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UNIVERSIDADE CIDADE DE SÃO PAULO PROGRAMA DE MESTRADO EM EDUCAÇÃO

Elaine Cristina Marena Andrade

OS INSTRUMENTOS DO COORDENADOR PEDAGÓGICO PARA COORDENAR A FORMAÇÃO CONTINUADA DOS PROFESSORES NA UNIDADE ESCOLAR: “O PROJETO ESPECIAL DE AÇÃO” E “O PROGRAMA A REDE EM REDE: A FORMAÇÃO CONTINUADA NA EDUCAÇÃO INFANTIL” NO MUNICÍPIO DE SÃO PAULO

São Paulo 2010

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Elaine Cristina Marena Andrade

OS INSTRUMENTOS DO COORDENADOR PEDAGÓGICO PARA COORDENAR A FORMAÇÃO CONTINUADA DOS PROFESSORES NA UNIDADE ESCOLAR: “O PROJETO ESPECIAL DE AÇÃO” E “O PROGRAMA A REDE EM REDE: A FORMAÇÃO CONTINUADA NA EDUCAÇÃO INFANTIL” NO MUNICÍPIO DE SÃO PAULO

Dissertação apresentada ao Programa de Mestrado em Educação da Universidade Cidade de São Paulo, como requisito exigido para a obtenção do título de Mestre.

São Paulo 2010

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Elaine Cristina Marena Andrade

OS INSTRUMENTOS DO COORDENADOR PEDAGÓGICO PARA COORDENAR A FORMAÇÃO CONTINUADA DOS PROFESSORES NA UNIDADE ESCOLAR: “O PROJETO ESPECIAL DE AÇÃO” E “O PROGRAMA A REDE EM REDE: A FORMAÇÃO CONTINUADA NA EDUCAÇÃO INFANTIL” NO MUNICÍPIO DE SÃO PAULO

Dissertação apresentada ao Programa de Mestrado em Educação da Universidade Cidade de São Paulo, como requisito exigido para a obtenção do título de Mestre.

Área de concentração: Data da defesa: Resultado:_______________________________________________

BANCA EXAMINADORA:
Prof. Dr. João Gualberto de Carvalho Meneses Universidade Cidade de São Paulo Prof. Dr. Jair Militão da Silva Universidade Cidade de São Paulo Prof. Dr. João Pedro da Fonseca Universidade de São Paulo __________________________________

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os .4 DEDICATÓRIA Dedico a dissertação a todos protagonistas da Educação Infantil.

Adriano da Costa Andrade Aos meus pais .Hatsue Ito Ao Profº Ms Arnaldo Ribeiro dos Santos A Profª Ângela Maria Duarte Azadinho A toda equipe da EMEI Carmen Miranda A toda equipe do CEU São Rafael Ao Daniel de Souza Janate Aos meus colegas e secretárias do Mestrado em Educação.UNICID Aos Professores Doutores do Programa de Pós-graduação (Strictu-Sensu).Letícia Beloto A Diretora Regional de São Mateus .5 AGRADECIMENTOS Agradeço aos ANJOS por fazerem parte de mais uma caminhada acadêmica de minha vida: Ao meu esposo .Oswaldo Armelindo Marena e Zilda Andrade Marena Ao meu irmão – Hebert Alexandre Marena A minha sobrinha. E principalmente a DEUS pelo o dom da vida e por enviá-los a me ajudar a superar as dificuldades e conquistar mais uma etapa acadêmica.meu amado Orientador Aos membros da Banca Examinadora da minha dissertação. .UNICID Ao Profº Drº João Gualberto de Carvalho Meneses.

e dá mais lucro que ouro”. Provérbios 3:13. porque a sabedoria vale mais do que a prata. .6 “Feliz o homem que encontrou sabedoria e alcançou entendimento.

que transforma e é transformado pelo outro. aplicação de questionário para 21 professores e 02 gestores e a abordagem qualitativa. com a participação de 03 professores e análise documental. propostas pela Prefeitura Municipal de São Paulo. Os novos conhecimentos pedagógicos poderão fazer parte da prática docente quando forem articulados com as reais necessidades e desejos dos professores. na prática docente. entrevista semiestrutural.7 RESUMO Um grande avanço das políticas públicas no Brasil foi considerar a educação infantil (0 a 5 anos) como primeira etapa da educação básica e incluir as antigas creches no sistema municipal de educação. tratando assim o cuidar e educar como conceitos indissociáveis. o Coordenador Pedagógico terá maior proximidade das ações pedagógicas do professor. Nesse contexto. surgiu a preocupação com a formação dos professores que atuam na educação infantil e. dentre muitas questões. Isto poderá contribuir para o avanço da prática docente. complexo. necessidades pedagógicas. com decisões próprias. assim como os momentos de acompanhamento de formação continuada. Com este avanço. enfim terá a oportunidade de realizar uma intervenção individual. na Educação Infantil. . das dúvidas. inquietações. uma de grande relevância: como a formação continuada dos docentes da Educação Infantil tem contribuído para a atualização da prática pedagógica? Os objetivos da pesquisa são analisar a atuação do projeto e programa educacional no cotidiano escolar. O Coordenador Pedagógico precisa considerar que o professor é um ser único. das intenções das políticas de formação de professores. em horários coletivos. Os procedimentos metodológicos são a abordagem quantitativa. no período de 2005 a 2008 da unidade escolar. a necessidade da elaboração de programas de políticas públicas para a formação docente. Palavras-Chave: Políticas Públicas de Educação. e analisar a avaliação dos professores sobre as políticas de formação docente. Formação Docente. O importante é garantir que o Coordenador Pedagógico tenha momentos destinados para o acompanhamento da prática docente. Educação Infantil. o fazer docente no cotidiano escolar da Educação Infantil e encontrei. também. passei a observar o Projeto Especial de Ação e o Programa a Rede em rede: formação continuada na Educação Infantil. identificar a presença. Neste sentido.

at collective times. that transforms and is transformed by others. This may contribute to the advance of teaching. among many issues. complex. With this advance. In this context. in due to identify the presence. Early Childhood Education. over the period from 2005 to 2008 of the school unit. apperead the concern about the training of teachers working in early childhood education and. will have the opportunity to perform an individual intervention. semi-structural interview. of the policies for teacher education intentions. the work of teachers daily in early childhood education and I found. with his own decisions. Therefore. The methodological procedures are quantitative approach. one of great importance: how the continued formation of teachers of early childhood education has contributed to the updating of the pedagogical practice? The objectives of this research are to analyze the performance of both the project and educational program in the school routine. Teacher Education.8 ABSTRACT A major advance of the public policies in Brazil was to consider the early childhood education (0 to 5 yeas) as the first stage of basic education. in the teaching practice. this way treating the care and education as inseperable concepts. doubts. the academic coordinator will have greater proximity of the teacher's pedagogical actions. concerns. questionnaire to 21 teachers and 02 administrators. proposed by the Municipality of São Paulo. The new pedagogical knowledge may become a part of the teaching practice when they become articulated with the real needs and desires of teachers. in Kindergarten. I started to observe the network of the Special Action Project and the Network Project: continued formation in kindergarten. Keywords: Public Policy Education. educational needs. The important issue is to ensure that the Academic Coordinator has moments destined to follow the teaching practice. also. and qualitative approach. in other words. with the participation of 03 teachers and documentary analysis. and include day care centers in the municipal sistem of education. The Pedagogical Coordinator needs to consider that the teacher is unique. . and to analyze the teacher evaluation on teacher education policies. as well as the moments of tracking continuing education. the necessity of developing public policy programs for teacher training.

9 LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS ADI ATE CEI CME DOT DOT-EI DOT-P DRE EMEF EMEI INEP JB JBD JEIF JEX LDB MEC PEA PMSP PP SEEC SME TEX Auxiliar de Desenvolvimento Infantil Assistente Técnico Educacional Centro de Educação Infantil Conselho Municipal de Educação Diretoria de Orientação Técnica Diretoria de Orientação Técnica de Educação Infantil Diretoria de Orientação Técnica Pedagógica Diretoria Regional de Educação Escola Municipal de Educação Fundamental Escola Municipal de Educação Infantil Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Jornada Básica Jornada Básica do Docente Jornada Especial Integral de Formação Jornada Especial de Hora Aula Excedente Lei de Diretrizes e Bases Ministério da Educação Projeto Especial de Ação Prefeitura Municipal de São Paulo Projeto Pedagógico Secretaria Estadual da Cultura Secretaria Municipal de Educação Jornada Especial de Trabalho Excedente .

...................................... 52  4..................................................................5 O “Projeto Especial de Ação”...............................................................19  2...74  4.....................................................................................1 Problema da pesquisa .....................................18  2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA..41  2...........................................................................................................16  1................................................................................................4 Relevância da pesquisa.............18  1....................................... REFERÊNCIAS .. 7  ABSTRACT ....................no Município de São Paulo.........................................................................................................1 Objetivo geral ..16  1............................ 8  1.......................................................................................................................................................10 SUMÁRIO RESUMO.......................3 Instrumento de pesquisa qualitativa: entrevista semi-estrutural....... 108  ........................................17  1...................................................... 49  4 ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DOS DADOS COLETADOS ........................................2 Hipóteses da pesquisa..........................................................................52  4...............................................................................................................4 O “Programa A Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil”...........................................................31  2......................................................3 Objetivos...................................3 A implantação do “Projeto Especial de Ação” e do “Programa: A Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil”............................17  1....................................................................23  2...................................2 Instrumento de pesquisa quantitativa: Questionário-Gestores .2 A formação continuada dos docentes da infância .....2 Objetivos específicos..3....3....................................................................Docentes .............................................................................................................  INTRODUÇÃO......................................................1 Instrumento de pesquisa quantitativa: Questionário ....6 Os dilemas do Ensino Fundamental de 9 anos e o Cuidar e Educar na Educação Infantil 44  3 METODOGIA DA PESQUISA.....................................................28  2..1 O perfil dos profissionais docentes da infância .........................5 Estrutura do Trabalho ............ 19  2.................. 104  6...........................79  5 CONSIDERAÇÕES FINAIS................................17  1.......................... 11  1...............

lecionei por 3 anos consecutivos. da Prefeitura Municipal de São Paulo. então. assumi o cargo de Coordenador Pedagógico atuando na formação continuada de professores e tive o privilégio de continuar atuando nesse cargo. estava sendo convocada a tomar posse do meu segundo cargo de Profº Titular de Educação Infantil e exonerando-me do cargo de Profº Adjunto de Ensino Fundamental I. formulei questões sobre a formação continuada dos docentes. enquanto exercia o cargo de professora (19972005) tinha preocupações com a sala de aula. atuando integralmente na Educação Infantil. tendo que me despedir do meu primeiro emprego. no Centro de Educação Infantil. fui convocada a tomar posse dos cargos citados. Essa experiência despertou meu interesse maior pela Educação Infantil e. Após ter sido aprovada e classificada no concurso público realizado pela Prefeitura Municipal de São Paulo (PMSP). “Projeto Especial de Ação” e o “Programa A Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil” que surgiram dúvidas as quais me dispus a pesquisar. Quando assumi o cargo de Coordenador Pedagógico. Na minha carreira de magistério. o meu ingresso na carreira do magistério. alunos e pais. INTRODUÇÃO Ao término do último ano do curso de magistério. no ano seguinte. Nessa unidade escolar.CEI. recebi um convite para lecionar numa escola particular da Zona Leste de São Paulo. nos cargos de Profº Titular de Educação Infantil e Profº Adjunto de Ensino Fundamental I. então. em 2000. as atribuições do Coordenador Pedagógico são: . ingressei na PMSP.11 1. Foi neste contato direto com a formação de professores. Iniciava. em 2006. atuando na formação de crianças de 4 a 10 anos de idade. De acordo com o edital do concurso público (2009) referente ao cargo de acesso do Coordenador Pedagógico. Então. para crianças de 4 a 6 anos de idade. durante o novo percurso. especificamente na região de São Mateus. na modalidade Educação Infantil. Alguns anos mais tarde. caminhei em direção a mais um concurso. Em meados de 2002.

O Projeto Pedagógico foi previsto na LDB. O PEA deve estar articulado com os Projetos e Programas que compõem a Política Educacional da Secretaria Municipal de Educação (SME).P descreve sua história. O planejamento das ações do horário coletivo de formação docente também são atribuições do Coordenador Pedagógico.Coordenar a elaboração. implementação e avaliação do Projeto Pedagógico da Unidade Educacional. Essa implementação se dá por meio da formação continuada. Entende-se por autonomia da escola quando: “Ela concebe sua proposta pedagógica ou projeto pedagógico e tem autonomia para executá-lo e avaliá-lo ao assumir uma nova atitude de liderança. enfim constrói sua própria identidade. bem como do acompanhamento da aprendizagem dos alunos (avanços. dificuldades. o Projeto Pedagógico tem a finalidade de dar autonomia às unidades escolares. (Fundação Carlos Chagas. define as necessidades pedagógicas. Assim. nos horários coletivos de professores. os métodos de ensino-aprendizagem e avaliação. segundo o edital da Fundação Carlos Chagas (2009). sendo ambos objetos de acompanhamento e avaliação dos profissionais de educação nos horários coletivos de formação. as modalidades e turnos em funcionamento. 9. de acordo com o edital da Fundação Carlos Chagas (2009): . respeitadas as normas comuns e as do seu sistema de ensino. execução e avaliação do Projeto Pedagógico (P. Cada escola por meio do P. também. visando a melhoria da qualidade da educação. 2003. a escola tem a autonomia para refletir sobre sua intencionalidade educativa. 2009) O Coordenador Pedagógico precisa coordenar as etapas de elaboração. no art. p.12. etc)”. inciso XV: “Promover a implementação dos Programas e Projetos da SME por meio da formação dos professores da Unidade Educacional.394/96.P com o “Projeto Especial de Ação” (PEA). coordenado pelo Coordenador Pedagógico. Lei n.12 I. necessidades específicas.P). em consonância com as diretrizes educacionais do município. (Veiga. tendo em vista os desafios do cotidiano escolar. Neste sentido. que junto com a equipe escolar elabora-o de acordo com as prioridades da escola.15) O “Projeto Especial de Ação” é. inciso I: “os estabelecimentos de ensino. no sentido de refletir sobre as finalidades sociopolíticas e culturais da escola”. caracteriza a comunidade local. terão a incumbência de elaborar e executar sua proposta pedagógica. além de articular o P. tendo como instrumento o “Projeto Especial de Ação”.

Acompanhar e avaliar junto com a equipe docente o processo contínuo de avaliação. estratégias de formação. com o objetivo de discutir.. VI. 2009) Uma das propostas do “Programa A Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil” é o registro reflexivo. compreender e aperfeiçoar as práticas pedagógicas. Ele tem que tematizar com o grupo de professores algumas práticas culturais que se espera que as crianças tenham acesso diariamente na escola: . bem como na organização e remanejamento de educandos em turmas e grupos. registro e problematização da prática pedagógica. nas diferentes atividades e componentes curriculares.13 II. garantindo a consonância com as diretrizes curriculares da SME. Além disso. precisa refletir sobre as práticas culturais do cotidiano da unidade escolar. O documento A Rede em rede: a formação continuada na Educação Infantil (2007) traz subsídio ao Coordenador Pedagógico quanto às estratégias de formação por meio de instrumentos metodológicos como observação. o Coordenador Pedagógico.Elaborar o plano de trabalho da Coordenação Pedagógica indicando metas. III. acompanhamento e avaliação dos impactos da formação continuada e cronograma de reuniões com a Equipe Docente para Gestão Pedagógica da U. segundo o documento acima.Planejar ações para a garantia do trabalho coletivo docente e para a promoção da integração dos profissionais que compõem a Equipe Técnica da Unidade Educacional.Desenvolver estudos e pesquisas que permitam ressignificar e atualizar as práticas pedagógicas em busca de adequá-las a necessidades de aprendizagens dos alunos. Esta metodologia de formação possibilita que o professor apreenda um episódio e registra-o. XII. bem como garantir os registros do processo pedagógico.E. depois o Coordenador Pedagógico junto ao professor elaboram perguntas a partir do episódio observado. VIII.Coordenar a elaboração e implementação dos Planos de Ensino dos professores.Participar da elaboração de critérios de avaliação e acompanhamento das atividades pedagógicas desenvolvidas na Unidade Educacional. O acompanhamento e avaliação das atividades pedagógicas são atribuições permanentes do Coordenador Pedagógico: VII. (Fundação Carlos Chagas.

Para isso.( A Rede em rede: a formação continuada na Educação Infantil. como um contexto que deve visar a criação. não criativa. tinta e lápis. enfim com tudo que está ao redor. p. Neste sentido. 4. Desenhar ou pintar. Para Oliveira (2005. Eles conhecem apenas o modelo de organização do ambiente para ações centradas no professor e por ele controladas e acreditam que elas têm maior resultado pedagógico. 2. nesse caso. decidir e significar a prática pedagógica. Participar de situações comunicativas e conversas em grupo. significar as práticas sociais. compartilhar a construção de sentido sobre o que se lê. A criança necessita vivenciar situações. 17) Quando o professor utiliza o método tradicional para ensinar as crianças. Ouvir boas leituras. Portanto.. p. 3. observa-se a dificuldade dos professores em atualizar a prática pedagógica: Muitos educadores que trabalham com crianças pequenas costumam valorizar ações copiadas de modelos escolares tradicionais nas tarefas cotidianas que lhes propõem: atividades dirigidas usando apenas papel. 6. decidir e significar a situação didática. que desconhecem outras formas mais adequadas de organizar situações de vivência.14 1. 5. Ouvir músicas. Ler e escrever o nome próprio quando necessário. . p. 2007. Participar de situações de teatro. ele oferece pouca oportunidade da criança de vivenciar esses momentos lúdicos e significativos de aprendizagem na Educação Infantil. Nem sempre essa criação é possibilitada e. com os adultos. 2007. A concepção descrita corresponde a fragmentos de um modelo de educação escolar construído no passado para orientar o ensino de crianças mais velhas e de adolescentes. Ela persiste no imaginário e orienta a prática de muitos professores. disposto a ajudá-la a interagir com o ambiente. pelo sujeito de um zona de desenvolvimento proximal que promove aprendizagens que revolucionem sua forma de agir. conta com o professor. 224): A formação docente pode ser compreendida. com os colegas. (A Rede em rede: a formação continuada na Educação Infantil. não respondendo a singularidade de cada situação educativa em uma sociedade em permanente mudança.). usando uma linguagem Vigotskiana.. há necessidade de dar condições ao professor de agir. o sujeito esconde-se atrás da repetição de formas de atuação docente por ele vivenciadas. aprendizagem e desenvolvimento para as crianças pequenas (. repetindo modelos de forma não espontânea. 34) O professor deve evitar organizar as ações pedagógicas de acordo com modelo tradicional que reforça o papel do professor como centralizador do conhecimento.

por meio da técnica de questionário. como pesquisador. a pesquisa. ir além dos discursos aprimorados e aprimorar a prática pedagógica problematizando as questões do cotidiano escolar. o professor discute e questiona a teoria da educação. o professor precisa sentir-se pertencente ao grupo de formação continuada e construir conhecimento enquanto pesquisador da prática pedagógica.15 O professor precisa planejar ações pedagógicas que ofereçam a criança experiências significativas sempre integrando o que ela já sabe com aquilo que é novo para ela. abordagem . ou seja. p. Pensar em uma sociedade em constante mudança é pensar na necessidade da renovação das práticas pedagógicas. O objetivo desta pesquisa é analisar a atuação do “Projeto Especial de Ação” e do “Programa A Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil” e os fatores que dificultam e facilitam o avanço da prática pedagógica.32). As experiências. De acordo com Freire (1997. me deparei com a seguinte questão: o que é necessário para os docentes renovarem a prática pedagógica? Segundo Abianna (2009). Para realizar a coleta dos dados. Faz parte da natureza da prática docente a indagação. porque professor. mas a prática permanece quase intocável. Porém. discursos aprimoram-se. o comportamento das crianças vem se transformando e o cenário educativo se renovando a cada dia. ou seja. faz parte da natureza do professor a participação ativa no processo de formação docente: No meu entender. em sua formação permanente. utilizarei a abordagem quantitativa. O professor deve se colocar como protagonista da própria formação docente. reflete sobre elas e sobre as formas de aprender e de ensinar. saberes e interesses infantis são ponto de partida para a aquisição de novos conhecimentos. percebe-se que essa realidade parece estar distanciada da prática. A criança precisa vivenciar situações que lhe despertem o interesse frente ao inexplorado e ao desconhecido. O de que se precisa é que. o que há de pesquisador no professor não é uma qualidade ou uma forma de ser ou atuar que se acrescenta à de ensinar. Nos últimos dez anos. Enfim. o professor se perceba e se assuma. Como Coordenadora Pedagógica. a busca. vivências.

• pedagógica. pois não se pode tratar de tudo ao mesmo tempo e sob os mais diversos aspectos”.. As hipóteses da pesquisa são: • há um distanciamento entre a teoria do “Projeto Especial de Ação” e do “Programa A Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil” e a prática pedagógica. 127) definem o problema como “um enunciado explicativo de forma clara. apresenta-se o problema da pesquisa: Como a formação continuada dos docentes da Educação Infantil tem contribuído para a atualização da prática pedagógica? 1. p. p.1 Problema da pesquisa Para Cervo. 1. por meio da técnica da entrevista semi-estrutural.2 Hipóteses da pesquisa Severino (2002. Bervian e Silva (2007.. o professor de Educação Infantil apresenta dificuldade em renovar a prática . ou hipótese geral. é a idéia central que o trabalho se propõe demonstrar”. para a qual se deve encontrar uma solução”. 184) define: “os limites da problematização devem ser determinados.75) o problema da pesquisa “é uma questão que envolve intrinsecamente uma dificuldade teórica ou prática. 161) relata: “(. Marconi e Lakatos (2003. Severino (2002.16 qualitativa. p. cujo melhor modo de solução ou é uma pesquisa ou pode ser resolvido por meio científico”. análise documental da unidade escolar pesquisada e pesquisa de campo. p. Diante dessa narrativa.) o autor deve enunciar suas hipóteses: a tese propriamente dita. compreensível e operacional.

. d) Identificar os fatores que dificultam e/ou facilitam os avanços da prática docente. nos últimos quatro anos. 1. Beuren (2006. na prática docente.3.3 Objetivos Objetivos são metas ou alvos a serem alcançados. das intenções das políticas de formação de professores (coerência: teórica / prática). Essa estratégia permite maior clareza ao pesquisador e contribui na organização e realização do trabalho de pesquisa. na prática docente.2 Objetivos específicos a) Identificar a presença. Em função do exposto. sua clara definição orienta o trabalho do pesquisador e permite obter melhores resultados. o objetivo geral e os específicos para esta pesquisa são apresentados a seguir. c) Analisar a avaliação dos professores sobre o “Projeto Especial de Ação”. SCHINDLER.17 1.3. b) Analisar o conhecimento dos professores em relação ao “Projeto Especial de Ação” e ao “Programa A Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil”. Os objetivos são divididos em geral e específicos. Uma forma de estabelecer os objetivos é desdobrá-los em gerais e específicos (COOPER. e) Analisar a avaliação dos professores quanto aos momentos de formação continuada na unidade escolar. 65) classifica como objetivo geral aquele que “indica uma ação ampla do problema”. proposta pela unidade escolar e o “Programa A Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil”. e específica aquele que indica ações pormenores de um problema geral.1 Objetivo geral Analisar a atuação do “Projeto Especial de Ação” e do “Programa A Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil”. p. proposta pela Secretaria Municipal de Educação. 1. 2003).

além dos desafios cotidianos do Coordenador Pedagógico no papel de formador. análise e discussão dos resultados obtidos. da Prefeitura Municipal de São Paulo e a prática docente. a entrevista semi-estrutural e à pesquisa de campo. o objetivo geral e específico e a relevância da pesquisa.18 1. mediante pesquisa bibliográfica e documental. e a forma de aplicação do questionário. O capítulo 3 destina-se à fundamentação da metodologia adotada para desenvolver a pesquisa. O “Projeto” e o “Programa” muitas vezes não são compreendidos pelos professores por falta de uma comunicação satisfatória no decorrer do processo da formação continuada.5 Estrutura do Trabalho O capítulo 1 introduz o assunto e a contextualização sobre o tema. define a questão da pesquisa. O capítulo 5 é reservado para a apresentação das considerações finais da pesquisa. O capítulo 2 apresenta a fundamentação teórica que dará sustentação à pesquisa. . O capítulo 4 faz a apresentação do questionário e as entrevistas.   1.4 Relevância da pesquisa A pesquisa trará uma discussão sobre o “Projeto Especial de Ação” e o “Programa A Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil”. Em seguida.

entende-se por profissionalidade docente: “a ação profissional integrada que a pessoa da educadora desenvolve junto às crianças e famílias com base nos seus conhecimentos. p.1 O perfil dos profissionais docentes da infância Cada profissão requer dos profissionais conhecimentos específicos da área de atuação. 43). por seu campo de atuação se tratar de crianças pequenas. Essas necessidades e cuidados com as crianças. devido à sua tenra idade. que se diferencia dos demais professores da educação. aborda-se a especificidade da profissionalidade docente. cada vez mais. As educadoras de infância. sendo uma particularidade da educação. os profissionais docentes necessitam de uma formação inicial. emocional. específico e diferenciado. porém. Segundo Oliveira-Formosinho (2002. o conhecimento fica. Portanto. As crianças pequenas necessitam em sua rotina de cuidados específicos de higiene. a cada etapa da atuação profissional. social são acentuadas na literatura da área como um fato de diferenciação da profissão. Katz e Goffin (1990) Medina Revilla (1993) afirmam que essas vulnerabilidades física. As características dessas crianças traçam as especificidades desta profissão as quais vão além do conhecimento do desenvolvimento infantil.19 2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 2. Contudo. termo usado por Oliveira-Formosinho. . competências e sentimentos. limpeza e saúde. de acordo com a faixa etária das crianças a quem eles ensinarão. encontram uma diversidade de tarefas específicas. continuada diferenciada e específica. entre função pedagógica e função do cuidado. assim chamadas por Oliveira-Formosinho (2002). configuram uma vulnerabilidade dessa criança e esse fato faz com que os profissionais que trabalham com a faixa etária de crianças pequenas se diferenciem dos demais profissionais docentes. assumindo a dimensão moral da profissão”. Outro fator que diferencia os profissionais da Educação Infantil dos demais é a relação profunda entre o educar e cuidar. A profissão docente não é diferente.

Ambas as instituições de Educação Infantil cuidam e educam simultaneamente. Já educar a criança é criar condições para ela apropriar-se de formas de agir e de significações presentes em seu meio social. temos uma concepção de profissionalidade específica e diferenciada para as profissionais da infância. raciocínio e linguagem. olhares. 2006.20 Com a integração dos CEIs e EMEIs.) uma concepção de profissionalidade que requer integração de saberes. destacada por Oliveira-Formosinho (2002) é chamada de globalidade da educação da criança pequena. estímulo. A partir desta integração. Além disso. XX): “(. atenção. comunidade e outros protagonistas que atuam nesse campo” . p. desafio. formando um auto conceito positivo em relação a si mesma. de modo que ela satisfaça suas necessidades de diversos tipos e aprenda a fazê-lo de forma cada vez mais autônoma. integração de funções. motricidade. nos CEIs e EMEIs. os CEIs passaram a deixar de ser o local apenas de cuidar da criança e as EMEIs o local de educá-la. Conforme Oliveira-Formosinho (2000) apud Campos (2002. motricidade. formas estas que a levam a constituir-se como um sujeito histórico. atenção. tem-se a primeira etapa da Educação Básica chamada Educação Infantil. alargando consideravelmente as atividades do cotidiano e as responsabilidades. pais e responsáveis pelos menores. o desafio que se propõe a Educação Infantil é de redefinir o conceito de cuidar e educar: Cuidar da criança é uma ação complexa que envolve diferentes fazeres. as crianças pertencem a um contexto social e cultural que requerem dessas profissionais da infância uma integração de serviços: interação com psicólogos. raciocínio. Eles são inerentes ao cotidiano dos docentes da infância e devem ser planejados. mães. As crianças pequenas são vistas como um todo integrado (afetivo.. assistentes sociais. interações e interfaces com pais. precauções. Outra especificidade da profissão. Dessa forma. imaginação. Ao fazê-lo. Refere-se a planejar situações que ofereçam à criança acolhimento. p. social e cognitivo). imaginação. (Tempos e espaços para a infância e suas linguagens nos CEIs. a criança desenvolve sua afetividade. Hoje.. gestos. Creches e EMEIs da cidade de São Paulo.18-19) Os conceitos cuidar e educar precisam estar interligados nas ações desses profissionais da infância.

Para Schön (1990) & Zeichner (1993) formar o professor pesquisador significa garantir uma estrutura curricular que priorize a investigação. sem poder contar com parceiros mais experientes para realizar a “ponte” teoria e prática. otimizar. o professor na formação inicial se sente sozinho. há diferença entre pesquisa e prática reflexiva: a pesquisa cuida de fatos. Faz-se necessário que os estudantes se aproximem do cotidiano. sistemas educativos e de todos os aspectos da prática pedagógica para descrever e explicar e o professor reflexivo dirige o olhar para seu contexto imediato para compreender. 15). processos. é imprescindível que disciplinas pedagógicas e científicas estejam juntas no decorrer do curso superior e não hierarquicamente. sem vivenciar momentos de reflexões coletivas e individuais. Isso se faz necessário. ao qual pretende atuar e significá-lo. faça a correspondência entre a teoria e a prática pedagógica. Portanto. regular. os professores. tanto a prática reflexiva como a investigação desta prática reflexiva são exigências para atender ao novo perfil profissional. A pesquisa pedagógica só ocorre no ambiente natural da prática. é necessário o cenário da escola. .21 Além de toda particularidade da profissão dos educadores da infância. Desse modo. o que dificulta a reflexão e tematização da prática pedagógica. os alunos. De acordo com Perrenould (1999) as universidades ensinam teorias sobre métodos de pesquisa e não pesquisam a prática pedagógica. não no ambiente fechado da universidade.ordenar. privilegiando as disciplinas pedagógicas. Segundo Perrenould (1999. ou seja. Para que ocorra de fato a pesquisa. p. Para tanto. faz necessário destacar a importância desses educadores se tornarem verdadeiros pesquisadores de sua prática pedagógica. Isto causa empobrecimento na formação profissional. fazer evoluir uma prática particular vista de seu interior. pois não basta transmitir teoria e deixar que o aluno do ensino superior. Muitos acreditam que basta introduzir a prática reflexiva para garantir a pesquisa. Essa concepção de formação inicial é antiga e dificulta os profissionais da infância serem de fato pesquisadores da prática pedagógica. que está longe da prática. as famílias. além dos pesquisadores e seus instrumentos de pesquisa. devido à nova concepção de criança e infância. Vale expor que as críticas aos cursos superiores são pertinentes.

menciona que existem algumas estratégias a serem adotas para alcançar essa qualidade de educação: Entre as estratégias adotadas encontra-se a integração da formação inicial e continuada. 25) relatam: (.. colocando como ponte para ajudar o profissional a articular à teoria com a prática. dos materiais escolhidos. também. assim evitando lacunas pedagógicas. da rotina e do projeto pedagógico e a produção de registros com os porta-fólios. . a produzir conhecimento coletivamente e individualmente. passando pela formação continuada e alcançando a sala de aula..181). p. Laranjeira et al. Neste sentido. Assim. integrando um currículo articulado com a formação continuada do docente estabelecendo. ou seja. a Universidade poderá. possibilita a oferta de melhor qualidade de educação às crianças. Além disso. p. muito precisa ser feito para desraigar as antigas concepções de infância e de ensino superior. A integração da formação inicial com a formação continuada pode ser o caminho para tão esperada qualidade na educação infantil. (1999. enriquecer a formação inicial. Porém. Já Oliveira-Formosinho e Formosinho (2001) apud Kishimoto (2002. uso de instrumentos de observação para averiguar o envolvimento da criança e da família na atividade.) leva a afirmar a necessidade de transformar o modo como se dão os diferentes momentos da formação de professores (formação inicial e formação continuada). ambas de modo integrado. a análise da adequação do espaço físico. é necessário que o docente aprenda a estudar. pesquisar. O investimento na formação do profissional de educação infantil. refletindo e mudando o currículo. tanto na formação inicial como na formação continuada. acredita-se na diminuição da lacuna que surge desde a formação inicial. o empenho do profissional para dar suporte à criança. a parceria com a escola.22 Para viabilizar novo perfil profissional. então. integrando as diferentes instituições responsáveis em um plano comum. O ensino superior poderá contribuir para este desafio. para criar um sistema de desenvolvimento profissional.

o desenvolvimento profissional se dá em contextos não imediatos. baseada em Bronfenbrenner. sendo esse processo influenciado pelas inter-relações tanto entre os contextos mais imediatos quanto entre estes e os contextos mais vastos em que a educadora interage. a formação continuada não busca apenas reparar lacunas da formação inicial. mesossistema. ou seja. como por exemplo. com inspiração em Bronfenbrenner (1979). mas em um contexto que promova um conjunto de estruturas concêntricas.91): “entendemos que formação inicial e continuada seja um continuum”. O microssistema é o local que proporciona interação entre os indivíduos.. 51): Pode-se dizer. é a realidade vivencial do sujeito.) percebe o professor exercendo uma atividade multifacetada e complexa.. Nesta perspectiva. as quais a autora (2002). gestores e avaliadores de programas de formação. procura produzir a construção partilhada de saberes e práticas. mas sim favorecer a maior expansão do docente”. ou seja. Neste sentido. segundo OliveiraFormosinho (2002). que a ecologia do desenvolvimento profissional das educadoras envolve o estudo do processo de interação mútua e progressiva entre a educadora ativa e em crescimento e o ambiente em transformação em que ela está inserida. . exossisterma e macrossistema. mas construir conhecimento a partir da reflexão da prática pedagógica. a formação continuada precisa basear-se na perspectiva do desenvolvimento profissional do crescimento. das condições de aprendizagem e da cultura da escola. Furlanetto (2003. p. ela propõe uma formação em contexto e descreve como o docente se desenvolve ao longo da vida profissional por meio do modelo ecológico (2002. p. No modelo ecológico de aprendizagem profissional dos docentes. a escola. Diante disso.8) comenta: “(. O modelo de desenvolvimento profissional do crescimento. na investigação e reflexão contínua sobre a prática pedagógica. o professor é sujeito da formação e a avaliação das necessidades pedagógicas é realizada em conjunto: professores. p.23 2. trazendo conhecimento acerca da sala de aula. chama de microssistema. O mesossistema é o complexo mundo das inter-relações que a escola promove aos indivíduos em desenvolvimento. não busca reparar uma inadequação. Neste sentido.2 A formação continuada dos docentes da infância Segundo Bruno & Almeida (2008.

pois não se faz no isolamento. com a criança. 49): O desenvolvimento profissional é uma caminhada que envolve crescer. Para que as práticas pedagógicas docentes se atualizem e acompanhem as mudanças da sociedade. p. professores. sentir e agir. Nogueira (2005) vê a escola como um sistema hierárquico. sentir. salas de aulas.) para que haja uma mudança significativa num sistema que favoreça a prática de professores criativos. Ou seja. como o da criança. p. agir. Cultivar as disposições para ser. Assim relata Oliveira-Formosinho (2002. requer empenho. p. investigadores.24 uma rede de interações. formas de agir desses sujeitos que afetam as atividades e relações e interações aos níveis mais próximos do microssitema e do mesossitema. aponta para esses fatores dificultadores. no qual todos os protagonistas devem interagir para promover uma verdadeira mudança de prática dos professores. Ela (2005. 50). em contexto. Esses contextos precisam proporcionar a interação mútua entre os sujeitos em desenvolvimento. o contexto administrativo de funcionamento da escola. saber. ser.. baseando-se no modelo ecológico: . pois se observa que uma educadora da infância não se desenvolve isoladamente. Os exossitemas são arena de situações (contextos) que ocorrem nas inter-relações dos sujeitos em desenvolvimento. é um desafio que requer processos de sustentação e colaboração. por exemplo. é preciso que se provoque mudanças em toda a hierarquia do sistema. Envolve crescimento. Portanto. sustenta-se na interação do conhecimento e da paixão. Segundo Hargreaves (1992) e Furlan (1996) apud Oliveira-Formosinho (2002. valores. é preciso criar espaços de formação dentro do sistema que interajam entre si e que envolvam os diferentes níveis. hábitos. interessados. ambas as autoras concordam e reforçam a importância da interação de todos os protagonistas da escola no processo de desenvolvimento profissional dos docentes da infância. por exemplo. 220) menciona que: (.. O macrossistema refere-se às crenças. é necessário que se observem alguns fatores que podem dificultar o desenvolvimento profissional dos professores.

brinca de faz-de-conta. p. A natureza desse contexto pode fazer ou desfazer os esforços de desenvolvimento dos professores. (. na interação com o outro. manipula um brinquedo. Outro fator que se destaca a respeito do contexto de desenvolvimento profissional é o contexto que rompe com as forças endógenas da escola. conselho tutelar etc. redes de escolas..) ele refere-se ao fato de que o adulto é responsável pela sua própria educação. p. associações profissionais de professores. movimentos pedagógicos.. é uma prioridade entender a ecologia do desenvolvimento do professor. Neste sentido. O processo de desenvolvimento do professor depende muito do contexto em que tem lugar. que é necessário o Coordenador Pedagógico apoiar o professor durante a caminhada de aprendizagem e desenvolvimento profissional. Jung (1983) apud Furlanetto (2003.. sementes. parafraseando Kishimoto (2002).25 As sementes do desenvolvimento não crescerão se caírem em terreno pedregoso. Não se desenvolverá a reflexão crítica se não houver tempo e encorajamento para que se realize. assiste a um vídeo. Ao expandir-se no contato com o outro. A partir do momento em que se acredita que a criança aprende com o amplo ambiente educativo que a cerca e. mas deseja produzir cultura e faz isso a partir de seu próprio desenvolvimento. . assistentes sociais. será pouco provável que surjam processos de experimentação criativa. observa-se também que o professor se desenvolve profissionalmente. A troca de conhecimento desses órgãos com a escola é importante para o crescimento profissional dos docentes. é importante que a escola interatue com instituições de formação. ruminando os seus problemas. a unidade escolar pode estabelecer parcerias com a unidade básica de saúde do bairro em que está inserida. Assim. Além disso. explora areia. projetos de professores. conversa com amigos ou com seu professor.. Tem-se assim.) Se a inovação for imposta de fora por uma administração de mão pesada. transforma-se e transforma o outro. 15) menciona que: (. especialistas em educação. O verdadeiro adulto não se contenta em ser mero repetidor de cultura. quando a criança desenha. coleciona pedrinhas. Nesse sentido.) é essencial que a escola interatue com os contextos à sua volta. pinta ou observa uma flor. Oliveira-Formosinho (2002.20): (. ou seja... vale dizer que a escola não se encerra em si mesma. associações sindicais de professores.

assim descrito por Furlanetto (2003). emocionais. Essas matrizes pedagógicas começam ser geradas antes da formação inicial do professor. 2003. experiências e vivências que decorrem de escolhas pessoais. 2003.) quando planejamos trabalhos de formação. (Furlanetto. inquietações e necessidades pedagógicas do professor. vai sobrepondo-se a outras também não integradas. 2003. p. ambíguo e complexo gera durante a trajetória de vida matrizes pedagógicas. muitas vezes. como esses novos conhecimentos não estão articulados às suas necessidades e. no papel de formador precisa proporcionar momentos de interação entre os professores e considerar que cada professor é um ser único. na maioria das vezes. a seus desejos.25) O “professor interno”. quais recursos teóricos e metodológicos colocaremos à disposição dos professores. normalmente.26 O Coordenador Pedagógico. subjetivo com experiências pessoais únicas: As professoras e os professores parecem seguir um eixo próprio de formação incluindo. responsabilizamos os professores por resistirem à mudança. Oferecemos pacotes prontos e esperamos que os professores se apossem desses conhecimentos e os transformem em ações pedagógicas. uma base da qual emanavam suas ações pedagógicas que não representava somente a síntese de seus aprendizados teóricos. mas também de suas experiências culturais vividas a partir do lugar de quem aprende. p. multifacetado. Sendo assim. Observando a trajetória de alguns deles. como se escolhêssemos qual a próxima camada de tinta que eles deverão receber. onde se constela o arquétipo do Mestre-Aprendiz. podemos perceber que pareciam possuir um professor interno. Quando vemos isso acontecer. 58-59) . p. cognitivos e simbólicos vividos pelos sujeitos ao transitarem nos espaços intersubjetivos. Camada essa que. (Furlanetto. pensamos no que vamos acrescentar.32) Furlanetto (2003) considera a aprendizagem do adulto como processo individual e único. em seu processo. Entende-se por matrizes pedagógicas: As matrizes pedagógicas podem ser compreendidas como nichos. tendo a oportunidade de ajudá-lo a avançar na prática docente. são descartados. (Furlanetto. nos quais são gestados e guardados os registros sensoriais.. é que. Os novos conhecimentos se tornarão parte da prática pedagógica do docente se forem articulados com as reais necessidades pedagógicas e desejos do professor em formação: (. o Coordenador Pedagógico precisa compreender o professor como ser único e multifacetado no processo de formação e atentar para as dúvidas. muito menos. O que acontece..

ter-se-á pervertido e já não se estará educando. sendo o diálogo uma relação eu-tu. a partir de suas próprias referências. o pensar e o agir. se fazem críticos na procura de algo se produz uma relação de “empatia” entre ambos.) somente o diálogo comunica. nas relações que estabelecemos com o outro. Autenticidade: é a perspectiva de que. com esperança. Trata-se de uma atitude dialogal à qual os coordenadores devem converter-se para que façam realmente educação e não domesticação. Entende-se por empatia. Para isso. 2003.e não das nossas-. em vez de falar para.27 O Coordenador Pedagógico como formador. mas deformando. Dialogicidade: manifestação de nossa disponibilidade para falar com. Neste sentido. durante a formação continuada o professor precisa atuar como sujeito consciente do papel de educador. Só ali há comunicação”. a verdadeira comunicação. 92) Esses princípios precisam estar presentes durante a comunicação entre Coordenadores Pedagógicos e professores para o bom andamento de projetos e programas de formação continuada docente. .68) ensina que: “(.. Precisamente porque. Além disso. 2008. da autenticidade e da dialogicidade produzindo assim. E quando os dois pólos do diálogo se ligam assim. p. é necessariamente uma relação de dois sujeitos. a relação interpessoal entre Coordenador Pedagógico e professores precisa basear-se no princípio da empatia. na coerência entre o sentir. ao mesmo tempo em que valorizamos esse verdadeiramente ser na perspectiva do outro. p. precisa preocupar-se com as necessidades pedagógicas dos professores. com amor. (Freire.. além da preocupação em multiplicar teorias e técnicas de programas de formação. possamos ser fiéis a nós mesmos. possamos melhor compreendê-lo. Toda vez que se converte o “tu” desta relação em mero objeto. é a tentativa de “calçar os seus sapatos”. p.78-79) Freire (2003. é importante a relação dialogal entre professor e Coordenador Pedagógico: Referimos-nos ao diálogo. (Bruno & Almeida. na perspectiva de uma troca na qual é mister o comparecimento do ouvir ativo. autenticidade e dialogicidade: Empatia: exercício de colocarmo-nos no lugar do outro para que. com fé no próximo. do olhar sensível e do respeito à fala do outro.

propostas de trabalho e pessoas pouco qualificadas para realizar este cuidar. Jardins de Infância: destinados a educar crianças de três a seis anos. Casas de Infância: geralmente oferecidas por organizações filantrópicas com vistas a assistir crianças pobres. De acordo com Kishimoto (2001. ou seja. no entanto. Escolas Maternais: sugiram no contexto da industrialização. As mulheres que atuavam no mercado de trabalho passaram a exigir do Estado o atendimento a demanda de crianças na faixa etária abaixo de 7 anos. tendo como mantenedoras empresas. geralmente foram amparados pelas instâncias de natureza educativa. p. 225) seguem diferentes denominações das instituições destinadas ao atendimento à primeira infância: Creches: instituições que evoluem especialmente dentro do contexto da industrialização. os propósitos proclamados pelos governantes estavam muito distantes dos propósitos reais. destinadas a atender filhos de operários no início do século XX. 92): . urbanização e atendimento às mães trabalhadoras. surgiu à necessidade do atendimento integral para os filhos. filantropias. no âmbito da Educação Infantil ficavam em um segundo plano em detrimento da educação básica.28 2. como Departamentos ou Secretarias de Educação. Mesmo com tantas lutas. a determinação dessa Lei foi descumprida. as mulheres passaram a compor o quadro de funcionários das indústrias e. que atendia as crianças a partir dos 7 anos de idade. em conseqüência. houve uma proliferação de instituições com diferentes estruturas. O conceito dos propósitos proclamados e reais foi estabelecido por Teixeira (1962. Tais unidades infantis assumem diversas estruturas e funcionamento.3 A implantação do “Projeto Especial de Ação” e do “Programa: A Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil” Segundo Gonçalves (2004). Igreja e órgãos de assistência social. os propósitos proclamados. Nesse contexto. com a revolução industrial. As Leis do Trabalho (1943) previa a instalação de berçários nas empresas com mais de 30 mulheres empregadas. p.

propósitos educacionais.A partir de 23 de dezembro de 1999. Até então as instituições que acolhiam essas crianças tinham um papel principalmente assistencialista: nem tinham. que integrou as creches ao Sistema Municipal de Ensino. de 20 de dezembro de 1999. Essa concepção também apareceu no Estatuto da Criança e do Adolescente (1990) e na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (1996).29 (. na realidade. A Constituição Federal de 1988 reconheceu a educação de crianças de 0 a 6 anos em creches. foi publicação o Decreto n. Tal mudança na Lei provoca a necessidade da formação de professores de creche. Segundo Meneses (2005. com o Ensino Fundamental de nove anos. correspondente ao atendimento as crianças de 0 a 6 anos de idade. necessariamente. dando oportunidade para os educadores que trabalham na área discutirem as funções dessas instituições e suas formas de trabalho pedagógico. 243).869. p.. Com este avanço surgiram as preocupações com a formação dos profissionais que atuam na educação infantil e a necessidade de elaboração de Programas de Políticas Públicas para a formação docente. Hoje. movia-os o propósito de exploração e fortuna. divididos entre propósitos reais e propósitos proclamados. 38. 1 ° . esse atendimento corresponde às crianças de 0 a 5 anos. compondo a modalidade de educação infantil. mas. Houve um grande avanço no sistema educacional em considerar a Educação Infantil (0 a 6 anos) como primeira etapa da educação básica e incluir as antigas creches no sistema municipal de educação... as creches existentes ou que venham a ser criadas no Município de São Paulo passam a integrar o Sistema Municipal de Ensino”.) Proclamavam os europeus aqui chegarem para expandir nestas plagas o cristianismo.) Nascemos. pré-escolas e instituições similares. Em São Paulo.. . há necessidade da formação docente ao novo público de professores: Uma das principais mudanças introduzidas pela LDB foi a concepção educacional que deve preponderar para as crianças de até três anos de idade assistidas nas creches. A história do período colonial é a história desses dois objetivos a se ajudarem mutuamente na tarefa real e não confessada da espoliação continental (. Segue o artigo 1° do Decreto citado: “Art. assim.

as antigas creches.566 de 18 de Março de 2008: Art. criando a própria identidade.30 A formação de docentes para essa nova demanda de profissionais ocorreu anos mais tarde. Antes da integração das creches ao sistema Municipal de Ensino. 8º . 1.Para fins de Evolução Funcional. Mesmo com a integração do atendimento das crianças de 0 a 3 anos na Educação. a partir do ano de 2008 e junto à garantia da Evolução Funcional para fins da melhoria de salário.826. A garantia de estudos em horário coletivo. que dispõe sobre os “Projetos Especiais de Ação”(PEAs) regulamentando a Lei de Diretrizes e Bases n. o “Projeto Especial de Ação” para os professores que atuavam com crianças a partir desta faixa etária. inclusive os que atendiam a faixa etária de 4 a 6 anos. e desde que cumpridas as seguintes exigências estabelecidas: I-o Projeto contenha a carga horária mínima de: -nos CEIs: 108 (cento e oito) horas relógio anuais e que tenha sido coordenado ou executado no período mínimo de 09 (nove) meses completos. o Diretor da Unidade Educacional expedirá atestados.394/96: “Instrumento de trabalho elaborado pelas unidades escolares. (atualmente de 4 anos a completar a 5 anos) passaram a ter momentos preciosos de discussões e aperfeiçoamento profissional em horários coletivos. Segue a Portaria n. de 8 de julho de 1997. Segue a publicação no diário oficial do Município de São Paulo. no Município de São Paulo. fora de horário de regência de classe e a Evolução Funcional foram mais uma conquista do novo público docente da modalidade Educação Infantil. Com a implantação do “Projeto Especial de Ação”. os professores do Centro de Educação Infantil (CEI). em consonância com o Projeto da Escola. inclusive com a assinatura do Supervisor Escolar. . compreendendo ações de natureza pedagógica e/ou institucional”. obrigatoriamente voltados para a melhoria do processo ensino-aprendizagem. as unidades escolares passaram a elaborar os projetos pedagógicos. só foram incluídos no “Projeto Especial de Ação”. e os professores. fora do horário de regência de aula. com garantia do horário coletivo. após avaliação final dos PEAs. 9. a Portaria 3. através de Portarias. a Rede Municipal de São Paulo atendia diretamente as crianças a partir de 4 anos e implantava. de acordo com a caracterização da comunidade em que estavam inseridas.

225) entende-se programas de formação continuada da seguinte forma: (. mas para estimular a renovação de saberes em ambiente de aprendizagem coletiva e auto-motivada. Nesse momento histórico. no Município de São Paulo. da cidade de São Paulo. sistematizar suas reflexões em várias formas de registro e reconstruir conhecimentos historicamente elaborados. com conteúdos e instrumentos metodológicos para a reflexão da prática pedagógica. voltada para equipe gestora diretamente e docentes indiretamente que atendiam as crianças de 0 a 6 anos. Segundo o documento (2006). 2. Em programas de formação continuada. (Padilha 2001. pelo “Programa”. atualmente de 0 a 5 anos. em 2005. Creches e EMEIs da Cidade de São Paulo. p. o objetivo é orientar o fazer docente. E traz como eixo o ..31 Anteriormente a essas conquistas. Isso envolve problematizar sua prática. foi proposto um Programa de Formação Continuada. 42). todos os professores (CEIs e EMEIs) da primeira etapa da educação básica foram contemplados. num período de tempo definido". durante a ano de 2005. p. na Educação Infantil. os professores devem ser estimulados a articular os vários conceitos trabalhados em sua formação anterior ou atual com sua prática profissional cotidiana. Entende-se por Programa: "constituído de um ou mais projetos de determinados órgãos ou setores. De acordo com Oliveira (2005. A equipe da Diretoria de Orientação Técnica de Educação Infantil (DOT-EI) e representantes das Diretorias Regionais de Educação (DRE) elaboraram o primeiro documento do “Programa A Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil” chamado Tempo e espaço para a infância e suas Linguagens no CEIs. pesquisar alternativas de ação.) não para suprir eventuais lacunas na formação inicial.4 O “Programa A Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil” O “Programa A Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil” destina-se à formação continuada de professores da Educação Infantil na Rede Municipal de São Paulo. O “Programa A Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil” teve como objetivo subsidiar o Coordenador Pedagógico e mais tarde o Diretor da unidade escolar.. na Rede Municipal de São Paulo.

Essa concepção se diferencia da concepção construtivista. capazes de pensar e agir de modo criativo e crítico. isto é. p. Na concepção construtivista.32 Educar e Cuidar e a otimização dos tempos e espaços de aprendizagem. obra da sociedade e do indivíduo. ao orientá-la quando necessário. segundo La Taille (1992). Neste sentido. ao apresentar-lhe o que é de encantador no mundo da música e das artes. inclusive com aquelas que apresentam necessidades educacionais especiais. o professor cuida e educa quando trabalha na perspectiva da inclusão social e garanta a todas as crianças com as quais trabalha uma experiência bem sucedida de aprendizagem. credo. como as relações “exteriores” (no sentido de Durkheim) dos indivíduos entre eles. La Taille (1992. A concepção sócio-construtivista fundamenta o documento. da natureza e da sociedade. “O professor cuida e educa quando combate preconceitos e discriminações de etnia. Algumas ações de cuidar e educar são citadas no documento (2006. não se pode negar que. além dos escritos de Wallon e apontamentos realizados pela Antropologia. Ele também cuida e educa quando promove e acolhe as interações que a criança estabelece com outras crianças e quando organiza e dá oportunidade para que elas compartilhem experiências e saberes. Sociologia. respeitando-as como sujeitos sociais e de direitos. visando contribuir com um currículo que proporcione às crianças condições de aprendizagem. . sentir e pensar culturalmente. p. o desenvolvimento intelectual é. Lingüística e outras ciências. porém não negou que o homem é um ser social. Acima de tudo. 11) cita Piaget: Se tomarmos a noção do social nos diferentes sentidos do termo. ao fazê-la sentir-se confortável e segura. Piaget não se deteve no papel dos fatores sociais no desenvolvimento humano. e muito mais. cultura e condição social. simultaneamente. o professor educa e cuida quando proporciona condições a criança de ampliar o repertório de conhecimento constituindo-se como sujeito com formas de agir. desde o nascimento. englobando tanto as tendências hereditárias que nos levam à vida em comum e à imitação. 19): O professor educa e cuida especialmente ao acolher a criança nos momentos difíceis. fortalecendo a auto-estima de todas as crianças.

(Oliveira. molda o funcionamento psicológico do homem”. liberdade e democracia. Na concepção sócio-construtivista os fatores sociais são decisivos para o desenvolvimento humano. duas funções básicas: a de intercâmbio social e a de pensamento generalizante”. ao longo do desenvolvimento da espécie e do indivíduo. as relações sociais devem ser baseadas nas relações de cooperação e não nas relações de coação. para Vigotski. mas através de um acesso mediado..) enquanto tal na sua relação com o outro social. essa “marcha para o equilíbrio” tem bases biológicas no sentido de que é próprio de todo sistema vivo procurar o equilíbrio que lhe permite a adaptação. nas relações precisam ter troca de pontos de vista e controle mútuo dos argumentos e além de basear-se na dimensão ética (La Taille.. La Taille (1992. sistema simbólico fundamental na mediação entre sujeito e objeto de conhecimento.24) O desenvolvimento humano no processo sócio-histórico ocorre por meio da mediação.. Nesse processo de desenvolvimento são essenciais as ações do sujeito sobre os objetos.27) As relações sociais no desenvolvimento humano são enfocadas de modo diferente em ambas as teorias. A cultura torna-se parte da natureza humana num processo histórico que.18): Para Piaget. 1992. sua aprendizagem e seu desenvolvimento: .) Além disso. tem. o homem não tem acesso direto ao objeto. no valor ético da igualdade. Com base nessa concepção. p. p. Creches e EMEIs da cidade de São Paulo (2006.33 O ‘ser social” para Piaget é aquele que consegue relacionar com seus semelhantes de forma equilibrada. 1992. ou seja. Na concepção sócio-construtivista o desenvolvimento humano constitui-se: “(. 1992). 24). encontra-se no documento Tempo e Espaço para infância e suas linguagens em CEIs. o sistema simbólico o indivíduo representa o mundo real no universo psicológico. p. p. e também no sentido em que existem processos de auto-regulação que garantem a conquista deste equilíbrio.. já que é sobre os últimos que se vão construir conhecimento (. um novo olhar para criança. ou seja. (Oliveira. Entende-se por sistema simbólico: “A linguagem humana.

115): (. gestores educacionais e de Políticas Públicas. coordenado pela equipe de diretoria de Orientação Técnica Pedagógica de Educação Infantil. Assim. Por meio dos relacionamentos que a criança estabelece. com a participação de vários profissionais da educação: educadores.. na concepção tradicional. formula perguntas. traça desenhos. com o ambiente. pois é produtora de conhecimento. imita pessoas ou outros elementos que observou. outros familiares. enquanto desenvolvem formas de sentir. outras crianças mais velhas – que lhe apresentam continuamente novas formas de se relacionar com o mundo a fim de compreendê-lo e transformá-lo. elabora respostas... com o contexto e com as diversas vivências que este contexto proporciona. o qual o professor era o centralizador do conhecimento e passa a ser protagonista da aprendizagem. ativa todo um grupo de processos de desenvolvimento. Ela tem voz própria e deve ser ouvida. ela nomeia objetos. mas formadas historicamente. constantemente significando o mundo a sua volta. p. de cultura e de uma identidade pessoal. os educadores. pensar e solucionar problemas. também. a aprendizagem é um momento intrinsecamente necessário e universal para que se desenvolvam na criança essas características humanas não-naturais. Outro documento do “Programa A Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil é Orientações Curriculares-Expectativas de Aprendizagens e Orientações Didáticas para Educação Infantil (2007). desenvolvimento. não só com os adultos. Entende-se por aprendizagem e desenvolvimento conforme Vigotski (1991. a criança deixa de ser uma tábua rasa como antes era vista.) criança nasce com condições para interagir com parceiros mais experientesseus pais. grupos de trabalho. mas também com outras crianças. As experiências vividas no espaço de Educação Infantil devem possibilitar à criança o encontro de explicações sobre o que ocorre à sua volta e consigo mesma.. A criança aprende na interação com o outro. influenciando-o e sendo influenciada por ele. interagindo com o mundo à sua volta. mas uma correta organização da aprendizagem da criança conduz ao desenvolvimento mental. em si mesma. Por isso.) a aprendizagem não é. com o objetivo de subsidiar os professores da rede Municipal de Educação e toda equipe escolar em busca de uma educação infantil de qualidade.34 (. Ele traz o conceito de aprender que vai ao encontro do novo olhar da criança citada no documento anterior: . e esta ativação não poderia produzir-se sem a aprendizagem.

) Além disso. críticos. mas à experiência. crianças e situações) e. 23) Então. 17) Ambos os documentos se opõem à concepção tradicional de educação. sobretudo. 2007. 2007. os objetos. (Orientações Curriculares-Expectativas de Aprendizagens e Orientações Didáticas para Educação Infantil. a nova concepção nos remete a uma nova dimensão de professor. aluno e de ações de ensino: A concepção adotada amplia o olhar para as diferentes fontes de ensino ( adultos. cujo conhecimento se encontra no poder de uma única pessoa. as pega no colo quando se emocionam e. dificultando a troca de experiência. criativos e pesquisadores. pelo arranjo do contexto de aprendizagem das crianças: os espaços. 2007. O professor atua de modo direto conforme interage com as crianças e lhes apresenta modelos. faz perguntas para conhecer suas respostas. (. os horários. interação e o contato com novos conhecimentos dos pequenos aprendizes. (Orientações Curriculares-Expectativas de Aprendizagens e Orientações Didáticas para Educação Infantil. que se remete ao modelo de ensino-aprendizagem centralizador. p. A família. Ele tem o cuidado em tratar de forma não preconceituosa essas situações nas interações com as crianças.. 24) Os protagonistas no processo de ensino-aprendizagem são ativos. p. De acordo com a concepção sócio-construtivista o professor desempenha um o papel no processo ensino-aprendizagem de mediador: A mediação do professor se faz à medida que suas ações buscam familiarizar a criança com significações historicamente elaboradas para orientar o agir das pessoas e compreender as situações e os elementos do mundo. que continuamente atribui aos signos que lhe são apontados. o professor. responde ao que elas perguntam. aprende-se consigo mesmo. interativos. para a atividade da criança. opõe-se ao que elas estabelecem para ajudá-las a ampliar seu olhar.. por vezes. sentir e pensar de cada pessoa que não pode ser atribuído à maturação orgânica. Ele age de uma forma indireta. os agrupamentos infantis. O professor mediador também possui posturas diferenciadas de acordo com situações de preconceitos e acolhimento das crianças com necessidades educacionais especiais. (Orientações Curriculares-Expectativas de Aprendizagens e Orientações Didáticas para Educação Infantil. com a nova proposta pedagógica passa a ser convidada a ser parceira durante toda a caminha da . que antes era distante da escola com participações limitadas. ensinar as regras sociais de seu grupo social ou aperfeiçoar seu modo de sentir as situações. ou a partir de objetos e de outras produções culturais abstratas.35 Aprender pode ser entendido como o processo de modificação de modo de agir. p.

Segundo Meneses (2005. As interações e relações dos educadores da infância com as crianças e. 28). o papel da mãe. sugestões e observações dos familiares como forma de conhecer a criança e ampliar a qualidade do trabalho pedagógico. materiais escolares e atendimento ao público. a observação sistemática do comportamento de cada criança feita ao longo do período em muitos e diversificados momentos é condição necessária para se levantar como ela se apropria de modos de agir. De acordo com o documento Orientação Curricular (2007).. avós. a escola e a família devem estar unidas num objetivo comum: a qualidade da escola brasileira. Para tanto. A partir da observação atenta e detalhada. a aproximação da escola com a comunidade já tem dado resultados significativos: A escola não pode mais desconhecer a comunidade onde se encontra. Elas têm apresentado muito sucesso na melhoria das condições de funcionamento da escola. móveis e utensílios escolares). inclusive nos resultados pedagógicos referentes à questão do ensino. o trabalho do professor deve ser integrado à família. devem ocorrer de forma mais tranqüila possível.) são conhecidas inúmeras iniciativas de profissionais da educação que mobilizam a comunidade para participar do processo educacional e do ensino-aprendizagem e para atividades de preservação do equipamento escolar (edifício. A observação e o registro são instrumentos totalmente indispensáveis no processo de ação-reflexão-ação do planejamento de cada professor. Neste sentido. o professor precisa incluir visitas. o professor irá planejar novamente suas ações para melhor atender as crianças. ou seja. que permeia desde as condições de prédios. Creches ou EMEIs. (. 244). . sentir e pensar culturalmente constituídos. Ele traz a seguinte concepção: A avaliação que mais deve interessar ao professor é aquela que não compara diferentes crianças. dentro de certo período de tempo. mas a que compara uma criança com ela mesma. A avaliação é um tema abordado no documento Orientação Curricular (2007. aquela em que o educador passa a ter uma relação afetiva de cuidado com o bebê ou a criança de CEIs.36 aprendizagem da criança. até as questões pedagógicas.aprendizagem. p. p.. De acordo com o documento Orientações Curriculares (2007) o educador da infância passa a desenvolver a chamada relação de apego. portanto. pois é neste núcleo que ocorre o primeiro contexto educacional da criança. entre as próprias crianças.

deve ser um lugar lúdico. bem planejado com áreas de bibliotecas. que traz a conotação de “aula” sendo muito questionada na Educação Infantil. ambiente lúdico e saudável. para diferenciar da concepção de sala de aula. de jogos e de informática. p. Além disso. O espaço. Creches e EMEIs. sua condição de cenário para diferentes atividades.. objetos e trabalhos em exposição constantemente. (Orientações Curriculares-Expectativas de Aprendizagens e Orientações Didáticas para Educação Infantil) A sala de convivência. de fazde-conta. Outro desafio para os educadores da infância é proporcionar uma relação de interação positiva entre as crianças.) o espaço físico das unidades educacionais não se resume apenas à sua metragem. O educador deve garantir a convivência em grupo com diferentes faixas etárias. insolação ou topografia. demanda um planejamento dos momentos de ingresso dessas crianças de CEIs. mediar conflitos e ajudar as próprias crianças a aprender a resolvê-los com os colegas. segundo a equipe da Diretoria de Orientação Técnica. Para consolidar o vínculo afetivo dos educadores e crianças e o reconhecimento do ambiente novo como seguro e significativo é necessário que os professores conheçam a história da criança e seus hábitos e mantenham constantemente o diálogo com os familiares. com suas marcas. no qual todos os protagonistas da aprendizagem desempenhem o papel da ação. de teatro. é transferido para a pessoa do educador da infância. da criatividade e da significação. para acontecer com tranqüilidade. e ser diversificados para dar autonomia a elas. pessoas que antes davam a segurança para a criança neste momento. estabelecer regras de convivência com o grupo e sempre que quebradas relembrá-las a todos. Essa transferência de segurança e confiança. 33). assim construindo o vínculo de amizade e parceria.Educação Infantil (2007. Os materiais que compõem a sala de convivência precisam ser planejados. assim chamada pela DOT-EI (2007). mas inclui sua possibilidade de atender às necessidades e às exigências das crianças e dos adultos nos momentos programados ou imprevistos. As crianças devem reconhecer o espaço como seu. Sempre que possível esse espaço deve integrar objetos novos para serem significados pelas crianças. enfim deve ser um espaço que contemple as mais variadas linguagens de aprendizagem da Educação Infantil. .. de forma a dar acessibilidade às crianças. vai além do espaço físico de uma sala de convivência: (. esta sala de convivência deve ser um espaço. de construção. de música. de pintura. individuais ou coletivos.37 parentes.

o educador da infância não deve pensar as linguagens com o fim em si só. Dentro de todas essas concepções de tempo. a leitura e a escrita. interações. criança. p. espaço. materiais. relações. Segundo o documento A Rede em rede: Formação Continuada na Educação Infantilfase 1. esse tempo de espera pode ser planejado com ações lúdicas destinadas à criança para evitar episódios de mordidas e brigas muito comuns nessa faixa etária. As atividades devem ser planejadas de forma a equilibrar o tempo de espera de uma atividade ou outra. a comunicação e expressão gestual e verbal.. ambiente.. 56) Portanto.) instrumentos culturalmente elaborados cuja apropriação pela criança se faz no contacto com modelos que são familiares a ela e com a diversidade cultural trazidas por cada uma delas”. Creches e EMEIs da Cidade de São Paulo. ampliam seu repertório. segundo o documento (2007). de tal forma. 23) entende-se por linguagens: “(. desde a hora da entrada da unidade escolar até seu retorno ao lar. criação plástica e visual e a dança e música. Nas cirandas ou brincadeiras cantadas. as atividades precisam ser variadas. Um fato importante é que a criança percebe as linguagens de forma interrelacionadas: (. se desenvolvem culturalmente. 2006.) as garatujas são expressões do gesto ao mesmo tempo em que já se delineiam em combinação de linhas e cores. (2007. as crianças se comunicam. Por meio das múltiplas linguagens. diversificadas e regulares para facilitar a significação delas pela criança. Essas múltiplas aprendizagens podem ser promovidas na Educação Infantil.. ao mesmo tempo em que brinca com as palavras. mas aprender com as crianças a relacioná-las de forma significativa. aprendizagem e educador da infância percorrem as múltiplas linguagens culturalmente estabelecidas: o brincar. Enfim. interagem. que dê qualidade ao tempo vivido pelas crianças durante todas as ações dela. o educador da infância precisa organizar o tempo. enfim. Ao longo do tempo. (Tempos e espaços para a infância e suas linguagens nos CEIs..38 O tempo é compreendido. a criança explora as possibilidades expressivas de seus movimentos. . p. como elemento integrante no processo de aprendizagem.

O documento tem como foco subsidiar o Coordenador Pedagógico durante a formação continuada com a equipe de formação.fase 1”. O documento relata as experiências e conhecimentos dos 800 profissionais e 30 formadores que se comprometeram com o Programa no ano de 2006.os educadores da infância. 2007. Tempos e Espaços da Unidade Educacional. Os profissionais atingiram as 314 mil crianças de Educação Infantil. p. no ano de 2006. que. do Município de São Paulo. foi acrescida a presença do Diretor da Unidade de Educação Infantil.39 O brincar é a principal linguagem. transformar as queixas em bons problemas. foi distribuído aos gestores das Unidades Escolares CEIs e EMEIsSupervisores. o documento “A Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil. 2007. publicados pelo “Programa”. Diretores e Coordenadores Pedagógicos. p. Em 2008. uma formação local para os Coordenadores Pedagógicos e uma formação central para os Coordenadores Pedagógicos e Diretores com temas baseados nos documentos. compreender o que é mais geral nas tantas situações que envolvem a educação de crianças e a formação de adultos. o Coordenador Pedagógico foi o principal foco da formação continuada. O papel do Coordenador Pedagógico como formador: A especialidade do Coordenador Pedagógico reside em sua capacidade de descontextualizar práticas cotidianas. um referencial para a prática docente e um convite a todos os comprometidos com a infância a inventar. congregar esforços para encontrar alternativas e. criar e ampliar as possibilidades do brincar.fase 1. No ano de 2007. 11) . matriculados na Rede Municipal de Educação conforme cita Schneider. foi distribuído a todos os protagonistas da Educação Infantil um documento chamado “São Paulo é uma escola: Manual de Brincadeiras” O documento é um resgate das brincadeiras da infância. muitas vezes. uma vez por mês.( A Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil. Havia. (A Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil. 1) Durante os quatros anos do “Programa A Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil”. Essa linguagem é tão preciosa para equipe de DOT-EI.fase 1. pois o lúdico deve permear todas as outras Linguagens. inventar soluções Por isso podemos dizer que o Coordenador Pedagógico é um dos profissionais mais estratégicos na formação continuada da equipe de professores e na construção de um trabalho pedagógico nas EMEIs e CEIs. Nesse contexto os Supervisores eram convidados.

Segundo DOT-EI (2006). 608 CEIs. O terceiro módulo. instituir ou dinamizar a prática de registro e sistematizar a devolutiva dos registros. Portanto. Esse documento representa mais uma oportunidade para o aprimoramento pessoal e profissional dos educadores. O documento tem como objetivo final assegurar à criança a aproximação das práticas sociais. o documento desafiou todos os profissionais de educação infantil a reorganizarem o trabalho pedagógico no que se refere aos tempos. também. espaços e atividades nas quais as crianças se inserem. os conteúdos fundamentais da formação continuada são as práticas culturais da Educação Infantil e os Instrumentos Metodológicos. vêm apoiar o Coordenador Pedagógico na introdução ou re-significação do faz-de-conta infantil. declarou que o número de crianças atendidas pela Secretaria de Educação da Cidade de São Paulo era de cerca de 390 mil crianças. observação e problematização das práticas pedagógicas. O documento Tempos e espaços para a infância e suas linguagens nos CEIs. a qual ajuda o Coordenador Pedagógico a apropriar-se de indicadores e princípio de qualidade de ambientes. distribuídas nas 1411 Unidades de Educação Infantil: 336 CEIs diretos. ao mesmo tempo. através da reflexão. Creches conveniadas e 467 EMEIs. .40 O Coordenador Pedagógico é fundamental para o “Programa” como agente formador. por meio do Secretário de Educação. instituídas em nossa cultura. a identidade de um todo (rede) e. houve um desafio de elaborar um documento que criasse. neste contexto. incentivasse as características e particularidades de cada contexto (Unidade). O segundo módulo vem para apoiar o Coordenador Pedagógico a re-significar algumas práticas sociais presentes ou introduzir outras na Unidade Escolar. diferenciando-o das demais possibilidades de brincar nas escolas de educação infantil. Dº José Aristodemo Pinotti. O documento A Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil-fase1 (2007) é dividido em três módulos: o primeiro aborda a questão da metodologia de observação. porém em parceria com a equipe de gestores e professores. retirados da reflexão sobre a prática. responsáveis pelo atendimento das necessidades crescentes da população de crianças de 0 a 5 anos. E. Creches e EMEIs da Cidade de São Paulo (2006) menciona que no final de 2005 e início de 2006.

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O “Programa A Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil” foi implantado, nos horários coletivos de formação continuada dos docentes por meio do “Projeto Especial de Ação”.

2.5 O “Projeto Especial de Ação”- no Município de São Paulo

Entende-se por projeto: “Como o próprio nome indica, projetar é lançar para frente, dando sempre a idéia de mudança, de movimento. Projeto representa o laço entre o presente e o futuro, sendo ele a marca da passagem do presente para o futuro”. Veiga (2001, p. 18) O projeto direciona as ações pedagógicas da unidade escolar partindo das necessidades do presente em busca de soluções para o futuro. Com esta finalidade a unidade escolar elabora o “Projeto Pedagógico”. Veiga (2003, p. 13) menciona que:
O projeto pedagógico aponta um rumo, uma direção, um sentido explícito para um compromisso estabelecido coletivamente. (...) ao se constituir em processo participativo de decisões, preocupa-se em instaurar uma forma de organização do trabalho pedagógico que desvele os conflitos e as contradições, buscando eliminar as relações competitivas, corporativas e autoritárias, rompendo com a rotina do mando pessoal e racionalizado da burocracia e permitindo as relações horizontais no interior da escola.

O “Projeto Pedagógico” tem por finalidade retratar a realidade da escola, humanizar as relações e organizar as ações educativas. A partir da contextualização do “Projeto Pedagógico” é elaborado o “Projeto Especial de Ação”. O “PEA” deve estar articulado ao Projeto Pedagógico para não ocorrer ações educativas esporádicas ou contraditórias: “A verdadeira mania de projetos que se abateu sobre a educação tem gerado ações esporádicas, até contraditórias entre si, porque é bonito administrar por projetos e não se tem o cuidado de realizar aqueles que brotassem de um plano global”. (Gandin, 1991, p.53) Além disso, tanto o “Projeto Pedagógico” como o “Projeto Especial de Ação” para serem eficientes precisam priorizar as reais necessidades da escola e ter as etapas de elaboração, execução e avaliação bem planejadas. Esse planejamento precisa ser visto como processo educativo e não como planejamento estático. Segundo Gandin (1991, p.17): “(...) processo de planejamento é concebido como uma prática que sublinhe a participação, a

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democracia, a libertação. Então o planejamento é uma tarefa vital, união entre vida e técnica para o bem-estar do homem e da sociedade”. Neste sentido, os “Projetos Especiais de Ação (PEA)” são instrumentos de trabalho pedagógico elaborado de acordo com as necessidades do professor, por toda equipe da Unidade Escolar e aprovado pelo Conselho de Escola, anualmente. Após a elaboração e aprovação pela equipe escolar e comunidade, é enviado ao Supervisor Escolar que fará apreciação e homologação. Além disso, o Supervisor Escolar deverá acompanhar e subsidiar a escola no processo de avaliação durante a execução do “PEA”. Neste “Projeto” está contido o tema, o objetivo, a justificativa, os procedimentos metodológicos, metas a alcançar, descrição das etapas, a referência bibliografia a ser estudada no decorrer do ano letivo e avaliação periodicidade e instrumentos a serem adotados. O referido “Projeto” deve sempre atender as normas ditadas pela legislação e atender a Política Educacional vigente. Na Educação Infantil, o “PEA” tem a especificidade de garantir as crianças vivências de experiências diversas e significativas através das múltiplas linguagens do universo infantil. O Coordenador Pedagógico, Diretor de Escolar e Assistente de Direção participarão do “Projeto” dentro do horário de trabalho, exercendo o papel de coordenador respeitando a respectiva ordem. Os professores que possuem a Jornada Especial Integral de Formação (JEIF), a Jornada Básica do Docente- (JBD) e a Jornada Básica de 30 horas semanais poderão compor o grupo de formação continuada, no horário coletivo, do “PEA”. Porém, estão impedidos de participarem do “PEA” os professores que possuem a antiga Jornada Básica (JB) instituída pela Lei n. 11.434/93, os professores de Educação Infantil sem regência de classe, os Auxiliares de Desenvolvimento Infantil- ADI, os professores com laudo de readaptação e alteração de função. O “PEA” também não contempla a participação do Agente Escolar e do Assistente Técnico Educacional (ATE), uma vez que se acredita na importância da formação continuada a toda equipe, seria importante a participação desses protagonistas no “Projeto”. Os profissionais da educação que obtiverem uma freqüência mínima de 85%, individualmente, no “PEA”, e este atingir o total de 144 horas aula anuais executadas no período de 8 meses completo, exceto os profissionais do Centro de Educação Infantil que

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deverão atingir 108 horas relógio e 9 meses completos, ganharão um ponto para a evolução funcional, que implicará, futuramente, na melhoria de salário. Quanto à análise do “Projeto Especial de Ação”, tendo como ponto de partida a implantação em 1997 e a comparação estabelecida entre o período de 2005 a 2008 percebe-se algumas modificações, principalmente, na concepção das modalidades de formação:

Portaria n. 3.826, de 8 de Julho de 1997 orienta:

Art 2º : Configuram-se modalidade de PEA’s , os seguintes Projetos: I- de Formação e Aperfeiçoamento Profissional: ações relacionadas ao processo ensino-aprendizagem: envolvendo Docentes e Equipe Técnica da Escola; II- de Avaliação Diagnóstica: atividades sistematizadas de diagnóstico e acompanhamento, prioritariamente dos Ciclos Iniciais e Intemediários do Ensino Fundamental e não caracterizadas como de reforço, recuperação e reposição de aulas: envolvendo Docentes, Discentes e Equipe Técnica da Escola; III- de Orientação Educacional e Pré- Profissionalização: ações integradas ao Ensino Fundamental e voltadas à orientação: para estudo, familiar e profissional e iniciação e preparo para o trabalho, compreendendo noções de legislação trabalhista, formas alternativas de trabalho: envolvimento Docentes, alunos dos Ciclos Intermediário e Final do Ensino Fundamental Regular e 3º e 4º Ciclos do Ensino Fundamental Supletivo e Equipe Técnica da Escola; IV- de Ações com a Comunidade: ações para o aprimoramento da relação Escola X Comunidade: envolvimento Docentes, Equipe Técnica, membros da Associação de Pais e Mestres, Conselho e Escola, Grêmio de Escola, Grêmio Estudantil e comunidade; V- Culturais e Artísticos: ações voltadas para ampliação do conhecimento e enriquecimento extra-classe: envolvendo Docentes, Equipe Técnica e membros das Instituições Auxiliares da Escola; VI- de Melhoria da Qualidade de Vida e Formação da Cidadania: abrangendo temáticas, tais como: Educação Ambiental, Educação para o Trânsito, Educação para o Consumo, Orientação Sexual, Prevenção ao Uso Indevido de Drogas e outras: desde que respeitados os critérios desta Portaria.

Portaria n. 1.566, de 18 de Março de 2008:

Art 2º : Configuram-se modalidade de PEA’s as ações de formação voltadas para: I- a tematização das práticas desenvolvidas nos diferentes espaços educativos;

Já a Portaria do “PEA” (2008) traz outras preocupações quanto à formação docente. O foco desta Portaria é a tematização das práticas docentes.prioridade na Escola Municipal”. educação para o Trânsito etc. dentre outros: Programas “Ler e Escrever. além do enriquecimento cultural e artístico dos docentes e gestores e melhoria de qualidade de vida e formação da cidadania com temas como drogas. IV. o foco da formação que permeia o “PEA” têm sido diversificado. pode-se dizer que o “PEA” é uma forma de manter a concepção pedagógica do governo vigente. ações que priorizassem a relação escola e comunidade.6 Os dilemas do Ensino Fundamental de 9 anos e o Cuidar e Educar na Educação Infantil No contexto da Educação Infantil. atualmente. quanto às modalidades de formação. orientação sexual. . a implementação dos projetos e programas elaborados pela Secretaria Municipal de Educação e a implementação de projetos específicos para superação das lacunas de aprendizagem apontadas pela Prova São Paulo. III.a implementação de projetos específicos para superação das defasagens de aprendizagem detectadas na Prova São Paulo e em outras avaliações realizadas pela Unidade Educacional. Neste sentido. 2. articulação dos projetos com o Projeto Pedagógico. encontra-se um dilema a ser discutido: como será o atendimento das crianças de 6 anos completos ou a completar que deixam a Educação Infantil e vão para o Ensino Fundamental de 9 anos? As unidades escolares infantis.a articulação das diferentes atividades e/ou projetos/programas que integram o Projeto Pedagógico.a implementação dos Projetos e Programas específicos da Secretaria Municipal de Educação. observa-se a diferente concepção de formação docente. observa-se que o foco da formação docente se modifica de um governo para outro. Nota-se que.44 II. Assim. com o passar dos anos. “ Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil”. Quando o “PEA” foi implantado se tinha como foco ações voltadas para o processo ensino-aprendizagem envolvendo docentes e equipe técnica da escola e avaliação diagnóstica desse processo. Ao comparar as duas Portarias. “ Orientações Curriculares: Expectativas de Aprendizagens e Orientações Didáticas” e “ Referencial sobre avaliação da aprendizagem de alunos com necessidades educacionais especiais”.

11. da capacidade de observar e de vivenciar experiências interativas. nas EMEIs e EMEFs. Por isso. 11. implica no tratamento do espaço da escola como parte importante do processo de formação das crianças. da ludicidade. com a inclusão das crianças de seis anos.45 que atendem crianças agora de 4 anos a completar tem se organizado para acolher essa nova demanda? As Leis Federais n. o sistema de ensino e as escolas devem se preparar para organizar um novo Projeto Pedagógico que assegure o pleno desenvolvimento e aprendizagem de qualidade tanto aos novos ingressantes. no período de escolarização obrigatória. na qual as crianças sejam vistas e atendidas como sujeitos sociais e históricos. Todas as implementações devem ocorrer. trouxe a rede de ensino alguns desafios de implantação: dar acesso e permanência ao ensino fundamental de 9 anos às crianças de seis anos. Da mesma forma. o ensino fundamental de 9 anos. é . Nesse momento da implantação surge a grande dificuldade das escolas e dos docentes que irão atender a esses novos ingressantes de 6 anos de idade: como não manter as mesmas características da primeira série do ensino fundamental de matriz organizada em 8 séries? Diante desta dificuldade. ao tratar do ensino fundamental. como aos adolescentes pertencentes ao ensino fundamental de 8 anos. alcançar maior nível de escolaridade e implementação progressiva do ensino fundamental de nove anos. assegurar o ingresso das crianças mais cedo no sistema de ensino.172. A exigência da ampliação do tempo da escolarização básica foi prevista na Lei n.274/06 tornam obrigatória a matrícula. propôs. em consonância com a universalização da faixa etária de 07 a 14 anos. até 2010. da sensibilidade. Esse Projeto Pedagógico deve estar pautado numa nova concepção de infância. historicamente construída. A proposta de implantação na educação básica. que estabelece o Plano Nacional de Educação. e ampliam a permanência do estudante no ensino fundamental para nove anos. a partir de seis anos. de janeiro de 2001. 10. oferecer maior oportunidade de aprendizagem. que antes eram atendidas na última etapa da Educação Infantil. o Conselho Municipal de Educação dá o seu parecer: O entendimento da infância como uma categoria social.114/05 e n. O Plano Nacional de Educação. ele precisa ser pensado e organizado no sentido de lhes possibilitar o desenvolvimento da alegria. por intermédio das Leis Federais.

cognitivo e afetivo. conceito este que vem contrapor o caráter hegemônico da escolarização. Para avaliar se há uma discussão dos protagonistas de Educação Infantil. Tais posturas demonstram o caráter hegemônico da escolarização sobrepondo-se às experiências das crianças. nesta pesquisa.. porém sempre mediada pela preocupação com a escolarização. Nas recomendações. orientar momentos de lanche e/ou almoço. são tarefas educativas. na formação continuada. Segundo Kishimoto (2002. 03/2006) O Conselho Municipal de Educação propõe recomendações a respeito do período de transição da implantação do ensino fundamental de 9 anos com o objetivo de assegurar o atendimento de qualidade aos novos ingressantes: reorganização pedagógica e readequação curricular de todo o paradigma do ensino fundamental. quanto ao acolhimento. porém não se pode esquecer das crianças de 3 anos e meio que ingressam nas Escolas Municipais de Educação Infantil. A articulação da pré-escola com as creches aparece em algumas propostas. e não como algo dinâmico.46 preciso retomar a discussão em torno do currículo para supervisão de que este seria uma relação de matérias ou conteúdos.) a especificidade da creche/pré-escola não é considerada. ao currículo.55) . Esta concepção de cuidado e de educação está hoje sendo muito questionada na área. Há uma nova concepção do educar e cuidar. 2007. p. ( A Rede em rede-fase 1. à proposta pedagógica voltada para os mais novos ingressantes. trazendo como conseqüência a antecipação dos conteúdos do ensino fundamental. As particularidades da faixa etária e suas necessidades são conhecidas por todos os protagonistas da educação infantil. que se transforma em vivências e práticas pedagógicas cotidianas. flexível. que têm ainda um perfil diferenciado dos Centros de Educação Infantil. Separam no ser humano. cultural. coloco a questão aos professores e gestores.. De acordo com a relação do cuidar e educar. dar banho. ao mobiliário. acompanhar crianças ao banheiro. os aspectos biológico. 169): (. antigas concepções são questionadas: Muitos professores na Educação Infantil não acham que trocar fraldas. p. observa a preocupação curricular com as crianças de 6 anos. (Deliberação CME n. acomodá-las em momentos de repouso.

A história nos aponta para mudanças imediatas. como elas brincam. A partir da LDB as creches passam a fazer parte da primeira etapa da Educação Básica e no Município de São Paulo. 41) mencionam que planejar o diálogo entre os dois segmentos é fundamental: Enfim. pois. nesta passagem. O conceito cuidar e educar devem ser indissociáveis na modalidade de Educação Infantil. p. principalmente. que conservam a proposta de escolarização. Mendes e Faria. Os profissionais que atuam na modalidade da Educação Infantil passam a ter em suas ações pedagógicas a preocupação tanto com o cuidar como o educar as crianças. Vale conversar sobre do que gostam as crianças. o que já pesquisaram. ou seja. A fim de garantirmos experiências significativas para as crianças. uma atualizada organização do tempo e espaço na Educação Infantil ficará difícil para os novos ingressantes serem bem acolhidos nas Unidades Escolares. (2006. As Escolas de Educação Infantil e Fundamental I devem superar a questão da escolarização. é preciso que os profissionais que as acolhem possam explicitar e afinar suas utopias e desejos educacionais. do Sistema Municipal de Educação. é fundamental que os profissionais de um segmento e de outro possam dialogar! Precisamos incluir esse diálogo no nosso planejamento. Portanto. medos. A equipe educacional precisa atentar para o novo marco na Educação Infantil. localizada principalmente na última etapa da Educação Infantil. tanto a criança de zero a três anos e meio quanto as de cinco devem ser acolhidas. elaborar uma nova Proposta Pedagógica e levar essas discussões para a formação continuada. prazeres e resistências. Antes da Lei de Diretrizes e Bases 9394/96 a concepção pedagógica da educação infantil era fragmentada. quais seus principais interesses. as creches que atendiam crianças de 0 a 3 anos tinham a função exclusiva de cuidar não existia neste segmento educacional a preocupação com o conceito de educar. respeitando-se suas necessidades biológicas.47 A criança não pode ser dividida entre o biológico e o cognitivo. físicas. emocionais e cognitivas. no último ano da Educação Infantil e primeiros anos do Ensino Fundamental I e proporcionar as crianças vivências cada vez mais lúdicas e significativas que ampliem seus repertórios. Lopes. sem uma nova concepção pedagógica. .

a troca de conhecimento. pois materializam uma documentação viva deste processo. (Ramires. ao propor esta articulação. de dúvidas. EMEI e EMEF. . A pesquisa realizada numa Escola Municipal de Educação Infantil revela as expectativas dos professores da infância em propor a articulação com os professores do ensino fundamental através do portfólio de cada aluno: Assim. (Ramires. Para tal. foi a proposta de reuniões conjuntas: Estas reuniões permitem ainda que os educadores do ensino fundamental expressem suas expectativas em relação ao desenvolvimento das crianças na educação infantil assim como esclareçam dúvidas a respeito do processo de aprendizagem de determinadas crianças. 253) Além disso. p. é que os educadores do ensino fundamental. contribuem tanto as informações fornecidas pelas professores de educação infantil quanto os portfólios.48 Nesse sentido. valorize o conhecimentos construídos. outra ação traçada pela unidade escolar para articulação dos dois segmentos. de anseios dos professores e as crianças acolhidas nesses segmentos são beneficiadas através da articulação entre as unidades escolares. a educação infantil passa a ser de fato reconhecida e apreciada enquanto etapa relevante para o desenvolvimento integral das crianças. na formação continuada docente. Neste contexto. p. 2008. ao receberem os portfólios das crianças. discutir e planejar. segundo os registros nos livros de atas. a expectativa das professoras desta EMEI. 253) O diálogo entre os dois segmentos são possíveis e possibilita à aproximação. considere o percurso de cada uma na educação infantil – com seus avanços e dificuldades – e elaborem propostas educativas apoiadas no crescimento real e potencial de cada indivíduo de maneira adequada a sua reais condições. conheçam sua individualidade. a escola pode se organizar. momentos para que ocorra o diálogo entre os segmentos. 2008. Este é mais um desafio para as nossas escolas.

um atendimento de qualidade às nossas crianças. qualitativas: fundamentam-se em dados coligidos nas interações interpessoais. O pesquisador descreve. p. (Chizzotti. explica e prediz. Nesse contexto. O protagonista nesse “Projeto” e “Programa” é o Coordenador Pedagógico que é o formador direto dos professores de Educação Infantil e conta com o apoio do Diretor da Escola. procurando verificar sua influência sobre outras variáveis. Durante a Formação direcionada ao Coordenador Pedagógico pelo “Programa A Rede em rede”. Lidar com uma nova concepção pedagógica em detrimento de uma concepção tradicional enraizada de muitos anos na prática docente é algo desafiador a este protagonista de formação. na modalidade Educação Infantil.49 3 METODOGIA DA PESQUISA O “Projeto Especial de Ação” e o “Programa A Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil” vem propor atualização da prática pedagógica e nova concepção pedagógica para a Rede Municipal de Educação de São Paulo. a pesquisa pretende verificar em que medida as teorias estudas e discutidas por meio do “Projeto Especial de Ação” e do “Programa A Rede em rede” contribuíram para o aprimoramento da prática dos professores. O pesquisador participa. mediante a análise da freqüência de incidências e de correlações estatísticas. analisadas a partir da significação que estes dão aos seus atos. A metodologia utilizada na pesquisa foi as abordagens quantitativa (técnica de questionário). Nesse processo. Entende-se por abordagem quantitativa e qualitativa: quantitativas: prevêem a mensuração de variáveis preestabelecidas. 2006. assim. compreende e interpreta. procura-se provocar reflexão e problematização da prática docente para um aperfeiçoamento pedagógico e. nota-se um investimento da Secretaria Municipal de Educação e da Equipe de Formadores nas escolhas dos conteúdos de formação e no planejamento de estratégias formativas. 52) . na co-participação das situações dos informantes. abordagem qualitativa (técnica de entrevista semi-estruturada e análise dos documentos da escola pesquisada e pesquisa de campo.

tabulei as respostas das questões e analisei os dados obtidos. 188).50 Segundo Moroz e Gianfaldoni (2006. utilizei a técnica de entrevista semi-estruturada. que continha 13 questões alternativas e 3 questões dissertativas direcionadas aos professores que seriam respondidas por escrito sem a intervenção direta do pesquisador. Em seguida. exata com objetivo de evitar ambigüidade.. Outra técnica a ser utilizada na pesquisa foi a entrevista semi-estruturada. As entrevistas semi-estruturadas foram gravadas na Unidade Escolar de acordo com a flexibilidade de horário de cada professor e as respostas. p.) a técnica em que o investigador se apresenta frente ao investigado e lhe formula perguntas. localizada na Zona Leste de São Paulo.. No primeiro momento da pesquisa. Após a aplicação da técnica de questionário. com o objetivo de obtenção dos dados que interessam à investigação. dúvida ou incompreensão.. em que uma das partes busca coletar dados e a outra se apresenta como fonte de informação. p. permitindo que elas se aprofundem no assunto gradativamente. mas na qual o pesquisador tem a possibilidade de acrescentar questões de esclarecimento” (p. coletei dados por meio da técnica de questionário. No segundo momento da pesquisa. Evitei saltos bruscos entre as questões. posteriormente transcritas. parcialmente estruturadas e semi-estruturadas.) uma forma de diálogo assimétrico. 78) a técnica de questionário é: “um instrumento de coleta de dados com questões a serem respondidas por escrito sem a intervenção direta do pesquisador”. 117): (. explicando a natureza da pesquisa. apliquei o segundo questionário contendo 7 questões dissertativas aos gestores da Escola Municipal de Educação Infantil. Anexei uma folha. sua importância e a necessidade de que o sujeito respondesse de forma adequada às questões. 188) há quatro tipos de entrevistas: estruturadas. não-estruturadas. Entende-se por entrevista. Usei vocabulário com uma linguagem simples. esclarecimentos e adaptações da informação desejada. . Esta técnica permite a captação imediata e corrente. pois se constitui como uma “série de perguntas abertas feitas oralmente em uma ordem prevista. de acordo com Gil (1999. p. usual. Segundo Laville e Dionne (1999. Segui um roteiro que continha certa ordem lógica dos assuntos.. correções. (.

p. Justifico a utilização da técnica de questionário. De acordo com Moroz e Gianfaldoni (2006. selecionei 3 deles e apliquei a técnica de entrevista semi-estruturada de acordo com 3 categorias: o professor que realizou totalmente a formação continuada. na unidade escolar. localizada na Zona Leste de São Paulo. Além disso. o professor que realizou a formação continuada parcialmente e o professor que não realizou a formação continuada.51 Outra técnica a ser utilizada na pesquisa foi a análise documental da Escola Municipal de Educação Infantil. realizei a análise documental. A aplicação da técnica de entrevista foi escolhida devido à possibilidade que ela oferece de aprofundar o assunto abordado e de lidar com a heterogeneidade do grupo. Nesse sentido. . seja afastado ou recente”. Para a realização de minha pesquisa. nos horários coletivos. vale reportar que essa técnica é fonte estável e rica de informações sobre determinado contexto. A utilização da técnica de análise documental me forneceu informações complementares. mais precisamente na região de São Mateus. devido ao número considerável dos participantes da pesquisa e à importância da participação de todos os protagonistas da unidade escolar. contei com um total de 21 professores de educação infantil. Os documentos que consultei foram os livros de registros das discussões realizadas nas reuniões coletivas de formação de professores. no terceiro momento. a quem apliquei a técnica do questionário. O questionário e o roteiro de entrevista foram testados a voluntários e depois aplicados ao público alvo. durante os quatros anos investigados pela pesquisa. desse grupo de professores. 79): “determinados registros têm como característica o fato de servirem como documento de situações que ocorreram no passado. com o objetivo de complementar as informações obtidas na técnica de questionário e entrevista.

16 foram respondidos pelos docentes desta unidade escolar. demonstrando que são professores com escolhas profissionais definidas e não profissionais indecisos no que ser ou fazer em termos profissionais. O grupo de professores pesquisados inclui-se na faixa etária. Os outros cinco questionários não foram respondidos por motivos de licença médica.1 Instrumento de pesquisa quantitativa: Questionário . Veja a tabela: Tabela 1: Apresentação da idade dos entrevistados Idade  29 anos 30 anos 34 anos 37 anos 38 anos 39 anos 40 anos 43 anos 44 anos Idade não declarada Total Fonte: dados do autor Nº  2 3 1 1 2 1 1 1 1 3 16 Há importância de conhecer o perfil dos profissionais pesquisados para melhor compreender as ações pedagógicas. na Prefeitura Municipal de São Paulo e outros por motivos particulares. ingresso recente no cargo de professor.52 4 ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DOS DADOS COLETADOS 4. na Zona Leste de São Paulo.Docentes O pesquisador aplicou 21 questionários a todos os professores da Escola Municipal de Educação Infantil pesquisada. entre 29 a 44 anos. Destes questionários.Identificação do pesquisado: idade. Questão . sexo e formação acadêmica Os entrevistados variam na faixa etária entre 29 a 44 anos. .

desempenhado tradicionalmente pelas mulheres. Dos pesquisados. 01 professor com Pedagogia e licenciatura em Letras e 01 professor com licenciatura em Letras e apenas 01 docente tem o magistério em nível médio. 125) a questão da atuação do sexo feminino na modalidade da Educação Infantil é uma questão social. paradigma cultural que predomina até hoje nas Instituições de Educação Infantil. o trabalho doméstico de cuidados e socialização infantil. sendo destes. 15 docentes possuem o ensino superior. Em relação ao nível de escolaridade. afetiva e cultural: As atividades do magistério infantil estão associadas ao papel sexual. caracterizando situações que reproduzem o cotidiano. 13 professores possuem o curso de Pedagogia. 05 declaram possuir curso de Pós-graduação latu sensu. Desde a origem das Escolas Normais. foi se traçando o perfil das educadoras da infância. Observe o gráfico: Sexo Feminino Masculino Não Declararam Figura 1: Apresentação do sexo do grupo pesquisado Fonte: dados do autor Segundo Kramer (2002.53 Outro dado interessante na pesquisa é que grande parte dos entrevistados são do sexo feminino. . As tarefas não são remuneradas e têm aspecto afetivo e de obrigação moral. reprodutivo. p.

latu sensu. localizada na região leste de São Paulo. Destacam-se. Kishimoto (2002) relata com base nas fontes: MEC/INEP/SEEC.na área de atuação. na pesquisa. Neste sentido. as dificuldades em obter o ensino superior foram superadas pelos docentes e os avanços para o curso de pós-graduação fazem parte da formação profissional dos professores.5%).54 Nível de Escolaridade Ensino Médio Ensino Superior Pós-Graduação Figura 2: Nível de Escolaridade dos pesquisados Fonte: dados do autor De acordo com os dados. possuem o ensino superior completo e estão caminhando para a pós-graduação. 2%). in Situação da educação básica no Brasil. Isso mostra o grande avanço da educação rumo a uma educação de qualidade. profissionais de Educação Infantil adquirindo uma formação específica. .7%) e superior (18. que em 1996. os profissionais que atuavam com crianças de 4 a 6 anos possuíam melhor formação: nível médio (65. nota-se que grande parte dos professores da citada Escola Municipal de Educação Infantil. Na unidade escolar pesquisada. mas ainda havia leigos com apenas ensino fundamental (16. uma vez que se concorda que o Curso Normal Superior ou o Curso de Pedagogia são abrangentes e não possuem um currículo específico para a demanda de profissionais de Educação Infantil.

por um período de 5 a 10 anos. dedica-se a uma formação geral do pedagogo em detrimento da especificidade da formação para crianças pequenas. p. Nos Cursos de Formação de Professores. dos centros infantis. a pósgraduação contribuirá para a diminuição de lacunas de formação. Segue a tabela: Tabela 2: Apresentação de Tempo de Magistério Tempo de Magistério 0 a 5 anos 5 a 10 anos 10 a 15 anos 15 a 20 anos 20 a 25 anos Total Fonte: dados do autor Nº 0 4 8 3 1 16 De acordo com a pesquisa. 03 no período de 15 a 20 anos. Questão 1. Portanto.Tempo de Magistério Quanto ao tempo de magistério. comparando-os com o profissional que encerra a carreira aos 25 anos de magistério. que atendam as crianças pequenas. de creches. 08 exercem a docência no período de 10 a 15 anos e 01 docente possui mais experientes com tempo de magistério entre 20 a 25 anos. suas práticas e formas de gestão e supervisão. 04 professores atuam no magistério. Acredita-se que o perfil do profissional nesta etapa já traz consistência .55 Segundo Kishimoto (2002. o que se acredita como uma das causas de lacunas na formação inicial do professor. ou as maiores. a maior parte dos professores pesquisados se encontra na metade da carreira profissional. causando impactos significativos na prática pedagógica. 184): As Pedagogias da Educação Infantil deveriam tratar de concepções sobre criança e educação infantil.

Nessa perspectiva. Veja tabela: . o suficiente para levá-los a completar um programa formal de preparação educacional.Ingresso no cargo de professor de Educação Infantil no Município de São Paulo Os professores ingressaram na Rede Municipal de São Paulo. Os práticos complexos são aqueles que acumularam alguma longevidade na carreira e envolvem-se com questões sociais e/ou administrativas. prático informado. de modo mais preciso preocupações relacionadas com a qualidade. das famílias e dos sistemas societários. em outras funções. Além disso. nos anos de 2002 e 2006. ele elabora cinco estágios de desenvolvimento profissional: noviços. experiência diferente dos profissionais iniciantes que estão a descobrir a prática da profissão ou daqueles que estão no final da carreira profissional. a profissionalidade na educação de infância baseia-se em uma gama de conhecimentos e competências profissionais que têm impacto em uma gama similar de necessidades das crianças. Questão 2. Baseado nestes estágios e na característica do grupo pesquisado quanto ao tempo de carreira. Segundo Vander Ven (1988). quando há uma busca de aperfeiçoamento profissional nos cursos de latu sensu. por fim. na investigação. tendo um pico de ingressos. Os práticos informados. A investigação está presente neste grupo. tem-se que a maioria dos profissionais encontra-se no nível prático informado com característica do prático complexo.56 pedagógica em termos de concepções. segundo Vander Ven (1988). prático principiante. de 1988 a 2006. são profissionais que fizeram um investimento forte na carreira. o acréscimo de competência e maturidade permite-lhes resolver. formação acadêmica e cargos que atuam. além de sala de aula e. prático complexo e prático influente.

cultural e social ( inclusive econômica) das diferenças. sendo o último ingresso dos profissionais da Educação. ou seja. 32) . Assim. alguns docentes possuem no mínimo 3 anos de experiência em outras instituições escolares públicas ou privadas. os professores ingressaram na Prefeitura Municipal de São Paulo com experiência profissional anterior. deve considerar a diversidade de conhecimento adquirido pelos docentes. O Coordenador Pedagógico. hábitos e costumes de outras redes públicas e privadas na formação profissional e prática pedagógica dos docentes. acadêmica e profissional. 2008. p. durante toda a experiência escolar. na adaptação do homem e da mulher ao meio social e no contexto das relações de poder.” ( Conferência Nacional da Educação Básica. Há presença de concepções. Ela é construída no processo histórico-cultural. O cálculo foi feito a partir do ano de ingresso (1988) até o ano base 2008.57 Tabela 3: Ano de ingresso e Tempo na Prefeitura Municipal de São Paulo (PMSP). portanto. nota-se que os professores possuem mais de 5 anos na carreira do magistério e só 2 anos no cargo docente na Prefeitura Municipal de São Paulo. na PMSP. o tempo de magistério e o tempo de carreira na Prefeitura Municipal de São Paulo dos entrevistados. Ano 1988 1994 1996 1997 1999 2000 2002 2003 2005 2006 Total Fonte: dados do autor Nº 1 1 1 2 1 2 3 1 1 3 16 Tempo de carreira na PMSP 20 anos 14 anos 12 anos 11 anos 9 anos 8 anos 6 anos 5 anos 3 anos 2 anos Comparando-se a Tabela 2 e 3. em 2006. Entende-se como diversidade: A diversidade pode ser entendida como a construção histórica. no exercício do papel de formador.

Estatuto dos Profissionais da Educação Municipal: . Questão 3: Acúmulo de cargo na Prefeitura Municipal de São Paulo ou em outro órgão estadual ou particular Quanto ao acúmulo de cargo. 08 docentes exercem outro cargo educacional. que trabalham dois turnos nas Escolas Municipais de Educação Infantil.58 Neste sentido. sendo 07 ocupam outro cargo de professor e 01 de coordenador pedagógico. Cada professor opta pela jornada de trabalho. anualmente. Essa diversidade mostra que o grupo é heterogêneo e. nas formações. o Coordenador Pedagógico. Segue o gráfico: Acúmulo de Cargo Acúmulo de Cargo Não Acúmulo de Cargo Figura 3: Acúmulo de Cargo Fonte: dados do autor Esses dados revelam a realidade dos professores do Município de São Paulo. precisa considerar a heterogeneidade do grupo e partir do conhecimento já adquirido pelo professor para um conhecimento mais aprimorado. 14. portanto. conforme a Lei n. cada docente traz uma diversidade de conhecimento adquirido ao longo da vida. Assim. no atendimento de crianças de 3 anos e meio a 5 anos. precisa ser reconhecido como tal.660 de 26 de Dezembro de 2007.

Jornada Especial de Trabalho Excedente e Jornada Especial de Horas Aulas Excedentes: a) até o limite de 110 ( cento e dez) horas aula mensais. 2002. quando o Professor estiver submetido à Jornada Básica do Docente. Destaca-se. a formação continuada de todos os docentes. correspondendo a 180 (cento e oitenta) horas aula mensais. nota-se a diferença de realidades: Com 25 horas de trabalho semanal. o número de horas. o professor. Pensar no docente que trabalha dois turnos no cargo de professor é observar que esse professor trabalha. III. há o restante de horas da Jornada de Trabalho a serem cumpridas. conforme o inciso IV desta mesma Lei: IV. 8 horas em sala de aula com as crianças. quando o Professor estiver submetido à Jornada Especial Integral de Formação. Comparando os professores brasileiros com os professores da cidade de Braga em Portugal. no mínimo. O professor poderá ampliar a jornada de trabalho. tanto na Jornada Básica do Docente (JBD) como na Jornada Especial de Integral do Docente (JEIF). para a formação continuada. (Kishimoto. b) até o limite de 170 (cento e setenta) horas aula mensais. ao optar pela Jornada Básica de .Jornada Básica do Docente: 25 ( vinte e cinco) horas aulas e 5 (cinco) horas atividades semanais. Em Portugal. Além dessas horas. destinadas à formação continuada dos professores. docentes de pré-escolas trabalham em tempo integral (8 horas diárias) e contam com a colaboração de auxiliares que dividem as tarefas do dia-a-dia.Jornada Especial Integral de Formação: 25 (vinte e cinco) horas aula e 15 (quinze) horas adicionais. com as crianças. também. atendendo aproximadamente 70 crianças por dia. no estatuto da carreira. p. 170) O professor do Município de São Paulo trabalha muito mais horas na sala de aula em regência e sem nenhum auxiliar para ajudá-lo nas tarefas do cotidiano. nota-se que é garantida. correspondendo a 240 ( duzentas e quarenta) horas aula mensais. e mais 15. As Jornadas Básicas e Especiais de Trabalho do Docente correspondem: II. antes ou depois da regência de classe para o cumprimento das horas atividades ou horas adicionais.59 Art 15. no Brasil.

na sua produção na formação continuada. o professor trabalha muito mais horas com os alunos e menos horas são destinadas à formação continuada. a opção de participação é facultativa. E só terá a formação continuada.60 Trabalho.Participação dos docentes no Projeto Especial de Ação Quanto à participação dos docentes no “Projeto Especial de Ação”. na Rede Municipal de São Paulo. o professor que solicitar a ampliação de sua Jornada de Trabalho. 06 participaram parcialmente do “Projeto”. Esses dados vêm comprovar a dificuldade dos professores em. não terá horas destinadas à formação continuada. nos anos de 2005 a 2008. ter a ampliação . 07 tiveram a participação integral no período de 2005 a 2008. além de trabalhar 8 horas diárias em regência. Questão 4. ao se pensar na importância da formação continuada na carreira do professor e. Observa-se o gráfico: Projeto Especial de Ação Participação Total Participação Parcial Não Participação Figura 4: Projeto Especial de Ação. No Brasil. e 03 nunca participaram dele. nos horários coletivos.do Estatuto dos Profissionais da Educação Municipal. pois. conforme o inciso IV.PEA Fonte: dados do autor O acúmulo de cargo é a justificativa dos professores que não realizaram a formação continuada. somente as horas atividades. 13 professores participaram do “PEA”. na Jornada de Trabalho. Desses 13 professores. o que pode prejudicar a qualidade do ensino. 5 e 6. após duas jornadas que contemplam 8 horas de regência. exceto o professor que opta pela JEIF.

Os pesquisados relataram o que mudariam no “PEA”: R1: “Deveria ter curso específico de acordo com o interesse e necessidade dos professores”. Observase o gráfico: Avaliação do Projeto Especial de Ação Excelente Bom Regular Não Avaliaram Figura 5: Avaliação do Projeto Especial de Ação Fonte: dados do autor Por meio desses dados o “Projeto Especial de Ação” é bem avaliado por mais da metade dos professores pesquisados. porém precisa de algumas alterações. semanalmente. A ausência dos professores na formação continuada traz dificuldades para o desenvolvimento do trabalho coletivo da Unidade Educacional.61 da Jornada de Trabalho para a realização da formação continuada. .Avaliação do Projeto Especial de Ação Os docentes avaliaram o “PEA” da seguinte forma: 10 consideram o “Projeto” como bom. 04 avaliaram como regular e 02 não avaliaram o “Projeto Especial de Ação”. R2: “Acredito que o PEA precisa ter mais prática sempre com teoria”. Questão 7 e 15a.

observa-se que ele tem por finalidade atender as necessidades pedagógicas da unidade escolar e ser construído. visando ao aprimoramento das práticas educativas e conseqüentemente a melhoria da qualidade de ensino (. por toda equipe escolar e comunidade local. porém mais atualizadas. voltadas essencialmente às necessidades de desenvolvimento dos educandos. Segundo a Portaria n. R8: “Que fossem menos referências bibliográficas. Do restante dos entrevistados. R4: “Que a bibliografia fosse menos extensa e contemplasse os conteúdos do Rede em Rede”. De acordo com a natureza do “Projeto Especial de Ação”.. anualmente. R11: “Conteúdo”. 3 responderam que não participaram da formação continuada. teatro) e incluir também maior número de horas destinadas à troca de experiências”. ter palestras.62 R3: “É preciso investir no estudo de autores atuais aproximando a nossa prática com a pedagogia atual”. 2 não responderam a questão.).566 de 18 de Março de 2008 resolve: Art 1º Os Projetos Especiais de Ação – PEAs são instrumentos de trabalho elaborados pelas Unidades Educacionais. R10: “No PEA poderíamos incluir visitas a espaços culturais (museus. as responsabilidades na sua execução e avaliação. onde o professor pudesse fazer uma co-seleção com as atividades em sala de aula”. R7: “Eu gostaria de ter um PEA com atividades com envolvimento dos Pais”. definindo as ações a serem desencadeadas. 1. . R9: “Deveria ter cursos específicos de acordo com o interesse e a necessidade do professor e da Unidade Escolar”. R5: “Ser mais flexível se precisar haver mudanças no projeto. que expressam as prioridades estabelecidas no Projeto Pedagógico.” R6: “Que haja mais formações. ter curso. encontros com outras Unidades Escolares e formação com pessoas especializadas de fora. semanalmente. cursos de acordo com o tema (fora da escola) em outros espaços e palestras”..

temos uma pessoa. Questão 8. avaliar – revisar sempre cada um desses momentos e cada uma das ações. O projeto não pode ser planejado por poucos e tendo uma porção de executores. Gandin (1991. O planejamento precisa ser visto como processo educativo com o envolvimento de toda comunidade educativa. uma porção. os “planejadores” são poucos e os “executores”. execução e avaliação.63 Observa-se. 22) planejar é: elaborar – decidir que tipo de sociedade e de homem se quer e que tipo de ação educacional é necessária para isso. se tiver consciência ingênua ou mítica. nos relatos dos professores pesquisados. executar – agir em conformidade com o que foi proposto. Em qualquer destes casos. que o “Projeto Especial de Ação” precisa de alguns ajustes no processo de planejamento: elaboração. p. verificar a que distância se está deste tipo de ação e até que ponto se está contribuindo para o resultado final que se pretende. portanto. as necessidades da sala de aula. . se tiver consciência crítica. verificou-se que o “PEA” não atende. Neste sentido. Segundo Gandin (1991. execução e avaliação. p. Há necessidade de compreender que o projeto precisa ter um planejamento nas etapas de elaboração. 14): Em geral. bem como cada um dos documentos derivados. 13 conhecem o programa. propor uma série orgânica de ações para diminuir esta dinâmica e para contribuir mais para o resultado final estabelecido. Como resultado. Assim. ou algumas. desprestigia-se o planejamento que tem a difícil função de organizar a ação sem ferir a liberdade e a riqueza dos participantes de um grupo. o aprimoramento das práticas educativas fica comprometido.Conhecimento dos professores do Programa a Rede em rede Quanto ao “Programa A Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil”. 02 não conhecem e 01 conhece sem profundidade. pode ser levado pela força ou pelo engodo. não aceita tal situação e que. apontando a direção para todo um grupo. observa-se por meio dos relatos dos professores ao avaliarem o “Projeto Especial de Ação” que o projeto é estático e não dinâmico. plenamente.

Não teve nenhuma avaliação excelente. é necessários ler. Portanto. discutir. Veja-se o gráfico: . Questão 9 e 15b: Avaliação do Programa a Rede em rede Os docentes avaliaram o “Programa” da seguinte forma: 08 consideram o “Programa” bom.64 Programa A Rede em Rede na Educação Infantil Conhece Não Conhece Figura 6: Programa de Formação Continuada Fonte: dados do autor Segundo os dados da pesquisa. porém há um número de docentes que declaram não conhecê-lo ou não conhecê-lo com profundidade. problematizar para fazer parte do cotidiano educativo. todos os professores receberam os documentos do “Programa A Rede em rede”. 04 docentes avaliaram como regular e 04 não avaliaram o “Programa A Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil”. a maior parte dos professores conhece o “Programa”. No ano de 2006 e 2007. refletir. tornou-se evidente que não basta adquirir os documentos e conteúdos do “Programa” para conhecê-lo.

. os professores deveriam ter esta e outros tipos de formação”. porque. ao grupo gestor". os profissionais da Educação Infantil relatam: R1: “Colocaria o professor para participar. R3: “Acredito que os professores precisam participar das mesmas formações que os coordenadores pedagógicos participam”. R5: “ Todos participarem. R2: “Preciso conhecê-lo melhor para avaliá-lo adequadamente”. positivamente. R6: “Que fosse aberto aos professores e não só. Ainda sobre a avaliação. em muito dos casos. o “Programa”. os demais se dividem entre regular e os que não avaliaram. R8: “Que tivesse um programa voltado diretamente para os professores”. não chega a informação e a formação até o professor”. R4: “Que o Rede em Rede se estendesse aos professores em nível de formação". só com a participação do Coordenador Pedagógico”. R7: “Eu mudaria a formação que é voltada somente ao Coordenador Pedagógico. Virou um telefone sem fio.65 Avaliação do Programa Excelente Bom Regular Não Avaliado Figura 7: Avaliação do Programa de Formação Continuada Fonte: dados do autor A metade dos professores pesquisados avaliaram.

com o único formador. No relato dos profissionais de Educação Infantil. os coordenadores pedagógicos também precisam. os diretores também precisam. R15: “Que o programa proporcione formação para o professor com DOT-P e não apenas para o Coordenador Pedagógico”. se a mudança deve ser a este ponto. R14: “Gostaria de conhecer melhor para poder opinar”. R12: “Sinto a necessidade de ter uma programação Rede em Rede que fosse aplicado para a formação direta do professor em horário de trabalho”. no processo de formação continuada do “Programa A Rede em rede”. R16: Não respondeu. por parte dos docentes. então sugiro que seja direcionado diretamente aos professores”. R11: “Não respondeu”.. de modo que gostaria. se envolvam em processos.. Dos pesquisados. R10: “Não tenho conhecimento sobre o projeto. De acordo com relato de Nogueira (2005.) Se é outra a concepção que se quer .66 R9: “ Deveria ter a participação dos professores”. nota-se o reconhecimento dos gestores. os supervisores também precisam(. Há necessidade da formação continuada em todos os níveis hierárquicos do sistema educacional. sujeitos das mudanças e das resistências. é preciso que essa mudança vá sendo construída nos diferentes espaços e que as pessoas. 221): Colocando de outra forma: se os professores precisam da formação continuada para garantir a aprendizagem dos alunos. 09 solicitaram que o “Programa” fosse realizado diretamente aos professores ou professores e coordenadores pedagógicos. p. O “Programa A Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil” é . cada um do seu lugar. cada um de acordo com aquela que é a sua tarefa nesta grande processo que é garantir a educação das crianças. R13: Não respondeu.

sistematizar suas reflexões em várias formas de registro e reconstruir conhecimentos historicamente elaborados. também. a formação continuada dever ser: Em programas de formação continuada. Assim. que a formação do “Programa A Rede em rede” não chegou aos professores em nível de uma formação plena. p. pelo contrário o estudo.) A meu ver. organizada na forma de cursos. a linguagem do brincar e acolhimento. a formação continuada precisa ir além da informação. mesmo na formação continuada. Segundo Oliveira (2005. os professores devem ser estimulados a articular os vários conceitos trabalhados em sua formação anterior ou atual com sua prática profissional cotidiana.Assuntos significativos do Programa A Rede em rede e sugestões de outros assuntos Os assuntos mais significativos do “Programa A Rede em rede” pelos professores foram tempo e espaço.. A inclusão do trio gestor na formação continuada trouxe um avanço significativo para educação infantil. no relato dos professores. pesquisar alternativas de ação. p. essas práticas de formação são insuficientes. Isso envolve problematizar sua prática. ou na forma de assessorias pontuais (. 225). teórica. é uma concepção pautada na idéia de formação conceitual. voltada para informar. informação e teoria não são dispensáveis. Todos os envolvidos no processo de formação continuada precisam estimular os professores a pesquisar. mas para que se garanta uma formação que faça avançar a aprendizagem dos alunos. . a interação é essencial no processo de formação.67 pioneiro em incluir em sua formatação a trio gestor no processo da formação continuada. Essa ação reforça a importância da articulação da equipe gestora no processo de mudanças de prática pedagógicas rumo ao ensino de qualidade. a exposição teórica são essenciais. práticas pedagógicas e orientação didática e expectativa de aprendizagem. Observa-se. 221) relata: O mais comum.. as múltiplas linguagens da Educação Infantil. Questão 10. na Prefeitura Municipal de São Paulo. A respeito da formação Continuada Nogueira (2005. Os temas sugeridos pelos entrevistados para serem trabalhos no “Programa” foram inclusão. a utilizar instrumentos metodológicos para a reconstrução e construção de novos conhecimentos e práticas pedagógicas.

dos interesses. Observe-se a tabela: Tabela 4: Freqüência do Registro Registro Diariamente Semanalmente Mensalmente Bimestralmente Semestralmente Total Fonte: dados do autor Nº 2 8 3 0 3 16 Segundo o Documento A Rede em rede. aquilo a que damos um significado.fase 1 (2007. p. a observação e o registro são instrumentos metodológicos para uma prática pedagógica autônoma e responsável: A primeira forma de registro de pontos observados é a própria memória: da infinidade de cenas que observamos diariamente.Registros pedagógicos Quanto às questões pedagógicas. em função dos nossos conhecimentos anteriores. O “Programa A Rede em rede” foi o pioneiro em pensar na qualificação da equipe gestora da Unidade Educacional e trouxe uma nova concepção pedagógica para a modalidade Educação Infantil. a freqüência do registro dos docentes ao desenvolvimento dos alunos. No entanto. 08 semanalmente e 02 diariamente. a memória não nos é suficiente. posto que só registramos aquilo que podemos reconhecer. como fazer uso dos tempos e espaços para melhorar o atendimento das crianças. que estamos acostumados a enxergar. . 40). Questão 11.68 atualização e socialização da prática. etc. a nossa história de vida. jogos de raciocínio lógico. só nos lembramos de fato daquelas que já ficaram registradas na memória. 03 docentes realizam o registro semestralmente. 03 mensalmente.

Veja o gráfico: Reflexão da Prática Docente Diariamente Semalmente Mensalmente Outros Figura 8: Freqüência que se reflete a prática docente Fonte: dados do autor A análise e reflexão da prática pedagógica diária permitem ao professor problematizar suas ações pedagógicas. o que empobrecerá o trabalho. A freqüência dessa reflexão sobre a prática pedagógica. Questão 12.fase 1 uma das ferramentas básicas para a reflexão docente é: . enriquecendo o seu fazer docente. relatada pelos profissionais da Educação Infantil foi a seguinte: 10 refletem diariamente sobre a prática docente. Segundo o documento. 15 professores relatam que possuem o hábito de refletir sobre a prática docente e 01 não respondeu a questão. 04 semanalmente. De acordo com o documento A Rede em rede. o que prejudica a qualidade do registro. Muitos profissionais ainda estão registrando tardiamente suas observações. a análise e reflexão da prática pedagógica.Reflexão da prática pedagógica Em relação à reflexão sobre a prática pedagógica. é necessário que não se passe muito tempo para sua realização. o registro deve ser feito de preferência simultaneamente à observação. repensar e planejar o próximo passo da ação. para que os profissionais da Educação Infantil não permaneçam apenas no registro de memória.69 Portanto. 01 mensalmente e 01 relatou que sempre que necessário.

em relação aos Princípios e Fins da Educação Nacional declara: “Art 3º. (DOT P-EI. ou seja. 01 construtivista. Questão 13. construtivista. 40) Uma análise de caso é uma estratégia de formação que requer do leitor o exercício da capacidade de problematizar. Sem ele. 2007. combinando a concepção tradicional com a concepção construtivista e sócio-construtivista. no item “Outros”. III. . a observação e o registro são instrumentos importantes para realizar uma análise de uma situação. É uma das ferramentas básicas do próprio processo de reflexão.Concepção Pedagógica A concepção pedagógica que fundamenta a prática docente declarada pelos pesquisados foram: 10 professores se consideram sócio-construtivista. A maioria é sócio-construtivista e a minoria. trabalha-se freqüentemente com ouvir dizer. 01 não respondeu a questão e 4 mesclam as concepções pedagógicas. ações significativas. (DOT P-EI. Veja a tabela: Tabela 5: Concepções Pedagógicas Concepção Pedagógica Tradicional Construtivismo Sócio-Construtivismo Outros Não respondeu Total Fonte: dados do autor Nº 0 1 10 4 1 16 Na pesquisa. alguns professores relatam que mesclam as concepções pedagógicas. 2007. p. 45) De acordo com o documento.70 Um bom registro daquilo que observamos nos possibilita fazer uma boa análise de um determinado caso. de analisar o ocorrido. com informações muito incompletas. Segundo a LDB 9394/96. não houve nenhuma declaração em relação à concepção tradicional.pluralismo de idéias e de concepções pedagógicas”.O ensino será ministrado com base nos seguintes princípios. registros qualitativos. com preconceitos. de pensar sobre as muitas impressões e sugestões e de tomar consciência de suas dimensões. p.

”. R9: “Repensar a prática”. é assegurada por Lei. organização dos tempos e espaços. a diversidade de Concepções Pedagógicas na Educação Nacional. como princípio.71 Portanto. R4: “Que o cuidar e educar é uma ação indissociável na educação infantil. porque trouxe temas importantes que têm sempre novos conhecimentos sobre assuntos já trabalhados”. etc. pois há pouco tempo em casa para fazer leituras técnicas. melhoria na questão dos registros e avaliação”. R7: “A importância das brincadeiras. Muito do que faço me foi passado nos PEAs”. na unidade escolar. R3: “Sim. os docentes relataram que. literatura na Educação Infantil. R11: “Prática docente aliando à teoria”. aprenderam assuntos significativos para sua prática pedagógica como: R1: “Repensando a prática embora não concordo com alguns assuntos”. durante os últimos quatros anos. R10: “Basicamente refletir sobre a prática e avaliar os resultados das ações para planejar os próximos passos da ação educativa”. Questão 14: Formação Continuada Docente Quanto à Formação Continuada. R8: “Como fazem apenas 3 anos que estou com educação infantil. pois me sinto defasada”. R5: “ Sim. dedico-me a leituras literárias”. . mas gostaria de estar me atualizando mais. . R2: “O que considero mais significativo foi a troca de experiências com os colegas e leituras. R12: “Sim. Fora da escola. Teoria-reflexão-prática-reflexão” R6: “O que realmente ficou mais evidente foi a reflexão constante sobre minha prática”.

a formação continuada dos professores. sobre o tema as Múltiplas Linguagens na Educação Infantil para os professores. nas unidades escolares do Município de São Paulo. em horário coletivo. R16: Não respondeu a questão. o eixo estudado no “PEA” foi As Múltiplas Linguagens na Educação Infantil com ênfase em Artes. No ano de 2005. Neste ano. o “Programa A Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil”. houve a necessidade de priorizar um estudo. as unidades escolares foram orientadas pelos respectivos Supervisores a dividir o horário coletivo em dois módulos: 3 horas/aulas eram destinadas ao eixo temático do “PEA” e 2 horas/aulas eram destinados ao estudo do “Programa”. os Coordenadores Pedagógicos eram orientados pela equipe de DOT-EI a apresentar os documentos Tempo e Espaço para a infância e suas Linguagens no CEIS. de acordo com os registros da unidade escolar pesquisada. Dentro dessas horas/aulas coletivas. teve como eixo para estudo a Leitura de Mundo Alfabetização e letramento. Durante os anos de 2005 a 2008. CRECHES E EMEIS da Cidade de São Paulo. Observa-se dificuldade da implantação do “Programa” nas unidades escolares. uma vez ao mês. na questão do refletir sobre a prática docente. No ano de 2006. Nos relatos dos profissionais de Educação Infantil. no caso o “PEA”. o “Projeto Especial de Ação”. pois o tempo de estudo coletivo ficou restrito devido os dois temas abordados na formação continuada.72 R13: “Todas as leituras e discussão tiveram reflexo na prática”. observa-se que os momentos de formação continuada contribuíram. Neste momento. portanto não era estudado no horário coletivo. foi implantado. teve vários eixos de estudos. . principalmente. R15: “Não participei”. Nesse momento. volume I e Manual de Brincadeiras volume II e trazer a prática das oficinas vivenciadas pelos Coordenadores Pedagógicos.E”. o “Programa A Rede em rede” estava sendo elaborado pela equipe da Diretoria de Orientação Técnica Pedagógica (DOT-P). em conseqüência. R14: “Não tive formação continuada na U.

A formação continuada deve romper os muros da escola. junto à equipe escolar. De acordo com os pesquisados.EI a fazer um diagnóstico. 11 docentes declaram que sua participação foi boa. 01 excelente. Questão 16: Auto. o que dificulta o aprofundamento do estudo. o que facilitou o aprofundamento do tema e a aproximação do “ Programa” aos professores. 01 regular e 03 não avaliaram. preferencialmente no “Projeto Especial de Ação”.avaliação dos docentes quanto à participação na Formação Continuada Em relação à auto-avaliação dos profissionais de Educação Infantil com relação a formação continuada. Já no ano de 2008. o “PEA” precisa ter um tema específico e próximo da prática docente. o tema escolhido para o “PEA” foi As Múltiplas Linguagens na Educação Infantil. no primeiro ano da implantação. das necessidades da unidade em relação às múltiplas linguagens da Educação Infantil e selecionar uma linguagem para ser estudada no próximo ano letivo. o “PEA” teve como eixo: A Linguagem do Brincar. Então. Veja o gráfico: . Diante desta dificuldade.73 o “Programa A Rede em rede” e os documentos foram pouco abordados na formação continuada. os Coordenadores Pedagógicos foram orientados por DOT. com vivências culturais e troca de experiência com outras unidades escolares. Há uma dicotomia entre momentos de estudo do “PEA” e momentos de estudo do “Programa”. no ano de 2007.Acolhimento e o estudo do documento Orientações Curriculares: Expectativas de Aprendizagens e Orientações Didáticas.

Segue as questões e as repostas da equipe gestora: I.74 Auto-avaliação na Formação Continuada Excelente Bom Regular Não Avaliaram Figura 9: Auto-avaliação dos docentes Fonte: dados do autor O grupo avaliou a participação na formação continuada de forma positiva. Quais são os desafios cotidianos que você tem enfrentado em relação à formação continuada dos professores? R1: “Ainda a questão do registro”. 4. Isso demonstra o apoio e a satisfação em participar dos horários coletivos da formação docente. R2: “Avançar na relação teoria e prática. . foi aplicado um questionário contendo 7 questões dissertativas.2 Instrumento de pesquisa quantitativa: Questionário-Gestores Quanto à participação da equipe gestora. pois os gestores são os condutores do “Projeto Especial de Ação” e do “Programa A Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil”. na unidade escolar. A formação deve ser cada vez mais para dar encaminhamentos educacionais a partir de diagnósticos do cotidiano. A participação do Coordenador Pedagógico e do Diretor de Escola na pesquisa é muito significativa.

o estudo crítico das teorias que ajudam a compreender as práticas. o docente precisa perceber a importância do registro para o desenvolvimento profissional.75 Nesta questão. O registro é uma boa estratégia para se alcançar esse objetivo. rechaçando receitas ou manuais. Entende-se por registro. criando estratégias de ação. II. os gestores apontam para duas dificuldades encontradas no cotidiano.E. além de trazer o pensar íntimo e individual do professor. p. no cotidiano. segundo contrato prévio entre o autor e seu parceiro. 43) (.” R2: “Os conteúdos e reflexões têm sido condizentes com os problemas educacionais do cotidiano escolar”. por muitas vezes encontrar resistência no grupo de professores e dificuldades dos docentes de encontrar momentos. .. Quanto à relação teoria e prática. pode se tornar um recurso importante que permite o acesso ao pensamento do professor. isso. quando lido com seriedade e respeito. R1: “Muito bom. 129) De acordo com a pesquisa e as referências citadas. O Coordenador Pedagógico. fazendo-o avançar além do que já sabe. Nota-se a dificuldade do Coordenador Pedagógico em instrumentalizar-se do registro. 2007. dificuldades e angústias do professor.) os que atuam com crianças precisam assumir a reflexão sobre a prática. mais atentas. conclui-se que o registro é um instrumento metodológico importantíssimo. organizadas. p. o que significa um desafio para os gestores. fundamental na busca de estratégias que a ajudem a desestabilizar suas crenças e hipóteses. Como você tem percebido a presença da formação continuada (conteúdo) na prática dos docentes? Comente. teoria e prática: O diário como forma de reflexão. os gestores precisam elaborar estratégia para que ocorra a reflexão teoria x prática para o desenvolvimento profissional dos docentes. para registrar as observações da prática pedagógica. Ele é uma das estratégicas do Coordenador Pedagógico para formular boas perguntas e transformar problemas em soluções. quando utilizado para a reflexão da prática docente.. no âmbito da formação continuada: o registro e a relação da teoria com a prática. terá acesso às concepções. 2002. Essas informações serão úteis ao Coordenador Pedagógico que poderá partir deste ponto para conduzir o professor ao avanço da prática pedagógica. Porém. ao ler o registro. isto percebe-se com todos os funcionários da U. ( Kramer. mudanças com novas estratégias. ( A Rede em rede.

sujeito coletivo: (.76 Apesar de nesta questão. R2: “Pois as possíveis dificuldades fazem parte do processo de formação onde as diferentes concepções e práticas educacionais se interelacionam. e os assuntos. pois os participantes escolhem a bibliografia. o juízo comum sobre a realidade. Portanto. relate as dificuldades. terem sido citadas anteriormente as dificuldades em relação à reflexão da teoria com a prática docente. ambos os gestores percebem resultados significativos da formação continuada na prática pedagógica. III. . não necessariamente sob a mesma determinação geográfica.) é um grupo de pessoas que possui uma identidade comum. percebe-se fazendo parte de uma mesma realidade comportamental.. p. O Gestor 1 relata que não há dificuldade em relação ao “PEA”. por assim dizer. extensão de suas próprias pessoas. R1: “A bibliografia do PEA é escolhida pelos participantes. p. às vezes. 19): “a elaboração é apenas um dos aspectos do processo e que há necessidade da existência do aspecto execução e do aspecto avaliação”. Segundo Gandin (1991. a participação na escolha da bibliografia não é suficiente para que o “Projeto” tenha resultados positivos. Segundo Silva (2006. conflituosamente”.. Pode-se conquistar esse comprometimento por meio do sujeito coletivo. que é. com o “Projeto Especial de Ação” e o “Programa A Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil? Caso positivo. tratados no Programa: A Rede em Rede tem vindo ao encontro das necessidades dos grupos”. O Gestor 2 fala sobre as diferentes concepções e práticas pedagógicas dos docentes. um juízo comum sobre a realidade e reconhece-se participante do mesmo “nós-ético”. O que o unifica é. nos horários coletivos. ou seja. Esses conflitos podem ser mediados por meio do comprometimento de todos os participantes no processo educacional.94 ). o que causa conflitos na unidade escolar e o que faz parte do processo de formação profissional. O grupo procura viver em comum-unidade. principalmente. Você tem sentido dificuldade em lidar.

EMEIs e EMEEs da Rede Municipal de Ensino. IV. R2: “Positivo. Os Gestores 1 e 2 avaliaram positivamente o “Projeto Especial de Ação” como espaço coletivo de estudos. pesquisa e trocas de experiências profissionais. os participantes do processo educacional precisam se comprometer com os objetivos e metas comuns da unidade escolar. Como você avalia o Programa de Formação Continuada: “A Rede em rede”. independente das concepções pedagógicas. Nesses últimos quatro anos. Neste sentido. Tem contribuído bastante para a qualidade do ensino na Educação Infantil”. A criança é o foco principal do trabalho pedagógico.busca apoiar a tarefa dos trios gestores na elaboração e implementação de projetos locais de formação continuada de professores em todas as unidades educacionais dos CEIs. o Programa tem alcançado os objetivos propostos para a Educação Infantil.77 De acordo com o conceito de sujeito coletivo. como você avalia o “Projeto Especial de Ação”? R1: “ De qualidade. contribuindo para a qualidade do ensino”. pois é um espaço importante para confrontar os problemas educacionais do cotidiano com os textos teóricos possibilitando a interação teoria e prática. no Município de São Paulo? R1: “O programa tem contribuído bastante para atuação da equipe gestora”. estudos e pesquisa”.Portaria 938/06 – SME . Segundo o Portal da Prefeitura Municipal da Educação o objetivo do “Programa A Rede em rede”: O Programa "A Rede em rede: formação continuada na Educação Infantil" . . V. portanto toda decisão tomada no coletivo deve estar voltada para o melhor atendimento a criança. R2: “Ótimo. Momentos ricos que devemos aproveitar o máximo para trocas.

VII. se bem trabalhadas. Para a equipe de DOT. R2: “Neste ano de 2009. O Gestor 1 relata que não observa dificuldade dos professores em lidar com a teoria do “PEA” e do “Programa” por esses conterem conteúdo compatível ao cotidiano da Educação Infantil. (A Rede em rede-fase 1. é responsabilidade da Unidade Escolar: Cada U. Em relação ao Ensino Fundamental de 9 anos. mas já estamos assimilando a nova realidade. Ele ressalta a contribuição da diminuição de crianças na sala de aula para o acolhimento das turmas de menos de quatro anos de idade. O Gestor 1 relata que há uma discussão na unidade escolar a respeito do acolhimento das crianças de quatro anos a completar. O Gestor 2 afirma que há dificuldade. na prática docente: R1: “Não. p.78 VI. Portanto. pois os assuntos são pertinentes”. R2: “As dificuldades são inerentes ao próprio processo.E desenha para a infância um cotidiano que considera culturalmente relevante. 2007. O Gestor 2 comenta sobre as dificuldades ocorridas no ano de 2009 e a superação delas. Você tem percebido dificuldades dos professores em lidar com a teoria do “PEA” e “Programa A Rede em rede”. há divergência dos gestores quanto as dificuldades dos professores em lidar com a questão da teoria e prática docente. nessa faixa etária irá contribuir bastante para o desenvolvimento do trabalho pedagógico”. a atenção e o atendimento delas terá melhor qualidade. potencialmente capaz de partilhar com as crianças parte importante da nossa herança cultural. mas temos discutido sobre o assunto. 49) . tem pensado no acolhimento das crianças de 4 anos a completar no cotidiano da EMEI? R1: “No início foi difícil. como você. Acredita-se que. enquanto gestor. fazem parte do crescimento profissional. são dificuldades que trabalhadas levam ao aprimoramento profissional e educacional”.EI. foi um complicador. porém que ela faz parte do processo educacional e. A redução do número de crianças por classe. Temos que repensar a forma de melhor acolher esses alunos”. com a diminuição do número de crianças nas turmas menores de quatro anos.

Eu. Assim. nós nunca deveremos deixar de estudar. tendo como roteiro. sentimentos. 4. trabalhando dentro da escola. Pensar o acolhimento das crianças tão pequenas. Essa formação continuada pode se dar na escola. num espaço cheio de gostos. da minha formação mesmo. gestos. Pelo menos três. dedicação é incluí-las no mundo mágico da Educação Infantil. com o grupo de estudo. vai procurar teorias que o auxiliem nessa formação continuada. Uma criança que cada vez mais com a tecnologia. das dificuldades que ele vai tendo no dia a dia ele vai estudar. Segue o roteiro de perguntas. há dez anos atrás. Professora 2: O que eu entendo por formação continuada é aquele estudo que o professor tem depois da sua formação.graduação. O Foco principal da entrevista são os temas do “PEA” e do “Programa A Rede em rede” na prática docente. da sua graduação ou outro tipo de formação e convém com a sua prática. no período de 2005 a 2008. Então ele tem a prática. que nós professores. de um contexto novo. carinho. através de leituras que o professor faz em casa. parcial ou. Então. amor. nós sempre recebemos uma criança nova. de uma sociedade diferente daquela que talvez nós estudamos. as idéias da gestão e também as práticas e o estudo que a gente tem que estar fazendo.79 A unidade escolar tem o compromisso de transformar o cotidiano das crianças em um espaço de aprendizagem e desenvolvimento. com o coordenador. um grupo junto estudando. ela vai mudando. no meu caso. estar lendo. nos momentos coletivos de estudo. perguntas sobre os temas dos “Projetos Especiais de Ação” e o “Programa A Rede em Rede: a Formação Continuada na Educação Infantil”. como fora da escola também através de cursos.3 Instrumento de pesquisa qualitativa: entrevista semi-estrutural Neste momento. Porque assim. pela não participação. porque eu acredito assim. tem que se atualizar dentro da nossa área da educação. através de uma pós. analisa e discute os dados obtidos na entrevista semi-estrutural. sabores. e através da sua prática. Eu sempre procuro assim. quatro vezes por semana estar um grupo fechado. Então. As três professoras foram selecionadas por meio dos critérios de participação integral. o professor também . os dados obtidos e a análise dos dados: a) O que você entende por Formação Continuada? Professora 1: Formação que todos os dias nós estamos com os nossos colegas. cheiros. uma criança que vem de uma época. eu tento sempre procurar. dos seus problemas. pra mim isso é educação continuada. Ressalta-se que a entrevista foi transcrita e mantida na dissertação na linguagem coloquial da Língua Portuguesa.

reflexão da prática docente e troca de experiência tem sido valorizado pelos professores. de interlocução com seus pares na busca de um trabalho que avance em relação a uma proposta educacional-pedagógica de qualidade. na medida do possível. na quinta a gente replanejava.80 tem que vir buscar essa mudança. né. As professoras relatam a importância da relação teoria e prática na formação continuada e valorizam o estudo em grupo. p. os livros são caros. do texto que a gente tinha lido e da prática na quarta. que a prefeitura vai trazendo livros para a escola eu vou olhando os livros e vou pegando aqueles que eu acho interessante. Porque infelizmente nós não temos assim condição de ter acesso a livros. ele tem que vir buscar esse estudo.. pra estar sempre se atualizando e acompanhando essas mudanças. Rocha e Filho (2002. do horário da gente. O PEA é uma formação continuada. a comunidade muda. essa formação continuada pra gente acompanhar essas mudanças. 218) (. das famílias e das crianças e a necessidade de atualizar a prática docente. Elas ressaltam que a formação continuada tem contribuído para esta atualização. quatro dias na semana. E depois da reflexão. essa busca. Então eu procuro. as famílias mudam. É o momento onde nós nos reunimos. E é importante esse momento. Professora 3: Bom. Assim. né. vai da gente. nas Unidades Escolares. Professora 2: Como eu já tinha falado né. Ai foi muito interessante ter o PEA aqui na escola porque nós dividimos da seguinte maneira: na terça-feira a gente pega pra estudo. Na quarta-feira nós pegamos para a prática. Segundo Cerisara. b) Quais são os momentos em que ocorrem a Formação Continuada na Unidade Escolar? Professora 1: Bem. de acordo com os livros que tem aqui na escola. É o professor estar sempre em busca de novos conhecimentos porque tudo muda. com a necessidade das minhas crianças e aí eu vou lendo em casa.) para trabalhar com crianças pequenas em creches e pré-escolas os professores precisam de um espaço de troca. cada professor escolhe o seu horário e aí a gente forma um grupo. é como uma reciclagem. três. nós mudamos. né. E também no PEA. a pesquisa comprova a importância da formação continuada. Então. melhorando nossa prática. a gente pegava a quarta pra fazer a prática da sala de aula. Portanto. Através do estudo que a gente tinha estudado na terça-feira. As professoras 2 e 3 percebem as mudanças da sociedade. E sempre refletindo. Nós nos reunimos e estudamos. o quanto o momento reservado para discussão. As crianças mudam. que convém com a minha prática. essa formação continuada dentro da escola já se dá no . isso acontece no PEA. né. Geralmente são três dias na semana. formação continuada.. deixa eu ver como eu posso dizer.

da sua prática. com cada criança. deveria até ter mais encontros desse tipo. a escola promove diferentes espaços e tempos para formação continuada. a criança que se expressa. eu acredito que seja assim. com as crianças. que eles têm oportunidade de discutir alguns assuntos. partidos. que se corrige.. em que se fortalece cada unidade e fica assegurado o estudo individual e coletivo para compreender a realidade mais ampla e o que acontece no dia-a-dia. Porque nas reuniões pedagógicas é o momento que a gente pára. eles têm mais oportunidade de troca. é muito interessante por isso. Segundo Kramer. Porque nas reuniões pedagógicas é um número maior. nota-se o reconhecimento da Professora 1 do momento destinado para o estudo no horário coletivo. até mesmo assim.. Assim. Professora 3: Olha. é praticamente a escola inteira. falando do seu trabalho. né. p. que o grupo que está nessa formação.. fala o que pensa.) (III) formação em cada escola.81 PEA e nas reuniões pedagógicas também. algumas dificuldades encontradas... 2002. leitura. Professora 2: Criança. sindicatos (. a criança que chora. somos seres em aprendizagem e a criança [. com cada um de nós. que imagina. então você tem contato com outros professores. Ela é igual uma esponjinha. horário de estudo conjunto. Nós. Sendo assim. a formação ocorre em diferentes espaços e tempos: (I) Formação prévia no ensino médio ou superior em que circulam conhecimentos básicos relativos à língua. na verdade. Então. porém reconhece os horários coletivos de estudo e sua importância. matemática(. de outros turnos que você não tem no PEA.) ( Formação de profissionais de educação infantil: questões e tensões.. A Professora 3 não realiza a formação continuada na escola. da Professora 2 o reconhecimento em outros momentos de formação continuada que a unidade escolar oferece como a reunião pedagógica por contemplar todos os professores. estar desabafando. Eu acredito que aconteça isso nesse momento. debate. fóruns. A escola é o espaço de referência quando se fala em formação continuada pelos docentes.. (IV) formação cultural que pode favorecer experiência com a arte em geral. 117) De acordo com os relatos. Então. eles têm mais momentos ali que eles estão juntos. eu percebo assim.. a criança que constrói. pelo que eles falam. seres humanos.] é tudo de bom. creches e pré-escola que garanta estudo. É um desabafo também... a literatura (. a criança que nós fomos um dia e crescemos e hoje somos adultos. c) Qual é a sua concepção de criança e infância? Professora 1: A criança que brinca. a gente reflete. associações. ela absorve tudo. Eles têm essa oportunidade de ta trocando experiência. a minha concepção de criança é que é um ser em .) (II) formação no movimento social. que é reconhecida pelos professores. eu nunca participei.

] Por isso que eu escolhi educação infantil. direta ou indiretamente. a gente trabalha muitas linguagens.[. a se formar. gostando. Tudo eles absorvem. que aprende e ensina. que expressa os sentimentos e que constrói a história. que imagina. acredita-se que o professor precisa além de perceber a criança como um ser ativo precisa. eles curtindo. até os seis anos. é assim.82 desenvolvimento. principalmente essa idade que a gente trabalha. 2006. a música. as crianças. se conhecer melhor. as mães sempre comentam: ah dia que não tem aula... 11) Portanto.. muito importante. Eles falam o que eles fazem aqui. Professora 3: Ah.. eles gostam de tudo que acontece aqui. que lhes assegura uma gradativa apropriação da cultura historicamente constituída. a conhecer a escola. mediadas. A criança é um ser ativo que brinca. Além disso. eles gostam. linguagens. também.. Então assim. Essa experiência é essencial para que a criança também possa ser produtora de cultura. é muito importante esse momento da criança – a infância. formar sua identidade. eu acho maravilhosa essa fase. p. a dividir. curioso. é história. o professor. Então toda proposta que você traz tudo que você vai fazer. Eu acho muito importante [. se eles não gostam. eu acho assim.] que esse momento da educação infantil é importante. porque eu viajo junto com as crianças no mundo da fantasia. a socializar. Você vê que tudo isso. E assim. conhecer a rotina. relações humanas e por técnicas. é idade de formação de personalidade mesmo. absorvem tudo. conhecer os materiais. Então. o brincar.. que cria. é muito gostoso. é muito bonito falar em criança. Os professores pesquisados notam essas características desses pequenos aprendizes. o desenho. Creches e EMEIs da cidade de São Paulo. por exemplo. porque [.. ainda ta naquela fase gostosa. ele reclama ou fala que sente saudade. por parceiros mais experientes como. perceber-se como o mediador da aprendizagem dos alunos para facilitar o ensino-aprendizagem dessa criança ativa que convive no nosso cotidiano escolar. Ah. que gosta de brincar.] e muito gostosa essa fase. ficando felizes. a se conhecer. São seres assim. eles viajam. já falam que não gostam. formado pelos costumes. que tudo é de bom pra eles. as crianças: Em sua relação com este mundo. que se eles gostam.. Eles sonham.. . ressaltam a identificação que possuem com a faixa etária e a satisfação em trabalhar na Educação Infantil. muito bom poder ter essa oportunidade de trabalhar com essa fase.] é nesse momento que ele aprende a lidar com o outro. essa idade. Segundo a equipe DOT-EI. ( Tempos e espaços para a infância e suas linguagens nos CEIs. Eles são sinceros.. manifestando-se por diferentes linguagens. A gente percebe que eles gostam de vir pra escola. desde cedo tentam apreendê-lo e significá-lo. valores. E a gente sabe [.

Ela tem que estar atenta no que eu estou fazendo. Tem professor que trabalha muito bem assim.83 d) De acordo com a resposta do questionário. Então eu sou tradicional e construtivista por quê? Porque eu sou consciente que eu estou aqui pra ensinar. Então.] Então eu considero tradicional.. trabalham muito bem. vivenciando. o pai de tudo isso. Professora 3: Então. ela tem que me ouvir. conforme esse meio que ela tem à sua disposição. acredito que ninguém é inteiramente sócio-construtivista. Então.. Entendeu? Então assim. Então. Então. comigo. se não ouvir fica difícil a gente trocar idéias e conseguir educar e ensinar ao mesmo tempo. dela se expressar. pra ela fazer. mas eu também tenho os momentos de ensinar e isso eu não posso deixar de lado.. pode se dizer. você se declara sócio-construtivista. O que é o sócioconstrutivista? É o educar levando em conta o meio da criança. O que o meio oferece pra essa criança pra ela está pegando. deles estarem conversando. com aquilo que ela fala o que aconteceu na casa dela. você acaba ficando usando isso. então todo mundo carrega esse lado tradicional. [. brincando ao mesmo tempo. O que você entende por essa concepção? Professora 2: O sócio-construtivista. [. isso eu considero o tradicional. mas por que eu me considero que eu me enquadro mais nessa concepção sócio construtivista? Porque [.. eu acredito que sócio-construtivista é o meio. Há uma dificuldade de compreensão da professora sobre a concepção sócioconstrutivista. pra . porque tem que ouvir. o viver dela. experimentando. Pesquisadora: Em relação ao questionário. da autonomia. Eu não. eu acredito muito nessa coisa dela.] acredito muito que a criança [... vai ter o momento de construir. vai ter o momento de ouvir. o que você entende por concepção tradicional e sócio-construtivista? Professora 1: Tradicional é o professor que ensina. de reciprocidade. [.] coloquei sócio-construtivista porque olhando no geral eu acredito que eu me enquadro melhor nessa concepção sócio-construtivista. Então. o que eu vou educar com a minha criança nas relações do dia-a-dia com o colega. na rua...] constrói o conhecimento dela. É uma coisa por vez. Só que.. que tem que ensinar também. todo mundo tem um pouquinho de tradicional. Mesmo porque nós estudamos. uma obrigação de ensinar. sinceramente. Então o que eu vou ensinar? E aí eu vou elencar o que é importante pra eu estar ensinando para a minha criança. tem que ter uma relação de respeito.. nós fomos formados numa concepção muito tradicional. ela vai aprendendo e desenvolvendo a aprendizagem.] Eu perco o controle. mesmo ela tendo relatado que é sócioconstrutivista. Ela vai ter o momento dela falar. Aí assim.. tem que estar claro na cabeça dele que ele tem. de participar da aula. de você estar oferecendo material pra ele explorar. Trabalhar muito essa coisa da criatividade. Eu vou estar educando essa criança. ele fala que a criança vai interagir com o meio e conforme o meio ela vai construir a sua aprendizagem. pra ela criar. fazendo atividade ao mesmo tempo. dela ter autonomia pra fazer. vamos falar que é Vygotski.] Observar-se no relato da professora 1 que as ações pedagógicas desenvolvidas na sala de aula são baseadas na concepção tradicional.. com outras pessoas da unidade escolar. Então. por isso que eu falo que eu sou tradicional [.

Aí parou.84 opinar na rotina.. tem sempre um vídeo de música. um desenho animado. que ela vai brincar. Então. Toda vez que eu vou passar informação para as crianças. A equipe DOT-EI traz. esse ano eu usei muito o vídeo. As experiências. pra participar. e) Como tem sido no cotidiano da sala de aula. pra ir fazer. a sala está sempre organizada em meia lua.. em relação ao tradicional. Então. eles vão para o meio da sala e nós fazemos uma roda. o brinquedo que ela vai brincar. ( Tempos e espaços para a infância e suas linguagens nos CEIs. [. Terminou esse momento..] aquela necessidade de trabalhar a letra a.] Segundo a entrevista. .. acredito que me enquadro mais nessa proposta por conta disso. as conversas. Então essa é minha organização da sala. não o tempo todo. quantos meninos. aí é o meu momento. um com o outro. se cumprimentando. ajudar a organizar o espaço que ela vai fazer atividade. 25-26) Portanto. ajudando-a a descobrir o desejo envolvido na investigação. p. a pesquisa revela que não há incorporação da concepção sócioconstrutivista na prática docente. a letra b. ela está criando também. Por quê? Após esse encontro entre eles. Então. 2006. vivência. na maior parte do tempo é isso.. a questão da organização do espaço e do ambiente? Professora 1: Esse ano eu trabalho na sala 5 que seria a sala de vídeo. contando as novidades. aquelas coisas ainda de você trabalhar. Qual é a proposta dela? Ela também tem uma proposta para aquele momento. algumas professoras percebem a concepção tradicional na sua prática docente. Creches e EMEIs da cidade de São Paulo. vou fazer a leitura do dia. relatam algumas ações que caracterizam uma concepção sócio-construtivista e revelam a falta de maior conhecimento sobre a concepção sócio-construtivista. eu com elas..] eu acredito muito nessa construção do conhecimento da criança e nós aprendendo o tempo todo. saberes e interesses infantis são pontos de partida para que novos conhecimentos sejam por ela apropriados em situações que lhe despertem o interesse frente ao inexplorado. O primeiro momento é o momento de acolhimento deles. Então. apenas alguns ensaios desta concepção pedagógica. eles trazem brinquedos de casa. Poder ter momentos dela escolher o material que ela vai utilizar. eles trocam brinquedos entre eles. vou escrever na lousa. ao desconhecido. que eles vão chegando. a letra c. o fundamento da concepção sócioconstrutivista: Aprender deve ser uma experiência significativa para a criança e deve também integrar o que ela já conhece com aquilo que é novo para ela. eu vou dar um exemplo pra ficar mais concreto: as letras do alfabeto. E aí eu faço com todos juntos. quantas meninas. Às vezes você vai com uma proposta e a proposta até muda porque ela está participando. no documento. eles até sabem. Isso é tradicional porque a criança não aprende necessariamente assim. nós vamos fazer a nossa contagem. [. [.

porque assim. a lousa. individuais ou coletivos. elas abrem o armário. Eles ajudam muito na organização dos espaços. 33) O espaço físico dessas unidades educacionais não se resume apenas a sua metragem. mas no momento tem assim o da leitura que é fixo.85 Professora 2: Olha. cola. a gente tem que estar reforçando. falando. 2007. Mas assim. elas fazem do jeito que elas querem. Aí.. topografia. nós temos aqui na unidade. Então. eu deixo elas manusear. eu tenho muito isso na minha rotina. Mas eu tenho que deixar assim. É assim também com os brinquedos. o espaço e o ambiente. o espaço a gente está sempre mudando.[. à disposição delas. algumas crianças têm dificuldade para guardar. eles pegavam os livros e deixavam os livros jogados na sala inteira. lápis. canetinha. na sala de aula uma coisa fixa são os brinquedos. conforme a atividade a criança pode escolher o material que ela quer. Que nem. eu geralmente deixo vários tipos de materiais à disposição. mas assim.. guardar as coisas cada uma no seu lugar. cuidar dos seus materiais. só em alguns momentos em que há necessidade. eu gosto muito de fazer atividade diversificada. Até o rádio. ambientar as crianças e os adultos procurando atender suas necessidades e exigências nos momentos programados ou imprevistos. tesoura. a gente organiza naquele momento da atividade diversificada a gente organiza os cantinhos conforme as atividades daquele dia. o armário é delas. o espaço é organizado de maneira bem diversificada. mas ele precisa tornar-se um ambiente. então elas costumam brincar. que há um planejamento do espaço e do ambiente na unidade escolar. mas assim. brinquedos. elas pegam o que elas querem: borracha. em todas as unidades de EMEI papel. no começo dava muito trabalho. Entende-se por espaço e ambiente: (. eu não determino o material que vai ser usado. (Tempos e Espaços. depois elas guardam. elas abrem. Professora 3: Então. 34) Nota-se.) local de atividades com a função de ser um espaço de vida e de transformação que possa garantir continuidade ao que as crianças já sabem e apreciam. como principalmente pra depois também organizar tudo no lugar de novo. mas também de criação de novos conhecimentos e motivos. isto é. o material que nós temos. onde ficam os livrinhos. eu organizo com eles esses momentos. lápis de cor.. E é bem legal. cuidar dos espaços da sala. com os materiais.. (Orientações Curriculares: Expectativas de Aprendizagens e Orientações Didáticas.. giz. tem o cantinho que ficam os brinquedos. não vou dizer que não acontece de ter um livro ou outro. tinha muita coisa que eles não tinham o costume de fazer. todos os dias pra fazer as atividades. E assim. a gente tem o cantinho da leitura. 2006. p. na medida do possível. quando vai fazer um registro.. p. a gente trabalhou muito essa questão de tomar cuidado com o livro de colocar no lugar. De acordo com o documento “Orientações Curriculares: Expectativas de Aprendizagens e Orientações Didáticas”: . no relato das pesquisadas. insolação. nós temos um rádio. elas colocam o CD que nós vamos usar.] Eu até já trabalhei outra época com cantinho fixo.

Esse ano eu peguei uma sala rodízio. A Professora 1 ressalta. Assim. f) Como você planeja o tempo. A criança realiza as atividades com interesse e esforço se for livre para expressar seus sentimentos e emoções e se tiver oportunidade para desenvolver a independência. no cotidiano da escola? Professora 1: O tempo já é meio complicado. não é? Então eu já vejo qual atividade que eu vou dar naquele dia.86 A organização dos espaços dos CEIs. p. Então é tudo assim bem no horário certinho. Assim. compreensão e confiança. A Professora 2 relata a importância do espaço proporcionar a autonomia da criança durante o desenvolvimento das atividades de sala de aula e aponta o armário coletivo como fator que favorece esta autonomia. eu divido uma sala com a colega. há necessidade de um ambiente de aceitação. acredita-se que um espaço organizado. p. que deve nortear as ações das crianças e do professor. (2007. então tem que ser tudo meio cronometrado. eles vão fazer a troca e já vão ficar mais ou menos uns vinte minutos ali na conversa entre eles. curiosidade. creches e EMEIs igualmente se apóia no projeto pedagógico da unidade. Segundo Fonseca (2004. planejado. a questão do planejamento no momento de acolhimento dos alunos. Então vamos fazer leitura? Bom. 215) o aspecto afetivo deve estar presente no ambiente de aprendizagem: Quanto ao aspecto afetivo. no final de . estimulante e aconchegante com diversas propostas de vivência e experiência proporciona uma maior interação e aprendizagem entre os protagonistas alunos e professores. o que possibilita maior interação entre os alunos e professores. percorrer os espaços de uma unidade educacional fornece pistas importantes sobre a idéia de infância que os educadores que nele trabalham querem (ou terminam por) assegurar. criatividade. ativa e participativa durante as atividades propostas. A Professora 3 traz no planejamento do espaço para o desenvolvimento das atividades a organização de cantinho fixos e não fixos. 33) As professoras 2 e 3 permitem que a criança seja autônoma. iniciativa e responsabilidade. Vou passar informações. por meio do planejamento do espaço e ambiente. bastante. conversar com eles o que aconteceu no dia em casa. na prática pedagógica. como que eu vou dar aquela atividade. tem o acolhimento.

alguma coisa desse tipo e depois do lanche uma atividade externa ou o faz de conta. é uma atividade que eu perceba que a criança consegue fazer. aí a gente organiza a sala. que vai terminar naquele dia. e a gente vê quem veio. conforme essa rotina do dia. vê quem veio. aquilo. mais complicada. Professora 2: Eu não costumo cronometrar o tempo porque a gente tem que respeitar o tempo da criança. eu não tenho tempo cronometrado. E aí. a gente vai colocando. eles não ficam toda hora perguntando o que é que vai fazer. que faz parte da rotina. porque não dá. aí eles vão falando. aconteceu isso. Uma atividade mais longa. eles nunca vêem um vídeo inteiro. tem algumas atividades que eles escolhem. Depois das nove horas a gente vai pra área externa. a gente até às nove horas a gente desenvolve atividade de leitura. tem uma hora que eu deixo lá assim. com a foto bem grandona. de acordo com aquela rotina do dia. E o que a gente vai fazer hoje? Isso é bom até pra abaixar a ansiedade deles. quanto eles gastam pra fazer a atividade. Entende-se por Tempo: O tempo em uma instituição educativa deve ser vivido de modo a aproveitar as oportunidades de aprender e se desenvolver plenamente. Como é que eu vou dar atividade naquele dia. em tal episódio. então o nosso lanche é às nove horas. de acordo com essa rotina. também organiza os espaços. Então eles sempre sabem: olha. 40) De acordo com o conceito de Tempo. E a mesma coisa é com a atividade. às vezes. organizado na escola. Eu já sei. A gente tem um cartaz de pregas na escola que fica uma lista móvel. desenha na lousa o que vai fazer naquele dia. e a gente dá continuidade. os materiais. escreve. E eu tenho também a minha rotina. Então. são flexíveis. Primeiramente a gente faz uma atividade na sala de aula. E a atividade ela já vem. alguma atividade de recorte e colagem. a Professora 1 ressalta o tempo cronológico das atividades devido o arranjo estrutural da sala de aula ( rodízio de sala). então eles já estão acostumados. de ter experiências diversificadas que não seriam possíveis no ambiente doméstico ou em nenhum outro espaço que não mediado por adultos responsáveis pelas aprendizagens e desenvolvimento de crianças. mas nós temos essa rotina. faz uma atividade de teatro. Aí a gente vai lá. a Professora 2 . 2006. faz uma atividade de bola. Então assim. a gente tem uma linha de tempo que é da escola. o que eles vão fazer – jogo lá mais uns quinze minutos. Desde o vídeo do primeiro momento que entra na sala. Professora 3: É assim. Então assim. A gente conversa sobre os três episódios. mais uns dez minutinhos. das de registro. tem uma plaquinha com o nome deles. a gente chega. eu já passo na roda pra eles: hoje nós vamos fazer só a pintura e a colagem e amanhã nós vamos dar continuidade. organiza a rotina.87 semana. que mudam de um dia pro outro. quem não veio. vamos assistir hoje três episódios que fala sobre isso. dá uma acalmada. E no dia seguinte eles realmente sabem: Olha professora a senhora parou em tal capítulo. o que é que eu faço? Desde o começo nós fizemos uma rotina com as crianças. tem as atividades que são fixas. isso e isso. Então. mais ou menos. quem não veio. brinca no parque e brincadeira de faz de conta. p. quantas crianças vieram. nas diferentes faixas etárias. eu tenho o costume de todos os dias organizar com eles na lousa. que todos seguem. Amanhã vamos dar continuidade a esses três episódios. tem aquelas que são diversificadas. tem outras coisas que tem que manter que até está na linha de tempo. eu não posso dizer que é uma atividade simples. ( Tempo e Espaço.

[. tem assim. um computador.. já melhora.] Aí veio o recesso e teve aquele problema da gripe A. do material. eu acredito como professora.. ele é colocado numa altura que dá pra ela pegar. Se é um determinado dia da semana. ela tem já acesso ao computador. interação e o respeito do ritmo de cada criança nas atividades propostas e a Professora 3 fala sobre a linha de tempo existente na unidade escolar. .. [. Claro. no primeiro semestre. O material fica à disposição nossa e das crianças porque o armário é aberto. Todas as professoras relatam que adotam uma rotina. a necessidade que eu vejo ainda na EMEI é aquela lousa ainda verde. E a gente já teve um momento que o brinquedo. Há uma heterogeneidade na concepção de Tempo na unidade escolar. você não vai dar aquela coisa maçante. Então. eu sinto muita necessidade de ter informática. Não sei. No segundo estágio é mais o caderno de desenho eles tem que aprender a seqüência. lápis de cor – o material pra atividade era coletivo.] O único problema é assim. a gente já avisa. por mais pobre que ela seja.. é mais pra ele aprender a usar mesmo. na sala de aula? Professora 1: Olha. [. antes de acabar o rodízio e lá tinha baldes. A criança mesmo vai lá e pega. Eles usavam muito de trás pra frente. E toda vez que chega verba o diretor reúne o conselho. Professora 3: Olha. ela tem acesso a todos os tipos de tecnologia ou em casa. eles trazem os deles e usa o da escola também. Aí a gente pediu o estojo para os pais. experiência. [. o material mesmo giz. Acho que é importante. como é que usa. A gente costuma trabalhar muito com os brinquedos na sexta-feira. abria em qualquer página.] Nós vivemos em um mundo onde as crianças têm acesso. ele já sabe. reúne a gente e faz uma lista de prioridades. aplicando bem. de ponta cabeça. na sala de aula. [..] Teve várias orientações assim pra não estar usando mais nada coletivo durante um bom tempo. o que um cuida o outro não cuida tão bem. Aí lá vai eu pegar todo aquele material que estava no coletivo e mais alguns que eu tinha guardado e a gente dividiu tudo e colocou tudo nos estojos. Se o professor trabalha com brinquedo no primeiro momento de aula. brinquedos grandes. E a gente ganha esse material. se puder ser um caderno com linha.. não tão dirigidas. Então a criança segue a rotina do professor. do acolhimento.88 relata o Tempo enquanto momentos de vivência. nos últimos anos a escola vem recebendo verba pra comprar material pedagógico. de ter materiais tecnológicos na sala de aula. ou em algum lugar que vá. E assim. eu acho o desperdício dos brinquedos. só que assim. acho que até eles gostam. aquelas caixas com os brinquedos. o material foi assim.. g) Como são organizados os materiais pedagógicos..] Professora 2: Os materiais utilizados na UE são materiais oferecidos de acordo com a possibilidade da UE.. [. Aí chega no terceiro estágio. No armário coletivo tem brinquedos para as crianças. pegavam e brincavam..] eles tem que aprender a usar o caderno. o que a gente está precisando. então eles já têm maturidade pra isso. graças a Deus. E isso a escola está fazendo bem. [.] O brinquedo fica num cantinho da sala. eles iam. boneca. poderia mudar essas coisas... Então eu oriento muito o uso do caderno. bichinho de pelúcia.. era o momento que a gente estava em outra sala. todas as salas de aula têm o armário coletivo.. Elas utilizam a sala de aula para atividades de concentração e atividades dirigidas e a área externa atividades mais livres.

livros. o documento Tempos e espaços para a infância e suas linguagens nos CEIs. Ela garante autonomia da criança tanto no momento do uso coletivo como individual dos materiais e relata também a importância da diversidade de materiais para realização das atividades e para o brincar. eles pegavam mais os brinquedos. até mesmo a escolha e a organização dos materiais são objetos de planejamento. (2006. p.. há professores que trabalham com os brinquedos no momento específico do acolhimento e também professores que escolhem um dia da semana. [. para envolver as crianças na atividade do brincar. aí eles vão lá.) Assim. idéias e invenções. E assim. sexta-feira.a forma com que eles e os materiais se dispõem no ambiente pode auxiliar ou dificultar a autonomia da criança na realização de seus projetos. Em sua fala nota-se a presença da questão da escolarização. brincam. que fica aberto com os materiais diversificados. brinquedinho de panelinha e tal. A professora 1 ainda comenta sobre o armário coletivo. estão fadados ao fracasso”.] Em relação aos materiais.89 Então assim. eles ficam livres. na altura das crianças para dar-lhes acesso fácil e autonomia. A Professora 1 relata a importância da verba. geralmente. mas apenas os técnicos. ficavam mais soltos. que nos últimos quatros anos. Nota-se que nesta unidade escolar. A autonomia da escola em suprir a sua própria necessidade em relação à compra de materiais pedagógicos traz um avanço para a Rede Municipal de Educação de São Paulo e contribui significativamente para a qualidade da prática docente. 38) Ainda a respeito dos materiais Kishimoto (2002. Ela fala sobre a estratégia no uso coletivo e no uso individual. Creches e EMEIs da cidade de São Paulo traz algumas orientações para as Unidades Educacionais: O tipo. vestimentas. agora também tem alguns brinquedos novos. a preocupação em trabalhar o . escolhem. é mais material de encaixe. A Professora 2 se preocupa com a modernização dos materiais em sala de aula. As Professoras 1 e 3 trazem a preocupação com a duração dos materiais no uso coletivo. p. ações. A Professora 3 ainda comenta a estratégia que utiliza para trabalhar com os materiais em sala de aula... Essa sala que a gente ta agora não tem tanto brinquedo como a outra tinha. o número e a variedade dos objetos – brinquedos diversificados e em número suficiente. (. 184) comenta: “Sistemas educativos que adquirem materiais e brinquedos sem consultar o profissional envolvido.. são destinas as unidades escolares para a compra de materiais pedagógicos. nos momentos de brincar.

Me sinto mãe. [. h) Como você tem interagido com os alunos e como é a interação entre eles na sala de aula? Professora 1: Olha.] a minha sala teve pouco esse negócio de violência.] Professora 2: A nossa interação se dá muito pela conversa. Em relação aos brinquedos. eu e os alunos eu posso dizer que às vezes eu me sinto mãe deles. eles tentam brincar um pouco juntos. uma turma que está sempre chegando. a gente vai ver porque ta acontecendo isso.. Por quê? Ao mesmo tempo que eu estou lá ensinando. Aí você assim observa que apesar das crianças se dividirem entre meninos e meninas. das rodas de conversa. .. eles dividem a sala. o tempo todo. porque não quer vir na escola. percebe-se que há presença de ações tradicionais como o dia do brinquedo. aí a gente conversa. na hora de brincar. Tudo pra poder estar ajudando a nossa interação. E no momento que eu quero a atenção dela. O que nós vamos fazer? Negocia com ele.. e querem comentar. resolver com diálogo. permite a autonomia da criança em escolher com quais brinquedos deseja brincar.elas não têm medo. na hora da história. uma criança agredir a outra.] Eles falam muito o tempo todo. você bem essa interação. Eles vêem falar que foram passear. [. a percepção dos professores na importância da diversificação dos materiais pedagógicos e a superação desses docentes em mesmo preocupado com a conservação dos brinquedos colocaram a disposição das crianças os materiais. De acordo com a citação e as ações dos professores. um lado fica as meninas e do outro lado os meninos. toda a hora a gente está interagindo.90 caderno. fizeram muitas amizades. Eu procuro sempre falar pra eles que a gente precisa conversar. contam tudo que acontece em casa e querem mostrar tudo. mas quando é o momento de falar ‘Pro’ é ‘Pro’. é até difícil falar com se dá a interação. ela me respeita também. aquilo. o meu coleguinha não quer dar o brinquedo pra mim. Aí eu falo: Então vamos lá. um tênis novo. na hora das conversas. ao mesmo tempo ele tem uma relação muito carinhosa comigo.. mostrando pra ele o que ele pode fazer. Assim. a gente vê os combinados.] É uma interação que não acaba nunca. o que ele não pode fazer. Então assim. isso. tem algumas crianças eram bem quietinhas no começo do ano. Toda criança briga. tudo bem.. Quando ela chega e fala: Tia. Professora 3: Ah. mas essa é uma turma boa. Entre eles também porque eu peguei esse ano duas turmas muito boas. ela chega e conta naturalmente. se socializaram melhor. [. E é o momento dela falar ‘tia’. a interação se dá o tempo todo né.. bate.. As crianças comigo. isso é normal.]. Então eu sou professora e sou tia também. A gente faz uma roda de conversa. Eu posso dizer que eles quase não se batem. mas eles brincam... Às vezes tem algumas dificuldades que a gente ta vendo que não ta conseguindo se comunicar. tinha criança que nem falava no começo do ano. agora eles estão falando mais. nós temos uma relação muito boa [. Então. conversando: Olha Pro. das atividades. [.. A interação se dá na hora das brincadeiras. a preocupação com a conservação dos brinquedos no uso coletivo e ações inovadoras como dar acesso e autonomia as crianças no uso dos materiais. Se aconteceu alguma coisa na casa dela. Elas não têm medo de falar porque tá chorando.

negociações se constrói uma saudável interação entre todos os protagonistas. Pego as atividades. (2007. constantes conversas. A Professora 3 relata que em todos os momentos e atividades da escola as crianças participam contando as histórias. veio mostrar se tava bonito. sempre recapitulando com os alunos os combinados do dia a dia. Aí eu anotei: Hoje Jonas conseguiu fazer a atividade sem negar aquilo que ele tava sentindo. às vezes não. o Jonas. Você não acha que ta faltando? Ele falou: É mesmo. que ele tem muito medo de papel. fala com os olhos.91 A Professora 1 relata a questão do apego. sem grupo de estudo [. i) Como você tem registrado a prática pedagógica? Professora 1: Bom. explicar-lhes certas proibições. eu sempre digo: O Wilson fala com os olhos. Fala pra ele: Agora nós vamos pintar. Quando ele me olha com aquele . né. completou. Eu pego um dia da semana que eu esteja mais tranqüila. mais ainda. tem o Wilson. o registro. suponhamos. Aí eu falei: Ah. eu não quero. E essa semana ele fez a atividade. e de aprender a resolver os conflitos com os colegas. Voltou. É assim que ele fala. relatando as preferências etc. o Wilson ele nunca brincou. p. sentado. Quando há espaço para a participação das crianças nas decisões. Ele tem muito medo. 32) A criança tem uma maior interação com o professor e os colegas quando o ambiente é planejado e organizado para este fim. Ela ensina as crianças a resolver os conflitos por meio da estratégia da negociação.. mas eu acho que ta faltando alguma coisa. Então eu marco ali o que aconteceu naquele dia que eu achei que foi importante. observando. De acordo com o documento “Orientações Curriculares” é importante que: Cada professor pode organizar um ambiente mais produtivo para as crianças interagirem se compreender a movimentação das crianças. A Professora 2 utiliza a estratégia do diálogo na interação. Eu não quero.].. estabelecer limites e trabalhar com elas regras orientadoras da convivência. eu não quero. ele fica perto. Muitas coisas a gente registra aqui na nossa cabeça e no nosso coração. eu tenho um aluno. que é construído entre ela e as crianças no cotidiano da escola e a questão da mediação dos conflitos que surgem entre os alunos. Porque nem tudo é importante. Tranqüilo. Às vezes a gente está lá no parque. Mas acaba a palavra ‘pintar’ ele já fala: Eu não. Mas pode. combinados. eles estão lá brincando e de repente você vê uma criança conversar com a outra e você acha interessante aquilo que eles estão conversando. eu registro na própria atividade da criança. Por exemplo. Foi lá. pegou. auxiliá-la na desafiante tarefa de fazer e consolidar amizades e parcerias. porque eu dou atividade pra criança. aí você marca. e quando acontece algo que eu acho que é importante. Por quê? Porque aquela criança. ajudá-las a fazer acordos e lembrá-las desses acordos sempre que necessário. aquilo que eu fiz durante a semana.

A gente pega. de nome. vou ser sincera com você. pra falar a verdade. o que você ainda não fez: Ah. nossa atenção. Professora 2: Olha o registro. poucas vezes no ano vai lá. Eu falo: Ah. ele ta querendo alguma coisa. Então eu acho que o registro é muito importante sim. registro de jogos. Agora assim. olha o que você já fez. Mas como eles exigem muito da gente. eu registro. gosto muito de trabalhar com portfólio.. Eu estou sempre com o portfólio pra lá e pra cá. Eu fico vários dias com o portfólio. mas eu gostaria de registrar na hora. Dependendo da atividade é bimestral. que a gente ta trabalhando algum texto. Porque as crianças tem necessidade da gente e a gente tem que registrar. às vezes eu consigo registrar na hora. pra ver como ele está. Ela ressalta o uso do portfólio como registro para acompanhar o desenvolvimento dos alunos e repensar a prática pedagógica. o que aconteceu de importante e marco. numa dia que eu esteja mais tranqüila. E ele já está se afastando. eu já sei: Ah. de brincadeira. tenho a minha rotina e assim. onde o professor ele vai. aquele que quer mesmo fazer as coisas. porém relata a dificuldade de atender as crianças e ao mesmo tempo realizar o registro. olha isso aqui eu coloquei aqui e não fez. às vezes. no caso todo ano. raramente. isso aqui eu preciso fazer um pouco mais. às vezes anota alguma coisa no caderno. [. porém tem pouco significado para a prática docente. porque ele é a memória viva do professor. e a gente não consegue. então eu não consigo. atividade de número. eu faço algumas anotações no meu caderno. eu pego essas atividades. Só que igual eu falei. isso a gente registra. a gente tem o planejamento que é aquele que a gente faz. eu uso muito esse portfólio também pra conhecer melhor. Mas assim eu vejo como de grande importância. Assim. tem conhecimento do nome. mas muitos casos não é possível ainda. Eu posso não estar registrando naquele momento. que entrega pra coordenadora. para a reflexão. Aí chega no final de semana. ele vê o progresso da criança. no dia-a-dia mesmo o que é que eu uso? Anotações no meu caderno. grandão. já não está mais tão perto. Eu tento registrar todos os momentos que se destacou. uso muito o portfólio. A Professora 3 comenta sobre o registro em forma de planejamento semestral ou anual. . aí assim. ele volta. Aí nesse portfólio tem evolução da escrita do nome. A Professora 2 ressalta a importância do registro ser realizado no momento do episódio ocorrido. a dificuldade é muito grande. E. aí fico um período sem. na verdade esse planejamento que fica com ela a gente pega raramente. assim. tem desenho de história. mas já registrei aqui na mente. É uma coisa que fica um pouco distante assim. E assim. atividade livre. depois que termina. Ele já está se afastando. aí já estou com o portfólio na mão seja pra uma atividade ou pra outra. ele se esforça muito.. você ta fugindo da minha cordinha né. a Professora 1 realiza o registro do avanço de aprendizagem na própria atividade da criança e os episódios do parque em sua memória e depois resgata-os. Então. Professora 3: Então. semestral. registrar na hora. recorre a ele. né. O professor assim. que é entregue ao Coordenador Pedagógico. Eu pego algumas atividades de desenho. Humanamente é impossível. uma vez por semana. Eu sento um por um. de letra.92 olhão. E essa semana o Wilson começou a se afastar. pra não se perder. dependendo da atividade é mensal. na memória. já ta indo pra mais longe.] Na questão do registro da prática.

. 41) traz orientações sobre o registro para os professores iniciantes. Nesse momento não se deve conjecturar sobre seus sentimentos. fotos ou áudio-gravação. ou com alguém. depois do momento da prática direta com as crianças. intenções (. horários. falas. pronto esse tipo de registro. os objetos que manipulam e os locais onde se colocam. eles contam passo a passo o que acontece todos os dias. tabelas que somam as ocorrências de certos comportamentos etc. As Professoras 1 e 3 relatam que retomam o registro para a reflexão da prática pedagógica e a Professora 2 relata a importância de registrar simultaneamente o fato ocorrido. locais. sozinho. mas ainda há necessidade do planejamento e aprimoramento do tempo e espaço no cotidiano dos docentes para a realização da ação de registrar. Como os diários que existem no mundo. relatam iniciativas. ou ainda. p. 42) De acordo com a prática dos professores e as orientações do documento. . dúvidas. inquietações. por exemplo: fulano fez algo ( usando ou não quais objetos). intervenções e resultados. descrevem fatos. e uma das entrevistadas aponta a dificuldade de realizar o registro simultaneamente devido à demanda de atendimento aos alunos durante as atividades. De todo modo. na técnica da observação direta: Ser feito.. expressões faciais: o que as pessoas falam e para quem falam. idades. cabe ao pesquisador transcrever com minúcias objetividade o que foi registrado usando palavras. como se sucede o tempo. pode ser feito por vídeo. considerando o olhar de seu autor. Escritos pelos próprios professores. simultaneamente à observação e informar os nomes.fase 1 (2007. há presença do registro na prática docente. além de escrito. quantas estão próximas e quantas interagem a cada minuto da observação. nota-se que os docentes contam com o registro de memória. Enfim. Descrever com detalhes o que as pessoas observadas fazem: seus movimentos corporais. p. situações observadas e objetos disponíveis. sentimentos.93 O documento “A Rede em rede”. É importante marcar quantas crianças estão sozinhas. de preferência.). na maioria das vezes. Outra orientação do documento citado acima é o registro através do diário de campo: Os diários de campos são narrativas pessoais que promovem reflexões da prática educativa no dia-a-dia do CEI e da EMEI. para alguém. Pode-se registrar. (2007. O registro de uma situação.

Por isso é importante o registro. por exemplo. eu acho importante trabalhar todas elas. dançava. Então assim. você acaba. a linguagem que se tem mais afinidade em detrimento das outras linguagens. as linguagens é assim. muito importante. você acaba trabalhando mais e deixando outras. já não é uma coisa que acontece todos os dias. às vezes. mas e o raciocínio lógico-matemático? E o brincar da criança. colocava som. mas trabalha uma vez ou outra. no cotidiano da escola. O que ta acontecendo todos os dias. A Professora 1 ressalta que a . A gente tem que tomar muito cuidado. As Professoras 1 e 2 falam o que geralmente acontece em relação às múltiplas linguagens. numa determinada época do ano. conclui-se o empobrecimento no trabalho das diversas linguagens na Educação Infantil. tem época que a gente cantava. cantava. é mais a organização do espaço pra você estar trabalhando as linguagens. só que tem um momento que a gente acaba priorizando mais uma do que a outra. trabalhando mais uma do que a outra. Até que o projeto esse ano da minha mostra cultural é o diário de leitura. mas tem época que você acaba deixando um pouquinho de lado. eu gosto muito de trabalhar leitura e escrita. tem época que você percebe que. eu trabalhei muito estória. cola. já facilita. com gincana. conta os pontos e faz isso com palitinho. tem época que eu conseguia contar histórias todos os dias. só que tem época que eu acabo priorizando mais uma do que outra. Professora 3: Olha. E se a organização do ambiente já ti força a planejar e trabalhar um determinado dia da semana no horário aquela linguagem. acontece. O ideal seria todas serem priorizadas sempre. Então. Professora 2: O que eu tenho sentindo mais dificuldade ainda é os movimentos. quando se tem esta postura na prática pedagógica. agora? É que tem época também que a gente deixa de lado. eu sei que eu trabalhei leitura e escrita. Mas fora da sala de aula eu ainda tenho dificuldade de trabalhar. você começa a se policiar. estar revendo sua prática porque. Não digo que deixando totalmente. Trabalhar com pneu. na questão da concepção da criança como ser histórico. você sente dificuldade em trabalhar as Múltiplas Linguagens na Educação Infantil? Professora 1: Então. Se pensar na importância da freqüência das linguagens. Eu acredito que eu trabalho todas as linguagens. muito. trabalhar tipo. a refletir porque você não está fazendo aquilo. leio muito com as crianças.94 j) Em relação às linguagens. cambalhota. isso não acontece todos os dias. Agora. trabalha boliche. No momento. trabalho todas elas. Muita atividade artística: tinta. tesoura. nas linguagens contextualizadas e na questão da seqüência didática. Matemática: tem época que a gente trabalha mais.. eu tenho que pegar um tema que eu vejo que há necessidade e aí eu tenho que trabalhar todas as linguagens. na Educação Infantil. Então. isso eu acho que ainda ficou a desejar. porque o que acontece? A linguagem que você tem mais afinidade. Música. Sabe? Porque assim. igual. Porque o próprio cotidiano. eu adoro trabalhar leitura com as crianças. as brincadeiras dirigidas? Nisso eu sei que eu falhei. por exemplo. por um motivo ou outro. as outras linguagens. A questão de priorizar. todos os dias.. trabalhar com corda. o dia-a-dia da escola faz com que você deixe algumas linguagens. Então. uma coisa que deveria acontecer todos os dias. Um exemplo.

o que entende de determinada linguagem. Então. da criação e da expressão infantis. que fala. que lê. ler. da curiosidade por conhecer-se e conhecer o mundo. algo que aconteceu na minha sala de aula que eu não consegui resolver ou que eu tive uma determinada atitude e achei que não foi boa. a apropriação da linguagem é uma necessidade criada no coletivo. a serviço das interações. (. eu percebo quando existe a troca. sons. que cria. Pode até ser que aconteça. É muito lenta essa formação. [. Por isso. mas não percebo assim de cara.. Por que eu não posso acolher minha criança cantando no pátio.. Olha isso deu certo. falas e escritas. por força da própria cultura. ah isso não deu certo. Então eu trago um fato.) cabe ao professor alimentar nas crianças novos desejos. o Rede em Rede virou um telefone sem fio. 56) Neste sentido. eu fiz dessa forma. A Professora 2 relata a dificuldade em trabalhar com atividades de movimento corporal. como é que eu faço? Ah. p.. sim.. portanto. de significativas aprendizagens. Dentro dos estudos eu acho que é lento.. podemos dizer que falar. faz assim. aí eu percebo. Aí eu percebo. mas.95 organização do ambiente em prol das linguagens facilita o trabalhar com outras linguagens de menor afinidade e a Professora 3 utiliza o registro para ajudá-la a se policiar em relação a priorizar uma determinada linguagem.. que imagina. (2006. ouvir e contar histórias são modos muito especiais de cuidar da imaginação. o que entende de acolhimento. contextualizadas. Isso já aconteceu mais ou menos com uma turma minha. Então. que não resolveu e o grupo me auxilia. encontra-se algumas orientações a respeito das Múltiplas Linguagens na Educação Infantil: Antes de ser uma necessidade individual. Esse Rede em Rede tem que ser também para o professor e o professor junto com o grupo gestor. acredita-se na importância dos docentes em superar a questão da priorização das linguagens. que conta. pra que os dois possam fazer uma reflexão do que está . Porque os colegas vão dando experiências e a gente vai aplicando aquilo. da inteligência. nas relações que permeiam a vida das crianças. na maneira que eu tô recebendo ela. desde o nascimento. necessidades e interesse pelo conhecimento. é amplamente marcado por imagens.] O acolhimento pode acontecer desde o primeiro momento que eu abro o portão para a criança. dançando? Tem que ser na sala de aula porque falaram que tem que ser na sala de aula. O que entende do brincar. que dança. reconhecimento que o mundo no qual estão inseridas. na Educação Infantil em prol da criança que brinca. essa maneira de passar que é duvidosa. cada um passa o que entende. No documento Tempos e espaços.) é importante não tomar as linguagens de modo isolado ou disciplinar. Como eu disse pra você. das relações e das memórias das crianças. (. dos afetos. l) Você percebe a teoria do “Projeto Especial de Ação” e do “Programa Rede em rede: a formação continuada” na sua prática docente? De que forma? Professora 1: Eu percebo quando existem momentos de troca de experiência.

ela fala sobre a importância de toda equipe escolar estar tendo a formação continuada com o mesmo formador. vai surgindo coisas. Eu acredito que não tinha que ser assim. Por este motivo. Professora 2: Olha. vão acontecendo coisas que a gente às vezes não planejou. conforme a nossa possibilidade. a gente vai conhecendo durante o ano. O professor estar fazendo esse curso. A Professora 2 acredita na importância de trabalhar na prática pedagógica o conteúdo do “Projeto Especial de Ação”. não pode mudar. Nós lemos os livros. tinha que ser flexível e. nós vivemos numa constante. chegar no meio do ano poder estar mudando talvez a bibliografia. Porque quando a gente observa uma criança. tem maior significado para a prática docente do que o conteúdo programático do “Projeto Especial de Ação”. a Professora 1 relata que a troca de experiência entre os professores. Em relação ao “Programa A Rede em rede” a Professora 2 conhece a teoria por meio dos documentos elaborados pela equipe DOT-EI e procura levar o conteúdo para sua prática docente. a partir dos livros e das orientações curriculares a gente procura trazer aquilo lá para a prática. Em relação à teoria e a prática.a gente percebe assim. as orientações curriculares. cada um vai passar do jeito por ele. Mas o Rede em Rede em si. já foi satisfeito. E o Rede em Rede eu não tive muito contato esse ano. porque o PEA tem os temas no começo do ano. é como se fosse uma bolha em ebulição. Então. porque cada um é uma pessoa. Porque aquilo que a gente planejou. Quanto a teoria do “Programa A Rede em rede” a Professora 1 coloca em dúvida o conteúdo desse “Programa” transmitido pelo Coordenador Pedagógico. A única coisa que eu achei de dificuldade foi assim. nos horários coletivos de estudo. Ah. A gente sabe dos livros. o que lhe causa um distanciamento da prática. E ta colocando coisas novas. mas cada um tem a sua concepção. . Então. mandou lá para a DRE. porém relata sobre a inflexibilidade do conteúdo programático do “PEA”. Eu não fiquei sabendo muito que aconteceu na formação do Rede em Rede. que a gente não poderia saber. a gente não conhece. Isso a gente não pôde fazer. Porque às vezes o coordenador. ensinar para o aluno.96 acontecendo no cotidiano da sua escola. ta planejado. Igual. planejou. Então assim. porque é fechado. Acabou o final do ano e você ainda não está conhecendo ela. Então assim. porém solicita que esse “Programa” seja voltado para o grupo de professores pelo mesmo motivo citado pela Professora 1. Porque pra eles é passado de uma forma e pra nós é passado de outra. As crianças são vivas. passando a não ser mais significativo. tem que dar aquilo que ta lá. talvez não tenha mais necessidade. planejou no começo do ano. eu achava que o PEA tinha que ser mais flexível porque conforme vai passando o tempo. ele vai. é importante porque a partir do momento que ele lançou um conhecimento. vamos se dizer assim. por isso que é importante o PEA ser mais flexível e ter um pouco essa abertura da gente poder estudar coisas. a gente não pôde estudar textos a mais do que estava planejando no PEA. poder sim mudar e estudar outros textos. a gente tem que trabalhar de acordo com os temas na nossa prática docente. e acontecendo junto a gente consegue pensar mais em prol do aluno. Então eu acho que seria importante abrir sim para os professores. na educação do aluno. eu acredito até que o curso deveria ser para os professores também.

muitas vezes.12) No processo de Formação Continuada Docente. Nesse caso. tirar dúvidas. de dividir. precisa muito desse momento de conversar. porque o nosso trabalho é muito humano. que não respondem a singularidade de cada situação educativa em uma sociedade em permanente mudança. trocar experiências ou. . p . refletindo e eles conseguem levar pra prática uma ou outra coisa. conversar. Então eu acho que principalmente por isso. uma questão de refletir. teorias. eu acho que o mais forte é isso mesmo. o Coordenador Pedagógico deve desenvolver estratégias de trabalho para que teorias do “PEA” ou do “Programa A Rede em rede” não se tornem apenas informações ou imposições. perdem-se oportunidades valiosas de desconstruir formas de atuação cristalizadas. Isso também é muito importante. de conversar. o que eu mais sinto falta é isso. dúvidas quanto a conceitos. na prática dos professores que lecionam com você? Professora 3: Com relação à prática a gente percebe que tem algumas coisas que eles estão estudando lá e estão discutindo. Problemas como inflexibilidade no conteúdo programático. de trocar experiência. A professora 3 que não tem o contato semanal com o “Projeto Especial de Ação” e a teoria do “Programa A Rede em rede” nota pouca presença da teoria do “PEA” e do “Programa” na prática dos docentes que lecionam com ela. devem ser discutidas e analisadas por todos os envolvidos no processo de formação. A gente não se encontra. E a gente que não participa do projeto. Você não tem um momento de encontrar com seus parceiros. É necessário que o Coordenador Pedagógico fique atento às queixas do professor. esse momento de troca é muito importante.97 Pesquisadora: Você percebe a teoria do “Projeto Especial de Ação” e do “Programa a Rede em rede: a formação continuada”. é muito corrido. (A Rede em rede. Ela ressalta a importância dos momentos coletivos para troca de experiência. é uma correria constante. Mas assim. Nesse processo. Entende-se pelo processo de Formação Continuada de Professores: Nem sempre a criação dessa zona de desenvolvimento pelo próprio professor em formação é possibilitada. transforme essas queixas em bons problemas para juntos encontrarem as soluções. 2007. é preciso muito diálogo e reflexão.

só que por ele não estar entrosado. as decisões. ele pode estar enriquecendo muito o nosso trabalho e a gente ainda dando coisas novas pra ele. que fica muito claro. Pesquisadora: Durante esses quatro últimos anos. esse professor fica deslocado. no horário coletivo? Professora 1: Eu percebo a falta de entrosamento. Você percebe assim. ele ta sabendo mais do assunto. a gente não conhece o trabalho dele. Professora 2: Olha. observar mudanças assim. algumas atitudes assim. que ocorre durante o horário coletivo de estudos. então essa é a descontinuidade. que o professor fica um pouco. mas é porque assim. no PEA. porque o professor que faz o PEA. na escola. não. fica totalmente distante das informações. Então. eu tenho experiência por mim. Não que o trabalho dele não seja tão bom quanto o de quem está fazendo a formação. Então a gente percebe dessa forma. Parece que você trabalha sozinho. Não por mal. na escola? Professora 3: Então. das decisões. Então eu acho assim. ele ta fora do grupo de JEIF. Ele faz lá fora a atividade uma vez por semana ou duas. ele está interagindo mais na escola. a gente vê a diferença sim. você percebe até uma ou outra atividade. Agora. determina alguns projetos. dos projetos. das trocas de experiências. porque tem professores que fazem trabalhos maravilhosos. Às vezes. eu ficava um pouco assim fora da escola. o grupo se reúne. claramente. que você percebe muito nitidamente. então ele não está junto com o grupo. alguma coisa que ele faz assim que você percebe que está dentro de algum tema que está sendo estudado dentro do projeto. Às vezes. em outros anos. Mas em outros momentos. Porque os professores aqui na EMEI provavelmente eles dobram e eles fazem PEA no outro turno. . A Professora 1 ressalta a importância do entrosamento de todos os professores e os projetos para o enriquecimento do trabalho pedagógico. eu não tenho observado essa diferença. ele ta vendo o que a escola tá trabalhando. não é uma coisa assim muito marcante. Então. Então assim. eu não tenho observado isso. sinceramente. faz algumas trocas de experiências. até pra estar trocando como trabalhar com determinados temas. você observa mudanças de prática nos professores que realizam a formação continuada. As Professoras 1 e 2 percebem que o professor que não realiza a formação continuada semanalmente. Então eu acho muito importante a realização do PEA sim. é um conjunto. quando eu não fazia o PEA. o professor que não faz o PEA é um professor mais desinformado. as coisas acontecem no PEA: as informações.98 m) Você percebe diferença na sua prática docente em relação à prática docente do professor que não realiza a formação continuada. Mas assim. em alguns momentos assim. porque a formação continuada acontece nos grupos de JEIF e geralmente esse professor que não faz.

às vezes impede. eles conseguem esperar. Porque assim. é uma turma muito agitada. porém tem acesso aos documentos da Secretaria Municipal de São Paulo e ao conteúdo do “Projeto Especial de Ação”. então eu fui buscar. que eu acho muito importante: a intervenção individual. uma coisa que me aflige muito. eu conseguiria desenvolver um trabalho de mais qualidade.a gente sabe que não é tudo que a gente vê na teoria que a gente consegue colocar na prática. Agora assim. acredita-se na necessidade em criar espaços para que ocorra a integração de todos os professores com o “Projeto”. na faculdade eu senti que faltava ainda conhecimentos. a gente não tem que esperar. Professora 3: Olha. porque eu conseguiria atender cada criança. Geralmente eu tenho duas turmas. no vespertino e não consigo fazer no inter. Professora 2: Ah. a quantidade de criança. Eu acho que o fator maior que impede é esse. que a gente cante. os alunos são muito agressivos. eles têm mais paciência pra uma atividade que precisa de mais tempo. e assim. Infelizmente a gente trata um todo e acaba fazendo um depósito de criança e a escola não é um depósito de criança. tem coisa que dá. Fiz uma pósgraduação em educação infantil. eu tenho uma turma no inter que é muito difícil.99 Quanto ao Professor 3. E assim. em um lado. Portanto. que a gente dance. Os alunos são muito diferentes. eu gosto de cantar com as crianças e isso a própria organização da escola impede que eu faça esse trabalho do jeito que eu gosto.. Por exemplo. eu tenho dois segundos estágios. percebe poucas ações. que é ter um número muito grande de alunos nas salas. a teoria eu tenho. ele precisa de uma dica: olha isso tem que fazer assim. uma brincadeira dirigida. Então assim. dos professores que realizam os estudos no horário coletivo.a única dificuldade que eu encontro é a quantidade de criança. mesmo que ele tenha facilidade. eu tenho um num período intermediário e um no período vespertino e eles são muito diferentes uma turma da outra. às vezes ele tem facilidade em uma questão e em outra não. Assim. para caminhar sozinho. Eu acho muito importante porque assim. mais livre.] Agora. que é dificuldade geral. tem muita criança que ele aprende sozinho. Então assim. tem criança que não é assim. a organização do tempo. algumas coisas que a gente reflete e muda. Algumas coisas eu consigo fazer. a realidade é bem diferente. Tem também algumas coisas assim. Eu gosto de um ambiente mais aberto.. Então eu acho que a organização mesmo da escola impede um pouco o trabalho. a gente tá sempre mudando né. na prática docente. eu fiz estudos. Porque assim. Então assim. uma brincadeira mais livre. E assim. em alguma coisa ele precisa de intervenção. na unidade escolar. a rotina da escola. Por exemplo. busquei. n) Existem fatores que impedem a aplicação da proposta teórica. por exemplo. a gente tem que ir atrás. a gente procura estar . emperra. na prática pedagógica? Professora 1: Impedem: a organização do ambiente. ele precisa de uma intervenção individual. Já a outra turma é uma turma mais tranqüila. É uma dificuldade. a gente faz o que a gente pode. às vezes. tem quer respeitar cada indivíduo na sua íntegra. esse é um fator complicador. Porque assim. vai mudando algumas coisas na prática. assim. às vezes também num ano você consegue e no outro não. tem. quem não gostaria de poder acompanhar melhor os alunos de poder fazer mais por cada um. Essa é uma questão. eu acho que se tivesse um pouco menos de criança. [. sempre tem alguma coisa que a gente leva sim da teoria para a prática. Porque cada criança tem a sua necessidade. Eu gosto de trabalhar com brincadeiras cantadas com as crianças. dá pra você estabelecer um diálogo melhor. tem coisa que não. que não realiza a formação continuada semanalmente.

o que tem auxiliado. a coordenadora. Nós estamos aqui pra ajudar no desenvolvimento dos filhos de vocês e eu quero fazer o que eu puder. É muito bom. A gente pede. sempre você dá uma acordada pra alguma coisa. Professora 3: Ah sim. que ajuda a refletir. Já a Professora 2 encontra dificuldade em conciliar a proposta teórica e a grande quantidade de crianças na sala de aula e ressalta a importância do atendimento individualizado das crianças. Sempre. né. cada criança.. até alguma coisa que você fazia lá há um tempo atrás e não faz mais. eu fazia isso. se não tivesse algumas dificuldades teria como colocar muito mais a teoria em prática. fazer de novo. nós somos uma parceria e nós vamos caminhar juntos. o diretor.isso ajuda bastante. se eu estou com alguma dificuldade. Eu acho que a comunidade é muito importante. que ajuda. A Professora 1 relata que a organização quanto ao espaço. eu creio que só..] Seria assim. Só que a gente sabe que se fosse um número menor de aluno. Ela relata que cada criança possui uma necessidade específica e comenta a importância de realizar uma intervenção individual e ressalta a grande quantidade de criança na sala de aula. Professora 2: Sim. A gente também junto com os pais. é importante retomar. que estão comprando muitos brinquedos. o) Existem fatores que têm auxiliado a aplicação da proposta teórica. poderia fazer um trabalho bem melhor. eles logo estão providenciando esses materiais. que não estava no calendário. o fator é o da gente acompanhar mesmo.100 fazendo essa intervenção. . talvez até fazer uma reunião extraordinária. tempo e a rotina estabelecida na unidade escolar dificulta a realização da proposta teórica na prática docente. como eu falei. a heterogeneidade dos alunos. você caminhar junto com a comunidade porque nas reuniões eu sempre converso com os pais. na prática docente? Professora 1: Olha. Às vezes. [. poderia acompanhar bem melhor cada aluno. ajuda a transformar algumas coisas na sua prática sim. a gente poder estar discutindo as nossas dificuldades. Às vezes você começa a ler. conversar com os pais. Porque é um conjunto e a gente tem que procurar sempre parcerias. então vamos caminhar juntos. materiais pra gente. o próprio grupo de formação ajuda bastante esse programa. a gestão estar junto com a gente tentando solucionar os nossos problemas. A Professora 3 observa as diferenças de cada criança atendida por ela. auxilia. Assim. são as verbas. tem muita coisa que não dá. Então eu sempre procuro assim. mas tem muita coisa que dá pra você colocar na prática. ajuda a melhorar. a questão da organização do espaço e do tempo e a grande quantidade de crianças na sala de aula são fatores que dificultam a proposta teórica à prática docente. reflete. olha que legal. procura estar acompanhando. é sempre muito bom. agora não faço mais. procura estar conhecendo cada aluno o máximo que a gente pode.

a escola tem procurado nas salas de primeiro estágio deixar menos cadeiras para as crianças trabalharem mais no chão. só. auxiliar o desenvolvimento dos Projetos e Programas na prática docente. que completaram 3 anos no final do ano. os fatores materiais. Nós estamos preocupadas com o ano que vem. nós vamos ser uma professora pra 30. Eu acredito que ainda é pouco porque ainda se tem muito mais a se fazer. ter um banheiro mais acessível porque talvez os vasos são grandes. brinquedos apropriados. Mas eu vejo que assim. mas é uma coisa assim que é lenta e que se vai caminhando e que você vai planejando. as crianças que ainda vão completar quatro anos. duas professoras. pra fazer a verdade. a completar quatro. mas vai acontecer mais freqüentemente do que com as de três anos e meio. tudo. colchonetes e brinquedos. um mês já faz diferença. Que nem. ainda não foi pensado nisso. Portanto. Essas crianças virão com três anos e meio. a guardar aquilo lá. Professora 2: Olha. muito. Então. Lá. tem que pensar muito bem nos brinquedos. Não que não aconteça com as de quatro anos. E nós vamos ter que ensinar essa criança a tirar sua roupa quando sente calor ou colocar a roupa quando sente frio. Espero que no começo do ano a gente tenha esse tempo pra nos organizar antes dessas crianças começarem realmente. mais ou menos. A Professora 3 relata que a própria teoria ajuda na mudança da prática pedagógica.101 Professora 1 relata que a compra de materiais. vai se conversando. Professora 3: Olha. dessa maneira que eu tenho observado né a organização pra receber essas crianças pequenas de três anos. participação da comunidade e a própria teoria são fatores que qualificam a prática docente. será que eu pego berçário. pela unidade escolar. brinquedos que sejam bem baixinhos pra elas. dezoito crianças. tenha que talvez mexer na parte do prédio mesmo. atuação da equipe gestora. A escola ainda não propiciou momentos pra que a gente se organize. Então é assim. Então ainda não se organizaram quanto a isso. do mesmo jeito que é a sala de primeiro estágio. Ajudar a colocar o sapato nessa criança. já não é a mesma criança de quatro anos. pelo que eu observo a escola ela tem se organizado da seguinte maneira: procurar ter mais colchonete nas salas que as crianças de três anos vão estar. não pode ser tão pequeno assim. A Professora 2 ressalta dois fatores que auxiliam na aplicação dos Projetos e Programas na prática pedagógica: a presença dos gestores na solução de problemas e a parceria com os pais ou responsáveis das crianças. Primeiro porque vai ser uma sala de 30 e vai ter um único professor. né. porque aqui é self service e a criança ainda não tem toda a coordenação pra estar pegando. elas têm dificuldade pra usar vasos grandes. tem . eu não percebi assim mudança pra receber essas crianças. será que eu não pego. a localizar sua mochila. não de onde as crianças vêm geralmente é quinze. Assim. mobiliário. ajudar a colocar comida no prato. mas nós professoras já estamos muito preocupadas. não é. São muito diferentes. nem o espaço. enfiar no nariz ou no ouvido. é o que eu tenho observado. procurar ser um ambiente que tenha poucas cadeiras. Então nós entre as professoras estamos preocupadas: ah. p) Como a equipe tem se organizado para receber as crianças de 4 anos a completar? Professora 1: Nós temos conversado entre nós professoras. meses. que tenha bastante brinquedos. E são trinta pra ajudar a se servir. né. quebrar uma rodinha e a criança colocar na boca. Os brinquedos que a escola tem hoje é fácil quebrar a roda de um carrinho.

102 um mês que completou. que deve ser pesquisada. na unidade escolar. 57) Nessa concepção da criança como ser inteiro. a criança deve ser vista como um ser inteiro: Dentro de uma visão de educar e cuidar que vê a criança como um ser inteiro que constrói significados na interação com um ambiente complexo. possibilidades de ação.fase1. no campo das teorias..] A Professora 1 fala sobre a preocupação com o acolhimento das crianças de 3 anos e meio e afirma que a criança que tem um mês a menos em relação a criança de quatro anos já faz toda diferença. Pouco adianta implementar práticas que não sejam construídas conceitualmente. cheio de facetas. 2007. preocupações que são latentes no acolhimento da nova faixa etária de crianças que freqüentará as EMEIs. é preciso desenvolver um olhar que considere a gestão pedagógica das situações criadas também nesse ambiente. recebe também as crianças de cinco. os gestores. muitos brinquedos e relata. [.EI. estudada e construída pela equipe escolar. professores e funcionários precisam planejar de forma contextualizada todos os momentos da criança na escola. (A Rede em rede. A Professora 2 descreve alguns cuidados que já vem ocorrendo na escola: sala com colchonetes. na questão do cuidar (vestimenta e alimentação). A relação do cuidar e educar como conceito indissociável contrapõe antiga concepção de escolarização nas Unidades de Educação Infantil. Esse planejamento deve estar pautado numa nova Proposta Pedagógica. na minha opinião não ta preparado. de seis anos. não ta estruturado pra receber essas crianças. Porque do mesmo jeito que essa sala que recebe essas crianças. menos cadeiras na sala de aula.. Ela relata também que não houve momentos até a presente data para discutir as questões. A Professora 3 relata a não percepção de mudanças no acolhimento das crianças menores de quatro anos e diz que não há diferença do espaço da sala de aula para as crianças de quatro. normas. mobiliários adequados. Essa nova concepção ajudará a escola acolher os novos ingressantes de três anos e meio na Unidade Escolar. organização de espaço. ainda. Ela relata preocupação quanto à quantidade de crianças na sala de aula. que é incompatível com o tamanho da criança. Segundo o documento elaborado pela equipe de DOT. . e que não sejam apropriadas pelos professores e demais educadores. cinco ou seis anos de idade. p. aí vem pra EMEI. a preocupação com as peças sanitárias. Assim.

parcialmente. semanalmente. quanto à aquisição de materiais. no que refere à proposta teórica do “PEA” e do “Programa” e a prática docente. espera-se que a diminuição delas.lato sensu. em prol da qualidade do atendimento. . mobiliários adequados enfim. Ao analisar a formação acadêmica. semanalmente. Espera-se também um respaldo dos governantes às escolas. possui menos traços da nova proposta na prática docente do que a Professora 2. que não realizou a formação continuada. através do questionário respondido por elas. tem-se que as Professores 2 e 3 possuem a Pós-graduação. seja prioridade aos governantes. o que evidencia que a formação acadêmica faz diferença na prática docente. e a Professora 3. toda adequação estrutural necessária para o acolhimento desses novos pequeninos ingressantes. na área da Educação. a Professora 1 que realizou totalmente a formação continuada.103 Quanto ao número excessivo de crianças em sala de aula. Por fim. que realizou a formação continuada. na escola.

Quanto ao tempo de magistério. Os docentes declaram que . os professores que participaram da entrevista semiestrurada e tem a formação na modalidade de Pó-graduação. na área de Educação. Além disso. técnica de questionário.lato sensu. a pesquisa vem mostrar que os professores possuem o interesse em se especializar na área em que atuam profissionalmente. o qual as mulheres desempenham melhor o papel de cuidar e educar as crianças. Ressalta-se que 05 professores declaram ter a formação na modalidade de Pós-graduação. para o aprofundamento da pesquisa e análise da documentação da escola pesquisada.104 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS “É na formação dos profissionais que vão atuar na educação infantil que está a chave para uma atuação responsável e competente”. Das 16 respostas obtidas por meio da técnica de questionário. Ao mesmo tempo. (Fonseca. apresentaram mais traços da nova proposta pedagógica nas ações cotidianas da escola do que a professora que possui somente o ensino superior. Considerando-se o perfil profissional. Sendo assim.lato sensu. A pesquisa teve como objetivo compreender como as teorias alcançam a prática dos professores e como os docentes da Rede Municipal de São Paulo aplicam essas teorias na prática pedagógica. cuja teoria está contida no “Projeto Especial de Ação” e no “Programa A Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil”. possuem formação acadêmica. os entrevistados são do sexo feminino. A abordagem quantitativa. o que evidencia que ainda predomina o paradigma cultural. entrevista semiestruturada. nas Instituições de Educação Infantil. foi utilizada a abordagem qualitativa. na área de Educação. sintetizo a análise dos dados coletados em relação à proposta de formação continuada. os docentes possuem de 05 a 25 anos de experiência não tendo nenhum professor iniciante participando da pesquisa. Os professores pesquisados têm a idade entre 29 a 44 anos e grande parte. 2004) Neste capítulo. 15 docentes declaram ter o ensino superior e apenas 01 o magistério em nível médio. foi aplicada aos professores e gestores da unidade escolar dando a oportunidade a todos a participarem da pesquisa. que se localiza na Zona Leste de São Paulo.

pensamentos. pois é reconhecido como um momento precioso para trocas de experiências e tomada de decisões coletivas. o Coordenador Pedagógico terá maior proximidade das ações pedagógicas do professor. Alguns professores declaram que há um distanciamento da teoria proposta pelo “PEA” com a prática docente. inquietações. a pesquisa aponta para a heterogeneidade de conhecimento dos professores sobre os assuntos abordados. a ausência dos docentes na formação continuada causa um empobrecimento do trabalho coletivo. enfim terá a oportunidade de realizar uma intervenção individual contribuindo para o avanço da prática docente. de espaço. observar o interesse dos professores ao estudo proposto e a sua eficácia na prática pedagógica. bibliografia e avaliação. de registro. Neste sentido. inquietações etc.105 acumulam cargos. Esse professor possui ações pedagógicas que não representa somente as aprendizagens teóricas e técnicas. de concepção pedagógica. conhecimento de que é um momento muito valorizado pelos professores e gestores. mas as experiências vividas ao longo da vida. Os novos conhecimentos pedagógicos poderão fazer parte da prática docente quando forem articulados com as reais necessidades e desejos dos professores. Em relação à formação continuada realizada na escola. motivo pelo qual. assim como os momentos de acompanhamento da formação continuada. de professor ou coordenador pedagógico. das dúvidas. Quanto ao “Projeto Especial de Ação”. o Coordenador Pedagógico precisa considerar que o professor é um ser único. o que dificulta a participação deles na formação continuada da unidade escolar. obtevese com as respostas. os gestores deveriam realizar constantemente a avaliação do “Projeto”. Há divergência na avaliação do “PEA” pelo grupo de professores e gestores. O importante é garantir que o Coordenador Pedagógico tenha momentos destinados ao acompanhamento da prática docente. em horário coletivo. a pesquisa evidencia que este “Projeto” precisa de alguns ajustes quanto à metodologia. necessidades pedagógicas. A participação dos professores na elaboração do “PEA”. que transforma e é transformado pelo outro. além de dúvidas. em horários coletivos. Diante disso. Neste sentido. somente no início do . No que se refere às questões pedagógicas. complexo. Cada professor pesquisado tem um conceito de tempo. com decisões próprias.

para se alcançar a qualidade na Educação Infantil. as propostas do “Programa A Rede em rede” e do “Projeto Especial de Ação”. os professores avaliam o “PEA” como sendo um projeto estático e não dinâmico. Os professores apontam na pesquisa que a organização da rotina na escola. Por outro lado. Em relação ao “Programa: A Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil”. formação e condições de trabalho das professoras e demais profissionais. Neste sentido. promoção da saúde. interações. Por fim. Coordenador Pedagógico e Professor se tornam parceiros na construção da aprendizagem. espaços. como relatou um dos gestores pesquisado. O “Projeto” para ser eficiente é necessário planejar as etapas de elaboração. Os professores relatam a dificuldade do Coordenador Pedagógico em multiplicar o conteúdo do “Programa”. não garante o bom andamento do “Projeto Especial de Ação”. materiais e mobiliários. o Projeto Pedagógico. no período de 2005 a 2008. os gestores reconhecem a qualidade e o fortalecimento que o “Programa” trouxe à equipe gestora no crescimento profissional. multiplicidade de experiências e linguagens. dinâmico e as ações precisam estar voltadas para o projeto maior da unidade educacional. cooperação e troca com as famílias e participação na rede de proteção social. os docentes relatam que a compra de materiais pedagógicos. . flexível. execução e avaliação com todos os envolvidos. As etapas de planejamento do “Projeto Especial de Ação” devem ser compreendidas como processo educativo. foram analisadas por meio dos relatos de prática dos docentes e observa-se que ações decorrentes das propostas estão presentes na prática pedagógica e outras precisam ser aprimoradas.106 ano. a presença dos gestores na solução de problemas e a parceria da escola com as famílias são fatores que auxiliam as propostas teóricas fazerem parte da prática pedagógica. os professores solicitam que o “Programa” seja estendido a eles e não somente ao Coordenador Pedagógico. o documento Indicadores da Qualidade na Educação Infantil (2009) aponta sete dimensões: planejamento institucional. A comunicação entre os professores e o Coordenador Pedagógico não é totalmente satisfatória. o grande número de crianças na sala de aula e a heterogeneidade dos alunos dificultam a aplicação das propostas do “PEA” e do “Programa” na prática pedagógica. A pesquisa mostra a dificuldade do Coordenador Pedagógico em aproximar-se das práticas cotidianas e implantar o registro reflexivo. motivo pelo qual. Além disso. no qual. Esses são alguns ajustes necessários para que o “PEA” seja eficiente.

a relação interpessoal entre o Coordenador Pedagógico e o Professor precisa ser baseada nos princípios da empatia. pesquisas direcionadas a formação continuada docente são essenciais para trazer a luz discussões e reflexões sobre a relação teoria e prática pedagógica.107 Esses indicadores vêm ajudar as instituições de Educação Infantil a definir suas prioridades e traçar caminhos para construir uma proposta pedagógica e social significativa. Observar a história da Educação Infantil e compará-la aos dias de hoje é perceber o quanto as instituições que atendem as crianças de 0 a 5 anos avançaram nas dimensões pedagógicas e sociais e o quanto precisam avançar rumo a uma plena qualidade educacional. fatores que contribuem para a construção de conhecimento à Educação. e traz como desafio um maior envolvimento de toda a comunidade educativa neste processo de formação. de si e dos outros. Em síntese. Por fim. . da autenticidade e da dialogicidade. a análise empreendida a respeito dos instrumentos de formação continuada: o “Projeto Especial de Ação” e do “Programa: A Rede em rede” permite considerar que esses instrumentos são importantes para a formação continuada dos professores. Todos precisam esforçar-se para compartilhar as reflexões e o agir de cada um no cotidiano escolar. Além disso. a comunicação é fundamental para que gestores e professores tomem consciência do mundo. em direção ao mundo a ser transformado e humanizado. No processo de formação.

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( ) 2005 ( ) 2006 ( ) 2007 ( ) 2008 6-Assinale uma das alternativas abaixo. como você avalia o Projeto Especial de Ação de sua Unidade Escolar? ( ) Excelente ( ) Bom ( ) Regular 8-Você tem conhecimento da Política de Formação de Professores ( Rede em rede) proposta pela Secretaria Municipal de Educação na Educação Infantil? ( ) sim ( )não 9-Como você avalia o Programa Rede em rede.115 APÊNDICE A – Questionário dos Professores Nome: (opcional)______________________________________________________________ Idade:_____________________________________________Sexo: F ( ) M ( ) Formação acadêmica: 2º grau-magistério ( ) Ensino superior( )Qual?____________________________ 1.Há quanto tempo você exerce o magistério? ( ) 0 a 5 anos ( ) 5 a 10 anos ( ) 10 a 15 anos ( ) 15 a 20 anos ( ) 20 a 25 anos 2-Em que ano você ingressou no cargo de Professor de Educação Infantil na Prefeitura Municipal de São Paulo? R:____________________________________________________________________ 3-Você exerce outro cargo na Prefeitura Municipal de São Paulo ou em outro órgão estadual ou particular? ( ) sim ( ) não Qual?__________________________________________________________________ 4-Você participa ou participou do Projeto Especial de Ação (PEA) de sua Unidade Escolar ou em outra Unidade Escolar? ( ) sim ( ) não 5. caso você não participou do Projeto Especial de Ação nos ano de 2005 a 2008 ou participou parcialmente. ( ) impossibilidade devido acúmulo de cargo. ( ) outros ___________________________________________________________________________ _________________________________________________________________7Nestes últimos quatro anos. ( ) organização familiar. proposta pela Secretaria Municipal da Educação? ( ) Excelente ( ) Bom ( ) Regular . na Educação Infantil.Em quais anos? Assinale o(s) ano(s) em que você participou do Projeto Especial de Ação (PEA).

na Unidade Escolar que foi significativo para sua prática docente? R:________________________________________________________________________ 15. você realiza o registro do desenvolvimento de seus alunos? ( ) diariamente ( ) semanalmente ( ) mensalmente ( ) bimestralmente ( ) semestralmente 12-Você tem desenvolvido o hábito de refletir sobre sua prática docente? ( ) sim ( ) não a) Com qual freqüência? ( ) diariamente ( ) semanalmente ( ) mensalmente ( ) outros 13-Qual a concepção pedagógica que fundamenta sua prática docente? ( ) tradicional ( ) construtivismo ( ) sócio-construtivismo (outro)_______________________________________________________________________ 14-Durante os últimos quatro anos.O que você mudaria no Projeto Especial de Ação ( metodologia. na Educação Infantil? a) Projeto Especial de Ação: __________________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________ b) Programa Rede em rede: __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________ 16-Como você avalia a sua participação no processo de Formação Continuada (PEA) da Unidade Escolar? ( ) Excelente ( ) Bom ( ) Regular .116 10.Quais os assuntos mais significativos que trata o Programa Rede em rede para sua prática docente? Que assuntos você sugere? R:___________________________________________________________________________ 11-Com qual freqüência. na formação continuada. conteúdo etc) e no Programa Rede em rede. o que você aprendeu.

R:_________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ 3-Você tem sentido dificuldade em lidar. relate as dificuldades. na prática docente? Comente. nos horários coletivos. na Rede Municipal de Educação? R::_________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ 5. como você avalia o Projeto Especial de Ação? R:_________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ 6. reflexão) na prática dos docentes? Comente.Você tem percebido dificuldades dos professores em lidar com a teoria do Projeto Especial de Ação e o Programa A Rede em Rede. enquanto gestor.Nestes últimos quatro anos. como você. R:_________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ 7-Em relação ao Ensino Fundamental de 9 anos.117 APÊNDICE B – Questionário dos Gestores Cargo/função: 1-Quais são os desafios cotidianos que você tem enfrentado em relação a formação continuada dos professores? R:_________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ 2-Como você tem percebido a presença da formação continuada (conteúdo. com o Projeto Especial de Ação e o Programa A Rede em Rede na formação continuada dos professores? Caso positivo. tem pensado no acolhimento das crianças de 4 anos a completar no cotidiano da EMEI? R:_________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ . R:_________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ 4-Como você avalia o Programa Rede em rede.

vai ter o momento de construir. que imagina. vai da gente. pra mim isso é educação continuada. isso eu considero o tradicional. Pelo menos três. Pesquisadora: Muito bem. do horário da gente. Então o que eu vou ensinar? E aí eu vou elencar o que é importante pra eu estar ensinando para a minha criança. a criança que constrói. Então eu sou tradicional e construtivista por quê? Porque eu sou consciente que eu estou aqui pra ensinar. em primeiro lugar. Ela vai ter o momento dela falar. se não ouvir fica difícil a gente trocar idéias . Eu vou estar educando essa criança. as idéias da gestão e também as práticas e o estudo que a gente tem que estar fazendo.118 APÊNDICE C – Entrevista Professora 1 Pesquisadora: Qual é o seu cargo? Professora 1: Professora de educação infantil e ensino fundamental I. Pesquisadora: E você ensina através do método tradicional? Professora 1: Olha. fala o que pensa. mas eu também tenho os momentos de ensinar e isso eu não posso deixar de lado. porque tem que ouvir. trabalhando dentro da escola. tem que se atualizar dentro da nossa área da educação. ela tem que me ouvir. o viver dela. Qual é sua concepção de criança e de infância? Professora 1: A criança que brinca. Pesquisadora: E quais são os momentos que ocorrem a formação continuada na unidade? Professora 1: Bem. Então. Ela tem que estar atenta no que eu estou fazendo. Eu gostaria de saber o que você entende por formação continuada? Professora 1: Formação que todos os dias nós estamos com os nossos colegas. com aquilo que ela fala o que aconteceu na casa dela. Pesquisadora: Muito bem. um grupo junto estudando. quatro dias na semana. que tem que ensinar também. comigo. a criança que nós fomos um dia e crescemos e hoje somos adultos. o que você entende por concepção tradicional-sócio-construtivista? Professora 1: Tradicional é o professor que ensina. O que é o sócio-construtivista? É o educar levando em conta o meio da criança. Assim. tem que estar claro na cabeça dele que ele tem. vai ter o momento de ouvir. na rua. De acordo com a resposta do questionário. Nós nos reunimos e estudamos. uma obrigação de ensinar. eu gosto de. quatro vezes por semana estar um grupo fechado. Pesquisadora: Muito bem. pode se dizer. Então. Então eu considero tradicional. a criança que se expressa. com o grupo de estudo. com o coordenador. que se corrige. com outras pessoas da unidade escolar. vamos começar então a pesquisa. quando eu vou ensinar algo eu acho que é importante a criança ela tem que me ouvir. de participar da aula. a criança que chora. Geralmente são três dias na semana. cada professor escolhe o seu horário e aí a gente forma um grupo. três. o que eu vou educar com a minha criança nas relações do dia-a-dia com o colega.

Esse ano eu peguei uma sala rodízio. acho que a criança fica muito solta e eu Ângela. Acho que a minha maneira de ser. que eles vão chegando. Então. Então vamos fazer leitura? Bom. trabalham muito bem. eu não posso dizer que é uma atividade simples. E a questão do tempo. as conversas entre eles. de reciprocidade. não é? Então eu já venho qual atividade que eu vou dar naquele dia. Eu não. eu já passo na roda pra eles: hoje nós vamos fazer só a pintura e a colagem e amanhã nós vamos dar continuidade. quantas meninas. Como é que eu vou dar atividade naquele dia. como que eu vou dar aquela atividade. o que eles vão fazer – jogo lá mais uns quinze minutos. um desenho animado. se cumprimentando. E a atividade ela já vem. E aí eu faço com todos juntos. como que a gente vai estar conversando. aquilo que eu quero. Então essa é minha organização da sala. que eu vou trabalhar com a criança. então a sala está sempre organizada em meia lua. Por quê? Após esse encontro entre eles. vou escrever na lousa. Desde o vídeo do primeiro momento que entra na sala. eu perco o controle. bastante. conversar com eles o que aconteceu no dia em casa. eles trocam brinquedos entre eles. quantos meninos. Vou passar informações. aí é o meu momento. Uma atividade mais longa. mais ou menos. Então esse ano eu usei muito o vídeo. eles vão fazer a troca e já vão ficar mais ou menos uns vinte minutos ali na conversa entre eles. Então. Pesquisadora: Muito bem. Pesquisadora: Na concepção sócio-construtivista. aquilo que já tem que estar planejado na minha cabeça: a maneira. Então vamos falar um pouquinho disso que você já está relatando à respeito do espaço. eu procuro dividir. desde o primeiro momento que ela entra na sala de aula. Como tem sido no seu cotidiano da sala de aula a questão do espaço ambiente? Professora 1: Esse ano eu trabalho na sala 5 que seria a sala de vídeo. que vai terminar naquele dia. entendeu? Eu perco o controle. aquilo que eu elenquei de importante. eu tenho lá minhas tarefas do dia. Então. a organização das mesas. no final de semana. Então tudo tem que ser organizado. contando as novidades. tem sempre lá um vídeo de música. na sócio construtivista. onde ela vai sentar. tem que ter uma relação de respeito. por isso que eu falo que eu sou tradicional e sócio-construtivista. É uma coisa por vez. eu divido uma sala com a colega. Então é tudo assim bem no horário certinho. Então. Aí parou. Terminou esse momento. bastante. deles estarem conversando. os grupos. Toda vez que eu vou passar informação para as crianças. é uma atividade que eu perceba que a criança consegue fazer. Tem professor que trabalha muito bem assim. eles vão para o meio da sala e nós fazemos uma roda. Só que eu acho que fica mais difícil. tem o acolhimento. você não consegue perceber essa relação do ouvir e do respeito? Professora 1: Dá pra perceber sim. como você planeja o tempo no dia a dia? Professora 1: O tempo já é meio complicado. nós vamos fazer a nossa contagem. que eu vou planejar. então tem que ser tudo meio cronometrado. o primeiro momento é o momento de acolhimento deles. eles trazem brinquedos de casa. sempre em meia lua. eles até sabem. vou fazer a leitura do dia. mais uns dez minutinhos. Eu já sei. mais complicada. Pesquisadora: Muito bem. fazendo atividade ao mesmo tempo. então eles já estão acostumados. eles . quanto eles gastam pra fazer a atividade.119 e conseguir educar e ensinar ao mesmo tempo. por isso que eu lhe digo que eu sou um pouco tradicional. brincando ao mesmo tempo.

na segunda feira eu tenho parque grande. Se eles quiserem trazer na segunda. A questão dos materiais. melhorou muito. O material fica à disposição nossa e das crianças porque o armário é aberto. Eu distribuo os brinquedos nas mesinhas. dentro da nossa linha de tempo nós temos o nosso horário de parque. nos últimos anos a escola vem recebendo verba pra comprar material pedagógico. Então. porque não dá. Não é? A gente precisa estar orientando as crianças. como é a organização de vocês? Professora 1: Então. nem os outros vão ter. Se o professor trabalha com brinquedo no primeiro momento de aula. E a gente já se organiza dentro do horário da escola. Como são organizados os materiais na sala de aula? Como está a organização desses materiais? Como é o uso dos materiais dentro da sala de aula? Me descreva um pouquinho esses materiais na sala de aula com vocês. Pesquisadora: Você me relatou agora sobre o brincar. mais tranqüilo pra eles. e eu deixo livre os brinquedos. Ele vai brincar com o colega. abrem. ele traz. a questão do brincar. aquilo. aquele brinquedo é de todos. Pesquisadora: Muito bem. ele é colocado numa altura que dá pra ela pegar. por exemplo. eles vão lá. o que um cuida. Eles já estão sabendo que aquele dia eles podem dividir o brinquedo deles. ele vai brincar com colegas de outras turmas. outros não cuidam. Então a criança segue a rotina do professor. eu já aviso desde as primeiras reuniões. nem ele. em tal episódio. como é organizado o parque. É isso mesmo? Professora 1: É isso mesmo. de quinta-feira eu tenho informática. Então eles sempre sabem: olha. Tem o armário coletivo e tem brinquedos para as crianças. graças a Deus. Como eu aviso que eu vou trabalhar com leituras. aconteceu isso. não precisa ser só na sexta-feira. fácil e a gente vê o dinheiro ir embora. Amanhã vamos dar continuidade a esses três episódios. nós temos a nossa linha de tempo. que você tem um dia. isso e isso. A gente costuma trabalhar muito com os brinquedos na sexta-feira. graças a Deus. ele já sabe. E no dia seguinte eles realmente sabem: Olha professora a senhora parou em tal capítulo. reúne a gente e a gente faz uma lista de prioridades. não é só dele. pegam os brinquedos. Na sexta-feira eles trazem brinquedo de casa. . Pesquisadora: Em relação ao tempo da unidade escolar. E se ele estragar. A criança mesmo vai lá e pega. e a gente dá continuidade. diversos brinquedos diferentes pra que eles possam estar trocando. na sexta-feira do brincar. só que no momento da atividade ele sabe que vai ter que guardar. A gente conversa sobre os três episódios.120 nunca vêem um vídeo inteiro. E toda vez que chega verba o diretor reúne o conselho. Então. todas as salas de aula tem o armário coletivo. o que um cuida o outro não cuida tão bem. temos o horário do acolhimento e a troca das salas de aula e o horário pra você fazer atividade em sala. eu aviso que eles podem trazer brinquedos sim. aplicando bem. o que a gente está precisando? E a gente ganha esse material. Porque a gente precisa estar orientando as crianças. já faço minha organização. nosso horário de informática. E isso a escola está fazendo bem. do acolhimento. do material. Na sexta-feira é que fica mais livre. a gente já avisa. E aí estraga rápido. eles trazem os deles e usa o da escola também. Se é um determinado dia da semana. os pais já sabem disso. Então. vamos assistir hoje três episódios que fala sobre isso. meu planejamento dentro do horário da escola. O único problema é assim. Então eles já sabem. isso. eu acho o desperdiço dos brinquedos. E a mesma coisa é com a atividade. Professora 1: Olha. Então.

O que nós vamos fazer? Negocia com ele. Aí eu falo: Ah. Voltou. É assim que ele fala.elas não têm medo. completou. Me sinto mãe. às vezes ele vem chateado e diz que não deu certo. Muitas coisas a gente registra aqui na nossa cabeça e no nosso coração. Eu não quelo. sentado. Como é essa questão do registro e dessa reflexão da prática? Professora 1: Bom. Entre eles também porque eu peguei esse ano duas turmas muito boas. com as minhas crianças. mas eu acho que ta faltando alguma coisa. Pesquisadora: Muito bem. no parque. Pego as atividades. Fora isso a gente brinca bastante no parque também. eu e os alunos eu posso dizer que às vezes eu me sinto mãe deles. na sala de informática. Ele não quer trocar. Toda criança briga. aí você . nos outros espaços da escola. E eles conversam entre eles. Fala pra ele: Agora nós vamos pintar. ela chega e conta naturalmente. tudo bem. Então eu marco ali o que aconteceu naquele dia que eu achei que foi importante. E essa semana ele fez a atividade. observando. normalmente é no meu horário de (.). Pesquisadora: Muito bem. Ele tem muito medo. eles estão lá brincando e de repente você vê uma criança conversar com a outra e você acha interessante aquilo que eles estão conversando. isso é normal. quem sabe depois você volta a conversar com ele. com outros colegas. Você não acha que ta faltando? Ele falou: É mesmo. mas quando é o momento de falar ‘Pro’ é ‘Pro’. Elas não têm medo de falar porque tá chorando. Aí eu falei: Ah. Então eu sou professora e sou tia também. e quando acontece algo que eu acho que é importante. mas essa é uma turma boa. Por quê? Ao mesmo tempo que eu estou lá ensinando. eu registro na própria atividade da criança. E a questão do registro. O que você tem que você possa trocar no momento com ele? Aí ele vai lá. o registro. o Jonas. né. mostrando pra ele o que ele pode fazer.121 No momento da roda de conversa. E como é a interação do aluno com você na sala de aula. eu não quelo. uma turma que está sempre chegando. eu tenho um aluno. Se aconteceu alguma coisa na casa dela. que ele tem muito medo de papel. sem grupo de estudo. A gente tem que respeitar o amigo. Eles podem estar trazendo brinquedos de casa que eles possam utilizar no parque. o que ele não pode fazer. Então. Eu pego um dia da semana que eu esteja mais tranqüila. o imaginar. Então você vai brincar com outro amigo. a não ser que ele seja o objeto da conversa.. Aí eu anotei: Hoje Jonas conseguiu fazer a atividade sem negar aquilo que ele tava sentindo. porque não quer vir na escola. ao mesmo tempo ele tem uma relação muito carinhosa comigo. Às vezes a gente está lá no parque. eu não quelo. Às vezes dá certo. aquilo que eu fiz durante a semana. ele tenta. Quando ela chega e fala: Tia. Mas acaba a palavra ‘pintar’ ele já fala: Eu não. Eles são uma geração boa essas duas turmas. Aí eu falo: Então vamos lá. porque eu dou atividade pra criança. pegou. Porque nem tudo é importante. Eu posso dizer que eles quase não se batem. é dele. ela me respeita também.. veio mostrar se tava bonito. Foi lá. Aí fica livre pra eles. Mas na sexta é livre. Por exemplo. bate. Como ocorre essa interação? Com aluno x aluno também. fora as brincadeiras dirigidas. Então a gente usa o brinquedo. nós temos uma relação muito boa. então hoje ele não quer. E no momento que eu quero a atenção dela. As crianças comigo. Como você tem registrado sua prática pedagógica? Porque no questionário você relata que você reflete diariamente sobre a prática e o registro você faz semanalmente. como ocorre? Professora 1: Olha. mas na sexta. E é o momento dela falar ‘tia’. aquele brinquedo não vai poder estar lá na roda. o meu coleguinha não quer dar o brinquedo pra mim. Tranqüilo. conversando: Olha Pro.

sabem desligar o computador. a minha sala seria uma sala maravilhosa. você acaba trabalhando mais e deixando outras. nesse momento. como uma sala de jogos de raciocínio. Eles já entram. Porque no começo eu tinha que ficar intervindo: Agora é a vez do coleguinha. Tanto ele trabalha ali na informática. numa dia que eu esteja mais tranqüila. Então. Professora 1: Laboratório de informática. Ele já está se afastando. mas já registrei aqui na mente. põe jogo. suponhamos. colocar senha. Tanto é que eles ligam toda hora o computador só pra poder escrever a senha no computador. eu fiquei observando os meus alunos. E ele já está se afastando. Volta para o computador. troca de colega sem que eu tenha que ficar intervindo. Então. boneca. Porque é uma sala que dá pra aproveitar pra trabalhar a linguagem. tanto pra sala de informática. eu adoro trabalhar leitura com as crianças. tem o Wilson. As outras 15 crianças. vão ficar sem. hoje eu fiquei observando as crianças. eu já sei: Ah. Então a gente coloca uma mesa com alguns brinquedos. Então eu venho fazendo isso como experiência. eu pego essas atividades. eu gosto muito de trabalhar leitura e escrita. Porque nós não temos computadores pra todas as crianças.122 marca. Aí chega no final de semana. E eles são tão independentes que eu pensei: Poxa. você ta fugindo da minha cordinha né. Agora não precisa mais. Quando ele me olha com aquele olhão. às vezes não. por exemplo. E eu observei que as crianças estão mais atentas. abre. Então. nós temos pra cerca de 20 crianças. já algum tempo. Porque o próprio cotidiano. já não está mais tão perto. mas trabalha uma vez ou outra. isso a gente registra. vai brincar um pouquinho. Em relação às linguagens. se eu precisar ta voltando. Escolhem o programa que eles querem brincar. leio muito com as crianças. mais ou menos. senta. porque o que acontece? A linguagem que você tem mais afinidade. como quando ele sai. o que aconteceu de importante e marco. a refletir porque você não está fazendo aquilo. você já jogou. na memória. ele ta querendo alguma coisa. eles escrevem a senha no computador. panela. Pesquisadora: Muito bem. eles têm uma relação boa entre eles. eu sempre digo: O Wilson fala com os olhos. Até que o projeto esse ano da minha mostra cultural é o diário de leitura. o dia-a-dia da escola faz com que você deixe algumas linguagens. fala com os olhos. como eu falei pra você. elas param mais pra pensar. Professora 1: Então. ele vai e monta um quebra-cabeça. já ta indo pra mais longe. Eu falo: Ah. Eles já sabem ligar. trabalhar o raciocínio lógico-matemático. e eu tava pensando: isso tira o foco. E se a organização do ambiente já ti força a planeja e trabalhar um determinado dia da semana no horário aquela linguagem. grandão. elas brincam no computador. já facilita. Então. é mais a organização do espaço pra você estar trabalhando as linguagens. já sabem o que . pra ver como funciona. E hoje no laboratório de informática. Não digo que deixando totalmente. as múltiplas linguagens da educação infantil como você tem sentido essas linguagens na prática docente? Tem conseguido desenvolvê-las com os alunos? Sente dificuldade? Quais as dificuldades que você aponta. Cansou. cansam. pra fazer um jogo da memória com a criança. eu sei que eu trabalhei leitura e escrita. ele fica perto. E essa semana o Wilson começou a se afastar. Eu posso não estar registrando naquele momento. sobre as linguagens. escolhem o computador que eles querem sentar. eu registro na memória e coisas que eu acho importante eu pego e anoto ali na própria atividade da criança no dia-a-dia no diário. deixo lá à lápis. Por quê? Porque aquela criança. Eu observo que alguns colegas levam brinquedos de brincar mesmo: carrinho. sentam na mesa de jogo e ali elas brincam com o colega que tá ali e joga. as brincadeiras dirigidas? Nisso eu sei que eu falhei. mas e o raciocínio lógico-matemático? E o brincar da criança. você começa a se policiar. o Wilson ele nunca brincou.

a organização com jogos auxiliando o professor no horário dele de informática. mas ela não está organizada pra isso. mas não é garantido. eles não acham que são importantes. Pesquisadora: Você tem como me dar exemplos? Professora 1: Vamos citar. só ta colocado o computador lá. mas a manutenção dele e a ajuda pra esse professor nessa sala também é importante. Porque quem ta fora tem outro olhar. Então não foi pensado na organização dela. dois. Essa gestão colocou o Rede em Rede para o grupo gestor e eles deveriam estar passando essa formação para os professores. e que para o professor que está na sala de aula. no pátio externo o professor não tem voz e a criança se distrai. O que grupo gestor viu. Eles estão presentes na formação continuada ao mesmo? Ou tem um momento em que vocês estudam o projeto e um outro momento para o programa? Como é a organização do projeto e do programa dentro da formação continuada? Professora 1: Eles deveriam acontecer juntos. Pesquisadora: E em relação à sala de aula? Daria pra desenvolver essa linguagem? Professora 1: Dá pra desenvolver. Então. Como eu sempre digo pra as minhas colegas: virou um telefone sem fio. nós não temos. Aí eu dou jogos matemáticos na informática. isso já é uma linguagem que fica prejudicada. o professor além de estar ali auxiliando as crianças. Porque assim: a minha sala é uma sala de . como é que você vai brincar de cantar ali com as crianças? Vai brincar de roda com a criança? Vai fazer um jogo ali com a criança. três computadores.123 fazer. Vai competir com mais três salas que estão almoçando? Aí você vai pára o pátio externo. Então. ele tem que estar ali arrumando os computadores também. Não dá. Então eu fico uma hora e meia só nela. Então o que o grupo gestor viu lá? Ah. Deveria estar acontecendo junto. nessa sala. a gente sente certas necessidades que. aí quebra um. desde que você tenha a sala de aula o tempo todo pra você. por quê? Porque existem outras prioridades dentro da escola. a manutenção dos computadores aqui. a informática é importante. Porque cada um entende de uma maneira e tem uma concepção de entender aquilo que está sendo passado. eu faço durante a semana. os computadores atendem 20 crianças. nós temos muitas refeições. Mas isso não acontece. é importante a sala de informática. Tá. pra estar aproveitando o espaço. participou e viveu teria que estar sendo passado para os professores no mesmo tom. quando a escola está mais tranqüila. como eu posso dizer. Que seria o pátio. Ela não consegue ouvir as suas comandas em determinadas brincadeiras. levando à reflexão e à discussão. Quando eu saio da minha sala e vou para a minha sala de informática. não é. eu vou dar a minha saída. essa uma hora e meia eu tenho aproveitado pra fazer rodas de conversa. O espaço pra você trabalhar brincadeiras dirigidas. a informática. que pra outras pessoas. e quem está ali dentro com as crianças. Porque a nossa realidade é diferente da quem ta fora. que é possível estar fazendo. Pesquisadora: Muito bem. só que o pátio. Então. Algumas brincadeiras. Então. por exemplo. as leituras e as atividades dentro da leitura e escrita. que julgam prioridades. brincadeiras cantadas. e as refeições ocupam totalmente o pátio. À respeito do Projeto Especial de Ação e do Programa A Rede em rede: Formação Continuada na Educação Infantil. é importante. a minha sala é uma sala rodízio. Como eu disse pra você. E é uma sala boa pra estar trabalhando linguagem matemática.

mas e para o professor? É problema ou não? Como que é? Eu costumo dizer que o aluno é da escola.. Então foi mais fácil. devido às prioridades que acham que é mais importante: “Hoje vamos fazer um estudo de tal autor. porque enquanto ela ta li pegando na mãozinha de um. Ele precisa de alguém ali pra falar: professor eu vou dar uma mão. tem dia que ele não ta bem. os alunos são de todos da escola. tem que ler isso. Por que a minha aluna ta se enfiando debaixo da mesa com o coleguinha? O que eu faço? No que os meus colegas podem me ajudar? Que dicas podem dar? O que esse Rede em Rede formador passou para esse grupo gestor? Dicas que a gente possa tá trabalhando isso. numa forma dele repensar sua prática e dele procurar alternativas pra tentar amenizar os problemas da sala de aula. professora ele vai. não é? E o professor. Mas eu quero hoje. muito criativas.124 segundo estágio. Aí eu percebo. muitas vezes. Saem fora da roda. logo ti trazem ela de volta. porque a maioria já tem vídeo-game em casa. por exemplo. da tia. então todos têm que estar envolvidos no ensinar e educar desse aluno. Agora. saem fora da roda. Então.. Você percebe a teoria do Projeto Especial de Ação ( PEA). essa professora precisa de alguém lá com ela. chuta o outro. aquilo tá me engasgando. Eu entrei em pânico. As crianças ligavam e desligavam o botão direto. Isso já aconteceu mais ou menos com uma turma minha. nem todas as crianças ouvem como deveriam ouvir.. eu vou levar essa criança pra tomar uma água. tem que ser passado para o professor. Não. As crianças de hoje são muito ativas.. das linguagens. então eu tive mais facilidade nessa sala com as minhas crianças. Então eu fico imaginando. eu fico imaginando o professor de primeiro estágio. Então eu trago um fato. porque hoje eu vivi esse problema. Então ela precisa de ajuda. de um aluno que se enfiou debaixo de uma mesa com o coleguinha. Pesquisadora: E a questão do Programa A Rede em rede? . como se ela fosse um problema pra eles. tá na bibliografia. eu percebo quando existe a troca. Pesquisadora: A outra questão é a respeito. Aquilo agora não é pra ver. O professor. arrancaram até o mouse do computador. eu fiz dessa forma. Agora tem que ler tal revista. algo que aconteceu na minha sala de aula que eu não consegui resolver ou que eu tive uma determinada atitude e achei que não foi boa. aí eu percebo. Dentro dos estudos eu acho que é lento. mas aquilo não é pra ser discutido agora. vamos ler tal revista.. Olha isso deu certo. E eu tô com um problema lá na minha sala que tá me engasgando. Um dia dessa semana me colocaram quinze alunos de primeiro estágio na minha sala porque a professora faltou. quando ele está numa roda de conversa. Mas nem sempre. por isso que eu digo: esse Rede em Rede que fala do brincar. tem computador ou o computador do tio. Então por isso que às vezes eu acho que não está conectado. são agressivas também. Pode até ser que aconteça. das múltiplas linguagens. professora. pra dar uma volta. mas não percebo assim de cara. pra você respirar. ele está discutindo alguma coisa com as crianças. faz assim. morde o outro. Hoje eu não sei o que eu vou fazer com esse problema. que não resolveu e o grupo me auxilia. tem dia que ele ta bem. na sua prática docente? Professora 1: Eu percebo quando existem momentos de troca de experiência. Então. E as minhas crianças ficaram: Professora ele ta arrancando. vamos conversar pra que você possa dar continuidade. tal dia é dia da prática”. como é que eu faço? Ah. fala: vou tirar essa criança pra dar uma voltinha. os outros estão completamente soltos.. mostrando como se faz. É muito lenta essa formação. Então muitas saem. ah isso não deu certo. não é agora. página tal”. E quando você tira essa criança. tá aqui. Porque às vezes é uma e o restante da turma ta envolvido. Entendeu? “Ah. Eu fui dar minha saída na sala de informática.. Porque os colegas vão dando experiências e a gente vai aplicando aquilo.

acolher é a todo momento. o que entende de determinada linguagem. Acolhimento tem que acontecer na sala de aula por quê? O acolhimento pode acontecer desde o primeiro momento que eu abro o portão para a criança. essa maneira de passar que é duvidosa. e acontecendo junto a gente consegue pensar mais em prol do aluno. a diferença entre a sua prática docente em relação ao professor que não fez ou não faz a formação continuada? Professora 1: Eu percebo a falta de entrosamento. . Qual seu horário de acolhimento?’ E eu tenho que marcar na minha rotina o meu horário de acolhimento e tem que ser cronometrado o horário de acolhimento. Ele faz lá fora a atividade uma vez por semana ou duas. faz algumas trocas de experiências. o Rede em Rede virou um telefone sem fio. Então.125 Professora 1: Como eu disse pra você. uma brincadeira mais livre. até pra estar trocando como trabalhar com determinados temas. porque tem professores que fazem trabalhos maravilhosos. na educação do aluno. O que entende do brincar. emperra. Porque pra eles é passado de uma forma e pra nós é passado de outra. o que entende de acolhimento. Eu gosto de trabalhar com brincadeiras cantadas com as crianças. a organização do tempo. então ele não está junto com o grupo. Eu gosto de um ambiente mais aberto. Então essa visão que a gente precisa saber. dançando? Tem que ser na sala de aula porque falaram que tem que ser na sala de aula. esse professor fica deslocado. na maneira que eu tô recebendo ela. ensinar para o aluno. Por que eu não posso acolher minha criança cantando no pátio. Então a gente percebe dessa forma. Existem fatores que ainda impedem a aplicação da proposta do PEA. porque eu tô fora e eu não sei. Então. cada um passa o que entende. eu não preciso ter hora para acolher meu aluno. ele pode estar enriquecendo muito o nosso trabalho e a gente ainda dando coisas novas pra ele. Então. Esse Rede em Rede tem que ser também para o professor e o professor junto com o grupo gestor. Pesquisadora: Bom. na sua prática pedagógica? Professora 1: Impedem: a organização do ambiente. mas eu não vejo acolhimento dessa forma. Você percebe. a gente não conhece o trabalho dele. Às vezes. às vezes impede. Pesquisadora: Muito bem. Será que eu tô certa? Será que eu tô errada? O que tâ acontecendo? Porque passaram pra gente que é de uma determinada forma. vamos acolher. ‘Olha. Pra mim todo momento eu tô acolhendo meu aluno. uma brincadeira dirigida. a rotina da escola. Não tem que ser: ah. eu gosto de cantar com as crianças e isso a própria organização da escola impede que eu faça esse trabalho do jeito que eu gosto. ele ta fora do grupo de JEIF. tem que acolher a criança’. tal hora é hora de acolhimento. então essa é a descontinuidade. Pra mim. Então eu acho que a organização mesmo da escola impede um pouco o trabalho. que a gente dance. pra que os dois possam fazer um reflexão do que está acontecendo no cotidiano da sua escola. mais livre. porque a formação continuada acontece nos grupos de JEIF e geralmente esse professor que não faz. só que por ele não estar entrosado. Não que o trabalho dele não seja tão bom quanto o de quem está fazendo a formação. professora. que a gente cante. determina alguns projetos. vamos mudar. vamos montar um horário. Eu vou dar um exemplo pra você: foi falado do acolhimento pra todo o grupo da escola ‘vamos mudar. o grupo se reúne. do Projeto Especial de Ação.

A gente pede. mas vai acontecer mais freqüentemente do que com as de três anos e meio. A escola ainda não propiciou momentos pra que a gente se organize. eu creio que só. porque aqui é self service e a criança ainda não tem toda a coordenação pra estar pegando. Que nem. Ajudar a colocar o sapato nessa criança. a guardar aquilo lá. duas professoras. E são trinta pra ajudar a se servir. São crianças novinhas que estão chegando. não é. nem o espaço. quebrar uma rodinha e a criança colocar na boca. a espaço. brinquedos apropriados. Como a unidade escolar está se organizando para atender as crianças de quatro anos a completar. Espero que no começo do ano a gente tenha esse tempo pra nos organizar antes dessas crianças começarem realmente. só. mas nós professoras já estamos muito preocupadas. muito. a completar quatro. enfiar no nariz ou no ouvido. são as verbas. Os brinquedos que a escola tem hoje é fácil quebrar a roda de um carrinho.isso ajuda bastante. Obrigada. que eles possam realmente fazer parte do nosso cotidiano. o próprio grupo de formação ajuda bastante esse programa. mobiliário? Vocês têm conversado sobre isso no coletivo? Como vocês têm se organizado? Professora 1: Nós temos conversado entre nós professoras. né. Então ainda não se organizaram quanto a isso. materiais pra gente. mobiliário. Primeiro porque vai ser uma sala de 30 e vai ter um único professor. mais ou menos. tem que pensar muito bem nos brinquedos. ainda não foi pensado nisso. Então. Então nós entre as professoras estamos preocupadas: ah. como que vocês têm se organizado em relação a tempo. meses. E nós vamos ter que ensinar essa criança a tirar sua roupa quando sente calor ou colocar a roupa quando sente frio. será que eu pego berçário. a localizar sua mochila.126 Pesquisadora E existem fatores que têm auxiliado a proposta do Projeto Especial de Ação da unidade e do Programa A Rede em rede. Pesquisadora: Muito bem. os projetos e assim. já não é a mesma criança de quatro anos. Não que não aconteça com as de quatro anos. Foi de grande valia para a pesquisa. ajudar a colocar comida no prato. que estão comprando muitos brinquedos. os programas. E o objetivo maior é que nós possamos compreender a formação continuada. nós vamos ser uma professora pra 30. Obrigada pela participação na pesquisa. Nós estamos preocupadas com o ano que vem. São muito diferentes. será que eu não pego. não de onde as crianças vêm geralmente é quinze. . não pode ser tão pequeno assim. eles logo estão providenciando esses materiais. como eu falei. na prática pedagógica? Professora 1: Olha. o que tem auxiliado. um mês já faz diferença. Pesquisadora: Professora eu quero agradecer a sua participação nessa entrevista. Essas crianças virão com três anos e meio. Lá. dezoito crianças. tudo.

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APÊNDICE D – Entrevista Professora 2

Pesquisadora: Professora entrevistada número 2. O que você entende por formação continuada? Professora 2: O que eu entendo por formação continuada é aquele estudo que o professor tem depois da sua formação, da sua graduação ou outro tipo de formação e convém com a sua prática. Então ele tem a prática, e através da sua prática, dos seus problemas, das dificuldades que ele vai tendo no dia-a-dia ele vai estudar, vai procurar teorias que o auxiliem nessa formação continuada. Essa formação continuada pode se dar na escola, como fora da escola também através de cursos, através de uma pós- graduação, através de leituras que o professor faz em casa. Eu, no meu caso, eu tento sempre procurar. Eu sempre procuro assim, estar lendo, porque eu acredito assim, que nós professores, nós nunca deveremos deixar de estudar. Porque assim, nós sempre recebemos uma criança nova, de um contexto novo, uma criança que vem de uma época, de uma sociedade diferente daquela que talvez nós estudamos; da minha formação mesmo, há dez anos atrás. Uma criança que cada vez mais com a tecnologia, ela vai mudando. Então, o professor também tem que vir buscar essa mudança, ele tem que vir buscar esse estudo. Então eu procuro, de acordo com os livros que tem aqui na escola, né. Porque infelizmente nós não temos assim condição de ter acesso a livros, os livros são caros. Então, na medida do possível, que a prefeitura vai trazendo livros para a escola eu vou olhando os livros e vou pegando aqueles que eu acho interessante, que convém com a minha prática, com a necessidade das minhas crianças e aí eu vou lendo em casa, né. E também no PEA. A PEA é uma formação continuada. Pesquisadora: Obrigada. E quais são os momentos em que ocorrem essa formação continuada dentro da unidade escolar? Professora 2: Como eu já tinha falado né, isso acontece no PEA. É o momento onde nós nos reunimos. Ai foi muito interessante ter o PEA aqui na escola porque nós dividimos da seguinte maneira: na terça-feira a gente pega pra estudo. Na quarta-feira nós pegamos para a prática. Através do estudo que a gente tinha estudado na terça-feira, a gente pegava a quarta pra fazer a prática da sala de aula. E depois da reflexão, do texto que a gente tinha lido e da prática na quarta, na quinta a gente replanejava. Assim, essa formação continuada dentro da escola já se dá no PEA e nas reuniões pedagógicas também. Porque nas reuniões pedagógicas é o momento que a gente pára, a gente reflete. Porque nas reuniões pedagógicas é um número maior, é praticamente a escola inteira, então você tem contato com outros professores, de outros turnos que você não tem no PEA. Então, é muito interessante por isso, deveria até ter mais encontros desse tipo. Pesquisadora: Muito bem. Qual é sua concepção de infância e de criança? Professora 2: Criança... Nós seres humanos, na verdade, somos seres em aprendizagem e a criança, ela é tudo de bom. Ela é igual uma esponjinha, ela absorve tudo. Então, a minha concepção de criança é que é um ser em desenvolvimento, curioso, que gosta de brincar, que tudo é de bom pra eles. Tudo eles absorvem, absorvem tudo. Eles sonham, eles viajam. Ah, é muito bonito falar em criança. Criança é... Por isso que eu escolhi educação infantil, porque

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eu viajo junto com as crianças no mundo da fantasia. Eles são sinceros. São seres assim, que se eles gostam, eles gostam; se eles não gostam, já falam que não gostam. Pesquisadora: E como você vê essa criança no processo de aprendizagem? Professora 2: Como eu tinha falado, é um ser em constante aprendizagem. A criança, ela absorve tudo que existe, tanto de ruim, como de bom. Por isso que é importante, por isso a grande importância da educação infantil. Você tem que saber o que você quer, qual que é seu objetivo, o que você quer alcançar. Porque você sabe que a criança, ela vai absorver tudo. Então, se ela vai absorver tudo, vai absorver tudo de bom, tudo de melhor pra vida inteira, porque é o alicerce. Como eu falo nas minhas reuniões para os pais: a educação infantil é o alicerce da casa, o alicerce que a criança vai ter para o resto da vida, a construção da personalidade. Então eu acho que é muito importante o professor saber o que ele quer. Pesquisadora: Muito bem. Em relação ao seu questionário, você se declara sócioconstrutivista. O que você entende por essa concepção? Professora 2: O sócio-construtivista, o pai de tudo isso, vamos falar que é Vygotsky. Então, ele fala que a criança vai interagir com o meio e conforme o meio ela vai estar construindo a sua aprendizagem. Então eu acredito que sócio-construtivista é o meio. O que o meio oferece pra essa criança pra ela ta pegando, experimentando, vivenciando. Então, conforme esse meio que ela tem à sua disposição, ela vai tá aprendendo e desenvolvendo a sua aprendizagem. Pesquisadora: Muito bem. Agora, como tem sido no seu cotidiano de sala de aula a organização do espaço e ambiente? Professora 2: Olha, nós temos aqui na unidade, em todas as unidades de EMEI papel, giz, lápis de cor, canetinha, a lousa, brinquedos. Então, o espaço ele é organizado de maneira bem diversificada, conforme a atividade a criança pode escolher o material que ela quer, eu não determino o material que vai ser usado, só em alguns momentos em que há necessidade. Mas assim, quando vai fazer um registro, eu geralmente deixo vários tipos de materiais à disposição, elas abrem o armário, o armário é delas, elas abrem, elas pegam o que elas querem: borracha, lápis, tesoura, cola, né. E assim, na sala de aula uma coisa fixa são os brinquedos, então elas costumam brincar, elas fazem do jeito que elas querem, depois elas guardam, algumas crianças têm dificuldade para guardar, a gente tem que estar reforçando, falando. Mas eu tenho que deixar assim, o material que nós temos, na medida do possível, à disposição delas. Até o rádio, nós temos um rádio, eu deixo elas manusear, elas colocam o CD que nós vamos usar. Pesquisadora: Em relação aos brinquedos, você pode descrever quais os tipos de brinquedos que existem na sala de aula dentro do armário? Professora 2: Os brinquedos são o monta tudo, são aqueles cubinhos que encaixa, são os brinquedos, eu não sei o nome pra dizer, mas é um quadradinho que vai construindo quadrados; ele é muito bonitinho, eles adoram. Jogos, nós temos bola, nós temos bambolê, corda, temos brinquedos de faz de conta. Então são esses brinquedos.

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Pesquisadora: Muito bem. E a questão do tempo, como você tem organizado o tempo na sala de aula, na unidade. Como tem sido esse tempo? Professora 2: Eu não costumo cronometrar o tempo porque a gente tem que respeitar o tempo da criança. Então, o que é que eu faço? Desde o começo nós fizemos uma rotina com as crianças, então o nosso lanche é às nove horas, né. Então, a gente até às nove horas a gente desenvolve atividade de leitura, das de registro, às vezes, alguma atividade de recorte e colagem. Depois das nove horas a gente vai pra área externa, faz uma atividade de bola, brinca no parque e brincadeira de faz de conta. Então assim, eu não tenho tempo cronometrado, mas nós temos essa rotina. Primeiramente a gente faz uma atividade na sala de aula, faz uma atividade de teatro, alguma coisa desse tipo e depois do lanche uma atividade externa ou o faz de conta. Pesquisadora: Quanto aos materiais utilizados, você até já relatou. Quer falar mais alguma coisa sobre os materiais? Professora 2: Os materiais utilizados na UE são materiais oferecidos de acordo com a possibilidade da UE, só que assim, eu acredito como professora, eu sinto muita necessidade de ter informática, de ter materiais tecnológicos na sala de aula. Eu acredito assim, que na sala de aula tinha que... Nós vivemos em um mundo onde as crianças têm acesso, por mais pobre que ela seja, ela tem já acesso ao computador, ela tem acesso a todos os tipos de tecnologia ou em casa, ou em algum lugar que vá. E assim, a necessidade que eu vejo ainda na EMEI é aquela lousa ainda verde, poderia mudar essas coisas. Não sei, um computador. Pesquisadora: Tipo um cantinho na sala de aula? Professora 2: Não. Eu não falo o cantinho. Eu falo mesmo de ter um telão e o professor ter o computador. Porque, às vezes, a gente quer mostrar uma imagem para a criança, tipo dia da informática, aí vai lá mostrar essa imagem, o computador. Porque eles trabalham por temas, temas diversificados, então, às vezes, eu precisava mostrar uma imagem, aí eu não tenho como mostrar a imagem. Aí, às vezes, um vídeo, igual, sobre a água, eu tive que esperar o dia tal, pra ir lá tá levando. Porque assim, você quer levar um material pra sala de aula, às vezes não têm pessoas pra ta ajudando levar, porque cada professora tem sua turma, a sua atribuição. Eu não posso deixar as crianças sozinhas, mesmo pra organizar esse material. Então eu acho assim, ainda é um sonho meu que a EMEI tenha ainda a informática. Porque eu falo assim, ter um telão, o professor ter um computador, aí joga lá na internet, aí aparece a imagem, as crianças ficam vendo o telão. Isso é maravilhoso. E também é um sonho meu que tenha poucas crianças, menos número. Eu acredito que o ideal seria 20, 25 crianças por sala, porque tendo muita criança dificulta muito o trabalho. Eu percebo que o dia que vem menos crianças, eu consigo atender melhor, individualmente, cada criança tem a sua necessidade. Agora, quando vem muita criança,eles ficam agitados, o espaço é pequeno e eu não consigo atender cada um, né. Eu sinto essa dificuldade. Pesquisadora: Como você vê essa questão do cantinho? A organização dos cantinhos na sala de aula? Professora 2: Olha, eu vejo muito bem. Só que a dificuldade que eu tenho ainda pra esses cantinhos é por causa do número de crianças, né. Por ser muita criança, às vezes, eu não

O professor assim. Mas como assim. Mas o Rede em Rede em si. com gincana. Mas quando eu trabalho com o cantinho. né. onde o professor ele vai. O professor estar fazendo esse curso. às vezes. observando. eu vejo assim. mas por ser muita criança. Porque as crianças tem necessidade da gente e a gente tem que registrar. aquele que quer mesmo fazer as coisas. A gente sabe dos livros. porque o PEA tem os temas no começo do ano. a partir dos livros e das orientações curriculares a gente procura trazer aquilo lá para a prática. E o Rede em Rede eu não tive muito contato esse ano. facilitaria muito o trabalho. cambalhota.a gente não consegue. mas que também tem que ir para outro cantinho. Então eu acho que seria importante abrir sim para os professores. porque ele é a memória viva do professor. quase todos os dias. eles exigem muito da gente. E também a dificuldade que eu tenho de atender um cantinho. Eu tento registrar todos os momentos que se destacou. que a gente ta trabalhando algum texto. nossa atenção. Então. na sua prática docente? De que forma? Professora 2: Olha. Humanamente é impossível. as outras linguagens. eu registro. pra você ter o cantinho. é importante porque a partir do momento que ele lançou um conhecimento. como aquele cantinho ta cheio. ele volta. cada um vai passar do jeito por ele. Mas assim eu vejo como de grande importância. registrar na hora. trabalhar tipo. eu vejo a dificuldade que eu tenho das crianças entenderem que ela tem que sair daquele cantinho que elas gostam muito. Só que igual eu falei. Trabalhar com pneu. tem toda uma metodologia pra fazer com que as crianças rodiziem todos os cantinhos. mas eu gostaria de registrar na hora. porque cada um é uma pessoa. E. Em relação às linguagens. Porque às vezes o coordenador. depois que termina. Porque eu gostaria de cada dia estar atendendo uma criança especificamente. a dificuldade é muito grande. às vezes eu consigo registrar na hora. eu acredito até que o o curso deveria ser para os professores também. às vezes. trabalhar com corda. . a gente tem que trabalhar de acordo com os temas na nossa prática docente. mas cada um tem a sua concepção. registrando. ele se esforça muito. mas também que aquela criança que está naquela cantinho também tem que rodiziar. na sua prática pedagógica? Professora 2: Olha o registro. e a gente não consegue. ela tem que procurar outro cantinho. Então assim. ele vai. Mas fora da sala de aula eu ainda tenho dificuldade de trabalhar. você sente dificuldade em trabalhar as múltiplas linguagens na educação infantil? Professora 2: O que eu tenho sentindo mais dificuldade ainda é os movimentos. ele vê o progresso da criança. isso eu acho que ainda ficou a desejar. Pesquisadora: Muito bem. eu tenho que pegar um tema que eu vejo que há necessidade e aí eu tenho que trabalhar todas as linguagens. Só que pra isso precisaria ter um pouco menos de crianças.130 consigo fazer essa organização. Nós lemos os livros. Pesquisadora: Em relação ao registro. Eu não fiquei sabendo muito o que aconteceu na formação do Rede em Rede.a gente percebe assim. eu trabalho com o cantinho quase todos os dias. Pesquisadora: Você percebe a teoria do Projeto Especial de Ação e do Rede em rede: a formação continuada. quando eu trabalho com o cantinho. Então eu acho que o registro é muito importante sim. mas muitos casos não é possível ainda. Como tem sido o registro. Então. pra não se perder. as orientações curriculares. você precisa que as crianças entendam que. então eu não consigo. Porque assim. Porque é esse o objetivo do cantinho. Sabe? Porque assim. igual.

E assim. Fiz uma pós-graduação em educação infantil. conforme a nossa possibilidade. Então eu acho assim. E ta colocando coisas novas. eu achava que o PEA tinha que ser mais flexível porque conforme vai passando o tempo. eu tenho experiência por mim. Não por mal. Mas em outros momentos. nós vivemos numa constante. ele está interagindo mais na escola. ta planejado. Porque assim. já foi satisfeito. Porque assim. Existem fatores que ainda impedem a aplicação das propostas teóricas. é como se fosse uma bolha em ebulição. eu não tenho observado essa diferença. vai surgindo coisas. Então assim. eu fiz estudos. a gente vê a diferença sim. tinha que ser flexível e. eu conseguiria desenvolver um trabalho de mais qualidade. Então eu acho muito importante a realização do PEA sim. Porque quando a gente observa uma criança. vamos se dizer assim. porque é fechado. Ah. Eu acredito que não tinha que ser assim. Isso a gente não pôde fazer. então eu fui buscar. vão acontecendo coisas que a gente às vezes não planejou. mandou lá para a DRE. as decisões. Porque os professores aqui na EMEI provavelmente eles dobram e eles fazem PEA no outro turno. eu acho que se tivesse um pouco menos de criança. é um conjunto. você tem dificuldade em aplicar a teoria à prática? Professora 2: Não. Eu acho que o fator maior que impede é esse. ele ta vendo o que a escola tá trabalhando. que o professor fica um pouco. Então. Infelizmente a gente trata um todo e acaba fazendo um depósito de criança e a escola não é um depósito de criança. . o professor que não faz o PEA é um professor mais desinformado. por isso que é importante o PEA ser mais flexível e ter um pouco essa abertura da gente poder estudar coisas. Pesquisadora: Muito bem. As crianças são vivas. Porque aquilo que a gente planejou.a única dificuldade que eu encontro é a quantidade de criança. sinceramente. tem. chegar no meio do ano poder estar mudando talvez a bibliografia. Agora. eu não tenho dificuldade não. porque a gente procura no PEA trabalhar a nossa realidade. mas é porque assim. na sua prática pedagógica? Professora 2: Ah. busquei. eu não tenho observado isso. a quantidade de criança. Pesquisadora: Em relação ainda ao Projeto Especial de Educação (PEA) e o Rede em rede. eu ficava um pouco assim fora da escola. porque o professor que faz o PEA. que a gente não poderia saber. Então assim. Porque cada criança tem a sua necessidade. ele ta sabendo mais do assunto. quando eu não fazia o PEA. na faculdade eu senti que faltava ainda conhecimentos. porque eu conseguiria atender cada criança. planejou no começo do ano. a gente não pôde estudar textos a mais do que estava planejando no PEA. Acabou o final do ano e você ainda não está conhecendo ela. planejou. a gente tem que ir atrás. não pode mudar. Assim. em outros anos. talvez não tenha mais necessidade. as coisas acontecem no PEA: as informações. a gente não conhece. Parece que você trabalha sozinho. a teoria eu tenho. A única coisa que eu achei de dificuldade foi assim. Então. poder sim mudar e estudar outros textos. tem quer respeitar cada indivíduo na sua íntegra. a gente vai conhecendo durante o ano. tem que dar aquilo que ta lá.131 Pesquisadora: Você percebe diferença na sua prática docente em relação à prática docente do professor que não realiza a formação continuada no horário coletivo? Professora 2: Olha. a gente não tem que esperar. Igual.

se eu estou com alguma dificuldade. a gestão estar junto com a gente tentando solucionar os nossos problemas. mas quando tem condições. a escola tem procurado nas salas de primeiro estágio deixar menos cadeiras para as crianças trabalharem mais no chão. em relação ao ensino fundamental de nove anos. eles não estão . porque infelizmente nossos órgãos públicos. ou um turno integral como se diz. meio-período. nas EMEI’s. Então eu sempre procuro assim. Eu acredito sim que a criança poderia ficar seis horas na escola. né. mas é uma coisa assim que é lenta e que se vai caminhando e que você vai planejando. Nós estamos aqui pra ajudar no desenvolvimento dos filhos de vocês e eu quero fazer o que eu puder. a coordenadora. como se fosse um orfanato. a professora gostaria de relatar a preocupação com a educação infantil. ter um banheiro mais acessível porque talvez os vasos são grandes. tem piscina. a gente poder estar discutindo as nossas dificuldades. que tipo de cidadãos nós queremos pra oferecermos coisas boas para as crianças? Então eu acredito assim. que precisa se pensar nisso. nós somos uma parceria e nós vamos caminhar juntos. Mas uma criança que fica seis horas numa EMEI a minha preocupação é que vira um depósito de criança. é o que eu tenho observado. elas têm dificuldade pra usar vasos grandes. conversar com os pais.132 Pesquisadora: Em relação a essa mesma pergunta. às vezes vai estar vivendo um momento de stress. a minha preocupação grande na educação infantil é que as escolas agora estão recebendo as crianças seis horas. colchonetes e brinquedos. Então é assim. né. Porque assim. Nós sabemos que vamos receber crianças de quatro anos a completar na educação infantil. o CEU ainda é um espaço que é muito rico em diversidade. assim. Então. talvez até fazer uma reunião extraordinária. Qual a qualidade que está se oferecendo pra essa criança? Porque a criança. E assim. Mas eu vejo que assim. a criança fica seis horas ali. uma coisa muito fechada. eles têm uma visão teórica. Eu acho que a comunidade é muito importante. que não estava no calendário. A gente também junto com os pais. são vários espaços que tem teatro. Pesquisadora: Muito bem. né. Continuando a entrevista. vai se conversando. ela não tem espaços. Porque é um conjunto e a gente tem que procurar sempre parcerias. Professora 2: Bom. procurar ser um ambiente que tenha poucas cadeiras. o professor vai ficar estressado e o que essa criança vai estar absorvendo? Às vezes vai estar absorvendo coisas boas. você caminhar junto com a comunidade porque nas reuniões eu sempre converso com os pais. Pesquisadora: Eu quero agradecer a sua participação. Então me preocupa muito isso. que tenha bastante brinquedos. então vamos caminhar juntos. tenha que talvez mexer na parte do prédio mesmo. Então. a EMEI tem aquele espaço restrito dela. dessa maneira que eu tenho observado né a organização pra receber essas crianças pequenas de três anos. o fator é o da gente acompanhar mesmo. professora. Como você e toda a equipe têm se organizado a esse respeito? Ou não tem se organizado ainda a esse respeito? Professora 2: Olha. ela aprende tudo. o diretor. pelo que eu observo a escola ela tem se organizado da seguinte maneira: procurar ter mais colchonete nas salas que as crianças de três anos vão estar. Eu acredito que ainda é pouco porque ainda se tem muito mais a se fazer. existem fatores que auxiliam na aplicação dessas propostas na prática docente? Professora 2: Sim. Então essa criança vai ficar estressada. tem a pista de skate. brinquedos que sejam bem baixinhos pra elas. ela tem acesso a várias coisas. eles não estão aqui na prática. tem várias quadras. Ela ainda não tem assim teatro.

a estrutura de um teatro. Ah. Gente. que a criança também vai estar saindo fora daquele espaço da sala de aula. o teatro vem na escola. eu acho que tem muita coisa pra se fazer para as coisas melhorarem. às vezes o rodízio não dá certo e acaba ficando naquela mesma. Pesquisadora: Será que em relação a uma mudança do tempo. a gente vê os combinados. do espaço. eu sei que é impossível. As crianças só ficam na escola porque não tem um ônibus. aí a gente conversa.. Eu tenho experiência por mim. não tem um passeio. E fora assim. piscina. meus pais não trabalhavam comigo. Essa criança é mais carente. eu acredito que se tivesse uma biblioteca. e a gente que somos o ponto chave. gente. que não tem todos esses espaços diversificados. e o professor está ali vendo as dificuldades das crianças. Se a gente não oferecer que experiência ela vai ter de infância? Que lembrança que ela vai ter da EMEI? Só das brincadeiras lá do parque. pra que essa criança que ficasse dentro da EMEI ela fosse nesses espaços. que a gente não . a gente vai ver porque ta acontecendo isso. tem que fazer rodízio. Porque a sala de vídeo não é cinema. Sabe? A criança precisava ir num parque. ela aprende com a experiência. Eu conheci quando era pequena os parques de Santo André. Eu vejo as crianças de hoje dentro da escola. presas. mas acaba caindo na mesma. precisava ter ônibus pra levar essas crianças pra passear. Tudo pra poder estar ajudando a nossa interação. Às vezes tem algumas dificuldades que a gente ta vendo que não ta conseguindo se comunicar. mas eu acho que toda EMEI tinha que ter sim um espaço de teatro. mas também não se oferece nada. a estrutura de um cinema. o mundo acontece lá fora. eu conheci os teatros. então todos os passeios. então não se pode cobrar. das brincadeiras com a professora. Isso é uma coisa boa porque a criança. uma outra organização dessa escola ajudaria a organizar e a acolher bem essas crianças que virão? Professora 2: Olha. os meus pais não saíam comigo. tudo que eu conheci foi graças à escola.133 vivenciando o que a gente ta vivenciando. Piscina é você ir à piscina. Isso não deve acontecer. teatro é você ir ao teatro. igual o teatro. eu acredito que toda EMEI deveria ter. isso em 1985. um teatro. ela não tem acesso a isso. Pesquisadora: Por que você sente isso? Professora 2: Porque o professor acaba caminhando sozinho. uma piscina. Então. a nossa interação inteira é pela conversa. Então. Pesquisadora: Muito bem. Às vezes acontece alguma coisa fora dos combinados. A educação é gratuita. Professora como você tem interagido com os seus alunos e como é a interação entre eles na sala de aula? Professora 2: A nossa interação se dá muito pela conversa.. e acaba que o professor que tem que organizar os espaços. A criança tem direito de tudo isso. quando eu era criança. Porque o mundo não acontece na sala de aula. a gente se organiza. então se a escola não passeasse comigo eu não ia conhecer. E a criança acaba ficando dentro da escola e o mundo não acontece só dentro da escola. porque não tem ônibus. Obrigada. A gente faz uma roda de conversa. das brincadeiras com as outras crianças. com a vivência. Então tem que se pensar bem pra não virar um depósito as escolas de educação infantil. Entendeu? Meus pais tinham que trabalhar. porque joga muita coisa pra cima do professor. Sabe? Porque infelizmente falar que a gente vai se organizar. são as crianças. sala de vídeo não é teatro. Não é verdade? Como a criança vai vivenciar se ela tem só isso? Ela precisa experimentar o que ta aí fora. Eu acho que é muito pobre.

trezentos anos atrás. a gente observa isso né. Eu tenho observado. Isso não. É muito interessante até. então você que o professor que trabalha com EMEF parece que tem até um jeito de querer que a criança de educação infantil também seja de EMEF. Você vê que a escola ficou há cem. porque a criança. Nossa! Justamente porque os professores aqui trabalhavam com EMEF. a minha sala teve pouco esse negócio de violência. Não terminou. Então assim. não em qualquer faculdade. ele é um ser sempre em condição de mudança. a minha realidade é diferente dessa. professora. Uma coisa presencial. Em relação ao que você havia comentado à respeito da graduação e da pós graduação. que o professor que fez só a graduação há muito tempo atrás. eles tentam brincar um pouco juntos. Aí você assim observa que apesar das crianças se dividirem entre meninos e meninas. Foi de grande valia essa entrevista. Sabe? Ou senão você copiar o ba-be-bibo-bu sem uma contextualização. você bem essa interação. até a prefeitura estar incentivando os professores a fazer uma pós-graduação. Você poderia estar comentando pra gente esse momento? Professora 2: Sim. Não adianta falar: ah estudei. Eu não tenho dificuldade nenhuma com nenhuma criança. porque é fora da minha realidade. E é pra sempre isso. esse relacionamento é muito bom. mas eles brincam. infelizmente. isso seria ótimo. um lado fica as meninas e do outro lado os meninos. os alunos vêem: professora fulano fez isso. ela não é terminável. Professora 2: De nada. Professora muito obrigada. eles dividem a sala. na hora de brincar. por ter ido por várias escolas. ele ainda trabalha com aquele tipo tradicional. . Eu procuro sempre falar pra eles que a gente precisa conversar. o que a gente vai fazer? A gente procura assim. fazer uma pós-graduação numa faculdade boa também. Sabe? De você traçar o caminho que leva o pintinho ao milho. Pesquisadora: Eu quero agradecer a sua participação. então eu achei até interessante. Então assim. O ser humano não é um ser acabado. é triste. mas é curioso de você observar isso. É de grande importância mesmo para o professor ele procurar a sua formação continuada. uma criança agredir a outra.134 combinou. né. é engraçado você vê isso. agora acabou. É assim. resolver com diálogo. Porque a gente. uma coisa que o professor realmente aprendesse mesmo e trouxesse. eu acho que é muito importante sim. temos aí à distância. porque assim. E as crianças também. Pesquisadora: Muito bem.

ou ainda não? Com relação à prática a gente percebe que tem algumas coisas que eles estão estudando lá e estão discutindo. é muito corrido. eles têm mais oportunidade de troca. Mas se não fosse essa questão. nós mudamos. muitas vezes. Você sente que é uma perda na sua formação? Professora 3: Ah. pra estar sempre se atualizando e acompanhando essas mudanças. melhorando nossa prática. Eles têm essa oportunidade de ta trocando experiência. eu nunca participei. Mas assim. formação continuada. sim. com certeza eu faria sim. Eles falam o que eles fazem aqui. é muito importante esse momento da criança – a infância. é muito gostoso. Assim. uma questão de refletir. essa busca. Pesquisadora: Você se sente. Pesquisadora: Muito bem. de trocar experiência. a comunidade muda. a gente trabalha . Você não tem um momento de encontrar com seus parceiros. de dividir. é uma correria constante. porque o nosso trabalho é muito humano. E sempre refletindo. eu acredito que seja assim. eles têm mais momentos ali que eles estão juntos. que eles têm oportunidade de discutir alguns assuntos. pelo que eles falam. Eu acho muito importante. principalmente essa idade que a gente trabalha. Isso também é muito importante. A gente percebe que eles gostam de vir pra escola. que o grupo que está nessa formação eles assim. até os seis anos. é assim. E a gente que não participa do projeto.135 APÊNDICE E – Entrevista Professora 3 Pesquisadora: Próxima professora é a professora número 3. trocar experiências ou. e assim. é como uma reciclagem. Professora 3: Agora assim. As crianças mudam. Então assim. Eu acredito que aconteça isso nesse momento. né. essa formação continuada pra gente acompanhar essas mudanças. eu acho assim. né. ele reclama ou fala que sente saudade. você perguntou também com relação à teoria e a prática. da sua prática. algumas dificuldades encontradas. esse momento de troca é muito importante. é uma perda. É que pra mim realmente fica muito difícil pelo acúmulo de cargo. né. deixa eu ver como eu posso dizer. as famílias mudam. essa idade. eu percebo assim. A gente não se encontra. eu acho que o mais forte é isso mesmo. Pesquisadora: Em relação ainda à formação continuada. conversar. E é importante esse momento. muito gostosa essa fase. Então eu acho que principalmente por isso. as mães sempre comentam: ah dia que não tem aula. refletindo e eles conseguem levar pra prática uma ou outra coisa. eles gostam de tudo que acontece aqui. até mesmo assim. Professora o que você entende por formação continuada? Professora 3: Bom. falando do seu trabalho. É o professor estar sempre em busca de novos conhecimentos porque tudo muda. tirar dúvidas. precisa muito desse momento de conversar. o que eu mais sinto falta é isso. é idade de formação de personalidade mesmo. Qual é sua concepção em relação à criança e infância? Professora 3: Ah. É uma desabafo também. você declara no questionário que você não realiza a formação continuada devido ao acúmulo de cargo. de conversar. né. estar desabafando. em que momento você localiza essa formação continuada na unidade escolar? Professora 3: Olha.

na maior parte do tempo é isso. Eu tenho portfólio do que eu faço com eles. tudo que você vai fazer. Às vezes você vai com uma proposta e a proposta até muda porque ela ta participando. Mas acho que até assim. mas por que eu me considero que eu me enquadro mais nessa concepção sócio construtivista? Porque assim. se conhecer melhor. conhecer a rotina. Só que ainda tem aquelas atividades de você trabalhar a letra a. o desenho. Então. ela ta criando também. eu acho maravilhosa essa fase. Mesmo porque nós estudamos. E a gente sabe assim que esse momento da educação infantil. a letra b. pra participar. Eu trabalho muito bingo de letras. ajudar a organizar o espaço que ela vai fazer atividade. eu com elas. mas você tem ainda. às vezes. vários tipos de jogos. ela constrói o conhecimento dela. eles curtindo. Pesquisadora: Em relação a concepção tradicional o que você sente presente. enfocou mais o ‘a’ ou o ‘b’ e o ‘c’. de você estar oferecendo material pra ela explorar. a dividir. o brincar. a música. Então toda proposta que você traz. Então eu acredito que eu me enquadro mais nessa proposta por conta disso. na sua prática? Professora 3: Então. a socializar.136 muitas linguagens. a gente faz brincadeiras na lousa. que ela vai brincar. pelo grupo. todo mundo tem um pouquinho de tradicional. é importante porque assim. a se conhecer. usando isso. assim. Você vê que tudo isso. De acordo com o seu questionário. Poder ter momentos de ela escolher o material que ela vai utilizar. eu vou dar um exemplo pra ficar mais concreto: as letras do alfabeto. plaquinha dos alunos. ainda ta naquela fase gostosa. um com o outro. pra ir fazer.. . olhando no geral eu acredito que eu me enquadro melhor nessa concepção sócio-construtivista. é história. eu acredito muito que a criança. nem que seja vinculada com uma música. a gente sabe que é nesse momento que ele aprende a lidar com o outro. da autonomia. dela se expressar. O que é essa concepção pra você? O que você pode falar sobre essa concepções? Professora 3: Tá. você acaba ficando um também um pouco disso. pra ela criar. nós fomos formados numa concepção muito tradicional. lista de nomes. pra ela fazer.. você acaba ainda estando um pouquinha presa nisso. Só que assim. vinculada com uma história. letra b. Então assim. Qual é a proposta dela? Ela também tem uma proposta para aquele momento. aquela necessidade de trabalhar a letra a. em relação ao tradicional aquelas coisas assim ainda de você trabalhar. eu acredito muito nessa construção do conhecimento da criança e que a gente ta aprendendo o tempo todo né. formar sua identidade. Então assim. dela ter autonomia pra fazer. a se formar. a conhecer a escola. alfabeto móvel. Então você sabe que não é assim que ele aprende. E assim. você se declara sócioconstrutivista. Trabalhar muito essa coisa da criatividade. muito bom poder ter essa oportunidade de trabalhar com essa fase. pelo ambiente que você ta. muito importante. o ‘z’ porque tem no nome dele ou porque tem algum programa que ele viu aquela letra. ficando felizes. Aí assim. mas ele aprendeu foi o ‘x’. eu acredito que ninguém é inteiramente sócio-construtivista. você vê que mesmo se você trabalhou mais. não o tempo todo. pra opinar na rotina. então todo mundo carrega isso. o brinquedo que ela vai brincar. eu coloquei sócio-construtivista porque assim. Isso é tradicional porque a criança não aprende necessariamente assim. Então assim. Entendeu? Então assim. conhecer os materiais. a letra c. carrega esse lado tradicional. Pesquisadora: Muito bem. eu acredito muito nessa coisa dela. sinceramente. gostando.

tem uma plaquinha com o nome deles. que todos seguem. eu vou te perguntar. tem outras coisas que tem que manter que até ta na linha de tempo. escreve. a gente trabalhou muito essa questão de tomar cuidado com o livro de colocar no lugar. eu tenho muito isso na minha rotina. quem não veio. Pesquisadora: Após é o tempo. E a questão das atividades. com a foto bem grandona. todos os dias pra fazer as atividades. Em relação ao seu cotidiano em sala de aula. tem as atividades que são fixas. Então eu já vou falar também do tempo. então tá bom. aí eles vão falando. e a gente vê quem veio. a gente tem o cantinho da leitura. no começo dava muito trabalho. A gente tem um cartaz de pregas na escola que fica uma lista móvel. eu tenho o costume de todos os dias organizar com eles na lousa. tem aquelas que são diversificadas. Pesquisadora: Você tocou no assunto de cantinhos. E é bem legal. a gente tem uma linha de tempo que é da escola. de acordo com essa rotina. quantas crianças vieram. que faz parte da rotina. cuidar dos seus materiais. Pesquisadora: Muito bem. avaliação. como você tem organizado o espaço e o ambiente para o acolhimento dessas crianças? Professora 3: Então. eu organizo com eles esses momentos. eles pegavam os livros e deixavam os livros jogados na sala inteira. à execução. E eu tenho também a minha rotina. Mas se você já quiser falar do espaço e do tempo. eles não ficam toda hora perguntando o que é que vai fazer. mas assim. E em relação ao planejamento. de acordo com aquela rotina do dia. quem não veio. Aí. E o que a gente vai fazer hoje? Isso é bom até pra abaixar a ansiedade deles. organiza a rotina. mas no momento tem assim o da leitura que é fixo. você organiza o seu espaço através de cantinhos? Professora 3: Em alguns momentos da rotina. tem algumas atividades que eles escolhem. É assim. mas assim. organizado na escola. Eles ajudam muito na organização dos espaços. a gente vai colocando. o espaço a gente está sempre mudando. são flexíveis. tem passado pra eles. onde ficam os livrinhos. o espaço ambiente. a gente chega. Eu até já trabalhei outra época com cantinho fixo. que mudam de um dia pro outro.137 Pesquisadora: Muito bem. Que nem. É assim também com os brinquedos. vê quem veio. com os materiais. E aí. cuidar dos espaços da sala. não é cantinho fixo. aí a gente organiza a sala. como principalmente pra depois também organizar tudo no lugar de novo. conforme essa rotina do dia. os materiais. a gente organiza naquele momento da atividade diversificada a gente organiza os cantinhos conforme as atividades daquele dia. também organiza os espaços. não vou dizer que não acontece de ter um livro ou outro. pode ficar à vontade. Então assim. Como tem ocorrido essas atividades? Professora 3: Aí já entra o registro também ou não? . dá uma acalmada. eu gosto muito de fazer atividade diversificada. Professora 3: Ah. Aí a gente vai lá. porque assim. tinha muita coisa que eles não tinham o costume de fazer. desenha na lousa o que vai fazer naquele dia. guardar as coisas cada uma no seu lugar. tem o cantinho que ficam os brinquedos. Todo dia tem um momento assim que a gente faz um momento diversificado. você até já falou um pouquinho sobre as atividades que você tem feito. tem uma hora que eu deixo lá assim.

eu uso muito esse portfólio também pra conhecer melhor. Agora assim. poucas vezes no ano vai lá. de nome. semestral. pra ver como ele está.. Eu fico vários dias com o portfólio. tem conhecimento do nome. É uma coisa que fica um pouco distante assim. Eu estou sempre com o portfólio pra lá e pra cá. no dia-a-dia mesmo o que é que eu uso? Anotações no meu caderno. com brincadeiras.. A gente pega. é legal porque é uma coisa que eles estão vendo. É legal você fazer portfólio pra você conhecer melhor. registro de jogos. A mãe também. na verdade esse planejamento que fica com ela a gente pega raramente. tem desenho de história. no segundo estágio. Dependendo da atividade é bimestral.. vejo até aquilo que eu preciso dar uma mudada. posso dizer que a maioria das crianças aprendem mais assim de forma lúdica. isso aqui eu preciso fazer um pouco mais. mas é importante também trabalhar algumas coisas assim como a seqüência. gosto muito de trabalhar com portfólio. no começo do ano ele fica muito assim. eles não vêem a hora de chegar a vez deles. eu apresento o portfólio. É importante trabalhar de um jeito lúdico. E eu acho muito legal trabalhar com portfólio. tem a evolução. Como você senta com cada um. Assim. agora o portfólio eles vêem. antes. Assim. tenho a minha rotina e assim. é legal fazer portfólio por que você vê. É legal que até no ano seguinte. que era minha o ano passado. olha isso aqui eu coloquei aqui e não fez. E tinha uma aluna . atividade livre. Até citando de novo aquela questão das letras. agora é assim. a criança não tem acesso a isso. Ou falam: aquela do número. você vê que uma coisa é importante. essa coisa mais concreta. Eles ficam: professora vamos fazer aquela atividade da letra lá de novo. A letra do nome era assim. vou ser sincera com você. o que você ainda não fez: Ah. porque tem criança que precisa muito disso. aquilo que não está dando muito certo. dependendo da atividade é mensal. Eles perguntam o nome das letras. agora é assim. Eu acho legal o professor ter o registro dele. de brincadeira. a letra do próprio nome. Eu sento um por um. Eles falam: Pro eu escrevia meu nome assim. como é individual.. Você vê que pra eles é um desafio. lembra? Assim. Porque assim. era assim no começo do ano. o jeito que ele. na questão das letras. atividade de número. aquilo que está sendo legal continuar. a mãe da criança não tem acesso. E assim. por exemplo. ela vê. Depois eles vão se soltando melhor. é legal também. se você quiser já falar sobre o registro. olha o que você já fez. Aí pra que eu uso esse portfólio? Tem alguns dados que eu faço uma tabulação no meu caderno. uso muito o portfólio. logo no começo desse ano. pra falar a verdade. é incrível. Eu até faço questão de anotar pra mãe deles saber que ele aprendeu a letra. E é legal também até pra você conhecer melhor a criança. aí fico um período sem. Professora 3: Então. Só que tem algumas crianças que ainda ajuda muito essa coisa da seqüência. no caso todo ano. e outras listas que a gente faz. só que é muito pessoal. auto-retrato. aí assim. por exemplo. eu faço algumas anotações no meu caderno. ele lê. Eu tenho criança aqui no terceiro estágio. Aí no outro mês. de letra. Então ele faz do jeito dele. eles começam até a gostar. raramente. Eu pego algumas atividades de desenho. assim. E eles sentem faltam. recorre a ele. estão acompanhando a evolução deles. mais palpável. mas a outra também é. Aí nesse portfólio tem evolução da escrita do nome. que entrega pra coordenadora. às vezes anota alguma coisa no caderno. aí já estou com o portfólio na mão seja pra uma atividade ou pra outra. ele reflete.138 Pesquisadora: O registro. vejo aquilo que eu preciso tomar mais cuidado. é muito dele. só que assim. porque não é uma atividade que ta todo mundo fazendo junto. com jogos. com trabalhar a letra do nome do amigo. Um dia teve umas alunas minhas do ano passado que viram eu fazendo esse portfólio com um aluno meu desse ano. a gente tem o planejamento que é aquele que a gente faz. um pouquinho apreensivo pra fazer as atividades. então você pega algumas falas deles. que é uma coisa muito completa. aquela lista móvel. ta só você e ele. eles perguntam.

Porque incentiva né. você tem o material por mais tempo. por exemplo. eu uso muito. foram pegando. giz de cera e eles usavam. guardar. ele tem que encontrar o lápis de cor no meio dos outros materiais. outro só pra canetinha. Entendeu? E assim. depois que eles vão evoluindo. Aí veio o recesso e teve aquele problema da gripe A. acabou. aí sempre acaba que eles ajudam a cuidar. no começo faziam um pouquinho de sujeira. eu dava também o apontador. você quer falar mais alguma coisa em relação aos materiais. Em relação aos materiais. apontador comum. você tem material pra usar o ano inteiro. ta muito limitado isso: é claro que ele só vai usar lápis de cor nessa atividade. E assim. Nada de criança ficar andando atrás de mim procurando apontador com lápis pra apontar. Aí eu falei: você sabe mais alguma? Ela: Não. mas como não era todo dia. e eu ficava apontando. não pôde mais continuar usando o material coletivo. eles se sentem bem. em relação aos brinquedos também. Daí eu falei: Chega. tinha um potinho só pra giz. coloquei a bandejinha e pus na mesma bandejinha lápis de cor. Teve várias orientações assim . você vê que é importante pra eles. Aí foi material coletivo. porque eu só to dando lápis de cor. E é super-importante. o apontador. agora Pro eu sei todas as letras do alfabeto. A maioria ainda tinha quatro. era individual. mas já dá pra usar. Aí as minhas alunas ouviram: Pro lembra que o ano passado aconteceu isso comigo? A primeira vez que você fez essa atividade eu também só sabia a letra X. tem um lado muito bom. Aí ela falou: esse é o X. agora eu já sei todas. Aí assim. faltava algumas ainda pra circular que eu não sabia. giz de cera. até pra rever alguns trabalhos meus. eles não sabiam usar. foi muito legal. pra aquilo. Aí depois eu mudei. Aí assim. eles têm que saber. eu circulei todas. Só que assim. mas depois rapidinho a gente percebeu que melhorou. ninguém ficou mais atrás de mim isso. organizar. uma boa parte dessa organização está nas suas mãos. você usar o material coletivo. não dá pra usar giz de cera nessa atividade porque o espaço é pequeno e a ponta do giz de cera é grande. mas estava tudo nas mãos deles. Quando você entregou essa atividade pra gente levar pra casa. Foi só no primeiro bimestre aquela coisa muito assim. canetinha do lado do lápis de escrever. outro só pro lápis de cor. No começo eu colocava ainda separado. direto. Aí. E assim. Ótimo porque não tinha mais aquela coisa que você usava o apontador elétrico na sala. foi ótimo. Entendeu? Pesquisadora: Muito bem. pensou em algumas coisas. a gente sentou. você que está ali repondo esse material. Eles aprenderam a usar. Aí depois eu falei: Ah. Eu achei ótimo. o material foi assim. você vê que assim. lápis de cor – o material pra atividade era coletivo. não era adequado para aquela atividade usar. às vezes acontecia de uma atividade. Aí veio né. claro. Então assim. que é assim.139 minha que eu perguntei o nome da letra e ela só sabia a letra X do alfabeto. Acho que até a questão da alto-estima deles. Como é isso. mais tranqüilo pra fazer. o material mesmo -giz. era horrível aquilo. Até quando eles usavam o material errado era bom porque era o momento de você falar: Não. Então assim. eles tem que aprender a usar o apontador. Entendeu? Mas eles foram aprendendo. Como são organizados os materiais na sua sala de aula. tinha o lado bom. depois disso. mas depois eles foram aprendendo. Explicava o motivo. ficavam atrás de mim também quando precisa apontar. recolher. mas ele tem que aprender que se nessa atividade ele precisa usar o lápis de cor. tudo. E eles faziam uma sujeira porque não estavam acostumados a usar o apontador. Entendeu? Ai eles foram aprendendo até a jogar a casquinha no lixo. borracha. como eles usavam o apontador. É muito bom. então tem assim uma certa possibilidade do material durar mais tempo. a presença dos materiais no cotidiano? Professora 3: Olha. senão é muito fácil né. dependente de mim ainda. no primeiro semestre. eles se sentem mais à vontade. E é isso. Eu estava gostando muito dessa forma de usar o material. no começo ainda eles usavam.

tudo separadinho. aquelas caixas com os brinquedos. assim. é até difícil falar com se dá a interação. Também deram trabalho pra aprender a arrumar o armário quando chegaram esses brinquedos novos. Eles estão aprendendo também. Então assim. terceiro estágio. de ponta cabeça. se puder ser um caderno com linha. o material ia e nunca mais voltava. Porque assim. se socializaram melhor. das rodas de conversa. quem não tinha foi dentro de saquinho. E foi legal também essa fase de cada um usar o seu individual. mas teve várias que não estavam nessa reunião.mas a maioria está se virando muito bem com o material individual. a interação é o tempo todo. brincam. E assim. continuou o material individual. foi uma loucura. que tenha oportunidade de falar o tempo todo. eles foram melhorando. eu acho que tem que ter porque eles tem que aprender cada um cuidar do seu. por exemplo. eles estão usando o material individual. e veio recomendação que não podia usar com o amigo. como a gente já não tinha muita coisa. Assim. pegavam e brincavam. ficavam mais soltos.. criou um vínculo muito grande. tem algumas crianças eram bem quietinhas no começo do ano. eles melhoraram bastante. . fizeram muitas amizades. Assim. aí já não tinha material. assim. Foi bem legal porque a maioria das crianças conseguiu aprender. Aí depois sim. arrumar direitinho. eles tem que aprender a usar o caderno. nos momentos de brincar. antes de acabar o rodízio e lá tinha baldes. Mas foi uma loucura no começo. foi uma loucura no começo. era o momento que a gente estava em outra sala. e em relação à interação do professor com o aluno e entre eles? Como que se dá isso. na sua sala de aula? Professora 3: Ah. abria em qualquer página. você não vai dar aquela coisa maçante. só que assim.. toda a hora a gente está interagindo. só que esse material ia e voltava todos os dias. Pesquisadora: Muito bem professora. aí depois foi junto. acho que até eles gostam. E eles têm mais autonomia ainda do que tinha. até que ficou. No segundo estágio é mais o caderno de desenho eles tem que aprender a seqüência. brinquedinho de panelinha e tal. precisa de ajuda. de caixinha. agora também tem alguns brinquedos novos.140 pra não estar usando mais nada coletivo durante um bom tempo. tinha criança que nem falava no começo do ano. na hora das conversas. principalmente. Eles usavam muito de trás pra frente. individual. dele como uma criança ativa. eles ficam livres. assim. na hora da história. eu até acho que eles têm que aprender a usar sim. E assim. é mais pra ele aprender a usar mesmo. tudo que tinha que ficou individual. era separado. das atividades. um ou outro ainda precisa de orientação. entenderam que o material ia ficar na mochila. Então eu oriento muito o uso do caderno. Então. E aí. então eles já têm maturidade pra isso . porque ali dentro tem tudo. teve muitas mães que vieram na reunião. bichinho de pelúcia. Aí chega no terceiro estágio. alguma coisa pra guardar. já melhora. O brinquedo fica num cantinho da sala. tem assim. O caderno também. como é que usa. Essa sala que a gente ta agora não tem tanto brinquedo como a outra tinha. aí eles vão lá. E a gente já teve um momento que o brinquedo. Acho que é importante. eles iam. brinquedos grandes. é mais material de encaixe. eles melhoraram bastante o uso do caderno. O que você quer saber mais pontual? Pesquisadora: Dessa dinâmica mesmo do aluno. Aí a gente pediu o estojo para os pais. escolhem. tem que ir indo gradativamente. A interação se dá na hora das brincadeiras. a interação se dá o tempo todo né. Claro. eles pegavam mais os brinquedos. Aí. Aí lá vai eu pegar todo aquele material que estava no coletivo e mais alguns que eu tinha guardado e a gente dividiu tudo e colocou tudo nos estojos – quem tinha né. distribuía o material. boneca. voltando lá. estão cuidando direitinho. Igual. estão usando. agora eles estão falando mais. no começo.

observar mudanças assim. eles já sabem mais ou menos como funciona a rotina. o seu papel enquanto professora. Geralmente . Os alunos são muito diferentes. o tempo todo. Agora assim. Você percebe assim. é aquela centralizadora ou aquela que ta mediando. e querem comentar. E assim. Às vezes. Às vezes. pra falar a verdade não fica tão claro isso. mas assim. claramente. não. já faz tempo né. você de fora. é eles que falam. O que você aprendeu na sua formação acadêmica para a sua prática. fica difícil falar até que ponto foi a formação que ele ta tendo porque tem assim o dia-a-dia dele. falam. a gente faz bastante roda de conversa também. com os professores. aquele professor mudou porque está fazendo PEA ou tal. Um de cada vez. Entendeu? Pesquisadora: Bom. você percebe mudança na prática do professor que faz formação continuada? Você de fora. falando.a gente sabe que não é tudo que a gente vê na teoria que a gente consegue colocar na prática. E é legal que eles falem bastante mesmo. a gente até toma cuidado pra todo mundo poder falar. muito obrigada. sempre tem alguma coisa que a gente leva sim da teoria para a prática. todos os momentos. eles falam bastante. eles chegam todo dia falando. Professora 3: Olha. falando. não fica tão claro isso. Eles falam bastante. você sente algum fator que impede essa teoria presente na sua prática. aquilo. vem desde lá do começo do ano. isso. você percebe até uma ou outra atividade. você percebeu durante esse ano. Outra pergunta é à respeito da prática docente. um tênis novo. vai mudando algumas coisas na prática. Na hora da rotina eles falam. É uma interação que não acaba nunca. algumas coisas que a gente reflete e muda. Pra falar a verdade. durante esses quatro últimos anos mudanças nesse professor? Você consegue observar isso ou não? Professora 3: Então. eles interagem. não é uma coisa assim muito marcante. Como é isso? Professora 3: Bom. o que já era da prática deles.141 Professora 3: Ah. E em relação a fatores que impedem as propostas. Tem hora que tem que parar um pouquinho e falar: Calma. Pesquisadora: E assim. sim. que fica muito claro. a gente tá sempre mudando né. aquilo que ele vai mudando. Assim. não fica muito claro pra mim o que é da prática dele. a prática que ele já traz com ele. a realidade é bem diferente. no decorrer da rotina. Pesquisadora: Se você dá oportunidade pra ele falar. contam tudo que acontece em casa e querem mostrar tudo. para a sua realidade do dia a dia. em relação à formação continuada. E assim. você percebe mudanças. Porque assim. no PEA. às vezes também num ano você consegue e no outro não. alguma coisa que ele faz assim que você percebe que está dentro de algum tema que está sendo estudado dentro do projeto. Você que não realiza a formação continuada. da convivência da interação que você tem com o outro professor. em alguns momentos assim. que você percebe muito nitidamente. Isso não fica muito claro. o que é da formação que eles estão tendo no gurpo do PEA. bastante. falam. Eles falam. Eles falam muito o tempo todo. respeitar a vez dos outros de falar. Eles vêem falar que foram passear. na hora de brincar na hora de fazer atividade. o tempo todo eles falam. algumas atitudes assim. ah. como de programas. Mas assim. tanto de projeto. É difícil dizer isso né. atitudes? Professora 3: Olha assim. Pesquisadora: Muito bem. as teorias.

Só que a gente sabe que se fosse um número menor de aluno. a gente faz o que a gente pode. é importante retomar. Então assim. É uma dificuldade. Seja numa área ou em outra. é uma turma muito agitada. eu fazia isso. eu tenho uma turma no inter que é muito difícil. olha que legal. eu tava dando uma olhada. Que nem. E acredito que é um momento que ele constrói conhecimento. eu não prestei concurso. a intervenção individual. ajuda a melhorar. mas tem muita coisa que dá pra você colocar na prática. poderia acompanhar bem melhor cada aluno. sempre considerei. os alunos são muito agressivos. Eu acho muito importante porque assim. procura estar conhecendo cada aluno o máximo que a gente pode. às vezes ele tem facilidade em uma questão e em outra não. para caminhar sozinho. Aí eu tive oportunidade de pegar esse livro. que ajuda. em alguma coisa ele precisa de intervenção. essas e outras coisas que a gente vê na teoria que é importante. cada criança. Seria assim. Já a outra turma é uma turma mais tranqüila. Agora. assim. dá pra você estabelecer um diálogo melhor. ele precisa de uma intervenção individual. Por exemplo. até alguma coisa que você fazia lá há um tempo atrás e não faz mais. então assim. ele tira daquilo um aprendizado daquilo. por exemplo. que ajuda a refletir. se não tivesse algumas dificuldades teria como colocar muito mais a teoria em prática. seja de um jeito ou de outro. que eu acho muito importante: a intervenção individual. e todos eles precisam né. eu tenho dois segundos estágios. uma coisa que me aflige muito. Então. tava lendo e tava falando dessa parte do brincar na educação infantil. ele consegue aproveitar. Por exemplo. Professora 3: Ah sim. eu tenho um num período intermediário e um no período vespertino e eles são muito diferentes uma turma da outra. em um lado. tudo que você oferece pra ele.142 eu tenho duas turmas. eles conseguem esperar. às vezes. tem coisa que não. que é dificuldade geral. é sempre muito bom. tudo. ajuda a transformar algumas coisas na sua prática sim. que é ter um número muito grande de alunos nas salas. eles tem mais paciência pra uma atividade que precisa de mais tempo. eu estava lendo esses dias um livro. tem coisa que dá. Pesquisadora: Muito bem. Tem também algumas coisas assim. auxilia. eles precisam. praticamente sozinho. Então assim. A teoria que você tem desenvolvido durante toda sua formação profissional. sempre você dá uma acordada pra alguma coisa. tem muita coisa que não dá. mesmo que ele tenha facilidade. assim. fazer de novo. tudo que você trabalha no coletivo. poderia fazer um trabalho bem melhor. ele aprende sozinho. Então assim. Essa é uma questão. Às vezes. ele precisa de uma dica: olha isso tem que fazer assim. mas é um dos livros lá que uma professora falou que caiu no concurso. Sempre. é um momento que eles . reflete. procura estar acompanhando. Eu acho muito importante o brincar. quem não gostaria de poder acompanhar melhor os alunos de poder fazer mais por cada um. Pesquisadora: Você tem como dar algum exemplo? Professora 3: Um exemplo. E eles são muito diferentes um do outro. na prática docente? Professora 3: A teoria geral? Pesquisadora: É. Às vezes você começa a ler. Algumas coisas eu consigo fazer. agora não faço mais. É muito bom. e assim. a gente procura estar fazendo essa intervenção. esse é um fator complicador. tem criança que não é assim. E assim. no vespertino e não consigo fazer no inter. Então assim. Você localiza no seu cotidiano fatores que auxiliam a aplicação das propostas teóricas. tem muita criança que ele aprende sozinho. a gente põe em parte isso em prática.

é muito bom. Às vezes. nós assistimos filme. Valorizar a hora que ele ta ali brincando e observar e ver que. quando eu tava lendo isso. tem época que eu conseguia contar histórias todos os dias. Só que assim. realmente. mais à vontade. as linguagens é assim. não sei como vocês denominam essa parte assim de ciências naturais. dançava. só que tem um momento que a gente acaba priorizando mais uma do que a outra. dos animais. muito. O nome do nosso projeto era fundo do mar e assim. cantava. isso não acontece todos os dias. Matemática : tem época que a gente trabalha mais. Eu acredito que eu trabalho todas as linguagens.. só que tem época que eu acabo priorizando mais uma do que outra. tem época que a gente cantava. os pais também. que eu não sabia. enfim. você acaba. Só que assim. na verdade esse projeto que eu to desenvolvendo. O que ta acontecendo todos os dias. eu trouxe vários livros. desse momento que a criança escolhe. vários mistérios. eles curtiram muito. é um momento que ele se expressa – a brincadeira simbólica é muito importante. eles comentaram muito que as crianças falam muito sobre várias coisas que eles estão aprendendo do fundo do mar. Apesar de sempre. o professor precisa ter mais tempo dessa interação. mas assim. tesoura. no colar.143 se conhecem melhor. Assim.. alguns mistérios do fundo do mar. às vezes. nas últimas duas reuniões de pais. por exemplo. eu tava lendo que assim. como que eu posso dizer. mas tem época que você acaba deixando um pouquinho de lado. a gente passou por momento de pesquisa. pra ele poder se interar mais à vontade com os outros. Muito obrigada. colocava som. conta os pontos e faz isso com palitinho. tava falando assim que. é muito bom. muito importante. entendeu? Que é importante mais momentos assim que não sejam direcionados pelo professor do que momentos dirigidos pelo professor. as crianças trouxeram. muito. Então. todos os dias. que ele organiza. Só que assim. o professor se desgasta muito em fazer isso. você começa até a valorizar mais. muito. Então assim. aquilo e tudo muito dirigido. Música. Agora. mais livre também pra ele poder brincar... nós passamos por várias etapas. Em relação às linguagens. eu trabalhei muito estória. você pediu um exemplo. Menos dirigido. Eu fiz oficina com os pais. que ele fica mais à vontade. Pesquisadora: Nesse momento você falou que ta fixado mais as atividades na arte. E assim. Então assim. o professor se desgasta tanto querendo direcionar muito. trabalho todas elas. nós estamos desenvolvendo desde o final do semestre passado. trabalha boliche. agora? É que tem época também que a gente deixa de lado. estar revendo sua prática porque. uma coisa que deveria acontecer todos os dias. pesquisamos nos livros várias características. O ideal seria todas serem priorizadas sempre. Pesquisadora: Muito bem. cola. essa e outras questões. já não é uma coisa que acontece todos os dias. Aí eu tava pensando assim: é. eu acho importante trabalhar todas elas. No momento. acontece. Coisas que até eu descobri. Muita atividade artística: tinta. Um exemplo. Por quê? Porque nós estamos às vésperas de uma mostra cultural. você tem conseguido desenvolver essas múltiplas linguagens da educação infantil com os alunos? Professora 3: Olha. tem época que você percebe que. na verdade. características sobre vários animais. trouxe CD também. desse momento livre. trouxe filme. A gente tem que tomar muito cuidado. tem coisas que a gente faz mesmo. as crianças estão bem envolvidas. eles estão gostando muito. às vezes. eles até falaram em casa para os pais. E assim. trabalhando mais uma do que a outra. Por isso é importante o registro. por um motivo ou outro. Qual é o motivo? Professora 3: Na arte e também. Eu tenho na minha rotina um momento dirigido e um momento que a criança fica. numa determinada época do ano. Então assim. que ele faz a vontade dele. Teve criança que falou .

muito. eu vou falar um pouco da minha experiência. por conta disso. A gente fez cada cartaz enorme. Porque eu já tinha trabalhando com essa faixa de idade de alunos em creche. tudo. Eu acho que eu vou demorar um pouquinho pra ter coragem de pegar o primeiro estágio de novo. não ta estruturado pra receber essas crianças. Então assim. Entendeu? Não tem muita diferença de uma sala pra outra. algumas coisas tem que ser mais próximas mesmo. Aliás. e teve também o momento de várias atividades artísticas que a gente veio fazendo no decorrer do ano. que o fundo do mar é lindo. Porque do mesmo jeito que essa sala que recebe essas crianças. eu não percebi assim mudança pra receber essas crianças. Na EMEI você com 35 alunos. eles são muito dependentes. Em relação ao ensino fundamental de nove anos. Eu trouxe também CD Room. a pesquisa. Tudo você tem que fazer um certo malabarismo pra chamar a atenção deles né. Mas é que agora a gente está no final. Então assim. principalmente no começo do ano. muito. todos do fundo do mar. é uma coisa que chega a ser quase desumano. Pesquisadora: Nem a rotina é diferente? Professora 3: A rotina é um pouco diferente. Teve a leitura. outra realidade. Como vocês têm se organizado? Vocês têm discutido isso nos grupos em relação à material. tem coisas que é difícil até de guardar. aí vem pra EMEI. recebe também as crianças de cinco. pra falar a verdade. Então. do mesmo jeito que é a sala de primeiro estágio. ta na semana da mostra. um grupinho . em relação ao mobiliário? Como que isso tem ocorrido na rotina de vocês? Professora 3: Olha. na última reunião de pais. não é assim uma diferença tão grande. de aplicar uma atividade. a finalização de algum trabalho. não é só agora. a gente olhou também na sala de informática. Foi uma experiência até um pouco traumática. que completaram 3 anos no final do ano. Agora. demais. pra fazer a verdade. Pesquisadora: Muito bem. que vieram de CEI. brincamos com alguns joguinhos que tinha nesse CD. por exemplo. trabalhos de meses já. o que a gente faz de diferente? A linguagem pra uma criança de três anos é diferente. o ano passado eu peguei um primeiro estágio na outra escola que eu trabalhava. Eu sabia que era difícil o primeiro estágio. trabalhos que os pais fizeram também na nossa oficina. vai fazer seis. dessa semana de mostra cultural. terceiro estágio. a realidade é outra. que a gente chama de segundo. foi uma dificuldade arrumar o tamanho da lousa. Pesquisadora: É um projeto maior? Professora 3: Isso. de segundo pra terceiro estágio. a gente passou por esse momento da pesquisa. Criança de cinco pra seis anos. tem um mês que completou. eu sofri demais. Que é um grupo muito grande pra você ali. vocês estão recebendo crianças de quatro anos a completar. se tivesse feito antes não teria onde colocar. Essas coisinhas tem que ser perto mesmo. Assim. que são vários trabalhos que eles fizeram. Aí assim. criança que tem quatro e vai fazer cinco. mas eu não sabia que era tão difícil como foi comigo quando eu peguei. Assim. você sozinha.144 que queria morar no fundo do mar. Agora nós estamos finalizando alguns trabalhos. de seis anos. até o seu jeito de cantar. Assim. a gente acabou priorizando mais nesses últimos dias essa questão artística mesmo. era um número bem menor. as crianças que ainda vão completar quatro anos. É muito difícil. era duas educadoras por turma. o seu jeito de falar tem que ser diferente. primeiro estágio é muito diferente. Nessa escola aqui eu nunca peguei primeiro estágio. na minha opinião não ta preparado. Mesmo aqueles que já vieram de alguma escola.

tinha muita criança com problema assim de agressividade. Então a dificuldade maior é essa. eles sugam o tempo todo. Tem muita criança que faz ali na roupa mesmo. principalmente fora da sala. Então assim. Eu acho que a escola está longe de estar preparada pra essa idade de aluno. muitas horas de trabalho. sua prática? Qualquer coisa que você gostaria de comentar. isso seria interessante sim. Eles misturam as coisas deles com as coisas das outras crianças. Então assim. que eles estão se sentindo bem. eu gosto de estar acompanhando. não dá. fica cansada. realmente não ta preparada a escola.que é uma opção minha também né. mais opções de atividades livres. eu estou satisfeita com o meu trabalho e com a minha profissão. é muito difícil com essa quantidade de criança. Tem muita criança que não tem. tanto o que ele traz na mochila ou mesmo o material coletivo. eu também peguei uma turma bem difícil.. Mas assim. tem que ajudar. devo dizer que claro. É muita coisa. Não. . Pesquisadora: Bom. a garganta. eu quero agradecer a sua participação na pesquisa. Então assim. eles têm uma certa dependência de você. eu acho sofrido pra eles e sofrido para o professor. principalmente a voz. de ver que eles estão aprendendo. E assim. Eu me cobro muito ainda. sobre a sua profissão. Até a linguagem que você usa. É muito difícil. ele não pára e vai. Eu gosto muito do meu trabalho. você tem que falar de um jeitinho especial com eles. essa coisa de mesa.Gente. Inclusive hoje me falaram que eu preciso respirar. e tudo. não dá. eu nem sei se cabe dizer. Pesquisadora: Professora você tem algo pra comentar sobre a educação infantil. eles são muito novinhos. da minha profissão. Todo dia à noite eu não consigo nem falar mais quase. mas reduzir a quantidade de aluno. Isso eu sinto muito. é o cansaço. gosto de ser professora. que eles estão se socializando bem com os outros. Tem coisa que eu consigo. eu vejo assim. muito preocupada. Eu tenho a dizer que eu gosto muito do meu trabalho. em especial. eu posso dizer que é sofrido porque eu vivi essa experiência. Eu acho que as perguntas estão bem legais e bem assim. apesar disso é muito gostoso. A gente cria um vinculo muito grande e é um trabalho muito humano e eu estou feliz. o jeito de falar com eles tem que ser diferente. Eles sentem vontade ir no banheiro. e assim. ta muito longe. Muita criança. uma turma de intermediário já é difícil por essas questões que eu falei. do material. cadeira. talvez um horário de parque diferenciado. dentro dessa minha opção o mais difícil é isso – o cansaço. não são tudo flores.. Eles solicitam a gente o tempo todo. Então foi muito difícil. Mas assim. É muito difícil. foi de grande valia para a pesquisa e muito obrigada. querem a gente o tempo todo. E assim. E assim.145 menorzinho. E assim. eu sou muito ansiosa. Da experiência que eu tive. E assim. tem que ensinar muito tudo. Professora 3: Obrigada você também. é isso. pouquinho tempo da rotina. pra cuidar do material também é muito difícil. É exaustivo. de abordar nesse momento? Professora 3: Eu acho que eu já falei bem geral assim. Porque assim. é cansativo também. eu sou muito ansiosa. tem coisa que eu não consigo. bem legal. ainda mais com duas turmas. Acho que tinha que ter assim mais brinquedos. Eu me preocupo muito com os alunos. vários assuntos. professora de educação infantil. E assim.Cuidar das coisinhas dele. eles não têm ainda aquela noção de . a gente passa muita dor de cabeça. Eles são muito novinhos. E ainda nessa turma que eu peguei experiência foi mais difícil ainda porque era um grupo bem agitado. eu quero fazer tudo assim. da roupa.

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