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Dissertacao Elaine Cristina Marena Mestrado Educacao

Dissertacao Elaine Cristina Marena Mestrado Educacao

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UNIVERSIDADE CIDADE DE SÃO PAULO PROGRAMA DE MESTRADO EM EDUCAÇÃO

Elaine Cristina Marena Andrade

OS INSTRUMENTOS DO COORDENADOR PEDAGÓGICO PARA COORDENAR A FORMAÇÃO CONTINUADA DOS PROFESSORES NA UNIDADE ESCOLAR: “O PROJETO ESPECIAL DE AÇÃO” E “O PROGRAMA A REDE EM REDE: A FORMAÇÃO CONTINUADA NA EDUCAÇÃO INFANTIL” NO MUNICÍPIO DE SÃO PAULO

São Paulo 2010

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Elaine Cristina Marena Andrade

OS INSTRUMENTOS DO COORDENADOR PEDAGÓGICO PARA COORDENAR A FORMAÇÃO CONTINUADA DOS PROFESSORES NA UNIDADE ESCOLAR: “O PROJETO ESPECIAL DE AÇÃO” E “O PROGRAMA A REDE EM REDE: A FORMAÇÃO CONTINUADA NA EDUCAÇÃO INFANTIL” NO MUNICÍPIO DE SÃO PAULO

Dissertação apresentada ao Programa de Mestrado em Educação da Universidade Cidade de São Paulo, como requisito exigido para a obtenção do título de Mestre.

São Paulo 2010

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Elaine Cristina Marena Andrade

OS INSTRUMENTOS DO COORDENADOR PEDAGÓGICO PARA COORDENAR A FORMAÇÃO CONTINUADA DOS PROFESSORES NA UNIDADE ESCOLAR: “O PROJETO ESPECIAL DE AÇÃO” E “O PROGRAMA A REDE EM REDE: A FORMAÇÃO CONTINUADA NA EDUCAÇÃO INFANTIL” NO MUNICÍPIO DE SÃO PAULO

Dissertação apresentada ao Programa de Mestrado em Educação da Universidade Cidade de São Paulo, como requisito exigido para a obtenção do título de Mestre.

Área de concentração: Data da defesa: Resultado:_______________________________________________

BANCA EXAMINADORA:
Prof. Dr. João Gualberto de Carvalho Meneses Universidade Cidade de São Paulo Prof. Dr. Jair Militão da Silva Universidade Cidade de São Paulo Prof. Dr. João Pedro da Fonseca Universidade de São Paulo __________________________________

____________________________________

____________________________________

os .4 DEDICATÓRIA Dedico a dissertação a todos protagonistas da Educação Infantil.

Oswaldo Armelindo Marena e Zilda Andrade Marena Ao meu irmão – Hebert Alexandre Marena A minha sobrinha.Adriano da Costa Andrade Aos meus pais .Letícia Beloto A Diretora Regional de São Mateus .5 AGRADECIMENTOS Agradeço aos ANJOS por fazerem parte de mais uma caminhada acadêmica de minha vida: Ao meu esposo .Hatsue Ito Ao Profº Ms Arnaldo Ribeiro dos Santos A Profª Ângela Maria Duarte Azadinho A toda equipe da EMEI Carmen Miranda A toda equipe do CEU São Rafael Ao Daniel de Souza Janate Aos meus colegas e secretárias do Mestrado em Educação. . E principalmente a DEUS pelo o dom da vida e por enviá-los a me ajudar a superar as dificuldades e conquistar mais uma etapa acadêmica.UNICID Ao Profº Drº João Gualberto de Carvalho Meneses.UNICID Aos Professores Doutores do Programa de Pós-graduação (Strictu-Sensu).meu amado Orientador Aos membros da Banca Examinadora da minha dissertação.

6 “Feliz o homem que encontrou sabedoria e alcançou entendimento. . porque a sabedoria vale mais do que a prata. e dá mais lucro que ouro”. Provérbios 3:13.

complexo. e analisar a avaliação dos professores sobre as políticas de formação docente. o fazer docente no cotidiano escolar da Educação Infantil e encontrei. com a participação de 03 professores e análise documental. necessidades pedagógicas. identificar a presença. das intenções das políticas de formação de professores. surgiu a preocupação com a formação dos professores que atuam na educação infantil e. Nesse contexto. na Educação Infantil. o Coordenador Pedagógico terá maior proximidade das ações pedagógicas do professor. Palavras-Chave: Políticas Públicas de Educação. propostas pela Prefeitura Municipal de São Paulo. Os novos conhecimentos pedagógicos poderão fazer parte da prática docente quando forem articulados com as reais necessidades e desejos dos professores. Neste sentido. Isto poderá contribuir para o avanço da prática docente. tratando assim o cuidar e educar como conceitos indissociáveis. enfim terá a oportunidade de realizar uma intervenção individual. Os procedimentos metodológicos são a abordagem quantitativa. das dúvidas. assim como os momentos de acompanhamento de formação continuada. O importante é garantir que o Coordenador Pedagógico tenha momentos destinados para o acompanhamento da prática docente. uma de grande relevância: como a formação continuada dos docentes da Educação Infantil tem contribuído para a atualização da prática pedagógica? Os objetivos da pesquisa são analisar a atuação do projeto e programa educacional no cotidiano escolar. Com este avanço. no período de 2005 a 2008 da unidade escolar. com decisões próprias. passei a observar o Projeto Especial de Ação e o Programa a Rede em rede: formação continuada na Educação Infantil. inquietações. também. em horários coletivos. Formação Docente. Educação Infantil. . na prática docente. O Coordenador Pedagógico precisa considerar que o professor é um ser único.7 RESUMO Um grande avanço das políticas públicas no Brasil foi considerar a educação infantil (0 a 5 anos) como primeira etapa da educação básica e incluir as antigas creches no sistema municipal de educação. a necessidade da elaboração de programas de políticas públicas para a formação docente. dentre muitas questões. entrevista semiestrutural. que transforma e é transformado pelo outro. aplicação de questionário para 21 professores e 02 gestores e a abordagem qualitativa.

in other words. will have the opportunity to perform an individual intervention. semi-structural interview. . and include day care centers in the municipal sistem of education. as well as the moments of tracking continuing education. Teacher Education. among many issues. the work of teachers daily in early childhood education and I found. The methodological procedures are quantitative approach. with the participation of 03 teachers and documentary analysis. and qualitative approach. one of great importance: how the continued formation of teachers of early childhood education has contributed to the updating of the pedagogical practice? The objectives of this research are to analyze the performance of both the project and educational program in the school routine. also.8 ABSTRACT A major advance of the public policies in Brazil was to consider the early childhood education (0 to 5 yeas) as the first stage of basic education. the necessity of developing public policy programs for teacher training. in Kindergarten. doubts. Early Childhood Education. concerns. educational needs. of the policies for teacher education intentions. complex. in due to identify the presence. with his own decisions. that transforms and is transformed by others. and to analyze the teacher evaluation on teacher education policies. Therefore. The important issue is to ensure that the Academic Coordinator has moments destined to follow the teaching practice. apperead the concern about the training of teachers working in early childhood education and. With this advance. I started to observe the network of the Special Action Project and the Network Project: continued formation in kindergarten. this way treating the care and education as inseperable concepts. over the period from 2005 to 2008 of the school unit. questionnaire to 21 teachers and 02 administrators. at collective times. proposed by the Municipality of São Paulo. The Pedagogical Coordinator needs to consider that the teacher is unique. in the teaching practice. the academic coordinator will have greater proximity of the teacher's pedagogical actions. In this context. Keywords: Public Policy Education. This may contribute to the advance of teaching. The new pedagogical knowledge may become a part of the teaching practice when they become articulated with the real needs and desires of teachers.

9 LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS ADI ATE CEI CME DOT DOT-EI DOT-P DRE EMEF EMEI INEP JB JBD JEIF JEX LDB MEC PEA PMSP PP SEEC SME TEX Auxiliar de Desenvolvimento Infantil Assistente Técnico Educacional Centro de Educação Infantil Conselho Municipal de Educação Diretoria de Orientação Técnica Diretoria de Orientação Técnica de Educação Infantil Diretoria de Orientação Técnica Pedagógica Diretoria Regional de Educação Escola Municipal de Educação Fundamental Escola Municipal de Educação Infantil Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Jornada Básica Jornada Básica do Docente Jornada Especial Integral de Formação Jornada Especial de Hora Aula Excedente Lei de Diretrizes e Bases Ministério da Educação Projeto Especial de Ação Prefeitura Municipal de São Paulo Projeto Pedagógico Secretaria Estadual da Cultura Secretaria Municipal de Educação Jornada Especial de Trabalho Excedente .

...................................................................................................................Docentes ..................................................................................................16  1..........................17  1.3 A implantação do “Projeto Especial de Ação” e do “Programa: A Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil”....................................................................................16  1.......5 Estrutura do Trabalho ....................... 11  1...................... 19  2.............4 O “Programa A Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil”.....2 Instrumento de pesquisa quantitativa: Questionário-Gestores ..........................17  1...... 52  4..................................................................................... 7  ABSTRACT .... 8  1.................................................................17  1...............................................23  2...........................................1 Problema da pesquisa .........  INTRODUÇÃO..1 O perfil dos profissionais docentes da infância ...................................................................................................79  5 CONSIDERAÇÕES FINAIS..................18  1....................................................................................................................... 49  4 ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DOS DADOS COLETADOS ...1 Objetivo geral ............31  2................52  4........................18  2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA...............4 Relevância da pesquisa........................................................................................41  2.....3.........................................................5 O “Projeto Especial de Ação”..3 Instrumento de pesquisa qualitativa: entrevista semi-estrutural.........................................6 Os dilemas do Ensino Fundamental de 9 anos e o Cuidar e Educar na Educação Infantil 44  3 METODOGIA DA PESQUISA.......3.....................................................................................................2 Hipóteses da pesquisa.................................................................................................2 Objetivos específicos.............................................................................10 SUMÁRIO RESUMO........................ 108  ............................no Município de São Paulo...1 Instrumento de pesquisa quantitativa: Questionário ................ REFERÊNCIAS ................. 104  6...............3 Objetivos.................................................28  2...........................................................................................................................74  4...........19  2..........................................................2 A formação continuada dos docentes da infância ........................................................................................................................................

para crianças de 4 a 6 anos de idade. formulei questões sobre a formação continuada dos docentes. Na minha carreira de magistério. De acordo com o edital do concurso público (2009) referente ao cargo de acesso do Coordenador Pedagógico. Em meados de 2002. Quando assumi o cargo de Coordenador Pedagógico. Essa experiência despertou meu interesse maior pela Educação Infantil e. especificamente na região de São Mateus. estava sendo convocada a tomar posse do meu segundo cargo de Profº Titular de Educação Infantil e exonerando-me do cargo de Profº Adjunto de Ensino Fundamental I. lecionei por 3 anos consecutivos. Foi neste contato direto com a formação de professores. alunos e pais.CEI. no ano seguinte. atuando integralmente na Educação Infantil. nos cargos de Profº Titular de Educação Infantil e Profº Adjunto de Ensino Fundamental I. Então. Após ter sido aprovada e classificada no concurso público realizado pela Prefeitura Municipal de São Paulo (PMSP). da Prefeitura Municipal de São Paulo. fui convocada a tomar posse dos cargos citados. em 2006. Iniciava. assumi o cargo de Coordenador Pedagógico atuando na formação continuada de professores e tive o privilégio de continuar atuando nesse cargo. o meu ingresso na carreira do magistério. as atribuições do Coordenador Pedagógico são: . INTRODUÇÃO Ao término do último ano do curso de magistério. “Projeto Especial de Ação” e o “Programa A Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil” que surgiram dúvidas as quais me dispus a pesquisar. ingressei na PMSP. então. na modalidade Educação Infantil. Nessa unidade escolar. enquanto exercia o cargo de professora (19972005) tinha preocupações com a sala de aula. caminhei em direção a mais um concurso. tendo que me despedir do meu primeiro emprego.11 1. então. atuando na formação de crianças de 4 a 10 anos de idade. recebi um convite para lecionar numa escola particular da Zona Leste de São Paulo. Alguns anos mais tarde. no Centro de Educação Infantil. em 2000. durante o novo percurso.

terão a incumbência de elaborar e executar sua proposta pedagógica. implementação e avaliação do Projeto Pedagógico da Unidade Educacional. Lei n. o Projeto Pedagógico tem a finalidade de dar autonomia às unidades escolares. também. O planejamento das ações do horário coletivo de formação docente também são atribuições do Coordenador Pedagógico. necessidades específicas. Neste sentido. dificuldades. tendo em vista os desafios do cotidiano escolar. bem como do acompanhamento da aprendizagem dos alunos (avanços. execução e avaliação do Projeto Pedagógico (P. (Veiga. respeitadas as normas comuns e as do seu sistema de ensino. p.15) O “Projeto Especial de Ação” é. nos horários coletivos de professores. de acordo com o edital da Fundação Carlos Chagas (2009): . tendo como instrumento o “Projeto Especial de Ação”.12 I. (Fundação Carlos Chagas. visando a melhoria da qualidade da educação. Entende-se por autonomia da escola quando: “Ela concebe sua proposta pedagógica ou projeto pedagógico e tem autonomia para executá-lo e avaliá-lo ao assumir uma nova atitude de liderança. 9. Assim.P com o “Projeto Especial de Ação” (PEA). 2009) O Coordenador Pedagógico precisa coordenar as etapas de elaboração. define as necessidades pedagógicas. enfim constrói sua própria identidade.12. no art.P descreve sua história. no sentido de refletir sobre as finalidades sociopolíticas e culturais da escola”. Cada escola por meio do P. caracteriza a comunidade local. inciso XV: “Promover a implementação dos Programas e Projetos da SME por meio da formação dos professores da Unidade Educacional.P). 2003. inciso I: “os estabelecimentos de ensino.Coordenar a elaboração. segundo o edital da Fundação Carlos Chagas (2009). Essa implementação se dá por meio da formação continuada. O Projeto Pedagógico foi previsto na LDB. as modalidades e turnos em funcionamento. os métodos de ensino-aprendizagem e avaliação. além de articular o P. que junto com a equipe escolar elabora-o de acordo com as prioridades da escola.394/96. sendo ambos objetos de acompanhamento e avaliação dos profissionais de educação nos horários coletivos de formação. O PEA deve estar articulado com os Projetos e Programas que compõem a Política Educacional da Secretaria Municipal de Educação (SME). etc)”. em consonância com as diretrizes educacionais do município. a escola tem a autonomia para refletir sobre sua intencionalidade educativa. coordenado pelo Coordenador Pedagógico.

com o objetivo de discutir. bem como garantir os registros do processo pedagógico.Acompanhar e avaliar junto com a equipe docente o processo contínuo de avaliação.E.Planejar ações para a garantia do trabalho coletivo docente e para a promoção da integração dos profissionais que compõem a Equipe Técnica da Unidade Educacional. segundo o documento acima. bem como na organização e remanejamento de educandos em turmas e grupos.Coordenar a elaboração e implementação dos Planos de Ensino dos professores. precisa refletir sobre as práticas culturais do cotidiano da unidade escolar. depois o Coordenador Pedagógico junto ao professor elaboram perguntas a partir do episódio observado. registro e problematização da prática pedagógica. XII. O acompanhamento e avaliação das atividades pedagógicas são atribuições permanentes do Coordenador Pedagógico: VII. 2009) Uma das propostas do “Programa A Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil” é o registro reflexivo. estratégias de formação. (Fundação Carlos Chagas. III.. Além disso. garantindo a consonância com as diretrizes curriculares da SME. VI. O documento A Rede em rede: a formação continuada na Educação Infantil (2007) traz subsídio ao Coordenador Pedagógico quanto às estratégias de formação por meio de instrumentos metodológicos como observação. acompanhamento e avaliação dos impactos da formação continuada e cronograma de reuniões com a Equipe Docente para Gestão Pedagógica da U. Esta metodologia de formação possibilita que o professor apreenda um episódio e registra-o.Participar da elaboração de critérios de avaliação e acompanhamento das atividades pedagógicas desenvolvidas na Unidade Educacional. compreender e aperfeiçoar as práticas pedagógicas.Desenvolver estudos e pesquisas que permitam ressignificar e atualizar as práticas pedagógicas em busca de adequá-las a necessidades de aprendizagens dos alunos. VIII. Ele tem que tematizar com o grupo de professores algumas práticas culturais que se espera que as crianças tenham acesso diariamente na escola: . nas diferentes atividades e componentes curriculares. o Coordenador Pedagógico.13 II.Elaborar o plano de trabalho da Coordenação Pedagógica indicando metas.

Neste sentido. que desconhecem outras formas mais adequadas de organizar situações de vivência. p. usando uma linguagem Vigotskiana. 2007. 17) Quando o professor utiliza o método tradicional para ensinar as crianças. Portanto.. Para Oliveira (2005. pelo sujeito de um zona de desenvolvimento proximal que promove aprendizagens que revolucionem sua forma de agir. Ouvir músicas. Participar de situações comunicativas e conversas em grupo. decidir e significar a situação didática. não criativa. Participar de situações de teatro. A concepção descrita corresponde a fragmentos de um modelo de educação escolar construído no passado para orientar o ensino de crianças mais velhas e de adolescentes. 2. 224): A formação docente pode ser compreendida. nesse caso. . significar as práticas sociais. com os colegas. com os adultos.). p. repetindo modelos de forma não espontânea.( A Rede em rede: a formação continuada na Educação Infantil. Ela persiste no imaginário e orienta a prática de muitos professores. 3. 6.. enfim com tudo que está ao redor. 4. Ouvir boas leituras. decidir e significar a prática pedagógica. o sujeito esconde-se atrás da repetição de formas de atuação docente por ele vivenciadas. não respondendo a singularidade de cada situação educativa em uma sociedade em permanente mudança. conta com o professor. aprendizagem e desenvolvimento para as crianças pequenas (. disposto a ajudá-la a interagir com o ambiente. tinta e lápis. p. 5. Nem sempre essa criação é possibilitada e.14 1. compartilhar a construção de sentido sobre o que se lê. Para isso. Eles conhecem apenas o modelo de organização do ambiente para ações centradas no professor e por ele controladas e acreditam que elas têm maior resultado pedagógico. A criança necessita vivenciar situações. Ler e escrever o nome próprio quando necessário. Desenhar ou pintar. (A Rede em rede: a formação continuada na Educação Infantil. 34) O professor deve evitar organizar as ações pedagógicas de acordo com modelo tradicional que reforça o papel do professor como centralizador do conhecimento. há necessidade de dar condições ao professor de agir. ele oferece pouca oportunidade da criança de vivenciar esses momentos lúdicos e significativos de aprendizagem na Educação Infantil. como um contexto que deve visar a criação. 2007. observa-se a dificuldade dos professores em atualizar a prática pedagógica: Muitos educadores que trabalham com crianças pequenas costumam valorizar ações copiadas de modelos escolares tradicionais nas tarefas cotidianas que lhes propõem: atividades dirigidas usando apenas papel.

porque professor. Para realizar a coleta dos dados. Pensar em uma sociedade em constante mudança é pensar na necessidade da renovação das práticas pedagógicas. por meio da técnica de questionário. O de que se precisa é que. Faz parte da natureza da prática docente a indagação. o comportamento das crianças vem se transformando e o cenário educativo se renovando a cada dia.32). p. vivências. a pesquisa. ou seja. ou seja. o professor discute e questiona a teoria da educação. mas a prática permanece quase intocável. Nos últimos dez anos. discursos aprimoram-se. o professor precisa sentir-se pertencente ao grupo de formação continuada e construir conhecimento enquanto pesquisador da prática pedagógica. reflete sobre elas e sobre as formas de aprender e de ensinar. Enfim.15 O professor precisa planejar ações pedagógicas que ofereçam a criança experiências significativas sempre integrando o que ela já sabe com aquilo que é novo para ela. percebe-se que essa realidade parece estar distanciada da prática. Porém. a busca. ir além dos discursos aprimorados e aprimorar a prática pedagógica problematizando as questões do cotidiano escolar. abordagem . em sua formação permanente. A criança precisa vivenciar situações que lhe despertem o interesse frente ao inexplorado e ao desconhecido. O objetivo desta pesquisa é analisar a atuação do “Projeto Especial de Ação” e do “Programa A Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil” e os fatores que dificultam e facilitam o avanço da prática pedagógica. utilizarei a abordagem quantitativa. me deparei com a seguinte questão: o que é necessário para os docentes renovarem a prática pedagógica? Segundo Abianna (2009). faz parte da natureza do professor a participação ativa no processo de formação docente: No meu entender. como pesquisador. De acordo com Freire (1997. o que há de pesquisador no professor não é uma qualidade ou uma forma de ser ou atuar que se acrescenta à de ensinar. saberes e interesses infantis são ponto de partida para a aquisição de novos conhecimentos. As experiências. Como Coordenadora Pedagógica. O professor deve se colocar como protagonista da própria formação docente. o professor se perceba e se assuma.

apresenta-se o problema da pesquisa: Como a formação continuada dos docentes da Educação Infantil tem contribuído para a atualização da prática pedagógica? 1. análise documental da unidade escolar pesquisada e pesquisa de campo. cujo melhor modo de solução ou é uma pesquisa ou pode ser resolvido por meio científico”. para a qual se deve encontrar uma solução”. As hipóteses da pesquisa são: • há um distanciamento entre a teoria do “Projeto Especial de Ação” e do “Programa A Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil” e a prática pedagógica.. pois não se pode tratar de tudo ao mesmo tempo e sob os mais diversos aspectos”. 161) relata: “(.. ou hipótese geral. Severino (2002. p. 127) definem o problema como “um enunciado explicativo de forma clara. é a idéia central que o trabalho se propõe demonstrar”. compreensível e operacional. por meio da técnica da entrevista semi-estrutural.1 Problema da pesquisa Para Cervo.2 Hipóteses da pesquisa Severino (2002.75) o problema da pesquisa “é uma questão que envolve intrinsecamente uma dificuldade teórica ou prática.16 qualitativa. 184) define: “os limites da problematização devem ser determinados. Diante dessa narrativa. 1. • pedagógica. o professor de Educação Infantil apresenta dificuldade em renovar a prática . p. Marconi e Lakatos (2003. Bervian e Silva (2007. p. p.) o autor deve enunciar suas hipóteses: a tese propriamente dita.

. e) Analisar a avaliação dos professores quanto aos momentos de formação continuada na unidade escolar. proposta pela unidade escolar e o “Programa A Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil”. 65) classifica como objetivo geral aquele que “indica uma ação ampla do problema”. das intenções das políticas de formação de professores (coerência: teórica / prática). b) Analisar o conhecimento dos professores em relação ao “Projeto Especial de Ação” e ao “Programa A Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil”.1 Objetivo geral Analisar a atuação do “Projeto Especial de Ação” e do “Programa A Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil”. p. Beuren (2006. Os objetivos são divididos em geral e específicos. na prática docente.3 Objetivos Objetivos são metas ou alvos a serem alcançados. c) Analisar a avaliação dos professores sobre o “Projeto Especial de Ação”. nos últimos quatro anos.17 1. Em função do exposto. d) Identificar os fatores que dificultam e/ou facilitam os avanços da prática docente. 1. Essa estratégia permite maior clareza ao pesquisador e contribui na organização e realização do trabalho de pesquisa.3. SCHINDLER. na prática docente. o objetivo geral e os específicos para esta pesquisa são apresentados a seguir.2 Objetivos específicos a) Identificar a presença. Uma forma de estabelecer os objetivos é desdobrá-los em gerais e específicos (COOPER.3. 2003). 1. sua clara definição orienta o trabalho do pesquisador e permite obter melhores resultados. proposta pela Secretaria Municipal de Educação. e específica aquele que indica ações pormenores de um problema geral.

. define a questão da pesquisa. O capítulo 2 apresenta a fundamentação teórica que dará sustentação à pesquisa. Em seguida. análise e discussão dos resultados obtidos. O “Projeto” e o “Programa” muitas vezes não são compreendidos pelos professores por falta de uma comunicação satisfatória no decorrer do processo da formação continuada.   1. O capítulo 3 destina-se à fundamentação da metodologia adotada para desenvolver a pesquisa. O capítulo 4 faz a apresentação do questionário e as entrevistas.4 Relevância da pesquisa A pesquisa trará uma discussão sobre o “Projeto Especial de Ação” e o “Programa A Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil”.18 1. a entrevista semi-estrutural e à pesquisa de campo. além dos desafios cotidianos do Coordenador Pedagógico no papel de formador. O capítulo 5 é reservado para a apresentação das considerações finais da pesquisa. da Prefeitura Municipal de São Paulo e a prática docente.5 Estrutura do Trabalho O capítulo 1 introduz o assunto e a contextualização sobre o tema. e a forma de aplicação do questionário. mediante pesquisa bibliográfica e documental. o objetivo geral e específico e a relevância da pesquisa.

Portanto. o conhecimento fica. assumindo a dimensão moral da profissão”. limpeza e saúde. de acordo com a faixa etária das crianças a quem eles ensinarão. encontram uma diversidade de tarefas específicas. termo usado por Oliveira-Formosinho. que se diferencia dos demais professores da educação. porém. devido à sua tenra idade. . assim chamadas por Oliveira-Formosinho (2002). a cada etapa da atuação profissional. os profissionais docentes necessitam de uma formação inicial. Contudo. Segundo Oliveira-Formosinho (2002. Outro fator que diferencia os profissionais da Educação Infantil dos demais é a relação profunda entre o educar e cuidar. por seu campo de atuação se tratar de crianças pequenas. entre função pedagógica e função do cuidado. A profissão docente não é diferente. social são acentuadas na literatura da área como um fato de diferenciação da profissão. competências e sentimentos.1 O perfil dos profissionais docentes da infância Cada profissão requer dos profissionais conhecimentos específicos da área de atuação. cada vez mais. Katz e Goffin (1990) Medina Revilla (1993) afirmam que essas vulnerabilidades física. p. continuada diferenciada e específica. As crianças pequenas necessitam em sua rotina de cuidados específicos de higiene. aborda-se a especificidade da profissionalidade docente. emocional. específico e diferenciado.19 2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 2. As educadoras de infância. 43). Essas necessidades e cuidados com as crianças. configuram uma vulnerabilidade dessa criança e esse fato faz com que os profissionais que trabalham com a faixa etária de crianças pequenas se diferenciem dos demais profissionais docentes. entende-se por profissionalidade docente: “a ação profissional integrada que a pessoa da educadora desenvolve junto às crianças e famílias com base nos seus conhecimentos. sendo uma particularidade da educação. As características dessas crianças traçam as especificidades desta profissão as quais vão além do conhecimento do desenvolvimento infantil.

imaginação. gestos. atenção. A partir desta integração. Conforme Oliveira-Formosinho (2000) apud Campos (2002. integração de funções. os CEIs passaram a deixar de ser o local apenas de cuidar da criança e as EMEIs o local de educá-la. interações e interfaces com pais. 2006. Dessa forma. p. de modo que ela satisfaça suas necessidades de diversos tipos e aprenda a fazê-lo de forma cada vez mais autônoma. raciocínio. motricidade.18-19) Os conceitos cuidar e educar precisam estar interligados nas ações desses profissionais da infância. As crianças pequenas são vistas como um todo integrado (afetivo. a criança desenvolve sua afetividade. p. assistentes sociais. mães. tem-se a primeira etapa da Educação Básica chamada Educação Infantil. Ambas as instituições de Educação Infantil cuidam e educam simultaneamente. Hoje. comunidade e outros protagonistas que atuam nesse campo” . estímulo.20 Com a integração dos CEIs e EMEIs. social e cognitivo). desafio. Refere-se a planejar situações que ofereçam à criança acolhimento. nos CEIs e EMEIs. precauções. formas estas que a levam a constituir-se como um sujeito histórico. o desafio que se propõe a Educação Infantil é de redefinir o conceito de cuidar e educar: Cuidar da criança é uma ação complexa que envolve diferentes fazeres.. Outra especificidade da profissão. XX): “(. pais e responsáveis pelos menores. destacada por Oliveira-Formosinho (2002) é chamada de globalidade da educação da criança pequena. as crianças pertencem a um contexto social e cultural que requerem dessas profissionais da infância uma integração de serviços: interação com psicólogos. Ao fazê-lo. atenção.) uma concepção de profissionalidade que requer integração de saberes.. alargando consideravelmente as atividades do cotidiano e as responsabilidades. imaginação. Creches e EMEIs da cidade de São Paulo. Eles são inerentes ao cotidiano dos docentes da infância e devem ser planejados. motricidade. temos uma concepção de profissionalidade específica e diferenciada para as profissionais da infância. formando um auto conceito positivo em relação a si mesma. Além disso. (Tempos e espaços para a infância e suas linguagens nos CEIs. raciocínio e linguagem. olhares. Já educar a criança é criar condições para ela apropriar-se de formas de agir e de significações presentes em seu meio social.

processos. ao qual pretende atuar e significá-lo. p. há diferença entre pesquisa e prática reflexiva: a pesquisa cuida de fatos. De acordo com Perrenould (1999) as universidades ensinam teorias sobre métodos de pesquisa e não pesquisam a prática pedagógica. é necessário o cenário da escola. Isso se faz necessário. Muitos acreditam que basta introduzir a prática reflexiva para garantir a pesquisa. . Para que ocorra de fato a pesquisa. o professor na formação inicial se sente sozinho. pois não basta transmitir teoria e deixar que o aluno do ensino superior. sem poder contar com parceiros mais experientes para realizar a “ponte” teoria e prática. as famílias. 15).21 Além de toda particularidade da profissão dos educadores da infância. o que dificulta a reflexão e tematização da prática pedagógica. os professores. sem vivenciar momentos de reflexões coletivas e individuais. ou seja. fazer evoluir uma prática particular vista de seu interior. privilegiando as disciplinas pedagógicas. não no ambiente fechado da universidade. Isto causa empobrecimento na formação profissional. Portanto. faz necessário destacar a importância desses educadores se tornarem verdadeiros pesquisadores de sua prática pedagógica. tanto a prática reflexiva como a investigação desta prática reflexiva são exigências para atender ao novo perfil profissional. Segundo Perrenould (1999. otimizar. faça a correspondência entre a teoria e a prática pedagógica. Para tanto. devido à nova concepção de criança e infância. Faz-se necessário que os estudantes se aproximem do cotidiano. Vale expor que as críticas aos cursos superiores são pertinentes. A pesquisa pedagógica só ocorre no ambiente natural da prática. sistemas educativos e de todos os aspectos da prática pedagógica para descrever e explicar e o professor reflexivo dirige o olhar para seu contexto imediato para compreender. além dos pesquisadores e seus instrumentos de pesquisa. Para Schön (1990) & Zeichner (1993) formar o professor pesquisador significa garantir uma estrutura curricular que priorize a investigação. que está longe da prática. é imprescindível que disciplinas pedagógicas e científicas estejam juntas no decorrer do curso superior e não hierarquicamente. Essa concepção de formação inicial é antiga e dificulta os profissionais da infância serem de fato pesquisadores da prática pedagógica. Desse modo. os alunos. regular.ordenar.

) leva a afirmar a necessidade de transformar o modo como se dão os diferentes momentos da formação de professores (formação inicial e formação continuada). enriquecer a formação inicial. é necessário que o docente aprenda a estudar. para criar um sistema de desenvolvimento profissional. Neste sentido. p. então. a análise da adequação do espaço físico. a produzir conhecimento coletivamente e individualmente.. muito precisa ser feito para desraigar as antigas concepções de infância e de ensino superior. acredita-se na diminuição da lacuna que surge desde a formação inicial. da rotina e do projeto pedagógico e a produção de registros com os porta-fólios. a parceria com a escola. colocando como ponte para ajudar o profissional a articular à teoria com a prática. 25) relatam: (.22 Para viabilizar novo perfil profissional. Porém. Laranjeira et al. também. a Universidade poderá. assim evitando lacunas pedagógicas. pesquisar. Já Oliveira-Formosinho e Formosinho (2001) apud Kishimoto (2002. passando pela formação continuada e alcançando a sala de aula. uso de instrumentos de observação para averiguar o envolvimento da criança e da família na atividade. integrando um currículo articulado com a formação continuada do docente estabelecendo. p. Assim. A integração da formação inicial com a formação continuada pode ser o caminho para tão esperada qualidade na educação infantil. Além disso. ou seja. (1999. refletindo e mudando o currículo. tanto na formação inicial como na formação continuada. . dos materiais escolhidos.. menciona que existem algumas estratégias a serem adotas para alcançar essa qualidade de educação: Entre as estratégias adotadas encontra-se a integração da formação inicial e continuada. o empenho do profissional para dar suporte à criança. integrando as diferentes instituições responsáveis em um plano comum. ambas de modo integrado.181). O investimento na formação do profissional de educação infantil. O ensino superior poderá contribuir para este desafio. possibilita a oferta de melhor qualidade de educação às crianças.

na investigação e reflexão contínua sobre a prática pedagógica. o professor é sujeito da formação e a avaliação das necessidades pedagógicas é realizada em conjunto: professores. não busca reparar uma inadequação. ou seja. Furlanetto (2003.23 2. p. gestores e avaliadores de programas de formação. O mesossistema é o complexo mundo das inter-relações que a escola promove aos indivíduos em desenvolvimento. Neste sentido. com inspiração em Bronfenbrenner (1979). a formação continuada precisa basear-se na perspectiva do desenvolvimento profissional do crescimento.91): “entendemos que formação inicial e continuada seja um continuum”. a escola. mas sim favorecer a maior expansão do docente”. é a realidade vivencial do sujeito. mas construir conhecimento a partir da reflexão da prática pedagógica. as quais a autora (2002). segundo OliveiraFormosinho (2002). 51): Pode-se dizer. p. No modelo ecológico de aprendizagem profissional dos docentes. das condições de aprendizagem e da cultura da escola.8) comenta: “(. sendo esse processo influenciado pelas inter-relações tanto entre os contextos mais imediatos quanto entre estes e os contextos mais vastos em que a educadora interage.. mas em um contexto que promova um conjunto de estruturas concêntricas. Diante disso.) percebe o professor exercendo uma atividade multifacetada e complexa. Nesta perspectiva. ou seja. a formação continuada não busca apenas reparar lacunas da formação inicial. procura produzir a construção partilhada de saberes e práticas. trazendo conhecimento acerca da sala de aula.2 A formação continuada dos docentes da infância Segundo Bruno & Almeida (2008. Neste sentido. o desenvolvimento profissional se dá em contextos não imediatos.. p. que a ecologia do desenvolvimento profissional das educadoras envolve o estudo do processo de interação mútua e progressiva entre a educadora ativa e em crescimento e o ambiente em transformação em que ela está inserida. baseada em Bronfenbrenner. chama de microssistema. O microssistema é o local que proporciona interação entre os indivíduos. mesossistema. . como por exemplo. O modelo de desenvolvimento profissional do crescimento. exossisterma e macrossistema. ela propõe uma formação em contexto e descreve como o docente se desenvolve ao longo da vida profissional por meio do modelo ecológico (2002.

com a criança. sentir e agir. é necessário que se observem alguns fatores que podem dificultar o desenvolvimento profissional dos professores. Ela (2005. Assim relata Oliveira-Formosinho (2002. agir. Cultivar as disposições para ser. pois não se faz no isolamento.) para que haja uma mudança significativa num sistema que favoreça a prática de professores criativos. o contexto administrativo de funcionamento da escola. ser. O macrossistema refere-se às crenças. é um desafio que requer processos de sustentação e colaboração. pois se observa que uma educadora da infância não se desenvolve isoladamente. Portanto. Envolve crescimento. por exemplo. salas de aulas. investigadores. ambas as autoras concordam e reforçam a importância da interação de todos os protagonistas da escola no processo de desenvolvimento profissional dos docentes da infância. como o da criança. é preciso que se provoque mudanças em toda a hierarquia do sistema. por exemplo. p. sentir.. Nogueira (2005) vê a escola como um sistema hierárquico. Para que as práticas pedagógicas docentes se atualizem e acompanhem as mudanças da sociedade. no qual todos os protagonistas devem interagir para promover uma verdadeira mudança de prática dos professores. p. aponta para esses fatores dificultadores. baseando-se no modelo ecológico: . valores. requer empenho. hábitos..24 uma rede de interações. p. interessados. é preciso criar espaços de formação dentro do sistema que interajam entre si e que envolvam os diferentes níveis. saber. Ou seja. professores. em contexto. 49): O desenvolvimento profissional é uma caminhada que envolve crescer. formas de agir desses sujeitos que afetam as atividades e relações e interações aos níveis mais próximos do microssitema e do mesossitema. 50). Esses contextos precisam proporcionar a interação mútua entre os sujeitos em desenvolvimento. Segundo Hargreaves (1992) e Furlan (1996) apud Oliveira-Formosinho (2002. 220) menciona que: (. sustenta-se na interação do conhecimento e da paixão. Os exossitemas são arena de situações (contextos) que ocorrem nas inter-relações dos sujeitos em desenvolvimento.

redes de escolas. mas deseja produzir cultura e faz isso a partir de seu próprio desenvolvimento. O verdadeiro adulto não se contenta em ser mero repetidor de cultura. manipula um brinquedo.. observa-se também que o professor se desenvolve profissionalmente. Nesse sentido. é importante que a escola interatue com instituições de formação. ou seja. Não se desenvolverá a reflexão crítica se não houver tempo e encorajamento para que se realize.. (. 15) menciona que: (. Além disso. parafraseando Kishimoto (2002). Jung (1983) apud Furlanetto (2003.) Se a inovação for imposta de fora por uma administração de mão pesada. Assim. associações profissionais de professores.) é essencial que a escola interatue com os contextos à sua volta. coleciona pedrinhas. O processo de desenvolvimento do professor depende muito do contexto em que tem lugar. p.20): (.. explora areia. assiste a um vídeo. conversa com amigos ou com seu professor. transforma-se e transforma o outro. será pouco provável que surjam processos de experimentação criativa. A troca de conhecimento desses órgãos com a escola é importante para o crescimento profissional dos docentes. ruminando os seus problemas.. quando a criança desenha. movimentos pedagógicos.) ele refere-se ao fato de que o adulto é responsável pela sua própria educação. A natureza desse contexto pode fazer ou desfazer os esforços de desenvolvimento dos professores. é uma prioridade entender a ecologia do desenvolvimento do professor.. projetos de professores.. que é necessário o Coordenador Pedagógico apoiar o professor durante a caminhada de aprendizagem e desenvolvimento profissional. associações sindicais de professores. a unidade escolar pode estabelecer parcerias com a unidade básica de saúde do bairro em que está inserida. brinca de faz-de-conta. na interação com o outro. sementes. Tem-se assim.25 As sementes do desenvolvimento não crescerão se caírem em terreno pedregoso. vale dizer que a escola não se encerra em si mesma. assistentes sociais. Ao expandir-se no contato com o outro. . Oliveira-Formosinho (2002. Outro fator que se destaca a respeito do contexto de desenvolvimento profissional é o contexto que rompe com as forças endógenas da escola. Neste sentido. especialistas em educação. p. pinta ou observa uma flor. conselho tutelar etc. A partir do momento em que se acredita que a criança aprende com o amplo ambiente educativo que a cerca e.

mas também de suas experiências culturais vividas a partir do lugar de quem aprende. p. como esses novos conhecimentos não estão articulados às suas necessidades e. podemos perceber que pareciam possuir um professor interno.. muito menos. assim descrito por Furlanetto (2003). emocionais. subjetivo com experiências pessoais únicas: As professoras e os professores parecem seguir um eixo próprio de formação incluindo. 2003. Os novos conhecimentos se tornarão parte da prática pedagógica do docente se forem articulados com as reais necessidades pedagógicas e desejos do professor em formação: (. 2003. (Furlanetto. 2003. p. Oferecemos pacotes prontos e esperamos que os professores se apossem desses conhecimentos e os transformem em ações pedagógicas. na maioria das vezes. quais recursos teóricos e metodológicos colocaremos à disposição dos professores. cognitivos e simbólicos vividos pelos sujeitos ao transitarem nos espaços intersubjetivos. Entende-se por matrizes pedagógicas: As matrizes pedagógicas podem ser compreendidas como nichos.25) O “professor interno”. onde se constela o arquétipo do Mestre-Aprendiz. em seu processo.32) Furlanetto (2003) considera a aprendizagem do adulto como processo individual e único. muitas vezes.. vai sobrepondo-se a outras também não integradas.26 O Coordenador Pedagógico. 58-59) . Sendo assim. como se escolhêssemos qual a próxima camada de tinta que eles deverão receber. multifacetado. (Furlanetto. experiências e vivências que decorrem de escolhas pessoais. nos quais são gestados e guardados os registros sensoriais. Camada essa que. o Coordenador Pedagógico precisa compreender o professor como ser único e multifacetado no processo de formação e atentar para as dúvidas. normalmente. inquietações e necessidades pedagógicas do professor.) quando planejamos trabalhos de formação. Quando vemos isso acontecer. a seus desejos. Essas matrizes pedagógicas começam ser geradas antes da formação inicial do professor. Observando a trajetória de alguns deles. p. são descartados. (Furlanetto. tendo a oportunidade de ajudá-lo a avançar na prática docente. O que acontece. no papel de formador precisa proporcionar momentos de interação entre os professores e considerar que cada professor é um ser único. ambíguo e complexo gera durante a trajetória de vida matrizes pedagógicas. uma base da qual emanavam suas ações pedagógicas que não representava somente a síntese de seus aprendizados teóricos. responsabilizamos os professores por resistirem à mudança. é que. pensamos no que vamos acrescentar.

(Bruno & Almeida. na perspectiva de uma troca na qual é mister o comparecimento do ouvir ativo. Neste sentido.) somente o diálogo comunica. durante a formação continuada o professor precisa atuar como sujeito consciente do papel de educador.e não das nossas-. a relação interpessoal entre Coordenador Pedagógico e professores precisa basear-se no princípio da empatia. em vez de falar para. Só ali há comunicação”. Além disso. 92) Esses princípios precisam estar presentes durante a comunicação entre Coordenadores Pedagógicos e professores para o bom andamento de projetos e programas de formação continuada docente. da autenticidade e da dialogicidade produzindo assim. 2003. na coerência entre o sentir. é necessariamente uma relação de dois sujeitos. Dialogicidade: manifestação de nossa disponibilidade para falar com. p. do olhar sensível e do respeito à fala do outro. é importante a relação dialogal entre professor e Coordenador Pedagógico: Referimos-nos ao diálogo. além da preocupação em multiplicar teorias e técnicas de programas de formação. 2008. se fazem críticos na procura de algo se produz uma relação de “empatia” entre ambos.68) ensina que: “(. nas relações que estabelecemos com o outro. (Freire. ter-se-á pervertido e já não se estará educando.78-79) Freire (2003. p. a partir de suas próprias referências. ao mesmo tempo em que valorizamos esse verdadeiramente ser na perspectiva do outro. possamos ser fiéis a nós mesmos. Para isso. o pensar e o agir. . p.. com esperança. a verdadeira comunicação. E quando os dois pólos do diálogo se ligam assim. com fé no próximo. Precisamente porque. sendo o diálogo uma relação eu-tu. Toda vez que se converte o “tu” desta relação em mero objeto. possamos melhor compreendê-lo. Trata-se de uma atitude dialogal à qual os coordenadores devem converter-se para que façam realmente educação e não domesticação.. mas deformando. Entende-se por empatia. é a tentativa de “calçar os seus sapatos”.27 O Coordenador Pedagógico como formador. precisa preocupar-se com as necessidades pedagógicas dos professores. Autenticidade: é a perspectiva de que. com amor. autenticidade e dialogicidade: Empatia: exercício de colocarmo-nos no lugar do outro para que.

Mesmo com tantas lutas. as mulheres passaram a compor o quadro de funcionários das indústrias e. ou seja. destinadas a atender filhos de operários no início do século XX. os propósitos proclamados. p. filantropias. como Departamentos ou Secretarias de Educação. As Leis do Trabalho (1943) previa a instalação de berçários nas empresas com mais de 30 mulheres empregadas. Nesse contexto.3 A implantação do “Projeto Especial de Ação” e do “Programa: A Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil” Segundo Gonçalves (2004). 92): . que atendia as crianças a partir dos 7 anos de idade. p. os propósitos proclamados pelos governantes estavam muito distantes dos propósitos reais. Igreja e órgãos de assistência social. Escolas Maternais: sugiram no contexto da industrialização.28 2. Jardins de Infância: destinados a educar crianças de três a seis anos. urbanização e atendimento às mães trabalhadoras. houve uma proliferação de instituições com diferentes estruturas. em conseqüência. tendo como mantenedoras empresas. no entanto. com a revolução industrial. a determinação dessa Lei foi descumprida. propostas de trabalho e pessoas pouco qualificadas para realizar este cuidar. surgiu à necessidade do atendimento integral para os filhos. 225) seguem diferentes denominações das instituições destinadas ao atendimento à primeira infância: Creches: instituições que evoluem especialmente dentro do contexto da industrialização. Casas de Infância: geralmente oferecidas por organizações filantrópicas com vistas a assistir crianças pobres. geralmente foram amparados pelas instâncias de natureza educativa. As mulheres que atuavam no mercado de trabalho passaram a exigir do Estado o atendimento a demanda de crianças na faixa etária abaixo de 7 anos. no âmbito da Educação Infantil ficavam em um segundo plano em detrimento da educação básica. Tais unidades infantis assumem diversas estruturas e funcionamento. De acordo com Kishimoto (2001. O conceito dos propósitos proclamados e reais foi estabelecido por Teixeira (1962.

Com este avanço surgiram as preocupações com a formação dos profissionais que atuam na educação infantil e a necessidade de elaboração de Programas de Políticas Públicas para a formação docente. movia-os o propósito de exploração e fortuna. divididos entre propósitos reais e propósitos proclamados. de 20 de dezembro de 1999. A história do período colonial é a história desses dois objetivos a se ajudarem mutuamente na tarefa real e não confessada da espoliação continental (.) Nascemos. 38.869.. necessariamente. compondo a modalidade de educação infantil. Até então as instituições que acolhiam essas crianças tinham um papel principalmente assistencialista: nem tinham. p. pré-escolas e instituições similares. 243). esse atendimento corresponde às crianças de 0 a 5 anos. Tal mudança na Lei provoca a necessidade da formação de professores de creche. que integrou as creches ao Sistema Municipal de Ensino. Em São Paulo. A Constituição Federal de 1988 reconheceu a educação de crianças de 0 a 6 anos em creches.) Proclamavam os europeus aqui chegarem para expandir nestas plagas o cristianismo. com o Ensino Fundamental de nove anos. Houve um grande avanço no sistema educacional em considerar a Educação Infantil (0 a 6 anos) como primeira etapa da educação básica e incluir as antigas creches no sistema municipal de educação. 1 ° . Segue o artigo 1° do Decreto citado: “Art. dando oportunidade para os educadores que trabalham na área discutirem as funções dessas instituições e suas formas de trabalho pedagógico.. há necessidade da formação docente ao novo público de professores: Uma das principais mudanças introduzidas pela LDB foi a concepção educacional que deve preponderar para as crianças de até três anos de idade assistidas nas creches. foi publicação o Decreto n. na realidade. . as creches existentes ou que venham a ser criadas no Município de São Paulo passam a integrar o Sistema Municipal de Ensino”. correspondente ao atendimento as crianças de 0 a 6 anos de idade.29 (.A partir de 23 de dezembro de 1999. assim.. Segundo Meneses (2005. propósitos educacionais. mas. Hoje.. Essa concepção também apareceu no Estatuto da Criança e do Adolescente (1990) e na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (1996).

de acordo com a caracterização da comunidade em que estavam inseridas. só foram incluídos no “Projeto Especial de Ação”.566 de 18 de Março de 2008: Art. Com a implantação do “Projeto Especial de Ação”. Mesmo com a integração do atendimento das crianças de 0 a 3 anos na Educação.394/96: “Instrumento de trabalho elaborado pelas unidades escolares. 1. com garantia do horário coletivo. inclusive os que atendiam a faixa etária de 4 a 6 anos.826. os professores do Centro de Educação Infantil (CEI). em consonância com o Projeto da Escola. após avaliação final dos PEAs. no Município de São Paulo. a Portaria 3.30 A formação de docentes para essa nova demanda de profissionais ocorreu anos mais tarde. o Diretor da Unidade Educacional expedirá atestados. a Rede Municipal de São Paulo atendia diretamente as crianças a partir de 4 anos e implantava. criando a própria identidade. as antigas creches. A garantia de estudos em horário coletivo. 8º . fora do horário de regência de aula. inclusive com a assinatura do Supervisor Escolar. através de Portarias.Para fins de Evolução Funcional. (atualmente de 4 anos a completar a 5 anos) passaram a ter momentos preciosos de discussões e aperfeiçoamento profissional em horários coletivos. . obrigatoriamente voltados para a melhoria do processo ensino-aprendizagem. e os professores. que dispõe sobre os “Projetos Especiais de Ação”(PEAs) regulamentando a Lei de Diretrizes e Bases n. Segue a Portaria n. fora de horário de regência de classe e a Evolução Funcional foram mais uma conquista do novo público docente da modalidade Educação Infantil. compreendendo ações de natureza pedagógica e/ou institucional”. de 8 de julho de 1997. Antes da integração das creches ao sistema Municipal de Ensino. as unidades escolares passaram a elaborar os projetos pedagógicos. e desde que cumpridas as seguintes exigências estabelecidas: I-o Projeto contenha a carga horária mínima de: -nos CEIs: 108 (cento e oito) horas relógio anuais e que tenha sido coordenado ou executado no período mínimo de 09 (nove) meses completos. o “Projeto Especial de Ação” para os professores que atuavam com crianças a partir desta faixa etária. a partir do ano de 2008 e junto à garantia da Evolução Funcional para fins da melhoria de salário. Segue a publicação no diário oficial do Município de São Paulo. 9.

Em programas de formação continuada. 225) entende-se programas de formação continuada da seguinte forma: (. num período de tempo definido". os professores devem ser estimulados a articular os vários conceitos trabalhados em sua formação anterior ou atual com sua prática profissional cotidiana. na Educação Infantil. pelo “Programa”. no Município de São Paulo. mas para estimular a renovação de saberes em ambiente de aprendizagem coletiva e auto-motivada. em 2005. Isso envolve problematizar sua prática. 42). foi proposto um Programa de Formação Continuada. (Padilha 2001. voltada para equipe gestora diretamente e docentes indiretamente que atendiam as crianças de 0 a 6 anos. De acordo com Oliveira (2005. na Rede Municipal de São Paulo. sistematizar suas reflexões em várias formas de registro e reconstruir conhecimentos historicamente elaborados. O “Programa A Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil” teve como objetivo subsidiar o Coordenador Pedagógico e mais tarde o Diretor da unidade escolar.. o objetivo é orientar o fazer docente. atualmente de 0 a 5 anos. da cidade de São Paulo.4 O “Programa A Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil” O “Programa A Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil” destina-se à formação continuada de professores da Educação Infantil na Rede Municipal de São Paulo. E traz como eixo o . Segundo o documento (2006). Nesse momento histórico. p. Entende-se por Programa: "constituído de um ou mais projetos de determinados órgãos ou setores. durante a ano de 2005. A equipe da Diretoria de Orientação Técnica de Educação Infantil (DOT-EI) e representantes das Diretorias Regionais de Educação (DRE) elaboraram o primeiro documento do “Programa A Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil” chamado Tempo e espaço para a infância e suas Linguagens no CEIs.) não para suprir eventuais lacunas na formação inicial. todos os professores (CEIs e EMEIs) da primeira etapa da educação básica foram contemplados. Creches e EMEIs da Cidade de São Paulo.31 Anteriormente a essas conquistas.. p. pesquisar alternativas de ação. 2. com conteúdos e instrumentos metodológicos para a reflexão da prática pedagógica.

La Taille (1992. respeitando-as como sujeitos sociais e de direitos. isto é. visando contribuir com um currículo que proporcione às crianças condições de aprendizagem. Lingüística e outras ciências. segundo La Taille (1992). Acima de tudo. 11) cita Piaget: Se tomarmos a noção do social nos diferentes sentidos do termo. Ele também cuida e educa quando promove e acolhe as interações que a criança estabelece com outras crianças e quando organiza e dá oportunidade para que elas compartilhem experiências e saberes. 19): O professor educa e cuida especialmente ao acolher a criança nos momentos difíceis. Sociologia. Essa concepção se diferencia da concepção construtivista. A concepção sócio-construtivista fundamenta o documento. ao apresentar-lhe o que é de encantador no mundo da música e das artes. Piaget não se deteve no papel dos fatores sociais no desenvolvimento humano. além dos escritos de Wallon e apontamentos realizados pela Antropologia. como as relações “exteriores” (no sentido de Durkheim) dos indivíduos entre eles. “O professor cuida e educa quando combate preconceitos e discriminações de etnia. o professor cuida e educa quando trabalha na perspectiva da inclusão social e garanta a todas as crianças com as quais trabalha uma experiência bem sucedida de aprendizagem. ao fazê-la sentir-se confortável e segura. cultura e condição social. porém não negou que o homem é um ser social. capazes de pensar e agir de modo criativo e crítico. credo. Neste sentido. . e muito mais. desde o nascimento. englobando tanto as tendências hereditárias que nos levam à vida em comum e à imitação. não se pode negar que. o desenvolvimento intelectual é. Na concepção construtivista. fortalecendo a auto-estima de todas as crianças. p.32 Educar e Cuidar e a otimização dos tempos e espaços de aprendizagem. Algumas ações de cuidar e educar são citadas no documento (2006. o professor educa e cuida quando proporciona condições a criança de ampliar o repertório de conhecimento constituindo-se como sujeito com formas de agir. simultaneamente. obra da sociedade e do indivíduo. da natureza e da sociedade. inclusive com aquelas que apresentam necessidades educacionais especiais. p. sentir e pensar culturalmente. ao orientá-la quando necessário.

tem. Com base nessa concepção. duas funções básicas: a de intercâmbio social e a de pensamento generalizante”. ao longo do desenvolvimento da espécie e do indivíduo. 1992. o sistema simbólico o indivíduo representa o mundo real no universo psicológico. essa “marcha para o equilíbrio” tem bases biológicas no sentido de que é próprio de todo sistema vivo procurar o equilíbrio que lhe permite a adaptação. já que é sobre os últimos que se vão construir conhecimento (.27) As relações sociais no desenvolvimento humano são enfocadas de modo diferente em ambas as teorias. nas relações precisam ter troca de pontos de vista e controle mútuo dos argumentos e além de basear-se na dimensão ética (La Taille. 1992). molda o funcionamento psicológico do homem”. 24).. p. p. mas através de um acesso mediado. Entende-se por sistema simbólico: “A linguagem humana. (Oliveira.18): Para Piaget. sua aprendizagem e seu desenvolvimento: . Na concepção sócio-construtivista os fatores sociais são decisivos para o desenvolvimento humano. encontra-se no documento Tempo e Espaço para infância e suas linguagens em CEIs. um novo olhar para criança. Na concepção sócio-construtivista o desenvolvimento humano constitui-se: “(. as relações sociais devem ser baseadas nas relações de cooperação e não nas relações de coação. La Taille (1992. ou seja.. (Oliveira. sistema simbólico fundamental na mediação entre sujeito e objeto de conhecimento.33 O ‘ser social” para Piaget é aquele que consegue relacionar com seus semelhantes de forma equilibrada. p. ou seja.) Além disso.) enquanto tal na sua relação com o outro social. para Vigotski. Nesse processo de desenvolvimento são essenciais as ações do sujeito sobre os objetos.24) O desenvolvimento humano no processo sócio-histórico ocorre por meio da mediação. liberdade e democracia. no valor ético da igualdade.. p. A cultura torna-se parte da natureza humana num processo histórico que. Creches e EMEIs da cidade de São Paulo (2006. 1992. e também no sentido em que existem processos de auto-regulação que garantem a conquista deste equilíbrio. o homem não tem acesso direto ao objeto..

desenvolvimento. mas também com outras crianças. outras crianças mais velhas – que lhe apresentam continuamente novas formas de se relacionar com o mundo a fim de compreendê-lo e transformá-lo. com a participação de vários profissionais da educação: educadores. traça desenhos. e esta ativação não poderia produzir-se sem a aprendizagem. gestores educacionais e de Políticas Públicas. Entende-se por aprendizagem e desenvolvimento conforme Vigotski (1991. pois é produtora de conhecimento. coordenado pela equipe de diretoria de Orientação Técnica Pedagógica de Educação Infantil. de cultura e de uma identidade pessoal. o qual o professor era o centralizador do conhecimento e passa a ser protagonista da aprendizagem. imita pessoas ou outros elementos que observou.. em si mesma. a criança deixa de ser uma tábua rasa como antes era vista.) criança nasce com condições para interagir com parceiros mais experientesseus pais. mas formadas historicamente. 115): (. p. As experiências vividas no espaço de Educação Infantil devem possibilitar à criança o encontro de explicações sobre o que ocorre à sua volta e consigo mesma. Assim. com o ambiente. elabora respostas. ativa todo um grupo de processos de desenvolvimento.. Outro documento do “Programa A Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil é Orientações Curriculares-Expectativas de Aprendizagens e Orientações Didáticas para Educação Infantil (2007). não só com os adultos. enquanto desenvolvem formas de sentir. influenciando-o e sendo influenciada por ele. Ele traz o conceito de aprender que vai ao encontro do novo olhar da criança citada no documento anterior: . mas uma correta organização da aprendizagem da criança conduz ao desenvolvimento mental. grupos de trabalho.. Por meio dos relacionamentos que a criança estabelece. ela nomeia objetos. na concepção tradicional. com o contexto e com as diversas vivências que este contexto proporciona. constantemente significando o mundo a sua volta. A criança aprende na interação com o outro. com o objetivo de subsidiar os professores da rede Municipal de Educação e toda equipe escolar em busca de uma educação infantil de qualidade. Por isso.. os educadores. a aprendizagem é um momento intrinsecamente necessário e universal para que se desenvolvam na criança essas características humanas não-naturais. outros familiares. interagindo com o mundo à sua volta. formula perguntas. pensar e solucionar problemas. também. Ela tem voz própria e deve ser ouvida.) a aprendizagem não é.34 (.

35 Aprender pode ser entendido como o processo de modificação de modo de agir. A família. p. interativos. os objetos.. as pega no colo quando se emocionam e. ou a partir de objetos e de outras produções culturais abstratas. crianças e situações) e. críticos. responde ao que elas perguntam. 23) Então. O professor mediador também possui posturas diferenciadas de acordo com situações de preconceitos e acolhimento das crianças com necessidades educacionais especiais. mas à experiência. o professor. por vezes. aprende-se consigo mesmo. os agrupamentos infantis. dificultando a troca de experiência. que continuamente atribui aos signos que lhe são apontados. 17) Ambos os documentos se opõem à concepção tradicional de educação. ensinar as regras sociais de seu grupo social ou aperfeiçoar seu modo de sentir as situações. 2007. sentir e pensar de cada pessoa que não pode ser atribuído à maturação orgânica. 2007. sobretudo. O professor atua de modo direto conforme interage com as crianças e lhes apresenta modelos. opõe-se ao que elas estabelecem para ajudá-las a ampliar seu olhar. Ele age de uma forma indireta. com a nova proposta pedagógica passa a ser convidada a ser parceira durante toda a caminha da . (. (Orientações Curriculares-Expectativas de Aprendizagens e Orientações Didáticas para Educação Infantil. p. que antes era distante da escola com participações limitadas. os horários. que se remete ao modelo de ensino-aprendizagem centralizador. cujo conhecimento se encontra no poder de uma única pessoa. para a atividade da criança. p. criativos e pesquisadores. faz perguntas para conhecer suas respostas. Ele tem o cuidado em tratar de forma não preconceituosa essas situações nas interações com as crianças. De acordo com a concepção sócio-construtivista o professor desempenha um o papel no processo ensino-aprendizagem de mediador: A mediação do professor se faz à medida que suas ações buscam familiarizar a criança com significações historicamente elaboradas para orientar o agir das pessoas e compreender as situações e os elementos do mundo.) Além disso. pelo arranjo do contexto de aprendizagem das crianças: os espaços. a nova concepção nos remete a uma nova dimensão de professor. (Orientações Curriculares-Expectativas de Aprendizagens e Orientações Didáticas para Educação Infantil. 2007. aluno e de ações de ensino: A concepção adotada amplia o olhar para as diferentes fontes de ensino ( adultos. 24) Os protagonistas no processo de ensino-aprendizagem são ativos. (Orientações Curriculares-Expectativas de Aprendizagens e Orientações Didáticas para Educação Infantil. interação e o contato com novos conhecimentos dos pequenos aprendizes..

o trabalho do professor deve ser integrado à família. móveis e utensílios escolares). avós. 244). a observação sistemática do comportamento de cada criança feita ao longo do período em muitos e diversificados momentos é condição necessária para se levantar como ela se apropria de modos de agir. sentir e pensar culturalmente constituídos. 28). (. A avaliação é um tema abordado no documento Orientação Curricular (2007. aquela em que o educador passa a ter uma relação afetiva de cuidado com o bebê ou a criança de CEIs. que permeia desde as condições de prédios. Elas têm apresentado muito sucesso na melhoria das condições de funcionamento da escola. o professor irá planejar novamente suas ações para melhor atender as crianças. A observação e o registro são instrumentos totalmente indispensáveis no processo de ação-reflexão-ação do planejamento de cada professor. ou seja.aprendizagem. As interações e relações dos educadores da infância com as crianças e. Ele traz a seguinte concepção: A avaliação que mais deve interessar ao professor é aquela que não compara diferentes crianças. Segundo Meneses (2005. . o professor precisa incluir visitas.. p. mas a que compara uma criança com ela mesma. a aproximação da escola com a comunidade já tem dado resultados significativos: A escola não pode mais desconhecer a comunidade onde se encontra. De acordo com o documento Orientações Curriculares (2007) o educador da infância passa a desenvolver a chamada relação de apego. materiais escolares e atendimento ao público. o papel da mãe.36 aprendizagem da criança. Neste sentido.. Creches ou EMEIs. inclusive nos resultados pedagógicos referentes à questão do ensino. Para tanto. A partir da observação atenta e detalhada. p. dentro de certo período de tempo. sugestões e observações dos familiares como forma de conhecer a criança e ampliar a qualidade do trabalho pedagógico. De acordo com o documento Orientação Curricular (2007). a escola e a família devem estar unidas num objetivo comum: a qualidade da escola brasileira. entre as próprias crianças. portanto. devem ocorrer de forma mais tranqüila possível. até as questões pedagógicas.) são conhecidas inúmeras iniciativas de profissionais da educação que mobilizam a comunidade para participar do processo educacional e do ensino-aprendizagem e para atividades de preservação do equipamento escolar (edifício. pois é neste núcleo que ocorre o primeiro contexto educacional da criança.

de pintura. de construção. ambiente lúdico e saudável. Sempre que possível esse espaço deve integrar objetos novos para serem significados pelas crianças. bem planejado com áreas de bibliotecas. segundo a equipe da Diretoria de Orientação Técnica. 33).. Para consolidar o vínculo afetivo dos educadores e crianças e o reconhecimento do ambiente novo como seguro e significativo é necessário que os professores conheçam a história da criança e seus hábitos e mantenham constantemente o diálogo com os familiares. que traz a conotação de “aula” sendo muito questionada na Educação Infantil. da criatividade e da significação. Creches e EMEIs. para acontecer com tranqüilidade.. mas inclui sua possibilidade de atender às necessidades e às exigências das crianças e dos adultos nos momentos programados ou imprevistos. de música. esta sala de convivência deve ser um espaço. insolação ou topografia. sua condição de cenário para diferentes atividades. demanda um planejamento dos momentos de ingresso dessas crianças de CEIs. no qual todos os protagonistas da aprendizagem desempenhem o papel da ação. de teatro. Os materiais que compõem a sala de convivência precisam ser planejados. com suas marcas. (Orientações Curriculares-Expectativas de Aprendizagens e Orientações Didáticas para Educação Infantil) A sala de convivência. de fazde-conta.37 parentes. Além disso. . Outro desafio para os educadores da infância é proporcionar uma relação de interação positiva entre as crianças. Essa transferência de segurança e confiança. estabelecer regras de convivência com o grupo e sempre que quebradas relembrá-las a todos. vai além do espaço físico de uma sala de convivência: (.Educação Infantil (2007. para diferenciar da concepção de sala de aula. individuais ou coletivos. assim chamada pela DOT-EI (2007). objetos e trabalhos em exposição constantemente.) o espaço físico das unidades educacionais não se resume apenas à sua metragem. mediar conflitos e ajudar as próprias crianças a aprender a resolvê-los com os colegas. p. As crianças devem reconhecer o espaço como seu. assim construindo o vínculo de amizade e parceria. deve ser um lugar lúdico. é transferido para a pessoa do educador da infância. O educador deve garantir a convivência em grupo com diferentes faixas etárias. de forma a dar acessibilidade às crianças. de jogos e de informática. O espaço. enfim deve ser um espaço que contemple as mais variadas linguagens de aprendizagem da Educação Infantil. e ser diversificados para dar autonomia a elas. pessoas que antes davam a segurança para a criança neste momento.

mas aprender com as crianças a relacioná-las de forma significativa. Ao longo do tempo.) instrumentos culturalmente elaborados cuja apropriação pela criança se faz no contacto com modelos que são familiares a ela e com a diversidade cultural trazidas por cada uma delas”. Essas múltiplas aprendizagens podem ser promovidas na Educação Infantil. como elemento integrante no processo de aprendizagem. as crianças se comunicam. ao mesmo tempo em que brinca com as palavras. 2006. As atividades devem ser planejadas de forma a equilibrar o tempo de espera de uma atividade ou outra. que dê qualidade ao tempo vivido pelas crianças durante todas as ações dela. Dentro de todas essas concepções de tempo. as atividades precisam ser variadas. enfim. a leitura e a escrita.38 O tempo é compreendido. de tal forma. interagem. Creches e EMEIs da Cidade de São Paulo. segundo o documento (2007). Segundo o documento A Rede em rede: Formação Continuada na Educação Infantilfase 1. se desenvolvem culturalmente. o educador da infância precisa organizar o tempo. aprendizagem e educador da infância percorrem as múltiplas linguagens culturalmente estabelecidas: o brincar.. Nas cirandas ou brincadeiras cantadas. a comunicação e expressão gestual e verbal. . ambiente.. ampliam seu repertório. p.. relações. (2007.. diversificadas e regulares para facilitar a significação delas pela criança. (Tempos e espaços para a infância e suas linguagens nos CEIs. criação plástica e visual e a dança e música. criança. Um fato importante é que a criança percebe as linguagens de forma interrelacionadas: (.) as garatujas são expressões do gesto ao mesmo tempo em que já se delineiam em combinação de linhas e cores. espaço. Por meio das múltiplas linguagens. desde a hora da entrada da unidade escolar até seu retorno ao lar. 23) entende-se por linguagens: “(. materiais. 56) Portanto. Enfim. interações. esse tempo de espera pode ser planejado com ações lúdicas destinadas à criança para evitar episódios de mordidas e brigas muito comuns nessa faixa etária. p. a criança explora as possibilidades expressivas de seus movimentos. o educador da infância não deve pensar as linguagens com o fim em si só.

o documento “A Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil. publicados pelo “Programa”. O documento tem como foco subsidiar o Coordenador Pedagógico durante a formação continuada com a equipe de formação. um referencial para a prática docente e um convite a todos os comprometidos com a infância a inventar. inventar soluções Por isso podemos dizer que o Coordenador Pedagógico é um dos profissionais mais estratégicos na formação continuada da equipe de professores e na construção de um trabalho pedagógico nas EMEIs e CEIs. 11) . O documento relata as experiências e conhecimentos dos 800 profissionais e 30 formadores que se comprometeram com o Programa no ano de 2006.fase 1”. congregar esforços para encontrar alternativas e. p. Tempos e Espaços da Unidade Educacional.( A Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil. foi distribuído aos gestores das Unidades Escolares CEIs e EMEIsSupervisores. que.os educadores da infância. transformar as queixas em bons problemas. Nesse contexto os Supervisores eram convidados. 1) Durante os quatros anos do “Programa A Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil”. Os profissionais atingiram as 314 mil crianças de Educação Infantil. o Coordenador Pedagógico foi o principal foco da formação continuada. pois o lúdico deve permear todas as outras Linguagens. criar e ampliar as possibilidades do brincar. foi distribuído a todos os protagonistas da Educação Infantil um documento chamado “São Paulo é uma escola: Manual de Brincadeiras” O documento é um resgate das brincadeiras da infância. do Município de São Paulo. uma vez por mês. 2007. 2007. (A Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil. No ano de 2007. Essa linguagem é tão preciosa para equipe de DOT-EI.39 O brincar é a principal linguagem. Havia. Em 2008.fase 1. no ano de 2006. muitas vezes. p. O papel do Coordenador Pedagógico como formador: A especialidade do Coordenador Pedagógico reside em sua capacidade de descontextualizar práticas cotidianas. uma formação local para os Coordenadores Pedagógicos e uma formação central para os Coordenadores Pedagógicos e Diretores com temas baseados nos documentos. compreender o que é mais geral nas tantas situações que envolvem a educação de crianças e a formação de adultos. Diretores e Coordenadores Pedagógicos.fase 1. matriculados na Rede Municipal de Educação conforme cita Schneider. foi acrescida a presença do Diretor da Unidade de Educação Infantil.

a identidade de um todo (rede) e. incentivasse as características e particularidades de cada contexto (Unidade). diferenciando-o das demais possibilidades de brincar nas escolas de educação infantil. também. Creches e EMEIs da Cidade de São Paulo (2006) menciona que no final de 2005 e início de 2006. neste contexto. O documento Tempos e espaços para a infância e suas linguagens nos CEIs. Esse documento representa mais uma oportunidade para o aprimoramento pessoal e profissional dos educadores. declarou que o número de crianças atendidas pela Secretaria de Educação da Cidade de São Paulo era de cerca de 390 mil crianças.40 O Coordenador Pedagógico é fundamental para o “Programa” como agente formador. Segundo DOT-EI (2006). E. os conteúdos fundamentais da formação continuada são as práticas culturais da Educação Infantil e os Instrumentos Metodológicos. a qual ajuda o Coordenador Pedagógico a apropriar-se de indicadores e princípio de qualidade de ambientes. O terceiro módulo. instituir ou dinamizar a prática de registro e sistematizar a devolutiva dos registros. O documento tem como objetivo final assegurar à criança a aproximação das práticas sociais. porém em parceria com a equipe de gestores e professores. Dº José Aristodemo Pinotti. O documento A Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil-fase1 (2007) é dividido em três módulos: o primeiro aborda a questão da metodologia de observação. observação e problematização das práticas pedagógicas. distribuídas nas 1411 Unidades de Educação Infantil: 336 CEIs diretos. instituídas em nossa cultura. 608 CEIs. Portanto. . o documento desafiou todos os profissionais de educação infantil a reorganizarem o trabalho pedagógico no que se refere aos tempos. responsáveis pelo atendimento das necessidades crescentes da população de crianças de 0 a 5 anos. vêm apoiar o Coordenador Pedagógico na introdução ou re-significação do faz-de-conta infantil. houve um desafio de elaborar um documento que criasse. retirados da reflexão sobre a prática. através da reflexão. O segundo módulo vem para apoiar o Coordenador Pedagógico a re-significar algumas práticas sociais presentes ou introduzir outras na Unidade Escolar. espaços e atividades nas quais as crianças se inserem. por meio do Secretário de Educação. Creches conveniadas e 467 EMEIs. ao mesmo tempo.

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O “Programa A Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil” foi implantado, nos horários coletivos de formação continuada dos docentes por meio do “Projeto Especial de Ação”.

2.5 O “Projeto Especial de Ação”- no Município de São Paulo

Entende-se por projeto: “Como o próprio nome indica, projetar é lançar para frente, dando sempre a idéia de mudança, de movimento. Projeto representa o laço entre o presente e o futuro, sendo ele a marca da passagem do presente para o futuro”. Veiga (2001, p. 18) O projeto direciona as ações pedagógicas da unidade escolar partindo das necessidades do presente em busca de soluções para o futuro. Com esta finalidade a unidade escolar elabora o “Projeto Pedagógico”. Veiga (2003, p. 13) menciona que:
O projeto pedagógico aponta um rumo, uma direção, um sentido explícito para um compromisso estabelecido coletivamente. (...) ao se constituir em processo participativo de decisões, preocupa-se em instaurar uma forma de organização do trabalho pedagógico que desvele os conflitos e as contradições, buscando eliminar as relações competitivas, corporativas e autoritárias, rompendo com a rotina do mando pessoal e racionalizado da burocracia e permitindo as relações horizontais no interior da escola.

O “Projeto Pedagógico” tem por finalidade retratar a realidade da escola, humanizar as relações e organizar as ações educativas. A partir da contextualização do “Projeto Pedagógico” é elaborado o “Projeto Especial de Ação”. O “PEA” deve estar articulado ao Projeto Pedagógico para não ocorrer ações educativas esporádicas ou contraditórias: “A verdadeira mania de projetos que se abateu sobre a educação tem gerado ações esporádicas, até contraditórias entre si, porque é bonito administrar por projetos e não se tem o cuidado de realizar aqueles que brotassem de um plano global”. (Gandin, 1991, p.53) Além disso, tanto o “Projeto Pedagógico” como o “Projeto Especial de Ação” para serem eficientes precisam priorizar as reais necessidades da escola e ter as etapas de elaboração, execução e avaliação bem planejadas. Esse planejamento precisa ser visto como processo educativo e não como planejamento estático. Segundo Gandin (1991, p.17): “(...) processo de planejamento é concebido como uma prática que sublinhe a participação, a

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democracia, a libertação. Então o planejamento é uma tarefa vital, união entre vida e técnica para o bem-estar do homem e da sociedade”. Neste sentido, os “Projetos Especiais de Ação (PEA)” são instrumentos de trabalho pedagógico elaborado de acordo com as necessidades do professor, por toda equipe da Unidade Escolar e aprovado pelo Conselho de Escola, anualmente. Após a elaboração e aprovação pela equipe escolar e comunidade, é enviado ao Supervisor Escolar que fará apreciação e homologação. Além disso, o Supervisor Escolar deverá acompanhar e subsidiar a escola no processo de avaliação durante a execução do “PEA”. Neste “Projeto” está contido o tema, o objetivo, a justificativa, os procedimentos metodológicos, metas a alcançar, descrição das etapas, a referência bibliografia a ser estudada no decorrer do ano letivo e avaliação periodicidade e instrumentos a serem adotados. O referido “Projeto” deve sempre atender as normas ditadas pela legislação e atender a Política Educacional vigente. Na Educação Infantil, o “PEA” tem a especificidade de garantir as crianças vivências de experiências diversas e significativas através das múltiplas linguagens do universo infantil. O Coordenador Pedagógico, Diretor de Escolar e Assistente de Direção participarão do “Projeto” dentro do horário de trabalho, exercendo o papel de coordenador respeitando a respectiva ordem. Os professores que possuem a Jornada Especial Integral de Formação (JEIF), a Jornada Básica do Docente- (JBD) e a Jornada Básica de 30 horas semanais poderão compor o grupo de formação continuada, no horário coletivo, do “PEA”. Porém, estão impedidos de participarem do “PEA” os professores que possuem a antiga Jornada Básica (JB) instituída pela Lei n. 11.434/93, os professores de Educação Infantil sem regência de classe, os Auxiliares de Desenvolvimento Infantil- ADI, os professores com laudo de readaptação e alteração de função. O “PEA” também não contempla a participação do Agente Escolar e do Assistente Técnico Educacional (ATE), uma vez que se acredita na importância da formação continuada a toda equipe, seria importante a participação desses protagonistas no “Projeto”. Os profissionais da educação que obtiverem uma freqüência mínima de 85%, individualmente, no “PEA”, e este atingir o total de 144 horas aula anuais executadas no período de 8 meses completo, exceto os profissionais do Centro de Educação Infantil que

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deverão atingir 108 horas relógio e 9 meses completos, ganharão um ponto para a evolução funcional, que implicará, futuramente, na melhoria de salário. Quanto à análise do “Projeto Especial de Ação”, tendo como ponto de partida a implantação em 1997 e a comparação estabelecida entre o período de 2005 a 2008 percebe-se algumas modificações, principalmente, na concepção das modalidades de formação:

Portaria n. 3.826, de 8 de Julho de 1997 orienta:

Art 2º : Configuram-se modalidade de PEA’s , os seguintes Projetos: I- de Formação e Aperfeiçoamento Profissional: ações relacionadas ao processo ensino-aprendizagem: envolvendo Docentes e Equipe Técnica da Escola; II- de Avaliação Diagnóstica: atividades sistematizadas de diagnóstico e acompanhamento, prioritariamente dos Ciclos Iniciais e Intemediários do Ensino Fundamental e não caracterizadas como de reforço, recuperação e reposição de aulas: envolvendo Docentes, Discentes e Equipe Técnica da Escola; III- de Orientação Educacional e Pré- Profissionalização: ações integradas ao Ensino Fundamental e voltadas à orientação: para estudo, familiar e profissional e iniciação e preparo para o trabalho, compreendendo noções de legislação trabalhista, formas alternativas de trabalho: envolvimento Docentes, alunos dos Ciclos Intermediário e Final do Ensino Fundamental Regular e 3º e 4º Ciclos do Ensino Fundamental Supletivo e Equipe Técnica da Escola; IV- de Ações com a Comunidade: ações para o aprimoramento da relação Escola X Comunidade: envolvimento Docentes, Equipe Técnica, membros da Associação de Pais e Mestres, Conselho e Escola, Grêmio de Escola, Grêmio Estudantil e comunidade; V- Culturais e Artísticos: ações voltadas para ampliação do conhecimento e enriquecimento extra-classe: envolvendo Docentes, Equipe Técnica e membros das Instituições Auxiliares da Escola; VI- de Melhoria da Qualidade de Vida e Formação da Cidadania: abrangendo temáticas, tais como: Educação Ambiental, Educação para o Trânsito, Educação para o Consumo, Orientação Sexual, Prevenção ao Uso Indevido de Drogas e outras: desde que respeitados os critérios desta Portaria.

Portaria n. 1.566, de 18 de Março de 2008:

Art 2º : Configuram-se modalidade de PEA’s as ações de formação voltadas para: I- a tematização das práticas desenvolvidas nos diferentes espaços educativos;

6 Os dilemas do Ensino Fundamental de 9 anos e o Cuidar e Educar na Educação Infantil No contexto da Educação Infantil. Assim. “ Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil”. IV.a implementação de projetos específicos para superação das defasagens de aprendizagem detectadas na Prova São Paulo e em outras avaliações realizadas pela Unidade Educacional. educação para o Trânsito etc. “ Orientações Curriculares: Expectativas de Aprendizagens e Orientações Didáticas” e “ Referencial sobre avaliação da aprendizagem de alunos com necessidades educacionais especiais”. atualmente. . Quando o “PEA” foi implantado se tinha como foco ações voltadas para o processo ensino-aprendizagem envolvendo docentes e equipe técnica da escola e avaliação diagnóstica desse processo. observa-se que o foco da formação docente se modifica de um governo para outro. ações que priorizassem a relação escola e comunidade.a articulação das diferentes atividades e/ou projetos/programas que integram o Projeto Pedagógico. Neste sentido. pode-se dizer que o “PEA” é uma forma de manter a concepção pedagógica do governo vigente. 2.prioridade na Escola Municipal”.a implementação dos Projetos e Programas específicos da Secretaria Municipal de Educação. Nota-se que. com o passar dos anos. observa-se a diferente concepção de formação docente. Ao comparar as duas Portarias. encontra-se um dilema a ser discutido: como será o atendimento das crianças de 6 anos completos ou a completar que deixam a Educação Infantil e vão para o Ensino Fundamental de 9 anos? As unidades escolares infantis.44 II. quanto às modalidades de formação. o foco da formação que permeia o “PEA” têm sido diversificado. dentre outros: Programas “Ler e Escrever. O foco desta Portaria é a tematização das práticas docentes. além do enriquecimento cultural e artístico dos docentes e gestores e melhoria de qualidade de vida e formação da cidadania com temas como drogas. Já a Portaria do “PEA” (2008) traz outras preocupações quanto à formação docente. articulação dos projetos com o Projeto Pedagógico. III. a implementação dos projetos e programas elaborados pela Secretaria Municipal de Educação e a implementação de projetos específicos para superação das lacunas de aprendizagem apontadas pela Prova São Paulo. orientação sexual.

como aos adolescentes pertencentes ao ensino fundamental de 8 anos. propôs. em consonância com a universalização da faixa etária de 07 a 14 anos. e ampliam a permanência do estudante no ensino fundamental para nove anos. assegurar o ingresso das crianças mais cedo no sistema de ensino.274/06 tornam obrigatória a matrícula. ao tratar do ensino fundamental. 10.114/05 e n. nas EMEIs e EMEFs. Por isso. até 2010. com a inclusão das crianças de seis anos. Da mesma forma. Todas as implementações devem ocorrer. Esse Projeto Pedagógico deve estar pautado numa nova concepção de infância. da sensibilidade. da capacidade de observar e de vivenciar experiências interativas. oferecer maior oportunidade de aprendizagem. O Plano Nacional de Educação. ele precisa ser pensado e organizado no sentido de lhes possibilitar o desenvolvimento da alegria. por intermédio das Leis Federais. A exigência da ampliação do tempo da escolarização básica foi prevista na Lei n. que estabelece o Plano Nacional de Educação. 11. a partir de seis anos. no período de escolarização obrigatória. Nesse momento da implantação surge a grande dificuldade das escolas e dos docentes que irão atender a esses novos ingressantes de 6 anos de idade: como não manter as mesmas características da primeira série do ensino fundamental de matriz organizada em 8 séries? Diante desta dificuldade. A proposta de implantação na educação básica. trouxe a rede de ensino alguns desafios de implantação: dar acesso e permanência ao ensino fundamental de 9 anos às crianças de seis anos.172. 11. o Conselho Municipal de Educação dá o seu parecer: O entendimento da infância como uma categoria social. implica no tratamento do espaço da escola como parte importante do processo de formação das crianças.45 que atendem crianças agora de 4 anos a completar tem se organizado para acolher essa nova demanda? As Leis Federais n. historicamente construída. de janeiro de 2001. alcançar maior nível de escolaridade e implementação progressiva do ensino fundamental de nove anos. que antes eram atendidas na última etapa da Educação Infantil. na qual as crianças sejam vistas e atendidas como sujeitos sociais e históricos. da ludicidade. o ensino fundamental de 9 anos. é . o sistema de ensino e as escolas devem se preparar para organizar um novo Projeto Pedagógico que assegure o pleno desenvolvimento e aprendizagem de qualidade tanto aos novos ingressantes.

(Deliberação CME n.. porém não se pode esquecer das crianças de 3 anos e meio que ingressam nas Escolas Municipais de Educação Infantil.55) . acomodá-las em momentos de repouso. Há uma nova concepção do educar e cuidar. ao currículo. nesta pesquisa. ( A Rede em rede-fase 1. p.) a especificidade da creche/pré-escola não é considerada. Segundo Kishimoto (2002. que se transforma em vivências e práticas pedagógicas cotidianas. flexível. 169): (. quanto ao acolhimento. Para avaliar se há uma discussão dos protagonistas de Educação Infantil. conceito este que vem contrapor o caráter hegemônico da escolarização. Nas recomendações. Esta concepção de cuidado e de educação está hoje sendo muito questionada na área. Tais posturas demonstram o caráter hegemônico da escolarização sobrepondo-se às experiências das crianças. 2007. As particularidades da faixa etária e suas necessidades são conhecidas por todos os protagonistas da educação infantil. na formação continuada. e não como algo dinâmico. Separam no ser humano. cognitivo e afetivo. dar banho.46 preciso retomar a discussão em torno do currículo para supervisão de que este seria uma relação de matérias ou conteúdos. ao mobiliário. observa a preocupação curricular com as crianças de 6 anos. orientar momentos de lanche e/ou almoço. cultural. porém sempre mediada pela preocupação com a escolarização. antigas concepções são questionadas: Muitos professores na Educação Infantil não acham que trocar fraldas. trazendo como conseqüência a antecipação dos conteúdos do ensino fundamental. os aspectos biológico. à proposta pedagógica voltada para os mais novos ingressantes. 03/2006) O Conselho Municipal de Educação propõe recomendações a respeito do período de transição da implantação do ensino fundamental de 9 anos com o objetivo de assegurar o atendimento de qualidade aos novos ingressantes: reorganização pedagógica e readequação curricular de todo o paradigma do ensino fundamental. p. De acordo com a relação do cuidar e educar.. A articulação da pré-escola com as creches aparece em algumas propostas. que têm ainda um perfil diferenciado dos Centros de Educação Infantil. são tarefas educativas. acompanhar crianças ao banheiro. coloco a questão aos professores e gestores.

emocionais e cognitivas. tanto a criança de zero a três anos e meio quanto as de cinco devem ser acolhidas. como elas brincam. pois. respeitando-se suas necessidades biológicas. Mendes e Faria. Antes da Lei de Diretrizes e Bases 9394/96 a concepção pedagógica da educação infantil era fragmentada. (2006. uma atualizada organização do tempo e espaço na Educação Infantil ficará difícil para os novos ingressantes serem bem acolhidos nas Unidades Escolares. principalmente. 41) mencionam que planejar o diálogo entre os dois segmentos é fundamental: Enfim. quais seus principais interesses. As Escolas de Educação Infantil e Fundamental I devem superar a questão da escolarização. O conceito cuidar e educar devem ser indissociáveis na modalidade de Educação Infantil. as creches que atendiam crianças de 0 a 3 anos tinham a função exclusiva de cuidar não existia neste segmento educacional a preocupação com o conceito de educar. é preciso que os profissionais que as acolhem possam explicitar e afinar suas utopias e desejos educacionais. Portanto. localizada principalmente na última etapa da Educação Infantil. ou seja. A equipe educacional precisa atentar para o novo marco na Educação Infantil. . do Sistema Municipal de Educação. no último ano da Educação Infantil e primeiros anos do Ensino Fundamental I e proporcionar as crianças vivências cada vez mais lúdicas e significativas que ampliem seus repertórios. prazeres e resistências. que conservam a proposta de escolarização. p. elaborar uma nova Proposta Pedagógica e levar essas discussões para a formação continuada. A história nos aponta para mudanças imediatas. sem uma nova concepção pedagógica. nesta passagem. físicas. é fundamental que os profissionais de um segmento e de outro possam dialogar! Precisamos incluir esse diálogo no nosso planejamento. medos. o que já pesquisaram. Os profissionais que atuam na modalidade da Educação Infantil passam a ter em suas ações pedagógicas a preocupação tanto com o cuidar como o educar as crianças.47 A criança não pode ser dividida entre o biológico e o cognitivo. Lopes. Vale conversar sobre do que gostam as crianças. A fim de garantirmos experiências significativas para as crianças. A partir da LDB as creches passam a fazer parte da primeira etapa da Educação Básica e no Município de São Paulo.

conheçam sua individualidade. 2008. discutir e planejar. Neste contexto. a escola pode se organizar. a expectativa das professoras desta EMEI. outra ação traçada pela unidade escolar para articulação dos dois segmentos. ao propor esta articulação. (Ramires. considere o percurso de cada uma na educação infantil – com seus avanços e dificuldades – e elaborem propostas educativas apoiadas no crescimento real e potencial de cada indivíduo de maneira adequada a sua reais condições. ao receberem os portfólios das crianças. de dúvidas. pois materializam uma documentação viva deste processo. 253) Além disso. de anseios dos professores e as crianças acolhidas nesses segmentos são beneficiadas através da articulação entre as unidades escolares. Este é mais um desafio para as nossas escolas. momentos para que ocorra o diálogo entre os segmentos. na formação continuada docente. a educação infantil passa a ser de fato reconhecida e apreciada enquanto etapa relevante para o desenvolvimento integral das crianças. Para tal.48 Nesse sentido. valorize o conhecimentos construídos. EMEI e EMEF. é que os educadores do ensino fundamental. segundo os registros nos livros de atas. 253) O diálogo entre os dois segmentos são possíveis e possibilita à aproximação. p. A pesquisa realizada numa Escola Municipal de Educação Infantil revela as expectativas dos professores da infância em propor a articulação com os professores do ensino fundamental através do portfólio de cada aluno: Assim. p. contribuem tanto as informações fornecidas pelas professores de educação infantil quanto os portfólios. a troca de conhecimento. . foi a proposta de reuniões conjuntas: Estas reuniões permitem ainda que os educadores do ensino fundamental expressem suas expectativas em relação ao desenvolvimento das crianças na educação infantil assim como esclareçam dúvidas a respeito do processo de aprendizagem de determinadas crianças. (Ramires. 2008.

52) . Nesse contexto. O pesquisador participa. na co-participação das situações dos informantes. procurando verificar sua influência sobre outras variáveis. (Chizzotti. compreende e interpreta. explica e prediz. abordagem qualitativa (técnica de entrevista semi-estruturada e análise dos documentos da escola pesquisada e pesquisa de campo. mediante a análise da freqüência de incidências e de correlações estatísticas. A metodologia utilizada na pesquisa foi as abordagens quantitativa (técnica de questionário). O pesquisador descreve. O protagonista nesse “Projeto” e “Programa” é o Coordenador Pedagógico que é o formador direto dos professores de Educação Infantil e conta com o apoio do Diretor da Escola. 2006. analisadas a partir da significação que estes dão aos seus atos. assim. procura-se provocar reflexão e problematização da prática docente para um aperfeiçoamento pedagógico e. qualitativas: fundamentam-se em dados coligidos nas interações interpessoais.49 3 METODOGIA DA PESQUISA O “Projeto Especial de Ação” e o “Programa A Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil” vem propor atualização da prática pedagógica e nova concepção pedagógica para a Rede Municipal de Educação de São Paulo. um atendimento de qualidade às nossas crianças. nota-se um investimento da Secretaria Municipal de Educação e da Equipe de Formadores nas escolhas dos conteúdos de formação e no planejamento de estratégias formativas. p. na modalidade Educação Infantil. Entende-se por abordagem quantitativa e qualitativa: quantitativas: prevêem a mensuração de variáveis preestabelecidas. Lidar com uma nova concepção pedagógica em detrimento de uma concepção tradicional enraizada de muitos anos na prática docente é algo desafiador a este protagonista de formação. Nesse processo. a pesquisa pretende verificar em que medida as teorias estudas e discutidas por meio do “Projeto Especial de Ação” e do “Programa A Rede em rede” contribuíram para o aprimoramento da prática dos professores. Durante a Formação direcionada ao Coordenador Pedagógico pelo “Programa A Rede em rede”.

Usei vocabulário com uma linguagem simples.50 Segundo Moroz e Gianfaldoni (2006.) a técnica em que o investigador se apresenta frente ao investigado e lhe formula perguntas. de acordo com Gil (1999.. posteriormente transcritas.) uma forma de diálogo assimétrico. exata com objetivo de evitar ambigüidade. mas na qual o pesquisador tem a possibilidade de acrescentar questões de esclarecimento” (p. p. 188). Após a aplicação da técnica de questionário. permitindo que elas se aprofundem no assunto gradativamente. que continha 13 questões alternativas e 3 questões dissertativas direcionadas aos professores que seriam respondidas por escrito sem a intervenção direta do pesquisador. correções. 188) há quatro tipos de entrevistas: estruturadas. usual. Segui um roteiro que continha certa ordem lógica dos assuntos. Em seguida. Evitei saltos bruscos entre as questões. localizada na Zona Leste de São Paulo. em que uma das partes busca coletar dados e a outra se apresenta como fonte de informação. p. explicando a natureza da pesquisa. esclarecimentos e adaptações da informação desejada. Esta técnica permite a captação imediata e corrente. com o objetivo de obtenção dos dados que interessam à investigação.. tabulei as respostas das questões e analisei os dados obtidos. 78) a técnica de questionário é: “um instrumento de coleta de dados com questões a serem respondidas por escrito sem a intervenção direta do pesquisador”. não-estruturadas. pois se constitui como uma “série de perguntas abertas feitas oralmente em uma ordem prevista.. sua importância e a necessidade de que o sujeito respondesse de forma adequada às questões. parcialmente estruturadas e semi-estruturadas. No primeiro momento da pesquisa. Segundo Laville e Dionne (1999. . Entende-se por entrevista. utilizei a técnica de entrevista semi-estruturada. coletei dados por meio da técnica de questionário. 117): (. dúvida ou incompreensão. Anexei uma folha.. As entrevistas semi-estruturadas foram gravadas na Unidade Escolar de acordo com a flexibilidade de horário de cada professor e as respostas. Outra técnica a ser utilizada na pesquisa foi a entrevista semi-estruturada. No segundo momento da pesquisa. p. (. apliquei o segundo questionário contendo 7 questões dissertativas aos gestores da Escola Municipal de Educação Infantil.

. vale reportar que essa técnica é fonte estável e rica de informações sobre determinado contexto. contei com um total de 21 professores de educação infantil. mais precisamente na região de São Mateus. no terceiro momento. a quem apliquei a técnica do questionário. localizada na Zona Leste de São Paulo. o professor que realizou a formação continuada parcialmente e o professor que não realizou a formação continuada. Para a realização de minha pesquisa. durante os quatros anos investigados pela pesquisa. desse grupo de professores. Além disso.51 Outra técnica a ser utilizada na pesquisa foi a análise documental da Escola Municipal de Educação Infantil. Nesse sentido. realizei a análise documental. De acordo com Moroz e Gianfaldoni (2006. com o objetivo de complementar as informações obtidas na técnica de questionário e entrevista. p. selecionei 3 deles e apliquei a técnica de entrevista semi-estruturada de acordo com 3 categorias: o professor que realizou totalmente a formação continuada. A utilização da técnica de análise documental me forneceu informações complementares. Justifico a utilização da técnica de questionário. seja afastado ou recente”. Os documentos que consultei foram os livros de registros das discussões realizadas nas reuniões coletivas de formação de professores. devido ao número considerável dos participantes da pesquisa e à importância da participação de todos os protagonistas da unidade escolar. nos horários coletivos. A aplicação da técnica de entrevista foi escolhida devido à possibilidade que ela oferece de aprofundar o assunto abordado e de lidar com a heterogeneidade do grupo. 79): “determinados registros têm como característica o fato de servirem como documento de situações que ocorreram no passado. na unidade escolar. O questionário e o roteiro de entrevista foram testados a voluntários e depois aplicados ao público alvo.

16 foram respondidos pelos docentes desta unidade escolar. sexo e formação acadêmica Os entrevistados variam na faixa etária entre 29 a 44 anos. na Prefeitura Municipal de São Paulo e outros por motivos particulares. Veja a tabela: Tabela 1: Apresentação da idade dos entrevistados Idade  29 anos 30 anos 34 anos 37 anos 38 anos 39 anos 40 anos 43 anos 44 anos Idade não declarada Total Fonte: dados do autor Nº  2 3 1 1 2 1 1 1 1 3 16 Há importância de conhecer o perfil dos profissionais pesquisados para melhor compreender as ações pedagógicas. . O grupo de professores pesquisados inclui-se na faixa etária.Identificação do pesquisado: idade. Os outros cinco questionários não foram respondidos por motivos de licença médica. demonstrando que são professores com escolhas profissionais definidas e não profissionais indecisos no que ser ou fazer em termos profissionais. entre 29 a 44 anos. na Zona Leste de São Paulo. Destes questionários.Docentes O pesquisador aplicou 21 questionários a todos os professores da Escola Municipal de Educação Infantil pesquisada. ingresso recente no cargo de professor.52 4 ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DOS DADOS COLETADOS 4. Questão .1 Instrumento de pesquisa quantitativa: Questionário .

125) a questão da atuação do sexo feminino na modalidade da Educação Infantil é uma questão social. foi se traçando o perfil das educadoras da infância. 05 declaram possuir curso de Pós-graduação latu sensu. Observe o gráfico: Sexo Feminino Masculino Não Declararam Figura 1: Apresentação do sexo do grupo pesquisado Fonte: dados do autor Segundo Kramer (2002. Em relação ao nível de escolaridade. p. sendo destes.53 Outro dado interessante na pesquisa é que grande parte dos entrevistados são do sexo feminino. desempenhado tradicionalmente pelas mulheres. 15 docentes possuem o ensino superior. reprodutivo. . paradigma cultural que predomina até hoje nas Instituições de Educação Infantil. As tarefas não são remuneradas e têm aspecto afetivo e de obrigação moral. 01 professor com Pedagogia e licenciatura em Letras e 01 professor com licenciatura em Letras e apenas 01 docente tem o magistério em nível médio. caracterizando situações que reproduzem o cotidiano. afetiva e cultural: As atividades do magistério infantil estão associadas ao papel sexual. o trabalho doméstico de cuidados e socialização infantil. Dos pesquisados. Desde a origem das Escolas Normais. 13 professores possuem o curso de Pedagogia.

5%). uma vez que se concorda que o Curso Normal Superior ou o Curso de Pedagogia são abrangentes e não possuem um currículo específico para a demanda de profissionais de Educação Infantil. nota-se que grande parte dos professores da citada Escola Municipal de Educação Infantil. Destacam-se. . as dificuldades em obter o ensino superior foram superadas pelos docentes e os avanços para o curso de pós-graduação fazem parte da formação profissional dos professores. in Situação da educação básica no Brasil. mas ainda havia leigos com apenas ensino fundamental (16.54 Nível de Escolaridade Ensino Médio Ensino Superior Pós-Graduação Figura 2: Nível de Escolaridade dos pesquisados Fonte: dados do autor De acordo com os dados. Isso mostra o grande avanço da educação rumo a uma educação de qualidade.7%) e superior (18. os profissionais que atuavam com crianças de 4 a 6 anos possuíam melhor formação: nível médio (65. Na unidade escolar pesquisada. 2%). Kishimoto (2002) relata com base nas fontes: MEC/INEP/SEEC.na área de atuação. que em 1996. localizada na região leste de São Paulo. profissionais de Educação Infantil adquirindo uma formação específica. possuem o ensino superior completo e estão caminhando para a pós-graduação. na pesquisa. Neste sentido.latu sensu.

Questão 1. causando impactos significativos na prática pedagógica. Segue a tabela: Tabela 2: Apresentação de Tempo de Magistério Tempo de Magistério 0 a 5 anos 5 a 10 anos 10 a 15 anos 15 a 20 anos 20 a 25 anos Total Fonte: dados do autor Nº 0 4 8 3 1 16 De acordo com a pesquisa.Tempo de Magistério Quanto ao tempo de magistério. a pósgraduação contribuirá para a diminuição de lacunas de formação. 04 professores atuam no magistério. o que se acredita como uma das causas de lacunas na formação inicial do professor. 184): As Pedagogias da Educação Infantil deveriam tratar de concepções sobre criança e educação infantil. dos centros infantis. suas práticas e formas de gestão e supervisão. ou as maiores. dedica-se a uma formação geral do pedagogo em detrimento da especificidade da formação para crianças pequenas. Acredita-se que o perfil do profissional nesta etapa já traz consistência . Portanto. comparando-os com o profissional que encerra a carreira aos 25 anos de magistério. 03 no período de 15 a 20 anos. p.55 Segundo Kishimoto (2002. que atendam as crianças pequenas. de creches. 08 exercem a docência no período de 10 a 15 anos e 01 docente possui mais experientes com tempo de magistério entre 20 a 25 anos. Nos Cursos de Formação de Professores. a maior parte dos professores pesquisados se encontra na metade da carreira profissional. por um período de 5 a 10 anos.

são profissionais que fizeram um investimento forte na carreira.Ingresso no cargo de professor de Educação Infantil no Município de São Paulo Os professores ingressaram na Rede Municipal de São Paulo. Os práticos informados. de modo mais preciso preocupações relacionadas com a qualidade. a profissionalidade na educação de infância baseia-se em uma gama de conhecimentos e competências profissionais que têm impacto em uma gama similar de necessidades das crianças. em outras funções. Os práticos complexos são aqueles que acumularam alguma longevidade na carreira e envolvem-se com questões sociais e/ou administrativas. de 1988 a 2006. prático principiante. segundo Vander Ven (1988). prático complexo e prático influente. A investigação está presente neste grupo. Baseado nestes estágios e na característica do grupo pesquisado quanto ao tempo de carreira. tem-se que a maioria dos profissionais encontra-se no nível prático informado com característica do prático complexo. Veja tabela: . quando há uma busca de aperfeiçoamento profissional nos cursos de latu sensu. ele elabora cinco estágios de desenvolvimento profissional: noviços. por fim. nos anos de 2002 e 2006. formação acadêmica e cargos que atuam. Segundo Vander Ven (1988). o acréscimo de competência e maturidade permite-lhes resolver. experiência diferente dos profissionais iniciantes que estão a descobrir a prática da profissão ou daqueles que estão no final da carreira profissional. Além disso. Questão 2. além de sala de aula e. Nessa perspectiva. tendo um pico de ingressos. na investigação. prático informado. o suficiente para levá-los a completar um programa formal de preparação educacional.56 pedagógica em termos de concepções. das famílias e dos sistemas societários.

O cálculo foi feito a partir do ano de ingresso (1988) até o ano base 2008. 2008. 32) . na PMSP. hábitos e costumes de outras redes públicas e privadas na formação profissional e prática pedagógica dos docentes. Ano 1988 1994 1996 1997 1999 2000 2002 2003 2005 2006 Total Fonte: dados do autor Nº 1 1 1 2 1 2 3 1 1 3 16 Tempo de carreira na PMSP 20 anos 14 anos 12 anos 11 anos 9 anos 8 anos 6 anos 5 anos 3 anos 2 anos Comparando-se a Tabela 2 e 3. alguns docentes possuem no mínimo 3 anos de experiência em outras instituições escolares públicas ou privadas. p. na adaptação do homem e da mulher ao meio social e no contexto das relações de poder. Assim. Há presença de concepções.57 Tabela 3: Ano de ingresso e Tempo na Prefeitura Municipal de São Paulo (PMSP). acadêmica e profissional. nota-se que os professores possuem mais de 5 anos na carreira do magistério e só 2 anos no cargo docente na Prefeitura Municipal de São Paulo. Ela é construída no processo histórico-cultural. no exercício do papel de formador. deve considerar a diversidade de conhecimento adquirido pelos docentes. portanto. durante toda a experiência escolar. Entende-se como diversidade: A diversidade pode ser entendida como a construção histórica. em 2006. ou seja. o tempo de magistério e o tempo de carreira na Prefeitura Municipal de São Paulo dos entrevistados. cultural e social ( inclusive econômica) das diferenças.” ( Conferência Nacional da Educação Básica. sendo o último ingresso dos profissionais da Educação. O Coordenador Pedagógico. os professores ingressaram na Prefeitura Municipal de São Paulo com experiência profissional anterior.

precisa ser reconhecido como tal. cada docente traz uma diversidade de conhecimento adquirido ao longo da vida. precisa considerar a heterogeneidade do grupo e partir do conhecimento já adquirido pelo professor para um conhecimento mais aprimorado. 08 docentes exercem outro cargo educacional. no atendimento de crianças de 3 anos e meio a 5 anos. anualmente. sendo 07 ocupam outro cargo de professor e 01 de coordenador pedagógico.Estatuto dos Profissionais da Educação Municipal: .660 de 26 de Dezembro de 2007. que trabalham dois turnos nas Escolas Municipais de Educação Infantil. 14. Assim. Segue o gráfico: Acúmulo de Cargo Acúmulo de Cargo Não Acúmulo de Cargo Figura 3: Acúmulo de Cargo Fonte: dados do autor Esses dados revelam a realidade dos professores do Município de São Paulo. Essa diversidade mostra que o grupo é heterogêneo e. conforme a Lei n. nas formações.58 Neste sentido. o Coordenador Pedagógico. portanto. Questão 3: Acúmulo de cargo na Prefeitura Municipal de São Paulo ou em outro órgão estadual ou particular Quanto ao acúmulo de cargo. Cada professor opta pela jornada de trabalho.

Jornada Especial de Trabalho Excedente e Jornada Especial de Horas Aulas Excedentes: a) até o limite de 110 ( cento e dez) horas aula mensais. Destaca-se.Jornada Básica do Docente: 25 ( vinte e cinco) horas aulas e 5 (cinco) horas atividades semanais. 8 horas em sala de aula com as crianças. 2002. As Jornadas Básicas e Especiais de Trabalho do Docente correspondem: II. também. docentes de pré-escolas trabalham em tempo integral (8 horas diárias) e contam com a colaboração de auxiliares que dividem as tarefas do dia-a-dia. tanto na Jornada Básica do Docente (JBD) como na Jornada Especial de Integral do Docente (JEIF). antes ou depois da regência de classe para o cumprimento das horas atividades ou horas adicionais. destinadas à formação continuada dos professores. III. conforme o inciso IV desta mesma Lei: IV. correspondendo a 180 (cento e oitenta) horas aula mensais. para a formação continuada. 170) O professor do Município de São Paulo trabalha muito mais horas na sala de aula em regência e sem nenhum auxiliar para ajudá-lo nas tarefas do cotidiano. e mais 15. ao optar pela Jornada Básica de . Além dessas horas.Jornada Especial Integral de Formação: 25 (vinte e cinco) horas aula e 15 (quinze) horas adicionais. nota-se a diferença de realidades: Com 25 horas de trabalho semanal. no mínimo. quando o Professor estiver submetido à Jornada Básica do Docente. quando o Professor estiver submetido à Jornada Especial Integral de Formação.59 Art 15. O professor poderá ampliar a jornada de trabalho. nota-se que é garantida. (Kishimoto. o número de horas. a formação continuada de todos os docentes. p. Em Portugal. Pensar no docente que trabalha dois turnos no cargo de professor é observar que esse professor trabalha. Comparando os professores brasileiros com os professores da cidade de Braga em Portugal. há o restante de horas da Jornada de Trabalho a serem cumpridas. atendendo aproximadamente 70 crianças por dia. no estatuto da carreira. no Brasil. com as crianças. o professor. correspondendo a 240 ( duzentas e quarenta) horas aula mensais. b) até o limite de 170 (cento e setenta) horas aula mensais.

do Estatuto dos Profissionais da Educação Municipal. No Brasil. e 03 nunca participaram dele. nos horários coletivos. 07 tiveram a participação integral no período de 2005 a 2008. pois. o professor trabalha muito mais horas com os alunos e menos horas são destinadas à formação continuada. o que pode prejudicar a qualidade do ensino. ao se pensar na importância da formação continuada na carreira do professor e. exceto o professor que opta pela JEIF. somente as horas atividades. 13 professores participaram do “PEA”. além de trabalhar 8 horas diárias em regência. Desses 13 professores. nos anos de 2005 a 2008. na sua produção na formação continuada. o professor que solicitar a ampliação de sua Jornada de Trabalho. após duas jornadas que contemplam 8 horas de regência. E só terá a formação continuada.Participação dos docentes no Projeto Especial de Ação Quanto à participação dos docentes no “Projeto Especial de Ação”. Observa-se o gráfico: Projeto Especial de Ação Participação Total Participação Parcial Não Participação Figura 4: Projeto Especial de Ação. Questão 4.60 Trabalho. conforme o inciso IV. 5 e 6.PEA Fonte: dados do autor O acúmulo de cargo é a justificativa dos professores que não realizaram a formação continuada. na Jornada de Trabalho. na Rede Municipal de São Paulo. 06 participaram parcialmente do “Projeto”. não terá horas destinadas à formação continuada. ter a ampliação . a opção de participação é facultativa. Esses dados vêm comprovar a dificuldade dos professores em.

Questão 7 e 15a. Os pesquisados relataram o que mudariam no “PEA”: R1: “Deveria ter curso específico de acordo com o interesse e necessidade dos professores”. A ausência dos professores na formação continuada traz dificuldades para o desenvolvimento do trabalho coletivo da Unidade Educacional. porém precisa de algumas alterações. R2: “Acredito que o PEA precisa ter mais prática sempre com teoria”. 04 avaliaram como regular e 02 não avaliaram o “Projeto Especial de Ação”. . Observase o gráfico: Avaliação do Projeto Especial de Ação Excelente Bom Regular Não Avaliaram Figura 5: Avaliação do Projeto Especial de Ação Fonte: dados do autor Por meio desses dados o “Projeto Especial de Ação” é bem avaliado por mais da metade dos professores pesquisados. semanalmente.61 da Jornada de Trabalho para a realização da formação continuada.Avaliação do Projeto Especial de Ação Os docentes avaliaram o “PEA” da seguinte forma: 10 consideram o “Projeto” como bom.

observa-se que ele tem por finalidade atender as necessidades pedagógicas da unidade escolar e ser construído. teatro) e incluir também maior número de horas destinadas à troca de experiências”. anualmente. que expressam as prioridades estabelecidas no Projeto Pedagógico. R9: “Deveria ter cursos específicos de acordo com o interesse e a necessidade do professor e da Unidade Escolar”. cursos de acordo com o tema (fora da escola) em outros espaços e palestras”. encontros com outras Unidades Escolares e formação com pessoas especializadas de fora. Segundo a Portaria n. De acordo com a natureza do “Projeto Especial de Ação”. as responsabilidades na sua execução e avaliação. R7: “Eu gostaria de ter um PEA com atividades com envolvimento dos Pais”.). onde o professor pudesse fazer uma co-seleção com as atividades em sala de aula”.. voltadas essencialmente às necessidades de desenvolvimento dos educandos. R10: “No PEA poderíamos incluir visitas a espaços culturais (museus.” R6: “Que haja mais formações. Do restante dos entrevistados.. 3 responderam que não participaram da formação continuada. R11: “Conteúdo”. visando ao aprimoramento das práticas educativas e conseqüentemente a melhoria da qualidade de ensino (. R5: “Ser mais flexível se precisar haver mudanças no projeto. R8: “Que fossem menos referências bibliográficas. por toda equipe escolar e comunidade local. semanalmente. 2 não responderam a questão. . porém mais atualizadas.62 R3: “É preciso investir no estudo de autores atuais aproximando a nossa prática com a pedagogia atual”. ter palestras. R4: “Que a bibliografia fosse menos extensa e contemplasse os conteúdos do Rede em Rede”. ter curso.566 de 18 de Março de 2008 resolve: Art 1º Os Projetos Especiais de Ação – PEAs são instrumentos de trabalho elaborados pelas Unidades Educacionais. 1. definindo as ações a serem desencadeadas.

verificar a que distância se está deste tipo de ação e até que ponto se está contribuindo para o resultado final que se pretende. 22) planejar é: elaborar – decidir que tipo de sociedade e de homem se quer e que tipo de ação educacional é necessária para isso. as necessidades da sala de aula. que o “Projeto Especial de Ação” precisa de alguns ajustes no processo de planejamento: elaboração. . verificou-se que o “PEA” não atende. Assim. execução e avaliação. Em qualquer destes casos. 14): Em geral. execução e avaliação. observa-se por meio dos relatos dos professores ao avaliarem o “Projeto Especial de Ação” que o projeto é estático e não dinâmico. 13 conhecem o programa. portanto. ou algumas. se tiver consciência crítica. p. Como resultado. Há necessidade de compreender que o projeto precisa ter um planejamento nas etapas de elaboração. p. não aceita tal situação e que. apontando a direção para todo um grupo. executar – agir em conformidade com o que foi proposto. avaliar – revisar sempre cada um desses momentos e cada uma das ações. O planejamento precisa ser visto como processo educativo com o envolvimento de toda comunidade educativa.63 Observa-se. Gandin (1991. Segundo Gandin (1991. uma porção. os “planejadores” são poucos e os “executores”. nos relatos dos professores pesquisados. temos uma pessoa. bem como cada um dos documentos derivados. Neste sentido. desprestigia-se o planejamento que tem a difícil função de organizar a ação sem ferir a liberdade e a riqueza dos participantes de um grupo.Conhecimento dos professores do Programa a Rede em rede Quanto ao “Programa A Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil”. o aprimoramento das práticas educativas fica comprometido. O projeto não pode ser planejado por poucos e tendo uma porção de executores. pode ser levado pela força ou pelo engodo. Questão 8. plenamente. se tiver consciência ingênua ou mítica. 02 não conhecem e 01 conhece sem profundidade. propor uma série orgânica de ações para diminuir esta dinâmica e para contribuir mais para o resultado final estabelecido.

04 docentes avaliaram como regular e 04 não avaliaram o “Programa A Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil”. problematizar para fazer parte do cotidiano educativo. Questão 9 e 15b: Avaliação do Programa a Rede em rede Os docentes avaliaram o “Programa” da seguinte forma: 08 consideram o “Programa” bom. No ano de 2006 e 2007. refletir. tornou-se evidente que não basta adquirir os documentos e conteúdos do “Programa” para conhecê-lo. Não teve nenhuma avaliação excelente. é necessários ler. todos os professores receberam os documentos do “Programa A Rede em rede”. porém há um número de docentes que declaram não conhecê-lo ou não conhecê-lo com profundidade. Veja-se o gráfico: . discutir. a maior parte dos professores conhece o “Programa”.64 Programa A Rede em Rede na Educação Infantil Conhece Não Conhece Figura 6: Programa de Formação Continuada Fonte: dados do autor Segundo os dados da pesquisa. Portanto.

o “Programa”. os profissionais da Educação Infantil relatam: R1: “Colocaria o professor para participar. os demais se dividem entre regular e os que não avaliaram. R8: “Que tivesse um programa voltado diretamente para os professores”. R2: “Preciso conhecê-lo melhor para avaliá-lo adequadamente”. R3: “Acredito que os professores precisam participar das mesmas formações que os coordenadores pedagógicos participam”. R6: “Que fosse aberto aos professores e não só. em muito dos casos. R4: “Que o Rede em Rede se estendesse aos professores em nível de formação".65 Avaliação do Programa Excelente Bom Regular Não Avaliado Figura 7: Avaliação do Programa de Formação Continuada Fonte: dados do autor A metade dos professores pesquisados avaliaram. ao grupo gestor". não chega a informação e a formação até o professor”. Virou um telefone sem fio. R7: “Eu mudaria a formação que é voltada somente ao Coordenador Pedagógico. R5: “ Todos participarem. porque. só com a participação do Coordenador Pedagógico”. Ainda sobre a avaliação. . os professores deveriam ter esta e outros tipos de formação”. positivamente.

então sugiro que seja direcionado diretamente aos professores”. Há necessidade da formação continuada em todos os níveis hierárquicos do sistema educacional.66 R9: “ Deveria ter a participação dos professores”. por parte dos docentes.) Se é outra a concepção que se quer . com o único formador. Dos pesquisados. R14: “Gostaria de conhecer melhor para poder opinar”. sujeitos das mudanças e das resistências. De acordo com relato de Nogueira (2005. os diretores também precisam. cada um do seu lugar.. no processo de formação continuada do “Programa A Rede em rede”. 221): Colocando de outra forma: se os professores precisam da formação continuada para garantir a aprendizagem dos alunos. No relato dos profissionais de Educação Infantil. se envolvam em processos. é preciso que essa mudança vá sendo construída nos diferentes espaços e que as pessoas. R12: “Sinto a necessidade de ter uma programação Rede em Rede que fosse aplicado para a formação direta do professor em horário de trabalho”. os coordenadores pedagógicos também precisam. R15: “Que o programa proporcione formação para o professor com DOT-P e não apenas para o Coordenador Pedagógico”. de modo que gostaria. R11: “Não respondeu”. cada um de acordo com aquela que é a sua tarefa nesta grande processo que é garantir a educação das crianças. nota-se o reconhecimento dos gestores. se a mudança deve ser a este ponto. R10: “Não tenho conhecimento sobre o projeto. p.. os supervisores também precisam(. R16: Não respondeu. 09 solicitaram que o “Programa” fosse realizado diretamente aos professores ou professores e coordenadores pedagógicos. O “Programa A Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil” é . R13: Não respondeu.

voltada para informar. mas para que se garanta uma formação que faça avançar a aprendizagem dos alunos. a interação é essencial no processo de formação. pelo contrário o estudo. p. organizada na forma de cursos. é uma concepção pautada na idéia de formação conceitual. p. ou na forma de assessorias pontuais (. . Isso envolve problematizar sua prática. Assim. A respeito da formação Continuada Nogueira (2005. os professores devem ser estimulados a articular os vários conceitos trabalhados em sua formação anterior ou atual com sua prática profissional cotidiana. mesmo na formação continuada. Questão 10. que a formação do “Programa A Rede em rede” não chegou aos professores em nível de uma formação plena.. essas práticas de formação são insuficientes.) A meu ver. no relato dos professores. Todos os envolvidos no processo de formação continuada precisam estimular os professores a pesquisar. a formação continuada dever ser: Em programas de formação continuada. informação e teoria não são dispensáveis. 221) relata: O mais comum. Essa ação reforça a importância da articulação da equipe gestora no processo de mudanças de prática pedagógicas rumo ao ensino de qualidade. pesquisar alternativas de ação. a exposição teórica são essenciais. a utilizar instrumentos metodológicos para a reconstrução e construção de novos conhecimentos e práticas pedagógicas. Segundo Oliveira (2005.. Os temas sugeridos pelos entrevistados para serem trabalhos no “Programa” foram inclusão. na Prefeitura Municipal de São Paulo. 225). sistematizar suas reflexões em várias formas de registro e reconstruir conhecimentos historicamente elaborados. teórica. A inclusão do trio gestor na formação continuada trouxe um avanço significativo para educação infantil. a formação continuada precisa ir além da informação. as múltiplas linguagens da Educação Infantil.67 pioneiro em incluir em sua formatação a trio gestor no processo da formação continuada. a linguagem do brincar e acolhimento. práticas pedagógicas e orientação didática e expectativa de aprendizagem.Assuntos significativos do Programa A Rede em rede e sugestões de outros assuntos Os assuntos mais significativos do “Programa A Rede em rede” pelos professores foram tempo e espaço. também. Observa-se.

a memória não nos é suficiente. que estamos acostumados a enxergar.Registros pedagógicos Quanto às questões pedagógicas. só nos lembramos de fato daquelas que já ficaram registradas na memória. 08 semanalmente e 02 diariamente.fase 1 (2007. No entanto. a nossa história de vida. Questão 11.68 atualização e socialização da prática. . a observação e o registro são instrumentos metodológicos para uma prática pedagógica autônoma e responsável: A primeira forma de registro de pontos observados é a própria memória: da infinidade de cenas que observamos diariamente. etc. 03 docentes realizam o registro semestralmente. 03 mensalmente. a freqüência do registro dos docentes ao desenvolvimento dos alunos. em função dos nossos conhecimentos anteriores. O “Programa A Rede em rede” foi o pioneiro em pensar na qualificação da equipe gestora da Unidade Educacional e trouxe uma nova concepção pedagógica para a modalidade Educação Infantil. p. 40). aquilo a que damos um significado. como fazer uso dos tempos e espaços para melhorar o atendimento das crianças. jogos de raciocínio lógico. dos interesses. posto que só registramos aquilo que podemos reconhecer. Observe-se a tabela: Tabela 4: Freqüência do Registro Registro Diariamente Semanalmente Mensalmente Bimestralmente Semestralmente Total Fonte: dados do autor Nº 2 8 3 0 3 16 Segundo o Documento A Rede em rede.

enriquecendo o seu fazer docente. é necessário que não se passe muito tempo para sua realização. o registro deve ser feito de preferência simultaneamente à observação.69 Portanto. para que os profissionais da Educação Infantil não permaneçam apenas no registro de memória.fase 1 uma das ferramentas básicas para a reflexão docente é: . o que prejudica a qualidade do registro. Veja o gráfico: Reflexão da Prática Docente Diariamente Semalmente Mensalmente Outros Figura 8: Freqüência que se reflete a prática docente Fonte: dados do autor A análise e reflexão da prática pedagógica diária permitem ao professor problematizar suas ações pedagógicas. A freqüência dessa reflexão sobre a prática pedagógica. 04 semanalmente. Segundo o documento. Muitos profissionais ainda estão registrando tardiamente suas observações. 01 mensalmente e 01 relatou que sempre que necessário. relatada pelos profissionais da Educação Infantil foi a seguinte: 10 refletem diariamente sobre a prática docente. 15 professores relatam que possuem o hábito de refletir sobre a prática docente e 01 não respondeu a questão. Questão 12. De acordo com o documento A Rede em rede. repensar e planejar o próximo passo da ação. o que empobrecerá o trabalho. a análise e reflexão da prática pedagógica.Reflexão da prática pedagógica Em relação à reflexão sobre a prática pedagógica.

alguns professores relatam que mesclam as concepções pedagógicas. p. não houve nenhuma declaração em relação à concepção tradicional. . A maioria é sócio-construtivista e a minoria. p.O ensino será ministrado com base nos seguintes princípios. com informações muito incompletas.Concepção Pedagógica A concepção pedagógica que fundamenta a prática docente declarada pelos pesquisados foram: 10 professores se consideram sócio-construtivista. (DOT P-EI. 2007. 40) Uma análise de caso é uma estratégia de formação que requer do leitor o exercício da capacidade de problematizar. em relação aos Princípios e Fins da Educação Nacional declara: “Art 3º. registros qualitativos. 01 não respondeu a questão e 4 mesclam as concepções pedagógicas. com preconceitos. Sem ele. no item “Outros”. trabalha-se freqüentemente com ouvir dizer. Segundo a LDB 9394/96. 2007. a observação e o registro são instrumentos importantes para realizar uma análise de uma situação. de analisar o ocorrido. ações significativas. III. 45) De acordo com o documento. (DOT P-EI. de pensar sobre as muitas impressões e sugestões e de tomar consciência de suas dimensões. ou seja. combinando a concepção tradicional com a concepção construtivista e sócio-construtivista.pluralismo de idéias e de concepções pedagógicas”. 01 construtivista. Veja a tabela: Tabela 5: Concepções Pedagógicas Concepção Pedagógica Tradicional Construtivismo Sócio-Construtivismo Outros Não respondeu Total Fonte: dados do autor Nº 0 1 10 4 1 16 Na pesquisa.70 Um bom registro daquilo que observamos nos possibilita fazer uma boa análise de um determinado caso. construtivista. É uma das ferramentas básicas do próprio processo de reflexão. Questão 13.

R7: “A importância das brincadeiras. R3: “Sim. R12: “Sim. pois há pouco tempo em casa para fazer leituras técnicas. R11: “Prática docente aliando à teoria”.71 Portanto. melhoria na questão dos registros e avaliação”. os docentes relataram que. R2: “O que considero mais significativo foi a troca de experiências com os colegas e leituras. pois me sinto defasada”.”. dedico-me a leituras literárias”. . mas gostaria de estar me atualizando mais. Questão 14: Formação Continuada Docente Quanto à Formação Continuada. literatura na Educação Infantil. R4: “Que o cuidar e educar é uma ação indissociável na educação infantil. a diversidade de Concepções Pedagógicas na Educação Nacional. durante os últimos quatros anos. etc. Teoria-reflexão-prática-reflexão” R6: “O que realmente ficou mais evidente foi a reflexão constante sobre minha prática”. R8: “Como fazem apenas 3 anos que estou com educação infantil. R9: “Repensar a prática”. na unidade escolar. Fora da escola. aprenderam assuntos significativos para sua prática pedagógica como: R1: “Repensando a prática embora não concordo com alguns assuntos”. . como princípio. Muito do que faço me foi passado nos PEAs”. R10: “Basicamente refletir sobre a prática e avaliar os resultados das ações para planejar os próximos passos da ação educativa”. é assegurada por Lei. porque trouxe temas importantes que têm sempre novos conhecimentos sobre assuntos já trabalhados”. R5: “ Sim. organização dos tempos e espaços.

o “Projeto Especial de Ação”. observa-se que os momentos de formação continuada contribuíram. Nesse momento. o eixo estudado no “PEA” foi As Múltiplas Linguagens na Educação Infantil com ênfase em Artes. . R15: “Não participei”. No ano de 2006. no caso o “PEA”. na questão do refletir sobre a prática docente. nas unidades escolares do Município de São Paulo. em horário coletivo. Dentro dessas horas/aulas coletivas. em conseqüência. as unidades escolares foram orientadas pelos respectivos Supervisores a dividir o horário coletivo em dois módulos: 3 horas/aulas eram destinadas ao eixo temático do “PEA” e 2 horas/aulas eram destinados ao estudo do “Programa”. Durante os anos de 2005 a 2008. teve vários eixos de estudos. R16: Não respondeu a questão. Observa-se dificuldade da implantação do “Programa” nas unidades escolares. a formação continuada dos professores. o “Programa A Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil”. volume I e Manual de Brincadeiras volume II e trazer a prática das oficinas vivenciadas pelos Coordenadores Pedagógicos.72 R13: “Todas as leituras e discussão tiveram reflexo na prática”. os Coordenadores Pedagógicos eram orientados pela equipe de DOT-EI a apresentar os documentos Tempo e Espaço para a infância e suas Linguagens no CEIS. de acordo com os registros da unidade escolar pesquisada. Neste ano. CRECHES E EMEIS da Cidade de São Paulo. pois o tempo de estudo coletivo ficou restrito devido os dois temas abordados na formação continuada. uma vez ao mês. teve como eixo para estudo a Leitura de Mundo Alfabetização e letramento. portanto não era estudado no horário coletivo. No ano de 2005. sobre o tema as Múltiplas Linguagens na Educação Infantil para os professores. Neste momento. foi implantado.E”. R14: “Não tive formação continuada na U. o “Programa A Rede em rede” estava sendo elaborado pela equipe da Diretoria de Orientação Técnica Pedagógica (DOT-P). principalmente. houve a necessidade de priorizar um estudo. Nos relatos dos profissionais de Educação Infantil.

73 o “Programa A Rede em rede” e os documentos foram pouco abordados na formação continuada. os Coordenadores Pedagógicos foram orientados por DOT.avaliação dos docentes quanto à participação na Formação Continuada Em relação à auto-avaliação dos profissionais de Educação Infantil com relação a formação continuada. Então. o “PEA” precisa ter um tema específico e próximo da prática docente. das necessidades da unidade em relação às múltiplas linguagens da Educação Infantil e selecionar uma linguagem para ser estudada no próximo ano letivo. no ano de 2007. Há uma dicotomia entre momentos de estudo do “PEA” e momentos de estudo do “Programa”. o que dificulta o aprofundamento do estudo. De acordo com os pesquisados. Veja o gráfico: . no primeiro ano da implantação. 01 regular e 03 não avaliaram.EI a fazer um diagnóstico. A formação continuada deve romper os muros da escola. o “PEA” teve como eixo: A Linguagem do Brincar. 01 excelente. com vivências culturais e troca de experiência com outras unidades escolares. 11 docentes declaram que sua participação foi boa. junto à equipe escolar. o tema escolhido para o “PEA” foi As Múltiplas Linguagens na Educação Infantil. Já no ano de 2008.Acolhimento e o estudo do documento Orientações Curriculares: Expectativas de Aprendizagens e Orientações Didáticas. o que facilitou o aprofundamento do tema e a aproximação do “ Programa” aos professores. Diante desta dificuldade. Questão 16: Auto. preferencialmente no “Projeto Especial de Ação”.

Isso demonstra o apoio e a satisfação em participar dos horários coletivos da formação docente. Quais são os desafios cotidianos que você tem enfrentado em relação à formação continuada dos professores? R1: “Ainda a questão do registro”.74 Auto-avaliação na Formação Continuada Excelente Bom Regular Não Avaliaram Figura 9: Auto-avaliação dos docentes Fonte: dados do autor O grupo avaliou a participação na formação continuada de forma positiva. na unidade escolar. . R2: “Avançar na relação teoria e prática. 4.2 Instrumento de pesquisa quantitativa: Questionário-Gestores Quanto à participação da equipe gestora. foi aplicado um questionário contendo 7 questões dissertativas. Segue as questões e as repostas da equipe gestora: I. A formação deve ser cada vez mais para dar encaminhamentos educacionais a partir de diagnósticos do cotidiano. pois os gestores são os condutores do “Projeto Especial de Ação” e do “Programa A Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil”. A participação do Coordenador Pedagógico e do Diretor de Escola na pesquisa é muito significativa.

ao ler o registro. o estudo crítico das teorias que ajudam a compreender as práticas. mais atentas. fundamental na busca de estratégias que a ajudem a desestabilizar suas crenças e hipóteses. por muitas vezes encontrar resistência no grupo de professores e dificuldades dos docentes de encontrar momentos. fazendo-o avançar além do que já sabe.E. para registrar as observações da prática pedagógica. quando lido com seriedade e respeito. Essas informações serão úteis ao Coordenador Pedagógico que poderá partir deste ponto para conduzir o professor ao avanço da prática pedagógica. 43) (. quando utilizado para a reflexão da prática docente. organizadas. os gestores apontam para duas dificuldades encontradas no cotidiano. Nota-se a dificuldade do Coordenador Pedagógico em instrumentalizar-se do registro. 2007. O registro é uma boa estratégia para se alcançar esse objetivo. terá acesso às concepções. ( Kramer.. os gestores precisam elaborar estratégia para que ocorra a reflexão teoria x prática para o desenvolvimento profissional dos docentes. dificuldades e angústias do professor. Como você tem percebido a presença da formação continuada (conteúdo) na prática dos docentes? Comente. ( A Rede em rede. além de trazer o pensar íntimo e individual do professor. isto percebe-se com todos os funcionários da U. criando estratégias de ação. rechaçando receitas ou manuais. Quanto à relação teoria e prática. o que significa um desafio para os gestores.75 Nesta questão. segundo contrato prévio entre o autor e seu parceiro. no âmbito da formação continuada: o registro e a relação da teoria com a prática. conclui-se que o registro é um instrumento metodológico importantíssimo. p. pode se tornar um recurso importante que permite o acesso ao pensamento do professor. o docente precisa perceber a importância do registro para o desenvolvimento profissional. II.) os que atuam com crianças precisam assumir a reflexão sobre a prática. Porém. mudanças com novas estratégias.. . 2002.” R2: “Os conteúdos e reflexões têm sido condizentes com os problemas educacionais do cotidiano escolar”. p. Entende-se por registro. O Coordenador Pedagógico. no cotidiano. 129) De acordo com a pesquisa e as referências citadas. teoria e prática: O diário como forma de reflexão. isso. R1: “Muito bom. Ele é uma das estratégicas do Coordenador Pedagógico para formular boas perguntas e transformar problemas em soluções.

ambos os gestores percebem resultados significativos da formação continuada na prática pedagógica. nos horários coletivos. sujeito coletivo: (. o juízo comum sobre a realidade. O que o unifica é. extensão de suas próprias pessoas. um juízo comum sobre a realidade e reconhece-se participante do mesmo “nós-ético”. tratados no Programa: A Rede em Rede tem vindo ao encontro das necessidades dos grupos”. conflituosamente”. por assim dizer. não necessariamente sob a mesma determinação geográfica. terem sido citadas anteriormente as dificuldades em relação à reflexão da teoria com a prática docente.76 Apesar de nesta questão. às vezes. p. Você tem sentido dificuldade em lidar. III. 19): “a elaboração é apenas um dos aspectos do processo e que há necessidade da existência do aspecto execução e do aspecto avaliação”. R2: “Pois as possíveis dificuldades fazem parte do processo de formação onde as diferentes concepções e práticas educacionais se interelacionam.. Pode-se conquistar esse comprometimento por meio do sujeito coletivo. . pois os participantes escolhem a bibliografia. relate as dificuldades.. que é. Segundo Gandin (1991. O Gestor 1 relata que não há dificuldade em relação ao “PEA”. Esses conflitos podem ser mediados por meio do comprometimento de todos os participantes no processo educacional. com o “Projeto Especial de Ação” e o “Programa A Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil? Caso positivo.) é um grupo de pessoas que possui uma identidade comum. e os assuntos. percebe-se fazendo parte de uma mesma realidade comportamental.94 ). O grupo procura viver em comum-unidade. O Gestor 2 fala sobre as diferentes concepções e práticas pedagógicas dos docentes. o que causa conflitos na unidade escolar e o que faz parte do processo de formação profissional. p. principalmente. a participação na escolha da bibliografia não é suficiente para que o “Projeto” tenha resultados positivos. R1: “A bibliografia do PEA é escolhida pelos participantes. ou seja. Portanto. Segundo Silva (2006.

como você avalia o “Projeto Especial de Ação”? R1: “ De qualidade. os participantes do processo educacional precisam se comprometer com os objetivos e metas comuns da unidade escolar. . pesquisa e trocas de experiências profissionais.Portaria 938/06 – SME . EMEIs e EMEEs da Rede Municipal de Ensino. Nesses últimos quatro anos. Segundo o Portal da Prefeitura Municipal da Educação o objetivo do “Programa A Rede em rede”: O Programa "A Rede em rede: formação continuada na Educação Infantil" . portanto toda decisão tomada no coletivo deve estar voltada para o melhor atendimento a criança. Como você avalia o Programa de Formação Continuada: “A Rede em rede”. independente das concepções pedagógicas. V. Momentos ricos que devemos aproveitar o máximo para trocas. Neste sentido. no Município de São Paulo? R1: “O programa tem contribuído bastante para atuação da equipe gestora”. Os Gestores 1 e 2 avaliaram positivamente o “Projeto Especial de Ação” como espaço coletivo de estudos. o Programa tem alcançado os objetivos propostos para a Educação Infantil. IV. R2: “Ótimo. contribuindo para a qualidade do ensino”. R2: “Positivo. Tem contribuído bastante para a qualidade do ensino na Educação Infantil”. pois é um espaço importante para confrontar os problemas educacionais do cotidiano com os textos teóricos possibilitando a interação teoria e prática.busca apoiar a tarefa dos trios gestores na elaboração e implementação de projetos locais de formação continuada de professores em todas as unidades educacionais dos CEIs. A criança é o foco principal do trabalho pedagógico.77 De acordo com o conceito de sujeito coletivo. estudos e pesquisa”.

Você tem percebido dificuldades dos professores em lidar com a teoria do “PEA” e “Programa A Rede em rede”. nessa faixa etária irá contribuir bastante para o desenvolvimento do trabalho pedagógico”. fazem parte do crescimento profissional. pois os assuntos são pertinentes”.E desenha para a infância um cotidiano que considera culturalmente relevante. R2: “Neste ano de 2009. há divergência dos gestores quanto as dificuldades dos professores em lidar com a questão da teoria e prática docente. potencialmente capaz de partilhar com as crianças parte importante da nossa herança cultural. são dificuldades que trabalhadas levam ao aprimoramento profissional e educacional”. porém que ela faz parte do processo educacional e. O Gestor 2 afirma que há dificuldade. se bem trabalhadas. 49) . Ele ressalta a contribuição da diminuição de crianças na sala de aula para o acolhimento das turmas de menos de quatro anos de idade.78 VI. mas temos discutido sobre o assunto. a atenção e o atendimento delas terá melhor qualidade. p. O Gestor 2 comenta sobre as dificuldades ocorridas no ano de 2009 e a superação delas. tem pensado no acolhimento das crianças de 4 anos a completar no cotidiano da EMEI? R1: “No início foi difícil. (A Rede em rede-fase 1. VII. O Gestor 1 relata que há uma discussão na unidade escolar a respeito do acolhimento das crianças de quatro anos a completar. O Gestor 1 relata que não observa dificuldade dos professores em lidar com a teoria do “PEA” e do “Programa” por esses conterem conteúdo compatível ao cotidiano da Educação Infantil. é responsabilidade da Unidade Escolar: Cada U. Temos que repensar a forma de melhor acolher esses alunos”. 2007. A redução do número de crianças por classe. Acredita-se que. com a diminuição do número de crianças nas turmas menores de quatro anos. mas já estamos assimilando a nova realidade. Para a equipe de DOT.EI. Portanto. Em relação ao Ensino Fundamental de 9 anos. na prática docente: R1: “Não. como você. R2: “As dificuldades são inerentes ao próprio processo. foi um complicador. enquanto gestor.

no meu caso. Essa formação continuada pode se dar na escola. dedicação é incluí-las no mundo mágico da Educação Infantil. nós nunca deveremos deixar de estudar. no período de 2005 a 2008. da minha formação mesmo. Professora 2: O que eu entendo por formação continuada é aquele estudo que o professor tem depois da sua formação. de um contexto novo. com o coordenador. quatro vezes por semana estar um grupo fechado. Segue o roteiro de perguntas. tem que se atualizar dentro da nossa área da educação. as idéias da gestão e também as práticas e o estudo que a gente tem que estar fazendo. trabalhando dentro da escola. O Foco principal da entrevista são os temas do “PEA” e do “Programa A Rede em rede” na prática docente. eu tento sempre procurar. pra mim isso é educação continuada.3 Instrumento de pesquisa qualitativa: entrevista semi-estrutural Neste momento. porque eu acredito assim. gestos. As três professoras foram selecionadas por meio dos critérios de participação integral. há dez anos atrás. o professor também . como fora da escola também através de cursos. Eu. amor. os dados obtidos e a análise dos dados: a) O que você entende por Formação Continuada? Professora 1: Formação que todos os dias nós estamos com os nossos colegas. cheiros. que nós professores. das dificuldades que ele vai tendo no dia a dia ele vai estudar. ela vai mudando. carinho. Uma criança que cada vez mais com a tecnologia. Assim. dos seus problemas. Ressalta-se que a entrevista foi transcrita e mantida na dissertação na linguagem coloquial da Língua Portuguesa.graduação. estar lendo. um grupo junto estudando. tendo como roteiro. da sua graduação ou outro tipo de formação e convém com a sua prática. com o grupo de estudo. vai procurar teorias que o auxiliem nessa formação continuada. parcial ou. sentimentos. pela não participação. Então. Então ele tem a prática. Então. e através da sua prática. Porque assim. analisa e discute os dados obtidos na entrevista semi-estrutural. uma criança que vem de uma época. através de uma pós. perguntas sobre os temas dos “Projetos Especiais de Ação” e o “Programa A Rede em Rede: a Formação Continuada na Educação Infantil”. sabores. nós sempre recebemos uma criança nova. num espaço cheio de gostos. de uma sociedade diferente daquela que talvez nós estudamos. Eu sempre procuro assim. 4.79 A unidade escolar tem o compromisso de transformar o cotidiano das crianças em um espaço de aprendizagem e desenvolvimento. nos momentos coletivos de estudo. Pelo menos três. Pensar o acolhimento das crianças tão pequenas. através de leituras que o professor faz em casa.

a gente pegava a quarta pra fazer a prática da sala de aula. Segundo Cerisara. Portanto. né. E depois da reflexão. deixa eu ver como eu posso dizer. três. a comunidade muda. As professoras relatam a importância da relação teoria e prática na formação continuada e valorizam o estudo em grupo. É o momento onde nós nos reunimos. que a prefeitura vai trazendo livros para a escola eu vou olhando os livros e vou pegando aqueles que eu acho interessante.) para trabalhar com crianças pequenas em creches e pré-escolas os professores precisam de um espaço de troca. de acordo com os livros que tem aqui na escola. E sempre refletindo. Professora 2: Como eu já tinha falado né. na quinta a gente replanejava. p. cada professor escolhe o seu horário e aí a gente forma um grupo. do texto que a gente tinha lido e da prática na quarta. ele tem que vir buscar esse estudo.. que convém com a minha prática. Porque infelizmente nós não temos assim condição de ter acesso a livros. Rocha e Filho (2002. b) Quais são os momentos em que ocorrem a Formação Continuada na Unidade Escolar? Professora 1: Bem. das famílias e das crianças e a necessidade de atualizar a prática docente. Então. formação continuada. do horário da gente. é como uma reciclagem. O PEA é uma formação continuada. essa formação continuada dentro da escola já se dá no . Na quarta-feira nós pegamos para a prática. nas Unidades Escolares. com a necessidade das minhas crianças e aí eu vou lendo em casa. Então eu procuro. Geralmente são três dias na semana. né. Professora 3: Bom. pra estar sempre se atualizando e acompanhando essas mudanças. na medida do possível. As crianças mudam.80 tem que vir buscar essa mudança.. isso acontece no PEA. nós mudamos. melhorando nossa prática. o quanto o momento reservado para discussão. 218) (. de interlocução com seus pares na busca de um trabalho que avance em relação a uma proposta educacional-pedagógica de qualidade. E é importante esse momento. essa formação continuada pra gente acompanhar essas mudanças. essa busca. Assim. vai da gente. E também no PEA. Nós nos reunimos e estudamos. né. É o professor estar sempre em busca de novos conhecimentos porque tudo muda. reflexão da prática docente e troca de experiência tem sido valorizado pelos professores. as famílias mudam. As professoras 2 e 3 percebem as mudanças da sociedade. né. Através do estudo que a gente tinha estudado na terça-feira. os livros são caros. Ai foi muito interessante ter o PEA aqui na escola porque nós dividimos da seguinte maneira: na terça-feira a gente pega pra estudo. a pesquisa comprova a importância da formação continuada. Elas ressaltam que a formação continuada tem contribuído para esta atualização. quatro dias na semana.

que o grupo que está nessa formação. Porque nas reuniões pedagógicas é o momento que a gente pára. então você tem contato com outros professores. 117) De acordo com os relatos. estar desabafando. a formação ocorre em diferentes espaços e tempos: (I) Formação prévia no ensino médio ou superior em que circulam conhecimentos básicos relativos à língua. partidos. é muito interessante por isso. da sua prática. c) Qual é a sua concepção de criança e infância? Professora 1: A criança que brinca. sindicatos (. horário de estudo conjunto. Então.) (II) formação no movimento social. fóruns.. a minha concepção de criança é que é um ser em . A escola é o espaço de referência quando se fala em formação continuada pelos docentes. Sendo assim. é praticamente a escola inteira. Professora 3: Olha. Nós. de outros turnos que você não tem no PEA. Segundo Kramer. eu acredito que seja assim.] é tudo de bom. creches e pré-escola que garanta estudo. Assim. A Professora 3 não realiza a formação continuada na escola. com cada um de nós. Eu acredito que aconteça isso nesse momento. eu percebo assim. algumas dificuldades encontradas. com as crianças... ela absorve tudo... falando do seu trabalho. na verdade. pelo que eles falam.) ( Formação de profissionais de educação infantil: questões e tensões.. que eles têm oportunidade de discutir alguns assuntos.) (III) formação em cada escola. em que se fortalece cada unidade e fica assegurado o estudo individual e coletivo para compreender a realidade mais ampla e o que acontece no dia-a-dia. Ela é igual uma esponjinha.. associações. que é reconhecida pelos professores.. eles têm mais oportunidade de troca. com cada criança. que imagina. Então.. eles têm mais momentos ali que eles estão juntos. né. leitura. seres humanos. nota-se o reconhecimento da Professora 1 do momento destinado para o estudo no horário coletivo. a criança que constrói. É um desabafo também. Professora 2: Criança. que se corrige. Porque nas reuniões pedagógicas é um número maior. Eles têm essa oportunidade de ta trocando experiência. a escola promove diferentes espaços e tempos para formação continuada.81 PEA e nas reuniões pedagógicas também. debate. porém reconhece os horários coletivos de estudo e sua importância. 2002. fala o que pensa.. a literatura (. a gente reflete. p. a criança que nós fomos um dia e crescemos e hoje somos adultos. somos seres em aprendizagem e a criança [. (IV) formação cultural que pode favorecer experiência com a arte em geral. até mesmo assim. a criança que se expressa. da Professora 2 o reconhecimento em outros momentos de formação continuada que a unidade escolar oferece como a reunião pedagógica por contemplar todos os professores. deveria até ter mais encontros desse tipo. matemática(. eu nunca participei. a criança que chora.

formado pelos costumes. Além disso. eu acho maravilhosa essa fase. mediadas. as crianças: Em sua relação com este mundo. E a gente sabe [.. valores. Essa experiência é essencial para que a criança também possa ser produtora de cultura. conhecer a rotina. eu acho assim.. também.] é nesse momento que ele aprende a lidar com o outro. curioso. p. eles gostam.] que esse momento da educação infantil é importante. que expressa os sentimentos e que constrói a história.. Creches e EMEIs da cidade de São Paulo. é assim. ( Tempos e espaços para a infância e suas linguagens nos CEIs.82 desenvolvimento. manifestando-se por diferentes linguagens. muito bom poder ter essa oportunidade de trabalhar com essa fase. desde cedo tentam apreendê-lo e significá-lo. Tudo eles absorvem. relações humanas e por técnicas. a gente trabalha muitas linguagens. Então. porque [. gostando. 11) Portanto...] Por isso que eu escolhi educação infantil.. que imagina. a conhecer a escola. direta ou indiretamente. ficando felizes. Eu acho muito importante [. que aprende e ensina. linguagens. muito importante. Segundo a equipe DOT-EI. eles curtindo. a socializar. a dividir. é muito gostoso. a se formar. ressaltam a identificação que possuem com a faixa etária e a satisfação em trabalhar na Educação Infantil. já falam que não gostam. acredita-se que o professor precisa além de perceber a criança como um ser ativo precisa.. as crianças. principalmente essa idade que a gente trabalha. que cria. é muito importante esse momento da criança – a infância. absorvem tudo. o brincar.[. é idade de formação de personalidade mesmo.] e muito gostosa essa fase. que gosta de brincar. . 2006. Ah. Então toda proposta que você traz tudo que você vai fazer. Eles são sinceros.. o desenho. Você vê que tudo isso. a música. se conhecer melhor. a se conhecer. até os seis anos. as mães sempre comentam: ah dia que não tem aula. perceber-se como o mediador da aprendizagem dos alunos para facilitar o ensino-aprendizagem dessa criança ativa que convive no nosso cotidiano escolar.. Professora 3: Ah. por parceiros mais experientes como. conhecer os materiais. que se eles gostam. São seres assim. ainda ta naquela fase gostosa. Os professores pesquisados notam essas características desses pequenos aprendizes. é muito bonito falar em criança. eles gostam de tudo que acontece aqui. essa idade. A gente percebe que eles gostam de vir pra escola. Eles sonham. se eles não gostam. que lhes assegura uma gradativa apropriação da cultura historicamente constituída. E assim. Então assim. é história. ele reclama ou fala que sente saudade. o professor. que tudo é de bom pra eles. Eles falam o que eles fazem aqui. formar sua identidade. por exemplo. porque eu viajo junto com as crianças no mundo da fantasia.. A criança é um ser ativo que brinca. eles viajam.

Então..83 d) De acordo com a resposta do questionário. da autonomia.. [.. [. Então. eu acredito que sócio-construtivista é o meio. Tem professor que trabalha muito bem assim.. com aquilo que ela fala o que aconteceu na casa dela. ela tem que me ouvir. deles estarem conversando. acredito que ninguém é inteiramente sócio-construtivista. pra ela fazer. você se declara sócio-construtivista. mesmo ela tendo relatado que é sócioconstrutivista. Então.. o que você entende por concepção tradicional e sócio-construtivista? Professora 1: Tradicional é o professor que ensina.] Eu perco o controle.] Observar-se no relato da professora 1 que as ações pedagógicas desenvolvidas na sala de aula são baseadas na concepção tradicional. isso eu considero o tradicional. tem que estar claro na cabeça dele que ele tem.] Então eu considero tradicional. Aí assim. Há uma dificuldade de compreensão da professora sobre a concepção sócioconstrutivista. fazendo atividade ao mesmo tempo.] acredito muito que a criança [. mas por que eu me considero que eu me enquadro mais nessa concepção sócio construtivista? Porque [. Eu vou estar educando essa criança. vamos falar que é Vygotski. Entendeu? Então assim. Ela vai ter o momento dela falar. brincando ao mesmo tempo. É uma coisa por vez. mas eu também tenho os momentos de ensinar e isso eu não posso deixar de lado. por isso que eu falo que eu sou tradicional [. Eu não. pra . experimentando. de você estar oferecendo material pra ele explorar. Então o que eu vou ensinar? E aí eu vou elencar o que é importante pra eu estar ensinando para a minha criança. conforme esse meio que ela tem à sua disposição. Então. O que é o sócioconstrutivista? É o educar levando em conta o meio da criança. ele fala que a criança vai interagir com o meio e conforme o meio ela vai construir a sua aprendizagem. então todo mundo carrega esse lado tradicional. nós fomos formados numa concepção muito tradicional. O que o meio oferece pra essa criança pra ela está pegando. o que eu vou educar com a minha criança nas relações do dia-a-dia com o colega. Então eu sou tradicional e construtivista por quê? Porque eu sou consciente que eu estou aqui pra ensinar. dela se expressar. de participar da aula. Então. vivenciando. Então. Só que. vai ter o momento de construir. Ela tem que estar atenta no que eu estou fazendo. se não ouvir fica difícil a gente trocar idéias e conseguir educar e ensinar ao mesmo tempo. Pesquisadora: Em relação ao questionário. o viver dela. comigo. Mesmo porque nós estudamos. pode se dizer. todo mundo tem um pouquinho de tradicional. O que você entende por essa concepção? Professora 2: O sócio-construtivista. porque tem que ouvir.. o pai de tudo isso.. uma obrigação de ensinar. Professora 3: Então.] coloquei sócio-construtivista porque olhando no geral eu acredito que eu me enquadro melhor nessa concepção sócio-construtivista. que tem que ensinar também... [. tem que ter uma relação de respeito. ela vai aprendendo e desenvolvendo a aprendizagem. eu acredito muito nessa coisa dela. dela ter autonomia pra fazer. com outras pessoas da unidade escolar.] constrói o conhecimento dela. pra ela criar... trabalham muito bem. de reciprocidade. Trabalhar muito essa coisa da criatividade. vai ter o momento de ouvir. sinceramente.. na rua. você acaba ficando usando isso.

Às vezes você vai com uma proposta e a proposta até muda porque ela está participando. se cumprimentando. eles até sabem. Aí parou.] aquela necessidade de trabalhar a letra a..84 opinar na rotina.. [. apenas alguns ensaios desta concepção pedagógica. quantas meninas.. [. A equipe DOT-EI traz. e) Como tem sido no cotidiano da sala de aula. eu vou dar um exemplo pra ficar mais concreto: as letras do alfabeto. Então. Então. ao desconhecido. pra participar. aquelas coisas ainda de você trabalhar. em relação ao tradicional. no documento. pra ir fazer. a letra c. relatam algumas ações que caracterizam uma concepção sócio-construtivista e revelam a falta de maior conhecimento sobre a concepção sócio-construtivista. E aí eu faço com todos juntos. . Terminou esse momento. As experiências. a questão da organização do espaço e do ambiente? Professora 1: Esse ano eu trabalho na sala 5 que seria a sala de vídeo. acredito que me enquadro mais nessa proposta por conta disso. que ela vai brincar. [. Então. o fundamento da concepção sócioconstrutivista: Aprender deve ser uma experiência significativa para a criança e deve também integrar o que ela já conhece com aquilo que é novo para ela. eles vão para o meio da sala e nós fazemos uma roda. 25-26) Portanto. que eles vão chegando. não o tempo todo. eles trocam brinquedos entre eles. Creches e EMEIs da cidade de São Paulo. vou escrever na lousa.. ajudar a organizar o espaço que ela vai fazer atividade. um desenho animado. Por quê? Após esse encontro entre eles. a letra b. Poder ter momentos dela escolher o material que ela vai utilizar. a sala está sempre organizada em meia lua. 2006. ( Tempos e espaços para a infância e suas linguagens nos CEIs. tem sempre um vídeo de música. nós vamos fazer a nossa contagem. Qual é a proposta dela? Ela também tem uma proposta para aquele momento. vou fazer a leitura do dia. um com o outro. ajudando-a a descobrir o desejo envolvido na investigação. quantos meninos. ela está criando também. Então. contando as novidades.. o brinquedo que ela vai brincar. saberes e interesses infantis são pontos de partida para que novos conhecimentos sejam por ela apropriados em situações que lhe despertem o interesse frente ao inexplorado. Então essa é minha organização da sala. Toda vez que eu vou passar informação para as crianças. eu com elas. p. as conversas. aí é o meu momento. esse ano eu usei muito o vídeo. eles trazem brinquedos de casa. algumas professoras percebem a concepção tradicional na sua prática docente.] eu acredito muito nessa construção do conhecimento da criança e nós aprendendo o tempo todo.. O primeiro momento é o momento de acolhimento deles. Isso é tradicional porque a criança não aprende necessariamente assim. na maior parte do tempo é isso. vivência.] Segundo a entrevista. a pesquisa revela que não há incorporação da concepção sócioconstrutivista na prática docente.

algumas crianças têm dificuldade para guardar. na medida do possível. o espaço e o ambiente. com os materiais.. onde ficam os livrinhos.85 Professora 2: Olha. lápis de cor. 34) Nota-se. cuidar dos seus materiais. 2006. Professora 3: Então. elas fazem do jeito que elas querem. insolação. (Orientações Curriculares: Expectativas de Aprendizagens e Orientações Didáticas. eu geralmente deixo vários tipos de materiais à disposição. mas assim. eu gosto muito de fazer atividade diversificada. depois elas guardam. brinquedos. cola. eu deixo elas manusear. mas no momento tem assim o da leitura que é fixo. ambientar as crianças e os adultos procurando atender suas necessidades e exigências nos momentos programados ou imprevistos. o armário é delas. topografia. Até o rádio. a gente tem o cantinho da leitura. o material que nós temos. elas pegam o que elas querem: borracha. eu não determino o material que vai ser usado. porque assim. não vou dizer que não acontece de ter um livro ou outro.. só em alguns momentos em que há necessidade. p. giz. Entende-se por espaço e ambiente: (.[. como principalmente pra depois também organizar tudo no lugar de novo. então elas costumam brincar. individuais ou coletivos. a gente trabalhou muito essa questão de tomar cuidado com o livro de colocar no lugar. à disposição delas.. Então. De acordo com o documento “Orientações Curriculares: Expectativas de Aprendizagens e Orientações Didáticas”: . mas ele precisa tornar-se um ambiente. nós temos um rádio. 33) O espaço físico dessas unidades educacionais não se resume apenas a sua metragem. elas colocam o CD que nós vamos usar. lápis. eu organizo com eles esses momentos. É assim também com os brinquedos. a lousa. que há um planejamento do espaço e do ambiente na unidade escolar. Mas eu tenho que deixar assim. o espaço a gente está sempre mudando. Mas assim. no começo dava muito trabalho. quando vai fazer um registro. Eles ajudam muito na organização dos espaços.. na sala de aula uma coisa fixa são os brinquedos. tinha muita coisa que eles não tinham o costume de fazer. canetinha. cuidar dos espaços da sala. 2007. elas abrem o armário.. guardar as coisas cada uma no seu lugar. Que nem. (Tempos e Espaços. falando.. no relato das pesquisadas. a gente tem que estar reforçando. E é bem legal.) local de atividades com a função de ser um espaço de vida e de transformação que possa garantir continuidade ao que as crianças já sabem e apreciam. mas também de criação de novos conhecimentos e motivos. p. tesoura. E assim. todos os dias pra fazer as atividades. nós temos aqui na unidade.] Eu até já trabalhei outra época com cantinho fixo. elas abrem. o espaço é organizado de maneira bem diversificada. a gente organiza naquele momento da atividade diversificada a gente organiza os cantinhos conforme as atividades daquele dia. Aí. mas assim. em todas as unidades de EMEI papel. isto é. conforme a atividade a criança pode escolher o material que ela quer. eu tenho muito isso na minha rotina. eles pegavam os livros e deixavam os livros jogados na sala inteira. tem o cantinho que ficam os brinquedos.

não é? Então eu já vejo qual atividade que eu vou dar naquele dia. 33) As professoras 2 e 3 permitem que a criança seja autônoma. Assim. como que eu vou dar aquela atividade. na prática pedagógica. bastante. A Professora 2 relata a importância do espaço proporcionar a autonomia da criança durante o desenvolvimento das atividades de sala de aula e aponta o armário coletivo como fator que favorece esta autonomia. criatividade. f) Como você planeja o tempo. Segundo Fonseca (2004. estimulante e aconchegante com diversas propostas de vivência e experiência proporciona uma maior interação e aprendizagem entre os protagonistas alunos e professores. no final de . p. eles vão fazer a troca e já vão ficar mais ou menos uns vinte minutos ali na conversa entre eles. A Professora 3 traz no planejamento do espaço para o desenvolvimento das atividades a organização de cantinho fixos e não fixos. curiosidade.86 A organização dos espaços dos CEIs. compreensão e confiança. Esse ano eu peguei uma sala rodízio. p. A Professora 1 ressalta. creches e EMEIs igualmente se apóia no projeto pedagógico da unidade. no cotidiano da escola? Professora 1: O tempo já é meio complicado. percorrer os espaços de uma unidade educacional fornece pistas importantes sobre a idéia de infância que os educadores que nele trabalham querem (ou terminam por) assegurar. 215) o aspecto afetivo deve estar presente no ambiente de aprendizagem: Quanto ao aspecto afetivo. acredita-se que um espaço organizado. A criança realiza as atividades com interesse e esforço se for livre para expressar seus sentimentos e emoções e se tiver oportunidade para desenvolver a independência. conversar com eles o que aconteceu no dia em casa. por meio do planejamento do espaço e ambiente. iniciativa e responsabilidade. (2007. ativa e participativa durante as atividades propostas. planejado. Assim. que deve nortear as ações das crianças e do professor. Vou passar informações. então tem que ser tudo meio cronometrado. o que possibilita maior interação entre os alunos e professores. Então é tudo assim bem no horário certinho. a questão do planejamento no momento de acolhimento dos alunos. Então vamos fazer leitura? Bom. tem o acolhimento. eu divido uma sala com a colega. há necessidade de um ambiente de aceitação.

tem as atividades que são fixas. alguma coisa desse tipo e depois do lanche uma atividade externa ou o faz de conta. quantas crianças vieram. escreve. organizado na escola. aí eles vão falando. tem uma plaquinha com o nome deles. aí a gente organiza a sala. a gente chega. A gente tem um cartaz de pregas na escola que fica uma lista móvel. dá uma acalmada. Depois das nove horas a gente vai pra área externa. Entende-se por Tempo: O tempo em uma instituição educativa deve ser vivido de modo a aproveitar as oportunidades de aprender e se desenvolver plenamente. quem não veio. E aí. que todos seguem.87 semana. Amanhã vamos dar continuidade a esses três episódios. mas nós temos essa rotina. a Professora 2 . então o nosso lanche é às nove horas. aquilo. com a foto bem grandona. nas diferentes faixas etárias. E o que a gente vai fazer hoje? Isso é bom até pra abaixar a ansiedade deles. eu não tenho tempo cronometrado. faz uma atividade de teatro. p. Primeiramente a gente faz uma atividade na sala de aula. Então. E a atividade ela já vem. faz uma atividade de bola. mais ou menos. E a mesma coisa é com a atividade. Professora 2: Eu não costumo cronometrar o tempo porque a gente tem que respeitar o tempo da criança. é uma atividade que eu perceba que a criança consegue fazer. Então assim. os materiais. vê quem veio. porque não dá. eu não posso dizer que é uma atividade simples. então eles já estão acostumados. Eu já sei. e a gente vê quem veio. às vezes. o que é que eu faço? Desde o começo nós fizemos uma rotina com as crianças. Então assim. são flexíveis. de acordo com aquela rotina do dia. ( Tempo e Espaço. a gente vai colocando. em tal episódio. Como é que eu vou dar atividade naquele dia. Então eles sempre sabem: olha. eu já passo na roda pra eles: hoje nós vamos fazer só a pintura e a colagem e amanhã nós vamos dar continuidade. Professora 3: É assim. E eu tenho também a minha rotina. Então. eu tenho o costume de todos os dias organizar com eles na lousa. mais uns dez minutinhos. Desde o vídeo do primeiro momento que entra na sala. conforme essa rotina do dia. e a gente dá continuidade. de ter experiências diversificadas que não seriam possíveis no ambiente doméstico ou em nenhum outro espaço que não mediado por adultos responsáveis pelas aprendizagens e desenvolvimento de crianças. E no dia seguinte eles realmente sabem: Olha professora a senhora parou em tal capítulo. tem algumas atividades que eles escolhem. tem uma hora que eu deixo lá assim. quem não veio. eles nunca vêem um vídeo inteiro. tem aquelas que são diversificadas. 40) De acordo com o conceito de Tempo. mais complicada. tem outras coisas que tem que manter que até está na linha de tempo. eles não ficam toda hora perguntando o que é que vai fazer. 2006. que faz parte da rotina. que mudam de um dia pro outro. a gente até às nove horas a gente desenvolve atividade de leitura. das de registro. Aí a gente vai lá. a Professora 1 ressalta o tempo cronológico das atividades devido o arranjo estrutural da sala de aula ( rodízio de sala). que vai terminar naquele dia. vamos assistir hoje três episódios que fala sobre isso. brinca no parque e brincadeira de faz de conta. desenha na lousa o que vai fazer naquele dia. o que eles vão fazer – jogo lá mais uns quinze minutos. isso e isso. aconteceu isso. também organiza os espaços. quanto eles gastam pra fazer a atividade. a gente tem uma linha de tempo que é da escola. organiza a rotina. alguma atividade de recorte e colagem. Uma atividade mais longa. A gente conversa sobre os três episódios. de acordo com essa rotina.

ou em algum lugar que vá. aquelas caixas com os brinquedos. E isso a escola está fazendo bem. Eles usavam muito de trás pra frente.. Aí a gente pediu o estojo para os pais. se puder ser um caderno com linha.] Aí veio o recesso e teve aquele problema da gripe A. Se o professor trabalha com brinquedo no primeiro momento de aula. Todas as professoras relatam que adotam uma rotina. [. de ponta cabeça. O material fica à disposição nossa e das crianças porque o armário é aberto.] Teve várias orientações assim pra não estar usando mais nada coletivo durante um bom tempo. Professora 3: Olha.. ele já sabe. experiência.. Se é um determinado dia da semana. acho que até eles gostam.. Aí chega no terceiro estágio.] O único problema é assim. todas as salas de aula têm o armário coletivo. graças a Deus. [. No segundo estágio é mais o caderno de desenho eles tem que aprender a seqüência. Aí lá vai eu pegar todo aquele material que estava no coletivo e mais alguns que eu tinha guardado e a gente dividiu tudo e colocou tudo nos estojos. Claro. E assim. Há uma heterogeneidade na concepção de Tempo na unidade escolar. lápis de cor – o material pra atividade era coletivo. [.88 relata o Tempo enquanto momentos de vivência. Acho que é importante.. nos últimos anos a escola vem recebendo verba pra comprar material pedagógico. E a gente já teve um momento que o brinquedo. No armário coletivo tem brinquedos para as crianças. você não vai dar aquela coisa maçante.] O brinquedo fica num cantinho da sala. [. já melhora. no primeiro semestre. era o momento que a gente estava em outra sala. A gente costuma trabalhar muito com os brinquedos na sexta-feira. por mais pobre que ela seja.. eles iam. é mais pra ele aprender a usar mesmo.. o material foi assim. eu acho o desperdício dos brinquedos. eu acredito como professora. só que assim. do material. reúne a gente e faz uma lista de prioridades. . [. o que um cuida o outro não cuida tão bem.. poderia mudar essas coisas. Não sei. como é que usa. bichinho de pelúcia. de ter materiais tecnológicos na sala de aula.. A criança mesmo vai lá e pega. Então. Então eu oriento muito o uso do caderno. então eles já têm maturidade pra isso.] Professora 2: Os materiais utilizados na UE são materiais oferecidos de acordo com a possibilidade da UE. Então a criança segue a rotina do professor..] eles tem que aprender a usar o caderno. um computador. eu sinto muita necessidade de ter informática. [. eles trazem os deles e usa o da escola também. pegavam e brincavam. aplicando bem. o material mesmo giz. E a gente ganha esse material. ele é colocado numa altura que dá pra ela pegar. interação e o respeito do ritmo de cada criança nas atividades propostas e a Professora 3 fala sobre a linha de tempo existente na unidade escolar. g) Como são organizados os materiais pedagógicos. [. boneca. ela tem acesso a todos os tipos de tecnologia ou em casa.. não tão dirigidas. o que a gente está precisando. do acolhimento. tem assim. na sala de aula? Professora 1: Olha. na sala de aula. abria em qualquer página.. E toda vez que chega verba o diretor reúne o conselho. a necessidade que eu vejo ainda na EMEI é aquela lousa ainda verde. Elas utilizam a sala de aula para atividades de concentração e atividades dirigidas e a área externa atividades mais livres. antes de acabar o rodízio e lá tinha baldes. a gente já avisa. ela tem já acesso ao computador..] Nós vivemos em um mundo onde as crianças têm acesso.. brinquedos grandes.

é mais material de encaixe. (. são destinas as unidades escolares para a compra de materiais pedagógicos. As Professoras 1 e 3 trazem a preocupação com a duração dos materiais no uso coletivo. A Professora 2 se preocupa com a modernização dos materiais em sala de aula. A Professora 3 ainda comenta a estratégia que utiliza para trabalhar com os materiais em sala de aula. sexta-feira. aí eles vão lá. [. brinquedinho de panelinha e tal. escolhem. estão fadados ao fracasso”. Essa sala que a gente ta agora não tem tanto brinquedo como a outra tinha. Creches e EMEIs da cidade de São Paulo traz algumas orientações para as Unidades Educacionais: O tipo.89 Então assim. agora também tem alguns brinquedos novos. há professores que trabalham com os brinquedos no momento específico do acolhimento e também professores que escolhem um dia da semana. na altura das crianças para dar-lhes acesso fácil e autonomia. ações. mas apenas os técnicos. Ela fala sobre a estratégia no uso coletivo e no uso individual. 38) Ainda a respeito dos materiais Kishimoto (2002.. brincam. livros.] Em relação aos materiais. 184) comenta: “Sistemas educativos que adquirem materiais e brinquedos sem consultar o profissional envolvido. geralmente. vestimentas.. o número e a variedade dos objetos – brinquedos diversificados e em número suficiente. ficavam mais soltos. p. E assim. A autonomia da escola em suprir a sua própria necessidade em relação à compra de materiais pedagógicos traz um avanço para a Rede Municipal de Educação de São Paulo e contribui significativamente para a qualidade da prática docente. p. que fica aberto com os materiais diversificados. Nota-se que nesta unidade escolar. eles ficam livres. até mesmo a escolha e a organização dos materiais são objetos de planejamento. eles pegavam mais os brinquedos. nos momentos de brincar.a forma com que eles e os materiais se dispõem no ambiente pode auxiliar ou dificultar a autonomia da criança na realização de seus projetos. para envolver as crianças na atividade do brincar. a preocupação em trabalhar o . Ela garante autonomia da criança tanto no momento do uso coletivo como individual dos materiais e relata também a importância da diversidade de materiais para realização das atividades e para o brincar. idéias e invenções..) Assim. Em sua fala nota-se a presença da questão da escolarização. A professora 1 ainda comenta sobre o armário coletivo.. o documento Tempos e espaços para a infância e suas linguagens nos CEIs. (2006. A Professora 1 relata a importância da verba. que nos últimos quatros anos.

nós temos uma relação muito boa [.. Se aconteceu alguma coisa na casa dela. [. E é o momento dela falar ‘tia’. Entre eles também porque eu peguei esse ano duas turmas muito boas. a percepção dos professores na importância da diversificação dos materiais pedagógicos e a superação desses docentes em mesmo preocupado com a conservação dos brinquedos colocaram a disposição das crianças os materiais.] Eles falam muito o tempo todo. uma turma que está sempre chegando. Às vezes tem algumas dificuldades que a gente ta vendo que não ta conseguindo se comunicar. aí a gente conversa. aquilo. percebe-se que há presença de ações tradicionais como o dia do brinquedo. [. uma criança agredir a outra. Assim. ao mesmo tempo ele tem uma relação muito carinhosa comigo. [. Aí você assim observa que apesar das crianças se dividirem entre meninos e meninas. mostrando pra ele o que ele pode fazer. Toda criança briga. As crianças comigo. Professora 3: Ah. conversando: Olha Pro. o meu coleguinha não quer dar o brinquedo pra mim. eles tentam brincar um pouco juntos. Então assim. um lado fica as meninas e do outro lado os meninos. se socializaram melhor.elas não têm medo.. eu e os alunos eu posso dizer que às vezes eu me sinto mãe deles.]. Então eu sou professora e sou tia também. o que ele não pode fazer.. das atividades.. Por quê? Ao mesmo tempo que eu estou lá ensinando.. na hora das conversas. Elas não têm medo de falar porque tá chorando. um tênis novo. Em relação aos brinquedos.90 caderno. Me sinto mãe. na hora de brincar. Eles vêem falar que foram passear. De acordo com a citação e as ações dos professores. o tempo todo. bate. a preocupação com a conservação dos brinquedos no uso coletivo e ações inovadoras como dar acesso e autonomia as crianças no uso dos materiais. a interação se dá o tempo todo né. mas essa é uma turma boa. a gente vai ver porque ta acontecendo isso. resolver com diálogo. Aí eu falo: Então vamos lá. permite a autonomia da criança em escolher com quais brinquedos deseja brincar. mas eles brincam. mas quando é o momento de falar ‘Pro’ é ‘Pro’.. Tudo pra poder estar ajudando a nossa interação.] a minha sala teve pouco esse negócio de violência. na hora da história.. E no momento que eu quero a atenção dela. a gente vê os combinados. isso é normal.. ela chega e conta naturalmente.] É uma interação que não acaba nunca. isso. ela me respeita também. tudo bem. O que nós vamos fazer? Negocia com ele. tinha criança que nem falava no começo do ano. é até difícil falar com se dá a interação. [. Eu posso dizer que eles quase não se batem. fizeram muitas amizades. tem algumas crianças eram bem quietinhas no começo do ano.. das rodas de conversa. você bem essa interação. Eu procuro sempre falar pra eles que a gente precisa conversar. A interação se dá na hora das brincadeiras.. Quando ela chega e fala: Tia. e querem comentar. A gente faz uma roda de conversa. Então. porque não quer vir na escola. agora eles estão falando mais.] Professora 2: A nossa interação se dá muito pela conversa. h) Como você tem interagido com os alunos e como é a interação entre eles na sala de aula? Professora 1: Olha. eles dividem a sala. contam tudo que acontece em casa e querem mostrar tudo. toda a hora a gente está interagindo. .

mais ainda. mas eu acho que ta faltando alguma coisa. i) Como você tem registrado a prática pedagógica? Professora 1: Bom. Então eu marco ali o que aconteceu naquele dia que eu achei que foi importante. relatando as preferências etc. sentado.]. Às vezes a gente está lá no parque. auxiliá-la na desafiante tarefa de fazer e consolidar amizades e parcerias. tem o Wilson.. sem grupo de estudo [.. negociações se constrói uma saudável interação entre todos os protagonistas. Mas acaba a palavra ‘pintar’ ele já fala: Eu não. o Wilson ele nunca brincou. Ele tem muito medo. A Professora 3 relata que em todos os momentos e atividades da escola as crianças participam contando as histórias. veio mostrar se tava bonito. pegou. A Professora 2 utiliza a estratégia do diálogo na interação. Aí eu falei: Ah. constantes conversas. aí você marca. Aí eu anotei: Hoje Jonas conseguiu fazer a atividade sem negar aquilo que ele tava sentindo. De acordo com o documento “Orientações Curriculares” é importante que: Cada professor pode organizar um ambiente mais produtivo para as crianças interagirem se compreender a movimentação das crianças. e quando acontece algo que eu acho que é importante. que é construído entre ela e as crianças no cotidiano da escola e a questão da mediação dos conflitos que surgem entre os alunos. fala com os olhos. o Jonas. Quando ele me olha com aquele . Mas pode. eu não quero. Você não acha que ta faltando? Ele falou: É mesmo. observando. porque eu dou atividade pra criança. aquilo que eu fiz durante a semana. ajudá-las a fazer acordos e lembrá-las desses acordos sempre que necessário. Eu não quero. eu registro na própria atividade da criança. o registro. 32) A criança tem uma maior interação com o professor e os colegas quando o ambiente é planejado e organizado para este fim. às vezes não. completou. combinados. É assim que ele fala. Fala pra ele: Agora nós vamos pintar. Por exemplo. Muitas coisas a gente registra aqui na nossa cabeça e no nosso coração. Por quê? Porque aquela criança. ele fica perto. eu sempre digo: O Wilson fala com os olhos. Ela ensina as crianças a resolver os conflitos por meio da estratégia da negociação. Pego as atividades. suponhamos. (2007. e de aprender a resolver os conflitos com os colegas. eles estão lá brincando e de repente você vê uma criança conversar com a outra e você acha interessante aquilo que eles estão conversando. eu não quero. que ele tem muito medo de papel. Voltou. Foi lá. Eu pego um dia da semana que eu esteja mais tranqüila. E essa semana ele fez a atividade. Quando há espaço para a participação das crianças nas decisões. eu tenho um aluno. Porque nem tudo é importante. explicar-lhes certas proibições. sempre recapitulando com os alunos os combinados do dia a dia. Tranqüilo. né. estabelecer limites e trabalhar com elas regras orientadoras da convivência.91 A Professora 1 relata a questão do apego. p.

mas eu gostaria de registrar na hora. atividade livre. depois que termina. eu uso muito esse portfólio também pra conhecer melhor. uma vez por semana. semestral. Eu falo: Ah. tem desenho de história. nossa atenção. aquele que quer mesmo fazer as coisas. onde o professor ele vai. E assim. a Professora 1 realiza o registro do avanço de aprendizagem na própria atividade da criança e os episódios do parque em sua memória e depois resgata-os. [. no caso todo ano. Então. na verdade esse planejamento que fica com ela a gente pega raramente. recorre a ele. de nome. Eu pego algumas atividades de desenho. numa dia que eu esteja mais tranqüila.. mas muitos casos não é possível ainda. Professora 2: Olha o registro. O professor assim. de letra.] Na questão do registro da prática. . eu pego essas atividades. aí já estou com o portfólio na mão seja pra uma atividade ou pra outra. Eu tento registrar todos os momentos que se destacou. porém tem pouco significado para a prática docente. E essa semana o Wilson começou a se afastar. porque ele é a memória viva do professor. já não está mais tão perto. Mas como eles exigem muito da gente. olha o que você já fez. tenho a minha rotina e assim. E. Ela ressalta o uso do portfólio como registro para acompanhar o desenvolvimento dos alunos e repensar a prática pedagógica. de brincadeira. Dependendo da atividade é bimestral. Porque as crianças tem necessidade da gente e a gente tem que registrar. para a reflexão. a gente tem o planejamento que é aquele que a gente faz. o que aconteceu de importante e marco.. já ta indo pra mais longe. registro de jogos. aí fico um período sem. ele volta. que a gente ta trabalhando algum texto. A Professora 2 ressalta a importância do registro ser realizado no momento do episódio ocorrido. Ele já está se afastando. vou ser sincera com você. pra ver como ele está. dependendo da atividade é mensal. raramente. gosto muito de trabalhar com portfólio. pra não se perder. eu já sei: Ah. porém relata a dificuldade de atender as crianças e ao mesmo tempo realizar o registro. atividade de número. registrar na hora. Só que igual eu falei. pra falar a verdade. eu registro. uso muito o portfólio. que entrega pra coordenadora. Mas assim eu vejo como de grande importância. e a gente não consegue. o que você ainda não fez: Ah. isso a gente registra. então eu não consigo. Eu posso não estar registrando naquele momento. na memória. às vezes. Eu estou sempre com o portfólio pra lá e pra cá. que é entregue ao Coordenador Pedagógico. Aí chega no final de semana. olha isso aqui eu coloquei aqui e não fez. mas já registrei aqui na mente. grandão. eu faço algumas anotações no meu caderno. ele se esforça muito. Humanamente é impossível. aí assim. ele ta querendo alguma coisa. E ele já está se afastando. Agora assim. ele vê o progresso da criança. você ta fugindo da minha cordinha né. É uma coisa que fica um pouco distante assim. às vezes eu consigo registrar na hora.92 olhão. Assim. Então eu acho que o registro é muito importante sim. poucas vezes no ano vai lá. Eu fico vários dias com o portfólio. assim. Eu sento um por um. tem conhecimento do nome. Professora 3: Então. né. às vezes anota alguma coisa no caderno. Aí nesse portfólio tem evolução da escrita do nome. A Professora 3 comenta sobre o registro em forma de planejamento semestral ou anual. a dificuldade é muito grande. isso aqui eu preciso fazer um pouco mais. A gente pega. no dia-a-dia mesmo o que é que eu uso? Anotações no meu caderno.

fase 1 (2007. mas ainda há necessidade do planejamento e aprimoramento do tempo e espaço no cotidiano dos docentes para a realização da ação de registrar. Outra orientação do documento citado acima é o registro através do diário de campo: Os diários de campos são narrativas pessoais que promovem reflexões da prática educativa no dia-a-dia do CEI e da EMEI. nota-se que os docentes contam com o registro de memória. os objetos que manipulam e os locais onde se colocam. por exemplo: fulano fez algo ( usando ou não quais objetos). 42) De acordo com a prática dos professores e as orientações do documento. (2007. intervenções e resultados. locais. p. intenções (. sozinho. Escritos pelos próprios professores. De todo modo. dúvidas. depois do momento da prática direta com as crianças. descrevem fatos.. quantas estão próximas e quantas interagem a cada minuto da observação. como se sucede o tempo. Descrever com detalhes o que as pessoas observadas fazem: seus movimentos corporais. 41) traz orientações sobre o registro para os professores iniciantes. além de escrito. e uma das entrevistadas aponta a dificuldade de realizar o registro simultaneamente devido à demanda de atendimento aos alunos durante as atividades. Pode-se registrar. cabe ao pesquisador transcrever com minúcias objetividade o que foi registrado usando palavras. pronto esse tipo de registro. eles contam passo a passo o que acontece todos os dias. tabelas que somam as ocorrências de certos comportamentos etc. fotos ou áudio-gravação. falas. considerando o olhar de seu autor.. As Professoras 1 e 3 relatam que retomam o registro para a reflexão da prática pedagógica e a Professora 2 relata a importância de registrar simultaneamente o fato ocorrido. relatam iniciativas. Como os diários que existem no mundo. É importante marcar quantas crianças estão sozinhas. . Nesse momento não se deve conjecturar sobre seus sentimentos. expressões faciais: o que as pessoas falam e para quem falam. ou ainda. inquietações. idades. ou com alguém. simultaneamente à observação e informar os nomes. p. para alguém. Enfim. O registro de uma situação.93 O documento “A Rede em rede”. na técnica da observação direta: Ser feito. há presença do registro na prática docente. pode ser feito por vídeo. na maioria das vezes. horários. sentimentos.). de preferência. situações observadas e objetos disponíveis.

no cotidiano da escola. A questão de priorizar. as linguagens é assim. trabalhar com corda. Por isso é importante o registro. Então assim. a refletir porque você não está fazendo aquilo. já não é uma coisa que acontece todos os dias. numa determinada época do ano. conta os pontos e faz isso com palitinho. mas e o raciocínio lógico-matemático? E o brincar da criança. Trabalhar com pneu. Um exemplo. uma coisa que deveria acontecer todos os dias. por exemplo. Eu acredito que eu trabalho todas as linguagens. igual. Até que o projeto esse ano da minha mostra cultural é o diário de leitura. eu gosto muito de trabalhar leitura e escrita. nas linguagens contextualizadas e na questão da seqüência didática. já facilita. você acaba. mas trabalha uma vez ou outra. Então. eu tenho que pegar um tema que eu vejo que há necessidade e aí eu tenho que trabalhar todas as linguagens. cambalhota. isso não acontece todos os dias. as brincadeiras dirigidas? Nisso eu sei que eu falhei. A gente tem que tomar muito cuidado. eu sei que eu trabalhei leitura e escrita. Se pensar na importância da freqüência das linguagens. dançava. só que tem época que eu acabo priorizando mais uma do que outra. cola. todos os dias. às vezes. na questão da concepção da criança como ser histórico. Professora 3: Olha. você acaba trabalhando mais e deixando outras. tem época que a gente cantava. leio muito com as crianças. conclui-se o empobrecimento no trabalho das diversas linguagens na Educação Infantil. mas tem época que você acaba deixando um pouquinho de lado. Matemática: tem época que a gente trabalha mais. é mais a organização do espaço pra você estar trabalhando as linguagens. Porque o próprio cotidiano.. a linguagem que se tem mais afinidade em detrimento das outras linguagens. agora? É que tem época também que a gente deixa de lado. A Professora 1 ressalta que a . você sente dificuldade em trabalhar as Múltiplas Linguagens na Educação Infantil? Professora 1: Então. na Educação Infantil. você começa a se policiar. Professora 2: O que eu tenho sentindo mais dificuldade ainda é os movimentos. As Professoras 1 e 2 falam o que geralmente acontece em relação às múltiplas linguagens.. trabalhando mais uma do que a outra. O ideal seria todas serem priorizadas sempre. quando se tem esta postura na prática pedagógica. com gincana. tem época que eu conseguia contar histórias todos os dias.94 j) Em relação às linguagens. No momento. o dia-a-dia da escola faz com que você deixe algumas linguagens. por um motivo ou outro. Então. Muita atividade artística: tinta. Música. colocava som. porque o que acontece? A linguagem que você tem mais afinidade. Agora. muito. Sabe? Porque assim. trabalhar tipo. tesoura. Então. tem época que você percebe que. as outras linguagens. E se a organização do ambiente já ti força a planejar e trabalhar um determinado dia da semana no horário aquela linguagem. muito importante. acontece. por exemplo. eu trabalhei muito estória. trabalha boliche. eu acho importante trabalhar todas elas. Mas fora da sala de aula eu ainda tenho dificuldade de trabalhar. eu adoro trabalhar leitura com as crianças. trabalho todas elas. cantava. estar revendo sua prática porque. isso eu acho que ainda ficou a desejar. Não digo que deixando totalmente. só que tem um momento que a gente acaba priorizando mais uma do que a outra. O que ta acontecendo todos os dias.

. Por isso. por força da própria cultura. sons. da criação e da expressão infantis. sim. das relações e das memórias das crianças. faz assim. contextualizadas. É muito lenta essa formação. ler. que não resolveu e o grupo me auxilia. de significativas aprendizagens. aí eu percebo.) é importante não tomar as linguagens de modo isolado ou disciplinar. cada um passa o que entende. ouvir e contar histórias são modos muito especiais de cuidar da imaginação.. eu fiz dessa forma. o que entende de determinada linguagem. No documento Tempos e espaços. que cria. Então. Dentro dos estudos eu acho que é lento.. encontra-se algumas orientações a respeito das Múltiplas Linguagens na Educação Infantil: Antes de ser uma necessidade individual. p. Aí eu percebo. podemos dizer que falar...) cabe ao professor alimentar nas crianças novos desejos. o que entende de acolhimento. da curiosidade por conhecer-se e conhecer o mundo. na maneira que eu tô recebendo ela. que fala. pra que os dois possam fazer uma reflexão do que está . que conta. 56) Neste sentido. acredita-se na importância dos docentes em superar a questão da priorização das linguagens. eu percebo quando existe a troca. portanto. Pode até ser que aconteça. Então eu trago um fato. que lê. A Professora 2 relata a dificuldade em trabalhar com atividades de movimento corporal. Por que eu não posso acolher minha criança cantando no pátio. a serviço das interações. Olha isso deu certo. reconhecimento que o mundo no qual estão inseridas. da inteligência. [. necessidades e interesse pelo conhecimento. desde o nascimento. nas relações que permeiam a vida das crianças.95 organização do ambiente em prol das linguagens facilita o trabalhar com outras linguagens de menor afinidade e a Professora 3 utiliza o registro para ajudá-la a se policiar em relação a priorizar uma determinada linguagem. O que entende do brincar. Então.] O acolhimento pode acontecer desde o primeiro momento que eu abro o portão para a criança. Isso já aconteceu mais ou menos com uma turma minha. na Educação Infantil em prol da criança que brinca.. (2006. falas e escritas. Porque os colegas vão dando experiências e a gente vai aplicando aquilo. a apropriação da linguagem é uma necessidade criada no coletivo. Esse Rede em Rede tem que ser também para o professor e o professor junto com o grupo gestor. mas. o Rede em Rede virou um telefone sem fio. l) Você percebe a teoria do “Projeto Especial de Ação” e do “Programa Rede em rede: a formação continuada” na sua prática docente? De que forma? Professora 1: Eu percebo quando existem momentos de troca de experiência. mas não percebo assim de cara. (. que imagina. algo que aconteceu na minha sala de aula que eu não consegui resolver ou que eu tive uma determinada atitude e achei que não foi boa. como é que eu faço? Ah. (. ah isso não deu certo. dançando? Tem que ser na sala de aula porque falaram que tem que ser na sala de aula. Como eu disse pra você. é amplamente marcado por imagens. dos afetos. essa maneira de passar que é duvidosa. que dança.

Professora 2: Olha. eu achava que o PEA tinha que ser mais flexível porque conforme vai passando o tempo. talvez não tenha mais necessidade. por isso que é importante o PEA ser mais flexível e ter um pouco essa abertura da gente poder estudar coisas. Mas o Rede em Rede em si. Ah. nos horários coletivos de estudo. a Professora 1 relata que a troca de experiência entre os professores. E ta colocando coisas novas. que a gente não poderia saber. Igual. eu acredito até que o curso deveria ser para os professores também. Eu não fiquei sabendo muito que aconteceu na formação do Rede em Rede. ta planejado. vai surgindo coisas. porque o PEA tem os temas no começo do ano. Em relação à teoria e a prática.a gente percebe assim. porque é fechado. Eu acredito que não tinha que ser assim. na educação do aluno. e acontecendo junto a gente consegue pensar mais em prol do aluno. porém relata sobre a inflexibilidade do conteúdo programático do “PEA”. o que lhe causa um distanciamento da prática. porém solicita que esse “Programa” seja voltado para o grupo de professores pelo mesmo motivo citado pela Professora 1. a gente não conhece. cada um vai passar do jeito por ele. tem maior significado para a prática docente do que o conteúdo programático do “Projeto Especial de Ação”. vamos se dizer assim. O professor estar fazendo esse curso. As crianças são vivas. Porque quando a gente observa uma criança. Porque aquilo que a gente planejou. Porque pra eles é passado de uma forma e pra nós é passado de outra. a gente tem que trabalhar de acordo com os temas na nossa prática docente. Então assim. não pode mudar. é como se fosse uma bolha em ebulição. a partir dos livros e das orientações curriculares a gente procura trazer aquilo lá para a prática. ela fala sobre a importância de toda equipe escolar estar tendo a formação continuada com o mesmo formador. nós vivemos numa constante. conforme a nossa possibilidade. porque cada um é uma pessoa. tem que dar aquilo que ta lá. Por este motivo. poder sim mudar e estudar outros textos. A Professora 2 acredita na importância de trabalhar na prática pedagógica o conteúdo do “Projeto Especial de Ação”. mandou lá para a DRE. A gente sabe dos livros. ensinar para o aluno. Então. a gente não pôde estudar textos a mais do que estava planejando no PEA. Então assim. Então eu acho que seria importante abrir sim para os professores. ele vai. as orientações curriculares. Acabou o final do ano e você ainda não está conhecendo ela.96 acontecendo no cotidiano da sua escola. E o Rede em Rede eu não tive muito contato esse ano. planejou. Porque às vezes o coordenador. . é importante porque a partir do momento que ele lançou um conhecimento. mas cada um tem a sua concepção. chegar no meio do ano poder estar mudando talvez a bibliografia. Então. passando a não ser mais significativo. Quanto a teoria do “Programa A Rede em rede” a Professora 1 coloca em dúvida o conteúdo desse “Programa” transmitido pelo Coordenador Pedagógico. já foi satisfeito. A única coisa que eu achei de dificuldade foi assim. planejou no começo do ano. a gente vai conhecendo durante o ano. vão acontecendo coisas que a gente às vezes não planejou. Isso a gente não pôde fazer. tinha que ser flexível e. Nós lemos os livros. Em relação ao “Programa A Rede em rede” a Professora 2 conhece a teoria por meio dos documentos elaborados pela equipe DOT-EI e procura levar o conteúdo para sua prática docente.

conversar. de conversar. é preciso muito diálogo e reflexão.97 Pesquisadora: Você percebe a teoria do “Projeto Especial de Ação” e do “Programa a Rede em rede: a formação continuada”. de trocar experiência. Você não tem um momento de encontrar com seus parceiros. Nesse caso. Entende-se pelo processo de Formação Continuada de Professores: Nem sempre a criação dessa zona de desenvolvimento pelo próprio professor em formação é possibilitada. muitas vezes. eu acho que o mais forte é isso mesmo. É necessário que o Coordenador Pedagógico fique atento às queixas do professor. p . na prática dos professores que lecionam com você? Professora 3: Com relação à prática a gente percebe que tem algumas coisas que eles estão estudando lá e estão discutindo. porque o nosso trabalho é muito humano. A professora 3 que não tem o contato semanal com o “Projeto Especial de Ação” e a teoria do “Programa A Rede em rede” nota pouca presença da teoria do “PEA” e do “Programa” na prática dos docentes que lecionam com ela. uma questão de refletir. perdem-se oportunidades valiosas de desconstruir formas de atuação cristalizadas. esse momento de troca é muito importante. 2007. trocar experiências ou. tirar dúvidas. é uma correria constante. refletindo e eles conseguem levar pra prática uma ou outra coisa. o Coordenador Pedagógico deve desenvolver estratégias de trabalho para que teorias do “PEA” ou do “Programa A Rede em rede” não se tornem apenas informações ou imposições.12) No processo de Formação Continuada Docente. precisa muito desse momento de conversar. de dividir. o que eu mais sinto falta é isso. que não respondem a singularidade de cada situação educativa em uma sociedade em permanente mudança. Ela ressalta a importância dos momentos coletivos para troca de experiência. . A gente não se encontra. Então eu acho que principalmente por isso. transforme essas queixas em bons problemas para juntos encontrarem as soluções. teorias. (A Rede em rede. Problemas como inflexibilidade no conteúdo programático. dúvidas quanto a conceitos. Isso também é muito importante. é muito corrido. E a gente que não participa do projeto. Nesse processo. devem ser discutidas e analisadas por todos os envolvidos no processo de formação. Mas assim.

mas é porque assim. Pesquisadora: Durante esses quatro últimos anos. Parece que você trabalha sozinho. que o professor fica um pouco. eu não tenho observado essa diferença. o grupo se reúne. As Professoras 1 e 2 percebem que o professor que não realiza a formação continuada semanalmente. Não que o trabalho dele não seja tão bom quanto o de quem está fazendo a formação. que você percebe muito nitidamente. claramente. porque a formação continuada acontece nos grupos de JEIF e geralmente esse professor que não faz. não. algumas atitudes assim. o professor que não faz o PEA é um professor mais desinformado. ele ta fora do grupo de JEIF. Então a gente percebe dessa forma. ele ta sabendo mais do assunto. na escola. determina alguns projetos. A Professora 1 ressalta a importância do entrosamento de todos os professores e os projetos para o enriquecimento do trabalho pedagógico. Então eu acho assim. Agora. Mas em outros momentos. eu ficava um pouco assim fora da escola. sinceramente. então essa é a descontinuidade. em outros anos. que ocorre durante o horário coletivo de estudos. Não por mal. observar mudanças assim. ele pode estar enriquecendo muito o nosso trabalho e a gente ainda dando coisas novas pra ele. das trocas de experiências. então ele não está junto com o grupo. . Então. esse professor fica deslocado. eu não tenho observado isso. faz algumas trocas de experiências. Porque os professores aqui na EMEI provavelmente eles dobram e eles fazem PEA no outro turno. Às vezes. eu tenho experiência por mim. você observa mudanças de prática nos professores que realizam a formação continuada. no PEA. fica totalmente distante das informações. Às vezes. a gente vê a diferença sim. Então assim. as decisões. Ele faz lá fora a atividade uma vez por semana ou duas. porque o professor que faz o PEA. Então eu acho muito importante a realização do PEA sim. das decisões. Você percebe assim. na escola? Professora 3: Então. a gente não conhece o trabalho dele. é um conjunto. não é uma coisa assim muito marcante. porque tem professores que fazem trabalhos maravilhosos. em alguns momentos assim. ele ta vendo o que a escola tá trabalhando. ele está interagindo mais na escola. Professora 2: Olha. no horário coletivo? Professora 1: Eu percebo a falta de entrosamento.98 m) Você percebe diferença na sua prática docente em relação à prática docente do professor que não realiza a formação continuada. dos projetos. as coisas acontecem no PEA: as informações. Então. você percebe até uma ou outra atividade. alguma coisa que ele faz assim que você percebe que está dentro de algum tema que está sendo estudado dentro do projeto. que fica muito claro. só que por ele não estar entrosado. até pra estar trocando como trabalhar com determinados temas. Mas assim. quando eu não fazia o PEA.

para caminhar sozinho.. acredita-se na necessidade em criar espaços para que ocorra a integração de todos os professores com o “Projeto”. Algumas coisas eu consigo fazer. assim. então eu fui buscar. ele precisa de uma dica: olha isso tem que fazer assim. no vespertino e não consigo fazer no inter.a gente sabe que não é tudo que a gente vê na teoria que a gente consegue colocar na prática. eu fiz estudos. Porque assim. mais livre. dá pra você estabelecer um diálogo melhor. Essa é uma questão. porém tem acesso aos documentos da Secretaria Municipal de São Paulo e ao conteúdo do “Projeto Especial de Ação”. que não realiza a formação continuada semanalmente. Por exemplo. É uma dificuldade. na unidade escolar. eles conseguem esperar. mesmo que ele tenha facilidade. Por exemplo. uma brincadeira mais livre. [. eu tenho uma turma no inter que é muito difícil. a gente procura estar . tem coisa que não. às vezes impede. percebe poucas ações. que a gente cante. Então assim. na faculdade eu senti que faltava ainda conhecimentos. Professora 3: Olha. esse é um fator complicador. a gente tem que ir atrás. eu gosto de cantar com as crianças e isso a própria organização da escola impede que eu faça esse trabalho do jeito que eu gosto. a organização do tempo.. emperra. eu tenho um num período intermediário e um no período vespertino e eles são muito diferentes uma turma da outra. uma coisa que me aflige muito. Já a outra turma é uma turma mais tranqüila. Fiz uma pósgraduação em educação infantil. Eu gosto de um ambiente mais aberto. Então assim. Então assim. a realidade é bem diferente. a rotina da escola. tem criança que não é assim. tem coisa que dá. porque eu conseguiria atender cada criança. Então eu acho que a organização mesmo da escola impede um pouco o trabalho.a única dificuldade que eu encontro é a quantidade de criança. eu tenho dois segundos estágios. tem.99 Quanto ao Professor 3. a gente não tem que esperar. Assim. às vezes também num ano você consegue e no outro não. a gente tá sempre mudando né.] Agora. quem não gostaria de poder acompanhar melhor os alunos de poder fazer mais por cada um. Infelizmente a gente trata um todo e acaba fazendo um depósito de criança e a escola não é um depósito de criança. Porque cada criança tem a sua necessidade. Porque assim. tem muita criança que ele aprende sozinho. Agora assim. busquei. que a gente dance. eu conseguiria desenvolver um trabalho de mais qualidade. que é ter um número muito grande de alunos nas salas. por exemplo. E assim. é uma turma muito agitada. às vezes. a gente faz o que a gente pode. em um lado. ele precisa de uma intervenção individual. que é dificuldade geral. Os alunos são muito diferentes. Eu acho que o fator maior que impede é esse. sempre tem alguma coisa que a gente leva sim da teoria para a prática. tem quer respeitar cada indivíduo na sua íntegra. Portanto. e assim. Geralmente eu tenho duas turmas. eu acho que se tivesse um pouco menos de criança. os alunos são muito agressivos. Porque assim. eles têm mais paciência pra uma atividade que precisa de mais tempo. dos professores que realizam os estudos no horário coletivo. Eu acho muito importante porque assim. Professora 2: Ah. que eu acho muito importante: a intervenção individual. Eu gosto de trabalhar com brincadeiras cantadas com as crianças. em alguma coisa ele precisa de intervenção. na prática pedagógica? Professora 1: Impedem: a organização do ambiente. E assim. na prática docente. a quantidade de criança. vai mudando algumas coisas na prática. algumas coisas que a gente reflete e muda. a teoria eu tenho. uma brincadeira dirigida. n) Existem fatores que impedem a aplicação da proposta teórica. às vezes ele tem facilidade em uma questão e em outra não. Tem também algumas coisas assim.

. ajuda a transformar algumas coisas na sua prática sim. Então eu sempre procuro assim. mas tem muita coisa que dá pra você colocar na prática. talvez até fazer uma reunião extraordinária. nós somos uma parceria e nós vamos caminhar juntos. Professora 2: Sim. você caminhar junto com a comunidade porque nas reuniões eu sempre converso com os pais. olha que legal. procura estar conhecendo cada aluno o máximo que a gente pode. então vamos caminhar juntos.] Seria assim. que ajuda a refletir.isso ajuda bastante. cada criança. o que tem auxiliado. A gente também junto com os pais. a gestão estar junto com a gente tentando solucionar os nossos problemas. o fator é o da gente acompanhar mesmo. como eu falei. sempre você dá uma acordada pra alguma coisa. o próprio grupo de formação ajuda bastante esse programa. A gente pede. Sempre. Às vezes. Já a Professora 2 encontra dificuldade em conciliar a proposta teórica e a grande quantidade de crianças na sala de aula e ressalta a importância do atendimento individualizado das crianças. que não estava no calendário. reflete. é sempre muito bom. Eu acho que a comunidade é muito importante. eles logo estão providenciando esses materiais. Porque é um conjunto e a gente tem que procurar sempre parcerias. o) Existem fatores que têm auxiliado a aplicação da proposta teórica. na prática docente? Professora 1: Olha. é importante retomar. Nós estamos aqui pra ajudar no desenvolvimento dos filhos de vocês e eu quero fazer o que eu puder. . Assim. eu fazia isso. eu creio que só. agora não faço mais. Professora 3: Ah sim. a gente poder estar discutindo as nossas dificuldades. [. conversar com os pais. o diretor. a heterogeneidade dos alunos. poderia acompanhar bem melhor cada aluno. são as verbas. poderia fazer um trabalho bem melhor. ajuda a melhorar. tempo e a rotina estabelecida na unidade escolar dificulta a realização da proposta teórica na prática docente. Só que a gente sabe que se fosse um número menor de aluno. materiais pra gente. auxilia. a questão da organização do espaço e do tempo e a grande quantidade de crianças na sala de aula são fatores que dificultam a proposta teórica à prática docente. que ajuda. procura estar acompanhando. A Professora 1 relata que a organização quanto ao espaço. se eu estou com alguma dificuldade. né. É muito bom. até alguma coisa que você fazia lá há um tempo atrás e não faz mais.100 fazendo essa intervenção. fazer de novo. que estão comprando muitos brinquedos. A Professora 3 observa as diferenças de cada criança atendida por ela. se não tivesse algumas dificuldades teria como colocar muito mais a teoria em prática. Ela relata que cada criança possui uma necessidade específica e comenta a importância de realizar uma intervenção individual e ressalta a grande quantidade de criança na sala de aula. a coordenadora. tem muita coisa que não dá.. Às vezes você começa a ler.

quebrar uma rodinha e a criança colocar na boca. do mesmo jeito que é a sala de primeiro estágio. brinquedos apropriados. Assim. não de onde as crianças vêm geralmente é quinze. Ajudar a colocar o sapato nessa criança. nem o espaço. né. brinquedos que sejam bem baixinhos pra elas. p) Como a equipe tem se organizado para receber as crianças de 4 anos a completar? Professora 1: Nós temos conversado entre nós professoras. nós vamos ser uma professora pra 30. né. porque aqui é self service e a criança ainda não tem toda a coordenação pra estar pegando. Então. Lá. mais ou menos. A escola ainda não propiciou momentos pra que a gente se organize. elas têm dificuldade pra usar vasos grandes. Que nem. Eu acredito que ainda é pouco porque ainda se tem muito mais a se fazer. Nós estamos preocupadas com o ano que vem. São muito diferentes. Então é assim. E são trinta pra ajudar a se servir. mas nós professoras já estamos muito preocupadas. ainda não foi pensado nisso. não pode ser tão pequeno assim. Professora 2: Olha. que tenha bastante brinquedos. que completaram 3 anos no final do ano. eu não percebi assim mudança pra receber essas crianças. A Professora 3 relata que a própria teoria ajuda na mudança da prática pedagógica. meses. colchonetes e brinquedos. um mês já faz diferença. ajudar a colocar comida no prato. só. pra fazer a verdade. procurar ser um ambiente que tenha poucas cadeiras. Professora 3: Olha. será que eu não pego. Essas crianças virão com três anos e meio. já não é a mesma criança de quatro anos. Espero que no começo do ano a gente tenha esse tempo pra nos organizar antes dessas crianças começarem realmente. A Professora 2 ressalta dois fatores que auxiliam na aplicação dos Projetos e Programas na prática pedagógica: a presença dos gestores na solução de problemas e a parceria com os pais ou responsáveis das crianças. tenha que talvez mexer na parte do prédio mesmo. é o que eu tenho observado. a escola tem procurado nas salas de primeiro estágio deixar menos cadeiras para as crianças trabalharem mais no chão. dessa maneira que eu tenho observado né a organização pra receber essas crianças pequenas de três anos. E nós vamos ter que ensinar essa criança a tirar sua roupa quando sente calor ou colocar a roupa quando sente frio. tem que pensar muito bem nos brinquedos. mas é uma coisa assim que é lenta e que se vai caminhando e que você vai planejando. Primeiro porque vai ser uma sala de 30 e vai ter um único professor. vai se conversando. atuação da equipe gestora. pelo que eu observo a escola ela tem se organizado da seguinte maneira: procurar ter mais colchonete nas salas que as crianças de três anos vão estar. participação da comunidade e a própria teoria são fatores que qualificam a prática docente. Então ainda não se organizaram quanto a isso. auxiliar o desenvolvimento dos Projetos e Programas na prática docente. Os brinquedos que a escola tem hoje é fácil quebrar a roda de um carrinho. Mas eu vejo que assim. tudo. Então nós entre as professoras estamos preocupadas: ah. a guardar aquilo lá. a completar quatro. ter um banheiro mais acessível porque talvez os vasos são grandes. a localizar sua mochila. Não que não aconteça com as de quatro anos. enfiar no nariz ou no ouvido.101 Professora 1 relata que a compra de materiais. dezoito crianças. será que eu pego berçário. duas professoras. Portanto. os fatores materiais. tem . mobiliário. muito. não é. mas vai acontecer mais freqüentemente do que com as de três anos e meio. as crianças que ainda vão completar quatro anos. pela unidade escolar.

Ela relata também que não houve momentos até a presente data para discutir as questões. cheio de facetas. e que não sejam apropriadas pelos professores e demais educadores. professores e funcionários precisam planejar de forma contextualizada todos os momentos da criança na escola. no campo das teorias.EI. recebe também as crianças de cinco. Assim. na unidade escolar. na questão do cuidar (vestimenta e alimentação). 57) Nessa concepção da criança como ser inteiro. 2007. Essa nova concepção ajudará a escola acolher os novos ingressantes de três anos e meio na Unidade Escolar. na minha opinião não ta preparado. Pouco adianta implementar práticas que não sejam construídas conceitualmente. A Professora 3 relata a não percepção de mudanças no acolhimento das crianças menores de quatro anos e diz que não há diferença do espaço da sala de aula para as crianças de quatro. organização de espaço. é preciso desenvolver um olhar que considere a gestão pedagógica das situações criadas também nesse ambiente. não ta estruturado pra receber essas crianças. que é incompatível com o tamanho da criança. (A Rede em rede. que deve ser pesquisada. . muitos brinquedos e relata. de seis anos.. menos cadeiras na sala de aula. estudada e construída pela equipe escolar. Esse planejamento deve estar pautado numa nova Proposta Pedagógica. A Professora 2 descreve alguns cuidados que já vem ocorrendo na escola: sala com colchonetes. mobiliários adequados. aí vem pra EMEI. normas.] A Professora 1 fala sobre a preocupação com o acolhimento das crianças de 3 anos e meio e afirma que a criança que tem um mês a menos em relação a criança de quatro anos já faz toda diferença. [.fase1.. Segundo o documento elaborado pela equipe de DOT. A relação do cuidar e educar como conceito indissociável contrapõe antiga concepção de escolarização nas Unidades de Educação Infantil. a preocupação com as peças sanitárias. Ela relata preocupação quanto à quantidade de crianças na sala de aula.102 um mês que completou. possibilidades de ação. Porque do mesmo jeito que essa sala que recebe essas crianças. a criança deve ser vista como um ser inteiro: Dentro de uma visão de educar e cuidar que vê a criança como um ser inteiro que constrói significados na interação com um ambiente complexo. os gestores. ainda. p. cinco ou seis anos de idade. preocupações que são latentes no acolhimento da nova faixa etária de crianças que freqüentará as EMEIs.

seja prioridade aos governantes. e a Professora 3.lato sensu. semanalmente.103 Quanto ao número excessivo de crianças em sala de aula. na área da Educação. Ao analisar a formação acadêmica. tem-se que as Professores 2 e 3 possuem a Pós-graduação. que não realizou a formação continuada. espera-se que a diminuição delas. que realizou a formação continuada. na escola. através do questionário respondido por elas. Por fim. em prol da qualidade do atendimento. semanalmente. a Professora 1 que realizou totalmente a formação continuada. . possui menos traços da nova proposta na prática docente do que a Professora 2. parcialmente. Espera-se também um respaldo dos governantes às escolas. toda adequação estrutural necessária para o acolhimento desses novos pequeninos ingressantes. no que refere à proposta teórica do “PEA” e do “Programa” e a prática docente. mobiliários adequados enfim. o que evidencia que a formação acadêmica faz diferença na prática docente. quanto à aquisição de materiais.

técnica de questionário. A abordagem quantitativa. nas Instituições de Educação Infantil. Ao mesmo tempo. o qual as mulheres desempenham melhor o papel de cuidar e educar as crianças. para o aprofundamento da pesquisa e análise da documentação da escola pesquisada. Ressalta-se que 05 professores declaram ter a formação na modalidade de Pós-graduação.104 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS “É na formação dos profissionais que vão atuar na educação infantil que está a chave para uma atuação responsável e competente”. os professores que participaram da entrevista semiestrurada e tem a formação na modalidade de Pó-graduação. o que evidencia que ainda predomina o paradigma cultural. na área de Educação. a pesquisa vem mostrar que os professores possuem o interesse em se especializar na área em que atuam profissionalmente. Sendo assim. 2004) Neste capítulo. Das 16 respostas obtidas por meio da técnica de questionário.lato sensu. Além disso. possuem formação acadêmica.lato sensu. que se localiza na Zona Leste de São Paulo. Os professores pesquisados têm a idade entre 29 a 44 anos e grande parte. apresentaram mais traços da nova proposta pedagógica nas ações cotidianas da escola do que a professora que possui somente o ensino superior. sintetizo a análise dos dados coletados em relação à proposta de formação continuada. 15 docentes declaram ter o ensino superior e apenas 01 o magistério em nível médio. foi utilizada a abordagem qualitativa. na área de Educação. foi aplicada aos professores e gestores da unidade escolar dando a oportunidade a todos a participarem da pesquisa. Considerando-se o perfil profissional. (Fonseca. cuja teoria está contida no “Projeto Especial de Ação” e no “Programa A Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil”. os entrevistados são do sexo feminino. entrevista semiestruturada. A pesquisa teve como objetivo compreender como as teorias alcançam a prática dos professores e como os docentes da Rede Municipal de São Paulo aplicam essas teorias na prática pedagógica. os docentes possuem de 05 a 25 anos de experiência não tendo nenhum professor iniciante participando da pesquisa. Os docentes declaram que . Quanto ao tempo de magistério.

de concepção pedagógica. assim como os momentos de acompanhamento da formação continuada. mas as experiências vividas ao longo da vida. o Coordenador Pedagógico terá maior proximidade das ações pedagógicas do professor. Neste sentido. pensamentos. a pesquisa evidencia que este “Projeto” precisa de alguns ajustes quanto à metodologia. Cada professor pesquisado tem um conceito de tempo. observar o interesse dos professores ao estudo proposto e a sua eficácia na prática pedagógica. de registro. Esse professor possui ações pedagógicas que não representa somente as aprendizagens teóricas e técnicas. Alguns professores declaram que há um distanciamento da teoria proposta pelo “PEA” com a prática docente. o Coordenador Pedagógico precisa considerar que o professor é um ser único. obtevese com as respostas. motivo pelo qual. inquietações etc. Os novos conhecimentos pedagógicos poderão fazer parte da prática docente quando forem articulados com as reais necessidades e desejos dos professores. necessidades pedagógicas. o que dificulta a participação deles na formação continuada da unidade escolar. de espaço. bibliografia e avaliação. Há divergência na avaliação do “PEA” pelo grupo de professores e gestores. Diante disso. em horários coletivos. de professor ou coordenador pedagógico. A participação dos professores na elaboração do “PEA”. Quanto ao “Projeto Especial de Ação”. das dúvidas. No que se refere às questões pedagógicas. Neste sentido. enfim terá a oportunidade de realizar uma intervenção individual contribuindo para o avanço da prática docente. complexo. somente no início do . Em relação à formação continuada realizada na escola. os gestores deveriam realizar constantemente a avaliação do “Projeto”. em horário coletivo. a pesquisa aponta para a heterogeneidade de conhecimento dos professores sobre os assuntos abordados. além de dúvidas. inquietações.105 acumulam cargos. com decisões próprias. conhecimento de que é um momento muito valorizado pelos professores e gestores. a ausência dos docentes na formação continuada causa um empobrecimento do trabalho coletivo. que transforma e é transformado pelo outro. pois é reconhecido como um momento precioso para trocas de experiências e tomada de decisões coletivas. O importante é garantir que o Coordenador Pedagógico tenha momentos destinados ao acompanhamento da prática docente.

materiais e mobiliários. Os professores relatam a dificuldade do Coordenador Pedagógico em multiplicar o conteúdo do “Programa”. As etapas de planejamento do “Projeto Especial de Ação” devem ser compreendidas como processo educativo. Esses são alguns ajustes necessários para que o “PEA” seja eficiente. multiplicidade de experiências e linguagens. o Projeto Pedagógico. dinâmico e as ações precisam estar voltadas para o projeto maior da unidade educacional. como relatou um dos gestores pesquisado. execução e avaliação com todos os envolvidos. promoção da saúde. para se alcançar a qualidade na Educação Infantil. Coordenador Pedagógico e Professor se tornam parceiros na construção da aprendizagem. a presença dos gestores na solução de problemas e a parceria da escola com as famílias são fatores que auxiliam as propostas teóricas fazerem parte da prática pedagógica. cooperação e troca com as famílias e participação na rede de proteção social. Neste sentido. não garante o bom andamento do “Projeto Especial de Ação”. interações. Além disso. os docentes relatam que a compra de materiais pedagógicos. o documento Indicadores da Qualidade na Educação Infantil (2009) aponta sete dimensões: planejamento institucional. A comunicação entre os professores e o Coordenador Pedagógico não é totalmente satisfatória. motivo pelo qual. Os professores apontam na pesquisa que a organização da rotina na escola. A pesquisa mostra a dificuldade do Coordenador Pedagógico em aproximar-se das práticas cotidianas e implantar o registro reflexivo. Em relação ao “Programa: A Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil”. flexível. no período de 2005 a 2008. . os professores solicitam que o “Programa” seja estendido a eles e não somente ao Coordenador Pedagógico. Por fim. os gestores reconhecem a qualidade e o fortalecimento que o “Programa” trouxe à equipe gestora no crescimento profissional. Por outro lado. formação e condições de trabalho das professoras e demais profissionais. no qual. foram analisadas por meio dos relatos de prática dos docentes e observa-se que ações decorrentes das propostas estão presentes na prática pedagógica e outras precisam ser aprimoradas. espaços.106 ano. os professores avaliam o “PEA” como sendo um projeto estático e não dinâmico. as propostas do “Programa A Rede em rede” e do “Projeto Especial de Ação”. O “Projeto” para ser eficiente é necessário planejar as etapas de elaboração. o grande número de crianças na sala de aula e a heterogeneidade dos alunos dificultam a aplicação das propostas do “PEA” e do “Programa” na prática pedagógica.

No processo de formação. a análise empreendida a respeito dos instrumentos de formação continuada: o “Projeto Especial de Ação” e do “Programa: A Rede em rede” permite considerar que esses instrumentos são importantes para a formação continuada dos professores. em direção ao mundo a ser transformado e humanizado. a relação interpessoal entre o Coordenador Pedagógico e o Professor precisa ser baseada nos princípios da empatia. Por fim. de si e dos outros. Em síntese. a comunicação é fundamental para que gestores e professores tomem consciência do mundo. da autenticidade e da dialogicidade. Todos precisam esforçar-se para compartilhar as reflexões e o agir de cada um no cotidiano escolar. e traz como desafio um maior envolvimento de toda a comunidade educativa neste processo de formação. .107 Esses indicadores vêm ajudar as instituições de Educação Infantil a definir suas prioridades e traçar caminhos para construir uma proposta pedagógica e social significativa. pesquisas direcionadas a formação continuada docente são essenciais para trazer a luz discussões e reflexões sobre a relação teoria e prática pedagógica. fatores que contribuem para a construção de conhecimento à Educação. Observar a história da Educação Infantil e compará-la aos dias de hoje é perceber o quanto as instituições que atendem as crianças de 0 a 5 anos avançaram nas dimensões pedagógicas e sociais e o quanto precisam avançar rumo a uma plena qualidade educacional. Além disso.

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2. Dispõe sobre os Projetos Especiais de Ação – PEA´s. SEVERINO.portalsme. A Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil. __________. SILVA. Campinas: Papirus. 9.aspx>. São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo. ed. Deliberação CME n 03/2006. Diretoria de Orientação Técnica. Diário Oficial da Cidade de São Paulo. Diretoria de Orientação Técnica de Educação Infantil. de 2009.566 de 18 de Março de 2008. ed. 2007.gov. Portaria n. São Paulo é uma Escola – Manual de Brincadeiras. Dispõe sobre o Ensino Fundamental de 9 anos. Dispõe sobre o Programa A Rede em rede: formação continuada na Educação Infantil. SCHÖN. M. Acesso em 08 de dez. Diretoria de Orientação Técnica de Educação Infantil.929 de 15 de Julho de 2008. 2007.prefeitura. Secretaria Municipal de Educação. Secretaria Municipal de Educação. San Francisco: Jossey-Bass. 22. _________. __________. Antonio Joaquim. Tempo e espaço para a infância e suas linguagens nos CEIS. 1. _________. Secretaria Municipal de Educação. Portaria SME n. CRECHES E EMEIS da cidade de São Paulo. São Paulo: SME / DOT. Orientações Currículares: expectativas de aprendizagens e orientações didáticas para Educação Infantil/ Secretaria Municipal de Educação. da.113 _________. Secretaria Municipal de Educação. Secretaria Municipal de Educação. Secretaria Municipal de Educação. 2002. _________. 938/06. Education to the reflexive practitioner. Secretaria Municipal de Educação. Metodologia do trabalho científico. São Paulo: DOT/2006. Diretoria de Orientação Técnica de Educação Infantil. Autores Associados. D. __________. Disponível em: <HTTP//www. __________. A autonomia da escola pública. J. Portaria SME n. Dispõe sobre o Ensino Fundamental de Nove anos no Sistema Municipal de Ensino de São Paulo. São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo. versão ampliada São Paulo: Cortez. 2006. .sp. 1990.br/anônimo/edinf/aredeemrede. 2006.

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115 APÊNDICE A – Questionário dos Professores Nome: (opcional)______________________________________________________________ Idade:_____________________________________________Sexo: F ( ) M ( ) Formação acadêmica: 2º grau-magistério ( ) Ensino superior( )Qual?____________________________ 1. ( ) impossibilidade devido acúmulo de cargo. ( ) organização familiar. como você avalia o Projeto Especial de Ação de sua Unidade Escolar? ( ) Excelente ( ) Bom ( ) Regular 8-Você tem conhecimento da Política de Formação de Professores ( Rede em rede) proposta pela Secretaria Municipal de Educação na Educação Infantil? ( ) sim ( )não 9-Como você avalia o Programa Rede em rede. ( ) outros ___________________________________________________________________________ _________________________________________________________________7Nestes últimos quatro anos. proposta pela Secretaria Municipal da Educação? ( ) Excelente ( ) Bom ( ) Regular .Em quais anos? Assinale o(s) ano(s) em que você participou do Projeto Especial de Ação (PEA).Há quanto tempo você exerce o magistério? ( ) 0 a 5 anos ( ) 5 a 10 anos ( ) 10 a 15 anos ( ) 15 a 20 anos ( ) 20 a 25 anos 2-Em que ano você ingressou no cargo de Professor de Educação Infantil na Prefeitura Municipal de São Paulo? R:____________________________________________________________________ 3-Você exerce outro cargo na Prefeitura Municipal de São Paulo ou em outro órgão estadual ou particular? ( ) sim ( ) não Qual?__________________________________________________________________ 4-Você participa ou participou do Projeto Especial de Ação (PEA) de sua Unidade Escolar ou em outra Unidade Escolar? ( ) sim ( ) não 5. caso você não participou do Projeto Especial de Ação nos ano de 2005 a 2008 ou participou parcialmente. na Educação Infantil. ( ) 2005 ( ) 2006 ( ) 2007 ( ) 2008 6-Assinale uma das alternativas abaixo.

O que você mudaria no Projeto Especial de Ação ( metodologia.Quais os assuntos mais significativos que trata o Programa Rede em rede para sua prática docente? Que assuntos você sugere? R:___________________________________________________________________________ 11-Com qual freqüência. conteúdo etc) e no Programa Rede em rede. na formação continuada. o que você aprendeu. na Unidade Escolar que foi significativo para sua prática docente? R:________________________________________________________________________ 15.116 10. na Educação Infantil? a) Projeto Especial de Ação: __________________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________ b) Programa Rede em rede: __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________ 16-Como você avalia a sua participação no processo de Formação Continuada (PEA) da Unidade Escolar? ( ) Excelente ( ) Bom ( ) Regular . você realiza o registro do desenvolvimento de seus alunos? ( ) diariamente ( ) semanalmente ( ) mensalmente ( ) bimestralmente ( ) semestralmente 12-Você tem desenvolvido o hábito de refletir sobre sua prática docente? ( ) sim ( ) não a) Com qual freqüência? ( ) diariamente ( ) semanalmente ( ) mensalmente ( ) outros 13-Qual a concepção pedagógica que fundamenta sua prática docente? ( ) tradicional ( ) construtivismo ( ) sócio-construtivismo (outro)_______________________________________________________________________ 14-Durante os últimos quatro anos.

reflexão) na prática dos docentes? Comente. R:_________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ 3-Você tem sentido dificuldade em lidar. R:_________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ 7-Em relação ao Ensino Fundamental de 9 anos. tem pensado no acolhimento das crianças de 4 anos a completar no cotidiano da EMEI? R:_________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ . relate as dificuldades.117 APÊNDICE B – Questionário dos Gestores Cargo/função: 1-Quais são os desafios cotidianos que você tem enfrentado em relação a formação continuada dos professores? R:_________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ 2-Como você tem percebido a presença da formação continuada (conteúdo. enquanto gestor. como você. como você avalia o Projeto Especial de Ação? R:_________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ 6. nos horários coletivos. na Rede Municipal de Educação? R::_________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ 5. na prática docente? Comente.Você tem percebido dificuldades dos professores em lidar com a teoria do Projeto Especial de Ação e o Programa A Rede em Rede. com o Projeto Especial de Ação e o Programa A Rede em Rede na formação continuada dos professores? Caso positivo. R:_________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ 4-Como você avalia o Programa Rede em rede.Nestes últimos quatro anos.

a criança que nós fomos um dia e crescemos e hoje somos adultos. Qual é sua concepção de criança e de infância? Professora 1: A criança que brinca. Pesquisadora: Muito bem. vamos começar então a pesquisa. com aquilo que ela fala o que aconteceu na casa dela. na rua. Então. que se corrige. um grupo junto estudando. do horário da gente. Pesquisadora: E quais são os momentos que ocorrem a formação continuada na unidade? Professora 1: Bem. Pesquisadora: E você ensina através do método tradicional? Professora 1: Olha. Então. o viver dela. mas eu também tenho os momentos de ensinar e isso eu não posso deixar de lado. uma obrigação de ensinar. Eu gostaria de saber o que você entende por formação continuada? Professora 1: Formação que todos os dias nós estamos com os nossos colegas. que tem que ensinar também. Então eu considero tradicional. vai ter o momento de construir. vai ter o momento de ouvir. com outras pessoas da unidade escolar.118 APÊNDICE C – Entrevista Professora 1 Pesquisadora: Qual é o seu cargo? Professora 1: Professora de educação infantil e ensino fundamental I. Nós nos reunimos e estudamos. Assim. ela tem que me ouvir. o que você entende por concepção tradicional-sócio-construtivista? Professora 1: Tradicional é o professor que ensina. de participar da aula. pra mim isso é educação continuada. três. com o grupo de estudo. a criança que chora. Então o que eu vou ensinar? E aí eu vou elencar o que é importante pra eu estar ensinando para a minha criança. comigo. se não ouvir fica difícil a gente trocar idéias . porque tem que ouvir. vai da gente. cada professor escolhe o seu horário e aí a gente forma um grupo. a criança que constrói. em primeiro lugar. Pesquisadora: Muito bem. De acordo com a resposta do questionário. Eu vou estar educando essa criança. Pesquisadora: Muito bem. trabalhando dentro da escola. isso eu considero o tradicional. Ela tem que estar atenta no que eu estou fazendo. as idéias da gestão e também as práticas e o estudo que a gente tem que estar fazendo. o que eu vou educar com a minha criança nas relações do dia-a-dia com o colega. Então eu sou tradicional e construtivista por quê? Porque eu sou consciente que eu estou aqui pra ensinar. Pelo menos três. que imagina. fala o que pensa. tem que estar claro na cabeça dele que ele tem. quatro dias na semana. a criança que se expressa. com o coordenador. Geralmente são três dias na semana. quatro vezes por semana estar um grupo fechado. eu gosto de. quando eu vou ensinar algo eu acho que é importante a criança ela tem que me ouvir. O que é o sócio-construtivista? É o educar levando em conta o meio da criança. pode se dizer. Ela vai ter o momento dela falar. tem que se atualizar dentro da nossa área da educação.

acho que a criança fica muito solta e eu Ângela. tem que ter uma relação de respeito. de reciprocidade. aquilo que eu quero. bastante. Aí parou. Esse ano eu peguei uma sala rodízio. que eu vou trabalhar com a criança. os grupos. a organização das mesas. bastante. eu não posso dizer que é uma atividade simples. eles trazem brinquedos de casa. entendeu? Eu perco o controle. Então. eles trocam brinquedos entre eles. Eu já sei. no final de semana. eu já passo na roda pra eles: hoje nós vamos fazer só a pintura e a colagem e amanhã nós vamos dar continuidade. na sócio construtivista. aí é o meu momento. quanto eles gastam pra fazer a atividade. Pesquisadora: Muito bem. Como é que eu vou dar atividade naquele dia. Uma atividade mais longa. eu divido uma sala com a colega. você não consegue perceber essa relação do ouvir e do respeito? Professora 1: Dá pra perceber sim. um desenho animado. se cumprimentando. eles . que vai terminar naquele dia. Por quê? Após esse encontro entre eles. deles estarem conversando. mais ou menos. Então vamos falar um pouquinho disso que você já está relatando à respeito do espaço. E a atividade ela já vem. Vou passar informações. eles vão fazer a troca e já vão ficar mais ou menos uns vinte minutos ali na conversa entre eles. Toda vez que eu vou passar informação para as crianças. Pesquisadora: Muito bem.119 e conseguir educar e ensinar ao mesmo tempo. Desde o vídeo do primeiro momento que entra na sala. conversar com eles o que aconteceu no dia em casa. Então. contando as novidades. eu procuro dividir. trabalham muito bem. aquilo que já tem que estar planejado na minha cabeça: a maneira. não é? Então eu já venho qual atividade que eu vou dar naquele dia. eu perco o controle. como que eu vou dar aquela atividade. quantas meninas. tem sempre lá um vídeo de música. eles vão para o meio da sala e nós fazemos uma roda. Então esse ano eu usei muito o vídeo. vou escrever na lousa. É uma coisa por vez. vou fazer a leitura do dia. Como tem sido no seu cotidiano da sala de aula a questão do espaço ambiente? Professora 1: Esse ano eu trabalho na sala 5 que seria a sala de vídeo. que eles vão chegando. o que eles vão fazer – jogo lá mais uns quinze minutos. as conversas entre eles. Então. Só que eu acho que fica mais difícil. tem o acolhimento. o primeiro momento é o momento de acolhimento deles. Então essa é minha organização da sala. E aí eu faço com todos juntos. por isso que eu falo que eu sou tradicional e sócio-construtivista. Então. onde ela vai sentar. é uma atividade que eu perceba que a criança consegue fazer. por isso que eu lhe digo que eu sou um pouco tradicional. Acho que a minha maneira de ser. como você planeja o tempo no dia a dia? Professora 1: O tempo já é meio complicado. nós vamos fazer a nossa contagem. aquilo que eu elenquei de importante. fazendo atividade ao mesmo tempo. E a questão do tempo. Terminou esse momento. eles até sabem. como que a gente vai estar conversando. quantos meninos. Pesquisadora: Na concepção sócio-construtivista. mais complicada. Então tudo tem que ser organizado. que eu vou planejar. então a sala está sempre organizada em meia lua. então tem que ser tudo meio cronometrado. mais uns dez minutinhos. eu tenho lá minhas tarefas do dia. brincando ao mesmo tempo. então eles já estão acostumados. Então é tudo assim bem no horário certinho. Então vamos fazer leitura? Bom. Tem professor que trabalha muito bem assim. Eu não. sempre em meia lua. desde o primeiro momento que ela entra na sala de aula.

mais tranqüilo pra eles. meu planejamento dentro do horário da escola. eu aviso que eles podem trazer brinquedos sim. Eu distribuo os brinquedos nas mesinhas. como é organizado o parque. E aí estraga rápido. ele traz. que você tem um dia.120 nunca vêem um vídeo inteiro. abrem. E toda vez que chega verba o diretor reúne o conselho. Ele vai brincar com o colega. melhorou muito. Amanhã vamos dar continuidade a esses três episódios. Tem o armário coletivo e tem brinquedos para as crianças. Se o professor trabalha com brinquedo no primeiro momento de aula. O único problema é assim. pegam os brinquedos. O material fica à disposição nossa e das crianças porque o armário é aberto. temos o horário do acolhimento e a troca das salas de aula e o horário pra você fazer atividade em sala. Então a criança segue a rotina do professor. de quinta-feira eu tenho informática. só que no momento da atividade ele sabe que vai ter que guardar. aquilo. vamos assistir hoje três episódios que fala sobre isso. É isso mesmo? Professora 1: É isso mesmo. o que a gente está precisando? E a gente ganha esse material. fácil e a gente vê o dinheiro ir embora. Eles já estão sabendo que aquele dia eles podem dividir o brinquedo deles. nosso horário de informática. ele já sabe. Então. já faço minha organização. dentro da nossa linha de tempo nós temos o nosso horário de parque. eu já aviso desde as primeiras reuniões. todas as salas de aula tem o armário coletivo. Como eu aviso que eu vou trabalhar com leituras. o que um cuida. não precisa ser só na sexta-feira. ele é colocado numa altura que dá pra ela pegar. eles vão lá. não é só dele. em tal episódio. ele vai brincar com colegas de outras turmas. a gente já avisa. Não é? A gente precisa estar orientando as crianças. Então. eu acho o desperdiço dos brinquedos. Se é um determinado dia da semana. Então. do material. E isso a escola está fazendo bem. na segunda feira eu tenho parque grande. graças a Deus. A gente conversa sobre os três episódios. Como são organizados os materiais na sala de aula? Como está a organização desses materiais? Como é o uso dos materiais dentro da sala de aula? Me descreva um pouquinho esses materiais na sala de aula com vocês. o que um cuida o outro não cuida tão bem. . isso e isso. e eu deixo livre os brinquedos. diversos brinquedos diferentes pra que eles possam estar trocando. E a gente já se organiza dentro do horário da escola. nós temos a nossa linha de tempo. outros não cuidam. Na sexta-feira eles trazem brinquedo de casa. Porque a gente precisa estar orientando as crianças. Se eles quiserem trazer na segunda. aconteceu isso. e a gente dá continuidade. A criança mesmo vai lá e pega. A gente costuma trabalhar muito com os brinquedos na sexta-feira. Pesquisadora: Muito bem. eles trazem os deles e usa o da escola também. E a mesma coisa é com a atividade. Então eles já sabem. Pesquisadora: Em relação ao tempo da unidade escolar. nem ele. Pesquisadora: Você me relatou agora sobre o brincar. A questão dos materiais. aquele brinquedo é de todos. aplicando bem. nem os outros vão ter. isso. reúne a gente e a gente faz uma lista de prioridades. a questão do brincar. nos últimos anos a escola vem recebendo verba pra comprar material pedagógico. Professora 1: Olha. do acolhimento. E no dia seguinte eles realmente sabem: Olha professora a senhora parou em tal capítulo. por exemplo. os pais já sabem disso. como é a organização de vocês? Professora 1: Então. E se ele estragar. na sexta-feira do brincar. porque não dá. Então. Na sexta-feira é que fica mais livre. graças a Deus. Então eles sempre sabem: olha.

Voltou. Aí eu falo: Ah. o que ele não pode fazer. às vezes ele vem chateado e diz que não deu certo. E eles conversam entre eles. porque eu dou atividade pra criança. eu não quelo. né. no parque. aí você . o meu coleguinha não quer dar o brinquedo pra mim. mostrando pra ele o que ele pode fazer. fora as brincadeiras dirigidas. com outros colegas. ao mesmo tempo ele tem uma relação muito carinhosa comigo. Ele tem muito medo.. Me sinto mãe. Aí eu falo: Então vamos lá. Então você vai brincar com outro amigo. mas quando é o momento de falar ‘Pro’ é ‘Pro’. o Jonas. Eu pego um dia da semana que eu esteja mais tranqüila. eu tenho um aluno. tudo bem. Então eu sou professora e sou tia também. aquilo que eu fiz durante a semana. mas eu acho que ta faltando alguma coisa.). A gente tem que respeitar o amigo. Fala pra ele: Agora nós vamos pintar. bate. o registro. a não ser que ele seja o objeto da conversa. nos outros espaços da escola. E como é a interação do aluno com você na sala de aula. Muitas coisas a gente registra aqui na nossa cabeça e no nosso coração. O que você tem que você possa trocar no momento com ele? Aí ele vai lá. Elas não têm medo de falar porque tá chorando. Você não acha que ta faltando? Ele falou: É mesmo. é dele. Então. Como é essa questão do registro e dessa reflexão da prática? Professora 1: Bom. porque não quer vir na escola. eu não quelo. Então a gente usa o brinquedo. Tranqüilo. sem grupo de estudo. É assim que ele fala. E a questão do registro. Às vezes dá certo. Mas na sexta é livre.elas não têm medo. quem sabe depois você volta a conversar com ele. uma turma que está sempre chegando. sentado. Aí eu falei: Ah.121 No momento da roda de conversa. eles estão lá brincando e de repente você vê uma criança conversar com a outra e você acha interessante aquilo que eles estão conversando. conversando: Olha Pro. completou. que ele tem muito medo de papel. na sala de informática. Pesquisadora: Muito bem. O que nós vamos fazer? Negocia com ele. Aí eu anotei: Hoje Jonas conseguiu fazer a atividade sem negar aquilo que ele tava sentindo. E essa semana ele fez a atividade. pegou. Eles podem estar trazendo brinquedos de casa que eles possam utilizar no parque. Ele não quer trocar. E é o momento dela falar ‘tia’. Aí fica livre pra eles. ela me respeita também. Eu posso dizer que eles quase não se batem. Se aconteceu alguma coisa na casa dela. As crianças comigo. Fora isso a gente brinca bastante no parque também. E no momento que eu quero a atenção dela. com as minhas crianças. Às vezes a gente está lá no parque. observando. eu e os alunos eu posso dizer que às vezes eu me sinto mãe deles. Então eu marco ali o que aconteceu naquele dia que eu achei que foi importante. Foi lá. Mas acaba a palavra ‘pintar’ ele já fala: Eu não. mas na sexta. Toda criança briga. então hoje ele não quer. Entre eles também porque eu peguei esse ano duas turmas muito boas. Pesquisadora: Muito bem. eu registro na própria atividade da criança. mas essa é uma turma boa. como ocorre? Professora 1: Olha. Como ocorre essa interação? Com aluno x aluno também. aquele brinquedo não vai poder estar lá na roda. Como você tem registrado sua prática pedagógica? Porque no questionário você relata que você reflete diariamente sobre a prática e o registro você faz semanalmente. ela chega e conta naturalmente. Por quê? Ao mesmo tempo que eu estou lá ensinando. Eu não quelo. o imaginar. Por exemplo. veio mostrar se tava bonito. Porque nem tudo é importante.. Pego as atividades. normalmente é no meu horário de (. nós temos uma relação muito boa. isso é normal. e quando acontece algo que eu acho que é importante. ele tenta. Eles são uma geração boa essas duas turmas. Quando ela chega e fala: Tia.

troca de colega sem que eu tenha que ficar intervindo. numa dia que eu esteja mais tranqüila. panela. Até que o projeto esse ano da minha mostra cultural é o diário de leitura. Professora 1: Então. Eu posso não estar registrando naquele momento. leio muito com as crianças. Tanto ele trabalha ali na informática. sabem desligar o computador. como quando ele sai. nesse momento. as brincadeiras dirigidas? Nisso eu sei que eu falhei. As outras 15 crianças. já sabem o que . boneca. suponhamos. Pesquisadora: Muito bem. vão ficar sem. hoje eu fiquei observando as crianças. isso a gente registra. se eu precisar ta voltando. Ele já está se afastando. eu sei que eu trabalhei leitura e escrita. escolhem o computador que eles querem sentar. o Wilson ele nunca brincou. pra fazer um jogo da memória com a criança. abre. eu adoro trabalhar leitura com as crianças. E eles são tão independentes que eu pensei: Poxa. já algum tempo. põe jogo. E hoje no laboratório de informática. Eu observo que alguns colegas levam brinquedos de brincar mesmo: carrinho. Então. E essa semana o Wilson começou a se afastar. Quando ele me olha com aquele olhão. sobre as linguagens. e eu tava pensando: isso tira o foco. Eu falo: Ah. porque o que acontece? A linguagem que você tem mais afinidade. você já jogou. nós temos pra cerca de 20 crianças. já não está mais tão perto. elas param mais pra pensar. Porque nós não temos computadores pra todas as crianças. é mais a organização do espaço pra você estar trabalhando as linguagens. eu sempre digo: O Wilson fala com os olhos. por exemplo. você acaba trabalhando mais e deixando outras. ele fica perto. Em relação às linguagens. às vezes não. Tanto é que eles ligam toda hora o computador só pra poder escrever a senha no computador. mas trabalha uma vez ou outra. tem o Wilson. Então. Eles já sabem ligar. colocar senha. eu gosto muito de trabalhar leitura e escrita. Então eu venho fazendo isso como experiência. E se a organização do ambiente já ti força a planeja e trabalhar um determinado dia da semana no horário aquela linguagem. Cansou. Eles já entram. tanto pra sala de informática. E ele já está se afastando. mais ou menos. Professora 1: Laboratório de informática. Não digo que deixando totalmente. Aí chega no final de semana. sentam na mesa de jogo e ali elas brincam com o colega que tá ali e joga. eles têm uma relação boa entre eles. eu registro na memória e coisas que eu acho importante eu pego e anoto ali na própria atividade da criança no dia-a-dia no diário. eu fiquei observando os meus alunos. trabalhar o raciocínio lógico-matemático. Porque o próprio cotidiano. grandão. eles escrevem a senha no computador.122 marca. pra ver como funciona. na memória. fala com os olhos. como eu falei pra você. Então a gente coloca uma mesa com alguns brinquedos. Então. mas já registrei aqui na mente. Por quê? Porque aquela criança. o que aconteceu de importante e marco. eu pego essas atividades. Então. mas e o raciocínio lógico-matemático? E o brincar da criança. a refletir porque você não está fazendo aquilo. ele ta querendo alguma coisa. as múltiplas linguagens da educação infantil como você tem sentido essas linguagens na prática docente? Tem conseguido desenvolvê-las com os alunos? Sente dificuldade? Quais as dificuldades que você aponta. Volta para o computador. Escolhem o programa que eles querem brincar. já facilita. E eu observei que as crianças estão mais atentas. o dia-a-dia da escola faz com que você deixe algumas linguagens. eu já sei: Ah. Porque no começo eu tinha que ficar intervindo: Agora é a vez do coleguinha. cansam. você começa a se policiar. Porque é uma sala que dá pra aproveitar pra trabalhar a linguagem. a minha sala seria uma sala maravilhosa. ele vai e monta um quebra-cabeça. vai brincar um pouquinho. deixo lá à lápis. elas brincam no computador. já ta indo pra mais longe. Agora não precisa mais. senta. você ta fugindo da minha cordinha né. como uma sala de jogos de raciocínio.

desde que você tenha a sala de aula o tempo todo pra você. isso já é uma linguagem que fica prejudicada. Porque assim: a minha sala é uma sala de . o professor além de estar ali auxiliando as crianças. Como eu disse pra você. E é uma sala boa pra estar trabalhando linguagem matemática. por quê? Porque existem outras prioridades dentro da escola. aí quebra um. só que o pátio. eu faço durante a semana. essa uma hora e meia eu tenho aproveitado pra fazer rodas de conversa. a manutenção dos computadores aqui. Aí eu dou jogos matemáticos na informática. nós temos muitas refeições. é importante a sala de informática. e as refeições ocupam totalmente o pátio. Tá. mas ela não está organizada pra isso. que julgam prioridades. Porque a nossa realidade é diferente da quem ta fora. Então o que o grupo gestor viu lá? Ah. Então eu fico uma hora e meia só nela. como é que você vai brincar de cantar ali com as crianças? Vai brincar de roda com a criança? Vai fazer um jogo ali com a criança. Pesquisadora: Você tem como me dar exemplos? Professora 1: Vamos citar. só ta colocado o computador lá. eles não acham que são importantes. mas a manutenção dele e a ajuda pra esse professor nessa sala também é importante. a informática é importante. participou e viveu teria que estar sendo passado para os professores no mesmo tom. Como eu sempre digo pra as minhas colegas: virou um telefone sem fio. como eu posso dizer. mas não é garantido. O que grupo gestor viu. é importante. O espaço pra você trabalhar brincadeiras dirigidas. Pesquisadora: E em relação à sala de aula? Daria pra desenvolver essa linguagem? Professora 1: Dá pra desenvolver. Então. e quem está ali dentro com as crianças. Porque quem ta fora tem outro olhar. Então não foi pensado na organização dela. pra estar aproveitando o espaço.123 fazer. Essa gestão colocou o Rede em Rede para o grupo gestor e eles deveriam estar passando essa formação para os professores. À respeito do Projeto Especial de Ação e do Programa A Rede em rede: Formação Continuada na Educação Infantil. Vai competir com mais três salas que estão almoçando? Aí você vai pára o pátio externo. Porque cada um entende de uma maneira e tem uma concepção de entender aquilo que está sendo passado. por exemplo. Não dá. Então. nós não temos. as leituras e as atividades dentro da leitura e escrita. Mas isso não acontece. que é possível estar fazendo. eu vou dar a minha saída. a minha sala é uma sala rodízio. Algumas brincadeiras. a informática. quando a escola está mais tranqüila. Que seria o pátio. Ela não consegue ouvir as suas comandas em determinadas brincadeiras. Quando eu saio da minha sala e vou para a minha sala de informática. nessa sala. no pátio externo o professor não tem voz e a criança se distrai. Então. a organização com jogos auxiliando o professor no horário dele de informática. não é. dois. Deveria estar acontecendo junto. Então. Eles estão presentes na formação continuada ao mesmo? Ou tem um momento em que vocês estudam o projeto e um outro momento para o programa? Como é a organização do projeto e do programa dentro da formação continuada? Professora 1: Eles deveriam acontecer juntos. e que para o professor que está na sala de aula. que pra outras pessoas. a gente sente certas necessidades que. três computadores. Pesquisadora: Muito bem. levando à reflexão e à discussão. brincadeiras cantadas. os computadores atendem 20 crianças. ele tem que estar ali arrumando os computadores também.

E eu tô com um problema lá na minha sala que tá me engasgando. nem todas as crianças ouvem como deveriam ouvir. algo que aconteceu na minha sala de aula que eu não consegui resolver ou que eu tive uma determinada atitude e achei que não foi boa. Pesquisadora: A outra questão é a respeito. Ele precisa de alguém ali pra falar: professor eu vou dar uma mão. não é? E o professor. Dentro dos estudos eu acho que é lento. Saem fora da roda. muitas vezes. pra você respirar.. Isso já aconteceu mais ou menos com uma turma minha. Porque às vezes é uma e o restante da turma ta envolvido. Então muitas saem. não é agora.. página tal”. saem fora da roda. Hoje eu não sei o que eu vou fazer com esse problema. É muito lenta essa formação. Agora. muito criativas. As crianças de hoje são muito ativas. os outros estão completamente soltos. eu fico imaginando o professor de primeiro estágio. Mas nem sempre. E quando você tira essa criança. mostrando como se faz. os alunos são de todos da escola. por exemplo. Então por isso que às vezes eu acho que não está conectado. então eu tive mais facilidade nessa sala com as minhas crianças. tem que ser passado para o professor. Você percebe a teoria do Projeto Especial de Ação ( PEA). Aí eu percebo. logo ti trazem ela de volta. aquilo tá me engasgando. Eu entrei em pânico. de um aluno que se enfiou debaixo de uma mesa com o coleguinha. Então eu fico imaginando. professora ele vai. vamos conversar pra que você possa dar continuidade. devido às prioridades que acham que é mais importante: “Hoje vamos fazer um estudo de tal autor. numa forma dele repensar sua prática e dele procurar alternativas pra tentar amenizar os problemas da sala de aula. Então eu trago um fato. Um dia dessa semana me colocaram quinze alunos de primeiro estágio na minha sala porque a professora faltou. porque enquanto ela ta li pegando na mãozinha de um.. O professor. aí eu percebo. quando ele está numa roda de conversa. porque a maioria já tem vídeo-game em casa. Então ela precisa de ajuda. Então foi mais fácil. Aquilo agora não é pra ver. Eu fui dar minha saída na sala de informática. As crianças ligavam e desligavam o botão direto.. da tia. tem dia que ele ta bem. como é que eu faço? Ah. Mas eu quero hoje. eu vou levar essa criança pra tomar uma água. tá aqui. porque hoje eu vivi esse problema. Olha isso deu certo. por isso que eu digo: esse Rede em Rede que fala do brincar. Não.. fala: vou tirar essa criança pra dar uma voltinha. ah isso não deu certo. vamos ler tal revista. então todos têm que estar envolvidos no ensinar e educar desse aluno. das múltiplas linguagens. Então. Por que a minha aluna ta se enfiando debaixo da mesa com o coleguinha? O que eu faço? No que os meus colegas podem me ajudar? Que dicas podem dar? O que esse Rede em Rede formador passou para esse grupo gestor? Dicas que a gente possa tá trabalhando isso. mas aquilo não é pra ser discutido agora. das linguagens. pra dar uma volta.124 segundo estágio. tal dia é dia da prática”. tem dia que ele não ta bem. Porque os colegas vão dando experiências e a gente vai aplicando aquilo.. arrancaram até o mouse do computador. na sua prática docente? Professora 1: Eu percebo quando existem momentos de troca de experiência. Entendeu? “Ah. essa professora precisa de alguém lá com ela. ele está discutindo alguma coisa com as crianças. eu fiz dessa forma. que não resolveu e o grupo me auxilia. chuta o outro. faz assim. E as minhas crianças ficaram: Professora ele ta arrancando. Pode até ser que aconteça. tem que ler isso. mas não percebo assim de cara. são agressivas também.. tem computador ou o computador do tio. mas e para o professor? É problema ou não? Como que é? Eu costumo dizer que o aluno é da escola. tá na bibliografia. eu percebo quando existe a troca. Pesquisadora: E a questão do Programa A Rede em rede? . como se ela fosse um problema pra eles. morde o outro. Então. Agora tem que ler tal revista. professora.

vamos montar um horário. Às vezes. o grupo se reúne. Acolhimento tem que acontecer na sala de aula por quê? O acolhimento pode acontecer desde o primeiro momento que eu abro o portão para a criança. Qual seu horário de acolhimento?’ E eu tenho que marcar na minha rotina o meu horário de acolhimento e tem que ser cronometrado o horário de acolhimento. porque tem professores que fazem trabalhos maravilhosos. Então eu acho que a organização mesmo da escola impede um pouco o trabalho.125 Professora 1: Como eu disse pra você. às vezes impede. dançando? Tem que ser na sala de aula porque falaram que tem que ser na sala de aula. Por que eu não posso acolher minha criança cantando no pátio. ele pode estar enriquecendo muito o nosso trabalho e a gente ainda dando coisas novas pra ele. emperra. a rotina da escola. Existem fatores que ainda impedem a aplicação da proposta do PEA. a diferença entre a sua prática docente em relação ao professor que não fez ou não faz a formação continuada? Professora 1: Eu percebo a falta de entrosamento. Eu vou dar um exemplo pra você: foi falado do acolhimento pra todo o grupo da escola ‘vamos mudar. vamos acolher. Pesquisadora: Muito bem. então ele não está junto com o grupo. porque a formação continuada acontece nos grupos de JEIF e geralmente esse professor que não faz. uma brincadeira dirigida. vamos mudar. ‘Olha. Porque pra eles é passado de uma forma e pra nós é passado de outra. pra que os dois possam fazer um reflexão do que está acontecendo no cotidiano da sua escola. a organização do tempo. até pra estar trocando como trabalhar com determinados temas. Ele faz lá fora a atividade uma vez por semana ou duas. na sua prática pedagógica? Professora 1: Impedem: a organização do ambiente. Então. Pesquisadora: Bom. . cada um passa o que entende. tem que acolher a criança’. só que por ele não estar entrosado. Eu gosto de trabalhar com brincadeiras cantadas com as crianças. a gente não conhece o trabalho dele. acolher é a todo momento. Será que eu tô certa? Será que eu tô errada? O que tâ acontecendo? Porque passaram pra gente que é de uma determinada forma. ensinar para o aluno. uma brincadeira mais livre. o que entende de acolhimento. Então. Então. porque eu tô fora e eu não sei. na maneira que eu tô recebendo ela. tal hora é hora de acolhimento. Pra mim todo momento eu tô acolhendo meu aluno. Você percebe. que a gente cante. Pra mim. eu gosto de cantar com as crianças e isso a própria organização da escola impede que eu faça esse trabalho do jeito que eu gosto. determina alguns projetos. ele ta fora do grupo de JEIF. professora. na educação do aluno. do Projeto Especial de Ação. mais livre. mas eu não vejo acolhimento dessa forma. o que entende de determinada linguagem. O que entende do brincar. o Rede em Rede virou um telefone sem fio. Não que o trabalho dele não seja tão bom quanto o de quem está fazendo a formação. Eu gosto de um ambiente mais aberto. faz algumas trocas de experiências. esse professor fica deslocado. Então essa visão que a gente precisa saber. eu não preciso ter hora para acolher meu aluno. e acontecendo junto a gente consegue pensar mais em prol do aluno. essa maneira de passar que é duvidosa. Esse Rede em Rede tem que ser também para o professor e o professor junto com o grupo gestor. então essa é a descontinuidade. Então a gente percebe dessa forma. Não tem que ser: ah. que a gente dance.

eu creio que só. Então. só. Obrigada pela participação na pesquisa. os programas. não pode ser tão pequeno assim. a guardar aquilo lá. não é. não de onde as crianças vêm geralmente é quinze. que eles possam realmente fazer parte do nosso cotidiano. Nós estamos preocupadas com o ano que vem. né. mobiliário? Vocês têm conversado sobre isso no coletivo? Como vocês têm se organizado? Professora 1: Nós temos conversado entre nós professoras. tudo. Obrigada. eles logo estão providenciando esses materiais. já não é a mesma criança de quatro anos. mobiliário. mas nós professoras já estamos muito preocupadas. será que eu não pego. porque aqui é self service e a criança ainda não tem toda a coordenação pra estar pegando. Então ainda não se organizaram quanto a isso. Foi de grande valia para a pesquisa. Espero que no começo do ano a gente tenha esse tempo pra nos organizar antes dessas crianças começarem realmente. Os brinquedos que a escola tem hoje é fácil quebrar a roda de um carrinho. Ajudar a colocar o sapato nessa criança. . a completar quatro. tem que pensar muito bem nos brinquedos. Lá. ainda não foi pensado nisso. muito. dezoito crianças. o próprio grupo de formação ajuda bastante esse programa. Então nós entre as professoras estamos preocupadas: ah. Pesquisadora: Professora eu quero agradecer a sua participação nessa entrevista. os projetos e assim. a espaço. duas professoras. que estão comprando muitos brinquedos. será que eu pego berçário. nem o espaço. como que vocês têm se organizado em relação a tempo. Essas crianças virão com três anos e meio. mas vai acontecer mais freqüentemente do que com as de três anos e meio.isso ajuda bastante. E o objetivo maior é que nós possamos compreender a formação continuada. ajudar a colocar comida no prato. nós vamos ser uma professora pra 30. quebrar uma rodinha e a criança colocar na boca. A gente pede. Não que não aconteça com as de quatro anos. E são trinta pra ajudar a se servir. meses.126 Pesquisadora E existem fatores que têm auxiliado a proposta do Projeto Especial de Ação da unidade e do Programa A Rede em rede. a localizar sua mochila. enfiar no nariz ou no ouvido. E nós vamos ter que ensinar essa criança a tirar sua roupa quando sente calor ou colocar a roupa quando sente frio. brinquedos apropriados. materiais pra gente. são as verbas. mais ou menos. Pesquisadora: Muito bem. São crianças novinhas que estão chegando. São muito diferentes. Que nem. A escola ainda não propiciou momentos pra que a gente se organize. como eu falei. Primeiro porque vai ser uma sala de 30 e vai ter um único professor. na prática pedagógica? Professora 1: Olha. um mês já faz diferença. Como a unidade escolar está se organizando para atender as crianças de quatro anos a completar. o que tem auxiliado.

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APÊNDICE D – Entrevista Professora 2

Pesquisadora: Professora entrevistada número 2. O que você entende por formação continuada? Professora 2: O que eu entendo por formação continuada é aquele estudo que o professor tem depois da sua formação, da sua graduação ou outro tipo de formação e convém com a sua prática. Então ele tem a prática, e através da sua prática, dos seus problemas, das dificuldades que ele vai tendo no dia-a-dia ele vai estudar, vai procurar teorias que o auxiliem nessa formação continuada. Essa formação continuada pode se dar na escola, como fora da escola também através de cursos, através de uma pós- graduação, através de leituras que o professor faz em casa. Eu, no meu caso, eu tento sempre procurar. Eu sempre procuro assim, estar lendo, porque eu acredito assim, que nós professores, nós nunca deveremos deixar de estudar. Porque assim, nós sempre recebemos uma criança nova, de um contexto novo, uma criança que vem de uma época, de uma sociedade diferente daquela que talvez nós estudamos; da minha formação mesmo, há dez anos atrás. Uma criança que cada vez mais com a tecnologia, ela vai mudando. Então, o professor também tem que vir buscar essa mudança, ele tem que vir buscar esse estudo. Então eu procuro, de acordo com os livros que tem aqui na escola, né. Porque infelizmente nós não temos assim condição de ter acesso a livros, os livros são caros. Então, na medida do possível, que a prefeitura vai trazendo livros para a escola eu vou olhando os livros e vou pegando aqueles que eu acho interessante, que convém com a minha prática, com a necessidade das minhas crianças e aí eu vou lendo em casa, né. E também no PEA. A PEA é uma formação continuada. Pesquisadora: Obrigada. E quais são os momentos em que ocorrem essa formação continuada dentro da unidade escolar? Professora 2: Como eu já tinha falado né, isso acontece no PEA. É o momento onde nós nos reunimos. Ai foi muito interessante ter o PEA aqui na escola porque nós dividimos da seguinte maneira: na terça-feira a gente pega pra estudo. Na quarta-feira nós pegamos para a prática. Através do estudo que a gente tinha estudado na terça-feira, a gente pegava a quarta pra fazer a prática da sala de aula. E depois da reflexão, do texto que a gente tinha lido e da prática na quarta, na quinta a gente replanejava. Assim, essa formação continuada dentro da escola já se dá no PEA e nas reuniões pedagógicas também. Porque nas reuniões pedagógicas é o momento que a gente pára, a gente reflete. Porque nas reuniões pedagógicas é um número maior, é praticamente a escola inteira, então você tem contato com outros professores, de outros turnos que você não tem no PEA. Então, é muito interessante por isso, deveria até ter mais encontros desse tipo. Pesquisadora: Muito bem. Qual é sua concepção de infância e de criança? Professora 2: Criança... Nós seres humanos, na verdade, somos seres em aprendizagem e a criança, ela é tudo de bom. Ela é igual uma esponjinha, ela absorve tudo. Então, a minha concepção de criança é que é um ser em desenvolvimento, curioso, que gosta de brincar, que tudo é de bom pra eles. Tudo eles absorvem, absorvem tudo. Eles sonham, eles viajam. Ah, é muito bonito falar em criança. Criança é... Por isso que eu escolhi educação infantil, porque

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eu viajo junto com as crianças no mundo da fantasia. Eles são sinceros. São seres assim, que se eles gostam, eles gostam; se eles não gostam, já falam que não gostam. Pesquisadora: E como você vê essa criança no processo de aprendizagem? Professora 2: Como eu tinha falado, é um ser em constante aprendizagem. A criança, ela absorve tudo que existe, tanto de ruim, como de bom. Por isso que é importante, por isso a grande importância da educação infantil. Você tem que saber o que você quer, qual que é seu objetivo, o que você quer alcançar. Porque você sabe que a criança, ela vai absorver tudo. Então, se ela vai absorver tudo, vai absorver tudo de bom, tudo de melhor pra vida inteira, porque é o alicerce. Como eu falo nas minhas reuniões para os pais: a educação infantil é o alicerce da casa, o alicerce que a criança vai ter para o resto da vida, a construção da personalidade. Então eu acho que é muito importante o professor saber o que ele quer. Pesquisadora: Muito bem. Em relação ao seu questionário, você se declara sócioconstrutivista. O que você entende por essa concepção? Professora 2: O sócio-construtivista, o pai de tudo isso, vamos falar que é Vygotsky. Então, ele fala que a criança vai interagir com o meio e conforme o meio ela vai estar construindo a sua aprendizagem. Então eu acredito que sócio-construtivista é o meio. O que o meio oferece pra essa criança pra ela ta pegando, experimentando, vivenciando. Então, conforme esse meio que ela tem à sua disposição, ela vai tá aprendendo e desenvolvendo a sua aprendizagem. Pesquisadora: Muito bem. Agora, como tem sido no seu cotidiano de sala de aula a organização do espaço e ambiente? Professora 2: Olha, nós temos aqui na unidade, em todas as unidades de EMEI papel, giz, lápis de cor, canetinha, a lousa, brinquedos. Então, o espaço ele é organizado de maneira bem diversificada, conforme a atividade a criança pode escolher o material que ela quer, eu não determino o material que vai ser usado, só em alguns momentos em que há necessidade. Mas assim, quando vai fazer um registro, eu geralmente deixo vários tipos de materiais à disposição, elas abrem o armário, o armário é delas, elas abrem, elas pegam o que elas querem: borracha, lápis, tesoura, cola, né. E assim, na sala de aula uma coisa fixa são os brinquedos, então elas costumam brincar, elas fazem do jeito que elas querem, depois elas guardam, algumas crianças têm dificuldade para guardar, a gente tem que estar reforçando, falando. Mas eu tenho que deixar assim, o material que nós temos, na medida do possível, à disposição delas. Até o rádio, nós temos um rádio, eu deixo elas manusear, elas colocam o CD que nós vamos usar. Pesquisadora: Em relação aos brinquedos, você pode descrever quais os tipos de brinquedos que existem na sala de aula dentro do armário? Professora 2: Os brinquedos são o monta tudo, são aqueles cubinhos que encaixa, são os brinquedos, eu não sei o nome pra dizer, mas é um quadradinho que vai construindo quadrados; ele é muito bonitinho, eles adoram. Jogos, nós temos bola, nós temos bambolê, corda, temos brinquedos de faz de conta. Então são esses brinquedos.

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Pesquisadora: Muito bem. E a questão do tempo, como você tem organizado o tempo na sala de aula, na unidade. Como tem sido esse tempo? Professora 2: Eu não costumo cronometrar o tempo porque a gente tem que respeitar o tempo da criança. Então, o que é que eu faço? Desde o começo nós fizemos uma rotina com as crianças, então o nosso lanche é às nove horas, né. Então, a gente até às nove horas a gente desenvolve atividade de leitura, das de registro, às vezes, alguma atividade de recorte e colagem. Depois das nove horas a gente vai pra área externa, faz uma atividade de bola, brinca no parque e brincadeira de faz de conta. Então assim, eu não tenho tempo cronometrado, mas nós temos essa rotina. Primeiramente a gente faz uma atividade na sala de aula, faz uma atividade de teatro, alguma coisa desse tipo e depois do lanche uma atividade externa ou o faz de conta. Pesquisadora: Quanto aos materiais utilizados, você até já relatou. Quer falar mais alguma coisa sobre os materiais? Professora 2: Os materiais utilizados na UE são materiais oferecidos de acordo com a possibilidade da UE, só que assim, eu acredito como professora, eu sinto muita necessidade de ter informática, de ter materiais tecnológicos na sala de aula. Eu acredito assim, que na sala de aula tinha que... Nós vivemos em um mundo onde as crianças têm acesso, por mais pobre que ela seja, ela tem já acesso ao computador, ela tem acesso a todos os tipos de tecnologia ou em casa, ou em algum lugar que vá. E assim, a necessidade que eu vejo ainda na EMEI é aquela lousa ainda verde, poderia mudar essas coisas. Não sei, um computador. Pesquisadora: Tipo um cantinho na sala de aula? Professora 2: Não. Eu não falo o cantinho. Eu falo mesmo de ter um telão e o professor ter o computador. Porque, às vezes, a gente quer mostrar uma imagem para a criança, tipo dia da informática, aí vai lá mostrar essa imagem, o computador. Porque eles trabalham por temas, temas diversificados, então, às vezes, eu precisava mostrar uma imagem, aí eu não tenho como mostrar a imagem. Aí, às vezes, um vídeo, igual, sobre a água, eu tive que esperar o dia tal, pra ir lá tá levando. Porque assim, você quer levar um material pra sala de aula, às vezes não têm pessoas pra ta ajudando levar, porque cada professora tem sua turma, a sua atribuição. Eu não posso deixar as crianças sozinhas, mesmo pra organizar esse material. Então eu acho assim, ainda é um sonho meu que a EMEI tenha ainda a informática. Porque eu falo assim, ter um telão, o professor ter um computador, aí joga lá na internet, aí aparece a imagem, as crianças ficam vendo o telão. Isso é maravilhoso. E também é um sonho meu que tenha poucas crianças, menos número. Eu acredito que o ideal seria 20, 25 crianças por sala, porque tendo muita criança dificulta muito o trabalho. Eu percebo que o dia que vem menos crianças, eu consigo atender melhor, individualmente, cada criança tem a sua necessidade. Agora, quando vem muita criança,eles ficam agitados, o espaço é pequeno e eu não consigo atender cada um, né. Eu sinto essa dificuldade. Pesquisadora: Como você vê essa questão do cantinho? A organização dos cantinhos na sala de aula? Professora 2: Olha, eu vejo muito bem. Só que a dificuldade que eu tenho ainda pra esses cantinhos é por causa do número de crianças, né. Por ser muita criança, às vezes, eu não

130 consigo fazer essa organização. você sente dificuldade em trabalhar as múltiplas linguagens na educação infantil? Professora 2: O que eu tenho sentindo mais dificuldade ainda é os movimentos. mas muitos casos não é possível ainda. que a gente ta trabalhando algum texto. é importante porque a partir do momento que ele lançou um conhecimento. E. Como tem sido o registro. registrar na hora. na sua prática pedagógica? Professora 2: Olha o registro. pra não se perder. cada um vai passar do jeito por ele. na sua prática docente? De que forma? Professora 2: Olha. Pesquisadora: Você percebe a teoria do Projeto Especial de Ação e do Rede em rede: a formação continuada. Eu tento registrar todos os momentos que se destacou.a gente percebe assim. E o Rede em Rede eu não tive muito contato esse ano. mas cada um tem a sua concepção. Humanamente é impossível. como aquele cantinho ta cheio. eu registro. Trabalhar com pneu. Então eu acho que seria importante abrir sim para os professores. isso eu acho que ainda ficou a desejar. as outras linguagens. mas também que aquela criança que está naquela cantinho também tem que rodiziar. registrando. Então assim. mas por ser muita criança. trabalhar com corda. . cambalhota. facilitaria muito o trabalho. ele vê o progresso da criança. né. Mas como assim. ele se esforça muito. Porque eu gostaria de cada dia estar atendendo uma criança especificamente. depois que termina. ele vai. aquele que quer mesmo fazer as coisas. a dificuldade é muito grande. O professor assim. às vezes. Porque assim. Mas o Rede em Rede em si. Pesquisadora: Muito bem. eu trabalho com o cantinho quase todos os dias. A gente sabe dos livros. Sabe? Porque assim. Pesquisadora: Em relação ao registro. Porque às vezes o coordenador. Mas quando eu trabalho com o cantinho. eu vejo assim. e a gente não consegue. ele volta. quando eu trabalho com o cantinho. as orientações curriculares. porque o PEA tem os temas no começo do ano. Eu não fiquei sabendo muito o que aconteceu na formação do Rede em Rede. E também a dificuldade que eu tenho de atender um cantinho. Mas fora da sala de aula eu ainda tenho dificuldade de trabalhar. a gente tem que trabalhar de acordo com os temas na nossa prática docente. observando. Nós lemos os livros. porque ele é a memória viva do professor.a gente não consegue. Porque é esse o objetivo do cantinho. O professor estar fazendo esse curso. ela tem que procurar outro cantinho. onde o professor ele vai. às vezes eu consigo registrar na hora. quase todos os dias. trabalhar tipo. mas que também tem que ir para outro cantinho. Só que igual eu falei. então eu não consigo. tem toda uma metodologia pra fazer com que as crianças rodiziem todos os cantinhos. pra você ter o cantinho. com gincana. nossa atenção. a partir dos livros e das orientações curriculares a gente procura trazer aquilo lá para a prática. igual. Só que pra isso precisaria ter um pouco menos de crianças. Porque as crianças tem necessidade da gente e a gente tem que registrar. mas eu gostaria de registrar na hora. eu vejo a dificuldade que eu tenho das crianças entenderem que ela tem que sair daquele cantinho que elas gostam muito. Então eu acho que o registro é muito importante sim. você precisa que as crianças entendam que. Em relação às linguagens. Então. porque cada um é uma pessoa. Mas assim eu vejo como de grande importância. às vezes. Então. eu acredito até que o o curso deveria ser para os professores também. eles exigem muito da gente. eu tenho que pegar um tema que eu vejo que há necessidade e aí eu tenho que trabalhar todas as linguagens.

que o professor fica um pouco. A única coisa que eu achei de dificuldade foi assim. Mas em outros momentos. Agora. Assim. nós vivemos numa constante. a quantidade de criança. Pesquisadora: Muito bem. planejou no começo do ano. E ta colocando coisas novas. eu ficava um pouco assim fora da escola. Então. não pode mudar. é como se fosse uma bolha em ebulição. já foi satisfeito. o professor que não faz o PEA é um professor mais desinformado. ta planejado. a gente vai conhecendo durante o ano. eu fiz estudos. tem. que a gente não poderia saber. Então eu acho assim. . Então eu acho muito importante a realização do PEA sim. ele está interagindo mais na escola. chegar no meio do ano poder estar mudando talvez a bibliografia. Isso a gente não pôde fazer. porque eu conseguiria atender cada criança. tinha que ser flexível e. na faculdade eu senti que faltava ainda conhecimentos. Porque aquilo que a gente planejou. Então. Então assim. eu tenho experiência por mim. eu conseguiria desenvolver um trabalho de mais qualidade. Eu acho que o fator maior que impede é esse. mandou lá para a DRE. você tem dificuldade em aplicar a teoria à prática? Professora 2: Não. eu acho que se tivesse um pouco menos de criança. eu não tenho dificuldade não. em outros anos. porque o professor que faz o PEA. Eu acredito que não tinha que ser assim. é um conjunto. ele ta sabendo mais do assunto. poder sim mudar e estudar outros textos. Porque assim. Porque os professores aqui na EMEI provavelmente eles dobram e eles fazem PEA no outro turno. a teoria eu tenho. eu achava que o PEA tinha que ser mais flexível porque conforme vai passando o tempo. a gente não conhece. Não por mal. Porque cada criança tem a sua necessidade. Igual. planejou. eu não tenho observado isso. Acabou o final do ano e você ainda não está conhecendo ela. na sua prática pedagógica? Professora 2: Ah. então eu fui buscar. Pesquisadora: Em relação ainda ao Projeto Especial de Educação (PEA) e o Rede em rede.131 Pesquisadora: Você percebe diferença na sua prática docente em relação à prática docente do professor que não realiza a formação continuada no horário coletivo? Professora 2: Olha. as coisas acontecem no PEA: as informações. por isso que é importante o PEA ser mais flexível e ter um pouco essa abertura da gente poder estudar coisas. porque a gente procura no PEA trabalhar a nossa realidade. Porque assim. Fiz uma pós-graduação em educação infantil. Parece que você trabalha sozinho. Ah. vão acontecendo coisas que a gente às vezes não planejou. a gente não tem que esperar. talvez não tenha mais necessidade. E assim. as decisões. As crianças são vivas. Existem fatores que ainda impedem a aplicação das propostas teóricas. tem quer respeitar cada indivíduo na sua íntegra. conforme a nossa possibilidade. ele ta vendo o que a escola tá trabalhando.a única dificuldade que eu encontro é a quantidade de criança. vai surgindo coisas. porque é fechado. a gente vê a diferença sim. Então assim. vamos se dizer assim. busquei. a gente não pôde estudar textos a mais do que estava planejando no PEA. a gente tem que ir atrás. sinceramente. tem que dar aquilo que ta lá. mas é porque assim. Infelizmente a gente trata um todo e acaba fazendo um depósito de criança e a escola não é um depósito de criança. Porque quando a gente observa uma criança. quando eu não fazia o PEA. eu não tenho observado essa diferença.

o diretor. que não estava no calendário. talvez até fazer uma reunião extraordinária. Nós sabemos que vamos receber crianças de quatro anos a completar na educação infantil. colchonetes e brinquedos. mas quando tem condições. né. tem piscina. eles não estão . em relação ao ensino fundamental de nove anos. Qual a qualidade que está se oferecendo pra essa criança? Porque a criança. Então me preocupa muito isso. que tipo de cidadãos nós queremos pra oferecermos coisas boas para as crianças? Então eu acredito assim. a gestão estar junto com a gente tentando solucionar os nossos problemas. assim. eles não estão aqui na prática. né. então vamos caminhar juntos.132 Pesquisadora: Em relação a essa mesma pergunta. a escola tem procurado nas salas de primeiro estágio deixar menos cadeiras para as crianças trabalharem mais no chão. o CEU ainda é um espaço que é muito rico em diversidade. Eu acredito sim que a criança poderia ficar seis horas na escola. porque infelizmente nossos órgãos públicos. a professora gostaria de relatar a preocupação com a educação infantil. Eu acredito que ainda é pouco porque ainda se tem muito mais a se fazer. procurar ser um ambiente que tenha poucas cadeiras. ter um banheiro mais acessível porque talvez os vasos são grandes. a criança fica seis horas ali. ou um turno integral como se diz. elas têm dificuldade pra usar vasos grandes. Ela ainda não tem assim teatro. Mas eu vejo que assim. Porque é um conjunto e a gente tem que procurar sempre parcerias. são vários espaços que tem teatro. Então essa criança vai ficar estressada. nós somos uma parceria e nós vamos caminhar juntos. dessa maneira que eu tenho observado né a organização pra receber essas crianças pequenas de três anos. ela tem acesso a várias coisas. como se fosse um orfanato. a minha preocupação grande na educação infantil é que as escolas agora estão recebendo as crianças seis horas. tenha que talvez mexer na parte do prédio mesmo. se eu estou com alguma dificuldade. mas é uma coisa assim que é lenta e que se vai caminhando e que você vai planejando. Então. meio-período. nas EMEI’s. que precisa se pensar nisso. Pesquisadora: Muito bem. às vezes vai estar vivendo um momento de stress. a gente poder estar discutindo as nossas dificuldades. brinquedos que sejam bem baixinhos pra elas. Então é assim. você caminhar junto com a comunidade porque nas reuniões eu sempre converso com os pais. Professora 2: Bom. a EMEI tem aquele espaço restrito dela. Pesquisadora: Eu quero agradecer a sua participação. né. Então. conversar com os pais. vai se conversando. professora. pelo que eu observo a escola ela tem se organizado da seguinte maneira: procurar ter mais colchonete nas salas que as crianças de três anos vão estar. Nós estamos aqui pra ajudar no desenvolvimento dos filhos de vocês e eu quero fazer o que eu puder. tem a pista de skate. Porque assim. tem várias quadras. uma coisa muito fechada. o fator é o da gente acompanhar mesmo. Como você e toda a equipe têm se organizado a esse respeito? Ou não tem se organizado ainda a esse respeito? Professora 2: Olha. Continuando a entrevista. ela aprende tudo. E assim. A gente também junto com os pais. é o que eu tenho observado. Mas uma criança que fica seis horas numa EMEI a minha preocupação é que vira um depósito de criança. existem fatores que auxiliam na aplicação dessas propostas na prática docente? Professora 2: Sim. a coordenadora. Eu acho que a comunidade é muito importante. que tenha bastante brinquedos. o professor vai ficar estressado e o que essa criança vai estar absorvendo? Às vezes vai estar absorvendo coisas boas. ela não tem espaços. Então eu sempre procuro assim. eles têm uma visão teórica.

Eu acho que é muito pobre. tem que fazer rodízio. quando eu era criança. precisava ter ônibus pra levar essas crianças pra passear. Porque a sala de vídeo não é cinema. eu sei que é impossível. a estrutura de um cinema. com a vivência. Tudo pra poder estar ajudando a nossa interação. A criança tem direito de tudo isso. Então. uma outra organização dessa escola ajudaria a organizar e a acolher bem essas crianças que virão? Professora 2: Olha.. aí a gente conversa. então todos os passeios. Isso não deve acontecer. eu acredito que se tivesse uma biblioteca. E fora assim. são as crianças. Então tem que se pensar bem pra não virar um depósito as escolas de educação infantil. porque joga muita coisa pra cima do professor. um teatro. Eu vejo as crianças de hoje dentro da escola. do espaço. Entendeu? Meus pais tinham que trabalhar. das brincadeiras com a professora. a estrutura de um teatro. e o professor está ali vendo as dificuldades das crianças. mas também não se oferece nada. porque não tem ônibus. que a criança também vai estar saindo fora daquele espaço da sala de aula. A educação é gratuita.133 vivenciando o que a gente ta vivenciando. Ah. Gente. Essa criança é mais carente. Eu tenho experiência por mim. eu conheci os teatros. As crianças só ficam na escola porque não tem um ônibus. Eu conheci quando era pequena os parques de Santo André. a nossa interação inteira é pela conversa. o mundo acontece lá fora. A gente faz uma roda de conversa. o teatro vem na escola. Pesquisadora: Por que você sente isso? Professora 2: Porque o professor acaba caminhando sozinho. sala de vídeo não é teatro. não tem um passeio. que não tem todos esses espaços diversificados. Sabe? Porque infelizmente falar que a gente vai se organizar. Pesquisadora: Muito bem. então não se pode cobrar. tudo que eu conheci foi graças à escola. os meus pais não saíam comigo. a gente vai ver porque ta acontecendo isso. Professora como você tem interagido com os seus alunos e como é a interação entre eles na sala de aula? Professora 2: A nossa interação se dá muito pela conversa. Piscina é você ir à piscina. a gente vê os combinados. isso em 1985. Então. a gente se organiza. ela não tem acesso a isso. Isso é uma coisa boa porque a criança. Se a gente não oferecer que experiência ela vai ter de infância? Que lembrança que ela vai ter da EMEI? Só das brincadeiras lá do parque. eu acredito que toda EMEI deveria ter. piscina. mas acaba caindo na mesma. meus pais não trabalhavam comigo. eu acho que tem muita coisa pra se fazer para as coisas melhorarem. às vezes o rodízio não dá certo e acaba ficando naquela mesma. teatro é você ir ao teatro. Porque o mundo não acontece na sala de aula. das brincadeiras com as outras crianças. e acaba que o professor que tem que organizar os espaços. uma piscina. e a gente que somos o ponto chave. pra que essa criança que ficasse dentro da EMEI ela fosse nesses espaços. presas. que a gente não . Sabe? A criança precisava ir num parque. Às vezes tem algumas dificuldades que a gente ta vendo que não ta conseguindo se comunicar. Não é verdade? Como a criança vai vivenciar se ela tem só isso? Ela precisa experimentar o que ta aí fora. então se a escola não passeasse comigo eu não ia conhecer. E a criança acaba ficando dentro da escola e o mundo não acontece só dentro da escola. Às vezes acontece alguma coisa fora dos combinados. gente. Pesquisadora: Será que em relação a uma mudança do tempo.. mas eu acho que toda EMEI tinha que ter sim um espaço de teatro. ela aprende com a experiência. Obrigada. igual o teatro.

a minha realidade é diferente dessa. Você vê que a escola ficou há cem. Eu procuro sempre falar pra eles que a gente precisa conversar. E é pra sempre isso. né. mas eles brincam. então eu achei até interessante. porque assim. Não terminou. o que a gente vai fazer? A gente procura assim. ele é um ser sempre em condição de mudança. isso seria ótimo. Uma coisa presencial. Professora 2: De nada. Foi de grande valia essa entrevista. Então assim. então você que o professor que trabalha com EMEF parece que tem até um jeito de querer que a criança de educação infantil também seja de EMEF. até a prefeitura estar incentivando os professores a fazer uma pós-graduação. uma criança agredir a outra. ela não é terminável. que o professor que fez só a graduação há muito tempo atrás. um lado fica as meninas e do outro lado os meninos. temos aí à distância. resolver com diálogo. infelizmente. Você poderia estar comentando pra gente esse momento? Professora 2: Sim. os alunos vêem: professora fulano fez isso. Sabe? Ou senão você copiar o ba-be-bibo-bu sem uma contextualização. Pesquisadora: Muito bem. Pesquisadora: Eu quero agradecer a sua participação. é engraçado você vê isso. você bem essa interação. a gente observa isso né. Então assim. Nossa! Justamente porque os professores aqui trabalhavam com EMEF. E as crianças também. fazer uma pós-graduação numa faculdade boa também. eles tentam brincar um pouco juntos. eles dividem a sala. Sabe? De você traçar o caminho que leva o pintinho ao milho. agora acabou. por ter ido por várias escolas. Isso não. Em relação ao que você havia comentado à respeito da graduação e da pós graduação. mas é curioso de você observar isso. a minha sala teve pouco esse negócio de violência. esse relacionamento é muito bom. Não adianta falar: ah estudei. porque a criança. ele ainda trabalha com aquele tipo tradicional. O ser humano não é um ser acabado. na hora de brincar. porque é fora da minha realidade. Eu tenho observado. É de grande importância mesmo para o professor ele procurar a sua formação continuada. eu acho que é muito importante sim. não em qualquer faculdade. uma coisa que o professor realmente aprendesse mesmo e trouxesse. Eu não tenho dificuldade nenhuma com nenhuma criança. Aí você assim observa que apesar das crianças se dividirem entre meninos e meninas. Professora muito obrigada. é triste. É muito interessante até. trezentos anos atrás. É assim. Porque a gente.134 combinou. . professora.

ou ainda não? Com relação à prática a gente percebe que tem algumas coisas que eles estão estudando lá e estão discutindo. essa formação continuada pra gente acompanhar essas mudanças. Professora o que você entende por formação continuada? Professora 3: Bom. é idade de formação de personalidade mesmo. refletindo e eles conseguem levar pra prática uma ou outra coisa. sim. formação continuada. de conversar. né. Eu acho muito importante. Você sente que é uma perda na sua formação? Professora 3: Ah. deixa eu ver como eu posso dizer. Eu acredito que aconteça isso nesse momento. trocar experiências ou. É o professor estar sempre em busca de novos conhecimentos porque tudo muda. porque o nosso trabalho é muito humano. Mas assim. de trocar experiência. As crianças mudam. E é importante esse momento. Mas se não fosse essa questão. você declara no questionário que você não realiza a formação continuada devido ao acúmulo de cargo. essa idade. esse momento de troca é muito importante. eu nunca participei. que o grupo que está nessa formação eles assim.135 APÊNDICE E – Entrevista Professora 3 Pesquisadora: Próxima professora é a professora número 3. Então eu acho que principalmente por isso. E a gente que não participa do projeto. né. pra estar sempre se atualizando e acompanhando essas mudanças. estar desabafando. eu acredito que seja assim. A gente não se encontra. pelo que eles falam. algumas dificuldades encontradas. você perguntou também com relação à teoria e a prática. muito gostosa essa fase. é uma perda. Pesquisadora: Você se sente. com certeza eu faria sim. tirar dúvidas. da sua prática. E sempre refletindo. A gente percebe que eles gostam de vir pra escola. de dividir. ele reclama ou fala que sente saudade. eles têm mais oportunidade de troca. até mesmo assim. né. eles gostam de tudo que acontece aqui. eu acho assim. Assim. Pesquisadora: Em relação ainda à formação continuada. é assim. Isso também é muito importante. muitas vezes. eu acho que o mais forte é isso mesmo. conversar. falando do seu trabalho. É que pra mim realmente fica muito difícil pelo acúmulo de cargo. principalmente essa idade que a gente trabalha. é muito corrido. Pesquisadora: Muito bem. até os seis anos. Qual é sua concepção em relação à criança e infância? Professora 3: Ah. é muito importante esse momento da criança – a infância. Professora 3: Agora assim. Eles falam o que eles fazem aqui. em que momento você localiza essa formação continuada na unidade escolar? Professora 3: Olha. eu percebo assim. nós mudamos. Então assim. precisa muito desse momento de conversar. essa busca. e assim. é muito gostoso. É uma desabafo também. né. as famílias mudam. o que eu mais sinto falta é isso. é uma correria constante. eles têm mais momentos ali que eles estão juntos. que eles têm oportunidade de discutir alguns assuntos. a comunidade muda. a gente trabalha . Eles têm essa oportunidade de ta trocando experiência. uma questão de refletir. as mães sempre comentam: ah dia que não tem aula. melhorando nossa prática. Você não tem um momento de encontrar com seus parceiros. é como uma reciclagem.

a gente faz brincadeiras na lousa. Mas acho que até assim. conhecer os materiais. você acaba ainda estando um pouquinha presa nisso. ainda ta naquela fase gostosa. sinceramente. aquela necessidade de trabalhar a letra a. eu acredito muito nessa coisa dela. Entendeu? Então assim. na sua prática? Professora 3: Então. da autonomia.. olhando no geral eu acredito que eu me enquadro melhor nessa concepção sócio-construtivista. vários tipos de jogos. eu com elas. ela constrói o conhecimento dela. Então assim. pra participar. Poder ter momentos de ela escolher o material que ela vai utilizar. muito importante. ficando felizes. eles curtindo. pra ela criar. Você vê que tudo isso. todo mundo tem um pouquinho de tradicional. se conhecer melhor. eu coloquei sócio-construtivista porque assim. Então assim. em relação ao tradicional aquelas coisas assim ainda de você trabalhar.136 muitas linguagens. o desenho. a socializar. . a dividir. muito bom poder ter essa oportunidade de trabalhar com essa fase. De acordo com o seu questionário. a se conhecer. a conhecer a escola. de você estar oferecendo material pra ela explorar. a letra c. Então assim. Aí assim. pra opinar na rotina. usando isso. gostando. Trabalhar muito essa coisa da criatividade. nós fomos formados numa concepção muito tradicional. Pesquisadora: Em relação a concepção tradicional o que você sente presente. Às vezes você vai com uma proposta e a proposta até muda porque ela ta participando. O que é essa concepção pra você? O que você pode falar sobre essa concepções? Professora 3: Tá. então todo mundo carrega isso. eu vou dar um exemplo pra ficar mais concreto: as letras do alfabeto. dela se expressar. Então toda proposta que você traz. você se declara sócioconstrutivista. um com o outro. eu acho maravilhosa essa fase. pra ir fazer. Então eu acredito que eu me enquadro mais nessa proposta por conta disso. pelo grupo. Isso é tradicional porque a criança não aprende necessariamente assim.. é importante porque assim. alfabeto móvel. nem que seja vinculada com uma música. tudo que você vai fazer. o ‘z’ porque tem no nome dele ou porque tem algum programa que ele viu aquela letra. é história. a gente sabe que é nesse momento que ele aprende a lidar com o outro. plaquinha dos alunos. Pesquisadora: Muito bem. o brincar. ela ta criando também. que ela vai brincar. Só que assim. lista de nomes. Mesmo porque nós estudamos. às vezes. o brinquedo que ela vai brincar. mas por que eu me considero que eu me enquadro mais nessa concepção sócio construtivista? Porque assim. eu acredito que ninguém é inteiramente sócio-construtivista. Eu trabalho muito bingo de letras. Só que ainda tem aquelas atividades de você trabalhar a letra a. eu acredito muito que a criança. dela ter autonomia pra fazer. letra b. mas ele aprendeu foi o ‘x’. formar sua identidade. carrega esse lado tradicional. você vê que mesmo se você trabalhou mais. Eu tenho portfólio do que eu faço com eles. E a gente sabe assim que esse momento da educação infantil. não o tempo todo. mas você tem ainda. Então você sabe que não é assim que ele aprende. Então. ajudar a organizar o espaço que ela vai fazer atividade. assim. pra ela fazer. você acaba ficando um também um pouco disso. conhecer a rotina. a letra b. E assim. Qual é a proposta dela? Ela também tem uma proposta para aquele momento. na maior parte do tempo é isso. vinculada com uma história. pelo ambiente que você ta. enfocou mais o ‘a’ ou o ‘b’ e o ‘c’. a se formar. a música. eu acredito muito nessa construção do conhecimento da criança e que a gente ta aprendendo o tempo todo né.

os materiais. com a foto bem grandona. mas no momento tem assim o da leitura que é fixo. porque assim. você organiza o seu espaço através de cantinhos? Professora 3: Em alguns momentos da rotina. Eu até já trabalhei outra época com cantinho fixo. não é cantinho fixo. a gente tem o cantinho da leitura. escreve. Eles ajudam muito na organização dos espaços. A gente tem um cartaz de pregas na escola que fica uma lista móvel. onde ficam os livrinhos. eu tenho muito isso na minha rotina. aí a gente organiza a sala. Pesquisadora: Muito bem. aí eles vão falando. a gente organiza naquele momento da atividade diversificada a gente organiza os cantinhos conforme as atividades daquele dia. não vou dizer que não acontece de ter um livro ou outro. É assim. É assim também com os brinquedos. tem uma plaquinha com o nome deles. Professora 3: Ah. Como tem ocorrido essas atividades? Professora 3: Aí já entra o registro também ou não? . E é bem legal. Então eu já vou falar também do tempo. eles não ficam toda hora perguntando o que é que vai fazer. tem uma hora que eu deixo lá assim. você até já falou um pouquinho sobre as atividades que você tem feito. que todos seguem. eu organizo com eles esses momentos.137 Pesquisadora: Muito bem. tem algumas atividades que eles escolhem. desenha na lousa o que vai fazer naquele dia. vê quem veio. quem não veio. eu tenho o costume de todos os dias organizar com eles na lousa. de acordo com aquela rotina do dia. dá uma acalmada. tem aquelas que são diversificadas. como você tem organizado o espaço e o ambiente para o acolhimento dessas crianças? Professora 3: Então. de acordo com essa rotina. Aí a gente vai lá. Pesquisadora: Você tocou no assunto de cantinhos. e a gente vê quem veio. Todo dia tem um momento assim que a gente faz um momento diversificado. eu gosto muito de fazer atividade diversificada. o espaço a gente está sempre mudando. conforme essa rotina do dia. no começo dava muito trabalho. mas assim. cuidar dos seus materiais. são flexíveis. à execução. E eu tenho também a minha rotina. a gente tem uma linha de tempo que é da escola. que faz parte da rotina. Mas se você já quiser falar do espaço e do tempo. tinha muita coisa que eles não tinham o costume de fazer. E aí. mas assim. E a questão das atividades. a gente trabalhou muito essa questão de tomar cuidado com o livro de colocar no lugar. Aí. organizado na escola. a gente vai colocando. o espaço ambiente. Em relação ao seu cotidiano em sala de aula. guardar as coisas cada uma no seu lugar. então tá bom. Pesquisadora: Após é o tempo. Que nem. cuidar dos espaços da sala. E o que a gente vai fazer hoje? Isso é bom até pra abaixar a ansiedade deles. tem passado pra eles. também organiza os espaços. eles pegavam os livros e deixavam os livros jogados na sala inteira. todos os dias pra fazer as atividades. quem não veio. como principalmente pra depois também organizar tudo no lugar de novo. tem as atividades que são fixas. Então assim. a gente chega. que mudam de um dia pro outro. quantas crianças vieram. avaliação. organiza a rotina. tem outras coisas que tem que manter que até ta na linha de tempo. eu vou te perguntar. E em relação ao planejamento. tem o cantinho que ficam os brinquedos. com os materiais. pode ficar à vontade.

A gente pega. às vezes anota alguma coisa no caderno. aquela lista móvel. agora o portfólio eles vêem. Eles perguntam o nome das letras. que é uma coisa muito completa. registro de jogos. aí fico um período sem. pra ver como ele está. é legal fazer portfólio por que você vê. eles perguntam. antes. tem a evolução. de letra. poucas vezes no ano vai lá. é legal porque é uma coisa que eles estão vendo. atividade livre. que entrega pra coordenadora. Dependendo da atividade é bimestral.. com trabalhar a letra do nome do amigo. ele reflete. mas a outra também é. eu faço algumas anotações no meu caderno. E eu acho muito legal trabalhar com portfólio. Eu sento um por um. no segundo estágio. aquilo que não está dando muito certo. Só que tem algumas crianças que ainda ajuda muito essa coisa da seqüência. gosto muito de trabalhar com portfólio. Um dia teve umas alunas minhas do ano passado que viram eu fazendo esse portfólio com um aluno meu desse ano. Aí pra que eu uso esse portfólio? Tem alguns dados que eu faço uma tabulação no meu caderno. Eu tenho criança aqui no terceiro estágio. no dia-a-dia mesmo o que é que eu uso? Anotações no meu caderno.138 Pesquisadora: O registro. que era minha o ano passado. aí já estou com o portfólio na mão seja pra uma atividade ou pra outra. eles começam até a gostar. de brincadeira. Então ele faz do jeito dele. Eu pego algumas atividades de desenho. Agora assim. com brincadeiras. com jogos. Assim. é incrível. porque não é uma atividade que ta todo mundo fazendo junto. uso muito o portfólio. raramente. se você quiser já falar sobre o registro. vou ser sincera com você.. só que assim. só que é muito pessoal. Ou falam: aquela do número. mais palpável. É legal que até no ano seguinte. Você vê que pra eles é um desafio. tem desenho de história. posso dizer que a maioria das crianças aprendem mais assim de forma lúdica. você vê que uma coisa é importante. Depois eles vão se soltando melhor. um pouquinho apreensivo pra fazer as atividades. a letra do próprio nome. o jeito que ele. então você pega algumas falas deles. Eu fico vários dias com o portfólio. lembra? Assim. assim. A letra do nome era assim. É uma coisa que fica um pouco distante assim. Como você senta com cada um. e outras listas que a gente faz. olha o que você já fez. por exemplo. Eles ficam: professora vamos fazer aquela atividade da letra lá de novo. vejo aquilo que eu preciso tomar mais cuidado. Aí nesse portfólio tem evolução da escrita do nome. logo no começo desse ano. Eu acho legal o professor ter o registro dele. é legal também. aí assim. E assim. ela vê. dependendo da atividade é mensal. porque tem criança que precisa muito disso. E tinha uma aluna . ta só você e ele. eu apresento o portfólio. agora é assim. Até citando de novo aquela questão das letras. Assim. a mãe da criança não tem acesso. era assim no começo do ano. isso aqui eu preciso fazer um pouco mais. como é individual. olha isso aqui eu coloquei aqui e não fez. Professora 3: Então. o que você ainda não fez: Ah. é muito dele. por exemplo. agora é assim. eu uso muito esse portfólio também pra conhecer melhor. mas é importante também trabalhar algumas coisas assim como a seqüência. essa coisa mais concreta. É legal você fazer portfólio pra você conhecer melhor. E eles sentem faltam. na verdade esse planejamento que fica com ela a gente pega raramente.. Eles falam: Pro eu escrevia meu nome assim. vejo até aquilo que eu preciso dar uma mudada. estão acompanhando a evolução deles. no caso todo ano. Porque assim. A mãe também. na questão das letras. auto-retrato. Aí no outro mês. no começo do ano ele fica muito assim. de nome. tem conhecimento do nome. aquilo que está sendo legal continuar. ele lê. a gente tem o planejamento que é aquele que a gente faz. a criança não tem acesso a isso.. recorre a ele. atividade de número. semestral. pra falar a verdade. eles não vêem a hora de chegar a vez deles. Eu estou sempre com o portfólio pra lá e pra cá. É importante trabalhar de um jeito lúdico. tenho a minha rotina e assim. Eu até faço questão de anotar pra mãe deles saber que ele aprendeu a letra. E é legal também até pra você conhecer melhor a criança.

mas já dá pra usar. Quando você entregou essa atividade pra gente levar pra casa. ta muito limitado isso: é claro que ele só vai usar lápis de cor nessa atividade. foi muito legal. acabou. em relação aos brinquedos também. eu uso muito. eles se sentem mais à vontade. até pra rever alguns trabalhos meus. E é super-importante. eles não sabiam usar. claro. Aí assim. Aí depois eu falei: Ah. Em relação aos materiais. Nada de criança ficar andando atrás de mim procurando apontador com lápis pra apontar. eu dava também o apontador. senão é muito fácil né. não pôde mais continuar usando o material coletivo. Eu estava gostando muito dessa forma de usar o material. foi ótimo. aí sempre acaba que eles ajudam a cuidar. No começo eu colocava ainda separado. Foi só no primeiro bimestre aquela coisa muito assim. às vezes acontecia de uma atividade. tem um lado muito bom. ele tem que encontrar o lápis de cor no meio dos outros materiais. Eles aprenderam a usar. porque eu só to dando lápis de cor. eu circulei todas. canetinha do lado do lápis de escrever. no primeiro semestre. você vê que assim. Entendeu? Mas eles foram aprendendo. ficavam atrás de mim também quando precisa apontar. Aí as minhas alunas ouviram: Pro lembra que o ano passado aconteceu isso comigo? A primeira vez que você fez essa atividade eu também só sabia a letra X. depois que eles vão evoluindo. pensou em algumas coisas. É muito bom. então tem assim uma certa possibilidade do material durar mais tempo. o apontador. tudo. Aí eu falei: você sabe mais alguma? Ela: Não. você quer falar mais alguma coisa em relação aos materiais. no começo ainda eles usavam. o material mesmo -giz. não dá pra usar giz de cera nessa atividade porque o espaço é pequeno e a ponta do giz de cera é grande. depois disso. eles têm que saber. guardar. uma boa parte dessa organização está nas suas mãos. no começo faziam um pouquinho de sujeira. por exemplo. Porque incentiva né. e eu ficava apontando. dependente de mim ainda. pra aquilo. Como são organizados os materiais na sua sala de aula. Aí ela falou: esse é o X. outro só pra canetinha. tinha o lado bom. a presença dos materiais no cotidiano? Professora 3: Olha. mas como não era todo dia. A maioria ainda tinha quatro. você que está ali repondo esse material. você tem material pra usar o ano inteiro. mas depois eles foram aprendendo. o material foi assim. Entendeu? Ai eles foram aprendendo até a jogar a casquinha no lixo. Aí depois eu mudei. Só que assim. tinha um potinho só pra giz. Teve várias orientações assim .139 minha que eu perguntei o nome da letra e ela só sabia a letra X do alfabeto. Ótimo porque não tinha mais aquela coisa que você usava o apontador elétrico na sala. mas depois rapidinho a gente percebeu que melhorou. era horrível aquilo. Como é isso. apontador comum. Aí foi material coletivo. você usar o material coletivo. lápis de cor – o material pra atividade era coletivo. Até quando eles usavam o material errado era bom porque era o momento de você falar: Não. mas estava tudo nas mãos deles. mas ele tem que aprender que se nessa atividade ele precisa usar o lápis de cor. a gente sentou. Explicava o motivo. Acho que até a questão da alto-estima deles. eles se sentem bem. E assim. Aí assim. organizar. giz de cera e eles usavam. Aí veio né. E assim. Daí eu falei: Chega. borracha. eles tem que aprender a usar o apontador. recolher. ninguém ficou mais atrás de mim isso. faltava algumas ainda pra circular que eu não sabia. você tem o material por mais tempo. Eu achei ótimo. coloquei a bandejinha e pus na mesma bandejinha lápis de cor. agora Pro eu sei todas as letras do alfabeto. Aí. direto. Então assim. Entendeu? Pesquisadora: Muito bem. Aí veio o recesso e teve aquele problema da gripe A. você vê que é importante pra eles. que é assim. E eles faziam uma sujeira porque não estavam acostumados a usar o apontador. era individual. outro só pro lápis de cor. não era adequado para aquela atividade usar. E é isso. giz de cera. foram pegando. Entendeu? E assim. Então assim. como eles usavam o apontador. mais tranqüilo pra fazer. agora eu já sei todas.

alguma coisa pra guardar. E foi legal também essa fase de cada um usar o seu individual. individual. eles melhoraram bastante o uso do caderno. fizeram muitas amizades. eles foram melhorando.. ficavam mais soltos. porque ali dentro tem tudo. eles iam. tudo que tinha que ficou individual. toda a hora a gente está interagindo. A interação se dá na hora das brincadeiras. de ponta cabeça. Mas foi uma loucura no começo. Então eu oriento muito o uso do caderno. eles pegavam mais os brinquedos. Assim. Igual. abria em qualquer página. quem não tinha foi dentro de saquinho. como é que usa. era separado. aquelas caixas com os brinquedos. e em relação à interação do professor com o aluno e entre eles? Como que se dá isso. brinquedinho de panelinha e tal. pegavam e brincavam. Aí a gente pediu o estojo para os pais. nos momentos de brincar. foi uma loucura no começo. Claro. eles tem que aprender a usar o caderno. antes de acabar o rodízio e lá tinha baldes. foi uma loucura. o material ia e nunca mais voltava. assim. aí depois foi junto. precisa de ajuda. estão cuidando direitinho. escolhem. bichinho de pelúcia. é mais material de encaixe.. mas teve várias que não estavam nessa reunião. tem algumas crianças eram bem quietinhas no começo do ano. eu acho que tem que ter porque eles tem que aprender cada um cuidar do seu. até que ficou. Assim. das rodas de conversa. agora também tem alguns brinquedos novos. dele como uma criança ativa. boneca. eles melhoraram bastante. Pesquisadora: Muito bem professora. que tenha oportunidade de falar o tempo todo. No segundo estágio é mais o caderno de desenho eles tem que aprender a seqüência. eles ficam livres. brincam. das atividades. tinha criança que nem falava no começo do ano. era o momento que a gente estava em outra sala. Eles estão aprendendo também. Aí depois sim. E aí. agora eles estão falando mais. você não vai dar aquela coisa maçante. já melhora. na sua sala de aula? Professora 3: Ah. Acho que é importante. assim. se socializaram melhor. Aí lá vai eu pegar todo aquele material que estava no coletivo e mais alguns que eu tinha guardado e a gente dividiu tudo e colocou tudo nos estojos – quem tinha né. brinquedos grandes. arrumar direitinho. E assim. se puder ser um caderno com linha. na hora das conversas. aí eles vão lá. Eles usavam muito de trás pra frente. de caixinha. criou um vínculo muito grande. acho que até eles gostam. O caderno também.mas a maioria está se virando muito bem com o material individual. Aí. distribuía o material. só que assim. estão usando. aí já não tinha material. um ou outro ainda precisa de orientação. Essa sala que a gente ta agora não tem tanto brinquedo como a outra tinha. O que você quer saber mais pontual? Pesquisadora: Dessa dinâmica mesmo do aluno. E a gente já teve um momento que o brinquedo. eu até acho que eles têm que aprender a usar sim. voltando lá. por exemplo. no começo. tem assim. Então. O brinquedo fica num cantinho da sala. . a interação é o tempo todo. na hora da história. principalmente. a interação se dá o tempo todo né. é mais pra ele aprender a usar mesmo. só que esse material ia e voltava todos os dias.140 pra não estar usando mais nada coletivo durante um bom tempo. entenderam que o material ia ficar na mochila. tem que ir indo gradativamente. Também deram trabalho pra aprender a arrumar o armário quando chegaram esses brinquedos novos. assim. teve muitas mães que vieram na reunião. eles estão usando o material individual. E eles têm mais autonomia ainda do que tinha. Aí chega no terceiro estágio. é até difícil falar com se dá a interação. então eles já têm maturidade pra isso . Foi bem legal porque a maioria das crianças conseguiu aprender. Porque assim. terceiro estágio. e veio recomendação que não podia usar com o amigo. Então assim. tudo separadinho. como a gente já não tinha muita coisa. E assim. continuou o material individual.

atitudes? Professora 3: Olha assim. Às vezes. a realidade é bem diferente. todos os momentos. as teorias. às vezes também num ano você consegue e no outro não. não. vai mudando algumas coisas na prática. a prática que ele já traz com ele. E assim. você percebe até uma ou outra atividade. Na hora da rotina eles falam. não é uma coisa assim muito marcante. tanto de projeto. a gente até toma cuidado pra todo mundo poder falar. Pesquisadora: Muito bem. Pesquisadora: E assim. Entendeu? Pesquisadora: Bom. que você percebe muito nitidamente. não fica muito claro pra mim o que é da prática dele. na hora de brincar na hora de fazer atividade. O que você aprendeu na sua formação acadêmica para a sua prática. eles já sabem mais ou menos como funciona a rotina. Eles falam bastante. muito obrigada. Mas assim. algumas coisas que a gente reflete e muda. o que é da formação que eles estão tendo no gurpo do PEA. é eles que falam. Eles falam muito o tempo todo. da convivência da interação que você tem com o outro professor. aquilo que ele vai mudando. Tem hora que tem que parar um pouquinho e falar: Calma. você percebe mudança na prática do professor que faz formação continuada? Você de fora. como de programas. falam. Como é isso? Professora 3: Bom. e querem comentar. E em relação a fatores que impedem as propostas. você percebeu durante esse ano. É uma interação que não acaba nunca. Os alunos são muito diferentes. é aquela centralizadora ou aquela que ta mediando. falam. a gente faz bastante roda de conversa também. você sente algum fator que impede essa teoria presente na sua prática. alguma coisa que ele faz assim que você percebe que está dentro de algum tema que está sendo estudado dentro do projeto. Isso não fica muito claro. durante esses quatro últimos anos mudanças nesse professor? Você consegue observar isso ou não? Professora 3: Então. no PEA. um tênis novo. ah. E assim. mas assim. a gente tá sempre mudando né. Assim. Agora assim. Você percebe assim. o tempo todo eles falam. para a sua realidade do dia a dia. o tempo todo. respeitar a vez dos outros de falar. eles interagem. no decorrer da rotina. você de fora. Às vezes. Outra pergunta é à respeito da prática docente. Pra falar a verdade. E é legal que eles falem bastante mesmo. vem desde lá do começo do ano. Geralmente . Você que não realiza a formação continuada. o seu papel enquanto professora. pra falar a verdade não fica tão claro isso. já faz tempo né. contam tudo que acontece em casa e querem mostrar tudo. com os professores. o que já era da prática deles. algumas atitudes assim. Eles vêem falar que foram passear. que fica muito claro. falando. Professora 3: Olha. Eles falam.a gente sabe que não é tudo que a gente vê na teoria que a gente consegue colocar na prática. em alguns momentos assim. eles falam bastante. sim.141 Professora 3: Ah. claramente. sempre tem alguma coisa que a gente leva sim da teoria para a prática. É difícil dizer isso né. eles chegam todo dia falando. Porque assim. Um de cada vez. aquilo. não fica tão claro isso. em relação à formação continuada. fica difícil falar até que ponto foi a formação que ele ta tendo porque tem assim o dia-a-dia dele. observar mudanças assim. falando. você percebe mudanças. Pesquisadora: Se você dá oportunidade pra ele falar. aquele professor mudou porque está fazendo PEA ou tal. isso. bastante.

eu estava lendo esses dias um livro. a intervenção individual. E acredito que é um momento que ele constrói conhecimento. dá pra você estabelecer um diálogo melhor. tudo. para caminhar sozinho. é importante retomar. Já a outra turma é uma turma mais tranqüila. ajuda a transformar algumas coisas na sua prática sim. Seja numa área ou em outra. que ajuda a refletir. essas e outras coisas que a gente vê na teoria que é importante. sempre considerei. os alunos são muito agressivos. que é ter um número muito grande de alunos nas salas. eu tenho dois segundos estágios. ajuda a melhorar. eles precisam. A teoria que você tem desenvolvido durante toda sua formação profissional. até alguma coisa que você fazia lá há um tempo atrás e não faz mais. Seria assim. Então assim. Professora 3: Ah sim. auxilia. ele tira daquilo um aprendizado daquilo. esse é um fator complicador. que ajuda. eles tem mais paciência pra uma atividade que precisa de mais tempo. tudo que você oferece pra ele. assim. por exemplo. É muito bom. Por exemplo. a gente procura estar fazendo essa intervenção. tudo que você trabalha no coletivo. E assim. Só que a gente sabe que se fosse um número menor de aluno. eu tava dando uma olhada. tem coisa que não. ele aprende sozinho. olha que legal. mas tem muita coisa que dá pra você colocar na prática. tem criança que não é assim. tem coisa que dá. E eles são muito diferentes um do outro. que é dificuldade geral. eu tenho um num período intermediário e um no período vespertino e eles são muito diferentes uma turma da outra. Por exemplo. seja de um jeito ou de outro. fazer de novo. eu tenho uma turma no inter que é muito difícil. reflete. praticamente sozinho. a gente faz o que a gente pode. agora não faço mais. eu não prestei concurso.142 eu tenho duas turmas. Que nem. procura estar acompanhando. que eu acho muito importante: a intervenção individual. poderia acompanhar bem melhor cada aluno. a gente põe em parte isso em prática. na prática docente? Professora 3: A teoria geral? Pesquisadora: É. ele consegue aproveitar. se não tivesse algumas dificuldades teria como colocar muito mais a teoria em prática. em alguma coisa ele precisa de intervenção. e todos eles precisam né. Então assim. cada criança. ele precisa de uma dica: olha isso tem que fazer assim. mesmo que ele tenha facilidade. Eu acho muito importante o brincar. Tem também algumas coisas assim. às vezes ele tem facilidade em uma questão e em outra não. no vespertino e não consigo fazer no inter. É uma dificuldade. ele precisa de uma intervenção individual. é sempre muito bom. uma coisa que me aflige muito. Então assim. é um momento que eles . Algumas coisas eu consigo fazer. mas é um dos livros lá que uma professora falou que caiu no concurso. Sempre. tava lendo e tava falando dessa parte do brincar na educação infantil. assim. Você localiza no seu cotidiano fatores que auxiliam a aplicação das propostas teóricas. eles conseguem esperar. Pesquisadora: Muito bem. Então assim. eu fazia isso. Aí eu tive oportunidade de pegar esse livro. é uma turma muito agitada. Eu acho muito importante porque assim. sempre você dá uma acordada pra alguma coisa. tem muita coisa que não dá. poderia fazer um trabalho bem melhor. Essa é uma questão. quem não gostaria de poder acompanhar melhor os alunos de poder fazer mais por cada um. Então. Às vezes você começa a ler. tem muita criança que ele aprende sozinho. e assim. procura estar conhecendo cada aluno o máximo que a gente pode. Agora. às vezes. Às vezes. Pesquisadora: Você tem como dar algum exemplo? Professora 3: Um exemplo. então assim. em um lado.

que ele fica mais à vontade. o professor se desgasta muito em fazer isso. você começa até a valorizar mais. muito importante. desse momento que a criança escolhe. tem época que a gente cantava. na verdade. vários mistérios. já não é uma coisa que acontece todos os dias. que ele faz a vontade dele. eles curtiram muito. eu tava lendo que assim. os pais também. isso não acontece todos os dias. eu trouxe vários livros. Agora. que ele organiza. aquilo e tudo muito dirigido. características sobre vários animais. você pediu um exemplo. muito. Um exemplo. Por quê? Porque nós estamos às vésperas de uma mostra cultural. O nome do nosso projeto era fundo do mar e assim. tava falando assim que. não sei como vocês denominam essa parte assim de ciências naturais. nós assistimos filme. eles estão gostando muito. desse momento livre. nós passamos por várias etapas. E assim. tesoura. pra ele poder se interar mais à vontade com os outros. trabalhando mais uma do que a outra. eu acho importante trabalhar todas elas. você tem conseguido desenvolver essas múltiplas linguagens da educação infantil com os alunos? Professora 3: Olha.. Música. Em relação às linguagens. no colar. o professor precisa ter mais tempo dessa interação. cola. as crianças trouxeram. numa determinada época do ano. muito. Apesar de sempre. só que tem um momento que a gente acaba priorizando mais uma do que a outra. A gente tem que tomar muito cuidado. conta os pontos e faz isso com palitinho. Pesquisadora: Nesse momento você falou que ta fixado mais as atividades na arte.. dos animais. as crianças estão bem envolvidas. quando eu tava lendo isso. Só que assim. Matemática : tem época que a gente trabalha mais. só que tem época que eu acabo priorizando mais uma do que outra. Menos dirigido. mais livre também pra ele poder brincar. às vezes. E assim. você acaba. O ideal seria todas serem priorizadas sempre. trouxe filme. é um momento que ele se expressa – a brincadeira simbólica é muito importante. por exemplo. enfim. por um motivo ou outro. Valorizar a hora que ele ta ali brincando e observar e ver que. eu trabalhei muito estória. todos os dias.. Então assim. Aí eu tava pensando assim: é. que eu não sabia. trabalha boliche. muito. Só que assim. colocava som. alguns mistérios do fundo do mar. é muito bom. mas assim. trabalho todas elas. tem época que eu conseguia contar histórias todos os dias. Qual é o motivo? Professora 3: Na arte e também. Muito obrigada. é muito bom. a gente passou por momento de pesquisa. Assim. Então. como que eu posso dizer.143 se conhecem melhor. essa e outras questões. eles até falaram em casa para os pais. na verdade esse projeto que eu to desenvolvendo. entendeu? Que é importante mais momentos assim que não sejam direcionados pelo professor do que momentos dirigidos pelo professor. Coisas que até eu descobri. eles comentaram muito que as crianças falam muito sobre várias coisas que eles estão aprendendo do fundo do mar. estar revendo sua prática porque. tem época que você percebe que. o professor se desgasta tanto querendo direcionar muito. uma coisa que deveria acontecer todos os dias. agora? É que tem época também que a gente deixa de lado. acontece. mas tem época que você acaba deixando um pouquinho de lado. mais à vontade. as linguagens é assim. tem coisas que a gente faz mesmo. Eu acredito que eu trabalho todas as linguagens. pesquisamos nos livros várias características. Então assim. Eu tenho na minha rotina um momento dirigido e um momento que a criança fica. cantava. Eu fiz oficina com os pais. Então assim. nós estamos desenvolvendo desde o final do semestre passado. O que ta acontecendo todos os dias. trouxe CD também. às vezes. Pesquisadora: Muito bem. Por isso é importante o registro. No momento. Teve criança que falou . Só que assim.. dançava. realmente. nas últimas duas reuniões de pais. Muita atividade artística: tinta. Às vezes.

o que a gente faz de diferente? A linguagem pra uma criança de três anos é diferente. todos do fundo do mar. e teve também o momento de várias atividades artísticas que a gente veio fazendo no decorrer do ano. Assim. Como vocês têm se organizado? Vocês têm discutido isso nos grupos em relação à material. pra falar a verdade. ta na semana da mostra. pra fazer a verdade. a gente acabou priorizando mais nesses últimos dias essa questão artística mesmo. muito. trabalhos que os pais fizeram também na nossa oficina. não ta estruturado pra receber essas crianças. que vieram de CEI.144 que queria morar no fundo do mar. Porque do mesmo jeito que essa sala que recebe essas crianças. Entendeu? Não tem muita diferença de uma sala pra outra. Assim. recebe também as crianças de cinco. em relação ao mobiliário? Como que isso tem ocorrido na rotina de vocês? Professora 3: Olha. o ano passado eu peguei um primeiro estágio na outra escola que eu trabalhava. o seu jeito de falar tem que ser diferente. Em relação ao ensino fundamental de nove anos. se tivesse feito antes não teria onde colocar. Aí assim. Eu sabia que era difícil o primeiro estágio. principalmente no começo do ano. Que é um grupo muito grande pra você ali. do mesmo jeito que é a sala de primeiro estágio. é uma coisa que chega a ser quase desumano. eu sofri demais. eu não percebi assim mudança pra receber essas crianças. Nessa escola aqui eu nunca peguei primeiro estágio. na minha opinião não ta preparado. Essas coisinhas tem que ser perto mesmo. por exemplo. mas eu não sabia que era tão difícil como foi comigo quando eu peguei. Aliás. terceiro estágio. não é só agora. tudo. trabalhos de meses já. que a gente chama de segundo. outra realidade. muito. eu vou falar um pouco da minha experiência. eles são muito dependentes. Eu acho que eu vou demorar um pouquinho pra ter coragem de pegar o primeiro estágio de novo. demais. as crianças que ainda vão completar quatro anos. por conta disso. a pesquisa. brincamos com alguns joguinhos que tinha nesse CD. vocês estão recebendo crianças de quatro anos a completar. tem um mês que completou. era duas educadoras por turma. Pesquisadora: Nem a rotina é diferente? Professora 3: A rotina é um pouco diferente. criança que tem quatro e vai fazer cinco. Pesquisadora: Muito bem. Mas é que agora a gente está no final. a gente passou por esse momento da pesquisa. Então assim. que são vários trabalhos que eles fizeram. Assim. que completaram 3 anos no final do ano. a finalização de algum trabalho. Então. Teve a leitura. a gente olhou também na sala de informática. algumas coisas tem que ser mais próximas mesmo. aí vem pra EMEI. não é assim uma diferença tão grande. tem coisas que é difícil até de guardar. na última reunião de pais. que o fundo do mar é lindo. era um número bem menor. a realidade é outra. Porque eu já tinha trabalhando com essa faixa de idade de alunos em creche. Foi uma experiência até um pouco traumática. É muito difícil. Mesmo aqueles que já vieram de alguma escola. você sozinha. dessa semana de mostra cultural. Agora nós estamos finalizando alguns trabalhos. vai fazer seis. de seis anos. Agora. Na EMEI você com 35 alunos. Eu trouxe também CD Room. Pesquisadora: É um projeto maior? Professora 3: Isso. até o seu jeito de cantar. de aplicar uma atividade. um grupinho . de segundo pra terceiro estágio. Então assim. Criança de cinco pra seis anos. A gente fez cada cartaz enorme. primeiro estágio é muito diferente. Tudo você tem que fazer um certo malabarismo pra chamar a atenção deles né. foi uma dificuldade arrumar o tamanho da lousa.

Eu acho que as perguntas estão bem legais e bem assim. eu sou muito ansiosa. E ainda nessa turma que eu peguei experiência foi mais difícil ainda porque era um grupo bem agitado. Então assim. não dá. Eu acho que a escola está longe de estar preparada pra essa idade de aluno. É exaustivo. Tem coisa que eu consigo. dentro dessa minha opção o mais difícil é isso – o cansaço. professora de educação infantil. o jeito de falar com eles tem que ser diferente. uma turma de intermediário já é difícil por essas questões que eu falei. você tem que falar de um jeitinho especial com eles. da roupa. Então assim. e assim. realmente não ta preparada a escola. muito preocupada. Eles misturam as coisas deles com as coisas das outras crianças. eu acho sofrido pra eles e sofrido para o professor. cadeira. eu quero agradecer a sua participação na pesquisa. não são tudo flores. mas reduzir a quantidade de aluno. Tem muita criança que faz ali na roupa mesmo. da minha profissão. Professora 3: Obrigada você também. de abordar nesse momento? Professora 3: Eu acho que eu já falei bem geral assim. tem que ensinar muito tudo. Isso eu sinto muito.. pouquinho tempo da rotina. ele não pára e vai. eu sou muito ansiosa. eles sugam o tempo todo. Da experiência que eu tive. de ver que eles estão aprendendo. apesar disso é muito gostoso. Muita criança. é muito difícil com essa quantidade de criança. a gente passa muita dor de cabeça. Até a linguagem que você usa. vários assuntos. Eu me cobro muito ainda. é isso. eles não têm ainda aquela noção de . mais opções de atividades livres. Eles são muito novinhos. Inclusive hoje me falaram que eu preciso respirar. Eles solicitam a gente o tempo todo. a garganta. Eu gosto muito do meu trabalho.Gente. Pesquisadora: Professora você tem algo pra comentar sobre a educação infantil. Então a dificuldade maior é essa. tinha muita criança com problema assim de agressividade. isso seria interessante sim. Mas assim. Então assim. Tem muita criança que não tem. E assim. Então foi muito difícil. principalmente a voz. pra cuidar do material também é muito difícil. eu vejo assim.145 menorzinho. tem coisa que eu não consigo. Eu me preocupo muito com os alunos. E assim. eu estou satisfeita com o meu trabalho e com a minha profissão. gosto de ser professora. eles têm uma certa dependência de você. tem que ajudar. Porque assim. eu quero fazer tudo assim. Mas assim. E assim. Eles sentem vontade ir no banheiro. sua prática? Qualquer coisa que você gostaria de comentar. eu também peguei uma turma bem difícil. talvez um horário de parque diferenciado. é o cansaço. Pesquisadora: Bom. em especial. principalmente fora da sala. eles são muito novinhos. devo dizer que claro. tanto o que ele traz na mochila ou mesmo o material coletivo.. A gente cria um vinculo muito grande e é um trabalho muito humano e eu estou feliz. eu gosto de estar acompanhando. que eles estão se socializando bem com os outros. E assim. é cansativo também. ainda mais com duas turmas. ta muito longe. fica cansada. não dá. bem legal. Não.que é uma opção minha também né. É muito difícil. do material. eu posso dizer que é sofrido porque eu vivi essa experiência. sobre a sua profissão. eu nem sei se cabe dizer. foi de grande valia para a pesquisa e muito obrigada. Eu tenho a dizer que eu gosto muito do meu trabalho. Todo dia à noite eu não consigo nem falar mais quase. E assim. É muito difícil. E assim. muitas horas de trabalho. . e tudo. que eles estão se sentindo bem. É muita coisa. essa coisa de mesa.Cuidar das coisinhas dele. querem a gente o tempo todo. Acho que tinha que ter assim mais brinquedos.

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