamos conversar pra que você possa dar continuidade. Mas nem sempre. tem dia que ele ta bem. Então por isso que às vezes eu acho que não está conectado. Entendeu? “Ah. eu percebo quando existe a troca. eu fico imaginando o professor de primeiro estágio.. porque a maioria já tem vídeo-game em casa. faz assim. Pesquisadora: E a questão do Programa A Rede em rede? . professora ele vai. porque hoje eu vivi esse problema.. aquilo tá me engasgando. muito criativas. por exemplo. Agora tem que ler tal revista. tal dia é dia da prática”. são agressivas também. Aí eu percebo. os alunos são de todos da escola. Ele precisa de alguém ali pra falar: professor eu vou dar uma mão. pra você respirar. Então muitas saem. Agora. eu fiz dessa forma. professora. As crianças ligavam e desligavam o botão direto. Por que a minha aluna ta se enfiando debaixo da mesa com o coleguinha? O que eu faço? No que os meus colegas podem me ajudar? Que dicas podem dar? O que esse Rede em Rede formador passou para esse grupo gestor? Dicas que a gente possa tá trabalhando isso. Saem fora da roda. eu vou levar essa criança pra tomar uma água. Pode até ser que aconteça. Hoje eu não sei o que eu vou fazer com esse problema. por isso que eu digo: esse Rede em Rede que fala do brincar. algo que aconteceu na minha sala de aula que eu não consegui resolver ou que eu tive uma determinada atitude e achei que não foi boa. como é que eu faço? Ah. os outros estão completamente soltos. tá na bibliografia. E as minhas crianças ficaram: Professora ele ta arrancando. Então foi mais fácil.

Por que eu não posso acolher minha criança cantando no pátio. Existem fatores que ainda impedem a aplicação da proposta do PEA. Você percebe.125 Professora 1: Como eu disse pra você. então ele não está junto com o grupo. a rotina da escola. ‘Olha. até pra estar trocando como trabalhar com determinados temas. acolher é a todo momento. que a gente dance. vamos montar um horário. tem que acolher a criança’. Não que o trabalho dele não seja tão bom quanto o de quem está fazendo a formação. do Projeto Especial de Ação. vamos acolher. Então. essa maneira de passar que é duvidosa. Pra mim todo momento eu tô acolhendo meu aluno. esse professor fica deslocado. porque a formação continuada acontece nos grupos de JEIF e geralmente esse professor que não faz. pra que os dois possam fazer um reflexão do que está acontecendo no cotidiano da sua escola. determina alguns projetos. ensinar para o aluno. eu não preciso ter hora para acolher meu aluno. uma brincadeira mais livre. Às vezes. Então eu acho que a organização mesmo da escola impede um pouco o trabalho. o grupo se reúne. Acolhimento tem que acontecer na sala de aula por quê? O acolhimento pode acontecer desde o primeiro momento que eu abro o portão para a criança. a organização do tempo. O que entende do brincar. Será que eu tô certa? Será que eu tô errada? O que tâ acontecendo? Porque passaram pra gente que é de uma determinada forma. Eu gosto de trabalhar com brincadeiras cantadas com as crianças. ele ta fora do grupo de JEIF. dançando? Tem que ser na sala de aula porque falaram que tem que ser na sala de aula. mas eu não vejo acolhimento dessa forma. na educação do aluno. eu gosto de cantar com as crianças e isso a própria organização da escola impede que eu faça esse trabalho do jeito que eu gosto. Não tem que ser: ah. uma brincadeira dirigida. Então essa visão que a gente precisa saber. e acontecendo junto a gente consegue pensar mais em prol do aluno. Então a gente percebe dessa forma. a diferença entre a sua prática docente em relação ao professor que não fez ou não faz a formação continuada? Professora 1: Eu percebo a falta de entrosamento. Então. Eu vou dar um exemplo pra você: foi falado do acolhimento pra todo o grupo da escola ‘vamos mudar. Pesquisadora: Muito bem. Porque pra eles é passado de uma forma e pra nós é passado de outra. Pra mim. o Rede em Rede virou um telefone sem fio. Esse Rede em Rede tem que ser também para o professor e o professor junto com o grupo gestor. emperra. mais livre. a gente não conhece o trabalho dele. só que por ele não estar entrosado. Ele faz lá fora a atividade uma vez por semana ou duas. o que entende de determinada linguagem. porque eu tô fora e eu não sei. faz algumas trocas de experiências. . que a gente cante. Eu gosto de um ambiente mais aberto. porque tem professores que fazem trabalhos maravilhosos. professora. Qual seu horário de acolhimento?’ E eu tenho que marcar na minha rotina o meu horário de acolhimento e tem que ser cronometrado o horário de acolhimento. tal hora é hora de acolhimento. Então. na sua prática pedagógica? Professora 1: Impedem: a organização do ambiente. às vezes impede. então essa é a descontinuidade. vamos mudar. Pesquisadora: Bom. cada um passa o que entende. ele pode estar enriquecendo muito o nosso trabalho e a gente ainda dando coisas novas pra ele. o que entende de acolhimento. na maneira que eu tô recebendo ela.

Essas crianças virão com três anos e meio. Pesquisadora: Professora eu quero agradecer a sua participação nessa entrevista.isso ajuda bastante. Como a unidade escolar está se organizando para atender as crianças de quatro anos a completar. porque aqui é self service e a criança ainda não tem toda a coordenação pra estar pegando. Lá. o próprio grupo de formação ajuda bastante esse programa. E nós vamos ter que ensinar essa criança a tirar sua roupa quando sente calor ou colocar a roupa quando sente frio. a guardar aquilo lá. São muito diferentes. os programas. mas vai acontecer mais freqüentemente do que com as de três anos e meio. materiais pra gente. tem que pensar muito bem nos brinquedos. eles logo estão providenciando esses materiais. não pode ser tão pequeno assim. são as verbas. Nós estamos preocupadas com o ano que vem. já não é a mesma criança de quatro anos. mobiliário. não é. que eles possam realmente fazer parte do nosso cotidiano. muito. meses. Então nós entre as professoras estamos preocupadas: ah. Não que não aconteça com as de quatro anos. que estão comprando muitos brinquedos. dezoito crianças. né. eu creio que só. Foi de grande valia para a pesquisa. A escola ainda não propiciou momentos pra que a gente se organize. a completar quatro. E o objetivo maior é que nós possamos compreender a formação continuada. Obrigada. Pesquisadora: Muito bem. o que tem auxiliado. Os brinquedos que a escola tem hoje é fácil quebrar a roda de um carrinho. enfiar no nariz ou no ouvido. será que eu pego berçário.126 Pesquisadora E existem fatores que têm auxiliado a proposta do Projeto Especial de Ação da unidade e do Programa A Rede em rede. mais ou menos. Ajudar a colocar o sapato nessa criança. um mês já faz diferença. mobiliário? Vocês têm conversado sobre isso no coletivo? Como vocês têm se organizado? Professora 1: Nós temos conversado entre nós professoras. não de onde as crianças vêm geralmente é quinze. A gente pede. brinquedos apropriados. os projetos e assim. Que nem. só. a localizar sua mochila. nem o espaço. mas nós professoras já estamos muito preocupadas. na prática pedagógica? Professora 1: Olha. São crianças novinhas que estão chegando. nós vamos ser uma professora pra 30. quebrar uma rodinha e a criança colocar na boca. será que eu não pego. como que vocês têm se organizado em relação a tempo. a espaço. ainda não foi pensado nisso. Primeiro porque vai ser uma sala de 30 e vai ter um único professor. ajudar a colocar comida no prato. como eu falei. E são trinta pra ajudar a se servir. Então. Espero que no começo do ano a gente tenha esse tempo pra nos organizar antes dessas crianças começarem realmente. tudo. Obrigada pela participação na pesquisa. Então ainda não se organizaram quanto a isso. duas professoras. .

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APÊNDICE D – Entrevista Professora 2

Pesquisadora: Professora entrevistada número 2. O que você entende por formação continuada? Professora 2: O que eu entendo por formação continuada é aquele estudo que o professor tem depois da sua formação, da sua graduação ou outro tipo de formação e convém com a sua prática. Então ele tem a prática, e através da sua prática, dos seus problemas, das dificuldades que ele vai tendo no dia-a-dia ele vai estudar, vai procurar teorias que o auxiliem nessa formação continuada. Essa formação continuada pode se dar na escola, como fora da escola também através de cursos, através de uma pós- graduação, através de leituras que o professor faz em casa. Eu, no meu caso, eu tento sempre procurar. Eu sempre procuro assim, estar lendo, porque eu acredito assim, que nós professores, nós nunca deveremos deixar de estudar. Porque assim, nós sempre recebemos uma criança nova, de um contexto novo, uma criança que vem de uma época, de uma sociedade diferente daquela que talvez nós estudamos; da minha formação mesmo, há dez anos atrás. Uma criança que cada vez mais com a tecnologia, ela vai mudando. Então, o professor também tem que vir buscar essa mudança, ele tem que vir buscar esse estudo. Então eu procuro, de acordo com os livros que tem aqui na escola, né. Porque infelizmente nós não temos assim condição de ter acesso a livros, os livros são caros. Então, na medida do possível, que a prefeitura vai trazendo livros para a escola eu vou olhando os livros e vou pegando aqueles que eu acho interessante, que convém com a minha prática, com a necessidade das minhas crianças e aí eu vou lendo em casa, né. E também no PEA. A PEA é uma formação continuada. Pesquisadora: Obrigada. E quais são os momentos em que ocorrem essa formação continuada dentro da unidade escolar? Professora 2: Como eu já tinha falado né, isso acontece no PEA. É o momento onde nós nos reunimos. Ai foi muito interessante ter o PEA aqui na escola porque nós dividimos da seguinte maneira: na terça-feira a gente pega pra estudo. Na quarta-feira nós pegamos para a prática. Através do estudo que a gente tinha estudado na terça-feira, a gente pegava a quarta pra fazer a prática da sala de aula. E depois da reflexão, do texto que a gente tinha lido e da prática na quarta, na quinta a gente replanejava. Assim, essa formação continuada dentro da escola já se dá no PEA e nas reuniões pedagógicas também. Porque nas reuniões pedagógicas é o momento que a gente pára, a gente reflete. Porque nas reuniões pedagógicas é um número maior, é praticamente a escola inteira, então você tem contato com outros professores, de outros turnos que você não tem no PEA. Então, é muito interessante por isso, deveria até ter mais encontros desse tipo. Pesquisadora: Muito bem. Qual é sua concepção de infância e de criança? Professora 2: Criança... Nós seres humanos, na verdade, somos seres em aprendizagem e a criança, ela é tudo de bom. Ela é igual uma esponjinha, ela absorve tudo. Então, a minha concepção de criança é que é um ser em desenvolvimento, curioso, que gosta de brincar, que tudo é de bom pra eles. Tudo eles absorvem, absorvem tudo. Eles sonham, eles viajam. Ah, é muito bonito falar em criança. Criança é... Por isso que eu escolhi educação infantil, porque

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eu viajo junto com as crianças no mundo da fantasia. Eles são sinceros. São seres assim, que se eles gostam, eles gostam; se eles não gostam, já falam que não gostam. Pesquisadora: E como você vê essa criança no processo de aprendizagem? Professora 2: Como eu tinha falado, é um ser em constante aprendizagem. A criança, ela absorve tudo que existe, tanto de ruim, como de bom. Por isso que é importante, por isso a grande importância da educação infantil. Você tem que saber o que você quer, qual que é seu objetivo, o que você quer alcançar. Porque você sabe que a criança, ela vai absorver tudo. Então, se ela vai absorver tudo, vai absorver tudo de bom, tudo de melhor pra vida inteira, porque é o alicerce. Como eu falo nas minhas reuniões para os pais: a educação infantil é o alicerce da casa, o alicerce que a criança vai ter para o resto da vida, a construção da personalidade. Então eu acho que é muito importante o professor saber o que ele quer. Pesquisadora: Muito bem. Em relação ao seu questionário, você se declara sócioconstrutivista. O que você entende por essa concepção? Professora 2: O sócio-construtivista, o pai de tudo isso, vamos falar que é Vygotsky. Então, ele fala que a criança vai interagir com o meio e conforme o meio ela vai estar construindo a sua aprendizagem. Então eu acredito que sócio-construtivista é o meio. O que o meio oferece pra essa criança pra ela ta pegando, experimentando, vivenciando. Então, conforme esse meio que ela tem à sua disposição, ela vai tá aprendendo e desenvolvendo a sua aprendizagem. Pesquisadora: Muito bem. Agora, como tem sido no seu cotidiano de sala de aula a organização do espaço e ambiente? Professora 2: Olha, nós temos aqui na unidade, em todas as unidades de EMEI papel, giz, lápis de cor, canetinha, a lousa, brinquedos. Então, o espaço ele é organizado de maneira bem diversificada, conforme a atividade a criança pode escolher o material que ela quer, eu não determino o material que vai ser usado, só em alguns momentos em que há necessidade. Mas assim, quando vai fazer um registro, eu geralmente deixo vários tipos de materiais à disposição, elas abrem o armário, o armário é delas, elas abrem, elas pegam o que elas querem: borracha, lápis, tesoura, cola, né. E assim, na sala de aula uma coisa fixa são os brinquedos, então elas costumam brincar, elas fazem do jeito que elas querem, depois elas guardam, algumas crianças têm dificuldade para guardar, a gente tem que estar reforçando, falando. Mas eu tenho que deixar assim, o material que nós temos, na medida do possível, à disposição delas. Até o rádio, nós temos um rádio, eu deixo elas manusear, elas colocam o CD que nós vamos usar. Pesquisadora: Em relação aos brinquedos, você pode descrever quais os tipos de brinquedos que existem na sala de aula dentro do armário? Professora 2: Os brinquedos são o monta tudo, são aqueles cubinhos que encaixa, são os brinquedos, eu não sei o nome pra dizer, mas é um quadradinho que vai construindo quadrados; ele é muito bonitinho, eles adoram. Jogos, nós temos bola, nós temos bambolê, corda, temos brinquedos de faz de conta. Então são esses brinquedos.

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Pesquisadora: Muito bem. E a questão do tempo, como você tem organizado o tempo na sala de aula, na unidade. Como tem sido esse tempo? Professora 2: Eu não costumo cronometrar o tempo porque a gente tem que respeitar o tempo da criança. Então, o que é que eu faço? Desde o começo nós fizemos uma rotina com as crianças, então o nosso lanche é às nove horas, né. Então, a gente até às nove horas a gente desenvolve atividade de leitura, das de registro, às vezes, alguma atividade de recorte e colagem. Depois das nove horas a gente vai pra área externa, faz uma atividade de bola, brinca no parque e brincadeira de faz de conta. Então assim, eu não tenho tempo cronometrado, mas nós temos essa rotina. Primeiramente a gente faz uma atividade na sala de aula, faz uma atividade de teatro, alguma coisa desse tipo e depois do lanche uma atividade externa ou o faz de conta. Pesquisadora: Quanto aos materiais utilizados, você até já relatou. Quer falar mais alguma coisa sobre os materiais? Professora 2: Os materiais utilizados na UE são materiais oferecidos de acordo com a possibilidade da UE, só que assim, eu acredito como professora, eu sinto muita necessidade de ter informática, de ter materiais tecnológicos na sala de aula. Eu acredito assim, que na sala de aula tinha que... Nós vivemos em um mundo onde as crianças têm acesso, por mais pobre que ela seja, ela tem já acesso ao computador, ela tem acesso a todos os tipos de tecnologia ou em casa, ou em algum lugar que vá. E assim, a necessidade que eu vejo ainda na EMEI é aquela lousa ainda verde, poderia mudar essas coisas. Não sei, um computador. Pesquisadora: Tipo um cantinho na sala de aula? Professora 2: Não. Eu não falo o cantinho. Eu falo mesmo de ter um telão e o professor ter o computador. Porque, às vezes, a gente quer mostrar uma imagem para a criança, tipo dia da informática, aí vai lá mostrar essa imagem, o computador. Porque eles trabalham por temas, temas diversificados, então, às vezes, eu precisava mostrar uma imagem, aí eu não tenho como mostrar a imagem. Aí, às vezes, um vídeo, igual, sobre a água, eu tive que esperar o dia tal, pra ir lá tá levando. Porque assim, você quer levar um material pra sala de aula, às vezes não têm pessoas pra ta ajudando levar, porque cada professora tem sua turma, a sua atribuição. Eu não posso deixar as crianças sozinhas, mesmo pra organizar esse material. Então eu acho assim, ainda é um sonho meu que a EMEI tenha ainda a informática. Porque eu falo assim, ter um telão, o professor ter um computador, aí joga lá na internet, aí aparece a imagem, as crianças ficam vendo o telão. Isso é maravilhoso. E também é um sonho meu que tenha poucas crianças, menos número. Eu acredito que o ideal seria 20, 25 crianças por sala, porque tendo muita criança dificulta muito o trabalho. Eu percebo que o dia que vem menos crianças, eu consigo atender melhor, individualmente, cada criança tem a sua necessidade. Agora, quando vem muita criança,eles ficam agitados, o espaço é pequeno e eu não consigo atender cada um, né. Eu sinto essa dificuldade. Pesquisadora: Como você vê essa questão do cantinho? A organização dos cantinhos na sala de aula? Professora 2: Olha, eu vejo muito bem. Só que a dificuldade que eu tenho ainda pra esses cantinhos é por causa do número de crianças, né. Por ser muita criança, às vezes, eu não

aquele que quer mesmo fazer as coisas. pra não se perder. Só que igual eu falei. eu vejo a dificuldade que eu tenho das crianças entenderem que ela tem que sair daquele cantinho que elas gostam muito. onde o professor ele vai. que a gente ta trabalhando algum texto. cada um vai passar do jeito por ele. eu trabalho com o cantinho quase todos os dias. com gincana. as orientações curriculares. Então assim. isso eu acho que ainda ficou a desejar. pra você ter o cantinho. quando eu trabalho com o cantinho. registrar na hora. registrando. E o Rede em Rede eu não tive muito contato esse ano. igual. trabalhar com corda. ele volta. porque o PEA tem os temas no começo do ano. facilitaria muito o trabalho. mas eu gostaria de registrar na hora. mas por ser muita criança. mas também que aquela criança que está naquela cantinho também tem que rodiziar. a dificuldade é muito grande. Porque assim. Em relação às linguagens. Porque às vezes o coordenador. Pesquisadora: Você percebe a teoria do Projeto Especial de Ação e do Rede em rede: a formação continuada. Mas como assim. é importante porque a partir do momento que ele lançou um conhecimento.130 consigo fazer essa organização. E. mas muitos casos não é possível ainda. às vezes. eu registro. Mas quando eu trabalho com o cantinho. O professor estar fazendo esse curso. você precisa que as crianças entendam que. Nós lemos os livros. cambalhota. mas cada um tem a sua concepção. porque cada um é uma pessoa. A gente sabe dos livros. ele vai. Porque eu gostaria de cada dia estar atendendo uma criança especificamente. a partir dos livros e das orientações curriculares a gente procura trazer aquilo lá para a prática. Eu não fiquei sabendo muito o que aconteceu na formação do Rede em Rede. ela tem que procurar outro cantinho.a gente percebe assim. Sabe? Porque assim. ele se esforça muito.a gente não consegue. nossa atenção. porque ele é a memória viva do professor. Eu tento registrar todos os momentos que se destacou. né. O professor assim. Porque é esse o objetivo do cantinho. as outras linguagens. às vezes eu consigo registrar na hora. eles exigem muito da gente. mas que também tem que ir para outro cantinho. Como tem sido o registro. . Mas assim eu vejo como de grande importância. Mas o Rede em Rede em si. Mas fora da sala de aula eu ainda tenho dificuldade de trabalhar. Humanamente é impossível. como aquele cantinho ta cheio. na sua prática docente? De que forma? Professora 2: Olha. Então eu acho que seria importante abrir sim para os professores. na sua prática pedagógica? Professora 2: Olha o registro. então eu não consigo. observando. a gente tem que trabalhar de acordo com os temas na nossa prática docente. eu vejo assim. eu acredito até que o o curso deveria ser para os professores também. trabalhar tipo. Então. às vezes. Pesquisadora: Em relação ao registro. depois que termina. Só que pra isso precisaria ter um pouco menos de crianças. você sente dificuldade em trabalhar as múltiplas linguagens na educação infantil? Professora 2: O que eu tenho sentindo mais dificuldade ainda é os movimentos. Então. Então eu acho que o registro é muito importante sim. E também a dificuldade que eu tenho de atender um cantinho. Porque as crianças tem necessidade da gente e a gente tem que registrar. e a gente não consegue. quase todos os dias. Pesquisadora: Muito bem. ele vê o progresso da criança. tem toda uma metodologia pra fazer com que as crianças rodiziem todos os cantinhos. eu tenho que pegar um tema que eu vejo que há necessidade e aí eu tenho que trabalhar todas as linguagens. Trabalhar com pneu.

eu tenho experiência por mim. poder sim mudar e estudar outros textos. então eu fui buscar. Mas em outros momentos. Ah. talvez não tenha mais necessidade. é um conjunto. Parece que você trabalha sozinho. Igual. a gente vê a diferença sim. em outros anos. Existem fatores que ainda impedem a aplicação das propostas teóricas. que a gente não poderia saber. Então. . as coisas acontecem no PEA: as informações. Porque quando a gente observa uma criança. eu não tenho dificuldade não. Acabou o final do ano e você ainda não está conhecendo ela. Não por mal. Então assim. a teoria eu tenho. eu conseguiria desenvolver um trabalho de mais qualidade. ele ta sabendo mais do assunto. não pode mudar. Eu acredito que não tinha que ser assim. a gente não conhece. você tem dificuldade em aplicar a teoria à prática? Professora 2: Não. Assim. Fiz uma pós-graduação em educação infantil. conforme a nossa possibilidade. porque é fechado. nós vivemos numa constante. Então eu acho assim. a gente tem que ir atrás. é como se fosse uma bolha em ebulição. Porque assim. eu ficava um pouco assim fora da escola. eu não tenho observado isso. planejou no começo do ano. na faculdade eu senti que faltava ainda conhecimentos. eu achava que o PEA tinha que ser mais flexível porque conforme vai passando o tempo. Porque aquilo que a gente planejou. Agora. Porque os professores aqui na EMEI provavelmente eles dobram e eles fazem PEA no outro turno. eu acho que se tivesse um pouco menos de criança. chegar no meio do ano poder estar mudando talvez a bibliografia. Eu acho que o fator maior que impede é esse. ele está interagindo mais na escola. vai surgindo coisas.131 Pesquisadora: Você percebe diferença na sua prática docente em relação à prática docente do professor que não realiza a formação continuada no horário coletivo? Professora 2: Olha. Isso a gente não pôde fazer. busquei. porque a gente procura no PEA trabalhar a nossa realidade. na sua prática pedagógica? Professora 2: Ah. A única coisa que eu achei de dificuldade foi assim. vão acontecendo coisas que a gente às vezes não planejou.a única dificuldade que eu encontro é a quantidade de criança. ta planejado. as decisões. porque eu conseguiria atender cada criança. a gente não pôde estudar textos a mais do que estava planejando no PEA. Pesquisadora: Em relação ainda ao Projeto Especial de Educação (PEA) e o Rede em rede. Então assim. por isso que é importante o PEA ser mais flexível e ter um pouco essa abertura da gente poder estudar coisas. Infelizmente a gente trata um todo e acaba fazendo um depósito de criança e a escola não é um depósito de criança. Porque cada criança tem a sua necessidade. As crianças são vivas. ele ta vendo o que a escola tá trabalhando. tem quer respeitar cada indivíduo na sua íntegra. E assim. o professor que não faz o PEA é um professor mais desinformado. eu fiz estudos. Pesquisadora: Muito bem. eu não tenho observado essa diferença. que o professor fica um pouco. mandou lá para a DRE. planejou. mas é porque assim. Então eu acho muito importante a realização do PEA sim. tinha que ser flexível e. tem que dar aquilo que ta lá. porque o professor que faz o PEA. a gente vai conhecendo durante o ano. a quantidade de criança. sinceramente. E ta colocando coisas novas. tem. quando eu não fazia o PEA. já foi satisfeito. a gente não tem que esperar. Porque assim. vamos se dizer assim. Então.

Então é assim. como se fosse um orfanato. brinquedos que sejam bem baixinhos pra elas. a professora gostaria de relatar a preocupação com a educação infantil. em relação ao ensino fundamental de nove anos. A gente também junto com os pais. Porque é um conjunto e a gente tem que procurar sempre parcerias. ela tem acesso a várias coisas. o CEU ainda é um espaço que é muito rico em diversidade. Eu acredito que ainda é pouco porque ainda se tem muito mais a se fazer. ou um turno integral como se diz. a criança fica seis horas ali. então vamos caminhar juntos. a coordenadora. ela não tem espaços. Então eu sempre procuro assim. porque infelizmente nossos órgãos públicos. talvez até fazer uma reunião extraordinária. Eu acho que a comunidade é muito importante. Então essa criança vai ficar estressada. né. eles não estão . Pesquisadora: Eu quero agradecer a sua participação. mas é uma coisa assim que é lenta e que se vai caminhando e que você vai planejando. às vezes vai estar vivendo um momento de stress. elas têm dificuldade pra usar vasos grandes. que precisa se pensar nisso. Então. conversar com os pais. Continuando a entrevista. Mas uma criança que fica seis horas numa EMEI a minha preocupação é que vira um depósito de criança. pelo que eu observo a escola ela tem se organizado da seguinte maneira: procurar ter mais colchonete nas salas que as crianças de três anos vão estar. Então. uma coisa muito fechada. eles não estão aqui na prática. colchonetes e brinquedos. são vários espaços que tem teatro. eles têm uma visão teórica. professora. ela aprende tudo. Então me preocupa muito isso. mas quando tem condições. nas EMEI’s. que tenha bastante brinquedos. Porque assim. se eu estou com alguma dificuldade. nós somos uma parceria e nós vamos caminhar juntos. tenha que talvez mexer na parte do prédio mesmo. Qual a qualidade que está se oferecendo pra essa criança? Porque a criança. Nós sabemos que vamos receber crianças de quatro anos a completar na educação infantil. Como você e toda a equipe têm se organizado a esse respeito? Ou não tem se organizado ainda a esse respeito? Professora 2: Olha. tem piscina. o fator é o da gente acompanhar mesmo. meio-período. a gente poder estar discutindo as nossas dificuldades. Pesquisadora: Muito bem. Professora 2: Bom. ter um banheiro mais acessível porque talvez os vasos são grandes. Mas eu vejo que assim. a EMEI tem aquele espaço restrito dela. é o que eu tenho observado. a gestão estar junto com a gente tentando solucionar os nossos problemas. que não estava no calendário. tem a pista de skate. procurar ser um ambiente que tenha poucas cadeiras. o professor vai ficar estressado e o que essa criança vai estar absorvendo? Às vezes vai estar absorvendo coisas boas. Eu acredito sim que a criança poderia ficar seis horas na escola. a escola tem procurado nas salas de primeiro estágio deixar menos cadeiras para as crianças trabalharem mais no chão. vai se conversando. você caminhar junto com a comunidade porque nas reuniões eu sempre converso com os pais. assim. Nós estamos aqui pra ajudar no desenvolvimento dos filhos de vocês e eu quero fazer o que eu puder. né. né. tem várias quadras. o diretor. E assim. a minha preocupação grande na educação infantil é que as escolas agora estão recebendo as crianças seis horas. dessa maneira que eu tenho observado né a organização pra receber essas crianças pequenas de três anos.132 Pesquisadora: Em relação a essa mesma pergunta. que tipo de cidadãos nós queremos pra oferecermos coisas boas para as crianças? Então eu acredito assim. existem fatores que auxiliam na aplicação dessas propostas na prática docente? Professora 2: Sim. Ela ainda não tem assim teatro.

a nossa interação inteira é pela conversa. Tudo pra poder estar ajudando a nossa interação. Não é verdade? Como a criança vai vivenciar se ela tem só isso? Ela precisa experimentar o que ta aí fora. Sabe? A criança precisava ir num parque. tem que fazer rodízio. porque joga muita coisa pra cima do professor. o teatro vem na escola. não tem um passeio. Às vezes tem algumas dificuldades que a gente ta vendo que não ta conseguindo se comunicar. são as crianças. Pesquisadora: Por que você sente isso? Professora 2: Porque o professor acaba caminhando sozinho. tudo que eu conheci foi graças à escola. porque não tem ônibus. mas acaba caindo na mesma. das brincadeiras com a professora. então não se pode cobrar. um teatro.. com a vivência. Porque o mundo não acontece na sala de aula. Ah.133 vivenciando o que a gente ta vivenciando. A gente faz uma roda de conversa. quando eu era criança. ela não tem acesso a isso. então todos os passeios. eu acredito que se tivesse uma biblioteca. o mundo acontece lá fora. ela aprende com a experiência. Isso é uma coisa boa porque a criança. As crianças só ficam na escola porque não tem um ônibus. às vezes o rodízio não dá certo e acaba ficando naquela mesma. eu conheci os teatros. piscina. eu acredito que toda EMEI deveria ter. então se a escola não passeasse comigo eu não ia conhecer. que a criança também vai estar saindo fora daquele espaço da sala de aula. teatro é você ir ao teatro. Então tem que se pensar bem pra não virar um depósito as escolas de educação infantil. a gente vê os combinados. sala de vídeo não é teatro. a estrutura de um teatro. Eu acho que é muito pobre. E a criança acaba ficando dentro da escola e o mundo não acontece só dentro da escola. igual o teatro. uma piscina. os meus pais não saíam comigo. Porque a sala de vídeo não é cinema. Essa criança é mais carente. Pesquisadora: Muito bem. Então. A criança tem direito de tudo isso. que não tem todos esses espaços diversificados. Às vezes acontece alguma coisa fora dos combinados. Entendeu? Meus pais tinham que trabalhar. Piscina é você ir à piscina. mas eu acho que toda EMEI tinha que ter sim um espaço de teatro. pra que essa criança que ficasse dentro da EMEI ela fosse nesses espaços. eu acho que tem muita coisa pra se fazer para as coisas melhorarem. isso em 1985. Eu vejo as crianças de hoje dentro da escola. precisava ter ônibus pra levar essas crianças pra passear. gente. das brincadeiras com as outras crianças. do espaço. e acaba que o professor que tem que organizar os espaços. Se a gente não oferecer que experiência ela vai ter de infância? Que lembrança que ela vai ter da EMEI? Só das brincadeiras lá do parque. Então. Obrigada. e a gente que somos o ponto chave. aí a gente conversa. Sabe? Porque infelizmente falar que a gente vai se organizar. Eu conheci quando era pequena os parques de Santo André. Professora como você tem interagido com os seus alunos e como é a interação entre eles na sala de aula? Professora 2: A nossa interação se dá muito pela conversa. A educação é gratuita. eu sei que é impossível. a gente vai ver porque ta acontecendo isso. a gente se organiza. a estrutura de um cinema. Isso não deve acontecer. E fora assim. meus pais não trabalhavam comigo.. Eu tenho experiência por mim. uma outra organização dessa escola ajudaria a organizar e a acolher bem essas crianças que virão? Professora 2: Olha. Gente. que a gente não . mas também não se oferece nada. Pesquisadora: Será que em relação a uma mudança do tempo. presas. e o professor está ali vendo as dificuldades das crianças.

a minha realidade é diferente dessa. Uma coisa presencial. mas eles brincam. É de grande importância mesmo para o professor ele procurar a sua formação continuada. então eu achei até interessante. a gente observa isso né. Eu não tenho dificuldade nenhuma com nenhuma criança. uma criança agredir a outra. mas é curioso de você observar isso. Então assim. Professora muito obrigada. eu acho que é muito importante sim. agora acabou. temos aí à distância. na hora de brincar. É muito interessante até. por ter ido por várias escolas. Não adianta falar: ah estudei.134 combinou. ele ainda trabalha com aquele tipo tradicional. ele é um ser sempre em condição de mudança. isso seria ótimo. fazer uma pós-graduação numa faculdade boa também. não em qualquer faculdade. . Foi de grande valia essa entrevista. infelizmente. Não terminou. o que a gente vai fazer? A gente procura assim. uma coisa que o professor realmente aprendesse mesmo e trouxesse. Aí você assim observa que apesar das crianças se dividirem entre meninos e meninas. eles tentam brincar um pouco juntos. Porque a gente. O ser humano não é um ser acabado. que o professor que fez só a graduação há muito tempo atrás. Pesquisadora: Muito bem. Pesquisadora: Eu quero agradecer a sua participação. Nossa! Justamente porque os professores aqui trabalhavam com EMEF. Então assim. né. É assim. porque assim. Em relação ao que você havia comentado à respeito da graduação e da pós graduação. esse relacionamento é muito bom. Sabe? Ou senão você copiar o ba-be-bibo-bu sem uma contextualização. então você que o professor que trabalha com EMEF parece que tem até um jeito de querer que a criança de educação infantil também seja de EMEF. E é pra sempre isso. Eu procuro sempre falar pra eles que a gente precisa conversar. Eu tenho observado. ela não é terminável. porque a criança. Você vê que a escola ficou há cem. porque é fora da minha realidade. os alunos vêem: professora fulano fez isso. trezentos anos atrás. resolver com diálogo. Professora 2: De nada. eles dividem a sala. você bem essa interação. um lado fica as meninas e do outro lado os meninos. Isso não. até a prefeitura estar incentivando os professores a fazer uma pós-graduação. professora. Você poderia estar comentando pra gente esse momento? Professora 2: Sim. Sabe? De você traçar o caminho que leva o pintinho ao milho. é triste. E as crianças também. é engraçado você vê isso. a minha sala teve pouco esse negócio de violência.

conversar. muitas vezes. principalmente essa idade que a gente trabalha. essa formação continuada pra gente acompanhar essas mudanças. Qual é sua concepção em relação à criança e infância? Professora 3: Ah. eu acho assim. o que eu mais sinto falta é isso. essa idade. com certeza eu faria sim. trocar experiências ou. E a gente que não participa do projeto. né. Eles têm essa oportunidade de ta trocando experiência. sim. que eles têm oportunidade de discutir alguns assuntos. de trocar experiência. essa busca. Mas se não fosse essa questão. pelo que eles falam. Assim. É uma desabafo também. né. é muito importante esse momento da criança – a infância. é como uma reciclagem. eu percebo assim. Eu acredito que aconteça isso nesse momento. e assim. é assim. eu nunca participei. porque o nosso trabalho é muito humano. até os seis anos. até mesmo assim. A gente não se encontra. ou ainda não? Com relação à prática a gente percebe que tem algumas coisas que eles estão estudando lá e estão discutindo. Você não tem um momento de encontrar com seus parceiros. de conversar. Você sente que é uma perda na sua formação? Professora 3: Ah. E sempre refletindo. é uma correria constante. pra estar sempre se atualizando e acompanhando essas mudanças. precisa muito desse momento de conversar. eu acredito que seja assim. eles têm mais momentos ali que eles estão juntos. Então assim. A gente percebe que eles gostam de vir pra escola. a gente trabalha . nós mudamos. é muito corrido. formação continuada. Eu acho muito importante. deixa eu ver como eu posso dizer. eu acho que o mais forte é isso mesmo. Mas assim. que o grupo que está nessa formação eles assim. É que pra mim realmente fica muito difícil pelo acúmulo de cargo. Pesquisadora: Você se sente. falando do seu trabalho. da sua prática. Então eu acho que principalmente por isso. uma questão de refletir. né. tirar dúvidas. as famílias mudam. é muito gostoso. eles gostam de tudo que acontece aqui. em que momento você localiza essa formação continuada na unidade escolar? Professora 3: Olha. Pesquisadora: Muito bem. é idade de formação de personalidade mesmo. E é importante esse momento.135 APÊNDICE E – Entrevista Professora 3 Pesquisadora: Próxima professora é a professora número 3. é uma perda. refletindo e eles conseguem levar pra prática uma ou outra coisa. Professora o que você entende por formação continuada? Professora 3: Bom. eles têm mais oportunidade de troca. ele reclama ou fala que sente saudade. Eles falam o que eles fazem aqui. estar desabafando. a comunidade muda. É o professor estar sempre em busca de novos conhecimentos porque tudo muda. melhorando nossa prática. de dividir. Isso também é muito importante. Pesquisadora: Em relação ainda à formação continuada. muito gostosa essa fase. As crianças mudam. né. você declara no questionário que você não realiza a formação continuada devido ao acúmulo de cargo. as mães sempre comentam: ah dia que não tem aula. algumas dificuldades encontradas. você perguntou também com relação à teoria e a prática. esse momento de troca é muito importante. Professora 3: Agora assim.

Aí assim. Isso é tradicional porque a criança não aprende necessariamente assim. eu coloquei sócio-construtivista porque assim. eu acho maravilhosa essa fase. a letra b. Mas acho que até assim. conhecer a rotina. pra ir fazer. da autonomia. a socializar.. Então eu acredito que eu me enquadro mais nessa proposta por conta disso. letra b. Poder ter momentos de ela escolher o material que ela vai utilizar. eu acredito muito nessa construção do conhecimento da criança e que a gente ta aprendendo o tempo todo né. nós fomos formados numa concepção muito tradicional. a se conhecer. Eu trabalho muito bingo de letras. em relação ao tradicional aquelas coisas assim ainda de você trabalhar. . eles curtindo. todo mundo tem um pouquinho de tradicional. o ‘z’ porque tem no nome dele ou porque tem algum programa que ele viu aquela letra. assim. dela se expressar. a dividir. muito importante. formar sua identidade. a se formar. pra opinar na rotina. gostando. Você vê que tudo isso. Pesquisadora: Em relação a concepção tradicional o que você sente presente. Então assim. então todo mundo carrega isso. na maior parte do tempo é isso. ela ta criando também. a gente sabe que é nesse momento que ele aprende a lidar com o outro. ficando felizes. carrega esse lado tradicional. nem que seja vinculada com uma música. eu acredito que ninguém é inteiramente sócio-construtivista. o brincar. pra ela criar.136 muitas linguagens. não o tempo todo. Pesquisadora: Muito bem. eu vou dar um exemplo pra ficar mais concreto: as letras do alfabeto. Então você sabe que não é assim que ele aprende. ainda ta naquela fase gostosa. sinceramente. Só que ainda tem aquelas atividades de você trabalhar a letra a. você se declara sócioconstrutivista. alfabeto móvel. Eu tenho portfólio do que eu faço com eles. eu com elas. Às vezes você vai com uma proposta e a proposta até muda porque ela ta participando. de você estar oferecendo material pra ela explorar. a conhecer a escola. na sua prática? Professora 3: Então. enfocou mais o ‘a’ ou o ‘b’ e o ‘c’. se conhecer melhor. pelo ambiente que você ta. tudo que você vai fazer. Então assim. o brinquedo que ela vai brincar. muito bom poder ter essa oportunidade de trabalhar com essa fase.. o desenho. você acaba ainda estando um pouquinha presa nisso. você acaba ficando um também um pouco disso. ajudar a organizar o espaço que ela vai fazer atividade. você vê que mesmo se você trabalhou mais. mas por que eu me considero que eu me enquadro mais nessa concepção sócio construtivista? Porque assim. E assim. Qual é a proposta dela? Ela também tem uma proposta para aquele momento. olhando no geral eu acredito que eu me enquadro melhor nessa concepção sócio-construtivista. pelo grupo. aquela necessidade de trabalhar a letra a. pra participar. pra ela fazer. Então. Trabalhar muito essa coisa da criatividade. Então assim. mas você tem ainda. a gente faz brincadeiras na lousa. plaquinha dos alunos. mas ele aprendeu foi o ‘x’. lista de nomes. dela ter autonomia pra fazer. às vezes. vários tipos de jogos. um com o outro. Mesmo porque nós estudamos. a letra c. eu acredito muito que a criança. conhecer os materiais. a música. que ela vai brincar. Então toda proposta que você traz. E a gente sabe assim que esse momento da educação infantil. O que é essa concepção pra você? O que você pode falar sobre essa concepções? Professora 3: Tá. Só que assim. Entendeu? Então assim. é importante porque assim. usando isso. eu acredito muito nessa coisa dela. é história. vinculada com uma história. ela constrói o conhecimento dela. De acordo com o seu questionário.

você organiza o seu espaço através de cantinhos? Professora 3: Em alguns momentos da rotina. Pesquisadora: Você tocou no assunto de cantinhos. conforme essa rotina do dia. escreve.137 Pesquisadora: Muito bem. os materiais. então tá bom. tem passado pra eles. eu tenho o costume de todos os dias organizar com eles na lousa. de acordo com essa rotina. eles pegavam os livros e deixavam os livros jogados na sala inteira. que mudam de um dia pro outro. tem algumas atividades que eles escolhem. mas no momento tem assim o da leitura que é fixo. com os materiais. de acordo com aquela rotina do dia. tem as atividades que são fixas. Então assim. Que nem. quem não veio. mas assim. E eu tenho também a minha rotina. a gente chega. Pesquisadora: Muito bem. aí a gente organiza a sala. Então eu já vou falar também do tempo. É assim. Em relação ao seu cotidiano em sala de aula. Todo dia tem um momento assim que a gente faz um momento diversificado. no começo dava muito trabalho. o espaço a gente está sempre mudando. também organiza os espaços. porque assim. a gente trabalhou muito essa questão de tomar cuidado com o livro de colocar no lugar. você até já falou um pouquinho sobre as atividades que você tem feito. tem outras coisas que tem que manter que até ta na linha de tempo. não vou dizer que não acontece de ter um livro ou outro. Aí. onde ficam os livrinhos. que faz parte da rotina. à execução. eu organizo com eles esses momentos. a gente organiza naquele momento da atividade diversificada a gente organiza os cantinhos conforme as atividades daquele dia. dá uma acalmada. organiza a rotina. o espaço ambiente. eu vou te perguntar. E é bem legal. Eu até já trabalhei outra época com cantinho fixo. Pesquisadora: Após é o tempo. Como tem ocorrido essas atividades? Professora 3: Aí já entra o registro também ou não? . A gente tem um cartaz de pregas na escola que fica uma lista móvel. vê quem veio. aí eles vão falando. tem aquelas que são diversificadas. desenha na lousa o que vai fazer naquele dia. E aí. E o que a gente vai fazer hoje? Isso é bom até pra abaixar a ansiedade deles. todos os dias pra fazer as atividades. não é cantinho fixo. eles não ficam toda hora perguntando o que é que vai fazer. quantas crianças vieram. E a questão das atividades. e a gente vê quem veio. que todos seguem. cuidar dos seus materiais. são flexíveis. como você tem organizado o espaço e o ambiente para o acolhimento dessas crianças? Professora 3: Então. a gente vai colocando. tem uma hora que eu deixo lá assim. com a foto bem grandona. Aí a gente vai lá. a gente tem o cantinho da leitura. tem o cantinho que ficam os brinquedos. pode ficar à vontade. como principalmente pra depois também organizar tudo no lugar de novo. Eles ajudam muito na organização dos espaços. avaliação. Professora 3: Ah. mas assim. cuidar dos espaços da sala. tinha muita coisa que eles não tinham o costume de fazer. E em relação ao planejamento. É assim também com os brinquedos. organizado na escola. Mas se você já quiser falar do espaço e do tempo. tem uma plaquinha com o nome deles. guardar as coisas cada uma no seu lugar. eu gosto muito de fazer atividade diversificada. quem não veio. a gente tem uma linha de tempo que é da escola. eu tenho muito isso na minha rotina.

pra falar a verdade. a criança não tem acesso a isso. É legal você fazer portfólio pra você conhecer melhor. Eu pego algumas atividades de desenho. Eu tenho criança aqui no terceiro estágio. no começo do ano ele fica muito assim. posso dizer que a maioria das crianças aprendem mais assim de forma lúdica. ta só você e ele. Então ele faz do jeito dele. lembra? Assim. com brincadeiras. assim. por exemplo. olha isso aqui eu coloquei aqui e não fez. eles perguntam. antes. Depois eles vão se soltando melhor. A mãe também. é incrível. agora o portfólio eles vêem. A letra do nome era assim. Eu acho legal o professor ter o registro dele. de nome. o jeito que ele. tem conhecimento do nome. auto-retrato. Assim. que é uma coisa muito completa. Dependendo da atividade é bimestral. uso muito o portfólio. olha o que você já fez. se você quiser já falar sobre o registro. Aí pra que eu uso esse portfólio? Tem alguns dados que eu faço uma tabulação no meu caderno. eles começam até a gostar. é legal porque é uma coisa que eles estão vendo. logo no começo desse ano. vou ser sincera com você. é legal fazer portfólio por que você vê. Ou falam: aquela do número. E eu acho muito legal trabalhar com portfólio. eu apresento o portfólio. E eles sentem faltam. Eu até faço questão de anotar pra mãe deles saber que ele aprendeu a letra. com jogos. dependendo da atividade é mensal. que entrega pra coordenadora. estão acompanhando a evolução deles. tenho a minha rotina e assim. no caso todo ano. aí já estou com o portfólio na mão seja pra uma atividade ou pra outra. de brincadeira. e outras listas que a gente faz. é muito dele. Aí nesse portfólio tem evolução da escrita do nome. porque tem criança que precisa muito disso. aí fico um período sem. tem desenho de história. Um dia teve umas alunas minhas do ano passado que viram eu fazendo esse portfólio com um aluno meu desse ano. é legal também. Eu sento um por um.. E assim. É importante trabalhar de um jeito lúdico. Agora assim. ele reflete. mais palpável. pra ver como ele está. na questão das letras. eles não vêem a hora de chegar a vez deles. aí assim. E é legal também até pra você conhecer melhor a criança. Porque assim. no segundo estágio. eu uso muito esse portfólio também pra conhecer melhor. gosto muito de trabalhar com portfólio. a letra do próprio nome. eu faço algumas anotações no meu caderno. atividade de número. Eles perguntam o nome das letras. só que é muito pessoal. era assim no começo do ano. um pouquinho apreensivo pra fazer as atividades. É legal que até no ano seguinte. ela vê. a gente tem o planejamento que é aquele que a gente faz. isso aqui eu preciso fazer um pouco mais. Aí no outro mês. essa coisa mais concreta. que era minha o ano passado. vejo aquilo que eu preciso tomar mais cuidado. Até citando de novo aquela questão das letras. registro de jogos. recorre a ele. Eles ficam: professora vamos fazer aquela atividade da letra lá de novo. É uma coisa que fica um pouco distante assim. Professora 3: Então. Só que tem algumas crianças que ainda ajuda muito essa coisa da seqüência. semestral. por exemplo. raramente. ele lê. a mãe da criança não tem acesso. Você vê que pra eles é um desafio. Assim. de letra. Como você senta com cada um. agora é assim. aquela lista móvel. atividade livre. só que assim. o que você ainda não fez: Ah. tem a evolução. E tinha uma aluna . você vê que uma coisa é importante. mas a outra também é. como é individual. Eu fico vários dias com o portfólio.. Eles falam: Pro eu escrevia meu nome assim. no dia-a-dia mesmo o que é que eu uso? Anotações no meu caderno. mas é importante também trabalhar algumas coisas assim como a seqüência. aquilo que não está dando muito certo. agora é assim. porque não é uma atividade que ta todo mundo fazendo junto. A gente pega.138 Pesquisadora: O registro. então você pega algumas falas deles.. Eu estou sempre com o portfólio pra lá e pra cá.. na verdade esse planejamento que fica com ela a gente pega raramente. com trabalhar a letra do nome do amigo. poucas vezes no ano vai lá. aquilo que está sendo legal continuar. às vezes anota alguma coisa no caderno. vejo até aquilo que eu preciso dar uma mudada.

Entendeu? Pesquisadora: Muito bem. no primeiro semestre. era horrível aquilo. até pra rever alguns trabalhos meus. E assim. giz de cera e eles usavam. Aí foi material coletivo. Explicava o motivo. Porque incentiva né. tudo. Eles aprenderam a usar. Aí as minhas alunas ouviram: Pro lembra que o ano passado aconteceu isso comigo? A primeira vez que você fez essa atividade eu também só sabia a letra X. giz de cera. Nada de criança ficar andando atrás de mim procurando apontador com lápis pra apontar. Quando você entregou essa atividade pra gente levar pra casa. você tem o material por mais tempo. mas depois rapidinho a gente percebeu que melhorou. pensou em algumas coisas. Foi só no primeiro bimestre aquela coisa muito assim. coloquei a bandejinha e pus na mesma bandejinha lápis de cor. foram pegando. acabou. Como é isso. Entendeu? E assim. Aí depois eu falei: Ah. tinha um potinho só pra giz. ta muito limitado isso: é claro que ele só vai usar lápis de cor nessa atividade. mas já dá pra usar. Teve várias orientações assim . a gente sentou. Até quando eles usavam o material errado era bom porque era o momento de você falar: Não. você tem material pra usar o ano inteiro. Entendeu? Ai eles foram aprendendo até a jogar a casquinha no lixo. ficavam atrás de mim também quando precisa apontar. dependente de mim ainda. claro. como eles usavam o apontador. Como são organizados os materiais na sua sala de aula. ninguém ficou mais atrás de mim isso. mas depois eles foram aprendendo. Acho que até a questão da alto-estima deles. que é assim. E assim. então tem assim uma certa possibilidade do material durar mais tempo. Aí depois eu mudei. no começo faziam um pouquinho de sujeira. por exemplo. organizar. Então assim. Aí eu falei: você sabe mais alguma? Ela: Não. depois que eles vão evoluindo. outro só pro lápis de cor. Aí assim. você quer falar mais alguma coisa em relação aos materiais. você vê que é importante pra eles. porque eu só to dando lápis de cor. Daí eu falei: Chega. E eles faziam uma sujeira porque não estavam acostumados a usar o apontador. uma boa parte dessa organização está nas suas mãos. às vezes acontecia de uma atividade. mas estava tudo nas mãos deles. ele tem que encontrar o lápis de cor no meio dos outros materiais. faltava algumas ainda pra circular que eu não sabia. eles tem que aprender a usar o apontador. mas como não era todo dia. apontador comum. Aí assim.139 minha que eu perguntei o nome da letra e ela só sabia a letra X do alfabeto. e eu ficava apontando. no começo ainda eles usavam. mas ele tem que aprender que se nessa atividade ele precisa usar o lápis de cor. Aí veio né. Entendeu? Mas eles foram aprendendo. Só que assim. Eu estava gostando muito dessa forma de usar o material. E é super-importante. eles têm que saber. Eu achei ótimo. foi ótimo. a presença dos materiais no cotidiano? Professora 3: Olha. tinha o lado bom. borracha. o apontador. Aí. No começo eu colocava ainda separado. eles se sentem mais à vontade. senão é muito fácil né. o material mesmo -giz. depois disso. não dá pra usar giz de cera nessa atividade porque o espaço é pequeno e a ponta do giz de cera é grande. É muito bom. recolher. era individual. Aí ela falou: esse é o X. guardar. canetinha do lado do lápis de escrever. tem um lado muito bom. eles não sabiam usar. aí sempre acaba que eles ajudam a cuidar. eu circulei todas. você vê que assim. direto. eu uso muito. Em relação aos materiais. Então assim. agora Pro eu sei todas as letras do alfabeto. Ótimo porque não tinha mais aquela coisa que você usava o apontador elétrico na sala. A maioria ainda tinha quatro. agora eu já sei todas. pra aquilo. não pôde mais continuar usando o material coletivo. lápis de cor – o material pra atividade era coletivo. outro só pra canetinha. mais tranqüilo pra fazer. você que está ali repondo esse material. em relação aos brinquedos também. E é isso. foi muito legal. o material foi assim. eu dava também o apontador. não era adequado para aquela atividade usar. eles se sentem bem. você usar o material coletivo. Aí veio o recesso e teve aquele problema da gripe A.

140 pra não estar usando mais nada coletivo durante um bom tempo. Mas foi uma loucura no começo. eles tem que aprender a usar o caderno. brinquedinho de panelinha e tal. eles melhoraram bastante o uso do caderno.. Aí lá vai eu pegar todo aquele material que estava no coletivo e mais alguns que eu tinha guardado e a gente dividiu tudo e colocou tudo nos estojos – quem tinha né.mas a maioria está se virando muito bem com o material individual. aí já não tinha material. Então eu oriento muito o uso do caderno. tudo que tinha que ficou individual. Assim. Essa sala que a gente ta agora não tem tanto brinquedo como a outra tinha. Aí depois sim. acho que até eles gostam. que tenha oportunidade de falar o tempo todo. boneca. mas teve várias que não estavam nessa reunião. quem não tinha foi dentro de saquinho. e veio recomendação que não podia usar com o amigo. de ponta cabeça. No segundo estágio é mais o caderno de desenho eles tem que aprender a seqüência. foi uma loucura. um ou outro ainda precisa de orientação. você não vai dar aquela coisa maçante. a interação é o tempo todo. como a gente já não tinha muita coisa. tudo separadinho. estão usando. antes de acabar o rodízio e lá tinha baldes. Então. precisa de ajuda. toda a hora a gente está interagindo. O que você quer saber mais pontual? Pesquisadora: Dessa dinâmica mesmo do aluno. por exemplo. então eles já têm maturidade pra isso . E assim. brinquedos grandes. é mais material de encaixe. tem que ir indo gradativamente. porque ali dentro tem tudo. o material ia e nunca mais voltava. eu acho que tem que ter porque eles tem que aprender cada um cuidar do seu. Aí chega no terceiro estágio. Claro. eles foram melhorando. era separado. Igual. terceiro estágio. no começo. eles pegavam mais os brinquedos. agora eles estão falando mais. bichinho de pelúcia. Aí. . escolhem. distribuía o material. como é que usa. na hora da história. pegavam e brincavam. é até difícil falar com se dá a interação. eles ficam livres. nos momentos de brincar. se socializaram melhor. estão cuidando direitinho. até que ficou. E assim. tem assim. Eles estão aprendendo também. Pesquisadora: Muito bem professora. principalmente. fizeram muitas amizades. Foi bem legal porque a maioria das crianças conseguiu aprender.. Também deram trabalho pra aprender a arrumar o armário quando chegaram esses brinquedos novos. das atividades. O caderno também. E eles têm mais autonomia ainda do que tinha. Assim. assim. dele como uma criança ativa. das rodas de conversa. aquelas caixas com os brinquedos. eles melhoraram bastante. teve muitas mães que vieram na reunião. aí eles vão lá. de caixinha. eu até acho que eles têm que aprender a usar sim. E a gente já teve um momento que o brinquedo. na sua sala de aula? Professora 3: Ah. arrumar direitinho. Aí a gente pediu o estojo para os pais. voltando lá. só que esse material ia e voltava todos os dias. Porque assim. é mais pra ele aprender a usar mesmo. ficavam mais soltos. individual. só que assim. eles iam. tem algumas crianças eram bem quietinhas no começo do ano. entenderam que o material ia ficar na mochila. abria em qualquer página. e em relação à interação do professor com o aluno e entre eles? Como que se dá isso. O brinquedo fica num cantinho da sala. já melhora. brincam. assim. era o momento que a gente estava em outra sala. criou um vínculo muito grande. tinha criança que nem falava no começo do ano. E aí. agora também tem alguns brinquedos novos. se puder ser um caderno com linha. Acho que é importante. foi uma loucura no começo. a interação se dá o tempo todo né. eles estão usando o material individual. Então assim. continuou o material individual. E foi legal também essa fase de cada um usar o seu individual. Eles usavam muito de trás pra frente. aí depois foi junto. alguma coisa pra guardar. A interação se dá na hora das brincadeiras. assim. na hora das conversas.

Assim. que você percebe muito nitidamente. mas assim.a gente sabe que não é tudo que a gente vê na teoria que a gente consegue colocar na prática. a realidade é bem diferente. é aquela centralizadora ou aquela que ta mediando. eles já sabem mais ou menos como funciona a rotina. você sente algum fator que impede essa teoria presente na sua prática. você de fora. Às vezes. ah. eles falam bastante. o seu papel enquanto professora. Pra falar a verdade. durante esses quatro últimos anos mudanças nesse professor? Você consegue observar isso ou não? Professora 3: Então. no PEA. da convivência da interação que você tem com o outro professor. Pesquisadora: Muito bem.141 Professora 3: Ah. É difícil dizer isso né. o tempo todo eles falam. vai mudando algumas coisas na prática. Às vezes. em alguns momentos assim. algumas coisas que a gente reflete e muda. vem desde lá do começo do ano. Mas assim. aquilo que ele vai mudando. que fica muito claro. E assim. as teorias. atitudes? Professora 3: Olha assim. todos os momentos. muito obrigada. Isso não fica muito claro. a gente tá sempre mudando né. fica difícil falar até que ponto foi a formação que ele ta tendo porque tem assim o dia-a-dia dele. E assim. na hora de brincar na hora de fazer atividade. a prática que ele já traz com ele. eles chegam todo dia falando. você percebeu durante esse ano. Porque assim. um tênis novo. Eles vêem falar que foram passear. você percebe até uma ou outra atividade. o que já era da prática deles. Pesquisadora: E assim. tanto de projeto. para a sua realidade do dia a dia. bastante. É uma interação que não acaba nunca. E é legal que eles falem bastante mesmo. respeitar a vez dos outros de falar. alguma coisa que ele faz assim que você percebe que está dentro de algum tema que está sendo estudado dentro do projeto. você percebe mudanças. O que você aprendeu na sua formação acadêmica para a sua prática. contam tudo que acontece em casa e querem mostrar tudo. falam. Pesquisadora: Se você dá oportunidade pra ele falar. com os professores. eles interagem. falam. pra falar a verdade não fica tão claro isso. não. Um de cada vez. Entendeu? Pesquisadora: Bom. a gente até toma cuidado pra todo mundo poder falar. algumas atitudes assim. e querem comentar. Outra pergunta é à respeito da prática docente. o tempo todo. é eles que falam. Eles falam. sempre tem alguma coisa que a gente leva sim da teoria para a prática. você percebe mudança na prática do professor que faz formação continuada? Você de fora. falando. não fica muito claro pra mim o que é da prática dele. já faz tempo né. Geralmente . Agora assim. Os alunos são muito diferentes. no decorrer da rotina. aquilo. falando. Eles falam bastante. Você percebe assim. Como é isso? Professora 3: Bom. o que é da formação que eles estão tendo no gurpo do PEA. aquele professor mudou porque está fazendo PEA ou tal. Professora 3: Olha. Você que não realiza a formação continuada. observar mudanças assim. não é uma coisa assim muito marcante. em relação à formação continuada. isso. E em relação a fatores que impedem as propostas. às vezes também num ano você consegue e no outro não. a gente faz bastante roda de conversa também. não fica tão claro isso. como de programas. Tem hora que tem que parar um pouquinho e falar: Calma. Na hora da rotina eles falam. sim. Eles falam muito o tempo todo. claramente.

uma coisa que me aflige muito. às vezes ele tem facilidade em uma questão e em outra não. Por exemplo. se não tivesse algumas dificuldades teria como colocar muito mais a teoria em prática. Às vezes. os alunos são muito agressivos. dá pra você estabelecer um diálogo melhor. é uma turma muito agitada. E acredito que é um momento que ele constrói conhecimento. Por exemplo. por exemplo. eles precisam. ele tira daquilo um aprendizado daquilo. a gente procura estar fazendo essa intervenção. Algumas coisas eu consigo fazer. Pesquisadora: Você tem como dar algum exemplo? Professora 3: Um exemplo. auxilia. eu não prestei concurso. Então. Essa é uma questão. eu tenho dois segundos estágios. em alguma coisa ele precisa de intervenção. quem não gostaria de poder acompanhar melhor os alunos de poder fazer mais por cada um. É uma dificuldade. eles conseguem esperar. que é dificuldade geral. mesmo que ele tenha facilidade. ajuda a transformar algumas coisas na sua prática sim. Eu acho muito importante o brincar. e assim. essas e outras coisas que a gente vê na teoria que é importante. Tem também algumas coisas assim. procura estar acompanhando. que ajuda. tava lendo e tava falando dessa parte do brincar na educação infantil. esse é um fator complicador. eu tava dando uma olhada. ele precisa de uma dica: olha isso tem que fazer assim. que é ter um número muito grande de alunos nas salas. sempre você dá uma acordada pra alguma coisa. então assim. eu tenho um num período intermediário e um no período vespertino e eles são muito diferentes uma turma da outra. Às vezes você começa a ler. para caminhar sozinho. E assim.142 eu tenho duas turmas. reflete. tem muita coisa que não dá. ele precisa de uma intervenção individual. tem coisa que não. tem coisa que dá. É muito bom. eu tenho uma turma no inter que é muito difícil. Você localiza no seu cotidiano fatores que auxiliam a aplicação das propostas teóricas. Sempre. a gente põe em parte isso em prática. agora não faço mais. Aí eu tive oportunidade de pegar esse livro. na prática docente? Professora 3: A teoria geral? Pesquisadora: É. Seja numa área ou em outra. tem criança que não é assim. tudo. E eles são muito diferentes um do outro. a gente faz o que a gente pode. a intervenção individual. ajuda a melhorar. Agora. que ajuda a refletir. cada criança. poderia fazer um trabalho bem melhor. sempre considerei. poderia acompanhar bem melhor cada aluno. fazer de novo. em um lado. é um momento que eles . Só que a gente sabe que se fosse um número menor de aluno. tem muita criança que ele aprende sozinho. Então assim. eles tem mais paciência pra uma atividade que precisa de mais tempo. Seria assim. A teoria que você tem desenvolvido durante toda sua formação profissional. Já a outra turma é uma turma mais tranqüila. praticamente sozinho. é sempre muito bom. Então assim. Pesquisadora: Muito bem. tudo que você trabalha no coletivo. no vespertino e não consigo fazer no inter. olha que legal. ele aprende sozinho. assim. mas é um dos livros lá que uma professora falou que caiu no concurso. é importante retomar. até alguma coisa que você fazia lá há um tempo atrás e não faz mais. eu estava lendo esses dias um livro. Professora 3: Ah sim. Então assim. Que nem. seja de um jeito ou de outro. Então assim. mas tem muita coisa que dá pra você colocar na prática. ele consegue aproveitar. que eu acho muito importante: a intervenção individual. Eu acho muito importante porque assim. tudo que você oferece pra ele. e todos eles precisam né. procura estar conhecendo cada aluno o máximo que a gente pode. assim. eu fazia isso. às vezes.

acontece. Só que assim. desse momento livre. que eu não sabia. os pais também. é muito bom. eu trouxe vários livros. E assim. eles até falaram em casa para os pais. isso não acontece todos os dias. Coisas que até eu descobri. numa determinada época do ano. Pesquisadora: Muito bem. Muito obrigada.. Às vezes. eu tava lendo que assim. tem época que eu conseguia contar histórias todos os dias. E assim. muito. A gente tem que tomar muito cuidado. é um momento que ele se expressa – a brincadeira simbólica é muito importante. enfim. Apesar de sempre. eu trabalhei muito estória. eu acho importante trabalhar todas elas. dos animais. não sei como vocês denominam essa parte assim de ciências naturais. o professor se desgasta tanto querendo direcionar muito. só que tem um momento que a gente acaba priorizando mais uma do que a outra. trabalho todas elas. Um exemplo. Só que assim. Aí eu tava pensando assim: é. trouxe filme. mais à vontade. aquilo e tudo muito dirigido. na verdade. trouxe CD também.. só que tem época que eu acabo priorizando mais uma do que outra. Eu fiz oficina com os pais.. vários mistérios. colocava som. entendeu? Que é importante mais momentos assim que não sejam direcionados pelo professor do que momentos dirigidos pelo professor. que ele fica mais à vontade. Eu tenho na minha rotina um momento dirigido e um momento que a criança fica. muito. estar revendo sua prática porque. Então assim. nós passamos por várias etapas. todos os dias. tava falando assim que. uma coisa que deveria acontecer todos os dias. Eu acredito que eu trabalho todas as linguagens. eles comentaram muito que as crianças falam muito sobre várias coisas que eles estão aprendendo do fundo do mar. você pediu um exemplo. Então. as linguagens é assim. mas tem época que você acaba deixando um pouquinho de lado. trabalhando mais uma do que a outra. já não é uma coisa que acontece todos os dias. nós assistimos filme. Agora. O nome do nosso projeto era fundo do mar e assim. às vezes. agora? É que tem época também que a gente deixa de lado. nas últimas duas reuniões de pais. mais livre também pra ele poder brincar. trabalha boliche. você acaba. realmente. que ele organiza. O que ta acontecendo todos os dias. essa e outras questões. muito importante. O ideal seria todas serem priorizadas sempre. cantava. é muito bom. como que eu posso dizer. Só que assim. quando eu tava lendo isso. eles curtiram muito. desse momento que a criança escolhe. Qual é o motivo? Professora 3: Na arte e também. às vezes. por exemplo. pra ele poder se interar mais à vontade com os outros. pesquisamos nos livros várias características. por um motivo ou outro. tem coisas que a gente faz mesmo. no colar. na verdade esse projeto que eu to desenvolvendo. Em relação às linguagens. Música. as crianças estão bem envolvidas.143 se conhecem melhor. tem época que você percebe que. tem época que a gente cantava. características sobre vários animais. No momento. eles estão gostando muito. tesoura. a gente passou por momento de pesquisa. conta os pontos e faz isso com palitinho. mas assim. Por isso é importante o registro. Pesquisadora: Nesse momento você falou que ta fixado mais as atividades na arte.. nós estamos desenvolvendo desde o final do semestre passado. o professor precisa ter mais tempo dessa interação. as crianças trouxeram. Valorizar a hora que ele ta ali brincando e observar e ver que. Matemática : tem época que a gente trabalha mais. muito. Muita atividade artística: tinta. o professor se desgasta muito em fazer isso. Então assim. Então assim. alguns mistérios do fundo do mar. você começa até a valorizar mais. dançava. que ele faz a vontade dele. Menos dirigido. Por quê? Porque nós estamos às vésperas de uma mostra cultural. Teve criança que falou . você tem conseguido desenvolver essas múltiplas linguagens da educação infantil com os alunos? Professora 3: Olha. Assim. cola.

de aplicar uma atividade. se tivesse feito antes não teria onde colocar. Que é um grupo muito grande pra você ali. terceiro estágio. vai fazer seis. a finalização de algum trabalho. Aí assim. tudo. Na EMEI você com 35 alunos. Foi uma experiência até um pouco traumática. todos do fundo do mar. Assim. Nessa escola aqui eu nunca peguei primeiro estágio. Criança de cinco pra seis anos. Porque do mesmo jeito que essa sala que recebe essas crianças. Então. ta na semana da mostra. Tudo você tem que fazer um certo malabarismo pra chamar a atenção deles né. Essas coisinhas tem que ser perto mesmo. Pesquisadora: Muito bem. Agora nós estamos finalizando alguns trabalhos. foi uma dificuldade arrumar o tamanho da lousa. Em relação ao ensino fundamental de nove anos. primeiro estágio é muito diferente. criança que tem quatro e vai fazer cinco. A gente fez cada cartaz enorme. não é assim uma diferença tão grande. pra falar a verdade. a gente passou por esse momento da pesquisa. era um número bem menor. pra fazer a verdade. que são vários trabalhos que eles fizeram. a gente olhou também na sala de informática. de seis anos. eu não percebi assim mudança pra receber essas crianças. em relação ao mobiliário? Como que isso tem ocorrido na rotina de vocês? Professora 3: Olha. o ano passado eu peguei um primeiro estágio na outra escola que eu trabalhava. Eu trouxe também CD Room. Agora. não ta estruturado pra receber essas crianças. É muito difícil. que vieram de CEI. de segundo pra terceiro estágio. trabalhos de meses já. Mesmo aqueles que já vieram de alguma escola. Assim. o seu jeito de falar tem que ser diferente. Como vocês têm se organizado? Vocês têm discutido isso nos grupos em relação à material. que completaram 3 anos no final do ano. Mas é que agora a gente está no final. dessa semana de mostra cultural. demais. eu vou falar um pouco da minha experiência. outra realidade. algumas coisas tem que ser mais próximas mesmo. Pesquisadora: É um projeto maior? Professora 3: Isso. é uma coisa que chega a ser quase desumano. era duas educadoras por turma. a pesquisa. Aliás. recebe também as crianças de cinco. a gente acabou priorizando mais nesses últimos dias essa questão artística mesmo. as crianças que ainda vão completar quatro anos. por exemplo. Assim. brincamos com alguns joguinhos que tinha nesse CD. Pesquisadora: Nem a rotina é diferente? Professora 3: A rotina é um pouco diferente. Teve a leitura. o que a gente faz de diferente? A linguagem pra uma criança de três anos é diferente. Eu sabia que era difícil o primeiro estágio. Porque eu já tinha trabalhando com essa faixa de idade de alunos em creche. eles são muito dependentes. Então assim. Eu acho que eu vou demorar um pouquinho pra ter coragem de pegar o primeiro estágio de novo. a realidade é outra. e teve também o momento de várias atividades artísticas que a gente veio fazendo no decorrer do ano. mas eu não sabia que era tão difícil como foi comigo quando eu peguei. aí vem pra EMEI. que a gente chama de segundo. não é só agora. até o seu jeito de cantar. você sozinha. principalmente no começo do ano. tem um mês que completou. que o fundo do mar é lindo. trabalhos que os pais fizeram também na nossa oficina. na minha opinião não ta preparado. eu sofri demais. muito. vocês estão recebendo crianças de quatro anos a completar. por conta disso. na última reunião de pais. do mesmo jeito que é a sala de primeiro estágio. Então assim. muito. um grupinho . Entendeu? Não tem muita diferença de uma sala pra outra. tem coisas que é difícil até de guardar.144 que queria morar no fundo do mar.

eu nem sei se cabe dizer. da roupa. Tem coisa que eu consigo. principalmente a voz. talvez um horário de parque diferenciado. Eu acho que as perguntas estão bem legais e bem assim. pra cuidar do material também é muito difícil. é o cansaço. professora de educação infantil. em especial. Então foi muito difícil. Eu gosto muito do meu trabalho.Cuidar das coisinhas dele. E assim. É muito difícil. Eles sentem vontade ir no banheiro. E ainda nessa turma que eu peguei experiência foi mais difícil ainda porque era um grupo bem agitado. Eles são muito novinhos. de abordar nesse momento? Professora 3: Eu acho que eu já falei bem geral assim. Eles solicitam a gente o tempo todo. tem coisa que eu não consigo. não são tudo flores. realmente não ta preparada a escola. Não. é isso. eu quero fazer tudo assim. Muita criança. Pesquisadora: Professora você tem algo pra comentar sobre a educação infantil. bem legal. Então a dificuldade maior é essa. Professora 3: Obrigada você também.. Porque assim. E assim. a garganta. Eles misturam as coisas deles com as coisas das outras crianças. da minha profissão. do material. muitas horas de trabalho. Mas assim. ta muito longe. sobre a sua profissão. Isso eu sinto muito. eu acho sofrido pra eles e sofrido para o professor.Gente. Pesquisadora: Bom. Inclusive hoje me falaram que eu preciso respirar. Eu acho que a escola está longe de estar preparada pra essa idade de aluno. a gente passa muita dor de cabeça.que é uma opção minha também né. tem que ensinar muito tudo. eu posso dizer que é sofrido porque eu vivi essa experiência. tem que ajudar. eu vejo assim. principalmente fora da sala. Acho que tinha que ter assim mais brinquedos. eu também peguei uma turma bem difícil. sua prática? Qualquer coisa que você gostaria de comentar. Tem muita criança que faz ali na roupa mesmo. A gente cria um vinculo muito grande e é um trabalho muito humano e eu estou feliz. tanto o que ele traz na mochila ou mesmo o material coletivo. eles não têm ainda aquela noção de . É exaustivo. de ver que eles estão aprendendo. Da experiência que eu tive. eu quero agradecer a sua participação na pesquisa. dentro dessa minha opção o mais difícil é isso – o cansaço. pouquinho tempo da rotina. uma turma de intermediário já é difícil por essas questões que eu falei. mas reduzir a quantidade de aluno. Então assim. isso seria interessante sim. eu estou satisfeita com o meu trabalho e com a minha profissão. cadeira. vários assuntos. . é cansativo também. que eles estão se sentindo bem. Eu tenho a dizer que eu gosto muito do meu trabalho. eu sou muito ansiosa. gosto de ser professora. Mas assim. e tudo. muito preocupada. É muito difícil. eles são muito novinhos.. não dá. É muita coisa. e assim. eles sugam o tempo todo. que eles estão se socializando bem com os outros. Todo dia à noite eu não consigo nem falar mais quase. o jeito de falar com eles tem que ser diferente. devo dizer que claro. é muito difícil com essa quantidade de criança. Tem muita criança que não tem. ainda mais com duas turmas. eu gosto de estar acompanhando. ele não pára e vai. não dá. E assim. Eu me cobro muito ainda. E assim. eles têm uma certa dependência de você. E assim. você tem que falar de um jeitinho especial com eles. essa coisa de mesa. foi de grande valia para a pesquisa e muito obrigada. mais opções de atividades livres. fica cansada. Então assim. tinha muita criança com problema assim de agressividade. Eu me preocupo muito com os alunos. eu sou muito ansiosa. E assim. querem a gente o tempo todo. apesar disso é muito gostoso. Até a linguagem que você usa.145 menorzinho. Então assim.

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