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A EMANCIPAÇÃO POLÍTICA DE ALAGOAS

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Published by: Paulo Jose Do Nascimento on Feb 10, 2012
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A EMANCIPAÇÃO POLÍTICA DE ALAGOAS

Alagoas, do tamanho da Bélgica, pode ser pequena no tamanho, mas é gigante pela força e pelo trabalho de seu povo, de sua gente. São essas pessoas que construíram uma trajetória de lutas e conquistas que merecem ser resgatadas. Basta lembrar figuras da expressão de Aurélio Buarque de Holanda, Pontes de Miranda, Costa Rêgo, Otávio Brandão, Jorge de Lima, Graciliano Ramos, Ledo Ivo e muitos outros. De Alagoas, surgiram três Presidentes: o Marechal Deodoro da Fonseca e Floriano Peixoto, os dois primeiros Chefes da República, além de Fernando Collor de Melo. Muitos estiveram presentes, quase sempre, nos grandes momentos da política nacional: Visconde do Sinimbu, Tavares Bastos, o menestrel Teotônio Vilela, Rui Palmeira, general Gois Monteiro, Aurélio Viana e tantos outros. Os ideais libertários marcaram profundamente os movimentos sociais e as lutas no estado. A força das idéias vanguardistas sempre foi marcante. No último 16 de setembro, nosso estado completou 191 anos de emancipação política. Mas a história de Alagoas começa muito antes. Em Santana do Ipanema, foram encontrados esqueletos de animais pré-históricos. Também surgiram vestígios desses animais em Viçosa e São Miguel dos Campos. A evolução político-administrativa começa com as invasões francesa, no século XVI, e holandesa, no século XVII. Retomada pelos portugueses nas duas ocasiões, Alagoas já foi Comarca, em 1711, Capitania, em 1817, Província, em 1822 e é Estado Federativo, desde 1899. A partir do século XVI, Alagoas sedia o mais importante centro de resistência dos negros, o Quilombo dos Palmares, na Serra da Barriga, no Município de União dos Palmares, terra de Zumbi. Os negros construíram uma verdadeira civilização, assim como era na África. Ganga Zumba se constituía no Chefe de Governo e tinha seus Ministros. Formou-se uma verdadeira República Parlamentarista, que chegou a reunir quase 30 mil pessoas. No período imperial, em que a região Nordeste conseguiu mais espaço junto à Coroa que os fazendeiros de São Paulo e Minas, Alagoas ficou atrás apenas da Bahia e de Pernambuco. Recorro aos ensinamentos do Professor de História da Universidade Federal de Alagoas, Douglas Apratto, para explicar esta trajetória. Durante o ciclo da canade-açúcar, Alagoas se povoou de engenhos e viveu uma escassa urbanização. Fronteira entre Pernambuco e Bahia, estas circunstâncias levaram o estado a ser descentralizado politicamente, sem que uma oligarquia se impusesse sobre as demais. Os primeiros engenhos foram construídos por Cristovão Lins, o alemão, que foi o verdadeiro colonizador de Alagoas. Até hoje a cana é a marca do estado: 57 dos 102 municípios, inclusive a capital, Maceió, a cultivam. E somos o primeiro produtor do Nordeste e o quarto do Brasil. O nome Alagoas é derivado dos numerosos lagos que se comunicam uns com os outros e também com os diversos rios que banham a região. Já Maceió vem da denominação tupi "Maçayó", que significa "o que tapa o alagadiço”. A herança indígena, aliás, é presente até hoje, em nossa cultura e em nosso artesanato, que encanta a todos por sua criatividade e originalidade. As belezas naturais do estado são abençoadas. Quem já não ouviu falar das praias do Francês, do Gunga, da Barra de São Miguel, de Paripueira e Maragogi? Nossas praias são de areia branca e mar turquesa. Temos um povo hospitaleiro e uma rica gastronomia. Maceió possui uma cultura marcante, representada principalmente pelo seu rico folclore. Dentre as manifestações, há diversos folguedos, como Caboclinho, Cavalhada, Chegança, Coco Alagoano, Festa de Reis, Guerreiro, Pastoril, Reisado, Quilombo e Zabumba. Ao longo de quase 5 séculos, demonstramos ao País que temos um povo trabalhador, honesto e esperançoso. Uma de suas qualidades é a criatividade. E é com um trecho da letra de Djavan, da música “Alagoas”, que encerro este pronunciamento:
“... Você me deu liberdade Pra meu destino escolher E quando sentir saudades Poder chorar por você...”.

Emancipação política de Alagoas e avanços étnicos-raciais(18/09/2008 - 17:48) Texto: Helciane Angélica /Jornalista, presidente do Anajô e integrante da Cojira-AL
Alagoas completou em 16 de setembro, o 191º aniversário de emancipação política do Estado. O segundo menor território do Brasil ocupa uma área de 27.767 km² e está situado na Região Nordeste. Tem esse nome devido às muitas lagoas existentes no seu território. Porém, também é conhecida como "Terra dos Marechais", porque os dois primeiros presidentes do país foram alagoanos (Marechal Deodoro da Fonseca e Marechal Floriano Peixoto). Outro termo, mais valorizado, é "Terra da Liberdade", devido à importância do Quilombo dos Palmares e por ter abrigado a sede administrativa (Serra da Barriga) neste território. A diversidade das belezas naturais, a riqueza cultural e o potencial histórico encontram-se distribuídos nos 102 municípios existentes. Além disso, alagoanos ilustres como Graciliano Ramos, Nise da Silveira, Aurélio Buarque de Holanda, Théo Brandão, Jorge de Lima, Ledo Ivo, Linda Mascarenhas, Arthur Ramos, Jofre Soares, Vera Arruda, Djavan, Cacá Diegues, Hermeto Paschoal, Marta Vieira da Silva e Zumbi dos Palmares contribuíram, e ainda contribuem, na divulgação do que existe de melhor do Estado. Entretanto, muitas ações ainda precisam ser efetuadas para transformar a realidade da população afro-alagoana. Conheça alguns avanços que merecem destaque:

Zumbi fugiu e foi morto. mandioca.Pela primeira vez no Estado de Alagoas. que era negociado nos povoados vizinhos. Em 1839 a sede do governo foi transferida da antiga cidade de Alagoas (hoje Marechal Deodoro) para Maceió. entidades de cunho político. Durante os períodos subseqüentes. * Alagoas possui 22 comunidades remanescentes de quilombo. a maior revolta de escravos ocorrida no País. implantada em maio de 2008. Cabo Verde. realiza mensalmente encontros afroalagoanos para educadores. * Ponto de Cultura Quilombo Cultural dos Orixás. são elas: Federação Alagoana de Capoeira (Falc) e Conselho Estadual de Mestres de Capoeira de Alagoas. Publicada semanalmente (todas as terças-feiras) ocupa meia página colorida no formato standard. * Possui uma Pastoral da Negritude dentro de uma Igreja Batista. feijão.639/03 para a inclusão da Históra e Cultura Afro-Brasileira e Africana no currículo escolar. banana e cana-de-açúcar. que será comemorado no dia 2 de fevereiro (Lei nº5. Em 1706 Alagoas é elevada à condição de comarca. a capital. Palmares Aconteceu em Alagoas por volta de 1630. que assinalaram o início da vida republicana.localizado no platô da Serra da Barriga em União dos Palmares. batata-doce. Em 1630. Também criavam galinhas e suínos. durante 65 anos. Tem vários acadêmicos oriundos de Guiné Bissau. sob o comando de Duarte Coelho. uma confederação de quilombos organizada sob a direção de Zumbi. onde se organizou o famoso Quilombo dos Palmares.primeiro complexo arquitetônico de inspiração africana das Américas . que só viriam a conhecer a sua libertação oficial em 1888. * Gerência Étnico Racial da Secretaria Estadual de Educação e Esporte. Fonte: mre. A fartura de alimentos em Palmares foi um dos fatores fundamentais para a sua resistência aos ataques dos militares e brancos em geral. que estadualiza a Lei 10. A emancipação política aconteceu em 1817.responsável em atender as demandas dos segmentos afros e garantir melhorias nas comunidades quilombolas. com certidões de registro emitidas pela Fundação Cultural Palmares/Ministério da Cultura. Em torno de 1730 a comarca possuía cerca de 50 engenhos. Moçambique. onde plantavam milho. o primeiro ponto de cultura ligado a uma Casa de Axé no Brasil. Os negros e negras que diariamente contribuem para o desenvolvimento sócio-cultural. donatário da capitania de Pernambuco. * O Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros (Neab) da UFAL desempenha um intenso trabalho de formação. quando a comarca foi elevada à condição de capitania. * O governador Teotonio Vilela Filho sancionou a Lei nº 6. * Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial em Alagoas (Cojira-AL). possui 17 lagoas. desenvolve a releitura da Bíblia a partir da ótica étnico-racial. é preenchida com editorial.gov. que organizou duas expedições e percorreu a área fundando alguns vilarejos. em meio a graves agitações políticas. distribuídos em várias aldeias. Palmares chegou a ter população de 30 mil habitantes. várias sublevações contra os portugueses se sucederam em Alagoas. conseguindo extrair um excedente de sua produção. que enfrentam as inúmeras dificuldades e lutam por mudanças sociais. os holandeses invadiram Pernambuco e também ocuparam a região de Alagoas até 1645.* Instalação do Parque Memorial Quilombo dos Palmares . pesquisa e fortalecimento da auto-estima dos alunos cotistas. A Primeira Constituição do Estado foi assinada em 11 de junho de 1891. acabando assim o sonho de liberdade daqueles ex-escravos. * Temos uma diversidade de grupos de capoeira no Estado. notas informativas e fotos. Possui grupos culturais em várias áreas. econômico e anti-racista em Alagoas são os que verdadeiramente merecem as homenagens. religioso e de formação. sendo retomada pelos portugueses em 1535. Cidadania e Direitos Humanos . 10 freguesias e razoável prosperidade. * O Movimento Negro alagoano é diversificado. Origem do Nome O nome Alagoas é derivado dos numerosos lagos que se comunicam uns com os outros e também com os diversos rios que banham a região. primeiro passo para o alcance de sua autonomia.br . História do Estado / Formação Histórica A região onde hoje se encontra o Estado de Alagoas foi invadida por franceses no início do século XVI. Também incentivou a plantação de cana-de-açúcar e a formação de engenhos. estudantes e demais interessados. fomenta o intercâmbiocultural e o desenvolvimento dos países que falam o português. Foi destruído em 1694. * Maceió já tem o Dia Municipal de Combate à Intolerância Religiosa de Matriz Africana.814/07. Em 1695. entre mais de 30 em todo o Estado.871/2008). o chefe guerreiro dos escravos revoltosos. * Coluna Axé . desenvolve a interlocução entre os segmentos afros e os meios de comunicação. * Existe uma Comissão de Defesa das Minorias Étnicos Sociais na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-AL). e duas instituições que se revezam na defesa dos direitos e propagação dessa importante manifestação afro-brasileira. Foi o primeiro núcleo do Nordeste a trabalhar as questões étnicoraciais no movimento sindical. * Gerência Afro-Quilombola da Secretaria Estadual da Mulher. uma entidade (Cojira-AL) conquistou um espaço periódico para abordar a temática afro. no Jornal Tribuna Independente. como o de Penedo. Só Maceió. Angola. * A Universidade Federal de Alagoas (Ufal) possui um convênio com o continente africano. quando os portugueses voltaram a conquistar o controle da região. e São Tomé e Príncipe.

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