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UNIVERSIDADE CIDADE DE SÃO PAULO PROGRAMA DE MESTRADO EM EDUCAÇÃO

Elaine Cristina Marena Andrade

OS INSTRUMENTOS DO COORDENADOR PEDAGÓGICO PARA COORDENAR A FORMAÇÃO CONTINUADA DOS PROFESSORES NA UNIDADE ESCOLAR: “O PROJETO ESPECIAL DE AÇÃO” E “O PROGRAMA A REDE EM REDE: A FORMAÇÃO CONTINUADA NA EDUCAÇÃO INFANTIL” NO MUNICÍPIO DE SÃO PAULO

São Paulo 2010

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Elaine Cristina Marena Andrade

OS INSTRUMENTOS DO COORDENADOR PEDAGÓGICO PARA COORDENAR A FORMAÇÃO CONTINUADA DOS PROFESSORES NA UNIDADE ESCOLAR: “O PROJETO ESPECIAL DE AÇÃO” E “O PROGRAMA A REDE EM REDE: A FORMAÇÃO CONTINUADA NA EDUCAÇÃO INFANTIL” NO MUNICÍPIO DE SÃO PAULO

Dissertação apresentada ao Programa de Mestrado em Educação da Universidade Cidade de São Paulo, como requisito exigido para a obtenção do título de Mestre.

São Paulo 2010

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Elaine Cristina Marena Andrade

OS INSTRUMENTOS DO COORDENADOR PEDAGÓGICO PARA COORDENAR A FORMAÇÃO CONTINUADA DOS PROFESSORES NA UNIDADE ESCOLAR: “O PROJETO ESPECIAL DE AÇÃO” E “O PROGRAMA A REDE EM REDE: A FORMAÇÃO CONTINUADA NA EDUCAÇÃO INFANTIL” NO MUNICÍPIO DE SÃO PAULO

Dissertação apresentada ao Programa de Mestrado em Educação da Universidade Cidade de São Paulo, como requisito exigido para a obtenção do título de Mestre.

Área de concentração: Data da defesa: Resultado:_______________________________________________

BANCA EXAMINADORA:
Prof. Dr. João Gualberto de Carvalho Meneses Universidade Cidade de São Paulo Prof. Dr. Jair Militão da Silva Universidade Cidade de São Paulo Prof. Dr. João Pedro da Fonseca Universidade de São Paulo __________________________________

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4 DEDICATÓRIA Dedico a dissertação a todos protagonistas da Educação Infantil. os .

5 AGRADECIMENTOS Agradeço aos ANJOS por fazerem parte de mais uma caminhada acadêmica de minha vida: Ao meu esposo .Oswaldo Armelindo Marena e Zilda Andrade Marena Ao meu irmão – Hebert Alexandre Marena A minha sobrinha. E principalmente a DEUS pelo o dom da vida e por enviá-los a me ajudar a superar as dificuldades e conquistar mais uma etapa acadêmica.meu amado Orientador Aos membros da Banca Examinadora da minha dissertação.Adriano da Costa Andrade Aos meus pais .Hatsue Ito Ao Profº Ms Arnaldo Ribeiro dos Santos A Profª Ângela Maria Duarte Azadinho A toda equipe da EMEI Carmen Miranda A toda equipe do CEU São Rafael Ao Daniel de Souza Janate Aos meus colegas e secretárias do Mestrado em Educação. .UNICID Aos Professores Doutores do Programa de Pós-graduação (Strictu-Sensu).UNICID Ao Profº Drº João Gualberto de Carvalho Meneses.Letícia Beloto A Diretora Regional de São Mateus .

. Provérbios 3:13.6 “Feliz o homem que encontrou sabedoria e alcançou entendimento. porque a sabedoria vale mais do que a prata. e dá mais lucro que ouro”.

Isto poderá contribuir para o avanço da prática docente. Formação Docente. o fazer docente no cotidiano escolar da Educação Infantil e encontrei. também. enfim terá a oportunidade de realizar uma intervenção individual. na prática docente. Palavras-Chave: Políticas Públicas de Educação. Neste sentido. dentre muitas questões. e analisar a avaliação dos professores sobre as políticas de formação docente. no período de 2005 a 2008 da unidade escolar. com a participação de 03 professores e análise documental. necessidades pedagógicas. O importante é garantir que o Coordenador Pedagógico tenha momentos destinados para o acompanhamento da prática docente. com decisões próprias. em horários coletivos. Com este avanço. Os procedimentos metodológicos são a abordagem quantitativa. aplicação de questionário para 21 professores e 02 gestores e a abordagem qualitativa. tratando assim o cuidar e educar como conceitos indissociáveis. Os novos conhecimentos pedagógicos poderão fazer parte da prática docente quando forem articulados com as reais necessidades e desejos dos professores. O Coordenador Pedagógico precisa considerar que o professor é um ser único. o Coordenador Pedagógico terá maior proximidade das ações pedagógicas do professor. Nesse contexto. assim como os momentos de acompanhamento de formação continuada. Educação Infantil. das intenções das políticas de formação de professores. propostas pela Prefeitura Municipal de São Paulo. na Educação Infantil. identificar a presença. complexo. inquietações. . uma de grande relevância: como a formação continuada dos docentes da Educação Infantil tem contribuído para a atualização da prática pedagógica? Os objetivos da pesquisa são analisar a atuação do projeto e programa educacional no cotidiano escolar. entrevista semiestrutural. das dúvidas. passei a observar o Projeto Especial de Ação e o Programa a Rede em rede: formação continuada na Educação Infantil. surgiu a preocupação com a formação dos professores que atuam na educação infantil e. que transforma e é transformado pelo outro. a necessidade da elaboração de programas de políticas públicas para a formação docente.7 RESUMO Um grande avanço das políticas públicas no Brasil foi considerar a educação infantil (0 a 5 anos) como primeira etapa da educação básica e incluir as antigas creches no sistema municipal de educação.

semi-structural interview. I started to observe the network of the Special Action Project and the Network Project: continued formation in kindergarten. in the teaching practice. with the participation of 03 teachers and documentary analysis. that transforms and is transformed by others. Early Childhood Education. apperead the concern about the training of teachers working in early childhood education and. the academic coordinator will have greater proximity of the teacher's pedagogical actions. in Kindergarten. The Pedagogical Coordinator needs to consider that the teacher is unique. in other words.8 ABSTRACT A major advance of the public policies in Brazil was to consider the early childhood education (0 to 5 yeas) as the first stage of basic education. . at collective times. The methodological procedures are quantitative approach. will have the opportunity to perform an individual intervention. with his own decisions. concerns. questionnaire to 21 teachers and 02 administrators. educational needs. doubts. and qualitative approach. complex. and include day care centers in the municipal sistem of education. over the period from 2005 to 2008 of the school unit. of the policies for teacher education intentions. as well as the moments of tracking continuing education. proposed by the Municipality of São Paulo. With this advance. The important issue is to ensure that the Academic Coordinator has moments destined to follow the teaching practice. this way treating the care and education as inseperable concepts. Keywords: Public Policy Education. Therefore. Teacher Education. among many issues. the work of teachers daily in early childhood education and I found. one of great importance: how the continued formation of teachers of early childhood education has contributed to the updating of the pedagogical practice? The objectives of this research are to analyze the performance of both the project and educational program in the school routine. the necessity of developing public policy programs for teacher training. In this context. in due to identify the presence. and to analyze the teacher evaluation on teacher education policies. This may contribute to the advance of teaching. The new pedagogical knowledge may become a part of the teaching practice when they become articulated with the real needs and desires of teachers. also.

9 LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS ADI ATE CEI CME DOT DOT-EI DOT-P DRE EMEF EMEI INEP JB JBD JEIF JEX LDB MEC PEA PMSP PP SEEC SME TEX Auxiliar de Desenvolvimento Infantil Assistente Técnico Educacional Centro de Educação Infantil Conselho Municipal de Educação Diretoria de Orientação Técnica Diretoria de Orientação Técnica de Educação Infantil Diretoria de Orientação Técnica Pedagógica Diretoria Regional de Educação Escola Municipal de Educação Fundamental Escola Municipal de Educação Infantil Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Jornada Básica Jornada Básica do Docente Jornada Especial Integral de Formação Jornada Especial de Hora Aula Excedente Lei de Diretrizes e Bases Ministério da Educação Projeto Especial de Ação Prefeitura Municipal de São Paulo Projeto Pedagógico Secretaria Estadual da Cultura Secretaria Municipal de Educação Jornada Especial de Trabalho Excedente .

...................................................18  2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA.....................................................3 Objetivos................1 Objetivo geral ........................................................................................10 SUMÁRIO RESUMO......... 8  1.............41  2..........................................16  1........5 Estrutura do Trabalho ...........17  1................ 108  ..................................3 Instrumento de pesquisa qualitativa: entrevista semi-estrutural.................................................................. 7  ABSTRACT ........4 O “Programa A Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil”.....................................1 O perfil dos profissionais docentes da infância ......... 19  2..........................................................17  1.......................................................................3....................................................................1 Instrumento de pesquisa quantitativa: Questionário ....31  2................................................................4 Relevância da pesquisa...................................................................  INTRODUÇÃO...................1 Problema da pesquisa ...17  1............................................................................................................................................................................................. 104  6.............................................2 A formação continuada dos docentes da infância .....79  5 CONSIDERAÇÕES FINAIS.........................................................Docentes ...........16  1.....................2 Hipóteses da pesquisa..................................................................2 Instrumento de pesquisa quantitativa: Questionário-Gestores ...................................6 Os dilemas do Ensino Fundamental de 9 anos e o Cuidar e Educar na Educação Infantil 44  3 METODOGIA DA PESQUISA.............................28  2...............................................2 Objetivos específicos.............................................................................. 11  1......................................................................no Município de São Paulo..........................18  1............................3 A implantação do “Projeto Especial de Ação” e do “Programa: A Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil”......................................5 O “Projeto Especial de Ação”............................ 52  4..............................................74  4................................................................................23  2.......................................................................... REFERÊNCIAS ...........................................................................3.......................19  2.......... 49  4 ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DOS DADOS COLETADOS ...52  4...........................................

Quando assumi o cargo de Coordenador Pedagógico. estava sendo convocada a tomar posse do meu segundo cargo de Profº Titular de Educação Infantil e exonerando-me do cargo de Profº Adjunto de Ensino Fundamental I. para crianças de 4 a 6 anos de idade. especificamente na região de São Mateus. Alguns anos mais tarde. assumi o cargo de Coordenador Pedagógico atuando na formação continuada de professores e tive o privilégio de continuar atuando nesse cargo. Iniciava. ingressei na PMSP. “Projeto Especial de Ação” e o “Programa A Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil” que surgiram dúvidas as quais me dispus a pesquisar. De acordo com o edital do concurso público (2009) referente ao cargo de acesso do Coordenador Pedagógico. o meu ingresso na carreira do magistério. atuando na formação de crianças de 4 a 10 anos de idade. então.11 1. Em meados de 2002. nos cargos de Profº Titular de Educação Infantil e Profº Adjunto de Ensino Fundamental I. formulei questões sobre a formação continuada dos docentes. Foi neste contato direto com a formação de professores. alunos e pais. recebi um convite para lecionar numa escola particular da Zona Leste de São Paulo. caminhei em direção a mais um concurso. INTRODUÇÃO Ao término do último ano do curso de magistério. fui convocada a tomar posse dos cargos citados. em 2000. no Centro de Educação Infantil. lecionei por 3 anos consecutivos. então. atuando integralmente na Educação Infantil. as atribuições do Coordenador Pedagógico são: . na modalidade Educação Infantil. Após ter sido aprovada e classificada no concurso público realizado pela Prefeitura Municipal de São Paulo (PMSP). enquanto exercia o cargo de professora (19972005) tinha preocupações com a sala de aula. tendo que me despedir do meu primeiro emprego. Na minha carreira de magistério. Nessa unidade escolar. Essa experiência despertou meu interesse maior pela Educação Infantil e.CEI. em 2006. no ano seguinte. da Prefeitura Municipal de São Paulo. Então. durante o novo percurso.

também. Cada escola por meio do P.15) O “Projeto Especial de Ação” é. p.Coordenar a elaboração. implementação e avaliação do Projeto Pedagógico da Unidade Educacional. enfim constrói sua própria identidade. Entende-se por autonomia da escola quando: “Ela concebe sua proposta pedagógica ou projeto pedagógico e tem autonomia para executá-lo e avaliá-lo ao assumir uma nova atitude de liderança.P com o “Projeto Especial de Ação” (PEA). a escola tem a autonomia para refletir sobre sua intencionalidade educativa. terão a incumbência de elaborar e executar sua proposta pedagógica. (Veiga. sendo ambos objetos de acompanhamento e avaliação dos profissionais de educação nos horários coletivos de formação. caracteriza a comunidade local. que junto com a equipe escolar elabora-o de acordo com as prioridades da escola. bem como do acompanhamento da aprendizagem dos alunos (avanços. no sentido de refletir sobre as finalidades sociopolíticas e culturais da escola”.394/96. coordenado pelo Coordenador Pedagógico. as modalidades e turnos em funcionamento. visando a melhoria da qualidade da educação. necessidades específicas. O PEA deve estar articulado com os Projetos e Programas que compõem a Política Educacional da Secretaria Municipal de Educação (SME). 9. além de articular o P. dificuldades. (Fundação Carlos Chagas. Assim. define as necessidades pedagógicas. respeitadas as normas comuns e as do seu sistema de ensino. Essa implementação se dá por meio da formação continuada. tendo em vista os desafios do cotidiano escolar. tendo como instrumento o “Projeto Especial de Ação”.P descreve sua história. 2003. inciso XV: “Promover a implementação dos Programas e Projetos da SME por meio da formação dos professores da Unidade Educacional. no art. os métodos de ensino-aprendizagem e avaliação. O planejamento das ações do horário coletivo de formação docente também são atribuições do Coordenador Pedagógico. execução e avaliação do Projeto Pedagógico (P. segundo o edital da Fundação Carlos Chagas (2009). o Projeto Pedagógico tem a finalidade de dar autonomia às unidades escolares. etc)”.P). O Projeto Pedagógico foi previsto na LDB. Neste sentido. de acordo com o edital da Fundação Carlos Chagas (2009): . 2009) O Coordenador Pedagógico precisa coordenar as etapas de elaboração.12. inciso I: “os estabelecimentos de ensino. nos horários coletivos de professores. em consonância com as diretrizes educacionais do município.12 I. Lei n.

Além disso. Esta metodologia de formação possibilita que o professor apreenda um episódio e registra-o. III.Acompanhar e avaliar junto com a equipe docente o processo contínuo de avaliação. o Coordenador Pedagógico. Ele tem que tematizar com o grupo de professores algumas práticas culturais que se espera que as crianças tenham acesso diariamente na escola: . estratégias de formação. acompanhamento e avaliação dos impactos da formação continuada e cronograma de reuniões com a Equipe Docente para Gestão Pedagógica da U. registro e problematização da prática pedagógica.. garantindo a consonância com as diretrizes curriculares da SME. bem como garantir os registros do processo pedagógico. O acompanhamento e avaliação das atividades pedagógicas são atribuições permanentes do Coordenador Pedagógico: VII.E. depois o Coordenador Pedagógico junto ao professor elaboram perguntas a partir do episódio observado. VI.Participar da elaboração de critérios de avaliação e acompanhamento das atividades pedagógicas desenvolvidas na Unidade Educacional.Planejar ações para a garantia do trabalho coletivo docente e para a promoção da integração dos profissionais que compõem a Equipe Técnica da Unidade Educacional.Elaborar o plano de trabalho da Coordenação Pedagógica indicando metas. precisa refletir sobre as práticas culturais do cotidiano da unidade escolar. O documento A Rede em rede: a formação continuada na Educação Infantil (2007) traz subsídio ao Coordenador Pedagógico quanto às estratégias de formação por meio de instrumentos metodológicos como observação. segundo o documento acima.13 II. bem como na organização e remanejamento de educandos em turmas e grupos. VIII. XII.Coordenar a elaboração e implementação dos Planos de Ensino dos professores. 2009) Uma das propostas do “Programa A Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil” é o registro reflexivo.Desenvolver estudos e pesquisas que permitam ressignificar e atualizar as práticas pedagógicas em busca de adequá-las a necessidades de aprendizagens dos alunos. (Fundação Carlos Chagas. com o objetivo de discutir. nas diferentes atividades e componentes curriculares. compreender e aperfeiçoar as práticas pedagógicas.

há necessidade de dar condições ao professor de agir. observa-se a dificuldade dos professores em atualizar a prática pedagógica: Muitos educadores que trabalham com crianças pequenas costumam valorizar ações copiadas de modelos escolares tradicionais nas tarefas cotidianas que lhes propõem: atividades dirigidas usando apenas papel. 3. repetindo modelos de forma não espontânea. Ouvir boas leituras. com os adultos. Para Oliveira (2005.14 1. como um contexto que deve visar a criação. significar as práticas sociais. Eles conhecem apenas o modelo de organização do ambiente para ações centradas no professor e por ele controladas e acreditam que elas têm maior resultado pedagógico.. o sujeito esconde-se atrás da repetição de formas de atuação docente por ele vivenciadas.).( A Rede em rede: a formação continuada na Educação Infantil. p. Participar de situações comunicativas e conversas em grupo. Neste sentido. 4. A concepção descrita corresponde a fragmentos de um modelo de educação escolar construído no passado para orientar o ensino de crianças mais velhas e de adolescentes. tinta e lápis. não criativa. disposto a ajudá-la a interagir com o ambiente. Portanto. A criança necessita vivenciar situações. usando uma linguagem Vigotskiana. compartilhar a construção de sentido sobre o que se lê. Ler e escrever o nome próprio quando necessário. 2. que desconhecem outras formas mais adequadas de organizar situações de vivência. 5. (A Rede em rede: a formação continuada na Educação Infantil. 2007.. pelo sujeito de um zona de desenvolvimento proximal que promove aprendizagens que revolucionem sua forma de agir. nesse caso. 34) O professor deve evitar organizar as ações pedagógicas de acordo com modelo tradicional que reforça o papel do professor como centralizador do conhecimento. aprendizagem e desenvolvimento para as crianças pequenas (. não respondendo a singularidade de cada situação educativa em uma sociedade em permanente mudança. enfim com tudo que está ao redor. decidir e significar a prática pedagógica. 17) Quando o professor utiliza o método tradicional para ensinar as crianças. Participar de situações de teatro. Para isso. Ela persiste no imaginário e orienta a prática de muitos professores. 6. ele oferece pouca oportunidade da criança de vivenciar esses momentos lúdicos e significativos de aprendizagem na Educação Infantil. . p. conta com o professor. p. Desenhar ou pintar. 224): A formação docente pode ser compreendida. Ouvir músicas. 2007. decidir e significar a situação didática. com os colegas. Nem sempre essa criação é possibilitada e.

em sua formação permanente. utilizarei a abordagem quantitativa. me deparei com a seguinte questão: o que é necessário para os docentes renovarem a prática pedagógica? Segundo Abianna (2009). reflete sobre elas e sobre as formas de aprender e de ensinar. discursos aprimoram-se. Pensar em uma sociedade em constante mudança é pensar na necessidade da renovação das práticas pedagógicas. vivências.32). o que há de pesquisador no professor não é uma qualidade ou uma forma de ser ou atuar que se acrescenta à de ensinar. a pesquisa. o professor precisa sentir-se pertencente ao grupo de formação continuada e construir conhecimento enquanto pesquisador da prática pedagógica. a busca. percebe-se que essa realidade parece estar distanciada da prática. ir além dos discursos aprimorados e aprimorar a prática pedagógica problematizando as questões do cotidiano escolar. ou seja. ou seja. o comportamento das crianças vem se transformando e o cenário educativo se renovando a cada dia. saberes e interesses infantis são ponto de partida para a aquisição de novos conhecimentos. o professor discute e questiona a teoria da educação. como pesquisador. Para realizar a coleta dos dados. Porém. O professor deve se colocar como protagonista da própria formação docente.15 O professor precisa planejar ações pedagógicas que ofereçam a criança experiências significativas sempre integrando o que ela já sabe com aquilo que é novo para ela. porque professor. Faz parte da natureza da prática docente a indagação. Enfim. As experiências. o professor se perceba e se assuma. Nos últimos dez anos. De acordo com Freire (1997. mas a prática permanece quase intocável. O objetivo desta pesquisa é analisar a atuação do “Projeto Especial de Ação” e do “Programa A Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil” e os fatores que dificultam e facilitam o avanço da prática pedagógica. O de que se precisa é que. Como Coordenadora Pedagógica. A criança precisa vivenciar situações que lhe despertem o interesse frente ao inexplorado e ao desconhecido. abordagem . faz parte da natureza do professor a participação ativa no processo de formação docente: No meu entender. p. por meio da técnica de questionário.

2 Hipóteses da pesquisa Severino (2002. 1.. Bervian e Silva (2007. As hipóteses da pesquisa são: • há um distanciamento entre a teoria do “Projeto Especial de Ação” e do “Programa A Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil” e a prática pedagógica. cujo melhor modo de solução ou é uma pesquisa ou pode ser resolvido por meio científico”. 161) relata: “(. • pedagógica. Diante dessa narrativa. o professor de Educação Infantil apresenta dificuldade em renovar a prática . p. apresenta-se o problema da pesquisa: Como a formação continuada dos docentes da Educação Infantil tem contribuído para a atualização da prática pedagógica? 1. p. análise documental da unidade escolar pesquisada e pesquisa de campo. 184) define: “os limites da problematização devem ser determinados. p. pois não se pode tratar de tudo ao mesmo tempo e sob os mais diversos aspectos”. Marconi e Lakatos (2003. é a idéia central que o trabalho se propõe demonstrar”. 127) definem o problema como “um enunciado explicativo de forma clara. p.) o autor deve enunciar suas hipóteses: a tese propriamente dita. Severino (2002.16 qualitativa.75) o problema da pesquisa “é uma questão que envolve intrinsecamente uma dificuldade teórica ou prática. compreensível e operacional. para a qual se deve encontrar uma solução”. por meio da técnica da entrevista semi-estrutural. ou hipótese geral..1 Problema da pesquisa Para Cervo.

das intenções das políticas de formação de professores (coerência: teórica / prática). nos últimos quatro anos.3. p. 1. c) Analisar a avaliação dos professores sobre o “Projeto Especial de Ação”. sua clara definição orienta o trabalho do pesquisador e permite obter melhores resultados. SCHINDLER. d) Identificar os fatores que dificultam e/ou facilitam os avanços da prática docente.3 Objetivos Objetivos são metas ou alvos a serem alcançados.1 Objetivo geral Analisar a atuação do “Projeto Especial de Ação” e do “Programa A Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil”. Em função do exposto. e) Analisar a avaliação dos professores quanto aos momentos de formação continuada na unidade escolar. na prática docente. Beuren (2006. Essa estratégia permite maior clareza ao pesquisador e contribui na organização e realização do trabalho de pesquisa. Os objetivos são divididos em geral e específicos. 65) classifica como objetivo geral aquele que “indica uma ação ampla do problema”. 1. o objetivo geral e os específicos para esta pesquisa são apresentados a seguir.2 Objetivos específicos a) Identificar a presença. proposta pela Secretaria Municipal de Educação. b) Analisar o conhecimento dos professores em relação ao “Projeto Especial de Ação” e ao “Programa A Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil”. 2003). e específica aquele que indica ações pormenores de um problema geral.17 1.3. . Uma forma de estabelecer os objetivos é desdobrá-los em gerais e específicos (COOPER. proposta pela unidade escolar e o “Programa A Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil”. na prática docente.

O “Projeto” e o “Programa” muitas vezes não são compreendidos pelos professores por falta de uma comunicação satisfatória no decorrer do processo da formação continuada.4 Relevância da pesquisa A pesquisa trará uma discussão sobre o “Projeto Especial de Ação” e o “Programa A Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil”. além dos desafios cotidianos do Coordenador Pedagógico no papel de formador. O capítulo 3 destina-se à fundamentação da metodologia adotada para desenvolver a pesquisa. . define a questão da pesquisa. mediante pesquisa bibliográfica e documental. análise e discussão dos resultados obtidos. da Prefeitura Municipal de São Paulo e a prática docente. Em seguida. O capítulo 4 faz a apresentação do questionário e as entrevistas.18 1. O capítulo 2 apresenta a fundamentação teórica que dará sustentação à pesquisa. a entrevista semi-estrutural e à pesquisa de campo.   1. O capítulo 5 é reservado para a apresentação das considerações finais da pesquisa. e a forma de aplicação do questionário.5 Estrutura do Trabalho O capítulo 1 introduz o assunto e a contextualização sobre o tema. o objetivo geral e específico e a relevância da pesquisa.

entende-se por profissionalidade docente: “a ação profissional integrada que a pessoa da educadora desenvolve junto às crianças e famílias com base nos seus conhecimentos. configuram uma vulnerabilidade dessa criança e esse fato faz com que os profissionais que trabalham com a faixa etária de crianças pequenas se diferenciem dos demais profissionais docentes.19 2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 2. os profissionais docentes necessitam de uma formação inicial. a cada etapa da atuação profissional. limpeza e saúde. emocional. social são acentuadas na literatura da área como um fato de diferenciação da profissão. cada vez mais. continuada diferenciada e específica. p. aborda-se a especificidade da profissionalidade docente. 43). Essas necessidades e cuidados com as crianças. Katz e Goffin (1990) Medina Revilla (1993) afirmam que essas vulnerabilidades física. encontram uma diversidade de tarefas específicas. de acordo com a faixa etária das crianças a quem eles ensinarão.1 O perfil dos profissionais docentes da infância Cada profissão requer dos profissionais conhecimentos específicos da área de atuação. assumindo a dimensão moral da profissão”. Portanto. por seu campo de atuação se tratar de crianças pequenas. sendo uma particularidade da educação. que se diferencia dos demais professores da educação. devido à sua tenra idade. . As características dessas crianças traçam as especificidades desta profissão as quais vão além do conhecimento do desenvolvimento infantil. competências e sentimentos. Outro fator que diferencia os profissionais da Educação Infantil dos demais é a relação profunda entre o educar e cuidar. o conhecimento fica. termo usado por Oliveira-Formosinho. Contudo. entre função pedagógica e função do cuidado. A profissão docente não é diferente. As crianças pequenas necessitam em sua rotina de cuidados específicos de higiene. porém. específico e diferenciado. Segundo Oliveira-Formosinho (2002. assim chamadas por Oliveira-Formosinho (2002). As educadoras de infância.

comunidade e outros protagonistas que atuam nesse campo” . imaginação. olhares. A partir desta integração. p. pais e responsáveis pelos menores. o desafio que se propõe a Educação Infantil é de redefinir o conceito de cuidar e educar: Cuidar da criança é uma ação complexa que envolve diferentes fazeres.20 Com a integração dos CEIs e EMEIs. Ao fazê-lo. formando um auto conceito positivo em relação a si mesma. temos uma concepção de profissionalidade específica e diferenciada para as profissionais da infância. Conforme Oliveira-Formosinho (2000) apud Campos (2002. motricidade. (Tempos e espaços para a infância e suas linguagens nos CEIs. motricidade. precauções. alargando consideravelmente as atividades do cotidiano e as responsabilidades. formas estas que a levam a constituir-se como um sujeito histórico. raciocínio.. social e cognitivo). nos CEIs e EMEIs.18-19) Os conceitos cuidar e educar precisam estar interligados nas ações desses profissionais da infância. 2006. os CEIs passaram a deixar de ser o local apenas de cuidar da criança e as EMEIs o local de educá-la. as crianças pertencem a um contexto social e cultural que requerem dessas profissionais da infância uma integração de serviços: interação com psicólogos. Ambas as instituições de Educação Infantil cuidam e educam simultaneamente. As crianças pequenas são vistas como um todo integrado (afetivo. estímulo.. a criança desenvolve sua afetividade. Creches e EMEIs da cidade de São Paulo. atenção. Dessa forma. Outra especificidade da profissão. mães. atenção. Refere-se a planejar situações que ofereçam à criança acolhimento. p. raciocínio e linguagem. tem-se a primeira etapa da Educação Básica chamada Educação Infantil. gestos. XX): “(. Hoje. imaginação. Já educar a criança é criar condições para ela apropriar-se de formas de agir e de significações presentes em seu meio social. destacada por Oliveira-Formosinho (2002) é chamada de globalidade da educação da criança pequena. Eles são inerentes ao cotidiano dos docentes da infância e devem ser planejados. desafio.) uma concepção de profissionalidade que requer integração de saberes. Além disso. interações e interfaces com pais. de modo que ela satisfaça suas necessidades de diversos tipos e aprenda a fazê-lo de forma cada vez mais autônoma. assistentes sociais. integração de funções.

é imprescindível que disciplinas pedagógicas e científicas estejam juntas no decorrer do curso superior e não hierarquicamente. Para que ocorra de fato a pesquisa. ao qual pretende atuar e significá-lo. os alunos. p. regular. otimizar. . Para Schön (1990) & Zeichner (1993) formar o professor pesquisador significa garantir uma estrutura curricular que priorize a investigação. pois não basta transmitir teoria e deixar que o aluno do ensino superior. Desse modo. processos.ordenar. que está longe da prática. o que dificulta a reflexão e tematização da prática pedagógica. os professores. sistemas educativos e de todos os aspectos da prática pedagógica para descrever e explicar e o professor reflexivo dirige o olhar para seu contexto imediato para compreender. o professor na formação inicial se sente sozinho. privilegiando as disciplinas pedagógicas. Muitos acreditam que basta introduzir a prática reflexiva para garantir a pesquisa. ou seja.21 Além de toda particularidade da profissão dos educadores da infância. Portanto. sem poder contar com parceiros mais experientes para realizar a “ponte” teoria e prática. sem vivenciar momentos de reflexões coletivas e individuais. devido à nova concepção de criança e infância. A pesquisa pedagógica só ocorre no ambiente natural da prática. as famílias. Isso se faz necessário. Essa concepção de formação inicial é antiga e dificulta os profissionais da infância serem de fato pesquisadores da prática pedagógica. há diferença entre pesquisa e prática reflexiva: a pesquisa cuida de fatos. Isto causa empobrecimento na formação profissional. Vale expor que as críticas aos cursos superiores são pertinentes. tanto a prática reflexiva como a investigação desta prática reflexiva são exigências para atender ao novo perfil profissional. Para tanto. De acordo com Perrenould (1999) as universidades ensinam teorias sobre métodos de pesquisa e não pesquisam a prática pedagógica. 15). Segundo Perrenould (1999. faça a correspondência entre a teoria e a prática pedagógica. além dos pesquisadores e seus instrumentos de pesquisa. não no ambiente fechado da universidade. faz necessário destacar a importância desses educadores se tornarem verdadeiros pesquisadores de sua prática pedagógica. fazer evoluir uma prática particular vista de seu interior. é necessário o cenário da escola. Faz-se necessário que os estudantes se aproximem do cotidiano.

Porém. também. Além disso. colocando como ponte para ajudar o profissional a articular à teoria com a prática. ambas de modo integrado. então. Assim. uso de instrumentos de observação para averiguar o envolvimento da criança e da família na atividade. a Universidade poderá. p. tanto na formação inicial como na formação continuada. Já Oliveira-Formosinho e Formosinho (2001) apud Kishimoto (2002. acredita-se na diminuição da lacuna que surge desde a formação inicial. menciona que existem algumas estratégias a serem adotas para alcançar essa qualidade de educação: Entre as estratégias adotadas encontra-se a integração da formação inicial e continuada. Neste sentido. (1999. integrando um currículo articulado com a formação continuada do docente estabelecendo.181). p. da rotina e do projeto pedagógico e a produção de registros com os porta-fólios. possibilita a oferta de melhor qualidade de educação às crianças. o empenho do profissional para dar suporte à criança. integrando as diferentes instituições responsáveis em um plano comum. para criar um sistema de desenvolvimento profissional. enriquecer a formação inicial. ou seja.. Laranjeira et al. pesquisar. passando pela formação continuada e alcançando a sala de aula. a produzir conhecimento coletivamente e individualmente. A integração da formação inicial com a formação continuada pode ser o caminho para tão esperada qualidade na educação infantil. 25) relatam: (. a parceria com a escola.22 Para viabilizar novo perfil profissional..) leva a afirmar a necessidade de transformar o modo como se dão os diferentes momentos da formação de professores (formação inicial e formação continuada). a análise da adequação do espaço físico. é necessário que o docente aprenda a estudar. muito precisa ser feito para desraigar as antigas concepções de infância e de ensino superior. assim evitando lacunas pedagógicas. refletindo e mudando o currículo. . O investimento na formação do profissional de educação infantil. dos materiais escolhidos. O ensino superior poderá contribuir para este desafio.

Neste sentido. O mesossistema é o complexo mundo das inter-relações que a escola promove aos indivíduos em desenvolvimento. com inspiração em Bronfenbrenner (1979). O modelo de desenvolvimento profissional do crescimento.8) comenta: “(. ela propõe uma formação em contexto e descreve como o docente se desenvolve ao longo da vida profissional por meio do modelo ecológico (2002. sendo esse processo influenciado pelas inter-relações tanto entre os contextos mais imediatos quanto entre estes e os contextos mais vastos em que a educadora interage. p.23 2. a formação continuada não busca apenas reparar lacunas da formação inicial. Diante disso.. trazendo conhecimento acerca da sala de aula.2 A formação continuada dos docentes da infância Segundo Bruno & Almeida (2008.. na investigação e reflexão contínua sobre a prática pedagógica. Neste sentido. a formação continuada precisa basear-se na perspectiva do desenvolvimento profissional do crescimento. . Nesta perspectiva. mas em um contexto que promova um conjunto de estruturas concêntricas. mesossistema. gestores e avaliadores de programas de formação. No modelo ecológico de aprendizagem profissional dos docentes. O microssistema é o local que proporciona interação entre os indivíduos. as quais a autora (2002). p. Furlanetto (2003. é a realidade vivencial do sujeito. exossisterma e macrossistema. o professor é sujeito da formação e a avaliação das necessidades pedagógicas é realizada em conjunto: professores. chama de microssistema. que a ecologia do desenvolvimento profissional das educadoras envolve o estudo do processo de interação mútua e progressiva entre a educadora ativa e em crescimento e o ambiente em transformação em que ela está inserida. mas construir conhecimento a partir da reflexão da prática pedagógica. segundo OliveiraFormosinho (2002). 51): Pode-se dizer. o desenvolvimento profissional se dá em contextos não imediatos. ou seja. não busca reparar uma inadequação. p. baseada em Bronfenbrenner. mas sim favorecer a maior expansão do docente”.91): “entendemos que formação inicial e continuada seja um continuum”. procura produzir a construção partilhada de saberes e práticas. ou seja.) percebe o professor exercendo uma atividade multifacetada e complexa. das condições de aprendizagem e da cultura da escola. a escola. como por exemplo.

agir. Ela (2005. p. aponta para esses fatores dificultadores. Assim relata Oliveira-Formosinho (2002. como o da criança. o contexto administrativo de funcionamento da escola. pois não se faz no isolamento. p. salas de aulas. valores. requer empenho. por exemplo. 49): O desenvolvimento profissional é uma caminhada que envolve crescer. em contexto. baseando-se no modelo ecológico: . é preciso que se provoque mudanças em toda a hierarquia do sistema. 50). Ou seja. hábitos. Os exossitemas são arena de situações (contextos) que ocorrem nas inter-relações dos sujeitos em desenvolvimento. é necessário que se observem alguns fatores que podem dificultar o desenvolvimento profissional dos professores. pois se observa que uma educadora da infância não se desenvolve isoladamente. Nogueira (2005) vê a escola como um sistema hierárquico. Portanto. Para que as práticas pedagógicas docentes se atualizem e acompanhem as mudanças da sociedade. O macrossistema refere-se às crenças. é preciso criar espaços de formação dentro do sistema que interajam entre si e que envolvam os diferentes níveis. Cultivar as disposições para ser. Segundo Hargreaves (1992) e Furlan (1996) apud Oliveira-Formosinho (2002.. com a criança. formas de agir desses sujeitos que afetam as atividades e relações e interações aos níveis mais próximos do microssitema e do mesossitema. no qual todos os protagonistas devem interagir para promover uma verdadeira mudança de prática dos professores.. professores. Envolve crescimento. investigadores. sentir. 220) menciona que: (. por exemplo. saber.) para que haja uma mudança significativa num sistema que favoreça a prática de professores criativos. ser.24 uma rede de interações. ambas as autoras concordam e reforçam a importância da interação de todos os protagonistas da escola no processo de desenvolvimento profissional dos docentes da infância. sentir e agir. é um desafio que requer processos de sustentação e colaboração. p. sustenta-se na interação do conhecimento e da paixão. Esses contextos precisam proporcionar a interação mútua entre os sujeitos em desenvolvimento. interessados.

projetos de professores..) é essencial que a escola interatue com os contextos à sua volta. é uma prioridade entender a ecologia do desenvolvimento do professor. explora areia.. a unidade escolar pode estabelecer parcerias com a unidade básica de saúde do bairro em que está inserida. pinta ou observa uma flor.) ele refere-se ao fato de que o adulto é responsável pela sua própria educação. . que é necessário o Coordenador Pedagógico apoiar o professor durante a caminhada de aprendizagem e desenvolvimento profissional. movimentos pedagógicos. redes de escolas.20): (. Neste sentido. transforma-se e transforma o outro. quando a criança desenha. é importante que a escola interatue com instituições de formação. brinca de faz-de-conta. A troca de conhecimento desses órgãos com a escola é importante para o crescimento profissional dos docentes. p. mas deseja produzir cultura e faz isso a partir de seu próprio desenvolvimento. parafraseando Kishimoto (2002). A partir do momento em que se acredita que a criança aprende com o amplo ambiente educativo que a cerca e. (. 15) menciona que: (. Não se desenvolverá a reflexão crítica se não houver tempo e encorajamento para que se realize.. p. Oliveira-Formosinho (2002. ruminando os seus problemas. vale dizer que a escola não se encerra em si mesma. O processo de desenvolvimento do professor depende muito do contexto em que tem lugar. Além disso... Nesse sentido. associações sindicais de professores.) Se a inovação for imposta de fora por uma administração de mão pesada. coleciona pedrinhas.. associações profissionais de professores.25 As sementes do desenvolvimento não crescerão se caírem em terreno pedregoso. Outro fator que se destaca a respeito do contexto de desenvolvimento profissional é o contexto que rompe com as forças endógenas da escola. ou seja. assistentes sociais. Tem-se assim. será pouco provável que surjam processos de experimentação criativa. observa-se também que o professor se desenvolve profissionalmente. conselho tutelar etc. Ao expandir-se no contato com o outro. especialistas em educação. assiste a um vídeo. A natureza desse contexto pode fazer ou desfazer os esforços de desenvolvimento dos professores. O verdadeiro adulto não se contenta em ser mero repetidor de cultura. sementes. conversa com amigos ou com seu professor. Assim. manipula um brinquedo. Jung (1983) apud Furlanetto (2003. na interação com o outro.

nos quais são gestados e guardados os registros sensoriais. (Furlanetto. como esses novos conhecimentos não estão articulados às suas necessidades e. normalmente. Sendo assim..) quando planejamos trabalhos de formação. p. O que acontece. p. podemos perceber que pareciam possuir um professor interno. Observando a trajetória de alguns deles. uma base da qual emanavam suas ações pedagógicas que não representava somente a síntese de seus aprendizados teóricos. inquietações e necessidades pedagógicas do professor. subjetivo com experiências pessoais únicas: As professoras e os professores parecem seguir um eixo próprio de formação incluindo. emocionais. assim descrito por Furlanetto (2003).. como se escolhêssemos qual a próxima camada de tinta que eles deverão receber. cognitivos e simbólicos vividos pelos sujeitos ao transitarem nos espaços intersubjetivos. p. no papel de formador precisa proporcionar momentos de interação entre os professores e considerar que cada professor é um ser único. ambíguo e complexo gera durante a trajetória de vida matrizes pedagógicas. a seus desejos. é que. experiências e vivências que decorrem de escolhas pessoais. muito menos. responsabilizamos os professores por resistirem à mudança. em seu processo. 2003. na maioria das vezes. Os novos conhecimentos se tornarão parte da prática pedagógica do docente se forem articulados com as reais necessidades pedagógicas e desejos do professor em formação: (. Quando vemos isso acontecer.26 O Coordenador Pedagógico. Essas matrizes pedagógicas começam ser geradas antes da formação inicial do professor.32) Furlanetto (2003) considera a aprendizagem do adulto como processo individual e único. são descartados. quais recursos teóricos e metodológicos colocaremos à disposição dos professores. onde se constela o arquétipo do Mestre-Aprendiz. o Coordenador Pedagógico precisa compreender o professor como ser único e multifacetado no processo de formação e atentar para as dúvidas. 2003. multifacetado. muitas vezes.25) O “professor interno”. 2003. mas também de suas experiências culturais vividas a partir do lugar de quem aprende. Entende-se por matrizes pedagógicas: As matrizes pedagógicas podem ser compreendidas como nichos. Oferecemos pacotes prontos e esperamos que os professores se apossem desses conhecimentos e os transformem em ações pedagógicas. 58-59) . (Furlanetto. Camada essa que. pensamos no que vamos acrescentar. (Furlanetto. tendo a oportunidade de ajudá-lo a avançar na prática docente. vai sobrepondo-se a outras também não integradas.

. com fé no próximo. Neste sentido. a verdadeira comunicação. Toda vez que se converte o “tu” desta relação em mero objeto. mas deformando. Dialogicidade: manifestação de nossa disponibilidade para falar com. se fazem críticos na procura de algo se produz uma relação de “empatia” entre ambos. Autenticidade: é a perspectiva de que. da autenticidade e da dialogicidade produzindo assim. 2003. 92) Esses princípios precisam estar presentes durante a comunicação entre Coordenadores Pedagógicos e professores para o bom andamento de projetos e programas de formação continuada docente. é importante a relação dialogal entre professor e Coordenador Pedagógico: Referimos-nos ao diálogo. é a tentativa de “calçar os seus sapatos”. é necessariamente uma relação de dois sujeitos.68) ensina que: “(. Precisamente porque. na perspectiva de uma troca na qual é mister o comparecimento do ouvir ativo.27 O Coordenador Pedagógico como formador. ao mesmo tempo em que valorizamos esse verdadeiramente ser na perspectiva do outro. possamos melhor compreendê-lo. a relação interpessoal entre Coordenador Pedagógico e professores precisa basear-se no princípio da empatia. p. nas relações que estabelecemos com o outro. (Bruno & Almeida. (Freire. sendo o diálogo uma relação eu-tu. Só ali há comunicação”. com amor. com esperança. possamos ser fiéis a nós mesmos.e não das nossas-. na coerência entre o sentir. Além disso. a partir de suas próprias referências. Trata-se de uma atitude dialogal à qual os coordenadores devem converter-se para que façam realmente educação e não domesticação. E quando os dois pólos do diálogo se ligam assim. precisa preocupar-se com as necessidades pedagógicas dos professores.) somente o diálogo comunica. o pensar e o agir. ter-se-á pervertido e já não se estará educando. Para isso. além da preocupação em multiplicar teorias e técnicas de programas de formação. em vez de falar para. Entende-se por empatia. p. .78-79) Freire (2003. p.. autenticidade e dialogicidade: Empatia: exercício de colocarmo-nos no lugar do outro para que. do olhar sensível e do respeito à fala do outro. 2008. durante a formação continuada o professor precisa atuar como sujeito consciente do papel de educador.

O conceito dos propósitos proclamados e reais foi estabelecido por Teixeira (1962. Escolas Maternais: sugiram no contexto da industrialização. filantropias. Casas de Infância: geralmente oferecidas por organizações filantrópicas com vistas a assistir crianças pobres. que atendia as crianças a partir dos 7 anos de idade. Igreja e órgãos de assistência social. ou seja. 225) seguem diferentes denominações das instituições destinadas ao atendimento à primeira infância: Creches: instituições que evoluem especialmente dentro do contexto da industrialização. 92): . Jardins de Infância: destinados a educar crianças de três a seis anos. De acordo com Kishimoto (2001. destinadas a atender filhos de operários no início do século XX. Tais unidades infantis assumem diversas estruturas e funcionamento. geralmente foram amparados pelas instâncias de natureza educativa. no entanto.3 A implantação do “Projeto Especial de Ação” e do “Programa: A Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil” Segundo Gonçalves (2004). como Departamentos ou Secretarias de Educação. As Leis do Trabalho (1943) previa a instalação de berçários nas empresas com mais de 30 mulheres empregadas. surgiu à necessidade do atendimento integral para os filhos. propostas de trabalho e pessoas pouco qualificadas para realizar este cuidar. Nesse contexto. p. As mulheres que atuavam no mercado de trabalho passaram a exigir do Estado o atendimento a demanda de crianças na faixa etária abaixo de 7 anos. no âmbito da Educação Infantil ficavam em um segundo plano em detrimento da educação básica. urbanização e atendimento às mães trabalhadoras.28 2. p. houve uma proliferação de instituições com diferentes estruturas. os propósitos proclamados pelos governantes estavam muito distantes dos propósitos reais. os propósitos proclamados. Mesmo com tantas lutas. em conseqüência. as mulheres passaram a compor o quadro de funcionários das indústrias e. tendo como mantenedoras empresas. com a revolução industrial. a determinação dessa Lei foi descumprida.

foi publicação o Decreto n. A história do período colonial é a história desses dois objetivos a se ajudarem mutuamente na tarefa real e não confessada da espoliação continental (.) Proclamavam os europeus aqui chegarem para expandir nestas plagas o cristianismo. mas. . 1 ° .869. há necessidade da formação docente ao novo público de professores: Uma das principais mudanças introduzidas pela LDB foi a concepção educacional que deve preponderar para as crianças de até três anos de idade assistidas nas creches. 243).A partir de 23 de dezembro de 1999..) Nascemos. p. Segundo Meneses (2005. necessariamente. A Constituição Federal de 1988 reconheceu a educação de crianças de 0 a 6 anos em creches. compondo a modalidade de educação infantil. Houve um grande avanço no sistema educacional em considerar a Educação Infantil (0 a 6 anos) como primeira etapa da educação básica e incluir as antigas creches no sistema municipal de educação. que integrou as creches ao Sistema Municipal de Ensino.29 (. Essa concepção também apareceu no Estatuto da Criança e do Adolescente (1990) e na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (1996). com o Ensino Fundamental de nove anos. movia-os o propósito de exploração e fortuna. esse atendimento corresponde às crianças de 0 a 5 anos. propósitos educacionais. correspondente ao atendimento as crianças de 0 a 6 anos de idade. Até então as instituições que acolhiam essas crianças tinham um papel principalmente assistencialista: nem tinham. as creches existentes ou que venham a ser criadas no Município de São Paulo passam a integrar o Sistema Municipal de Ensino”. Segue o artigo 1° do Decreto citado: “Art. Com este avanço surgiram as preocupações com a formação dos profissionais que atuam na educação infantil e a necessidade de elaboração de Programas de Políticas Públicas para a formação docente. Tal mudança na Lei provoca a necessidade da formação de professores de creche.. assim.. de 20 de dezembro de 1999. divididos entre propósitos reais e propósitos proclamados. Em São Paulo. 38. na realidade. pré-escolas e instituições similares.. Hoje. dando oportunidade para os educadores que trabalham na área discutirem as funções dessas instituições e suas formas de trabalho pedagógico.

com garantia do horário coletivo. compreendendo ações de natureza pedagógica e/ou institucional”. os professores do Centro de Educação Infantil (CEI). inclusive os que atendiam a faixa etária de 4 a 6 anos. em consonância com o Projeto da Escola. fora de horário de regência de classe e a Evolução Funcional foram mais uma conquista do novo público docente da modalidade Educação Infantil. só foram incluídos no “Projeto Especial de Ação”. as antigas creches. Antes da integração das creches ao sistema Municipal de Ensino. através de Portarias. e desde que cumpridas as seguintes exigências estabelecidas: I-o Projeto contenha a carga horária mínima de: -nos CEIs: 108 (cento e oito) horas relógio anuais e que tenha sido coordenado ou executado no período mínimo de 09 (nove) meses completos. Com a implantação do “Projeto Especial de Ação”. a Rede Municipal de São Paulo atendia diretamente as crianças a partir de 4 anos e implantava. inclusive com a assinatura do Supervisor Escolar. o Diretor da Unidade Educacional expedirá atestados. de 8 de julho de 1997. 8º . as unidades escolares passaram a elaborar os projetos pedagógicos. (atualmente de 4 anos a completar a 5 anos) passaram a ter momentos preciosos de discussões e aperfeiçoamento profissional em horários coletivos.394/96: “Instrumento de trabalho elaborado pelas unidades escolares. o “Projeto Especial de Ação” para os professores que atuavam com crianças a partir desta faixa etária. Mesmo com a integração do atendimento das crianças de 0 a 3 anos na Educação. . 1. obrigatoriamente voltados para a melhoria do processo ensino-aprendizagem. após avaliação final dos PEAs. fora do horário de regência de aula. criando a própria identidade.30 A formação de docentes para essa nova demanda de profissionais ocorreu anos mais tarde. que dispõe sobre os “Projetos Especiais de Ação”(PEAs) regulamentando a Lei de Diretrizes e Bases n. A garantia de estudos em horário coletivo.826.566 de 18 de Março de 2008: Art. Segue a Portaria n. a Portaria 3.Para fins de Evolução Funcional. no Município de São Paulo. de acordo com a caracterização da comunidade em que estavam inseridas. Segue a publicação no diário oficial do Município de São Paulo. a partir do ano de 2008 e junto à garantia da Evolução Funcional para fins da melhoria de salário. 9. e os professores.

voltada para equipe gestora diretamente e docentes indiretamente que atendiam as crianças de 0 a 6 anos. 42). da cidade de São Paulo. na Educação Infantil. sistematizar suas reflexões em várias formas de registro e reconstruir conhecimentos historicamente elaborados. 225) entende-se programas de formação continuada da seguinte forma: (. Em programas de formação continuada. na Rede Municipal de São Paulo. num período de tempo definido". p. 2.. De acordo com Oliveira (2005. Isso envolve problematizar sua prática. O “Programa A Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil” teve como objetivo subsidiar o Coordenador Pedagógico e mais tarde o Diretor da unidade escolar. todos os professores (CEIs e EMEIs) da primeira etapa da educação básica foram contemplados. Entende-se por Programa: "constituído de um ou mais projetos de determinados órgãos ou setores. p. no Município de São Paulo. pesquisar alternativas de ação. (Padilha 2001. com conteúdos e instrumentos metodológicos para a reflexão da prática pedagógica. Nesse momento histórico. foi proposto um Programa de Formação Continuada. em 2005. o objetivo é orientar o fazer docente.31 Anteriormente a essas conquistas. E traz como eixo o . durante a ano de 2005. os professores devem ser estimulados a articular os vários conceitos trabalhados em sua formação anterior ou atual com sua prática profissional cotidiana. A equipe da Diretoria de Orientação Técnica de Educação Infantil (DOT-EI) e representantes das Diretorias Regionais de Educação (DRE) elaboraram o primeiro documento do “Programa A Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil” chamado Tempo e espaço para a infância e suas Linguagens no CEIs. Creches e EMEIs da Cidade de São Paulo. Segundo o documento (2006). atualmente de 0 a 5 anos..4 O “Programa A Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil” O “Programa A Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil” destina-se à formação continuada de professores da Educação Infantil na Rede Municipal de São Paulo. mas para estimular a renovação de saberes em ambiente de aprendizagem coletiva e auto-motivada. pelo “Programa”.) não para suprir eventuais lacunas na formação inicial.

19): O professor educa e cuida especialmente ao acolher a criança nos momentos difíceis. ao orientá-la quando necessário. p. o professor educa e cuida quando proporciona condições a criança de ampliar o repertório de conhecimento constituindo-se como sujeito com formas de agir. simultaneamente. como as relações “exteriores” (no sentido de Durkheim) dos indivíduos entre eles. da natureza e da sociedade. não se pode negar que. respeitando-as como sujeitos sociais e de direitos. Essa concepção se diferencia da concepção construtivista. desde o nascimento. A concepção sócio-construtivista fundamenta o documento. ao apresentar-lhe o que é de encantador no mundo da música e das artes. sentir e pensar culturalmente. porém não negou que o homem é um ser social. ao fazê-la sentir-se confortável e segura. . capazes de pensar e agir de modo criativo e crítico. Lingüística e outras ciências. Acima de tudo. inclusive com aquelas que apresentam necessidades educacionais especiais. Sociologia. Algumas ações de cuidar e educar são citadas no documento (2006. fortalecendo a auto-estima de todas as crianças. englobando tanto as tendências hereditárias que nos levam à vida em comum e à imitação. isto é. visando contribuir com um currículo que proporcione às crianças condições de aprendizagem. La Taille (1992. cultura e condição social. e muito mais. o professor cuida e educa quando trabalha na perspectiva da inclusão social e garanta a todas as crianças com as quais trabalha uma experiência bem sucedida de aprendizagem. p.32 Educar e Cuidar e a otimização dos tempos e espaços de aprendizagem. Na concepção construtivista. Neste sentido. “O professor cuida e educa quando combate preconceitos e discriminações de etnia. 11) cita Piaget: Se tomarmos a noção do social nos diferentes sentidos do termo. o desenvolvimento intelectual é. Piaget não se deteve no papel dos fatores sociais no desenvolvimento humano. segundo La Taille (1992). credo. além dos escritos de Wallon e apontamentos realizados pela Antropologia. Ele também cuida e educa quando promove e acolhe as interações que a criança estabelece com outras crianças e quando organiza e dá oportunidade para que elas compartilhem experiências e saberes. obra da sociedade e do indivíduo.

nas relações precisam ter troca de pontos de vista e controle mútuo dos argumentos e além de basear-se na dimensão ética (La Taille. 1992).) enquanto tal na sua relação com o outro social. ao longo do desenvolvimento da espécie e do indivíduo. 1992.27) As relações sociais no desenvolvimento humano são enfocadas de modo diferente em ambas as teorias. Na concepção sócio-construtivista os fatores sociais são decisivos para o desenvolvimento humano. sistema simbólico fundamental na mediação entre sujeito e objeto de conhecimento. duas funções básicas: a de intercâmbio social e a de pensamento generalizante”. p. La Taille (1992. liberdade e democracia. e também no sentido em que existem processos de auto-regulação que garantem a conquista deste equilíbrio..) Além disso. (Oliveira. ou seja.. 1992. Entende-se por sistema simbólico: “A linguagem humana. sua aprendizagem e seu desenvolvimento: . p. A cultura torna-se parte da natureza humana num processo histórico que.. Nesse processo de desenvolvimento são essenciais as ações do sujeito sobre os objetos. Na concepção sócio-construtivista o desenvolvimento humano constitui-se: “(. no valor ético da igualdade. o homem não tem acesso direto ao objeto. essa “marcha para o equilíbrio” tem bases biológicas no sentido de que é próprio de todo sistema vivo procurar o equilíbrio que lhe permite a adaptação. p. um novo olhar para criança. 24). as relações sociais devem ser baseadas nas relações de cooperação e não nas relações de coação. (Oliveira. ou seja. mas através de um acesso mediado.. já que é sobre os últimos que se vão construir conhecimento (. Com base nessa concepção.33 O ‘ser social” para Piaget é aquele que consegue relacionar com seus semelhantes de forma equilibrada. encontra-se no documento Tempo e Espaço para infância e suas linguagens em CEIs. para Vigotski. tem.18): Para Piaget.24) O desenvolvimento humano no processo sócio-histórico ocorre por meio da mediação. p. Creches e EMEIs da cidade de São Paulo (2006. o sistema simbólico o indivíduo representa o mundo real no universo psicológico. molda o funcionamento psicológico do homem”.

não só com os adultos. ativa todo um grupo de processos de desenvolvimento. com o contexto e com as diversas vivências que este contexto proporciona. grupos de trabalho. A criança aprende na interação com o outro. Outro documento do “Programa A Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil é Orientações Curriculares-Expectativas de Aprendizagens e Orientações Didáticas para Educação Infantil (2007). em si mesma. Entende-se por aprendizagem e desenvolvimento conforme Vigotski (1991. pois é produtora de conhecimento.. 115): (. na concepção tradicional. influenciando-o e sendo influenciada por ele. a aprendizagem é um momento intrinsecamente necessário e universal para que se desenvolvam na criança essas características humanas não-naturais. Por meio dos relacionamentos que a criança estabelece. a criança deixa de ser uma tábua rasa como antes era vista.) criança nasce com condições para interagir com parceiros mais experientesseus pais. e esta ativação não poderia produzir-se sem a aprendizagem. traça desenhos. formula perguntas. coordenado pela equipe de diretoria de Orientação Técnica Pedagógica de Educação Infantil. também. interagindo com o mundo à sua volta. p. elabora respostas. de cultura e de uma identidade pessoal. enquanto desenvolvem formas de sentir.34 (. imita pessoas ou outros elementos que observou. Ele traz o conceito de aprender que vai ao encontro do novo olhar da criança citada no documento anterior: . ela nomeia objetos. desenvolvimento. constantemente significando o mundo a sua volta. As experiências vividas no espaço de Educação Infantil devem possibilitar à criança o encontro de explicações sobre o que ocorre à sua volta e consigo mesma. Ela tem voz própria e deve ser ouvida. os educadores. outras crianças mais velhas – que lhe apresentam continuamente novas formas de se relacionar com o mundo a fim de compreendê-lo e transformá-lo. mas uma correta organização da aprendizagem da criança conduz ao desenvolvimento mental.. Por isso. com o ambiente.. mas formadas historicamente. Assim. com o objetivo de subsidiar os professores da rede Municipal de Educação e toda equipe escolar em busca de uma educação infantil de qualidade. pensar e solucionar problemas. o qual o professor era o centralizador do conhecimento e passa a ser protagonista da aprendizagem. mas também com outras crianças. com a participação de vários profissionais da educação: educadores. outros familiares. gestores educacionais e de Políticas Públicas.) a aprendizagem não é..

cujo conhecimento se encontra no poder de uma única pessoa. que antes era distante da escola com participações limitadas. o professor. O professor atua de modo direto conforme interage com as crianças e lhes apresenta modelos. 2007. p. para a atividade da criança. aprende-se consigo mesmo. 2007. crianças e situações) e. De acordo com a concepção sócio-construtivista o professor desempenha um o papel no processo ensino-aprendizagem de mediador: A mediação do professor se faz à medida que suas ações buscam familiarizar a criança com significações historicamente elaboradas para orientar o agir das pessoas e compreender as situações e os elementos do mundo. p. por vezes. que se remete ao modelo de ensino-aprendizagem centralizador. (Orientações Curriculares-Expectativas de Aprendizagens e Orientações Didáticas para Educação Infantil. (.) Além disso. pelo arranjo do contexto de aprendizagem das crianças: os espaços. responde ao que elas perguntam. 17) Ambos os documentos se opõem à concepção tradicional de educação. os horários. que continuamente atribui aos signos que lhe são apontados. 24) Os protagonistas no processo de ensino-aprendizagem são ativos. a nova concepção nos remete a uma nova dimensão de professor. as pega no colo quando se emocionam e. (Orientações Curriculares-Expectativas de Aprendizagens e Orientações Didáticas para Educação Infantil. 23) Então.. dificultando a troca de experiência. ou a partir de objetos e de outras produções culturais abstratas. criativos e pesquisadores. mas à experiência. A família. faz perguntas para conhecer suas respostas. Ele age de uma forma indireta. O professor mediador também possui posturas diferenciadas de acordo com situações de preconceitos e acolhimento das crianças com necessidades educacionais especiais. interação e o contato com novos conhecimentos dos pequenos aprendizes. Ele tem o cuidado em tratar de forma não preconceituosa essas situações nas interações com as crianças. 2007. com a nova proposta pedagógica passa a ser convidada a ser parceira durante toda a caminha da . sentir e pensar de cada pessoa que não pode ser atribuído à maturação orgânica. p.. críticos. opõe-se ao que elas estabelecem para ajudá-las a ampliar seu olhar. sobretudo. (Orientações Curriculares-Expectativas de Aprendizagens e Orientações Didáticas para Educação Infantil.35 Aprender pode ser entendido como o processo de modificação de modo de agir. aluno e de ações de ensino: A concepção adotada amplia o olhar para as diferentes fontes de ensino ( adultos. interativos. os agrupamentos infantis. ensinar as regras sociais de seu grupo social ou aperfeiçoar seu modo de sentir as situações. os objetos.

até as questões pedagógicas. mas a que compara uma criança com ela mesma. Neste sentido. o professor precisa incluir visitas. p. As interações e relações dos educadores da infância com as crianças e. Segundo Meneses (2005. sugestões e observações dos familiares como forma de conhecer a criança e ampliar a qualidade do trabalho pedagógico.. 28). o professor irá planejar novamente suas ações para melhor atender as crianças. que permeia desde as condições de prédios.. De acordo com o documento Orientações Curriculares (2007) o educador da infância passa a desenvolver a chamada relação de apego. De acordo com o documento Orientação Curricular (2007). a aproximação da escola com a comunidade já tem dado resultados significativos: A escola não pode mais desconhecer a comunidade onde se encontra. A observação e o registro são instrumentos totalmente indispensáveis no processo de ação-reflexão-ação do planejamento de cada professor. o papel da mãe. Para tanto. (. entre as próprias crianças. 244). aquela em que o educador passa a ter uma relação afetiva de cuidado com o bebê ou a criança de CEIs. ou seja. .) são conhecidas inúmeras iniciativas de profissionais da educação que mobilizam a comunidade para participar do processo educacional e do ensino-aprendizagem e para atividades de preservação do equipamento escolar (edifício. portanto. A avaliação é um tema abordado no documento Orientação Curricular (2007. dentro de certo período de tempo. materiais escolares e atendimento ao público. inclusive nos resultados pedagógicos referentes à questão do ensino. a observação sistemática do comportamento de cada criança feita ao longo do período em muitos e diversificados momentos é condição necessária para se levantar como ela se apropria de modos de agir. sentir e pensar culturalmente constituídos. p.aprendizagem. Creches ou EMEIs. avós.36 aprendizagem da criança. a escola e a família devem estar unidas num objetivo comum: a qualidade da escola brasileira. Ele traz a seguinte concepção: A avaliação que mais deve interessar ao professor é aquela que não compara diferentes crianças. Elas têm apresentado muito sucesso na melhoria das condições de funcionamento da escola. móveis e utensílios escolares). A partir da observação atenta e detalhada. pois é neste núcleo que ocorre o primeiro contexto educacional da criança. devem ocorrer de forma mais tranqüila possível. o trabalho do professor deve ser integrado à família.

e ser diversificados para dar autonomia a elas. estabelecer regras de convivência com o grupo e sempre que quebradas relembrá-las a todos. deve ser um lugar lúdico. com suas marcas. para diferenciar da concepção de sala de aula. ambiente lúdico e saudável. Os materiais que compõem a sala de convivência precisam ser planejados. segundo a equipe da Diretoria de Orientação Técnica. As crianças devem reconhecer o espaço como seu. de forma a dar acessibilidade às crianças. de construção. individuais ou coletivos. esta sala de convivência deve ser um espaço. 33). no qual todos os protagonistas da aprendizagem desempenhem o papel da ação. p.37 parentes. Creches e EMEIs. assim chamada pela DOT-EI (2007). da criatividade e da significação. Além disso.. Outro desafio para os educadores da infância é proporcionar uma relação de interação positiva entre as crianças.) o espaço físico das unidades educacionais não se resume apenas à sua metragem. O espaço. . (Orientações Curriculares-Expectativas de Aprendizagens e Orientações Didáticas para Educação Infantil) A sala de convivência. de jogos e de informática. pessoas que antes davam a segurança para a criança neste momento.. bem planejado com áreas de bibliotecas. de teatro. enfim deve ser um espaço que contemple as mais variadas linguagens de aprendizagem da Educação Infantil. objetos e trabalhos em exposição constantemente. é transferido para a pessoa do educador da infância. sua condição de cenário para diferentes atividades. que traz a conotação de “aula” sendo muito questionada na Educação Infantil. de música. insolação ou topografia.Educação Infantil (2007. de pintura. de fazde-conta. vai além do espaço físico de uma sala de convivência: (. para acontecer com tranqüilidade. O educador deve garantir a convivência em grupo com diferentes faixas etárias. Sempre que possível esse espaço deve integrar objetos novos para serem significados pelas crianças. demanda um planejamento dos momentos de ingresso dessas crianças de CEIs. Para consolidar o vínculo afetivo dos educadores e crianças e o reconhecimento do ambiente novo como seguro e significativo é necessário que os professores conheçam a história da criança e seus hábitos e mantenham constantemente o diálogo com os familiares. assim construindo o vínculo de amizade e parceria. Essa transferência de segurança e confiança. mas inclui sua possibilidade de atender às necessidades e às exigências das crianças e dos adultos nos momentos programados ou imprevistos. mediar conflitos e ajudar as próprias crianças a aprender a resolvê-los com os colegas.

. a criança explora as possibilidades expressivas de seus movimentos.38 O tempo é compreendido. Segundo o documento A Rede em rede: Formação Continuada na Educação Infantilfase 1.. Creches e EMEIs da Cidade de São Paulo. ampliam seu repertório. esse tempo de espera pode ser planejado com ações lúdicas destinadas à criança para evitar episódios de mordidas e brigas muito comuns nessa faixa etária. desde a hora da entrada da unidade escolar até seu retorno ao lar.) instrumentos culturalmente elaborados cuja apropriação pela criança se faz no contacto com modelos que são familiares a ela e com a diversidade cultural trazidas por cada uma delas”. criança. (2007. 23) entende-se por linguagens: “(. As atividades devem ser planejadas de forma a equilibrar o tempo de espera de uma atividade ou outra. a leitura e a escrita. 56) Portanto. o educador da infância precisa organizar o tempo. 2006. as atividades precisam ser variadas. ambiente. ao mesmo tempo em que brinca com as palavras. Por meio das múltiplas linguagens. (Tempos e espaços para a infância e suas linguagens nos CEIs. interações. materiais. criação plástica e visual e a dança e música. espaço. Um fato importante é que a criança percebe as linguagens de forma interrelacionadas: (. interagem. aprendizagem e educador da infância percorrem as múltiplas linguagens culturalmente estabelecidas: o brincar. relações. diversificadas e regulares para facilitar a significação delas pela criança. mas aprender com as crianças a relacioná-las de forma significativa. Essas múltiplas aprendizagens podem ser promovidas na Educação Infantil. segundo o documento (2007). p. Ao longo do tempo. Enfim. de tal forma. o educador da infância não deve pensar as linguagens com o fim em si só.) as garatujas são expressões do gesto ao mesmo tempo em que já se delineiam em combinação de linhas e cores. enfim. que dê qualidade ao tempo vivido pelas crianças durante todas as ações dela. como elemento integrante no processo de aprendizagem. Dentro de todas essas concepções de tempo. a comunicação e expressão gestual e verbal. p. .. Nas cirandas ou brincadeiras cantadas. se desenvolvem culturalmente. as crianças se comunicam..

2007. inventar soluções Por isso podemos dizer que o Coordenador Pedagógico é um dos profissionais mais estratégicos na formação continuada da equipe de professores e na construção de um trabalho pedagógico nas EMEIs e CEIs. que. um referencial para a prática docente e um convite a todos os comprometidos com a infância a inventar. uma formação local para os Coordenadores Pedagógicos e uma formação central para os Coordenadores Pedagógicos e Diretores com temas baseados nos documentos. 2007. Em 2008. o documento “A Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil. O documento tem como foco subsidiar o Coordenador Pedagógico durante a formação continuada com a equipe de formação. p. o Coordenador Pedagógico foi o principal foco da formação continuada. No ano de 2007. (A Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil.os educadores da infância.39 O brincar é a principal linguagem. foi acrescida a presença do Diretor da Unidade de Educação Infantil. criar e ampliar as possibilidades do brincar. matriculados na Rede Municipal de Educação conforme cita Schneider. Nesse contexto os Supervisores eram convidados. Tempos e Espaços da Unidade Educacional.fase 1. no ano de 2006. congregar esforços para encontrar alternativas e. Essa linguagem é tão preciosa para equipe de DOT-EI. compreender o que é mais geral nas tantas situações que envolvem a educação de crianças e a formação de adultos. do Município de São Paulo. publicados pelo “Programa”. 1) Durante os quatros anos do “Programa A Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil”.fase 1”.fase 1. p. foi distribuído a todos os protagonistas da Educação Infantil um documento chamado “São Paulo é uma escola: Manual de Brincadeiras” O documento é um resgate das brincadeiras da infância. transformar as queixas em bons problemas. foi distribuído aos gestores das Unidades Escolares CEIs e EMEIsSupervisores. pois o lúdico deve permear todas as outras Linguagens. 11) . O papel do Coordenador Pedagógico como formador: A especialidade do Coordenador Pedagógico reside em sua capacidade de descontextualizar práticas cotidianas. muitas vezes.( A Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil. Havia. Diretores e Coordenadores Pedagógicos. Os profissionais atingiram as 314 mil crianças de Educação Infantil. O documento relata as experiências e conhecimentos dos 800 profissionais e 30 formadores que se comprometeram com o Programa no ano de 2006. uma vez por mês.

E. distribuídas nas 1411 Unidades de Educação Infantil: 336 CEIs diretos. os conteúdos fundamentais da formação continuada são as práticas culturais da Educação Infantil e os Instrumentos Metodológicos. O documento Tempos e espaços para a infância e suas linguagens nos CEIs. também. houve um desafio de elaborar um documento que criasse. 608 CEIs. neste contexto. declarou que o número de crianças atendidas pela Secretaria de Educação da Cidade de São Paulo era de cerca de 390 mil crianças. por meio do Secretário de Educação. Esse documento representa mais uma oportunidade para o aprimoramento pessoal e profissional dos educadores. Creches conveniadas e 467 EMEIs. O documento tem como objetivo final assegurar à criança a aproximação das práticas sociais. . a identidade de um todo (rede) e. através da reflexão. espaços e atividades nas quais as crianças se inserem. O segundo módulo vem para apoiar o Coordenador Pedagógico a re-significar algumas práticas sociais presentes ou introduzir outras na Unidade Escolar. a qual ajuda o Coordenador Pedagógico a apropriar-se de indicadores e princípio de qualidade de ambientes. Creches e EMEIs da Cidade de São Paulo (2006) menciona que no final de 2005 e início de 2006. vêm apoiar o Coordenador Pedagógico na introdução ou re-significação do faz-de-conta infantil. responsáveis pelo atendimento das necessidades crescentes da população de crianças de 0 a 5 anos. observação e problematização das práticas pedagógicas. ao mesmo tempo. Segundo DOT-EI (2006). porém em parceria com a equipe de gestores e professores. O terceiro módulo. incentivasse as características e particularidades de cada contexto (Unidade). instituir ou dinamizar a prática de registro e sistematizar a devolutiva dos registros. retirados da reflexão sobre a prática. Dº José Aristodemo Pinotti. o documento desafiou todos os profissionais de educação infantil a reorganizarem o trabalho pedagógico no que se refere aos tempos. Portanto. O documento A Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil-fase1 (2007) é dividido em três módulos: o primeiro aborda a questão da metodologia de observação. instituídas em nossa cultura. diferenciando-o das demais possibilidades de brincar nas escolas de educação infantil.40 O Coordenador Pedagógico é fundamental para o “Programa” como agente formador.

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O “Programa A Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil” foi implantado, nos horários coletivos de formação continuada dos docentes por meio do “Projeto Especial de Ação”.

2.5 O “Projeto Especial de Ação”- no Município de São Paulo

Entende-se por projeto: “Como o próprio nome indica, projetar é lançar para frente, dando sempre a idéia de mudança, de movimento. Projeto representa o laço entre o presente e o futuro, sendo ele a marca da passagem do presente para o futuro”. Veiga (2001, p. 18) O projeto direciona as ações pedagógicas da unidade escolar partindo das necessidades do presente em busca de soluções para o futuro. Com esta finalidade a unidade escolar elabora o “Projeto Pedagógico”. Veiga (2003, p. 13) menciona que:
O projeto pedagógico aponta um rumo, uma direção, um sentido explícito para um compromisso estabelecido coletivamente. (...) ao se constituir em processo participativo de decisões, preocupa-se em instaurar uma forma de organização do trabalho pedagógico que desvele os conflitos e as contradições, buscando eliminar as relações competitivas, corporativas e autoritárias, rompendo com a rotina do mando pessoal e racionalizado da burocracia e permitindo as relações horizontais no interior da escola.

O “Projeto Pedagógico” tem por finalidade retratar a realidade da escola, humanizar as relações e organizar as ações educativas. A partir da contextualização do “Projeto Pedagógico” é elaborado o “Projeto Especial de Ação”. O “PEA” deve estar articulado ao Projeto Pedagógico para não ocorrer ações educativas esporádicas ou contraditórias: “A verdadeira mania de projetos que se abateu sobre a educação tem gerado ações esporádicas, até contraditórias entre si, porque é bonito administrar por projetos e não se tem o cuidado de realizar aqueles que brotassem de um plano global”. (Gandin, 1991, p.53) Além disso, tanto o “Projeto Pedagógico” como o “Projeto Especial de Ação” para serem eficientes precisam priorizar as reais necessidades da escola e ter as etapas de elaboração, execução e avaliação bem planejadas. Esse planejamento precisa ser visto como processo educativo e não como planejamento estático. Segundo Gandin (1991, p.17): “(...) processo de planejamento é concebido como uma prática que sublinhe a participação, a

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democracia, a libertação. Então o planejamento é uma tarefa vital, união entre vida e técnica para o bem-estar do homem e da sociedade”. Neste sentido, os “Projetos Especiais de Ação (PEA)” são instrumentos de trabalho pedagógico elaborado de acordo com as necessidades do professor, por toda equipe da Unidade Escolar e aprovado pelo Conselho de Escola, anualmente. Após a elaboração e aprovação pela equipe escolar e comunidade, é enviado ao Supervisor Escolar que fará apreciação e homologação. Além disso, o Supervisor Escolar deverá acompanhar e subsidiar a escola no processo de avaliação durante a execução do “PEA”. Neste “Projeto” está contido o tema, o objetivo, a justificativa, os procedimentos metodológicos, metas a alcançar, descrição das etapas, a referência bibliografia a ser estudada no decorrer do ano letivo e avaliação periodicidade e instrumentos a serem adotados. O referido “Projeto” deve sempre atender as normas ditadas pela legislação e atender a Política Educacional vigente. Na Educação Infantil, o “PEA” tem a especificidade de garantir as crianças vivências de experiências diversas e significativas através das múltiplas linguagens do universo infantil. O Coordenador Pedagógico, Diretor de Escolar e Assistente de Direção participarão do “Projeto” dentro do horário de trabalho, exercendo o papel de coordenador respeitando a respectiva ordem. Os professores que possuem a Jornada Especial Integral de Formação (JEIF), a Jornada Básica do Docente- (JBD) e a Jornada Básica de 30 horas semanais poderão compor o grupo de formação continuada, no horário coletivo, do “PEA”. Porém, estão impedidos de participarem do “PEA” os professores que possuem a antiga Jornada Básica (JB) instituída pela Lei n. 11.434/93, os professores de Educação Infantil sem regência de classe, os Auxiliares de Desenvolvimento Infantil- ADI, os professores com laudo de readaptação e alteração de função. O “PEA” também não contempla a participação do Agente Escolar e do Assistente Técnico Educacional (ATE), uma vez que se acredita na importância da formação continuada a toda equipe, seria importante a participação desses protagonistas no “Projeto”. Os profissionais da educação que obtiverem uma freqüência mínima de 85%, individualmente, no “PEA”, e este atingir o total de 144 horas aula anuais executadas no período de 8 meses completo, exceto os profissionais do Centro de Educação Infantil que

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deverão atingir 108 horas relógio e 9 meses completos, ganharão um ponto para a evolução funcional, que implicará, futuramente, na melhoria de salário. Quanto à análise do “Projeto Especial de Ação”, tendo como ponto de partida a implantação em 1997 e a comparação estabelecida entre o período de 2005 a 2008 percebe-se algumas modificações, principalmente, na concepção das modalidades de formação:

Portaria n. 3.826, de 8 de Julho de 1997 orienta:

Art 2º : Configuram-se modalidade de PEA’s , os seguintes Projetos: I- de Formação e Aperfeiçoamento Profissional: ações relacionadas ao processo ensino-aprendizagem: envolvendo Docentes e Equipe Técnica da Escola; II- de Avaliação Diagnóstica: atividades sistematizadas de diagnóstico e acompanhamento, prioritariamente dos Ciclos Iniciais e Intemediários do Ensino Fundamental e não caracterizadas como de reforço, recuperação e reposição de aulas: envolvendo Docentes, Discentes e Equipe Técnica da Escola; III- de Orientação Educacional e Pré- Profissionalização: ações integradas ao Ensino Fundamental e voltadas à orientação: para estudo, familiar e profissional e iniciação e preparo para o trabalho, compreendendo noções de legislação trabalhista, formas alternativas de trabalho: envolvimento Docentes, alunos dos Ciclos Intermediário e Final do Ensino Fundamental Regular e 3º e 4º Ciclos do Ensino Fundamental Supletivo e Equipe Técnica da Escola; IV- de Ações com a Comunidade: ações para o aprimoramento da relação Escola X Comunidade: envolvimento Docentes, Equipe Técnica, membros da Associação de Pais e Mestres, Conselho e Escola, Grêmio de Escola, Grêmio Estudantil e comunidade; V- Culturais e Artísticos: ações voltadas para ampliação do conhecimento e enriquecimento extra-classe: envolvendo Docentes, Equipe Técnica e membros das Instituições Auxiliares da Escola; VI- de Melhoria da Qualidade de Vida e Formação da Cidadania: abrangendo temáticas, tais como: Educação Ambiental, Educação para o Trânsito, Educação para o Consumo, Orientação Sexual, Prevenção ao Uso Indevido de Drogas e outras: desde que respeitados os critérios desta Portaria.

Portaria n. 1.566, de 18 de Março de 2008:

Art 2º : Configuram-se modalidade de PEA’s as ações de formação voltadas para: I- a tematização das práticas desenvolvidas nos diferentes espaços educativos;

articulação dos projetos com o Projeto Pedagógico. “ Orientações Curriculares: Expectativas de Aprendizagens e Orientações Didáticas” e “ Referencial sobre avaliação da aprendizagem de alunos com necessidades educacionais especiais”.a articulação das diferentes atividades e/ou projetos/programas que integram o Projeto Pedagógico. educação para o Trânsito etc. Neste sentido. orientação sexual. IV. dentre outros: Programas “Ler e Escrever.44 II. “ Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil”. Quando o “PEA” foi implantado se tinha como foco ações voltadas para o processo ensino-aprendizagem envolvendo docentes e equipe técnica da escola e avaliação diagnóstica desse processo. quanto às modalidades de formação. Já a Portaria do “PEA” (2008) traz outras preocupações quanto à formação docente. III.prioridade na Escola Municipal”. o foco da formação que permeia o “PEA” têm sido diversificado. Nota-se que. encontra-se um dilema a ser discutido: como será o atendimento das crianças de 6 anos completos ou a completar que deixam a Educação Infantil e vão para o Ensino Fundamental de 9 anos? As unidades escolares infantis.6 Os dilemas do Ensino Fundamental de 9 anos e o Cuidar e Educar na Educação Infantil No contexto da Educação Infantil.a implementação de projetos específicos para superação das defasagens de aprendizagem detectadas na Prova São Paulo e em outras avaliações realizadas pela Unidade Educacional. com o passar dos anos. a implementação dos projetos e programas elaborados pela Secretaria Municipal de Educação e a implementação de projetos específicos para superação das lacunas de aprendizagem apontadas pela Prova São Paulo. pode-se dizer que o “PEA” é uma forma de manter a concepção pedagógica do governo vigente. além do enriquecimento cultural e artístico dos docentes e gestores e melhoria de qualidade de vida e formação da cidadania com temas como drogas. observa-se que o foco da formação docente se modifica de um governo para outro. ações que priorizassem a relação escola e comunidade. observa-se a diferente concepção de formação docente. Ao comparar as duas Portarias. O foco desta Portaria é a tematização das práticas docentes. atualmente. Assim. 2. .a implementação dos Projetos e Programas específicos da Secretaria Municipal de Educação.

como aos adolescentes pertencentes ao ensino fundamental de 8 anos. que estabelece o Plano Nacional de Educação. O Plano Nacional de Educação. historicamente construída. A proposta de implantação na educação básica. por intermédio das Leis Federais. Esse Projeto Pedagógico deve estar pautado numa nova concepção de infância. Todas as implementações devem ocorrer. Nesse momento da implantação surge a grande dificuldade das escolas e dos docentes que irão atender a esses novos ingressantes de 6 anos de idade: como não manter as mesmas características da primeira série do ensino fundamental de matriz organizada em 8 séries? Diante desta dificuldade. é . propôs. trouxe a rede de ensino alguns desafios de implantação: dar acesso e permanência ao ensino fundamental de 9 anos às crianças de seis anos. da capacidade de observar e de vivenciar experiências interativas. oferecer maior oportunidade de aprendizagem. na qual as crianças sejam vistas e atendidas como sujeitos sociais e históricos.114/05 e n. A exigência da ampliação do tempo da escolarização básica foi prevista na Lei n. Por isso. da sensibilidade. 11. no período de escolarização obrigatória. de janeiro de 2001. nas EMEIs e EMEFs. com a inclusão das crianças de seis anos. até 2010. em consonância com a universalização da faixa etária de 07 a 14 anos. ao tratar do ensino fundamental.172. alcançar maior nível de escolaridade e implementação progressiva do ensino fundamental de nove anos.45 que atendem crianças agora de 4 anos a completar tem se organizado para acolher essa nova demanda? As Leis Federais n. o Conselho Municipal de Educação dá o seu parecer: O entendimento da infância como uma categoria social. da ludicidade. implica no tratamento do espaço da escola como parte importante do processo de formação das crianças. ele precisa ser pensado e organizado no sentido de lhes possibilitar o desenvolvimento da alegria. que antes eram atendidas na última etapa da Educação Infantil. assegurar o ingresso das crianças mais cedo no sistema de ensino. 10. o sistema de ensino e as escolas devem se preparar para organizar um novo Projeto Pedagógico que assegure o pleno desenvolvimento e aprendizagem de qualidade tanto aos novos ingressantes. 11.274/06 tornam obrigatória a matrícula. o ensino fundamental de 9 anos. e ampliam a permanência do estudante no ensino fundamental para nove anos. Da mesma forma. a partir de seis anos.

ao currículo. Separam no ser humano. Para avaliar se há uma discussão dos protagonistas de Educação Infantil. conceito este que vem contrapor o caráter hegemônico da escolarização.. flexível. coloco a questão aos professores e gestores. à proposta pedagógica voltada para os mais novos ingressantes. dar banho.46 preciso retomar a discussão em torno do currículo para supervisão de que este seria uma relação de matérias ou conteúdos. (Deliberação CME n. porém sempre mediada pela preocupação com a escolarização.55) . De acordo com a relação do cuidar e educar. que têm ainda um perfil diferenciado dos Centros de Educação Infantil. ( A Rede em rede-fase 1. As particularidades da faixa etária e suas necessidades são conhecidas por todos os protagonistas da educação infantil. acompanhar crianças ao banheiro. observa a preocupação curricular com as crianças de 6 anos. ao mobiliário. que se transforma em vivências e práticas pedagógicas cotidianas. Segundo Kishimoto (2002. na formação continuada. Tais posturas demonstram o caráter hegemônico da escolarização sobrepondo-se às experiências das crianças.) a especificidade da creche/pré-escola não é considerada. cognitivo e afetivo. Nas recomendações. são tarefas educativas. Esta concepção de cuidado e de educação está hoje sendo muito questionada na área. 169): (. quanto ao acolhimento. e não como algo dinâmico.. p. 2007. A articulação da pré-escola com as creches aparece em algumas propostas. orientar momentos de lanche e/ou almoço. antigas concepções são questionadas: Muitos professores na Educação Infantil não acham que trocar fraldas. cultural. os aspectos biológico. p. porém não se pode esquecer das crianças de 3 anos e meio que ingressam nas Escolas Municipais de Educação Infantil. nesta pesquisa. trazendo como conseqüência a antecipação dos conteúdos do ensino fundamental. acomodá-las em momentos de repouso. 03/2006) O Conselho Municipal de Educação propõe recomendações a respeito do período de transição da implantação do ensino fundamental de 9 anos com o objetivo de assegurar o atendimento de qualidade aos novos ingressantes: reorganização pedagógica e readequação curricular de todo o paradigma do ensino fundamental. Há uma nova concepção do educar e cuidar.

físicas. uma atualizada organização do tempo e espaço na Educação Infantil ficará difícil para os novos ingressantes serem bem acolhidos nas Unidades Escolares. nesta passagem. Os profissionais que atuam na modalidade da Educação Infantil passam a ter em suas ações pedagógicas a preocupação tanto com o cuidar como o educar as crianças. Antes da Lei de Diretrizes e Bases 9394/96 a concepção pedagógica da educação infantil era fragmentada. medos. Mendes e Faria. . Lopes. respeitando-se suas necessidades biológicas. como elas brincam. tanto a criança de zero a três anos e meio quanto as de cinco devem ser acolhidas. do Sistema Municipal de Educação. A história nos aponta para mudanças imediatas. p. principalmente. quais seus principais interesses. O conceito cuidar e educar devem ser indissociáveis na modalidade de Educação Infantil. As Escolas de Educação Infantil e Fundamental I devem superar a questão da escolarização. é preciso que os profissionais que as acolhem possam explicitar e afinar suas utopias e desejos educacionais. elaborar uma nova Proposta Pedagógica e levar essas discussões para a formação continuada. o que já pesquisaram. Vale conversar sobre do que gostam as crianças. emocionais e cognitivas. no último ano da Educação Infantil e primeiros anos do Ensino Fundamental I e proporcionar as crianças vivências cada vez mais lúdicas e significativas que ampliem seus repertórios. que conservam a proposta de escolarização. A equipe educacional precisa atentar para o novo marco na Educação Infantil. sem uma nova concepção pedagógica.47 A criança não pode ser dividida entre o biológico e o cognitivo. é fundamental que os profissionais de um segmento e de outro possam dialogar! Precisamos incluir esse diálogo no nosso planejamento. Portanto. A partir da LDB as creches passam a fazer parte da primeira etapa da Educação Básica e no Município de São Paulo. pois. prazeres e resistências. as creches que atendiam crianças de 0 a 3 anos tinham a função exclusiva de cuidar não existia neste segmento educacional a preocupação com o conceito de educar. 41) mencionam que planejar o diálogo entre os dois segmentos é fundamental: Enfim. A fim de garantirmos experiências significativas para as crianças. (2006. ou seja. localizada principalmente na última etapa da Educação Infantil.

valorize o conhecimentos construídos. foi a proposta de reuniões conjuntas: Estas reuniões permitem ainda que os educadores do ensino fundamental expressem suas expectativas em relação ao desenvolvimento das crianças na educação infantil assim como esclareçam dúvidas a respeito do processo de aprendizagem de determinadas crianças. 2008. na formação continuada docente. A pesquisa realizada numa Escola Municipal de Educação Infantil revela as expectativas dos professores da infância em propor a articulação com os professores do ensino fundamental através do portfólio de cada aluno: Assim. a troca de conhecimento. EMEI e EMEF. segundo os registros nos livros de atas. pois materializam uma documentação viva deste processo. (Ramires. 2008. momentos para que ocorra o diálogo entre os segmentos. de anseios dos professores e as crianças acolhidas nesses segmentos são beneficiadas através da articulação entre as unidades escolares. ao receberem os portfólios das crianças. p. ao propor esta articulação. de dúvidas. Neste contexto. é que os educadores do ensino fundamental. a escola pode se organizar. 253) Além disso. outra ação traçada pela unidade escolar para articulação dos dois segmentos. contribuem tanto as informações fornecidas pelas professores de educação infantil quanto os portfólios. a educação infantil passa a ser de fato reconhecida e apreciada enquanto etapa relevante para o desenvolvimento integral das crianças. (Ramires. Este é mais um desafio para as nossas escolas.48 Nesse sentido. Para tal. p. a expectativa das professoras desta EMEI. discutir e planejar. conheçam sua individualidade. . considere o percurso de cada uma na educação infantil – com seus avanços e dificuldades – e elaborem propostas educativas apoiadas no crescimento real e potencial de cada indivíduo de maneira adequada a sua reais condições. 253) O diálogo entre os dois segmentos são possíveis e possibilita à aproximação.

52) . Nesse contexto. analisadas a partir da significação que estes dão aos seus atos. A metodologia utilizada na pesquisa foi as abordagens quantitativa (técnica de questionário). procura-se provocar reflexão e problematização da prática docente para um aperfeiçoamento pedagógico e. O pesquisador descreve. qualitativas: fundamentam-se em dados coligidos nas interações interpessoais. na co-participação das situações dos informantes. na modalidade Educação Infantil. Lidar com uma nova concepção pedagógica em detrimento de uma concepção tradicional enraizada de muitos anos na prática docente é algo desafiador a este protagonista de formação. procurando verificar sua influência sobre outras variáveis. a pesquisa pretende verificar em que medida as teorias estudas e discutidas por meio do “Projeto Especial de Ação” e do “Programa A Rede em rede” contribuíram para o aprimoramento da prática dos professores. abordagem qualitativa (técnica de entrevista semi-estruturada e análise dos documentos da escola pesquisada e pesquisa de campo. Durante a Formação direcionada ao Coordenador Pedagógico pelo “Programa A Rede em rede”. Entende-se por abordagem quantitativa e qualitativa: quantitativas: prevêem a mensuração de variáveis preestabelecidas. um atendimento de qualidade às nossas crianças. O protagonista nesse “Projeto” e “Programa” é o Coordenador Pedagógico que é o formador direto dos professores de Educação Infantil e conta com o apoio do Diretor da Escola. 2006. O pesquisador participa. Nesse processo. p. explica e prediz. assim. (Chizzotti. mediante a análise da freqüência de incidências e de correlações estatísticas. nota-se um investimento da Secretaria Municipal de Educação e da Equipe de Formadores nas escolhas dos conteúdos de formação e no planejamento de estratégias formativas. compreende e interpreta.49 3 METODOGIA DA PESQUISA O “Projeto Especial de Ação” e o “Programa A Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil” vem propor atualização da prática pedagógica e nova concepção pedagógica para a Rede Municipal de Educação de São Paulo.

Segui um roteiro que continha certa ordem lógica dos assuntos. Segundo Laville e Dionne (1999. . Anexei uma folha. parcialmente estruturadas e semi-estruturadas. exata com objetivo de evitar ambigüidade.. não-estruturadas. permitindo que elas se aprofundem no assunto gradativamente. No primeiro momento da pesquisa. usual. Entende-se por entrevista. correções. pois se constitui como uma “série de perguntas abertas feitas oralmente em uma ordem prevista.. dúvida ou incompreensão. Evitei saltos bruscos entre as questões. No segundo momento da pesquisa. p.50 Segundo Moroz e Gianfaldoni (2006. Esta técnica permite a captação imediata e corrente.) uma forma de diálogo assimétrico. Após a aplicação da técnica de questionário. p. mas na qual o pesquisador tem a possibilidade de acrescentar questões de esclarecimento” (p. (. As entrevistas semi-estruturadas foram gravadas na Unidade Escolar de acordo com a flexibilidade de horário de cada professor e as respostas. esclarecimentos e adaptações da informação desejada. Outra técnica a ser utilizada na pesquisa foi a entrevista semi-estruturada. posteriormente transcritas. em que uma das partes busca coletar dados e a outra se apresenta como fonte de informação.) a técnica em que o investigador se apresenta frente ao investigado e lhe formula perguntas. explicando a natureza da pesquisa. sua importância e a necessidade de que o sujeito respondesse de forma adequada às questões. Em seguida. localizada na Zona Leste de São Paulo. 188). apliquei o segundo questionário contendo 7 questões dissertativas aos gestores da Escola Municipal de Educação Infantil. 78) a técnica de questionário é: “um instrumento de coleta de dados com questões a serem respondidas por escrito sem a intervenção direta do pesquisador”. 117): (. utilizei a técnica de entrevista semi-estruturada. Usei vocabulário com uma linguagem simples.. com o objetivo de obtenção dos dados que interessam à investigação. coletei dados por meio da técnica de questionário. 188) há quatro tipos de entrevistas: estruturadas. p.. tabulei as respostas das questões e analisei os dados obtidos. que continha 13 questões alternativas e 3 questões dissertativas direcionadas aos professores que seriam respondidas por escrito sem a intervenção direta do pesquisador. de acordo com Gil (1999.

nos horários coletivos.51 Outra técnica a ser utilizada na pesquisa foi a análise documental da Escola Municipal de Educação Infantil. . localizada na Zona Leste de São Paulo. realizei a análise documental. selecionei 3 deles e apliquei a técnica de entrevista semi-estruturada de acordo com 3 categorias: o professor que realizou totalmente a formação continuada. na unidade escolar. a quem apliquei a técnica do questionário. no terceiro momento. seja afastado ou recente”. devido ao número considerável dos participantes da pesquisa e à importância da participação de todos os protagonistas da unidade escolar. Os documentos que consultei foram os livros de registros das discussões realizadas nas reuniões coletivas de formação de professores. contei com um total de 21 professores de educação infantil. De acordo com Moroz e Gianfaldoni (2006. Para a realização de minha pesquisa. mais precisamente na região de São Mateus. A aplicação da técnica de entrevista foi escolhida devido à possibilidade que ela oferece de aprofundar o assunto abordado e de lidar com a heterogeneidade do grupo. O questionário e o roteiro de entrevista foram testados a voluntários e depois aplicados ao público alvo. o professor que realizou a formação continuada parcialmente e o professor que não realizou a formação continuada. Justifico a utilização da técnica de questionário. Nesse sentido. 79): “determinados registros têm como característica o fato de servirem como documento de situações que ocorreram no passado. desse grupo de professores. com o objetivo de complementar as informações obtidas na técnica de questionário e entrevista. vale reportar que essa técnica é fonte estável e rica de informações sobre determinado contexto. A utilização da técnica de análise documental me forneceu informações complementares. p. durante os quatros anos investigados pela pesquisa. Além disso.

Destes questionários.Docentes O pesquisador aplicou 21 questionários a todos os professores da Escola Municipal de Educação Infantil pesquisada. . sexo e formação acadêmica Os entrevistados variam na faixa etária entre 29 a 44 anos.52 4 ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DOS DADOS COLETADOS 4. ingresso recente no cargo de professor.1 Instrumento de pesquisa quantitativa: Questionário .Identificação do pesquisado: idade. Os outros cinco questionários não foram respondidos por motivos de licença médica. Veja a tabela: Tabela 1: Apresentação da idade dos entrevistados Idade  29 anos 30 anos 34 anos 37 anos 38 anos 39 anos 40 anos 43 anos 44 anos Idade não declarada Total Fonte: dados do autor Nº  2 3 1 1 2 1 1 1 1 3 16 Há importância de conhecer o perfil dos profissionais pesquisados para melhor compreender as ações pedagógicas. Questão . O grupo de professores pesquisados inclui-se na faixa etária. 16 foram respondidos pelos docentes desta unidade escolar. demonstrando que são professores com escolhas profissionais definidas e não profissionais indecisos no que ser ou fazer em termos profissionais. entre 29 a 44 anos. na Prefeitura Municipal de São Paulo e outros por motivos particulares. na Zona Leste de São Paulo.

Desde a origem das Escolas Normais. caracterizando situações que reproduzem o cotidiano. 05 declaram possuir curso de Pós-graduação latu sensu. 125) a questão da atuação do sexo feminino na modalidade da Educação Infantil é uma questão social. o trabalho doméstico de cuidados e socialização infantil. As tarefas não são remuneradas e têm aspecto afetivo e de obrigação moral. . p. sendo destes. paradigma cultural que predomina até hoje nas Instituições de Educação Infantil. 15 docentes possuem o ensino superior. 13 professores possuem o curso de Pedagogia. 01 professor com Pedagogia e licenciatura em Letras e 01 professor com licenciatura em Letras e apenas 01 docente tem o magistério em nível médio. afetiva e cultural: As atividades do magistério infantil estão associadas ao papel sexual. Dos pesquisados. foi se traçando o perfil das educadoras da infância.53 Outro dado interessante na pesquisa é que grande parte dos entrevistados são do sexo feminino. Em relação ao nível de escolaridade. reprodutivo. Observe o gráfico: Sexo Feminino Masculino Não Declararam Figura 1: Apresentação do sexo do grupo pesquisado Fonte: dados do autor Segundo Kramer (2002. desempenhado tradicionalmente pelas mulheres.

as dificuldades em obter o ensino superior foram superadas pelos docentes e os avanços para o curso de pós-graduação fazem parte da formação profissional dos professores. os profissionais que atuavam com crianças de 4 a 6 anos possuíam melhor formação: nível médio (65. Neste sentido. in Situação da educação básica no Brasil. mas ainda havia leigos com apenas ensino fundamental (16. profissionais de Educação Infantil adquirindo uma formação específica. Destacam-se. possuem o ensino superior completo e estão caminhando para a pós-graduação. localizada na região leste de São Paulo.na área de atuação. na pesquisa. Na unidade escolar pesquisada. .5%).7%) e superior (18. Kishimoto (2002) relata com base nas fontes: MEC/INEP/SEEC. que em 1996. uma vez que se concorda que o Curso Normal Superior ou o Curso de Pedagogia são abrangentes e não possuem um currículo específico para a demanda de profissionais de Educação Infantil. 2%).54 Nível de Escolaridade Ensino Médio Ensino Superior Pós-Graduação Figura 2: Nível de Escolaridade dos pesquisados Fonte: dados do autor De acordo com os dados. Isso mostra o grande avanço da educação rumo a uma educação de qualidade.latu sensu. nota-se que grande parte dos professores da citada Escola Municipal de Educação Infantil.

Questão 1. ou as maiores. que atendam as crianças pequenas. de creches. p. 04 professores atuam no magistério. dos centros infantis. o que se acredita como uma das causas de lacunas na formação inicial do professor. a maior parte dos professores pesquisados se encontra na metade da carreira profissional. suas práticas e formas de gestão e supervisão. 08 exercem a docência no período de 10 a 15 anos e 01 docente possui mais experientes com tempo de magistério entre 20 a 25 anos.Tempo de Magistério Quanto ao tempo de magistério.55 Segundo Kishimoto (2002. dedica-se a uma formação geral do pedagogo em detrimento da especificidade da formação para crianças pequenas. 03 no período de 15 a 20 anos. Segue a tabela: Tabela 2: Apresentação de Tempo de Magistério Tempo de Magistério 0 a 5 anos 5 a 10 anos 10 a 15 anos 15 a 20 anos 20 a 25 anos Total Fonte: dados do autor Nº 0 4 8 3 1 16 De acordo com a pesquisa. Nos Cursos de Formação de Professores. a pósgraduação contribuirá para a diminuição de lacunas de formação. 184): As Pedagogias da Educação Infantil deveriam tratar de concepções sobre criança e educação infantil. Acredita-se que o perfil do profissional nesta etapa já traz consistência . causando impactos significativos na prática pedagógica. Portanto. por um período de 5 a 10 anos. comparando-os com o profissional que encerra a carreira aos 25 anos de magistério.

nos anos de 2002 e 2006. a profissionalidade na educação de infância baseia-se em uma gama de conhecimentos e competências profissionais que têm impacto em uma gama similar de necessidades das crianças. ele elabora cinco estágios de desenvolvimento profissional: noviços. A investigação está presente neste grupo. prático informado. segundo Vander Ven (1988). o acréscimo de competência e maturidade permite-lhes resolver.56 pedagógica em termos de concepções. Os práticos complexos são aqueles que acumularam alguma longevidade na carreira e envolvem-se com questões sociais e/ou administrativas. Nessa perspectiva. das famílias e dos sistemas societários. Baseado nestes estágios e na característica do grupo pesquisado quanto ao tempo de carreira. de modo mais preciso preocupações relacionadas com a qualidade. quando há uma busca de aperfeiçoamento profissional nos cursos de latu sensu. na investigação. Veja tabela: . Questão 2. Além disso. prático principiante. são profissionais que fizeram um investimento forte na carreira. o suficiente para levá-los a completar um programa formal de preparação educacional.Ingresso no cargo de professor de Educação Infantil no Município de São Paulo Os professores ingressaram na Rede Municipal de São Paulo. além de sala de aula e. tem-se que a maioria dos profissionais encontra-se no nível prático informado com característica do prático complexo. prático complexo e prático influente. Os práticos informados. em outras funções. por fim. de 1988 a 2006. tendo um pico de ingressos. formação acadêmica e cargos que atuam. experiência diferente dos profissionais iniciantes que estão a descobrir a prática da profissão ou daqueles que estão no final da carreira profissional. Segundo Vander Ven (1988).

o tempo de magistério e o tempo de carreira na Prefeitura Municipal de São Paulo dos entrevistados. no exercício do papel de formador. Há presença de concepções. 2008. na PMSP. os professores ingressaram na Prefeitura Municipal de São Paulo com experiência profissional anterior. acadêmica e profissional. O Coordenador Pedagógico. ou seja. Ela é construída no processo histórico-cultural. p. em 2006. sendo o último ingresso dos profissionais da Educação. cultural e social ( inclusive econômica) das diferenças. hábitos e costumes de outras redes públicas e privadas na formação profissional e prática pedagógica dos docentes. Entende-se como diversidade: A diversidade pode ser entendida como a construção histórica. O cálculo foi feito a partir do ano de ingresso (1988) até o ano base 2008. deve considerar a diversidade de conhecimento adquirido pelos docentes.” ( Conferência Nacional da Educação Básica. Assim. nota-se que os professores possuem mais de 5 anos na carreira do magistério e só 2 anos no cargo docente na Prefeitura Municipal de São Paulo. durante toda a experiência escolar. Ano 1988 1994 1996 1997 1999 2000 2002 2003 2005 2006 Total Fonte: dados do autor Nº 1 1 1 2 1 2 3 1 1 3 16 Tempo de carreira na PMSP 20 anos 14 anos 12 anos 11 anos 9 anos 8 anos 6 anos 5 anos 3 anos 2 anos Comparando-se a Tabela 2 e 3. alguns docentes possuem no mínimo 3 anos de experiência em outras instituições escolares públicas ou privadas. portanto. 32) . na adaptação do homem e da mulher ao meio social e no contexto das relações de poder.57 Tabela 3: Ano de ingresso e Tempo na Prefeitura Municipal de São Paulo (PMSP).

cada docente traz uma diversidade de conhecimento adquirido ao longo da vida. portanto.660 de 26 de Dezembro de 2007. 08 docentes exercem outro cargo educacional. Questão 3: Acúmulo de cargo na Prefeitura Municipal de São Paulo ou em outro órgão estadual ou particular Quanto ao acúmulo de cargo.Estatuto dos Profissionais da Educação Municipal: . Assim. o Coordenador Pedagógico. conforme a Lei n.58 Neste sentido. que trabalham dois turnos nas Escolas Municipais de Educação Infantil. anualmente. 14. no atendimento de crianças de 3 anos e meio a 5 anos. sendo 07 ocupam outro cargo de professor e 01 de coordenador pedagógico. precisa considerar a heterogeneidade do grupo e partir do conhecimento já adquirido pelo professor para um conhecimento mais aprimorado. Segue o gráfico: Acúmulo de Cargo Acúmulo de Cargo Não Acúmulo de Cargo Figura 3: Acúmulo de Cargo Fonte: dados do autor Esses dados revelam a realidade dos professores do Município de São Paulo. precisa ser reconhecido como tal. nas formações. Cada professor opta pela jornada de trabalho. Essa diversidade mostra que o grupo é heterogêneo e.

também.Jornada Básica do Docente: 25 ( vinte e cinco) horas aulas e 5 (cinco) horas atividades semanais. III. O professor poderá ampliar a jornada de trabalho. antes ou depois da regência de classe para o cumprimento das horas atividades ou horas adicionais. nota-se a diferença de realidades: Com 25 horas de trabalho semanal. (Kishimoto. quando o Professor estiver submetido à Jornada Básica do Docente. Em Portugal. 170) O professor do Município de São Paulo trabalha muito mais horas na sala de aula em regência e sem nenhum auxiliar para ajudá-lo nas tarefas do cotidiano. correspondendo a 180 (cento e oitenta) horas aula mensais. docentes de pré-escolas trabalham em tempo integral (8 horas diárias) e contam com a colaboração de auxiliares que dividem as tarefas do dia-a-dia. a formação continuada de todos os docentes. atendendo aproximadamente 70 crianças por dia.Jornada Especial de Trabalho Excedente e Jornada Especial de Horas Aulas Excedentes: a) até o limite de 110 ( cento e dez) horas aula mensais. no Brasil. p. 8 horas em sala de aula com as crianças. com as crianças. Destaca-se.59 Art 15. destinadas à formação continuada dos professores. há o restante de horas da Jornada de Trabalho a serem cumpridas. Comparando os professores brasileiros com os professores da cidade de Braga em Portugal. conforme o inciso IV desta mesma Lei: IV. o professor. nota-se que é garantida. no estatuto da carreira. 2002. correspondendo a 240 ( duzentas e quarenta) horas aula mensais. Além dessas horas. b) até o limite de 170 (cento e setenta) horas aula mensais. tanto na Jornada Básica do Docente (JBD) como na Jornada Especial de Integral do Docente (JEIF). ao optar pela Jornada Básica de . o número de horas. no mínimo. quando o Professor estiver submetido à Jornada Especial Integral de Formação.Jornada Especial Integral de Formação: 25 (vinte e cinco) horas aula e 15 (quinze) horas adicionais. Pensar no docente que trabalha dois turnos no cargo de professor é observar que esse professor trabalha. As Jornadas Básicas e Especiais de Trabalho do Docente correspondem: II. para a formação continuada. e mais 15.

o professor trabalha muito mais horas com os alunos e menos horas são destinadas à formação continuada. após duas jornadas que contemplam 8 horas de regência. e 03 nunca participaram dele. Questão 4. o que pode prejudicar a qualidade do ensino. 07 tiveram a participação integral no período de 2005 a 2008. Esses dados vêm comprovar a dificuldade dos professores em. nos horários coletivos. não terá horas destinadas à formação continuada.60 Trabalho.PEA Fonte: dados do autor O acúmulo de cargo é a justificativa dos professores que não realizaram a formação continuada.do Estatuto dos Profissionais da Educação Municipal. o professor que solicitar a ampliação de sua Jornada de Trabalho.Participação dos docentes no Projeto Especial de Ação Quanto à participação dos docentes no “Projeto Especial de Ação”. 5 e 6. 06 participaram parcialmente do “Projeto”. somente as horas atividades. além de trabalhar 8 horas diárias em regência. nos anos de 2005 a 2008. a opção de participação é facultativa. na Jornada de Trabalho. na Rede Municipal de São Paulo. conforme o inciso IV. No Brasil. ao se pensar na importância da formação continuada na carreira do professor e. E só terá a formação continuada. exceto o professor que opta pela JEIF. 13 professores participaram do “PEA”. Desses 13 professores. na sua produção na formação continuada. ter a ampliação . Observa-se o gráfico: Projeto Especial de Ação Participação Total Participação Parcial Não Participação Figura 4: Projeto Especial de Ação. pois.

semanalmente. Observase o gráfico: Avaliação do Projeto Especial de Ação Excelente Bom Regular Não Avaliaram Figura 5: Avaliação do Projeto Especial de Ação Fonte: dados do autor Por meio desses dados o “Projeto Especial de Ação” é bem avaliado por mais da metade dos professores pesquisados. 04 avaliaram como regular e 02 não avaliaram o “Projeto Especial de Ação”. R2: “Acredito que o PEA precisa ter mais prática sempre com teoria”. A ausência dos professores na formação continuada traz dificuldades para o desenvolvimento do trabalho coletivo da Unidade Educacional.61 da Jornada de Trabalho para a realização da formação continuada. Questão 7 e 15a. Os pesquisados relataram o que mudariam no “PEA”: R1: “Deveria ter curso específico de acordo com o interesse e necessidade dos professores”. porém precisa de algumas alterações.Avaliação do Projeto Especial de Ação Os docentes avaliaram o “PEA” da seguinte forma: 10 consideram o “Projeto” como bom. .

ter palestras. De acordo com a natureza do “Projeto Especial de Ação”. teatro) e incluir também maior número de horas destinadas à troca de experiências”. R5: “Ser mais flexível se precisar haver mudanças no projeto. R4: “Que a bibliografia fosse menos extensa e contemplasse os conteúdos do Rede em Rede”. por toda equipe escolar e comunidade local. Segundo a Portaria n. encontros com outras Unidades Escolares e formação com pessoas especializadas de fora. anualmente. 3 responderam que não participaram da formação continuada. porém mais atualizadas. Do restante dos entrevistados. onde o professor pudesse fazer uma co-seleção com as atividades em sala de aula”. semanalmente. R8: “Que fossem menos referências bibliográficas. R10: “No PEA poderíamos incluir visitas a espaços culturais (museus. R11: “Conteúdo”.. observa-se que ele tem por finalidade atender as necessidades pedagógicas da unidade escolar e ser construído. definindo as ações a serem desencadeadas. as responsabilidades na sua execução e avaliação.62 R3: “É preciso investir no estudo de autores atuais aproximando a nossa prática com a pedagogia atual”.566 de 18 de Março de 2008 resolve: Art 1º Os Projetos Especiais de Ação – PEAs são instrumentos de trabalho elaborados pelas Unidades Educacionais. . cursos de acordo com o tema (fora da escola) em outros espaços e palestras”. visando ao aprimoramento das práticas educativas e conseqüentemente a melhoria da qualidade de ensino (. 2 não responderam a questão. que expressam as prioridades estabelecidas no Projeto Pedagógico.. ter curso.” R6: “Que haja mais formações. R7: “Eu gostaria de ter um PEA com atividades com envolvimento dos Pais”.). R9: “Deveria ter cursos específicos de acordo com o interesse e a necessidade do professor e da Unidade Escolar”. voltadas essencialmente às necessidades de desenvolvimento dos educandos. 1.

Questão 8. Há necessidade de compreender que o projeto precisa ter um planejamento nas etapas de elaboração. ou algumas. propor uma série orgânica de ações para diminuir esta dinâmica e para contribuir mais para o resultado final estabelecido. p. p. 14): Em geral. verificou-se que o “PEA” não atende. desprestigia-se o planejamento que tem a difícil função de organizar a ação sem ferir a liberdade e a riqueza dos participantes de um grupo. plenamente. avaliar – revisar sempre cada um desses momentos e cada uma das ações. . bem como cada um dos documentos derivados. 22) planejar é: elaborar – decidir que tipo de sociedade e de homem se quer e que tipo de ação educacional é necessária para isso. observa-se por meio dos relatos dos professores ao avaliarem o “Projeto Especial de Ação” que o projeto é estático e não dinâmico.Conhecimento dos professores do Programa a Rede em rede Quanto ao “Programa A Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil”. 02 não conhecem e 01 conhece sem profundidade. O planejamento precisa ser visto como processo educativo com o envolvimento de toda comunidade educativa. o aprimoramento das práticas educativas fica comprometido. apontando a direção para todo um grupo. se tiver consciência crítica. Em qualquer destes casos. se tiver consciência ingênua ou mítica. Neste sentido. Gandin (1991. as necessidades da sala de aula. Como resultado. execução e avaliação. executar – agir em conformidade com o que foi proposto. verificar a que distância se está deste tipo de ação e até que ponto se está contribuindo para o resultado final que se pretende.63 Observa-se. que o “Projeto Especial de Ação” precisa de alguns ajustes no processo de planejamento: elaboração. temos uma pessoa. portanto. Assim. O projeto não pode ser planejado por poucos e tendo uma porção de executores. nos relatos dos professores pesquisados. pode ser levado pela força ou pelo engodo. uma porção. os “planejadores” são poucos e os “executores”. 13 conhecem o programa. execução e avaliação. não aceita tal situação e que. Segundo Gandin (1991.

Questão 9 e 15b: Avaliação do Programa a Rede em rede Os docentes avaliaram o “Programa” da seguinte forma: 08 consideram o “Programa” bom.64 Programa A Rede em Rede na Educação Infantil Conhece Não Conhece Figura 6: Programa de Formação Continuada Fonte: dados do autor Segundo os dados da pesquisa. 04 docentes avaliaram como regular e 04 não avaliaram o “Programa A Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil”. a maior parte dos professores conhece o “Programa”. refletir. tornou-se evidente que não basta adquirir os documentos e conteúdos do “Programa” para conhecê-lo. Não teve nenhuma avaliação excelente. Veja-se o gráfico: . problematizar para fazer parte do cotidiano educativo. é necessários ler. No ano de 2006 e 2007. porém há um número de docentes que declaram não conhecê-lo ou não conhecê-lo com profundidade. discutir. Portanto. todos os professores receberam os documentos do “Programa A Rede em rede”.

R2: “Preciso conhecê-lo melhor para avaliá-lo adequadamente”. Virou um telefone sem fio. R4: “Que o Rede em Rede se estendesse aos professores em nível de formação". os demais se dividem entre regular e os que não avaliaram. . o “Programa”. em muito dos casos. positivamente. Ainda sobre a avaliação. os profissionais da Educação Infantil relatam: R1: “Colocaria o professor para participar.65 Avaliação do Programa Excelente Bom Regular Não Avaliado Figura 7: Avaliação do Programa de Formação Continuada Fonte: dados do autor A metade dos professores pesquisados avaliaram. R7: “Eu mudaria a formação que é voltada somente ao Coordenador Pedagógico. os professores deveriam ter esta e outros tipos de formação”. R6: “Que fosse aberto aos professores e não só. só com a participação do Coordenador Pedagógico”. R5: “ Todos participarem. R8: “Que tivesse um programa voltado diretamente para os professores”. não chega a informação e a formação até o professor”. porque. ao grupo gestor". R3: “Acredito que os professores precisam participar das mesmas formações que os coordenadores pedagógicos participam”.

R13: Não respondeu. com o único formador. No relato dos profissionais de Educação Infantil. De acordo com relato de Nogueira (2005. no processo de formação continuada do “Programa A Rede em rede”. O “Programa A Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil” é . R11: “Não respondeu”. de modo que gostaria. R10: “Não tenho conhecimento sobre o projeto. cada um do seu lugar.. R14: “Gostaria de conhecer melhor para poder opinar”. R16: Não respondeu.) Se é outra a concepção que se quer . então sugiro que seja direcionado diretamente aos professores”. se envolvam em processos. 09 solicitaram que o “Programa” fosse realizado diretamente aos professores ou professores e coordenadores pedagógicos. é preciso que essa mudança vá sendo construída nos diferentes espaços e que as pessoas. os coordenadores pedagógicos também precisam. se a mudança deve ser a este ponto. por parte dos docentes. R12: “Sinto a necessidade de ter uma programação Rede em Rede que fosse aplicado para a formação direta do professor em horário de trabalho”. p. os diretores também precisam. nota-se o reconhecimento dos gestores. sujeitos das mudanças e das resistências. R15: “Que o programa proporcione formação para o professor com DOT-P e não apenas para o Coordenador Pedagógico”.66 R9: “ Deveria ter a participação dos professores”. Dos pesquisados.. Há necessidade da formação continuada em todos os níveis hierárquicos do sistema educacional. os supervisores também precisam(. 221): Colocando de outra forma: se os professores precisam da formação continuada para garantir a aprendizagem dos alunos. cada um de acordo com aquela que é a sua tarefa nesta grande processo que é garantir a educação das crianças.

Essa ação reforça a importância da articulação da equipe gestora no processo de mudanças de prática pedagógicas rumo ao ensino de qualidade. p. Segundo Oliveira (2005. pesquisar alternativas de ação. informação e teoria não são dispensáveis. Isso envolve problematizar sua prática.Assuntos significativos do Programa A Rede em rede e sugestões de outros assuntos Os assuntos mais significativos do “Programa A Rede em rede” pelos professores foram tempo e espaço. A inclusão do trio gestor na formação continuada trouxe um avanço significativo para educação infantil. mesmo na formação continuada. no relato dos professores. ou na forma de assessorias pontuais (. a utilizar instrumentos metodológicos para a reconstrução e construção de novos conhecimentos e práticas pedagógicas. as múltiplas linguagens da Educação Infantil. práticas pedagógicas e orientação didática e expectativa de aprendizagem. que a formação do “Programa A Rede em rede” não chegou aos professores em nível de uma formação plena. a interação é essencial no processo de formação. . Observa-se.67 pioneiro em incluir em sua formatação a trio gestor no processo da formação continuada. pelo contrário o estudo. 225). os professores devem ser estimulados a articular os vários conceitos trabalhados em sua formação anterior ou atual com sua prática profissional cotidiana. a linguagem do brincar e acolhimento.. a formação continuada dever ser: Em programas de formação continuada. voltada para informar. a formação continuada precisa ir além da informação. p. a exposição teórica são essenciais.) A meu ver. teórica. Todos os envolvidos no processo de formação continuada precisam estimular os professores a pesquisar. organizada na forma de cursos. essas práticas de formação são insuficientes. sistematizar suas reflexões em várias formas de registro e reconstruir conhecimentos historicamente elaborados.. também. mas para que se garanta uma formação que faça avançar a aprendizagem dos alunos. é uma concepção pautada na idéia de formação conceitual. Questão 10. na Prefeitura Municipal de São Paulo. 221) relata: O mais comum. A respeito da formação Continuada Nogueira (2005. Assim. Os temas sugeridos pelos entrevistados para serem trabalhos no “Programa” foram inclusão.

Observe-se a tabela: Tabela 4: Freqüência do Registro Registro Diariamente Semanalmente Mensalmente Bimestralmente Semestralmente Total Fonte: dados do autor Nº 2 8 3 0 3 16 Segundo o Documento A Rede em rede. aquilo a que damos um significado. etc. p. . em função dos nossos conhecimentos anteriores. No entanto. dos interesses. a freqüência do registro dos docentes ao desenvolvimento dos alunos. Questão 11. posto que só registramos aquilo que podemos reconhecer. como fazer uso dos tempos e espaços para melhorar o atendimento das crianças. a memória não nos é suficiente. 40). jogos de raciocínio lógico. 03 mensalmente. que estamos acostumados a enxergar.fase 1 (2007. 08 semanalmente e 02 diariamente. 03 docentes realizam o registro semestralmente.Registros pedagógicos Quanto às questões pedagógicas. O “Programa A Rede em rede” foi o pioneiro em pensar na qualificação da equipe gestora da Unidade Educacional e trouxe uma nova concepção pedagógica para a modalidade Educação Infantil. só nos lembramos de fato daquelas que já ficaram registradas na memória.68 atualização e socialização da prática. a observação e o registro são instrumentos metodológicos para uma prática pedagógica autônoma e responsável: A primeira forma de registro de pontos observados é a própria memória: da infinidade de cenas que observamos diariamente. a nossa história de vida.

Questão 12.fase 1 uma das ferramentas básicas para a reflexão docente é: . Veja o gráfico: Reflexão da Prática Docente Diariamente Semalmente Mensalmente Outros Figura 8: Freqüência que se reflete a prática docente Fonte: dados do autor A análise e reflexão da prática pedagógica diária permitem ao professor problematizar suas ações pedagógicas.Reflexão da prática pedagógica Em relação à reflexão sobre a prática pedagógica. o que empobrecerá o trabalho. a análise e reflexão da prática pedagógica. Muitos profissionais ainda estão registrando tardiamente suas observações. o que prejudica a qualidade do registro. enriquecendo o seu fazer docente.69 Portanto. A freqüência dessa reflexão sobre a prática pedagógica. é necessário que não se passe muito tempo para sua realização. 15 professores relatam que possuem o hábito de refletir sobre a prática docente e 01 não respondeu a questão. Segundo o documento. De acordo com o documento A Rede em rede. para que os profissionais da Educação Infantil não permaneçam apenas no registro de memória. 01 mensalmente e 01 relatou que sempre que necessário. o registro deve ser feito de preferência simultaneamente à observação. repensar e planejar o próximo passo da ação. 04 semanalmente. relatada pelos profissionais da Educação Infantil foi a seguinte: 10 refletem diariamente sobre a prática docente.

alguns professores relatam que mesclam as concepções pedagógicas.pluralismo de idéias e de concepções pedagógicas”. p. É uma das ferramentas básicas do próprio processo de reflexão. a observação e o registro são instrumentos importantes para realizar uma análise de uma situação. 2007. p. A maioria é sócio-construtivista e a minoria. no item “Outros”. 2007. construtivista. não houve nenhuma declaração em relação à concepção tradicional. registros qualitativos.70 Um bom registro daquilo que observamos nos possibilita fazer uma boa análise de um determinado caso. (DOT P-EI.O ensino será ministrado com base nos seguintes princípios. de pensar sobre as muitas impressões e sugestões e de tomar consciência de suas dimensões. 01 não respondeu a questão e 4 mesclam as concepções pedagógicas. em relação aos Princípios e Fins da Educação Nacional declara: “Art 3º. ou seja. com preconceitos. Veja a tabela: Tabela 5: Concepções Pedagógicas Concepção Pedagógica Tradicional Construtivismo Sócio-Construtivismo Outros Não respondeu Total Fonte: dados do autor Nº 0 1 10 4 1 16 Na pesquisa. III. 45) De acordo com o documento.Concepção Pedagógica A concepção pedagógica que fundamenta a prática docente declarada pelos pesquisados foram: 10 professores se consideram sócio-construtivista. combinando a concepção tradicional com a concepção construtivista e sócio-construtivista. Questão 13. (DOT P-EI. trabalha-se freqüentemente com ouvir dizer. com informações muito incompletas. Sem ele. . de analisar o ocorrido. Segundo a LDB 9394/96. ações significativas. 01 construtivista. 40) Uma análise de caso é uma estratégia de formação que requer do leitor o exercício da capacidade de problematizar.

R7: “A importância das brincadeiras. é assegurada por Lei. Fora da escola. porque trouxe temas importantes que têm sempre novos conhecimentos sobre assuntos já trabalhados”. R4: “Que o cuidar e educar é uma ação indissociável na educação infantil. como princípio. organização dos tempos e espaços. R2: “O que considero mais significativo foi a troca de experiências com os colegas e leituras. R3: “Sim.71 Portanto. . . melhoria na questão dos registros e avaliação”. literatura na Educação Infantil. etc. a diversidade de Concepções Pedagógicas na Educação Nacional. Muito do que faço me foi passado nos PEAs”. R10: “Basicamente refletir sobre a prática e avaliar os resultados das ações para planejar os próximos passos da ação educativa”. durante os últimos quatros anos. R8: “Como fazem apenas 3 anos que estou com educação infantil. Teoria-reflexão-prática-reflexão” R6: “O que realmente ficou mais evidente foi a reflexão constante sobre minha prática”.”. pois há pouco tempo em casa para fazer leituras técnicas. na unidade escolar. R9: “Repensar a prática”. R12: “Sim. pois me sinto defasada”. dedico-me a leituras literárias”. os docentes relataram que. aprenderam assuntos significativos para sua prática pedagógica como: R1: “Repensando a prática embora não concordo com alguns assuntos”. mas gostaria de estar me atualizando mais. R11: “Prática docente aliando à teoria”. R5: “ Sim. Questão 14: Formação Continuada Docente Quanto à Formação Continuada.

o eixo estudado no “PEA” foi As Múltiplas Linguagens na Educação Infantil com ênfase em Artes. . no caso o “PEA”. de acordo com os registros da unidade escolar pesquisada. a formação continuada dos professores.72 R13: “Todas as leituras e discussão tiveram reflexo na prática”. Observa-se dificuldade da implantação do “Programa” nas unidades escolares. na questão do refletir sobre a prática docente. uma vez ao mês.E”. CRECHES E EMEIS da Cidade de São Paulo. as unidades escolares foram orientadas pelos respectivos Supervisores a dividir o horário coletivo em dois módulos: 3 horas/aulas eram destinadas ao eixo temático do “PEA” e 2 horas/aulas eram destinados ao estudo do “Programa”. Nos relatos dos profissionais de Educação Infantil. teve vários eixos de estudos. foi implantado. o “Programa A Rede em rede” estava sendo elaborado pela equipe da Diretoria de Orientação Técnica Pedagógica (DOT-P). R15: “Não participei”. No ano de 2006. o “Projeto Especial de Ação”. observa-se que os momentos de formação continuada contribuíram. sobre o tema as Múltiplas Linguagens na Educação Infantil para os professores. Dentro dessas horas/aulas coletivas. Nesse momento. Neste momento. Durante os anos de 2005 a 2008. nas unidades escolares do Município de São Paulo. portanto não era estudado no horário coletivo. os Coordenadores Pedagógicos eram orientados pela equipe de DOT-EI a apresentar os documentos Tempo e Espaço para a infância e suas Linguagens no CEIS. em conseqüência. No ano de 2005. em horário coletivo. pois o tempo de estudo coletivo ficou restrito devido os dois temas abordados na formação continuada. R16: Não respondeu a questão. R14: “Não tive formação continuada na U. houve a necessidade de priorizar um estudo. principalmente. o “Programa A Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil”. volume I e Manual de Brincadeiras volume II e trazer a prática das oficinas vivenciadas pelos Coordenadores Pedagógicos. Neste ano. teve como eixo para estudo a Leitura de Mundo Alfabetização e letramento.

avaliação dos docentes quanto à participação na Formação Continuada Em relação à auto-avaliação dos profissionais de Educação Infantil com relação a formação continuada. o “PEA” precisa ter um tema específico e próximo da prática docente. Veja o gráfico: .73 o “Programa A Rede em rede” e os documentos foram pouco abordados na formação continuada. Há uma dicotomia entre momentos de estudo do “PEA” e momentos de estudo do “Programa”. junto à equipe escolar. o que facilitou o aprofundamento do tema e a aproximação do “ Programa” aos professores. Já no ano de 2008. Diante desta dificuldade. preferencialmente no “Projeto Especial de Ação”. Então. o “PEA” teve como eixo: A Linguagem do Brincar. no primeiro ano da implantação. Questão 16: Auto. De acordo com os pesquisados. das necessidades da unidade em relação às múltiplas linguagens da Educação Infantil e selecionar uma linguagem para ser estudada no próximo ano letivo. 01 excelente. A formação continuada deve romper os muros da escola. o que dificulta o aprofundamento do estudo. o tema escolhido para o “PEA” foi As Múltiplas Linguagens na Educação Infantil. no ano de 2007. 11 docentes declaram que sua participação foi boa.Acolhimento e o estudo do documento Orientações Curriculares: Expectativas de Aprendizagens e Orientações Didáticas.EI a fazer um diagnóstico. os Coordenadores Pedagógicos foram orientados por DOT. com vivências culturais e troca de experiência com outras unidades escolares. 01 regular e 03 não avaliaram.

Segue as questões e as repostas da equipe gestora: I. Quais são os desafios cotidianos que você tem enfrentado em relação à formação continuada dos professores? R1: “Ainda a questão do registro”.2 Instrumento de pesquisa quantitativa: Questionário-Gestores Quanto à participação da equipe gestora. A participação do Coordenador Pedagógico e do Diretor de Escola na pesquisa é muito significativa. pois os gestores são os condutores do “Projeto Especial de Ação” e do “Programa A Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil”. foi aplicado um questionário contendo 7 questões dissertativas. 4. na unidade escolar. R2: “Avançar na relação teoria e prática. A formação deve ser cada vez mais para dar encaminhamentos educacionais a partir de diagnósticos do cotidiano.74 Auto-avaliação na Formação Continuada Excelente Bom Regular Não Avaliaram Figura 9: Auto-avaliação dos docentes Fonte: dados do autor O grupo avaliou a participação na formação continuada de forma positiva. Isso demonstra o apoio e a satisfação em participar dos horários coletivos da formação docente. .

isto percebe-se com todos os funcionários da U. o estudo crítico das teorias que ajudam a compreender as práticas. o que significa um desafio para os gestores. 2002. organizadas. ( A Rede em rede. para registrar as observações da prática pedagógica. os gestores precisam elaborar estratégia para que ocorra a reflexão teoria x prática para o desenvolvimento profissional dos docentes. Entende-se por registro. mudanças com novas estratégias. Nota-se a dificuldade do Coordenador Pedagógico em instrumentalizar-se do registro. 43) (. 129) De acordo com a pesquisa e as referências citadas. 2007.E. criando estratégias de ação. Ele é uma das estratégicas do Coordenador Pedagógico para formular boas perguntas e transformar problemas em soluções. mais atentas. por muitas vezes encontrar resistência no grupo de professores e dificuldades dos docentes de encontrar momentos. terá acesso às concepções. Essas informações serão úteis ao Coordenador Pedagógico que poderá partir deste ponto para conduzir o professor ao avanço da prática pedagógica. p.75 Nesta questão.. quando utilizado para a reflexão da prática docente. segundo contrato prévio entre o autor e seu parceiro. fundamental na busca de estratégias que a ajudem a desestabilizar suas crenças e hipóteses. os gestores apontam para duas dificuldades encontradas no cotidiano. quando lido com seriedade e respeito. Porém.. no cotidiano.) os que atuam com crianças precisam assumir a reflexão sobre a prática. pode se tornar um recurso importante que permite o acesso ao pensamento do professor. fazendo-o avançar além do que já sabe. isso. o docente precisa perceber a importância do registro para o desenvolvimento profissional. Quanto à relação teoria e prática. além de trazer o pensar íntimo e individual do professor. conclui-se que o registro é um instrumento metodológico importantíssimo. dificuldades e angústias do professor. II. O registro é uma boa estratégia para se alcançar esse objetivo. ao ler o registro. rechaçando receitas ou manuais. no âmbito da formação continuada: o registro e a relação da teoria com a prática. teoria e prática: O diário como forma de reflexão. R1: “Muito bom. O Coordenador Pedagógico. p. . Como você tem percebido a presença da formação continuada (conteúdo) na prática dos docentes? Comente.” R2: “Os conteúdos e reflexões têm sido condizentes com os problemas educacionais do cotidiano escolar”. ( Kramer.

que é. a participação na escolha da bibliografia não é suficiente para que o “Projeto” tenha resultados positivos. relate as dificuldades.. nos horários coletivos. com o “Projeto Especial de Ação” e o “Programa A Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil? Caso positivo. sujeito coletivo: (. Pode-se conquistar esse comprometimento por meio do sujeito coletivo. não necessariamente sob a mesma determinação geográfica. O grupo procura viver em comum-unidade. p.94 ). Você tem sentido dificuldade em lidar. e os assuntos. O Gestor 2 fala sobre as diferentes concepções e práticas pedagógicas dos docentes.) é um grupo de pessoas que possui uma identidade comum. pois os participantes escolhem a bibliografia. Segundo Silva (2006. III. Segundo Gandin (1991. Portanto. ou seja. terem sido citadas anteriormente as dificuldades em relação à reflexão da teoria com a prática docente.. às vezes. p. o juízo comum sobre a realidade. extensão de suas próprias pessoas. o que causa conflitos na unidade escolar e o que faz parte do processo de formação profissional. por assim dizer. R1: “A bibliografia do PEA é escolhida pelos participantes. principalmente. um juízo comum sobre a realidade e reconhece-se participante do mesmo “nós-ético”. O Gestor 1 relata que não há dificuldade em relação ao “PEA”. ambos os gestores percebem resultados significativos da formação continuada na prática pedagógica. . R2: “Pois as possíveis dificuldades fazem parte do processo de formação onde as diferentes concepções e práticas educacionais se interelacionam. percebe-se fazendo parte de uma mesma realidade comportamental. tratados no Programa: A Rede em Rede tem vindo ao encontro das necessidades dos grupos”. conflituosamente”.76 Apesar de nesta questão. 19): “a elaboração é apenas um dos aspectos do processo e que há necessidade da existência do aspecto execução e do aspecto avaliação”. Esses conflitos podem ser mediados por meio do comprometimento de todos os participantes no processo educacional. O que o unifica é.

Tem contribuído bastante para a qualidade do ensino na Educação Infantil”. pesquisa e trocas de experiências profissionais. Segundo o Portal da Prefeitura Municipal da Educação o objetivo do “Programa A Rede em rede”: O Programa "A Rede em rede: formação continuada na Educação Infantil" . Momentos ricos que devemos aproveitar o máximo para trocas. estudos e pesquisa”. IV. V. Como você avalia o Programa de Formação Continuada: “A Rede em rede”.busca apoiar a tarefa dos trios gestores na elaboração e implementação de projetos locais de formação continuada de professores em todas as unidades educacionais dos CEIs. pois é um espaço importante para confrontar os problemas educacionais do cotidiano com os textos teóricos possibilitando a interação teoria e prática. contribuindo para a qualidade do ensino”. A criança é o foco principal do trabalho pedagógico. EMEIs e EMEEs da Rede Municipal de Ensino. R2: “Positivo.Portaria 938/06 – SME . como você avalia o “Projeto Especial de Ação”? R1: “ De qualidade. o Programa tem alcançado os objetivos propostos para a Educação Infantil. no Município de São Paulo? R1: “O programa tem contribuído bastante para atuação da equipe gestora”. Os Gestores 1 e 2 avaliaram positivamente o “Projeto Especial de Ação” como espaço coletivo de estudos. R2: “Ótimo. Neste sentido. os participantes do processo educacional precisam se comprometer com os objetivos e metas comuns da unidade escolar. . independente das concepções pedagógicas. Nesses últimos quatro anos. portanto toda decisão tomada no coletivo deve estar voltada para o melhor atendimento a criança.77 De acordo com o conceito de sujeito coletivo.

49) . Para a equipe de DOT. O Gestor 2 afirma que há dificuldade. Acredita-se que. como você. enquanto gestor. A redução do número de crianças por classe. O Gestor 1 relata que não observa dificuldade dos professores em lidar com a teoria do “PEA” e do “Programa” por esses conterem conteúdo compatível ao cotidiano da Educação Infantil. mas já estamos assimilando a nova realidade. na prática docente: R1: “Não. a atenção e o atendimento delas terá melhor qualidade. tem pensado no acolhimento das crianças de 4 anos a completar no cotidiano da EMEI? R1: “No início foi difícil. nessa faixa etária irá contribuir bastante para o desenvolvimento do trabalho pedagógico”. 2007. R2: “Neste ano de 2009. Você tem percebido dificuldades dos professores em lidar com a teoria do “PEA” e “Programa A Rede em rede”. há divergência dos gestores quanto as dificuldades dos professores em lidar com a questão da teoria e prática docente. foi um complicador. R2: “As dificuldades são inerentes ao próprio processo. Portanto. (A Rede em rede-fase 1. fazem parte do crescimento profissional. mas temos discutido sobre o assunto. porém que ela faz parte do processo educacional e. Em relação ao Ensino Fundamental de 9 anos. Temos que repensar a forma de melhor acolher esses alunos”. Ele ressalta a contribuição da diminuição de crianças na sala de aula para o acolhimento das turmas de menos de quatro anos de idade. p. são dificuldades que trabalhadas levam ao aprimoramento profissional e educacional”. com a diminuição do número de crianças nas turmas menores de quatro anos. pois os assuntos são pertinentes”.EI.78 VI. O Gestor 2 comenta sobre as dificuldades ocorridas no ano de 2009 e a superação delas. é responsabilidade da Unidade Escolar: Cada U. O Gestor 1 relata que há uma discussão na unidade escolar a respeito do acolhimento das crianças de quatro anos a completar. potencialmente capaz de partilhar com as crianças parte importante da nossa herança cultural. se bem trabalhadas. VII.E desenha para a infância um cotidiano que considera culturalmente relevante.

tem que se atualizar dentro da nossa área da educação. Então. porque eu acredito assim. O Foco principal da entrevista são os temas do “PEA” e do “Programa A Rede em rede” na prática docente. através de uma pós. nos momentos coletivos de estudo. as idéias da gestão e também as práticas e o estudo que a gente tem que estar fazendo. com o coordenador. Então ele tem a prática. que nós professores. um grupo junto estudando. num espaço cheio de gostos. carinho. dos seus problemas. trabalhando dentro da escola.graduação. Então. 4. há dez anos atrás. Eu sempre procuro assim. perguntas sobre os temas dos “Projetos Especiais de Ação” e o “Programa A Rede em Rede: a Formação Continuada na Educação Infantil”. os dados obtidos e a análise dos dados: a) O que você entende por Formação Continuada? Professora 1: Formação que todos os dias nós estamos com os nossos colegas. no período de 2005 a 2008. no meu caso. com o grupo de estudo. amor. Pelo menos três. pra mim isso é educação continuada. estar lendo. de um contexto novo. tendo como roteiro. Professora 2: O que eu entendo por formação continuada é aquele estudo que o professor tem depois da sua formação. sabores. Essa formação continuada pode se dar na escola. Segue o roteiro de perguntas. analisa e discute os dados obtidos na entrevista semi-estrutural. da minha formação mesmo. dedicação é incluí-las no mundo mágico da Educação Infantil. sentimentos. da sua graduação ou outro tipo de formação e convém com a sua prática. Uma criança que cada vez mais com a tecnologia. e através da sua prática. de uma sociedade diferente daquela que talvez nós estudamos. Pensar o acolhimento das crianças tão pequenas. através de leituras que o professor faz em casa. parcial ou. As três professoras foram selecionadas por meio dos critérios de participação integral. como fora da escola também através de cursos. uma criança que vem de uma época. Ressalta-se que a entrevista foi transcrita e mantida na dissertação na linguagem coloquial da Língua Portuguesa. o professor também . quatro vezes por semana estar um grupo fechado. vai procurar teorias que o auxiliem nessa formação continuada. Assim. pela não participação. nós nunca deveremos deixar de estudar. Eu. gestos. Porque assim. eu tento sempre procurar.3 Instrumento de pesquisa qualitativa: entrevista semi-estrutural Neste momento. das dificuldades que ele vai tendo no dia a dia ele vai estudar. ela vai mudando. nós sempre recebemos uma criança nova.79 A unidade escolar tem o compromisso de transformar o cotidiano das crianças em um espaço de aprendizagem e desenvolvimento. cheiros.

Geralmente são três dias na semana. b) Quais são os momentos em que ocorrem a Formação Continuada na Unidade Escolar? Professora 1: Bem. Assim. Segundo Cerisara.. Então. a pesquisa comprova a importância da formação continuada. E é importante esse momento. pra estar sempre se atualizando e acompanhando essas mudanças. isso acontece no PEA. É o momento onde nós nos reunimos. deixa eu ver como eu posso dizer. E sempre refletindo. essa formação continuada pra gente acompanhar essas mudanças. formação continuada. 218) (. os livros são caros. Professora 2: Como eu já tinha falado né. E depois da reflexão.80 tem que vir buscar essa mudança. o quanto o momento reservado para discussão. Na quarta-feira nós pegamos para a prática. na quinta a gente replanejava. a comunidade muda. de acordo com os livros que tem aqui na escola. que convém com a minha prática. a gente pegava a quarta pra fazer a prática da sala de aula. as famílias mudam. O PEA é uma formação continuada. do texto que a gente tinha lido e da prática na quarta. melhorando nossa prática. essa formação continuada dentro da escola já se dá no . quatro dias na semana. né. nas Unidades Escolares. Ai foi muito interessante ter o PEA aqui na escola porque nós dividimos da seguinte maneira: na terça-feira a gente pega pra estudo. As crianças mudam. Rocha e Filho (2002. Professora 3: Bom.) para trabalhar com crianças pequenas em creches e pré-escolas os professores precisam de um espaço de troca. cada professor escolhe o seu horário e aí a gente forma um grupo. As professoras relatam a importância da relação teoria e prática na formação continuada e valorizam o estudo em grupo. essa busca. né. na medida do possível. E também no PEA. nós mudamos. As professoras 2 e 3 percebem as mudanças da sociedade. p. Elas ressaltam que a formação continuada tem contribuído para esta atualização. né.. de interlocução com seus pares na busca de um trabalho que avance em relação a uma proposta educacional-pedagógica de qualidade. reflexão da prática docente e troca de experiência tem sido valorizado pelos professores. três. do horário da gente. ele tem que vir buscar esse estudo. É o professor estar sempre em busca de novos conhecimentos porque tudo muda. Nós nos reunimos e estudamos. é como uma reciclagem. que a prefeitura vai trazendo livros para a escola eu vou olhando os livros e vou pegando aqueles que eu acho interessante. com a necessidade das minhas crianças e aí eu vou lendo em casa. Através do estudo que a gente tinha estudado na terça-feira. das famílias e das crianças e a necessidade de atualizar a prática docente. Porque infelizmente nós não temos assim condição de ter acesso a livros. Então eu procuro. vai da gente. Portanto. né.

Então. Assim. Professora 3: Olha. a formação ocorre em diferentes espaços e tempos: (I) Formação prévia no ensino médio ou superior em que circulam conhecimentos básicos relativos à língua. a criança que se expressa. que imagina. 117) De acordo com os relatos. a minha concepção de criança é que é um ser em . porém reconhece os horários coletivos de estudo e sua importância. que o grupo que está nessa formação. Professora 2: Criança. da Professora 2 o reconhecimento em outros momentos de formação continuada que a unidade escolar oferece como a reunião pedagógica por contemplar todos os professores. né. creches e pré-escola que garanta estudo. partidos. (IV) formação cultural que pode favorecer experiência com a arte em geral. nota-se o reconhecimento da Professora 1 do momento destinado para o estudo no horário coletivo.. em que se fortalece cada unidade e fica assegurado o estudo individual e coletivo para compreender a realidade mais ampla e o que acontece no dia-a-dia. É um desabafo também. até mesmo assim. matemática(. da sua prática.. horário de estudo conjunto. fala o que pensa. 2002.. a gente reflete.) (II) formação no movimento social. deveria até ter mais encontros desse tipo. é muito interessante por isso. que é reconhecida pelos professores. estar desabafando. que se corrige. a criança que constrói. eu nunca participei. que eles têm oportunidade de discutir alguns assuntos. a escola promove diferentes espaços e tempos para formação continuada.] é tudo de bom. Nós. eles têm mais momentos ali que eles estão juntos. ela absorve tudo.) ( Formação de profissionais de educação infantil: questões e tensões.) (III) formação em cada escola.. Ela é igual uma esponjinha. seres humanos. Eu acredito que aconteça isso nesse momento. sindicatos (. falando do seu trabalho.. com cada um de nós. A escola é o espaço de referência quando se fala em formação continuada pelos docentes. leitura. eu percebo assim. então você tem contato com outros professores. algumas dificuldades encontradas. Então. na verdade. eu acredito que seja assim. Porque nas reuniões pedagógicas é o momento que a gente pára. c) Qual é a sua concepção de criança e infância? Professora 1: A criança que brinca.. Sendo assim. eles têm mais oportunidade de troca. somos seres em aprendizagem e a criança [. a literatura (. fóruns.. a criança que chora. de outros turnos que você não tem no PEA. p. com as crianças. pelo que eles falam. A Professora 3 não realiza a formação continuada na escola. Eles têm essa oportunidade de ta trocando experiência. Segundo Kramer.. debate.81 PEA e nas reuniões pedagógicas também.. a criança que nós fomos um dia e crescemos e hoje somos adultos. é praticamente a escola inteira. associações.. Porque nas reuniões pedagógicas é um número maior. com cada criança.

até os seis anos. eles viajam. São seres assim. Você vê que tudo isso. o desenho. ele reclama ou fala que sente saudade. ainda ta naquela fase gostosa. Segundo a equipe DOT-EI. se conhecer melhor. por exemplo.[. muito importante. Além disso. formar sua identidade. conhecer a rotina. A criança é um ser ativo que brinca. por parceiros mais experientes como.. que tudo é de bom pra eles. manifestando-se por diferentes linguagens. Professora 3: Ah. 11) Portanto.. a socializar. Os professores pesquisados notam essas características desses pequenos aprendizes. E a gente sabe [. curioso. é muito gostoso. é muito bonito falar em criança. gostando. é muito importante esse momento da criança – a infância. que imagina. as crianças. é assim. absorvem tudo.] Por isso que eu escolhi educação infantil. eles gostam.. acredita-se que o professor precisa além de perceber a criança como um ser ativo precisa. que expressa os sentimentos e que constrói a história. a música.. Eu acho muito importante [. a se formar. A gente percebe que eles gostam de vir pra escola. formado pelos costumes. relações humanas e por técnicas. é história.. 2006. direta ou indiretamente.. as mães sempre comentam: ah dia que não tem aula. principalmente essa idade que a gente trabalha. a conhecer a escola. eles gostam de tudo que acontece aqui. perceber-se como o mediador da aprendizagem dos alunos para facilitar o ensino-aprendizagem dessa criança ativa que convive no nosso cotidiano escolar. que aprende e ensina. se eles não gostam. ressaltam a identificação que possuem com a faixa etária e a satisfação em trabalhar na Educação Infantil. que cria. Eles falam o que eles fazem aqui. . Então. mediadas.. a dividir. já falam que não gostam. a se conhecer. muito bom poder ter essa oportunidade de trabalhar com essa fase. eu acho maravilhosa essa fase. linguagens. essa idade. porque eu viajo junto com as crianças no mundo da fantasia. ficando felizes. é idade de formação de personalidade mesmo. ( Tempos e espaços para a infância e suas linguagens nos CEIs.] que esse momento da educação infantil é importante.. a gente trabalha muitas linguagens. o professor.82 desenvolvimento.. E assim. o brincar. Essa experiência é essencial para que a criança também possa ser produtora de cultura. Creches e EMEIs da cidade de São Paulo. conhecer os materiais. eu acho assim. Tudo eles absorvem. Então toda proposta que você traz tudo que você vai fazer. as crianças: Em sua relação com este mundo. Então assim. porque [.. valores. Eles são sinceros. Ah.] e muito gostosa essa fase. que gosta de brincar. que lhes assegura uma gradativa apropriação da cultura historicamente constituída. desde cedo tentam apreendê-lo e significá-lo.] é nesse momento que ele aprende a lidar com o outro. também. p. eles curtindo. que se eles gostam. Eles sonham.

isso eu considero o tradicional. [. Então. você acaba ficando usando isso. o que eu vou educar com a minha criança nas relações do dia-a-dia com o colega. Só que. [. você se declara sócio-construtivista. O que você entende por essa concepção? Professora 2: O sócio-construtivista. O que é o sócioconstrutivista? É o educar levando em conta o meio da criança. o viver dela.] coloquei sócio-construtivista porque olhando no geral eu acredito que eu me enquadro melhor nessa concepção sócio-construtivista. deles estarem conversando. de você estar oferecendo material pra ele explorar.. Então. Mesmo porque nós estudamos. vai ter o momento de construir. Ela vai ter o momento dela falar. tem que estar claro na cabeça dele que ele tem. brincando ao mesmo tempo. mas eu também tenho os momentos de ensinar e isso eu não posso deixar de lado. Há uma dificuldade de compreensão da professora sobre a concepção sócioconstrutivista..] Observar-se no relato da professora 1 que as ações pedagógicas desenvolvidas na sala de aula são baseadas na concepção tradicional. Tem professor que trabalha muito bem assim. acredito que ninguém é inteiramente sócio-construtivista. na rua. sinceramente. vivenciando. pode se dizer. ela tem que me ouvir. se não ouvir fica difícil a gente trocar idéias e conseguir educar e ensinar ao mesmo tempo. Ela tem que estar atenta no que eu estou fazendo. Eu não. nós fomos formados numa concepção muito tradicional. uma obrigação de ensinar. Professora 3: Então. mesmo ela tendo relatado que é sócioconstrutivista. com outras pessoas da unidade escolar. eu acredito que sócio-construtivista é o meio. experimentando. ele fala que a criança vai interagir com o meio e conforme o meio ela vai construir a sua aprendizagem. mas por que eu me considero que eu me enquadro mais nessa concepção sócio construtivista? Porque [. Aí assim.. todo mundo tem um pouquinho de tradicional. que tem que ensinar também.. Então.. vamos falar que é Vygotski. Entendeu? Então assim. comigo. o que você entende por concepção tradicional e sócio-construtivista? Professora 1: Tradicional é o professor que ensina. tem que ter uma relação de respeito.. dela se expressar. porque tem que ouvir.. pra ela criar. Eu vou estar educando essa criança. Então. eu acredito muito nessa coisa dela. [. fazendo atividade ao mesmo tempo. Então eu sou tradicional e construtivista por quê? Porque eu sou consciente que eu estou aqui pra ensinar. com aquilo que ela fala o que aconteceu na casa dela.. Então o que eu vou ensinar? E aí eu vou elencar o que é importante pra eu estar ensinando para a minha criança.83 d) De acordo com a resposta do questionário. o pai de tudo isso. de reciprocidade. trabalham muito bem. vai ter o momento de ouvir. pra . É uma coisa por vez. ela vai aprendendo e desenvolvendo a aprendizagem.] Então eu considero tradicional.. Pesquisadora: Em relação ao questionário. por isso que eu falo que eu sou tradicional [.] acredito muito que a criança [. O que o meio oferece pra essa criança pra ela está pegando. conforme esse meio que ela tem à sua disposição... Então. então todo mundo carrega esse lado tradicional. de participar da aula.. Trabalhar muito essa coisa da criatividade.] Eu perco o controle. Então.] constrói o conhecimento dela. da autonomia. pra ela fazer. dela ter autonomia pra fazer.

Então. vou fazer a leitura do dia. Isso é tradicional porque a criança não aprende necessariamente assim.] Segundo a entrevista. Qual é a proposta dela? Ela também tem uma proposta para aquele momento. Creches e EMEIs da cidade de São Paulo. aí é o meu momento. a pesquisa revela que não há incorporação da concepção sócioconstrutivista na prática docente.84 opinar na rotina. ao desconhecido. algumas professoras percebem a concepção tradicional na sua prática docente. Então. pra ir fazer. que eles vão chegando.. ajudar a organizar o espaço que ela vai fazer atividade.] aquela necessidade de trabalhar a letra a. Às vezes você vai com uma proposta e a proposta até muda porque ela está participando. saberes e interesses infantis são pontos de partida para que novos conhecimentos sejam por ela apropriados em situações que lhe despertem o interesse frente ao inexplorado. O primeiro momento é o momento de acolhimento deles. eles trocam brinquedos entre eles. quantas meninas.. um com o outro. apenas alguns ensaios desta concepção pedagógica. E aí eu faço com todos juntos. pra participar.. esse ano eu usei muito o vídeo. [. Por quê? Após esse encontro entre eles. contando as novidades. eu com elas. as conversas. vou escrever na lousa. Então.. a questão da organização do espaço e do ambiente? Professora 1: Esse ano eu trabalho na sala 5 que seria a sala de vídeo. o brinquedo que ela vai brincar. [.. relatam algumas ações que caracterizam uma concepção sócio-construtivista e revelam a falta de maior conhecimento sobre a concepção sócio-construtivista. ( Tempos e espaços para a infância e suas linguagens nos CEIs. a sala está sempre organizada em meia lua. a letra b. [. tem sempre um vídeo de música. eles até sabem. se cumprimentando. quantos meninos. vivência. nós vamos fazer a nossa contagem. p. As experiências. ajudando-a a descobrir o desejo envolvido na investigação. eles vão para o meio da sala e nós fazemos uma roda. o fundamento da concepção sócioconstrutivista: Aprender deve ser uma experiência significativa para a criança e deve também integrar o que ela já conhece com aquilo que é novo para ela. no documento. acredito que me enquadro mais nessa proposta por conta disso. Terminou esse momento. 2006. que ela vai brincar. em relação ao tradicional. Poder ter momentos dela escolher o material que ela vai utilizar. Então. 25-26) Portanto. a letra c. .. e) Como tem sido no cotidiano da sala de aula. A equipe DOT-EI traz. Toda vez que eu vou passar informação para as crianças.] eu acredito muito nessa construção do conhecimento da criança e nós aprendendo o tempo todo. um desenho animado. eles trazem brinquedos de casa. Então essa é minha organização da sala. ela está criando também. não o tempo todo. Aí parou. na maior parte do tempo é isso. aquelas coisas ainda de você trabalhar. eu vou dar um exemplo pra ficar mais concreto: as letras do alfabeto.

2006. ambientar as crianças e os adultos procurando atender suas necessidades e exigências nos momentos programados ou imprevistos. cuidar dos seus materiais.[. elas abrem. em todas as unidades de EMEI papel. topografia. giz. a lousa.] Eu até já trabalhei outra época com cantinho fixo.. nós temos um rádio. p. tem o cantinho que ficam os brinquedos. no começo dava muito trabalho. na sala de aula uma coisa fixa são os brinquedos. nós temos aqui na unidade. eu deixo elas manusear. tinha muita coisa que eles não tinham o costume de fazer. eu tenho muito isso na minha rotina. mas assim. onde ficam os livrinhos. p. De acordo com o documento “Orientações Curriculares: Expectativas de Aprendizagens e Orientações Didáticas”: . eles pegavam os livros e deixavam os livros jogados na sala inteira... eu gosto muito de fazer atividade diversificada. o espaço a gente está sempre mudando. à disposição delas. como principalmente pra depois também organizar tudo no lugar de novo. Até o rádio. a gente organiza naquele momento da atividade diversificada a gente organiza os cantinhos conforme as atividades daquele dia. o espaço é organizado de maneira bem diversificada. Eles ajudam muito na organização dos espaços. mas ele precisa tornar-se um ambiente. guardar as coisas cada uma no seu lugar. com os materiais. Mas assim. todos os dias pra fazer as atividades. E é bem legal. E assim. o armário é delas. na medida do possível. a gente trabalhou muito essa questão de tomar cuidado com o livro de colocar no lugar. no relato das pesquisadas. algumas crianças têm dificuldade para guardar. mas no momento tem assim o da leitura que é fixo. o material que nós temos. canetinha. 2007.85 Professora 2: Olha. eu organizo com eles esses momentos. tesoura. elas abrem o armário. eu geralmente deixo vários tipos de materiais à disposição. (Orientações Curriculares: Expectativas de Aprendizagens e Orientações Didáticas. quando vai fazer um registro. Aí. conforme a atividade a criança pode escolher o material que ela quer. individuais ou coletivos. isto é. insolação. só em alguns momentos em que há necessidade... não vou dizer que não acontece de ter um livro ou outro. que há um planejamento do espaço e do ambiente na unidade escolar. Então. elas fazem do jeito que elas querem. brinquedos. mas também de criação de novos conhecimentos e motivos. Entende-se por espaço e ambiente: (. 33) O espaço físico dessas unidades educacionais não se resume apenas a sua metragem. Mas eu tenho que deixar assim. depois elas guardam. (Tempos e Espaços. a gente tem o cantinho da leitura. mas assim. o espaço e o ambiente. cuidar dos espaços da sala. porque assim. eu não determino o material que vai ser usado.. a gente tem que estar reforçando. então elas costumam brincar.) local de atividades com a função de ser um espaço de vida e de transformação que possa garantir continuidade ao que as crianças já sabem e apreciam. É assim também com os brinquedos. lápis de cor. Professora 3: Então. 34) Nota-se. Que nem. falando. elas pegam o que elas querem: borracha. lápis. cola. elas colocam o CD que nós vamos usar.

estimulante e aconchegante com diversas propostas de vivência e experiência proporciona uma maior interação e aprendizagem entre os protagonistas alunos e professores. então tem que ser tudo meio cronometrado. há necessidade de um ambiente de aceitação. Então é tudo assim bem no horário certinho. p. f) Como você planeja o tempo. A Professora 2 relata a importância do espaço proporcionar a autonomia da criança durante o desenvolvimento das atividades de sala de aula e aponta o armário coletivo como fator que favorece esta autonomia. ativa e participativa durante as atividades propostas. eles vão fazer a troca e já vão ficar mais ou menos uns vinte minutos ali na conversa entre eles. 215) o aspecto afetivo deve estar presente no ambiente de aprendizagem: Quanto ao aspecto afetivo. percorrer os espaços de uma unidade educacional fornece pistas importantes sobre a idéia de infância que os educadores que nele trabalham querem (ou terminam por) assegurar. p. Assim. Vou passar informações.86 A organização dos espaços dos CEIs. no final de . como que eu vou dar aquela atividade. planejado. curiosidade. Então vamos fazer leitura? Bom. a questão do planejamento no momento de acolhimento dos alunos. Segundo Fonseca (2004. bastante. na prática pedagógica. conversar com eles o que aconteceu no dia em casa. no cotidiano da escola? Professora 1: O tempo já é meio complicado. iniciativa e responsabilidade. acredita-se que um espaço organizado. eu divido uma sala com a colega. 33) As professoras 2 e 3 permitem que a criança seja autônoma. por meio do planejamento do espaço e ambiente. não é? Então eu já vejo qual atividade que eu vou dar naquele dia. criatividade. Esse ano eu peguei uma sala rodízio. compreensão e confiança. tem o acolhimento. creches e EMEIs igualmente se apóia no projeto pedagógico da unidade. A Professora 3 traz no planejamento do espaço para o desenvolvimento das atividades a organização de cantinho fixos e não fixos. Assim. que deve nortear as ações das crianças e do professor. A Professora 1 ressalta. o que possibilita maior interação entre os alunos e professores. A criança realiza as atividades com interesse e esforço se for livre para expressar seus sentimentos e emoções e se tiver oportunidade para desenvolver a independência. (2007.

87 semana. das de registro. que faz parte da rotina. A gente conversa sobre os três episódios. eu não tenho tempo cronometrado. mais uns dez minutinhos. faz uma atividade de bola. com a foto bem grandona. Então assim. de acordo com aquela rotina do dia. Professora 2: Eu não costumo cronometrar o tempo porque a gente tem que respeitar o tempo da criança. a gente vai colocando. organizado na escola. Então. mais ou menos. aquilo. a gente chega. quem não veio. E aí. aí eles vão falando. que vai terminar naquele dia. a Professora 1 ressalta o tempo cronológico das atividades devido o arranjo estrutural da sala de aula ( rodízio de sala). tem uma hora que eu deixo lá assim. Entende-se por Tempo: O tempo em uma instituição educativa deve ser vivido de modo a aproveitar as oportunidades de aprender e se desenvolver plenamente. mas nós temos essa rotina. E a atividade ela já vem. também organiza os espaços. Uma atividade mais longa. de acordo com essa rotina. o que é que eu faço? Desde o começo nós fizemos uma rotina com as crianças. Aí a gente vai lá. a gente até às nove horas a gente desenvolve atividade de leitura. e a gente vê quem veio. alguma coisa desse tipo e depois do lanche uma atividade externa ou o faz de conta. de ter experiências diversificadas que não seriam possíveis no ambiente doméstico ou em nenhum outro espaço que não mediado por adultos responsáveis pelas aprendizagens e desenvolvimento de crianças. aconteceu isso. vê quem veio. quantas crianças vieram. a Professora 2 . Então. a gente tem uma linha de tempo que é da escola. conforme essa rotina do dia. os materiais. eu não posso dizer que é uma atividade simples. nas diferentes faixas etárias. Então assim. Amanhã vamos dar continuidade a esses três episódios. 40) De acordo com o conceito de Tempo. desenha na lousa o que vai fazer naquele dia. Como é que eu vou dar atividade naquele dia. em tal episódio. porque não dá. vamos assistir hoje três episódios que fala sobre isso. quem não veio. eles não ficam toda hora perguntando o que é que vai fazer. tem aquelas que são diversificadas. então eles já estão acostumados. eu tenho o costume de todos os dias organizar com eles na lousa. tem outras coisas que tem que manter que até está na linha de tempo. Depois das nove horas a gente vai pra área externa. mais complicada. brinca no parque e brincadeira de faz de conta. isso e isso. aí a gente organiza a sala. escreve. tem as atividades que são fixas. E eu tenho também a minha rotina. dá uma acalmada. são flexíveis. Primeiramente a gente faz uma atividade na sala de aula. p. e a gente dá continuidade. quanto eles gastam pra fazer a atividade. Desde o vídeo do primeiro momento que entra na sala. alguma atividade de recorte e colagem. eles nunca vêem um vídeo inteiro. tem algumas atividades que eles escolhem. que mudam de um dia pro outro. Professora 3: É assim. o que eles vão fazer – jogo lá mais uns quinze minutos. eu já passo na roda pra eles: hoje nós vamos fazer só a pintura e a colagem e amanhã nós vamos dar continuidade. então o nosso lanche é às nove horas. E a mesma coisa é com a atividade. Eu já sei. às vezes. E no dia seguinte eles realmente sabem: Olha professora a senhora parou em tal capítulo. ( Tempo e Espaço. organiza a rotina. Então eles sempre sabem: olha. 2006. que todos seguem. E o que a gente vai fazer hoje? Isso é bom até pra abaixar a ansiedade deles. tem uma plaquinha com o nome deles. A gente tem um cartaz de pregas na escola que fica uma lista móvel. faz uma atividade de teatro. é uma atividade que eu perceba que a criança consegue fazer.

.. O material fica à disposição nossa e das crianças porque o armário é aberto. eles trazem os deles e usa o da escola também.. A criança mesmo vai lá e pega. o que a gente está precisando. A gente costuma trabalhar muito com os brinquedos na sexta-feira. eu acho o desperdício dos brinquedos.. [. Professora 3: Olha.. No armário coletivo tem brinquedos para as crianças. é mais pra ele aprender a usar mesmo. não tão dirigidas. do material. graças a Deus. de ponta cabeça. bichinho de pelúcia. Então eu oriento muito o uso do caderno. Eles usavam muito de trás pra frente. poderia mudar essas coisas. na sala de aula? Professora 1: Olha.] O brinquedo fica num cantinho da sala. Todas as professoras relatam que adotam uma rotina. experiência.. E a gente já teve um momento que o brinquedo.] Aí veio o recesso e teve aquele problema da gripe A.] O único problema é assim. aquelas caixas com os brinquedos. então eles já têm maturidade pra isso. Aí chega no terceiro estágio. . Elas utilizam a sala de aula para atividades de concentração e atividades dirigidas e a área externa atividades mais livres. nos últimos anos a escola vem recebendo verba pra comprar material pedagógico. abria em qualquer página. todas as salas de aula têm o armário coletivo. Aí a gente pediu o estojo para os pais. brinquedos grandes. [. interação e o respeito do ritmo de cada criança nas atividades propostas e a Professora 3 fala sobre a linha de tempo existente na unidade escolar. ela tem acesso a todos os tipos de tecnologia ou em casa. do acolhimento. antes de acabar o rodízio e lá tinha baldes. Se é um determinado dia da semana. Então. Claro. no primeiro semestre. reúne a gente e faz uma lista de prioridades. E a gente ganha esse material. tem assim. Então a criança segue a rotina do professor.. ele já sabe. se puder ser um caderno com linha. Não sei.] Nós vivemos em um mundo onde as crianças têm acesso. g) Como são organizados os materiais pedagógicos.. Aí lá vai eu pegar todo aquele material que estava no coletivo e mais alguns que eu tinha guardado e a gente dividiu tudo e colocou tudo nos estojos.] Professora 2: Os materiais utilizados na UE são materiais oferecidos de acordo com a possibilidade da UE.. um computador. eu sinto muita necessidade de ter informática. ele é colocado numa altura que dá pra ela pegar. a gente já avisa.. já melhora. eles iam.] Teve várias orientações assim pra não estar usando mais nada coletivo durante um bom tempo. o material mesmo giz.. acho que até eles gostam. eu acredito como professora. na sala de aula. o material foi assim. Acho que é importante. E toda vez que chega verba o diretor reúne o conselho.. você não vai dar aquela coisa maçante.. boneca. ou em algum lugar que vá.88 relata o Tempo enquanto momentos de vivência. [. [. lápis de cor – o material pra atividade era coletivo. Há uma heterogeneidade na concepção de Tempo na unidade escolar.] eles tem que aprender a usar o caderno. a necessidade que eu vejo ainda na EMEI é aquela lousa ainda verde. por mais pobre que ela seja. E assim. [. No segundo estágio é mais o caderno de desenho eles tem que aprender a seqüência. era o momento que a gente estava em outra sala. E isso a escola está fazendo bem. só que assim. [. [. de ter materiais tecnológicos na sala de aula. o que um cuida o outro não cuida tão bem. Se o professor trabalha com brinquedo no primeiro momento de aula. pegavam e brincavam.. aplicando bem. como é que usa. ela tem já acesso ao computador.

até mesmo a escolha e a organização dos materiais são objetos de planejamento. brinquedinho de panelinha e tal. Ela fala sobre a estratégia no uso coletivo e no uso individual. que nos últimos quatros anos. na altura das crianças para dar-lhes acesso fácil e autonomia. p. eles pegavam mais os brinquedos. é mais material de encaixe. o número e a variedade dos objetos – brinquedos diversificados e em número suficiente. que fica aberto com os materiais diversificados. A professora 1 ainda comenta sobre o armário coletivo. Essa sala que a gente ta agora não tem tanto brinquedo como a outra tinha.. há professores que trabalham com os brinquedos no momento específico do acolhimento e também professores que escolhem um dia da semana. As Professoras 1 e 3 trazem a preocupação com a duração dos materiais no uso coletivo. o documento Tempos e espaços para a infância e suas linguagens nos CEIs.. ações.. E assim. escolhem. mas apenas os técnicos. A Professora 3 ainda comenta a estratégia que utiliza para trabalhar com os materiais em sala de aula. para envolver as crianças na atividade do brincar. estão fadados ao fracasso”. A Professora 2 se preocupa com a modernização dos materiais em sala de aula. Ela garante autonomia da criança tanto no momento do uso coletivo como individual dos materiais e relata também a importância da diversidade de materiais para realização das atividades e para o brincar. 184) comenta: “Sistemas educativos que adquirem materiais e brinquedos sem consultar o profissional envolvido. aí eles vão lá.] Em relação aos materiais. sexta-feira.89 Então assim. livros.. a preocupação em trabalhar o . Em sua fala nota-se a presença da questão da escolarização. 38) Ainda a respeito dos materiais Kishimoto (2002. p. geralmente. são destinas as unidades escolares para a compra de materiais pedagógicos. (2006. Nota-se que nesta unidade escolar. idéias e invenções. eles ficam livres.a forma com que eles e os materiais se dispõem no ambiente pode auxiliar ou dificultar a autonomia da criança na realização de seus projetos. brincam. nos momentos de brincar. vestimentas.) Assim. A Professora 1 relata a importância da verba. ficavam mais soltos. A autonomia da escola em suprir a sua própria necessidade em relação à compra de materiais pedagógicos traz um avanço para a Rede Municipal de Educação de São Paulo e contribui significativamente para a qualidade da prática docente. (. agora também tem alguns brinquedos novos. Creches e EMEIs da cidade de São Paulo traz algumas orientações para as Unidades Educacionais: O tipo. [.

toda a hora a gente está interagindo. uma criança agredir a outra. eles tentam brincar um pouco juntos.. mas eles brincam.. na hora das conversas.] Eles falam muito o tempo todo. .. E no momento que eu quero a atenção dela. porque não quer vir na escola. a gente vai ver porque ta acontecendo isso. o meu coleguinha não quer dar o brinquedo pra mim. As crianças comigo. e querem comentar. percebe-se que há presença de ações tradicionais como o dia do brinquedo. nós temos uma relação muito boa [.elas não têm medo.] É uma interação que não acaba nunca. ao mesmo tempo ele tem uma relação muito carinhosa comigo. Eu posso dizer que eles quase não se batem.. das rodas de conversa. Por quê? Ao mesmo tempo que eu estou lá ensinando. tem algumas crianças eram bem quietinhas no começo do ano. A gente faz uma roda de conversa. ela me respeita também. permite a autonomia da criança em escolher com quais brinquedos deseja brincar. Então eu sou professora e sou tia também. Entre eles também porque eu peguei esse ano duas turmas muito boas.. De acordo com a citação e as ações dos professores. resolver com diálogo. tinha criança que nem falava no começo do ano. a preocupação com a conservação dos brinquedos no uso coletivo e ações inovadoras como dar acesso e autonomia as crianças no uso dos materiais. mas essa é uma turma boa. a gente vê os combinados. mostrando pra ele o que ele pode fazer. ela chega e conta naturalmente. O que nós vamos fazer? Negocia com ele. a percepção dos professores na importância da diversificação dos materiais pedagógicos e a superação desses docentes em mesmo preocupado com a conservação dos brinquedos colocaram a disposição das crianças os materiais. Aí você assim observa que apesar das crianças se dividirem entre meninos e meninas. das atividades. contam tudo que acontece em casa e querem mostrar tudo. Assim.. h) Como você tem interagido com os alunos e como é a interação entre eles na sala de aula? Professora 1: Olha. bate. o tempo todo. mas quando é o momento de falar ‘Pro’ é ‘Pro’. Então assim. a interação se dá o tempo todo né. conversando: Olha Pro. Professora 3: Ah.]. agora eles estão falando mais. o que ele não pode fazer. Eu procuro sempre falar pra eles que a gente precisa conversar. isso. Se aconteceu alguma coisa na casa dela..] Professora 2: A nossa interação se dá muito pela conversa. se socializaram melhor. Então.. A interação se dá na hora das brincadeiras. Em relação aos brinquedos. E é o momento dela falar ‘tia’. uma turma que está sempre chegando. [. isso é normal. tudo bem.. Aí eu falo: Então vamos lá. Tudo pra poder estar ajudando a nossa interação. Me sinto mãe. você bem essa interação. [. na hora da história. Eles vêem falar que foram passear. Toda criança briga. [.. Quando ela chega e fala: Tia. Elas não têm medo de falar porque tá chorando. é até difícil falar com se dá a interação. Às vezes tem algumas dificuldades que a gente ta vendo que não ta conseguindo se comunicar.] a minha sala teve pouco esse negócio de violência. fizeram muitas amizades. na hora de brincar. um tênis novo.90 caderno. eu e os alunos eu posso dizer que às vezes eu me sinto mãe deles. aquilo. aí a gente conversa. [. um lado fica as meninas e do outro lado os meninos. eles dividem a sala.

que é construído entre ela e as crianças no cotidiano da escola e a questão da mediação dos conflitos que surgem entre os alunos. pegou. É assim que ele fala. mas eu acho que ta faltando alguma coisa. Fala pra ele: Agora nós vamos pintar. completou. Pego as atividades. sempre recapitulando com os alunos os combinados do dia a dia. combinados. que ele tem muito medo de papel. auxiliá-la na desafiante tarefa de fazer e consolidar amizades e parcerias. Ela ensina as crianças a resolver os conflitos por meio da estratégia da negociação. eu registro na própria atividade da criança. explicar-lhes certas proibições. e quando acontece algo que eu acho que é importante. suponhamos. Você não acha que ta faltando? Ele falou: É mesmo. sentado. Aí eu falei: Ah. Por quê? Porque aquela criança. Então eu marco ali o que aconteceu naquele dia que eu achei que foi importante. A Professora 3 relata que em todos os momentos e atividades da escola as crianças participam contando as histórias. Por exemplo.91 A Professora 1 relata a questão do apego.. veio mostrar se tava bonito. Muitas coisas a gente registra aqui na nossa cabeça e no nosso coração. observando. o Jonas. mais ainda. tem o Wilson. Tranqüilo. p. aquilo que eu fiz durante a semana. A Professora 2 utiliza a estratégia do diálogo na interação. Quando há espaço para a participação das crianças nas decisões. Mas pode. eu não quero. eu sempre digo: O Wilson fala com os olhos. ele fica perto. ajudá-las a fazer acordos e lembrá-las desses acordos sempre que necessário. Porque nem tudo é importante. relatando as preferências etc. fala com os olhos. 32) A criança tem uma maior interação com o professor e os colegas quando o ambiente é planejado e organizado para este fim. (2007. E essa semana ele fez a atividade. né. eles estão lá brincando e de repente você vê uma criança conversar com a outra e você acha interessante aquilo que eles estão conversando. Eu não quero. o registro. Quando ele me olha com aquele . Mas acaba a palavra ‘pintar’ ele já fala: Eu não. às vezes não.. negociações se constrói uma saudável interação entre todos os protagonistas. Ele tem muito medo. Voltou. De acordo com o documento “Orientações Curriculares” é importante que: Cada professor pode organizar um ambiente mais produtivo para as crianças interagirem se compreender a movimentação das crianças.]. eu tenho um aluno. Eu pego um dia da semana que eu esteja mais tranqüila. o Wilson ele nunca brincou. Foi lá. e de aprender a resolver os conflitos com os colegas. sem grupo de estudo [. Aí eu anotei: Hoje Jonas conseguiu fazer a atividade sem negar aquilo que ele tava sentindo. Às vezes a gente está lá no parque. i) Como você tem registrado a prática pedagógica? Professora 1: Bom. eu não quero. estabelecer limites e trabalhar com elas regras orientadoras da convivência. aí você marca. porque eu dou atividade pra criança. constantes conversas.

Mas como eles exigem muito da gente. o que aconteceu de importante e marco. às vezes anota alguma coisa no caderno. isso aqui eu preciso fazer um pouco mais. na verdade esse planejamento que fica com ela a gente pega raramente. e a gente não consegue. uso muito o portfólio. registrar na hora. a gente tem o planejamento que é aquele que a gente faz. tem conhecimento do nome. aí assim. recorre a ele. mas muitos casos não é possível ainda. ele ta querendo alguma coisa. a dificuldade é muito grande. Eu tento registrar todos os momentos que se destacou. Assim. que a gente ta trabalhando algum texto.. numa dia que eu esteja mais tranqüila. nossa atenção. já não está mais tão perto. A Professora 3 comenta sobre o registro em forma de planejamento semestral ou anual. de nome. mas eu gostaria de registrar na hora. Professora 2: Olha o registro. uma vez por semana. você ta fugindo da minha cordinha né. para a reflexão. Ela ressalta o uso do portfólio como registro para acompanhar o desenvolvimento dos alunos e repensar a prática pedagógica. aí já estou com o portfólio na mão seja pra uma atividade ou pra outra. de brincadeira. assim. tenho a minha rotina e assim. gosto muito de trabalhar com portfólio. semestral. raramente. atividade livre. que é entregue ao Coordenador Pedagógico. aí fico um período sem. Ele já está se afastando. pra ver como ele está. porém relata a dificuldade de atender as crianças e ao mesmo tempo realizar o registro. O professor assim. onde o professor ele vai. registro de jogos. É uma coisa que fica um pouco distante assim. ele vê o progresso da criança. Mas assim eu vejo como de grande importância. [.92 olhão. pra falar a verdade. E assim. mas já registrei aqui na mente. eu pego essas atividades. pra não se perder. Agora assim. aquele que quer mesmo fazer as coisas. porém tem pouco significado para a prática docente. no caso todo ano. que entrega pra coordenadora. eu uso muito esse portfólio também pra conhecer melhor. de letra. isso a gente registra. grandão. Porque as crianças tem necessidade da gente e a gente tem que registrar. . eu faço algumas anotações no meu caderno. poucas vezes no ano vai lá.. olha o que você já fez. E. ele se esforça muito. eu registro. eu já sei: Ah. E essa semana o Wilson começou a se afastar. depois que termina. o que você ainda não fez: Ah. atividade de número. Aí nesse portfólio tem evolução da escrita do nome. no dia-a-dia mesmo o que é que eu uso? Anotações no meu caderno. Eu estou sempre com o portfólio pra lá e pra cá. dependendo da atividade é mensal. ele volta. Eu falo: Ah. né. tem desenho de história. Só que igual eu falei. Eu sento um por um. E ele já está se afastando. às vezes eu consigo registrar na hora. a Professora 1 realiza o registro do avanço de aprendizagem na própria atividade da criança e os episódios do parque em sua memória e depois resgata-os. Então eu acho que o registro é muito importante sim. na memória. Eu pego algumas atividades de desenho.] Na questão do registro da prática. então eu não consigo. às vezes. Dependendo da atividade é bimestral. A gente pega. olha isso aqui eu coloquei aqui e não fez. Professora 3: Então. já ta indo pra mais longe. Então. Humanamente é impossível. Aí chega no final de semana. Eu posso não estar registrando naquele momento. A Professora 2 ressalta a importância do registro ser realizado no momento do episódio ocorrido. porque ele é a memória viva do professor. Eu fico vários dias com o portfólio. vou ser sincera com você.

tabelas que somam as ocorrências de certos comportamentos etc. inquietações. É importante marcar quantas crianças estão sozinhas. na técnica da observação direta: Ser feito. considerando o olhar de seu autor. e uma das entrevistadas aponta a dificuldade de realizar o registro simultaneamente devido à demanda de atendimento aos alunos durante as atividades. Enfim. falas. (2007. quantas estão próximas e quantas interagem a cada minuto da observação. como se sucede o tempo. há presença do registro na prática docente. pode ser feito por vídeo. . O registro de uma situação. mas ainda há necessidade do planejamento e aprimoramento do tempo e espaço no cotidiano dos docentes para a realização da ação de registrar. eles contam passo a passo o que acontece todos os dias. Escritos pelos próprios professores. simultaneamente à observação e informar os nomes. locais. nota-se que os docentes contam com o registro de memória.93 O documento “A Rede em rede”. Nesse momento não se deve conjecturar sobre seus sentimentos.. por exemplo: fulano fez algo ( usando ou não quais objetos). p. de preferência. para alguém. Pode-se registrar. sentimentos. descrevem fatos. pronto esse tipo de registro. além de escrito. fotos ou áudio-gravação. idades. Descrever com detalhes o que as pessoas observadas fazem: seus movimentos corporais. dúvidas.fase 1 (2007. depois do momento da prática direta com as crianças. ou ainda. situações observadas e objetos disponíveis. As Professoras 1 e 3 relatam que retomam o registro para a reflexão da prática pedagógica e a Professora 2 relata a importância de registrar simultaneamente o fato ocorrido. p. expressões faciais: o que as pessoas falam e para quem falam. na maioria das vezes. 42) De acordo com a prática dos professores e as orientações do documento. relatam iniciativas. ou com alguém. 41) traz orientações sobre o registro para os professores iniciantes. sozinho. Outra orientação do documento citado acima é o registro através do diário de campo: Os diários de campos são narrativas pessoais que promovem reflexões da prática educativa no dia-a-dia do CEI e da EMEI. cabe ao pesquisador transcrever com minúcias objetividade o que foi registrado usando palavras. intervenções e resultados.). os objetos que manipulam e os locais onde se colocam. horários.. intenções (. Como os diários que existem no mundo. De todo modo.

Eu acredito que eu trabalho todas as linguagens. trabalhar com corda. Muita atividade artística: tinta. mas tem época que você acaba deixando um pouquinho de lado. cambalhota. Matemática: tem época que a gente trabalha mais. a refletir porque você não está fazendo aquilo. As Professoras 1 e 2 falam o que geralmente acontece em relação às múltiplas linguagens. por exemplo. você começa a se policiar.. na questão da concepção da criança como ser histórico. A questão de priorizar. na Educação Infantil. Não digo que deixando totalmente. igual. já facilita. estar revendo sua prática porque. às vezes. com gincana. Porque o próprio cotidiano. Então assim. conta os pontos e faz isso com palitinho. cantava. muito importante. eu gosto muito de trabalhar leitura e escrita. trabalho todas elas. eu sei que eu trabalhei leitura e escrita. tem época que você percebe que. leio muito com as crianças. tem época que eu conseguia contar histórias todos os dias. tem época que a gente cantava. você acaba. O que ta acontecendo todos os dias. a linguagem que se tem mais afinidade em detrimento das outras linguagens. Se pensar na importância da freqüência das linguagens. E se a organização do ambiente já ti força a planejar e trabalhar um determinado dia da semana no horário aquela linguagem.94 j) Em relação às linguagens. trabalhando mais uma do que a outra. as outras linguagens. mas trabalha uma vez ou outra. numa determinada época do ano. só que tem época que eu acabo priorizando mais uma do que outra. Mas fora da sala de aula eu ainda tenho dificuldade de trabalhar. isso eu acho que ainda ficou a desejar. Até que o projeto esse ano da minha mostra cultural é o diário de leitura. Então. quando se tem esta postura na prática pedagógica. Por isso é importante o registro. porque o que acontece? A linguagem que você tem mais afinidade. é mais a organização do espaço pra você estar trabalhando as linguagens. acontece. agora? É que tem época também que a gente deixa de lado. tesoura. colocava som. as brincadeiras dirigidas? Nisso eu sei que eu falhei. Agora. já não é uma coisa que acontece todos os dias. as linguagens é assim. A gente tem que tomar muito cuidado. você acaba trabalhando mais e deixando outras. trabalhar tipo. muito. trabalha boliche. isso não acontece todos os dias. eu acho importante trabalhar todas elas. Professora 3: Olha. Trabalhar com pneu. Música. você sente dificuldade em trabalhar as Múltiplas Linguagens na Educação Infantil? Professora 1: Então. dançava. O ideal seria todas serem priorizadas sempre. o dia-a-dia da escola faz com que você deixe algumas linguagens. Então. mas e o raciocínio lógico-matemático? E o brincar da criança. todos os dias. eu adoro trabalhar leitura com as crianças. no cotidiano da escola. cola. por exemplo. Sabe? Porque assim.. Então. eu trabalhei muito estória. só que tem um momento que a gente acaba priorizando mais uma do que a outra. Professora 2: O que eu tenho sentindo mais dificuldade ainda é os movimentos. por um motivo ou outro. eu tenho que pegar um tema que eu vejo que há necessidade e aí eu tenho que trabalhar todas as linguagens. conclui-se o empobrecimento no trabalho das diversas linguagens na Educação Infantil. No momento. uma coisa que deveria acontecer todos os dias. Um exemplo. nas linguagens contextualizadas e na questão da seqüência didática. A Professora 1 ressalta que a .

que cria. Esse Rede em Rede tem que ser também para o professor e o professor junto com o grupo gestor.) cabe ao professor alimentar nas crianças novos desejos. Por que eu não posso acolher minha criança cantando no pátio. encontra-se algumas orientações a respeito das Múltiplas Linguagens na Educação Infantil: Antes de ser uma necessidade individual. mas não percebo assim de cara. de significativas aprendizagens. Então. que imagina. eu percebo quando existe a troca. (. 56) Neste sentido. o Rede em Rede virou um telefone sem fio. como é que eu faço? Ah. podemos dizer que falar. sons. na maneira que eu tô recebendo ela. por força da própria cultura. necessidades e interesse pelo conhecimento. desde o nascimento. na Educação Infantil em prol da criança que brinca. mas. cada um passa o que entende. [. O que entende do brincar. É muito lenta essa formação. das relações e das memórias das crianças. ah isso não deu certo. algo que aconteceu na minha sala de aula que eu não consegui resolver ou que eu tive uma determinada atitude e achei que não foi boa. essa maneira de passar que é duvidosa. Então eu trago um fato. da curiosidade por conhecer-se e conhecer o mundo. l) Você percebe a teoria do “Projeto Especial de Ação” e do “Programa Rede em rede: a formação continuada” na sua prática docente? De que forma? Professora 1: Eu percebo quando existem momentos de troca de experiência. dançando? Tem que ser na sala de aula porque falaram que tem que ser na sala de aula. Dentro dos estudos eu acho que é lento. contextualizadas.95 organização do ambiente em prol das linguagens facilita o trabalhar com outras linguagens de menor afinidade e a Professora 3 utiliza o registro para ajudá-la a se policiar em relação a priorizar uma determinada linguagem.. que fala. eu fiz dessa forma. o que entende de acolhimento. Então. Por isso. dos afetos. aí eu percebo. Porque os colegas vão dando experiências e a gente vai aplicando aquilo. Isso já aconteceu mais ou menos com uma turma minha. que conta. (. é amplamente marcado por imagens. reconhecimento que o mundo no qual estão inseridas. ouvir e contar histórias são modos muito especiais de cuidar da imaginação. A Professora 2 relata a dificuldade em trabalhar com atividades de movimento corporal. falas e escritas. Aí eu percebo.. o que entende de determinada linguagem. acredita-se na importância dos docentes em superar a questão da priorização das linguagens. nas relações que permeiam a vida das crianças. pra que os dois possam fazer uma reflexão do que está . que lê. que dança.) é importante não tomar as linguagens de modo isolado ou disciplinar. portanto. da inteligência. sim. Olha isso deu certo. (2006. a apropriação da linguagem é uma necessidade criada no coletivo. Como eu disse pra você. ler. a serviço das interações.. faz assim. da criação e da expressão infantis.... p. Pode até ser que aconteça. que não resolveu e o grupo me auxilia.] O acolhimento pode acontecer desde o primeiro momento que eu abro o portão para a criança. No documento Tempos e espaços.

porque é fechado. a gente vai conhecendo durante o ano. Professora 2: Olha. vai surgindo coisas. Porque pra eles é passado de uma forma e pra nós é passado de outra. E o Rede em Rede eu não tive muito contato esse ano. Em relação ao “Programa A Rede em rede” a Professora 2 conhece a teoria por meio dos documentos elaborados pela equipe DOT-EI e procura levar o conteúdo para sua prática docente. as orientações curriculares. Mas o Rede em Rede em si. nos horários coletivos de estudo. Ah. na educação do aluno. Isso a gente não pôde fazer. Então assim. Eu não fiquei sabendo muito que aconteceu na formação do Rede em Rede. tem que dar aquilo que ta lá. porém relata sobre a inflexibilidade do conteúdo programático do “PEA”. Porque às vezes o coordenador. não pode mudar. ela fala sobre a importância de toda equipe escolar estar tendo a formação continuada com o mesmo formador. poder sim mudar e estudar outros textos. A Professora 2 acredita na importância de trabalhar na prática pedagógica o conteúdo do “Projeto Especial de Ação”. cada um vai passar do jeito por ele. porém solicita que esse “Programa” seja voltado para o grupo de professores pelo mesmo motivo citado pela Professora 1. vão acontecendo coisas que a gente às vezes não planejou. Eu acredito que não tinha que ser assim. por isso que é importante o PEA ser mais flexível e ter um pouco essa abertura da gente poder estudar coisas. Igual. Então assim. O professor estar fazendo esse curso. a gente tem que trabalhar de acordo com os temas na nossa prática docente. que a gente não poderia saber. Porque quando a gente observa uma criança. Em relação à teoria e a prática. A única coisa que eu achei de dificuldade foi assim. ensinar para o aluno. e acontecendo junto a gente consegue pensar mais em prol do aluno. Então. chegar no meio do ano poder estar mudando talvez a bibliografia. ta planejado. tinha que ser flexível e. mandou lá para a DRE. passando a não ser mais significativo. Quanto a teoria do “Programa A Rede em rede” a Professora 1 coloca em dúvida o conteúdo desse “Programa” transmitido pelo Coordenador Pedagógico. a gente não pôde estudar textos a mais do que estava planejando no PEA. Por este motivo. nós vivemos numa constante. a partir dos livros e das orientações curriculares a gente procura trazer aquilo lá para a prática. Então eu acho que seria importante abrir sim para os professores. planejou. Nós lemos os livros. eu achava que o PEA tinha que ser mais flexível porque conforme vai passando o tempo. Acabou o final do ano e você ainda não está conhecendo ela. As crianças são vivas. conforme a nossa possibilidade. tem maior significado para a prática docente do que o conteúdo programático do “Projeto Especial de Ação”. já foi satisfeito. E ta colocando coisas novas. porque o PEA tem os temas no começo do ano. porque cada um é uma pessoa. é importante porque a partir do momento que ele lançou um conhecimento.a gente percebe assim. planejou no começo do ano. mas cada um tem a sua concepção. a Professora 1 relata que a troca de experiência entre os professores. talvez não tenha mais necessidade. vamos se dizer assim. é como se fosse uma bolha em ebulição.96 acontecendo no cotidiano da sua escola. . a gente não conhece. Porque aquilo que a gente planejou. A gente sabe dos livros. Então. o que lhe causa um distanciamento da prática. ele vai. eu acredito até que o curso deveria ser para os professores também.

Entende-se pelo processo de Formação Continuada de Professores: Nem sempre a criação dessa zona de desenvolvimento pelo próprio professor em formação é possibilitada. Ela ressalta a importância dos momentos coletivos para troca de experiência. o Coordenador Pedagógico deve desenvolver estratégias de trabalho para que teorias do “PEA” ou do “Programa A Rede em rede” não se tornem apenas informações ou imposições. E a gente que não participa do projeto. é uma correria constante. Problemas como inflexibilidade no conteúdo programático. tirar dúvidas. Então eu acho que principalmente por isso. uma questão de refletir. Mas assim. dúvidas quanto a conceitos. de conversar. refletindo e eles conseguem levar pra prática uma ou outra coisa. é muito corrido. de trocar experiência. A gente não se encontra. Nesse processo. trocar experiências ou. porque o nosso trabalho é muito humano. devem ser discutidas e analisadas por todos os envolvidos no processo de formação. . teorias. precisa muito desse momento de conversar. É necessário que o Coordenador Pedagógico fique atento às queixas do professor. transforme essas queixas em bons problemas para juntos encontrarem as soluções. A professora 3 que não tem o contato semanal com o “Projeto Especial de Ação” e a teoria do “Programa A Rede em rede” nota pouca presença da teoria do “PEA” e do “Programa” na prática dos docentes que lecionam com ela. muitas vezes. esse momento de troca é muito importante.97 Pesquisadora: Você percebe a teoria do “Projeto Especial de Ação” e do “Programa a Rede em rede: a formação continuada”. conversar. Você não tem um momento de encontrar com seus parceiros. p . que não respondem a singularidade de cada situação educativa em uma sociedade em permanente mudança. o que eu mais sinto falta é isso. é preciso muito diálogo e reflexão. 2007. (A Rede em rede. perdem-se oportunidades valiosas de desconstruir formas de atuação cristalizadas. Isso também é muito importante. Nesse caso. eu acho que o mais forte é isso mesmo. de dividir. na prática dos professores que lecionam com você? Professora 3: Com relação à prática a gente percebe que tem algumas coisas que eles estão estudando lá e estão discutindo.12) No processo de Formação Continuada Docente.

Mas assim. Então eu acho muito importante a realização do PEA sim. Não que o trabalho dele não seja tão bom quanto o de quem está fazendo a formação. sinceramente. em alguns momentos assim. que fica muito claro. quando eu não fazia o PEA. As Professoras 1 e 2 percebem que o professor que não realiza a formação continuada semanalmente. você percebe até uma ou outra atividade. que você percebe muito nitidamente. claramente. eu ficava um pouco assim fora da escola. as decisões. algumas atitudes assim. então essa é a descontinuidade. Às vezes. você observa mudanças de prática nos professores que realizam a formação continuada. Então. mas é porque assim. ele ta sabendo mais do assunto. Então. que o professor fica um pouco. porque o professor que faz o PEA. determina alguns projetos. alguma coisa que ele faz assim que você percebe que está dentro de algum tema que está sendo estudado dentro do projeto. que ocorre durante o horário coletivo de estudos. esse professor fica deslocado. Não por mal. em outros anos. a gente vê a diferença sim. o grupo se reúne. Você percebe assim. Professora 2: Olha. só que por ele não estar entrosado. porque tem professores que fazem trabalhos maravilhosos. na escola.98 m) Você percebe diferença na sua prática docente em relação à prática docente do professor que não realiza a formação continuada. ele ta fora do grupo de JEIF. A Professora 1 ressalta a importância do entrosamento de todos os professores e os projetos para o enriquecimento do trabalho pedagógico. ele pode estar enriquecendo muito o nosso trabalho e a gente ainda dando coisas novas pra ele. Agora. Mas em outros momentos. Às vezes. as coisas acontecem no PEA: as informações. ele está interagindo mais na escola. Parece que você trabalha sozinho. Ele faz lá fora a atividade uma vez por semana ou duas. eu não tenho observado isso. ele ta vendo o que a escola tá trabalhando. não. eu não tenho observado essa diferença. Então eu acho assim. na escola? Professora 3: Então. então ele não está junto com o grupo. fica totalmente distante das informações. . observar mudanças assim. das trocas de experiências. no horário coletivo? Professora 1: Eu percebo a falta de entrosamento. não é uma coisa assim muito marcante. dos projetos. eu tenho experiência por mim. Pesquisadora: Durante esses quatro últimos anos. Porque os professores aqui na EMEI provavelmente eles dobram e eles fazem PEA no outro turno. Então a gente percebe dessa forma. a gente não conhece o trabalho dele. no PEA. das decisões. até pra estar trocando como trabalhar com determinados temas. porque a formação continuada acontece nos grupos de JEIF e geralmente esse professor que não faz. Então assim. o professor que não faz o PEA é um professor mais desinformado. é um conjunto. faz algumas trocas de experiências.

Eu gosto de trabalhar com brincadeiras cantadas com as crianças. Professora 3: Olha.99 Quanto ao Professor 3. porém tem acesso aos documentos da Secretaria Municipal de São Paulo e ao conteúdo do “Projeto Especial de Ação”. tem. a organização do tempo. tem muita criança que ele aprende sozinho. tem quer respeitar cada indivíduo na sua íntegra. que é dificuldade geral. eu conseguiria desenvolver um trabalho de mais qualidade. Essa é uma questão. n) Existem fatores que impedem a aplicação da proposta teórica. eles conseguem esperar. Porque assim. emperra. busquei. a realidade é bem diferente. Porque cada criança tem a sua necessidade. E assim. então eu fui buscar. esse é um fator complicador. Eu gosto de um ambiente mais aberto. [. dos professores que realizam os estudos no horário coletivo. Porque assim. Por exemplo. algumas coisas que a gente reflete e muda. Já a outra turma é uma turma mais tranqüila. mesmo que ele tenha facilidade. Portanto. Porque assim. a gente tá sempre mudando né. por exemplo. a rotina da escola. na prática pedagógica? Professora 1: Impedem: a organização do ambiente.a gente sabe que não é tudo que a gente vê na teoria que a gente consegue colocar na prática. uma brincadeira dirigida. em um lado. sempre tem alguma coisa que a gente leva sim da teoria para a prática. na faculdade eu senti que faltava ainda conhecimentos. Infelizmente a gente trata um todo e acaba fazendo um depósito de criança e a escola não é um depósito de criança. os alunos são muito agressivos. acredita-se na necessidade em criar espaços para que ocorra a integração de todos os professores com o “Projeto”. uma brincadeira mais livre.. Professora 2: Ah. tem coisa que não. que a gente dance. eu tenho um num período intermediário e um no período vespertino e eles são muito diferentes uma turma da outra. Então assim. é uma turma muito agitada. Então assim. para caminhar sozinho. a teoria eu tenho. assim. eles têm mais paciência pra uma atividade que precisa de mais tempo. a gente procura estar . Tem também algumas coisas assim.. tem coisa que dá. mais livre. tem criança que não é assim. Por exemplo. Fiz uma pósgraduação em educação infantil. no vespertino e não consigo fazer no inter. quem não gostaria de poder acompanhar melhor os alunos de poder fazer mais por cada um. Então eu acho que a organização mesmo da escola impede um pouco o trabalho. Geralmente eu tenho duas turmas. que é ter um número muito grande de alunos nas salas. dá pra você estabelecer um diálogo melhor. Algumas coisas eu consigo fazer. eu fiz estudos. eu tenho dois segundos estágios. vai mudando algumas coisas na prática. eu acho que se tivesse um pouco menos de criança. que não realiza a formação continuada semanalmente. às vezes. uma coisa que me aflige muito. a gente faz o que a gente pode. eu tenho uma turma no inter que é muito difícil. Então assim. às vezes ele tem facilidade em uma questão e em outra não. Eu acho que o fator maior que impede é esse. Assim. às vezes também num ano você consegue e no outro não.] Agora. ele precisa de uma intervenção individual. percebe poucas ações. É uma dificuldade. a quantidade de criança. e assim. às vezes impede. na prática docente.a única dificuldade que eu encontro é a quantidade de criança. a gente tem que ir atrás. E assim. eu gosto de cantar com as crianças e isso a própria organização da escola impede que eu faça esse trabalho do jeito que eu gosto. em alguma coisa ele precisa de intervenção. porque eu conseguiria atender cada criança. a gente não tem que esperar. ele precisa de uma dica: olha isso tem que fazer assim. na unidade escolar. que eu acho muito importante: a intervenção individual. que a gente cante. Eu acho muito importante porque assim. Os alunos são muito diferentes. Agora assim.

procura estar conhecendo cada aluno o máximo que a gente pode. é sempre muito bom. Porque é um conjunto e a gente tem que procurar sempre parcerias. ajuda a transformar algumas coisas na sua prática sim. ajuda a melhorar. olha que legal. a gente poder estar discutindo as nossas dificuldades. procura estar acompanhando. que estão comprando muitos brinquedos. eles logo estão providenciando esses materiais. eu creio que só. a questão da organização do espaço e do tempo e a grande quantidade de crianças na sala de aula são fatores que dificultam a proposta teórica à prática docente. o diretor. você caminhar junto com a comunidade porque nas reuniões eu sempre converso com os pais. A Professora 3 observa as diferenças de cada criança atendida por ela. Às vezes você começa a ler. que ajuda a refletir. o que tem auxiliado. mas tem muita coisa que dá pra você colocar na prática. reflete. se eu estou com alguma dificuldade. cada criança. fazer de novo. se não tivesse algumas dificuldades teria como colocar muito mais a teoria em prática.isso ajuda bastante. materiais pra gente. poderia fazer um trabalho bem melhor. que ajuda. Às vezes. Eu acho que a comunidade é muito importante. A gente também junto com os pais. eu fazia isso. sempre você dá uma acordada pra alguma coisa. . tem muita coisa que não dá. Só que a gente sabe que se fosse um número menor de aluno. né. conversar com os pais. Já a Professora 2 encontra dificuldade em conciliar a proposta teórica e a grande quantidade de crianças na sala de aula e ressalta a importância do atendimento individualizado das crianças. Professora 2: Sim. Ela relata que cada criança possui uma necessidade específica e comenta a importância de realizar uma intervenção individual e ressalta a grande quantidade de criança na sala de aula. A gente pede. É muito bom. auxilia. nós somos uma parceria e nós vamos caminhar juntos. a coordenadora.100 fazendo essa intervenção. Sempre. [. poderia acompanhar bem melhor cada aluno. tempo e a rotina estabelecida na unidade escolar dificulta a realização da proposta teórica na prática docente. é importante retomar.. o próprio grupo de formação ajuda bastante esse programa. Então eu sempre procuro assim. a heterogeneidade dos alunos. Professora 3: Ah sim. agora não faço mais. então vamos caminhar juntos. na prática docente? Professora 1: Olha. o fator é o da gente acompanhar mesmo. a gestão estar junto com a gente tentando solucionar os nossos problemas. que não estava no calendário.. A Professora 1 relata que a organização quanto ao espaço. Nós estamos aqui pra ajudar no desenvolvimento dos filhos de vocês e eu quero fazer o que eu puder. talvez até fazer uma reunião extraordinária. até alguma coisa que você fazia lá há um tempo atrás e não faz mais. o) Existem fatores que têm auxiliado a aplicação da proposta teórica. Assim. são as verbas.] Seria assim. como eu falei.

vai se conversando. Que nem. dessa maneira que eu tenho observado né a organização pra receber essas crianças pequenas de três anos. Mas eu vejo que assim. São muito diferentes. auxiliar o desenvolvimento dos Projetos e Programas na prática docente. porque aqui é self service e a criança ainda não tem toda a coordenação pra estar pegando. Então é assim. será que eu pego berçário. Espero que no começo do ano a gente tenha esse tempo pra nos organizar antes dessas crianças começarem realmente. Então. é o que eu tenho observado. ter um banheiro mais acessível porque talvez os vasos são grandes. os fatores materiais. que tenha bastante brinquedos. as crianças que ainda vão completar quatro anos. a completar quatro. enfiar no nariz ou no ouvido. eu não percebi assim mudança pra receber essas crianças. ainda não foi pensado nisso. Portanto. nós vamos ser uma professora pra 30. brinquedos apropriados. pra fazer a verdade. tenha que talvez mexer na parte do prédio mesmo. que completaram 3 anos no final do ano. não de onde as crianças vêm geralmente é quinze.101 Professora 1 relata que a compra de materiais. nem o espaço. meses. um mês já faz diferença. já não é a mesma criança de quatro anos. A Professora 2 ressalta dois fatores que auxiliam na aplicação dos Projetos e Programas na prática pedagógica: a presença dos gestores na solução de problemas e a parceria com os pais ou responsáveis das crianças. procurar ser um ambiente que tenha poucas cadeiras. muito. duas professoras. elas têm dificuldade pra usar vasos grandes. Não que não aconteça com as de quatro anos. será que eu não pego. do mesmo jeito que é a sala de primeiro estágio. A Professora 3 relata que a própria teoria ajuda na mudança da prática pedagógica. né. pela unidade escolar. mas é uma coisa assim que é lenta e que se vai caminhando e que você vai planejando. E nós vamos ter que ensinar essa criança a tirar sua roupa quando sente calor ou colocar a roupa quando sente frio. Professora 2: Olha. Primeiro porque vai ser uma sala de 30 e vai ter um único professor. E são trinta pra ajudar a se servir. dezoito crianças. Eu acredito que ainda é pouco porque ainda se tem muito mais a se fazer. não pode ser tão pequeno assim. A escola ainda não propiciou momentos pra que a gente se organize. Essas crianças virão com três anos e meio. quebrar uma rodinha e a criança colocar na boca. né. mais ou menos. Os brinquedos que a escola tem hoje é fácil quebrar a roda de um carrinho. pelo que eu observo a escola ela tem se organizado da seguinte maneira: procurar ter mais colchonete nas salas que as crianças de três anos vão estar. mas nós professoras já estamos muito preocupadas. a guardar aquilo lá. mas vai acontecer mais freqüentemente do que com as de três anos e meio. tem . mobiliário. não é. tudo. brinquedos que sejam bem baixinhos pra elas. ajudar a colocar comida no prato. tem que pensar muito bem nos brinquedos. atuação da equipe gestora. Assim. Nós estamos preocupadas com o ano que vem. colchonetes e brinquedos. p) Como a equipe tem se organizado para receber as crianças de 4 anos a completar? Professora 1: Nós temos conversado entre nós professoras. Então nós entre as professoras estamos preocupadas: ah. participação da comunidade e a própria teoria são fatores que qualificam a prática docente. a escola tem procurado nas salas de primeiro estágio deixar menos cadeiras para as crianças trabalharem mais no chão. Ajudar a colocar o sapato nessa criança. Professora 3: Olha. Então ainda não se organizaram quanto a isso. só. a localizar sua mochila. Lá.

cinco ou seis anos de idade. A Professora 3 relata a não percepção de mudanças no acolhimento das crianças menores de quatro anos e diz que não há diferença do espaço da sala de aula para as crianças de quatro. a criança deve ser vista como um ser inteiro: Dentro de uma visão de educar e cuidar que vê a criança como um ser inteiro que constrói significados na interação com um ambiente complexo..EI. que deve ser pesquisada. A Professora 2 descreve alguns cuidados que já vem ocorrendo na escola: sala com colchonetes. não ta estruturado pra receber essas crianças. menos cadeiras na sala de aula. muitos brinquedos e relata. recebe também as crianças de cinco. p. professores e funcionários precisam planejar de forma contextualizada todos os momentos da criança na escola. na questão do cuidar (vestimenta e alimentação). cheio de facetas. Pouco adianta implementar práticas que não sejam construídas conceitualmente. os gestores. é preciso desenvolver um olhar que considere a gestão pedagógica das situações criadas também nesse ambiente. normas. [.fase1. Assim. Ela relata preocupação quanto à quantidade de crianças na sala de aula. A relação do cuidar e educar como conceito indissociável contrapõe antiga concepção de escolarização nas Unidades de Educação Infantil. no campo das teorias.102 um mês que completou. ainda. que é incompatível com o tamanho da criança. possibilidades de ação.. 2007. Segundo o documento elaborado pela equipe de DOT. Ela relata também que não houve momentos até a presente data para discutir as questões. Essa nova concepção ajudará a escola acolher os novos ingressantes de três anos e meio na Unidade Escolar. estudada e construída pela equipe escolar. mobiliários adequados. 57) Nessa concepção da criança como ser inteiro. (A Rede em rede. . e que não sejam apropriadas pelos professores e demais educadores. na unidade escolar. Porque do mesmo jeito que essa sala que recebe essas crianças. a preocupação com as peças sanitárias. na minha opinião não ta preparado. preocupações que são latentes no acolhimento da nova faixa etária de crianças que freqüentará as EMEIs. Esse planejamento deve estar pautado numa nova Proposta Pedagógica.] A Professora 1 fala sobre a preocupação com o acolhimento das crianças de 3 anos e meio e afirma que a criança que tem um mês a menos em relação a criança de quatro anos já faz toda diferença. de seis anos. organização de espaço. aí vem pra EMEI.

na área da Educação. a Professora 1 que realizou totalmente a formação continuada. que não realizou a formação continuada.103 Quanto ao número excessivo de crianças em sala de aula.lato sensu. mobiliários adequados enfim. semanalmente. possui menos traços da nova proposta na prática docente do que a Professora 2. Por fim. Ao analisar a formação acadêmica. na escola. e a Professora 3. o que evidencia que a formação acadêmica faz diferença na prática docente. semanalmente. . parcialmente. que realizou a formação continuada. quanto à aquisição de materiais. tem-se que as Professores 2 e 3 possuem a Pós-graduação. seja prioridade aos governantes. espera-se que a diminuição delas. toda adequação estrutural necessária para o acolhimento desses novos pequeninos ingressantes. através do questionário respondido por elas. Espera-se também um respaldo dos governantes às escolas. no que refere à proposta teórica do “PEA” e do “Programa” e a prática docente. em prol da qualidade do atendimento.

foi utilizada a abordagem qualitativa. Ressalta-se que 05 professores declaram ter a formação na modalidade de Pós-graduação. apresentaram mais traços da nova proposta pedagógica nas ações cotidianas da escola do que a professora que possui somente o ensino superior. o que evidencia que ainda predomina o paradigma cultural. A pesquisa teve como objetivo compreender como as teorias alcançam a prática dos professores e como os docentes da Rede Municipal de São Paulo aplicam essas teorias na prática pedagógica. Sendo assim. (Fonseca. os docentes possuem de 05 a 25 anos de experiência não tendo nenhum professor iniciante participando da pesquisa. os entrevistados são do sexo feminino. na área de Educação. 15 docentes declaram ter o ensino superior e apenas 01 o magistério em nível médio. que se localiza na Zona Leste de São Paulo.lato sensu. Os docentes declaram que . possuem formação acadêmica. para o aprofundamento da pesquisa e análise da documentação da escola pesquisada. os professores que participaram da entrevista semiestrurada e tem a formação na modalidade de Pó-graduação. Além disso. Ao mesmo tempo. 2004) Neste capítulo. na área de Educação. sintetizo a análise dos dados coletados em relação à proposta de formação continuada.lato sensu. foi aplicada aos professores e gestores da unidade escolar dando a oportunidade a todos a participarem da pesquisa. cuja teoria está contida no “Projeto Especial de Ação” e no “Programa A Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil”. entrevista semiestruturada. a pesquisa vem mostrar que os professores possuem o interesse em se especializar na área em que atuam profissionalmente. A abordagem quantitativa. Considerando-se o perfil profissional.104 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS “É na formação dos profissionais que vão atuar na educação infantil que está a chave para uma atuação responsável e competente”. Quanto ao tempo de magistério. Os professores pesquisados têm a idade entre 29 a 44 anos e grande parte. nas Instituições de Educação Infantil. técnica de questionário. o qual as mulheres desempenham melhor o papel de cuidar e educar as crianças. Das 16 respostas obtidas por meio da técnica de questionário.

o Coordenador Pedagógico precisa considerar que o professor é um ser único. Os novos conhecimentos pedagógicos poderão fazer parte da prática docente quando forem articulados com as reais necessidades e desejos dos professores. das dúvidas. em horário coletivo. mas as experiências vividas ao longo da vida. de professor ou coordenador pedagógico. observar o interesse dos professores ao estudo proposto e a sua eficácia na prática pedagógica. o Coordenador Pedagógico terá maior proximidade das ações pedagógicas do professor. o que dificulta a participação deles na formação continuada da unidade escolar. somente no início do . a pesquisa evidencia que este “Projeto” precisa de alguns ajustes quanto à metodologia. assim como os momentos de acompanhamento da formação continuada. motivo pelo qual. Há divergência na avaliação do “PEA” pelo grupo de professores e gestores. inquietações etc. a pesquisa aponta para a heterogeneidade de conhecimento dos professores sobre os assuntos abordados. em horários coletivos. Alguns professores declaram que há um distanciamento da teoria proposta pelo “PEA” com a prática docente. de concepção pedagógica. Quanto ao “Projeto Especial de Ação”. pois é reconhecido como um momento precioso para trocas de experiências e tomada de decisões coletivas. além de dúvidas. Diante disso. Neste sentido. de espaço. Esse professor possui ações pedagógicas que não representa somente as aprendizagens teóricas e técnicas. pensamentos. Neste sentido. complexo. os gestores deveriam realizar constantemente a avaliação do “Projeto”.105 acumulam cargos. A participação dos professores na elaboração do “PEA”. a ausência dos docentes na formação continuada causa um empobrecimento do trabalho coletivo. conhecimento de que é um momento muito valorizado pelos professores e gestores. enfim terá a oportunidade de realizar uma intervenção individual contribuindo para o avanço da prática docente. inquietações. O importante é garantir que o Coordenador Pedagógico tenha momentos destinados ao acompanhamento da prática docente. obtevese com as respostas. de registro. com decisões próprias. bibliografia e avaliação. Cada professor pesquisado tem um conceito de tempo. necessidades pedagógicas. No que se refere às questões pedagógicas. Em relação à formação continuada realizada na escola. que transforma e é transformado pelo outro.

Esses são alguns ajustes necessários para que o “PEA” seja eficiente. o documento Indicadores da Qualidade na Educação Infantil (2009) aponta sete dimensões: planejamento institucional. motivo pelo qual. O “Projeto” para ser eficiente é necessário planejar as etapas de elaboração. cooperação e troca com as famílias e participação na rede de proteção social. Por fim. flexível. materiais e mobiliários. interações. o Projeto Pedagógico. formação e condições de trabalho das professoras e demais profissionais. A pesquisa mostra a dificuldade do Coordenador Pedagógico em aproximar-se das práticas cotidianas e implantar o registro reflexivo. Além disso. Os professores relatam a dificuldade do Coordenador Pedagógico em multiplicar o conteúdo do “Programa”. no qual. Em relação ao “Programa: A Rede em rede: a Formação Continuada na Educação Infantil”. Por outro lado. a presença dos gestores na solução de problemas e a parceria da escola com as famílias são fatores que auxiliam as propostas teóricas fazerem parte da prática pedagógica. A comunicação entre os professores e o Coordenador Pedagógico não é totalmente satisfatória. dinâmico e as ações precisam estar voltadas para o projeto maior da unidade educacional. como relatou um dos gestores pesquisado. não garante o bom andamento do “Projeto Especial de Ação”. . os gestores reconhecem a qualidade e o fortalecimento que o “Programa” trouxe à equipe gestora no crescimento profissional.106 ano. Coordenador Pedagógico e Professor se tornam parceiros na construção da aprendizagem. para se alcançar a qualidade na Educação Infantil. promoção da saúde. os professores avaliam o “PEA” como sendo um projeto estático e não dinâmico. espaços. os professores solicitam que o “Programa” seja estendido a eles e não somente ao Coordenador Pedagógico. As etapas de planejamento do “Projeto Especial de Ação” devem ser compreendidas como processo educativo. as propostas do “Programa A Rede em rede” e do “Projeto Especial de Ação”. os docentes relatam que a compra de materiais pedagógicos. o grande número de crianças na sala de aula e a heterogeneidade dos alunos dificultam a aplicação das propostas do “PEA” e do “Programa” na prática pedagógica. multiplicidade de experiências e linguagens. foram analisadas por meio dos relatos de prática dos docentes e observa-se que ações decorrentes das propostas estão presentes na prática pedagógica e outras precisam ser aprimoradas. Neste sentido. Os professores apontam na pesquisa que a organização da rotina na escola. execução e avaliação com todos os envolvidos. no período de 2005 a 2008.

em direção ao mundo a ser transformado e humanizado. da autenticidade e da dialogicidade. a relação interpessoal entre o Coordenador Pedagógico e o Professor precisa ser baseada nos princípios da empatia. de si e dos outros. fatores que contribuem para a construção de conhecimento à Educação. No processo de formação. Além disso. e traz como desafio um maior envolvimento de toda a comunidade educativa neste processo de formação. Em síntese. pesquisas direcionadas a formação continuada docente são essenciais para trazer a luz discussões e reflexões sobre a relação teoria e prática pedagógica.107 Esses indicadores vêm ajudar as instituições de Educação Infantil a definir suas prioridades e traçar caminhos para construir uma proposta pedagógica e social significativa. a análise empreendida a respeito dos instrumentos de formação continuada: o “Projeto Especial de Ação” e do “Programa: A Rede em rede” permite considerar que esses instrumentos são importantes para a formação continuada dos professores. Todos precisam esforçar-se para compartilhar as reflexões e o agir de cada um no cotidiano escolar. . Por fim. Observar a história da Educação Infantil e compará-la aos dias de hoje é perceber o quanto as instituições que atendem as crianças de 0 a 5 anos avançaram nas dimensões pedagógicas e sociais e o quanto precisam avançar rumo a uma plena qualidade educacional. a comunicação é fundamental para que gestores e professores tomem consciência do mundo.

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115 APÊNDICE A – Questionário dos Professores Nome: (opcional)______________________________________________________________ Idade:_____________________________________________Sexo: F ( ) M ( ) Formação acadêmica: 2º grau-magistério ( ) Ensino superior( )Qual?____________________________ 1. como você avalia o Projeto Especial de Ação de sua Unidade Escolar? ( ) Excelente ( ) Bom ( ) Regular 8-Você tem conhecimento da Política de Formação de Professores ( Rede em rede) proposta pela Secretaria Municipal de Educação na Educação Infantil? ( ) sim ( )não 9-Como você avalia o Programa Rede em rede.Há quanto tempo você exerce o magistério? ( ) 0 a 5 anos ( ) 5 a 10 anos ( ) 10 a 15 anos ( ) 15 a 20 anos ( ) 20 a 25 anos 2-Em que ano você ingressou no cargo de Professor de Educação Infantil na Prefeitura Municipal de São Paulo? R:____________________________________________________________________ 3-Você exerce outro cargo na Prefeitura Municipal de São Paulo ou em outro órgão estadual ou particular? ( ) sim ( ) não Qual?__________________________________________________________________ 4-Você participa ou participou do Projeto Especial de Ação (PEA) de sua Unidade Escolar ou em outra Unidade Escolar? ( ) sim ( ) não 5. proposta pela Secretaria Municipal da Educação? ( ) Excelente ( ) Bom ( ) Regular . ( ) 2005 ( ) 2006 ( ) 2007 ( ) 2008 6-Assinale uma das alternativas abaixo. ( ) organização familiar. ( ) outros ___________________________________________________________________________ _________________________________________________________________7Nestes últimos quatro anos.Em quais anos? Assinale o(s) ano(s) em que você participou do Projeto Especial de Ação (PEA). ( ) impossibilidade devido acúmulo de cargo. na Educação Infantil. caso você não participou do Projeto Especial de Ação nos ano de 2005 a 2008 ou participou parcialmente.

na Educação Infantil? a) Projeto Especial de Ação: __________________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________ b) Programa Rede em rede: __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________ 16-Como você avalia a sua participação no processo de Formação Continuada (PEA) da Unidade Escolar? ( ) Excelente ( ) Bom ( ) Regular . na formação continuada. você realiza o registro do desenvolvimento de seus alunos? ( ) diariamente ( ) semanalmente ( ) mensalmente ( ) bimestralmente ( ) semestralmente 12-Você tem desenvolvido o hábito de refletir sobre sua prática docente? ( ) sim ( ) não a) Com qual freqüência? ( ) diariamente ( ) semanalmente ( ) mensalmente ( ) outros 13-Qual a concepção pedagógica que fundamenta sua prática docente? ( ) tradicional ( ) construtivismo ( ) sócio-construtivismo (outro)_______________________________________________________________________ 14-Durante os últimos quatro anos. conteúdo etc) e no Programa Rede em rede. o que você aprendeu.Quais os assuntos mais significativos que trata o Programa Rede em rede para sua prática docente? Que assuntos você sugere? R:___________________________________________________________________________ 11-Com qual freqüência.116 10. na Unidade Escolar que foi significativo para sua prática docente? R:________________________________________________________________________ 15.O que você mudaria no Projeto Especial de Ação ( metodologia.

na prática docente? Comente. R:_________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ 3-Você tem sentido dificuldade em lidar.117 APÊNDICE B – Questionário dos Gestores Cargo/função: 1-Quais são os desafios cotidianos que você tem enfrentado em relação a formação continuada dos professores? R:_________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ 2-Como você tem percebido a presença da formação continuada (conteúdo. como você. com o Projeto Especial de Ação e o Programa A Rede em Rede na formação continuada dos professores? Caso positivo. na Rede Municipal de Educação? R::_________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ 5. como você avalia o Projeto Especial de Ação? R:_________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ 6. nos horários coletivos.Você tem percebido dificuldades dos professores em lidar com a teoria do Projeto Especial de Ação e o Programa A Rede em Rede.Nestes últimos quatro anos. R:_________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ 7-Em relação ao Ensino Fundamental de 9 anos. R:_________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ 4-Como você avalia o Programa Rede em rede. tem pensado no acolhimento das crianças de 4 anos a completar no cotidiano da EMEI? R:_________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ . reflexão) na prática dos docentes? Comente. relate as dificuldades. enquanto gestor.

tem que se atualizar dentro da nossa área da educação. isso eu considero o tradicional. Pesquisadora: E você ensina através do método tradicional? Professora 1: Olha. tem que estar claro na cabeça dele que ele tem. na rua. a criança que chora. Pesquisadora: E quais são os momentos que ocorrem a formação continuada na unidade? Professora 1: Bem. Geralmente são três dias na semana. que imagina. as idéias da gestão e também as práticas e o estudo que a gente tem que estar fazendo. vai da gente. em primeiro lugar. De acordo com a resposta do questionário. o que você entende por concepção tradicional-sócio-construtivista? Professora 1: Tradicional é o professor que ensina. cada professor escolhe o seu horário e aí a gente forma um grupo. Então eu sou tradicional e construtivista por quê? Porque eu sou consciente que eu estou aqui pra ensinar. vamos começar então a pesquisa. porque tem que ouvir. pra mim isso é educação continuada. Pesquisadora: Muito bem. quatro vezes por semana estar um grupo fechado. Então o que eu vou ensinar? E aí eu vou elencar o que é importante pra eu estar ensinando para a minha criança. Então. vai ter o momento de construir. eu gosto de. com aquilo que ela fala o que aconteceu na casa dela. mas eu também tenho os momentos de ensinar e isso eu não posso deixar de lado. de participar da aula. três.118 APÊNDICE C – Entrevista Professora 1 Pesquisadora: Qual é o seu cargo? Professora 1: Professora de educação infantil e ensino fundamental I. o viver dela. do horário da gente. Então. Ela vai ter o momento dela falar. trabalhando dentro da escola. Qual é sua concepção de criança e de infância? Professora 1: A criança que brinca. fala o que pensa. com o grupo de estudo. Pelo menos três. uma obrigação de ensinar. O que é o sócio-construtivista? É o educar levando em conta o meio da criança. Eu gostaria de saber o que você entende por formação continuada? Professora 1: Formação que todos os dias nós estamos com os nossos colegas. que tem que ensinar também. Assim. a criança que nós fomos um dia e crescemos e hoje somos adultos. Pesquisadora: Muito bem. a criança que se expressa. o que eu vou educar com a minha criança nas relações do dia-a-dia com o colega. ela tem que me ouvir. Ela tem que estar atenta no que eu estou fazendo. vai ter o momento de ouvir. um grupo junto estudando. pode se dizer. quando eu vou ensinar algo eu acho que é importante a criança ela tem que me ouvir. quatro dias na semana. Eu vou estar educando essa criança. comigo. se não ouvir fica difícil a gente trocar idéias . com outras pessoas da unidade escolar. a criança que constrói. que se corrige. Nós nos reunimos e estudamos. Pesquisadora: Muito bem. Então eu considero tradicional. com o coordenador.

não é? Então eu já venho qual atividade que eu vou dar naquele dia. É uma coisa por vez. eles trocam brinquedos entre eles. o que eles vão fazer – jogo lá mais uns quinze minutos. brincando ao mesmo tempo. Pesquisadora: Muito bem. tem sempre lá um vídeo de música. sempre em meia lua. nós vamos fazer a nossa contagem. desde o primeiro momento que ela entra na sala de aula. eu divido uma sala com a colega. como você planeja o tempo no dia a dia? Professora 1: O tempo já é meio complicado. o primeiro momento é o momento de acolhimento deles. Vou passar informações. eu tenho lá minhas tarefas do dia. Eu não. Então esse ano eu usei muito o vídeo. mais complicada. fazendo atividade ao mesmo tempo. de reciprocidade. eles até sabem. Toda vez que eu vou passar informação para as crianças. tem o acolhimento. eu não posso dizer que é uma atividade simples. então tem que ser tudo meio cronometrado. como que a gente vai estar conversando. bastante. Então é tudo assim bem no horário certinho. Então essa é minha organização da sala. Então vamos fazer leitura? Bom. Acho que a minha maneira de ser. no final de semana. Então. entendeu? Eu perco o controle. aquilo que eu quero. aquilo que eu elenquei de importante. quantos meninos. é uma atividade que eu perceba que a criança consegue fazer. acho que a criança fica muito solta e eu Ângela. E a atividade ela já vem. que vai terminar naquele dia. trabalham muito bem. vou escrever na lousa. Tem professor que trabalha muito bem assim. eles vão para o meio da sala e nós fazemos uma roda. eu já passo na roda pra eles: hoje nós vamos fazer só a pintura e a colagem e amanhã nós vamos dar continuidade. que eu vou planejar. Como é que eu vou dar atividade naquele dia.119 e conseguir educar e ensinar ao mesmo tempo. tem que ter uma relação de respeito. aquilo que já tem que estar planejado na minha cabeça: a maneira. como que eu vou dar aquela atividade. Então. eles vão fazer a troca e já vão ficar mais ou menos uns vinte minutos ali na conversa entre eles. você não consegue perceber essa relação do ouvir e do respeito? Professora 1: Dá pra perceber sim. mais ou menos. vou fazer a leitura do dia. Pesquisadora: Muito bem. Só que eu acho que fica mais difícil. Terminou esse momento. mais uns dez minutinhos. contando as novidades. Desde o vídeo do primeiro momento que entra na sala. por isso que eu lhe digo que eu sou um pouco tradicional. quantas meninas. Então vamos falar um pouquinho disso que você já está relatando à respeito do espaço. Então tudo tem que ser organizado. Eu já sei. as conversas entre eles. Como tem sido no seu cotidiano da sala de aula a questão do espaço ambiente? Professora 1: Esse ano eu trabalho na sala 5 que seria a sala de vídeo. Esse ano eu peguei uma sala rodízio. Então. Uma atividade mais longa. quanto eles gastam pra fazer a atividade. Aí parou. um desenho animado. bastante. que eu vou trabalhar com a criança. onde ela vai sentar. aí é o meu momento. eu perco o controle. Por quê? Após esse encontro entre eles. E a questão do tempo. eles . que eles vão chegando. então a sala está sempre organizada em meia lua. se cumprimentando. eu procuro dividir. deles estarem conversando. E aí eu faço com todos juntos. Pesquisadora: Na concepção sócio-construtivista. eles trazem brinquedos de casa. na sócio construtivista. então eles já estão acostumados. conversar com eles o que aconteceu no dia em casa. por isso que eu falo que eu sou tradicional e sócio-construtivista. os grupos. a organização das mesas. Então.

porque não dá. os pais já sabem disso. A gente conversa sobre os três episódios. Então. Pesquisadora: Em relação ao tempo da unidade escolar. abrem. meu planejamento dentro do horário da escola. o que um cuida o outro não cuida tão bem. Tem o armário coletivo e tem brinquedos para as crianças. diversos brinquedos diferentes pra que eles possam estar trocando. E no dia seguinte eles realmente sabem: Olha professora a senhora parou em tal capítulo. e a gente dá continuidade. que você tem um dia. dentro da nossa linha de tempo nós temos o nosso horário de parque. eu aviso que eles podem trazer brinquedos sim. Na sexta-feira é que fica mais livre. Pesquisadora: Muito bem. isso. outros não cuidam. não é só dele. e eu deixo livre os brinquedos. eu acho o desperdiço dos brinquedos. E aí estraga rápido. A criança mesmo vai lá e pega. só que no momento da atividade ele sabe que vai ter que guardar. todas as salas de aula tem o armário coletivo. fácil e a gente vê o dinheiro ir embora. Se é um determinado dia da semana. ele é colocado numa altura que dá pra ela pegar. Então eles já sabem. vamos assistir hoje três episódios que fala sobre isso. eles trazem os deles e usa o da escola também. ele traz. a gente já avisa. Professora 1: Olha. na sexta-feira do brincar. E isso a escola está fazendo bem. pegam os brinquedos. Eles já estão sabendo que aquele dia eles podem dividir o brinquedo deles. nos últimos anos a escola vem recebendo verba pra comprar material pedagógico. de quinta-feira eu tenho informática. Eu distribuo os brinquedos nas mesinhas. A gente costuma trabalhar muito com os brinquedos na sexta-feira. aquele brinquedo é de todos. Não é? A gente precisa estar orientando as crianças. nosso horário de informática. Como eu aviso que eu vou trabalhar com leituras. temos o horário do acolhimento e a troca das salas de aula e o horário pra você fazer atividade em sala. ele já sabe.120 nunca vêem um vídeo inteiro. graças a Deus. E a mesma coisa é com a atividade. não precisa ser só na sexta-feira. na segunda feira eu tenho parque grande. ele vai brincar com colegas de outras turmas. O material fica à disposição nossa e das crianças porque o armário é aberto. E a gente já se organiza dentro do horário da escola. por exemplo. eles vão lá. Então. Então a criança segue a rotina do professor. E toda vez que chega verba o diretor reúne o conselho. Se o professor trabalha com brinquedo no primeiro momento de aula. Pesquisadora: Você me relatou agora sobre o brincar. nem os outros vão ter. É isso mesmo? Professora 1: É isso mesmo. o que a gente está precisando? E a gente ganha esse material. eu já aviso desde as primeiras reuniões. graças a Deus. o que um cuida. do material. A questão dos materiais. Então eles sempre sabem: olha. melhorou muito. Ele vai brincar com o colega. reúne a gente e a gente faz uma lista de prioridades. Porque a gente precisa estar orientando as crianças. Na sexta-feira eles trazem brinquedo de casa. Então. Amanhã vamos dar continuidade a esses três episódios. aplicando bem. Se eles quiserem trazer na segunda. como é a organização de vocês? Professora 1: Então. mais tranqüilo pra eles. O único problema é assim. a questão do brincar. E se ele estragar. Como são organizados os materiais na sala de aula? Como está a organização desses materiais? Como é o uso dos materiais dentro da sala de aula? Me descreva um pouquinho esses materiais na sala de aula com vocês. isso e isso. aquilo. Então. nem ele. nós temos a nossa linha de tempo. em tal episódio. aconteceu isso. . do acolhimento. como é organizado o parque. já faço minha organização.

aquele brinquedo não vai poder estar lá na roda. fora as brincadeiras dirigidas. Toda criança briga. Eles podem estar trazendo brinquedos de casa que eles possam utilizar no parque. Aí eu anotei: Hoje Jonas conseguiu fazer a atividade sem negar aquilo que ele tava sentindo. Pego as atividades. bate. Como você tem registrado sua prática pedagógica? Porque no questionário você relata que você reflete diariamente sobre a prática e o registro você faz semanalmente. sem grupo de estudo. eu não quelo. Aí fica livre pra eles. Pesquisadora: Muito bem. mas eu acho que ta faltando alguma coisa. então hoje ele não quer. Por exemplo. mas essa é uma turma boa.121 No momento da roda de conversa. porque eu dou atividade pra criança. às vezes ele vem chateado e diz que não deu certo. Eu posso dizer que eles quase não se batem. Como é essa questão do registro e dessa reflexão da prática? Professora 1: Bom. no parque. eu não quelo.elas não têm medo. porque não quer vir na escola. Me sinto mãe. Ele não quer trocar. Aí eu falei: Ah. Elas não têm medo de falar porque tá chorando. eu tenho um aluno. E no momento que eu quero a atenção dela. Entre eles também porque eu peguei esse ano duas turmas muito boas. Tranqüilo. E a questão do registro. quem sabe depois você volta a conversar com ele. pegou. ela me respeita também. Fala pra ele: Agora nós vamos pintar.). completou. Às vezes dá certo. Você não acha que ta faltando? Ele falou: É mesmo. Fora isso a gente brinca bastante no parque também. Mas na sexta é livre. eu e os alunos eu posso dizer que às vezes eu me sinto mãe deles. sentado. Muitas coisas a gente registra aqui na nossa cabeça e no nosso coração. né. mostrando pra ele o que ele pode fazer. mas quando é o momento de falar ‘Pro’ é ‘Pro’. E é o momento dela falar ‘tia’. tudo bem. o que ele não pode fazer. Voltou. o Jonas. Eu não quelo. ela chega e conta naturalmente. Como ocorre essa interação? Com aluno x aluno também. eles estão lá brincando e de repente você vê uma criança conversar com a outra e você acha interessante aquilo que eles estão conversando. ao mesmo tempo ele tem uma relação muito carinhosa comigo. na sala de informática. uma turma que está sempre chegando. Eu pego um dia da semana que eu esteja mais tranqüila. nós temos uma relação muito boa. normalmente é no meu horário de (. o imaginar. As crianças comigo. com as minhas crianças. observando. mas na sexta. Se aconteceu alguma coisa na casa dela. eu registro na própria atividade da criança.. o meu coleguinha não quer dar o brinquedo pra mim. isso é normal. aí você . Então eu sou professora e sou tia também. ele tenta. É assim que ele fala.. Foi lá. Eles são uma geração boa essas duas turmas. que ele tem muito medo de papel. é dele. Mas acaba a palavra ‘pintar’ ele já fala: Eu não. Porque nem tudo é importante. como ocorre? Professora 1: Olha. e quando acontece algo que eu acho que é importante. Então eu marco ali o que aconteceu naquele dia que eu achei que foi importante. O que você tem que você possa trocar no momento com ele? Aí ele vai lá. Ele tem muito medo. O que nós vamos fazer? Negocia com ele. Quando ela chega e fala: Tia. nos outros espaços da escola. Aí eu falo: Então vamos lá. aquilo que eu fiz durante a semana. Pesquisadora: Muito bem. veio mostrar se tava bonito. conversando: Olha Pro. Então a gente usa o brinquedo. E como é a interação do aluno com você na sala de aula. com outros colegas. A gente tem que respeitar o amigo. E eles conversam entre eles. Então. Às vezes a gente está lá no parque. Por quê? Ao mesmo tempo que eu estou lá ensinando. Aí eu falo: Ah. E essa semana ele fez a atividade. o registro. a não ser que ele seja o objeto da conversa. Então você vai brincar com outro amigo.

Em relação às linguagens. deixo lá à lápis. abre. Tanto é que eles ligam toda hora o computador só pra poder escrever a senha no computador. já não está mais tão perto. põe jogo. elas brincam no computador. você começa a se policiar. Porque nós não temos computadores pra todas as crianças. tem o Wilson. eu sei que eu trabalhei leitura e escrita. eu fiquei observando os meus alunos. E eles são tão independentes que eu pensei: Poxa. hoje eu fiquei observando as crianças. Por quê? Porque aquela criança. como quando ele sai. escolhem o computador que eles querem sentar. você acaba trabalhando mais e deixando outras. Eu posso não estar registrando naquele momento. E eu observei que as crianças estão mais atentas. se eu precisar ta voltando. cansam. tanto pra sala de informática. Então a gente coloca uma mesa com alguns brinquedos. Aí chega no final de semana. E essa semana o Wilson começou a se afastar. grandão. Agora não precisa mais. E ele já está se afastando. e eu tava pensando: isso tira o foco. Porque o próprio cotidiano. Eles já sabem ligar. nós temos pra cerca de 20 crianças. eu adoro trabalhar leitura com as crianças. leio muito com as crianças. Eu falo: Ah. colocar senha. elas param mais pra pensar. troca de colega sem que eu tenha que ficar intervindo. Então eu venho fazendo isso como experiência. mas trabalha uma vez ou outra. E hoje no laboratório de informática. Escolhem o programa que eles querem brincar. Então. Quando ele me olha com aquele olhão. eu pego essas atividades. vão ficar sem. Ele já está se afastando. ele ta querendo alguma coisa. fala com os olhos. porque o que acontece? A linguagem que você tem mais afinidade. já ta indo pra mais longe. você já jogou. Eu observo que alguns colegas levam brinquedos de brincar mesmo: carrinho. numa dia que eu esteja mais tranqüila. sabem desligar o computador. as brincadeiras dirigidas? Nisso eu sei que eu falhei. ele fica perto. eles têm uma relação boa entre eles. eu gosto muito de trabalhar leitura e escrita. já facilita. sobre as linguagens. isso a gente registra. panela. Volta para o computador. suponhamos.122 marca. o dia-a-dia da escola faz com que você deixe algumas linguagens. é mais a organização do espaço pra você estar trabalhando as linguagens. Então. Tanto ele trabalha ali na informática. a refletir porque você não está fazendo aquilo. já sabem o que . pra fazer um jogo da memória com a criança. às vezes não. o Wilson ele nunca brincou. boneca. E se a organização do ambiente já ti força a planeja e trabalhar um determinado dia da semana no horário aquela linguagem. sentam na mesa de jogo e ali elas brincam com o colega que tá ali e joga. você ta fugindo da minha cordinha né. eu sempre digo: O Wilson fala com os olhos. As outras 15 crianças. como uma sala de jogos de raciocínio. as múltiplas linguagens da educação infantil como você tem sentido essas linguagens na prática docente? Tem conseguido desenvolvê-las com os alunos? Sente dificuldade? Quais as dificuldades que você aponta. a minha sala seria uma sala maravilhosa. trabalhar o raciocínio lógico-matemático. Então. Até que o projeto esse ano da minha mostra cultural é o diário de leitura. Eles já entram. eles escrevem a senha no computador. Professora 1: Laboratório de informática. ele vai e monta um quebra-cabeça. Porque é uma sala que dá pra aproveitar pra trabalhar a linguagem. eu já sei: Ah. pra ver como funciona. vai brincar um pouquinho. na memória. Pesquisadora: Muito bem. Não digo que deixando totalmente. mas já registrei aqui na mente. Professora 1: Então. eu registro na memória e coisas que eu acho importante eu pego e anoto ali na própria atividade da criança no dia-a-dia no diário. Porque no começo eu tinha que ficar intervindo: Agora é a vez do coleguinha. Cansou. nesse momento. mas e o raciocínio lógico-matemático? E o brincar da criança. como eu falei pra você. Então. por exemplo. mais ou menos. senta. o que aconteceu de importante e marco. já algum tempo.

ele tem que estar ali arrumando os computadores também. eu faço durante a semana. Não dá. Então. como é que você vai brincar de cantar ali com as crianças? Vai brincar de roda com a criança? Vai fazer um jogo ali com a criança. no pátio externo o professor não tem voz e a criança se distrai. só ta colocado o computador lá.123 fazer. a minha sala é uma sala rodízio. é importante. Aí eu dou jogos matemáticos na informática. mas não é garantido. Deveria estar acontecendo junto. Ela não consegue ouvir as suas comandas em determinadas brincadeiras. Então não foi pensado na organização dela. Pesquisadora: E em relação à sala de aula? Daria pra desenvolver essa linguagem? Professora 1: Dá pra desenvolver. as leituras e as atividades dentro da leitura e escrita. pra estar aproveitando o espaço. três computadores. por exemplo. os computadores atendem 20 crianças. a manutenção dos computadores aqui. isso já é uma linguagem que fica prejudicada. que é possível estar fazendo. e que para o professor que está na sala de aula. Porque assim: a minha sala é uma sala de . que julgam prioridades. Então. Como eu disse pra você. por quê? Porque existem outras prioridades dentro da escola. eles não acham que são importantes. desde que você tenha a sala de aula o tempo todo pra você. Como eu sempre digo pra as minhas colegas: virou um telefone sem fio. Então o que o grupo gestor viu lá? Ah. Porque a nossa realidade é diferente da quem ta fora. não é. a gente sente certas necessidades que. o professor além de estar ali auxiliando as crianças. que pra outras pessoas. Então. a informática. Essa gestão colocou o Rede em Rede para o grupo gestor e eles deveriam estar passando essa formação para os professores. mas ela não está organizada pra isso. Mas isso não acontece. Porque quem ta fora tem outro olhar. e quem está ali dentro com as crianças. nós não temos. Pesquisadora: Muito bem. a informática é importante. mas a manutenção dele e a ajuda pra esse professor nessa sala também é importante. participou e viveu teria que estar sendo passado para os professores no mesmo tom. Que seria o pátio. dois. nós temos muitas refeições. Então eu fico uma hora e meia só nela. Vai competir com mais três salas que estão almoçando? Aí você vai pára o pátio externo. O espaço pra você trabalhar brincadeiras dirigidas. a organização com jogos auxiliando o professor no horário dele de informática. Tá. eu vou dar a minha saída. quando a escola está mais tranqüila. À respeito do Projeto Especial de Ação e do Programa A Rede em rede: Formação Continuada na Educação Infantil. brincadeiras cantadas. aí quebra um. é importante a sala de informática. Algumas brincadeiras. Então. como eu posso dizer. Porque cada um entende de uma maneira e tem uma concepção de entender aquilo que está sendo passado. só que o pátio. e as refeições ocupam totalmente o pátio. essa uma hora e meia eu tenho aproveitado pra fazer rodas de conversa. nessa sala. Quando eu saio da minha sala e vou para a minha sala de informática. levando à reflexão e à discussão. O que grupo gestor viu. Eles estão presentes na formação continuada ao mesmo? Ou tem um momento em que vocês estudam o projeto e um outro momento para o programa? Como é a organização do projeto e do programa dentro da formação continuada? Professora 1: Eles deveriam acontecer juntos. Pesquisadora: Você tem como me dar exemplos? Professora 1: Vamos citar. E é uma sala boa pra estar trabalhando linguagem matemática.

pra dar uma volta. de um aluno que se enfiou debaixo de uma mesa com o coleguinha. essa professora precisa de alguém lá com ela.. Mas nem sempre. Eu entrei em pânico. devido às prioridades que acham que é mais importante: “Hoje vamos fazer um estudo de tal autor. aquilo tá me engasgando. eu vou levar essa criança pra tomar uma água. os alunos são de todos da escola. tem dia que ele não ta bem. vamos conversar pra que você possa dar continuidade. Pode até ser que aconteça. eu fiz dessa forma. mas aquilo não é pra ser discutido agora. Eu fui dar minha saída na sala de informática. professora. das linguagens. Agora tem que ler tal revista. Porque os colegas vão dando experiências e a gente vai aplicando aquilo. não é? E o professor. Isso já aconteceu mais ou menos com uma turma minha.124 segundo estágio. da tia. por exemplo. Aí eu percebo. As crianças de hoje são muito ativas. O professor. ele está discutindo alguma coisa com as crianças. Você percebe a teoria do Projeto Especial de Ação ( PEA). ah isso não deu certo. As crianças ligavam e desligavam o botão direto. E quando você tira essa criança. saem fora da roda. tem que ler isso. mas e para o professor? É problema ou não? Como que é? Eu costumo dizer que o aluno é da escola. tá aqui. porque a maioria já tem vídeo-game em casa. Então muitas saem. Por que a minha aluna ta se enfiando debaixo da mesa com o coleguinha? O que eu faço? No que os meus colegas podem me ajudar? Que dicas podem dar? O que esse Rede em Rede formador passou para esse grupo gestor? Dicas que a gente possa tá trabalhando isso. mostrando como se faz. mas não percebo assim de cara. então todos têm que estar envolvidos no ensinar e educar desse aluno. como se ela fosse um problema pra eles.. fala: vou tirar essa criança pra dar uma voltinha. eu percebo quando existe a troca. Então. muitas vezes. logo ti trazem ela de volta. Saem fora da roda. muito criativas. Agora. tem computador ou o computador do tio. Então eu fico imaginando. não é agora. Ele precisa de alguém ali pra falar: professor eu vou dar uma mão. tem dia que ele ta bem. porque hoje eu vivi esse problema. então eu tive mais facilidade nessa sala com as minhas crianças. E eu tô com um problema lá na minha sala que tá me engasgando. os outros estão completamente soltos. Não. como é que eu faço? Ah. vamos ler tal revista. Então eu trago um fato. Então foi mais fácil. tem que ser passado para o professor. morde o outro. aí eu percebo. numa forma dele repensar sua prática e dele procurar alternativas pra tentar amenizar os problemas da sala de aula. Dentro dos estudos eu acho que é lento. página tal”. nem todas as crianças ouvem como deveriam ouvir. arrancaram até o mouse do computador. Então ela precisa de ajuda. É muito lenta essa formação. quando ele está numa roda de conversa. Aquilo agora não é pra ver. são agressivas também.. eu fico imaginando o professor de primeiro estágio. E as minhas crianças ficaram: Professora ele ta arrancando. tá na bibliografia. Então. Olha isso deu certo. porque enquanto ela ta li pegando na mãozinha de um. que não resolveu e o grupo me auxilia. Pesquisadora: A outra questão é a respeito. chuta o outro. tal dia é dia da prática”. Um dia dessa semana me colocaram quinze alunos de primeiro estágio na minha sala porque a professora faltou. Então por isso que às vezes eu acho que não está conectado. Entendeu? “Ah.. professora ele vai. algo que aconteceu na minha sala de aula que eu não consegui resolver ou que eu tive uma determinada atitude e achei que não foi boa. pra você respirar. Mas eu quero hoje. das múltiplas linguagens. por isso que eu digo: esse Rede em Rede que fala do brincar. na sua prática docente? Professora 1: Eu percebo quando existem momentos de troca de experiência. Pesquisadora: E a questão do Programa A Rede em rede? . faz assim.. Porque às vezes é uma e o restante da turma ta envolvido. Hoje eu não sei o que eu vou fazer com esse problema...

Porque pra eles é passado de uma forma e pra nós é passado de outra. emperra. Pra mim. ensinar para o aluno. cada um passa o que entende. o que entende de determinada linguagem. o grupo se reúne. ele ta fora do grupo de JEIF. Acolhimento tem que acontecer na sala de aula por quê? O acolhimento pode acontecer desde o primeiro momento que eu abro o portão para a criança. o que entende de acolhimento. ‘Olha. . mas eu não vejo acolhimento dessa forma. Então essa visão que a gente precisa saber. uma brincadeira dirigida. faz algumas trocas de experiências.125 Professora 1: Como eu disse pra você. então ele não está junto com o grupo. porque a formação continuada acontece nos grupos de JEIF e geralmente esse professor que não faz. Eu gosto de um ambiente mais aberto. Então. Você percebe. Não que o trabalho dele não seja tão bom quanto o de quem está fazendo a formação. Então. Qual seu horário de acolhimento?’ E eu tenho que marcar na minha rotina o meu horário de acolhimento e tem que ser cronometrado o horário de acolhimento. Pesquisadora: Bom. Existem fatores que ainda impedem a aplicação da proposta do PEA. a rotina da escola. Esse Rede em Rede tem que ser também para o professor e o professor junto com o grupo gestor. Eu vou dar um exemplo pra você: foi falado do acolhimento pra todo o grupo da escola ‘vamos mudar. às vezes impede. essa maneira de passar que é duvidosa. determina alguns projetos. que a gente dance. Por que eu não posso acolher minha criança cantando no pátio. tal hora é hora de acolhimento. eu gosto de cantar com as crianças e isso a própria organização da escola impede que eu faça esse trabalho do jeito que eu gosto. tem que acolher a criança’. o Rede em Rede virou um telefone sem fio. uma brincadeira mais livre. e acontecendo junto a gente consegue pensar mais em prol do aluno. Será que eu tô certa? Será que eu tô errada? O que tâ acontecendo? Porque passaram pra gente que é de uma determinada forma. vamos acolher. porque tem professores que fazem trabalhos maravilhosos. pra que os dois possam fazer um reflexão do que está acontecendo no cotidiano da sua escola. a gente não conhece o trabalho dele. O que entende do brincar. mais livre. a diferença entre a sua prática docente em relação ao professor que não fez ou não faz a formação continuada? Professora 1: Eu percebo a falta de entrosamento. Então eu acho que a organização mesmo da escola impede um pouco o trabalho. eu não preciso ter hora para acolher meu aluno. Então a gente percebe dessa forma. Pesquisadora: Muito bem. que a gente cante. Pra mim todo momento eu tô acolhendo meu aluno. Eu gosto de trabalhar com brincadeiras cantadas com as crianças. professora. Não tem que ser: ah. só que por ele não estar entrosado. ele pode estar enriquecendo muito o nosso trabalho e a gente ainda dando coisas novas pra ele. até pra estar trocando como trabalhar com determinados temas. Às vezes. vamos mudar. vamos montar um horário. acolher é a todo momento. Ele faz lá fora a atividade uma vez por semana ou duas. na educação do aluno. do Projeto Especial de Ação. esse professor fica deslocado. a organização do tempo. na sua prática pedagógica? Professora 1: Impedem: a organização do ambiente. dançando? Tem que ser na sala de aula porque falaram que tem que ser na sala de aula. porque eu tô fora e eu não sei. então essa é a descontinuidade. na maneira que eu tô recebendo ela. Então.

ainda não foi pensado nisso. Como a unidade escolar está se organizando para atender as crianças de quatro anos a completar. brinquedos apropriados. mais ou menos. a guardar aquilo lá. meses. Que nem. a espaço. que estão comprando muitos brinquedos. mas vai acontecer mais freqüentemente do que com as de três anos e meio. Espero que no começo do ano a gente tenha esse tempo pra nos organizar antes dessas crianças começarem realmente. são as verbas. Então nós entre as professoras estamos preocupadas: ah. a localizar sua mochila. Foi de grande valia para a pesquisa.126 Pesquisadora E existem fatores que têm auxiliado a proposta do Projeto Especial de Ação da unidade e do Programa A Rede em rede. E são trinta pra ajudar a se servir. E o objetivo maior é que nós possamos compreender a formação continuada. muito. mas nós professoras já estamos muito preocupadas. como eu falei. que eles possam realmente fazer parte do nosso cotidiano. já não é a mesma criança de quatro anos. os programas. só. A gente pede. A escola ainda não propiciou momentos pra que a gente se organize. né. porque aqui é self service e a criança ainda não tem toda a coordenação pra estar pegando. quebrar uma rodinha e a criança colocar na boca. duas professoras. nós vamos ser uma professora pra 30. não é. Os brinquedos que a escola tem hoje é fácil quebrar a roda de um carrinho. . Obrigada. Pesquisadora: Muito bem. o que tem auxiliado. enfiar no nariz ou no ouvido. mobiliário? Vocês têm conversado sobre isso no coletivo? Como vocês têm se organizado? Professora 1: Nós temos conversado entre nós professoras. a completar quatro. Ajudar a colocar o sapato nessa criança. na prática pedagógica? Professora 1: Olha. Não que não aconteça com as de quatro anos. mobiliário. ajudar a colocar comida no prato. São crianças novinhas que estão chegando. como que vocês têm se organizado em relação a tempo. São muito diferentes. Lá. um mês já faz diferença. será que eu pego berçário. dezoito crianças. Obrigada pela participação na pesquisa. eu creio que só. não de onde as crianças vêm geralmente é quinze. os projetos e assim. tudo. Nós estamos preocupadas com o ano que vem. Pesquisadora: Professora eu quero agradecer a sua participação nessa entrevista.isso ajuda bastante. Então ainda não se organizaram quanto a isso. será que eu não pego. nem o espaço. E nós vamos ter que ensinar essa criança a tirar sua roupa quando sente calor ou colocar a roupa quando sente frio. Essas crianças virão com três anos e meio. o próprio grupo de formação ajuda bastante esse programa. Primeiro porque vai ser uma sala de 30 e vai ter um único professor. não pode ser tão pequeno assim. materiais pra gente. Então. tem que pensar muito bem nos brinquedos. eles logo estão providenciando esses materiais.

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APÊNDICE D – Entrevista Professora 2

Pesquisadora: Professora entrevistada número 2. O que você entende por formação continuada? Professora 2: O que eu entendo por formação continuada é aquele estudo que o professor tem depois da sua formação, da sua graduação ou outro tipo de formação e convém com a sua prática. Então ele tem a prática, e através da sua prática, dos seus problemas, das dificuldades que ele vai tendo no dia-a-dia ele vai estudar, vai procurar teorias que o auxiliem nessa formação continuada. Essa formação continuada pode se dar na escola, como fora da escola também através de cursos, através de uma pós- graduação, através de leituras que o professor faz em casa. Eu, no meu caso, eu tento sempre procurar. Eu sempre procuro assim, estar lendo, porque eu acredito assim, que nós professores, nós nunca deveremos deixar de estudar. Porque assim, nós sempre recebemos uma criança nova, de um contexto novo, uma criança que vem de uma época, de uma sociedade diferente daquela que talvez nós estudamos; da minha formação mesmo, há dez anos atrás. Uma criança que cada vez mais com a tecnologia, ela vai mudando. Então, o professor também tem que vir buscar essa mudança, ele tem que vir buscar esse estudo. Então eu procuro, de acordo com os livros que tem aqui na escola, né. Porque infelizmente nós não temos assim condição de ter acesso a livros, os livros são caros. Então, na medida do possível, que a prefeitura vai trazendo livros para a escola eu vou olhando os livros e vou pegando aqueles que eu acho interessante, que convém com a minha prática, com a necessidade das minhas crianças e aí eu vou lendo em casa, né. E também no PEA. A PEA é uma formação continuada. Pesquisadora: Obrigada. E quais são os momentos em que ocorrem essa formação continuada dentro da unidade escolar? Professora 2: Como eu já tinha falado né, isso acontece no PEA. É o momento onde nós nos reunimos. Ai foi muito interessante ter o PEA aqui na escola porque nós dividimos da seguinte maneira: na terça-feira a gente pega pra estudo. Na quarta-feira nós pegamos para a prática. Através do estudo que a gente tinha estudado na terça-feira, a gente pegava a quarta pra fazer a prática da sala de aula. E depois da reflexão, do texto que a gente tinha lido e da prática na quarta, na quinta a gente replanejava. Assim, essa formação continuada dentro da escola já se dá no PEA e nas reuniões pedagógicas também. Porque nas reuniões pedagógicas é o momento que a gente pára, a gente reflete. Porque nas reuniões pedagógicas é um número maior, é praticamente a escola inteira, então você tem contato com outros professores, de outros turnos que você não tem no PEA. Então, é muito interessante por isso, deveria até ter mais encontros desse tipo. Pesquisadora: Muito bem. Qual é sua concepção de infância e de criança? Professora 2: Criança... Nós seres humanos, na verdade, somos seres em aprendizagem e a criança, ela é tudo de bom. Ela é igual uma esponjinha, ela absorve tudo. Então, a minha concepção de criança é que é um ser em desenvolvimento, curioso, que gosta de brincar, que tudo é de bom pra eles. Tudo eles absorvem, absorvem tudo. Eles sonham, eles viajam. Ah, é muito bonito falar em criança. Criança é... Por isso que eu escolhi educação infantil, porque

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eu viajo junto com as crianças no mundo da fantasia. Eles são sinceros. São seres assim, que se eles gostam, eles gostam; se eles não gostam, já falam que não gostam. Pesquisadora: E como você vê essa criança no processo de aprendizagem? Professora 2: Como eu tinha falado, é um ser em constante aprendizagem. A criança, ela absorve tudo que existe, tanto de ruim, como de bom. Por isso que é importante, por isso a grande importância da educação infantil. Você tem que saber o que você quer, qual que é seu objetivo, o que você quer alcançar. Porque você sabe que a criança, ela vai absorver tudo. Então, se ela vai absorver tudo, vai absorver tudo de bom, tudo de melhor pra vida inteira, porque é o alicerce. Como eu falo nas minhas reuniões para os pais: a educação infantil é o alicerce da casa, o alicerce que a criança vai ter para o resto da vida, a construção da personalidade. Então eu acho que é muito importante o professor saber o que ele quer. Pesquisadora: Muito bem. Em relação ao seu questionário, você se declara sócioconstrutivista. O que você entende por essa concepção? Professora 2: O sócio-construtivista, o pai de tudo isso, vamos falar que é Vygotsky. Então, ele fala que a criança vai interagir com o meio e conforme o meio ela vai estar construindo a sua aprendizagem. Então eu acredito que sócio-construtivista é o meio. O que o meio oferece pra essa criança pra ela ta pegando, experimentando, vivenciando. Então, conforme esse meio que ela tem à sua disposição, ela vai tá aprendendo e desenvolvendo a sua aprendizagem. Pesquisadora: Muito bem. Agora, como tem sido no seu cotidiano de sala de aula a organização do espaço e ambiente? Professora 2: Olha, nós temos aqui na unidade, em todas as unidades de EMEI papel, giz, lápis de cor, canetinha, a lousa, brinquedos. Então, o espaço ele é organizado de maneira bem diversificada, conforme a atividade a criança pode escolher o material que ela quer, eu não determino o material que vai ser usado, só em alguns momentos em que há necessidade. Mas assim, quando vai fazer um registro, eu geralmente deixo vários tipos de materiais à disposição, elas abrem o armário, o armário é delas, elas abrem, elas pegam o que elas querem: borracha, lápis, tesoura, cola, né. E assim, na sala de aula uma coisa fixa são os brinquedos, então elas costumam brincar, elas fazem do jeito que elas querem, depois elas guardam, algumas crianças têm dificuldade para guardar, a gente tem que estar reforçando, falando. Mas eu tenho que deixar assim, o material que nós temos, na medida do possível, à disposição delas. Até o rádio, nós temos um rádio, eu deixo elas manusear, elas colocam o CD que nós vamos usar. Pesquisadora: Em relação aos brinquedos, você pode descrever quais os tipos de brinquedos que existem na sala de aula dentro do armário? Professora 2: Os brinquedos são o monta tudo, são aqueles cubinhos que encaixa, são os brinquedos, eu não sei o nome pra dizer, mas é um quadradinho que vai construindo quadrados; ele é muito bonitinho, eles adoram. Jogos, nós temos bola, nós temos bambolê, corda, temos brinquedos de faz de conta. Então são esses brinquedos.

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Pesquisadora: Muito bem. E a questão do tempo, como você tem organizado o tempo na sala de aula, na unidade. Como tem sido esse tempo? Professora 2: Eu não costumo cronometrar o tempo porque a gente tem que respeitar o tempo da criança. Então, o que é que eu faço? Desde o começo nós fizemos uma rotina com as crianças, então o nosso lanche é às nove horas, né. Então, a gente até às nove horas a gente desenvolve atividade de leitura, das de registro, às vezes, alguma atividade de recorte e colagem. Depois das nove horas a gente vai pra área externa, faz uma atividade de bola, brinca no parque e brincadeira de faz de conta. Então assim, eu não tenho tempo cronometrado, mas nós temos essa rotina. Primeiramente a gente faz uma atividade na sala de aula, faz uma atividade de teatro, alguma coisa desse tipo e depois do lanche uma atividade externa ou o faz de conta. Pesquisadora: Quanto aos materiais utilizados, você até já relatou. Quer falar mais alguma coisa sobre os materiais? Professora 2: Os materiais utilizados na UE são materiais oferecidos de acordo com a possibilidade da UE, só que assim, eu acredito como professora, eu sinto muita necessidade de ter informática, de ter materiais tecnológicos na sala de aula. Eu acredito assim, que na sala de aula tinha que... Nós vivemos em um mundo onde as crianças têm acesso, por mais pobre que ela seja, ela tem já acesso ao computador, ela tem acesso a todos os tipos de tecnologia ou em casa, ou em algum lugar que vá. E assim, a necessidade que eu vejo ainda na EMEI é aquela lousa ainda verde, poderia mudar essas coisas. Não sei, um computador. Pesquisadora: Tipo um cantinho na sala de aula? Professora 2: Não. Eu não falo o cantinho. Eu falo mesmo de ter um telão e o professor ter o computador. Porque, às vezes, a gente quer mostrar uma imagem para a criança, tipo dia da informática, aí vai lá mostrar essa imagem, o computador. Porque eles trabalham por temas, temas diversificados, então, às vezes, eu precisava mostrar uma imagem, aí eu não tenho como mostrar a imagem. Aí, às vezes, um vídeo, igual, sobre a água, eu tive que esperar o dia tal, pra ir lá tá levando. Porque assim, você quer levar um material pra sala de aula, às vezes não têm pessoas pra ta ajudando levar, porque cada professora tem sua turma, a sua atribuição. Eu não posso deixar as crianças sozinhas, mesmo pra organizar esse material. Então eu acho assim, ainda é um sonho meu que a EMEI tenha ainda a informática. Porque eu falo assim, ter um telão, o professor ter um computador, aí joga lá na internet, aí aparece a imagem, as crianças ficam vendo o telão. Isso é maravilhoso. E também é um sonho meu que tenha poucas crianças, menos número. Eu acredito que o ideal seria 20, 25 crianças por sala, porque tendo muita criança dificulta muito o trabalho. Eu percebo que o dia que vem menos crianças, eu consigo atender melhor, individualmente, cada criança tem a sua necessidade. Agora, quando vem muita criança,eles ficam agitados, o espaço é pequeno e eu não consigo atender cada um, né. Eu sinto essa dificuldade. Pesquisadora: Como você vê essa questão do cantinho? A organização dos cantinhos na sala de aula? Professora 2: Olha, eu vejo muito bem. Só que a dificuldade que eu tenho ainda pra esses cantinhos é por causa do número de crianças, né. Por ser muita criança, às vezes, eu não

O professor estar fazendo esse curso. eu registro. Eu não fiquei sabendo muito o que aconteceu na formação do Rede em Rede. Então assim. . é importante porque a partir do momento que ele lançou um conhecimento. quase todos os dias. Nós lemos os livros. na sua prática pedagógica? Professora 2: Olha o registro. você precisa que as crianças entendam que. Humanamente é impossível. Sabe? Porque assim. e a gente não consegue. Como tem sido o registro. na sua prática docente? De que forma? Professora 2: Olha. Então. mas muitos casos não é possível ainda. Porque assim. mas também que aquela criança que está naquela cantinho também tem que rodiziar. E. registrando. mas eu gostaria de registrar na hora. ele vê o progresso da criança. ele vai. Pesquisadora: Muito bem. às vezes. E também a dificuldade que eu tenho de atender um cantinho. a gente tem que trabalhar de acordo com os temas na nossa prática docente. registrar na hora. Então eu acho que seria importante abrir sim para os professores. a dificuldade é muito grande. porque cada um é uma pessoa. Então eu acho que o registro é muito importante sim. porque o PEA tem os temas no começo do ano. Porque é esse o objetivo do cantinho. O professor assim. igual. observando. pra você ter o cantinho. trabalhar com corda. onde o professor ele vai. eu vejo a dificuldade que eu tenho das crianças entenderem que ela tem que sair daquele cantinho que elas gostam muito. isso eu acho que ainda ficou a desejar. quando eu trabalho com o cantinho. eu trabalho com o cantinho quase todos os dias. Porque às vezes o coordenador. Porque eu gostaria de cada dia estar atendendo uma criança especificamente. você sente dificuldade em trabalhar as múltiplas linguagens na educação infantil? Professora 2: O que eu tenho sentindo mais dificuldade ainda é os movimentos. mas que também tem que ir para outro cantinho. as outras linguagens. eu acredito até que o o curso deveria ser para os professores também.130 consigo fazer essa organização.a gente não consegue. Só que pra isso precisaria ter um pouco menos de crianças. cambalhota. eles exigem muito da gente. eu vejo assim. então eu não consigo. Mas o Rede em Rede em si. Pesquisadora: Em relação ao registro. Mas como assim. facilitaria muito o trabalho. às vezes. cada um vai passar do jeito por ele. Mas fora da sala de aula eu ainda tenho dificuldade de trabalhar. as orientações curriculares. como aquele cantinho ta cheio. né. aquele que quer mesmo fazer as coisas. que a gente ta trabalhando algum texto. ela tem que procurar outro cantinho. mas cada um tem a sua concepção. Porque as crianças tem necessidade da gente e a gente tem que registrar. Mas assim eu vejo como de grande importância. tem toda uma metodologia pra fazer com que as crianças rodiziem todos os cantinhos. eu tenho que pegar um tema que eu vejo que há necessidade e aí eu tenho que trabalhar todas as linguagens. Trabalhar com pneu. mas por ser muita criança. com gincana. E o Rede em Rede eu não tive muito contato esse ano. porque ele é a memória viva do professor. Então. Eu tento registrar todos os momentos que se destacou. a partir dos livros e das orientações curriculares a gente procura trazer aquilo lá para a prática.a gente percebe assim. ele volta. às vezes eu consigo registrar na hora. ele se esforça muito. Pesquisadora: Você percebe a teoria do Projeto Especial de Ação e do Rede em rede: a formação continuada. trabalhar tipo. depois que termina. Mas quando eu trabalho com o cantinho. A gente sabe dos livros. pra não se perder. Só que igual eu falei. Em relação às linguagens. nossa atenção.

tem quer respeitar cada indivíduo na sua íntegra. vamos se dizer assim. porque a gente procura no PEA trabalhar a nossa realidade. porque é fechado. nós vivemos numa constante. porque o professor que faz o PEA. Agora. na faculdade eu senti que faltava ainda conhecimentos. Pesquisadora: Muito bem. a teoria eu tenho.a única dificuldade que eu encontro é a quantidade de criança. já foi satisfeito. ele ta vendo o que a escola tá trabalhando. que a gente não poderia saber. sinceramente. a gente não tem que esperar. as decisões. conforme a nossa possibilidade. talvez não tenha mais necessidade. planejou. não pode mudar. Eu acredito que não tinha que ser assim. é como se fosse uma bolha em ebulição. tem que dar aquilo que ta lá. Parece que você trabalha sozinho. mandou lá para a DRE. Porque quando a gente observa uma criança. ele está interagindo mais na escola. eu fiz estudos. eu não tenho observado essa diferença. ta planejado. Porque os professores aqui na EMEI provavelmente eles dobram e eles fazem PEA no outro turno. tinha que ser flexível e. então eu fui buscar. Então. chegar no meio do ano poder estar mudando talvez a bibliografia. quando eu não fazia o PEA. eu conseguiria desenvolver um trabalho de mais qualidade. Infelizmente a gente trata um todo e acaba fazendo um depósito de criança e a escola não é um depósito de criança. Fiz uma pós-graduação em educação infantil. Ah. Então. o professor que não faz o PEA é um professor mais desinformado. eu ficava um pouco assim fora da escola. Pesquisadora: Em relação ainda ao Projeto Especial de Educação (PEA) e o Rede em rede. a gente vai conhecendo durante o ano. Acabou o final do ano e você ainda não está conhecendo ela. E ta colocando coisas novas. Eu acho que o fator maior que impede é esse. Igual. Não por mal. eu não tenho observado isso. planejou no começo do ano. Porque assim. a gente tem que ir atrás. por isso que é importante o PEA ser mais flexível e ter um pouco essa abertura da gente poder estudar coisas. Então assim. você tem dificuldade em aplicar a teoria à prática? Professora 2: Não. vão acontecendo coisas que a gente às vezes não planejou. Então eu acho assim. Assim. Então eu acho muito importante a realização do PEA sim. Então assim. . a gente vê a diferença sim. tem. porque eu conseguiria atender cada criança. Porque assim. Porque aquilo que a gente planejou. mas é porque assim. na sua prática pedagógica? Professora 2: Ah. Mas em outros momentos. a gente não pôde estudar textos a mais do que estava planejando no PEA. A única coisa que eu achei de dificuldade foi assim. é um conjunto. a gente não conhece. em outros anos. a quantidade de criança. as coisas acontecem no PEA: as informações. Porque cada criança tem a sua necessidade. que o professor fica um pouco. E assim. eu acho que se tivesse um pouco menos de criança. eu não tenho dificuldade não. eu tenho experiência por mim. Existem fatores que ainda impedem a aplicação das propostas teóricas. eu achava que o PEA tinha que ser mais flexível porque conforme vai passando o tempo. As crianças são vivas. busquei. vai surgindo coisas. poder sim mudar e estudar outros textos.131 Pesquisadora: Você percebe diferença na sua prática docente em relação à prática docente do professor que não realiza a formação continuada no horário coletivo? Professora 2: Olha. ele ta sabendo mais do assunto. Isso a gente não pôde fazer.

existem fatores que auxiliam na aplicação dessas propostas na prática docente? Professora 2: Sim. né. meio-período. que não estava no calendário. a minha preocupação grande na educação infantil é que as escolas agora estão recebendo as crianças seis horas. Nós estamos aqui pra ajudar no desenvolvimento dos filhos de vocês e eu quero fazer o que eu puder. tenha que talvez mexer na parte do prédio mesmo. Professora 2: Bom. Ela ainda não tem assim teatro. Então essa criança vai ficar estressada. Qual a qualidade que está se oferecendo pra essa criança? Porque a criança. Então. a EMEI tem aquele espaço restrito dela. tem piscina. Eu acredito que ainda é pouco porque ainda se tem muito mais a se fazer. nas EMEI’s. dessa maneira que eu tenho observado né a organização pra receber essas crianças pequenas de três anos. mas quando tem condições. como se fosse um orfanato. o fator é o da gente acompanhar mesmo. né. vai se conversando. pelo que eu observo a escola ela tem se organizado da seguinte maneira: procurar ter mais colchonete nas salas que as crianças de três anos vão estar. eles não estão . Então me preocupa muito isso. Continuando a entrevista. tem a pista de skate. às vezes vai estar vivendo um momento de stress. o diretor. se eu estou com alguma dificuldade. né. Mas eu vejo que assim. Mas uma criança que fica seis horas numa EMEI a minha preocupação é que vira um depósito de criança. a gestão estar junto com a gente tentando solucionar os nossos problemas. Então é assim. Então. Pesquisadora: Eu quero agradecer a sua participação. eles não estão aqui na prática. Pesquisadora: Muito bem. E assim. você caminhar junto com a comunidade porque nas reuniões eu sempre converso com os pais. procurar ser um ambiente que tenha poucas cadeiras. que tipo de cidadãos nós queremos pra oferecermos coisas boas para as crianças? Então eu acredito assim. conversar com os pais. Então eu sempre procuro assim. uma coisa muito fechada. nós somos uma parceria e nós vamos caminhar juntos. eles têm uma visão teórica. ela aprende tudo. o CEU ainda é um espaço que é muito rico em diversidade. tem várias quadras. Porque é um conjunto e a gente tem que procurar sempre parcerias. ou um turno integral como se diz. o professor vai ficar estressado e o que essa criança vai estar absorvendo? Às vezes vai estar absorvendo coisas boas. a escola tem procurado nas salas de primeiro estágio deixar menos cadeiras para as crianças trabalharem mais no chão. Eu acredito sim que a criança poderia ficar seis horas na escola. assim. é o que eu tenho observado. brinquedos que sejam bem baixinhos pra elas. a professora gostaria de relatar a preocupação com a educação infantil.132 Pesquisadora: Em relação a essa mesma pergunta. colchonetes e brinquedos. elas têm dificuldade pra usar vasos grandes. Como você e toda a equipe têm se organizado a esse respeito? Ou não tem se organizado ainda a esse respeito? Professora 2: Olha. Porque assim. são vários espaços que tem teatro. ela não tem espaços. Nós sabemos que vamos receber crianças de quatro anos a completar na educação infantil. que precisa se pensar nisso. que tenha bastante brinquedos. a criança fica seis horas ali. talvez até fazer uma reunião extraordinária. ter um banheiro mais acessível porque talvez os vasos são grandes. mas é uma coisa assim que é lenta e que se vai caminhando e que você vai planejando. a gente poder estar discutindo as nossas dificuldades. a coordenadora. A gente também junto com os pais. em relação ao ensino fundamental de nove anos. ela tem acesso a várias coisas. Eu acho que a comunidade é muito importante. porque infelizmente nossos órgãos públicos. professora. então vamos caminhar juntos.

então se a escola não passeasse comigo eu não ia conhecer. tudo que eu conheci foi graças à escola. Professora como você tem interagido com os seus alunos e como é a interação entre eles na sala de aula? Professora 2: A nossa interação se dá muito pela conversa. E fora assim. Às vezes acontece alguma coisa fora dos combinados. igual o teatro. precisava ter ônibus pra levar essas crianças pra passear. meus pais não trabalhavam comigo. pra que essa criança que ficasse dentro da EMEI ela fosse nesses espaços. Essa criança é mais carente. As crianças só ficam na escola porque não tem um ônibus. são as crianças. teatro é você ir ao teatro.133 vivenciando o que a gente ta vivenciando. mas acaba caindo na mesma. Pesquisadora: Muito bem. porque não tem ônibus. Eu vejo as crianças de hoje dentro da escola. um teatro. aí a gente conversa. e acaba que o professor que tem que organizar os espaços. mas também não se oferece nada. mas eu acho que toda EMEI tinha que ter sim um espaço de teatro. A criança tem direito de tudo isso. a estrutura de um cinema.. Eu acho que é muito pobre. piscina. gente. que não tem todos esses espaços diversificados. Eu conheci quando era pequena os parques de Santo André. o teatro vem na escola. presas. com a vivência. isso em 1985. Isso não deve acontecer. ela aprende com a experiência. Eu tenho experiência por mim. Porque o mundo não acontece na sala de aula. uma piscina. Às vezes tem algumas dificuldades que a gente ta vendo que não ta conseguindo se comunicar. sala de vídeo não é teatro. das brincadeiras com a professora. Gente. A gente faz uma roda de conversa. ela não tem acesso a isso. Obrigada. Entendeu? Meus pais tinham que trabalhar. não tem um passeio. e a gente que somos o ponto chave. quando eu era criança. então não se pode cobrar. Sabe? Porque infelizmente falar que a gente vai se organizar. Então. Não é verdade? Como a criança vai vivenciar se ela tem só isso? Ela precisa experimentar o que ta aí fora. eu conheci os teatros. E a criança acaba ficando dentro da escola e o mundo não acontece só dentro da escola. os meus pais não saíam comigo. às vezes o rodízio não dá certo e acaba ficando naquela mesma. Piscina é você ir à piscina. Pesquisadora: Será que em relação a uma mudança do tempo. que a criança também vai estar saindo fora daquele espaço da sala de aula. tem que fazer rodízio. o mundo acontece lá fora. do espaço. então todos os passeios. a nossa interação inteira é pela conversa. Então tem que se pensar bem pra não virar um depósito as escolas de educação infantil. eu sei que é impossível. Sabe? A criança precisava ir num parque. e o professor está ali vendo as dificuldades das crianças. a gente se organiza. Se a gente não oferecer que experiência ela vai ter de infância? Que lembrança que ela vai ter da EMEI? Só das brincadeiras lá do parque. que a gente não . Tudo pra poder estar ajudando a nossa interação. a gente vê os combinados. Ah. a gente vai ver porque ta acontecendo isso.. porque joga muita coisa pra cima do professor. eu acredito que toda EMEI deveria ter. Isso é uma coisa boa porque a criança. das brincadeiras com as outras crianças. Então. A educação é gratuita. uma outra organização dessa escola ajudaria a organizar e a acolher bem essas crianças que virão? Professora 2: Olha. a estrutura de um teatro. eu acho que tem muita coisa pra se fazer para as coisas melhorarem. Porque a sala de vídeo não é cinema. Pesquisadora: Por que você sente isso? Professora 2: Porque o professor acaba caminhando sozinho. eu acredito que se tivesse uma biblioteca.

É de grande importância mesmo para o professor ele procurar a sua formação continuada. então eu achei até interessante. Isso não. eles dividem a sala. a minha sala teve pouco esse negócio de violência. trezentos anos atrás. é triste. É muito interessante até. uma coisa que o professor realmente aprendesse mesmo e trouxesse. Então assim. é engraçado você vê isso. um lado fica as meninas e do outro lado os meninos. ele ainda trabalha com aquele tipo tradicional. Então assim. fazer uma pós-graduação numa faculdade boa também. E as crianças também. a minha realidade é diferente dessa. temos aí à distância. o que a gente vai fazer? A gente procura assim. os alunos vêem: professora fulano fez isso. . Professora 2: De nada. porque a criança. mas eles brincam. Sabe? De você traçar o caminho que leva o pintinho ao milho. Você vê que a escola ficou há cem. então você que o professor que trabalha com EMEF parece que tem até um jeito de querer que a criança de educação infantil também seja de EMEF. Em relação ao que você havia comentado à respeito da graduação e da pós graduação. na hora de brincar. mas é curioso de você observar isso. porque é fora da minha realidade. Não terminou. eu acho que é muito importante sim. a gente observa isso né. ele é um ser sempre em condição de mudança. Aí você assim observa que apesar das crianças se dividirem entre meninos e meninas. você bem essa interação. O ser humano não é um ser acabado. infelizmente. Porque a gente. agora acabou.134 combinou. não em qualquer faculdade. Nossa! Justamente porque os professores aqui trabalhavam com EMEF. Pesquisadora: Eu quero agradecer a sua participação. isso seria ótimo. resolver com diálogo. esse relacionamento é muito bom. Foi de grande valia essa entrevista. eles tentam brincar um pouco juntos. Eu tenho observado. Uma coisa presencial. por ter ido por várias escolas. Eu procuro sempre falar pra eles que a gente precisa conversar. até a prefeitura estar incentivando os professores a fazer uma pós-graduação. professora. Não adianta falar: ah estudei. uma criança agredir a outra. E é pra sempre isso. Pesquisadora: Muito bem. Você poderia estar comentando pra gente esse momento? Professora 2: Sim. Sabe? Ou senão você copiar o ba-be-bibo-bu sem uma contextualização. É assim. porque assim. né. Professora muito obrigada. Eu não tenho dificuldade nenhuma com nenhuma criança. ela não é terminável. que o professor que fez só a graduação há muito tempo atrás.

até os seis anos. nós mudamos. é muito corrido. tirar dúvidas. o que eu mais sinto falta é isso. Professora o que você entende por formação continuada? Professora 3: Bom. trocar experiências ou. até mesmo assim. Então assim. eles têm mais momentos ali que eles estão juntos. de dividir. é uma correria constante. Pesquisadora: Você se sente. é uma perda. de trocar experiência. essa busca. com certeza eu faria sim. É que pra mim realmente fica muito difícil pelo acúmulo de cargo. em que momento você localiza essa formação continuada na unidade escolar? Professora 3: Olha. é muito importante esse momento da criança – a infância.135 APÊNDICE E – Entrevista Professora 3 Pesquisadora: Próxima professora é a professora número 3. da sua prática. pelo que eles falam. Pesquisadora: Em relação ainda à formação continuada. eles têm mais oportunidade de troca. É uma desabafo também. né. Você sente que é uma perda na sua formação? Professora 3: Ah. eu acredito que seja assim. E é importante esse momento. Isso também é muito importante. A gente não se encontra. ele reclama ou fala que sente saudade. As crianças mudam. e assim. esse momento de troca é muito importante. algumas dificuldades encontradas. estar desabafando. deixa eu ver como eu posso dizer. que eles têm oportunidade de discutir alguns assuntos. é muito gostoso. você perguntou também com relação à teoria e a prática. É o professor estar sempre em busca de novos conhecimentos porque tudo muda. Você não tem um momento de encontrar com seus parceiros. eu percebo assim. as mães sempre comentam: ah dia que não tem aula. principalmente essa idade que a gente trabalha. né. essa idade. formação continuada. Mas assim. ou ainda não? Com relação à prática a gente percebe que tem algumas coisas que eles estão estudando lá e estão discutindo. muito gostosa essa fase. Eles têm essa oportunidade de ta trocando experiência. pra estar sempre se atualizando e acompanhando essas mudanças. é idade de formação de personalidade mesmo. refletindo e eles conseguem levar pra prática uma ou outra coisa. falando do seu trabalho. que o grupo que está nessa formação eles assim. né. A gente percebe que eles gostam de vir pra escola. essa formação continuada pra gente acompanhar essas mudanças. eles gostam de tudo que acontece aqui. porque o nosso trabalho é muito humano. conversar. é como uma reciclagem. a comunidade muda. eu acho assim. eu acho que o mais forte é isso mesmo. Então eu acho que principalmente por isso. você declara no questionário que você não realiza a formação continuada devido ao acúmulo de cargo. E sempre refletindo. precisa muito desse momento de conversar. melhorando nossa prática. uma questão de refletir. Eu acho muito importante. E a gente que não participa do projeto. Mas se não fosse essa questão. Qual é sua concepção em relação à criança e infância? Professora 3: Ah. é assim. muitas vezes. eu nunca participei. a gente trabalha . né. Professora 3: Agora assim. Assim. Pesquisadora: Muito bem. de conversar. as famílias mudam. Eles falam o que eles fazem aqui. sim. Eu acredito que aconteça isso nesse momento.

é história. o brinquedo que ela vai brincar. a letra b.136 muitas linguagens. Entendeu? Então assim. você acaba ficando um também um pouco disso. pra ela criar. se conhecer melhor. carrega esse lado tradicional. na maior parte do tempo é isso. sinceramente. eu vou dar um exemplo pra ficar mais concreto: as letras do alfabeto. eu acredito muito que a criança. De acordo com o seu questionário. vários tipos de jogos. a socializar. olhando no geral eu acredito que eu me enquadro melhor nessa concepção sócio-construtivista. a letra c. a se formar. tudo que você vai fazer. aquela necessidade de trabalhar a letra a. pelo ambiente que você ta. eles curtindo. de você estar oferecendo material pra ela explorar. lista de nomes. não o tempo todo. o desenho. na sua prática? Professora 3: Então. usando isso. é importante porque assim. um com o outro.. a gente faz brincadeiras na lousa. todo mundo tem um pouquinho de tradicional. Às vezes você vai com uma proposta e a proposta até muda porque ela ta participando. muito bom poder ter essa oportunidade de trabalhar com essa fase. então todo mundo carrega isso. Mesmo porque nós estudamos. Então. Trabalhar muito essa coisa da criatividade. conhecer a rotina. Pesquisadora: Muito bem. nós fomos formados numa concepção muito tradicional. que ela vai brincar. a dividir. a música. ainda ta naquela fase gostosa. ficando felizes. dela ter autonomia pra fazer. gostando. a conhecer a escola. dela se expressar. formar sua identidade. você vê que mesmo se você trabalhou mais. E a gente sabe assim que esse momento da educação infantil. você se declara sócioconstrutivista. da autonomia. eu acho maravilhosa essa fase. mas você tem ainda. Eu trabalho muito bingo de letras. Então você sabe que não é assim que ele aprende. Aí assim. Então eu acredito que eu me enquadro mais nessa proposta por conta disso. eu coloquei sócio-construtivista porque assim. Então assim. em relação ao tradicional aquelas coisas assim ainda de você trabalhar. Poder ter momentos de ela escolher o material que ela vai utilizar. pelo grupo. plaquinha dos alunos. Mas acho que até assim. E assim. O que é essa concepção pra você? O que você pode falar sobre essa concepções? Professora 3: Tá. pra ela fazer. o brincar. ajudar a organizar o espaço que ela vai fazer atividade. assim. ela ta criando também. a gente sabe que é nesse momento que ele aprende a lidar com o outro. Só que assim. pra opinar na rotina. pra participar. . eu acredito que ninguém é inteiramente sócio-construtivista. eu com elas. pra ir fazer. Isso é tradicional porque a criança não aprende necessariamente assim. às vezes. o ‘z’ porque tem no nome dele ou porque tem algum programa que ele viu aquela letra. mas por que eu me considero que eu me enquadro mais nessa concepção sócio construtivista? Porque assim. vinculada com uma história. Qual é a proposta dela? Ela também tem uma proposta para aquele momento. Então assim. enfocou mais o ‘a’ ou o ‘b’ e o ‘c’. ela constrói o conhecimento dela. Você vê que tudo isso. Então assim. a se conhecer. muito importante. Eu tenho portfólio do que eu faço com eles. Pesquisadora: Em relação a concepção tradicional o que você sente presente.. conhecer os materiais. eu acredito muito nessa coisa dela. Então toda proposta que você traz. nem que seja vinculada com uma música. você acaba ainda estando um pouquinha presa nisso. Só que ainda tem aquelas atividades de você trabalhar a letra a. eu acredito muito nessa construção do conhecimento da criança e que a gente ta aprendendo o tempo todo né. alfabeto móvel. mas ele aprendeu foi o ‘x’. letra b.

escreve. tem as atividades que são fixas. com a foto bem grandona. você até já falou um pouquinho sobre as atividades que você tem feito. no começo dava muito trabalho. Aí. mas assim. não vou dizer que não acontece de ter um livro ou outro. mas assim. Eu até já trabalhei outra época com cantinho fixo. E em relação ao planejamento. Aí a gente vai lá. tem uma hora que eu deixo lá assim. Que nem. vê quem veio. como você tem organizado o espaço e o ambiente para o acolhimento dessas crianças? Professora 3: Então. Pesquisadora: Muito bem. Então eu já vou falar também do tempo. são flexíveis. a gente organiza naquele momento da atividade diversificada a gente organiza os cantinhos conforme as atividades daquele dia. conforme essa rotina do dia. aí eles vão falando. tem algumas atividades que eles escolhem. todos os dias pra fazer as atividades. a gente chega. Em relação ao seu cotidiano em sala de aula. eu gosto muito de fazer atividade diversificada. não é cantinho fixo. eu tenho o costume de todos os dias organizar com eles na lousa. onde ficam os livrinhos. Eles ajudam muito na organização dos espaços. pode ficar à vontade. com os materiais. tinha muita coisa que eles não tinham o costume de fazer. tem passado pra eles. você organiza o seu espaço através de cantinhos? Professora 3: Em alguns momentos da rotina. desenha na lousa o que vai fazer naquele dia. É assim também com os brinquedos. mas no momento tem assim o da leitura que é fixo. E eu tenho também a minha rotina. organizado na escola. avaliação. tem outras coisas que tem que manter que até ta na linha de tempo. guardar as coisas cada uma no seu lugar. É assim.137 Pesquisadora: Muito bem. a gente vai colocando. Pesquisadora: Após é o tempo. organiza a rotina. eu tenho muito isso na minha rotina. E o que a gente vai fazer hoje? Isso é bom até pra abaixar a ansiedade deles. E é bem legal. Pesquisadora: Você tocou no assunto de cantinhos. Como tem ocorrido essas atividades? Professora 3: Aí já entra o registro também ou não? . aí a gente organiza a sala. a gente tem o cantinho da leitura. o espaço ambiente. que todos seguem. a gente tem uma linha de tempo que é da escola. também organiza os espaços. a gente trabalhou muito essa questão de tomar cuidado com o livro de colocar no lugar. Professora 3: Ah. dá uma acalmada. tem uma plaquinha com o nome deles. quem não veio. então tá bom. que faz parte da rotina. como principalmente pra depois também organizar tudo no lugar de novo. E a questão das atividades. o espaço a gente está sempre mudando. tem aquelas que são diversificadas. Mas se você já quiser falar do espaço e do tempo. eu vou te perguntar. Então assim. cuidar dos seus materiais. E aí. A gente tem um cartaz de pregas na escola que fica uma lista móvel. de acordo com essa rotina. porque assim. e a gente vê quem veio. Todo dia tem um momento assim que a gente faz um momento diversificado. quem não veio. que mudam de um dia pro outro. cuidar dos espaços da sala. eu organizo com eles esses momentos. quantas crianças vieram. eles pegavam os livros e deixavam os livros jogados na sala inteira. à execução. eles não ficam toda hora perguntando o que é que vai fazer. tem o cantinho que ficam os brinquedos. os materiais. de acordo com aquela rotina do dia.

como é individual. é legal também. que era minha o ano passado. A mãe também. Como você senta com cada um. aquilo que não está dando muito certo. E tinha uma aluna . é incrível. eles perguntam. Aí nesse portfólio tem evolução da escrita do nome. Eles ficam: professora vamos fazer aquela atividade da letra lá de novo. E eu acho muito legal trabalhar com portfólio. Você vê que pra eles é um desafio. o jeito que ele. aquela lista móvel. no segundo estágio. Então ele faz do jeito dele. lembra? Assim. se você quiser já falar sobre o registro. por exemplo. pra ver como ele está. É uma coisa que fica um pouco distante assim.. Eu tenho criança aqui no terceiro estágio. eu uso muito esse portfólio também pra conhecer melhor. semestral.. vejo aquilo que eu preciso tomar mais cuidado. Eles perguntam o nome das letras. mas é importante também trabalhar algumas coisas assim como a seqüência. É importante trabalhar de um jeito lúdico. gosto muito de trabalhar com portfólio. antes. porque não é uma atividade que ta todo mundo fazendo junto. de nome. que entrega pra coordenadora. vou ser sincera com você. Eu acho legal o professor ter o registro dele. auto-retrato. o que você ainda não fez: Ah. tem a evolução. você vê que uma coisa é importante. olha o que você já fez. Ou falam: aquela do número. E assim. que é uma coisa muito completa. mais palpável. ele lê. logo no começo desse ano. Eu fico vários dias com o portfólio. ta só você e ele. com jogos. recorre a ele. na verdade esse planejamento que fica com ela a gente pega raramente. Assim. ele reflete. Depois eles vão se soltando melhor. e outras listas que a gente faz. de brincadeira. Até citando de novo aquela questão das letras. é legal fazer portfólio por que você vê. posso dizer que a maioria das crianças aprendem mais assim de forma lúdica. A letra do nome era assim. Dependendo da atividade é bimestral. olha isso aqui eu coloquei aqui e não fez. a criança não tem acesso a isso. Eu até faço questão de anotar pra mãe deles saber que ele aprendeu a letra. eles não vêem a hora de chegar a vez deles. só que assim. tenho a minha rotina e assim. no dia-a-dia mesmo o que é que eu uso? Anotações no meu caderno. isso aqui eu preciso fazer um pouco mais. Um dia teve umas alunas minhas do ano passado que viram eu fazendo esse portfólio com um aluno meu desse ano. atividade de número. raramente. a mãe da criança não tem acesso.138 Pesquisadora: O registro. com brincadeiras. aí já estou com o portfólio na mão seja pra uma atividade ou pra outra. pra falar a verdade. um pouquinho apreensivo pra fazer as atividades. então você pega algumas falas deles. Assim. a letra do próprio nome. aí assim. mas a outra também é. agora é assim. no começo do ano ele fica muito assim. eles começam até a gostar.. tem desenho de história. era assim no começo do ano. estão acompanhando a evolução deles. eu apresento o portfólio. Eu estou sempre com o portfólio pra lá e pra cá. Aí no outro mês. às vezes anota alguma coisa no caderno. no caso todo ano. atividade livre. Professora 3: Então. Eles falam: Pro eu escrevia meu nome assim. com trabalhar a letra do nome do amigo.. Eu pego algumas atividades de desenho. E é legal também até pra você conhecer melhor a criança. uso muito o portfólio. é legal porque é uma coisa que eles estão vendo. ela vê. Eu sento um por um. de letra. a gente tem o planejamento que é aquele que a gente faz. eu faço algumas anotações no meu caderno. agora o portfólio eles vêem. Porque assim. por exemplo. assim. dependendo da atividade é mensal. poucas vezes no ano vai lá. E eles sentem faltam. É legal que até no ano seguinte. É legal você fazer portfólio pra você conhecer melhor. Aí pra que eu uso esse portfólio? Tem alguns dados que eu faço uma tabulação no meu caderno. tem conhecimento do nome. só que é muito pessoal. registro de jogos. Só que tem algumas crianças que ainda ajuda muito essa coisa da seqüência. agora é assim. Agora assim. essa coisa mais concreta. porque tem criança que precisa muito disso. aí fico um período sem. A gente pega. aquilo que está sendo legal continuar. na questão das letras. é muito dele. vejo até aquilo que eu preciso dar uma mudada.

foi ótimo. a gente sentou. Entendeu? Pesquisadora: Muito bem. canetinha do lado do lápis de escrever. tudo. você que está ali repondo esse material. aí sempre acaba que eles ajudam a cuidar. agora eu já sei todas. no começo ainda eles usavam. claro. até pra rever alguns trabalhos meus. Aí depois eu mudei. acabou. uma boa parte dessa organização está nas suas mãos. como eles usavam o apontador. apontador comum. mas depois eles foram aprendendo. eles têm que saber. o material mesmo -giz. depois que eles vão evoluindo. pensou em algumas coisas. eles se sentem bem. não dá pra usar giz de cera nessa atividade porque o espaço é pequeno e a ponta do giz de cera é grande. guardar. no começo faziam um pouquinho de sujeira. Aí foi material coletivo. giz de cera. ficavam atrás de mim também quando precisa apontar. borracha. coloquei a bandejinha e pus na mesma bandejinha lápis de cor. Ótimo porque não tinha mais aquela coisa que você usava o apontador elétrico na sala. pra aquilo. você vê que assim. tinha o lado bom. Até quando eles usavam o material errado era bom porque era o momento de você falar: Não. foram pegando. Aí assim. a presença dos materiais no cotidiano? Professora 3: Olha. Aí veio o recesso e teve aquele problema da gripe A. mas depois rapidinho a gente percebeu que melhorou. E é super-importante. organizar. outro só pra canetinha. Teve várias orientações assim . que é assim. outro só pro lápis de cor. Porque incentiva né. eu circulei todas. você quer falar mais alguma coisa em relação aos materiais. e eu ficava apontando. E assim. o material foi assim. então tem assim uma certa possibilidade do material durar mais tempo. você tem material pra usar o ano inteiro. Entendeu? Ai eles foram aprendendo até a jogar a casquinha no lixo. em relação aos brinquedos também. Eles aprenderam a usar. Entendeu? E assim. Aí veio né. No começo eu colocava ainda separado. recolher. mas ele tem que aprender que se nessa atividade ele precisa usar o lápis de cor. foi muito legal. mais tranqüilo pra fazer. você usar o material coletivo. E assim. Como é isso. Explicava o motivo. Então assim. porque eu só to dando lápis de cor. mas já dá pra usar. eles não sabiam usar. eu uso muito. A maioria ainda tinha quatro. Aí. Eu estava gostando muito dessa forma de usar o material. mas como não era todo dia. agora Pro eu sei todas as letras do alfabeto. É muito bom. senão é muito fácil né. ta muito limitado isso: é claro que ele só vai usar lápis de cor nessa atividade. o apontador. ninguém ficou mais atrás de mim isso. Aí as minhas alunas ouviram: Pro lembra que o ano passado aconteceu isso comigo? A primeira vez que você fez essa atividade eu também só sabia a letra X. Então assim.139 minha que eu perguntei o nome da letra e ela só sabia a letra X do alfabeto. no primeiro semestre. tinha um potinho só pra giz. Daí eu falei: Chega. era horrível aquilo. Aí ela falou: esse é o X. depois disso. Acho que até a questão da alto-estima deles. você vê que é importante pra eles. Foi só no primeiro bimestre aquela coisa muito assim. você tem o material por mais tempo. não pôde mais continuar usando o material coletivo. Eu achei ótimo. era individual. direto. mas estava tudo nas mãos deles. por exemplo. eles se sentem mais à vontade. lápis de cor – o material pra atividade era coletivo. Quando você entregou essa atividade pra gente levar pra casa. E eles faziam uma sujeira porque não estavam acostumados a usar o apontador. tem um lado muito bom. não era adequado para aquela atividade usar. E é isso. giz de cera e eles usavam. faltava algumas ainda pra circular que eu não sabia. às vezes acontecia de uma atividade. ele tem que encontrar o lápis de cor no meio dos outros materiais. Nada de criança ficar andando atrás de mim procurando apontador com lápis pra apontar. Aí assim. Só que assim. eu dava também o apontador. Como são organizados os materiais na sua sala de aula. dependente de mim ainda. Aí depois eu falei: Ah. Entendeu? Mas eles foram aprendendo. eles tem que aprender a usar o apontador. Aí eu falei: você sabe mais alguma? Ela: Não. Em relação aos materiais.

Essa sala que a gente ta agora não tem tanto brinquedo como a outra tinha.. se socializaram melhor. entenderam que o material ia ficar na mochila. escolhem. arrumar direitinho. eles foram melhorando. antes de acabar o rodízio e lá tinha baldes. brincam. E aí. é mais material de encaixe. Mas foi uma loucura no começo. Acho que é importante. já melhora. por exemplo. aí eles vão lá. Aí. Aí depois sim. teve muitas mães que vieram na reunião. eles tem que aprender a usar o caderno. no começo. na hora da história. E a gente já teve um momento que o brinquedo. Porque assim. dele como uma criança ativa. Aí lá vai eu pegar todo aquele material que estava no coletivo e mais alguns que eu tinha guardado e a gente dividiu tudo e colocou tudo nos estojos – quem tinha né. brinquedinho de panelinha e tal. foi uma loucura no começo. principalmente. ficavam mais soltos. Também deram trabalho pra aprender a arrumar o armário quando chegaram esses brinquedos novos. se puder ser um caderno com linha. O que você quer saber mais pontual? Pesquisadora: Dessa dinâmica mesmo do aluno. tudo separadinho. Então assim. nos momentos de brincar. tem que ir indo gradativamente. Aí a gente pediu o estojo para os pais. e veio recomendação que não podia usar com o amigo. eles melhoraram bastante o uso do caderno. Assim. assim. eles melhoraram bastante. A interação se dá na hora das brincadeiras. eles iam. alguma coisa pra guardar. tem assim. das atividades. . boneca. pegavam e brincavam. eu acho que tem que ter porque eles tem que aprender cada um cuidar do seu. toda a hora a gente está interagindo. na sua sala de aula? Professora 3: Ah. estão usando. Então. agora eles estão falando mais. eles pegavam mais os brinquedos. eles estão usando o material individual. fizeram muitas amizades. precisa de ajuda. Pesquisadora: Muito bem professora. E foi legal também essa fase de cada um usar o seu individual. só que assim. era separado. é mais pra ele aprender a usar mesmo. E assim. foi uma loucura. o material ia e nunca mais voltava. Eles estão aprendendo também. tem algumas crianças eram bem quietinhas no começo do ano. assim. que tenha oportunidade de falar o tempo todo. a interação se dá o tempo todo né. mas teve várias que não estavam nessa reunião. das rodas de conversa. distribuía o material. No segundo estágio é mais o caderno de desenho eles tem que aprender a seqüência. terceiro estágio. Aí chega no terceiro estágio. só que esse material ia e voltava todos os dias. continuou o material individual. então eles já têm maturidade pra isso . um ou outro ainda precisa de orientação. brinquedos grandes. e em relação à interação do professor com o aluno e entre eles? Como que se dá isso. eles ficam livres. bichinho de pelúcia. tinha criança que nem falava no começo do ano. Eles usavam muito de trás pra frente.. Claro. E assim. criou um vínculo muito grande. você não vai dar aquela coisa maçante. individual. como é que usa.mas a maioria está se virando muito bem com o material individual. na hora das conversas. voltando lá. E eles têm mais autonomia ainda do que tinha. como a gente já não tinha muita coisa. O brinquedo fica num cantinho da sala. abria em qualquer página. porque ali dentro tem tudo.140 pra não estar usando mais nada coletivo durante um bom tempo. Igual. estão cuidando direitinho. acho que até eles gostam. de caixinha. tudo que tinha que ficou individual. agora também tem alguns brinquedos novos. é até difícil falar com se dá a interação. eu até acho que eles têm que aprender a usar sim. aí já não tinha material. aí depois foi junto. Então eu oriento muito o uso do caderno. assim. de ponta cabeça. aquelas caixas com os brinquedos. até que ficou. quem não tinha foi dentro de saquinho. O caderno também. era o momento que a gente estava em outra sala. Foi bem legal porque a maioria das crianças conseguiu aprender. a interação é o tempo todo. Assim.

sempre tem alguma coisa que a gente leva sim da teoria para a prática. Pesquisadora: E assim. Porque assim. é aquela centralizadora ou aquela que ta mediando. tanto de projeto. Tem hora que tem que parar um pouquinho e falar: Calma. você de fora. Entendeu? Pesquisadora: Bom. a gente faz bastante roda de conversa também. Às vezes. falando. algumas atitudes assim. aquele professor mudou porque está fazendo PEA ou tal. observar mudanças assim. algumas coisas que a gente reflete e muda. Você percebe assim. o seu papel enquanto professora. que fica muito claro. Um de cada vez. o que já era da prática deles. em relação à formação continuada. eles já sabem mais ou menos como funciona a rotina. E assim. Você que não realiza a formação continuada. Professora 3: Olha. Eles vêem falar que foram passear. Pesquisadora: Se você dá oportunidade pra ele falar. às vezes também num ano você consegue e no outro não. vai mudando algumas coisas na prática. o tempo todo. O que você aprendeu na sua formação acadêmica para a sua prática. falam. atitudes? Professora 3: Olha assim. E assim. que você percebe muito nitidamente. um tênis novo. isso. em alguns momentos assim. muito obrigada. sim. como de programas. E é legal que eles falem bastante mesmo. Eles falam muito o tempo todo. na hora de brincar na hora de fazer atividade. a gente até toma cuidado pra todo mundo poder falar. Isso não fica muito claro. com os professores. é eles que falam. vem desde lá do começo do ano. você percebe mudança na prática do professor que faz formação continuada? Você de fora. da convivência da interação que você tem com o outro professor. a prática que ele já traz com ele. o tempo todo eles falam. Pra falar a verdade. você percebe mudanças. E em relação a fatores que impedem as propostas. Na hora da rotina eles falam. não fica muito claro pra mim o que é da prática dele. você percebeu durante esse ano. para a sua realidade do dia a dia. Mas assim. falam. o que é da formação que eles estão tendo no gurpo do PEA. Outra pergunta é à respeito da prática docente. Geralmente . e querem comentar. no decorrer da rotina. É uma interação que não acaba nunca. Eles falam bastante. a gente tá sempre mudando né. Os alunos são muito diferentes. É difícil dizer isso né. Eles falam. bastante.a gente sabe que não é tudo que a gente vê na teoria que a gente consegue colocar na prática. todos os momentos. contam tudo que acontece em casa e querem mostrar tudo. claramente. eles chegam todo dia falando. você sente algum fator que impede essa teoria presente na sua prática. já faz tempo né. Assim. no PEA. não é uma coisa assim muito marcante. pra falar a verdade não fica tão claro isso. mas assim. falando. aquilo que ele vai mudando. Pesquisadora: Muito bem. não fica tão claro isso. ah. você percebe até uma ou outra atividade. fica difícil falar até que ponto foi a formação que ele ta tendo porque tem assim o dia-a-dia dele. respeitar a vez dos outros de falar.141 Professora 3: Ah. Agora assim. durante esses quatro últimos anos mudanças nesse professor? Você consegue observar isso ou não? Professora 3: Então. eles interagem. eles falam bastante. aquilo. as teorias. a realidade é bem diferente. Como é isso? Professora 3: Bom. alguma coisa que ele faz assim que você percebe que está dentro de algum tema que está sendo estudado dentro do projeto. Às vezes. não.

Agora. Que nem. ajuda a melhorar. até alguma coisa que você fazia lá há um tempo atrás e não faz mais. e todos eles precisam né. sempre considerei. que é ter um número muito grande de alunos nas salas. na prática docente? Professora 3: A teoria geral? Pesquisadora: É. assim. Eu acho muito importante o brincar. Tem também algumas coisas assim. é uma turma muito agitada. A teoria que você tem desenvolvido durante toda sua formação profissional. a gente põe em parte isso em prática. olha que legal. tem coisa que não. Seria assim. Pesquisadora: Você tem como dar algum exemplo? Professora 3: Um exemplo. em alguma coisa ele precisa de intervenção. a gente procura estar fazendo essa intervenção. ele aprende sozinho. ele precisa de uma intervenção individual. Você localiza no seu cotidiano fatores que auxiliam a aplicação das propostas teóricas. eu estava lendo esses dias um livro. procura estar acompanhando. quem não gostaria de poder acompanhar melhor os alunos de poder fazer mais por cada um. tava lendo e tava falando dessa parte do brincar na educação infantil. praticamente sozinho. mas tem muita coisa que dá pra você colocar na prática. tudo. a gente faz o que a gente pode. eles tem mais paciência pra uma atividade que precisa de mais tempo. eu tenho um num período intermediário e um no período vespertino e eles são muito diferentes uma turma da outra. eu tava dando uma olhada. Eu acho muito importante porque assim. fazer de novo. eu tenho uma turma no inter que é muito difícil. e assim. Então assim. eles precisam. Pesquisadora: Muito bem. para caminhar sozinho. os alunos são muito agressivos. Então. que é dificuldade geral. às vezes. no vespertino e não consigo fazer no inter. ele consegue aproveitar. uma coisa que me aflige muito. é sempre muito bom. ajuda a transformar algumas coisas na sua prática sim. tudo que você trabalha no coletivo. assim. seja de um jeito ou de outro. por exemplo. Às vezes você começa a ler. Então assim. Sempre. eu não prestei concurso. mesmo que ele tenha facilidade. procura estar conhecendo cada aluno o máximo que a gente pode. Professora 3: Ah sim. Aí eu tive oportunidade de pegar esse livro. sempre você dá uma acordada pra alguma coisa. poderia fazer um trabalho bem melhor. eles conseguem esperar. É uma dificuldade.142 eu tenho duas turmas. mas é um dos livros lá que uma professora falou que caiu no concurso. reflete. esse é um fator complicador. ele tira daquilo um aprendizado daquilo. que eu acho muito importante: a intervenção individual. Algumas coisas eu consigo fazer. auxilia. poderia acompanhar bem melhor cada aluno. eu fazia isso. Essa é uma questão. Então assim. se não tivesse algumas dificuldades teria como colocar muito mais a teoria em prática. que ajuda. ele precisa de uma dica: olha isso tem que fazer assim. Por exemplo. Então assim. em um lado. Por exemplo. a intervenção individual. E eles são muito diferentes um do outro. essas e outras coisas que a gente vê na teoria que é importante. agora não faço mais. cada criança. tem muita criança que ele aprende sozinho. Já a outra turma é uma turma mais tranqüila. eu tenho dois segundos estágios. E acredito que é um momento que ele constrói conhecimento. tem coisa que dá. dá pra você estabelecer um diálogo melhor. Seja numa área ou em outra. tem criança que não é assim. então assim. é importante retomar. tem muita coisa que não dá. Só que a gente sabe que se fosse um número menor de aluno. E assim. É muito bom. é um momento que eles . tudo que você oferece pra ele. que ajuda a refletir. Às vezes. às vezes ele tem facilidade em uma questão e em outra não.

Teve criança que falou .. Muita atividade artística: tinta. dos animais. como que eu posso dizer. Às vezes. Só que assim. que ele faz a vontade dele. eu acho importante trabalhar todas elas. Apesar de sempre.. conta os pontos e faz isso com palitinho. Agora. Então assim. agora? É que tem época também que a gente deixa de lado. trouxe filme. Um exemplo. você tem conseguido desenvolver essas múltiplas linguagens da educação infantil com os alunos? Professora 3: Olha. tesoura. é muito bom. desse momento livre. as crianças estão bem envolvidas. eu trouxe vários livros. Eu fiz oficina com os pais. nas últimas duas reuniões de pais. tem época que eu conseguia contar histórias todos os dias. as crianças trouxeram. A gente tem que tomar muito cuidado. O que ta acontecendo todos os dias. Por quê? Porque nós estamos às vésperas de uma mostra cultural. Qual é o motivo? Professora 3: Na arte e também. só que tem época que eu acabo priorizando mais uma do que outra. desse momento que a criança escolhe. pesquisamos nos livros várias características. muito. todos os dias. a gente passou por momento de pesquisa. dançava. muito. nós passamos por várias etapas. muito importante. Eu tenho na minha rotina um momento dirigido e um momento que a criança fica. tava falando assim que. cola.143 se conhecem melhor. Pesquisadora: Muito bem.. na verdade. às vezes. que ele fica mais à vontade. eles até falaram em casa para os pais. trabalho todas elas. numa determinada época do ano. Aí eu tava pensando assim: é. características sobre vários animais. Matemática : tem época que a gente trabalha mais. eu trabalhei muito estória. Só que assim. eles estão gostando muito. quando eu tava lendo isso. nós assistimos filme. Muito obrigada. você acaba. Coisas que até eu descobri. mais livre também pra ele poder brincar. já não é uma coisa que acontece todos os dias. às vezes. por exemplo. Menos dirigido. o professor se desgasta tanto querendo direcionar muito. o professor se desgasta muito em fazer isso. Pesquisadora: Nesse momento você falou que ta fixado mais as atividades na arte. enfim. pra ele poder se interar mais à vontade com os outros. Assim. O nome do nosso projeto era fundo do mar e assim. eles comentaram muito que as crianças falam muito sobre várias coisas que eles estão aprendendo do fundo do mar. por um motivo ou outro. E assim. você pediu um exemplo. só que tem um momento que a gente acaba priorizando mais uma do que a outra. Eu acredito que eu trabalho todas as linguagens.. o professor precisa ter mais tempo dessa interação. entendeu? Que é importante mais momentos assim que não sejam direcionados pelo professor do que momentos dirigidos pelo professor. Em relação às linguagens. colocava som. cantava. eles curtiram muito. mas tem época que você acaba deixando um pouquinho de lado. tem coisas que a gente faz mesmo. é muito bom. E assim. mas assim. aquilo e tudo muito dirigido. que ele organiza. vários mistérios. Então. no colar. mais à vontade. na verdade esse projeto que eu to desenvolvendo. trabalha boliche. O ideal seria todas serem priorizadas sempre. Então assim. trouxe CD também. as linguagens é assim. acontece. No momento. trabalhando mais uma do que a outra. não sei como vocês denominam essa parte assim de ciências naturais. eu tava lendo que assim. uma coisa que deveria acontecer todos os dias. tem época que a gente cantava. muito. essa e outras questões. você começa até a valorizar mais. Valorizar a hora que ele ta ali brincando e observar e ver que. isso não acontece todos os dias. tem época que você percebe que. alguns mistérios do fundo do mar. que eu não sabia. nós estamos desenvolvendo desde o final do semestre passado. estar revendo sua prática porque. Por isso é importante o registro. realmente. os pais também. Música. é um momento que ele se expressa – a brincadeira simbólica é muito importante. Só que assim. Então assim.

a pesquisa. é uma coisa que chega a ser quase desumano. Foi uma experiência até um pouco traumática. Na EMEI você com 35 alunos. Eu acho que eu vou demorar um pouquinho pra ter coragem de pegar o primeiro estágio de novo. Que é um grupo muito grande pra você ali. Então. que o fundo do mar é lindo. Eu trouxe também CD Room. e teve também o momento de várias atividades artísticas que a gente veio fazendo no decorrer do ano. não é só agora. Aliás. Em relação ao ensino fundamental de nove anos. aí vem pra EMEI. principalmente no começo do ano. Agora nós estamos finalizando alguns trabalhos. eles são muito dependentes. Criança de cinco pra seis anos. Nessa escola aqui eu nunca peguei primeiro estágio. Teve a leitura. Então assim. eu vou falar um pouco da minha experiência. até o seu jeito de cantar. Assim. Pesquisadora: Muito bem. era um número bem menor. não é assim uma diferença tão grande. eu sofri demais. Então assim. outra realidade. tem um mês que completou. A gente fez cada cartaz enorme. criança que tem quatro e vai fazer cinco. Aí assim. vai fazer seis. Mas é que agora a gente está no final. na minha opinião não ta preparado.144 que queria morar no fundo do mar. por conta disso. a gente passou por esse momento da pesquisa. a gente olhou também na sala de informática. de segundo pra terceiro estágio. as crianças que ainda vão completar quatro anos. vocês estão recebendo crianças de quatro anos a completar. Agora. muito. dessa semana de mostra cultural. foi uma dificuldade arrumar o tamanho da lousa. muito. pra falar a verdade. Entendeu? Não tem muita diferença de uma sala pra outra. de aplicar uma atividade. primeiro estágio é muito diferente. um grupinho . o que a gente faz de diferente? A linguagem pra uma criança de três anos é diferente. Assim. que vieram de CEI. Mesmo aqueles que já vieram de alguma escola. a gente acabou priorizando mais nesses últimos dias essa questão artística mesmo. mas eu não sabia que era tão difícil como foi comigo quando eu peguei. a realidade é outra. Tudo você tem que fazer um certo malabarismo pra chamar a atenção deles né. se tivesse feito antes não teria onde colocar. na última reunião de pais. Pesquisadora: É um projeto maior? Professora 3: Isso. tem coisas que é difícil até de guardar. que completaram 3 anos no final do ano. demais. Porque do mesmo jeito que essa sala que recebe essas crianças. ta na semana da mostra. Pesquisadora: Nem a rotina é diferente? Professora 3: A rotina é um pouco diferente. de seis anos. algumas coisas tem que ser mais próximas mesmo. tudo. a finalização de algum trabalho. Como vocês têm se organizado? Vocês têm discutido isso nos grupos em relação à material. o seu jeito de falar tem que ser diferente. trabalhos que os pais fizeram também na nossa oficina. pra fazer a verdade. por exemplo. brincamos com alguns joguinhos que tinha nesse CD. recebe também as crianças de cinco. você sozinha. do mesmo jeito que é a sala de primeiro estágio. não ta estruturado pra receber essas crianças. que a gente chama de segundo. Porque eu já tinha trabalhando com essa faixa de idade de alunos em creche. trabalhos de meses já. em relação ao mobiliário? Como que isso tem ocorrido na rotina de vocês? Professora 3: Olha. eu não percebi assim mudança pra receber essas crianças. que são vários trabalhos que eles fizeram. era duas educadoras por turma. todos do fundo do mar. terceiro estágio. Eu sabia que era difícil o primeiro estágio. É muito difícil. o ano passado eu peguei um primeiro estágio na outra escola que eu trabalhava. Assim. Essas coisinhas tem que ser perto mesmo.

Eles são muito novinhos. É exaustivo. eu sou muito ansiosa. da minha profissão. Eles sentem vontade ir no banheiro. Então assim.Cuidar das coisinhas dele. eu gosto de estar acompanhando. bem legal. principalmente fora da sala. o jeito de falar com eles tem que ser diferente. eu acho sofrido pra eles e sofrido para o professor. Então assim. Não. não dá. que eles estão se sentindo bem. Tem muita criança que não tem. eles são muito novinhos. querem a gente o tempo todo. É muita coisa. sua prática? Qualquer coisa que você gostaria de comentar. Acho que tinha que ter assim mais brinquedos. E ainda nessa turma que eu peguei experiência foi mais difícil ainda porque era um grupo bem agitado. Pesquisadora: Professora você tem algo pra comentar sobre a educação infantil. Porque assim. eu nem sei se cabe dizer. Todo dia à noite eu não consigo nem falar mais quase. em especial.145 menorzinho. vários assuntos. eu posso dizer que é sofrido porque eu vivi essa experiência. é muito difícil com essa quantidade de criança. você tem que falar de um jeitinho especial com eles. Tem muita criança que faz ali na roupa mesmo. apesar disso é muito gostoso. tinha muita criança com problema assim de agressividade. eu também peguei uma turma bem difícil. ta muito longe. eles sugam o tempo todo. eles não têm ainda aquela noção de . ainda mais com duas turmas. não são tudo flores. essa coisa de mesa. de abordar nesse momento? Professora 3: Eu acho que eu já falei bem geral assim. é isso. professora de educação infantil. eu sou muito ansiosa. E assim. Tem coisa que eu consigo. Inclusive hoje me falaram que eu preciso respirar. Então a dificuldade maior é essa. devo dizer que claro. E assim. Então assim. É muito difícil. de ver que eles estão aprendendo. é cansativo também.que é uma opção minha também né. E assim. muitas horas de trabalho. eu quero agradecer a sua participação na pesquisa. E assim. Muita criança. Eles misturam as coisas deles com as coisas das outras crianças. é o cansaço. Isso eu sinto muito. . gosto de ser professora. Professora 3: Obrigada você também. pra cuidar do material também é muito difícil. a gente passa muita dor de cabeça. E assim. Então foi muito difícil. Eu acho que a escola está longe de estar preparada pra essa idade de aluno. tanto o que ele traz na mochila ou mesmo o material coletivo. foi de grande valia para a pesquisa e muito obrigada.. a garganta. eu quero fazer tudo assim. E assim. Mas assim. uma turma de intermediário já é difícil por essas questões que eu falei. principalmente a voz. talvez um horário de parque diferenciado. mas reduzir a quantidade de aluno. mais opções de atividades livres. isso seria interessante sim. dentro dessa minha opção o mais difícil é isso – o cansaço. que eles estão se socializando bem com os outros. É muito difícil. tem coisa que eu não consigo.Gente. tem que ajudar. fica cansada. pouquinho tempo da rotina. tem que ensinar muito tudo. sobre a sua profissão. Eu me cobro muito ainda. da roupa. cadeira. Eu tenho a dizer que eu gosto muito do meu trabalho. ele não pára e vai. eu estou satisfeita com o meu trabalho e com a minha profissão. do material. muito preocupada. A gente cria um vinculo muito grande e é um trabalho muito humano e eu estou feliz. Eu gosto muito do meu trabalho. Mas assim.. realmente não ta preparada a escola. não dá. Eles solicitam a gente o tempo todo. Eu me preocupo muito com os alunos. Pesquisadora: Bom. Eu acho que as perguntas estão bem legais e bem assim. Até a linguagem que você usa. e tudo. eu vejo assim. e assim. eles têm uma certa dependência de você. Da experiência que eu tive.

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