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UNIVERSIDADE CIDADE DE SÃO PAULO PROGRAMA DE MESTRADO EM EDUCAÇÃO

Elaine Cristina Marena Andrade

OS INSTRUMENTOS DO COORDENADOR PEDAGÓGICO PARA COORDENAR A FORMAÇÃO CONTINUADA DOS PROFESSORES NA UNIDADE ESCOLAR: “O PROJETO ESPECIAL DE AÇÃO” E “O PROGRAMA A REDE EM REDE: A FORMAÇÃO CONTINUADA NA EDUCAÇÃO INFANTIL” NO MUNICÍPIO DE SÃO PAULO

São Paulo 2010

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Elaine Cristina Marena Andrade

OS INSTRUMENTOS DO COORDENADOR PEDAGÓGICO PARA COORDENAR A FORMAÇÃO CONTINUADA DOS PROFESSORES NA UNIDADE ESCOLAR: “O PROJETO ESPECIAL DE AÇÃO” E “O PROGRAMA A REDE EM REDE: A FORMAÇÃO CONTINUADA NA EDUCAÇÃO INFANTIL” NO MUNICÍPIO DE SÃO PAULO

Dissertação apresentada ao Programa de Mestrado em Educação da Universidade Cidade de São Paulo, como requisito exigido para a obtenção do título de Mestre.

São Paulo 2010

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Elaine Cristina Marena Andrade

OS INSTRUMENTOS DO COORDENADOR PEDAGÓGICO PARA COORDENAR A FORMAÇÃO CONTINUADA DOS PROFESSORES NA UNIDADE ESCOLAR: “O PROJETO ESPECIAL DE AÇÃO” E “O PROGRAMA A REDE EM REDE: A FORMAÇÃO CONTINUADA NA EDUCAÇÃO INFANTIL” NO MUNICÍPIO DE SÃO PAULO

Dissertação apresentada ao Programa de Mestrado em Educação da Universidade Cidade de São Paulo, como requisito exigido para a obtenção do título de Mestre.

Área de concentração: Data da defesa: Resultado:_______________________________________________

BANCA EXAMINADORA:
Prof. Dr. João Gualberto de Carvalho Meneses Universidade Cidade de São Paulo Prof. Dr. Jair Militão da Silva Universidade Cidade de São Paulo Prof. Dr. João Pedro da Fonseca Universidade de São Paulo __________________________________

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4 DEDICATÓRIA Dedico a dissertação a todos protagonistas da Educação Infantil. os .

Letícia Beloto A Diretora Regional de São Mateus .meu amado Orientador Aos membros da Banca Examinadora da minha dissertação.UNICID Ao Profº Drº João Gualberto de Carvalho Meneses. .Hatsue Ito Ao Profº Ms Arnaldo Ribeiro dos Santos A Profª Ângela Maria Duarte Azadinho A toda equipe da EMEI Carmen Miranda A toda equipe do CEU São Rafael Ao Daniel de Souza Janate Aos meus colegas e secretárias do Mestrado em Educação. E principalmente a DEUS pelo o dom da vida e por enviá-los a me ajudar a superar as dificuldades e conquistar mais uma etapa acadêmica.UNICID Aos Professores Doutores do Programa de Pós-graduação (Strictu-Sensu).5 AGRADECIMENTOS Agradeço aos ANJOS por fazerem parte de mais uma caminhada acadêmica de minha vida: Ao meu esposo .Oswaldo Armelindo Marena e Zilda Andrade Marena Ao meu irmão – Hebert Alexandre Marena A minha sobrinha.Adriano da Costa Andrade Aos meus pais .

e dá mais lucro que ouro”.6 “Feliz o homem que encontrou sabedoria e alcançou entendimento. porque a sabedoria vale mais do que a prata. Provérbios 3:13. .

propostas pela Prefeitura Municipal de São Paulo. identificar a presença. dentre muitas questões. Palavras-Chave: Políticas Públicas de Educação. com decisões próprias. em horários coletivos. passei a observar o Projeto Especial de Ação e o Programa a Rede em rede: formação continuada na Educação Infantil.7 RESUMO Um grande avanço das políticas públicas no Brasil foi considerar a educação infantil (0 a 5 anos) como primeira etapa da educação básica e incluir as antigas creches no sistema municipal de educação. com a participação de 03 professores e análise documental. Os procedimentos metodológicos são a abordagem quantitativa. tratando assim o cuidar e educar como conceitos indissociáveis. o Coordenador Pedagógico terá maior proximidade das ações pedagógicas do professor. no período de 2005 a 2008 da unidade escolar. necessidades pedagógicas. aplicação de questionário para 21 professores e 02 gestores e a abordagem qualitativa. inquietações. Com este avanço. Nesse contexto. surgiu a preocupação com a formação dos professores que atuam na educação infantil e. e analisar a avaliação dos professores sobre as políticas de formação docente. o fazer docente no cotidiano escolar da Educação Infantil e encontrei. Os novos conhecimentos pedagógicos poderão fazer parte da prática docente quando forem articulados com as reais necessidades e desejos dos professores. das intenções das políticas de formação de professores. entrevista semiestrutural. também. Neste sentido. . O importante é garantir que o Coordenador Pedagógico tenha momentos destinados para o acompanhamento da prática docente. Formação Docente. a necessidade da elaboração de programas de políticas públicas para a formação docente. na prática docente. Educação Infantil. O Coordenador Pedagógico precisa considerar que o professor é um ser único. enfim terá a oportunidade de realizar uma intervenção individual. das dúvidas. na Educação Infantil. assim como os momentos de acompanhamento de formação continuada. que transforma e é transformado pelo outro. complexo. uma de grande relevância: como a formação continuada dos docentes da Educação Infantil tem contribuído para a atualização da prática pedagógica? Os objetivos da pesquisa são analisar a atuação do projeto e programa educacional no cotidiano escolar. Isto poderá contribuir para o avanço da prática docente.

and include day care centers in the municipal sistem of education. at collective times. semi-structural interview. proposed by the Municipality of São Paulo. The methodological procedures are quantitative approach. among many issues. This may contribute to the advance of teaching. that transforms and is transformed by others. Teacher Education. also. and qualitative approach. the work of teachers daily in early childhood education and I found. questionnaire to 21 teachers and 02 administrators. Early Childhood Education. one of great importance: how the continued formation of teachers of early childhood education has contributed to the updating of the pedagogical practice? The objectives of this research are to analyze the performance of both the project and educational program in the school routine. this way treating the care and education as inseperable concepts. The important issue is to ensure that the Academic Coordinator has moments destined to follow the teaching practice. the academic coordinator will have greater proximity of the teacher's pedagogical actions. will have the opportunity to perform an individual intervention. In this context. in other words. I started to observe the network of the Special Action Project and the Network Project: continued formation in kindergarten. with the participation of 03 teachers and documentary analysis. with his own decisions. apperead the concern about the training of teachers working in early childhood education and. in the teaching practice. With this advance. Keywords: Public Policy Education.8 ABSTRACT A major advance of the public policies in Brazil was to consider the early childhood education (0 to 5 yeas) as the first stage of basic education. as well as the moments of tracking continuing education. in Kindergarten. educational needs. complex. The Pedagogical Coordinator needs to consider that the teacher is unique. The new pedagogical knowledge may become a part of the teaching practice when they become articulated with the real needs and desires of teachers. of the policies for teacher education intentions. the necessity of developing public policy programs for teacher training. Therefore. . in due to identify the presence. concerns. over the period from 2005 to 2008 of the school unit. doubts. and to analyze the teacher evaluation on teacher education policies.

9 LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS ADI ATE CEI CME DOT DOT-EI DOT-P DRE EMEF EMEI INEP JB JBD JEIF JEX LDB MEC PEA PMSP PP SEEC SME TEX Auxiliar de Desenvolvimento Infantil Assistente Técnico Educacional Centro de Educação Infantil Conselho Municipal de Educação Diretoria de Orientação Técnica Diretoria de Orientação Técnica de Educação Infantil Diretoria de Orientação Técnica Pedagógica Diretoria Regional de Educação Escola Municipal de Educação Fundamental Escola Municipal de Educação Infantil Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Jornada Básica Jornada Básica do Docente Jornada Especial Integral de Formação Jornada Especial de Hora Aula Excedente Lei de Diretrizes e Bases Ministério da Educação Projeto Especial de Ação Prefeitura Municipal de São Paulo Projeto Pedagógico Secretaria Estadual da Cultura Secretaria Municipal de Educação Jornada Especial de Trabalho Excedente .

....................................3 Instrumento de pesquisa qualitativa: entrevista semi-estrutural........................................................31  2..........................1 Problema da pesquisa ...........................no Município de São Paulo.............17  1..........................................................41  2...................................................................2 Objetivos específicos.............................................2 A formação continuada dos docentes da infância .............................................................16  1............................................................................................................................................................................. 19  2.....................................5 O “Projeto Especial de Ação”.......................1 Instrumento de pesquisa quantitativa: Questionário ........................................... 7  ABSTRACT ...................................... 8  1...........1 Objetivo geral .................. 104  6...................3 Objetivos...................18  2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA.... 108  .....................18  1.........................................................19  2..................................................3 A implantação do “Projeto Especial de Ação” e do “Programa: A Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil”............................................ REFERÊNCIAS ..................................................2 Hipóteses da pesquisa..................................17  1...17  1........................................................16  1............Docentes .........................52  4..............4 Relevância da pesquisa........................... 49  4 ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DOS DADOS COLETADOS ..............................................................4 O “Programa A Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil”.................................. 52  4..........................................................................................................28  2...........................................................5 Estrutura do Trabalho .............................79  5 CONSIDERAÇÕES FINAIS..........2 Instrumento de pesquisa quantitativa: Questionário-Gestores .....................................................................................  INTRODUÇÃO.................................1 O perfil dos profissionais docentes da infância ............................................................................................10 SUMÁRIO RESUMO................................6 Os dilemas do Ensino Fundamental de 9 anos e o Cuidar e Educar na Educação Infantil 44  3 METODOGIA DA PESQUISA......23  2............................ 11  1.....................74  4.....3......................................................................................................................3.......................................................

Na minha carreira de magistério. enquanto exercia o cargo de professora (19972005) tinha preocupações com a sala de aula. “Projeto Especial de Ação” e o “Programa A Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil” que surgiram dúvidas as quais me dispus a pesquisar. para crianças de 4 a 6 anos de idade. no Centro de Educação Infantil. em 2000. durante o novo percurso.CEI. nos cargos de Profº Titular de Educação Infantil e Profº Adjunto de Ensino Fundamental I. estava sendo convocada a tomar posse do meu segundo cargo de Profº Titular de Educação Infantil e exonerando-me do cargo de Profº Adjunto de Ensino Fundamental I. Iniciava. Alguns anos mais tarde. em 2006. então. o meu ingresso na carreira do magistério. lecionei por 3 anos consecutivos. Em meados de 2002. Após ter sido aprovada e classificada no concurso público realizado pela Prefeitura Municipal de São Paulo (PMSP). na modalidade Educação Infantil. Quando assumi o cargo de Coordenador Pedagógico. Então. INTRODUÇÃO Ao término do último ano do curso de magistério. as atribuições do Coordenador Pedagógico são: . no ano seguinte. ingressei na PMSP. atuando integralmente na Educação Infantil. Foi neste contato direto com a formação de professores. caminhei em direção a mais um concurso. De acordo com o edital do concurso público (2009) referente ao cargo de acesso do Coordenador Pedagógico. Essa experiência despertou meu interesse maior pela Educação Infantil e. especificamente na região de São Mateus. alunos e pais. atuando na formação de crianças de 4 a 10 anos de idade. tendo que me despedir do meu primeiro emprego. recebi um convite para lecionar numa escola particular da Zona Leste de São Paulo.11 1. assumi o cargo de Coordenador Pedagógico atuando na formação continuada de professores e tive o privilégio de continuar atuando nesse cargo. da Prefeitura Municipal de São Paulo. fui convocada a tomar posse dos cargos citados. formulei questões sobre a formação continuada dos docentes. então. Nessa unidade escolar.

de acordo com o edital da Fundação Carlos Chagas (2009): . caracteriza a comunidade local. define as necessidades pedagógicas. os métodos de ensino-aprendizagem e avaliação. execução e avaliação do Projeto Pedagógico (P. (Fundação Carlos Chagas.12 I. o Projeto Pedagógico tem a finalidade de dar autonomia às unidades escolares. 9. as modalidades e turnos em funcionamento. visando a melhoria da qualidade da educação. 2009) O Coordenador Pedagógico precisa coordenar as etapas de elaboração. tendo como instrumento o “Projeto Especial de Ação”. respeitadas as normas comuns e as do seu sistema de ensino. inciso XV: “Promover a implementação dos Programas e Projetos da SME por meio da formação dos professores da Unidade Educacional. coordenado pelo Coordenador Pedagógico. segundo o edital da Fundação Carlos Chagas (2009). (Veiga. tendo em vista os desafios do cotidiano escolar. dificuldades.P com o “Projeto Especial de Ação” (PEA). a escola tem a autonomia para refletir sobre sua intencionalidade educativa. p.P descreve sua história. Cada escola por meio do P. no sentido de refletir sobre as finalidades sociopolíticas e culturais da escola”. necessidades específicas. que junto com a equipe escolar elabora-o de acordo com as prioridades da escola. 2003.Coordenar a elaboração. inciso I: “os estabelecimentos de ensino. Assim. em consonância com as diretrizes educacionais do município. enfim constrói sua própria identidade. O Projeto Pedagógico foi previsto na LDB. implementação e avaliação do Projeto Pedagógico da Unidade Educacional. nos horários coletivos de professores. bem como do acompanhamento da aprendizagem dos alunos (avanços.15) O “Projeto Especial de Ação” é.12. Lei n. terão a incumbência de elaborar e executar sua proposta pedagógica.394/96. também. sendo ambos objetos de acompanhamento e avaliação dos profissionais de educação nos horários coletivos de formação. no art. O PEA deve estar articulado com os Projetos e Programas que compõem a Política Educacional da Secretaria Municipal de Educação (SME). etc)”. O planejamento das ações do horário coletivo de formação docente também são atribuições do Coordenador Pedagógico.P). Essa implementação se dá por meio da formação continuada. Entende-se por autonomia da escola quando: “Ela concebe sua proposta pedagógica ou projeto pedagógico e tem autonomia para executá-lo e avaliá-lo ao assumir uma nova atitude de liderança. Neste sentido. além de articular o P.

O acompanhamento e avaliação das atividades pedagógicas são atribuições permanentes do Coordenador Pedagógico: VII.. Além disso. segundo o documento acima.13 II. depois o Coordenador Pedagógico junto ao professor elaboram perguntas a partir do episódio observado. VI. estratégias de formação. precisa refletir sobre as práticas culturais do cotidiano da unidade escolar.Participar da elaboração de critérios de avaliação e acompanhamento das atividades pedagógicas desenvolvidas na Unidade Educacional. (Fundação Carlos Chagas. III. registro e problematização da prática pedagógica. XII.Planejar ações para a garantia do trabalho coletivo docente e para a promoção da integração dos profissionais que compõem a Equipe Técnica da Unidade Educacional. O documento A Rede em rede: a formação continuada na Educação Infantil (2007) traz subsídio ao Coordenador Pedagógico quanto às estratégias de formação por meio de instrumentos metodológicos como observação.Desenvolver estudos e pesquisas que permitam ressignificar e atualizar as práticas pedagógicas em busca de adequá-las a necessidades de aprendizagens dos alunos. nas diferentes atividades e componentes curriculares.E. bem como garantir os registros do processo pedagógico. VIII. 2009) Uma das propostas do “Programa A Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil” é o registro reflexivo. compreender e aperfeiçoar as práticas pedagógicas. acompanhamento e avaliação dos impactos da formação continuada e cronograma de reuniões com a Equipe Docente para Gestão Pedagógica da U. bem como na organização e remanejamento de educandos em turmas e grupos. Esta metodologia de formação possibilita que o professor apreenda um episódio e registra-o.Acompanhar e avaliar junto com a equipe docente o processo contínuo de avaliação.Coordenar a elaboração e implementação dos Planos de Ensino dos professores. com o objetivo de discutir. Ele tem que tematizar com o grupo de professores algumas práticas culturais que se espera que as crianças tenham acesso diariamente na escola: .Elaborar o plano de trabalho da Coordenação Pedagógica indicando metas. o Coordenador Pedagógico. garantindo a consonância com as diretrizes curriculares da SME.

há necessidade de dar condições ao professor de agir. (A Rede em rede: a formação continuada na Educação Infantil.. 5. compartilhar a construção de sentido sobre o que se lê. 17) Quando o professor utiliza o método tradicional para ensinar as crianças. Ouvir boas leituras. p. p. A criança necessita vivenciar situações. não criativa. 2007. 34) O professor deve evitar organizar as ações pedagógicas de acordo com modelo tradicional que reforça o papel do professor como centralizador do conhecimento. Ouvir músicas. 6. pelo sujeito de um zona de desenvolvimento proximal que promove aprendizagens que revolucionem sua forma de agir. enfim com tudo que está ao redor. 224): A formação docente pode ser compreendida. usando uma linguagem Vigotskiana. Participar de situações comunicativas e conversas em grupo. não respondendo a singularidade de cada situação educativa em uma sociedade em permanente mudança. Ler e escrever o nome próprio quando necessário. Nem sempre essa criação é possibilitada e. decidir e significar a prática pedagógica. Desenhar ou pintar. Participar de situações de teatro. conta com o professor. 2. repetindo modelos de forma não espontânea. que desconhecem outras formas mais adequadas de organizar situações de vivência. tinta e lápis. disposto a ajudá-la a interagir com o ambiente. . como um contexto que deve visar a criação. significar as práticas sociais. com os adultos. Para Oliveira (2005. 4. aprendizagem e desenvolvimento para as crianças pequenas (. observa-se a dificuldade dos professores em atualizar a prática pedagógica: Muitos educadores que trabalham com crianças pequenas costumam valorizar ações copiadas de modelos escolares tradicionais nas tarefas cotidianas que lhes propõem: atividades dirigidas usando apenas papel. Eles conhecem apenas o modelo de organização do ambiente para ações centradas no professor e por ele controladas e acreditam que elas têm maior resultado pedagógico. A concepção descrita corresponde a fragmentos de um modelo de educação escolar construído no passado para orientar o ensino de crianças mais velhas e de adolescentes. com os colegas. o sujeito esconde-se atrás da repetição de formas de atuação docente por ele vivenciadas.. ele oferece pouca oportunidade da criança de vivenciar esses momentos lúdicos e significativos de aprendizagem na Educação Infantil. Neste sentido. 3.). Portanto. decidir e significar a situação didática. nesse caso. p. 2007. Para isso. Ela persiste no imaginário e orienta a prática de muitos professores.( A Rede em rede: a formação continuada na Educação Infantil.14 1.

32). ou seja. mas a prática permanece quase intocável. O professor deve se colocar como protagonista da própria formação docente. faz parte da natureza do professor a participação ativa no processo de formação docente: No meu entender. utilizarei a abordagem quantitativa. a busca. discursos aprimoram-se. Porém. Faz parte da natureza da prática docente a indagação. o que há de pesquisador no professor não é uma qualidade ou uma forma de ser ou atuar que se acrescenta à de ensinar. porque professor. ir além dos discursos aprimorados e aprimorar a prática pedagógica problematizando as questões do cotidiano escolar. Para realizar a coleta dos dados. p. me deparei com a seguinte questão: o que é necessário para os docentes renovarem a prática pedagógica? Segundo Abianna (2009).15 O professor precisa planejar ações pedagógicas que ofereçam a criança experiências significativas sempre integrando o que ela já sabe com aquilo que é novo para ela. vivências. o professor discute e questiona a teoria da educação. O de que se precisa é que. Enfim. por meio da técnica de questionário. percebe-se que essa realidade parece estar distanciada da prática. a pesquisa. reflete sobre elas e sobre as formas de aprender e de ensinar. o professor precisa sentir-se pertencente ao grupo de formação continuada e construir conhecimento enquanto pesquisador da prática pedagógica. como pesquisador. As experiências. o comportamento das crianças vem se transformando e o cenário educativo se renovando a cada dia. De acordo com Freire (1997. ou seja. saberes e interesses infantis são ponto de partida para a aquisição de novos conhecimentos. o professor se perceba e se assuma. em sua formação permanente. O objetivo desta pesquisa é analisar a atuação do “Projeto Especial de Ação” e do “Programa A Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil” e os fatores que dificultam e facilitam o avanço da prática pedagógica. Pensar em uma sociedade em constante mudança é pensar na necessidade da renovação das práticas pedagógicas. A criança precisa vivenciar situações que lhe despertem o interesse frente ao inexplorado e ao desconhecido. Nos últimos dez anos. Como Coordenadora Pedagógica. abordagem .

As hipóteses da pesquisa são: • há um distanciamento entre a teoria do “Projeto Especial de Ação” e do “Programa A Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil” e a prática pedagógica. p.) o autor deve enunciar suas hipóteses: a tese propriamente dita. apresenta-se o problema da pesquisa: Como a formação continuada dos docentes da Educação Infantil tem contribuído para a atualização da prática pedagógica? 1. para a qual se deve encontrar uma solução”.2 Hipóteses da pesquisa Severino (2002. análise documental da unidade escolar pesquisada e pesquisa de campo.75) o problema da pesquisa “é uma questão que envolve intrinsecamente uma dificuldade teórica ou prática.. o professor de Educação Infantil apresenta dificuldade em renovar a prática . p. por meio da técnica da entrevista semi-estrutural. cujo melhor modo de solução ou é uma pesquisa ou pode ser resolvido por meio científico”.1 Problema da pesquisa Para Cervo.. • pedagógica. compreensível e operacional. 184) define: “os limites da problematização devem ser determinados. ou hipótese geral. p. é a idéia central que o trabalho se propõe demonstrar”. 127) definem o problema como “um enunciado explicativo de forma clara. 1. Diante dessa narrativa. Marconi e Lakatos (2003. Bervian e Silva (2007. p. pois não se pode tratar de tudo ao mesmo tempo e sob os mais diversos aspectos”.16 qualitativa. 161) relata: “(. Severino (2002.

na prática docente. Uma forma de estabelecer os objetivos é desdobrá-los em gerais e específicos (COOPER. d) Identificar os fatores que dificultam e/ou facilitam os avanços da prática docente. 2003).3 Objetivos Objetivos são metas ou alvos a serem alcançados. Os objetivos são divididos em geral e específicos. p. nos últimos quatro anos. proposta pela unidade escolar e o “Programa A Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil”. . 1. SCHINDLER. na prática docente. Essa estratégia permite maior clareza ao pesquisador e contribui na organização e realização do trabalho de pesquisa.3.3. Beuren (2006.1 Objetivo geral Analisar a atuação do “Projeto Especial de Ação” e do “Programa A Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil”. proposta pela Secretaria Municipal de Educação.2 Objetivos específicos a) Identificar a presença. b) Analisar o conhecimento dos professores em relação ao “Projeto Especial de Ação” e ao “Programa A Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil”. c) Analisar a avaliação dos professores sobre o “Projeto Especial de Ação”. 1. e) Analisar a avaliação dos professores quanto aos momentos de formação continuada na unidade escolar.17 1. das intenções das políticas de formação de professores (coerência: teórica / prática). Em função do exposto. e específica aquele que indica ações pormenores de um problema geral. sua clara definição orienta o trabalho do pesquisador e permite obter melhores resultados. o objetivo geral e os específicos para esta pesquisa são apresentados a seguir. 65) classifica como objetivo geral aquele que “indica uma ação ampla do problema”.

O capítulo 3 destina-se à fundamentação da metodologia adotada para desenvolver a pesquisa. Em seguida. análise e discussão dos resultados obtidos. O “Projeto” e o “Programa” muitas vezes não são compreendidos pelos professores por falta de uma comunicação satisfatória no decorrer do processo da formação continuada.5 Estrutura do Trabalho O capítulo 1 introduz o assunto e a contextualização sobre o tema. o objetivo geral e específico e a relevância da pesquisa.4 Relevância da pesquisa A pesquisa trará uma discussão sobre o “Projeto Especial de Ação” e o “Programa A Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil”. da Prefeitura Municipal de São Paulo e a prática docente. O capítulo 5 é reservado para a apresentação das considerações finais da pesquisa.18 1. define a questão da pesquisa. O capítulo 4 faz a apresentação do questionário e as entrevistas. mediante pesquisa bibliográfica e documental. além dos desafios cotidianos do Coordenador Pedagógico no papel de formador. e a forma de aplicação do questionário. a entrevista semi-estrutural e à pesquisa de campo.   1. O capítulo 2 apresenta a fundamentação teórica que dará sustentação à pesquisa. .

A profissão docente não é diferente. configuram uma vulnerabilidade dessa criança e esse fato faz com que os profissionais que trabalham com a faixa etária de crianças pequenas se diferenciem dos demais profissionais docentes. Outro fator que diferencia os profissionais da Educação Infantil dos demais é a relação profunda entre o educar e cuidar. As educadoras de infância.1 O perfil dos profissionais docentes da infância Cada profissão requer dos profissionais conhecimentos específicos da área de atuação. 43). limpeza e saúde. continuada diferenciada e específica. sendo uma particularidade da educação. os profissionais docentes necessitam de uma formação inicial. de acordo com a faixa etária das crianças a quem eles ensinarão. o conhecimento fica. Katz e Goffin (1990) Medina Revilla (1993) afirmam que essas vulnerabilidades física. devido à sua tenra idade. assumindo a dimensão moral da profissão”. competências e sentimentos.19 2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 2. a cada etapa da atuação profissional. aborda-se a especificidade da profissionalidade docente. entende-se por profissionalidade docente: “a ação profissional integrada que a pessoa da educadora desenvolve junto às crianças e famílias com base nos seus conhecimentos. emocional. As crianças pequenas necessitam em sua rotina de cuidados específicos de higiene. Contudo. assim chamadas por Oliveira-Formosinho (2002). que se diferencia dos demais professores da educação. Segundo Oliveira-Formosinho (2002. encontram uma diversidade de tarefas específicas. termo usado por Oliveira-Formosinho. p. por seu campo de atuação se tratar de crianças pequenas. Portanto. específico e diferenciado. Essas necessidades e cuidados com as crianças. entre função pedagógica e função do cuidado. porém. social são acentuadas na literatura da área como um fato de diferenciação da profissão. . cada vez mais. As características dessas crianças traçam as especificidades desta profissão as quais vão além do conhecimento do desenvolvimento infantil.

temos uma concepção de profissionalidade específica e diferenciada para as profissionais da infância. atenção. pais e responsáveis pelos menores. p. comunidade e outros protagonistas que atuam nesse campo” . integração de funções. gestos. assistentes sociais. imaginação. 2006. imaginação. olhares. Creches e EMEIs da cidade de São Paulo... XX): “(. As crianças pequenas são vistas como um todo integrado (afetivo.18-19) Os conceitos cuidar e educar precisam estar interligados nas ações desses profissionais da infância. Eles são inerentes ao cotidiano dos docentes da infância e devem ser planejados. Refere-se a planejar situações que ofereçam à criança acolhimento.20 Com a integração dos CEIs e EMEIs. A partir desta integração. p. Ambas as instituições de Educação Infantil cuidam e educam simultaneamente. interações e interfaces com pais.) uma concepção de profissionalidade que requer integração de saberes. (Tempos e espaços para a infância e suas linguagens nos CEIs. as crianças pertencem a um contexto social e cultural que requerem dessas profissionais da infância uma integração de serviços: interação com psicólogos. Conforme Oliveira-Formosinho (2000) apud Campos (2002. o desafio que se propõe a Educação Infantil é de redefinir o conceito de cuidar e educar: Cuidar da criança é uma ação complexa que envolve diferentes fazeres. formas estas que a levam a constituir-se como um sujeito histórico. Hoje. os CEIs passaram a deixar de ser o local apenas de cuidar da criança e as EMEIs o local de educá-la. mães. precauções. Ao fazê-lo. de modo que ela satisfaça suas necessidades de diversos tipos e aprenda a fazê-lo de forma cada vez mais autônoma. Dessa forma. Além disso. nos CEIs e EMEIs. alargando consideravelmente as atividades do cotidiano e as responsabilidades. estímulo. raciocínio e linguagem. Outra especificidade da profissão. formando um auto conceito positivo em relação a si mesma. a criança desenvolve sua afetividade. motricidade. atenção. destacada por Oliveira-Formosinho (2002) é chamada de globalidade da educação da criança pequena. Já educar a criança é criar condições para ela apropriar-se de formas de agir e de significações presentes em seu meio social. social e cognitivo). motricidade. desafio. raciocínio. tem-se a primeira etapa da Educação Básica chamada Educação Infantil.

sistemas educativos e de todos os aspectos da prática pedagógica para descrever e explicar e o professor reflexivo dirige o olhar para seu contexto imediato para compreender. é necessário o cenário da escola. fazer evoluir uma prática particular vista de seu interior. que está longe da prática. Faz-se necessário que os estudantes se aproximem do cotidiano. Para tanto. p. Essa concepção de formação inicial é antiga e dificulta os profissionais da infância serem de fato pesquisadores da prática pedagógica. 15). Para Schön (1990) & Zeichner (1993) formar o professor pesquisador significa garantir uma estrutura curricular que priorize a investigação. não no ambiente fechado da universidade. as famílias. pois não basta transmitir teoria e deixar que o aluno do ensino superior. Muitos acreditam que basta introduzir a prática reflexiva para garantir a pesquisa. Isto causa empobrecimento na formação profissional. regular.21 Além de toda particularidade da profissão dos educadores da infância. otimizar. é imprescindível que disciplinas pedagógicas e científicas estejam juntas no decorrer do curso superior e não hierarquicamente. além dos pesquisadores e seus instrumentos de pesquisa. ao qual pretende atuar e significá-lo. privilegiando as disciplinas pedagógicas. Vale expor que as críticas aos cursos superiores são pertinentes. ou seja. sem vivenciar momentos de reflexões coletivas e individuais. processos. devido à nova concepção de criança e infância. faça a correspondência entre a teoria e a prática pedagógica. Segundo Perrenould (1999. Desse modo. os professores. Portanto. o professor na formação inicial se sente sozinho. os alunos.ordenar. Para que ocorra de fato a pesquisa. tanto a prática reflexiva como a investigação desta prática reflexiva são exigências para atender ao novo perfil profissional. Isso se faz necessário. há diferença entre pesquisa e prática reflexiva: a pesquisa cuida de fatos. sem poder contar com parceiros mais experientes para realizar a “ponte” teoria e prática. o que dificulta a reflexão e tematização da prática pedagógica. A pesquisa pedagógica só ocorre no ambiente natural da prática. . faz necessário destacar a importância desses educadores se tornarem verdadeiros pesquisadores de sua prática pedagógica. De acordo com Perrenould (1999) as universidades ensinam teorias sobre métodos de pesquisa e não pesquisam a prática pedagógica.

da rotina e do projeto pedagógico e a produção de registros com os porta-fólios.. (1999. tanto na formação inicial como na formação continuada. o empenho do profissional para dar suporte à criança. é necessário que o docente aprenda a estudar. dos materiais escolhidos. O investimento na formação do profissional de educação infantil. A integração da formação inicial com a formação continuada pode ser o caminho para tão esperada qualidade na educação infantil. refletindo e mudando o currículo. uso de instrumentos de observação para averiguar o envolvimento da criança e da família na atividade. Porém. Além disso. enriquecer a formação inicial. para criar um sistema de desenvolvimento profissional. acredita-se na diminuição da lacuna que surge desde a formação inicial. a parceria com a escola. 25) relatam: (. então.22 Para viabilizar novo perfil profissional. ambas de modo integrado. p. assim evitando lacunas pedagógicas. Já Oliveira-Formosinho e Formosinho (2001) apud Kishimoto (2002. Laranjeira et al. ou seja. integrando as diferentes instituições responsáveis em um plano comum. menciona que existem algumas estratégias a serem adotas para alcançar essa qualidade de educação: Entre as estratégias adotadas encontra-se a integração da formação inicial e continuada. integrando um currículo articulado com a formação continuada do docente estabelecendo. colocando como ponte para ajudar o profissional a articular à teoria com a prática. . p.181). muito precisa ser feito para desraigar as antigas concepções de infância e de ensino superior. pesquisar. também. Neste sentido. a análise da adequação do espaço físico.) leva a afirmar a necessidade de transformar o modo como se dão os diferentes momentos da formação de professores (formação inicial e formação continuada). Assim. possibilita a oferta de melhor qualidade de educação às crianças. a produzir conhecimento coletivamente e individualmente. passando pela formação continuada e alcançando a sala de aula.. a Universidade poderá. O ensino superior poderá contribuir para este desafio.

o professor é sujeito da formação e a avaliação das necessidades pedagógicas é realizada em conjunto: professores.. na investigação e reflexão contínua sobre a prática pedagógica. mesossistema. O microssistema é o local que proporciona interação entre os indivíduos. Nesta perspectiva. O mesossistema é o complexo mundo das inter-relações que a escola promove aos indivíduos em desenvolvimento. ou seja. mas em um contexto que promova um conjunto de estruturas concêntricas. mas construir conhecimento a partir da reflexão da prática pedagógica. sendo esse processo influenciado pelas inter-relações tanto entre os contextos mais imediatos quanto entre estes e os contextos mais vastos em que a educadora interage. como por exemplo.23 2. Neste sentido. a formação continuada precisa basear-se na perspectiva do desenvolvimento profissional do crescimento. O modelo de desenvolvimento profissional do crescimento.8) comenta: “(. trazendo conhecimento acerca da sala de aula.91): “entendemos que formação inicial e continuada seja um continuum”.2 A formação continuada dos docentes da infância Segundo Bruno & Almeida (2008. ela propõe uma formação em contexto e descreve como o docente se desenvolve ao longo da vida profissional por meio do modelo ecológico (2002. p. 51): Pode-se dizer. procura produzir a construção partilhada de saberes e práticas. não busca reparar uma inadequação. a formação continuada não busca apenas reparar lacunas da formação inicial. que a ecologia do desenvolvimento profissional das educadoras envolve o estudo do processo de interação mútua e progressiva entre a educadora ativa e em crescimento e o ambiente em transformação em que ela está inserida. é a realidade vivencial do sujeito. p. Furlanetto (2003. p. mas sim favorecer a maior expansão do docente”. baseada em Bronfenbrenner. o desenvolvimento profissional se dá em contextos não imediatos. chama de microssistema. a escola. as quais a autora (2002). No modelo ecológico de aprendizagem profissional dos docentes. das condições de aprendizagem e da cultura da escola.. gestores e avaliadores de programas de formação. Neste sentido. ou seja.) percebe o professor exercendo uma atividade multifacetada e complexa. com inspiração em Bronfenbrenner (1979). exossisterma e macrossistema. segundo OliveiraFormosinho (2002). . Diante disso.

agir. é necessário que se observem alguns fatores que podem dificultar o desenvolvimento profissional dos professores. Portanto. 49): O desenvolvimento profissional é uma caminhada que envolve crescer. Assim relata Oliveira-Formosinho (2002. p. Para que as práticas pedagógicas docentes se atualizem e acompanhem as mudanças da sociedade.. Envolve crescimento. pois se observa que uma educadora da infância não se desenvolve isoladamente. o contexto administrativo de funcionamento da escola. Segundo Hargreaves (1992) e Furlan (1996) apud Oliveira-Formosinho (2002. em contexto. sentir e agir. Cultivar as disposições para ser. Ou seja. hábitos. aponta para esses fatores dificultadores. ambas as autoras concordam e reforçam a importância da interação de todos os protagonistas da escola no processo de desenvolvimento profissional dos docentes da infância. pois não se faz no isolamento. 50). Esses contextos precisam proporcionar a interação mútua entre os sujeitos em desenvolvimento. valores. interessados. por exemplo. Nogueira (2005) vê a escola como um sistema hierárquico. no qual todos os protagonistas devem interagir para promover uma verdadeira mudança de prática dos professores. sentir. 220) menciona que: (. é preciso que se provoque mudanças em toda a hierarquia do sistema. baseando-se no modelo ecológico: . p. Ela (2005. é preciso criar espaços de formação dentro do sistema que interajam entre si e que envolvam os diferentes níveis.24 uma rede de interações.. saber. professores. como o da criança. sustenta-se na interação do conhecimento e da paixão.) para que haja uma mudança significativa num sistema que favoreça a prática de professores criativos. p. com a criança. formas de agir desses sujeitos que afetam as atividades e relações e interações aos níveis mais próximos do microssitema e do mesossitema. Os exossitemas são arena de situações (contextos) que ocorrem nas inter-relações dos sujeitos em desenvolvimento. ser. O macrossistema refere-se às crenças. salas de aulas. é um desafio que requer processos de sustentação e colaboração. por exemplo. requer empenho. investigadores.

A natureza desse contexto pode fazer ou desfazer os esforços de desenvolvimento dos professores.20): (. O processo de desenvolvimento do professor depende muito do contexto em que tem lugar.. associações sindicais de professores. movimentos pedagógicos. conselho tutelar etc. vale dizer que a escola não se encerra em si mesma. pinta ou observa uma flor.25 As sementes do desenvolvimento não crescerão se caírem em terreno pedregoso. p. ou seja. brinca de faz-de-conta. na interação com o outro.. Assim. Tem-se assim. é uma prioridade entender a ecologia do desenvolvimento do professor. ruminando os seus problemas.) ele refere-se ao fato de que o adulto é responsável pela sua própria educação. mas deseja produzir cultura e faz isso a partir de seu próprio desenvolvimento. Nesse sentido.) Se a inovação for imposta de fora por uma administração de mão pesada. O verdadeiro adulto não se contenta em ser mero repetidor de cultura. A troca de conhecimento desses órgãos com a escola é importante para o crescimento profissional dos docentes. Neste sentido. sementes. Jung (1983) apud Furlanetto (2003. observa-se também que o professor se desenvolve profissionalmente. Não se desenvolverá a reflexão crítica se não houver tempo e encorajamento para que se realize.. explora areia. (. coleciona pedrinhas. parafraseando Kishimoto (2002).. será pouco provável que surjam processos de experimentação criativa. transforma-se e transforma o outro. manipula um brinquedo. p. é importante que a escola interatue com instituições de formação. . conversa com amigos ou com seu professor.. Oliveira-Formosinho (2002. a unidade escolar pode estabelecer parcerias com a unidade básica de saúde do bairro em que está inserida. assistentes sociais. projetos de professores. especialistas em educação. redes de escolas.) é essencial que a escola interatue com os contextos à sua volta. que é necessário o Coordenador Pedagógico apoiar o professor durante a caminhada de aprendizagem e desenvolvimento profissional. Além disso. Outro fator que se destaca a respeito do contexto de desenvolvimento profissional é o contexto que rompe com as forças endógenas da escola. assiste a um vídeo. A partir do momento em que se acredita que a criança aprende com o amplo ambiente educativo que a cerca e. associações profissionais de professores. Ao expandir-se no contato com o outro.. quando a criança desenha. 15) menciona que: (.

26 O Coordenador Pedagógico. normalmente. como esses novos conhecimentos não estão articulados às suas necessidades e. muitas vezes. multifacetado. vai sobrepondo-se a outras também não integradas. podemos perceber que pareciam possuir um professor interno. em seu processo. 2003. são descartados. (Furlanetto. Sendo assim. responsabilizamos os professores por resistirem à mudança. quais recursos teóricos e metodológicos colocaremos à disposição dos professores.. Quando vemos isso acontecer.25) O “professor interno”. pensamos no que vamos acrescentar. a seus desejos. muito menos. O que acontece. na maioria das vezes. subjetivo com experiências pessoais únicas: As professoras e os professores parecem seguir um eixo próprio de formação incluindo. (Furlanetto. Essas matrizes pedagógicas começam ser geradas antes da formação inicial do professor. p. 58-59) . assim descrito por Furlanetto (2003). cognitivos e simbólicos vividos pelos sujeitos ao transitarem nos espaços intersubjetivos. Os novos conhecimentos se tornarão parte da prática pedagógica do docente se forem articulados com as reais necessidades pedagógicas e desejos do professor em formação: (. uma base da qual emanavam suas ações pedagógicas que não representava somente a síntese de seus aprendizados teóricos. onde se constela o arquétipo do Mestre-Aprendiz. inquietações e necessidades pedagógicas do professor. mas também de suas experiências culturais vividas a partir do lugar de quem aprende. é que. p. Entende-se por matrizes pedagógicas: As matrizes pedagógicas podem ser compreendidas como nichos.32) Furlanetto (2003) considera a aprendizagem do adulto como processo individual e único. 2003. 2003. ambíguo e complexo gera durante a trajetória de vida matrizes pedagógicas. p.. nos quais são gestados e guardados os registros sensoriais.) quando planejamos trabalhos de formação. tendo a oportunidade de ajudá-lo a avançar na prática docente. Camada essa que. no papel de formador precisa proporcionar momentos de interação entre os professores e considerar que cada professor é um ser único. Observando a trajetória de alguns deles. Oferecemos pacotes prontos e esperamos que os professores se apossem desses conhecimentos e os transformem em ações pedagógicas. emocionais. o Coordenador Pedagógico precisa compreender o professor como ser único e multifacetado no processo de formação e atentar para as dúvidas. experiências e vivências que decorrem de escolhas pessoais. (Furlanetto. como se escolhêssemos qual a próxima camada de tinta que eles deverão receber.

2003. na perspectiva de uma troca na qual é mister o comparecimento do ouvir ativo. Precisamente porque. é importante a relação dialogal entre professor e Coordenador Pedagógico: Referimos-nos ao diálogo. mas deformando. autenticidade e dialogicidade: Empatia: exercício de colocarmo-nos no lugar do outro para que. a partir de suas próprias referências. durante a formação continuada o professor precisa atuar como sujeito consciente do papel de educador. da autenticidade e da dialogicidade produzindo assim.) somente o diálogo comunica. com amor. (Freire. é a tentativa de “calçar os seus sapatos”. Além disso.. precisa preocupar-se com as necessidades pedagógicas dos professores. ter-se-á pervertido e já não se estará educando. Entende-se por empatia. Autenticidade: é a perspectiva de que. possamos melhor compreendê-lo. 92) Esses princípios precisam estar presentes durante a comunicação entre Coordenadores Pedagógicos e professores para o bom andamento de projetos e programas de formação continuada docente.78-79) Freire (2003. em vez de falar para. na coerência entre o sentir. Para isso. com fé no próximo. do olhar sensível e do respeito à fala do outro. o pensar e o agir. a relação interpessoal entre Coordenador Pedagógico e professores precisa basear-se no princípio da empatia. além da preocupação em multiplicar teorias e técnicas de programas de formação. . é necessariamente uma relação de dois sujeitos.68) ensina que: “(.27 O Coordenador Pedagógico como formador. se fazem críticos na procura de algo se produz uma relação de “empatia” entre ambos. nas relações que estabelecemos com o outro. Só ali há comunicação”. possamos ser fiéis a nós mesmos. ao mesmo tempo em que valorizamos esse verdadeiramente ser na perspectiva do outro. (Bruno & Almeida. E quando os dois pólos do diálogo se ligam assim.e não das nossas-. sendo o diálogo uma relação eu-tu. com esperança. Toda vez que se converte o “tu” desta relação em mero objeto. Neste sentido. p.. a verdadeira comunicação. Dialogicidade: manifestação de nossa disponibilidade para falar com. Trata-se de uma atitude dialogal à qual os coordenadores devem converter-se para que façam realmente educação e não domesticação. 2008. p. p.

no entanto. no âmbito da Educação Infantil ficavam em um segundo plano em detrimento da educação básica. Mesmo com tantas lutas. Escolas Maternais: sugiram no contexto da industrialização. De acordo com Kishimoto (2001. Casas de Infância: geralmente oferecidas por organizações filantrópicas com vistas a assistir crianças pobres. urbanização e atendimento às mães trabalhadoras. geralmente foram amparados pelas instâncias de natureza educativa. houve uma proliferação de instituições com diferentes estruturas. surgiu à necessidade do atendimento integral para os filhos. tendo como mantenedoras empresas. as mulheres passaram a compor o quadro de funcionários das indústrias e. os propósitos proclamados.3 A implantação do “Projeto Especial de Ação” e do “Programa: A Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil” Segundo Gonçalves (2004). 92): . os propósitos proclamados pelos governantes estavam muito distantes dos propósitos reais. destinadas a atender filhos de operários no início do século XX. como Departamentos ou Secretarias de Educação. p. com a revolução industrial. Nesse contexto. O conceito dos propósitos proclamados e reais foi estabelecido por Teixeira (1962. p. Tais unidades infantis assumem diversas estruturas e funcionamento. As mulheres que atuavam no mercado de trabalho passaram a exigir do Estado o atendimento a demanda de crianças na faixa etária abaixo de 7 anos. propostas de trabalho e pessoas pouco qualificadas para realizar este cuidar. As Leis do Trabalho (1943) previa a instalação de berçários nas empresas com mais de 30 mulheres empregadas. Jardins de Infância: destinados a educar crianças de três a seis anos. em conseqüência. filantropias. ou seja.28 2. que atendia as crianças a partir dos 7 anos de idade. Igreja e órgãos de assistência social. a determinação dessa Lei foi descumprida. 225) seguem diferentes denominações das instituições destinadas ao atendimento à primeira infância: Creches: instituições que evoluem especialmente dentro do contexto da industrialização.

Segue o artigo 1° do Decreto citado: “Art. 243). Essa concepção também apareceu no Estatuto da Criança e do Adolescente (1990) e na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (1996). 38. Houve um grande avanço no sistema educacional em considerar a Educação Infantil (0 a 6 anos) como primeira etapa da educação básica e incluir as antigas creches no sistema municipal de educação. foi publicação o Decreto n. A história do período colonial é a história desses dois objetivos a se ajudarem mutuamente na tarefa real e não confessada da espoliação continental (..) Proclamavam os europeus aqui chegarem para expandir nestas plagas o cristianismo. Tal mudança na Lei provoca a necessidade da formação de professores de creche. assim. Em São Paulo. . pré-escolas e instituições similares. Segundo Meneses (2005. mas. de 20 de dezembro de 1999.29 (. necessariamente.. movia-os o propósito de exploração e fortuna..A partir de 23 de dezembro de 1999. dando oportunidade para os educadores que trabalham na área discutirem as funções dessas instituições e suas formas de trabalho pedagógico.. divididos entre propósitos reais e propósitos proclamados. as creches existentes ou que venham a ser criadas no Município de São Paulo passam a integrar o Sistema Municipal de Ensino”. A Constituição Federal de 1988 reconheceu a educação de crianças de 0 a 6 anos em creches. Até então as instituições que acolhiam essas crianças tinham um papel principalmente assistencialista: nem tinham. Hoje. p. propósitos educacionais. esse atendimento corresponde às crianças de 0 a 5 anos. com o Ensino Fundamental de nove anos.869. compondo a modalidade de educação infantil. que integrou as creches ao Sistema Municipal de Ensino. 1 ° .) Nascemos. há necessidade da formação docente ao novo público de professores: Uma das principais mudanças introduzidas pela LDB foi a concepção educacional que deve preponderar para as crianças de até três anos de idade assistidas nas creches. Com este avanço surgiram as preocupações com a formação dos profissionais que atuam na educação infantil e a necessidade de elaboração de Programas de Políticas Públicas para a formação docente. correspondente ao atendimento as crianças de 0 a 6 anos de idade. na realidade.

fora de horário de regência de classe e a Evolução Funcional foram mais uma conquista do novo público docente da modalidade Educação Infantil. a Portaria 3. de acordo com a caracterização da comunidade em que estavam inseridas. Antes da integração das creches ao sistema Municipal de Ensino. . Segue a Portaria n. inclusive com a assinatura do Supervisor Escolar. o Diretor da Unidade Educacional expedirá atestados. através de Portarias. com garantia do horário coletivo. o “Projeto Especial de Ação” para os professores que atuavam com crianças a partir desta faixa etária. criando a própria identidade. a Rede Municipal de São Paulo atendia diretamente as crianças a partir de 4 anos e implantava. obrigatoriamente voltados para a melhoria do processo ensino-aprendizagem. no Município de São Paulo. após avaliação final dos PEAs. de 8 de julho de 1997. fora do horário de regência de aula. as unidades escolares passaram a elaborar os projetos pedagógicos. os professores do Centro de Educação Infantil (CEI). 1. Segue a publicação no diário oficial do Município de São Paulo. inclusive os que atendiam a faixa etária de 4 a 6 anos. compreendendo ações de natureza pedagógica e/ou institucional”. 8º . 9. que dispõe sobre os “Projetos Especiais de Ação”(PEAs) regulamentando a Lei de Diretrizes e Bases n. Com a implantação do “Projeto Especial de Ação”. em consonância com o Projeto da Escola.394/96: “Instrumento de trabalho elaborado pelas unidades escolares.30 A formação de docentes para essa nova demanda de profissionais ocorreu anos mais tarde. A garantia de estudos em horário coletivo. as antigas creches. só foram incluídos no “Projeto Especial de Ação”.826. a partir do ano de 2008 e junto à garantia da Evolução Funcional para fins da melhoria de salário. e desde que cumpridas as seguintes exigências estabelecidas: I-o Projeto contenha a carga horária mínima de: -nos CEIs: 108 (cento e oito) horas relógio anuais e que tenha sido coordenado ou executado no período mínimo de 09 (nove) meses completos. Mesmo com a integração do atendimento das crianças de 0 a 3 anos na Educação. e os professores.Para fins de Evolução Funcional. (atualmente de 4 anos a completar a 5 anos) passaram a ter momentos preciosos de discussões e aperfeiçoamento profissional em horários coletivos.566 de 18 de Março de 2008: Art.

31 Anteriormente a essas conquistas. num período de tempo definido". E traz como eixo o . o objetivo é orientar o fazer docente. Isso envolve problematizar sua prática. na Educação Infantil.. A equipe da Diretoria de Orientação Técnica de Educação Infantil (DOT-EI) e representantes das Diretorias Regionais de Educação (DRE) elaboraram o primeiro documento do “Programa A Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil” chamado Tempo e espaço para a infância e suas Linguagens no CEIs. os professores devem ser estimulados a articular os vários conceitos trabalhados em sua formação anterior ou atual com sua prática profissional cotidiana. Entende-se por Programa: "constituído de um ou mais projetos de determinados órgãos ou setores.) não para suprir eventuais lacunas na formação inicial.4 O “Programa A Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil” O “Programa A Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil” destina-se à formação continuada de professores da Educação Infantil na Rede Municipal de São Paulo. foi proposto um Programa de Formação Continuada. (Padilha 2001. todos os professores (CEIs e EMEIs) da primeira etapa da educação básica foram contemplados. De acordo com Oliveira (2005. atualmente de 0 a 5 anos. O “Programa A Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil” teve como objetivo subsidiar o Coordenador Pedagógico e mais tarde o Diretor da unidade escolar. 225) entende-se programas de formação continuada da seguinte forma: (. pelo “Programa”. da cidade de São Paulo. sistematizar suas reflexões em várias formas de registro e reconstruir conhecimentos historicamente elaborados. p. p. 2.. em 2005. no Município de São Paulo. 42). Em programas de formação continuada. Segundo o documento (2006). voltada para equipe gestora diretamente e docentes indiretamente que atendiam as crianças de 0 a 6 anos. na Rede Municipal de São Paulo. Creches e EMEIs da Cidade de São Paulo. mas para estimular a renovação de saberes em ambiente de aprendizagem coletiva e auto-motivada. com conteúdos e instrumentos metodológicos para a reflexão da prática pedagógica. durante a ano de 2005. Nesse momento histórico. pesquisar alternativas de ação.

“O professor cuida e educa quando combate preconceitos e discriminações de etnia. respeitando-as como sujeitos sociais e de direitos. da natureza e da sociedade. visando contribuir com um currículo que proporcione às crianças condições de aprendizagem. sentir e pensar culturalmente. englobando tanto as tendências hereditárias que nos levam à vida em comum e à imitação. . fortalecendo a auto-estima de todas as crianças. não se pode negar que. Lingüística e outras ciências. porém não negou que o homem é um ser social. Sociologia. 11) cita Piaget: Se tomarmos a noção do social nos diferentes sentidos do termo.32 Educar e Cuidar e a otimização dos tempos e espaços de aprendizagem. A concepção sócio-construtivista fundamenta o documento. inclusive com aquelas que apresentam necessidades educacionais especiais. como as relações “exteriores” (no sentido de Durkheim) dos indivíduos entre eles. obra da sociedade e do indivíduo. Essa concepção se diferencia da concepção construtivista. segundo La Taille (1992). p. Na concepção construtivista. La Taille (1992. 19): O professor educa e cuida especialmente ao acolher a criança nos momentos difíceis. credo. o desenvolvimento intelectual é. Piaget não se deteve no papel dos fatores sociais no desenvolvimento humano. Algumas ações de cuidar e educar são citadas no documento (2006. simultaneamente. Acima de tudo. Neste sentido. ao fazê-la sentir-se confortável e segura. desde o nascimento. o professor educa e cuida quando proporciona condições a criança de ampliar o repertório de conhecimento constituindo-se como sujeito com formas de agir. ao orientá-la quando necessário. e muito mais. isto é. além dos escritos de Wallon e apontamentos realizados pela Antropologia. p. Ele também cuida e educa quando promove e acolhe as interações que a criança estabelece com outras crianças e quando organiza e dá oportunidade para que elas compartilhem experiências e saberes. capazes de pensar e agir de modo criativo e crítico. o professor cuida e educa quando trabalha na perspectiva da inclusão social e garanta a todas as crianças com as quais trabalha uma experiência bem sucedida de aprendizagem. ao apresentar-lhe o que é de encantador no mundo da música e das artes. cultura e condição social.

1992. sistema simbólico fundamental na mediação entre sujeito e objeto de conhecimento. as relações sociais devem ser baseadas nas relações de cooperação e não nas relações de coação. nas relações precisam ter troca de pontos de vista e controle mútuo dos argumentos e além de basear-se na dimensão ética (La Taille. (Oliveira. Nesse processo de desenvolvimento são essenciais as ações do sujeito sobre os objetos. ou seja. Entende-se por sistema simbólico: “A linguagem humana. mas através de um acesso mediado. e também no sentido em que existem processos de auto-regulação que garantem a conquista deste equilíbrio.33 O ‘ser social” para Piaget é aquele que consegue relacionar com seus semelhantes de forma equilibrada. tem. ou seja. Creches e EMEIs da cidade de São Paulo (2006. um novo olhar para criança. p. A cultura torna-se parte da natureza humana num processo histórico que. molda o funcionamento psicológico do homem”. o homem não tem acesso direto ao objeto. para Vigotski.) enquanto tal na sua relação com o outro social. Com base nessa concepção. p. 1992.. o sistema simbólico o indivíduo representa o mundo real no universo psicológico. essa “marcha para o equilíbrio” tem bases biológicas no sentido de que é próprio de todo sistema vivo procurar o equilíbrio que lhe permite a adaptação. 24).. p. Na concepção sócio-construtivista o desenvolvimento humano constitui-se: “(. sua aprendizagem e seu desenvolvimento: . La Taille (1992. no valor ético da igualdade. 1992). (Oliveira..24) O desenvolvimento humano no processo sócio-histórico ocorre por meio da mediação.. Na concepção sócio-construtivista os fatores sociais são decisivos para o desenvolvimento humano. já que é sobre os últimos que se vão construir conhecimento (. encontra-se no documento Tempo e Espaço para infância e suas linguagens em CEIs. ao longo do desenvolvimento da espécie e do indivíduo. duas funções básicas: a de intercâmbio social e a de pensamento generalizante”.) Além disso.27) As relações sociais no desenvolvimento humano são enfocadas de modo diferente em ambas as teorias.18): Para Piaget. liberdade e democracia. p.

. grupos de trabalho. Assim. e esta ativação não poderia produzir-se sem a aprendizagem.) a aprendizagem não é. não só com os adultos. A criança aprende na interação com o outro. com o objetivo de subsidiar os professores da rede Municipal de Educação e toda equipe escolar em busca de uma educação infantil de qualidade. coordenado pela equipe de diretoria de Orientação Técnica Pedagógica de Educação Infantil. enquanto desenvolvem formas de sentir. a criança deixa de ser uma tábua rasa como antes era vista. outras crianças mais velhas – que lhe apresentam continuamente novas formas de se relacionar com o mundo a fim de compreendê-lo e transformá-lo. pensar e solucionar problemas. Ele traz o conceito de aprender que vai ao encontro do novo olhar da criança citada no documento anterior: . formula perguntas. Por isso. Por meio dos relacionamentos que a criança estabelece.. Ela tem voz própria e deve ser ouvida. traça desenhos. mas formadas historicamente. p. 115): (. imita pessoas ou outros elementos que observou...) criança nasce com condições para interagir com parceiros mais experientesseus pais. ela nomeia objetos. outros familiares. pois é produtora de conhecimento. de cultura e de uma identidade pessoal. na concepção tradicional. constantemente significando o mundo a sua volta. gestores educacionais e de Políticas Públicas. com a participação de vários profissionais da educação: educadores. Outro documento do “Programa A Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil é Orientações Curriculares-Expectativas de Aprendizagens e Orientações Didáticas para Educação Infantil (2007). interagindo com o mundo à sua volta. influenciando-o e sendo influenciada por ele. mas também com outras crianças. desenvolvimento. a aprendizagem é um momento intrinsecamente necessário e universal para que se desenvolvam na criança essas características humanas não-naturais. em si mesma. o qual o professor era o centralizador do conhecimento e passa a ser protagonista da aprendizagem. Entende-se por aprendizagem e desenvolvimento conforme Vigotski (1991. elabora respostas. também. ativa todo um grupo de processos de desenvolvimento. os educadores. As experiências vividas no espaço de Educação Infantil devem possibilitar à criança o encontro de explicações sobre o que ocorre à sua volta e consigo mesma. com o contexto e com as diversas vivências que este contexto proporciona. com o ambiente.34 (. mas uma correta organização da aprendizagem da criança conduz ao desenvolvimento mental.

O professor mediador também possui posturas diferenciadas de acordo com situações de preconceitos e acolhimento das crianças com necessidades educacionais especiais. De acordo com a concepção sócio-construtivista o professor desempenha um o papel no processo ensino-aprendizagem de mediador: A mediação do professor se faz à medida que suas ações buscam familiarizar a criança com significações historicamente elaboradas para orientar o agir das pessoas e compreender as situações e os elementos do mundo. com a nova proposta pedagógica passa a ser convidada a ser parceira durante toda a caminha da . responde ao que elas perguntam. aprende-se consigo mesmo. por vezes. o professor. os horários. O professor atua de modo direto conforme interage com as crianças e lhes apresenta modelos. mas à experiência. Ele tem o cuidado em tratar de forma não preconceituosa essas situações nas interações com as crianças. crianças e situações) e. pelo arranjo do contexto de aprendizagem das crianças: os espaços. 17) Ambos os documentos se opõem à concepção tradicional de educação. 23) Então. críticos. interação e o contato com novos conhecimentos dos pequenos aprendizes. sentir e pensar de cada pessoa que não pode ser atribuído à maturação orgânica. cujo conhecimento se encontra no poder de uma única pessoa. p. que continuamente atribui aos signos que lhe são apontados. aluno e de ações de ensino: A concepção adotada amplia o olhar para as diferentes fontes de ensino ( adultos. A família. 24) Os protagonistas no processo de ensino-aprendizagem são ativos. 2007. ensinar as regras sociais de seu grupo social ou aperfeiçoar seu modo de sentir as situações. os agrupamentos infantis. que antes era distante da escola com participações limitadas. (Orientações Curriculares-Expectativas de Aprendizagens e Orientações Didáticas para Educação Infantil. os objetos. (..35 Aprender pode ser entendido como o processo de modificação de modo de agir. faz perguntas para conhecer suas respostas.) Além disso. criativos e pesquisadores. dificultando a troca de experiência. p. interativos. p. Ele age de uma forma indireta.. que se remete ao modelo de ensino-aprendizagem centralizador. as pega no colo quando se emocionam e. a nova concepção nos remete a uma nova dimensão de professor. sobretudo. ou a partir de objetos e de outras produções culturais abstratas. 2007. (Orientações Curriculares-Expectativas de Aprendizagens e Orientações Didáticas para Educação Infantil. 2007. opõe-se ao que elas estabelecem para ajudá-las a ampliar seu olhar. para a atividade da criança. (Orientações Curriculares-Expectativas de Aprendizagens e Orientações Didáticas para Educação Infantil.

devem ocorrer de forma mais tranqüila possível. As interações e relações dos educadores da infância com as crianças e. o trabalho do professor deve ser integrado à família. pois é neste núcleo que ocorre o primeiro contexto educacional da criança. a aproximação da escola com a comunidade já tem dado resultados significativos: A escola não pode mais desconhecer a comunidade onde se encontra. Neste sentido. avós. a observação sistemática do comportamento de cada criança feita ao longo do período em muitos e diversificados momentos é condição necessária para se levantar como ela se apropria de modos de agir. 28). inclusive nos resultados pedagógicos referentes à questão do ensino. até as questões pedagógicas..) são conhecidas inúmeras iniciativas de profissionais da educação que mobilizam a comunidade para participar do processo educacional e do ensino-aprendizagem e para atividades de preservação do equipamento escolar (edifício. Ele traz a seguinte concepção: A avaliação que mais deve interessar ao professor é aquela que não compara diferentes crianças. 244). o professor irá planejar novamente suas ações para melhor atender as crianças. o papel da mãe. aquela em que o educador passa a ter uma relação afetiva de cuidado com o bebê ou a criança de CEIs. Para tanto. dentro de certo período de tempo. . (. Elas têm apresentado muito sucesso na melhoria das condições de funcionamento da escola. A partir da observação atenta e detalhada. De acordo com o documento Orientação Curricular (2007).36 aprendizagem da criança. p.. móveis e utensílios escolares). Creches ou EMEIs. A observação e o registro são instrumentos totalmente indispensáveis no processo de ação-reflexão-ação do planejamento de cada professor. ou seja. entre as próprias crianças. A avaliação é um tema abordado no documento Orientação Curricular (2007. Segundo Meneses (2005. o professor precisa incluir visitas. materiais escolares e atendimento ao público.aprendizagem. mas a que compara uma criança com ela mesma. p. De acordo com o documento Orientações Curriculares (2007) o educador da infância passa a desenvolver a chamada relação de apego. que permeia desde as condições de prédios. sugestões e observações dos familiares como forma de conhecer a criança e ampliar a qualidade do trabalho pedagógico. a escola e a família devem estar unidas num objetivo comum: a qualidade da escola brasileira. portanto. sentir e pensar culturalmente constituídos.

estabelecer regras de convivência com o grupo e sempre que quebradas relembrá-las a todos. Os materiais que compõem a sala de convivência precisam ser planejados.37 parentes.. 33). e ser diversificados para dar autonomia a elas. com suas marcas. As crianças devem reconhecer o espaço como seu. bem planejado com áreas de bibliotecas. sua condição de cenário para diferentes atividades. para diferenciar da concepção de sala de aula. no qual todos os protagonistas da aprendizagem desempenhem o papel da ação. Essa transferência de segurança e confiança. objetos e trabalhos em exposição constantemente. p. de construção. segundo a equipe da Diretoria de Orientação Técnica. demanda um planejamento dos momentos de ingresso dessas crianças de CEIs. deve ser um lugar lúdico. O espaço.. Além disso. de pintura. Creches e EMEIs. .) o espaço físico das unidades educacionais não se resume apenas à sua metragem. que traz a conotação de “aula” sendo muito questionada na Educação Infantil. de música. enfim deve ser um espaço que contemple as mais variadas linguagens de aprendizagem da Educação Infantil. esta sala de convivência deve ser um espaço. para acontecer com tranqüilidade. Para consolidar o vínculo afetivo dos educadores e crianças e o reconhecimento do ambiente novo como seguro e significativo é necessário que os professores conheçam a história da criança e seus hábitos e mantenham constantemente o diálogo com os familiares. de jogos e de informática. individuais ou coletivos. assim chamada pela DOT-EI (2007). O educador deve garantir a convivência em grupo com diferentes faixas etárias. Sempre que possível esse espaço deve integrar objetos novos para serem significados pelas crianças. de forma a dar acessibilidade às crianças. assim construindo o vínculo de amizade e parceria. insolação ou topografia. Outro desafio para os educadores da infância é proporcionar uma relação de interação positiva entre as crianças. vai além do espaço físico de uma sala de convivência: (. pessoas que antes davam a segurança para a criança neste momento. de teatro. da criatividade e da significação. mas inclui sua possibilidade de atender às necessidades e às exigências das crianças e dos adultos nos momentos programados ou imprevistos. ambiente lúdico e saudável. é transferido para a pessoa do educador da infância. mediar conflitos e ajudar as próprias crianças a aprender a resolvê-los com os colegas. (Orientações Curriculares-Expectativas de Aprendizagens e Orientações Didáticas para Educação Infantil) A sala de convivência. de fazde-conta.Educação Infantil (2007.

diversificadas e regulares para facilitar a significação delas pela criança.. 23) entende-se por linguagens: “(. a criança explora as possibilidades expressivas de seus movimentos. materiais. Um fato importante é que a criança percebe as linguagens de forma interrelacionadas: (. Creches e EMEIs da Cidade de São Paulo. ampliam seu repertório. interagem. o educador da infância não deve pensar as linguagens com o fim em si só. p. ao mesmo tempo em que brinca com as palavras.) as garatujas são expressões do gesto ao mesmo tempo em que já se delineiam em combinação de linhas e cores. as atividades precisam ser variadas. esse tempo de espera pode ser planejado com ações lúdicas destinadas à criança para evitar episódios de mordidas e brigas muito comuns nessa faixa etária. mas aprender com as crianças a relacioná-las de forma significativa. . o educador da infância precisa organizar o tempo. Enfim. enfim. criação plástica e visual e a dança e música. criança. aprendizagem e educador da infância percorrem as múltiplas linguagens culturalmente estabelecidas: o brincar. 2006. As atividades devem ser planejadas de forma a equilibrar o tempo de espera de uma atividade ou outra. como elemento integrante no processo de aprendizagem. a comunicação e expressão gestual e verbal.38 O tempo é compreendido.. p. segundo o documento (2007). as crianças se comunicam. 56) Portanto. Essas múltiplas aprendizagens podem ser promovidas na Educação Infantil. Dentro de todas essas concepções de tempo.) instrumentos culturalmente elaborados cuja apropriação pela criança se faz no contacto com modelos que são familiares a ela e com a diversidade cultural trazidas por cada uma delas”. Ao longo do tempo. Segundo o documento A Rede em rede: Formação Continuada na Educação Infantilfase 1. interações. ambiente. se desenvolvem culturalmente. desde a hora da entrada da unidade escolar até seu retorno ao lar. de tal forma. Por meio das múltiplas linguagens... espaço. que dê qualidade ao tempo vivido pelas crianças durante todas as ações dela. (Tempos e espaços para a infância e suas linguagens nos CEIs. a leitura e a escrita. relações. (2007. Nas cirandas ou brincadeiras cantadas.

No ano de 2007. no ano de 2006. p. publicados pelo “Programa”. matriculados na Rede Municipal de Educação conforme cita Schneider.fase 1”. O documento tem como foco subsidiar o Coordenador Pedagógico durante a formação continuada com a equipe de formação. Tempos e Espaços da Unidade Educacional. o documento “A Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil. pois o lúdico deve permear todas as outras Linguagens. Essa linguagem é tão preciosa para equipe de DOT-EI. Diretores e Coordenadores Pedagógicos. transformar as queixas em bons problemas.fase 1. muitas vezes.os educadores da infância. 11) .fase 1. o Coordenador Pedagógico foi o principal foco da formação continuada. Havia. inventar soluções Por isso podemos dizer que o Coordenador Pedagógico é um dos profissionais mais estratégicos na formação continuada da equipe de professores e na construção de um trabalho pedagógico nas EMEIs e CEIs. congregar esforços para encontrar alternativas e. do Município de São Paulo. uma formação local para os Coordenadores Pedagógicos e uma formação central para os Coordenadores Pedagógicos e Diretores com temas baseados nos documentos. Em 2008. um referencial para a prática docente e um convite a todos os comprometidos com a infância a inventar. foi distribuído a todos os protagonistas da Educação Infantil um documento chamado “São Paulo é uma escola: Manual de Brincadeiras” O documento é um resgate das brincadeiras da infância. (A Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil. 1) Durante os quatros anos do “Programa A Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil”. 2007.39 O brincar é a principal linguagem.( A Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil. O documento relata as experiências e conhecimentos dos 800 profissionais e 30 formadores que se comprometeram com o Programa no ano de 2006. compreender o que é mais geral nas tantas situações que envolvem a educação de crianças e a formação de adultos. foi distribuído aos gestores das Unidades Escolares CEIs e EMEIsSupervisores. Nesse contexto os Supervisores eram convidados. O papel do Coordenador Pedagógico como formador: A especialidade do Coordenador Pedagógico reside em sua capacidade de descontextualizar práticas cotidianas. criar e ampliar as possibilidades do brincar. que. uma vez por mês. foi acrescida a presença do Diretor da Unidade de Educação Infantil. p. Os profissionais atingiram as 314 mil crianças de Educação Infantil. 2007.

declarou que o número de crianças atendidas pela Secretaria de Educação da Cidade de São Paulo era de cerca de 390 mil crianças. . instituir ou dinamizar a prática de registro e sistematizar a devolutiva dos registros. O documento A Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil-fase1 (2007) é dividido em três módulos: o primeiro aborda a questão da metodologia de observação.40 O Coordenador Pedagógico é fundamental para o “Programa” como agente formador. responsáveis pelo atendimento das necessidades crescentes da população de crianças de 0 a 5 anos. os conteúdos fundamentais da formação continuada são as práticas culturais da Educação Infantil e os Instrumentos Metodológicos. instituídas em nossa cultura. Portanto. ao mesmo tempo. retirados da reflexão sobre a prática. vêm apoiar o Coordenador Pedagógico na introdução ou re-significação do faz-de-conta infantil. Esse documento representa mais uma oportunidade para o aprimoramento pessoal e profissional dos educadores. O terceiro módulo. E. espaços e atividades nas quais as crianças se inserem. Creches conveniadas e 467 EMEIs. observação e problematização das práticas pedagógicas. a qual ajuda o Coordenador Pedagógico a apropriar-se de indicadores e princípio de qualidade de ambientes. o documento desafiou todos os profissionais de educação infantil a reorganizarem o trabalho pedagógico no que se refere aos tempos. Dº José Aristodemo Pinotti. O segundo módulo vem para apoiar o Coordenador Pedagógico a re-significar algumas práticas sociais presentes ou introduzir outras na Unidade Escolar. diferenciando-o das demais possibilidades de brincar nas escolas de educação infantil. 608 CEIs. houve um desafio de elaborar um documento que criasse. por meio do Secretário de Educação. também. a identidade de um todo (rede) e. distribuídas nas 1411 Unidades de Educação Infantil: 336 CEIs diretos. incentivasse as características e particularidades de cada contexto (Unidade). O documento Tempos e espaços para a infância e suas linguagens nos CEIs. O documento tem como objetivo final assegurar à criança a aproximação das práticas sociais. Segundo DOT-EI (2006). porém em parceria com a equipe de gestores e professores. através da reflexão. Creches e EMEIs da Cidade de São Paulo (2006) menciona que no final de 2005 e início de 2006. neste contexto.

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O “Programa A Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil” foi implantado, nos horários coletivos de formação continuada dos docentes por meio do “Projeto Especial de Ação”.

2.5 O “Projeto Especial de Ação”- no Município de São Paulo

Entende-se por projeto: “Como o próprio nome indica, projetar é lançar para frente, dando sempre a idéia de mudança, de movimento. Projeto representa o laço entre o presente e o futuro, sendo ele a marca da passagem do presente para o futuro”. Veiga (2001, p. 18) O projeto direciona as ações pedagógicas da unidade escolar partindo das necessidades do presente em busca de soluções para o futuro. Com esta finalidade a unidade escolar elabora o “Projeto Pedagógico”. Veiga (2003, p. 13) menciona que:
O projeto pedagógico aponta um rumo, uma direção, um sentido explícito para um compromisso estabelecido coletivamente. (...) ao se constituir em processo participativo de decisões, preocupa-se em instaurar uma forma de organização do trabalho pedagógico que desvele os conflitos e as contradições, buscando eliminar as relações competitivas, corporativas e autoritárias, rompendo com a rotina do mando pessoal e racionalizado da burocracia e permitindo as relações horizontais no interior da escola.

O “Projeto Pedagógico” tem por finalidade retratar a realidade da escola, humanizar as relações e organizar as ações educativas. A partir da contextualização do “Projeto Pedagógico” é elaborado o “Projeto Especial de Ação”. O “PEA” deve estar articulado ao Projeto Pedagógico para não ocorrer ações educativas esporádicas ou contraditórias: “A verdadeira mania de projetos que se abateu sobre a educação tem gerado ações esporádicas, até contraditórias entre si, porque é bonito administrar por projetos e não se tem o cuidado de realizar aqueles que brotassem de um plano global”. (Gandin, 1991, p.53) Além disso, tanto o “Projeto Pedagógico” como o “Projeto Especial de Ação” para serem eficientes precisam priorizar as reais necessidades da escola e ter as etapas de elaboração, execução e avaliação bem planejadas. Esse planejamento precisa ser visto como processo educativo e não como planejamento estático. Segundo Gandin (1991, p.17): “(...) processo de planejamento é concebido como uma prática que sublinhe a participação, a

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democracia, a libertação. Então o planejamento é uma tarefa vital, união entre vida e técnica para o bem-estar do homem e da sociedade”. Neste sentido, os “Projetos Especiais de Ação (PEA)” são instrumentos de trabalho pedagógico elaborado de acordo com as necessidades do professor, por toda equipe da Unidade Escolar e aprovado pelo Conselho de Escola, anualmente. Após a elaboração e aprovação pela equipe escolar e comunidade, é enviado ao Supervisor Escolar que fará apreciação e homologação. Além disso, o Supervisor Escolar deverá acompanhar e subsidiar a escola no processo de avaliação durante a execução do “PEA”. Neste “Projeto” está contido o tema, o objetivo, a justificativa, os procedimentos metodológicos, metas a alcançar, descrição das etapas, a referência bibliografia a ser estudada no decorrer do ano letivo e avaliação periodicidade e instrumentos a serem adotados. O referido “Projeto” deve sempre atender as normas ditadas pela legislação e atender a Política Educacional vigente. Na Educação Infantil, o “PEA” tem a especificidade de garantir as crianças vivências de experiências diversas e significativas através das múltiplas linguagens do universo infantil. O Coordenador Pedagógico, Diretor de Escolar e Assistente de Direção participarão do “Projeto” dentro do horário de trabalho, exercendo o papel de coordenador respeitando a respectiva ordem. Os professores que possuem a Jornada Especial Integral de Formação (JEIF), a Jornada Básica do Docente- (JBD) e a Jornada Básica de 30 horas semanais poderão compor o grupo de formação continuada, no horário coletivo, do “PEA”. Porém, estão impedidos de participarem do “PEA” os professores que possuem a antiga Jornada Básica (JB) instituída pela Lei n. 11.434/93, os professores de Educação Infantil sem regência de classe, os Auxiliares de Desenvolvimento Infantil- ADI, os professores com laudo de readaptação e alteração de função. O “PEA” também não contempla a participação do Agente Escolar e do Assistente Técnico Educacional (ATE), uma vez que se acredita na importância da formação continuada a toda equipe, seria importante a participação desses protagonistas no “Projeto”. Os profissionais da educação que obtiverem uma freqüência mínima de 85%, individualmente, no “PEA”, e este atingir o total de 144 horas aula anuais executadas no período de 8 meses completo, exceto os profissionais do Centro de Educação Infantil que

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deverão atingir 108 horas relógio e 9 meses completos, ganharão um ponto para a evolução funcional, que implicará, futuramente, na melhoria de salário. Quanto à análise do “Projeto Especial de Ação”, tendo como ponto de partida a implantação em 1997 e a comparação estabelecida entre o período de 2005 a 2008 percebe-se algumas modificações, principalmente, na concepção das modalidades de formação:

Portaria n. 3.826, de 8 de Julho de 1997 orienta:

Art 2º : Configuram-se modalidade de PEA’s , os seguintes Projetos: I- de Formação e Aperfeiçoamento Profissional: ações relacionadas ao processo ensino-aprendizagem: envolvendo Docentes e Equipe Técnica da Escola; II- de Avaliação Diagnóstica: atividades sistematizadas de diagnóstico e acompanhamento, prioritariamente dos Ciclos Iniciais e Intemediários do Ensino Fundamental e não caracterizadas como de reforço, recuperação e reposição de aulas: envolvendo Docentes, Discentes e Equipe Técnica da Escola; III- de Orientação Educacional e Pré- Profissionalização: ações integradas ao Ensino Fundamental e voltadas à orientação: para estudo, familiar e profissional e iniciação e preparo para o trabalho, compreendendo noções de legislação trabalhista, formas alternativas de trabalho: envolvimento Docentes, alunos dos Ciclos Intermediário e Final do Ensino Fundamental Regular e 3º e 4º Ciclos do Ensino Fundamental Supletivo e Equipe Técnica da Escola; IV- de Ações com a Comunidade: ações para o aprimoramento da relação Escola X Comunidade: envolvimento Docentes, Equipe Técnica, membros da Associação de Pais e Mestres, Conselho e Escola, Grêmio de Escola, Grêmio Estudantil e comunidade; V- Culturais e Artísticos: ações voltadas para ampliação do conhecimento e enriquecimento extra-classe: envolvendo Docentes, Equipe Técnica e membros das Instituições Auxiliares da Escola; VI- de Melhoria da Qualidade de Vida e Formação da Cidadania: abrangendo temáticas, tais como: Educação Ambiental, Educação para o Trânsito, Educação para o Consumo, Orientação Sexual, Prevenção ao Uso Indevido de Drogas e outras: desde que respeitados os critérios desta Portaria.

Portaria n. 1.566, de 18 de Março de 2008:

Art 2º : Configuram-se modalidade de PEA’s as ações de formação voltadas para: I- a tematização das práticas desenvolvidas nos diferentes espaços educativos;

a articulação das diferentes atividades e/ou projetos/programas que integram o Projeto Pedagógico. “ Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil”. educação para o Trânsito etc. Assim.prioridade na Escola Municipal”. “ Orientações Curriculares: Expectativas de Aprendizagens e Orientações Didáticas” e “ Referencial sobre avaliação da aprendizagem de alunos com necessidades educacionais especiais”. Neste sentido. . Já a Portaria do “PEA” (2008) traz outras preocupações quanto à formação docente.a implementação de projetos específicos para superação das defasagens de aprendizagem detectadas na Prova São Paulo e em outras avaliações realizadas pela Unidade Educacional. dentre outros: Programas “Ler e Escrever. o foco da formação que permeia o “PEA” têm sido diversificado. O foco desta Portaria é a tematização das práticas docentes. a implementação dos projetos e programas elaborados pela Secretaria Municipal de Educação e a implementação de projetos específicos para superação das lacunas de aprendizagem apontadas pela Prova São Paulo. Nota-se que.6 Os dilemas do Ensino Fundamental de 9 anos e o Cuidar e Educar na Educação Infantil No contexto da Educação Infantil.a implementação dos Projetos e Programas específicos da Secretaria Municipal de Educação. Quando o “PEA” foi implantado se tinha como foco ações voltadas para o processo ensino-aprendizagem envolvendo docentes e equipe técnica da escola e avaliação diagnóstica desse processo. observa-se que o foco da formação docente se modifica de um governo para outro. pode-se dizer que o “PEA” é uma forma de manter a concepção pedagógica do governo vigente. articulação dos projetos com o Projeto Pedagógico. IV. com o passar dos anos. encontra-se um dilema a ser discutido: como será o atendimento das crianças de 6 anos completos ou a completar que deixam a Educação Infantil e vão para o Ensino Fundamental de 9 anos? As unidades escolares infantis. 2. ações que priorizassem a relação escola e comunidade. III. observa-se a diferente concepção de formação docente. Ao comparar as duas Portarias. além do enriquecimento cultural e artístico dos docentes e gestores e melhoria de qualidade de vida e formação da cidadania com temas como drogas. quanto às modalidades de formação. atualmente. orientação sexual.44 II.

o Conselho Municipal de Educação dá o seu parecer: O entendimento da infância como uma categoria social.114/05 e n. O Plano Nacional de Educação. 11. até 2010. A exigência da ampliação do tempo da escolarização básica foi prevista na Lei n. 11. propôs. por intermédio das Leis Federais. da ludicidade.45 que atendem crianças agora de 4 anos a completar tem se organizado para acolher essa nova demanda? As Leis Federais n. Da mesma forma. da sensibilidade. o sistema de ensino e as escolas devem se preparar para organizar um novo Projeto Pedagógico que assegure o pleno desenvolvimento e aprendizagem de qualidade tanto aos novos ingressantes. historicamente construída. na qual as crianças sejam vistas e atendidas como sujeitos sociais e históricos. assegurar o ingresso das crianças mais cedo no sistema de ensino. Todas as implementações devem ocorrer. nas EMEIs e EMEFs. 10. e ampliam a permanência do estudante no ensino fundamental para nove anos.274/06 tornam obrigatória a matrícula. que antes eram atendidas na última etapa da Educação Infantil. alcançar maior nível de escolaridade e implementação progressiva do ensino fundamental de nove anos. no período de escolarização obrigatória. que estabelece o Plano Nacional de Educação.172. ele precisa ser pensado e organizado no sentido de lhes possibilitar o desenvolvimento da alegria. Nesse momento da implantação surge a grande dificuldade das escolas e dos docentes que irão atender a esses novos ingressantes de 6 anos de idade: como não manter as mesmas características da primeira série do ensino fundamental de matriz organizada em 8 séries? Diante desta dificuldade. Esse Projeto Pedagógico deve estar pautado numa nova concepção de infância. de janeiro de 2001. em consonância com a universalização da faixa etária de 07 a 14 anos. a partir de seis anos. trouxe a rede de ensino alguns desafios de implantação: dar acesso e permanência ao ensino fundamental de 9 anos às crianças de seis anos. ao tratar do ensino fundamental. o ensino fundamental de 9 anos. implica no tratamento do espaço da escola como parte importante do processo de formação das crianças. A proposta de implantação na educação básica. da capacidade de observar e de vivenciar experiências interativas. com a inclusão das crianças de seis anos. como aos adolescentes pertencentes ao ensino fundamental de 8 anos. oferecer maior oportunidade de aprendizagem. é . Por isso.

ao currículo. quanto ao acolhimento.. As particularidades da faixa etária e suas necessidades são conhecidas por todos os protagonistas da educação infantil. (Deliberação CME n. p. que se transforma em vivências e práticas pedagógicas cotidianas. flexível. Separam no ser humano. cultural. 2007. na formação continuada. acomodá-las em momentos de repouso. ao mobiliário. os aspectos biológico.46 preciso retomar a discussão em torno do currículo para supervisão de que este seria uma relação de matérias ou conteúdos. acompanhar crianças ao banheiro. 03/2006) O Conselho Municipal de Educação propõe recomendações a respeito do período de transição da implantação do ensino fundamental de 9 anos com o objetivo de assegurar o atendimento de qualidade aos novos ingressantes: reorganização pedagógica e readequação curricular de todo o paradigma do ensino fundamental. são tarefas educativas. trazendo como conseqüência a antecipação dos conteúdos do ensino fundamental. 169): (. que têm ainda um perfil diferenciado dos Centros de Educação Infantil. p. coloco a questão aos professores e gestores. Esta concepção de cuidado e de educação está hoje sendo muito questionada na área. A articulação da pré-escola com as creches aparece em algumas propostas. orientar momentos de lanche e/ou almoço. à proposta pedagógica voltada para os mais novos ingressantes. porém sempre mediada pela preocupação com a escolarização. Segundo Kishimoto (2002. observa a preocupação curricular com as crianças de 6 anos. ( A Rede em rede-fase 1. Nas recomendações. Tais posturas demonstram o caráter hegemônico da escolarização sobrepondo-se às experiências das crianças. antigas concepções são questionadas: Muitos professores na Educação Infantil não acham que trocar fraldas. porém não se pode esquecer das crianças de 3 anos e meio que ingressam nas Escolas Municipais de Educação Infantil.) a especificidade da creche/pré-escola não é considerada. cognitivo e afetivo.. Há uma nova concepção do educar e cuidar.55) . dar banho. nesta pesquisa. Para avaliar se há uma discussão dos protagonistas de Educação Infantil. e não como algo dinâmico. conceito este que vem contrapor o caráter hegemônico da escolarização. De acordo com a relação do cuidar e educar.

respeitando-se suas necessidades biológicas. as creches que atendiam crianças de 0 a 3 anos tinham a função exclusiva de cuidar não existia neste segmento educacional a preocupação com o conceito de educar. físicas. que conservam a proposta de escolarização. pois. Mendes e Faria. Antes da Lei de Diretrizes e Bases 9394/96 a concepção pedagógica da educação infantil era fragmentada. principalmente. elaborar uma nova Proposta Pedagógica e levar essas discussões para a formação continuada. 41) mencionam que planejar o diálogo entre os dois segmentos é fundamental: Enfim. Portanto. uma atualizada organização do tempo e espaço na Educação Infantil ficará difícil para os novos ingressantes serem bem acolhidos nas Unidades Escolares. ou seja. como elas brincam. A fim de garantirmos experiências significativas para as crianças. tanto a criança de zero a três anos e meio quanto as de cinco devem ser acolhidas. A partir da LDB as creches passam a fazer parte da primeira etapa da Educação Básica e no Município de São Paulo. (2006. A história nos aponta para mudanças imediatas. emocionais e cognitivas. Vale conversar sobre do que gostam as crianças. medos. Lopes. A equipe educacional precisa atentar para o novo marco na Educação Infantil. . é preciso que os profissionais que as acolhem possam explicitar e afinar suas utopias e desejos educacionais. Os profissionais que atuam na modalidade da Educação Infantil passam a ter em suas ações pedagógicas a preocupação tanto com o cuidar como o educar as crianças. o que já pesquisaram.47 A criança não pode ser dividida entre o biológico e o cognitivo. As Escolas de Educação Infantil e Fundamental I devem superar a questão da escolarização. sem uma nova concepção pedagógica. quais seus principais interesses. p. nesta passagem. localizada principalmente na última etapa da Educação Infantil. é fundamental que os profissionais de um segmento e de outro possam dialogar! Precisamos incluir esse diálogo no nosso planejamento. do Sistema Municipal de Educação. O conceito cuidar e educar devem ser indissociáveis na modalidade de Educação Infantil. no último ano da Educação Infantil e primeiros anos do Ensino Fundamental I e proporcionar as crianças vivências cada vez mais lúdicas e significativas que ampliem seus repertórios. prazeres e resistências.

ao receberem os portfólios das crianças. p. valorize o conhecimentos construídos. segundo os registros nos livros de atas. discutir e planejar. 253) O diálogo entre os dois segmentos são possíveis e possibilita à aproximação.48 Nesse sentido. ao propor esta articulação. a troca de conhecimento. momentos para que ocorra o diálogo entre os segmentos. Este é mais um desafio para as nossas escolas. p. contribuem tanto as informações fornecidas pelas professores de educação infantil quanto os portfólios. a educação infantil passa a ser de fato reconhecida e apreciada enquanto etapa relevante para o desenvolvimento integral das crianças. de anseios dos professores e as crianças acolhidas nesses segmentos são beneficiadas através da articulação entre as unidades escolares. . 253) Além disso. conheçam sua individualidade. de dúvidas. pois materializam uma documentação viva deste processo. considere o percurso de cada uma na educação infantil – com seus avanços e dificuldades – e elaborem propostas educativas apoiadas no crescimento real e potencial de cada indivíduo de maneira adequada a sua reais condições. é que os educadores do ensino fundamental. (Ramires. Neste contexto. a escola pode se organizar. foi a proposta de reuniões conjuntas: Estas reuniões permitem ainda que os educadores do ensino fundamental expressem suas expectativas em relação ao desenvolvimento das crianças na educação infantil assim como esclareçam dúvidas a respeito do processo de aprendizagem de determinadas crianças. 2008. 2008. EMEI e EMEF. na formação continuada docente. A pesquisa realizada numa Escola Municipal de Educação Infantil revela as expectativas dos professores da infância em propor a articulação com os professores do ensino fundamental através do portfólio de cada aluno: Assim. outra ação traçada pela unidade escolar para articulação dos dois segmentos. a expectativa das professoras desta EMEI. (Ramires. Para tal.

Lidar com uma nova concepção pedagógica em detrimento de uma concepção tradicional enraizada de muitos anos na prática docente é algo desafiador a este protagonista de formação. explica e prediz. procurando verificar sua influência sobre outras variáveis. a pesquisa pretende verificar em que medida as teorias estudas e discutidas por meio do “Projeto Especial de Ação” e do “Programa A Rede em rede” contribuíram para o aprimoramento da prática dos professores. nota-se um investimento da Secretaria Municipal de Educação e da Equipe de Formadores nas escolhas dos conteúdos de formação e no planejamento de estratégias formativas. compreende e interpreta. Nesse contexto. na co-participação das situações dos informantes. na modalidade Educação Infantil. mediante a análise da freqüência de incidências e de correlações estatísticas. 2006. assim. p. Durante a Formação direcionada ao Coordenador Pedagógico pelo “Programa A Rede em rede”.49 3 METODOGIA DA PESQUISA O “Projeto Especial de Ação” e o “Programa A Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil” vem propor atualização da prática pedagógica e nova concepção pedagógica para a Rede Municipal de Educação de São Paulo. abordagem qualitativa (técnica de entrevista semi-estruturada e análise dos documentos da escola pesquisada e pesquisa de campo. O pesquisador participa. O protagonista nesse “Projeto” e “Programa” é o Coordenador Pedagógico que é o formador direto dos professores de Educação Infantil e conta com o apoio do Diretor da Escola. O pesquisador descreve. A metodologia utilizada na pesquisa foi as abordagens quantitativa (técnica de questionário). procura-se provocar reflexão e problematização da prática docente para um aperfeiçoamento pedagógico e. 52) . Entende-se por abordagem quantitativa e qualitativa: quantitativas: prevêem a mensuração de variáveis preestabelecidas. analisadas a partir da significação que estes dão aos seus atos. um atendimento de qualidade às nossas crianças. (Chizzotti. qualitativas: fundamentam-se em dados coligidos nas interações interpessoais. Nesse processo.

Entende-se por entrevista.. Esta técnica permite a captação imediata e corrente. Segundo Laville e Dionne (1999. esclarecimentos e adaptações da informação desejada.. Em seguida.. Evitei saltos bruscos entre as questões. As entrevistas semi-estruturadas foram gravadas na Unidade Escolar de acordo com a flexibilidade de horário de cada professor e as respostas. não-estruturadas. coletei dados por meio da técnica de questionário.. localizada na Zona Leste de São Paulo. apliquei o segundo questionário contendo 7 questões dissertativas aos gestores da Escola Municipal de Educação Infantil. 188). dúvida ou incompreensão. No segundo momento da pesquisa. pois se constitui como uma “série de perguntas abertas feitas oralmente em uma ordem prevista. (. utilizei a técnica de entrevista semi-estruturada. p. que continha 13 questões alternativas e 3 questões dissertativas direcionadas aos professores que seriam respondidas por escrito sem a intervenção direta do pesquisador. de acordo com Gil (1999. tabulei as respostas das questões e analisei os dados obtidos. Anexei uma folha. Segui um roteiro que continha certa ordem lógica dos assuntos. com o objetivo de obtenção dos dados que interessam à investigação. posteriormente transcritas. 78) a técnica de questionário é: “um instrumento de coleta de dados com questões a serem respondidas por escrito sem a intervenção direta do pesquisador”.) uma forma de diálogo assimétrico. . permitindo que elas se aprofundem no assunto gradativamente. correções. Após a aplicação da técnica de questionário. p. em que uma das partes busca coletar dados e a outra se apresenta como fonte de informação.) a técnica em que o investigador se apresenta frente ao investigado e lhe formula perguntas. 188) há quatro tipos de entrevistas: estruturadas. sua importância e a necessidade de que o sujeito respondesse de forma adequada às questões. p. Outra técnica a ser utilizada na pesquisa foi a entrevista semi-estruturada. parcialmente estruturadas e semi-estruturadas. mas na qual o pesquisador tem a possibilidade de acrescentar questões de esclarecimento” (p. exata com objetivo de evitar ambigüidade. usual.50 Segundo Moroz e Gianfaldoni (2006. No primeiro momento da pesquisa. explicando a natureza da pesquisa. Usei vocabulário com uma linguagem simples. 117): (.

mais precisamente na região de São Mateus. a quem apliquei a técnica do questionário. p. A utilização da técnica de análise documental me forneceu informações complementares. localizada na Zona Leste de São Paulo. O questionário e o roteiro de entrevista foram testados a voluntários e depois aplicados ao público alvo. De acordo com Moroz e Gianfaldoni (2006. o professor que realizou a formação continuada parcialmente e o professor que não realizou a formação continuada. realizei a análise documental. devido ao número considerável dos participantes da pesquisa e à importância da participação de todos os protagonistas da unidade escolar. no terceiro momento. desse grupo de professores. selecionei 3 deles e apliquei a técnica de entrevista semi-estruturada de acordo com 3 categorias: o professor que realizou totalmente a formação continuada. Os documentos que consultei foram os livros de registros das discussões realizadas nas reuniões coletivas de formação de professores. durante os quatros anos investigados pela pesquisa. Para a realização de minha pesquisa. A aplicação da técnica de entrevista foi escolhida devido à possibilidade que ela oferece de aprofundar o assunto abordado e de lidar com a heterogeneidade do grupo.51 Outra técnica a ser utilizada na pesquisa foi a análise documental da Escola Municipal de Educação Infantil. Além disso. com o objetivo de complementar as informações obtidas na técnica de questionário e entrevista. seja afastado ou recente”. contei com um total de 21 professores de educação infantil. 79): “determinados registros têm como característica o fato de servirem como documento de situações que ocorreram no passado. . na unidade escolar. nos horários coletivos. Justifico a utilização da técnica de questionário. vale reportar que essa técnica é fonte estável e rica de informações sobre determinado contexto. Nesse sentido.

O grupo de professores pesquisados inclui-se na faixa etária.1 Instrumento de pesquisa quantitativa: Questionário . ingresso recente no cargo de professor. Os outros cinco questionários não foram respondidos por motivos de licença médica.52 4 ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DOS DADOS COLETADOS 4.Identificação do pesquisado: idade. na Prefeitura Municipal de São Paulo e outros por motivos particulares. Destes questionários. demonstrando que são professores com escolhas profissionais definidas e não profissionais indecisos no que ser ou fazer em termos profissionais. 16 foram respondidos pelos docentes desta unidade escolar.Docentes O pesquisador aplicou 21 questionários a todos os professores da Escola Municipal de Educação Infantil pesquisada. sexo e formação acadêmica Os entrevistados variam na faixa etária entre 29 a 44 anos. . Veja a tabela: Tabela 1: Apresentação da idade dos entrevistados Idade  29 anos 30 anos 34 anos 37 anos 38 anos 39 anos 40 anos 43 anos 44 anos Idade não declarada Total Fonte: dados do autor Nº  2 3 1 1 2 1 1 1 1 3 16 Há importância de conhecer o perfil dos profissionais pesquisados para melhor compreender as ações pedagógicas. Questão . entre 29 a 44 anos. na Zona Leste de São Paulo.

Observe o gráfico: Sexo Feminino Masculino Não Declararam Figura 1: Apresentação do sexo do grupo pesquisado Fonte: dados do autor Segundo Kramer (2002. As tarefas não são remuneradas e têm aspecto afetivo e de obrigação moral. p. paradigma cultural que predomina até hoje nas Instituições de Educação Infantil. Desde a origem das Escolas Normais. 125) a questão da atuação do sexo feminino na modalidade da Educação Infantil é uma questão social. desempenhado tradicionalmente pelas mulheres. caracterizando situações que reproduzem o cotidiano. 13 professores possuem o curso de Pedagogia. afetiva e cultural: As atividades do magistério infantil estão associadas ao papel sexual. 01 professor com Pedagogia e licenciatura em Letras e 01 professor com licenciatura em Letras e apenas 01 docente tem o magistério em nível médio. o trabalho doméstico de cuidados e socialização infantil. reprodutivo. sendo destes.53 Outro dado interessante na pesquisa é que grande parte dos entrevistados são do sexo feminino. Dos pesquisados. foi se traçando o perfil das educadoras da infância. 05 declaram possuir curso de Pós-graduação latu sensu. . 15 docentes possuem o ensino superior. Em relação ao nível de escolaridade.

uma vez que se concorda que o Curso Normal Superior ou o Curso de Pedagogia são abrangentes e não possuem um currículo específico para a demanda de profissionais de Educação Infantil.latu sensu.5%).7%) e superior (18. 2%).54 Nível de Escolaridade Ensino Médio Ensino Superior Pós-Graduação Figura 2: Nível de Escolaridade dos pesquisados Fonte: dados do autor De acordo com os dados.na área de atuação. possuem o ensino superior completo e estão caminhando para a pós-graduação. na pesquisa. Kishimoto (2002) relata com base nas fontes: MEC/INEP/SEEC. Isso mostra o grande avanço da educação rumo a uma educação de qualidade. Na unidade escolar pesquisada. os profissionais que atuavam com crianças de 4 a 6 anos possuíam melhor formação: nível médio (65. in Situação da educação básica no Brasil. mas ainda havia leigos com apenas ensino fundamental (16. Neste sentido. profissionais de Educação Infantil adquirindo uma formação específica. localizada na região leste de São Paulo. nota-se que grande parte dos professores da citada Escola Municipal de Educação Infantil. Destacam-se. que em 1996. . as dificuldades em obter o ensino superior foram superadas pelos docentes e os avanços para o curso de pós-graduação fazem parte da formação profissional dos professores.

04 professores atuam no magistério. Nos Cursos de Formação de Professores. por um período de 5 a 10 anos.Tempo de Magistério Quanto ao tempo de magistério. Questão 1. a maior parte dos professores pesquisados se encontra na metade da carreira profissional. causando impactos significativos na prática pedagógica. de creches. ou as maiores. 03 no período de 15 a 20 anos.55 Segundo Kishimoto (2002. Portanto. 184): As Pedagogias da Educação Infantil deveriam tratar de concepções sobre criança e educação infantil. 08 exercem a docência no período de 10 a 15 anos e 01 docente possui mais experientes com tempo de magistério entre 20 a 25 anos. a pósgraduação contribuirá para a diminuição de lacunas de formação. suas práticas e formas de gestão e supervisão. dedica-se a uma formação geral do pedagogo em detrimento da especificidade da formação para crianças pequenas. comparando-os com o profissional que encerra a carreira aos 25 anos de magistério. Acredita-se que o perfil do profissional nesta etapa já traz consistência . Segue a tabela: Tabela 2: Apresentação de Tempo de Magistério Tempo de Magistério 0 a 5 anos 5 a 10 anos 10 a 15 anos 15 a 20 anos 20 a 25 anos Total Fonte: dados do autor Nº 0 4 8 3 1 16 De acordo com a pesquisa. p. dos centros infantis. o que se acredita como uma das causas de lacunas na formação inicial do professor. que atendam as crianças pequenas.

Segundo Vander Ven (1988). formação acadêmica e cargos que atuam. quando há uma busca de aperfeiçoamento profissional nos cursos de latu sensu. A investigação está presente neste grupo. Veja tabela: .Ingresso no cargo de professor de Educação Infantil no Município de São Paulo Os professores ingressaram na Rede Municipal de São Paulo. Além disso. das famílias e dos sistemas societários. de modo mais preciso preocupações relacionadas com a qualidade. além de sala de aula e. são profissionais que fizeram um investimento forte na carreira. Nessa perspectiva. tem-se que a maioria dos profissionais encontra-se no nível prático informado com característica do prático complexo. em outras funções. ele elabora cinco estágios de desenvolvimento profissional: noviços. o acréscimo de competência e maturidade permite-lhes resolver. o suficiente para levá-los a completar um programa formal de preparação educacional. segundo Vander Ven (1988). nos anos de 2002 e 2006. Questão 2. de 1988 a 2006. Os práticos complexos são aqueles que acumularam alguma longevidade na carreira e envolvem-se com questões sociais e/ou administrativas. prático complexo e prático influente.56 pedagógica em termos de concepções. na investigação. por fim. Baseado nestes estágios e na característica do grupo pesquisado quanto ao tempo de carreira. prático principiante. Os práticos informados. prático informado. a profissionalidade na educação de infância baseia-se em uma gama de conhecimentos e competências profissionais que têm impacto em uma gama similar de necessidades das crianças. tendo um pico de ingressos. experiência diferente dos profissionais iniciantes que estão a descobrir a prática da profissão ou daqueles que estão no final da carreira profissional.

Entende-se como diversidade: A diversidade pode ser entendida como a construção histórica. na adaptação do homem e da mulher ao meio social e no contexto das relações de poder. em 2006. durante toda a experiência escolar.57 Tabela 3: Ano de ingresso e Tempo na Prefeitura Municipal de São Paulo (PMSP). Ela é construída no processo histórico-cultural. cultural e social ( inclusive econômica) das diferenças. Ano 1988 1994 1996 1997 1999 2000 2002 2003 2005 2006 Total Fonte: dados do autor Nº 1 1 1 2 1 2 3 1 1 3 16 Tempo de carreira na PMSP 20 anos 14 anos 12 anos 11 anos 9 anos 8 anos 6 anos 5 anos 3 anos 2 anos Comparando-se a Tabela 2 e 3. na PMSP. deve considerar a diversidade de conhecimento adquirido pelos docentes. acadêmica e profissional. 2008.” ( Conferência Nacional da Educação Básica. os professores ingressaram na Prefeitura Municipal de São Paulo com experiência profissional anterior. 32) . O Coordenador Pedagógico. Há presença de concepções. ou seja. portanto. sendo o último ingresso dos profissionais da Educação. no exercício do papel de formador. p. nota-se que os professores possuem mais de 5 anos na carreira do magistério e só 2 anos no cargo docente na Prefeitura Municipal de São Paulo. alguns docentes possuem no mínimo 3 anos de experiência em outras instituições escolares públicas ou privadas. o tempo de magistério e o tempo de carreira na Prefeitura Municipal de São Paulo dos entrevistados. hábitos e costumes de outras redes públicas e privadas na formação profissional e prática pedagógica dos docentes. O cálculo foi feito a partir do ano de ingresso (1988) até o ano base 2008. Assim.

o Coordenador Pedagógico. precisa considerar a heterogeneidade do grupo e partir do conhecimento já adquirido pelo professor para um conhecimento mais aprimorado. cada docente traz uma diversidade de conhecimento adquirido ao longo da vida. sendo 07 ocupam outro cargo de professor e 01 de coordenador pedagógico. portanto. no atendimento de crianças de 3 anos e meio a 5 anos. Segue o gráfico: Acúmulo de Cargo Acúmulo de Cargo Não Acúmulo de Cargo Figura 3: Acúmulo de Cargo Fonte: dados do autor Esses dados revelam a realidade dos professores do Município de São Paulo. nas formações. que trabalham dois turnos nas Escolas Municipais de Educação Infantil. conforme a Lei n.58 Neste sentido. anualmente.Estatuto dos Profissionais da Educação Municipal: .660 de 26 de Dezembro de 2007. Cada professor opta pela jornada de trabalho. precisa ser reconhecido como tal. Essa diversidade mostra que o grupo é heterogêneo e. Questão 3: Acúmulo de cargo na Prefeitura Municipal de São Paulo ou em outro órgão estadual ou particular Quanto ao acúmulo de cargo. Assim. 08 docentes exercem outro cargo educacional. 14.

e mais 15. a formação continuada de todos os docentes. docentes de pré-escolas trabalham em tempo integral (8 horas diárias) e contam com a colaboração de auxiliares que dividem as tarefas do dia-a-dia. III. no estatuto da carreira. destinadas à formação continuada dos professores. quando o Professor estiver submetido à Jornada Básica do Docente.59 Art 15. nota-se a diferença de realidades: Com 25 horas de trabalho semanal. atendendo aproximadamente 70 crianças por dia. nota-se que é garantida. Pensar no docente que trabalha dois turnos no cargo de professor é observar que esse professor trabalha. quando o Professor estiver submetido à Jornada Especial Integral de Formação. Em Portugal. o professor. o número de horas. Destaca-se.Jornada Especial de Trabalho Excedente e Jornada Especial de Horas Aulas Excedentes: a) até o limite de 110 ( cento e dez) horas aula mensais. 8 horas em sala de aula com as crianças. O professor poderá ampliar a jornada de trabalho. Além dessas horas. no mínimo. no Brasil. 170) O professor do Município de São Paulo trabalha muito mais horas na sala de aula em regência e sem nenhum auxiliar para ajudá-lo nas tarefas do cotidiano. As Jornadas Básicas e Especiais de Trabalho do Docente correspondem: II. há o restante de horas da Jornada de Trabalho a serem cumpridas.Jornada Especial Integral de Formação: 25 (vinte e cinco) horas aula e 15 (quinze) horas adicionais. também. Comparando os professores brasileiros com os professores da cidade de Braga em Portugal. b) até o limite de 170 (cento e setenta) horas aula mensais. correspondendo a 180 (cento e oitenta) horas aula mensais. conforme o inciso IV desta mesma Lei: IV. 2002. p. para a formação continuada. antes ou depois da regência de classe para o cumprimento das horas atividades ou horas adicionais. com as crianças.Jornada Básica do Docente: 25 ( vinte e cinco) horas aulas e 5 (cinco) horas atividades semanais. tanto na Jornada Básica do Docente (JBD) como na Jornada Especial de Integral do Docente (JEIF). ao optar pela Jornada Básica de . correspondendo a 240 ( duzentas e quarenta) horas aula mensais. (Kishimoto.

60 Trabalho. o que pode prejudicar a qualidade do ensino. não terá horas destinadas à formação continuada.do Estatuto dos Profissionais da Educação Municipal. 06 participaram parcialmente do “Projeto”. No Brasil. na Jornada de Trabalho. ter a ampliação . após duas jornadas que contemplam 8 horas de regência. além de trabalhar 8 horas diárias em regência. 07 tiveram a participação integral no período de 2005 a 2008. E só terá a formação continuada. Questão 4.PEA Fonte: dados do autor O acúmulo de cargo é a justificativa dos professores que não realizaram a formação continuada. conforme o inciso IV. Desses 13 professores. nos anos de 2005 a 2008. ao se pensar na importância da formação continuada na carreira do professor e. pois. exceto o professor que opta pela JEIF. na sua produção na formação continuada. o professor trabalha muito mais horas com os alunos e menos horas são destinadas à formação continuada. 5 e 6. na Rede Municipal de São Paulo.Participação dos docentes no Projeto Especial de Ação Quanto à participação dos docentes no “Projeto Especial de Ação”. e 03 nunca participaram dele. o professor que solicitar a ampliação de sua Jornada de Trabalho. somente as horas atividades. nos horários coletivos. Esses dados vêm comprovar a dificuldade dos professores em. Observa-se o gráfico: Projeto Especial de Ação Participação Total Participação Parcial Não Participação Figura 4: Projeto Especial de Ação. a opção de participação é facultativa. 13 professores participaram do “PEA”.

R2: “Acredito que o PEA precisa ter mais prática sempre com teoria”.Avaliação do Projeto Especial de Ação Os docentes avaliaram o “PEA” da seguinte forma: 10 consideram o “Projeto” como bom. Questão 7 e 15a. Observase o gráfico: Avaliação do Projeto Especial de Ação Excelente Bom Regular Não Avaliaram Figura 5: Avaliação do Projeto Especial de Ação Fonte: dados do autor Por meio desses dados o “Projeto Especial de Ação” é bem avaliado por mais da metade dos professores pesquisados. porém precisa de algumas alterações. 04 avaliaram como regular e 02 não avaliaram o “Projeto Especial de Ação”. Os pesquisados relataram o que mudariam no “PEA”: R1: “Deveria ter curso específico de acordo com o interesse e necessidade dos professores”. A ausência dos professores na formação continuada traz dificuldades para o desenvolvimento do trabalho coletivo da Unidade Educacional. semanalmente.61 da Jornada de Trabalho para a realização da formação continuada. .

as responsabilidades na sua execução e avaliação. 3 responderam que não participaram da formação continuada. porém mais atualizadas. R4: “Que a bibliografia fosse menos extensa e contemplasse os conteúdos do Rede em Rede”. 2 não responderam a questão. teatro) e incluir também maior número de horas destinadas à troca de experiências”. R11: “Conteúdo”. anualmente. cursos de acordo com o tema (fora da escola) em outros espaços e palestras”. onde o professor pudesse fazer uma co-seleção com as atividades em sala de aula”.). Segundo a Portaria n. ter curso.. R9: “Deveria ter cursos específicos de acordo com o interesse e a necessidade do professor e da Unidade Escolar”. R5: “Ser mais flexível se precisar haver mudanças no projeto. observa-se que ele tem por finalidade atender as necessidades pedagógicas da unidade escolar e ser construído. visando ao aprimoramento das práticas educativas e conseqüentemente a melhoria da qualidade de ensino (. definindo as ações a serem desencadeadas. . por toda equipe escolar e comunidade local. semanalmente. Do restante dos entrevistados. R10: “No PEA poderíamos incluir visitas a espaços culturais (museus. encontros com outras Unidades Escolares e formação com pessoas especializadas de fora.62 R3: “É preciso investir no estudo de autores atuais aproximando a nossa prática com a pedagogia atual”. que expressam as prioridades estabelecidas no Projeto Pedagógico.566 de 18 de Março de 2008 resolve: Art 1º Os Projetos Especiais de Ação – PEAs são instrumentos de trabalho elaborados pelas Unidades Educacionais. voltadas essencialmente às necessidades de desenvolvimento dos educandos.. R7: “Eu gostaria de ter um PEA com atividades com envolvimento dos Pais”. R8: “Que fossem menos referências bibliográficas. De acordo com a natureza do “Projeto Especial de Ação”. ter palestras. 1.” R6: “Que haja mais formações.

bem como cada um dos documentos derivados.63 Observa-se. plenamente. Questão 8. Há necessidade de compreender que o projeto precisa ter um planejamento nas etapas de elaboração. Em qualquer destes casos. nos relatos dos professores pesquisados. p. se tiver consciência crítica. Neste sentido. O planejamento precisa ser visto como processo educativo com o envolvimento de toda comunidade educativa. desprestigia-se o planejamento que tem a difícil função de organizar a ação sem ferir a liberdade e a riqueza dos participantes de um grupo. que o “Projeto Especial de Ação” precisa de alguns ajustes no processo de planejamento: elaboração. O projeto não pode ser planejado por poucos e tendo uma porção de executores. verificar a que distância se está deste tipo de ação e até que ponto se está contribuindo para o resultado final que se pretende. apontando a direção para todo um grupo. 02 não conhecem e 01 conhece sem profundidade. execução e avaliação. p. os “planejadores” são poucos e os “executores”. observa-se por meio dos relatos dos professores ao avaliarem o “Projeto Especial de Ação” que o projeto é estático e não dinâmico. Segundo Gandin (1991. execução e avaliação. as necessidades da sala de aula. avaliar – revisar sempre cada um desses momentos e cada uma das ações. 22) planejar é: elaborar – decidir que tipo de sociedade e de homem se quer e que tipo de ação educacional é necessária para isso. não aceita tal situação e que. uma porção. Gandin (1991. se tiver consciência ingênua ou mítica. pode ser levado pela força ou pelo engodo. temos uma pessoa. 13 conhecem o programa. ou algumas. Como resultado. propor uma série orgânica de ações para diminuir esta dinâmica e para contribuir mais para o resultado final estabelecido. Assim.Conhecimento dos professores do Programa a Rede em rede Quanto ao “Programa A Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil”. portanto. verificou-se que o “PEA” não atende. executar – agir em conformidade com o que foi proposto. 14): Em geral. o aprimoramento das práticas educativas fica comprometido. .

No ano de 2006 e 2007. problematizar para fazer parte do cotidiano educativo. Veja-se o gráfico: . discutir. 04 docentes avaliaram como regular e 04 não avaliaram o “Programa A Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil”.64 Programa A Rede em Rede na Educação Infantil Conhece Não Conhece Figura 6: Programa de Formação Continuada Fonte: dados do autor Segundo os dados da pesquisa. a maior parte dos professores conhece o “Programa”. porém há um número de docentes que declaram não conhecê-lo ou não conhecê-lo com profundidade. Portanto. Questão 9 e 15b: Avaliação do Programa a Rede em rede Os docentes avaliaram o “Programa” da seguinte forma: 08 consideram o “Programa” bom. refletir. tornou-se evidente que não basta adquirir os documentos e conteúdos do “Programa” para conhecê-lo. é necessários ler. Não teve nenhuma avaliação excelente. todos os professores receberam os documentos do “Programa A Rede em rede”.

Ainda sobre a avaliação. não chega a informação e a formação até o professor”. . R8: “Que tivesse um programa voltado diretamente para os professores”. positivamente. porque. R4: “Que o Rede em Rede se estendesse aos professores em nível de formação". Virou um telefone sem fio. R7: “Eu mudaria a formação que é voltada somente ao Coordenador Pedagógico. R5: “ Todos participarem. os demais se dividem entre regular e os que não avaliaram. R6: “Que fosse aberto aos professores e não só. em muito dos casos.65 Avaliação do Programa Excelente Bom Regular Não Avaliado Figura 7: Avaliação do Programa de Formação Continuada Fonte: dados do autor A metade dos professores pesquisados avaliaram. os professores deveriam ter esta e outros tipos de formação”. R3: “Acredito que os professores precisam participar das mesmas formações que os coordenadores pedagógicos participam”. ao grupo gestor". os profissionais da Educação Infantil relatam: R1: “Colocaria o professor para participar. o “Programa”. só com a participação do Coordenador Pedagógico”. R2: “Preciso conhecê-lo melhor para avaliá-lo adequadamente”.

nota-se o reconhecimento dos gestores. os supervisores também precisam(.. de modo que gostaria. cada um do seu lugar. R11: “Não respondeu”. O “Programa A Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil” é . R15: “Que o programa proporcione formação para o professor com DOT-P e não apenas para o Coordenador Pedagógico”. Dos pesquisados. os diretores também precisam. R16: Não respondeu.66 R9: “ Deveria ter a participação dos professores”.) Se é outra a concepção que se quer . R12: “Sinto a necessidade de ter uma programação Rede em Rede que fosse aplicado para a formação direta do professor em horário de trabalho”.. No relato dos profissionais de Educação Infantil. R14: “Gostaria de conhecer melhor para poder opinar”. com o único formador. sujeitos das mudanças e das resistências. então sugiro que seja direcionado diretamente aos professores”. se envolvam em processos. os coordenadores pedagógicos também precisam. no processo de formação continuada do “Programa A Rede em rede”. 09 solicitaram que o “Programa” fosse realizado diretamente aos professores ou professores e coordenadores pedagógicos. Há necessidade da formação continuada em todos os níveis hierárquicos do sistema educacional. 221): Colocando de outra forma: se os professores precisam da formação continuada para garantir a aprendizagem dos alunos. é preciso que essa mudança vá sendo construída nos diferentes espaços e que as pessoas. De acordo com relato de Nogueira (2005. cada um de acordo com aquela que é a sua tarefa nesta grande processo que é garantir a educação das crianças. por parte dos docentes. R10: “Não tenho conhecimento sobre o projeto. se a mudança deve ser a este ponto. R13: Não respondeu. p.

mas para que se garanta uma formação que faça avançar a aprendizagem dos alunos. A inclusão do trio gestor na formação continuada trouxe um avanço significativo para educação infantil. p. Os temas sugeridos pelos entrevistados para serem trabalhos no “Programa” foram inclusão. Questão 10. Segundo Oliveira (2005. teórica. 221) relata: O mais comum. voltada para informar. Todos os envolvidos no processo de formação continuada precisam estimular os professores a pesquisar. a linguagem do brincar e acolhimento. organizada na forma de cursos. informação e teoria não são dispensáveis. sistematizar suas reflexões em várias formas de registro e reconstruir conhecimentos historicamente elaborados. p.Assuntos significativos do Programa A Rede em rede e sugestões de outros assuntos Os assuntos mais significativos do “Programa A Rede em rede” pelos professores foram tempo e espaço. a formação continuada precisa ir além da informação. também. . na Prefeitura Municipal de São Paulo. as múltiplas linguagens da Educação Infantil. que a formação do “Programa A Rede em rede” não chegou aos professores em nível de uma formação plena. ou na forma de assessorias pontuais (. essas práticas de formação são insuficientes. pesquisar alternativas de ação. A respeito da formação Continuada Nogueira (2005. mesmo na formação continuada. pelo contrário o estudo. é uma concepção pautada na idéia de formação conceitual. a formação continuada dever ser: Em programas de formação continuada. Assim.. a interação é essencial no processo de formação. a exposição teórica são essenciais. práticas pedagógicas e orientação didática e expectativa de aprendizagem.67 pioneiro em incluir em sua formatação a trio gestor no processo da formação continuada. a utilizar instrumentos metodológicos para a reconstrução e construção de novos conhecimentos e práticas pedagógicas. os professores devem ser estimulados a articular os vários conceitos trabalhados em sua formação anterior ou atual com sua prática profissional cotidiana.. Observa-se. no relato dos professores. 225). Essa ação reforça a importância da articulação da equipe gestora no processo de mudanças de prática pedagógicas rumo ao ensino de qualidade. Isso envolve problematizar sua prática.) A meu ver.

fase 1 (2007. a memória não nos é suficiente. p. Questão 11.68 atualização e socialização da prática. como fazer uso dos tempos e espaços para melhorar o atendimento das crianças. a nossa história de vida. que estamos acostumados a enxergar. No entanto. 03 mensalmente. a freqüência do registro dos docentes ao desenvolvimento dos alunos. só nos lembramos de fato daquelas que já ficaram registradas na memória. dos interesses.Registros pedagógicos Quanto às questões pedagógicas. Observe-se a tabela: Tabela 4: Freqüência do Registro Registro Diariamente Semanalmente Mensalmente Bimestralmente Semestralmente Total Fonte: dados do autor Nº 2 8 3 0 3 16 Segundo o Documento A Rede em rede. jogos de raciocínio lógico. . posto que só registramos aquilo que podemos reconhecer. em função dos nossos conhecimentos anteriores. 40). O “Programa A Rede em rede” foi o pioneiro em pensar na qualificação da equipe gestora da Unidade Educacional e trouxe uma nova concepção pedagógica para a modalidade Educação Infantil. 08 semanalmente e 02 diariamente. 03 docentes realizam o registro semestralmente. a observação e o registro são instrumentos metodológicos para uma prática pedagógica autônoma e responsável: A primeira forma de registro de pontos observados é a própria memória: da infinidade de cenas que observamos diariamente. etc. aquilo a que damos um significado.

a análise e reflexão da prática pedagógica. Questão 12.fase 1 uma das ferramentas básicas para a reflexão docente é: . De acordo com o documento A Rede em rede. o que empobrecerá o trabalho. o registro deve ser feito de preferência simultaneamente à observação. o que prejudica a qualidade do registro. Segundo o documento. 15 professores relatam que possuem o hábito de refletir sobre a prática docente e 01 não respondeu a questão. 04 semanalmente. Veja o gráfico: Reflexão da Prática Docente Diariamente Semalmente Mensalmente Outros Figura 8: Freqüência que se reflete a prática docente Fonte: dados do autor A análise e reflexão da prática pedagógica diária permitem ao professor problematizar suas ações pedagógicas. é necessário que não se passe muito tempo para sua realização. relatada pelos profissionais da Educação Infantil foi a seguinte: 10 refletem diariamente sobre a prática docente. 01 mensalmente e 01 relatou que sempre que necessário. para que os profissionais da Educação Infantil não permaneçam apenas no registro de memória.Reflexão da prática pedagógica Em relação à reflexão sobre a prática pedagógica.69 Portanto. A freqüência dessa reflexão sobre a prática pedagógica. repensar e planejar o próximo passo da ação. Muitos profissionais ainda estão registrando tardiamente suas observações. enriquecendo o seu fazer docente.

Concepção Pedagógica A concepção pedagógica que fundamenta a prática docente declarada pelos pesquisados foram: 10 professores se consideram sócio-construtivista. 40) Uma análise de caso é uma estratégia de formação que requer do leitor o exercício da capacidade de problematizar. p. Segundo a LDB 9394/96. (DOT P-EI. de pensar sobre as muitas impressões e sugestões e de tomar consciência de suas dimensões. não houve nenhuma declaração em relação à concepção tradicional. 45) De acordo com o documento. p. III. ações significativas. registros qualitativos.O ensino será ministrado com base nos seguintes princípios. . Veja a tabela: Tabela 5: Concepções Pedagógicas Concepção Pedagógica Tradicional Construtivismo Sócio-Construtivismo Outros Não respondeu Total Fonte: dados do autor Nº 0 1 10 4 1 16 Na pesquisa. É uma das ferramentas básicas do próprio processo de reflexão. com informações muito incompletas. construtivista. (DOT P-EI.pluralismo de idéias e de concepções pedagógicas”.70 Um bom registro daquilo que observamos nos possibilita fazer uma boa análise de um determinado caso. no item “Outros”. de analisar o ocorrido. combinando a concepção tradicional com a concepção construtivista e sócio-construtivista. alguns professores relatam que mesclam as concepções pedagógicas. 2007. Questão 13. em relação aos Princípios e Fins da Educação Nacional declara: “Art 3º. 01 construtivista. Sem ele. A maioria é sócio-construtivista e a minoria. trabalha-se freqüentemente com ouvir dizer. 2007. 01 não respondeu a questão e 4 mesclam as concepções pedagógicas. com preconceitos. a observação e o registro são instrumentos importantes para realizar uma análise de uma situação. ou seja.

literatura na Educação Infantil. aprenderam assuntos significativos para sua prática pedagógica como: R1: “Repensando a prática embora não concordo com alguns assuntos”. porque trouxe temas importantes que têm sempre novos conhecimentos sobre assuntos já trabalhados”. como princípio. R10: “Basicamente refletir sobre a prática e avaliar os resultados das ações para planejar os próximos passos da ação educativa”.”. durante os últimos quatros anos. R4: “Que o cuidar e educar é uma ação indissociável na educação infantil. Teoria-reflexão-prática-reflexão” R6: “O que realmente ficou mais evidente foi a reflexão constante sobre minha prática”. Questão 14: Formação Continuada Docente Quanto à Formação Continuada. . R2: “O que considero mais significativo foi a troca de experiências com os colegas e leituras. Fora da escola. os docentes relataram que. R3: “Sim.71 Portanto. pois há pouco tempo em casa para fazer leituras técnicas. dedico-me a leituras literárias”. organização dos tempos e espaços. R11: “Prática docente aliando à teoria”. pois me sinto defasada”. é assegurada por Lei. . na unidade escolar. R5: “ Sim. melhoria na questão dos registros e avaliação”. mas gostaria de estar me atualizando mais. Muito do que faço me foi passado nos PEAs”. etc. R8: “Como fazem apenas 3 anos que estou com educação infantil. R12: “Sim. R9: “Repensar a prática”. R7: “A importância das brincadeiras. a diversidade de Concepções Pedagógicas na Educação Nacional.

72 R13: “Todas as leituras e discussão tiveram reflexo na prática”. no caso o “PEA”. R14: “Não tive formação continuada na U. em conseqüência. sobre o tema as Múltiplas Linguagens na Educação Infantil para os professores. teve como eixo para estudo a Leitura de Mundo Alfabetização e letramento. teve vários eixos de estudos. em horário coletivo. houve a necessidade de priorizar um estudo.E”. portanto não era estudado no horário coletivo. No ano de 2005. Neste momento. os Coordenadores Pedagógicos eram orientados pela equipe de DOT-EI a apresentar os documentos Tempo e Espaço para a infância e suas Linguagens no CEIS. o “Programa A Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil”. observa-se que os momentos de formação continuada contribuíram. a formação continuada dos professores. de acordo com os registros da unidade escolar pesquisada. No ano de 2006. . R16: Não respondeu a questão. Nos relatos dos profissionais de Educação Infantil. nas unidades escolares do Município de São Paulo. Observa-se dificuldade da implantação do “Programa” nas unidades escolares. o eixo estudado no “PEA” foi As Múltiplas Linguagens na Educação Infantil com ênfase em Artes. Dentro dessas horas/aulas coletivas. o “Programa A Rede em rede” estava sendo elaborado pela equipe da Diretoria de Orientação Técnica Pedagógica (DOT-P). CRECHES E EMEIS da Cidade de São Paulo. Nesse momento. R15: “Não participei”. volume I e Manual de Brincadeiras volume II e trazer a prática das oficinas vivenciadas pelos Coordenadores Pedagógicos. Durante os anos de 2005 a 2008. Neste ano. principalmente. o “Projeto Especial de Ação”. na questão do refletir sobre a prática docente. as unidades escolares foram orientadas pelos respectivos Supervisores a dividir o horário coletivo em dois módulos: 3 horas/aulas eram destinadas ao eixo temático do “PEA” e 2 horas/aulas eram destinados ao estudo do “Programa”. foi implantado. pois o tempo de estudo coletivo ficou restrito devido os dois temas abordados na formação continuada. uma vez ao mês.

11 docentes declaram que sua participação foi boa. De acordo com os pesquisados. o que dificulta o aprofundamento do estudo. 01 excelente. Há uma dicotomia entre momentos de estudo do “PEA” e momentos de estudo do “Programa”. no primeiro ano da implantação. 01 regular e 03 não avaliaram. o tema escolhido para o “PEA” foi As Múltiplas Linguagens na Educação Infantil. o “PEA” teve como eixo: A Linguagem do Brincar.EI a fazer um diagnóstico.73 o “Programa A Rede em rede” e os documentos foram pouco abordados na formação continuada. Diante desta dificuldade. o “PEA” precisa ter um tema específico e próximo da prática docente. os Coordenadores Pedagógicos foram orientados por DOT. o que facilitou o aprofundamento do tema e a aproximação do “ Programa” aos professores. preferencialmente no “Projeto Especial de Ação”. A formação continuada deve romper os muros da escola.Acolhimento e o estudo do documento Orientações Curriculares: Expectativas de Aprendizagens e Orientações Didáticas.avaliação dos docentes quanto à participação na Formação Continuada Em relação à auto-avaliação dos profissionais de Educação Infantil com relação a formação continuada. Então. com vivências culturais e troca de experiência com outras unidades escolares. junto à equipe escolar. Já no ano de 2008. das necessidades da unidade em relação às múltiplas linguagens da Educação Infantil e selecionar uma linguagem para ser estudada no próximo ano letivo. Questão 16: Auto. Veja o gráfico: . no ano de 2007.

74 Auto-avaliação na Formação Continuada Excelente Bom Regular Não Avaliaram Figura 9: Auto-avaliação dos docentes Fonte: dados do autor O grupo avaliou a participação na formação continuada de forma positiva. Segue as questões e as repostas da equipe gestora: I. . A formação deve ser cada vez mais para dar encaminhamentos educacionais a partir de diagnósticos do cotidiano. na unidade escolar. Quais são os desafios cotidianos que você tem enfrentado em relação à formação continuada dos professores? R1: “Ainda a questão do registro”.2 Instrumento de pesquisa quantitativa: Questionário-Gestores Quanto à participação da equipe gestora. foi aplicado um questionário contendo 7 questões dissertativas. pois os gestores são os condutores do “Projeto Especial de Ação” e do “Programa A Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil”. 4. R2: “Avançar na relação teoria e prática. A participação do Coordenador Pedagógico e do Diretor de Escola na pesquisa é muito significativa. Isso demonstra o apoio e a satisfação em participar dos horários coletivos da formação docente.

terá acesso às concepções. 43) (. o que significa um desafio para os gestores. ( Kramer. pode se tornar um recurso importante que permite o acesso ao pensamento do professor.75 Nesta questão. o estudo crítico das teorias que ajudam a compreender as práticas.. rechaçando receitas ou manuais.” R2: “Os conteúdos e reflexões têm sido condizentes com os problemas educacionais do cotidiano escolar”. no âmbito da formação continuada: o registro e a relação da teoria com a prática. o docente precisa perceber a importância do registro para o desenvolvimento profissional. no cotidiano. Quanto à relação teoria e prática. Ele é uma das estratégicas do Coordenador Pedagógico para formular boas perguntas e transformar problemas em soluções. ( A Rede em rede. 2007. os gestores apontam para duas dificuldades encontradas no cotidiano. mais atentas. ao ler o registro. Entende-se por registro. criando estratégias de ação. II. . para registrar as observações da prática pedagógica. p. O registro é uma boa estratégia para se alcançar esse objetivo. Como você tem percebido a presença da formação continuada (conteúdo) na prática dos docentes? Comente.) os que atuam com crianças precisam assumir a reflexão sobre a prática. os gestores precisam elaborar estratégia para que ocorra a reflexão teoria x prática para o desenvolvimento profissional dos docentes. organizadas. quando utilizado para a reflexão da prática docente. isso. além de trazer o pensar íntimo e individual do professor. Porém. R1: “Muito bom. teoria e prática: O diário como forma de reflexão. O Coordenador Pedagógico. dificuldades e angústias do professor. Nota-se a dificuldade do Coordenador Pedagógico em instrumentalizar-se do registro.. mudanças com novas estratégias. p. fazendo-o avançar além do que já sabe. segundo contrato prévio entre o autor e seu parceiro. por muitas vezes encontrar resistência no grupo de professores e dificuldades dos docentes de encontrar momentos.E. fundamental na busca de estratégias que a ajudem a desestabilizar suas crenças e hipóteses. conclui-se que o registro é um instrumento metodológico importantíssimo. quando lido com seriedade e respeito. isto percebe-se com todos os funcionários da U. 129) De acordo com a pesquisa e as referências citadas. Essas informações serão úteis ao Coordenador Pedagógico que poderá partir deste ponto para conduzir o professor ao avanço da prática pedagógica. 2002.

com o “Projeto Especial de Ação” e o “Programa A Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil? Caso positivo. p. e os assuntos. percebe-se fazendo parte de uma mesma realidade comportamental. ambos os gestores percebem resultados significativos da formação continuada na prática pedagógica.94 ). a participação na escolha da bibliografia não é suficiente para que o “Projeto” tenha resultados positivos. Portanto. nos horários coletivos.76 Apesar de nesta questão. Pode-se conquistar esse comprometimento por meio do sujeito coletivo. III. ou seja. O grupo procura viver em comum-unidade. R2: “Pois as possíveis dificuldades fazem parte do processo de formação onde as diferentes concepções e práticas educacionais se interelacionam.. extensão de suas próprias pessoas. tratados no Programa: A Rede em Rede tem vindo ao encontro das necessidades dos grupos”. . O Gestor 2 fala sobre as diferentes concepções e práticas pedagógicas dos docentes. relate as dificuldades. terem sido citadas anteriormente as dificuldades em relação à reflexão da teoria com a prática docente. por assim dizer. Esses conflitos podem ser mediados por meio do comprometimento de todos os participantes no processo educacional. R1: “A bibliografia do PEA é escolhida pelos participantes. 19): “a elaboração é apenas um dos aspectos do processo e que há necessidade da existência do aspecto execução e do aspecto avaliação”. um juízo comum sobre a realidade e reconhece-se participante do mesmo “nós-ético”. O Gestor 1 relata que não há dificuldade em relação ao “PEA”. o que causa conflitos na unidade escolar e o que faz parte do processo de formação profissional. Segundo Silva (2006. não necessariamente sob a mesma determinação geográfica. principalmente. Você tem sentido dificuldade em lidar. o juízo comum sobre a realidade.) é um grupo de pessoas que possui uma identidade comum. pois os participantes escolhem a bibliografia. conflituosamente”. sujeito coletivo: (. O que o unifica é. que é. às vezes. Segundo Gandin (1991.. p.

R2: “Positivo. A criança é o foco principal do trabalho pedagógico. Como você avalia o Programa de Formação Continuada: “A Rede em rede”. independente das concepções pedagógicas. pois é um espaço importante para confrontar os problemas educacionais do cotidiano com os textos teóricos possibilitando a interação teoria e prática. Momentos ricos que devemos aproveitar o máximo para trocas. Os Gestores 1 e 2 avaliaram positivamente o “Projeto Especial de Ação” como espaço coletivo de estudos.busca apoiar a tarefa dos trios gestores na elaboração e implementação de projetos locais de formação continuada de professores em todas as unidades educacionais dos CEIs. Nesses últimos quatro anos. . Tem contribuído bastante para a qualidade do ensino na Educação Infantil”. V. o Programa tem alcançado os objetivos propostos para a Educação Infantil. os participantes do processo educacional precisam se comprometer com os objetivos e metas comuns da unidade escolar. Neste sentido. IV. no Município de São Paulo? R1: “O programa tem contribuído bastante para atuação da equipe gestora”. EMEIs e EMEEs da Rede Municipal de Ensino. R2: “Ótimo. contribuindo para a qualidade do ensino”.77 De acordo com o conceito de sujeito coletivo. estudos e pesquisa”. Segundo o Portal da Prefeitura Municipal da Educação o objetivo do “Programa A Rede em rede”: O Programa "A Rede em rede: formação continuada na Educação Infantil" . portanto toda decisão tomada no coletivo deve estar voltada para o melhor atendimento a criança. pesquisa e trocas de experiências profissionais.Portaria 938/06 – SME . como você avalia o “Projeto Especial de Ação”? R1: “ De qualidade.

Temos que repensar a forma de melhor acolher esses alunos”. com a diminuição do número de crianças nas turmas menores de quatro anos. 2007. nessa faixa etária irá contribuir bastante para o desenvolvimento do trabalho pedagógico”. tem pensado no acolhimento das crianças de 4 anos a completar no cotidiano da EMEI? R1: “No início foi difícil. (A Rede em rede-fase 1. pois os assuntos são pertinentes”. O Gestor 2 afirma que há dificuldade. fazem parte do crescimento profissional. Em relação ao Ensino Fundamental de 9 anos. como você. Para a equipe de DOT.EI. A redução do número de crianças por classe. na prática docente: R1: “Não. O Gestor 1 relata que não observa dificuldade dos professores em lidar com a teoria do “PEA” e do “Programa” por esses conterem conteúdo compatível ao cotidiano da Educação Infantil. Acredita-se que.78 VI. a atenção e o atendimento delas terá melhor qualidade. foi um complicador. VII. p. se bem trabalhadas. enquanto gestor. mas já estamos assimilando a nova realidade. há divergência dos gestores quanto as dificuldades dos professores em lidar com a questão da teoria e prática docente. O Gestor 2 comenta sobre as dificuldades ocorridas no ano de 2009 e a superação delas.E desenha para a infância um cotidiano que considera culturalmente relevante. O Gestor 1 relata que há uma discussão na unidade escolar a respeito do acolhimento das crianças de quatro anos a completar. são dificuldades que trabalhadas levam ao aprimoramento profissional e educacional”. mas temos discutido sobre o assunto. Portanto. 49) . R2: “As dificuldades são inerentes ao próprio processo. Você tem percebido dificuldades dos professores em lidar com a teoria do “PEA” e “Programa A Rede em rede”. potencialmente capaz de partilhar com as crianças parte importante da nossa herança cultural. é responsabilidade da Unidade Escolar: Cada U. Ele ressalta a contribuição da diminuição de crianças na sala de aula para o acolhimento das turmas de menos de quatro anos de idade. R2: “Neste ano de 2009. porém que ela faz parte do processo educacional e.

uma criança que vem de uma época. Então ele tem a prática. Ressalta-se que a entrevista foi transcrita e mantida na dissertação na linguagem coloquial da Língua Portuguesa. nós nunca deveremos deixar de estudar. com o grupo de estudo. um grupo junto estudando. eu tento sempre procurar. dedicação é incluí-las no mundo mágico da Educação Infantil. e através da sua prática. ela vai mudando. Uma criança que cada vez mais com a tecnologia. no período de 2005 a 2008. como fora da escola também através de cursos.79 A unidade escolar tem o compromisso de transformar o cotidiano das crianças em um espaço de aprendizagem e desenvolvimento. O Foco principal da entrevista são os temas do “PEA” e do “Programa A Rede em rede” na prática docente. nos momentos coletivos de estudo. Eu sempre procuro assim. trabalhando dentro da escola. cheiros. pela não participação. Pensar o acolhimento das crianças tão pequenas. carinho. dos seus problemas. Segue o roteiro de perguntas. no meu caso. Então. da minha formação mesmo. Pelo menos três. analisa e discute os dados obtidos na entrevista semi-estrutural. através de leituras que o professor faz em casa. Porque assim. de uma sociedade diferente daquela que talvez nós estudamos. há dez anos atrás. Então. Assim. parcial ou. perguntas sobre os temas dos “Projetos Especiais de Ação” e o “Programa A Rede em Rede: a Formação Continuada na Educação Infantil”. Essa formação continuada pode se dar na escola. as idéias da gestão e também as práticas e o estudo que a gente tem que estar fazendo. quatro vezes por semana estar um grupo fechado. 4. num espaço cheio de gostos.graduação. porque eu acredito assim. de um contexto novo. das dificuldades que ele vai tendo no dia a dia ele vai estudar. Eu. tendo como roteiro. estar lendo. amor. As três professoras foram selecionadas por meio dos critérios de participação integral. através de uma pós. os dados obtidos e a análise dos dados: a) O que você entende por Formação Continuada? Professora 1: Formação que todos os dias nós estamos com os nossos colegas. gestos. tem que se atualizar dentro da nossa área da educação. da sua graduação ou outro tipo de formação e convém com a sua prática. que nós professores. nós sempre recebemos uma criança nova. sabores. Professora 2: O que eu entendo por formação continuada é aquele estudo que o professor tem depois da sua formação. sentimentos.3 Instrumento de pesquisa qualitativa: entrevista semi-estrutural Neste momento. vai procurar teorias que o auxiliem nessa formação continuada. com o coordenador. pra mim isso é educação continuada. o professor também .

é como uma reciclagem. E também no PEA. b) Quais são os momentos em que ocorrem a Formação Continuada na Unidade Escolar? Professora 1: Bem. o quanto o momento reservado para discussão. E é importante esse momento. Então. vai da gente. p. As professoras 2 e 3 percebem as mudanças da sociedade. né. de interlocução com seus pares na busca de um trabalho que avance em relação a uma proposta educacional-pedagógica de qualidade. na medida do possível. Nós nos reunimos e estudamos. do texto que a gente tinha lido e da prática na quarta. formação continuada. né. as famílias mudam. a pesquisa comprova a importância da formação continuada. essa formação continuada pra gente acompanhar essas mudanças. Professora 3: Bom. Elas ressaltam que a formação continuada tem contribuído para esta atualização. quatro dias na semana. com a necessidade das minhas crianças e aí eu vou lendo em casa.) para trabalhar com crianças pequenas em creches e pré-escolas os professores precisam de um espaço de troca. reflexão da prática docente e troca de experiência tem sido valorizado pelos professores. três. ele tem que vir buscar esse estudo. Portanto. melhorando nossa prática. né. O PEA é uma formação continuada. deixa eu ver como eu posso dizer. a comunidade muda. de acordo com os livros que tem aqui na escola. Rocha e Filho (2002. Professora 2: Como eu já tinha falado né. essa busca. das famílias e das crianças e a necessidade de atualizar a prática docente. E depois da reflexão. nós mudamos. E sempre refletindo. a gente pegava a quarta pra fazer a prática da sala de aula. 218) (. Ai foi muito interessante ter o PEA aqui na escola porque nós dividimos da seguinte maneira: na terça-feira a gente pega pra estudo. os livros são caros. Geralmente são três dias na semana. na quinta a gente replanejava.. cada professor escolhe o seu horário e aí a gente forma um grupo. Porque infelizmente nós não temos assim condição de ter acesso a livros. Então eu procuro. É o momento onde nós nos reunimos. nas Unidades Escolares. que a prefeitura vai trazendo livros para a escola eu vou olhando os livros e vou pegando aqueles que eu acho interessante. Na quarta-feira nós pegamos para a prática. As professoras relatam a importância da relação teoria e prática na formação continuada e valorizam o estudo em grupo. É o professor estar sempre em busca de novos conhecimentos porque tudo muda. Segundo Cerisara. Assim. isso acontece no PEA.. né. que convém com a minha prática. do horário da gente. As crianças mudam. essa formação continuada dentro da escola já se dá no . Através do estudo que a gente tinha estudado na terça-feira.80 tem que vir buscar essa mudança. pra estar sempre se atualizando e acompanhando essas mudanças.

eles têm mais momentos ali que eles estão juntos. a literatura (. matemática(. que eles têm oportunidade de discutir alguns assuntos. com cada criança. seres humanos. que se corrige. da Professora 2 o reconhecimento em outros momentos de formação continuada que a unidade escolar oferece como a reunião pedagógica por contemplar todos os professores. p. A escola é o espaço de referência quando se fala em formação continuada pelos docentes. Então. Porque nas reuniões pedagógicas é um número maior. c) Qual é a sua concepção de criança e infância? Professora 1: A criança que brinca.81 PEA e nas reuniões pedagógicas também. Sendo assim. a minha concepção de criança é que é um ser em . fóruns. horário de estudo conjunto... que é reconhecida pelos professores. a escola promove diferentes espaços e tempos para formação continuada. a criança que nós fomos um dia e crescemos e hoje somos adultos. sindicatos (. Então... até mesmo assim. creches e pré-escola que garanta estudo. né. 117) De acordo com os relatos.) ( Formação de profissionais de educação infantil: questões e tensões. nota-se o reconhecimento da Professora 1 do momento destinado para o estudo no horário coletivo. a gente reflete. de outros turnos que você não tem no PEA.) (II) formação no movimento social. eles têm mais oportunidade de troca. (IV) formação cultural que pode favorecer experiência com a arte em geral. partidos. com cada um de nós. então você tem contato com outros professores. é muito interessante por isso. a criança que constrói.. em que se fortalece cada unidade e fica assegurado o estudo individual e coletivo para compreender a realidade mais ampla e o que acontece no dia-a-dia. Segundo Kramer. a formação ocorre em diferentes espaços e tempos: (I) Formação prévia no ensino médio ou superior em que circulam conhecimentos básicos relativos à língua.. Ela é igual uma esponjinha. que o grupo que está nessa formação. eu percebo assim. falando do seu trabalho. é praticamente a escola inteira. Porque nas reuniões pedagógicas é o momento que a gente pára. Eu acredito que aconteça isso nesse momento. associações. somos seres em aprendizagem e a criança [.. leitura.] é tudo de bom.... que imagina. É um desabafo também. com as crianças.) (III) formação em cada escola. a criança que se expressa. algumas dificuldades encontradas. Assim. A Professora 3 não realiza a formação continuada na escola. Professora 2: Criança. da sua prática. na verdade. ela absorve tudo. eu acredito que seja assim. a criança que chora. 2002. porém reconhece os horários coletivos de estudo e sua importância. estar desabafando. pelo que eles falam. debate. eu nunca participei. fala o que pensa. deveria até ter mais encontros desse tipo. Nós. Professora 3: Olha. Eles têm essa oportunidade de ta trocando experiência.

] é nesse momento que ele aprende a lidar com o outro. por parceiros mais experientes como. Você vê que tudo isso. a conhecer a escola. p. mediadas.. conhecer a rotina.. Professora 3: Ah.. Os professores pesquisados notam essas características desses pequenos aprendizes. Eles sonham.82 desenvolvimento. eles viajam. as mães sempre comentam: ah dia que não tem aula. a socializar. que aprende e ensina. que tudo é de bom pra eles. Tudo eles absorvem. o desenho. eles gostam. porque [. Ah. porque eu viajo junto com as crianças no mundo da fantasia. absorvem tudo. a dividir. E a gente sabe [. valores. o professor. A gente percebe que eles gostam de vir pra escola.] e muito gostosa essa fase... por exemplo.[.. muito importante. Então. eu acho assim. é muito importante esse momento da criança – a infância. que lhes assegura uma gradativa apropriação da cultura historicamente constituída. a se conhecer. ( Tempos e espaços para a infância e suas linguagens nos CEIs. Além disso. relações humanas e por técnicas. é assim. gostando.] que esse momento da educação infantil é importante. Segundo a equipe DOT-EI. é muito gostoso. a música. a gente trabalha muitas linguagens. ele reclama ou fala que sente saudade. 11) Portanto.. São seres assim.. conhecer os materiais. Eles são sinceros.] Por isso que eu escolhi educação infantil. as crianças: Em sua relação com este mundo. formar sua identidade. Então toda proposta que você traz tudo que você vai fazer. manifestando-se por diferentes linguagens. principalmente essa idade que a gente trabalha. 2006. também. perceber-se como o mediador da aprendizagem dos alunos para facilitar o ensino-aprendizagem dessa criança ativa que convive no nosso cotidiano escolar. que expressa os sentimentos e que constrói a história. linguagens. é muito bonito falar em criança. eles gostam de tudo que acontece aqui. é história. se eles não gostam. desde cedo tentam apreendê-lo e significá-lo. Eu acho muito importante [. até os seis anos. o brincar. E assim. já falam que não gostam. acredita-se que o professor precisa além de perceber a criança como um ser ativo precisa. se conhecer melhor. que gosta de brincar. ainda ta naquela fase gostosa. A criança é um ser ativo que brinca. Então assim. direta ou indiretamente. Essa experiência é essencial para que a criança também possa ser produtora de cultura.. . muito bom poder ter essa oportunidade de trabalhar com essa fase. eu acho maravilhosa essa fase. que imagina. Eles falam o que eles fazem aqui. as crianças. a se formar. que se eles gostam. que cria. essa idade.. curioso. ressaltam a identificação que possuem com a faixa etária e a satisfação em trabalhar na Educação Infantil. eles curtindo. Creches e EMEIs da cidade de São Paulo. ficando felizes. é idade de formação de personalidade mesmo. formado pelos costumes.

da autonomia.] Eu perco o controle. vivenciando. [. Trabalhar muito essa coisa da criatividade. brincando ao mesmo tempo. Então. tem que estar claro na cabeça dele que ele tem. trabalham muito bem. se não ouvir fica difícil a gente trocar idéias e conseguir educar e ensinar ao mesmo tempo. Ela tem que estar atenta no que eu estou fazendo. eu acredito muito nessa coisa dela. Entendeu? Então assim. É uma coisa por vez. Então. experimentando.. Eu vou estar educando essa criança. mesmo ela tendo relatado que é sócioconstrutivista. você acaba ficando usando isso. todo mundo tem um pouquinho de tradicional. O que o meio oferece pra essa criança pra ela está pegando. comigo. vai ter o momento de construir. Mesmo porque nós estudamos.. pra ela criar. tem que ter uma relação de respeito. [. porque tem que ouvir.] constrói o conhecimento dela. dela se expressar. Ela vai ter o momento dela falar. Então o que eu vou ensinar? E aí eu vou elencar o que é importante pra eu estar ensinando para a minha criança. que tem que ensinar também.. Professora 3: Então. vamos falar que é Vygotski.] Observar-se no relato da professora 1 que as ações pedagógicas desenvolvidas na sala de aula são baseadas na concepção tradicional. isso eu considero o tradicional. deles estarem conversando... o viver dela. o que você entende por concepção tradicional e sócio-construtivista? Professora 1: Tradicional é o professor que ensina. Aí assim..] coloquei sócio-construtivista porque olhando no geral eu acredito que eu me enquadro melhor nessa concepção sócio-construtivista.. por isso que eu falo que eu sou tradicional [. O que você entende por essa concepção? Professora 2: O sócio-construtivista.] Então eu considero tradicional. Então.. pra . o pai de tudo isso. fazendo atividade ao mesmo tempo. de participar da aula. O que é o sócioconstrutivista? É o educar levando em conta o meio da criança. acredito que ninguém é inteiramente sócio-construtivista. mas por que eu me considero que eu me enquadro mais nessa concepção sócio construtivista? Porque [. ela tem que me ouvir.. Tem professor que trabalha muito bem assim. pode se dizer. ele fala que a criança vai interagir com o meio e conforme o meio ela vai construir a sua aprendizagem. ela vai aprendendo e desenvolvendo a aprendizagem. Então. Há uma dificuldade de compreensão da professora sobre a concepção sócioconstrutivista. Então. dela ter autonomia pra fazer.. Então eu sou tradicional e construtivista por quê? Porque eu sou consciente que eu estou aqui pra ensinar. Então. então todo mundo carrega esse lado tradicional. [. uma obrigação de ensinar. sinceramente.] acredito muito que a criança [.. conforme esse meio que ela tem à sua disposição. de você estar oferecendo material pra ele explorar. nós fomos formados numa concepção muito tradicional. vai ter o momento de ouvir. Só que.. pra ela fazer.83 d) De acordo com a resposta do questionário. Pesquisadora: Em relação ao questionário. Eu não. mas eu também tenho os momentos de ensinar e isso eu não posso deixar de lado. você se declara sócio-construtivista. com outras pessoas da unidade escolar. na rua. com aquilo que ela fala o que aconteceu na casa dela. eu acredito que sócio-construtivista é o meio. o que eu vou educar com a minha criança nas relações do dia-a-dia com o colega. de reciprocidade.

em relação ao tradicional. [. p. quantas meninas.. O primeiro momento é o momento de acolhimento deles. que ela vai brincar. a letra c. Então. nós vamos fazer a nossa contagem. contando as novidades. a letra b. a pesquisa revela que não há incorporação da concepção sócioconstrutivista na prática docente. pra participar. 2006. pra ir fazer.. aí é o meu momento. eles até sabem. algumas professoras percebem a concepção tradicional na sua prática docente. . Creches e EMEIs da cidade de São Paulo.] eu acredito muito nessa construção do conhecimento da criança e nós aprendendo o tempo todo. tem sempre um vídeo de música. Terminou esse momento. A equipe DOT-EI traz. na maior parte do tempo é isso. Aí parou.. apenas alguns ensaios desta concepção pedagógica. eu com elas.. E aí eu faço com todos juntos. As experiências. se cumprimentando. a questão da organização do espaço e do ambiente? Professora 1: Esse ano eu trabalho na sala 5 que seria a sala de vídeo. Isso é tradicional porque a criança não aprende necessariamente assim. um desenho animado. ela está criando também. Então essa é minha organização da sala. ajudar a organizar o espaço que ela vai fazer atividade. ( Tempos e espaços para a infância e suas linguagens nos CEIs. o brinquedo que ela vai brincar. eu vou dar um exemplo pra ficar mais concreto: as letras do alfabeto. que eles vão chegando. ao desconhecido. e) Como tem sido no cotidiano da sala de aula.] aquela necessidade de trabalhar a letra a. não o tempo todo. Então. acredito que me enquadro mais nessa proposta por conta disso. o fundamento da concepção sócioconstrutivista: Aprender deve ser uma experiência significativa para a criança e deve também integrar o que ela já conhece com aquilo que é novo para ela. 25-26) Portanto. um com o outro. aquelas coisas ainda de você trabalhar. ajudando-a a descobrir o desejo envolvido na investigação. no documento. as conversas. Toda vez que eu vou passar informação para as crianças. esse ano eu usei muito o vídeo.] Segundo a entrevista. Às vezes você vai com uma proposta e a proposta até muda porque ela está participando. Poder ter momentos dela escolher o material que ela vai utilizar. saberes e interesses infantis são pontos de partida para que novos conhecimentos sejam por ela apropriados em situações que lhe despertem o interesse frente ao inexplorado. eles vão para o meio da sala e nós fazemos uma roda. quantos meninos. Por quê? Após esse encontro entre eles. vivência. relatam algumas ações que caracterizam uma concepção sócio-construtivista e revelam a falta de maior conhecimento sobre a concepção sócio-construtivista. Então. [. eles trazem brinquedos de casa. eles trocam brinquedos entre eles. vou escrever na lousa. a sala está sempre organizada em meia lua. Então. vou fazer a leitura do dia. [.84 opinar na rotina... Qual é a proposta dela? Ela também tem uma proposta para aquele momento.

giz. elas abrem o armário.. Entende-se por espaço e ambiente: (. eles pegavam os livros e deixavam os livros jogados na sala inteira. com os materiais. elas abrem. mas assim. todos os dias pra fazer as atividades.. elas fazem do jeito que elas querem.. elas pegam o que elas querem: borracha. a gente tem o cantinho da leitura. só em alguns momentos em que há necessidade. lápis de cor. 2007. Professora 3: Então. isto é.) local de atividades com a função de ser um espaço de vida e de transformação que possa garantir continuidade ao que as crianças já sabem e apreciam. lápis. o material que nós temos. individuais ou coletivos. na sala de aula uma coisa fixa são os brinquedos. (Tempos e Espaços. depois elas guardam..85 Professora 2: Olha. eu não determino o material que vai ser usado. insolação. a lousa. De acordo com o documento “Orientações Curriculares: Expectativas de Aprendizagens e Orientações Didáticas”: . É assim também com os brinquedos. eu tenho muito isso na minha rotina. guardar as coisas cada uma no seu lugar. conforme a atividade a criança pode escolher o material que ela quer. ambientar as crianças e os adultos procurando atender suas necessidades e exigências nos momentos programados ou imprevistos. que há um planejamento do espaço e do ambiente na unidade escolar. cola. no relato das pesquisadas. mas ele precisa tornar-se um ambiente. eu organizo com eles esses momentos. não vou dizer que não acontece de ter um livro ou outro.. eu geralmente deixo vários tipos de materiais à disposição. na medida do possível. nós temos aqui na unidade.[. cuidar dos seus materiais. nós temos um rádio. Mas assim. elas colocam o CD que nós vamos usar. canetinha. a gente tem que estar reforçando. o espaço e o ambiente. tem o cantinho que ficam os brinquedos. então elas costumam brincar.] Eu até já trabalhei outra época com cantinho fixo. à disposição delas.. a gente organiza naquele momento da atividade diversificada a gente organiza os cantinhos conforme as atividades daquele dia. a gente trabalhou muito essa questão de tomar cuidado com o livro de colocar no lugar. Que nem. como principalmente pra depois também organizar tudo no lugar de novo. quando vai fazer um registro. Até o rádio. (Orientações Curriculares: Expectativas de Aprendizagens e Orientações Didáticas. E é bem legal. brinquedos. topografia. Eles ajudam muito na organização dos espaços. o espaço a gente está sempre mudando. o espaço é organizado de maneira bem diversificada. onde ficam os livrinhos. E assim. Então. Mas eu tenho que deixar assim. p. eu deixo elas manusear. cuidar dos espaços da sala. eu gosto muito de fazer atividade diversificada. em todas as unidades de EMEI papel. 34) Nota-se. mas também de criação de novos conhecimentos e motivos. porque assim. o armário é delas. tinha muita coisa que eles não tinham o costume de fazer. 33) O espaço físico dessas unidades educacionais não se resume apenas a sua metragem. p. mas no momento tem assim o da leitura que é fixo. 2006. algumas crianças têm dificuldade para guardar. falando. no começo dava muito trabalho. Aí. tesoura. mas assim.

p. compreensão e confiança. há necessidade de um ambiente de aceitação. curiosidade. Então vamos fazer leitura? Bom. ativa e participativa durante as atividades propostas. no cotidiano da escola? Professora 1: O tempo já é meio complicado. no final de . criatividade. o que possibilita maior interação entre os alunos e professores. percorrer os espaços de uma unidade educacional fornece pistas importantes sobre a idéia de infância que os educadores que nele trabalham querem (ou terminam por) assegurar. A Professora 1 ressalta. que deve nortear as ações das crianças e do professor. 33) As professoras 2 e 3 permitem que a criança seja autônoma. f) Como você planeja o tempo. não é? Então eu já vejo qual atividade que eu vou dar naquele dia. planejado. na prática pedagógica. a questão do planejamento no momento de acolhimento dos alunos. bastante. A Professora 2 relata a importância do espaço proporcionar a autonomia da criança durante o desenvolvimento das atividades de sala de aula e aponta o armário coletivo como fator que favorece esta autonomia. creches e EMEIs igualmente se apóia no projeto pedagógico da unidade. Esse ano eu peguei uma sala rodízio. A Professora 3 traz no planejamento do espaço para o desenvolvimento das atividades a organização de cantinho fixos e não fixos. (2007. iniciativa e responsabilidade. como que eu vou dar aquela atividade. por meio do planejamento do espaço e ambiente. tem o acolhimento. eu divido uma sala com a colega. 215) o aspecto afetivo deve estar presente no ambiente de aprendizagem: Quanto ao aspecto afetivo.86 A organização dos espaços dos CEIs. eles vão fazer a troca e já vão ficar mais ou menos uns vinte minutos ali na conversa entre eles. acredita-se que um espaço organizado. Então é tudo assim bem no horário certinho. estimulante e aconchegante com diversas propostas de vivência e experiência proporciona uma maior interação e aprendizagem entre os protagonistas alunos e professores. Vou passar informações. Segundo Fonseca (2004. p. Assim. Assim. então tem que ser tudo meio cronometrado. conversar com eles o que aconteceu no dia em casa. A criança realiza as atividades com interesse e esforço se for livre para expressar seus sentimentos e emoções e se tiver oportunidade para desenvolver a independência.

e a gente dá continuidade. tem uma hora que eu deixo lá assim. aquilo. aí eles vão falando. também organiza os espaços. Uma atividade mais longa. vamos assistir hoje três episódios que fala sobre isso. às vezes. que vai terminar naquele dia. Como é que eu vou dar atividade naquele dia. eu não tenho tempo cronometrado. quem não veio. conforme essa rotina do dia. Então eles sempre sabem: olha. é uma atividade que eu perceba que a criança consegue fazer. Aí a gente vai lá. Então. faz uma atividade de teatro. E a atividade ela já vem. Então assim. Amanhã vamos dar continuidade a esses três episódios. E aí. de ter experiências diversificadas que não seriam possíveis no ambiente doméstico ou em nenhum outro espaço que não mediado por adultos responsáveis pelas aprendizagens e desenvolvimento de crianças. quem não veio. Desde o vídeo do primeiro momento que entra na sala. organiza a rotina. A gente tem um cartaz de pregas na escola que fica uma lista móvel. isso e isso. a Professora 1 ressalta o tempo cronológico das atividades devido o arranjo estrutural da sala de aula ( rodízio de sala). que todos seguem. eu não posso dizer que é uma atividade simples. mais uns dez minutinhos. faz uma atividade de bola. tem outras coisas que tem que manter que até está na linha de tempo. então eles já estão acostumados. desenha na lousa o que vai fazer naquele dia. o que eles vão fazer – jogo lá mais uns quinze minutos. eu tenho o costume de todos os dias organizar com eles na lousa. A gente conversa sobre os três episódios. a gente tem uma linha de tempo que é da escola. tem uma plaquinha com o nome deles. 40) De acordo com o conceito de Tempo. a gente chega. a Professora 2 . E no dia seguinte eles realmente sabem: Olha professora a senhora parou em tal capítulo. o que é que eu faço? Desde o começo nós fizemos uma rotina com as crianças. ( Tempo e Espaço. tem aquelas que são diversificadas. então o nosso lanche é às nove horas. eu já passo na roda pra eles: hoje nós vamos fazer só a pintura e a colagem e amanhã nós vamos dar continuidade.87 semana. a gente vai colocando. aconteceu isso. tem as atividades que são fixas. eles não ficam toda hora perguntando o que é que vai fazer. brinca no parque e brincadeira de faz de conta. tem algumas atividades que eles escolhem. quanto eles gastam pra fazer a atividade. com a foto bem grandona. mais complicada. eles nunca vêem um vídeo inteiro. que faz parte da rotina. p. escreve. 2006. Entende-se por Tempo: O tempo em uma instituição educativa deve ser vivido de modo a aproveitar as oportunidades de aprender e se desenvolver plenamente. aí a gente organiza a sala. vê quem veio. e a gente vê quem veio. E o que a gente vai fazer hoje? Isso é bom até pra abaixar a ansiedade deles. Professora 3: É assim. quantas crianças vieram. Então assim. que mudam de um dia pro outro. Professora 2: Eu não costumo cronometrar o tempo porque a gente tem que respeitar o tempo da criança. dá uma acalmada. mais ou menos. de acordo com essa rotina. Então. E eu tenho também a minha rotina. organizado na escola. a gente até às nove horas a gente desenvolve atividade de leitura. Eu já sei. de acordo com aquela rotina do dia. Depois das nove horas a gente vai pra área externa. alguma coisa desse tipo e depois do lanche uma atividade externa ou o faz de conta. são flexíveis. nas diferentes faixas etárias. das de registro. os materiais. alguma atividade de recorte e colagem. em tal episódio. E a mesma coisa é com a atividade. mas nós temos essa rotina. porque não dá. Primeiramente a gente faz uma atividade na sala de aula.

bichinho de pelúcia. Professora 3: Olha. Acho que é importante. eu acredito como professora. A criança mesmo vai lá e pega. o que a gente está precisando. [. Aí lá vai eu pegar todo aquele material que estava no coletivo e mais alguns que eu tinha guardado e a gente dividiu tudo e colocou tudo nos estojos.. já melhora.. reúne a gente e faz uma lista de prioridades. nos últimos anos a escola vem recebendo verba pra comprar material pedagógico... Todas as professoras relatam que adotam uma rotina..] Nós vivemos em um mundo onde as crianças têm acesso. Há uma heterogeneidade na concepção de Tempo na unidade escolar... ela tem acesso a todos os tipos de tecnologia ou em casa.. No segundo estágio é mais o caderno de desenho eles tem que aprender a seqüência. do acolhimento. Então eu oriento muito o uso do caderno.. interação e o respeito do ritmo de cada criança nas atividades propostas e a Professora 3 fala sobre a linha de tempo existente na unidade escolar. não tão dirigidas. Elas utilizam a sala de aula para atividades de concentração e atividades dirigidas e a área externa atividades mais livres. Aí chega no terceiro estágio. o que um cuida o outro não cuida tão bem. acho que até eles gostam.. por mais pobre que ela seja. antes de acabar o rodízio e lá tinha baldes.] Teve várias orientações assim pra não estar usando mais nada coletivo durante um bom tempo. No armário coletivo tem brinquedos para as crianças. experiência. lápis de cor – o material pra atividade era coletivo. E toda vez que chega verba o diretor reúne o conselho. E a gente já teve um momento que o brinquedo. pegavam e brincavam.. E isso a escola está fazendo bem. Claro. Se o professor trabalha com brinquedo no primeiro momento de aula. Se é um determinado dia da semana. A gente costuma trabalhar muito com os brinquedos na sexta-feira.88 relata o Tempo enquanto momentos de vivência. na sala de aula. como é que usa.] O brinquedo fica num cantinho da sala. O material fica à disposição nossa e das crianças porque o armário é aberto. o material foi assim. [. E assim. a gente já avisa. a necessidade que eu vejo ainda na EMEI é aquela lousa ainda verde. de ter materiais tecnológicos na sala de aula. eu sinto muita necessidade de ter informática. g) Como são organizados os materiais pedagógicos. se puder ser um caderno com linha. ele é colocado numa altura que dá pra ela pegar. um computador. boneca. aplicando bem. Então. [. abria em qualquer página. o material mesmo giz. eu acho o desperdício dos brinquedos. poderia mudar essas coisas.. eles trazem os deles e usa o da escola também. [. era o momento que a gente estava em outra sala.] eles tem que aprender a usar o caderno.] O único problema é assim. graças a Deus.. do material. só que assim.. Não sei. todas as salas de aula têm o armário coletivo. [. aquelas caixas com os brinquedos. você não vai dar aquela coisa maçante. [. então eles já têm maturidade pra isso. ou em algum lugar que vá. é mais pra ele aprender a usar mesmo. E a gente ganha esse material. de ponta cabeça. Então a criança segue a rotina do professor.] Aí veio o recesso e teve aquele problema da gripe A. [. na sala de aula? Professora 1: Olha. brinquedos grandes.] Professora 2: Os materiais utilizados na UE são materiais oferecidos de acordo com a possibilidade da UE. ele já sabe. . Aí a gente pediu o estojo para os pais. tem assim. eles iam. Eles usavam muito de trás pra frente. ela tem já acesso ao computador. no primeiro semestre.

nos momentos de brincar. Nota-se que nesta unidade escolar.. A Professora 2 se preocupa com a modernização dos materiais em sala de aula. geralmente. a preocupação em trabalhar o . o número e a variedade dos objetos – brinquedos diversificados e em número suficiente. Creches e EMEIs da cidade de São Paulo traz algumas orientações para as Unidades Educacionais: O tipo. Em sua fala nota-se a presença da questão da escolarização.) Assim. brinquedinho de panelinha e tal. escolhem.. eles pegavam mais os brinquedos. 184) comenta: “Sistemas educativos que adquirem materiais e brinquedos sem consultar o profissional envolvido. sexta-feira.89 Então assim. ações. A autonomia da escola em suprir a sua própria necessidade em relação à compra de materiais pedagógicos traz um avanço para a Rede Municipal de Educação de São Paulo e contribui significativamente para a qualidade da prática docente. [. aí eles vão lá. A professora 1 ainda comenta sobre o armário coletivo. p. 38) Ainda a respeito dos materiais Kishimoto (2002. p. (. que fica aberto com os materiais diversificados. livros. para envolver as crianças na atividade do brincar. A Professora 3 ainda comenta a estratégia que utiliza para trabalhar com os materiais em sala de aula. Ela fala sobre a estratégia no uso coletivo e no uso individual. até mesmo a escolha e a organização dos materiais são objetos de planejamento. são destinas as unidades escolares para a compra de materiais pedagógicos. Ela garante autonomia da criança tanto no momento do uso coletivo como individual dos materiais e relata também a importância da diversidade de materiais para realização das atividades e para o brincar. eles ficam livres. agora também tem alguns brinquedos novos.. há professores que trabalham com os brinquedos no momento específico do acolhimento e também professores que escolhem um dia da semana.] Em relação aos materiais. ficavam mais soltos. idéias e invenções. As Professoras 1 e 3 trazem a preocupação com a duração dos materiais no uso coletivo. estão fadados ao fracasso”. brincam. o documento Tempos e espaços para a infância e suas linguagens nos CEIs.a forma com que eles e os materiais se dispõem no ambiente pode auxiliar ou dificultar a autonomia da criança na realização de seus projetos. mas apenas os técnicos.. Essa sala que a gente ta agora não tem tanto brinquedo como a outra tinha. que nos últimos quatros anos. E assim. A Professora 1 relata a importância da verba. na altura das crianças para dar-lhes acesso fácil e autonomia. vestimentas. (2006. é mais material de encaixe.

e querem comentar.].] a minha sala teve pouco esse negócio de violência. A interação se dá na hora das brincadeiras.. na hora da história. eles tentam brincar um pouco juntos. ao mesmo tempo ele tem uma relação muito carinhosa comigo. ela chega e conta naturalmente.elas não têm medo. tinha criança que nem falava no começo do ano.. o que ele não pode fazer. bate. Por quê? Ao mesmo tempo que eu estou lá ensinando. na hora das conversas. As crianças comigo. permite a autonomia da criança em escolher com quais brinquedos deseja brincar. conversando: Olha Pro. a interação se dá o tempo todo né. O que nós vamos fazer? Negocia com ele. A gente faz uma roda de conversa. E é o momento dela falar ‘tia’... um tênis novo. isso é normal. agora eles estão falando mais. mas quando é o momento de falar ‘Pro’ é ‘Pro’.. das atividades. na hora de brincar. Então assim.. contam tudo que acontece em casa e querem mostrar tudo. Professora 3: Ah. h) Como você tem interagido com os alunos e como é a interação entre eles na sala de aula? Professora 1: Olha. uma criança agredir a outra. Então. nós temos uma relação muito boa [.. porque não quer vir na escola. isso. das rodas de conversa. fizeram muitas amizades. o tempo todo. [. Toda criança briga. toda a hora a gente está interagindo. um lado fica as meninas e do outro lado os meninos. percebe-se que há presença de ações tradicionais como o dia do brinquedo.. a preocupação com a conservação dos brinquedos no uso coletivo e ações inovadoras como dar acesso e autonomia as crianças no uso dos materiais. [.. resolver com diálogo. [.90 caderno. a percepção dos professores na importância da diversificação dos materiais pedagógicos e a superação desses docentes em mesmo preocupado com a conservação dos brinquedos colocaram a disposição das crianças os materiais. a gente vai ver porque ta acontecendo isso. Eles vêem falar que foram passear. o meu coleguinha não quer dar o brinquedo pra mim.. Se aconteceu alguma coisa na casa dela. Assim. E no momento que eu quero a atenção dela. mostrando pra ele o que ele pode fazer. Então eu sou professora e sou tia também. uma turma que está sempre chegando. Aí você assim observa que apesar das crianças se dividirem entre meninos e meninas. mas eles brincam.] Eles falam muito o tempo todo. tem algumas crianças eram bem quietinhas no começo do ano. Elas não têm medo de falar porque tá chorando.] É uma interação que não acaba nunca. mas essa é uma turma boa. Quando ela chega e fala: Tia.] Professora 2: A nossa interação se dá muito pela conversa. se socializaram melhor. . Aí eu falo: Então vamos lá. Eu posso dizer que eles quase não se batem. a gente vê os combinados. Entre eles também porque eu peguei esse ano duas turmas muito boas. é até difícil falar com se dá a interação. você bem essa interação. Às vezes tem algumas dificuldades que a gente ta vendo que não ta conseguindo se comunicar. Eu procuro sempre falar pra eles que a gente precisa conversar. [. De acordo com a citação e as ações dos professores. ela me respeita também. eu e os alunos eu posso dizer que às vezes eu me sinto mãe deles. Tudo pra poder estar ajudando a nossa interação. Em relação aos brinquedos. Me sinto mãe. aí a gente conversa. eles dividem a sala. aquilo. tudo bem.

ajudá-las a fazer acordos e lembrá-las desses acordos sempre que necessário. tem o Wilson.. Tranqüilo. É assim que ele fala. Quando há espaço para a participação das crianças nas decisões. Você não acha que ta faltando? Ele falou: É mesmo. estabelecer limites e trabalhar com elas regras orientadoras da convivência. Eu não quero. Por quê? Porque aquela criança. e de aprender a resolver os conflitos com os colegas. eles estão lá brincando e de repente você vê uma criança conversar com a outra e você acha interessante aquilo que eles estão conversando. E essa semana ele fez a atividade. A Professora 3 relata que em todos os momentos e atividades da escola as crianças participam contando as histórias.. De acordo com o documento “Orientações Curriculares” é importante que: Cada professor pode organizar um ambiente mais produtivo para as crianças interagirem se compreender a movimentação das crianças. sem grupo de estudo [. negociações se constrói uma saudável interação entre todos os protagonistas.91 A Professora 1 relata a questão do apego. Mas acaba a palavra ‘pintar’ ele já fala: Eu não. Quando ele me olha com aquele . (2007. relatando as preferências etc. Foi lá. eu não quero. Eu pego um dia da semana que eu esteja mais tranqüila. porque eu dou atividade pra criança. aquilo que eu fiz durante a semana. suponhamos. ele fica perto. Ela ensina as crianças a resolver os conflitos por meio da estratégia da negociação. Mas pode. veio mostrar se tava bonito. 32) A criança tem uma maior interação com o professor e os colegas quando o ambiente é planejado e organizado para este fim. aí você marca. sentado. Voltou. o registro. que ele tem muito medo de papel. que é construído entre ela e as crianças no cotidiano da escola e a questão da mediação dos conflitos que surgem entre os alunos. Às vezes a gente está lá no parque.]. observando. Aí eu falei: Ah. pegou. mas eu acho que ta faltando alguma coisa. eu tenho um aluno. explicar-lhes certas proibições. mais ainda. Então eu marco ali o que aconteceu naquele dia que eu achei que foi importante. A Professora 2 utiliza a estratégia do diálogo na interação. combinados. Fala pra ele: Agora nós vamos pintar. às vezes não. Pego as atividades. Por exemplo. Ele tem muito medo. p. completou. fala com os olhos. o Jonas. e quando acontece algo que eu acho que é importante. eu não quero. sempre recapitulando com os alunos os combinados do dia a dia. eu sempre digo: O Wilson fala com os olhos. o Wilson ele nunca brincou. constantes conversas. i) Como você tem registrado a prática pedagógica? Professora 1: Bom. Aí eu anotei: Hoje Jonas conseguiu fazer a atividade sem negar aquilo que ele tava sentindo. auxiliá-la na desafiante tarefa de fazer e consolidar amizades e parcerias. Porque nem tudo é importante. né. eu registro na própria atividade da criança. Muitas coisas a gente registra aqui na nossa cabeça e no nosso coração.

A Professora 3 comenta sobre o registro em forma de planejamento semestral ou anual. pra ver como ele está. semestral. porém relata a dificuldade de atender as crianças e ao mesmo tempo realizar o registro. tem desenho de história. numa dia que eu esteja mais tranqüila. isso aqui eu preciso fazer um pouco mais. que é entregue ao Coordenador Pedagógico. Mas como eles exigem muito da gente. uso muito o portfólio. pra não se perder. eu uso muito esse portfólio também pra conhecer melhor. Professora 2: Olha o registro. ele ta querendo alguma coisa. grandão. o que você ainda não fez: Ah.. olha o que você já fez. atividade livre. para a reflexão. Assim. Porque as crianças tem necessidade da gente e a gente tem que registrar.. Só que igual eu falei. às vezes. já não está mais tão perto. registro de jogos. Eu posso não estar registrando naquele momento. eu já sei: Ah. Aí nesse portfólio tem evolução da escrita do nome. Então. a dificuldade é muito grande. assim. de nome. a gente tem o planejamento que é aquele que a gente faz. na memória. e a gente não consegue. de letra. eu pego essas atividades. tenho a minha rotina e assim. Eu fico vários dias com o portfólio. né. mas eu gostaria de registrar na hora. Agora assim. aí assim. ele volta. aí fico um período sem. registrar na hora. às vezes anota alguma coisa no caderno. Aí chega no final de semana. mas já registrei aqui na mente. então eu não consigo. Professora 3: Então. o que aconteceu de importante e marco. já ta indo pra mais longe. Eu falo: Ah. É uma coisa que fica um pouco distante assim. Eu estou sempre com o portfólio pra lá e pra cá. que a gente ta trabalhando algum texto. mas muitos casos não é possível ainda.] Na questão do registro da prática. isso a gente registra. E assim. Eu pego algumas atividades de desenho. poucas vezes no ano vai lá. dependendo da atividade é mensal. na verdade esse planejamento que fica com ela a gente pega raramente. vou ser sincera com você. onde o professor ele vai. tem conhecimento do nome. porém tem pouco significado para a prática docente. raramente. Eu sento um por um. E. você ta fugindo da minha cordinha né. [. Dependendo da atividade é bimestral. O professor assim. Humanamente é impossível. aquele que quer mesmo fazer as coisas. de brincadeira. Ela ressalta o uso do portfólio como registro para acompanhar o desenvolvimento dos alunos e repensar a prática pedagógica. no dia-a-dia mesmo o que é que eu uso? Anotações no meu caderno. às vezes eu consigo registrar na hora. depois que termina. A Professora 2 ressalta a importância do registro ser realizado no momento do episódio ocorrido. ele se esforça muito. Então eu acho que o registro é muito importante sim. eu faço algumas anotações no meu caderno. . Ele já está se afastando. atividade de número. E essa semana o Wilson começou a se afastar. ele vê o progresso da criança. porque ele é a memória viva do professor. Eu tento registrar todos os momentos que se destacou. pra falar a verdade. recorre a ele. nossa atenção. gosto muito de trabalhar com portfólio. aí já estou com o portfólio na mão seja pra uma atividade ou pra outra. olha isso aqui eu coloquei aqui e não fez. Mas assim eu vejo como de grande importância. que entrega pra coordenadora. eu registro. a Professora 1 realiza o registro do avanço de aprendizagem na própria atividade da criança e os episódios do parque em sua memória e depois resgata-os. E ele já está se afastando. no caso todo ano. A gente pega. uma vez por semana.92 olhão.

cabe ao pesquisador transcrever com minúcias objetividade o que foi registrado usando palavras. pronto esse tipo de registro. idades. tabelas que somam as ocorrências de certos comportamentos etc. Outra orientação do documento citado acima é o registro através do diário de campo: Os diários de campos são narrativas pessoais que promovem reflexões da prática educativa no dia-a-dia do CEI e da EMEI. descrevem fatos.. mas ainda há necessidade do planejamento e aprimoramento do tempo e espaço no cotidiano dos docentes para a realização da ação de registrar. intervenções e resultados. considerando o olhar de seu autor. como se sucede o tempo. além de escrito.93 O documento “A Rede em rede”.. Escritos pelos próprios professores. Pode-se registrar.). intenções (. inquietações. na técnica da observação direta: Ser feito. fotos ou áudio-gravação. 41) traz orientações sobre o registro para os professores iniciantes. os objetos que manipulam e os locais onde se colocam. pode ser feito por vídeo. O registro de uma situação. locais. relatam iniciativas. por exemplo: fulano fez algo ( usando ou não quais objetos). há presença do registro na prática docente. depois do momento da prática direta com as crianças.fase 1 (2007. Enfim. Descrever com detalhes o que as pessoas observadas fazem: seus movimentos corporais. ou ainda. horários. É importante marcar quantas crianças estão sozinhas. eles contam passo a passo o que acontece todos os dias. situações observadas e objetos disponíveis. falas. sozinho. p. de preferência. . As Professoras 1 e 3 relatam que retomam o registro para a reflexão da prática pedagógica e a Professora 2 relata a importância de registrar simultaneamente o fato ocorrido. Nesse momento não se deve conjecturar sobre seus sentimentos. ou com alguém. quantas estão próximas e quantas interagem a cada minuto da observação. expressões faciais: o que as pessoas falam e para quem falam. nota-se que os docentes contam com o registro de memória. para alguém. p. De todo modo. dúvidas. na maioria das vezes. Como os diários que existem no mundo. e uma das entrevistadas aponta a dificuldade de realizar o registro simultaneamente devido à demanda de atendimento aos alunos durante as atividades. 42) De acordo com a prática dos professores e as orientações do documento. simultaneamente à observação e informar os nomes. (2007. sentimentos.

cantava. com gincana. Então. muito importante. isso não acontece todos os dias. tem época que você percebe que. conta os pontos e faz isso com palitinho. mas e o raciocínio lógico-matemático? E o brincar da criança. uma coisa que deveria acontecer todos os dias. já não é uma coisa que acontece todos os dias. todos os dias. o dia-a-dia da escola faz com que você deixe algumas linguagens. trabalhando mais uma do que a outra. a linguagem que se tem mais afinidade em detrimento das outras linguagens. As Professoras 1 e 2 falam o que geralmente acontece em relação às múltiplas linguagens. leio muito com as crianças. A questão de priorizar. por exemplo. Até que o projeto esse ano da minha mostra cultural é o diário de leitura. tesoura. trabalhar com corda. conclui-se o empobrecimento no trabalho das diversas linguagens na Educação Infantil. as brincadeiras dirigidas? Nisso eu sei que eu falhei. quando se tem esta postura na prática pedagógica. colocava som. Se pensar na importância da freqüência das linguagens. eu tenho que pegar um tema que eu vejo que há necessidade e aí eu tenho que trabalhar todas as linguagens. Porque o próprio cotidiano. Mas fora da sala de aula eu ainda tenho dificuldade de trabalhar. Música. Matemática: tem época que a gente trabalha mais. Então assim. tem época que a gente cantava. eu sei que eu trabalhei leitura e escrita. muito. mas tem época que você acaba deixando um pouquinho de lado. estar revendo sua prática porque. igual. eu gosto muito de trabalhar leitura e escrita. E se a organização do ambiente já ti força a planejar e trabalhar um determinado dia da semana no horário aquela linguagem. cola.. Eu acredito que eu trabalho todas as linguagens. O ideal seria todas serem priorizadas sempre. A Professora 1 ressalta que a . as linguagens é assim. as outras linguagens. eu trabalhei muito estória. No momento. Sabe? Porque assim. Trabalhar com pneu. trabalha boliche. é mais a organização do espaço pra você estar trabalhando as linguagens. mas trabalha uma vez ou outra. por um motivo ou outro. na questão da concepção da criança como ser histórico. Professora 3: Olha. agora? É que tem época também que a gente deixa de lado. nas linguagens contextualizadas e na questão da seqüência didática. já facilita. só que tem um momento que a gente acaba priorizando mais uma do que a outra. isso eu acho que ainda ficou a desejar. por exemplo. Um exemplo. Muita atividade artística: tinta. acontece. trabalhar tipo. Então. você sente dificuldade em trabalhar as Múltiplas Linguagens na Educação Infantil? Professora 1: Então. tem época que eu conseguia contar histórias todos os dias.. você acaba. cambalhota. A gente tem que tomar muito cuidado. eu acho importante trabalhar todas elas. você começa a se policiar. Não digo que deixando totalmente. Então. Agora. porque o que acontece? A linguagem que você tem mais afinidade. trabalho todas elas. eu adoro trabalhar leitura com as crianças. O que ta acontecendo todos os dias. na Educação Infantil. você acaba trabalhando mais e deixando outras. numa determinada época do ano. no cotidiano da escola. Professora 2: O que eu tenho sentindo mais dificuldade ainda é os movimentos. Por isso é importante o registro. dançava.94 j) Em relação às linguagens. só que tem época que eu acabo priorizando mais uma do que outra. a refletir porque você não está fazendo aquilo. às vezes.

aí eu percebo. Por que eu não posso acolher minha criança cantando no pátio.. p. na maneira que eu tô recebendo ela. da criação e da expressão infantis. na Educação Infantil em prol da criança que brinca. sons. de significativas aprendizagens. ler. da curiosidade por conhecer-se e conhecer o mundo. Isso já aconteceu mais ou menos com uma turma minha. o que entende de acolhimento. Então. dançando? Tem que ser na sala de aula porque falaram que tem que ser na sala de aula. [. mas não percebo assim de cara.95 organização do ambiente em prol das linguagens facilita o trabalhar com outras linguagens de menor afinidade e a Professora 3 utiliza o registro para ajudá-la a se policiar em relação a priorizar uma determinada linguagem. 56) Neste sentido. (.) cabe ao professor alimentar nas crianças novos desejos. Então.] O acolhimento pode acontecer desde o primeiro momento que eu abro o portão para a criança.. encontra-se algumas orientações a respeito das Múltiplas Linguagens na Educação Infantil: Antes de ser uma necessidade individual. o Rede em Rede virou um telefone sem fio. l) Você percebe a teoria do “Projeto Especial de Ação” e do “Programa Rede em rede: a formação continuada” na sua prática docente? De que forma? Professora 1: Eu percebo quando existem momentos de troca de experiência. ah isso não deu certo. (2006. O que entende do brincar. Olha isso deu certo. eu fiz dessa forma. que cria. que conta. essa maneira de passar que é duvidosa. dos afetos. mas. portanto. Então eu trago um fato. sim. Aí eu percebo.. necessidades e interesse pelo conhecimento. como é que eu faço? Ah. que fala. reconhecimento que o mundo no qual estão inseridas. Dentro dos estudos eu acho que é lento. É muito lenta essa formação. falas e escritas. a apropriação da linguagem é uma necessidade criada no coletivo. pra que os dois possam fazer uma reflexão do que está . da inteligência.) é importante não tomar as linguagens de modo isolado ou disciplinar. faz assim. podemos dizer que falar. A Professora 2 relata a dificuldade em trabalhar com atividades de movimento corporal. que não resolveu e o grupo me auxilia. (. a serviço das interações.. ouvir e contar histórias são modos muito especiais de cuidar da imaginação. das relações e das memórias das crianças. Como eu disse pra você. eu percebo quando existe a troca. cada um passa o que entende. por força da própria cultura. que imagina. desde o nascimento. o que entende de determinada linguagem. que lê. Esse Rede em Rede tem que ser também para o professor e o professor junto com o grupo gestor.. Porque os colegas vão dando experiências e a gente vai aplicando aquilo. Pode até ser que aconteça. algo que aconteceu na minha sala de aula que eu não consegui resolver ou que eu tive uma determinada atitude e achei que não foi boa. contextualizadas. acredita-se na importância dos docentes em superar a questão da priorização das linguagens. nas relações que permeiam a vida das crianças. No documento Tempos e espaços. que dança. é amplamente marcado por imagens. Por isso..

vão acontecendo coisas que a gente às vezes não planejou. Mas o Rede em Rede em si.a gente percebe assim. Quanto a teoria do “Programa A Rede em rede” a Professora 1 coloca em dúvida o conteúdo desse “Programa” transmitido pelo Coordenador Pedagógico. . porque o PEA tem os temas no começo do ano.96 acontecendo no cotidiano da sua escola. A gente sabe dos livros. Eu acredito que não tinha que ser assim. tem maior significado para a prática docente do que o conteúdo programático do “Projeto Especial de Ação”. Então assim. a Professora 1 relata que a troca de experiência entre os professores. e acontecendo junto a gente consegue pensar mais em prol do aluno. a gente tem que trabalhar de acordo com os temas na nossa prática docente. A única coisa que eu achei de dificuldade foi assim. Então. planejou no começo do ano. O professor estar fazendo esse curso. talvez não tenha mais necessidade. ela fala sobre a importância de toda equipe escolar estar tendo a formação continuada com o mesmo formador. que a gente não poderia saber. Então eu acho que seria importante abrir sim para os professores. As crianças são vivas. mandou lá para a DRE. por isso que é importante o PEA ser mais flexível e ter um pouco essa abertura da gente poder estudar coisas. a gente não pôde estudar textos a mais do que estava planejando no PEA. Porque pra eles é passado de uma forma e pra nós é passado de outra. a partir dos livros e das orientações curriculares a gente procura trazer aquilo lá para a prática. ensinar para o aluno. não pode mudar. mas cada um tem a sua concepção. eu acredito até que o curso deveria ser para os professores também. tinha que ser flexível e. Eu não fiquei sabendo muito que aconteceu na formação do Rede em Rede. a gente vai conhecendo durante o ano. vamos se dizer assim. já foi satisfeito. Então. o que lhe causa um distanciamento da prática. E o Rede em Rede eu não tive muito contato esse ano. ele vai. Em relação à teoria e a prática. poder sim mudar e estudar outros textos. porém solicita que esse “Programa” seja voltado para o grupo de professores pelo mesmo motivo citado pela Professora 1. cada um vai passar do jeito por ele. Nós lemos os livros. passando a não ser mais significativo. Porque aquilo que a gente planejou. Professora 2: Olha. planejou. chegar no meio do ano poder estar mudando talvez a bibliografia. porém relata sobre a inflexibilidade do conteúdo programático do “PEA”. Por este motivo. a gente não conhece. porque é fechado. Porque quando a gente observa uma criança. Em relação ao “Programa A Rede em rede” a Professora 2 conhece a teoria por meio dos documentos elaborados pela equipe DOT-EI e procura levar o conteúdo para sua prática docente. E ta colocando coisas novas. é importante porque a partir do momento que ele lançou um conhecimento. eu achava que o PEA tinha que ser mais flexível porque conforme vai passando o tempo. tem que dar aquilo que ta lá. ta planejado. Então assim. na educação do aluno. as orientações curriculares. nos horários coletivos de estudo. Acabou o final do ano e você ainda não está conhecendo ela. Isso a gente não pôde fazer. A Professora 2 acredita na importância de trabalhar na prática pedagógica o conteúdo do “Projeto Especial de Ação”. Ah. conforme a nossa possibilidade. porque cada um é uma pessoa. Igual. Porque às vezes o coordenador. vai surgindo coisas. é como se fosse uma bolha em ebulição. nós vivemos numa constante.

conversar. o Coordenador Pedagógico deve desenvolver estratégias de trabalho para que teorias do “PEA” ou do “Programa A Rede em rede” não se tornem apenas informações ou imposições. Mas assim. Você não tem um momento de encontrar com seus parceiros. A professora 3 que não tem o contato semanal com o “Projeto Especial de Ação” e a teoria do “Programa A Rede em rede” nota pouca presença da teoria do “PEA” e do “Programa” na prática dos docentes que lecionam com ela. esse momento de troca é muito importante. na prática dos professores que lecionam com você? Professora 3: Com relação à prática a gente percebe que tem algumas coisas que eles estão estudando lá e estão discutindo. de dividir. Problemas como inflexibilidade no conteúdo programático. Nesse processo. é preciso muito diálogo e reflexão. Então eu acho que principalmente por isso. A gente não se encontra. .12) No processo de Formação Continuada Docente. que não respondem a singularidade de cada situação educativa em uma sociedade em permanente mudança. teorias. é muito corrido. Ela ressalta a importância dos momentos coletivos para troca de experiência. refletindo e eles conseguem levar pra prática uma ou outra coisa. porque o nosso trabalho é muito humano. precisa muito desse momento de conversar. transforme essas queixas em bons problemas para juntos encontrarem as soluções. dúvidas quanto a conceitos. tirar dúvidas. eu acho que o mais forte é isso mesmo. de conversar. (A Rede em rede. Entende-se pelo processo de Formação Continuada de Professores: Nem sempre a criação dessa zona de desenvolvimento pelo próprio professor em formação é possibilitada. uma questão de refletir.97 Pesquisadora: Você percebe a teoria do “Projeto Especial de Ação” e do “Programa a Rede em rede: a formação continuada”. o que eu mais sinto falta é isso. É necessário que o Coordenador Pedagógico fique atento às queixas do professor. E a gente que não participa do projeto. perdem-se oportunidades valiosas de desconstruir formas de atuação cristalizadas. devem ser discutidas e analisadas por todos os envolvidos no processo de formação. Nesse caso. trocar experiências ou. de trocar experiência. 2007. Isso também é muito importante. muitas vezes. é uma correria constante. p .

Não que o trabalho dele não seja tão bom quanto o de quem está fazendo a formação. das decisões. A Professora 1 ressalta a importância do entrosamento de todos os professores e os projetos para o enriquecimento do trabalho pedagógico. ele está interagindo mais na escola.98 m) Você percebe diferença na sua prática docente em relação à prática docente do professor que não realiza a formação continuada. claramente. você observa mudanças de prática nos professores que realizam a formação continuada. fica totalmente distante das informações. Então. Às vezes. no PEA. Não por mal. mas é porque assim. eu não tenho observado essa diferença. na escola. porque tem professores que fazem trabalhos maravilhosos. só que por ele não estar entrosado. Pesquisadora: Durante esses quatro últimos anos. então ele não está junto com o grupo. que o professor fica um pouco. ele ta sabendo mais do assunto. em outros anos. Às vezes. Mas assim. a gente não conhece o trabalho dele. esse professor fica deslocado. . que ocorre durante o horário coletivo de estudos. em alguns momentos assim. Então a gente percebe dessa forma. ele ta fora do grupo de JEIF. não é uma coisa assim muito marcante. você percebe até uma ou outra atividade. Porque os professores aqui na EMEI provavelmente eles dobram e eles fazem PEA no outro turno. determina alguns projetos. a gente vê a diferença sim. que fica muito claro. quando eu não fazia o PEA. eu ficava um pouco assim fora da escola. então essa é a descontinuidade. o professor que não faz o PEA é um professor mais desinformado. Então eu acho assim. que você percebe muito nitidamente. Parece que você trabalha sozinho. até pra estar trocando como trabalhar com determinados temas. Então. Mas em outros momentos. no horário coletivo? Professora 1: Eu percebo a falta de entrosamento. Você percebe assim. na escola? Professora 3: Então. o grupo se reúne. dos projetos. Professora 2: Olha. algumas atitudes assim. as decisões. é um conjunto. observar mudanças assim. porque a formação continuada acontece nos grupos de JEIF e geralmente esse professor que não faz. alguma coisa que ele faz assim que você percebe que está dentro de algum tema que está sendo estudado dentro do projeto. das trocas de experiências. eu não tenho observado isso. ele ta vendo o que a escola tá trabalhando. Então assim. Agora. ele pode estar enriquecendo muito o nosso trabalho e a gente ainda dando coisas novas pra ele. sinceramente. As Professoras 1 e 2 percebem que o professor que não realiza a formação continuada semanalmente. porque o professor que faz o PEA. as coisas acontecem no PEA: as informações. faz algumas trocas de experiências. não. Ele faz lá fora a atividade uma vez por semana ou duas. eu tenho experiência por mim. Então eu acho muito importante a realização do PEA sim.

porém tem acesso aos documentos da Secretaria Municipal de São Paulo e ao conteúdo do “Projeto Especial de Ação”. Algumas coisas eu consigo fazer. a realidade é bem diferente. que é dificuldade geral. na prática docente. às vezes também num ano você consegue e no outro não. percebe poucas ações. emperra. que é ter um número muito grande de alunos nas salas. porque eu conseguiria atender cada criança.a única dificuldade que eu encontro é a quantidade de criança. às vezes ele tem facilidade em uma questão e em outra não. Então assim. quem não gostaria de poder acompanhar melhor os alunos de poder fazer mais por cada um.] Agora. eu acho que se tivesse um pouco menos de criança. Porque assim. Portanto. Tem também algumas coisas assim. dá pra você estabelecer um diálogo melhor. tem coisa que não. Porque cada criança tem a sua necessidade.. mais livre. eu conseguiria desenvolver um trabalho de mais qualidade. Então assim. a gente tem que ir atrás. assim. uma brincadeira mais livre. eles têm mais paciência pra uma atividade que precisa de mais tempo.99 Quanto ao Professor 3. eu gosto de cantar com as crianças e isso a própria organização da escola impede que eu faça esse trabalho do jeito que eu gosto. a gente procura estar . uma brincadeira dirigida. Já a outra turma é uma turma mais tranqüila. vai mudando algumas coisas na prática. Por exemplo. Eu gosto de um ambiente mais aberto. os alunos são muito agressivos. busquei. ele precisa de uma intervenção individual. mesmo que ele tenha facilidade. a teoria eu tenho. ele precisa de uma dica: olha isso tem que fazer assim. é uma turma muito agitada. e assim. na prática pedagógica? Professora 1: Impedem: a organização do ambiente. acredita-se na necessidade em criar espaços para que ocorra a integração de todos os professores com o “Projeto”. que a gente cante. a gente faz o que a gente pode. tem criança que não é assim. eles conseguem esperar. Então assim. Agora assim. uma coisa que me aflige muito. eu tenho uma turma no inter que é muito difícil. Eu acho muito importante porque assim. a quantidade de criança. Porque assim. E assim. Os alunos são muito diferentes. tem. na unidade escolar. dos professores que realizam os estudos no horário coletivo. na faculdade eu senti que faltava ainda conhecimentos. Eu gosto de trabalhar com brincadeiras cantadas com as crianças. a organização do tempo. que eu acho muito importante: a intervenção individual. Eu acho que o fator maior que impede é esse. que a gente dance. então eu fui buscar. que não realiza a formação continuada semanalmente. algumas coisas que a gente reflete e muda. Geralmente eu tenho duas turmas. tem muita criança que ele aprende sozinho. É uma dificuldade. para caminhar sozinho.a gente sabe que não é tudo que a gente vê na teoria que a gente consegue colocar na prática. por exemplo. no vespertino e não consigo fazer no inter. Infelizmente a gente trata um todo e acaba fazendo um depósito de criança e a escola não é um depósito de criança. eu tenho um num período intermediário e um no período vespertino e eles são muito diferentes uma turma da outra. Fiz uma pósgraduação em educação infantil. Por exemplo. E assim. a gente tá sempre mudando né. às vezes impede. em alguma coisa ele precisa de intervenção. n) Existem fatores que impedem a aplicação da proposta teórica. às vezes. eu tenho dois segundos estágios. Professora 3: Olha. sempre tem alguma coisa que a gente leva sim da teoria para a prática. Porque assim. tem quer respeitar cada indivíduo na sua íntegra. tem coisa que dá. [. Então eu acho que a organização mesmo da escola impede um pouco o trabalho. eu fiz estudos.. esse é um fator complicador. a gente não tem que esperar. Assim. a rotina da escola. em um lado. Essa é uma questão. Professora 2: Ah.

até alguma coisa que você fazia lá há um tempo atrás e não faz mais. se eu estou com alguma dificuldade. que não estava no calendário. a gestão estar junto com a gente tentando solucionar os nossos problemas. a questão da organização do espaço e do tempo e a grande quantidade de crianças na sala de aula são fatores que dificultam a proposta teórica à prática docente. Então eu sempre procuro assim. olha que legal. tempo e a rotina estabelecida na unidade escolar dificulta a realização da proposta teórica na prática docente. auxilia. a gente poder estar discutindo as nossas dificuldades. como eu falei. que ajuda. ajuda a transformar algumas coisas na sua prática sim. A Professora 1 relata que a organização quanto ao espaço. é importante retomar. A gente também junto com os pais.] Seria assim. Eu acho que a comunidade é muito importante. sempre você dá uma acordada pra alguma coisa. agora não faço mais. o fator é o da gente acompanhar mesmo. a coordenadora.isso ajuda bastante. cada criança. fazer de novo. ajuda a melhorar. talvez até fazer uma reunião extraordinária. [. se não tivesse algumas dificuldades teria como colocar muito mais a teoria em prática. eles logo estão providenciando esses materiais. o diretor. Porque é um conjunto e a gente tem que procurar sempre parcerias. Às vezes. então vamos caminhar juntos. poderia acompanhar bem melhor cada aluno. tem muita coisa que não dá. Só que a gente sabe que se fosse um número menor de aluno. é sempre muito bom. Nós estamos aqui pra ajudar no desenvolvimento dos filhos de vocês e eu quero fazer o que eu puder. na prática docente? Professora 1: Olha. É muito bom. a heterogeneidade dos alunos. Sempre.100 fazendo essa intervenção. nós somos uma parceria e nós vamos caminhar juntos. eu creio que só. conversar com os pais. A Professora 3 observa as diferenças de cada criança atendida por ela. né. o próprio grupo de formação ajuda bastante esse programa. o que tem auxiliado. materiais pra gente. mas tem muita coisa que dá pra você colocar na prática. Assim. Já a Professora 2 encontra dificuldade em conciliar a proposta teórica e a grande quantidade de crianças na sala de aula e ressalta a importância do atendimento individualizado das crianças.. que ajuda a refletir. . você caminhar junto com a comunidade porque nas reuniões eu sempre converso com os pais. Ela relata que cada criança possui uma necessidade específica e comenta a importância de realizar uma intervenção individual e ressalta a grande quantidade de criança na sala de aula. Às vezes você começa a ler. que estão comprando muitos brinquedos. procura estar acompanhando. reflete. Professora 3: Ah sim. o) Existem fatores que têm auxiliado a aplicação da proposta teórica. eu fazia isso. A gente pede. Professora 2: Sim. procura estar conhecendo cada aluno o máximo que a gente pode. poderia fazer um trabalho bem melhor.. são as verbas.

Assim. auxiliar o desenvolvimento dos Projetos e Programas na prática docente. dessa maneira que eu tenho observado né a organização pra receber essas crianças pequenas de três anos. porque aqui é self service e a criança ainda não tem toda a coordenação pra estar pegando. um mês já faz diferença. muito. pra fazer a verdade. tenha que talvez mexer na parte do prédio mesmo. Não que não aconteça com as de quatro anos. duas professoras. será que eu não pego. a guardar aquilo lá. Portanto. A escola ainda não propiciou momentos pra que a gente se organize. participação da comunidade e a própria teoria são fatores que qualificam a prática docente. nem o espaço. só. tem que pensar muito bem nos brinquedos. mas nós professoras já estamos muito preocupadas. que completaram 3 anos no final do ano. A Professora 3 relata que a própria teoria ajuda na mudança da prática pedagógica. Os brinquedos que a escola tem hoje é fácil quebrar a roda de um carrinho. atuação da equipe gestora. brinquedos que sejam bem baixinhos pra elas. os fatores materiais. Mas eu vejo que assim. né. a localizar sua mochila. que tenha bastante brinquedos. as crianças que ainda vão completar quatro anos. Professora 3: Olha. do mesmo jeito que é a sala de primeiro estágio. quebrar uma rodinha e a criança colocar na boca. São muito diferentes. E são trinta pra ajudar a se servir. ter um banheiro mais acessível porque talvez os vasos são grandes. meses. enfiar no nariz ou no ouvido. a completar quatro. E nós vamos ter que ensinar essa criança a tirar sua roupa quando sente calor ou colocar a roupa quando sente frio. mais ou menos. dezoito crianças. mas vai acontecer mais freqüentemente do que com as de três anos e meio. Então ainda não se organizaram quanto a isso. Que nem. tudo. Primeiro porque vai ser uma sala de 30 e vai ter um único professor. Professora 2: Olha. já não é a mesma criança de quatro anos. vai se conversando. ajudar a colocar comida no prato. Então nós entre as professoras estamos preocupadas: ah.101 Professora 1 relata que a compra de materiais. Lá. p) Como a equipe tem se organizado para receber as crianças de 4 anos a completar? Professora 1: Nós temos conversado entre nós professoras. procurar ser um ambiente que tenha poucas cadeiras. Eu acredito que ainda é pouco porque ainda se tem muito mais a se fazer. será que eu pego berçário. Espero que no começo do ano a gente tenha esse tempo pra nos organizar antes dessas crianças começarem realmente. pela unidade escolar. A Professora 2 ressalta dois fatores que auxiliam na aplicação dos Projetos e Programas na prática pedagógica: a presença dos gestores na solução de problemas e a parceria com os pais ou responsáveis das crianças. nós vamos ser uma professora pra 30. pelo que eu observo a escola ela tem se organizado da seguinte maneira: procurar ter mais colchonete nas salas que as crianças de três anos vão estar. Então. mobiliário. colchonetes e brinquedos. Nós estamos preocupadas com o ano que vem. a escola tem procurado nas salas de primeiro estágio deixar menos cadeiras para as crianças trabalharem mais no chão. não é. não pode ser tão pequeno assim. Ajudar a colocar o sapato nessa criança. né. elas têm dificuldade pra usar vasos grandes. Então é assim. não de onde as crianças vêm geralmente é quinze. tem . mas é uma coisa assim que é lenta e que se vai caminhando e que você vai planejando. eu não percebi assim mudança pra receber essas crianças. brinquedos apropriados. é o que eu tenho observado. ainda não foi pensado nisso. Essas crianças virão com três anos e meio.

normas. na questão do cuidar (vestimenta e alimentação). Ela relata também que não houve momentos até a presente data para discutir as questões. na unidade escolar. possibilidades de ação.EI. cinco ou seis anos de idade. aí vem pra EMEI. e que não sejam apropriadas pelos professores e demais educadores. a criança deve ser vista como um ser inteiro: Dentro de uma visão de educar e cuidar que vê a criança como um ser inteiro que constrói significados na interação com um ambiente complexo.] A Professora 1 fala sobre a preocupação com o acolhimento das crianças de 3 anos e meio e afirma que a criança que tem um mês a menos em relação a criança de quatro anos já faz toda diferença. menos cadeiras na sala de aula. Assim. [. recebe também as crianças de cinco. preocupações que são latentes no acolhimento da nova faixa etária de crianças que freqüentará as EMEIs. A Professora 2 descreve alguns cuidados que já vem ocorrendo na escola: sala com colchonetes. Essa nova concepção ajudará a escola acolher os novos ingressantes de três anos e meio na Unidade Escolar. 2007. ainda. p.fase1. . mobiliários adequados. Esse planejamento deve estar pautado numa nova Proposta Pedagógica. Ela relata preocupação quanto à quantidade de crianças na sala de aula. no campo das teorias. 57) Nessa concepção da criança como ser inteiro.. A relação do cuidar e educar como conceito indissociável contrapõe antiga concepção de escolarização nas Unidades de Educação Infantil.. que deve ser pesquisada. na minha opinião não ta preparado. de seis anos. professores e funcionários precisam planejar de forma contextualizada todos os momentos da criança na escola. organização de espaço. Pouco adianta implementar práticas que não sejam construídas conceitualmente. não ta estruturado pra receber essas crianças. que é incompatível com o tamanho da criança. estudada e construída pela equipe escolar. muitos brinquedos e relata. (A Rede em rede. Segundo o documento elaborado pela equipe de DOT. A Professora 3 relata a não percepção de mudanças no acolhimento das crianças menores de quatro anos e diz que não há diferença do espaço da sala de aula para as crianças de quatro. os gestores. cheio de facetas. é preciso desenvolver um olhar que considere a gestão pedagógica das situações criadas também nesse ambiente.102 um mês que completou. Porque do mesmo jeito que essa sala que recebe essas crianças. a preocupação com as peças sanitárias.

na escola. possui menos traços da nova proposta na prática docente do que a Professora 2. espera-se que a diminuição delas. e a Professora 3. seja prioridade aos governantes. Por fim.lato sensu. através do questionário respondido por elas. que não realizou a formação continuada. a Professora 1 que realizou totalmente a formação continuada. toda adequação estrutural necessária para o acolhimento desses novos pequeninos ingressantes. na área da Educação. quanto à aquisição de materiais.103 Quanto ao número excessivo de crianças em sala de aula. em prol da qualidade do atendimento. o que evidencia que a formação acadêmica faz diferença na prática docente. parcialmente. semanalmente. Ao analisar a formação acadêmica. semanalmente. que realizou a formação continuada. . Espera-se também um respaldo dos governantes às escolas. no que refere à proposta teórica do “PEA” e do “Programa” e a prática docente. mobiliários adequados enfim. tem-se que as Professores 2 e 3 possuem a Pós-graduação.

Quanto ao tempo de magistério. técnica de questionário. Sendo assim. 2004) Neste capítulo. apresentaram mais traços da nova proposta pedagógica nas ações cotidianas da escola do que a professora que possui somente o ensino superior. Os docentes declaram que . sintetizo a análise dos dados coletados em relação à proposta de formação continuada. foi utilizada a abordagem qualitativa. que se localiza na Zona Leste de São Paulo. nas Instituições de Educação Infantil. Ao mesmo tempo.104 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS “É na formação dos profissionais que vão atuar na educação infantil que está a chave para uma atuação responsável e competente”. para o aprofundamento da pesquisa e análise da documentação da escola pesquisada. Considerando-se o perfil profissional. o qual as mulheres desempenham melhor o papel de cuidar e educar as crianças. Os professores pesquisados têm a idade entre 29 a 44 anos e grande parte. cuja teoria está contida no “Projeto Especial de Ação” e no “Programa A Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil”. (Fonseca. a pesquisa vem mostrar que os professores possuem o interesse em se especializar na área em que atuam profissionalmente. os docentes possuem de 05 a 25 anos de experiência não tendo nenhum professor iniciante participando da pesquisa. foi aplicada aos professores e gestores da unidade escolar dando a oportunidade a todos a participarem da pesquisa. entrevista semiestruturada. na área de Educação. Ressalta-se que 05 professores declaram ter a formação na modalidade de Pós-graduação. os entrevistados são do sexo feminino. os professores que participaram da entrevista semiestrurada e tem a formação na modalidade de Pó-graduação. A pesquisa teve como objetivo compreender como as teorias alcançam a prática dos professores e como os docentes da Rede Municipal de São Paulo aplicam essas teorias na prática pedagógica.lato sensu. Além disso.lato sensu. o que evidencia que ainda predomina o paradigma cultural. 15 docentes declaram ter o ensino superior e apenas 01 o magistério em nível médio. na área de Educação. possuem formação acadêmica. A abordagem quantitativa. Das 16 respostas obtidas por meio da técnica de questionário.

pensamentos. No que se refere às questões pedagógicas. assim como os momentos de acompanhamento da formação continuada. inquietações. em horário coletivo. o Coordenador Pedagógico precisa considerar que o professor é um ser único. somente no início do . Neste sentido.105 acumulam cargos. Alguns professores declaram que há um distanciamento da teoria proposta pelo “PEA” com a prática docente. Cada professor pesquisado tem um conceito de tempo. de concepção pedagógica. A participação dos professores na elaboração do “PEA”. necessidades pedagógicas. o que dificulta a participação deles na formação continuada da unidade escolar. complexo. Quanto ao “Projeto Especial de Ação”. a pesquisa aponta para a heterogeneidade de conhecimento dos professores sobre os assuntos abordados. mas as experiências vividas ao longo da vida. bibliografia e avaliação. conhecimento de que é um momento muito valorizado pelos professores e gestores. que transforma e é transformado pelo outro. observar o interesse dos professores ao estudo proposto e a sua eficácia na prática pedagógica. a pesquisa evidencia que este “Projeto” precisa de alguns ajustes quanto à metodologia. de registro. com decisões próprias. das dúvidas. Os novos conhecimentos pedagógicos poderão fazer parte da prática docente quando forem articulados com as reais necessidades e desejos dos professores. o Coordenador Pedagógico terá maior proximidade das ações pedagógicas do professor. enfim terá a oportunidade de realizar uma intervenção individual contribuindo para o avanço da prática docente. em horários coletivos. O importante é garantir que o Coordenador Pedagógico tenha momentos destinados ao acompanhamento da prática docente. Em relação à formação continuada realizada na escola. obtevese com as respostas. Diante disso. Esse professor possui ações pedagógicas que não representa somente as aprendizagens teóricas e técnicas. inquietações etc. de espaço. além de dúvidas. Há divergência na avaliação do “PEA” pelo grupo de professores e gestores. Neste sentido. pois é reconhecido como um momento precioso para trocas de experiências e tomada de decisões coletivas. os gestores deveriam realizar constantemente a avaliação do “Projeto”. a ausência dos docentes na formação continuada causa um empobrecimento do trabalho coletivo. de professor ou coordenador pedagógico. motivo pelo qual.

A pesquisa mostra a dificuldade do Coordenador Pedagógico em aproximar-se das práticas cotidianas e implantar o registro reflexivo. Os professores apontam na pesquisa que a organização da rotina na escola. O “Projeto” para ser eficiente é necessário planejar as etapas de elaboração. os gestores reconhecem a qualidade e o fortalecimento que o “Programa” trouxe à equipe gestora no crescimento profissional. Por outro lado. como relatou um dos gestores pesquisado.106 ano. execução e avaliação com todos os envolvidos. no qual. Em relação ao “Programa: A Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil”. o grande número de crianças na sala de aula e a heterogeneidade dos alunos dificultam a aplicação das propostas do “PEA” e do “Programa” na prática pedagógica. foram analisadas por meio dos relatos de prática dos docentes e observa-se que ações decorrentes das propostas estão presentes na prática pedagógica e outras precisam ser aprimoradas. As etapas de planejamento do “Projeto Especial de Ação” devem ser compreendidas como processo educativo. para se alcançar a qualidade na Educação Infantil. as propostas do “Programa A Rede em rede” e do “Projeto Especial de Ação”. promoção da saúde. espaços. o Projeto Pedagógico. os professores solicitam que o “Programa” seja estendido a eles e não somente ao Coordenador Pedagógico. multiplicidade de experiências e linguagens. Esses são alguns ajustes necessários para que o “PEA” seja eficiente. Coordenador Pedagógico e Professor se tornam parceiros na construção da aprendizagem. Neste sentido. flexível. motivo pelo qual. não garante o bom andamento do “Projeto Especial de Ação”. os docentes relatam que a compra de materiais pedagógicos. Além disso. Os professores relatam a dificuldade do Coordenador Pedagógico em multiplicar o conteúdo do “Programa”. o documento Indicadores da Qualidade na Educação Infantil (2009) aponta sete dimensões: planejamento institucional. cooperação e troca com as famílias e participação na rede de proteção social. A comunicação entre os professores e o Coordenador Pedagógico não é totalmente satisfatória. materiais e mobiliários. dinâmico e as ações precisam estar voltadas para o projeto maior da unidade educacional. os professores avaliam o “PEA” como sendo um projeto estático e não dinâmico. interações. no período de 2005 a 2008. formação e condições de trabalho das professoras e demais profissionais. a presença dos gestores na solução de problemas e a parceria da escola com as famílias são fatores que auxiliam as propostas teóricas fazerem parte da prática pedagógica. Por fim. .

a análise empreendida a respeito dos instrumentos de formação continuada: o “Projeto Especial de Ação” e do “Programa: A Rede em rede” permite considerar que esses instrumentos são importantes para a formação continuada dos professores.107 Esses indicadores vêm ajudar as instituições de Educação Infantil a definir suas prioridades e traçar caminhos para construir uma proposta pedagógica e social significativa. a comunicação é fundamental para que gestores e professores tomem consciência do mundo. Em síntese. pesquisas direcionadas a formação continuada docente são essenciais para trazer a luz discussões e reflexões sobre a relação teoria e prática pedagógica. . Observar a história da Educação Infantil e compará-la aos dias de hoje é perceber o quanto as instituições que atendem as crianças de 0 a 5 anos avançaram nas dimensões pedagógicas e sociais e o quanto precisam avançar rumo a uma plena qualidade educacional. Todos precisam esforçar-se para compartilhar as reflexões e o agir de cada um no cotidiano escolar. em direção ao mundo a ser transformado e humanizado. Além disso. Por fim. da autenticidade e da dialogicidade. e traz como desafio um maior envolvimento de toda a comunidade educativa neste processo de formação. de si e dos outros. No processo de formação. a relação interpessoal entre o Coordenador Pedagógico e o Professor precisa ser baseada nos princípios da empatia. fatores que contribuem para a construção de conhecimento à Educação.

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( ) organização familiar. ( ) impossibilidade devido acúmulo de cargo. caso você não participou do Projeto Especial de Ação nos ano de 2005 a 2008 ou participou parcialmente. como você avalia o Projeto Especial de Ação de sua Unidade Escolar? ( ) Excelente ( ) Bom ( ) Regular 8-Você tem conhecimento da Política de Formação de Professores ( Rede em rede) proposta pela Secretaria Municipal de Educação na Educação Infantil? ( ) sim ( )não 9-Como você avalia o Programa Rede em rede. proposta pela Secretaria Municipal da Educação? ( ) Excelente ( ) Bom ( ) Regular . na Educação Infantil. ( ) outros ___________________________________________________________________________ _________________________________________________________________7Nestes últimos quatro anos.115 APÊNDICE A – Questionário dos Professores Nome: (opcional)______________________________________________________________ Idade:_____________________________________________Sexo: F ( ) M ( ) Formação acadêmica: 2º grau-magistério ( ) Ensino superior( )Qual?____________________________ 1.Há quanto tempo você exerce o magistério? ( ) 0 a 5 anos ( ) 5 a 10 anos ( ) 10 a 15 anos ( ) 15 a 20 anos ( ) 20 a 25 anos 2-Em que ano você ingressou no cargo de Professor de Educação Infantil na Prefeitura Municipal de São Paulo? R:____________________________________________________________________ 3-Você exerce outro cargo na Prefeitura Municipal de São Paulo ou em outro órgão estadual ou particular? ( ) sim ( ) não Qual?__________________________________________________________________ 4-Você participa ou participou do Projeto Especial de Ação (PEA) de sua Unidade Escolar ou em outra Unidade Escolar? ( ) sim ( ) não 5.Em quais anos? Assinale o(s) ano(s) em que você participou do Projeto Especial de Ação (PEA). ( ) 2005 ( ) 2006 ( ) 2007 ( ) 2008 6-Assinale uma das alternativas abaixo.

O que você mudaria no Projeto Especial de Ação ( metodologia.Quais os assuntos mais significativos que trata o Programa Rede em rede para sua prática docente? Que assuntos você sugere? R:___________________________________________________________________________ 11-Com qual freqüência. você realiza o registro do desenvolvimento de seus alunos? ( ) diariamente ( ) semanalmente ( ) mensalmente ( ) bimestralmente ( ) semestralmente 12-Você tem desenvolvido o hábito de refletir sobre sua prática docente? ( ) sim ( ) não a) Com qual freqüência? ( ) diariamente ( ) semanalmente ( ) mensalmente ( ) outros 13-Qual a concepção pedagógica que fundamenta sua prática docente? ( ) tradicional ( ) construtivismo ( ) sócio-construtivismo (outro)_______________________________________________________________________ 14-Durante os últimos quatro anos.116 10. na Educação Infantil? a) Projeto Especial de Ação: __________________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________ b) Programa Rede em rede: __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________ 16-Como você avalia a sua participação no processo de Formação Continuada (PEA) da Unidade Escolar? ( ) Excelente ( ) Bom ( ) Regular . o que você aprendeu. na Unidade Escolar que foi significativo para sua prática docente? R:________________________________________________________________________ 15. na formação continuada. conteúdo etc) e no Programa Rede em rede.

enquanto gestor. na prática docente? Comente.Você tem percebido dificuldades dos professores em lidar com a teoria do Projeto Especial de Ação e o Programa A Rede em Rede. como você avalia o Projeto Especial de Ação? R:_________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ 6. tem pensado no acolhimento das crianças de 4 anos a completar no cotidiano da EMEI? R:_________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ . reflexão) na prática dos docentes? Comente.117 APÊNDICE B – Questionário dos Gestores Cargo/função: 1-Quais são os desafios cotidianos que você tem enfrentado em relação a formação continuada dos professores? R:_________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ 2-Como você tem percebido a presença da formação continuada (conteúdo. com o Projeto Especial de Ação e o Programa A Rede em Rede na formação continuada dos professores? Caso positivo.Nestes últimos quatro anos. nos horários coletivos. R:_________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ 3-Você tem sentido dificuldade em lidar. relate as dificuldades. na Rede Municipal de Educação? R::_________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ 5. R:_________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ 4-Como você avalia o Programa Rede em rede. como você. R:_________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ 7-Em relação ao Ensino Fundamental de 9 anos.

o viver dela. cada professor escolhe o seu horário e aí a gente forma um grupo. fala o que pensa. Pesquisadora: E quais são os momentos que ocorrem a formação continuada na unidade? Professora 1: Bem. vamos começar então a pesquisa. vai ter o momento de ouvir. quando eu vou ensinar algo eu acho que é importante a criança ela tem que me ouvir. Então. porque tem que ouvir. Então eu considero tradicional. com aquilo que ela fala o que aconteceu na casa dela. três. com outras pessoas da unidade escolar. Pesquisadora: Muito bem. isso eu considero o tradicional. do horário da gente. Qual é sua concepção de criança e de infância? Professora 1: A criança que brinca. Ela tem que estar atenta no que eu estou fazendo. com o grupo de estudo. trabalhando dentro da escola. Ela vai ter o momento dela falar. Pesquisadora: E você ensina através do método tradicional? Professora 1: Olha. vai da gente. pode se dizer. a criança que chora. a criança que se expressa. que tem que ensinar também. Eu gostaria de saber o que você entende por formação continuada? Professora 1: Formação que todos os dias nós estamos com os nossos colegas. Eu vou estar educando essa criança. Nós nos reunimos e estudamos. com o coordenador. na rua. tem que se atualizar dentro da nossa área da educação. as idéias da gestão e também as práticas e o estudo que a gente tem que estar fazendo. Assim. comigo. a criança que constrói. se não ouvir fica difícil a gente trocar idéias . que imagina. vai ter o momento de construir. eu gosto de. Então o que eu vou ensinar? E aí eu vou elencar o que é importante pra eu estar ensinando para a minha criança. O que é o sócio-construtivista? É o educar levando em conta o meio da criança. Pelo menos três. que se corrige. ela tem que me ouvir. mas eu também tenho os momentos de ensinar e isso eu não posso deixar de lado. o que eu vou educar com a minha criança nas relações do dia-a-dia com o colega. Geralmente são três dias na semana. uma obrigação de ensinar. Então. Pesquisadora: Muito bem. tem que estar claro na cabeça dele que ele tem. De acordo com a resposta do questionário. quatro vezes por semana estar um grupo fechado. de participar da aula. o que você entende por concepção tradicional-sócio-construtivista? Professora 1: Tradicional é o professor que ensina. um grupo junto estudando. em primeiro lugar. Pesquisadora: Muito bem. quatro dias na semana. a criança que nós fomos um dia e crescemos e hoje somos adultos. Então eu sou tradicional e construtivista por quê? Porque eu sou consciente que eu estou aqui pra ensinar.118 APÊNDICE C – Entrevista Professora 1 Pesquisadora: Qual é o seu cargo? Professora 1: Professora de educação infantil e ensino fundamental I. pra mim isso é educação continuada.

Aí parou. um desenho animado. conversar com eles o que aconteceu no dia em casa. contando as novidades. mais uns dez minutinhos. que eu vou trabalhar com a criança. Acho que a minha maneira de ser. bastante. que eles vão chegando. Toda vez que eu vou passar informação para as crianças. aquilo que eu elenquei de importante. você não consegue perceber essa relação do ouvir e do respeito? Professora 1: Dá pra perceber sim. onde ela vai sentar. deles estarem conversando. Então. Por quê? Após esse encontro entre eles. os grupos. então tem que ser tudo meio cronometrado. Então é tudo assim bem no horário certinho. então eles já estão acostumados. eles trazem brinquedos de casa. Então tudo tem que ser organizado. mais complicada. como que a gente vai estar conversando. trabalham muito bem. aquilo que eu quero. Então. Terminou esse momento. então a sala está sempre organizada em meia lua. como você planeja o tempo no dia a dia? Professora 1: O tempo já é meio complicado. como que eu vou dar aquela atividade. É uma coisa por vez. Eu não. vou escrever na lousa. mais ou menos. a organização das mesas. acho que a criança fica muito solta e eu Ângela. Só que eu acho que fica mais difícil. Como tem sido no seu cotidiano da sala de aula a questão do espaço ambiente? Professora 1: Esse ano eu trabalho na sala 5 que seria a sala de vídeo. Então vamos fazer leitura? Bom. eu tenho lá minhas tarefas do dia. Então essa é minha organização da sala. eles até sabem. tem sempre lá um vídeo de música. Eu já sei. sempre em meia lua. que eu vou planejar. o primeiro momento é o momento de acolhimento deles. quanto eles gastam pra fazer a atividade. no final de semana. eu procuro dividir. Vou passar informações. fazendo atividade ao mesmo tempo. quantas meninas. se cumprimentando. bastante. vou fazer a leitura do dia. tem o acolhimento. Desde o vídeo do primeiro momento que entra na sala. eles trocam brinquedos entre eles. Pesquisadora: Muito bem. por isso que eu lhe digo que eu sou um pouco tradicional. Uma atividade mais longa. Pesquisadora: Na concepção sócio-construtivista. Como é que eu vou dar atividade naquele dia. nós vamos fazer a nossa contagem. eles . E a atividade ela já vem. Então esse ano eu usei muito o vídeo. aí é o meu momento. é uma atividade que eu perceba que a criança consegue fazer. eles vão para o meio da sala e nós fazemos uma roda. as conversas entre eles. brincando ao mesmo tempo. eu não posso dizer que é uma atividade simples. Então. tem que ter uma relação de respeito. não é? Então eu já venho qual atividade que eu vou dar naquele dia. Então. Tem professor que trabalha muito bem assim. de reciprocidade. eles vão fazer a troca e já vão ficar mais ou menos uns vinte minutos ali na conversa entre eles. E aí eu faço com todos juntos. aquilo que já tem que estar planejado na minha cabeça: a maneira. eu já passo na roda pra eles: hoje nós vamos fazer só a pintura e a colagem e amanhã nós vamos dar continuidade. desde o primeiro momento que ela entra na sala de aula. por isso que eu falo que eu sou tradicional e sócio-construtivista. Então vamos falar um pouquinho disso que você já está relatando à respeito do espaço. eu divido uma sala com a colega. o que eles vão fazer – jogo lá mais uns quinze minutos. na sócio construtivista. E a questão do tempo.119 e conseguir educar e ensinar ao mesmo tempo. eu perco o controle. quantos meninos. que vai terminar naquele dia. entendeu? Eu perco o controle. Esse ano eu peguei uma sala rodízio. Pesquisadora: Muito bem.

E isso a escola está fazendo bem. por exemplo. que você tem um dia. nosso horário de informática. isso. É isso mesmo? Professora 1: É isso mesmo. todas as salas de aula tem o armário coletivo. Amanhã vamos dar continuidade a esses três episódios. Como são organizados os materiais na sala de aula? Como está a organização desses materiais? Como é o uso dos materiais dentro da sala de aula? Me descreva um pouquinho esses materiais na sala de aula com vocês. A questão dos materiais. não é só dele. O único problema é assim. já faço minha organização. nem os outros vão ter. de quinta-feira eu tenho informática. ele vai brincar com colegas de outras turmas. Se eles quiserem trazer na segunda. melhorou muito. o que um cuida o outro não cuida tão bem. dentro da nossa linha de tempo nós temos o nosso horário de parque. outros não cuidam. Então. porque não dá. Então eles já sabem. Se o professor trabalha com brinquedo no primeiro momento de aula. eles trazem os deles e usa o da escola também. nos últimos anos a escola vem recebendo verba pra comprar material pedagógico. aquilo. vamos assistir hoje três episódios que fala sobre isso. E a gente já se organiza dentro do horário da escola. Pesquisadora: Você me relatou agora sobre o brincar. reúne a gente e a gente faz uma lista de prioridades. E a mesma coisa é com a atividade. nós temos a nossa linha de tempo. como é a organização de vocês? Professora 1: Então. Então. a gente já avisa. em tal episódio. A gente conversa sobre os três episódios. . Eu distribuo os brinquedos nas mesinhas. Então. e a gente dá continuidade. eles vão lá. o que a gente está precisando? E a gente ganha esse material. Tem o armário coletivo e tem brinquedos para as crianças. eu acho o desperdiço dos brinquedos. E toda vez que chega verba o diretor reúne o conselho. nem ele. graças a Deus. E se ele estragar. fácil e a gente vê o dinheiro ir embora. aconteceu isso. só que no momento da atividade ele sabe que vai ter que guardar. como é organizado o parque. E aí estraga rápido. Pesquisadora: Em relação ao tempo da unidade escolar. ele traz. graças a Deus. e eu deixo livre os brinquedos. O material fica à disposição nossa e das crianças porque o armário é aberto. na segunda feira eu tenho parque grande. temos o horário do acolhimento e a troca das salas de aula e o horário pra você fazer atividade em sala. mais tranqüilo pra eles. o que um cuida. aplicando bem. E no dia seguinte eles realmente sabem: Olha professora a senhora parou em tal capítulo. eu já aviso desde as primeiras reuniões. Eles já estão sabendo que aquele dia eles podem dividir o brinquedo deles. A gente costuma trabalhar muito com os brinquedos na sexta-feira. Professora 1: Olha. Não é? A gente precisa estar orientando as crianças. abrem. Ele vai brincar com o colega. na sexta-feira do brincar. Se é um determinado dia da semana. Na sexta-feira é que fica mais livre. do material. meu planejamento dentro do horário da escola. ele é colocado numa altura que dá pra ela pegar. diversos brinquedos diferentes pra que eles possam estar trocando. ele já sabe. Pesquisadora: Muito bem. Porque a gente precisa estar orientando as crianças. a questão do brincar. eu aviso que eles podem trazer brinquedos sim. os pais já sabem disso. Na sexta-feira eles trazem brinquedo de casa. Como eu aviso que eu vou trabalhar com leituras. Então a criança segue a rotina do professor. não precisa ser só na sexta-feira.120 nunca vêem um vídeo inteiro. pegam os brinquedos. aquele brinquedo é de todos. Então eles sempre sabem: olha. isso e isso. do acolhimento. Então. A criança mesmo vai lá e pega.

O que você tem que você possa trocar no momento com ele? Aí ele vai lá. Aí eu falo: Ah. e quando acontece algo que eu acho que é importante.. O que nós vamos fazer? Negocia com ele. Aí eu falei: Ah. como ocorre? Professora 1: Olha. completou. Aí fica livre pra eles. isso é normal. na sala de informática. Se aconteceu alguma coisa na casa dela. Fora isso a gente brinca bastante no parque também. mas quando é o momento de falar ‘Pro’ é ‘Pro’. Eu não quelo. Mas na sexta é livre. às vezes ele vem chateado e diz que não deu certo. E no momento que eu quero a atenção dela. A gente tem que respeitar o amigo. aquele brinquedo não vai poder estar lá na roda. mas na sexta. bate. Entre eles também porque eu peguei esse ano duas turmas muito boas. As crianças comigo. Às vezes dá certo. Voltou. nos outros espaços da escola. E como é a interação do aluno com você na sala de aula. mostrando pra ele o que ele pode fazer. o meu coleguinha não quer dar o brinquedo pra mim. aí você . eu registro na própria atividade da criança. que ele tem muito medo de papel. ela chega e conta naturalmente. Como é essa questão do registro e dessa reflexão da prática? Professora 1: Bom. Toda criança briga. Quando ela chega e fala: Tia. tudo bem. Pesquisadora: Muito bem. Eles podem estar trazendo brinquedos de casa que eles possam utilizar no parque. nós temos uma relação muito boa. sentado. o registro. ao mesmo tempo ele tem uma relação muito carinhosa comigo. normalmente é no meu horário de (. mas eu acho que ta faltando alguma coisa. Aí eu anotei: Hoje Jonas conseguiu fazer a atividade sem negar aquilo que ele tava sentindo.121 No momento da roda de conversa. observando. conversando: Olha Pro. E a questão do registro. eu tenho um aluno. Eu pego um dia da semana que eu esteja mais tranqüila. o Jonas. o que ele não pode fazer. Eu posso dizer que eles quase não se batem. Pego as atividades. E essa semana ele fez a atividade. Ele tem muito medo. É assim que ele fala. com outros colegas. Pesquisadora: Muito bem. E eles conversam entre eles. Porque nem tudo é importante..elas não têm medo. Aí eu falo: Então vamos lá. porque não quer vir na escola. Por exemplo. Então eu sou professora e sou tia também. Às vezes a gente está lá no parque. o imaginar. Muitas coisas a gente registra aqui na nossa cabeça e no nosso coração. Ele não quer trocar. pegou. uma turma que está sempre chegando. Foi lá. aquilo que eu fiz durante a semana. Então você vai brincar com outro amigo. porque eu dou atividade pra criança. ela me respeita também. E é o momento dela falar ‘tia’. então hoje ele não quer. ele tenta. Então a gente usa o brinquedo. Tranqüilo. Me sinto mãe. Então. eu não quelo. é dele. Mas acaba a palavra ‘pintar’ ele já fala: Eu não. veio mostrar se tava bonito. a não ser que ele seja o objeto da conversa. no parque. Fala pra ele: Agora nós vamos pintar. Como você tem registrado sua prática pedagógica? Porque no questionário você relata que você reflete diariamente sobre a prática e o registro você faz semanalmente.). fora as brincadeiras dirigidas. Você não acha que ta faltando? Ele falou: É mesmo. mas essa é uma turma boa. Então eu marco ali o que aconteceu naquele dia que eu achei que foi importante. eu não quelo. quem sabe depois você volta a conversar com ele. eu e os alunos eu posso dizer que às vezes eu me sinto mãe deles. eles estão lá brincando e de repente você vê uma criança conversar com a outra e você acha interessante aquilo que eles estão conversando. Eles são uma geração boa essas duas turmas. Como ocorre essa interação? Com aluno x aluno também. sem grupo de estudo. Por quê? Ao mesmo tempo que eu estou lá ensinando. Elas não têm medo de falar porque tá chorando. com as minhas crianças. né.

e eu tava pensando: isso tira o foco. eu registro na memória e coisas que eu acho importante eu pego e anoto ali na própria atividade da criança no dia-a-dia no diário. a refletir porque você não está fazendo aquilo. Então. Eu posso não estar registrando naquele momento. E se a organização do ambiente já ti força a planeja e trabalhar um determinado dia da semana no horário aquela linguagem. Professora 1: Então. senta. Eu falo: Ah. pra fazer um jogo da memória com a criança. E eu observei que as crianças estão mais atentas. deixo lá à lápis. isso a gente registra.122 marca. as múltiplas linguagens da educação infantil como você tem sentido essas linguagens na prática docente? Tem conseguido desenvolvê-las com os alunos? Sente dificuldade? Quais as dificuldades que você aponta. grandão. Pesquisadora: Muito bem. porque o que acontece? A linguagem que você tem mais afinidade. você já jogou. Eles já sabem ligar. ele fica perto. Até que o projeto esse ano da minha mostra cultural é o diário de leitura. Escolhem o programa que eles querem brincar. E ele já está se afastando. pra ver como funciona. Agora não precisa mais. você ta fugindo da minha cordinha né. leio muito com as crianças. às vezes não. Porque nós não temos computadores pra todas as crianças. Então. o Wilson ele nunca brincou. boneca. já sabem o que . numa dia que eu esteja mais tranqüila. abre. eles escrevem a senha no computador. eu sempre digo: O Wilson fala com os olhos. panela. por exemplo. mais ou menos. você acaba trabalhando mais e deixando outras. tanto pra sala de informática. Porque o próprio cotidiano. já facilita. como eu falei pra você. troca de colega sem que eu tenha que ficar intervindo. já não está mais tão perto. ele ta querendo alguma coisa. As outras 15 crianças. põe jogo. fala com os olhos. Então eu venho fazendo isso como experiência. já algum tempo. Tanto é que eles ligam toda hora o computador só pra poder escrever a senha no computador. Eu observo que alguns colegas levam brinquedos de brincar mesmo: carrinho. Então. cansam. as brincadeiras dirigidas? Nisso eu sei que eu falhei. E essa semana o Wilson começou a se afastar. sabem desligar o computador. ele vai e monta um quebra-cabeça. eu fiquei observando os meus alunos. sobre as linguagens. se eu precisar ta voltando. o que aconteceu de importante e marco. trabalhar o raciocínio lógico-matemático. é mais a organização do espaço pra você estar trabalhando as linguagens. como uma sala de jogos de raciocínio. mas trabalha uma vez ou outra. eu sei que eu trabalhei leitura e escrita. vão ficar sem. Porque no começo eu tinha que ficar intervindo: Agora é a vez do coleguinha. sentam na mesa de jogo e ali elas brincam com o colega que tá ali e joga. Volta para o computador. Por quê? Porque aquela criança. elas brincam no computador. Aí chega no final de semana. a minha sala seria uma sala maravilhosa. suponhamos. Cansou. Professora 1: Laboratório de informática. Não digo que deixando totalmente. Então. já ta indo pra mais longe. nós temos pra cerca de 20 crianças. E hoje no laboratório de informática. Ele já está se afastando. colocar senha. mas já registrei aqui na mente. nesse momento. Em relação às linguagens. você começa a se policiar. Quando ele me olha com aquele olhão. na memória. Porque é uma sala que dá pra aproveitar pra trabalhar a linguagem. E eles são tão independentes que eu pensei: Poxa. hoje eu fiquei observando as crianças. tem o Wilson. eu gosto muito de trabalhar leitura e escrita. como quando ele sai. elas param mais pra pensar. o dia-a-dia da escola faz com que você deixe algumas linguagens. eu pego essas atividades. mas e o raciocínio lógico-matemático? E o brincar da criança. Eles já entram. vai brincar um pouquinho. eu já sei: Ah. Tanto ele trabalha ali na informática. escolhem o computador que eles querem sentar. Então a gente coloca uma mesa com alguns brinquedos. eles têm uma relação boa entre eles. eu adoro trabalhar leitura com as crianças.

que pra outras pessoas. Tá. O espaço pra você trabalhar brincadeiras dirigidas. ele tem que estar ali arrumando os computadores também. os computadores atendem 20 crianças. À respeito do Projeto Especial de Ação e do Programa A Rede em rede: Formação Continuada na Educação Infantil. Mas isso não acontece. E é uma sala boa pra estar trabalhando linguagem matemática. nessa sala. Pesquisadora: Muito bem. é importante a sala de informática. dois. o professor além de estar ali auxiliando as crianças. levando à reflexão e à discussão. Como eu sempre digo pra as minhas colegas: virou um telefone sem fio. a informática é importante. Então. Aí eu dou jogos matemáticos na informática. Que seria o pátio. Então o que o grupo gestor viu lá? Ah. eu faço durante a semana.123 fazer. Essa gestão colocou o Rede em Rede para o grupo gestor e eles deveriam estar passando essa formação para os professores. só que o pátio. e quem está ali dentro com as crianças. participou e viveu teria que estar sendo passado para os professores no mesmo tom. eles não acham que são importantes. Ela não consegue ouvir as suas comandas em determinadas brincadeiras. Então eu fico uma hora e meia só nela. Então. a organização com jogos auxiliando o professor no horário dele de informática. eu vou dar a minha saída. as leituras e as atividades dentro da leitura e escrita. e que para o professor que está na sala de aula. por exemplo. é importante. Porque cada um entende de uma maneira e tem uma concepção de entender aquilo que está sendo passado. desde que você tenha a sala de aula o tempo todo pra você. por quê? Porque existem outras prioridades dentro da escola. não é. mas a manutenção dele e a ajuda pra esse professor nessa sala também é importante. pra estar aproveitando o espaço. Pesquisadora: Você tem como me dar exemplos? Professora 1: Vamos citar. três computadores. quando a escola está mais tranqüila. brincadeiras cantadas. aí quebra um. Porque assim: a minha sala é uma sala de . a informática. e as refeições ocupam totalmente o pátio. Eles estão presentes na formação continuada ao mesmo? Ou tem um momento em que vocês estudam o projeto e um outro momento para o programa? Como é a organização do projeto e do programa dentro da formação continuada? Professora 1: Eles deveriam acontecer juntos. Deveria estar acontecendo junto. nós não temos. Não dá. só ta colocado o computador lá. a minha sala é uma sala rodízio. Então não foi pensado na organização dela. Então. que julgam prioridades. Como eu disse pra você. Quando eu saio da minha sala e vou para a minha sala de informática. isso já é uma linguagem que fica prejudicada. O que grupo gestor viu. a manutenção dos computadores aqui. Pesquisadora: E em relação à sala de aula? Daria pra desenvolver essa linguagem? Professora 1: Dá pra desenvolver. mas não é garantido. nós temos muitas refeições. Porque a nossa realidade é diferente da quem ta fora. como é que você vai brincar de cantar ali com as crianças? Vai brincar de roda com a criança? Vai fazer um jogo ali com a criança. essa uma hora e meia eu tenho aproveitado pra fazer rodas de conversa. no pátio externo o professor não tem voz e a criança se distrai. como eu posso dizer. Porque quem ta fora tem outro olhar. Vai competir com mais três salas que estão almoçando? Aí você vai pára o pátio externo. a gente sente certas necessidades que. que é possível estar fazendo. Algumas brincadeiras. Então. mas ela não está organizada pra isso.

Então eu fico imaginando. Por que a minha aluna ta se enfiando debaixo da mesa com o coleguinha? O que eu faço? No que os meus colegas podem me ajudar? Que dicas podem dar? O que esse Rede em Rede formador passou para esse grupo gestor? Dicas que a gente possa tá trabalhando isso.. ele está discutindo alguma coisa com as crianças. então eu tive mais facilidade nessa sala com as minhas crianças. É muito lenta essa formação. mas aquilo não é pra ser discutido agora. que não resolveu e o grupo me auxilia. fala: vou tirar essa criança pra dar uma voltinha. por exemplo. Pesquisadora: E a questão do Programa A Rede em rede? . tá na bibliografia. quando ele está numa roda de conversa.. não é agora. professora. aí eu percebo. nem todas as crianças ouvem como deveriam ouvir. Não. Hoje eu não sei o que eu vou fazer com esse problema. Entendeu? “Ah. Você percebe a teoria do Projeto Especial de Ação ( PEA). E eu tô com um problema lá na minha sala que tá me engasgando. logo ti trazem ela de volta. tal dia é dia da prática”. essa professora precisa de alguém lá com ela. os alunos são de todos da escola. Ele precisa de alguém ali pra falar: professor eu vou dar uma mão. não é? E o professor. pra dar uma volta. na sua prática docente? Professora 1: Eu percebo quando existem momentos de troca de experiência.. Aquilo agora não é pra ver. tem computador ou o computador do tio. mas e para o professor? É problema ou não? Como que é? Eu costumo dizer que o aluno é da escola. Então. tem dia que ele ta bem. página tal”. então todos têm que estar envolvidos no ensinar e educar desse aluno. Um dia dessa semana me colocaram quinze alunos de primeiro estágio na minha sala porque a professora faltou. porque hoje eu vivi esse problema. Pode até ser que aconteça. Eu fui dar minha saída na sala de informática. das múltiplas linguagens. Agora tem que ler tal revista. As crianças ligavam e desligavam o botão direto. eu fiz dessa forma. E as minhas crianças ficaram: Professora ele ta arrancando. Então eu trago um fato. numa forma dele repensar sua prática e dele procurar alternativas pra tentar amenizar os problemas da sala de aula. Olha isso deu certo. chuta o outro. das linguagens. tem que ser passado para o professor. da tia. O professor. Então. Dentro dos estudos eu acho que é lento. ah isso não deu certo. Mas eu quero hoje. muitas vezes.. Aí eu percebo. Mas nem sempre. E quando você tira essa criança. eu percebo quando existe a troca. como é que eu faço? Ah.124 segundo estágio. faz assim.. algo que aconteceu na minha sala de aula que eu não consegui resolver ou que eu tive uma determinada atitude e achei que não foi boa. pra você respirar. como se ela fosse um problema pra eles. Então por isso que às vezes eu acho que não está conectado. eu fico imaginando o professor de primeiro estágio. mas não percebo assim de cara. morde o outro. Agora. de um aluno que se enfiou debaixo de uma mesa com o coleguinha. Pesquisadora: A outra questão é a respeito. por isso que eu digo: esse Rede em Rede que fala do brincar. vamos ler tal revista. As crianças de hoje são muito ativas. saem fora da roda. Isso já aconteceu mais ou menos com uma turma minha. Eu entrei em pânico.. tem dia que ele não ta bem. muito criativas. Porque os colegas vão dando experiências e a gente vai aplicando aquilo. arrancaram até o mouse do computador. Então muitas saem. tá aqui. vamos conversar pra que você possa dar continuidade. tem que ler isso. mostrando como se faz. porque enquanto ela ta li pegando na mãozinha de um. Saem fora da roda. devido às prioridades que acham que é mais importante: “Hoje vamos fazer um estudo de tal autor.. são agressivas também. Então ela precisa de ajuda. porque a maioria já tem vídeo-game em casa. aquilo tá me engasgando. professora ele vai. Então foi mais fácil. os outros estão completamente soltos. eu vou levar essa criança pra tomar uma água. Porque às vezes é uma e o restante da turma ta envolvido.

tem que acolher a criança’. só que por ele não estar entrosado. então ele não está junto com o grupo. vamos montar um horário. porque eu tô fora e eu não sei. até pra estar trocando como trabalhar com determinados temas. ‘Olha. ele pode estar enriquecendo muito o nosso trabalho e a gente ainda dando coisas novas pra ele. vamos acolher. Pra mim todo momento eu tô acolhendo meu aluno. acolher é a todo momento. o grupo se reúne. na educação do aluno. . cada um passa o que entende. que a gente cante. ele ta fora do grupo de JEIF. às vezes impede. que a gente dance. o que entende de determinada linguagem. Eu gosto de um ambiente mais aberto. porque a formação continuada acontece nos grupos de JEIF e geralmente esse professor que não faz. Por que eu não posso acolher minha criança cantando no pátio. pra que os dois possam fazer um reflexão do que está acontecendo no cotidiano da sua escola. uma brincadeira mais livre. Então. porque tem professores que fazem trabalhos maravilhosos. Ele faz lá fora a atividade uma vez por semana ou duas. Existem fatores que ainda impedem a aplicação da proposta do PEA. o que entende de acolhimento. Então eu acho que a organização mesmo da escola impede um pouco o trabalho. Então. Qual seu horário de acolhimento?’ E eu tenho que marcar na minha rotina o meu horário de acolhimento e tem que ser cronometrado o horário de acolhimento. Não tem que ser: ah. a rotina da escola. Então essa visão que a gente precisa saber. Pesquisadora: Muito bem. esse professor fica deslocado. na maneira que eu tô recebendo ela. dançando? Tem que ser na sala de aula porque falaram que tem que ser na sala de aula. emperra. Eu gosto de trabalhar com brincadeiras cantadas com as crianças. Esse Rede em Rede tem que ser também para o professor e o professor junto com o grupo gestor. vamos mudar. a organização do tempo.125 Professora 1: Como eu disse pra você. Não que o trabalho dele não seja tão bom quanto o de quem está fazendo a formação. Será que eu tô certa? Será que eu tô errada? O que tâ acontecendo? Porque passaram pra gente que é de uma determinada forma. Pesquisadora: Bom. eu não preciso ter hora para acolher meu aluno. determina alguns projetos. Você percebe. o Rede em Rede virou um telefone sem fio. faz algumas trocas de experiências. e acontecendo junto a gente consegue pensar mais em prol do aluno. do Projeto Especial de Ação. eu gosto de cantar com as crianças e isso a própria organização da escola impede que eu faça esse trabalho do jeito que eu gosto. essa maneira de passar que é duvidosa. Pra mim. uma brincadeira dirigida. mais livre. a diferença entre a sua prática docente em relação ao professor que não fez ou não faz a formação continuada? Professora 1: Eu percebo a falta de entrosamento. Eu vou dar um exemplo pra você: foi falado do acolhimento pra todo o grupo da escola ‘vamos mudar. O que entende do brincar. Porque pra eles é passado de uma forma e pra nós é passado de outra. Então a gente percebe dessa forma. Então. ensinar para o aluno. então essa é a descontinuidade. mas eu não vejo acolhimento dessa forma. a gente não conhece o trabalho dele. Acolhimento tem que acontecer na sala de aula por quê? O acolhimento pode acontecer desde o primeiro momento que eu abro o portão para a criança. tal hora é hora de acolhimento. Às vezes. na sua prática pedagógica? Professora 1: Impedem: a organização do ambiente. professora.

como que vocês têm se organizado em relação a tempo. Lá. eles logo estão providenciando esses materiais. brinquedos apropriados. Não que não aconteça com as de quatro anos. só. Foi de grande valia para a pesquisa. na prática pedagógica? Professora 1: Olha. mobiliário? Vocês têm conversado sobre isso no coletivo? Como vocês têm se organizado? Professora 1: Nós temos conversado entre nós professoras. um mês já faz diferença. muito. São crianças novinhas que estão chegando. porque aqui é self service e a criança ainda não tem toda a coordenação pra estar pegando. São muito diferentes. A gente pede. o próprio grupo de formação ajuda bastante esse programa. Os brinquedos que a escola tem hoje é fácil quebrar a roda de um carrinho. Nós estamos preocupadas com o ano que vem. tudo.isso ajuda bastante. Pesquisadora: Muito bem. não pode ser tão pequeno assim. nem o espaço. ajudar a colocar comida no prato. A escola ainda não propiciou momentos pra que a gente se organize. mais ou menos. Então nós entre as professoras estamos preocupadas: ah. Então ainda não se organizaram quanto a isso. não é. Espero que no começo do ano a gente tenha esse tempo pra nos organizar antes dessas crianças começarem realmente. os projetos e assim.126 Pesquisadora E existem fatores que têm auxiliado a proposta do Projeto Especial de Ação da unidade e do Programa A Rede em rede. são as verbas. como eu falei. Então. Obrigada pela participação na pesquisa. enfiar no nariz ou no ouvido. os programas. a completar quatro. dezoito crianças. a guardar aquilo lá. mobiliário. que estão comprando muitos brinquedos. nós vamos ser uma professora pra 30. Ajudar a colocar o sapato nessa criança. duas professoras. Como a unidade escolar está se organizando para atender as crianças de quatro anos a completar. será que eu não pego. Que nem. . mas nós professoras já estamos muito preocupadas. né. materiais pra gente. tem que pensar muito bem nos brinquedos. quebrar uma rodinha e a criança colocar na boca. E nós vamos ter que ensinar essa criança a tirar sua roupa quando sente calor ou colocar a roupa quando sente frio. Primeiro porque vai ser uma sala de 30 e vai ter um único professor. mas vai acontecer mais freqüentemente do que com as de três anos e meio. que eles possam realmente fazer parte do nosso cotidiano. o que tem auxiliado. Pesquisadora: Professora eu quero agradecer a sua participação nessa entrevista. E são trinta pra ajudar a se servir. será que eu pego berçário. ainda não foi pensado nisso. a localizar sua mochila. já não é a mesma criança de quatro anos. a espaço. não de onde as crianças vêm geralmente é quinze. Obrigada. Essas crianças virão com três anos e meio. meses. E o objetivo maior é que nós possamos compreender a formação continuada. eu creio que só.

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APÊNDICE D – Entrevista Professora 2

Pesquisadora: Professora entrevistada número 2. O que você entende por formação continuada? Professora 2: O que eu entendo por formação continuada é aquele estudo que o professor tem depois da sua formação, da sua graduação ou outro tipo de formação e convém com a sua prática. Então ele tem a prática, e através da sua prática, dos seus problemas, das dificuldades que ele vai tendo no dia-a-dia ele vai estudar, vai procurar teorias que o auxiliem nessa formação continuada. Essa formação continuada pode se dar na escola, como fora da escola também através de cursos, através de uma pós- graduação, através de leituras que o professor faz em casa. Eu, no meu caso, eu tento sempre procurar. Eu sempre procuro assim, estar lendo, porque eu acredito assim, que nós professores, nós nunca deveremos deixar de estudar. Porque assim, nós sempre recebemos uma criança nova, de um contexto novo, uma criança que vem de uma época, de uma sociedade diferente daquela que talvez nós estudamos; da minha formação mesmo, há dez anos atrás. Uma criança que cada vez mais com a tecnologia, ela vai mudando. Então, o professor também tem que vir buscar essa mudança, ele tem que vir buscar esse estudo. Então eu procuro, de acordo com os livros que tem aqui na escola, né. Porque infelizmente nós não temos assim condição de ter acesso a livros, os livros são caros. Então, na medida do possível, que a prefeitura vai trazendo livros para a escola eu vou olhando os livros e vou pegando aqueles que eu acho interessante, que convém com a minha prática, com a necessidade das minhas crianças e aí eu vou lendo em casa, né. E também no PEA. A PEA é uma formação continuada. Pesquisadora: Obrigada. E quais são os momentos em que ocorrem essa formação continuada dentro da unidade escolar? Professora 2: Como eu já tinha falado né, isso acontece no PEA. É o momento onde nós nos reunimos. Ai foi muito interessante ter o PEA aqui na escola porque nós dividimos da seguinte maneira: na terça-feira a gente pega pra estudo. Na quarta-feira nós pegamos para a prática. Através do estudo que a gente tinha estudado na terça-feira, a gente pegava a quarta pra fazer a prática da sala de aula. E depois da reflexão, do texto que a gente tinha lido e da prática na quarta, na quinta a gente replanejava. Assim, essa formação continuada dentro da escola já se dá no PEA e nas reuniões pedagógicas também. Porque nas reuniões pedagógicas é o momento que a gente pára, a gente reflete. Porque nas reuniões pedagógicas é um número maior, é praticamente a escola inteira, então você tem contato com outros professores, de outros turnos que você não tem no PEA. Então, é muito interessante por isso, deveria até ter mais encontros desse tipo. Pesquisadora: Muito bem. Qual é sua concepção de infância e de criança? Professora 2: Criança... Nós seres humanos, na verdade, somos seres em aprendizagem e a criança, ela é tudo de bom. Ela é igual uma esponjinha, ela absorve tudo. Então, a minha concepção de criança é que é um ser em desenvolvimento, curioso, que gosta de brincar, que tudo é de bom pra eles. Tudo eles absorvem, absorvem tudo. Eles sonham, eles viajam. Ah, é muito bonito falar em criança. Criança é... Por isso que eu escolhi educação infantil, porque

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eu viajo junto com as crianças no mundo da fantasia. Eles são sinceros. São seres assim, que se eles gostam, eles gostam; se eles não gostam, já falam que não gostam. Pesquisadora: E como você vê essa criança no processo de aprendizagem? Professora 2: Como eu tinha falado, é um ser em constante aprendizagem. A criança, ela absorve tudo que existe, tanto de ruim, como de bom. Por isso que é importante, por isso a grande importância da educação infantil. Você tem que saber o que você quer, qual que é seu objetivo, o que você quer alcançar. Porque você sabe que a criança, ela vai absorver tudo. Então, se ela vai absorver tudo, vai absorver tudo de bom, tudo de melhor pra vida inteira, porque é o alicerce. Como eu falo nas minhas reuniões para os pais: a educação infantil é o alicerce da casa, o alicerce que a criança vai ter para o resto da vida, a construção da personalidade. Então eu acho que é muito importante o professor saber o que ele quer. Pesquisadora: Muito bem. Em relação ao seu questionário, você se declara sócioconstrutivista. O que você entende por essa concepção? Professora 2: O sócio-construtivista, o pai de tudo isso, vamos falar que é Vygotsky. Então, ele fala que a criança vai interagir com o meio e conforme o meio ela vai estar construindo a sua aprendizagem. Então eu acredito que sócio-construtivista é o meio. O que o meio oferece pra essa criança pra ela ta pegando, experimentando, vivenciando. Então, conforme esse meio que ela tem à sua disposição, ela vai tá aprendendo e desenvolvendo a sua aprendizagem. Pesquisadora: Muito bem. Agora, como tem sido no seu cotidiano de sala de aula a organização do espaço e ambiente? Professora 2: Olha, nós temos aqui na unidade, em todas as unidades de EMEI papel, giz, lápis de cor, canetinha, a lousa, brinquedos. Então, o espaço ele é organizado de maneira bem diversificada, conforme a atividade a criança pode escolher o material que ela quer, eu não determino o material que vai ser usado, só em alguns momentos em que há necessidade. Mas assim, quando vai fazer um registro, eu geralmente deixo vários tipos de materiais à disposição, elas abrem o armário, o armário é delas, elas abrem, elas pegam o que elas querem: borracha, lápis, tesoura, cola, né. E assim, na sala de aula uma coisa fixa são os brinquedos, então elas costumam brincar, elas fazem do jeito que elas querem, depois elas guardam, algumas crianças têm dificuldade para guardar, a gente tem que estar reforçando, falando. Mas eu tenho que deixar assim, o material que nós temos, na medida do possível, à disposição delas. Até o rádio, nós temos um rádio, eu deixo elas manusear, elas colocam o CD que nós vamos usar. Pesquisadora: Em relação aos brinquedos, você pode descrever quais os tipos de brinquedos que existem na sala de aula dentro do armário? Professora 2: Os brinquedos são o monta tudo, são aqueles cubinhos que encaixa, são os brinquedos, eu não sei o nome pra dizer, mas é um quadradinho que vai construindo quadrados; ele é muito bonitinho, eles adoram. Jogos, nós temos bola, nós temos bambolê, corda, temos brinquedos de faz de conta. Então são esses brinquedos.

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Pesquisadora: Muito bem. E a questão do tempo, como você tem organizado o tempo na sala de aula, na unidade. Como tem sido esse tempo? Professora 2: Eu não costumo cronometrar o tempo porque a gente tem que respeitar o tempo da criança. Então, o que é que eu faço? Desde o começo nós fizemos uma rotina com as crianças, então o nosso lanche é às nove horas, né. Então, a gente até às nove horas a gente desenvolve atividade de leitura, das de registro, às vezes, alguma atividade de recorte e colagem. Depois das nove horas a gente vai pra área externa, faz uma atividade de bola, brinca no parque e brincadeira de faz de conta. Então assim, eu não tenho tempo cronometrado, mas nós temos essa rotina. Primeiramente a gente faz uma atividade na sala de aula, faz uma atividade de teatro, alguma coisa desse tipo e depois do lanche uma atividade externa ou o faz de conta. Pesquisadora: Quanto aos materiais utilizados, você até já relatou. Quer falar mais alguma coisa sobre os materiais? Professora 2: Os materiais utilizados na UE são materiais oferecidos de acordo com a possibilidade da UE, só que assim, eu acredito como professora, eu sinto muita necessidade de ter informática, de ter materiais tecnológicos na sala de aula. Eu acredito assim, que na sala de aula tinha que... Nós vivemos em um mundo onde as crianças têm acesso, por mais pobre que ela seja, ela tem já acesso ao computador, ela tem acesso a todos os tipos de tecnologia ou em casa, ou em algum lugar que vá. E assim, a necessidade que eu vejo ainda na EMEI é aquela lousa ainda verde, poderia mudar essas coisas. Não sei, um computador. Pesquisadora: Tipo um cantinho na sala de aula? Professora 2: Não. Eu não falo o cantinho. Eu falo mesmo de ter um telão e o professor ter o computador. Porque, às vezes, a gente quer mostrar uma imagem para a criança, tipo dia da informática, aí vai lá mostrar essa imagem, o computador. Porque eles trabalham por temas, temas diversificados, então, às vezes, eu precisava mostrar uma imagem, aí eu não tenho como mostrar a imagem. Aí, às vezes, um vídeo, igual, sobre a água, eu tive que esperar o dia tal, pra ir lá tá levando. Porque assim, você quer levar um material pra sala de aula, às vezes não têm pessoas pra ta ajudando levar, porque cada professora tem sua turma, a sua atribuição. Eu não posso deixar as crianças sozinhas, mesmo pra organizar esse material. Então eu acho assim, ainda é um sonho meu que a EMEI tenha ainda a informática. Porque eu falo assim, ter um telão, o professor ter um computador, aí joga lá na internet, aí aparece a imagem, as crianças ficam vendo o telão. Isso é maravilhoso. E também é um sonho meu que tenha poucas crianças, menos número. Eu acredito que o ideal seria 20, 25 crianças por sala, porque tendo muita criança dificulta muito o trabalho. Eu percebo que o dia que vem menos crianças, eu consigo atender melhor, individualmente, cada criança tem a sua necessidade. Agora, quando vem muita criança,eles ficam agitados, o espaço é pequeno e eu não consigo atender cada um, né. Eu sinto essa dificuldade. Pesquisadora: Como você vê essa questão do cantinho? A organização dos cantinhos na sala de aula? Professora 2: Olha, eu vejo muito bem. Só que a dificuldade que eu tenho ainda pra esses cantinhos é por causa do número de crianças, né. Por ser muita criança, às vezes, eu não

Só que pra isso precisaria ter um pouco menos de crianças. porque o PEA tem os temas no começo do ano. E. Mas quando eu trabalho com o cantinho. ele vai. ele vê o progresso da criança. Então assim. quase todos os dias. E também a dificuldade que eu tenho de atender um cantinho. Mas o Rede em Rede em si. Porque eu gostaria de cada dia estar atendendo uma criança especificamente. Então eu acho que o registro é muito importante sim. trabalhar com corda. eu acredito até que o o curso deveria ser para os professores também. aquele que quer mesmo fazer as coisas. Mas assim eu vejo como de grande importância. ele volta. E o Rede em Rede eu não tive muito contato esse ano. Só que igual eu falei. Sabe? Porque assim. eu trabalho com o cantinho quase todos os dias. ela tem que procurar outro cantinho. na sua prática pedagógica? Professora 2: Olha o registro. Em relação às linguagens. às vezes eu consigo registrar na hora. tem toda uma metodologia pra fazer com que as crianças rodiziem todos os cantinhos. quando eu trabalho com o cantinho. Então eu acho que seria importante abrir sim para os professores. mas cada um tem a sua concepção. observando. mas muitos casos não é possível ainda. às vezes. trabalhar tipo. A gente sabe dos livros. Nós lemos os livros. você sente dificuldade em trabalhar as múltiplas linguagens na educação infantil? Professora 2: O que eu tenho sentindo mais dificuldade ainda é os movimentos. e a gente não consegue. é importante porque a partir do momento que ele lançou um conhecimento. Pesquisadora: Você percebe a teoria do Projeto Especial de Ação e do Rede em rede: a formação continuada. Então. a dificuldade é muito grande. as orientações curriculares. então eu não consigo. onde o professor ele vai. nossa atenção. registrando. eu tenho que pegar um tema que eu vejo que há necessidade e aí eu tenho que trabalhar todas as linguagens. você precisa que as crianças entendam que. O professor estar fazendo esse curso. porque ele é a memória viva do professor. facilitaria muito o trabalho. Como tem sido o registro. na sua prática docente? De que forma? Professora 2: Olha. Mas como assim. eu vejo assim. Porque às vezes o coordenador. porque cada um é uma pessoa. Humanamente é impossível. mas também que aquela criança que está naquela cantinho também tem que rodiziar. O professor assim. cambalhota. pra não se perder. Porque assim. as outras linguagens. a partir dos livros e das orientações curriculares a gente procura trazer aquilo lá para a prática.a gente percebe assim. que a gente ta trabalhando algum texto. mas que também tem que ir para outro cantinho. eu registro. eu vejo a dificuldade que eu tenho das crianças entenderem que ela tem que sair daquele cantinho que elas gostam muito. Trabalhar com pneu. mas eu gostaria de registrar na hora. pra você ter o cantinho.a gente não consegue. às vezes. né. cada um vai passar do jeito por ele. Pesquisadora: Em relação ao registro. como aquele cantinho ta cheio. Pesquisadora: Muito bem. Eu não fiquei sabendo muito o que aconteceu na formação do Rede em Rede. Mas fora da sala de aula eu ainda tenho dificuldade de trabalhar. igual. mas por ser muita criança. Porque é esse o objetivo do cantinho. Eu tento registrar todos os momentos que se destacou. . depois que termina. isso eu acho que ainda ficou a desejar. Então. com gincana.130 consigo fazer essa organização. Porque as crianças tem necessidade da gente e a gente tem que registrar. eles exigem muito da gente. registrar na hora. ele se esforça muito. a gente tem que trabalhar de acordo com os temas na nossa prática docente.

As crianças são vivas. planejou. a gente vê a diferença sim. eu conseguiria desenvolver um trabalho de mais qualidade. Infelizmente a gente trata um todo e acaba fazendo um depósito de criança e a escola não é um depósito de criança. é como se fosse uma bolha em ebulição. Então. Então assim. eu acho que se tivesse um pouco menos de criança. tinha que ser flexível e. eu fiz estudos. porque o professor que faz o PEA. a quantidade de criança. Assim. o professor que não faz o PEA é um professor mais desinformado. Não por mal. tem quer respeitar cada indivíduo na sua íntegra. chegar no meio do ano poder estar mudando talvez a bibliografia. por isso que é importante o PEA ser mais flexível e ter um pouco essa abertura da gente poder estudar coisas. a gente não tem que esperar. as decisões.131 Pesquisadora: Você percebe diferença na sua prática docente em relação à prática docente do professor que não realiza a formação continuada no horário coletivo? Professora 2: Olha. na faculdade eu senti que faltava ainda conhecimentos. mas é porque assim. ta planejado. as coisas acontecem no PEA: as informações. E ta colocando coisas novas. Então. planejou no começo do ano. vai surgindo coisas. ele ta sabendo mais do assunto. eu não tenho observado essa diferença. a gente não pôde estudar textos a mais do que estava planejando no PEA. A única coisa que eu achei de dificuldade foi assim. sinceramente. a teoria eu tenho. Então eu acho muito importante a realização do PEA sim. Ah. vão acontecendo coisas que a gente às vezes não planejou. E assim. a gente tem que ir atrás. ele ta vendo o que a escola tá trabalhando. Eu acredito que não tinha que ser assim. Porque assim. busquei. Fiz uma pós-graduação em educação infantil. Acabou o final do ano e você ainda não está conhecendo ela. Mas em outros momentos. tem que dar aquilo que ta lá. Igual. vamos se dizer assim. Porque cada criança tem a sua necessidade. você tem dificuldade em aplicar a teoria à prática? Professora 2: Não. eu ficava um pouco assim fora da escola. Agora. a gente não conhece. que o professor fica um pouco. em outros anos. então eu fui buscar. Existem fatores que ainda impedem a aplicação das propostas teóricas. a gente vai conhecendo durante o ano. quando eu não fazia o PEA. já foi satisfeito. não pode mudar. é um conjunto. eu não tenho dificuldade não. na sua prática pedagógica? Professora 2: Ah.a única dificuldade que eu encontro é a quantidade de criança. Porque assim. porque eu conseguiria atender cada criança. nós vivemos numa constante. Porque os professores aqui na EMEI provavelmente eles dobram e eles fazem PEA no outro turno. Parece que você trabalha sozinho. que a gente não poderia saber. Então assim. Porque quando a gente observa uma criança. mandou lá para a DRE. tem. talvez não tenha mais necessidade. Isso a gente não pôde fazer. eu achava que o PEA tinha que ser mais flexível porque conforme vai passando o tempo. porque é fechado. eu não tenho observado isso. porque a gente procura no PEA trabalhar a nossa realidade. conforme a nossa possibilidade. Porque aquilo que a gente planejou. eu tenho experiência por mim. Eu acho que o fator maior que impede é esse. poder sim mudar e estudar outros textos. . Pesquisadora: Muito bem. Então eu acho assim. ele está interagindo mais na escola. Pesquisadora: Em relação ainda ao Projeto Especial de Educação (PEA) e o Rede em rede.

a escola tem procurado nas salas de primeiro estágio deixar menos cadeiras para as crianças trabalharem mais no chão. a professora gostaria de relatar a preocupação com a educação infantil. Ela ainda não tem assim teatro. Professora 2: Bom. professora. Nós estamos aqui pra ajudar no desenvolvimento dos filhos de vocês e eu quero fazer o que eu puder. Então. que precisa se pensar nisso. ela não tem espaços. meio-período. a coordenadora. Eu acredito sim que a criança poderia ficar seis horas na escola. Então eu sempre procuro assim. em relação ao ensino fundamental de nove anos. mas é uma coisa assim que é lenta e que se vai caminhando e que você vai planejando. uma coisa muito fechada. ter um banheiro mais acessível porque talvez os vasos são grandes. a EMEI tem aquele espaço restrito dela. o fator é o da gente acompanhar mesmo. mas quando tem condições. eles não estão aqui na prática. são vários espaços que tem teatro. procurar ser um ambiente que tenha poucas cadeiras. ela tem acesso a várias coisas. elas têm dificuldade pra usar vasos grandes. né. tem várias quadras. a gente poder estar discutindo as nossas dificuldades. que tipo de cidadãos nós queremos pra oferecermos coisas boas para as crianças? Então eu acredito assim. Eu acho que a comunidade é muito importante. às vezes vai estar vivendo um momento de stress. o diretor. você caminhar junto com a comunidade porque nas reuniões eu sempre converso com os pais. Então me preocupa muito isso. colchonetes e brinquedos. né. brinquedos que sejam bem baixinhos pra elas. como se fosse um orfanato. a gestão estar junto com a gente tentando solucionar os nossos problemas. o professor vai ficar estressado e o que essa criança vai estar absorvendo? Às vezes vai estar absorvendo coisas boas. assim. tem piscina. tem a pista de skate. Porque assim. talvez até fazer uma reunião extraordinária. a minha preocupação grande na educação infantil é que as escolas agora estão recebendo as crianças seis horas. Pesquisadora: Muito bem. vai se conversando. Eu acredito que ainda é pouco porque ainda se tem muito mais a se fazer. ou um turno integral como se diz. Então essa criança vai ficar estressada. né. eles não estão . A gente também junto com os pais. Qual a qualidade que está se oferecendo pra essa criança? Porque a criança. Porque é um conjunto e a gente tem que procurar sempre parcerias. Mas eu vejo que assim. Então é assim. tenha que talvez mexer na parte do prédio mesmo.132 Pesquisadora: Em relação a essa mesma pergunta. eles têm uma visão teórica. ela aprende tudo. dessa maneira que eu tenho observado né a organização pra receber essas crianças pequenas de três anos. é o que eu tenho observado. pelo que eu observo a escola ela tem se organizado da seguinte maneira: procurar ter mais colchonete nas salas que as crianças de três anos vão estar. Continuando a entrevista. que tenha bastante brinquedos. Então. a criança fica seis horas ali. Pesquisadora: Eu quero agradecer a sua participação. nas EMEI’s. nós somos uma parceria e nós vamos caminhar juntos. Como você e toda a equipe têm se organizado a esse respeito? Ou não tem se organizado ainda a esse respeito? Professora 2: Olha. então vamos caminhar juntos. o CEU ainda é um espaço que é muito rico em diversidade. se eu estou com alguma dificuldade. Mas uma criança que fica seis horas numa EMEI a minha preocupação é que vira um depósito de criança. conversar com os pais. Nós sabemos que vamos receber crianças de quatro anos a completar na educação infantil. porque infelizmente nossos órgãos públicos. E assim. existem fatores que auxiliam na aplicação dessas propostas na prática docente? Professora 2: Sim. que não estava no calendário.

eu acredito que se tivesse uma biblioteca. Pesquisadora: Muito bem. isso em 1985. Tudo pra poder estar ajudando a nossa interação. mas acaba caindo na mesma. teatro é você ir ao teatro. Obrigada. então não se pode cobrar. Eu vejo as crianças de hoje dentro da escola. Eu tenho experiência por mim.. então se a escola não passeasse comigo eu não ia conhecer. igual o teatro. Eu conheci quando era pequena os parques de Santo André. Sabe? Porque infelizmente falar que a gente vai se organizar. a gente vê os combinados. A educação é gratuita. Isso não deve acontecer. Ah. A gente faz uma roda de conversa. Porque o mundo não acontece na sala de aula. porque não tem ônibus. meus pais não trabalhavam comigo. a gente vai ver porque ta acontecendo isso. com a vivência. uma outra organização dessa escola ajudaria a organizar e a acolher bem essas crianças que virão? Professora 2: Olha. Pesquisadora: Por que você sente isso? Professora 2: Porque o professor acaba caminhando sozinho. E fora assim. eu acho que tem muita coisa pra se fazer para as coisas melhorarem. e o professor está ali vendo as dificuldades das crianças. Entendeu? Meus pais tinham que trabalhar. eu sei que é impossível. que a gente não . Então. a nossa interação inteira é pela conversa. que não tem todos esses espaços diversificados. a estrutura de um cinema.133 vivenciando o que a gente ta vivenciando. que a criança também vai estar saindo fora daquele espaço da sala de aula. Piscina é você ir à piscina. mas também não se oferece nada. porque joga muita coisa pra cima do professor. a estrutura de um teatro. não tem um passeio. A criança tem direito de tudo isso. Não é verdade? Como a criança vai vivenciar se ela tem só isso? Ela precisa experimentar o que ta aí fora. das brincadeiras com as outras crianças. o mundo acontece lá fora. tem que fazer rodízio. ela aprende com a experiência. eu acredito que toda EMEI deveria ter. Porque a sala de vídeo não é cinema. Isso é uma coisa boa porque a criança. eu conheci os teatros. Essa criança é mais carente. Gente. mas eu acho que toda EMEI tinha que ter sim um espaço de teatro. Sabe? A criança precisava ir num parque. aí a gente conversa. o teatro vem na escola. Eu acho que é muito pobre. presas. piscina. um teatro. são as crianças. então todos os passeios. Às vezes tem algumas dificuldades que a gente ta vendo que não ta conseguindo se comunicar. às vezes o rodízio não dá certo e acaba ficando naquela mesma. Se a gente não oferecer que experiência ela vai ter de infância? Que lembrança que ela vai ter da EMEI? Só das brincadeiras lá do parque. Professora como você tem interagido com os seus alunos e como é a interação entre eles na sala de aula? Professora 2: A nossa interação se dá muito pela conversa. precisava ter ônibus pra levar essas crianças pra passear. gente. E a criança acaba ficando dentro da escola e o mundo não acontece só dentro da escola. Pesquisadora: Será que em relação a uma mudança do tempo. Então. pra que essa criança que ficasse dentro da EMEI ela fosse nesses espaços. sala de vídeo não é teatro. As crianças só ficam na escola porque não tem um ônibus. Às vezes acontece alguma coisa fora dos combinados. do espaço. e a gente que somos o ponto chave. quando eu era criança. tudo que eu conheci foi graças à escola. ela não tem acesso a isso. e acaba que o professor que tem que organizar os espaços. Então tem que se pensar bem pra não virar um depósito as escolas de educação infantil. os meus pais não saíam comigo. das brincadeiras com a professora. uma piscina.. a gente se organiza.

infelizmente. Nossa! Justamente porque os professores aqui trabalhavam com EMEF. mas eles brincam. Você poderia estar comentando pra gente esse momento? Professora 2: Sim. é engraçado você vê isso. Uma coisa presencial. a minha realidade é diferente dessa. Eu procuro sempre falar pra eles que a gente precisa conversar. eu acho que é muito importante sim. o que a gente vai fazer? A gente procura assim. Então assim. porque é fora da minha realidade. E as crianças também. Não terminou. É de grande importância mesmo para o professor ele procurar a sua formação continuada. uma coisa que o professor realmente aprendesse mesmo e trouxesse. . isso seria ótimo. um lado fica as meninas e do outro lado os meninos. mas é curioso de você observar isso. Sabe? De você traçar o caminho que leva o pintinho ao milho. eles tentam brincar um pouco juntos. Eu não tenho dificuldade nenhuma com nenhuma criança. não em qualquer faculdade. é triste. Professora muito obrigada. Aí você assim observa que apesar das crianças se dividirem entre meninos e meninas. Pesquisadora: Eu quero agradecer a sua participação. a gente observa isso né. na hora de brincar. trezentos anos atrás. ele é um ser sempre em condição de mudança. É muito interessante até. Então assim. ele ainda trabalha com aquele tipo tradicional. a minha sala teve pouco esse negócio de violência. E é pra sempre isso. fazer uma pós-graduação numa faculdade boa também. Isso não. O ser humano não é um ser acabado. Professora 2: De nada. por ter ido por várias escolas. Não adianta falar: ah estudei. Foi de grande valia essa entrevista. Porque a gente. professora. então você que o professor que trabalha com EMEF parece que tem até um jeito de querer que a criança de educação infantil também seja de EMEF. temos aí à distância. resolver com diálogo. Pesquisadora: Muito bem. Eu tenho observado. ela não é terminável. agora acabou. Sabe? Ou senão você copiar o ba-be-bibo-bu sem uma contextualização. porque a criança. né.134 combinou. Em relação ao que você havia comentado à respeito da graduação e da pós graduação. então eu achei até interessante. que o professor que fez só a graduação há muito tempo atrás. porque assim. É assim. uma criança agredir a outra. você bem essa interação. Você vê que a escola ficou há cem. até a prefeitura estar incentivando os professores a fazer uma pós-graduação. os alunos vêem: professora fulano fez isso. esse relacionamento é muito bom. eles dividem a sala.

refletindo e eles conseguem levar pra prática uma ou outra coisa. Você não tem um momento de encontrar com seus parceiros. precisa muito desse momento de conversar. você declara no questionário que você não realiza a formação continuada devido ao acúmulo de cargo. conversar. de dividir. de conversar. as famílias mudam. da sua prática. Eu acredito que aconteça isso nesse momento. a gente trabalha . E a gente que não participa do projeto. principalmente essa idade que a gente trabalha. né. essa idade. o que eu mais sinto falta é isso. falando do seu trabalho. Então assim. Eles têm essa oportunidade de ta trocando experiência. e assim. estar desabafando. eles têm mais momentos ali que eles estão juntos. deixa eu ver como eu posso dizer. é assim. É uma desabafo também. Professora o que você entende por formação continuada? Professora 3: Bom. é muito importante esse momento da criança – a infância. com certeza eu faria sim. de trocar experiência. né. tirar dúvidas. Eles falam o que eles fazem aqui. eu acho que o mais forte é isso mesmo. É o professor estar sempre em busca de novos conhecimentos porque tudo muda. eu percebo assim. É que pra mim realmente fica muito difícil pelo acúmulo de cargo. E é importante esse momento. Isso também é muito importante. é como uma reciclagem. eu acredito que seja assim. porque o nosso trabalho é muito humano. Você sente que é uma perda na sua formação? Professora 3: Ah. é muito corrido. em que momento você localiza essa formação continuada na unidade escolar? Professora 3: Olha. é muito gostoso. ou ainda não? Com relação à prática a gente percebe que tem algumas coisas que eles estão estudando lá e estão discutindo. Eu acho muito importante. trocar experiências ou. é idade de formação de personalidade mesmo. algumas dificuldades encontradas. as mães sempre comentam: ah dia que não tem aula. você perguntou também com relação à teoria e a prática. Pesquisadora: Muito bem. Professora 3: Agora assim. muitas vezes. eu nunca participei. Mas se não fosse essa questão. Qual é sua concepção em relação à criança e infância? Professora 3: Ah. pelo que eles falam. Pesquisadora: Em relação ainda à formação continuada. Assim. né. esse momento de troca é muito importante. formação continuada. eles têm mais oportunidade de troca. uma questão de refletir. A gente não se encontra. eu acho assim. essa formação continuada pra gente acompanhar essas mudanças. é uma correria constante. essa busca. Pesquisadora: Você se sente. eles gostam de tudo que acontece aqui. As crianças mudam. sim. Então eu acho que principalmente por isso. pra estar sempre se atualizando e acompanhando essas mudanças. é uma perda. Mas assim. ele reclama ou fala que sente saudade. até mesmo assim. muito gostosa essa fase. a comunidade muda. A gente percebe que eles gostam de vir pra escola. que eles têm oportunidade de discutir alguns assuntos. nós mudamos. E sempre refletindo. melhorando nossa prática. até os seis anos.135 APÊNDICE E – Entrevista Professora 3 Pesquisadora: Próxima professora é a professora número 3. né. que o grupo que está nessa formação eles assim.

lista de nomes. que ela vai brincar. a se formar. Mesmo porque nós estudamos. pelo grupo. Então assim. mas você tem ainda. muito importante. pra ela criar. assim. Poder ter momentos de ela escolher o material que ela vai utilizar. é importante porque assim. pelo ambiente que você ta. o ‘z’ porque tem no nome dele ou porque tem algum programa que ele viu aquela letra. na maior parte do tempo é isso. plaquinha dos alunos. mas ele aprendeu foi o ‘x’. é história. pra participar. a letra b. Entendeu? Então assim. Eu trabalho muito bingo de letras. um com o outro. tudo que você vai fazer. gostando. a conhecer a escola. ainda ta naquela fase gostosa. a dividir. ela ta criando também. conhecer os materiais. a socializar. eles curtindo. eu com elas. de você estar oferecendo material pra ela explorar. dela se expressar.. aquela necessidade de trabalhar a letra a. ajudar a organizar o espaço que ela vai fazer atividade. a letra c. olhando no geral eu acredito que eu me enquadro melhor nessa concepção sócio-construtivista. vários tipos de jogos. Qual é a proposta dela? Ela também tem uma proposta para aquele momento. Então assim. Você vê que tudo isso. Então você sabe que não é assim que ele aprende. eu acredito muito nessa construção do conhecimento da criança e que a gente ta aprendendo o tempo todo né. nós fomos formados numa concepção muito tradicional. . Então assim. eu coloquei sócio-construtivista porque assim. nem que seja vinculada com uma música. Pesquisadora: Muito bem. pra opinar na rotina. vinculada com uma história. letra b. muito bom poder ter essa oportunidade de trabalhar com essa fase. pra ir fazer. Trabalhar muito essa coisa da criatividade. a música. você vê que mesmo se você trabalhou mais. Só que ainda tem aquelas atividades de você trabalhar a letra a. da autonomia. Só que assim. conhecer a rotina. pra ela fazer. eu acredito que ninguém é inteiramente sócio-construtivista. em relação ao tradicional aquelas coisas assim ainda de você trabalhar. enfocou mais o ‘a’ ou o ‘b’ e o ‘c’. Então. eu vou dar um exemplo pra ficar mais concreto: as letras do alfabeto. Eu tenho portfólio do que eu faço com eles. o desenho. na sua prática? Professora 3: Então. a gente faz brincadeiras na lousa.. você se declara sócioconstrutivista. todo mundo tem um pouquinho de tradicional. então todo mundo carrega isso. Isso é tradicional porque a criança não aprende necessariamente assim. Às vezes você vai com uma proposta e a proposta até muda porque ela ta participando. E a gente sabe assim que esse momento da educação infantil. Então eu acredito que eu me enquadro mais nessa proposta por conta disso. O que é essa concepção pra você? O que você pode falar sobre essa concepções? Professora 3: Tá. eu acredito muito nessa coisa dela. mas por que eu me considero que eu me enquadro mais nessa concepção sócio construtivista? Porque assim. você acaba ainda estando um pouquinha presa nisso. E assim. formar sua identidade. você acaba ficando um também um pouco disso. alfabeto móvel.136 muitas linguagens. usando isso. Então toda proposta que você traz. Mas acho que até assim. ela constrói o conhecimento dela. não o tempo todo. o brincar. às vezes. carrega esse lado tradicional. eu acredito muito que a criança. eu acho maravilhosa essa fase. Pesquisadora: Em relação a concepção tradicional o que você sente presente. a se conhecer. a gente sabe que é nesse momento que ele aprende a lidar com o outro. se conhecer melhor. De acordo com o seu questionário. Aí assim. dela ter autonomia pra fazer. o brinquedo que ela vai brincar. ficando felizes. sinceramente.

a gente vai colocando. eles não ficam toda hora perguntando o que é que vai fazer. E em relação ao planejamento. no começo dava muito trabalho. são flexíveis. tem aquelas que são diversificadas. com a foto bem grandona. quantas crianças vieram. a gente tem uma linha de tempo que é da escola. É assim também com os brinquedos. os materiais. que faz parte da rotina. eu gosto muito de fazer atividade diversificada. tem uma plaquinha com o nome deles. porque assim. tem as atividades que são fixas. que todos seguem. Mas se você já quiser falar do espaço e do tempo. não é cantinho fixo. o espaço a gente está sempre mudando. como principalmente pra depois também organizar tudo no lugar de novo. Como tem ocorrido essas atividades? Professora 3: Aí já entra o registro também ou não? . o espaço ambiente. a gente trabalhou muito essa questão de tomar cuidado com o livro de colocar no lugar. então tá bom. que mudam de um dia pro outro. a gente chega. tem o cantinho que ficam os brinquedos. Todo dia tem um momento assim que a gente faz um momento diversificado. guardar as coisas cada uma no seu lugar. aí a gente organiza a sala. de acordo com essa rotina. aí eles vão falando. também organiza os espaços. Aí a gente vai lá. conforme essa rotina do dia. Então assim. cuidar dos seus materiais. pode ficar à vontade. com os materiais. à execução. tem outras coisas que tem que manter que até ta na linha de tempo. de acordo com aquela rotina do dia. quem não veio. tem uma hora que eu deixo lá assim. avaliação. onde ficam os livrinhos.137 Pesquisadora: Muito bem. dá uma acalmada. Pesquisadora: Muito bem. eu organizo com eles esses momentos. Pesquisadora: Após é o tempo. organiza a rotina. mas assim. Que nem. tem passado pra eles. escreve. E eu tenho também a minha rotina. e a gente vê quem veio. Então eu já vou falar também do tempo. tinha muita coisa que eles não tinham o costume de fazer. eles pegavam os livros e deixavam os livros jogados na sala inteira. Eu até já trabalhei outra época com cantinho fixo. a gente tem o cantinho da leitura. mas assim. A gente tem um cartaz de pregas na escola que fica uma lista móvel. vê quem veio. E é bem legal. desenha na lousa o que vai fazer naquele dia. todos os dias pra fazer as atividades. tem algumas atividades que eles escolhem. cuidar dos espaços da sala. É assim. eu tenho o costume de todos os dias organizar com eles na lousa. organizado na escola. E o que a gente vai fazer hoje? Isso é bom até pra abaixar a ansiedade deles. Eles ajudam muito na organização dos espaços. a gente organiza naquele momento da atividade diversificada a gente organiza os cantinhos conforme as atividades daquele dia. não vou dizer que não acontece de ter um livro ou outro. quem não veio. E aí. Professora 3: Ah. Aí. Pesquisadora: Você tocou no assunto de cantinhos. mas no momento tem assim o da leitura que é fixo. eu vou te perguntar. você até já falou um pouquinho sobre as atividades que você tem feito. você organiza o seu espaço através de cantinhos? Professora 3: Em alguns momentos da rotina. eu tenho muito isso na minha rotina. como você tem organizado o espaço e o ambiente para o acolhimento dessas crianças? Professora 3: Então. E a questão das atividades. Em relação ao seu cotidiano em sala de aula.

a criança não tem acesso a isso. gosto muito de trabalhar com portfólio. que era minha o ano passado. isso aqui eu preciso fazer um pouco mais. Até citando de novo aquela questão das letras. dependendo da atividade é mensal. Eu estou sempre com o portfólio pra lá e pra cá. Eles falam: Pro eu escrevia meu nome assim. Um dia teve umas alunas minhas do ano passado que viram eu fazendo esse portfólio com um aluno meu desse ano. o jeito que ele. agora é assim. aí assim. A gente pega. você vê que uma coisa é importante.138 Pesquisadora: O registro. auto-retrato. com trabalhar a letra do nome do amigo. aquilo que não está dando muito certo. logo no começo desse ano. É importante trabalhar de um jeito lúdico. agora é assim. na verdade esse planejamento que fica com ela a gente pega raramente. a letra do próprio nome. olha isso aqui eu coloquei aqui e não fez. aquilo que está sendo legal continuar. no segundo estágio. o que você ainda não fez: Ah.. Eu pego algumas atividades de desenho. e outras listas que a gente faz. Só que tem algumas crianças que ainda ajuda muito essa coisa da seqüência. às vezes anota alguma coisa no caderno. ela vê. porque tem criança que precisa muito disso. com brincadeiras. Aí nesse portfólio tem evolução da escrita do nome. atividade livre. Você vê que pra eles é um desafio. no começo do ano ele fica muito assim. Eu acho legal o professor ter o registro dele. estão acompanhando a evolução deles. A letra do nome era assim. Eu tenho criança aqui no terceiro estágio. um pouquinho apreensivo pra fazer as atividades. Depois eles vão se soltando melhor. E é legal também até pra você conhecer melhor a criança. mas é importante também trabalhar algumas coisas assim como a seqüência. Eu fico vários dias com o portfólio. olha o que você já fez. lembra? Assim. registro de jogos. posso dizer que a maioria das crianças aprendem mais assim de forma lúdica. como é individual. é incrível. É uma coisa que fica um pouco distante assim. Aí no outro mês. no caso todo ano. é legal fazer portfólio por que você vê. Eles perguntam o nome das letras. E eles sentem faltam. pra falar a verdade. Eu sento um por um. assim. só que é muito pessoal. Ou falam: aquela do número.. Assim. poucas vezes no ano vai lá.. vejo aquilo que eu preciso tomar mais cuidado. Eu até faço questão de anotar pra mãe deles saber que ele aprendeu a letra. eles começam até a gostar. Assim. tem a evolução. de brincadeira. era assim no começo do ano. é muito dele. E tinha uma aluna . porque não é uma atividade que ta todo mundo fazendo junto. Dependendo da atividade é bimestral. tem desenho de história. mas a outra também é. Eles ficam: professora vamos fazer aquela atividade da letra lá de novo. que é uma coisa muito completa. vou ser sincera com você. de letra. essa coisa mais concreta. a mãe da criança não tem acesso. no dia-a-dia mesmo o que é que eu uso? Anotações no meu caderno. na questão das letras. eles não vêem a hora de chegar a vez deles. se você quiser já falar sobre o registro. eu apresento o portfólio. com jogos. de nome. É legal você fazer portfólio pra você conhecer melhor. semestral. atividade de número. recorre a ele. A mãe também. Porque assim. por exemplo. Agora assim. aí fico um período sem. vejo até aquilo que eu preciso dar uma mudada. tem conhecimento do nome. é legal porque é uma coisa que eles estão vendo. uso muito o portfólio. ta só você e ele. pra ver como ele está. Professora 3: Então. eu faço algumas anotações no meu caderno. ele lê. então você pega algumas falas deles. que entrega pra coordenadora. aquela lista móvel. a gente tem o planejamento que é aquele que a gente faz. por exemplo. ele reflete. mais palpável. agora o portfólio eles vêem. é legal também. antes. Aí pra que eu uso esse portfólio? Tem alguns dados que eu faço uma tabulação no meu caderno. E assim. raramente. tenho a minha rotina e assim. eu uso muito esse portfólio também pra conhecer melhor. eles perguntam. Então ele faz do jeito dele. aí já estou com o portfólio na mão seja pra uma atividade ou pra outra.. só que assim. É legal que até no ano seguinte. Como você senta com cada um. E eu acho muito legal trabalhar com portfólio.

no começo faziam um pouquinho de sujeira. ele tem que encontrar o lápis de cor no meio dos outros materiais. mas já dá pra usar. mas estava tudo nas mãos deles. você usar o material coletivo. agora eu já sei todas. recolher. Em relação aos materiais. porque eu só to dando lápis de cor. mais tranqüilo pra fazer. A maioria ainda tinha quatro. eles se sentem bem. coloquei a bandejinha e pus na mesma bandejinha lápis de cor. Até quando eles usavam o material errado era bom porque era o momento de você falar: Não. que é assim. Aí as minhas alunas ouviram: Pro lembra que o ano passado aconteceu isso comigo? A primeira vez que você fez essa atividade eu também só sabia a letra X. apontador comum. E eles faziam uma sujeira porque não estavam acostumados a usar o apontador. Eles aprenderam a usar. Ótimo porque não tinha mais aquela coisa que você usava o apontador elétrico na sala. Aí depois eu mudei. era horrível aquilo. E assim. e eu ficava apontando. Eu achei ótimo. eles não sabiam usar. Entendeu? E assim. em relação aos brinquedos também. E é super-importante. E assim. foram pegando. foi muito legal. Teve várias orientações assim . era individual. organizar. você vê que é importante pra eles. mas depois rapidinho a gente percebeu que melhorou. eles se sentem mais à vontade. você tem o material por mais tempo. Como são organizados os materiais na sua sala de aula. eles têm que saber. eu uso muito. Então assim. mas como não era todo dia. giz de cera. agora Pro eu sei todas as letras do alfabeto. Aí veio né. faltava algumas ainda pra circular que eu não sabia. tudo. como eles usavam o apontador. Explicava o motivo. dependente de mim ainda. não era adequado para aquela atividade usar. Só que assim. Aí foi material coletivo. no começo ainda eles usavam. às vezes acontecia de uma atividade. depois disso. É muito bom. eu dava também o apontador. No começo eu colocava ainda separado. ficavam atrás de mim também quando precisa apontar. você tem material pra usar o ano inteiro. o material mesmo -giz. a presença dos materiais no cotidiano? Professora 3: Olha. o material foi assim. ninguém ficou mais atrás de mim isso. outro só pro lápis de cor. você que está ali repondo esse material. senão é muito fácil né. foi ótimo. Entendeu? Ai eles foram aprendendo até a jogar a casquinha no lixo. Aí assim. mas depois eles foram aprendendo. uma boa parte dessa organização está nas suas mãos. Porque incentiva né. aí sempre acaba que eles ajudam a cuidar. então tem assim uma certa possibilidade do material durar mais tempo. não dá pra usar giz de cera nessa atividade porque o espaço é pequeno e a ponta do giz de cera é grande. Eu estava gostando muito dessa forma de usar o material. Quando você entregou essa atividade pra gente levar pra casa. eles tem que aprender a usar o apontador. acabou. mas ele tem que aprender que se nessa atividade ele precisa usar o lápis de cor. Aí eu falei: você sabe mais alguma? Ela: Não. a gente sentou. direto. eu circulei todas. Aí veio o recesso e teve aquele problema da gripe A. E é isso. Acho que até a questão da alto-estima deles. Nada de criança ficar andando atrás de mim procurando apontador com lápis pra apontar. não pôde mais continuar usando o material coletivo. pra aquilo. por exemplo. giz de cera e eles usavam. claro. Aí assim. depois que eles vão evoluindo. pensou em algumas coisas. Aí. ta muito limitado isso: é claro que ele só vai usar lápis de cor nessa atividade. Como é isso. Aí depois eu falei: Ah. Foi só no primeiro bimestre aquela coisa muito assim. canetinha do lado do lápis de escrever. o apontador. borracha. Entendeu? Mas eles foram aprendendo.139 minha que eu perguntei o nome da letra e ela só sabia a letra X do alfabeto. você vê que assim. no primeiro semestre. você quer falar mais alguma coisa em relação aos materiais. até pra rever alguns trabalhos meus. Aí ela falou: esse é o X. Então assim. outro só pra canetinha. Entendeu? Pesquisadora: Muito bem. Daí eu falei: Chega. tinha um potinho só pra giz. tem um lado muito bom. guardar. lápis de cor – o material pra atividade era coletivo. tinha o lado bom.

era separado. tem assim. A interação se dá na hora das brincadeiras. arrumar direitinho. teve muitas mães que vieram na reunião. E foi legal também essa fase de cada um usar o seu individual. E aí. Mas foi uma loucura no começo. Essa sala que a gente ta agora não tem tanto brinquedo como a outra tinha. tinha criança que nem falava no começo do ano. como é que usa. eu acho que tem que ter porque eles tem que aprender cada um cuidar do seu.. você não vai dar aquela coisa maçante. agora também tem alguns brinquedos novos. Claro. E assim. na hora das conversas. das rodas de conversa. alguma coisa pra guardar. e em relação à interação do professor com o aluno e entre eles? Como que se dá isso. bichinho de pelúcia. Aí depois sim. Aí. se socializaram melhor. agora eles estão falando mais. Aí a gente pediu o estojo para os pais. aí eles vão lá. de caixinha. nos momentos de brincar. eles melhoraram bastante o uso do caderno. boneca. fizeram muitas amizades. aí depois foi junto. individual. era o momento que a gente estava em outra sala. mas teve várias que não estavam nessa reunião. no começo. a interação é o tempo todo. já melhora. na hora da história. por exemplo. das atividades. é mais pra ele aprender a usar mesmo. tem que ir indo gradativamente. eles iam. brinquedos grandes. brincam. aquelas caixas com os brinquedos. acho que até eles gostam. eles tem que aprender a usar o caderno. na sua sala de aula? Professora 3: Ah. porque ali dentro tem tudo. toda a hora a gente está interagindo. quem não tinha foi dentro de saquinho. é mais material de encaixe. de ponta cabeça. o material ia e nunca mais voltava. até que ficou. assim. principalmente. criou um vínculo muito grande. O que você quer saber mais pontual? Pesquisadora: Dessa dinâmica mesmo do aluno. Acho que é importante. pegavam e brincavam. continuou o material individual. ficavam mais soltos. que tenha oportunidade de falar o tempo todo. E assim. Então eu oriento muito o uso do caderno.140 pra não estar usando mais nada coletivo durante um bom tempo. e veio recomendação que não podia usar com o amigo. eles ficam livres. como a gente já não tinha muita coisa. distribuía o material. tem algumas crianças eram bem quietinhas no começo do ano. O caderno também. um ou outro ainda precisa de orientação. eu até acho que eles têm que aprender a usar sim. eles pegavam mais os brinquedos. só que assim. Igual. assim. voltando lá. então eles já têm maturidade pra isso . escolhem. estão usando. se puder ser um caderno com linha. eles melhoraram bastante. é até difícil falar com se dá a interação. eles estão usando o material individual. Assim. Aí lá vai eu pegar todo aquele material que estava no coletivo e mais alguns que eu tinha guardado e a gente dividiu tudo e colocou tudo nos estojos – quem tinha né. Também deram trabalho pra aprender a arrumar o armário quando chegaram esses brinquedos novos. precisa de ajuda. foi uma loucura no começo. antes de acabar o rodízio e lá tinha baldes. tudo que tinha que ficou individual. brinquedinho de panelinha e tal. tudo separadinho. dele como uma criança ativa. abria em qualquer página. E eles têm mais autonomia ainda do que tinha. Eles usavam muito de trás pra frente. Então.. a interação se dá o tempo todo né. No segundo estágio é mais o caderno de desenho eles tem que aprender a seqüência. . O brinquedo fica num cantinho da sala. E a gente já teve um momento que o brinquedo. Foi bem legal porque a maioria das crianças conseguiu aprender. Então assim. só que esse material ia e voltava todos os dias. assim. estão cuidando direitinho. eles foram melhorando. Assim. Eles estão aprendendo também. Aí chega no terceiro estágio. aí já não tinha material. Pesquisadora: Muito bem professora. entenderam que o material ia ficar na mochila.mas a maioria está se virando muito bem com o material individual. Porque assim. foi uma loucura. terceiro estágio.

o que é da formação que eles estão tendo no gurpo do PEA. as teorias. aquele professor mudou porque está fazendo PEA ou tal. Como é isso? Professora 3: Bom. respeitar a vez dos outros de falar. Um de cada vez. o seu papel enquanto professora. aquilo que ele vai mudando. falando. que fica muito claro. que você percebe muito nitidamente. e querem comentar. você percebe até uma ou outra atividade. Professora 3: Olha. o que já era da prática deles. Pesquisadora: E assim. em alguns momentos assim. pra falar a verdade não fica tão claro isso. É uma interação que não acaba nunca. é aquela centralizadora ou aquela que ta mediando. O que você aprendeu na sua formação acadêmica para a sua prática. E assim. para a sua realidade do dia a dia. Pesquisadora: Se você dá oportunidade pra ele falar. a prática que ele já traz com ele. aquilo. eles chegam todo dia falando. eles falam bastante. É difícil dizer isso né. observar mudanças assim. falando. eles interagem. vem desde lá do começo do ano. claramente. Às vezes.a gente sabe que não é tudo que a gente vê na teoria que a gente consegue colocar na prática. Pesquisadora: Muito bem. em relação à formação continuada. ah. o tempo todo eles falam. falam. você de fora. da convivência da interação que você tem com o outro professor. como de programas. Mas assim. fica difícil falar até que ponto foi a formação que ele ta tendo porque tem assim o dia-a-dia dele. E em relação a fatores que impedem as propostas. eles já sabem mais ou menos como funciona a rotina. Agora assim. a gente faz bastante roda de conversa também. a realidade é bem diferente. você percebeu durante esse ano. é eles que falam. sim. Às vezes. Porque assim. você percebe mudança na prática do professor que faz formação continuada? Você de fora. alguma coisa que ele faz assim que você percebe que está dentro de algum tema que está sendo estudado dentro do projeto. E assim. Geralmente . Tem hora que tem que parar um pouquinho e falar: Calma. Isso não fica muito claro. um tênis novo. não fica tão claro isso. mas assim. algumas coisas que a gente reflete e muda. vai mudando algumas coisas na prática. não fica muito claro pra mim o que é da prática dele. na hora de brincar na hora de fazer atividade. algumas atitudes assim. durante esses quatro últimos anos mudanças nesse professor? Você consegue observar isso ou não? Professora 3: Então. Os alunos são muito diferentes. a gente até toma cuidado pra todo mundo poder falar. Outra pergunta é à respeito da prática docente. a gente tá sempre mudando né. no PEA. já faz tempo né. falam. bastante. no decorrer da rotina. Na hora da rotina eles falam. sempre tem alguma coisa que a gente leva sim da teoria para a prática. você percebe mudanças. o tempo todo. todos os momentos. isso. não. Você que não realiza a formação continuada. Eles falam. tanto de projeto. E é legal que eles falem bastante mesmo.141 Professora 3: Ah. às vezes também num ano você consegue e no outro não. Eles falam muito o tempo todo. Assim. Eles vêem falar que foram passear. contam tudo que acontece em casa e querem mostrar tudo. não é uma coisa assim muito marcante. Eles falam bastante. Entendeu? Pesquisadora: Bom. atitudes? Professora 3: Olha assim. muito obrigada. Pra falar a verdade. Você percebe assim. você sente algum fator que impede essa teoria presente na sua prática. com os professores.

então assim. essas e outras coisas que a gente vê na teoria que é importante. a intervenção individual. tudo que você oferece pra ele. ajuda a transformar algumas coisas na sua prática sim.142 eu tenho duas turmas. Que nem. que ajuda a refletir. E eles são muito diferentes um do outro. E assim. eu tenho uma turma no inter que é muito difícil. mas tem muita coisa que dá pra você colocar na prática. esse é um fator complicador. É muito bom. cada criança. é sempre muito bom. Agora. tem coisa que não. Às vezes. quem não gostaria de poder acompanhar melhor os alunos de poder fazer mais por cada um. seja de um jeito ou de outro. eu não prestei concurso. procura estar conhecendo cada aluno o máximo que a gente pode. assim. tem muita criança que ele aprende sozinho. Pesquisadora: Muito bem. eu tenho um num período intermediário e um no período vespertino e eles são muito diferentes uma turma da outra. ele precisa de uma intervenção individual. que eu acho muito importante: a intervenção individual. e assim. Então assim. eles conseguem esperar. poderia acompanhar bem melhor cada aluno. eu estava lendo esses dias um livro. olha que legal. mas é um dos livros lá que uma professora falou que caiu no concurso. é uma turma muito agitada. em um lado. Seja numa área ou em outra. tem criança que não é assim. ele consegue aproveitar. Então. os alunos são muito agressivos. que é dificuldade geral. e todos eles precisam né. eu fazia isso. ele precisa de uma dica: olha isso tem que fazer assim. no vespertino e não consigo fazer no inter. em alguma coisa ele precisa de intervenção. tudo que você trabalha no coletivo. fazer de novo. reflete. ele tira daquilo um aprendizado daquilo. Por exemplo. auxilia. é importante retomar. tem muita coisa que não dá. às vezes. Pesquisadora: Você tem como dar algum exemplo? Professora 3: Um exemplo. a gente faz o que a gente pode. Só que a gente sabe que se fosse um número menor de aluno. a gente põe em parte isso em prática. tem coisa que dá. mesmo que ele tenha facilidade. Às vezes você começa a ler. Sempre. Por exemplo. A teoria que você tem desenvolvido durante toda sua formação profissional. ele aprende sozinho. eu tenho dois segundos estágios. E acredito que é um momento que ele constrói conhecimento. eu tava dando uma olhada. Eu acho muito importante porque assim. É uma dificuldade. Essa é uma questão. Professora 3: Ah sim. praticamente sozinho. para caminhar sozinho. que ajuda. tava lendo e tava falando dessa parte do brincar na educação infantil. Algumas coisas eu consigo fazer. agora não faço mais. às vezes ele tem facilidade em uma questão e em outra não. uma coisa que me aflige muito. assim. sempre considerei. na prática docente? Professora 3: A teoria geral? Pesquisadora: É. ajuda a melhorar. Aí eu tive oportunidade de pegar esse livro. Já a outra turma é uma turma mais tranqüila. dá pra você estabelecer um diálogo melhor. Então assim. Então assim. Você localiza no seu cotidiano fatores que auxiliam a aplicação das propostas teóricas. Tem também algumas coisas assim. Eu acho muito importante o brincar. poderia fazer um trabalho bem melhor. a gente procura estar fazendo essa intervenção. se não tivesse algumas dificuldades teria como colocar muito mais a teoria em prática. Seria assim. que é ter um número muito grande de alunos nas salas. sempre você dá uma acordada pra alguma coisa. Então assim. é um momento que eles . procura estar acompanhando. tudo. eles precisam. até alguma coisa que você fazia lá há um tempo atrás e não faz mais. por exemplo. eles tem mais paciência pra uma atividade que precisa de mais tempo.

No momento. as linguagens é assim. não sei como vocês denominam essa parte assim de ciências naturais. Agora. Por isso é importante o registro. O nome do nosso projeto era fundo do mar e assim. eles curtiram muito. Um exemplo. por exemplo.143 se conhecem melhor. tava falando assim que. dançava.. A gente tem que tomar muito cuidado. muito. nós assistimos filme. nós estamos desenvolvendo desde o final do semestre passado. Teve criança que falou . você pediu um exemplo. mais livre também pra ele poder brincar. Valorizar a hora que ele ta ali brincando e observar e ver que. Pesquisadora: Muito bem. alguns mistérios do fundo do mar. o professor precisa ter mais tempo dessa interação. Então assim. cola. vários mistérios. Em relação às linguagens. isso não acontece todos os dias. cantava. Então assim. tem época que a gente cantava. eles estão gostando muito. que ele organiza. enfim. eles comentaram muito que as crianças falam muito sobre várias coisas que eles estão aprendendo do fundo do mar. Assim. Qual é o motivo? Professora 3: Na arte e também. às vezes. Música. Eu acredito que eu trabalho todas as linguagens. você acaba. as crianças trouxeram. eu tava lendo que assim. os pais também. conta os pontos e faz isso com palitinho. eles até falaram em casa para os pais. entendeu? Que é importante mais momentos assim que não sejam direcionados pelo professor do que momentos dirigidos pelo professor. trabalho todas elas. mas tem época que você acaba deixando um pouquinho de lado. todos os dias. O ideal seria todas serem priorizadas sempre. muito. que eu não sabia. Então assim. tem época que eu conseguia contar histórias todos os dias. é muito bom. Menos dirigido. muito importante. Só que assim. Coisas que até eu descobri. como que eu posso dizer. colocava som. O que ta acontecendo todos os dias. acontece. Só que assim. agora? É que tem época também que a gente deixa de lado. o professor se desgasta muito em fazer isso. trouxe CD também. você começa até a valorizar mais. você tem conseguido desenvolver essas múltiplas linguagens da educação infantil com os alunos? Professora 3: Olha.. essa e outras questões. dos animais. por um motivo ou outro. aquilo e tudo muito dirigido. na verdade. só que tem época que eu acabo priorizando mais uma do que outra. pesquisamos nos livros várias características. Matemática : tem época que a gente trabalha mais.. muito. estar revendo sua prática porque. Então. na verdade esse projeto que eu to desenvolvendo. tem coisas que a gente faz mesmo. só que tem um momento que a gente acaba priorizando mais uma do que a outra. Eu tenho na minha rotina um momento dirigido e um momento que a criança fica. Aí eu tava pensando assim: é. que ele fica mais à vontade. uma coisa que deveria acontecer todos os dias. eu trouxe vários livros. tem época que você percebe que. nas últimas duas reuniões de pais. Às vezes. Eu fiz oficina com os pais. trabalha boliche. trouxe filme. pra ele poder se interar mais à vontade com os outros. quando eu tava lendo isso. Muita atividade artística: tinta. Apesar de sempre. o professor se desgasta tanto querendo direcionar muito. mas assim. Muito obrigada. nós passamos por várias etapas. eu trabalhei muito estória. as crianças estão bem envolvidas. Por quê? Porque nós estamos às vésperas de uma mostra cultural. é muito bom. Pesquisadora: Nesse momento você falou que ta fixado mais as atividades na arte. é um momento que ele se expressa – a brincadeira simbólica é muito importante. trabalhando mais uma do que a outra. E assim. E assim. Só que assim. mais à vontade. desse momento livre. no colar. a gente passou por momento de pesquisa. realmente. características sobre vários animais. desse momento que a criança escolhe. eu acho importante trabalhar todas elas. às vezes.. que ele faz a vontade dele. já não é uma coisa que acontece todos os dias. numa determinada época do ano. tesoura.

criança que tem quatro e vai fazer cinco. Eu acho que eu vou demorar um pouquinho pra ter coragem de pegar o primeiro estágio de novo. todos do fundo do mar. trabalhos que os pais fizeram também na nossa oficina. não é assim uma diferença tão grande. de segundo pra terceiro estágio. Agora nós estamos finalizando alguns trabalhos. Eu trouxe também CD Room. se tivesse feito antes não teria onde colocar. não ta estruturado pra receber essas crianças. Essas coisinhas tem que ser perto mesmo. trabalhos de meses já. vocês estão recebendo crianças de quatro anos a completar. a gente olhou também na sala de informática. dessa semana de mostra cultural. Aí assim. Pesquisadora: Muito bem. algumas coisas tem que ser mais próximas mesmo. e teve também o momento de várias atividades artísticas que a gente veio fazendo no decorrer do ano. Nessa escola aqui eu nunca peguei primeiro estágio. Pesquisadora: É um projeto maior? Professora 3: Isso. Então assim. na última reunião de pais. recebe também as crianças de cinco. Porque do mesmo jeito que essa sala que recebe essas crianças. muito. Em relação ao ensino fundamental de nove anos. eu vou falar um pouco da minha experiência. Porque eu já tinha trabalhando com essa faixa de idade de alunos em creche. é uma coisa que chega a ser quase desumano. Mas é que agora a gente está no final. tudo. Então assim. Foi uma experiência até um pouco traumática. tem coisas que é difícil até de guardar. A gente fez cada cartaz enorme. eles são muito dependentes. era um número bem menor. um grupinho . Assim. pra falar a verdade. primeiro estágio é muito diferente. tem um mês que completou. Eu sabia que era difícil o primeiro estágio. até o seu jeito de cantar. Que é um grupo muito grande pra você ali. Assim. você sozinha. as crianças que ainda vão completar quatro anos.144 que queria morar no fundo do mar. Aliás. do mesmo jeito que é a sala de primeiro estágio. brincamos com alguns joguinhos que tinha nesse CD. outra realidade. É muito difícil. Agora. Na EMEI você com 35 alunos. o seu jeito de falar tem que ser diferente. que o fundo do mar é lindo. Teve a leitura. que a gente chama de segundo. que completaram 3 anos no final do ano. em relação ao mobiliário? Como que isso tem ocorrido na rotina de vocês? Professora 3: Olha. Assim. muito. demais. por conta disso. a gente passou por esse momento da pesquisa. era duas educadoras por turma. Como vocês têm se organizado? Vocês têm discutido isso nos grupos em relação à material. que vieram de CEI. por exemplo. o que a gente faz de diferente? A linguagem pra uma criança de três anos é diferente. vai fazer seis. eu não percebi assim mudança pra receber essas crianças. Mesmo aqueles que já vieram de alguma escola. não é só agora. Tudo você tem que fazer um certo malabarismo pra chamar a atenção deles né. que são vários trabalhos que eles fizeram. ta na semana da mostra. a pesquisa. o ano passado eu peguei um primeiro estágio na outra escola que eu trabalhava. Pesquisadora: Nem a rotina é diferente? Professora 3: A rotina é um pouco diferente. pra fazer a verdade. mas eu não sabia que era tão difícil como foi comigo quando eu peguei. terceiro estágio. Criança de cinco pra seis anos. principalmente no começo do ano. aí vem pra EMEI. de aplicar uma atividade. a gente acabou priorizando mais nesses últimos dias essa questão artística mesmo. Entendeu? Não tem muita diferença de uma sala pra outra. na minha opinião não ta preparado. a finalização de algum trabalho. eu sofri demais. de seis anos. foi uma dificuldade arrumar o tamanho da lousa. a realidade é outra. Então.

sua prática? Qualquer coisa que você gostaria de comentar. eu também peguei uma turma bem difícil. Mas assim. Então assim. eu quero fazer tudo assim. querem a gente o tempo todo. Tem muita criança que faz ali na roupa mesmo. que eles estão se sentindo bem. tem coisa que eu não consigo. Eles misturam as coisas deles com as coisas das outras crianças. da roupa. Eu gosto muito do meu trabalho. E assim. eles não têm ainda aquela noção de . professora de educação infantil.145 menorzinho. eu gosto de estar acompanhando.Cuidar das coisinhas dele. a garganta.Gente. Eles sentem vontade ir no banheiro. É exaustivo. E assim. talvez um horário de parque diferenciado. mas reduzir a quantidade de aluno. fica cansada. E assim. eu sou muito ansiosa. Então assim. Isso eu sinto muito. tem que ajudar. Eu me preocupo muito com os alunos. Não.. Eles são muito novinhos. eu quero agradecer a sua participação na pesquisa. Professora 3: Obrigada você também. Até a linguagem que você usa. vários assuntos. de abordar nesse momento? Professora 3: Eu acho que eu já falei bem geral assim. Mas assim. E assim. do material. ta muito longe. em especial. é muito difícil com essa quantidade de criança.que é uma opção minha também né.. É muito difícil. mais opções de atividades livres. tinha muita criança com problema assim de agressividade. não dá. E assim. pouquinho tempo da rotina. gosto de ser professora. tem que ensinar muito tudo. Acho que tinha que ter assim mais brinquedos. Pesquisadora: Professora você tem algo pra comentar sobre a educação infantil. uma turma de intermediário já é difícil por essas questões que eu falei. que eles estão se socializando bem com os outros. ainda mais com duas turmas. pra cuidar do material também é muito difícil. Eu tenho a dizer que eu gosto muito do meu trabalho. eu sou muito ansiosa. Da experiência que eu tive. É muito difícil. E ainda nessa turma que eu peguei experiência foi mais difícil ainda porque era um grupo bem agitado. Então assim. muitas horas de trabalho. Tem coisa que eu consigo. eu acho sofrido pra eles e sofrido para o professor. Então a dificuldade maior é essa. . A gente cria um vinculo muito grande e é um trabalho muito humano e eu estou feliz. eles são muito novinhos. tanto o que ele traz na mochila ou mesmo o material coletivo. Eu me cobro muito ainda. Pesquisadora: Bom. dentro dessa minha opção o mais difícil é isso – o cansaço. Porque assim. isso seria interessante sim. principalmente a voz. não dá. de ver que eles estão aprendendo. é cansativo também. da minha profissão. é isso. cadeira. ele não pára e vai. Inclusive hoje me falaram que eu preciso respirar. realmente não ta preparada a escola. essa coisa de mesa. bem legal. Então foi muito difícil. Eu acho que as perguntas estão bem legais e bem assim. muito preocupada. o jeito de falar com eles tem que ser diferente. e tudo. É muita coisa. Eu acho que a escola está longe de estar preparada pra essa idade de aluno. é o cansaço. foi de grande valia para a pesquisa e muito obrigada. Muita criança. e assim. eu estou satisfeita com o meu trabalho e com a minha profissão. sobre a sua profissão. devo dizer que claro. eu nem sei se cabe dizer. eu vejo assim. E assim. a gente passa muita dor de cabeça. principalmente fora da sala. Eles solicitam a gente o tempo todo. não são tudo flores. apesar disso é muito gostoso. eles sugam o tempo todo. Tem muita criança que não tem. eles têm uma certa dependência de você. você tem que falar de um jeitinho especial com eles. Todo dia à noite eu não consigo nem falar mais quase. eu posso dizer que é sofrido porque eu vivi essa experiência.

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