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UNIVERSIDADE CIDADE DE SÃO PAULO PROGRAMA DE MESTRADO EM EDUCAÇÃO

Elaine Cristina Marena Andrade

OS INSTRUMENTOS DO COORDENADOR PEDAGÓGICO PARA COORDENAR A FORMAÇÃO CONTINUADA DOS PROFESSORES NA UNIDADE ESCOLAR: “O PROJETO ESPECIAL DE AÇÃO” E “O PROGRAMA A REDE EM REDE: A FORMAÇÃO CONTINUADA NA EDUCAÇÃO INFANTIL” NO MUNICÍPIO DE SÃO PAULO

São Paulo 2010

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Elaine Cristina Marena Andrade

OS INSTRUMENTOS DO COORDENADOR PEDAGÓGICO PARA COORDENAR A FORMAÇÃO CONTINUADA DOS PROFESSORES NA UNIDADE ESCOLAR: “O PROJETO ESPECIAL DE AÇÃO” E “O PROGRAMA A REDE EM REDE: A FORMAÇÃO CONTINUADA NA EDUCAÇÃO INFANTIL” NO MUNICÍPIO DE SÃO PAULO

Dissertação apresentada ao Programa de Mestrado em Educação da Universidade Cidade de São Paulo, como requisito exigido para a obtenção do título de Mestre.

São Paulo 2010

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Elaine Cristina Marena Andrade

OS INSTRUMENTOS DO COORDENADOR PEDAGÓGICO PARA COORDENAR A FORMAÇÃO CONTINUADA DOS PROFESSORES NA UNIDADE ESCOLAR: “O PROJETO ESPECIAL DE AÇÃO” E “O PROGRAMA A REDE EM REDE: A FORMAÇÃO CONTINUADA NA EDUCAÇÃO INFANTIL” NO MUNICÍPIO DE SÃO PAULO

Dissertação apresentada ao Programa de Mestrado em Educação da Universidade Cidade de São Paulo, como requisito exigido para a obtenção do título de Mestre.

Área de concentração: Data da defesa: Resultado:_______________________________________________

BANCA EXAMINADORA:
Prof. Dr. João Gualberto de Carvalho Meneses Universidade Cidade de São Paulo Prof. Dr. Jair Militão da Silva Universidade Cidade de São Paulo Prof. Dr. João Pedro da Fonseca Universidade de São Paulo __________________________________

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os .4 DEDICATÓRIA Dedico a dissertação a todos protagonistas da Educação Infantil.

meu amado Orientador Aos membros da Banca Examinadora da minha dissertação.5 AGRADECIMENTOS Agradeço aos ANJOS por fazerem parte de mais uma caminhada acadêmica de minha vida: Ao meu esposo .UNICID Ao Profº Drº João Gualberto de Carvalho Meneses. E principalmente a DEUS pelo o dom da vida e por enviá-los a me ajudar a superar as dificuldades e conquistar mais uma etapa acadêmica.Hatsue Ito Ao Profº Ms Arnaldo Ribeiro dos Santos A Profª Ângela Maria Duarte Azadinho A toda equipe da EMEI Carmen Miranda A toda equipe do CEU São Rafael Ao Daniel de Souza Janate Aos meus colegas e secretárias do Mestrado em Educação.Letícia Beloto A Diretora Regional de São Mateus .Adriano da Costa Andrade Aos meus pais . .UNICID Aos Professores Doutores do Programa de Pós-graduação (Strictu-Sensu).Oswaldo Armelindo Marena e Zilda Andrade Marena Ao meu irmão – Hebert Alexandre Marena A minha sobrinha.

. e dá mais lucro que ouro”. Provérbios 3:13.6 “Feliz o homem que encontrou sabedoria e alcançou entendimento. porque a sabedoria vale mais do que a prata.

com a participação de 03 professores e análise documental. com decisões próprias. passei a observar o Projeto Especial de Ação e o Programa a Rede em rede: formação continuada na Educação Infantil. Isto poderá contribuir para o avanço da prática docente. na Educação Infantil. na prática docente. Palavras-Chave: Políticas Públicas de Educação. propostas pela Prefeitura Municipal de São Paulo. O importante é garantir que o Coordenador Pedagógico tenha momentos destinados para o acompanhamento da prática docente. inquietações. surgiu a preocupação com a formação dos professores que atuam na educação infantil e. em horários coletivos. Formação Docente. complexo. o fazer docente no cotidiano escolar da Educação Infantil e encontrei. das dúvidas. . identificar a presença. Nesse contexto. no período de 2005 a 2008 da unidade escolar. O Coordenador Pedagógico precisa considerar que o professor é um ser único. o Coordenador Pedagógico terá maior proximidade das ações pedagógicas do professor. Educação Infantil. Com este avanço. enfim terá a oportunidade de realizar uma intervenção individual. a necessidade da elaboração de programas de políticas públicas para a formação docente. também. das intenções das políticas de formação de professores. tratando assim o cuidar e educar como conceitos indissociáveis. Os procedimentos metodológicos são a abordagem quantitativa. Neste sentido. uma de grande relevância: como a formação continuada dos docentes da Educação Infantil tem contribuído para a atualização da prática pedagógica? Os objetivos da pesquisa são analisar a atuação do projeto e programa educacional no cotidiano escolar. assim como os momentos de acompanhamento de formação continuada. necessidades pedagógicas. entrevista semiestrutural. Os novos conhecimentos pedagógicos poderão fazer parte da prática docente quando forem articulados com as reais necessidades e desejos dos professores. aplicação de questionário para 21 professores e 02 gestores e a abordagem qualitativa. dentre muitas questões. e analisar a avaliação dos professores sobre as políticas de formação docente.7 RESUMO Um grande avanço das políticas públicas no Brasil foi considerar a educação infantil (0 a 5 anos) como primeira etapa da educação básica e incluir as antigas creches no sistema municipal de educação. que transforma e é transformado pelo outro.

questionnaire to 21 teachers and 02 administrators. . and to analyze the teacher evaluation on teacher education policies. Therefore. the work of teachers daily in early childhood education and I found. over the period from 2005 to 2008 of the school unit. Keywords: Public Policy Education. doubts. one of great importance: how the continued formation of teachers of early childhood education has contributed to the updating of the pedagogical practice? The objectives of this research are to analyze the performance of both the project and educational program in the school routine. the necessity of developing public policy programs for teacher training. proposed by the Municipality of São Paulo. Teacher Education. in the teaching practice.8 ABSTRACT A major advance of the public policies in Brazil was to consider the early childhood education (0 to 5 yeas) as the first stage of basic education. among many issues. at collective times. will have the opportunity to perform an individual intervention. that transforms and is transformed by others. Early Childhood Education. concerns. and qualitative approach. apperead the concern about the training of teachers working in early childhood education and. This may contribute to the advance of teaching. educational needs. I started to observe the network of the Special Action Project and the Network Project: continued formation in kindergarten. and include day care centers in the municipal sistem of education. in other words. The methodological procedures are quantitative approach. The new pedagogical knowledge may become a part of the teaching practice when they become articulated with the real needs and desires of teachers. In this context. With this advance. the academic coordinator will have greater proximity of the teacher's pedagogical actions. with the participation of 03 teachers and documentary analysis. in due to identify the presence. with his own decisions. as well as the moments of tracking continuing education. The important issue is to ensure that the Academic Coordinator has moments destined to follow the teaching practice. this way treating the care and education as inseperable concepts. in Kindergarten. The Pedagogical Coordinator needs to consider that the teacher is unique. also. of the policies for teacher education intentions. complex. semi-structural interview.

9 LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS ADI ATE CEI CME DOT DOT-EI DOT-P DRE EMEF EMEI INEP JB JBD JEIF JEX LDB MEC PEA PMSP PP SEEC SME TEX Auxiliar de Desenvolvimento Infantil Assistente Técnico Educacional Centro de Educação Infantil Conselho Municipal de Educação Diretoria de Orientação Técnica Diretoria de Orientação Técnica de Educação Infantil Diretoria de Orientação Técnica Pedagógica Diretoria Regional de Educação Escola Municipal de Educação Fundamental Escola Municipal de Educação Infantil Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Jornada Básica Jornada Básica do Docente Jornada Especial Integral de Formação Jornada Especial de Hora Aula Excedente Lei de Diretrizes e Bases Ministério da Educação Projeto Especial de Ação Prefeitura Municipal de São Paulo Projeto Pedagógico Secretaria Estadual da Cultura Secretaria Municipal de Educação Jornada Especial de Trabalho Excedente .

...................................1 Objetivo geral .................................................79  5 CONSIDERAÇÕES FINAIS............. 49  4 ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DOS DADOS COLETADOS ............................... 7  ABSTRACT ................................4 Relevância da pesquisa.........................................18  1....3 A implantação do “Projeto Especial de Ação” e do “Programa: A Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil”....2 Instrumento de pesquisa quantitativa: Questionário-Gestores .......................74  4............................................................................................1 Instrumento de pesquisa quantitativa: Questionário ....................................................................................................................................................................................................................................................................5 O “Projeto Especial de Ação”..........31  2................18  2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA............................28  2............................................ 8  1................................................52  4. REFERÊNCIAS ..........3 Objetivos..... 11  1..............17  1.......3..........3 Instrumento de pesquisa qualitativa: entrevista semi-estrutural...............................................1 O perfil dos profissionais docentes da infância ..2 Objetivos específicos.. 19  2............................................................................................................................................17  1.................2 Hipóteses da pesquisa.....................................................16  1................................23  2.........17  1............................................16  1...................................................................................................................................10 SUMÁRIO RESUMO............................19  2......................................................................................................................................................................................2 A formação continuada dos docentes da infância .............6 Os dilemas do Ensino Fundamental de 9 anos e o Cuidar e Educar na Educação Infantil 44  3 METODOGIA DA PESQUISA............................. 108  .... 104  6.................................................................3.....................................no Município de São Paulo.....................................1 Problema da pesquisa ........................................................................................4 O “Programa A Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil”....................41  2.................................. 52  4.......................................Docentes ...................................................................................  INTRODUÇÃO............................5 Estrutura do Trabalho .

em 2006. Após ter sido aprovada e classificada no concurso público realizado pela Prefeitura Municipal de São Paulo (PMSP). recebi um convite para lecionar numa escola particular da Zona Leste de São Paulo. Na minha carreira de magistério. atuando na formação de crianças de 4 a 10 anos de idade. “Projeto Especial de Ação” e o “Programa A Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil” que surgiram dúvidas as quais me dispus a pesquisar. fui convocada a tomar posse dos cargos citados. no Centro de Educação Infantil. tendo que me despedir do meu primeiro emprego. Em meados de 2002. então. Foi neste contato direto com a formação de professores. especificamente na região de São Mateus. INTRODUÇÃO Ao término do último ano do curso de magistério. nos cargos de Profº Titular de Educação Infantil e Profº Adjunto de Ensino Fundamental I.CEI. caminhei em direção a mais um concurso. na modalidade Educação Infantil. para crianças de 4 a 6 anos de idade. durante o novo percurso. alunos e pais. ingressei na PMSP. assumi o cargo de Coordenador Pedagógico atuando na formação continuada de professores e tive o privilégio de continuar atuando nesse cargo. lecionei por 3 anos consecutivos. formulei questões sobre a formação continuada dos docentes. atuando integralmente na Educação Infantil. o meu ingresso na carreira do magistério. no ano seguinte. Quando assumi o cargo de Coordenador Pedagógico. Iniciava. então. enquanto exercia o cargo de professora (19972005) tinha preocupações com a sala de aula. as atribuições do Coordenador Pedagógico são: . Nessa unidade escolar. Alguns anos mais tarde. em 2000. estava sendo convocada a tomar posse do meu segundo cargo de Profº Titular de Educação Infantil e exonerando-me do cargo de Profº Adjunto de Ensino Fundamental I. Essa experiência despertou meu interesse maior pela Educação Infantil e. da Prefeitura Municipal de São Paulo. De acordo com o edital do concurso público (2009) referente ao cargo de acesso do Coordenador Pedagógico. Então.11 1.

O planejamento das ações do horário coletivo de formação docente também são atribuições do Coordenador Pedagógico.P descreve sua história. nos horários coletivos de professores. de acordo com o edital da Fundação Carlos Chagas (2009): . também. terão a incumbência de elaborar e executar sua proposta pedagógica. Neste sentido. 9. segundo o edital da Fundação Carlos Chagas (2009). os métodos de ensino-aprendizagem e avaliação. caracteriza a comunidade local. dificuldades. tendo como instrumento o “Projeto Especial de Ação”. O Projeto Pedagógico foi previsto na LDB. Essa implementação se dá por meio da formação continuada. inciso XV: “Promover a implementação dos Programas e Projetos da SME por meio da formação dos professores da Unidade Educacional. no art. 2003.12 I. as modalidades e turnos em funcionamento. Assim. em consonância com as diretrizes educacionais do município. coordenado pelo Coordenador Pedagógico.394/96. no sentido de refletir sobre as finalidades sociopolíticas e culturais da escola”. que junto com a equipe escolar elabora-o de acordo com as prioridades da escola. (Veiga. além de articular o P. a escola tem a autonomia para refletir sobre sua intencionalidade educativa.12. (Fundação Carlos Chagas. p.P). define as necessidades pedagógicas. O PEA deve estar articulado com os Projetos e Programas que compõem a Política Educacional da Secretaria Municipal de Educação (SME).15) O “Projeto Especial de Ação” é. Cada escola por meio do P. etc)”. enfim constrói sua própria identidade. bem como do acompanhamento da aprendizagem dos alunos (avanços. sendo ambos objetos de acompanhamento e avaliação dos profissionais de educação nos horários coletivos de formação. visando a melhoria da qualidade da educação. Lei n.Coordenar a elaboração. inciso I: “os estabelecimentos de ensino. o Projeto Pedagógico tem a finalidade de dar autonomia às unidades escolares. execução e avaliação do Projeto Pedagógico (P. 2009) O Coordenador Pedagógico precisa coordenar as etapas de elaboração. Entende-se por autonomia da escola quando: “Ela concebe sua proposta pedagógica ou projeto pedagógico e tem autonomia para executá-lo e avaliá-lo ao assumir uma nova atitude de liderança. necessidades específicas. tendo em vista os desafios do cotidiano escolar. implementação e avaliação do Projeto Pedagógico da Unidade Educacional.P com o “Projeto Especial de Ação” (PEA). respeitadas as normas comuns e as do seu sistema de ensino.

garantindo a consonância com as diretrizes curriculares da SME.Coordenar a elaboração e implementação dos Planos de Ensino dos professores.Elaborar o plano de trabalho da Coordenação Pedagógica indicando metas. O acompanhamento e avaliação das atividades pedagógicas são atribuições permanentes do Coordenador Pedagógico: VII. estratégias de formação. registro e problematização da prática pedagógica. XII. acompanhamento e avaliação dos impactos da formação continuada e cronograma de reuniões com a Equipe Docente para Gestão Pedagógica da U. segundo o documento acima. Ele tem que tematizar com o grupo de professores algumas práticas culturais que se espera que as crianças tenham acesso diariamente na escola: . VIII. nas diferentes atividades e componentes curriculares. o Coordenador Pedagógico.E. VI. compreender e aperfeiçoar as práticas pedagógicas. 2009) Uma das propostas do “Programa A Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil” é o registro reflexivo. bem como garantir os registros do processo pedagógico. bem como na organização e remanejamento de educandos em turmas e grupos.13 II. Esta metodologia de formação possibilita que o professor apreenda um episódio e registra-o. (Fundação Carlos Chagas. precisa refletir sobre as práticas culturais do cotidiano da unidade escolar.Acompanhar e avaliar junto com a equipe docente o processo contínuo de avaliação. III. com o objetivo de discutir.Desenvolver estudos e pesquisas que permitam ressignificar e atualizar as práticas pedagógicas em busca de adequá-las a necessidades de aprendizagens dos alunos. O documento A Rede em rede: a formação continuada na Educação Infantil (2007) traz subsídio ao Coordenador Pedagógico quanto às estratégias de formação por meio de instrumentos metodológicos como observação..Participar da elaboração de critérios de avaliação e acompanhamento das atividades pedagógicas desenvolvidas na Unidade Educacional.Planejar ações para a garantia do trabalho coletivo docente e para a promoção da integração dos profissionais que compõem a Equipe Técnica da Unidade Educacional. depois o Coordenador Pedagógico junto ao professor elaboram perguntas a partir do episódio observado. Além disso.

há necessidade de dar condições ao professor de agir. 3. Ler e escrever o nome próprio quando necessário. Eles conhecem apenas o modelo de organização do ambiente para ações centradas no professor e por ele controladas e acreditam que elas têm maior resultado pedagógico. Para isso. observa-se a dificuldade dos professores em atualizar a prática pedagógica: Muitos educadores que trabalham com crianças pequenas costumam valorizar ações copiadas de modelos escolares tradicionais nas tarefas cotidianas que lhes propõem: atividades dirigidas usando apenas papel. 224): A formação docente pode ser compreendida.( A Rede em rede: a formação continuada na Educação Infantil. 2007. compartilhar a construção de sentido sobre o que se lê. Para Oliveira (2005. disposto a ajudá-la a interagir com o ambiente. Participar de situações comunicativas e conversas em grupo. como um contexto que deve visar a criação. ele oferece pouca oportunidade da criança de vivenciar esses momentos lúdicos e significativos de aprendizagem na Educação Infantil. significar as práticas sociais. 17) Quando o professor utiliza o método tradicional para ensinar as crianças. não criativa. 2007. 5. nesse caso. p. decidir e significar a prática pedagógica. 6. com os colegas. Desenhar ou pintar. com os adultos. o sujeito esconde-se atrás da repetição de formas de atuação docente por ele vivenciadas. repetindo modelos de forma não espontânea. A concepção descrita corresponde a fragmentos de um modelo de educação escolar construído no passado para orientar o ensino de crianças mais velhas e de adolescentes. Portanto. Ouvir músicas. Participar de situações de teatro. (A Rede em rede: a formação continuada na Educação Infantil. conta com o professor. não respondendo a singularidade de cada situação educativa em uma sociedade em permanente mudança.. que desconhecem outras formas mais adequadas de organizar situações de vivência. 2.. aprendizagem e desenvolvimento para as crianças pequenas (. Neste sentido. p. enfim com tudo que está ao redor. Ela persiste no imaginário e orienta a prática de muitos professores. A criança necessita vivenciar situações. decidir e significar a situação didática. . Ouvir boas leituras. tinta e lápis. usando uma linguagem Vigotskiana.14 1. p.). Nem sempre essa criação é possibilitada e. 34) O professor deve evitar organizar as ações pedagógicas de acordo com modelo tradicional que reforça o papel do professor como centralizador do conhecimento. 4. pelo sujeito de um zona de desenvolvimento proximal que promove aprendizagens que revolucionem sua forma de agir.

De acordo com Freire (1997. utilizarei a abordagem quantitativa. mas a prática permanece quase intocável. Nos últimos dez anos. O professor deve se colocar como protagonista da própria formação docente. Como Coordenadora Pedagógica.15 O professor precisa planejar ações pedagógicas que ofereçam a criança experiências significativas sempre integrando o que ela já sabe com aquilo que é novo para ela.32). a busca. ir além dos discursos aprimorados e aprimorar a prática pedagógica problematizando as questões do cotidiano escolar. percebe-se que essa realidade parece estar distanciada da prática. o comportamento das crianças vem se transformando e o cenário educativo se renovando a cada dia. O objetivo desta pesquisa é analisar a atuação do “Projeto Especial de Ação” e do “Programa A Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil” e os fatores que dificultam e facilitam o avanço da prática pedagógica. o que há de pesquisador no professor não é uma qualidade ou uma forma de ser ou atuar que se acrescenta à de ensinar. em sua formação permanente. ou seja. discursos aprimoram-se. o professor discute e questiona a teoria da educação. Para realizar a coleta dos dados. porque professor. A criança precisa vivenciar situações que lhe despertem o interesse frente ao inexplorado e ao desconhecido. Enfim. vivências. reflete sobre elas e sobre as formas de aprender e de ensinar. faz parte da natureza do professor a participação ativa no processo de formação docente: No meu entender. p. Pensar em uma sociedade em constante mudança é pensar na necessidade da renovação das práticas pedagógicas. ou seja. como pesquisador. Porém. As experiências. abordagem . Faz parte da natureza da prática docente a indagação. o professor se perceba e se assuma. me deparei com a seguinte questão: o que é necessário para os docentes renovarem a prática pedagógica? Segundo Abianna (2009). saberes e interesses infantis são ponto de partida para a aquisição de novos conhecimentos. O de que se precisa é que. por meio da técnica de questionário. o professor precisa sentir-se pertencente ao grupo de formação continuada e construir conhecimento enquanto pesquisador da prática pedagógica. a pesquisa.

161) relata: “(. p. p. é a idéia central que o trabalho se propõe demonstrar”. 127) definem o problema como “um enunciado explicativo de forma clara.. Diante dessa narrativa. 184) define: “os limites da problematização devem ser determinados. o professor de Educação Infantil apresenta dificuldade em renovar a prática . ou hipótese geral. pois não se pode tratar de tudo ao mesmo tempo e sob os mais diversos aspectos”.1 Problema da pesquisa Para Cervo. • pedagógica.75) o problema da pesquisa “é uma questão que envolve intrinsecamente uma dificuldade teórica ou prática. compreensível e operacional.) o autor deve enunciar suas hipóteses: a tese propriamente dita. Marconi e Lakatos (2003. análise documental da unidade escolar pesquisada e pesquisa de campo. por meio da técnica da entrevista semi-estrutural.2 Hipóteses da pesquisa Severino (2002. Bervian e Silva (2007..16 qualitativa. 1. Severino (2002. para a qual se deve encontrar uma solução”. apresenta-se o problema da pesquisa: Como a formação continuada dos docentes da Educação Infantil tem contribuído para a atualização da prática pedagógica? 1. p. As hipóteses da pesquisa são: • há um distanciamento entre a teoria do “Projeto Especial de Ação” e do “Programa A Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil” e a prática pedagógica. cujo melhor modo de solução ou é uma pesquisa ou pode ser resolvido por meio científico”. p.

Beuren (2006. SCHINDLER. das intenções das políticas de formação de professores (coerência: teórica / prática). 1. d) Identificar os fatores que dificultam e/ou facilitam os avanços da prática docente.17 1.3. proposta pela unidade escolar e o “Programa A Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil”. o objetivo geral e os específicos para esta pesquisa são apresentados a seguir. p.3. 2003).2 Objetivos específicos a) Identificar a presença. Em função do exposto.3 Objetivos Objetivos são metas ou alvos a serem alcançados. proposta pela Secretaria Municipal de Educação. 65) classifica como objetivo geral aquele que “indica uma ação ampla do problema”. b) Analisar o conhecimento dos professores em relação ao “Projeto Especial de Ação” e ao “Programa A Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil”. nos últimos quatro anos. 1. na prática docente. Os objetivos são divididos em geral e específicos. Uma forma de estabelecer os objetivos é desdobrá-los em gerais e específicos (COOPER. Essa estratégia permite maior clareza ao pesquisador e contribui na organização e realização do trabalho de pesquisa. e específica aquele que indica ações pormenores de um problema geral.1 Objetivo geral Analisar a atuação do “Projeto Especial de Ação” e do “Programa A Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil”. . c) Analisar a avaliação dos professores sobre o “Projeto Especial de Ação”. sua clara definição orienta o trabalho do pesquisador e permite obter melhores resultados. na prática docente. e) Analisar a avaliação dos professores quanto aos momentos de formação continuada na unidade escolar.

o objetivo geral e específico e a relevância da pesquisa.18 1. define a questão da pesquisa. O capítulo 2 apresenta a fundamentação teórica que dará sustentação à pesquisa. O capítulo 5 é reservado para a apresentação das considerações finais da pesquisa. e a forma de aplicação do questionário. a entrevista semi-estrutural e à pesquisa de campo. além dos desafios cotidianos do Coordenador Pedagógico no papel de formador.5 Estrutura do Trabalho O capítulo 1 introduz o assunto e a contextualização sobre o tema. O capítulo 4 faz a apresentação do questionário e as entrevistas. Em seguida. O capítulo 3 destina-se à fundamentação da metodologia adotada para desenvolver a pesquisa. análise e discussão dos resultados obtidos.   1.4 Relevância da pesquisa A pesquisa trará uma discussão sobre o “Projeto Especial de Ação” e o “Programa A Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil”. da Prefeitura Municipal de São Paulo e a prática docente. mediante pesquisa bibliográfica e documental. . O “Projeto” e o “Programa” muitas vezes não são compreendidos pelos professores por falta de uma comunicação satisfatória no decorrer do processo da formação continuada.

43). o conhecimento fica. configuram uma vulnerabilidade dessa criança e esse fato faz com que os profissionais que trabalham com a faixa etária de crianças pequenas se diferenciem dos demais profissionais docentes. As crianças pequenas necessitam em sua rotina de cuidados específicos de higiene. porém. aborda-se a especificidade da profissionalidade docente.1 O perfil dos profissionais docentes da infância Cada profissão requer dos profissionais conhecimentos específicos da área de atuação. limpeza e saúde. de acordo com a faixa etária das crianças a quem eles ensinarão. assim chamadas por Oliveira-Formosinho (2002).19 2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 2. entende-se por profissionalidade docente: “a ação profissional integrada que a pessoa da educadora desenvolve junto às crianças e famílias com base nos seus conhecimentos. Contudo. assumindo a dimensão moral da profissão”. A profissão docente não é diferente. . emocional. Essas necessidades e cuidados com as crianças. devido à sua tenra idade. competências e sentimentos. cada vez mais. os profissionais docentes necessitam de uma formação inicial. As educadoras de infância. Outro fator que diferencia os profissionais da Educação Infantil dos demais é a relação profunda entre o educar e cuidar. entre função pedagógica e função do cuidado. Katz e Goffin (1990) Medina Revilla (1993) afirmam que essas vulnerabilidades física. específico e diferenciado. a cada etapa da atuação profissional. que se diferencia dos demais professores da educação. continuada diferenciada e específica. p. por seu campo de atuação se tratar de crianças pequenas. termo usado por Oliveira-Formosinho. social são acentuadas na literatura da área como um fato de diferenciação da profissão. Segundo Oliveira-Formosinho (2002. encontram uma diversidade de tarefas específicas. As características dessas crianças traçam as especificidades desta profissão as quais vão além do conhecimento do desenvolvimento infantil. Portanto. sendo uma particularidade da educação.

Eles são inerentes ao cotidiano dos docentes da infância e devem ser planejados. As crianças pequenas são vistas como um todo integrado (afetivo. destacada por Oliveira-Formosinho (2002) é chamada de globalidade da educação da criança pequena.) uma concepção de profissionalidade que requer integração de saberes. XX): “(. precauções.. temos uma concepção de profissionalidade específica e diferenciada para as profissionais da infância.18-19) Os conceitos cuidar e educar precisam estar interligados nas ações desses profissionais da infância. A partir desta integração. raciocínio e linguagem. mães. os CEIs passaram a deixar de ser o local apenas de cuidar da criança e as EMEIs o local de educá-la. Creches e EMEIs da cidade de São Paulo. motricidade. p. a criança desenvolve sua afetividade. Refere-se a planejar situações que ofereçam à criança acolhimento.20 Com a integração dos CEIs e EMEIs. Já educar a criança é criar condições para ela apropriar-se de formas de agir e de significações presentes em seu meio social. (Tempos e espaços para a infância e suas linguagens nos CEIs. formando um auto conceito positivo em relação a si mesma. Ambas as instituições de Educação Infantil cuidam e educam simultaneamente. social e cognitivo). formas estas que a levam a constituir-se como um sujeito histórico. p. alargando consideravelmente as atividades do cotidiano e as responsabilidades.. 2006. o desafio que se propõe a Educação Infantil é de redefinir o conceito de cuidar e educar: Cuidar da criança é uma ação complexa que envolve diferentes fazeres. atenção. Além disso. comunidade e outros protagonistas que atuam nesse campo” . as crianças pertencem a um contexto social e cultural que requerem dessas profissionais da infância uma integração de serviços: interação com psicólogos. interações e interfaces com pais. de modo que ela satisfaça suas necessidades de diversos tipos e aprenda a fazê-lo de forma cada vez mais autônoma. Ao fazê-lo. imaginação. Dessa forma. integração de funções. tem-se a primeira etapa da Educação Básica chamada Educação Infantil. motricidade. Hoje. gestos. raciocínio. pais e responsáveis pelos menores. assistentes sociais. desafio. olhares. atenção. nos CEIs e EMEIs. imaginação. estímulo. Outra especificidade da profissão. Conforme Oliveira-Formosinho (2000) apud Campos (2002.

é imprescindível que disciplinas pedagógicas e científicas estejam juntas no decorrer do curso superior e não hierarquicamente. fazer evoluir uma prática particular vista de seu interior. Faz-se necessário que os estudantes se aproximem do cotidiano. além dos pesquisadores e seus instrumentos de pesquisa. Vale expor que as críticas aos cursos superiores são pertinentes. 15). faz necessário destacar a importância desses educadores se tornarem verdadeiros pesquisadores de sua prática pedagógica. Essa concepção de formação inicial é antiga e dificulta os profissionais da infância serem de fato pesquisadores da prática pedagógica. há diferença entre pesquisa e prática reflexiva: a pesquisa cuida de fatos. sem poder contar com parceiros mais experientes para realizar a “ponte” teoria e prática. Para Schön (1990) & Zeichner (1993) formar o professor pesquisador significa garantir uma estrutura curricular que priorize a investigação. ao qual pretende atuar e significá-lo. Portanto. devido à nova concepção de criança e infância. Isso se faz necessário. processos. . A pesquisa pedagógica só ocorre no ambiente natural da prática. sistemas educativos e de todos os aspectos da prática pedagógica para descrever e explicar e o professor reflexivo dirige o olhar para seu contexto imediato para compreender. faça a correspondência entre a teoria e a prática pedagógica. as famílias. que está longe da prática. os professores.ordenar. De acordo com Perrenould (1999) as universidades ensinam teorias sobre métodos de pesquisa e não pesquisam a prática pedagógica. não no ambiente fechado da universidade. é necessário o cenário da escola. o que dificulta a reflexão e tematização da prática pedagógica. regular. sem vivenciar momentos de reflexões coletivas e individuais. otimizar.21 Além de toda particularidade da profissão dos educadores da infância. ou seja. Para que ocorra de fato a pesquisa. Desse modo. tanto a prática reflexiva como a investigação desta prática reflexiva são exigências para atender ao novo perfil profissional. o professor na formação inicial se sente sozinho. Isto causa empobrecimento na formação profissional. privilegiando as disciplinas pedagógicas. Para tanto. Segundo Perrenould (1999. p. os alunos. Muitos acreditam que basta introduzir a prática reflexiva para garantir a pesquisa. pois não basta transmitir teoria e deixar que o aluno do ensino superior.

então.) leva a afirmar a necessidade de transformar o modo como se dão os diferentes momentos da formação de professores (formação inicial e formação continuada). ou seja. 25) relatam: (. uso de instrumentos de observação para averiguar o envolvimento da criança e da família na atividade. p.. Já Oliveira-Formosinho e Formosinho (2001) apud Kishimoto (2002. p. integrando um currículo articulado com a formação continuada do docente estabelecendo. (1999. a parceria com a escola.22 Para viabilizar novo perfil profissional. para criar um sistema de desenvolvimento profissional. possibilita a oferta de melhor qualidade de educação às crianças.181). muito precisa ser feito para desraigar as antigas concepções de infância e de ensino superior. A integração da formação inicial com a formação continuada pode ser o caminho para tão esperada qualidade na educação infantil.. o empenho do profissional para dar suporte à criança. ambas de modo integrado. a produzir conhecimento coletivamente e individualmente. a análise da adequação do espaço físico. passando pela formação continuada e alcançando a sala de aula. integrando as diferentes instituições responsáveis em um plano comum. O investimento na formação do profissional de educação infantil. dos materiais escolhidos. Laranjeira et al. enriquecer a formação inicial. assim evitando lacunas pedagógicas. também. colocando como ponte para ajudar o profissional a articular à teoria com a prática. pesquisar. acredita-se na diminuição da lacuna que surge desde a formação inicial. refletindo e mudando o currículo. Além disso. a Universidade poderá. menciona que existem algumas estratégias a serem adotas para alcançar essa qualidade de educação: Entre as estratégias adotadas encontra-se a integração da formação inicial e continuada. Neste sentido. tanto na formação inicial como na formação continuada. Porém. da rotina e do projeto pedagógico e a produção de registros com os porta-fólios. O ensino superior poderá contribuir para este desafio. . Assim. é necessário que o docente aprenda a estudar.

procura produzir a construção partilhada de saberes e práticas.2 A formação continuada dos docentes da infância Segundo Bruno & Almeida (2008. o desenvolvimento profissional se dá em contextos não imediatos. a formação continuada não busca apenas reparar lacunas da formação inicial. Neste sentido. O mesossistema é o complexo mundo das inter-relações que a escola promove aos indivíduos em desenvolvimento. mesossistema. Diante disso. as quais a autora (2002). como por exemplo. baseada em Bronfenbrenner. ou seja. O modelo de desenvolvimento profissional do crescimento. sendo esse processo influenciado pelas inter-relações tanto entre os contextos mais imediatos quanto entre estes e os contextos mais vastos em que a educadora interage. é a realidade vivencial do sujeito. Neste sentido. ela propõe uma formação em contexto e descreve como o docente se desenvolve ao longo da vida profissional por meio do modelo ecológico (2002. exossisterma e macrossistema. O microssistema é o local que proporciona interação entre os indivíduos. a escola.8) comenta: “(. 51): Pode-se dizer. mas sim favorecer a maior expansão do docente”.91): “entendemos que formação inicial e continuada seja um continuum”. gestores e avaliadores de programas de formação. p. com inspiração em Bronfenbrenner (1979). a formação continuada precisa basear-se na perspectiva do desenvolvimento profissional do crescimento. ou seja. .. segundo OliveiraFormosinho (2002). Furlanetto (2003. o professor é sujeito da formação e a avaliação das necessidades pedagógicas é realizada em conjunto: professores. chama de microssistema. No modelo ecológico de aprendizagem profissional dos docentes. p.. mas em um contexto que promova um conjunto de estruturas concêntricas. p.) percebe o professor exercendo uma atividade multifacetada e complexa. Nesta perspectiva. das condições de aprendizagem e da cultura da escola. não busca reparar uma inadequação.23 2. mas construir conhecimento a partir da reflexão da prática pedagógica. na investigação e reflexão contínua sobre a prática pedagógica. que a ecologia do desenvolvimento profissional das educadoras envolve o estudo do processo de interação mútua e progressiva entre a educadora ativa e em crescimento e o ambiente em transformação em que ela está inserida. trazendo conhecimento acerca da sala de aula.

é preciso que se provoque mudanças em toda a hierarquia do sistema. é preciso criar espaços de formação dentro do sistema que interajam entre si e que envolvam os diferentes níveis.24 uma rede de interações. Esses contextos precisam proporcionar a interação mútua entre os sujeitos em desenvolvimento. ser. p. requer empenho. formas de agir desses sujeitos que afetam as atividades e relações e interações aos níveis mais próximos do microssitema e do mesossitema. professores. agir. interessados. investigadores. como o da criança. p. Para que as práticas pedagógicas docentes se atualizem e acompanhem as mudanças da sociedade. Nogueira (2005) vê a escola como um sistema hierárquico. Os exossitemas são arena de situações (contextos) que ocorrem nas inter-relações dos sujeitos em desenvolvimento. por exemplo. com a criança.. Ela (2005. Portanto. Cultivar as disposições para ser. hábitos. em contexto. 49): O desenvolvimento profissional é uma caminhada que envolve crescer. aponta para esses fatores dificultadores. é um desafio que requer processos de sustentação e colaboração.) para que haja uma mudança significativa num sistema que favoreça a prática de professores criativos. 50). por exemplo. é necessário que se observem alguns fatores que podem dificultar o desenvolvimento profissional dos professores. pois se observa que uma educadora da infância não se desenvolve isoladamente. sustenta-se na interação do conhecimento e da paixão. Ou seja. o contexto administrativo de funcionamento da escola. Segundo Hargreaves (1992) e Furlan (1996) apud Oliveira-Formosinho (2002. p. pois não se faz no isolamento. baseando-se no modelo ecológico: . no qual todos os protagonistas devem interagir para promover uma verdadeira mudança de prática dos professores. 220) menciona que: (. valores. O macrossistema refere-se às crenças. sentir e agir. Assim relata Oliveira-Formosinho (2002. sentir. Envolve crescimento. saber. ambas as autoras concordam e reforçam a importância da interação de todos os protagonistas da escola no processo de desenvolvimento profissional dos docentes da infância. salas de aulas..

.) é essencial que a escola interatue com os contextos à sua volta. especialistas em educação. Tem-se assim.. explora areia. p.. que é necessário o Coordenador Pedagógico apoiar o professor durante a caminhada de aprendizagem e desenvolvimento profissional. Ao expandir-se no contato com o outro. Jung (1983) apud Furlanetto (2003. A troca de conhecimento desses órgãos com a escola é importante para o crescimento profissional dos docentes. é importante que a escola interatue com instituições de formação. manipula um brinquedo. Outro fator que se destaca a respeito do contexto de desenvolvimento profissional é o contexto que rompe com as forças endógenas da escola. é uma prioridade entender a ecologia do desenvolvimento do professor. assiste a um vídeo. Oliveira-Formosinho (2002. A natureza desse contexto pode fazer ou desfazer os esforços de desenvolvimento dos professores. coleciona pedrinhas. A partir do momento em que se acredita que a criança aprende com o amplo ambiente educativo que a cerca e. na interação com o outro. Nesse sentido.25 As sementes do desenvolvimento não crescerão se caírem em terreno pedregoso. 15) menciona que: (. associações profissionais de professores. brinca de faz-de-conta. O processo de desenvolvimento do professor depende muito do contexto em que tem lugar. parafraseando Kishimoto (2002). assistentes sociais. pinta ou observa uma flor. vale dizer que a escola não se encerra em si mesma. Assim. movimentos pedagógicos..) Se a inovação for imposta de fora por uma administração de mão pesada. Além disso. conselho tutelar etc. O verdadeiro adulto não se contenta em ser mero repetidor de cultura. quando a criança desenha. conversa com amigos ou com seu professor. redes de escolas. ou seja.. observa-se também que o professor se desenvolve profissionalmente. Neste sentido.. sementes. Não se desenvolverá a reflexão crítica se não houver tempo e encorajamento para que se realize. (.. ruminando os seus problemas. a unidade escolar pode estabelecer parcerias com a unidade básica de saúde do bairro em que está inserida. projetos de professores. mas deseja produzir cultura e faz isso a partir de seu próprio desenvolvimento.) ele refere-se ao fato de que o adulto é responsável pela sua própria educação. transforma-se e transforma o outro. será pouco provável que surjam processos de experimentação criativa.20): (. p. associações sindicais de professores.

2003. 58-59) . multifacetado. responsabilizamos os professores por resistirem à mudança. normalmente. são descartados. assim descrito por Furlanetto (2003). é que. em seu processo. experiências e vivências que decorrem de escolhas pessoais. quais recursos teóricos e metodológicos colocaremos à disposição dos professores.26 O Coordenador Pedagógico. cognitivos e simbólicos vividos pelos sujeitos ao transitarem nos espaços intersubjetivos.) quando planejamos trabalhos de formação. Camada essa que. subjetivo com experiências pessoais únicas: As professoras e os professores parecem seguir um eixo próprio de formação incluindo. Quando vemos isso acontecer. onde se constela o arquétipo do Mestre-Aprendiz. 2003. tendo a oportunidade de ajudá-lo a avançar na prática docente. Entende-se por matrizes pedagógicas: As matrizes pedagógicas podem ser compreendidas como nichos. muito menos. inquietações e necessidades pedagógicas do professor. nos quais são gestados e guardados os registros sensoriais... (Furlanetto. 2003. Os novos conhecimentos se tornarão parte da prática pedagógica do docente se forem articulados com as reais necessidades pedagógicas e desejos do professor em formação: (. emocionais. mas também de suas experiências culturais vividas a partir do lugar de quem aprende. uma base da qual emanavam suas ações pedagógicas que não representava somente a síntese de seus aprendizados teóricos. podemos perceber que pareciam possuir um professor interno. o Coordenador Pedagógico precisa compreender o professor como ser único e multifacetado no processo de formação e atentar para as dúvidas. como se escolhêssemos qual a próxima camada de tinta que eles deverão receber. na maioria das vezes. p. vai sobrepondo-se a outras também não integradas. Sendo assim. p. Essas matrizes pedagógicas começam ser geradas antes da formação inicial do professor. Oferecemos pacotes prontos e esperamos que os professores se apossem desses conhecimentos e os transformem em ações pedagógicas.25) O “professor interno”. ambíguo e complexo gera durante a trajetória de vida matrizes pedagógicas. (Furlanetto. a seus desejos. p. como esses novos conhecimentos não estão articulados às suas necessidades e. no papel de formador precisa proporcionar momentos de interação entre os professores e considerar que cada professor é um ser único. Observando a trajetória de alguns deles. muitas vezes. pensamos no que vamos acrescentar.32) Furlanetto (2003) considera a aprendizagem do adulto como processo individual e único. O que acontece. (Furlanetto.

em vez de falar para.. p. 2008. a verdadeira comunicação. com amor. p. Entende-se por empatia. a partir de suas próprias referências. precisa preocupar-se com as necessidades pedagógicas dos professores. Toda vez que se converte o “tu” desta relação em mero objeto. na coerência entre o sentir. Além disso. o pensar e o agir. autenticidade e dialogicidade: Empatia: exercício de colocarmo-nos no lugar do outro para que. . Só ali há comunicação”.. (Freire. p.27 O Coordenador Pedagógico como formador. Trata-se de uma atitude dialogal à qual os coordenadores devem converter-se para que façam realmente educação e não domesticação. Neste sentido. sendo o diálogo uma relação eu-tu. da autenticidade e da dialogicidade produzindo assim. (Bruno & Almeida. durante a formação continuada o professor precisa atuar como sujeito consciente do papel de educador. é importante a relação dialogal entre professor e Coordenador Pedagógico: Referimos-nos ao diálogo. E quando os dois pólos do diálogo se ligam assim. ter-se-á pervertido e já não se estará educando. é necessariamente uma relação de dois sujeitos.) somente o diálogo comunica. possamos melhor compreendê-lo. Precisamente porque. ao mesmo tempo em que valorizamos esse verdadeiramente ser na perspectiva do outro. é a tentativa de “calçar os seus sapatos”. com esperança. se fazem críticos na procura de algo se produz uma relação de “empatia” entre ambos. nas relações que estabelecemos com o outro. a relação interpessoal entre Coordenador Pedagógico e professores precisa basear-se no princípio da empatia. mas deformando. 92) Esses princípios precisam estar presentes durante a comunicação entre Coordenadores Pedagógicos e professores para o bom andamento de projetos e programas de formação continuada docente. com fé no próximo. Autenticidade: é a perspectiva de que. possamos ser fiéis a nós mesmos. do olhar sensível e do respeito à fala do outro. além da preocupação em multiplicar teorias e técnicas de programas de formação. Para isso.68) ensina que: “(.e não das nossas-. 2003. Dialogicidade: manifestação de nossa disponibilidade para falar com. na perspectiva de uma troca na qual é mister o comparecimento do ouvir ativo.78-79) Freire (2003.

225) seguem diferentes denominações das instituições destinadas ao atendimento à primeira infância: Creches: instituições que evoluem especialmente dentro do contexto da industrialização. As Leis do Trabalho (1943) previa a instalação de berçários nas empresas com mais de 30 mulheres empregadas. Casas de Infância: geralmente oferecidas por organizações filantrópicas com vistas a assistir crianças pobres. Escolas Maternais: sugiram no contexto da industrialização.28 2. os propósitos proclamados pelos governantes estavam muito distantes dos propósitos reais. p. p. De acordo com Kishimoto (2001. Tais unidades infantis assumem diversas estruturas e funcionamento. no entanto. os propósitos proclamados. tendo como mantenedoras empresas. filantropias. propostas de trabalho e pessoas pouco qualificadas para realizar este cuidar. a determinação dessa Lei foi descumprida. como Departamentos ou Secretarias de Educação. ou seja. urbanização e atendimento às mães trabalhadoras. Nesse contexto. 92): . O conceito dos propósitos proclamados e reais foi estabelecido por Teixeira (1962. que atendia as crianças a partir dos 7 anos de idade. As mulheres que atuavam no mercado de trabalho passaram a exigir do Estado o atendimento a demanda de crianças na faixa etária abaixo de 7 anos. Mesmo com tantas lutas. em conseqüência. com a revolução industrial. houve uma proliferação de instituições com diferentes estruturas. destinadas a atender filhos de operários no início do século XX. as mulheres passaram a compor o quadro de funcionários das indústrias e. Igreja e órgãos de assistência social.3 A implantação do “Projeto Especial de Ação” e do “Programa: A Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil” Segundo Gonçalves (2004). surgiu à necessidade do atendimento integral para os filhos. no âmbito da Educação Infantil ficavam em um segundo plano em detrimento da educação básica. geralmente foram amparados pelas instâncias de natureza educativa. Jardins de Infância: destinados a educar crianças de três a seis anos.

correspondente ao atendimento as crianças de 0 a 6 anos de idade.) Nascemos. as creches existentes ou que venham a ser criadas no Município de São Paulo passam a integrar o Sistema Municipal de Ensino”. Tal mudança na Lei provoca a necessidade da formação de professores de creche. Segundo Meneses (2005. compondo a modalidade de educação infantil. esse atendimento corresponde às crianças de 0 a 5 anos. há necessidade da formação docente ao novo público de professores: Uma das principais mudanças introduzidas pela LDB foi a concepção educacional que deve preponderar para as crianças de até três anos de idade assistidas nas creches.869. A história do período colonial é a história desses dois objetivos a se ajudarem mutuamente na tarefa real e não confessada da espoliação continental (. movia-os o propósito de exploração e fortuna. pré-escolas e instituições similares. Em São Paulo. Com este avanço surgiram as preocupações com a formação dos profissionais que atuam na educação infantil e a necessidade de elaboração de Programas de Políticas Públicas para a formação docente. p. assim. foi publicação o Decreto n. Até então as instituições que acolhiam essas crianças tinham um papel principalmente assistencialista: nem tinham. Houve um grande avanço no sistema educacional em considerar a Educação Infantil (0 a 6 anos) como primeira etapa da educação básica e incluir as antigas creches no sistema municipal de educação.. de 20 de dezembro de 1999. dando oportunidade para os educadores que trabalham na área discutirem as funções dessas instituições e suas formas de trabalho pedagógico. necessariamente... na realidade. divididos entre propósitos reais e propósitos proclamados.) Proclamavam os europeus aqui chegarem para expandir nestas plagas o cristianismo.A partir de 23 de dezembro de 1999. Essa concepção também apareceu no Estatuto da Criança e do Adolescente (1990) e na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (1996). Hoje. com o Ensino Fundamental de nove anos. 243). . mas. propósitos educacionais. que integrou as creches ao Sistema Municipal de Ensino. 38. Segue o artigo 1° do Decreto citado: “Art.. A Constituição Federal de 1988 reconheceu a educação de crianças de 0 a 6 anos em creches.29 (. 1 ° .

566 de 18 de Março de 2008: Art. criando a própria identidade. o “Projeto Especial de Ação” para os professores que atuavam com crianças a partir desta faixa etária. compreendendo ações de natureza pedagógica e/ou institucional”. os professores do Centro de Educação Infantil (CEI). só foram incluídos no “Projeto Especial de Ação”. inclusive com a assinatura do Supervisor Escolar. fora de horário de regência de classe e a Evolução Funcional foram mais uma conquista do novo público docente da modalidade Educação Infantil. fora do horário de regência de aula. 1.826. (atualmente de 4 anos a completar a 5 anos) passaram a ter momentos preciosos de discussões e aperfeiçoamento profissional em horários coletivos.30 A formação de docentes para essa nova demanda de profissionais ocorreu anos mais tarde. no Município de São Paulo.Para fins de Evolução Funcional. 8º . através de Portarias. com garantia do horário coletivo. em consonância com o Projeto da Escola. a Rede Municipal de São Paulo atendia diretamente as crianças a partir de 4 anos e implantava. Mesmo com a integração do atendimento das crianças de 0 a 3 anos na Educação. inclusive os que atendiam a faixa etária de 4 a 6 anos. Segue a Portaria n. Antes da integração das creches ao sistema Municipal de Ensino. a partir do ano de 2008 e junto à garantia da Evolução Funcional para fins da melhoria de salário. de acordo com a caracterização da comunidade em que estavam inseridas. as unidades escolares passaram a elaborar os projetos pedagógicos. e os professores. A garantia de estudos em horário coletivo. que dispõe sobre os “Projetos Especiais de Ação”(PEAs) regulamentando a Lei de Diretrizes e Bases n. a Portaria 3. de 8 de julho de 1997. 9. obrigatoriamente voltados para a melhoria do processo ensino-aprendizagem. o Diretor da Unidade Educacional expedirá atestados. e desde que cumpridas as seguintes exigências estabelecidas: I-o Projeto contenha a carga horária mínima de: -nos CEIs: 108 (cento e oito) horas relógio anuais e que tenha sido coordenado ou executado no período mínimo de 09 (nove) meses completos. . Segue a publicação no diário oficial do Município de São Paulo. as antigas creches. após avaliação final dos PEAs.394/96: “Instrumento de trabalho elaborado pelas unidades escolares. Com a implantação do “Projeto Especial de Ação”.

. durante a ano de 2005. Nesse momento histórico. mas para estimular a renovação de saberes em ambiente de aprendizagem coletiva e auto-motivada.) não para suprir eventuais lacunas na formação inicial. O “Programa A Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil” teve como objetivo subsidiar o Coordenador Pedagógico e mais tarde o Diretor da unidade escolar. o objetivo é orientar o fazer docente. 2. A equipe da Diretoria de Orientação Técnica de Educação Infantil (DOT-EI) e representantes das Diretorias Regionais de Educação (DRE) elaboraram o primeiro documento do “Programa A Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil” chamado Tempo e espaço para a infância e suas Linguagens no CEIs. Creches e EMEIs da Cidade de São Paulo.. com conteúdos e instrumentos metodológicos para a reflexão da prática pedagógica. voltada para equipe gestora diretamente e docentes indiretamente que atendiam as crianças de 0 a 6 anos. no Município de São Paulo. atualmente de 0 a 5 anos. De acordo com Oliveira (2005. Isso envolve problematizar sua prática. Em programas de formação continuada. da cidade de São Paulo. em 2005. num período de tempo definido". 42). foi proposto um Programa de Formação Continuada. (Padilha 2001. os professores devem ser estimulados a articular os vários conceitos trabalhados em sua formação anterior ou atual com sua prática profissional cotidiana. todos os professores (CEIs e EMEIs) da primeira etapa da educação básica foram contemplados. na Educação Infantil. Segundo o documento (2006). E traz como eixo o . p. pelo “Programa”.31 Anteriormente a essas conquistas. 225) entende-se programas de formação continuada da seguinte forma: (. na Rede Municipal de São Paulo. p. sistematizar suas reflexões em várias formas de registro e reconstruir conhecimentos historicamente elaborados. Entende-se por Programa: "constituído de um ou mais projetos de determinados órgãos ou setores.4 O “Programa A Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil” O “Programa A Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil” destina-se à formação continuada de professores da Educação Infantil na Rede Municipal de São Paulo. pesquisar alternativas de ação.

A concepção sócio-construtivista fundamenta o documento. cultura e condição social. Algumas ações de cuidar e educar são citadas no documento (2006. Neste sentido. porém não negou que o homem é um ser social. desde o nascimento. p. ao orientá-la quando necessário. obra da sociedade e do indivíduo. o professor educa e cuida quando proporciona condições a criança de ampliar o repertório de conhecimento constituindo-se como sujeito com formas de agir. o professor cuida e educa quando trabalha na perspectiva da inclusão social e garanta a todas as crianças com as quais trabalha uma experiência bem sucedida de aprendizagem. Piaget não se deteve no papel dos fatores sociais no desenvolvimento humano. ao apresentar-lhe o que é de encantador no mundo da música e das artes. Na concepção construtivista. além dos escritos de Wallon e apontamentos realizados pela Antropologia. 19): O professor educa e cuida especialmente ao acolher a criança nos momentos difíceis. Lingüística e outras ciências. La Taille (1992. fortalecendo a auto-estima de todas as crianças. ao fazê-la sentir-se confortável e segura. englobando tanto as tendências hereditárias que nos levam à vida em comum e à imitação. inclusive com aquelas que apresentam necessidades educacionais especiais. da natureza e da sociedade. capazes de pensar e agir de modo criativo e crítico. . “O professor cuida e educa quando combate preconceitos e discriminações de etnia. isto é. Acima de tudo. simultaneamente. p. e muito mais. Ele também cuida e educa quando promove e acolhe as interações que a criança estabelece com outras crianças e quando organiza e dá oportunidade para que elas compartilhem experiências e saberes.32 Educar e Cuidar e a otimização dos tempos e espaços de aprendizagem. 11) cita Piaget: Se tomarmos a noção do social nos diferentes sentidos do termo. segundo La Taille (1992). Essa concepção se diferencia da concepção construtivista. não se pode negar que. sentir e pensar culturalmente. credo. o desenvolvimento intelectual é. como as relações “exteriores” (no sentido de Durkheim) dos indivíduos entre eles. visando contribuir com um currículo que proporcione às crianças condições de aprendizagem. respeitando-as como sujeitos sociais e de direitos. Sociologia.

1992).33 O ‘ser social” para Piaget é aquele que consegue relacionar com seus semelhantes de forma equilibrada. p. p. ou seja. duas funções básicas: a de intercâmbio social e a de pensamento generalizante”. La Taille (1992. (Oliveira. 1992. sistema simbólico fundamental na mediação entre sujeito e objeto de conhecimento. Nesse processo de desenvolvimento são essenciais as ações do sujeito sobre os objetos. A cultura torna-se parte da natureza humana num processo histórico que. nas relações precisam ter troca de pontos de vista e controle mútuo dos argumentos e além de basear-se na dimensão ética (La Taille.24) O desenvolvimento humano no processo sócio-histórico ocorre por meio da mediação. Creches e EMEIs da cidade de São Paulo (2006. Na concepção sócio-construtivista o desenvolvimento humano constitui-se: “(. p. as relações sociais devem ser baseadas nas relações de cooperação e não nas relações de coação. o sistema simbólico o indivíduo representa o mundo real no universo psicológico. Com base nessa concepção.. encontra-se no documento Tempo e Espaço para infância e suas linguagens em CEIs. tem. molda o funcionamento psicológico do homem”.18): Para Piaget. liberdade e democracia. e também no sentido em que existem processos de auto-regulação que garantem a conquista deste equilíbrio.27) As relações sociais no desenvolvimento humano são enfocadas de modo diferente em ambas as teorias. Entende-se por sistema simbólico: “A linguagem humana.) Além disso.. (Oliveira. para Vigotski. sua aprendizagem e seu desenvolvimento: . Na concepção sócio-construtivista os fatores sociais são decisivos para o desenvolvimento humano. um novo olhar para criança. o homem não tem acesso direto ao objeto. ou seja. mas através de um acesso mediado. p. 1992.. no valor ético da igualdade. já que é sobre os últimos que se vão construir conhecimento (.. 24). ao longo do desenvolvimento da espécie e do indivíduo.) enquanto tal na sua relação com o outro social. essa “marcha para o equilíbrio” tem bases biológicas no sentido de que é próprio de todo sistema vivo procurar o equilíbrio que lhe permite a adaptação.

a criança deixa de ser uma tábua rasa como antes era vista. mas formadas historicamente... ela nomeia objetos. não só com os adultos. e esta ativação não poderia produzir-se sem a aprendizagem. coordenado pela equipe de diretoria de Orientação Técnica Pedagógica de Educação Infantil. enquanto desenvolvem formas de sentir. 115): (. formula perguntas.. constantemente significando o mundo a sua volta. também. grupos de trabalho. Outro documento do “Programa A Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil é Orientações Curriculares-Expectativas de Aprendizagens e Orientações Didáticas para Educação Infantil (2007). interagindo com o mundo à sua volta. mas uma correta organização da aprendizagem da criança conduz ao desenvolvimento mental. Por meio dos relacionamentos que a criança estabelece. influenciando-o e sendo influenciada por ele. A criança aprende na interação com o outro. na concepção tradicional. Entende-se por aprendizagem e desenvolvimento conforme Vigotski (1991. com a participação de vários profissionais da educação: educadores. com o ambiente. Ele traz o conceito de aprender que vai ao encontro do novo olhar da criança citada no documento anterior: . Por isso. p. ativa todo um grupo de processos de desenvolvimento. mas também com outras crianças.) criança nasce com condições para interagir com parceiros mais experientesseus pais. pois é produtora de conhecimento.34 (. o qual o professor era o centralizador do conhecimento e passa a ser protagonista da aprendizagem. Assim. em si mesma. outras crianças mais velhas – que lhe apresentam continuamente novas formas de se relacionar com o mundo a fim de compreendê-lo e transformá-lo. pensar e solucionar problemas. de cultura e de uma identidade pessoal. os educadores. imita pessoas ou outros elementos que observou. a aprendizagem é um momento intrinsecamente necessário e universal para que se desenvolvam na criança essas características humanas não-naturais. outros familiares. com o contexto e com as diversas vivências que este contexto proporciona. Ela tem voz própria e deve ser ouvida. com o objetivo de subsidiar os professores da rede Municipal de Educação e toda equipe escolar em busca de uma educação infantil de qualidade. desenvolvimento. traça desenhos. As experiências vividas no espaço de Educação Infantil devem possibilitar à criança o encontro de explicações sobre o que ocorre à sua volta e consigo mesma.. gestores educacionais e de Políticas Públicas.) a aprendizagem não é. elabora respostas.

ensinar as regras sociais de seu grupo social ou aperfeiçoar seu modo de sentir as situações. 24) Os protagonistas no processo de ensino-aprendizagem são ativos. opõe-se ao que elas estabelecem para ajudá-las a ampliar seu olhar. os objetos. sobretudo. interação e o contato com novos conhecimentos dos pequenos aprendizes. p. os horários. criativos e pesquisadores. a nova concepção nos remete a uma nova dimensão de professor. O professor mediador também possui posturas diferenciadas de acordo com situações de preconceitos e acolhimento das crianças com necessidades educacionais especiais. 2007. Ele age de uma forma indireta. (. mas à experiência. responde ao que elas perguntam. pelo arranjo do contexto de aprendizagem das crianças: os espaços. que antes era distante da escola com participações limitadas. o professor. (Orientações Curriculares-Expectativas de Aprendizagens e Orientações Didáticas para Educação Infantil. (Orientações Curriculares-Expectativas de Aprendizagens e Orientações Didáticas para Educação Infantil.35 Aprender pode ser entendido como o processo de modificação de modo de agir. dificultando a troca de experiência.) Além disso. por vezes. (Orientações Curriculares-Expectativas de Aprendizagens e Orientações Didáticas para Educação Infantil. com a nova proposta pedagógica passa a ser convidada a ser parceira durante toda a caminha da .. que continuamente atribui aos signos que lhe são apontados. p. p.. críticos. para a atividade da criança. que se remete ao modelo de ensino-aprendizagem centralizador. cujo conhecimento se encontra no poder de uma única pessoa. Ele tem o cuidado em tratar de forma não preconceituosa essas situações nas interações com as crianças. sentir e pensar de cada pessoa que não pode ser atribuído à maturação orgânica. 23) Então. A família. faz perguntas para conhecer suas respostas. 17) Ambos os documentos se opõem à concepção tradicional de educação. 2007. ou a partir de objetos e de outras produções culturais abstratas. aluno e de ações de ensino: A concepção adotada amplia o olhar para as diferentes fontes de ensino ( adultos. O professor atua de modo direto conforme interage com as crianças e lhes apresenta modelos. De acordo com a concepção sócio-construtivista o professor desempenha um o papel no processo ensino-aprendizagem de mediador: A mediação do professor se faz à medida que suas ações buscam familiarizar a criança com significações historicamente elaboradas para orientar o agir das pessoas e compreender as situações e os elementos do mundo. aprende-se consigo mesmo. crianças e situações) e. interativos. as pega no colo quando se emocionam e. os agrupamentos infantis. 2007.

(. entre as próprias crianças. a aproximação da escola com a comunidade já tem dado resultados significativos: A escola não pode mais desconhecer a comunidade onde se encontra.) são conhecidas inúmeras iniciativas de profissionais da educação que mobilizam a comunidade para participar do processo educacional e do ensino-aprendizagem e para atividades de preservação do equipamento escolar (edifício. sugestões e observações dos familiares como forma de conhecer a criança e ampliar a qualidade do trabalho pedagógico. Ele traz a seguinte concepção: A avaliação que mais deve interessar ao professor é aquela que não compara diferentes crianças. A avaliação é um tema abordado no documento Orientação Curricular (2007. portanto. De acordo com o documento Orientações Curriculares (2007) o educador da infância passa a desenvolver a chamada relação de apego. pois é neste núcleo que ocorre o primeiro contexto educacional da criança. Elas têm apresentado muito sucesso na melhoria das condições de funcionamento da escola. Neste sentido. o papel da mãe. mas a que compara uma criança com ela mesma. devem ocorrer de forma mais tranqüila possível..36 aprendizagem da criança.. A partir da observação atenta e detalhada. que permeia desde as condições de prédios. ou seja. 28). p. sentir e pensar culturalmente constituídos. dentro de certo período de tempo. a observação sistemática do comportamento de cada criança feita ao longo do período em muitos e diversificados momentos é condição necessária para se levantar como ela se apropria de modos de agir. o professor irá planejar novamente suas ações para melhor atender as crianças. Segundo Meneses (2005. até as questões pedagógicas. Creches ou EMEIs. a escola e a família devem estar unidas num objetivo comum: a qualidade da escola brasileira. inclusive nos resultados pedagógicos referentes à questão do ensino. aquela em que o educador passa a ter uma relação afetiva de cuidado com o bebê ou a criança de CEIs. materiais escolares e atendimento ao público. Para tanto. A observação e o registro são instrumentos totalmente indispensáveis no processo de ação-reflexão-ação do planejamento de cada professor. 244). o professor precisa incluir visitas. avós. p. As interações e relações dos educadores da infância com as crianças e. . o trabalho do professor deve ser integrado à família. De acordo com o documento Orientação Curricular (2007).aprendizagem. móveis e utensílios escolares).

Para consolidar o vínculo afetivo dos educadores e crianças e o reconhecimento do ambiente novo como seguro e significativo é necessário que os professores conheçam a história da criança e seus hábitos e mantenham constantemente o diálogo com os familiares. pessoas que antes davam a segurança para a criança neste momento. da criatividade e da significação. Outro desafio para os educadores da infância é proporcionar uma relação de interação positiva entre as crianças. e ser diversificados para dar autonomia a elas. O espaço. insolação ou topografia. O educador deve garantir a convivência em grupo com diferentes faixas etárias. .. de jogos e de informática.) o espaço físico das unidades educacionais não se resume apenas à sua metragem. de música.37 parentes. para diferenciar da concepção de sala de aula. assim construindo o vínculo de amizade e parceria. de pintura. é transferido para a pessoa do educador da infância. que traz a conotação de “aula” sendo muito questionada na Educação Infantil. com suas marcas. enfim deve ser um espaço que contemple as mais variadas linguagens de aprendizagem da Educação Infantil. vai além do espaço físico de uma sala de convivência: (. mediar conflitos e ajudar as próprias crianças a aprender a resolvê-los com os colegas. mas inclui sua possibilidade de atender às necessidades e às exigências das crianças e dos adultos nos momentos programados ou imprevistos. de fazde-conta. Os materiais que compõem a sala de convivência precisam ser planejados. esta sala de convivência deve ser um espaço.. para acontecer com tranqüilidade. ambiente lúdico e saudável. segundo a equipe da Diretoria de Orientação Técnica. Sempre que possível esse espaço deve integrar objetos novos para serem significados pelas crianças. estabelecer regras de convivência com o grupo e sempre que quebradas relembrá-las a todos. Além disso. Essa transferência de segurança e confiança. deve ser um lugar lúdico. demanda um planejamento dos momentos de ingresso dessas crianças de CEIs. assim chamada pela DOT-EI (2007).Educação Infantil (2007. As crianças devem reconhecer o espaço como seu. bem planejado com áreas de bibliotecas. (Orientações Curriculares-Expectativas de Aprendizagens e Orientações Didáticas para Educação Infantil) A sala de convivência. de teatro. p. 33). de construção. no qual todos os protagonistas da aprendizagem desempenhem o papel da ação. objetos e trabalhos em exposição constantemente. sua condição de cenário para diferentes atividades. individuais ou coletivos. de forma a dar acessibilidade às crianças. Creches e EMEIs.

as atividades precisam ser variadas. como elemento integrante no processo de aprendizagem. segundo o documento (2007). Enfim. (Tempos e espaços para a infância e suas linguagens nos CEIs.. a criança explora as possibilidades expressivas de seus movimentos. (2007. Creches e EMEIs da Cidade de São Paulo.. 56) Portanto. esse tempo de espera pode ser planejado com ações lúdicas destinadas à criança para evitar episódios de mordidas e brigas muito comuns nessa faixa etária. as crianças se comunicam. materiais. enfim. Nas cirandas ou brincadeiras cantadas. desde a hora da entrada da unidade escolar até seu retorno ao lar. Ao longo do tempo.. o educador da infância precisa organizar o tempo. Um fato importante é que a criança percebe as linguagens de forma interrelacionadas: (. criança. Essas múltiplas aprendizagens podem ser promovidas na Educação Infantil. ao mesmo tempo em que brinca com as palavras. criação plástica e visual e a dança e música. Segundo o documento A Rede em rede: Formação Continuada na Educação Infantilfase 1. aprendizagem e educador da infância percorrem as múltiplas linguagens culturalmente estabelecidas: o brincar. de tal forma.38 O tempo é compreendido. ampliam seu repertório. p. ambiente. interagem. espaço. interações. Dentro de todas essas concepções de tempo. diversificadas e regulares para facilitar a significação delas pela criança. o educador da infância não deve pensar as linguagens com o fim em si só.) instrumentos culturalmente elaborados cuja apropriação pela criança se faz no contacto com modelos que são familiares a ela e com a diversidade cultural trazidas por cada uma delas”. 23) entende-se por linguagens: “(.. que dê qualidade ao tempo vivido pelas crianças durante todas as ações dela. p. a leitura e a escrita. se desenvolvem culturalmente. Por meio das múltiplas linguagens. 2006. As atividades devem ser planejadas de forma a equilibrar o tempo de espera de uma atividade ou outra. a comunicação e expressão gestual e verbal. . relações. mas aprender com as crianças a relacioná-las de forma significativa.) as garatujas são expressões do gesto ao mesmo tempo em que já se delineiam em combinação de linhas e cores.

O documento relata as experiências e conhecimentos dos 800 profissionais e 30 formadores que se comprometeram com o Programa no ano de 2006. Tempos e Espaços da Unidade Educacional. Diretores e Coordenadores Pedagógicos. transformar as queixas em bons problemas. matriculados na Rede Municipal de Educação conforme cita Schneider. foi acrescida a presença do Diretor da Unidade de Educação Infantil. 2007. O documento tem como foco subsidiar o Coordenador Pedagógico durante a formação continuada com a equipe de formação. no ano de 2006. pois o lúdico deve permear todas as outras Linguagens. compreender o que é mais geral nas tantas situações que envolvem a educação de crianças e a formação de adultos. congregar esforços para encontrar alternativas e. criar e ampliar as possibilidades do brincar. Essa linguagem é tão preciosa para equipe de DOT-EI. do Município de São Paulo.fase 1. 11) . 2007.fase 1”. Em 2008. O papel do Coordenador Pedagógico como formador: A especialidade do Coordenador Pedagógico reside em sua capacidade de descontextualizar práticas cotidianas. No ano de 2007. o Coordenador Pedagógico foi o principal foco da formação continuada.os educadores da infância. muitas vezes. Nesse contexto os Supervisores eram convidados. o documento “A Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil. p.( A Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil. foi distribuído aos gestores das Unidades Escolares CEIs e EMEIsSupervisores. uma vez por mês. Havia. Os profissionais atingiram as 314 mil crianças de Educação Infantil. (A Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil.39 O brincar é a principal linguagem. foi distribuído a todos os protagonistas da Educação Infantil um documento chamado “São Paulo é uma escola: Manual de Brincadeiras” O documento é um resgate das brincadeiras da infância. p. publicados pelo “Programa”.fase 1. uma formação local para os Coordenadores Pedagógicos e uma formação central para os Coordenadores Pedagógicos e Diretores com temas baseados nos documentos. 1) Durante os quatros anos do “Programa A Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil”. que. inventar soluções Por isso podemos dizer que o Coordenador Pedagógico é um dos profissionais mais estratégicos na formação continuada da equipe de professores e na construção de um trabalho pedagógico nas EMEIs e CEIs. um referencial para a prática docente e um convite a todos os comprometidos com a infância a inventar.

O documento tem como objetivo final assegurar à criança a aproximação das práticas sociais. através da reflexão. a identidade de um todo (rede) e. O terceiro módulo. Creches e EMEIs da Cidade de São Paulo (2006) menciona que no final de 2005 e início de 2006. Creches conveniadas e 467 EMEIs. diferenciando-o das demais possibilidades de brincar nas escolas de educação infantil. E. responsáveis pelo atendimento das necessidades crescentes da população de crianças de 0 a 5 anos. ao mesmo tempo. incentivasse as características e particularidades de cada contexto (Unidade). Portanto. porém em parceria com a equipe de gestores e professores. . instituir ou dinamizar a prática de registro e sistematizar a devolutiva dos registros. declarou que o número de crianças atendidas pela Secretaria de Educação da Cidade de São Paulo era de cerca de 390 mil crianças. houve um desafio de elaborar um documento que criasse. Segundo DOT-EI (2006). espaços e atividades nas quais as crianças se inserem. 608 CEIs. neste contexto. O segundo módulo vem para apoiar o Coordenador Pedagógico a re-significar algumas práticas sociais presentes ou introduzir outras na Unidade Escolar. instituídas em nossa cultura. distribuídas nas 1411 Unidades de Educação Infantil: 336 CEIs diretos. Dº José Aristodemo Pinotti. por meio do Secretário de Educação.40 O Coordenador Pedagógico é fundamental para o “Programa” como agente formador. Esse documento representa mais uma oportunidade para o aprimoramento pessoal e profissional dos educadores. O documento A Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil-fase1 (2007) é dividido em três módulos: o primeiro aborda a questão da metodologia de observação. vêm apoiar o Coordenador Pedagógico na introdução ou re-significação do faz-de-conta infantil. O documento Tempos e espaços para a infância e suas linguagens nos CEIs. a qual ajuda o Coordenador Pedagógico a apropriar-se de indicadores e princípio de qualidade de ambientes. os conteúdos fundamentais da formação continuada são as práticas culturais da Educação Infantil e os Instrumentos Metodológicos. observação e problematização das práticas pedagógicas. retirados da reflexão sobre a prática. o documento desafiou todos os profissionais de educação infantil a reorganizarem o trabalho pedagógico no que se refere aos tempos. também.

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O “Programa A Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil” foi implantado, nos horários coletivos de formação continuada dos docentes por meio do “Projeto Especial de Ação”.

2.5 O “Projeto Especial de Ação”- no Município de São Paulo

Entende-se por projeto: “Como o próprio nome indica, projetar é lançar para frente, dando sempre a idéia de mudança, de movimento. Projeto representa o laço entre o presente e o futuro, sendo ele a marca da passagem do presente para o futuro”. Veiga (2001, p. 18) O projeto direciona as ações pedagógicas da unidade escolar partindo das necessidades do presente em busca de soluções para o futuro. Com esta finalidade a unidade escolar elabora o “Projeto Pedagógico”. Veiga (2003, p. 13) menciona que:
O projeto pedagógico aponta um rumo, uma direção, um sentido explícito para um compromisso estabelecido coletivamente. (...) ao se constituir em processo participativo de decisões, preocupa-se em instaurar uma forma de organização do trabalho pedagógico que desvele os conflitos e as contradições, buscando eliminar as relações competitivas, corporativas e autoritárias, rompendo com a rotina do mando pessoal e racionalizado da burocracia e permitindo as relações horizontais no interior da escola.

O “Projeto Pedagógico” tem por finalidade retratar a realidade da escola, humanizar as relações e organizar as ações educativas. A partir da contextualização do “Projeto Pedagógico” é elaborado o “Projeto Especial de Ação”. O “PEA” deve estar articulado ao Projeto Pedagógico para não ocorrer ações educativas esporádicas ou contraditórias: “A verdadeira mania de projetos que se abateu sobre a educação tem gerado ações esporádicas, até contraditórias entre si, porque é bonito administrar por projetos e não se tem o cuidado de realizar aqueles que brotassem de um plano global”. (Gandin, 1991, p.53) Além disso, tanto o “Projeto Pedagógico” como o “Projeto Especial de Ação” para serem eficientes precisam priorizar as reais necessidades da escola e ter as etapas de elaboração, execução e avaliação bem planejadas. Esse planejamento precisa ser visto como processo educativo e não como planejamento estático. Segundo Gandin (1991, p.17): “(...) processo de planejamento é concebido como uma prática que sublinhe a participação, a

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democracia, a libertação. Então o planejamento é uma tarefa vital, união entre vida e técnica para o bem-estar do homem e da sociedade”. Neste sentido, os “Projetos Especiais de Ação (PEA)” são instrumentos de trabalho pedagógico elaborado de acordo com as necessidades do professor, por toda equipe da Unidade Escolar e aprovado pelo Conselho de Escola, anualmente. Após a elaboração e aprovação pela equipe escolar e comunidade, é enviado ao Supervisor Escolar que fará apreciação e homologação. Além disso, o Supervisor Escolar deverá acompanhar e subsidiar a escola no processo de avaliação durante a execução do “PEA”. Neste “Projeto” está contido o tema, o objetivo, a justificativa, os procedimentos metodológicos, metas a alcançar, descrição das etapas, a referência bibliografia a ser estudada no decorrer do ano letivo e avaliação periodicidade e instrumentos a serem adotados. O referido “Projeto” deve sempre atender as normas ditadas pela legislação e atender a Política Educacional vigente. Na Educação Infantil, o “PEA” tem a especificidade de garantir as crianças vivências de experiências diversas e significativas através das múltiplas linguagens do universo infantil. O Coordenador Pedagógico, Diretor de Escolar e Assistente de Direção participarão do “Projeto” dentro do horário de trabalho, exercendo o papel de coordenador respeitando a respectiva ordem. Os professores que possuem a Jornada Especial Integral de Formação (JEIF), a Jornada Básica do Docente- (JBD) e a Jornada Básica de 30 horas semanais poderão compor o grupo de formação continuada, no horário coletivo, do “PEA”. Porém, estão impedidos de participarem do “PEA” os professores que possuem a antiga Jornada Básica (JB) instituída pela Lei n. 11.434/93, os professores de Educação Infantil sem regência de classe, os Auxiliares de Desenvolvimento Infantil- ADI, os professores com laudo de readaptação e alteração de função. O “PEA” também não contempla a participação do Agente Escolar e do Assistente Técnico Educacional (ATE), uma vez que se acredita na importância da formação continuada a toda equipe, seria importante a participação desses protagonistas no “Projeto”. Os profissionais da educação que obtiverem uma freqüência mínima de 85%, individualmente, no “PEA”, e este atingir o total de 144 horas aula anuais executadas no período de 8 meses completo, exceto os profissionais do Centro de Educação Infantil que

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deverão atingir 108 horas relógio e 9 meses completos, ganharão um ponto para a evolução funcional, que implicará, futuramente, na melhoria de salário. Quanto à análise do “Projeto Especial de Ação”, tendo como ponto de partida a implantação em 1997 e a comparação estabelecida entre o período de 2005 a 2008 percebe-se algumas modificações, principalmente, na concepção das modalidades de formação:

Portaria n. 3.826, de 8 de Julho de 1997 orienta:

Art 2º : Configuram-se modalidade de PEA’s , os seguintes Projetos: I- de Formação e Aperfeiçoamento Profissional: ações relacionadas ao processo ensino-aprendizagem: envolvendo Docentes e Equipe Técnica da Escola; II- de Avaliação Diagnóstica: atividades sistematizadas de diagnóstico e acompanhamento, prioritariamente dos Ciclos Iniciais e Intemediários do Ensino Fundamental e não caracterizadas como de reforço, recuperação e reposição de aulas: envolvendo Docentes, Discentes e Equipe Técnica da Escola; III- de Orientação Educacional e Pré- Profissionalização: ações integradas ao Ensino Fundamental e voltadas à orientação: para estudo, familiar e profissional e iniciação e preparo para o trabalho, compreendendo noções de legislação trabalhista, formas alternativas de trabalho: envolvimento Docentes, alunos dos Ciclos Intermediário e Final do Ensino Fundamental Regular e 3º e 4º Ciclos do Ensino Fundamental Supletivo e Equipe Técnica da Escola; IV- de Ações com a Comunidade: ações para o aprimoramento da relação Escola X Comunidade: envolvimento Docentes, Equipe Técnica, membros da Associação de Pais e Mestres, Conselho e Escola, Grêmio de Escola, Grêmio Estudantil e comunidade; V- Culturais e Artísticos: ações voltadas para ampliação do conhecimento e enriquecimento extra-classe: envolvendo Docentes, Equipe Técnica e membros das Instituições Auxiliares da Escola; VI- de Melhoria da Qualidade de Vida e Formação da Cidadania: abrangendo temáticas, tais como: Educação Ambiental, Educação para o Trânsito, Educação para o Consumo, Orientação Sexual, Prevenção ao Uso Indevido de Drogas e outras: desde que respeitados os critérios desta Portaria.

Portaria n. 1.566, de 18 de Março de 2008:

Art 2º : Configuram-se modalidade de PEA’s as ações de formação voltadas para: I- a tematização das práticas desenvolvidas nos diferentes espaços educativos;

Nota-se que. o foco da formação que permeia o “PEA” têm sido diversificado.a implementação dos Projetos e Programas específicos da Secretaria Municipal de Educação. O foco desta Portaria é a tematização das práticas docentes. atualmente. encontra-se um dilema a ser discutido: como será o atendimento das crianças de 6 anos completos ou a completar que deixam a Educação Infantil e vão para o Ensino Fundamental de 9 anos? As unidades escolares infantis. com o passar dos anos. Neste sentido. educação para o Trânsito etc. quanto às modalidades de formação. além do enriquecimento cultural e artístico dos docentes e gestores e melhoria de qualidade de vida e formação da cidadania com temas como drogas. Ao comparar as duas Portarias. orientação sexual. dentre outros: Programas “Ler e Escrever.6 Os dilemas do Ensino Fundamental de 9 anos e o Cuidar e Educar na Educação Infantil No contexto da Educação Infantil. 2.44 II. “ Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil”. Já a Portaria do “PEA” (2008) traz outras preocupações quanto à formação docente. pode-se dizer que o “PEA” é uma forma de manter a concepção pedagógica do governo vigente. Assim. a implementação dos projetos e programas elaborados pela Secretaria Municipal de Educação e a implementação de projetos específicos para superação das lacunas de aprendizagem apontadas pela Prova São Paulo. IV. Quando o “PEA” foi implantado se tinha como foco ações voltadas para o processo ensino-aprendizagem envolvendo docentes e equipe técnica da escola e avaliação diagnóstica desse processo. . ações que priorizassem a relação escola e comunidade.a articulação das diferentes atividades e/ou projetos/programas que integram o Projeto Pedagógico. III. observa-se a diferente concepção de formação docente. observa-se que o foco da formação docente se modifica de um governo para outro. articulação dos projetos com o Projeto Pedagógico. “ Orientações Curriculares: Expectativas de Aprendizagens e Orientações Didáticas” e “ Referencial sobre avaliação da aprendizagem de alunos com necessidades educacionais especiais”.a implementação de projetos específicos para superação das defasagens de aprendizagem detectadas na Prova São Paulo e em outras avaliações realizadas pela Unidade Educacional.prioridade na Escola Municipal”.

172. historicamente construída. com a inclusão das crianças de seis anos. Da mesma forma. da capacidade de observar e de vivenciar experiências interativas. até 2010. da ludicidade.45 que atendem crianças agora de 4 anos a completar tem se organizado para acolher essa nova demanda? As Leis Federais n. propôs. ele precisa ser pensado e organizado no sentido de lhes possibilitar o desenvolvimento da alegria. o sistema de ensino e as escolas devem se preparar para organizar um novo Projeto Pedagógico que assegure o pleno desenvolvimento e aprendizagem de qualidade tanto aos novos ingressantes. da sensibilidade. trouxe a rede de ensino alguns desafios de implantação: dar acesso e permanência ao ensino fundamental de 9 anos às crianças de seis anos. assegurar o ingresso das crianças mais cedo no sistema de ensino. de janeiro de 2001. Por isso. alcançar maior nível de escolaridade e implementação progressiva do ensino fundamental de nove anos.274/06 tornam obrigatória a matrícula. como aos adolescentes pertencentes ao ensino fundamental de 8 anos. e ampliam a permanência do estudante no ensino fundamental para nove anos. que antes eram atendidas na última etapa da Educação Infantil. ao tratar do ensino fundamental. em consonância com a universalização da faixa etária de 07 a 14 anos. A exigência da ampliação do tempo da escolarização básica foi prevista na Lei n. Todas as implementações devem ocorrer. A proposta de implantação na educação básica. o ensino fundamental de 9 anos. oferecer maior oportunidade de aprendizagem. é . no período de escolarização obrigatória.114/05 e n. Nesse momento da implantação surge a grande dificuldade das escolas e dos docentes que irão atender a esses novos ingressantes de 6 anos de idade: como não manter as mesmas características da primeira série do ensino fundamental de matriz organizada em 8 séries? Diante desta dificuldade. a partir de seis anos. Esse Projeto Pedagógico deve estar pautado numa nova concepção de infância. nas EMEIs e EMEFs. que estabelece o Plano Nacional de Educação. implica no tratamento do espaço da escola como parte importante do processo de formação das crianças. 10. 11. por intermédio das Leis Federais. na qual as crianças sejam vistas e atendidas como sujeitos sociais e históricos. o Conselho Municipal de Educação dá o seu parecer: O entendimento da infância como uma categoria social. O Plano Nacional de Educação. 11.

(Deliberação CME n. p. e não como algo dinâmico. trazendo como conseqüência a antecipação dos conteúdos do ensino fundamental. que se transforma em vivências e práticas pedagógicas cotidianas.46 preciso retomar a discussão em torno do currículo para supervisão de que este seria uma relação de matérias ou conteúdos. De acordo com a relação do cuidar e educar. ( A Rede em rede-fase 1. porém não se pode esquecer das crianças de 3 anos e meio que ingressam nas Escolas Municipais de Educação Infantil. cultural. conceito este que vem contrapor o caráter hegemônico da escolarização. Tais posturas demonstram o caráter hegemônico da escolarização sobrepondo-se às experiências das crianças. ao currículo. flexível. quanto ao acolhimento. nesta pesquisa. cognitivo e afetivo.. porém sempre mediada pela preocupação com a escolarização. ao mobiliário. na formação continuada. observa a preocupação curricular com as crianças de 6 anos. 2007. dar banho. os aspectos biológico. acomodá-las em momentos de repouso. Segundo Kishimoto (2002. à proposta pedagógica voltada para os mais novos ingressantes. antigas concepções são questionadas: Muitos professores na Educação Infantil não acham que trocar fraldas. são tarefas educativas. 03/2006) O Conselho Municipal de Educação propõe recomendações a respeito do período de transição da implantação do ensino fundamental de 9 anos com o objetivo de assegurar o atendimento de qualidade aos novos ingressantes: reorganização pedagógica e readequação curricular de todo o paradigma do ensino fundamental. As particularidades da faixa etária e suas necessidades são conhecidas por todos os protagonistas da educação infantil. Há uma nova concepção do educar e cuidar. 169): (. A articulação da pré-escola com as creches aparece em algumas propostas. p. Nas recomendações. coloco a questão aos professores e gestores.55) . Para avaliar se há uma discussão dos protagonistas de Educação Infantil.. acompanhar crianças ao banheiro. Esta concepção de cuidado e de educação está hoje sendo muito questionada na área. que têm ainda um perfil diferenciado dos Centros de Educação Infantil.) a especificidade da creche/pré-escola não é considerada. orientar momentos de lanche e/ou almoço. Separam no ser humano.

O conceito cuidar e educar devem ser indissociáveis na modalidade de Educação Infantil. As Escolas de Educação Infantil e Fundamental I devem superar a questão da escolarização. A equipe educacional precisa atentar para o novo marco na Educação Infantil. como elas brincam. prazeres e resistências. Portanto. principalmente. que conservam a proposta de escolarização. é preciso que os profissionais que as acolhem possam explicitar e afinar suas utopias e desejos educacionais. A fim de garantirmos experiências significativas para as crianças. p. Antes da Lei de Diretrizes e Bases 9394/96 a concepção pedagógica da educação infantil era fragmentada. Os profissionais que atuam na modalidade da Educação Infantil passam a ter em suas ações pedagógicas a preocupação tanto com o cuidar como o educar as crianças. é fundamental que os profissionais de um segmento e de outro possam dialogar! Precisamos incluir esse diálogo no nosso planejamento. o que já pesquisaram. emocionais e cognitivas. sem uma nova concepção pedagógica. pois. respeitando-se suas necessidades biológicas. tanto a criança de zero a três anos e meio quanto as de cinco devem ser acolhidas. medos. quais seus principais interesses.47 A criança não pode ser dividida entre o biológico e o cognitivo. elaborar uma nova Proposta Pedagógica e levar essas discussões para a formação continuada. A história nos aponta para mudanças imediatas. Mendes e Faria. no último ano da Educação Infantil e primeiros anos do Ensino Fundamental I e proporcionar as crianças vivências cada vez mais lúdicas e significativas que ampliem seus repertórios. Vale conversar sobre do que gostam as crianças. localizada principalmente na última etapa da Educação Infantil. . ou seja. físicas. do Sistema Municipal de Educação. Lopes. (2006. 41) mencionam que planejar o diálogo entre os dois segmentos é fundamental: Enfim. A partir da LDB as creches passam a fazer parte da primeira etapa da Educação Básica e no Município de São Paulo. nesta passagem. uma atualizada organização do tempo e espaço na Educação Infantil ficará difícil para os novos ingressantes serem bem acolhidos nas Unidades Escolares. as creches que atendiam crianças de 0 a 3 anos tinham a função exclusiva de cuidar não existia neste segmento educacional a preocupação com o conceito de educar.

momentos para que ocorra o diálogo entre os segmentos. discutir e planejar. é que os educadores do ensino fundamental. outra ação traçada pela unidade escolar para articulação dos dois segmentos. a escola pode se organizar.48 Nesse sentido. . de anseios dos professores e as crianças acolhidas nesses segmentos são beneficiadas através da articulação entre as unidades escolares. pois materializam uma documentação viva deste processo. ao propor esta articulação. 253) O diálogo entre os dois segmentos são possíveis e possibilita à aproximação. EMEI e EMEF. conheçam sua individualidade. Para tal. A pesquisa realizada numa Escola Municipal de Educação Infantil revela as expectativas dos professores da infância em propor a articulação com os professores do ensino fundamental através do portfólio de cada aluno: Assim. 253) Além disso. valorize o conhecimentos construídos. p. 2008. (Ramires. a troca de conhecimento. a educação infantil passa a ser de fato reconhecida e apreciada enquanto etapa relevante para o desenvolvimento integral das crianças. p. de dúvidas. Este é mais um desafio para as nossas escolas. (Ramires. foi a proposta de reuniões conjuntas: Estas reuniões permitem ainda que os educadores do ensino fundamental expressem suas expectativas em relação ao desenvolvimento das crianças na educação infantil assim como esclareçam dúvidas a respeito do processo de aprendizagem de determinadas crianças. a expectativa das professoras desta EMEI. Neste contexto. na formação continuada docente. segundo os registros nos livros de atas. ao receberem os portfólios das crianças. considere o percurso de cada uma na educação infantil – com seus avanços e dificuldades – e elaborem propostas educativas apoiadas no crescimento real e potencial de cada indivíduo de maneira adequada a sua reais condições. 2008. contribuem tanto as informações fornecidas pelas professores de educação infantil quanto os portfólios.

na co-participação das situações dos informantes. O pesquisador participa. compreende e interpreta. Nesse contexto. Lidar com uma nova concepção pedagógica em detrimento de uma concepção tradicional enraizada de muitos anos na prática docente é algo desafiador a este protagonista de formação. um atendimento de qualidade às nossas crianças. procurando verificar sua influência sobre outras variáveis. nota-se um investimento da Secretaria Municipal de Educação e da Equipe de Formadores nas escolhas dos conteúdos de formação e no planejamento de estratégias formativas. O pesquisador descreve. Nesse processo. Durante a Formação direcionada ao Coordenador Pedagógico pelo “Programa A Rede em rede”. O protagonista nesse “Projeto” e “Programa” é o Coordenador Pedagógico que é o formador direto dos professores de Educação Infantil e conta com o apoio do Diretor da Escola. na modalidade Educação Infantil. 52) . abordagem qualitativa (técnica de entrevista semi-estruturada e análise dos documentos da escola pesquisada e pesquisa de campo. procura-se provocar reflexão e problematização da prática docente para um aperfeiçoamento pedagógico e. 2006. assim. qualitativas: fundamentam-se em dados coligidos nas interações interpessoais. analisadas a partir da significação que estes dão aos seus atos. a pesquisa pretende verificar em que medida as teorias estudas e discutidas por meio do “Projeto Especial de Ação” e do “Programa A Rede em rede” contribuíram para o aprimoramento da prática dos professores.49 3 METODOGIA DA PESQUISA O “Projeto Especial de Ação” e o “Programa A Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil” vem propor atualização da prática pedagógica e nova concepção pedagógica para a Rede Municipal de Educação de São Paulo. (Chizzotti. p. explica e prediz. Entende-se por abordagem quantitativa e qualitativa: quantitativas: prevêem a mensuração de variáveis preestabelecidas. mediante a análise da freqüência de incidências e de correlações estatísticas. A metodologia utilizada na pesquisa foi as abordagens quantitativa (técnica de questionário).

que continha 13 questões alternativas e 3 questões dissertativas direcionadas aos professores que seriam respondidas por escrito sem a intervenção direta do pesquisador. pois se constitui como uma “série de perguntas abertas feitas oralmente em uma ordem prevista. posteriormente transcritas. Entende-se por entrevista. utilizei a técnica de entrevista semi-estruturada. permitindo que elas se aprofundem no assunto gradativamente. esclarecimentos e adaptações da informação desejada. com o objetivo de obtenção dos dados que interessam à investigação. Após a aplicação da técnica de questionário. coletei dados por meio da técnica de questionário. Anexei uma folha. de acordo com Gil (1999. Usei vocabulário com uma linguagem simples.. 78) a técnica de questionário é: “um instrumento de coleta de dados com questões a serem respondidas por escrito sem a intervenção direta do pesquisador”. sua importância e a necessidade de que o sujeito respondesse de forma adequada às questões. (.50 Segundo Moroz e Gianfaldoni (2006. Outra técnica a ser utilizada na pesquisa foi a entrevista semi-estruturada. correções. 117): (. 188) há quatro tipos de entrevistas: estruturadas.) a técnica em que o investigador se apresenta frente ao investigado e lhe formula perguntas. localizada na Zona Leste de São Paulo.) uma forma de diálogo assimétrico. explicando a natureza da pesquisa. não-estruturadas. . No primeiro momento da pesquisa. Em seguida. dúvida ou incompreensão. Esta técnica permite a captação imediata e corrente. p. p. As entrevistas semi-estruturadas foram gravadas na Unidade Escolar de acordo com a flexibilidade de horário de cada professor e as respostas. exata com objetivo de evitar ambigüidade. No segundo momento da pesquisa. Segui um roteiro que continha certa ordem lógica dos assuntos. p. usual. Segundo Laville e Dionne (1999. apliquei o segundo questionário contendo 7 questões dissertativas aos gestores da Escola Municipal de Educação Infantil. parcialmente estruturadas e semi-estruturadas. em que uma das partes busca coletar dados e a outra se apresenta como fonte de informação. tabulei as respostas das questões e analisei os dados obtidos. mas na qual o pesquisador tem a possibilidade de acrescentar questões de esclarecimento” (p. 188)... Evitei saltos bruscos entre as questões..

contei com um total de 21 professores de educação infantil. desse grupo de professores. a quem apliquei a técnica do questionário. Além disso. durante os quatros anos investigados pela pesquisa. A aplicação da técnica de entrevista foi escolhida devido à possibilidade que ela oferece de aprofundar o assunto abordado e de lidar com a heterogeneidade do grupo. devido ao número considerável dos participantes da pesquisa e à importância da participação de todos os protagonistas da unidade escolar. 79): “determinados registros têm como característica o fato de servirem como documento de situações que ocorreram no passado.51 Outra técnica a ser utilizada na pesquisa foi a análise documental da Escola Municipal de Educação Infantil. p. Nesse sentido. realizei a análise documental. selecionei 3 deles e apliquei a técnica de entrevista semi-estruturada de acordo com 3 categorias: o professor que realizou totalmente a formação continuada. Justifico a utilização da técnica de questionário. localizada na Zona Leste de São Paulo. com o objetivo de complementar as informações obtidas na técnica de questionário e entrevista. A utilização da técnica de análise documental me forneceu informações complementares. . De acordo com Moroz e Gianfaldoni (2006. mais precisamente na região de São Mateus. Os documentos que consultei foram os livros de registros das discussões realizadas nas reuniões coletivas de formação de professores. na unidade escolar. no terceiro momento. nos horários coletivos. vale reportar que essa técnica é fonte estável e rica de informações sobre determinado contexto. o professor que realizou a formação continuada parcialmente e o professor que não realizou a formação continuada. Para a realização de minha pesquisa. seja afastado ou recente”. O questionário e o roteiro de entrevista foram testados a voluntários e depois aplicados ao público alvo.

sexo e formação acadêmica Os entrevistados variam na faixa etária entre 29 a 44 anos. Questão .52 4 ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DOS DADOS COLETADOS 4. 16 foram respondidos pelos docentes desta unidade escolar.1 Instrumento de pesquisa quantitativa: Questionário . O grupo de professores pesquisados inclui-se na faixa etária. na Zona Leste de São Paulo. entre 29 a 44 anos.Identificação do pesquisado: idade. ingresso recente no cargo de professor. . demonstrando que são professores com escolhas profissionais definidas e não profissionais indecisos no que ser ou fazer em termos profissionais. Veja a tabela: Tabela 1: Apresentação da idade dos entrevistados Idade  29 anos 30 anos 34 anos 37 anos 38 anos 39 anos 40 anos 43 anos 44 anos Idade não declarada Total Fonte: dados do autor Nº  2 3 1 1 2 1 1 1 1 3 16 Há importância de conhecer o perfil dos profissionais pesquisados para melhor compreender as ações pedagógicas.Docentes O pesquisador aplicou 21 questionários a todos os professores da Escola Municipal de Educação Infantil pesquisada. Destes questionários. na Prefeitura Municipal de São Paulo e outros por motivos particulares. Os outros cinco questionários não foram respondidos por motivos de licença médica.

o trabalho doméstico de cuidados e socialização infantil. 01 professor com Pedagogia e licenciatura em Letras e 01 professor com licenciatura em Letras e apenas 01 docente tem o magistério em nível médio. Observe o gráfico: Sexo Feminino Masculino Não Declararam Figura 1: Apresentação do sexo do grupo pesquisado Fonte: dados do autor Segundo Kramer (2002. desempenhado tradicionalmente pelas mulheres. reprodutivo. Em relação ao nível de escolaridade. p. 13 professores possuem o curso de Pedagogia. sendo destes. 05 declaram possuir curso de Pós-graduação latu sensu. 125) a questão da atuação do sexo feminino na modalidade da Educação Infantil é uma questão social. Dos pesquisados. 15 docentes possuem o ensino superior. afetiva e cultural: As atividades do magistério infantil estão associadas ao papel sexual. paradigma cultural que predomina até hoje nas Instituições de Educação Infantil. As tarefas não são remuneradas e têm aspecto afetivo e de obrigação moral. foi se traçando o perfil das educadoras da infância. Desde a origem das Escolas Normais.53 Outro dado interessante na pesquisa é que grande parte dos entrevistados são do sexo feminino. . caracterizando situações que reproduzem o cotidiano.

na área de atuação. profissionais de Educação Infantil adquirindo uma formação específica. Kishimoto (2002) relata com base nas fontes: MEC/INEP/SEEC. 2%). possuem o ensino superior completo e estão caminhando para a pós-graduação. as dificuldades em obter o ensino superior foram superadas pelos docentes e os avanços para o curso de pós-graduação fazem parte da formação profissional dos professores. . nota-se que grande parte dos professores da citada Escola Municipal de Educação Infantil. uma vez que se concorda que o Curso Normal Superior ou o Curso de Pedagogia são abrangentes e não possuem um currículo específico para a demanda de profissionais de Educação Infantil. Neste sentido. os profissionais que atuavam com crianças de 4 a 6 anos possuíam melhor formação: nível médio (65.7%) e superior (18. na pesquisa. mas ainda havia leigos com apenas ensino fundamental (16. Isso mostra o grande avanço da educação rumo a uma educação de qualidade.54 Nível de Escolaridade Ensino Médio Ensino Superior Pós-Graduação Figura 2: Nível de Escolaridade dos pesquisados Fonte: dados do autor De acordo com os dados. que em 1996.5%). Na unidade escolar pesquisada. Destacam-se. in Situação da educação básica no Brasil. localizada na região leste de São Paulo.latu sensu.

a pósgraduação contribuirá para a diminuição de lacunas de formação. causando impactos significativos na prática pedagógica. que atendam as crianças pequenas. Segue a tabela: Tabela 2: Apresentação de Tempo de Magistério Tempo de Magistério 0 a 5 anos 5 a 10 anos 10 a 15 anos 15 a 20 anos 20 a 25 anos Total Fonte: dados do autor Nº 0 4 8 3 1 16 De acordo com a pesquisa.Tempo de Magistério Quanto ao tempo de magistério.55 Segundo Kishimoto (2002. 184): As Pedagogias da Educação Infantil deveriam tratar de concepções sobre criança e educação infantil. o que se acredita como uma das causas de lacunas na formação inicial do professor. dedica-se a uma formação geral do pedagogo em detrimento da especificidade da formação para crianças pequenas. a maior parte dos professores pesquisados se encontra na metade da carreira profissional. Nos Cursos de Formação de Professores. Questão 1. ou as maiores. de creches. por um período de 5 a 10 anos. Portanto. 03 no período de 15 a 20 anos. p. comparando-os com o profissional que encerra a carreira aos 25 anos de magistério. 04 professores atuam no magistério. 08 exercem a docência no período de 10 a 15 anos e 01 docente possui mais experientes com tempo de magistério entre 20 a 25 anos. dos centros infantis. Acredita-se que o perfil do profissional nesta etapa já traz consistência . suas práticas e formas de gestão e supervisão.

A investigação está presente neste grupo. tendo um pico de ingressos. Nessa perspectiva. Além disso. quando há uma busca de aperfeiçoamento profissional nos cursos de latu sensu. Segundo Vander Ven (1988). são profissionais que fizeram um investimento forte na carreira.Ingresso no cargo de professor de Educação Infantil no Município de São Paulo Os professores ingressaram na Rede Municipal de São Paulo. a profissionalidade na educação de infância baseia-se em uma gama de conhecimentos e competências profissionais que têm impacto em uma gama similar de necessidades das crianças. Os práticos informados. tem-se que a maioria dos profissionais encontra-se no nível prático informado com característica do prático complexo. além de sala de aula e. de 1988 a 2006. ele elabora cinco estágios de desenvolvimento profissional: noviços. por fim. prático informado. Questão 2.56 pedagógica em termos de concepções. Baseado nestes estágios e na característica do grupo pesquisado quanto ao tempo de carreira. das famílias e dos sistemas societários. na investigação. o acréscimo de competência e maturidade permite-lhes resolver. Os práticos complexos são aqueles que acumularam alguma longevidade na carreira e envolvem-se com questões sociais e/ou administrativas. nos anos de 2002 e 2006. prático complexo e prático influente. em outras funções. segundo Vander Ven (1988). experiência diferente dos profissionais iniciantes que estão a descobrir a prática da profissão ou daqueles que estão no final da carreira profissional. o suficiente para levá-los a completar um programa formal de preparação educacional. prático principiante. Veja tabela: . formação acadêmica e cargos que atuam. de modo mais preciso preocupações relacionadas com a qualidade.

2008. no exercício do papel de formador. O cálculo foi feito a partir do ano de ingresso (1988) até o ano base 2008.” ( Conferência Nacional da Educação Básica. Há presença de concepções.57 Tabela 3: Ano de ingresso e Tempo na Prefeitura Municipal de São Paulo (PMSP). 32) . Assim. hábitos e costumes de outras redes públicas e privadas na formação profissional e prática pedagógica dos docentes. portanto. Entende-se como diversidade: A diversidade pode ser entendida como a construção histórica. na PMSP. ou seja. o tempo de magistério e o tempo de carreira na Prefeitura Municipal de São Paulo dos entrevistados. p. em 2006. deve considerar a diversidade de conhecimento adquirido pelos docentes. cultural e social ( inclusive econômica) das diferenças. Ano 1988 1994 1996 1997 1999 2000 2002 2003 2005 2006 Total Fonte: dados do autor Nº 1 1 1 2 1 2 3 1 1 3 16 Tempo de carreira na PMSP 20 anos 14 anos 12 anos 11 anos 9 anos 8 anos 6 anos 5 anos 3 anos 2 anos Comparando-se a Tabela 2 e 3. durante toda a experiência escolar. na adaptação do homem e da mulher ao meio social e no contexto das relações de poder. alguns docentes possuem no mínimo 3 anos de experiência em outras instituições escolares públicas ou privadas. Ela é construída no processo histórico-cultural. sendo o último ingresso dos profissionais da Educação. os professores ingressaram na Prefeitura Municipal de São Paulo com experiência profissional anterior. O Coordenador Pedagógico. nota-se que os professores possuem mais de 5 anos na carreira do magistério e só 2 anos no cargo docente na Prefeitura Municipal de São Paulo. acadêmica e profissional.

Estatuto dos Profissionais da Educação Municipal: . precisa considerar a heterogeneidade do grupo e partir do conhecimento já adquirido pelo professor para um conhecimento mais aprimorado. portanto. cada docente traz uma diversidade de conhecimento adquirido ao longo da vida. no atendimento de crianças de 3 anos e meio a 5 anos. que trabalham dois turnos nas Escolas Municipais de Educação Infantil.660 de 26 de Dezembro de 2007. o Coordenador Pedagógico.58 Neste sentido. nas formações. sendo 07 ocupam outro cargo de professor e 01 de coordenador pedagógico. Cada professor opta pela jornada de trabalho. precisa ser reconhecido como tal. anualmente. conforme a Lei n. Questão 3: Acúmulo de cargo na Prefeitura Municipal de São Paulo ou em outro órgão estadual ou particular Quanto ao acúmulo de cargo. Segue o gráfico: Acúmulo de Cargo Acúmulo de Cargo Não Acúmulo de Cargo Figura 3: Acúmulo de Cargo Fonte: dados do autor Esses dados revelam a realidade dos professores do Município de São Paulo. 08 docentes exercem outro cargo educacional. Assim. 14. Essa diversidade mostra que o grupo é heterogêneo e.

b) até o limite de 170 (cento e setenta) horas aula mensais.59 Art 15. Em Portugal. antes ou depois da regência de classe para o cumprimento das horas atividades ou horas adicionais. O professor poderá ampliar a jornada de trabalho. p.Jornada Especial Integral de Formação: 25 (vinte e cinco) horas aula e 15 (quinze) horas adicionais. quando o Professor estiver submetido à Jornada Básica do Docente. correspondendo a 180 (cento e oitenta) horas aula mensais. ao optar pela Jornada Básica de . nota-se que é garantida. nota-se a diferença de realidades: Com 25 horas de trabalho semanal. correspondendo a 240 ( duzentas e quarenta) horas aula mensais. As Jornadas Básicas e Especiais de Trabalho do Docente correspondem: II. Destaca-se. também. no Brasil.Jornada Especial de Trabalho Excedente e Jornada Especial de Horas Aulas Excedentes: a) até o limite de 110 ( cento e dez) horas aula mensais. Comparando os professores brasileiros com os professores da cidade de Braga em Portugal. para a formação continuada. III.Jornada Básica do Docente: 25 ( vinte e cinco) horas aulas e 5 (cinco) horas atividades semanais. Pensar no docente que trabalha dois turnos no cargo de professor é observar que esse professor trabalha. e mais 15. Além dessas horas. quando o Professor estiver submetido à Jornada Especial Integral de Formação. a formação continuada de todos os docentes. o número de horas. docentes de pré-escolas trabalham em tempo integral (8 horas diárias) e contam com a colaboração de auxiliares que dividem as tarefas do dia-a-dia. conforme o inciso IV desta mesma Lei: IV. no estatuto da carreira. destinadas à formação continuada dos professores. há o restante de horas da Jornada de Trabalho a serem cumpridas. (Kishimoto. no mínimo. o professor. com as crianças. atendendo aproximadamente 70 crianças por dia. 2002. 8 horas em sala de aula com as crianças. tanto na Jornada Básica do Docente (JBD) como na Jornada Especial de Integral do Docente (JEIF). 170) O professor do Município de São Paulo trabalha muito mais horas na sala de aula em regência e sem nenhum auxiliar para ajudá-lo nas tarefas do cotidiano.

E só terá a formação continuada. 06 participaram parcialmente do “Projeto”. a opção de participação é facultativa. Observa-se o gráfico: Projeto Especial de Ação Participação Total Participação Parcial Não Participação Figura 4: Projeto Especial de Ação.60 Trabalho. o que pode prejudicar a qualidade do ensino. pois. na Rede Municipal de São Paulo. exceto o professor que opta pela JEIF. na sua produção na formação continuada. ao se pensar na importância da formação continuada na carreira do professor e. No Brasil. Desses 13 professores.Participação dos docentes no Projeto Especial de Ação Quanto à participação dos docentes no “Projeto Especial de Ação”. não terá horas destinadas à formação continuada. Esses dados vêm comprovar a dificuldade dos professores em. somente as horas atividades. Questão 4. conforme o inciso IV. após duas jornadas que contemplam 8 horas de regência. na Jornada de Trabalho. ter a ampliação . 13 professores participaram do “PEA”. nos horários coletivos. o professor que solicitar a ampliação de sua Jornada de Trabalho. o professor trabalha muito mais horas com os alunos e menos horas são destinadas à formação continuada.do Estatuto dos Profissionais da Educação Municipal. além de trabalhar 8 horas diárias em regência.PEA Fonte: dados do autor O acúmulo de cargo é a justificativa dos professores que não realizaram a formação continuada. 07 tiveram a participação integral no período de 2005 a 2008. nos anos de 2005 a 2008. 5 e 6. e 03 nunca participaram dele.

R2: “Acredito que o PEA precisa ter mais prática sempre com teoria”. 04 avaliaram como regular e 02 não avaliaram o “Projeto Especial de Ação”. Os pesquisados relataram o que mudariam no “PEA”: R1: “Deveria ter curso específico de acordo com o interesse e necessidade dos professores”. .61 da Jornada de Trabalho para a realização da formação continuada. A ausência dos professores na formação continuada traz dificuldades para o desenvolvimento do trabalho coletivo da Unidade Educacional. Observase o gráfico: Avaliação do Projeto Especial de Ação Excelente Bom Regular Não Avaliaram Figura 5: Avaliação do Projeto Especial de Ação Fonte: dados do autor Por meio desses dados o “Projeto Especial de Ação” é bem avaliado por mais da metade dos professores pesquisados.Avaliação do Projeto Especial de Ação Os docentes avaliaram o “PEA” da seguinte forma: 10 consideram o “Projeto” como bom. semanalmente. porém precisa de algumas alterações. Questão 7 e 15a.

De acordo com a natureza do “Projeto Especial de Ação”. R8: “Que fossem menos referências bibliográficas. R7: “Eu gostaria de ter um PEA com atividades com envolvimento dos Pais”. que expressam as prioridades estabelecidas no Projeto Pedagógico. teatro) e incluir também maior número de horas destinadas à troca de experiências”. 2 não responderam a questão. cursos de acordo com o tema (fora da escola) em outros espaços e palestras”.566 de 18 de Março de 2008 resolve: Art 1º Os Projetos Especiais de Ação – PEAs são instrumentos de trabalho elaborados pelas Unidades Educacionais. ter palestras.). Segundo a Portaria n. por toda equipe escolar e comunidade local. 1. visando ao aprimoramento das práticas educativas e conseqüentemente a melhoria da qualidade de ensino (. ter curso. voltadas essencialmente às necessidades de desenvolvimento dos educandos.62 R3: “É preciso investir no estudo de autores atuais aproximando a nossa prática com a pedagogia atual”. porém mais atualizadas. R10: “No PEA poderíamos incluir visitas a espaços culturais (museus. onde o professor pudesse fazer uma co-seleção com as atividades em sala de aula”. observa-se que ele tem por finalidade atender as necessidades pedagógicas da unidade escolar e ser construído. R4: “Que a bibliografia fosse menos extensa e contemplasse os conteúdos do Rede em Rede”. R9: “Deveria ter cursos específicos de acordo com o interesse e a necessidade do professor e da Unidade Escolar”. R11: “Conteúdo”. anualmente. semanalmente. Do restante dos entrevistados. R5: “Ser mais flexível se precisar haver mudanças no projeto.” R6: “Que haja mais formações. encontros com outras Unidades Escolares e formação com pessoas especializadas de fora. 3 responderam que não participaram da formação continuada. definindo as ações a serem desencadeadas.. .. as responsabilidades na sua execução e avaliação.

22) planejar é: elaborar – decidir que tipo de sociedade e de homem se quer e que tipo de ação educacional é necessária para isso. portanto. Assim. execução e avaliação. os “planejadores” são poucos e os “executores”. uma porção. . se tiver consciência crítica. 13 conhecem o programa.Conhecimento dos professores do Programa a Rede em rede Quanto ao “Programa A Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil”. plenamente. as necessidades da sala de aula. Questão 8. se tiver consciência ingênua ou mítica. verificar a que distância se está deste tipo de ação e até que ponto se está contribuindo para o resultado final que se pretende. propor uma série orgânica de ações para diminuir esta dinâmica e para contribuir mais para o resultado final estabelecido. O planejamento precisa ser visto como processo educativo com o envolvimento de toda comunidade educativa. não aceita tal situação e que. nos relatos dos professores pesquisados. Há necessidade de compreender que o projeto precisa ter um planejamento nas etapas de elaboração. apontando a direção para todo um grupo. observa-se por meio dos relatos dos professores ao avaliarem o “Projeto Especial de Ação” que o projeto é estático e não dinâmico. bem como cada um dos documentos derivados. temos uma pessoa. o aprimoramento das práticas educativas fica comprometido. 14): Em geral. O projeto não pode ser planejado por poucos e tendo uma porção de executores. ou algumas.63 Observa-se. Gandin (1991. Neste sentido. execução e avaliação. que o “Projeto Especial de Ação” precisa de alguns ajustes no processo de planejamento: elaboração. Em qualquer destes casos. Como resultado. avaliar – revisar sempre cada um desses momentos e cada uma das ações. p. 02 não conhecem e 01 conhece sem profundidade. pode ser levado pela força ou pelo engodo. desprestigia-se o planejamento que tem a difícil função de organizar a ação sem ferir a liberdade e a riqueza dos participantes de um grupo. executar – agir em conformidade com o que foi proposto. verificou-se que o “PEA” não atende. p. Segundo Gandin (1991.

é necessários ler. discutir. Veja-se o gráfico: . tornou-se evidente que não basta adquirir os documentos e conteúdos do “Programa” para conhecê-lo.64 Programa A Rede em Rede na Educação Infantil Conhece Não Conhece Figura 6: Programa de Formação Continuada Fonte: dados do autor Segundo os dados da pesquisa. Questão 9 e 15b: Avaliação do Programa a Rede em rede Os docentes avaliaram o “Programa” da seguinte forma: 08 consideram o “Programa” bom. Não teve nenhuma avaliação excelente. a maior parte dos professores conhece o “Programa”. problematizar para fazer parte do cotidiano educativo. 04 docentes avaliaram como regular e 04 não avaliaram o “Programa A Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil”. todos os professores receberam os documentos do “Programa A Rede em rede”. porém há um número de docentes que declaram não conhecê-lo ou não conhecê-lo com profundidade. Portanto. No ano de 2006 e 2007. refletir.

Virou um telefone sem fio. não chega a informação e a formação até o professor”. R8: “Que tivesse um programa voltado diretamente para os professores”. R2: “Preciso conhecê-lo melhor para avaliá-lo adequadamente”. . ao grupo gestor". só com a participação do Coordenador Pedagógico”. em muito dos casos. R7: “Eu mudaria a formação que é voltada somente ao Coordenador Pedagógico. R4: “Que o Rede em Rede se estendesse aos professores em nível de formação". R6: “Que fosse aberto aos professores e não só. porque. Ainda sobre a avaliação. R5: “ Todos participarem. os profissionais da Educação Infantil relatam: R1: “Colocaria o professor para participar. os demais se dividem entre regular e os que não avaliaram. os professores deveriam ter esta e outros tipos de formação”.65 Avaliação do Programa Excelente Bom Regular Não Avaliado Figura 7: Avaliação do Programa de Formação Continuada Fonte: dados do autor A metade dos professores pesquisados avaliaram. R3: “Acredito que os professores precisam participar das mesmas formações que os coordenadores pedagógicos participam”. o “Programa”. positivamente.

O “Programa A Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil” é .66 R9: “ Deveria ter a participação dos professores”.) Se é outra a concepção que se quer .. se a mudança deve ser a este ponto. 09 solicitaram que o “Programa” fosse realizado diretamente aos professores ou professores e coordenadores pedagógicos. cada um de acordo com aquela que é a sua tarefa nesta grande processo que é garantir a educação das crianças. R15: “Que o programa proporcione formação para o professor com DOT-P e não apenas para o Coordenador Pedagógico”. cada um do seu lugar. R10: “Não tenho conhecimento sobre o projeto. R12: “Sinto a necessidade de ter uma programação Rede em Rede que fosse aplicado para a formação direta do professor em horário de trabalho”. R13: Não respondeu. com o único formador. R14: “Gostaria de conhecer melhor para poder opinar”. os supervisores também precisam(. os diretores também precisam. Há necessidade da formação continuada em todos os níveis hierárquicos do sistema educacional. Dos pesquisados. sujeitos das mudanças e das resistências. por parte dos docentes. No relato dos profissionais de Educação Infantil. de modo que gostaria. se envolvam em processos. é preciso que essa mudança vá sendo construída nos diferentes espaços e que as pessoas. então sugiro que seja direcionado diretamente aos professores”. os coordenadores pedagógicos também precisam. no processo de formação continuada do “Programa A Rede em rede”. R11: “Não respondeu”. nota-se o reconhecimento dos gestores.. R16: Não respondeu. De acordo com relato de Nogueira (2005. 221): Colocando de outra forma: se os professores precisam da formação continuada para garantir a aprendizagem dos alunos. p.

Assuntos significativos do Programa A Rede em rede e sugestões de outros assuntos Os assuntos mais significativos do “Programa A Rede em rede” pelos professores foram tempo e espaço. Questão 10. essas práticas de formação são insuficientes. p.67 pioneiro em incluir em sua formatação a trio gestor no processo da formação continuada. as múltiplas linguagens da Educação Infantil. Assim. Essa ação reforça a importância da articulação da equipe gestora no processo de mudanças de prática pedagógicas rumo ao ensino de qualidade. 221) relata: O mais comum. teórica. práticas pedagógicas e orientação didática e expectativa de aprendizagem. a linguagem do brincar e acolhimento.. informação e teoria não são dispensáveis. que a formação do “Programa A Rede em rede” não chegou aos professores em nível de uma formação plena. 225). a interação é essencial no processo de formação. Todos os envolvidos no processo de formação continuada precisam estimular os professores a pesquisar. mesmo na formação continuada. a exposição teórica são essenciais. pelo contrário o estudo. na Prefeitura Municipal de São Paulo. A respeito da formação Continuada Nogueira (2005. . no relato dos professores. Segundo Oliveira (2005. Observa-se. a utilizar instrumentos metodológicos para a reconstrução e construção de novos conhecimentos e práticas pedagógicas.) A meu ver.. pesquisar alternativas de ação. p. Isso envolve problematizar sua prática. mas para que se garanta uma formação que faça avançar a aprendizagem dos alunos. os professores devem ser estimulados a articular os vários conceitos trabalhados em sua formação anterior ou atual com sua prática profissional cotidiana. sistematizar suas reflexões em várias formas de registro e reconstruir conhecimentos historicamente elaborados. é uma concepção pautada na idéia de formação conceitual. ou na forma de assessorias pontuais (. organizada na forma de cursos. A inclusão do trio gestor na formação continuada trouxe um avanço significativo para educação infantil. Os temas sugeridos pelos entrevistados para serem trabalhos no “Programa” foram inclusão. a formação continuada dever ser: Em programas de formação continuada. a formação continuada precisa ir além da informação. também. voltada para informar.

que estamos acostumados a enxergar. a freqüência do registro dos docentes ao desenvolvimento dos alunos. Questão 11. 40). dos interesses.Registros pedagógicos Quanto às questões pedagógicas.fase 1 (2007. No entanto.68 atualização e socialização da prática. a memória não nos é suficiente. a observação e o registro são instrumentos metodológicos para uma prática pedagógica autônoma e responsável: A primeira forma de registro de pontos observados é a própria memória: da infinidade de cenas que observamos diariamente. 03 mensalmente. aquilo a que damos um significado. p. 08 semanalmente e 02 diariamente. só nos lembramos de fato daquelas que já ficaram registradas na memória. 03 docentes realizam o registro semestralmente. jogos de raciocínio lógico. . etc. Observe-se a tabela: Tabela 4: Freqüência do Registro Registro Diariamente Semanalmente Mensalmente Bimestralmente Semestralmente Total Fonte: dados do autor Nº 2 8 3 0 3 16 Segundo o Documento A Rede em rede. posto que só registramos aquilo que podemos reconhecer. O “Programa A Rede em rede” foi o pioneiro em pensar na qualificação da equipe gestora da Unidade Educacional e trouxe uma nova concepção pedagógica para a modalidade Educação Infantil. a nossa história de vida. em função dos nossos conhecimentos anteriores. como fazer uso dos tempos e espaços para melhorar o atendimento das crianças.

para que os profissionais da Educação Infantil não permaneçam apenas no registro de memória. a análise e reflexão da prática pedagógica. o que prejudica a qualidade do registro. De acordo com o documento A Rede em rede. Veja o gráfico: Reflexão da Prática Docente Diariamente Semalmente Mensalmente Outros Figura 8: Freqüência que se reflete a prática docente Fonte: dados do autor A análise e reflexão da prática pedagógica diária permitem ao professor problematizar suas ações pedagógicas. 15 professores relatam que possuem o hábito de refletir sobre a prática docente e 01 não respondeu a questão. 01 mensalmente e 01 relatou que sempre que necessário. o registro deve ser feito de preferência simultaneamente à observação. 04 semanalmente.fase 1 uma das ferramentas básicas para a reflexão docente é: . A freqüência dessa reflexão sobre a prática pedagógica. Segundo o documento.69 Portanto. Questão 12. Muitos profissionais ainda estão registrando tardiamente suas observações. é necessário que não se passe muito tempo para sua realização. repensar e planejar o próximo passo da ação. o que empobrecerá o trabalho.Reflexão da prática pedagógica Em relação à reflexão sobre a prática pedagógica. enriquecendo o seu fazer docente. relatada pelos profissionais da Educação Infantil foi a seguinte: 10 refletem diariamente sobre a prática docente.

com preconceitos. p. 2007. Segundo a LDB 9394/96. combinando a concepção tradicional com a concepção construtivista e sócio-construtivista. registros qualitativos. ou seja. p. Questão 13. não houve nenhuma declaração em relação à concepção tradicional. com informações muito incompletas. a observação e o registro são instrumentos importantes para realizar uma análise de uma situação. A maioria é sócio-construtivista e a minoria. 2007. 01 não respondeu a questão e 4 mesclam as concepções pedagógicas.O ensino será ministrado com base nos seguintes princípios. .pluralismo de idéias e de concepções pedagógicas”. Sem ele. de pensar sobre as muitas impressões e sugestões e de tomar consciência de suas dimensões. (DOT P-EI. ações significativas. construtivista.Concepção Pedagógica A concepção pedagógica que fundamenta a prática docente declarada pelos pesquisados foram: 10 professores se consideram sócio-construtivista. (DOT P-EI. 01 construtivista. 45) De acordo com o documento. alguns professores relatam que mesclam as concepções pedagógicas. Veja a tabela: Tabela 5: Concepções Pedagógicas Concepção Pedagógica Tradicional Construtivismo Sócio-Construtivismo Outros Não respondeu Total Fonte: dados do autor Nº 0 1 10 4 1 16 Na pesquisa. em relação aos Princípios e Fins da Educação Nacional declara: “Art 3º. É uma das ferramentas básicas do próprio processo de reflexão.70 Um bom registro daquilo que observamos nos possibilita fazer uma boa análise de um determinado caso. trabalha-se freqüentemente com ouvir dizer. 40) Uma análise de caso é uma estratégia de formação que requer do leitor o exercício da capacidade de problematizar. de analisar o ocorrido. no item “Outros”. III.

Fora da escola.”. aprenderam assuntos significativos para sua prática pedagógica como: R1: “Repensando a prática embora não concordo com alguns assuntos”. mas gostaria de estar me atualizando mais. R8: “Como fazem apenas 3 anos que estou com educação infantil. etc. a diversidade de Concepções Pedagógicas na Educação Nacional. . Muito do que faço me foi passado nos PEAs”. dedico-me a leituras literárias”. R12: “Sim. R3: “Sim. R9: “Repensar a prática”. literatura na Educação Infantil. pois há pouco tempo em casa para fazer leituras técnicas. porque trouxe temas importantes que têm sempre novos conhecimentos sobre assuntos já trabalhados”. R11: “Prática docente aliando à teoria”. organização dos tempos e espaços. R4: “Que o cuidar e educar é uma ação indissociável na educação infantil. R2: “O que considero mais significativo foi a troca de experiências com os colegas e leituras. Questão 14: Formação Continuada Docente Quanto à Formação Continuada. na unidade escolar. pois me sinto defasada”. R10: “Basicamente refletir sobre a prática e avaliar os resultados das ações para planejar os próximos passos da ação educativa”. . durante os últimos quatros anos.71 Portanto. melhoria na questão dos registros e avaliação”. os docentes relataram que. como princípio. Teoria-reflexão-prática-reflexão” R6: “O que realmente ficou mais evidente foi a reflexão constante sobre minha prática”. R7: “A importância das brincadeiras. R5: “ Sim. é assegurada por Lei.

teve como eixo para estudo a Leitura de Mundo Alfabetização e letramento. o “Programa A Rede em rede” estava sendo elaborado pela equipe da Diretoria de Orientação Técnica Pedagógica (DOT-P). Dentro dessas horas/aulas coletivas. de acordo com os registros da unidade escolar pesquisada. na questão do refletir sobre a prática docente. nas unidades escolares do Município de São Paulo. as unidades escolares foram orientadas pelos respectivos Supervisores a dividir o horário coletivo em dois módulos: 3 horas/aulas eram destinadas ao eixo temático do “PEA” e 2 horas/aulas eram destinados ao estudo do “Programa”. o “Programa A Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil”. Nos relatos dos profissionais de Educação Infantil.E”. portanto não era estudado no horário coletivo. volume I e Manual de Brincadeiras volume II e trazer a prática das oficinas vivenciadas pelos Coordenadores Pedagógicos. foi implantado. . Neste ano. Nesse momento. no caso o “PEA”.72 R13: “Todas as leituras e discussão tiveram reflexo na prática”. o “Projeto Especial de Ação”. No ano de 2006. R15: “Não participei”. o eixo estudado no “PEA” foi As Múltiplas Linguagens na Educação Infantil com ênfase em Artes. Neste momento. a formação continuada dos professores. houve a necessidade de priorizar um estudo. Observa-se dificuldade da implantação do “Programa” nas unidades escolares. pois o tempo de estudo coletivo ficou restrito devido os dois temas abordados na formação continuada. R16: Não respondeu a questão. sobre o tema as Múltiplas Linguagens na Educação Infantil para os professores. No ano de 2005. CRECHES E EMEIS da Cidade de São Paulo. principalmente. em conseqüência. os Coordenadores Pedagógicos eram orientados pela equipe de DOT-EI a apresentar os documentos Tempo e Espaço para a infância e suas Linguagens no CEIS. em horário coletivo. observa-se que os momentos de formação continuada contribuíram. Durante os anos de 2005 a 2008. teve vários eixos de estudos. uma vez ao mês. R14: “Não tive formação continuada na U.

o que facilitou o aprofundamento do tema e a aproximação do “ Programa” aos professores. os Coordenadores Pedagógicos foram orientados por DOT. Questão 16: Auto. preferencialmente no “Projeto Especial de Ação”. 01 excelente. A formação continuada deve romper os muros da escola.73 o “Programa A Rede em rede” e os documentos foram pouco abordados na formação continuada.avaliação dos docentes quanto à participação na Formação Continuada Em relação à auto-avaliação dos profissionais de Educação Infantil com relação a formação continuada. o que dificulta o aprofundamento do estudo.Acolhimento e o estudo do documento Orientações Curriculares: Expectativas de Aprendizagens e Orientações Didáticas. junto à equipe escolar. o tema escolhido para o “PEA” foi As Múltiplas Linguagens na Educação Infantil. o “PEA” precisa ter um tema específico e próximo da prática docente. no primeiro ano da implantação. 01 regular e 03 não avaliaram. o “PEA” teve como eixo: A Linguagem do Brincar. Então. com vivências culturais e troca de experiência com outras unidades escolares. das necessidades da unidade em relação às múltiplas linguagens da Educação Infantil e selecionar uma linguagem para ser estudada no próximo ano letivo. Já no ano de 2008. no ano de 2007. Diante desta dificuldade. De acordo com os pesquisados.EI a fazer um diagnóstico. Há uma dicotomia entre momentos de estudo do “PEA” e momentos de estudo do “Programa”. Veja o gráfico: . 11 docentes declaram que sua participação foi boa.

foi aplicado um questionário contendo 7 questões dissertativas.74 Auto-avaliação na Formação Continuada Excelente Bom Regular Não Avaliaram Figura 9: Auto-avaliação dos docentes Fonte: dados do autor O grupo avaliou a participação na formação continuada de forma positiva. na unidade escolar. R2: “Avançar na relação teoria e prática. pois os gestores são os condutores do “Projeto Especial de Ação” e do “Programa A Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil”.2 Instrumento de pesquisa quantitativa: Questionário-Gestores Quanto à participação da equipe gestora. Segue as questões e as repostas da equipe gestora: I. A participação do Coordenador Pedagógico e do Diretor de Escola na pesquisa é muito significativa. A formação deve ser cada vez mais para dar encaminhamentos educacionais a partir de diagnósticos do cotidiano. Quais são os desafios cotidianos que você tem enfrentado em relação à formação continuada dos professores? R1: “Ainda a questão do registro”. 4. . Isso demonstra o apoio e a satisfação em participar dos horários coletivos da formação docente.

por muitas vezes encontrar resistência no grupo de professores e dificuldades dos docentes de encontrar momentos. fazendo-o avançar além do que já sabe. O Coordenador Pedagógico. R1: “Muito bom.. p. Ele é uma das estratégicas do Coordenador Pedagógico para formular boas perguntas e transformar problemas em soluções. no cotidiano. 2007. Porém. organizadas. Como você tem percebido a presença da formação continuada (conteúdo) na prática dos docentes? Comente. teoria e prática: O diário como forma de reflexão. terá acesso às concepções. II. isto percebe-se com todos os funcionários da U. mais atentas. isso. os gestores apontam para duas dificuldades encontradas no cotidiano.) os que atuam com crianças precisam assumir a reflexão sobre a prática. Essas informações serão úteis ao Coordenador Pedagógico que poderá partir deste ponto para conduzir o professor ao avanço da prática pedagógica. mudanças com novas estratégias. pode se tornar um recurso importante que permite o acesso ao pensamento do professor. . ao ler o registro. além de trazer o pensar íntimo e individual do professor. O registro é uma boa estratégia para se alcançar esse objetivo. os gestores precisam elaborar estratégia para que ocorra a reflexão teoria x prática para o desenvolvimento profissional dos docentes. Nota-se a dificuldade do Coordenador Pedagógico em instrumentalizar-se do registro. quando lido com seriedade e respeito. fundamental na busca de estratégias que a ajudem a desestabilizar suas crenças e hipóteses. o docente precisa perceber a importância do registro para o desenvolvimento profissional. no âmbito da formação continuada: o registro e a relação da teoria com a prática. ( Kramer. segundo contrato prévio entre o autor e seu parceiro. p. ( A Rede em rede. quando utilizado para a reflexão da prática docente. Entende-se por registro. o que significa um desafio para os gestores. Quanto à relação teoria e prática. 129) De acordo com a pesquisa e as referências citadas. conclui-se que o registro é um instrumento metodológico importantíssimo. o estudo crítico das teorias que ajudam a compreender as práticas.” R2: “Os conteúdos e reflexões têm sido condizentes com os problemas educacionais do cotidiano escolar”. 43) (. 2002. criando estratégias de ação.. para registrar as observações da prática pedagógica. rechaçando receitas ou manuais.75 Nesta questão. dificuldades e angústias do professor.E.

o que causa conflitos na unidade escolar e o que faz parte do processo de formação profissional. não necessariamente sob a mesma determinação geográfica. o juízo comum sobre a realidade. R1: “A bibliografia do PEA é escolhida pelos participantes. Segundo Gandin (1991. Pode-se conquistar esse comprometimento por meio do sujeito coletivo.) é um grupo de pessoas que possui uma identidade comum.76 Apesar de nesta questão. 19): “a elaboração é apenas um dos aspectos do processo e que há necessidade da existência do aspecto execução e do aspecto avaliação”. nos horários coletivos. p. ambos os gestores percebem resultados significativos da formação continuada na prática pedagógica. O Gestor 2 fala sobre as diferentes concepções e práticas pedagógicas dos docentes.. principalmente. às vezes. percebe-se fazendo parte de uma mesma realidade comportamental. O grupo procura viver em comum-unidade. Portanto. Você tem sentido dificuldade em lidar. p. tratados no Programa: A Rede em Rede tem vindo ao encontro das necessidades dos grupos”. extensão de suas próprias pessoas.94 ). ou seja. um juízo comum sobre a realidade e reconhece-se participante do mesmo “nós-ético”. por assim dizer. Segundo Silva (2006. . que é. e os assuntos. relate as dificuldades. Esses conflitos podem ser mediados por meio do comprometimento de todos os participantes no processo educacional. pois os participantes escolhem a bibliografia. a participação na escolha da bibliografia não é suficiente para que o “Projeto” tenha resultados positivos. III.. O que o unifica é. sujeito coletivo: (. O Gestor 1 relata que não há dificuldade em relação ao “PEA”. R2: “Pois as possíveis dificuldades fazem parte do processo de formação onde as diferentes concepções e práticas educacionais se interelacionam. terem sido citadas anteriormente as dificuldades em relação à reflexão da teoria com a prática docente. conflituosamente”. com o “Projeto Especial de Ação” e o “Programa A Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil? Caso positivo.

Nesses últimos quatro anos. EMEIs e EMEEs da Rede Municipal de Ensino. Os Gestores 1 e 2 avaliaram positivamente o “Projeto Especial de Ação” como espaço coletivo de estudos. Como você avalia o Programa de Formação Continuada: “A Rede em rede”. contribuindo para a qualidade do ensino”. Tem contribuído bastante para a qualidade do ensino na Educação Infantil”. Momentos ricos que devemos aproveitar o máximo para trocas. R2: “Ótimo. . estudos e pesquisa”. Segundo o Portal da Prefeitura Municipal da Educação o objetivo do “Programa A Rede em rede”: O Programa "A Rede em rede: formação continuada na Educação Infantil" .busca apoiar a tarefa dos trios gestores na elaboração e implementação de projetos locais de formação continuada de professores em todas as unidades educacionais dos CEIs. pois é um espaço importante para confrontar os problemas educacionais do cotidiano com os textos teóricos possibilitando a interação teoria e prática. como você avalia o “Projeto Especial de Ação”? R1: “ De qualidade. pesquisa e trocas de experiências profissionais. Neste sentido. IV. os participantes do processo educacional precisam se comprometer com os objetivos e metas comuns da unidade escolar. portanto toda decisão tomada no coletivo deve estar voltada para o melhor atendimento a criança. A criança é o foco principal do trabalho pedagógico. no Município de São Paulo? R1: “O programa tem contribuído bastante para atuação da equipe gestora”. independente das concepções pedagógicas. R2: “Positivo. V.77 De acordo com o conceito de sujeito coletivo.Portaria 938/06 – SME . o Programa tem alcançado os objetivos propostos para a Educação Infantil.

O Gestor 2 afirma que há dificuldade. são dificuldades que trabalhadas levam ao aprimoramento profissional e educacional”. Em relação ao Ensino Fundamental de 9 anos. a atenção e o atendimento delas terá melhor qualidade. é responsabilidade da Unidade Escolar: Cada U. enquanto gestor. tem pensado no acolhimento das crianças de 4 anos a completar no cotidiano da EMEI? R1: “No início foi difícil. como você.EI. Você tem percebido dificuldades dos professores em lidar com a teoria do “PEA” e “Programa A Rede em rede”. Temos que repensar a forma de melhor acolher esses alunos”. Portanto. 49) . fazem parte do crescimento profissional. (A Rede em rede-fase 1.E desenha para a infância um cotidiano que considera culturalmente relevante. mas temos discutido sobre o assunto. Para a equipe de DOT. O Gestor 1 relata que há uma discussão na unidade escolar a respeito do acolhimento das crianças de quatro anos a completar. O Gestor 2 comenta sobre as dificuldades ocorridas no ano de 2009 e a superação delas. R2: “Neste ano de 2009. 2007. O Gestor 1 relata que não observa dificuldade dos professores em lidar com a teoria do “PEA” e do “Programa” por esses conterem conteúdo compatível ao cotidiano da Educação Infantil. A redução do número de crianças por classe. potencialmente capaz de partilhar com as crianças parte importante da nossa herança cultural. se bem trabalhadas. há divergência dos gestores quanto as dificuldades dos professores em lidar com a questão da teoria e prática docente. p. Acredita-se que. R2: “As dificuldades são inerentes ao próprio processo. na prática docente: R1: “Não. VII. foi um complicador. nessa faixa etária irá contribuir bastante para o desenvolvimento do trabalho pedagógico”. porém que ela faz parte do processo educacional e. Ele ressalta a contribuição da diminuição de crianças na sala de aula para o acolhimento das turmas de menos de quatro anos de idade. pois os assuntos são pertinentes”.78 VI. com a diminuição do número de crianças nas turmas menores de quatro anos. mas já estamos assimilando a nova realidade.

Essa formação continuada pode se dar na escola. uma criança que vem de uma época. perguntas sobre os temas dos “Projetos Especiais de Ação” e o “Programa A Rede em Rede: a Formação Continuada na Educação Infantil”. porque eu acredito assim. quatro vezes por semana estar um grupo fechado. e através da sua prática. ela vai mudando. da sua graduação ou outro tipo de formação e convém com a sua prática. com o coordenador. cheiros. As três professoras foram selecionadas por meio dos critérios de participação integral. nós sempre recebemos uma criança nova.79 A unidade escolar tem o compromisso de transformar o cotidiano das crianças em um espaço de aprendizagem e desenvolvimento. sentimentos. nós nunca deveremos deixar de estudar.3 Instrumento de pesquisa qualitativa: entrevista semi-estrutural Neste momento. no meu caso. eu tento sempre procurar. há dez anos atrás. Eu sempre procuro assim. Professora 2: O que eu entendo por formação continuada é aquele estudo que o professor tem depois da sua formação. 4. Então. Uma criança que cada vez mais com a tecnologia. trabalhando dentro da escola. analisa e discute os dados obtidos na entrevista semi-estrutural. das dificuldades que ele vai tendo no dia a dia ele vai estudar. dedicação é incluí-las no mundo mágico da Educação Infantil. nos momentos coletivos de estudo. tendo como roteiro. através de uma pós. da minha formação mesmo.graduação. num espaço cheio de gostos. Então ele tem a prática. Então. como fora da escola também através de cursos. Ressalta-se que a entrevista foi transcrita e mantida na dissertação na linguagem coloquial da Língua Portuguesa. sabores. com o grupo de estudo. pra mim isso é educação continuada. Pelo menos três. as idéias da gestão e também as práticas e o estudo que a gente tem que estar fazendo. de uma sociedade diferente daquela que talvez nós estudamos. os dados obtidos e a análise dos dados: a) O que você entende por Formação Continuada? Professora 1: Formação que todos os dias nós estamos com os nossos colegas. Eu. vai procurar teorias que o auxiliem nessa formação continuada. um grupo junto estudando. Porque assim. Segue o roteiro de perguntas. amor. tem que se atualizar dentro da nossa área da educação. no período de 2005 a 2008. pela não participação. o professor também . carinho. O Foco principal da entrevista são os temas do “PEA” e do “Programa A Rede em rede” na prática docente. estar lendo. dos seus problemas. gestos. Assim. Pensar o acolhimento das crianças tão pequenas. de um contexto novo. através de leituras que o professor faz em casa. que nós professores. parcial ou.

218) (. pra estar sempre se atualizando e acompanhando essas mudanças. nós mudamos. de interlocução com seus pares na busca de um trabalho que avance em relação a uma proposta educacional-pedagógica de qualidade. com a necessidade das minhas crianças e aí eu vou lendo em casa. né. O PEA é uma formação continuada. p. que a prefeitura vai trazendo livros para a escola eu vou olhando os livros e vou pegando aqueles que eu acho interessante. Rocha e Filho (2002.) para trabalhar com crianças pequenas em creches e pré-escolas os professores precisam de um espaço de troca. nas Unidades Escolares. Então. ele tem que vir buscar esse estudo. Através do estudo que a gente tinha estudado na terça-feira. As professoras relatam a importância da relação teoria e prática na formação continuada e valorizam o estudo em grupo. Porque infelizmente nós não temos assim condição de ter acesso a livros. É o momento onde nós nos reunimos. As crianças mudam. Nós nos reunimos e estudamos. vai da gente. a pesquisa comprova a importância da formação continuada. Ai foi muito interessante ter o PEA aqui na escola porque nós dividimos da seguinte maneira: na terça-feira a gente pega pra estudo. do horário da gente. Assim. Elas ressaltam que a formação continuada tem contribuído para esta atualização.80 tem que vir buscar essa mudança. cada professor escolhe o seu horário e aí a gente forma um grupo. na medida do possível. essa formação continuada dentro da escola já se dá no . na quinta a gente replanejava. o quanto o momento reservado para discussão. as famílias mudam.. que convém com a minha prática. né. melhorando nossa prática. né. Professora 2: Como eu já tinha falado né. é como uma reciclagem. b) Quais são os momentos em que ocorrem a Formação Continuada na Unidade Escolar? Professora 1: Bem. de acordo com os livros que tem aqui na escola. a comunidade muda. isso acontece no PEA. essa formação continuada pra gente acompanhar essas mudanças. das famílias e das crianças e a necessidade de atualizar a prática docente. E também no PEA. três. reflexão da prática docente e troca de experiência tem sido valorizado pelos professores. E depois da reflexão. As professoras 2 e 3 percebem as mudanças da sociedade. os livros são caros. E é importante esse momento. formação continuada.. deixa eu ver como eu posso dizer. Geralmente são três dias na semana. Na quarta-feira nós pegamos para a prática. do texto que a gente tinha lido e da prática na quarta. Então eu procuro. Professora 3: Bom. E sempre refletindo. quatro dias na semana. né. a gente pegava a quarta pra fazer a prática da sala de aula. Portanto. É o professor estar sempre em busca de novos conhecimentos porque tudo muda. Segundo Cerisara. essa busca.

eu percebo assim. c) Qual é a sua concepção de criança e infância? Professora 1: A criança que brinca.] é tudo de bom... (IV) formação cultural que pode favorecer experiência com a arte em geral. associações. é muito interessante por isso. a escola promove diferentes espaços e tempos para formação continuada. ela absorve tudo. 117) De acordo com os relatos. Ela é igual uma esponjinha. horário de estudo conjunto.. de outros turnos que você não tem no PEA. com cada um de nós. eles têm mais momentos ali que eles estão juntos. pelo que eles falam. que o grupo que está nessa formação. estar desabafando. Eu acredito que aconteça isso nesse momento. que é reconhecida pelos professores. porém reconhece os horários coletivos de estudo e sua importância. a criança que se expressa. leitura. Então. debate. Eles têm essa oportunidade de ta trocando experiência. então você tem contato com outros professores. Porque nas reuniões pedagógicas é um número maior.) (II) formação no movimento social. é praticamente a escola inteira. partidos. com as crianças. A Professora 3 não realiza a formação continuada na escola. creches e pré-escola que garanta estudo.81 PEA e nas reuniões pedagógicas também. nota-se o reconhecimento da Professora 1 do momento destinado para o estudo no horário coletivo. com cada criança. eu acredito que seja assim.. Assim. a criança que chora. Sendo assim. a formação ocorre em diferentes espaços e tempos: (I) Formação prévia no ensino médio ou superior em que circulam conhecimentos básicos relativos à língua. né. Nós. na verdade. Segundo Kramer. em que se fortalece cada unidade e fica assegurado o estudo individual e coletivo para compreender a realidade mais ampla e o que acontece no dia-a-dia. que se corrige. seres humanos. que imagina. a minha concepção de criança é que é um ser em . 2002.. algumas dificuldades encontradas. da sua prática. somos seres em aprendizagem e a criança [. A escola é o espaço de referência quando se fala em formação continuada pelos docentes. eles têm mais oportunidade de troca.. da Professora 2 o reconhecimento em outros momentos de formação continuada que a unidade escolar oferece como a reunião pedagógica por contemplar todos os professores.. fóruns. a criança que nós fomos um dia e crescemos e hoje somos adultos.. a criança que constrói.. Porque nas reuniões pedagógicas é o momento que a gente pára. Professora 3: Olha. até mesmo assim.) (III) formação em cada escola. a gente reflete. matemática(. deveria até ter mais encontros desse tipo. Professora 2: Criança. eu nunca participei. Então. É um desabafo também. p. a literatura (.) ( Formação de profissionais de educação infantil: questões e tensões. que eles têm oportunidade de discutir alguns assuntos. falando do seu trabalho. fala o que pensa.. sindicatos (.

que tudo é de bom pra eles.. Os professores pesquisados notam essas características desses pequenos aprendizes. ele reclama ou fala que sente saudade. ficando felizes. Você vê que tudo isso...] é nesse momento que ele aprende a lidar com o outro.. é assim. absorvem tudo. que aprende e ensina. Eles sonham. Creches e EMEIs da cidade de São Paulo. é história. linguagens. é idade de formação de personalidade mesmo. se conhecer melhor. que cria. Eu acho muito importante [. porque eu viajo junto com as crianças no mundo da fantasia. Segundo a equipe DOT-EI. conhecer a rotina. p. a música. 2006. formado pelos costumes. porque [. eu acho assim. as crianças. eles viajam. principalmente essa idade que a gente trabalha. São seres assim. é muito gostoso. já falam que não gostam. direta ou indiretamente. ( Tempos e espaços para a infância e suas linguagens nos CEIs. a dividir. muito bom poder ter essa oportunidade de trabalhar com essa fase. ainda ta naquela fase gostosa.. também. gostando. essa idade. E a gente sabe [. Então. acredita-se que o professor precisa além de perceber a criança como um ser ativo precisa. Além disso.82 desenvolvimento.] e muito gostosa essa fase. é muito importante esse momento da criança – a infância. A gente percebe que eles gostam de vir pra escola. que lhes assegura uma gradativa apropriação da cultura historicamente constituída. E assim.. as mães sempre comentam: ah dia que não tem aula. curioso. perceber-se como o mediador da aprendizagem dos alunos para facilitar o ensino-aprendizagem dessa criança ativa que convive no nosso cotidiano escolar. ressaltam a identificação que possuem com a faixa etária e a satisfação em trabalhar na Educação Infantil. Essa experiência é essencial para que a criança também possa ser produtora de cultura. formar sua identidade. as crianças: Em sua relação com este mundo. a se conhecer. mediadas. eu acho maravilhosa essa fase. conhecer os materiais. 11) Portanto. Então assim. eles curtindo. eles gostam de tudo que acontece aqui.] Por isso que eu escolhi educação infantil. por parceiros mais experientes como. o desenho. que expressa os sentimentos e que constrói a história. que se eles gostam. a socializar. a gente trabalha muitas linguagens. muito importante. o professor. Então toda proposta que você traz tudo que você vai fazer. a se formar.. que imagina. o brincar. Professora 3: Ah.. manifestando-se por diferentes linguagens. Eles falam o que eles fazem aqui. Ah. valores. A criança é um ser ativo que brinca. por exemplo.] que esse momento da educação infantil é importante. relações humanas e por técnicas..[. que gosta de brincar. desde cedo tentam apreendê-lo e significá-lo. Tudo eles absorvem. é muito bonito falar em criança.. eles gostam. . a conhecer a escola. se eles não gostam. até os seis anos. Eles são sinceros.

mas por que eu me considero que eu me enquadro mais nessa concepção sócio construtivista? Porque [. de participar da aula. tem que estar claro na cabeça dele que ele tem. uma obrigação de ensinar. sinceramente. pra ela criar. ela vai aprendendo e desenvolvendo a aprendizagem. Então... Então. Professora 3: Então. que tem que ensinar também. Pesquisadora: Em relação ao questionário. você acaba ficando usando isso. de reciprocidade. ela tem que me ouvir. pode se dizer. fazendo atividade ao mesmo tempo... com aquilo que ela fala o que aconteceu na casa dela. O que é o sócioconstrutivista? É o educar levando em conta o meio da criança. conforme esse meio que ela tem à sua disposição. vai ter o momento de ouvir. deles estarem conversando. tem que ter uma relação de respeito. comigo... Então. Então. Eu vou estar educando essa criança. acredito que ninguém é inteiramente sócio-construtivista.. Há uma dificuldade de compreensão da professora sobre a concepção sócioconstrutivista. o que eu vou educar com a minha criança nas relações do dia-a-dia com o colega. pra ela fazer. Entendeu? Então assim. o que você entende por concepção tradicional e sócio-construtivista? Professora 1: Tradicional é o professor que ensina. eu acredito que sócio-construtivista é o meio.] Observar-se no relato da professora 1 que as ações pedagógicas desenvolvidas na sala de aula são baseadas na concepção tradicional. É uma coisa por vez. isso eu considero o tradicional. brincando ao mesmo tempo. vamos falar que é Vygotski. ele fala que a criança vai interagir com o meio e conforme o meio ela vai construir a sua aprendizagem. você se declara sócio-construtivista. se não ouvir fica difícil a gente trocar idéias e conseguir educar e ensinar ao mesmo tempo.] Eu perco o controle. todo mundo tem um pouquinho de tradicional.] constrói o conhecimento dela. Trabalhar muito essa coisa da criatividade. O que você entende por essa concepção? Professora 2: O sócio-construtivista. Ela tem que estar atenta no que eu estou fazendo. por isso que eu falo que eu sou tradicional [... Então. eu acredito muito nessa coisa dela. vai ter o momento de construir. Então o que eu vou ensinar? E aí eu vou elencar o que é importante pra eu estar ensinando para a minha criança. experimentando. Ela vai ter o momento dela falar. Só que.. nós fomos formados numa concepção muito tradicional.. pra . trabalham muito bem. então todo mundo carrega esse lado tradicional.] Então eu considero tradicional. O que o meio oferece pra essa criança pra ela está pegando.] coloquei sócio-construtivista porque olhando no geral eu acredito que eu me enquadro melhor nessa concepção sócio-construtivista. [. Então eu sou tradicional e construtivista por quê? Porque eu sou consciente que eu estou aqui pra ensinar. mesmo ela tendo relatado que é sócioconstrutivista. dela ter autonomia pra fazer. dela se expressar. Eu não.] acredito muito que a criança [. Então. da autonomia.83 d) De acordo com a resposta do questionário.. porque tem que ouvir. na rua. o viver dela. vivenciando. [. Mesmo porque nós estudamos. Aí assim. mas eu também tenho os momentos de ensinar e isso eu não posso deixar de lado. de você estar oferecendo material pra ele explorar. Tem professor que trabalha muito bem assim. com outras pessoas da unidade escolar. [. o pai de tudo isso.

eu vou dar um exemplo pra ficar mais concreto: as letras do alfabeto. se cumprimentando. no documento. ela está criando também. Então. o brinquedo que ela vai brincar. em relação ao tradicional. [. acredito que me enquadro mais nessa proposta por conta disso. Qual é a proposta dela? Ela também tem uma proposta para aquele momento. pra participar. aí é o meu momento. a letra b. Às vezes você vai com uma proposta e a proposta até muda porque ela está participando. um desenho animado.84 opinar na rotina. tem sempre um vídeo de música. a questão da organização do espaço e do ambiente? Professora 1: Esse ano eu trabalho na sala 5 que seria a sala de vídeo.. 2006. saberes e interesses infantis são pontos de partida para que novos conhecimentos sejam por ela apropriados em situações que lhe despertem o interesse frente ao inexplorado. relatam algumas ações que caracterizam uma concepção sócio-construtivista e revelam a falta de maior conhecimento sobre a concepção sócio-construtivista. Isso é tradicional porque a criança não aprende necessariamente assim. A equipe DOT-EI traz. vou fazer a leitura do dia. contando as novidades.] aquela necessidade de trabalhar a letra a. [. Então. Creches e EMEIs da cidade de São Paulo. eles trocam brinquedos entre eles. 25-26) Portanto.. a letra c. Então. a sala está sempre organizada em meia lua. ( Tempos e espaços para a infância e suas linguagens nos CEIs. [. . nós vamos fazer a nossa contagem. quantas meninas. algumas professoras percebem a concepção tradicional na sua prática docente. e) Como tem sido no cotidiano da sala de aula. a pesquisa revela que não há incorporação da concepção sócioconstrutivista na prática docente. pra ir fazer. na maior parte do tempo é isso. eles até sabem. eu com elas. Terminou esse momento.. Por quê? Após esse encontro entre eles. vivência. ajudar a organizar o espaço que ela vai fazer atividade. o fundamento da concepção sócioconstrutivista: Aprender deve ser uma experiência significativa para a criança e deve também integrar o que ela já conhece com aquilo que é novo para ela. ao desconhecido. quantos meninos. que ela vai brincar. Então essa é minha organização da sala.] Segundo a entrevista. eles trazem brinquedos de casa. Toda vez que eu vou passar informação para as crianças. As experiências. que eles vão chegando. p.. ajudando-a a descobrir o desejo envolvido na investigação. E aí eu faço com todos juntos.. eles vão para o meio da sala e nós fazemos uma roda. apenas alguns ensaios desta concepção pedagógica. não o tempo todo. Poder ter momentos dela escolher o material que ela vai utilizar..] eu acredito muito nessa construção do conhecimento da criança e nós aprendendo o tempo todo. Então. vou escrever na lousa. Aí parou. as conversas. um com o outro. esse ano eu usei muito o vídeo. aquelas coisas ainda de você trabalhar. O primeiro momento é o momento de acolhimento deles.

com os materiais. De acordo com o documento “Orientações Curriculares: Expectativas de Aprendizagens e Orientações Didáticas”: . É assim também com os brinquedos. Entende-se por espaço e ambiente: (. E assim. canetinha. guardar as coisas cada uma no seu lugar. E é bem legal. elas abrem o armário. eu deixo elas manusear. no começo dava muito trabalho. o armário é delas. individuais ou coletivos. 2007. Eles ajudam muito na organização dos espaços. eu gosto muito de fazer atividade diversificada. mas no momento tem assim o da leitura que é fixo. quando vai fazer um registro. nós temos um rádio. eu geralmente deixo vários tipos de materiais à disposição. algumas crianças têm dificuldade para guardar.. tinha muita coisa que eles não tinham o costume de fazer. a lousa. ambientar as crianças e os adultos procurando atender suas necessidades e exigências nos momentos programados ou imprevistos. 2006. (Tempos e Espaços. o espaço é organizado de maneira bem diversificada. no relato das pesquisadas. cuidar dos espaços da sala. conforme a atividade a criança pode escolher o material que ela quer. o material que nós temos. elas colocam o CD que nós vamos usar.] Eu até já trabalhei outra época com cantinho fixo. nós temos aqui na unidade. então elas costumam brincar. depois elas guardam. na medida do possível. isto é.. topografia. Aí. que há um planejamento do espaço e do ambiente na unidade escolar. 34) Nota-se. lápis de cor. onde ficam os livrinhos. p. à disposição delas. falando. eu não determino o material que vai ser usado. p. o espaço a gente está sempre mudando. cola. em todas as unidades de EMEI papel.. a gente tem que estar reforçando.85 Professora 2: Olha. Mas eu tenho que deixar assim. o espaço e o ambiente. Que nem. eles pegavam os livros e deixavam os livros jogados na sala inteira. tem o cantinho que ficam os brinquedos. eu tenho muito isso na minha rotina. insolação. a gente tem o cantinho da leitura. cuidar dos seus materiais. como principalmente pra depois também organizar tudo no lugar de novo. 33) O espaço físico dessas unidades educacionais não se resume apenas a sua metragem. na sala de aula uma coisa fixa são os brinquedos. mas assim... Professora 3: Então. (Orientações Curriculares: Expectativas de Aprendizagens e Orientações Didáticas. todos os dias pra fazer as atividades. elas abrem.. mas assim.) local de atividades com a função de ser um espaço de vida e de transformação que possa garantir continuidade ao que as crianças já sabem e apreciam. eu organizo com eles esses momentos. só em alguns momentos em que há necessidade. brinquedos. Então. giz. a gente organiza naquele momento da atividade diversificada a gente organiza os cantinhos conforme as atividades daquele dia. mas ele precisa tornar-se um ambiente. Até o rádio. Mas assim.[. elas fazem do jeito que elas querem. porque assim. lápis. elas pegam o que elas querem: borracha. mas também de criação de novos conhecimentos e motivos. a gente trabalhou muito essa questão de tomar cuidado com o livro de colocar no lugar. tesoura. não vou dizer que não acontece de ter um livro ou outro.

bastante. eles vão fazer a troca e já vão ficar mais ou menos uns vinte minutos ali na conversa entre eles. Vou passar informações. (2007. Assim. eu divido uma sala com a colega.86 A organização dos espaços dos CEIs. Então vamos fazer leitura? Bom. creches e EMEIs igualmente se apóia no projeto pedagógico da unidade. 33) As professoras 2 e 3 permitem que a criança seja autônoma. A Professora 3 traz no planejamento do espaço para o desenvolvimento das atividades a organização de cantinho fixos e não fixos. como que eu vou dar aquela atividade. percorrer os espaços de uma unidade educacional fornece pistas importantes sobre a idéia de infância que os educadores que nele trabalham querem (ou terminam por) assegurar. Segundo Fonseca (2004. conversar com eles o que aconteceu no dia em casa. não é? Então eu já vejo qual atividade que eu vou dar naquele dia. que deve nortear as ações das crianças e do professor. planejado. compreensão e confiança. A Professora 2 relata a importância do espaço proporcionar a autonomia da criança durante o desenvolvimento das atividades de sala de aula e aponta o armário coletivo como fator que favorece esta autonomia. criatividade. então tem que ser tudo meio cronometrado. A criança realiza as atividades com interesse e esforço se for livre para expressar seus sentimentos e emoções e se tiver oportunidade para desenvolver a independência. iniciativa e responsabilidade. a questão do planejamento no momento de acolhimento dos alunos. há necessidade de um ambiente de aceitação. no final de . f) Como você planeja o tempo. estimulante e aconchegante com diversas propostas de vivência e experiência proporciona uma maior interação e aprendizagem entre os protagonistas alunos e professores. 215) o aspecto afetivo deve estar presente no ambiente de aprendizagem: Quanto ao aspecto afetivo. acredita-se que um espaço organizado. o que possibilita maior interação entre os alunos e professores. p. Assim. A Professora 1 ressalta. p. Esse ano eu peguei uma sala rodízio. ativa e participativa durante as atividades propostas. no cotidiano da escola? Professora 1: O tempo já é meio complicado. Então é tudo assim bem no horário certinho. na prática pedagógica. por meio do planejamento do espaço e ambiente. tem o acolhimento. curiosidade.

tem uma plaquinha com o nome deles. a gente tem uma linha de tempo que é da escola. em tal episódio. de acordo com aquela rotina do dia. organizado na escola. 2006. quem não veio. é uma atividade que eu perceba que a criança consegue fazer. eu tenho o costume de todos os dias organizar com eles na lousa. nas diferentes faixas etárias. Professora 3: É assim. Então eles sempre sabem: olha. quanto eles gastam pra fazer a atividade. Então. E a atividade ela já vem. desenha na lousa o que vai fazer naquele dia. organiza a rotina. vamos assistir hoje três episódios que fala sobre isso. E no dia seguinte eles realmente sabem: Olha professora a senhora parou em tal capítulo. mais uns dez minutinhos. alguma atividade de recorte e colagem. eles nunca vêem um vídeo inteiro. o que é que eu faço? Desde o começo nós fizemos uma rotina com as crianças. porque não dá. aí a gente organiza a sala. A gente conversa sobre os três episódios. Uma atividade mais longa. que faz parte da rotina. aí eles vão falando. faz uma atividade de teatro. E o que a gente vai fazer hoje? Isso é bom até pra abaixar a ansiedade deles. isso e isso. conforme essa rotina do dia. os materiais. ( Tempo e Espaço. aconteceu isso. também organiza os espaços. Então assim. Amanhã vamos dar continuidade a esses três episódios. de acordo com essa rotina. Eu já sei. Então assim. Desde o vídeo do primeiro momento que entra na sala. E eu tenho também a minha rotina. brinca no parque e brincadeira de faz de conta. Professora 2: Eu não costumo cronometrar o tempo porque a gente tem que respeitar o tempo da criança. de ter experiências diversificadas que não seriam possíveis no ambiente doméstico ou em nenhum outro espaço que não mediado por adultos responsáveis pelas aprendizagens e desenvolvimento de crianças. a Professora 2 . tem as atividades que são fixas. dá uma acalmada. que todos seguem. p. E aí. que vai terminar naquele dia. 40) De acordo com o conceito de Tempo. Aí a gente vai lá. vê quem veio. a Professora 1 ressalta o tempo cronológico das atividades devido o arranjo estrutural da sala de aula ( rodízio de sala).87 semana. mais complicada. eu já passo na roda pra eles: hoje nós vamos fazer só a pintura e a colagem e amanhã nós vamos dar continuidade. A gente tem um cartaz de pregas na escola que fica uma lista móvel. a gente vai colocando. eu não tenho tempo cronometrado. então o nosso lanche é às nove horas. e a gente vê quem veio. então eles já estão acostumados. das de registro. o que eles vão fazer – jogo lá mais uns quinze minutos. eles não ficam toda hora perguntando o que é que vai fazer. Como é que eu vou dar atividade naquele dia. que mudam de um dia pro outro. Primeiramente a gente faz uma atividade na sala de aula. com a foto bem grandona. e a gente dá continuidade. a gente chega. Então. eu não posso dizer que é uma atividade simples. E a mesma coisa é com a atividade. mais ou menos. são flexíveis. Depois das nove horas a gente vai pra área externa. tem aquelas que são diversificadas. a gente até às nove horas a gente desenvolve atividade de leitura. quantas crianças vieram. alguma coisa desse tipo e depois do lanche uma atividade externa ou o faz de conta. escreve. faz uma atividade de bola. mas nós temos essa rotina. às vezes. aquilo. tem algumas atividades que eles escolhem. Entende-se por Tempo: O tempo em uma instituição educativa deve ser vivido de modo a aproveitar as oportunidades de aprender e se desenvolver plenamente. tem uma hora que eu deixo lá assim. quem não veio. tem outras coisas que tem que manter que até está na linha de tempo.

acho que até eles gostam. Claro. eles iam. g) Como são organizados os materiais pedagógicos. poderia mudar essas coisas.. Eles usavam muito de trás pra frente.... [. ou em algum lugar que vá. de ter materiais tecnológicos na sala de aula. lápis de cor – o material pra atividade era coletivo.] Professora 2: Os materiais utilizados na UE são materiais oferecidos de acordo com a possibilidade da UE. o material mesmo giz. Então eu oriento muito o uso do caderno. então eles já têm maturidade pra isso. reúne a gente e faz uma lista de prioridades. [.] Nós vivemos em um mundo onde as crianças têm acesso. tem assim. era o momento que a gente estava em outra sala. eles trazem os deles e usa o da escola também. graças a Deus.] Teve várias orientações assim pra não estar usando mais nada coletivo durante um bom tempo. só que assim. não tão dirigidas. Todas as professoras relatam que adotam uma rotina. por mais pobre que ela seja. [.. a necessidade que eu vejo ainda na EMEI é aquela lousa ainda verde. A criança mesmo vai lá e pega. brinquedos grandes. na sala de aula. interação e o respeito do ritmo de cada criança nas atividades propostas e a Professora 3 fala sobre a linha de tempo existente na unidade escolar. E assim. como é que usa. E toda vez que chega verba o diretor reúne o conselho. No segundo estágio é mais o caderno de desenho eles tem que aprender a seqüência. [. Há uma heterogeneidade na concepção de Tempo na unidade escolar. o que um cuida o outro não cuida tão bem. um computador.. de ponta cabeça.. No armário coletivo tem brinquedos para as crianças. E a gente ganha esse material.. do material. Elas utilizam a sala de aula para atividades de concentração e atividades dirigidas e a área externa atividades mais livres. ela tem já acesso ao computador. A gente costuma trabalhar muito com os brinquedos na sexta-feira.88 relata o Tempo enquanto momentos de vivência. você não vai dar aquela coisa maçante. o que a gente está precisando. Então. O material fica à disposição nossa e das crianças porque o armário é aberto. eu acho o desperdício dos brinquedos.. aquelas caixas com os brinquedos.. experiência.. pegavam e brincavam.. [. [. é mais pra ele aprender a usar mesmo. .] O único problema é assim. E isso a escola está fazendo bem. Se o professor trabalha com brinquedo no primeiro momento de aula. Então a criança segue a rotina do professor. Professora 3: Olha. eu sinto muita necessidade de ter informática. nos últimos anos a escola vem recebendo verba pra comprar material pedagógico. do acolhimento.] O brinquedo fica num cantinho da sala. o material foi assim. [. abria em qualquer página. a gente já avisa. ele já sabe. antes de acabar o rodízio e lá tinha baldes..] Aí veio o recesso e teve aquele problema da gripe A. Aí a gente pediu o estojo para os pais. boneca. bichinho de pelúcia. aplicando bem. na sala de aula? Professora 1: Olha.] eles tem que aprender a usar o caderno. eu acredito como professora. se puder ser um caderno com linha. todas as salas de aula têm o armário coletivo. Acho que é importante. ela tem acesso a todos os tipos de tecnologia ou em casa. já melhora. Não sei. E a gente já teve um momento que o brinquedo.. ele é colocado numa altura que dá pra ela pegar. no primeiro semestre. Aí chega no terceiro estágio. Aí lá vai eu pegar todo aquele material que estava no coletivo e mais alguns que eu tinha guardado e a gente dividiu tudo e colocou tudo nos estojos. Se é um determinado dia da semana.

. Ela fala sobre a estratégia no uso coletivo e no uso individual. A professora 1 ainda comenta sobre o armário coletivo.. E assim. As Professoras 1 e 3 trazem a preocupação com a duração dos materiais no uso coletivo. 184) comenta: “Sistemas educativos que adquirem materiais e brinquedos sem consultar o profissional envolvido. A autonomia da escola em suprir a sua própria necessidade em relação à compra de materiais pedagógicos traz um avanço para a Rede Municipal de Educação de São Paulo e contribui significativamente para a qualidade da prática docente. geralmente. Essa sala que a gente ta agora não tem tanto brinquedo como a outra tinha. ficavam mais soltos. nos momentos de brincar. para envolver as crianças na atividade do brincar.89 Então assim. A Professora 1 relata a importância da verba. aí eles vão lá.) Assim. Nota-se que nesta unidade escolar.. brinquedinho de panelinha e tal. o número e a variedade dos objetos – brinquedos diversificados e em número suficiente. A Professora 3 ainda comenta a estratégia que utiliza para trabalhar com os materiais em sala de aula.] Em relação aos materiais. agora também tem alguns brinquedos novos. p. a preocupação em trabalhar o . mas apenas os técnicos. estão fadados ao fracasso”. Em sua fala nota-se a presença da questão da escolarização. (2006. na altura das crianças para dar-lhes acesso fácil e autonomia. que nos últimos quatros anos. escolhem. eles pegavam mais os brinquedos. ações. 38) Ainda a respeito dos materiais Kishimoto (2002. livros. brincam. há professores que trabalham com os brinquedos no momento específico do acolhimento e também professores que escolhem um dia da semana. Creches e EMEIs da cidade de São Paulo traz algumas orientações para as Unidades Educacionais: O tipo. Ela garante autonomia da criança tanto no momento do uso coletivo como individual dos materiais e relata também a importância da diversidade de materiais para realização das atividades e para o brincar. eles ficam livres. até mesmo a escolha e a organização dos materiais são objetos de planejamento. que fica aberto com os materiais diversificados. idéias e invenções. são destinas as unidades escolares para a compra de materiais pedagógicos.a forma com que eles e os materiais se dispõem no ambiente pode auxiliar ou dificultar a autonomia da criança na realização de seus projetos. A Professora 2 se preocupa com a modernização dos materiais em sala de aula. p. (. vestimentas.. sexta-feira. é mais material de encaixe. o documento Tempos e espaços para a infância e suas linguagens nos CEIs. [.

Então.. o meu coleguinha não quer dar o brinquedo pra mim. Elas não têm medo de falar porque tá chorando. a gente vai ver porque ta acontecendo isso. Toda criança briga.] a minha sala teve pouco esse negócio de violência. eu e os alunos eu posso dizer que às vezes eu me sinto mãe deles. A interação se dá na hora das brincadeiras. Me sinto mãe.] Professora 2: A nossa interação se dá muito pela conversa. isso é normal. ela chega e conta naturalmente. [. mas quando é o momento de falar ‘Pro’ é ‘Pro’.] Eles falam muito o tempo todo. Aí eu falo: Então vamos lá. a preocupação com a conservação dos brinquedos no uso coletivo e ações inovadoras como dar acesso e autonomia as crianças no uso dos materiais. Eu procuro sempre falar pra eles que a gente precisa conversar. bate. você bem essa interação. ao mesmo tempo ele tem uma relação muito carinhosa comigo. a gente vê os combinados.elas não têm medo. tinha criança que nem falava no começo do ano. a percepção dos professores na importância da diversificação dos materiais pedagógicos e a superação desses docentes em mesmo preocupado com a conservação dos brinquedos colocaram a disposição das crianças os materiais. Então eu sou professora e sou tia também. eles dividem a sala.. e querem comentar. percebe-se que há presença de ações tradicionais como o dia do brinquedo. Aí você assim observa que apesar das crianças se dividirem entre meninos e meninas. uma turma que está sempre chegando. na hora das conversas. um tênis novo. tem algumas crianças eram bem quietinhas no começo do ano. das rodas de conversa. [.. Assim. Quando ela chega e fala: Tia. resolver com diálogo. Então assim. As crianças comigo. Se aconteceu alguma coisa na casa dela. mostrando pra ele o que ele pode fazer. A gente faz uma roda de conversa.]. Eles vêem falar que foram passear.. Entre eles também porque eu peguei esse ano duas turmas muito boas. uma criança agredir a outra. mas essa é uma turma boa. E no momento que eu quero a atenção dela. Eu posso dizer que eles quase não se batem.] É uma interação que não acaba nunca. aí a gente conversa. Por quê? Ao mesmo tempo que eu estou lá ensinando. O que nós vamos fazer? Negocia com ele. Professora 3: Ah. é até difícil falar com se dá a interação.. fizeram muitas amizades. das atividades. mas eles brincam. na hora de brincar. E é o momento dela falar ‘tia’.. contam tudo que acontece em casa e querem mostrar tudo. um lado fica as meninas e do outro lado os meninos. agora eles estão falando mais. Tudo pra poder estar ajudando a nossa interação. . nós temos uma relação muito boa [.90 caderno. [.. De acordo com a citação e as ações dos professores. o que ele não pode fazer. se socializaram melhor. Em relação aos brinquedos. o tempo todo. isso. aquilo. conversando: Olha Pro. eles tentam brincar um pouco juntos. na hora da história. permite a autonomia da criança em escolher com quais brinquedos deseja brincar... ela me respeita também. toda a hora a gente está interagindo. porque não quer vir na escola. h) Como você tem interagido com os alunos e como é a interação entre eles na sala de aula? Professora 1: Olha. a interação se dá o tempo todo né. Às vezes tem algumas dificuldades que a gente ta vendo que não ta conseguindo se comunicar. tudo bem.. [.

. Tranqüilo.91 A Professora 1 relata a questão do apego. tem o Wilson.. eu sempre digo: O Wilson fala com os olhos. o Wilson ele nunca brincou. constantes conversas. i) Como você tem registrado a prática pedagógica? Professora 1: Bom. eu não quero. e de aprender a resolver os conflitos com os colegas. Porque nem tudo é importante. Aí eu falei: Ah. ele fica perto. veio mostrar se tava bonito. combinados. Às vezes a gente está lá no parque. Por quê? Porque aquela criança. Foi lá. pegou. A Professora 2 utiliza a estratégia do diálogo na interação. completou. mas eu acho que ta faltando alguma coisa. negociações se constrói uma saudável interação entre todos os protagonistas.]. que ele tem muito medo de papel. eu tenho um aluno. Ela ensina as crianças a resolver os conflitos por meio da estratégia da negociação. relatando as preferências etc. Mas acaba a palavra ‘pintar’ ele já fala: Eu não. Muitas coisas a gente registra aqui na nossa cabeça e no nosso coração. estabelecer limites e trabalhar com elas regras orientadoras da convivência. Você não acha que ta faltando? Ele falou: É mesmo. Quando há espaço para a participação das crianças nas decisões. 32) A criança tem uma maior interação com o professor e os colegas quando o ambiente é planejado e organizado para este fim. eles estão lá brincando e de repente você vê uma criança conversar com a outra e você acha interessante aquilo que eles estão conversando. aí você marca. explicar-lhes certas proibições. De acordo com o documento “Orientações Curriculares” é importante que: Cada professor pode organizar um ambiente mais produtivo para as crianças interagirem se compreender a movimentação das crianças. aquilo que eu fiz durante a semana. Ele tem muito medo. eu não quero. Por exemplo. ajudá-las a fazer acordos e lembrá-las desses acordos sempre que necessário. Eu pego um dia da semana que eu esteja mais tranqüila. É assim que ele fala. A Professora 3 relata que em todos os momentos e atividades da escola as crianças participam contando as histórias. E essa semana ele fez a atividade. né. mais ainda. p. Fala pra ele: Agora nós vamos pintar. Eu não quero. sempre recapitulando com os alunos os combinados do dia a dia. (2007. o registro. sem grupo de estudo [. Quando ele me olha com aquele . auxiliá-la na desafiante tarefa de fazer e consolidar amizades e parcerias. eu registro na própria atividade da criança. às vezes não. e quando acontece algo que eu acho que é importante. observando. sentado. Mas pode. suponhamos. fala com os olhos. porque eu dou atividade pra criança. o Jonas. Então eu marco ali o que aconteceu naquele dia que eu achei que foi importante. Voltou. que é construído entre ela e as crianças no cotidiano da escola e a questão da mediação dos conflitos que surgem entre os alunos. Pego as atividades. Aí eu anotei: Hoje Jonas conseguiu fazer a atividade sem negar aquilo que ele tava sentindo.

o que você ainda não fez: Ah. às vezes. E ele já está se afastando. eu já sei: Ah. uso muito o portfólio.. para a reflexão. grandão. Porque as crianças tem necessidade da gente e a gente tem que registrar. de nome. tem conhecimento do nome. Eu fico vários dias com o portfólio. a gente tem o planejamento que é aquele que a gente faz. É uma coisa que fica um pouco distante assim. A gente pega. O professor assim. isso a gente registra. depois que termina. de letra. Mas assim eu vejo como de grande importância. o que aconteceu de importante e marco. pra não se perder. porém relata a dificuldade de atender as crianças e ao mesmo tempo realizar o registro. gosto muito de trabalhar com portfólio. no dia-a-dia mesmo o que é que eu uso? Anotações no meu caderno. aí já estou com o portfólio na mão seja pra uma atividade ou pra outra. Mas como eles exigem muito da gente. atividade de número. Eu estou sempre com o portfólio pra lá e pra cá. de brincadeira. no caso todo ano. aí fico um período sem. na memória. na verdade esse planejamento que fica com ela a gente pega raramente. poucas vezes no ano vai lá. Professora 3: Então. Eu falo: Ah. aí assim. olha o que você já fez. que a gente ta trabalhando algum texto. né. E.] Na questão do registro da prática. mas já registrei aqui na mente. Ele já está se afastando. atividade livre. olha isso aqui eu coloquei aqui e não fez.92 olhão. uma vez por semana. tenho a minha rotina e assim. a Professora 1 realiza o registro do avanço de aprendizagem na própria atividade da criança e os episódios do parque em sua memória e depois resgata-os. registrar na hora. [. às vezes eu consigo registrar na hora. você ta fugindo da minha cordinha né. e a gente não consegue. A Professora 2 ressalta a importância do registro ser realizado no momento do episódio ocorrido. E assim. A Professora 3 comenta sobre o registro em forma de planejamento semestral ou anual. Professora 2: Olha o registro. assim. Eu posso não estar registrando naquele momento. eu registro. isso aqui eu preciso fazer um pouco mais. ele volta. Ela ressalta o uso do portfólio como registro para acompanhar o desenvolvimento dos alunos e repensar a prática pedagógica. ele ta querendo alguma coisa. onde o professor ele vai. às vezes anota alguma coisa no caderno. que entrega pra coordenadora. E essa semana o Wilson começou a se afastar. ele vê o progresso da criança. tem desenho de história. Eu tento registrar todos os momentos que se destacou. que é entregue ao Coordenador Pedagógico. Aí nesse portfólio tem evolução da escrita do nome. Eu pego algumas atividades de desenho. já ta indo pra mais longe. eu uso muito esse portfólio também pra conhecer melhor. mas muitos casos não é possível ainda. já não está mais tão perto. porque ele é a memória viva do professor. semestral. Assim. Então eu acho que o registro é muito importante sim. vou ser sincera com você. raramente. pra falar a verdade. . Só que igual eu falei. Aí chega no final de semana. eu faço algumas anotações no meu caderno. Agora assim. numa dia que eu esteja mais tranqüila. pra ver como ele está. ele se esforça muito. Humanamente é impossível. recorre a ele. Eu sento um por um. registro de jogos. então eu não consigo. mas eu gostaria de registrar na hora. nossa atenção. Dependendo da atividade é bimestral. Então. porém tem pouco significado para a prática docente. a dificuldade é muito grande. aquele que quer mesmo fazer as coisas. eu pego essas atividades.. dependendo da atividade é mensal.

situações observadas e objetos disponíveis. quantas estão próximas e quantas interagem a cada minuto da observação. Outra orientação do documento citado acima é o registro através do diário de campo: Os diários de campos são narrativas pessoais que promovem reflexões da prática educativa no dia-a-dia do CEI e da EMEI. locais.93 O documento “A Rede em rede”.fase 1 (2007. mas ainda há necessidade do planejamento e aprimoramento do tempo e espaço no cotidiano dos docentes para a realização da ação de registrar. na técnica da observação direta: Ser feito. idades. cabe ao pesquisador transcrever com minúcias objetividade o que foi registrado usando palavras. relatam iniciativas. (2007. pronto esse tipo de registro. De todo modo.. Nesse momento não se deve conjecturar sobre seus sentimentos. para alguém. eles contam passo a passo o que acontece todos os dias. na maioria das vezes. por exemplo: fulano fez algo ( usando ou não quais objetos). descrevem fatos. p. inquietações. p. horários.. As Professoras 1 e 3 relatam que retomam o registro para a reflexão da prática pedagógica e a Professora 2 relata a importância de registrar simultaneamente o fato ocorrido. Pode-se registrar. Escritos pelos próprios professores. 41) traz orientações sobre o registro para os professores iniciantes. ou com alguém. os objetos que manipulam e os locais onde se colocam. e uma das entrevistadas aponta a dificuldade de realizar o registro simultaneamente devido à demanda de atendimento aos alunos durante as atividades. considerando o olhar de seu autor. depois do momento da prática direta com as crianças. sentimentos. além de escrito. falas. intenções (. como se sucede o tempo. simultaneamente à observação e informar os nomes. sozinho. 42) De acordo com a prática dos professores e as orientações do documento. Descrever com detalhes o que as pessoas observadas fazem: seus movimentos corporais. O registro de uma situação.). ou ainda. Como os diários que existem no mundo. nota-se que os docentes contam com o registro de memória. há presença do registro na prática docente. intervenções e resultados. Enfim. . fotos ou áudio-gravação. É importante marcar quantas crianças estão sozinhas. pode ser feito por vídeo. de preferência. expressões faciais: o que as pessoas falam e para quem falam. dúvidas. tabelas que somam as ocorrências de certos comportamentos etc.

por exemplo. tem época que a gente cantava. muito importante. no cotidiano da escola. o dia-a-dia da escola faz com que você deixe algumas linguagens. só que tem época que eu acabo priorizando mais uma do que outra. Um exemplo. tesoura. dançava. Mas fora da sala de aula eu ainda tenho dificuldade de trabalhar. eu gosto muito de trabalhar leitura e escrita. leio muito com as crianças. cola. Então assim. E se a organização do ambiente já ti força a planejar e trabalhar um determinado dia da semana no horário aquela linguagem. conta os pontos e faz isso com palitinho. Não digo que deixando totalmente. Professora 2: O que eu tenho sentindo mais dificuldade ainda é os movimentos. numa determinada época do ano. por exemplo. tem época que eu conseguia contar histórias todos os dias. as linguagens é assim. na questão da concepção da criança como ser histórico. Sabe? Porque assim. Muita atividade artística: tinta. Professora 3: Olha. Eu acredito que eu trabalho todas as linguagens. a linguagem que se tem mais afinidade em detrimento das outras linguagens. estar revendo sua prática porque. já não é uma coisa que acontece todos os dias. O ideal seria todas serem priorizadas sempre. Então. Por isso é importante o registro. Porque o próprio cotidiano. As Professoras 1 e 2 falam o que geralmente acontece em relação às múltiplas linguagens. O que ta acontecendo todos os dias. Agora. igual. porque o que acontece? A linguagem que você tem mais afinidade. cantava. às vezes. eu acho importante trabalhar todas elas. uma coisa que deveria acontecer todos os dias. No momento. eu trabalhei muito estória.94 j) Em relação às linguagens. trabalhar com corda. A gente tem que tomar muito cuidado. as brincadeiras dirigidas? Nisso eu sei que eu falhei.. Trabalhar com pneu. mas e o raciocínio lógico-matemático? E o brincar da criança. muito. isso não acontece todos os dias.. com gincana. agora? É que tem época também que a gente deixa de lado. você começa a se policiar. colocava som. todos os dias. por um motivo ou outro. acontece. Matemática: tem época que a gente trabalha mais. Então. A questão de priorizar. eu adoro trabalhar leitura com as crianças. isso eu acho que ainda ficou a desejar. as outras linguagens. Até que o projeto esse ano da minha mostra cultural é o diário de leitura. é mais a organização do espaço pra você estar trabalhando as linguagens. quando se tem esta postura na prática pedagógica. você sente dificuldade em trabalhar as Múltiplas Linguagens na Educação Infantil? Professora 1: Então. tem época que você percebe que. eu tenho que pegar um tema que eu vejo que há necessidade e aí eu tenho que trabalhar todas as linguagens. Então. trabalhar tipo. a refletir porque você não está fazendo aquilo. já facilita. trabalho todas elas. Música. conclui-se o empobrecimento no trabalho das diversas linguagens na Educação Infantil. na Educação Infantil. você acaba trabalhando mais e deixando outras. A Professora 1 ressalta que a . Se pensar na importância da freqüência das linguagens. nas linguagens contextualizadas e na questão da seqüência didática. só que tem um momento que a gente acaba priorizando mais uma do que a outra. trabalhando mais uma do que a outra. cambalhota. você acaba. eu sei que eu trabalhei leitura e escrita. trabalha boliche. mas trabalha uma vez ou outra. mas tem época que você acaba deixando um pouquinho de lado.

que lê. A Professora 2 relata a dificuldade em trabalhar com atividades de movimento corporal. da inteligência. (2006. Pode até ser que aconteça. na Educação Infantil em prol da criança que brinca. nas relações que permeiam a vida das crianças. dançando? Tem que ser na sala de aula porque falaram que tem que ser na sala de aula.) cabe ao professor alimentar nas crianças novos desejos. l) Você percebe a teoria do “Projeto Especial de Ação” e do “Programa Rede em rede: a formação continuada” na sua prática docente? De que forma? Professora 1: Eu percebo quando existem momentos de troca de experiência. Esse Rede em Rede tem que ser também para o professor e o professor junto com o grupo gestor. Então. ler. podemos dizer que falar.. na maneira que eu tô recebendo ela. portanto. eu fiz dessa forma. pra que os dois possam fazer uma reflexão do que está . contextualizadas. que conta. o Rede em Rede virou um telefone sem fio. faz assim.. 56) Neste sentido. a apropriação da linguagem é uma necessidade criada no coletivo. p. acredita-se na importância dos docentes em superar a questão da priorização das linguagens. O que entende do brincar. sons. que fala. como é que eu faço? Ah. mas não percebo assim de cara. eu percebo quando existe a troca. de significativas aprendizagens. que imagina. Como eu disse pra você. que dança. (. ouvir e contar histórias são modos muito especiais de cuidar da imaginação. sim. por força da própria cultura.. Então. necessidades e interesse pelo conhecimento. Porque os colegas vão dando experiências e a gente vai aplicando aquilo.) é importante não tomar as linguagens de modo isolado ou disciplinar. Por isso. Dentro dos estudos eu acho que é lento.. a serviço das interações. [. reconhecimento que o mundo no qual estão inseridas. Então eu trago um fato. essa maneira de passar que é duvidosa. Por que eu não posso acolher minha criança cantando no pátio. da curiosidade por conhecer-se e conhecer o mundo.] O acolhimento pode acontecer desde o primeiro momento que eu abro o portão para a criança. ah isso não deu certo.. (. da criação e da expressão infantis. encontra-se algumas orientações a respeito das Múltiplas Linguagens na Educação Infantil: Antes de ser uma necessidade individual. o que entende de acolhimento.. dos afetos. desde o nascimento. Aí eu percebo. Isso já aconteceu mais ou menos com uma turma minha.95 organização do ambiente em prol das linguagens facilita o trabalhar com outras linguagens de menor afinidade e a Professora 3 utiliza o registro para ajudá-la a se policiar em relação a priorizar uma determinada linguagem. Olha isso deu certo. das relações e das memórias das crianças. algo que aconteceu na minha sala de aula que eu não consegui resolver ou que eu tive uma determinada atitude e achei que não foi boa. falas e escritas. É muito lenta essa formação. que cria. No documento Tempos e espaços. aí eu percebo. o que entende de determinada linguagem. mas. cada um passa o que entende. é amplamente marcado por imagens. que não resolveu e o grupo me auxilia.

Quanto a teoria do “Programa A Rede em rede” a Professora 1 coloca em dúvida o conteúdo desse “Programa” transmitido pelo Coordenador Pedagógico. Professora 2: Olha. mas cada um tem a sua concepção. cada um vai passar do jeito por ele. nos horários coletivos de estudo. que a gente não poderia saber. ele vai. ela fala sobre a importância de toda equipe escolar estar tendo a formação continuada com o mesmo formador. O professor estar fazendo esse curso. vamos se dizer assim. vão acontecendo coisas que a gente às vezes não planejou. a gente tem que trabalhar de acordo com os temas na nossa prática docente. Ah. passando a não ser mais significativo. poder sim mudar e estudar outros textos. chegar no meio do ano poder estar mudando talvez a bibliografia. e acontecendo junto a gente consegue pensar mais em prol do aluno. Porque às vezes o coordenador. a gente não conhece. As crianças são vivas. Por este motivo. mandou lá para a DRE. talvez não tenha mais necessidade. a gente não pôde estudar textos a mais do que estava planejando no PEA. ta planejado. a gente vai conhecendo durante o ano. A única coisa que eu achei de dificuldade foi assim.96 acontecendo no cotidiano da sua escola. Eu não fiquei sabendo muito que aconteceu na formação do Rede em Rede. A Professora 2 acredita na importância de trabalhar na prática pedagógica o conteúdo do “Projeto Especial de Ação”. tinha que ser flexível e. porque o PEA tem os temas no começo do ano. porque cada um é uma pessoa. E o Rede em Rede eu não tive muito contato esse ano. o que lhe causa um distanciamento da prática.a gente percebe assim. já foi satisfeito. planejou no começo do ano. Mas o Rede em Rede em si. porém solicita que esse “Programa” seja voltado para o grupo de professores pelo mesmo motivo citado pela Professora 1. é importante porque a partir do momento que ele lançou um conhecimento. porque é fechado. as orientações curriculares. Igual. conforme a nossa possibilidade. tem maior significado para a prática docente do que o conteúdo programático do “Projeto Especial de Ação”. Então assim. E ta colocando coisas novas. Então. vai surgindo coisas. Porque quando a gente observa uma criança. Porque pra eles é passado de uma forma e pra nós é passado de outra. Em relação ao “Programa A Rede em rede” a Professora 2 conhece a teoria por meio dos documentos elaborados pela equipe DOT-EI e procura levar o conteúdo para sua prática docente. por isso que é importante o PEA ser mais flexível e ter um pouco essa abertura da gente poder estudar coisas. tem que dar aquilo que ta lá. Então. planejou. Isso a gente não pôde fazer. eu achava que o PEA tinha que ser mais flexível porque conforme vai passando o tempo. Acabou o final do ano e você ainda não está conhecendo ela. a partir dos livros e das orientações curriculares a gente procura trazer aquilo lá para a prática. Então eu acho que seria importante abrir sim para os professores. na educação do aluno. Eu acredito que não tinha que ser assim. a Professora 1 relata que a troca de experiência entre os professores. ensinar para o aluno. é como se fosse uma bolha em ebulição. porém relata sobre a inflexibilidade do conteúdo programático do “PEA”. . A gente sabe dos livros. nós vivemos numa constante. não pode mudar. Então assim. Porque aquilo que a gente planejou. Nós lemos os livros. eu acredito até que o curso deveria ser para os professores também. Em relação à teoria e a prática.

tirar dúvidas. Nesse processo. muitas vezes. Entende-se pelo processo de Formação Continuada de Professores: Nem sempre a criação dessa zona de desenvolvimento pelo próprio professor em formação é possibilitada. o que eu mais sinto falta é isso. p . Você não tem um momento de encontrar com seus parceiros. 2007. refletindo e eles conseguem levar pra prática uma ou outra coisa. devem ser discutidas e analisadas por todos os envolvidos no processo de formação. Mas assim. de dividir. de conversar. o Coordenador Pedagógico deve desenvolver estratégias de trabalho para que teorias do “PEA” ou do “Programa A Rede em rede” não se tornem apenas informações ou imposições. de trocar experiência. trocar experiências ou. transforme essas queixas em bons problemas para juntos encontrarem as soluções. é uma correria constante. uma questão de refletir. teorias. A gente não se encontra. Isso também é muito importante. porque o nosso trabalho é muito humano. Então eu acho que principalmente por isso. dúvidas quanto a conceitos. perdem-se oportunidades valiosas de desconstruir formas de atuação cristalizadas. Problemas como inflexibilidade no conteúdo programático. conversar. é preciso muito diálogo e reflexão. E a gente que não participa do projeto. na prática dos professores que lecionam com você? Professora 3: Com relação à prática a gente percebe que tem algumas coisas que eles estão estudando lá e estão discutindo.97 Pesquisadora: Você percebe a teoria do “Projeto Especial de Ação” e do “Programa a Rede em rede: a formação continuada”. precisa muito desse momento de conversar. É necessário que o Coordenador Pedagógico fique atento às queixas do professor. . é muito corrido. esse momento de troca é muito importante. Nesse caso. que não respondem a singularidade de cada situação educativa em uma sociedade em permanente mudança. (A Rede em rede. Ela ressalta a importância dos momentos coletivos para troca de experiência. A professora 3 que não tem o contato semanal com o “Projeto Especial de Ação” e a teoria do “Programa A Rede em rede” nota pouca presença da teoria do “PEA” e do “Programa” na prática dos docentes que lecionam com ela. eu acho que o mais forte é isso mesmo.12) No processo de Formação Continuada Docente.

Às vezes. Mas em outros momentos. Agora. na escola. Então a gente percebe dessa forma. ele pode estar enriquecendo muito o nosso trabalho e a gente ainda dando coisas novas pra ele. Então eu acho assim. . o grupo se reúne. não é uma coisa assim muito marcante. que o professor fica um pouco. Às vezes. porque tem professores que fazem trabalhos maravilhosos. Ele faz lá fora a atividade uma vez por semana ou duas. eu ficava um pouco assim fora da escola. mas é porque assim. sinceramente. faz algumas trocas de experiências. Parece que você trabalha sozinho. as coisas acontecem no PEA: as informações. porque o professor que faz o PEA. Então assim. que fica muito claro. só que por ele não estar entrosado. fica totalmente distante das informações. Pesquisadora: Durante esses quatro últimos anos. as decisões. ele ta vendo o que a escola tá trabalhando. você observa mudanças de prática nos professores que realizam a formação continuada. observar mudanças assim. então ele não está junto com o grupo. Então. na escola? Professora 3: Então. que ocorre durante o horário coletivo de estudos. Mas assim. claramente. é um conjunto. Não que o trabalho dele não seja tão bom quanto o de quem está fazendo a formação. até pra estar trocando como trabalhar com determinados temas. que você percebe muito nitidamente. Professora 2: Olha. você percebe até uma ou outra atividade. não. das decisões. porque a formação continuada acontece nos grupos de JEIF e geralmente esse professor que não faz. Porque os professores aqui na EMEI provavelmente eles dobram e eles fazem PEA no outro turno. ele está interagindo mais na escola. As Professoras 1 e 2 percebem que o professor que não realiza a formação continuada semanalmente. ele ta sabendo mais do assunto. o professor que não faz o PEA é um professor mais desinformado. das trocas de experiências. a gente vê a diferença sim. eu não tenho observado isso. no PEA. então essa é a descontinuidade. esse professor fica deslocado. dos projetos. eu não tenho observado essa diferença. determina alguns projetos. em outros anos. A Professora 1 ressalta a importância do entrosamento de todos os professores e os projetos para o enriquecimento do trabalho pedagógico. eu tenho experiência por mim. quando eu não fazia o PEA. algumas atitudes assim. Então eu acho muito importante a realização do PEA sim. em alguns momentos assim. alguma coisa que ele faz assim que você percebe que está dentro de algum tema que está sendo estudado dentro do projeto.98 m) Você percebe diferença na sua prática docente em relação à prática docente do professor que não realiza a formação continuada. a gente não conhece o trabalho dele. Você percebe assim. ele ta fora do grupo de JEIF. Não por mal. no horário coletivo? Professora 1: Eu percebo a falta de entrosamento. Então.

tem coisa que dá. por exemplo. Por exemplo. Então assim. eu acho que se tivesse um pouco menos de criança. Por exemplo. às vezes ele tem facilidade em uma questão e em outra não. que não realiza a formação continuada semanalmente. Portanto. no vespertino e não consigo fazer no inter. Já a outra turma é uma turma mais tranqüila. busquei. tem quer respeitar cada indivíduo na sua íntegra. tem muita criança que ele aprende sozinho. Geralmente eu tenho duas turmas. Assim. Porque assim. Porque assim. tem. Tem também algumas coisas assim. Eu gosto de trabalhar com brincadeiras cantadas com as crianças. é uma turma muito agitada. uma brincadeira mais livre. para caminhar sozinho. eu tenho um num período intermediário e um no período vespertino e eles são muito diferentes uma turma da outra. a quantidade de criança. acredita-se na necessidade em criar espaços para que ocorra a integração de todos os professores com o “Projeto”. porque eu conseguiria atender cada criança. dos professores que realizam os estudos no horário coletivo. e assim. eles conseguem esperar. percebe poucas ações. Eu acho muito importante porque assim. em alguma coisa ele precisa de intervenção. tem coisa que não. às vezes também num ano você consegue e no outro não. Porque cada criança tem a sua necessidade. esse é um fator complicador. na unidade escolar. emperra. eu tenho dois segundos estágios. E assim. Professora 2: Ah. Algumas coisas eu consigo fazer. E assim. Agora assim.a única dificuldade que eu encontro é a quantidade de criança. a realidade é bem diferente. eles têm mais paciência pra uma atividade que precisa de mais tempo. mais livre. na faculdade eu senti que faltava ainda conhecimentos. É uma dificuldade.99 Quanto ao Professor 3. que eu acho muito importante: a intervenção individual. que é dificuldade geral. a teoria eu tenho. Essa é uma questão. Então eu acho que a organização mesmo da escola impede um pouco o trabalho. os alunos são muito agressivos. a organização do tempo. eu tenho uma turma no inter que é muito difícil. Porque assim. que a gente dance. ele precisa de uma dica: olha isso tem que fazer assim. então eu fui buscar. Os alunos são muito diferentes. em um lado. eu conseguiria desenvolver um trabalho de mais qualidade. na prática docente.. Fiz uma pósgraduação em educação infantil. uma coisa que me aflige muito. a gente faz o que a gente pode. que é ter um número muito grande de alunos nas salas.a gente sabe que não é tudo que a gente vê na teoria que a gente consegue colocar na prática. Então assim. eu fiz estudos. na prática pedagógica? Professora 1: Impedem: a organização do ambiente. a rotina da escola. quem não gostaria de poder acompanhar melhor os alunos de poder fazer mais por cada um. vai mudando algumas coisas na prática.] Agora.. [. a gente tem que ir atrás. Professora 3: Olha. a gente tá sempre mudando né. ele precisa de uma intervenção individual. às vezes impede. que a gente cante. dá pra você estabelecer um diálogo melhor. Infelizmente a gente trata um todo e acaba fazendo um depósito de criança e a escola não é um depósito de criança. a gente não tem que esperar. assim. algumas coisas que a gente reflete e muda. n) Existem fatores que impedem a aplicação da proposta teórica. porém tem acesso aos documentos da Secretaria Municipal de São Paulo e ao conteúdo do “Projeto Especial de Ação”. Então assim. mesmo que ele tenha facilidade. Eu gosto de um ambiente mais aberto. uma brincadeira dirigida. Eu acho que o fator maior que impede é esse. sempre tem alguma coisa que a gente leva sim da teoria para a prática. a gente procura estar . tem criança que não é assim. às vezes. eu gosto de cantar com as crianças e isso a própria organização da escola impede que eu faça esse trabalho do jeito que eu gosto.

é sempre muito bom. que ajuda. Assim. Às vezes você começa a ler. a gestão estar junto com a gente tentando solucionar os nossos problemas. é importante retomar. A Professora 3 observa as diferenças de cada criança atendida por ela. A gente também junto com os pais. A gente pede. você caminhar junto com a comunidade porque nas reuniões eu sempre converso com os pais. Então eu sempre procuro assim.] Seria assim. mas tem muita coisa que dá pra você colocar na prática. . Só que a gente sabe que se fosse um número menor de aluno. o) Existem fatores que têm auxiliado a aplicação da proposta teórica. poderia acompanhar bem melhor cada aluno. procura estar acompanhando. conversar com os pais. a heterogeneidade dos alunos. o próprio grupo de formação ajuda bastante esse programa. a questão da organização do espaço e do tempo e a grande quantidade de crianças na sala de aula são fatores que dificultam a proposta teórica à prática docente.isso ajuda bastante. Eu acho que a comunidade é muito importante. na prática docente? Professora 1: Olha. o fator é o da gente acompanhar mesmo.100 fazendo essa intervenção. auxilia. são as verbas. ajuda a melhorar. tempo e a rotina estabelecida na unidade escolar dificulta a realização da proposta teórica na prática docente. olha que legal. ajuda a transformar algumas coisas na sua prática sim. eu fazia isso. agora não faço mais. se eu estou com alguma dificuldade. eu creio que só. que estão comprando muitos brinquedos. Às vezes. tem muita coisa que não dá. Sempre. fazer de novo. né. se não tivesse algumas dificuldades teria como colocar muito mais a teoria em prática. Nós estamos aqui pra ajudar no desenvolvimento dos filhos de vocês e eu quero fazer o que eu puder. o que tem auxiliado. reflete. A Professora 1 relata que a organização quanto ao espaço. materiais pra gente. que não estava no calendário. poderia fazer um trabalho bem melhor. a coordenadora. sempre você dá uma acordada pra alguma coisa.. que ajuda a refletir. Ela relata que cada criança possui uma necessidade específica e comenta a importância de realizar uma intervenção individual e ressalta a grande quantidade de criança na sala de aula. Porque é um conjunto e a gente tem que procurar sempre parcerias. o diretor. nós somos uma parceria e nós vamos caminhar juntos.. cada criança. É muito bom. Professora 3: Ah sim. talvez até fazer uma reunião extraordinária. até alguma coisa que você fazia lá há um tempo atrás e não faz mais. [. Já a Professora 2 encontra dificuldade em conciliar a proposta teórica e a grande quantidade de crianças na sala de aula e ressalta a importância do atendimento individualizado das crianças. procura estar conhecendo cada aluno o máximo que a gente pode. como eu falei. Professora 2: Sim. eles logo estão providenciando esses materiais. a gente poder estar discutindo as nossas dificuldades. então vamos caminhar juntos.

muito. Essas crianças virão com três anos e meio. que tenha bastante brinquedos. não pode ser tão pequeno assim. não de onde as crianças vêm geralmente é quinze. E nós vamos ter que ensinar essa criança a tirar sua roupa quando sente calor ou colocar a roupa quando sente frio. né. Então ainda não se organizaram quanto a isso. atuação da equipe gestora. tem . tem que pensar muito bem nos brinquedos. as crianças que ainda vão completar quatro anos. a localizar sua mochila. elas têm dificuldade pra usar vasos grandes. só. não é. Ajudar a colocar o sapato nessa criança. quebrar uma rodinha e a criança colocar na boca. dezoito crianças. participação da comunidade e a própria teoria são fatores que qualificam a prática docente. tenha que talvez mexer na parte do prédio mesmo. enfiar no nariz ou no ouvido. A Professora 2 ressalta dois fatores que auxiliam na aplicação dos Projetos e Programas na prática pedagógica: a presença dos gestores na solução de problemas e a parceria com os pais ou responsáveis das crianças. Eu acredito que ainda é pouco porque ainda se tem muito mais a se fazer. Assim. mobiliário. São muito diferentes. pela unidade escolar. Espero que no começo do ano a gente tenha esse tempo pra nos organizar antes dessas crianças começarem realmente. mais ou menos. nós vamos ser uma professora pra 30. Nós estamos preocupadas com o ano que vem. mas é uma coisa assim que é lenta e que se vai caminhando e que você vai planejando. é o que eu tenho observado.101 Professora 1 relata que a compra de materiais. auxiliar o desenvolvimento dos Projetos e Programas na prática docente. será que eu não pego. duas professoras. Lá. E são trinta pra ajudar a se servir. a guardar aquilo lá. ajudar a colocar comida no prato. a escola tem procurado nas salas de primeiro estágio deixar menos cadeiras para as crianças trabalharem mais no chão. mas nós professoras já estamos muito preocupadas. Professora 2: Olha. Professora 3: Olha. Então. porque aqui é self service e a criança ainda não tem toda a coordenação pra estar pegando. Não que não aconteça com as de quatro anos. eu não percebi assim mudança pra receber essas crianças. A escola ainda não propiciou momentos pra que a gente se organize. mas vai acontecer mais freqüentemente do que com as de três anos e meio. que completaram 3 anos no final do ano. pelo que eu observo a escola ela tem se organizado da seguinte maneira: procurar ter mais colchonete nas salas que as crianças de três anos vão estar. tudo. um mês já faz diferença. procurar ser um ambiente que tenha poucas cadeiras. brinquedos que sejam bem baixinhos pra elas. os fatores materiais. do mesmo jeito que é a sala de primeiro estágio. pra fazer a verdade. Que nem. Portanto. colchonetes e brinquedos. nem o espaço. dessa maneira que eu tenho observado né a organização pra receber essas crianças pequenas de três anos. A Professora 3 relata que a própria teoria ajuda na mudança da prática pedagógica. Mas eu vejo que assim. brinquedos apropriados. ter um banheiro mais acessível porque talvez os vasos são grandes. Primeiro porque vai ser uma sala de 30 e vai ter um único professor. Os brinquedos que a escola tem hoje é fácil quebrar a roda de um carrinho. meses. né. será que eu pego berçário. a completar quatro. Então nós entre as professoras estamos preocupadas: ah. ainda não foi pensado nisso. já não é a mesma criança de quatro anos. p) Como a equipe tem se organizado para receber as crianças de 4 anos a completar? Professora 1: Nós temos conversado entre nós professoras. vai se conversando. Então é assim.

] A Professora 1 fala sobre a preocupação com o acolhimento das crianças de 3 anos e meio e afirma que a criança que tem um mês a menos em relação a criança de quatro anos já faz toda diferença. professores e funcionários precisam planejar de forma contextualizada todos os momentos da criança na escola. no campo das teorias. Ela relata também que não houve momentos até a presente data para discutir as questões. a preocupação com as peças sanitárias. possibilidades de ação. Segundo o documento elaborado pela equipe de DOT. ainda. recebe também as crianças de cinco. não ta estruturado pra receber essas crianças..fase1.EI. p. Esse planejamento deve estar pautado numa nova Proposta Pedagógica. [. Ela relata preocupação quanto à quantidade de crianças na sala de aula. aí vem pra EMEI. na unidade escolar. cheio de facetas. A relação do cuidar e educar como conceito indissociável contrapõe antiga concepção de escolarização nas Unidades de Educação Infantil. e que não sejam apropriadas pelos professores e demais educadores. normas. que é incompatível com o tamanho da criança. 2007. menos cadeiras na sala de aula. é preciso desenvolver um olhar que considere a gestão pedagógica das situações criadas também nesse ambiente.. Porque do mesmo jeito que essa sala que recebe essas crianças. mobiliários adequados. os gestores. Assim. Essa nova concepção ajudará a escola acolher os novos ingressantes de três anos e meio na Unidade Escolar. Pouco adianta implementar práticas que não sejam construídas conceitualmente. organização de espaço. estudada e construída pela equipe escolar. na questão do cuidar (vestimenta e alimentação). a criança deve ser vista como um ser inteiro: Dentro de uma visão de educar e cuidar que vê a criança como um ser inteiro que constrói significados na interação com um ambiente complexo. que deve ser pesquisada. preocupações que são latentes no acolhimento da nova faixa etária de crianças que freqüentará as EMEIs. . A Professora 3 relata a não percepção de mudanças no acolhimento das crianças menores de quatro anos e diz que não há diferença do espaço da sala de aula para as crianças de quatro. 57) Nessa concepção da criança como ser inteiro.102 um mês que completou. na minha opinião não ta preparado. muitos brinquedos e relata. de seis anos. cinco ou seis anos de idade. A Professora 2 descreve alguns cuidados que já vem ocorrendo na escola: sala com colchonetes. (A Rede em rede.

que não realizou a formação continuada. que realizou a formação continuada. através do questionário respondido por elas. o que evidencia que a formação acadêmica faz diferença na prática docente. na área da Educação. semanalmente. espera-se que a diminuição delas. toda adequação estrutural necessária para o acolhimento desses novos pequeninos ingressantes. Espera-se também um respaldo dos governantes às escolas. semanalmente. em prol da qualidade do atendimento. e a Professora 3. seja prioridade aos governantes.103 Quanto ao número excessivo de crianças em sala de aula.lato sensu. parcialmente. . tem-se que as Professores 2 e 3 possuem a Pós-graduação. na escola. quanto à aquisição de materiais. a Professora 1 que realizou totalmente a formação continuada. Ao analisar a formação acadêmica. Por fim. no que refere à proposta teórica do “PEA” e do “Programa” e a prática docente. possui menos traços da nova proposta na prática docente do que a Professora 2. mobiliários adequados enfim.

a pesquisa vem mostrar que os professores possuem o interesse em se especializar na área em que atuam profissionalmente. nas Instituições de Educação Infantil. para o aprofundamento da pesquisa e análise da documentação da escola pesquisada. Das 16 respostas obtidas por meio da técnica de questionário.lato sensu. o qual as mulheres desempenham melhor o papel de cuidar e educar as crianças.lato sensu. foi utilizada a abordagem qualitativa. 15 docentes declaram ter o ensino superior e apenas 01 o magistério em nível médio. Sendo assim. Ao mesmo tempo. na área de Educação. A pesquisa teve como objetivo compreender como as teorias alcançam a prática dos professores e como os docentes da Rede Municipal de São Paulo aplicam essas teorias na prática pedagógica. que se localiza na Zona Leste de São Paulo. Ressalta-se que 05 professores declaram ter a formação na modalidade de Pós-graduação. Além disso. os docentes possuem de 05 a 25 anos de experiência não tendo nenhum professor iniciante participando da pesquisa. os professores que participaram da entrevista semiestrurada e tem a formação na modalidade de Pó-graduação. A abordagem quantitativa. apresentaram mais traços da nova proposta pedagógica nas ações cotidianas da escola do que a professora que possui somente o ensino superior. cuja teoria está contida no “Projeto Especial de Ação” e no “Programa A Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil”. foi aplicada aos professores e gestores da unidade escolar dando a oportunidade a todos a participarem da pesquisa. 2004) Neste capítulo. Os docentes declaram que . o que evidencia que ainda predomina o paradigma cultural. sintetizo a análise dos dados coletados em relação à proposta de formação continuada. Quanto ao tempo de magistério. entrevista semiestruturada. na área de Educação. os entrevistados são do sexo feminino. (Fonseca. Os professores pesquisados têm a idade entre 29 a 44 anos e grande parte. técnica de questionário. possuem formação acadêmica.104 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS “É na formação dos profissionais que vão atuar na educação infantil que está a chave para uma atuação responsável e competente”. Considerando-se o perfil profissional.

pois é reconhecido como um momento precioso para trocas de experiências e tomada de decisões coletivas. observar o interesse dos professores ao estudo proposto e a sua eficácia na prática pedagógica. inquietações. obtevese com as respostas. No que se refere às questões pedagógicas. Quanto ao “Projeto Especial de Ação”. de espaço. de professor ou coordenador pedagógico. conhecimento de que é um momento muito valorizado pelos professores e gestores. os gestores deveriam realizar constantemente a avaliação do “Projeto”.105 acumulam cargos. Diante disso. a pesquisa aponta para a heterogeneidade de conhecimento dos professores sobre os assuntos abordados. bibliografia e avaliação. em horários coletivos. o Coordenador Pedagógico terá maior proximidade das ações pedagógicas do professor. Neste sentido. o Coordenador Pedagógico precisa considerar que o professor é um ser único. de registro. a ausência dos docentes na formação continuada causa um empobrecimento do trabalho coletivo. em horário coletivo. Neste sentido. Esse professor possui ações pedagógicas que não representa somente as aprendizagens teóricas e técnicas. Alguns professores declaram que há um distanciamento da teoria proposta pelo “PEA” com a prática docente. Em relação à formação continuada realizada na escola. enfim terá a oportunidade de realizar uma intervenção individual contribuindo para o avanço da prática docente. das dúvidas. além de dúvidas. motivo pelo qual. somente no início do . assim como os momentos de acompanhamento da formação continuada. A participação dos professores na elaboração do “PEA”. pensamentos. Cada professor pesquisado tem um conceito de tempo. que transforma e é transformado pelo outro. O importante é garantir que o Coordenador Pedagógico tenha momentos destinados ao acompanhamento da prática docente. necessidades pedagógicas. complexo. inquietações etc. a pesquisa evidencia que este “Projeto” precisa de alguns ajustes quanto à metodologia. o que dificulta a participação deles na formação continuada da unidade escolar. de concepção pedagógica. com decisões próprias. Há divergência na avaliação do “PEA” pelo grupo de professores e gestores. mas as experiências vividas ao longo da vida. Os novos conhecimentos pedagógicos poderão fazer parte da prática docente quando forem articulados com as reais necessidades e desejos dos professores.

espaços. o grande número de crianças na sala de aula e a heterogeneidade dos alunos dificultam a aplicação das propostas do “PEA” e do “Programa” na prática pedagógica. as propostas do “Programa A Rede em rede” e do “Projeto Especial de Ação”. não garante o bom andamento do “Projeto Especial de Ação”. Por fim. a presença dos gestores na solução de problemas e a parceria da escola com as famílias são fatores que auxiliam as propostas teóricas fazerem parte da prática pedagógica. no qual. cooperação e troca com as famílias e participação na rede de proteção social. formação e condições de trabalho das professoras e demais profissionais. os professores solicitam que o “Programa” seja estendido a eles e não somente ao Coordenador Pedagógico. A pesquisa mostra a dificuldade do Coordenador Pedagógico em aproximar-se das práticas cotidianas e implantar o registro reflexivo. Os professores apontam na pesquisa que a organização da rotina na escola. . Esses são alguns ajustes necessários para que o “PEA” seja eficiente. no período de 2005 a 2008. Neste sentido. dinâmico e as ações precisam estar voltadas para o projeto maior da unidade educacional.106 ano. Em relação ao “Programa: A Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil”. Além disso. interações. materiais e mobiliários. os docentes relatam que a compra de materiais pedagógicos. execução e avaliação com todos os envolvidos. o Projeto Pedagógico. o documento Indicadores da Qualidade na Educação Infantil (2009) aponta sete dimensões: planejamento institucional. Por outro lado. como relatou um dos gestores pesquisado. As etapas de planejamento do “Projeto Especial de Ação” devem ser compreendidas como processo educativo. flexível. promoção da saúde. Os professores relatam a dificuldade do Coordenador Pedagógico em multiplicar o conteúdo do “Programa”. Coordenador Pedagógico e Professor se tornam parceiros na construção da aprendizagem. foram analisadas por meio dos relatos de prática dos docentes e observa-se que ações decorrentes das propostas estão presentes na prática pedagógica e outras precisam ser aprimoradas. os gestores reconhecem a qualidade e o fortalecimento que o “Programa” trouxe à equipe gestora no crescimento profissional. motivo pelo qual. A comunicação entre os professores e o Coordenador Pedagógico não é totalmente satisfatória. multiplicidade de experiências e linguagens. O “Projeto” para ser eficiente é necessário planejar as etapas de elaboração. para se alcançar a qualidade na Educação Infantil. os professores avaliam o “PEA” como sendo um projeto estático e não dinâmico.

de si e dos outros. e traz como desafio um maior envolvimento de toda a comunidade educativa neste processo de formação. No processo de formação. Além disso. fatores que contribuem para a construção de conhecimento à Educação. Todos precisam esforçar-se para compartilhar as reflexões e o agir de cada um no cotidiano escolar.107 Esses indicadores vêm ajudar as instituições de Educação Infantil a definir suas prioridades e traçar caminhos para construir uma proposta pedagógica e social significativa. da autenticidade e da dialogicidade. a análise empreendida a respeito dos instrumentos de formação continuada: o “Projeto Especial de Ação” e do “Programa: A Rede em rede” permite considerar que esses instrumentos são importantes para a formação continuada dos professores. Em síntese. Observar a história da Educação Infantil e compará-la aos dias de hoje é perceber o quanto as instituições que atendem as crianças de 0 a 5 anos avançaram nas dimensões pedagógicas e sociais e o quanto precisam avançar rumo a uma plena qualidade educacional. . em direção ao mundo a ser transformado e humanizado. a comunicação é fundamental para que gestores e professores tomem consciência do mundo. Por fim. pesquisas direcionadas a formação continuada docente são essenciais para trazer a luz discussões e reflexões sobre a relação teoria e prática pedagógica. a relação interpessoal entre o Coordenador Pedagógico e o Professor precisa ser baseada nos princípios da empatia.

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Há quanto tempo você exerce o magistério? ( ) 0 a 5 anos ( ) 5 a 10 anos ( ) 10 a 15 anos ( ) 15 a 20 anos ( ) 20 a 25 anos 2-Em que ano você ingressou no cargo de Professor de Educação Infantil na Prefeitura Municipal de São Paulo? R:____________________________________________________________________ 3-Você exerce outro cargo na Prefeitura Municipal de São Paulo ou em outro órgão estadual ou particular? ( ) sim ( ) não Qual?__________________________________________________________________ 4-Você participa ou participou do Projeto Especial de Ação (PEA) de sua Unidade Escolar ou em outra Unidade Escolar? ( ) sim ( ) não 5. ( ) impossibilidade devido acúmulo de cargo. ( ) organização familiar. como você avalia o Projeto Especial de Ação de sua Unidade Escolar? ( ) Excelente ( ) Bom ( ) Regular 8-Você tem conhecimento da Política de Formação de Professores ( Rede em rede) proposta pela Secretaria Municipal de Educação na Educação Infantil? ( ) sim ( )não 9-Como você avalia o Programa Rede em rede. ( ) outros ___________________________________________________________________________ _________________________________________________________________7Nestes últimos quatro anos. na Educação Infantil. proposta pela Secretaria Municipal da Educação? ( ) Excelente ( ) Bom ( ) Regular .Em quais anos? Assinale o(s) ano(s) em que você participou do Projeto Especial de Ação (PEA).115 APÊNDICE A – Questionário dos Professores Nome: (opcional)______________________________________________________________ Idade:_____________________________________________Sexo: F ( ) M ( ) Formação acadêmica: 2º grau-magistério ( ) Ensino superior( )Qual?____________________________ 1. ( ) 2005 ( ) 2006 ( ) 2007 ( ) 2008 6-Assinale uma das alternativas abaixo. caso você não participou do Projeto Especial de Ação nos ano de 2005 a 2008 ou participou parcialmente.

conteúdo etc) e no Programa Rede em rede.O que você mudaria no Projeto Especial de Ação ( metodologia. na Unidade Escolar que foi significativo para sua prática docente? R:________________________________________________________________________ 15. na formação continuada. o que você aprendeu. você realiza o registro do desenvolvimento de seus alunos? ( ) diariamente ( ) semanalmente ( ) mensalmente ( ) bimestralmente ( ) semestralmente 12-Você tem desenvolvido o hábito de refletir sobre sua prática docente? ( ) sim ( ) não a) Com qual freqüência? ( ) diariamente ( ) semanalmente ( ) mensalmente ( ) outros 13-Qual a concepção pedagógica que fundamenta sua prática docente? ( ) tradicional ( ) construtivismo ( ) sócio-construtivismo (outro)_______________________________________________________________________ 14-Durante os últimos quatro anos. na Educação Infantil? a) Projeto Especial de Ação: __________________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________ b) Programa Rede em rede: __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________ 16-Como você avalia a sua participação no processo de Formação Continuada (PEA) da Unidade Escolar? ( ) Excelente ( ) Bom ( ) Regular .Quais os assuntos mais significativos que trata o Programa Rede em rede para sua prática docente? Que assuntos você sugere? R:___________________________________________________________________________ 11-Com qual freqüência.116 10.

enquanto gestor. como você. na prática docente? Comente. nos horários coletivos.117 APÊNDICE B – Questionário dos Gestores Cargo/função: 1-Quais são os desafios cotidianos que você tem enfrentado em relação a formação continuada dos professores? R:_________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ 2-Como você tem percebido a presença da formação continuada (conteúdo. na Rede Municipal de Educação? R::_________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ 5.Nestes últimos quatro anos. R:_________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ 7-Em relação ao Ensino Fundamental de 9 anos. tem pensado no acolhimento das crianças de 4 anos a completar no cotidiano da EMEI? R:_________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ . como você avalia o Projeto Especial de Ação? R:_________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ 6.Você tem percebido dificuldades dos professores em lidar com a teoria do Projeto Especial de Ação e o Programa A Rede em Rede. R:_________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ 3-Você tem sentido dificuldade em lidar. R:_________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ 4-Como você avalia o Programa Rede em rede. reflexão) na prática dos docentes? Comente. relate as dificuldades. com o Projeto Especial de Ação e o Programa A Rede em Rede na formação continuada dos professores? Caso positivo.

vai ter o momento de ouvir. fala o que pensa. uma obrigação de ensinar.118 APÊNDICE C – Entrevista Professora 1 Pesquisadora: Qual é o seu cargo? Professora 1: Professora de educação infantil e ensino fundamental I. vai da gente. três. porque tem que ouvir. trabalhando dentro da escola. comigo. quando eu vou ensinar algo eu acho que é importante a criança ela tem que me ouvir. O que é o sócio-construtivista? É o educar levando em conta o meio da criança. Eu vou estar educando essa criança. De acordo com a resposta do questionário. em primeiro lugar. a criança que chora. Então eu considero tradicional. tem que se atualizar dentro da nossa área da educação. o que você entende por concepção tradicional-sócio-construtivista? Professora 1: Tradicional é o professor que ensina. isso eu considero o tradicional. que imagina. com outras pessoas da unidade escolar. quatro vezes por semana estar um grupo fechado. que se corrige. o viver dela. com o coordenador. Qual é sua concepção de criança e de infância? Professora 1: A criança que brinca. tem que estar claro na cabeça dele que ele tem. Eu gostaria de saber o que você entende por formação continuada? Professora 1: Formação que todos os dias nós estamos com os nossos colegas. vai ter o momento de construir. Pesquisadora: Muito bem. Então eu sou tradicional e construtivista por quê? Porque eu sou consciente que eu estou aqui pra ensinar. quatro dias na semana. Pelo menos três. do horário da gente. Geralmente são três dias na semana. Então o que eu vou ensinar? E aí eu vou elencar o que é importante pra eu estar ensinando para a minha criança. se não ouvir fica difícil a gente trocar idéias . Ela vai ter o momento dela falar. o que eu vou educar com a minha criança nas relações do dia-a-dia com o colega. com o grupo de estudo. de participar da aula. Pesquisadora: E você ensina através do método tradicional? Professora 1: Olha. eu gosto de. Ela tem que estar atenta no que eu estou fazendo. ela tem que me ouvir. Pesquisadora: Muito bem. cada professor escolhe o seu horário e aí a gente forma um grupo. Nós nos reunimos e estudamos. a criança que se expressa. que tem que ensinar também. na rua. um grupo junto estudando. pra mim isso é educação continuada. pode se dizer. Então. a criança que constrói. com aquilo que ela fala o que aconteceu na casa dela. Pesquisadora: E quais são os momentos que ocorrem a formação continuada na unidade? Professora 1: Bem. Então. a criança que nós fomos um dia e crescemos e hoje somos adultos. Pesquisadora: Muito bem. mas eu também tenho os momentos de ensinar e isso eu não posso deixar de lado. vamos começar então a pesquisa. as idéias da gestão e também as práticas e o estudo que a gente tem que estar fazendo. Assim.

quanto eles gastam pra fazer a atividade. Terminou esse momento. Só que eu acho que fica mais difícil. aquilo que eu quero. eles trocam brinquedos entre eles. fazendo atividade ao mesmo tempo. que eles vão chegando. o primeiro momento é o momento de acolhimento deles. Eu não. Então é tudo assim bem no horário certinho. Então esse ano eu usei muito o vídeo. eu tenho lá minhas tarefas do dia. aí é o meu momento. eu perco o controle. E aí eu faço com todos juntos. então eles já estão acostumados. mais complicada. que eu vou trabalhar com a criança. bastante. então a sala está sempre organizada em meia lua. É uma coisa por vez. quantas meninas. Pesquisadora: Muito bem. Como é que eu vou dar atividade naquele dia. Pesquisadora: Na concepção sócio-construtivista. nós vamos fazer a nossa contagem. o que eles vão fazer – jogo lá mais uns quinze minutos. acho que a criança fica muito solta e eu Ângela. é uma atividade que eu perceba que a criança consegue fazer. eles trazem brinquedos de casa. como que a gente vai estar conversando. eu procuro dividir. se cumprimentando. Toda vez que eu vou passar informação para as crianças. mais ou menos. não é? Então eu já venho qual atividade que eu vou dar naquele dia. Desde o vídeo do primeiro momento que entra na sala. por isso que eu lhe digo que eu sou um pouco tradicional. eles vão para o meio da sala e nós fazemos uma roda. um desenho animado. a organização das mesas. que eu vou planejar. contando as novidades. conversar com eles o que aconteceu no dia em casa. então tem que ser tudo meio cronometrado. aquilo que eu elenquei de importante. Então. tem o acolhimento. eles até sabem. que vai terminar naquele dia. mais uns dez minutinhos. por isso que eu falo que eu sou tradicional e sócio-construtivista. as conversas entre eles. deles estarem conversando. Por quê? Após esse encontro entre eles. sempre em meia lua.119 e conseguir educar e ensinar ao mesmo tempo. Então. Então. tem que ter uma relação de respeito. brincando ao mesmo tempo. Então tudo tem que ser organizado. como você planeja o tempo no dia a dia? Professora 1: O tempo já é meio complicado. na sócio construtivista. os grupos. tem sempre lá um vídeo de música. aquilo que já tem que estar planejado na minha cabeça: a maneira. onde ela vai sentar. no final de semana. entendeu? Eu perco o controle. desde o primeiro momento que ela entra na sala de aula. Acho que a minha maneira de ser. Então. eu não posso dizer que é uma atividade simples. Então vamos fazer leitura? Bom. vou fazer a leitura do dia. Esse ano eu peguei uma sala rodízio. Então essa é minha organização da sala. eu já passo na roda pra eles: hoje nós vamos fazer só a pintura e a colagem e amanhã nós vamos dar continuidade. Aí parou. eles vão fazer a troca e já vão ficar mais ou menos uns vinte minutos ali na conversa entre eles. você não consegue perceber essa relação do ouvir e do respeito? Professora 1: Dá pra perceber sim. eu divido uma sala com a colega. Tem professor que trabalha muito bem assim. Então vamos falar um pouquinho disso que você já está relatando à respeito do espaço. bastante. Como tem sido no seu cotidiano da sala de aula a questão do espaço ambiente? Professora 1: Esse ano eu trabalho na sala 5 que seria a sala de vídeo. eles . trabalham muito bem. como que eu vou dar aquela atividade. E a atividade ela já vem. quantos meninos. Eu já sei. vou escrever na lousa. de reciprocidade. E a questão do tempo. Pesquisadora: Muito bem. Uma atividade mais longa. Vou passar informações.

como é a organização de vocês? Professora 1: Então. E toda vez que chega verba o diretor reúne o conselho. aconteceu isso. eu acho o desperdiço dos brinquedos. o que um cuida. Na sexta-feira eles trazem brinquedo de casa. como é organizado o parque. outros não cuidam. A criança mesmo vai lá e pega. não é só dele. ele já sabe. Professora 1: Olha. Ele vai brincar com o colega. Eu distribuo os brinquedos nas mesinhas. do acolhimento. isso. não precisa ser só na sexta-feira. eu aviso que eles podem trazer brinquedos sim. Então. graças a Deus. nem ele. pegam os brinquedos. O único problema é assim. nos últimos anos a escola vem recebendo verba pra comprar material pedagógico. fácil e a gente vê o dinheiro ir embora. aquele brinquedo é de todos. Então. A gente conversa sobre os três episódios. diversos brinquedos diferentes pra que eles possam estar trocando. todas as salas de aula tem o armário coletivo. nem os outros vão ter. Pesquisadora: Muito bem. na segunda feira eu tenho parque grande. abrem. E no dia seguinte eles realmente sabem: Olha professora a senhora parou em tal capítulo. só que no momento da atividade ele sabe que vai ter que guardar. Então eles sempre sabem: olha. A gente costuma trabalhar muito com os brinquedos na sexta-feira. Como são organizados os materiais na sala de aula? Como está a organização desses materiais? Como é o uso dos materiais dentro da sala de aula? Me descreva um pouquinho esses materiais na sala de aula com vocês. Se eles quiserem trazer na segunda. Então eles já sabem. Se o professor trabalha com brinquedo no primeiro momento de aula. Amanhã vamos dar continuidade a esses três episódios. temos o horário do acolhimento e a troca das salas de aula e o horário pra você fazer atividade em sala. isso e isso. Não é? A gente precisa estar orientando as crianças. Então a criança segue a rotina do professor. mais tranqüilo pra eles. vamos assistir hoje três episódios que fala sobre isso. O material fica à disposição nossa e das crianças porque o armário é aberto. na sexta-feira do brincar. graças a Deus. Tem o armário coletivo e tem brinquedos para as crianças. o que a gente está precisando? E a gente ganha esse material. já faço minha organização. Então. nosso horário de informática. o que um cuida o outro não cuida tão bem. e a gente dá continuidade. aplicando bem. Então.120 nunca vêem um vídeo inteiro. aquilo. Pesquisadora: Em relação ao tempo da unidade escolar. eles vão lá. meu planejamento dentro do horário da escola. a questão do brincar. Na sexta-feira é que fica mais livre. e eu deixo livre os brinquedos. Eles já estão sabendo que aquele dia eles podem dividir o brinquedo deles. que você tem um dia. Como eu aviso que eu vou trabalhar com leituras. os pais já sabem disso. ele é colocado numa altura que dá pra ela pegar. dentro da nossa linha de tempo nós temos o nosso horário de parque. por exemplo. de quinta-feira eu tenho informática. eu já aviso desde as primeiras reuniões. eles trazem os deles e usa o da escola também. em tal episódio. Se é um determinado dia da semana. E a gente já se organiza dentro do horário da escola. do material. porque não dá. Porque a gente precisa estar orientando as crianças. E se ele estragar. A questão dos materiais. É isso mesmo? Professora 1: É isso mesmo. . ele vai brincar com colegas de outras turmas. reúne a gente e a gente faz uma lista de prioridades. E isso a escola está fazendo bem. Pesquisadora: Você me relatou agora sobre o brincar. ele traz. nós temos a nossa linha de tempo. a gente já avisa. E a mesma coisa é com a atividade. melhorou muito. E aí estraga rápido.

Como é essa questão do registro e dessa reflexão da prática? Professora 1: Bom. E essa semana ele fez a atividade. eu não quelo.121 No momento da roda de conversa. conversando: Olha Pro. Foi lá. Quando ela chega e fala: Tia. E eles conversam entre eles. Fora isso a gente brinca bastante no parque também. Por exemplo. Então a gente usa o brinquedo. Você não acha que ta faltando? Ele falou: É mesmo. quem sabe depois você volta a conversar com ele. ele tenta. Aí fica livre pra eles.elas não têm medo. e quando acontece algo que eu acho que é importante. Então. o imaginar. Me sinto mãe. o meu coleguinha não quer dar o brinquedo pra mim. E no momento que eu quero a atenção dela. o registro. eu tenho um aluno. Aí eu anotei: Hoje Jonas conseguiu fazer a atividade sem negar aquilo que ele tava sentindo. Então eu marco ali o que aconteceu naquele dia que eu achei que foi importante. As crianças comigo. tudo bem. É assim que ele fala. nos outros espaços da escola. mas na sexta. porque eu dou atividade pra criança. ela chega e conta naturalmente. Eu pego um dia da semana que eu esteja mais tranqüila. Aí eu falei: Ah. E é o momento dela falar ‘tia’. completou. né. E a questão do registro. Ele tem muito medo. a não ser que ele seja o objeto da conversa. Mas acaba a palavra ‘pintar’ ele já fala: Eu não. Toda criança briga. normalmente é no meu horário de (. E como é a interação do aluno com você na sala de aula. Elas não têm medo de falar porque tá chorando. veio mostrar se tava bonito. isso é normal. Ele não quer trocar. sem grupo de estudo. Como você tem registrado sua prática pedagógica? Porque no questionário você relata que você reflete diariamente sobre a prática e o registro você faz semanalmente. às vezes ele vem chateado e diz que não deu certo.. porque não quer vir na escola. Se aconteceu alguma coisa na casa dela. então hoje ele não quer. Aí eu falo: Então vamos lá. O que nós vamos fazer? Negocia com ele. no parque. eles estão lá brincando e de repente você vê uma criança conversar com a outra e você acha interessante aquilo que eles estão conversando. com as minhas crianças. aí você . fora as brincadeiras dirigidas. o Jonas. que ele tem muito medo de papel. Aí eu falo: Ah. Pesquisadora: Muito bem. mas essa é uma turma boa. Porque nem tudo é importante. o que ele não pode fazer. Fala pra ele: Agora nós vamos pintar. com outros colegas. Às vezes a gente está lá no parque. como ocorre? Professora 1: Olha.). eu não quelo. aquilo que eu fiz durante a semana. Então você vai brincar com outro amigo. observando.. pegou. Por quê? Ao mesmo tempo que eu estou lá ensinando. eu e os alunos eu posso dizer que às vezes eu me sinto mãe deles. Eles podem estar trazendo brinquedos de casa que eles possam utilizar no parque. Como ocorre essa interação? Com aluno x aluno também. Pesquisadora: Muito bem. mas eu acho que ta faltando alguma coisa. uma turma que está sempre chegando. Eu posso dizer que eles quase não se batem. Então eu sou professora e sou tia também. Às vezes dá certo. Tranqüilo. é dele. sentado. ela me respeita também. mostrando pra ele o que ele pode fazer. nós temos uma relação muito boa. Voltou. Entre eles também porque eu peguei esse ano duas turmas muito boas. bate. Mas na sexta é livre. Eles são uma geração boa essas duas turmas. aquele brinquedo não vai poder estar lá na roda. Eu não quelo. Pego as atividades. na sala de informática. mas quando é o momento de falar ‘Pro’ é ‘Pro’. O que você tem que você possa trocar no momento com ele? Aí ele vai lá. ao mesmo tempo ele tem uma relação muito carinhosa comigo. A gente tem que respeitar o amigo. Muitas coisas a gente registra aqui na nossa cabeça e no nosso coração. eu registro na própria atividade da criança.

às vezes não. vai brincar um pouquinho. Aí chega no final de semana. boneca. Eles já entram. leio muito com as crianças. como quando ele sai. Então a gente coloca uma mesa com alguns brinquedos. o Wilson ele nunca brincou. hoje eu fiquei observando as crianças. Eu falo: Ah. Ele já está se afastando. numa dia que eu esteja mais tranqüila. as múltiplas linguagens da educação infantil como você tem sentido essas linguagens na prática docente? Tem conseguido desenvolvê-las com os alunos? Sente dificuldade? Quais as dificuldades que você aponta. Não digo que deixando totalmente. você já jogou. nesse momento. Então. As outras 15 crianças. as brincadeiras dirigidas? Nisso eu sei que eu falhei. Porque é uma sala que dá pra aproveitar pra trabalhar a linguagem. Pesquisadora: Muito bem. Tanto é que eles ligam toda hora o computador só pra poder escrever a senha no computador. Por quê? Porque aquela criança. eu gosto muito de trabalhar leitura e escrita. ele fica perto. o que aconteceu de importante e marco. você ta fugindo da minha cordinha né. panela. mas trabalha uma vez ou outra. Cansou. Professora 1: Laboratório de informática. trabalhar o raciocínio lógico-matemático. se eu precisar ta voltando. o dia-a-dia da escola faz com que você deixe algumas linguagens. escolhem o computador que eles querem sentar. Porque nós não temos computadores pra todas as crianças. colocar senha. Volta para o computador. E eu observei que as crianças estão mais atentas. Até que o projeto esse ano da minha mostra cultural é o diário de leitura. E hoje no laboratório de informática. Agora não precisa mais. nós temos pra cerca de 20 crianças. Escolhem o programa que eles querem brincar. a minha sala seria uma sala maravilhosa. tanto pra sala de informática. senta. Então. Então. eu sempre digo: O Wilson fala com os olhos. sabem desligar o computador. mas e o raciocínio lógico-matemático? E o brincar da criança. elas param mais pra pensar. Eu posso não estar registrando naquele momento. como uma sala de jogos de raciocínio. deixo lá à lápis. eu adoro trabalhar leitura com as crianças. E essa semana o Wilson começou a se afastar. já não está mais tão perto. Tanto ele trabalha ali na informática. pra ver como funciona. isso a gente registra. na memória. vão ficar sem. e eu tava pensando: isso tira o foco. já algum tempo. eu já sei: Ah. você acaba trabalhando mais e deixando outras. Porque no começo eu tinha que ficar intervindo: Agora é a vez do coleguinha. E ele já está se afastando. já ta indo pra mais longe. elas brincam no computador. porque o que acontece? A linguagem que você tem mais afinidade. Então. Em relação às linguagens.122 marca. você começa a se policiar. troca de colega sem que eu tenha que ficar intervindo. ele vai e monta um quebra-cabeça. é mais a organização do espaço pra você estar trabalhando as linguagens. abre. ele ta querendo alguma coisa. tem o Wilson. sobre as linguagens. eles escrevem a senha no computador. suponhamos. Então eu venho fazendo isso como experiência. pra fazer um jogo da memória com a criança. fala com os olhos. sentam na mesa de jogo e ali elas brincam com o colega que tá ali e joga. Eu observo que alguns colegas levam brinquedos de brincar mesmo: carrinho. E eles são tão independentes que eu pensei: Poxa. cansam. a refletir porque você não está fazendo aquilo. eu fiquei observando os meus alunos. eu pego essas atividades. por exemplo. Professora 1: Então. Eles já sabem ligar. E se a organização do ambiente já ti força a planeja e trabalhar um determinado dia da semana no horário aquela linguagem. grandão. eu registro na memória e coisas que eu acho importante eu pego e anoto ali na própria atividade da criança no dia-a-dia no diário. já sabem o que . como eu falei pra você. mais ou menos. eu sei que eu trabalhei leitura e escrita. Porque o próprio cotidiano. mas já registrei aqui na mente. põe jogo. Quando ele me olha com aquele olhão. eles têm uma relação boa entre eles. já facilita.

Pesquisadora: Muito bem. desde que você tenha a sala de aula o tempo todo pra você. Então eu fico uma hora e meia só nela. as leituras e as atividades dentro da leitura e escrita. levando à reflexão e à discussão. que é possível estar fazendo. Então não foi pensado na organização dela. a organização com jogos auxiliando o professor no horário dele de informática. só que o pátio. a gente sente certas necessidades que. três computadores. Porque assim: a minha sala é uma sala de . no pátio externo o professor não tem voz e a criança se distrai. é importante. mas não é garantido. e que para o professor que está na sala de aula. que julgam prioridades. Porque cada um entende de uma maneira e tem uma concepção de entender aquilo que está sendo passado. eu faço durante a semana. Não dá. participou e viveu teria que estar sendo passado para os professores no mesmo tom. a manutenção dos computadores aqui. é importante a sala de informática. os computadores atendem 20 crianças. Então. a informática é importante. Vai competir com mais três salas que estão almoçando? Aí você vai pára o pátio externo. Pesquisadora: Você tem como me dar exemplos? Professora 1: Vamos citar. nessa sala. Algumas brincadeiras. por quê? Porque existem outras prioridades dentro da escola. Ela não consegue ouvir as suas comandas em determinadas brincadeiras. aí quebra um.123 fazer. como eu posso dizer. Então. O espaço pra você trabalhar brincadeiras dirigidas. como é que você vai brincar de cantar ali com as crianças? Vai brincar de roda com a criança? Vai fazer um jogo ali com a criança. eu vou dar a minha saída. O que grupo gestor viu. quando a escola está mais tranqüila. Então. Como eu sempre digo pra as minhas colegas: virou um telefone sem fio. só ta colocado o computador lá. Eles estão presentes na formação continuada ao mesmo? Ou tem um momento em que vocês estudam o projeto e um outro momento para o programa? Como é a organização do projeto e do programa dentro da formação continuada? Professora 1: Eles deveriam acontecer juntos. Que seria o pátio. pra estar aproveitando o espaço. essa uma hora e meia eu tenho aproveitado pra fazer rodas de conversa. E é uma sala boa pra estar trabalhando linguagem matemática. Então o que o grupo gestor viu lá? Ah. e quem está ali dentro com as crianças. Quando eu saio da minha sala e vou para a minha sala de informática. Tá. por exemplo. Então. a informática. dois. Porque a nossa realidade é diferente da quem ta fora. não é. À respeito do Projeto Especial de Ação e do Programa A Rede em rede: Formação Continuada na Educação Infantil. isso já é uma linguagem que fica prejudicada. Deveria estar acontecendo junto. o professor além de estar ali auxiliando as crianças. brincadeiras cantadas. a minha sala é uma sala rodízio. e as refeições ocupam totalmente o pátio. mas a manutenção dele e a ajuda pra esse professor nessa sala também é importante. Essa gestão colocou o Rede em Rede para o grupo gestor e eles deveriam estar passando essa formação para os professores. eles não acham que são importantes. nós temos muitas refeições. Aí eu dou jogos matemáticos na informática. que pra outras pessoas. mas ela não está organizada pra isso. Mas isso não acontece. nós não temos. Porque quem ta fora tem outro olhar. ele tem que estar ali arrumando os computadores também. Como eu disse pra você. Pesquisadora: E em relação à sala de aula? Daria pra desenvolver essa linguagem? Professora 1: Dá pra desenvolver.

tem computador ou o computador do tio. Pesquisadora: A outra questão é a respeito. os alunos são de todos da escola. vamos ler tal revista. tem que ser passado para o professor. por exemplo. É muito lenta essa formação. professora. então todos têm que estar envolvidos no ensinar e educar desse aluno. os outros estão completamente soltos. por isso que eu digo: esse Rede em Rede que fala do brincar. As crianças ligavam e desligavam o botão direto. porque a maioria já tem vídeo-game em casa. das linguagens. Dentro dos estudos eu acho que é lento. da tia. E quando você tira essa criança. morde o outro. eu percebo quando existe a troca. Porque os colegas vão dando experiências e a gente vai aplicando aquilo.. mas não percebo assim de cara.. Ele precisa de alguém ali pra falar: professor eu vou dar uma mão. Pesquisadora: E a questão do Programa A Rede em rede? . pra dar uma volta. Mas nem sempre. As crianças de hoje são muito ativas.. vamos conversar pra que você possa dar continuidade. professora ele vai.. tá aqui. Então ela precisa de ajuda. saem fora da roda. Agora. muito criativas. E eu tô com um problema lá na minha sala que tá me engasgando. página tal”. tá na bibliografia. devido às prioridades que acham que é mais importante: “Hoje vamos fazer um estudo de tal autor. Isso já aconteceu mais ou menos com uma turma minha. Então. tem dia que ele ta bem. são agressivas também. eu fico imaginando o professor de primeiro estágio. mas aquilo não é pra ser discutido agora. não é? E o professor. Olha isso deu certo. O professor. fala: vou tirar essa criança pra dar uma voltinha.. Não. Entendeu? “Ah. na sua prática docente? Professora 1: Eu percebo quando existem momentos de troca de experiência.124 segundo estágio. Você percebe a teoria do Projeto Especial de Ação ( PEA). mas e para o professor? É problema ou não? Como que é? Eu costumo dizer que o aluno é da escola. tem que ler isso. logo ti trazem ela de volta. aí eu percebo. ah isso não deu certo. Agora tem que ler tal revista. nem todas as crianças ouvem como deveriam ouvir. tem dia que ele não ta bem. porque hoje eu vivi esse problema.. de um aluno que se enfiou debaixo de uma mesa com o coleguinha. muitas vezes. não é agora. Mas eu quero hoje. tal dia é dia da prática”. Então eu fico imaginando. pra você respirar. Então muitas saem. como se ela fosse um problema pra eles. eu fiz dessa forma. faz assim. mostrando como se faz. Aí eu percebo. Então por isso que às vezes eu acho que não está conectado. Eu entrei em pânico. eu vou levar essa criança pra tomar uma água. chuta o outro. Saem fora da roda. Por que a minha aluna ta se enfiando debaixo da mesa com o coleguinha? O que eu faço? No que os meus colegas podem me ajudar? Que dicas podem dar? O que esse Rede em Rede formador passou para esse grupo gestor? Dicas que a gente possa tá trabalhando isso. algo que aconteceu na minha sala de aula que eu não consegui resolver ou que eu tive uma determinada atitude e achei que não foi boa. Então eu trago um fato. Aquilo agora não é pra ver.. Hoje eu não sei o que eu vou fazer com esse problema. essa professora precisa de alguém lá com ela. Pode até ser que aconteça. então eu tive mais facilidade nessa sala com as minhas crianças. Então. Um dia dessa semana me colocaram quinze alunos de primeiro estágio na minha sala porque a professora faltou. arrancaram até o mouse do computador. Eu fui dar minha saída na sala de informática. Então foi mais fácil. ele está discutindo alguma coisa com as crianças. das múltiplas linguagens. E as minhas crianças ficaram: Professora ele ta arrancando. porque enquanto ela ta li pegando na mãozinha de um. que não resolveu e o grupo me auxilia. Porque às vezes é uma e o restante da turma ta envolvido. aquilo tá me engasgando. quando ele está numa roda de conversa. como é que eu faço? Ah. numa forma dele repensar sua prática e dele procurar alternativas pra tentar amenizar os problemas da sala de aula.

Não tem que ser: ah. e acontecendo junto a gente consegue pensar mais em prol do aluno. vamos acolher. só que por ele não estar entrosado. . Ele faz lá fora a atividade uma vez por semana ou duas. ele ta fora do grupo de JEIF. dançando? Tem que ser na sala de aula porque falaram que tem que ser na sala de aula. Pesquisadora: Muito bem. o grupo se reúne. Você percebe. Qual seu horário de acolhimento?’ E eu tenho que marcar na minha rotina o meu horário de acolhimento e tem que ser cronometrado o horário de acolhimento. Acolhimento tem que acontecer na sala de aula por quê? O acolhimento pode acontecer desde o primeiro momento que eu abro o portão para a criança. eu gosto de cantar com as crianças e isso a própria organização da escola impede que eu faça esse trabalho do jeito que eu gosto. o que entende de acolhimento. ele pode estar enriquecendo muito o nosso trabalho e a gente ainda dando coisas novas pra ele. Eu vou dar um exemplo pra você: foi falado do acolhimento pra todo o grupo da escola ‘vamos mudar. Será que eu tô certa? Será que eu tô errada? O que tâ acontecendo? Porque passaram pra gente que é de uma determinada forma. até pra estar trocando como trabalhar com determinados temas. Pra mim todo momento eu tô acolhendo meu aluno. o que entende de determinada linguagem. então essa é a descontinuidade. uma brincadeira mais livre. Pra mim. Não que o trabalho dele não seja tão bom quanto o de quem está fazendo a formação. Pesquisadora: Bom. cada um passa o que entende. Então a gente percebe dessa forma. tem que acolher a criança’. acolher é a todo momento. a gente não conhece o trabalho dele. às vezes impede. porque eu tô fora e eu não sei. determina alguns projetos. que a gente cante. ensinar para o aluno. na educação do aluno. vamos mudar. essa maneira de passar que é duvidosa. professora. na sua prática pedagógica? Professora 1: Impedem: a organização do ambiente. esse professor fica deslocado. pra que os dois possam fazer um reflexão do que está acontecendo no cotidiano da sua escola. faz algumas trocas de experiências. Porque pra eles é passado de uma forma e pra nós é passado de outra. eu não preciso ter hora para acolher meu aluno. Existem fatores que ainda impedem a aplicação da proposta do PEA. Por que eu não posso acolher minha criança cantando no pátio. mais livre. ‘Olha. Eu gosto de um ambiente mais aberto. a organização do tempo. tal hora é hora de acolhimento. mas eu não vejo acolhimento dessa forma. o Rede em Rede virou um telefone sem fio. Às vezes. Então. uma brincadeira dirigida. emperra. então ele não está junto com o grupo. Então eu acho que a organização mesmo da escola impede um pouco o trabalho. O que entende do brincar. a diferença entre a sua prática docente em relação ao professor que não fez ou não faz a formação continuada? Professora 1: Eu percebo a falta de entrosamento. Esse Rede em Rede tem que ser também para o professor e o professor junto com o grupo gestor. que a gente dance.125 Professora 1: Como eu disse pra você. na maneira que eu tô recebendo ela. Então. Então. porque a formação continuada acontece nos grupos de JEIF e geralmente esse professor que não faz. Então essa visão que a gente precisa saber. Eu gosto de trabalhar com brincadeiras cantadas com as crianças. do Projeto Especial de Ação. vamos montar um horário. a rotina da escola. porque tem professores que fazem trabalhos maravilhosos.

ainda não foi pensado nisso. Pesquisadora: Muito bem. Como a unidade escolar está se organizando para atender as crianças de quatro anos a completar. não de onde as crianças vêm geralmente é quinze. tem que pensar muito bem nos brinquedos. mais ou menos. . materiais pra gente. porque aqui é self service e a criança ainda não tem toda a coordenação pra estar pegando. são as verbas. não é. mas vai acontecer mais freqüentemente do que com as de três anos e meio. será que eu não pego. Que nem. E nós vamos ter que ensinar essa criança a tirar sua roupa quando sente calor ou colocar a roupa quando sente frio. será que eu pego berçário.126 Pesquisadora E existem fatores que têm auxiliado a proposta do Projeto Especial de Ação da unidade e do Programa A Rede em rede. eles logo estão providenciando esses materiais. Não que não aconteça com as de quatro anos. E o objetivo maior é que nós possamos compreender a formação continuada. mas nós professoras já estamos muito preocupadas. Então. Espero que no começo do ano a gente tenha esse tempo pra nos organizar antes dessas crianças começarem realmente. duas professoras. Nós estamos preocupadas com o ano que vem. só. brinquedos apropriados. Os brinquedos que a escola tem hoje é fácil quebrar a roda de um carrinho. Obrigada. o próprio grupo de formação ajuda bastante esse programa. Essas crianças virão com três anos e meio. a espaço. mobiliário. os projetos e assim. a completar quatro. não pode ser tão pequeno assim. a localizar sua mochila. eu creio que só. São crianças novinhas que estão chegando. meses. né. Ajudar a colocar o sapato nessa criança. Foi de grande valia para a pesquisa. como que vocês têm se organizado em relação a tempo. A gente pede. nós vamos ser uma professora pra 30. Pesquisadora: Professora eu quero agradecer a sua participação nessa entrevista. como eu falei. quebrar uma rodinha e a criança colocar na boca. Lá. ajudar a colocar comida no prato. tudo. nem o espaço. o que tem auxiliado. dezoito crianças. Primeiro porque vai ser uma sala de 30 e vai ter um único professor. Então nós entre as professoras estamos preocupadas: ah. Obrigada pela participação na pesquisa. já não é a mesma criança de quatro anos. a guardar aquilo lá. E são trinta pra ajudar a se servir. mobiliário? Vocês têm conversado sobre isso no coletivo? Como vocês têm se organizado? Professora 1: Nós temos conversado entre nós professoras. que estão comprando muitos brinquedos. na prática pedagógica? Professora 1: Olha. Então ainda não se organizaram quanto a isso. A escola ainda não propiciou momentos pra que a gente se organize. que eles possam realmente fazer parte do nosso cotidiano.isso ajuda bastante. muito. um mês já faz diferença. São muito diferentes. enfiar no nariz ou no ouvido. os programas.

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APÊNDICE D – Entrevista Professora 2

Pesquisadora: Professora entrevistada número 2. O que você entende por formação continuada? Professora 2: O que eu entendo por formação continuada é aquele estudo que o professor tem depois da sua formação, da sua graduação ou outro tipo de formação e convém com a sua prática. Então ele tem a prática, e através da sua prática, dos seus problemas, das dificuldades que ele vai tendo no dia-a-dia ele vai estudar, vai procurar teorias que o auxiliem nessa formação continuada. Essa formação continuada pode se dar na escola, como fora da escola também através de cursos, através de uma pós- graduação, através de leituras que o professor faz em casa. Eu, no meu caso, eu tento sempre procurar. Eu sempre procuro assim, estar lendo, porque eu acredito assim, que nós professores, nós nunca deveremos deixar de estudar. Porque assim, nós sempre recebemos uma criança nova, de um contexto novo, uma criança que vem de uma época, de uma sociedade diferente daquela que talvez nós estudamos; da minha formação mesmo, há dez anos atrás. Uma criança que cada vez mais com a tecnologia, ela vai mudando. Então, o professor também tem que vir buscar essa mudança, ele tem que vir buscar esse estudo. Então eu procuro, de acordo com os livros que tem aqui na escola, né. Porque infelizmente nós não temos assim condição de ter acesso a livros, os livros são caros. Então, na medida do possível, que a prefeitura vai trazendo livros para a escola eu vou olhando os livros e vou pegando aqueles que eu acho interessante, que convém com a minha prática, com a necessidade das minhas crianças e aí eu vou lendo em casa, né. E também no PEA. A PEA é uma formação continuada. Pesquisadora: Obrigada. E quais são os momentos em que ocorrem essa formação continuada dentro da unidade escolar? Professora 2: Como eu já tinha falado né, isso acontece no PEA. É o momento onde nós nos reunimos. Ai foi muito interessante ter o PEA aqui na escola porque nós dividimos da seguinte maneira: na terça-feira a gente pega pra estudo. Na quarta-feira nós pegamos para a prática. Através do estudo que a gente tinha estudado na terça-feira, a gente pegava a quarta pra fazer a prática da sala de aula. E depois da reflexão, do texto que a gente tinha lido e da prática na quarta, na quinta a gente replanejava. Assim, essa formação continuada dentro da escola já se dá no PEA e nas reuniões pedagógicas também. Porque nas reuniões pedagógicas é o momento que a gente pára, a gente reflete. Porque nas reuniões pedagógicas é um número maior, é praticamente a escola inteira, então você tem contato com outros professores, de outros turnos que você não tem no PEA. Então, é muito interessante por isso, deveria até ter mais encontros desse tipo. Pesquisadora: Muito bem. Qual é sua concepção de infância e de criança? Professora 2: Criança... Nós seres humanos, na verdade, somos seres em aprendizagem e a criança, ela é tudo de bom. Ela é igual uma esponjinha, ela absorve tudo. Então, a minha concepção de criança é que é um ser em desenvolvimento, curioso, que gosta de brincar, que tudo é de bom pra eles. Tudo eles absorvem, absorvem tudo. Eles sonham, eles viajam. Ah, é muito bonito falar em criança. Criança é... Por isso que eu escolhi educação infantil, porque

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eu viajo junto com as crianças no mundo da fantasia. Eles são sinceros. São seres assim, que se eles gostam, eles gostam; se eles não gostam, já falam que não gostam. Pesquisadora: E como você vê essa criança no processo de aprendizagem? Professora 2: Como eu tinha falado, é um ser em constante aprendizagem. A criança, ela absorve tudo que existe, tanto de ruim, como de bom. Por isso que é importante, por isso a grande importância da educação infantil. Você tem que saber o que você quer, qual que é seu objetivo, o que você quer alcançar. Porque você sabe que a criança, ela vai absorver tudo. Então, se ela vai absorver tudo, vai absorver tudo de bom, tudo de melhor pra vida inteira, porque é o alicerce. Como eu falo nas minhas reuniões para os pais: a educação infantil é o alicerce da casa, o alicerce que a criança vai ter para o resto da vida, a construção da personalidade. Então eu acho que é muito importante o professor saber o que ele quer. Pesquisadora: Muito bem. Em relação ao seu questionário, você se declara sócioconstrutivista. O que você entende por essa concepção? Professora 2: O sócio-construtivista, o pai de tudo isso, vamos falar que é Vygotsky. Então, ele fala que a criança vai interagir com o meio e conforme o meio ela vai estar construindo a sua aprendizagem. Então eu acredito que sócio-construtivista é o meio. O que o meio oferece pra essa criança pra ela ta pegando, experimentando, vivenciando. Então, conforme esse meio que ela tem à sua disposição, ela vai tá aprendendo e desenvolvendo a sua aprendizagem. Pesquisadora: Muito bem. Agora, como tem sido no seu cotidiano de sala de aula a organização do espaço e ambiente? Professora 2: Olha, nós temos aqui na unidade, em todas as unidades de EMEI papel, giz, lápis de cor, canetinha, a lousa, brinquedos. Então, o espaço ele é organizado de maneira bem diversificada, conforme a atividade a criança pode escolher o material que ela quer, eu não determino o material que vai ser usado, só em alguns momentos em que há necessidade. Mas assim, quando vai fazer um registro, eu geralmente deixo vários tipos de materiais à disposição, elas abrem o armário, o armário é delas, elas abrem, elas pegam o que elas querem: borracha, lápis, tesoura, cola, né. E assim, na sala de aula uma coisa fixa são os brinquedos, então elas costumam brincar, elas fazem do jeito que elas querem, depois elas guardam, algumas crianças têm dificuldade para guardar, a gente tem que estar reforçando, falando. Mas eu tenho que deixar assim, o material que nós temos, na medida do possível, à disposição delas. Até o rádio, nós temos um rádio, eu deixo elas manusear, elas colocam o CD que nós vamos usar. Pesquisadora: Em relação aos brinquedos, você pode descrever quais os tipos de brinquedos que existem na sala de aula dentro do armário? Professora 2: Os brinquedos são o monta tudo, são aqueles cubinhos que encaixa, são os brinquedos, eu não sei o nome pra dizer, mas é um quadradinho que vai construindo quadrados; ele é muito bonitinho, eles adoram. Jogos, nós temos bola, nós temos bambolê, corda, temos brinquedos de faz de conta. Então são esses brinquedos.

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Pesquisadora: Muito bem. E a questão do tempo, como você tem organizado o tempo na sala de aula, na unidade. Como tem sido esse tempo? Professora 2: Eu não costumo cronometrar o tempo porque a gente tem que respeitar o tempo da criança. Então, o que é que eu faço? Desde o começo nós fizemos uma rotina com as crianças, então o nosso lanche é às nove horas, né. Então, a gente até às nove horas a gente desenvolve atividade de leitura, das de registro, às vezes, alguma atividade de recorte e colagem. Depois das nove horas a gente vai pra área externa, faz uma atividade de bola, brinca no parque e brincadeira de faz de conta. Então assim, eu não tenho tempo cronometrado, mas nós temos essa rotina. Primeiramente a gente faz uma atividade na sala de aula, faz uma atividade de teatro, alguma coisa desse tipo e depois do lanche uma atividade externa ou o faz de conta. Pesquisadora: Quanto aos materiais utilizados, você até já relatou. Quer falar mais alguma coisa sobre os materiais? Professora 2: Os materiais utilizados na UE são materiais oferecidos de acordo com a possibilidade da UE, só que assim, eu acredito como professora, eu sinto muita necessidade de ter informática, de ter materiais tecnológicos na sala de aula. Eu acredito assim, que na sala de aula tinha que... Nós vivemos em um mundo onde as crianças têm acesso, por mais pobre que ela seja, ela tem já acesso ao computador, ela tem acesso a todos os tipos de tecnologia ou em casa, ou em algum lugar que vá. E assim, a necessidade que eu vejo ainda na EMEI é aquela lousa ainda verde, poderia mudar essas coisas. Não sei, um computador. Pesquisadora: Tipo um cantinho na sala de aula? Professora 2: Não. Eu não falo o cantinho. Eu falo mesmo de ter um telão e o professor ter o computador. Porque, às vezes, a gente quer mostrar uma imagem para a criança, tipo dia da informática, aí vai lá mostrar essa imagem, o computador. Porque eles trabalham por temas, temas diversificados, então, às vezes, eu precisava mostrar uma imagem, aí eu não tenho como mostrar a imagem. Aí, às vezes, um vídeo, igual, sobre a água, eu tive que esperar o dia tal, pra ir lá tá levando. Porque assim, você quer levar um material pra sala de aula, às vezes não têm pessoas pra ta ajudando levar, porque cada professora tem sua turma, a sua atribuição. Eu não posso deixar as crianças sozinhas, mesmo pra organizar esse material. Então eu acho assim, ainda é um sonho meu que a EMEI tenha ainda a informática. Porque eu falo assim, ter um telão, o professor ter um computador, aí joga lá na internet, aí aparece a imagem, as crianças ficam vendo o telão. Isso é maravilhoso. E também é um sonho meu que tenha poucas crianças, menos número. Eu acredito que o ideal seria 20, 25 crianças por sala, porque tendo muita criança dificulta muito o trabalho. Eu percebo que o dia que vem menos crianças, eu consigo atender melhor, individualmente, cada criança tem a sua necessidade. Agora, quando vem muita criança,eles ficam agitados, o espaço é pequeno e eu não consigo atender cada um, né. Eu sinto essa dificuldade. Pesquisadora: Como você vê essa questão do cantinho? A organização dos cantinhos na sala de aula? Professora 2: Olha, eu vejo muito bem. Só que a dificuldade que eu tenho ainda pra esses cantinhos é por causa do número de crianças, né. Por ser muita criança, às vezes, eu não

Trabalhar com pneu. você precisa que as crianças entendam que. A gente sabe dos livros. Porque as crianças tem necessidade da gente e a gente tem que registrar. mas eu gostaria de registrar na hora. trabalhar com corda. pra você ter o cantinho. às vezes. ele vê o progresso da criança. Mas como assim. Porque às vezes o coordenador. eu registro. às vezes eu consigo registrar na hora. Pesquisadora: Em relação ao registro. ela tem que procurar outro cantinho. com gincana. Mas assim eu vejo como de grande importância. E o Rede em Rede eu não tive muito contato esse ano. na sua prática pedagógica? Professora 2: Olha o registro. Mas quando eu trabalho com o cantinho. cambalhota. mas muitos casos não é possível ainda. quando eu trabalho com o cantinho. Humanamente é impossível. Nós lemos os livros. registrar na hora. pra não se perder. aquele que quer mesmo fazer as coisas. Eu não fiquei sabendo muito o que aconteceu na formação do Rede em Rede.a gente não consegue. Então.a gente percebe assim. eu tenho que pegar um tema que eu vejo que há necessidade e aí eu tenho que trabalhar todas as linguagens. é importante porque a partir do momento que ele lançou um conhecimento. como aquele cantinho ta cheio. observando. a partir dos livros e das orientações curriculares a gente procura trazer aquilo lá para a prática. Então. Porque é esse o objetivo do cantinho. e a gente não consegue. Sabe? Porque assim. a dificuldade é muito grande. eu acredito até que o o curso deveria ser para os professores também. que a gente ta trabalhando algum texto. O professor assim. mas cada um tem a sua concepção. as orientações curriculares. Mas fora da sala de aula eu ainda tenho dificuldade de trabalhar. ele se esforça muito. Em relação às linguagens. registrando. Mas o Rede em Rede em si. ele volta. Porque eu gostaria de cada dia estar atendendo uma criança especificamente. porque ele é a memória viva do professor. tem toda uma metodologia pra fazer com que as crianças rodiziem todos os cantinhos. né. mas por ser muita criança. E também a dificuldade que eu tenho de atender um cantinho. então eu não consigo. Como tem sido o registro. Então assim. eles exigem muito da gente. eu vejo a dificuldade que eu tenho das crianças entenderem que ela tem que sair daquele cantinho que elas gostam muito. Então eu acho que o registro é muito importante sim. Só que pra isso precisaria ter um pouco menos de crianças. mas também que aquela criança que está naquela cantinho também tem que rodiziar. onde o professor ele vai. nossa atenção. Eu tento registrar todos os momentos que se destacou. O professor estar fazendo esse curso. às vezes. ele vai. E. a gente tem que trabalhar de acordo com os temas na nossa prática docente. Pesquisadora: Muito bem. Pesquisadora: Você percebe a teoria do Projeto Especial de Ação e do Rede em rede: a formação continuada. eu vejo assim. Só que igual eu falei. igual. isso eu acho que ainda ficou a desejar. você sente dificuldade em trabalhar as múltiplas linguagens na educação infantil? Professora 2: O que eu tenho sentindo mais dificuldade ainda é os movimentos. facilitaria muito o trabalho. . as outras linguagens. depois que termina.130 consigo fazer essa organização. porque cada um é uma pessoa. Então eu acho que seria importante abrir sim para os professores. Porque assim. mas que também tem que ir para outro cantinho. quase todos os dias. trabalhar tipo. eu trabalho com o cantinho quase todos os dias. cada um vai passar do jeito por ele. porque o PEA tem os temas no começo do ano. na sua prática docente? De que forma? Professora 2: Olha.

quando eu não fazia o PEA. ele está interagindo mais na escola. vamos se dizer assim. sinceramente. ele ta sabendo mais do assunto. que o professor fica um pouco. o professor que não faz o PEA é um professor mais desinformado. porque eu conseguiria atender cada criança. a gente vê a diferença sim. já foi satisfeito. Fiz uma pós-graduação em educação infantil. as decisões. porque o professor que faz o PEA. Então eu acho assim. Então assim. na sua prática pedagógica? Professora 2: Ah. Pesquisadora: Muito bem. a gente vai conhecendo durante o ano. A única coisa que eu achei de dificuldade foi assim. chegar no meio do ano poder estar mudando talvez a bibliografia. Porque assim. vai surgindo coisas. planejou no começo do ano. Assim. a teoria eu tenho. Ah. as coisas acontecem no PEA: as informações. a gente não conhece. nós vivemos numa constante. eu não tenho observado isso. Não por mal. mas é porque assim. que a gente não poderia saber. ta planejado. eu ficava um pouco assim fora da escola. As crianças são vivas. Então. Então eu acho muito importante a realização do PEA sim. a gente não pôde estudar textos a mais do que estava planejando no PEA. eu não tenho observado essa diferença. então eu fui buscar. é um conjunto. Porque os professores aqui na EMEI provavelmente eles dobram e eles fazem PEA no outro turno. mandou lá para a DRE. Porque cada criança tem a sua necessidade. a gente tem que ir atrás. Porque aquilo que a gente planejou. Porque assim. tinha que ser flexível e. conforme a nossa possibilidade. porque a gente procura no PEA trabalhar a nossa realidade. na faculdade eu senti que faltava ainda conhecimentos. ele ta vendo o que a escola tá trabalhando. Infelizmente a gente trata um todo e acaba fazendo um depósito de criança e a escola não é um depósito de criança. Então assim. a quantidade de criança. Acabou o final do ano e você ainda não está conhecendo ela. eu conseguiria desenvolver um trabalho de mais qualidade.a única dificuldade que eu encontro é a quantidade de criança. eu tenho experiência por mim. Parece que você trabalha sozinho. porque é fechado. Agora. eu fiz estudos. tem quer respeitar cada indivíduo na sua íntegra. Então. não pode mudar. Existem fatores que ainda impedem a aplicação das propostas teóricas. talvez não tenha mais necessidade. eu achava que o PEA tinha que ser mais flexível porque conforme vai passando o tempo. tem. eu não tenho dificuldade não. a gente não tem que esperar. tem que dar aquilo que ta lá. Eu acredito que não tinha que ser assim. vão acontecendo coisas que a gente às vezes não planejou. planejou. Igual. E assim. busquei. Eu acho que o fator maior que impede é esse. poder sim mudar e estudar outros textos. Pesquisadora: Em relação ainda ao Projeto Especial de Educação (PEA) e o Rede em rede. eu acho que se tivesse um pouco menos de criança. em outros anos. você tem dificuldade em aplicar a teoria à prática? Professora 2: Não. .131 Pesquisadora: Você percebe diferença na sua prática docente em relação à prática docente do professor que não realiza a formação continuada no horário coletivo? Professora 2: Olha. por isso que é importante o PEA ser mais flexível e ter um pouco essa abertura da gente poder estudar coisas. E ta colocando coisas novas. Isso a gente não pôde fazer. Mas em outros momentos. é como se fosse uma bolha em ebulição. Porque quando a gente observa uma criança.

Então é assim. a professora gostaria de relatar a preocupação com a educação infantil. Como você e toda a equipe têm se organizado a esse respeito? Ou não tem se organizado ainda a esse respeito? Professora 2: Olha. tenha que talvez mexer na parte do prédio mesmo. mas quando tem condições. Então eu sempre procuro assim. Porque assim. né. que tipo de cidadãos nós queremos pra oferecermos coisas boas para as crianças? Então eu acredito assim. assim. dessa maneira que eu tenho observado né a organização pra receber essas crianças pequenas de três anos. Pesquisadora: Muito bem. Eu acredito sim que a criança poderia ficar seis horas na escola. você caminhar junto com a comunidade porque nas reuniões eu sempre converso com os pais. o CEU ainda é um espaço que é muito rico em diversidade. eles não estão aqui na prática. Então me preocupa muito isso. vai se conversando. o diretor. Nós estamos aqui pra ajudar no desenvolvimento dos filhos de vocês e eu quero fazer o que eu puder. ela não tem espaços. Então. existem fatores que auxiliam na aplicação dessas propostas na prática docente? Professora 2: Sim. Qual a qualidade que está se oferecendo pra essa criança? Porque a criança. ela aprende tudo. Então essa criança vai ficar estressada. a EMEI tem aquele espaço restrito dela. eles não estão . que tenha bastante brinquedos. se eu estou com alguma dificuldade. elas têm dificuldade pra usar vasos grandes. são vários espaços que tem teatro. professora. a gestão estar junto com a gente tentando solucionar os nossos problemas. Professora 2: Bom. Ela ainda não tem assim teatro. o fator é o da gente acompanhar mesmo. Mas eu vejo que assim. meio-período. eles têm uma visão teórica. como se fosse um orfanato. Mas uma criança que fica seis horas numa EMEI a minha preocupação é que vira um depósito de criança. né. que precisa se pensar nisso. às vezes vai estar vivendo um momento de stress. Pesquisadora: Eu quero agradecer a sua participação. então vamos caminhar juntos. E assim. ela tem acesso a várias coisas. Então. a gente poder estar discutindo as nossas dificuldades. que não estava no calendário. colchonetes e brinquedos. tem a pista de skate. brinquedos que sejam bem baixinhos pra elas. Eu acho que a comunidade é muito importante. procurar ser um ambiente que tenha poucas cadeiras. Porque é um conjunto e a gente tem que procurar sempre parcerias.132 Pesquisadora: Em relação a essa mesma pergunta. uma coisa muito fechada. nós somos uma parceria e nós vamos caminhar juntos. nas EMEI’s. mas é uma coisa assim que é lenta e que se vai caminhando e que você vai planejando. né. a coordenadora. Eu acredito que ainda é pouco porque ainda se tem muito mais a se fazer. tem piscina. em relação ao ensino fundamental de nove anos. tem várias quadras. Nós sabemos que vamos receber crianças de quatro anos a completar na educação infantil. pelo que eu observo a escola ela tem se organizado da seguinte maneira: procurar ter mais colchonete nas salas que as crianças de três anos vão estar. a criança fica seis horas ali. é o que eu tenho observado. ou um turno integral como se diz. ter um banheiro mais acessível porque talvez os vasos são grandes. a minha preocupação grande na educação infantil é que as escolas agora estão recebendo as crianças seis horas. A gente também junto com os pais. conversar com os pais. a escola tem procurado nas salas de primeiro estágio deixar menos cadeiras para as crianças trabalharem mais no chão. talvez até fazer uma reunião extraordinária. o professor vai ficar estressado e o que essa criança vai estar absorvendo? Às vezes vai estar absorvendo coisas boas. Continuando a entrevista. porque infelizmente nossos órgãos públicos.

e o professor está ali vendo as dificuldades das crianças. aí a gente conversa. são as crianças. eu sei que é impossível. que a criança também vai estar saindo fora daquele espaço da sala de aula. Pesquisadora: Por que você sente isso? Professora 2: Porque o professor acaba caminhando sozinho. a estrutura de um cinema. Isso não deve acontecer. porque não tem ônibus. tem que fazer rodízio. o teatro vem na escola. a gente se organiza. precisava ter ônibus pra levar essas crianças pra passear. Às vezes acontece alguma coisa fora dos combinados.. porque joga muita coisa pra cima do professor. que a gente não . das brincadeiras com a professora. gente. que não tem todos esses espaços diversificados. Gente. Porque a sala de vídeo não é cinema.133 vivenciando o que a gente ta vivenciando. eu conheci os teatros. Tudo pra poder estar ajudando a nossa interação. não tem um passeio. Essa criança é mais carente. Eu vejo as crianças de hoje dentro da escola. quando eu era criança. Sabe? Porque infelizmente falar que a gente vai se organizar. Piscina é você ir à piscina. Professora como você tem interagido com os seus alunos e como é a interação entre eles na sala de aula? Professora 2: A nossa interação se dá muito pela conversa. eu acredito que se tivesse uma biblioteca. Pesquisadora: Será que em relação a uma mudança do tempo. então se a escola não passeasse comigo eu não ia conhecer. eu acredito que toda EMEI deveria ter. então todos os passeios. então não se pode cobrar. com a vivência. mas também não se oferece nada.. teatro é você ir ao teatro. Entendeu? Meus pais tinham que trabalhar. Obrigada. uma outra organização dessa escola ajudaria a organizar e a acolher bem essas crianças que virão? Professora 2: Olha. a nossa interação inteira é pela conversa. mas acaba caindo na mesma. pra que essa criança que ficasse dentro da EMEI ela fosse nesses espaços. Se a gente não oferecer que experiência ela vai ter de infância? Que lembrança que ela vai ter da EMEI? Só das brincadeiras lá do parque. tudo que eu conheci foi graças à escola. Então tem que se pensar bem pra não virar um depósito as escolas de educação infantil. Pesquisadora: Muito bem. Ah. E a criança acaba ficando dentro da escola e o mundo não acontece só dentro da escola. do espaço. os meus pais não saíam comigo. presas. às vezes o rodízio não dá certo e acaba ficando naquela mesma. e acaba que o professor que tem que organizar os espaços. igual o teatro. Sabe? A criança precisava ir num parque. Eu conheci quando era pequena os parques de Santo André. piscina. mas eu acho que toda EMEI tinha que ter sim um espaço de teatro. A gente faz uma roda de conversa. das brincadeiras com as outras crianças. Então. ela aprende com a experiência. uma piscina. Então. E fora assim. Porque o mundo não acontece na sala de aula. As crianças só ficam na escola porque não tem um ônibus. Eu tenho experiência por mim. sala de vídeo não é teatro. ela não tem acesso a isso. a gente vê os combinados. A criança tem direito de tudo isso. o mundo acontece lá fora. a estrutura de um teatro. Às vezes tem algumas dificuldades que a gente ta vendo que não ta conseguindo se comunicar. Isso é uma coisa boa porque a criança. Não é verdade? Como a criança vai vivenciar se ela tem só isso? Ela precisa experimentar o que ta aí fora. um teatro. e a gente que somos o ponto chave. eu acho que tem muita coisa pra se fazer para as coisas melhorarem. a gente vai ver porque ta acontecendo isso. meus pais não trabalhavam comigo. A educação é gratuita. Eu acho que é muito pobre. isso em 1985.

você bem essa interação. Eu tenho observado. isso seria ótimo. E é pra sempre isso. a gente observa isso né. Sabe? Ou senão você copiar o ba-be-bibo-bu sem uma contextualização. um lado fica as meninas e do outro lado os meninos. E as crianças também. mas eles brincam. não em qualquer faculdade.134 combinou. infelizmente. então eu achei até interessante. Eu procuro sempre falar pra eles que a gente precisa conversar. Foi de grande valia essa entrevista. ele ainda trabalha com aquele tipo tradicional. agora acabou. esse relacionamento é muito bom. a minha realidade é diferente dessa. Não terminou. trezentos anos atrás. que o professor que fez só a graduação há muito tempo atrás. É de grande importância mesmo para o professor ele procurar a sua formação continuada. Eu não tenho dificuldade nenhuma com nenhuma criança. Pesquisadora: Eu quero agradecer a sua participação. porque assim. Nossa! Justamente porque os professores aqui trabalhavam com EMEF. a minha sala teve pouco esse negócio de violência. eu acho que é muito importante sim. uma coisa que o professor realmente aprendesse mesmo e trouxesse. Professora 2: De nada. Professora muito obrigada. resolver com diálogo. Não adianta falar: ah estudei. O ser humano não é um ser acabado. Porque a gente. Isso não. é engraçado você vê isso. os alunos vêem: professora fulano fez isso. professora. Sabe? De você traçar o caminho que leva o pintinho ao milho. . então você que o professor que trabalha com EMEF parece que tem até um jeito de querer que a criança de educação infantil também seja de EMEF. Você vê que a escola ficou há cem. é triste. Pesquisadora: Muito bem. ele é um ser sempre em condição de mudança. Então assim. Você poderia estar comentando pra gente esse momento? Professora 2: Sim. eles tentam brincar um pouco juntos. Aí você assim observa que apesar das crianças se dividirem entre meninos e meninas. né. porque a criança. temos aí à distância. Então assim. Em relação ao que você havia comentado à respeito da graduação e da pós graduação. até a prefeitura estar incentivando os professores a fazer uma pós-graduação. na hora de brincar. porque é fora da minha realidade. o que a gente vai fazer? A gente procura assim. É muito interessante até. por ter ido por várias escolas. ela não é terminável. fazer uma pós-graduação numa faculdade boa também. É assim. eles dividem a sala. Uma coisa presencial. uma criança agredir a outra. mas é curioso de você observar isso.

conversar. que o grupo que está nessa formação eles assim. é uma perda. A gente percebe que eles gostam de vir pra escola. a comunidade muda. eu nunca participei. o que eu mais sinto falta é isso. Pesquisadora: Você se sente. Então assim. Eu acho muito importante. ou ainda não? Com relação à prática a gente percebe que tem algumas coisas que eles estão estudando lá e estão discutindo. muitas vezes. em que momento você localiza essa formação continuada na unidade escolar? Professora 3: Olha. é como uma reciclagem. eu acredito que seja assim. Você sente que é uma perda na sua formação? Professora 3: Ah. até mesmo assim. é idade de formação de personalidade mesmo. com certeza eu faria sim. Então eu acho que principalmente por isso. Professora o que você entende por formação continuada? Professora 3: Bom. precisa muito desse momento de conversar. eu percebo assim. estar desabafando. Você não tem um momento de encontrar com seus parceiros. eu acho que o mais forte é isso mesmo. algumas dificuldades encontradas. é assim. Pesquisadora: Muito bem. A gente não se encontra.135 APÊNDICE E – Entrevista Professora 3 Pesquisadora: Próxima professora é a professora número 3. né. É que pra mim realmente fica muito difícil pelo acúmulo de cargo. trocar experiências ou. pra estar sempre se atualizando e acompanhando essas mudanças. essa idade. Qual é sua concepção em relação à criança e infância? Professora 3: Ah. porque o nosso trabalho é muito humano. sim. Eles têm essa oportunidade de ta trocando experiência. as mães sempre comentam: ah dia que não tem aula. Professora 3: Agora assim. é muito corrido. E a gente que não participa do projeto. e assim. eles gostam de tudo que acontece aqui. a gente trabalha . Assim. né. da sua prática. Mas se não fosse essa questão. até os seis anos. de trocar experiência. né. essa busca. Eu acredito que aconteça isso nesse momento. você perguntou também com relação à teoria e a prática. é muito gostoso. As crianças mudam. você declara no questionário que você não realiza a formação continuada devido ao acúmulo de cargo. formação continuada. deixa eu ver como eu posso dizer. muito gostosa essa fase. Isso também é muito importante. eu acho assim. Mas assim. E sempre refletindo. uma questão de refletir. tirar dúvidas. pelo que eles falam. né. principalmente essa idade que a gente trabalha. É uma desabafo também. eles têm mais momentos ali que eles estão juntos. ele reclama ou fala que sente saudade. Eles falam o que eles fazem aqui. Pesquisadora: Em relação ainda à formação continuada. refletindo e eles conseguem levar pra prática uma ou outra coisa. de dividir. de conversar. eles têm mais oportunidade de troca. É o professor estar sempre em busca de novos conhecimentos porque tudo muda. falando do seu trabalho. esse momento de troca é muito importante. essa formação continuada pra gente acompanhar essas mudanças. que eles têm oportunidade de discutir alguns assuntos. é muito importante esse momento da criança – a infância. as famílias mudam. é uma correria constante. E é importante esse momento. nós mudamos. melhorando nossa prática.

formar sua identidade. a letra c.136 muitas linguagens. pra ir fazer. Poder ter momentos de ela escolher o material que ela vai utilizar. Às vezes você vai com uma proposta e a proposta até muda porque ela ta participando. dela ter autonomia pra fazer. Só que ainda tem aquelas atividades de você trabalhar a letra a. Mas acho que até assim. você acaba ficando um também um pouco disso. o brinquedo que ela vai brincar. gostando. ainda ta naquela fase gostosa. De acordo com o seu questionário. você se declara sócioconstrutivista. muito bom poder ter essa oportunidade de trabalhar com essa fase. Aí assim. todo mundo tem um pouquinho de tradicional. eles curtindo. a gente faz brincadeiras na lousa. pra ela fazer. um com o outro. pra ela criar. ajudar a organizar o espaço que ela vai fazer atividade. Eu trabalho muito bingo de letras. vários tipos de jogos. que ela vai brincar. vinculada com uma história. se conhecer melhor. eu acho maravilhosa essa fase. Então toda proposta que você traz. a se conhecer. eu acredito muito nessa coisa dela. sinceramente. pra participar. a gente sabe que é nesse momento que ele aprende a lidar com o outro. a letra b. Pesquisadora: Muito bem. da autonomia.. é história. ela ta criando também. Então assim. conhecer a rotina. então todo mundo carrega isso. olhando no geral eu acredito que eu me enquadro melhor nessa concepção sócio-construtivista. você vê que mesmo se você trabalhou mais. O que é essa concepção pra você? O que você pode falar sobre essa concepções? Professora 3: Tá. não o tempo todo. lista de nomes. pelo grupo. E assim. Então assim. Então você sabe que não é assim que ele aprende. mas por que eu me considero que eu me enquadro mais nessa concepção sócio construtivista? Porque assim.. E a gente sabe assim que esse momento da educação infantil. a conhecer a escola. pelo ambiente que você ta. . conhecer os materiais. é importante porque assim. o desenho. muito importante. eu vou dar um exemplo pra ficar mais concreto: as letras do alfabeto. aquela necessidade de trabalhar a letra a. Eu tenho portfólio do que eu faço com eles. enfocou mais o ‘a’ ou o ‘b’ e o ‘c’. letra b. eu acredito muito que a criança. usando isso. Pesquisadora: Em relação a concepção tradicional o que você sente presente. o brincar. Trabalhar muito essa coisa da criatividade. Então assim. nem que seja vinculada com uma música. dela se expressar. plaquinha dos alunos. assim. eu com elas. Entendeu? Então assim. Isso é tradicional porque a criança não aprende necessariamente assim. a música. eu acredito que ninguém é inteiramente sócio-construtivista. a dividir. o ‘z’ porque tem no nome dele ou porque tem algum programa que ele viu aquela letra. Então eu acredito que eu me enquadro mais nessa proposta por conta disso. Você vê que tudo isso. ficando felizes. a socializar. Mesmo porque nós estudamos. mas ele aprendeu foi o ‘x’. ela constrói o conhecimento dela. Qual é a proposta dela? Ela também tem uma proposta para aquele momento. eu coloquei sócio-construtivista porque assim. alfabeto móvel. tudo que você vai fazer. Então. Só que assim. eu acredito muito nessa construção do conhecimento da criança e que a gente ta aprendendo o tempo todo né. mas você tem ainda. de você estar oferecendo material pra ela explorar. a se formar. você acaba ainda estando um pouquinha presa nisso. às vezes. em relação ao tradicional aquelas coisas assim ainda de você trabalhar. na sua prática? Professora 3: Então. na maior parte do tempo é isso. carrega esse lado tradicional. pra opinar na rotina. nós fomos formados numa concepção muito tradicional.

aí eles vão falando. eu gosto muito de fazer atividade diversificada. você até já falou um pouquinho sobre as atividades que você tem feito. Pesquisadora: Você tocou no assunto de cantinhos. a gente tem o cantinho da leitura. quantas crianças vieram. eu tenho o costume de todos os dias organizar com eles na lousa. a gente organiza naquele momento da atividade diversificada a gente organiza os cantinhos conforme as atividades daquele dia. são flexíveis. É assim também com os brinquedos. não vou dizer que não acontece de ter um livro ou outro. Então assim. dá uma acalmada. com os materiais. escreve. também organiza os espaços.137 Pesquisadora: Muito bem. o espaço ambiente. tinha muita coisa que eles não tinham o costume de fazer. e a gente vê quem veio. a gente trabalhou muito essa questão de tomar cuidado com o livro de colocar no lugar. conforme essa rotina do dia. É assim. quem não veio. eu tenho muito isso na minha rotina. vê quem veio. tem passado pra eles. a gente vai colocando. tem o cantinho que ficam os brinquedos. cuidar dos seus materiais. mas no momento tem assim o da leitura que é fixo. Em relação ao seu cotidiano em sala de aula. Professora 3: Ah. guardar as coisas cada uma no seu lugar. cuidar dos espaços da sala. então tá bom. E aí. à execução. organizado na escola. como você tem organizado o espaço e o ambiente para o acolhimento dessas crianças? Professora 3: Então. A gente tem um cartaz de pregas na escola que fica uma lista móvel. Que nem. Então eu já vou falar também do tempo. aí a gente organiza a sala. tem aquelas que são diversificadas. como principalmente pra depois também organizar tudo no lugar de novo. tem uma plaquinha com o nome deles. com a foto bem grandona. pode ficar à vontade. eu organizo com eles esses momentos. no começo dava muito trabalho. Aí a gente vai lá. quem não veio. você organiza o seu espaço através de cantinhos? Professora 3: Em alguns momentos da rotina. mas assim. onde ficam os livrinhos. Aí. E eu tenho também a minha rotina. desenha na lousa o que vai fazer naquele dia. tem outras coisas que tem que manter que até ta na linha de tempo. Pesquisadora: Muito bem. E a questão das atividades. a gente chega. que mudam de um dia pro outro. não é cantinho fixo. de acordo com aquela rotina do dia. Mas se você já quiser falar do espaço e do tempo. porque assim. que todos seguem. o espaço a gente está sempre mudando. eu vou te perguntar. Como tem ocorrido essas atividades? Professora 3: Aí já entra o registro também ou não? . a gente tem uma linha de tempo que é da escola. todos os dias pra fazer as atividades. E em relação ao planejamento. eles pegavam os livros e deixavam os livros jogados na sala inteira. tem as atividades que são fixas. tem uma hora que eu deixo lá assim. os materiais. organiza a rotina. de acordo com essa rotina. tem algumas atividades que eles escolhem. E é bem legal. Todo dia tem um momento assim que a gente faz um momento diversificado. Eu até já trabalhei outra época com cantinho fixo. avaliação. eles não ficam toda hora perguntando o que é que vai fazer. que faz parte da rotina. mas assim. Pesquisadora: Após é o tempo. Eles ajudam muito na organização dos espaços. E o que a gente vai fazer hoje? Isso é bom até pra abaixar a ansiedade deles.

às vezes anota alguma coisa no caderno.. Eu sento um por um. Até citando de novo aquela questão das letras. a criança não tem acesso a isso. logo no começo desse ano. olha o que você já fez. lembra? Assim. por exemplo. raramente. aí assim. aquela lista móvel. agora é assim. se você quiser já falar sobre o registro. Ou falam: aquela do número. Só que tem algumas crianças que ainda ajuda muito essa coisa da seqüência. tem a evolução. com brincadeiras. no dia-a-dia mesmo o que é que eu uso? Anotações no meu caderno. eles começam até a gostar. Eu estou sempre com o portfólio pra lá e pra cá. E tinha uma aluna . Assim. pra falar a verdade. ela vê. E eles sentem faltam. é legal porque é uma coisa que eles estão vendo. E eu acho muito legal trabalhar com portfólio. eles perguntam. tenho a minha rotina e assim. pra ver como ele está. é muito dele. Aí nesse portfólio tem evolução da escrita do nome. Depois eles vão se soltando melhor. que era minha o ano passado.. poucas vezes no ano vai lá. olha isso aqui eu coloquei aqui e não fez. só que assim. Como você senta com cada um. A mãe também. porque não é uma atividade que ta todo mundo fazendo junto. essa coisa mais concreta. antes. de nome. atividade de número. é legal também. ele lê. isso aqui eu preciso fazer um pouco mais. vou ser sincera com você. assim. eu uso muito esse portfólio também pra conhecer melhor. mas é importante também trabalhar algumas coisas assim como a seqüência. É legal que até no ano seguinte. Professora 3: Então. Eu até faço questão de anotar pra mãe deles saber que ele aprendeu a letra. Eu tenho criança aqui no terceiro estágio. estão acompanhando a evolução deles. Aí no outro mês. na verdade esse planejamento que fica com ela a gente pega raramente. A letra do nome era assim. que é uma coisa muito completa. Assim. recorre a ele. aquilo que não está dando muito certo. vejo aquilo que eu preciso tomar mais cuidado. Porque assim. Dependendo da atividade é bimestral. um pouquinho apreensivo pra fazer as atividades.. por exemplo. com jogos. aí fico um período sem. no segundo estágio. mas a outra também é. a mãe da criança não tem acesso. A gente pega. com trabalhar a letra do nome do amigo. Eu pego algumas atividades de desenho. eles não vêem a hora de chegar a vez deles. ele reflete. uso muito o portfólio. Eu acho legal o professor ter o registro dele. ta só você e ele. agora o portfólio eles vêem. aquilo que está sendo legal continuar.138 Pesquisadora: O registro. aí já estou com o portfólio na mão seja pra uma atividade ou pra outra. no caso todo ano. Agora assim. de letra. Então ele faz do jeito dele. dependendo da atividade é mensal. você vê que uma coisa é importante. tem conhecimento do nome. então você pega algumas falas deles. o que você ainda não fez: Ah. de brincadeira. é legal fazer portfólio por que você vê. É importante trabalhar de um jeito lúdico. Você vê que pra eles é um desafio. Eles perguntam o nome das letras. gosto muito de trabalhar com portfólio. Eles ficam: professora vamos fazer aquela atividade da letra lá de novo. eu faço algumas anotações no meu caderno. que entrega pra coordenadora. na questão das letras. E assim. semestral. a gente tem o planejamento que é aquele que a gente faz. vejo até aquilo que eu preciso dar uma mudada. auto-retrato. Aí pra que eu uso esse portfólio? Tem alguns dados que eu faço uma tabulação no meu caderno. é incrível. registro de jogos. só que é muito pessoal. atividade livre. era assim no começo do ano. como é individual. É legal você fazer portfólio pra você conhecer melhor. porque tem criança que precisa muito disso. e outras listas que a gente faz. posso dizer que a maioria das crianças aprendem mais assim de forma lúdica.. a letra do próprio nome. agora é assim. E é legal também até pra você conhecer melhor a criança. É uma coisa que fica um pouco distante assim. eu apresento o portfólio. Um dia teve umas alunas minhas do ano passado que viram eu fazendo esse portfólio com um aluno meu desse ano. no começo do ano ele fica muito assim. mais palpável. tem desenho de história. o jeito que ele. Eles falam: Pro eu escrevia meu nome assim. Eu fico vários dias com o portfólio.

o apontador. borracha. você vê que é importante pra eles. Aí assim. tinha um potinho só pra giz. não era adequado para aquela atividade usar. eles não sabiam usar. você vê que assim. ficavam atrás de mim também quando precisa apontar. Então assim. não dá pra usar giz de cera nessa atividade porque o espaço é pequeno e a ponta do giz de cera é grande. aí sempre acaba que eles ajudam a cuidar. foi muito legal. no primeiro semestre. por exemplo. Daí eu falei: Chega. então tem assim uma certa possibilidade do material durar mais tempo. organizar. uma boa parte dessa organização está nas suas mãos. E é isso. Nada de criança ficar andando atrás de mim procurando apontador com lápis pra apontar. mas depois eles foram aprendendo. em relação aos brinquedos também. Entendeu? E assim. pensou em algumas coisas. mas depois rapidinho a gente percebeu que melhorou. pra aquilo. giz de cera. Aí eu falei: você sabe mais alguma? Ela: Não. Aí foi material coletivo. mais tranqüilo pra fazer. no começo faziam um pouquinho de sujeira. como eles usavam o apontador. Aí veio né. guardar. Eu achei ótimo. Entendeu? Mas eles foram aprendendo. Aí. foi ótimo. direto. depois disso. dependente de mim ainda. você tem material pra usar o ano inteiro. Aí veio o recesso e teve aquele problema da gripe A. E é super-importante. eles se sentem bem. Em relação aos materiais. Até quando eles usavam o material errado era bom porque era o momento de você falar: Não. outro só pra canetinha. Teve várias orientações assim . No começo eu colocava ainda separado. você usar o material coletivo. A maioria ainda tinha quatro. senão é muito fácil né. tem um lado muito bom. Aí as minhas alunas ouviram: Pro lembra que o ano passado aconteceu isso comigo? A primeira vez que você fez essa atividade eu também só sabia a letra X. até pra rever alguns trabalhos meus. ele tem que encontrar o lápis de cor no meio dos outros materiais. você que está ali repondo esse material. Aí assim. ninguém ficou mais atrás de mim isso. às vezes acontecia de uma atividade. era individual. Entendeu? Pesquisadora: Muito bem. recolher. que é assim. Aí ela falou: esse é o X. agora Pro eu sei todas as letras do alfabeto. E assim. não pôde mais continuar usando o material coletivo. mas ele tem que aprender que se nessa atividade ele precisa usar o lápis de cor. tinha o lado bom. a gente sentou. Como é isso. agora eu já sei todas. eles tem que aprender a usar o apontador. Eu estava gostando muito dessa forma de usar o material. eu dava também o apontador. porque eu só to dando lápis de cor. foram pegando. Aí depois eu mudei. giz de cera e eles usavam. eu uso muito. o material foi assim. É muito bom. Então assim. ta muito limitado isso: é claro que ele só vai usar lápis de cor nessa atividade. você quer falar mais alguma coisa em relação aos materiais. o material mesmo -giz. outro só pro lápis de cor. apontador comum. eles se sentem mais à vontade. no começo ainda eles usavam. canetinha do lado do lápis de escrever. Acho que até a questão da alto-estima deles. Eles aprenderam a usar. Ótimo porque não tinha mais aquela coisa que você usava o apontador elétrico na sala. tudo. mas já dá pra usar. claro. Aí depois eu falei: Ah. era horrível aquilo. Foi só no primeiro bimestre aquela coisa muito assim. acabou.139 minha que eu perguntei o nome da letra e ela só sabia a letra X do alfabeto. e eu ficava apontando. Quando você entregou essa atividade pra gente levar pra casa. Como são organizados os materiais na sua sala de aula. faltava algumas ainda pra circular que eu não sabia. Entendeu? Ai eles foram aprendendo até a jogar a casquinha no lixo. Só que assim. eu circulei todas. a presença dos materiais no cotidiano? Professora 3: Olha. você tem o material por mais tempo. E eles faziam uma sujeira porque não estavam acostumados a usar o apontador. Explicava o motivo. Porque incentiva né. coloquei a bandejinha e pus na mesma bandejinha lápis de cor. mas como não era todo dia. mas estava tudo nas mãos deles. lápis de cor – o material pra atividade era coletivo. E assim. depois que eles vão evoluindo. eles têm que saber.

eu acho que tem que ter porque eles tem que aprender cada um cuidar do seu. um ou outro ainda precisa de orientação. Assim.. tem que ir indo gradativamente. tinha criança que nem falava no começo do ano. a interação se dá o tempo todo né. Eles usavam muito de trás pra frente. só que esse material ia e voltava todos os dias. era separado. eles ficam livres. Também deram trabalho pra aprender a arrumar o armário quando chegaram esses brinquedos novos. Foi bem legal porque a maioria das crianças conseguiu aprender. Acho que é importante. eles melhoraram bastante o uso do caderno. eles estão usando o material individual. criou um vínculo muito grande. aí depois foi junto. acho que até eles gostam. na hora da história. brinquedos grandes.140 pra não estar usando mais nada coletivo durante um bom tempo. voltando lá. Eles estão aprendendo também. tudo separadinho. na hora das conversas. então eles já têm maturidade pra isso . agora eles estão falando mais. A interação se dá na hora das brincadeiras. de caixinha. eles iam. antes de acabar o rodízio e lá tinha baldes. terceiro estágio. foi uma loucura.. já melhora. E a gente já teve um momento que o brinquedo. Aí a gente pediu o estojo para os pais. E assim. toda a hora a gente está interagindo. dele como uma criança ativa. tudo que tinha que ficou individual. distribuía o material. precisa de ajuda.mas a maioria está se virando muito bem com o material individual. é mais material de encaixe. das atividades. O brinquedo fica num cantinho da sala. Assim. Igual. se socializaram melhor. eles foram melhorando. é mais pra ele aprender a usar mesmo. O que você quer saber mais pontual? Pesquisadora: Dessa dinâmica mesmo do aluno. eles melhoraram bastante. bichinho de pelúcia. nos momentos de brincar. . por exemplo. Essa sala que a gente ta agora não tem tanto brinquedo como a outra tinha. brinquedinho de panelinha e tal. que tenha oportunidade de falar o tempo todo. E foi legal também essa fase de cada um usar o seu individual. E assim. se puder ser um caderno com linha. Mas foi uma loucura no começo. foi uma loucura no começo. porque ali dentro tem tudo. só que assim. assim. eu até acho que eles têm que aprender a usar sim. abria em qualquer página. No segundo estágio é mais o caderno de desenho eles tem que aprender a seqüência. Então eu oriento muito o uso do caderno. aí já não tinha material. Porque assim. Pesquisadora: Muito bem professora. ficavam mais soltos. pegavam e brincavam. e em relação à interação do professor com o aluno e entre eles? Como que se dá isso. principalmente. de ponta cabeça. brincam. teve muitas mães que vieram na reunião. Aí chega no terceiro estágio. aquelas caixas com os brinquedos. O caderno também. tem algumas crianças eram bem quietinhas no começo do ano. até que ficou. quem não tinha foi dentro de saquinho. tem assim. como a gente já não tinha muita coisa. arrumar direitinho. individual. assim. mas teve várias que não estavam nessa reunião. das rodas de conversa. Aí depois sim. continuou o material individual. aí eles vão lá. escolhem. E eles têm mais autonomia ainda do que tinha. Então assim. Claro. boneca. Aí lá vai eu pegar todo aquele material que estava no coletivo e mais alguns que eu tinha guardado e a gente dividiu tudo e colocou tudo nos estojos – quem tinha né. agora também tem alguns brinquedos novos. alguma coisa pra guardar. na sua sala de aula? Professora 3: Ah. era o momento que a gente estava em outra sala. eles pegavam mais os brinquedos. assim. como é que usa. eles tem que aprender a usar o caderno. E aí. o material ia e nunca mais voltava. Aí. é até difícil falar com se dá a interação. a interação é o tempo todo. e veio recomendação que não podia usar com o amigo. entenderam que o material ia ficar na mochila. fizeram muitas amizades. você não vai dar aquela coisa maçante. Então. estão usando. estão cuidando direitinho. no começo.

Tem hora que tem que parar um pouquinho e falar: Calma. E é legal que eles falem bastante mesmo. Você percebe assim. E assim. você sente algum fator que impede essa teoria presente na sua prática. é eles que falam. todos os momentos. no decorrer da rotina. fica difícil falar até que ponto foi a formação que ele ta tendo porque tem assim o dia-a-dia dele. você de fora. na hora de brincar na hora de fazer atividade. a gente faz bastante roda de conversa também. algumas coisas que a gente reflete e muda. não é uma coisa assim muito marcante. o seu papel enquanto professora. Outra pergunta é à respeito da prática docente. às vezes também num ano você consegue e no outro não. isso. um tênis novo. Agora assim. claramente. a realidade é bem diferente. pra falar a verdade não fica tão claro isso. você percebe mudanças. a gente tá sempre mudando né. em relação à formação continuada. Geralmente . como de programas. Eles falam bastante.141 Professora 3: Ah. Você que não realiza a formação continuada. Mas assim. eles chegam todo dia falando. eles interagem. eles falam bastante. que você percebe muito nitidamente. sim. Pra falar a verdade. não fica tão claro isso. Professora 3: Olha. é aquela centralizadora ou aquela que ta mediando. Às vezes. É difícil dizer isso né. já faz tempo né. para a sua realidade do dia a dia. o que já era da prática deles. o tempo todo. falando. É uma interação que não acaba nunca. tanto de projeto. E em relação a fatores que impedem as propostas. Assim. Pesquisadora: E assim. alguma coisa que ele faz assim que você percebe que está dentro de algum tema que está sendo estudado dentro do projeto. respeitar a vez dos outros de falar. Eles falam muito o tempo todo. E assim. O que você aprendeu na sua formação acadêmica para a sua prática. durante esses quatro últimos anos mudanças nesse professor? Você consegue observar isso ou não? Professora 3: Então. mas assim. não. o que é da formação que eles estão tendo no gurpo do PEA. a prática que ele já traz com ele. falando. Na hora da rotina eles falam. em alguns momentos assim. falam. observar mudanças assim. atitudes? Professora 3: Olha assim. Os alunos são muito diferentes. muito obrigada. Entendeu? Pesquisadora: Bom. contam tudo que acontece em casa e querem mostrar tudo. no PEA. da convivência da interação que você tem com o outro professor. as teorias. Pesquisadora: Muito bem. aquilo. que fica muito claro. eles já sabem mais ou menos como funciona a rotina. o tempo todo eles falam. aquilo que ele vai mudando. Às vezes. você percebe mudança na prática do professor que faz formação continuada? Você de fora. a gente até toma cuidado pra todo mundo poder falar. Porque assim. e querem comentar. com os professores. vem desde lá do começo do ano. ah. algumas atitudes assim.a gente sabe que não é tudo que a gente vê na teoria que a gente consegue colocar na prática. Eles falam. bastante. vai mudando algumas coisas na prática. você percebeu durante esse ano. não fica muito claro pra mim o que é da prática dele. Pesquisadora: Se você dá oportunidade pra ele falar. você percebe até uma ou outra atividade. sempre tem alguma coisa que a gente leva sim da teoria para a prática. aquele professor mudou porque está fazendo PEA ou tal. Como é isso? Professora 3: Bom. Isso não fica muito claro. Eles vêem falar que foram passear. falam. Um de cada vez.

é um momento que eles . eu fazia isso. tudo. poderia acompanhar bem melhor cada aluno. os alunos são muito agressivos. Tem também algumas coisas assim. eu tenho uma turma no inter que é muito difícil. Por exemplo. Só que a gente sabe que se fosse um número menor de aluno. ele precisa de uma dica: olha isso tem que fazer assim. Seja numa área ou em outra. tem coisa que não. até alguma coisa que você fazia lá há um tempo atrás e não faz mais. no vespertino e não consigo fazer no inter. ele tira daquilo um aprendizado daquilo. que ajuda. se não tivesse algumas dificuldades teria como colocar muito mais a teoria em prática. que eu acho muito importante: a intervenção individual. fazer de novo. é importante retomar. que ajuda a refletir. às vezes ele tem facilidade em uma questão e em outra não. eles tem mais paciência pra uma atividade que precisa de mais tempo. Sempre. Então assim. mesmo que ele tenha facilidade. quem não gostaria de poder acompanhar melhor os alunos de poder fazer mais por cada um. Pesquisadora: Muito bem. que é ter um número muito grande de alunos nas salas. Às vezes. Eu acho muito importante porque assim. tem criança que não é assim. tava lendo e tava falando dessa parte do brincar na educação infantil. na prática docente? Professora 3: A teoria geral? Pesquisadora: É. A teoria que você tem desenvolvido durante toda sua formação profissional. agora não faço mais. tudo que você trabalha no coletivo. procura estar acompanhando. poderia fazer um trabalho bem melhor. reflete. Algumas coisas eu consigo fazer. dá pra você estabelecer um diálogo melhor. ajuda a melhorar. eles precisam. sempre considerei. em um lado. tem coisa que dá. tem muita criança que ele aprende sozinho. Já a outra turma é uma turma mais tranqüila. ele consegue aproveitar.142 eu tenho duas turmas. cada criança. então assim. Essa é uma questão. a gente faz o que a gente pode. olha que legal. essas e outras coisas que a gente vê na teoria que é importante. para caminhar sozinho. eu estava lendo esses dias um livro. procura estar conhecendo cada aluno o máximo que a gente pode. mas é um dos livros lá que uma professora falou que caiu no concurso. a gente põe em parte isso em prática. É uma dificuldade. é uma turma muito agitada. mas tem muita coisa que dá pra você colocar na prática. Aí eu tive oportunidade de pegar esse livro. eu tenho dois segundos estágios. Que nem. Então assim. Agora. ele aprende sozinho. a gente procura estar fazendo essa intervenção. praticamente sozinho. auxilia. tudo que você oferece pra ele. Eu acho muito importante o brincar. seja de um jeito ou de outro. Então assim. Professora 3: Ah sim. Às vezes você começa a ler. Seria assim. eles conseguem esperar. e todos eles precisam né. ajuda a transformar algumas coisas na sua prática sim. Então. e assim. a intervenção individual. que é dificuldade geral. Por exemplo. eu tenho um num período intermediário e um no período vespertino e eles são muito diferentes uma turma da outra. E acredito que é um momento que ele constrói conhecimento. assim. esse é um fator complicador. Você localiza no seu cotidiano fatores que auxiliam a aplicação das propostas teóricas. ele precisa de uma intervenção individual. Então assim. assim. é sempre muito bom. E eles são muito diferentes um do outro. por exemplo. É muito bom. eu tava dando uma olhada. tem muita coisa que não dá. E assim. às vezes. sempre você dá uma acordada pra alguma coisa. uma coisa que me aflige muito. eu não prestei concurso. Pesquisadora: Você tem como dar algum exemplo? Professora 3: Um exemplo. em alguma coisa ele precisa de intervenção.

Aí eu tava pensando assim: é. Só que assim. Por quê? Porque nós estamos às vésperas de uma mostra cultural. quando eu tava lendo isso. trouxe CD também. mas tem época que você acaba deixando um pouquinho de lado. as linguagens é assim. eles até falaram em casa para os pais. eles comentaram muito que as crianças falam muito sobre várias coisas que eles estão aprendendo do fundo do mar. dos animais. aquilo e tudo muito dirigido. O ideal seria todas serem priorizadas sempre. tem época que eu conseguia contar histórias todos os dias. Muito obrigada. é muito bom. não sei como vocês denominam essa parte assim de ciências naturais. como que eu posso dizer.. que ele faz a vontade dele. às vezes. colocava som. as crianças estão bem envolvidas. dançava. Qual é o motivo? Professora 3: Na arte e também. O nome do nosso projeto era fundo do mar e assim. eu tava lendo que assim. entendeu? Que é importante mais momentos assim que não sejam direcionados pelo professor do que momentos dirigidos pelo professor. Agora. desse momento livre. tava falando assim que. pesquisamos nos livros várias características. Teve criança que falou . Eu fiz oficina com os pais. mais à vontade. pra ele poder se interar mais à vontade com os outros. trouxe filme. tem época que você percebe que. Por isso é importante o registro.. a gente passou por momento de pesquisa. eu trabalhei muito estória. desse momento que a criança escolhe. mais livre também pra ele poder brincar. Valorizar a hora que ele ta ali brincando e observar e ver que. você acaba. tem época que a gente cantava. Música. você pediu um exemplo. Eu tenho na minha rotina um momento dirigido e um momento que a criança fica. muito. Então. estar revendo sua prática porque. Eu acredito que eu trabalho todas as linguagens. acontece. cantava. é muito bom. que ele organiza. O que ta acontecendo todos os dias. por exemplo. Menos dirigido. agora? É que tem época também que a gente deixa de lado. muito. na verdade. Então assim. que eu não sabia. nas últimas duas reuniões de pais. só que tem um momento que a gente acaba priorizando mais uma do que a outra. Pesquisadora: Muito bem. Muita atividade artística: tinta. conta os pontos e faz isso com palitinho. vários mistérios. Apesar de sempre. uma coisa que deveria acontecer todos os dias. Assim.. tem coisas que a gente faz mesmo. Então assim. você tem conseguido desenvolver essas múltiplas linguagens da educação infantil com os alunos? Professora 3: Olha. você começa até a valorizar mais. Só que assim. eu trouxe vários livros. realmente.. nós passamos por várias etapas. que ele fica mais à vontade. é um momento que ele se expressa – a brincadeira simbólica é muito importante. nós estamos desenvolvendo desde o final do semestre passado. Coisas que até eu descobri. trabalhando mais uma do que a outra. só que tem época que eu acabo priorizando mais uma do que outra. o professor se desgasta muito em fazer isso. por um motivo ou outro. Então assim. alguns mistérios do fundo do mar. cola. E assim. os pais também. Um exemplo. isso não acontece todos os dias. características sobre vários animais. eu acho importante trabalhar todas elas. todos os dias. essa e outras questões. o professor se desgasta tanto querendo direcionar muito. tesoura. E assim. no colar. trabalho todas elas. enfim. muito. numa determinada época do ano. eles curtiram muito. às vezes. o professor precisa ter mais tempo dessa interação. Às vezes. trabalha boliche. Só que assim. muito importante. Pesquisadora: Nesse momento você falou que ta fixado mais as atividades na arte. eles estão gostando muito. mas assim. Em relação às linguagens. nós assistimos filme. No momento. Matemática : tem época que a gente trabalha mais. A gente tem que tomar muito cuidado. na verdade esse projeto que eu to desenvolvendo. as crianças trouxeram.143 se conhecem melhor. já não é uma coisa que acontece todos os dias.

Porque do mesmo jeito que essa sala que recebe essas crianças. Então. a realidade é outra. Eu acho que eu vou demorar um pouquinho pra ter coragem de pegar o primeiro estágio de novo. Nessa escola aqui eu nunca peguei primeiro estágio. Teve a leitura. muito. terceiro estágio. Entendeu? Não tem muita diferença de uma sala pra outra. brincamos com alguns joguinhos que tinha nesse CD. Mesmo aqueles que já vieram de alguma escola. que completaram 3 anos no final do ano. não ta estruturado pra receber essas crianças. a pesquisa. a gente olhou também na sala de informática. do mesmo jeito que é a sala de primeiro estágio. algumas coisas tem que ser mais próximas mesmo. o seu jeito de falar tem que ser diferente. tudo. em relação ao mobiliário? Como que isso tem ocorrido na rotina de vocês? Professora 3: Olha. Pesquisadora: Muito bem. Aliás. Agora. Na EMEI você com 35 alunos. Porque eu já tinha trabalhando com essa faixa de idade de alunos em creche. Aí assim. pra fazer a verdade. a gente acabou priorizando mais nesses últimos dias essa questão artística mesmo. Foi uma experiência até um pouco traumática. Pesquisadora: É um projeto maior? Professora 3: Isso. eu vou falar um pouco da minha experiência. trabalhos de meses já. aí vem pra EMEI. o que a gente faz de diferente? A linguagem pra uma criança de três anos é diferente. é uma coisa que chega a ser quase desumano. até o seu jeito de cantar. Assim. se tivesse feito antes não teria onde colocar. Eu trouxe também CD Room. mas eu não sabia que era tão difícil como foi comigo quando eu peguei. foi uma dificuldade arrumar o tamanho da lousa. É muito difícil. Então assim. trabalhos que os pais fizeram também na nossa oficina. tem um mês que completou. a gente passou por esse momento da pesquisa. muito. Em relação ao ensino fundamental de nove anos. Mas é que agora a gente está no final. por exemplo. a finalização de algum trabalho. vocês estão recebendo crianças de quatro anos a completar. na última reunião de pais. Como vocês têm se organizado? Vocês têm discutido isso nos grupos em relação à material. outra realidade. Pesquisadora: Nem a rotina é diferente? Professora 3: A rotina é um pouco diferente. Agora nós estamos finalizando alguns trabalhos. você sozinha. recebe também as crianças de cinco. ta na semana da mostra. Tudo você tem que fazer um certo malabarismo pra chamar a atenção deles né. que o fundo do mar é lindo. Então assim. tem coisas que é difícil até de guardar. eu não percebi assim mudança pra receber essas crianças. vai fazer seis. primeiro estágio é muito diferente. que a gente chama de segundo. eu sofri demais. e teve também o momento de várias atividades artísticas que a gente veio fazendo no decorrer do ano. não é assim uma diferença tão grande. as crianças que ainda vão completar quatro anos. criança que tem quatro e vai fazer cinco. o ano passado eu peguei um primeiro estágio na outra escola que eu trabalhava. por conta disso. todos do fundo do mar. A gente fez cada cartaz enorme. Criança de cinco pra seis anos. Eu sabia que era difícil o primeiro estágio. era duas educadoras por turma. não é só agora. era um número bem menor. pra falar a verdade. na minha opinião não ta preparado. que vieram de CEI.144 que queria morar no fundo do mar. de seis anos. um grupinho . de segundo pra terceiro estágio. principalmente no começo do ano. demais. Essas coisinhas tem que ser perto mesmo. Assim. eles são muito dependentes. dessa semana de mostra cultural. Que é um grupo muito grande pra você ali. Assim. de aplicar uma atividade. que são vários trabalhos que eles fizeram.

Então assim. do material. ele não pára e vai. muitas horas de trabalho. tanto o que ele traz na mochila ou mesmo o material coletivo. eu nem sei se cabe dizer. Eu me preocupo muito com os alunos. ta muito longe.Cuidar das coisinhas dele. E assim. a gente passa muita dor de cabeça. sobre a sua profissão. eu sou muito ansiosa. é muito difícil com essa quantidade de criança. eu vejo assim. eu posso dizer que é sofrido porque eu vivi essa experiência. realmente não ta preparada a escola. cadeira. eu estou satisfeita com o meu trabalho e com a minha profissão. uma turma de intermediário já é difícil por essas questões que eu falei. pouquinho tempo da rotina. E ainda nessa turma que eu peguei experiência foi mais difícil ainda porque era um grupo bem agitado. dentro dessa minha opção o mais difícil é isso – o cansaço. Até a linguagem que você usa. eles não têm ainda aquela noção de . . fica cansada. Não. da roupa. É muito difícil. Isso eu sinto muito. Então assim. Tem muita criança que não tem. a garganta. devo dizer que claro. eles sugam o tempo todo. eu gosto de estar acompanhando. eu sou muito ansiosa. mais opções de atividades livres. principalmente a voz. Mas assim. Eles solicitam a gente o tempo todo. Inclusive hoje me falaram que eu preciso respirar. Acho que tinha que ter assim mais brinquedos. é cansativo também. gosto de ser professora. É muito difícil. querem a gente o tempo todo.. E assim. você tem que falar de um jeitinho especial com eles. Eu me cobro muito ainda. E assim. pra cuidar do material também é muito difícil. Eles misturam as coisas deles com as coisas das outras crianças. e tudo. Tem muita criança que faz ali na roupa mesmo. Porque assim.. que eles estão se socializando bem com os outros.Gente. que eles estão se sentindo bem. Professora 3: Obrigada você também. Eu gosto muito do meu trabalho. tem que ajudar. E assim. É exaustivo. isso seria interessante sim. A gente cria um vinculo muito grande e é um trabalho muito humano e eu estou feliz. Então a dificuldade maior é essa. E assim. foi de grande valia para a pesquisa e muito obrigada. não dá. eles têm uma certa dependência de você. Da experiência que eu tive. mas reduzir a quantidade de aluno. em especial. eu acho sofrido pra eles e sofrido para o professor. sua prática? Qualquer coisa que você gostaria de comentar. Eles são muito novinhos. apesar disso é muito gostoso. e assim. Então foi muito difícil. muito preocupada. E assim. Todo dia à noite eu não consigo nem falar mais quase.que é uma opção minha também né. talvez um horário de parque diferenciado. é o cansaço. de ver que eles estão aprendendo. Pesquisadora: Bom. tinha muita criança com problema assim de agressividade. Eu acho que a escola está longe de estar preparada pra essa idade de aluno. tem coisa que eu não consigo. de abordar nesse momento? Professora 3: Eu acho que eu já falei bem geral assim. não dá. Pesquisadora: Professora você tem algo pra comentar sobre a educação infantil. Eles sentem vontade ir no banheiro. Eu tenho a dizer que eu gosto muito do meu trabalho. Muita criança. principalmente fora da sala. Tem coisa que eu consigo. eu quero fazer tudo assim.145 menorzinho. ainda mais com duas turmas. eu quero agradecer a sua participação na pesquisa. Então assim. É muita coisa. eu também peguei uma turma bem difícil. da minha profissão. essa coisa de mesa. vários assuntos. o jeito de falar com eles tem que ser diferente. é isso. Mas assim. tem que ensinar muito tudo. não são tudo flores. bem legal. Eu acho que as perguntas estão bem legais e bem assim. professora de educação infantil. eles são muito novinhos.